Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,220)
- Segunda Câmara (27,799)
- Primeira Câmara (25,084)
- Segunda Turma Ordinária d (17,371)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,074)
- Primeira Turma Ordinária (15,859)
- Primeira Turma Ordinária (15,833)
- Primeira Turma Ordinária (15,831)
- Segunda Turma Ordinária d (15,681)
- Segunda Turma Ordinária d (14,211)
- Primeira Turma Ordinária (12,953)
- Primeira Turma Ordinária (12,272)
- Segunda Turma Ordinária d (12,235)
- Quarta Câmara (11,512)
- Primeira Turma Ordinária (11,304)
- Quarta Câmara (83,916)
- Terceira Câmara (66,252)
- Segunda Câmara (54,545)
- Primeira Câmara (19,103)
- 3ª SEÇÃO (16,074)
- 2ª SEÇÃO (11,242)
- 1ª SEÇÃO (6,775)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (122,158)
- Segunda Seção de Julgamen (112,982)
- Primeira Seção de Julgame (75,394)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,909)
- Câmara Superior de Recurs (37,687)
- Terceiro Conselho de Cont (25,961)
- IPI- processos NT - ressa (5,006)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,960)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,860)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,242)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,650)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,197)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,618)
- HELCIO LAFETA REIS (3,506)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,210)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,891)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,605)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,820)
- 2019 (30,958)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,465)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,170)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,077)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 16095.720086/2013-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1201-000.259
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para análise das receitas omitidas.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima
Nome do relator: EVA MARIA LOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16095.720086/2013-41
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5744309
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1201-000.259
nome_arquivo_s : Decisao_16095720086201341.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : EVA MARIA LOS
nome_arquivo_pdf_s : 16095720086201341_5744309.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para análise das receitas omitidas. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima
dt_sessao_tdt : Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
id : 6867745
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049211993325568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1813; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16095.720086/201341 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1201000.259 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 21 de junho de 2017 Assunto OMISSÃO RECEITAS/ DEPÓSITOS BANCÁRIOS Recorrente GENESIS INDUSTRIA E COMERCIO DE PRODUTOS QUIMICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para análise das receitas omitidas. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima 1 Relatório Trata o processo de autos de infração de págs. 140/154, relativos ao ano calendário 2009, no regime do lucro real trimestral: Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ no montante de R$7.277.680,73, relativo à infração: 0001 Omissão de Receitas por Presunção Legal, Depósitos bancários de origem não comprovada; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, R$2.619.965,07, reflexo da mesma infração; Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, R$2.212.414,95, regime não cumulativo, reflexo da mesma infração; Contribuição para o PIS, R$480.326,94, reflexo das infrações 001; todos apenados com multa de ofício de 75%. Os procedimentos de fiscalização e as autuações estão descritos no Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais de págs. 125/134. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 95 .7 20 08 6/ 20 13 -4 1 Fl. 7613DF CARF MF Processo nº 16095.720086/201341 Resolução nº 1201000.259 S1C2T1 Fl. 3 2 Cientificado em 08/05/2013, pág. 186, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva. Às págs. 4.543/4.545, Despacho de Saneamento requerido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP DRJ/RPO; em resposta, as págs. 4.546/4.556, consta Razão sintético da conta 1.1.102 Bancos, do anocalendário 2009, e às págs. 4.557/4.559, Informação Fiscal: 1. "Compulsando os autos não constatei a juntada do anexo que indicaría quais os rendimentos omitidos que motivaram as autuações Resposta: O anexo a que se refere o Despacho é o Demonstrativo de 'Depósitos em Contas Bancárias com Origens não Comprovadas. E de se esclarecer que, diante do volume de folha que necessitariam ser impressas e rubricadas, foi fornecido ao contribuinte o arquivo digital contendo esse anexo. A entrega desse arquivo foi realizada juntamente com o Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais, em 08/05/2013 (como se observa no aviso de recebimento), tendo sido lavrado o Termo de Entrega de Arquivos Digitais, de 29/04/2013, o qual se encontra anexado ao processo digital (vide .documento DIVERSOS ANEXO AO TVCIF MFIN COM AR, anexado ao processo digital). Em anexo a este Termo, encontrase o arquivo digital solicitado pela DRJ (vide tela abaixo) (...) 2. "É necessário, assim, que a DRF informe quais os valores constantes na Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (DIMOF) que indicaria a movimentação bancária do contribuinte, em 2009." Resposta: A movimentação financeira dos valores que foram creditados em sua conta corrente, constante na DIMOF; monta R$ 40.418.328,25 (...). 3. "E necessário, também, que a Fiscalização informe se o SPED foi devidamente escriturado e se as informações constantes na DIPJ retificadora conferem com os fatos registrados na escrituração contábil digital, especialmente em relação às receitas, custos, despesas e lucros apurados, conforme intimação de fls. 78." Resposta: Foi realizada a verificação entre os valores informados em DIPJ e os valores constantes na ECD apresentada pelo contribuinte. As divergências apuradas foram objeto de lançamento e constam do processo n° 16095.720087/201396. 4. "Por fim, é necessário que a Fiscalização informe se a movimentação financeira bancária está contabilizada e suportada por documentos". Resposta: Conforme anexado, a relação de valores debitados.na conta BANCO do contribuinte, obtida a partir do ECD, HASH nº 5EÉ0089BE525FAFEF39B028D5BAC3CDE2ABA937F, observase que o contribuinte contabilizou os lançamentos relativos aos recebimentos dos clientes com a rubrica "BAIXA DE DUPLICATAS, o Fl. 7614DF CARF MF Processo nº 16095.720086/201341 Resolução nº 1201000.259 S1C2T1 Fl. 4 3 qual foi feito de forma sintética, impossibilitando o cotejo com o extrato bancário. A DRJ/RPO, proferiu o Acórdão nº 1445.551, de 22 de outubro de 2013, págs. 4.562/4.592, considerando procedente em parte a impugnação; não houve recurso de ofício. A Autuada tomou ciência em 19/11/2013, pág. 4.626, por via eletrônica, por decurso de prazo, e apresentou recurso voluntário tempestivo em 16/12/2013, págs. 7.163/7.203. Contesta os autos de infração e a parte mantida pela DRJ, porque se está a exigir em duplicidade, tudo aquilo que já recolheu de tributos, com base em extratos bancários, que são meros indícios; que estão inclusos na base de cálculo empréstimos tomados, transferências entre contas, desconto escritural, valores já tributados em anos anteriores devido ao regime de competência. Cita a autora Maria Rita Ferragut e vários outros, para argumentar que o ônus da prova não é alterado pela presunção e que quem alega a ocorrência do fato indiciado deve provar a ocorrência dos indícios, fatos diretamente conhecidos e para afirmar que não há prova concreta da ocorrência real dos indícios e que não há como sustentar acusação de omissão de receitas, que não existiu: citese: A decisão recorrida incide em mesma mácula, senão vejamos:. A acusação do Auditor Autuante corroborada pela decisão de 1º grau (fls. 3 da decisão) de que os extratos requeridos não foram entregues na sua integralidade— é descabida, revelandose que não houve a verificação necessária. Ocorre que não foi observado que os extratos constavam copiados na frente e no verso do documento pertinente. Que improcede a acusação de falta de entrega de documentação, pois tudo foi entregue e anexa o Relatório Anexo I, com os borderôs que haviam sido disponibilizados e sequer foram manuseados pelo Autuante. Descabe a acusação de falta de coincidência em data e valor das justificativas (nome do cliente e nº NF) apresentadas: no caso dos valore, é porque são divididos em parcelas, cuja somatória totaliza a da NF, basta verificar; anexa os arquivos digitais das NFe gerados pelo SVA/RFB. Improcede que a empresa faltou com o atendimento junto à autoridade fiscal e após a segunda intimação, em 07/02/2013, teria ficado omissa, pois em 31/02/2013, compareceram representantes legais da empresa e foram recebidos pelo Autuante, além de que houve várias outras reuniões, que descreve. Que os campos em branco na declaração entregue foram sanados pela Declaração Retificadora. Aponta os seguintes erros na autuação: a) 01/2009 omissão de receita R$2.616.698,63 é inexistente, porque: a.1) R$1.051.878,40: Fl. 7615DF CARF MF Processo nº 16095.720086/201341 Resolução nº 1201000.259 S1C2T1 Fl. 5 4 Conta Instituição Financeira Valores (R$) 1.1.01.03.000002 Banco do Brasil desconto escritural: 118.101,22 1.1.01.03.000005 Banco do Brasilempréstimo bancário: 280.000,00 1.1.01.03.000238 Bradescoestorno de tarifas: 20,25 1.1.01.03.000239 BradescoTransf. Entre o mesmo CNPJ: 235.000,00 1.1.01.03.000341 Itaúvalor considerado em duplicidade pelo fisco: 416.587,68 1.1.01.03.000345 Itaúestorno de lançamento: 2.169,25 a.2) R$1.611.768,66 Duplicatas a Receber DACON, vendas a prazo, já tributadas nos anoscalendário 2008 e 01/2009 , Anexo II. Diz que os mesmos erros ocorreram nos meses seguintes da autuação. Cita autores e decisões judiciais e administrativas e diz que, desprezando toda a evidência, o trabalho fiscal resumiuse em reunir e tributar indiscriminadamente o total dos depósitos e que tal procedimento fiscalizatório torna o lançamento fundado em mera presunção "júris et de jure", para o Fisco, com vulneração ao princípio da legalidade, ocorrendo, indevida transferência à autuada da atividade privativa de determinar a matéria tributável que é do Fisco. Acusa de afronta ao princípio da nãocumulatividade, a ausência de descontos de créditos nas autuações de PIS e Cofins, ao argumento de que "eventuais créditos decorrentes da aplicação de insumos vinculados às receitas tributadas devem ser demonstrados pela impugnante", porque a Autuada não tem como demonstrar créditos decorrentes de receitas inexistentes; e autuar sem aproveitar os créditos, exigindo o tributo de forma cumulativa é afrontar a lei; historia e transcreve a legislação da não cumulatividade; concorda que não podem ser utilizados de ofício os créditos já objetos de pedido de ressarcimento, para não ocorrer duplicidade de aproveitamento, mas diz que não procedem as razões postas na decisão recorrida ao negar os legítimos créditos da Autuada e, se não se permite o aproveitamento do crédito, não se pode aplicar as alíquotas de 1,65% de PIS e 7,65% de Cofins. Reclama de indevida utilização de extratos cobertos por sigilo bancário, para lavrar autuação fiscal, sem a necessária autorização judicial, segundo decisão RE nº 389.808/PR do Supremo Tribunal Federal SRF, em 15/12/2010, que descreve; que foi submetida a constrangimento ilegal; por isso, não prosperam a autuação do IRPJ e tampouco as autuações reflexas. À pág. 7.198, apresenta Demonstrativo das Receitas e Custos dos Exercícios 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012, segundo as DIPJ, para evidenciar a uniformidade nos valores das receitas, e que a autuação gerou um valor destoante no ano 2009, que praticamente duplicou o montante e questiona se a empresa estaria sonegando tanto assim, nos demais anos? E aponta que também os custos guardam uniformidade e não dobraram em 2009. Destaca que os montantes de recebimentos nos extratos aproximamse dos valores de receita declarados. Requer o cancelamento dos autos. Fl. 7616DF CARF MF Processo nº 16095.720086/201341 Resolução nº 1201000.259 S1C2T1 Fl. 6 5 Às págs. 7.575/7.581, em 05/12/206, Justiça Federal, 3ª Vara de Guarulhos, comunica a indisponibilidade de bens que compõem o ativo permanente ad ré Genesis Ind e Com de Produtos Químicos Ltda, na Ação Cautela Fiscal com pedido de liminar movida pela União Federal. 2 Voto Conselheira Eva Maria Los, Relatora 2.1 DADOS BANCÁRIOS OBTIDOS SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. A Recorrente acusa de ilícita a autuação baseada em informações bancárias obtidas sem autorização judicial; que o plenário do STF, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, em 15/12/2010, colocou fim à discussão afastando a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto aos dados bancários sem ordem emanada do Poder Judiciário e que o STF considerou inconstitucional Lei Complementar n° 105, de 2001, regulamentada pelo Decreto n° 3.724, de 2001. Não tem razão, eis que o Pleno do SRF, decidiu, com efeito vinculante conforme a seguir, o que encerra a questão. Fonte: http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/publicacaoInformativoRG/anexo/Repercusso_Geral_7.capa. pdf, Boletim Repercussão Geral: RE 601.314/SP, repercussão geral reconhecida e mérito julgado, TEMA 225 Direito Constitucional; Direitos e Garantias Fundamentais O art. 6o da Lei Complementar 105/2001 não ofende o direito ao sigilo bancário, porque realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal.Por sua vez, a Lei 10.174/2001 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do art. 144, § 1o, do CTN. Discutiase a constitucionalidade — frente ao parâmetro do sigilo bancário — do acesso aos dados bancários por autoridades e agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sem autorização judicial, nos termos dispostos pela LC 105/2001. Debatiase, ainda, eventual afronta ao princípio da irretroatividade das leis, quando esses mecanismos são empregados para a apuração de créditos relativos a tributos distintos da CPMF, cujos fatos geradores tenham ocorrido em período anterior à vigência deste diploma legislativo. No tocante ao primeiro tema, o Tribunal afirmou, de início, que o direito à privacidade ou à intimidade são direitos passíveis de conformação. Não se trata de pura condição restritiva, porém, a própria lei pode estabelecer determinadas delimitações. Logo, a Fl. 7617DF CARF MF Processo nº 16095.720086/201341 Resolução nº 1201000.259 S1C2T1 Fl. 7 6 quebra de sigilo bancário sem autorização judicial, visando à Administração Tributária, não padece de ilegalidade. Quanto à segunda questão, o art. 144, § Io, do CTN impõe que qualquer método de apuração tributária entre em vigor imediatamente, o que afasta a alegação de retroatividade. A Corte asseverou que, na verdade, o tema em debate não diz respeito a quebra de sigilo, mas transferência de sigilo para finalidades de natureza eminentemente fiscal. A legislação aplicável garante a preservação da confidencialidade dos dados, vedado seu repasse a terceiros, estranhos ao próprio Estado, sob pena de responsabilização dos agentes que eventualmente pratiquem essa infração. Assim, dados sigilosos de interesse fiscal somente podem ser acessados depois da instauração de competente processo administrativo, por ato devidamente motivado, nos moldes hoje preconizados pelo Decreto 3.724/2002, compreendidos os três níveis políticoadministrativos da Federação. Garantese, ainda, a imediata notificação do contribuinte, a ele assegurado o acesso aos autos e o direito à extração de cópias de quaisquer documentos ou decisões, para que possa exercer, a todo o tempo, o controle jurisdicional dos atos da Administração, nos termos da Lei 9.784/1999. (RE 601.314/SP. rel. ministro Edson Fachin, julgamento em 2422016, acórdão pendente de publicação) Acusa ainda que ofende o art. 4º, § 5º, do Decreto nº 3.724, de 2001, dado que não consta dos autos "Relatório Circunstanciado"com base no qual tenha sido expedida a RMF, o que conduz à nulidade dos autos. Descabe razão aos Recorrentes, eis que às págs. 140/197 dos autos, acompanhando as Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira RMF, assinadas pelo Delegado da DRF de jurisdição, requisitando, com base em procedimento de fiscalização instaurado, e depois de intimações e reintimações para fornecer os extratos bancários, não atendidas,constam o Ofício Sefis/DRF/Barueri nº 13/2014, dirigido à Procuradoria da Fazenda Nacional, descrevendo os fatos e relatório de Conclusão do Juiz Federal, autorizando o compartilhamento de provas, às págs. 113/132, Decisão judicial autorizando o compartilhamento dos dados colhidos na investigação pela Polícia Federal com a RFB, o que supre plenamente a exigência, além de que, não se deve olvidar que o procedimento de fiscalização deu sequência às investigações da CPMI, que gerou as operações pela Policia Federal e Ministério Público Federal, que encaminharam à Receita Federal do Brasil. A Recorrente discorre acerca da inconstitucionalidade da LC nº 105, de 2001 e do Decreto nº 3.724, de 2001, mas cabe apontar a decisão já transcrita do STF, com repercussão geral, além de que, aos Conselheiros do CARF, não compete apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal ou mesmo de outras leis, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. 2.2 A EMPRESA. Fonte: http://www.genesistintas.com.br/empresa/ Fl. 7618DF CARF MF Processo nº 16095.720086/201341 Resolução nº 1201000.259 S1C2T1 Fl. 8 7 A Gênesis é uma empresa especializada na fabricação de tintas, vernizes e produtos químicos para Impressão Serigráfica e Digital. Fundada em 1984, hoje é considerada uma das principais empresas do mercado no Brasil e referência quando o assunto é qualidade. Prova disso, é a nossa história. Com duas grandes expansões da sede e do parque industrial nos anos de 1997 e 2005, hoje possuí uma área com mais de 18.500 m² e os nossos Produtos e Serviços são reconhecidos através da satisfação de nossos clientes e prêmios como o Prêmio Quality, Homenagem ABRAFATI (Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas) e Prêmio Silk & Sign (1° colocado na categoria Fornecedores de Tintas Serigráficas). 2.3 O LANÇAMENTO FISCAL. A fiscalização iniciouse em 14/03/2012, págs. 3/5. A DIPJ original que o contribuinte havia apresentado estava totalmente em branco, conforme confirma a DRJ, pág. 4.572. Em 03/05/2012, após intimada, a Recorrente entregou, sem espontaneidade, Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, retificadora, págs. 14/76, na qual informa receitas de exportação R$253.459,01 e no mercado interno de R$28.521.038,09, no total de R$28.774.497,10, e os mesmos custos que incluiu no Demonstrativo apresentado no Recurso Voluntário, e alega que os espaços em branco da DIPJ original foram supridos pela retificadora. O Autuante informa que a Dimof indicou um total de R$40.518.328,25 de valores creditados nas contas bancárias da Recorrente, em 2009. Também informa que foi realizada a verificação entre os valores informados em DIPJ (retificadora) e os valores constantes na ECD apresentada pelo contribuinte. As divergências apuradas foram objeto de lançamento e constam do processo n° 16095.720087/201396; este se refere aos seguintes lançamentos fiscais, conforme cópias do Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais e Autos de infração, que se anexou às págs. 7.585/7.612. Trimestre IRPJ (falia de declaração/recolhimento) CSLL (falta dec declaração/recolhimento) 1º 373,05 2º 54,48 3° 59.264,59 21.317,48 4º 121.443,63 43.703,77 Ainda, o Autuante esclareceu que não foi possível o cotejo dos lançamentos contábeis relativos aos recebimentos nos bancos com os extratos bancários, porque o contribuinte contabilizou os lançamentos relativos aos recebimentos dos clientes com a rubrica "BAIXA DE DUPLICATAS, o qual foi feito de forma sintética. Fl. 7619DF CARF MF Processo nº 16095.720086/201341 Resolução nº 1201000.259 S1C2T1 Fl. 9 8 2.3.1 Síntese Acórdão DRJ. A DRJ/RPO afastou as alegações de ilegitimidade das provas obtidas sem autorização judicial e analisou minuciosamente os argumentos e documentação apresentada e concluiu que: A planilha de fls. 4546/4556 ilustra bem a lamentável forma como é registrada, na contabilidade, a movimentação bancária. Sem dúvida, as normas contábeis autorizam lançamentos sintéticos no livro diário. Todavia, devem ser elaborados livros auxiliares, formalizados com igual rigor, a fim de garantir a perfeita fidedignidade da escrituração, conforme preceitua o § 1o do artigo 1184 do Código Civil: Este Razão, efetivamente, é sintético, e remete aos extratos bancários; por si só, não vincula créditos com receitas; e continua a DRJ: Juntou aos autos documentos intitulados "livro razão" e "livro diário", os quais demonstrariam a vinculação dos depósitos às receitas percebidas. Em tais documentos, os depósitos bancários são lançados a débito em contas "bancos" de ativo. Como contrapartida são creditadas contas de "ativo" relacionadas aos faturamentos mensais da empresa. O exemplo abaixo ilustra a contabilização no "livro diário" de um depósito bancário realizado em 23/06/2009 que foi debitado na conta relacionada ao Banco Itaú (341) e creditado na conta correspondente ao faturamento de 04/2009: (...) A contrapartida redutora do ativo é bem curiosa, mas uma análise dos seguintes lançamentos no "livro razão", permite entender o porquê de o faturamento reduzir o saldo do ativo. (...) No início do mês, toda receita com vendas nele auferida é "contabilizada" e, em seguida, o saldo da conta é reduzido à medida que os depósitos bancários são registrados. Todavia, não obstante os sugestivos nomes conferidos a tais documentos ("livro diário" e "livro razão") insinuarem que representariam a contabilidade da empresa, eles não podem ser apreciados como fiel imagem da escrituração contábil. Apesar de estes documentos serem apresentados de uma forma que os assemelhem à escrituração contábil, com ela não se confundem, pois lhes faltam os necessários requisitos formais intrínsecos e extrínsecos previstos na legislação. Por exemplo, a impressão de suas folhas foi providenciada em 04/06/2013, depois da ciência das autuações (08/05/2013), o que indica que não foram nem ao menos apresentados à Fiscalização: (...) Além disso, verificase que, nas contas relacionadas aos faturamentos, "FAT. mm/aa", logo no primeiro dia do mês todo faturamento já é Fl. 7620DF CARF MF Processo nº 16095.720086/201341 Resolução nº 1201000.259 S1C2T1 Fl. 10 9 contabilizado (fls. 2188), o que é estranho, pois não há como a empresa saber de antemão quantas vendas serão realizadas no mês: (...) Os nomes dados às "contas contábeis" relacionadas aos faturamentos, por conterem os números das notas fiscais emitidas, também evidenciam que elas foram criadas depois de encerrado o mês: Confrontou também os saldos de R$659.774,73 Duplicatas a Receber em 31/12/2008, pág. 372, com a soma dos créditos de notas fiscais de 07, 08, 09, 10, 11 e 12/2008, págs. 376/394, que o contribuinte demonstrou, no total de R$2.650.381,11, para demonstrar a incoerência do argumento cabe destacar que constam ainda do Ativo Circulante de 31/12/2008, valores de R$638.907,67 Clientes Nacionais e R$20.867,06 Clientes no exterior, mas mesmo adicionados ao valor obtido pela DRJ, ainda assim o total destes perfaz R$1.319.549,46, muito menor que a soma dos créditos de R$2.650.381,11. Também cotejou o "Livro Razão" com a planilha de depósitos bancários considerados não justificados pelo Autuante, concluindo que os "desbloqueio de depósitos", não foram documentados, assim como "reapresentação de cheques devolvidos sem fundos", empréstimos financeiros (cabe destacar que apresentou os de págs. 654/673); analisou as transferências entre contas, porém apontou que não constavam dados do depositante, para classificálas como tal, apontou valores contestados que não constavam da autuação; descartou a alegação de depósitos autuados que não constariam dos extratos, porque os confirmou, bem como lançamentos em duplicidade; deu razão em relação a estornos de lançamentos e os excluiu. No que tange aos lançamentos de PIS e Cofins, no regime da cumulatividade, atrelado ao regime de apuração pelo lucro real, confirmou a conclusão fiscal de que o contribuinte não comprovou créditos de PIS e Cofins adicionais aos que escriturou, a suportar os valores adicionais apurados de ofício, de omissão de receitas.. E concluiu a DRJ: Concluo, assim, que as autuações julgadas foram consistentes, tendo o AuditorFiscal observado adequadamente as normas tributárias que tratam da matéria. As parcas exclusões aceitas por este relator em nada maculam o procedimento fiscal, ao contrário, confirmam que a impugnante não conseguiu justificar grande parte dos inúmeros depósitos bancários que compuseram a base de cálculo apurada. Em resumo, as bases de cálculo remanescentes após as devidas exclusões são as que se seguem: E demonstrou os valores cancelados e mantidos no Acórdão proferido, págs. 4.591/4.592. 2.3.2 Análise. Do contexto se evidencia que a Recorrente entregou a DIPJ zerada, enquanto que a Dimof apontava elevada movimentação financeira daí porque foi selecionada para fiscalização. Fl. 7621DF CARF MF Processo nº 16095.720086/201341 Resolução nº 1201000.259 S1C2T1 Fl. 11 10 Intimada a apresentar DIPJ retificadora, entregou sob fiscalização, informando receita em patamar compatível com os anos anteriores; a fiscalização confrontou a escrituração com a DIPJ retificadora e autuou as diferenças não contabilizadas, no processo nº 16095.720087/201396; intimou a empresa a apresentar os extratos bancários e a justificar os créditos recebidos; considerando os recebimentos não justificado e, tendo em vista que a escrituração não permitia confrontar os recebimentos nos bancos com os extratos, conforme resposta que se transcreveu, lavrou as autuações por "omissão de receitas/depósitos bancários de origem não justificada", no presente processo, no regime do lucro real. O relatório Anexo III, citado no Recurso, está às págs. 7.204/7.270 e é a cópia da resposta à intimação para justificar os depósitos bancários, arquivo este que é uma planilha Excel anexa à pág. 110 dos autos, onde o contribuinte listou as justificativas de origem dos depósitos recebidos, no total de R$30.419.832,53, das quais R$29.110.722,92 foram considerados não justificados pelo Autuante. Às págs. 376/394, a Recorrente apresenta movimentação: "Red 3 Conta 1.1.01, Dig 7 Créditos Apontados nos Autos Débitos e Créditos" e da conta "1.1.02.01 Duplicatas a receber" esta com os registros a Débito referentes a Notas Fiscais emitidas no ano 2009, e os registros a Crédito das duplicatas recebidas, referentes a Notas Fiscais, dos anos 2008 e 2009, cuja numeração indica; os demonstrativos são mensais; este demonstrativo visa evidenciar que os créditos bancários autuados se referem a recebimentos de duplicadas, inicialmente referentes a notas fiscais de 2008 e depois de 2009; a seguir se sintetiza: Planilhas do contribuinte, págs. 376/394 "Red 3, Conta 1.1.01, Dig 7 Créditos Apontados nos Autos": Débitos ()Créditos (*) 1.1.02.01 Dupl a Rec: D ref. fatº 2009 1.1.02.01 Dupl a Rec: C ref. Fatº 2008 e 2009 jan/09 1.514.959,59 1.786.256,57 1.931.547,27 (*)2.389.971,12() 875.011,53 fev/09 1.449.557,24 1.867.321,10 1.449.547,24 (*)2.379.650,80()930.093,56 mar/09 2.187.242,22 2.037.135,77 2.187.242,22 (*)2.458.451,01()271.208,79 abr/09 1.784.256,02 2.009.143,24 1.784.256,02 (*)2.005.933,26))22.1677,24 mai/09 1.670.195,43 2.473.245,38 1.670.195,43 (*)2.204.287,38()534.091,95 jun/09 1.986.281,05 2.340.186,28 1.986.281,05 (*)2.281.610,92()295.329,87 jul/09 1.948.104,72 2.434.122,03 1.948.104,72 (*)2.314.964,99()36.6860,27 ago/09 2.072.423,01 2.211.877,92 2.072.423,01 (*)2.725.608,23()653.185,22 set/09 2.010.374,10 2.461.878,51 2.010.374,10 (*)2.825.012,27()814.638,17 out/09 1.979.565,02 3.028.367,18 1.979.565,02 (*)2.421.719,61()442.154,59 nov/09 2.253.470,21 2.366.674,43 2.253.470,21 (*)2.573.638,45()320.168,24 dez/09 2.117.156,95 1.766.803,37 2.117.158,95 (*)2.751.664,98()634.508,03 22.973.585,56 26.783.011,78 23.390.165,24 No outro processo citado, de nº 16095.720087/201396, as diferenças entre a escrituração e a DIPJ retificadora que o contribuinte apresentou sob fiscalização foram: Verificando a consistência entre este arquivo magnético e os dados informados na DIPJ, por meio da comparação entre os balancetes trimestrais, obtidos pelo programa Contágil, a partir do arquivo de ECD, e a DIPJ apresentada pelo Contribuinte, constatamos que houve Fl. 7622DF CARF MF Processo nº 16095.720086/201341 Resolução nº 1201000.259 S1C2T1 Fl. 12 11 falta/insuficiência de declaração de IRPJ e de CSLL, em síntese, pela divergência do valor constante no balancete do lucro liquido e do respectivo valor informado em DIPJ. Estas divergências podem ser observadas no DEMONSTRATIVO DE FALTA DE RECOLHIMENTO DE IRPJ E CSLL, em anexo. Assim, devido à falta (ou insuficiencia) de declaração/recolhimento de IRPJ e de CSLL, conforme DEMONSTRATIVO DE FALTA DE RECOLHIMENTO DE IRPJ E CSLL, em anexo ao presente relatório e sintetizado a seguir, somos autorizados dessa forma a lançar essa falta/insuficiência de declaração/recolhimento de IRPJ e de CSLL, nos seguintes montantes: Trimestre IRPJ (falta de declaração/ recolhimento) CSLL (falta de declaração/ recolhimento) 1º 373,05 2" 54,48 3° 59.264,59 21.317,48 4º 121.443,63 43.703,77 A afirmativa supra significa que a receita informada na DIPJ retificadora estava praticamente toda escriturada porém não havia sido informada em DIPJ, e parte dos IRPJ e CSLL sobre lucros apurados na contabilidade, havia sido declarada em DCTF e paga, destacandose que não foram apurados PIS e Cofins, nesta autuação. Às págs. 123/124 (e 350/351), constam os valores de IRPJ e CSLL confessados como dívidas em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF; à pág. 352, síntese do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais DACON, em que estão os valores apurados mensalmente de PIS e Cofins do ano 2009, e que foram confessados em DCTF, págs. 350/351; às págs.7.583/7.584, documento extraído do processo nº 16095.720087/201396, (pág. 131/132 daquele processo) lista os pagamentos efetuados pela empresa; a seguir estes dados estão resumidos e confrontados com a autuação: DCTF, págs. 350/351 PIS Cofins IRPJ CSLL 1º sem 2009 57.172,98 263.815,25 30.848,98 15.194,76 2º sem 2009 99.536,38 458.760,65 43.366,19 19.881,26 Total 156.709,36 722.575,90 74.215,17 35.076,02 Pagamentos, págs. 7.583/7.584. 6912 PIS 5856 Cofins 3373 IRPJ 6012 CSLL jan/09 6.895,79 32.253,91 fev/09 7.660,72 35.282,06 mar/09 8.597,44 39.596,63 13.942,58 7.049,72 abr/09 10.263,76 47.271,81 mai/09 12.051,17 55.504,71 jun/09 11.704,10 53.906,13 17.197,40 8.321,64 jul/09 12.771,90 58.824,48 ago/09 13.544,10 62.381,30 set/09 16.460,49 75.814,34 20.166,79 9.393,38 out/09 21.477,98 98.925,18 Fl. 7623DF CARF MF Processo nº 16095.720086/201341 Resolução nº 1201000.259 S1C2T1 Fl. 13 12 nov/09 16.056,79 73.954,85 dez/09 19.225,12 88.860,50 23.199,40 10.487,88 Total 156.709,36 722.575,90 74.506,17 35.252,62 Autuação, lucro real, alíquotas aplicadas sobre a Omissão de Receitas/ PIS/ Cofins, não cumulativos, mas sem créditos 480.326,94 2.212.414,95 7.277.680,73 2.619.965,07 No presente processo, o comparativo entre a receita informada na DIPJ retificadora e a omissão de receitas apurada pelo Autuante, aponta que são valores próximos: DIPJ retif não espontânea Depósitos bancários não justificados 1º Tr/2009 6.192.641,26 6.816.852,31 2º Tr/2009 7.697.737,77 6.756.856,31 3º Tr/2009 7.690.632,53 7.372.879,88 4º Tr/2009 7.193.485,54 8.164.134,42 Total 28.774.497,10 29.110.722,92 Os valores mensais considerados omissão de receitas, pelo Autuante, foram: MES DEPÓSITOS NÃO COMPROVÄDOS JAN2009 2.616.698,63 FEV2009 1.799.771,56 MAR2009 2.400.382,12 ABR2009 2.028.127,71 MAI2009 2.366.620,78 JUN2009 2.362.107,82 JUL2009 2.333.006,44 AGO2009 2.459.405,79 SET2009 2.580.467,65 OUT2009 2.605.870,42 NOV2009 2.702.145,50 DEZ2009 2.856.118,50 TOTAL 29.110.722,93 Esta constatação remete à possibilidade de que os depósitos, ou parte deles, se refiram à mesmas receitas de vendas que o contribuinte deixou de declarar (porque a DIPJ não foi espontânea, dado que apresentada sob fiscalização, depois de intimado o contribuinte); se tal hipótese for verdadeira, a omissão de receitas está confirmada, porém não implica em que o contribuinte tenha faturado R$(28.774.497,10 + 29.110.722,92); se a contabilidade apresenta deficiências, este fato pode evidenciar que a empresa contabilizou de maneira a ocultar a receita, mas não significa que todos os depósitos bancários recebidos (expurgados das transferências entre contas, empréstimos tomados, cheques devolvidos e reapresentados, que o Autuante excluiu) sejam receita além daquela que informou na DIPJ; cabe destacar que a contabilidade não foi desqualificada, nem o lucro foi arbitrado, mas lançado no regime do lucro real. Cabe, então, perguntar: 1. Se foi feito o cotejo da contabilidade com a DIPJ e apuradas diferenças de IRPJ e CSLL a recolher autuadas no outro processo de nº Fl. 7624DF CARF MF Processo nº 16095.720086/201341 Resolução nº 1201000.259 S1C2T1 Fl. 14 13 16095.720087/201396, então qual teria sido a forma de recebimento daquela receita informada na DIPJ retificadora não espontânea, se não via contas bancárias? E da receita correspondente aos valores autuados neste processo? 2. Qual seria o saldo de depósitos bancários recebidos objetos da presente autuação, depois de excluídos aqueles referentes à receita correspondente aos valores confessados em DCTF e recolhidos espontaneamente via Darf, mais os que foram objeto da autuação no processo nº 16095.720087/2013? À vista do exposto, proponho diligência que efetue as seguintes verificações: · Identificar, pelo cotejo dos valores confessados em DCTF e recolhidos, com os demonstrativos na DIPJ e registros na contabilidade, a que receitas correspondem os valores de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins confessados e recolhidos pela Autuada. · Identificar os valores dessas receitas mensalmente. · Elaborar relatório com as conclusões. · Cientificar o contribuinte, concedendolhe prazo para contestação. · Encaminhar em seguida para o CARF, 1ªSeção, 2ª Câmara e 1ª Turma Ordinária. 3 Conclusão. Voto por realização de DILIGÊNCIA, a fim de confirmar os valores de depósitos/créditos bancários recebidos não contabilizados. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 7625DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.001494/2009-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 23/06/2003, 11/09/2003, 12/11/2003, 22/11/2003, 21/01/2004, 29/01/2004
DRAWBACK SUSPENSÃO. VENCIMENTO DO PRAZO PARA EXPORTAR. MULTA DIÁRIA POR DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO, CONDIÇÃO OU NORMA OPERACIONAL. NÃO CABIMENTO.
Expirado o prazo para exportação, previsto em ato concessório de Drawback, modalidade suspensão, é incabível a aplicação da multa diária por descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para utilizar regime aduaneiro especial ou aplicado em áreas especiais, prevista no artigo 107, inciso VII, alínea e, do Decreto-lei nº 37, de 1966, com a redação da Lei nº 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 3302-004.283
Decisão: Recurso de Ofício Negado
Crédito Tributário Exonerado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 23/06/2003, 11/09/2003, 12/11/2003, 22/11/2003, 21/01/2004, 29/01/2004 DRAWBACK SUSPENSÃO. VENCIMENTO DO PRAZO PARA EXPORTAR. MULTA DIÁRIA POR DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO, CONDIÇÃO OU NORMA OPERACIONAL. NÃO CABIMENTO. Expirado o prazo para exportação, previsto em ato concessório de Drawback, modalidade suspensão, é incabível a aplicação da multa diária por descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para utilizar regime aduaneiro especial ou aplicado em áreas especiais, prevista no artigo 107, inciso VII, alínea e, do Decreto-lei nº 37, de 1966, com a redação da Lei nº 10.833, de 2003.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 13 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10073.001494/2009-96
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5733532
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 13 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-004.283
nome_arquivo_s : Decisao_10073001494200996.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
nome_arquivo_pdf_s : 10073001494200996_5733532.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Recurso de Ofício Negado Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa - Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
dt_sessao_tdt : Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
id : 6804840
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049212001714176
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1465; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 855 1 854 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.001494/200996 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 3302004.283 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de maio de 2017 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO. DRAWBACK Recorrente BRASCAN QUÍMICOS E SOLDAS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 23/06/2003, 11/09/2003, 12/11/2003, 22/11/2003, 21/01/2004, 29/01/2004 DRAWBACK SUSPENSÃO. VENCIMENTO DO PRAZO PARA EXPORTAR. MULTA DIÁRIA POR DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO, CONDIÇÃO OU NORMA OPERACIONAL. NÃO CABIMENTO. Expirado o prazo para exportação, previsto em ato concessório de Drawback, modalidade suspensão, é incabível a aplicação da multa diária por descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para utilizar regime aduaneiro especial ou aplicado em áreas especiais, prevista no artigo 107, inciso VII, alínea “e”, do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação da Lei nº 10.833, de 2003. Recurso de Ofício Negado Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 00 14 94 /2 00 9- 96 Fl. 855DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Tratam os presentes autos de ação fiscal levada a efeito contra a interessada que resultou na lavratura do Auto de Infração para fins de lançamento do correspondente crédito tributário, no valor de R$ 9.196.052,56, constituindo o imposto de importação, acrescidos dos consectários legais (multa de ofício proporcional e juros de mora),e a multa regulamentar do art. 107, VII, “e” do DecretoLei nº 37 de 1966, com redação dada pelo art. 61 da MP nº 135 e pelo art. 77 da Lei nº 10.833, ambas de 2003. O procedimento de auditoria fiscal, realizado com arrimo no MPF 0710500.009.002751, objetivou verificar o cumprimento dos compromissos assumidos pela beneficiária nos atos concessórios 2003.006.4180, 2003.006.5011, 2003.009.1705, 2003.014.3780, 2003.019.5861, 2003.019.5870 e 2003.020.8777, referentes ao regime aduaneiro especial de drawback, modalidade suspensão, previsto no art. 78, II do DecretoLei nº 37 de 1966 e no art. 1º, I da Lei nº 8.402 de 1992, outorgados pela Secex para a importação de estanho metálico especial high grade 99,9% e tetrabutil estanho, insumos submetidos a despacho aduaneiro ao amparo das declarações de importação 03/06684386, 03/05256607, 03/07797338, 03/09895019, 03/11281766, 04/00902499 e 04/00632572. Esclarecem as autoridades lançadoras que do exame da escrituração contábilfiscal da empresa e das planilhas eletrônicas encaminhadas em atendimento aos diversos termos de intimação fiscal, após o estabelecimento da seqüência lógica (mapeamento) das ordens de produção, só foi possível vincular fisicamente uma pequena parte dos insumos que foram adquiridos no exterior e desembaraçados com benefício fiscal com as mercadorias exportadas, pois do restante das ordens de produção identificadas não foi possível demonstrar a respectiva vinculação física. O relatório fiscal ressalta que os créditos tributários referentes à declaração de importação 03/06684386 vinculada ao ato concessório 2003.006.4180já se encontravam decaídos, em atenção ao previsto no art. 173, I do CTN, não sendo objeto de lançamento. O fisco afirma que, à exceção da declaração de importação 03/05256607 vinculada ao ato concessório 2003.006.5011, os registros das demais declarações de importação ocorreram antes da emissão e, por conseguinte, validade dos atos concessórios a que estavam vinculados, resultando a não aceitação dessas operações como sendo do tipo drawback Fl. 856DF CARF MF Processo nº 10073.001494/200996 Acórdão n.º 3302004.283 S3C3T2 Fl. 856 3 suspensão; e que em relação às declarações de importação 03/05256607, 03/07797338, 03/09895019 e 04/00902499, a beneficiária não logrou demonstrar, via mapeamento das ordens de produção, a vinculação física dos insumos entrados em seu estabelecimento com as mercadorias produzidas e posteriormente exportadas. Quanto aos atos concessórios 2003.019.5861 e 2003.020.8777, a fiscalização aduz que, não obstante ter rastreado algumas ordens de produção e com isso ter podido vincular parte dos insumos importados pelas declarações de importação 03/11281766 e 04/00632572 com as mercadorias exportadas pelas declarações de exportação 2040135745/7, 2040200097/8 e 2040471167/7, efetuou o lançamento dos tributos suspensos em sua integralidade, pois o ingresso desses insumos ocorreu ao arrepio dos competentes atos concessórios, uma vez que se encontravam fora da validade quando efetivado o registro das aludidas declarações de importação. Por fim, sustentam as autoridades lançadoras que o não emprego dos insumos importados com benefício na elaboração das mercadorias exportadas sujeita a importadora à hipótese prevista na norma infracional do art. 107, VII, “e” do Decreto Lei nº 37/66, uma vez que a situação fática se enquadra como “descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para utilizar regime aduaneiro especial”, cujo marco inicial do seu elemento temporal é a data de registro da declaração de importação com suspensão, uma vez que é nesse momento em que se inicia a utilização indevida da isenção tributária e o termo final é a data da lavratura do auto de infração, uma vez que não adotou qualquer ação para cessar o descumprimento em comento, motivo pelo qual a penalidade deve ser aplicada para cada uma das adições em que não se comprovou a vinculação física. Cientificada do lançamento (fl. 03), irresignada e em tempo hábil, a autuada apresenta impugnação (fls. 667 e seguintes) para, de início, aduzir que observou rigorosamente todos os requisitos e condições estabelecidos na legislação em vigor necessários a habilitação e a utilização do regime de Drawback, tanto que os respectivos atos concessórios foram considerados adimplidos pela Secex, o que permitiu a baixa regular do regime suspensivo no Siscomex. Feita essa introdução, a impugnante esclarece que a contestação ora apresentada cingese à exigência do imposto de importação e seus consectários legais e da multa regulamentar por descumprimento de norma para habilitarse ou utilizarse de regime aduaneiro especial, uma vez que em relação à multa de advertência, prevista no art. 76, I, “i” da Lei nº 10.833/03, já apresentou defesa administrativa própria. Demonstrada a controvérsia, a impugnante aduz preliminarmente que o auto de infração é nulo porque o imposto de importação e respectivos consectários legais e a multa Fl. 857DF CARF MF 4 regulamentar foram constituídos numa mesma peça de exigência auto de infração, contrariando a forma prescrita no art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, que impõe que a aplicação de penalidade isolada seja formalizada em autos de infração distintos. No mérito, alega que os pedidos de concessão do regime foram efetivados diretamente no Siscomex, pelo sistema drawback eletrônico, que obriga o cumprimento de determinada ordem cronológica de atos, sob pena de referido sistema informatizado negarlhe o seguimento e a conseqüente utilização do regime pretendido, sendo impossível, portanto, registrar declarações de importação vinculadas a ato concessório não tempestivamente deferido pela Secex. Para comprovar o equívoco da fiscalização quando afirma não serem válidos os atos concessórios objeto de litígio, sob a alegação que foram deferidos somente depois do registro das respectivas declarações de importação, a impugnante salienta que já apresentou para a fiscalização os extratos do Siscomex nos quais evidenciam as datas de validades desses atos concessórios (doc. 01), não obstante concordar que as informações extraídas do Siscomex, por ocasião da auditoria fiscal realiza, efetivamente indicavam as datas que constam no relatório fiscal que subsidia o auto de infração. Porém, esclarece que no último trimestre de 2007 o sistema informatizado utilizado pela Secex passou por significativa alteração quando entrou em funcionamento novo módulo de drawback, operado no ambiente Web (doc. 02), o que provocou diversas inconsistências ao transpor as informações dos atos concessórios que haviam sido registrados no sistema anterior, induzindo a fiscalização a erro. Ainda com relação a esse equívoco a impugnante acrescenta que assim que constatou o problema solicitou, por email (doc. 03) e pela expedição de correspondência (doc.04), que a Secex providenciasse a retificação das informações conflitantes no novo sistema Siscomex Web, especialmente quanto às datas de validade dos atos concessórios, a fim de adequálas à realidade dos fatos, conforme os extratos apresentados anteriormente à fiscalização. No entanto, diante da inércia do órgão concedente do regime, requer o sobrestamento do julgamento até sua efetiva manifestação ou que esse colegiado intime a Secex para que confirme suas alegações. Relativamente ao descumprimento do princípio da vinculação física entre os insumos importados e os produtos exportados, a impugnante alega que sendo os processos produtivos idênticos e simultâneos é praticamente impossível e economicamente absurdo separar, durante as etapas de produção, a matéria prima importada ao amparo do regime drawback suspensão daquela existente no estoque, de origem nacional ou estrangeira. Assevera também que é pacífico o entendimento, inclusive da própria RFB, de que a vinculação física, conforme pretendida pela fiscalização, não é fundamento essencial para o aproveitamento dos benefícios do regime, prevalecendo, na espécie, o princípio da fungibilidade dos insumos importados. Fl. 858DF CARF MF Processo nº 10073.001494/200996 Acórdão n.º 3302004.283 S3C3T2 Fl. 857 5 Salienta que o Parecer Normativo CST nº 12, de 12.03.1979, o Ato Declaratório COSIT nº 20, de 17.05.1996, e a jurisprudência administrativa predominante, Acórdão nº 30331143, de 17.02.2004 e Acórdão nº CSRF/0304.975, de 21.08.2006, caminham no mesmo sentido, quando expressam que “basta que a matéria prima efetivamente utilizada na fabricação de tais produtos seja equivalente em quantidade e qualidade às importadas”. Destaca que três dos seis atos concessórios investigados ampararam a importação de Tetrabutil Estanho TBT, produto inexistente no mercado interno, empregado unicamente como insumo para a fabricação do Óxido de Tributil Estanho TBTO e destinado exclusivamente à exportação. Portando, quanto às operações envolvendo o insumo importado TBT e o produto exportado TBTO, essa vinculação existiu e é facilmente demonstrável, conforme se depreende da planilha explicativa elaborada (doc. 06), fato não observado pela fiscalização por desconhecer o processo de produção do TBTO, que apresenta uma fase intermediária que faz surgir o Cloreto de Tributil Estanho TBTCl, conforme explicita o Laudo Técnico de Produto (doc. 05), em que é gerada ordens de produção distintas daquelas especificadas nos lançamentos contábeis que evidenciam a movimentação dos estoques, uma vez que esses registros refletem as ordens de produção da primeira fase de transformação, conforme se observa da planilha elaborada para evidenciar respectiva correlação. Alega não ser cabível a aplicação da multa isolada fixada no auto de infração, sob o fundamento de descumprimento do regime de drawback suspensão, pois tal fato não gera nenhum prejuízo ao erário, exceto eventual mora no pagamento dos tributos incidentes, que ressurgiriam em função do não cumprimento do compromisso de exportar no prazo estabelecido nos atos concessórios, cuja reparação, como em qualquer outra hipótese de mora de natureza tributária, é compensada com a incidência de multa de proporcional e dos juros moratórios, sobre o valor dos tributos não pagos no vencimento, porém, não com a aplicação de multa diária. Demais disso, alega que para a aplicação de multa diária seria necessário, além da demonstração de prejuízo, que esse se agravasse no decorrer do tempo, pois o escopo dessa penalidade é fazer cessar o comportamento que tende a ocasionar prejuízos ainda mais gravosos ao infringido, não sendo o caso dos autos, cuja infração detectada é a inadimplência de regime suspensivo e conseqüente não recolhimento dos tributos aduaneiros no vencimento. Aduz que a interpretação que a fiscalização quis dar ao dispositivo do art.107, VII, “e” do DecretoLei nº 37 de 1966, com redação dada pela Lei nº 10.833 de 2003, por ser extremamente abrangente, é incompatível com a legislação tributária, pois permitiria que o descumprimento de qualquer formalidade antes ou durante a utilização de qualquer regime Fl. 859DF CARF MF 6 aduaneiro especial ensejasse a aplicação diária, não sendo essa a intenção do legislador. Ademais, a fixação de multa extremamente onerosa e desvinculada da realidade da obrigação descumprida, conforme ocorre no caso contestado, viola diretamente os Princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade, pois possui efeito confiscatório, o que é inadmissível. Requer, ainda, a apresentação de documentos adicionais, nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972, se colocando à disposição para apresentar quaisquer informações adicionais que se façam indispensáveis ao esclarecimento e à comprovação dos fatos alegados. Pelas razões expostas, por fim, pede que o auto de infração ora impugnado seja desconstituído, cancelandose os respectivos lançamentos, por ser claramente desvinculado dos fatos e da correta interpretação das disposições legais aplicáveis. É o Relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/06/2003, 11/09/2003, 12/11/2003, 22/12/2003, 21/01/2004, 29/01/2004 ARGÜIÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO POR VÍCIO FORMAL. PREVALÊNCIA DA DECISÃO DE MÉRITO EM FAVOR DA CONTRIBUINTE. Por economia processual, deixa de apreciar a nulidade, por vício formal, do lançamento, quando o mérito, atinente a essa alegação, puder ser decidido em favor do sujeito passivo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 23/06/2003, 11/09/2003, 12/11/2003, 22/12/2003, 21/01/2004, 29/01/2004 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. O colegiado de instância administrativa não dispõe de competência para apreciar de aspectos relacionados com a constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias regularmente editadas, cuja tarefa é privativa do Poder Judiciário. PRODUÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. A legislação que disciplina o processo administrativo fiscal prescreve que com a impugnação devem ser apresentados todos os documentos em que se funda, admitindose a juntada a destempo de novos documentos somente nos casos expressamente previstos na referida norma processual. Fl. 860DF CARF MF Processo nº 10073.001494/200996 Acórdão n.º 3302004.283 S3C3T2 Fl. 858 7 MERAS ALEGAÇÕES. Meras alegações sem a devida produção de provas não são suficientes para infirmar a procedência do lançamento. NÃO VINCULAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO COM RESPECTIVO ATO CONCESSÓRIO. PROVA EM CONTRÁRIO. DESCARACTERIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. Tendo o sujeito passivo, no intuito elidir a acusação fiscal que lhe é feita, apresentado elementos de prova suficientes para demonstrar que o fato apontado como infrator não se configurou, descabe a infração a ele imputada. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 23/06/2003, 11/09/2003, 12/11/2003, 22/12/2003, 21/01/2004, 29/01/2004 VINCULAÇÃO FÍSICA. PRINCÍPIO DO REGIME DRAWBACK SUSPENSÃO. CUSTOS DOS CONTROLES NÃO SÃO RELEVANTES. INOBSERVÂNCIA GERA PREJUÍZOS. ADMISSÍVEL A FUNGIBILIDADE NOS TERMOS DA LEI. LEGISLAÇÃO EXCEPCIONAL. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. A vinculação física é princípio básico, historicamente aplicável ao drawback suspensão. Tem norteado a legislação regente até hoje, e visa garantir o alcance dos objetivos do regime. Os controles necessários para seu atendimento limitamse à esfera contábiladministrativa, e seus custos não são relevantes. Já a desconsideração dessa regra ao arrepio da lei gera prejuízos sociais significativos, pois além da insegurança jurídica, pode fomentar a concorrência desleal e a postergação indevida do pagamento de tributos. A fungibilidade pode ser admitida, mas nos termos e condições estabelecidas na legislação. Tratandose de condição excepcional, devese aplicar interpretação restritiva, adstrita à literalidade da lei. DRAWBACK SUSPENSÃO. DESATENDIMENTO A REQUISITOS FORMAIS. MULTA REGULAMENTAR DIÁRIA. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA. A multa regulamentar diária aplicada nos presentes autos não se presta para punir o importador beneficiário de regime suspensivo em decorrência de seu inadimplemento. Referida sanção pecuniária tem por escopo coibir práticas fraudulentas e afins cometidas pelos intervenientes em operações de comércio exterior, notadamente àquelas relacionadas com a habilitação aos regimes especiais aduaneiros.(grifei). Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 861DF CARF MF 8 A empresa teve ciência da decisão de primeira instância em 20/06/2013, conforme AR de fl. 844. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: RECURSO DE OFÍCIO O recurso de ofício apresentado diz respeito à infração “Descumprimento de norma para habilitarse ou utilizarse de regime aduaneiro especial”, cuja penalidade tem como base legal o art. 107, VII, “e”, DecretoLei nº 37/1966, entendendo a fiscalização que o não emprego dos insumos importados com benefício na elaboração das mercadorias exportadas sujeita a importadora à referida penalidade, tendo como marco inicial do seu elemento temporal, a data do registro da declaração de importação com suspensão, uma vez que, segundo a autoridade lançadora é nesse momento em que se inicia a utilização indevida da isenção tributária e o termo final, a data da lavratura do auto de infração, uma vez que não adotado qualquer ação para cessar o descumprimento em comento, motivo pelo qual a penalidade deve ser aplicada para cada uma das adições em que não se comprovou a vinculação física, nos montantes a seguir demonstrados. Para subsidiar a análise, é pertinente uma visita aos ensinamentos de Geraldo Ataliba em Hipótese de Incidência Tributária – Coleção Estudos de Direito Tributário, 5ª edição, 6ª tiragem, 1997, pág. 63: ”Subsunção é o fenômeno de um fato configurar rigorosamente a previsão hipotética da lei. Dizse que um fato se subsume à hipótese legal quando corresponde completa e rigorosamente à descrição que dele faz a lei”. Dispõe o Código Tributário Nacional: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I – [...]; .................................................................................................... V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas;” Fl. 862DF CARF MF Processo nº 10073.001494/200996 Acórdão n.º 3302004.283 S3C3T2 Fl. 859 9 Com efeito estando a cominação de penalidades no campo da reserva legal, ou melhor, reserva absoluta da lei, sendo exigível para a espécie, lei em sentido material e formal, significa que somente nas hipóteses expressamente delineadas no tipo legal pode ser aplicável uma penalidade. Dispõe o artigo 107, VII, “e”, Decretolei nº 37/1966: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)(Vide) VII de R$ 1.000,00 (mil reais):(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)(Vide) (...); e) por dia, pelo descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para habilitarse ou utilizar regime aduaneiro especial ou aplicado em áreas especiais, ou para habilitarse ou manter recintos nos quais tais regimes sejam aplicados;(grifei). A interpretação do dispositivo em apreço aponta para o seguinte núcleo normativo: descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para: a) habilitarse ou utilizar regime aduaneiro especial ou aplicado em áreas especiais, ou; b) para habilitarse ou manter recintos nos quais tais regimes sejam aplicados. Constatase que a prescrição normativa tem o escopo de tutelar a observância das regras procedimentais que impõem requisitos e condições para habilitação, manutenção e utilização dos regimes aduaneiros, já o caso dos autos trata do Regime Aduaneiro de Drawback suspensão, o qual é regido por legislação específica, cujos requisitos e condições para admissão das mercadorias no citado regime materializamse em cada caso na emissão de um Ato Concessório. Tratase portanto a espécie dos autos, de ato jurídico celebrado sob condição suspensiva, prevista no artigo 117, inciso I do CTN, no qual o evento condicional é a ocorrência do cumprimento ou inadimplemento do compromisso de exportar por parte do beneficiário, as mercadorias, nas condições avençadas no Ato Concessório, do que resultaria, respectivamente, a extinção da obrigação tributária ou a constituição do crédito dela decorrente. Assim o descumprimento do citado regime implica na cobrança dos tributos suspensos quando da importação dos insumos amparados no ato concessório, conforme legislação de regência, acrescidos da multa de ofício proporcional e respectivos acréscimos legais e não na imposição de multa, cujo objeto infracional estaria ainda no curso do regime conforme o raciocínio da fiscalização para o cômputo da multa diária. Fl. 863DF CARF MF 10 Esclarecido o suporte fático dos autos, podese inferir que os fatos não se subsumem aos seus preceitos normativos. Dizse então que não há tipicidade, ou seja não há a conformação do fato à hipótese legal que comina a penalidade acima referida, nesse sentido, nego provimento ao recurso de ofício. Aclarese que à época dos fatos vigia o Regulamento/2002, aprovado pelo Decreto nº 4.543, de 2002, atualmente vige o Regulamento/2009, aprovado pelo Decreto nº 6.759, de 2009, cuja sanção aplicada está regulamentada pelo 1artigo 728, com as atualizações do Decreto nº 8.010, de 2013. Nesse mister a decisão de piso efetuou a interpretação do artigo 107, VII, “e”, Decretolei nº 37/1966 em cotejo com as disposições regulamentares dos artigos 728 e 735 Regulamento/2009: O fundamento para a imposição da referida multa diária pelas autoridades lançadoras é que a autuada não comprovou que empregou os insumos importados com suspensão na elaboração das mercadorias exportadas. Posto em outros termos, que utilizou indevidamente o regime, mantendo suspenso os tributos quando jamais teve esse direito, tanto que a referida penalidade pecuniária foi calculada a partir da data do registro das declarações de importação até o dia do lançamento dos tributos, mediante a lavratura do presente Auto de Infração. Da leitura do texto legal acima, sobressai algumas constatações. Primeiro que no parágrafo 4º há a determinação de que se o fato que ensejou a multa também ensejar a imposição de penalidade administrativa, a lavratura do auto de infração para sua exigência deverá ser efetuada após a conclusão do processo relativo à aplicação da sanção administrativa. Vêse assim que no art. 735 Regulamento Aduaneiro estão contempladas as sanções administrativas e, entre elas, a prevista no item I, alínea “i” advertência, cuja redação é a mesma da norma que ensejou a multa. Além disto, outras sanções administrativas estão elencadas para o descumprimento de atividades inerentes à utilização ou habilitação de regimes especiais, aplicadas contra os intervenientes nas operações de comércio exterior. [...] A transcrição quase integral do art. 735 objetiva destacar que para a conduta tipificada no art. 728, VII, “d”, também há previsão de sanção administrativa (art. 735, I, “i”), a qual 1 Art.728.Aplicamse ainda as seguintes multas (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 107, incisos I a VI,VII, alínea “a”e“c” a “g”,VIII,IX,X, alíneas “a”e“b”, e XI,com a redação dada pela Lei no10.833, de 2003, art. 77): [...] VII de R$ 1.000,00 (mil reais): [...] d)por dia, pelo descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para habilitarse ou utilizar regime aduaneiro especial ou aplicado em áreas especiais, ou para habilitarse ou manter recintos nos quais tais regimes sejam aplicados, exceto os requisitos técnicos e operacionais referidos no art. 13A;(Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) Fl. 864DF CARF MF Processo nº 10073.001494/200996 Acórdão n.º 3302004.283 S3C3T2 Fl. 860 11 deve ser apurada e concluída antes do lançamento da multa, com exceção nos casos em que possa ocorrer a decadência. Não consta nos autos a informação de que referida sanção administrativa, ainda que efetivamente aplicada teve seu “transito em julgado” definitivo administrativo. De qualquer sorte, tal qual a impugnante assevera, esta conduta deva se referir às atividades que o interveniente deva desempenhar em cumprimento de suas obrigações durante a utilização do regime. Isto é, não se está a falar de cumprimento do regime, assim considerado após o prazo estabelecido para as exportações, e sim o cumprimento das obrigações inerentes à utilização do regime durante o período de sua utilização.(grifei). Este argumento se justifica quando se vislumbra o objetivo de norma punitiva variável, que visa apenar o descumprimento de obrigação de natureza acessória enquanto não for regularizada determinada situação, impondo um acréscimo diário da multa, estimulando de maneira significativa que o interveniente infrator regularize sua situação.(grifei). Ante o exposto, constatase que não há reparos na decisão de piso, uma vez que restou demonstrada a ausência de tipicidade para a cominação da referida penalidade à situação fática dos autos. Da eficácia da decisão de primeira instância Acrescentese que inexistindo nos autos peça recursal, quanto à parte do crédito tributário mantida no órgão de primeira instância, tornase definitiva a decisão nos termos do artigo 42, I, do Decreto nº 70.235, de 1972. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 865DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.003915/2002-91
Turma: Terceira Turma Especial
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1997
SALDO DA CONTA DE CORREÇÃO MONETÁRIA DIFERENÇA
IPC/BTNF. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. PROVA
Cumpre ao contribuinte o ônus de demonstrar o erro incorrido na declaração de rendimentos, o que deve ser efetuado mediante apresentação de documentação hábil e idônea mantida nos termos da legislação pertinente.
No caso, a interessada teve a oportunidade de se manifestar quando questionada acerca da falta de tributação do lucro inflacionário a realizar constante dos registros da Receita Federal, oportunidade desperdiçada, mediante o não atendimento da intimação para apresentação dos respectivos esclarecimentos por ocasião da realização de diligência.
NULIDADES PRESSUPOSTOS
Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa
incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade
incompetente ou com preterição ao direito de defesa.
LANÇAMENTO - Estando a infração perfeitamente identificada, correto é o procedimento da fiscalização de efetuar o lançamento com base nos elementos disponíveis, fornecidos pela própria pessoa jurídica em sua declaração de rendimentos e balanço patrimonial.
CONTRADITÓRIO - O momento de formação da discordância com as
provas colhidas em procedimento de auditoria se dá na impugnação e no recurso, quando então é oferecida a oportunidade de apresentação do contraditório e da ampla defesa, a teor do disposto no art. 16, do Decreto n° 70.235, de 1972.
ASSUNTO: NORMAS DE I MINIST1FtAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 1997
MULTA DE OFICIO E JUROS À TAXA SELIC -
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. INSTÂNCIAS
ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA.
Súmula PCC ne 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é
competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de
lei tributária. (DOU, Seção 1, dos dias 26, 27 e 28/0612006,
vigorando a partir de 28/07/2006).
Súmula 1* CC tr e 4: A partir de I° de abril de 1995, os juros
moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados
pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de
inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de
Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (DOU,
Seção 1, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de
28/07/2006).
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1802-00.010
Decisão: ACORDAM os Membros da 2ª turma especial da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200903
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1997 SALDO DA CONTA DE CORREÇÃO MONETÁRIA DIFERENÇA IPC/BTNF. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. PROVA Cumpre ao contribuinte o ônus de demonstrar o erro incorrido na declaração de rendimentos, o que deve ser efetuado mediante apresentação de documentação hábil e idônea mantida nos termos da legislação pertinente. No caso, a interessada teve a oportunidade de se manifestar quando questionada acerca da falta de tributação do lucro inflacionário a realizar constante dos registros da Receita Federal, oportunidade desperdiçada, mediante o não atendimento da intimação para apresentação dos respectivos esclarecimentos por ocasião da realização de diligência. NULIDADES PRESSUPOSTOS Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição ao direito de defesa. LANÇAMENTO - Estando a infração perfeitamente identificada, correto é o procedimento da fiscalização de efetuar o lançamento com base nos elementos disponíveis, fornecidos pela própria pessoa jurídica em sua declaração de rendimentos e balanço patrimonial. CONTRADITÓRIO - O momento de formação da discordância com as provas colhidas em procedimento de auditoria se dá na impugnação e no recurso, quando então é oferecida a oportunidade de apresentação do contraditório e da ampla defesa, a teor do disposto no art. 16, do Decreto n° 70.235, de 1972. ASSUNTO: NORMAS DE I MINIST1FtAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 1997 MULTA DE OFICIO E JUROS À TAXA SELIC - INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. Súmula PCC ne 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (DOU, Seção 1, dos dias 26, 27 e 28/0612006, vigorando a partir de 28/07/2006). Súmula 1* CC tr e 4: A partir de I° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (DOU, Seção 1, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 28/07/2006). Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Terceira Turma Especial
numero_processo_s : 13884.003915/2002-91
conteudo_id_s : 5728600
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1802-00.010
nome_arquivo_s : Decisao_13884003915200291.pdf
nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 13884003915200291_5728600.pdf
secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da 2ª turma especial da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
dt_sessao_tdt : Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2009
id : 6779920
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049212012199936
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-03T13:06:47Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-03T13:06:47Z; Last-Modified: 2009-09-03T13:06:47Z; dcterms:modified: 2009-09-03T13:06:47Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-03T13:06:47Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-03T13:06:47Z; meta:save-date: 2009-09-03T13:06:47Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-03T13:06:47Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-03T13:06:47Z; created: 2009-09-03T13:06:47Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; Creation-Date: 2009-09-03T13:06:47Z; pdf:charsPerPage: 1903; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-03T13:06:47Z | Conteúdo => Slano2 RI v ' ' ' MINISTÉRIO DA FAZENDA • :` CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS • „,r, PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13884.003915/2002-91 Recurso n° 162.549 Voluntário Acórdão n° 1802-00.010 — 2' Turma Especial Sessão de 19 de março de 2009 Matéria TRPJ - Ex(s): 1998 Recorrente EMH - EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. Recorrida 4' TURMA/DRJ-CAMPINAS/SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1997 SALDO DA CONTA DE CORREÇÃO MONETÁRIA DIFERENÇA IPC/BTNF. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. PROVA - Cumpre ao contribuinte o ônus de demonstrar o erro incorrido na declaração de rendimentos, o que deve ser efetuado mediante apresentação de documentação hábil e idônea mantida nos termos da legislação pertinente. No caso, a interessada teve a oportunidade de se manifestar quando questionada acerca da falta de tributação do lucro inflacionário a realizar constante dos registros da Receita Federal, oportunidade desperdiçada, mediante o não atendimento da intimação para apresentação dos respectivos esclarecimentos por ocasião da realização de diligência. NULIDADES PRESSUPOSTOS Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição ao direito de defesa. LANÇAMENTO - Estando a infração perfeitamente identificada, correto é o procedimento da fiscalização de efetuar o lançamento com base nos elementos disponíveis, fornecidos pela própria pessoa jurídica em sua declaração de rendimentos e balanço patrimonial. CONTRADITÓRIO - O momento de formação da discordância com as provas colhidas em procedimento de auditoria se dá na impugnação e no recurso, quando então é oferecida a oportunidade de apresentação do contraditório e da ampla defesa, a teor do disposto no art. 16, do Decreto n° 70.235, de 1972. ASSUNTO: NORMAS DE I MINIST1FtAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 1997 itt,' Processo n° 13884.003915/2002-91 5141E02 Acórd5o n.° 1802-00.010 Fl. 2 - MULTA DE OFICIO E JUROS À TAXA SELIC - INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. Súmula PCC ne 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (DOU, Seção 1, dos dias 26, 27 e 28/0612006, vigorando a partir de 28/07/2006). Súmula 1* CC tr e 4: A partir de I° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (DOU, Seção 1, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 28/07/2006). Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela EMH - EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. ACORDAM os Membros da 2' turma especial da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. tRIAtCrAc1/4-. ate Presidente STER MARQUES L : 1E SOUSA Relatora 2 Processo o° 13884.00391512002-91 81-11E02 Acórdão n.° 1802-00.010 VI. 3 FORMALIZADO EM: 2 4 AGI) 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros CHERYL BERNO e o Conselheiro Suplente NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS. Ausente, justificadamente, o Conselheiro ROGÉRIO GARCIA PERES* 3 • - Processo n° 13884.003915/2002-91. S1-/E02 Acórdtio ri.° 1802-00.010 F1. 4 _..._ Relatório Por economia processual e bem sintetizar a lide adoto o Relatório da decisão recorrida da 4a.Turma/DRJ/Campinas/SP (fls.193/196) que abaixo transcrevo: "Trata-se do Auto de Infração relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ, lavrado em 21/10/2002, que formalizou a exigência do crédito tributário no valor total de R$200.646,36, incluindo multa de oficio e juros de mora, estes calculados até 30/09/2002. A autuação decorre da revisão da declaração de rendimentos relativa ao exercício 1998, período-base 1997, onde foram constatadas as seguintes irregularidades, consoante discriminado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fis. 35/36: "001 — ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL AJUSTES DECORRENTES DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL O presente Auto de Infração originou-se da revisão da Declaração de Rendimentos do contribuinte acima citado, correspondente ao exercício de 1998, ano-calendário de 1997, de acordo com o art. 835 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99 (RIR/99). Foi constatada a existência de irregularidade na Declaração, conforme abaixo descrito e capitulado, que resultaram nas alterações efetuadas e suas conseqüências estão detalhadas no Demonstrativo de Valores apurados e no Demonstrativo de Consolidação em anexo. Foi verificada a ausência de adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real, do valor do ajuste pelo resultado negativo em participações societárias, no montante de R$2.287.413,05, constante em sua DIPJ/98 à linha 18 da ficha 06. Tendo sido intimado a Justificar seu procedimento (fls. 32), o contribuinte não se manifestou. Vencido o prazo regulamentar para o atendimento das intimações, efetuei, através deste auto de Infração a adição ao lucro líquido do período, do valor do ajuste referente à variação de investimentos avaliados pela equivalência patrimonial, que deveria ter sido efetuado na DIPJ/98. Fato gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/1997 R22.287.413,05 75,00 AtEnquadramento legal: arts. 195, inciso I, 331 e 332, do RIR/94. "„zy? 4 . . Processo n° 13884.003915/2002-91 S1-TE02 Acórdáo n.° 1802-00.010 E. 5 002 — ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZADO — REALIZAÇÃO MIMAM O presente Auto de Infração originou-se da revisão da Declaração de Rendimentos do contribuinte acima citado, correspondente ao exercício de 1998, ano-calendário de 1997, de acordo com o art. 835 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99 (RIR/99). Foi constatada a existência de irregularidade na Declaração, conforme abaixo descrito e capitulado, que resultaram nas alterações efetuadas e suas conseqüências estão detalhadas no Demonstrativo de Valores apurados e no Demonstrativo de Consolidação em anexo. Foi verificada a ausência de adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real, do lucro inflacionário realizado no montante de R$404. 065,15, uma vez que foi inobservado o percentual de realização mínima previsto na legislação de regência, saldo este controlado pelo sistema SAPLL Tendo sido intimado a justijicar seu procedimento, o contribuinte não mais foi encontrado em seu endereço constante no cadastro da SRF, conforme cópia do AR à fl. . Sendo assim, efetivei a intimação via EDITAL (fl. 22). Em seguida foram intimados os três sócios da empresa, conforme cópias das intimações às fls. 28 a 33, com AR às fls. 18 a 33. Compareceu à esta Seção de Fiscalização o representante do contribuinte, porém sem apresentar documentos que justificassem o não lançamento do valor do lucro inflacionário do período. O contribuinte em questão já havia sido autuado no ano anterior, em relação ao lucro inflacionário, onde também não apresentou resposta à intimação, através do processo de n° 13884.003834/2001-18. Vencido o prazo regulamentar para o atendimento das Intimações, efetuei, através deste auto de infração, as adições ao lucro líquido do período, da realização das parcelas do lucro inflacionário do período, que deveria ter sido efetuado na DIPJ/98. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/1997 R8404.065,15 75,00 Enquadramento legal: arts. 195, inciso I, e 418, do RIR/94; art. 8° da Lei n°9.065/95; mis. 6° e 7°, da Lei n°9.249/95." A interessada foi cientificada dos autos mediante intimação por via postal, acompanhada do AR de fls. 41, com data do recebimento em 30/10/2002. Irresignada com a exigência, protocolizou a contribuinte, por intermédio de seu representante legal, em 28/11/2002, impugnação de fls. 48/61, acompanhada de documentos de fls. 5 • Processo n° 13884.003915/2002-91 SI-T1E02 Acórdão n.° 1802-00.010 Pl. 6 62/169, aduzindo em sua defesa as seguintes razões de fato e de direito, em resumo: 4.1.Inicialmente, concorda com a infração que promoveu ajuste relativo ao Resultado Negativo em Participações Societárias, consignando, inclusive, que o prejuízo fiscal foi devidamente reduzido no valor do ajuste apontado; 4.2.Passando ao lucro inflacionário, faz um breve resumo do procedimento fiscal e do histórico da correção monetária de balanço para concluir, sem entrar no mérito da exigência — a qual aduz ser ilegal e inconstitucional -, que nunca apurou saldo credor de correção monetária relativo à diferença a que se refere a Lei n° 8.200, de 1991, o qual teria dado causa ao presente lançamento; 4. 3.Mencionando que o demonstrativo tomado com base para a autuação é o mesmo que deu causa à formalização de outra exigência sob igual fundamento, relativa ao período-base de 1996, acusa equívoco no preenchimento da declaração do ano- base de 1991, dizendo que o valor de Cr$3.289.131.663,00, • indicado na linha 56, quadro 04, Anexo A (doc. 3), não se refere ao saldo da conta de correção monetária efetivamente existente, o que pode ser percebido mediante o confronto do valor contido na linha 46 do mesmo Anexo A (Cr$2.976.925.702,00). Em suas palavras: "Ora, se o saldo da correção monetária do ativo permanente era Cr$2.976.925.702,00, jamais o SALDO CREDOR DE CORREÇÃO MONETÁRIA poderia ser de Cr$3.289.131.663,00, porquanto, para se chegar nele, faltaria computar os saldos de correção monetária das contas do patrimônio liquido, as quais, por serem de natureza credora, só poderiam diminuir o saldo de correção do ativo permanente já existente e não aumentá-lo." 4.4.Além disso, alega que deveria possuir património líquido negativo para que apurasse saldo credor maior que a correção monetária do ativo permanente, o que não se verificou em nenhum momento. Anexa cópias dos balanços patrimoniais dos anos-base de 89, 90 e 91 (docs. 7 a 9), bem como das respectivas declarações de rendimentos (docs. 10 e 11); 4.5.Entende que a apuração de eventual saldo credor de correção monetária deveria ter sido precedida de ampla verificação dos dados contábeis e fiscais da impugnante, e não da simples informação constante de sua declaração de rendimentos. Ademais, estranha a forma como se apresenta a exigência, nos seguintes termos: "(.), posto que o referido demonstrativo do lucro inflacionário, gerado pelo sistema da Receita Federal, indica possível saldo credor no ano de 1991, mas somente em 2001, e agora, em 2002, vem ela exigir sua realização no ano de 1996, ainda assim com base em percentual mínimo. Ora, se de fato era existente o saldo 6 Processo n' 13884.00391512002-91 51-1E02 Acórdão n.° 1802-00.010 Ft 7 credor, deveria ela ter promovido o competente lançamento em época oportuna estando, portanto, prescritas, pelo menos, parte das parcelas ora exigidas." 4.6.Por todo o exposto acima, diz que a realização de •lançamento em base nitidamente subjetiva encontra-se em completa desconformidade com os comandos dos artigos 108, 114, 116 e 142, entre outros, do Código Tributário Nacional - CTIV, motivo pelo qual protesta pela nulidade da exigência. Cita doutrina; 4.7.Ainda, alega o caráter confiscatório da multa, expressamente vedado pela Constituição Federal, nos termos da jurisprudência apontada. Insurge-se, também, contra a exigência de juros à taxa Selic, de natureza remuneratória, dizendo inconstitucional Julga que a cobrança dos juros deve obedecer ao disposto no art. 161, I°, do CTN; 4.8.Encerra protestando pela produção de todas as provas em direito admitidas, especialmente pela juntada de documentos complementares, nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235, de 1972, bem como pela apresentação de memoriais e sustentação oral de seu direito. Tendo em conta as razões de defesa apresentadas e as inconsistências verificadas na DIRPJ/92, encaminharam-se os autos em diligência para verificação da documentação contábil e fiscal da contribuinte no que concerne à apuração do saldo da conta de correção monetária — dif IPC/BT1VF, procedimento que foi encerrado sem posição conclusiva, conforme Termo de Encerramento de fis. 188, em virtude de a pessoa jurídica não ter atendido às intimações para apresentação de documentos." A exigência fiscal foi modificada, em sede de julgamento na primeira instância, após efetuados os expurgos das realizações mínimas devidas em cada período de apuração, até 31/12/95, no que se retificou o lançamento tributário constante dos autos, em virtude do novo saldo do lucro inflacionário acumulado, de R$ 3.345.518,43, diante da revisão também ocorrida no julgamento anterior nos autos do processo n° 13884.003834/2001-18, referente à mesma infração relativa ao ano calendário de 1996, conforme razões dispostas nos itens 7 a 10, (fls.196/208) da decisão recorrida, resultando, portanto na alteração do lucro inflacionário realizado do período, de R$ 404.065.13 ( fls.42). Como dito acima, revisado o valor do Lucro Inflacionário Acumulado do ano calendário de 1997, e, aplicado o percentual de realização mínima de 10%, calculou-se às fls 211, o lucro inflacionário a tributar do mencionado ano calendário, no valor de R$ 371.724,26 e por conseqüência ficou reduzido o valor do IRPJ para R$ R$ 67.473,57, conforme demonstrativo (fls.209) a seguir reproduzido: 7 Processo n° 13884.003915/2002-91 S1.1-02 Acórdão C1802-00.010 "DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO IRPJ" (valores em Reis) LI a Realizar 371.724,26 Equiv. Patrim. 2.287.413,05 Comp. Prej. PB -2.293.242,99 Valor tributável 365.894,32 allquota 15% 54.884,14 Adicional 12.589,43 IRPJ devido 67.473,57 Diante da revisão efetuada a decisão de primeiro julgou procedente em parte a impugnação apresentada pela empresa autuada. A empresa foi cientificada da decisão proferida mediante o Acórdão n° 12.268 de 20/02/2006, fls.191/209, conforme o Aviso de Recebimento (AR) de fls.219-v, em 04/07/07, e, interpôs recurso ao Conselho de Contribuintes, em 31/07/07, fls.222/232, alegando, em síntese, o que segue: - que, o lançamento foi julgado procedente em parte, para reduzir o suposto saldo do lucro inflacionário acumulado em 31/12/1995, o que resultou no cancelamento em parte da autuação, entretanto, a decisão proferida, na parte em que manteve a autuação, encontra-se eivada de vícios que ensejam sua nulidade porque valeu-se da decisão proferida no processo n° 13884.003834/2001-18 (razões de decidir integralmente reproduzidas) e desconsiderou os argumentos da peça impugnatória; - quanto ao lançamento, alega que o agente fiscal laborou em erro, pelo fato de que a Recorrente nunca apurou saldo credor da correção monetária, relativo a diferença de correção monetária do ano de 1991, a que se refere a Lei n°8.200/91, do qual resultaria o lucro inflacionário citado pelo agente fiscal. - que, o agente fiscal baseou-se em informações contidas na base de dados da Receita Federal reproduzidas no "Demonstrativo do Lucro Inflacionário", cuja origem é o período base de 1991, em que a empresa teria apurado saldo c redor relativo à diferença IPC e o BTNF, que corrigido montou em Cr$3.289.131.663,00; - que, esse valor foi extraído da declaração de rendimentos da Recorrente, relativa ao período-base de 1991, por haver indicado na linha 56 do quadro 04 do Anexo-A; - que "tal indicação, entretanto, encontra-se equivocada, não se referindo ao saldo da conta de correção monetária (diferença entre a correção das contas do ativo permanente e do patrimônio líquido) efetivamente existente". "- que, o equívoco é de fácil constatação bastando verificar o valor de Cr$ 2.976.925.702,00 correspondente à correção monetária do Ativo Permanente constante na linha 46 do mesmo Anexo A, da declaração do período de 1991. Processo tf 13884.00391512002-91 81-TE02 Acónito a.° 1802-00.010 Fi. 9 - que, se o saldo da correção monetária do ativo permanente era CrS2.976.925.70Z00, jamais o SALDO CREDOR DE CORREÇÃO MONETÁRIA poderia ser de CrS3.289.131.663,00, porquanto, para se chegar a este, faltaria computar os saldos de correção monetária das contas do património líquido, as quais, por serem de natureza credora, só poderiam diminuir o saldo de correção do ativo permanente já existente e não aumentá-lo. - que, para apurar saldo credor maior do que a correção monetária do ativo permanente, deveria possuir patrimônio líquido negativo, e, isto, não se verificou em nenhum momento - que, para corroborar o exposto, anexou cópia dos balanços patrimoniais encerrados em 31 de dezembro de 1989, 1990 e 1991, bem como de suas declarações de rendimentos dos períodos- base de 1989 e 1990; - que, tudo isto demonstra que o lançamento mantido não resultou de análise ampla das demonstrações contábil e fiscal; - que o agente fiscal baseou-se em informação equivocada constante da Declaração de Rendimentos da Recorrente, estando lançamento dissociado da realidade fática e jurídica." Alega ainda, que constatada a inconsistência do lançamento engendrado deveria o agente fiscal cancelar a referida autuação e lavrar novo lançamento para a apuração de eventual saldo credor de correção monetária, relativa a diferença de correção monetária do ano de 1991, precedido de ampla verificação dos dados contábeis e fiscais da recorrente, e não simplesmente converter o julgamento em diligência de forma a evitar a decadência do débito relativo ao ano-calendário de 1997, consoante o art.150, parágrafo 4° do CTN. Nas conclusões, diz a Recorrente, que o lançamento deverá ser declarado nulo porque realizado com base em mera opinião dos agentes da administração pública, ao contrário dos fatos demonstrados e dos dispositivos legais aplicáveis. Que, a realização do lançamento em base nitidamente subjetiva encontra-se em completa desconformidade com os comandos dos artigos 108, 114, 116 e 142, entre outros, do Código Tributário Nacional — CTN.. Alega, a defesa, por derradeiro, impossibilidade jurídica da multa de oficio no percentual de 75% pelo caráter confiscatório, expressamente vedado pelo art.150, inciso IV da Constituição Federal, nos termos da jurisprudência apontada. Insurge-se, também, contra a exigência de juros à taxa Selic, por sua natureza jurídica de remuneração de capital não aplicável aos tributos. Finalmente protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas, 6pecialmente pela juntada de documentos e diligências suplementares, bem como pela apresentação de memoriais e sustentação oral de seu direito. É o relatório. 9 _ Processo n° 13884.003915/2002-91 sinEe2 Acórdão n.° 1802-00.010 fl. 10 Voto Conselheira ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Relatora O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Inicialmente alegou a Recorrente vícios de nulidade na decisão recorrida porque na parte em que manteve a autuação, valeu-se da decisão proferida no processo n° 13884.003834/2001-18 (razões de decidir integralmente reproduzidas) e desconsiderou os argumentos da peça impugnatória. Ora, a Recorrente no que impugnou o lançamento relativo ao lucro inflacionário apurado no ano calendário de 1997 o fez com os mesmos fundamentos aduzidos no processo 13884.003834/2001-18, relativo à mesma infração praticada, pertinente ao ano calendário de 1996. Portanto, tem-se como razoável, integrante, econômico e coerente o voto condutor proferido nos presente autos que adotou as mesma razões de decidir daquele processo de lavra da mesma relatora , constante do Acórdão 12.232, de 16 de fevereiro de 2006, reproduzido às fls.1961208, justificado no seguinte trecho: "Prosseguindo, dada a relação de causa e efeito existente entre o presente e o processo n°13884.003834/2001-18, e a repetição das provas e dos argumentos de defesa ali expendidos, tanto no que diz respeito às preliminares quanto no que concerne à falta de realização do saldo do lucro acumulado, trasladam-se para o presente as razões de decidir daquele processo, constantes do Acórdão n° 12.232, de 16 de fevereiro de 2006, de lavra desta mesma relatora:" Registre-se que, apenas ensejam a nulidade processual, os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição ao direito de defesa, a teor do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72 e alterações posteriores. Não se configurando nos autos tais vícios, não se acolhe a preliminar aventada pela Recorrente. Alega a defesa que, constatada a inconsistência do lançamento, deveria o agente fiscal cancelar a referida autuação e lavrar novo lançamento para apuração de eventual saldo credor de correção monetária, e não simplesmente converter o julgamento em diligência, o que redundaria, em decadência do débito relativo ao ano-calendário de 1997, consoante o art.150, §4° do CTN. A questão não tem o alcance pretendido pela Recorrente. A diligência determinada pela DRJ - Campinas/SP, não teve o condão de dar sobrevida ao lançamento e obstaculizar suposto prazo decadencial. Tal determinação fora no sentido de viabilizar ao contribuinte comprovar suas alegações por refutar a exigência relativa ao Lucro Inflacionário Diferido (saldo credor da correção monetária-diferença 11PC/BTNF) cuja prova já deveria ter, contribuinte apresentado com a impugnação na l' Instância Administrativa de Julgamento. r4. o Processou' 13884.003915/2002-91 SI-1E02 Acórdão a° 1802-00.010 HL II Ficou patente que, por força da diligência requerida em sede de julgamento, foi oferecida ao contribuinte a oportunidade de trazer novas provas aos autos, o que não foi devidamente aproveitado pela Recorrente, não podendo agora alegar decadência em virtude de diligência que sequer fora realizada por absoluto óbice do contribuinte que não atendera às intimações efetuadas (fis.01, 22, 28, 30, 32, 179), inclusive com dois (02) pedidos de prorrogação de prazo (fis.181 e 182) e relatório, fis.185, para apresentar a documentação. Vale esclarecer, ainda, que a diligência após a lavratura do auto de infração tem o condão de melhor esclarecer os fatos alegados pela defesa. Instaurada a fase litigiosa, a autoridade julgadora, visando à correta exigência do crédito tributário, está autorizada a alterar o• lançamento, regularmente notificado ao sujeito passivo, conforme dispõe o art. 145, I e II, do CTN, "O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I - impugnação do sujeito passivo; II - recurso de oficio—% portanto não há impossibilidade jurídica em ser alterado o lançamento em virtude de impugnação ou recurso. E com efeito, não há falar em decadência nessa fase processual. Aduz a recorrente nas conclusões, fls.229, que o lançamento deverá ser declarado nulo porque realizado com base em mera opinião dos agentes da administração pública, ao contrário dos fatos demonstrados e dos dispositivos legais aplicáveis. Que, a realização de lançamento em base nitidamente subjetiva encontra-se em completa desconformidade com os comandos dos artigos 108, 114, 116 e 142, entre outros, do Código Tributário Nacional — CTN. Nesse aspecto, importa esclarecer, que as informações constantes das declarações de rendimentos apresentadas no prazo legal pelo contribuinte gozam de presunção de validade, e estando a infração identificada de acordo com os dados fornecidos pela própria pessoa jurídica, até prova em contrário, é correto o procedimento da fiscalização de efetuar o lançamento tributário com base nos elementos disponíveis. Da análise do auto de infração, depreende-se que os fatos foram perfeitamente descritos além dos demonstrativos anexos, de acordo com os fundamentos legais relatados, demonstrando os elementos de apuração do 1RPJ, portanto em consonância com as disposições contidas nos artigos 108, 114, 116 e 142 do CTN, a que alude a Recorrente. No mérito, a lide cinge-se à discussão sobre o "Lucro Inflacionário Acumulado realizado adicionado a menor na demonstração do lucro real" (Lucro inflacionário realizado a menor) em razão de não haver a autuada oferecido à tributação, no período-base de 1997, a parcela correspondente à aplicação do percentual mínimo de realização sobre o saldo do lucro inflacionário acumulado. "4 recorrente conduz sua defesa tentando demonstrar que houve equívoco no preenchimento da declaração de rendimentos (DIRR4 do exercício 1992, ano-base de 1991 de modo a resultar saldo credor da correção monetária relativo à diferença verificada entre o 1PC e o BINE, nos controles da Receita Federal" De fato, segundo o Demonstrativo do Lucro Inflacionário (fis.210/211) com os expurgos efetuados e alterado pela decisão de primeira instância, observa-se que o saldo do 11 I i . Processo n° 13884.003915/2002-91 S14E02 Acórdão n.° 1802-00.010 Fl. 12 lucro inflacionário existente em 31/12/97 é composto, unicamente, pela parcela diferida desde o ano-base de 1991, relativa ao Saldo Credor Dif. IPC/BTNIF corrigido. A Correção Monetária Diferença IPC/BTNF em 1990, foi obrigatória para todas as empresas que determinaram o Imposto de Renda do exercício de 1991, período-base de 1990, com base no lucro real, a ser contabilizada pela diferença apurada entre a correção com base no IPC e com base no BTNF, esta última já registrada no balanço no ano de 1990. Alega a Recorrente, que "nunca apurou" saldo credor da correção monetária, relativo a diferença entre o IPC e o BTNF a que se refere a Lei n° 8.200/91, do que resultaria o lucro inflacionário acumulado a realizar no valor de Cr$3.289.131.663,00. Compulsando-se os autos, notadamente as cópias das declarações de rendimentos e balanços patrimoniais dos anos calendário de 1989, 1990 e 1991, verifica-se que os fatos apontam em sentido contrário aos argumentos da recorrente, haja vista a constatação de Ativo Permanente em valor absolutamente superior ao Patrimônio Líquido e por conseqüência resultou em substancial saldo credor de correção monetária de balanço apurado nos anos calendário de 1990 e 1991, senão vejamos: 1) 31.12.1989 (NCz$) fls.144 e 155 Ativo Permanente — - o - Patrimônio Líquido — 10.963 Saldo Credor ou Devedor da CM — o - Lucro Inflacionário do Período — o - 2) 31.12.1990 (NCz$) fls.147,148,166,168 e 169 Ativo Permanente - 1.238.016.244 Patrimônio Líquido — 46.968.697 Saldo Credor de CMB —366.472.562 Lucro Inflacionário Diferido — — 3) 31.12.1991 (Cr$) fls.141, 149,77 e 77v, 84 e 85 Ativo Permanente - 9.060.407.452,00 Correção Monetária IPC x BTNF - 2.976.925.702,00 Patrimônio Líquido —2.677.897.066 Saldo credor da Conta de Correção Monetária Diferença IPC/BTNF — 3.289.131.663 12 Processo n° 13884.003915/2002-91 S1-TE02 Acórdão n.° 1802-00.010 Fl. 13 (Acrescentado no Patrimônio Liquido em 31/12/91) Saldo Credor de CMB apurada em BTNF — (fls.135 e 150) —4.127.457.008 Lucro Inflacionário Diferido — O — A Recorrente alega inconsistência na DIRPJ/92, no entanto, não atendeu ao • termos de intimação acima referidos, para apresentar a documentação necessária acompanhada dos respectivos livros contábeis e fiscais para confrontação da veracidade das alegações apresentadas pela contribuinte. A diferença entre o IPC e o BTNF, corrigida, em 31/12/91, a que se refere a Lei n° 8.200/91, em conta de Patrimônio Líquido informada na declaração de rendimentos, DIRPJ/92 (fls.142), constante também no balanço patrimonial (fls.149) é o valor de Cr$3.289.131.663,00, cujo montante consubstancia o lucro inflacionário acumulado a realizar, demonstrado às fls.88 e 210. A simples alegação de que o saldo da correção monetária do ativo permanente era Cr$ 2.976.925.702,00, é insuficiente para infirmar o Saldo Credor da Conta de Correção Monetária Diferença IPC/ETNF, (Acrescentado no Patrimônio Líquido em 31/12/91) no valor de CrS3.289.131.663,00, tendo em vista o Saldo Credor de CMB apurado em BTNF — (fls.135 e 150) , no valor de Cr$ 4.127.457.008,00. A inconsistência alegado entre as informações contidas nos itens 46 e 56 dos quadros 3 e 4, do Anexo A, da DIRPJ/92, não parece plausível, uma vez que a correção monetária dos valores do Ativo Permanente não pode se mostrar inferior ao saldo credor apurado na conta de Correção Monetária do Balanço (CMB), apurada com base no BTNF. Portanto, se afigura que se erro houve, será o valor declarado de apenas Cr$ 2.976.925.702,00 pois este apurado com base no IPC, não poderá ser inferior ao Saldo Credor de CMB apurado em BTNF (fls.135 e 150) , no valor de Cr$ 4.127.457.008,00, haja vista o índice do IPC revelar-se superior ao índice do BTNF. A Instrução Normativa n° 114, de 04/12/91, divulgou os índices de correção pelo 1PC para 1990, de forma que os valores constantes dos balanços de 1989 e 1990 serão corrigidos pelo índice do mês de janeiro de 1990 (18,9472), subtraindo-se do valor obtido o valor corrigido pelo BTNF no balanço de 31/12/90 (índice do BTNF 1990 — 9,4512). A diferença contabilizada como correção monetária IPC x BTNF, ou seja, o saldo fmal (devedor ou credor) da conta CM- Diferença IPC/IITNF será transferido para o Patrimônio Líquido — PL. De acordo com os elementos acima descritos para refutá-los e infirmar a autuação, caberia à autuada comprovar com documentação hábil e idônea que o saldo da conta de correção monetária do período-base de 1990 e da correta apuração da diferença IPC/BINF em relação a esse saldo, feita nos moldes do Decreto n° 332, de 4 de novembro de 1991, é diferente do valor de Cr$3.289.131.663,00, relativo ao Saldo credor da Conta de Correção Monetária Diferença IPC/B7'NF, (Acrescentado no Patrimônio Liquido em 31/12/91) e constante do Balanço Patrimonial da empresa em 31/12/1991, supostamente levantado à luz dos fatos contábeis e com observância aos artigos 32, 33 e 38 do Decreto n° 332, de 1991 transcrito na decisão de primeiro grau às fls.200/201. 3 Processo n° 13884.003915/2002-91 S1-TE02 Acórdão ri.° 1802-00.010 Fl. 14 A comprovação solicitada pela fiscalização é plenamente justificável, pois cumpre à contribuinte o ônus de demonstrar o erro incorrido na declaração de rendimentos, o que deve ser efetuado mediante apresentação de documentação hábil e idônea. A conclusão que se impõe, é que, acaso fossem verdadeiras as argumentações apresentadas pela defesa — suposto equívoco na declaração de rendimentos, por certo teria apresentado demonstrativos e documentação correlata corroborando a tese apresentada em sua defesa, o que não logrou fazê-lo. Nada trouxe de novo a recorrente na fase recursal para combater as assertivas da primeira instância. Nenhuma prova trouxe aos autos para comprovar qual o equívoco que redundou nos valores informados como inconsistentes na declaração de rendimentos e balanço patrimonial ofertado. Não basta reafirmar o que dissera anteriormente, ou ainda, apontar suposta diferença na declaração de rendimentos e nos controles da Receita Federal no que diz respeito ao saldo acumulado de lucro inflacionário anterior ao ano da autuação (1997). Ora, se a empresa identificou tal discrepância ela teria que apresentar demonstrativo e documentos para identificar o erro no sistema Sapli, uma vez que esse é uma reprodução com a alimentação direta de suas próprias declarações de rendimentos. São os livros e documentos mantidos pela pessoa jurídica os elementos capazes de fornecer ao Fisco conteúdo substancial para demonstrar a verdade material dos fatos. Os dados constantes das declarações de rendimentos apresentadas gozam de presunção de veracidade, cumprindo à pessoa jurídica o dever de confirmar ou infirmar as informações ali contidas mediante a apresentação dos livros contábeis e fiscais, bem como da documentação que os acoberta, quando regularmente intimada pela fiscalização, nos termos do art. 195, parágrafo único, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, que aprova o Código Tributário Nacional - CTN, e art. 210 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 11 de janeiro de 1994 (R1R/94), transcritos às fls.203/204 na decisão de primeira instância. Entretanto, a recorrente ao invés de demonstrar onde estaria o erro do Sapli, que parte de suas próprias declarações de rendimentos, tenta inverter o ônus da prova atribuindo esse mister ao Fisco, principalmente quando intimada a prestar esclarecimentos e apresentar documentos conforme diligência e não atende, no que perde a oportunidade de demonstrar o alegado equívoco na declaração de rendimentos. Se esse fosse o caso, por certo, teria apresentado documentos e demonstrativos corroborando a tese apresentada em sua defesa, o que novamente não logrou fazê-lo na fase recursal. "Alegar e não provar é mesmo que não alegar". Quanto às objeções argüidas acerca da multa de oficio e dos juros de mora segundo as taxas SELIC, a exigência decorre de expressa disposição legal, não cabendo a este órgão do Poder Executivo deixar de aplicá-la, encontrando óbice, inclusive nas Súmulas ri% 2 e 4 deste E. Primeiro Conselho de Contribuintes, in verbis: "Súmula 1 •CC n' 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 28/07/2006). 14 Processo n° 13884.003915/2002-91 81-TE02 Acórdão a° 1802-00.010 Fl. 15 Súmula P CC 4: A partir de I s de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais." (DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 28/07/2006). Por todo o exposto, rejeito as prelim' s suitadas pela Recorrente, e, no mérito, voto no sentido de negar provimento ao recurso Sala das Sessões - DF, em 19 de .I" 009. -o ER ' • • fed . SL I "1 GUSA 15
score : 1.0
Numero do processo: 10314.002998/2002-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Exercício: 2001, 2002
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. NCM. REVISÃO ADUANEIRA.
Submetido à desembaraço aduaneiro o produto LUPRANAT M20 S, nome comercial LUPRANOL 2090, com classificação tarifária incorreta na posição NCM 2929.10.90
A classificação pretendida pela Fiscalização NCM 3824.90.90 se sustenta, pois passa a ser a posição residual para o caso de uma mistura de diversos elementos, com propriedades distintas do produto puro.
MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO. AFASTAMENTO. DESCRIÇÃO EXATA DA MERCADORIA. APLICABILIDADE DO ADN SRF nº 12/1997.
Em face da descrição correta da mercadoria, que possui inclusive registro, aplica-se o ADN SRF nº 12/1997.
MULTA PELA CLASSIFICAÇÃO FISCAL ERRÔNEA. MANUTENÇÃO.
Como se tratou de classificação fiscal errônea, aplica-se a multa regulamentar de 1%.
MULTA DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MANUTENÇÃO.
Aplica-se a multa do art. 44, da Lei nº 9.430/1996, o auto de infração é posterior à revogação do ADN SRF nº 10/1997.
MULTA DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. MANUTENÇÃO.
É aplicável a multa do art. 44, da Lei nº 9.430/1996.
JUROS DE MORA. SÚMULA CARF nº 5.
Os juros de mora são consectários do principal, têm a finalidade de recompor o patrimônio da União Federal
TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF nº 2.
O CARF está adstrito ao princípio da legalidade, não podendo examinar matéria constitucional.
Numero da decisão: 3302-004.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, foi dado parcial provimento ao recurso voluntário para excluir a multa por falta de licença de importação.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza -Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Ausente o Conselheiro Domingos de Sá.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Exercício: 2001, 2002 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. NCM. REVISÃO ADUANEIRA. Submetido à desembaraço aduaneiro o produto LUPRANAT M20 S, nome comercial LUPRANOL 2090, com classificação tarifária incorreta na posição NCM 2929.10.90 A classificação pretendida pela Fiscalização NCM 3824.90.90 se sustenta, pois passa a ser a posição residual para o caso de uma mistura de diversos elementos, com propriedades distintas do produto puro. MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO. AFASTAMENTO. DESCRIÇÃO EXATA DA MERCADORIA. APLICABILIDADE DO ADN SRF nº 12/1997. Em face da descrição correta da mercadoria, que possui inclusive registro, aplica-se o ADN SRF nº 12/1997. MULTA PELA CLASSIFICAÇÃO FISCAL ERRÔNEA. MANUTENÇÃO. Como se tratou de classificação fiscal errônea, aplica-se a multa regulamentar de 1%. MULTA DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MANUTENÇÃO. Aplica-se a multa do art. 44, da Lei nº 9.430/1996, o auto de infração é posterior à revogação do ADN SRF nº 10/1997. MULTA DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. MANUTENÇÃO. É aplicável a multa do art. 44, da Lei nº 9.430/1996. JUROS DE MORA. SÚMULA CARF nº 5. Os juros de mora são consectários do principal, têm a finalidade de recompor o patrimônio da União Federal TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF nº 2. O CARF está adstrito ao princípio da legalidade, não podendo examinar matéria constitucional.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10314.002998/2002-77
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5724734
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-004.138
nome_arquivo_s : Decisao_10314002998200277.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10314002998200277_5724734.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, foi dado parcial provimento ao recurso voluntário para excluir a multa por falta de licença de importação. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa - Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza -Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Ausente o Conselheiro Domingos de Sá.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
id : 6762576
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049212019539968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1584; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.002998/200277 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.138 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de abril de 2017 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Recorrente BASF POLIURETANOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Exercício: 2001, 2002 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. NCM. REVISÃO ADUANEIRA. Submetido à desembaraço aduaneiro o produto LUPRANAT M20 S, nome comercial LUPRANOL 2090, com classificação tarifária incorreta na posição NCM 2929.10.90 A classificação pretendida pela Fiscalização NCM 3824.90.90 se sustenta, pois passa a ser a posição residual para o caso de uma mistura de diversos elementos, com propriedades distintas do produto puro. MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO. AFASTAMENTO. DESCRIÇÃO EXATA DA MERCADORIA. APLICABILIDADE DO ADN SRF nº 12/1997. Em face da descrição correta da mercadoria, que possui inclusive registro, aplicase o ADN SRF nº 12/1997. MULTA PELA CLASSIFICAÇÃO FISCAL ERRÔNEA. MANUTENÇÃO. Como se tratou de classificação fiscal errônea, aplicase a multa regulamentar de 1%. MULTA DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MANUTENÇÃO. Aplicase a multa do art. 44, da Lei nº 9.430/1996, o auto de infração é posterior à revogação do ADN SRF nº 10/1997. MULTA DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. MANUTENÇÃO. É aplicável a multa do art. 44, da Lei nº 9.430/1996. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 29 98 /2 00 2- 77 Fl. 455DF CARF MF 2 JUROS DE MORA. SÚMULA CARF nº 5. Os juros de mora são consectários do principal, têm a finalidade de recompor o patrimônio da União Federal TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF nº 2. O CARF está adstrito ao princípio da legalidade, não podendo examinar matéria constitucional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, foi dado parcial provimento ao recurso voluntário para excluir a multa por falta de licença de importação. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Ausente o Conselheiro Domingos de Sá. Relatório Tratase de auto de infração, originado em procedimento de importação, que verificou a declaração inexata de mercadoria e, por conseguinte, considerou a mercadoria desamparada de guia de importação, sendo que também aplicou a multa isolada por classificação errônea da mercadoria. Assim, foi formalizada a exigência do Imposto de Importação e Imposto de Produtos Industrializados, acrescidos de multa proporcional e multa de controle administrativo. Da descrição do auto de infração, extraise, fls. 51: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado, foi(ram) apurada(s) a(s) infração(ões) abaixo descrita(s), a dispositivo(s) do Regulamento Aduaneiro (R.A), aprovado pelo Decreto nº 91.030/85. 001 CLASSIFICAÇÃO NCM INCORRETO Basf Poliuretanos Ltda, importou através da Declaração de Importação, registrada na Alfândega de Santos sob nº 02/ 02835868 mercadoria discriminada como ELASTOFLEX R 2300 T , classificandoa no código tarifário NCM 29291090. 1 Todas as páginas, referenciadas no voto, correspondem ao eprocesso. Fl. 456DF CARF MF Processo nº 10314.002998/200277 Acórdão n.º 3302004.138 S3C3T2 Fl. 3 3 Sintetizando Laudo e Literatura Técnica Específica, cópias anexas, temos que o produto ELASTOFLEX R 2300 T: 1a) "Não é Isocianato de constituição química definida, apresentado isoladamente", 2a) "Não é uma Preparação ou Composto de constituição química definida", 3ª) "Tratase, na verdade de uma Mistura de Isocianatos Aromáticos, contendo 4,4'Diisocianato de Difenimetano, na forma líquida, um Produto à base de Compostos Orgânicos, não especificado nem compreendido em outras posições." Ora, o Capítulo 29 da TEC/NCM, onde fora classificado, ressalvadas disposições em contrário, compreende apenas compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, conforme dispõe sua Nota 1., letra a. Como o produto, em questão, não satisfaz este requisito, e não é contemplado com ressalva, fica literalmente excluído deste. Por ser de constituição química não definida, encontra guarida no Capítulo 38 TEC/NCM, (v. NOTA 1. do mesmo), que cuida dos Produtos Diversos das Industrias Químicas, na posição 3824, como produto químico e preparação das indústrias químicas não especificado em outras posições, na subposição 3824 90 completada com o item 89, ou seja, no enquadramento do Código Tarifário 3824 9089, correto para ele. Este, com alíquotas de II e IPI, diversas e mais onerosas que as anteriormente usadas, no momento do fato gerador, ver Decreto lei 37/96, art.23, resulta, na sua atual, uma diferença de tributos que não foram recolhidos. E, sobre esta diferença apurada recai a multa estipulada no art. 44, I da Lei do Ajuste Tributário nº 9 340, de 27/12/1996. Apenas como observação, descabe no presente caso o A.D.N./ COSIT Nº 10, DE 16/01/1997, revogado pelo A.D.I. /SRF nº 13, de 10/08/2002, que excluiu da não aplicabilidade da multa de ofício a infração de classificação inexata da mercadoria. Ademais, às fls. 33/47, a contribuinte apresenta impugnação, que, em síntese, alega que: i) Está correta a classificação fiscal do produto ELASTOFLEX R 2300 T. Para isso tece comentários sobre a composição química do mesmo. Afirma que apesar de tratarse de uma mistura, deve ser mantida a posição adotada, pois a NESH no capítulo 29 cita que as misturas de isômeros devem ser ali classificadas. Cita ainda a regra de classificação 3, "a", alegando que a posição por ela adotada é mais específica que a da fiscalização. Alega ainda que esse produto não tem aplicação na área de construção de moldes siderúrgicos e assemelhados, conforme título da posição 3824. Fl. 457DF CARF MF 4 ii) O fato de ser uma mistura não desabona a classificação tarifária no capítulo 29 da TEC, conforme nota explicativa 1b; iii) A classificação tarifária empregada pela fiscalização é subsidiária; iv) À luz da Regra 3 das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, a posição adotada pelo importador deve prevalecer; v) Ante o disposto no Ato Declaratório COSIT 10/97, a multa do Imposto de Importação é incabível; vi) A multa de controle administrativo também é inoportuna, pois a interessada não importou produto diverso do declarado; v) A aplicação da multa do Imposto de Produtos Industrializados não encontra respaldo legal no art. 80 da Lei 4.502/64; vi) Enquanto discutível a questão através de Processo Administrativo Fiscal, incabível a exigência de juros moratórios; vii) A aplicação da Taxa Selic é inconstitucional Sobreveio decisão da DRJ/São Paulo II, fls. 92/102, cuja ementa é colacionada abaixo: Assunto: Classificação de mercadorias Data do fato gerador: 20/07/2001, 21/11/2001, 27/12/2001, 04/01/2002, 19/02/2002, 02/04/2002, 02/04/2002, 30/04/2002, 06/05/2002. Ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL O produto com marca comercial ELASTOFLEX R 2300 T classificase na NCM 3824.9089. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE. O desembaraço aduaneiro não se caracteriza como homologação de lançamento, sendo legítima a atividade de reexame do despacho de importação, com a conseqüente exigência das eventuais diferenças de tributos apuradas, acrescidas das respectivas penalidades. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. COMPROVAÇÃO. Mantémse a reclassificação fiscal realizada com base em Laudo Técnico que contenha elementos suficientes para comprovar que o produto examinado se enquadra, inequivocamente, no código tarifário determinado pela autoridade lançadora. PROVA EMPRESTADA. Laudo técnico exarado em outro processo administrativo pode ser utilizado como prova para importações diversas, desde que Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10314.002998/200277 Acórdão n.º 3302004.138 S3C3T2 Fl. 4 5 trate de produto originário do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação. QUESTIONAMENTO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO. A ilegalidade e a inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa. Em 26 de junho de 2007, a recorrente tomou ciência do acórdão da DRJ/São Paulo II e, por conseguinte, apresentou recurso voluntário no dia 26 de julho de 2007, fls. 147/167, reafirmando os pontos apresentados na impugnação e, mais uma vez, solicitando a realização de perícia técnica e pugnando pela nulidade do acórdão da DRJ/São Paulo II em razão do seu indeferimento. Às fls. 219/224 do eprocesso, há acórdão da 3ª Seção de Julgamento, convertendo o feito em diligência para a solução de controvérsia a fim de que o Labana esclareça a diferença entre polimetileno polifenilisocianato, que constou nas declarações de importação da contribuinte, e a substância polimetileno polifenil poliisocianato, constante dos seus laudos. Ademais, também, no procedimento de diligência, foi solicitada a juntada das DIs, que embasaram o auto de infração. Posteriormente, às fls. 307 do eprocesso, há um parecer técnico da Falcão Bauer, mas que não esclarece com objetividade a diferença entre o polimetileno polifenilisocianato e o polimetileno polifenil poliisocianato. Posteriormente, às fls. 312, há uma notificação da Secretaria da Receita Federal nos seguintes termos: Sra. Responsável Técnica, No uso das atribuições delegadas através do art. 48, inc. VII da Portaria ALF/STS n° 150/2010, publicada no DOU de 27/04/2010 e tendo em vista o solicitado através de correio eletrônico pela ARFRB Diva Garcia de Oliveira, para atender ao Recurso Voluntário n° 339 743 da Terceira Seção de Julgamento, NOTIFICO V. Sa. para que emita um Parecer Técnico esclarecendo, objetivamente, a diferença entre Polifenilisocianato e Polifenil Poliisocianato. Para tanto, encaminhamos cópia dos Laudos Técnicos 0937.02, LAB 968/Gruafi, referente à D.I. 02/02835868 e do Laudo Técnico 145.01, LAB 100/Gruafi, referente à D.I. 02/00237637.. Estamos à disposição pessoalmente, no Grupo de Acompanhamento de Laudos Técnicos desta Alfândega, ou através do telefone (13) 40091517. Às fls. 330, a Secretaria da Receita Federal intimou a contribuinte a respeito do laudo inconclusivo. A interessada reiterou as considerações realizadas em sede de impugnação e recurso voluntário. O processo, então, retornou a este tribunal administrativo. Diante da dúvida existente, o feito foi novamente convertido em diligência, pela resolução nº 3302000.514, de 23 de fevereiro de 2016, sob minha relatoria a fim de que, fls. 388/392: Fl. 459DF CARF MF 6 Assim, a demanda versa em torno da composição química e, conforme voto anterior, fs. 219/224 do eprocesso, foi solicitada a realização de uma diligência acerca do esclarecimento da diferença dos seguintes compostos: i) polimetileno polifenilisocianato, declarada na da Declaração de Importação (DI) 02/02835868, fls. 290 do eprocesso; ii) polimetileno polifenil poliisocianato, segundo laudo técnico Labana, acostado às folhas 27/28 do eprocesso; Conforme relatado anteriormente, não houve uma resposta objetiva acerca da diferença entre os dois componentes químicos. Assim, é necessário para a resolução da controvérsia a reintimação do Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami, a fim de esclarecer com objetividade a diferença entre o polimetileno polifenilisocianato e o polimetileno polifenil poliisocianato. Houve, então, realização do laudo técnico, fls. 406, posteriormente, a notificação da contribuinte em 16 de agosto de 2016, fls. 412, e manifestação dela em 13 de setembro de 2016, fls. 417. É o relatório. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, sendo que a contribuinte teve ciência em 26 de junho de 2007 e o recurso protocolado em 26 de julho de 2007. Tratase de matéria da competência deste colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. 2. Preliminar 2.1. Cerceamento do direito de defesa A recorrente alega cerceamento do direito de defesa pelo indeferimento da realização de perícia, tal preliminar encontrase superada no presente feito, tendo em vista que ele foi convertido em diligência em dois momentos. 3. Do mérito 3.1. Da substância importada ELASTOFLEX R 2300 T A questão central insurgese sobre a classificação fiscal da substância Elastoflex R 300 T. A recorrente classificou no NCM 2929.10.90. Do capítulo 29 produtos químicos orgânico, há a seguinte nota explicativa na NESH: Notas1: Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo apenas compreendem: Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10314.002998/200277 Acórdão n.º 3302004.138 S3C3T2 Fl. 5 7 a) os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas; b) as misturas de isômeros de um mesmo composto orgânico (mesmo contendo impurezas), com exclusão das misturas de isômeros (exceto estereoisômeros) dos hidrocarbonetos acíclicos, saturados ou não (Capítulo 27); Da pesquisa do NCM, temse que o capítulo 29 referese à "produtos químicos orgânicos" e o item 2929.10.90 diz respeito a "Outros isocianatos". A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por sua vez, em ato de revisão aduaneira classificou o produto no NCM 3824.90.90. Do capítulo 38 Produtos diversos da indústria química, cujas notas são: 38.24 aglutinantes preparados para moldes ou núcleos de fundição. Do dicionário Michaelis on line, temse que isocianato significa sal ou éster do ácido isociânico. E, por sua vez, dizse de ácido isociânico: geralmente preparado em forma de ésteres, alguns dos quais usados na fabricação de resinas, plásticos e adesivos. Já a palavra aglutinante significa "que causa ou tende a causar adesão". Da fls. 11, extraise o que contém o auto de infração: Ocorre que efetivamente foi importada a seguinte mercadoria: MISTURA DE REAÇÃO À BASE DE ISOCIANATOS AROMÁTICOS (POLIMETILENO POLIFENIL POLIISOCIANATO), CONTENDO 4,4' DIISOCIANATO DE DIFENILMETANO, UM PRODUTO DIVERSO DAS INDUSTRIAS QUÍMICAS, NA FORMA LIQUIDA, classificável na Tarifa Externa Comum (TEC) no código 3824.90.90, conforme laudo laboratorial 3083.01 amostra 3130/Gruafe, sendo incidente a alíquota do imposto de importação de 16,50%. e imposto sobre produtos industrializados à alíquota de 10,00%. Do auto de infração extraise que a fiscalização considerou "mistura de reação à base de isocianatos aromáticos". Das fls. 19/20, extraemse os quesitos e as respostas do laudo do Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami, que tem como número o container IVLU 9546810, que está referenciado na DI 01/11331174/001, que é a DI, objeto do presente processo. Os quesitos seriam: I Identificar o produto comparando com a descrição acima? II Tratase de produto de constituição química definida e isolada? III Qual a aplicação ou finalidade do produto? IV Outras informações que se fizerem necessárias. As respostas aos quesitos foram: Fl. 461DF CARF MF 8 I Não se trata de Outro Isocianato, de constituição química definida. Tratase de Mistura de Reação à base de Isocianatos Aromáticos, (Polimetileno Poliisocianato), contendo 4,4' Diisocianato de Difimihnetano, um Produto Diverso das Indústrias Químicas, na forma líquida. II Não. III De acordo com Literatura Técnica Específica (copia anexa), a mercadoria é utilizada, principalmente, na fabricação de espumas de Poliuretano. IV ISOCIANATOS POLIMÉRICOS OU PMDI são produtos obtidos a partir da reação de condensação 4,4' Metilenodianilina de baixa pureza, constituída de isômeros e oligômeros, mistura de reação proveniente da condensação de Anilina com Formaldeído, e o produto resultante da sua reação com o Fosgênio (CCL20), também é uma mistura de reação constituída de 4,4'Diisocianato Difenilmelan, seus isômeros, trímeros e oligômeros de alto peso molecular, confirmada pela informação técnica específica da mercadorias LUPRANAT MS 20 (cópia anexa), que declara: (...) Informamos que 4,4'Diisocianato de Difenihnetano de constituição química definida, c/c nome comercial LUPRANAT MS, da empresa BASF, já foi objeto de análise várias vezes neste Laboratório, cujo Laudo de Análise n°1138/97 do Pedido de Exame 039/200, tomamos a liberdade de anexar. (grifos não constam do original) Do sítio eletrônico "http://classificacao.dalston.com.br/2010/09/oquee constituicaoquimicadefinidadoscapitulos28e29dancm/", acesso em 12 de fevereiro de 2016, extraise que: 1. O que é constituição química definida dos capítulos 28 e 29 da NCM? Tratase de expressão equivalente a Lei de Proust ou Lei das Proporções Constantes, que diz: “um composto químico, independentemente do seu histórico (origem, métodos de obtenção, etc.), contém sempre os mesmos elementos químicos, nas mesmas proporções em massa”, o que implica na existência de uma fórmula química. Essa Lei é um dos pilares da Química, não só pela possibilidade de representar as substâncias por fórmulas, mas também por ser o germe criador da Estequeometria, sem a qual o mundo moderno, como o conhecemos, não seria possível. Notese que a Estequeometria é uma parte específica da Química que investiga tanto as proporções envolvidas nas reações químicas quanto aquelas pelas quais se combinam os átomos para formar os compostos químicos. Assim sendo, em resumo, “constituição química definida” significa, no contexto dos Capítulo 28 e 29 da NCM, que o produto químico deverá ter fórmula química, diferentemente do Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10314.002998/200277 Acórdão n.º 3302004.138 S3C3T2 Fl. 6 9 que ocorre nos Capítulos 30 a 40, que é o mundo das preparações químicas e dos polímeros. Observase pelo laudo feito a partir da amostra do produto importado, no caso o Lupranat M 20 S, nome comercial Lupranol 2090, que ele não é um produto de constituição química definida, sendo uma mistura de reação constituída de 4,4'Diisocianato Difenilmelan, seus isômeros, trímeros e oligômeros de alto peso molecular. Diferentemente de outro produto da mesma empresa, que é o Lupranat MS, que se trata de um produto de constituição química definida que contém 4,4'Diisocianato de Difenihnetano de constituição química definida, cujo nome comercial é LUPRANAT MS. Tratase, assim, de produtos que possuem 4,4'Diisocianato de Difenihnetano, mas o que é objeto de análise não possui constituição química definida e, portanto, é uma mistura de reação. A contribuinte, em diversos momentos, juntou provas sobre a possibilidade de se comprovar que a classificação fiscal que aplicou é a correta, fls. 226/231, fls. 336/343, fls. 405/415, ocorre que nenhuma das provas é conclusiva. A conclusão mais fidedigna que se tem no caso em análise é o laudo da amostra realizada pelo laboratório. Vale esclarecer que apesar de a recorrente discorrer que a classificação atribuída pela fiscalização é a 3824.90.32, não é a referida classificação que se extrai do auto de infração, mas a de número 3824.90.90. Mais uma vez, importante ressaltar que o Lupranat M 20 S é um composto diferente do Lupranat MS. Da decisão da DRJ/São Paulo II, fls. 105/106 , extraemse trechos importantes: (...) Em suma, o produto é uma mistura de reação constituída 42% produto puro(4.4"MDI ou 4,4"Diisocianato de Difenilmetano). isômeros deste produto, na proporção 3% do composto. e 51,5% de oligômeros. Alias, questionado sobre se o produto era de constituição química definida ou uma mistura de isômeros de um mesmo composto orgânico, em caso idêntico Acórdão DRJ Nº 17780 de 2002, o INT simplesmente respondeu afirmando que o produto tinha a composição acima referida, omitindose de entrar no mérito da questão formulada. Considerando que a presença de isômeros do 4,4"MDI é de apenas 3%, conforme esclareceu o Relatório do INT, é inconcebível aceitar a tese do impugnante de que o produto é uma simples mistura de isômeros. Ainda que fosse alegado que a mercadoria seria urna mistura de isômeros do mesmo produto, contendo impurezas, tal tese também impossível de se sustentar, pois, a admitila como verdadeira, o produto se comporia em sua maior parte de impurezas, posto que o produto principal (4,4" MDI) e seus isômeros somam apenas 45% do composto. Além do mais, ficou claro tanto no Relatório do ENT quanto na Fl. 463DF CARF MF 10 Informação Técnica do Labana que o produto identificado pela análise como PMDI (o Diisocianato de Difenilmetano polimérico) e o MDI (o produto puro, monomérico) têm propriedades físicoquímicas e registro no C.A.S. diferentes, o que prova serem duas substâncias de natureza diversas. (...) Acresçase a tudo isto, o fato de que o Labana juntou laudo técnico de análise do produto puro. o 4.4" Diisocianato de Difenilmetano, conforme fls. 37, de nome comercial LUPRANAT MS. classificável no capitulo 29, fabricado pela própria BASF, do que se depreende que o LUPRANAT MS e o LUPRANAT M 20S são substancias distintas, o primeiro. de constituição química definida e isolado e o segundo, uma mistura de diversos elementos, com propriedades distintas do produto puro. (...) Entendo que e a classificação pretendida pela Fiscalização NCM 3824.90.90 se sustenta. pois passa a ser a posição residual para o caso de urna mistura de diversos elementos, com propriedades distintas do produto puro. O presente feito foi convertido em diligência duas vezes, na segunda, conversão foi solicitado que fosse esclarecido com objetividade a diferença entre o polimetileno polifenilisocianato e o polimetileno polifenil poliisocianato. E do laudo, fls. 406, extraise a seguinte conclusão: O polimetileno polifenilisocianato e o polimetileno polifenil poliisocianato, são sinônimos, se referem ao mesmo produto. A recorrente manifestouse após o laudo técnico, supra citado, e alega que há falta de motivação no parecer técnico, devendo ser considerado inaceitável, que o julgamento deve ocorrer in dubio pro contribuinte, reafirma o porquê de ter utilizado o NCM 2929.10.90 Contudo, diante de tudo quanto foi exposto, além da existência do laudo, fls. 27/28, acrescido do resultado da segunda diligência, observase que houve a indicação errônea por parte da recorrente e, portanto, mantémse a classificação fiscal atribuída pela fiscalização, qual seja, 3824.90.90. 3.2. Multa do controle administrativo A Recorrente alega que carece de fundamentação a multa de controle administrativo, vez que a Recorrente, através de sua declaração, não fez chegar ao país produto diverso daquele discriminado no documento de importação. A multa do controle administrativo foi fundamentada no auto de infração no art. 432, do Decreto nº 91.030/1985. Transcrevese o dispositivo abaixo: Decreto 91.030/1985 Guia de importação Art. 432. O importador deverá apresentar, ainda, por ocasião do despacho, a guia de importação ou documento equivalente, Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10314.002998/200277 Acórdão n.º 3302004.138 S3C3T2 Fl. 7 11 emitido pelo órgão competente, quando exigível na forma da legislação em vigor. Parágrafo único. No caso do art. 452, a guia poderá ser apresentada posteriormente ao começo do despacho aduaneiro. Vide também o art. 526, II, do Decreto 91.030/1985: Decreto 91.030/1985. Art. 526. Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas: (...) II importar mercadoria do exterior sem guia de importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: multa de trinta por cento (30%) do valor da mercadoria. Além da argumentação no sentido de que o produto estava acompanhado de guia, a Recorrente pleiteia pela aplicação do Ato Declaratório Normativo SRF nº 12, de 21 de janeiro de 1997, que versa nos seguintes termos: (...) declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Da análise dos autos, extraise que a partir dos dados das DI's autuadas que a descrição foi efetuada de uma forma correta, vide quadro abaixo: DI Nome Página 01/07297812 Lupranat M 20 S 268 01/11331204 Elastoflex R 2300 T 272 01/12455608 Elastoflex R 2300 T 273 02/00083923 Elastoflex R 2300 T 277 02/01410480 Elastoflex R 2300 T 281 02/02835841 Lupranat MM 289 02/028358608 Elastoflex R 2300 T 290 02/03842523 Elastoflex R 2300 T 295 Fl. 465DF CARF MF 12 02/03995133 Elastoflex R 2300 T 300 Não há uma descrição incorreta ou inexata da mercadoria. Por tal motivação, afastase a multa do art. 526, II, do Decreto nº 91/030/1985, com base no ADN SRF nº 12/1997. 3.3. Multa pela classificação fiscal errônea Aplicouse com base no art. 84, da MP nº 215835, de 24 de agosto de 2001, a seguinte multa: MP nº 215835/2001 Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou II quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. § 1o O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. § 2o A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. A Recorrente alega que classificou corretamente a mercadoria e que a referida penalidade não poderia ter sido instituída via medida provisória. Por todo o exposto, observou se que a classificação fiscal indicada ao produto, no caso a Nomenclatura Comum do Mercosul NCM em litígio, não foi efetuada da maneira correta, assim, mantémse a multa regulamentar de 1%. 3.4. Multa do imposto de importação A Recorrente pleiteia pela não aplicabilidade da multa, que tem fundamento no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que prevê, in verbis: Lei nº 9.430/1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Ademais, a Recorrente versa sobre a existência do Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10, de 16 de janeiro de 1997, que possui a seguinte redação: Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10314.002998/200277 Acórdão n.º 3302004.138 S3C3T2 Fl. 8 13 Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração punível com as multas previstas no art. 4º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. E em razão da existência do referido ato, não há fundamento para a manutenção da multa do art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. O ADN COSIT nº 10, de 16 de janeiro de 1997, foi revogado pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13, de 10 de setembro de 2002, que possui a redação, in verbis: Art. 1º Não constitui infração punível com a multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a indicação indevida de destaque ex, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. (grifos não constam no original) O presente auto de infração data de 19 de setembro de 2002, ou seja, posterior à revogação do ADN COSIT nº 10/1997. Por tal motivação, mantémse a multa do imposto de importação. 3.5. Multa do Imposto sobre Produtos Industrializados A Recorrente pleiteia pela não aplicabilidade da multa sobre o IPI lançado por entender que a classificação fiscal foi efetuada de modo correto. A referida multa possui fundamento no art. 80, da Lei nº 4.502/1964, com redação dada pelo art. 45, da Lei nº 9.430/1996: Lei nº 4.502/1964 Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício: Fl. 467DF CARF MF 14 I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória; II cento e cinqüenta por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido, quando se tratar de infração qualificada. Na multa em baila, o simples fato de não haver lançado o imposto em questão corretamente ou haver recolhido após o vencimento do prazo, há a subsunção do fato à norma. Nesse sentido, mantémse a multa de 75% incidente sobre o IPI lançado pela fiscalização. 3.6. Juros de mora A Recorrente entende incabível os juros de mora aplicado, pois o processo administrativo encontrase em discussão. Ocorre que os juros de mora são consectários do principal, têm a finalidade de recompor o patrimônio da União Federal, que se viu privada, no tempo devido, dos recursos que deveriam ter sido recolhidos a título de imposto de importação e imposto sobre produtos industrializados. Ademais, há súmula Carf neste sentido: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Assim, mantémse os juros de mora. 3.7. Inconstitucionalidade da Taxa Selic A Recorrente argumenta no sentido da inconstitucionalidade da Taxa Selic, demonstrando que ela é instável e atende aos anseios do mercado financeiro. Todavia, não cabe a este tribunal, adstrito ao princípio da estrita legalidade, discorrer sobre a constitucionalidade ou não de matérias, nesse sentido, vide a seguinte súmula Carf neste sentido: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por tais fundamentos, refutase a argumentação da Recorrente e mantémse a Taxa Selic. 3.8. Da Medida Provisória nº 38, de 2005 e o Princípio da Legalidade A Recorrente aduz que o auto de infração foi fundamentado no artigo 25, da Medida Provisória nº 38, de 2005, e que, na época, da lavratura do referido auto, a citada norma não estava mais em vigência e, por conseguinte, o auto é insubsistente. Tal argumentação é improcedente, uma vez que, pela análise do auto de infração, observase que o enquadramento legal foi o próprio regulamento aduaneiro, fls. 6. 4. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, rejeito a preliminar suscitada e concedo provimento parcial para afastar a multa de 30% de controle administrativo, fundamentada no artigo 526, do Decreto 91.030/1985. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10314.002998/200277 Acórdão n.º 3302004.138 S3C3T2 Fl. 9 15 Fl. 469DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.723879/2013-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2009 a 30/04/2012
MULTA ISOLADA. GLOSA DE COMPENSAÇÃO.
Na hipótese de compensação indevida, quando não comprovada a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte não se sujeito à multa isolada aplicada nos termos da legislação que rege a matéria.
Numero da decisão: 2401-004.859
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, por maioria dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Miriam Denise Xavier Lazarini, que negavam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2009 a 30/04/2012 MULTA ISOLADA. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. Na hipótese de compensação indevida, quando não comprovada a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte não se sujeito à multa isolada aplicada nos termos da legislação que rege a matéria.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 28 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10855.723879/2013-97
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5746380
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 28 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2401-004.859
nome_arquivo_s : Decisao_10855723879201397.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CARLOS ALEXANDRE TORTATO
nome_arquivo_pdf_s : 10855723879201397_5746380.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, por maioria dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Miriam Denise Xavier Lazarini, que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
dt_sessao_tdt : Mon Jun 05 00:00:00 UTC 2017
id : 6873894
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049212025831424
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 905; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 1.523 1 1.522 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.723879/201397 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.859 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de junho de 2017 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente MUNICÍPIO DE SOROCABA PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2009 a 30/04/2012 MULTA ISOLADA. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. Na hipótese de compensação indevida, quando não comprovada a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte não se sujeito à multa isolada aplicada nos termos da legislação que rege a matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 38 79 /2 01 3- 97 Fl. 1523DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, por maioria darlhe provimento, vencidos os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Miriam Denise Xavier Lazarini, que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 1524DF CARF MF Processo nº 10855.723879/201397 Acórdão n.º 2401004.859 S2C4T1 Fl. 1.524 3 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 1295/1307) interposto em face do acórdão nº. 1451.012 (fls. 1266/1284), que julgou improcedente a impugnação da recorrente, restando assim ementado: JUÍZO DE INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. É vedado à instância administrativa de julgamento proferir decisões acerca da inconstitucionalidade das leis. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ATRAVÉS DE GFIP HIPÓTESES LEGAIS. A compensação, no âmbito das contribuições previdenciárias, é legalmente admissível nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou a maior e retenção em razão de prestação de serviços de cessão de mãode obra ou empreitada. Mas, mesmo nessas hipóteses, deve se dar nos termos e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, ou seja, através de GFIP, de acordo com as respectivas regras pertinentes. INCIDÊNCIAS DE MULTAS DE MORA E ISOLADA CARACTERIZAÇÃO DAS RAZÕES QUE AS FUNDAMENTAM. Constatados os correspondentes requisitos legais, incide, a partir da competência de dezembro de 2008, multa isolada. A compensação através de GFIP pressupõe a existência de crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior. Por isso, ao realizar a compensação, sem que o crédito declarado realmente exista, o Contribuinte presta falsa informação à Receita Federal do Brasil, na medida em que dos dados transmitidos pela GFIP resulta a determinação de montante de tributo inferior àquele realmente devido. No presente processo administrativo fiscal foram lavrados dois autos de infração, assim resumidos: DEBCAD 51.049.9503: Glosa de compensações contribuições sobre agentes políticos exercentes de cargos eletivos (período de janeiro a outubro de 2009); DEBCAD 51.049.9511: Multa isolada (período de fevereiro a novembro de 2009). Tratase de glosas de compensações de contribuições previdenciárias realizadas pelo Contribuinte em relação a contribuições para agentes políticos exercentes de cargos eletivos, procedimento este, cujos fundamentos legais originários e posterior declaração Fl. 1525DF CARF MF 4 de inconstitucionalidade, foram assim resumidos pela Fiscalização, nos termos do REFISC de fls.1107/1121: 3.1. A Lei nº 9.506, de 30 de outubro de 1997, incluiu a alínea “h” do inciso I do artigo 12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, estabelecendo como segurado obrigatório da Previdência Social, na categoria de empregado, “o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social”. No âmbito municipal, referese aos cargos de prefeito, viceprefeito e vereadores. 3.2. Contudo, o Supremo Tribunal Federal STF em julgamento do Recurso Extraordinário nº 351.171.1PR declarou a inconstitucionalidade do texto da alínea. Em decorrência, foi editada a Resolução do Senado Federal nº 26, de 21 de junho de 2005, suspendendo a execução da norma que previa a contribuição dos agentes políticos. 3.3. A Receita Federal do Brasil – RFB reconhece a inexigibilidade de contribuições previdenciárias fundamentadas na alínea “h” do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/1991, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei nº 9.506, inclusive deferindo, administrativamente, pedidos de restituição ou compensação, desde que obedecido o disposto nos atos normativos que regem a matéria e apresentados a seguir. As compensações seriam relativas a recolhimentos do período de novembro de 1999 a setembro de 2004 e foram realizadas nas GFIP relativas ao período de maio de 2007 a outubro de 2009. Reportandose às normas legais pertinentes às regras de contagem do prazo prescricional, a Fiscalização estabeleceu que: 3.4.4. Concluise, pelo disposto no CTN, no RPS e na IN nº 15, que o prazo para pleitear restituição ou efetuar a compensação das contribuições previdenciárias recolhidas sob o fundamento do art. 12, I, “h”, da Lei nº 8.212, declarado inconstitucional pelo STF, é de cinco anos a contar da data da extinção do crédito tributário, ou seja, da data do pagamento. A Fiscalização assim relata as providências do Contribuinte visando à obtenção de autorização administrativa para a compensação: 4.5.4. Nas folhas 305 a 338, consta resposta da Delegacia da Receita Previdenciária em Sorocaba, informando sobre os procedimentos para realização da compensação, sobre o prazo prescricional (ver item 3.4.), sobre a obrigatoriedade de retificação das GFIP, com a exclusão dos exercentes de mandato eletivo (ver item 3.5) e com cópia da Instrução Normativa IN MPS/SRP nº 15, de 12 de setembro de 2006, que regulou a matéria. Cabe observar que a Secretaria da Receita Previdenciária e a Secretaria da Receita Federal foram unificadas a partir de 02/05/2007, criando a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, por força da Lei 11.457/07. Fl. 1526DF CARF MF Processo nº 10855.723879/201397 Acórdão n.º 2401004.859 S2C4T1 Fl. 1.525 5 Segue o relato, dando conta de que as compensações foram realizadas de qualquer forma, tendo sido, então, apuradas pela Fiscalização as seguintes irregularidades: 4.7. Em resumo, a prefeitura não observou o prazo prescricional, não efetuou a retificação das GFIP (em tese, crime de falsificação de documento público – GFIP – devido à manutenção de pessoa que não possui a qualidade de segurado) e utilizou uma base de cálculo indevida, visto que o correto seria o total das remunerações dos prefeitos, viceprefeitos e vereadores e não o total da folha de pagamento da Câmara Municipal (em tese, crime de falsificação de documento público – GFIP – devido à inserção de declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado). (...). 5.3. Desta forma, não foram glosadas as compensações efetuadas de 05 a 12/2007, em função da decadência, apesar de indevidos por não preencherem os requisitos necessários apresentados. O lançamento de 2008 está amparado pelo artigo 173 do CTN, em face do dolo já explicitado no item 4.7.. As Planilhas 2 e 3 do Anexo Único demonstram que, se cumpridos os prérequisitos necessários à compensação, o valor corrigido passível de compensação seria de R$ 1.000.600,46 e estaria integralmente compensado na competência de 10/2007. Na Planilha 2 foram consideradas as remunerações do prefeito e do viceprefeito declaradas em GFIP e as remunerações dos vereadores declaradas em folhas de pagamento, sendo as contribuições previdenciárias recolhidas corrigidas pela taxa Selic. Portanto, o sujeito passivo teve uma compensação superior a que teria direito homologada por decadência, não existindo, portanto, qualquer amparo legal para as compensações de 2008 e 2009. Quanto à incidência da multa isolada, a Fiscalização, após transcrever os fundamentos legais básicos (parágrafo décimo do artigo 89 da Lei 8.212/1991, combinado com o inciso I do artigo 44 da Lei 9.430/1996), assim resumindo suas conclusões e a motivação: 5.7. A falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo quanto às compensações indevidas demonstradas no item 4.7. (inobservância da prescrição, não retificação das GFIP e bases de cálculo majoradas) impõe a aplicação de multa isolada de 150% sobre o valor total do débito indevidamente compensado, a partir da edição da MP 449/2008 em 03/12/2008. A falsidade da declaração se configura na data de entrega/envio da GFIP. A Planilha 4 do Anexo Único demonstra as datas de envio das GFIP, os valores compensados a partir de 12/2008, as competências e os valores da multa isolada. Foi elaborada Representação Fiscal para Fins Penais. Apresentada a impugnação de fls. 1146/1249, esta foi julgada improcedente, nos termos do acórdão acima reproduzido,. Fl. 1527DF CARF MF 6 Intimada em 15/07/2014 (fl. 1290), apresentou o recurso voluntário de fls. 1295/1307, onde alega, em síntese: a) reconhece que realizou compensação informando crédito efetivamente maior que o existente, pois incluiu no cálculo das contribuições previdenciárias pagas pela Câmara Municipal os valores pagos incidentes sobre todos os segurados daquela, e não somente os vereadores municipais; b) inexistência de máfé, dolo, fraude ou simulação a fim de justificar a aplicação da multa isolada do § 10º do art. 89 da Lei nº. 8.212/91; c) restou demonstrada a boafé do município, ante a apresentação dos cálculos ao INSS e posterior retificação do equívoco cometido na compensação; d) impossibilidade de aplicação da multa isolada contra pessoa jurídica de direito público; e) inconstitucionalidade da multa isolada; f) erro na base de cálculo da multa, posto que o AFRFB glosou a totalidade da compensação e não somente a diferença entre o valor devido e o que fora efetivamente compensado (cf. item 5.1 do REFISC); É o relatório. Fl. 1528DF CARF MF Processo nº 10855.723879/201397 Acórdão n.º 2401004.859 S2C4T1 Fl. 1.526 7 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele tomo conhecimento. Mérito Da multa isolada Tratase a controvérsia unicamente acerca do cabimento ou não do § 10º do art. 89 da Lei nº. 8.212/91, que possui a seguinte redação: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Pois bem. Para a verificação da manutenção ou não da aplicação do mesmo, necessária se faz a análise das razões do auto de infração, as quais reproduzo a seguir: Fl. 1529DF CARF MF 8 Em suas razões recursais, a recorrente argumenta não haver sido comprovado o dolo apto a caracterizar a aplicação da multa em questão. De fato, reconhece erros, como já mencionado acima, na elaboração dos cálculos para a realização da compensação. Mencionase também, e comprovase (fls. 1480 e ss.), que prontamente o excesso de compensação foi quitado pela ora recorrente. A recorrente adotou diversos procedimentos prévios à realização da compensação, bem como buscou (ou tentou) se cercar de cuidados suficientes para que estas fossem consideradas válidas. Vide, por exemplo, as planilhas de fls. 1397 e seguintes, que são os cálculos previamente apresentados pelo Município ao INSS a fim de substanciar as posteriores compensações. Confrontandose a conduta da recorrente com as razões expostas pela fiscalização para justificar a aplicação da multa, entendo que, de fato, não restou comprovada inequivocamente a conduta dolosa ou de máfé da recorrente, como prevê o já reproduzido § 10º do art. 89 da Lei nº. 8.212/91. Assim, ante as razões acima expostas, entendo que os fundamentos apresentados pela fiscalização não foram suficientes para demonstrar inequivocamente a falsidade da recorrente na realização das compensações, entendo inaplicável a multa no patamar estabelecido pelo § 10º do art. 89 da Lei nº. 8.212/91. CONCLUSÃO Isto posto, voto no sentido de conhecer o recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Fl. 1530DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.728661/2013-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 16/09/2008
MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE.
A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 16/09/2008
MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração.
2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração.
AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE.
O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 16/09/2008
INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.033
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 16/09/2008 MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 16/09/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 16/09/2008 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11128.728661/2013-14
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5729371
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-004.033
nome_arquivo_s : Decisao_11128728661201314.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 11128728661201314_5729371.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
id : 6783233
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049212034220032
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1732; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.728661/201314 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.033 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de março de 2017 Matéria MULTA REGULAMENTAR Recorrente CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 16/09/2008 MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 16/09/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 86 61 /2 01 3- 14 Fl. 123DF CARF MF Processo nº 11128.728661/201314 Acórdão n.º 3302004.033 S3C3T2 Fl. 3 2 O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 16/09/2008 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Nos termos do relatado no acórdão recorrido, de acordo com a descrição dos fatos constante no Auto de Infração, a autuada concluiu a destempo a desconsolidação das cargas relativas ao conhecimento eletrônico (CE) genérico ali identificado (MasterHouse Bill of LadingMHBL), em razão de ter informado com atraso o CE agregado (House Bill of LadingHBL) especificado. Para demonstrar a irregularidade apurada, a autoridade lançadora também apresentou dados referentes à embarcação, viagem, escala, data da atracação, manifesto eletrônico relativos à carga cujo atraso na informação deu ensejo ao lançamento. Na sequência a fiscalização discorreu sobre o Siscomex Carga e sua norma regente, a IN RFB nº 800/2007, destacando a abrangência do termo transportador nela utilizado, e os prazos estabelecidos para prestar as informações exigidas (arts. 22 e 50 da referida IN, e art. 64 do ADE Corep nº 3/2008). Fl. 124DF CARF MF Processo nº 11128.728661/201314 Acórdão n.º 3302004.033 S3C3T2 Fl. 4 3 Em seguida, falou da responsabilidade legal do transportador e da penalidade aplicável em caso de descumprimento da obrigação em foco (arts. 37 e 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966), enfatizando a natureza objetiva dessa responsabilidade, que independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 94 do DL 37/1966). A autoridade lançadora prosseguiu seu relato explanando acerca da motivação da obrigação imposta, destacando sua importância na definição prévia de procedimentos a serem aplicados, objetivando proporcionar maior segurança e racionalidade ao controle aduaneiro de cargas. Foi descrita a nova sistemática de controle implementada a partir de 2002, quando a fiscalização aduaneira passou a ter foco mais abrangente, de forma a alcançar não apenas os importadores e exportadores, mas todos os intervenientes envolvidos nas operações de comércio exterior. Dando seguimento, a fiscalização comentou sobre a interpretação da norma que prescreve a multa imposta. Foi considerado que, com base no art. 112 do CTN, deve ser considerada a conclusão veiculada na Solução de Consulta Interna Cosit nº 8/2008, relativamente à quantidade de multas a serem aplicadas. No tópico seguinte, intitulado “DA APLICAÇÃO DA PENALIDADE IMPOSTA”, foi feita detalhada abordagem a respeito da denúncia espontânea e chegada à conclusão que, apesar de sua aplicabilidade ter sido estendida às penalidades de natureza administrativa (Lei nº 12.350/2010), não foram atendidos os requisitos próprios desse instituto. Para reforçar seu entendimento, a autoridade lançadora recorreu à doutrina e também à jurisprudência administrativa e judicial. Na sequência a fiscalização falou sobre a materialidade da infração, que considerou devidamente caracterizada, e sobre os intervenientes aduaneiros designados pela legislação, tendo em vista o disposto no art. 76, § 2º, da Lei nº 10.833/2003 e nos arts. 3º a 5º da IN RFB nº 800/2007. Concluiu que, com base na documentação juntada aos autos, era a autuada, na condição de consignatária do citado CE genérico, a responsável por prestar as informações relativas aos correspondentes CEs agregados incluídos com atraso. A penalidade foi formalizada no Auto de Infração em debate. Cientificado da exação, o sujeito passivo, apresentou impugnação alegando, em síntese: a) Ilegitimidade passiva. O prazo estabelecido pela IN RFB n° 800/2007 não se aplica à impugnante, que na condição de agente de carga, não se confunde com a atividade do transportador, que é o sujeito das obrigações instituídas pela referida Norma. A classificação da impugnante como tal distorce conceito de direito privado, o que é expressamente vedado pelo art. 110 do CTN. b) Denúncia espontânea. Conforme se depreende dos autos, ainda que a destempo, as informações foram prestadas pela própria impugnante, antes do início de fiscalização. Assim não é cabível a multa exigida, pois se aplica ao caso o instituto da denúncia espontânea, consoante dispõe o art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 12.350/2010. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 11128.728661/201314 Acórdão n.º 3302004.033 S3C3T2 Fl. 5 4 c) Inaplicabilidade de multa no período de contingência do Siscomex Carga. As operações objeto da autuação ocorreram no chamado “período de contingência”, em que o cumprimento dos prazos da IN RFB nº 800/2007 não era exigido, já que o Siscarga não estava integralmente disponível para utilização pelos agentes e desconsolidadores. Dessa forma, evidenciado que a impugnante não poderia agir de outra forma, a aplicação de multa no presente caso afronta, além do princípio da inexigibilidade de conduta diversa, o da razoabilidade, que impõe à Administração Pública o dever de agir com bom senso, prudência e moderação, levando em conta a relação de proporcionalidade entre os meios empregados e a finalidade a ser alcançada, bem como as circunstâncias que envolvem a prática do ato. Ao final a impugnante pedia o cancelamento do lançamento. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, os integrantes do Colegiado de primeiro grau rejeitaram a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, julgaram a impugnação improcedente e mantiveram integralmente a exigência fiscal, nos termos do Acórdão 0833.473. Após ciência ao acórdão de primeira instância, a autuada protocolou recurso voluntário em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. Em aditamento, alegou que o acórdão recorrido não dera aos fatos em análise a correta interpretação, aplicando equivocadamente a legislação vigente; e que os argumentos expostos na impugnação foram refutados por simples negativa, sem que se levantassem razões jurídicas hábeis a infirmálos. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.022, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.730402/201345, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.022): O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O litígio cingese aos seguintes pontos: a) ilegitimidade passiva da recorrente; b) impossibilidade de aplicação da multa durante o período de contingência do Siscomex Carga; e c) excludente de responsabilidade por denúncia espontânea da infração. Previamente a análise controvérsia, cabe destacar que a aplicação da penalidade em apreço foi motivada pela prática da infração tipificada, genericamente, na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Fl. 126DF CARF MF Processo nº 11128.728661/201314 Acórdão n.º 3302004.033 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga; (...) E em relação à prestação de “informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute” no Siscomex Carga, para conferir efetividade a referida norma penal em branco, foi editada a Instrução Normativa RFB 800/2007, que estabeleceu a forma e o prazo para a prestação das referidas informações. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que integra o presente Auto de Infração (fls. 01/05), a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da informação a destempo, no Siscomex Carga, dos dados relativos ao conhecimento eletrônico (HBL) CE 150805190343826, vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico SubMaster (MHBL) CE 150805184751721, conforme explicitado no trecho que segue transcrito: O Agente de Carga CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA, CNPJ 03.229.138/000406, concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico Sub Master (MHBL) CE 150805184751721 a destempo às 09h52min do dia 09/10/2008, segundo o prazo previamente estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, para o seu conhecimento eletrônico agregado (HBL) CE 150805190343826. A carga objeto da desconsolidação em comento foi trazida ao Porto de Santos acondicionada nos Containers NYKU7940080, NYKU7104578 e NYKU7149079, pelo Navio M/V CAPE CHARLES, em sua viagem 101W, no dia 07/10/2008, com atracação registrada às 18h26min. Os documentos eletrônicos de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a carga são Escala 08000222050, Manifesto Eletrônico 1508501842589, Conhecimento Eletrônico Master MBL 150805183878000, Conhecimento Eletrônico SubMaster MHBL 150805184751721 e Conhecimento Eletrônico Agregado HBL 150805190343826. Especificamente, no que tange à prestação de informação sobre a conclusão da operação de desconsolidação, os prazos permanentes e temporários foram estabelecidos, respectivamente, no art. 22, “d”, III, e art. 50, parágrafo único, da Instrução Normativa RFB 800/2007, que seguem transcritos. Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: Fl. 127DF CARF MF Processo nº 11128.728661/201314 Acórdão n.º 3302004.033 S3C3T2 Fl. 7 6 [...] III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. [...] Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (grifos não originais) No caso, como as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreu antes de 1º de abril de 2009, a recorrente estava obrigada a cumprir o prazo estabelecido no norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art. 50 destacado. Os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, as informações foram prestadas somente às 09h52min do dia 9/10/2008 (data/hora da inclusão no Siscomex Carga do conhecimento eletrônico agregado HBL 150805190343826), portanto, após a atracação da embarcação no Porto de Santos, ocorrida no dia 07/10/2008, às 18h26min. Logo, fica claramente evidenciado que a recorrente praticou a conduta infracionária em apreço. Além disso, não resta qualquer dúvida que a conduta praticada pela recorrente subsumese perfeitamente à hipótese da infração descrita nos referidos preceitos legal e normativo. Aliás, em relação à materialidade da mencionada infração inexiste controvérsia nos autos. Apresentadas essas breves considerações, passase a analisar as razões de defesa suscitadas pela recorrente. Da ilegitimidade passiva A recorrente alegou que, na condição de agente de carga, no período compreendido entre a data da vigência da Instrução Normativa RFB 800/2007 até 1º de abril de 2009, ela não estava obrigada a respeitar o prazo estabelecido no art. 22 da citada IN, nem o prazo estabelecido no inciso II do parágrafo único do art. 50 do citado ato, sob o argumento de que este último preceito normativo aplicavase apenas ao transportador. A alegação da recorrente não procede, porque, embora o disposto no parágrafo único do art. 50 da referida IN tenha se referido apenas ao Fl. 128DF CARF MF Processo nº 11128.728661/201314 Acórdão n.º 3302004.033 S3C3T2 Fl. 8 7 transportador, não se pode olvidar que, para fins de cumprimento de obrigação acessória perante o Siscomex Carga, o termo transportador compreende o agente de carga e demais pessoas jurídicas que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga, discriminadas no inciso IV do § 1º do art. 2º da Instrução Normativa RFB 800/2007, a seguir transcrito: Art. 2º Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: [...] V transportador, a pessoa jurídica que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga; [...] § 1º Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: [...] IV o transportador classificase em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíneas "a" e "b", responsável pela consolidação da carga na origem; (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.473, de 2 de junho de 2014) d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela desconsolidação da carga no destino; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; [...] Além disso, há expressa menção na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, que o agente de carga responde pela referida penalidade, se prestar informação sobre a carga fora do prazo estabelecido. No caso em tela, é fato incontroverso que, em relação às operações de desconsolidação que executou, a recorrente atuou como representante do transportador estrangeiro, no País. Logo, dada essa condição, era dela a responsabilidade de proceder o registro tempestivo, no Siscomex Carga, dos dados sobre as operações que executou em nome da empresa de navegação representada. Dessa forma, tratandose de infração à legislação aduaneira e tendo em vista que a recorrente concorreu para a prática da questionada infração, induvidosamente, ela deve responder pela correspondente Fl. 129DF CARF MF Processo nº 11128.728661/201314 Acórdão n.º 3302004.033 S3C3T2 Fl. 9 8 penalidade aplicada, conforme dispõe o inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966, a seguir transcrito: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; [...]. Assim, na condição de agente e, portanto, mandatário do transportador estrangeiro, a recorrente estava obrigada a prestar, tempestivamente, as informações no Siscomex Carga sobre a carga transportada pelo seu representado. Em decorrência dessa atribuição e por ter cumprido a destempo a dita obrigação, a autuada foi quem cometeu a infração capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, por conseguinte, deve responder pela infração em apreço. Por fim, cabe ainda ressaltar que, os termos do caput do art. 94 do Decreto lei 37/1966, no âmbito da legislação aduaneira, constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que “importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decretolei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá los”. Com base nessas consideração, resta demonstrado que a recorrente deve ser mantida polo passivo da autuação, porque há expressa previsão legal que nesse sentido. Da inaplicabilidade da multa na fase de contingência do Siscomex Carga. Em relação a esse ponto, a recorrente alegou que não havia que se falar em aplicação ou descumprimento dos prazos estabelecidos pela “IN RFB 800/2007, vez que ao operador não restava qualquer alternativa para a imputação das informações no sistema”. Segundo a recorrente, a exigência do cumprimento de uma obrigação sem que lhe fosse oferecidos os meios indispensáveis para tanto feriria o princípio da razoabilidade e o instituto da inexigibilidade de conduta diversa. Este Relator está de pleno acordo com a recorrente de que imputar infração ao usuário do Sistema por descumprimento de obrigação que ele não cumpriu ou não poderia cumprir por falhas operacionais ou ausência de meios necessários, revelase, nitidamente, irrazoável e desproporcional, conforme alegado. Porém, como se trata de alegação que envolve situação de natureza fática, a recorrente tinha o dever de comprovála, o que não ocorreu no caso em tela. E na distribuição do ônus prova, prevista o art. 373, II, da Lei 13.105/2015, que instituiu o vigente Código de Processo Civil (CPC), que corresponde ao art. 333, II, do CPC anterior, por ser fato relevante para isentar a recorrente da exigência, não era suficiente a simples alegação de que não havia meios para prestar informações sobre a carga. Dada a alegada impossibilidade, cabia a recorrente o dever prová la, o que não ocorreu. Neste sentido, prevendo a possibilidade de falhas de funcionamento, na fase inicial de implantação do sistema, foram fixados os procedimentos a serem adotados pelos usuários, nos termos dos arts. 1º, 2º e 4º, III da IN RFB 835/2008, a seguir transcritos: Fl. 130DF CARF MF Processo nº 11128.728661/201314 Acórdão n.º 3302004.033 S3C3T2 Fl. 10 9 Art. 1º Na impossibilidade de acesso ao Siscomex Carga, por mais de duas horas consecutivas, em virtude de problemas de ordem técnica do sistema, ou na ocorrência de fatores operacionais que prejudiquem o fluxo de comércio exterior, as operações relativas ao controle de embarcações e cargas em portos alfandegados, conforme estabelecido na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, observarão os procedimentos previstos nesta Instrução Normativa. Art. 2º Compete ao chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), no âmbito de sua jurisdição, reconhecer a impossibilidade de acesso ao sistema, por razões de ordem técnica, e autorizar a adoção dos procedimentos de contingência. Parágrafo único. A data e a hora da restauração do acesso ao sistema deverá ser registrada nos documentos de autorização, para fins de auditoria e controle. Art. 4º Na hipótese do art. 2º, restaurado o acesso ao sistema: [...] III relativamente à informação dos manifestos, conhecimento eletrônico (CE) e itens, o transportador deverá informar todos os manifestos, CE e itens no sistema, relacionálos e solicitar à RFB a baixa dos bloqueios decorrentes da informação após o prazo estabelecido. [...] (grifos não originais) Assim, como a recorrente não trouxe aos autos nenhum elemento de prova, em que demonstrado a impossibilidade de acesso ao Sistema, conforme procedimentos disciplinados nos referidos preceitos normativos, a alegação suscitada não tem qualquer relevância. A recorrente alegou ainda que era descabida a exigência de prova da indisponibilidade do Sistema, porque a própria edição da IN RFB 835/2008 já constituía prova de que o Sistema não funcionava adequadamente. Essa alegação também não procede, porque não é verdade que a referida IN reconheceu a impossibilidade de funcionamento do Sistema, mas, na possibilidade dessa situação vir a ocorrer e, caso ocorresse, o usuário deveria adotar os procedimentos nela estabelecidos com vistas a resguardálo da imposição de qualquer sanção. Da denúncia espontânea da infração. A recorrente alegou a denúncia espontânea da infração cometida, para excluir a multa que lhe fora aplicada, sob o argumento de que as informações foram prestadas antes de qualquer ato da fiscalização, portanto, em conformidade com o previsto no art. 102, § 2º, do Decretolei 37/1966, com redação dada pela Lei 12.350/2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá Fl. 131DF CARF MF Processo nº 11128.728661/201314 Acórdão n.º 3302004.033 S3C3T2 Fl. 11 10 a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) [...] § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) A alegação da recorrente não procede, porque a denúncia da infração, no caso em tela, não restou configurada, haja vista que, embora realizada antes do “início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração” (CTN, art. 138, parágrafo único), no caso em tela, as informações foram prestadas após a “entrada do veículo procedente do exterior”, o que afasta a aplicação da referida excludente de responsabilidade, segundo preceitua o art. 683, § 3º, do Decreto 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro de 2009 RA/2009), que tem o mesmo teor do art. 612, § 3º, do Decreto 4.543/2002, Regulamento Aduaneiro (RA/2002) anterior, vigente à época dos fatos, in verbis: Art. 612. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso [...] § 3º Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. (grifos não originais) Porém, ainda que tal restrição não se aplicasse à infração em apreço, o que se admite apenas para argumentar, melhor sorte não teria a recorrente, porque a infração em apreço, inequivocamente, não é passível de denúncia espontânea, pela razões aduzidas no voto da lavra deste Conselheiro que serviu de fundamento da decisão consignada no Acórdão nº 3102002.187, de 26 março de 2014, cujos excertos relevantes, que aqui adotase como fundamento de decidir, seguem transcritos: Da denúncia espontânea da infração. Alegou a recorrente que, no caso em tela, era incabível a aplicação de qualquer penalidade, porque às informações sobre a carga transportada fora feita a tempo e antes de qualquer intimação ou de qualquer outra notificação porventura expedida pela fiscalização aduaneira, o que configurava denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 138 do CTN e do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966. Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da infração a legislação aduaneira estabelecido no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a Fl. 132DF CARF MF Processo nº 11128.728661/201314 Acórdão n.º 3302004.033 S3C3T2 Fl. 12 11 imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifos não originais) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que Fl. 133DF CARF MF Processo nº 11128.728661/201314 Acórdão n.º 3302004.033 S3C3T2 Fl. 13 12 têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citado a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 11128.728661/201314 Acórdão n.º 3302004.033 S3C3T2 Fl. 14 13 [...].1 (destaques do original) No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 3ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9303003.552, cujo enunciado da ementa segue reproduzido: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 07/06/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. 2 No âmbito dos Tribunais Regionais Federais (TRF), o entendimento tem sido o mesmo. A título de exemplo, citase trechos do enunciado da ementa e do voto condutor do do TRF da 4ª Região, proferido no julgamento da Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC, que seguem parcialmente transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIAESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966.2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas.3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...] Voto. 1 BRASIL. CARF, 3ª Seção, 1ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Ac. 3102002.187, de 26/03/2014, rel. José Fernandes do Nascimento. 2 BRASIL. CARF, CSRF, 3ª Turma, Ac. 9303003.552, de26/04/2016, rel. Rodrigo da Costa Pôssas. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 11128.728661/201314 Acórdão n.º 3302004.033 S3C3T2 Fl. 15 14 [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...]3. Também com base no mesmo entendimento, a questão tem sido decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme confirma, a título de exemplo, o recente acórdão proferido no julgamento do REsp 1613696/SC, cujo enunciado da ementa segue transcrito: O art. 107 do Decretolei 37, de 1966, por sua vez, estabelece a penalidade de multa, no caso de descumprimento da obrigação acima mencionada. Oportuno anotar, ainda, que a declaração do embarque das mercadorias é obrigação acessória e sua apresentação intempestiva caracteriza infração formal, cuja penalidade não é passível de ser afastada pela denúncia espontânea.”. 4 Com base nessas considerações, afastase a alegada excludente de responsabilidade por denúncia espontânea, suscitada pela recorrente. Da conclusão. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido." Ressaltese que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo: a) a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da informação a destempo, no Siscomex Carga, dos dados relativos a conhecimento eletrônico (HBL), vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico SubMaster (MHBL), Conhecimentos Eletrônicos cujos números constam da descrição dos fatos do Auto de Infração deste; b) as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreram antes de 1º de abril de 2009, o que sujeita a recorrente a cumprir o prazo estabelecido na norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art. 50 da Instrução Normativa RFB 800/2007; 3 BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013. 4 BRASIL. STJ. REsp 1613696/SC. Rel. Min. Herman Benjamim. Decisão Monocrática de 2/9/2016. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11128.728661/201314 Acórdão n.º 3302004.033 S3C3T2 Fl. 16 15 c) os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão da referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, após a atracação da embarcação no Porto de Santos, ficando claramente evidenciado que a recorrente praticou a conduta infracionária em apreço. Desta forma, os fundamentos adotados para manter exigência da penalidade no caso do paradigma, também justificam sua manutenção nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 137DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13204.000142/2005-45
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
CONTRIBUIÇÕES. CONCEITO DE INSUMO.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
No caso julgado, são exemplos de insumos os serviços de remoção de rejeitos industriais (lama vermelha).
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-004.763
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rodrigo da Costa Possas e Júlio César Alves Ramos, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 CONTRIBUIÇÕES. CONCEITO DE INSUMO. O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos os serviços de remoção de rejeitos industriais (lama vermelha). Recurso Especial do Procurador Negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13204.000142/2005-45
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5721353
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-004.763
nome_arquivo_s : Decisao_13204000142200545.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 13204000142200545_5721353.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rodrigo da Costa Possas e Júlio César Alves Ramos, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
id : 6754963
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:59:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049212041560064
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2017; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13204.000142/200545 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9303004.763 – 3ª Turma Sessão de 22 de março de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 CONTRIBUIÇÕES. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos os serviços de remoção de rejeitos industriais (lama vermelha). Recurso Especial do Procurador Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Rodrigo da Costa Possas e Júlio César Alves Ramos, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 01 42 /2 00 5- 45 Fl. 368DF CARF MF Processo nº 13204.000142/200545 Acórdão n.º 9303004.763 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN contra o Acórdão nº 3403002.034, proferido pela 3ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, do qual se reproduz apenas a parte da ementa que interessa ao presente julgamento: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 (...) CRÉDITOS. SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS. É legítima a tomada de crédito da contribuição nãocumulativa em relação ao serviço de remoção de lama vermelha, por integrar o custo de produção do produto destinado à venda (alumina). (...) Recurso Provido em Parte. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente insurgiuse contra o direito de crédito das contribuições não cumulativas quanto às despesas com serviço de remoção de lama vermelha. Alega divergência de interpretação em relação aos paradigmas apontados, cujas ementas foram transcritas no recurso. O exame de admissibilidade do Recurso Especial, do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF, deu seguimento ao especial da Fazenda Nacional. A contribuinte apresentou contrarrazões ao especial Fazendário. Também interpôs recurso especial, o qual, todavia, não foi admitido. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.754, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 13204.000007/200508, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, em parte, contrária ao meu entendimento pessoal, pois fui vencido na votação da questão do direito de crédito sobre os serviços de remoção de rejeitos industriais. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 13204.000142/200545 Acórdão n.º 9303004.763 CSRFT3 Fl. 4 3 Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.754): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, tal como proposto no seu exame, que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Com efeito, com relação à remoção de resíduos industriais (lama vermelha), enquanto o acórdão paradigma adotou a tese mais restritiva para o conceito de insumos, de forma a guardar correspondência com o obtido da legislação do IPI, o acórdão recorrido consubstanciou entendimento mais amplo, de sorte a incluir, no mesmo conceito, os produtos e serviços necessários ao processo produtivo da contribuinte. No concernente ao segundo tema, o acórdão recorrido entendeu que somente se deveria reconhecer as receitas financeiras provenientes de variações cambiais quando da liquidação do contrato ou da obrigação. Já o Acórdão nº 20180.817, concluiu que, por expressa previsão legal (art. 92 da Lei n2 9.718/98), a variação cambial ativa equiparase à receita financeira e deve tributada pelo PIS da mesma forma que for tributada pelo IRPJ e pela CSLL: regime de caixa ou de competência, conforme o caso. Conhecido na integralidade, entendemos assistir, em parte, razão à douta Procuradoria da Fazenda Nacional. Com relação ao primeiro tema, depois de longos debates, passamos a adotar o entendimento majoritário que, justo, encontrase encartado no acórdão recorrido. Como os motivos do nosso convencimento coincidem, na totalidade, com o que exposto no voto proferido pelo il. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, nos autos do processo administrativo n.º 11065.101271/200647 (Acórdão 3ª Turma/CSRF nº 930301.035, sessão de 23/10/2010), passamos a adotálas, também aqui, como razão de decidir. Eilas: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de PIS/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Fl. 370DF CARF MF Processo nº 13204.000142/200545 Acórdão n.º 9303004.763 CSRFT3 Fl. 5 4 Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de PIS/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: [...] As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de PIS/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. (grifamos) Fl. 371DF CARF MF Processo nº 13204.000142/200545 Acórdão n.º 9303004.763 CSRFT3 Fl. 6 5 Passemos ao caso concreto. A Recorrente contesta a concessão de crédito oriundo de serviços de remoção de resíduos industriais. Antes de concluirmos o voto em relação a cada item e os motivos que sustentam o nosso convencimento, reputamos imprescindível fazer a seguinte observação: em julgamentos recentes envolvendo a mesma contribuinte e, grosso modo, os mesmos produtos e serviços, esta mesma CSRF chegou a conclusões divergentes das que aqui serão adotadas. Nestes julgamentos, acompanhamos o voto do relator, porque nos pareceu que os motivos por ele adotados encontravamse plenamente compatíveis com a tese majoritária. Referimonos aos Acórdãos CSRF/3ª Turma nº 9303004.378, 9303004.379 e 9303004.380, todos de 09/11/2016. Aqui, contudo, na condição de relator, ao analisarmos com maior detença os itens cujo creditamento a Recorrente pretende afastar, formamos a convicção de que andou bem a Câmara baixa ao reconhecer os créditos (exceto, como se verá, quanto a um dos itens). Com relação à remoção dos resíduos industriais, diferentemente do que se deu noutros processos do mesmo contribuinte, o crédito sobre este serviço foi expressamente reconhecido pela Câmara baixa, com base nos seguintes fundamentos, replicados de outros acórdãos da mesma turma: “Deve ser reconhecido o direito de crédito em relação ao pagamento pela prestação de serviço de remoção de rejeitos industriais, visto que tal atividade deve ser considerada como inserida no contexto da produção, tal como sustenta o Recorrente (fl. 464/465). Entendo que assiste razão ao Recorrente, pois os serviços de transporte dos resíduos industriais configuram atos que viabilizam e integram a atividade produtiva. Não apenas o transporte de matériaprima destinada ao processo produtivo, mas também o transporte dos resíduos decorrentes da produção configura ato que viabiliza e integra o processo produtivo. Este tema foi enfrentado logo nos primeiros julgados deste Conselho a respeito do regime nãocumulativo, concluindose que “Quanto aos dispêndios realizados com o serviço de remoção de resíduos industriais, não há nenhuma dúvida de que este serviço é parte do processo de industrialização dos bens exportados e está vinculado à receita de exportação. Pela natureza da atividade da recorrente, sem este serviço não há produção. Sendo um serviço diretamente vinculado ao processo produtivo, entendo que a recorrente tem direito ao crédito da Cofins incidente sobre a compra desse serviço e, como tal, tem direito ao ressarcimento desse crédito em face da exportação dos produtos (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002)” (trecho do voto proferido no Acórdão 20181.139, Recurso 148.457, Processo 11065.101271/200647, Rel. Cons. Walber José da Silva, j. 02.06.2008). Fl. 372DF CARF MF Processo nº 13204.000142/200545 Acórdão n.º 9303004.763 CSRFT3 Fl. 7 6 Entendo, pois, que deve ser reconhecido o direito de crédito em relação aos serviços de remoção de resíduos em questão. Nos autos do processo administrativo nº 10280.722274/200954 – que envolveu a mesma contribuinte e a mesma controvérsia –, o il. Conselheiro Antônio Carlos Atulim ainda teceu as seguintes considerações a respeito: Relativamente aos serviços de transporte de rejeitos industriais, a análise da descrição do processo produtivo revela que ele gera os detritos lama vermelha, areia e crosta, que depois de serem devidamente tratados, vão para os tanques de rejeitos industriais a fim de serem descartados. Estando esses rejeitos umbilicalmente ligados à produção da alumina, o serviço de transporte para a sua remoção é um custo de produção que se enquadra perfeitamente na disposição do art. 290, I do RIR/99. Deve, portanto, gerar créditos do regime não cumulativo, pois se enquadra na previsão do art. 3º, II, da Lei nº 10.833/04. Não há como se concordar com a alegação da Ilustre Procuradora da Fazenda Nacional, no sentido de que custos incorridos após a obtenção da alumina não podem ser considerados como insumo. O fato de o gasto ser posterior à obtenção do produto final não significa que seja um gasto incorrido na atividademeio. Observese que o rendimento da bauxita está na razão de 5:1. Isso significa, em um cálculo grosseiro, que para produzir uma tonelada de alumina, são necessárias cinco toneladas de minério. O minério não se encontra na natureza em estado puro. Ele se encontra disperso no solo e vem contaminado com impurezas. Após a retirada da tonelada de alumina, as quatro toneladas restantes são rejeitos industriais aos quais a empresa é obrigada a dar destino adequado, a fim de evitar problemas ambientais. Isso não é um gasto com atividademeio. Ainda que se considere que os gastos com esses rejeitos são posteriores ao processo produtivo, é fora de qualquer dúvida que eles decorrem do processo produtivo, pois os rejeitos somente deixariam de existir se a linha de produção parasse. Por isso o gasto com o serviço de retirada desses rejeitos é um custo de produção da alumina que se enquadra no art. 290, I do RIR/99. (g.n.) Considerando, pois, que a remoção dos resíduos industriais que resultam da produção da alumina revestese de particularidades que a afastam das verificadas nos processos que comumente chegam a este Colegiado, entendemos correto o acórdão recorrido, ao conferir ao contribuinte, quanto a este item, o direito ao crédito do PIS/Cofins. Com relação ao segundo tema, assim dispôs o acórdão recorrido: (...) Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, doulhe parcial provimento, apenas para que as receitas decorrentes das variações cambiais obedeçam ao regime de competência, em conformidade com a opção realizada pela contribuinte." Fl. 373DF CARF MF Processo nº 13204.000142/200545 Acórdão n.º 9303004.763 CSRFT3 Fl. 8 7 No caso destes autos, deixouse de transcrever a parte do voto do paradigma que apreciou o segundo tema (variações cambiais), por tratarse de questão não travada no presente processo, cujo litígio, como relatado, restringese ao direito de crédito das contribuições sobre os serviços de remoção de rejeitos industriais (lama vermelha). Como na decisão do paradigma o direito de crédito sobre esses serviços foi reconhecido, no presente processo deve ser negado provimento (total) ao especial da Fazenda. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, mas, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 374DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12571.000263/2009-70
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
Somente geram direito a crédito de PIS/COFINS, na condição de insumos, os gastos com itens - bens ou serviços - utilizados na produção de outros bens ou na prestação de serviços. Nesse conceito, pois, não se incluem itens consumidos previamente ao início do processo produtivo ou a ele posteriores.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-005.015
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Somente geram direito a crédito de PIS/COFINS, na condição de insumos, os gastos com itens - bens ou serviços - utilizados na produção de outros bens ou na prestação de serviços. Nesse conceito, pois, não se incluem itens consumidos previamente ao início do processo produtivo ou a ele posteriores. Recurso Especial do Procurador Provido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 12571.000263/2009-70
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5736985
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.015
nome_arquivo_s : Decisao_12571000263200970.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 12571000263200970_5736985.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
id : 6826254
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049212059385856
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1851; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 12571.000263/200970 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.015 – 3ª Turma Sessão de 12 de abril de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado DITZEL & SANCHES LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Somente geram direito a crédito de PIS/COFINS, na condição de insumos, os gastos com itens bens ou serviços utilizados na produção de outros bens ou na prestação de serviços. Nesse conceito, pois, não se incluem itens consumidos previamente ao início do processo produtivo ou a ele posteriores. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3803002.905, que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, consignando a seguinte ementa: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 00 02 63 /2 00 9- 70 Fl. 582DF CARF MF Processo nº 12571.000263/200970 Acórdão n.º 9303005.015 CSRFT3 Fl. 3 2 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Os gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos da sociedade e as despesas com manutenção de veículos da frota própria, empregados no processo produtivo ensejam o creditamento da Contribuição Social não cumulativa. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO Os encargos de depreciação sobre semireboque, peças para caminhão e outros relacionados, incorporados ao ativo imobilizado, e empregados no processo produtivo, adquiridos depois de 30/04/2004, ensejam direito a crédito. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, trazendo que: · Para efeito de crédito do tributo, a legislação esclarece que se incluem no conceito de insumo, além das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, itens que se incorporam ao bem produzido, os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto, salvo se compreendidos no ativo permanente; · No caso concreto, os insumos glosados pela autoridade fiscal, embora não sejam bens do ativo permanente e tenham tido alguma relação com o processo industrial, não tiveram contato físico direto, nem exerceram diretamente ação no produto industrializado, não se enquadrando, portanto, na condição de insumo para o aproveitamento do crédito da contribuição. Mediante Despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pelo sujeito passivo, que trouxe, entre outros argumentos: · Que deve ser mantido o entendimento do colegiado do acórdão recorrido, eis que proveu o recurso voluntário para admitir a inclusão dos custos referentes aos gastos com combustíveis e Fl. 583DF CARF MF Processo nº 12571.000263/200970 Acórdão n.º 9303005.015 CSRFT3 Fl. 4 3 lubrificantes utilizados em veículos da empresa e às despesas com manutenção de veículos da frota própria, fundamentando que para a caracterização do bem ou serviço como insumo, é suficiente o seu emprego no processo de produção, ainda que não haja contato direto com o produto em fabricação; · Os combustíveis e lubrificantes utilizados, seja no transporte dos produtos destinados à venda, seja no transporte da matériaprima utilizada em seu processo produtivo, geram direito a crédito, já que atendem aos critérios de pertinência e essencialidade; · As despesas com bens e serviços de manutenção de veículos utilizados no transporte de produtos destinados à venda e de matériaprima geram direito a crédito, haja vista que tais bens, ainda que indiretamente, são aplicados no processo produtivo. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.003, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 12571.000207/200935, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.003): Da Admissibilidade "O Recurso Especial é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade do recurso interposto pela Fazenda Nacional, eis que, confrontando os conceitos de “insumo” empregados pelos arestos envolvidos é irrefragável a confirmação do dissídio jurisprudencial. Quanto às Contrarrazões apresentadas, devem ser consideradas, eis que tempestivas." Do Mérito "Designoume a Presidência para a redação do acórdão já que a proposta da relatora, de negar provimento ao recurso da Fazenda, não restou acolhida. Frisese, desde logo, que a decisão combatida já aplicou entendimento de que as Instruções Normativas da SRF, ao equipararem o Fl. 584DF CARF MF Processo nº 12571.000263/200970 Acórdão n.º 9303005.015 CSRFT3 Fl. 5 4 conceito de insumo para fins das contribuições ao do IPI o restringiram em excesso. Sendo sua aplicação, porém, o objeto do recurso da Fazenda Nacional, natural começar pelos motivos que me levam a rejeitar tal exigência, uma vez que, embora nisso não divirja da i. relatora, essa rejeição, para mim, leva a diferente conclusão. É que, acredito já seja de conhecimento amplo, também não adiro à tese de que o conceito de insumos que permitem a tomada de créditos, nos termos do art. 3º da Lei 10.637, para o PIS e do art. 3º da Lei 10.833, para a COFINS, seja tão restrito quanto o pretendido por elas. Mas apenas rejeitar o critério da IN SRF também não nos leva muito longe. Parece igualmente óbvio que permitir a inclusão de toda e qualquer despesa, desde que aceita pela legislação do IRPJ, tampouco está em conformidade com o texto legal, que tanto se esmerou em enunciar as hipóteses ensejadoras. Por isso, para avançar na fixação de um critério para tal conceito que seja suficientemente flexível para permitir a análise de qualquer item, fixeime na expressão legal "bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviço e na produção ou fabricação..."1. Dessa expressão, algumas conclusões se impõem de plano; a) os beneficiários do crédito podem ser fabricantes, mas também "produtores", e mesmo prestadores de serviço; b) um serviço pode se enquadrar como tal, e mesmo que "utilizado na prestação de serviço". Essas observações preliminares já são suficientes para rejeitar a pretensão de utilizar o critério há muito aceito para o IPI: que o bem candidato a gerador de crédito entre em contato físico com o bem que está sendo industrializado. Por óbvio, ela não se aplica nem à "prestação de serviço", nem a um serviço como insumo. Mas uma atenta leitura do §4º do art. 8º da IN 4042 deixa igualmente claro que a SRF não o pretendeu aplicar aos serviços em qualquer das "pontas". Pretende fazêlo, porém, sempre que se estiver cuidando de "produção ou fabricação", aparentemente tomando as duas expressões como sinônimas. E é aí, a meu ver, que começam os problemas. Por primeiro, não me parece que o legislador da 10.833 (assim como o da 10.637) tenha buscado equiparar as expressões, atento que estava à 1 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; 2 § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; Fl. 585DF CARF MF Processo nº 12571.000263/200970 Acórdão n.º 9303005.015 CSRFT3 Fl. 6 5 possibilidade de que a "produção" ensejadora de crédito no âmbito das contribuições não corresponda a uma efetiva industrialização nos termos do IPI. Como é cediço, fora daquele contexto produção pode se referir, e no mais das vezes se refere, a um conjunto de atividades bem maior, que inclui, entre outras, a atividade agropecuária, bem como a agroindustrial. Ainda assim, como em todos os casos há um produto físico gerado ao final de um processo produtivo, pareceria, em princípio, razoável a adoção daquele critério mesmo quando de industrialização em sentido estrito não se tratasse. O problema, entretanto, é que o critério do Parecer Normativo CST 65/79 destinase a definir o que se poderia enquadrar no conceito de "produto intermediário" apenas referido mas não definido no art. 25 da Lei 4.502/643 . Ou seja, ele não é destinado à definição do que seja insumo, mas do que seja produto intermediário, ou mais precisamente, de qual seria o critério para considerar um bem como consumido no processo produtivo. Sobre esse ponto, peço licença para reproduzir considerações que expendi em julgamento realizado ainda no antigo Conselho de Contribuintes, no já distante ano de 20084: Como se disse no relatório, o contribuinte recorre de decisão que lhe negou o ressarcimento de saldo credor originado no registro de créditos de IPI em relação às aquisições de energia elétrica, produto considerado pelo IPI como nãotributado. Entende possível incluir a energia elétrica consumida no processo produtivo entre os “produtos que, embora não se integrando ao produto final, são consumidos no processo produtivo, desde que não compreendidos entre os bens do Ativo Permanente”, consoante redação do art. 147 do Regulamento do IPI baixado pelo Decreto 2.637/98 (atual art. 164 do Regulamento baixado em 2002). A SRF considera, com base no Parecer Normativo CST nº 65/79, entre outros, que não, visto não ter contato físico com o produto em elaboração. Para mim, a decisão recorrida não merece reparos. É que, embora lastreada na orientação do Parecer Normativo, a que está vinculada, e com a qual não concordo inteiramente, o que fez foi dar correta aplicação ao princípio da nãocumulatividade. Para melhor compreensão, necessário um registro, ainda que breve, da evolução legislativa da matéria. Como se sabe, a Lei nº 4.502/64, foi a última a regular o extinto Imposto Sobre o Consumo instituído pelo Decretolei nº 7.404/45 e transformado no IPI. Na evolução legislativa daquele imposto é que se vai encontrar pela primeira vez tentativa de aplicação do princípio 3 Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; 4 Julgamento do recurso voluntário nº 147.752, no Processo 10830.000989/200474, sessão de agosto de 2008 Fl. 586DF CARF MF Processo nº 12571.000263/200970 Acórdão n.º 9303005.015 CSRFT3 Fl. 7 6 de tributação sobre o valor agregado. Tratase, como é de sabença geral, da disposição do art. 213 da Lei nº 3.520/58: Art. 213 ... 2º Os fabricantes pagarão o impôsto com base nas vendas de mercadorias tributadas, apuradas quinzenalmente, deduzido, no mesmo período o valor do impôsto relativo às matérias primas e outros produtos adquiridos a fabricantes ou importadores ou importados diretamente, para emprêgo na fabricação e acondicionamento de artigos ou produtos tributados; Após ser regulamentada pelo Decreto 45.422/59, essa lei foi alterada pela de nº 4.153, já em 1962, na qual se promoveu grande ampliação do instituto. Vejamos: Art. 34. O artigo 148 do atual Regulamento do Imposto de Consumo aprovado pelo Decreto nº 45.422, passa a vigorar com as seguintes alterações: a) As palavra As palavras "nas vendas de mercadorias tributadas" são substituídas pelas seguintes: "nas entregas a consumo de mercadorias tributadas"; b) Para os fins do art. 148, entendemse como adquiridos para emprêgo na fabricação e acondicionamento de artigos ou produtos tributados: na fabricação as matérias primas ou artigos e produtos secundários ou intermediários que, integrando o produto final ou sendo consumidos total ou parcialmente no processo de sua fabricação, sejam utilizados na sua composição, elaboração, preparo, obtenção e confecção, inclusive na fase de aprêsto e acabamento. Portanto, além das matérias primas, davam direito de abatimento do valor devido as aquisições dos chamados produtos secundários e intermediários. Na busca de distinção entre eles, confirmouse a definição mais ou menos consensual de que produtos intermediários são os que partilham com as matérias primas o caráter de se integrarem fisicamente aos produtos fabricados, delas diferindo apenas pelo fato de já serem produtos prontos, passíveis, assim, de utilização adicional. Já os produtos secundários é que consistiam naqueles que, embora não se integrando ao produto final, fossem consumidos, total ou parcialmente, no processo de fabricação. Ocorre que a Lei nº 4.502/64 suprimiu a referência a produtos secundários como possibilitadores de dedução do IPI devido pelas saídas. Confiramse os artigos da Lei 4.502 que cuidaram da matéria: Art. 25. Para efeito do recolhimento, na forma do art. 27, será deduzido do valor resultante do cálculo. I o impôsto relativo às matériasprimas produtos intermediários e embalagens, adquiridos ou recebidos para emprêgo na industrialização e no acondicionamento de produtos tributados; Fl. 587DF CARF MF Processo nº 12571.000263/200970 Acórdão n.º 9303005.015 CSRFT3 Fl. 8 7 II o impôsto pago por ocasião do despacho de produtos de procedência estrangeira ou da remessa de produtos nacionais ou estrangeiras para estabelecimentos revendedores ou depositários. Art. 27. A importância a recolher será: I no caso do inciso I do artigo anterior a resultante do cálculo do impôsto; II No caso do inciso II a necessária à manutenção de saldo suficiente para cobertura do impôsto devido pela saída dos produtos; III no caso do inciso III a resultante do cálculo do impôsto relativo aos produtos saídos do estabelecimento produtor na quinzena anterior, deduzida: a) do valor do impôsto relativo as matérias primas, produtos intermediários e embalagens, adquiridos no mesmo período, quando se tratar de estabelecimento industrial; b) do valor do impôsto pago por ocasião do despacho ou da remessa, quando se tratar de estabelecimento importador, arrematante ou revendedor, considerados, para efeito da apuração, os capítulos de classificação dos produtos. § 1º Será excluído do crédito o impôsto relativo às matérias primas, produtos intermediários e embalagens que forem objeto de revenda ou que forem empregados na industrialização ou no acondicionamento de produtos isentos e não tributados. § 2º O devedor remisso, sujeito ao recolhimento antecipado, utilizar seá do crédito de impôsto, mediante adição ao seu saldo. § 3º O impôsto relativo às matériasprimas, produtos intermediários e embalagens, adquiridos a revendedores não contribuintes, será calculado, para efeito de crédito mediante aplicação da alíquota a que estiver sujeito o produto sôbre 50% (cinqüenta por cento) do seu valor constante da nota fiscal. § 4º Em qualquer hipótese, o direito ao crédito do impôsto será condicionado às exigências de escrituração estabelecidas nesta lei e em seu regulamento, e, quando não exercido na época própria, só poderá sêlo, cumprida a formalidade do inciso I do art. 76 ou quando o seu valor fôr incluído em reconstituição de escrita, efetuada pela fiscalização. § 5º Quando ocorrer saldo credor numa quinzena, será êle transportado para a quinzena seguinte, sem prejuízo da obrigação do contribuinte apresentar ao órgão arrecadador, dentro do prazo legal previsto para o recolhimento, a guia demonstrativa dêsse saldo. Ainda assim, o primeiro regulamento do IPI já editado após a Lei 4.502 – Decreto 56.791/65 – ao “regulamentar” o dispositivo acima, estabeleceu: Art. 27. Para efeito do recolhimento, será deduzido do valor resultante do cálculo, na forma do art. 29: I o impôsto relativo às matériasprimas, produtos intermediários e embalagens, adquiridos ou recebidos para emprêgo na Fl. 588DF CARF MF Processo nº 12571.000263/200970 Acórdão n.º 9303005.015 CSRFT3 Fl. 9 8 industrialização e no acondicionamento de produtos tributados, compreendidos, entre os primeiros, aquêles que, embora não se integrando no nôvo produto, são consumidos no processo de industrialização; Ou seja, mantevese a possibilidade de dedução do imposto pago sobre os produtos secundários, agora “apelidados” de produtos intermediários. Ainda mais, sua redação irrestrita parece permitir que aí se incluíssem mesmo os produtos para uso e consumo e os constituintes de máquinas e equipamentos, visto que nem mesmo quanto a estes houve qualquer restrição. Tal largueza de conceitos, porém, não vinha sendo aceita pelo Fisco, o que suscitou diversos questionamentos ao Poder Judiciário quanto à abrangência do conceito de produtos intermediários. Em diversos julgados proferidos, a partir de 1966, no âmbito do STF (RMS 19.625GB, julgado em 20/6/1966, relator Ministro Victor Gomes; Recurso Extraordinário 18.661PE, julgado pelo Pleno em 16/10/1968 sob relatoria do Ministro Aliomar Baleeiro), firmouse o entendimento de que a expressão poderia sim englobar produtos que fossem apenas consumidos no processo industrial, desde que cumpridos, porém, dois requisitos primordiais: que os produtos consumidos fossem essenciais e específicos à fabricação em questão (vide votos condutores das decisões mencionadas). Pelo primeiro, requerse que o processo produtivo não se possa completar na ausência daquele “produto intermediário”; pelo segundo, que não sejam eles de uso comum, indiscriminado a todo e qualquer processo industrial. Destarte, o primeiro requisito determinava a exclusão, entre outros, da energia elétrica usada para iluminação, ainda que do ambiente onde se realizasse a produção, que poderia perfeitamente prosseguir sem a sua presença (salvo, talvez, situações muito específicas de ausência completa de iluminação natural).Também dos combustíveis empregados para acionamento de máquinas e equipamentos (em que também se pode utilizar a eletricidade). Pelo segundo, afastouse a aplicação ao desgaste de equipamentos físicos (depreciação de máquinas, equipamentos e instrumentos), componentes da estrutura física do estabelecimento, porque comuns a praticamente todo processo industrial. Tentando, ao meu ver, dar aplicação a essas restrições impostas pelo Judiciário é que o Regulamento seguinte, baixado pelo Decreto 70.163/72, acresceu a necessidade de que o consumo se desse de forma “imediata e integral”, bem como incluiu a restrição aos bens integrantes do ativo permanente. Suscitou, porém, novos questionamentos judiciais (Recurso Extraordinário ao STF nº 79.601RS, de 1974, também relatado pelo Ministro Aliomar Baleeiro e, no extinto Tribunal Federal de Recursos, a Apelação Cível nº 44.781SP, de 1978, relatada pelo Ministro Carlos Velloso). Em ambos, ratificaram os Tribunais Superiores os critérios estabelecidos nos julgamentos anteriores, Fl. 589DF CARF MF Processo nº 12571.000263/200970 Acórdão n.º 9303005.015 CSRFT3 Fl. 10 9 mesmo com a mudança de redação introduzida no Regulamento do Imposto. Daí, viuse o Poder Executivo instado a alterar novamente a redação dos decretos regulamentares posteriores, que deixaram de trazer a restrição quanto ao consumo imediato e integral. Essa ausência, então, suscitou a edição do mencionado Parecer Normativo nº 65/79, pela Coordenação do Sistema de Tributação da SRF, que vincula a possibilidade de crédito ao emprego sobre o produto em elaboração.Tratase de nova tentativa de dar aplicação aos critérios aceitos no Poder Judiciário5. Embora imprecisa, tal definição, a meu ver, atinge o cerne da discussão, ao menos para a grande maioria dos processos industriais. É que, salvo honrosas exceções que têm de ser comprovadas caso a caso, não vemos, em princípio, como considerar essenciais e específicos ao processo artigos que sequer entrem em contato direto com o produto em elaboração. De todo modo, restringindose a discussão do presente feito, à energia elétrica, dúvida não tenho de que, de ordinário, ela não pode ser considerada produto intermediário mesmo nessa mais ampla 5 O que resulta claro nos itens 8 a 10 do citado Parecer Normativo: 8. No caso, entretanto, a própria exegese histórica da norma desmente esta acepção, de vez que a expressão "incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos no processo de industrialização" é justamente a única que consta de todos os dispositivos anteriores (inciso I do art. 27 do Decreto nº 56.791/65, inciso I do art. 30 do Decreto nº 61.514/67 e inciso I do art. 32 do Decreto nº 70.162/72), o que equivale a dizer que foi sempre em função dela que se fez a distinção entre os bens que, não sendo matériasprimas nem produtos intermediários stricto sensu, geram ou não direito ao crédito, isto é, segundo todos estes dispositivos, geravam o direito os produtos que, embora não se integrando no novo produto, fossem consumidos no processo de industrialização. 8.1. A norma constante do direito anterior (inciso I do art. 32 do Decreto nº 70.162/72), todavia, restringia o alcance do dispositivo, dispondo que o consumo do produto, para que se aperfeiçoasse o direito ao crédito, deveria se dar imediata e integralmente. 8.2. O dispositivo vigente (inciso I do art. 66 do RIPI/79), por sua vez, deixou de registrar tal restrição, acrescentando, a título de inovação, a parte final referente à contabilização no ativo permanente. 9. Como se vê, o que mudou não foi o critério, que continua sendo o do consumo do bem no processo industrial, mas a restrição a este. 10. Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deva entender como produtos "que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização", para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1. Como o texto fala em "incluindose entre as matériasprimas e os produtos intermediários", é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários stricto sensu, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2. A expressão "consumidos", sobretudo levandose em conta que as restrições "imediata e integralmente", constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. 10.3. Passam, portanto, a fazer jus ao crédito, distintamente do que ocorria em face da norma anterior, as ferramentas manuais e as intermutáveis, bem como quaisquer outros bens que, não sendo partes nem peças de máquinas, independentemente de suas qualificações tecnológicas, se enquadrem no que ficou exposto na parte final do subitem 10.1 (se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida). Fl. 590DF CARF MF Processo nº 12571.000263/200970 Acórdão n.º 9303005.015 CSRFT3 Fl. 11 10 acepção. Há, por certo, situações em que a energia elétrica cumpre aqueles requisitos: tratase daqueles processos que requerem a separação molecular, via eletrólise, para que o processo possa continuar. Presentes aí a essencialidade e a especificidade, mas também a aplicação sobre o produto em elaboração como requer o Parecer. Assim, não demonstrado nos presentes autos que a energia elétrica é empregada dessa forma, ou de alguma similar, não vejo como acatar sua inclusão no conceito de produtos intermediários, mesmo na mais ampla definição que a eles se deu nos últimos regulamentos do IPI. E isso bastaria à negativa de provimento do recurso do contribuinte. Mas, como disse, esse é apenas o primeiro dos requisitos, e a energia elétrica também não cumpre o segundo: não há IPI algum para gerar crédito. Deveras, a energia elétrica está fora do campo de incidência do imposto, merecendo na TIPI a expressão NT – de não tributado. É certo que há outra linha de questionamento judicial, esta mais recente, que diz respeito a essa necessidade de que tenha havido destaque de IPI na aquisição feita. Mas esses questionamentos, normalmente, a isso se resumem, sendo indiscutível o enquadramento do produto adquirido na condição de matéria prima ou produto intermediário. Por isso, o “quase ineditismo” deste recurso, a que fiz referência no relatório. Nele se discutem os dois requisitos. Com efeito, aqui se tem um produto que, segundo as disposições do Parecer Normativo, não é matéria prima, produto intermediário nem material de embalagem e que também não sofreu o gravame do imposto. E quanto a esse último aspecto, da forma mais importante, isto é, não está sequer no seu campo de incidência. Da leitura das leis instituidoras da nãocumulatividade das contribuições não chego à conclusão de que, para elas, também se precise demarcar o que significa "ser consumido no processo produtivo". Seja porque a expressão legal não é essa, como também porque não se está a definir produto intermediário, mas sim insumo. Já se vê daí que, com as escusas sempre necessárias, não tenho como partilhar a premissa de sua excia. o ministro Herman Benjamim, citado no voto do dr. Henrique. É que, a meu ver, a legislação do IPI não identifica o conjunto formado por matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem ao conceito de insumo. Para tanto, é óbvio, não basta dizer que aquele conjunto é insumo; é preciso, mais, dizer que só ele o é. Mas, longe disso, a este último não é dada qualquer definição formal naquela legislação, a começar pela Lei 4.502/64 em que sequer se encontra o vocábulo "insumos". Mesmo nos decretos regulamentares, o que se diz ou sempre se pode ler é que aquele conjunto é insumo; nada há sobre a recíproca. Assim, pareceme, mesmo para o legislador do IPI, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem formam um subconjunto do conjunto mais amplo dos insumos. Aliás, de não ser assim, desnecessárias seriam as diversas ressalvas a itens passíveis de enquadramento no conjunto maior. Especialmente, no artigo definidor dos créditos não se precisaria especificar que ele se restringe Fl. 591DF CARF MF Processo nº 12571.000263/200970 Acórdão n.º 9303005.015 CSRFT3 Fl. 12 11 àquele subconjunto; bastaria autorizálo aos "insumos", que seria a mesma coisa. A consequência lógica dessa divergência é que não se precisa pensar em legisladores tributários distintos. Mesmo admitindo que o conceito de insumos deva ser uno para todos os efeitos tributários, nada há que impeça usarse o que proponho aqui: bem utilizado no processo produtivo e aí "consumido" ainda que não por um contato físico com o produto em elaboração. Mas é preciso demarcar bem quando começa o processo produtivo, pois, como já reiterou suficientemente a doutrina, não se está aqui limitado aos "produtores" no sentido do IPI, isto é, a lei não está a cuidar apenas de processos industriais, stricto sensu, embora seja aqui o caso. Destarte, quando o produto final gerado (e a ser vendido) depende de uma etapa prévia, ainda não exatamente industrial, mas que seja realizada pela mesma empresa, não vejo nenhuma incompatibilidade com a lei em considerar também integrante do processo essa etapa prévia, como ocorre em diversas cadeias produtivas, a exemplo da celulose, do álcool etc. Embora irrelevante para o presente caso, o critério genérico há de ser, portanto, o do início das operações que culminarão com a obtenção daquilo que gerará a receita da empresa, esta que será a base de cálculo da exação. E em se tratando aqui de uma simples operação industrial, parece fácil identificálo com o início das operações tipicamente industriais como o faz também a IN SRF. Assim, nesses casos de empreendimentos tipicamente industriais minha única divergência com o critério da IN SRF se prende à exigência de que os insumos tenham contato físico com o produto final, o que já excluiria, de plano, todos os serviços, mas não só. Por ele, também ficariam de fora todos os itens normalmente glosados no IPI embora participantes efetivos do processo, onde se desgastam, também sem controvérsia, mesmo sem ter "contato" com o produto em elaboração. De outra banda, não adiro à noção de essencialidade que é por muitos advogada. Como primeiro contraargumento, porque, preservada a premissa econômica de racionalidade do empresário, seria difícil encontrar algum item efetivamente empregado no processo, e portanto gerador de custo, sem que haja necessidade para tal, no mínimo, para que o produto final seja aceito pelo consumidor. De fato, esse critério apenas nos leva a uma nova dificuldade, qual seja, a delimitação do grau de necessidade do item em consideração: seria ela estritamente técnica ou também econômica, no sentido acima? A primeiro opção nos levaria a ter de nos embrenhar nas minúcias de cada processo produtivo; a segunda, a aceitar praticamente todo e qualquer gasto. Em segundo lugar, porque há inúmeros itens, especialmente de serviços, que são "essenciais ao", mas não "utilizados no", processo produtivo. Além desse requisito, considero igualmente excluídos pela expressão "utilizados no processo produtivo" os bens que devem compor o ativo permanente, o que significa que, em meu entender, a legislação das Fl. 592DF CARF MF Processo nº 12571.000263/200970 Acórdão n.º 9303005.015 CSRFT3 Fl. 13 12 contribuições preservou este específico óbice existente quanto ao IPI. E assim concluo porque, quanto a eles, a legislação permitiu a dedução da despesa de depreciação e desde que o bem ativado seja efetivamente empregado no processo produtivo o que inviabiliza a tomada de crédito sobre o valor integral da aquisição de uma só vez. Rejeitados, assim, os demais critérios, o da IN, o da essencialidade e o da apropriação de custos nos termos da legislação do IR, analiso cada item candidato a insumo sob o duplo ponto de vista: a) participa efetivamente do processo produtivo? b) aí se desgasta em menos de um ano, de modo a não ser ativado? Respostas afirmativas a ambas levamme a aceitálo. Passando, então, ao caso concreto, vêse que se debate a despesa com combustíveis e lubrificantes empregados em frota própria, que é utilizada para transportar a matéria prima e os produtos elaborados. Conforme se comprova da simples leitura da passagem transcrita, a lei apenas deferiu o creditamento com esses itens "quando utilizados como insumo na fabricação de produtos ou prestação de serviços". Necessário, pois, que elas se refiram a atividades que ocorram durante o processo produtivo, o que não se dá tanto no transporte de matérias primas a serem nele empregadas, nem com respeito a transporte de produtos finais dele decorrentes. O segundo item objeto de polêmica referese a bens utilizados na manutenção de tais veículos. A negativa tem o mesmo respaldo, ainda que aqui com mais intensidade, pois sequer estão eles mencionados em qualquer dos incisos do ato legal. Com efeito, o legislador apenas autorizou o creditamento, no que se relaciona aos bens do ativo permanente, quando se trate de depreciação. Não há, pois, tal direito em ambas as situações para os que, como este conselheiro, advogam a tese acima exposta. Com tais considerações, entendeu o colegiado descabido o creditamento deferido na decisão recorrida, e deu provimento ao recurso da Fazenda Nacional." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 593DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.904309/2009-88
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO.
Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002
ANALISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE.
Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (ano-calendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de maio/2002, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2002) e ao mesmo tributo (CSLL) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte.
Numero da decisão: 9101-002.917
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à questão da inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), que conduziu o julgamento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2002 ANALISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (ano-calendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de maio/2002, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2002) e ao mesmo tributo (CSLL) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10166.904309/2009-88
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5740512
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9101-002.917
nome_arquivo_s : Decisao_10166904309200988.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
nome_arquivo_pdf_s : 10166904309200988_5740512.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à questão da inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), que conduziu o julgamento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
id : 6848918
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049212066725888
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2012; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10166.904309/200988 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9101002.917 – 1ª Turma Sessão de 8 de junho de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CEB LAJEADO S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 ANALISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (ano calendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de maio/2002, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2002) e ao mesmo tributo (CSLL) do saldo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 43 09 /2 00 9- 88 Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10166.904309/200988 Acórdão n.º 9101002.917 CSRFT1 Fl. 3 2 negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à questão da inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), que conduziu o julgamento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial em relação a duas matérias: a) possibilidade de deferimento da Per/DComp, cujo pretenso direito creditório se refere ao pagamento de estimativa em valor indevido; e b) ser possível a formação de indébito de saldo negativo de CSLL no anocalendário de 2002, quando na Dcomp apresentada constou direito creditório decorrente de pagamento indevido ou maior que o devido da estimativa mensal de CSLL. A decisão recorrida deu provimento parcial a recurso voluntário da contribuinte, para fins de afastar o fundamento que tinha motivado a negativa da compensação na etapa anterior (o fato de o crédito indicado decorrer de pagamento de estimativa mensal de CSLL), e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que ela se pronunciasse sobre o valor do direito creditório pleiteado e sobre os pedidos de compensação dos débitos. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente às matérias acima mencionadas e aponta paradigmas para as duas matérias. Quanto à primeira matéria, examinando os acórdãos paradigmas em seu inteiro teor verificase que os mesmos trazem o entendimento de que após o encerramento do Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10166.904309/200988 Acórdão n.º 9101002.917 CSRFT1 Fl. 4 3 anocalendário não é possível pleitear a restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais de IRPJ/CSLL, mas tão somente o de saldo negativo do tributo, se existente. De outra parte, o acórdão recorrido diverge desta interpretação ao admitir a possibilidade de restituição/compensação pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais de CSLL, uma vez comprovado o indébito. Quanto à segunda matéria, examinando o primeiro acórdão paradigma, verificase que o mesmo traz o entendimento de que não é admissível a retificação da Dcomp depois de proferida a decisão administrativa. O acórdão recorrido, por sua vez, admite indiretamente tal situação na medida em que reconhece a possibilidade de apuração de indébito de saldo negativo de CSLL com base em Dcomp cujo direito creditório indicado é o de pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais de CSLL. A contribuinte apresentou tempestivamente contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.903, de 08/06/2017, proferido no julgamento do processo 10166.901000/200936, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.903): A PGFN pretende reverter a decisão recorrida, sustentando que a lei não permite a restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal (primeira divergência); e também que, após a Delegacia de origem ter indeferido o Per/Dcomp, não seria mais possível alterar o direito creditório, de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal para saldo negativo de IRPJ (segunda divergência). A matéria tratada na primeira divergência está atualmente pacificada, inclusive com edição de súmula pelo CARF: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o art. 5º da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, o exame de admissibilidade dos recursos especiais deverá observar o nela disposto, o que alcança inclusive os recursos que já haviam sido apresentados antes dela. Essa mesma portaria estabelece no § 3º do art. 67 de seu Anexo II que: Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10166.904309/200988 Acórdão n.º 9101002.917 CSRFT1 Fl. 5 4 Art. 67 [...] [...] § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Assim, tratandose de matéria já sumulada pelo CARF, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN quanto à primeira divergência, suscitada em relação ao fato de o crédito indicado no Per/Comp decorrer de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal. Quanto à segunda divergência, o recurso merece mesmo ser conhecido, conforme o despacho de admissibilidade exarado, e adoto as suas razões de decidir. Em primeiro lugar, cabe registrar que as estimativas mensais "normalmente" não configuram mesmo objeto de restituição, e nem de compensação direta com outros tributos. O que se restitui ou compensa, via de regra, é o saldo negativo, a menos que o recolhimento da própria estimativa se caracterize, desde aquele primeiro momento, como um pagamento indevido ou a maior que o devido, levando em conta o valor que seria devido a título da própria estimativa, conforme o regime adotado pelo contribuinte para o seu cálculo (receita bruta ou balancete de suspensão/redução). Essa questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Contudo, conforme mencionado acima, a matéria foi definitivamente solucionada pelo CARF, nos termos da Súmula CARF nº 84. Mas a questão que deve ser agora analisada é se o acórdão recorrido realmente admitiu uma inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo, caracterizadora de ilegalidade. Conforme o despacho de admissibilidade do recurso, contrariamente ao acórdão paradigma, o acórdão recorrido admitiu indiretamente tal situação na medida em que reconheceu a possibilidade de apuração de indébito de saldo negativo da IRPJ com base em Dcomp cujo direito creditório indicado foi pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de IRPJ. Para o exame da alegada divergência, vale observar que não é incomum a ocorrência de processos em que pedidos de restituição/compensação de IR/fonte ou IRPJ/estimativa são examinados (inclusive pelas DRF e DRJ da Receita Federal) na ótica de sua repercussão no resultado final do período, como elementos que contribuem para a formação de saldo negativo. Isto porque tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam antecipações do devido ao final do período. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10166.904309/200988 Acórdão n.º 9101002.917 CSRFT1 Fl. 6 5 pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado (ainda que somente a partir do ajuste). Também é importante destacar que os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (anocalendário), e que embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de dezembro/2004, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2004) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a perceber que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte. O que houve no presente caso não foi mudança de direito creditório, mas sim indicação da parte, e não do todo, o que não pode prejudicar a caracterização do indébito, porque mesmo no caso de se verificar direito creditório decorrente da estimativa em si (parte), caberia examinar aspectos da apuração do ajuste anual (todo). É que mesmo havendo excesso mensal no pagamento de uma determinada estimativa, esse excedente pode ser necessário para a quitação de ajuste, e isso resulta na sua indisponibilidade para fins de restituição/compensação. Uma estimativa e o saldo negativo formado por ela guardam relação de parte e todo, com elementos constitutivos comuns. Como mencionado, a questão sobre a possibilidade de restituição/ compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia, até a edição da Súmula CARF nº 84. Inicialmente, a linha de interpretação da Receita Federal, e que foi adotada nestes autos, era de que a lei não permitia a restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativas mensais, mas apenas do saldo negativo formado por elas. Em vista disso, os contribuintes, também como ocorreu nestes autos, procuravam demonstrar que as estimativas (com seus excedentes) eram suficientes para a formação de saldo negativo. Para o indeferimento do pleito, então, buscavase outro fundamento, que era a impossibilidade de modificar o direito creditório. Ocorre que essa modificação era motivada justamente porque a Receita Federal se recusava a Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10166.904309/200988 Acórdão n.º 9101002.917 CSRFT1 Fl. 7 6 restituir/compensar pagamentos indevidos ou a maior a título de estimativa, o que restou afastado pela referida Súmula CARF nº 84. É diante de todo esse contexto que o acórdão recorrido, corretamente, admitiu a possibilidade de formação de indébito, passível de restituição/compensação, pelo pagamento indevido ou a maior a título da estimativa mensal referente ao mês de dezembro/2004, ao mesmo tempo em que também reconheceu a possibilidade de formação de indébito de saldo negativo neste mesmo ano, e determinou o retorno dos autos à unidade de origem para que ela se pronunciasse sobre o valor do direito creditório pleiteado e sobre os pedidos de compensação dos débitos. Se a Delegacia de origem constatar que houve pagamento indevido ou a maior, seja como excedente mensal disponível (estimativa), seja como excedente anual que engloba a estimativa (saldo negativo), a compensação deverá ser homologada, no limite do crédito que assim for reconhecido. Assim, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN quanto à primeira divergência, suscitada em relação ao fato de o crédito indicado no Per/Comp decorrer de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal, e de NEGAR PROVIMENTO ao recurso quanto à segunda divergência, relativa à questão da inovação/ mudança do direito creditório no curso do processo administrativo, mantendo o que restou decidido no acórdão recorrido. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à questão da inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo e, no mérito, na parte conhecida, negolhe provimento para manter o que foi decidido no acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 378DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.723535/2014-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE.
São isentos os valores pagos ou creditados por entidade de previdência complementar a título de complementação de aposentadoria, resgate e rateio de patrimônio em caso de extinção da entidade de previdência complementar, correspondentes às contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995. Tendo sido tais valores informado no campo de Imposto de Renda Retido na Fonte está correta a glosa da compensação do IRRF.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.960
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. São isentos os valores pagos ou creditados por entidade de previdência complementar a título de complementação de aposentadoria, resgate e rateio de patrimônio em caso de extinção da entidade de previdência complementar, correspondentes às contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995. Tendo sido tais valores informado no campo de Imposto de Renda Retido na Fonte está correta a glosa da compensação do IRRF. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10875.723535/2014-21
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5740469
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2202-003.960
nome_arquivo_s : Decisao_10875723535201421.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARTIN DA SILVA GESTO
nome_arquivo_pdf_s : 10875723535201421_5740469.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
id : 6848875
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049212105523200
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1570; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 49 1 48 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.723535/201421 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.960 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 07 de junho de 2017 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente OSVALDO DA CRUZ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. São isentos os valores pagos ou creditados por entidade de previdência complementar a título de complementação de aposentadoria, resgate e rateio de patrimônio em caso de extinção da entidade de previdência complementar, correspondentes às contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995. Tendo sido tais valores informado no campo de Imposto de Renda Retido na Fonte está correta a glosa da compensação do IRRF. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 72 35 35 /2 01 4- 21 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10875.723535/201421 Acórdão n.º 2202003.960 S2C2T2 Fl. 50 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10875.723535/201421, em face do acórdão nº 0438.373 julgado pela 3ª Turma da Delegacia Federal do Brasil em Campo Grande (DRJ/CGE), no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: "LANÇAMENTO Trata o presente processo de impugnação à exigência formalizada pela NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO(fls. 3 a 7) de Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2012, ano calendário 2011, formalizada em 20/10/2014, por meio da qual se exige o crédito tributário no valor de R$ 3.311,00 com os seguintes valores originários: Imposto Suplementar sujeito à multa de ofício (parte A): R$ 0,00; Imposto sujeito à multa de mora (parte B): R$ 2.338,78. Segundo descrição dos fatos e enquadramento legal, o lançamento de ofício decorre da COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE no valor de R$ 16.803,48 informado como retido pela Fonte Pagadora FUNDAÇÃO DOS ECONOMIÁRIOS FEDERAIS FUNCEF. Consta na complementação da descrição dos fatos que o valor de R$ 16.803,48 foi glosado por não se tratar de IRRF. Houve a redução de R$ 15.914,67 dos rendimentos tributáveis, por ser considerado Isento e Não Tributável, de acordo com a IN 1.343 de 05/03/2013. A ciência da Notificação de Lançamento ocorreu em 27/10/2014 (fl. 16). DA IMPUGNAÇÃO Em sua impugnação (fls. 2), o interessado alega que os rendimentos não devem ser tributados por se tratar de complementação de aposentadoria correspondente às Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10875.723535/201421 Acórdão n.º 2202003.960 S2C2T2 Fl. 51 3 contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário no período de 01/01/1989 a 31/12/1995." A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, às fls. 34/35, reiterando as alegações expostas em impugnação. O contribuinte junta aos autos, em anexo ao recurso voluntário, documentos para comprovar o seu direito. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A DRJ de origem entendeu que o contribuinte deveria informar os rendimentos recebidos da Fundação dos Economiarios Federais – FUNCEF no campo de RENDIMENTOS ISENTOS E NÃO TRIBUTÁVEIS e não no campo de Imposto de Renda Retido na Fonte, o que acabou ocasionando uma compensação indevida. Vejamos o teor do acórdão objeto deste recurso voluntário: "O contribuinte alega que os rendimentos de R$ 16.803,48 não devem ser tributados por se tratar de complementação de aposentadoria correspondente às contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário no período de 01/01/1989 a 31/12/1995. Primeiramente, a Notificação de Lançamento referese à DIRPF 2012, anocalendário 2011 e o Comprovante de Rendimentos trazido pelo contribuinte aos autos (fl. 15) referese ao ano calendário 2012. Porém, o contribuinte informou em sua DIRPF no campo de rendimentos tributáveis, em relação ao CNPJ 00.436.23/0001 90, Fundação dos Economiarios Federais – FUNCEF, o seguinte: Rendimento: 0,00 IRRF 16.803,48 A alínea b da linha do inciso II do art. 3o da Instrução Normativa 1.343/2013 orienta como devem ser informados tais rendimentos na Declaração de Ajuste Anual: b) informar o montante de que trata a alínea “a” na linha “outros (especifique)” da ficha “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”, com especificação da natureza do rendimento; e Portanto, o contribuinte deveria informar tal rendimento no campo de RENDIMENTOS ISENTOS E NÃO TRIBUTÁVEIS e Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10875.723535/201421 Acórdão n.º 2202003.960 S2C2T2 Fl. 52 4 não no campo de Imposto de Renda Retido na Fonte, o que acabou ocasionando uma compensação indevida. Verificase também que AuditorFiscal revisou de ofício o campo de rendimentos tributáveis e reduziu o valor dos rendimentos de R$ 107.750,67 para R$ 91.836,64 e informou o seguinte: (R$ 15.914,67) Valor deduzido dos Rendimentos Tributáveis, por ser considerado Isento e Não Tributável, de acordo com IN 1.343, de 05.04.2013. Desta forma, não é possível acatar a alegação do interessado. DA CONCLUSÃO Ante o exposto e considerando tudo mais que dos autos consta, VOTO por JULGAR A IMPUGNAÇÃO IMPROCEDENTE, mantendose o crédito tributário." Em recurso voluntário o contribuinte não apresentou elementos novos que dessem fundamento para reforma do acórdão guerreado. Compreendo que os valores recebidos deveriam ter sido informados no campo de "rendimentos isentos e não tributáveis" e não no campo "Imposto de Renda Retido na Fonte", o que acabou ocasionando uma compensação indevida. O contribuinte alega ter retificado a sua DIRPF, porém não junta aos autos a declaração retificadora. Aliás, é pouco crível que tenha conseguido retificar a DIRPF já processada, que encontravase em malha fiscal. Diante disso, improcede a alegação do contribuinte. Portanto, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, com fundamento no artigo 333 do CPC e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte ora recorrente. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Em igual sentido, temos o art. 333, inciso I, do CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Encontrase sedimentada a jurisprudência deste Conselho neste sentido, consoante se verifica pelo aresto abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2005 Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10875.723535/201421 Acórdão n.º 2202003.960 S2C2T2 Fl. 53 5 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. (...) (Acórdão nº 3803004.284 – 3ª Turma Especial. Sessão de 26 de junho de 2013, grifouse) Assim, conforme o entendimento acima retratado, necessário que a contribuinte apresente a documentação adequada e suficiente para provar a certeza e a liquidez de seu crédito. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
