Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,885)
- Primeira Turma Ordinária (16,419)
- Primeira Turma Ordinária (16,225)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,202)
- Terceira Câmara (67,872)
- Segunda Câmara (56,642)
- Primeira Câmara (20,751)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,714)
- Segunda Seção de Julgamen (115,210)
- Primeira Seção de Julgame (77,082)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,551)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,930)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,615)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,690)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10783.909958/2009-06
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO X COMPENSAÇÃO EM DCTF A única compensação possível e permitida pela legislação é aquela prevista pelo artigo 74 da Lei n º 9.430, de 1996, feita por meio de Declaração de Compensação, capaz de extinguir o débito sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Não tem validade, para os efeitos previstos no artigo 74 da Lei n º 9.430, de 1996, a compensação meramente informada em DCTF ou registrada na contabilidade. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO INTEGRALMENTE RECONHECIDO. AUSÊNCIA DE LITÍGIO Não havendo inconformismo a respeito do direito creditório reivindicado pelo sujeito passivo para compensação, não há litígio a ser dirimido neste órgão de julgamento.
Numero da decisão: 1801-001.056
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201206
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO X COMPENSAÇÃO EM DCTF A única compensação possível e permitida pela legislação é aquela prevista pelo artigo 74 da Lei n º 9.430, de 1996, feita por meio de Declaração de Compensação, capaz de extinguir o débito sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Não tem validade, para os efeitos previstos no artigo 74 da Lei n º 9.430, de 1996, a compensação meramente informada em DCTF ou registrada na contabilidade. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO INTEGRALMENTE RECONHECIDO. AUSÊNCIA DE LITÍGIO Não havendo inconformismo a respeito do direito creditório reivindicado pelo sujeito passivo para compensação, não há litígio a ser dirimido neste órgão de julgamento.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 10783.909958/2009-06
conteudo_id_s : 5226308
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1801-001.056
nome_arquivo_s : Decisao_10783909958200906.pdf
nome_relator_s : MARIA DE LOURDES RAMIREZ
nome_arquivo_pdf_s : 10783909958200906_5226308.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
id : 4577709
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:00:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041577348169728
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1824; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 91 1 90 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.909958/200906 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180101.056 – 1ª Turma Especial Sessão de 14 de junho de 2012 Matéria Restituição/Compensação CSLL Recorrente CONSTRUTORA EPURA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO X COMPENSAÇÃO EM DCTF A única compensação possível e permitida pela legislação é aquela prevista pelo artigo 74 da Lei n º 9.430, de 1996, feita por meio de Declaração de Compensação, capaz de extinguir o débito sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Não tem validade, para os efeitos previstos no artigo 74 da Lei n º 9.430, de 1996, a compensação meramente informada em DCTF ou registrada na contabilidade. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO INTEGRALMENTE RECONHECIDO. AUSÊNCIA DE LITÍGIO Não havendo inconformismo a respeito do direito creditório reivindicado pelo sujeito passivo para compensação, não há litígio a ser dirimido neste órgão de julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente Fl. 105DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 17/07/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Cristiane Silva Costa, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Ana de Barros Fernandes. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra Acórdão da 3a. Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJI que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da DRF em Vitória/ES que homologou parcialmente as compensações declaradas. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ no Rio de Janeiro/RJI: O interessado apresentou a seguinte Declaração de Compensação eletrônica Dcomp (fls.26/30): Quadro I – Dcomp e Crédito Perdcomp Características do Darf N º Dcomp Transmissão Tipo de Crédito Darfreceita Arrecadação Número do Pagamento Valor 29444.80781.230605. 1.3.043518 23.06.2005 Pagamento indevido ou a maior CSLL 2372 (lucro presumido) 30.04.2004 11.903,44 Total do crédito declarado 11.903,44 2 O pagamento acima foi declarado como tendo sido utilizado para compensar (s) seguinte (s) débito (s): Quadro II – Débito(s) declarados Tributo Receita Apuração Vencimento Valor Folhas 2372CSLL 2o. trim 2004 31.07.2004 232,93 29 Total débito(s) declarado(s) 232,93 3 Através do Despacho Decisório n° 843120118, de 07.07.2009 (fls.31), a DRF/VitóriaES homologou parcialmente a compensação declarada. Constatou a procedência do sobredito crédito original informado na Dcomp, mas afirmou que o Fl. 106DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 17/07/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10783.909958/200906 Acórdão n.º 180101.056 S1TE01 Fl. 92 3 crédito reconhecido se revelou insuficiente para quitar o débito informado no Perdcomp. 4 No Despacho Decisório consta a seguinte fundamentação legal: arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário NacionalCTN); art.74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 5 Irresignado, o interessado apresenta a manifestação de inconformidade às fls.114, alegando que a compensação se deu quando da "transmissão da DCTF, original ou retificadora", antes do Perdcomp, que só foi transmitido para "atender a uma necessidade do sistema da DCTF", já que este exige o número de identificação do Perdcomp. 6 Diz que não se pode considerar que a compensação ocorreu apenas na data da transmissão do Perdcomp "porque o crédito já estava constituído, e, por conseguinte, o direito de compensar, que nasce quando é constituído um crédito passível de compensação". 7 Sustenta que "não há que se falar em cobrança de juros e multa dos créditos em questão, uma vez que foram compensados no tempo certo, e que a transmissão do Perdcomp ocorreu anterior ou simultaneamente ao envio da DCTF, seja ordinariamente, ou em forma de retificação". 8 Aduz que "ao se considerar a compensação havida na DCTF original, os créditos serão extintos naquela data, inteligência do art. 156, II, do CTN", havendo "que se verificar o disposto no artigo 151, III". 9 Requer: a) "seja acatada a compensação primeira havida na DCTF original, procedendo à extinção do respectivo crédito tributário"; b) "para fins de certidão, seja suspensa a exigibilidade do crédito, na forma do artigo 151, III, do CTN"; c) seja, por fim, julgado extinto o processo administrativo constante do pórtico, homologandose a compensação integralmente". 10 Nesta Turma, foram acostadas as consultasfiscais de fls.37/38. Relatados. Na apreciação do pleito a 3a. Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJI consignou, no mérito (fls. 39/43), que “o que o interessado realmente pleiteia é que a Declaração de Compensação seja desconsiderada, a fim de que prevaleça o que informou em DCTF (original ou retificadora), em cuja data de apresentação afirma que se dá a compensação”. Nesse contexto a declaração de compensação referida no art. 74 da Lei n º 9.430, de 1996, seria a DCOMP e não a DCTF, pois esta última não teria o poder de extinguir crédito tributário. Da mesma forma, não haveria previsão legal determinando que a data efetiva da compensação seja outra que não a da transmissão da DCOMP e a extinção do débito ocorre com a compensação declarada em DCOMP Observou, ainda, aquela autoridade, que as DCTFs teriam sido várias vezes retificadas e, sem apoio em escrituração contábil, faltaria certeza acerca das datas das compensações dos débitos. Também não haveria prova nos autos da quitação. Concluindo, observou; O fato de o crédito ter data de arrecadação anterior ou próxima ao vencimento do débito declarado, não faz provas, por si só, de que este último foi extinto no vencimento, nem elide a Dcomp, cujo cancelamento é ato formal, que só pode ser Fl. 107DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 17/07/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 veiculado antes da emissão de Despacho Decisório (art. 62 da IN SRF n° 600, de 2005). O Darf referido no Despacho Decisório é o mesmo referido na Dcomp. A compensação declarada só foi homologada parcialmente porque o crédito reconhecido foi insuficiente para quitar o débito declarado. Nem o valor do débito, nem o valor do crédito, nem a Dcomp transmitida foram elididos. Ao final o pleito foi indeferido. Notificada da decisão, em 22/01/2010, como demonstra a cópia do AR à fl. 47, apresentou, a interessada, em 22/02/2010, o recurso voluntário de fls. 48 a 51. Nas razões de defesa apresentadas afirma, de início, que é credor e não devedor da Fazenda Nacional, como teria afirmado o Acórdão. Contudo, não seria verdadeira a afirmação de que o direito creditório seria insuficiente para quitar os débitos compensados e a planilha a esta anexada em conformidade com a DCTF retificadora de 19/10/2009, fariam prova do seu direito. Considera absurdo ser coibido ao pagamento em duplicidade de um tributo e, na condição de administrado, deverlheiam ser concedidos determinados privilégios. Ademais, o art. 60 da Lei 9.784/99 permitiria a juntada posterior de documentos na fase recursal buscandose a verdade material. Absurda seria, ainda, a afirmativa do item 29 do acórdão combatido, que lembraria “a necessária existência do Termo de Intimação, o que não ocorreu no presente caso, tendo o fisco pulado diretamente para o Despacho Decisório, não permitindo ao Contribuinte a possibilidade de correção da inconsistência/dúvida, de modo a não permitir a formação de processo administrativo e o impedimento da emissão de CND”. E prossegue, em suas palavras: Por fim, pretendese demonstrar que a compensação fora realizada na época devida, é o que se extrai de simples análise dos relatórios contábeis, documentos competentes para demonstrar qualquer fato tributário. Assim, embora a DCOMP seja instrumento competente para informar a compensação havida a SRF; não se pode onerar o Contribuinte que operou a compensação com base em seus créditos, mas não informou ou o fez tardiamente. Ao final, requer, ainda em suas palavras: I) seja acolhido o presente recurso em ambos os efeitos, devolutivo e suspensivo; II) seja reformado o Acórdão ora recorrido, acatando a compensação realizada tal como foi na contabilidade do Contribuinte. III) caso não seja dado por procedente o recurso, seja então cancelado todo o processo administrativo a partir do Despacho Decisório, retornando o prazo do Contribuinte para se manifestar quanto ao Termo de Intimação que deve ser emitido. VI) para fins de certidão, seja suspensa a exigibilidade do crédito na forma do artigo 151, III, do CTN, declarando legal a compensação levada a efeito. V) seja, por fim, julgado PROCEDENTE o recurso, declarando a compensação nos termos informados. É o relatório. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 17/07/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10783.909958/200906 Acórdão n.º 180101.056 S1TE01 Fl. 93 5 Voto Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. O litígio se circunscreve ao valor de R$ 28,14, e se refere à parcela remanescente do débito cuja compensação foi não homologada em virtude da insuficiência do direito creditório indicado. Na verdade, a insuficiência do crédito é decorrência do acréscimo, ao débito de CSLL, no valor original de R$ 232,93, indicado para compensação, sobre o qual se fizeram incidir multa e juros de mora, em virtude da data do vencimento – 31/07/2004 e a data da transmissão do PERDCOMP – 23/06/2005. A recorrente discorda do procedimento ao argumento de que a compensação fora primeiramente efetuada na DCTF – original e/ou retificadora – apresentada em data anterior à transmissão do PERDCOMP, devendo ser considerada para fins de compensação e quitação do débito, a data de apresentação da DCTF. À época do vencimento do débito, em 31/07/2004, a única compensação possível e permitida pela legislação é aquela prevista no artigo 74 da Lei n º 9.430, de 1996, feita por meio de Declaração de Compensação, capaz de extinguir o débito sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Lei n º 9.430, de 1996 (com as alterações introduzidas pela Lei n º 10.833, de 2003): Artigo 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação Fl. 109DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 17/07/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º : I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV os créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7º , o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º . § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º , apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 17/07/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10783.909958/200906 Acórdão n.º 180101.056 S1TE01 Fl. 94 7 § 12. A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, podendo, para fins de apreciação das declarações de compensação e dos pedidos de restituição e de ressarcimento, fixar critérios de prioridade em função do valor compensado ou a ser restituído ou ressarcido e dos prazos de prescrição. Nenhuma outra compensação, seja a efetuada na escrituração contábil, seja aquela consignada em DCTF produz os efeitos de extinção atinentes à Declaração de Compensação prevista pelo artigo 74 da Lei n º 9.430, de 1996. Por conta disso é irrelevante a juntada de cópia da escrituração contábil para fins de comprovar a compensação efetuada contabilmente. Como consignado, à época do vencimento do tributo 31/07/2004 – não era mais permitida a compensação unicamente na contabilidade. Ademais, como visto, não há litígio em relação ao direito creditório. A interessada se opõe aos critérios de correção do débito indicado para compensação, matéria que não se submete ao contencioso administrativo fiscal. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 111DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 17/07/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 13864.000001/2008-00
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sun Apr 28 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2801-000.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em Exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Relatório
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201304
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Sun Apr 28 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13864.000001/2008-00
anomes_publicacao_s : 201304
conteudo_id_s : 5234688
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2801-000.202
nome_arquivo_s : Decisao_13864000001200800.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : TANIA MARA PASCHOALIN
nome_arquivo_pdf_s : 13864000001200800_5234688.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em Exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório
dt_sessao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
id : 4594333
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:01:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041577395355648
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1904; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 526 1 525 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13864.000001/200800 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2801000.202 – 1ª Turma Especial Data 17 de abril de 2013 Assunto IRPF Recorrente OVIDIO PEDROSA ESPÓLIO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em Exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 344 a 354, vol. II), referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2004 a 2007, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$407.486,44, acrescido de multa de ofício e juros de mora, em decorrência de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origens não comprovadas. O contribuinte apresentou a impugnação (fls. 374 a 379, vol. II), acatada como tempestiva e que veio a ser julgada pela 6ª Turma DRJ São Paulo II/SP, a qual, conforme Acórdão de fls. 394 a 405 (vol. II), julgou procedente o lançamento. O contribuinte veio a óbito em 23/04/2008 (certidão às fls. 415, vol. II) e a ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 07/08/2008 (fls. 408, vol. II). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 64 .0 00 00 1/ 20 08 -0 0 Fl. 526DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/04/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13864.000001/200800 Resolução nº 2801000.202 S2TE01 Fl. 527 2 Em 27/08/2008, foi apresentado o Recurso de fls. 409 a 414 (vol. II), instruído com os documentos de fls. 415 (vol. II) a 432 (vol. III), assinado por um dos filhos do contribuinte, a saber, Paulo André Pedrosa, OAB/SP 127.984. Conforme Resolução nº 2801000.061 (fls. 506/507), o julgamento foi convertido em diligência à repartição de origem para que fosse providenciada a juntada do instrumento hábil de representação, comprovando que o signatário do Recurso Voluntário detinha poderes para representar o espólio, seja a designação de Paulo André Pedrosa como inventariante ou mesmo o instrumento de procuração assinado pelo inventariante designado. Entretanto, a diligência não foi cumprida nos termos propostos, haja vista, à fl. 511, que se intimou Pedro André Barbosa a apresentar apenas documento de identificação. Por conseguinte, o julgamento foi convertido, novamente, em diligência para que fosse providenciada a juntada do documento que comprovasse que Paulo André Pedrosa signatário do Recurso Voluntário detinha poderes para representar o espólio, seja a designação de Paulo André Pedrosa como inventariante ou mesmo o instrumento de procuração assinado pelo inventariante designado. Em decorrência do procedimento de diligência, foram juntados aos autos os documentos de fls. 523/525. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. De acordo com art. 33 do Decreto no 70.235, de 26 de março de 1972, o prazo para interposição de recurso voluntário é de 30 dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Além da apresentação do recurso voluntário dentro do prazo regulamentar, este deve ser interposto pelo próprio contribuinte ou por seu procurador, devidamente qualificado a época (art. 6o, incisos II e V, da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999). A recurso voluntário em apreço foi apresentado tempestivamente, porém foi assinado por Paulo André Pedrosa filho do contribuinte. Conforme relatado, o julgamento foi convertido em diligência para que fosse providenciada a juntada do documento que comprovasse que Paulo André Pedrosa signatário do Recurso Voluntário detinha poderes para representar o espólio, seja a designação de Paulo André Pedrosa como inventariante ou mesmo o instrumento de procuração assinado pelo inventariante designado. De acordo com o despacho da autoridade preparadora, à fl. 525, o contribuinte não atendeu à solicitada intimação (nº 1609/2012 fl. 523). Verificase, entretanto, conforme consta da intimação e AR, às fls. 523/524, que a correspondência não foi encaminhada para o endereço do signatário do Recurso Voluntário – Sr. Paulo André Pedrosa. Fl. 527DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/04/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13864.000001/200800 Resolução nº 2801000.202 S2TE01 Fl. 528 3 Diante disso, é necessário converte, novamente, o julgamento em diligência para que o Sr.Paulo André Pedrosa signatário do Recurso Voluntário – seja intimado, no endereço atualizado perante à Secretaria da Receita Federal, a comprovar que detinha poderes para representar o espólio mediante juntada do instrumento hábil de representação, seja a designação de Paulo André Pedrosa como inventariante ou mesmo o instrumento de procuração assinado pelo inventariante designado. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 528DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/04/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720578/2011-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/2009
Ementa:
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Todavia, para ser caracterizada a concomitância, o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais devem guardar uma irrefutável identidade.
Numero da decisão: 3402-002.021
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Adriana Oliveira Ribeiro (Suplente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201302
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/10/2009 Ementa: PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Todavia, para ser caracterizada a concomitância, o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais devem guardar uma irrefutável identidade.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 16682.720578/2011-55
anomes_publicacao_s : 201304
conteudo_id_s : 5234733
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3402-002.021
nome_arquivo_s : Decisao_16682720578201155.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 16682720578201155_5234733.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Adriana Oliveira Ribeiro (Suplente).
dt_sessao_tdt : Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
id : 4594378
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:01:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041577397452800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1665; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 204 1 203 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.720578/201155 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.021 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de fevereiro de 2013 Matéria Processo Administrativo Fiscal Recorrente VALEPAR S/A Recorrida DRJ RIO DE JANEIRO II (RJ) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2009 Ementa: PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Todavia, para ser caracterizada a concomitância, o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais devem guardar uma irrefutável identidade. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Adriana Oliveira Ribeiro (Suplente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 05 78 /2 01 1- 55 Fl. 337DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.720578/201155 Acórdão n.º 3402002.021 S3C4T2 Fl. 205 2 Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Tratase de lançamento de PIS e Cofins não cumulativos incidentes sobre receita de R$ 854.556.238,55, percebida pela interessada a título de juros sobre capital próprio – JCP, no mês de outubro de 2009. Por meio do mandado de segurança nº 2007.51.01.0227524 foi concedida, em 29/10/2007, medida liminar autorizando a interessada a excluir as receitas de JCP das bases de cálculo do PIS e da Cofins. A fiscalização, diante da constatação de que a interessada não havia declarado os débitos questionados, promoveu em 07/07/2011, lançamento de ofício com suspensão de exigibilidade, no intuito de prevenir a decadência das contribuições. Em 02/08/2011, constatouse que em conformidade com a decisão monocrática (fls. 170/177) proferida no Agravo de Instrumento interposto pela Fazenda Nacional, não mais subsistia, desde 14/06/2011 – data anterior ao lançamento efetuado, em 07/07/2011, a condição de suspensão de exigibilidade do crédito tributário. Diante disso, o Delegado da DemacRJ determinou a revisão de ofício do lançamento efetuado (fl. 178), invalidando os Autos de Infração e Termo de Verificação lavrados (fls. 137/151). Em cumprimento à decisão do Delegado, foram lavrados novos Autos de Infração e Termo de Verificação (fls. 183 a 198), nos quais lançouse: Cofins P.A. 10/2009, no valor principal de R$ 64.946.274,12, que acompanhado de multa de ofício e juros de mora perfaz R$ 124.359.125,68; e PIS, P.A. 10/2009, principal de R$ 14.100,177,93, que com multa e juros totaliza R$ 26.999.020,69. A ciência ao novo lançamento deuse em 03/08/2011. Irresignada, a interessada apresentou em 02/09/2011 a impugnação de folhas 204 a 211 na qual alega em síntese que não poderia o Fisco jamais exigir da impugnante a cobrança de multa de ofício na constância do prazo de 30 dias de que dispõe o § 2º do artigo 63 da Lei nº 9.430/96. Tanto mais que no dia 05 de agosto de 2011 a Impugnante ajuizou nova medida judicial Mandado de Segurança n° 2011.51.01.0117631 com fundamento na violação ao princípio da isonomia, no âmbito do qual procedeu ao depósito judicial (Doc. 3 – fl. 243) da totalidade dos valores exigidos a título de PIS e COFINS sobre JCP dos exercícios de 2004 a 2009. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.720578/201155 Acórdão n.º 3402002.021 S3C4T2 Fl. 206 3 Ora, nos termos do art. 151, II, do Código Tributário Nacional, o depósito suspende a exigibilidade do crédito tributário e conseqüentemente impede o lançamento da multa de ofício. Portanto, não poderia o Fisco jamais ter lavrado o presente MPF com a exigência de multa de ofício, quer na constância do prazo de que trata o § 2° do art. 63 da Lei 9.430/96, quer após o decurso deste prazo, uma vez que a Impugnante realizou o depósito do montante exigido. A 4ª Turma da Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro não conheceu da impugnação em face da concomitância entre as demandas administrativa e judicial. Inconformado com a decisão da DRJ, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta, em síntese, que a presente demanda administrativa não versa sobre as mesmas questões ventiladas no Poder Judiciário. Enquanto lá se discute a inclusão na base de cálculo do PIS e da Cofins de valores relativos a juros sobre capital próprio, aqui se discute a ilegalidade da aplicação da multa de ofício no curso do prazo estipulado pelo art. 63, § 2º da Lei nº 9.430/96. Termina sua petição recursal pedindo a reforma da decisão combatida e o cancelamento do lançamento da multa de ofício, em razão do presente MPF ter sido lavrado antes do término do prazo de trinta dias para pagamento dos tributos. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. A impugnação foi apresentada com observância dos requisitos de admissibilidade, de forma que passo a análise de mérito. O motivo determinante que levou ao não conhecimento da impugnação apresentada pelo contribuinte foi ter sido identificada uma demanda judicial com a mesma causa de pedir e pedido da instância administrativa. Nestes casos, quando o sujeito passivo opta pela via judicial para a discussão de matéria tributária implica na renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 e do § 2º, art. 1º do Decretolei nº 1.737, de 1979. Ratificando este entendimento, foi aprovado o enunciado de Súmula CARF nº 01, publicada no DOU de 22/12/2009, in verbis: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.720578/201155 Acórdão n.º 3402002.021 S3C4T2 Fl. 207 4 Registrese que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Ocorre que neste caso não há concomitância, uma vez que as razões recursais apresentadas na impugnação não coincidem com a matéria discutida no Poder Judiciário, senão vejamos: No MS nº 9700235920 o contribuinte formulou o seguinte pedido: (...) À vista do exposto e com fundamento no art. 7º, II da Lei nº 1.533/51, requer a impetrante a V.Exa. se digne concederlhe medida liminar para assegurar seu direito líquido e certo de não ser penalizada por não estar incluindo na base de cálculo da contribuição ao PIS e a Cofins os valores relativos a juros sobre capital próprio, tanto no que se refere àqueles já creditados a partir de fevereiro de 2004 como aos próximos pagamentos que serão feitos pela sociedade investida, suspendendose assim a exigibilidade do crédito tributário correspondente nos termos do art. 151, IV do CTN, até final decisão a ser proferida por este Juízo. Pela simples leitura do pedido, resta evidente que a demanda judicial buscava discutir a exclusão das receitas com juros sobre capital próprio da base de cálculo do PIS e da Cofins. Na impugnação do auto de infração, o contribuinte tece longas linhas sobre a ilegalidade da aplicação da multa de ofício, pois, embora tenha sido iniciado um procedimento fiscalizatório, não se poderia aplicar tal penalidade a uma obrigação tributária ainda não vencida, nos termos do art. 63, § 2º da Lei nº 9.430/96. Não é preciso empreender qualquer esforço de interpretação para concluir que na impugnação administrativa o recorrente busca o cancelamento da multa de ofício por violação do art. 63 da Lei nº 9.430/96. Não discute a composição da base de cálculo do PIS ou da Cofins. É de meridiana obviedade que o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais não guardam irrefutável identidade, de sorte que não há concomitância entre as esferas. Frisese, agora, que este Colegiado cingise a enfrentar a matéria controversa. Em conseqüência, as demais questões relativas ao processo, aqui não examinadas, devem ser objeto de análise pela DRJ a fim de ser prolatada nova decisão observandose este julgado. Ademais não se pode perder de perspectiva que a apreciação completa do caso por este Colegiado, neste momento, provocaria a supressão de instância administrativa e, por aí, abalaria o amplo direito de defesa do contribuinte que tem a prerrogativa de exercêlo em todas as instâncias cabíveis, sem qualquer indevida supressão. Como o amplo direito de defesa deve ser obviamente preservado, devem ser preservadas todas as instâncias previstas. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.720578/201155 Acórdão n.º 3402002.021 S3C4T2 Fl. 208 5 Por todos os fundamentos expostos, VOTO no sentido dar provimento parcial ao recurso voluntário para reformar o acórdão vergastado no sentido de afastar a concomitância apontada pela primeira instância e determinar que a DRJ examine as demais questões pertinentes ao caso, não integrantes da matéria controversa decidida no presente julgamento. É como voto. Sala das Sessões, 27/02/2013 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 341DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10380.000688/2004-96
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA - IRPJ. REGIME DE ESTIMATIVA. APURAÇÃO ANUAL. INCIDÊNCIA DA MULTA MORATÓRIA PELO NÃO PAGAMENTO DA ESTIMATIVA MENSAL. AFASTAMENTO. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. ANUALIDADE. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. As antecipações mensais do IRPJ não tem o condão de lançamento definitivo na apuração do lucro real anual, motivo pelo qual não podem suportar per si, exigência de multa moratória devido ao seu não pagamento no prazo da antecipação. Inteligência dos arts 112, II e 114 do CTN e dos artigos 2º, § 3º, e 61 da Lei nº 9.430/96 que forçam o entendimento de que o fato gerador é anual e portanto, neste momento é que se impõe a exigência do pagamento sob pena da exigência da multa moratória. Precedentes do CSRF (atual CARF).
Numero da decisão: 1802-001.011
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencidos o Conselheiro relator Nelso Kichel e o Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa. Designado o Conselheiro Marciel Eder Costa para redigir o voto vencedor. A Conselheira Ester Marques Lins de Sousa declarou-se impedida de votar por haver atuado no processo como autoridade administrativa da DRF.
Nome do relator: NELSO KICHEL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201110
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA - IRPJ. REGIME DE ESTIMATIVA. APURAÇÃO ANUAL. INCIDÊNCIA DA MULTA MORATÓRIA PELO NÃO PAGAMENTO DA ESTIMATIVA MENSAL. AFASTAMENTO. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. ANUALIDADE. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. As antecipações mensais do IRPJ não tem o condão de lançamento definitivo na apuração do lucro real anual, motivo pelo qual não podem suportar per si, exigência de multa moratória devido ao seu não pagamento no prazo da antecipação. Inteligência dos arts 112, II e 114 do CTN e dos artigos 2º, § 3º, e 61 da Lei nº 9.430/96 que forçam o entendimento de que o fato gerador é anual e portanto, neste momento é que se impõe a exigência do pagamento sob pena da exigência da multa moratória. Precedentes do CSRF (atual CARF).
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 10380.000688/2004-96
conteudo_id_s : 5235343
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1802-001.011
nome_arquivo_s : Decisao_10380000688200496.pdf
nome_relator_s : NELSO KICHEL
nome_arquivo_pdf_s : 10380000688200496_5235343.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencidos o Conselheiro relator Nelso Kichel e o Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa. Designado o Conselheiro Marciel Eder Costa para redigir o voto vencedor. A Conselheira Ester Marques Lins de Sousa declarou-se impedida de votar por haver atuado no processo como autoridade administrativa da DRF.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
id : 4597254
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:01:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041577420521472
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2165; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 307 1 306 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.000688/200496 Recurso nº 163.287 Voluntário Acórdão nº 180201.011 – 2ª Turma Especial Sessão de 18 de outubro de 2011 Matéria IRPJ Multa Isolada Recorrente MAISA INDÚSTRIA E COMÉRCIO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA IRPJ. REGIME DE ESTIMATIVA. APURAÇÃO ANUAL. INCIDÊNCIA DA MULTA MORATÓRIA PELO NÃO PAGAMENTO DA ESTIMATIVA MENSAL. AFASTAMENTO. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. ANUALIDADE. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. As antecipações mensais do IRPJ não tem o condão de lançamento definitivo na apuração do lucro real anual, motivo pelo qual não podem suportar per si, exigência de multa moratória devido ao seu não pagamento no prazo da antecipação. Inteligência dos arts 112, II e 114 do CTN e dos artigos 2º, § 3º, e 61 da Lei nº 9.430/96 que forçam o entendimento de que o fato gerador é anual e portanto, neste momento é que se impõe a exigência do pagamento sob pena da exigência da multa moratória. Precedentes do CSRF (atual CARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencidos o Conselheiro relator Nelso Kichel e o Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa. Designado o Conselheiro Marciel Eder Costa para redigir o voto vencedor. A Conselheira Ester Marques Lins de Sousa declarouse impedida de votar por haver atuado no processo como autoridade administrativa da DRF. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente e m 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. (documento assinado digitalmente) Marciel Eder Costa Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Jose de Oliveira Ferraz Correa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 290/294 contra a decisão da 4ª Turma da DRJ/Fortaleza, de 15/09/2005 (fls. 272/281) que julgou improcedente a impugnação, mantendo o auto de infração do IRPJ – Multa Isolada, no valor de R$ 160.778,31 atinente anoscalendário 2000, 2001, 2002 e 2003. Quanto aos fatos, consta do auto de infração do IRPJ – Multa Isolada, de 27/01/2004 (fls. 02/11), in verbis: (...) 01 MULTAS ISOLADAS MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE ESTIMADA Tendo optado nos anoscalendário 2.000, 2.001, 2.002 e 2.003 pelo regime de tributação de lucro real anual, o contribuinte não elaborou balancetes mensais de suspensão e/ou redução, não recolhendo Imposto de Renda Pessoa Jurídica sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos, ficando assim sujeito à multa ora apurada e lançada, conforme Termo de Constatação, demonstrativos e demais documentos em anexo. (...) Complementando a descrição dos fatos, consta do Termo de Constatação, parte integrante do auto de infração (fl. 13), in verbis: (...) 11.Foi verificado que, nos meses de janeiro/2.000 a dezembro/2.002, a fiscalizada, tendo optado pelo regime de tributação de lucro real anual e embora tenha elaborado balancetes mensais, não demonstra os resultados obtidos em cada mês, se lucro ou prejuízo, nem efetuou recolhimento de imposto de renda e de contribuição social sobre base estimada, Fl. 310DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente e m 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10380.000688/200496 Acórdão n.º 180201.011 S1TE02 Fl. 308 3 ficando assim sujeita às multas aplicadas, conforme respectivos autos de infração; e 12. Foi verificado finalmente que, nos meses de janeiro a outubro/2.003, a empresa, embora tenha optado pelo mesmo regime de tributação de lucro real anual, não elaborou balancetes mensais de suspensão e/ou redução, nem recolheu IRPJ e CSLL sobre bases estimadas, ficando também sujeitas às mesmas multas lançadas nos autos de infração citados no item 11. (...) Instruem os autos do processo: Demonstrativos de receitas mensais auferidas nos anoscalendário 2000, 2001, 2002 e 2003, em anexo ao auto de infração (fls. 25/26); Demonstrativos de apuração do IRPJ Estimativa mensal dos períodos janeiro/2000 a dezembo/2003, elaborados pela fiscalização, cujo imposto é base de cálculo da multa isolada de 75% (fls. 27/111); Demonstrativos (resumo) de situação fiscal, apurada de ofício, base de cálculo da multa isolada (fls. 112/116); Balancetes em suspensão analíticos, ano 2000 (fls. 117/138) e ano 2001 (fls. 163/187); Cópia do livro de Apuração do ICMS, entrdas e saídas, anocalendário 2000 (fls. 139/162); Cópia do Livro de Apuração do ICMS, ano 2001 (fls. 188/210); Cópia do livro de Apuração do ICMS, ano 2002 (fls. 211/234); Relação de cópias de notas fiscais do ano 2003 (fls. 235/253). A contribuinte tomou ciência do auto de infração do IRPJ – Multa Isolada em 27/01/2004 (fl. 03), apresentando impugnação em 26/02/2004 de fls. 255/260, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que a peça fiscal, como instrumento de lançamento de oficio, não se reveste de certeza quanto aos fatos alegados. Primeiramente, diz que o "contribuinte não elaborou os balancetes mensais de suspensão e/ou redução ", para depois no Termo de Constatação afirmar o contrário: " tenha elaborado balancetes mensais "; que a descrição errônea ou equivocada dos fatos no auto de infração acarreta a nulidade do procedimento fiscal, pois afronta os princípios da ampla defesa e da legalidade; que, pelo art. 10, III, do Decreto nº 70.235/72, o auto de infração deve conter, obrigatoriamente, a descrição dos fatos; Fl. 311DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente e m 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 que não há subsunção entre a descrição do fato e a lei, no caso; que o lançamento deve ser declarado nulo; que, em relação à multa isolada, o não recolhimento das estimativas deveu se aos prejuízos continuados, em vista da crise que se arrastou sobre a empresa diante da economia nacional. Em sua contabilidade, em seus livros contábeis e fiscais, devidamente examinados e conferidos pela autoridade fiscal, foram levantados os balancetes e transcritos em livro oficial e obrigatório, de natureza contábil e fiscal, no caso o Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR); que a exigência da multa isolada é descabida; que o art. 230, § 2º, do RIR/99, dispensa do pagamento mensal as pessoas jurídicas que, através de balanços ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário; que existindo escrituração do LALUR, demonstrando os prejuízos fiscais, não há o porquê prosperar a exigência da multa isolada (fls. 263/270). A decisão a quo, diversamente das razões expendidas pela impugnante, manteve o lançamento fiscal, cuja ementa transcrevo a seguir (fl. 272): (...) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DA ESTIMATIVA. Tendo optado pela forma de tributação dos lucros com base no lucro real anual, a pessoa jurídica fica sujeita às antecipações mensais do Imposto de Renda por estimativa, ou ao levantamento de balanços ou balancetes mensais de redução ou isenção do imposto. O não recolhimento a título de estimativas de IRPJ ou o recolhimento a menor do tributo, sem respaldo em balanços ou balancetes mensais de redução ou isenção do imposto, sujeita a pessoa jurídica à multa de oficio isolada prevista no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei n° 9.430/96. Lançamento Procedente (...) Irresignada com esse decisum do qual tomou ciência em 12/06/2006 (fl. 286), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 10/07/2006 de fls. 290/294, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que há incongruências no auto de infração, pois ora diz que o" contribuinte não elaborou balancetes mensais de suspensão e/ou redução ", ora diz, no Termo de Constatação, que "tenha elaborado balancetes mensais, não demonstra os resultados obtidos em cada mês, se lucro ou prejuízo... "; que a decisão recorrida não enfrentou adequadamente a questão; que, tão pouco, a digna autoridade apreciou o LALUR que é o livro por excelência, e Fl. 312DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente e m 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10380.000688/200496 Acórdão n.º 180201.011 S1TE02 Fl. 309 5 que a legislação fiscal atribui a obrigatoriedade de o contribuinte escriturálo, segundo o art. 262 do RIR/99; que existindo escrituração do LALUR, demonstrando os prejuízos fiscais, não há o porquê prosperar a exigência da multa isolada, visto que a se a empresa apresentava resultados negativos mensais, não havia razão para recolher estimativas. Atentese que a transcrição no LALUR da demonstração do lucro real, em verdade, demonstra a sua composição, o lucro líquido de cada mês, mais os ajustes, decorrentes da legislação fiscal; que, na dicção do art. 923 do RIR194, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 9°, § 1°); que, em diversos acórdãos, esse Egrégio Conselho tem sustentado o entendimento que a multa isolada, se aplicada (como no caso presente), depois do levantamento do balanço anual, a base de cálculo da multa isolada é a diferença entre o lucro real apurado e a estimativa obrigatória recolhida; que, aplicandose ao caso presente, mesmo que não houvesse nenhum balancete mensal, como soa dizer a pretensão fiscal, mas como tal situação foi verificada após o ano calendário, mesmo assim, não haveria de se cobrar a malsinada estimativa, posto que, nos balanços anuais, patenteouse diversos prejuízos fiscais, inexistindo, portanto, base de cálculo para se cobrar as estimativas. Por fim, a recorrente pediu o cancelamento do lançamento fiscal, aduzindo que: a) a existência de contradição na descrição dos fatos na peça fiscal comprometem a certeza do lançamento, com prejuízo à ampla defesa e à legalidade; b) os prejuízos fiscais, comprovados no LALUR, repelem, na forma da legislação de regência, a obrigatoriedade da recorrente recolher a estimativa do IRPJ; c) mesmo na ausência dos citados balancetes, a hipótese da não tributação estaria de conformidade com precedentes jurisprudenciais desse Egrégio Conselho Administrativo, visto não existir lucro real, mas prejuízo nos balanços anuais, conforme cópia das DIPJ dos exercícios em questão. Obs: relativo ao anocalendário 2000, consta que houve ainda a lavratura de auto de infração de ajuste de base de cálculo do IRPJ, sem crédito tributário; porém, tal lançamento não é objeto destes autos (fls.261/262). É o relatório. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente e m 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Voto Vencido Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, a lide versa acerca da exigência da multa isolada pela falta de pagamento do IRPJ Estimativa mensal dos anoscalendário 2000, 2001, 2002 e 2003. PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. CONTRADIÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS A contribuinte alegou que haveria contradição na descrição dos fatos imputados entre o auto de infração e o Termo de Constatação Fiscal o qual, também, é parte integrante do lancamento fiscal; que tal situação, além de configurar um vício insanável, teria implicado prejuízo à sua defesa. Rejeito a preliminar suscitada, por se tratar de alegação descabida, totalmente destituída de fundamento fáticojurídico. Nesses anoscalendário objeto do lançamento fiscal, a recorrente optou pela apuração do IRPJ com base no lucro real anual, com a obrigação de efetuar antecipação de pagamento do IRPJ e da CSLL, mensalmente, por estimativa, com base receita bruta e acréscimos ou com base em balanço de suspensão e/ou redução do imposto. Entretanto, como já mencionado no relatório, a recorrente, embora não tendo demonstrado apuração de prejuízo mensalmente, nada recolheu a título de antecipação do IRPJ Estimativa mensal, para esses anoscalendário. Compulsando as peças processuais, constatase, de plano, que a escrituração contábil da recorrente é sofrível, tecnicamente deficiente, cujas falhas, voluntária ou involuntariamente, implicaram, por conseguinte, na falta ou inexistência de pagamento do IRPJ Estimativa mensal dos anoscalendário 2000, 2001, 2002 e 2003. Mas, a deficiente escrituração contábil não pode ser objetada contra o fisco, para afastar a responsabilidade da recorrente por infração tributária (CTN, art. 136). Diversamente do alegado pela recorrente, não há contradição na descrição dos fatos, entre o auto de infração e o Termo de Constatação, que pudesse macular ou inquinar de nulidade o lançamento fiscal. Vale dizer, o auto de infração narra a inexistência de Balancetes de Suspensão e/ou Redução do Imposto de que trata o art. 35 da Lei nº 8.981/95 (fl. 04). Por outro lado, consta do Termo de Constatação, item 11, que a contribuinte elaborou “Balancetes em Suspensão Analíticos”, porém diversos dos exigidos pela legislação tributária, para os anos calendário 2000 a 2002 (fl. 13) e que, portanto, não obstam o lançamento fiscal objeto do presente litígio. Na verdade, esses indigitados Balancetes de Suspenão Analíticos, elaborados pela contribuinte dizem respeito, tãosomente, para os anoscalendário 2000 (fls. 116/138) e Fl. 314DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente e m 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10380.000688/200496 Acórdão n.º 180201.011 S1TE02 Fl. 310 7 2001 (fls. 163/187) e foram juntados aos autos pela fiscalização, como elementos de prova de que não atendem à legislação tributária de regência, pois não configuram Balancetes de Suspensão e/ou Redução de Imposto; não demonstram pagamento de imposto em excesso nos períodos mensais anteriores e não demonstram prejuízo mensal (custos e despesas maiores que receitas), para justificar a falta de antecipação de pagamento do imposto por estimativa mensal; pelo contrário, tais demonstrativos mensais da contribuinte comprovam apenas a existência de receita bruta e receita líquida. Por conseguinte, tais demonstrativos da recorrente não podem ser objetados contra o fisco, pois revelam que estava obrigada a fazer antecipação de pagamento do imposto por estimativa mensal, com base na receita bruta e acréscimos, para os períodos de apuração mensal objeto do feito fiscal. A propósito, essa questão foi devidamente enfrentada pela decisão recorrida (fl. 280), in verbis: (...) Com relação ao argumento de que os prejuízos fiscais estariam comprovados no LALUR, impende registrar que a Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, em seu art. 35 dispôs sobre os "balanços ou balancetes de suspensão", aduzindo que estes: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. Também, conforme Instrução Normativa SRF n° 93/97, art. 12, § 5°, os balanços ou balancetes mensais de suspensão e/ou redução do imposto deverão ser transcritos no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. Dos documentos anexos aos autos, pela defesa, vêse que esta traz a simples informação no LALUR de que a empresa apurou "prejuízo", sem, nem ao menos, demonstrar a apuração desse prejuízo, evento que se comprovaria através da elaboração de "balanços ou balancetes mensais de suspensão e/ou redução do imposto", devidamente transcritos no livro Diário. Ora, dos documentos anexos às fls. 264/270, vêse que a empresa apresenta a "Demonstração do Resultado" em 31 de dezembro de cada anocalendário, bem como a "Demonstração do Lucro Real", onde aponta que apurou prejuízo em cada um dos meses dos anoscalendário fiscalizados. Com efeito, essas informações acumuladas, sem a demonstração mensal dos resultados, na forma como exigida na legislação tributária, através da elaboração dos balanços ou balancetes mensais de suspensão e/ou redução, não têm o condão de suspender o pagamento das estimativas mensais a que se reporta a Lei n° 9.430/96. (...) Fl. 315DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente e m 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Nessa situação, como demonstrado, a recorrente estava, sim, obrigada a fazer a antecipação de pagamento do imposto por estimativa mensal, com base na receita bruta e acréscimos, para os períodos de apuração objeto dos autos. O lançamento fiscal está em consonância com os incisos III e IV art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e com o art. 142 do CTN, pois contém clara descrição dos fatos imputados, matéria tributável, disposição legal infringida e penalidade aplicada. Como visto, constitui verdadeiro despautério a alegação da recorrente de que haveria contradição na narrativa dos fatos imputados e que teria, com isso, sofrido prejuízo ou cerceamento do direito de defesa. Além do mais, a recorrente, tanto na primeira instância, quanto nesta instância de julgamento, exercitou plenamente o contraditório e a ampla defesa, revelando, pela alentada defesa apresentada, nessas instâncias de julgamento, que entendeu e tem conhecimento pleno, perfeito da imputação fiscal. Somente a falta de descrição dos fatos e a falta de capitulação legal ensejam, ou configuram, cerceamento de defesa e provocam a nulidade do lançamento fiscal, que não é o caso. Nesse sentido, são os precedentes jurisprundencais deste Egrégio Conselho Administrativo, in verbis: NULIDADE – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS INCOMPLETA – IRF – Anos 1991 a 1993 – O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa (Acórdão nº 10417.364, de 22/02/2001, 1º CC). AUTO DE INFRAÇÃO – DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA – O erro no enquadramento legal da infração cometida não acarreta a nulidade do auto de infração, quando comprovado, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida e a alentada impugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que inocorreu preterição do direito de defesa (Acórdão nº 10313.567, DOU de 28/05/1995); PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE DO LANÇAMENTO. A capitulação legal incompleta da infração ou mesmo a sua ausência não acarreta nulidade do auto de infração, quando a descrição dos fatos nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defenderse de forma detalhada das imputações que lhe foram feitas (Acórdão 10806.208, sessão de 17/08/2000). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – INOCORRÊNCIA. A inclusão desnecessária de um dispositivo legal, além do Fl. 316DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente e m 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10380.000688/200496 Acórdão n.º 180201.011 S1TE02 Fl. 311 9 corretamente apontado para as infrações praticadas, não acarreta a improcedência da ação fiscal. Outrossim, a simples ocorrência de erro de enquadramento legal da infração não é o bastante, por si só, para acarretar a nulidade do lançamento quando, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida, venha a permitir ao sujeito passivo, na impugnação, o conhecimento do inteiro teor do ilícito que lhe foi imputado, inclusive os valores e cálculos considerados para determinar a matéria tributável.(Acórdão nº 10417.253, sessão de 10/11/99). AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA Para que haja nulidade do lançamento é necessário que exista vício formal imprescindível à validade do lançamento. Desta forma, se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, mediante substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa ou por vício formal.(Acórdão nº 10248.141, sessão de 25/01/2007). Nesse sentido, também é o entendimento jurisprudencial da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Ac. CSRF/0103.264, de 19/03/2001 e publicado no DOU em 24/09/2001), verbis: A imperfeição na capitulação legal do lançamento não autoriza, por si só, sua declaração de nulidade, se a acusação fiscal estiver claramente descrita e propiciar ao contribuinte dele se defender amplamente, mormente se este não suscitar e demonstrar o prejuízo sofrido em razão do ato viciado. Portanto, ante a inexistência de vício no lançamento fiscal, rejeito a preliminar suscitada. MULTA ISOLADA. FALTA DE ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO POR ESTIMATIVA MENSAL. ANOSCALENDÁRIO 2000, 2001, 2002 E 2003. ALEGAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE PREJUÍZO FISCAL A recorrente argumentou que não efetuou a antecipação do pagamento do IRPJ por estimativa mensal com base em balancetes de suspensão/redução (resultados negativos mensais) e que, ademais, nesses anoscalendário, houve prejuízo fiscal, conforme comprovaria a escrituração do LALUR (fls. 263/270); que, nessa situação, incabível a exigência de multa isolada, pois deve prevalecer o resultado apurado no final de cada exercício, ou seja, o prejuízo fiscal. Não procedem as alegações da recorrente. Como já demonstrado, quando do enfrentamento da preliminar suscitada, a recorrente não elaborou os balancetes de suspensão/redução do pagamento do imposto, nos anoscalendário 2000, 2001, 2002 e 2003, nem os transcreveu para o LALUR. Se não existem os balancetes de suspensão/redução, também não há que falar em transcrição de trata o art. 35 da Lei nº 8.981/95. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente e m 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 Para esses anos, ainda, não constam dos autos demonstrações contábeis pormenorizadas na forma da legislação comercial, mormente a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) para confrontação das receitas, despesas e custos (itens e subitens), no sentido de demonstrar, categoricamente, o lucro líquido ou prejuízo do exercício. Tais elementos de prova não constam dos autos. Ademais, o que existe escriturado no LALUR (fls. 263/270), em termos de apuração do lucro líquido e do lucro real, para cada um desses anos objeto do lançamento fiscal, não tem o condão de comprovar, demonstrar prejuízo contábil e fiscal, pois a escrituração contábil e fiscal foi efetuada à revelia da legislação comercial e tributária. Vale dizer, ao colocar no LALUR dados extremamente resumidos, soltos, sem contexto, elaborados às pressas, situação que beira o rídiculo, sem técnica de escrituração contábil e fiscal, à revelia da legislação comercial e fiscal, a recorrente, simplesmente, inutilizou, inviabilizou o LALUR como elemento de prova, pois os fatos registrados nele, sem demonstração pormenorizada, não se sustentam, pela falta de contexto e pela falta de elementos probatórios de suporte. Por conseguinte, não procede a alegação da recorrente de que estaria demonstrado no LALUR prejuízos para os anoscalendário 2000, 2001, 2002 e 2003. Ainda que houvesse prejuízo fiscal comprovado no encerramento do respectivo exercício financeiro (que não é o caso), a legislação tributária comina a imposição da multa isolada sobre o valor do imposto devido por estimativa mensal que deixou de ser pago por antecipação para cada mês do anocalendário respectivo (apuração mensal), justamente pela quebra do dever legal de antecipação do tributo. O dever legal de antecipação de recolhimento do imposto configurase pela existência de receita bruta, se não comprovado mediante balancete mensal de suspensão/redução que já houve pagamento em excesso nos meses anteriores ou que houve prejuízo no respectivo mês. As provas existentes dos autos revelam que, mensalmente, que houve superávit, e não prejuízo. Portanto, deve ser mantida a infração imputada. REDUÇÃO DA MULTA ISOLADA POR LEI POSTERIOR. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA Quando da lavratura do auto de infração em 27/01/2004 (fls. 02/11), foi aplicada a multa isolada de 75% (setenta e cinco por cento) sobre o imposto estimativa mensal não pago nos anoscalendário 2000, 2001, 2002 e 2003. Entretanto, a Lei nº 11.448/2007 reduziu a penalidade por falta de pagamento dos tributos devidos por estimativa mensal para 50% (cinqüenta por cento). Portanto, tratandose de lançamento ainda não constituído definitivamente na esfera administrativa, aplicase, no caso, o princípio da retroatividade benigna, para reduzir a penalidade aplicada de 75% para 50%, para todos os períodos de apuração, objeto dos autos, dos anoscalendário 2000, 2001, 2002 e 2003. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente e m 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10380.000688/200496 Acórdão n.º 180201.011 S1TE02 Fl. 312 11 Por tudo que foi expoto, voto para REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, DAR provimento parcial ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Voto Vencedor Conselheiro Marciel Eder Costa, Redator Designado Com a devida vênia, ouso divergir, no caso vertente, do posicionamento exarado do brilhante voto de lavra do Ilustríssimo Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, pelos motivos que passo a aduzir, como segue. O deslinde da controvérsia sob exame está em esclarecer se existe ou não a incidência de multa moratória sobre a compensação ou pagamento antecipado das estimativas que serão ajustadas na apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Nesse sentido, se faz necessário, de plano, analisar as características do recolhimento dessas estimativas e sua correspondente natureza jurídica para testar a sua subsunção ao comando do art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Observemos. A legislação do IRPJ e da CSLL, que versa sobre o Pagamento Mensal por Estimativa, ajustado pelos balancetes de redução e suspensão, dispõe que as pessoas jurídicas sujeitas à sistemática do Lucro Real anual podem optar pelo pagamento mensal do tributo de forma estimada, como antecipação do tributo devido a ser apurado ao final do ano, mais especificamente em 31 de dezembro. (art. 2º da Lei nº 9.430/1996, combinado com o art. 35 da Lei nº 8.981/1995) Desta forma, as antecipações realizadas durante o anocalendário, quer aquelas correspondentes a um percentual sobre a receita bruta da empresa, ou mesmo quando decorrentes de balanços de redução e suspensão destes tributos, são apenas valores estimados, provisórios, sem caráter definitivo, cuja notória precariedade perdura até o final do correspondente período de apuração. Logo, é nesse momento, a saber, em 31 de dezembro, que efetivamente ocorre o fato gerador do IRPJ e da CSLL em se tratando de apuração anual, tornando a dívida destes tributos líquida e certa, somente a partir deste lapso temporal. Esta assertiva, por vezes, vem sendo corroborada pelo entendimento deste Conselho, já manifestado em diversos precedentes, valendo, porém, trazer à colação a decisão da CSRF (antigo Conselho de Contribuintes, que antecedeu o atual CARF), cujo teor deixa Fl. 319DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente e m 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 12 claro o posicionamento firmado no âmbito administrativo, de que os fatos geradores da CSLL e do IRPJ ocorrem quando o lucro é apurado em 31 de dezembro, senão, vejamos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O TRIBUTO DEVIDO PELO CONTRIBUINTE SURGE QUANDO É O LUCRO APURADO EM 31 DE DEZEMBRO DE CADA ANO. Improcede a aplicação de penalidade pelo nãorecolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (CSRF/0105.875, PA 10384.000638/200479, Marcos Vinícius Neder de Lima, da Sessão: 23/06/2008) Com efeito, não tendo ocorrido o fato gerador, no momento do pagamento das estimativas, forçoso concluir quanto à natureza jurídica dos recolhimentos, que não se tratam de tributos propriamente ditos, mas sim de meras antecipações dos seus pagamentos. Nesse sentido, o CSRF (atual CARF) também reconhece que os valores referentes às estimativas mensais não são tributos, uma vez que os fatos geradores daqueles ocorrem apenas ao final do período anual (31 de dezembro), verbis: “DECADÊNCIA – ESTIMATIVAS – MULTA ISOLADA Se a Fazenda Pública denegar a homologação, desde que atendidas as prescrições legais ao pagamento realizado pelo contribuinte, o limite temporal para a realização do lançamento de ofício para cobrar o tributo é estabelecido pelo prazo de cinco anos previsto Fl. 320DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente e m 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10380.000688/200496 Acórdão n.º 180201.011 S1TE02 Fl. 313 13 no art. 150. § 4º, do CTN, já que, findo esse prazo, é considerado extinto o crédito tributário. Contudo, não há falar em lançamento por homologação, desde que atendidas as prescrições legais no caso de falta de recolhimento de estimativas. O valor pago a esse título não tem a natureza de tributo, eis que, juridicamente, o fato gerador do Imposto sobre a Renda e da CSLL só será tido por ocorrido ao final do período anual (31/12). A regra geral para contagem do prazo decadencial para constituição do crédito tributário, inclusive no caso de penalidades, está prevista no artigo 173 do CTN” (Nossos Grifos) (CSRF 0105.653, PA 10680.015464/200313, Marcos Vinícius Neder de Lima, da Sessão 27/03/2007). Portanto, as parcelas compensadas ou pagas como antecipação, com base no fato gerador presumido, enquadramse como prestações antecipadas pelo devedor no âmbito da teoria do pagamento das obrigações. Nesse contexto, visa a quitar antecipadamente um débito de tributo, cujo fato gerador e, portanto, a dívida líquida e certa, somente ocorrerá no futuro. Assim, é evidente que a compensação ou pagamento de estimativas mensais, em verdade, é mera técnica de arrecadação, tanto que o art. 2º, § 3º da Lei nº 9.430/96, diz ser uma opção “pelo pagamento do imposto”. Em outras palavras, as antecipações realizadas não constituem a compensação ou pagamento do tributo propriamente dito, mas sim antecipação atribuível, imputável, ao tributo cujo fato gerador e sua correspondente apuração somente ocorrerão no final do anocalendário. Desta forma, uma vez elucidada, tanto a natureza jurídica quanto as características das compensações ou pagamentos sobre os quais se discute a incidência da multa moratória, resta saber se sobre eles recai a referida sanção, tal como estabelece o artigo 61, da Lei nº 9.430/96, cuja tipificação da conduta a ser penalizada assim versa: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Vêse que o dispositivo transcrito trata primeiramente dos “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”, como forma de delimitar o campo de incidência da norma legal. Não obstante, o mesmo dispositivo condiciona a aplicação da penalidade nele contida, qual seja, a incidência de multa de mora, apenas aos débitos “cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997”, ou seja, o pressuposto condicionante da norma legal para a aplicação da multa moratória é a ocorrência do fato gerador dos débitos tributários a partir da data fixada naquela norma. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente e m 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 14 Assim, o acréscimo da multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia (limitada em 20%), somente se aplica aos débitos de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, pagos em atraso, cujos fatos geradores, descritos na regra matriz de incidência, tenham efetivamente ocorrido. Contrario senso, não se aplica a multa de mora sobre eventuais débitos para com a União pagos ou compensados fora do prazo se não ocorreu o fato gerador do tributo. Assim, se não há fato gerador, não há que se falar em obrigação tributária líquida e certa, mas apenas numa exigência precária, não definitiva. O que se permite, conforme previsto na própria Constituição Federal (§ 7º do art. 150 da CF/88), é que: A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido. Essa possibilidade foi introduzida na Constituição Federal a partir da Emenda Constitucional nº 3/1993, que legitimou a prática dos entes tributantes de exigir pagamentos antes da efetiva ocorrência do fato gerador, através da figura do “fato gerador presumido” de um tributo que, por consequência, também é presumido. Ambos, porém, não se confundem com o fato gerador, do qual se origina o próprio tributo. Neste diapasão, tais pagamentos ou compensações, realizados com base em fato gerador presumido ou cujo fato gerador ainda não tenha se consumado por completo, constituem meras antecipações daqueles tributos, cujos fatos geradores ocorrem em momento posterior. Por isso, esses pagamentos não se referem a tributos propriamente ditos, por lhes faltar os elementos essenciais para tanto, tais como, o de ser uma prestação compulsória (art. 3º do CTN) ou ter um fato gerador (art. 4º do CTN). De fato, o próprio CTN ao dispor sobre o conceito de fato gerador, em seu art. 114, asseverou que este “... é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência.” Ora, se na situação sob exame, qual seja, o pagamento antecipado das estimativas do IRPJ e da CSLL, não se verifica a existência de todos os elementos essenciais à ocorrência do fato gerador, não se subsume o caso concreto à situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência, tal como prevê o preciso comando do CTN. Também nesse sentido, leciona o Professor Paulo de Barros Carvalho (Curso de Direito Tributário, 12ª ed., Saraiva, São Paulo, 1999, pg. 236) asseverando que para haver a ocorrência do fato gerador, com o consequente surgimento da obrigação tributária, deve vencer a condição sine qua non, de que todos os elementos da regra matriz de incidência estejam presentes, sob pena de perda da sua exigibilidade. No caso vertente, carece a situação fática desses elementos, notadamente o aspecto temporal da hipótese de incidência, pois o transcurso do lapso temporal, previsto na lei, para apuração anual do IRPJ e da CSLL não se completou, o qual se deu, in casu, apenas em 31/12. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente e m 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10380.000688/200496 Acórdão n.º 180201.011 S1TE02 Fl. 314 15 Isto porque, no curso do ano calendário, quando se exigem os pagamentos das antecipações, por meio de estimativa, a apuração anual, ainda não ocorreu, logo, não há que se aventar a ocorrência do fato gerador. Ora, não se pode fazer tábua rasa acerca da essencialidade do aspecto temporal na hipótese de incidência, importando lembrar, nesse sentido, a lição do saudoso Pontes de Miranda sobre o tempo na teoria da regra jurídica e do suporte fático, que assim nos ensina, verbis: “O tempo não é fato jurídico, de per si. O tempo entra, como fato, no suporte fático de fatos jurídicos. Ora, com ele, nascem direitos, pretensões, ações, ou exceções; ora, com ele, acabam; ora, com ele, se dão modificações de ordem jurídica ...” (Tratado de direito privado: Parte Geral. 4. Ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1983. t. I. Cap. 1. pag. 30). Sem destoar dessas lições e tratando especificamente da importância do aspecto temporal na hipótese de incidência do Imposto de Renda, o grande estudioso da matéria, saudoso Nilton Latorraca, em sua festejada obra, nos ensina que: A importância do tempo é decisiva. E tanto é assim que o direito desconhece a existência de renda antes do tempo marcado e fora das condições estabelecidas pela norma jurídica (hipótese de incidência), mesmo que de fato ela exista e seja notória.” (Direito Tributário – Imposto de Renda das Empresas, Atualizado por Rutnéa Navarro Guerreiro e Sérgio Murilo Zalona Latorraca, Editora Atlas, 14ª Edição, São Paulo, 1988, pag. 130) Da mesma forma, também são as lições de Ricardo Mariz de Oliveira, cuja clareza singular de argumentação aborda em sua obra, o elemento temporal da hipótese de incidência do IRPJ, do qual tomo emprestado, quando ele assim assevera: O fato gerador, portanto, considerado como “situação necessária e suficiente à sua ocorrência”, na breve mas precisa dicção do art. 114 do CTN, somente se completa – em fim, somente existe – no encerramento do períodobase, pois antes deste evento, não há o fato completo, não há a situação necessária e suficiente, não por uma simples exigência formal, mas, sim, por duas razões reais: a primeira é que, até o instante final, algo pode vir a mudar a situação patrimonial (relativo a patrimônio conjunto de bens de qualquer espécie, de direitos e de obrigações, apreciáveis economicamente da pessoa); a segunda, e principal, é que a situação necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária é constituída por todo o período de tempo previsto na lei como períodobase, de sorte que, enquanto ele não estiver completo e terminado, não há a situação necessária e suficiente.” Fl. 323DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente e m 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 16 (Oliveira, Ricardo Mariz de. Fundamentos do Imposto de Renda. São Paulo: Quatier Latin, 2008, pag. 494) Assim, vêse que não há como imputar ou exigir qualquer obrigação tributária antes do tempo marcado e fora das condições estabelecidas na lei, sob pena da sua invalidade, tal como, in casu, se pretende fazer ao exigir multa de mora sobre antecipações estimadas do IRPJ ou da CSLL. Destaquese, também, que os pagamentos feitos com base no regime de cálculo do IRPJ e da CSLL com base na estimativa são feitos em razão de uma opção do contribuinte. Aliás, o artigo 2º, § 3º, da Lei nº 9.430/96, é de clareza meridiana quando diz ser a antecipação uma opção “pelo pagamento do imposto”, o que corrobora a falta da característica compulsória nesta prestação, que é inerente e indissociável da qualidade de tributo. Tais parcelas antecipadas, portanto, não constituem verdadeiros tributos. Tanto isso é verdade que as próprias autoridades administrativas, após o encerramento do anocalendário, estão proibidas de cobrar tais valores calculados de forma estimada, conforme dispõem expressamente os artigos 15, 16 e 49, da Instrução Normativa SRF n° 93, de 24 de dezembro de 1997, que assim dispõe: “Art. 15. O lançamento de ofício, caso a pessoa jurídica tenha optado pelo pagamento do imposto por estimativa, restringirse á à multa de ofício sobre os valores não recolhidos. § 1º As infrações relativas às regras de determinação do lucro real, verificadas nos procedimentos de redução ou suspensão do imposto devido em determinado mês, ensejarão a aplicação da multa de que trata o caput sobre o valor indevidamente reduzido ou suspenso. § 2º Na falta de atendimento à intimação de que trata o § 2º do artigo anterior, no prazo nela consignado, o Auditor Fiscal do Tesouro Nacional procederá à aplicação da multa de que trata o caput sobre o valor apurado com base nas regras dos arts. 3º a 6º, ressalvado o disposto no § 3º do artigo anterior. § 3º A não escrituração do livro Diário e do LALUR, até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês, implicará a desconsideração do balanço ou balancete para efeito da suspensão ou redução de que trata o art. 10, aplicandose o disposto no § 1º. Art. 16. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá: I a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; II o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto. Art. 49. Aplicamse à contribuição social sobre o lucro líquido as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas Fl. 324DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente e m 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10380.000688/200496 Acórdão n.º 180201.011 S1TE02 Fl. 315 17 para o imposto de renda das pessoas jurídicas, observadas as alterações previstas na Lei nº 9.430, de 1996.” Ademais, a estimativa paga se torna, desde o seu pagamento, um crédito do contribuinte a ser utilizado contra o débito apurado em 31 de dezembro, o que só corrobora a assertiva de que as antecipações não são débitos de tributos, mas meros recolhimentos que poderão ser imputados aos débitos se e quando ocorrer o fato gerador no futuro. Tratamse, portanto, as antecipações de verdadeiros ativos do contribuinte, que serão formados ao longo do anocalendário, consoante afirma a própria Receita Federal do Brasil: “Os valores recolhidos com base na estimativa (tanto o IR como a CSLL), que são compensados com o imposto de renda apurado com base no lucro real em 31 de dezembro (e com a CSLL), devem ser contabilizados, durante o curso do anocalendário, em conta do ativo circulante representativa do valor antecipado (por exemplo na subconta antecipações de imposto de renda).” Nesse compasso, não há como imputar ao contribuinte uma mora em razão do ativo constituído fora do prazo ou pelo ativo não constituído. A mora, e com mais razão ainda, a multa de mora, tipificada no art. 61, da Lei nº 9.430/1996, pressupõe sempre a existência de uma obrigação consubstanciada numa dívida líquida e certa, cujo fato gerador tenha efetivamente ocorrido, o que não se verifica no caso em exame. Ora, é por demais, óbvio que direitos e obrigações não se confundem, mas, ao contrário, são completamente distintos e opostos um ao outro, logo, não faz nenhum sentido imputar a multa de mora sobre um direito, qual seja, o ativo decorrente de um pagamento antecipado, que difere de uma obrigação que só ocorre ao final de cada ano. No caso em tela, onde o regime de apuração do IRPJ e da CSLL foi anual, o fato gerador somente ocorreu ao final do período de apuração do tributo, qual seja, em 31 de dezembro, logo, não há como enquadrar os recolhimentos das suas antecipações no comando contido no art. 61, da Lei nº 9.430/1996, em face da ausência do fato gerador no curso do ano calendário quando são exigidas tais antecipações. Ademais, não é razoável aplicar sobre as antecipações estimadas do IRPJ e da CSLL realizadas no âmbito do regime de apuração anual, qualquer multa de mora em razão de eventual atraso no seu recolhimento ou compensação, na medida em que estes são de natureza precária, meramente provisórios, não definitivos, pois a mora somente é imputável às obrigações líquidas e certas não cumpridas no vencimento, nos termos do artigo 397, do Código Civil. Por conseguinte, não se pode aplicar a multa de mora sobre as estimativas mensais sem que haja qualquer disposição legal expressa nesse sentido, em prestígio ao princípio da tipicidade, pois é imprescindível a perfeita adequação entre a descrição contida na lei com a situação do fato concreto, para que aquele fato jurídico produza seus efeitos, o que não se verifica na situação analisada no presente recurso. Do contrário, exigir a multa de mora sobre as estimativas mensais com fundamento no art. 61, da Lei nº 9.430/1996, implica em fazer uma interpretação bem mais abrangente e severa desse dispositivo, visando a abarcar uma situação não contemplada naquela norma, tal como previsto nas disposições preconizadas no art. 112, II do Código Fl. 325DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente e m 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 18 Tributário Nacional, que prevê, para estes casos, a regra de interpretação que é mais favorável ao contribuinte. De fato, a existência de mais de uma possibilidade de interpretação, “per si”, de uma norma que comina a aplicação de penalidade, como a do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, no sentido de incidir ou não multa de mora sobre o pagamento ou compensação das estimativas (apontadas no caso concreto), nos remete às regras de interpretação das normas tributárias previstas no próprio Código Tributário Nacional, por força do disposto no seu art. 107, cujas disposições também do seu art. 112, II, determinam a aplicação da regra mais favorável ao acusado (contribuinte), que assim versa: “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I – (...) Omissis; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; Nesse sentido, leciona Hugo de Brito Machado, que “a regra do art. 112 tem nítida função de tornar efetivo o princípio da legalidade” (Comentários ao Código Tributário Nacional, Vol. II, Ed. Atlas, São Paulo, 2004, pag. 279), fazendo, ainda, referência à José Jayme de Macedo Oliveira, cujo magistério dispõe: “O princípio da legalidade, juntamente com o da tipicidade, vetores mestres da tributação, impõe que qualquer dúvida sobre o perfeito enquadramento do fato à norma, é de ser resolvida em favor do contribuinte”(José Jayme de Macedo Oliveira, Código Tributário Nacional, Saraiva, São Paulo, 1998, pag. 286). Com efeito, verificase que a interpretação de que a penalidade prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, pode também ser aplicada sobre as estimativas não recolhidas ou compensadas na época própria, não se coaduna com as regras de interpretação da norma tributária previstas no aduzido dispositivo, por não ser esta a regra mais favorável ao contribuinte, o que não se pode conceber. Por fim, cumpre esclarecer, que a inadimplência das obrigações de antecipar os pagamentos estimados ao longo do ano, no regime de apuração do lucro real anual, não está imune a aplicação de penalidade. Não é isso que se defende, ao contrário, o legislador pode e deve estipular mecanismos para forçar ou, porque não, coagir o contribuinte a recolher as antecipações no regime em comento nos prazos estipulados pela própria norma. Mas para tanto, poderia estabelecer, por exemplo, a penalidade de exclusão do regime anual para o regime trimestral, ou qualquer outra sanção, mas desde que o faça por meio de norma legal expressa e válida, a qual inexiste no momento. Face ao exposto, em prestígio essencial ao princípio da legalidade, perfilo meu entendimento no sentido de que não há qualquer fundamento legal vigente para a exigência da multa moratória sobre as estimativas do IRPJ e da CSLL pagas extemporaneamente no regime de apuração do lucro real anual, razão pela qual, DOU PROVIMENTO ao recurso. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente e m 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10380.000688/200496 Acórdão n.º 180201.011 S1TE02 Fl. 316 19 É como voto. (documento assinado digitalmente) Marciel Eder Costa. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente e m 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 19311.000325/2008-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. DECISÃO EM DESACORDO COM SEUS FUNDAMENTOS. NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA.
Revela-se o direito processual administrativo fiscal refratário ao procedimento que exclua do sujeito passivo o pleno direito ao contraditório e à ampla defesa.
É nula a Decisão de 1ª Instância cujos termos encontramse
em total desacordo com as razões que a fundamentam, circunstância que representa flagrante preterição do direito de defesa do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-001.703
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. DECISÃO EM DESACORDO COM SEUS FUNDAMENTOS. NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. Revela-se o direito processual administrativo fiscal refratário ao procedimento que exclua do sujeito passivo o pleno direito ao contraditório e à ampla defesa. É nula a Decisão de 1ª Instância cujos termos encontramse em total desacordo com as razões que a fundamentam, circunstância que representa flagrante preterição do direito de defesa do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 19311.000325/2008-72
conteudo_id_s : 5239949
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 21 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2302-001.703
nome_arquivo_s : Decisao_19311000325200872.pdf
nome_relator_s : ARLINDO DA COSTA E SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 19311000325200872_5239949.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
id : 4602011
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:02:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041577450930176
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1685; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 85 1 84 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19311.000325/200872 Recurso nº 001.703 Voluntário Acórdão nº 230201.703 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS AIOP Recorrente PRIMEIRA IGREJA BATISTA DE ATIBAIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. DECISÃO EM DESACORDO COM SEUS FUNDAMENTOS. NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. Revelase o direito processual administrativo fiscal refratário ao procedimento que exclua do sujeito passivo o pleno direito ao contraditório e à ampla defesa. É nula a Decisão de 1ª Instância cujos termos encontramse em total desacordo com as razões que a fundamentam, circunstância que representa flagrante preterição do direito de defesa do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: Janeiro/2004 a Dezembro/2004 Data da lavratura do Auto de Infração: 10/11/2008 Data da Ciência do Auto de Infração: 12/11/2008 Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da entidade em epígrafe, consistente em contribuições sociais a cargo da empresa destinadas a outras entidades e fundos, a saber, FNDE, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE, incidentes sobre a remuneração de pessoas físicas caracterizadas como segurados empregados, conforme delineado no Relatório Fiscal a fls. 25/30. Informa o Relatório Fiscal que, da análise da documentação apresentada, ficou constatado que o contribuinte em questão não incluiu em Folhas de Pagamento e em GFIP as remunerações de todos os segurados que lhe prestaram serviços no exercício de 2004, não declarando, portanto, as contribuições incidentes sobre esses valores. Desses segurados não informados em GFIP, três foram caracterizados como "segurados empregados" e os demais, mantidos como "segurados contribuintes individuais", conforme arrolamento a fls. 98/100 do Processo Administrativo Fiscal nº 19311.000323/200883,lavrado na mesma ação fiscal. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Autuado apresentou impugnação a fls. 33/39. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas/SP, promovendo o julgamento conjunto dos processos abaixo elencados, lavrou Decisão Administrativa corporificada no Acórdão a fls. 161/167 do Processo Administrativo Fiscal nº 19311.000323/200883, julgando procedente a autuação e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Processo Administrativo Fiscal Auto de Infração 19311.000323/200883 AI 37.173.7460 19311.000324/200828 AI 37.173.7478 19311.000325/200872 AI 37.173.7486 19311.000326/200817 AI 37.173.7494 O Sujeito passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 27 de janeiro de 2010, conforme Aviso de Recebimento – AR a fl. 65. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário as fls. 174 a 186 do processo principal 19311.000323/200883, contra decisão do Acórdão n° 0527.678, da 7ª Turma da DRJ/CPS, de 26/11/2009 (fls. 161 a 167 do processo nº 19311.000323/200883), através do qual foi Fl. 2DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19311.000325/200872 Acórdão n.º 230201.703 S2C3T2 Fl. 86 3 promovido o julgamento conjunto dos processos supracitados, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: • Que a Sra. Cléia Wandsberg da Rocha foi erroneamente enquadrada como empregada no exercício da profissão de músico, pois é uma "ministra de confissão religiosa", estando suas remunerações ao abrigo da isenção de contribuições previdenciárias; • Que a instituição mantinha junto à Fundação Municipal de Ensino Superior de Bragança Paulista um Convênio para a realização de estágio por prazo indeterminado, firmado em 01/03/2009; • Requer a relevação da multa de mora e das multas por descumprimento de obrigação acessória; Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 27/01/2010. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 26 de fevereiro do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Estando presentes os demais requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA DECISÃO RECORRIDA Pondera o Recorrente que a Sra. Cléia Wandsberg da Rocha foi erroneamente enquadrada como empregada no exercício da profissão de músico, pois é uma "ministra de confissão religiosa", estando suas remunerações ao abrigo da isenção de contribuições previdenciárias. Com efeito, o presente lançamento houve por lavrado subdividido em dois levantamentos distintos, conforme arrolamento no discriminativo a fls. 98/100 do processo nº 19311.000323/200883, a saber: Fl. 3DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 a) "CSE" Caracterização de Segurado Empregado – Constituído pelo Salário de Contribuição de segurados cuja relação jurídicoprevidenciária com o Recorrente, no entendimento da Autoridade Lançadora, se enquadrava na condição de segurado empregado; b) "SCI" — Segurados Contribuintes Individuais – Constituído pelo Salário de Contribuição de segurados qualificados como segurados contribuintes individuais. Com relação ao levantamento CSE Caracterização de Segurado Empregado, a decisão recorrida reconheceu que a musicista Cléia Wandsberg da Rocha não reunia os elementos suficientes para ser enquadrada na condição de ministro de confissão religiosa. Nessa prumada, o órgão julgador de 1ª instância, mesmo considerando estarem presentes diversos indícios caracterizadores da relação de emprego, pautouse por considerar não ser possível se afirmar a existência de vínculo empregatício entre a musicista e a instituição religiosa, razão pela qual houve por considerar ser procedente o seu enquadramento como segurado contribuinte individual, na qualidade de “segurado autônomo” (sic), excluída do conceito de ministro de confissão religiosa para os fins previdenciários. Ocorre, contudo, que a conclusão do voto em relação à musicista em tela fez rimar açúcar com sal, num “Samba do crioulo doido” de fazer o Stanislaw tirar o chapéu, eis que a considerou como segurada contribuinte individual, ao passo que, no lançamento, ela se houve por caracterizada como segurada empregada. Assim finalizou o relator, ipsis litteris: “Embora presente esse indício de relação de emprego, não é possível com certeza, no âmbito deste julgamento, a existência do vínculo empregatício entre a musicista e a instituição religiosa, pelo que é de se considerar procedente o seu enquadramento pelo autuante como contribuinte individual, na qualidade de segurado autônomo, excluída do conceito de ministro de confissão religiosa para os fins previdenciários”. (grifos nossos) Ora, mas o auditor fiscal autuante não a havia enquadrado como segurada contribuinte individual, mas, sim, como segurada empregada, eis que excluída do conceito de ministro de confissão religiosa, estes sim, legalmente definidos como segurados contribuintes individuais, nos termos do art. 12, V, ‘c’ da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas (...) V como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) c) o ministro de confissão religiosa e o membro de instituto de vida consagrada, de congregação ou de ordem religiosa; (Redação dada pela Lei nº 10.403, de 2002). Fl. 4DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19311.000325/200872 Acórdão n.º 230201.703 S2C3T2 Fl. 87 5 O fechamento do acordão não foi outro senão a improcedência das impugnações apresentadas e a manutenção integral do crédito tributário. Conclusão Por todo o exposto, em face das razões e circunstâncias ora aduzidas e tudo o mais que dos autos consta, voto pela total improcedência das impugnações apresentadas, com a consequente manutenção do crédito tributário objeto do presente processo (n° 19311.000323/200883 (Debcad n° 37.173.7460)) e dos processos a este juntados por apensação (n° 19311.000324/2008 2: (Debcad n° 37.173.7478), n° 19311.000325/200872 (Debcad n° 37.173.7486) e n° 19311 100326/200817 (Debcad n° 37.173.7494), ressalvada, para este último, a eventual aplicação retroatividade benigna. (grifos nossos) Muita calma nessa hora. Se o auditor fiscal autuante efetuou o lançamento enquadrando a segurada em realce como segurada empregada, mediante a desconsideração de sua condição de ministra de confissão religiosa para fins previdenciários, e assim, desqualificandoa como segurada contribuinte individual, e a decisão de primeira instância, mesmo reconhecendo a existência de indício de relação de emprego, admitiu ser procedente o seu enquadramento como segurada contribuinte individual, na qualidade de “segurado autônomo” (sic), a conclusão do acórdão jamais poderia apontar para a procedência global do lançamento e a manutenção integral do crédito tributário lançado. Anotese que a entidade autuada, em sede de recurso voluntário, retornou à carga atacando a qualificação de segurada empregada mantida pela decisão hostilizada, a qual, conforme indicado, já houvera admitido não ser possível afirmar a existência de vínculo empregatício e que correto era o enquadramento da musicista como segurada contribuinte individual. Nesse cenário, avulta de forma flagrante que os fundamentos da decisão são incompatíveis com a conclusão do acórdão hostilizado, circunstância que culminou por provocar embaraços no direito de defesa do contribuinte. Tal situação conduz, inexoravelmente, à nulidade da decisão recorrida em razão do flagrante cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo, a teor do art. 59, II, in fine, do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 §3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) 3. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, voto pela declaração de nulidade do Acórdão recorrido, com fulcro no art. 59, II, in fine, do Decreto nº 70.235/72. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 6DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11070.002689/2004-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2002
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO.
As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de
inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder
Judiciário.
ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2002
SIMPLES. EXCLUSÃO. PARTICIPAÇÃO SUPERIOR A 10%.
Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica cujo titular ou sócio participe
com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a
receita bruta global ultrapasse o limite legal para permanência no Simples.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS.
Para a hipótese de exclusão do Simples, com fundamento no inciso IX do art.
9º da Lei n° 9.317/96, a data a partir da qual surtirão os seus efeitos decorre
da previsão do inciso II do art. 15 da mesma Lei, qual seja, o mês subseqüente àquele em que incorrida a situação excludente.
Numero da decisão: 1102-000.756
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201206
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2002 SIMPLES. EXCLUSÃO. PARTICIPAÇÃO SUPERIOR A 10%. Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legal para permanência no Simples. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. Para a hipótese de exclusão do Simples, com fundamento no inciso IX do art. 9º da Lei n° 9.317/96, a data a partir da qual surtirão os seus efeitos decorre da previsão do inciso II do art. 15 da mesma Lei, qual seja, o mês subseqüente àquele em que incorrida a situação excludente.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 11070.002689/2004-31
conteudo_id_s : 5239918
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1102-000.756
nome_arquivo_s : Decisao_11070002689200431.pdf
nome_relator_s : JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
nome_arquivo_pdf_s : 11070002689200431_5239918.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
id : 4601971
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:02:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041577481338880
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1999; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 1 1 0 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11070.002689/200431 Recurso nº 340.113 Voluntário Acórdão nº 110200.756 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de junho de 2012 Matéria SIMPLES. Recorrente RÁDIO SEPÉ TIARAJÚ LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 SIMPLES. EXCLUSÃO. PARTICIPAÇÃO SUPERIOR A 10%. Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legal para permanência no Simples. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. Para a hipótese de exclusão do Simples, com fundamento no inciso IX do art. 9º da Lei n° 9.317/96, a data a partir da qual surtirão os seus efeitos decorre da previsão do inciso II do art. 15 da mesma Lei, qual seja, o mês subseqüente àquele em que incorrida a situação excludente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 25/ 06/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 11070.002689/200431 Acórdão n.º 110200.756 S1C1T2 Fl. 2 2 Albertina Silva Santos de Lima Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, Plínio Rodrigues Lima, e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Trata o presente processo de exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples, promovida pelo Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/SAO n° 549.010, de 02 de agosto de 2004 (fls. 13), com efeitos a partir de 01.01.2003, sob o fundamento de o sócio ou titular da pessoa jurídica participar de outra empresa com mais de 10% e a receita bruta global ter ultrapassado o limite legal, fato que veda a opção pelo Simples, de acordo com o disposto na Lei n° 9.317/96. O mencionado ato identifica a sócia em questão – Neila Zila Andrés – pelo seu CPF 920.261.41053, bem como a outra empresa na qual ela possui participação superior a 10% – GRÁFICA MERCOSUL LTDA – pelo seu CNPJ 01.776.441/000142. A interessada apresentou a Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples – SRS (fls. 07 a 11), a qual foi julgada improcedente pela Administração Tributária, por meio da decisão consubstanciada no corpo da própria SRS, fls. 11. Em 24/11/2004, apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 01 a 06) ao ato de exclusão, alegando, em síntese, o que a seguir se expõe. Contesta os efeitos retroativos da exclusão a 01.01.2003, por consistir em punição que não condiz com a postura do contribuinte, caracterizada pela boa fé. Além disto, pela leitura do inciso II do artigo 15 da Lei n° 9.317, de 1996, mencionado no ADE sob comento, inferese que os efeitos da exclusão devem ocorrer partir do mês subseqüente aquele em que se proceder à exclusão, ainda que de oficio. A retroação em questão afronta os mais comezinhos princípios de direito, insculpidos na Lei Maior, a exemplo dos artigos 5°XL, 170IX e 179, redundando, além da volta à informalidade, na sua inadimplência, oriunda da diferença de tributos a exigir. O efeito retroativo denota a cobrança de tributos como punição, que só é admissivel no caso de sanção por ato ilícito, sendo que o contribuinte está sendo punido por fato decorrente de uma constatação da qual ele não tinha conhecimento anterior, aliás, antes ao contrário, posto que sempre foram recepcionadas as suas Declarações Anuais Simplificadas, sem qualquer recusa aos pagamentos efetuados. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 25/ 06/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 11070.002689/200431 Acórdão n.º 110200.756 S1C1T2 Fl. 3 3 Cita jurisprudência administrativa e judicial e notícia de jornal sobre a impossibilidade de cobrança retroativa. Por fim, informa que, a partir da ciência da sua exclusão do Simples, buscou adequarse às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Finaliza requerendo a revogação do ADE e sua permanência no regime simplificado, ou, alternativamente, que este somente produza os seus efeitos a partir do mês subseqüente ao de sua ciência. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria/RS afastou as preliminares de inconstitucionalidade e ilegalidade e, no mérito, destacou que a interessada não apresentou qualquer argumento contra o fato de que a sua sócia, identificada no ADE, participa de outra empresa, também ali identificada, e que a receita bruta global destas empresas ultrapassou o limite global no anocalendário de 2002, e, nesta conformidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta. O Acórdão 187.585, fls. 45 a 51, possui a seguinte ementa: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. A apreciação de eventuais argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis ou atos administrativos está deferida ao Poder Judiciário, por força do texto constitucional. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2003 OPÇÃO. TITULAR OU SÓCIO PARTICIPA DE OUTRA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE. Não poderá optar pelo Simples a pessoa jurídica cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite estabelecido para as empresas de pequeno porte. EXCLUSÃO. EFEITOS. Nas hipóteses de vedação à opção pelo Simples, exceto quando por excesso de receita bruta ou porque exerçam a atividade de industrialização, por conta própria ou por encomenda, de bebidas, cigarros e demais produtos classificados nos Capítulos 22 e 24 da Tabela de Incidência do IPI (TIPI), estas se inscritas no Simples até 12 de março de 2000, a exclusão surtirá efeito a partir do mês subseqüente àquele em que incorrida a situação excludente, salvo nos casos em que tenham optado pelo Simples até 27 de julho de 2001, quando o efeito da exclusão darseá a partir do mês seguinte àquele em que se proceder a exclusão, se efetuada em 2001, ou a partir de 1º de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002.” Cientificada desta decisão em 31.08.2007, conforme AR de fls. 52, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 19.09.2007, fls. 53 a 61, no qual reprisa os argumentos expostos por ocasião da inicial, e acrescenta, ainda, o seguinte: Fl. 87DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 25/ 06/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 11070.002689/200431 Acórdão n.º 110200.756 S1C1T2 Fl. 4 4 A situação excludente foi regularizada por meio de alteração contratual em 21 de dezembro de 2004 (doc. 01), na qual se retirou do quadro social da GRÁFICA MERCOSUL LTDA a sócia Neila Zila Andrés, evitando o excesso do limite da receita bruta acumulada. A sua permanência no Simples se comprova pelo extrato da consulta da situação dos optantes pelo simples constante no site da própria Receita federal, extraído em 25/02/2005 (doc. 02). Portanto, regularizada a motivação da exclusão do simples, não haverá razão para mantêla. Esclarece que não se reportou sobre o fato de que a sócia Neila Z. Andrés participava de outra empresa e nem que ultrapassou o limite de receita bruta no anocalendário de 2002, porque entendia e entende que estava e está reivindicando, também, que a Exclusão não pode ter efeitos retroativos a 01.01.2003, mas sim, tão somente a partir do mês seguinte ao da ciência do ato declaratório de exclusão, que se deu em 27.08.2004. O recurso foi inicialmente analisado pela Terceira Seção do CARF, que, em 17 de março de 2009, converteu o julgamento em diligência para que fosse verificada a receita bruta das empresas em questão (GRAFICA MERCOSUL LTDA e RÁDIO SEPÉ TIARAJÚ LTDA), vez que não consta dos autos nenhum cálculo sobre o excesso de receita bruta global no ano calendário de 2002, nem tampouco documentos neste sentido, a embasar a assertiva que deu origem à exclusão perpetrada (Resolução 380100.005, fls. 69 a 71). A autoridade administrativa, em atendimento ao solicitado, juntou aos autos cópias de telas de consultas aos sistemas internos da RFB (fls. 73 a 76), e devolveuos ao CARF. Por sorteio, os recebo para relato. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Dispõe o art. 9º da Lei nº 9.317/96: “Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) IX cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2° ;” Fl. 88DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 25/ 06/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 11070.002689/200431 Acórdão n.º 110200.756 S1C1T2 Fl. 5 5 O limite a que alude o dispositivo em questão era de R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais), consoante a redação então vigente, dada pela Lei nº 9.732, de 1998, conforme abaixo reproduzido: “Art. 2° Para os fins do disposto nesta Lei, considerase: (...) II empresa de pequeno porte, a pessoa jurídica que tenha auferido, no anocalendário, receita bruta superior a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) e igual ou inferior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais).” A despeito de não ter havido contestação expressa quanto ao motivo apontado pelo ato de exclusão da recorrente do Simples, o fato é que, por meio da Resolução no 380100.005, foi determinado que fossem verificados os valores da receita bruta, no ano calendário de 2002, das empresas nas quais a sócia Neila Zila Andrés possuía participação. Os documentos acostados pela autoridade, em cumprimento à diligência solicitada, apontam os seguintes montantes de receita bruta em 2002: GRÁFICA MERCOSUL LTDA: R$ 869.627,00 RÁDIO SEPÉ TIARAJU LTDA: R$ 710.605,39 Resta, assim, evidenciado que a receita bruta somada atingiu R$ 1.580.232,39, valor superior ao limite de R$ 1.200.000,00 para a permanência no regime simplificado. A pendência relativa à participação da referida sócia nas empresas em questão, conforme noticia a própria recorrente, somente foi regularizada por meio de alteração contratual efetivada em 21 de dezembro de 2004, data muito posterior aos fatos que deram ensejo à sua exclusão do Simples. Portanto, perfeitamente caracterizada no plano fático a situação prevista em lei para a incidência da norma, a exclusão da recorrente do regime simplificado é providência que se impõe. Quanto aos efeitos do ato de exclusão, assim dispõe o art. 15, inciso II, da Lei n° 9.317/96, com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: II a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIX do art. 9º; Tendo a situação excludente se concretizado ao final de 2002 (31.12.2002), a exclusão surtirá seus efeitos a partir de 01.01.2003, exatamente como determinou o contestado ADE n° 549.010. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 25/ 06/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 11070.002689/200431 Acórdão n.º 110200.756 S1C1T2 Fl. 6 6 Os protestos recursais para que os efeitos da exclusão ocorressem somente a partir do mês subseqüente aquele em que efetivada a exclusão, ainda que de oficio, estão em consonância com a redação anterior do citado dispositivo, a qual, porém, foi suplantada pela nova redação, acima transcrita. Quanto aos argumentos de que a referida retroatividade dos efeitos da exclusão, expressamente prevista em lei, violaria dispositivos e princípios constitucionais, há que se observar que falece a este Conselho competência para se pronunciar sobre tal matéria, conforme entendimento já sedimentado, inclusive por meio de súmula, de observação obrigatória no âmbito deste Colegiado, e que a seguir se transcreve: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Tais argumentos, assim como aqueles de que a exclusão constituiu uma injusta punição a um contribuinte cuja postura sempre foi caracterizada pela boa fé, hão de ser manejados perante o Poder Judiciário, que tem competência para analisar a questão sob este ângulo. Não há, portanto, como acolher a pretensão da recorrente para que os efeitos retroajam somente até o mês seguinte àquele em que tomou ciência de sua exclusão do regime simplificado. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 90DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 25/ 06/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 15563.000650/2009-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2005
IRPJ. AUTO DE INFRAÇÃO. REDUÇÃO DE SALDO NEGATIVO.
Identificada a inclusão de deduções indevidas deve-se, após a competente glosa, integrar o respectivo valor na apuração da base de cálculo para se encontrar o montante do tributo devido. Se remanesce negativo o saldo de tributo a pagar mesmo após a exclusão da dedução indevida, deve-se proceder ao ajuste do saldo negativo do imposto e não a exigência de tributo que, ao final do período de apuração, mostra-se indevido.
Numero da decisão: 1401-000.795
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reduzir o saldo negativo do ano-calendário de 2005 para R$ 19.714.045,56 (dezenove milhões, setecentos e catorze mil, quarenta e cinco reais e cinquenta e seis centavos), nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201205
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2005 IRPJ. AUTO DE INFRAÇÃO. REDUÇÃO DE SALDO NEGATIVO. Identificada a inclusão de deduções indevidas deve-se, após a competente glosa, integrar o respectivo valor na apuração da base de cálculo para se encontrar o montante do tributo devido. Se remanesce negativo o saldo de tributo a pagar mesmo após a exclusão da dedução indevida, deve-se proceder ao ajuste do saldo negativo do imposto e não a exigência de tributo que, ao final do período de apuração, mostra-se indevido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 15563.000650/2009-01
conteudo_id_s : 5227606
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-000.795
nome_arquivo_s : Decisao_15563000650200901.pdf
nome_relator_s : FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
nome_arquivo_pdf_s : 15563000650200901_5227606.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reduzir o saldo negativo do ano-calendário de 2005 para R$ 19.714.045,56 (dezenove milhões, setecentos e catorze mil, quarenta e cinco reais e cinquenta e seis centavos), nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
id : 4578343
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:00:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041577487630336
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2050; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 477 1 476 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15563.000650/200901 Recurso nº 897.197 Voluntário Acórdão nº 1401000.795 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de maio de 2012 Matéria IRPJ Recorrente Lanxess Elastômeros do Brasil S.A. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 IRPJ. AUTO DE INFRAÇÃO. REDUÇÃO DE SALDO NEGATIVO. Identificada a inclusão de deduções indevidas devese, após a competente glosa, integrar o respectivo valor na apuração da base de cálculo para se encontrar o montante do tributo devido. Se remanesce negativo o saldo de tributo a pagar mesmo após a exclusão da dedução indevida, devese proceder ao ajuste do saldo negativo do imposto e não a exigência de tributo que, ao final do período de apuração, mostrase indevido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reduzir o saldo negativo do anocalendário de 2005 para R$ 19.714.045,56 (dezenove milhões, setecentos e catorze mil, quarenta e cinco reais e cinquenta e seis centavos), nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que integra o acórdão recorrido, fls. 455: Versa este processo sobre o Auto de Infração de fls. 112/116, lavrado pela DRF/Nova Iguaçu, com ciência ao contribuinte em 02/12/2009 (fl. 141), para exigência do IRPJ, no valor de R$ 853.865,17; mais juros moratórios e multa de 75%. A exigência decorre de, em procedimento de auditoria levada a efeito na escrita da pessoa jurídica interessada, ter sido constatado que a mesma diminuiu indevidamente a base de calculo do IRPJ utilizandose de prejuízos fiscais inexistentes — no anocalendário de 2005, o saldo disponível para compensação era de R$ 9.904.623,29, mas a empresa considerou o valor de R$ 13.320.083,99, excedendose em R$ 3.415.460,70. 0 enquadramento legal consta do auto de infração. A interessada apresentou, em 04/01/2010, a Impugnação de fls. 145/154, onde argumenta: Ser um direito seu compensar os prejuízos fiscais, conforme previsto nos artigos 509 e 510 do RIR/99. Que, independentemente do aproveitamento dos prejuízos acumulados, recolheu imposto a maior, gerando direito à restituição, eis que no anocalendário de 2005 optou por recolher o IRPJ por estimativa, apurando um saldo negativo no valor de R$ 20.567.910,73. Que, relativamente ao saldo negativo do IRPJ, no valor de R$ 20.567.910,72, apresentou, em 2006, PER/DCOMP, mas a DRF/Nova Iguaçu não homologou as compensações, o que a levou a apresentar Manifestação de Inconformidade, ainda não julgada pela DRJ/RJO —processo n° 10735.902551/200834. No que se refere a 1996, o prejuízo fiscal apurado naquele ano foi diminuído em razão de autos de infração lavrados, com glosa de despesas — processo 10735.002436/0067. Acontece que esses autos foram posteriormente retificados pelas primeira e segunda instâncias de julgamento, legitimando a interessada alterar, aumentando, o valor do prejuízo daquele período, anteriormente diminuído em decorrência dos referidos autos. Assim, a autoridade fiscal, ao recompor os saldos de prejuízos do período de 1996 a 2007, não considerou esse fato. Se o tivesse considerado, encontraria um saldo de prejuízos acumulados a compensar maior em 31/12/2005. Ser seu direito requerer produção posterior de provas e realização de diligências. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 15563.000650/200901 Acórdão n.º 1401000.795 S1C4T1 Fl. 478 3 A 1ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I, por unanimidade, deu provimento parcial à impugnação, por meio do Acórdão de fls. 453457, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PEDIDO DE DILIGÊNCIA E DE PERÍCIA. Devem ser indeferidos os pedidos de diligência, bem como de perícia, quando forem prescindíveis para o deslinde da questão a ser apreciada, ou se o processo possuir todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL 0 saldo de prejuízo fiscal deve ser alterado, para maior, se a glosa de despesas que motivou sua diminuição foi considerada parcialmente improcedente pela autoridade julgadora. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTO PAGO A MAIOR Incabível o pedido de compensação de débito com créditos tributários em sede de impugnação do lançamento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificada do referido Acórdão em 22/11/2010 (fls. 466), a contribuinte apresentou em 22/12/2010 o recurso voluntário de fls. 467475, com base nas seguintes alegações: a) Antes de exigir qualquer pagamento adicional de IR relativo ao ano calendário de 2005, na eventualidade de haver excesso na compensação de prejuízos fiscais, é preciso verificar se os pagamentos realizados por estimativa não foram suficientes para fazer frente inclusive ao montante apurado no presente auto de infração. b) o lançamento de oficio só deveria considerar eventual divergência e eventual pagamento a menor. Se não houve pagamento a menor, porque os pagamentos por estimativa eram suficientes para cobrir inclusive o valor do IR determinado após a glosa do alegado excesso de compensação, não haveria que se falar em exigência do IRPJ, tampouco de multa de oficio e juros de mora. Eventual efeito reflexo no saldo negativo de IR deveria ser verificado no processo de restituição e compensação (PERDCOMP) apresentado pela ora RECORRENTE, com arrimo no art. 6° da Lei n° 9.430/96. É o relatório Fl. 500DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 4 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Entendeu a Fiscalização que a ora Recorrente teria apurado IRPJ em montante supostamente inferior ao devido, por ocasião do encerramento do anocalendário de 2005. Contudo a Recorrente afirma que a pretensão fiscal não merece prosperar tendo em vista que os pagamentso realizados a título de estimativa, ao longo do aludido ano calendário, “eram suficientes para cobrir inclusive o valor do IR determinado após a glosa do alegado excesso de compensação”. Assiste razão à Recorrente. Compulsando o autos, verifico que, mesmo tomando como corretas as imputações realizadas pelas autoridades fiscais, a Recorrente apurou saldo negativo de IRPJ no anocalendário 1996, sendo que, após os ajustes pretendidos no presente auto de infração, remanesce negativo o imposto de renda devido no período. Disso decorre que o presente auto de infração não poderia ter sido lavrado como saldo de tributo a pagar, mas sim como redução de saldo negativo de IRPJ para os exercícios seguintes. Nesse sentido já se pronunciou o CARF, em situações com efeito semelhante, a saber: IRPJ. O lançamento deve ser cancelado quando o autuante não faz a recomposição do lucro real, quando da identificação da infração (compensação a maior de prejuízos fiscais 30%) e se verifica que a recomposição do lucro ensejaria no máximo a lavratura do auto como redução de saldo negativo do IRPJ. Ementario publicado no DOU n" 13 de 20/01/2009. Págs. 05/09 (Acórdão 10323605). No mesmo sentido, temos o seguinte julgado desta 4ª Turma, unânime, da lavra do ilustre Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira: IRPJ. AUTO DE INFRAÇÃO. REDUÇÃO DE SALDO NEGATIVO. EXIGÊNCIA DE TRIBUTO. Identificada a inclusão de deduções indevidas, devese, após a competente glosa, integrar o respectivo valor na apuração da base de cálculo para se encontrar o montante do tributo devido, Se remanesce negativo o saldo de tributo a pagar mesmo após a exclusão da dedução indevida, deve ser procedido o ajuste do saldo negativo do imposto, e não o lançamento do tributo que, ao final do período de apuração, mostrase indevido. (Acórdão 140100.305 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de agosto de 2010) Assim, deveria a Autoridade Fiscal ter procedido o ajuste do saldo negativo de IRPJ, e não ter procedido o lançamento do tributo acrescido de multa e juros. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 15563.000650/200901 Acórdão n.º 1401000.795 S1C4T1 Fl. 479 5 Ora, identificada a ocorrência de compensações indevidas, devese, após a competente glosa, integrar o respectivo valor na apuração da base de cálculo para se encontrar o montante do tributo devido. Se remanesce negativo o saldo de tributo a pagar mesmo após a exclusão da dedução indevida, deve ser procedido o ajuste do saldo negativo do imposto, e não a exigência do tributo que, ao final do período de apuração, mostrase indevido. No caso dos autos, após a retificação dos valores constantes do presente auto de infração, o IRPJ devido pela Recorrente encontrase negativo em R$ 19.714.045,56, e não em R$ 20.567.910,73, conforme originalmente delarado pela contribuinte Esse valor é encontrado após a seguinte recomposição: DIPJ Valores retificados Lucro real 56.470.305,09* 56.470.305,09* Compensações de prejuízos fiscais de exercícios anteriores 13.320.083,99 9.906.623,29 Lucro real 43.150.221,10 46.565.681,80 IRPJ devido 10.763.555,28 11.617.420,45 Deduções (31.331.466,01)* (31.331.466,01)* IRPJ a Pagar (20.567.910,73) (19.714.045,56) * Valores incontroversos Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao presente recurso, para reduzir o saldo negativo do anocalendário de 2005 para R$ 19.714.045,56 (dezenove milhões, setecentos e catorze mil, quarenta e cinco reais e cinquenta e seis centavos), devendo a autoridade executora proceder a devida retificação nos registros próprios. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 502DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10730.720213/2010-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: COMPENSAÇÃO.
Incabível a imputação da multa de mora não recolhida em 04/04/2006, juntamente com o IRRF que integra o saldo negativo do IRPJ apurado em 31/12/2005, por se tratar de recolhimento indevido passível de restituição a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração.
Numero da decisão: 1301-000.987
Decisão: Os membros da Turma acordam, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201207
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : COMPENSAÇÃO. Incabível a imputação da multa de mora não recolhida em 04/04/2006, juntamente com o IRRF que integra o saldo negativo do IRPJ apurado em 31/12/2005, por se tratar de recolhimento indevido passível de restituição a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10730.720213/2010-41
conteudo_id_s : 5227373
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-000.987
nome_arquivo_s : Decisao_10730720213201041.pdf
nome_relator_s : PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
nome_arquivo_pdf_s : 10730720213201041_5227373.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Os membros da Turma acordam, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2012
id : 4578240
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:00:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041577498116096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1591; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10730.720213/201041 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301000.987 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de julho de 2012 Matéria COMPENSAÇÃO/SNIRPJ Recorrente AMPLA ENERGIA E SERVIÇOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL COMPENSAÇÃO. Incabível a imputação da multa de mora não recolhida em 04/04/2006, juntamente com o IRRF que integra o saldo negativo do IRPJ apurado em 31/12/2005, por se tratar de recolhimento indevido passível de restituição a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma acordam, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da decisão recorrida: “Versa este processo sobre DCOMP. Através do Despacho Decisório Parecer Seort/DRF/Niterói n° 3.230/2010 (fls. 445/450), foi reconhecido parcialmente o direito creditório no valor de R$5.385.718,14, advindo de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2001, acrescido de juros Selic a partir de maio de 2006, e, em consequência, foi homologada parcialmente a compensação efetuada por meio da DCOMP retificadora 05562.77933.020606.1.7.042572 e determinada a imediata cobrança do débito indevidamente compensado relacionado. No Parecer Seort, temse, em síntese, que: o interessado estava obrigado a recolher o IRRF em função da decisão judicial de fls. 95/104, publicada em 06/09/2005, que deu provimento ao recurso da União, não havendo, por conseguinte, pagamento indevido; para se beneficiar da exclusão da multa de mora (§ 2o. , do art. 63, da Lei n° 9.430/1996), o pagamento deveria ter sido efetuado até 07/10/2005, conforme manifestação da PSFN/NIT; de acordo como Parecer Normativo SRF n° 1, de 24/09/2002, tratandose de rendimento sujeito a antecipação, considerase vencido o imposto na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado (28/12/2001); "em 04 de abril de 2006, data do recolhimento de fl. 385, para quitar o IRRF, código 5273, no valor originário de R$5.995.928,66, o contribuinte deveria ter recolhido um valor consolidado de R$11.783.199,00, incluída a multa de mora efetivamente devida no valor de R$1.199.785,73, e os juros de mora de R$4.588.084,61"; como não houve a inclusão da multa, cabe imputação proporcional do pagamento (como demonstra); o valor recolhido a título de IRRF compõe o saldo negativo do ano calendário de 2001, posto que os esclarecimentos e documentos anexados "comprovam que os rendimentos auferidos nas operações de swap foram devidamente contabilizados e submetidos à tributação na DIPJ"; "como regra geral, o crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ está disponível a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente", entretanto, como o pagamento ocorreu somente em 04/04/2006, a regra geral não pode ser aplicada; no caso, o crédito estará disponível a partir do evento em que seu direito se constituiu, ou seja, a partir do mês subsequente ao do pagamento (maio de 2006). O interessado, cientificado em 25/11/2010 (fl. 452), apresentou, em 23/12/2010, a manifestação de inconformidade de fls. 453/476. Nesta peça, alega, em síntese, que: no dia 04/04/2006, no prazo de 30 dias contados da publicação do acórdão que negou provimento aos seus embargos de declaração, recolheu o imposto de Fl. 565DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10730.720213/201041 Acórdão n.º 1301000.987 S1C3T1 Fl. 2 3 renda não retido pela fonte pagadora por força de liminar e sentença judicial, no total de R$10.584.013,27, como atesta o darf acostado à fl. 385; encerrado o ano calendário de 2001, materializado estava o fato gerador do IRPJ, donde, a partir de então, nunca poderia ser exigido o IRRF; quando percebeu que o aludido recolhimento foi indevido, apresentou DCOMP; a Receita Federal, escorada na opinião da PSFN/NIT, concluiu que era devida a multa de mora e efetuou imputação proporcional do darf pago; não cabe a exigência de multa de mora, por terem os embargos de declaração sido recebidos no duplo efeito, conforme jurisprudência; como o IRRF não foi retido pela fonte pagadora, não há como compor o saldo negativo; jamais alegou que os rendimentos auferidos em operações de swap não deviam ser computados no lucro real e não os excluiu da determinação deste, conforme reconhecido de modo inconteste no Despacho Decisório; em março de 2006, não devia imposto de renda algum, de modo que o recolhimento configurou pagamento indevido; ainda que se tratasse de pagamento devido, cujo valor deveria integrar o saldo negativo, o crédito passível de compensação corresponderia ao valor do principal do imposto recolhido, acrescido de juros SELIC a partir de janeiro de 2002, nos termos do inciso IV, do § 1o. , do art. 72, da IN RFB n° 900/2008.” A autoridade julgadora de primeira instancia (DRJ/RJI) decidiu a matéria por meio do Acórdão 1236.238, de 24/03/2011 (fls. 496), tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. O IRRF recolhido em função de decisão judicial desfavorável não constitui pagamento indevido, mas o valor do principal (considerada a imputação em face do não recolhimento de multa de mora) pode integrar o saldo negativo do IRPJ, passível de restituição a partir do mês subsequente ao do encerramento do período de apuração. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido É o relatório. Passo ao voto. Fl. 566DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Como visto no Relatório, através do Despacho Decisório e Parecer da DRF de Niterói (fls. 445/450), foi reconhecido parcialmente o direito creditório no valor de R$5.385.718,14. O crédito alegado e pleiteado tem origem no darf (fl. 385) recolhido em 04/04/2006, no valor total de R$10.584.013,27 (principal R$5.995.928,66 e juros R$4.588.084,61). A diferença dos valores diz respeito a imputação feita pela DRF de Niterói do valor relativo a multa de mora não recolhida. Por elucidativo transcrevo os argumentos do voto combatido: “O recolhimento foi devido, uma vez que a decisão no mandado de segurança impetrado pelo interessado lhe foi desfavorável. Assim, não cabe restituição do valor total do darf (IRRF, multa e juros) apenas o valor do principal (IRRF) pode vir a ser restituído, posto que pode compor o saldo negativo do IRPJ (ainda que o recolhimento tenha sido efetuado pelo próprio interessado, em decorrência de responsabilidade tributária em face de não retenção pela fonte pagadora por força de decisão judicial), desde que comprovada a tributação dos rendimentos (fato inconteste). O Seort apontou que, para se beneficiar da exclusão da multa de mora (§ 2o. , do art. 63, da Lei n° 9.430/1996), o pagamento deveria ter sido efetuado até 07/10/2005, conforme manifestação da Procuradoria Secional da Fazenda Nacional em Niterói. A Procuradoria da Fazenda Nacional, na forma de seu Regimento Interno, tem por finalidade, entre outras, fixar a interpretação da Constituição, das leis, dos tratados e demais atos normativos, a ser uniformemente seguida em suas áreas de atuação e coordenação (salvo se já houver orientação normativa do AdvogadoGeral da União); entre as suas áreas de atuação, encontrase o desempenho das atividades de consultoria e assessoramento jurídicos no âmbito do Ministério da Fazenda e entidades a este vinculadas. Assim, o entendimento da PSFN/NIT deve ser acatado, prevalecendo a imputação efetuada pelo Seort. A jurisprudência não tem força vinculante. No entanto, assiste razão ao interessado quando alega que, tratandose de pagamento devido, cujo valor deveria integrar o saldo negativo, o crédito passível de compensação corresponderia ao valor do principal do imposto recolhido, acrescido de juros SELIC a partir de janeiro de 2002, nos termos do inciso IV, do § 1o. , do art. 72, da IN RFB n° 900/2008. O fato de o pagamento ter ocorrido somente em 04/04/2006 não faz com que não se aplique a regra relativa a crédito de saldo negativo de IRPJ. Não pode se entender que o pagamento é devido e se aplicar a regra de pagamento indevido, como pretende o Seort. Pelo fato de o pagamento somente ter ocorrido em 04/04/2006, houve o recolhimento de juros de mora no valor R$4.588.084,61 (valor que coincide com o apontado pelo Seort como devido). O Despacho Decisório Parecer Conclusivo deve, então, ser reformado, mantendose o direito creditório reconhecido pela DRF no valor de R$5.385.718,14, Fl. 567DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10730.720213/201041 Acórdão n.º 1301000.987 S1C3T1 Fl. 3 5 advindo de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2001, que, no entanto, deverá ser acrescido de juros Selic a partir de janeiro de 2002.” Cabe transcrever, por oportuno, a manifestação da Procuradoria da Fazenda Nacional que embasou a decisão da DRF de Niterói: 1) Os efeitos suspensivo, e, atualmente, interruptivo dos embargos do declaração dizem respeito ao prazo para interposição do recurso processual cabível e não ao momento do pagamento do tributo e encargos legais; 2) O prazo estabelecido no artigo 63, § 2o. o da Lei n° 9.430/96 deve ser contado a partir do ato judicial que cassou a liminar ou antecipação de tutela favorável ao contribuinte, no caso concreto, o primeiro acórdão de fls.107/116; 3) Apesar de ter sido requerido pelo contribuinte o efeito suspensivo aos embargos de declaração, o mesmo não foi deferido pelo relator, conforme se constata no segundo acórdão de fls. 102/106; 4) Não tendo ocorrido o pagamento em até 30 (trinta) dias contados da publicação do acórdão que cassou a liminar ou substituiu a sentença é cabível a cobrança da multa moratória de forma integral.” Nesta fase recursal aduz a recorrente que opôs Embargos de Declaração postulando: (i) que tal recurso fosse recebido no seu efeito suspensivo e, (ii) a expedição de ofício a DRF de Niterói determinando a suspensão de qualquer ato de cobrança até a decisão final dos embargos. Afirma, mais, em sua peça de defesa: “o referido recurso foi recebido no duplo efeito (fl. 111), ou seja, no efeito devolutivo e no efeito suspensivo. Posteriormente, aqueles embargos de declaração foram desprovidos pelo acórdão publicado em 06.03.2006 (fls. 129/132), cuja ementa, contudo, ratificou o seu recebimento no duplo efeito. (...) Em 04.04.2006, antes, portanto, de transcorrido o prazo de 30 dias contados da publicação do acórdão que negou provimento aos seus embargos de declaração, a RECORRENTE efetuou o pagamento do valor total de R$ 10.584.013,27 (principal de R$ 5.995.928,66 + juros de R$ 4.588.084,61), conforme atesta o comprovante de arrecadação acostado às fls. 385, no qual se observa, inclusive, que o respectivo DARF foi preenchido com o código de arrecadação n° 5273, relativo ao IRRF incidente sobre rendimentos auferidos em operações de "swap". A rigor, a indicação desse código foi incorreta, uma vez que, ainda que algum imposto fosse devido, encerrado o anocalendário de 2001, materializado estava o fato gerador do IRPJ, donde, a partir de então, o imposto cobrado da RECORRENTE sobre rendimentos com relação aos quais ela figurava como contribuinte só poderia ser o IRPJ, nunca o IRRF, como se infere dos itens 11, 14 e 16 do PN COSIT n° 01/2002. Assim, quando a RECORRENTE percebeu que o aludido recolhimento foi indevido, apresentou a PER/DCOMP que originou o presente feito, compensando o correspondente crédito, no valor principal de R$ 5.995.928,66 (consolidado de R$ Fl. 568DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 10.584.013,27 na data do recolhimento), com débito administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, consubstanciado na Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) relativa ao período de apuração encerrado em 31.03.2006.” Pois bem, a lide do presente processo restringese em saber: (I) se os Embargos de Declaração opostos pela recorrente, de fato, foram recepcionados no duplo efeito (devolutivo e suspensivo) conforme alegado e, (II) em conseqüência se é cabível ou não a multa moratória (imputada). Ao contrário das afirmações da recorrente, vêse de forma concisa da leitura do Acórdão aos Embargos de Declaração que não houve o alegado recebimento em duplo efeito, vejamos: "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. OPERAÇÕES DE SWAP PARA FINS DE HEDGE. TRIBUTAÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE. PREQUESTIONAMENTO. RECURSO ESPECIAL E RECURSO EXTRAORDINÁRIO. LEI 9.430/96, ARTIGO 63 § 2o.. INÍCIO DO PRAZO. RECURSO RECEBIDO NO DUPLO EFEITO. EXPEDIÇÃO DE OFÍCIO À RECEITA FEDERAL. NÃOCABIMENTO. 1. A questão acerca do momento em que começará a fluir o prazo previsto no § 2o. do artigo 63 da Lei 9.430/96, bem como a expedição de ofício à Receita Federal, não são objetos do processo, razão pela qual não serão analisados nos embargos opostos. 2. O acórdão enfrentou a questão referente à tributação nas operações de swap para fins de hedge de forma clara, inexistindo obscuridade. 3. Para fins de prequestionamento, basta que a questão tenha sido debatida e enfrentada no corpo do acórdão, sendo desnecessária a indicação de dispositivo legal ou constitucional. 4. Embargos de declaração conhecidos e improvidos”. Claro está no que se relaciona ao prequestionamento que tais matérias não foram analisadas nos embargos opostos pelo não cabimento. Da mesma forma constatase no corpo do voto nos embargos de declaração: “Tratase de embargos de declaração opostos por Companhia de Eletricidade do Rio de Janeiro CERJ, às fls. 312/326, contra a decisão de fls. 296/303 que deu provimento ao recurso para denegar a segurança. Inicialmente, vale ressaltar que a questão acerca do momento em que começará a fluir o prazo previsto no § 2o. do artigo 63 da Lei 9.430/96, bem como a expedição de ofício à Receita Federal, não são objetos do processo, razão pela qual não serão analisados nos embargos opostos.” Portanto, resta claro, que os embargos de declaração interpostos pela ora recorrente não tiveram o condão de suspender a execução do primeiro acórdão (decisão judicial publicada em 06/09/2005). No entanto, o Imposto de Renda na Fonte que ora se discute veio a compor, no seu valor total, o Saldo Negativo do Imposto de Renda apurado no encerramento do exercício (31/12/2005). Logo, no meu entender, o seu recolhimento (IRRF: valor principal e juros)) através do DARF de fl. 385, em 04/04/2006, restou totalmente indevido, não havendo, no caso, que se falar em imputação do valor da multa de mora que deixou de ser recolhida. Pelo exposto, voto por DAR provimento ao recurso. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10730.720213/201041 Acórdão n.º 1301000.987 S1C3T1 Fl. 4 7 (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 570DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10314.006657/2007-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Importação - II Exercício: 2007 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. EXIGÊNCIA DE PROVA. A aplicação da pena de perdimento e por consequência a multa de conversão desta pena, necessita de motivação justificada por meio de provas, que assegurem a irregularidade nas operações de importação, sob pena de ser declarada a insubsistência do auto de infração, por insuficiência de prova da imputação.
MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
O MPFMandado
de Procedimento Fiscal é instrumento de controle
administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou
incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS.
INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre
constitucionalidade das leis tributárias.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3102-001.510
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201205
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Imposto sobre a Importação - II Exercício: 2007 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. EXIGÊNCIA DE PROVA. A aplicação da pena de perdimento e por consequência a multa de conversão desta pena, necessita de motivação justificada por meio de provas, que assegurem a irregularidade nas operações de importação, sob pena de ser declarada a insubsistência do auto de infração, por insuficiência de prova da imputação. MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O MPFMandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 10314.006657/2007-85
conteudo_id_s : 5227356
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3102-001.510
nome_arquivo_s : Decisao_10314006657200785.pdf
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10314006657200785_5227356.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
dt_sessao_tdt : Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
id : 4578301
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:00:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041577505456128
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1764; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 1 1 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.006657/200785 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 310201.510 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de maio de 2012 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO ADUANEIRO Recorrente SB COMÉRCIO EXTERIOR LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Importação II Exercício: 2007 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. EXIGÊNCIA DE PROVA. A aplicação da pena de perdimento e por consequência a multa de conversão desta pena, necessita de motivação justificada por meio de provas, que assegurem a irregularidade nas operações de importação, sob pena de ser declarada a insubsistência do auto de infração, por insuficiência de prova da imputação. MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O MPF Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/07/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Adriana Oliveira e Ribeiro, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. “O interessado foi autuado em face de interposição fraudulenta na importação. Foi lançada a multa por conversão da pena de perdimento. Intimado em 13/7/2007, o interessado apresentou impugnação em 14/8/2007, juntada às fls. 37 e ss. Alega: 1. Pede a devolução de cartas de fiança apresentadas para desembaraço das mercadorias objeto do lançamento (processos apensos, citados em fl. 35). Alega que a impugnação suspende a exigibilidade do crédito tributário. 2. Inexistindo pena de perdimento, não há que se cogitar de sua conversão em pena pecuniária. 3. Junta cópia dos autos da representação para fins de inaptidão (processo 10314.004372/200718 doc. 3, fls. 5495). 4. Em 3/1/2007, data da expedição do Mandado de Procedimento Fiscal nº 08.1.55.002007000022, a SB já estava sob procedimento fiscal, deflagrado pela fiscalização da DRF Paranaguá (processo 10907.000063/200791), encerrado somente em 28/2/2007 (doc. 4, fls. 9699). Os livros fiscais e os extratos de movimentação bancária apresentados pela SB ficaram retidos pela DRFParanaguá até 14/3/2007 (fl. 552) 5. A legislação aduaneira permite que a verificação da origem de recursos empregados no comércio exterior seja efetuada tanto pela unidade de jurisdição da sede da empresa (Instrução normativa SRF nº 228/2002) quanto pela unidade de despacho aduaneiro (Instrução Normativa SRF nº 205/2002). 6. O MPF 08.1.55.002007000022, expedido pelo Inspetor de São Paulo não faz referência à IN 228/2002. Oficialmente, os auditoresfiscais deviam fiscalizar o cumprimento de obrigações Fl. 239DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/07/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10314.006657/200785 Acórdão n.º 310201.510 S3C1T2 Fl. 2 3 principais e acessórias relacionadas ao imposto sobe a importação e ao imposto sobre produtos industrializados, no período de janeiro/2004 a dezembro /2006. 7. Oficiosamente, os auditores decidiram promover outro procedimento especial de fiscalização contra a SB. O MPF 08.1.55.002007000022, expedido em 3/1/2007 foi retido por 40 dias, sendo entregue ao interessado somente em 12/2/2007. 8. A fiscalização solicitou em 22/1/2007 (fls. 5860) inumeráveis documentos, muitos ainda em poder da fiscalização da DRF Paranguá. 9. A SB atendeu, na medida do possível, a intimação EQCOF 10/2007, concluindo a entrega dos documentos em 15/3/2007, dia seguinte à data de devolução pela DRFParanaguá. 10. Em 16/3/2007 a empresa foi intimada (EQCOF nº 108/2007 fls. 87 e 88) a entregar grande quantidade de documentos, muitos dos quais protegidos pelo sigilo fiscal. 11. Objetivando dar um basta ao abuso promovido pelos auditoresfiscais, peticionou em 2/4/2007, exigindo o número e a senha do MPF que teria autorizado a promoção de novo procedimento especial de fiscalização, nos moldes da Instrução Normativa SRF nº 228/2002 (fls. 90 e 91). 12. A "ousadia" da empresa resultou na lavratura de representação para fins de inaptidão, em 26/4/2007. O fiscal valeuse de muitas inverdades. 13. A intimação EQCOF 108/2007, entregue em 16/3/2007, no dia seguinte ao atendimento da intimação anterior, representou odioso e inaceitável ardil da fiscalização, para alicerçar a representação para fins de inaptidão. 14.Os documentos requisitados nas intimações EQCOF 010/2007 e 108/2007 já haviam sido entregues à fiscalização da DRFParanaguá. 15. É desconhecido o destino dos documentos entregues à IRF São Paulo, pois não foram transladados aos autos do processo 10314.004372/200718 nem aos presentes autos. 16. Oficialmente, o único procedimento especial de fiscalização instaurado contra a SB é o processo 10907.000063/200791, da DRFParanaguá, cujas cópias não foram transladas à representação para fins de inaptidão. 17. A SB nunca recebeu resposta a sua petição postada em 2/4/2007. Não há autos do processo 10314.004372/200718 cópia de resposta àquela petição. 18. Cita doutrina e conclui que foram muitas as violações à legislação e aos princípios e garantias constitucionais. Informa que apresentou contraposição à representação para inaptidão de CNPJ. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/07/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 19. Razões de Direito. Preliminarmente, reitera a inexistência de decisão que tenha decretado a pena de perdimento das mercadorias. Inexistindo pena de perdimento, não há o que se converter em pena pecuniária. 20. Cita as garantias do artigo 5º, incisos LIV e LV, da Constituição Federal e os princípios da Lei nº 9.784/1999. 21. No mérito, o auto de infração não pode subsistir porque em nenhum momento se cogitou da interposição fraudulenta de terceiros ou da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados pela SB nas importações em questão. 22.Junta documentos comprobatórios da regularidade das importações (fls. 4548 e 102175). 23. Requer a improcedência do auto de infração." A Delegacia da Receita Federal de Julgamento manteve integralmente o lançamento. A decisão da DRJ foi assim ementada. “ASSUNTO: Imposto sobre a Importação II Exercício: 2007 CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Cientificado da decisão, o autuado apresentou recurso, repisando as alegações já apresentadas na impugnação afirmando a existência de irregularidades na ciência do Mandado de Procedimento Fiscal e dos procedimentos adotados pela Fiscalização Aduaneira, que atuou com falta de transparência, motivação do ato e publicidade, não respeitando as garantias da ampla defesa. Quanto ao mérito, alega que a mera presunção de interposição fraudulenta não pode ensejar a aplicação de penalidades. Que a empresa já estava sendo fiscalizada pela DRFParanaguá e todas as intimações realizadas por esta unidade foram prontamente atendidas. e a IRFSão Paulo poderia se utilizar destes documentos no seu procedimentos de fiscalização, ofendendo assim, o princípio do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/07/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10314.006657/200785 Acórdão n.º 310201.510 S3C1T2 Fl. 3 5 Ao fim do Recurso, pede o cancelamento da multa, por mostrarse confiscatória e ofender aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Ofensa a princípios constitucionais, regularidade do MPF e cerceamento do direito de defesa Inicialmente afasto as alegações presentes no recurso voluntário quanto a relevação da multa aplicada em razão de ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade que não são possíveis de apreciação por parte deste colegiado, em razão da sua incompetência para decidir sobre a constitucionalidade de lei tributária. Conforme a súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Em sede preliminar a Recorrente alega a nulidade do lançamento em razão de supostas irregularidade na ciência do Mandado de Procedimento Fiscal MPF. Não vislumbro assistir razão as alegações da Recorrente. O Mandato de Procedimento Fiscal foi instituído pelo Receita Federal como um instrumento administrativo não tendo o condão de servir de limitador do trabalho fiscal. O conhecimento das atividades envolvidas na fiscalização é feito por meio de Intimações e outros documentos com ciência do fiscalizado. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/07/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 No mesmo entendimento ora exposto, caminha o voto do e. conselheiro Walber José da Silva, emitido no Acórdão nº 3302.00.60 da Terceira Seção do CARF, que peço vênia para incluir e fazer parte da minhas razões de decidir. “O MPF foi disciplinado pela Portaria SRF 1.265/1999, com as alterações incluídas pelas Portarias SRF nº 1.614/2000, nº 407/2001, nº 1.020/2001, compilada na Portaria nº 3.007/2001 e, atualmente, na Portaria SRF nº 6.087/2005. O referido mandado consiste em uma ordem administrativa, emanada de dirigentes das unidades da Receita Federal do Brasil para que seus auditores executem as atividades fiscais, tendentes a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. Sendo, portanto, o MPF um instrumento interno de planejamento e gerência das atividades de fiscalização, praticado por autoridade competente (Coordenador, Superintendente, Delegado ou Inspetor, conforme o caso) e dirigido ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. Eventuais irregularidades verificadas no seu trâmite, ou mesmo na sua emissão ou prorrogação, não têm o condão de invalidar o auto de infração decorrente do procedimento fiscal relacionado, conforme determinação expressa do art. 16 da Portaria SRF 6.087/2005, abaixo reproduzido: Art. 15. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 12 e 13. Art. 16. A hipótese de que trata o inciso lido artigo anterior não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Parágrafo único. Na emissão do novo MPF de que trata este artigo, não poderá ser indicado o mesmo AFRF responsável pela execução do Mandado extinto. Cabe ressaltar, no que toca à ciência do MPF, que a necessidade de cientificar o contribuinte da existência do instrumento prendese tão somente a questões relacionadas à segurança do sujeito passivo contra pseudoações fiscais que poderiam ocorrer. Assim, o contribuinte pode, por precaução, praticar as medidas que julgar pertinentes para sua segurança durante o procedimento de fiscalização, enquanto não lhe for apresentado o MPF correspondente. Contudo, tratandose os eventuais vícios relativos ao uso do MPF de meras irregularidades formais, sabese que estas, quando supríveis, não podem elidir a atividade regrada e obrigatória do lançamento de oficio. Nesse sentido, é importante reproduzir a Lei n2 9.784/1999, art. 55, que assim preconiza: Fl. 243DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/07/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10314.006657/200785 Acórdão n.º 310201.510 S3C1T2 Fl. 4 7 "Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração". Por sua vez, o Decreto d 70.235/1972, art. 60, é redigido nos seguintes termos: "Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio". É imprescindível destacar que o regramento acerca do Mandado de Procedimento .Fiscal não se sobrepõe à atividade vinculada e obrigatória a que.. estão submetidos os agentes tributários. A obrigatoriedade do lançamento tributário, sob pena de responsabilidade funcional, constatada irregularidade cometida pelo sujeito passivo da obrigação tributária, deflui do Código Tributário Nacional, arts. 3º e 142, §único, conforme transcrição a seguir. "Art. 3º. Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada". "Art.142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, (..)Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional". Ainda no que diz respeito ao MPF, ressaltese que tem se sedimentado nos extintos Conselhos de Contribuintes, entendimento no mesmo sentido, isto é, sendo o MPF instrumento de mero controle administrativo, eventuais irregularidades em sua emissão ou utilização não têm o condão de macular o auto de infração. Citamse as seguintes ementas extraídas do repertório daquele tribunal: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF atividade de seleção do contribuinte a ser fiscalizado, bem assim a definição do escopo da ação fiscal, inclusive dos prazos para a execução do procedimento, são atividades que integram o rol dos atos discricionários, moldados pelas diretrizes de política administrativa de competência da administração tributária. Neste sentido, o MPF tem tripla função: a) materializa a decisão da administração, trazendo implícita a fundamentação requerida para a execução do trabalho de auditoria fiscal, b) atende ao princípio constitucional da cientificação e define o escopo da fiscalização e c) reverencia o princípio da pessoalidade. Questões ligadas ao descumprimento do escopo do MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no âmbito do processo administrativo disciplinar e não têm o condão de tornar nulo o lançamento tributário que atendeu aos Fl. 244DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/07/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 8 ditames do art. 142 do CTN. (Ac. 1° CC n°10706820, sessão de 16/10/2002, Relator Luiz Martins Valero) NULIDADE 1NOCORRÊNCL4 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. (Ac. 1° CC n° 10807079, Sessão de 22/08/2002, Relator Luiz Alberto Cava Maceira) MPF O Mandado de Procedimento Fiscal, é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não implicando nulidade dos procedimentos fiscais as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. (Ac. n° 10514070, Sessão de 19/03/2003, Relator Nilton Pess) PRELIMINAR NULIDADE MPF É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário (Ac. n°10612941, Sessão de 16/10/2002, Relator Luiz Antonio de Paula). NORMAS PROCESSUAIS VÍCIO A ENSEJAR A DECRETAÇÃO DA NULIDADE DO LANÇAMENTO O vencimento do prazo do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não se constitui hipótese legal de nulidade do lançamento. Recurso de oficio provido, determinando que, ultrapassada a preliminar de nulidade do lançamento, deve a autoridade julgadora a quo continuar o julgamento do mesmo quanto ao seu mérito (Ac. n° 20176449, Sessão 19/09/2002, Relator Gilberto Cassui)” Lançamento em razão da aplicação da pena de perdimento para mercadorias que teriam sido importadas sob o artifício da interposição fraudulenta Afastada a discussão preliminares, passo a análise dos argumentos contidos no recurso voluntário quanto a responsabilidade do Recorrente sobre os fatos ocorridos e a sua situação no polo passivo da obrigação tributária A lide gira em torno da conversão em multa da pena de perdimento aplicada a mercadorias importadas por intermédio de interposição fraudulenta, ao arrimo que a empresa importadora não teria comprovada a origem dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior. A autuada, em sua defesa, alega a licitude dos recursos utilizados e apresenta documentos referentes a operações de fechamento de câmbio e utilizados no despacho aduaneiro das mercadorias. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/07/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10314.006657/200785 Acórdão n.º 310201.510 S3C1T2 Fl. 5 9 O controle aduaneiro e a interposição fraudulenta O controle aduaneiro é matéria relevante em todos os países e a comunidade internacional busca de forma incessante o controle das mercadorias importadas, de forma a garantir a segurança e a concorrência leal dentro das regras econômicas e tributárias.. Desde da edição do DecretoLei 37/66. o Brasil busca coibir as irregularidades na importação. Este diploma legal, determinava a conferência física e documental da totalidade das mercadorias importadas. Com o crescimento da economia nacional, a crescente integração do País no plano internacional e o aumento significativo das operações de comércio exterior. O Estado Brasileiro, decidiu modificar os controles que até então vinha exercendo sobre a importação, desenvolvendo controles específicos que se adequassem ao incremento das operações na área aduaneira. A solução veio com a entrada em produção do SiscomexImportação em janeiro de 1997. A partir deste sistema, os controles de despacho aduaneiro de importação passaram a utilizar canais de conferência, que determinaram níveis diferentes de controles aduaneiros. Desde um controle total durante o despacho aduaneiro, com conferência documental, física das mercadorias e avaliação do valor aduaneiro até a um nível mínimo de conferência. Ao modernizar o seu sistema de controle aduaneiro o País flexibilizou o controle individual das mercadorias importadas, mas, dai nasceu a necessidade de também trabalhar o controle em nível de operadores de comércio exterior. A partir desta premissa foram definidos controles aduaneiros em dois momentos distintos. O primeiro, anterior a operação de importação, quando é exigido uma habilitação prévia da empresas interessada em operar no comércio exterior. Este controle busca avaliar a idoneidade daquelas empresas que pretendem operar no comércio, e atualmente esta disciplinado na Instrução Normativa da SRF nº 228/2002. Apesar deste controle ser preferencialmente em momento anterior as operações. Existem situações em que não é suficiente para impedir operações irregulares. Para coibir estas irregularidades a Fiscalização Aduaneira também atua em momento posterior ao desembaraço aduaneiro, buscando identificar irregularidades nas operações realizadas. O caminho adotado vem sendo o de confirmar a idoneidade das empresas envolvidas nas operações e investigar a origem do recursos utilizados. A identificação de ilícitos nas operações ou a falta de comprovação da origem dos recursos implica na aplicação da pena de perdimento das mercadorias importadas por operações irregulares. Por força legal, considerase dano ao erário, punível com a pena de perdimento das mercadorias, a ocultação do real adquirente das mercadorias importadas, mediante fraude ou simulação, conforme o art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/76. " Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ... V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real Fl. 246DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/07/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 10 vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002)" É mister salientar que não são todas as operações por conta e ordem de terceiros são consideradas interposição fraudulenta. O art. 80 da Medida Provisória nº 2.158 35/01 estabeleceu a possibilidade de pessoas jurídicas importadoras atuarem em nome de terceiros por conta e ordem destes. Os procedimentos a serem seguidos nestas operações estão atualmente disciplinados nas IN SRF nº 225/02 e 247/02. Considerando a possibilidade de importações, com a intervenção de terceiros, fato previsto em lei e disciplinado pela Receita Federal, torna mais forte a pena a ser aplicada quando importador e real adquirente, utilizando de fraude ou simulação oculta esta operação do conhecimento dos órgãos de controle aduaneiro, visto que, o fato de não seguir as determinações normativas para as importações por conta e ordem, accaretam prejuízo óbvio, aos controles aduaneiros, fiscais e tributários. Contudo, a matéria ainda não fica totalmente resolvida, visto que em determinadas situações, a pena de perdimento por diversos motivos não pode ser aplicada. Aqui temos um empecilho ao cumprimento da norma, já que impedida de aplicar o perdimento, se não existir outra pena possível, equivaleria a uma ausência de punibilidade, o que poderia além do prejuízo não ser ressarcido, estimular futuros atos ilícitos, diante da não aplicação da pena aos infratores. Tal fato não ficou desconhecida pelo legislador, que de forma lúcida, criou a possibilidade da conversão da pena de perdimento em multa, no valor de 100% do valor da mercadoria, conforme previsto art. 23, § 3º do DecretoLei nº 1.455/76. Diante do arcabouço legal que trata a matéria, fica cristalino a procedência da aplicação da pena de perdimento nas situações em que for comprovada ou presumida a interposição fraudulenta, bem como a conversão da pena de perdimento em multa. Tal posição Fl. 247DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/07/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10314.006657/200785 Acórdão n.º 310201.510 S3C1T2 Fl. 6 11 já é matéria assentada neste Conselho, conforme se verifica nos acórdãos nº 9303001.632, 320100.837 e 310200.792. Resolvida a questão da legalidade da imputação, passo a analisar a situação fática que culminou na aplicação da penalidade ora combatida. A operação de importação realizada pela Recorrente e a presunção da interposição fraudulenta Verificando a descrição dos fatos que detalham a motivação do auto de infração. Descreve a autoridade autuante que a Recorrente foi intimada a apresentar as mercadorias importadas por meio das DI nº 07/00865203, 07/0103922, 07/017706644, 07/01905446 para aplicação da pena de perdimento. Decorrido o prazo da intimação, não houve entrega das mercadorias, foi então encaminhada ao Sr. Inspetor (às folhas 40 e 41 do Processo Administrativo 10909.000916/200774), proposta de conversão da pena de perdimento em multa. Verificando o lançamento consta do relatório da autuação que o presente lançamento ocorreu em razão da existência de procedimento especiais, contra a recorrente, nos termos da IN SRF nº 228/2002, instaurado pela IRF São Paulo/SP. Posteriormente sendo verificado por meio de consulta ao Sistemas Informatizados da SRF, verificouse que o procedimento especial havia sido concluído em 26/04/2007, com representação fiscal para fins de inaptidão do CNPJ, protocolizado por meio do processo administrativo nº 10314.004372/200718. Como arcabouço probante do lançamento foram anexados aos autos cópias de telas de Sistemas Informatizados da SRF. (fls. 10 a 22). O que extraise do relatório que embasou o lançamento é que existiu procedimento anterior que determinou a conclusão da existência de irregularidades nas operações de importação realizadas pela Recorrente. Estáse novamente às voltas com a discussão sobre o lançamento baseado em procedimento diverso, onde todas as conclusões e provas foram obtidas naquele procedimento e a exigência fiscal acontece em processo diverso. A chamada prova emprestada. A discussão sobre a prova obtida em processo diversos, vem sendo obra de diferentes autores, mas existe uma posição majoritária, que aceita estas provas, como meio probante, desde que obtida em processo lícito e ao qual foi permitida a ampla defesa. Neste sentido a lição de Paulo Celso Bonilha. "Em principio nada impede que se aplique ao processo administrativo tributário o instituto da prova emprestada. As partes podem produzir ou protestar pela produção de provas produzidas em outro processo, desde que, é obvio, guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer.(Bonilha, Paulo Celso B. Da prova no processo administrativo tributário, Ed. LTr, São Paulo, 1992, p. 119). No mesmo caminho, vem a posição de Humberto Teodoro Júnior que ao comentar os meios possíveis de prova, que não estão dentre aqueles arrolados no art. 332 do CPC, cita especialmente a prova por presunção e a prova emprestada. " Finalmente, entre os meios não previstos no Código, mas "moralmente legítimos", podem ser arrolados os clássicos indícios e presunções, bem como a prova emprestada, que vem a ser Fl. 248DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/07/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 12 aquela produzida em outro processo, mas que tem relevância para o atual." (Teodoro Júnior, Humberto. Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., São Paulo, Forense, 2004). Portanto, não existe nenhum reparo na decisão da Fiscalização em se utilizar de fato obtido em processo diverso. Visto que as provas utilizadas, foram obtidas em processo administrativo regular e dentro das normas legais e as provas obtidas em processo por autoridade pública faz sim prova, mesmo que obtido em outro procedimento. No que tange a legalidade, não há como fugir da obrigação de que sendo o lançamento realizado em outro procedimento que não aquele que originou todos os procedimentos investigativos da receita, tratase de um novo procedimento, mesmo que podendo se utilizar da prova constante dos processos administrativos anteriores, não exime que o procedimento para formalização da exigência traga todas as provas, todas as conclusões e a autoridade que for responsável pela execução deste novo processo, de tirar as suas motivações, citando as provas obtidas. A prova, o fato obtido em outro procedimento em nada mácula o procedimento administrativo fiscal, o que não se aceita é o lançamento tributário a partir de conclusões obtidas em outro procedimento. Buscando nos autos as provas que viriam em função dos fatos narrados no relatório fiscal constante do Auto de Infração, não consta nenhum documento ou cópia de processo, ou decisão de autoridade administrativa, tampouco existe cópia de decisão ou documentos apresentados pela Recorrente em sua defesa nestes procedimentos citados no Auto de Infração. Podese discutir que este novo procedimento, não necessitaria de provas e nem oferecer nova intimação e a possibilidade de admitir novas provas, simplesmente cuidar da pena de perdimento que seria consequência daquele primeiro processo. Divirjo deste entendimento. Os procedimentos que determinam administrativamente a decisão por decretar a inaptidão da empresa, por si só, já possuí uma penalidade, que é a impossibilidade da empresa continuar executando as suas atribuições, ou seja, a partir da inaptidão fica impossibilitada de realizar importações e outras atividades inerentes a sua atuação econômica. Entretanto, a penalidade de perdimento ou a sua conversão em multa pressupõe apenar operações já ocorridas. Em determinadas situações, talvez na sua maioria, a decretação da inaptidão alcança a empresa desde o seu nascedouro, mas o procedimento para exigência do perdimento por esta decisão, formalizada em processo distinto, obrigatoriamente precisa seguir os ritos do Decreto 70.235/72. Que exige a descrição dos fatos, a apresentação das provas de convencimento e a possibilidade de manifestação da empresa autuada, por meio dos recursos pertinentes. Em não se adotando estes requisitos, perde força o lançamento tributário, pois quaisquer questionamentos, como de fato no presente caso, aconteceu pela Recorrente, tanto na sua impugnação quanto no recurso voluntário, não podem nem ser apreciadas, pois se as conclusões e provas estão em procedimento distinto, não foram tragos aos autos quando da lavratura do Auto de Infração, fica totalmente impossibilitado a análise dos recursos apresentados. Voltando para o Auto de Infração, não existe nenhuma conclusão, fato ou documentação que comprove a existência de irregularidades na importação. A possibilidade da utilização em determinadas situações da presunção da irregularidade nos operadores de comércio exterior ou nas operações de importação não se aplicam ao caso. Foi alegado para justificar o lançamento, a existência de irregularidade nas operações de comércio exterior da Recorrente, esta tanto na impugnação quanto no Recurso alega a licitude das suas operações, e Fl. 249DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/07/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10314.006657/200785 Acórdão n.º 310201.510 S3C1T2 Fl. 7 13 traz extratos bancários que comprovariam a origem dos recursos utilizados. Entretanto, nem estas alegações podem ser analisadas, visto, não conter o Auto de Infração, as conclusões que determinaram a existência das irregularidades, ensejando a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento. Portanto, em que pese existirem indicação e indícios da existência da interposição fraudulenta, não constam dos autos os documentos e as provas necessárias a embasar a conclusão da interposição fraudulenta praticada pela Recorrente. Diante do exposto voto no sentido de dar provimento ao Recurso para cancelar o Auto de Infração. Winderley Morais Pereira Fl. 250DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/07/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13975.000462/2003-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003.
PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS. PROVA. INSUMO.
Não havendo prova da sua aplicação direta no processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes; ou a essencialidade deste para processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes, não merece provimento o pedido formulado no recurso voluntário.
PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. JUROS. CONTRATO DE CÂMBIO.
É possível descontar créditos calculados em relação a despesas
financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, contudo, o Contrato de Câmbio não tem natureza jurídica
de empréstimo, nem de financiamento, não sendo possível tal aproveitamento.
Numero da decisão: 3201-000.670
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201105
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS. PROVA. INSUMO. Não havendo prova da sua aplicação direta no processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes; ou a essencialidade deste para processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes, não merece provimento o pedido formulado no recurso voluntário. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. JUROS. CONTRATO DE CÂMBIO. É possível descontar créditos calculados em relação a despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, contudo, o Contrato de Câmbio não tem natureza jurídica de empréstimo, nem de financiamento, não sendo possível tal aproveitamento.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 13975.000462/2003-11
conteudo_id_s : 5235954
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 17 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-000.670
nome_arquivo_s : Decisao_13975000462200311.pdf
nome_relator_s : MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13975000462200311_5235954.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes.
dt_sessao_tdt : Wed May 04 00:00:00 UTC 2011
id : 4597563
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:01:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041577535864832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1823; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 462 1 461 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13975.000462/200311 Recurso nº 000000000 Voluntário Acórdão nº 3201000.670 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de maio de 2011 Matéria PIS Ressarcimento Recorrente ROHDEN ARTEFATOS DE MADEIRA LTDA Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS. PROVA. INSUMO. Não havendo prova da sua aplicação direta no processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes; ou a essencialidade deste para processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes, não merece provimento o pedido formulado no recurso voluntário. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. JUROS. CONTRATO DE CÂMBIO. É possível descontar créditos calculados em relação a despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, contudo, o Contrato de Câmbio não tem natureza jurídica de empréstimo, nem de financiamento, não sendo possível tal aproveitamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes. JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO Presidente MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA Relator Fl. 0DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000462/200311 Acórdão n.º 3201000.670 S3C2T1 Fl. 463 2 Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausente justificadamente o Conselheiro Daniel Mariz Gudino. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS de que trata o art. 5° da Lei 10.637/2002, relativo ao segundo trimestre de 2003. A DRF/BLUMENAU exarou o Despacho Decisório de fls. 394 a 411 deferindo parcialmente o pedido da interessada para reconhecer o direito creditório no valor de R$35.043,16, referente ao saldo remanescente da apuração nãocumulativa da contribuição para o PIS. No relatório e na fundamentação que embasaram a decisão proferida consta consignado, em resumo, que: a) A análise do direito creditório pleiteado no processo foi suscitada pela ordem judicial exarada nos autos do Mandado de Segurança n° 2005.72.05.0043023/SC; b) A análise teve como base as informações prestada nos documentos apresentados pela interessada, acostados ao processo, bem como as informações obtidas por meio de consultas aos sistemas informatizados da RFB; c) A partir de uma amostragem das notas fiscais de exportação, verificouse a comprovação da efetiva exportação nos sistemas internos da RFB; d) A interessada informou na linha 2 da ficha 4 do DACON (bens utilizados como insumos), as entradas de combustíveis e lubrificantes, sob o CFOP 1.653. Intimada, esclareceu que se trata de produto utilizado como combustível no transporte da produção. Resta claro que os combustíveis não se caracterizam como insumos, no conceito que lhes dá a legislação. Foi excluído Fl. 1DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000462/200311 Acórdão n.º 3201000.670 S3C2T1 Fl. 464 3 da base de cálculo dos créditos o valor total de R$ 93.574,19 correspondente a aquisições de combustível; e) Também foi excluído da base de cálculo dos créditos o valor de R$ 199.438,95, referente às aquisições de insumos de pessoa física, CPF 292.560.97915, Lino Rohden, sócio da empresa requerente; f) Em análise das notas fiscais amostradas, constatouse que as aquisições sob CFOP 1.151 (transferência para industrialização) na linha 2 da ficha 4 do DACON são insumos utilizados no processo produtivo erroneamente escriturados sob o CFOP 1.151. A interessada esclarece que se trata de florestas adquiridas de pessoas jurídicas por meio de contrato (cópia em fls. 299/306). Tal contrato se refere à venda de árvores em pé, firmado em 24/09/2002 entre a empresa Valorem Ind. e Com. De Madeiras e Acessória Florestal Ltda e a Rohden Artefatos de Madeira Ltda; g) Não obstante a falta de transcrição do contrato no registro público, a requerente comprovou parcialmente o pagamento da operação no valor de R$ 1.808.587,50 corroborando o direito ao crédito calculado até o limite desse valor. O pagamento inicial (arras) de R$ 602.862,50 foi registrado no Razão, não se constituindo em prova suficiente à comprovação aqui desejada; • h) Em relação ao CFOP 1.949, foram constatadas divergências entre os valores informados na planilha de fl. 90 e os informados na planilha em meio magnético, onde consta informado o CNN dos emitentes, n° de série das notas fiscais, data de emissão, data de entrada, valor total e valor do crédito; i) Foram glosadas as despesas financeiras referentes a juros de contrato se câmbio (ACC — adiantamento de contrato de câmbio e ACE — adiantamento sobre cambiais entregues), conforme lançamentos no Livro Razão com a denominação "Juros pagos ACC/ACE", tendo em vista que a legislação só permite a utilização de créditos relativos a despesas de empréstimos e financiamentos; j) O demonstrativo de fl. 393, anexado ao despacho decisório reproduz as informações do DACON e os valores considerados no reconhecimento do direito creditório no valor de R$ 35.043,16. Cientificada da decisão em 20/03/2006 (fl. 418), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 19/04/2006 (fls. 432 a 436), alegando, em síntese que a) A requerente concorda que as aquisições de combustíveis e lubrificantes usados para transporte do produto industrializado não geram direito a crédito. Todavia, não é este o caso da requerente, que utilizou estes insumos para transporte da sua matéria prima (madeira), do local da extração até o seu estabelecimento; Fl. 2DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000462/200311 Acórdão n.º 3201000.670 S3C2T1 Fl. 465 4 b) Na verdade houve um equívoco da requerente ao informar que as aquisições se referiam a combustível utilizado no transporte da produção. Este equívoco originouse de uma interpretação incorreta do vocábulo produção; c) A legislação reconhece o direito do contribuinte em descontar créditos das aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumos; d) Convém frisar que o escoamento de toda a produção da requerente é terceirizado, não havendo razão para adquirir combustível e utilizálo no transporte do produto industrializado; e) O Contrato de Câmbio de Compra é, na verdade, uma espécie de empréstimo, realizado pela requerente junto a uma instituição bancária; f) Para efetuar o adiantamento do valor, o banco cobra da requerente uma bonificação. Esta bonificação tem caráter de despesa financeira adequandose perfeitamente ao disposto no art. 3°, V da Lei 10.637/02; g) Requer o recebimento e a apreciação da manifestação de inconformidade e a reforma da decisão proferida. O processo foi encaminhado a esta DRURJ02 tendo em vista o disposto na Portaria RFB n° 535, de 28/03/2008. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 PIS/Pasep. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. A aquisição de combustíveis gera direito a crédito apenas quando seu uso seja como insumo do processo produtivo. PIS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. DESPESAS FINANCEIRAS. As despesas financeiras sobre contratos de câmbio não geram direito a crédito para ser descontado da contribuição para o PIS/Pasep apurada segundo o regime de incidência não cumulativa. DECISÃO ADMINISTRATIVA. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000462/200311 Acórdão n.º 3201000.670 S3C2T1 Fl. 466 5 Consideramse definitivos os ajustes efetuados na base de cálculo dos créditos a descontar relativamente aos itens que não foram expressamente contestados. Solicitação Indeferida O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados a este Conselho e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental, tendo requisitado a sua inclusão em pauta para julgamento. É o Relatório. Voto Entendo que o recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais, portanto, dele tomo conhecimento. A contribuição ao PIS e a COFINS não incidem unicamente sobre produtos industrializados, nem só sobre a venda de mercadorias, também não incide sobre todos os ingressos de recursos no patrimônio da empresa, estas contribuições incidem sobre somente sobre os ingressos que devam ser qualificados como integrantes da receita bruta, ou melhor, da receita bruta oriunda da venda de mercadorias, de serviços e da combinação destes. Assim, é da lógica do sistema tributário nacional que a não cumulatividade destas contribuições esteja intimamente ligada aos custos e despesas incorridos pelo contribuinte para o desenvolvimento regular de sua empresa, ou seja, se relacione diretamente com as necessidades existentes para a geração desta mesma receita bruta. Ademais, é importante frisar que a não cumulatividade pensada para a contribuição ao PIS e a COFINS não está fundada no Princípio da Neutralidade Tributária, que estabelece que a tributação deve ser otimizada de forma a interferir o mínimo possível na economia, permitindo assim a livre concorrência, e que é fundamentalmente o Princípio Constitucional que justifica a adoção da não cumulatividade no IPI e no ICMS. Este afastamento do Princípio da Neutralidade, que está presente também no presente caso, mas de forma subsidiária, se nota com clareza quando se verifica a possibilidade de creditamento mesmo quando as operações anteriores não estavam sujeitas à não cumulatividade e, portanto, geraram um recolhimento aos cofres públicos em alíquotas inferiores às praticadas por aquele que aproveita o crédito. Esta realidade da não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS gera uma consequência imediata de perda de arrecadação setorial, criando uma distorção na livre concorrência e permitindo que certos setores tenham uma vantagem competitiva (com a redução de seus custos fiscais). Fl. 4DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000462/200311 Acórdão n.º 3201000.670 S3C2T1 Fl. 467 6 Estes são os motivos pelos quais os conceitos de insumos do IPI e do ICMS são insuficientes para uma aplicação direta e imediata no caso em exame, já que a incidência destas contribuições não se limita à receitas de vendas de mercadorias ou produtos industrializados e aqueles conceito buscam atender ao princípio da neutralidade da tributação. Logo, devese aplicar a analogia para buscar a melhor forma de integrar este novo conceito abstrato e hipotético. A analogia surge, na esfera tributária, como regra de integração, prevista no artigo 108 do CTN: Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade É a regra preferencial e, portanto, aplicase ao fato jurídico, por meio da analogia, uma norma legal que regula uma situação semelhante, sempre que não exista uma norma imediata e expressamente aplicável ao fato em questão. Alguns buscam a aproximação do conceito de crédito para o PIS/COFINS com os conceitos de custo e despesa dedutível para o Imposto de Renda e a contribuição social sobre o lucro. O argumento é sedutor, pois o lucro é parcela da receita bruta, portanto, a proximidade dos conceitos parece tornar esta analogia mais consistente. Contudo, não estou convencido disto, seja porque o Imposto de Renda onera a todas as pessoas jurídicas sem considerar suas especificidades e/ou as diferenças setoriais, seja porque não há como, para interpretar novas normas jurídicas, se buscar igualar tributos que têm naturezas claramente distintas, e por fim, seja porque tanto o "custo", quanto a "despesa dedutível" são elementos essenciais para a definição e distinção de renda e lucro, mas não o são para faturamento ou receita bruta. Não estou afastando esta possibilidade de aplicação analógica dos conceitos neste caso, por entender que estes são demasiadamente elastecidos ou por qualquer justificativa econômica, mas simplesmente por entender que a analogia é descabida neste caso. Aponto ainda, para melhor esclarecer meus pares sobre minha posição pessoal sobre a matéria, que entendo que o conteúdo dos parágrafos 7º e 8º do artigo 3º das Lei nº 10.637/02 e 10.833/03 (cujos textos são idênticos), não me conduz à conclusão de que houve uma opção legislativa para ampliar a base de cálculo dos créditos àqueles "custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas". É o seguinte o texto legal: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência não cumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o Fl. 5DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000462/200311 Acórdão n.º 3201000.670 S3C2T1 Fl. 468 7 crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. (grifos acrescidos por este relator) Isto porque entendo que há presunção legal de que o parágrafo não deve ampliar o conceito descrito no caput, mas somente complementálo ou definir exceções, na forma do disposto na alínea "c" do inciso III do artigo 11 da Lei Complementar nº 95/98. Admitir que os mencionados parágrafos 7º e 8º ampliam, e verdadeiramente generalizam, a base de cálculo para os créditos, quando o artigo no qual estes comandos estão inseridos cuida exclusivamente da especificação dos dispêndios sobre os quais deverão ser calculados tais créditos, seria admitir uma contradição dentro do próprio dispositivo normativo, o que não me parece aceitável. Portanto, opto por me filiar à corrente daqueles que entendem que o conceito autorizativo do crédito do PIS e da COFINS está na "inerência do dispêndio pago". Acresço, logo, o adjetivo "pago" ao clássico conceito do Prof. Marco Aurélio Grego, pois entendo que assim como a receita tributável deve ser somente aquela efetivamente recebida pelo contribuinte, o crédito, para efeito de cálculo do tributo devido, também somente deve surgir após o devido pagamento do dispêndio. No que se refere à inerência do dispêndio, entendo que devamos seguir a orientação da Suprema Corte, que em repetidos julgados, tem decidido que: a Constituição de 1988 não assegurou direito à adoção do modelo de crédito financeiro para fazer valer a não cumulatividade do ICMS, em toda e qualquer hipótese. (...) Assim, a adoção de modelo semelhante ao do crédito financeiro depende de expressa previsão Constitucional ou legal, existente para algumas hipóteses e com limitações na legislação brasileira.” (RE 447.470AgR, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgamento em 1492010, Segunda Turma, DJE de 8102010.) Vide: RE 313.019AgR, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 1782010, Segunda Turma, DJE de 1792010; RE 598.460 AgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 2362009, Segunda Fl. 6DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000462/200311 Acórdão n.º 3201000.670 S3C2T1 Fl. 469 8 Turma, DJE de 782009; AI 445.278AgR, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 1842006, Primeira Turma, DJ de 306 2006. Ou melhor, a inerência do dispêndio está limitada ao crédito físico, logo, somente dará direito a crédito o dispêndio pago que se refira a bem ou serviço que integre a venda de mercadorias, a prestação de serviços ou a combinação destes, sendo também possível, desde expressamente autorizado por lei, o crédito financeiro. Dentre aquelas hipóteses previstas nas Lei nº 10.637/02 e 10.833/03, nos seus artigos terceiro, entendo que os incisos I e II cuidam de créditos físicos, contudo, os demais incisos tratam de créditos claramente financeiros. São eles: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)(Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Vide Lei nº 11.727, de 2008). b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para Fl. 7DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000462/200311 Acórdão n.º 3201000.670 S3C2T1 Fl. 470 9 utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) Por fim, para encerrar a contextualização dos conceitos sobre os créditos de PIS e COFINS, aponto que entendo que a inerência do dispêndio permite, que para o enquadramento de determinado bem ou serviço, no disposto nos incisos I e II do artigo 3º das leis que regem a matéria, seja considerada a essencialidade destes. Os críticos contestam esta possibilidade de aceitação da prova da essencialidade para a caracterização do insumo por entenderem que tal conceito de essencialidade é subjetivo e, portanto, sujeito a variações que afetam a segurança jurídica do sistema tributário. Aprecio este risco, entretanto, creio que a aplicação da regra do artigo 333, I do CPC ao Procedimento Administrativo Tributário, que exige que o fato constitutivo do direito deva ser provado pela parte interessada, mitiga tal risco. Acrescentese a isto que negar validade mínima a um princípio, mesmo um princípio subsidiário, como é o caso do Princípio da Neutralidade na não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS é negar o direito. Logo, a eventual insegurança gerada pela subjetividade momentânea do conceito de essencialidade não me parece justificar sua negação. Destarte, são dois os elementos de prova suficientes, no entende deste relator, para o enquadramento do bem ou serviço como insumo, (i) sua aplicação direta no processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes; ou (ii) a essencialidade deste para processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes. Ainda neste mérito, consigno que entendo ser válida a limitação infraconstitucional ao direito de crédito na sistemática da não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, porque não há na Carta Magna uma garantia plena à não cumulatividade ou sequer um determinado e fixo modelo conceitual hipotético de não cumulatividade, portanto o legislador infraconstitucional tem autonomia para moldar este modelo, além disso o § 12 do artigo 195 da Constituição Federal permite à lei a exclusão de setores inteiros da sistemática da não cumulatividade, o que demonstra que a Carta Magna optou por não erigir a não cumulatividade ao patamar de direito universalmente garantido. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000462/200311 Acórdão n.º 3201000.670 S3C2T1 Fl. 471 10 Postas estas breves considerações iniciais, passo ao exame dos fatos específicos do recurso voluntário em análise. O recurso voluntário cuida somente de dois pontos da decisão recorrida, a saber: (1) combustíveis utilizados no transporte da madeira das plantações mantidas pela recorrente para seus estabelecimentos e (2) as despesas financeiras decorrentes de Contratos de Câmbio de Compra. Não há previsão legal para o aproveitamento de crédito dos combustíveis no transporte feito da madeira para o estabelecimento da recorrente, nem houve prova nos autos da sua aplicação direta no processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes; nem da essencialidade deste para processo produtivo, de venda, de serviço ou qualquer combinação destes, portanto, não há possibilidade de dar provimento ao recurso voluntário neste ponto. No que se refere à despesa financeira, verificase que se trata de juros pagos ACC/ACE, ou seja, juros relativos a Contrato de Câmbio, que um contrato firmado entre uma instituição financeira autorizada a operar no mercado de câmbio e a recorrente, constituindo uma operação de compra e venda de moeda estrangeira. Originalmente, a Lei n° 10.637, de 2002 (oriunda da Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002), em seu art. 3°, inciso V, assim dispunha: Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: V despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); E, em 30 de maio de 2003, a Lei n° 10.684, alterou o texto normativo acima transcrito: V — despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES Tendo, a Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, novamente alterado o inciso V do artigo 3° da Lei 10.637/2002, que somente passou a vigorar, a partir de 1° de agosto de 2004, verbis: Fl. 9DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN Processo nº 13975.000462/200311 Acórdão n.º 3201000.670 S3C2T1 Fl. 472 11 V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples). Assim, também não como prover o recurso neste particular, logo, VOTO por conhecer do recurso para negarlhe provimento. MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA relator Fl. 10DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN
score : 1.0
