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Numero do processo: 11686.000020/2009-81
Data da sessão: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3302-000.132
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: WALBER JOSÉ DA SILVA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1713; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 3.69 1 22..6699 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11686.000020/200981 Recurso nº Resolução nº 330200.132 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 03 de Junho de 2011 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente MUMU ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 06/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra e Alexandre Gomes. Ausente o conselheiro Gileno Gurjão Barreto Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de Cofins não cumulativa referente ao 2º trimestre de 2007, cujo valor solicitado foi deferido parcialmente pela RFB, em face de glosas dos seguintes créditos: (i) créditos relativos as despesas com agenciamento de leite junto a fornecedores; (ii) créditos relativos as despesas com comissões pagas a representantes comerciais; (iii) créditos relativos a encargos de depreciação de móveis, utensílios, veículos e de bens do ativo permanente adquiridos até 30/04/2004; e (iv) créditos normais nas aquisições de leite in natura que a Fiscalização entende serem créditos presumidos sem direito ao ressarcimento. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11686.000020/200981 Resolução n.º 330200.132 S3C3T2 Fl. 4.69 2 Inconformada, a empresa ingressou com manifestação de inconformidade na qual discorre sobre a sistemática da não cumulatividade dos PIS, da Cofins, do IPI e do ICMS para apontar distinções entre as sistemáticas desses impostos e contribuições para concluir que é inconstitucional as disposições do art. 31 da Lei no 10.865/2004 e, consequentemente, tem direito ao crédito referente a todos os bens corpóreos adquiridos e a todos os serviços aplicados na formação da receita. Especificamente quanto aos crédito presumido sustenta que não é empresa agroindustrial e que nas notas fiscais de aquisição não havia indicação de que as mercadorias tinham sido adquiridas com suspensão das contribuições, levando a conclusão de que o crédito deveria ser calculado pela regra do art. 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03, dando direito ao ressarcimento pleiteado. A DRJ em Porto Alegre RS indeferiu a solicitação da empresa interessada, nos termos do Acórdão no 1025.350, de 13/05/2010, cuja ementa abaixo se reproduz. CRÉDITO IMPOSSIBILIDADE Apenas os custos e as despesas elencadas nos incisos do art. 3° da Lei n° 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003 geram créditos de PIS e de Cofins, respectivamente, pela sistemática da não cumulatividade. VENDA DE LEITE "IN NATURA" SUSPENSÃO CRÉDITO PRESUMIDO Comprovado que a venda de leite "in natura" ocorreu com o benefício da suspensão da contribuição para o PIS e para a Cofins, inexiste a possibilidade de cálculo de créditos com base nos disposto nos art. 3° da Lei n° 10.637/2002 e da Lei n° 10.833/2003, respectivamente, pelo adquirente dos insumos, havendo previsão legal apenas de crédito presumido, nos termos do disposto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004.. Ciente desta decisão em 25/05/2010 (AR de fl. 228), a empresa ingressou, no dia 23/06/2010, com o recurso voluntário de fls. 229/260, no qual repisa os argumentos da manifestação de inconformidade e acrescenta que a decisão recorrida ignorou argumentos seus relativos as condições de emissão da nota fiscal com exigibilidade suspensa e sua condição de empresa não agroindustrial. Na forma regimental o recurso voluntário foi a mim distribuído, para relatar. É o resumo do essencial. Voto Conselheiro Walber José da Silva O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais e, por esta razão, dele conheço. A empresa recorrente está pleiteando o reconhecimento do crédito da Cofins não cumulativa relativo as despesas incorridas com o agenciamento de leite junto a fornecedores Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11686.000020/200981 Resolução n.º 330200.132 S3C3T2 Fl. 5.69 3 seus, com a representação comercial de seus produtos e, também, sobre as despesas de depreciação de móveis, utensílios, veículos e de bens do ativo permanente adquiridos até 30/04/2004. Também pretende a recorrente ver reconhecido o direito de calcular os créditos nas aquisições de leite in natura, realizada junto a pessoas jurídicas, na forma prevista no art. 3º da Lei nº 10.833/03 e, consequentemente, ver reconhecido o direito ao seu ressarcimento. Sobre esta última matéria, a Fiscalização efetuou a glosa dos créditos com base em declaração prestada pelos fornecedores de leite in natura de que a venda realizada à recorrente foi com suspensão da exigibilidade do PIS e da Cofins. Independente do argumento da recorrente de que não é uma empresa agroindustrial, a que se refere o art. 6º da IN SRF nº 660/06, é fato que a empresa vendedora de leite in natura, para dar saída ao mesmo com suspensão da exigibilidade de PIS e de Cofins, deveria adotar duas providências, quais sejam: (i) exigir e receber de seu cliente a declaração do Anexo I da IN SRF nº 660/06; e (ii) consignar na nota fiscal de venda que a mesma está sendo realizada com suspensão da exigibilidade do PIS e da Cofins, conforme determina o art. 2º da mesma IN SRF. No caso sob exame, a Fiscalização não procurou verificar se as compras de leite in natura realizadas pela recorrente obedeceram às condições acima. A única medida tomada pela Fiscalização, para comprovar que as comprar foram realizadas com exigibilidade suspensa, foi colher de alguns fornecedores de leite in natura uma declaração de que as vendas foram efetuadas com suspensão da exigibilidade do PIS e da Cofins. Portanto, a prova trazida pela Fiscalização não é suficiente para afirmarse, com convicção, que as compras de leite in natura realizadas pela recorrente junto a pessoas jurídicas foram com suspensão de exigibilidade do PIS e da Cofins e, portanto, o crédito a que tem direito é o previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/04 (crédito presumido) e, em assim sendo, não pode ser objeto de ressarcimento ou de compensação por falta de previsão legal. Por outro lado, também a recorrente não prova suas alegações de que as aquisições de leite in natura foram realizadas sem a suspensão da exigibilidade do PIS e da Cofins e que nas notas fiscais de aquisição não constam a informação a que se refere o art. 2º da IN SRF nº 660/06. Bastaria, para provar o alegado, a recorrente juntar cópias dessas notas fiscais. Existe a possibilidade de a recorrente ter adquirido leite in natura com e sem a suspensão da exigibilidade do PIS e da Cofins. Para esclarecer essa situação, há que ser carreado aos autos prova e demonstrativo das aquisições nessas condições. Portanto, entendo que o processo precisa retornar à origem para completar a sua instrução com a juntada das provas sobre o regime de tributação do PIS e da Cofins (normal ou com suspensão) das compras de leite in natura realizadas pela recorrente junto a pessoas jurídicas. Lembro que, pelas disposições do art. 4º da IN SRF nº 660/06, a empresa recorrente estava obrigada a fornecer a declaração prevista neste dispositivo. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11686.000020/200981 Resolução n.º 330200.132 S3C3T2 Fl. 6.69 4 Isto posto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem para as seguintes providências: 1 intimar a recorrente para informar, no período objeto do pedido de ressarcimento, para quais fornecedores seus, pessoas jurídicas, entregou a declaração do Anexo I da IN SRF nº 660/06 e para quais fornecedores deixou de entregar a referida declaração. 2 intimar a recorrente a demonstrar o valor das aquisições de leite in natura junto a pessoas jurídicas, segregando o valor dessas compras, por mês e por fornecedor, nas seguintes categorias: 2.1 valor das compras a cujo fornecedor foi entregue a declaração do Anexo I da IN SRF nº 660/06 e este consignou na nota fiscal de venda a expressão “Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”; 2.2 valor das compras a cujo fornecedor foi entregue a declaração do Anexo I da IN SRF nº 660/06 mas este deixou de consignar na nota fiscal de venda a expressão “Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”; 2.3 valor das compras a cujo fornecedor não foi entregue a declaração do Anexo I da IN SRF nº 660/06 mas este consignou na nota fiscal de venda a expressão “Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”; 2.4 valor das compras a cujo fornecedor não foi entregue a declaração do Anexo I da IN SRF nº 660/06 e este não consignou na nota fiscal de venda a expressão “Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”; 3 efetuar a conferência, por amostragem, das respostas da recorrente aos itens 1 e 2, juntando cópia, também por amostragem, das notas fiscais de aquisição de leite in natura para cada categoria acima referida; 4 intimar os fornecedores a que se refere o subitem 2.3 a apresentar a declaração a que se refere o Anexo I da IN SRF nº 660/06, emitida pela recorrente em data anterior à da emissão das notas fiscais de venda. Se a intimação não for atendida no prazo marcado, a diligência pode ser encerrada sem essa informação, subentendose ratificada a informação prestada pela recorrente. 5 prestar as informações que julgar necessário ao deslinde da questão; 6 elaborar relatório circunstanciado da diligência (Termo de Encerramento de Diligência), dele dando ciência à recorrente, abrindolhe prazo para, querendo, manifestarse. 7 dar ciência desta resolução junto com o termo de início da diligência. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001695/2003-26
Data da sessão: Tue May 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 1997
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4°, CTN. ENTENDIMENTO MAJORITÁRIO. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento majoritário deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto. In casu, tendo o contribuinte elaborado e entregue Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, apurando saldo de imposto a pagar e assim procedendo, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário conta-se a partir de 31 de dezembro do correspondente ano-calendário, uma vez consolidado, mediante aprovação de Súmula, que o fato gerador do IRPF, relativo a omissão de rendimentos caracterizada com base em depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre naquela data.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.852
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4°, CTN. ENTENDIMENTO MAJORITÁRIO. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento majoritário deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto. In casu, tendo o contribuinte elaborado e entregue Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, apurando saldo de imposto a pagar e assim procedendo, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário conta-se a partir de 31 de dezembro do correspondente ano-calendário, uma vez consolidado, mediante aprovação de Súmula, que o fato gerador do IRPF, relativo a omissão de rendimentos caracterizada com base em depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre naquela data. Recurso especial negado. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. i Acordam os membros do colegiado, po unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. \ )4 #, CARLOS AI_13 R 1 REITAS BARRETO - Presidente -. • _411111,.., RYCARDO' HE RI iUE A - - S DE OLIVEIRA — Relator EDITA1?0 E: 17 JU N 2010 ParticipaRm, o presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy` mes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Francisco de Assis Oliveira Junior. Relatório HÉLIO BARONE, contribuinte, pessoa fisica, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 2910412003, exigindo-lhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física - IRPF, decorrente de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, em relação ao ano-calendário 1997, conforme peça inaugural do feito, às fls. 3461351, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao Primeiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 6' Turma da DRJ em São Paulo/SP II, consubstanciada no Acórdão n° 17-17.500/2007, às fis.430/442, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 2' Câmara, em 28/05/2008, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão n° 102-49.075, sintetizados na seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF Exercício: 1998 DECADÊNCIA - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO - Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, aplica-se o prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4°., do CTN, ainda que não tenha havido pagamento antecipado. Homologa-se no caso a atividade, o procedimento realizado pelo sujeito passivo, consistente em "verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria 2 Processo n° 19515.001695/2003-26 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.852 Fl. 2 tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo", inclusive quando tenha havido omissão no exercício daquela atividade. A hipótese de que trata o artigo 149, V, do Código, é exceção à regra geral do artigo 173, 1.. A interpretação do caput do artigo 150 deve ser feita em conjunto com os artigos 142, caput e parágrafo único, 149, V e VII, 150, §§1°. e 4°., 156, V e VII, e 173, I, todos do CTIV: Preliminar de decadência acolhida." Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 499/506, com arrimo no artigo 7°, inciso I, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurge-se contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado a legislação que contempla a matéria, mais precisamente os artigos 149, inciso V e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada a contrariedade à lei argüida. Sustenta que a jurisprudência deste Colegiado, corroborada pelo entendimento adotado no Superior Tribunal de Justiça, estabelece que a aplicação do prazo decadencial inserido no artigo 150, § 40, do CTN, pressupõe a antecipação de pagamento, ainda que parcialmente. Contrapõe-se ao Acórdão recorrido, por entender que o artigo 150, § 4°, do Códex Tributário, estaria dispondo sobre prazo para o ato de "homologação "de um procedimento do contribuinte, e não sobre o prazo para lançamento (que não tem nada a ver com o ato de homologação). Assevera que inexistindo recolhimento, ou seja, antecipação de pagamento não há o que se homologar, não estando o lançamento de oficio previsto no artigo 150, § 4°, do CTN, mas, sim, no artigo 173, inciso I, daquele Diploma legal, conforme doutrina transcrita na peça recursal. Defende que a simples entrega da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física não tem o condão de ensejar a aplicação do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, não podendo ser considerada atividade do contribuinte passível de homologação, tendo em vista que somente seria possível detectar os tributos não revelados pela declaração de rendimentos, através de ação fiscal direta, onde se analisam todos os elementos de prova capazes de ratificar o que foi declarado pelo contribuinte. Em defesa de sua pretensão, infere que adotando-se o artigo 173, inciso I, do ci-N, o prazo decadencial começaria a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. In casu, ocorrido o fato gerador do IRPF em 31/12/1997, o lançamento poderia ter sido efetuado a partir de 01/01/1998, razão pela qual o dies a quo de aludido prazo é 1 0 de janeiro de 1999, findando-se em 31/12/2003. 3 Assim, constituído o crédito tributário em 29/04/2003, dentro do prazo decadencial inserido no artigo 173, inciso I, do CTN, não há se falar em decadência da exigência fiscal, sobretudo por não ter havido antecipação do pagamento, mediante lançamento por homologação. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, a ilustre Presidente da então 2a Câmara do 1° Conselho, entendeu por bem admitir o Recurso Especial do Procurador, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido, em tese, contrariou a legislação tributária, especialmente o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, - confoline Despacho n° 617/2008, às fls. 507/508. Instado a se manifestar a propósito do Recurso Especial do Procurador, o contribuinte ofereceu suas contrarrazões, às fls. 511/517, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção, trazendo à colação jurisprudência judicial e administrativa ratificando seu entendimento, sobretudo quando a matéria já se encontra pacificada na CSRF. É o relatório. Voto Conselheiro RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pela ilustre Presidente da então 2' Câmara do 1° Conselho a contrariedade à lei suscitada, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende do exame dos elementos que instruem o processo, o contribuinte fora autuado, com arrimo no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, em virtude da falta de comprovação da origem de depósitos bancários realizados em conta de sua titularidade. Por sua vez, ao analisar o caso, a Câmara recorrida achou por bem rechaçar a pretensão fiscal, aplicando o prazo decadencial insculpido no artigo 150, §4 0, do Código Tributário Nacional, independentemente da ocorrência de antecipação de pagamento, restando decaída a totalidade do crédito tributário. Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional, interpôs Recurso Especial, aduzindo, em síntese, que as razões de decidir do Acórdão recorrido contrariaram a legislação de regência, notadamente os artigos 149, inciso V, e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional e, bem assim a jurisprudência deste Colegiado e do Superior Tribunal de Justiça a propósito da matéria, a qual exige a existência de recolhimentos, ou seja, a antecipação de pagamento para que se aplique o prazo decadencial do artigo 150, § 4°, do C'TN, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo sejam levados a efeito os ditames do artigo 173, inciso I, uma vez que inexistindo autolançamento do contribuinte, com antecipação de pagamento, não há o que se homologar. Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Da simples análise dos autos, conclui-se que o Acórdão 4 Processo n° 19515.001695/2003-26 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.852 Fl. 3 recorrido apresenta-se incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Como já relatado alhures, a ilustre autoridade lançadora, ao promover o lançamento, utilizou como fundamento à sua empreitada o artigo 42 da Lei n° 9.430/96, o qual contempla a caracterização de omissão de rendimentos e/ou receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, in verbis: "Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. " Afora a vasta discussão a respeito do tema, o certo é que após a edição do Diploma legal encimado, especialmente em seu artigo 42, a movimentação bancária dos contribuintes, pessoa física ou jurídica, passou a ser presumidamente considerada omissão de rendimentos ou de receitas se aqueles não comprovassem a origem dos recursos transitados em suas contas correntes. Entrementes, a presunção legal encimada não afastou totalmente a celeuma que perneia a tributação de depósitos bancários de origem não comprovada. Com efeito, uma vez consolidado o entendimento suso mencionado, a controvérsia centrou-se no prazo decadencial a ser aplicado nestes casos. Destarte, enquanto parte da jurisprudência defende que o fato gerador de aludido imposto se perfez mensalmente, na medida em que ocorrem os depósitos, entendimento compartilhado por este Conselheiro, outra banda dos julgadores administrativos firmaram o posicionamento de que o fato gerador do imposto de renda pessoa fisica, sobretudo tratando-se de depósitos bancários de origem não comprovada, é complexivo, findando-se no dia 31 de dezembro de cada ano-calendário, submetendo-se, assim, a posterior ajuste anual, por meio da DIRPF. Aliás, referida matéria fora objeto de proposta de Súmula, que veio a ser aprovada pelo Pleno da CSRF, em Sessão realizada em 08/12/2009, afastando definitivamente qualquer discussão quanto ao assunto, conforme se extrai do seguinte Enunciado: "O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário." Ultrapassada e afastada a questão do fato gerador mensal para os casos de omissão de rendimentos, caracterizada com base em depósitos bancários de origem não comprovada, tendo em vista que as Súmulas do CARF são de observância obrigatória pelos julgadores deste Colegiado, nos termos do artigo 72, § 4 ° do Regimento Interno, a querela não se findou, passando a se fixar no dispositivo legal a ser aplicado no prazo decadencial, artigos 150, § 40, ou 173, inciso I, do CTN, dependendo ou não de antecipação de pagamento. 5 Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destaca-se o lançamento de oficio ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades faz endárias Dessa forma, estando o Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas - IRPF sujeito ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4°, do CTN, levando-se em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos submetidos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4°, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, trata-se, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observe-se, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontra-se beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN, proceder à análise das infonuações prestadas pelo contribuinte homologando-as ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de oficio da importância que apurar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4°, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocar-se-á para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastando-se a regra do artigo 150, § 4°. Como se constata, à toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. 6 ‘'4) Processo n° 19515.001695/2003-26 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.852 Fl. 4 Ou seja, comprovando-se que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizando-se de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do C'TN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicar-se-ia o artigo 150, § 4 0, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de oficio, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressalta-se, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4°, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em "homologação". Esta, aliás, é a tese que prevaleceu na última reunião do Conselho Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Na hipótese dos autos, inexistindo a qualificação da multa, impõe-se à aplicação do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, de forma a manter a decisão atacada em sua plenitude, por entender que aludido instituto, afora nos casos de dolo, fraude ou simulação, acompanha a natureza do tributo, in casu, submetido ao lançamento por homologação, como já explicitado alhures. Entrementes, mister, ainda, constatar se houve ou não pagamento e/ou outro procedimento do contribuinte nesse sentido, porquanto, em que pese não compartilhar com este entendimento, parte dos julgadores defendem ser determinante/relevante à aplicação do prazo decadencial, senão vejamos. No caso vertente, a contribuinte apresentou Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física, ano-calendário 1997, na modalidade Simplificada, tendo pago imposto a título de "Carnê-Leão, Imposto Complementar e Imposto pago no Exterior", apurando-se saldo de imposto a restituir na importância já paga, não declarando, porém, qualquer valor concernente aos depósitos bancários objeto do presente lançamento, consoante se positiva da DIRPF, às fls. 74/75. Na esteira desse entendimento, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de pagamento, concordando os Conselheiros desta Colenda Câmara, à sua maioria, pela aplicação do artigo 150, § 4°, do CTN, uns pela natureza do tributo outros pela antecipação de pagamento, devendo ser repelido o pleito da recorrente. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito tributário em 29/04/2003, com a devida ciência da contribuinte, conforme Termo de Entrega de Auto de Infração, às fls. 352, a exigência fiscal resta totalmente fulminada pela decadência, eis que o fato gerador ocorreu em 31/12/1997, fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos do artigo 150, § 4°, do Códex Tributário, impondo seja mantida a improcedência do feito. 7 Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela r Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. _arl - 41M.,.. ta jr.41" .\ Ryardo I:If l'que Magalhães de- O iveira - Relator1 \ 8
score : 1.0
Numero do processo: 13971.000144/2004-62
Data da sessão: Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
Ementa:
LUCRO PRESUMIDO. RECEITAS SUJEITAS A PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. EMPRESA COM ATIVIDADE DE ADMINISTRAÇÃO DE BENS PRÓPRIOS E DE PARTICIPAÇÃO.
Nos termos do art. 15, § 1º, inciso III, alínea 'c', da Lei nº 9,249/95, somente as receitas decorrentes das atividades de administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza se submetem ao percentual de 32%, o que não alcança, portanto, as receitas provenientes da alienação destes mesmos bens e direitos.
LUCRO PRESUMIDO, ACRÉSCIMOS À BASE DE CÁLCULO.
Os ganhos de capital, e os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, entre outros, devem ser acrescidos à base de cálculo do imposto, nas empresas tributadas pelo lucro presumida.
ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS.
A alienação de participações societárias integrantes do ativo permanente submete-se à apuração de ganho de capital (receita não operacional); a alienação de participações societárias integrantes do ativo circulante submete-se às mesmas normas de incidência do imposto de renda aplicáveis aos demais rendimentos e ganhos líquidos resultantes de operações no mercado financeiro, como receita operacional.
ALIENAÇÃO DE APLICAÇÕES EM OURO.
A alienação de aplicações em ouro ativo financeiro, integrantes do ativo permanente, submete-se à apuração de ganho de capital (receita não operacional); a alienação de aplicações em ouro ativo financeiro, integrantes do ativo circulante, submete-se às mesmas normas de incidência do imposto de renda aplicáveis aos demais rendimentos e ganhos de capital resultantes de operações no mercado financeiro, como receita operacional.
ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS APÓS 31/12/1995. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Não há previsão legal para atualização dos bens e direitos adquiridos após 31/12/1995. A correção monetária das demonstrações financeiras foi expressamente extinta pelo art. 4º da Lei IV 9.249/95.
AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. INOCORRÊNCIA.
Demonstrado que o valor levado à tributação resulta da diferença entre a base de cálculo apurada pelo fisco e a que foi declarada na DIPJ pela contribuinte, resulta que o imposto calculado pela contribuinte, ainda que de forma equivocada, já se encontra abatido no lançamento fiscal efetuado.
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
Ementa:
LUCRO PRESUMIDO. RECEITAS SUJEITAS A PERCENTUAL PARA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. EMPRESA COM ATIVIDADE DE ADMINISTRAÇÃO DE BENS PRÓPRIOS E DE PARTICIPAÇÃO.
Somente as receitas decorrentes das atividades de administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza se submetem ao percentual de presunção sobre a receita bruta, o que não alcança, portanto, as receitas provenientes da alienação destes mesmos bens e direitos. Este percentual, que era de 12%, até agosto de 2003, foi elevado para 32%, a partir de setembro de 2003, pelo art. 22 da Lei nº 10.684/2003.
LUCRO PRESUMIDO, ACRÉSCIMOS À BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO.
Os ganhos de capital, e os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, entre outros, devem ser acrescidos à base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, nas empresas tributadas pelo lucro presumido.
Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
Ementa:
INTERPRETAÇÃO BENIGNA. ART. 112 DO CTN. INAPLICABILIDADE.
O destinatário do comando previsto no art. 112 do CTN é o aplicador da lei: seja o Auditor Fiscal, no momento da autuação, seja o julgador administrativo ou judicial, por ocasião do julgamento, A simples divergência de interpretações entre a Receita Federal e o contribuinte não dá margem à aplicação do dispositivo.
Numero da decisão: 1102-000.227
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: João Otávio Oppermann Thomé
1.0 = *:*
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anomes_sessao_s : 201007
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 Ementa: LUCRO PRESUMIDO. RECEITAS SUJEITAS A PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. EMPRESA COM ATIVIDADE DE ADMINISTRAÇÃO DE BENS PRÓPRIOS E DE PARTICIPAÇÃO. Nos termos do art. 15, § 1º, inciso III, alínea 'c', da Lei nº 9,249/95, somente as receitas decorrentes das atividades de administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza se submetem ao percentual de 32%, o que não alcança, portanto, as receitas provenientes da alienação destes mesmos bens e direitos. LUCRO PRESUMIDO, ACRÉSCIMOS À BASE DE CÁLCULO. Os ganhos de capital, e os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, entre outros, devem ser acrescidos à base de cálculo do imposto, nas empresas tributadas pelo lucro presumida. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. A alienação de participações societárias integrantes do ativo permanente submete-se à apuração de ganho de capital (receita não operacional); a alienação de participações societárias integrantes do ativo circulante submete-se às mesmas normas de incidência do imposto de renda aplicáveis aos demais rendimentos e ganhos líquidos resultantes de operações no mercado financeiro, como receita operacional. ALIENAÇÃO DE APLICAÇÕES EM OURO. A alienação de aplicações em ouro ativo financeiro, integrantes do ativo permanente, submete-se à apuração de ganho de capital (receita não operacional); a alienação de aplicações em ouro ativo financeiro, integrantes do ativo circulante, submete-se às mesmas normas de incidência do imposto de renda aplicáveis aos demais rendimentos e ganhos de capital resultantes de operações no mercado financeiro, como receita operacional. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS APÓS 31/12/1995. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal para atualização dos bens e direitos adquiridos após 31/12/1995. A correção monetária das demonstrações financeiras foi expressamente extinta pelo art. 4º da Lei IV 9.249/95. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. INOCORRÊNCIA. Demonstrado que o valor levado à tributação resulta da diferença entre a base de cálculo apurada pelo fisco e a que foi declarada na DIPJ pela contribuinte, resulta que o imposto calculado pela contribuinte, ainda que de forma equivocada, já se encontra abatido no lançamento fiscal efetuado. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 Ementa: LUCRO PRESUMIDO. RECEITAS SUJEITAS A PERCENTUAL PARA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. EMPRESA COM ATIVIDADE DE ADMINISTRAÇÃO DE BENS PRÓPRIOS E DE PARTICIPAÇÃO. Somente as receitas decorrentes das atividades de administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza se submetem ao percentual de presunção sobre a receita bruta, o que não alcança, portanto, as receitas provenientes da alienação destes mesmos bens e direitos. Este percentual, que era de 12%, até agosto de 2003, foi elevado para 32%, a partir de setembro de 2003, pelo art. 22 da Lei nº 10.684/2003. LUCRO PRESUMIDO, ACRÉSCIMOS À BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Os ganhos de capital, e os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, entre outros, devem ser acrescidos à base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, nas empresas tributadas pelo lucro presumido. Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 Ementa: INTERPRETAÇÃO BENIGNA. ART. 112 DO CTN. INAPLICABILIDADE. O destinatário do comando previsto no art. 112 do CTN é o aplicador da lei: seja o Auditor Fiscal, no momento da autuação, seja o julgador administrativo ou judicial, por ocasião do julgamento, A simples divergência de interpretações entre a Receita Federal e o contribuinte não dá margem à aplicação do dispositivo.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-09-22T13:58:41Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-09-22T13:58:40Z; Last-Modified: 2010-09-22T13:58:41Z; dcterms:modified: 2010-09-22T13:58:41Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:df96e101-afae-4d03-ae9b-ab8d105d735e; Last-Save-Date: 2010-09-22T13:58:41Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-09-22T13:58:41Z; meta:save-date: 2010-09-22T13:58:41Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-09-22T13:58:41Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-09-22T13:58:40Z; created: 2010-09-22T13:58:40Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; Creation-Date: 2010-09-22T13:58:40Z; pdf:charsPerPage: 1983; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-09-22T13:58:40Z | Conteúdo => SI-C1T2 1 I MINISTÉRIO DA FAZENDA -156rAW' • '''''''''''''''''''''''' CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 13971.000144/2004-62 Recurso n" 155.691 Voluntário Acórdão n° 1102-00.227 — 1" Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 5 de julho de 2010 Matéria LUCRO PRESUMIDO. GANHO DE CAPITAL, Recorrente ERICA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA Recorrida DM/FLORIANÓPOLIS - SC Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 Ementa: LUCRO PRESUMIDO. RECEITAS SUJEITAS A PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. EMPRESA COM ATIVIDADE DE ADMINISTRAÇÃO DE BENS PRÓPRIOS E DE PARTICIPAÇÃO, Nos termos do art. 15, § I", inciso III, alínea 'c', da Lei tf 9,249/95, somente as receitas decorrentes das atividades de administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza se submetem ao percentual de 32%, o que não alcança, portanto, as receitas provenientes da alienação destes mesmos bens e direitos, LUCRO PRESUMIDO, ACRÉSCIMOS À BASE DE CÁLCULO. Os ganhos de capital, e os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, entre outros, devem ser acrescidos à base de cálculo do imposto, nas empresas tributadas pelo lucro presumida ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. A alienação de participações societárias integrantes do ativo permanente 01-1 submete-se à apuração de ganho de capital (receita não operacional); a alienação de participações societárias integrantes do ativo circulante submete-se às mesmas normas de incidência do imposto de renda aplicáveis aos demais rendimentos e ganhos líquidos resultantes de operações no mercado financeiro, como receita operacional, ALIENAÇÃO DE APLICAÇÕES EM OURO, A alienação de aplicações em ouro ativo financeiro, integrantes do ativo permanente, submete-se à apuração de ganho de capital (receita não operacional); a alienação de aplicações em ouro ativo financeiro, integrantes do ativo circulante, submete-se às mesmas normas de incidência do imposto de renda aplicáveis aos demais rendimentos e ganhos de capital resultantes de operações no mercado financeiro, como receita operacional. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS APÓS 31/12/1995. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal para atualização dos bens e direitos adquiridos após 31/12/1995. A correção monetária das demonstrações financeiras foi expressamente extinta pelo art. 4" da Lei IV 9.249/95. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. .INOCORRÊNCIA. .Demonstrado que o valor levado à tributação resulta da diferença entre a base de cálculo apurada pelo fisco e a que foi declarada na DIPJ pela contribuinte, resulta que o imposto calculado pela contribuinte, ainda que de forma equivocada, já se encontra abatido no lançamento fiscal efetuado. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 Ementa: LUCRO PRESUMIDO. RECEITAS SUJEITAS A PERCENTUAL PARA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. EMPRESA COM ATIVIDADE DE ADMINISTRAÇÃO DE BENS PRÓPRIOS E DE PARTICI PAÇÃO.. Somente as receitas decorrentes das atividades de administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza se submetem ao percentual de presunção sobre a receita bruta, o que não alcança, portanto, as receitas provenientes da alienação destes mesmos bens e direitos. Este percentual, que era de 12%, até agosto de 2003, foi elevado para 32%, a partir de setembro de 2003, pelo art. 22 da Lei n" 10.684/2003, LUCRO PRESUMIDO, ACRÉSCIMOS À BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Os ganhos de capital, e os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, entre outros, devem ser acrescidos à base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, nas empresas tributadas pelo lucro presumido. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 Ementa: INTERPRETAÇÃO BENIGNA. ART.. 112 DO CIN. ("- INAPLICABILIDADE, IL0) O destinatário do comando previsto no art. 112 do CTN é o aplicador da lei: seja o Auditor Fiscal, no momento da autuação, seja o julgador administrativo ou judicial, por ocasião do julgamento, A simples divergência de interpretações entre a Receita Federal e o contribuinte não dá margem à aplicação do dispositivo. 2 Processo [1" 13971.000144/2004-62 SI-C1T2 Acórdão o.0 1102-00.227 Fl ) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. L. h IVE ;SIALA UIAS-P, ESSOA MONTEIRO - Presidente. / ! 4100(- JOÃO °TA e OPPERMANN THOMÉ - Relator. EDITADO EM: o 1 SET -110 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: 'vete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente), João Carlos de Lima Júnior (Vice-Presidente), João Otávio Opperman Thomé (Relator), Silvana Reseigno Guerra Barreto, José Sérgio Gomes (Suplente Convocado), e Manoel Mota Fonseca (Suplente Convocado). • 3 , Relatório Adoto o relatório da autoridade julgadora de primeira instância: "Por meio dos Autos de Infração, às folhas 258 a 275 e 585 a 601, foram exigidas da interessada acima qualificada, as importáncias de RS 2.977.426,08 (dois milhões, novecentos e setenta e sete mil, quatrocentos e vinte e seis reais, e oito centavos) e RS1,524,853,79 (uni milhão, quinhentos e vinte e quatro mil, oitocentos e cinqüenta e três reais, e setenta e nove centavos), a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRRI e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, respectivamente, acrescidas de multa de oficio e de juros de mora, relativamente aos fatos geradores ocorridos nos anos-calendário de 2001, 2002 e 2003.. No "Termo de Verificação Fiscal" (fls. 243 a 254), a autoridade autuante revela que, no período fiscalizado, a empresa atuou de forma significativa no mercado de renda variável, tendo efetuado diversas alienações de investimentos computados em seu ativo permanente, representados em ações e ouro que possuía. Nos três anos fiscalizados, a empresa optou pela tributação com base no lucro presumido Entretanto, o ganho de capital na alienação de ouro e de participações societárias que permaneceram no ativo da pessoa jurídica até o término do ano- calendário seguinte ao de suas aquisições, deveria ser adicionado ao lucro presumido, conforme arts, 521 e 522 do RIR199. Todavia, a contribuinte submeteu a receita auferida nessas operações ao coeficiente de apuração do lucro presumido (32%). Deste modo foi elaborado demonstrativo, no qual foi apurado o ganho de capital em cada uma das alienações de ações e de ouro integrantes do ativo permanente da empresa.. Confrontando-se o lucro presumido apurado pela empresa com o calculado pela fiscalização, verificou-se insuficiência na base de cálculo cio imposto de renda declarado pela contribuinte em todos os trimestres dos anos fiscalizados. No que pertine à CSLL, a .fiscalização relata (fls. 570 a 581) que sobre as receitas obtidas na alienação dos investimentos analisados, a empresa aplicou o coeficiente de 12% definido no art. 20 da Lei n° 9.249/95. Esse percentual foi elevado para 32% a partir de setembro de 2003, conforme alteração realizada pelo art. 22 da Lei 11' 10.684/2003 Entretanto, defendem que a legislação determina a adição do ganho de capital à base de cálculo da CSLL, em conformidade com o inciso II do art. 29 da Lei n° 9.430196, O auto de infração de CSLL figurava no processo ir 13971,000143/2004-18, mas por estar amparado pelos mesmos elementos de prova do auto de infração de IRPI, referido processo foi juntado ao presente em que consta o auto de infração de IRPJ, por força cio disposto na Portaria S.RF n°6.129 ) de 2 de dezembro de 2005. Inconformada, a autuada apresentou a impugnação de fls... 277 a 303, contra o lançamento de iR.P.J, na qual alega, em sintese, que: o O contrato social da empresa impugnante prevê como objeto social a administração de bens próprios e a participação em outras sociedades, de modo que 4 Processo o" 13971-000144/2004-62 SI-CI T2 Acórdão o " 1102-00,227 Fl 3 é autorizada a cessão e a venda desses bens e direitos. Essas operações figuram no rol de suas atividades operacionais; • As operações de alienações de investimentos computados no ativo permanente da empresa não eram esporádicas, tratando-se de atividade normal sua, tanto que a própria fiscalização apurou a realização de "diversas alienações" no período; • Independentemente da classificação contábil a que estejam sujeitos os bens de propriedade da contribuinte fiscalizada, outra natureza jurídica não se poderá imputar as receitas daí advindas que não seja a de receitas operacionais, sendo o respectivo lucro, conseqüentemente, um lucro operacional, estando, pois, sujeito à base de incidência presumida estipulada na legislação; • Desta forma, rejeita o entendimento sustentado na fiscalização de que as receitas auferidas pela empresa com a venda de seus bens (ouro) e participações - societárias "não se enquadram no conceito de receita bruta estampado no artigo 224 do Regulamento do Imposto de Renda não se sujeitando ao percentual de 32% para determinação do lucro presumido, definido no artigo 519 do regulamento citado"; • A receita operacional nada mais é do que uma parcela integrante da receita bruta.. Acerca do conceito de receita bruta há decisão emanada da própria Secretaria da Receita Federal (7" RF, n° 148/98) segundo a qual a "receita bruta significa aquela obtida pela empresa mediante atividade que constitua seu objeto social, seja por menção expressa de seus atos constitutivos, seja pela realidade fática da sociedade"; • O fato de as operações estudadas serem classificadas contabilmente no ativo permanente da pessoa jurídica, em grupo de investimentos, não lhes altera a específica natureza jurídica da receita ou resultado por elas gerada, em nada influindo na relação jurídica sua posição contábil; • A circunstância de o ouro e participações societárias de propriedade da empresa permanecerem em seu poder, no ativo, até o término do ano-calendário seguinte, não altera a natureza jurídica das operações de alienação desses bens realizadas, não desconstitui sua característica de atividade operacional, nem desfigura a qualificação jurídica da receita auferida, de receita operacional ou bruta; • A própria realidade de mercado muitas vezes torna desaconselhável alienação de certas ações, haja vista, por exemplo, conturbações políticas ou econômicas, que venham a afetar a sua cotação em bolsa de valores Nesse ambiente, mais vantajoso para a empresa seria a percepção dos dividendos a que faz jus; dr • O primado da livre iniciativa (CF/88, ads_ 1°, IV, e 170, caput, e inc. IV) vedaria a atribuição de regimes jurídicos Tributários a essas alienações tendo-se por critério o fator tempo, eis que não se apresenta ele idôneo como discrimen válido a justificar qualquer diferença de tratamento; • O critério imposto pela legislação de segregação dos resultados pelas atividades realizadas pelas empresas, seria inconstitucional, pois afrontaria o principio da capacidade contributiva (CF188, art. 145, § 10); • A não atualização ao longo dos anos do custo de aquisição do ouro e das participações societárias alienadas pela empresa impugnante, acarreta a deturpação 5 da base de cálculo do imposto exigido, uma vez que já são conhecidos e até mesmo elevados os índices de inflação acumulados nos períodos considerados; • O fiscal silenciou e tampouco demonstrou se abateu ou deduziu do imposto recalculado o valor do imposto que "acabou excedendo a base de 32% anterior, circunstância que pende de esclarecimento no auto de infração que ante a dúvida gerada lhe retira a liquidez e certeza, tornando-o imprestável para cobrança e suscetível de anulação"; • O valor do IRPJ somado ao valor da CSLL, incidentes sobre a mesma base de cálculo mensuraria alcança um montante total de aproximadamente RS 9,300 000,00, o que permite concluir que a exigência fiscal pretendida implica no vedado confisco dos valores tributados; e A multa aplicada assume feições confiscatórias, Impõe-se a redução da multa exigida aos níveis permitidos pelo ordenamento pátrio, respeitando-se o percentual de 30%, conforme precedente do STF; e Quanto aos juros de mora cobrados, é unânime o entendimento de que a única espécie de juros apta a onerar os créditos tributários, conforme expressamente consignado pelo CTN, é a de juros de mora Ocorre que a taxa Selic não preenche os requisitos apontados para a legitima incidência como juros nos créditos tributários, sendo sua exigência a este título totalmente ilegal e inconstitucional. Pugna, por fim, pela produção de todos os meios de prova necessárias ao deslinde da controvérsia instaurada.. Às fls. 603 a 629, a autuada apresentou impugnação ao auto de infração de CSLL., na qual expõe argumentos de mesmo teor acima relatado," A 4" Turma da DM/Florianópolis manteve o lançamento fiscal, por entender estar caracterizado que, no caso dos bens alienados cuja natureza da receita está em litígio, a intenção da empresa não era de alienação, urna vez que ela os registrou no ativo permanente, por ocasião da sua aquisição. Fundamentou ainda sua decisão no Parecer' Normativo CST n° 108, de 31/12/78, o qual, no intuito de dirimir dúvidas quanto aos critérios para a classificação, na escrituração comercial, de determinadas contas, determina que a intenção de permanência seja presumida sempre que o valor registrado no ativo circulante não for alienado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tiver sido adquirido. Quanto à atualização monetária, observou que não há mais previsão legal para isto relativamente aos bens e direitos adquiridos após 31/12/1995 Quanto à alegação de que não haveria liquidez e certeza no crédito tributário devido ao fato de a autoridade fiscal não ter demonstrado se abateu ou deduziu do imposto recalculado o valor do imposto por ela recolhido, observou a autoridade julgadora que os demonstrativos de apuração cio IRPJ (fis, 257) e CSLL (fls. 584), anexos aos respectivos Termos de Verificação Fiscal são bastante claros, demonstrando que o valor que foi levado à tributação resulta da diferença entre a base de cálculo apurada pelo fisco e a que foi declarada oi na DIPJ pela contribuinte, de modo que o imposto calculado pela contribuinte, ainda que deforma equivocada, já se encontra abatido no lançamento fiscal efetuado. Quanto às alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade relativas ao critério de separação dos resultados, bem como à falta de atualização monetária do custo, ao caráter confiscatório da multa e do total do crédito tributário, e à cobrança de juros de mora 6 Processo e 13971 000144/2004-62 St-CIT2 Acórdão ri 1102-00,227 Fi 4 com fundamento na taxa Selic, observou a DRI que não podem os julgadores administrativos negar validade às leis e normas administrativas. Inconformada com esta decisão, a interessada ingressou com recurso voluntário a este Conselho, fls. 674 a 707, no qual repisa todos os seus argumentos anteriormente expostos e mais o seguinte: - "Ainda pior é a confirmação de tal procedimento pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, amparando a pretensão .fazendária com base em simples presunção estabelecida por 171Ci0 de simples Parecer Normativo (PN CST n" 108, de 31/12/70, no sentido de que será pre.stunida a intenção de permanência sempre que o valor registrado no ativo não for alienado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tiver sido adquirido.. A recorrida defende que, por se tratar de presunção simples, esta deve ser provada para que seja válida e eficaz, e que, "no caso dos autos não há nenhum prova no sentido de que a recorrente teria o interesse de manter no seu patrimônio - em caráter permanente — as ações decorrentes de sua participação em outras sociedades e os investimentos em ouro, única hipótese em que seria hábil a tributação como ganho de capital." - o artigo 521, § 1 0 do R1R199, citado como fundamento legal da autuação, é inaplicável ao caso por não ter base legal, tanto que o próprio • regulamento não cita o seu embasamento legal. Defende que "o texto normativo em questão guarda relação única e exclusivamente com o pagamento por estimativa no regime de apuração do 1RPJ e da CSL pelo lucro real, hipótese de todo diversa daquela examinada no presente lançamento, a luz do quanto se extrai do artigo 32 da Lei n° 8.981/95". E. que, por outro lado, "o art. 25 da Lei n° 9.430/9.5 –, que dispõe sobre a sistemática de apuração do IRPJ pelo Lucro Presumido –, não determina que as receitas de bens do ativo permanente e de aplicações em ouro correspondam à diferença positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil, ..."; - a multa aplicada, de 75%, com fundamento legal no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430195, deve ser afastada pela interpretação benigna prevista no art. 112 do CTN, uma vez que ela não decorre nem da falta de pagamento do tributo, nem do pagamento ou recolhimento do tributo após o vencimento, nem da falta de declaração, e nem de declaração inexata, mas sim "de divergência entre fisco e contribuinte quanto ao enquadramento legal dos /0( fatos.. A Receita Federal entende que a receita obtida deve ser enquadrada como ganho de capital e a Recorrente, por outro lado, está definitivamente convencida de que a receita apurada não é ganho de capital porque foi auferida no exercício de suas atividades, portanto, trata-se de receita operacional sujeita à base de cálculo presumida do 1RPI e da CSL." Portanto, plenamente caracterizada "fundada divergência quanto (a) à capitulação legal do fato (se, diante do fato, é aplicável o art. inciso 1 ou o inciso II do ar!. .25 da Lei n° 9,430/96), (b) bem como em relação ao próprio ,fato que originou à multa (se a recorrente auferiu receita operacional ou ganho de capital)." 7 Posteriormente à protocolização do recurso, apresentou requerimento, o qual foi juntado ao processo administrativo, com a finalidade de noticiar que a própria Secretaria da Receita Federal, por meio de decisão proferida em caso semelhante, teria recentemente reconhecido que existem bens que, a despeito de estarem contabilizados no ativo permanente, guardam relação com as atividades desenvolvidas pela empresa, nos termos do seu objeto social, e não demandam a apuração do correspondente ganho de capital. Desta forma, a recorrente entende que a Receita teria confirmado o raciocínio por ela manifestado. A decisão referida é a Solução de Consulta n° 139, de 29 de agosto de 2006, proferida pela Superintendência Regional da Receita Federal da l0 Região Fiscal, que está assim ementada: "EMENTA: LUCRO PRESUMIDO, BENS PASSIVEIS DE INTEGRAR O ATIVO CIRCULANTE E O ATIVO IMOBILIZADO, TRANSFERÊNCIA DE CONTAS. A empresa optante pelo lucro presumido que comercializa bens suscetíveis de serem contabilizados tanto no ativo permanente como na conta estoques, em virtude de suas atividades desenvolvidas constarem, em ambos os casos, de seu objeto social pode transferir da primeira conta para segunda o respectivo bem a ser destinado para futura comercialização sem a necessidade de apurar o correspondente ganho de capital contanto que seja adotado um conjunto de procedimentos sistematizados, baseados nas normas e padrões de contabilidade geralmente aceitos." É o relatório. 8 Processo n" 13971-000144/2004-62 SI-C1T2 Acórdào n 1102-00,227 Fl 5 Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé A interessada foi cientificada da decisão de primeira instância em 10/11/2006, conforme AR de fls. 673, e apresentou recurso em 11/12/2006, fls. 674. Sendo o dia 10/11/2006 uma sexta-feira, a contagem do prazo somente iniciou-se na segunda-feira, dia 13.. Deste modo, tempestivo o recurso, devendo ser conhecido. Consoante o relato feito, o cerne da divergência encontra-se no correto tratamento a ser dado às alienações de participações societárias e de aplicações em ouro feitas pela recorrente, que é tributada pelo lucro presumido: se receitas sujeitas a percentual de presunção para apuração do lucro a ser submetido ao imposto, ou se receitas a serem acrescidas diretamente à base de cálculo do imposto. Para a total elucidação da matéria, importa saber se influenciam na eleição do tratamento a ser dado os seguintes pontos: a) o fato de o contrato social da recorrente prever corno objeto social a administração de bens próprios e a participação em outras sociedades; b) o fato de as referidas participações societárias e aplicações em ouro terem sido registradas pela recorrente corno investimentos integrantes do seu ativo permanente, O art. 25 da Lei n° 9.4.30/96 assim dispõe: "Art. 2.5. O lucro presumido será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas • 1 - o valor resultante da aplicação dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei n" 9.249, de .26 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pelo art. 31 da Lei n" 8.981, de 20 de janeiro de 1995, auferida no período de apuração de que trata o art. 1" desta Lei,. II- os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações . financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior e demais valores determinados nesta Lei, auferidos naquele mesmo período." Como se pode observar, este artigo confere um alcance bastante amplo no tocante às receitas da pessoa jurídica, de modo que, se uma receita não se enquadrar no seu inciso 1, fatalmente haverá de se enquadrar no seu inciso II, uma vez que este alcança "as demais receitas e as resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior." 9 Para verificar a quais receitas deve ser aplicado o percentual de presunção, muito embora o inciso 1 refira-se expressamente apenas aos artigos 15 da Lei ri' 9.249/95 e 31 da Lei n" 8..981/95, é necessário ampliar um pouco a análise a fim de compreender a sistemática em sua completude. Assim dispõe o art. 15 da Lei n°9249/95: "Art. 1.5. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por. cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos mis. 30 a 35 da Lei n" 8,981, de 20 de janeiro de 1995 § 1" Nas. seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: 1 - um inteiro e seis décimos por cento, para a atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural,. dezes.seis por cento,. a) para a atividade de prestação de serviços de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput deste artigo, b) para as pessoas jurídicas a que se refere o inciso 111 do ar! 36 ela Lei n" 8.981, de 20 de janeiro de 1995, observado o disposto nos 54' 1"e 2" do art 29 da referida Lei; 111 - trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária — Anvisa; (Redação dada pela Lei n" 11.727, (!e2008) b) intermediação de negócios, c) achninistração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direilos de qualquer natureza, d) prestação cumulativa e continua de serviços de assessoria crediticia, mereadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). § 2" No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade § 3" As receitas provenientes de atividade incentivada não comporão a base de cálculo do imposto, na proporção tio beneficio a que a pessoa . jurídica, submetida ao regime de tributação com base no lucro real, fizer jus. 10 Processo n" 13971.000144/2004-62 SI-C1T2 Acórdão n." 1102-00227 Fl 6 § 4" O percentual de que trata este artigo também será aplicado sobre a receita financeira da pessoa jurídica que explore atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis COITSMIVON ou adquiridos para a revenda, quando decorrente da comercialização de imóveis e for apurada por meio de índices ou coeficientes previstos em contrato. (Incluído pela Lei n" 11 196, de 2005)" Portanto, o artigo em questão determina a aplicação de diversos percentuais à receita bruta, e determina também a observação do disposto nos arts, 30 a .35 da Lei if 8,981/95.. Importa diretamente à análise que se quer fazer os artigos 31 e .32, motivo pelo qual abaixo os reproduzo: "Ari, 31. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado cm trferido nas operações de conta alheia. Parágrcrfo ártico. Na receita bruta, não se incluem as vencias canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não-cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. Art. 32. Os ganhos de capital, demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo artigo anterior serão acrescidos à base de cálculo determinada na forma dos arts. 28 ou .29, para efeito de incidência do Imposto de Renda de que trata esta seção, § I" O disposto neste artigo não se aplica aos rendimentos tributados na forma dos arts. 65, 66, 67, 70, 72, 73 e 74, decorrentes das operações ali mencionadas, bem como aos lucros, dividendos ou resultado positivo decorrente da avaliação de investimentos pela equivalência patrimonial_ § 2" O ganho de capital nas alienações de bens do ativo permanente e de aplicações em ouro não tributadas na forma do art. 7.2 corresponderá à difèrença positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil." Observa-se, portanto, que estes dois artigos contemplam a mesma dicotomia que o art. 25 da Lei n" 9430/96, ou seja, se uma receita não se enquadrar no artigo 31, fatalmente haverá de se enquadrar no artigo 32, urna vez que este alcança "as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior." A propósito, o § 20 do artigo 32 expressamente menciona corno submetidas à disciplina do seu caput "o ganho de capital nas alienações de bens do ativo permanente e de aplicações em ouro não tributadas na forma do art. 72", i,e,, aplicações em ouro quando este não é considerado ativo financeiro (pois se fosse ativo financeiro, sua alienação seria considerada operação de renda variável), Ou seja, por exclusão, conclui-se que no caso das duas citadas receitas não pode ser aplicada a disciplina do art. 31. É certo que estes artigos da Lei n° 8.981/95 estavam vinculados diretamente à determinação do imposto de renda devido mensalmente por estimativa (os artigos 27 a 35 compõe a Seção II da Lei, denominada "Do Pagamento Mensal do Imposto"). Contudo, o § 2" do art, 44 da mesma Lei, ao tratar da opção pelo regime de tributação com base no Lucro Presumido, dispõe que: "Ari 44 (omissis) § 2" Na hipótese deste artigo, o Imposto de Renda devido, relativo aos fatos geradores ocorridos em cada mês (uris. 27 a 32) será considerado definitivo." Ou seja, tanto no caso do lucro real, quanto do lucro presumido, a Lei n" 8.981/95 determinou expressamente que as receitas decorrentes de alienação de bens do ativo permanente, e de ouro não considerado ativo 'financeiro, deveriam ser tratadas não conforme a disciplina do art. 31, mas sim conforme a do art., 32, i.e., acréscimo à base de cálculo do imposto. Voltando então à análise do art. 15 da Lei n" 9,249/95, o que na verdade implica avançar no tempo, vemos que este artigo, a par de promover uma revisão nos percentuais de presunção aplicáveis à receita bruta — os quais antes eram estabelecidos pelo art. 28 da Lei no 8.981/95 —, continua a fazer expressa ressalva quanto ao fato de que há outras receitas que devem ter tratamento distinto e específico, como é o caso das receitas decorrentes de alienação de bens do ativo permanente, e de ouro não considerado ativo financeiro. Isto porque há nele expressa menção à observação do disposto nos arts. 30 a 3,5 da Lei ri° 8,981/95. Ou seja, tais receitas continuam expressamente a não fazer parte das receitas submetidas à disciplina do art. 31 da Lei n" 8.981/95. Posteriormente, veio a Lei if 9.430/96, que ao tratar do lucro presumido no seu artigo 25, já antes reproduzido, novamente referiu que os percentuais de presunção seriam aplicáveis somente às receitas contidas na definição do art. 31 da Lei if 8.981/95 (inciso I do art. 25) e reproduziu, no seu inciso II, a disciplina aplicável àquelas receitas citadas no art. 32 da Lei n" 8..981/95. Na verdade, o art. 25 da Lei n°9.430/96 ampliou o rol de receitas às quais deveria ser aplicado o tratamento de acréscimo à base de cálculo do imposto. Isto porque o § 1" do art. 32 da Lei tf 8,981/95 expressamente excluía deste tratamento os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras de renda fixa e renda variável (literalmente "rendimentos tributados na .forma dos arts. 65, 66, 67, 70, 72, 73 e 74" da referida Lei), os quais à época tinham a sua tributação na fonte considerada definitiva, no caso de pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido. Contudo, a partir da Lei n° 9.430/96, estas receitas foram expressamente citadas no inciso II do art. 25. Assim, a partir deste diploma legal, também as aplicações em ouro considerado ativo financeiro, que é uma aplicação financeira de renda variável, passaram a sofrer acréscimo à base de cálculo do imposto devido pelas pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido. Feita esta digressão e análise sistemática da legislação tributária, pode-se enfrentar melhor a questão de definir, afinal, a quais receitas deve-se dar o tratamento previsto no inciso I do art. 25 da Lei n" 9.430/96 (aplicação de percentual de presunção do lucro) e a quais receitas deve-se dar o tratamento previsto no inciso II do art. 25 da Lei n" 9.430/96 (acréscimo à base de cálculo), 12 PrOCCSSO n" 13971.000144/2004-62 S1-C1-12 Acórdão n." 1102-00,227 Fi 7 A recorrente sustenta que o seu contrato social prevê como objeto social a administração de bens próprios e a participação em outras sociedades, cláusula esta a qual, por óbvio, a autoriza também a ceder e/ou vender esses bens, e que, portanto, a receita decorrente destas atividades há de ser interpretada como receita bruta à luz do art. 31 da Lei n° 8,981/95, logo submetida aos percentuais de presunção previstos no art. 15 da Lei n" 9_249/95, no caso, especificamente ao percentual de 32%, por força do seguinte comando: Art 15 A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinaria mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n" 8.981, de 20 de janeiro de 1995, § 1" Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de.- III - trinta e dois por cento, para as atividades de - c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; Uma leitura acurada do referido dispositivo indica que, entre as receitas que devem ser submetidas ao percentual de 32%, não se encontram aquelas decorrentes da alienação dos bens e direitos ali citados, conclusão esta reforçada por outros dispositivos legais, senão vejamos No caso de alienação de um imóvel, por exemplo, pertencente ao ativo permanente de uma empresa, seja como ativo imobilizado ou investimento, o tratamento específico no lucro presumido está previsto no inciso II do art. 25 da Lei n" 9.430/96, por se tratar de ganho de capital: "Art„25 . O lucro presumido será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: 1 - o valor resultante da aplicação dos percentuais de que trata o art. 1.5 da Lei n" 9..249, de 26 de dezembro de 1995,. sobre a receita bruta definida pelo art. 31 da Lei n" 8.981, de 20 de janeiro de 1995, auferida no período de apuração de que trata o art. 1" desta Lei; 11 - os ganhas de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior e demais valores determinados nesta Lei, auferidos naquele mesmo período„" Já no caso de alienação do mesmo imóvel, porém pertencente ao ativo circulante — caso de urna empresa cuja atividade seja imobiliária —, o tratamento especifico no lucro presumido está previsto no art. .30 da Lei n° 8.981/95, c/c art. 15, capta, da Lei if 9..249/95, de modo que a esta receita aplica-se o percentual de 8%, e não o de 32%. Igual raciocínio é aplicável também à alienação de bens móveis: se integrantes do ativo permanente, serão tributados como ganho de capital, ao abrigo do inciso II 13 do art. 25 da Lei n° 9.430/96; se integrantes do circulante, serão tributados à alíquota de 8% prevista no caput do art. 15 da Lei IV 9.249195. Igual raciocínio, ainda, por fim, é aplicável também à alienação de participações societárias, objeto do presente recurso: se integrantes do ativo permanente, serão tributadas como ganho de capital, ao abrigo do inciso II do art. 25 da Lei n" 9..430/96; se integrantes do circulante, na forma de aplicações financeiras, serão tributadas como ganhos líquidos auferidos em operações de renda variável, ao abrigo do mesmo inciso II do art, 25 da Lei n" 9.430196. E, da mesma forma, no caso de alienação das aplicações em ouro, considerado ativo financeiro, também objeto do presente recurso: se integrantes do ativo permanente, serão tributadas corno ganho de capital, ao abrigo do inciso II do art. 25 da Lei n" 9.430/96; se integrantes do circulante, na forma de aplicações financeiras, serão tributadas também como ganho de capital, ao abrigo do mesmo inciso II do art, 25 da Lei n" 9430/96. Para que não restem dúvidas, confira-se o teor do que dispõe a Lei n" 7.766/89, que dispõe sobre o tratamento tributário do ouro, ativo financeiro: "Art 13 os rendimentos e ganhos de capital decorrentes de operações com ouro, ativo . financeiro, sujeitam-se às mesmas normas de incidência do imposto de renda aplicáveis aos demais rendimentos e ganhos de capital resultantes de operações no mercado financeiro. Concluindo o raciocínio, no caso de alienação de participações societárias e de aplicações em ouro, considerado ativo financeiro, que são o objeto do presente recurso, é irrelevante se as mesmas são consideradas integrantes do ativo permanente ou não, visto que em ambos os casos as receitas dali decorrentes estariam sujeitas ao mesmo tratamento tributário previsto no inciso II do art. 25 da Lei n° 9.430/96, e que se encontra reproduzido no art.. 521 do RIR199, que é o dispositivo legal citado pela autoridade fiscal autuante. De qualquer forma, creio não merecer reparos o enquadramento destas como parte do ativo permanente, grupo investimentos, Aliás, não apenas a autoridade fiscal assim entendeu, como a própria recorrente assim as registrou em sua contabilidade. E o fato de o contrato social da recorrente prever como objeto social a administração de bens próprios e a participação em outras sociedades também não a socorre, pois o art. 15, § 1', inciso III, alínea 'c', da Lei n° 9.249/95, estabelece que somente as receitas decorrentes das atividades de "admini.stração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza" se submetem ao percentual de 32%, o que não alcança, portanto, as receitas provenientes da alienação destes mesmos bens e direitos. A este respeito, é importante que se ressalte que, nos termos da Lei, não são todas as receitas operacionais que obrigatoriamente tem de ser submetidas a algum percentual de presunção do lucro. Ou seja, é de se rejeitar as argumentações, tão reconentemente difundidas em nosso meio, de que o inciso II do art. 25 da Lei n° 9.430/96 trata exclusivamente de receitas não operacionais, e que, se uma receita for operacional, então a ela necessariamente se deve aplicar um percentual de presunção,. Na verdade, são várias as receitas operacionais que devem ser acrescidas diretamente à base de cálculo do imposto. É o caso dos rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, das multas ou vantagens decorrentes de rescisão de contrato, dos juros sobre o capital próprio auferidos, e das variações monetárias ativas, apenas para citar alguns. 14 Processo n" 13971 000144/2004-62 S1-CIT2 Acórdão n." 1102-00.227 Fl. 8 Quanto à alegação de que a não atualização ao longo dos anos do custo de aquisição do ouro e das participações societárias alienadas pela recorrente teria acanetado a deturpação da base de cálculo do imposto, que estaria assim indevidamente majorada, cumpre observar que a correção monetária das demonstrações financeiras foi expressamente extinta pelo art. 4° da Lei n° 9,249/95, com vigência a partir de 01/01/1996. Portanto, não há mais previsão legal para atualização quanto aos bens e direitos adquiridos após 31/12/1995, como é o caso dos autos. Quanto à alegação de que não haveria liquidez e certeza no crédito tributário devido ao fato de a autoridade fiscal não ter demonstrado se abateu ou deduziu do imposto recalculado o valor do imposto por ela recolhido, este ponto já foi adequadamente enfrentado pela autoridade julgadora de primeira instância. Os demonstrativos de apuração do IRPJ (fls. 257) e da CSLL (fls. 584), anexos aos respectivos Termos de Verificação Fiscal, são suficientemente claros e demonstram que o valor que foi levado à tributação resulta da diferença entre a base de cálculo apurada pelo fisco e a que foi declarada na DIN pela contribuinte. Portanto, o imposto calculado pela contribuinte, ainda que de forma equivocada, já se encontra devidamente abatido no lançamento fiscal efetuado, que assim não apresenta mácula. Quanto às demais alegações de ilegalidade e inconstitueionalidade, seja quanto à inviabilidade de segregação da renda para fins de incidência do imposto, seja quanto ao caráter confiscatório da multa, seja quanto à cobrança de juros de mora com fundamento na taxa Selie, cumpre observar o disposto nas seguintes súmulas: "Súmula CARF n" 2.' O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." "Súmula CARF n" 4: A partir de I" de abril de 199.5, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à tara referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SEL1C para títulos federais," Quanto à Solução de Consulta n° 139, de 29 de agosto de 2006, proferida pela Superintendência Regional da Receita Federal da 10" Região Fiscal, e citada pela recorrente, é sabido que a mesma não alcança a recorrente, pois produz efeitos somente com relação à consulente. De qualquer sorte, nela o que estava em foco era a classificação contábil de veículos automotores, hipótese, portanto, completamente distinta dos presentes autos.. A recorrente argumenta ainda que a multa aplicada, de 75%, deve ser afastada pela interpretação benigna prevista no art. 112 do CTN, que está assim redigido: "Art. 112. A lei tributária que define inflações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto - à capitulação legal do fato; H - à natureza ou às circunstâncias materiais do jato, ou à natureza ou e ytensão dos seus efeitos; 111 - à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; 15 IV - à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação." Neste ponto, também não assiste razão à recorrente,. O destinatário deste comando é o aplicador da lei: seja o Auditor Fiscal, no momento da autuação, seja o julgador administrativo ou judicial, por ocasião do julgamento. Por certo que não é da diferença de interpretações entre a Receita Federal, de um lado, e o contribuinte, do outro, que haverá de se aplicar o referido comando, pois, se assim fosse, chegaríamos ao absurdo da inaplicabilidade de praticamente toda e qualquer multa pelo fisco aos administrados. O lançamento está perfeitamente constituído e não há, da parte deste julgador, qualquer dúvida quanto à infração perpetrada, que pudesse dar ensejo à aplicação do referido dispositivo. Quanto ao lançamento reflexo, da contribuição social sobre o lucro, todo o raciocínio antes expedido é também a ela aplicável, tendo em vista a previsão legal constante do art., 29 da Lei n" 9.430/96, assim redigido: "Ar! 29 A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado e pelas demais empresas dispensadas de escrituração contábil, corresponderá à soma dos valores• I - de que trata o cal. 20 da Lei n" 9,249, de 26 de dezembro de 1995, - os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações . financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior e demais valores determinados rresta Lei, auferidos naquele mesmo período." Quanto às receitas às quais deve ser aplicado um percentual, para fins de apuração da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, é de se observar que este percentual, que era de 12% até agosto de 2003, nos termos do art. 20 da Lei n" 9,249/95, foi elevado para 32%, no caso específico das atividades aqui tratadas, a partir de setembro de 2003, pelo aut. 22 da Lei n"10,684/2001 Em vista de todo o acima exposto, nego provimento ao presente recurso voluntário, É como voto. João Cr ,io Oppermann Thome 16
score : 1.0
Numero do processo: 13161.001782/2008-69
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3403-000.618
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, converter o julgamento em diligência.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Jorge Olmiro Lock Freire, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Relatório
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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score : 1.0
Numero do processo: 16327.001934/2003-77
Data da sessão: Thu Dec 03 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA.
Não cabe à autoridade administrativa pronunciar-se quanto a alegações de inconstitucionalidade de normas legais.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO.
O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar.
Numero da decisão: 3803-000.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. vencido o relator, que considerou que parte do lançamento foi atingido pela decadência. Designado o conselheiro Belchior Melo de Sousa para a redação do voto vencedor
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
Daniel Maurício Fedato - Relator
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Redator designado
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima e Ivan Alegretti.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998 INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA. Não cabe à autoridade administrativa pronunciar-se quanto a alegações de inconstitucionalidade de normas legais. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. vencido o relator, que considerou que parte do lançamento foi atingido pela decadência. Designado o conselheiro Belchior Melo de Sousa para a redação do voto vencedor (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Presidente Daniel Maurício Fedato - Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Redator designado Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima e Ivan Alegretti.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2225; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 194 1 193 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001934/200377 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803000.283 – 3ª Turma Especial Sessão de 03 de dezembro de 2009 Matéria PIS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente S. HAYATA CORRETORA DE CÂMBIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA O direito da Administração de constituir o crédito tributário relativamente às Contribuições para o Programa de Integração Social PIS decai em dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, conforme determina a legislação de regência. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA. Não cabe à autoridade administrativa pronunciarse quanto a alegações de inconstitucionalidade de normas legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. vencido o relator, que considerou que parte do lançamento foi atingido pela decadência. Designado o conselheiro Belchior Melo de Sousa para a redação do voto vencedor AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 19 34 /2 00 3- 77 Fl. 194DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN 2 (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente Daniel Maurício Fedato Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Redator designado Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima e Ivan Alegretti. Relatório Por bem relatar os fatos ocorridos até o julgamento transcrevo o relatório da DRJ/São Paulo I, verbis: "Em conseqüência de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias foi lavrado, em 16/05/2003, contra a instituição financeira contribuinte acima identificada, o Auto de Infração relativa à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS para formalização e cobrança do crédito tributário nele estipulado no valor total de R$ 21.455,42 (vinte e um mil, quatrocentos e cinqüenta e cinco reais e quarenta e dois centavos), incluindo a multa de oficio (75%) e os juros de mora (calculados até 30/04/2003), referente aos fatos geradores ocorridos em 31/01/1998, 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998, 30/06/1998, 31/07/1998, 31/08/1998 e 30/09/1998 (fls. 05/08). A ciência da autuação deuse em 27/05/2003, conforme Aviso de Recebimento acostado à fl. 44. 2. De acordo com o disposto na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 06), o crédito tributário refere se A. FALTA DE RECOLHIMENTO DO PIS (FINANCEIRAS E EQUIPARADAS), e encontrase fundamentado nos arts. 1 0, 2° e 40 da Medida Provisória n° 1.485/96 e suas reedições, convalidadas pela Lei n° 9.701/98; arts. 1 0, 2° e 4° da Medida Provisória n° 1.67456/96 e suas reedições, convalidadas pela Lei n° 9.701/98; art. 3°, §§ 2° e 3°, da Lei Complementar n° 07/70, alterado pelo art. 72, inciso V, dos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 1988, com a redação dada pela Emenda Constitucional n° 17/97. 2.1. No Termo de Verificação Fiscal (TVF — fls. 39/42) o auditor fiscal autuante informa que em procedimento de revisão da DIPJ/1999, anocalendário 1998, no que tange à apuração do PIS, verificou que a contribuinte apresentou valores do PIS com exigibilidade suspensa, conforme relacionado A. fl. 39. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 16327.001934/200377 Acórdão n.º 3803000.283 S3TE03 Fl. 195 3 2.2. Registra também o autuante que a contribuinte, regularmente intimada, informou que a exigibilidade suspensa se referia a ação declaratória 92.00247407, a qual, por sua vez, é pertinente a pedido para declarar inexistência de relação tributária entre o contribuinte e a União para o recolhimento do PIS com base nos DL 2.445 e 2.449/88. Sobre a ação judicial relata o autuante, in verbis: Em primeira instância o juízo decidiu que a ação era procedente para declarar o direito do contribuinte de recolher o PIS na forma da LC 7/70, sendo inaplicáveis os DL 2.445 e 2.449/88. O TRF negou provimento ao recurso EX OFFICIO mantendo a decisão de primeira instância. Ocorre que o PIS deixou de ser exigido pelos DL 2.445 e 2.449 desde junho/1994. A partir desta data, o PIS passou a se exigido na forma da EC 01/94, depois pela EC 10/96 e 17/97. A ação judicial do contribuinte não discute o PIS exigido pelas EC acima descritas. 0 acórdão favorável ao contribuinte não têm o condão de estabelecer que eternamente o contribuinte poderá recolher o PIS pela LC 07/70 em face da mudança posterior da legislação atacada. Neste sentido já se manifestaram os órgãos julgadores administrativos: "A declaração de intributabilidade, no que concerne a relações jurídicas originadas de fatos geradores que se sucedem no tempo, não pode ter o caráter de imutabilidade e de normatividade a abranger eventos futuros. A coisa julgada em matéria tributária não produz efeitos além dos princípios pétreos postos na Carta Magna. A alteração do estado de direito, pelo surgimento de nova legislação, afeta a imutabilidade da coisa julgada, interrompendo seus efeitos nos casos de relação jurídica continuativa." 2.3. Após transcrever trechos do Parecer PGFN/CRJN n° 1.277/97, conclui o autuante que tendo havido alterações das normas que disciplinam a relação tributária continuativa entre as partes, não seria cabível, no caso, a alegação da exceção da coisa julgada em relação a fatos geradores sucedidos após as alterações legislativas, sendo do interesse público o lançamento e a cobrança administrativa ou judicial dos créditos decorrentes. 3. Irresignada com o lançamento a instituição financeira interessada, por intermédio de seu advogado e procurador (vide docs. de fl. 52), apresentou, em 26/06/2003, a impugnação de fls. 45 a 51, acompanhada dos documentos de fls. 53 a 123. 3.1. Na referida peça de defesa, a impugnante argúi, preliminarmente, com base no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, a decadência do direito de o Fisco Fl. 196DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN 4 proceder ao lançamento da Contribuição ao PIS em relação a fatos geradores ocorridos no período de janeiro a abril/1998. 3.1.1. Pondera ainda a impugnante: "Se a preliminar acima for ignorada, eventual cobrança judicial destes valores encontrar seá prejudicada, porquanto os valores exigidos estarão definitivamente equivocados. Como o Poder Judiciário trabalha com o binômio — procedência/improcedência, qualquer CDA expedida com os valores acima denunciados será ineficaz porque não poderá ser judicialmente corrigida." 3.2. Defende a impugnante a impossibilidade da cobrança do crédito tributário, porquanto a Lei n° 9.715, de 25/11/1998 seria fruto de conversão de uma série de Medidas Provisórias que entende serem inconstitucionais. Transcreve para embasar seu argumento ementa de julgado do STF relativas a inconstitucionalidade da MP 1.212, de 28/11/1995, para concluir que "Tal inconstitucionalidade, por conta da infeliz prática de reedições sucessivas alcança toda a legislação do PIS no período compreendido entre a Medida Provisória n. 1.212 e a Lei Ordinária 9.718." 3.2.1. Socorrese da IN SRF n° 006, de 19/01/2000, que veda a constituição de crédito tributário e determina o cancelamento de lançamento baseado na MP n° 1.212.1995 a fatos geradores ocorridos no período entre 1°/10/1995 e 29/02/1996, com o intuito de reforçar o seu entendimento. 3.3. Por fim, contrapõese à exigência dos juros de mora com base na Taxa Selic, cuja utilização entende ser inconstitucional, dada a sua natureza remuneratória. O órgão julgador de primeira instância considerou procedente o lançamento e a decisão tem a ementa que se transcreve abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Anocalendário: 1998 PIS. DECADÊNCIA. 0 direito da Administração de constituir o crédito tributário relativamente às Contribuições para o Programa de Integração Social PIS decai em dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, conforme determina a legislação de regência. INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA. Não cabe à autoridade administrativa pronunciarse quanto a alegações de inconstitucionalidade de normas legais. PIS. COISA JULGADA. ALTERAÇÃO DO ESTADO DE DIREITO. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 16327.001934/200377 Acórdão n.º 3803000.283 S3TE03 Fl. 196 5 A alteração do estado de direito, pelo surgimento de nova legislação, afeta a imutabilidade da coisa julgada, interrompendo seus efeitos nos casos de relação jurídica continuativa. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. Lançamento Procedente Inconformada, a pessoa jurídica interessada apresentou recurso voluntário, em que reproduz os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Daniel Maurício Fedato, Relator A recorrente reclama, em preliminar pela decadência do direito de lançar, que teria atingido os fatos geradores de janeiro a abril de 1998, uma vez que a ciência do auto de infração derase em 27 de maio de 2003, segundo o AR de fl. 45. De fato, o lançamento referente ao mês de abril de 1998 tem seu prazo final para lançamento em 30 de abril de 2003. Deste modo, tem razão o contribuinte em seu pleito, devendose no presente julgamento declarar a decadência dos períodos de janeiro a abril de 1998. Com respeito à impossibilidade da cobrança do crédito tributário, pelo fato de a Lei n° 9.715, de 25/11/1998 ser fruto de conversão de uma série de Medidas Provisórias a seu ver inconstitucionais, decidiu corretamente o órgão julgador de primeira instância, ao afirmar que os órgãos julgadores administrativos não podem introduzirse em questões de cunho constitucional. Ante isso, esta matéria não pode ser conhecida. Por fim, no tocante à incidência dos juros à taxa Selic sobre os valores objeto do lançamento as disposições expressas da Lei nº 9.430/96 não podem ser afastadas. Assim exposto, meu voto é por dar provimento parcial, para reconhecer a decadência dos períodos de janeiro a abril de 1998. Sala das sessões, 03 de dezembro de 2009 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN 6 Daniel Maurício Fedato Voto Vencedor Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O registro da presente divergência é para consignar que a Turma afastou a regra da contagem do prazo decadencial pelo art. 150, § 4º, do CTN, pela ausência de pagamento e, também, pelo registro indevido da Contribuinte de vincular aos débitos, na DIPJ/1999, indevidamente exigibilidade suspensa, ampara pela ação declaratória 92.0024740 7, cujo objeto era a inexistência de obrigação tributária relativamente ao pagamento do PIS nos termos dos DLs. nºs 2.445 e 2.449/88, por ser concernente a fatos geradores que não guardam qualquer relação com os períodos lançados. Dessarte, reformase o entendimento da decisão de primeira instância, para considerar que o prazo para o direito da Fazenda de lançar não se perfaz em dez anos, para aplicarse a regra do art. 173, I, do CTN. Tendose que o último período considerado decaído pelo i. Relator, abril/98, poderia ser lançado no mesmo ano, tem sua contagem a partir do primeiro dia do exercício seguinte, 1º de janeiro de 1999, encerrandose o prazo para lançar em 31 de dezembro de 2003, decaindo em 1º de janeiro de 2004. Com ciência ocorrida em 27 de maio de 2003, não há períodos alvo da decadência. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 03 de dezembro de 2009 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 199DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10930.003045/2005-10
Data da sessão: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 13/02/2004, 13/05/2004, 09/06/2004, 12/07/2004, 30/07/2004, 10/08/2004, 30/09/2004, 14/10/2004, 11/11/2004, 13/12/2004
MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. ART. 44, INCISO I, DA LEI 9.340/96.
Aplica-se a multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre o tributo na forma do disposto no inciso I do art. 44 da Lei n° 9.340/96, no caso de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, decorrente de pedido de compensação indevido, quando não comprovado o evidente intuito de fraude na apresentação de declaração de compensação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-000.394
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso.
Nome do relator: Marcelo Ribeiro Nogueira
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Recorrida DRJ-CURITIBA/PR ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/02/2004, 13/05/2004, 09/06/2004, 12/07/2004, 30/07/2004, 10/08/2004, 30/09/2004, 14/10/2004, 11/11/2004, 13/12/2004 MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. ART. 44, INCISO I, DA LEI 9.340/96. Aplica-se a multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre o tributõ;" na forma do disposto no inciso I do art. 44 da Lei n° 9.340/96, no caso de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, decorrente de pedido de compensação indevido, quando não comprovado o evidente intuito de fraude na apresentação de declaração de compensação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. MER ,17tju:.e - IA HELENA T 9fl O DAMORIM - Presidente lokive-tec,,,w MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA - Relhtor EDITADO EM: 30/10/2009 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Traj ano Damorim, Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instancia por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: O presente processo foi formalizado, originariamente, para análise das seguintes Declarações de Compensação - PER/DComp, às fls. 02/57, transmitidas eletronicamente pela contribuinte: Declaração de Compensação Data da transmissão 00733.50650.130204.1.3.57-9364 13/02/2004 12499.95740.130204.1.3.57-0053 13/02/2004 18725.22284.130204.1.3.57-2903 13/02/2004 34518.65058.130204.1.3.57-1100 13/02/2004 40301.92553.130204.1.3.57-2821 13/02/2004 39167.88352.130504.1.3.57-0754 13/05/2004 25883.93730.090604.1.3.57-6651 09/06/2004 29718.26381.120704.1.3.57-0492 12/07/2004 00402.95111.300704.1.3.57-4113 30/07/2004 18629.59452. 100804. 1 . 3.57-1309 10/08/2004 03585.16247.300904.1.3.57-0503 30/09/2004 12265.63265.141004.1.3.57-2571 14/10/2004 11150.93877.111104.1.3.57-7024 11/11/2004 33194.85216.131204.1.3.57-0573 13/12/2004 Às fls. 62/63, consta o Termo de Intimação n° 435/2005, pelo qual a interessada foi cientificada do procedimento em curso, de análise das Declarações de Compensação, e pelo qual foi instada a apresentar, além dos documentos societários e de representação da pessoa jurídica, cópia da petição inicial e das decisões prolatadas no processo judicial n° 1059/57, bem como Certidão de Objeto e Pé, correlatas às informações prestadas nas Declarações de Compensação. Às fls. 65/67, em resposta ao precitado Termo de Intimação, a interessada, em 14/10/2005, por intermédio de procurador constituído (f1. 68), quanto à ação judicial indicada nas Declarações de Compensação, esclareceu que os documentos, primeiro, "não existem" e, segundo, retificou as Declarações de Compensação. Aduziu que "somente teve certeza que tais créditos estavam eivados de ilegalidade através de reportagem publicada na Valor Econômico, cópia anexa, constando ainda que a própria Receita Federal desconhecia tal situação, pois as compensações com os créditos do referido processo vinham ocorrendo normalmente, sem nenhuma outra exigência por parte do órgão (SRF)", que "somente após essa informação ter se tornado pública ( ..), foi somente a partir da notícia, que a recorrente pode precisar, com certeza que o negócio realizado (a transação de créditos) estava eivado de vícios, e que não seria realmente possível a compensação de seus tributos com referidos 2 Processo n° 10930.003045/2005-10 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00396 Fl. 623 créditos; uma vez que, juntamente com outras várias empresas de todo o país, foram vítimas do mesmo golpe, pois imaginavam estar realizando um negócio lícito, uma aquisição de direitos creditórios para efetuarem a compensação de seus tributos na forma preconizada em lei e no entanto, foram todos ludibriados" e que "na verdade é mais uma vitima dos golpeadores". Requereu a desobrigação de apresentar os documentos citados e o acolhimento das retificações. Foram apresentados os documentos de fls. 69/81. Às fls. 83/103, consoante despacho de fl. 104, constam as peças que compuseram o Processo Administrativo n° 13884.001773/2005-70, protocolizado pela contribuinte, em 31/05/2005, na Delegacia da Receita Federal em São José dos Campos/SP, contendo Declarações de Compensação retificadoras (em formulário plano). Às fls. 105/172, extratos de consulta, decisões judiciais e certidões relacionados à Ação de Atentado n°1.059/57. Às fls. 212/225, consta o Parecer/Saort/DRF/LON n° 405/2007, no qual a Seção de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal em Londrina/PR, reportando-se às Declarações de Compensação discriminadas no Quadro 01 (às fls. 212/213), em síntese: transcreve os dispositivos legais e normativos pertinentes à análise; propõe a não-admissão das DComp retificadoras; propõe a não-homologação das compensações; e tece considerações relativas à ocorrência de evidente intuito de fraude no procedimento adotado pela contribuinte, propondo a aplicação da multa isolada de 150%, com base no art. 18, caput e 2°, da Lei n° 10.833, de 2003, 7:- combinado com os arts. 43 e 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e art. 90 da Medida Provisória n°2.158-35, de 2001. À fl. 226, despacho decisório, de 15/10/2007, pelo qual o Delegado da Receita Federal em Londrina/PR, considerando as conclusões e os fundamentos legais reproduzidos no Parecer DRF/LON/Saort n° 405/2007, decide: não-homologar as compensações declaradas pela interessada nas DComp relacionadas no Quadro 01 do parecer retro, em face do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com redação da Medida Provisória n° 66, de 2002, convertida na Lei n° 10.637, de 2002; não-admitir as DComp retzficadoras protocolizadas em 31/05/2005 (fls. 84/86), pelo que dispõe a Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005; determinar o lançamento da multa isolada prevista no art. 18, caput e ,f 2°, da Lei n° 10.833, de 2003, combinado com os arts. 43 e 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, bem como a formalização da respectiva representação fiscal para fins penais; e determinar a intimação do sujeito passivo para que, no prazo de trinta dias, contados da ciência, efetue o pagamento dos débitos indevidamente compensados, ressalvada a possibilidade de apresentação de manifestação de inconformidade. 77- 3 À fl. 252, despacho da Saort/DRF/Londrina, datado de 11/01/2008, tratando sobre a juntada por anexação do PAF n.° 10166.012834/2007-11 (fls. 232/251), originalmente protocolizado em 30/10/2007, junto à DRF/Brasilia, no qual a interessada, por meio de procurador (mandato de fl. 235), apresentou, em formulário plano, as Declarações de Compensação retificadoras de fls. 232/234. Às fls. 253/255, despacho Saort/DRF/Londrina, datado de 22/01/2008, no sentido de não admitir as declarações de compensação retificadoras de fls. 232/234. Cientificada do despacho de fls. 221/226 em 28/12/2007 (AR de fl. 231), a interessada, em 23/01/2008, por meio de procurador (mandato de fl. 273), apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 257/272, acompanhada dos documentos de fls. 273/283, a seguir resumida. Após descrever, de forma sintética, as conclusões arroladas na conclusão do despacho decisório em causa, diz com elas não concordar e aduz: (a) que sempre agiu de boa-fé, simplesmente exercendo direitos previstos na Constituição Federal, no Código Civil e no Código Tributário Nacional, que seriam, a propósito, hierarquicamente superiores aqueles citados como fundamento da decisão reclamada; (b) que foi vítima do conhecido "processo dos apertados do Paraná"; (c) que, ao se dar conta que fora vítima de um golpe, espontaneamente, apresentou declarações de compensação retificadoras, utilizando-se de direito creditó rio regularmente adquirido, por meio de escritura pública de cessão de direitos, com decisão transitada em julgado em 08/02/2002, tendo se habilitado como assistente simples no Processo n° 99.60.00.759-6, em trâmite na 2 a Vara da Justiça Federal de Chapecó/SC, tornando-se sujeito passivo (sic) na relação processual e "não podendo, em hipótese alguma ser considerada terceiro"; (d) que os créditos pertencem à empresa e são idôneos; e (e) que não pode ser considerado sonegador, visto que agiu amparado por lei e que a compensação é uma das formas de extinção das obrigações. A seguir, nos itens "2 — Do fundamento constitucional do direito de compensar" e "3 — O direito a compensação", discute, citando princípios constitucionais e dispositivos da legislação, o direito, em tese, dos contribuintes efetuarem compensação para extinção de seus débitos fiscais. Nessa argumentação, contesta a constitucionalidade do art. 74 da Lei n.° 9.430, de 1996, com as alterações promovidas pelas Leis n.° 10.637, de 2002, n.° 10.833, de 2003, e n.° 11.051, de 2004. Por sua vez, no item "4 —Da realidade fálica. Direito líquido e certo da Contribuinte. Direitos creditórios com possibilidade de compensação", faz comentários sobre a compensação que pretendeu implementar com as declarações de compensação retificadoras, dizendo de sua suposta legalidade, e assim concluindo esse item: "in casu, a contribuinte, através da cessão realizada (informada acima), passou a figurar como titular do crédito em apresso, tratando-se, portanto de crédito próprio. Diante disso, não a que se falar em impossibilidade de compensação, considerando não declarado, diante à natureza de 4 Processo n° 10930.003045/2005-10 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00396 Fl. 624 crédito de natureza não tributária, visto que restou amplamente comprovada a aquisição dos créditos e a possibilidade compensação pela contribuinte, dentro dos limites estabelecidos pelas leis em vigência. ". Já, no item "5 — Da declaração apresentada ao fisco, e as restrições impostas por ele", diz estar o fisco impedindo-a de protocolizar seu 'pedido de homologação' e, em conseqüência, de compensar seu crédito, ainda que adquirido de terceiro, e impondo-lhe restrições absurdas, tais como as contidas na legislação invocada, e, com isso, cerceando seu direito de petição (art. 5 0, =IV, da CF/1988). Por seu turno, no item "6 — A compensação. Dever de informação do contribuinte", faz considerações sobre o art. 170 do CTN e sobre o art. 66 da Lei n.° 8.383, de 1991. Sob o título "7 - Da Penalidade Aplicada", questiona a multa lançada, argumentando que não praticou ato algum que caracterize sonegação, não havendo ocultação ou dolo, mas apenas o exercício do seu direito de petição, que entende ser relativo à compensação de créditos resultantes de condenação da Fazenda Pública. Destaca que a compensação é forma de extinção de crédito, nos termos do art. 156, II, do C7'N, e suscita haver denúncia espontânea, de que trata o art. 138 do CTIV, equiparando a compensação ao pagamento requerido pela norma. Acrescenta que, por isonomia, o tratamento a quem informa compensação deve ser o mesmo daquele que simplesmente não paga e nada informa e que "sofre uma majoração de apenas 20% no total de seu débito". Sob o título "8 — Da revogaçjo da multa de oficio", argumenta que com o advento da Medida Provisória n,° 351, de 2007, convertida na Lei n.° 11.488, de 2007, que alteraram a Lei n.° 9.430, de 1996, e, a seu ver, teriam 'expurgado' as disposições relativas às multas de oficio, ficando o fisco impedido de aplica- las; fala, no caso, da aplicação do princípio da retroatividade benigna, com o afastamento da cobrança da multa de oficio. No item "9 — Do caráter confiseatõrio da multa", fala que a multa aplicada fere o principio do não-confisco, previsto no art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988, sobre o qual faz várias considerações, transcrevendo, inclusive, trechos de jurisprudència do STF. Ao final, formula o seguinte pedido; "pelas razões aqui expostas, com base no melhor direito, conclui-se que a multa é absolutamente indevida, assim, requer a presente manifestação de inconformidade ser conhecida e provida, extinguindo a exigibilidade deste auto de infração e posteriormente arquivando-o." (fl. 272). À fl. 285, consta o AR de ciéncia, em 28/01/2008, da Intimação n.° 127/2008 de fl. 256, na qual consta o encaminhamento à interessada do despacho complementar de fls. 253/255. Em resposta, a interessada, por meio de procurador (mandato de fl, 5 296), protocolizou, em 27/02/2008, a manifestação de fls. 286/295, instruída com os documentos de fls. 296/306, onde, basicamente, repete considerações anteriormente feitas na manifestação de inconformidade de fls. 257/272, já relatada. À fl. 308, consta o termo de juntada por apensação do processo administrativo n.° 16366.003247/2007-53, relativo à representação fiscal para fins penais. Consoante Termo de Juntada por Anexação de fl. 309 e Termo de Juntada de Processos de fl. 555, foi juntado por anexação (deste passando a fazer parte), às fls. 310/554, as peças que antes compunham o Processo n°16366.003248/2007-06, relativo à exigência de multa isolada, relatada a seguir. Multa isolada. Passou a fazer parte integrante deste processo administrativo o auto de infração de fls. 502/518, pelo qual é exigida a multa isolada de 150%, no montante de R$ 47.189,09, aplicada em face de compensação indevida em declaração prestada pelo sujeito passivo, consoante descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 504/505, demonstrativo de apuração de fl. 502, e Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal de fls. 506/518, havendo, nesse último, o detalhamento do procedimento administrativo, inclusive em seu anexo de fl. 519. Cientificada do auto de infração em 28/12/2007 (AR à fl. 525), a interessada, por intermédio de representante constituído 542), apresentou, em 23/01/2008, a impugnação de fls. 526/541, acompanhada dos documentos de fls. 5421552, na qual reprisa os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade antes resumida, formulando, ao final, a seguinte conclusão: "Com efeito, pelas razões aqui expostas, conclui-se necessariamente, que os créditos devem ser compensados (imputados), e a multa é indevida, pois não foram também aplicadas corretamente as normas relativas à espécie. Portanto, requer a imediata imputação dos créditos, bem como a eliminação da multa que ora recai a contribuinte, devendo, portanto a presente impugnação, ser conhecido e provido.". À fl. 556, despacho da Saort/DRF/Londrina falando da tempestividade das precitadas manifestações de inconformidade (fls. 257/283 e 286/306) e impugnação (fls. 526/552). A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa; Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 13/02/2004, 13/05/2004, 09/06/2004, 12107/2004, 30107/2004, 1010812004, 30/0912004, 1411012004, 11/1112004, 1311212004 COMPENSAÇÃO. RESTRIÇÕES LEGAIS. NÃO- HOMOLOGAÇÃO. No âmbito da Secretaria da Receita Federal, é incabível o reconhecimento de direito de compensar débitos tributários com créditos suscitados que não sejam decorrentes de tributos e 6 Processo n° 10930.003045/2005-10 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00396 Fl. 625 contribuições por ela administrados, que não sejam passíveis de restituição ou ressarcimento, que não sejam do próprio sujeito passivo e que, sendo judiciais, não estejam amparados por decisão transitada em julgado. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Compensação não Homologada MULTA ISOLADA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. 7 INFORMAÇÃO INVERÍDICA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. PERCENTUAL QUALIFICADO. APLICABILIDADE. O evidente intuito de fraude, consistente na inserção de informação inven'dica em declarações de compensação, visando à extinção dos débitos, enseja a aplicação da multa de oficio qualificada. Lançamento procedente. O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados ao antigo Terceiro Conselho de Contribuintes e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental. Tendo sido criado o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pela Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, e mantida a competência deste Conselheiro para atuar como relator no julgamento deste processo, na forma da Portaria n° 41, de 15 de fevereiro de 2009, requisitei a inclusão em pauta para julgamento deste recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Relator Entendo que o recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais. Aponto que há duas cópias (em verdade dois originais praticamente idênticos) do recurso voluntário e tendo em vista a ocorrência da preclusão consumativa, estou conhecendo somente do recurso mais antigo, ou seja, aquele protocolado primeiro. A questão inicial dos autos a decidir é a legitimidade da compensação requerida pelo contribuinte, ou seja, o seu direito a compensar os créditos adquiridos de terceiros, através de procedimento não aceito pela fiscalização. 7 Contudo, preliminarmente, deve-se observar que o crédito adquirido, mesmo se devida e legalmente transferido e mesmo se considerarmos que esta transferência é oponível à Fazenda Nacional da forma que foi realizada (o que não discutirei neste momento, em deferência a meus pares), não admite a compensação com débitos vencidos ou vincendos do contribuinte, relativos a tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Isto porque, a origem do alegado crédito (seja o Processo Judicial n° "1059/57" - Ação de Atentado da Fazenda "Apertados" -, seja a Ação de Desapropriação n° 87.0018855-7, que teria trânsito em julgado em 08/02/2002, e execução definitiva nos autos n° 996000759-6) é não tributária, e, logo, ultrapassa a autorização legal de compensação que limitou este instituto aos créditos tributários administrados pela própria Receita Federal do Brasil, na forma art. 74, § 1 0, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002, regulamentando o Código Tributário Nacional - CTN (Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966) nos seus art. 156, II, e 170, verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão." I° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Assim, andou bem a decisão de primeira instância quando afirma: Por conseguinte, os supostos créditos utilizados pela interessada as fls. 02/57, que seriam decorrentes da Ação de Atentado n° 1.059/57 (fls. 105/172), não se enquadram na prerrogativa legal do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002, eis que não foram por ela apurados, não são relativos a tributos ou contribuições administrados pela SRF, não são passíveis de restituição ou ressarcimento pela SR_F e não preenchem o requisito de que a compensação seja efetuada por quem apurou os créditos para a compensação de débitos próprios. (grifos do original) Sendo certo que descabe a este Colegiado debater a constitucionalidade das normas legais que regulam a compensação tributária, como pretende o recorrente. A compensação declarada pela recorrente está baseada em crédito que não tem natureza tributária, nem é oponível à União Federal e na forma do art. 170 do Código Tributário Nacional, a compensação tributária somente será possível nos termos da lei ordinária. O art. 74 da Lei n° 9.430/96 disciplinou a compensação tributária, prevendo, em seu texto original, que "a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração." Logo, com a exceção da compensação do art. 66 da Lei n° 8.383/91, antes do advento da Lei n° 10.637/02, a compensação precisava ser requerida pelo contribuinte e autorizada pela administração. 8 Processo n° 10930.003045/2005-10 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00396 626 Posteriormente, já com redação dada pela Lei n° 10.637/02, foi alterado o art. 74 para que as compensações tributárias passaram a ser realizadas pelo contribuinte, sujeito a homologação posterior, através da Dcomp (Declaração de Compensação). Em contrapartida, foi autorizado ao Fisco, no caso de compensação considerada indevida ou incorreta, negar a homologação desta e aplicar penalidades. Além disso, a legislação em comento estabeleceu que na declaração de compensação, o contribuinte somente utilizará crédito "relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal." Por fim, a Lei n° 11.051/04 proibiu expressamente a compensação tributária de débito relativo a tributo administrado pela atual Receita Federal do Brasil com crédito que "não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal". Assim, a compensação pretendida foi corretamente negada pela decisão recorrida. Por outro lado, adoto os argumentos produzidos pelo ilustre Conselheiro Celso Lopes Pereira Neto, no recurso voluntário n° 140.676, com os ajustes fáticos necessários ao presente feito, no que se refere à multa isolada: De fato, uma leitura do art. 170 do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172, de 1966) em conjunto com o art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, conforme redação alterada pela Lei n° 10.637, de 2002, a seguir transcritos, mostra-nos que o CIN previu a compensação nas condições em que a Lei determinar, e a Lei determinou que fossem compensados exclusivamente os créditos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, relativos a tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, passíveis de restituição ou de ressarcimento tributários. Vejamos: Lei n° 5.172/66 (CT1V) "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Lei n°9.430/96 "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei n°10.637, de 2002) (.)" (grifei) 9 Portanto, créditos relativos a títulos da dívida pública não são passíveis de compensação com débitos de tributos. Somente através de provimento judicial autorizando a compensação desses créditos é que o contribuinte poderia utilizá-los em suas DCOMPs. E a sentença judicial teria que haver transitado em julgado. No presente caso, não há ação judicial garantindo-lhe esse direito, muito menos sentença transitada em julgado. (-) Verifica-se que a recorrente informou na DCOMP que o crédito não era de sua titularidade quando preencheu "SIM", no campo em que se pergunta se o crédito é de terceiros. Quanto às informações sobre a suposta "ação judicial", entendo que bastaria um exame superficial das DCOMPs para que fossem detectados erros óbvios, pois todas as informações referem-se ao processo administrativo em que se pediu reconhecimento do direito ao crédito, inclusive número e data de protocolo do processo administrativo e outras informações do tipo, seção judiciária: Ministério da Fazenda. De tal forma que, no meu entendimento, não podem ser considerados indícios de um evidente intuito defraude. (.) No entanto, a conduta da recorrente, declarar compensação em que os créditos refiram-se a títulos públicos, é passível de penaliza ção, porém, com a multa não qualificada, no percentual de 75%. De se acrescentar, que o art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, sofreu três alterações desde a publicação da sua versão original, mas que em nenhuma dessas alterações a conduta verificada deixou de ser penalizada. Senão vejamos: A primeira alteração da redação do referido dispositivo foi promovida pelo art. 25 da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. "Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada em razão da não- homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. (.) áç 2° A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 20 do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (-) io Processo n° 10930.003045/2005-10 S3-C1T2 Acórdão n." 3102-00.396 Fl. 627 § 4°A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. "(grifei) A mesma Lei n o 11.051/2004 alterou o inciso II do 12 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, que passou a ter a seguinte redação: " § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (.) - em que o crédito: a) seja de terceiros; b) refira-se a "crédito-prêmio" instituído pelo art. 1° do Decreto-Lei n°491, de 5 de março de 1969; c) refira-se a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal - SRF." (grife° Uma segunda alteração, que ocorreu nos §§ 4° e 5° do artigo 18 da Lei n° 10.833/2003, foi introduzida pela Lei n° 11.195/2005. Os referidos parágrafos passaram a ter a seguinte redação: "§ 4° Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando- se os percentuais previstos: (Redação dada pela Lei n° 11.196, de 2005) I - no inciso 1 do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; (Incluído pela Lei n°11.196, de 2005) II - no inciso II do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Incluído pela Lei n° 11.196, de 2005) § 5° Aplica-se o disposto no § 2° do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas no § 4° deste artigo. (Incluído pela Lei n°11.196, de 2005)" (grifei) Finalmente, o dispositivo em questão foi novamente alterado pela Medida Provisória n°351, posteriormente convertida na Lei 11 11.488, de 16 de junho de 2007, passando a vigorar com a seguinte redação: "Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória d2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar- se-á à imposição de multa isolada em razão de não- homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (.) ,¢ 2° A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso 1 do caput do art. 44 da Lei te 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (.). 3s 40 Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso lido § 12 do art. 74 da Lei nfz 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando-se o percentual previsto no inciso 1 do caput do art. 44 da Lei n' 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1', quando for o caso. 52 Aplica-se o disposto no 2" do art. 44 da Lei n 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2"- e 4' deste artigo." (grifei) Conclui-se, portanto, que em nenhum momento, desde a edição da Lei n o 10.833/2003, nas várias redações do seu art. 18, a conduta da recorrente: promover a compensação indevidamente, com créditos de natureza diversa da tributária, no caso, títulos da dívida pública, deixou de ser apenada com a correspondente multa isolada. Assim sendo, inaplicável ao presente caso, o inciso lido art. 106 do Código Tributário Nacional, que dispõe: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Realmente, as leis posteriores (ou novas redações da Lei n° 10.833/2003) não deixaram de considerar a conduta narrada uma infração, nem de tratá-la como contrária às normas que 12 Processo n° 10930.003045/2005-10 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00396 Fl. 628 tratam da compensação, nem cominaram à conduta penalidade menos severa que a multa no percentual de7 5%. Portanto, ante o exposto, entendo que a conduta da recorrente: "declarar compensação em que os créditos refiram-se a títulos públicos (natureza não-tributária)", é passível de penaliza ção, porém, no percentual de 75%, por não ter sido comprovado o evidente intuito defraude. Assim, VOTO por conhecer do recurso para dar-lhe provimento parcial para reduzir a multa de 150% para 75%. , \r\ NAjet MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA 77- 13
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Numero do processo: 13686.000024/99-80
Data da sessão: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2008
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1993
DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO.
A CSLL, o PIS e a COFINS "ex vi" do disposto no art. 149, c.c. art. 195, ambos da C.F., e, ainda, em face de reiterados pronunciamentos da Suprema Corte, têm caráter tributário. Assim, em face do disposto nos arts. n° 146, III, "h" , da Carta Magna de 1988, a decadência do direito de lançar as contribuições sociais deve ser disciplinada em lei complementar. A falta de lei complementar especifica dispondo sobre a matéria, ou de lei anterior recebida pela Constituição, a Fazenda Pública deve seguir as regras de caducidade previstas no Código Tributário Nacional.
Recurso Extraordinário Negado.
Numero da decisão: PLENO/00-00.042
Decisão: Acordam os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1) por maioria de votos, em conhecer do recurso extraordinário. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, José Clóvis Alves, Josefa Maria Coelho Marques, Susy Gomes Hoffmann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado) e Antonio Praga, que não conheciam do recurso extraordinário; 2) por maioria de votos, em rejeitar a proposição proposta pela Conselheira Karem Jureidini Dias, de aprofundar a analise do mérito, para apreciar o termo de início da contagem do prazo decadencial. Vencidos também os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Sergio Fernandes Barroso e Gileno Gurjão Barreto que a acompanharam; e 3) no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário. Ausente momentaneamente o Conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento (Substituto Convocado).
Nome do relator: Antonio Carlos Atulim - Redator ad hoc
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A CSLL, o PIS e a COFINS "ex vi" do disposto no art. 149, c.c. art. 195, ambos da C.F., e, ainda, em face de reiterados pronunciamentos da Suprema Corte, têm caráter tributário. Assim, em face do disposto nos arts. n° 146, III, "h" , da Carta Magna de 1988, a decadência do direito de lançar as contribuições sociais deve ser disciplinada em lei complementar. A falta de lei complementar especifica dispondo sobre a matéria, ou de lei anterior recebida pela Constituição, a Fazenda Pública deve seguir as regras de caducidade previstas no Código Tributário Nacional. Recurso Extraordinário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela Fazenda Nacional. Acordam os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1) por maioria de votos, em conhecer do recurso extraordinário. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, José Clóvis Alves, Josefa Maria Coelho Marques, Susy Gomes Hoffmann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado) e Antonio Praga, que não conheciam do recurso extraordinário; 2) por maioria de votos, em rejeitar a proposição proposta pela Conselheira Karem Jureidini Dias, de aprofundar a analise do mérito, para apreciar o termo de início da contagem do prazo decadencial. Vencidos também os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Sergio Fernandes Barroso e Gileno Gurjão Barreto que a acompanharam; e 3) no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário. Ausente momentaneamente o Conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento (Substituto Convocado). (Assinado com certificado digital) Fl. 877DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13686.000024/99-80 Acórdão n.º 00-000.042 CSRF/T00 Fls. 5 _________ 2 Carlos Alberto de Freitas Barreto - Presidente (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, José Clóvis Alves, Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Josefa Maria Coelho Marques, Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, Anelise Daudt Prieto, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Marcos Vinicius Neder de Lima, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Henrique Pinheiro Torres, Maria Teresa Martínez Lopez, Rosa Maria de Jesus da Silva Cosa de Castro, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Antonio Carlos Atulim, Gileno Gurjão Barreto, Maria Cristina Roza da Costa, Nanci Gama, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Antonio Bezerra Neto, Júlio César Vieira Gomes, Leonardo Siade Manzan, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filho e Manoel Coelho Arruda Junior e Antonio Praga (Presidente da CSRF à época do julgamento). Relatório Por meio do Acórdão CSRF/01-05.204 a Câmara Superior de Recursos Fiscais negou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, reconhecendo a decadência do direito do fisco efetuar o lançamento de ofício dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação (fls. 804/808). O julgado recebeu a seguinte ementa: "CSL / COFINS / PIS - DECADÊNCIA - ART. 45 DA LEI N° 8212/91 - INAPLICABILIDADE - Por força do Art. 146, III, b, da Constituição Federal e considerando a natureza tributária das contribuições, a decadência para lançamentos de CSL, COFINS e PIS deve ser apurada conforme o estabelecido no Art. 150, § 4º, do CTN, com a contagem do prazo de 5 (cinco) anos partir do fato gerador. Recurso especial negado." Regularmente notificada daquele julgado, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso extraordinário ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, alegando que a decisão recorrida negou vigência ao art. 45 da Lei nº 8.212/91 ao declarar, ainda que incidentalmente, a sua inconstitucionalidade. Ao assim decidir, o acórdão recorrido divergiu do Acórdão CSRF/02-01.665, que concluiu pela aplicabilidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, uma vez que os órgãos administrativos de julgamento não podem afastar a aplicação Fl. 878DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13686.000024/99-80 Acórdão n.º 00-000.042 CSRF/T00 Fls. 6 _________ 3 de dispositivo legal em face de sua suposta inconstitucionalidade, sob pena de violação do art. 22-A do Regimento Interno da CSRF. Por meio do despacho de fls. 835/837 do processo digitalizado o recurso extraordinário foi admitido. Regularmente notificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões de fls. 849/859, pugnando pela manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Redator ad hoc Nos termos do art. 17, III, do RICARF 1 , incumbiu-me o Senhor Presidente do Colegiado de formalizar o presente acórdão, tendo em vista que a relatora originária, Conselheira Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, deixou o colegiado antes da formalização e assinatura do acórdão. Para fins de formalização deste acórdão adoto o voto do Conselheiro José Clóvis Alves, apresentado como fundamento do Acórdão nº 000.043, julgado nesta mesma assentada, in verbis: "Entendo não haver razão ao recorrente, é que sendo a decadência, por força do artigo 146 inciso III letra "h" da Constituição Federal de 1988, matéria de reservada à Lei Complementar, somente lei de igual hierarquia poderia alterar os conceitos existentes na Lei n° 5.172/66, CTN. Entendo também que o § 4° do artigo 150 do CTN quando diz "se a lei não dispuser de forma diversa", está se referindo a outra lei complementar, pois se assim não for entendido estaríamos diante da situação na qual o legislador complementar contrariaria o constitucional, pois quis esse último reservar determinadas matérias à Lei Complementar que tem quorum privilegiado. Sobre a matéria vale transcrever voto do iminente conselheiro Natanael Martins no Acórdão n° 107-06.455 de 08 de novembro de 2.001, o qual adoto como razão de decidir a matéria de decadência da CSL. "A questão ora sob exame resulta de lançamento de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III - designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazê-lo ou não mais componha o colegiado; Fl. 879DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13686.000024/99-80 Acórdão n.º 00-000.042 CSRF/T00 Fls. 7 _________ 4 Inicialmente, deve ser apreciada a preliminar de decadência argüida pela contribuinte, a qual tem relevância fundamental no julgamento deste processo, sendo certo que a natureza jurídica do lançamento da contribuição social sobre o lucro, pelas suas próprias características, em tudo e por tudo, idêntica do IRPJ, pelo que tomo a liberdade de me reportar ao que sobre o assunto já tive a oportunidade de escrever: "A questão da natureza jurídica do lançamento do imposto de renda das pessoas jurídicas no âmbito do 1° Conselho de Contribuintes ainda é acirrada, podendo no entanto afirmar-se que a corrente pelo menos até hoje majoritária entende tratar-se de um lançamento por declaração. Não é o que pensamos e o que passaremos a demonstrar, obviamente deixando de lado as criticas que a doutrina faz relativamente aos tipos de lançamentos descritos no CTN, dado não ser este o escopo de nosso trabalho. Com efeito, o Código Tributário Nacional, instituído pela Lei 5172/66, recepcionado com eficácia de lei complementar, como é cediço, disciplina as normas gerais em matéria tributária, inclusive no concernente aos tipos de lançamento e aos prazos em matéria de decadência e prescrição. No que se refere à decadência, genericamente, estabelece o art. 173 do CTN: "Art. 173. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I. do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II. da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. 0 direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento". Por outro lado, de forma totalmente assistemática, na disciplina do denominado lançamento por homologação, estabeleceu-se no art. 150, § 4º , do CTN: "Art 150 - 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Fl. 880DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13686.000024/99-80 Acórdão n.º 00-000.042 CSRF/T00 Fls. 8 _________ 5 § 4° Se a lei não fixar prazo 6 homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação" Ou seja, enquanto que, regra geral, o prazo decadencial de cinco anos começa a ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetivado (CNT, art. 173, I), sendo licito, portanto, afirmar-se que o prazo, contado da ocorrência do fato gerador, não é propriamente de cinco anos, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação o prazo decadencial conta-se a partir do fato gerador sendo o prazo, neste caso, propriamente de cinco anos. Lançamento por homologação, na definição do CTN, ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operando-se pelo ato em que referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Pois bem, relativamente ao imposto de renda das pessoas jurídicas, muito se discutiu e ainda hoje se discute, sobre a natureza jurídica do lançamento que o corporifica, havendo aqueles que o julgam como um tributo sujeito a lançamento por declaração ou misto, outros, mais recentemente, defendendo que a sua natureza, hoje, seria a de lançamento por homologação. Alberto Xavier, em sua clássica obra Do lançamento, Editora Resenha Tributária, 1977, ferindo a questão, naquela oportunidade, defendeu a idéia de que o lançamento do imposto de renda não se traduz num caso de auto lançamento (ou lançamento por homologação), pela circunstância especifica de que a fiscalização, no ato da entrega da declaração, examina o seu conteúdo, procedendo em face deste ao lançamento e, no próprio momento, notifica o contribuinte do imposto que lhe foi lançado. Dai conclui Alberto Xavier: "Ora, na hipótese em apreço não se verifica um pagamento prévio ou antecipação do imposto, mas sim um verdadeiro lançamento com base na declaração, regido pelos arts. 147 e 149 do Código Tributário Nacional, com a única particularidade de o ato administrativo de lançamento ser praticado no próprio ato da entrega da declaração e não no momento posterior do procedimento tributário". (pg. 80). Entretanto, se naquela ocasião podíamos compartilhar da opinião de Alberto Xavier, após o advento do Decreto-lei 1967/82 (e, com maior razão, ainda, a vista das Leis 8383/91, 8541/92, 8981/93 e 9249/95), passamos a pensar de forma diversa. Fl. 881DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13686.000024/99-80 Acórdão n.º 00-000.042 CSRF/T00 Fls. 9 _________ 6 Com efeito, com a edição do Decreto-lei 1967/82, desvinculou-se o prazo do pagamento do imposto com a entrega da declaração de rendimentos não havendo mais, pois, o prévio exame da autoridade administrativa. Se mais não bastasse, com a descentralização da entrega da declaração de rendimento, não se pode alegar, em absoluto, estar havendo exame do lançamento pela autoridade administrativa, pois o simples carimbo aposto pelo estabelecimento receptor da declaração (que, aliás, pode ser uma instituição financeira), à evidência, não pode ser considerado notificação de lançamento nos termos preconizados no art. 142 do CTN. Logo, o contribuinte recolhe (está obrigado) as parcelas do imposto devido sem que tenha ocorrido qualquer manifestação da autoridade administrativa. Ademais, grande parte do imposto já deve ser recolhido antes da própria entrega da declaração de rendimentos sob a forma de antecipações, duodécimos ou recolhimentos estimados (calculável com base em lucro presumido) na linguagem atual. Não há dúvida, pois, ser o IRPJ um tributo sujeito a lançamento por homologação. A declaração do imposto de renda, hoje, representa o cumprimento de um dever meramente instrumental do contribuinte perante a Fazenda Pública, constituindo-se, além disso, por força das normas que a disciplina, do ponto de visto jurídico, confissão de divida quanto ao crédito tributário porventura indicado ou, quanto ao resultado negativo nela quantificado, o direito de crédito (abatimento) do contribuinte. Nessa linha de raciocínio, a Fazenda Nacional deve verificar a atividade do contribuinte, homologando-a dentro do prazo de 5 anos, contados da ocorrência do fato gerador, findo o qual considera-se-6, de forma tácita, homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito a ele correspondente, decaindo, portanto, o direito de a Fazenda corrigir ou lançar "ex officio" (via auto de infração) o tributo anteriormente não pago, sendo inaplicável espécie a regra do art. 173, 1, do CTN ou a disciplinada no § 2° do art. 711 do RIR/80, aliás não reproduzida no atual RIR194. Paulo de Barros Carvalho, a esse propósito, é claro: "Prevê o Código o prazo de cinco anos para que se dê a caducidade do direito da Fazenda constituir o crédito tributário pelo lançamento. Nada obstante, fixa termos iniciais que dilatam por período maior o aludido prazo, uma vez que são posteriores ao acontecimento do fato jurídico tributário. 0 exposto já nos permite uma inferência: é incorreto mencionar prazo qüinqüenal de decadência, a não ser nos casos em que o lançamento não é da essência do tributo - hipóteses de lançamento por homologação - em que o marco inicial de contagem é a data do fato jurídico tributário" (Curso do Direito Tributário, Ed. Saraiva, 4a. Ed., pg. 311). Fl. 882DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13686.000024/99-80 Acórdão n.º 00-000.042 CSRF/T00 Fls. 10 _________ 7 Nem se diga que a regra de contagem, em eventuais casos de prejuízos fiscais não poderia ser a estabelecida no art. 150, § 4°, do CTN, mas sim a do art. 173, I, ao argumento de que não teria havido nenhum pagamento (apurou-se prejuízo fiscal no período), não havendo, pois, o que homologar. A primeira vista esse argumento impressiona, "máxime" em face de decisões do Conselho de Contribuintes relativas a IRF, que se consubstanciaria em hipótese de lançamento de oficio e não por homologação, regrado pelo art. 173, I, do CTN, justamente porque, dizem, não havendo pagamento, nada há a ser homologado.(confira-se, v.g., Acórdão do 1° C.C. n° 101- 83.005/92 - DOU de 07.01.94) Entretanto, o entendimento acima exposto, sufragado pelo Conselho de Contribuintes, em nada se assemelha ao tema que ora se debate, já que naquelas hipóteses (lançamento de ofício de 1RF) o contribuinte de fato não praticou nenhuma ação (atividade) tendente 5 quantificação do "quantum debeatur" sujeito a pagamento antecipado. É que em matéria de imposto de renda determinado em função do lucro (real ou presumido), os contribuintes, sempre e necessariamente, levam ao conhecimento da autoridade administrativa toda a atividade que exercem (procedimentos), tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável e calcular o montante do tributo devido. Ora, o que se homologa não é propriamente o pagamento, mas sim toda a atividade procedimental desenvolvida pelo contribuinte. Souto Maior Borges, em sua magnífica obra sobre o Lançamento Tributário (volume 4 do Tratado de Direito Tributário Brasileiro, Forense, 1981), em diversas passagens, fere profundamente essa questão não deixando dúvidas sobre a matéria, valendo a pena transcrevê-las: "... o que se homologa não é um prévio ato de lançamento, mas a atividade do sujeito passivo adentrada no procedimento de lançamento por homologação, não é ato de lançamento, mas pura e simplesmente a "atividade" do sujeito, tendente satisfação do crédito tributário"... (fls. 432). "...Compete à autoridade administrativa, "ex vi" do art. 150, ca put, homologar a atividade previamente exercida pelo sujeito passivo, atividade que em principio implica, embora não necessariamente, em pagamento. E, o ato administrativo de homologação, na disciplina do C.TN., identifica-se precisamente com o lançamento (art. 150, caput)". (fls. 440/441), Mais adiante, dando fecho a sua conclusão, assevera o Mestre Pernambucano: Fl. 883DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13686.000024/99-80 Acórdão n.º 00-000.042 CSRF/T00 Fls. 11 _________ 8 "...Consequentemente, a tecnologia contemplada no C.TN. é, sob esse aspecto, feliz: homologa-se a "atividade" do sujeito passivo, não necessariamente o pagamento do tributo. O objeto da homologação não será então necessariamente o pagamento". (fls. 445) Aliás, a interpretação de que o que se homologa é a atividade do contribuinte e não o pagamento realizado é a única possível, sob pena de nulificar todas as regras insertas no art. 150 e §§ do CTN, especialmente a do § 4º. Com efeito, dizer-se que o que se homologa seria o pagamento (interpretação puramente literal do caput do art. 150 do CTN), com a devida vênia, significa nada dizer-se já que o pagamento, caso efetuado, sempre e necessariamente, seria homologável. Noutras palavras, o legislador, à evidência, não quis dizer (e não disse) que homologável seria o pagamento do tributo (R$ 100,00, p.ex.), posto que o valor recolhido, qualquer que seja a sua grandeza, considerado em si mesmo, não diverge (R$ 100,00 são , sempre e necessariamente, R$ 100,00) sendo, pois, inexoravelmente homologável. Nesse diapasão, admitindo-se a tese de que homologável seria apenas o valor pago (atividade de pagamento), a regra inserta no § 4º do art. 150 do CTN, porque então não haveria sobre o que divergir, seria estúpida e absolutamente desnecessária, posto que não abrangeria as situações em que não tenha havido pagamento ou que, em tendo havido, o teria sido feito com insuficiência, não obstante toda a atividade procedimental exercida pelo contribuinte. Certamente que esta conclusão, por conduzir ao absurdo, não pode e não deve prevalecer. 0 intérprete e aplicador do direito, sobretudo o investido em funções judicantes, deve buscar, para além das palavras, o exato conteúdo normatizado. Ou nos afastamos do sentido puramente literal posto na lei ou, com a devida vênia, sem demérito aos ilustres filólogos e lexicográficos, se interpretar o direito significasse simplesmente colocar a norma jurídica A vista de conceitos postos em dicionários, parodiando Paulo de Barros Carvalho, "... seriamos forçados a admitir que os meramente alfabetizados, quem sabe com o auxilio de um dicionário de tecnologia jurídica, estariam credenciados a descobrir as substâncias das ordens legisladas, explicitando as proporções do significado da lei. 0 reconhecimento de tal possibilidade roubaria à Ciência do Direito todo o teor de suas conquistas, relegando o ensino universitário, ministrado nas Faculdades, a um esforço estéril, sem expressão a sentido prático de existência. Dai por que o texto escrito, na singela conjugação de seus símbolos, não pode ser mais que a porta de entrada para o processo de apreensão da vontade da lei; jamais confundida com a intenção do legislador. 0 jurista, que nada mais é do que o lógico, o semântico e o pragmático da linguagem do direito, há de debruçar-se sobre os textos, quantas vezes obscuros, contraditórios, penetrados de erros e imperfeições terminológicas, para captar a essência dos institutos, Fl. 884DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13686.000024/99-80 Acórdão n.º 00-000.042 CSRF/T00 Fls. 12 _________ 9 surpreendendo, com nitidez, a função da regra, no implexo quadro normativo. E, à luz dos princípios capitais, que no campo tributário se situam no nível da Constituição, passa a receber a plenitude do comando expedido pelo legislador, livre de seus defeitos e apto para produzir as conseqüências que lhe são peculiares. (Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, 4a. edição, pgs. 81/82). Carlos Maximiliano, mestre dos mestres na arte da hermenêutica e interpretação do direito, a propósito da matéria preleciona: "... nunca será demais insistir sobre a crescente desvalia do processo filológico, incomparavelmente inferior ao sistemático e ao que invoca os fatores sociais, ou do Direito comparado. Sobre o pórtico dos Tribunais conviria inscrever o aforismo de Celso ...: "saber as leis é conhecer-lhes, não as palavras, mas a força e o poder", isto é, o sentido e o alcance respectivo. (Hermenêutica e Aplicação do Direito, Ed. Forense, 9a edição, pg. 122). Mais adiante, já tratando do processo sistemático de interpretação, Carlos Maximiliano dá a pedra de toque à sua lição: "Consiste o Processo sistemático em comparar o dispositivo sujeito a exegese, com outros do mesmo repositório ou de leis diversas, mas referentes ao mesmo objeto. Não se encontra um principio isolado, em ciência alguma, acha- se cada um em conexão intima com outros... Cada preceito, portanto, é membro de um grande todo; por isso do exame em conjunto resulta bastante luz para o caso em apreço. Confronta-se a prescrição positiva com outra de que proveio, ou que da mesma emanaram; verifica-se o nexo entre a regra e a exceção, entre o geral e o particular, e deste modo se obtem esclarecimentos preciosos. 0 preceito, assim submetido a exame, longe de perder a própria individualidade, adquire realce maior, talvez inesperado. Com esse trabalho de síntese é melhor compreendido. O hermeneuta eleva o olhar, dos casos especiais para os princípios dirigentes a que eles se acham submetidos; indaga se, obedecendo a uma, não viola outra; inquire das conseqüências possíveis de cada exegese isolada. Assim contempladas do alto os fenômenos jurídicos, melhor se verifica o sentido de cada vocábulo, bem como se um dispositivo deve ser tomado na acepção ampla, ou na estrita, como preceito comum, ou especial. (ob. cit., pgs. 128/129) Ou seja, concluir se o pagamento ou não do tributo teria o condão de definir a natureza do lançamento do tributo e, consequentemente, o prazo de decadência a ele aplicável, impõe- Fl. 885DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13686.000024/99-80 Acórdão n.º 00-000.042 CSRF/T00 Fls. 13 _________ 10 se empreender não a busca de significado literal que os vocábulos postos nos textos legais possam ter, mas sim analisá- los à luz de todo o ordenamento jurídico-tributário para, somente após, chegar-se à correta conclusão. Ora, tendo-se presente consistir o lançamento um procedimento administrativo (atividade) tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, etc (CTN, art. 142); tendo-se presente que nos tributos sujeitos ao pagamento sem o prévio exame da administração não existe, propriamente, o lançamento; tendo-se presente, por fim, que a administração pública, tomando por empréstimo toda a atividade exercida pelo contribuinte (não apenas o pagamento, que é eventual), tacitamente a homologa, evidentemente que o pagamento do tributo não é fator fundamental, sendo para a simples conferência se o "quantum" apurado "casa" com o "quantum" recolhido. Fundamental, isto sim, é toda atividade exercida pelo contribuinte levada a conhecimento da autoridade administrativa, esta sim objeto da homologação. O pagamento, assim, por si só, não tem o condão de definir a modalidade de lançamento a que o tributo se sujeita, sob pena de se ter de assumir que esta poderia ser dupla, conforme houvesse ou não o pagamento. Enfim, por essas razões, entendemos que o lançamento de IRPJ é por homologação, devendo a contagem de prazo decadencial, portanto, ser feita em conformidade com a regra prescrita no artigo 150, § 4°, do CTN" (Revista Dialética de Direito Tributário n° 26 — p.61/66). Com efeito, a contribuição social sobre o lucro, "ex vi" do disposto no art. 149, c.c. art. 195, todos da Constituição Federal e, ainda, em face das reiteradas decisões da Suprema Corte, indiscutivelmente, tem caráter tributário e, assim, deve seguir as regras inerentes aos tributos, no que não colidir com as constitucionais que lhe forem especificas. Nesse contexto, em vista do disposto no art. n° 146, III, "b", da Constituição Federal, a decadência do direito de lançar as contribuições sociais deve ser disciplinada em lei complementar. À falta de lei complementar especifica dispondo sobre a matéria, ou de lei anterior recebida pela Constituição, a Fazenda Pública deve seguir as regras de caducidade previstas no Código Tributário Nacional. A E. Oitava Câmara deste Conselho de Contribuintes, em sessão de 16/07/98, ao apreciar matéria idêntica, no mesmo sentido, decidiu pelo acolhimento da preliminar de decadência, nos termos do Acórdão n° 108-05.255, assim ementado: "IRPJ E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL — PRELIMINAR DE DECADÊNCIA: A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. 0 imposto de renda da pessoa jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social Sobre o Lucro (CSSL) são tributos cujas legislações atribuem ao sujeito Fl. 886DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13686.000024/99-80 Acórdão n.º 00-000.042 CSRF/T00 Fls. 14 _________ 11 passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, amoldando-se, portanto, à sistemática de lançamento impropriamente denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial desloca- se da regra geral (art. 173 do CTN) para encontrar respaldo no § 4° do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador."" Sobre a possibilidade de que a câmara recorrida estaria declarando a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n°8.212/91. Aos julgadores administrativos cabe apreciar fatos concretos, diante de provas trazidas aos autos pelas partes, interpretar a legislação aplicada aos fatos, e decidir conforme sua livre convicção. Ora, a análise da legislação, quando pareça ao julgador estar diante da aplicação de duas legislações ao mesmo fato concreto, deve iniciar-se pela lei maior, ou seja, a Constituição e aplicar aquela que esteja em consonância com a Carta Magna. Impedir que o julgador analise a legislação partindo da lei maior, implicaria em não haver julgamento quanto à correta aplicação da lei no lançamento tributário, ficaria o julgador somente com a apreciação das provas trazidas aos autos. Ora, nenhuma a câmara decidiu pela inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/95, mas simplesmente aplicou a lei maior, por entender inaplicável tal dispositivo ao caso concreto. Na realidade o artigo 45 da Lei 8.212/91 entrou em conflito com os artigos 150 § 40 e 173 do CTN, e de forma reflexa ou indireta com o artigo 146 da Constituição Federal de 1.988. Dar validade à norma contida no artigo 45 da lei 8.212 seria negar validade às normas contidas nos citados artigos do CTN. Ou seja o julgador se sente obrigado a fazer uma escolha e no caso a opção necessariamente deve ser pela norma geral, pois se aceitar o prazo de 10 anos contido em lei ordinária também terá que aceitar se o mesmo fosse fixado em 30, 50 ou 200 anos. Embora seja relativamente nova a lei 8.212/91, o Judiciário já teve oportunidade de apreciar a constitucionalidade do seu artigo 45, através do Tribunal Regional Federal da 4a Região que na Al n° 2000.04.01.092228-3/PR, assim pronunciou o Juiz Relator: "0 art. 46, III, b, da Constituição Federal dispõe que 'Cabe à lei complementar estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários'. 0 prazo decadencial das contribuições sociais destinadas seguridade social, considerando sua natureza tributária, também se submete a essa norma constitucional, o que eqüivale a dizer que a decadência do direito relativo à contribuições previdenciárias deve obedecer o prazo estabelecido no art. 173, por ser este lei complementar, assim recepcionados pela CF/88. Fl. 887DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13686.000024/99-80 Acórdão n.º 00-000.042 CSRF/T00 Fls. 15 _________ 12 Nesse sentido o entendimento do Supremo Tribunal Federal, in verbis: 'A questão da prescrição e da decadência, entretanto, parece-me pacificada. E que tais institutos são próprios da lei complementar de normas gerais (art. 146,III,b). Quer dizer os prazos de decadência e de prescrição inscritos na lei complementar de normas gerais (CTN) são aplicáveis, agora, por expressa previsão constitucional, às contribuições parafiscais (CF, art.146, III, b, art. 149). (STF, Plenário, RE 148754-2/RJ, excerto do voto Min. Carlos Velloso, jun. 93). Se assim é, então o art. 45 da Lei n° 8.212/91 — que prevê o prazo de 10 anos para que a Seguridade Social apure e Constitua seus créditos — padece de inegável vicio de constitucionalidade formal, pois 'cabe lei complementar (e não à lei ordinária, insisto), estabelecer normas gerais, em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários (CF, art. 146, Ill, b). E a regra contida no artigo 173 do CTN, que trata de decadência tributária, pois derrogada pelo mencionado art. 45 da Lei n° 8.212/91 é incontestavelmente norma geral em matéria tributária, conforme assinala Sacha Calmon Navarro Coelho, em seus Comentários à Constituição de 1988 — Sistema Tributário, 'in verbis; Realmente, vale observar, o Livro ll do CTN, que inicia com o art. 96 e termina com o art. 218, passando naturalmente, pelo discutido art. 173, tem expressivo titulo "Normas Gerais de Direito Tributário'. Em suma, francamente não vejo como prestigiar a relativa presunção de constitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.218/91, nem mesmo a pretexto de interpretá-lo conforme a Constituição, pois invadiu área reservada lei complementar, vulnerando dessa forma, o art. 146, Ill, b, da Constituição Federal. Por fim, oportuno assinalar que a exigência de lei complementar para determinadas matéria, dentre as quais a decadência tributária, não é obra do acaso feita pelo poder constituinte originário. Sua razão de ser está na relevância dessas matérias e, exatamente por isso sua aprovação está condicionada necessariamente a 'quorum' especial (art. 69 da CF); ao contrário da lei ordinária (art. 47 da CF). Nessas condições, declaro a inconstitucionalidade da expressão do caput do art. 45 da Lei n° 8.212/91, com efeito ex 'tunc e eficácia inter partes. E o voto." O Ministro Carlos Velloso do STF, ao apreciar o RE no 138.284, deixou claro em trecho do seu voto que a decadência é matéria reservada à lei complementar, verbis: Fl. 888DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13686.000024/99-80 Acórdão n.º 00-000.042 CSRF/T00 Fls. 16 _________ 13 "Todas as contribuições, sem exceção, sujeitam-se iã lei complementar de normas gerais, assim ao CTN (art. 146, Ill ex vi do disposto no art.149). ........................ A questão de prescrição e da decadência, entretanto, parece-me pacificada. É que tais institutos são próprios de lei complementar de normas gerais (art. 146, III b). Quer dizer, os prazos de decadência e de prescrição inscritos na lei complementar de normas gerais (CTN) são aplicáveis, agora, por expressa disposição constitucional, ás contribuições parafiscais (CF, art. 146, Ill, b; art. 149)." Analisando os autos verifico que o lançamento diz respeito a fato gerador relativo 31.12.92. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação (art. 150 § 4° do CTN), a autoridade tributária teria até 31.12.97, respectivamente para rever o lançamento. A ciência do Auto de Infração se deu em 26 de setembro de 2.000, depois de esgotado o prazo para se rever o lançamento, sendo portanto caduco e correta decisão que acolheu a tese da decadência. Em Acórdão CSRF/01-04.512 de minha relatoria a Primeira Turma da CSRF entendeu por larga maioria que o prazo decadência de 10 anos previsto no artigo 45 da Lei n° 8.212//91 não se aplica às contribuições sociais administradas pela SRF, pelas mesmas razões expostas nesta decisão. Assim, conheço o recurso especial apresentado pelo PFN, bem como as contra-razões trazidas pelo contribuinte e, no mérito voto no sentido de NEGAR-LHE PROVIMENTO." Com esses fundamentos o Pleno da CSRF negou provimento ao recurso extraordinário da Procuradoria da Fazenda Nacional. A fundamentação acima, quanto à validade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, foi posteriormente chancelada pela Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal. Antonio Carlos Atulim Fl. 889DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/09/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Relatório Voto
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Numero do processo: 11686.000406/2008-11
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COFINS NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO DOS DÉBITOS DIFERENÇA A EXIGIR NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
A sistemática de ressarcimento da COFINS e do PIS não-cumulativos não permite que, em pedidos de ressarcimento, valores como o de créditos presumidos de ICMS, computados pela fiscalização no faturamento, base de cálculo dos débitos, sejam, subtraídas do montante a ressarcir.
Em tal hipótese, para a exigência de tais Contribuições necessário seja efetuado lançamento de oficio..
PIS E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. ART 8º DA LEI N.10.925/2004. ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO SRF 15/05. ILEGALIDADE INEXISTENTE.
O crédito presumido previsto na Lei nº 10.925/04, só pode ser utilizados para a dedução de Pis e Cofins no mês de sua apuração, não podendo ser utilizado em pedido de ressarcimento ou de compensação de períodos diversos de apuração. Precedentes do STJ.
DESPESAS PÓS PRODUÇÃO. MANIPULAÇÃO E PRESERVAÇÃO DE MERCADORIAS. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Não se equipara a despesa de armazenagem as despesas incorridas com manipulação de mercadorias destinadas a exportação, necessárias à manutenção de sua integridade física ou a seu embarque, incorridas na zona primária ou na zona secundária. Por falta de previsão legal, tais despesas não geram direito a crédito do PIS e da Cofins.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher a preliminar de necessidade de lançamento quando a autoridade inclui valores na base de cálculo da exação, suscitada pelo conselheiro relator. Vencidos, nesta parte, os conselheiros Walber José da Silva e Amauri Amora Câmara Júnior. O conselheiro Walber José da Silva fará declaração de voto. No mérito, negado provimento ao recurso voluntário nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, quando ao ressarcimento do crédito presumido; (ii) pelo voto de qualidade, quanto ao pleito do crédito das despesas objeto da glosa. Vencidos, nesta parte, os Conselheiros Alexandre Gomes (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor, nesta parte.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 17/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Amauri Amora Câmara Júnior, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COFINS NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO DOS DÉBITOS DIFERENÇA A EXIGIR NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A sistemática de ressarcimento da COFINS e do PIS não-cumulativos não permite que, em pedidos de ressarcimento, valores como o de créditos presumidos de ICMS, computados pela fiscalização no faturamento, base de cálculo dos débitos, sejam, subtraídas do montante a ressarcir. Em tal hipótese, para a exigência de tais Contribuições necessário seja efetuado lançamento de oficio.. PIS E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. ART 8º DA LEI N.10.925/2004. ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO SRF 15/05. ILEGALIDADE INEXISTENTE. O crédito presumido previsto na Lei nº 10.925/04, só pode ser utilizados para a dedução de Pis e Cofins no mês de sua apuração, não podendo ser utilizado em pedido de ressarcimento ou de compensação de períodos diversos de apuração. Precedentes do STJ. DESPESAS PÓS PRODUÇÃO. MANIPULAÇÃO E PRESERVAÇÃO DE MERCADORIAS. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Não se equipara a despesa de armazenagem as despesas incorridas com manipulação de mercadorias destinadas a exportação, necessárias à manutenção de sua integridade física ou a seu embarque, incorridas na zona primária ou na zona secundária. Por falta de previsão legal, tais despesas não geram direito a crédito do PIS e da Cofins. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher a preliminar de necessidade de lançamento quando a autoridade inclui valores na base de cálculo da exação, suscitada pelo conselheiro relator. Vencidos, nesta parte, os conselheiros Walber José da Silva e Amauri Amora Câmara Júnior. O conselheiro Walber José da Silva fará declaração de voto. No mérito, negado provimento ao recurso voluntário nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, quando ao ressarcimento do crédito presumido; (ii) pelo voto de qualidade, quanto ao pleito do crédito das despesas objeto da glosa. Vencidos, nesta parte, os Conselheiros Alexandre Gomes (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor, nesta parte. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 17/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Amauri Amora Câmara Júnior, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COFINS NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO DOS DÉBITOS DIFERENÇA A EXIGIR NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A sistemática de ressarcimento da COFINS e do PIS nãocumulativos não permite que, em pedidos de ressarcimento, valores como o de créditos presumidos de ICMS, computados pela fiscalização no faturamento, base de cálculo dos débitos, sejam, subtraídas do montante a ressarcir. Em tal hipótese, para a exigência de tais Contribuições necessário seja efetuado lançamento de oficio.. PIS E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. ART 8º DA LEI N.10.925/2004. ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO SRF 15/05. ILEGALIDADE INEXISTENTE. O crédito presumido previsto na Lei nº 10.925/04, só pode ser utilizados para a dedução de Pis e Cofins no mês de sua apuração, não podendo ser utilizado em pedido de ressarcimento ou de compensação de períodos diversos de apuração. Precedentes do STJ. DESPESAS PÓS PRODUÇÃO. MANIPULAÇÃO E PRESERVAÇÃO DE MERCADORIAS. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Não se equipara a despesa de armazenagem as despesas incorridas com manipulação de mercadorias destinadas a exportação, necessárias à manutenção de sua integridade física ou a seu embarque, incorridas na zona primária ou na zona secundária. Por falta de previsão legal, tais despesas não geram direito a crédito do PIS e da Cofins. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 04 06 /2 00 8- 11 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000406/200811 Acórdão n.º 3302001.745 S3C3T2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher a preliminar de necessidade de lançamento quando a autoridade inclui valores na base de cálculo da exação, suscitada pelo conselheiro relator. Vencidos, nesta parte, os conselheiros Walber José da Silva e Amauri Amora Câmara Júnior. O conselheiro Walber José da Silva fará declaração de voto. No mérito, negado provimento ao recurso voluntário nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, quando ao ressarcimento do crédito presumido; (ii) pelo voto de qualidade, quanto ao pleito do crédito das despesas objeto da glosa. Vencidos, nesta parte, os Conselheiros Alexandre Gomes (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor, nesta parte. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 17/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Amauri Amora Câmara Júnior, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo relatório produzido pela DRJ de Porto Alegre: Trata o presente processo de Pedidos Eletrônicos de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação (Perdcomp) referentes a PIS não cumulativo de exportação correspondente ao primeiro trimestre 2007. Em 27/04/2007, foi transmitido pedido de ressarcimento (PER — n° 11915.24712.270407.1.1.088277) informando crédito no valor de R$ 1.287.029,70 para o período, sendo o valor passível de ressarcimento e objeto da solicitação R$ 838.001,36. Transmitida também declaração de compensação (Dcomp 19938.46465.130607.1.7.081905) na qual utiliza parte do valor, R$ 221.732,88, para a compensação de débito. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000406/200811 Acórdão n.º 3302001.745 S3C3T2 Fl. 4 3 Para examinar os valores dos créditos em cumprimento a Mandado de Procedimento Fiscal, foi realizada ação fiscal junto à interessada pela DRF em Porto Alegre, originando o Despacho Decisório n° 221/2009 (fl. 42) que reconheceu parcialmente o direito creditório no valor de R$ 414.040,75, homologando a compensação até este valor. O Despacho Decisório foi emitido com base na Informação Fiscal das fls. 31 a 35. A diferença entre o crédito pleiteado e o reconhecido deveuse aos seguintes fatores. Em primeiro lugar, a interessada não incluiu na base de cálculo da contribuição os valores dos créditos presumidos de ICMS e cessão onerosa de créditos de ICMS a terceiros. Em segundo, por ter incluído no valor passível de ressarcimento o crédito presumido das atividades de agroindústria. Cita ainda, a Informação Fiscal, que a empresa aplicou alíquota indevida para o crédito de atividades agroindustriais, sendo, na compra de suínos vivos e de milho, aplicável a alíquota de 35%, e não 60%. Por fim, por ter calculado crédito indevidamente sobre despesas de capatazia, movimentação de carga e descarga e outras relacionadas, no item correspondente às "despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda". A empresa foi cientificada do Despacho Decisório, Informação Fiscal e cobrança dos valores indevidamente compensados em 06/07/2009 (fl. 48). A empresa apresentou, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade em 21/07/2009 (fls. 64 a 109), contestando todas as glosas efetuadas. Relativamente ao crédito presumido de ICMS, afirma que somente constitui receita, e portanto base de cálculo das contribuições para o PIS/Cofins, o ingresso de novos valores ao patrimônio da empresa. Como os créditos de ICMS não configuram esta situação, e sendo a empresa beneficiária de crédito presumido de ICMS sobre a comercialização de produtos alimentícios em operações interestaduais, considera incorreto o procedimento da sua inclusão como receita para o cálculo das contribuições. Argumenta que a RFB amplia o conceito legal e transcreve decisão do Conselho de Contribuintes favorável a sua tese. Com o mesmo raciocínio, analisa a transferência de créditos do ICMS para terceiros, alegando que as quantias recebidas seriam na verdade redução de despesa, e no balanço passam da conta "tributos recuperáveis" para "caixa", ambas do ativo da empresa. Já quanto à compensação indevida de crédito presumido de atividades agroindustriais, pretende fazer jus à utilização do benefício para as agroindústrias, conforme previsto na Lei n° 10.925/2004, já que tem por objetivo, dentre outros, a industrialização de produtos alimentares derivados de aves, suínos, bovinos e outros animais. A possibilidade de ressarcimento em dinheiro ou de compensar os saldos dos créditos veio através do artigo 16 da Lei n° 11.116/2005. A restrição tanto ao ressarcimento quanto à compensação teria sido ordenada pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005, reforçada pela Instrução Normativa SRF n° 636/2006, revogada pela IN SRF n° 660/2006. As restrições de disposições Fl. 368DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000406/200811 Acórdão n.º 3302001.745 S3C3T2 Fl. 5 4 de Lei, assim implementadas via Ato Declaratório Normativo ou Instrução Normativa, afrontariam os princípios da legalidade, da não cumulatividade, da isonomia e da neutralidade da tributação. No que se refere à alíquota a ser aplicada sobre os insumos comprados para a agroindústria, entende que a Instrução Normativa SRF n° 660/06 modificou o estabelecido pela Lei n° 10.925/2004. Argumenta que uma Instrução Normativa não poderia alterar a alíquota estabelecida por Lei, direcionada às empresas produtoras dos produtos especificados (de origem animal classificados nos capítulos 2 a 4 e 16 e códigos 15.01 a 15.06 e 1516.10 da NCM), e não às que adquirem os produtos em questão como insumos. Contesta também a glosa de créditos referentes ao item correspondente às despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. Descreve todas as atividades referentes aos valores glosados, em particular a capatazia, movimentação de carga e descarga, serviços de monitoramento e a taxa de risco, correspondentes as mercadorias destinadas à exportação. Argumenta que são custos indispensáveis, sem os quais não há venda ou exportação. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem indeferir a solicitação em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. O crédito presumido do ICMS integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não existe previsão legal para a exclusão do crédito presumido de ICMS da base de cálculo do tributo. PIS. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS. Os valores recebidos em decorrência de transferência onerosa de créditos de ICMS devem ser incluídos na base de cálculo da contribuição, exceto nas hipóteses de créditos oriundos de operações de exportação a partir de 10 de janeiro de 2009. PIS. CRÉDITOS PRESUMIDOS. AGROINDÚSTRIA. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. A partir de 1° de agosto de 2004, os créditos presumidos da agroindústria somente podem ser aproveitados como dedução da própria contribuição devida em cada período Fl. 369DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000406/200811 Acórdão n.º 3302001.745 S3C3T2 Fl. 6 5 de apuração, não existindo previsão legal para que se efetue a sua compensação com os demais tributos ou o seu ressarcimento. PIS/COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO. A pessoa jurídica somente poderá descontar os créditos listados na legislação de regência, sendo considerados como insumos: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra esta decisão foi apresentado Recurso Voluntário onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada. É o relatório. Voto Vencido Quanto aos créditos das despesas pós produção. Voto Vencedor Quanto às demais matérias. Conselheiro ALEXANDRE GOMES, Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório acima são três os tópicos a serem analisados no presente processo: (i) a reconstituição da base de calculo do PIS para fazêlo incidir sobre os créditos presumidos de ICMS que Recorrente faz jus bem como sobre as Fl. 370DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000406/200811 Acórdão n.º 3302001.745 S3C3T2 Fl. 7 6 transferências para terceiros de seus saldos credores de ICMS; (ii) a glosa dos créditos relacionados as despesas de frete na operação de venda, capatazia, movimentação de carga e descarga, paletização, serviços de monitoramento, taxa de risco; e, (iii) a limitação ao ressarcimento e a compensação do credito presumido estabelecido pelo art. 8º da Lei 10.925/05; Para melhor entendimento trato pontualmente cada um dos itens acima listados. (i) a reconstituição da base de calculo do PIS para fazêlo incidir sobre os créditos presumidos de ICMS que Recorrente faz jus bem como sobre as transferências para terceiros de seus saldos credores de ICMS A Fiscalização ao analisar o pedido de ressarcimentos de créditos decorrentes da não cumulatividade do PIS, entendeu por bem glosar parte dos créditos pleiteados sob o argumentos que a Recorrente deixou de incluir na base de cálculo da contribuição declarada e recolhida valores relativos aos créditos presumidos de ICMS que Recorrente faz jus bem como sobre as transferências para terceiros de seus saldos credores de ICMS. Independente da questão de se tratarem ou não de novas receitas nos termos da Lei 10.637/02, há tema de fundo que merece análise preliminar, qual seja, a modificação da base de cálculo do tributo em sede de declaração de compensação. A matéria tratada é de ordem publica, podendo ser conhecida de ofício pelo julgador administrativo, pois claramente ofende o principio da legalidade, afrontando o disposto nos 13, § I; 114, 115, 116, incisos te II, 142, 144 e 149, todos do Crédito Tributário Nacional. O Conselho Administrativo de Recurso Fiscais tem reiteradamente se manifestado a respeito do tema, como na ementa abaixo transcrita: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÃO AO PIS NO REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS GERADOS. PEDIDO DE, COMPENSAÇÃO DOS CRÉDITOS COM OUTROS TRIBUTOS. FISCALIZAÇÃO PARA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO NO MESMO PERÍODO. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO. A sistemática de creditamento da COFINS e do PIS não cumulativos não permite que, em pedido de compensação, seja sumariamente subtraída, do montante a ressarcir, a diferença de valores que a fiscalização considerar como recolhidos a menor, decorrentes da revisão da apuração da base de cálculo da contribuição. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000406/200811 Acórdão n.º 3302001.745 S3C3T2 Fl. 8 7 Se a fiscalização entende que valores como o de transferências de créditos de ICMS devem sofrer a incidência da Contribuição, tem de promover a sua exigência necessariamente por meio de lançamento de oficio, não podendo fazer a subtração sumária do crédito que o contribuinte utilizou para o pagamento de outros tributos, que ficariam a descoberto. Recurso Voluntário Provido. Do voto do eminente Conselheiro Ivan Alegretti, cito e adoto como razão de decidir o seguinte trecho: “Assim, por entender que o contribuinte teria deixado de fazer incidir a Contribuição ao PIS em relação aos valores correspondentes à venda de créditos de 1CMS, a Fiscalização utilizou parte do saldo de créditos para o pagamento do valor que corresponderia ao débito de PIS relativo à venda de créditos de ICMS. Na linha de manifestações anteriores deste Conselho, entendo que o procedimento é equivocado. A sistemática não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS não funciona tal como a sistemática de apuração do IPI, como parece pretender a Fiscalização. No caso do IPI se promove a escrituração de créditos e débitos para, no final do período de apuração, mediante o balanço entre tais valores, obterse (a) ou um saldo credor que é transferido para aproveitamento no período subseqüente (b) ou um saldo devedor —que implica em recolhimento do tributo. No caso do PIS e da COFINS a incidência e a apuração não dependem do confronto entre créditos e débitos. Sua incidência se dá sobre a receita ou o faturamento, determinando o valor devido, independente da existência de créditos que possam ser usados para redução deste valor. Com efeito, a única diferença da sistemática não cumulativa reside em permitir que "Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação (...)" (art. 3º da Lei n" 10,637/2002 e da Lei nº 10833/2003). É nítido, portanto, que os créditos gerados no sistema não cumulativo da COFINS e do PIS não compõem nem interferem na apuração da base de cálculo destas mesmas Contribuições. No âmbito do pedido de compensação que utiliza créditos de PIS não cumulativo não é cabível que a Fiscalização utilize parte do crédito a titulo de "irregularidade", reduzindo o saldo de créditos — como meio indireto para promover a revisão e ampliação da base de cálculo da Contribuição, para o efeito de cobrança dos valores que entende devidos Se a Fiscalização entende que determinado valor recebido pelo contribuinte configura receita sujeita às referidas Contribuições, de modo que o contribuinte teria declarado e recolhido tributo menor que Fl. 372DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000406/200811 Acórdão n.º 3302001.745 S3C3T2 Fl. 9 8 o devido, é imprescindível que promova a constituição do crédito pelo meio próprio: o lançamento. Confirase, ademais, que o presente entendimento reitera a jurisprudência deste Conselho em julgamentos anteriores: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COF1NS NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO DOS DÉBITOS DIFERENÇA A EXIGIR NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO A sistemática de ressarcimento da COFINS e do PIS nãocumulativos não permite que, em pedidos de ressarcimento, valores como o de transferências de créditos de 1CMS, computados pela fiscalização no faturamento, base de cálculo dos débitos, sejam ,subtraídas do montante a ressarcir. Em tal hipótese, para a exigência tias Contribuições carece seja efetuado lançamento de oficio.. RESSARCIMENTO. COFINS NÃOCUMULATIVA. JUROS SELIC INAPLICABILIDADE. Ao ressarcimento não .se aplicam os juros Sebe, inconfundível que é com a restituição ou compensação, sendo que no caso do PIS e COFINS não cumulativos os arts. 13 e 15, VI, da Lei n" 10833/2003, vedam expressamente tal aplicação. Recurso provido em parte. (Acórdão 2031.1852, Recurso Voluntário nº 130.611, Conselheiro EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS D.O.U de 06/06/2007, Seção I, pág. 49) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL LANÇAMENTO. Constatado que, na apuração do tributo devido, no âmbito do lançamento por homologação, o sujeito passivo não oferecera à tributação, matéria que a fiscalização julga tributável, impõese o lançamento para formalização da exigência tributária. pois a mera glosa de créditos legítimos do .sujeito passivo configura irregular compensação de oficio com crédito tributário ainda não constituído e, portanto, destituído da certeza e da liquidez imprescindíveis a sua cobrança. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PIS NÃO CUMULATIVO . ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA . .1NCABÍVEL. É incabível a atualização monetária do .saldo credor do PIS não cumulativo objeto de ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Recurvo Voluntário nº 140.760, PA nº 11065.002884/200511, Conselheira SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, j. 22/07/2008) No mesmo sentido cito ainda: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 373DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000406/200811 Acórdão n.º 3302001.745 S3C3T2 Fl. 10 9 Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PIS/Pasep NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. ERRO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/Pasep . LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A sistemática de ressarcimento do PIS/Pasep Não Cumulativo não exime a autoridade fiscal de proceder ao lançamento de ofício para exigir eventual diferença da contribuição deduzida do valor do crédito para fins de ressarcimento. No caso, a autoridade fiscal limitouse a reduzir o valor do saldo a ressarcir mediante mero ajuste escriturai, aumentando o valor da contribuição ao PIS/Pasep diminuída do ressarcimento, em detrimento de lançamento de ofício para a constituição do crédito tributário correspondente. RESSARCIMENTO PIS/PASEP REGIME NÃO • CUMULATIVO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS. O artigo 15, combinado com o Artigo 13, ambos da Lei n° 10.833, de 2003, vedam expressamente a aplicação de qualquer índice de atualização monetária ou de juros para este tipo de ressarcimento Recurso provido em parte (Processo n° 11065.005339/200315. Recurso n° 134.005 Relator ODASSI GUERZONI FILHO. J 27/01/2007) Como se verifica, é fato inconteste que, havendo discordância da base de cálculo utilizada para a apuração da contribuição devido no mês é dever da autoridade fiscal promover o respectivo lançamento, não sendolhe permitido, em substituição a este, promover a glosa de créditos em pedidos de ressarcimento ou de compensação. Diante dos precedentes citados, entendo que as glosas decorrentes da não inclusão na base de calculo do PIS dos valores relativos ao credito presumido de ICMS bem como as transferências para terceiros de saldos credores do ICMS devem ser canceladas, e eventual discussão a cerca da incidência sobre as operações efetuadas pela Recorrente deverá ser tratada mediante lavratura de auto de infração. (ii) a glosa dos créditos relacionados as despesas de frete na operação de venda, capatazia, movimentação de carga e descarga,paletização, serviços de monitoramento e a taxa de risco A fiscalização negou o direito ao crédito decorrente dos fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa ou para estabelecimentos de terceiros não clientes, nos seguintes termos: Examinandose os referidos dispositivos legais, concluise que as despesas glosadas (referentes a: estivas e capatazia, movimentação de carga e descarga e taxas vinculadas, de risco, braçagem e despesas relacionadas) não podem ser Fl. 374DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000406/200811 Acórdão n.º 3302001.745 S3C3T2 Fl. 11 10 caracterizadas como gastos com insumos aplicados ou consumidos diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, razão pela qual não há como se admitir a apuração de créditos sobre esses dispêndios. Também não podem ser caracterizados como despesas com armazenagem, que é, no sentido dicionarizado da palavra, a ação de armazenar ou recolher mercadoria em um armazém. A lei 10.637/02 que dispõe sobre a nãocumulatividade na cobrança da contribuição para os Programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), assim prescreve: Art. 3º Do valor apurado na firma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (..) § 3 O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliado no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. A Lei 10.833/03, que tratou da nãocumulatividade da COFINS, possui o mesmo dispositivo legal acima transcrito, tratando a matéria de forma igual. Do exame atento do art. 3° caput e parágrafo 1º das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, verifico que estas leis adotaram uma sistemática em que as contribuições incidem sobre a totalidade da receita auferida pela pessoa jurídica, com o desconto de créditos através Fl. 375DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000406/200811 Acórdão n.º 3302001.745 S3C3T2 Fl. 12 11 da aplicação da alíquota sobre a base de cálculo, relativamente aos custos, encargos e despesas suportados pela empresa no decorrer de suas atividades. Ressalto que a chamada “não cumulatividade” do PIS e da COFINS não guarda qualquer simetria com aquele delineado pelas legislações do IPI e do ICMS. Assim, a primeira diferença que destaco é de ordem jurídica: a sistemática “não cumulativa” do PIS e COFINS, diferentemente da existente para o IPI e o ICMS, não vem prevista na Constituição Federal e sim em lei ordinária. Outra diferença tem relação com o método da “não cumulatividade” formalmente erigido pelo legislador ordinário para o PIS e COFINS. Para essas contribuições, o Poder Executivo, ao editar as MPs 66/02 e 135/03, optou, conforme exposição de motivos da lei, pelo chamado “Método Indireto Substantivo”, como forma de garantir apenas neutralidade parcial do impacto tributário sobre os agentes da cadeia de valor. Ou seja, na sistemática do PIS e da COFINS não cumulativa o direito ao crédito não leva em consideração o valor das contribuições pagas nas etapas anteriores, mas sim certas bases de créditos e débitos (valor dos bens e serviços) desde que sujeitos a tributação nesta etapa anterior. De outro lado, no caso do IPI, temos o método de crédito do imposto que determina que o calculo do crédito a ser utilizado leva em consideração o valor destacado de IPI na nota fiscal de aquisição dos insumos. Porém a falta de melhor definição dos termos utilizados na Lei 10.637/02 e 10.833/03 acabou por permitir uma grande discussão a respeito do alcance da possibilidade de utilização dos créditos para abatimento das contribuições devidas. De um lado, a Receita Federal que procura restringir o direito ao crédito igualando a sistemática de apuração a do IPI, ou seja, somente dariam direito ao creditamento as aquisições de insumos que se consumirem ou se desgastarem no processo produtivo, e de outro, os contribuintes, buscando um alargamento deste conceito de insumo. A respeito do tema trago à baila recente decisão do Conselho Administrativo de Recurso Fiscal – CARF: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO. RESSARCIMENTO. A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000406/200811 Acórdão n.º 3302001.745 S3C3T2 Fl. 13 12 Recurso negado. (CSRF. Resp 248.457. Relator Henrique Pinheiro Torres Data Julgamento: 23/08/2010) Do voto do eminente Relator Henrique Pinheiro Torres transcrevo, pela relevância para o aqui discutido, o seguinte trecho: A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio César Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo nº 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do IPI ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de “insumos” aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão “insumos”, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que aí incluiu “serviços”, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Após analisar o tema e os dispositivos legais relacionados, assim concluiu o nobre relator: Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do Pis/Pasep às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Como se vê a jurisprudência administrativa do CARF caminha a passos largos para um distanciamento cada vez maior da aplicação dos conceitos do IPI na apuração dos créditos de PIS e COFINS não cumulativo. No mesmo norte, decidiu a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção do CARF, de forma unânime, nos autos do processo 11020.001952/200622, de cuja ementa destaco: Fl. 377DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000406/200811 Acórdão n.º 3302001.745 S3C3T2 Fl. 14 13 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de Apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 (...) REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. MATERIAIS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e COFINS deve ser entendido como toda e qualquer despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI. Uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. (...) Recurso Voluntário provido em Parte. No judiciário a matéria também vem sendo amplamente discutida, merecendo destaque a posição firmada pela 1ª Turma do TRF 4ª Região, que por meio do acórdão de lavra do eminente Relator Leandro Paulsen, assim passou a decidir: TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. DISTINÇÃO. CONTEÚDO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003, ART. 3º, INCISO II. LISTA EXEMPLIFICATIVA. 1. A técnica empregada para concretizar a não cumulatividade de PIS e COFINS se dá por meio da apuração de uma série de créditos pelo próprio contribuinte, para dedução do valor a ser recolhido a título de PIS e de COFINS. 2. A coerência de um sistema de não cumulatividade de tributo direto sobre a receita exige que se considere o universo de receitas e o universo de despesas necessárias para obtêlas, considerados à luz da finalidade de evitar sobreposição das contribuições e, portanto, de eventuais ônus que a tal título já tenham sido suportados pelas empresas com quem se contratou. 3. Tratandose de tributo direto que incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela empresa, digam ou não respeito à atividade que constitui seu objeto social, os créditos devem ser apurados relativamente a todas as despesas realizadas junto a pessoas jurídicas sujeitas à contribuição, necessárias à obtenção da receita. 4. O crédito, em matéria de PIS e COFINS, não é um crédito meramente físico, que pressuponha, como no IPI, a integração do insumo ao produto final ou seu uso ou exaurimento no processo produtivo. 5. O rol de despesas que enseja creditamento, nos termos do art. 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03, possui caráter meramente exemplicativo. Restritivas são as vedações expressamente estabelecidas por lei. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000406/200811 Acórdão n.º 3302001.745 S3C3T2 Fl. 15 14 6. O art. 111 do CTN não se aplica no caso, porquanto não se trata de suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. (TRF4, AC 000000725.2010.404.7200, Primeira Turma, Relator Leandro Paulsen, D.E. 04/07/2012) Do corpo do acórdão, vale destacar os seguintes trechos: As contribuições PIS e COFINS não incidem sobre operações; incidem sobre a receita, que é apurada mês a mês. Não há destaque a transferência jurídica a cada operação. A solução legislativa adotada para consagrar a não cumulatividade, conforme mencionado anteriormente, é o estabelecimento da apuração de uma série de créditos pelo próprio contribuinte para dedução do valor a ser recolhido a título de PIS e de COFINS. Mas o legislador não é livre para definir o conteúdo da não cumulatividade. Seja com suporte direto na lei ordinária (não havia vedação a isso) ou no texto constitucional (passou a haver autorização expressa), certo é que a instituição de um sistema de nãocumulatividade deve guardar atenção a parâmetros mínimos de caráter conceitual. A nãocumulatividade pressupõe uma realidade de cumulação sobre a qual se aplica sistemática voltada a afastar os seus efeitos. Lembrese que, forte na não cumulatividade, as alíquotas das contribuições foram mais do que dobradas (de 0,65% para 1,65%, de 3% para 7,6%), de modo que os mecanismos compensatórios tem de ser efetivos. (...) Pois bem, para que se possa falar em nãocumulatividade, temos de pressupor mais de uma incidência. Apenas quando tivermos múltiplas incidências é que se justifica a técnica destinada a evitar que elas se sobreponham pura e simplesmente, onerando em cascata as atividades econômicas. Efetivamente, só se pode assegurar a apuração de créditos relativamente a despesas que, configurando receitas de outras empresas, tenham implicado pagamento de PIS e de COFINS anteriormente. E só podem apurar créditos aqueles que estão sujeitos ao pagamento das contribuições PIS e COFINS não cumulativas. De outro lado, contudo, tratandose de tributo direto que incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela empresa, configurem ou não faturamento, ou seja, digam ou não respeito à atividade que constitui seu objeto social, impõese que se permita a apuração de créditos relativamente a todas as despesas realizadas junto a pessoas jurídicas sujeitas à contribuição, necessárias à obtenção da receita. É que, em matéria de PIS e de COFINS sobre a receita, com suporte na ampliação da base econômica ditada pela EC 20/98, não se pode trabalhar limitado à idéia de crédito físico. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000406/200811 Acórdão n.º 3302001.745 S3C3T2 Fl. 16 15 (...) A coerência de um sistema de nãocumulatividade de tributo direto sobre a receita exige que se considere o universo de receitas e o universo de despesas necessárias para obtêlas, considerados à luz da finalidade de evitar sobreposição das contribuições e, portanto, de eventuais ônus que a tal título já tenham sido suportados pelas empresas com quem se contratou. (…) Tenho que a solução está em atribuir ao rol de dispêndios ensejadores de créditos constante dos arts. 3º da Lei 10.637/02 e 3º da Lei 8.833/03 e da respectiva regulamentação (e.g., IN 404/04) caráter meramente exemplicativo. Restritivas são as vedações expressamente estabelecidas por lei. Como se vê do bem estruturado e fundamentado voto acima transcrito, a primeira turma do TRF da 4ª Região passou a entender que o direito ao crédito tem intima relação com a base de calculo adotada (Receita Bruta), e que para garantia da não cumulatividade preconizada na Constituição Federal, estes deveriam ser calculados sobre todas as despesas necessárias para a obtenção da Receita Bruta. Esta interpretação contudo, ainda não pode prevalecer no âmbito administrativo pois envolve a declaração de inconstitucionalidade de diversos dispositivos das leis e decretos que passaram a reger o PIS e COFINS não cumulativos, sendo tal prerrogativa vedada ao julgador administrativo nos termos do art. 26 A do Decreto 70.235/72. Seguindo o raciocínio ditado pelas decisões já citadas, o direito ao crédito de PIS e COFINS relacionados aos custos e despesas incorridos pelas empresas, deverá sempre respeitar sua indispensabilidade ao processo produtivo em seu conceito mais amplo, devendo tal característica ser verificada caso a caso. Neste contexto, aplicando a interpretação que entendo mais adequada, verifico que assiste razão em parte a recorrente. Passo então a analisar cada um dos itens glosados para melhor enquadrálos dentro da atividade desenvolvida e de sua essencialidade para a produção dos bens da Recorrente. Os serviços de capatazia e de movimentação de carga e descarga estão assim definidos pela Recorrente: A Recorrente utilizase dos serviços de capatazia nas suas operações portuárias de vendas para o exterior. Tais serviços são prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País e dão direito a crédito calculado sobre as respectivas aquisições uma vez que são utilizados como "insumos", nos termos da IN SRF no 404/2004. Além disso, caracterizam custos que são arcados pela empresa para o envio de suas mercadorias para o exterior e para organização logística. (...) Fl. 380DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000406/200811 Acórdão n.º 3302001.745 S3C3T2 Fl. 17 16 Na mesma linha que o serviço de capatazia, a Recorrente utiliza o serviço de carga e descarga nas suas operações portuárias de vendas das suas mercadorias para o exterior. Tais serviços são prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País e dão direito a crédito calculado sobre as respectivas aquisições, já que são utilizados como "insumos", nos termos da IN SRF n o 404/2004. Além disso, caracterizam custos que são arcados pela empresa para o envio de suas mercadorias para o exterior e para organização logística. Já no tocante as despesas de monitoramento e taxas de risco, a Recorrente assim as conceituou: Imperioso neste momento, tratar do serviço de monitoramento que ocorre no armazém localizado dentro do porto. Ao chegar na área portuária, a mercadoria é depositada nas câmaras frigoríficas localizadas no interior dos armazéns. Antes de proceder o transporte da mercadoria para dentro do navio, o produto é transferido para containeres refrigerados. (...) Quanto à taxa de risco, tratase de serviço que se encontra também vinculado à armazenagem, pois, o pagamento efetuado pela Recorrente se refere a um "seguro" que é exigido para o caso extremo de perda ou roubo da mercadoria ou ainda o seu perecimento enquanto esta estiver armazenada dentro do armazém. Como se depreende da leitura dos conceitos acima transcritos, as glosas de despesas analisadas e expressamente impugnadas dizem respeito a despesas incorridas na fase de armazenamento e transporte para a exportação das mercadorias produzidas pela Recorrente. O art. 3 das Lei 10.637/02 e 10.833/03 expressamente permitiu o creditamento das despesas relacionadas ao armazenamento de mercadorias e do frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Em relação ao ônus não há lide, uma vez que induvidoso que este recaiu sobre a Recorrente. A celeuma instaurada exige que se decida sobre qual a amplitude que se pode conferir a determinação que autoriza o creditamento das despesas de armazenagens de mercadorias nas operações de venda. Temse defendido exaustivamente que somente seria possível o creditamento de despesas relacionadas ao processo produtivo. E os argumentos são os mais diversos. Contudo, a própria legislação tratou de conferir algumas exceções como no caso do armazenamento de mercadorias para a venda, que inquestionavelmente não esta relacionado diretamente a produção da mercadoria. Diante deste impasse, deve o interprete procurar identificar na norma qual o seu melhor enquadramento, e no caso sob análise a intenção do legislador ordinário era, sem Fl. 381DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000406/200811 Acórdão n.º 3302001.745 S3C3T2 Fl. 18 17 sombra de dúvida, garantir a maior desoneração possível da cadeia produtiva permitindo menor incidência tributária. Diante deste contexto, entendo ser correto afirmar que todas as despesas relacionadas a armazenagem dos produtos destinados a venda podem gerar direito a crédito, motivo pelo qual reconheço tal possibilidade em relação aos serviços de capatazia, movimentação de carga e descarga e os serviços de monitoramente das mercadorias.. Já em relação as despesas de taxa de risco, que segundo a Recorrente se enquadra na categoria de seguro, entendo que não há direito ao credito posto que sua essencialidade, no ponto de vista deste relator, bem como sua relação com a armazenagem dos produtos é bastante relativa. (iii) a limitação ao ressarcimento e a compensação do credito presumido estabelecido pelo art. 8º da Lei 10.925/05 Entre os valores a serem utilizados nas compensações realizadas a recorrente incluiu a parcela excedente dos créditos presumidos de que trata o art. 8º da Lei 10.925/05. Assim prescreve citado dispositivo: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Neste ponto também não assiste razão a Recorrente. A legislação é clara ao afirmar que o crédito presumido poderá ser deduzido da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000406/200811 Acórdão n.º 3302001.745 S3C3T2 Fl. 19 18 Assim, me parece correto afirmar que os valores do crédito presumido não podem ser utilizados em pedidos de ressarcimento ou de compensação de períodos diversos de apuração. A propósito, esta também é a interpretação uníssona da Primeira Seção do STJ, senão vejamos: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. ART 8º DA LEI N.10.925/2004. ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO SRF 15/05. ILEGALIDADE INEXISTENTE. 1. Ambas as Turmas integrantes da Primeira Seção desta Corte Superior firmaram entendimento no sentido de que o ato declaratório interpretativo SRF 15/05 não inovou no plano normativo, mas apenas explicitou vedação que já estava contida na legislação tributária vigente. 2. Precedentes: REsp 1233876/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 1.4.2011; e REsp 1118011/SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2010. 3. Recurso especial não provido. (REsp 1240954 / RS. Relator. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES. Dje 21/06/2011) TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS PRESUMIDOS DECORRENTES DA LEI 10.925/04 COM QUAISQUER TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. CRÉDITOS NÃO PREVISTOS NA NORMA LEGAL AUTORIZADORA. ART. 11 DA LEI 11.116/05. DIREITO LÍQUIDO E CERTO NÃO EVIDENCIADO. 1. Recurso especial interposto nos autos de mandado de segurança, impetrado pela contribuinte com objetivo de ver reconhecido o direito de compensar seus créditos presumidos de PIS e de COFINS, oriundos da Lei 10.925/04, com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal, nos termos do art. 16 da Lei 11.116/05. Aduz que são ilegais os atos regulamentares do Poder Executivo (Ato Interpretativo Declaratório 15/2005 e a Instrução Normativa SRF 660/2006) que se contrapõem a essa pretensão. 2. O direito à compensação tributária deve ser analisado à luz do princípio da legalidade estrita, em conformidade com o que dispõe o art. 170 do CTN: "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública". Precedentes: AgRg no Ag 1.207.543/PR, de minha relatoria, PRIMEIRA TURMA, DJe 17/06/2010; AgRg no AgRg no REsp 1012172/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe Fl. 383DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000406/200811 Acórdão n.º 3302001.745 S3C3T2 Fl. 20 19 11/5/2010; AgRg no REsp 965.419/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJe 5/3/2008. 3. Dispõe o art. 16, inciso I, da Lei 11.116/05: "O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria". 4. A compensação autorizada pelo art. 16 da Lei 11.116/05 não contempla a utilização dos créditos presumidos disciplinados na Lei 10.925/04, o que, por si só, à luz do art. 170 do CTN, afasta o direito líquido e certo vindicado nesta impetração. 5. Além disso, a concessão de créditos presumidos pela Lei 10.925/04 tem por escopo a redução da carga tributária incidente na cadeia produtiva dos alimentos, na medida em que a venda de bens por pessoa física ou por cooperado pessoa física para a impetrante (cerealista) não sofre a tributação do PIS e da COFINS, ou seja, dessa operação, pela sistemática da não cumulatividade, não há, Documento: 15843758 RELATÓRIO, EMENTA E VOTO Site certificado Página 7 de 8 Superior Tribunal de Justiça efetivamente, tributo devido para a adquirente se creditar. 6. Essa finalidade é suficiente para diferenciar esses créditos presumidos daqueles expressamente admitidos pela Lei 11.116/05, os quais são efetivamente existentes, por decorrerem da sistemática da não cumulatividade prevista nas Leis 10.637/02, 10.833/03 e 10.865/04. Aliás, a Lei 10.637/02 (com redação incluída pela Lei 10.865/04), em seu art. 3º, § 2º, inciso II, exclui de sua sistemática o crédito derivado "da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição". 7. Ademais, a própria Lei 10.925/04, em seus arts. 8º e 15, só prevê a utilização desses créditos presumidos para o desconto daquilo que for devido de PIS e de COFINS. 8. Portanto, os atos regulamentares expedidos pelo Poder Executivo ora impugnados pela recorrente, ao impedirem a compensação ora postulada, não inovaram no plano normativo nem contrariaram o disposto no art. 16 da Lei 11.116/05, mas, apenas explicitaram vedação que, como visto, já estava contida na legislação tributária vigente. 9. Recurso especial não provido. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000406/200811 Acórdão n.º 3302001.745 S3C3T2 Fl. 21 20 (REsp 1118011/SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2010). Assim, em que pese os argumentos e fundamentos lançados no Recurso Voluntário, está correta a decisão exarada pela DRJ de Porto Alegre neste ponto específico. Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, nos termos do voto acima descrito. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Voto Vencedor Quanto aos créditos das despesas pós produção. Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Redator Designado. Fui designado para redigir o voto vencedor relativo às glosas de créditos das despesas pós produção que não se enquadram no conceito de custo de produção e não são despesas de armazenagem de mercadoria e de frete na operação de venda, para as quais existe autorização legal para a utilização de crédito. No presente processos tratase das despesas com serviços de capatazia, monitoramente de mercadorias e movimentação de carga e descarga, que o Ilustre Conselheiro Relator considera “despesas relacionadas a armazenagem dos produtos destinados a venda”, com direito a crédito. As despesas com “taxa de risco” o Ilustre Conselheiro Relator entendeu que não geram direito ao crédito do PIS e da Cofins. Neste particular não há reparos a fazer no seu voto. Aqui acompanho o Ilustre Conselheiro Relator. No entanto, e com toda a vênia, sou obrigado a discordar do Ilustre Conselheiro Relator quando equipara à despesa de armazenagem de mercadorias, a que se refere a legislação citada no acórdão recorrido, as despesas com capatazia, movimentação de cargas e descarga e monitoramento de mercadorias, para fins de reconhecer o direito ao crédito de PIS e de Cofins. Como bem disse a decisão recorrida, o direito ao crédito relativo à despesa com armazenagem de mercadorias está previsto no artigo 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03, abaixo reproduzido: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: Fl. 385DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000406/200811 Acórdão n.º 3302001.745 S3C3T2 Fl. 22 21 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi. [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. No caso sob exame, tratase de despesas portuárias incorridas pela Recorrente. Como bem disse a decisão recorrida, tais despesas não se confundem com despesas de armazenagem de mercadorias. Pelas informações prestadas pela Recorrente, não é possível sequer afirmarse que as mercadorias manipuladas (serviços de capatazia e de movimentação de cargas e descarga) ou monitoradas estavam (ou foram) armazenadas ou não em depósitos dentro do porto de embarque. Mesmo que estivessem armazenadas, o serviço de armazenagem é distinto dos demais serviços prestados dentro do recinto alfandegado do porto de embarque das mercadorias. Diz o Ilustre Conselheiro Relator, no que concordo, que “deve o interprete procurar identificar norma sob análise qual o seu melhor enquadramento” para concluir, no que não concordo, que “no caso sob análise a intenção do legislador ordinário era, sem sombra de dúvida, garantir a maior desoneração possível da cadeia produtiva permitindo maior incidência tributária”. Não concordo com essa conclusão por vários motivos. Primeiro, ao instituir a exceção à regra geral, criando o direito ao crédito de despesa pós produção de “armazenagem de mercadorias”, o legislador não se referiu unicamente à armazenagem de mercadorias destinadas à exportação. Segundo, além do serviço de armazenagem de mercadorias, existem vários outros serviços (e conseqüente despesas) vinculados à operação de exportação de mercadorias, que são genericamente conhecidos como serviços portuários, e são, obrigatoriamente, utilizados pelos exportadores, acarretando várias despesas para o exportador. São despesas incorridas dentro da zona primária. Quisesse o legislador conceder crédito para esses outros serviços portuários, teria feito alguma referência a eles; Terceiro, o legislador não fez nenhuma referência ao crédito de outros serviços empregados em mercadorias prontas e armazenadas. O fato das mercadorias estarem armazenadas não implica que os serviços necessários, por exemplo, à manutenção de sua integridade ou de suas qualidades intrínsecas, gerem direito a crédito. Tais serviços existem também quando as mercadorias prontas estão estocadas dentro do estabelecimento produtor e, nem por isto, gera direito a crédito. Não vejo como equiparar as despesas acima referidas à despesa de armazenagem de mercadorias, a que se refere a legislação do PIS e da Cofins. Por fim, acompanho o Ilustre Conselheiro Relator quanto às demais matérias de mérito, cujos fundamentos do voto ratifico e adoto integralmente como se aqui estivessem escrito. Lembro que fui vencido quanto à preliminar levantada pelo Relator. Sobre este ponto, fiz declaração de voto. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000406/200811 Acórdão n.º 3302001.745 S3C3T2 Fl. 23 22 No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Declaração de Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA. Quanto à preliminar de modificação da base de cálculo do tributo em sede de declaração de compensação, suscitada pelo Ilustre Conselheiro Relator, não o acompanho pelas razões que passo a discorrer. Os valores de natureza tributária a restituir ou a ressarcir pela Fazenda Nacional são espécies de despesa pública. E o pagamento de despesa pública somente pode ser realizado após a sua regular liquidação, por expressa determinação do art. 62 da Lei nº 4.320/64. E o disposto nos art. 165 e 170 do CTN é compatível com essa regra. E a liquidação da despesa pública está definida no art. 63 da Lei nº 4.320/64, ou seja, é o procedimento tendente a verificar a existência do direito do credor e a apuração da origem e objeto do que se deve pagar e da importância exata a pagar, bem como a identificação da pessoa a quem se deve pagar. A primeira conclusão que se tira desses dispositivos legais é que a atividade de liquidação da despesa é uma atividade privativa da administração pública. A segunda conclusão que se tira é que somente despesas líquidas podem ser pagas. Uma terceira constatação óbvia é que a legislação tributária que trata da restituição, do ressarcimento e da compensação não se contrapõe e nem altera os arts. 62 e 63 da Lei nº 4.320/64. Ao contrário, a eles se integra na medida em que estabelece regras para o credor contestar tanto a existência do direito pleiteado como “o exato valor” da despesa de restituição e de ressarcimento apurado pela autoridade administrativa competente. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000406/200811 Acórdão n.º 3302001.745 S3C3T2 Fl. 24 23 Dito isto, passemos à apreciação das razões da preliminar levantada pelo Ilustre Conselheiro Relator. O Ilustre Conselheiro Relator entende que a autoridade administrativa incumbida de apurar a liquidez e certeza do crédito pleiteado não pode proceder “modificação da base de cálculo do tributo em sede de declaração de compensação”. Para ele, constatando erro de apuração da base de cálculo, deve a autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, não lhes sendo permitido, em substituição ao lançamento, “promover a glosa de créditos em pedidos de ressarcimento ou de compensação”. Com as devidas vênias, ouso discordar desse entendimento porque, em primeiro lugar, há sim permissão legal (arts. 62 e 63 da Lei nº 4.320/64) para a autoridade administrativa incumbida de efetuar o pagamento da despesa publica, de restituição ou de ressarcimento, apurar, reconhecer e pagar valor diferente do pleiteado pelo credor, sem nenhuma restrição legal à forma de proceder a apuração do exato valor a restituir. Antes de avançar na discussão, é necessário deixar claro, mesmo sendo repetitivo, que a lei permite o pagamento e a compensação exclusivamente de créditos líquidos e certos de terceiros contra a Fazenda Nacional. Os crédito incertos ou ilíquidos contra a Fazenda Nacional não podem ser objeto de extinção por pagamento ou por compensação com débito do credor. Em conseqüência das disposições legais acima, qualquer que seja o motivo que levou a autoridade administrativa a reconhecer o crédito do contribuinte em valor inferior ao pleiteado, ela não pode efetuar o seu pagamento, ou a sua compensação, no valor pleiteado pelo contribuinte, sob pena de violenta agressão ao art. 62 da Lei nº 4.320/64, devendo responder administrativamente pelo delito cometido. No caso de despesa relativa a ressarcimento ou restituição de créditos de natureza tributária, ou relativo a incentivos fiscais de natureza financeira, todo o procedimento administrativo é passível de contestação, como acima se disse. Aqui chegamos em uma “encruzilhada” jurídica: o que fazer quando no procedimento de liquidação do crédito pleiteado a autoridade administrativa fazendária entende que o contribuinte apurou a menor a base de cálculo do tributo envolvido no seu pedido, com reflexos no valor a restituir, a ressarcir ou a compensar? Deve ou não a autoridade administrativa constituir o crédito tributário, pelo lançamento, resultante da apuração de diferença na base de cálculo ou na alíquota da exação? Quais são os efeitos no valor total objeto de pedido de restituição, de ressarcimento ou de compensação, havendo ou não lançamento? Quais são os efeitos no valor a restituir, a ressarcir ou a compensar não afetado pela diferença de base de cálculo, se a autoridade efetuar ou deixar de efetuar o lançamento? Começando a responder pela última questão acima, entendo que o fato de existir parcela controversa no valor ou no direito objeto do pedido do contribuinte em nada afeta o direito ao crédito e o valor reconhecidamente líquido pela administração, podendo este ser pago regularmente. É que aconteceu no caso dos autos, onde a parcela incontroversa já foi paga via compensação. Quanto aos efeitos no valor total objeto de PER/DCOMP, havendo ou não lançamento de diferença apurada e decorrente de majoração da base de cálculo ou da alíquota aplicada, entendo que também em nada afeta o direito ao crédito e o valor pleiteado. E não tem Fl. 388DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000406/200811 Acórdão n.º 3302001.745 S3C3T2 Fl. 25 24 nenhum efeito porque, imediatamente, a autoridade administrativa só está autorizado a pagar o valor líquido da dívida da Fazenda Nacional. A parte litigiosa a lei não permite o seu pagamento, como acima se viu. Se não houver o lançamento, a parcela controversa do pedido do contribuinte será decidida pelo rito do PAF no próprio processo do PER/DCOMP. Havendo o lançamento, a parcela controversa será discutido ou no processo do PER/DCOMP ou no processo do auto de infração ou notificação de lançamento ou, ainda, em ambos, simultaneamente (o que não é, tecnicamente, correto). Em qualquer caso, reconhecendo a administração a improcedência do lançamento ou da glosa (no PER/DCOMP) a parcela reconhecida será paga ao contribuinte. A segunda questão (deve ou não a autoridade administrativa constituir o crédito tributário, pelo lançamento, resultante da apuração de diferença na base de cálculo ou na alíquota da exação) é deveras controversa. Pela Nota Técnica nº 9 Cosit, de 15/02/2012, a RFB analisou a matéria para concluir, de forma dúbia, pela necessidade do lançamento, dentro do prazo decadencial, e pela dispensa do lançamento, após o prazo decadencial. É verdade que não existe norma legal tratando, objetivamente, desta matéria. No entanto, pelas razões acima exposta e tendo em mira a objetividade e a efetividade do processo administrativo, especialmente o fiscal, devese trilhar pelo caminho mais célere e mais vantajoso para o contribuinte. Na situação sob exame, a lavratura do auto de infração, ou da notificação de lançamento, me parece um procedimento estéril, servindo, no máximo, para criar constrangimentos e despesas para contribuinte. Para ilustrar nosso entendimento, partimos de um caso bem simples: um pedido de restituição de PIS pago a maior que, no curso da diligência fiscal, foi constatado que a empresa não incluiu na base de cálculo o valor de uma receita de venda de serviços e que, após a inclusão dessa receita na base de cálculo do PIS, ainda resultou em pagamento indevido a ser restituído ao contribuinte. Para uma maior clareza, vamos supor que o valor da restituição pedida pelo contribuinte foi de R$ 1.000,00 e, após a inclusão da receita de venda de serviços na base de cálculo do PIS, a RFB apurou um valor a restituir de R$ 700,00. Lavrando ou não auto de infração ou notificação de lançamento, e independente de manifestação de inconformidade do contribuinte, inicialmente a RFB só pode efetuar o pagamento da restituição de R$ 700,00 e, de fato, efetua o pagamento desse valor. O contribuinte entende, por qualquer razão, que sua receita de prestação de serviço não integra a base de cálculo do PIS e contesta a decisão do Delegado da RFB. Supondo que a RFB efetuou o lançamento do crédito tributário, no valor original de R$ 300,00 e com multa de ofício e juros de mora, e o contribuinte contestou o lançamento e o despacho decisório que deferiu, em parte, o seu pedido de restituição. As duas contestações têm o mesmo objeto. As contestações do contribuinte (impugnação e manifestação de inconformidade) podem ser consideradas procedentes ou não (para simplificar o raciocínio). Fl. 389DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000406/200811 Acórdão n.º 3302001.745 S3C3T2 Fl. 26 25 Sendo procedentes as contestações, o lançamento será cancelado e a restituição do valor original de R$ 300,00 será efetuada. Sendo improcedentes as contestações, não há crédito adicional a restituir e, também, não há como exigir da recorrente o pagamento do crédito tributário lançado, inclusive a multa de ofício, em face da existência de pagamento anterior à efetivação do lançamento. O crédito lançado está extinto por pagamento anterior ao lançamento. Num caso e no outro, o lançamento efetuado não se presta para exigir o pagamento de crédito tributário, que é a sua finalidade precípua. Para que serve o ato administrativo que não se presta a cumprir a sua finalidade? Respondo: não serve para nada! É inútil! Portanto, absolutamente desnecessário. O mesmo raciocínio acima aplicase no caso de ressarcimento de créditos do IPI, do PIS não cumulativo e da Cofins não cumulativa, onde os valores glosados são abatidos dos créditos legítimos do contribuinte. Com estes fundamentos, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada pelo Ilustre Conselheiro Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Fl. 390DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 13603.001027/94-71
Data da sessão: Fri Jul 12 00:00:00 UTC 1996
Ementa: MULTA REGULAMENTAR - MICROEMPRESA - Não é cabível a
multa prevista no artigo 984 do RIR/94, aplicada pela entrega
intempestiva da declaração de rendimentos da pessoa jurídica, por
não se tratar de penalidade específica.
Numero da decisão: 102-40.461
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Maria Clélia Pereira de Andrade
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-04T15:55:07Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-04T15:55:07Z; Last-Modified: 2009-07-04T15:55:07Z; dcterms:modified: 2009-07-04T15:55:07Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-04T15:55:07Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-04T15:55:07Z; meta:save-date: 2009-07-04T15:55:07Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-04T15:55:07Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-04T15:55:07Z; created: 2009-07-04T15:55:07Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-07-04T15:55:07Z; pdf:charsPerPage: 1118; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-04T15:55:07Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA ; PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 13603/001.027/94-71 RECURSO N°. : 110.585 MATÉRIA : IRPJ - EX.: 1994 RECORRENTE : CAEPA - SOO EDADE COMERCIAL LTDA RECORRIDA : DRJ - BELO HORIZONTE - MG SESSÃO DE : 12 DE JULHO DE 1996 ACÓRDÃO N°. : 102-40.461 MULTA REGULAMENTAR - MICROEIVEPRESA - Não é cabível a multa prevista no artigo 984 do RIR/94, aplicada pela entrega intempestiva da declaração de rendimentos da pessoa jurídica, por não se tratar de penalidade específica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por CAEPA - SOCIEDADE COMERCIAL LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ANTONIO DIREITAS DUTRA PRESIDENTEtl MARIA CLELIA PEREIRA DE ANDRADE RELATORA FORMALIZADO EM: 20 SET 1996 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: URSULA HANSEN, JOSÉ CLÓVIS ALVES, SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO, JÚLIO CÉSAR GOMES DA SILVA, RAMIRO BEISE e FRANCISCO DE PAULA CORRÊA CARNEIRO GIFFONI. MNS . kr 15.; MINISTÉRIO DA FAZENDA -1 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10680/007.732/94-71 ACÓRDÃO N°. : 102-40.422 RECURSO N°. : 110.585 RECORRENTE : CAEPA - SOCIEDADE COMERCIAL LTDA RELATÓRIO CAEPA - SOCH-DADE COMERCIAL LTDA, jurisdicionada pela Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte - MG, foi notificada da exigência tributária, para pagamento da multa prevista no artigo 984, do R1R194, que, em realidade, veio substituir o artigo 723 do RIR/80, tratando-se de multa genérica. A Contribuinte, impugnou, tempestivamente, a exigência fiscal alegando, em síntese: - Invoca os artigos: 104, 105, 106, 144 do C.T.N. e o artigo 58 do Código Civil; - argüindo em seu auxílio o estatuído no artigo 138 do Código Tributário Nacional, argumentando que a multa é acessório e segue o principal, que seria o Imposto de Renda devido, portanto não incidiria em multa pelo atraso na entrega da declaração; - Cita vasta jurisprudência dos nossos Tribunais e deste Conselho de Contribuintes, focalizando Instituto da Denúncia Espontânea, a Multa sem Penalidade Específica e a não aplicação da Multa pela entrega intempestiva da declaração; - ademais, ressalta que a empresa não teve imposto a recolher; - discorda da fundamentação legal utilizada pelo julgador "a quo"// RI MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 13603/001.027/94-31 ACÓRDÃO N°. : 102-40.461 , A bem elaborada decisão singular apóia suas razões de decidir nos fundamentos legais: Artigo 999, II e 984 do RIR194, BC SRF 100/94, Ac. 104-6.285 de 10/08/88, do Primeiro Conselho de Contribuintes e estabelece a distinção entre as Multas de Oficio, que são penalidades pecuniárias a que estão sujeitos os infratores da legislação tributária, Multas Moratórias, que se caracterizam pelo simples retardamento do pagamento ou cumprimento da obrigação acessória, e Multas Penais, as que decorrem de infração a dispositivo legal, detectada pela Administração em exercício de regular ação fiscalizadora. Julgou procedente a ação fiscal. Ciente da decisão singular,f interessada interpôs recurso voluntário a este Colegiado que foi lido na íntegra em sessã• il/ 1,/ , É o Relatório. 1 3 i. - MINISTÉRIO DA FAZENDA• PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 13603/001.027/94-31 ACÓRDÃO N°. : 102-40.461 VOTO CONSELHEIRA MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE, RELATORA O recurso está revestido das formalidades legais, razão pela qual dele conheço. A decisão singular afirma a obrigatoriedade da apresentação da declaração de rendimentos da pessoa jurídica, inclusive da empresa, sob pena de aplicação da multa prevista no artigo 984, no caso da entrega intempestiva e aponta como fato gerador da imposição da penalidade a não apresentação da declaração no prazo previsto no RIR/94. Atenta as razões de defesa contidas no recurso a este colegiado, vejo que a razão pende para a contribuinte, vez que a base legal que ampara a multa aplicada é genérica, conforme alega a recorrente, portanto, não há como reconhecer o alegado direito da Fazenda Nacional, por falta de determinação legal específica. Ademais, a jurisprudência deste Colegiado já tem posição definida sobre a matéria em tela, conforme demonstram os seguintes Acórdãos: - O Acórdão N° 101-79.964, de 16 de abril de 1990, da lavra do ilustre Conselheiro da Primeira Câmara, Raul Pimentel, sintetizado na ementa: "IRPJ - MICROEMPRESA - MULTA POR INFRAÇÃO AO RIR SEM PENALIDADE ESPECÍFICA - Não enseja a cobrança da multa prevista no artigo 723 do RIR/80 o fato de a microempresa não ter apresentado espontaneamente a declaração de rendimentos no prazo legal." - O Acórdão N° 102-26.605, julgado em 08 de novembro de 1991 , jo Relator foi o Conselheiro Jackson Schineider, da Segunda Câmara, com a seguinte ementa' 4 - - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 13603/001.027/94-31 ACÓRDÃO N°. : 102-40.461 "IRPJ - MICROEMPRESA - MULTA POR INFRAÇÃO AO RIR/80 - PENALIDADE ESPECIFICA - A falta de declaração de rendimentos, ou a sua entrega extemporânea, não dá ensejo a cobrança da penalidade prevista no artigo 723 do RIR/80, por não constar das obrigações acessórias expressamente previstas em Lei." Tanto os membros da Primeira Câmara como os da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte, acordaram em decidir por unanimidade de votos a questão. - O Acórdão N° 102-26.327, do Conselheiro Kazuki Shiobara: "1RPJ - MICROEMPRESA - MULTA POR INFRAÇÃO AO RIR SEM PENALIDADE ESPECIFICA - Não enseja a cobrança de multa prevista no artigo 723 do RJR/80 o fato de a microempresa não ter apresentado espontaneamente a declaração de rendimentos no prazo legal." Também julgado por unanimidade de votos. Cabe esclarecer, que não há que se discutir a hipótese da Denúncia Espontânea no caso concreto. Em nosso entendimento, o que prevalece é a aplicação do artigo 984 do RIR/94, por não se tratar de dispositivo legal especifico, ao contrário, é norma genérica que abrange todas as infrações contidas no atual Regulamento do Imposto de Renda, em substituição ao artigo 723 do R1R/80, em que a matriz legal de ambos é o Decreto-lei N° 401/68, artigo 22. Em face de todo o exposto, dou provimento ao recurso interposto. Sala das Sessões - DF, em 12 de julho de 1996. MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE 5 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 11128.002169/2004-16
Data da sessão: Thu Mar 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 01/10/2003
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM RAZÃO DE VÍCIO NO
LAUDO TÉCNICO. INOCORRÊNCIA.
O laudo técnico de identificação da mercadoria que descreve os exames laboratoriais executados e as conclusões decorrentes de tais exames não incide em hipótese de nulidade.
Ademais, mesmo se assim fosse declarado, tal nulidade não alcançaria o auto de infração amparado nas demais provas carreadas ao processo, especialmente em função de que os elementos carreados pelo Sujeito Passivo
ratificam os aspectos técnicos assentados em tal laudo.
ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 01/10/2003
A aplicação da Regra Geral de Interpretação n° 3c só tem vez quando o próprio texto da nomenclatura, observando-se as demais regras de interpretação, conduz o intérprete a dúvida entre duas ou mais posições, subposições, itens ou subitens.
Não é motivo suficiente para aplicação de tal regra, portanto, a inclusão de mercadoria semelhante à litigiosa em determinado destaque de NCM, atrelado a uma terceira classificação, diversa daquelas que poderiam ser validamente comparadas segundo as regras do Sistema Harmonizado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-00.627
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade, e no mérito em negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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INOCORRÊNCIA. O laudo técnico de identificação da mercadoria que descreve os exames laboratoriais executados e as conclusões decorrentes de tais exames não incide em hipótese de nulidade. Ademais, mesmo se assim fosse declarado, tal nulidade não alcançaria o auto de infração amparado nas demais provas carreadas ao processo, especialmente em função de que os elementos carreados pelo Sujeito Passivo ratificam os aspectos técnicos assentados em tal laudo. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 01/10/2003 A aplicação da Regra Geral de Interpretação n° 3c só tem vez quando o próprio texto da nomenclatura, observando-se as demais regras de interpretação, conduz o intérprete a dúvida entre duas ou mais posições, subposições, itens ou subitens. Não é motivo suficiente para aplicação de tal regra, portanto, a inclusão de mercadoria semelhante à litigiosa em determinado destaque de NCM, atrelado a uma terceira classificação, diversa daquelas que poderiam ser validamente comparadas segundo as regras do Sistema Harmonizado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade, e no mérito em negar provimento ao recurso voluntário. "---"""" Luis `, • e o -uerra de Castro - Presidente e Relator EDITADO EM: 22/04/2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de - -- Castro, José Fernandes do Nascimento, Celso Lopes Pereira Neto, Nanci Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e Nilton Luiz Bartoli. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: A interessada foi autuada em face das infrações "declaração inexata de mercadoria" e "mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul". Foram lançados multa por classificação incorreta, imposto sobre a importação, multa de mora e juros de mora. A autoridade aduaneira afirma que o produto importado trata-se de "Ácido bis-(2, 4, 4-Trimetilpentil) Fosfinico, Outro Composto Organo-Fosforado" (laudo de fl. 19) e que a classificação correta na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) é no código 2931.00.39. Intimada em 11/5/2004, a interessada apresentou impugnação em 9/6/2004, juntada às fls. 31 e ss. Alega, em síntese: 1- O produto é um coagulante, destinado a separar níquel e cobalto. 2- O laudo da Fundação de Desenvolvimento da Unicamp (Funcamp) padece de substrato fático ou legal a ampará-lo. 3- É pacífica a constituição química do produto e não se discute que se trata de composto orgânico de constituição química definida. 4- Acredita que a autoridade fiscal reclassificou o produto em razão de divergência na interpretação, análise e aplicação das normas que regem a classificação de produtos. 5- Cita parecer elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) (fls. 34-36 e 40-51). 6- Destaca do citado parecer (li. 35): 2 Processo n° 11128.002169/2004-16 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.627 Fl. 212 "Considerando as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado o produto em análise possui um composto de constituição química definida que pode ser classificado no item '2931.00.39- Outros Composto Organo-Fosforados' por possuir em sua molécula um átomo não metálico, o fósforo, diretamente ligado ao carbono, mas pode também ser classificado na posição '2931.00.90-Outros Composto Organo-Inorganico', conforme exemplos de alguns compostos organo-fosforados apresentados neste item: estifosfonato de dietila, estifosfonato de dimetila, metifosfonato de dimetila, metifosfonato de dietila, de acordo com Tarifa Externa Comum (TEC). No caso presente não é possível aplicar a Regra 3.a) pelo fato do produto poder ser enquadrado nas duas posições, ambas consideradas como genéricas. Também a Regra 3.b) não se aplica para solucionar esta questão. Como as duas regras são inoperantes, aplica-se a regra 3.c) (...)" (negritos no original). 7- Conclui que a correta classificação do produto é no código •NCM 2931.00.90. 8- Cita acórdãos do Conselho de Contribuintes (fls. 37 e 38). 9- Havendo dúvida na classificação de produto, há que se decidir em favor do contribuinte, afastando-se a imposição de penalidade. 10- A posição tarifária utilizada pela impugnante não foi aleatória, mas decorreu de orientação da Receita Federal quando da concessão de ex-tarifário. Recebida a impugnação em face da tempestividade e aspectos formais, os autos foram encaminhados a esta Delegacia de Julgamento, com 131 fls. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pela manutenção integral da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Importação -II Data do fato gerador: 01/10/2003. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Não é necessário recorrer às demais Regras de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) quando o texto das posições e das notas é suficiente para definir o enquadramento (RGI-1). O "Ácido bis-(2, 4, 4-Trimetilpentil) Fosfinico" se classifica no código 2931.00.39 da Nomenclatura Comum do Mercosul. Lançamento Procedente 3 Após tomar ciência da decisão recorrida em 29/10/2008, comparece a recorrente mais uma vez aos autos em 28/11/2008, para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. Junta aos autos parecer Técnico do Instituto de Pesquisas Tecnológicas que igualmente contesta as conclusões do acórdão recorrido, essencialmente, em razão da suposta dubiedade do item 2931.00.39. Segundo alega, a Nomenclatura Comum do Mercosul previra exceção tarifária no item 2931.00.90 relativa a produtos igualmente fosforados. Aduz ainda tal parecer que a divergência entre a definição dos produtos empregada no Decreto n° 3.665, de 20/11/2000 1 , responsável pela criação de "destaques" de NCM e a Tarifa Externa Comum sugeriria falha desta Ultima. Trouxe ainda à colação consulta ao sítio da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) na rede mundial de computadores em que se elencam produtos fosforados dentre os "destaques" do item 2931.00.90. É o Relatór Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta a esta Terceira Seção. Aduz a recorrente, preliminarmente, que o laudo que fundamentou a autuação padece de vícios, materializados na não-descrição da metodologia que conduzira às conclusões elencadas pelos experts, bem assim nas contradições entre tais conclusões. Sendo inválido o laudo, igualmente inválida seria a autuação. Penso que tal pretensão não deve prosperar. Em primeiro lugar, o documento de fl. 19 descreve os exames que conduziram a tais conclusões e a aparente contradição entre as expressões é, em verdade, uma citação textual do quesito: o produto não seria um "Outro composto inorgânico", mas um produto organo-inorgânico com determinadas características. Em segundo, ainda que se considerasse o laudo formalmente inválido, a informação dele extraída foi confirmada pelos exames laboratoriais acostados às fls. 97 a 108, bem assim na Folha de Informações sobre Segurança juntada por cópia à fl. 92, todos trazidos aos autos pela recorrente. A discussão, como se verá, diz respeito às conclusões que se extraem dessas informações, mas isso, como é cediço, é matéria a ser enfrentada no mérito. Rejeito, portanto, a preliminar. Trata da fiscalização de produtos controlados pelo Exército Processo n° 11123.002169/2004-16 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.627 Fl. 213 No mérito, o litígio, como é possível extrair da leitura dos autos, cinge-se à definição do item e subitem corretos para classificação da mercadoria. Com efeito. Não há imputação da multa de 75% capitulada no art. 44, I da Lei n° 9.430, de 1996, nem da multa de 30% do valor aduaneiro, capitulada no art. 169, I, "h" do Decreto-lei n° 37, de 1966. São exigidos os tributos referentes à reclassificação, acrescidos de multa e juros de mora. Não há discussão, ademais, que o produto objeto do litígio, CYANEX 272, é um composto organo-fosforado e que é utilizado como solvente na extração de níquel. Tanto os elementos trazidos aos autos pelo Fisco, quanto pelo sujeito passivo apontam para esse sentido. Finalmente, também não há discussão acerca da subposição adequada (2931.00), indicada para classificação de produtos descritos como "outros compostos organo- inorgânicos" Na opinião dos autuantes, o subitem adequado seria o 2931.00.39 (Outros Compostos organo-fosforados, exceto os produtos do item 2931.00.7 ) e, na do sujeito passivo, 2931.00.90 (outros compostos organo-inorgânicos). Antes de adentrar na análise do mérito propriamente dito, é importante deixar claro qual é o papel do laudo técnico produzido pelo sujeito passivo na solução do litígio e, para tanto, valiosas são as definições do art. 30, capta' e §§, do Decreto n° 70.235, de 19722. Dentre tais comandos, interessa especialmente à solução do presente litígio a regra insculpida no § 1°, que exclui a classificação fiscal dos universo dos aspectos técnicos, próprios de serem solucionados por peritos ou institutos de pesquisa. Aqueles, abrangem exclusivamente os parâmetros que permitirão a definição da correta classificação fiscal, tarefa a ser executada pelo órgão judicante. Em razão dessa diretriz, o parecer técnico juntado pelo sujeito passivo, apesar da inestimável colaboração que presta à solução do litígio, não limita a busca pela correta classificação fiscal a ser empregada. No máximo, fornece elementos que orientarão tal busca pelos órgãos competentes para tanto, a teor do Decreto n° 70.235, de 1972. Feito tal registro, passasse ao exame do mérito do recurso. 2 Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. § 2° A existência no processo de laudos ou pareceres técnicos não impede a autoridade julgadora de solicitar outros a qualquer dos órgãos referidos neste artigo. § 3° Atribuir-se-á eficácia aos laudos e pareceres técnicos sobre produtos, exarados em outros processos administrativos fiscais e transladados mediante certidão de inteiro teor ou cópia fiel, nos seguintes casos: (Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997) a) quando tratarem de produtos originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação; (Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997) b) quando tratarem de máquinas, aparelhos, equipamentos, veículos e outros produtos complexos de fabricação em série, do mesmo fabricante, com iguais especificações, marca e modelo. (Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997) Sustenta o sujeito passivo que há dubiedade entre os itens da subposição 2931.00 capaz de atrair a aplicação da Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado n° 3c, que reza: 3. QUANDO OS ASOS M QUE A REGRAS PAREÇA QUE MERCADORIAS 3ae3 o à PODED CLASSIFICAR-SE EM DUAS OU MAIS POSIÇÕES POR APLICAÇÃO DA REGRA 2 b) OU POR QUALQUER OUTRA RAZÃO, A ÇÃO DEVE EFETUAR-SE DA FORMA SEGUINTE: (.(..) 0 N PERMITAM EFETUAR A CLASSIFICAÇÃO, A MERCADORIA CLASSIFICA-SE NA POSIÇÃO SITUADA EM ÚLTIMO LUGAR NA ORDEM NUMÉRICA, DENTRE AS SUSCETÍVEIS DE VALIDAMENTE SE TOMAREM EM CONSIDERAÇÃO. Sustenta tal convicção no fato de que a Nomenclatura Comum do Mercosul(NCM) elencaria, dentre os "ex" da posição situada em último lugar, produtos que igualmente conteriam o elemento fósforo (P) em sua fórmula. Com a devida venha, não vejo como acatar tal pretensão. Tratando-se de discussão que se situa nos níveis do item e subitem da NCM, deve-se recorrer à Regra Geral Complementar (RGC) n° 1: 1. AS REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO SE APLICARÃO, MUTATIS MUTANDIS, PARA DETERMINAR DENTRO DE CADA POSIÇÃO OU SUBPOSIÇÃO, O ITEM APLICA' E, DENTRO DESTE ÚLTIMO, O SUBITEM CORRESPONDENTE, ENTENDENDO-SE QUE APENAS SÃO COMPARA' VEIS DESDOBRAMENTOS REGIONAIS (ITENS E SUBITENS) DO MESMO NÍVEL. Já no que diz respeito ao enquadramento em determinado "ex", há que se ter em mente o que dispõe a Rega Geral Complementar da TIPI (RGC/TIPI): (RGC/TIPI-1) AS REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO SE APLICARÃO, MUTATIS MUTANDIS, PARA DETERMINAR, NO ÂMBITO DE CADA CÓDIGO, QUANDO FOR O CASO, O "EX" APLICÁ.VEL, ENTENDENDO-SE QUE APENAS SÃO COMPARÁVEIS "EX" DE UM MESMO CÓDIGO. Em obediência a tais regras, não seria possível comparar um "ex" do item 2931.00.90 com o subitem 2931.00.39 antes de decidir se o item que classifica o produto é o 2931.00.90 ou 2931.00.3. Tal discussão, como se viu, deve ser levada a efeito dentre desdobramentos de mesma hierarquia. Em outras palavras, assim como somente se comparam desdobramentos de mesmo nível (item com item, subitem com subitem e "ex" com "ex") a dúvida a que se refere a regra 3c, neste caso adotada pelo reenvio expresso na RGC 1, só é validamente considerada se resultar da comparação dentre itens e subitens da mesma subposição. ii Processo n° 11128.002169/2004-16 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.627 Fl. 214 Ou seja, se somente após a definição desse nível hierárquico é que se passa a investigar se há "ex" para aquele código, o ex não influencia a definição do item e, como tal, não gera "dúvida" capaz de atrair a aplicação da regra 3c. Cabe aqui relembrar que, confoime já transcrito acima, dentre os desdobramentos da subposição litigiosa interessam especialmente ao litígio os item 3, 7 e 9. 2931.00 OUTROS COMPOSTOS ORGANO-INORGÂNICOS = - - 2931.00.3 Compostos organo-fosforados, exceto os produtos do item 2931.00.7 (-) 2931.00.7 Outros compostos organo-fosforados 2931.00.90 Outros Sendo certo que o produto em questão é um produto organo-fosforado, há evidente prevalência dos itens que contemplam produtos com essa característica em detrimento daquele que, genericamente, contemplaria qualquer outro produto organo-inorgânico, no caso, o item 2931.00.90. Nesse ponto, clara é a regra 3a), igualmente adotada em razão do comando da RGC (o destaque não consta do original). a)A POSIÇÃO MAIS ESPECÍFICA PREVALECE SOBRE AS MAIS GENÉRICAS. TODAVIA, QUANDO DUAS OU MAIS POSIÇÕES SE REFIRAM, CADA UMA DELAS, A APENAS UMA PARTE DAS MATÉRIAS CONSTITUTIVAS DE UM PRODUTO MISTURADO OU DE UM ARTIGO COMPOSTO, OU A APENAS UM DOS COMPONENTES DE SORTIDOS ACONDICIONADOS PARA VENDA A RETALHO, TAIS POSIÇÕES DEVEM CONSIDERAR-SE, EM RELAÇÃO A ESSES PRODUTOS OU ARTIGOS, COMO IGUALMENTE ESPECÍFICAS, AINDA QUE UMA DELAS APRESENTE UMA DESCRIÇÃO MAIS PRECISA OU COMPLETA DA MERCADORIA. Como o texto do item indica, o código 2931.00.7 contempla textualmente os produtos enumerados nos subitens 2931.00.71 a 2931.00.76 3 , que não incluem o produto litigioso. 3 2931.00.71 Alquil(de Cl a C3)fosfonofluoridatos de 0-alquila (de até C10, incluídos os cicloalquila) 2931.00.72 Metilfosfonocloridato de 0-isopropila 2931.00.73 Metilfosfonocloridato de 0-pinacolila 2931.00.74 Difluoreto de alquilfosfonila, com grupo alquila de Cl a C3 2931.00.75 Hidrogênio alquil(de Cl a C3)fosfonitos de [0-2-(dialquil(de Cl a C3)amino)etilal, seus ésteres de ()- alquila (de até C10, incluídos os cicloalquila); sais alquilados ou protonados destes produtos 2931.00.76 Outros compostos que contenham um átomo de fósforo ligado a um grupo alquila (de Cl a C3), sem outros átomos de carbono 2931.00.77 N,N-Dialquil(de Cl a C3)fosforoamidocianidatos de 0-alquila (de até C10, incluídos os cicloalquila) Assim, há que se buscar no item 2931.00.3, a correta classificação a ser empregada. Dentre tais subitens, estão os de n° 2931.00.31 a 2931.00.37 4 , que também não contemplam o produto em questão, e o subitem residual 2931.00.39 - outros. Não sendo possível enquadrar o produto nos subitens taxativamente enumerados nos itens 2931.00.31 a 2931.00.37, cabe adotar aquela posição residual Ademais, tão importante quanto toda essa discussão acerca das regras de interpretação do SH é o fato de que os desdobramentos alegados pelo sujeito passivo, em verdade não são "exceções" à NCM, mas "destaques", próprios para o exercício do controle administrativo das importações. Ou seja, não há, como alega o sujeito passivo, desdobramento na nomenclatura, mas mera indexação, promovida no intuito de orientar acerca do exercício do controle administrativo das importações. Penso, por outro lado, que as alegações acerca de possível equivoco da NCM (TEC) em cotejo com as normas assentadas no Decreto n° 3.665, de 2000 ou em consulta ao sítio da Secex, não podem igualmente ser acatadas. Em primeiro lugar, o referido decreto, único ato com status idêntico ao que aprova a NCM, não faz qualquer menção à classificação fiscal dos produtos controlados por tal órgão governamental, limita-se a elencá-los em uma lista alfabética. Aliás, tal informação encontra-se expressamente estampada no seu art. 145. Ou seja, a inclusão daqueles outros produtos fosforados dentre "destaques" do item 2931.00.90 é resultado de esforço de consolidação empreendido pela Secretaria de Comércio Exterior, confoune taxativamente mencionado por aquele órgão governamental no sítio da rede mundial de computadores que veicula a tabela acostada pela recorrente6. Com efeito, resta ali assentada a seguinte mensagem, verbis: 4 2931.00.31 Etefon; difenilfosfonato(4,41-bis((dimetoxifosfinil)metil)difenila) 2931.00.32 Glifosato e seu sal de monoisopropilamina 2931.00.33 E tidronato dissódico 2931.00.34 Triclorfon 2931.00.35 Glufozinato de amônio 2931.00.36 Hidrogenofosfonato de bis(2-etilexilo) 2931.00.37 Ácido fosfonometiliminodiacético; ácido trimetilfosfônico 5 Art. 14. Os produtos controlados se acham especificados, por ordem alfabética e numérica, com indicação da categoria de controle e o grupo de utilização a que pertencem, na relação de produtos controlados pelo Exército, Anexo I. § 1° A tabela de nomes alternativos, Anexo II, é complementar à relação de produtos controlados e tem por objetivo identificar os produtos que tenham mais de um nome tradicional ou oficial, por nomes e nomenclaturas usuais, consagrados e aceitos pelos meios especializados, reconhecidos pelo Exército, relacionando-os com a relação de produtos controlados, de modo a facilitar o trabalho do agente da fiscalização militar. § 20 A tabela de emprego e efeitos fisiológicos de produtos químicos, Anexo III, é complementar ao Anexo I e tem por objetivo identificar produtos controlados pelo Exército por seus empregos, civis e militares, de modo a facilitar o trabalho do agente da fiscalização militar. § 3o As tabelas de nomes alternativos e de emprego e efeitos fisiológicos de produtos químicos podem ser modificadas pelo Chefe do Departamento Logístico - D Log. 6 http ://www. desenvolvimento . gov.br/sitio/interna/interna . php? area=5&menu=272 8 1# Processo n° 11128.002169/2004-16 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.627 Fl. 215 A Consolidação destina-se a facilitar a consulta dos interessados, não substituindo a legislação publicada no Diário Oficial da União. (.) Estas relações não substituem a consulta ao Tratamento Administrativo do Siscomex para verificação do sistema administrativo aplicado às mercadorias. As respectivas siglas constantes das relações são relativas aos Órgãos conforme abaixo: Em segundo, e mais importante, tal lista não contempla a mercadoria objeto do litígio. Ou seja, ainda que fosse possível admitir que um ato interno derrogasse a NCM, essa derrogação só alcançaria os produtos expressamente elencados. Ademais, embora não tenha sido alegado; não custa consignar a opinião deste relator no sentido de que a consulta ao sítio da Secretaria de Comércio Exterior na rede mundial de computadores não se revela uma circunstância apta a fazer incidir o parágrafo único do art. 100 do Código Tributário Naciona17. Com efeito, afora não contemplar o produto em litígio, a lista em questão foi elaborada em agosto de 2007 8 , ou seja, quase quatro anos depois do fato gerador alvo de 7 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I - os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II - as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III - as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV - os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. 8 Doc. à fl. 196 9 discussão. Se o contribuinte se equivocou, certamente tal publicação não seria a fonte desse equivoco. Ante ao exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Luis arce uerra de Castro o
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