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Numero do processo: 11065.000276/2007-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 21 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Oct 14 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995
NULIDADE. OCORRÊNCIA.
Se reconhece preliminar de nulidade quando verificadas que todas as intimações via postal foram efetivadas no endereço tributário do contribuinte. Configurada a boa fé processual e a precariedade do Aviso Postal emitido pelos Correios.
Numero da decisão: 3102-007.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade das intimações da decisão dos embargos de declaração, e de todos os atos posteriores a elas, devendo ser aberto novo prazo para Recurso.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Márcio Robson Costa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Helcio Lafeta Reis, Laercio Cruz Uliana Junior, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
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OCORRÊNCIA. Se reconhece preliminar de nulidade quando verificadas que todas as intimações via postal foram efetivadas no endereço tributário do contribuinte. Configurada a boa fé processual e a precariedade do Aviso Postal emitido pelos Correios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade das intimações da decisão dos embargos de declaração, e de todos os atos posteriores a elas, devendo ser aberto novo prazo para Recurso. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente (documento assinado digitalmente) Márcio Robson Costa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Helcio Lafeta Reis, Laercio Cruz Uliana Junior, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Mara Cristina Sifuentes. Relatório Os fatos da demanda foram sintetizados pela DRJ com as seguintes palavras, no acórdão de fls. 503: Trata-se do pedido de restituição nº 22552.20677.181206.1.2.57-4940 oriundo de crédito judicial com base na inconstitucionalidade dos Decretos-Lei nº 2.445 e 2.449/88, cuja ação transitou em julgado em 04/03/2002. A renúncia à execução na esfera judicial ocorreu em 22/03/2006. Nesse pedido de restituição é alegado um crédito inicial AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 02 76 /2 00 7- 34 Fl. 618DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3102-007.200 - 3ª Sejul/1ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.000276/2007-34 de R$ 1.027.114,53, sendo que o valor restante atualizado na data da transmissão do PER/DCOMP era de R$ 674.720,75 (fls. 3 a 4 1). As peças referentes à ação judicial se encontram às fls. 6 a 32 dos autos. A habilitação do crédito tramitou no processo nº 11065.100380/2006-47. A DRF jurisdicionante emitiu o Parecer DRF/NHO/SACAT nº 381/2006 reconhecendo o atendimento das disposições do art. 51, da IN SRF nº 600/2005, e deferindo a habilitação (fls. 34 a 38). Já o Parecer SECAT/DRF/NHO nº 183/2007 ao analisar o direito creditório em si, entendeu pela impossibilidade de restituição do crédito pleiteado, tendo em vista que a decisão judicial teria tão somente declarado o direito à compensação (e não de restituição) com parcelas do mesmo tributo (fls. 40 a 44): “Visto que a decisão judicial ao reconhecer a inexigibilidade do PIS na forma dos Decretos Leis 2445 e 2449/88, tão somente, autorizou que o contribuinte procedesse a COMPENSAÇÃO dos valores pagos a maior com parcelas da mesma contribuição, conclui-se pela impossibilidade de restituição do valor indevidamente recolhido”. (gn) A ciência do indeferimento do pedido de restituição foi dada em 13/06/2007 (fl. 46). O contribuinte então encaminhou a manifestação de inconformidade das fls. 49 a 58, onde em síntese alega que não haveria na legislação qualquer óbice para a restituição do indébito em espécie. Entende que o § 2º, do art. 66, da Lei nº 8.383/91, lhe facultaria a opção pela restituição de tributos pagos indevidamente. Diz que optou pela restituição motivado pela razão de se encontrar inoperante, o que conseqüentemente impossibilitaria de se compensar visto não estar gerando tributos a pagar. Se recusada a repetição de indébito estaria ocorrendo enriquecimento sem causa da União. Cita princípios da legalidade e da moralidade, assim como algumas jurisprudências. Em face ao exposto, requeria que fosse recebida a sua presente manifestação de inconformidade para o fim de reformar a decisão proferida no presente caso, deferindo- se, ao final, a restituição dos valores de PIS postulados. O processo foi então encaminhado para a DRJ/Porto Alegre (fl. 67) tendo sido proferido o Acórdão nº 10-35.943, da 2ª Turma da DRJ/POA, considerando por maioria improcedente a manifestação de inconformidade conforme a ementa a seguir reproduzida: “A utilização de créditos oriundos de decisão judicial deve obedecer integralmente à parte dispositiva da decisão, inclusive quando esta determina com qual a forma de utilização do indébito. Agir de forma diferente, pleiteando restituição quando a decisão judicial somente autoriza a compensação dos indébitos afronta a coisa julgada, ainda mais que não consta nenhuma legislação posterior que autorize outra interpretação sobre o assunto”. Inconformado o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 75 a 84). No entanto, o mesmo foi negado e novamente não foi reconhecido o direito de restituição requerido nos termos do Acórdão nº 3803-002.279, da 3ª Turma Especial do CARF: “Tratando-se de direito creditório reconhecido judicialmente, seu aproveitamento há de obedecer os estritos termos da decisão judicial que transitou em julgado, sob risco de ofensa à coisa julgada”. (fl. 95) Dada ciência do Recurso Voluntário ao contribuinte o mesmo opôs Embargos de Declaração sob a alegação de que o recurso havia sido negado por maioria, mas que, no entanto, encontrar-se-ia registrada a presença de 5 julgadores, sendo que 3 deles teriam votado favoravelmente ao embargante, alegando ainda que 2 desses não teriam exposto seus votos dissidentes (fls. 103 a 105). Fl. 619DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3102-007.200 - 3ª Sejul/1ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.000276/2007-34 Da “Informação em Embargos” das fls. 111 a 113 depurou-se que teria ocorrido omissão na Ata da Sessão da presença do julgador Rosaldo Trevisan, o qual votara contrariamente ao contribuinte. É esclarecido também sobre a alegação da necessidade de disposição de todos os votos dissidentes, que teria sido nomeado conselheiro para fazer a declaração de voto (Ivan Allegretti) e que não haveria obrigatoriedade dos outros conselheiros consignarem as razões dos seus votos, salvo se assim desejassem. Sendo assim, a admissibilidade dos Embargos foi considerada improcedente de acordo com o Despacho nº 3403R-000.316, da 4ª Câmara/3ª Turma Ordinária (fl. 114). A ciência do contribuinte dessa feita teve que ser através do Edital SEORT nº 070/2013, diante de terem sido improfícuas as tentativas de intimação por outras vias legais (fl. 126). Em 21/05/2013, o contribuinte transmitiu a declaração de compensação de nº 34040.99923.210513.1.3.57-0081, onde menciona o processo aqui em análise e informa que estaria compensando os créditos oriundos da ação judicial com base na inconstitucionalidade dos Decretos 2.445 e 2.449/88. Dessa feita, informa que o valor atualizado do crédito inicial seria de R$ 742.880,46, e que estaria se utilizado do montante de R$ 115.629,17 (fls. 127 a 131). Foram transmitidas na seqüência outras declarações de compensações (fls. 132 a 138): a) DCOMP nº 07782.81305.200613.1.3.57-9681. b) DCOMP nº 19823.63844.030713.1.3.57-6012. É de serem feitos dois esclarecimentos nesse momento: 1º) essas DCOMPs transmitidas estariam compensando débitos de IRPJ e CSLL; 2º) o contribuinte havia declarado em DCTF (antes do trânsito em julgado) algumas compensações com débitos relativos ao próprio PIS que eram objeto do processo nº 11065.723751/2013-92, o qual foi apensado a esses autos. Aliás, mais um parênteses importante deve ser aqui ressaltado. Encontra-se apensado pela DRF jurisdicionante a esses autos o processo nº 11065.913635/2012-82 que trata de outro contribuinte (fl. 498) – Josué Richter Mello ME (CNPJ nº 92.654.607/001-03). Não identificamos qual a relação do mesmo com esses autos, entendendo-se que foi juntado aqui por engano, pois, inclusive, o processo já foi alvo de julgamento pela DRJ/Ribeirão Preto, através do Acórdão 14-51534. Porém, além da orientação para que seja procedida a desapensação desses autos, é de se dizer que não existe em tal fato nenhum prejuízo para a análise do litígio aqui em debate. O contribuinte foi então intimado pela DRF a comprovar o seu faturamento mensal de janeiro de 1988 a dezembro de 1990 através de sua escrita fiscal e contábil (fl. 139). Foram juntados aos autos: extratos da DIPJ (fls. 205 a 207); comprovantes de pagamentos (fls. 208 a 217); demonstrativo de apuração de débitos (fls. 218 a 221); demonstrativos de pagamentos (fls. 222 a 225); demonstrativos de saldos de pagamentos (fls. 226 a 232); listagem de créditos/saldos remanescentes (fl. 428 a 429); e demonstrativo analítico de compensação (fls. 430 a 436). Na seqüência dos autos aparecem 3 manifestações de inconformidade apresentadas pelo contribuinte referentes às declarações de compensação transmitidas durante o ano de 2013, e que teriam sido todas consideradas não declaradas – fls. 241 a 250, 304 a 313, e 369 a 379. A DRF jurisdicionante emitiu então o Despacho Decisório nº 0366/2014, em 19/05/2014, reconhecendo parcialmente o direito creditório, com as seguintes considerações (fls. 437 a 441): “Apurado crédito reconhecido pela Ação Ordinária nº 96.180.3725-8 para ser utilizado em compensações de PIS com o próprio PIS, em cumprimento ao Fl. 620DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3102-007.200 - 3ª Sejul/1ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.000276/2007-34 Acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF)/Terceira Seção de Julgamento nº 3803-002.279. Demonstrativo da compensação efetuada pelo contribuinte, utilizando-se do crédito de PIS resultante da Ação Ordinária nº 96.180.3725-8, com débitos do próprio PIS declarados em DCTF, no período de jan/1997 a dez/1998, jan/1999 a março/1999 e julho/1999, restando saldo credor. Não homologação das compensações efetuadas pelo contribuinte, utilizando-se do crédito de PIS resultante da Ação Ordinária nº 96.180.3725-8, com débitos de IRPJ e CSSL declaradas em Dcomp, tendo em vista a inexistência de autorização judicial para a realização de compensações com tributos de outras espécies”. Ao final dessa decisão administrativa é dito ainda que após a dedução das compensações declaradas em DCTF, teria restado um saldo no valor de R$ 94.586,63 que poderá ser utilizado em compensações com débitos de PIS: “Informe-se que, com amparo na decisão do CARF, o saldo do crédito, após dedução das compensações declaradas em DCTF, no valor de R$ 94.586,63 (noventa e quatro mil, quinhentos e oitenta e seis reais e sessenta e três centavos), atualizado em 01/01/1996, poderá ser utilizado em compensações com débitos de PIS”. (fl. 441) Dada a ciência do Despacho Decisório (fl. 448), em 06/08/2014, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, onde em síntese faz as seguintes alegações: - QUE somente em 06/08/2014 teve ciência do julgamento dos seus Embargos de Declaração, do qual foi negado seguimento. Dessa forma entende serem nulos todos os atos subseqüentes, inclusive o Despacho Decisório aqui em análise. Diz ter verificado que a intimação para essa ciência foi enviada para o endereço Rua Jacob Muller, nº 196, Bairro 25 de Julho, Ivoti/RS, e que o agente dos correios teria assim certificado a devolução: “Motivo de Devolução – Desconhecido”. Diz que as intimações anteriores foram enviadas para o mencionado endereço e todas foram recebidas. - QUE o mencionado Despacho Decisório equivoca-se ao tratar sobre homologação e não homologação de compensações, quando o presente feito versa apenas sobre pedido de restituição de créditos. - QUE esse processo trata de pedido de restituição de crédito e que a empresa encontra- se inoperante, inclusive, baixada a sua Inscrição Estadual. Cita novamente o § 2º, do art. 66, da Lei nº 8.383/91. Diz que poderia optar entre compensação ou restituição, e que, caso contrário, seria enriquecimento sem causa da União. Por fim, requer: a) o conhecimento de sua manifestação de inconformidade, tendo em vista a presença de todos os requisitos de admissibilidade; b) o acolhimento da preliminar argüida, determinando nova intimação do manifestante quanto ao acórdão proferido em sede de Embargos de Declaração e a conseqüente nulidade de todos os atos posteriores à decisão; c) e por fim, quanto ao mérito, o provimento da presente manifestação de inconformidade, com a reforma do Despacho Decisório nº 0366/2014 para reconhecer o direito do Pedido de Restituição transmitido em 18/12/2006, sob o nº 22552.20677.181206.1.2.57-4940. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Fl. 621DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3102-007.200 - 3ª Sejul/1ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.000276/2007-34 Não se reconhece preliminar de nulidade quando não verificadas as ocorrências previstas no art. 59, do Decreto nº 70.235/72, tendo sido respeitadas às disposições do art. 23 desse mesmo dispositivo legal. AÇÃO JUDICIAL. AFRONTA À COISA JULGADA. A utilização de créditos oriundos de decisão judicial deve obedecer integralmente à parte dispositiva da mesma, sob pena de afrontar a coisa julgada. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. DEFINITIVIDADE. O assunto que já foi alvo de discussão, decisão e trânsito em julgado administrativo, não pode mais ser analisado, pois se encontra definitivamente apreciado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Outros Valores Controlados. Inconformada com o resultado do julgamento a empresa contribuinte apresentou Recurso voluntário no qual replica os argumentos da Manifestação de inconformidade requerendo a nulidade da intimação dos embargos de declaração e dos atos posteriores. Informa que as declarações de compensações transmitidas em 2013com débitos de IRPJ e CSLL foram canceladas, retificadas e integralmente pagas volta a sustentar o seu direito a restituição ancorando-se no fato de que por estar inoperante não cabe realizar compensação por não haver débitos a compensar. Voto Conselheiro Márcio Robson Costa, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma. A controvérsia esta nas razões pelo indeferimento do pedido de restituição de valores reconhecidos como créditos devidos ao contribuinte em decisão judicial transitada em julgado que reconheceu a inconstitucionalidade dos Decretos-Lei nº 2.445 e 2.449/88. O contribuinte fez pedido de restituição que foi negado pela Receita Federal que entendeu que caberia ao caso apenas a compensação com débitos do PIS, por ter sido assim que constou na sentença, segundo o entendimento do próprio FISCO. Preliminar Preliminarmente alega o recorrente a nulidade da citação que dava ciência da decisão dos embargos de declaração (fls. 111/116) opostos contra o acórdão do CARF (fls. 95/100). Houve a primeira tentativa de intimação por via postal, no endereço fiscal do contribuinte, sendo devolvido o Aviso de Recebimento com a informação de “desconhecido”, conforme se pode verificar nas fls. 123 dos autos. Sendo assim, com base no artigo 23 do Decreto n.º 70.235 de 1972, a Receita Federal realizou a citação por edital, conforme comprovado nas fls. 126 que não teve resposta por parte do contribuinte. Fl. 622DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3102-007.200 - 3ª Sejul/1ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.000276/2007-34 Mesmo alegando a nulidade dessa citação na primeira oportunidade que se manifestou nos autos que foi nas fls. 454, por meio de manifestação de inconformidade contra despachos que indeferiram as declarações de compensações transferidas posteriormente, em 2013 ( conforme apensados), o julgador de piso afastou a preliminar de nulidade, que foi objeto do Recurso Voluntário que ora se julga. Importante observar que a citação por edital se deu a partir da intimação via postal que informou no Aviso de Recebimento que o remetente era “desconhecido”. Assim passamos a analisar a possibilidade de inconsistência dessa informação fazendo um comparativo de todas as intimações que constam nos autos, conforme abaixo: Fls. 46 – intimação de 13/06/2007 - válida Fls 107 – intimação de 26/07/2013 – válida Fls 123 – intimação de 26/09/2013 – desconhecido Fls. 140 – intimação de 19/02/2014 - válida Fls. 448 – intimação de 30/07/2014 – válida Fls. 523 – intimação de 16/12/2014 – válida Além disso, o contribuinte atendeu as intimações da fiscalização realizadas por meio eletrônico conforme se pode verificar nas fls. 141 e seguintes nas quais constam que houve resposta do e-mail emitido pelo Seort, requerendo prorrogação do prazo para cumprir a Intimação Fiscal nº 123/2014. Nesse sentido, entendo que o contribuinte demonstra nos autos que sempre atendeu a todas as intimações que foram recebidas, com exceção daquela em que o aviso de recebimento do correio declara o remetente como desconhecido. Há nos autos elementos e provas suficientes da boa fé do contribuinte que jamais se esquivou em atender ao Fisco ou mesmo deixou de responder as decisões proferidas. Conforme se verificou acima nos inúmeros Avisos de Recebimentos apenas umas das intimações não foram atendidas pelo motivo “desconhecido”, fato que causa grande estranheza. A boa fé processual do contribuinte deve ser considerada quando contraposta aos fatos. Mesmo sendo o edital uma formalidade válida, se considerarmos a forma de devolução do AR, nesse caso específico, entendo que essa formalidade pode ser relativizada, já que o meio de comunicação que usualmente era utilizado pelo Fisco eram correspondências emitidas pelos correios. Há na doutrina o entendimento de que “A boa-fé objetiva revela-se no comportamento merecedor de fé, que não frustre a confiança do outro, que não pratique abuso do direito e, por conseguinte, maculação à boa-fé como regra de conduta”. 1 1 MIDIEIRO, Daniel; MARINONI, Luiz Guilherme. CPC comentado. 3. ed. São Paulo: RT, 2011. p. 114-115. Fl. 623DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3102-007.200 - 3ª Sejul/1ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.000276/2007-34 Por todo o comportamento do contribuinte e pela quantidade de intimações válidas, - anteriores e posteriores a inválida – entendo que deve ser superado o entendimento de que esta preclusa a oportunidade de recorrer da decisão dos Embargos de Declaração. Sendo assim acolho a preliminar de nulidade da citação e entendo pela nulidade de todos os atos processuais posteriores. Mérito No mérito, não conheço do recurso porque a questão já foi julgada pelo Carf na decisão de fls 95/100, proferida pela 3ª Turma Especial dessa Terceira Seção de julgamento, evidente que não cabe rediscutir a matéria nessa instância e por isso não a conheço. Diante do exposto entendo por reconhecer e acatar a preliminar de nulidade das intimações da decisão dos embargos de declaração e de todos os atos posteriores a elas, devendo ser aberto novo prazo para Recurso. É o meu entendimento. (documento assinado digitalmente) Márcio Robson Costa Fl. 624DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 19515.003271/2005-68
Turma: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 102-02.429
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por maioria de votos, CONVERTER o julgamento em diligência. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura (Relatora), que não entende necessária tal providência para firmar sua convicção. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Moisés
Giacomelli Nunes da Silva.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura (Relatora), que não entende necessária tal providência para firmar sua convicção. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva. TE. MÁLAQÇIAS PESSOA MONTEIRO ,residente / 4elk MOISES GIACOMELLI N b ES DA SILVA Redator designado FORMALIZADO EM ' o 5 FEV 2010 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Naury Fragoso Tanaka, Silvana Mancini Karam, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Vanessa Pereira Rodrigues Domene. Processo n.° 19515.003271/2005-68 CCO I/CO2 Resolução n.° 102-02.429 Fls. 616 Relatório Contra MAURICE HARARI foi lavrado Auto de Infração, fls. 528/533, para formalização da exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF no valor total de R$ 23.609.308,59, incluindo multa de oficio e juros de mora, estes últimos calculados até 30/11/2005. Infração A infração está assim descrita no Auto de Infração: DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA — Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas(s) de depósitos ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação Fiscal, que faz parte integrante deste Auto de Infração. Do referido Termo de Verificação de Ação Fiscal, fls. 522/527, transcreve-se o seguinte trecho: Isto posto, lavramos o Termo de Intimação de fls. 386, com seus anexos de fls. 399 e 402 a 489, em que solicitamos a comprovação da origem dos valores depositados/creditados em suas contas bancárias, no prazo de 20 (vinte) dias. Tal termo foi entregue pessoalmente em 17/10/2005 à representante legal do contribuinte Sra. Maria de Lourdes Adib de Moraes OAB/SP n ° 63.736, conforme documento de procuração de fis. 385. Atendendo às solicitações deste Termo de Intimação a Sra. Procuradora apresentou em 03/11/2005 os documentos de fls. 490 a 516 em que esclarece que o contribuinte em questão não pode prestar quaisquer esclarecimentos pois, segundo declaração médica de fls. 491 padece de doença de Alzheimer, já se encontrando dependente para atividades da vida diária. Esclarece ainda que a doença foi diagnosticada em 2001, conforme exames anexados ao presente às fls. 493 a 516. Prosseguindo, foi expedido em 25/11/2005 um Mandado de Procedimento Fiscal Extensivo em nome da Sra. Jocelyne Harari CPF 041.699.978-67, pois esta era procuradora do Sr. Maurice Harari para movimentar suas contas bancárias, tanto no Banco do Brasil S/A quanto no Banco Bradesco S/A nos anos/calendário fiscalizados, ou seja 2000 e 2001. Tal documento acha-se anexado às fls. 518. Prosseguindo, lavramos em 29/11/2005 um Termo de Início de Fiscalização para a Sra. Jocelyne Harari para que no prazo de 05 (cinco) dias prestasse esclarecimentos e fornecesse informações sobre as contas bancárias do Sr. Maurice Harari no Banco do Brasil S/A e no Banco Bradesco S/A nos anos/calendário de 2000 e 2001. Tal Termo de Intimação, anexado às fls. 519, foi enviado via "Aviso de Recebimento" e recebido em 01/12/2005, conforme documento de fls. 520. 2 _ Processo n.° 19515.003271/2005-68 CC01/CO2 Resolução n.° 102-02.429 Fls. 617 Atendendo a intimação acima Citada a Sra. Joselyne Harari . compareceu a esta divisão e esclareceu conforme documento de fls. 521 que, embora fosse procuradora do Sr. Maurice Harari, não tinha nenhum conhecimento sobre os negócios do mesmo, não podendo portanto prestar nenhum esclarecimento sobre os negócios do mesmo, assim como esclareceu que as contas bancárias eram conjunta com a Sra. Regine Harari cônjuge do contribuinte, que também não tem condições para prestar quaisquer esclarecimentos. Impugnação O contribuinte apresentou impugnação, fls. 538/553, que se encontra assim resumida no relatório do Acórdão DRJ São Paulo/SP II, fls. 570/587. 1) que, preliminarmente, há de ser considerada, de plano, a inexistência de parte do débito exigido, em razão da efetiva ocorrência da decadência do direito de lançá-lo; 2) que, de fato, uma vez que os pretensos períodos de apuração se referem a 31 de janeiro a 30 de novembro de 2000, o correspondente lançamento deveria ter sido efetivado até 30 de novembro de 2005 e só o foi, contudo, em 16 de dezembro de 2005, o que acarretou a extinção parcial do crédito tributário pelo decurso do prazo de decadência estabelecido no Código Tributário Nacional; 3) que haja vista que o Imposto sobre a Renda se submete ao lançamento por homologação, uma vez decorrido o prazo legal para a sua realização pela autoridade administrativa, o direito à constituição do crédito tributário correspondente extinguir-se-á, como, aliás, entende a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda; 4) que, por outro lado, totalmente eivado de nulidade está o procedimento fiscal sub examine, isto porque ele não decorre do real inadimplemento da obrigação tributária atinente ao Imposto sobre a Renda, mas resulta, sim, de efetiva presunção, por parte da d. agente autuante, de que teriam sido omitidos rendimentos tributáveis pelo aludido imposto; 5) que não há como se admitir que a d. autoridade fiscal, sem nenhuma prova concreta da infração alegada, presuma, por meio de extratos bancários, a falta de recolhimento do Imposto de Renda pelo impugnante, presunção esta que tem sido rechaçada, com veemência, pelo E.Conselho de Contribuintes, como se infere das ementas das decisões que transcreve; 6) que mais do que ilegítimo, portanto, é o auto de infração impugnado, cujo fim é exigir o Imposto sobre a Renda fundado em indícios e presunções, sem a necessária verificação da real existência do respectivo fato gerador; 7) que o sigilo, inclusive, o bancário, está compreendido na proteção maior que a Carta Magna propicia à intimidade e à privacidade dos cidadãos (art. 5°, incisos X e XII, da CF), que consubstanciam as chamadas cláusulas pétreas; 3 Processo n.° 19515.003271/2005-68 CCOI/CO2 Resolução n.° 102-02.429 Fls. 618 8) que, assim sendo, não há como negar a inconstitucionalidade do inciso III do parágrafo 3 0 do art. I" da Lei Complementar n°105/01, ao prever a inexistência de violação ao dever de sigilo em se tratando de informações utilizadas pela Secretaria da Receita Federal com o -intuito de exigir impostos e contribuições por ela arrecadados; 9) que, na hipótese dos autos, o sigilo bancário do impugnante foi quebrado sem a primordial autorização judicial, procedimento este que tem sido repelido, de forma constante, pelo Supremo Tribunal Federal; 10) que, em suma, a autuação fiscal levada a efeito encontra-se viciada, visto que, obrigatoriamente, o sigilo bancário do impugnante somente poderia ter sido quebrado, com a devida autorização judicial, o que a torna nula de pleno direito; 11.) que a cobrança de multa de mora, de juros, alegadamente moratórios e de correção monetária em patamares elevados - como ocorre na hipótese - configura evidente excesso e arbitrariedade administrativa, em virtude de constituir cobrança cumulativa de penalidades de igual natureza reparatória; 12) que são incabíveis a prática de confisco e a infligência excessiva e arbitrária da sanção à infração tributária cometida, tendo em vista a dúplice exigência de acréscimos legais com a mesma finalidade; 13) que, por fim, não há como deixar de se argüir as manifestas ilegalidade e inconstitucionalidade da utilização da taxa SELIC, que não se presta para a caracterização dos juros fiscais, por ter, ao invés, a finalidade de remunerar o capital; 14) que deveriam ser aplicados tão somente sobre o pretendido débito os juros de mora calculados à taxa de 1% ao mês estatuídos no parágrafo primeiro do artigo 161 do Código Tributário Nacional. Decisão de Primeira Instância A DRJ São Paulo/SP II julgou procedente o lançamento, com fundamento nas seguintes considerações: - que a autoridade fiscal obedeceu aos estritos ditames da Lei Complementar n 105, de 10 de janeiro de 2002 e do Decreto n ° 3.724, da mesma data, ao solicitar os extratos bancários do contribuinte às instituições financeiras e que não houve nenhuma violação à legislação vigente quanto ao sigilo bancário do contribuinte. - que nos casos de lançamento de oficio o prazo decadencial é determinado pelo disposto no inciso I do art. 173 do CTN. - que para os fatos geradores do ano-calendário 2000 o termo inicial do prazo decadencial deu-se em 01/01/2002, com termo final em 31/12/2006. - que a argumentação de que a movimentação bancária não é fato gerador de imposto de renda, carece de sustentação, já que atinente a lançamento realizado sob a égide do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. 4 Processo n.° 19515.003271/2005-68 CCOI/CO2 Resolução n.° 102-02.429 Fls. 619 - que se verifica do exame das peças constitutivas dos autos que o interessado não logrou comprovar a origem dos valores depositados/creditados nas contas-correntes e de poupança, relacionados nos extratos bancários, obtidos das instituições financeiras Banco do Brasil S/A e Banco Bradesco S/A, caracterizando, assim, a omissão de rendimentos, como definida no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. - que é descabida a alegação de confisco quanto à exigência da multa de oficio de 75%, pois a vedação estabelecida na Constituição Federal é dirigida ao legislador. - que à autoridade administrativa cabe cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas, não sendo sua competência discutir a constitucionalidade da taxa Selic, se esta fere ou não os princípios da igualdade, estrita legalidade, anterioridade, capacidade contributiva e a limitação de 12% ao ano, estatuída na Carta Magna, art. 192, § 3°, como também se tem ou não natureza de correção monetária. Os fundamentos da decisão recorrida estão consubstanciados nas seguintes ementas: Ementa: SIGILO BANCÁRIO. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. A obtenção de informações junto às instituições financeiras, por parte da administração tributária, a par de amparada legalmente, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de oficio. DECADÊNCIA. NATUREZA DO LANÇAMENTO. Tendo havido recolhimento a menor do tributo, ensejando lançamento de oficio, o início da contagem do prazo decadencial terá efeito no primeiro dia do exercício seguinte àquele previsto para a entrega da declaração de ajuste anual, conforme o disposto no art. 173, Ido CTN. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. • A Lei n° 9.430/1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA. 5 Processo n.° 19515.003271/2005-68 CCO 1 /CO2 Resolução n.° 102-02.429 Fls. 620 O princípio da vedação ao confisco está previsto no art. 150, IV da C.F. e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la. A multa de oficio é devida em face da infração tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. TAXA SELIC. A apuração do crédito tributário, incluindo a exigência de juros de mora com base na Taxa Selic, decorre de disposições expressas em lei, não podendo as autoridades administrativas de lançamento e de julgamento afastar sua aplicação. Lançamento procedente Recurso Cientificado da decisão de primeira instância em 20/04/2007, fls. 593, o. contribuinte apresentou em 17/05/2007 Recurso, fls. 597/613, no qual reproduz e reforça, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação. É o Relatório. 6 Processo n.° 19515.003271/2005-68 CCOI/CO2 Resolução n.° 102-02.429 Fls. 621 Voto Vencido Conselheira NUBIA MATOS MOURA, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos, caracterizado por depósitos bancários com origem não comprovada e em seu Recurso a defesa afirma que a quebra do sigilo bancário do contribuinte somente seria possível mediante autorização judicial, dado que entende que o inciso III do parágrafo 3 0 do art. 10 da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001 é inconstitucional. Nesse sentido, traz-se, por oportuno, Súmula n° 2 do Primeiro Conselho de Contribuinte: Súmula 1°CC n° 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Publicada no DOU, Seção], dos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 28/07/2006) Como se vê, esta Conselheira encontra-se impedida de examinar a constitucionalidade de leis tributárias. E em assim sendo, deixarei de me pronunciar acerca das alegações da defesa no que tange à validade dos dispositivos da Lei Complementar n° 105, de 2001. Outrossim, cumpre esclarecer que no presente caso a autoridade fiscal requereu às instituições financeiras as informações bancárias do contribuinte, mediante Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira, fls. 17/22, com estrita observância do disposto na Lei Complementar n° 105, de 2001 e no Decreto n°3.724, de 10 de janeiro de 2001. Não há que se falar, portanto, em autorização judicial para solicitar os extratos bancários do contribuinte, conforme alega o Recorrente. Ainda, preliminarmente, a defesa argúi a decadência de parte do crédito tributário exigido no lançamento. Afirma que se aplica à espécie a norma prevista no § 4° do art. 150 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN) e que em relação ao período de apuração compreendido entre 31/01/2000 a 31/11/2000 o prazo decadencial encerrou-se em 30/11/2005. É pacífico, com o advento das Leis n's 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e 8.134, de 27 de dezembro de 1990, que o Imposto de Renda Pessoa Física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação, art. 150 do CTN, pois atribui ao contribuinte o dever de antecipar o pagamento. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. 7 Processo n.° 19515.003271/2005-68 CCO I /CO2 Resolução n.° 102-02.429 Fls. 622 Assim, considera-se homologado, o lançamento, após cinco anos, contados do fato gerador do tributo, e definitivamente extinto o crédito lançado, conforme parágrafos 1° e 40 do art. 150 do CTN. ,ss I' O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 4 0 Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Contudo, tendo ocorrido a omissão de rendimento, presumida legalmente pelos depósitos bancários não comprovados, o lançamento subsume-se ao inciso V do artigo 149 do CTN, que determina o lançamento de oficio, ou mesmo a revisão de oficio de qualquer modalidade de lançamento. A renda tributada pelo Fisco no presente lançamento, em princípio, fora omitida e, obviamente, com relação à mesma, não se verifica qualquer antecipação de pagamento de imposto por parte do contribuinte. Este fato permite concluir que não há qualquer procedimento, ou atividade mencionada no art. 150 do CTN pelo obrigado, nem o respectivo pagamento do tributo sobre a identificada renda omitida, que deva ser homologado. Portanto, não há como se falar em lançamento por homologação para renda omitida. Ou melhor, quando em auditoria de tributo, cuja modalidade de lançamento seja por homologação, for verificado que houve omissão ou inexatidão por parte do contribuinte no exercício dessa atividade, o CTN em seu art. 149, inciso V, determina que esse lançamento seja revisto de oficio, obviamente, consubstanciado por meio de Auto de Infração. O parágrafo único do art. 149 do CTN delimita que a revisão de oficio só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Já o direito da Fazenda Pública, para constituir o crédito tributário, extingue-se após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, inciso I do art. 173 do CTN. Art. 173 — O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1— do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; — da data em que se torne definitiva a decisão que houver anulado, por vício, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único — O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. 8 Processo n.° 19515.003271/2005-68 CC01/CO2 Resolução n.° 102-02.429 Fls. 623 A norma do art. 173, inciso I, manda contar o prazo decadencial do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O exercício em que o lançamento pode ser efetuado é o ano em que se instaura a possibilidade de o Fisco lançar. Ou seja, para proceder ao lançamento referente à omissão de rendimentos ocorrida no ano-calendário de 2000, o Fisco deveria esperar a entrega da Declaração de Ajuste correspondente, cujo prazo final para apresentá-la se deu em 30/04/2001. Portanto, o lançamento só poderia ter sido efetuado a partir de 30/04/2001, sendo 01/01/2002 o termo inicial do prazo decadencial, primeiro dia do exercício seguinte ao que o Auto de Infração poderia ter sido lavrado, e 31/12/2006 o termo final. Como a ciência ao Auto de Infração ocorreu em 29/12/2005, fls. 536, não há que se falar, no presente caso, em decadência do direito de lançar crédito tributário relativos aos fatos geradores ocorridos durante o ano-calendário de 2000. Ainda que se admitisse que para os casos de lançamento de oficio o prazo decadencial fosse aquele previsto no § 40 do art. 150 do CTN, não prevaleceria a hipótese argüida pela defesa. O imposto de Renda Pessoa Física, embora apurado mensalmente, se sujeita ao ajuste anual, e em assim sendo sua apuração somente se faz ao final do exercício, quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva anual. Trata-se, pois, de fato gerador complexivo anual. E, em assim sendo, no presente caso, o fato gerador só se completaria em 31/12/2000, data a ser considerada para fins de contagem do prazo decadencial, que se encerraria em 31/12/2005. Como o contribuinte tomou ciência do Auto de Infração em 29/12/2005, estaria, também deste modo, afastada a decadência. No mérito, a Recorrente afirma que o lançamento efetivou-se com base em meros indícios e presunções e que os rendimentos objeto do Auto de Infração foram arbitrados com base em depósitos bancários, sem que se demonstrasse nenhum sinal exterior de riquezas. Oportuno se faz um rápido histórico da legislação vigente sobre a tributação de depósitos bancários, com o objetivo de se aclarar a evolução do ordenamento jurídico que regeu, e rege, a matéria tributária objeto do presente lançamento. A Lei n° 8.021, de 14 de abril de 1990, determinou: Art. 6° O lançamento de oficio, além dos casos já especificados em lei, far-se-á arbitrando-se os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. §5° O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 6° Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte. 9 Processo n.° 19515.003271/2005-68 CCO 1/CO2 Resolução n.° 102-02.429 Fls. 624 À vista de tais regras tem-se que os rendimentos omitidos poderiam ser arbitrados com base nos sinais exteriores de riqueza, caracterizados por gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. A omissão poderia, ainda, ser presumida no valor dos depósitos bancários injustificados, desde que apurados os citados dispêndios e que este fosse o critério de arbitramento mais benéfico ao contribuinte. A partir de 1997, entretanto, o assunto em tela passou a ter um disciplinamento diferente daquele previsto na Lei n° 8.021, de 1990: foi promulgada a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que nos arts. 42, e 88, XVIII, com a alteração do art. 4° da Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997, que, conforme art. 150, III da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988- CF, de 1988 c/c o art. 105 do CTN, aplica-se aos fatos geradores futuros ou pendentes ocorridos a partir de 01/01/1997: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (.) Art. 88. Revogam-se: (.) XVIII — o §5° do art. 6° da Lei n.° 8.021, de 12 de abril de 1990. Desta forma, o legislador estabeleceu, a partir da referida data, uma presunção legal de omissão de rendimentos. Não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, tem-se a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte. Há a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais — o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. Assim, o legislador substituiu uma presunção por outra, as duas relativas ao lançamento do rendimento omitido com base nos depósitos bancários, porém diversas nas condições para sua aplicação: a da Lei n° 8.021, de 1990, condicionava-se à falta de comprovação da origem dos recursos à demonstração dos sinais exteriores de riqueza e que fosse este o critério mais benéfico ao contribuinte; já a presunção da Lei n° 9.430, de 1996, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do fiscalizado, em instituições financeiras. Deste modo, a partir da vigência da Lei n° 9.430, de 1996, ficou determinado que se considere, por presunção legal, corno omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de oficio, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais a pessoa fisica, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. Nesse passo, importa esclarecer que as ementas de Acórdãos proferidos pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, que o Recorrente fez constar de seu Recurso, no que diz respeito aos lançamentos com base em depósitos bancários, se referem à legislação anterior à 10 Processo n.° 19515.003271/2005-68 CCOI/CO2 Resolução n.° 102-02.429 Fls. 625 edição da Lei n° 9.430, de 1996, restando inteiramente prejudicada qualquer argumentação com base nas mesmas. No presente caso, tem-se que o contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos recursos movimentados em suas contas-corrente, conforme Termo de Intimação, fls. 386. Em atendimento ao mencionado Termo, a representante do contribuinte, Maria de Lourdes Adib de Moraes, informou à autoridade fiscal que o contribuinte era portador de doença de Alzheimer e que se encontrava dependente para atividades da vida diária. Diante de tal alegação a autoridade fiscal expediu novo Termo de Intimação, fls. 519, desta feita para a Sra. Jocelyne Harari, procuradora do contribuinte, junto às instituições financeiras, com poderes para movimentar os recursos objeto do Auto de Infração. A procuradora, atendendo o Termo de Intimação, esclareceu que: • ...embora eu fosse procuradora de meu pai Sr. Maurice Harari, eu não tinha nenhuma informação sobre os negócios, recebimentos e transferências de numerário por ele realizados. Informo também que as contas correntes nas instituições acima discriminadas eram conjuntas com a Sra. Regine Harari, que, também, nunca teve conhecimento dos negócios do contribuinte fiscalizado, estando, atualmente, sem condições físicas para prestar quaisquer esclarecimentos em virtude de sua idade e de problemas de saúde. Como se vê a autoridade fiscal, ao ser informada de que o contribuinte era portador do Mal de Alzheimer, providenciou, de pronto, a intimação de sua procuradora junto às instituições financeiras. Não, pode prevalecer, portanto, a alegação do Recorrente de que não houve nenhuma possibilidade de produção de prova, em razão de ser o contribuinte portador do Mal de Alzheimer em estágio adiantado. Nesse passo, importa esclarecer que, ao contrário do que afirmou a procuradora do contribuinte, não consta nos autos nenhuma evidência de que as contas bancárias de titulafidade do contribuinte sejam conjuntas. Deste modo, considerando-se que o titular das contas bancárias em questão e sua procuradora foram devidamente intimados a comprovar a origem dos recursos movimentados e que os mesmos optaram por não indicar a origem de tais valores, caracterizou-se a presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Conclui-se, portanto, pela manutenção da infração de omissão de rendimentos, conforme consubstanciada no presente lançamento. No que diz respeito à multa de oficio e aos juros de mora cumpre esclarecer que os mesmos decorrem de expressa disposição legal, quais sejam: multa de oficio - art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996 e juros Selic - art. 61, § 3° c/c o art. 50 da mesma Lei. Outrossim, deve-se observar que falece competência aos órgãos julgadores administrativos para apreciar os fundamentos de validade dessas normas, limitando-se a aplicá- las. Do mesmo modo, o alegado caráter confiscatório da multa de oficio ataca a própria validade da norma, já que o principio constitucional do não-confisco, independentemente de qualquer consideração no que tange à sua incidência sobre penalidades, dirige-se ao legislador, a quem cabe ponderar sobre essa questão e não ao aplicador da lei, que 11 Processo n.° 19515.003271/2005-68 • CCO I /CO2 Resolução n.° 102-02.429 Fls. 626 deve obedecer às normas regularmente inseridas no ordenamento jurídico, sem fazer juízo subjetivo sobre o impacto econômico que a mesma tem em relação ao contribuinte. • Quanto aos juros Selic, em particular, a matéria foi objeto de súmula, a saber: Súmula 1° CC 11 0 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Publicada no DOU, Seção 1, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 28/07/2006) Assim, não existem reparos a fazer na exigência da multa de oficio e nos juros de mora. Conclusão Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 23 de abril de 2008 411041 NUBIA MATOS MOURA 12 Processo n.° 19515.003271/2005-68 CC01/CO2 Resolução n.° 102-02.429 Fls. 627 VOTO VENCEDOR Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Contra MAURICE HARARI foi lavrado Auto de Infração, fls. 528/533, para formalização da exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF no valor total de R$ 23.609.308,59, incluindo multa de oficio e juros de mora, estes últimos calculados até 30/11/2005. Infração A infração está assim descrita no Auto de Infração: DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA — Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas(s) de depósitos ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação Fiscal, que faz parte integrante deste Auto de Infração. Do referido Termo de Verificação de Ação Fiscal, fls. 522/527, transcreve-se o seguinte trecho: Isto posto, lavramos o Termo de Intimação de fls. 386, com seus anexos de fls. 399 e 402 a 489, em que solicitamos a comprovação da origem dos valores depositados/creditados em suas contas bancárias, no prazo de 20 (vinte) dias. Tal termo foi entregue pessoalmente em 17/10/2005 à representante legal do contribuinte Sra. Maria de Lourdes Adib de Moraes OAB/SP n ° 63.736, conforme documento de procuração de fls. 385. Atendendo às solicitações deste Termo de Intimação a Sra. Procuradora apresentou em 03/11/2005 os documentos de fls. 490 a 516 em que esclarece que o contribuinte em questão não pode prestar quaisquer esclarecimentos pois, segundo declaração médica de fls. 491 padece de doença de Alzheimer, já se encontrando dependente para atividades da vida diária. Esclarece ainda que a doença foi diagnosticada em 2001, conforme exames anexados ao presente às fls. 493a 516. Prosseguindo, foi expedido em 25/11/2005 um Mandado de Procedimento Fiscal Extensivo em nome da Sra. Jocelyne Harari CPF 041.699.978-67, pois esta era procuradora do Sr. Maurice Harari para movimentar suas contas bancárias, tanto no Banco do Brasil S/A quanto no Banco Bradesco S/A nos anos/calendário fiscalizados, ou seja 2000 e 2001. Tal documento acha-se anexado às fls. 518. Prosseguindo, lavramos em 29/11/2005 um Termo de Início de Fiscalização para a Sra. Jocelyne Harari para que no prazo de 05 (cinco) dias prestasse esclarecimentos e fornecesse informações sobre as contas bancárias do Sr. Maurice Harari no Banco do Brasil S/A e no Banco Bradesco S/A nos anos/calendário de 2000 e 2001. Tal Termo de Intimação, anexado às fls. 519, foi enviado via "Aviso de 13 Processo n.° 19515.003271/2005-68 CCOI/CO2 Resolução n.° 102-02.429 Fls. 628 • Recebimento" e recebido em 01/12/2005, conforme documento de fls. 520. Atendendo a intimação acima citada a Sra. Joselyne Harari compareceu a esta divisão e esclareceu conforme documento de fls. 521 que, embora fosse procuradora do Sr. Maurice Harari, não tinha nenhum conhecimento sobre os negócios do mesmo, não podendo portanto prestar nenhum esclarecimento sobre os negócios do mesmo, assim como esclareceu que as contas bancárias eram conjunta com a Sra. Regine Harari cônjuge do contribuinte, que também não tem condições para prestar quaisquer esclarecimentos. Impugnação O contribuinte apresentou impugnação, fls. 538/553, que se encontra assim resumida no relatório do Acórdão DRJ São Paulo/SP II, fls., 570/587. 1) que, preliminarmente, há de ser considerada, de plano, a inexistência de parte do débito exigido, em razão da efetiva ocorrência da decadência do direito de lançá-lo; 2) que, de fato, uma vez que os pretensos períodos de apuração se referem a 31 de janeiro a 30 de novembro de 2000, o correspondente lançamento deveria ter sido efetivado até 30 de novembro de 2005 e só o foi, contudo, em 16 de dezembro de 2005, o que acarretou a extinção parcial do crédito tributário pelo decurso do prazo de decadência estabelecido no Código Tributário Nacional; 3) que haja vista que o Imposto sobre a Renda se submete ao lançamento por homologação, uma vez decorrido o prazo legal para a sua realização pela autoridade administrativa, o direito à constituição do crédito tributário correspondente extinguir-se-á, como, aliás, entende a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda; 4) que, por outro lado, totalmente eivado de nulidade está o procedimento fiscal sub examine, isto porque ele não decorre do real inadimplemento da obrigação tributária atinente ao Imposto sobre a Renda, mas resulta, sim, de efetiva presunção, por parte da d. agente autuante, de que teriam sido omitidos rendimentos tributáveis pelo aludido imposto; 5) que não há como se admitir que a d. autoridade fiscal, sem nenhuma prova concreta da infração alegada, presuma, por meio de extratos bancários, a falta de recolhimento do Imposto de Renda pelo impugnante, presunção esta que tem sido rechaçada, com veemência, pelo E. Conselho de Contribuintes, como se infere das ementas das decisões que transcreve; 6) que mais do que ilegítimo, portanto, é o auto de infração impugnado, cujo fim é exigir o Imposto sobre a Renda fundado em indícios e presunções, sem a necessária verificação da real existênci do respectivo fato gerador; 14 Processo n.° 19515.003271/2005-68 CCOI/CO2 Resolução n.° 102-02.429 Fls. 629 7) que o sigilo, inclusive, o bancário, está compreendido na proteção maior que a Carta Magna propicia à intimidade e à privacidade dos cidadãos (art. 5°, incisos X e XII, da CF), que consubstanciam as chamadas cláusulas pétreas; 8) que, assim sendo, não há como negar a inconstitucionalidade do inciso III do parágrafo 3° do art. 1° da Lei Complementar n° 105/01, ao prever a inexistência de violação ao dever de sigilo em se tratando de informações utilizadas pela Secretaria da Receita Federal com o intuito de exigir impostos e contribuições por ela arrecadados; 9) que, na hipótese dos autos, o sigilo bancário do impugnante foi quebrado sem a primordial autorização judicial, procedimento este que tem sido repelido, de forma constante, pelo Supremo Tribunal Federal; 10) que, em suma, a autuação fiscal levada a efeito encontra-se viciada, visto que, obrigatoriamente, o sigilo bancário do impugnante somente poderia ter sido quebrado, com a devida autorização judicial, o que a torna nula de pleno direito; 11) que a cobrança de multa de mora, de juros, alegadamente momtórios e de correção monetária em patamares elevados - como ocorre na hipótese - configura evidente excesso e arbitrariedade administrativa, em virtude de constituir cobrança cumulativa de penalidades de igual natureza reparatória; 12) que são incabíveis a prática de confisco e a infligência excessiva e arbitrária da sanção à infração tributária cometida, tendo em vista a dúplice exigência de acréscimos legais com a mesma finalidade; 13) que, por fim, não há como deixar de se argüir as manifestas ilegalidade e inconstitucionalidade da utilização da taxa SELIC, que não se presta para a caracterização dos juros fiscais, por ter, ao invés, a finalidade de remunerar o capital; 14) que deveriam ser aplicados tão somente sobre o pretendido débito os juros de mora calculados à taxa de 1% ao mês estatuídos no parágrafo primeiro do artigo 161 do Código Tributário Nacional. Decisão de Primeira Instância A DRJ São Paulo/SP II julgou procedente o lançamento, com fundamento nas seguintes considerações: - que a autoridade fiscal obedeceu aos estritos ditames da Lei Complementar n 105, de 10 de janeiro de 2002 e do Decreto n ° 3.724, da mesma data, ao solicitar os extratos bancários do contribuinte às instituições financeiras e que não houve nenhuma violação à legislação vigente quanto ao sigilo bancário do contribuinte. - que nos casos de lançamento de ofício o prazo decadencial é determinado pelo disposto no inciso I do art. 173 do CTN. - que para os fatos geradores do ano-calendário 2000 o termo inicial do prazo decadencial deu-se em 01/01/2002, com termo final em 31/12/2006. Processo n.° 19515.003271/2005-68 CCO I/CO2 •Resolução n.° 102-02.429 Fls. 630 - que a argumentação de que a movimentação bancária não é fato gerador de imposto de renda, carece de sustentação, já que atinente a lançamento realizado sob a égide do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. - que se verifica do exame das peças constitutivas dos autos que o interessado não logrou comprovar a origem dos valores depositados/creditados nas contas- correntes e de poupança, relacionados nos extratos bancários, obtidos das instituições financeiras Banco do Brasil S/A e Banco Bradesco S/A, caracterizando, assim, a omissão de rendimentos, como definida no art. 42 da Lei n°9.430, de 1996. - que é descabida a alegação de confisco quanto à exigência da multa de oficio de 75%, pois a vedação estabelecida na Constituição Federal é dirigida ao legislador. - que à autoridade administrativa cabe cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas, não sendo sua competência discutir a constitucionalidade da taxa Selic, se esta fere ou não os princípios da igualdade, estrita legalidade, anterioridade, capacidade contributiva e a limitação de 12% ao ano, estatuída na Carta Magna, art. 192, § 3°, como também se tem ou não natureza de correção monetária. Os fundamentos da decisão recorrida estão consubstanciados nas seguintes ementas: Ementa: SIGILO BANCÁRIO. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. A obtenção de informações junto às instituições financeiras, por parte da administração tributária, a par de amparada legalmente, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de oficio. DECADÊNCIA. NATUREZA DO LANÇAMENTO. Tendo havido recolhimento a menor do tributo, ensejando lançamento de oficio, o início da contagem do prazo decadencial terá efeito no primeiro dia do exercício seguinte àquele previsto para a entrega da declaração de ajuste anual, conforme o disposto no art. 173, Ido CTN. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei n° 9.430/1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a 16 Processo n.° 19515.003271/2005-68 CCOI/CO2 Resolução n.° 102-02.429 Fls. 631 origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA. O princípio da vedação ao confisco está previsto no art. 150, IV, da C.F. e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la. A multa de oficio é devida em face da infração tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. TAXA SELIC. A apuração do crédito tributário, incluindo a exigência de juros de mora com base na Taxa Selic, decorre de disposições expressas em lei, não podendo as autoridades administrativas de lançamento e de julgamento afastar sua aplicação. Lançamento procedente Recurso Cientificado da decisão de primeira instância em 20/04/2007, fls. 593, o contribuinte apresentou em 17/05/2007 Recurso, fls. 597/613, no qual reproduz e reforça, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação. É o Relatório, decido. Em se tratando de conta conjunta, à luz do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, há necessidade de intimação de todos os co-titulares para que comprovem a origem dos recursos. Nos casos em não ficar comprovada a titularidade dos valores creditados em conta corrente, a tributação deve observar as disposições do § 5° do artigo de lei aqui citado. A ficha cadastral de fl. 54 informa que se trata de conta solidária (e/ou), sendo que ao final do citado documento a instituição financeira destacou, "in verbis": "Por não constar a existência de processo administrativo instaurado contra a pessoa do co-titular da conta bancária, deixamos de fornecer seus dados." A ficha cadastral de fl. 53 está datada de 20/06/05. Porém, em se tratando de auto de infração correspondente aos anos-calendário de 2000 e 2001, é necessário que se intime o Banco Bradesco para, sem necessidade de declinar o nome, informar se nos anos de 2000 e 2001 a conta especificada no documento de fl. 53 já possuía outro co-titular além de Maurice Harari. Ademais, os documentos de fls. 294 a 362, demonstram que a lista de cheques sem fundos ocupa 67 folhas, isto é, mais de 4.400 cheques sem provisão de fundos, no períod 17 Processo n.° 19515.003271/2005-68 CC01/CO2 Resolução n.° 102-02.429 Fls. 632 de dois anos, o que é forte indicativo de que as contas bancárias do autuado eram utilizadas em operações de natureza empresarial (art. 150, II, do Regulamento do Imposto de Renda). Os documentos de fls. 387/487 demonstram que os recursos creditados na conta do autuado, junto ao Banco, em sua quase totalidade, estão indicados com o histórico "DEP TRANSF. E/A BDN". Se são depósitos provenientes de outras contas bancárias tenho que é possível aprofundar a fiscalização para solicitar ao Banco que informe, se possível, a origem da remessa dos referidos depósitos e o deu desdobramento, isto é, para o caso de depósito de mais de um cheque, a relação dos cheques que o compõem. Em relação à conta do Banco do Brasil, em análise superficial, verifico que todos os depósitos foram realizados em cheques. Considerando que o autuado, na ficha cadastral de fl. 53 está identificado como proprietário de estabelecimento comercial e que trabalha na empresa Maces Serviços Representações Comerciais S/C LTDA, há 20 anos, em razão do aparente indicio de que os valores são provenientes da atividade comercial e como tal deveriam ser tributados, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para: a) Intimar o Banco Bradesco para, sem necessidade de declinar o nome, informar se nos anos de 2000 e 2001 a conta especificada no documento de fl. 53 já possuía outro co-titular além de Maurice Harari. b) Intimar o Banco Bradesco para que informe a origem da remessa dos depósitos relacionados do quadro a seguir, com seus respectivos desdobramentos, isto é, para o caso de depósito de mais de um cheque, a relação dos cheques que o compõem. Conta Data Valor Histórico Fl. dos autos 112111 22/05/2000 12.909,00 DEP TRANSF. E/A BDN". 402 112111 24/05/2000 41.425,00 DEP TRANSE. E/A BDN". 402 112111 07/11/2000 634,60 DEP TRANSE. E/A BDN". 429 112111 20/11/2000 20.000,00 DEP TRANSF. E/A BDN. 431 112111 17/05/2001 24.100,00 TRANSF E/A DINHEIRO 452 112111 06/08/2001 853,16 DEP TRANSF. E/A BDN. 464 112111 31/05/2001 24.474,00 DEP TRANSF. E/A BDN. 483 112111 31/05/2001 1.689,00 DEP TRANSF. E/A BDN. 483 c) Intimar o Banco Bradesco para que informe a origem da remessa dos depósitos relacionados do quadro a seguir, com seus respectivos desdobramentos, isto é, para o caso de depósito de mais de um cheque, a relação dos cheques que o compõem. Conta Data Valor Histórico Fl. dos autos 21.729-0 18/05/2000 16.770,00 Dep. Bi. 1 d útil 29 21.729-0 16/06/2000 12.580,00 Dep. Bi. 1 d útil 31 21.729-0 30/08/2000 8.400,00 Dep. Bi. 1 d útil 34 18 Processo n.° 19515.003271/2005-68 CCOI/CO2 Resolução n.° 102-02.429 Fls. 633 21.729-0 27/05/2001 1.200,00 Dep. Bi. 1 d útil 46 21.729-0 21/11/2001 26.500,00 Dep. Bl. 1 d útil 50 Deverá a fiscalização, se possível, realizar outras diligências com a finalidade de identificar a atividade do autuado ou de quem movimentava suas contas bancárias para justificar tamanha quantidade de cheques devolvidos sem provisão de fundos, emitindo relatório conclusivo. Após as diligências acima referidas, intimar a procuradora do autuado para, no prazo de 20 (vinte) dias, manifestar-se sobre o conteúdo das diligências e do relatório conclusivo. É o Voto. Sala de Sessões, Brasília/DF, 23 de abril de 2008. ConZélheiro Moisés Giacom • Nunes da Silva. Redator designado 19
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000714/2003-98
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1996
DECADÊNCIA. ANULAÇÃO POR VÍCIO FORMAL. NOVO LANÇAMENTO.
Nos casos em que o lançamento primitivo foi anulado por vício formal, o termo inicial para a contagem da decadência do direito de efetuar novo lançamento é a data em que se tornou definitiva a decisão que o houver anulado. O novo lançamento, contudo, não se preste a agravar a exigência inicial quando já houver transcorrido o prazo normal de decadência. Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-000.807
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR
PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: JORGE CLÁUDIO DUARTE CARDOSO
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ANULAÇÃO POR VÍCIO FORMAL. NOVO LANÇAMENTO. Nos casos em que o lançamento primitivo foi anulado por vício formal, o termo inicial para a contagem da decadência do direito de efetuar novo lançamento é a data em que se tornou definitiva a decisão que o houver anulado. O novo lançamento, contudo, não se preste a agravar a exigência inicial quando já houver transcorrido o prazo normal de decadência. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 16/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martin Fernandez e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Fl. 1DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Contra o contribuinte foi emitida notificação de lançamento (fls. 54) que alterou os rendimentos tributáveis declarados de R$57.357,84 (fls. 4) para R$63.128,16 e reduziu a dedução de livro caixa de R$18.137,59 para R$8.566,29, bem como aumentou em R$9,39 o IRRF que houvera sido declarado, tudo referente ao imposto de renda pessoa física do anocalendário 1995. Impugnada a notificação, foi proferida decisão em primeira instância de julgamento, em 31 de julho de 2001, que declarou a nulidade da notificação de lançamento, por ter sido formalizada em desacordo com o disciplinado na Instrução Normativa SRF n° 94, de 24.12.9 (fls. 55). Em seguida a autoridade fiscal emitiu Termo de Início de Fiscalização (fl. 06) intimando o contribuinte a apresentar, com relação ao mesmo anocalendário da supracitada notificação, comprovantes de rendimentos pagos e imposto retido na fonte correlatos aos rendimentos percebidos e Livro Caixa, juntamente com as notas fiscais de despesas e demais comprovantes de gastos lançados. O interessado, em resposta, informou não ter condições de atender à referida demanda em virtude de residir em 22/02/1998 em um dos edifícios do Condomínio Palace II, cujo desabamento foi amplamente veiculado pela imprensa nacional. Desta feita, todos os documentos, bem como pertences pessoais foram perdidos nesta tragédia o que pode ser comprovado pelo instrumento público de aquisição da propriedade do mencionado imóvel, bem como pelo registro de ocorrência (fls. 08 a 18), assim como posteriormente apresentou elementos no intuito de comprovar suas alegações. Em 11/04/2003 o contribuinte foi notificado, por via postal (fls. 67) do Auto de Infração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) do exercício 1996, anocalendário 1995, decorrente de apuração de omissão de rendimentos no valor de R$5.025,47 e de glosa integral do livro caixa no montante de R$18.137,59 (fls. 47/53). Na impugnação desse auto de infração, alegouse, em sede preliminar, a decadência com fulcro no parágrafo único do art. 173 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, configurando o procedimento fiscal atual como ato contínuo do anterior e , no mérito, aduz que não tem como comprovar suas despesas por motivo de força maior, o qual se constitui na tragédia conhecida como o “desabamento do edifício Palace II” no Rio de Janeiro. A decisão de primeira instância manteve o lançamento integralmente, fundamentandose em duas premissas: a) o prazo decadencial é regido pelo inciso II do art. 173 do CTN e extinguiriase em 31/07/2006, tendo a ciência do lançamento ocorrido antes dessa data ; b) o ônus de comprovar a dedução é do contribuinte e que por força da estrita legalidade, apesar do sentimento de solidariedade com as vítimas do desabamento do edifício Palace II, cabe ao julgador aplicar a lei. Ciente da decisão de primeira instância em 23102007 (fls. 96), o recorrente apresentou recurso voluntário em 22112007 (fls. 98), no qual apresenta os seguintes argumentos: Fl. 2DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 18471.000714/200398 Acórdão n.º 280200.807 S2TE02 Fl. 117 3 1) a decretação de nulidade da notificação de lançamento implica em inexistência de procedimento o que evidencia a prescrição; 2) o lançamento ocorreu após o término do prazo decadencial, consoante o art. 173 do CTN; 3) não se aplica ao caso a regra do inciso II do art. 173 do CTN, pois assim o fazendo a cada procedimento errado do fisco, baseado em período anterior para exigência de informação, ainda que sem qualquer prova de dolo ou erro cometido pelo contribuinte, eternamente se protrairia pelo tempo o período da Receita ficar praticando seu direito de cobrança, sem jamais se esgotar; e 4) é vítima do fato notório conhecido como desabamento do edifício Palace II e sobreviveu ao acidente levando somente a roupa do corpo, o que caracteriza o motivo de força maior que o impede de apresentar a documentação exigida pela autoridade fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Dois pontos centrais formam o presente litígio: a caducidade do segundo lançamento que se fundamentou no inciso II do art. 173 do CTN e a dedução de livro caixa cuja comprovação é impossibilitada por motivo de força maior. Da decadência Esse segundo lançamento foi notificado ao contribuinte em 11/04/2003, portanto, após o transcurso do prazo normal de decadência, quer seja o prazo estipulado pelo inciso I do art. 173 quanto do §4º do art. 150 do CTN. Não obstante, essa notificação ocorreu com menos de cinco anos após a decisão que anulou o lançamento original por vício de forma. Assim, foi respeitado o prazo de cinco anos previsto no inciso II do art. 173 do CTN. Entretanto, nesse novo lançamento houve uma inovação que implicou em agravar a exigência inicial, pois diversamente do que constou da primeira autuação, foram glosadas inteiramente as despesas de Livro Caixa. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Essa alteração substancial do lançamento de forma mais gravosa ao contribuinte não pode ser feita após o transcurso do prazo normal de decadência, ainda que seja possível a feitura de novo lançamento por força da anulação do primeiro por vício de forma. Outra modificação do novo lançamento referese ao valor da omissão de rendimentos, pois enquanto no lançamento primitivo foi de R$ 5.770,32 , no segundo a quantia é de R$5.025,47 Nesse sentido é a jurisprudência desse Conselho, a seguir indicada. Anocalendário: 1996, 1997, 1998, 1999 DECADÊNCIA. VÍCIO FORMAL. NOVO LANÇAMENTO COM ALTERAÇÃO DE CONTEÚDO MATERIAL. A norma do art. 173, II, da Lei 5.172/66 (CTN Código Tributário Nacional) contempla apenas as retificações de vícios de ordem formal, por disposição expressa, sem abranger a hipótese de alteração da materialidade do lançamento original. Publicado no D.O.U. nº 185 de 25/09/2007.(acórdão nº 103 23064, de 14/6/2007, da 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Aloysio José Percínio da Silva) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 1992 Ementa: LANÇAMENTO NULO POR VÍCIO FORMAL – NOVO LANÇAMENTO – para que a regra decadencial, nos tributos lançados por homologação, se desloque para a do inciso II do artigo 173, o lançamento efetuado em conseqüência da declaração de nulidade por vício formal do primeiro deve com este coincidir materialmente, não podendo inoválo.(...) acórdão nº 10195776, de 22/9/2006, da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Caio Marcos Cândido) NORMAS PROCESSUAIS. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à contribuição para o Programa de Integração Social PIS é de 05 anos, contado a partir da ocorrência do fato gerador, na hipótese de haver antecipação de pagamento do tributo devido. Declarada a nulidade de lançamento fiscal, por vício formal, o prazo extintivo do direito à constituição do crédito tributário, por meio de novo auto de infração, começa a fluir da data do trânsito em julgado da decisão que anulou a primeira exigência fiscal. Não é lícito, porém, incluir no novo lançamento valores que já se encontravam decaídos à época da primeira acusação fiscal. (...) Recurso provido em parte.(acórdão nº 20400363, de 7/7/2005, da 4ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Henrique Pinheiro Torres) DECADÊNCIA. Nos casos em que o lançamento primitivo foi anulado por vício formal, o termo inicial para a contagem da decadência do direito de efetuar novo lançamento é a data em Fl. 4DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 18471.000714/200398 Acórdão n.º 280200.807 S2TE02 Fl. 118 5 que se tornou definitiva a decisão que o houver anulado. O novo lançamento, contudo, deve limitarse a corrigir os vícios formais. Recurso provido.(acórdão nº 10195036, de 16/6/2005, da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Sandra Maria Faroni) Não cabe à autoridade julgadora refazer o lançamento. Destarte, reconhecida a extinção do crédito tributário por decadência, torna se desnecessário apreciar demais argumentos recursais. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 5DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11065.910888/2009-07
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 14/11/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OMISSÃO.
REDISCUSSÃO DA MATÉRIA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE.
Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e
objetivam, tão-somente, sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado, não podendo, por isso, ser utilizados com a finalidade de sustentar eventual incorreção do decisum hostilizado ou de propiciar novo exame da própria questão de fundo, em ordem a viabilizar, em sede processual inadequada, a desconstituição de
ato administrativo regularmente proferido.
A omissão a dar azo a embargos de declaração é a que ocorre relativamente a ponto sobre o qual o Colegiado deveria, obrigatoriamente, manifestar-se.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃO. CONTRADIÇÃO.
INOCORRÊNCIA
A contradição que justifica seu saneamento pela via dos declaratórios é a da decisão para com os seus fundamentos.
Inexiste contradição no decisum embargado, que ao tempo em que declara a preclusão temporal do direito de produção de provas, nega provimento ao recurso justamente pela falta de liquidez e certeza do direito creditório oposto em compensação.
Embargos de Declaração Rejeitados
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-002.928
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração do contribuinte, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/11/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OMISSÃO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e objetivam, tão-somente, sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado, não podendo, por isso, ser utilizados com a finalidade de sustentar eventual incorreção do decisum hostilizado ou de propiciar novo exame da própria questão de fundo, em ordem a viabilizar, em sede processual inadequada, a desconstituição de ato administrativo regularmente proferido. A omissão a dar azo a embargos de declaração é a que ocorre relativamente a ponto sobre o qual o Colegiado deveria, obrigatoriamente, manifestar-se. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃO. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA A contradição que justifica seu saneamento pela via dos declaratórios é a da decisão para com os seus fundamentos. Inexiste contradição no decisum embargado, que ao tempo em que declara a preclusão temporal do direito de produção de provas, nega provimento ao recurso justamente pela falta de liquidez e certeza do direito creditório oposto em compensação. Embargos de Declaração Rejeitados Direito Creditório Não Reconhecido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/11/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OMISSÃO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e objetivam, tãosomente, sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado, não podendo, por isso, ser utilizados com a finalidade de sustentar eventual incorreção do decisum hostilizado ou de propiciar novo exame da própria questão de fundo, em ordem a viabilizar, em sede processual inadequada, a desconstituição de ato administrativo regularmente proferido. A omissão a dar azo a embargos de declaração é a que ocorre relativamente a ponto sobre o qual o Colegiado deveria, obrigatoriamente, manifestarse. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃO. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA A contradição que justifica seu saneamento pela via dos declaratórios é a da decisão para com os seus fundamentos. Inexiste contradição no decisum embargado, que ao tempo em que declara a preclusão temporal do direito de produção de provas, nega provimento ao recurso justamente pela falta de liquidez e certeza do direito creditório oposto em compensação. Embargos de Declaração Rejeitados Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por A LEXANDRE KERN 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração do contribuinte, nos termos do voto do Relator. [assinado digitalmente] Alexandre Kern – Presidente e relator Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira , Adriana Oliveira e Ribeiro (suplente) e Jorge Victor Rodrigues. Ausente o Conselheiro Juliano Eduardo Lirani. Relatório CALCADOS QSONHO LTDA. transmitiu, em 30/11/2005, a Declaração de Compensação (Dcomp) nº 20342.21670.301105.1.3.049162 fls. 19 a 24, visando a extinguir débitos próprios com direito creditório advindo de pagamento indevido ou a maior de Contribuição para a Seguridade Social Cofins, recolhido em 14/11/2001, no valor de R$ 244,52. O Despacho Decisório da fl. 13 não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou a compensação declarada porque o DARF indicado como pagamento indevido ou a maior teve seu valor integralmente aproveitado na amortização de crédito tributário referente ao mês de outubro de 2001, declarado pela empresa em DCTF. Sobreveio reclamação, fls. 1 a 6, por meio da qual o requerente alega: a) erro nos valores informados nas declarações fiscais, tendo procedido, no ano de 2005, a revisão dos créditos tributários dos anos anteriores; b) que apresentou DCTF retificadora corrigindo o erro, na qual consta o valor correto da contribuição apurada no período de 01/10/2001 a 31/10/2001; c) que o não reconhecimento do direito creditório foi acarretado pelo sistema eletrônico aplicado pela Receita Federal do Brasil, no qual qualquer defeito de informação gera automaticamente um despacho decisório de denegação de crédito. Transcreve ainda acórdãos do Conselho de Contribuintes, que autorizaram a revisão de valores quando constatado erro de fato e apresenta como comprovação de suas alegações planilha de apuração do PIS/Cofins, DCTF retificadora e o Livro Razão de 2005 com a contabilização dos indébitos e da compensação realizada. A DRJ/POA2ª Turma julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente porque o reclamante não indicou a origem do erro na apuração da contribuição, nem mesmo juntou qualquer prova que confirmasse o novo valor indicado. O Acórdão nº 1028.014 de 28 de outubro de 2010, fls. 46 e 47, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição para a Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001 DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 11065.910888/200907 Acórdão n.º 380302.928 S3TE03 Fl. 3 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Insatisfeito com o resultado do julgamento administrativo de primeira instância, o requerente interpôs recurso voluntário contra a decisão da 2ª Turma da DRJ/POA. O arrazoado de fls. 50 a 61, após síntese dos fatos relacionados com a lide, explicou que, em outubro de 2005, o contribuinte efetuou revisão nos seus cálculos tributários, ajustando a base de cálculo das contribuições sociais em face do afastamento da base de cálculo das receitas financeiras, forte no entendimento do STF e do art. 26A da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, tendo registrado e reconhecido o pagamento a maior em sua contabilidade, mediante lançamento no ativo circulante com contrapartida no resultado. Acrescentou que, como essa situação se repetiu em várias competências, optou por registrar todos os pagamentos a maior a titulo de PIS e COFINS efetuados entre novembro/2000 a novembro/2004 de uma só vez, motivo pelo qual o registro contábil se deu no valor de R$ 65.018,80, sendo R$ 12.960,62 de pagamentos a maior de PIS e R$ 52.058,18 de pagamentos a maior de Cofins. Na continuação, invocou o art. 147 do CTN, para insistir na possibilidade de retificação da DCTF. Afirma que o erro de fato no preenchimento da DCTF não pode afetar o seu direito. Pede a correção de ofício da DCTF, nos moldes do art. 149do CTN. Cita e transcreve doutrina e jurisprudência. Invoca o princípio da verdade material, pugnando por seu direito ao crédito pretendido, decorrente do afastamento da base de cálculo das receitas financeiras, forte no entendimento do STF e do art. 26A da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não havendo motivos para ser negada a existência daquele crédito e do procedimento compensatório adotado. Discorreu sobre os efeitos das declarações entregues ao Fisco. Concluiu, requerendo: i) Reconhecimento em favor da recorrente o crédito oposto na compensação; ii) Homologação da compensação declarada até o limite do crédito existente; iii) Alternativamente, a baixa em diligência do processo, para que a autoridade preparadora confirme a veracidade das informações prestadas e a existência dos créditos pleiteados. Pediu deferimento. Esta 3ª Turma Especial, em sessão de 7 de novembro de 2011, negou provimento ao recurso. O Acórdão nº 380302.173 fls. 78 a 81 teve ementa vazada nos seguintes termos: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 14/11/2001 PRECLUSÃO É ilícito inovar na postulação recursal para incluir questões diversas daquelas que foram originariamente deduzidas quando da reclamação junto à instância a quo. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por A LEXANDRE KERN 4 Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/11/2001 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Regularmente intimada do resultado do julgamento de seu recurso voluntário, o contribuinte interpôs os Embargos de Declaração de fls. s/nº, invocando o art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RICARF e acusando a ocorrência de contradição no Acórdão nº 380302.173, na medida em que teria julgou precluído o direito de produção de provas e, ao mesmo tempo, negou provimento ao recurso por falta de provas. Discorre sobre a dilação probatória no processo administrativo fiscal federal. Pede que se analisem as provas e o mérito de seu pedido. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. s/nº merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão nº 380302.173, de 7 de novembro de 2011. A propósito, recorro à doutrina de Moacyr Amaral dos Santos1 (1998, p. 146 a 148) para lembrar que se dá omissão quando o julgado não se pronuncia sobre ponto, ou questão, suscitado pelas partes, ou que os julgadores deveriam pronunciarse de ofício. O autor sublinha que a contradição verificase “...quando o julgado apresenta proposições entre si irreconciliáveis.” Humberto Theodoro Junior2 (2004, p. 560), a seu turno, leciona que os Embargos de Declaração têm como pressuposto de admissibilidade a existência de obscuridade, contradição ou omissão na sentença produzida. E que, em qualquer caso, a substância da sentença será mantida, uma vez que tais embargos não visam a reforma do acórdão ou da sentença. Admitese a hipótese de alguma alteração no conteúdo do julgado, sem, entretanto, ocasionar um novo julgamento da causa, haja vista não ser esta a função desse remédio recursal. 1 SANTOS, Moacyr Amaral. Primeiras linhas de direito processual civil. São Paulo: Saraiva, 1998. v3: 17ª ed. rev. e atual. por Aricê Moacyr Amaral Santos. 2 THEODORO JUNIOR. Humberto. Curso de Direito Processual Civil. 41ª ed. Rio de Janeiro: Ed.Forense. 2004. p. 560 e ss Fl. 106DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 11065.910888/200907 Acórdão n.º 380302.928 S3TE03 Fl. 4 5 A jurisprudência não destoa: A omissão e a contradição que autorizam a oposição de embargos de declaração têm conotação precisa: a primeira ocorre quando, devendo se pronunciar sobre determinado ponto, o julgado deixa de fazêlo, e a segunda, quando o acórdão manifesta incoerência interna, prejudicandolhe a racionalidade. Não constitui omissão o modo como, do ponto de vista da parte, o acórdão deveria ter decidido, nem contradição o que, no julgado, lhe contraria os interesses.” (Edcl em REsp 56.201BA, Rel. Min. Ari Pargendler, DJU de 09.09.96, p. 32346) De pronto destaco não existir qualquer contradição entre o decidido pelo Acórdão embargado e seus fundamentos. Com efeito, a decisão embargada foi coerente ao negar provimento ao recurso, sob o fundamento de que havia precluído o direito de produção de provas na fase recursal do procedimento e de que inexistiam provas suficientes para atestar a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação. A título de esclarecimentos ao embargante, saiba que a produção probatória, no PAF, já há 40 anos, obedece o art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 19723, que, em seu §4º, assim estatui: § 4.º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) Sem a cabal demonstração de que tivesse ocorrido alguma das hipóteses das alíneas “a” a “c”, acima, as provas aportadas aos autos somente na fase recursal não mereceram conhecimento. Tal fato, absolutamente, não se coloca em contradição com a negativa de provimento por falta de provas. Ao contrário, tratase de decorrência lógica. Não conhecidas as provas intempestivamente apresentadas, e na ausência de outras que atestassem a liquidez e a certeza do direito creditório oposto em compensação, a pretensão do requerente não poderia ter outro destino. Com essas considerações e sem mais delongas, rejeito os declaratórios interpostos pelo contribuinte. 3 Saiba a embargante, que as regras do PAF, originalmente postas para os processos de determinação e exigência de crédito tributário, têm sua aplicação ao processos de restituição, ressarcimento e compensação determinadas pelo art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em seu § 11, incluído pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por A LEXANDRE KERN 6 Sala das Sessões, em 22 de maio de 2012 Alexandre Kern Fl. 108DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 11065.910888/200907 Acórdão n.º 380302.928 S3TE03 Fl. 5 7 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 11065.910888/200907 Interessado: CALÇADOS QSONHO LTDA. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380302.928, de 22 de maio de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 22 de maio de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 109DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por A LEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10675.720843/2010-27
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 01 a 31/12/2002
PIS/PASEP. BASE DE CALCULO. DEFINIÇÃO. DECISÃO JUDICIAL.
STF. RE 401.4387/MG.
A base de cálculo do PIS/Pasep é o faturamento, que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e da prestação de serviços, definida no provimento judicial in concreto como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, nos termos da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 3803-003.122
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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BASE DE CALCULO. DEFINIÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. STF. RE 401.4387/MG. A base de cálculo do PIS/Pasep é o faturamento, que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e da prestação de serviços, definida no provimento judicial in concreto como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, nos termos da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral: Dr. Gustavo Lana Murici (OAB/MG nº 87.168). (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Fl. 152DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 0936.953, de 21 de setembro de 2011, da DRJ/Juiz de Fora, fls. 77/79, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade. A Interessada transmitiu a DComp nº.17951.64482.110906.1.3.043902, fls. 01/05, em que compensou o débito nela declarado, com o crédito relativo a pagamento a maior da contribuição para o PIS/Pasep relativo ao período de apuração dezembro/2002, efetuado em 15 de janeiro de 2003. A Contribuinte manejou o Mandado de Segurança 2000.38.03.0007782, em que discutiu a inexistência de relação jurídicotributária que a sujeite ao recolhimento do PIS e da COFINS nos termos da Lei nº 9.718/98. Obteve provimento no sentido de se aplicar a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal quanto à inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da citada lei, e no bojo do Recurso Extraordinário 401.3487/Minas Gerais foi favorecida com o seguinte dispositivo: "A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf RE n° 346 084PR Rel orig Min ILMAR GALVÃO; RE n° 357 950RS, RE n° 358.273RS e RE n° 390.840MG, Rel. MM. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF n° 408, p. 1).(grifo aqui) Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1°A do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados, Por meio do Despacho Decisório, de fls. 63/64, a DRF/Uberlândia apurou inexistência de crédito, e o débito de R$ 70.740,00 não foi homologado. A decisão da Autoridade Administrativa respaldouse na Informação Fiscal n° 98/2010/DRF/UBE/EQAJ, de fls. 20/23, prestada nos autos do processo administrativo judicial nº. 10675.000306/0097, em que a Autoridade Fiscal discordou do entendimento da Contribuinte que considera como tributável pelo PIS, nos termos da decisão judicial que lhe favoreceu, apenas a sua renda de prestação de serviços, em sentido estrito, que exclui todas as demais receitas operacionais, de índole financeira, que são o resultado das operações que constituem a essência de seu objetivo social. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Interessada alegou que: a) no acórdão do STF transitado em julgado a favor da Requerente, nos autos do MS n. 2000.38.03.000.7782, não se declarou a inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/982, e determinou o conceito de faturamento que deveria ser utilizado para incidência do PIS; Fl. 153DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10675.720843/201027 Acórdão n.º 3803003.122 S3TE03 Fl. 2 3 b) a Autoridade Administrativa relativizou o conceito de "faturamento" para o caso especifico das instituições financeiras, em uma “clara tentativa de minimizar a perda de arrecadação com essa discussão tributária, todavia em evidente confronto com o instituto da Coisa Julgada”; c) a decisão monocrática está de acordo com a jurisprudência dominante do STF consubstanciada nos leading cases da matéria, conforme citado no próprio acórdão, quais sejam: RE n. 346.084 PR; RE n. 357.950RS; RE n. 358.273RS e RE n. 390.840MG, que não analisaram a questão sob a ótica das atividades desenvolvidas pelas empresas, mas sim, pelo conceito que deve ser depreendido de faturamento; d) a base de cálculo do PIS da Requerente é o quanto foi decidido pelo STF na decisão transitada em julgado, que delimitou o conceito de faturamento como sendo as receitas oriundas das atividades empresariais, limitadas à venda de mercadorias e à prestação de serviços de qualquer natureza. Em julgamento da lide, a DRJ/Juiz de Fora interpretou a decisão judicial favorável à Impetrante, a partir do esclarecimento, no corpo da decisão do Ministro Cezar Peluso, cujo entendimento foi o de que “o faturamento é a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” e manteve o entendimento mais amplo de faturamento exposto no parecer técnico que embasou o despacho decisório. A decisão está ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PIS/PASEP. BASE DE CALCULO INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A base de cálculo do PIS/Pasep para as instituições financeiras e assemelhadas é o faturamento, entendido como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Cientificada da decisão em 07 de novembro de 2011, irresignada, a interessada apresentou o recurso voluntário de fls. s/nº, em 29 de novembro de 2011, em que reitera os mesmos argumentos expendidos na manifestação de inconformidade, aduzindo mais que: a) a receita de prestação de serviços que configura o faturamento das instituições financeiras engloba todos os tipos de taxas, tarifas e comissões cobradas pelas instituições para prestar serviços bancários. Por sua vez, a movimentação financeira decorrente de operações bancárias, e não de serviços bancários, está fora do conceito de faturamento determinado pelo Supremo Tribunal Federal; b) a distinção entre serviços bancários e operações bancárias, já foi apreciada pela próprio Supremo Tribunal Federal na ADI n° 2.591, em que discutiu a aplicação do Código de Defesa do Consumidor para as instituições financeiras. Consigna que, segundo o Informativo do STF, obtido no site do Tribunal, a discussão em torno da distinção entre serviços e operações bancárias se deu nos seguintes termos: Fl. 154DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN 4 c.1.) " [...1 Assim, diferenciando as operações bancárias dos serviços bancários, concluiu que, no caso destes — serviços prestados pelos bancos a clientes e usuários que não configuram relações financeiras relativas a investimentos e depósitos e pelos quais as instituições financeiras são remuneradas —, haverseá de aplicar o CDC. c.2. nesse contexto, não restam dúvidas que os serviços bancários, remunerados via taxas e tarifas, são tributados pelo ISS e compõem o ‘faturamento' das instituições financeiras, enquanto as receitas financeiras decorrentes de operações bancárias (empréstimos, financiamentos etc.) estão fora do conceito de ‘faturamento', que é a base de cálculo do PIS. (original sublinhado e grifado É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A controvérsia neste processo parte da insuficiência do crédito, de pagamento a maior, que fora apurado pela Recorrente com exclusão das rendas da atividade de intermediação financeira, vistas por ela como não integrantes do conceito de faturamento que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias, de serviços, ou de mercadorias e serviços, plasmado pelo Supremo Tribunal Federal nos julgamentos que resultaram na declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Conforme relatado, a Interessada dispõe de provimento judicial favorável consubstanciado no Recurso Extraordinário nº 401.4387. Quanto a este, declara a Recorrente que a decisão recorrida contrariou a coisa julgada, procedendo a uma interpretação errônea da decisão judicial e dos leading case proferidos por aquela c. Corte. A Recorrente traz a lume o julgamento do FINSOCIAL no RE 150.755, para afirmar a impossibilidade de equiparação entre faturamento e receita bruta e sustentar que o STF definiu que a equivalência dos dois conceitos só é possível desde que sejam entendidos restritivamente como receitas decorrentes da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, conceito este subjacente nos julgados dos Recursos Extraordinários nºs 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, que conformaram a jurisprudência desse Tribunal. Divirjo do entendimento da Recorrente em toda a amplitude do recurso. Considero, primeiramente, que a ação da Autoridade Administrativa de perscrutar o conteúdo e alcance da coisa julgada não corresponde a proceder a uma releitura do mérito levado à apreciação do Judiciário, ante o fato de – assim como o colegiado a quo ter firmado entendimento que difere da pretensão da Contribuinte. No caso presente, entendo não se configurou a violação do que fora decidido. Isso, porque o conceito de receita bruta da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, equivalente a faturamento ou ao “resultado de operações que nele se exteriorizam”, na formatação dada pelo Supremo, teve o seu contorno definido pela Fl. 155DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10675.720843/201027 Acórdão n.º 3803003.122 S3TE03 Fl. 3 5 própria decisão monocrática do Ministro Cezar Peluso, no dito RE 401.348, que deu provimento ao pleito desta Recorrente, conforme transcrito a seguir: “DECISÃO: 1 .Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/9,8 relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS.2. Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf RE nº 346 084PR Rel orig Min ILMAR GALVÃO; RE n° 357 950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3 Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento para, concedendo a ordem, excluir, da base da incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados Custas ex lege.”[grifos aqui] A Recorrente contrapõese ao parâmetro – que reputo claro dado ao perfil das receitas efetivamente capturáveis pela tributação das contribuições e em destaque na expressão enfatizadora do seu conteúdo, acima grifada “ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” afirmando que não se pode tomar como prumo a posição pessoal do Ministro, mas o que restara delineado na jurisprudência da Suprema Corte nos recursos extraordinários já referidos. No entanto, anotese o que se pode extrair da decisão. Ao fundamentála no art. 557, § 1ºA, o Ministro decisor é ciente de que está inarredavelmente vinculado à jurisprudência sobre a qual ancora sua decisão. Ele mesmo expressamente sugere estar arrimado nos precedentes, quando menciona: “A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte”. Em seguida, afirma também que tal jurisprudência foi sedimentada com voto vencedor de sua lavra. Em seu voto no processo paradigma da jurisprudência, nºs 346.084, o percuciente Ministro fez uso da teoria da linguagem enfrentando o conceito de faturamento à luz do direito comercial e tributário; discorreu sobre os precedentes da Corte em relação ao FINSOCIAL (RREE nºs 150.755 e 150.764) e à COFINS (ADC n. 1), pontuando analiticamente os votos condutores das teses no STF, e o fez alicerçado no escólio de Pontes de Miranda, Ruy Barbosa e Hans Kelsen; e na apreensão do texto legal sob juízo preocupouse Fl. 156DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN 6 claramente com o limite da competência constitucional fixada no termo faturamento, para nada admitir que extrapolasse essa noção. Fêlo, considerando até a hipótese de que o texto legal do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, estaria criando uma nova fonte de custeio, no que estaria conspurcado de inconstitucionalidade, por violar o art, 195, § 4º1, pela não observação da forma prevista no art. 154, I, da Carta Maior2. Percebese na sua exposição o cuidado de deixar a decisão o mais clara possível, visando a evitar dúvidas e celeumas quando do cumprimento. Nesse desiderato, em aparte posterior o Ministro realçou o quanto havia consignado, nos termos como segue: "Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão "receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço", quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de "receita bruta igual a faturamento" – grifamos. [...] Por isso, estou insistindo na sinonímia "faturamento" e "receita operacional", exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. [...] Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de ‘receita bruta igual a faturamento’. Este voto foi acompanhado expressamente pelos Ministros Celso de Melo e Sepúlveda Pertence. 1 § 4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o disposto no art. 154, I. 2 Art. 154. A União poderá instituir: I mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam nãocumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição; Fl. 157DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10675.720843/201027 Acórdão n.º 3803003.122 S3TE03 Fl. 4 7 Em seu votovista o Ministro Eros Grau considerou que faturamento não é um conceito. Aponta que os conceitos são atemporais e ahistóricos. Faturamento, em seu escólio, é um conceito jurídico tipológico (fattispecie), e como tal, histórico e temporal, e, assim, “são notável e peculiarmente homogêneo ao desenvolvimento das coisas”. O i. Ministro semeou este preâmbulo para afirmar que o termo faturamento já não é tomado como “atinente ao fato de ‘emitir faturas’. Nós a tomamos, hoje, em regra, como o resultado econômico das operações empresariais do agente econômico...” Por sua vez, o Ministro Ayres Britto pontuou: "A Constituição de 88, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do substantivo "faturamento", sem a conjunção disjuntiva “ou” receita. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2.397, de 1987, art. 22, § 1º, "a", assim redigido – parece que o Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei:[...] Por isso, estou insistindo na sinonímia "faturamento" e "receita operacional", exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. Como se pode ver dos excertos de votos acima, restou assentado na jurisprudência do STF que a noção de faturamento, no que tange às instituições financeiras, vai além das receitas provenientes da cobrança de tarifas, estas atinentes à lista de serviços constante do capítulo “15” da LC nº 116/2003 “15 Serviços relacionados ao setor bancário ou financeiro, inclusive aqueles prestados por instituições financeiras autorizadas a funcionar pela União ou por quem de direito” 3, muitas das quais subsistem como atividades secundárias 3 15.01 – Administração de fundos quaisquer, de consórcio, de cartão de crédito ou débito e congêneres, de carteira de clientes, de cheques prédatados e congêneres. 15.02 – Abertura de contas em geral, inclusive contacorrente, conta de investimentos e aplicação e caderneta de poupança, no País e no exterior, bem como a manutenção das referidas contas ativas e inativas. 15.03 – Locação e manutenção de cofres particulares, de terminais eletrônicos, de terminais de atendimento e de bens e equipamentos em geral. 15.04 – Fornecimento ou emissão de atestados em geral, inclusive atestado de idoneidade, atestado de capacidade financeira e congêneres. 15.05 – Cadastro, elaboração de ficha cadastral, renovação cadastral e congêneres, inclusão ou exclusão no Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos – CCF ou em quaisquer outros bancos cadastrais. 15.06 – Emissão, reemissão e fornecimento de avisos, comprovantes e documentos em geral; abono de firmas; coleta e entrega de documentos, bens e valores; comunicação com outra agência ou com a administração central; licenciamento eletrônico de veículos; transferência de veículos; agenciamento fiduciário ou depositário; devolução de bens em custódia. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN 8 e acessórias, executadas para que a instituição possa desempenhar adequadamente a sua atividade principal. Nesse prisma, depreendese que esse conceito abrange um outro universo de receitas típicas e características da atividade financeira, que têm como liame de referência a intermediação financeira, cujas rendas correspondem aos juros, que no dizer do Professor Silvio Rodrigues4 “...é o preço do uso do capital”, e, segundo De Plácido e Silva5 “Juros, no sentido atual, são tecnicamente os frutos do capital, ou seja, os justos proventos ou recompensas que deles se tiram, consoante permissão e determinação da própria lei, sejam resultantes de uma convenção ou exigíveis por faculdade inscrita em lei. Apenas à guisa de argumentação, registro que o fato de os juros serem decompostos (taxas de administração, de risco, encargos, margem líquida etc.), sendo a margem líquida a parte que acresce ao patrimônio da pessoa jurídica, é irrelevante para considerálos como base de incidência, na medida em esta noção guarda consonância com a incidência sobre o faturamento, receita bruta da qual se excluem apenas as rubricas legalmente previstas. 15.07 – Acesso, movimentação, atendimento e consulta a contas em geral, por qualquer meio ou processo, inclusive por telefone, facsímile, internet e telex, acesso a terminais de atendimento, inclusive vinte e quatro horas; acesso a outro banco e a rede compartilhada; fornecimento de saldo, extrato e demais informações relativas a contas em geral, por qualquer meio ou processo. 15.08 – Emissão, reemissão, alteração, cessão, substituição, cancelamento e registro de contrato de crédito; estudo, análise e avaliação de operações de crédito; emissão, concessão, alteração ou contratação de aval, fiança, anuência e congêneres; serviços relativos a abertura de crédito, para quaisquer fins. 15.09 – Arrendamento mercantil (leasing) de quaisquer bens, inclusive cessão de direitos e obrigações, substituição de garantia, alteração, cancelamento e registro de contrato, e demais serviços relacionados ao arrendamento mercantil (leasing). 15.10 – Serviços relacionados a cobranças, recebimentos ou pagamentos em geral, de títulos quaisquer, de contas ou carnês, de câmbio, de tributos e por conta de terceiros, inclusive os efetuados por meio eletrônico, automático ou por máquinas de atendimento; fornecimento de posição de cobrança, recebimento ou pagamento; emissão de carnês, fichas de compensação, impressos e documentos em geral. 15.11 – Devolução de títulos, protesto de títulos, sustação de protesto, manutenção de títulos, reapresentação de títulos, e demais serviços a eles relacionados. 15.12 – Custódia em geral, inclusive de títulos e valores mobiliários. 15.13 – Serviços relacionados a operações de câmbio em geral, edição, alteração, prorrogação, cancelamento e baixa de contrato de câmbio; emissão de registro de exportação ou de crédito; cobrança ou depósito no exterior; emissão, fornecimento e cancelamento de cheques de viagem; fornecimento, transferência, cancelamento e demais serviços relativos a carta de crédito de importação, exportação e garantias recebidas; envio e recebimento de mensagens em geral relacionadas a operações de câmbio. 15.14 – Fornecimento, emissão, reemissão, renovação e manutenção de cartão magnético, cartão de crédito, cartão de débito, cartão salário e congêneres. 15.15 – Compensação de cheques e títulos quaisquer; serviços relacionados a depósito, inclusive depósito identificado, a saque de contas quaisquer, por qualquer meio ou processo, inclusive em terminais eletrônicos e de atendimento. 15.16 – Emissão, reemissão, liquidação, alteração, cancelamento e baixa de ordens de pagamento, ordens de crédito e similares, por qualquer meio ou processo; serviços relacionados à transferência de valores, dados, fundos, pagamentos e similares, inclusive entre contas em geral. 15.17 – Emissão, fornecimento, devolução, sustação, cancelamento e oposição de cheques quaisquer, avulso ou por talão. 15.18 – Serviços relacionados a crédito imobiliário, avaliação e vistoria de imóvel ou obra, análise técnica e jurídica, emissão, reemissão, alteração, transferência e renegociação de contrato, emissão e reemissão do termo de quitação e demais serviços relacionados a crédito imobiliário. 4 RODRIGUES, Sílvio. Direito civil – parte geral das obrigações. Saraiva, 1986. 5 SILVA, De Plácido e. Vocabulário jurídico. Forense, 1987. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10675.720843/201027 Acórdão n.º 3803003.122 S3TE03 Fl. 5 9 Tais rendas são denominadas pelos Ministros Mário Velloso, Sepúlveda Pertence e Ayres Britto de receitas operacionais, porquanto decorrem de operações que se constituem na essência do exercício das atividades empresariais das instituições financeiras. Pelo que, devese entender que sejam excluídas do conceito de faturamento das instituições financeiras e assemelhadas tão somente as receitas que não são provenientes das atividades típicas dessas empresas, tais como, venda de ativos, receitas financeiras, no sentido amplo e genérico como são entendidas, vale dizer, aquelas obtidas quando e se a instituição aplicar recursos próprios, por exemplo, em títulos do governo ou em qualquer outro tipo de aplicação financeira acessível às demais empresas e até mesmo às pessoas físicas. E foi exato nessa linha por onde caminhou a decisão recorrida, segundo excerto abaixo: Então, quais seriam as receitas operacionais típicas das instituições financeiras e assemelhadas? São elas, evidentemente, as decorrentes da intermediação de operações e da prestação de serviços de natureza financeira: empréstimos, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc... É relevante para a aplicação da norma de incidência da Lei nº. 9.718/98, após o crivo da inconstitucionalidade declarada pelo STF, ter em vista a conexão entre a receita bruta e a atividade mercantil, lato sensu, desenvolvida nos termos do objeto social da pessoa jurídica. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº. 9.718/98, não alterou, nesse particular, o critério definidor da base de incidência da contribuição para o PIS e da COFINS, como sendo o resultado econômico da atividade empresarial vinculada aos seus objetivos sociais, idéia que se extrai do conteúdo mesmo dos art. 2º e art. 3º, caput, da indigitada lei. 6 Ao revés, a dita declaração de inconstitucionalidade apenas firmou o entendimento de que não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de sua incidência, mas tão só aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da empresa, como é o caso das operações bancárias das instituições financeiras. No caso da COFINS, o conteúdo do conceito de receita bruta provém do contido no art. 2º da LC 70/917, isto é, as receitas advindas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e da prestação de serviços de qualquer natureza. 6 Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. 7 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN 10 Quanto ao PIS, o conteúdo do conceito de receita bruta tem origem no contido no art. 1º da Lei n. 9.701/988. Tais conceitos estão reproduzidos no art. 3º da Lei nº. 9.718/98, e parcialmente atualizados com redação da MP nº 2.158/2001. E exato eles receberam a exegese tratada nos votos que culminaram na declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, dessa lei, nos termos já acima esclarecidos. Pelo exposto, sendo este o entendimento que se pode extrair da decisão no RE 401.348, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 27 de junho de 2012 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 8 Art. 1º Para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, de que trata o inciso V do art. 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, as pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, poderão efetuar as seguintes exclusões ou deduções da receita bruta operacional auferida no mês: I reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como prejuízo, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; II valores correspondentes a diferenças positivas decorrentes de variações nos ativos objetos dos contratos, no caso de operações de "swap" ainda não liquidadas; (Revogado pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) III no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas de captação em operações realizadas no mercado interfinanceiro, inclusive com títulos públicos; b) encargos com obrigações por refinanciamentos, empréstimos e repasses de recursos de órgãos e instituições oficiais; c) despesas de câmbio; d) despesas de arrendamento mercantil, restritas a empresas e instituições arrendadoras; e) despesas de operações especiais por conta e ordem do Tesouro Nacional; Fl. 161DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10675.720843/201027 Acórdão n.º 3803003.122 S3TE03 Fl. 6 11 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10675.720843/201027 Interessada: BANCO TRIÂNGULO S/A Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803003.122, de 27 de julho de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 27 de julho de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 162DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10680.723057/2009-79
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01 a 30/06/2006
COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS.
Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01 a 30/06/2006
COMPENSAÇÃO INTEMPESTIVA. ACRÉSCIMOS. INSERÇÃO EM
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DISTINTA. ERRO FORMAL.
APROVEITAMENTO. AJUSTE.
Deve ser relevado o erro formal da falta de inclusão da multa e dos juros de mora em compensação de débito declarada intempestivamente em face do cabal cumprimento da obrigação tributária, mediante a sua inserção conjugada com os acréscimos legais incidentes em parcela do mesmo débito, compensado na mesma data e em outra declaração, cabendo ao órgão de origem proceder à segregação desses acréscimos e aproveitamento do excedente para provimento da adequada alocação ao débito originariamente descoberto, afastando-se a imputação proporcional procedida no ato de que decorreu a sua não homologação.
Numero da decisão: 3803-003.131
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01 a 30/06/2006 COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01 a 30/06/2006 COMPENSAÇÃO INTEMPESTIVA. ACRÉSCIMOS. INSERÇÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DISTINTA. ERRO FORMAL. APROVEITAMENTO. AJUSTE. Deve ser relevado o erro formal da falta de inclusão da multa e dos juros de mora em compensação de débito declarada intempestivamente em face do cabal cumprimento da obrigação tributária, mediante a sua inserção conjugada com os acréscimos legais incidentes em parcela do mesmo débito, compensado na mesma data e em outra declaração, cabendo ao órgão de origem proceder à segregação desses acréscimos e aproveitamento do excedente para provimento da adequada alocação ao débito originariamente descoberto, afastando-se a imputação proporcional procedida no ato de que decorreu a sua não homologação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01 a 30/06/2006 COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01 a 30/06/2006 COMPENSAÇÃO INTEMPESTIVA. ACRÉSCIMOS. INSERÇÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DISTINTA. ERRO FORMAL. APROVEITAMENTO. AJUSTE. Deve ser relevado o erro formal da falta de inclusão da multa e dos juros de mora em compensação de débito declarada intempestivamente em face do cabal cumprimento da obrigação tributária, mediante a sua inserção conjugada com os acréscimos legais incidentes em parcela do mesmo débito, compensado na mesma data e em outra declaração, cabendo ao órgão de origem proceder à segregação desses acréscimos e aproveitamento do excedente para provimento da adequada alocação ao débito originariamente descoberto, afastandose a imputação proporcional procedida no ato de que decorreu a sua não homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente Fl. 40DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN 2 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 0236.676, de 12 de dezembro de 2011, da DRJ/Belo Horizonte, fls. 28/30, que considerou a manifestação de inconformidade improcedente. O processo foi constituído a partir da DComp de fls. 03 a 08, 09466.87273.310706.1.3.049021, em que utiliza o crédito de PIS, decorrente de pagamento indevido ou a maior, no valor de R$ 116,35, relativo ao período de apuração junho de 2006, na compensação do débito de IRPJ, relativo ao primeiro trimestre de 2006, de mesmo valor, vencido em 28 de abril de 2006. A compensação foi parcialmente homologada por meio do despacho decisório de fl. 2, por insuficiência do crédito A Interessada apresentou a manifestação de inconformidade, fl. 1, em que alegou apenas que os juros devidos foram compensados por meio do Per/DComp n.º 34916.52730.310706.1.3.042310. Em julgamento da lide a DRJ/Belo Horizonte aduziu que: a) houve reconhecimento integral do crédito utilizado na Dcomp; b) o débito compensado pela Contribuinte deixou de conter a multa de 20% e dos juros de mora, desde a data de vencimento até a data da entrega da Declaração de Compensação, conforme determinava a Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, vigente à época da transmissão, concluindo ser esta a razão da insuficiência do crédito; c) a legislação que transcreveu não autoriza o procedimento adotado pela contribuinte de compensar o valor principal do débito por meio de uma Dcomp e compensar os valores relativos aos acréscimos legais do mesmo débito por meio de outra DComp. Cientificada da decisão em 11 de janeiro de 2012, irresignada, a interessada apresentou o recurso voluntário de fls. s/nº, datado de 20 de janeiro de 2012, com certificação de tempestividade pela DRF/BHE, em que reiterou a alegação de que os juros e multas não foram calculados proporcionalmente ao valor principal do débito em cada declaração de compensação, conforme deveria, mas os mesmos foram corrigidos segundo a legislação, até o momento da compensação, sendo compensados na mesma data, conforme planilha anexa. É o relatório. Voto Fl. 41DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10680.723057/200979 Acórdão n.º 3803003.131 S3TE03 Fl. 2 3 Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo, segundo despacho de preparo da DRF/Belo Horizonte, e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Restou claro que o litígio presente não tem a ver com a falta de reconhecimento do direito creditório no procedimento de operacionalização da compensação, mas, sim, com os acréscimos legais de multa e juros de mora não contidos na DComp sob exame. O colegiado a quo deu solução ao conflito observando apenas o descumprimento do rito de preenchimento, pela Contribuinte, da DComp em foco, e não apreciou o mérito da alegação na manifestação de inconformidade, de que recolhera, no corpo de outra DComp, a multa e os juros devidos sobre o débito, e calculados de acordo com a legislação. Esta DComp em análise compensa parte do débito de IRPJ, no valor de R$ 116,35, do primeiro trimestre de 2006, com vencimento em 28 de abril de 2006, de um total de R$ 10.800,88. Este débito foi quitado fracionadamente e da seguinte forma: Às fls. 09 a 14 encontrase anexada a DComp n.º 34916.52730.310706.1.3.042310, em que se vê o débito no valor de R$ 513,63, com multa de R$ 327,33 e juros de R$ 56,62. Num lace d’olhos percebese nessa DComp (34916.52730.310706.1.3.042310) que a multa de 20% sobre o principal de R$ 513,63 não alcança o valor de R$ 327,33, mas R$ 102,73. Este valor da multa representa, em verdade, a incidência de 20% sobre a importância de R$ 1.636,65, que é o somatório dos valores FORMA DE QUITAÇÃO – PAGTº/DCOMP PARCELA R$ MULTA R$ JUROS R$ DARF pago em 28/04/2006 8.383,75 38779.82054.310706.1.3.045405 121,81 19165.39527.310706.1.3.040082 343,49 09466.82273.310706.1.3.049021 116,35 01442.85605.310706.1.3.043019 537,00 35046.48784.310706.1.3.040066 4,37 34916.52730.310706.1.3.042310 Soma das parcelas do débito de IRPJ ........... 513,63 ................. 1.636,65 327,33 20% 56,62 40655.64720.120506.1.3.047838 518,67 40919.56846.120507.1.3.042203 239,52 24090.19341.120506.1.3.049847 22,29 77,26 7,80 TOTAL DO DÉBITO DE IRPJ 10.800,88 ////////////////// ////////////////////// Fl. 42DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN 4 principais de todas as DComps acima listadas. Os juros, no importe de R$ 56,62, correspondem, exatamente, à SELIC acumulada de maio a julho de 2006, mês da transmissão das DComps. Como visto, razão deve ser dada à Recorrente, quando afirma que a legislação não deixou de ser cumprida em sua exigência de acréscimos legais sobre os débitos compensados fora do prazo de vencimento. Assim, entendo que o erro formal da Declarante em consignar multa e juros numa só DComp, não pode prevalecer ante o cumprimento substancial da obrigação tributária por esta Contribuinte, de sorte a que venha resultar em cobrança de valor que já se encontra quitado. De lembrar que não houve disputa no tocante à higidez do crédito, tendo sido este totalmente reconhecido. Cabe à DRF/Belo Horizonte efetuar o necessário ajuste no sistema de controle de compensações, adequando os valores de multa e juros aos principais de cada DComp e registrar a homologação integral das compensações, afastandose a imputação proporcional de que decorreu a não homologação parcial do débito, em vista de sua integral extinção nas DComps de mesma data. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso. Sala das sessões, 27 de junho de 2012 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 43DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10680.723057/200979 Acórdão n.º 3803003.131 S3TE03 Fl. 3 5 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10680.723057/200979 Interessada: INSTITUTO AXIS SOCIEDADE SIMPLES LTDA. TERMO DE INTIMAÇÃO Intimese um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no Acórdão no 3803003.131, de 27 de junho de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009. Brasília DF, em 27 de junho de 2012. [assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a. Turma Especial – 3a. Seção Presidente Ciência Data: ____/___________/________ _____________________________ Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração. [ ] _________________________ Fl. 44DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Fl. 45DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10845.003572/2003-13
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2005
Numero da decisão: 303-01.077
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do
recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: ANELISE DAUDT PRIETO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2013-08-16T16:00:45Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2013-08-16T16:00:45Z; Last-Modified: 2013-08-16T16:00:45Z; dcterms:modified: 2013-08-16T16:00:45Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:d4ba55ff-2a82-4073-b706-e7f6414368ce; Last-Save-Date: 2013-08-16T16:00:45Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2013-08-16T16:00:45Z; meta:save-date: 2013-08-16T16:00:45Z; pdf:encrypted: false; modified: 2013-08-16T16:00:45Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2013-08-16T16:00:45Z; created: 2013-08-16T16:00:45Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2013-08-16T16:00:45Z; pdf:charsPerPage: 887; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2013-08-16T16:00:45Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA 40/ TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES qtAt TERCEIRA CÂMARA Processo n° Recurso n° Sessão de Recorrente Recorrida : 10845.003572/2003-13 : 129.857 : 20 de outubro de 2005 : ENICOM — INDÚSTRIA DE ARTEFATOS DE CIMENTOS LTDA. : DRJ/SÃO PAULO/SP RESOLUÇÃO N°: 303 -01.077 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. ANELISE DAUDT PRIEi Presidente e Relatora Formalizado em: 27 OUT 2005 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Zenaldo Loibman, Nanci Gama, Sérgio de Castro Neves, Silvio Marcos Barcelos Fiúza, Marciel Eder Costa, Nilton Luiz Bartoli e Tarásio Campelo Borges. Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional Rubens Carlos Vieira. mmrn .." Processo n° : 10845.003572/2003-13 Resolução n° : 303-01.077 RELATÓRIO Adoto o relatório da decisão recorrida, que passo a transcrever. "Por meio do Auto de Infração de fl. 04, do qual a contribuinte foi cientificada em 21/08/2003, conforme AR de fl. 25, foi-lhe exigido o recolhimento do crédito tributário no montante de R$ 1.400,00, a titulo de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, referente aos 10 , 2°, 3 0 e 4° trimestres do ano-calendário de 1999. 2. 0 enquadramento legal consta da descrição dos fatos como art. 113, § 3 0 e 160 da Lei n° 5.172, de 25/10/1966 (CTN); art. 11 do Decreto-Lei n° 1.968, de 23/11/1982, com a redação dada pelo art. 10 do Decreto-Lei n° 2.065, de 26/10/1983; art. 30 da Lei n° 9.249, de 26/12/1995; art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 18, de 24/02/2000; art. 7° da Lei n° 10.426, de 24/04/2002 e art. 5 0 da Instrução Normativa SRF n° 255, de 11/12/2002. 3. Inconformada com a autuação, a interessada apresentou, em 10/09/2003, a impugnação de fl. 01, alegando, em síntese, que: 3.1. o auto de infração foi lavrado em virtude da apresentação de DCTF em atraso. Porém, apesar desta falha, esclarece que vinha fazendo o seu imposto de renda pessoa jurídica pelo regime Simplificado, conforme cópias de fls. 05/19, portanto, não estava obrigada à apresentação de DCTF; 3.2. ao tirar uma certidão negativa perante a Receita Federal veio a exigência de apresentação da DCTF que foi apresentada para que a certidão S fosse emitida; 3.3. conforme relato acima "fica explicito que não houve intenção da empresa em não apresentar suas declarações e sim as mesmas foram apresentadas pelo regime Simplificado dentro do prazo normal estabelecido por lei"; 3.4. assim, solicita o cancelamento do auto de infração. A Delegacia de Julgamento em São Paulo considerou procedente o lançamento cuja decisão está assim ementada: "Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 1999 Ajr/j? O Processo no : 10845.003572/2003-13 Resolução n° : 303-01.077 Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF Mantém-se a multa por atraso na entrega da Declaração de Contribuições e tributos Federais — DCTF, quando provado que a sua entrega se deu após o prazo fixado na legislação. Lançamento Procedente" A relatora, em seu voto, esclarece que: "7. A contribuinte não juntou aos autos o Termo de Opção pelo SIMPLES e, conforme pesquisa de fl. 37, do sistema CNPJ Consulta, tornou-se optante pelo referido regime simplificado somente a partir de 01/01/2003. 8. De acordo com as pesquisas de fls. 38/41, efetuada no sistema IRPJ Consulta, a empresa, de fato, entregou as declarações de imposto sobre a renda de pessoa jurídica no formulário das empresas que optaram pelo SIMPLES, nos anos-calendário de 1997 a 2000, nos prazos regulamentares, as quais, entretanto, constam como CANCELADAS. 9. Ocorre que, em outubro/2001, a interessada apresentou declarações retificadoras, pelo Lucro Presumido, para todos os anos-calendário nos quais havia apresentado Declaração Anual Simplificada, ou seja, de 1997 a 2000, conforme se constata nas pesquisas de fls. 42/45. 10. Em face dos fatos acima relatados, conclui-se que a empresa não era optante pelo SIMPLES, no ano-calendário de 1999. E de acordo com o auto de infração, a interessada entregou as DCTFs dos 1 0, 2°, 3 0 e 4° trimestres do ano-calendário de 1999, somente em julho e agosto de 2001. Como não foi apresentada prova em contrário, há que se manter integralmente o crédito tributário exigido." Irresignada a contribuinte apresenta recurso voluntário a este Conselho aduzindo o seguinte: "I. Que 0 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO referente ao PROCESSO N° 10845.003572/2003-13 foi lavrado em virtude de atraso na apresentação de DCTFs referentes ao ANO- CALENDÁRIO 1999, perante esta Receita Federfrof Processo n° Resolução n° : 10845.003572/2003-13 : 303-01.077 II. Que apresentamos o IRPJ — ANO CALENDÁRIO 1999 regularmente e sem atraso pelo regime SIMPLIFICADO, devidamente recebido PELA RECEITA FEDERAL; III. Que, ao solicitarmos uma CND tomamos conhecimento da exigência na mudança de regime, SIMPLIFICADO para LUCRO PRESUMIDO, o que foi atendido e, sem o que, a CND não seria emitida; IV. Que, quando da apresentação da IRPJ — ANO CALENDÁRIO 1999 pelo regime SIMPLIFICADO, não havia necessidade de apresentação de DCTFs; V. Que, pelos motivos expostos no item III, ao atendermos o pedido da RECEITA FEDERAL no que se refere à apresentação de Declaração Substitutiva de Imposto de Renda Jurídico de SIMPLIFICADO para LUCRO PRESUMIDO, implicou na conseqüente apresentação das DCTFs (que antes, no Regime Simplificado não eram necessárias), entendendo, esta Empresa, que fazia, na ocasião, uma CORREÇÃO, e que nunca, estaria cometendo uma INFRAÇÃO; VI. 0; VI. Que, pelos mesmos motivos, a RECEITA FEDERAL acolheu nossa solicitação, e cancelou a multa pelo "atraso" na entrega do IRPJ ANO CALENDÁRIO 1997, Auto de Infração n° 17.215.906-3; VII. Que não houve a intenção de NÃO SE APRESENTAR DCTFs, ou de APRESENTA-LAS EM TRASO, ou mesmo de NÃO SE PAGAR IMPOSTO, uma vez ter sido feita a DECLARAÇÃO DE IMPPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA, de forma SIMPLIFICADA, dentro dos prazos estabelecidos em lei, e RECEBIDA NA OCASIÃO pela RECEITA FEDERAL, conforme xerox em anexo, o que implicou na CONSEQUENTE dispensa da apresentação das mesmas." o relatório. 4 e • Processo n° : 10845.003572/2003-13 Resolução n° : 303-01.077 VOTO Conselheira Anelise Daudt Prieto, Relatora A empresa alega que em caso semelhante a este a Receita Federal cancelou a autuação. Entendo que a verificação de tal antecedente é importante para a solução da presente lide. Ocorre que a empresa não comprova tal afirmação. Entretanto, deve ser levado em conta o disposto na Lei n° 9.784/99, que tem aplicação subsidiária nos processos administrativos fiscais e que, em seus artigos 35 e 36 estabelece que: "Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de oficio, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias." Em face ao exposto, voto pela realização de diligência para que a repartição competente informe sobre decisões que tenham sido proferidas em decorrência do lançamento efetuado por meio do Auto de Infração n° 17.215.906-3. É como voto. Sala das Sessões, em 20 de outubro de 2005 tc7zi,,a ANELISE DAUDT PRIETO - Relatora
score : 1.0
Numero do processo: 10680.008332/2007-69
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/10/2005
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. LANÇAMENTO. PARTE DECADENTE. PEDIDO DE PARCELAMENTO. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. INDEFERIMENTO.
1. O Supremo Tribunal Federal, por intermédio da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. A partir da data de publicação da referida Súmula, observados os casos concretos, aplicar-se-á
aos lançamentos, as regras do Código Tributário Nacional CTN.
2. O CARF não é o local competente para cuidar de assuntos afetos a qualquer espécie de parcelamento.
3. No que se refere à questão envolvendo obrigações da Eletrobrás, o julgador de segunda instância é obrigado a observar as disposições contidas na Súmula CARF nº 24.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-000.652
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para reconhecer a decadência em relação às contribuições anteriores a outubro de 2001, inclusive, na forma do art. 150, parágrafo 4º, do CTN.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. LANÇAMENTO. PARTE DECADENTE. PEDIDO DE PARCELAMENTO. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. INDEFERIMENTO. 1. O Supremo Tribunal Federal, por intermédio da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. A partir da data de publicação da referida Súmula, observados os casos concretos, aplicarseá aos lançamentos, as regras do Código Tributário Nacional CTN. 2. O CARF não é o local competente para cuidar de assuntos afetos a qualquer espécie de parcelamento. 3. No que se refere à questão envolvendo obrigações da Eletrobrás, o julgador de segunda instância é obrigado a observar as disposições contidas na Súmula CARF nº 24. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para reconhecer a decadência em relação às contribuições anteriores a outubro de 2001, inclusive, na forma do art. 150, parágrafo 4º, do CTN. (assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 28/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 09/05/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR Processo nº 10680.008332/200769 Acórdão n.º 280300.652 S2TE03 Fl. 127 2 Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Wilson Antônio de Souza Corrêa. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 28/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 09/05/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR Processo nº 10680.008332/200769 Acórdão n.º 280300.652 S2TE03 Fl. 128 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, lavrada em desfavor do contribuinte, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada pela notificada aos segurados empregados, arrecadadas, mediante desconto incidente sobre as respectivas remunerações e não repassadas à Seguridade Social em época própria, período 01.1996 a 10.2005. O crédito foi levantado com base nas folhas de pagamento, GFIP, Relação Anual de Informações Sociais — RAIS e guias de recolhimento para Previdência Social. O contribuinte foi notificado em 13 de novembro de 2006 e apresentou defesa tempestiva, em 28 de novembro de 2006. A impugnação foi julgada em 09 de maio de 2007, ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/10/2005 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADOS EMPREGADOS A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração Alínea "a", do inciso I, do artigo 30, da Lei n.° 8.212, de 24 de julho de 1991. Lançamento Procedente Inconformado com resultado do julgamento de primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, repetindo os argumentos da impugnação, o seguinte: Pretende o parcelamento do crédito em tela, visto que já tenta há algum tempo esse parcelamento pela via administrativa e não tem seu pedido deferido. Alega que já foi concedido anteriormente o parcelamento em até 180 prestações mensais e sucessivas dos débitos apurados junto a Secretaria da Receita Federal do Brasil/INSS, relativos a essas contribuições descontadas dos empregados, beneficiando os contribuintes que estavam em débito com o fisco. Assim, nada mais justo que o crédito da notificada seja também parcelado. Afirma que está agindo de boafé, tendo em vista que não está se recusando ao pagamento do crédito, mas que somente poderá pagalo em parcelas. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 28/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 09/05/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR Processo nº 10680.008332/200769 Acórdão n.º 280300.652 S2TE03 Fl. 129 4 Tendo em vista a negativa de parcelamento administrativo, aduz que ingressou com uma ação judicial clamando pleiteando a concessão do mesmo. Oferece, à caráter de caução, a Obrigação ao portador, emitidas pela Eletrobrás — Centrais Elétricas Brasileiras S.A., título n° 0102193, cobrada em ação própria, em trâmite perante a Justiça Federal, 22ª Vara da Seção Judiciária de Minas Gerais, documento anexo. Requer ajuntada do Balanço Patrimonial das demonstrações financeiras da Eletrobrás no final do ano de 2005. Por último, requer que seja deferido o parcelamento do débito administrativamente e seja aceita a oferta do título em garantia do valor cobrado. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 28/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 09/05/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR Processo nº 10680.008332/200769 Acórdão n.º 280300.652 S2TE03 Fl. 130 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. Tendo em vista tratarse de matéria de ordem pública, conheço de ofício a ocorrência da decadência de parte do lançamento. O Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária datada de 12 de junho de 2008, decidiu que o art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991 é inconstitucional. A referida Súmula recebeu a seguinte redação: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212 há que serem observadas as regras previstas no CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação. Assim, a regra a se observar é a disposta no § 4º do art. 150 do CTN. Se houver pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no inciso VII do art. 156 do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento. Caso esse não exista, não há o que ser homologado devendo, dessa forma, ser observado o disposto no inciso I do art. 173 do CTN. Nesta hipótese, o crédito tributário será extinto em função da previsão contida no inciso V do art. 156 do CTN. Contudo, caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no § 4º do art. 150 do CTN, devendo aplicarse, in casu, necessariamente, as disposições contidas no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Assim sendo, tendo em vista que o contribuinte foi notificado em 13 de novembro de 2006, encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores anteriores a outubro de 2001, inclusive. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 28/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 09/05/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR Processo nº 10680.008332/200769 Acórdão n.º 280300.652 S2TE03 Fl. 131 6 Ultrapassada a questão relativa de decadência, passo a verificar o recurso interposto pelo contribuinte. Inicialmente, cumpreme destacar que a competência dos órgãos julgadores do CARF se restringe ao julgamento de recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita federal do Brasil (art. 1º do RICARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009). In casu, o contribuinte deixando de atacar os pontos controversos contidos no lançamento levado a efeito pela fiscalização, cuidou apenas de requerer o parcelamento de tais débitos. Em seu recurso, o contribuinte afirma que o pedido de parcelamento foi indeferido pela via administrativa, situação que o obrigou a buscar amparo do Poder Judiciário para fazer valer seu pretenso direito. Aduz o recorrente ter manejado ação própria, em trâmite perante a Justiça Federal – 22ª Vara da Seção Judicial de Minas Gerais , onde foi oferecido em caução o título nº 0102193, obrigação ao portador, emitido pela Eletrobrás. Em razão da ação em trâmite na Justiça Federal, o contribuinte requereu nestes autos, a juntada do Balanço Patrimonial das demonstrações financeiras da Eletrobrás no final do ano de 2005. No que se refere à questão envolvendo obrigações da Eletrobrás, o julgador de segunda instância é obrigado a observar as disposições contidas na Súmula CARF nº 24, in verbis: Súmula CARF nº 24: Não compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários. Ora, se não é permitida a restituição, bem como a compensação de débitos tributários em face das obrigações da Eletrobrás, igual impedimento haverá em relação aos pedidos de parcelamentos. Reitero, ademais, que houve um enorme equívoco do contribuinte ao requerer parcelamento em recurso voluntário endereçado ao CARF. A via eleita não é a adequada. De outra parte, também não tem cabimento o pedido do contribuinte para que seja juntado, nestes autos, o balanço patrimonial das demonstrações financeiras da Eletrobrás no final do ano de 2005. A juntada de documento no processo administrativo fiscal deverá ser realizada de acordo com as disposições do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 28/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 09/05/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR Processo nº 10680.008332/200769 Acórdão n.º 280300.652 S2TE03 Fl. 132 7 a) Fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) Refirase a fato ou a direito superveniente; c) Destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Com efeito, em razão das considerações acima expendidas e tendo em vista que o CARF não é o local competente para cuidar de assuntos afetos a qualquer espécie de parcelamento, não vislumbro qualquer possibilidade de alterar o lançamento, bem como a decisão de primeira instância, salvo em relação ao reconhecimento de ofício da decadência de parte do período lançado, devendo a parte não atingida pela decadência ser mantida nos seus exatos termos. Pelo exposto, conheço de ofício a decadência na forma do § 4º do art. 150 do CTN, em relação às contribuições anteriores a outubro de 2001, inclusive e, no mérito, voto por CONHECER do recurso voluntário interposto pelo contribuinte para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Fl. 7DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR Assinado digitalmente em 28/07/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 09/05/2011 por AMILCAR BARCA TE IXEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10875.001203/2005-09
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o PIS/PASEP
Período de Apuração: 01 a 31/03/2003 e 01 a 30/06/2003
TRIBUTO PAGO E NÃO CONFESSADO. LANÇAMENTO. SOMENTE
APÓS NÃO ATENDIMENTO DA INTIMAÇÃO PARA
APRESENTAÇÃO DA DCTF. LANÇAMENTO PELA FALTA MESMO
APÓS A APRESENTAÇÃO.
Quitado o débito tributário e havendo parcela não confessada em DCTF, deve ser obedecida a legislação pertinente a esta, que prevê a constituição do crédito pela via do auto de infração, apenas ante o não atendimento a intimação exigindo a sua apresentação, e, ainda que apresentada, lançamento pela falta de entrega ou insuficiência dos dados declarados.
CRÉDITO PRESUMIDO. ABERTURA DE ESTOQUE. CONTRIBUIÇÃO
PARA PIS/PASEP.
O crédito presumido de abertura de estoque do PIS/PASEP na mudança para o regime não cumulativo deve ser utilizado em 12 (doze) parcelas iguais e sucessivas, podendo o valor não descontado em um mês ser utilizado nos meses subsequentes.
Numero da decisão: 3803-002.062
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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"';`•. ,,' Processo n° 10280.001684/2004-53 Recurso n° 160.665 Voluntário Acórdão n° 3804-00.131 — 4' Turma Especial Sessão de 26 de junho de 2009 Matéria IRPF - Ex(s).: 2001 Recorrente RAIMUNDO SERGIO DE MENESES SANTOS Recorrida 2 TURMA/DRJ-BELEM/PA Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 RENDIMENTOS DO TRABALHO ASSALARIADO - INDENIZAÇÕES ISENTAS - As indenizações isentas nos termos do art. 39, inc. XX, do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda - RIR11999, são as previstas nos arts. 477 a 499 da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT pagas até o valor garantido por lei trabalhista ou por dissídio coletivo e convenções trabalhistas homologados pela Justiça do Trabalho. Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Julio Cezar da Fonseca Furtado (Relator), que provia parcialmente o recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende. rff//7Ny'S01.1 A ir A - Pr sidente f , A MA RY LLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE - Redatora- Designada 1 EDITADO EM: 2 "I OUT 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Marcelo Magalhães Peixoto, Julio Cezar da Fonseca Furtado e Nelson Mallmann (Presidente). Relatório Por uma questão de economia processual reproduzo na íntegra o Relatório de fls.44/45 dos autos, o qual este Relator o ratifica, in totum, verbis: "O presente processo, que ostenta como última folha a de n°. 22, trata de autuação contra o contribuinte acima qualificado, conforme auto de infração de fls. 3/7. 2.A autuação, decorreu de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de trabalho com e sem vínculo empregatício, SELVA PLAC VERDE LTDA., CNPJ n°. 01.787.769/0001-64, e CAROLINA INDÚSTRIA LTDA., CNPJ n° 04.022.877/000134, constatada pelo Fisco em procedimento de revisão na Declaração de Ajuste Anual do Sujeito Passivo, exercício de 2001, ano-calendário de 2000, como descrito à fls. 8 e 11, dos autos. 3.Em vista disso, foram alterados os seguintes valores de sua Declaração: Rendimentos Recebidos de Pessoas Jurídicas (para R$ 92.843,33) e IRRF (para R$ 5.575,62) alterando o resultado apurado do Imposto a Pagar (de R$ 40,45) para Imposto a Pagar Suplementar (R$ 8.270,29), como discriminado à fl. 11, dos autos. 4.No dia 2710212004, foi juntada a impugnação de fls. 01102, instruída com os documentos de fls. 12/21, cujo teor, em suma foi que: a) o contribuinte não omitiu em sua declaração de ajuste anual, exercício de 2001, ano-calendário de 2000, os rendimentos recebidos de SELVA PLAC VERDE S/ A, CNPJ na 01.787.769/0001-64, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício, como afirmado no auto de infração; b) o impugnante declarou a quantia de R$ 29.700,00 no campo de rendimentos sujeitos a tributação exclusiva, consoante pode ser constatado na cópia da declaração de fls. 12/15, face dito valor ter sido recebimento líquido proveniente de acordo judicial, celebrado na 5 a Vara da Justiça de Trabalho da 8" Região entre o Impugnante e as empresas SELVAPLAC VERDE S/A, MAGINCO VERDE LTDA. e CAROLINA INDÚSTRIA LTDA, fls. 16/18, onde ficou estipulado que mesmo estava recebendo aquela quantia, relativa a indenização; Ofij 2 Processo n° 10280.001684/2004-53 83-TE04 Acórdão n.° 3804-00.131 Fl. 2 • c) essas empresas comprometeram-se a recolher o imposto de renda integral, fls. 19/21, referente a quantia de R$ 10.000,00 (dez mil reais) sobre a qual incidiria a tributação. Na realidade houve um acerto judicial em que as empresas assumiram a obrigação da carga tributária, em razão de que o Impugnante abriu mão de parte de seus direitos, recebendo apenas a quantia liquida de R$ 29.700,00 (vinte e nove mil, setecentos reais). É certo que, caso essa quantia correspondesse à remuneração, o que não é o caso, caberia às empresas reterem o imposto na fonte, além do que possibilitaria ao Impugnante os abatimentos relativos a outros encargos decorrentes da mesma. Logo, se não foram feitos, deveu-se ao fato de que se tratava apenas de indenização; d) vislumbra-se ainda do acórdão judicial que não foi discriminada nenhuma verba rescisória, o que reforça ser o citado valor como de caráter indenizatório; e) assim, é inverídica a afirmativa de que o Impugnante omitiu em sua declaração a quantia supra mencionada, descabendo tanto a diferença do imposto como os acréscimos legais aplicados; J. finalmente, requer seja acolhida a presente impugnação." 5.Cientificado da exigência tributária por via postal, conforme Aviso de Recebimento - AR de fl. 29,o sujeito passivo não se insurge contra a infração (OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURIDICA SEM VINCULO EMPREGATIC10), motivo pelo qual não cabe qualquer manifestação por parte da autoridade julgadora acerca dessa matéria, sendo como tal considerada como não impugnada, com base no art. 17 do Decreto n° 70.235/72. 6. Assim, conforme preceitua o art. 21 do retro mencionado dispositivo legal, a repartição de origem informa à fl. 39 que providenciou a apartação dos autos, com a transferência da parte não contestada para o Processo n° 10280.002472/2004-93, para cobrança." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Belem/PA, através do Acórdão 01- 7.630, de 05 de fevereiro de 2007, julgou procedente o lançamento, sob o argumento de que, em se tratando de verbas indenizatorias, o interessado não provou de que aquelas mencionadas na Reclamação Trabalhista se inseriam entre as isentas, conforme o artigo 39, inciso XX, do RIR/1999. 3 Inconformado, o contribuinte interpos o recurso de fls. 50/56, acompanhado dos documentos de fls. 57/68, onde, em síntese, sustenta tratar-se de verba de caráter indenizatório. É o relatório. ey/ 4 Processo n° 10280.001684/2004-53 S3-TE04 Acórdão n.° 3804-00.131 Fl, 3 Voto Vencido Conselheiro JULIO CEZAR DA FONSECA FURTADO, Relator O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme relato, trata o presente feito de omissão de rendimentos decorrentes de trabalho com e sem vínculo empregatício, constatada pelo Fisco em procedimento de revisão na Declaração de Ajuste Anual do Sujeito Passivo, exercício de 2001, ano-calendário de 2000, como descrito às fls. 8 e 11, dos autos, recebidos de SELVA PLAC VERDE LTDA., CNPJ n°. 01.787.769/0001-64, no montante de R$ 29.700,00, e de CAROLINA INDÚSTRIA LTDA., CNPJ n° 04.022.877/0001-34, no montante de R$ 993,67. Quanto ao valor de R$ 993,67, recebido de CAROLINA INDÚSTRIA LTDA., CNPJ n° 04.022.877/0001-34, trata-se de uma diferença entre o que foi declarado pelo Recorrente no montante de R$ 10.930,37 (fls. 12) e aquele de R$ 11.924,04 constante da DIRF de tls. 34, cujo apontamento o contribuinte não se insurge, sendo, portanto, neste particular, correta a omissão verificada. Já, em relação ao valor de R$ 29.700,00, que teria sido recebido de SELVA PLAC VERDE LTDA, CNPJ n°. 01.787.769/0001-64, cabem as considerações abaixo. De plano convém esclarecer que o valor do citado Acordo Trabalhista foi de R$ 33.000,00, dos quais R$ 3.300,0 já haviam sido recebidos pelo contribuinte, tendo sido, no entanto, considerado como omissão, apenas, R$ 29.700,00. Referida verba foi paga ao contribuinte em decorrência de Acordo Trabalhista, no Processo 5' VARA-2101/00, da JUSTIÇA DO TRABALHO DA 8 REGIÃO, consoante TERMO DE AUDIÊNCIA de 18/12/00, do qual se extrai: "... AS PARTES RESOLVEM CONCILIAR NAS SEGUINTES BASES: AS RECLAMADAS SOLIDARIAMENTE PAGAM AO RECLAMANTE, NESTE ATO E OCASIÃO, A IMPORTÂNCIA DE R$ 33.000,00, SENDO QUE O RECLAMANTE DECLARA NESTE ATO JÁ HAVER RECEBIDO DAS RECLAMADAS A IMPORTÂNCIA DE R$ 3.300,00. O RESTANTE R$ 29.700,00 É PAGO NESTE ATO E OCASIÃO, ATRAVÉS DO CHEQUE N° 900254, 900255 E 900256, DO BANCO DO BRASIL, AGÊNCIA 1686, QUE O RECLAMANTE RECEBEU E EMBOLSOU FICA ESTIPULADA A MULTA DE 30%, SOBRE O VALOR CHEQUES, EM CASO DE INSUFICIÊNCIA DE FUNDOS. DESSE VALOR, R$ 23.000,00 É PAGO A TÍTULO DE VERBAS INDENIZATÓRTAS E R$ 10.000,00 A TÍTULO DE VERBAS REMUNERATORIAS. ... A PRIMEIRA RECLAMADA SE COMPROMETE EM RECOLHER A PREVIDÊNCIA SOCIAL E O IMPOSTO DE RENDA, SOBRE O VALOR DE R$ 10.000,00, OS VALORES REFERENTES TANTO A RECLAMADA QWW70 AO JOIA/ 5 RECLAMANTE, DEVENDO COMPROVAR EM JUÍZO QUINZE DIAS APÓS A QUITAÇÃO DO ACORDO..." E, assim, foi feito. De fato, às fls. 18 e 64, consta que a PRIMEIRA RECLAMADA — MANGICO VERDE S/A recolheu o imposto de renda de R$ 2.170,00 sobre as VERBAS RUMUNERATORIAS, no valor de R$ 10.000,00, em atendimento ao Acordo mencionado. Todavia, a SELVA PLACA VERDE LTDA, em descumprimento ao citado ACORDO TRABALHISTA, informou, através da DIRF (fl. 33), como rendimento tributável a quantia de R$ 29.700,00, sem considerar que deste valor, R$ 23.000,00 foram pagos como VERBAS INDENIZATORIAS, quando o ACORDO somente mandara tributar (INSS e IR) sobre R$ 10.000,00, a título de VERBA REMUNERATÓRIA. De ressaltar, por outro lado, que o autuado, em sua declaração de ajuste deveria ter considerado como não tributável somente a quantia de R$ 23.000,00, como VERBA INDENIZATORIA, e não de R$ 29.700,00, como o fez, embora, de forma incorreta, já que incluíra os R$ 10.000,00 recebidos a titulo de VERBA REMUNERATORIA, conforme acima esclarecido. Assim, o ponto básico da controvérsia reside, tão só, na tributação ou não da VERBA INDENIZATÓRIA, como determinado pela Justiça Trabalhista. Sobre o tema, porque se aplica à hipótese sob exame, permito-me transcrever trechos do Acórdão n°. 104-17.419: " ... Como se pode ver, o único ponto de discordância existente entre o fisco e a autuada consiste apenas quanto a inclusão ou não na base de cálculo do imposto dos valores considerados pela justiça como verbas indenizatórias. Inicialmente, é de se destacar o fato de que a recorrente, como fonte pagadora de rendimentos, embora não se revestindo na condição de contribuinte por não exercer relação pessoal e direta com o fato gerador, por imposição legal, desempenha o papel de sujeito passivo indireto como responsável, e como tal, não pode fugir de sua obrigação traduzida na responsabilidade tributária que a lei lhe atribuiu e, por isso, cabendo-lhe o encargo do pagamento do crédito tributário, cuja base de cálculo está no valor pago ou creditado ao beneficiário do rendimento, conforme sobejamente demonstrado nos anexos 01 e 02 dos autos. Nesse sentido, a fonte pagadora em nenhum instante se nega a assumir essa responsabilidade que a lei lhe atribuiu, submetendo-se, inclusive, ao encargo quanto ao pagamento da maior parte do imposto, calculado sobre os valores pagos aos beneficiários desses rendimentos, não o fazendo apenas com relação as parcelas consideradas no acordo homologado pela justiça do trabalho como verbas de natureza indenizatório, que, por esta razão, deveriam ser classificados como rendi mentos isentos e não tributáveis. Quanto a esta questão, há que se reconhecer que a justiça do trabalho, conforme consta do acordo (Ata de Audiência) de fls. 32/35, homologou o acordo onde as partes declaram ser composta de 100% de verbas indenizatórias, no caso do MY 6 Processo n° 10280.001684/2004-53 83-TE04 Acórdão n.° 3804-00.131 Fl. 4 reclamante Paulino Correia, e no caso do acordo firmado com Edi Pacheco 60% de natureza salarial e 40% de natureza indenizató ria. É certo que, se não a totalidade, mas pelo menos uma boa parte dos pagamentos relativos ao acordo judicial em questão constituem, na verdade, salário, questionado judicialmente, cuja decisão foi favorável ao recorrente. Desta forma, os rendimentos contidos no acordo judicial não poderiam ser admitidos na sua totalidade como não tributáveis, como de fato não o foi, unia vez que está sendo exigido o imposto na fonte sobre tais quantias. Assim, se de um lado, não consta nos autos uma folha de cálculo preenchida pela fonte pagadora ou pela justiça do trabalho, identificando o montante dos valores recebido a título de indenizações, discriminando, por espécie, os rendimentos auferidos, inclusive as parcelas intributáveis, por outro, o fisco não desenvolveu qualquer esforço com o propósito de demonstrar e confirmar não constituir estes valores parcelas de rendimentos isentos. Sequer foi a fonte pagadora intimada a identificar os valores pagos a título de indenizações. É inegável que, se o acordo faz referência relativas a uni extinto contrato de trabalho, corno consta no próprio despacho homologató rio, na' o há como prosperar a presunçâ o de que o montante recebido seja totalmente constituído de rendimentos tributáveis, Isto posto, considerando constar expressamente no acordo judicial a natureza indenizatórias dos valores em discussão, meu voto é no sentido de dar provimento ao recurso." Ante todo o exposto, encaminho o meu voto no sentido de dar PROVIMENTO PARCIAL para excluir da exigência, nos termos do Acordo Judicial Trabalhista, a quantia de R$ 19.700,00 relativa à VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. „ fi JULIO CEZAR D i I A FURTADO 7 Voto Vencedor Conselheira AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE, Redatora-designada Com a devida vénia do nobre relator da matéria, Conselheiro Júlio Cezar da Fonseca Furtado, permito-me divergir quanto à exclusão da quantia de R$ 19.700,00 da base de cálculo do imposto pelos fundamentos a seguir expostos. i ,„ i inicialmente,nicialmente, que o imposto em questãoincide sempre que houver aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza. Sobre a matéria, assim dispõem os artigos 2° e 3° da Lei n°7.713, de 1988: Art. 2° - O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3°(..) § 1° - Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (.) ,f 4 0 A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma ou titulo. Por outro lado, a lei lista, de forma exaustiva, o que á isento, estabelecendo de forma ampla e conceitual o objeto da tributação. Assim é, porque a interpretação literal prevista no art. 111 da Lei tr. 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional - CTN, se impõe ao dispositivo que outorga isenção. Assim, vejamos o que dispõe o art. 6° da Lei n° 7.713, de 1988: Art. 6° Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas fisicas: 1 - A alimentação, o transporte e os uniformes ou vestimentas especiais de trabalho, fornecidos gratuitamente pelo empregador a seus empregados, ou a diferença entre o preço cobrado e o valor de mercado; II - As diárias destinadas, exclusivamente, ao pagamento de despesas de alimentação e pousada, por serviço eventual realizado em município diferente do da sede de trabalho; 17 8 Processo n° 10280.001684/2004-53 S3-TE04 Acórdão n.° 3804-00.131 Fl. 5 III - O valor locativo do prédio construído, quando ocupado por seu proprietário ou cedido gratuitamente para uso do cônjuge ou de parentes de primeiro grau; IV - As indenizações por acidentes de trabalho; V - A indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido por lei, bem corno o montante recebido pelos empregados e diretores, ou respectivos beneficiários, referente aos depósitos, juros e correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço,. VI - O montante dos depósitos, juros, correção monetária e quotas-partes creditados em contas individuais pelo Programa de Integração Social e pelo Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público; VII - Os benefícios recebidos de entidades de previdência privada: (..) (grifos acrescidos) Destaque-se que as indenizações isentas nos termos do inc. V, do art. 6°, da Lei n° 7.713, de 1988, são as previstas nos arts. 477 a 499 da CLT pagas até o valor garantido por lei trabalhista ou por dissídio coletivo e convenções trabalhistas homologados pela Justiça do Trabalho. E mais, em conformidade com o art. 123 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), "salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes".(Grifamos) Portanto, caberia ao interessado trazer aos autos documentos hábeis para comprovar que verbas compuseram a parcela dita isenta no acordo realizado na reclamatória trabalhista e, assim, a natureza de tais verbas. Na ausência dessa prova, os valores recebidos sujeitam-se à tributação. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. AMARYLLES RE1NALDI E HENRIQUES RESENDE 9
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Numero do processo: 10855.000891/2001-96
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2003
Numero da decisão: 303-00.891
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em
diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
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DRJ/RIBEIRÃO PRETO/SP R E S O L U ç Ã O N° 303-00.891 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • • RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 11 de junho de 2003 JOÃO ~A COSTA preSider • 1, ClUr 21lIm :;?' ..¥.}(~ " .. • Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ANELISE DAUDT PRIETO, ZENALDO LOIBMAN, IRINEU BIANCHI, NILTON LUIZ BARTOLI e FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE. Ausente o Conselheiro CARLOS FERNANDO FIGUEIREDO BARROS. trnc • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA cÂMARA •• RECURSO N° RESOLUÇÃO N° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 125.191 303-00.891 SISTEMA EDUCACIONAL SOROCABA LTDA. DRJ/RIBEIRÃO PRETO/SP PAULO DE ASSIS RELATÓRIO 2 • • • • A Recorrente foi excluída do SIMPLES, por intermédio do Ato Declaratório n° 409.906, de 02/10/2000 (fi. 32), emitido pela DRF/IRF em SorocabalSP, sob a alegação de que a mesma exercia "Atividade Econômica não Permitida para o SIMPLES". Nada mais foi explicitado no referido AD. O Contribuinte, apresentou sua impugnação no pressuposto de ter o Fisco considerado a atividade da escola como semelhante à de professor, remetendo à vedação do artigo 9° da lei 9.317/96. Este pressuposto foi mais tarde confirmado no Acórdão recorrido (fi. 35). que tomou por base a descrição do objeto social da recorrente (fi. 27). Apreciando a matéria, a DRJ/RPO (fis. 35 a 42) manteve a exclusão contida no AD, sob a mesma fundamentação de que a atividade é assemelhada à de professor. Inúteis foram os argumentos do Contribuinte, de que a escola é uma entidade jurídica com obrigações referentes a edificações, pessoal administrativo, mobiliário, encargos sociais, contribuições PIS/PASEP/ e COFINS, etc, além de cumprir obrigações vinculadas em lei: Resolução n° 01 do então Conselho Federal de Educação, atual do Conselho Nacional de Educação: Art. 2 . S 1°_ A anuidade escolar, desdobrada em duas semestralidades, constitui a contraprestação pecuniária correspondente à educação ministrada e à prestação de serviços a ela diretamente vinculados, como a matrícula, estágios obrigatórios, utilização de laboratório e biblioteca, material de ensino de uso coletivo, material destinado a provas e exames, primeira via de documentos para fins de transferência, de certificados ou diplomas (modelo oficial), de conclusão de notas, de cronogramas, de históricos escolares, de currículos e de programas", Irresignado, o Contribuinte recorreu a este Conselho, com as razões de fis. 45 a 59, com os mesmos argumentos da impugnação, pleiteando a reforma da decisão recorrida, para que fosse mantido no SIMPLES, 1/- • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 125.191 303-00.891 • • Aproveita, ainda, para lembrar que por ocasião da edição da Lei 7.256/84, fez-se constar o inciso VI do artigo 3°, a seguinte vedação: "VI- que preste serviços profissionais de médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, economista, despachante e outros serviços que lhe possam assemelhar." Apreciando questão ligada à aplicação da mencionada Lei, a Colenda 4a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, emitiu o Acórdão 104- 9.223, com a seguinte redação: "MICROEMPRESA ESTABELECIMENTO DE ENSINO ENQUADRAMENTO Sociedade organizada para genr estabelecimento de ensino, com professores e auxiliares regularmente contratados, se preenchidos os requisitos do Estatuto de Microempresa - Lei n° 7.256/94, não pode ser desenquadrada deste regime sob o argumento de que a atividade se assemelha àquelas relacionadas no inciso VI, art. 3° da referida lei." • • É o relatório . • 3 • • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 125.191 303-00.891 VOTO • • • • • O recurso apresenta os requisitos de admissibilidade, é matéria de competência deste Colegiado. Dele tomo conhecimento. Em nenhum momento, seja no Ato Declaratório, na SRS, na Decisão recorrida, no ato de impugnação ou do recurso, há qualquer especificação das atividades efetivamente praticadas pela recorrente, o que não corresponde necessariamente ao que consta do Ato de Constituição da Sociedade (fi. 27). Em homenagem ao princípio da verdade material, VOTO no sentido de converter o julgamento em diligência para que se especifique as atividades de fato exercidas pela recorrente à data do Ato Declaratório em questionamento . Sala das Sessões, em 11 de junho de 2003 ~~ PAULO DE ASSIS - Relator 4 00000001 00000002 00000003 00000004
score : 1.0
