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Numero do processo: 11020.720066/2008-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
CRÉDITO. INSUMOS.
Os gastos com frete de produtos entre estabelecimentos não geram direito ao
crédito de COFINS não cumulativo, eis que tal serviço não é utilizado como
insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou
produtos destinados à venda.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.075
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os
conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão
Barreto. Designado o conselheiro Alan Fialho Gandra para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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DE MADEIRAS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CRÉDITO. INSUMOS. Os gastos com frete de produtos entre estabelecimentos não geram direito ao crédito de COFINS não cumulativo, eis que tal serviço não é utilizado como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Designado o conselheiro Alan Fialho Gandra para redigir o voto vencedor. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) Fabíola Cassiano Keramidas – Relatora (Assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra – Redator Designado EDITADO EM: 01/08/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra (Redator Designado), Fabiola Cassiano Keramidas (Relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório 1. Tratase de Pedido de Ressarcimento de COFINS, derivado de créditos acumulados na apuração não cumulativa, em razão de exportações de mercadorias para o exterior do País (artigo 5º, §1º da Lei nº 10.637/02). O crédito é relativo ao 3º Trimestre de 2007, no valor total de R$ 395.480,10 (fls. 01/03). 2. A autoridade fiscal manifestouse (fls. 06/08) pela glosa de parte dos créditos, em razão de a Recorrente ter calculado crédito sobre valores de frete de produtos acabados, entre estabelecimentos. 3. O Delegado da Receita Federal de Caxias do Sul/RS, acatando as conclusões do Agente Fiscal (fls. 08), reconheceu apenas parcialmente o direito creditório da Recorrente, mantendo a glosa dos valores relativos a créditos derivados de frete de produtos acabados, entre estabelecimentos. 4. Promovidas as verificações necessárias e após constatado que a Recorrente não possuía débitos em aberto perante a Receita Federal, que autorizassem a compensação de oficio de quaisquer valores, a Recorrente, uma vez intimada, apresentou sua Manifestação de Inconformidade (fls. 36/44). 5. A Recorrente rechaça o procedimento fiscal, por entender que os custos incorridos com o transporte de produtos – ainda que entre estabelecimentos da empresa – configurase etapa essencial da venda dos bens. Isto porque é necessário para que ocorra a exportação (venda) dos produtos, que os mesmos sejam transferidos dos estabelecimentos produtores para aqueles que se encontram mais perto dos portos de Paranaguá, Itajaí e Rio Grande – de onde são transportados para o exterior. No mesmo sentido, produtos oriundos de uma unidade produtora no interior do Estado são trazidos para a Matriz da empresa, de onde podem ser diretamente vendidos. Assim, por se tratar se custo essencial à atividade, as despesas de frete dos produtos entre estabelecimentos não poderiam ser desqualificadas como insumos da atividade, o que lhe garante o direito ao crédito de COFINS, na sistemática não cumulativa, sobre tais dispêndios. 6. Alega, ainda, que é incorreta a pretensão fiscal de limitar o direito ao crédito dos contribuintes, pois a incidência da COFINS se dá sobre a totalidade da receita da pessoa jurídica. Ou seja, se a incidência – na forma não cumulativa – se dá sobre o resultado integral da atividade econômica desenvolvida, então os créditos têm de ser garantidos sobre todos os custos desta atividade econômica, sob pena de não se cumprir a não cumulatividade estabelecida. Entende haver, portanto, ofensa ao princípio da isonomia, do não confisco e à própria não cumulatividade. 7. Apresenta a Recorrente uma série de decisões da Receita Federal que evidenciam que o assunto é controverso mesmo dentro do próprio órgão. Alega, ainda que decisões contrárias ao creditamento, ainda que baseadas na Solução de Divergência nº 11/07 não podem prosperar, por ofensa ao princípio da hierarquia das Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11020.720066/200863 Acórdão n.º 330201.075 S3C3T2 Fl. 2 3 normas, visto que Soluções de Divergência não poderiam ferir as disposições legais (que não criaram qualquer restrição ao crédito ora sob análise). 8. Sobreveio a decisão da DRJ (fls. 58/59), que manteve o que foi definido no Despacho Decisório, julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Segundo a DRJ os custos de frete de produtos entre estabelecimentos não estariam vinculados à operação de venda, bem como a autoridade fiscal estaria obrigada a observar as manifestações do órgão a respeito da impossibilidade do creditamento pretendido. 9. Inconformada a Recorrente apresentou seu Recurso Voluntário (fls. 62/71), no qual reitera os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade e requer a reforma total da decisão da DRJ. 10. Vieramme, então, os autos para decidir. 11. É o relatório. Voto Vencido Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Relatora Tratase de Recurso Voluntário tempestivo, que atende os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A controvérsia gira em torno do direito do contribuinte ao crédito de COFINS não cumulativo sobre os custos incorridos com frete contratado para transporte de produto acabado entre estabelecimentos da empresa. No caso da Recorrente o transporte se deu, na maioria dos casos, entre estabelecimentos produtores e outros estabelecimentos que se encontravam mais perto dos portos através dos quais remete suas mercadorias para o exterior (exportação). Outra parte do frete contratado foi para remessa dos produtos de uma unidade produtora no interior do Estado para a matriz, onde são realizadas a maior parte das vendas. A Receita Federal tem se manifestado reiteradas vezes, em relação a uma série de custos de operações de contribuintes, contra o direito ao crédito, numa clara tendência restritiva. Tanto assim que as disposições contidas na Instrução Normativa nº 404/04 – que trata justamente da apuração não cumulativa da COFINS – estabelece que para fins da apuração do crédito a que o contribuinte tem direito, sobre os insumos utilizados na produção, o conceito de insumo é aquele trazido pela legislação do IPI. Vejamos: “Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 4 a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto;” (destaquei) Da leitura dos dispositivos concluise que a Receita Federal, ao regulamentar a não cumulatividade trazida pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, pretendeu adotar os conceitos da legislação do IPI sem que, todavia, referida Lei assim determinasse. Vale recordar que desde o surgimento da não cumulatividade do PIS e da COFINS muito já se discutiu sobre sua natureza. A princípio discutiase se a não cumulatividade do PIS e da COFINS seguia o mesmo modelo – e, portanto, os mesmos princípios – da não cumulatividade do ICMS e do IPI. Após muitas discussões as decisões – tanto administrativas como judiciais – seguiram no sentido de reconhecer que a não cumulatividade das contribuições em tela é distinta daquela do ICMS e do IPI, especialmente porque a dos mencionados impostos segue regras próprias, estabelecidas na Constituição Federal. Evidencia tal distinção o fato de que a não cumulatividade do IPI e do ICMS tem por base, na apuração dos créditos, o valor do imposto que foi recolhido na etapa anterior da cadeia de produção ou venda. No caso da não cumulatividade do PIS e da COFINS, por outro lado, pouco importa o que foi pago na etapa anterior, bastando que o contribuinte esteja sujeito a uma saída tributada nos termos da não cumulatividade, para que tenha direito a creditarse de custos incorridos na atividade que gerou a receita tributada pelas contribuições. Portanto, os limites conceituais da não cumulatividade e/ou da apuração de IPI e ICMS não se aplicam à não cumulatividade do PIS e da COFINS, pois não há, na legislação destas contribuições, qualquer menção à esta aplicabilidade. Impera esclarecer que já externei meu posicionamento neste sentido, acompanhando o Ilustre Conselheiro Relator Walber Jose da Silva, por meio de declaração de voto, na oportunidade do julgamento do processo nº 10247.000001/200619, o qual foi decidido por maioria pela então Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, verbis: “É cediço que até a criação do sistema não cumulativo para o PIS e Cofins, a não cumulatividade alcançava, penas, o imposto estadual sobre circulação de mercadorias – ICMS – e o imposto federal incidente sobre o produto industrializado – IPI. Em vista deste fato, é natural que os intérpretes do direito (neste caso entendidos como as autoridades administrativas fiscalizadoras por aplicarem as normas e as autoridades administrativas de julgamento por julgar a forma como as normas foram aplicadas) busquem as definições pré estabelecidas e já conhecidas dos regimes cumulativos do ICMS e IPI para conceituar o novo sistema. Todavia, este procedimento quase que automático e natural, ao invés de solucionar a questão, acaba por confundir e inviabilizar a correta aplicação da norma tributária. A não cumulatividade para fins de PIS e COFINS instituiuse, inicialmente no âmbito legislativo com a edição das medidas Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11020.720066/200863 Acórdão n.º 330201.075 S3C3T2 Fl. 3 5 provisórias MP 66/02 e 135/03, posteriormente convertidas nas Leis Ordinárias nº 10.637/02 – PIS – e nº10.833/03 – Cofins. O supedâneo constitucional surgiu com a alteração do artigo 195 da carta magna, ao qual foi incluído o parágrafo 12, conforme redação trazida pela Emenda Constitucional nº 42 (EC nº 42 de 19.12.03), in verbis: "Art. 195. ........................................................................................ (...) § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (...)” Além da diversidade de fundamentação legal e constitucional, o principal fato diferenciador dos regimes deve ser observado em relação à regra matriz do tributo, especificamente em relação ao seu aspecto material. As contribuições ao PIS/Cofins, desde o início de sua “existência”, pretenderam a tributação do faturamento das pessoas jurídicas, sem qualquer vinculação a um bem ou produto, incidindo, portanto, sobre uma grandeza econômica formada por uma série de fatores contábeis os quais constituem a receita de uma empresa. Já o IPI/ICMS, prevêem a tributação do valor de determinado produto. Tal diferença torna evidente a distinção dos regimes não cumulativos. Explico. Adoto a premissa de que o conceito de cumulatividade significa tributar mais de uma vez a mesma grandeza econômica. Nestes termos, para se alcançar o efeito não cumulativo é necessário, exatamente, evitar esta reiterada incidência tributária sobre a mesma riqueza. No caso da não cumulatividade aplicável ao IPI/ICMS este processo é facilmente constatável. Isto porque se está tratando de não cumulatividade vinculada ao preço do produto, logo, toda vez que o produto for tributado (independente da fase em que ele se encontre), estarseá diante da cumulação de carga tributária. O reflexo no aumento do preço do produto é visível, quase palpável, e o simples destaque na nota fiscal permite impedir a cumulatividade da carga tributária. Todavia, este mesmo pressuposto não se aplica à não cumulatividade trazida ao PIS/Cofins. Diferentemente da hipótese dos impostos, a cumulação que se pretende evitar no caso das contribuições, referese à receita da pessoa jurídica. É em relação a esse aspecto econômico que se deve impedir a reiterada incidência tributária. Neste sentido citamos Marco Aurélio Greco, in “NãoCumulatividade no PIS e na COFINS”, Leandro Paulsen (coord.), São Paulo: IOB Thomsom, 2004: “Embora a não cumulatividade seja uma idéia comum ao IPI e ao PIS/COFINS a diferença de pressuposto de fato (produto Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 6 industrializado versus receita) faz com que assuma dimensão e perfil distintos. Por esta razão, pretender aplicar na interpretação de normas de PIS/COFINS critérios ou formulações construídas em relação ao IPI é: a) desconsiderar os diferentes pressupostos constitucionais; b) agredir a racionalidade da incidência de PIS/COFINS; e c) contrariar a coerência interna da exigência, pois esta se forma a partir do pressuposto ‘receita’e não ‘produto’.” O critério “receita”, ao contrário do critério “produto”, não possui, como bem esclarecido pelo mestre supracitado, “um ciclo econômico a ser considerado, posto ser fenômeno ligado a uma única pessoa”. Inexiste imposto de etapa anterior a ser deduzido, uma vez que não há estágio prévio na apuração da receita da pessoa jurídica, e esta particularidade inviabiliza a aplicação da mesma interpretação para ambos os regimes. ” Não há meios, portanto de confusão entre os sistemas não cumulativos de impostos e contribuições. Diferentemente do regime previsto para o IPI e ICMS que pretende a compensação de “imposto sobre imposto”, importando o valor despendido a título de tributo, a não cumulatividade das contribuições sociais se preocupa com o quantum consumido pelo contribuinte a título de insumos em toda sua atividade. A este respeito também já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, ao prolatar a decisão contrária a Recurso Especial do Procurador apresentado nos autos do Processo Administrativo nº 11065.101271/200647. Na ocasião, no bem lançado voto do ilustre relator Henrique Pinheiro Torres, a CSRF rechaçou a equiparação do conceito de “insumos” utilizado na legislação do PIS e da COFINS, àquele presente na legislação do IPI. In casu, a CSRF firmou posicionamento no sentido de total distinção de conceito de insumo para a legislação de IPI e para a legislação de PIS e Cofins. Vejamos: “A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio César Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo nº 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do IPI ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de “insumos” aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11020.720066/200863 Acórdão n.º 330201.075 S3C3T2 Fl. 4 7 Em segundo lugar, ao usar a expressão “insumos”, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que aí incluiu “serviços”, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem.” O crédito foi reconhecido, nesta decisão em particular, sobre dispêndios com serviços de remoção de resíduos industriais que, embora não possam ser considerados como aplicados diretamente no processo produtivo – nos termos adotados pela legislação do IPI – devem ser considerados como insumos na Lei nº 10.833/03. Superada esta primeira dificuldade, mister se faz analisar especificamente a despesa em discussão, qual seja, valor gasto com frete para o transporte dos produtos da Recorrente, com destino a outros estabelecimentos de sua titularidade – no mais das vezes visando mantêlos mais próximos dos portos de embarque de suas cargas com destino ao exterior (em operações de exportação), ou ainda, em estabelecimentos nos quais são realizadas as operações de vendas (internas – matriz) – entendo que não há como questionar a necessidade dos dispêndios em questão, para o desenvolvimento das atividades da empresa. O objeto social1 da empresa esclarece que a Recorrente é empresa exportadora e como tal, necessita, para o correto desenvolvimento de sua atividade, transferir as mercadorias produzidas para outros estabelecimentos situados perto dos portos que serão utilizados para a exportação. Sem dúvida são despesas operacionais, necessárias à atividade da Recorrente, atividade esta que gera a receita tributável pela COFINS não cumulativa. Logo, entendo que tais despesas são insumos essenciais ao desenvolvimento das atividades da Recorrente, razão pela qual geram direito ao crédito de COFINS não cumulativa. Neste sentido, com acerto a interpretação da Recorrente. Uma vez que o custo indicado está diretamente vinculado à atividade da Recorrente, é necessário reconhecer o direito do contribuinte à concessão do crédito, com base no artigo 3º, inciso II da Lei nº 10.833/03. Desta forma, por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para garantir o direito à restituição integral do crédito de COFINS, sobre frete entre estabelecimentos da Recorrente, objeto deste processo. FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 1 Art. 4°. A Sociedade tem por objeto social a indústria e o comércio de madeiras e seus similares, no mercado interno externo, bem como o florestamento, o reflorestamento e agroindústria, podendo, ainda, participar do capital de outras sociedades. Voto Vencedor Conselheiro Alan Fialho Gandra, Redator Designado Fl. 7DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 8 Consoante bem destacado pela i. Relatora “a controvérsia gira em torno do direito do contribuinte ao crédito de COFINS não cumulativo sobre os custos incorridos com frete contratado para transporte de produto acabado entre estabelecimentos da empresa”, créditos esses glosados pela fiscalização, quando da análise do pedido de ressarcimento formulado pela Contribuinte. Em que pese o excelente argumento do voto acima, discordo do entendimento da eminente Relatora, pelas razões que passo a expor. A propósito, vejamos o que reza(va) a Lei nº 10.833/03 quanto aos créditos que podem ser descontados, ressalvando que os grifos não constam do original: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)(Vide Medida Provisória nº 413, de 2008)(Vide Lei nº 11.727, de 2008). b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e o valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Fl. 8DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11020.720066/200863 Acórdão n.º 330201.075 S3C3T2 Fl. 5 9 Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) Entendo que a lei ao relacionar os bens e serviços que geram direito ao crédito o faz de forma taxativa, quaisquer outros dispêndios, seja qual for a denominação, alheios ao que está enumerado na lei, não dá direito ao creditamento. Dito isso, cabe verificar se o dispêndio em questão está contemplado pelo dispositivo legal acima transcrito. Pelo o que defluise do voto da ilustre Relatora, o gasto em apreço se enquadraria no inciso II do retro citado artigo, sob o fundamento de que o custo indicado está diretamente vinculado à atividade da Recorrente, visto que uma de suas atividades é a exportação e como tal, necessita, para o correto desenvolvimento de sua atividade, transferir as mercadorias produzidas para outros estabelecimentos situados perto dos portos que serão utilizados para a exportação. No entanto, data maxima venia, discordo desse entendimento sobretudo porque aquele dispositivo contempla apenas os serviços utilizados na fabricação ou produção. No presente caso, o frete em apreço é de produto acabado e, sendo assim, não foram utilizados conforme preceitua a lei. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 10 Destarte, ao contrário do entendimento da Recorrente, os gastos em apreço não geram crédito do COFINS nãocumulativo, por falta de previsão legal. No mais, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, adoto e ratifico as razões e fundamentos do acórdão de primeira instância. Pelas razões acima aduzidas e sendo o que basta para o deslinde processual, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra – Redator Designado Fl. 10DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA
score : 1.0
Numero do processo: 10920.004411/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/03/2007
RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Reputa-se não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado.
DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
Assim, tratando-se de descumprimento de obrigação acessória, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO.
Devidamente fundamentados pela fiscalização os motivos para se considerar a existência de grupo econômico, deve ser mantida a responsabilidade solidária pelo pagamento do débito, nos termos do art. 30, IX da Lei nº 8.212/1991.
RELEVAÇÃO. MULTA. REQUISITOS.
A multa somente será relevada se o infrator primário não tiver incorrido em agravantes e comprovar a correção da falta durante o prazo para impugnação, nos termos do artigo 291, § 1º do Regulamento da Previdência Social.
NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE.
POSSIBILIDADE.
A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das Contribuições Previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §5º da Lei 8.212/91.
A penalidade prevista no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/91 pode retroagir para beneficiar o contribuinte.
Numero da decisão: 2301-002.191
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do cálculo da multa devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN as contribuições apuradas até a
competência 12/2001, anteriores a 01/20002, nos termos do voto do(a) Relator(a); e II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo
da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo
Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art.
35A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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Fatos Geradores Recorrente HANSON AUTOMOÇÃO INDUSTRIAL LTDA ME E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2000 a 31/03/2007 RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, tratandose de descumprimento de obrigação acessória, aplicase o disposto no artigo 173, I. GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO. Devidamente fundamentados pela fiscalização os motivos para se considerar a existência de grupo econômico, deve ser mantida a responsabilidade solidária pelo pagamento do débito, nos termos do art. 30, IX da Lei nº 8.212/1991. RELEVAÇÃO. MULTA. REQUISITOS. A multa somente será relevada se o infrator primário não tiver incorrido em agravantes e comprovar a correção da falta durante o prazo para impugnação, nos termos do artigo 291, § 1º do Regulamento da Previdência Social. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 5/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10920.004411/200721 Acórdão n.º 230102.191 S2C3T1 Fl. 791 2 NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das Contribuições Previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §5º da Lei 8.212/91. A penalidade prevista no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/91 pode retroagir para beneficiar o contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do cálculo da multa devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN as contribuições apuradas até a competência 12/2001, anteriores a 01/20002, nos termos do voto do(a) Relator(a); e II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente. Marcelo Oliveira Presidente. Leonardo Henrique Pires Lopes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 21/08/2007, em desfavor de HANSON AUTOMOÇÃO INDUSTRIAL LTDA ME E OUTROS, sob o fundamento de que a empresa em epígrafe apresentou Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias do período compreendido entre 01/08/2003 a 31/03/2007. Relata o AFRFB, através do Relatório Fiscal de fls. 12/15, que o presente Auto de Infração fora lavrado conforme disposto na Lei n° 8.212/91, art. 32, inc. IV e §5°, acrescentado pela Lei n° 9.528/97, combinado com art. 225, IV, §4° do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 5/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10920.004411/200721 Acórdão n.º 230102.191 S2C3T1 Fl. 792 3 No mesmo relatório, o ente fiscal narra uma sucessão de fatos dentre os quais o de que houve a verificação da existência de grupo econômico entre a empresa objeto do presente lançamento e a empresa Hanson Máquinas Ltda. Constam dos autos documentos de comprovação da caracterização do grupo econômico, tais como contratos sociais das duas empresas, os quais apresentam sócio gerente em comum, bem como diversas situações fáticas apuradas na ação fiscal, a saber, o mesmo endereço operacional, exploração da mesma atividade econômica, gestão financeira única e transferência de empregados entre as solidárias. Outrossim, a multa no montante de R$ 43.698,89 (quarenta e três mil e seiscentos e noventa e oito reais e oitenta e nove centavos), foi aplicada com base no art. 32, inciso IV, §5°, da Lei n° 8.212/91, e art. 284, II, do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, conforme Relatório Fiscal da Aplicação da Multa de fl. 16. Inconformada, HANSON AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL LTDA. apresentou Impugnação de fls. 94/116, tendo o acórdão de fls. 735/737 julgado procedente a autuação com relevação parcial da multa, consoante se pode observar da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/08/2000 a 31/03/2007 AI 37.104.9504 de 21/08/2007. GFIP. OMISSÃO DE FATO GERADOR. Consiste de infração à legislação previdenciária apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Caracterizada a existência de fato de um grupo econômico, o reconhecimento da responsabilidade solidária é impositivo de lei, conforme art. 30, IX, da Lei n° 8.212/91. MULTA. RELEVAÇÃO. A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de impugnação se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. Com relevação parcial da multa aplicada. Lançamento Procedente. Ao ser proferido o acórdão supra, a ora recorrente HANSON MÁQUINAS LTDA. interpôs Recurso Voluntário tempestivo de fls. 744/752, alegando, em síntese: a) Que para sanar todas as irregularidades apontadas no auto de infração, apresentou cópias de relatórios de GFIP substitutivas com a devida inclusão dos valores anteriormente não declarados, em consonância com os valores informados pela fiscalização, razão pela qual deveria haver a relevação da multa aplicada; b) Que, não havendo provas acerca da aplicação da solidariedade nos termos definidos em lei, a fiscalização não detém dever funcional quanto ao seu suposto reconhecimento; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 5/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10920.004411/200721 Acórdão n.º 230102.191 S2C3T1 Fl. 793 4 c) Que o Fisco não tem o condão de proceder à condenação solidária de terceira pessoa sem que para tanto reste apontado de forma cabal todos os requisitos necessários para a formação do grupo econômico, ou seja, não pode o mesmo agir com discricionariedade, como feito, instituindo formas de responsabilidade solidária tributária que não as estritamente previstas em lei; d) Que de acordo com o disposto no art. 124, do CTN, a responsabilização solidária apenas ocorrerá, ou quando ambas as pessoas tenham interesse comum na situação que constituiu o fato gerador do tributo, ou apenas nas hipóteses expressas da lei; e) Que o art. 30, IX, da Lei 8.212/91, dispõe as conseqüências do enquadramento do grupo econômico, ao passo que somente por meio da legislação trabalhista, precisamente em seu art. 2°, §2°, da CLT, é que são disciplinadas as disposições relativas à caracterização do grupo econômico. Ademais, a empresa HANSON AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL LTDA. também interpôs Recurso Voluntário às fls. 770/778, alegando, em síntese: a) Que apresentou cópias de relatórios de GFIP substitutivas com a devida inclusão dos valores anteriormente não declarados, em consonância com os valores informados pela fiscalização, para sanar todas as irregularidades apontadas no auto de infração, motivo pelo qual a multa aplicada deveria ser relevada; b) Que, a fiscalização não detém dever funcional quanto ao seu suposto reconhecimento, haja vista que não houve provas acerca da aplicação da solidariedade nos termos definidos em lei; c) Que o Fisco não tem o condão de proceder à condenação solidária de terceira pessoa sem que para tanto reste apontado de forma cabal todos os requisitos necessários para a formação do grupo econômico, ou seja, não pode o mesmo agir com discricionariedade, como feito, instituindo formas de responsabilidade solidária tributária que não as estritamente previstas em lei; d) Que segundo o art. 124, do CTN, a responsabilização solidária somente ocorrerá, ou quando ambas as pessoas tenham interesse comum na situação que constituiu o fato gerador do tributo, ou apenas nas hipóteses expressas da lei; e) Que a Lei 8.212/91 em seu o art. 30, inciso IX, dispõe as conseqüências do enquadramento do grupo econômico, ao passo que somente por meio da legislação trabalhista, notadamente em seu art. 2°, §2°, da CLT, é que são disciplinadas as disposições relativas à caracterização do grupo econômico. Vieram os autos a este Conselho por meio de Recurso Voluntário. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 5/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10920.004411/200721 Acórdão n.º 230102.191 S2C3T1 Fl. 794 5 Sem Contrarazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Preclusão sobre matérias não impugnadas O Auto de Infração em comento versa sobre a ora Recorrente ter apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias do período abarcado entre 01/08/2003 a 31/03/2007. Nas razões recursais ora em apreço, a empresa sequer se defendeu quanto ao mérito da questão acima exposto, tendo em vista que em nenhum momento afirma que os valores apontados pela fiscalização não correspondem a fatos geradores de contribuições previdenciárias, ou seja, apresentou uma defesa genérica, não se desincumbindo do ônus da prova em contrário do afirmado pela fiscalização. Pois bem. A despeito de tal discussão, imperioso trazer a baila o que preconiza o art. 9º, §6º da Portaria nº 520, de 19 de maio de 2004, in verbis: Art. 9º A impugnação mencionará: (...) § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Desta feita, concluise, do acima exposto, que se reputa impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. Notase, portanto, que houve a preclusão processual, uma vez que não houve insurgência da Recorrente quanto a pretensão externada no lançamento. Ademais, a despeito de tal instituto, importante citar os ensinamentos de Fredie Didier Júnior, in verbis: “Entendese que a preclusão está intimamente relacionada com o ônus, que, como se sabe, é situação jurídica consistente em um encargo do direito. A parte detentora Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 5/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10920.004411/200721 Acórdão n.º 230102.191 S2C3T1 Fl. 795 6 de ônus deverá praticar ato processual em seu próprio benefício, no prazo legal, e de forma correta: se não o fizer, possivelmente este comportamento poderá acarretar conseqüências danosas para ela. (...) a preclusão decorre do não atendimento de um ônus, com a prática de atofato caducificante ou ato jurídico impeditivo, ambos lícitos, conformes com o direito. Com isso, entendo que, no caso em apreço, ocorreu a preclusão consumativa, que é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, ficando, portanto, o julgador impossibilitado de analisar a questão de mérito, posto que não contestada pela Recorrente. Da Decadência Primeiramente, mesmo não tendo sido argüida, em via recursal, a decadência dos débitos compreendidos no presente lançamento, constatouse que parcela deles foi atingida pelo inegável decurso do prazo decadencial previsto em lei para a cobrança de valores relativos às contribuições previdenciárias. No caso em apreço, quando da autuação, o prazo de decadência de que gozava o INSS para constituir seus créditos era de 10 (dez) anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 45 da Lei 8.212/1991. Pois bem. O AI em apreço fora cientificado ao contribuinte em 21/08/2007, abrangendo as competências de 08/2000 a 03/2007. Logo, encontramse decaídos os períodos de 08/2000 a 12/2001, porquanto este último poderia ter sido lançado a partir de 01/2002, findandose o prazo decadencial em 31/12/2006, pois nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 5/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10920.004411/200721 Acórdão n.º 230102.191 S2C3T1 Fl. 796 7 Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2° O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1° O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Temos que a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplica ao caso concreto. No caso em apreço, a Recorrente descumpriu obrigação acessória, não havendo que se falar na aplicação do art. 150, § 4º do CTN, mas sim no seu art. 173, I, que dispõe: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 7DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 5/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10920.004411/200721 Acórdão n.º 230102.191 S2C3T1 Fl. 797 8 Deste modo, considerando que o crédito previdenciário foi constituído em 21/08/2007, envolvendo as competências de 08/2000 a 03/2007, encontramse decaídos somente os períodos de agosto/2000 a dezembro/2001, isto é, anteriores a janeiro/2002. Da existência de grupo econômico Insurgese a Recorrente contra a autuação promovida pela fiscalização, sob o argumento de que partiu de mera suposição, sem elementos valorativos robustos, para configurar o grupo econômico. Ocorre que o AFRFB apresentou Relatório Fiscal (fls. 12/15) bastante completo, no qual narra todos os elementos que motivaram o reconhecimento do grupo econômico, dentre os quais podemos citar: 1) Gestão financeira única, configurada no uso de contas de mútuo na contabilidade das empresas; 2) Transferência de diversos empregados de uma empresa para a outra, muitos deles com diferença de apenas 1 dia; 3) Sede das empresas no mesmo endereço, com a única diferença do número de sala. Enquanto a HANSON AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL LTDA funciona na Rua Ruy Barbosa nº 2931, sala 1, a HANSON MÁQUINAS LTDA funciona na Rua Ruy Barbosa, nº 2931, sala 2; 4) O sócio Ervelino Marcoski ingressou em 23.09.2002 na HANSON AUTOMAÇÃO, mesmo dia em que Gerson Hagemann retirouse desta sociedade. Em 15.10.2002, os sócios Everlino Marcoski e Gerson Hagemann constituíram a sociedade da HANSON MÁQUINAS; 5) As empresas objetos sociais bastante parecidos. O conceito de grupo econômico pode ser extraído do senso comum, o qual foi incorporado ao direito positivo através da CLT, cujo art. 1º, §2º dispõe que “sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiver sob a mesma direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis à empresa principal e cada uma das subordinadas”. Tal norma não tem sua aplicação restrita às relações trabalhistas, pois além de ser norma conceitual, que define instituto, possui hierarquia de lei ordinária, suficiente para dispor sobre os conceitos societários. O art. 30, IX da Lei nº 8.212/1991, por sua vez, dispõe que “as empresas que integram o grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei”, ao passo que o art. 124, I do CTN prevê que “são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal”. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 5/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10920.004411/200721 Acórdão n.º 230102.191 S2C3T1 Fl. 798 9 Ora, devidamente fundamentada a consideração de que existe grupo econômico, não cabe qualquer alegação de que foi indevida a colocação das empresas como solidárias, pois enquadradas nos dispositivos legais acima citados. Do pedido de relevação da multa Primeiramente, cumpre esclarecer que a multa punitiva foi aplicada nos estritos termos da legislação, em obediência ao disposto no art. 32, inciso IV, §5°, da Lei 8.212/91, e art. 284, II, do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. No caso dos autos, verificase que o contribuinte guerreia pela relevação da referida multa, quando se sabe que a decisão recorrida já o fez parcialmente. Segundo se infere do acórdão de fls. 735/737, a correção da falta foi feita parcialmente, tendo sido acolhida a relevação também parcial. A correção apontada pela Recorrente como suficiente a afastar a multa foi efetivada somente após a apresentação da impugnação, não se enquadrando, assim, no disposto no art. 291, §1º do RPS. Assim, não se pode atender ao pedido formulado pelo Recorrente de relevação da multa, uma vez que não foi corrigida toda a falta apontada, razão pela qual deve ser improvido o recurso neste ponto. Da aplicação de penalidade mais benéfica No tocante a multa, esta foi aplicada com perfeição à época, legalmente embasada no art. 32, § 5º da Lei 8.212/91. No entanto, com o advento da Lei nº 11.941/09, o parágrafo 5º acima suscitado fora revogado em sua totalidade, passando a regular a matéria o disposto em seu art. 32A, inciso I, in verbis: "Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.” Nesse aspecto, o Código Tributário Nacional, em seu at. 106, alínea “c”, afirma expressamente que a Lei nova deverá retroagir quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na Lei vigente anterior, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 9DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 5/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10920.004411/200721 Acórdão n.º 230102.191 S2C3T1 Fl. 799 10 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Corroborando com entendimento acima aludido, segue abaixo o entendimento dos Tribunais Superiores Pátrios acerca da questão, literris: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL MULTA RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA ART. 106, II, "C", DO CTN 1 A posterior alteração do valor da multa aplicada à cobrança de tributos, mais benéfica ao contribuinte, deve retroagir. Aplicação do art. 106, II, "c", do CTN. Precedentes do STJ. 2 Agravo Regimental não provido. (STJ AgRgREsp 922.984 (2007/00234572) 2ª T. Rel. Min. Herman Benjamin DJe 11.03.2009 p. 309) *** TRIBUTÁRIO MULTA ART. 61, DA LEI Nº 9.430/96 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE DA LEX MITIOR 1 A ratio essendi do art. 106 do CTN implica que as multas aplicadas por infrações administrativas tributárias devem seguir o princípio da retroatividade da legislação mais benéfica vigente no momento da execução, pelo que, independendemente de o fato gerador do tributo tenha ocorrido em data anterior a vigência da norma sancionatória. 2 A Lei que determina a multa pelo não recolhimento do tributo deve ser menor do que a anteriormente aplicada, a novel disposição beneficia as empresas atingidas e por isso deve ter aplicação imediata, vedandose, conferir à Lei uma interpretação tão literal que conflite com as normas gerais, obstando a salutar retroatividade da Lei mais benéfica. (Lex Mitior). 3 In casu, não se revela obstada a aplicação do art. 61, da Lei nº 9.430/96, se o fato gerador decorrente da multa tenha ocorrido em período anterior à 01.01.1997, pelo que, ante o disposto no art. 106, inc. II, letra "c", em se tratando de norma punitiva, aplicase a legislação vigente no momento da infração. 4 O Código Tributário Nacional, ao não distinguir os casos de aplicabilidade da Lei mais benéfica ao contribuinte, afasta a interpretação literal do art. 61, da Lei nº 9.430/96, que determina a redução do percentual alusivo à multa incidente pelo não recolhimento do tributo, no caso, de 30% para 20%, por ter status de Lei Complementar,. 5 A redução da multa aplicase aos fatos futuros e pretéritos por força do princípio da retroatividade da lex mitior consagrado no art. 106 do CTN. 6 Agravo regimental desprovido. (STJ AgRgAI 902.697 (2007/01371341) Rel. Min. Luiz Fux DJe 19.06.2008 p. 153) *** TRIBUTÁRIO PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL REDUÇÃO DA MULTA FISCAL ART. 35 DA LEI 8.212/91 E ART. 106, II, C, DO CTN APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA AO DEVEDOR ACÓRDÃO CONTRADIÇÃO INEXISTÊNCIA CDA REQUISITOS APRECIAÇÃO SÚMULA 7/STJ 1 Inexiste contradição em acórdão que fixa o Fl. 10DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 5/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10920.004411/200721 Acórdão n.º 230102.191 S2C3T1 Fl. 800 11 entendimento pela necessidade de pagamento para que ocorresse a retroatividade benigna em favor do contribuinte quando a fundamentação do aresto segue no mesmo diapasão. 2 Inviável na sede extraordinária perquirir a presença dos requisitos formais de validade de certidão de dívida ativa, ainda mais quando já declarada válida pela instância ordinária. Inteligência da Súmula 7/STJ. 3 Ainda não definitivamente julgado o feito, o devedor tem direito à redução da multa, nos termos do art. 35 da Lei 8.212/91, com a nova redação dada pela Lei 9.528/97. 4 No confronto entre duas normas, aplicase a regra do art. 106, II "c" do CTN, por ser a dívida previdenciária de natureza tributária. 5 Recurso especial parcialmente provido. (STJ REsp 1.053.735 (2008/00952390) 2ª T. Relª Eliana Calmon DJe 26.11.2008 p. 1032) *** PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL REDUÇÃO DA MULTA APLICAÇÃO DO ART. 106, II, "C", DO CTN RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA 1 "É plenamente aplicável lei superveniente que preveja a redução de multa moratória dos débitos tributários. Aplicação do art. 106, II, "c", do Código Tributário Nacional." (REsp 624.536/RS, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 13.02.2007, DJ 06.03.2007 p. 248). 2 Recurso Especial não provido. (STJ REsp 628.077 (2004/00130990) 2ª T. Rel. Min. Herman Benjamin DJe 17.10.2008 p. 637) Notase, portanto, que de acordo com as jurisprudências colacionadas, é pacífico o entendimento da aplicação da penalidade da Lei mais benéfica a fatos pretéritos. Portanto, no meu entendimento, caso se constate no recálculo da multa com a observância no disposto no art. 32A, inciso I, da lei n. 8.212/91, na redação dada pela Lei n. 11.941/09, que o novo valor da penalidade aplicada é mais benéfico ao contribuinte, não há como se ignorar o disposto no art. 106, II, “c”, do CTN, privando a empresa do benefício legal. Da Conclusão Em virtude do exposto, conheço do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para reconhecer a decadência dos períodos de 08/2000 a 12/2001, isto é, anteriores a janeiro/2002, bem como para aplicar a multa do art. 32 A, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/09, se esta for mais benéfica ao Recorrente. É como voto. Sala das Sessões, em 28 de julho de 2011 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 11DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 5/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10920.004411/200721 Acórdão n.º 230102.191 S2C3T1 Fl. 801 12 Fl. 12DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 5/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 10820.003498/2007-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 27/11/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO INSCRIÇÃO DE SEGURADOS
EMPREGADOS. PROCEDÊNCIA.
Constitui infração à obrigação tributária acessória fixada no art. 17 da Lei nº 8.213/91 c.c. Art. 18, I e §1º do Decreto nº 3.048/99 a não inscrição no Regime Geral de Previdência Social de segurado empregado que lhe preste serviços, ficando o infrator sujeito à penalidade pecuniária prevista no §2º do art. 283 do RPS.
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS E PRINCIPAIS. INDEPENDÊNCIA. AUTONOMIA.
O simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante e suficiente para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária.
Dessarte, nos termos da lei, ainda que não tenha ocorrido a obrigação principal ou esta, mesmo tendo ocorrido, já tenha sido adimplida, tais fatos não são suficientes para afastar a observância e/ou os efeitos das obrigações acessórias correlatas impostas pela legislação tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-000.967
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/11/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO INSCRIÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. PROCEDÊNCIA. Constitui infração à obrigação tributária acessória fixada no art. 17 da Lei nº 8.213/91 c.c. Art. 18, I e §1º do Decreto nº 3.048/99 a não inscrição no Regime Geral de Previdência Social de segurado empregado que lhe preste serviços, ficando o infrator sujeito à penalidade pecuniária prevista no §2º do art. 283 do RPS. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS E PRINCIPAIS. INDEPENDÊNCIA. AUTONOMIA. O simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante e suficiente para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária. Dessarte, nos termos da lei, ainda que não tenha ocorrido a obrigação principal ou esta, mesmo tendo ocorrido, já tenha sido adimplida, tais fatos não são suficientes para afastar a observância e/ou os efeitos das obrigações acessórias correlatas impostas pela legislação tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Marco André Ramos Vieira Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 12/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 2 Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Arlindo da Costa e Silva. Ausência momentânea: Conselheiro Thiago d’Avila Melo Fernandes. Relatório Período de apuração MPF: janeiro/1997 a março/2007. Data da lavratura da Auto de Infração: 27/11/2007. Data da ciência do Auto de Infração : 28/11/2007. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no art. 17 da Lei nº 8.213/91 c/c art. 18, inciso I e §1º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, lavrado em desfavor do Recorrente em razão de ele ter deixado de promover a inscrição de segurado obrigatório no Regime Geral de Previdência Social, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 13/14. CFL 56 Deixar a empresa de inscrever o segurado empregado. A multa foi aplicada em conformidade com a cominação prevista §2º do art. 283 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048 de 06/05/1999, no valor vigente, atualizado pela Portaria MPS nº 142 de 11/04/2007, de R$ 1.195,13 (um mil, cento e noventa e cinco reais e treze centavos) por contrato de trabalho não formalizado e segurado empregado não inscrito, considerando a ausência de circunstâncias agravantes, de acordo com o reportado no Relatório Fiscal de Aplicação da multa, a fl. 20. Irresignado com a autuação, o autuado apresentou impugnação administrativa, a fls. 29/32. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP lavrou Decisão Administrativa a fls. 46/48 julgando procedente a autuação em destaque e mantendo o crédito previdenciário em sua integralidade. O sujeito passivo foi cientificado da Decisão acima referida em 19/08/2008, conforme Aviso de Recebimento – AR, a fl. 51. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 12/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 10820.003498/200747 Acórdão n.º 230200.967 S2C3T2 Fl. 64 3 Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 53/55, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: • Que antes do inicio da ação fiscal, o Recorrente havia feito Pedido de Parcelamento Simples Nacional, relativamente a débitos decorrentes de Contribuições Previdenciárias, o qual que foi recepcionado via internet na data de 26/07/2007. Aduz que “a fiscalização deuse sobre um contribuinte que está em perfeita ordem para com a tributação a que está obrigado, pois, o parcelamento que lhe foi concedido encontrase em dia, com todas as parcelas quitadas até o presente momento e sendo assim, não poderia sofrer tal autuação”. Ao fim, requer o cancelamento do Auto de Infração. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 19/08/2008. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 18 de setembro do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso. Dele conheço. Ante a ausência de questões preliminares, passamos à análise do mérito. 2. DO MÉRITO. Cumpre assentar, de plano, que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 2.1. DA MOTIVAÇÃO Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 12/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 4 Alega o Recorrente que, em data anterior ao inicio da ação fiscal, ele já havia feito Pedido de Parcelamento Simples Nacional, relativamente a débitos decorrentes de Contribuições Previdenciárias, o qual que foi recepcionado via internet na data de 26/07/2007. Aduz que “a fiscalização deuse sobre um contribuinte que está em perfeita ordem para com a tributação a que está obrigado, pois, o parcelamento que lhe foi concedido encontrase em dia, com todas as parcelas quitadas até o presente momento e sendo assim, não poderia sofrer tal autuação”. Razão não lhe assiste. Avulta como verdadeiro axioma a máxima jurídica que reza ter o acessório o mesmo destino que o principal. Em direito tributário, todavia, esse princípio rudimentar de Direito tem que ser interpretado cum grano salis. Como é cediço, o nomem juris de qualquer instituto de direito não é suficiente para lhe determinar o conteúdo e abrangência, atributos esses que só podem emergir da lei. O que se deseja encarecer é que o Documento Legal que rege determinado instituto jurídico detém, nas conformações traçadas pela Carta Maior, a competência legal para dispor acerca do seu alcance e teor. No caso das obrigações tributárias acessórias, estas estão longe de ser, meramente, dispositivos secundários, subordinados às ou dependentes das obrigações ditas principais. Impende observar, nesse sentido, que o CTN, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, honrou prescrever, com propriedade, a distinção entre as duas modalidades de obrigações tributárias, ad litteris et verbis: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifos nossos) Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 12/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 10820.003498/200747 Acórdão n.º 230200.967 S2C3T2 Fl. 65 5 §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (grifos nossos) Nessa perspectiva, não carece de elevada mestria a interpretação do texto inscrito no §2º do supratranscrito dispositivo legal a qual aponta para a total independência entre as obrigações ditas principais e aquelas denominadas como acessórias. Estas, no dizer cristalino da Lei, decorrem diretamente da legislação tributária, não das obrigações principais, e tem por objeto prestações positivas ou negativas fixadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Nesse contexto, cabenos registrar, que são cabíveis de serem estatuídas obrigações acessórias as quais não se encontram vinculadas a nenhuma obrigação principal. Exemplo emblemático do que findou de ser dito é o caso das obrigações acessórias previstas no art. 68 da Lei nº 8.212/91, que impõe ao Titular do Cartório de Registro Civil de Pessoas Naturais a obrigação acessória de comunicar ao INSS, até o dia 10 de cada mês, o registro dos óbitos ocorridos no mês imediatamente anterior, devendo da relação constar a filiação, a data e o local de nascimento da pessoa falecida, sob pena de sujeição à penalidade prevista no art. 92 do mesmo Diploma Legal. Corrobora o entendimento acima esposado as disposições insculpidas no §3º do art. 113 do citado codex, o qual reza que, o simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante, suficiente e determinante para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária, de onde se conclui que a aplicação de Auto de Infração tem natureza objetiva. Tal compreensão ressoa em perfeita sintonia com as disposições expressas no art. 136 do reverenciado código tributário, o qual declara que a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, revelando assim, através de uma outra lente, o caráter objetivo e independente da imputação em realce. Código Tributário Nacional CTN Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Dessarte, nos termos da lei, ainda que não tenha ocorrido a obrigação principal ou esta, mesmo tendo ocorrido, já tenha sido adimplida, tais fatos não são suficientes para afastar a observância e/ou os efeitos das obrigações acessórias correlatas impostas pela legislação tributária. No caso vertente, o Recorrente admitiu a segurada Gláucia Fernanda de Oliveira, em 15 de outubro de 2007, para exercer a função de auxiliar de escritório, mas não a inscreveu no Regime Geral de Previdência Social, como assim determina a legislação previdenciária. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 12/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 6 A conduta perpetrada nesses moldes pelo Recorrente configurou violação à obrigação acessória prevista no art. 17 da Lei nº 8.213/91 c.c. artigos 18 e 19 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, os quais, dada a sua importância ao deslinde da questão, rogamos vênia para transcrevêlos integralmente. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 17. O Regulamento disciplinará a forma de inscrição do segurado e dos dependentes. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 18. Considerase inscrição de segurado para os efeitos da previdência social o ato pelo qual o segurado é cadastrado no Regime Geral de Previdência Social, mediante comprovação dos dados pessoais e de outros elementos necessários e úteis a sua caracterização, observado o disposto no art. 330 e seu parágrafo único, na seguinte forma: (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) I empregado e trabalhador avulso pelo preenchimento dos documentos que os habilitem ao exercício da atividade, formalizado pelo contrato de trabalho, no caso de empregado, e pelo cadastramento e registro no sindicato ou órgão gestor de mão de obra, no caso de trabalhador avulso; (...) §1º A inscrição do segurado de que trata o inciso I será efetuada diretamente na empresa, sindicato ou órgão gestor de mão de obra e a dos demais no Instituto Nacional do Seguro Social. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) §2º A inscrição do segurado em qualquer categoria mencionada neste artigo exige a idade mínima de dezesseis anos. §3º Todo aquele que exercer, concomitantemente, mais de uma atividade remunerada sujeita ao Regime Geral de Previdência Social será obrigatoriamente inscrito em relação a cada uma delas. §4º A previdência social poderá emitir identificação específica para o segurado empresário, trabalhador autônomo ou a este equiparado, avulso, especial e facultativo, para produzir efeitos exclusivamente perante ela, inclusive com a finalidade de provar a filiação. (...) Art. 19. A anotação na Carteira Profissional ou na Carteira de Trabalho e Previdência Social e, a partir de 1º de julho de 1994, os dados constantes do Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS valem para todos os efeitos como prova de filiação à Previdência Social, relação de emprego, tempo de serviço ou de contribuição e salários de contribuição e, quando for o caso, relação de emprego, podendo, em caso de dúvida, ser exigida pelo Instituto Nacional do Seguro Social a apresentação dos documentos que serviram de base à anotação. (Redação dada pelo Decreto nº 4.079, de 2002) §1º O INSS definirá os critérios para apuração das informações constantes da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 12/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 10820.003498/200747 Acórdão n.º 230200.967 S2C3T2 Fl. 66 7 Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP que ainda não tiverem sido processadas. (Incluído pelo Decreto nº 4.079, de 2002) Nesse painel, a mera inobservância objetiva da obrigação tributária acessória acima aventada implica a imposição da penalidade correspondente, in casu, a multa cominada nos artigos 283, §2º e 373 do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) (...) §2º A falta de inscrição do segurado empregado, de acordo com o disposto no inciso I do art. 18, sujeita o responsável à multa de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos), por segurado não inscrito. Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. PORTARIA Nº 142, DE 11 DE ABRIL DE 2007 Art. 9º A partir de 1º de abril de 2007: (...) V o valor da multa pela infração a qualquer dispositivo do Regulamento da Previdência Social RPS, para a qual não haja penalidade expressamente cominada (art. 283), varia, conforme a gravidade da infração, de R$ 1.195,13 (um mil cento e noventa e cinco reais e treze centavos) a R$ 119.512,33 (cento e dezenove mil quinhentos e doze reais e trinta e três centavos); Como resultado, subsiste inabalada a autuação destacada no Auto de Infração em apreço, a qual não demanda reparos. 3. CONCLUSÃO: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 12/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 8 Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 8DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 12/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA
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Numero do processo: 16408.000254/2007-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002, 01/10/2002 a 31/12/2004
PIS. DIFERENÇAS APURADAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
As diferenças apuradas entre o valor escriturado e o declarado/pago devem
ser objeto de lançamento de ofício.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-000.919
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: ALAN FIALHO GANDRA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002, 01/10/2002 a 31/12/2004 PIS. DIFERENÇAS APURADAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. As diferenças apuradas entre o valor escriturado e o declarado/pago devem ser objeto de lançamento de ofício. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1429; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16408.000254/200760 Recurso nº 509.082 Voluntário Acórdão nº 330200.919 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 07 de abril de 2011 Matéria PIS Recorrente STAROI DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002, 01/10/2002 a 31/12/2004 PIS. DIFERENÇAS APURADAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. As diferenças apuradas entre o valor escriturado e o declarado/pago devem ser objeto de lançamento de ofício. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator. EDITADO EM: 08/04/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antônio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra e Gileno Gurjão Barreto. Ausente o conselheiro Alexandre Gomes. Fl. 781DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/04/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 2 Relatório Por bem retratar os fatos até a impugnação, reproduzo e adoto o relatório da decisão recorrida, na íntegra: “Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 3627/3637 (PIS) e 3638/3649 (COFINS), pelos quais se exigem, respectivamente, o recolhimento de R$ 14.550,83 de PIS (cumulativo), R$ 117.070,11, de PIS(não cumulativo), R$ 512.308,96 de COFINS (cumulativo) e R$ 124.015,45 de COFINS (não cumulativo), além dos correspondentes valores de multa de ofício e juros de mora As autuações, lavradas em 10/07/2006 (fls. 3633 e 3645) e cientificadas em 20/07/2006 (AR, fl. 3689), ocorreram devido à falta de recolhimento do PIS e da COFINS, relativamente aos períodos de apuração dos anos calendário de 2002, 2003 e 2004, conforme descrito no Relatório de Ação Fiscal de fls. 3657/3666, tendo por fundamentação legal os dispositivos citados às fls. 3635, 3637, 3648 e 3649. De acordo com o referido relatório, o procedimento fiscal é decorrente da representação fiscal constante do Processo 10940.003199/200312, tendo em vista a não homologação de compensações consignadas nas DCOMP de que cuidam os Processos 10940.000847/200389, 10940.000849/200378, 10940.000846/200334 e 10940.000848/200323, bem como da verificação da correta determinação das bases de cálculos em relação aos valores declarados e recolhidos, consoante exame dos livros fiscais e contábeis solicitados à contribuinte, sendo que os débitos já declarados em DCTF não foram objeto do presente auto de infração. A contribuinte, por intermédio do procurador habilitado (doc. fl. 54), apresentou, em 21/08/2006, a impugnação de fls. 3691/3698, cujas razões de defesa serão a seguir sintetizadas. Aponta irregularidade na lavratura dos autos de infração, dizendo que o lançamento de débitos oriundos dos Processos de Compensação n° 10940.000846/200334, 10940.000847/2003 89, 10940.000849/200378 e 10940.000848/200323, originam se única e exclusivamente do fato de o fiscal entender que os débitos anteriores à MP n° 135/2003 não constituem confissão de dívida. Defende que equívocos cometidos no preenchimento das DCTF originais, mas cujos correspondentes débitos constam consignados em Pedidos de Compensação, impede que se configure a situação como sendo de ausência completa de constituição do débito, considerando que, no presente caso, os efeitos da decisão não homologatória encontramse suspensos em virtude da manifestação de inconformidade apresentada nos retrocitados processos de compensação. Alega que a verdade material encontrase retratada nas DCTF retificadoras, e que o fato de têlas apresentado no transcurso do procedimento fiscal em nada altera tal conclusão, vez que a espontaneidade somente estaria perdida caso a contribuinte tentasse declarar e pagar o débito no curso da fiscalização, o Fl. 782DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/04/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 16408.000254/200760 Acórdão n.º 330200.919 S3C3T2 Fl. 2 3 que não é o caso, sendo que a declaração e o pagamento já haviam ocorrido antes. Ressalta que as considerações feitas são totalmente extensíveis aos créditos apurados nas chamadas verificações obrigatórias, posto que foram desconsiderados os valores declarados nas DCTF Retificadoras. Aduz que tanto as DCTF Retificadoras quanto os Pedidos de Compensação encontramse de posse do órgão fiscalizador, requerendo a sua juntada aos autos. Caso assim não se proceda, pugna pela designação de prazo para que a empresa faça tal juntada, como corolário lógico do princípio do contraditório, ampla defesa e devido processo legal. Contesta a aplicação da multa de ofício de 75%, citando ofensa ao princípio constitucional do nãoconfisco, consagrado implicitamente pela Constituição em seu art. 50, XXII. Acrescenta que a multa devese limitar ao montante máximo de 30% do valor principal do tributo exigido, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal. Refuta, com base na jurisprudência judicial, a cobrança de juros com base na taxa SELIC, por razões de ilegalidade e inconstitucionalidade”. A DRJ/Curitiba, por unanimidade de votos, manteve o lançamento em decisão assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002, 01/10/2002 a 31/12/2004. DIFERENÇA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO. Não logrando a interessada afastar a constatação fiscal de diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago, há que se manter a exigência fiscal daí decorrente. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA ANTES DE 31/10/2003. A Declaração de Compensação protocolizada antes de 31/10/2003 não tem o condão de suspender a exigibilidade do débito vinculado. INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. ESPONTANEIDADE A espontaneidade do sujeito passivo é excluída pela ciência do primeiro ato escrito, lavrado por servidor competente, e somente é readquirida se, transcorridos sessenta dias, não for praticado qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. MULTA DE OFÍCIO, JUROS DEMORA. LEGALIDADE. Fl. 783DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/04/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 4 Presentes os pressupostos de exigência, cobramse multa ofício e juros de mora pelos percentuais legalmente determinados. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002, 01/10/2002 a 31/12/2004 DIFERENÇA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO. Não logrando a interessada afastar a constatação fiscal de diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago, há que se manter a exigência fiscal daí decorrente. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA ANTES DE 31/10/2003. A Declaração de Compensação protocolizada antes de 31/10/2003 não tem o condão de suspender a exigibilidade do débito vinculado. INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL – ESPONTANEIDADE. A espontaneidade do sujeito passivo é excluída pela ciência do primeiro ato escrito, lavrado por servidor competente, e somente é readquirida se, transcorridos sessenta dias, não for praticado qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobramse multa ofício e juros de mora pelos percentuais legalmente determinados. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Lançamento Procedente”. Inconformada, a Recorrente apresentou recurso voluntário (fls. 3.713 e ss.) aduzindo, em suma, os seguintes argumentos: Fl. 784DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/04/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 16408.000254/200760 Acórdão n.º 330200.919 S3C3T2 Fl. 3 5 i) Que a decisão da DRJ/Curitiba não enfrenta o mérito alegado, eis que não analisa a matéria “compensação realizada”, entre outras matérias. ii) Que após a vigência da Lei n° 10.833/03 os valores declarados na Declaração de Compensação passou a ter caráter de confissão irretratável de dívida, o que implica na direta nulidade do Auto de Infração, pois tais débitos devem ser debatidos no bojo de cada declaração de compensação, como ainda está sendo feito. Por conseguinte, todos os valores posteriores à Janeiro de 2004 (PIS e COFINS) devem ser imediatamente rechaçados, pois já foram lançados pelo contribuinte, através do autolançamento tributário, evitandose a cobrança em duplicidade; iii) Que a autoridade administrativa foi além da autorização que lhe foi dada, visto que além dos valores citados nas Declarações de Compensação (constantes da representação n° 74/2003), o agente fiscal aproveitou este procedimento administrativo para realizar o lançamento tributário de outros valores, que não se enquadravam nas ditas Declarações de Compensação. Na forma regimental o processo foi distribuído a este relator. É o Relatório Voto Conselheiro Alan Fialho Gandra, Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Enfrentamento do mérito pela DRJ Conforme relatado, a Recorrente afirma que a decisão da DRJ não analisou a matéria “compensação realizada”, bem como não apreciou outras matérias. Quanto ao enfrentamento da matéria “compensação realizada”, reproduzo o seguinte trecho do voto da decisão recorrida: Fl. 785DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/04/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 6 “A impugnante, apesar de não discutir os valores objeto das autuações, alega que os débitos em litígio foram compensados em função de Declarações de Compensação nãohomologadas, contra as quais interpôs manifestação de inconformidade, e, ainda, que a verdade material encontrase retratada nas DCTF retificadoras apresentadas no transcurso do procedimento fiscal, pelo que afirma ser indevido o lançamento de ofício. A respeito das Declarações de Compensação de que tratam os Processos Administrativos n° 10940.000847/200389, 10940.000849/200378, 10940. 000846/200334 e 10940.000848/200323, temse a esclarecer que à época em que foram formalizadas as referidas DCOMP, em março de 2003 (fls. 120/127), a manifestação de inconformidade e o recurso ao Conselho de Contribuintes não possuía os atributos legais com vistas a suspensão da exigibilidade do débito vinculado. Somente a partir da publicação da Medida Provisória 135, de 31/10/2003, transformada na Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com a nova redação dada pelo art. 17 ao o art. 74 da Lei 9430, de 1996, já anteriormente modificado pelo art. 49 da lei 10.637, de 2002, que a DCOMP passou a constituir confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, permitindo que a apresentação da pedido de compensação, manifestação de inconformidade ou recurso interposto, nos casos de não homologação de compensação declarada em Declaração de Compensação DCOMP, pelo sujeito passivo, passasse a obedecer ao rito processual do Decreto 70.235, de 1972, enquadrandose no inciso III do art. 151 do CTN. Ademais, não pode prosperar a pretensão da interessada quanto à observação das DCTF Retificadoras apresentadas no transcurso do procedimento fiscal, pois já havia sido retirada sua espontaneidade, impedindose a admissão dos valores como se declarados estivessem”. Da leitura do trecho do voto acima reproduzido percebese nitidamente que A referida matéria foi apreciada. Portanto, não procede a afirmação da Recorrente de que a matéria não foi enfrentada pela decisão recorrida. Em relação ao enfrentamento das demais matérias pela DRJ, esclareçase que a Recorrente não especifica quais são tais matérias. Contudo, ainda que o julgador administrativo não tenha apreciado (que não é o caso) alguma matéria, entendo que o julgador não está obrigado a apreciar todos os argumentos apresentados, basta que fundamente sua decisão quanto a matéria em litígio. Nesse sentido temos o seguinte julgado: “NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA INEXISTÊNCIA O julgador administrativo não se vincula ao dever de responder, um a um, o feixe de argumentos postos pelo peticionário, desde que já tenha encontrado motivo suficiente para fundamentar a sua decisão sobre as matérias em litígio. Recurso negado”. (1º Conselho de Contribuintes/1ª Câmara/ACÓRDÃO n.° 10194.239 de 12/06/2003, publicado no DOU de 05/08/2003) Destarte, concernente a este tópico, não assiste razão à Recorrente. Fl. 786DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/04/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 16408.000254/200760 Acórdão n.º 330200.919 S3C3T2 Fl. 4 7 Lançamento dos períodos a partir de janeiro/2004 A Recorrente afirma que os débitos relativos aos períodos de apuração a partir de janeiro/2004 foram lançados pelo contribuinte através de DCTF, portanto não poderia ser lançado no auto de infração, evitandose, portanto, a duplicidade do lançamento. Analisando os autos, especificamente o Auto de Infração (fls. 3.624 e ss.), o Relatório de Ação Fiscal (fls. 3.657 e ss.) e a Decisão da DRJ, (fls. 3.703 e ss.), verificase que os débitos já declarados em DCTF não foram objeto do auto de infração. Destarte, entendo que não assiste razão à Recorrente. Procedimento da autoridade fiscal Em relação a alegação da Recorrente de que a autoridade fiscal extrapolou a autorização que lhe foi dada para apreciar a compensação, realizando o lançamento de outros valores, o entendimento que tem prevalecido no Carf é o de que o MPF é antes um instrumento de controle interno e não um elemento formal imprescindível para a ação fiscal, a ponto de alguma irregularidade representar nulidade do procedimento fiscal. A rigor, não se trata de instrumento previsto em lei como requisito necessário à competência do agente fiscal para investigar infrações de natureza tributária, de forma que a ausência de prorrogação e/ou realização de verificações diversas não infringe a lei. É importante ressaltar que, em decisões recentes, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdãos CSRF/0105.189, de 2005, 0105.558, de 2006, 0202.187, de 2006) afastou a configuração da nulidade do lançamento em função de irregularidade e falta de MPF. Frisese que a atividade do agente fiscal é vinculada e, ademais, tal agente tem o dever de realizar as verificações obrigatórias e, apurando qualquer irregularidade no âmbito de suas atividades/competência deve efetuar o lançamento sob pena de ser responsabilizado civil, penal e administrativamente. Por oportuno, transcrevo trecho do Mandado de Procedimento Fiscal (fls. 01) o qual autoriza o agente fiscal proceder às verificações obrigatórias: “VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS: correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, em relação aos tributos e contribuições administrados pela SRF, nos últimos cinco anos e no período de execução deste Procedimento Fiscal”. Portanto, correto o procedimento fiscal. Conclusão Face ao exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 787DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/04/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 8 (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator Fl. 788DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/04/2011 por ALAN FIALHO GANDRA
score : 1.0
Numero do processo: 10665.720965/2007-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Todas as
deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-001.052
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Presidente substituto e relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos, Goncalo Bonet Allage, Odmir Fernandes, José Evande Carvalho Araujo, Walter Reinaldo Falcão Lima e Alexandre Naoki Nishioka. . Relatório Fl. 87DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 0220.065, proferido pela 5ª Turma da DRJ Belo Horizonte (fl. 37), que, por unanimidade de votos, julgou procedente a parte impugnada do lançamento. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Contra o contribuinte Oranício Menezes, CPF 081.836.35687, foi lavrado o Auto de Infração (fls. 02/08) relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, ano calendário 2004, formalizando a exigência de crédito tributário, assim discriminado (valores em reais): Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar 5.500,00 Juros de Mora — Cálculo Válido até 11/2007 2.010,80 Multa de Oficio 5.156,25 Valor do crédito tributário apurado 12.667,05 Consta de fls. 03 e 04 que: • Houve redução indevida da base de cálculo com despesas médicas, pleiteadas indevidamente. Foram glosadas despesas médicas no valor de R$5.000,00 do exercício 2005 junto à profissional Vilda Maria de Almeida, uma vez que os recibos emitidos por esta profissional foram declarados inidôneos para todos os efeitos tributários, haja vista serem ideologicamente falsos e, portanto, conforme demonstrado no Processo Administrativo MF n° 10665.000204/200684, arquivado nesta seção e à disposição do contribuinte. O lançamento desta infração foi efetuado com multa de oficio qualificada de 150%, pois caracteriza ocorrência de fatos que, em tese, configuram crimes contra a ordem tributária, nos termos do inciso IV do art. 1° da Lei 8.137/90. Em vista desse fato, procedeuse à Representação Fiscal, com o objetivo de dar conhecimento ao representante do Ministério Público Federal para exame e providências que entender cabíveis. • Foram glosadas as despesas médicas junto aos profissionais abaixo listados tendo em vista que o contribuinte não comprovou a efetividade dos pagamentos quando intimado a fazêlo: 1. Helenita Dias Pontes R$6.000,00 2. Rilza Reis Tavares R$3.000,00 3. Juliana Andrade Capanema R$6.000,00 Total R$15.000,00 O contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, conforme documento de fls.32/33, alegando, em síntese, que: • Não cultiva o hábito de guardar velhos talões de cheques, tampouco dispõe de cópias de cheques; • Mantém reservas pessoais em moeda corrente para atender a qualquer eventualidade, o que até prova em contrário, lhe parece livre da aprovação de qualquer órgão público ou privado; Fl. 88DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10665.720965/200737 Acórdão n.º 210101.052 S2C1T1 Fl. 87 3 • Apresentou os competentes recibos firmados pelas profissionais, isentos de quaisquer dúvidas ou contestações, a não ser que suas assinaturas hajam sido forjadas, o que, no seu entender, é de fácil verificação; • Efetuou o pagamento do imposto, no que se refere à glosa das despesas médicas da profissional Vilda Maria de Almeida, conforme cópia do DARF, cujo pagamento se deu em 28/12/2007; • Solicita a total improcedência do Auto de Infração, inclusive no que tange às glosas de despesas da profissional Vilda Maria de Almeida. Consta de fls. 34, DARF de pagamento da parte não litigiosa da exigência. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEDUÇÕES. ÔNUS DA PROVA. Todas as deduções pleiteadas no ajuste anual estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Lançamento Procedente. Em seu apelo ao CARF, às fls. 44/49, o recorrente repisa e aprofunda as mesmas questões suscitadas perante o Órgão julgador a quo. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. O recorrente defende que os recibos apresentados comprovam o seu direito à dedução das despesas médicas efetuadas com as profissionais Helenita Dias Pontes (R$6.000,00), Rilza Reis Tavares (R$3.000,00) e Juliana Andrade Capanema (R$6.000,00). O imposto apurado em decorrência da glosa das despesas médicas da profissional Vilda Maria de Almeida, no valor de R$5.000,00, com multa qualificada, foi recolhido pelo contribuinte em 28/12/2007. Vejamos o que dispõe a legislação que rege a matéria, e como os Órgãos administrativos de julgamento a têm interpretado. Confirase o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a propósito de dedução de despesas médicas: “Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 89DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;” Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º).” §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Grifos Acrescidos. Por certo, a legislação, em regra, estabelece a apresentação de recibos/nota fiscal, como forma de comprovação das despesas médicas, a teor do que dispõe o art. 80, § 1º, III, do RIR/1999, mas não restringe a ação fiscal apenas a esse exame, numa visão sistêmica da legislação tributária. Verificase, inclusive, que a indicação do cheque nominativo, apesar de conter muito menos informação que o recibo, é também eleito como meio de prova. Em outros recursos que passaram por este Colegiado, com despesas médicas elevadas, a parte interessada apresentou elementos de prova abundantes da necessidade da realização das despesas (os serviços médicos demandados, relatórios dos profissionais envolvidos no tratamento etc), quando não o faziam em relação ao efetivo pagamento. O Autuado recebe a integralidade dos rendimentos declarados através de conta bancária, mas não consegue comprovar os pagamentos questionados pela fiscalização. Conforme se constata na Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2005 (fl. 28) o autuado não possuía dinheiro em mãos em 31/12/2003. Não há empréstimos, dívidas ou ônus reais declarados. Os extratos bancários apresentados juntamente com o recurso voluntário não apresentam saques de numerários nos valores e datas aos indicados nos recibos médicos de fls. 11/25, cuja soma alcança o montante de R$20.000,00 (fl. 26). Verificase, inclusive, uma quantidade significativa de cheques de pequeno valor, habitualmente emitidos pelo contribuinte. Fl. 90DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10665.720965/200737 Acórdão n.º 210101.052 S2C1T1 Fl. 88 5 Entretanto, para os pagamentos das despesas médicas questionadas pela fiscalização, de valores elevados, não há um único cheque relacionado pelo interessado. Estas considerações objetivam analisar a matéria de forma ponderada, de acordo com a especificidade de cada caso. A glosa efetuada pela fiscalização, por seus fundamentos declinados na Descrição dos Fatos do Auto de Infração, à fl. 03, permanece incólume. Não se trata de exigências descabidas ou ilegais, ou inversão indevida do ônus da prova, já que a legislação que rege a matéria dispõe que todas deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, devendo o contribuinte apresentar elementos de prova do efetivo desembolso dos valores e efetiva prestação do serviços. Para a situação revelada no caso em exame há que se comungar com o posicionamento expresso nas ementas dos Acórdãos da CSRF e do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, abaixo colacionadas, dentre muitas outras na mesma linha de entendimento: IRPF DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem vinculação do pagamento ou a efetiva prestação de serviços. Essas condições devem ser comprovadas quando restar dúvida quanto à idoneidade do documento. (Ac. 1º CC 10243935/1999 e Ac. CSRF 011.458) IRPF DESPESAS MÉDICAS DEDUÇÃO Inadmissível a dedução de despesas médicas, na declaração de ajuste anual, cujos comprovantes não correspondam a uma efetiva prestação de serviços profissionais, nem comprovado os desembolsos. Tais comprovantes são inaptos a darem suporte à dedução pleiteada. Legítima, portanto, a glosa dos valores correspondentes, por se respaldar em recibo imprestável para o fim a que se propõe. (Ac. 1º CC 10416647/1998)” Em face ao exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Fl. 91DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13984.000641/2005-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2001
Ementa: RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO. PRAZO.
Embora a averbação da área de reserva legal seja uma condição para a exclusão dessa área para fins de apuração do ITR (§ 8º do art. 16 da lei nº 4.771, de 1965 Código Florestal) a lei não especifica um prazo para que seja realizada a providência e não pede comprovação prévia da existência da área ambiental. Assim, considera-se cumprida a exigência averbação foi feita após
a ocorrência do fato gerador, desde que antes do lançamento de ofício.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2201-000.995
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria, dar provimento ao recurso para restabelecer a área de reserva legal. Vencido o conselheiro Eduardo Tadeu Farah.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO. PRAZO. Embora a averbação da área de reserva legal seja uma condição para a exclusão dessa área para fins de apuração do ITR (§ 8º do art. 16 da lei nº 4.771, de 1965 Código Florestal) a lei não especifica um prazo para que seja realizada a providência e não pede comprovação prévia da existência da área ambiental. Assim, considerase cumprida a exigência averbação foi feita após a ocorrência do fato gerador, desde que antes do lançamento de ofício. Recurso provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria, dar provimento ao recurso para restabelecer a área de reserva legal. Vencido o conselheiro Eduardo Tadeu Farah. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator EDITADO EM: 14/02/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Fl. 144DF CARF MF Emitido em 18/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 Barranco de Souza (Suplente convocado) e Rayana Alves de Oliveira França. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Relatório ARY PALMA VELHO interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJ CAMPO GRANDE/MS (fls. 78) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 09/15, para exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, referente ao exercício de 2001, no valor de R$ 11.198,27, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 26.742,58. Segundo o relatório fiscal o lançamento decorre da revisão da DITR/2001 da qual foi glosado o valor declarado como área de utilização limitada (390,2ha). Eis a descrição dos fatos do auto de infração: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL O contribuinte informou, na Declaração do Impostosobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do exercício 2001, uma área de 390,2 ha como sendo de utilização limitada. Consultando os documentos referentes ao imóvel, arquivados nesta Delegacia em virtude de procedimentos de fiscalização relativos a exercícios anteriores, verificamos que na sua matricula no Registro de Imóveis a averbação desta área de Reserva Legal foi efetuada somente no dia 8 de outubro de 2001. A averbação da área de Reserva Legal é requisito para seu reconhecimento, estabelecido pelo, do art. 16, da Lei 4.771/65, coma redação dada pela Lei 7.803/89. Mas o fato gerador do ITR, para o exercício de 2001, ocorreu em 1° de janeiro daquele ano. A área de Reserva Legal, para ser reconhecida como nãotributável, deveria estar averbada por ocasião do fato gerador (Instrução Normativa SRF n° 60/2001, art. 16, parágrafo único). Sendo assim, devido ao exposto, glosamos a área de utilização limitada declarada, o que gerou os reflexos dispostos no Demonstrativo de Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, parte integrante deste Auto de Infração. O Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 18/28 na qual alegou, em síntese, que a área de reserva legal foi devidamente averbada na matricula do imóvel e que o ADA também foi providenciado junto ao Ibama; que o Ibama ao publicar o Manual de Instruções para Preenchimento do ADA não indicou prazo limite para a sua apresentação. Fl. 145DF CARF MF Emitido em 18/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 13984.000641/200501 Acórdão n.º 220100.995 S2C2T1 Fl. 2 3 A DRJCAMPO GRANDE/MS julgou procedente o lançamento com base, em síntese, na consideração de que o lançamento foi legal e corretamente efetuado; que o fundamento para a autuação foi a averbação intempestiva da área na matrícula do imóvel e não a apresentação intempestiva do ADA; que a averbação tempestiva é condição para o direito à isenção e que, portanto, no caso agiu com acerto a autoridade lançadora. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 14/11/2007 (fls. 85) e, em 11/12/2007, interpôs o recurso voluntário de fls. 86/105 no qual faz longa consideração sobre as condições do imóvel e a existência da área ambiental; observa que o fiscal que conduziu o procedimento solicitou a apresentação do ADA ou Laudo Técnico e que se não tinha providenciado ainda o ADA e a averbação é porque não sabia dessa obrigação, mas tãologo ficou sabendo providenciou a averbação (AV74696, na matrícula 4696, livro 2Z); que também entregou o ADA. Enfim, o Recorrente afirma que existe efetivamente a área ambiental e que entregou o ADA e averbou a área de reserva legal na matrícula do imóvel. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, o lançamento decorre apenas da glosa da área de reserva legal sob o fundamento de que a averbação da área se deu tempestivamente. De fato, a averbação ocorreu em junho de 2001 (fls. 05) e, portanto, após a ocorrência do fato gerador. Pois bem, penso que a intempestividade da averbação não impede a exclusão da área. É que a averbação, ainda que feita posteriormente, cumpre a sua função essencial, a de vincular os sucessores à preservação da área averbada. Por outro lado, a lei que determina a exclusão da área de reserva legal não impõe nenhuma condição prévia para o gozo deste beneficio. Ao contrário, o que a lei prevê é a desnecessidade da prévia comprovação das áreas de preservação permanente e de reserva legal. Neste caso não se discute a existência efetiva da área ambiental ou qualquer outro requisito, tendo sido indicado como fundamento para a glosa apenas a averbação intempestiva. Afastada a objeção ao exercício do direito à isenção, devese restabelecer o valor declarado como área de reserva legal. Conclusão Fl. 146DF CARF MF Emitido em 18/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a área de reserva legal. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 147DF CARF MF Emitido em 18/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
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Numero do processo: 10825.001052/2006-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
IRPF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS INFERIORES A R$12.696,00. SEM OUTRA HIPÓTESE DE OBRIGATORIEDADE DE DECLARAR. DESCABIMENTO DA MULTA.
Está obrigada a apresentar a Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda a pessoa física residente no Brasil, que, no ano-calendário de 2003, recebeu rendimentos tributáveis na declaração, cuja soma foi superior a R$12.696,00 (doze mil, seiscentos e noventa e seis reais).
Se o contribuinte comprova que auferiu rendimentos inferiores ao limite de isenção, não se demonstrando nos autos outra hipótese de obrigatoriedade de apresentação de DIRPF, há que se considerar a multa aplicada como indevida.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2101-000.949
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPF- auto infração - multa por atraso na entrega da DIRPF
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 IRPF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS INFERIORES A R$12.696,00. SEM OUTRA HIPÓTESE DE OBRIGATORIEDADE DE DECLARAR. DESCABIMENTO DA MULTA. Está obrigada a apresentar a Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda a pessoa física residente no Brasil, que, no ano-calendário de 2003, recebeu rendimentos tributáveis na declaração, cuja soma foi superior a R$12.696,00 (doze mil, seiscentos e noventa e seis reais). Se o contribuinte comprova que auferiu rendimentos inferiores ao limite de isenção, não se demonstrando nos autos outra hipótese de obrigatoriedade de apresentação de DIRPF, há que se considerar a multa aplicada como indevida. Recurso Voluntário Provido.
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS INFERIORES A R$12.696,00. SEM OUTRA HIPÓTESE DE OBRIGATORIEDADE DE DECLARAR. DESCABIMENTO DA MULTA. Está obrigada a apresentar a Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda a pessoa física residente no Brasil, que, no anocalendário de 2003, recebeu rendimentos tributáveis na declaração, cuja soma foi superior a R$12.696,00 (doze mil, seiscentos e noventa e seis reais). Se o contribuinte comprova que auferiu rendimentos inferiores ao limite de isenção, não se demonstrando nos autos outra hipótese de obrigatoriedade de apresentação de DIRPF, há que se considerar a multa aplicada como indevida. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) ___________________________________ Caio Marcos Candido Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 02/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO 2 EDITADO EM: 16/02/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Candido, Ana Neyle Olímpio Holanda, José Evande Carvalho Araujo, Alexandre Naoki Nishioka, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fl. 4, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2004, relativa à multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos, formalizando a exigência no valor de R$165,74. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fl. 1), acatada como tempestiva, alegando a repetição de valores. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 19 a 21): Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2004 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido. Lançamento Procedente RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 06/02/2008 (fl. 23), o contribuinte apresentou, em 28/02/2008, o recurso de fls. 25 a 30, onde afirma que declarou erroneamente, no exercício de 2004, os rendimentos auferidos no anocalendário de 2004; que declarou os mesmos rendimentos na declaração anual de ajuste do exercício de 2005; e que, no anocalendário de 2003, auferiu rendimentos inferiores ao limite de isenção. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 38, que também trata do envio dos autos ao então Primeiro Conselho de Contribuintes. É o Relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 02/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10825.001052/200657 Acórdão n.º 210100.949 S2C1T1 Fl. 40 3 Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. O contribuinte apresentou, no dia 20/03/2006, Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física DIRPF do exercício de 2004, declarando rendimentos tributáveis de R$13.245,06 (fls. 09 a 12). A Instrução Normativa SRF nº 393, de 2 de fevereiro de 2004, era o ato legal que regulamentava a declaração daquele exercício, e determinava, em seu art. 1o, inciso I, que estava obrigado a declarar quem recebesse rendimentos tributáveis acima de R$ 12.696,00 (doze mil, seiscentos e noventa e seis reais), e fixava o prazo de entrega para 30/04/2004 (art. 3°). Desta forma, por estar obrigado a apresentar declaração anual de ajuste e por fazêlo em atraso, recebeu a multa no valor mínimo de R$165,74. O recorrente alega que declarou erroneamente, no exercício de 2004, os rendimentos auferidos no anocalendário de 2004; que declarou os mesmos rendimentos na declaração anual de ajuste do exercício de 2005; e que, no anocalendário de 2003, auferiu rendimentos inferiores ao limite de isenção. De fato, nas fls. 14 a 18, consta Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física DIRPF do exercício de 2005, apresentada no mesmo dia 20/03/2006, apenas alguns minutos após à do exercício de 2004, contendo os mesmos valores da declaração anterior. Além disso, na fl. 27, existe cópia do comprovante de rendimentos da fonte pagadora SÉ SUPERMERCADOS LTDA, CNPJ no 01.545.828/003880, declarando que pagou ao recorrente rendimentos tributáveis que totalizaram R$11.152,01 no anocalendário de 2003, sendo que foi essa a fonte pagadora declarada na DIRPF analisada neste processo. Desta forma, julgo que está demonstrado o equívoco, tendo o contribuinte declarado os rendimentos auferidos no anocalendário de 2004 erroneamente na declaração de ajuste do exercício de 2004. Já no ano da declaração sob análise, 2003, o sujeito passivo auferiu rendimentos tributáveis de R$11.152,01, valor inferior a R$12.696,00, limite mínimo de obrigação de declarar do exercício de 2004. Assim, como os rendimentos tributáveis declarados foram inferiores ao limite de isenção do período, não se verificando outra hipótese de obrigatoriedade de apresentação de DIRPF, há que se concluir que o recorrente não estava obrigado a declarar, devendose considerar a multa aplicada como indevida. Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário. José Evande Carvalho Araujo Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 02/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO 4 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 02/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO
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Numero do processo: 10183.000724/2005-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/07/2003 a 30/09/2003, 01/10/2003 a 31/12/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE DE INCLUSÃO NO INCENTIVO.
Na base de cálculo do crédito presumido de IPI, concebido como ressarcimento das contribuições ao PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre as aquisições efetuadas no mercado interno, devem ser incluídas as aquisições do produtor-exportador que não sofreram a incidência das referidas exações, inclusive aquelas efetuadas de pessoas físicas, na forma já decidida pelo STJ na sistemática de recurso repetitivos.
CORREÇÃO MONETÁRIA DO CRÉDITO. SELIC.
Na forma da jurisprudência do STJ, a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não-cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco.
Numero da decisão: 3201-000.658
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: Marcelo Ribeiro Nogueira
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/07/2003 a 30/09/2003, 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE DE INCLUSÃO NO INCENTIVO. Na base de cálculo do crédito presumido de IPI, concebido como ressarcimento das contribuições ao PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre as aquisições efetuadas no mercado interno, devem ser incluídas as aquisições do produtorexportador que não sofreram a incidência das referidas exações, inclusive aquelas efetuadas de pessoas físicas, na forma já decidida pelo STJ na sistemática de recurso repetitivos. CORREÇÃO MONETÁRIA DO CRÉDITO. SELIC. 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Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, 08/04/2011 por JUDITH DO AMARAL MA RCONDES ARMAN Processo nº 10183.000724/200529 Acórdão n.º 3201000.658 S3C2T1 Fl. 582 2 JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO Presidente MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA Relator Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Daniel Mariz Gudino e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata o presente processo de análise de PERDCOMP concernentes ao CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI, com fulcro na Lei n° 9.363, de 13/12/1996, relativas aos 1°, 2°, 3° e 4° trimestres do anocalendário de 2003, transmitidas com o propósito de ressarcimento, bem como de compensação, conforme planilhas a seguir: PER/DCOMP PERÍODO DE APURAÇÃO CRÉDITO REQUERIDO (R$) 38949.46203.200804.1.1.01 9241 (fls. 02/13) 1° trimestre de 2003 3.229.206,47 06970.09681.200804.1.1.01 1152 (fls. 14/33) 2° trimestre de 2003 4.116.954,64 04480.79354.200804.1.1.01 4430 (fls. 34/51) 3° trimestre de 2003 4.276.270,02 35981.20722.200804.1.1.01 2775 (11s. 52/75) 4° trimestre de 2003 2.688.252,84 TOTAL REQUERIDO R$14.310.683,97 PER/DCOMP VINCULAÇÃO AO CRÉDITO PRESUMIDO COMPENSAÇÃO VALOR DO DÉBITO Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, 08/04/2011 por JUDITH DO AMARAL MA RCONDES ARMAN Processo nº 10183.000724/200529 Acórdão n.º 3201000.658 S3C2T1 Fl. 583 3 DO TRIMESTRE 20336.20618.300107.1.3. 013097 (fls. 139/142) 1° trimestre de 2003 1RPJDez/2006 349.431,41 27608.03254.300107.1.3. 013660 (fls. 143/146) 2° trimestre de 2003 1RPJDez/2006 198.016,50 07541.38594.300107.1.3. 011273 (fls. 147/150) 3° trimestre de 2003 1RPJDez/2006 306.800,20 05757.90495.300107.1.3. 019580 (fls. 151/154) 4° trimestre de 2003 1RPJDez/2006 135.383,27 Em análise de legitimidade, a autoridade competente da Delegacia da Receita Federal em Cuiabá, MT, exarou o Despacho Decisório de fis. 216/226 para deferir parcialmente o pleito de ressarcimento. Em razão do valor deferido de R$208.252,64, para o 1° trimestre; R$236.370,13, para o segundo trimestre; R$265.703,43, para o 3° trimestre, e R$124.014,87, para o 4º trimestre, foram homologadas parcialmente as compensações declaradas pelo contribuinte. A fundamentação e as inconsistências verificadas pela Fiscalização que determinaram o reconhecimento parcial do incentivo fiscal foram: Fundamentação: a) o crédito presumido está amparado nas saídas para o mercado externo de óleo e farelo de soja, cujas alíquotas do IPI são nulas. Além do esmagamento da soja para produção de óleo e farelo, parte expressiva da receita advém da comercialização da soja e milho em grãos, os quais não estão inseridos no campo de incidência do IPI. Todavia, na receita de exportação não foram incluídos os resultados obtidos com as vendas de produtos nãotributados; b) por abarcar os estoques e as operações realizadas somente pelos estabelecimentos produtores e exportadores, localizados em Cuiabá/MT e Itacoatiara/AM, a sistemática de apuração do crédito incentivado, adotada pelo contribuinte pode ser reputada como uma forma semicentralizada de efetivar os cálculos; c) no tocante às matérias—primas geradoras do crédito, constatouse que a soja em grãos foi adquirida pelos demais estabelecimentos filiais, tanto de pessoas jurídicas quanto de pessoas físicas, registrada, primeiramente, como entrada para fins comerciais (CFOP 1.12) e, depois, transferidas para os estabelecimentos industriais (Anexos, fls. 41 a 525); d) em face da inviabilidade da segregação dos insumos adquiridos de pessoas físicas daqueles adquiridos de pessoas jurídicas, o contribuinte, quando intimado, à fl. 78, optou por proporcionalizar as referidas aquisições em relação ao total Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, 08/04/2011 por JUDITH DO AMARAL MA RCONDES ARMAN Processo nº 10183.000724/200529 Acórdão n.º 3201000.658 S3C2T1 Fl. 584 4 adquirido. O percentual obtido foi aplicado às transferências para o processo industrial (Anexo IV, fls. 772/773). Assim foi determinada a aquisição geradora de crédito, por intermédio de cálculos em que foram desprezados os insumos oriundos de não contribuintes do PIS e da Cofins (fl. 119). Essa sistemática adotada pela contribuinte foi acatada pela fiscalização, conforme se denota do expediente de fl. 113; e) o crédito foi apurado por estabelecimento matriz, não contribuinte do IPI e assim contabilizado no livro Diário, não exigindo o estorno do mesmo (fl. 179); f) o percentual aplicado para o ressarcimento da Cofins foi de 4,04%, conforme o §2° do art. 32 da IN SRF n°313, de 03/04/2003. Inconsistências verificadas: a) conforme memória de cálculo, à fl. 109, depreendese a pretensão do contribuinte de incluir no beneficio fiscal aquisições de nãocontribuintes do PIS e da Cofins, ou seja, aquisições realizadas por intermédio de pessoas físicas e cooperativas. Assim foram desconsiderados os seguintes valores: TRIMESTRE AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS Aquisições de Cooperativas, valores extraídos da memória de cálculo de fls. 109 (R$) 1º 73.667.072,68 0 2º 114.960.309,88 1.292.383,78 3º 83.607.078,41 4.773.014,64 4º 114.721.436,91 0 b) aquisições que não são conceituadas como MP PI e ME não podem compor a base de cálculo do Crédito Presumido. Sendo assim, em consonância com os demonstrativos dos anexos (Anexos: fls. 81, 271 e 479) foram excluídos os seguintes valores de aquisições: TRIMESTRE AQUISIÇÕES DE PALHA DE ARROZ (R$) Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, 08/04/2011 por JUDITH DO AMARAL MA RCONDES ARMAN Processo nº 10183.000724/200529 Acórdão n.º 3201000.658 S3C2T1 Fl. 585 5 1º 50.765,64 2º 1.400,00 3º 0,00 4º 74.304,00 c) os gastos com transporte, energia elétrica e serviços de comunicações foram excluídos do cômputo do crédito presumido. As importâncias foram identificadas nos CFOP 1.201 e 2.202 (devoluções); 1.252 e 2 252 (energia elétrica); 1.52 (serviços de telecomunicações); 1.62, 2.62, 1.63 e 2.63 (transportes); 1.302 (comunicações) e 1.352 e 2.352 (transportes) (Anexo I, fls. 24/26); d) a Portaria MF n° 38, de 1997, valendose do conceito de receita operacional bruta dado pela Lei n° 9.317, de 1996, albergado pelo Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, art. 186, dispôs que todo o resultado derivado da venda de bens e serviços deveria integrar a receita operacional bruta para fins de cálculo do montante passível de ressarcimento do crédito presumido. Após a introdução da Portaria n° 64, de 24/03/2003, esse conceito foi limitado tãosomente ao resultado das vendas de produtos industrializados. Do cotejo das memórias de cálculo elaboradas pelo interessado e os balancetes que levantou mensalmente, verificouse que foram consideradas para todo o anocalendário as receitas decorrentes da venda de óleo de soja e farelo de soja. Em virtude do período de apuração ser regido pela Portaria MF n° 38, de 1997, pela Portaria MF n° 64, de 2003, os cálculos da Receita Operacional Bruta foram recompostos do seguinte modo: d.1) até 26/03/2003 (meses de janeiro, fevereiro e março), com as receitas decorrentes de vendas e serviços (Balancetes juntado ao Anexo IV, às fls. 742/771); d.2) nos demais meses foram adicionadas as receitas de vendas, no mercado interno, de fertilizantes, uma vez que a atividade de industrialização de tais produtos consta no Contrato Social, às fls. 122/137; e) conforme quadro demonstrativo da posição dos estoques (Anexo I, fl. 19), depreendese que até mesmo produtos acabados ou em elaboração fizeram parte da formação dos montantes a serem ajustados segundo o critério de rateio. Dessa sorte, com espeque nos valores contabilizados nos livros originais de Registro de Inventário, os estoques foram ajustados para retratar apenas a disponibilidade e utilização de matériaprima e produto intermediário, quais sejam: a soja em grãos e o hexano. Os valores de exclusões realizadas em novembro e dezembro referentes a MP, PI e ME, utilizados na elaboração de Fl. 5DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, 08/04/2011 por JUDITH DO AMARAL MA RCONDES ARMAN Processo nº 10183.000724/200529 Acórdão n.º 3201000.658 S3C2T1 Fl. 586 6 produtos acabados, porém nãovendidos, foram obtidos a partir do estoque de óleo e farelo de soja, ao qual foi aplicado tão somente o índice de compras, sendo incorreto o critério descrito à fl. 117. Cientificada do deferimento parcial do pleito, a contribuinte apresentou, por intermédio de seu procurador, legalmente constituído à fl. 257, a manifestação de inconformidade de fls. 234/256, acompanhada dos documentos de fls. 258/401, em que vem: 1) contestar a desconsideração das aquisições de insumos realizadas por intermédio de pessoas físicas e cooperativas; 2) requerer a alteração do demonstrativo do crédito presumido, considerandose somente as unidades de produção, relativamente à receita bruta operacional e dos insumos empregados na industrialização; 3) requerer o acréscimo da Selic, a partir da data de protocolo do pedido, sobre a totalidade do crédito presumido autorizado. A decisão recorrida manteve o lançamento impugnado, afastando os argumentos trazidos pelo contribuinte, ora recorrente. Adotando a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/07/2003 a 30/09/2003, 01/10/2003 a 31/12/2003 ICRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO NO INCENTIVO. Na base de cálculo do crédito presumido de IPI, concebido como ressarcimento dos contribuições ao PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre as aquisições efetuadas no mercado interno, não se incluem as aquisições do produtorexportador que não sofreram a incidência das referidas exações. Nessa condição estão as aquisições efetuadas por intermédio de pessoas físicas, porque estas não se qualificam como contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins em relação às receitas recebidas. IICRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE COOPERATIVA, CONTRIBUINTES DO IPI. Em face da legislação do PIS e da Cofins, respectivamente, a partir de outubro de 1999 e janeiro de 2000, e da regulamentação do crédito presumido pela IN SRF n°315, de 2003, não há por que excluir da base de cálculo do incentivo as Fl. 6DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, 08/04/2011 por JUDITH DO AMARAL MA RCONDES ARMAN Processo nº 10183.000724/200529 Acórdão n.º 3201000.658 S3C2T1 Fl. 587 7 aquisições realizadas por intermédio da Cooperativa Industrial de Carnes e Derivados de Goiás. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/07/2003 a 30/09/2003, 01/10/2003 a 31/12/2003 CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. É incabível, por falta de previsão legal, a incidência de atualização monetária ou de juros sobre créditos escriturais do IPI, bem como sobre o saldo credor trimestral acumulado, sejam eles decorrentes dos chamados créditos básicos ou de incentivos fiscais. Rest/Ress. Def. em Parte Comp. Homolog. em Parte. O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados ao antigo Terceiro Conselho de Contribuintes e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental. Tendo sido criado o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pela Medida Provisória nº 449, de 03 de dezembro de 2008, e mantida a competência deste Conselheiro para atuar como relator no julgamento deste processo, na forma da Portaria nº 41, de 15 de fevereiro de 2009, requisitei a inclusão em pauta para julgamento deste recurso. É o Relatório. Voto O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, portanto, dele tomo conhecimento. Com a nova redação emprestada ao Regimento Interno deste CARF, pela Portaria nº MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 (publicada no DOU de 22.12.2010), foi introduzido o artigo 62A e seus incisos, com o seguinte texto: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, 08/04/2011 por JUDITH DO AMARAL MA RCONDES ARMAN Processo nº 10183.000724/200529 Acórdão n.º 3201000.658 S3C2T1 Fl. 588 8 Desta forma, este Colegiado deve dar provimento ao pedido formulado no recurso voluntário, pois há decisão do Superior Tribunal de Justiça, na sistemática prevista no artigo 543C do CPC sobre a possibilidade de aproveitamento dos créditos presumidos, conforme a ementa abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais Fl. 8DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, 08/04/2011 por JUDITH DO AMARAL MA RCONDES ARMAN Processo nº 10183.000724/200529 Acórdão n.º 3201000.658 S3C2T1 Fl. 589 9 comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). Fl. 9DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, 08/04/2011 por JUDITH DO AMARAL MA RCONDES ARMAN Processo nº 10183.000724/200529 Acórdão n.º 3201000.658 S3C2T1 Fl. 590 10 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543 Fl. 10DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, 08/04/2011 por JUDITH DO AMARAL MA RCONDES ARMAN Processo nº 10183.000724/200529 Acórdão n.º 3201000.658 S3C2T1 Fl. 591 11 C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ, REsp 993164 / MG, relator Ministro Luiz Fux, 1ª Seção, DJe 17/12/2010) (grifos acrescidos) Pelo mesmo motivo, merece ser acolhida a pretensão recursal de reconhecimento do direito da recorrente de correção monetária do crédito presumido pelos índices da SELIC, conforme consta dos itens 12 e 13 da ementa acima. Contudo, este Colegiado também está vinculado à observância da Súmula nº 19 do CARF, que veda o aproveitamento dos créditos relativos às aquisições de combustíveis e energia elétrica, em hipótese idêntica à debatida nos presentes autos: Súmula CARF nº 19 Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, 08/04/2011 por JUDITH DO AMARAL MA RCONDES ARMAN Processo nº 10183.000724/200529 Acórdão n.º 3201000.658 S3C2T1 Fl. 592 12 Quanto ao pedido de se “considerar também como Receita de Exportação o produto (somatório) das vendas ao exterior ou com o fim específico de exportação das mercadorias classificadas na TIPI como NT”, aponto para o benefício de meus pares que há algumas decisões da antiga Câmara Superior de Recursos Fiscais do antigo Segundo Conselho de Contribuintes que reconhecem tal direito: IPI — CRÉDITO PRESUMIDO — PRODUTOS EXPORTADOS CLASSIFICADOS NA TIPI COM NÃO TRIBUTADOS — TAXA SELIC. A Lei n° 9.363/96 não exige para o gozo do incentivo que o produto exportado seja industrializado. O Decreto n° 2.138/97 equipara os institutos da restituição e do ressarcimento tributários e confere o direito à utilização da Taxa SELIC. Recurso negado para a Fazenda Nacional. (RE 201112432 da CSRF). IPI — CRÉDITO PRESUMIDO — RESSARCIMENTO AQUISIÇÕES DE PESSOAS FISICAS E COOPERATIVAS — A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias primas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 10 da Lei no 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. • 2° da Lei no 9.363/96). A lei citada referese a "valor total e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas n os 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei n o 9.363, de 13.12.96, ao estabeleceram que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN no 23/97), bem como que as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN n o 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e ao podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam. PRODUTOS EXPORTADOS CLASSIFICADOS NA TIPI COMO NÃO TRIBUTADOS — O artigo 1º da Lei no 9.363/96 prevê crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS e COFINS em favor da empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. Referindose a lei a "mercadorias" foi dado o beneficio fiscal ao gênero, não cabendo ao intérprete restringilo apenas aos "produtos industrializados", que são espécie do gênero "mercadorias". (RE nº 201117779) Aponto ainda que existe a Súmula nº 20 do CARF, que tem o seguinte texto: Fl. 12DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, 08/04/2011 por JUDITH DO AMARAL MA RCONDES ARMAN Processo nº 10183.000724/200529 Acórdão n.º 3201000.658 S3C2T1 Fl. 593 13 Súmula CARF nº 20 Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Entendo que está Súmula não se aplica ao presente feito, pois trata do crédito geral de IPI e não do crédito presumido, previsto na sistemática estabelecida pela lei 10.276/2001, combinada com a lei 9.363/96. Ademais, filiome ao entendimento que não havendo restrição na lei, quanto à natureza jurídica da mercadoria exportada, ou seja, não limitando a lei aos produtos exportados, mas usando o termo genérico mercadorias, não há como afastar do conceito de receita de exportação, as vendas ao exterior, ou com o fim específico de exportação, de mercadorias classificadas na TIPI como NT, contudo, não conheço o pedido neste ponto, pois a matéria não foi trazida em impugnação. Assim, VOTO por conhecer do recurso para darlhe provimento, reconhecendo o direito da recorrente a aproveitar os créditos presumidos de IPI relativos à aquisição de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, ou seja, de fornecedores não sujeitos à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS, na sistemática estabelecida pela lei 10.276/2001, combinada com a lei 9.363/96, observada a restrição imposta pela Súmula CARF nº 19, e de corrigir seu crédito pelos índices da SELIC. MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA Relator Fl. 13DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, 08/04/2011 por JUDITH DO AMARAL MA RCONDES ARMAN
score : 1.0
Numero do processo: 13857.000045/2004-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2002
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Em condições normais, sem que não haja indícios de irregularidades, os recibos e notas
fiscais de prestação de serviços são documentos hábeis a comprovar o pagamento de despesas médicas. Somente na presença de tais indícios justifica-se a exigência da comprovação da efetividade da prestação dos serviços ou dos pagamentos efetuados.
MULTA DE OFÍCIO E JUROS SELIC. A multa de ofício aplicada está
prevista em ato legal vigente, regularmente editado (art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996 c/c art.14, § 2° da Lei n° 9.393/1996), descabida mostra-se qualquer manifestação deste órgão julgador no sentido do afastamento de sua
aplicação/eficácia. Da mesma forma, o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, determina o emprego da taxa Selic, a título de juros moratórios.
Numero da decisão: 2201-001.042
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Eduardo Tadeu Farah (relator). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausência justificada da conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Em condições normais, sem que não haja indícios de irregularidades, os recibos e notas fiscais de prestação de serviços são documentos hábeis a comprovar o pagamento de despesas médicas. Somente na presença de tais indícios justifica-se a exigência da comprovação da efetividade da prestação dos serviços ou dos pagamentos efetuados. MULTA DE OFÍCIO E JUROS SELIC. A multa de ofício aplicada está prevista em ato legal vigente, regularmente editado (art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996 c/c art.14, § 2° da Lei n° 9.393/1996), descabida mostra-se qualquer manifestação deste órgão julgador no sentido do afastamento de sua aplicação/eficácia. Da mesma forma, o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, determina o emprego da taxa Selic, a título de juros moratórios.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Eduardo Tadeu Farah (relator). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausência justificada da conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza.
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DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Em condições normais, sem que não haja indícios de irregularidades, os recibos e notas fiscais de prestação de serviços são documentos hábeis a comprovar o pagamento de despesas médicas. Somente na presença de tais indícios justificase a exigência da comprovação da efetividade da prestação dos serviços ou dos pagamentos efetuados. MULTA DE OFÍCIO E JUROS SELIC. A multa de ofício aplicada está prevista em ato legal vigente, regularmente editado (art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996 c/c art.14, § 2° da Lei n° 9.393/1996), descabida mostrase qualquer manifestação deste órgão julgador no sentido do afastamento de sua aplicação/eficácia. Da mesma forma, o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, determina o emprego da taxa Selic, a título de juros moratórios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Eduardo Tadeu Farah (relator). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausência justificada da conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. (Assinado Digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Redator Designado EDITADO EM: 18/03/2011 Fl. 150DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 14/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Relatório Arnaldo Bianchi recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância proferida pela 6ª Turma de Julgamento da DRJ São Paulo/SP II, pleiteando sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário apresentado. Tratase de Auto de Infração (fls. 53/59), relativo ao IRPF, exercício 2002, que se exige imposto no valor total de R$ 3.295,47, já acrescido de multa de ofício e de juros de mora. A fiscalização, por meio de revisão da Declaração de Ajuste Anual do recorrente, apurou dedução indevida a título de despesas médicas, sendo glosado o montante de R$ 9.190,00. Cientificado da exigência, o contribuinte apresenta Impugnação (fl. 01/29), alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que, verbis: discorda da nãoaceitação dos recibos apresentados como forma de comprovação das despesas médicas, alegando que os mesmos atendem à previsão do artigo 80 do RIR/99, e elenca decisões dos Conselhos de Contribuintes para reforçar seu entendimento; é totalmente descabido o argumento do AuditorFiscal de que o contribuinte não conseguiu comprovar a efetividade dos pagamentos, através de cheques, extratos e outros, pois a exigência de tais documentos não encontra respaldo em nossa legislação, sendo que, o fornecimento de seus extratos significa, na prática, a quebra de seu sigilo fiscal, que é cláusula pétrea garantida pela Constituição Federal, bem como também não pode prevalecer o argumento de que o impugnante não tinha disponibilidade financeira para fazer frente aos pagamentos, pois os rendimentos totais recebidos ao longo do anocalendário importaram em R$ 64.531,00, o que daria uma renda mensal de R$ 5.377,00, mais que suficiente para suportar tais gastos; para sedimentar a questão apensa aos autos os laudos técnicos de lavra dos profissionais envolvidos, indicando o tratamento efetuado, bem como ratificando os valores recebidos (fls. 3349); a multa aplicada é de caráter confiscatório, sendo sua base legal totalmente inconstitucional; requer a exclusão dos juros aplicados à taxa SELIC, dada a sua ilegalidade e inconstitucionalidade da cobrança, ainda mais acumulado com os juros legais de 1% previstos pelo CTN. Por sua vez, a 7ª Turma de Julgamento da DRJ – São Paulo/SP II julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: Fl. 151DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 14/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13857.000045/200497 Acórdão n.º 220101.042 S2C2T1 Fl. 2 3 GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. Mantémse a glosa de dedução a título de despesas médicas, nos termos em que foi efetuada, quando não forem apresentados documentos hábeis que comprovem o efetivo pagamento pela prestação dos serviços. SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. Desnecessária a elaboração de perícia solicitada pelo contribuinte quando o processo reúne condições para o julgamento, tendo em vista que não foram apresentados argumentos considerados relevantes que ensejassem a realização de perícia. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. A atividade administrativa de julgamento é vinculada às normas legais vigentes, não podendo ser afastada a aplicação de percentual de multa definido em lei. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. Havendo previsão legal para a aplicação da taxa SELIC, não cabe à Autoridade Julgadora exonerar a cobrança dos juros de mora legalmente estabelecida. Lançamento Procedente Intimado da decisão de primeira instância em 16/11/2007 (fl. 96), Arnaldo Bianchi apresenta Recurso Voluntário em 30/11/2007, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos, o lançamento é decorrente de glosas de despesas médicas. Intimado, o contribuinte apresentou os recibos e/ou declarações dos prestadores de serviços com os quais pretendeu demonstrar que de fato suportou as despesas médicas deduzidas em sua DIRPF/2002. De acordo com a autoridade fiscal o autuado “... não comprovou a efetividade dos pagamentos relativos ao profissional (...) através de cheques nominativos ou coincidentes em datas e valores aos recibos apresentados, ou prova de disponibilidade financeira vinculada aos pagamentos na data de realização dos mesmos, não permitindo uma verificação inequívoca do nexo causal entre os recibos e pagamentos...”. Fl. 152DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 14/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Pois bem, a fiscalização glosou as deduções pleiteadas a título de despesas médicas relativa ao anocalendário de 2001, o que nos leva a reproduzir os dispositivos legais que regulam a matéria. O artigo 8º da Lei nº 9.250 de 26/12/1995, que dispõe sobre a base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos determina: Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem com as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) O artigo 11, § 4º do Decretolei nº 5.844, de 1943, assim estabelece: Art. 11 Poderão ser deduzidas, em cada cédula, as despesas referidas nêste capítulo, necessárias à percepção dos rendimentos. (...) § 3° Tôdas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. § 4° Se forem pedidas deduções exageradas em relação ao rendimento bruto declarado, ou se tais deduções não forem cabíveis, de acôrdo com o disposto neste capítulo, poderão ser glosadas sem audiência de contribuinte. (grifei) Dos dispositivos supracitados depreendese que os recibos fornecidos pelos profissionais da área médica, em princípio, são considerados como prova da prestação de serviço, contudo, ante a dúvida de que os serviços e/ou pagamento não se efetivaram, pode a autoridade fazendária, visando formar sua convicção, exigir outros meios complementares de provas, em relação a todas ou a algumas despesas declaradas. Nestas condições, cabe ao beneficiário dos recibos e/ou das deduções provar que realmente efetuou o pagamento no valor constante no comprovante e/ou no valor pleiteado como despesa, bem assim a época em que o serviço foi prestado, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução. Relativamente à prova, convém citar a obra Processo Administrativo Fiscal, do professor Antônio da Silva Cabral, Editora Saraiva, p. 298: Uma das regras que regem as provas consiste no seguinte: toda afirmação de determinado fato deve ser provada. Dizse freqüentemente: “a quem alega alguma coisa, compete prová la”. [...] Em processo fiscal predomina o princípio de que as afirmações sobre omissão de rendimentos devem ser provadas pelo fisco, enquanto as afirmações que importem redução, Fl. 153DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 14/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13857.000045/200497 Acórdão n.º 220101.042 S2C2T1 Fl. 3 5 exclusão, suspensão ou extinção do crédito tributário competem ao contribuinte. (sem grifos no original) No caso em apreço, andou bem a fiscalização no momento em que glosou o valor relativo a serviços de psicologia prestados pelo profissional Valdir H Gianotti, no valor de R$ 4.150,00, bem como os valores prestados pela Clínica Infantil Pinhal Médica S/C Ltda, no valor de R$ 5.040,00, posto que o recorrente não conseguiu comprovar a efetividade de pagamento de qualquer valor. Em que pese alegue o recorrente que efetuou todos os pagamentos em dinheiro, impende ressaltar que o uso de dinheiro em espécie em qualquer tipo de operação não se sujeita a nenhum impeditivo legal. No entanto, como as transações efetuadas em moeda corrente são de difícil comprovação, principalmente perante o Fisco quando este a exige, não pode tal fato ser considerado provado sem um aprofundamento maior na análise do poder probante de simples recibos ou “declarações” firmadas nesse sentido. Logo, a vinculação de saques bancários aos pagamentos ditos como realizados em moeda corrente, com coincidência ou pelo menos com significativa proximidade entre datas e valores, deve ser irrefragável para que tenham validade perante a autoridade tributária. Com efeito, diferentemente do entendimento defendido pelo recorrente o simples recibo, ainda que acompanhado de declaração do suposto prestador de serviço, não é hábil para comprovar a efetividade da prestação de serviço. Além do mais, acerca do assunto aqui examinado, existe o respaldo de diversos Acórdãos neste Conselho Administrativo, podendo ser citados alguns, a título de ilustração: IRPF DESPESAS MÉDICAS, ODONTOLÓGICAS E OUTRAS DEDUTÍVEIS A efetividade do pagamento a título de despesas odontológicas não se comprova com mera exibição de recibo, mormente quando o contribuinte não carreou para os autos qualquer prova adicional da efetiva prestação dos serviços e existem fortes indícios de que os mesmos não foram prestados. (Ac. 1ºCC 10244154) IRPF DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem vinculação do pagamento ou a efetiva prestação de serviços. Essas condições devem ser comprovadas quando restar dúvida quanto à idoneidade do documento. (Ac. 1º CC 10243935) IRPF DESPESAS MÉDICAS DEDUÇÃO Inadmissível a dedução de despesas médicas, na declaração de ajuste anual, cujos comprovantes não correspondam a uma efetiva prestação de serviços profissionais, nem comprovado os desembolsos. Tais comprovantes são inaptos a darem suporte à dedução pleiteada. Legítima, portanto, a glosa dos valores correspondentes, por se respaldar em recibo imprestável para o fim a que se propõe. (Ac. 1º CC 10416647) Fl. 154DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 14/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Não se pode perder de vista que o livre convencimento é prerrogativa do julgador na apreciação dos fatos e de sua prova, conforme preceitua o art. 131 do Código de Processo Civil e do art. 29, do Decreto 70.235, de 1972, in verbis: Art. 131. O juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os motivos que Ihe formaram o convencimento. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) (...) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Frisese, novamente, que as declarações dos profissionais, Valdir H Gianotti (fl. 33), bem como Clínica Infantil Pinhal Médica S/C Ltda (fl. 45), desacompanhadas dos comprovantes da efetividade dos pagamentos, são insuficientes para infirmar as glosas efetivadas no lançamento. Essas condições devem ser comprovadas por outros meios de prova, tais como: radiografias, receitas médicas, exames laboratoriais, notas fiscais de aquisição de remédios e outras. Destarte, os simples recibos não têm o condão de suprir as provas mencionadas. Por fim, a glosa apurada pela autoridade fiscal ensejou a imposição da multa de ofício de 75%, na forma do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996, penalidade esta que somente poderá ser dispensada ou reduzida nas hipóteses previstas em lei, conforme preceito do art. 97, VI, do CTN. Portanto, no caso em tela, não há previsão legal para dispensa ou redução da multa de ofício aplicada. Da mesma forma, o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, determina o emprego da taxa Selic, a título de juros moratórios. Ante ao exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Voto Vencedor Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Divergi do bem articulado voto do ConselheiroRelator quanto à comprovação da despesa médica. Também tenho me posicionado no sentido de que, diante de indícios que lancem dúvidas sobre a efetividade das contratações e/ou dos pagamentos dos serviços referidos nos recibos, é lícito ao Fisco exigir a apresentação de elementos adicionais de prova da efetividade da prestação dos serviços ou dos seus pagamentos. É o caso, por exemplo, em que se verifica uma proporção elevada de pagamentos desse tipo de despesa em Fl. 155DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 14/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13857.000045/200497 Acórdão n.º 220101.042 S2C2T1 Fl. 4 7 relação á renda declarada, ou a contratação de mais de um profissional da mesma área com valores elevados. Mas, neste caso, não identifico nenhuma dessas situações. Não só a proporção entre o pagamento das despesas médicas em relação á renda é bastante razoável, como uma das despesas glosadas foi paga a pessoa jurídica, estando comprovada com nota fiscal de prestação serviços. Entendo, portanto, que, neste caso concreto, não se justificava a cautela adicional do Fisco, sendo válidos como comprovação das despesas os documentos apresentados. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 156DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 14/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720272/2006-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2002
Ementa:
CONTEÚDO DA ACUSAÇÃO ERRO
A circunstância de a autoridade fiscal não ter escrito, no documento protocolar da autuação, o dispositivo legal da omissão presumida de receita (art. 42 da Lei nº 9430/96), nem sua reprodução regulamentar (art. 287 do RIR/99), não é suficiente para afastar esta hipótese, pois o erro no enquadramento legal não macula o lançamento. Todavia, no termo de verificação e constatação, deve ser possível identificar o teor da acusação.
A ação fiscal se inicia e se desenvolve para a autuação com base na presunção, mas não culmina desta forma. Sem maiores comprovações, a autoridade simplesmente faz acusação de omissão direta de receita, o que impõe a improcedência do lançamento.
Numero da decisão: 1201-000.496
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso de ofício
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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Todavia, no termo de verificação e constatação, deve ser possível identificar o teor da acusação. A ação fiscal se inicia e se desenvolve para a autuação com base na presunção, mas não culmina desta forma. Sem maiores comprovações, a autoridade simplesmente faz acusação de omissão direta de receita, o que impõe a improcedência do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10283.720272/200658 Acórdão n.º 120100.496 S1C2T1 Fl. 818 2 Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, Antonio Carlos Guidoni Filho e Regis Magalhães Soares de Queiroz . Relatório DA AUTUAÇÃO E DA IMPUGNAÇÃO Abaixo tomo de empréstimo o relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeiro grau acerca das referidas peças de acusação e defesa inaugural: Versa o presente processo sobre os Autos de Infração de fls. 06 a 38, referente aos lançamentos de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, com reflexo no Programa de Integração Social PIS, na Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, ajpurado no anocalendário 2001, no valor total de R$ 7.747.523,67 (fl. 06), incluindo o principal (IRPJ, PIS, CSLL e COFINS), a multa de ofício e os juros de mora, atualizados até 31/1072006. O contribuinte tomou ciência dos lançamentos em 08/11/2006 (fls. 07, 14, 23 e 32). A infração tem fundamento na omissão de receita decorrente da atividade comercial da empresa em relação a qual não foi apresentada documentação que demonstrasse terem aqueles valores sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estavam sujeitos (art. 24 da Lei 9.249/95). O contribuinte apresentou sua impugnação aos lançamentos em 07/12/2006, (fls. 511 a 539), na qual alegou em síntese que: 1. Inexiste MPF autorizativo em relação ao PIS e a COFINS nos meses 07, 08 e 11/2001 e em relação à CSLL durante todo o ano de 2001; 2. Que a tributação deveria ter sido feita pelo regime de lucro arbitrado e não pelo real tendo em vista a imprestabilidade da escrituração contábil reconhecida pela fiscalização; 3. Que a tributação com base no lucro real deveria ter sido feita mensalmente e não anualmente; 4. Que o lançamento de IRPJ, CSLL, PIS e da CONFINS anteriores a 08/11/2001 estão decaídos; 5. Não foram excluídos os créditos feitos pela própria empresa nas receitas consideradas omitidas conforme determina o § 3º, I, do artigo 42 da Lei 9.430/96; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10283.720272/200658 Acórdão n.º 120100.496 S1C2T1 Fl. 819 3 6. Necessidade de subtrair as receitas declaradas do valor tributável apurado; 7. Que deveriam ter sido deduzidos os valores de PIS e COFINS lançados das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL apurados pela fiscalização; 8. Devem ser excluídos da tributação os valores provenientes do caixa indicados nos extratos como "crédito em dinheiro" pois a origem dos recursos foi comprovada como determina o caput do artigo 42 da Lei 9.430/96; 9. Que foram justificados os lançamentos bancários e a origem dos depósitos foi comprovada; 10. Que devem ser excluídos os depósitos inferiores a R$ 1.000,00 da receita supostamente omitida; 11. Que o adicional de 1% da CSLL é sobre o valor da CSLL apurada e não sobre a base de cálculo; 12. Que não incide juros selic sobre a multa de ofício. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU E DA REMESSA OFICIAL A decisão recorrida (fls. 808 a 811) deu provimento integral à impugnação, conforme os fundamentos que se seguem. Preliminarmente, afastou parte dos lançamentos de IRPJ e de CSLL ao aplicar a regra decadencial do art. 150, § 4º do CTN. No entender do julgador, essa disciplina, e não aquela prevista no art. 173 da mesma codificação, é aplicável mesmo na ausência de pagamento no caso de o contribuinte ter apresentado declarações aptas (no caso, DCTF) a constituir o crédito tributário. Não tiveram a mesma sorte, as exigência de PIS e Cofins em razão da aplicação do prazo decadencial de 10 anos. Quanto ao mérito, o julgador entendeu que a autoridade fiscal fez a acusação de prova direta de omissão de receita e não de omissão presumida com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Nesse caso, então, seria seu encargo a comprovação, comprovação esta não realizada. Abaixo, transcrevo os principais trechos do voto condutor da decisão: Para a melhor apreciação do presente litígio, é importante observar a natureza do lançamento impugnado: tratase de IRPJ e reflexos sobre omissão de receita e não omissão presumida de receita. (...) (...) o que efetivamente ocorreu foi o lançamento fundamentado em omissão de receita, conforme o artigo art. 24 da Lei 9.249/95, (...) Fl. 3DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10283.720272/200658 Acórdão n.º 120100.496 S1C2T1 Fl. 820 4 A fiscalização, ao analisar os assentamentos contábeis do contribuinte no ano de 2001 verificou que os valores registrados pela empresa como entradas de recursos contábil (sic)Banco foram majoritariamente contabilizados como valores provenientes da conta contábil Caixa e que os valores registrados pela empresa como entradas de recursos contábil Caixa foram majoritariamente contabilizados como valores provenientes da conta contábil Banco. Ao examinar os extratos bancários em conjunto com os registros contábeis a fiscalização identificou como tributáveis, por não ter apresentado documentação demonstrativa de que foram integralmente computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estavam sujeitos, os recursos: 1) depositados na conta bancária do contribuinte, que foram registrados na contabilidade como operações feitas com recursos provenientes do Caixa da empresa, que eram identificados nos extratos bancários por meio de históricos de lançamentos que caracterizam aqueles valores como recursos recebidos de terceiros (depósito em conta bancária feitos por terceiros), ou seja, os históricos registrados nos extratos bancários apontam tratarse de recursos recebidos pela empresa, provenientes de pagamentos feitos por clientes; 2) depositados na conta bancária do contribuinte que foram reconhecidos contabilmente pela própria empresa como recebimentos de clientes; 3) depositados na conta bancária do contribuinte apontados nos registros contábeis e confirmados pelo contribuinte como operações feitas com recursos provenientes do Caixa da empresa, que não foi considerado pela fiscalização como comprovada a sua proveniência. Para podermos caracterizar a omissão de receita neste caso, teríamos que comprovar o efetivo auferimento desta receita não tributada, como, por exemplo, a verificação da documentação que embasou os lançamentos a débito na conta Caixa e a sua contrapartida a crédito, que se se caracterizado como uma venda a vista, deverá ser conta de Receita e se uma venda a prazo, a conta de Clientes a Receber. Quando da utilização da presunção determinada no artigo 42 da Lei 9.430/96, cabe ao contribuinte provar a origem dos recursos depositados, já quando se utiliza o art. 24 da Lei 9.249/95, cabe a fiscalização fazer prova efetiva de que a receita não foi tributada. A simples intimação para que o contribuinte demonstre que os valores constantes dos extratos bancários e que estão devidamente contabilizados foram oferecidos à tributação, quando a fiscalização tinha em seu poder os livros contábeis do contribuinte, podendo aprofundar a fiscalização nos documentos que fundamentaram os lançamentos contábeis, não é suficiente para que ocorra o lançamento. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10283.720272/200658 Acórdão n.º 120100.496 S1C2T1 Fl. 821 5 A fiscalização partiu do principio de que todo o ingresso financeiro é receita, o que não é verdade, pois se assim fosse, teríamos que admitir que a empresa só trabalhava com venda a vista. O contribuinte comprovou que foram feitas várias vendas a prazo, como demonstram os documentos de fls. 603 a 633, evidenciando que não pode prevalecer o regime de caixa lançado pela fiscalização em contraposição ao regime de competência determinado legalmente. A vultosa movimentação bancária contabilizada em contraposição à receita declarada não pode por si só ser fundamento ao lançamento. Devemos lembrar que ficou demonstrado na contabilidade apresentada uma grande movimentação de numerário, aparentemente sem sentido entre Caixa e Bancos, que daria ensejo ao início de uma investigação mais profunda, que de fato não ocorreu. Diante da natureza da exação lançada de oficio, exigências fundadas em omissão de receita, é de extrema importância a identificação precisa de que a receita auferida não foi devidamente tributada. O Estado foi provido de muitas e poderosas ferramentas de fiscalização, e, se ainda assim não conseguiram identificar com precisão e segurança que os valores devidamente escriturados não foram tributados, os seus agentes deverão se resignar em prol da garantia da segurança das relações jurídicas. Nesse passo, concluise pela improcedência dos lançamentos efetuados. Como o valor exonerado supera o limite de alçada (R$ 1.000.000,00), foi promovida a remessa oficial. É o relatório. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Em razão de questões atinentes ao mérito suficientes para o provimento pela improcedência da autuação, considero prejudicada a análise da decadência. Entendo que o fato de a autoridade fiscal ter adotado como fundamento legal para a autuação o art. 24 da Lei 9.249/95, por si só, não afastaria a hipótese de terse valido da presunção de receita estampada no art. 42 da Lei nº 9430/96. Também a circunstância de não ter escrito no enquadramento legal o dispositivo legal da omissão presumida de receita (art. 42 da Lei nº 9430/96), nem sua reprodução regulamentar (art. 287 do RIR/99) não é suficiente para afastar essa hipótese; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10283.720272/200658 Acórdão n.º 120100.496 S1C2T1 Fl. 822 6 afinal, é jurisprudência pacífica deste Colegiado que o erro no enquadramento legal não macula o lançamento, mas desde que no termo de verificação e constatação seja possível identificar o teor da acusação. É justamente em razão dessa última parte que compartilho o mesmo entendimento da autoridade de primeiro grau. A ação fiscal se inicia e se desenvolve para a autuação com base na presunção (os extratos bancários são solicitados ao contribuinte; na sua recusa, são obtidos das instituições financeiras; o contribuinte é cientificado de cada um dos depósitos e intimado para justificar sua origem, etc), mas não culmina desta forma. Sem maiores comprovações, a autoridade simplesmente faz acusação de omissão direta de receita, a qual não foi redigida num termo apartado, mas sim no corpo das peças de autuação. Nelas, em momento algum, a autoridade imputa a presunção. O meu entendimento pela improcedência da autuação, em consonância com a decisão de primeiro grau, é ainda mais reforçado para o IRPJ e para a CSLL, em razão do regime adotado pela autoridade para fazer o lançamento. Sempre que os valores supostamente omitidos forem muito superiores àqueles declarados, como é o caso, é imperioso que o lançamento seja empreendido com base no lucro arbitrado; em primeiro lugar, porque a escrituração seguramente é imprestável e, em segundo lugar, por não ser razoável supor que qualquer atividade econômica tenha margens superiores a 90% da receita total. Por todo e exposto, voto por negar provimento à remessa oficial. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 6DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME
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