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Numero do processo: 10660.003141/2002-34
Turma: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2006
Ementa: MULTA ISOLADA — PRINCIPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA —
Em relação ao ato não definitivamente julgado, o artigo 106 do CTN
contempla a hipótese de retroatividade da legislação tributária, que trata de penalidades, quando em beneficio do sujeito passivo.
Recurso provido.
Numero da decisão: 102-48.050
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: DCTF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada(TODOS)
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Recorrida : r TURMA/DRJ-JUIZ DE FORA/MG Sessão de : 09 de novembro de 2006 Acórdão n° : 102-48.050 MULTA ISOLADA — PRINCIPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA — Em relação ao ato não definitivamente julgado, o artigo 106 do CTN contempla a hipótese de retroatividade da legislação tributária, que trata de penalidades, quando em beneficio do sujeito passivo. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por TELEVISÃO SUL DE MINAS LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. çj,LE- LEILA MARIA S HERRER LEITÃO PRESIDENTE a I WILf "In JOSÉ RAI . 1 te OSTA SANTOS RELATOR FORMALIZADO EM: 19 MAR 2007 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: NAURY FRAGOSO TANAKA, LEONARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, SILVANA MANCINI KARAM, ANTÔNIO JOSÉ PRAGA DE SOUZA, MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA e ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO. Processo n° : 10660.003141/2002-34 Acórdão n° : 102-48.050 Recurso n° : 151.635 Recorrente : TELEVISÃO SUL DE MINAS LTDA RELATÓRIO O Recurso Voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão • DRJ/FJA n° 5.933, de 20/01/2004 (fls. 39/40), que julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte o Auto de Infração de multa isolada as fls. 24/34, aplicada em • virtude de ter sido apurada falta ou insuficiência do pagamento de acréscimos legais quando do recolhimento, em atraso, do IRRF declarado nas DCTF relativas aos 3° e 4° trimestres de 1997. Em sua impugnação ao lançamento, a autuada alegou que o tributo foi recolhido dentro do prazo legal, tendo havido apenas erro quanto aos períodos de apuração informados nas DCTF. Argumenta ainda que mesmo que o imposto tenha sido pago após o vencimento seria incabível a exigência da multa ora lançada, tendo • em vista o disposto no art. 138 do CTN. Ao apreciar o litígio, o órgão julgador de primeiro grau, por unanimidade de votos, excluiu do 'Auto de Infração os recolhimentos do IRRF nos valores de R$ 11.137,72, R$ 3.160,18, R$ 1.436,00 e R$ 659,89, mantendo a multa isolada quanto aos pagamentos de R$ 635,11 e R$ 7.532,88, efetuados após o 3° dia útil da semana subseqüente (fls. 21/22) sem o acréscimo da multa de mora, resumindo seu entendimento na seguinte ementa: "Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 1997 Ementa: MULTA ISOLADA. Deve-se afastar a parcela do lançamento relativa aos recolhimentos comprovadamente realizados dentro do vencimento do IRRF, e manter-se a parcela referente aos recolhimentos em atraso. Lançamento Procedente em Parte." Em sua peça recursal (fls. 43/48), o recorrente pugna pelo cancelamento da parte mantida no julgamento de primeiro grau, considerando que os 2 Processo n° : 10660.003141/2002-34 Acórdão n° : 102-48.050 pagamentos foram efetuados espontaneamente, nos termos do artigo 138 do CTN. Transcreve jurisprudência administrativa nesta linha de entendimento. Arrolamento de bens, consoante despacho à fl. 71. É o Relatório. cbN 3 Processo n° : 10660.003141/2002-34 • Acórdão n° : 102-48.050 VOTO Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. À época do lançamento vigia o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, com a seguinte redação: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as • seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II - cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I - juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II - isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora;" Em relação ao ato não definitivamente julgado, o artigo 106 do CTN contempla a hipótese de retroatividade da legislação tributária, que trata de penalidades, quando em benefício do sujeito passivo. • No presente caso, a Medida Provisória n° 303, de 29 de junho de 2006, alterou a redação do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, base legal da exigência tributária em exame, nos seguintes termos: ei 4 Processo n° : 10660.003141/2002-34 Acórdão n° : 102-48.050 "Art. 18. O art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II - de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano- calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 10 O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n°4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o, serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I - prestar esclarecimentos; li - apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III - apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 (NR) " Como se vê, a MP excluiu a incidência da multa isolada de 75%, quando o imposto fosse pago fora do prazo sem o acréscimo da multa de mora. Recentes julgados deste Colegiado cancelaram tais exigências. Todos os demais lançamentos que se encontravam na mesma situação (pendentes de julgamento), durante a vigência da MP 303, de 30.06.2006 (não votada em tempo hábil) e que, por isso, teve seu prazo de vigência encerrado em 5 . • ' Processo n° : 10660.003141/2002-34 Acórdão n° : 102-48.050 27.10.2006 (conforme Ato do Presidente da Mesa do Congresso Nacional n° 57/2006), devem receber o mesmo tratamento, pois é dever da administração revê-los de ofício (artigo 106, II, "a" c/c 149, I, do CTN). A própria Constituição Federal veda tratamento desigual para os que se encontram em idêntica situação (artigo 150, inciso II). O Estado não tem interesse subjetivo nas demandas. Deve atuar sempre com observância dos princípios da legalidade, moralidade, razoabilidade e • proporcionalidade. As questões devem . ser decididas sempre objetivando o atendimento do interesse público, segundo padrões éticos de probidade e boa-fé. Em face ao exposto, voto pelo cancelamentda multa isolada em litígio. Sala das Sessões - DF, em 09 de novembro de 2006. JOSÉ RA if,* TA SANTOS 6 Page 1 _0003600.PDF Page 1 _0003700.PDF Page 1 _0003800.PDF Page 1 _0003900.PDF Page 1 _0004000.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 13819.002370/99-12
Turma: Primeira Turma Especial
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2008
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES
ANO-CALENDÁRIO: 1999
Intempestividade da peça recursal implica não conhecimento do
recurso Voluntário
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO
Numero da decisão: 391-00.020
Decisão: ACORDAM os membros da Primeira Turma Especial do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestividade, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: VINICIUS BRANCO
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES ANO-CALENDÁRIO: 1999 Intempestividade da peça recursal implica não conhecimento do recurso Voluntário RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO
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score : 1.0
Numero do processo: 10980.010225/2008-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 05 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Nov 18 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2004, 2005
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.
Comprovada mediante Laudo Pericial com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica do profissional, onde de demonstra a caracterização de área do imóvel em um dos diversos incisos, do art. 11 do Decreto nº 4.382, de 2002, há de se reconhecer a área de preservação permanente.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CABIMENTO. SÚMULA CARF nº 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Súmula CARF nº 4.
JUROS MORATÓRIOS SOBRE VALOR LANÇADO. CABIMENTO. SÚMULA CARF nº5
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Súmula CARF nº 5.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
INTIMAÇÃO PATRONO. INCABÍVEL. SÚMULA CARF Nº 110.
No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. Súmula Carf nº 110.
Numero da decisão: 2202-007.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a existência de área de preservação permanente de 4.357,72 ha.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mário Hermes Soares Campos - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: MARIO HERMES SOARES CAMPOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a existência de área de preservação permanente de 4.357,72 ha. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
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Comprovada mediante Laudo Pericial com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica do profissional, onde de demonstra a caracterização de área do imóvel em um dos diversos incisos, do art. 11 do Decreto nº 4.382, de 2002, há de se reconhecer a área de preservação permanente. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CABIMENTO. SÚMULA CARF nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Súmula CARF nº 4. JUROS MORATÓRIOS SOBRE VALOR LANÇADO. CABIMENTO. SÚMULA CARF nº5 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Súmula CARF nº 5. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). INTIMAÇÃO PATRONO. INCABÍVEL. SÚMULA CARF Nº 110. No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. Súmula Carf nº 110. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a existência de área de preservação permanente de 4.357,72 ha. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 02 25 /2 00 8- 05 Fl. 251DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-007.286 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.010225/2008-05 (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão prolatada no Acórdão nº 04-21.306 da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), datada de 29 de julho de 2010, que julgou parcialmente procedente a impugnação de Auto de Infração de lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), no valor original de R$ 1.445.386,40, relativo aos exercícios de 2004 e 2005. O lançamento fiscal decorre da glosa de área de 3.340 hectares (ha), declarada como Área de Preservação Permanente e revisão do Valor da Terra Nua (VTN) declarado, sendo arbitrado com base no VTN Médio por Aptidão Agrícola, conforme tela do Sistema de Preços de Terra (SIPT), de fls. 47/48. No Auto de Infração lavrado pela autoridade fiscal lançadora, é esclarecido que a contribuinte foi devidamente intimada para apresentação da documentação comprobatória da Área de Preservação Permanente (APP), qual seja: cópia do Ato Declaratório Ambiental (ADA) requerido junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA); Laudo Técnico emitido por profissional habilitado, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) e registrada no Conselho de Engenharia, Arquitetura e Agronomia - CREA, identificando o imóvel através de memorial descritivo de acordo com o artigo 9° do Decreto 4.449 de 30 de outubro de 2002; Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 3° da Lei 4.771, de 15 de setembro de 1965, (Código Florestal), acompanhado do ato do poder público que assim a declarou. Foi considerado que o Laudo Técnico descritivo de área rural, apresentado pela contribuinte durante o procedimento de fiscalização, elaborado por engenheiro civil, não atendeu aos requisitos legais pertinentes. Posto que o profissional habilitado para emissão de laudo da área de preservação permanente deveria ser um Engenheiro Agrônomo ou Engenheiro Florestal, não sendo o laudo emitido por Engenheiro Civil apto a tal fim. Também não foi apresentado o ADA protocolizado junto ao IBAMA e tampouco Certidão do órgão público competente, relativamente à eventual área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 3° da Lei 4.771, de 1965. Pelos motivos expostos foi desconsiderada pela autoridade fiscal autuante a área de 3.340, declarada pela autuada como APP, nos exercícios de 2004 e 2005. No que se refere à comprovação do VTN originalmente declarado, informa a fiscalização que, apesar de regularmente intimada, a contribuinte não apresentou qualquer manifestação quanto aos documentos exigidos. Em consequência, foram desconsiderados os Fl. 252DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-007.286 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.010225/2008-05 VTN declarados nos exercícios de 2004 e 2005 e com base no disposto no art. 14 da Lei n° 9.393 de 19 de dezembro de 1996, os valores da terra nua foram arbitrados considerando as informações sobre preços para o Município de GUARAQUEÇABA/PR, apurados pela Secretaria de Agricultura do Paraná, utilizando-se de pesquisa de mercado para os tipo de terras “mista mecanizável” e “mista não mecanizável”. Com base em tais elementos, o VTN foi arbitrado nos seguintes termos: O valor da terra nua para o exercício de 2004 foi arbitrado em R$ 3.712.000,00 obtido pelo somatório da multiplicação da área de 1.000,0 ha, declarada com reflorestamento (TERRA MISTA MECANIZÁVEL) pelo valor de R$ 1.600,00, e da multiplicação do restante da área do imóvel de 3.840,0 ha (TERRA MISTA NÃO MECANIZÁVEL), pelo valor de R$ 550,00/ha. O valor da terra nua para o exercício de 2005 foi arbitrado em R$ 4.004.000,00, obtido pelo somatório da multiplicação da área de 1.000,0 ha, declarada com reflorestamento (TERRA MISTA MECANIZÁVEL) pelo valor de R$ 1.700,00, e da multiplicação do restante da área do imóvel de 3.840,0 ha (TERRA MISTA NÃO MECANIZÁVEL), pelo valor de R$ 600,00/ha. As demais áreas e valores declarados nos exercícios de 2004 e 2005 foram mantidos. A contribuinte apresentou impugnação ao lançamento (fls. 66/95), onde contesta a desconsideração da área de preservação permanente, assim como, o fato de que os 4.840ha do imóvel foram classificados como 1.000ha de terra mista mecanizável e 3.840ha de terra mista não mecanizável, segundo seu entendimento, sem qualquer básica fática e lastreada em suposições. Apresenta “Laudo Técnico de Comprovação de Área de Preservação Permanente” (fls. 110/121) e anexos, afirmando ser desnecessária a apresentação do Ato Declaratório Ambiental, citando jurisprudência que entende embasar tal tese, pugnando pelo princípio da verdade material, pois entende provado que 90% da área objeto do auto de infração constituem- se de efetiva área de preservação permanente. Também foi contestado o valor da terra nua, com apresentação de laudos, onde afirma que os peritos, utilizando dos mesmos valores adotados pelo fiscalização (valores da SEAB/DERAL), entretanto, considerando a área como não mecanizável e inaproveitável, chegaram aos seguintes VTN: R$ 2.226.228,07 para o exercício/2004 e R$ 2.250.342,11, para o exercício/2005, devendo ser adotados como valores máximos para tributação em cada exercício e observando-se a alíquota correspondente ao correto grau de utilização do imóvel, qual seja, 0,3%. Ao final, questiona a multa aplicada, a cobrança de juros mediante aplicação da taxa Selic e pugna pela posterior produção de provas e perícia técnica. A impugnação foi considerada pela autoridade julgadora de piso tempestiva e de acordo com os demais requisitos de admissibilidade, tendo sido julgadas parcialmente procedente, com consequente redução do crédito tributário lançado. A decisão exarada apresenta a seguinte ementa: Áreas Isentas - Requisitos de Isenção A concessão de isenção de ITR para as Áreas de Preservação Permanente - APP e Áreas de Utilização Limitada - AUL, está vinculada à comprovação de suas existências, através de Certidão de Órgão Público competente ou laudo técnico específico para a APP e averbação da AUL na matrícula do imóvel, bem como à regularização das mesmas através do Ato Declaratório Ambiental - ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA, em até seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR. A prova de uma não exclui a necessidade da outra. Isenção - Hermenêutica Fl. 253DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-007.286 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.010225/2008-05 A legislação tributária para concessão de benefício fiscal interpreta-se literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a mesma não deve ser concedida. Valor da Terra Nua - VTN - Área Inaproveitável Para Área de Preservação Permanente - APP não regularizada para fins de isenção cabe atribuir o Valor da Terra Nua - VTN referente a Área Inaproveitável para Atividade Agropecuária. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte No julgamento de piso foi mantida a glosa relativa aos 3.340 hectares originalmente declarados como área de preservação permanente. Quanto ao Valor da Terra Nua, entendeu-se pela aceitação dos valores apurados conforme o Laudo Técnico apresentado juntamente com a impugnação, sendo adotados tais valores para efeito do lançamento (R$ 2.226.228,07 - exercício/2004 e R$ 2.250.342,11- exercício/2005), culminado assim em redução do crédito tributário lançado. A autuada interpôs recurso voluntário (fls. 179/194), onde contesta a decisão de piso, alegando que, conforme demonstrado no Laudo Técnico, 4.357,7193ha (90% da área total do imóvel) correspondem a áreas de preservação permanente, sendo: 2.818,7086ha de Topo de Morro, 1.386,7225ha de Declividade > 45º e 152,2901ha de Beira de Rios. Reafirma seu entendimento de que os 4.840ha do imóvel foram classificados como: 1.000ha de terra mista mecanizável e 3.840ha de terra mista não mecanizável; sem qualquer básica fática e lastreada em suposições, reforçando que apresentou, na fase impugnatória, “Laudo Técnico de Comprovação de Área de Preservação Permanente”, elaborado por profissional especializada (Engenheira Florestal), e com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica (ART). Entende provado, com base em tal laudo, que 90% da área objeto do auto de infração constituem-se de efetiva área de preservação permanente e volta a afirmar ser desnecessária a apresentação do Ato Declaratório Ambiental, citando jurisprudência que entende embasar tal tese e pugnando pela observância do princípio da verdade material. Apresenta quadro onde demonstra que a área do imóvel é dividida em 4.357,71ha de APP (90% da área do imóvel) e 482,3ha de área utilizada objeto de reflorestamento. Afirma que o § 7° da Lei n° 9.393, de 1996, dispensa a declarante de comprovação, no momento da declaração, das áreas declaradas e que: “No lançamento fiscal, não cogita a autoridade a hipótese de inidoneidade ou inverdade da declaração prestada pela empresa ora recorrente. Logo, e sob enfoque de referida norma de regência, inexiste justa causa para a autuação.” Apresenta tópico específico no recurso em que defende a tese da “desnecessidade do Ato Declaratório Ambiental (ADA) como requisito para o benefício de isenção do ITR. Demais disso, produção posterior do Ato Declaratório Ambiental (ADA) como forma de descaracterização da infração.”, citando jurisprudência favorável a tal tese. Na sequência, alega configuração de cerceamento de defesa e negativa de vigência a direito federal regente da prova, com consequente necessidade de declaração da nulidade da decisão, pelo fato de ter sido rejeitado, pela autoridade julgadora de piso, seu requerimento de perícia, mediante os seguintes argumentos: A decisão recorrida, por entender desnecessário, negou o pedido da ora recorrente para a produção de perícia adicional, cuja finalidade seria a de determinar a área de Preservação Permanente. Ocorre que, além de negar essa produção de laudo pericial adicional, a decisao ora recorrida ainda desconsiderou totalmente, e imotivadamente, o laudo pericial apresentado pela ora recorrente. Fl. 254DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-007.286 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.010225/2008-05 _ No entanto, ao fazê-lo, a decisão guerreada consuma a hipótese de cerceamento de defesa e frontal negativa de vigência ao direito federal regente da prova, consubstanciado nos arts. 130 e 133, do Código de Processo Civil, e ainda art. 18 do Decreto 10.235/1972. REQUER-SE, portanto, se eventualmente inviável decidir do mérito em favor da recorrente, seja decretada a nulidade da decisão e ordenada à instância ordinária a produção de prova pericial. Ao final, volta a arguir a impossibilidade de cumular juros moratórios de 1% ao mês com a taxa SELIC, a não-incidência de juros sobre a multa de ofício, requer a exclusão ou redução do percentual adotado para fixação da multa, argumentando a não constatação de fraude, simulação ou má-fé e apresenta os seguintes pedidos: Diante do exposto, e de o que dos autos consta e suprir o elevado conhecimento técnico e jurídico desse Egrégio Conselho de Contribuintes, REQUER-SE, recebida e autuada a presente petição recursal, seja reconsiderada a decisão recorrida ou então, se eventualmente mantida, seja remetida a presente petição à autoridade hierárquica superior imediata e competente para processamento e julgamento do recurso, sede em que se espera e pede seja reformada a decisão, para: a) se eventualmente inviável decidir do mérito em favor da recorrente, seja decretada a nulidade da decisão e ordenada à instância ordinária a produção de prova pericial; b) mediante aplicação da legislação de regência e do princípio da verdade real e material em tema fiscal, e bem assim com base na prova constituída nos autos, seja reformada a decisão recorrida para tornar sem efeito o lançamento fiscal impugnado - isso porque, no plano da verdade material e real, certo está que 90% (noventa por cento) da área objeto do auto de infração corresponde a área de Preservação Permanente, assim não- tributável; c) em caráter sucessivo, se eventualmente mantida a autuação em qualquer ponto, seja então provido o presente recurso para: (1) afastar a indevida cumulação de juros moratórios e taxa SELIC; (2) afastar a incidência de juros sobre a multa de ofício; (3) excluir a multa sobre o valor do crédito tributário ou então para, no mínimo, reduzi-la a percentual não superior a 2; (4) se eventualmente mantida qualquer das multas, seja provido o presente recurso administrativo para afastar a incidência de juros de qualquer espécie (puros ou embutidos na taxa SELIC), sobre a multa moratória e a multa de ofício. REQUER-SE, ainda, para fins de controle das comunicações judiciais em âmbito nacional, que dos atos e termos do presente processo sejam intimados, pela parte ora peticionária, sempre em conjunto, os advogados (...) É o relatório. Voto Conselheiro Mário Hermes Soares Campos, Relator. A recorrente foi intimada da decisão de primeira instância, por via postal, em 18/08/2010, conforme Aviso de Recebimento de fls. 178. Tendo sido o recurso ora objeto de análise protocolizado em 16/09/2010, conforme atesta o carimbo aposto pelo Centro de Atendimento ao Contribuinte da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba/PR (fl. 179), considera-se tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Conforme relatado, o presente lançamento decorre da glosa de área de 3.340, declarada como Área de Preservação Permanente e revisão do Valor da Terra Nua (VTN) Fl. 255DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-007.286 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.010225/2008-05 declarado, sendo arbitrado com base no VTN Médio por Aptidão Agrícola, conforme tela do Sistema de Preços de Terra (SIPT), de fls, 47/48. No julgamento de piso, quanto ao Valor da Terra Nua, entendeu-se pela aceitação dos valores apurados conforme o Laudo Técnico apresentado juntamente com a impugnação, sendo adotados tais valores para efeito do lançamento (R$ 2.226.228,07 - exercício/2004 e R$ 2.250.342,11- exercício/2005) e foi mantida a glosa relativa aos 3.840 hectares, originalmente declarados como APP, culminando em redução do crédito tributário lançado. Uma vez acatado o VTN apurado mediante laudo técnico apresentado pela impugnante, que teve por vase a Tabela SIPT, a autuada apresentou o recurso ora objeto de análise onde contesta a exigência do ADA, para efeito de consideração da área de preservação permanente, que afirma estar devidamente comprovada sua existência mediante laudo técnico. Laudo esse que entende não poderia ter sido desconsiderado no julgamento de primeira instância e que comprova a existência da APP correspondente a 90% do imóvel rural, alegando ainda nulidade do julgamento, por deixar de acatar seu pedido de perícia. Em decorrência da glosa da APP e lançamento do crédito tributário, é questionada a multa, seu percentual, a cobrança dos juros de mora mediante a taxa Selic e sua forma de aplicação. Afastado o litígio concernente ao arbitramento do Valor da Terra Nua, por acatamento dos valores constantes do laudo apresentado na impugnação, resta a discussão relativa à comprovação da existência da Área de Preservação Permanente e qual os requisitos para sua consideração, em especial, a exigência do Ato Declaratório Ambiental como condicionante para sua exclusão do cálculo do ITR. No que se refere à exigência de averbação do ADA junto ao IBAMA, o tema vem sendo objeto de discussões no âmbito deste Conselho, sendo atualmente posição majoritária desta 2ª Turma de Julgamento no sentido de que o ADA não é elemento obrigatório e essencial para comprovação da área isenta ao ITR, podendo ser comprovado por meio de outros elementos. Nesse sentido, o Acórdão 2202-006.961 (2ª Turma, da 2ª Câmara da 2ªSeção de Julgamento), sessão de 08/07/2020. Tal posicionamento vem sendo justificado em decorrência de interpretação consolidada no Superior Tribunal de Justiça (STJ), quanto à impossibilidade de tal exigência para fatos geradores anteriores a vigência da Lei n.º 12.651, de 25 de maio de 2012 (novo Código Florestal). Também contribui, a alteração promovida nos arts. 19 e 19A da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, pela Lei nº 13.874, de 20 de setembro de 2019. Segundo o § 1º do art. 19A da referida lei, os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil devem, em sua decisões, adotar o entendimento a que estiverem vinculados, quando houver manifestação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), entre outras, na hipótese de: - tema decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em matéria constitucional, ou pelo Superior Tribunal de Justiça, pelo Tribunal Superior do Trabalho, pelo Tribunal Superior Eleitoral ou pela Turma Nacional de Uniformização de Jurisprudência, no âmbito de suas competências, quando a) for definido em sede de repercussão geral ou recurso repetitivo; ou b) não houver viabilidade de reversão da tese firmada em sentido desfavorável à Fazenda Nacional, conforme critérios definidos em ato do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, Fl. 256DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-007.286 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.010225/2008-05 Ocorre que ainda não há uma especificação de que forma deve ocorrer a manifestação da PGFN quanto às referidas matérias. Entretanto, no Parecer PGFN/CRJ/Nº 1329/2016 foi aprovada a seguinte redação para o item o item 1.25, “a”, da “Lista de Dispensa de Contestar e Recorrer” para os representantes daquele Órgão: 1.25 - ITR a) Área de reserva legal e área de preservação permanente Precedentes: AgRg no Ag 1.360.788/MG, REsp 1.027.051/SC, REsp 1.060.886/PR, REsp 1.125.632/PR, REsp 969.091/SC, REsp 665.123/PR e AgRg no REsp 753.469/SP. Resumo: O STJ entendeu que, por se tratar de imposto sujeito a lançamento que se dá por homologação, dispensa-se a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis e a apresentação do Ato Declaratório Ambiental pelo Ibama para o reconhecimento das áreas de preservação permanente e de reserva legal, com vistas à concessão de isenção do ITR. Dispensa-se também, para a área de reserva legal, a prova da sua averbação (mas não a averbação em si) no registro de imóveis, no momento da declaração tributária. Em qualquer desses casos, se comprovada a irregularidade da declaração do contribuinte, ficará este responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa. OBSERVAÇÃO 1: Caso a matéria discutida nos autos envolva a prescindibilidade de averbação da reserva legal no registro do imóvel para fins de gozo da isenção fiscal, de maneira que este registro seria ou não constitutivo do direito à isenção do ITR, deve-se continuar a contestar e recorrer. Com feito, o STJ, no EREsp 1.027.051/SC, reconheceu que, para fins tributários, a averbação deve ser condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. Tal hipótese não se confunde com a necessidade ou não de comprovação do registro, visto que a prova da averbação é dispensada, mas não a existência da averbação em si. OBSERVAÇÃO 2: A dispensa contida neste item não se aplica para as demandas relativas a fatos geradores posteriores à vigência da Lei n.º 12.651, Nesses termos, em que pese a ausência de clara regulamentação da matéria entre os Órgãos envolvidos, considerando a manifesta posição da PGFN no sentido de impossibilidade de reversão do decidido e dispensa de contestação ou recurso, abstendo-me de minha posição pessoal, que se apega aos estritos termos da Lei, deixo de considerar como necessários o registro na matrícula do imóvel e averbação do ADA junto ao IBAMA, para efeito de exclusão da área de preservação permanente no cálculo do imposto, devendo ser avaliados os demais requisitos necessários ao reconhecimento de tais áreas. Para consideração de uma área como de preservação permanente deve se fazer presente pelo menos uma das características apontadas nos diversos incisos, alíneas e itens do art. 11 do Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do ITR, abaixo reproduzido: Das Áreas de Preservação Permanente Art. 11. Consideram-se de preservação permanente (Lei nº 4.771, de 1965, arts. 2º e 3º, com a redação dada pelas Leis nº 7.511, de 7 de setembro de 1986, art. 1º e 7.803 de 18 de setembro de 1989, art. 1º): I - as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1. de trinta metros para os cursos d'água de menos de dez metros de largura; 2. de cinquenta metros para os cursos d'água que tenham de dez a cinquenta metros de largura; Fl. 257DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-007.286 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.010225/2008-05 3. de cem metros para os cursos d'água que tenham de cinquenta a duzentos metros de largura; 4. de duzentos metros para os cursos d'água que tenham de duzentos a seiscentos metros de largura; 5. de quinhentos metros para os cursos d'água que tenham largura superior a seiscentos metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de cinquenta metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a quarenta e cinco graus, equivalente a cem por cento na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a cem metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a mil e oitocentos metros, qualquer que seja a vegetação; II - as florestas e demais formas de vegetação natural, declaradas de preservação permanente por ato do Poder Público, quando destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bem-estar público. O laudo técnico apresentado pela recorrente, ainda na fase de impugnação, foi analisado pela autoridade julgadora de primeira instância e considerado apto a comprovar a existência da área de preservação permanente. Não obstante, no julgamento de piso tal área deixou de ser considerada na apuração do imposto justamente pela ausência do ADA. Tais afirmações podem ser constatadas pelas seguintes passagens extraídas do voto proferido no julgamento de piso: 31. No presente caso, com a impugnação foi apresentado laudo técnico atestando a existência de APP no imóvel. 32. Entretanto, para obter a isenção tributária, é necessário o cumprimento de requisitos legais. Não basta, somente, reservar e/ou preservar e declarar, pois, essas áreas, além de existirem, têm que estar documentadas, regularizadas e atualizadas, toda vez que assim a lei exigir para serem contempladas com a isenção. 33. Uma das exigências para que as áreas comprovadamente preservadas sejam isentas de ITR é o Ato Declaratório Ambiental - ADA, que deve ser protocolado no IBAMA no prazo legal, prazo este que, até o exercício de 2006, era de seis meses após a data final de entrega da DITR. (...) 40. Passando-se à situação concreta, embora com a impugnação haver sido apresentado laudo técnico atestando a existência de APP, não foi apresentado o ADA, cuja exigência, aliás, se questiona longamente, embora, como demonstrado, tenha base legal. Fl. 258DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-007.286 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.010225/2008-05 41. Em razão disso, esta parte de área do imóvel não deveria estar declarada como isenta, pois, não estava amparada para essa concessão, fato que configura declaração incorreta. 42. Considerando que as atividades do servidor público estão vinculadas à lei, se constatado o não atendimento aos requisitos legais necessários para a isenção, as áreas declaradas como isentas devem ser glosadas, pois, em atendimento ao disposto no artigo 111, do Código Tributário Nacional - CTN, o dispositivo legal de concessão de benefício fiscal se interpreta restritivamente: (...) 43. Portanto, as pretensas APP ficará sujeita à tributação. Além disso, para efeito do ITR, será enquadrada como área aproveitável do imóvel e não explorada pela atividade rural, fato que afeta o GU e alíquota de cálculo também questionados. Conforme se verifica dos excertos acima reproduzidos, houve efetivo reconhecimento, pela autoridade julgadora de piso, da validade do Laudo Técnico apresentado para comprovação da APP. Áreas essas não consideradas devido à ausência do ADA, exigência esta que, conforme já exposto, entende-se afastada como necessária, para fatos geradores anteriores à vigência do atual Código Florestal, nos termos do quanto decidido pelo STJ e conforme manifestação expressa da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional quanto ao tema. O Laudo Técnico de fls. 111/138 apresenta como referência os exercícios de 2004 e 2005 e atesta a existência de 4.357,72 hectares de Área de Preservação Permanente no imóvel, com a devida especificação das características de tais áreas, permitindo o enquadramento nas alíneas “a”, “d” e “e”, do inc. I do art. 11, do Decreto nº 4.382, de 2002. Também foi apresentada a devida comprovação da ART da profissional encarregada de elaboração do laudo, dessa forma, entendo que assiste razão à recorrente quanto à documentação comprobatória da existência de 4.357,72 hectares de APP, devendo, em homenagem ao princípio da verdade material, tal área deve ser considerada para efeito de recálculo do imposto devido. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA – TAXA SELIC Entende a recorrente ser ilegal a multa aplicada, assim como sua fixação no percentual de 75%. Conforme denunciado no campo relativo ao “Enquadramento Legal”, do “Demonstrativo de Multa e Juros de Mora”, a multa aplicada no percentual de 75% tem como base legal o art. 44, inc. I da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro 1996. No que se refere à multa, conforme já esclarecido no julgamento de piso, sua aplicação decorre de expressa previsão legal, não podendo ser afastada sob pena de responsabilidade funcional. Os procedimentos adotados pela autoridade fiscal lançadora estão definidos em atos normativos de observância obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, segundo prevê o art. 142, parágrafo único do CTN), devendo ser mantidos por seus próprios fundamentos. Quanto à cobrança dos juros moratórios mediante aplicação da taxa SELIC, também há orientação expressa deste Conselho quanto ao tema, consolidada na Súmula CARF nº 4, que possui efeito vinculante, conforme a Portaria nº 277, de 7 de junho de 2018, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de Fl. 259DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2202-007.286 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.010225/2008-05 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Da mesma forma, no que se refere à incidência de juros moratórios sobre os débitos tributários durante o período de inadimplência, temos a Súmula CARF nº 5, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 5 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Devidos, portanto, a multa e os juros na exata forma como lançados e mais uma vez improcedente a irresignação. Finalmente, quanto ao requerimento de que as intimações e notificações sejam endereçadas aos patronos da recorrente, cumpri indeferi-lo, vez que tal solicitação contraria o que se encontra disciplinado na Súmula CARF nº 110, que possui efeito vinculante, nos seguintes termos: “No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo”. Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para reconhecer a Área de Preservação Permanente correspondente a 4.357,72 hectares. (documento assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos Fl. 260DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 35081.000288/2006-48
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 30/09/2005
Ementa: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO-DE-INFRAÇÃO. DIRIGENTE MÁXIMO DO ÓRGÃO PÚBLICO. RESPONSABILIDADE PESSOAL.
I - O dirigente máximo do Órgão Público fiscalizado responde ele pessoalmente por infração ao dever tributário formal eventualmente ocorrida, ex vi do artigo 41 da Lei n° 8.212/91.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 206-00.197
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, Por unanimidade de votos: I) em rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ROGERIO DE LELLIS PINTO
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Siape 751683 MINISTÉRIO' • • A • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n" 35081.000288/2006-48 Recurso n° 141.545 Voluntário Matéria AUTO DE INFRAÇÃO de Cons." • • ui - /4 Acórdão n° 206-00.197 ,,,AFs ada egund° uso c"; • • Public '', _DP-- ti (10_5/-9-- Sessão de 22 de novembro de 2007 puma Recorrente ÁLVAROÁLVARO DE OLIVEIRA COSTA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA EM SÃO LUÍS-MA Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 30/09/2005 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO- DE-INFRAÇÃO. DIRIGENTE MÁXIMO DO ÓRGA0 PÚBLICO. RESPONSABILIDADE PESSOAL. I - O dirigente máximo do Órgão Público fiscalizado responde ele pessoalmente por infração ao dever tributário formal eventualmente ocorrida, ex vi do artigo 41 da Lei n° 8.212/91. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. MF - SEGUNDO C'n'..c.::*.Hn DE CONTRIL 'r I . 0.»;¡:.." -. .tWOINAL Processo n.° 3508 1.000288/2006-48 Brunia' (2.1 oaki a AS-D°t CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.197 531; Mil? Fls. 96 Maria de rérima Ferreira te Carvalho Mat. Siara: 751683 ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, Por unanimidade de votos: I) em rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, em negargar imento ao recurso.rsi .."-rs.....-.1 ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente I /0111 ROL:' s. • ELLIS PINTO Rei. t e I Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Ana Maria Bandeira, Bernadete de Oliveira Barros, Daniel Ayres Kalume Reis, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, deusa Vieira de Souza e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. MF - SEGUNDO CO\ c r..11r) De comsuprrp.g Processo n.° 35081.000288/200648 CONi'è. , .. C. ei,'n'NAL CCOVC06 Acórdão n.° 206-00.197 Binais, 9.k , 1 2. , 9 Fls. 97,,,Dos 4 I s. 11 Non,. I á Maria de Fátima --tura de Cama 1 o Relatório Mat. Siaçe 751683 Trata-se de Recurso Voluntário interposto por ÁLVARO DE OLIVEIRA COSTA contra Decisão-Notificação (fls.40/46), exarada pela Secretaria da Receita Previdenciária em São Luis-MA, a qual julgou procedente o presente Auto-de-Infraçao-AL no valor de R$ 24.107.66 (vinte e quatro mil cento e sete reais e sessenta e seis centavos). Segundo o Relatório da Infração, a Câmara Municipal de Buriti-MA, deixou de declarar em GFIP, nos período de 01/99 a 12/00, as remunerações de alguns segurados da Previdência Social, infringindo assim o disposto no art. 32, inciso IV, § 5° da Lei n 8.212/91. A responsabilidade do autuado se deu em virtude de ser ele a época da infração o dirigente máximo do órgão Público, ou seja, o Presidente da Câmara Municipal. Alega o Recorrente que o AI seria nulo, porque não teria sido lhe dado à oportunidade de defender-ser nos autos, sendo que todas as comunicações foram dirigidas a um endereço que não seria o seu. Questiona sua responsabilidade pessoal, afirmando que caberia ao órgão Publico responder pelo débito, trazendo decisões judiciais para embasar sua tese, e encerra requerendo o provimento do seu recurso. SRP apresentou suas contra-razões, reiterando os fundamentos da DN, requerendo a sua manutenção. ei-/ É o Relatório. _ Processo n.° 35081.000288/2006-48 •IB'r ''n nt' s ''''' r-, DE COWIRURC ES CCO2/C06 Acórdão ri .° 206-00.197 INF - Sarl.b...t.. •• , ..fmr.t,v jCON' ..... .... Q.—, Fls. 98 i 9JDO -0 ; Brasília, 9- __ti) • _____,,_____ Zlb * 40.Wil. ii 1 Voto kinta de Nitri& •-•,,," 2 C:113U Mat. Siape 7516E3 i Conselheiro ROGERIO DE LELLIS PINTO, Relator Recurso tempestivo, dispensado do depósito recursal por se tratar de pessoa fisica, e considerando assim estar presentes todos os requisitos para sua admissibilidade, passo à sua análise. A insurreição do Recorrente baseia-se inicialmente na suposta nulidade do AI, face às intimações terem sido encaminhadas para endereço diverso do que efetivamente seria o seu. Contudo, e em que pese seu abastado discurso, razão nenhuma lhe acompanha. Com efeito, o contribuinte alega que o seu endereço de correspondência não seria aquele em que a fiscalização adotou para encaminhar todos os atos constantes do procedimento administrativo questionado. Entretanto, tal alegação nos parece até estranha, na medida em que o endereço questionado pelo contribuinte é justamente o mesmo em que ele recebeu o AI, e apresentou sua defesa, é o mesmo em que recebeu a DN e dela interpôs recurso tempestivo. Houvesse razão alguma nas suas alegações, certamente furtaria ao seu conhecimento não somente o AI em si, mas todos os atos processuais posteriores, e obviamente não viria o Autuado aos autos, se defender da forma com que o fez, nas oportunidades que lhe são asseguradas. Assim é que o recorrente alega uma nulidade, amparado em argumentos pouco sustentáveis. Ademais, tendo exercido o seu direito de defesa, qualquer nulidade referente à intimação dos atos processuais resta-se sanada, sendo apenas mero exercício de retórica. Alega o Recorrente que como Agente Político não poderia responder por atos que não seriam diretamente de sua competência, tentando assim afastar a responsabilidade pessoal ora lhe imposta, o que faz, a meu ver, também sem razão, na medida em que a fiscalização demonstrou de forma segura, ser o autuado responsável por ela. Com efeito, é incabível a discussão sobre a responsabilidade pessoal do dirigente do Órgão Público em que se apurou infração à obrigação previdenciária acessória, devendo este, nos termos do art. 41 da Lei n° 8.212/91, responder pessoalmente pela multa a ser imposta. Vejamos o que diz o texto legal: "Artigo 41: O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou município, responde pessoalmente pela multa aplica por infração de dispositivo desta Lei ou do regulamento (..)".destacamos. O texto legal acima mencionado, não deixa qualquer dúvida quanto à responsabilização pessoal do dirigente do Órgão Público no que tange a inobservância à obrigação tributária acessória. • MF - SEGUI:Zn.: De corinstimrs • ..• , Processo n.° 35081.000288/2006-48 Brunis 1 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.197 Fls. 99alo Maria de Fálica - eira de aLho MaL Siape 751683 É bem verdade que tem sido tarefa tormentosa para a fiscalização, bem como para os julgadores dos procedimentos fiscais, demonstrar e apurar de fato, qual o dirigente público deverá responder pela penalidade, uma vez que pela própria logicidade e complexidade, um Órgão Público constitui-se de vários setores, cada um sob a responsabilidade de um dirigente, que em última análise, tem suas funções ligadas ao Chefe Máximo da entidade. Em que pese essa sensível dificuldade, no âmbito previdenciário, temos sempre nos posicionado no sentido de que a responsabilidade pessoal do dirigente máximo do Órgão Público somente restará afastada se for cabalmente demonstrado que a prática do ato transgressor do dever previdenciário acessório, tenha sido redirecionada, por ato próprio e válido, a pessoa diversa do dirigente máximo, não bastando para tanto meras alegações. Na ausência dessa demonstração inequívoca, de fato, não podemos negar a responsabilidade do Chefe Máximo, como no caso em apreço. A alegação de que a responsabilidade pela multa em discussão seria do Órgão Público fiscalizado e não do seu dirigente, alem de carecer de fundamento legal, contraia o dispositivo legal ut mencionado. Ante o Exposto, voto no sentido de CONHECER DO RECURSO para NEGAR-LHE PROVIMENTO nos termos da fundamentação supra. Sala das Sessões, em 22 de novembro de 2007 lasOSP Wr - R e t - • LELLIS PINTO Page 1 _0069500.PDF Page 1 _0069600.PDF Page 1 _0069700.PDF Page 1 _0069800.PDF Page 1
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Numero do processo: 37322.002819/2006-82
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 30/12/2003
Ementa: PREVIDENCIÁRIO – ACRÉSCIMO DE OBRA – REGULARIZAÇÃO.
A obra realizada no mesmo terreno em que exista outra obra já regularizada será considerada como acréscimo desta, mesmo que tenha autonomia em relação a ela.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 206-00.168
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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Sia168de3Carvabh° - e SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° 37322.002819/2006-82 Recurso n° 141.617 Voluntário Matéria AFERIÇÃO INDIRETA - CONSTRUÇÃO CIVIL/REGULARIZAÇÃO DE OBRA Acórdão n° 206-00.168 doperne, pulo:soo da Uni& Sessão de 21 de novembro de 2007 Rubdaa Recorrente SEBASTIÃO FRANCISCO DA PAZ Recorrida SRP - SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 30/12/2003 Ementa: PREVIDENCIÁRIO — ACRÉSCIMO DE OBRA — REGULARIZAÇÃO. A obra realizada no mesmo terreno em que exista outra obra já regularizada será considerada como acréscimo desta, mesmo que tenha autonomia em relação a ela. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. MF - SBG1.114IX" czw .r t HO DE CONTRIBUINTES C'ONFL:e . • .GNAL Processo n.° 37322.002819/200642 UmiIia.02... 2-0 01 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.168 Fls. 103 Maria de Fati.aakaâ '1 Mat. Siape 751683 _t ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente DEIRA/veRlial29B Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto, Bernadete de Oliveira Barros, Daniel Ayres Kalume Reis, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Cleusa Vieira de Souza e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Processo n.• 37322.002819/2006-82 Nip sEaRoo rn 110 1-,1?. CONTRIBL CCO2/C06 • Acórdão n.° 206-00.168 CONFI :t • • : . .R74.41 Fia 104 ai O 9` fir.."° e -Maria de Vitima .,:a de Otrva/boRelatório 5:2,:t 751633 Trata-se de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados (calculadas pela aplicação da aliquota mínima), da empresa, à destinada ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a terceiros (Salário Educação, SESI, SENAI, INCRA e SEBRAE). Informa o Relatório Fiscal (fls. 11/12) que o lançamento correspondente às contribuições incidentes sobre a mão-de-obra aplicada na construção de um imóvel residencial localizado à Rua Guilherme Telli Quadra 2 Lote 05— Jardim Maria Célia — Bauru-SP. Para o cálculo da contribuição lançada, a auditoria fiscal considerou que a área a regularizar era de 112,80 m 2 , informada no DISO — Declaração e Informação sobre Obra. Porém, da análise dos documentos juntados às folhas 22/26, a SRP entendeu por proceder à diligência junto à Prefeitura Municipal e constatou que a área a regularizar na verdade correspondia a 68,97 m2. Assim, foi emitido Despacho Decisório n° 21.423.4/0072/2005 (fls. 32/34) que julgou o lançamento procedente em parte para considerar que a área a regularizar era de 68,97m2, bem como os recolhimentos efetuados pelo interessado. Devidamente intimado, o interessado compareceu ao órgão e alegou, verbalmente que tinha efetuado alguns recolhimentos que não tinham sido aproveitados e ainda apresentou defesa (fl 55) onde afirma que efetuou a matricula n° 21.060.4629/67 relativa à construção de um prédio residencial com área de 112,80m2 e com área existente de 59,57m2. Porém, a obra pretendida não foi aprovada pela Prefeitura Municipal. Ainda assim, o contribuinte alega possuir guias pra as competências 07 e 08/2005. Esclarece que sob a matricula n° 44.490.02876/68 do mesmo imóvel, foi construido 68,97m 2, também com guias de recolhimento para as competências 07 e 08/2005. Por fim, solicita desconto na área da construção de 68,97 m2 para 62,10m2, referente à redução de 50% para garagem constante no projeto. As guias apresentadas foram recolhidas após a lavratura da presente notificação e a SRP procedeu à apropriação dos recolhimentos da n° 44.490.02876/68 para a matricula n° 21.060.46296-67. Foi solicitado ao contribuinte planta de construção para verificação da área de garagem (fls. 74/77). Pela Decisão-Notificação n° 21.423.4/0148/2006 (fls. 79/80) o lançamento foi considerado procedente e foi salientado que os recolhimentos efetuados pelo contribuinte foram aproveitados no lançamento quando da emissão do Despacho Decisório, o que pode ser verificado á folha 31. A decisão também determinou o cancelamento da matricula n° 44.490.02876/68. MF - SEGUNDO CONgr HO De CONTRIBUINTES CONFERE C* NI O Ci ?.GINAL Processo n.• 37322.002819/2006-82 Brasília 9-1 2/30`1) CCO2/C06 Acórdão a.° 206-00.168 Maria de FatirrartiaL°0 Fls. 105 - Mat Si 751683 O interessado apresentou recurso tempestivo (fls. 04/05) onde informa que residia e reside em uma casa de madeira localizada nos findos do terreno em questão. Apresentou ao INSS um projeto para construção de um prédio residencial de alvenaria, térreo, na frente do lote, com área a construir de 112,80m 2, porém, não efetuou a aprovação das plantas junto à Prefeitura Municipal. Entretanto, afirma ter aprovado junto à Prefeitura Municipal a construção de um prédio residencial de 68,97m 2, conforme a Certidão de n° 316/05 emitida pela Prefeitura Municipal de Bauru (fls. 96). Afirma ainda que tal construção foi enquadrada pela municipalidade na Lei n°3.646/1993. Posteriormente, requereu e obteve aprovação para construção de uma garagem com área de 34,51m2, o que totalizaria 103,48m2. Requer que seja anexada cópia da planta da garagem, com área a construir de 34,51m2 com o respectivo desconto por tratar-se de garagem aberta, sem paredes laterais. Requer ainda que conste no processo que o imóvel a ser regularizado encontra- se edificado no mesmo lote de terreno onde há um prédio de madeira e que o novo imóvel foi edificado de acordo com a Lei n°3.646, de 25 de novembro de 1993. Em contra-razões (fls. n°99/101), a SRP manteve a decisão recorrida. É o Relatório. Processo n.° 37322.002819/2006-82 CCO2/C06 • Acórdão n.° 206-00.168 - SE(111Nor DOr:Cr`N: r t 10, DP, CONTRIBUINTES Fls. 106 Brzsina. 81 1 o2 , %pot Voto Maria de .e Carvalho S:GpC,' 731683 Conselheira ANA MARIA BANDEIRA, Relatora Trata-se de recurso tempestivo e o recorrente não está obrigado a efetuar o depósito recursal estabelecido no § 1° do art. 126, da Lei n° 8.213/1991 por sua condição de pessoa física. Logo os requisitos para admissibilidade estão cumpridos. O contribuinte apresentou DISO informando área a regularizar de 112,80m2. Embora intimado a apresentar documentação solicitada pela SRP não o fez, o que levou ao lançamento de contribuições considerando a área informada pelo mesmo. Posteriormente, após diligência efetuada junto à Prefeitura Municipal e documentos juntados pelo contribuinte restou a área de 68,97m2 a ser regularizada. O contribuinte, em seu recurso, solicita que se considere que a obra em questão se enquadra na Lei n°3.646/1993. Embora mencione a lei acima, o recorrente não especifica em quais termos da mesma gostaria de ser enquadrado e porquê. Entretanto, de acordo com as informações apresentadas em contra-razões e os argumentos do contribuinte, é possível inferir que a intenção do mesmo é não ser obrigado ao recolhimento de qualquer contribuição previdenciária. De acordo com o inciso VIII do art.30 da Lei n° 8.212/1991, nenhuma contribuição à Seguridade Social é devida se a construção residencial unifamiliar, destinada ao uso próprio, de tipo econômico, for executada sem mão-de-obra assalariada, observadas as exigências do regulamento. O regulamento, por sua vez, estabelece no art. 278 e § único, o seguinte: "Art 278. Nenhuma contribuição é devida à seguridade social se a construção residencial for unifamiliar, com área total não superior a setenta metros quadrados, destinada a uso próprio, do tipo econômico e tiver sido executada sem a utilização de mão-de-obra assalariada. Parágrafo único. Comprovado o descumprimento de qualquer das disposições do caput, tornam-se devidas as contribuições previstas neste Regulamento, sem prejuízo das comirtações legais cabíveis." O recorrente não comprovou o cumprimento de qualquer uma das exigências acima. Quanto à área, já havia no local uma edificação com área de 59,57m 2, que acrescida dos 68,97m 2, totaliza 128,54m2. As construções não podem ser consideradas individualmente em razão do que dispõe a Instrução Normativa 1NSS/DC n° 100/2003, vigente à época do lançamento: • (")Ç TPT. LON; „MAI Processo n.° 37322.002819/2006-82 -2,1 oa. ot ccovc.• • Acórdão n.° 206-00.168 Fls. 107 I 4: '!‘• r ar. tn Yd! "Art. 475. O acréscimo de área em obra de construção civil já regularizada no INSS será enquadrado pela área total, assim considerada a área construída do imóvel com o acréscimo, apurando- se o montante da remuneração da mão-de-obra somente em relação à área acrescida, observada, se for o caso, a aplicação de redutores, previstos no art. 463. if I° A obra realizada no mesmo terreno em que exista outra obra já regularizada no INSS será considerada como acréscimo desta, mesmo que tenha autonomia em relação a ela, desde que não tenha ocorrido o desmembramento." Quanto à solicitação de redução da área de garagem, verifica que o recorrente requereu posteriormente a aprovação da ampliação correspondente à garagem, com metragem de 34,51m2. O lançamento em tela refere-se à regularização apenas da edificação de 68,97 m2, não incluindo a área de garagem, cuja regularização deverá ser solicitada futuramente pelo recorrente. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. Sala das Sessões, em 21 de novembro de 2007 11, l'itall A ARIp s A B EIRA Page 1 _0051200.PDF Page 1 _0051300.PDF Page 1 _0051400.PDF Page 1 _0051500.PDF Page 1 _0051600.PDF Page 1
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Numero do processo: 11065.100323/2006-68
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO
PARA O PIS. COMPENSAÇÃO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS.
A cessão de créditos escriturais não se caracteriza como receita, sendo mero ressarcimento de custo tributário, inexistindo acréscimo patrimonial para as sociedades empresárias industriais ou repasse dos valores aos produtos ou aos consumidores finais. Os créditos de ICMS repassados a terceiros não se referem a valores anteriormente deduzidos no resultado da pessoa jurídica e
posteriormente recuperados, configurando-se, no contexto da técnica da não cumulatividade, numa forma de absorção de créditos não compensados com impostos de mesma natureza incidentes sobre vendas no mercado interno.
Numero da decisão: 3803-002.442
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Vencido o relator. Designado para redação do voto vencedor o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. COMPENSAÇÃO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. A cessão de créditos escriturais não se caracteriza como receita, sendo mero ressarcimento de custo tributário, inexistindo acréscimo patrimonial para as sociedades empresárias industriais ou repasse dos valores aos produtos ou aos consumidores finais. Os créditos de ICMS repassados a terceiros não se referem a valores anteriormente deduzidos no resultado da pessoa jurídica e posteriormente recuperados, configurando-se, no contexto da técnica da não cumulatividade, numa forma de absorção de créditos não compensados com impostos de mesma natureza incidentes sobre vendas no mercado interno.
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BASE DE CÁLCULO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS. Recorrente RITZEL COUROS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. COMPENSAÇÃO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. A cessão de créditos escriturais não se caracteriza como receita, sendo mero ressarcimento de custo tributário, inexistindo acréscimo patrimonial para as sociedades empresárias industriais ou repasse dos valores aos produtos ou aos consumidores finais. Os créditos de ICMS repassados a terceiros não se referem a valores anteriormente deduzidos no resultado da pessoa jurídica e posteriormente recuperados, configurandose, no contexto da técnica da não cumulatividade, numa forma de absorção de créditos não compensados com impostos de mesma natureza incidentes sobre vendas no mercado interno. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o relator. Designado para redação do voto vencedor o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis– Redator designado Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS 2 Relatório Cuidase de pedido de ressarcimento do saldo credor mensal de Contribuição para o PIS/Pasep, cumulado com declaração de compensação desse direito creditório com débitos próprios do requerente. A DRF de jurisdição deferiu parcialmente o ressarcimento, no montante de R$ 10.843,10, nos termos do Despacho Decisório de fls. 61. Segundo o Relatório Fiscal de fls. 53 a 57, a glosa de R$ 1320,00 deveuse à não inclusão, na base de cálculo da contribuição, das receitas decorrentes da cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS. Sobreveio a reclamação de fls. 84 a 93, por meio da qual o requerente explica atuar no ramo de beneficiamento, importação e exportação de couros, peles e derivados e que a exportação de couro corresponde a mais de 80% do seu faturamento. Argumenta que não há incidência da contribuição sobre os produtos destinados ao mercado exterior, tendo acumulado créditos no decorrer de 2004 que são passíveis de ressarcimento e compensação.Discorre acerca da origem e formação do saldo credor de ICMS, aduzindo que o encargo é um ônus que deve suportar quando da compra da matériaprima, pois tal imposto não pode ser repassado ao seu cliente no exterior, restando apenas a alternativa de transferilo a terceiros, contribuintes do tributo estadual. Entende que, assim sendo, a recuperação desse crédito acumulado não pode ser considerada receita para fins de tributação. Pontua tratarse de recuperação de custos, rechaçando sua equiparação a alienação de direitos a título oneroso. Pede reforma do Despacho Decisório, a suspensão da exigibilidade dos débitos cuja compensação não foi homologada e que a autoridade administrativa abstenhase de inscrevêla no CADIN. A 2ª Turma da DRJPorto Alegre negou provimento à Manifestação de Inconformidade. O Acórdão no 1013.278, de 12 de setembro de 2007, fls. 133 e 134, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 Ementa: Incide Pis e Cofins na cessão de créditos de ICMS, ante a existência da alienação de direitos classificados no ativo circulante. Solicitação Indeferida Cuidase adora de recurso voluntário contra a decisão da DRJ/POA2ª Turma. O arrazoado de fls. 140 a 145, após resumo dos fatos relacionados com a lide, repisa os argumentos já apresentados por ocasião da Manifestação de Inconformidade, acrescentando que o crédito de ICMS decorrente da operação de exportação nada mais é que receita proveniente de operação de exportações de mercadorias para o exterior, portanto, imune à incidência do PIS e da COFINS. Assim, o resultado da transferência do crédito de ICMS proveniente de produtos exportados é decorrente de operações de exportações de mercadorias para o exterior, estando assim, excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS. Insiste em caracterizar a cessão de créditos de ICMS como mera recuperação de custos. Pede provimento. É o Relatório. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.100323/200668 Acórdão n.º 380302.442 S3TE03 Fl. 1.482 3 Voto Vencido Conselheiro Alexandre Kern Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 140 a 145 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJPOA2ª Turma nº 1013.278, de 12 de setembro de 2007. O Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira, ao apreciar o Recurso Voluntário nº 876.372, deu conta de que RITZEL COUROS LTDA. ajuizou ação ordinária com pedido de liminar, sob o registro de n° 2007.71.08.0122114, que tramita perante a 2ª Vara Federal, objetivando a determinação para que a Fazenda Nacional se abstenha de efetuar a glosa, tal qual ocorreu no presente processo, e retenção dos valores a título de tributação pelo PIS e COFINS sobre as transferências de créditos de ICMS para terceiros e, no mérito, ver reconhecido o direito de não ser onerada pela incidência das referidas contribuições a partir do terceiro trimestre de 2007, bem como seja condenada a União a devolução dos respectivos valores. (Acórdão 3803002.414, de 13 de fevereiro de 2012). Diante dessa constatação, a Turma, por unanimidade de votos, decidiu não conhecer do recurso, em face da dicção da Súmula CARF nº 1. Todavia, no presente caso, tratase de períodos de apuração anteriores ao 3º trimestre de 2007, razão pela qual o recurso merece seguimento. A questão posta cingese a decidir se os valores recebidos pelo recorrente em decorrência da cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS integram a base de cálculo da Contribuição depois da entrada em vigor da Lei no. 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Primeiramente, fazse necessário definir a natureza desses ingressos, se configuram ou não receita. Geraldo Ataliba1 conceituou receita e a diferenciou de meros ingressos, nos termos seguintes “O conceito de receita referese a uma espécie de entrada. Entrada é todo dinheiro que ingressa nos cofres de determinada entidade. Nem toda entrada é receita. Receita é entrada que passa a pertencer à entidade.Assim, só se considera receita o ingresso de dinheiro que venha integrar o patrimônio da entidade que a recebe. As receitas devem ser escrituradas separadamente das meras entradas. É que estas não pertencem à entidade que as recebe. Têm caráter eminentemente transitório.Ingressam a título provisório, para saírem, com destinação certa, em breve lapso de tempo.” 1 ATALIBA, Geraldo. ISS – Base Imponível. Estudos e pareceres de Direito Tributário, v. 1. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1978, p. 88. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS 4 Desse excerto, concluise que todos os ingressos que sejam incorporados ao patrimônio de determinada pessoa, jurídica ou física, são considerados como receita; já os valores que são recebidos, a título transitório, que não pertencem ao recebedor, e, em breve lapso tempo, devem sair, com destinação certa, não são receitas, mas meros ingressos. Aliomar Baleeiro, ao analisar o que devese entender por receitas, assim concluiu: Receita pública é a entrada que, integrandose no patrimônio público sem quaisquer reservas, condições ou correspondência no passivo,vem acrescer o seu vulto, como elemento novo e positivo. Adaptando tal conceito ao Direito Tributário, temse que receita não é, a priori, todo e qualquer ingresso, mas tãosomente aquele que, efetivamente, se incorpora ao patrimônio do sujeito passivo, sem contrapartida, reserva, condições ou correspondência no passivo da pessoa. O recorrente pugna pela caracterização da cessão de créditos de ICMS como mera recuperação de custos. No caso de créditos de ICMS adquiridos quando da compra de matéria prima, dizse que os mesmos são "recuperáveis". Tal denominação pode ter contribuído para que se entenda que o seu eventual aproveitamento futuro, por parte da sociedade empresária que os detém, configuraria uma "recuperação de custos." Contudo, tal entendimento é equivocado. No momento da aquisição, o adquirente registra em seu ativo dois valores distintos: o valor da matériaprima estocada e o valor do ICMS incidente sobre a referida compra. Neste sentido é que dispõe o art. 289 do RIR/99, quando estabelece que "não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal." Portanto, o assim chamado "ICMS Recuperável" não representa qualquer tipo de perda ou custo para a entidade, tanto é assim que ela o registra no seu ativo, pois é um direito. Ainda que, teratologicamente,se admitisse tal operação como recuperação de custos, os valores dela advindos classificarseíam como receita bruta operacional, a teor do que dispõe o art. 44, inc. III, da Lei no 4.506, de 30 de novembro de 1964: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. A forma mais usual de aproveitamento deste direito é na forma de compensação com o ICMS devido em razão das vendas da entidade. Nesta hipótese, não há que se falar em "recuperação de custo", conforme acima exposto, nem tampouco em qualquer espécie de receita auferida por conta deste aproveitamento. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.100323/200668 Acórdão n.º 380302.442 S3TE03 Fl. 1.483 5 A este respeito, confirase o ensinamento de Sérgio de Iudícibus, Eliseu Martins e Ernesto Rubens Gelbcke2 "7.3.5 O ICMS e os estoques Já mencionamos diversas vezes que a base elementar para a avaliação dos estoques é o custo. Considerando que o Imposto sobre Circulação de Mercadorias — ICMS está incluído no preço das mercadorias, constante das Notas Fiscais, teremos de excluílo dos estoques para efeito de avaliação e principalmente para que o resultado do período esteja de acordo com os princípios contábeis geralmente aceitos (regime de competência). O ICMS é um imposto diferencial, isto é, provoca um valor a recolher pelo valor obtido pela diferença entre os preços de venda e o preço de compra dos itens. Todavia, a sistemática fiscal de recolhimento permite que o imposto sobre as compras de um período seja recuperado em função das vendas do mesmo período, mesmo que as mercadorias vendidas não sejam as mesmas que foram compradas nesse período, e com isso, se o ICMS fosse registrado como parte do custo, os estoques ,ficariam superavaliados e o resultado, distorcido. Como decorrência, devese registrar a receita bruta de vendas pelo seu valor total, inclusive o ICMS, e o ICMS contido nas vendas deve ser contabilizado como dedução da receita bruta, a título de "impostos incidentes sobre vendas", ou seja, a receita líquida já deve ,figurar sem o ICMS, da mesma forma que o custo de vendas e os estoques." Portanto, a expressão "recuperável" referese a uma questão financeira, e não patrimonial, pois o patrimônio da sociedade, conforme visto, não foi reduzido em função do gasto com o ICMS incidente sobre a compra da matériaprima. Apenas financeiramente é possível falarse em recuperação, no sentido de que, uma vez perdida a disponibilidade monetária do valor, esta será recuperada por ocasião da compensação daquele crédito com o ICMS devido em função das vendas, uma vez que, neste segundo momento, a entidade precisará desembolsar somente a diferença entre o ICMS incidente sobre as vendas e o "ICMS Recuperável", e não a integralidade do ICMS incidente sobre as vendas, este sim o verdadeiro "custo" da entidade (tecnicamente, "dedução da receita bruta"). Situação ligeiramente distinta ocorre quando, em lugar de compensar o crédito de ICMS relativo às aquisições com o ICMS devido em função das suas vendas, a entidade, por qualquer forma, o aliena, porque, neste caso, é insofismável que houve o nascimento de uma receita. Para que não pairem dúvidas a respeito, confirase o que determina o Conselho Federal de Contabilidade, na Resolução CFC no 774, de 16 de dezembro de 1994, DOU de 18.01.1995, quanto ao que se deve entender por "receita": "2.6.3 Alguns detalhes sobre as receitas e seu reconhecimento A receita é considerada realizada no momento em que há a venda de bens e direitos da Entidade — entendida a palavra "bem" em sentido amplo, incluindo toda sorte de mercadoria, 2 Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações, 3a. Edição, Editora Atlas, 1990, página 165. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS 6 produtos, serviços, inclusive equipamentos e imóveis —, com a transferência da sua propriedade para terceiros, efetuando estes o pagamento em dinheiro ou assumindo compromisso ,firme de fazêlo num prazo qualquer. Normalmente, a transação é formalizada mediante a emissão de nota fiscal ou documento equivalente, em que consta a quantificação e a formalização do valor de venda, pressupostamente o valor de mercado da coisa ou do serviço. Embora esta seja a forma mais usual de geração de receita, também há uma segunda possibilidade, materializada na extinção parcial ou total de uma exigibilidade, como no caso do perdão de multa fiscal, da anistia total ou parcial de uma dívida, da eliminação de passivo pelo desaparecimento do credor, pelo ganho de causa em ação em que se discutia uma dívida ou o seu montante, já devidamente provisionado, ou outras circunstâncias semelhantes. Finalmente, há ainda uma terceira possibilidade: a de geração de novos ativos sem a interveniência de terceiros, como ocorre correntemente no setor pecuário, quando do nascimento de novos animais. A última possibilidade está também representada pela geração de receitas por doações recebidas, já comentada anteriormente. Mas as diversas fontes de receitas citadas no parágrafo anterior representam a negativa do reconhecimento da formação destas por valorização dos ativos, porque, na sua essência, o conceito de receita está indissoluvelmente ligado à existência de transação com terceiros, exceção feita à situação referida no final do parágrafo anterior, na qual ela existe, mas de forma indireta." Ou seja, quando há transferência de bens ou direitos de sua propriedade para terceiros, há receita da entidade. Pouco importa se há pagamento em dinheiro ou compromisso de fazêlo num prazo qualquer, ou se há extinção parcial ou total de uma exigibilidade, que é a forma mais comumente adotada no caso da cessão de créditos do ICMS. Vejase também o que preleciona Silvio Rodrigues 3, especificamente acerca da cessão de créditos: "169. Conceito, — A cessão de crédito é o negócio jurídico, em geral de caráter oneroso, através do qual o sujeito ativo de uma obrigação a transfere a terceiro, estranho ao negócio original, independentemente da anuência do devedor. O alienante toma o nome de cedente, o adquirente de cessionário, e o devedor, sujeito passivo da obrigação, o de cedido. Esta espécie de cessão encontra justificativa no fato de o crédito se apresentar como um bem de caráter patrimonial e capaz, portanto, de ser negociado. Da mesma maneira que os bens materiais, móveis ou imóveis, têm valor de mercado onde alcançam um preço, assim também os créditos, que representam promessa de pagamento Muro, podem ser objeto de negócio, pois sempre haverá quem por eles ofereça certo valor. A cessão 3 Direito Civil, Editora Saraiva, 29a. edição, 2001, pág. 291. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.100323/200668 Acórdão n.º 380302.442 S3TE03 Fl. 1.484 7 desempenha, quanto aos créditos, papel idêntico ao da compra e venda, quanto aos bens corpóreos." (sublinhado na transcrição) A par dessa caracterização contábil, os créditos dessa natureza são, legalmente, considerados receita, a teor do exposto no inciso VII4 do § 3º do art. 1º da Lei no 10.637, de 2002, com a redação dada pelo art. 16 da Lei no 11.945, de 4 de junho de 2009, que determinou a exclusão da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep das receitas decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação. Portanto, ao contrário do que sustenta o recorrente e a jurisprudência marginal do CARF, a cessão onerosa de créditos do ICMS é receita. Uma vez demonstrado que houve receita, no caso, e tendose em conta que se está diante de contribuição social apurada não cumulativamente, resta agora verificar se esta receita é tributável ou não. Até o advento da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, a base de cálculo da contribuição era a receita bruta decorrente da venda de bens, de serviços ou de bens e serviços (conceito de faturamento). Todavia, o §5 1º do art. 3º dessa Lei alterou o campo de incidência das contribuições sociais, alargandoo, de modo a alcançar toda e qualquer receita auferida pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade por ela exercida e da classificação contábil das receitas. Desta forma, sob a égide desse dispositivo legal, dúvida não havia de que as receitas oriundas da cessão de créditos de ICMS comporiam a base de cálculo da contribuição. Acontece porém, que o STF, em controle difuso, julgou inconstitucional esse dispositivo legal. Cabe então verificar os efeitos dessa decisão pretoriana sobre a tributação ora em exame, tendose notícia de que a própria PGFN já emitiu parecer no sentido de autorizar seus procuradores a não mais recorrerem das decisões judiciais que reconheçam a inconstitucionalidade do denominado alargamento da base de cálculo das contribuições sociais. Todavia, a partir de 1º de dezembro de 2002, por força do disposto no inciso II, do art. 68 da Lei nº 10.637, de 2002, passou a viger os artigos 1º a 6º e 8º a 11 dessa lei, sendo que, justamente, o artigo primeiro desse diploma legal restabelece a base alargada do PIS/Pasep, nos termos seguintes: Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas 4 VII. decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” (NR) 5 Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS 8 operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. De todo o exposto, podese concluir que, anteriormente a 1º de dezembro de 2002, data de vigência dos arts. 1º a 6 e 8º a 11 da Lei nº 10.637, de 2002, a base de cálculo do PIS/Pasep era o faturamento, assim entendido a receita bruta correspondente ao produto da venda de bens, serviços ou de bens e de serviços relacionados à atividade operacional da pessoa jurídica. Neste período as receitas oriundas da cessão onerosa de créditos de ICMS não eram alcançadas pela incidência dessa contribuição. A partir dessa data, por força do art. 1º desse diploma legal, as sociedades empresárias sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep sujeitaramse ao pagamento da contribuição em comento sobre o total das receitas auferidas (receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica), independentemente de sua denominação ou classificação contábil, as oriundas da cessão de créditos de ICMS. Importante sublinhar, neste ponto, que com a edição da Lei no 11.945, de 2009, art. 16, que deu nova redação ao art. 1º da Lei no. 10.637, de 30 de dezembro de 2002, com produção de efeitos a partir de 1º de janeiro de 2009, as receitas de cessão onerosa de créditos de ICMS para terceiros deixaram de integrar base de cálculo da contribuição. Tratandose, no presente processo, de períodos de apuração anteriores a tal data, inexistia amparo legal para excluir as receitas da base de cálculo da contribuição. Cabe ainda refutar o argumento recursal de imunidade da operação. Ao contrário do entendimento da recorrente, as receitas de cessão onerosa de créditos de ICMS para terceiros, ainda que decorrentes de beneficias fiscais por exportações de produtos para o exterior, não gozam de imunidade tributária. No que pertine às contribuições sociais, a imunidade sobre receitas de exportações está prevista na Constituição Federal, art. 149, que assim dispõe: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como Instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, 1 e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. ( .) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional n° 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação, (Incluído pela Emenda Constitucional n° 33, de 2001) (..)." Ora, segundo este dispositivo, apenas as receitas decorrentes de exportações são imunes às contribuições sociais. Receitas de cessão onerosa de créditos de ICMS não constituem receitas de exportação. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.100323/200668 Acórdão n.º 380302.442 S3TE03 Fl. 1.485 9 Por fim, destaco que o entendimento defendido neste voto vai ao encontro da jurisprudência da 3ª Turma da CSRF, esboçado no Acórdão no 930301.178, de 25 de outubro de 2010, assim ementado: Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2003 Base de Cálculo Alargamento Aplicação de Decisão Inequívoca do STF Possibilidade. Nos termos regimentais, podese afastar aplicação de dispositivo de lei que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal. Afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, com trânsito em julgado, a base de cálculo da contribuição para o Pis/Pasep, até a vigência da Lei 10.637/2002, voltou a ser o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços. A partir da vigência dessa lei, a base de cálculo do PIS/Pasep, é o faturamento, mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Recurso parcialmente provido. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 14 de fevereiro de 2012 Alexandre Kern Voto Vencedor Conselheiro Hélcio Lafetá Reis – Redator designado. Conforme acima relatado, trata o presente processo de indeferimento parcial de pedido de ressarcimento e compensação, tendo havido glosa parcial do saldo credor da contribuição para o PIS não cumulativo em razão do não oferecimento à tributação das receitas decorrentes de transferências de créditos do ICMS a terceiros. No Recurso Extraordinário (RE) nº 606.107/RS, que trata da matéria sobre a qual se controverte nos presentes autos, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a existência de repercussão geral, mas não se pronunciou acerca do sobrestamento dos processos em andamento versando sobre a mesma matéria. Dessa forma, nos termos do § 1º do art.1º e do art. 4º da Portaria CARF nº 001, de 3 de janeiro de 2012, por inexistir determinação do STF no sentido de sobrestar todos Fl. 164DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS 10 os processos em andamento que versem sobre a matéria, independentemente da existência de repercussão geral, o presente processo deve ser submetido a julgamento, não se lhe aplicando a regra prevista no § 1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Nesse sentido, uma vez que este Colegiado se encontra desobrigado de sobrestar o julgamento do processo, passase à apreciação do mérito do recurso voluntário. A Fiscalização constatou a não inclusão na base da cálculo da contribuição de valores relativos à cessão de créditos do ICMS a terceiros, em razão do que houve redução do saldo do tributo passível de ressarcimento. O cerne da controvérsia, portanto, é a inclusão ou não da cessão de créditos de ICMS na base de cálculo da Cofins, tanto na modalidade cumulativa quanto na apuração não cumulativa. A partir da edição da Lei n° 11.945/2009, com efeitos a partir de 1° de janeiro de 2009, a transferência onerosa de créditos de ICMS originados de operações de exportação passou a ser uma das hipóteses de exclusão da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Essa alteração, contudo, por não se inserir em nenhuma das hipóteses de retroatividade da lei previstas no art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), não alcança os créditos de ICMS ora analisados que se reportam ao anocalendário 2004. Contudo, essa alteração do texto da lei pode corroborar com o entendimento a seguir esposado. A não cumulatividade é uma técnica cujo objetivo maior é evitar o chamado “efeito cascata” da tributação em face de um processo produtivo que se opera em várias etapas, deduzindose do imposto incidente sobre a saída de mercadorias o imposto já cobrado nas operações anteriores relativamente à circulação daquelas mesmas mercadorias ou às matérias primas necessárias à sua industrialização. Tratase, portanto, de lançamentos contábeis que não transitam pela demonstração de resultados da pessoa jurídica, restringindose à apuração do saldo do imposto a recolher após a compensação dos créditos decorrentes das aquisições anteriores. Não se trata de reversão de custos ou despesas deduzidos do resultado da pessoa jurídica em momentos anteriores e posteriormente recuperados. Tal crédito tem sua abrangência circunscrita à apuração de um eventual saldo devedor a ser recolhido aos cofres públicos que, uma vez não configurado, faz gerar o direito de ressarcimento do crédito não recuperável pela técnica da não cumulatividade. Conforme salientado (...), o denominado crédito de ICMS é crédito puramente escritural, e guarda essa característica tanto para apuração do saldo mensal quanto no caso de haver saldo a seu favor, passando este, ainda como crédito escritural, para o mês seguinte. Daí, (...) esse crédito não é, ao contrário do que ocorre com o crédito tributário cujo pagamento pode o Estado exigir, um crédito na expressão total do termo jurídico, mas existe apenas para fazer valer o princípio da não Fl. 165DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.100323/200668 Acórdão n.º 380302.442 S3TE03 Fl. 1.486 11 cumulatividade, em operações puramente matemáticas, não se incorporando ao patrimônio do contribuinte6. Uma vez encontrarse o princípio da não cumulatividade previsto no texto constitucional, temse a garantia outorgada ao contribuinte de fruição ampla do direito de abatimento de créditos escriturais sem reservas ou condições. Assim dispõe o art. 155, § 2°, X, “a” da Constituição Federal: § 2.º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) I será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; (...) X não incidirá: a) sobre operações que destinem mercadorias para o exterior, nem sobre serviços prestados a destinatários no exterior, assegurada a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) A própria Constituição Federal assegura ao contribuinte do ICMS o direito à recuperação do imposto pago nas etapas anteriores, quando sua atividade é exclusiva ou preponderantemente exportadora. Ora, um direito assegurado constitucionalmente não pode sofrer restrições não autorizadas pelo constituinte. Tratase de norma cogente, de observância obrigatória pelo legislador ordinário, pelo administrador e pelos demais intérpretes. A Lei Complementar n° 87/1996 (Lei Kandir), em seu art. 25 e parágrafos, dispõe acerca da possibilidade de transferência de créditos acumulados de ICMS em relação às sociedades empresariais exportadoras, nos seguintes termos: Art. 25. Para efeito de aplicação do disposto no art. 24, os débitos e créditos devem ser apurados em cada estabelecimento, compensandose os saldos credores e devedores entre os estabelecimentos do mesmo sujeito passivo localizados no Estado. (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) § 1º Saldos credores acumulados a partir da data de publicação desta Lei Complementar por estabelecimentos que realizem operações e prestações de que tratam o inciso II do art. 3º e seu parágrafo único7 podem ser, na proporção que estas saídas representem do total das saídas realizadas pelo estabelecimento: 6 Acórdão unânime da 1ª Turma do STF no AgRg em Agravo 230.4780, DJU de 13/08/1999, p. 10 7 Art. 3º O imposto não incide sobre: (...) II operações e prestações que destinem ao exterior mercadorias, inclusive produtos primários e produtos industrializados semielaborados, ou serviços; Fl. 166DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS 12 I imputados pelo sujeito passivo a qualquer estabelecimento seu no Estado; II havendo saldo remanescente, transferidos pelo sujeito passivo a outros contribuintes do mesmo Estado, mediante a emissão pela autoridade competente de documento que reconheça o crédito. (grifei) Dessa forma, a lei nacional (Lei Complementar n° 87/1996) faculta ao contribuinte exportador a cessão de saldo remanescente de créditos de ICMS a terceiros domiciliados no mesmo Estado da Federação, não havendo previsão expressa de discricionariedade à Fazenda Pública estadual para a emissão do documento que reconheça esse direito. Não há, nessa situação, a estipulação de qualquer outra condição que onere ou condicione a faculdade atribuída ao contribuinte do imposto. O direito de transferir créditos acumulados em razão de exportação, de que está investido o contribuinte, não nasce do documento ou de qualquer manifestação de vontade da Administração Estadual. Seu direito nasce da simples existência do crédito acumulado decorrente de exportações. A manifestação estadual que afirma tal existência à vista de uma verificação material tem natureza meramente declaratória da sua existência e montante8 Por se tratar de imposto pago na etapa anterior do processo produtivo e que, em virtude da imunidade conferida às exportações, não são passíveis de compensação com débitos próprios do mesmo tributo, o crédito do ICMS transferido a terceiros não se caracteriza como receita, pois se refere tão somente à reversão de um custo tributário, cuja recuperação é assegurada constitucionalmente. Não são exigíveis as contribuições ao PIS e à Cofins sobre créditos de ICMS apurados na operação de exportação ou mesmo os valores decorrentes da sua transferência a terceiros, por constituir mera recuperação de custos tributários suportados. Ademais, entendimento contrário ofenderia o princípio federativo, na medida em que tributar crédito de ICMS implica em intervir na tributação estadual, afetando a eficácia das imunidades e incentivos e fazendo com que, à impossibilidade de tributação ou renúncia tributária dos Estados corresponda tributação pela União, em transferência de recursos absolutamente desarrazoada, contrária à finalidade das normas de imunidade ou de incentivos. 9 Outro não é o entendimento exarado nas seguintes decisões judiciais: CRÉDITOPRESUMIDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. RESSARCIMENTO DE CUSTOS. (...) 8 GRECO, Marco Aurélio. ICMS; créditos acumulados por exportação; transferência a contribuinte do mesmo Estado. RFDT 09/67, junho de 2004 9 AMS 2005.71.08.0098243, 2ª T. TRF4, DE 16/05/2007 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.100323/200668 Acórdão n.º 380302.442 S3TE03 Fl. 1.487 13 III Verificase que, independentemente da classificação contábil que é dada, os referidos créditos escriturais não se caracterizam como receita, porquanto inexiste incorporação ao patrimônio das empresas industriais, não havendo repasse dos valores aos produtos e ao consumidor final, pois se trata de mero ressarcimento de custos que elas realizam com o transporte para a aquisição de matériaprima em outro estado federado. (grifei) IV Não se tratando de receita, não há que se falar em incidência dos aludidos créditospresumidos do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. V Recurso especial improvido. 10 TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO DE ICMS. PRINCÍPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. RAZOABILIDADE. PRINCÍPIO FEDERATIVO. Nem tudo o que contabilmente é considerado receita pode sêlo para fins de tributação. A receita, na norma concessiva de competência tributária, denota uma revelação de riqueza. É preciso considerar a receita sob a perspectiva do princípio da capacidade contributiva. Não são exigíveis as contribuições ao PIS e à COFINS sobre créditos de ICMS apurados na operação de exportação ou mesmo os valores decorrentes da sua transferência a terceiros, por constituir mera recuperação de custos tributários suportados. Ademais, entendimento contrário ofenderia o princípio federativo, na medida em que tributar crédito de ICMS implica intervir na tributação estadual, afetando a eficácia das imunidades e incentivos e fazendo com que, à impossibilidade de tributação ou renúncia tributária dos Estados corresponda tributação pela União, em transferência de recursos absolutamente desarrazoada, contrária à finalidade das normas de imunidade ou de incentivos. 11 Além do mais, não se vislumbra a subsunção da cessão de créditos escriturais do ICMS em nenhuma das hipóteses de receitas definidas como base de cálculo da contribuição nas Leis n° 9.718/1998 e 10.833/2003. Não se trata de receita de venda de mercadorias ou serviços, nem receita financeira, nem outras quaisquer que se traduzam em entradas de elementos para o ativo da empresa com consequente aumento da situação líquida. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, considerando que a cessão de créditos escriturais não se caracteriza como receita, sendo mero ressarcimento de custo tributário, inexistindo acréscimo patrimonial para as sociedades empresárias industriais ou repasse dos valores aos produtos ou aos consumidores finais. Sala das Sessões, em 14 de fevereiro de 2012 10 REsp 1025833 / RS, T1 PRIMEIRA TURMA, 06/11/2008 11 AMS 2005.71.08.0098243/ RS Data da Decisão: 24/04/2007 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS 14 Hélcio Lafetá Reis Redator designado. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.100323/200668 Acórdão n.º 380302.442 S3TE03 Fl. 1.488 15 TERMO DE INTIMAÇÃO Intimese um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, 6 de fevereiro de 2007. [assinado digitalmente] Alexandre Kern 3ª Turma Especial 3ª Seção Presidente Ciência Data: ____/___________/________ _____________________________ Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração. [ ] _________________________ Fl. 170DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/02/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 19515.000553/2005-11
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004
DIF-PAPEL IMUNE. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO.
PENALIDADE.
A não-apresentação, ou a apresentação da Declaração Especial de
Informações Relativas ao Controle do Papel Imune após o prazo estabelecido para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte à aplicação da multa instituída na legislação para o descumprimento dessa obrigação acessória.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004
NORMA PENAL MAIS BENIGNA. RETROAÇÃO.
Reduz-se a penalidade aplicada em face da edição posterior de norma penal mais benigna.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004
LAPSO MANIFESTO. CONTRADIÇÃO. CORREÇÃO. EMBARGOS
DE DECLARAÇÃO.
Os embargos de declaração prestam-se à correção de lapso manifesto do julgado que, contraditoriamente, asseverou tratar-se
sociedade que não se enquadra na condição de micro ou pequena empresa e reduz a penalidade aplicada para a cominada para as pessoas jurídicas que se enquadram nessa condição.
Numero da decisão: 3803-003.423
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
acolher os Embargos de Declaração da PGFN e dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir a penalidade aplicável para R$ 30.000,00 (trinta mil reais), adequando-a à Lei nº 11.945, de 2009, e não R$ 15.00,00, como constou no acórdão embargado nº 380302.329,
de 26 de janeiro de 2012, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004 DIFPAPEL IMUNE. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. PENALIDADE. A nãoapresentação, ou a apresentação da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune após o prazo estabelecido para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte à aplicação da multa instituída na legislação para o descumprimento dessa obrigação acessória. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004 NORMA PENAL MAIS BENIGNA. RETROAÇÃO. Reduzse a penalidade aplicada em face da edição posterior de norma penal mais benigna. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004 LAPSO MANIFESTO. CONTRADIÇÃO. CORREÇÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Os embargos de declaração prestamse à correção de lapso manifesto do julgado que, contraditoriamente, asseverou tratarse sociedade que não se enquadra na condição de micro ou pequena empresa e reduz a penalidade aplicada para a cominada para as pessoas jurídicas que se enquadram nessa condição. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por A LEXANDRE KERN 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração da PGFN e dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir a penalidade aplicável para R$ 30.000,00 (trinta mil reais), adequandoa à Lei nº 11.945, de 2009, e não R$ 15.00,00, como constou no acórdão embargado nº 380302.329, de 26 de janeiro de 2012, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, com amparo no artigo 65 do Regimento Interno do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RICARF, apresenta EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, em face do Acórdão nº 380302.329, de 26 de janeiro de 2012, fls. 150 a 152, assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004 DIFPAPEL IMUNE. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. PENALIDADE. A não apresentação, ou a apresentação da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune após o prazo estabelecido para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte à aplicação da multa instituída na legislação para o descumprimento dessa obrigação acessória. NORMA PENAL MAIS BENIGNA. RETROAÇÃO. Reduzse a penalidade aplicada em face da edição posterior de norma penal mais benigna. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004 ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. O processo administrativo fiscal não é foro hábil para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade, por se tratar de matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 19515.000553/200511 Acórdão n.º 380303.423 S3TE03 Fl. 165 3 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da legislação tributária. (Súmula CARF nº 2) Nos termos do arrazoado de fls. 161, na parte final do voto condutor da decisão embargada, o Relator indica que a autuada não se enquadra na condição de micro ou pequena empresa e, contraditoriamente, reduz a multa de que se trata para R$ 15.000,00, quando na realidade o correto seria R$ 30.000,00. Aduz que não caberia a redução prevista no art. 1º, §5º, da Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, porque a Declaração Especial de Informação foi apresentada em 31/01/2005 (fls. 19), após a ciência do procedimento de ofício ocorrido em 26/01/2005 (fls. 05). Requer o conhecimento e o provimento do presente recurso para que seja retificado o vício apontado. Todas as referências a folhas dos autos nesta decisão pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 72 a 84 merece ser conhecida como Embargos de Declaração contra o Acórdão nº 380302.329, de 26 de janeiro de 2012. A propósito, a disposição regimental do art. 65 do RICARF admite embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Com efeito, há lapso manifesto na parte final do voto embargado. Confirase: No caso presente, o fato tipificado diz respeito, exclusivamente, a “falta/atraso na prestação de informações”. Não há indicação de que tenha havido omissão de informações sobre operações como papel imune omitidas. Assim, em face da retroatividade na norma penal mais benigna, prevista no art. 106, II, “c” do CTN, à luz das disposições legais citadas, considerandose que não se trata de sociedade enquadrável como micro ou pequena empresa e que são 6 (seis) a declarações entregues em atraso, a penalidade originalmente aplicada deverá ser reduzida para R$ 15.000,00 (quinze mil reais), consoante o disposto no inc. II do § 4º do art. 1º da Lei nº 11.945, de 2009. O Relator grifou não se tratar de sociedade enquadrável como micro ou pequena empresa e, no entanto, reduziu a penalidade aplicada para aquela cominada para as Fl. 166DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por A LEXANDRE KERN 4 pessoas jurídicas nessa condição. O equívoco deve ser retificado pela via dos presentes declaratórios, e a penalidade aplicada, reduzida para R$ 30.000,00 (trinta mil reais), posto que 6 (seis) as declarações entregues fora de prazo. O lembrete da Representação Jurídica da Fazenda Nacional também é procedente: não se cogita da redução prevista no 1º, §5º, da Lei nº 11.945, de 2009, porque as declarações foram entregues sem espontaneidade. Ante o exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração da PGFN e dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir a penalidade aplicável para R$ 30.000,00 (trinta mil reais), adequandoa à Lei nº 11.945, de 2009, e não R$ 15.00,00, como constou na decisão embargada. Sala das Sessões, em 21 de agosto de 2012 Alexandre Kern Fl. 167DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por A LEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001165/2009-51
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, insumos são todos aqueles bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados no processo produtivo, ou que o viabilizem, e na prestação de serviços, sem os quais não se realizem ou se incorra na perda substancial de qualidade dos produtos ou dos serviços prestados.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. ADMISSIBILIDADES.
Ensejam direito a crédito, enquanto insumos da atividade produtiva: i) os custos da recuperação ambiental inerentes ao compromisso assumido em Termo de Ajustamento de Conduta firmado perante o Ministério Público, condicionante do exercício da atividade produtiva; ii) os custos dos serviços de retificação de motores de vida útil inferior a 1 (um) ano, diretamente
vinculados ao processo produtivo; e iii) as despesas de depreciação incidentes sobre bens usados adquiridos e destinados ao ativo imobilizado.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3803-003.385
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por
unanimidade de votos, para reverter as glosas dos créditos decorrentes dos custos da recuperação ambiental inerentes aos compromissos assumidos no TAC, e dos custos dos serviços de retificação de motores diretamente vinculados ao processo produtivo do ora recorrente, desde que os bens retificados tenham vida útil inferior a 1 (um) ano, efetivamente comprovados nos autos; e, por maioria de votos, para admitir o creditamento das despesas de depreciação de bens adquiridos usados. Vencido o Relator. Designado para a redação do voto vencedor, quanto a esta matéria, o Conselheiro Belchior Melo de Sousa.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, insumos são todos aqueles bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados no processo produtivo, ou que o viabilizem, e na prestação de serviços, sem os quais não se realizem ou se incorra na perda substancial de qualidade dos produtos ou dos serviços prestados. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. ADMISSIBILIDADES. Ensejam direito a crédito, enquanto insumos da atividade produtiva: i) os custos da recuperação ambiental inerentes ao compromisso assumido em Termo de Ajustamento de Conduta firmado perante o Ministério Público, condicionante do exercício da atividade produtiva; ii) os custos dos serviços de retificação de motores de vida útil inferior a 1 (um) ano, diretamente vinculados ao processo produtivo; e iii) as despesas de depreciação incidentes sobre bens usados adquiridos e destinados ao ativo imobilizado. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, para reverter as glosas dos créditos decorrentes dos custos da recuperação ambiental inerentes aos compromissos assumidos no TAC, e dos custos dos serviços de retificação de motores diretamente vinculados ao processo produtivo do ora recorrente, desde que os bens retificados tenham vida útil inferior a 1 (um) ano, efetivamente Fl. 333DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALEXANDRE KERN 2 comprovados nos autos; e, por maioria de votos, para admitir o creditamento das despesas de depreciação de bens adquiridos usados. Vencido o Relator. Designado para a redação do voto vencedor, quanto a esta matéria, o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa – Redator designado Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório CARBONÍFERA METROPOLITANA S/A formulou Pedido de Ressarcimento de crédito de Cofins nãocumulativa, no valor de R$ 514.294,16, decorrente de operações no mercado interno não tributadas, referentes ao período de apuração de 01/04/2006 a 30/04/2006. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em FlorianópolisSC deferiu o pleito parcialmente, autorizando o ressarcimento de R$ 379.885,24. Foram efetuados os seguintes ajustes no saldo credor passível de ressarcimento: a) glosa da base de cálculo do crédito a titulo de insumos de: i. custos de aquisições dos produtos e serviços que não se enquadram no conceito de insumos, arrolados nas planilhas juntadas às fls. 153 a 171 (terraplenagem, turfas ambientais, análise da água, conserto de máquina de escrever, comissões de vendas, assessoria fiscal e contábil, diversos cursos, despesas com alimentação dos trabalhadores, transporte dos empregados, despesas com vigilância e limpeza etc.); ii. parte dos valores pagos a GR Terraplanagem Ltda., arrolados na planilha juntada as fls. 172 a 174; iii. custos de aquisição de bens usados, como motores retificados; iv. custos de aquisições de instalações, e máquinas ou motores novos, que somente geram créditos decorrentes de suas amortizações e depreciações b. glosa dos créditos sobre encargos de depreciação na hipótese de aquisição de bens usados, expressamente vedados no inc. II do §3º do art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 457, de 18 de outubro de 20041; 1 Art. 1º As pessoas jurídicas sujeitas à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), em relação aos serviços e bens adquiridos no País ou no exterior a partir de 1º de maio de 2004, observado, no que couber, o disposto no art. 69 da Lei nº 3.470, de 1958, e no art. 57 da Lei nº 4.506, de 1964, podem descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação de: Fl. 334DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11516.001165/200951 Acórdão n.º 3803003.385 S3TE03 Fl. 334 3 c. exclusão da base de cálculo da contribuição das receitas financeiras indevidamente incluídas. Sobreveio reclamação, por meio da qual o requerente rechaça a aplicação das normas da Instrução Normativa SRF nº 247 de 21 de novembro de 2002, e da Instrução Normativa SRF nº 404 de 12 de março de 2004, defendendo que, para fins de determinação e apuração dos créditos, bastam as normas e as disposições contidas na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Tacha de ilegal qualquer restrição ou ressalva ao conceito de insumo introduzidas pelas referidas instruções normativas. Partindo deste pressuposto, defende que geram crédito todas as aquisições de bens e serviços aplicados na "produção de carvão mineral", "indispensáveis e obrigatórios" para "manter a mina em pleno funcionamento e operação". Explica que, na atividade de mineração, há vários itens a serem "observados e realizados tanto no interior como no exterior das respectivas minas", de "presença obrigatória para se produzir carvão mineral de forma regular e em estrita e perfeita observância às normas impositivas que se aplicam a este tipo de exploração econômica", os quais, ante as exigências de conservação e recuperação ambiental, devem "ser obrigatoriamente custeados e efetivamente realizados pela empresa mineradora, junto e concomitantemente a mineração do carvão propriamente dita, inclusive para que os órgãos estatais permitam que as minas permaneçam "abertas" e em funcionamento/operação". Cita os serviços de turfas ambientais, terraplanagem, análise da água dos córregos e rios e outros impostos por meio do Termo de Ajuste de Conduta celebrado ante o Ministério Público Federal e o Estadual, a FATMA e o DNPM. Contesta a glosa dos valores referentes a aquisições de bens usados, que diz "intrinsecamente utilizados nas minas e assim na exploração e produção do carvão mineral", com base no argumento de que a lei não prevê vedação ao aproveitamento de créditos decorrentes destas aquisições. Em relação aos bens do ativo imobilizado, alega que há os que "têm duração efêmera nesta atividade de altíssima intensidade de utilização inerente à mineração de carvão", pelo que sustenta ser “regular o creditamento integral quando da sua aquisição ou construção". Quanto aos "que tivessem que ter regularmente os respectivos créditos apurados sobre os montantes de inerente depreciação ou amortização", reclama que a Autoridade Fiscal não podia simplesmente glosar a integralidade dos créditos correspondentes, e sim os ter apurado, considerandoos no cálculo do crédito reconhecido; assevera ser I máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços; e II edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa. § 1º Os encargos de depreciação de que trata o caput e seus incisos devem ser determinados mediante a aplicação da taxa de depreciação fixada pela Secretaria da Receita Federal (SRF) em função do prazo de vida útil do bem, nos termos das Instruções Normativas SRF nº 162, de 31 de dezembro de 1998, e nº 130, de 10 de novembro de 1999. § 2º Opcionalmente ao disposto no § 1º, para fins de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o contribuinte pode calcular créditos sobre o valor de aquisição de bens referidos no caput deste artigo no prazo de: I 4 (quatro) anos, no caso de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado; ou II 2 (dois) anos, no caso de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, relacionados nos Decretos nº 4.955, de 15 de janeiro de 2004, e nº 5.173, de 6 de agosto de 2004, conforme disposição constante do Decreto nº 5.222, de 30 de setembro de 2004, adquiridos a partir de 1o de outubro de 2004, destinados ao ativo imobilizado e empregados em processo industrial do adquirente. § 3º Fica vedada a utilização de créditos: I sobre encargos de depreciação acelerada incentivada, apurados na forma do art. 313 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda (RIR de 1999); e II na hipótese de aquisição de bens usados. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALEXANDRE KERN 4 "obrigação inarredável dos agentes fiscais a recomposição dos créditos dai decorrentes da maneira e no valor que então consideraram corretos, face à expressa disposição do artigo 142 do CTN, que os obriga a apurar e a determinar, na sua integralidade, a matéria tributável". Em relação aos gastos com mãodeobra, aduz que o que se encontra vedado em lei é exclusivamente a remuneração paga a pessoa física em contrapartida ao serviço prestado, não, havendo, portanto, vedação em relação a todo e qualquer outro custo pago a pessoas jurídicas, contribuintes da Contribuição, que esteja obrigada a fazer para manter esta mãodeobra trabalhando regularmente e assim produzindo. Nesse sentido, defende o crédito em relação aos gastos com pessoal, de natureza não remunerat6ria, aos quais esteja obrigada por força de Convenção Coletiva de Trabalho, indispensáveis para manutenção da força de trabalho, tais como: transporte gratuito, controle e prevenção de pneumoconiose, equipamento de proteção individual, mudas de roupa, água potável e leite, exames médicos e laboratoriais, fornecimento de lanche, assistência ao trabalhador acidentado, vale alimentação e transporte dos empregados com ônibus e trajetos definidos em contratos específicos, além dos vales transporte. Defende ainda o direito de creditarse de gastos com serviços tomados de pessoas jurídicas, igualmente contribuinte da Contribuição Social, que sejam indispensáveis à manutenção de sua atividade produtiva, tais como: gastos com portaria, vigilância, motoristas para transportes e manutenção e conservação dos estabelecimentos das minas. Ainda em relação às glosas de gastos com serviços, a contribuinte defende que os prestados pela empresa GR Terraplanagem Ltda. consistem em insumos indispensáveis produção (que diz tratarse de "uma espécie de mineração de superfície") dos rejeitos carbonosos finos depositados nas bacias de decantação (depósitos de carvão mineral já na superfície depositados, portanto, já anteriormente minerados e ali deixados), as quais adquiriu da Companhia Siderúrgica Nacional CSN, para adequada entrega e fornecimento à sua cliente Tractebel. Na sequência, alega ainda que geram créditos os demais custos relacionados e indissociáveis à prestação deste serviço, no caso: os custos dos "serviços e os insumos de e para obrigatória recuperação ambiental assumida"; "custos de pessoal, materiais, vigilância, etc. desta GR Terraplenagem Ltda. como integrantes do preço de venda dos serviços cobrados por essa mesma empresa contratada". A DRJ/FNS4ª Turma julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 07026.665, de 11 de novembro de 2011, 236 a 242, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. APURAÇÃO DO CRÉDITO. DACON A apuração dos créditos das Contribuições para o PIS e da Cofins, nãocumulativas, é realizada pelo contribuinte por meio do Dacon, não cabendo a autoridade tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses crédito, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados neste demonstrativo. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE Fl. 336DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11516.001165/200951 Acórdão n.º 3803003.385 S3TE03 Fl. 335 5 No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Anocalendário: 2004 NÃOCUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime nãocumulativo de apuração da contribuição, somente, geram créditos passíveis de utilização pelo contribuinte aqueles custos, despesas e encargos expressamente previstos na legislação, não estando suas apropriações vinculadas à sua obrigatoriedade ou à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade da contribuição, para fins de creditamento de valores, somente são considerados como insumos: as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem, e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta no processo produtivo do bem destinado à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais, aplicados diretamente na produção ou fabricação do produto destinado à venda. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 4ª Turma da DRJ/FNS. O arrazoado de fls. 275 a 305, após síntese dos fatos relacionados com a lide, rechaça a assertiva de que os créditos controversos em questão não teriam sido materialmente comprovados e afirma que a suposta inexistência do direito creditório advém, única e exclusivamente, da assertiva de que os mesmos não seriam admitidos como créditos regularmente consideráveis e aproveitáveis para fins da apuração não cumulativa das contribuições sociais não cumulativas. Nesse passo, pugna por que se adote o conceito de insumo plasmado no Acórdão nº 320200.226, de 8 de dezembro de 2010, cuja ementa transcreve. Segundo o julgado citado, insumo para fim de creditamento de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer despesa necessária á atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ. Nesse contexto, ensejam direito à apuração e ao aproveitamento de créditos de Contribuição no regime da nãocumulatividade todas as aquisições de bens e serviços de outras pessoas jurídicas igualmente contribuintes da Contribuição, que sejam assim indispensáveis e obrigatórios à exploração, ao beneficiamento e à final produção do carvão mineral em que se constitui o objeto social da empresa aqui recorrente. Na continuação, reproduz literalmente todos os argumentos expedidos em sua Manifestação de Inconformidade no tocante a: Fl. 337DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALEXANDRE KERN 6 a) gastos obrigatórios e impositivos com conservação e recuperação ambiental; b) aproveitamento de créditos pela aquisição de bens usados, utilizados nas minas e assim na exploração e produção do carvão mineral, por se tratar de restrição carente de previsão legal; c) gastos com aquisição de bens destinados ao ativo imobilizado e à falta de creditamento pela depreciação desses bens; d) gastos com transportes, alimentação, lanche, leite, exames e tratamentos médicos e laboratoriais, uniformes etc., aos respectivos empregados; e) gastos com portaria, vigilância e motoristas para transportes; f) os custos de produção de carvão pagos a GR Terraplenagem Ltda. Discorre ainda sobre o conceito de insumo para fim de creditamento de PIS e Cofins e pugna por que se releve os erros cometidos no preenchimento do DACON, em homenagem ao princípio da verdade material, para autorizar integralmente o ressarcimento pleiteado. Pede provimento. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 275 a 305 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJFLS4ª Turma nº 07026.665, de 11 de novembro de 2011. Conceito de insumo para fim de creditamento das contribuições sociais não cumulativas Já está pacificado nesta 3ª Turma Especial o entendimento de que o conceito de insumo para o fim de creditamento das contribuições sociais não cumulativas é aquele deduzido na jurisprudência do STJ, plasmado no REsp 1.246.317MG, Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 16.06.2011, segundo o qual (sublinhado no original): Insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003 são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica Fl. 338DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11516.001165/200951 Acórdão n.º 3803003.385 S3TE03 Fl. 336 7 em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. O Min. Campbell Marques extraiu o que há de nuclear na definição de insumo para tal fim: 1º O bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos (pertinência ao processo produtivo); 2º A produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição (essencialidade ao processo produtivo); e 3º Não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto (possibilidade de emprego indireto no processo produtivo). Saiba o recorrente que, embora não se possa reconhecer como insumo, no caso das contribuições em questão, apenas as matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem utilizados no produto industrializado (tal como no IPI), o fato é que também não se pode ampliar tal noção de forma a permitir o abatimento de toda e qualquer despesa necessária à manutenção da atividade empresarial (despesas operacionais, no conceito do art. 290 e 299 do RIR). como pretende. A autorização para a dedução de despesas operacionais equipararia o PIS e a Cofins ao imposto de renda, o que não seria adequado, já que, além do referido imposto incidir sobre o lucro, e não sobre a receita, o IR onera o produtor, sem levar em consideração a especificidade de suas atividades, o que não pode ser aplicado para o caso das contribuições em questões que, repitase, oneram a receita obtida através de operações de venda de bens, prestação de serviços e outras previstas na lei2. Com esse conceito em vista, passemos à análise do caso concreto. Carbonífera Metropolitana S/A, estabelecida na cidade de CriciúmaSC, tem como objeto social a extração, beneficiamento e comércio de carvão, a produção e comercialização de coque, a produção e comercialização de concentrado piritoso e a comercialização de imóveis. Boa parte de sua produção, juntamente com um consórcio de empresas do mesmo ramo, é vendida a empresa Tractebel Energia S/A, conforme cópia de parte do contrato juntado aos autos. Gastos com recuperação/conservação ambiental É notório, a lavra de carvão mineral é atividade extremamente poluidora e degradante do ambiente natural. Não foi por outra razão, o ora recorrente viuse constrangido a celebrar Termo de Ajustamento de Conduta o Ministério Público Federal, Ministério Público e 2 Por essa razão é que se afasta, de plano, qualquer possível alegação no sentido de que o § 7º do artigo 3º das Leis 10637/02 e 10833/03, ao se referir a “custos, despesas e encargos”, teria ampliado a noção de insumos prevista no inciso II do caput daquele mesmo artigo. Mas ainda que assim não fosse, não se deve esquecer que, tecnicamente, um parágrafo pode significar uma exceção ou uma explicação ao que foi dito no caput. Em outras palavras, um parágrafo pode estabelecer uma regra contraditória à do caput, aplicável apenas a situações específicas, pois regra especial derroga regra geral, o que não é o caso do § 7º, que apenas explica melhor a forma de creditamento no caso de empresas sujeitas, ao mesmo tempo, ao regime cumulativo e não cumulativo, que devem se creditar, APENAS, dos custos, despesas e encargos na aquisição de bens e serviços ou, ainda, nas demais hipóteses autorizativas de dedução das contribuições devidas, PREVISTOS NO CAPUT DAQUELE ARTIGO, e não amplamente, como podem vir a defender alguns contribuintes. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALEXANDRE KERN 8 Departamento Nacional de Produção Mineral, como forma de internalizar os custos sociais de da recuperação ambiental das áreas impactadas pela atividade. Como salientou o recorrente, as atividades de recuperação ambiental incluem análise da qualidade das águas, recursos hídricos, transporte, manuseio e destinação de rejeitos e respectivos depósitos, recomposição topográfica, bacias de decantação, recomposição da vegetação nativa imprescindível a correspondente terraplenagem e turfas ambientais, etc., e outras tantas e impositivas obrigações consignadas neste TAC. Em função do TAC, essas atividades tornaramse obrigatórias sob pena de interdição da atividade de lavra do carvão lato sensu. Em face da obrigatoriedade dos gastos com a recuperação ambiental e sua estrita vinculação com a viabilização legal do processo produtivo do recorrente, julgo que os custos das atividades inerentes aos compromissos assumidos no TAC subscrito pelo ora recorrente devem ser admitidos na base de cálculo dos créditos da Contribuição, pois atendem os critérios de pertinência e essencialidade. Revertamse as glosas procedidas a esse título. Custos de aquisição de bens usados O recorrente alega que tais gastos referemse, na verdade, a serviços de conserto e manutenção de motores, conforme atestariam as cópias das notas fiscais, que a decisão recorrida afirma terem sido aportadas aos autos até a Manifestação de Inconformidade, emitidas por retificadores de motores. Constatase, portanto, que a própria Administração tributária concebe que as ferramentas e os serviços de manutenção de máquinas utilizadas no processo produtivo dão direito à apuração de créditos das contribuições na sistemática da não cumulatividade. Tais serviços, em tese, subsumirseíam no conceito de insumo esposado nesta decisão, a depender da destinação dos motores retificados. Esse entendimento consta de algumas soluções de consulta, como a Solução de Consulta Disit08 nº 30/2010 e a de nº 420, de 5 de dezembro de 2010, publicada na Seção 1 do Diário Oficial da União de 2 de fevereiro de 2011, em que se registrou que “[os] valores referentes a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, para manutenção das máquinas e equipamentos empregados na produção de bens destinados à venda, podem compor a base de cálculo dos créditos a serem descontados da Cofins não cumulativa, desde que respeitados todos os demais requisitos normativos e legais atinentes à espécie.” Nesse sentido, admitamse, na base de cálculo dos créditos da Contribuição, o valor dos custos efetivamente comprovados nos autos dos serviços de retificação de motores diretamente vinculados ao processo produtivo do ora recorrente, desde que os bens retificados tenham vida útil inferir a 1 (um) ano – condição para a sua não imobilização. Por outro lado, os custos dos serviços de retificação de motores não relacionados com o processo produtivo, que não estejam devidamente comprovados nos autos, não serão admitidos, ou que tenham vida superior a 1 (um) ano, não são admitidos. Custos de aquisição de bens destinados ao Ativo Permanente O recorrente, em relação aos bens do ativo imobilizado, objeta que há entre eles os que "têm duração efêmera nesta atividade de altíssima intensidade de utilização Fl. 340DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11516.001165/200951 Acórdão n.º 3803003.385 S3TE03 Fl. 337 9 inerente à mineração de carvão", pelo que sustenta o "regular creditamento integral quando de sua aquisição ou construção". Quanto a isso, presumese que, tendo sido objeto de ativação, são bens com vida útil superior a 1 (um) ano. Nesse caso, na há falar em creditamento com base no conceito de insumo como pretende a contribuinte. Nos termos dos incisos VI, VII e §1° do art. 3° da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, as máquinas e equipamentos (novos) e edificações e benfeitorias geram crédito somente em relação aos encargos de depreciação e amortização, conforme o caso, e segundo a regulamentação posta pela IN SRF nº 457, de 2004. A depreciação de bens do ativo imobilizado corresponde à diminuição do valor dos elementos ali classificáveis, resultante do desgaste pelo uso, ação da natureza ou obsolescência normal. Referida perda de valor dos ativos, que têm por objeto bens físicos do ativo imobilizado das empresas, deve ser registrada periodicamente nas contas de custo ou despesa (encargos de depreciação do período de apuração) que terão como contrapartida contas de registro da depreciação acumulada, classificadas como contas retificadoras do ativo permanente, nos termos do art. 305 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de Março de 1999 – RIR/99). Regra geral, a taxa de depreciação é fixada em função do prazo durante o qual se possa esperar a utilização econômica do bem, pelo contribuinte, na produção dos seus rendimentos. Até 31/12/1998, a SRF não havia fixado, para efeitos fiscais, o prazo de vida útil para cada espécie de bem. Admitiamse até então as taxas anuais de depreciação, resultantes da jurisprudência administrativa. Todavia, desde 31 de dezembro de 1998, os prazos de vida útil admissíveis para fins de depreciação dos seguintes veículos automotores, adquiridos novos, foram fixados pela IN SRF no162, de 1998: No que diz respeito ao creditamento em razão das despesas de depreciação/amortização de bens adquiridos usados, que o recorrente diz "intrinsecamente utilizados nas minas e assim na exploração e produção do carvão mineral", o art. 311 do RIR/99 estabelece que o prazo de vida útil admissível para fins de depreciação de bem adquirido usado é o maior dentre os seguintes: a) metade do prazo de vida útil admissível para o bem adquirido novo, e; b) restante da vida útil do bem, considerada esta em relação à primeira instalação ou utilização desse bem. Nada obstante, a INSRF nº 457, de 2004, em seu art. 1º, § 3º, inc. II, veda expressamente o creditamento na hipótese de aquisição de bens usados. Mantenhamse as glosas a esse título. O recorrente repete a inconformidade já manifestada na reclamação no sentido de que a Autoridade Fiscal não podia simplesmente glosar a integralidade dos créditos correspondentes aos bens do Ativo Imobilizado, e que deveria ter apurado os encargos com depreciação/amortização, considerandoos no cálculo do crédito reconhecido. Entende ser, em seus próprios termos, "obrigação inarredável dos agentes fiscais a recomposição dos créditos dai decorrentes da maneira e no valor que então consideraram corretos, face à expressa disposição do artigo 142 do CTN, que os obriga a apurar e a determinar, na sua integralidade, a matéria tributável". Fl. 341DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALEXANDRE KERN 10 A referência ao art. 142 é imprópria, posto que não se cogita aqui de constituição de crédito tributário. Tratandose de ressarcimento de créditos, causa de exclusão do crédito tributário, o pleito é instruído por requerimento expresso, com o qual o interessado deve fazer prova das condições e dos cumprimentos das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei para a sua concessão. A atuação di Fisco, nesses casos, fica restrita à vontade original do interessado, vedados os provimentos extra petita, pois não cabe À Administração suplementar a vontade do administrado. Nada a reparar no procedimento fiscal quanto a esse aspecto. Gastos com o fornecimento de transporte, alimentação, lanches, leite, exames clínicos e laboratoriais e uniformes a empregados. Gastos com serviços de portaria, vigilância e motoristas Em relação aos gastos com pessoal, de natureza não remunerat6ria, aos quais o recorrente está obrigado por força de Convenção Coletiva de Trabalho, tais como: cartão de natal, bicicleta, camisas oficiais do Criciúma, boné para brinde, transporte gratuito, controle e prevenção de pneumoconiose, equipamento de proteção individual, mudas de roupa, água potável e leite, exames médicos e laboratoriais, fornecimento de lanche, assistência ao trabalhador acidentado, vale alimentação e transporte dos empregados com ônibus e trajetos definidos em contratos específicos, além dos vales transporte, bem assim aos gastos com serviços tomados de pessoas jurídicas, tais como: gastos com portaria, vigilância, motoristas para transportes, queda evidente, por sua própria natureza, que, muito embora importantes, os mesmos não guardam a necessária relação de pertinência e de essencialidade com o processo produtivo, nos termos do conceito de insumo adotado nesta decisão. Mantenhamse as glosas procedidas a esse título. Custos de produção de carvão pagos a GR Terraplenagem Ltda. O recorrente explica que, em 07/11/2000, adquiriu, em área contígua à hoje Tractebel, em Capivari de Baixo/SC, grande quantidade/tonelagem de depósitos de carvão mineral depositdos em superfície depositados (portanto; já anteriormente minerados e ali deixados) rejeitos carbonosos finos depositados em bacias de decantação no local existentes também de propriedade da CSN. Integrando o preço desta compra e venda de carvão mineral assim depositado já na superfície, o recorrente assumiu também o ônus e encargos relativos à obrigação de recuperação/reparação ambiental dessa mesma área. O carvão recuperado/retirado desta área é misturado ao carvão oriundo e produzido em suas minas no entorno de Criciúma/SC. Tratase, pois, de carvão coletado e produzido a partir destas respectivas bacias de decantação, com somatório destes custos de produção inerentes a esta sua recuperação e processamento/beneficiamento já na superfície e não advindo do subsolo. Nesse contexto, contratou os serviços de GR Terraplenagem Ltda. para recuperação/exploração, manuseio e transporte na produção e comercialização deste carvão de rejeitos carbonosos finos. Destacamse os serviços de escavações, carga, transporte, empilhamento, blendagem dos rejeitos carbonosos lá existentes, com ainda final transporte e entrega à Tractebel, pelo que todos estes evidentes custos inerentes à produção e à recuperação dessas mesmas quantidades de carvão lá existentes (uma espécie de mineração de superfície). Entende que tal serviço é insumo indispensável à produção e fornecimento à cliente Tractebel, perfeitamente ensejadores dos créditos correspondentes. Eventuais custos de pessoal, materiais, vigilância, etc. suportados por GR Terraplenagem Ltda., sujeitos à Fl. 342DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11516.001165/200951 Acórdão n.º 3803003.385 S3TE03 Fl. 338 11 incidência e ao recolhimento da Contribuição, também ensejariam o direito ao creditamento na Carbonífera Metropolitana S.A., posto que integrantes do preço do serviço contratado. A propósito, as glosas procedidas pela Fiscalização restringemse aos itens "DESPESAS COM MÃODEOBRA + FAXINA", "DESPESAS DE MATERIAIS" e "VIGILÂNCIA 1/2 RD METRO" da Planilha DEMONSTRATIVO DE SERVIÇO MENSAL SERVIÇO GR/RD METRO, fls. 172 a 174, gastos que, segundo o conceito de insumo adotado, não geram créditos. Todos os demais itens da Planilha foram admitidos na base de cálculo dos créditos. Portanto, os custos dos serviços de produção de carvão (aí incluídas as atividades de lavra de superfície, transporte e entrega do produto) foram admitidos no creditamento das contribuições. Também nessa matéria, o procedimento fiscal e a decisão recorrida não merecem reparos. Conclusão Com essas considerações, voto por que se dê provimento parcial ao recurso, para reverter as glosas dos créditos relacionados apurados a partir de: a) dos custos da recuperação ambiental inerentes aos compromissos assumidos no TAC, e; b) dos custos dos serviços de retificação de motores diretamente vinculados ao processo produtivo do ora recorrente, desde que os bens retificados tenham vida útil inferir a 1 (um) ano, efetivamente comprovados nos autos; Sala das Sessões, em 21 de agosto de 2012 (assinado digitalmente) Alexandre Kern Fl. 343DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALEXANDRE KERN 12 Voto Vencedor Conselheiro Belchior Melo de Sousa – Redator designado A divergência aberta no presente julgamento está adstrita a apenas a um ponto: o creditamento da depreciação incidente sobre bens usados adquiridos para o imobilizado. O Relator inicia o seu voto fixando as balizas dentro das quais expôs o seu entendimento na apreciação dos créditos admissíveis da contribuição em apreço incidentes sobre os insumos, consubstanciando o seu labor no meio termo entre a regência da legislação do IPI, relativamente ao ressarcimento do saldo credor deste imposto resultante da aplicação da técnica da não cumulatividade, e a regência da legislação do IRPJ, no tocante à dedução de despesas necessárias ao desenvolvimento da atividade empresarial, verbis: Saiba o recorrente que, embora não se possa reconhecer como insumo, no caso das contribuições em questão, apenas as matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem utilizados no produto industrializado (tal como no IPI), o fato é que também não se pode ampliar tal noção de forma a permitir o abatimento de toda e qualquer despesa necessária à manutenção da atividade empresarial (despesas operacionais, no conceito do art. 290 e 299 do RIR). como pretende. A autorização para a dedução de despesas operacionais equipararia o PIS e a Cofins ao imposto de renda, o que não seria adequado, já que, além do referido imposto incidir sobre o lucro, e não sobre a receita, o IR onera o produtor, sem levar em consideração a especificidade de suas atividades, o que não pode ser aplicado para o caso das contribuições em questões que, repitase, oneram a receita obtida através de operações de venda de bens, prestação de serviços e outras previstas na lei. Para negar a pretensão da Recorrente de ver reconhecido este direito ao creditamento pelo Colegiado ad quem, ora dissentido, ancorouse na disciplina expressa do art. 1º, § 3º, inc. II, da IN SRF nº 457, de 20043. À míngua desse conceito esposado que, aditese, é possível apreenderlo da própria dicção do texto legal, numa leitura mesmo pouco detida entenderam os demais conselheiros, na discussão antecedente à tomada dos votos, que a disciplina veiculada pela citada instrução normativa, de excluir expressamente os créditos ora em foco, não é consentânea com o disposto legal, seja na Lei nº 10.637/2002 ou na Lei nº 10.833/2003. Em torno disso, podese afirmar que existe nessa regência restrição não fixada no texto legal, e que erige um entendimento a que não se chega por meio de leitura integrativa do preceito legal com outros, por sinal em nada revelado. Vejase o texto da Lei nº 10.637/2002, de conteúdo idêntico ao da Lei nº 10.833/2003, reguladoras, respectivamente do PIS e da Cofins, verbis: 3 §3º. Fica vedada a utilização de créditos: [...] II na hipótese de aquisição de bens usados. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11516.001165/200951 Acórdão n.º 3803003.385 S3TE03 Fl. 339 13 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o; e (Redação dada pela Medida Provisória nº 413, de 2008) Produção de efeitos a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); V – despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante Fl. 345DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALEXANDRE KERN 14 pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) Dessarte, inclinouse esta maioria a excluir das glosas de créditos os valores escriturados sob esta rubrica. Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para incluir no cálculo do saldo credor do ressarcimento da contribuição os créditos de depreciação sobre os bens usados adquiridos para o ativo imobilizado, mantendose os demais provimentos já consignados no voto vencido. Sala das sessões, 21 de agosto de 2012 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 346DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11516.001165/200951 Acórdão n.º 3803003.385 S3TE03 Fl. 340 15 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE INTIMAÇÃO Processo nº: 11516.001165/200951 Interessada: CARBONÍFERA METROPOLITANA S/A Intimese um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no Acórdão no 3803003.385, de 21 de agosto de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009. Brasília DF, em 21 de agosto de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 347DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10730.005923/2007-41
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Tributário
Período de apuração: 01/10/1995 a 30/09/1998
REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STF, NA
SISTEMÁTICA DO ART. 543-B, DO CPC.
No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigo 543-B
da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62-A do
Regimento Interno.
Assunto: Normas Gerias de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/1995 a 30/09/1998
PRAZO DE DECADÊNCIA PARA REPETIÇÃO DO INDÉBITO
TRIBUTÁRIO. RE 566.621
Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, a aplicação plena do novo prazo de decadência para a repetição do indébito tributário, relativo aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, se aplica apenas aos casos em que o pedido de restituição ou compensação foi apresentado após 09.06.2005. Nas hipóteses em que o protocolo do pedido foi anterior a esta
data, permanece o entendimento anterior, ou seja, cinco anos contados da homologação do pagamento indevido.
Numero da decisão: 3803-002.314
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, apenas para afastar a preliminar de decadência, sem contudo, reconhecer qualquer direito creditório.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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ementa_s : Processo Administrativo Tributário Período de apuração: 01/10/1995 a 30/09/1998 REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STF, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B, DO CPC. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigo 543-B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62-A do Regimento Interno. Assunto: Normas Gerias de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/1995 a 30/09/1998 PRAZO DE DECADÊNCIA PARA REPETIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RE 566.621 Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, a aplicação plena do novo prazo de decadência para a repetição do indébito tributário, relativo aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, se aplica apenas aos casos em que o pedido de restituição ou compensação foi apresentado após 09.06.2005. Nas hipóteses em que o protocolo do pedido foi anterior a esta data, permanece o entendimento anterior, ou seja, cinco anos contados da homologação do pagamento indevido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2154; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 171 1 170 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10730.005923/200741 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 380302.314 – 3ª Turma Especial Sessão de 25 de janeiro de 2012 Matéria RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. Recorrente ESTABELECIMENTOS JAMES FREDERICK CLARK Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Tributário Período de apuração: 01/10/1995 a 30/09/1998 REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STF, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B, DO CPC. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62A do Regimento Interno. Assunto: Normas Gerias de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/1995 a 30/09/1998 PRAZO DE DECADÊNCIA PARA REPETIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RE 566.621 Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, a aplicação plena do novo prazo de decadência para a repetição do indébito tributário, relativo aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, se aplica apenas aos casos em que o pedido de restituição ou compensação foi apresentado após 09.06.2005. Nas hipóteses em que o protocolo do pedido foi anterior a esta data, permanece o entendimento anterior, ou seja, cinco anos contados da homologação do pagamento indevido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, apenas para afastar a preliminar de decadência, sem contudo, reconhecer qualquer direito creditório. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por ALEXANDRE KERN 2 [Assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora Participaram da sessão de julgamento também os conselheiros: Alexandre Kern (presidente da turma), Alan Fialho Gandra, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ Rio de Janeiro II que indeferiu o pedido do contribuinte, por entender que havia operado decadência do seu direito de pleitear a restituição de indébito. A Delegacia da Receita Federal, por meio do Parecer n° 956/2007, de fls. 120 a 124, e do Despacho Decisório, de fls. 125 a 126, indeferiu o pleito do contribuinte face a impossibilidade de reconhecer o direito creditório alegado, uma vez que os pagamentos foram realizados em conformidade com a MP 1212/95 e por ter operado a decadência em relação a parte do período. Cientificada da decisão, em 11.01.2008, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 130 a 135) alegando, exclusivamente, que o prazo para a restituição de tributos pagos indevidamente é de dez anos, por se tratar de tributo sujeito ao lançamento por homologação. Com efeito, afirmou que: (i) de acordo com o Parecer n° 58, de 27.10.1998 o pedido para restituição ou compensação do indébito tributário deve ser formulado no prazo de cinco anos contados da data do transito em julgado da decisão proferida em Ação Direta de Inconstitucionalidade, (ii) o seu pedido enquadrase no art. 168, inc. II do CTN e não no inc. I, como entendeu o AFRF, (iii) o termo inicial para o exercício do direito à restituição é a data da publicação da Resolução do Senado, não devendo ser considerado o Ato Declaratório SRF 96/99, (ii) no o presente caso, a Resolução do Senado n° 10 foi editada em 07 de junho de 2005 e publicada posteriormente. Assim, concluiu que como o "termo a quo" iniciouse em meados de 2005, o pedido de restituição e as declarações de compensação não foram atingidos pela decadência. A DRJ Rio de Janeiro II julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1995 a 30/09/1998 Ementa:RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. A decadência do direito de pleitear restituição de indébito fiscal ocorre em cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento, inclusive, na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10730.005923/200741 Acórdão n.º 380302.314 S3TE03 Fl. 172 3 As argüições de inconstitucionalidade, que visam afastar a aplicação de norma legal inserta no ordenamento jurídico, não são oponíveis na esfera administrativa, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho repetindo as razões apresentadas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, a presente controvérsia versa, exclusivamente, sobre a definição do prazo de decadência para a compensação de indébito tributário, relativo a tributo sujeito ao lançamento por homologação, na hipótese em que este é reconhecido por sentença transitada em julgado. Afinal, a Recorrente não impugnou a parte da decisão que afirma que os pagamentos realizados nos períodos de apuração junho a setembro de 1998 foram feitos de acordo com a MP 1212/95, convertida na Lei nº 9.715/98. Pois bem. O Supremo Tribunal Federal, valendose da sistemática prevista no art. 543A, do CPC, pacificou, no RE 566.621, o entendimento de que inconstitucional a atribuição de feitos retroativos ao art. 3º da Lei Complementar nº 118/05, devendo sua aplicação plena se restringir às ações ajuizadas a partir de 09.06.05: DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado Fl. 179DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por ALEXANDRE KERN 4 por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) Por conta disso, devese aplicar ao presente caso o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recursos repetitivos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Devese esclarecer que o caso concreto submetido à análise enquadrase perfeitamente no precedente acima transcrito. Afinal, tratase de compensação de indébito tributário, relativo a tributo sujeito ao lançamento por homologação. Por outro lado, independentemente do marco temporal que se tome como referência – data da propositura da ação judicial, data do trânsito em julgado da sentença que reconheceu a existência de pagamento indevido (23.03.01), data da transmissão das Declarações de Compensação (entre 15.07.03 e 15.02.05) – certo é que no caso concreto permanece prevalecendo o prazo de 10 (dez) anos para a repetição. Isso porque o acórdão foi bastante claro ao prescrever que a aplicação plena do novo prazo de 5 (cinco) se restringe às medidas ajuizadas a partir de 09.06.05, o que não é caso nem da ação judicial de repetição, nem do pedido administrativo de compensação. Assim , verificase que a Recorrente teria direito de pleitear a restituição de eventuais indébitos tributários no período de dez anos. Ocorre que, como já esclarecido, a presente discussão está prejudicada uma vez que já fora decidido no despacho decisório que Fl. 180DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10730.005923/200741 Acórdão n.º 380302.314 S3TE03 Fl. 173 5 não haveria crédito a repetir, tendo em vista que os pagamentos realizados nos períodos indicados foram feitos de acordo com a MP 1212/95, convertida na Lei nº 9.715/98 e a matéria não foi objeto de manifestação de inconformidade ou recurso voluntário. Em face do exposto, a despeito de dar provimento à preliminar de decadência, a presente decisão é ineficaz em seus efeitos quanto ao crédito, já que, não tendo sido objeto de insurgência do contribuinte, é definitiva a decisão da DRF de que não há indébito tributário. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 181DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10730.005923/200741 Interessada: ESTABELECIMENTOS JAMES FREDERICK CLARK Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380302.314, de 25 de janeiro de 2012, da 3a Turma Especial da 3a Seção e demais providências. Brasília DF, em 25 de janeiro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 182DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10665.000943/2008-38
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO
PRINCIPAL. OPÇÃO PELO SIMPLES. SITUAÇÃO NÃO CONTEMPLADA NA EXCEÇÃO PREVISTA NO ART. 1º, I E II DA LEI Nº 10.034/00.
O recorrente dedica-se às atividades de ensino pré-vestibular
e regular, pré-escolar, de primeiro e segundo graus a
primeira e a última, portanto, não contempladas na exceção prevista no art. 1º, I e II, da Lei nº 10.034/00, razão pela qual não lhe assiste o direito à opção pelo SIMPLES.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-000.798
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. OPÇÃO PELO SIMPLES. SITUAÇÃO NÃO CONTEMPLADA NA EXCEÇÃO PREVISTA NO ART. 1º, I E II DA LEI Nº 10.034/00. O recorrente dedicase às atividades de ensino prévestibular e regular, pré escolar, de primeiro e segundo graus a primeira e a última, portanto, não contempladas na exceção prevista no art. 1º, I e II, da Lei nº 10.034/00 , razão pela qual não lhe assiste o direito à opção pelo SIMPLES. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/06/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10665.000943/200838 Acórdão n.º 280300.798 S2TE03 Fl. 192 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade e Amílcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/06/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10665.000943/200838 Acórdão n.º 280300.798 S2TE03 Fl. 193 3 Relatório Tratase de Auto de Infração (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima referido. De acordo com o relatório fiscal de fls. 105 a 107, o lançamento referese à contribuição destinada Seguridade Social, parte da empresa, inclusive a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho incidente sobre valores pagos a empregados e contribuintes individuais, no período de 01/2002 a 13/2006. Diz o referido Relatório Fiscal que o contribuinte optou pelo "SIMPLES", em 01/01/1997 e foi excluído através do Ato Declaratório Executivo DRF/DIV 508.567, de 02/08/2004, com efeitos a partir de 01/01/2002, em razão de atividade vedada (80217/00 educação média de formação continuada). O Contribuinte foi notificado do lançamento em 06 de junho de 2008 e apresentou defesa tempestiva em 08.07.2008. A impugnação foi julgada em 02 de dezembro de 2008, ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVI DENCIARIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006 NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. SIMPLES. CONTRIBUIÇÕES PARA TERCEIROS. DECADÊNCIA. ACOLHIMENTO. A empresa excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES fica sujeita As normas de tributação aplicáveis As demais pessoas jurídicas a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão. Incide contribuição para as outras entidades (Salário Educação, INCRA, SESC e SEBRAE) sobre os valores pagos aos segurados empregados que prestam serviços a empresa. A decadência das contribuições sociais operase em 05 (cinco) anos conforme Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal. Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, no caso em que o sujeito passivo não apura e no declara o crédito tributário e, nem tampouco, efetua o Fl. 198DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/06/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10665.000943/200838 Acórdão n.º 280300.798 S2TE03 Fl. 194 4 pagamento antecipado, o poder dever do fisco para efetuar o lançamento de oficio deve obedecer ao prazo decadencial determinado no art. 173, inciso I, do CTN. Ocorrendo declaração ou recolhimento antecipado de tributo por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador. Lançamento procedente em parte. Inconformado com resultado do julgamento de primeira instância administrativa, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: O recorrente apresentou Impugnação ao Auto de Infração em 24/06/2008 alegando, em síntese, a decadência do direito da Fazenda Pública constituir o crédito previdenciário atinente a todo o ano de 2002, bem como aos valores referentes ao ano de 2003 até o mês de maio, pois transcorridos mais de 5 (cinco) anos entre o fato gerador e a constituição do crédito. Subsidiariamente, requereu que fosse reconhecida a irregularidade da multa aplicada, pois se refere a período no qual o recorrente encontravase inscrito como optante pelo SIMPLES por força de decisão judicial. A referida impugnação foi conhecida e deferida em parte, para excluir do Auto de Infração 37.023.0302, o período alcançado pela decadência, qual seja, competência 01/2002 a 05/2003. No que toca a sanção pecuniária aplicada e mantida pela 7ª Turma da DRJ/BHE em virtude de inadimplemento no pagamento dos tributos devidos, vale observar que esta é manifestamente atentatória à decisão judicial proferida pelo juízo da 22ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais. Nos autos do processo nº 2000.38.00.0048330 foi proferida decisão liminar em Mandado de Segurança que determinou a reinclusão do recorrente como optante pelo SIMPLES, decisão esta publicada em 01/03/2000. A decisão ora combatida desconsiderou o referido argumento sustentando que A liminar não se seguiu a segurança, visto que a Fazenda Nacional apelou da decisão do juiz de primeira instância que foi reformada, denegando a segurança. A concessão de medida liminar em Mandado de Segurança suspende a exigibilidade do crédito tributário, conforme previsto no art. 151, inciso IV do Código Tributário Nacional. A liminar não é uma liberdade da justiça, é medida acauteladora do direito que não pode ser negada quando ocorrem seus pressupostos. É incabível a cobrança de multa uma vez que não há a caracterização do ato ilícito, visto que o recorrente recolheu todos os tributos referentes A opção pelo SIMPLES até o ano de 2006 e, consectário lógico, deixou de efetuar o pagamento de tributos A época inexigíveis, amparado por uma decisão judicial. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/06/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10665.000943/200838 Acórdão n.º 280300.798 S2TE03 Fl. 195 5 ISSO POSTO e o mais que da própria decisão do Acórdão n° 0220.231 lavrado pela 7ª Turma da DRJ/BHE consta e da legislação aplicável à espécie, requer seja reconhecida a irregularidade da penalidade pecuniária aplicada, pois se refere a período no qual o impugnante encontravase inscrito como optante pelo SIMPLES por força da supramencionada decisão judicial. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/06/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10665.000943/200838 Acórdão n.º 280300.798 S2TE03 Fl. 196 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. Tendo em vista que a decisão ora recorrida admitiu a decadência de parte do lançamento, o recurso aviado pelo contribuinte se restringiu a discutir a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos previstos no inciso IV do art. 151 do CTN. Com efeito, no que diz respeito ao argumento de que medida liminar em mandado de Segurança suspende a exigibilidade do crédito tributário, conforme previsão contida no inciso IV do art. 151 do CTN, razão não assiste ao contribuinte, tendo em vista que esse tipo de medida não impede a lavratura de auto de infração, conforme estabelece o Enunciado nº 03, aprovado pelo Pleno, da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, verbis: Enunciado nº 03: A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. É perceptível, pois, a confusão estabelecida pelo contribuinte. A lavratura de auto de infração, por si só, não significa a imediata exigibilidade do crédito. O processo administrativo fiscal existe para, entre outras coisas, assegurar ao devedor, o direito ao contraditório e ampla defesa, nos termos insculpidos no inciso LV do art. 5º da Constituição da República. Portanto, não há que se falar em qualquer tipo de ofensa à legislação. A autoridade administrativa agiu em perfeita sintonia com as regras que lhes são afetas, nomeadamente as disposições contidas no art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN. Ademais, a liminar concedida em Mandado de Segurança foi cassada em 30/04/2002 pelo TRF1, conforme se pode observar do acórdão ora recorrido (fls. 159/160) destes autos, verbis: No entanto, a Fazenda Nacional apelou da decisão do juiz de primeira instância que teve a decisão inicial reformada, denegando a segurança, conforme cópia da sentença de fls. 104 a 106, cuja ementa, datada de 30/04/2002 (fls. 107), transcrevemos: MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. SIMPLES. LEI N° 9.137. HABILITAÇÃO PROFISSIONAL. ESTABELECIMENTO DE ENSINO. 1. A exigência da Lei 9.137/97 não viola o principio da igualdade, sobretudo no caso em comento, onde sequer restou demonstrada a situação jurídica da impetrante. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/06/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10665.000943/200838 Acórdão n.º 280300.798 S2TE03 Fl. 197 7 2. A palavra 'professor' no texto da Lei (inciso XIII, artigo 9°), visa, obviamente, a atingir as empresas que prestam serviço por meio de profissionais de ensino, eis não ser dirigida a autônomos, mas as pessoas jurídicas (art. 9°, caput). Apelo e remessa providos. Assim, para as competências de 06/2003 a 13/2006, já excluído o período atingido pela decadência, em virtude da exclusão do contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de pequeno Porte — SIMPLES, os valores devidos passaram a corresponder também As contribuições patronais para os Terceiros (Salário Educação, INCRA, SESC, e SEBRAE) incidentes sobre as remunerações pagas aos empregados, valores esses não recolhidos, e, por isso, exigidos corretamente, na autuação. Há que se observar ainda que a liminar concedida ao contribuinte teve sua vigência até 29/04/2002, considerando que a decisão de primeira instância judicial foi reformada em 30/04/2002. Portanto, a permanência do contribuinte como optante pelo SIMPLES, por óbvio, não pode permanecer até o ano de 2006, como alegado. De mais a mais, no Recurso Especial nº 526.084 – MG (2003/00312170), o contribuinte Colégio Cidade de Divinópolis LTDA não conseguiu sensibilizar os membros da Egrégia Primeira Turma do STJ. O colegiado, por unanimidade, achou por bem negar provimento ao REsp, nos termos do voto do Se. Ministro Relator, ementado da seguinte forma: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. TRIBUTÁRIO. OPÇÃO PELO SIMPLES. LEI 9.317/96. INSTITUIÇÃO DE ENSINO MÉDIO E PRÉVESTIBULAR. LEI 10.684/03. IMPOSSIBILIDADE. 1. A falta de prequestionamento do tema federal impede o conhecimento do recurso especial. 2. O art. 1º, I e II, da Lei 10.034/00, com a redação dada pela Lei 10.684/03, reconhece o direito de as instituições de ensino que se dediquem exclusivamente às atividades de creche, préescolas e ensino fundamental optarem pelo SIMPLES – subtraído essas atividades da norma do art. 9º, XIII, da Lei 9.317/96. 3. No caso concreto, porém, a recorrente dedicase às atividades de prévestibular, ensino regular, préescolar, primeiro e segundo graus – a primeira e a última, portanto, não contempladas na exceção trazida pela Lei 10.684/03 , razão pela qual é inviável seu enquadramento na aludida modalidade de tributação. Precedentes. 4. Recurso especial a que se nega provimento. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/06/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10665.000943/200838 Acórdão n.º 280300.798 S2TE03 Fl. 198 8 Vêse, in casu, que o recorrente, no que concerne às questões judiciais envolvendo a matéria em tela, não obteve os provimentos esperados, situação que o mantém em débito com a Seguridade Social, nos termos constantes da apuração realizada pela autoridade administrativa incumbida do lançamento. Destarte, agindo da maneira em que agiu, o contribuinte malferiu as disposições contidas no art. 195, I, “a”, da Constituição da República c/c o art. 22 da lei nº 8.212/91, motivo pelo qual o lançamento deverá ser mantido para as competências não atingidas pela decadência, conforme acima explicitado. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Fl. 203DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/06/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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