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Numero do processo: 13629.001829/2008-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
DESPESAS DE TRATAMENTO MÉDICO. FISIOTERAPIA. PROFISSIONAL PRESTADOR QUE RENEGA PARCIALMENTE A PRESTAÇÃO DO SERVIÇO PARA MÚLTIPLOS CONTRIBUINTES. NECESSIDADE DE UMA COMPROVAÇÃO INILUDÍVEL DO PAGAMENTO DO SERVIÇO OU DE SUA PRESTAÇÃO AO TOMADOR
PARA O DEFERIMENTO DA DEDUÇÃO DA DESPESA DA BASE DE CÁLCULO DO IRPF. INOCORRÊNCIA. Percebe-se que as despesas aqui
glosadas são em valores incomuns para gastos com fisioterapia; a
contribuinte não logrou comprovar efetivamente o pagamento da despesa, pois aqui não se podem aceitar saques em extratos bancários, pois estes podem ter sido utilizados para pagamento de quaisquer despesas; há dezenas de outros contribuintes com recibos inidôneos relativos à mesma profissional; e até a profissional renegou a prestação dos serviços nos valores declarados. Neste último ponto, a afirmação posterior da profissional de que prestou os serviços, já na impugnação, lança até mais dúvidas sobre todos os recibos, mormente porque a contribuinte não conseguiu comprovar com documentação bancária o pagamento de quaisquer das despesas controvertidas.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-001.478
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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FISIOTERAPIA. PROFISSIONAL PRESTADOR QUE RENEGA PARCIALMENTE A PRESTAÇÃO DO SERVIÇO PARA MÚLTIPLOS CONTRIBUINTES. NECESSIDADE DE UMA COMPROVAÇÃO INILUDÍVEL DO PAGAMENTO DO SERVIÇO OU DE SUA PRESTAÇÃO AO TOMADOR PARA O DEFERIMENTO DA DEDUÇÃO DA DESPESA DA BASE DE CÁLCULO DO IRPF. INOCORRÊNCIA. Percebese que as despesas aqui glosadas são em valores incomuns para gastos com fisioterapia; a contribuinte não logrou comprovar efetivamente o pagamento da despesa, pois aqui não se podem aceitar saques em extratos bancários, pois estes podem ter sido utilizados para pagamento de quaisquer despesas; há dezenas de outros contribuintes com recibos inidôneos relativos à mesma profissional; e até a profissional renegou a prestação dos serviços nos valores declarados. Neste último ponto, a afirmação posterior da profissional de que prestou os serviços, já na impugnação, lança até mais dúvidas sobre todos os recibos, mormente porque a contribuinte não conseguiu comprovar com documentação bancária o pagamento de quaisquer das despesas controvertidas. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 09/09/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face da contribuinte LUCIA MARIA DE LIMA ERTHAL, CPF/MF nº 467.516.29672, já qualificada neste processo, foi lavrado, em 03/09/2008, auto de infração (fls. 01 a 07), com ciência postal em 15/10/2008 (fl. 02). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 1.247,12 MULTA DE OFÍCIO R$ 1.870,68 À contribuinte foi imputada uma glosa de despesas médicas, no montante de R$ 4.535,00, conduta essa apenada com multa de ofício exasperada de 150%, no ano calendário 2004, com a seguinte motivação (fls. 04 e 05): Em investigação interna, verificamos a necessidade de comprovar a efetividade da prestação de serviços da profissional de saúde Sâmara Sílvia de Oliveira Chaves, CPF 036.442.626 83, fisioterapeuta, em vista de sua recorrência. Para tanto, levantamos a lista de todos os contribuintes que declararam pagamentos a ela. Encaminhamos a lista a ela, intimandoa a confirmar ou infirmar a efetiva prestação dos serviços. Em resposta, a profissional informou todos os contribuintes para os quais confirmava a prestação dos serviços, aqueles para os quais não confirmava e ainda aqueles que prestou serviços, mas em valores diferentes dos declarados por eles em DIRPF. Em seguida, todos os declarantes foram intimados a apresentar o recibo do pagamento, e, no amparo do artigo 73 do Regulamento do Imposto de Renda Decreto 3.000/99 RIR/99, intimados ainda a comprovar o efetivo pagamento dos valores constantes nos recibos, por meio de cópia de cheques, extratos bancários ou outra forma qualquer. A profissional Sâmara reconheceu os serviços prestados no ano calendário de 2006, no valor de R$ 5.200,00, porém, no ano calendário de 2004 reconheceu apenas o valor de R$ 525,00. Desse modo, considerando que : 1 As despesas são em valores incomuns para gastos com fisioterapia; 2 a contribuinte não comprova o efetivo a pagamento; 3 Há dezenas de outros contribuintes com recibos inidôneos relativos à mesma profissional; 4 a profissional nega a prestação dos serviços nos valores declarados, no ano de 2004: então efetuamos a glosa da Fl. 2DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13629.001829/200850 Acórdão n.º 210201.478 S2C1T2 Fl. 2 3 parcela de despesas de saúde não confirmadas pelos profissionais e não comprovadas pelo contribuinte, com o decorrente lançamento de juros de mora (art. 43 da Lei 9.430/96) e multa de oficio. III. QUALIFICAÇÃO DA MULTA E REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Em vista da constatação de uso de documento inidôneo, nos termos do artigo 44, §1 0 da Lei 9.430/96 e art. 71, inciso II da Lei 4.502/64, a glosa das despesas de saúde não comprovadas foi acompanhada de multa de 150%. Ainda, juntamente com a lavratura do Auto de Infração, a fiscalização, de acordo com o art. 83 da Lei n° 9.430/96 e Portaria SRF n° 326/05, formalizou Representação Fiscal para Fins Penais, posto a constatação, EM TESE, de fraude, com dedução de despesas de saúde fictícia, sem comprovação dos pagamentos e/ou apresentando recibos que, conforme os indícios demonstrados, não lastreiam qualquer prestação de serviços, nos termos do artigo 73 do RIR/99, o que subsume em crime tipificado pelos arts. 10 e 2° da Lei 8.137/90. O Processo de Representação Fiscal para Fins Penais tramita sob n° 13629.003010/200827. Compulsando os autos, vêemse cópias de recibos emitidos pela profissional Sâmara Sílvia nos anoscalendário 2006 (fls. 26 a 28) e 2004 (fls. 137 e 138), bem como declaração da prestadora de que prestou os serviços na residência da autuada (fl. 152). Ainda, apreendese que a contribuinte declarou despesa na DIRPF com a profissional citada nos anos calendário 2004 (fl. 169 – R$ 5.060,00), objeto da glosa parcial, e 2006 (R$ 5.200,00), não glosada. Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, quando apresentou declaração da profissional Sâmara Silvia de que havia prestado os serviços, com os preços iguais àqueles informados pela autuada (fl. 184). A 6ª Turma da DRJ/JFA, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0921.843, de 4 de dezembro de 2008 (fls. 187 e seguintes). A contribuinte foi intimada da decisão a quo em 19/12/2008 (fl. 194). Irresignada, interpôs recurso voluntário em 22/12/2008 (fl. 198). No voluntário, a recorrente alega, em síntese, que comprovou os dispêndios glosados com recibos médicos na forma da legislação, tendo acostado na impugnação cópia dos extratos bancários, buscando comprovar a execução de saques bancários suficientes para fazer frente aos pagamentos à profissional Sâmara Silvia. Agora, novamente acosta aos autos cópia dos extratos bancários. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que a contribuinte foi intimada da decisão recorrida em 19/12/2008 (fl. 194), sextafeira, e interpôs o recurso voluntário em 22/12/2008 (fl. 198), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 20/01/2009. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Como tenho tido oportunidade de asseverar em julgados anteriores (Acórdãos nºs 2102001.351, 2102001.356 e 2102001.366, sessão de 09 de junho de 2011; Acórdão nº 210201.055, sessão de 09 de fevereiro de 2011; Acórdão nº 210200.824, sessão de 20 de agosto de 2010; acórdão nº 210200.697, sessão de 18 de junho de 2010), entendo que os recibos médicos, em si mesmos, não são uma prova absoluta para dedutibilidade das despesas médicas da base de cálculo do imposto de renda, mormente quando: 1. as despesas forem excessivas em face dos rendimentos declarados; 2. houver o repetitivo argumento de que todas as despesas médicas de diferentes profissionais, vultosas, tenham sido pagas em espécie; 3. o contribuinte fizer uso de recibos comprovadamente inidôneos, aqui no caso da edição de súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz em desfavor de prestador de serviço informado na declaração de renda do autuado, o que é suficiente para lançar sombra de suspeição sobre as demais despesas médicas de outros prestadores; 4. houver a negativa de prestação de serviço por parte de profissional que consta como prestador na declaração do fiscalizado; 5. houver recibos médicos emitidos em dias não úteis, por profissionais ligados por vínculo de parentesco, tudo pagos em espécie. Nas hipóteses acima, a autoridade fiscal pode e deve intimar o contribuinte a comprovar o pagamento da despesa, com documentação bancária, ou mesmo a efetiva prestação do serviço com documentário médico (receitas, cópias de exames etc.). Especificamente, no caso de profissionais para os quais tenha sido emitida a súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz, a jurisprudência administrativa, inclusive, autoriza a glosa e a exasperação da multa de ofício para o percentual de 150% sobre o imposto lançado (Súmula CARF nº 40: A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício). No caso destes autos, percebese que as despesas são em valores incomuns para gastos com fisioterapia, a contribuinte não logrou comprovar efetivamente o pagamento da despesa, pois aqui não se podem aceitar saques em extratos bancários, pois estes podem ter sido utilizados para pagamento de quaisquer despesas, há dezenas de outros contribuintes com recibos inidôneos relativos à mesma profissional e até a profissional renegou a prestação dos Fl. 4DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13629.001829/200850 Acórdão n.º 210201.478 S2C1T2 Fl. 3 5 serviços nos valores declarados, no ano de 2004. Neste último ponto, a afirmação posterior da profissional de que prestou os serviços (fl. 184), já na impugnação, lança até mais dúvidas sobre todos os recibos, mormente porque a contribuinte não conseguiu comprovar com documentação bancária o pagamento de quaisquer das despesas controvertidas e porque os serviços teriam sido prestados na residência da tomadora, ou seja, tratase de afirmação implausível, de profissional que parece sequer ter escritório profissional. Devese anotar que os recibos emitidos pela profissional de fisioterapia Sâmara Silvia já foram objeto de debate nesta Turma, na sessão de junho de 2011, quando se prolatou o Acórdão nº 2102001.384, por maioria, quando se rejeitou tais recibos como válidos para reduzir a base de cálculo do IRPF dos tomadores do serviço. Naquela oportunidade, juntamente com o relator, Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima, entendi pela higidez deles, no que restamos vencidos pela douta maioria do colegiado, e hoje, a partir de novos casos que vem a este colegiado, como o presente e aquele debatido no julgamento do recurso voluntário acostado ao processo administrativo fiscal 13629.001848/200886, este também sob apreciação desta Turma na sessão de 22 de agosto de 2011, observo que a então maioria agiu com acerto, e, assim, revejo meu posicionamento, pois efetivamente tudo está a indicar que a profissional Sâmara Sílvia emitiu recibos graciosos, para múltiplos contribuintes, renegandoos parcialmente, e, em uma situação dessa espécie, somente se pode deferir a dedução se a contribuinte efetivamente, de forma iniludível, demonstrar como pagou os valores controvertidos. Interessante ressaltar que, no processo acima citado, o modus operandi do tomador e do pretenso prestador foi o mesmo, com despesas relevantes para fisioterapia, pagamentos sempre em espécie, serviços prestados na residência dos pretensos tomadores e retratação da declaração de não prestação integral dos serviços trazida na impugnação. Em um cenário dessa natureza, somente se pode deferir a dedução da despesa com a comprovação do efetivo pagamento. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 5DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 10845.003949/2007-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DE QUE PARTE DELES FOI CONFESSADA NA DIRPF. Tendo sido comprovado que parte dos rendimentos omitidos tinha sido declarado na DIRPF entregue
tempestivamente, forçoso efetuar o ajuste na omissão, excluindo a parcela confessada ao fisco.
GLOSA DE IRRF. RENDIMENTOS PROVENIENTES DE PREFEITURA MUNICIPAL. RETENÇÃO E RECOLHIMENTO AO ERÁRIO MUNICIPAL. Deve-se anotar que, sobre os valores percebidos de municípios, suas autarquias e fundações municipais, havendo a retenção e recolhimento do imposto de renda ao erário municipal, na forma do art. 158
da Constituição da República, deve-se outorgar ao contribuinte o IRRF em sua declaração de ajuste anual, pois o recolhimento aos cofres municipais é imposição da Constituição, sendo, entretanto, ônus do contribuinte, que sofreu a devida retenção sobre os valores recebidos.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2102-001.520
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
parcial provimento ao recurso, para reduzir a omissão de rendimentos para R$ 435,75 (R$ 15.851,00 R$ 15.415,25) e o IRRF glosado para R$ 4,50 (R$ 1.023,22 R$ 1.018,72).
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DE QUE PARTE DELES FOI CONFESSADA NA DIRPF. Tendo sido comprovado que parte dos rendimentos omitidos tinha sido declarado na DIRPF entregue tempestivamente, forçoso efetuar o ajuste na omissão, excluindo a parcela confessada ao fisco. GLOSA DE IRRF. RENDIMENTOS PROVENIENTES DE PREFEITURA MUNICIPAL. RETENÇÃO E RECOLHIMENTO AO ERÁRIO MUNICIPAL. Deve-se anotar que, sobre os valores percebidos de municípios, suas autarquias e fundações municipais, havendo a retenção e recolhimento do imposto de renda ao erário municipal, na forma do art. 158 da Constituição da República, deve-se outorgar ao contribuinte o IRRF em sua declaração de ajuste anual, pois o recolhimento aos cofres municipais é imposição da Constituição, sendo, entretanto, ônus do contribuinte, que sofreu a devida retenção sobre os valores recebidos. Recurso parcialmente provido.
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COMPROVAÇÃO DE QUE PARTE DELES FOI CONFESSADA NA DIRPF. Tendo sido comprovado que parte dos rendimentos omitidos tinha sido declarado na DIRPF entregue tempestivamente, forçoso efetuar o ajuste na omissão, excluindo a parcela confessada ao fisco. GLOSA DE IRRF. RENDIMENTOS PROVENIENTES DE PREFEITURA MUNICIPAL. RETENÇÃO E RECOLHIMENTO AO ERÁRIO MUNICIPAL. Devese anotar que, sobre os valores percebidos de municípios, suas autarquias e fundações municipais, havendo a retenção e recolhimento do imposto de renda ao erário municipal, na forma do art. 158 da Constituição da República, devese outorgar ao contribuinte o IRRF em sua declaração de ajuste anual, pois o recolhimento aos cofres municipais é imposição da Constituição, sendo, entretanto, ônus do contribuinte, que sofreu a devida retenção sobre os valores recebidos. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao recurso, para reduzir a omissão de rendimentos para R$ 435,75 (R$ 15.851,00 R$ 15.415,25) e o IRRF glosado para R$ 4,50 (R$ 1.023,22 R$ 1.018,72). Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. Fl. 125DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 EDITADO EM: 10/10/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte MARCOS MUNHOZ CLARO, CPF/MF nº 018.392.93810, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 08/10/2007, auto de infração (fls. 07 e seguintes). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 2.253,63 MULTA DE OFÍCIO R$ 1.690,22 Ao contribuinte foram imputadas as seguintes infrações, no anocalendário 2004, com a motivação que segue (fl. 08): Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vinculo e/ou sem Vinculo Empregatício Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil constatouse omissão de rendimentos do trabalho com vinculo e/ou sem vinculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 8.195,00, recebido(s) pelo titular e/ou dependentes, da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 435,75. Omissão referente a rendimentos recebidos de Prefeitura Municipal de Santo André, CNPJ 46.522.942/000130 no valor de R$ 8.195,00 conforme informação da fonte pagadora em DIRF (Declaração de imposto de renda retido na fonte). Tais valores não conferem com os valores dos Mandados de Levantamento Judicial apresentados. Compensação Indevida de Imposto de renda retido na Fonte Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse a compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte, pelo titular e/ou dependentes, no valor de R$ 440,25 referente As fontes pagadoras abaixo relacionadas. Glosa parcial dos valores informados como imposto de renda retido na fonte referente aos rendimentos declarados da fonte pagadora Cartório do 3º Oficio de Santo André. Retenção Fl. 126DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10845.003949/200768 Acórdão n.º 210201.520 S2C1T2 Fl. 2 3 declarada: R$ 1.023,22. DARFs localizados no código 0588 referentes a esta fonte pagadora: R$ 582,97 Glosa: R$ 440,25. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Em essência, o impugnante asseverou que os rendimentos provenientes da Prefeitura Municipal de Santo André, considerados omitidos, foram informados na DIRPF como percebidos do Cartório 3º Oficio de Santo André, pois não recebera o informe de rendimentos da Prefeitura. A 3ª Turma da DRJ/SP2, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1736.638, de 25 de novembro de 2009 (fls. 82 e seguintes), rechaçando a impugnação, nos termos que seguem (fl. 84): Em sua impugnação, o contribuinte alega que informou os rendimentos líquidos recebidos da Prefeitura como se fossem do Cartório do 3° Oficio. Em que pese as argumentações apresentadas pelo impugnante, este não foi capaz de demonstrar que estão incluídos nos rendimentos de R$ 15.415,25, informados na DIRPF como recebidos do Cartório do 3° Oficio, os honorários pagos pela Prefeitura de Santo André. Para tal mister, necessário seria detalhar todos os pagamentos ao longo do ano que totalizaram o valor de R$ 15.415,25, comprovando por meio dos Mandados de Levantamento Judicial e das Guias de Arrecadação Municipal. Com as alegações apresentadas na impugnação e juntada dos documentos de arrecadação e Mandados de Levantamento, o contribuinte apenas conseguiu comprovar que o valor informado por DIRF pela Prefeitura de Santo André está correto. Ou seja, de fato foram recebidos os rendimentos brutos de R$ 8.195,00, com a incidência do IRRF de 435,75. Entretanto, a fundamental comprovação que deveria ter sido realizada é que estes rendimentos estão incluídos naqueles rendimentos declarados como recebidos do Cartório. E tal comprovação não foi feita. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 19/12/2009 (fl. 88). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 05/01/2010 (fl. 89). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que já havia juntado todas as guias de levantamento judicial do 3º Ofício de Santo André, no anocalendário 2004, totalizando o valor de R$ 15.415,25, quando do atendimento do Termo de Intimação Fiscal de 28/09/2007, o que levou a não reapresentálas na impugnação, porém agora, neste recurso voluntário, apresenta todas as guias novamente. É o relatório. Fl. 127DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 19/12/2009 (fl. 88), sábado, e interpôs o recurso voluntário em 05/01/2010 (fl. 89), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 20/01/2010. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Compulsando as guias judiciais referentes aos honorários percebidos pelo autuado, de feitos em tramitação na 3ª Vara Cível da Comarca de Santo André SP (fls. 100 a 114), tendo como partes a Prefeitura Municipal de Santo André (fls. 100 a 110 – valor bruto=R$ 8.195,00; valor líquido=R$ 7.759,25) e outros (fls. 111 a 114 – valor bruto=R$ 7.656,00), vêse que montam um total líquido de R$ 15.415,25 (e bruto, com imposto retido ou pago, de R$ 15.851,00), sendo que, para as guias tendo como parte a Prefeitura, houve retenção e recolhimento ao erário municipal, e para as guias tendo como partes particulares, o contribuinte recolheu o imposto ao tesouro nacional com o código 0588. Efetivamente, restou comprovado que o autuado declarou parcialmente (R$ 15.415,25) os valores percebidos de honorários no âmbito da 3ª Vara Cível de Santo André, tendo juntado os valores pagos pela municipalidade com o rol daqueles percebidos de terceiros, todos declarados no CNPJ do cartório judicial da Vara referida (vide fl. 32 c/c fls. 100 a 114). Ainda, declarou um IRRF referente a tais pagamentos de R$ 1.023,22, quando deveria ter declarado R$ 1.018,72. No tocante à glosa do IRRF, devese anotar que, sobre os valores percebidos da Prefeitura de Santo André, houve a competente retenção e recolhimento do imposto de renda ao erário municipal, na forma do art. 158 da Constituição da República, devendose assim outorgar ao autuado o crédito de tal IRRF em sua declaração de ajuste anual, pois o recolhimento aos cofres municipais é uma imposição da Constituição, sendo, entretanto, ônus do contribuinte, que sofreu a devida retenção sobre os valores recebidos. Por tudo, voto no sentido de DAR parcial provimento ao recurso, para reduzir a omissão de rendimentos para R$ 435,75 (R$ 15.851,00 – R$ 15.415,25) e o IRRF glosado para R$ 4,50 (R$ 1.023,22 – R$ 1.018,72). Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 128DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10845.003949/200768 Acórdão n.º 210201.520 S2C1T2 Fl. 3 5 Fl. 129DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.903352/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 15/05/2003
PIS. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PROVA.
O crédito alegado em declaração de compensação, não homologada à vista de
falta de retificação da DCTF, deve ser, no âmbito da manifestação de
inconformidade, devidamente demonstrado por meio da apresentação de
documentação hábil.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.321
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PROVA. O crédito alegado em declaração de compensação, não homologada à vista de falta de retificação da DCTF, deve ser, no âmbito da manifestação de inconformidade, devidamente demonstrado por meio da apresentação de documentação hábil. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 92DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16327.903352/200831 Acórdão n.º 330201.321 S3C3T2 Fl. 93 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 45 a 52) apresentado em 04 de abril de 2011 contra o Acórdão no 1629.524, de 10 de fevereiro de 2011, da 8ª Turma da DRJ/SP I (fls. 37 a 39), cientificado em 03 de março de 2011, que, relativamente a declaração de compensação de PIS de 15 de maio de 2003, considerou improcedente a manifestação de inconformidade da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/05/2003 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Afastada a nulidade por ficar evidenciada a inocorrência de preterição do direito de defesa haja vista que o despacho decisório consigna de forma clara e concisa o motivo da não homologação da compensação. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PAGAMENTO UTILIZADO PARA QUITAR DÉBITO DECLARADO EM DCTF. RETIFICAÇÃO. DESCABIMENTO. Considerase confissão de dívida o débito declarado em DCTF, descabendo à autoridade administrativa a sua retificação de ofício se o contribuinte não comprova a existência do erro material alegado. Manifestação de Inconformidade Improcedente A declaração de compensação foi transmitida em 11 de setembro de 2005. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: O interessado, supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação de fls. 07/12 (PER/DCOMP nº 41737.90717.110906.1.7.046459, que retifica o PER/DCOMP nº 04964.11113.140504.1.3.040949), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de PIS (cód. receita 4574) relativo ao período de apuração encerrado em 30/04/2003. Pelo Despacho Decisório de fls. 06 o contribuinte foi cientificado, em 20/08/2008 (fls. 35), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o débito indevidamente compensado (principal: R$ 6.620,83). Fl. 93DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16327.903352/200831 Acórdão n.º 330201.321 S3C3T2 Fl. 94 3 Irresignado, o contribuinte apresentou em 19/09/2008 a Manifestação de Inconformidade de fls. 01/05, alegando, em apertada síntese, que: 1) seria nulo o Despacho Decisório, em razão da falta da demonstração das razões que levaram à não homologação da compensação, o que impediria o contribuinte de exercer o seu direito de defesa; que 2) preencheu incorretamente sua DCTF, uma vez que o recolhimento efetuado em 15/05/2003 mediante o DARF de PIS indicado, no valor de R$ 141.920,47, foi vinculado integralmente para a quitação de um débito, quando na verdade tratase de pagamento indevido ou a maior; e 3) que na DCTF em declarou o débito que pretende extinguir por compensação, o valor compensado é exatamente o valor do seu direito creditório com os acréscimos legais cabíveis. Requer, assim, seja alterada de ofício a informação contida em sua DCTF e reconhecido o seu direito à compensação em questão. No recurso, alegou que “o mero erro formal” não poderia dar causa ao indeferimento do pedido de compensação. Teria cometido erro ainda na informação do valor da compensação na DCOmp. Fez menções aos princípios constitucionais da proteção da propriedade, da legalidade da moralidade administrativa. Deveria ainda ser observado o princípio da verdade material, citando entendimento da doutrina e ementas de acórdãos que trataram de lançamento decorrente de erro na declaração. Apresentou demonstrativo de crédito passível de compensação e cópias de Darf. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Em que pesem os argumentos trazidos pela Interessada no recurso, não se trata de questão de erro formal ou de indeferimento com base em erro na declaração. De fato, tratase de matéria de prova e, conforme esclareceu a Primeira Instância, “se ficasse comprovado o erro alegado pelo contribuinte, não poderia o Fisco deixar de considerálo, por força do disposto no art. 165 do CTN, bem como em homenagem ao princípio da verdade material, que norteia o Processo Administrativo Fiscal [...]. Contudo, a alegação de erro de fato no preenchimento da DCTF somente poderia se acolhida se viesse acompanhada de documentos hábeis e idôneos capazes de comprovar a ocorrência do alegado erro [...]”. Os documentos apresentados no recurso, por se tratar de meros demonstrativos, não são suficientes para demonstrar o direito de crédito. Fl. 94DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16327.903352/200831 Acórdão n.º 330201.321 S3C3T2 Fl. 95 4 Observese que, nos casos em que, após a não homologação, o contribuinte tenha, dentro do prazo legal, efetuado a retificação da DCTF, esta Turma tem considerado que, à vista do disposto na Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001, art. 18, o ônus da prova deve ser do fisco. Mas não é esse o caso dos autos. Quando o prazo para retificação da DCTF tenha se esgotado ou quando não tenha havido retificação da DCTF antes da apresentação da manifestação de inconformidade, o ônus de prova quanto à existência do direito de crédito é do contribuinte. Portanto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 95DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
score : 1.0
Numero do processo: 15504.016644/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/2006
INTEMPESTIVIDADE.
A apresentação do recurso voluntário depois de transcorrido o prazo de trinta dias previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72 resulta no não conhecimento da peça da defesa.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2301-002.266
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não
conhecer do recurso, devido à sua intempestividade, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Mauro Jose Silva
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/2006 INTEMPESTIVIDADE. A apresentação do recurso voluntário depois de transcorrido o prazo de trinta dias previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72 resulta no não conhecimento da peça da defesa. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1523; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 210 1 209 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.016644/200881 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 230102.266 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de agosto de 2011 Matéria CONT. PREV AI SERVIDORES NÃO EFETIVOS Recorrente ESTADO DE MINAS GERAIS SECRETARIA DE ESTADO DA FAZENDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/2006 INTEMPESTIVIDADE. A apresentação do recurso voluntário depois de transcorrido o prazo de trinta dias previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72 resulta no não conhecimento da peça da defesa. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso, devido à sua intempestividade, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 214DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MAURO JOSE SILVA 2 Relatório Tratase de Auto de Infração de n. 37.025.6433, lavrado em 17/09/2008, por ter o órgão público acima identificado, segundo Relatório Fiscal da Infração, fls.130/134, deixado de incluir na base de cálculo da contribuição previdenciária a remuneração dos servidores não efetivos por entender estarem protegidos pelo Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), nas competências 12/1998 a 12/2006, tendo resultado na constituição de crédito tributário de R$ 12.746.353,40. A fiscalização concluiu que após a EC 20/1998 somente os servidores efetivos poderiam estar incluídos em RPPS. Após tomar ciência postal da autuação em 26/09/2008, fls. 136, a recorrente apresentou impugnação, fls. 140/155, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 8ª Turma da DRJ/Belo Horizonte, no Acórdão de fls. 179/188, julgou o lançamento procedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 10/12/2009, fls. 190. No Acórdão a quo, a decadência parcial suscitada pela então impugnante foi afastada tendo em vista existir decisão em ação judicial que impedia a constituição do crédito tributário que só foi cassada em 27/02/2007. O recurso voluntário, apresentado em 12/01/2010, fls. 191/205, apresentou argumentos que deixamos de relatar em virtude da intempestividade deste que iremos apontar. É o relatório. Fl. 215DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15504.016644/200881 Acórdão n.º 230102.266 S2C3T1 Fl. 211 3 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator O órgão público recorrente foi cientificado do julgamento de primeira instância em 10/12/2009, uma quintafeira, fls. 190. Em conformidade com o art. 5º do Decreto 70.235/72, o dies a quo do prazo recursal deve ser considerado como 11/12/2009, sextafeira. Segundo ao art. 33 do Decreto 70.235/72, a recorrente tinha 30(trinta) dias para apresentar seu recurso voluntário. Tal prazo se esgotou em 09/01/2010, sábado, mas, conforme o art. 5º do Decreto 70.235/72, o prazo foi prorrogado até 11/01/2010, segundafeira, fls. 208. Ocorre que a respectiva peça de defesa só foi apresentada em 12/01/2010, fls. 191, intempestivamente, portanto. O despacho de fls. 209 informa a tempestividade do Recurso Voluntário, mas tal informação conflita com os documentos dos autos. De acordo com o que consta dos autos, o Recurso Voluntário foi apresentado intempestivamente e não pode ser conhecido. Por todo o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER o RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 216DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 10935.003590/2007-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/06/1998 a 28/02/1999
RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. PRESCRIÇÃO.
Para pedidos protocolados a partir de 09/06/2005, o prazo prescricional para
a repetição de pagamentos indevidos ou a maior é de cinco anos a contar do
recolhimento. Nos termos da decisão do Supremo Tribunal Federal a Lei
Complementar 118/2005 possui natureza interpretativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.350
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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PRESCRIÇÃO. Para pedidos protocolados a partir de 09/06/2005, o prazo prescricional para a repetição de pagamentos indevidos ou a maior é de cinco anos a contar do recolhimento. Nos termos da decisão do Supremo Tribunal Federal a Lei Complementar 118/2005 possui natureza interpretativa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Walber José da Silva Presidente. Alexandre Gomes Relator. EDITADO EM: 05/12/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevese o relatório produzido pela DRJ de Curitiba: Trata o processo de Pedido de Restituição (apresentado por meio de formulário) de contribuição para o PIS/Pasep, fl. 01, protocolizado em 15/08/2007, o qual, consoante planilhas e demonstrativos de fls. 06/16, corresponde a retenções ou pagamentos efetuados nos meses de junho/1998 a fevereiro/1999, no montante atualizado de R$ 101.955,39. No quadro destinado à descrição do motivo do pedido constam os seguintes esclarecimentos: "Restituição do Pasep recolhido e retido sobre arrecadação própria e sobre o FPM — Fundo de Participação dos Municípios no período de setembro/1997 a maio/1998, em face de sua inexigibilidade em razão da não conversão em lei da Medida Provisória 1212/95 e suas reedições. Pedido de restituição está sendo feito em processo administrativo pois o programa pedido eletrônico de ressarcimento ou restituição e declaração de compensação (Per/Dcomp — versão 3.3) impossibilita sua utilização não aceitando a data do fato gerador do crédito passados de cinco anos." Às fls. 02/04, procuração e documentos pessoais do representante do Município. Em 03/09/2007, após análise, o pedido foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel/PR, despacho decisório às fls. 18/19, em face da decadência do direito, a teor dos arts. 165 e 168 do CTN. Inconformada com a decisão proferida, da qual foi cientificada em 20/09/2007 (fl. 20), a interessada, por intermédio de procurador, interpôs, em 17/10/2007, a manifestação de inconformidade de fls. 21/33, cujo teor é sintetizado a seguir. Primeiramente, após relato sucinto dos fatos, discorre sobre a ineficácia das medidas provisórias não convertidas em lei e conclui que a MP n° 1.212, de 1995, "não revela os predicamentos da urgência e relevância." Disserta sobre a ilegalidade da MP n° 1.212, de 1995, e suas reedições, e diz que "no período compreendido entre outubro de 1995 até fevereiro de 1999, pode ser recuperada a totalidade dos recolhimentos feitos a título de PASEP, haja vista que não havia norma legal a exigir a exação, muito menos através da LC 8/70, em respeito à vedação da repristinação em nosso ordenamento jurídico." Fala sobre o posicionamento do Supremo Tribunal Federal em relação à legislação tributária e às medidas provisórias e, após análise das medidas editadas, conclui que a Lei n° 9.715, de 1998, deve operar como lei primitiva, cuja entrada em vigor, Fl. 81DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10935.003590/200710 Acórdão n.º 330201.350 S3C3T2 Fl. 2 3 respeitandose a anterioridade nonagesimal, teria ocorrido somente em 24/02/1999. A seguir, discorre sobre o prazo decadencial. Defende a tese dos "5 + 5 anos", transcreve posicionamento da jurisprudência e conclui que em relação aos pagamentos efetuados anteriormente a 09/06/2005 o prazo de restituição seria de dez anos contados da data do pagamento ou até 09/06/2010, "valendo o prazo que vier antes." Ao final, requer a reforma do despacho decisório e, consequentemente, o deferimento da restituição. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem indeferir a solicitação em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/1998 a 28/02/1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. DECADÊNCIA. A decadência do direito de pleitear a restituição ocorre em cinco anos contados da extinção do crédito pelo pagamento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra esta decisão foi apresentado Recurso onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada. É o relatório Voto Conselheiro Alexandre Gomes, Relator Conforme se depreende do relatório acima transcrito, tratase de pedido de restituição protocolado em 15/08/2007 relacionado a supostos pagamentos indevidos de PIS nos períodos de 01/06/1998 a 28/02/1999, alegando se tratar de "Restituição do Pasep retido sobre o FPM — Fundo de Participação dos Municípios no período de junho/1998 a fevereiro/1999, em face de sua inexigibilidade em razão da não conversão em lei da Medida Provisória 1212/95 e suas reedições. Pedido de restituição está sendo feito em processo administrativo pois o programa pedido eletrônico de ressarcimento ou restituição e declaração de compensação (Per/Dcomp — versão 3.2) impossibilita sula utilização não aceitando a data do fato gerador do crédito passados de cinco anos." Fl. 82DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Tanto a DRF quanto a DRJ indeferiram o pedido de restituição, e por conseqüência os pedidos de compensação anexados, por entenderem que o prazo para a restituição de tributos pagos a maior era de 5 anos, a contar do recolhimento indevido ou a maior. Não houve análise por parte das autoridades administrativas em relação ao mérito do pedido de restituição, ou seja, em relação a existência ou não de pagamentos a maior ou indevidos. Como já me manifestei em outras oportunidades, coaduno com o entendimento de que o prazo de restituição dos tributos recolhidos indevidamente iniciase decorridos cinco anos, contados a partir do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, computados a partir do termo final do prazo atribuído à Fazenda Pública para aferir o valor devido referente à exação. Ou seja, considero que somente após a homologação é que se inicia o curso do prazo prescricional qüinqüenal, de modo que, na prática, o prazo total fixado para restituição é de dez anos após o recolhimento indevido. Neste sentido, o E. STJ, após inúmeras reviravoltas pacificou seu entendimento, senão vejamos: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. DECRETOS LEIS 2.445/88 E 2.449/88. PRESCRIÇÃO. CINCO ANOS DO FATO GERADOR MAIS CINCO ANOS DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INAPLICABILIDADE DO ART. 3º DA LC N. 118/2005. INÍCIO DA VIGÊNCIA SOMENTE APÓS 120 DIAS CONTADOS DA PUBLICAÇÃO. INTELIGÊNCIA DO ART. 4º DA MESMA LEI. Está uniforme na 1ª Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicamse a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. O disposto no artigo 3º da Lei Complementar n. 118, de 09 de fevereiro de 2005 é inaplicável, uma vez que ainda não iniciada a sua vigência, a qual somente terá início após 120 dias contados da publicação, a teor do artigo 4º da mesma lei. Agravo regimental não conhecido.1 Ocorre que, com o advento da Lei Complementar 118/05, a questão da prescrição do direito a repetição do indébito ganhou nova conotação, senão vejamos: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. 1 AgRg no AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 653.771 SP (2005/00095396). RELATOR : MINISTRO Francisco Peçanha Martins. Segunda Turma. 05/05/2005. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10935.003590/200710 Acórdão n.º 330201.350 S3C3T2 Fl. 3 5 Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional Não obstante afastar a interpretação que vinha sendo consagrada pela doutrina e pelo judiciário, a nova lei ainda determinou sua aplicação retroativa, uma vez que determinou a observância do disposto do art. 106, inciso I do CTN, que assim prescreve: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; É bom destacar que a respeito da legalidade do disposto no art. 4º da Lei Complementar 118/05, o STJ já manifestou sua posição, entendendo pela manifesta inconstitucionalidade dos dispositivos, conforme se depreende da decisão proferida no Resp nº 644.736/PE, cuja ementa segue abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. LC 118/2005. INCONSTITUCIONALIDADE DA APLICAÇÃO RETROATIVA. 1. Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3º da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita do lançamento. Assim, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. 2. A norma do art. 3º da LC 118/05, que estabelece como termo inicial do prazo prescricional, nesses casos, a data do pagamento indevido, não tem eficácia retroativa. É que a Corte Especial, em sessão de 06/06/2007, DJ 27.08.2007, declarou inconstitucional a expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional", constante do art. 4º, segunda parte, da referida Lei Complementar. 3. Embargos de divergência a que se nega provimento. Como é de conhecimento geral ao julgador administrativo é vedado declarar a inconstitucionalidade de norma tributária vigente, como é o caso do art. 4º da Lei Complementar 118/05, até que haja manifestação plenária do Supremo Tribunal Federal. É o que se extrai do disposto no art. 62 do Regimento Interno do CARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de Fl. 84DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 6 observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Contudo, o Pleno do Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE 566.621 de relatoria da Ministra Ellen Greice, analisou a natureza e as determinações contidas na Lei Complementar 118/2005 e decidiu que esta possui natureza interpretativa, o que implicou no reconhecimento da legalidade da redução do prazo para a restituição dos tributos (10 anos para 5 anos) recolhidos a maior ou indevidamente, para os pedidos protocolados a partir de 09/06/2005, como vemos de sua ementa que segue transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de Fl. 85DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10935.003590/200710 Acórdão n.º 330201.350 S3C3T2 Fl. 4 7 nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Ou seja, para pedidos de restituição protocolados até 09/06/2005 teremos o prazo de 10 anos, e para os pedidos protocolados em datas posteriores teremos o prazo de 5 anos. No presente caso o pedido foi protocolado em 15/08/2007, estando assim submetido ao prazo de 5 anos conforme interpretação conferida pela Lei Complementar 118/2005. Como o período relacionado aos alegados pagamentos indevidos compreende as competências 06/1998 a 02/1999, estão todas atingidas pela prescrição. Por fim, vale registrar que o Regimento Interno do CARF determina a obrigatoriedade da aplicação das decisões proferidas pelo Supremo Tribunal, com aplicação do rito estabelecido no art. 543 B do CPC, senão vejamos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Em relação aos argumentos de omissão da decisão recorrida em relação ao mérito e por conseqüência a validade dos créditos pleiteados, entendo que, tendo em vista o reconhecimento da prescrição da totalidade dos créditos pleiteados, esta não se faz necessária pois a prescrição é matéria preliminar que prejudica o pedido e a analise de seu mérito. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Alexandre Gomes Fl. 86DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 8 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 13603.002858/2003-12
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: RECURSO ESPECIAL - PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE. DISSENSO JURISPRUDENCIAL NÃO CARACTERIZADO
Não se conhece de recurso especial que desatende aos pressupostos de admissibilidade estabelecidos na legislação de regência.
CSLL - DECADÊNCIA - ARTIGO 45 DA LEI N°. 8.212/91 - SÚMULA N°.
08 DO STF
Em vista da edição da Súmula Vinculante n°. 08 pelo C. Supremo Tribunal Federal, não merece ser conhecido recurso especial interposto pela Fazenda Nacional que suscita exclusivamente violação do acórdão recorrido ao disposto no art. 45 da Lei n. 8.212/91.
AGRAVAMENTO DE MULTA - ART. 44, § 2° DA LEI N° 9.430/96 - NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE LIVROS E/OU DOCUMENTOS
A falta de atendimento por parte do contribuinte, no prazo marcado, de intimação formulada pela autoridade fiscal para a apresentação de livros e de documentos solicitados autoriza o agravamento da multa de oficio.
Recurso Especial não conhecido em relação aos temas responsabilidade solidária das pessoas jurídicas e decadência. Recurso Especial provido em parte para restabelecer a multa agravada na forma do art. 44, §2° da Lei n. 9.430/96.
Numero da decisão: 9101-000.954
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em relação à responsabilidade das pessoas jurídicas e à decadência do IRPJ e do CSLL e, na parte conhecida, dar-lhe provimento para restabelecer a multa agravada, nos termos
ao § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Antonio Carlos Guidoni Filho
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PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE. DISSENSO JURISPRUDENCIAL NÃO CARACTERIZADO Não se conhece de recurso especial que desatende aos pressupostos de admissibilidade estabelecidos na legislação de regência. CSLL - DECADÊNCIA - ARTIGO 45 DA LEI N°. 8.212/91 - SÚMULA N°. 08 DO STF Em vista da edição da Sumula Vinculante n°. 08 pelo C. Supremo Tribunal Federal, não merece ser conhecido recurso especial interposto pela Fazenda Nacional que suscita exclusivamente violação do acórdão recorrido ao disposto no art. 45 da Lei n. 8.212/91. AGRAVAMENTO DE MULTA - ART. 44, § 2° DA LEI N° 9.430/96 - NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE LIVROS E/OU DOCUMENTOS A falta de atendimento por parte do contribuinte, no prazo marcado, de intimação formulada pela autoridade fiscal para a apresentação de livros e de documentos solicitados autoriza o agravamento da multa de oficio. Recurso Especial não conhecido em relação aos temas responsabilidade solidária das pessoas jurídicas e decadência. Recurso Especial provido em parte para restabelecer a multa agravada na forma do art. 44, §2° da Lei n. 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de vo s, não conhecer do recurso em relação a responsabilidade das pessoas jurídicas e A. decadência s 01RPJ e do CSLL e, na parte conhecida, dar-lhe provimento para restabelecer a multa agravada, nos termos ao § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. ente. Caie M Filho - Relator. Antonio Editado em: 13' 1,4 f--N. ?nil Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Alberto Pinto Souza Junior, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira (Suplente Convocado), Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann_ Relatório Com fundamento no art. 7°, incisos I e II, do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF n.° 147, de 25/06/2007, Contribuinte e Fazenda Nacional interpõem recurso especial contra o acórdão proferido pela extinta Primeira Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes assim ementado, verbis: "NULIDADE DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL Comprovado que a fiscalização cumpriu todos os requisitos legais pertinentes ao MPF, não tendo o contribuinte demonstrado nenhuma irregularidade capaz de invalidar o lançamento, não prospera a argüição de nulidade do procedimento NULIDADE - CERCEAMENTO DE DEFESA - Os procedimentos de fiscalização e lançamento não estão regidos pelo principio do contraditório, prevalecendo o principio da inquisitoriedade. A fiscalização tem o dever de oficio de verificar o correto cumprimento das obrigações pelo sujeito passivo, dispondo de amplos poderes de investiga cão, podendo se utilizar, além dos elementos obtidos junto ao investigado, de elementos de que disponha na repartição ou obtidos junto a terceiros. DECADÊNCIA — Nos casos de evidente intuito de fraude, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. RESPONSABILIDADE PESSOAL - São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A dissolução irregular da empresa acarreta a responsabilidade pessoal de que trata o art. 135 do CTN. Respondem pelo crédito tributário os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas fisicas, acobertados por terceiras pessoas ("laranjas') que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa 2 Processo n° 13603.002858/2003-12 Acórdão n.° 9101-000.954 jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas con,tascorrentes bancárias. - - INCONSTITUCIONALIDADE 0 Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre inconsti tucionalidade de lei tributária MULTA QUALIF1CADA — Caracterizado O evidente intuito de fraude que autoriza o lançamento de multa qualificada, como previsto no inciso II, do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, impõe-se a manutenção da multa qualificada. MULTA MAJORADA — Não configurada a hipótese de falta de atendimento a intimação para presta cão de esclarecimentos, não prospera a n2ajoragão da multa de oficio. JUROS DE MORA - SELIG' - Os juros de mora são devidos por força de lei, mesmo durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial (Decreto-lei n° 1.736/79, art. 5'; RIR/94, art_ 988, ,sç 2°, e RIR199, art. 953, sç 30)• E, a partir de IV04/95, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SEL1C, por força do disposto nos arts. 13 e 18 da Lei n° 9.065/95, c/c art. 161 do CTN (Sula n° 04, do 1° CC). ARBITRAMENTO DO LUCRO - A falta de apresentação dos livros e documentos da sua escrituração autoriza o fisco a arbitrar o lucro da pessoa jurídica. Para fins de arbitramento, a receita bruta pode ser obtida pelo fisco através de elementos buscados junto a terceiros, no caso, o Fisco Estadual, bem como por meio da movimentação financeira do contribuinte que implicar caracterização de omissão de receitas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA — Configuram receitas omitidas, por presunção legal relativa, os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titulai; regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. Recurso provido em parte." 0 caso foi assim relatado pela Câmara recorrida, verbis: "Cuida-se de recurso voluntário, interposto frente ao Acórdão no 7.363, de 07 de dezembro de 2004, por meio do qual a 2a Turma de Julgamento da DRJ ern Belo Horizonte julgou procedentes os autos de infração lavrados contra GMC Comércio e Beneficiamento Ltda., com imposição da multa qualificada e agravada. CSRF-T1 Fl. 2 3 A empresa teve seu lucro arbitrado em razão da falta de apresentação de livros e documentas. Para fins de arbitramento, a receita operacional do ano- calendário de 1997 foi conhecida a partir dos valores de saídas mensais, consignados pela empresa nos Demonstrativos de • Apuração do ICMS (Dapi), entregues pelo contribuinte Secretaria da Estado da Fazenda de Minas Gerais (SEF/MG) — doc. fls. 192/205. A fiscalização apurou, também, omissão de receitas caracterizada a partir de valores creditados, no decorrer do ano-calendário de 1998, em contas de depósito mantidas pela empresa junto aos bancos Rural, Bandeirantes, Real e do Brasil, em relação aos quais o contribuinte, apesar de regularmente intimado a comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações, não logrou faze-1o. Esses valores estão discriminados no demonstrativo de fl. 210 por totais mensais dos valores da receita omitida. Além do auto de infração do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (fis. 6/15), foram lavrados, por decorrência, autos de infra cão da Contribuição Social (lis. 16/25), do Programa de Integração Social - PIS «is. 26/32), e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins (lis. 33/39). Os autos de infração de PIS e COFINS que integram este processo se referem ao ano-calendário de 1.998 e têm como base de cálculo a omissão de receitas apurada a partir da movimentação financeira. Foi aplicada a multa de 225%. A interessada tomou ciência em 17/12/2003. Tomo emprestado o resumo do termo de Verificação Fiscal contido na Decisão de Primeira Instância. 1— Dos fatos e dos responsáveis pelo crédito tributário Foi feito um relato a respeito dos procedimentos fiscais com vistas a identificar os efetivos responsáveis pelo crédito tributário, pessoas fisicas e jurídicas. Concluiu a fiscalização que as empresas Nutrição Alimentação Comércio Importação Exportação Ltda., Universal Comercio e Distribuição Ltda., GMC Comércio e Beneficiamento Ltda. e Emporium Empreendimentos Ltda., cujas representações societárias hoje estão constituídas por sócios de fachada, na realidade tern como proprietários de fato os Srs. Cláudio Fernando Stein Pena e Carlos Otávio Stein Pena, estando interligadas às empresas de seu grupo, Spasso Armazéns Gerais Ltda., Spasso Empreendimentos e Serviços Ltda., Espaço Industrial Comercial e Distribuição Ltda., Indulac Indústria de Produtos Lácteos Ltda. e Lago Assessoria e Representação Comercial Ltda., pois todas participaram, diretamente ou indiretamente, dos atos negociais e de gerenciamento que são inerentes aos efetivos titulares das pessoas jurídicas e, por fim, usufruíram dos lucros desses negócios. 4 Processo n° 13603.002858 12003-12 CSRF-T1. Acórdão n.° 9101 -000.954 Fl. 3 Pelos fatos expostos no TI/F, comprova-se que o grupo empresarial capitaneado pelos Srs. Cláudio Fernando Stein Pena e Carlos Otavio Stein Pena e seus representantes tinham interesse comum na situação que constitui o fato gerador dos tributos ora lançados, dada a abundância de evidências de que conjugavam os negócios das diversas empresas componentes do grupo, e de que havia comunhão de interesses e de bens dessas empresas e seus sócios para a consecução das atividades comerciais. Após citar legislação pertinente à matéria em causa e entendimentos doutrinários, constata a fiscalização que o órgão da pessoa jurídica, ou seja, o conjunto de pessoas naturais que exprime a sua vontade, não agiu dentro das formas que preconizam as normas tributárias, pois utilizou as pessoas jurídicas com o intuito de obtenção de lucros à margem da incidência tributária. Restou comprovado que quem efetivamente exercia a representação comercial das empresas Nutrição, Universal, GMC e Emporium e movimentava recursos junto as instituições financeiras eram os Srs. Cláudio Fernando Stein Pena e Carlos Otávio Stein Pena, que diretamente ou por intermédio de suas empresas e seus empregados, inclusive mediante procurações públicas, praticaram atos de gerência administrativa, financeira e comercial, negociaram e recebe ram valores em seu nome, aceitando o risco de operações de crédito bancário e comprometendo o património pessoal e de suas empresas. Notadamente as empresas Indulac Indústria de Produtos Lácteos Ltda., Spasso Empreendimentos e Serviços Ltda. e Spasso Armazéns Gerais Ltda. são também beneficiárias dos recursos das empresas Universal, GMC e Emporium, conforme comprovam cópias de cheques recebidas dos bancos. Não obstante todas as evidências apresentadas, foram intimados os Srs. Cláudio Fernando Stein Pena e Carlos Otávio Stein Pena a comparecerem à DRF/Contagem/MG para prestarem esclarecimentos a respeito das empresas Nutrição, Universal, GMC e Emporium. Os intimados compareceram à DRF acompanhados de seu advogado, José Roberto Moreira de Melo, oportunidade em que foram cientificados de que as mencionadas empresas estavam sob ação fiscal. Os esclarecimentos constQn2das fls. 1296/1298 e 1300/1302 do Anexo I. Concluiu a fiscalização que ficou provado que os Srs. Cláudio Fernando Stein Pena e Carlos Otavio Stein Pena eram os verdadeiros donos do negócio que se operou sob a razão social das empresas Nutrição Alimentação Comércio Importação Exportação Ltda., Universal Comércio e Distribuição Ltda., GMC Comércio e Beneficiamento Ltda. e Emporium Empreendimentos Ltda., e foram os verdadeiros beneficiários dos resultados alcançados, diretamente ou por intermédio das empresas integrantes do seu grupo empresarial. Além disso, demonstrou-se que a estratégia utilizada não tinha simplesmente como objeto o tributo, porém o próprio conhecimento dos fbtos relevantes para o exercício do poder- dever de lançamento de oficio, pois a interposição de pessoas nos quadros societários das empresas sob ação fiscal objetivou falsear a verdade, com o fim direto de prejudicar o direito da Fazenda Pública: trata-se, portanto, de sonegação fiscal. Desta forma, os senhores Clciudio Fernando Stein Pena e Carlos Otávio Stein Pena, bem como os gerentes Dahno Murilo Gomes Furtado, Vilson Alcino da Silva, Rodrigo Carvalho Sanglard e Marco Túlio Cardoso Bruck, em conformidade com o preceito contido no art. 135, II e III do Código Ttibutário Nacional (CTN), são pessoalmente responsáveis pelos ' créditos tributários resultantes de atos praticados com excesso de pock' res e infração à lei, uma vez que foram eles, comprovadamente, que atuaram sob a razão social das empresas supracitadas', colocando interpostas pessoas como, titulares das sociedades. Prosseguindo, a fiscalização fez registrar que também foram arroladas no termo de ciência do auto de infração como devedoras solidárias do crédito tributário as seguintes empresas: Spasso Armazéns Gerais Ltda., Spasso Empreendimentos e Serviços Ltda., Espaço Industrial Comercial e Distribuição Ltda., INDULAC Indústria de Produtos Lácteos Ltda. e Logo Assessoria , e Representações Ltda. Ressalta que as pessoas jurídicas citadas e as pessoas fisicas, unia vez que de fato executaram e auferiram beneficios das operações das empresas Nutrição Alimentação Comércio Importação Exportação Ltda., Universal Comércio e Distribuição Ltda., GMC Comércio e Beneficiamento Ltda. e Emporium Empreendimentos Ltda., são responsáveis solidariamente pelo crédito tributário apurado. Fazendo referência ao art. 981 do Código Civil, afirma a fiscalização que existe sociedade quando duas ou mais pessoas combinam a conjugação de seus esforços ou recursos para obtenção de um fim comum. Assim, conforme disposição contida no CTN art. 124, I, conclui-se que, independentemente de lei, são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado as pessoas fisicas e as pessoas jurídicas do grupo empresarial apontadas no TVF. — Do lançamento a) Do regime de tributação Tendo discorrido acerca das intimações e reintimações dirigidas aos sócios da empresa e do edital afixado, anotou a fiscaliza cão que não foram medidos esforços no sentido de se travar diálogo COM a GMC Comércio e Beneficiamento Ltda. visando ao acesso de sua documentação comercial e fiscal, o que viabilizaria a auditoria a fim de verificar a correição dos lançamentos contábeis fronte à legislação tributária vigente, considerando-se a falta de informações it Fazenda Nacional. Estando impedida de conhecer o livro Diário ou Caixa e todos os demais livros e documentos da escrituração comercial e fiscal no período enz 6 Processo no 13603.002858/2003-12 • CSR F-T1 Acórdão n.° 9101-000.954 Fl. 4 exame, a fiscalização não detem meios de apurar o lucro real para os anos-calendário de 1997 e 1998, nos quais a empresa manteve-se omissa da obrigação acessória relativa it entrega da declaração de rendimentos. Outrossim, impõe-se neste caso o arbitramento do lucro para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ e da Contribuição Social devidos pela fiscalizada no período. Constatou que o contribuinte vinha dificultando o trabalho fiscal, não tendo apresentado os documentos solicitados em diversas intimações. Cita normas do Imposto de Renda e jurisprudência administrativa para concluir pela pertinência da aplicabilidade do regime de tributação com base no lucro arbitrado, tendo destacado que "o arbitramento não possui caráter de penalidade; é simples meio de apuração do lucro", frisando tratar-se da ánica metodologia capaz de determiná-lo no vertente caso. b) Do crédito tributário e das infrações Preliminarmente, registrou a fiscalização que o contribuinte não apresentou, relativamente aos fatos geradores ocorridos em 1997, a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica (DIRPJ) e a Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF). Em relação aos fatos geradores ocorridos em 1998, a Declaração Integrada de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIP.1) e a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Assim, foi promovido de oficio o lançamento dos tributos e contribuições federais, conforme explicitado: 1 - IRPJ e CSLL — receita da revenda de mercadorias — lucro arbitrado — ano-calendário de 1997: - pelos motivos já apresentados, procedeu-se ao lançamento do IRPJ e da CSLL, com base no lucro arbitrado, determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados em lei sobre o valor das saídas de mercadorias consignadas nos Demonstrativos de Apuração do ICMS entregues pelo contribuinte a Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais (SEF/MG) — doc. fls. 192/205; - os demonstrativos de fls. 11/12 e 21/22 apontam as bases de cálculo trimestrais do IRPJ e CSLL,- ambos calculados com base no lucro arbitrado. 2 - Falta de recolhimento da Cofins e do PIS — período base ocorrido no ano de 1997: lançamentos formalizados em processos específicos que receberam o n° 13603.002862/2003-81 e 13603.002859/2003-67. 7 3 — Receita operacional omitida —falta de comprovagiio da origem dos valores creditados em contas de depósito mantidas junto a instituições financeiras — ano-calendário de 1998: - tomando por base dados da movimentação financeira da empresa nesse periodo, conhecida nos estritos termos do art. 60 da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentado pelo- Decreto n° 3.724, de 10 de janeiro de 2001, foram apurados os valores lançados a crédito, durante o ano-calendário de 1998, nas contas correntes mantidas pela empresa nas seguintes instituições financeiras: Real, Rural, Bandeirantes e Brasil, conforme extratos bancários apresentados (fls. 279/465); - tratado e analisado o conjunto de dados da movimentação financeira da GMC Comércio e Beneficiamento Ltda. referente ao ano-calendário de 1998, foi instada a empresa a comprovar mediante documentação hail e idônea a origem dos recursos que ensejaram os lançamentos de créditos nas contas de depósito por ela mantidas (doc.fls. 154/189); - assim, regularmente intimado a comprovar a origem dos recursos que ensejaram os lançamentos de valores a crédito nas contas-bancárias, no ano-calendário de 1998, o contribuinte não se manifestou; - conforme mandamento legal (art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996), caracterizam-se como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados 71 essas operações; - a receita omitida no ano-calendário de 1998, discriminada por totais mensais no demonstrativo de jl. 210, sujeita-se a tributação pelo regime do lucro arbitrado, conforme auto de infração do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins). c) Do agravamento e da majoração da multa de oficio A fiscalização faz referência ao art. 44, II, § 2° da Lei n9 9.430, de 1996, e ao art. 71, II da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Conclui que ficou provado, de forma inequívoca, a intenção do contribuinte de impedir o conhecimento por parte da autoridade fiscal da identidade dos verdadeiros sócios da. GMC Comárcio e Beneficiamento Ltda., mediante a utilização de interpostas pessoas nos contratos sociais e alterações da referida empresa. Tal ardil tinha conto objetivo impedir a responsabilizaçcio dos verdadeiros donos da empresa pelo significativo passivo tributário deixado em aberto. Como amplamente demonstrado, o contribuinte nunca teve a pretensão de recolher os impostos e contribuições devidos, sujeitando- 8 Processo n° 13603.002S58/2003-) 2 CSRF-Tl Acórdão n.' 9101-000.954 FL 5 se, portanto, ao lançamento da multa qualificada prevista no inciso H do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Acrescente-se ainda o fato de o contribuinte não ter atendido a nenhuma das intimações, não tendo apresentado nenhum dos elementos solicitados. A falta de apresentação da documentação contábil e fiscal relativa aos anos de 1997 e 1998 dificultou os trabalhos de auditagem, obrigando a fiscalização a efetuar todo o levantamento das bases de cálculo dos tributos lançados mediante informações prestadas por terceiros. Pelas razões supracitadas, é indubitável a pertinência da aplicabilidade do agravamento da multa qualificada, nos termos do ,f 2° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, pois a falta de prestação de informações por parte do contribuinte á fato generante da multa agravada. Foram expedidos termos de intimação para as pessoas juridic-as e pessoas fisicas arroladas como responsáveis tributários. Constam dos autos impugnações apresentadas pelo sujeito passivo, GMC Comércio e Beneficiamento Ltda. e pelas pessoas arroladas como responsáveis solidários, a saber: (1) Carlos Otávio Stein Pena, (2) Cláudio Fernando Stein Pena, (3) Spasso Empreendimentos e Serviços Ltda., (4) Indulac inchistria de Produtos Lácteos Ltda. , (5) Spasso Armazéns Gerais Ltda., (6) Lao Assessoria e Representação Comercial Ltda., (7) Espaço Industrial Comercial e Distribuição Ltda., (8) Rodrigo Carvalho San glard. Em sua impugnação, o sujeito passivo identificado no auto de infração suscita preliminares de nulidade do auto de infração e do arbitramento, nulidade do ato administrativo por desobediência às normas do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e decadência para fatos geradores ocorridos em 1997 e de janeiro a novembro de 1998. No mérito, alega, em síntese, que o arbitramento com base em depósitos bancários não pode prosperar, por fundar-se em legislação inconstitucional e, portanto, sem eficácia jurídica. Afirma só ser possível a quebra do sigilo bancário com expressa autorização do correntista ou mediante ordem da autoridade judiciária competente proveniente de processo judicial legalmente instaurado. Invoca, ainda, o principio da irretroatividade para afirmar a impossibilidade de aplicação, no caso, da Lei Complementar 105/2001. Diz que o art. 42 da Lei 9.430/96 só tem aplicação para a hipótese de omissão de receitas, não para arbitramento dos lucros. Acrescenta que o lucro tributável não pode ser vislumbrado de sua coma bancária, que os depósitos não configuram fato gerador do imposto de renda. Aduz ser inadmissível a tributação corn base em toda a receita auferida com a revenda de mercadorias, e que não foi devidamente intimada para demonstrar as parcelas que 9 deveriam ser deduzidas. Contesta o agravamento da penafidade, por não se poder presumir o dolo. Diz que os agentes do fisco presumiram a fraude única e exclusivamente com base em informações de terceiros. Acrescenta ser despropositado o montante da multa, representando confisco. Insurge-se, ainda, contra a aplicação da taxa Selic para os juros de mora. Em adendo it impugnação, traz aos autos a informação de que a Espaço Industrial, Comercial e Distribuição Ltda obteve decisão liminar favorável, no Mandado de Segurança n° 2004.38.00.002180-0, no sentido de suspender a exigibilidade dos aludidos créditos. A defesa das pessoas jurídicas, arroladas como responsáveis, estão resumidas no relatório do aresto recorrido. A LAÇO Assessoria e Representação Comercial Ltda., suscita a decadência. Afirma que suas relações com a autuada eram estritamente comerciais, de prestação de serviços, não havendo prova de que tenha praticado atos de gerência que justificassetn a acusação fiscal, sendo inequívoca, ainda, a nulidade do lançamento em relação a ela. Sustenta decadência dos fatos geradores ocorridos em novembro de 1998. Refuta acusações constantes do Termo de Verificação Fiscal, prestando esclarecimentos sobre os fatos arrolados naquele termo. Sustenta ausência de conduta concorrente et supressão de tributos pelo impugnante, não tendo lugar na espécie o art. 135, II e III, do CIN que somente dá respaldo para os casos de responsabilidade processual substitutiva que ocorre quando os administradores praticam atos administrativos com excesso de poder ou infração a lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa. Alega impossibilidade de figurar como responsável solidário do crédito tributário por ausência de previsão legal, sendo, outrossim, inaplicável ao caso a teoria da descaracterização da pessoa jurídica. Sustenta nulidade do arbitramento na esteira dos argumentos já apresentados, a inocorrência do fato gerador, porque o arbitramento de lucros não dá lugar a sua distribuição a terceiros, e não há prova de que tenha omitido renda. Insurge-se contra a multa aplicada com agravamento, por ausência de dolo, com majoração porque jamais recebeu intimação para prestar informações ou apresentar documentos e se tenha recusado a tanto. No mais, diz que movimentação bancária não representa individualmente lucro e não houve investigação da origem dos depósitos bancários. A Lei Complementar 105/2001 não poderia retroagir para alcançar situações pretéritas. As empresas Espaço Industrial Comercial e Distribuição Ltda., IIVDULAC Indústria de Produtos Lácteos Ltda., Spasso Empreendimentos e Serviços Ltda e Spasso Armazéns Gerais Ltda. desenvolvem a mesma linha de defesa apresentada pela LAÇO Assessoria e Representação Comercial Ltda. Carlos Otávio Stein Pena alega que sua inclusão como responsável solidário da divida improcede. Diz que as empresas de que era sócio prestavam serviços à autuada. Afirma que 10 Processo n° 13603.002858/2003-12 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-000.954 Fl. 6 cheques recebidos em pagamento eram repassados a seus credores. Presta esclarecimentos sobre os fatos constantes do Termo de Verificação Fiscal para demonstrar a improcedência da acusação fiscal. Confirma que recebera procuração da empresa autuada para representá-la porque prestava serviços de consultoria e representação para a autuada, e as tornadoras desses serviços exigiam poderes de representação, o que não implica em responsabilidade tributária por infrações da mandante. No mais, reproduz argumentos apresentados pela LAÇO Assessoria e Representação Comercial Ltda. Cláudio Fernando Stein Pena apresenta defesa na mesma linha de argumentação de seu irmão Carlos Otávio Stein Pena. Rodrigo Carvalho Sanglard suscita decadência, diz não mais ser sócio da empresa desde 1998, e cita jurisprudência dos Tribunais para concluir que, tendo em vista que a sociedade continuou com outros scicios, imperioso reconhecer sua irresponsabilidade pelos encargos tributários. Alega ausência de conduta concorrente a supressão tributária de tributos pelo impugnante, descabimento da descaracterização da personalidade jurídica pela autoridade administrativa, nulidade do arbitramento, inocorrência do fato gerador, impossibilidade de agravamento de multa. Discorre, ainda, sobre razões de mérito referentes ao crédito tributário, centrando-se na presunção de omissão de' receitas a partir da movimentação bancária, postulando pela in-etroatividade da Lei Complementar n° 105/2001. A 2" TURMA da DRJ em BELO HORIZONTE - MG, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares suscitadas pelos interessados e, no mérito, considerou procedente o lançamento, conforme Acórdão DRI/BHE n° 07.363, de 07/12/2004 ((Is. 1265/1333, resumido em sua ementa, da seguinte forma: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1998, 1999 Ementa: PRELIMINAR DE NULIDADE - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL Há de se rejeitar a preliminar de nulidade quando nos autos está comprovado que a fiscalização cumpriu todos os requisitos legais pertinentes ao MPF, não tendo o contribuinte demonstrado nenhuma irregularidade capaz de invalidar o lançamento. RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. Sao pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de 11 atos praticados COM excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. DECADÊNCIA — TERMO INICIAL - IRPJ Na hipótese de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, inicia-se a contagem do prazo de decadência do direito de a Fazenda Nacional formalizar a exigência tributária no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DECADÊNCIA — PIS, COFINS, CSLL O prazo decadencial, no que se refere ai PIS, à COFINS e Contribuição Social, é de dez- anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1998 e 1999 Ementa: ARBITRAMENT O DO LUCRO O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, obrigado a tributação corn base no lucro real, não apresentar os livros e documentos de sua escrituração. BASE DE CÁLCULO — ANO-CALENDÁRIO DE 1997 Na falta de apresentação dos livros comerciais e fiscais e da documentação correspondente, constatado ainda que o contribuinte não apresentou as declarações obrigatórias da pessoa jurídica correspondentes aos períodos fiscalizados, é licito o lançamento que tomou por base os valores inscritos nos DAPIs apresentados pelo autuado Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA — OMISSÃO DE RECEITAS - ANO- CALENDÁRIO DE 1998 Configuram omissão de receita, por presunção legal relativa, os valores creditados enz conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INCONSTITUCIONALIDADE A argüição de ilegalidade e de inconstitucionalidade não é oponível na esfera administrativa por transbordar os limites da sua competência. MULTA DE OFÍCIO 12 Processo n° 13603.002858 12003-12 CSRF-T1 AcOrd-do n.° 9101-000.954 Fl. 7 A multa de oficio qualificada, no percentual de 150%, será aplicada sempre que houver o intuito de .fraude, caracterizado em pró cedimento fiscal, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, sujeitando-se ainda o autuado ao agravamento da exigência nos casos em que deixar de atender reiteradamente a intimações expedidas pela autoridade . fiscal. JUROS DE MORA - TAXA SELIG É legitima a exigência de juros de mora tendo por base percentual equivalente à taxa Selic para títulos federais, acumulada mensalmente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. Lançainento Procedente" Com exceed() da empresa Emporium que, intimada por edital e por via postal, não apresentou recurso, todas as demais pessoas fisicas e juridicas envolvidas no presente processo apresentaram voluntário tempestivo ao Conselho de Contribuintes. Quanto ao arrolamento de bens, GMC e Rodrigo Sanglard não o apresentaram, por não possuírem bens. Os recursos podem assim ser sintetizados: I- GMC Comércio e Beneficiamento Ltda.(fls. 1694/1750) Como preliminares, alega equivoco no período de apuração contido na ementa e nulidade do mandado de Procedimento Fiscal. Aponta que a ementa registra que a autuação diz respeito aos exercícios de 1998 e 1999, mas na realidade o auto de infração diz respeito aos exercícios de 1997 e 1998. Suscita a nulidade, alegando que a fiscalização deixou de cumprir normas que regem a emissão dos Mandados de Procedimento Fiscal,Fiscal, que à época estavam contidas na Portaria SRF n° 3.007, de 26 de novembro de 2001. Diz que a fiscalização arrastou-se por mais de dois anos e nesse período não foram feitas prorrogações em tempo hábil, e os fiscais permaneceram os mesmos, apesar das inúmeras interrupções e intervalos sem que o fisco se manzfestasse. Afirma ter havido violação ao art. 10 c/c art. 59, ambos do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, que afirma que o auto de infração deve ser lavrado por servidor competente, e ao art. 13, parágrafo único da Portaria SRF n° 3.007, de 2001, que determina que, após cada prorrogação, o auditor fiscal 13 responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo o demonstrativo de emissão de prorrogação. Assevera que a prorrogação do MPF nos moldes ocorridos configura ato imperfeito, inapto a produzir efeitos. Diz que o cumprimento do sç 2° do art; 13 da Portaria 1.468/2003 é obrigatório para o agente do fisco e a decisão recorrida é silente quanto ao desrespeito ao dispositivo. Assenta a alegação de nulidade do MPF no fato de o recorrente jamais ter sido intimado para apresentar quaisquer documentos fiscais, jamais ter sido cientificado de qualquer MPF, tendo apenas sido intimado a impugnar o auto de infração em que fora incluído Como co-obrigado. Suscita, ainda, a preliminar de mérito de decadência do direito do fisco para formalização do crédito tributário. No mérito, defende a nulidade do arbitramento, argumentado, em síntese, corn a ofensa ao art. 43 do CTN e ao conceito de renda (traduzido pelo acréscimo patrimonial), com a impossibilidade de ser tomada a totalidade da receita bruta auferida pela totalidade das vendas, sem quaisquer descontos,- inclusive sem as despesas operacionais e custos das mercadorias. Ad agumentandum, diz que os coeficientes de arbitramento utilizados pelos agentes fiscais são irreais e ilegais, e que ocorreu agravamento dos percentuais, caracterizando majoração to tributo senz previsão legal. Menciona que não foi observado o disposto no art. 51 da Lei 8.981/95, que estabelece diversas alternativas para o cálculo do imposto, quando não conhecida a receita bruta. Contesta a autuação com base na ausência de comprovação de créditos bancários, que teria sido feita mediante quebra de sigilo bancário com aplicação retroativa de lei. Discorre longamente sobre o sigilo bancário, sobre o processo legislativo e sobre a irretroatividade da lei, concluindo que não pode ser considerado nenhum dos valores obtidos por meios ilícitos, donde o item 02 do auto de infração, referente a diferença entre os valores declarados e apurados pelos extratos bancários. Afirma, ainda, que depósitos bancários em si não representam renda tributável, e que o arbitramento por meio de conta bancária só poderia ter sido efetuado se o fisco tivesse investigado a origem e a causa do depósito. Acrescenta que o fisco está tributando duas vezes o mesmo valor, por exigir imposto de renda por arbitramento considerando a totalidade da receita bruta e imposto de renda sobre os depósitos bancários. Reedita as razões da impugnação sobre impossibilidade de agravamento da multa. 2 — LAM Assessoria e Representações Ltda (fls. 1.7 52/1.799) menciona equivoco na ementa, quanto ao período-base. Insiste na ilegitimidade passiva de que trata o art. 124,1, do CTIV, não 14 Processo n° 13603.002858/2003-12 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-000.954 Fl. 8 tendo o fisco comprovado o alegado interesse comum do grupo empresarial dos quais são sócios os senhores Cláudio Fernando e Carlos Otávio. Persiste na afirmação .de que suas relações, ao contrário do que diz o aresto recorrido são estritamente comerciais como comprovam as notas fiscais já acostadas aos autos, sendo empresas autônomas e independentes.Ndo hä prova de que se tenha obtido lucros das atividades dos slicios. A extensão dos efeitos tributários da autuação da GMC sobre a recorrente é por mera presunção de que o mesmo detenha poderes e os efetivamente exercia de forma e modo a decidir acerca dos pagamentos. Presunção comum que se baseia em indicio que não atendem aos requisitos de gravidade, precisão e concordância. Repele também a responsabilidade coin fundamento no artigo 135 do CTN, por não caracterizar no caso as hipóteses previstas nos seus incisos li e III, sustentando que não realizava qualquer ato de gestão na empresa autuada_ Sustenta, outrossim, 1) nulidade do auto de infração por desobediência as normas pertinentes ao MPF; 2) decadência do lançamento do 1RPJ e da CSLL, coin base no art. 150, § 40 do CTN , quanto aos períodos de janeiro de 1997 a novembro de 1988; 3) nulidade do lançamento por cerceamento de defesa, por não ter sido chamada a apresentar a documentação necessária e a participar do processo fiscalizatório, violando-se o principio _ do contraditório. Aponta falhas no procedimento, corno basear- se simplesmente em saída de mercadorias, ignorando custos, despesas e preceitos legais. Assevera não ter ocorrido o fato gerador do tributo à falta de percepção de renda por ela, com ofensa ao art. 43 do CTN, discorrendo a respeito. Os lucros de uma empresa representam individualmente matéria tributável para terceiros enquanto não provada pelo fisco a existência ou ocorrência de aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica auferida por terceiro. Sustenta a impossibilidade do agravamento da multa porque não agiu de má-fé, e nem foi intimada sequer a apresentar documento fiscal, não podendo sofrer a sanção aplicada, sendo uni abuso agravar a multa duas vezes contra os coobrigados. Em considrações finais afirma que depósitos bancários não são sinônimos de omissão de receita, e a Lei Complementar n° 105/2001 não tem efeito retroativo para atingir fatos anteriores a sua vigência; 3— 1NDULAC Indústria de Produtos Lácteos Ltda. (fls. 1.803/1.838) também sustenta I a ilegitimidade passiva, diz que sequer faz parte do grupo empresarial do qual são sócios os senhores Cláudio Fernando e Carlos Otávio, que a acusação de que houve suposto interesse da recorrente na situação que gerou o auto de infração está fundada em meros indícios, que comprovou nos autos, com notas fiscais, a existência de relações comerciais com a GMC, que nenhum dos intimados (sócios e ex- sócios da empresa GMS) mencionaram o nome da Indulac, que o fato de o Sr. Rogério Machado Flores ser procurador da Recorrente e de outras empresas envolvidas em nada implica, que não há nenhum cheque emitido pela GMC para a Indulac, que não há nada na decisão recorrida que possa afirmar, confirmar, comprovar que a Indulac tenha se beneficiado da 15 ausência de recolhimento de tributos por parte da GMC. Aduz que, caso haja dúvidas, deve imperar o art. 112 do CTN. Ressalta que a responsabilidade foi imputada con base nos artigos 124, 1, e 135, II do GIN, mas que faltaram dois pressupostos exigidos para a concretude dessa previsão legal, que são a efetiva comprovação dos atos lesivos ao fisco por parte do agente e a comprova cão do dolo na supressão do tributo. Lembra não ser possível atribuir ato doloso a pessoa jurídica, por se tratar de ficção jurídica. No mais, suscita a decadência e discorre sobre a impossibilidade de agravamento da multa. 4— Spasso Empreendimentos e Serviços Ltda ( 1539 a 1587) alega ilegitimidade passiva calcada em interesse comum do grupo empresarial, afirmando que tal não ocorreu. Diz o único vinculo coin a GMC se restringe a relações estritamente comerciais, como mostram as notas fiscais já acostadas aos autos, sendo as duas empresas autônomas e independentes, e que não há prova alguma de que se tenha beneficiado do débito, sendo tudo fruto de presunção. Repete argumentos já apresentados pela Laço Assessoria e Representação Ltda., desenvolvendo arrazoado a titulo de nulidade do auto de infração por desobediência its normas do MPF, decadência, nulidade do lançamento por cerceamento de defesa, inocorrência do fato gerador, impossibilidade de agravamento da multa. 5- Spasso Armazéns Gerais Ltda.. (lis. 1.590 a 1638) apresenta recurso de idêntico teor.ao da Spasso Empreendimentos e Serviços Ltda. 6 - Carlos Otávio Stein Pena (fls. 1.354 a 1.403) suscita equivoco no período de apuração indicado na ementa e nulidade do mandado de procedimento fiscal. Insurge-se contra a legitimidade passiva que lhe foi imputada, dizendo que se baseia em meros indícios. Diz não ser sócio da GMC nem ter com ela nenhuma relação que implique a responsabilização apontada. Afirma não haver nenhuma prova que o caracterize como co- responsável, tendo a fiscalização se baseado em meros indícios. Faz referencia ao recurso do fisco baseado em depoimentos pessoais, e lembra que em nenhum momento os sócios e ex- sócios da empresa autuada mencionaram o nome do recorrente, ao prestarem informações ao fisco. E que essas informações não podem, por si só, servir de fulcro para a autuação em comento. Rebate as ponderações do acórdão recorrido, relacionadas com o fato de ser garantidor em contratos de abertura de crédito, que o Sr. Rodrigo Sanglard era gerente das empresas pertencentes ao recorrente e que as empresas fornecedoras da GMC informaram ser o recorrente seu contato comercial. Diz ser natural que assim o fosse, uma vez que uma de suas empresas, mediante representação comercial, prestava serviços a GMC, razão pela qual mantinha contatos para a internzediação de negócios entre as empresas fornecedoras e a GMC. Alega que a prova testemunhal não está arrolada no Decreto n° 70.235/72 e que, em face do disposto no art. 350 e 368 do CPC, seriam outras provas necessárias a basear a autuação, não meras informações prestadas por fornecedores da GMC. Diz que o fato de o recorrente adquirir bens pessoais com cheques de terceiros, 16 Processo n° 13603.00285812003-12 Acórdão n.° 9101-000.954 como a GMC, só vein confirmar que, por intermédio da empresa Laço Assessoria, recebia valores referentes a comissões sobre interrnediações comerciais. Repele alguns depoimentos por terem sido prestados por pessoas coin baixo nível de instrução, não possuindo conhecimento das verdadeiras relações comerciais existentes entre a autuada e as empresas de sua propriedade. Repete argumento de que não têm aplicação, na espécie, os arts. 124 e 135 do CTN. Assevera que nunca exerceu atos de gestão na autuada, mormente no que pertine àqueles de cunho fiscal. Afirma que a prova em que se baseou o fisco é presunção simples sem a concorrência dos requisitos da gravidade, precisão e concordância. Diz que a procuração outorgada o fora tão somente em razão das atividades exercidas por ele, e que mero instrumento de procuração não gera responsabilidade. Insiste não ser sujeito passivo da obrigação tributária, nos termos do art. 121 do CTN, seja na condição de contribuinte (inciso I), seja corno responsável (inciso II). Pondera que responsabilidade de terceiros compreende os atos praticados por terceiros em nome e por conta do contribuinte. E que é preciso haver lei, fixando a sua responsabilidade, o que não se dá no caso concreto, havendo ofensa ao principio da legalidade. Alega que se a exigência não estiver ancorada em lei, não ha obrigação a ser cumprida. Postula a decadência do crédito tributário, em face do que dispõe o § 4° do CrN, tanto do IRFJ como da CSLL. Sustenta também a nulidade do arbitramento por quebra de sigilo bancário e de supostos valores de saídas mensais, com base em DAP's. Afirma que se Cláudio Fernando e Carlos Otávio, no entender do fisco, eram os donos do negócio, eles é que deveriam ser intimados para a apresentação dos livros e documentos, e não tendo sido feito assim, o arbitramento é nulo por ferir o principio do contraditório, uma vez que lido foi dado ao impugnante o direito de defesa. Repete os argumentos de defesa apresentados pela Laço Assessoria e Representação Comercial Ltda quanto nulidade por cerceamento de defesa, inocorrência do fato gerador e impossibilidade de agravamento da multa. Tece • considerações finais acerca da imprestabilidade dos depósitos bancários para embasar lançamento e impossibilidade de a Lei Complementar 105/2001 ser aplicada retroativamente. 7 — Cláudio Fernando Stein Pena (11s. 1.374/1.415) apresenta recurso do mesmo teor do apresentado por Carlos Otávio Stein Pena. 8 — Rodrigo Carvalho Sanglard (fis. 1.491 a 1.537) suscita nulidade do julgamento, por não apreciar matéria ventilada na impugnação (impossibilidade de ex-sócio figurar como responsável solidário). No mais, repete a argumentação trazida na impugnação e a apresentada pelos demais recorrentes a respeito do equivoco na indicação de período de apuração, impossibilidade de figurar como responsável solidário, nulidade do MPF, imputação de co-obrigação com base em indícios, aspectos legais relativos it caracterização da co- responsabilidade, decadência, nulidade por cerceamento de CSRF-T1 Fl. 9 17 defesa, inocorrência do fato gerador, impossibilidade de agravamento da multa. É o relatório." No que interessa essa instancia recursal em vista dos limites impostos pelos despachos de admissibi lidade de recurso especial abaixo citados, o acórdão recorrido: (i) excluiu a responsabilidade das pessoas jurídicas arroladas como co-responsáveis pela Fiscalização; (ii) acolheu preliminar de decadência em relação ao IRPJ e A. CSLL dos 10, 2° e 3 0 trimestres de 1997, ante o disposto no art. 173, I do CTN e o fato de a ciência dos lançamentos ter ocorrido em 17.12.2003 (fls. 136); e (iii) reduziu o percentual da multa de oficio para 150% do montante dos tributos lançados, sob o fundamento de que, embora o contribuinte não tenha apresentado nenhum dos livros e documentos fiscais requeridos pela fiscalização, os sócios formais prestaram os esclarecimentos requeridos, afastando-se, assim, a aplicação do art. 44, §2° da Lei n° 9.430196. Ern sede de recurso especial (fls. 1899/1916), argüi a Fazenda Nacional: (i) em relação à responsabilidade tributária das pessoas jurídicas, divergência entre o acórdão recorrido e o Acórdão n. 107-05735, que assenta o entendimento de que merece ser mantida a responsabilidade tributária daqueles que, com infração à lei, tiverem concorrido no desvio de receitas da escrita mercantil da sociedade, mormente quando esta tenha sido irregularmente desativada; (ii) cm relação a decadência do IRPJ, divergência entre o acórdão recorrido e os Acórdãos n. 108-08974 e n. 104-20524, os quais consideraram que o fato gerador do IRPJ é complexivo, "de modo que a hipótese de incidência do IRPJ compreende todos os fatos ocorridos em certo período de tempo, usualmente o próprio ano-calendário". Nesse sentido, sustenta a Fazenda Nacional que o fato gerador do IRPJ ocorreu em 1997 e, assim, o lançamento somente poderia ser efetuado em 1998, fazendo com que o inicio do prazo decadencial fosse o dia 10 de janeiro de 1999 e seu termo final o dia 31/1212003. Como a ciência do auto se deu em 17/12/2003 (fls. 136), o lançamento não teria acontencido a destempo; (iii) em relação à decadência da CSLL, contrariedade ao art. 45 da Lei n. 8.212/91, que prescreve prazo decadencial de 10 anos para a constituição das contribuições sociais; e (iv) em relação ao agravamento da multa de oficio, divergência entre o acórdão recorrido e o Acórdão n. 106-13718, que considerou aplicável a referida penalidade quando comprovado que o sujeito passivo não atendeu às intimações fiscais para a apresentação de informações relacionadas com as atividades do fiscalizado. 0 recurso especial da Fazenda Nacional foi integralmente admitido pelo Sr. Presidente do Colegiado a quo (Despacho n. 101-188/2007 (fls.1.924)), ante a configuração em tese da alegada divergência jurisprudencial e contrariedade do acórdão recorrido A. lei e à prova dos autos. Foram apresentadas contra-razões pelos co-obrigados Spasso Armazéns Gerais Ltda., Espaço Industrial, Comercial e Distribuição Ltda., Spasso Empreendimentos e Serviços Ltda., Laço Assessoria e Representações Ltda. e Indulac Indústria de Produtos Lácteos Ltda (fls. 1.949/1.963). 0 recurso especial interposto por Carlos Otávio Stein Pena e Cláudio Fernando Stein Pena (fls.1.988/2014) teve seguimento negado, conforme Despacho n. 267, de 18/12/2009 (fls.2.152/2.154,verso) proferido pelo Sr. Presidente do Colegiado a quo, o qual foi ratificado por despacho do Sr. Presidente desta Corte Administrativa (fls.2.155/2.156,verso). Posteriormente, os Srs. Carlos Otávio Stein Pena e Claudio Fernando Stein Pena manifestaram a desistência de seu recurso para fins de adesão ao parcelamento da Lei n.11.941/2009 (fls.2.156), expressando interesse apenas na discussão relativa 5. decadência e ao 18 Processo n° 13603.002858/2003-12 CSRF-T1 Acórd5o n.° 9101-000.954 Fl. 10 agravamento da multa de oficio (objeto do recurso especial da Fazenda Nacional). A empresa Indulac Indústria de Produtos Lácteos Ltda. também renunciou à discussào administrativa relativa 6. solidariedade pelo adimplemento do credito tributário, mantendo expresso interesse na solução das duas questões retro aduzidas/' o relatório. 19 Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, Relator Considerando os diversos temas abordados no recurso especial da Fazenda Nacional, cumpre abordá-los separadamente, inclusive quanto aos pressupostos de admissibilidade da insurgência. a) Da responsabilidade das pessoas jurídicas Com relação ao afastamento da responsabilidade solidária das pessoas jurídicas abrangidas pelo lançamento fiscal, peço vênia para divergir do r. despacho de fls. 1.924 no que se refere â admissibilidade do recurso especial. Premissa fundamental para análise do recurso especial de divergência é a perfeita similitude fálica entre acórdãos paradigma e recorrido, de modo a, verificada a discrepância entre eles, firmar-se a jurisprudência desta Corte a respeito da especifica questão de direito posta a desate. Veja-se, nesse sentido, iterativa jurisprudência do E. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, verbis: Processo civil. Agravo nos embargos de divergência no recurso especial. Cotejo entre acórdãos paradigma e embargado. Inexistência de similitude fática e jurídica entre os arestos • confrontados. Ausência de argumentos capazes de ilidir os fundamentos da decisão agravada. - Em tema de divergência jurisprudencial, mostra-se imprescindível para a caracterização do dissídio que os julgados confrontados tenham decidido as mesmas teses jurídicas com bases _picas semelhantes. Agravo não pcovido. (AgRg nos EREsp 972590, Relatora Nancy Andrighi, Die 16/02/2009 — grifos nossos) No mesmo sentido: 'PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE SIMILITUDE ENTRE OS CASOS EM CONFRONTO. NÃO CONHECIMENTO. 1. Os embargos de divergência têm por escopo a uniformização da jurisprudência desta Corte, eliminando as dissidências internas quanto interpretação do direito em tese, e, para tanto, pressupõem a identidade _Pica e solução divergente entre os acórdãos confrontados, o que não o caso dos autos (..)' (AgRg nos EREsp 510.299/TO, Rel. Min. Teori Zavascki, Di 03.12.2007 — grifos nossos) No mesmo sentido: PROCESSUAL CIVIL — EXECUÇÃO FISCAL — LEILÃO — AVALIAÇÃO DO BEM — IMPUGNAÇÃO — DECISÃO NÃO AGRAVADA - PRECLUSA - 0 — INTIMAÇÃO DO EXEQUENTE E DE POSSÍVEIS CREDORES PRECEDENTES OU PREFERENCIAIS - DESNECESSIDADE - PREÇO VIL - 20 Processo n° 13603.002858/2003-12 Acórdão n.° 9101-000.954 CSRF-Tl FL 11 ARREMATAÇÃO POR MAIS DA METADE DO VALOR DA AVALIAÇÃO - NÃO-OCORRÊNCIA - DIPERGÊNCLI JURISPRUDENCIAL SEMELHANÇA FÁTICA - INEXISTÊNCIA. I. Não se conheceu da alegação de inobservância do procedimento de impugnação à avaliação do bem penhorado porque precluso o direito de atacar a decisão que a indeferiu liminarmente. Este fundamento restou inatacado no recurso especial. 2. Ausente qualquer prejuízo ao exeqiiente ou aos demais possíveis credores da parte exemaada io inexistência de intimação prévia a arrematação, reputa-se itZlida a arrematação. 3. Arrematação de bem penhorado por muds da metade do valor da avaliação não é considerado preço vi pam jurisprudência desta Corte. 4. Inviável o conhecinzeuto do recurso especial pelo dissídio jurisprudencial se o acirdao paradigma não possui semelhança fritica com o cant& recorrido. 5. Recurso especial conhecido em pane e, nest a pai14, não provido. (REsp 1052691 / SC, Rel.: Min. Eliana Cabman; DJE — 26/11/2008 — grifos nossos). Do exame do acórdão recorrido quanto A. responsabilidade das pessoas jurídicas depreende-se que o contexto fatico e jurídico verificado na lavratura do lançamento é bastante distinto daquele constante do aresto paradigma. No caso dos autos, atesta o acórdão recorrido que a fiscalização utilizou como fundamento da indicação dos co-responsáveis a existência de sociedade de fato integrada por Claudio Fernando Stein Pena, Carlos Otávio Stein Pena e pelas sociedades que compõem seu grupo empresarial (Spasso Armazéns Gerais Ltda., Spasso Empreendimentos e Serviços Ltda., Espaço Industrial Comercial e Distribuição Ltda., INDULAC Indasfria de Produtos Lácteos Ltda. e Laço Assessoria e Representações Ltda). Todavia, afirma o v. acórdão que "não ficou suficientemente demonstrada a existência de sociedade de fato. As diversas irregularidades, que com muita diligência e perspicácia os compaeates agentes do fisco apuraram, envolvendo todas as empresas (tais como empregado de unsapraticando ato para outra, pagamento de obrigação de uma com recurso desviado de ordra, eta) podem acarretar conseqüência tributária (por exemplo, glosa da despesa da gas "flagon), mas não são suficientes para imputar a co-responsabilidade. Não há prova de Tie as empresas tenham agido em conjunto para um resultado comum, e o fato de terem dirigente conium (no caso, os verdadeiros donos do grupo empresarial) não acarreta responsabilidade comum entre empresas". Nos termos do acórdão paradigma trazido pela Fazenda Nacional, a responsabilização das pessoas jurídicas assenta-se na efetiva comprovação de que as pessoas jurídicas responsabilizadas solidariamente concorreram, com infração à lei, para o desvio de receitas da escrita mercantil da sociedade. Em outras palavras, no acórdão paradigma restaram claramente evidenciadas as circunstâncias justificadoras da responsabilidade solidária entre as pessoas jurídicas. Tal premissa fatica, ao contrário do que ocorreu no acórdão paradigma, não foi reconhecida pelo acórdão recorrido, conforme evidenciado acima. Assim, ausente a indispensável similitude fática apta a evidenciar o dissídio jurisprudencial, voto no sentido de não conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional quanto à responsabilidade das pessoas jurídicas. 21 Note-se, contudo, que tal decisão restringe-se aos Contribuintes Spasso Armazéns Gerais Ltda., Spasso Empreendimentos e Serviços Ltda., e Laço Assessoria e Representações Ltda., visto que a Contribuinte Espaço Industrial, Comercial e Distribuição Ltda. teve seu recurso voluntário não conhecido pelo Colegiado a quo e a Contribuinte Indulac Indústria de Produtos Lácteos Ltda. renunciou expressamente a esta discussão, restabelecendo, pois, sua responsabilidade solidária ao adimplemento do crédito tributário. 13) Da decadência do IRPJ 0 recurso especial da Fazenda Nacional também não merece ser conhecido na parte relativa a decadência do IRPJ relativo aos 1 0, 2° e 3 0 trimestres de 1997 pelos mesmos fundamentos acima. De fato, não há similitude fatica entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma apta a configurar divergência jurisprudencial para o processamento do apelo recurso especial. Segundo o acórdão paradigma, a contagem do prazo decadencial do IRPJ e da CSLL na forma do art. 173, inciso I do CTN, deve compreender "todos os fatos ocorridos em certo período de tempo, usualmente o próprio ano-calendário" (Acórdão 108-08974). Tal entendimento claramente adota por premissa a submissão do contribuinte à sistemática de apuração anual do IRPJ. Utilizando-se deste paradigma, afirma a Fazenda Nacional que "sabendo-se que é complexly°, o fato gerador do IRPJ ocorrido em 1997, o lançamento somente poderia ser efetuado em 1998, fazendo com que o inicio do prazo decadencial fosse para o dia 1° de janeiro de 1999. Contando-se cinco anos, tem-se que a decadência ocorreria em 31/12/2003. Como a ciência do auto se deu em 17/12/2003 als.136), o lançamento não aconteceu a destempo". Ocorre que o lançamento fiscal foi lavrado por arbitramento do lucro do contribuinte em períodos trimestrais nos anos-calendário de 1997 e 1998. Os fatos geradores correspondentes dos tits primeiros trimestres ocorreram respectivamente em 31/03/97; 30/06/97 e 30/09/97, de modo que é inequívoco que o lançamento poderia ter sido efetuado dentro do próprio ano de 1997, restando, assim, deslocado o termo inicial do prazo decadencial para o dia 10 de janeiro de 1998. Este é exatamente o entendimento exposto no acórdão recorrido ao acolher, também com base no art. 173, inciso I, do CTN, a decadência do IRPJ apurado nos três primeiros trimestres de 1997, nos seguintes termos, verbis: Para os fatos geradores relativos ao IRPJ e a CSLL dos três primeiros trimestres de 1997, o lançamento poderia ser efetuado ainda em 1997, o termo inicial é 01/01/1998 e o termo final 31 de dezembro de 2002. Em relação ao PIS e ti COFINS, para os fatos geradores mais antigos, que são os relativos a janeiro de 1998, o tributo poderia ser lançado no ano de 1998 e o termo inicial seria 01/01/989, e o termo final, 31/12/2003. Portanto, em 17 de dezembro de 2003, data em que o contribuinte tomou ciência dos autos de infração, estavam alcançados pela decadência apenas os fatos geradores do IREI e da CSLL relativos aos três primeiros trimestres de 1997. Por tal fundamento, oriento meu voto no sentido de não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional nesta parte. c) Da decadência da CSLL 22 Processo n° 13603.00285812003-12 CSRF-T1 AcOrdao n.° 9101-000.954 Fl. If 2 Alega o recurso especial da Fazenda Nacional contrariedade do acórdão recorrido ao art. 45, da Lei n. 8.212/91, ao reconhecer a decadência da CSLL apurada nos três primeiros trimestres de 1997. No entanto, cumpre observar que o citado dispositivo foi suprimido do ordenamento jurídico por conta da edição da Súmula Vinculante de n. 08, do C. Supremo Tribunal Federal, que estabelece, com efeitos erga omnes, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/91. Tal fato esvazia por completo o objeto da insurgencia da Fazenda Nacional, em vista da absoluta impossibilidade jurídica de se examinar a violação do acórdão recorrido lei federal alegada pela Recorrente. Por tais fundamentos, voto no sentido de não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional quanto a este ponto. d) Quanto ao agravamento da multa para 225% Com relação à hipótese de agravamento de multa prevista no art. 44, §20 da Lei n° 9.430/96, sustenta a Fazenda Nacional divergência do acórdão recorrido com o entendimento firmado no Acórdão n. 106-13718, que considerou aplicável a referida penalidade quando comprovado que o sujeito passivo não atendeu as intimações fiscais para a apresentação de informações relacionadas com as atividades do fiscalizado. O acórdão recorrido, embora reconheça a falta da apresentação de livros e documentos por parte do contribuinte, afirma que foram prestados esclarecimentos por parte dos sócios formais da empresa, o que afastaria, em tese, a configuração da hipótese de agravamento da penalidade, verbis: "A jurisprudência desta Câmara é no sentido de que não cabe o agravamento em casos de falta de atendimento a intimação para apresentação de livros e documentos, coin o conseqüente arbitramento dos lucros. A falta de apresentação de livros e documentos enseja o arbitramento dos lucros, e o que enseja o agravamento da multa é o não atendimento de intimação para prestação de esclarecimentos. Eventualmente, se além de no apresentar livros e documentos o contribuinte também deixar de atender intimação para prestar esclarecimentos, pode ser cabível o agravamento da multa. Essa não é hipótese dos autos. A empresa, não tendo sido encontrada no seu endereço cadastrado, foi intimada por edital a apresentar os livros e documentos. 0 não atendimento da intimação para apresentação dos livros e documentos justifica o arbitramento dos lucros. Os verdadeiros sócios (Carlos e Cláudio Stein) ocultavam-se atrás dos sócios de direito, mas exercendo o comando da empresa. Poderiam ter apresentado os livros e documentos requisitados, mas não o fizeram porque não lhes convinha, porque seria a confissão de que eram os verdadeiros donos da empresa. Os sócios formais da empresa (que a fiscalização apurou não serem os verdadeiros sócios, mas interpostas pessoas), intimados a comparecerem à repartição fiscal para esclarecimentos a - respeito da empresa, compareceram e prestaram esclarecimentos (fls. 704 a 707 e 732 a 735 do Anexo I)." Com relação à identidade fática dos acórdãos confrontados, entendo estar presente este requisito na medida em que, em ambos os casos, deixaram de ser apresentados livros e documentos acerca das atividades da empresa em face de intimação formal do Fisco, sendo certo que na hipótese do paradigma o agravamento da penalidade foi mantido, enquanto que no caso dos autos este (agravamento) foi expressamente afastado. Entendo que a hipótese de agravamento de multa prevista no art. 44, §2° da Lei n° 9.430/96 tem aplicação nos casos em que a omissão do contribuinte na apresentação das informações acerca de suas operações, seja por meio de depoimentos, livros e documentos, causa efetivo prejuízo A. atividade de fiscalização do Estado, obrigando-a à coleta de informações perante terceiros para verificação da ocorrência do fato gerador e do montante tributável. Parece-me ser esta a hipótese dos autos. No caso, a não apresentação de livros e quaisquer outros documentos obrigou a Fiscalização a dirigir-se 6. Secretaria de Fazenda do Estado de Minas Gerais para obter informações acerca das operações mercantis realizadas pelo contribuinte (fls.133 e 134), como também perante instituições financeiras para obter dados e valores da respectiva movimentação. Assim atesta o Termo de Fiscalização (fls.136), verbis: "Acrescente-se, ainda, o fato do contribuinte não ter atendido a nenhuma das intimações, não tendo apresentado nenhum dos elementos solicitados. A falta de apresentação da documentação contábil e fiscal relativa aos anos de 1997 e 1998 dificultou amplamente os trabalhos de auditagem. Diante da situação apresentada, a fiscalização foi obrigada a efetuar todo o levantamento das bases de cálculo dos tributos lançados através de informações prestadas por terceiros. Pelas razões supra ditas, é indubitável a pertinência da aplicabilidade do agravamento da multa qualificada, nos termos do parágrafo 2° do artigo 44 da Lei 9.430/96, pois, a falta de prestação de informações por parte do contribuinte, é fato generante da multa agravada." (Grifos nossos) Tal condição foi reconhecida também no acórdão recorrido ao dispor: Assim, 12( 5 0 restou outra fornia de acessar as informações financeiras dos contribuintes em questão, sendo mediante a utilização do recurso previsto na LC n° 105, de 2001, no Decreto n° 3.724, de 2001 e na Lei n° 9.430, de 1996; citando a legislação de regência da matéria, foram emitidas as Requisições de Informações sobre Movimentação- Financeira (RMF) competentes, no caso da GMC juntadas as fls. 887/902 do Anexo 1; Resta evidente que a ação do contribuinte causou efetivo prejnizo Fiscalização. Eventuais e esparsos esclarecimentos prestados pelos sócios formais da pessoa jurídica (tidos como interpostas pessoas pela Fiscalização) não são suficientes para evitá-lo, impondo-se a aplicação da regra de agravamento da penalidade imposta. 24 Processo n° 13603.002858/2003-12 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101 -000.954 Fl. 13 Ern acréscimo, diga-se que é assente a jurisprudência esta Corte Administrativa no sentido de que a falta de resposta à intimação para apresentação de livros e documentos é causa de agravamento da penalidade, cocforme julgados abaixo: "MULTA MAJORADA - NÃO ATENDIMENTO A‘ INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE LIVROS E/OU DOCUMENTOS - A falta de atendimento ou o atraso por parte do contribuinte, no prazo marcado, a intin7açdo formulada pela autoridade fiscal para a apresenta cão de livros e de documentos solicitados, autoriza o agravamento da multa de oficio." (ACÓRDÃO 1101-00.238, CARF - la. Seção - la. Turma da la. Câmara, Processo n° 10435000287/2005-34, Recurso Voluntário n. 165.364, Data de decisão: 11/12/2009, Data de publicação: 11/12/2009). No mesmo sentido: "MULTA AGRAVADA. Devida a majoração da multa regular aplicada de oficio nos casos em que o contribuinte se recusa a exibir os livros fiscais e contábeis, bem como a documentação correlata, e não presta os esclarecimentos necessários ao desenvolvimento da ação fiscal em visível movimento para tentar impedir ou retardá-la. (ACÓRDÃO 1801-00.143, CARF - la. Seção - la. Turma Especial, Processo n. 10510.003340/2007-71, Recurso Voluntário n° 166.483, Recurso Voluntário Negado, Data de decisão: 04/11/2009, Data de publicação: 04/11/2009). Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional para, na parte conhecida, dar-lhe provimento para restabelecer o agravamento da multa impos nos termos do art. 44, §2° da Lei n° 9.430/96. 1 Sala das Sess5 o de 2011. Antonio Carlos - Relator 25
score : 1.0
Numero do processo: 13888.003053/2006-90
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL
Ano-calendário: 2001
Ementa: APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da
arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano-calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação.
Numero da decisão: 9101-001.261
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Indústria e Comércio de Peças Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2001 Ementa: APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior. (documento assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (documento assinado digitalmente) Fl. 431DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 13888.003053/200690 Acórdão n.º 9101001.261 CSRFT1 Fl. 2 2 Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Valmar Fonseca de Menezes, João Carlos de Lima Junior, Claudemir Rodrigues Malaquias, Karem Jureidini Dias, Alberto Pinto Souza Junior, Antonio Carlos Guidoni Filho, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri e Suzy Gomes Hoffmann. Fl. 432DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 13888.003053/200690 Acórdão n.º 9101001.261 CSRFT1 Fl. 3 3 Relatório A FAZENDA NACIONAL, inconformada com o decidido no acórdão n°. 10323.282, de 08/11/2007, interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), às fl. 413/421, com fulcro no artigo 7°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para excluir a multa isolada prevista no art. 44, § 1°, inc. IV, da Lei 9.430/96, atual art. 44, inciso II, alínea 'b’, da mesma Lei, por considerar ilegítima sua aplicação concomitante com a multa de ofício, prevista no art. 44, inc. II, atual art. 44, § 1°, do mesmo diploma legal. Assevera a Recorrente que o acórdão proferido pela Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao julgar pela não cumulatividade das multas, contrariou frontalmente a lei. O Presidente da Câmara recorrida deu seguimento ao recurso por atendidos os pressupostos que o autorizam. É o relatório. Fl. 433DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 13888.003053/200690 Acórdão n.º 9101001.261 CSRFT1 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso preenche os requisitos legais para a sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme se depreende dos autos, o contribuinte foi autuado, tendolhe sido exigida as diferenças anual de IRPJ e CSLL (anocalendário de 2001), apurada em procedimento de ofício, com multa de 75%, e ainda, multa isolada sobre os valores das estimativas não pagas durante o anocalendário. A questão a ser decidida neste recurso restringese à aplicação ou não da multa isolada por falta ou insuficiência das estimativas mensais. A Terceira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes afastou a multa isolada ao argumento de que é incabível a aplicação concomitante da multa isolada por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de oficio exigida no lançamento para cobrança de IRPJ, visto que ambas as penalidades tiveram como base de incidência o valor da receita omitida apurado em procedimento fiscal, caracterizando bis in idem Pondera a Fazenda Nacional que não há óbice a que sejam aplicadas ao contribuinte faltante, diante de duas infrações tributárias, duas penalidades que possuam a mesma base de cálculo. Argumenta que a base de calculo é elemento que apenas quantifica o imposto ou a penalidade tributária, possuindo, necessariamente, estreita relação com os fatos/atos que dão origem aos mesmos, mas não se confundindo com esses fatos/atos. A penalidade tributária, afirma, decorre sempre de um ato ilícito e a base de cálculo mensura o montante dessa penalidade. Argumenta que a proibição do bis in idem pretende evitar a dupla penalização por um mesmo ato ilícito, e não, propriamente, a utilização de uma mesma medida de quantificação para penalidades diferentes, decorrentes do cometimento de atos ilícitos também diferentes. Aduz que o recolhimento do IRPJ por estimativa é infração bastante diversa daquela consistente na omissão de receitas apurada ao final do ano calendário. E que, sendo assim, nada impede que dessas infrações resultem penalidades distintas: da omissão de rendimentos, decorre a multa de oficio prevista no art. 44, inc. II, da Lei 9.430/96, atual art. 44, § 1°, enquanto que, do descumprimento do regime de recolhimento de estimativa, decorre a multa isolada prevista no atual art. 44, inciso II, alínea "b", da mesma Lei. A questão da multa em razão de falta ou insuficiência de pagamento das estimativas mensais não está pacificada neste CARF. Dos inúmeros julgados a respeito do tema extraemse, pelo menos, três correntes de entendimento. Num extremo, uma corrente amplamente vencida, que entende que a imposição da multa, nos termos do inciso IV do §1º, independe do resultado apurado no Fl. 434DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 13888.003053/200690 Acórdão n.º 9101001.261 CSRFT1 Fl. 5 5 encerramento do exercício financeiro, devendo ser aplicada sempre sobre o valor da estimativa não recolhida.. Numa posição intermediária uma corrente cujo entendimento é o adotado pelo acórdão recorrido, no sentido de que, quando aplicada depois do levantamento do balanço, a base de cálculo da multa isolada é a diferença entre o lucro real anual apurado e a estimativa obrigatória recolhida, quando não estiver acompanhado concomitantemente com a multa de ofício. Uma terceira corrente, na qual me incluo, que entende que, encerrado a ano calendário, não mais cabe aplicar a multa isolada por falta ou insuficiência de estimativas, pois essas ficam absorvidas pelo tributo incidente sobre o resultado anual. Conforme tenho reiteradamente me manifestado, entendo que, encerrado o anocalendário, não há mais base de cálculo para exigência da multa, eis que, com o deslocamento do fato gerador da obrigação tributária para 31 de dezembro de cada ano, para as empresas que optem por recolher o imposto de renda e a contribuição social sobre o lucro real anual, desaparece o bem tutelado pela norma jurídica, no caso as antecipações que deveriam ter sido recolhidas no decorrer do anocalendário, surgindo, com a apuração do lucro real ao final do anocalendário, o imposto efetivamente devido, única base imponível que sofrerá a sanção caso o mesmo não seja recolhido pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Na verdade, os dispositivos legais previstos nos incisos III e IV, § 1o., art. 44 da Lei 9.430/96 têm como objetivo obrigar o sujeito passivo da obrigação tributária ao recolhimento mensal de antecipações de um provável imposto de renda e contribuição social que poderá ser devido ao final do anocalendário. Ou seja, é inerente ao dever de antecipar a existência da obrigação cujo cumprimento se antecipa, e sendo assim, a penalidade só pode ser exigida durante aquele ano calendário, de vez que, com a apuração do tributo e da contribuição social efetivamente devida ao final do anocalendário (31/12), desaparece a base imponível daquela penalidade (antecipações), pela ausência da necessária ofensa a um bem juridicamente tutelado que a justifique. A partir daí, surge uma nova base imponível, esta já com base no tributo efetivamente apurado ao final do anocalendário, surgindo assim à hipótese da aplicação tão somente do inciso I, § 1o. do referido artigo, caso o tributo não seja pago no seu vencimento e apurado exoffício, mas jamais com a aplicação concomitante da penalidade prevista nos incisos III e IV, do § 1o do mesmo diploma legal. Até porque a dupla penalidade afronta o disposto no artigo 97, V, c/c o artigo 113 do CTN, que estabelece apenas duas hipóteses de obrigação de dar, sendo a primeira ligada diretamente à prestação de pagar tributo e seus acessórios, e a segunda, relativamente à obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações pecuniárias por descumprimento de obrigação acessória. A jurisprudência predominante neste E. Conselho e mesmo nesta E. 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais é no sentido da impossibilidade de aplicação concomitante das duas multas, conforme se depreende do Acórdão CSRF/0105.838,, Sessão de 15 de abril de 2008, tendo como Relator o Ilustre Conselheiro Marcos Vinicius Neder de Lima, e por ser o seu voto por demais elucidativo, peço vênia para transcrevêlo na sua integralidade, eis que tratou das hipóteses em que a mesma – Multa Isolada – não deve subsistir. Vejamos: Fl. 435DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 13888.003053/200690 Acórdão n.º 9101001.261 CSRFT1 Fl. 6 6 “A questão a ser solucionada versa sobre a possibilidade de exigência concomitante de multa de oficio por falta de recolhimento de tributo devido ao final do exercício e por falta de recolhimento de estimativas no mesmo período. O art 44 da Lei n° 9.430/96 que autoriza a aplicação da multa isolada tem o seguinte teor: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; §1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; (...); IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazê lo, ainda que tenha apurado base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. Art. 2° (Lei n° 9.430/96) A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimado, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1° e 2° do art. 29 e nos arts 30 a 32,34 e 35 da Lei n°8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n°9.065, de 20 de junho de 1995. As remissões relevantes são as seguintes: Art. 35 (Lei n° 8.981/95) — A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado excede o valor do imposto, calculado com base no lucro real do período em curso. (...) §2° Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de base de cálculo negativas fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. Após a edição desse dispositivo legal, inúmeros debates instalaramse no âmbito desse Conselho de Contribuintes, sobretudo acerca da aplicação cumulativa das sanções neles previstas. Na verdade, a leitura isolada dos enunciados do artigo 44 da Lei n° 9.430 tem levado alguns dos meus pares a sustentar a aplicação da multa isolada em todos os casos em que não houver recolhimento da estimativa. Sustentam que a sanção foi concebida justamente para assegurar efetividade ao regime da estimativa e preservar o interesse público. Fl. 436DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 13888.003053/200690 Acórdão n.º 9101001.261 CSRFT1 Fl. 7 7 Ressalto, inicialmente, que a divergência não se situa na necessidade de dar efetividade ao regime de estimativa, porquanto o intérprete deve atribuir a lei o sentido que lhe permita a realização de suas finalidades. Mas, a pretexto de concretizálo, não se pode menosprezar o sentido mínimo do texto legal. Por força da segurança jurídica, a interpretação de normas que imponham penalidades deve ser atenta ao que dispõe os textos normativos e esses oferecem limites à construção de sentidos. Na verdade, Kelsen já dizia que toda norma legal deriva de uma vontade préjurídica (um querer), mas a dificuldade do intérprete repousa na identificação de o que se reputará como sendo essa vontade. No dizer de Marçal Justen Filho, não há qualquer caráter predeterminado apto a qualificar o interesse como público. Sustenta que "o processo de democratização conduz à necessidade de verificar, em cada oportunidade, como se configura o interesse público, Sempre e em todos os casos, tal se dá por meio da intangibilidade dos valores relacionados aos direitos fundamentais". / Nessa trilha de raciocínio, iniciaremos pelo exame das formulações literais, isolando os enunciados prescritivos e sua estrutura lógica, para depois alcançar as significações normativas e, como produto final, a regra jurídica. Norma não são textos nem o conjunto deles, mas os sentidos construídos a partir da interpretação sistemática dos textos2. Nesse sentido, o artigo 44 da Lei n° 9.430/96 prescreve, de forma sintética, o seguinte: HIPÓTESE CONSEQUÊNCIA Dado que houve falta de pagamento ou recolhimento, recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória è Pagar multa de 75% ou 150%1 calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição (art. 44, caput, inciso I e II) ; Dado que pessoa jurídica está sujeita ao pagamento do IR de forma estimada, ainda que tenha apurado base de cálculo negativa no ano correspondente. è Pagar multa isolada de 75% calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição (caput, art. 44, §1º, IV); Dado que a pessoa jurídica prova, por meio de balanço ou balancetes mensais, que o valor acumulado excede o valor do imposto calculado com base no lucro real do período. è Dispensar recolhimento por estimativa (art. 44. §1º, IV c/c art. 35, §2º, da Lei 8981/95). 1 A hipótese de majoração da multa de ofício para 150% está prevista no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96 caso identificado verdadeiro intuito de fraude. Fl. 437DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 13888.003053/200690 Acórdão n.º 9101001.261 CSRFT1 Fl. 8 8 O exame literal dos textos legais acima transcritos evidencia que o caput do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 determina que a multa seja calculada "sobre a totalidade ou diferença de tributo". Ou seja, as penalidades previstas nos incisos I e II, e no §1°, IV, referemse todas à falta de pagamento de tributo. Assim, ambas as penalidades discutidas nesse processo, por força da previsão legal, incidem sobre a mesma base de cálculo, ao contrário, do quer fazer crer a Procuradoria da Fazenda Nacional. Importante firmar que o valor pago a título de estimativa não tem a natureza de tributo, eis que, juridicamente, o fato gerador do tributo só será tido por ocorrido ao final do período anual (31/12). O valor do lucro — base de cálculo do tributo só será apurado por ocasião do balanço no encerramento do exercício, momento em que são compensados os valores pagos antecipadamente em cada mês sob bases estimadas e realizadas outras deduções desautorizadas no cálculo estimado. O aplicador, diante dessas proposições extraídas do texto legal, deve buscar a interpretação que alcance a coerência interna do conjunto, por isso a construção lógica da regra jurídica não pode levar ao cumprimento de um enunciado prescritivo e ao necessário descumprimento de outro do mesmo dispositivo legal. O intérprete deve buscar o sentido do conjunto que afaste contradições, afinal, dentre a moldura de significações possíveis de um texto de direito positivo a escolha do intérprete de ser feita em consonância com todo ordenamento jurídico. Nesse sentido, vale lembrar que o rigor é maior em se tratando de normas sancionatórias, não se devendo estender a punição além das hipóteses figuradas no texto. Além da obediência genérica ao princípio da legalidade, devem também atender a exigência de objetividade, identificando com clareza e precisão, os elementos definidores da conduta delituosa. Para que seja tida como infração, a ocorrência da vida real, descrita no suposto da norma individual e concreta expedida pelo órgão competente, tem de satisfazer a todos os critérios identificadores tipificados na hipótese da norma geral e abstrata. A insegurança, sobretudo no campo de aplicação de penalidades, é absolutamente incompatível com a essência dos princípios que estruturam os sistemas jurídicos no contexto dos regimes democráticos. Reportandome a doutrina de Paulo de Barros Carvalho, a base de cálculo da regra sancionatória, a semelhança da regra de incidência tributária, apresenta três funções: (i) compor a específica determinação da multa; (ii) medir a dimensão econômica do ato delituoso, e (iii) confirmar, infirmar ou afirmar o critério material da infração. A primeira função permite apurar o montante da sanção. Na segunda, o valor adotado como base de cálculo busca aferir o quanto o sujeito ativo foi prejudicado (função reparadora) e para garantir eficácia a norma (função desestimuladora da conduta ilícita). Por fim, a última função da base de cálculo atende a exigência de proporcionalidade entre o delito e a sanção. Se a conduta visa coibir falta de pagamento de tributo, a base de cálculo apropriada é o montante não pago. Se, por outro lado, a conduta ilícita referese ao descumprimento de um dever instrumental não relacionado à falta de recolhimento de tributo, não seria razoável adotar essa grandeza como base de cálculo. Nessa mesma linha, a adoção de bases de cálculo e percentuais idênticos em duas regras sancionadoras faz pressupor a identidade ou, pelo menos, a proximidade da materialidade dessas condutas ilícitas. Ou seja, sanções que têm a mesma base de cálculo devem, em princípio, corresponder a idêntica conduta ilícita. Fl. 438DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 13888.003053/200690 Acórdão n.º 9101001.261 CSRFT1 Fl. 9 9 Essas conclusões aplicadas à legislação tributária evidenciam o desarranjo na adequação das regras sancionadoras atualmente vigentes no imposto sobre a renda, em que ofensas a bens jurídicos de distintos graus de importância para o Direito são atribuídas penas equivalentes, sem que se atente ao princípio da proporcionalidade punitiva. A punição prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/96 pelo nãorecolhimento do tributo (75% do imposto devido) é equivalente a punição prevista no mesmo artigo pelo descumprimento do dever de antecipar o mesmo tributo (75% do valor da estimativa). Em certos casos, a penalidade isolada chega a ser superior a multa de oficio aplicada pelo não recolhimento do tributo no fim do ano. Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinada conduta, é importante identificar o bem jurídico tutelado pelo Direito. Nesse sentido, para a solução do conflito normativo, devese investigar se uma das sanções previstas para punir determinada conduta pode absorver a outra, desde que o fato tipificado constitui passagem obrigatória de lesão, menor, de um bem de mesma natureza para a prática da infração maior. No caso sob exame, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Assim, a interpretação do conflito de normas deve prestigiar a relevância do bem jurídico e não exclusivamente a grandeza da pena cominada, pois o ilícito de passagem não deve ser penalizado de forma mais gravosa que o ilícito principal. É o que os penalistas denominam "princípio da consunção". Segundo as lições de Miguel Reale Junior: "pelo critério da consunção, se ao desenrolar da ação se vem a violar uma pluralidade de normas passandose de uma violação menos grave para outra mais grave, que é o que sucede no crime progressivo, prevalece a norma relativa ao crime em estágio mais grave..." E prossegue "no crime progressivo, portanto, o crime mais grave engloba o menos grave, que não é senão um momento a ser ultrapassado, uma passagem obrigatória para se alcançar uma realização mais grave". Assim, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de oficio na hipótese de falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também pela falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de oficio por falta de recolhimento de tributo. Essa mesma conduta ocorre, por exemplo, quando o contribuinte atrasa o pagamento do tributo não declarado e é posteriormente fiscalizado. Embora haja previsão de multa de mora pelo atraso de pagamento (20%), essa penalidade é absorvida pela aplicação da multa de oficio de 75%. É pacífico na própria Administração Tributária, que não é possível exigir concomitantemente as duas penalidades — de mora e de oficio — na mesma autuação por falta de recolhimento do tributo. Na dosimetria da pena mais gravosa, já está considerado o fato de o contribuinte estar em mora no pagamento. Fl. 439DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 13888.003053/200690 Acórdão n.º 9101001.261 CSRFT1 Fl. 10 10 Nesse sentido, cabe ressaltar que a Medida Provisória 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, veio a disciplinar posteriormente a aplicação de multas nos casos de lançamento de oficio pela Administração Pública Federal. Esse dispositivo legal veio a reconhecer a correção da jurisprudência desta Câmara, estabelecendo a penalidade isolada não deve mais incidir sobre "sobre a totalidade ou diferença de tributo", mas apenas sobre "valor do pagamento mensal" a título de recolhimento de estimativa. Além disso, para compatibilizar as penalidades ao efetivo dano que a conduta ilícita proporciona, ajustou o percentual da multa por falta de recolhimento de estimativas para 50%, passível de redução a 25% no caso de o contribuinte, notificado, efetuar o pagamento do débito no prazo legal de impugnação (Lei no 8.218/91, art. 6°). Assim, a penalidade isolada aplicada em procedimento de oficio em função da não antecipação no curso do exercício se aproxima da multa de mora cobrada nos casos de atraso de pagamento de tributo (20%). Providência que se fazia necessária para tomar a punição proporcional ao dano causado pelo descumprimento do dever de antecipar o tributo.” Portanto, em consonância com a jurisprudência dessa E. Turma, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional. É como voto. Sala das Sessões, em 22 de novembro de 2011novembro de 2011. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri, Conselheiro Relator. Fl. 440DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 11040.000104/2007-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA POR DEPENDENTE. INOCORRÊNCIA. ERRO NO PREENCHIMENTO DIRPF.
Inexiste omissão de rendimentos do cônjuge na hipótese em que, no
preenchimento da DIRPF simplificada, tenha havido erro consistente na inclusão de cônjuge como dependente e, simultaneamente, seus rendimentos (isentos) tenham sido declarados no quadro Informações do Cônjuge.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2101-001.242
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1479; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 107 1 106 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11040.000104/200749 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 210101.242 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de agosto de 2011 Matéria IRPF Imposto sobre a Renda de Pessoa Física Recorrente Claudio Leite Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA POR DEPENDENTE. INOCORRÊNCIA. ERRO NO PREENCHIMENTO DIRPF. Inexiste omissão de rendimentos do cônjuge na hipótese em que, no preenchimento da DIRPF simplificada, tenha havido erro consistente na inclusão de cônjuge como dependente e, simultaneamente, seus rendimentos (isentos) tenham sido declarados no quadro Informações do Cônjuge. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. Fl. 112DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 09/ 09/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO 2 (assinado digitalmente) CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Em desfavor do contribuinte CLAUDIO LEITE, vendedor, foi emitida Notificação de Lançamento de fls. 20 a 23, na qual é cobrado o imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) correspondente ao ano calendário 2004 (exercício 2005) no valor de R$ 1.025,86 (mil e vinte e cinco reais e oitenta e seis centavo) em decorrência de procedimento de revisão de sua declaração de ajuste anual. O valor total do crédito tributário exigido, incluída a multa de lançamento de ofício de 75% sobre o valor do imposto e juros de mora calculados até 31.10.2006 é de R$ 2.041,96 (dois mil e quarenta e um reais e noventa e seis centavos). Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 21), a Fiscalização apurou ter havido omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica (arts. 1.º , 2.º e 3.º, e §§, 8.º e 9.º da Lei n.º 7.713/88; arts. 1.º a 3.º, da Lei n.º 8.134/90; arts. 5.°, 6° e 33 da Lei n°9.250/95; arts. 10 e 15 da Lei n°10.451/2002; arts. 43 a 45, 47, 49 a 53 do Decreto n.º 3.000, de 1999 — RIR/1999). Tratase de omissão de rendimentos de Laura Roberta Quevedo Leite, CPF 913.619.15072, esposa do contribuinte, pagos pela Prefeitura Municipal de São Lourenço do Sul, CNPJ 87.893.111/000152, no valor de R$ 6.758,69, correspondentes ao anocalendário 2004, apurada em confronto com a Declaração de Imposto de Renda na Fonte – DIRF às fls. 40 dos autos. O contribuinte apresentou impugnação, às fls. 1 e 2, na qual alega ter incluído equivocadamente Laura Roberta Quevedo Leite, sua esposa, na condição de dependente. Ao examinar o pleito, a 8.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre decidiu pela improcedência da impugnação, por meio do Acórdão n.º 1027.090, de 31 de agosto de 2010, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 RENDIMENTOS AUFERIDOS DE PESSOA JURÍDICA DECORRENTES DE TRABALHO ASSALARIADO. Estando demonstrada a omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, devidamente confirmada através de informação prestada em DIRF pela fonte pagadora, deve ser mantido o lançamento. Impugnação Improcedente Fl. 113DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 09/ 09/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 11040.000104/200749 Acórdão n.º 210101.242 S2C1T1 Fl. 108 3 Crédito Tributário Mantido Cientificado da Decisão em 27.9.2010, interpôs Recurso Voluntário em 19.10.2010 (fls. 75 a 77), no qual reitera as razões de impugnação. Alega ter havido equívoco na importação de dados da Declaração de Ajuste Anual de um ano para o outro, tendo como prova a própria Declaração que originou o auto de infração, uma vez que, nas Informações do Cônjuge, foram lançados o CPF e os rendimentos percebidos pela esposa, demonstrando a intenção de que sua esposa teria declaração em separado; se o não fez foi por não estar obrigada. Por outro lado, argumenta que a Declaração de Ajuste Anual apresentada no Exercício 2005 (Ano Calendário 2004) foi apresentada no modelo simplificado, que não dá direito à dedução de qualquer dependente. Conclui que não se beneficiou pela inclusão dos rendimentos auferidos pelo cônjuge, comprovando o equivoco. Salienta ainda que a própria Declaração de Ajuste Anual repassada pelo site da Receita Federal permitia a origem de tal equivoco até então, pois se a declaração apresentada era do modelo simplificado não havia razões para inclusão dos rendimentos do cônjuge, bem como de eventuais abatimentos. Como prova do alegado, ressalta que a própria Receita Federal alterou o procedimento de apresentação de dependentes a partir do exercício 2006, impossibilitando a inclusão do CPF do cônjuge como dependente Pede, ao final: a) o reconhecimento do equivoco na importação de dados, favorecido pelo programa da Receita Federal que permitia a inclusão do CPF do cônjuge, em que pese a Declaração apresentada seja do Modelo Simplificado, que não permite o beneficio do valor da dedução do dependente. b) Reforma integral do acórdão lavrado sob n° 1027.090 (processo n° 11040000.104/200749) e conseqüentemente a anulação do auto de lançamento n° 2005/610415036292033. É o relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. Em sua peça recursal, o contribuinte alega, basicamente, ter havido equívoco na importação de dados da Declaração de Ajuste Anual de um ano para outro, acarretando o incorreto lançamento de sua esposa como sua dependente. O lançamento suplementar do qual tratamos teve por base a declaração de ajuste (simplificada) retificadora, apresentada pelo contribuinte em 24.3.2006 (fls. 33 a 35), na qual constam as seguintes informações relevantes para o presente processo: Fl. 114DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 09/ 09/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO 4 a) o nome de Laura Quevedo Leite (cônjuge) como dependente do contribuinte; b) o rendimento auferido por Laura Roberta Quevedo Leite no quadro Informações do Cônjuge. Na Notificação de Lançamento (fls. 20), o contribuinte foi intimado nos seguintes termos: “Fica o contribuinte intimado a recolher o valor lançado no ‘Demonstrativo do Crédito Tributário’, no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência desta notificação, cujo montante será recalculado, na data do efetivo pagamento, de acordo com a legislação aplicável. Se o pagamento for efetuado até o vencimento desta intimação, a multa de oficio será reduzida em 50%. Caso não concorde com o lançamento, o contribuinte poderá apresentar Solicitação de Retificação de Lançamento SRL, no mesmo prazo, nos termos dos arts. 145 e 149 do Código Tributário Nacional (CTN), em petição dirigida ao Delegado da Receita Federal de sua jurisdição. A petição deverá ser apresentada no endereço informado no quadro Local de Lavratura ou na unidade da Secretaria da Receita Federal mais próxima. A impugnação de que tratam os arts. 14 a 17 e 23 do Decreto n° 70.235/72, com as alterações introduzidas pelas Leis n° 8.748/93 e no 9.532/97, poderá ser apresentada no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência da apreciação da SRL.”(g.n.) Em atendimento, solicitou retificação do lançamento correspondente ao ano calendário 2004 (exercício 2005) para o fim de excluir sua esposa da condição de dependente (fls. 42 e 43). A SRL foi, contudo indeferida (fls. 3), ficando mantido o crédito tributário lançado. Em sua impugnação, o ora Recorrente alegou as mesmas razões postas quando da solicitação de retificação do lançamento, ou seja, ter havido equívoco no preenchimento da DIRPF, que se deu no momento da importação dos dados da declaração anterior (exercício 2004), já que nessa declaração a esposa constava como dependente (fls.5). Sustentou ainda que, no campo destinado às informações do cônjuge, para justificar a variação patrimonial, foram informados o CPF e os rendimentos percebidos pela esposa, o que, a seu ver, demonstra a intenção de que sua esposa viesse a ter declaração em separado o que, de fato, não aconteceu por ela não estar obrigada a apresentar referida declaração. Em seu voto, o Relator da decisão da DRJ julgou improcedente a impugnação pelas seguintes razões: “Após ser notificado, o contribuinte pretende nova alteração em sua declaração mediante a exclusão da esposa da condição de dependente com o argumento de que dita inclusão não lhe trouxe nenhum beneficio. Na forma prevista pela legislação tributária, após o inicio do procedimento fiscal não é permitida a retificação da declaração Fl. 115DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 09/ 09/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 11040.000104/200749 Acórdão n.º 210101.242 S2C1T1 Fl. 109 5 de ajuste anual, devendo sujeitarse ao disposto no art. 147, §1°, do Código Tributário Nacional (CTN): [...] O contribuinte teve oportunidade para excluir a esposa da condição de dependente quando apresentou duas declarações de ajuste anual retificadoras. Ao mantêla na condição de dependente, deveria também ter declarado os rendimentos por ela auferidos.” Ocorre que o contribuinte, não concordando com o lançamento, apresentou a solicitação de retificação de lançamento, conforme lhe fora facultado na Notificação de Lançamento (fls. 20), na tentativa de corrigir o erro, mas sua solicitação foi indeferida. Ante tudo o que foi exposto pelo contribuinte, pareceme que não era sua intenção manter sua esposa como dependente, até porque isso em nada o beneficiaria, haja vista ele ter declarado no modelo simplificado. É que existem, na sua declaração de ajuste do anocalendário 2004, exercício 2005, informações contraditórias: por um lado, a esposa consta como dependente; por outro, os rendimentos por ela auferidos estão declarados no quadro Informações do Cônjuge, o que evidenciaria a intenção de informar que ela não seria sua dependente. De fato, deveria ter havido declaração da esposa em separado, mas isso não ocorreu por ela estar desobrigada. Sendo assim, no presente caso, sou pela solução mais benéfica para o contribuinte, qual seja: aceitar que o erro foi cometido na inclusão de sua esposa como dependente, e não no quadro Informações de Cônjuge. Laura Quevedo Leite, esposa do Recorrente, estava, no exercício em questão, desobrigada da apresentação de DIRPF. Deveria ter apresentado Declaração de Isento, instituída pela Instrução Normativa SRF n.º 60, de 1998, para o fim de manter ativa a sua inscrição no CPF, mas não o fez (fls. 41). A sanção pela não apresentação da Declaração de Isento seria a desativação de seu CPF. Isto posto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 116DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 09/ 09/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.000546/2004-44
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jun 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jun 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS SUCESSORES. A responsabilidade tributária não está limitada aos tributos
devidos pelos sucedidos, mas também se refere às multas, moratórias ou de ofício, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. Embora o art. 132 refira-se aos tributos devidos pelo
sucedido, o art. 129 estabelece que o disposto na Seção II do Código Tributário Nacional aplica-se por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição, compreendendo o crédito tributário não apenas as dívidas decorrentes de tributos, mas também de penalidades pecuniárias.
MULTA QUALIFICADA. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. PRINCÍPIO DA
BOA FÉ. O princípio da boa fé não pode amparar a sucessora se o sócio administrador era também o responsável pela administração da empresa incorporada e mentor da conduta fraudulenta que ensejou a qualificação da multa.
Responsabilidade integral da sucessora pelos créditos tributários lançados, inclusive da multa de ofício qualificada, uma vez comprovado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. (Súmula nº 47 do CARF)
Numero da decisão: 9101-001.044
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao
Recurso Especial da Fazenda Nacional. Os conselheiros Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos Lima Junior, Claudemir Rodrigues Malaquias, Karem Jureidini Dias, Antônio Carlos Guidoni Filho, Valmir Sandri, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo, acompanharam o relator por suas conclusões.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Alberto Pinto Souza Junior
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LIONE COMÉRCIO DE ARTIGOS ESPORTIVOS LTDA. (atual denominação da MG Master Ltda. — sucessora da SIK Sports Ltda.). MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS SUCESSORES. A responsabilidade tributária não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas também se refere às multas, moratórias ou de ofício, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. Embora o art. 132 refirase aos tributos devidos pelo sucedido, o art. 129 estabelece que o disposto na Seção II do Código Tributário Nacional aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição, compreendendo o crédito tributário não apenas as dívidas decorrentes de tributos, mas também de penalidades pecuniárias. MULTA QUALIFICADA. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. PRINCÍPIO DA BOA FÉ. O princípio da boafé não pode amparar a sucessora se o sócio administrador era também o responsável pela administração da empresa incorporada e mentor da conduta fraudulenta que ensejou a qualificação da multa. Responsabilidade integral da sucessora pelos créditos tributários lançados, inclusive da multa de ofício qualificada, uma vez comprovado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. (Súmula nº 47 do CARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Os conselheiros Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos Lima Junior, Claudemir Rodrigues Malaquias, Karem Jureidini Dias, Antônio Carlos Guidoni Filho, Valmir Sandri, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo, acompanharam o relator por suas conclusões. ﴾documento assinado digitalmente﴿ OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. ﴾documento assinado digitalmente﴿ ALBERTO PINTO S. JR. Relator. Fl. 776DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Participaram do presente julgamento: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Alberto Pinto Souza Junior, Viviane Vidal Wagner, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, Antônio Carlos Guidoni Filho, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Tratase de Recurso Especial do Procurador da Fazenda Nacional, contra o acórdão nº 10808.531, de 21 de outubro de 2005 (fls. 590/623), proferido pela Oitava Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, que, por unanimidade decidiu rejeitar as preliminares suscitadas pelo recorrente, e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, os valores do PIS e da COFINS e os juros incidentes sobre estas contribuições até agosto de 1998 exigidos de ofício e cancelar a multa lançada de ofício. A recorrente tomou ciência do acórdão em 24/10/2006 (fls. 625), tendo interposto o recurso especial (fls. 626/644), com fundamento no art. 32, inc. I do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes e do art. 5º, inc. I do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ambos aprovados pela Portaria MF nº 55, de 12/03/1998. Insurgese a recorrente contra a decisão do acórdão recorrido que deu provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento a multa de ofício qualificada aplicada (150%), com base no entendimento de que a incorporadora somente responde pelos tributos devidos pelo sucedido. A Fazenda Nacional, ora recorrente, alega em síntese: a) que a decisão que decidiu pela exclusão da multa de ofício violou o art. 129 do CTN, pois o art. 132 do mesmo código deve ser aplicado observandose aquele dispositivo; b) que “o art. 129 menciona que nos casos de sucessão regrados na Seção II, os sucessores serão responsáveis pelo crédito tributário e não somente pelo tributo em espécie”; c) que “o art. 132 se encontra dentro da Seção II e, portanto, não se pode interpretar a expressão “tributos" nele mencionada apenas como o tributo em espécie, mas como todo o crédito tributário numa interpretação sistemática com o art. 129”; d) que “no presente caso, não se faz presente os valores que se busca proteger com a interpretação restritiva do art. 132 do CTN. A autuada não goza de boafé, pois os seus sócios são quase todos os mesmos que compunham o quadro social da sucedida, autora do ilícito fiscal”; e) que “a administração da sucedida fora realizada pelo mesmo sóciogerente da sucessora o Sr. SEBASTIÃO VICENTE BOMFIM FILHO que autorizava a utilização de vários artifícios para ocultar a ocorrência do fato gerador das obrigações tributárias, conforme apurados pela autoridade fiscal”; f) que “em que pese a MGMASTER LTDA e a ZIK SPORTS LTDA sejam pessoas jurídicas distintas, com CNPJ diferente, ambas integram o mesmo grupo econômico, cujo órgão de direção foi o mesmo que praticou o ilícito fiscal em 1998”; Fl. 777DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.000546/200444 Acórdão n.º 9101001.044 CSRFT1 Fl. 2 3 g) que, “o afastamento da multa punitiva é razoável quando a aplicação desta configurarse uma situação de injustiça, pois atentatória do princípio esculpido no art. 5Q, XLV da CF/88 e à boafé objetiva, mas não pode servir àquele que praticou o delito apenas porque mudou de nome”; h) que “não é razoável admitir a exclusão de responsabilidade por multas nos casos de sucessão, incorporação, transformação e cisão das pessoas jurídicas compostas pelos mesmos sócios das empresas sucedidas, incorporadas, transformadas e cindidas, a fim de que não assistamos a perpetração de fraudes sob um aparente consentimento da lei”; i) que “não procede o argumento de que a desconsideração da sucessão seria forma de aplicar o parágrafo único do art. 116 do CTN a despeito de sua regulamentação”; j) que restou caracterizada a existência de dolo por parte da contribuinte, ensejando a aplicação da multa qualificada prevista no inc. II do art. 44 da Lei 9.430/96. A recorrente cita jurisprudência do STJ em abono à sua tese. Ao final a recorrente propugna que seja restabelecida a multa de 150% para todos os autos de infração. O presidente da 8ª Câmara do extinto Primeiro Conselho de contribuintes, em despacho proferido às fls. 647, admitiu o recurso especial por que se trata de decisão não unânime e entender que ficou demonstrado em tese que a decisão recorrida seria contrária à lei e à evidência das provas contidas nos autos. A autuada, ora recorrida, foi cientificada do acórdão e do despacho de admissibilidade do recurso especial em 28/05/2010 (fls. 698), e apresentou suas contrarrazões em 14/06/2010 (fls. 703/718). A recorrida protesta pela manutenção da decisão, sustentando em síntese: a) que “o CTN, em seu art. 132, é claro ao afirmar que a responsabilidade tributária das sucessoras referese apenas aos tributos e não às multas, principalmente as de natureza punitiva”; b) que “a mencionada "interpretação sistemática", pretendida pela Recorrente, caracterizase como verdadeira inovação legislativa, que não é permitida no âmbito tributário em vista ao princípio da Estrita Legalidade (art. 150, II, CF/88 e art. 97 do CTN)”; c) que nas “razões do Recurso combatido, notase claramente a intenção da Fazenda Nacional de ampliar o texto do art. 132 do CTN, acrescentando às suas disposições vocábulo que o legislador não pretendeu expressar, ou seja, substituir a palavra "tributos" pela expressão "crédito tributário", que, indiscutivelmente, não se equivalem”; e) que “o legislador ao editar a Lei n° 5.172/66 (CTN) sabia exatamente a distinção entre tributo e crédito tributário, bem como as diferenças entre principal e multa, não podendo o julgador administrativo imaginar que, no caso do art. 132, ele teria se equivocado ao constar somente a responsabilidade por sucessão com relação aos tributos”; f) que “no que se refere aos precedentes do STJ apontados no Recurso ora contrarazoado, verificase que, em ambos os casos, o entendimento que prevalece é o de que a responsabilidade só existe quando as multas que já integravam o passivo da pessoa jurídica, ou seja, foram aplicadas antes da incorporação de forma a serem conhecidas pelos novos administradores da empresa, o que não ocorreu no caso em comento”; Fl. 778DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 g) que “em matéria tributária não há espaço para suposta "interpretação sistemática" ou "buscando possível intenção do legislador" (que na verdade são meras tentativas de inovar no ordenamento jurídicotributário), pelo que todas as considerações postas neste sentido não podem convalidar possível manuseio da legislação ao bel prazer do Fisco”; h) que “não há autorização legal para desconsideração de atos e negócios jurídicos validamente realizados. E, se este fosse o caso, certamente a Recorrida tem o direito de defesa contra tal argumento, de maneira que este aspecto teria que estar ventilado no auto de infração e peças conseqüentes; i) que “o que se verifica nos autos é que a Fazenda Nacional, ao mesmo tempo em que defende a malsinada "aplicação sistemática" do art. 132 do CTN, pretende, indiretamente, desconsiderar a sucessão ocorrida no presente caso, aventando, de forma equivocada, a possibilidade de um suposto ato simulado, sem realizar qualquer prova dessa suposição. A verdade é que a Recorrente nem mesmo chega a afirmar expressamente que a incorporação foi um ato simulado e nem poderia, pois para que essa afirmação fosse sequer cogitada, seria indispensável sua comprovação inequívoca, fato inexistente nos autos”; j) que “em momento algum o Fisco se opôs ao procedimento de incorporação do qual participou a Empresa Autuada, mesmo podendo fazêlo, conforme determina expressamente a legislação de regência (Lei n° 6.404/76), sendo que não lhe cabe, somente agora, alegar a imaginada simulação na transformação societária em comento, a fim de tentar justificar a responsabilidade por sucessão da Recorrida no que se refere à multa de ofício aplicada na sucedida”; k) que “mesmo que se considerasse cabível a multa de oficio, hipótese levantada apenas por amor ao debate, ela teria que ser aplicada no montante mínimo permitido em lei”; l) que “no caso dos autos, não restou COMPROVADA quaisquer das circunstâncias qualificadoras, sendo que não houve nenhuma ação dos Recorrentes tendente a impedir ou retardar o conhecimento da autoridade tributária da ocorrência do fato gerador, o que implicaria na sonegação”. m) que “não há que se falar em imposição de penalidade, ainda mais em sua forma agravada, eis que o trabalho fiscal foi concluído após a adesão da Recorrente ao PAES” e que” a confissão e o parcelamento de débitos são condutas que, inequivocamente, excluem qualquer possibilidade de ocorrência dos requisitos para aplicação da qualificação de multa tributária”. A recorrida faz citação da doutrina e de jurisprudência da Câmara Superior de Recurso Fiscais em reforço às suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, Relator. Fl. 779DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.000546/200444 Acórdão n.º 9101001.044 CSRFT1 Fl. 3 5 O recurso atende os pressupostos para sua admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido, nos termos do art. 4º da Portaria MF nº 256 de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. A questão a ser solucionada versa sobre a possibilidade de cobrança, da empresa incorporadora (sucessora), de multa qualificada (150%) aplicada sobre os tributos lançados em face da omissão de rendimentos apurada pela fiscalização sobre operações realizadas pela empresa incorporada. O acórdão recorrido adota o posicionamento, de que a incorporadora responde apenas pelos os tributos devidos pela sucedida. O acórdão recorrido tem a seguinte ementa, na parte que interessa ao presente recurso: MULTA DE OFÍCIO RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA POR SUCESSÃO A incorporadora somente responde pelos tributos devidos pelo sucedido. O que alcança a todos os fatos jurídicos tributários (fato gerador) verificados até a data da sucessão, ainda que a existência do débito tributário venha a ser apurada após aquela data. Art. 132 CTN. Ao expor o seu voto, o relator do voto vencido sustentou em suas conclusões que: O que desejou o fisco, mesmo sem explicitar o capitulado nos autos, foi a aplicação pura e simples da norma contida no parágrafo único do Artigo 116 do CTN, incluído pela Lei Complementar 104/2001, "in verbis": "Parágrafo, único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária." Na contra mão da intenção do fisco está a inaplicabilidade da LC 104/2001, que não emergiu ao mundo jurídico por falta de regulamentação por Lei ordinária, não podendo ter uma execução administrativa sem quaisquer normas que possam regular os atos do agente fiscal. Seria imprópria a desconsideração dos atos comerciais e jurídicos ocorridos, com o fim específico de tornar a incorporadora como responsável pelo crédito tributário, neste caso a multa de isolada na incorporadora. A recorrente argumenta que a decisão que excluiu a penalidade contraria a lei; mais precisamente o art. 129 do CTN. Sustenta que a interpretação do art. 132 não pode ser feita de forma isolada, desconsiderando o disposto no art. 129, que integra a mesma Seção II do código, que trata da responsabilidade dos sucessores. Tal interpretação estaria em consonância com a jurisprudência do STJ. Fl. 780DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Por outro lado a recorrida sustenta que a decisão recorrida se alinha à jurisprudência administrativa da Câmara Superior de Recursos Fiscais. No seu entendimento a expressão “tributos” contida no art. 132, excluiria uma interpretação sistemática no sentido de ampliar o seu alcance e abranger as multas, como pretende a recorrente. Alega ainda que a jurisprudência citada pela recorrente abrangeria apenas os casos em que a multa punitiva já havia sido lançada antes da sucessão e já integrando o patrimônio da incorporada sendo, portanto, de conhecimento da incorporadora na data do ato de incorporação. Tratase, portanto, de examinar se a decisão recorrida afronta os dispositivos do Código Tributário Nacional que tratam da responsabilidade tributária dos sucessores. Passo, então, a examinar os argumentos da recorrida à luz dos elementos do processo, da doutrina e da jurisprudência administrativa e judicial. Esta questão tem sido bastante discutida sejam no âmbito doutrinário, seja no campo jurisprudencial. Na esfera administrativa, conforme aponta a recorrida em suas contrarrazões, existem várias decisões da Câmara Superior Fiscal que a responsabilidade da sucessora, nos estritos termos do art. 132 do CTN, restringese aos tributos não pagos pela sucedida, e que a responsabilidade pela multa fiscal somente se dá quando ela tiver sido lançada antes do ato sucessório, tratandoa, neste caso, como um passivo assumido pela sucessora. É o caso dos acórdãos da CSRF indicados pela recorrida em seu contraarrazoado (Acórdão CSRF/01 04.408 e CSRF/0104.406, ambos proferidos no ano de 2003) Em que pesem os sólidos argumentos contidos nos referidos acórdãos da CSRF, lastreado tanto na doutrina quanto na jurisprudência, não se pode olvidar que a jurisprudência é dinâmica e sofre alterações ao longo dos anos. O argumento central da tese abrigada no acórdão recorrido é de que o artigo 132 do CTN prevê apenas a responsabilidade da sucessora pelos tributos, o que excluiria, portanto as multas, pois estas estão fora do conceito de tributo “strictu sensu”. Tal premissa, no entanto já vem mitigada por ressalvas feitas na própria jurisprudência que encampa esta tese. A primeira delas é de que se admite a responsabilidade pelas multas se estas já tiverem sido lançadas antes do ato sucessório, na medida em que estariam incorporadas ao patrimônio (mais propriamente ao passivo) da empresa sucedida, sendo, portanto, do conhecimento da sucessora (incorporadora, no presente caso). Também há muito que a jurisprudência admite que a multa de mora, por ter caráter indenizatório e não punitivo, também é da responsabilidade da sucessora. Essa interpretação mitigada do artigo 132 revela que a exegese correta, como sói ocorrer com toda norma jurídica, não pode ser feita de forma literal, nem isolada do restante do ordenamento. A interpretação sistemática não representa inovação legislativa, nem tampouco afronta o princípio da estrita legalidade, como alega a recorrida, mas sim representa uma dos mais eficazes e utilizados métodos hermenêuticos. Neste diapasão não há como deixar de fazer uma análise sistemática das normas que tratam da responsabilidade tributária dos sucessores no CTN, contidas na Seção II do Capítulo V. Podese começar pelo próprio art. 132, numa leitura mais acurada do caput e de seu parágrafo único, in verbis: Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é Fl. 781DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.000546/200444 Acórdão n.º 9101001.044 CSRFT1 Fl. 4 7 responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. (grifei) Como se vê, o caput do art. 132 trata da responsabilidade da pessoa jurídica não apenas no caso em que esta resulte de incorporação de outra, mas também nos casos de fusão ou transformação da pessoa jurídica. A lei nº 6.404/1976, que rege as sociedades anônimas define o que vem a ser cada uma dessas modalidades, nestes termos: Art. 220. A transformação é a operação pela qual a sociedade passa, independentemente de dissolução e liquidação, de um tipo para outro. Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. Art. 228. A fusão é a operação pela qual se unem duas ou mais sociedades para formar sociedade nova, que lhes sucederá em todos os direitos e obrigações. Como se vê na definição legal, apenas nos casos de fusão ou incorporação ocorre a extinção de uma ou mais sociedades sendo sucedida por apenas uma delas (no caso de incorporação) ou por uma nova sociedade (no caso de fusão). Na transformação não há dissolução ou liquidação da sociedade, mas a mera transformação de seu tipo societário (de sociedade por quotas de responsabilidade limitada para sociedade anônima, por exemplo). Nesse caso não há, pelo menos em princípio, alteração do quadro societário, embora a lei ressalve o direito do sócio dissidente retirarse da sociedade; nem tampouco das atividades desenvolvidas. Ou seja, a pessoa jurídica não sofre qualquer interrupção ou alteração na exploração de suas atividades. Não seria razoável a interpretação de que a pessoa jurídica que promoveu alteração de seu tipo societário tivesse a sua responsabilidade tributária até a data da transformação, limitada aos tributos devidos, com exclusão das penalidades pelas infrações tributárias de qualquer natureza que houverem sido cometidas. Não obstante o art. 132 alberga todas essas situações, sempre se referindo à responsabilidade dos “sucessores” pelos “tributos” devidos pela pessoa jurídica até a data do ato de transformação, fusão, incorporação ou extinção. O mesmo se pode dizer da interpretação do parágrafo único do mesmo dispositivo quanto à responsabilidade do sócio que, extinta a pessoa jurídica, dá continuidade à Fl. 782DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 exploração da atividade sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual, ficar limitada aos tributos, com exclusão das penalidades. Em linha similar de sustentação, Gelson Amaro de Souza (Responsabilidade Tributária e Legitimidade Passiva na Execução Fiscal, 2ª ed., rev., atual. e amp. – Ribeirão Preto, SP: Nacional de Direito Livraria e Editora, 2001), leciona que: O responsável por sucessão responde pelas obrigações tributárias deixadas pelo sucedido em toda sua extensão, sem exclusão alguma. O legislador, ao disciplinar a matéria da sucessão em seus arts. 131 a 133, especificamente, não fez nenhuma exclusão, como o fez para os casos do art. 134, do mesmo CTN. O parágrafo único do art. 134 exclui as responsabilidades em relação às multas de caráter pecuniário. Mas essa exclusão se restringe única e exclusivamente aos casos do art. 134 e não se aplica em hipóteses outras, que não as ali tratadas. A adequada interpretação do disposto no art. 132 do CTN passa, sem dúvida alguma, pela observância do que dispõe o art. 129 do mesmo código. O dispositivo em questão é a moldura sob a qual devem ser aplicados os demais dispositivos da seção que trata da responsabilidade dos sucessores, nestes termos: Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. (grifei) O dispositivo se refere expressamente não apenas à responsabilidade dos sucessores “por igual aos créditos tributários” , como também determina a sua aplicação (por igual) a quaisquer créditos tributários, sejam eles “definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos”, apenas com a ressalva de que sejam “relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data” O código não diferencia, portanto, a responsabilidade do sucessor sobre os créditos tributários, sejam eles constituídos antes, em curso de constituição ou posteriormente à data ato de transformação, fusão, incorporação ou extinção da pessoa jurídica. Assim, não abriga critério que permita excluir da responsabilidade as multas aplicadas após a data do ato de sucessão, conforme entendeu o acórdão recorrido. Esta interpretação está em consonância com a jurisprudência mais recente do Superior Tribunal de Justiça, que, sob a égide da Constituição Federal de 1.988, se não vejamos como dispõe a ementa do RESP. Nº 959389 –RS, in verbis: RECURSO ESPECIAL N° 959.389 RS (2007/01316981) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ARTIGO 159 DO CC DE 1916. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. MULTA TRIBUTÁRIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. SUCESSÃO EMPRESARIAL. OBRIGAÇÃO ANTERIOR E LANÇAMENTO POSTERIOR. RESPONSABILIDADE DA SOCIEDADE SUCESSORA. Fl. 783DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.000546/200444 Acórdão n.º 9101001.044 CSRFT1 Fl. 5 9 1. Não se conhece do recurso especial se a matéria suscitada não foi objeto de análise pelo Tribunal de origem, em virtude da falta do requisito do prequestionamento. Súmula 282 e 356/STF 2. A responsabilidade tributária não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas abrange as multas, moratórias ou de outra espécie, que, por representarem penalidade pecuniária, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. (grifo não consta do original) 3. Segundo dispõe o artigo 113, § 3°, do CTN, o descumprimento de obrigação acessória faz surgir, imediatamente, nova obrigação consistente no pagamento da multa tributária. A responsabilidade do sucessor abrange, nos termos do artigo 129 do CTN, os créditos definitivamente constituídos, em curso de constituição ou "constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data", que é o caso dos autos. (grifo constante do original) 4. Recurso Especial conhecido em parte e não provido (Acórdão proferido em 07/052009 – Relator Ministro Castro Meira) Na mesma linha já havia sido proferido o Acórdão nº 1.017.186 SC, in verbis: RECURSO ESPECIAL N° 1.017.186 SC (2007/03039743) RECURSO ESPECIAL. MULTA TRIBUTÁRIA. SUCESSÃO DE EMPRESAS. RESPONSABILIDADE. OCORRÊNCIA. DECADÊNCIA. TEMA NÃO ANALISADO. RETORNO DO AUTOS. A empresa recorrida interpôs agravo de instrumento com a finalidade de suspender a exigibilidade dos autos de infração lavrados contra a empresa a qual sucedeu. Alegou a ausência responsabilidade pelo pagamento das multas e, também, decadência dos referidos créditos. O Tribunal a quo acolheu o primeiro argumento, julgando prejudicado o segundo. 1. A responsabilidade tributária não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas também se refere às multas, moratórias ou de outra espécie, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. (grifo não consta do original). 2. Nada obstante os art. 132 e 133 apenas refiramse aos tributos devidos pelo sucedido, o art. 129 dispõe que o disposto na Seção II do Código Tributário Nacional aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição, compreendendo o crédito tributário não apenas as dívidas decorrentes de tributos, mas também de penalidades Fl. 784DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 pecuniárias (art. 139 c/c § 1° do art. 113 do CTN). (grifo não consta do original). 3. Tendo em vista que a alegação de decadência não foi analisada em razão do acolhimento da nãoresponsabilidade tributária da empresa recorrida, determinase o retorno do autos para que seja analisado o fundamento tido por prejudicado. 4. Recurso especial provido em parte. (Acórdão proferido em 11/03/2008 – Relator Ministro Castro Meira) Com se extrai dos acórdãos a responsabilidade tributária do sucessor abrange não apenas o tributo, como quaisquer tipo de penalidades pecuniárias na medida em que ambos decorrem da obrigação principal, fundamentandose nos artigos 139 e no §1º do art. 113 do CTN, in verbis: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Art. 113 (...). § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Assim, sendo parte integrante do crédito tributário, não há porque se cogitar da exclusão da responsabilidade do sucessor pela multa, seja ela de mora ou de ofício, independente do momento da constituição do crédito. A única diferença entre as multas de mora e de ofício é a postura do sujeito passivo perante o Fisco. Se ele reconhece sua omissão ou inadimplência e declara/paga o tributo correspondente antes de qualquer ação do Fisco deve apenas a multa de mora. Por outro lado, a multa de ofício é uma penalidade mais gravosa na medida em que o Fisco necessitou movimentar a sua máquina fiscalizadora para efetuar o lançamento dos tributos que foram sonegados aos cofres públicos pelo sujeito passivo. Trata se, portanto, de responsabilidade objetiva, que tem como pressuposto a inadimplência ou a omissão do sujeito passivo ao declarar/recolher o tributo, que é verificada no caso concreto, conforme dispõe o art. 136 do CTN, in verbis: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (grifei) Embora a multa fiscal seja uma penalidade, tem caráter eminentemente patrimonial, não sendo aplicável o princípio do direito penal inserto no art. 5º, inciso XLV da CF/88, segundo o qual a pena não pode passar da pessoa do infrator. Assim, decidiu o Supremo Tribunal Federal no RE. 83.613SP, de 20/08/1976, e precedentes: RE 74.851, RE 59.883 e RE 77.187SP. Lembro, ainda, que, se no passado com base no aludido dispositivo constitucional alguns negavam a possibilidade de habilitação de créditos relativos a multa tributária no processo de falência (sob o argumento de que iria onerar os credores e não o infrator), hoje, a multa tributária está expressamente prevista, no art. 83, inciso VII, da Lei de Falência (Lei no 11.101/05) entre os créditos passíveis de habilitação. Fl. 785DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.000546/200444 Acórdão n.º 9101001.044 CSRFT1 Fl. 6 11 Arrematando, entendo que a multa de ofício aplicada pela autoridade fiscal por infração praticada pelo contribuinte à lei tributária, não possui caráter de pessoalidade, típica das penas criminais, mas ostenta caráter econômico e integra o passivo patrimonial das pessoas jurídicas, sendo, assim, transferível para o sucessor, da mesma forma que os demais elementos do passivo. Poderseia argumentar que a multa qualificada, como a aplicada no caso sub examine, revestese preponderantemente de elementos do direito penal, na medida em que a exasperação da multa de ofício é aplicada, com base no inc. II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 diante da constatação do evidente intuito de fraude, nos termos definidos pelos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, in verbis: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Neste caso, além da responsabilidade objetiva pela falta de declaração/recolhimento do tributo devido pelo sujeito passivo, concorre para a sua aplicação (da multa qualificada) a conduta subjetiva, caracterizada pela ação ou omissão dolosa do contribuinte com intuito de suprimir ou reduzir o tributo devido. Ora, no caso das pessoas jurídicas a caracterização da conduta dolosa que justifica a majoração da multa de ofício depende essencialmente da ação ou omissão dos seus administradores, que ao fim e ao cabo são os responsáveis pela sua gestão e os beneficiários dos seus resultados. Tal conduta é reprovada não apenas pela legislação tributária, que o faz por intermédio da exasperação da multa de ofício, mas também pela legislação penal, que a tipifica como crime (arts. 1º e 2º da Lei 8.137/1990). Assim, a pessoa jurídica sofre o agravamento da penalidade de cunho patrimonial, enquanto que o dirigente responsável pela conduta dolosa está sujeito às sanções criminais. Nesse contexto, poderseia questionar se a exasperação da multa, originada da ação ou omissão dos administradores da pessoa jurídica sucedida devesse passar à responsabilidade da pessoa jurídica sucessora. Fl. 786DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 Uma vez mais entendo que a penalização mais gravosa deva ser transferida para a sucessora, na medida em que a multa de ofício qualificada integra o crédito tributário apurado e decorre igualmente da legislação tributária. Já a responsabilidade penal ou criminal do dirigente jamais poderá ser estendida ou transferida aos dirigentes da pessoa jurídica sucessora em face da aplicação do princípio da não transferência da pena, previsto no art. 5o, inc. XLV, da CF/88. Ainda que pudesse se admitir que a exasperação da multa lançada de ofício não devesse ser transferida aos sucessores, em homenagem ao princípio da boafé, este entendimento não poderia ser aplicado ao presente caso. As razões relatadas pela fiscalização no seu Termo de Verificação (fls. 35/37) para justificar a imposição da multa qualificada, também transcritas na peça recursal, demonstram que a empresa sucessora é composta basicamente pelos mesmos sócios da empresa incorporada, sendo que ambas sempre foram administradas com exclusividade pelo mesmo sóciogerente. É oportuno transcrever os principais pontos do item 67 do Termo de Verificação de Infração, para a perfeita compreensão dos fatos: 67. Caracterizam o evidente intuito de fraude a que aludem os artigos 71, 72 e 73, da Lei 4.502/64, os seguintes fatos, em conjunto com tudo o que já foi exposto neste Termo: "a) as omissões de receitas verificadas ocorreram de forma generalizada na empresa MG MASTER LTDA., bem como já ocorriam as omissões nas empresas que a mesma incorporou e continuaram a ocorrer após as incorporações, como comprovam os envelopes de Fechamento de Caixa e os relatórios existentes no aplicativo SISPAC, constantes da documentação retida/apreendida, de acordo com o Termo de Retenção, a que se refere o item 2, e anexados ao presente processo; b) filiais que iniciaram suas atividades em 1998 também já contabilizavam, desde o primeiro dia de funcionamento, valores de receitas de vendas inferiores às reais; c) as omissões não ocorreram de forma isolada ou esparsa, mas sim de forma continuada e geral, na medida em que ocorreram não só em alguns dias, mas diariamente, não apenas em alguns meses, mas em todos os meses do anocalendário de 1998, que ora está sendo analisado, e também não apenas em uma loja, mas em todas que já existiam, nas que entravam em funcionamento e também nas que foram incorporadas, todas sob a administração do Sr. Sebastião Vicente Bonfim Filho, que era sócio das incorporadas e continua como sócio quotista, representante legal e dirigente exclusivo da MG MASTER LTDA; d) as omissões não foram em decorrência de erros de escrituração e sim decorrentes da sistemática contabilização de valores de receitas de vendas inferiores aos efetivamente ocorrido; (...) Fl. 787DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.000546/200444 Acórdão n.º 9101001.044 CSRFT1 Fl. 7 13 g) existe uma limitação à emissão de notas ou cupons fiscais no dia, em função do procedimento de controle e cotas, de tal forma que a utilização dos emissores de cupom fiscal (ECF) fica restrita ao valor previamente determinado pelo próprio sócio administrador, Sr. Sebastião Vicente Bonfim Filho, conforme constatado nos documentos juntados às folhas 218 a 220 do anexo 1 do processo IRPJ e reflexos da MG MASTER LTDA (...); O quadro social da incorporada (Zik Sports Ltda), tinha a seguintes composição antes da incorporação pela MG Master, conforme consta na DIPJ (fl. 59): SEBASTIÃO VICENTE BOMFIM FILHO (20%) e; ISABEL MARIA DE MELO BOMFIM (80%); Já a empresa incorporadora MG Master Ltda, após a 17ª alteração contratual (fls. 162/171) mediante a qual incorporou outras 11 empresas além da sucedida Zik Sports, passou a apresentar o seguinte quadro societário: SEBASTIÃO VICENTE BOMFIM FILHO (85%); ISABEL MARIA DE MELO BOMFIM (3%); e GLORIA MARIA DE MELO BONFIM BURGER (12%). Ora, o sóciogerente de ambas as empresas (sucessora e sucedida), Sr. Sebastião Vicente Bonfim Filho e único responsável pelas ações e omissões que ensejaram a aplicação da multa qualificada e detentor de 85% do capital social da incorporadora, não pode alegar em seu proveito o desconhecimento de como operava a empresa incorporada e eventuais riscos ocultos na operação de incorporação. Não pode, portanto, opor a boa fé para justificar o afastamento da multa qualificada neste caso. Segundo Roque Antonio Carrazza, em seu Curso de Direito Constitucional, 16a ed, p. 379, o princípio da boafé também impera no Direito Tributário e leciona: “De fato, ele irradia efeitos tanto sobre o Fisco quanto sobre o contribuinte, exigindo que ambos respeitem as conveniências e interesses do outro e não incorram em contradição com sua própria conduta, na qual confia a outra parte (proibição de venire contra factum próprio).” (grifei) É oportuno registrar que não está mais em discussão neste processo a qualificação da multa, em face da ação dolosa do sujeito passivo, conforme sintetizado na ementa do acórdão recorrido, in verbis: IRPJ APLICAÇÃO DA MULTA AGRAVADA A conduta da contribuinte de não informar a totalidade de suas receitas nas declarações de rendimentos entregues ao Fisco, nem escriturá las nos livros próprios, durante períodos consecutivos, procedimento adotado sistematicamente em todo o grupo de empresas capitaneado pela autuada, por meio de limitadores eletrônicos de emissão de notas fiscais ou cupom, além da manutenção de controles paralelos de receitas, denota o Fl. 788DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 14 elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa agravada pela ocorrência de fraude prevista no art. 72 da Lei n° 4.502/1964. Não há, pois como justificar a exclusão da exasperação da multa de ofício no presente caso, sem ferir o princípio da boafé, pois a ninguém é dado o direito de se beneficiar da própria torpeza (neminem auditur propriam turpitudinem allegans). Não bastassem todas as considerações já expendidas, entendo que o presente caso amoldase à perfeição ao conteúdo da Súmula nº 47 do CARF, in verbis: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Finalmente, julgo importante registrar que a tese de desconsideração de ato ou negócio jurídico, prevista no art. 116 do CTN, vislumbrada pelo relator do acórdão vencedor da matéria ora em discussão, como o fundamento indireto da imposição da multa à sucessora, não consta da fundamentação legal, nem das razões da fiscalização para atribuir tal responsabilidade à sucessora, ora autuada. Também não vejo razões para a sua invocação no presente caso. Deste modo considero irrelevante a discussão se tal dispositivo seria ou não aplicável ao presente caso e se o dispositivo em questão estaria ou não em condições de aplicabilidade ou dependeria de sua regulamentação. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial para restabelecer a cobrança da multa de ofício qualificada (150%) sobre os créditos tributários, nos termos do lançamento efetuado. ﴾documento assinado digitalmente﴿ ALBERTO PINTO S. JR. Relator. Fl. 789DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10920.001973/2007-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/1999 a 31/07/2004
PREVIDENCIÁRIO MATÉRIA SUB JUDICE CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL DEPÓSITO JUDICIAL. DECADÊNCIA
Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria.
Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
No caso, não houve antecipação de pagamento. Há que se aplicar, portanto, a regra do art. 173, I do CTN.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não se cogita em nulidade do lançamento.
A ação judicial proposta não impede a autoridade administrativa de fiscalizar, lançar ou julgar o crédito tributário, suspendendo apenas a sua exigibilidade, ou seja, os atos executórios de cobrança.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-001.988
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: I) declarar a decadência até a competência 11/2000; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que de ofício: a) declarava a decadência até a competência 10/2001; e b) excluía multa e juros do lançamento.
Nome do relator: CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
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DECADÊNCIA Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso, não houve antecipação de pagamento. Há que se aplicar, portanto, a regra do art. 173, I do CTN. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não se cogita em nulidade do lançamento. A ação judicial proposta não impede a autoridade administrativa de fiscalizar, lançar ou julgar o crédito tributário, suspendendo apenas a sua exigibilidade, ou seja, os atos executórios de cobrança. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 157DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/09/2 011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: I) declarar a decadência até a competência 11/2000; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que de ofício: a) declarava a decadência até a competência 10/2001; e b) excluía multa e juros do lançamento. Elias Sampaio Freire Presidente Cleusa Vieira de Souza Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa, Rycardo Henryque Magalhães de Oliveira. Fl. 158DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/09/2 011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10920.001973/200712 Acórdão n.º 2401001.988 S2C4T1 Fl. 157 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, no valor de R$ 412.743,53 (quatrocentos e doze mil, setecentos e quarenta e três reais e cinqüenta e três centavos), referente às contribuições destinadas ao SEBRAE, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados informadas em folha de pagamento e GFIP. Conforme o Relatório Fiscal (fls. 46/50), o lançamento foi efetivado com o objetivo de prevenir a decadência, tendo em vista que as contribuições foram depositadas judicialmente e são objeto da Ação Ordinária n°. 99.01029600, que tramita na 3°. Vara Federal de Joinville. Tempestivamente a Notificada apresentou sua impugnação, (fls. 105/117), alegando, em síntese: Das Preliminares Que os dispositivos legais invocados pelo agente fiscal não discriminam e não se coadunam com o suporte tático; que é nula a NFLD porque a descrição dos fatos foi feita de forma imprecisa e com fipificação incorreta e obscura; que o dispositivo infringido deixou de ser consignado em ofensa aos Princípios da Legalidade e da Ampla Defesa; Que é de 05 anos o prazo para o Fisco constituir seus créditos; Que o débito está com a xigibilidade suspensa, de acordo com o artigo 151, III do CTN, e que as contribuições foram integralmente depositadas; No Mérito Alega que é inexigível a contribuição ao SEBRAE. Requer a nulidade, o reconhecimento da decadência, a improcedência do lançamento e a produção de provas. A Secretaria da Receita Previdenciária em Blumenal/SC, por meio da DecisãoNotificação nº 20.421.4/0051/2007, julgou procedene o lançamento. Inconformado o Contribuinte interpôs recurso voluntário a este Conselho, requerendo a reforma da decisão, conforme razões aduzidas às fls. 137/146, em que basicamente reproduz as razões trazidas em sua impugnação, alegando ainda: Que decidiu equivocadamente a Delegacia da Receita Previdenciária em Blumenau/SC, no arrazoado já referido. Com efeito, reafirmando o que já se disse na peça impugnatória, não basta colocar no instrumento de autuação fiscal, os artigos da legislação que regulamenta a matéria. Para que ocorra a Fl. 159DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/09/2 011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 tipificação correta e legal, ainda mais em se tratando de matéria tributária, onde a legislação é típica, cerrada, não basta descrever o tipo legal. Muito ao contrário, é preciso distinguir o nexo causal necessariamente existente entre a hipótese de ilegalidade ou ilícito tributário e a perfeita subsunção do fato jurídico supostamente perpetrado pelo contribuinte ao tipo legal. Não basta mera referência das condicionantes jurídicas previstas para a espécie. Sem a demonstração fática do nexo causal, pode existir ilegalidade, mas não a culpabilidade. Nesse sentido, destacase que a recorrente insiste na sua tese inicial segundo a qual o Auto de Infração deve ser anulado e/ou tornado insubsistente por não se coadunar perfeitamente com a legislação de regência, inexistindo o liame perfeito quanto ao enquadramento legal do fato. A decisão atacada incorreu também em cerceamento de defesa ao indeferir a produção de provas, o procedimento da autoridade julgadora afrontou o princípio do devido processo legal, garantidor do contraditório e da ampla defesa. Assim, à autoridade julgadora cabe apreciar a defesa, buscar a verdade material, admitindose inclusive, a juntada de documentos novos até mesmo após a decisão A análise da Notificação Fiscal lavrada permite extrair que a mesma aborda fatos contábeis/fiscais que extrapolam o prazo decadenciai do INSS constituir o seu crédito tributário de oficio, "ex vi do disposto no artigo 173, do Código Tributário Nacional. No presente caso, o período de apuração dos supostos créditos do INSS remontam período superior aos 05 (cinco) anos previsto no Código Tributário Nacional, • motivo pelo qual decaiu o direito do INSS em tentar constituir o seu crédito tributário, fato este que deve ser declarado de oficio por esta douto autoridade administrativa julgadora, extinguindose parte da conseqüente Notificação Fiscal lavrada. Todavia, ainda que fosse efetivamente devido e conforme o cálculo apresentado pelo Fisco, presentemente impugnado, o que só se admite "ad argumentandum tantum" ainda assim não poderia ser exigido, em face de que o direito cristalino da recorrente encontrase estampado no artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional, recentemente alterado pela Lei Complementar n° 104, de 10/01/2001, adiante transcrito: Ao final requer primeiramente, o recebimento do presente recurso, em todos os seus termos, no sentido de, em obediência ao mandamento constitucional, impor à Delegacia da Receita Previdenciária em Blumenau/SC, o conhecimento dos pedidos abaixo: a) Preliminarmente, o acolhimento da preliminar retro, para reconhecer a nulidade da autuação em baila, em face do não cumprimento dos requisitos legais para a sua constituição válida e regular, com o conseqüente cancelamento (arquivamento); b)No caso de entendimento diverso, determine o cancelamento da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito por estarem, os débitos autuados, legalmente Fl. 160DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/09/2 011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10920.001973/200712 Acórdão n.º 2401001.988 S2C4T1 Fl. 158 5 suspensos quanto a sua exigibilidade, uma vez que os valores já se encontram depositados, conforme bem assentado na referida Notificação; em face tanto do depósito, quanto da Ação Judicial interposta, já com decisão favorável a recorrente, quanto à matéria do SEBRAE; c) O reconhecimento da decadência de parte do período objeto do levantamento, na forma argüida outrora; d) Ainda, no mérito, reconheça a IMPROCEDÊNCIA da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, declarando extinta a pretensão fiscal, excluindo a aplicação das penalidades, pelos fundamentos de fato e de direito acima expendidos; e) A produção de todas as provas materiais e formais em direito admitidas, bem como de outras que se fizerem necessárias, no curso do presente procedimento; Requerse, finalmente, que a intimação, quanto aos atos processuais, sejam encaminhadas no endereço da recorrente. A SRP em Blumenal ofereceu contrarrazõs, pugnando pela manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 161DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/09/2 011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheira Cleusa Vieira de Souza Relatora Presentes os pressupostos de admissibilidade, o recurso merece ser conhecido Antes de adentrar às demais questões aduzidas no presente recurso, mister se faz proceder à análise da decadência suscitada pela recorrente. O Supremo Tribunal Federal STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. No REsp 879.058/PR, DJ 22.02.2007, a 1ª Turma do STJ pronunciouse nos temos da seguinte ementa: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO RECORRIDO ASSENTADO SOBRE FUNDAMENTAÇÃO DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, § 4º).PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO. 1. omissis 2. omissis 3. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art.173, I, do CTN, segundo o qual 'direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado '. 4. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —, há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento Fl. 162DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/09/2 011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10920.001973/200712 Acórdão n.º 2401001.988 S2C4T1 Fl. 159 7 antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes da 1ª Seção: ERESP 101.407/SP, Min. Ari Pargendler, DJ de 08.05.2000; ERESP 278.727/DF, Min.Franciulli Netto, DJ de 28.10.2003; ERESP 279.473/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 11.10.2004; AgRg nos ERESP 216.758/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 10.04.2006. 5. No caso concreto, todavia, não houve pagamento. Aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 6. Recurso especial a que se nega provimento." E ainda, no REsp 757.922/SC, DJ 11.10.2007, a 1ª Turma do STJ, mais uma vez, pronunciouse nos temos da ementa colacionada: “EMENTA CONSTITUCIONAL, PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ARTIGO 45 DA LEI 8.212/91. OFENSA AO ART. 146, III, B, DA CONSTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, § 4º). PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO. 1. "As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplicase também a elas o disposto no art. 146, III, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social" (Corte Especial, Argüição de Inconstitucionalidade no REsp nº 616348/MG) 2. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual "o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ". 3. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, "ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa " e "operase pelo ato em que a referida Fl. 163DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/09/2 011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa " — , há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 4. No caso, tratase de contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 173, I, do CTN. 5. Recurso especial a que se nega provimento. É a orientação também defendida em doutrina: “Há uma discussão importante acerca do prazo decadencial para que o Fisco constitua o crédito tributário relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Nos parece claro e lógico que o prazo deste § 4º tem por finalidade dar segurança jurídica às relações tributárias da espécie. Ocorrido o fato gerador e efetuado o pagamento pelo sujeito passivo no prazo do vencimento, tal como previsto na legislação tributária, tem o Fisco o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para emprestar definitividade a tal situação, homologando expressa ou tacitamente o pagamento realizado, com o que chancela o cálculo realizado pelo contribuinte e que supre a necessidade de um lançamento por parte do Fisco, satisfeito que estará o respectivo crédito. É neste prazo para homologação que o Fisco deve promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e, entendendo que é insuficiente, fazendo o lançamento de ofício através da lavratura de auto de infração, em vez de chancelálo pela homologação. Com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, pois, ocorre a decadência do direito do Fisco de lançar eventual diferença. A regra do § 4º deste art. 150 é regra especial relativamente à do art. 173, I, deste mesmo Código. E, em havendo regra especial, prefere à regra geral. Não há que se falar em aplicação cumulativa de ambos os artigos.” (Leandro Paulsen, Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência , Ed. Livraria do Advogado, 6ª ed., p. 1011) “Ora, no caso da homologação tácita, pela qual se aperfeiçoa o lançamento, o CTN estabelece expressamente prazo dentro do qual se deve considerar homologado o pagamento, prazo que corre contra os interesses fazendários, conforme § 4o do art. 150 em análise. A conseqüência –homologação tácita, extintiva do crédito – ao transcurso in albis do prazo previsto para a homologação expressa do pagamento está igualmente nele consignada” (Misabel A. Machado Derzi, Comentários ao CTN, Ed. Forense, 3a ed., p. 404 No caso em exame, pelo que se verifica dos autos, não houve antecipação de pagamento, devendo ser aplicada a regra do art. 173, inciso I do CTN. Portanto, na data da ciência da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, que se deu em 23/11/2006, as contribuições relativas ao período de 01/06/1999 a 30/11/2000 já se encontravam fulminadas pela decadência. Fl. 164DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/09/2 011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10920.001973/200712 Acórdão n.º 2401001.988 S2C4T1 Fl. 160 9 Ainda em preliminar, a recorrente alega nulidade da decisão por preterição aos direitos da defesa, sob o argumento de que impugnante alega que há dissonância entre os dispositivos legais invocados e o suporte tático, cuja descrição foi feita de forma imprecisa e com tipificação incorreta e obscura. Alega, ainda, que houve ofensa aos Princípios da Legalidade e da Ampla Defesa, pela ausência de indicação dos dispositivos legais infringidos.não basta colocar no instrumento de autuação fiscal, os artigos da legislação que regulamenta a matéria. Para que ocorra a tipificação correta e legal, ainda mais em se tratando de matéria tributária, onde a legislação é típica, cerrada, não basta descrever o tipo legal. Muito ao contrário, é preciso distinguir o nexo causal necessariamente existente entre a hipótese de ilegalidade ou ilícito tributário e a perfeita subsunção do fato jurídico supostamente perpetrado pelo contribuinte ao tipo legal. Não basta mera referência das condicionantes jurídicas previstas para a espécie. Sem a demonstração fática do nexo causal, pode existir ilegalidade, mas não a culpabilidade. Entretanto, conforme já devidamente enfrentadas na decisão de primeira instância são descabidas tais, argumenos, se revelam meramente protelatórios, porquanto auditoria fiscal informa, no item 10 do relatório fiscal (fls. 48/49), acerca dos relatórios que compõem a NFLD e indica a sua descrição. O relatório Fundamentos Legais do Débito (fls. 33/35)• é bastante claro e preciso, porque somente trata dos dispositivos legais relacionados às contribuições, acréscimos legais e prazos aplicáveis ao presente lançamento, devidamente separados em tópicos e períodos, de forma a facilitar a visualização e identificação da legislação correlata. É de se ver assim, que o presente lançamento observou todos requisitos legais exigidos para a sua constituição, nos termos do artigo 37 da Lei nº 8212/91, in verbis Art.37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Verificase que, ao contrário do que afirma a notificada, a NFLD foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação (FLD e REFISC), os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura da NFLD e, junto com o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. A fiscalização deixou claro, nos relatórios integrantes da Notificação, que as quantias lançadas por intermédio da NFLD discutida referese à contribuição ao SEBRAE incidente sobre as remunerações dos empregados informadas pela própria empresa por meio das GFIP. Esclarece, ainda, o Relatório Fiscal que a exigibilidade ficará suspensa, tendo sido realizado o depósito integral das contribuições devidas ao SEBRAE relativa às remunerações informadas em folha de pagamento e em GFIP pagas aos segurados empregados do estabelecimento matriz nas competências 06/1999 a 07/2004. Fl. 165DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/09/2 011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Esclareceu, mais, que a constituição darseá através do presente lançamento somente para fins de prevenir a decadência, ficando o crédito previdenciário com sua exigibilidade suspensa, no aguardo do trânsito em julgado da Ação Ordinária 99.01029600. No mérito, a notificada não nega que deixou de recolher as contribuições devidas ao SEBRAE, incidentes sobre as remunerações dos seus segurados empregados, declaradas na GFIP. Ela apenas tenta demonstrar que é ilegal a exigência de tributo submetido a apreciação do poder judiciário, com exigibilidade suspensa por liminar e depósito das importâncias em litígio, ressaltando que não é lícito à administração tributária proceder a qualquer atividade que afronte o comando judicial, sob pena de cometimento do dito de desobediência. Assim, como se pode observar os argumentos da empresa, quanto ao mérito da exigência das contribuições ao SEBRAE, se identificam com o objeto da Ação Ordinária n°. 99.01029800, conforme comprovantes e petição juntados (fls. 55/101), motivo pelo qual não serão apreciados nesta esfera administrativa. Porém, é oportuno esclarecer que a ação judicial proposta suspende apenas a exigibilidade do crédito, ou seja, os atos executórios de cobrança. Ao contrário do que entende a notificada, a autoridade administrativa não está impedida de fiscalizar, lançar ou julgar o crédito tributário, e nem deve ser suspenso o trâmite do presente processo administrativo, pois a suspensão referese à exigência do crédito e não à possibilidade de a autoridade fiscal efetuar o lançamento ou de as autoridades julgadoras administrativas apreciarem a defesa e o recurso no processo administrativo fiscal. Dessa maneira, tendo constatada a ocorrência do fato gerador, a autoridade fiscal lançou corretamente o débito, em consonância com o disposto no art. 33 da Lei 8.212/91, protegendoo da decadência. Assim, não se verifica no presente caso, a ocorrência de qualquer vício que possa ensejar a nulidade da NFLD discutida. Pelo exposto; Voto do sentido de CONHECER PARCIALMENTE do recurso, e na parte conhecida, rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas, declarar a decadência do período de 06/1999 a 11/2000, excluir do lançamento as contribuições relativas ao período declarado decadente e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Cleusa Vieira de Souza. Fl. 166DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/09/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 30/09/2 011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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