Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,886)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,227)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,909)
- Segunda Turma Ordinária d (14,490)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,514)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,208)
- Terceira Câmara (67,880)
- Segunda Câmara (56,645)
- Primeira Câmara (20,759)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,732)
- Segunda Seção de Julgamen (115,217)
- Primeira Seção de Julgame (77,090)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,488)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,931)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,803)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,628)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,711)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10120.743439/2019-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue May 16 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2014 a 30/11/2017
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL DE PRODUTOR PESSOA FÍSICA. LEGALIDADE.
Com o trânsito em julgado do RE 718.874/RS, o STF pacificou a questão da incidência da contribuição previdenciária sobre a comercialização da produção rural do produtor pessoa física, declarando a constitucionalidade do artigo 25, incisos I e II e inciso IV do art. 30, ambos da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/01.
A contribuição do empregador rural pessoa física exigida a partir da Lei nº 10.256, de 2001, não foi afetada pela Resolução nº 15, de 2017, do Senado Federal.
Havendo decisão judicial, em ação interposta pelo produtor rural pessoa física, impedindo o adquirente de realizar a retenção das contribuições previdenciárias(Rural e SAT/GILRAT), fica a cargo do empregador rural pessoa física a obrigação de recolher a própria contribuição previdenciária patronal com base na receita bruta proveniente da comercialização da sua produção rural.
Numero da decisão: 2301-010.299
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo da matéria preclusa, e por negar-lhe provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 2301-010.295, de 07 de março de 2023, prolatado no julgamento do processo 10120.743436/2019-01, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital- Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mônica Renata Mello, Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flavia Lilian Selmer Dias, Fernanda Melo Leal, Alfredo, Jorge Madeira Rosa, Maurício Dalri Timm do Valle, João Maurício Vital (Presidente).
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 20 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202303
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2014 a 30/11/2017 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL DE PRODUTOR PESSOA FÍSICA. LEGALIDADE. Com o trânsito em julgado do RE 718.874/RS, o STF pacificou a questão da incidência da contribuição previdenciária sobre a comercialização da produção rural do produtor pessoa física, declarando a constitucionalidade do artigo 25, incisos I e II e inciso IV do art. 30, ambos da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/01. A contribuição do empregador rural pessoa física exigida a partir da Lei nº 10.256, de 2001, não foi afetada pela Resolução nº 15, de 2017, do Senado Federal. Havendo decisão judicial, em ação interposta pelo produtor rural pessoa física, impedindo o adquirente de realizar a retenção das contribuições previdenciárias(Rural e SAT/GILRAT), fica a cargo do empregador rural pessoa física a obrigação de recolher a própria contribuição previdenciária patronal com base na receita bruta proveniente da comercialização da sua produção rural.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 16 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 10120.743439/2019-36
anomes_publicacao_s : 202305
conteudo_id_s : 6849157
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 16 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 2301-010.299
nome_arquivo_s : Decisao_10120743439201936.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : JOAO MAURICIO VITAL
nome_arquivo_pdf_s : 10120743439201936_6849157.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo da matéria preclusa, e por negar-lhe provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 2301-010.295, de 07 de março de 2023, prolatado no julgamento do processo 10120.743436/2019-01, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital- Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mônica Renata Mello, Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flavia Lilian Selmer Dias, Fernanda Melo Leal, Alfredo, Jorge Madeira Rosa, Maurício Dalri Timm do Valle, João Maurício Vital (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2023
id : 9893464
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Sat May 20 09:03:43 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1766403271268761600
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-05-15T13:21:03Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-05-15T13:21:03Z; Last-Modified: 2023-05-15T13:21:03Z; dcterms:modified: 2023-05-15T13:21:03Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-05-15T13:21:03Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-05-15T13:21:03Z; meta:save-date: 2023-05-15T13:21:03Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-05-15T13:21:03Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-05-15T13:21:03Z; created: 2023-05-15T13:21:03Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2023-05-15T13:21:03Z; pdf:charsPerPage: 1968; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-05-15T13:21:03Z | Conteúdo => S2-C 3T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10120.743439/2019-36 Recurso Voluntário Acórdão nº 2301-010.299 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de março de 2023 Recorrente OSVINO BASILIO SANDRI Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2014 a 30/11/2017 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL DE PRODUTOR PESSOA FÍSICA. LEGALIDADE. Com o trânsito em julgado do RE 718.874/RS, o STF pacificou a questão da incidência da contribuição previdenciária sobre a comercialização da produção rural do produtor pessoa física, declarando a constitucionalidade do artigo 25, incisos I e II e inciso IV do art. 30, ambos da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/01. A contribuição do empregador rural pessoa física exigida a partir da Lei nº 10.256, de 2001, não foi afetada pela Resolução nº 15, de 2017, do Senado Federal. Havendo decisão judicial, em ação interposta pelo produtor rural pessoa física, impedindo o adquirente de realizar a retenção das contribuições previdenciárias(Rural e SAT/GILRAT), fica a cargo do empregador rural pessoa física a obrigação de recolher a própria contribuição previdenciária patronal com base na receita bruta proveniente da comercialização da sua produção rural. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo da matéria preclusa, e por negar-lhe provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 2301-010.295, de 07 de março de 2023, prolatado no julgamento do processo 10120.743436/2019-01, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital- Presidente Redator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 74 34 39 /2 01 9- 36 Fl. 145DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-010.299 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.743439/2019-36 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mônica Renata Mello, Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flavia Lilian Selmer Dias, Fernanda Melo Leal, Alfredo, Jorge Madeira Rosa, Maurício Dalri Timm do Valle, João Maurício Vital (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de crédito lançado em desfavor de OSVINO BASÍLIO SANDRI, referentes às contribuições sociais previdenciárias incidentes sobre a comercialização da produção rural da pessoa física. Segundo o relatório fiscal a Delegacia da Receita Federal em Goiânia iniciou, no final de 2018, a operação denominada “Funrural”, visando a regularização da contribuição previdenciária dos produtores rurais pessoas físicas que ingressaram com medida judicial alegando a inconstitucionalidade da citada contribuição, em virtude do julgamento do RE nº 718.874/RS (trânsito em julgado em 21.09.2018) pelo Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a constitucionalidade da contribuição do empregador rural pessoa física instituída pela Lei no 10.256, de 9 de julho de 2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. Assim, o procedimento fiscal realizado na matrícula CEI de nº 80.004.03973/83, teve como objetivo verificar a regularização da contribuição previdenciária dos produtores rurais pessoas físicas que ingressaram com medida judicial, alegando a inconstitucionalidade da citada contribuição, correspondentes à contribuição do produtor rural pessoa física. O contribuinte foi informado da relação de Notas Fiscais de sua comercialização e intimado a prestar esclarecimentos sobre a existência de possíveis depósitos judiciais e vinculação das Inscrições Estaduais contidas nas NF com os CEI registrados na RFB, de forma a possibilitar o levantamento individualizado das contribuições devidas por CEI. Após, julgamento de improcedência da impugnação, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário, aduzindo as mesmas razões de primeira instância, acrescentando o seguinte: i) Sustenta a inexigibilidade das contribuições apuradas por falta de alíquota e base de cálculo, sob o argumento de que a Resolução nº 15/2017 teria suspendido a execução dos incisos I e II do art. 25 da Lei nº 8.212/91, inexistindo, no caso, norma jurídica que dê amparo ao lançamento, o que resulta em sua nulidade. ii) Afirma que são inexigíveis as contribuições apuradas em relação às operações realizadas com cooperativas, na forma do art. 79 da Lei nº 5.764/71; iii) Alega que não são exigíveis as contribuições previdenciárias sobre exportações indiretas; Fl. 146DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-010.299 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.743439/2019-36 Diante dos fatos narrados, é o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário apresentados é tempestivo e também de competência dessa Turma. Assim, passo a analisá-los. DA EXIGIBILIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA: BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA As contribuições sociais previdenciárias lançadas, referente ao período de 01/07/2014 a 30/09/2017, encontram fundamento de validade no art. 25, incisos I e II c/c o art. 30, incisos III e IV da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 10.256/01, editada já na vigência da Emenda Constitucional nº 20/98, conforme transcrição, in verbis: Lei 8.212/1991: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea ‘a’ do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001) I - 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). [vigente na época do fato gerador lançado]; II - 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) III - a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). IV - a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam sub-rogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Fl. 147DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-010.299 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.743439/2019-36 A base de cálculo e alíquota estão descritas na norma vigente, e descritas na autuação. Portanto, sem razão o contribuinte ao alegar que não haveria alíquota ou base de cálculo devida. A decisão sobre a constitucionalidade do FUNRURAL se deu em sede de repercussão geral, pelo Recurso Extraordinário (RE) 718.874/RS, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, fixando a seguinte tese:: é constitucional, formal e materialmente, a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. Até porquê, o RE n° 363.852/MG e RE n° 596.177/RS não alcançam os fatos geradores ocorridos após o advento da Lei 10.256/2001, como é o caso dos autos, e a Resolução do Senador nº 15/2017, que teria suspendido a execução dos incisos I e II do art. 25 da Lei nº 8.212/91, no que à contribuição social do produtor rural pessoa física, não foi objeto dos citados processos do STF, e, portanto, não podem estar abarcada pela Resolução nº 15 do Senado. Portanto, sob esse prisma o contribuinte seria o responsável pela contribuição devida. Referente às contribuições devidas pelos atos cooperados, conforme transcrição da norma acima citada, e como bem citado pela decisão de piso, as contribuições apuradas em relação às operações realizadas com cooperativas, pois conforme antes transcrito( incisos III e IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91), são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 da Lei 8.212/91, até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento, além do que ficam sub-rogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei. Ademais, não há descrição dos atos praticados pela cooperativa que tem ligação direta ao contribuinte, o que impede a análise concreta dos fatos. Por outro lado, deixo de conhecer das alegações quanto a não incidência das contribuições quanto às exportações indiretas, e que podem ter sido realizadas por meio trading companies (company), uma vez que matéria não teria sido arguida em sede de primeira instância, e, portanto, não está devolvida ao colegiado para análise, estando preclusa a alegação, não podendo ser analisada sob pena de supressão de instância. Por todo o exposto, voto por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da matéria preclusa, e na parte conhecida, NEGAR-LHE PROVIMENTO. Fl. 148DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-010.299 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.743439/2019-36 Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo da matéria preclusa, e por negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital- Presidente Redator Fl. 149DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10880.720395/2005-79
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO.
RECEITAS FINANCEIRAS E DE VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA.
PERÍODO DE VIGÊNCIA DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718, DE
1998. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF.
REPETIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. POSSIBILIDADE.
A ampliação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep,
estabelecida no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que equiparou o conceito de faturamento a todos os tipos de receitas auferidas pela pessoa jurídica, foi declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do C.
Supremo Tribunal Federal (STF).
Em decorrência dos efeitos da declaração da inconstitucionalidade da referida norma, são passíveis de restituição, inclusive mediante compensação, as parcelas indevidas da Contribuição para o PIS/Pasep calculadas sobre as receitas financeiras e de variação cambial ativa.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3802-000.550
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao
recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 20 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 201107
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS E DE VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. PERÍODO DE VIGÊNCIA DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718, DE 1998. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF. REPETIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. POSSIBILIDADE. A ampliação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, estabelecida no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que equiparou o conceito de faturamento a todos os tipos de receitas auferidas pela pessoa jurídica, foi declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do C. Supremo Tribunal Federal (STF). Em decorrência dos efeitos da declaração da inconstitucionalidade da referida norma, são passíveis de restituição, inclusive mediante compensação, as parcelas indevidas da Contribuição para o PIS/Pasep calculadas sobre as receitas financeiras e de variação cambial ativa. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
numero_processo_s : 10880.720395/2005-79
conteudo_id_s : 6852744
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 19 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3802-000.550
nome_arquivo_s : Decisao_10880720395200579.pdf
nome_relator_s : JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
nome_arquivo_pdf_s : 10880720395200579_6852744.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2011
id : 9899726
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat May 20 09:03:51 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1766403271270858752
conteudo_txt : Metadados => date: 2020-03-23T19:10:18Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2020-03-23T19:10:18Z; Last-Modified: 2020-03-23T19:10:18Z; dcterms:modified: 2020-03-23T19:10:18Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:ef634ec0-6290-40f8-9cb2-b7f1448cca84; Last-Save-Date: 2020-03-23T19:10:18Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-03-23T19:10:18Z; meta:save-date: 2020-03-23T19:10:18Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-03-23T19:10:18Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2020-03-23T19:10:18Z; created: 2020-03-23T19:10:18Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2020-03-23T19:10:18Z; pdf:charsPerPage: 1922; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-03-23T19:10:18Z | Conteúdo => S3TE02 Fl. 185 1 184 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.720395/200579 Recurso nº 875.852 Voluntário Acórdão nº 380200.550 – 2ª Turma Especial Sessão de 05 de julho de 2011 Matéria PIS COMPENSAÇÃO Recorrente LEXMARK INTERNATIONAL DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS E DE VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. PERÍODO DE VIGÊNCIA DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718, DE 1998. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF. REPETIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. POSSIBILIDADE. A ampliação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, estabelecida no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que equiparou o conceito de faturamento a todos os tipos de receitas auferidas pela pessoa jurídica, foi declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do C. Supremo Tribunal Federal (STF). Em decorrência dos efeitos da declaração da inconstitucionalidade da referida norma, são passíveis de restituição, inclusive mediante compensação, as parcelas indevidas da Contribuição para o PIS/Pasep calculadas sobre as receitas financeiras e de variação cambial ativa. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Fl. 195DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0320.16113.2R6Z. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 EDITADO EM: 19/07/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Tatiana Midori Migiyama, Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão nº 1622.920, de 23 de setembro de 2009 (fls. 146/150), proferido pelos membros da 9ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP (DRJ/SP1), em que, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a manifestação de inconformidade de fls. 63/74, com base nos fundamentos resumidos no enunciado da ementa a seguir transcrita: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2001 MATÉRIA NÃO LITIGIOSA. Consolidase administrativamente o não reconhecimento como direito crédito da Contribuinte de importância não mais reivindicada pela recorrente. NULIDADE.INEXISTÊNCIA. É incabível de ser pronunciada a nulidade da decisão não proferida por autoridade incompetente, bem como não proferida com preterição do direito de defesa. LEI 9.718/98. O alargamento da base de cálculo do PIS determinada pela lei 9.718/98 alcança a generalidade das receitas do contribuinte. FISCALIZAÇÃO. Quando a autuação levada a efeito pela fiscalização foi da espécie que não se escora em auditoria dos valores que compuseram as apurações do sujeito passivo, não prestase a identificar a ocorrência de eventual direito creditório por pagamento indevido ou a maior, passível de restituição ou compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem resumir os fatos registrados nos autos até a prolação da decisão de primeiro grau, transcrevo a seguir o Relatório encartado no Acórdão recorrido: Trata o presente processo de “PER/DCOMP” relativo a – conforme apontado nesse documento – crédito da Contribuição para O PIS/PASEP. Pelo Despacho Decisório de fl. 61, a Autoridade a quo não homologou a Declaração de Compensação. O posicionamento da Delegacia de origem vai, em síntese, no sentido: de que “não se sustentam as versões retificadoras de DCTF que reduzem o valor a extinguir de débitos de PIS de junho de 2001, posto cristalinamente inconsistentes com o valor devido, consoante DIPJ2002” (fl. 58); e de que “Tal redução Fl. 196DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0320.16113.2R6Z. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10880.720395/200579 Acórdão n.º 380200.550 S3TE02 Fl. 186 3 inconsistente do débito de PIS de junho de 2001 declarado nas versões retificadoras da DCTF do 2º trimestre de 2001, apresentadas em 25/07/2003 e 06/06/2005, foi o que permitiu ao requerente apresentar o pagamento de Valor Principal de R$ 30.215,47, efetuado em referência a junho/2001, como origem do crédito que busca utilizar na DCOMP em exame para extinção dos débitos (...)” (fl. 58). Pela Manifestação de Inconformidade de fls. 63/74 a Interessada, em síntese, posicionase no sentido: de que “em procedimento de revisão interna dos procedimentos fiscais adotados pela sociedade, verificouse que a indevida inclusão na base de cálculo do PIS de valores a título de receitas financeiras e de variação cambial, havia implicado declaração e recolhimento de PIS a maior” (fl. 64); de que, “a despeito de a sociedade ter inicialmente apurado e recolhido R$ 195.181,39, verificouse que o valor efetivamente devido a título de PIS no período de junho de 2001 seria R$ 182.305,86 (...), o que daria à Defendente direito a pleitear a restituição de R$ 12.875,97” (fl. 64/65); de que a fiscalização federal lavrou o Auto de Infração constante do processo 19515.003194/200465, sendo apurado o “valor devido a título de PIS de R$ 184.643,87” (fl. 66); de que, “Assim, considerando o valor apurado pelas autoridades fiscais, a Defendente faz jus à restituição de R$ 10.537,52 (...) e não mais R$ 12.875,53, conforme internamente levantado pela Defendente” (fl. 66), tendo efetuado “o recolhimento da referida diferença, ou seja de R$ 2.338,01” (fl. 66); de que “mero equívoco formal na retificação de sua DIPJ não pode ser óbice para a restituição e compensação do crédito de R$ 10.537,52” (fl. 67), “sendo que as próprias autoridades fiscais poderiam verificar o exato valor considerado devido pela própria fiscalização (...)” (fl. 70); e de que “devese reconhecer, desde já, a nulidade do despacho decisório recorrido em vista da violação do princípio da verdade material e da desconsideração de prova necessária ao deslinde da questão” (fl. 72). Sobreveio o Acórdão recorrido, sendo dele cientificada a Interessada, por via postal (fl. 151v), em 05/11/2009. Inconformada, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 154/162, protocolado em 03/12/2009 (fl. 152), em que reapresentou os argumentos de defesa suscitados na manifestação de inconformidade. Em aditamento, em síntese, alegou que: a) discordava da alegação dd. Autoridades Julgadoras de primeiro grau de que a exclusão do valor da receita financeira e da variação cambial ativa da base cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep afrontava o disposto no § 1º do art. 3º da Lei n.° 9.718, de 1998, haja vista que o referido preceito legal fora declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), inclusive tendo sido definitivamente excluído do ordenamento jurídico, por intermédio da Lei nº 11.941, de 2009; b) por força da referida declaração de inconstitucionalidade do referido preceito legal, tornarase indiscutível que, durante o período da sua vigência, os valores das demais receitas, excluídas do conceito de Fl. 197DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0320.16113.2R6Z. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 faturamento, não integravam a base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep; c) após a citada declaração de inconstitucionalidade, o extinto Conselho de Contribuintes passou a reconhecer a impossibilidade da exigência dos valores da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre as demais receitas distintas do faturamento, auferidas durante o período de vigência do inquinado dispositivo legal; e d) era fato inconteste que a Contribuição para o PIS/Pasep devida no citado período fora determinada pela própria Fiscalização, mediante procedimento regular de auditoria que resultou no auto de infração encartado no processo nº 19515.003194/200465 (fls. 94/111), logo, o resultado decorrente desse trabalho não poderia ter sido desconsiderado pela r. decisão recorrida. No final, a Autuada requereu a reforma integral da decisão de primeira instância, para que fosse reconhecida a efetiva existência do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep pleiteado e homologada a compensação realizada. Em atenção ao despacho de fl. 184, os presentes autos foram enviados a este E. Conselho. Na Sessão de abril de 2011, em cumprimento ao disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, foram distribuídos, mediante sorteio, para este Conselheiro Relator. É o relatório. Voto O presente Recurso foi apresentado por parte legítima e em tempo hábil, preenche os demais requisitos de admissibilidade e trata de matéria da competência deste Colegiado, portanto, dele tomo conhecimento. Do objeto dos presentes autos: breve resumo dos fatos. Tratam os presentes autos da compensação de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de junho de 2001 com débitos da Cofins dos meses de março de 1999 e janeiro e março de 2000, e da Contribuição para o PIS/Pasep dos meses de janeiro e março de 2000, discriminados na Declaração de Compensação (DComp) eletrônica de fls. 01/07. Segundo a Recorrente, o valor do crédito inicialmente informado, no valor de R$ 12.875,97, representava parcela do débito da Contribuição para o PIS/Pasep, calculado sobre as receitas financeira e de variação cambial ativa, incluídas no cômputo da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de junho de 2001, em conformidade com o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que equiparou faturamento a todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica. De fato, aplicando o percentual de 0,65% (sessenta e cinco décimos por cento) sobre o valor das receitas de variações cambiais ativas do mês junho de 2001, no valor R$ 1.990.797,75, informado na DIPJ 2002 (fl. 48), obtémse o valor de R$ 12.940,18, que corresponde, aproximadamente, ao valor do crédito, originariamente, informado na citada DComp. Fl. 198DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0320.16113.2R6Z. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10880.720395/200579 Acórdão n.º 380200.550 S3TE02 Fl. 187 5 Acontece que, após a entrega a referida DComp, a Recorrente foi submetida a procedimento de Fiscalização, que culminou com a lavratura do auto de infração colacionado aos autos do processo nº 19515.003194/200465 (cópias de fls. 94/111). Em decorrência do referido procedimento de Fiscalização, a Autoridade Fiscal elaborou o Demonstrativo de fl. 106, onde informou que, no mês de junho de 2001, o débito da Contribuição para o PIS/Pasep da Recorrente era de R$ 184.643.87 (e não de R$ 182.305,86, como declarado pela Recorrente na DCTF retificadora), enquanto que o crédito apurado (o pagamento realizado) era de R$ 195.181,83, resultando no pagamento a maior da quantia de R$ 10.537,52. Tendo em conta que o novo valor do débito apurado pela Fiscalização, a Recorrente reconheceu que fazia jus, tãosomente, à restituição do valor de R$ 10.537,52 e não mais do valor de R$ 12.875,97, informado na citada DComp. Do objeto da presente controvérsia. Conforme delineado precedentemente, o cerne da presente controvérsia gira em torno da existência do crédito, no valor de R$ 10.537,52, decorrente do pagamento a maior que o devido da Contribuição para o PIS/Pasep do mês junho de 2001 (R$ 195.181,83 R$ 184.643,87). Com respaldo no Parecer de fls. 56/60, por meio do Despacho Decisório fl. 61, a Autoridade Fiscal competente da Unidade da Receita Federal de origem decidiu não homologar a compensação em tela, sob a alegação de inexistência do valor do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep informado, com base no argumento de que a Recorrente havia retificado o valor do débito da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de junho de 2001 (de R$ 195.181,83 para R$ 182.305,86) apenas na DCTF (fls. 46/47), sem a correspondente correção na DIPJ 2002 (fl. 48). Por sua vez, por intermédio do Acórdão recorrido, manteve o Colegiado de primeiro grau a nãohomologação da compensação, também por inexistência do valor do crédito utilizado, porém, com base em outros fundamentos, a saber: a) a Fiscalização não havia reconhecido o valor do crédito compensado, mas apenas efetuado o cotejo entre os valores declarados e os valores escriturados/pagos; e b) a devolução do referido crédito afrontava a definição de base de cálculo instituída no § 1º do art. 3º da Lei n.° 9.718, de 1998. No presente Recurso, apresentou a Recorrente as seguintes contra argumentações: a) os valores determinados pela Fiscalização, mediante procedimento regular de auditoria, que resultou no auto de infração encartado no processo nº 19515.003194/200465 (fls. 94/111), confirmava o valor do crédito compensado; e b) a exclusão do valor da receita financeira e da variação cambial ativa da base cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep não afrontava o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, haja vista que o referido preceito legal fora declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), inclusive tendo sido definitivamente excluído do ordenamento jurídico, por intermédio da Lei nº 11.941, de 2009. No meu entendimento, a razão está com a Recorrente, conforme a seguir demonstrado. Da comprovação do valor crédito informado. Fl. 199DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0320.16113.2R6Z. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 No que tange a comprovação do valor do crédito, com base no argumento de que não foram auditados os valores da Contribuição para o PIS/Pasep apurados pela Recorrente, entenderam os integrantes do Colegiado de Julgamento a quo que a Autoridade Fiscal responsável pela referida Fiscalização não havia reconhecido qualquer direito creditório por pagamento indevido ou a maior, passível de restituição ou compensação, nem tampouco corroborado qualquer registro contábil efetuado pelo sujeito passivo para efeito de apuração dos débitos da Contribuição para o PIS/Pasep, mas apenas efetuado o cotejo entre os valores declarados e os valores escriturados/pagos. Com a devida vênia, não procedem tais alegações. No que concerne ao reconhecimento do direito creditório, dois motivos infirmam o asseverado: a) a falta de competência da referida Autoridade Fiscal, para reconhecer o direito crédito em favor da Recorrente; e b) o fato de o mencionado procedimento fiscal não ter sido destinado à verificação do direito creditório em apreço. No que concerne ao procedimento de Fiscalização em referência, tendo sido feito o cotejo dos valores informados nas Declarações entregues à Receita Federal com os registrados na escrituração contábil e fiscal da Recorrente, obviamente, os valores consignados no Demonstrativo de fl. 106 foram apurados e, portanto, ratificados pela dita Autoridade Fiscal. Dessa forma, em face da presunção de veracidade, é indubitável que o referido Documento constitui prova inequívoca do débito da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de junho de 2001, no valor de R$ 184.643,87. Em decorrência, ante a inexistência de prova em contrário e tendo em conta que o pagamento realizado pela Recorrente foi de R$ 195.181,83, resta demonstrado que a Interessada realizou pagamento a maior que o devido, no valor de R$ 10.537,52 (R$ 195.181,83 R$ 184.643,87). Da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Conforme anteriormente exposto, o valor do referido indébito, corresponde a parcela do débito da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de junho de 2001, calculado sobre o valor da receita financeira de variação cambial ativa, com suporte no § 1º do art. 3º da Lei n.° 9.718, de 1998. Acontece que o referido preceito legal, por ter ampliado a definição da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, prevista na redação do artigo 195 da Constituição Federal de 1988 anterior à Emenda Constitucional nº 20, de 1998, foi declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária proferida pelo Colendo STF, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 346.084, que restou assim ementado: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Fl. 200DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0320.16113.2R6Z. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10880.720395/200579 Acórdão n.º 380200.550 S3TE02 Fl. 188 7 Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RE 346084, Relator(a): Min. ILMAR GALVÃO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 01092006 PP00019 EMENT VOL 0224506 PP01170) No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação preceito legal em razão de inconstitucionalidade. Entretanto, há ressalva expressa excluindo de tal proibição na hipótese de existir decisão definitiva plenária do STF, conforme disposto no inciso I do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 (PAF), com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, que segue transcrito: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) No mesmo sentido, dispõe o inciso I do parágrafo único do art. 62 do Anexo II do vigente Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Dessa forma, diante da referida declaração de inconstitucionalidade, com supedâneo nos referidos comandos normativos, reconheço como indevida a cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep sobre a receita financeira e de variação cambial ativa auferida pela Recorrente no mês de junho de 2001, para que seja restituído à Interessada, mediante compensação, a parcela do valor do crédito da Confins do mês do junho de 2001, no valor de R$ 10.537,52, decorrente do pagamento maior que o devido. Da conclusão. Fl. 201DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0320.16113.2R6Z. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao presente Recurso, para reconhecer o direito da Interessada à restituição da importância de R$ 10.537,52, referente à parcela do valor do pagamento a maior da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de maio de 2011, e homologar as compensações declaradas na DComp de fls. 01/07, até o limite do valor crédito reconhecido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento. Fl. 202DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0320.16113.2R6Z. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento juntado ao processo decorrente de ato do servidor habilitado e reconhecido via certificado digital. Corresponde à fé pública do servidor. Histórico de ações sobre o documento: Documento assinado digitalmente por: REGIS XAVIER HOLANDA em 19/08/2011 e JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO em 19/07/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 23/03/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP23.0320.16113.2R6Z Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 0CCE72E82FC896968D0FDE2F9CF5F721868B3D1A Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10880.720395/2005-79. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 13984.000403/2002-44
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. PIS/PASEP E COFINS.
RECEITA OPERACIONAL BRUTA. RECEITA BRUTA DE
EXPORTAÇÃO. PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS PELA PESSOA
JURÍDICA PRODUTORA E EXPORTADORA.
A receita bruta de exportação e a receita operacional bruta a serem consideradas no cálculo do crédito presumido de IPI como ressarcimento do PIS/PASEP e COFINS devem ser as relacionadas ao produto da venda para o exterior e nos mercados interno e externo, respectivamente, de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 3802-000.488
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar provimento ao recurso.
Vencido o Conselheiro Relator, que dava provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Regis Xavier Holanda.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 20 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 201106
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. PIS/PASEP E COFINS. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. RECEITA BRUTA DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS PELA PESSOA JURÍDICA PRODUTORA E EXPORTADORA. A receita bruta de exportação e a receita operacional bruta a serem consideradas no cálculo do crédito presumido de IPI como ressarcimento do PIS/PASEP e COFINS devem ser as relacionadas ao produto da venda para o exterior e nos mercados interno e externo, respectivamente, de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 13984.000403/2002-44
conteudo_id_s : 6849583
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3802-000.488
nome_arquivo_s : Decisao_13984000403200244.pdf
nome_relator_s : JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
nome_arquivo_pdf_s : 13984000403200244_6849583.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Relator, que dava provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Regis Xavier Holanda.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
id : 9895505
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat May 20 09:03:46 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1766403271285538816
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1697; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 170 1 169 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13984.000403/200244 Recurso nº 873.896 Voluntário Acórdão nº 3802000.488 – 2ª Turma Especial Sessão de 01 de junho de 2011 Matéria IPI RESSARCIMENTO Recorrente MARELY MÓVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. PIS/PASEP E COFINS. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. RECEITA BRUTA DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS PELA PESSOA JURÍDICA PRODUTORA E EXPORTADORA. A receita bruta de exportação e a receita operacional bruta a serem consideradas no cálculo do crédito presumido de IPI como ressarcimento do PIS/PASEP e COFINS devem ser as relacionadas ao produto da venda para o exterior e nos mercados interno e externo, respectivamente, de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Relator, que dava provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Regis Xavier Holanda. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda – Presidente e Redator (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator EDITADO EM: 29/06/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Tatiana Midori Migiyama, Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13984.000403/200244 Acórdão n.º 3802000.488 S3TE02 Fl. 171 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão nº 1429.516, de 9 de junho de 2010 (fls. 155/156v), proferido pelos membros da 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO), em que, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a manifestação de inconformidade, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. PRODUTOS ADQUIRIDOS PARA REVENDA. Não se incluem no cálculo do crédito presumido, para fatos geradores ocorridos até 26/03/2003, a título de receita de exportação, os valores relativos aos produtos exportados adquiridos para revenda, devendo estes integrarem a receita bruta operacional nos termos da legislação do Imposto de Renda. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem resumir os fatos registrados nos autos até a prolação da decisão de primeiro grau, transcrevo a seguir o Relatório encartado no Acórdão recorrido: Trata o presente de manifestação de inconformidade contra o despacho decisório que incluiu na Receita Operacional Bruta, no cálculo do crédito presumido apurado no período em destaque, os produtos adquiridos de terceiros que não sofreram industrialização. Alega que, por não existir vedação legal, os produtos adquiridos de terceiros deveriam, ou compor a receita de exportação, inclusive por constarem como Receita Operacional Bruta, ou desta se excluírem, conforme legislação e julgados que cita. Sobreveio o Acórdão recorrido, sendo dele cientificada a Interessada, por via postal (fl. 160), em 28/07/2010. Inconformada, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 162/166, protocolado em 27/08/2010 (fl. 161), em que reapresentou as razões de defesa aduzidas na referida manifestação de inconformidade, ao final, requerendo o conhecimento e provimento do presente Recurso, para o efeito de reconhecer o direito da Recorrente ao ressarcimento da totalidade do crédito presumido de IPI pleiteado nos autos. Em atenção ao despacho de fl. 169, os presentes autos foram enviados a este e. Conselho. Na Sessão de fevereiro de 2011, em cumprimento ao Fl. 3DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, foram distribuídos, mediante sorteio, para este Conselheiro Relator. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13984.000403/200244 Acórdão n.º 3802000.488 S3TE02 Fl. 172 5 Voto Vencido Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso foi apresentado em tempo hábil por parte legítima, preenche os demais requisitos de admissibilidade e trata de matéria da competência deste Colegiado, portanto, dele tomo conhecimento. Do objeto da presente controvérsia. Conforme bem delineado no relatório precedente, o cerne da presente controvérsia limitase à determinação do valor da receita operacional bruta, constante do divisor do quociente da fórmula do fator de cálculo incidente sobre a base de cálculo do crédito presumido do IPI, previsto no § 2º do art. 1º da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, a seguir transcrito: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. § 2o O crédito presumido será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo referida no § 1o, do fator calculado pela fórmula constante do Anexo. § 3o Na determinação do fator (F), indicado no Anexo, serão observadas as seguintes limitações: I o quociente será reduzido a cinco, quando resultar superior; II o valor dos custos previstos no § 1o será apropriado até o limite de oitenta por cento da receita bruta operacional. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 (...) A fórmula de cálculo apresentada no referido Anexo tem a seguinte composição, in verbis: F = 0,0365 x Rx , onde: (RtC) F é o fator; Rx é a receita de exportação; Rt é a receita operacional bruta; C é o custo de produção determinado na forma do § 1o do art. 1o; Rx é o quociente de que trata o inciso I do § 3o do art. 1o. (RtC) No cálculo do referido quociente, a Interessada não adicionou o valor da receita obtida na revenda para o exterior dos produtos adquiridos de terceiros às receitas de exportação e operacional bruta. Em consequência, o valor da receita de exportação dos produtos adquiridos de terceiros não tiveram qualquer influência na apuração do valor do referido quociente. Por outro lado, com suporte no inciso I do art. 21 da Instrução Normativa SRF n° 69, de 2001, entendeu a Autoridade Fiscal da Unidade da Receita Federal de origem que o valor da receita decorrente da revenda para o exterior das mercadorias adquiridas de terceiros integrava o montante apenas da receita operacional bruta, uma vez que esta compreendia “o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia”. Esse entendimento encontrase consignado no Despacho Decisório fls. 106/114. Por sua vez, com suporte no mesmo entendimento da dita Autoridade Fiscal, os integrantes do Órgão julgador a quo mantiveram a inclusão do valor da referida receita no montante da receita operacional bruta. Segundo o citado Colegiado, o novo conceito de receita operacional bruta, instituído pelo inciso I do § 12 do art. 3º da Portaria MF nº 64, de 2003, não teria efeito retroativo, uma vez que a dita Portaria não se tratava de ato administrativo interpretativo, mas de ato normativo complementar das leis tributárias (art. 100 do CTN), que regulamentava e detalhava as disposições da Lei nº 9.363, de 1997, portanto não se aplicava para fim de apuração do crédito presumido do IPI em apreço, pois essa novo dispositivo só entrara em vigor a partir de 26/03/2003. Por outro lado, no presente Recurso, defendeu a Recorrente a manutenção da exclusão do cômputo das receita de exportação e operacional bruta do valor da receita de exportação decorrentes da venda de produtos adquiridos de terceiros, baseada no argumento de que aplicava ao caso em tela as definições de receita operacional bruta e de receita de exportação, respectivamente, apresentados nos incisos I e II do § 12 do art. 3º da Portaria MF nº 64, de 2003, pois, embora vigente após os fatos objeto da presente contenda, por ser norma regulamentar da Lei nº 9.363, de 1997, a citada Portaria teria natureza meramente interpretativa e, por conseguinte, eficácia retroativa, nos termos do art. 106, I, do CTN. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13984.000403/200244 Acórdão n.º 3802000.488 S3TE02 Fl. 173 7 Dessarte, fica esclarecido que o cerne da presente controvérsia gira em torno do alcance das definições de receita de exportação e de receita operacional bruta, tendo como ponto fulcral a natureza jurídica específica das Portarias editadas pelo Ministro Fazenda, com respaldo no art. 6º da Lei nº 9.363, de 1997, ou seja, se tais atos teriam natureza interpretativa ou normativa. Da natureza da jurídica dos atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. Em relação a questão da natureza jurídica específica dos atos normativos administrativos de índole tributária, não assiste razão nem aos integrantes da citada Turma de Julgamento nem tampouco a Recorrente. No meu entendimento, não existe ato normativo meramente interpretativo ou exclusivamente normativo de per si. Na verdade, por ter função de norma complementar, o que define a natureza jurídica específica dos referidos atos é o teor do diploma legal de hierarquia superior em função do qual eles são expedidos. Assim, com exceção das matérias de reserva absoluta de lei, previstas no art. 97 do CTN e no art. 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988, para alguns assuntos específicos a lei pode atribuir às autoridades administrativas a edição de determinados atos normativos, com a finalidade de complementálos, levando em conta critérios de racionalidade, economicidade e conveniência. Em suma, se o assunto é de reserva de lei ou se encontra completamente nela disciplinado, qualquer ato administrativo que venha a dispor sobre tal matéria, em decorrência do princípio da hierarquia das normas, terá função meramente interpretativa1 e eficácia retroativa ou ex tunc (art. 106, I, do CTN). Tais atos, obviamente, têm por finalidade padronizar os procedimentos que deverão ser executados pelas autoridades administrativas hierarquicamente inferiores, de modo que os atos legais sejam fielmente cumpridos de forma uniforme no âmbito de toda a Administração tributária. Por outro lado, se não é matéria de reserva de lei ou a própria lei atribui à autoridade administrativa a incumbência de complementála, é indubitável que o ato normativo administrativo expedido com base nessa prerrogativa terá força normativa e, no que concerne à matéria delegada e, desde que obedecido os parâmetros legais, eficácia imediata e prospectiva, ex nunc (art. 3º da Lei de Introdução do Código Civil). A título de exemplo, por pertinente, cabe mencionar o disposto no art. 6º da Lei nº 9.363, de 1996, que atribuiu ao Ministro da Fazenda competência para expedir as instruções necessárias ao cumprimento da dita Lei, especialmente, no que tange a definição de receita de exportação, conforme exposto texto a seguir transcrito: 1 A título de exemplo, pode ser citado o disposto no § 2º do art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 23, de 1997, que dispõe sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido em apreço, a seguir transcrito: “Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. (...) § 2 º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção de bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS”. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 8 Art. 6º O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador. (grifos não originais) Não resta qualquer dúvida que, nos termos comando normativo transcrito, a referida Lei atribuiu expressamente ao Ministro da Fazenda a competência para estabelecer a definição da receita de exportação, para fim de apuração do crédito presumido do IPI. Da receita de exportação de mercadorias adquiridas de terceiros: efeito na apuração do fator de cálculo do crédito presumido do IPI. Com base no exposto precedentemente, resta demonstrado que, para fim de apuração do crédito presumido do IPI, a definição de receita de exportação é aquela veiculada nas portarias do Ministro da Fazenda. Em consonância com o disposto no art. 6º da Lei nº 9.363, de 1996, no período de apuração dos créditos em apreço (1º trimestre 2002), estava em vigor a Portaria MF nº 38, de 1997, que apresentava, respectivamente, nos incisos I e II do § 15 do art. 3º, as seguintes definições para a receita operacional bruta e de exportação, in verbis: Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...) § 15. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais; (...). (grifos não originais) Em seguida, no exercício da citada atribuição, foi editada a Portaria MF nº 64, de 2003, que revogou a anterior, alterando as definições de receita operacional bruta e de receita de exportação, conferindolhes, ao meu sentir, um tratamento mais coerente e consentâneo com o escopo do benefício fiscal em comento, conforme se observa nos incisos I e II do § 12 do art. 3º, a seguir transcritos: Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...) § 12. Para os efeitos deste artigo, considerase: (...) Fl. 8DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13984.000403/200244 Acórdão n.º 3802000.488 S3TE02 Fl. 174 9 I receita operacional bruta, o produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora nos mercados interno e externo; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de produtos industrializados nacionais; (...) (grifos não originais) Comparando o teor dos dispositivos anteriormente transcritos, fica claro que as definições apresentadas na Portaria MF nº 64, de 2003, refletem com mais propriedade os objetivos colimados pelo incentivo fiscal em destaque, uma vez que, a receita das vendas para o exterior dos produtos adquiridos de terceiros passou a ser tratada com neutralidade, sem qualquer influência sobre o valor do quociente do fator de cálculo do crédito presumido em apreço, ou seja, não mais integrando a receita de exportação (dividendo) nem a receita operacional bruta (divisor). Além disso, o valor da receita operacional bruta, utilizada no cálculo do citado quociente, ficou depurado dos valores das outras receitas que não aquela decorrentes da atividade industrial, tais como as receitas de revenda de mercadorias (nacionais ou estrangeiras), da prestação de serviços etc. Por seu turno, é também oportuno ressaltar que a definição de receita operacional bruta, consignada na Portaria revogada, era a mesma utilizada na legislação do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), daí a explicação de, posteriormente, tal definição ter se revelado inadequada para fins de apuração do valor do benefício fiscal em comento, distorcendo a apuração do benefício fiscal em apreço que tem por escopo incentivar a atividade industrial desenvolvida no País, mediante desoneração da carga tributária incorporada ao produto nacional destinado à exportação para o exterior. Da mesma forma, também se revelou inadequada a definição de receita de exportação veiculada no inciso II do § 15 do art. 3º da Portaria MF nº 38, de 1997, que compreende o produto da venda de mercadorias nacionais para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Logo, a contrario sensu, estava excluída do cômputo da mencionada receita apenas as receitas de venda para o exterior das mercadorias estrangeiras. Em suma, comparando as duas definições, chegase a conclusão de que o valor da receita de exportação dos produtos adquiridos de terceiros: a) integrava tanto a receita de exportação quanto a receita operacional bruta, segundo as definições constantes dos incisos I e II do § 15 do art. 3º Portaria MF nº 38, de 1997; b) não integrava a receita de exportação nem a receita operacional bruta, na forma como as definem os incisos I e II do § 12 do art. 3º da Portaria MF nº 64, de 2003. Dessa forma, em relação ao caso em apreço, com devida vênia, entendo que houve equívoco tanto da parte da Autoridade Fiscal e da Turma de Julgamento, que Fl. 9DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 10 manifestaram entendimento no sentido de que a receita de exportação dos produtos adquiridos de terceiros integrava apenas a receita operacional bruta, quanto da Recorrente, que manifestou entendimento de que a dita receita não integrava nenhum dos dois tipos de receita. Com efeito, em relação ao cálculo do quociente empregado na apuração do valor do crédito presumido do 1º trimestre de 2002, objeto da presente controvérsia, em conformidade com o disposto nos incisos I e II do § 15 do art. 3º Portaria MF nº 38, de 1997, a receita de exportação dos produtos adquiridos de terceiros integravam tanto a receita exportação (dividendo) quanto a receita operacional bruta (divisor). Dessa forma, adicionando o valor da receita de exportação dos produtos adquiridos de terceiros (R$ 577.751,20) aos valores da receita de exportação e da receita operacional bruta do 1º trimestre de 2002, informados pela Interessada no Demonstrativo do Crédito Presumido (DCP) de fls. 33/38, temse os seguintes resultados para o fator de cálculo e o valor do saldo do crédito presumido do período: NOVO DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO 1º TRIMESTRE 2002 DESCRIÇÃO DAS OPERAÇÕES VALOR (R$) 1 Receita de exportação acumulada até março/2002 (DCP fl. 37) 901.223,00 2 (+) Receita de exportação dos produtos adquiridos de terceiros 577.751,20 3 (=) Total da receita de exportação acumulada até março/2002 (1+2) 1.478.974,20 4 Receita operacional bruta acumulada até março/2002 (DCP fl. 37) 914.403,54 5 (+) Receita de exportação dos produtos adquiridos de terceiros 577.751,20 6 (=) Total receita operacional bruta acumulada até março/2002 (4+5) 1.492.154,74 7 Base de cálculo crédito presumido acumulada até março/2002(DCPfl. 38) 428.636,04 8 Fator aplicável sobre a base de cálculo 0,050758 9(=) Crédito presumido acumulado de janeiro a março/2002 (7x8) 21.756,90 Com base nos ajustes apresentados no Demonstrativo precedente, verificase que o valor do crédito presumido a que tem direito a Interessada, relativo ao 1º trimestre de 2002, é de R$ 21.756,90. Em decorrência, como o valor pleiteado nos presentes autos foi de R$ 29.025,95, fica mantida a glosa do valor de R$ 7.269,05. Da conclusão. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao presente Recurso, para reconhecer o direito da Interessada ao ressarcimento da quantia de R$ 21.756,90, referente ao crédito presumido do 1º trimestre de 2002, assim como homologar as compensações declaradas até o limite do valor do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 10DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13984.000403/200244 Acórdão n.º 3802000.488 S3TE02 Fl. 175 11 Voto Vencedor Conselheiro Regis Xavier Holanda, Redator. Com a devida vênia do i. relator, a divergência inaugurada cingese à composição da receita bruta de exportação e da receita operacional bruta a serem consideradas no cálculo do crédito presumido de IPI como ressarcimento da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Do crédito presumido do IPI para ressarcimento da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS A Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, que trata da instituição de crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, assim dispôs sobre a matéria em comento: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. .................................................... Negritei. Portanto, a lei amparou somente aqueles insumos empregados na fabricação dos produtos exportados, tendo por objetivo desagraválos da incidência das contribuições para o PIS e para a Cofins, ficando evidente que os insumos que forem revendidos para o exterior ou para o mercado interno, no mesmo estado em que foram adquiridos, sem que o exportador tenha efetuado qualquer operação de industrialização, não entram no cálculo do benefício porque não estão agasalhados pela lei. Regulamentando o assunto, a Portaria MF nº 38/97 trouxe ainda as seguintes disposições pertinentes à determinação do valor do crédito presumido a que teria direito a empresa produtora e exportadora: Fl. 11DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 12 Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Para efeito de determinação do crédito presumido correspondente a cada mês, a empresa ou o estabelecimento produtor e exportador deverá: I apurar o total, acumulado desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito, das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção; II apurar a relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, acumuladas desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito; III aplicar a relação percentual, referida no inciso anterior, sobre o valor apurado de conformidade com o inciso I; IV multiplicar o valor apurado de conformidade com o inciso anterior por 5,37% (cinco inteiros e trinta e sete centésimos por cento), cujo resultado corresponderá ao total do crédito presumido acumulado desde o início do ano até o mês da apuração; V diminuir, do valor apurado de conformidade com o inciso anterior, o resultado da soma dos seguintes valores de créditos presumidos, relativos ao ano calendário: a) utilizados para compensação com o IPI devido; b) ressarcidos; c) com pedidos de ressarcimento já entregues à Receita Federal. § 2º O crédito presumido, relativo ao mês, será o valor resultante da operação a que se refere o inciso V do parágrafo anterior. ....................................................................................... § 15. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais; Fl. 12DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13984.000403/200244 Acórdão n.º 3802000.488 S3TE02 Fl. 176 13 III venda com o fim específico de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. ....................................................................................... Posteriormente, a Lei nº 10.276/01 trouxe opção alternativa de cálculo para determinação do crédito presumido do IPI mediante a aplicação de fator que também levou em consideração a receita de exportação e a receita operacional bruta: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. § 2o O crédito presumido será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo referida no § 1o, do fator calculado pela fórmula constante do Anexo2. 2 F = 0,0365 x Rx , onde: (RtC) F é o fator; Rx é a receita de exportação; Rt é a receita operacional bruta; C é o custo de produção determinado na forma do § 1o do art. 1o; Rx é o quociente de que trata o inciso I do § 3o do art. 1o. (RtC) Fl. 13DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 14 .................................................... Negritei. Em seguida, as Portaria MF nº 64/2003 (revogadora da Portaria MF nº 38/97) e a Portaria MF nº 93/2004 (atualmente vigente), assim dispuseram respectivamente: Portaria MF nº 64/2003 Art. 3º ............................................ § 12. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora nos mercados interno e externo; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de produtos industrializados nacionais; III venda com o fim específico de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. Negrito aposto. Portaria MF nº 93/2004 Art. 3º ............................... § 12. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora nos mercados interno e externo; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora; III venda com o fim específico de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. Negritei. Pela análise da legislação, entendo que sendo o benefício fiscal destinado à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais e relativo às aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para utilização no processo produtivo de produto exportado, o coeficiente a ser utilizado na determinação desse benefício, para bem representálo, deve refletir uma relação entre o valor dos produtos industrializados pela pessoa jurídica que foram exportados e o valor total dos produtos industrializados que foram vendidos no mercado interno e externo. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13984.000403/200244 Acórdão n.º 3802000.488 S3TE02 Fl. 177 15 Ora, se desejamos chegar a um indicativo do total de insumos que foram utilizados na produção de bens exportados, parece lógico que a relação percentual a ser aplicada ao total de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na produção deve ser obtida entre valores representativos de produtos industrializados pela empresa (exportação e total). Dito de outra maneira, se o que se deseja é dar um benefício à empresa que produz e exporta, nada mais lógico que o coeficiente reflita essa relação, trazendo um indicativo do quanto dos insumos adquiridos foram empregados em produtos exportados. Permitir o ingresso no cálculo do coeficiente, seja no valor da receita de exportação (numerador) ou no valor da receita operacional bruta (denominador), de outros valores como os advindos da revenda de produtos seria contaminar a fórmula com valores estranhos à relação exportação/produção. Imaginemos a situação hipotética em que o valor das exportações (todas caracterizadas por revenda de mercadorias) representem 95% ou mais da receita operacional bruta, tendo sido os insumos empregados em sua totalidade na industrialização de produtos para o mercado interno. A consideração desse valor de exportações (revenda de mercadorias) no cálculo do coeficiente nos conduziria a aplicar esse alto percentual ao valor dos insumos adquiridos para fins de ressarcimento sem que qualquer desses insumos tenham sido empregados na industrialização de produtos exportados. Noutro giro, trabalhemos agora com a situação inversa na qual o total dos insumos adquiridos foram empregados em produtos exportados porém a relação de receita de exportação e receita operacional bruta fosse de apenas 5% ou menos devido ao fato da receita operacional bruta ser em sua quase totalidade advinda de simples revenda de produtos ao mercado interno. A consideração desse valor de receita operacional bruta no cálculo do coeficiente nos conduziria a aplicar esse baixo percentual ao valor dos insumos adquiridos para fins de ressarcimento em situação em que a totalidade dos insumos foram empregados na industrialização de produtos exportados. Portanto, se o benefício é atrelado aos insumos utilizados por empresa produtora e exportadora, o índice a ser aplicado deve refletir a utilização desses insumos na produção de bens exportados em relação a sua utilização total. Nesse sentido, como as Portarias que se sucederam no trato do assunto sempre estavam atreladas ao comando do artigo 1º da Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, entendo que, já que não houve alteração legal, estamos diante apenas de um aprimoramento redacional na explicitação dos conceitos de receita bruta de exportação e receita operacional bruta a serem considerados no cálculo da relação percentual ora tratada. Como exemplo que bem demonstra a ausência de inovação normativa e sim a busca pela correta definição dos conceitos a serem considerados no cálculo do coeficiente, sempre à luz do inalterado artigo 1º da Lei n° 9.363/96, o Ato Declaratório Normativo (ADN) Cosit nº 13, de 02/09/1998, ao tempo ainda da vigência da primeira Portaria (Portaria MF nº 38/97) já dispunha que “não integra a receita de exportação, para efeito de crédito presumido, o valor das vendas para o exterior, de produtos adquiridos de terceiros e que não tenham sido submetidos a qualquer processo de industrialização pelo produtor exportador, integrando, entretanto, a receita operacional bruta”. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 16 Registramos aqui apenas o equívoco – ao nosso ver – de não ter sido também reconhecida pelo referido ADN Cosit a devida exclusão dos produtos revendidos do total da receita operacional bruta. Com efeito, nesse ponto, as Portarias MF nºs 64/2003 e 93/2004, antes de inovarem a ordem jurídica, já que não houve alteração da base legal, objetivaram afastar outras linhas de interpretação – como a trazida pelo supracitado ADN Cosit para deixar claro que receita operacional bruta representa apenas a de produtos industrializados pela pessoa jurídica. Dessa forma, concluo por entender que a receita bruta de exportação e a receita operacional bruta a serem consideradas no cálculo do benefício devem ser as relacionadas ao produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica para o exterior e ao produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica nos mercados interno e externo respectivamente. Nesse sentido, em que pesem as divergências encontradas, há decisões do então 2º Conselho de Contribuintes: “...................................................................................... Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. ......................................................................................... A receita operacional bruta deve ser excluída da receita de produtos adquiridos de terceiros e revendidas no mercado interno, para efeito de apuração do crédito presumido de IPI” (2º CC1ª Câmara; Acórdão nº 201 79.877; Rel. Cons. José Antonio Francisco; decisão unânime em 08/12/2006) “........................................................................................ Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO E RECEITA BRUTA OPERACIONAL. REVENDAS AO EXTERIOR A receita de produtos adquiridos de terceiros e exportados deve ser excluída da receita de exportação e da receita operacional bruta para efeito de apuração da proporção entre insumos empregados em produtos exportados e o total dos insumos adquiridos. (2º CC1ª Câmara; Acórdão nº 20180.320; Rel. Cons. José Antonio Francisco; decisão neste ponto unânime em 24/05/2007) “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. Lei nº 9.363/96. FORMAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. VENDAS PARA O EXTERIOR DE Fl. 16DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13984.000403/200244 Acórdão n.º 3802000.488 S3TE02 Fl. 178 17 MERCADORIAS ADQUIRIDAS DE TERCEIROS NO PAIS. RELAÇÃO PERCENTUAL. EXCLUSÃO DO NUMERADOR E DO DENOMINADOR DA FRAÇÃO. O incentivo visa desonerar as exportações de produtos nacionais, e a expressão produtora e exportadora contida na lei, obviamente, não abrange produtos (mercadorias) que não tenham sido industrializados por quem quer se beneficiar do referido incentivo, como, por exemplo, as mercadorias adquiridas de terceiros, mas que, cujo destino, foi também o exterior. Assim, não presente um dos requisitos básicos, que o produto exportado tenha também sido produzido pelo exportador, correta é, para fins de estabelecimento da relação percentual que definirá a base de cálculo do incentivo, a retirada das Receitas de Exportação, das receitas de vendas de mercadorias adquiridas no mercado interno. Da mesma forma, tal exclusão deve se dar também no dividendo, ou no denominador, já que, se o que se busca é conceder um incentivo em face dos produtos exportados, ou seja, quanto mais se exportar, mais se será contemplado com o benefício, e, de outro lado, se se deseja que tal benefício leve em consideração o montante dos insumos efetivamente empregados nesses produtos exportados, nada mais coerente e justo que não sejam considerados na Receita Operacional Bruta os valores das receitas de vendas daqueles produtos para os quais não foram utilizados quaisquer insumos, que é o que ocorre com as mercadorias adquiridas de terceiros e vendidas ao exterior. (2º CC3ª Câmara; Acórdão nº 20313177; decisão em 07/08/2008) Da conclusão Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário para que as receitas decorrentes da revenda de produtos adquiridos de terceiros e que não tenham sido submetidos a qualquer processo de industrialização pelo produtor/exportador sejam também excluídas da receita bruta operacional na determinação do fator utilizado para o cálculo do crédito presumido do IPI. Sala das Sessões, em 01 de junho de 2011. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Fl. 17DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 18 Fl. 18DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 11030.000970/2008-30
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. GLOSA DE VALORES. MOTIVAÇÃO
ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE
DEFESA DA INTERESSADA. CAUSA DE NULIDADE NÃO
MATERIALIZADA.
O direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, segundo o qual, com respeito à nulidade do processo, somente àquela que sacrifica os fins de justiça deve ser declarada pela autoridade julgadora.
A nulidade por cerceamento ao direito de defesa exige seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito por parte do sujeito passivo.
Não há nulidade quando a autoridade fiscal, de forma suficiente, demonstra os motivos pelos quais indeferiu o pleito da interessada, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa que são assegurados ao administrado pela Constituição Federal, direito este cujo exercício restou materializado nas alegações aduzidas na peça recursal.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP E DA COFINS.
CRÉDITOS APURADOS EM RELAÇÃO A CUSTOS, DESPESAS E
ENCARGOS VINCULADOS A VENDAS PARA O MERCADO
INTERNO. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS
APENAS PARA A DEDUÇÃO DA CORRESPONDENTE
CONTRIBUIÇÃO DEVIDA.
A legislação concernente ao regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS autoriza o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, ressalvadas determinadas condições em que aduzido direito não é permitido, nos termos das leis instituidoras do referido regime.
Os créditos apurados dessa forma deverão ser utilizados, prioritariamente, para a dedução do valor devido das correspondentes contribuições a recolher.
Relativamente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados a receitas de exportação ou a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não-incidência
das contribuições em tela, a lei autoriza sua utilização para a compensação com outros tributos administrados pela RFB, ou ainda, mediante ressarcimento em espécie, caso não seja possível a utilização dos créditos para a dedução das contribuições a recolher até o final de cada trimestre do ano civil.
No entanto, o direito à ampla compensação ou ao ressarcimento em espécie não existe em relação às vendas efetuadas para o mercado interno, mesmo diante do fato de o produto estar sujeito a redução da base de cálculo da contribuição, posto que aludida redução não caracteriza hipótese de isenção ou de não-incidência
tributária, condições estas que estão albergadas pelo direito referenciado, nos termos ressaltados.
Assim, relativamente aos créditos do PIS-Pasep e da COFINS não-cumulativos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados às vendas para o mercado interno, tais créditos poderão ser utilizados, tão-somente, para a dedução da correspondente contribuição devida.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP E DA COFINS.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO FUNDADO EM DESPESAS DE
FRETES INTERNACIONAIS ONDE NÃO HOUVE A INCIDÊNCIA DA
CONTRIBUIÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
No regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS é vedado o direito a creditamento decorrente da aquisição de serviços de fretamento não sujeitos ao pagamento da contribuição, cuja contratação foi meramente intermediada por despachantes aduaneiros e pessoas jurídicas que se dedicavam à atividade de agenciamento de fretes internacionais, operados por empresa com sede no exterior.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
REGIME DE APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVA DAS CONTRIBUIÇÕES
SOCIAIS. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE OS CRÉDITOS.
IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL.
Em função da vedação legal objeto do artigo 13 da Lei n° 10.833/03, c/c artigo 15, inciso VI, da mesma Lei, é inaplicável a correção monetária ou a incidência de juros sobre os créditos apurados no regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-000.511
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade aduzida pela interessada e, no mérito, para negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 20 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 201106
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
numero_processo_s : 11030.000970/2008-30
conteudo_id_s : 6851148
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 18 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3802-000.511
nome_arquivo_s : Decisao_11030000970200830.pdf
nome_relator_s : FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
nome_arquivo_pdf_s : 11030000970200830_6851148.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade aduzida pela interessada e, no mérito, para negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
id : 9897828
ano_sessao_s : 2011
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. GLOSA DE VALORES. MOTIVAÇÃO ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA DA INTERESSADA. CAUSA DE NULIDADE NÃO MATERIALIZADA. O direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, segundo o qual, com respeito à nulidade do processo, somente àquela que sacrifica os fins de justiça deve ser declarada pela autoridade julgadora. A nulidade por cerceamento ao direito de defesa exige seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito por parte do sujeito passivo. Não há nulidade quando a autoridade fiscal, de forma suficiente, demonstra os motivos pelos quais indeferiu o pleito da interessada, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa que são assegurados ao administrado pela Constituição Federal, direito este cujo exercício restou materializado nas alegações aduzidas na peça recursal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP E DA COFINS. CRÉDITOS APURADOS EM RELAÇÃO A CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS VINCULADOS A VENDAS PARA O MERCADO INTERNO. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS APENAS PARA A DEDUÇÃO DA CORRESPONDENTE CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. A legislação concernente ao regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS autoriza o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, ressalvadas determinadas condições em que aduzido direito não é permitido, nos termos das leis instituidoras do referido regime. Os créditos apurados dessa forma deverão ser utilizados, prioritariamente, para a dedução do valor devido das correspondentes contribuições a recolher. Relativamente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados a receitas de exportação ou a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não-incidência das contribuições em tela, a lei autoriza sua utilização para a compensação com outros tributos administrados pela RFB, ou ainda, mediante ressarcimento em espécie, caso não seja possível a utilização dos créditos para a dedução das contribuições a recolher até o final de cada trimestre do ano civil. No entanto, o direito à ampla compensação ou ao ressarcimento em espécie não existe em relação às vendas efetuadas para o mercado interno, mesmo diante do fato de o produto estar sujeito a redução da base de cálculo da contribuição, posto que aludida redução não caracteriza hipótese de isenção ou de não-incidência tributária, condições estas que estão albergadas pelo direito referenciado, nos termos ressaltados. Assim, relativamente aos créditos do PIS-Pasep e da COFINS não-cumulativos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados às vendas para o mercado interno, tais créditos poderão ser utilizados, tão-somente, para a dedução da correspondente contribuição devida. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP E DA COFINS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO FUNDADO EM DESPESAS DE FRETES INTERNACIONAIS ONDE NÃO HOUVE A INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. No regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS é vedado o direito a creditamento decorrente da aquisição de serviços de fretamento não sujeitos ao pagamento da contribuição, cuja contratação foi meramente intermediada por despachantes aduaneiros e pessoas jurídicas que se dedicavam à atividade de agenciamento de fretes internacionais, operados por empresa com sede no exterior. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 REGIME DE APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVA DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE OS CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. Em função da vedação legal objeto do artigo 13 da Lei n° 10.833/03, c/c artigo 15, inciso VI, da mesma Lei, é inaplicável a correção monetária ou a incidência de juros sobre os créditos apurados no regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS. Recurso a que se nega provimento.
atualizado_anexos_dt : Sat May 20 09:03:48 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1766403271302316032
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2154; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 169 1 168 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.000970/200830 Recurso nº 876.231 Voluntário Acórdão nº 380200.511 – 2ª Turma Especial Sessão de 02 de junho de 2011 Matéria Ressarcimento PIS/Pasep Recorrente Comil Carrocerias e Ônibus Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. GLOSA DE VALORES. MOTIVAÇÃO ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA DA INTERESSADA. CAUSA DE NULIDADE NÃO MATERIALIZADA. O direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, segundo o qual, com respeito à nulidade do processo, somente àquela que sacrifica os fins de justiça deve ser declarada pela autoridade julgadora. A nulidade por cerceamento ao direito de defesa exige seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito por parte do sujeito passivo. Não há nulidade quando a autoridade fiscal, de forma suficiente, demonstra os motivos pelos quais indeferiu o pleito da interessada, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa que são assegurados ao administrado pela Constituição Federal, direito este cujo exercício restou materializado nas alegações aduzidas na peça recursal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP E DA COFINS. CRÉDITOS APURADOS EM RELAÇÃO A CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS VINCULADOS A VENDAS PARA O MERCADO INTERNO. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS APENAS PARA A DEDUÇÃO DA CORRESPONDENTE CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. A legislação concernente ao regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS autoriza o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, ressalvadas determinadas condições Fl. 1DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 em que aduzido direito não é permitido, nos termos das leis instituidoras do referido regime. Os créditos apurados dessa forma deverão ser utilizados, prioritariamente, para a dedução do valor devido das correspondentes contribuições a recolher. Relativamente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados a receitas de exportação ou a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência das contribuições em tela, a lei autoriza sua utilização para a compensação com outros tributos administrados pela RFB, ou ainda, mediante ressarcimento em espécie, caso não seja possível a utilização dos créditos para a dedução das contribuições a recolher até o final de cada trimestre do ano civil. No entanto, o direito à ampla compensação ou ao ressarcimento em espécie não existe em relação às vendas efetuadas para o mercado interno, mesmo diante do fato de o produto estar sujeito a redução da base de cálculo da contribuição, posto que aludida redução não caracteriza hipótese de isenção ou de nãoincidência tributária, condições estas que estão albergadas pelo direito referenciado, nos termos ressaltados. Assim, relativamente aos créditos do PISPasep e da COFINS não cumulativos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados às vendas para o mercado interno, tais créditos poderão ser utilizados, tão somente, para a dedução da correspondente contribuição devida. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP E DA COFINS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO FUNDADO EM DESPESAS DE FRETES INTERNACIONAIS ONDE NÃO HOUVE A INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. No regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS é vedado o direito a creditamento decorrente da aquisição de serviços de fretamento não sujeitos ao pagamento da contribuição, cuja contratação foi meramente intermediada por despachantes aduaneiros e pessoas jurídicas que se dedicavam à atividade de agenciamento de fretes internacionais, operados por empresa com sede no exterior. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 REGIME DE APURAÇÃO NÃOCUMULATIVA DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE OS CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. Em função da vedação legal objeto do artigo 13 da Lei n° 10.833/03, c/c artigo 15, inciso VI, da mesma Lei, é inaplicável a correção monetária ou a incidência de juros sobre os créditos apurados no regime da não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade aduzida pela interessada e, no mérito, para negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11030.000970/200830 Acórdão n.º 380200.511 S3TE02 Fl. 170 3 (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os Conselheiros José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ Santa Maria (fls. 116/137), a qual, por unanimidade de votos, não acolheu os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra despacho decisório que reconhecera apenas em parte pleito relacionado a direito creditório relativo ao PIS nãocumulativo de competência do 4o trimestre de 2007. Quanto à parte rejeitada do pleito, esta abrangeu os seguintes pontos: a) foram glosados os valores correspondentes às despesas com fretes marítimos internacionais prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, posto que referidas despesas não teriam sido alcançadas pelo PIS; b) também foram glosados os créditos apurados no mercado interno decorrentes de vendas operadas com redução da base de cálculo; c) houve glosa, ainda, de valores correspondentes a despesas com transporte de chassis de períodos anteriores ao trimestre em evidência, mas que haviam sido incluídos na base de cálculo do PIS cujo ressarcimento fora pleiteado. Com respeito à parcela do crédito reconhecida, a autoridade administrativa entendeu por restringir seu aproveitamento apenas para compensação com débitos do próprio PIS, restrição esta fundamentada em exegese do artigo 16 da Lei n° 11.116/05, c/c artigo 17 da Lei n° 11.033/04 e § 6° do artigo 150 da Constituição Federal. Relativamente aos créditos homologados, referida autoridade manifestouse no sentido de que a ampla compensação ou o ressarcimento só poderiam ser admitidos quanto às saídas destinadas para o mercado exterior – posto que a situação estaria amparada pelos §§ 1o e 2o do artigo 5o da Lei 10.637/02 – ou ainda, quanto aos créditos decorrentes das vendas para o mercado interno, se estas pudessem ser enquadradas em vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência, nos termos do artigo 17 da Lei no 11.033/04, uma vez que o artigo 16 da Lei n° 11.116/05 garantia o mesmo direito. Irresignada, a pleiteante apresentou manifestação de inconformidade onde ressaltou, em síntese: a) quanto à restrição para aproveitamento dos créditos homologados tão somente para compensação com débitos do próprio PIS, defende que a Fl. 3DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 venda das carrocerias ou ônibus no mercado interno se deu com redução da base de cálculo da contribuição, hipótese exonerativa que seria equivalente à figura da isenção parcial, amparada, pois, pelo disposto no artigo 17 da Lei no 11.033/04, c/c artigo 16 da Lei n° 11.116/05; b) que a legislação de regência asseguraria o direito à restituição de créditos do PIS nas compras de insumos utilizados na industrialização de produtos ou mercadorias acumulados trimestralmente, notadamente em razão da impossibilidade de se valer de dedução ou compensação da própria contribuição social ou com quaisquer tributos administrados pela RFB face ao amontoamento de créditos provocados pela preponderância de saídas imunizadas (vendas para o mercado externo ou ZFM), ou ainda, pela própria saída com parcial incidência do tributo (caso das vendas realizadas no mercado interno); c) que, nos termos do art. 16 da Lei n° 11.116, de 2005, o legislador ordinário teria vislumbrado impedir que os créditos ficassem inservíveis nos casos em que empresas, pela natureza particular de suas operações (exonerações totais ou parciais nas saídas), gerassem contínuo saldo credor da contribuição, o que, à mingua de débitos equivalentes, tornaria nulo o próprio direito de crédito concedido e inócua a sistemática da não cumulatividade engendrada no § 12 do art. 195 da CF; d) que o beneficio fiscal trazido pelo inciso II, § 2°, do art. 1°, da Lei n° 10.485, de 2002 – redução de base de cálculo – não teria o condão de interferir na forma ou modalidade de aproveitamento dos créditos resultantes desta exoneração parcial, porquanto tais créditos, mantidos na exata medida em que a saída tenha se dado com a redução da base imponível do tributo, seriam resultado de uma modalidade que ataca o aspecto quantitativo do fato gerador, de forma a dispensar parcialmente o pagamento do tributo, afeiçoandose, à vista disso, como regra isentiva; e) que, ainda que isenção não fosse, o art. 1°, § 2°, inciso II, da Lei n° 10.485, de 2002, determinaria a nãoincidência da norma tributária sobre uma parcela do fato econômico que enseja o pagamento do tributo (fato gerador), com a conseqüente possibilidade de aplicação do art. 16 da Lei n° 11.116/05 (recuperação total dos créditos descontados em operações anteriores por meio de ressarcimento); f) assevera que o § 6° do art. 150 da CF determina ser indispensável lei específica para fins de concessão dos direitos aos benefícios que enumera, nada exigindo ou ressalvando quanto à modalidade de aproveitamento dos créditos tributários: se por restituição ou compensação; g) que não faria sentido algum a concessão ao direito de ressarcimento (restituição) a quem pode o mais – aquele que é agraciado com a isenção ou nãoincidência total do pagamento da contribuição na saída do produto de seu estabelecimento – e tolher (prejudicar) a fruição deste mesmo direito (ou a ele análogo) a quem pode o menos – aquele que é beneficiado apenas com isenção ou nãoincidência parcial (redução de base de cálculo) do tributo na saída das mercadorias (produtos); Fl. 4DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11030.000970/200830 Acórdão n.º 380200.511 S3TE02 Fl. 171 5 h) que esta disparidade de critérios seria inadmissível, desequilibrando e colidindo com os princípios da isonomia e seus consectários, proporcionalidade e razoabilidade, todos da CF de 1988, vetores a orientar o Sistema Tributário Nacional, inclusive o aplicador da lei fiscal; i) que não mereceria ser acolhida a distinção feita, devendo ser corrigido o Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal e, por conseqüência, o Despacho Decisório, por serem substancialmente inválidos, improcedentes, ilegais e, também, inconstitucionais, devendo eles se adequarem à melhor interpretação das normas, visandose resguardar o ressarcimento dos créditos já reconhecidos e quantificados, resultantes das vendas de ônibus ou carrocerias operadas no mercado interno; j) que seu direito à compensação estaria amparado pelo art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 49 da Lei n° 10.637, de 2002. Sobre a exclusão das despesas com fretes marítimos internacionais da base de cálculo da contribuição, aduz o seguinte: a) que o termo de verificação fiscal seria nulo por falta de fundamentação legal, face à inobservância aos incisos IV, art. 10, II, art. 59, ambos do Decreto n° 70.235/72, e I, art. 50 da Lei n° 9.784/99; b) que o art. 110 do CTN teria vedado qualquer alteração ou restrição infraconstitucional tendente a limitar a aplicabilidade da sistemática da não cumulatividade, a qual, à luz da Constituição Federal, permitiria a manutenção e o crédito do tributo sobre a totalidade dos produtos ou bens adquiridos, sem exceção; c) que, por força do art. 3° da Lei n° 10.637/02, a operação não poderia ser onerada pelo custo representado pelo quantum do bem, serviço ou mercadoria adquirida, como no caso da empresa, que apurou e escriturou os créditos da contribuição resultantes das despesas com fretes marítimos incorridas, indispensáveis à vazão de suas carrocerias e ônibus para clientes sediados no exterior; d) que a apuração dos créditos encontraria amparo expresso no inciso IX do art. 3° da Lei n° 10.833/03, e que a despesa passível de creditamento teria como requisitos únicos os dispostos no inciso II do § 3° do art. 3° da referida Lei, tendo a empresa observado rigorosamente os pressupostos exigidos, sobretudo porque os créditos do PIS seriam indiscutivelmente decorrentes de fretes marítimos adquiridos e pagos à pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil; e) que não poderia haver dúvidas acerca da regularidade dos créditos calculados sobre os fretes marítimos, seja porque foram eles adquiridos de pessoas jurídicas constituídas e operantes no País, seja porque foram pagos (creditados) às mesmas, também em território nacional, resultando ser Fl. 5DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 6 forçoso reconhecer que estariam preenchidos todos os requisitos dos incisos I e II, § 3°, do art. 3° da Lei n° 10.833/03; f) que referido serviço não poderia se enquadrado como insumo, mormente porque ditos fretamentos não são aplicados, transformados fisicamente, ou mesmo consumidos no processo de industrialização desses bens; g) que qualquer outro juízo fiscal cujo intento seja o de elastecer o alcance da restrição contida na norma esbarraria no princípio da tipicidade cerrada (reserva legal) e nos rigores dos comandos prescritos pelos arts. 97, 142 e 108 e §§ do CTN. Relativamente à apuração dos créditos sobre as despesas com transporte de chassis, assevera que a Fiscalização não teria fundamentado a glosa dos valores em tela referente a períodos diversos do trimestre correspondente ao pedido de ressarcimento, razão pela qual propugna a nulidade do procedimento por cerceamento ao seu direito de defesa. Sobre a questão, a reclamante alega que a fiscalização, para a glosa dos valores, teria se limitado a sugerir que aludidos créditos deveriam ter sido incluídos nos correspondente meses de apuração, pois, caso contrário, ocorreria uma distorção no cálculo do crédito. Aduz, ainda, que a empresa estava amparada pelo direito à apuração, manutenção e ressarcimento ou compensação dos créditos, ainda que extemporâneos, cujas raízes estão fincadas na Constituição Federal como garantia do primado da nãocumulatividade das contribuições sociais (§ 12 do art. 195). Defende, também, que, em que pese a involuntária extemporaneidade dos pedidos formulados, inexistiria preceito legal capaz de impedir a empresa de exercer o direito compensatório ou restituitório dos créditos calculados sobre as despesas com serviços de transportes de chassis, e que a ocorrência de eventuais distorções nos cálculos dos créditos ou coeficientes utilizados pelo Fisco não poderia ser utilizada como motivação para o descumprimento do texto legal (arts. 97, 142 e 108 e §§ do CTN), não havendo que se falar em desajustes no trimestrecalendário sub judice que não se verificariam em eventuais procedimentos de retificação de DACONs e PER/DCOMPs atinentes aos períodos de apuração em que pagas as despesas com serviços de fretes. Ressalta, por fim, que os créditos em tela, embora não tivessem sido objeto de pedidos de ressarcimento nos trimestres de origem, estariam regularmente contabilizados e devidamente amparados por documentos fiscais probatórios dos dispêndios efetuados, de modo que, uma vez mantidos, se lhes aplicaria o preceito estabelecido nos §§ 4º dos arts. 3º das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, segundo o qual o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. Quanto à correção dos créditos, defende que os mesmos deveriam ser atualizados, e isso com fulcro na proteção da empresa da corrosão inflacionária da moeda. Referida atualização deveria se dar com base na taxa SELIC, nos termos de jurisprudência do Conselho de Contribuintes e de doutrina nesse sentido. Em seu pedido final, se manifesta pela nulidade do despacho decisório atacado. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, de cuja decisão a pleiteante fora cientificada em 24/02/2010 (fls. 139). Fl. 6DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11030.000970/200830 Acórdão n.º 380200.511 S3TE02 Fl. 172 7 Inconformada, a empresa, em 26/03/2010, apresentou o recurso voluntário de fls. 140/167, onde se insurge contra a decisão recorrida com fundamento nos mesmos argumentos já expostos na primeira instância recursal, aduzindo em acréscimo, notadamente, que os pagamentos relativos aos fretes teriam sido realizados a pessoas jurídicas/sucursais domiciliadas no país, embora com sede no exterior, mas que isso não obstaculizaria o creditamento em litígio, amparado que estaria pela lei n° 10.833/03, em cuja redação inexistiria “[...] menção à ‘sede’ da pessoa jurídica contratada para o fretamento, conquanto esteja ela ‘domiciliada’ no país!”. Diante do exposto, requer a reforma do acórdão vergastado para “JULGAR/DECLARAR:” a) o despacho decisório inválido ou improcedente; b) o direito à compensação dos créditos reconhecidos nos moldes prescritos pelo art. 74 da Lei n° 9.430/96 e alterações posteriores; c) o direito creditório calculado sobre as despesas com fretes marítimos e sua utilização para ressarcimento ou compensação; d) a “ressarcibilidade” ou “compensabilidade” dos créditos calculados sobre as despesas com transportes de chassis, tal qual informados na PER/DCOMP que deu origem ao PAF em lide, nos moldes dos arts. 3 das Leis 10.637/02 e 10.833/03, determinando a improcedência da glosa fiscal; e, e) a atualização dos créditos pela taxa SELIC. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Ainda em sede de preliminar, existe uma questão de nulidade a qual, adianto, está afastada, mas cujas razões serão demonstradas quando do exame do mérito, dado o liame que existe entre os argumentos em prol da nulidade apresentados pela recorrente e as questões relativas aos fundamentos da lide analisadas. Conforme relatado, vêse que a contenda envolve discussão acerca de pedido de ressarcimento de créditos do PIS, de competência do quarto trimestre de 2007, onde parte do direito creditório não foi reconhecido em decorrência da exclusão da base de cálculo dos valores correspondentes às despesas com fretes marítimos internacionais prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, despesas estas não alcançadas pela COFINS e pelo PIS. Com respeito à parcela do crédito homologada pela autoridade administrativa, seu aproveitamento ficou restrito apenas à compensação com débitos do próprio PIS, restrição esta Fl. 7DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 8 fundamentada em exegese do artigo 16 da Lei n° 11.116/05, c/c artigo 17 da Lei n° 11.033/04 e § 6° do artigo 150 da Constituição Federal. Relativamente à parcela do crédito homologada, segundo o raciocínio aplicado, a ampla compensação ou o ressarcimento só seriam admitidos se as saídas tivessem sido destinadas para o mercado exterior – posto que a situação estaria amparada pelos §§ 1o e 2o do artigo 5o da Lei 10.637/02 – ou se o caso pudesse ser enquadrado em hipótese de venda com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência, nos termos do artigo 17 da Lei no 11.033/04, uma vez que o artigo 16 da Lei n° 11.116/05 garantia o mesmo direito. Finalmente, merecerá exame, também, a questão relacionada ao aduzido erro no cálculo dos créditos sobre as despesas com transporte de chassis, bem como a pleiteada correção monetária pela taxa SELIC. A primeira questão que necessita ser analisada diz respeito à existência ou não de direito a compensação com outros tributos federais, ou a ressarcimento, dos créditos do PIS decorrentes das vendas efetuadas no mercado interno com redução da base de cálculo. Para tanto, convém sejam feitas breves considerações acerca do regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, dada a grande similitude entre os regimes de incidência nãocumulativa das referidas contribuições. O regime de incidência nãocumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS foi instituído, respectivamente, pelas leis nº 10.637, de 30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), e 10.833, de 29/12/2003 (conversão da medida Provisória no 135, de 2003), tendo passado a produzir efeitos, em relação à nãocumulatividade dessas contribuições – na mesma ordem – a partir de 1o de dezembro de 2002 e de 1o de fevereiro de 2004. Ressalvadas as exceções legais, estão sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda que apuram o IRPJ com base no lucro real. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS as alíquotas das contribuições em evidência são, em regra, de, respectivamente, 1,65% (artigo 2o da Lei no 10.637/2002) e 7,6% (artigo 2o da Lei no 10.833/2003). No entanto, as leis instituidoras do regime da nãocumulatividade prevêem hipóteses legais que ensejam a aplicação de bases de cálculo e de alíquotas específicas, nos termos dos parágrafos objeto dos correspondentes artigo 2o de cada uma das leis em comento, dentre as quais a condição prescrita pelo inciso III do § 1o dos respectivos artigo 2o (incluídos pela Lei nº 10.865, de 2004), que determina a aplicação do disposto no artigo 1o da Lei 10.485, de 3/07/2002, para os produtos ali elencados (onde se enquadra a mercadoria industrializada pela reclamante), dispositivo este que estipula a alíquota de 2% para o PIS/Pasep a ser aplicada sobre uma base de cálculo reduzida em 48,1%, conforme se observa abaixo: Lei 10.485, de 3/07/2002 Art. 1o As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Fl. 8DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11030.000970/200830 Acórdão n.º 380200.511 S3TE02 Fl. 173 9 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 1o O disposto no caput, relativamente aos produtos classificados no Capítulo 84 da TIPI, aplicase, exclusivamente, aos produtos autopropulsados. § 2o A base de cálculo das contribuições de que trata este artigo fica reduzida: [...] II em 48,1% (quarenta e oito inteiros e um décimo por cento), no caso de venda de produtos classificados nos seguintes códigos da TIPI: 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 8702.10.00 Ex 02, 8702.90.90 Ex 02, 8704.10.00, 87.05 e 8706.00.10 Ex 01 (somente os destinados aos produtos classificados nos Ex 02 dos códigos 8702.10.00 e 8702.90.90). A legislação pertinente ao regime autoriza, ainda, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos do artigo 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O cálculo do crédito é realizado mediante a aplicação das mesmas alíquotas específicas para o PIS/Pasep e para a COFINS sobre referidos custos, despesas e encargos (vide artigo 3o, § 1o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). Referidas leis, em seus correspondentes artigo 3o, § 2o, fazem ressalvas ao direito de creditamento em tela. Assim, não dará direito a crédito o valor da mãodeobra paga a pessoa física (hipótese prevista originariamente nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), bem como (e agora incluídas pela Lei 10.865/2004) as quantias despendidas na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, e aqui (isenção), quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. Doravante, voltaremos a essa questão. Os créditos apurados deverão ser utilizados, prioritariamente, para a dedução do valor devido das correspondentes contribuições a recolher. No caso de créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados a receitas de exportação, poderão tais créditos ser utilizados para a compensação com outros débitos da própria empresa, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Nesse caso, as leis instituidoras da nãocumulatividade admitem, ainda, o ressarcimento em dinheiro, caso não seja possível a utilização dos créditos para a dedução das contribuições a recolher até o final de cada trimestre do ano civil. Feitas as observações de natureza mais geral sobre o regime da não cumulatividade das contribuições sociais, passemos para os pontos especificamente relacionados à lide. Do alegado direito a ressarcimento em espécie ou para compensação com outros tributos dos créditos do PIS decorrentes das vendas efetuadas no mercado interno com redução da base de cálculo da contribuição A primeira questão posta em exame requer seja examinado se existe direito à compensação com outros tributos, ou para ressarcimento em espécie, dos créditos do PIS decorrentes das vendas efetuadas no mercado interno com redução da base de cálculo da Fl. 9DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 10 contribuição em tela. Não há questionamento quanto ao direito de creditamento (a não ser em relação aos outros problemas adiante analisados), já que tal direito está claramente amparado pelo artigo 3o da mencionada Lei 10.637/02 (bem como pelo artigo 3o da Lei 10.833/03, no caso da COFINS). Com respeito às receitas decorrentes da prestação de serviços para o exterior com ingresso de divisas ou à exportação de mercadorias (ou operação equivalente), o artigo 5o da Lei 10.637/02, ao estabelecer a nãoincidência da contribuição sobre aludidas receitas, autoriza, nessas hipóteses, a utilização dos créditos apurados na forma do artigo 3o, inclusive, por meio de compensação com débitos próprios de outros tributos administrados pela RFB ou ressarcimento em dinheiro, nos termos do referido dispositivo, abaixo reproduzido: Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. [...] (grifos nossos) Além disso, nos termos do artigo 16 da Lei no 11.116, de 18/05/2005, o saldo credor da contribuição para o PIS/Pasep ou COFINS, apurado na forma do artigo 3o das Leis 10.637/02 e 10.833/03 (além do saldo pela incidência das referidas contribuições sobre as importações) em virtude do disposto no artigo 17 da Lei no 11.033, de 21/12/2004 (vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência das contribuições em tela) poderá também ser aproveitado da mesma forma que a prevista no artigo 5o da Lei 10.637/02 e artigo 6o da Lei 10.833/03, ou seja, mediante compensação com débitos próprios de outros tributos federais, ou ainda, ressarcimento em dinheiro, nos termos estabelecidos pelo comentado preceito legal, abaixo transcrito: Lei nº 11.116, de 18/05/2005 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em Fl. 10DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11030.000970/200830 Acórdão n.º 380200.511 S3TE02 Fl. 174 11 virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. (grifo nosso) Como se vê, o direito à utilização dos créditos do PIS e da COFINS para a compensação com débitos de outros tributos administrados pela RFB, assim como por meio de ressarcimento em dinheiro, é restrito para os casos em que aludidos créditos tiverem sido apurados na forma do artigo 3o das Leis 10.637/02 e 10.833/02, dentre outros, sobre custos, despesas e encargos necessários à fabricação de mercadorias exportadas ou à prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior cujo pagamento represente ingresso de divisas (§§ 1o e 2o do artigo 5o da Lei 10.637/02 e §§ 1o a 3o do artigo 6o da Lei 10.833/03), bem como em virtude de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência das contribuições em tela (artigo 16 da Lei no 11.116/05 c/c artigo 17 da Lei 11.033/04). No entanto, o crédito da contribuição objeto da lide decorre da aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos vendidos no mercado interno, condição que, conforme demonstrado, não encontra abrigo legal que garanta o direito à ampla compensação ou ao ressarcimento em dinheiro que a lei confere aos créditos apurados na fabricação de bens exportados. Resta examinar apenas se referidas alienações podem ser enquadradas como operações realizadas com isenção ou nãoincidência, como defende a empresa interessada. Neste comenos, também não há direito que ampare a tese aduzida pela recorrente, conforme fundamentos na sequência delineados. A isenção tributária, para os doutrinadores mais antigos (Rubens Gomes de Sousa, Amílcar de Araújo Falcão, Fábio Fanucchi, dentre outros), é a dispensa legal de pagamento de tributo devido. Segundo essa tese, na isenção ocorre o fato gerador, a incidência tributária e a materialização da obrigação tributária, que, no entanto, é dispensada pela lei isentiva. Não obstante as pesadas críticas contrárias a essa linha conceitual, não se pode negar que tal ideia está em sintonia com o artigo 175, inciso I, do CTN, que coloca a isenção como hipótese de exclusão do crédito tributário. Souto Maior Borges, por sua vez, defende que [...] nãoincidência, imunidade e isenção apresentam como nota comum a circunstância de, em face delas, não surgir o vínculo jurídico denominado incidência [...]. E, sem a incidência do tributo, não surge a obrigação tributária. (grifei) Fl. 11DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 12 (BORGES, Souto Maior. Teoria geral da isenção tributária. Malheiros: São Paulo. 3.ed. 2001. p.190) Até aqui, nenhum problema com a doutrina contemporânea. Mas a recorrente, fundada exatamente em lição de Souto Maior Borges, além de Ives Gandra Martins e em jurisprudência do STF (para o ICMS), aduz que a hipótese normativa na qual se enquadra diz respeito às chamadas isenções parciais, onde “[...] surge o fato gerador da tributação, constituindose, portanto, a obrigação tributária, embora o quantum do débito seja inferior ao que normalmente seria devido se não tivesse sido estabelecido preceito isentivo”. E assim, caracterizada a redução da base de cálculo como isenção, estaria a empresa amparada pelo direito de compensar os créditos do PIS com débitos de outros tributos administrados pela RFB, ou ainda, pelo direito ao ressarcimento em dinheiro, alicerçada que estaria pelo artigo 16 da Lei no 11.116/05, c/c artigo 17 da Lei no 11.033/04. No entanto, não obstante a respeitável doutrina e jurisprudência em que a recorrente se alicerça, não há como se aceitar a tese da isenção parcial defendida pela mesma. Luciano Amaro leciona que a técnica da isenção “[...] consiste em estabelecer, em regra, a tributação do universo, e, por exceção, as espécies que ficarão fora da incidência, ou seja, continuarão não tributáveis. Essas espécies excepcionadas dizemse isentas” (Direito Tributário Brasileiro. 15. ed. São Paulo: Saraiva. 2009. p. 280) (grifei). Por sua vez, Paulo de Barros Carvalho explica a isenção tributária a partir da divisão das normas jurídicas em normas de comportamento e em normas de estrutura; nestas, inclui as regras de isenção, cuja forma de ação envolve o ataque a um ou mais dos critérios da norma, mutilandoos parcialmente. Ressalta o i. professor que a isenção subtrai parcela do campo de abrangência do critério do antecedente (p. ex., critério espacial) ou do consequente (p. ex., sujeito passivo) da norma jurídica tributária, impedindo o tributo de nascer (e aqui, entendase, de nascer na sua totalidade). Exatamente por isso é que não se pode confundir subtração do campo de abrangência do critério do antecedente ou do consequente com a redução (parcial, portanto) da base de cálculo ou da alíquota do tributo. Nesse sentido, postula que a diminuição que se processa no critério quantitativo, mas que não conduz ao desaparecimento do objeto, não é isenção – muito embora a doutrina a denomine de isenção parcial –, mas apenas providência modificativa que reduz o quantum do tributo que deve ser pago. Nas palavras do próprio autor: Não confundamos subtração do campo de abrangência do critério da hipótese ou da conseqüência com mera redução da base de cálculo ou da alíquota, sem anulálas. A diminuição que se processa no critério quantitativo, mas que não conduz ao desaparecimento do objeto, não é isenção, traduzindo singela providência modificativa que reduz o quantum do tributo que deve ser pago. O nome atribuído pelo direito positivo e pela doutrina é isenção parcial. (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 6. ed. São Paulo: Saraiva. 1993. p. 333334) (grifei) Seguindo essa mesma linha, e criticando a tese das isenções parciais (na qual se embasa intensamente a defesa da reclamante, como ressaltado), Sacha Calmon Navarro Coêlho: [...] à luz da teoria da norma jurídica tributária, a denominação isenção parcial para o fenômeno da redução parcial do imposto a pagar, através das minorações diretas de bases de cálculo e de alíquotas, afigura se absolutamente incorreta e inaceitável. A isenção ou é total ou não é, Fl. 12DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11030.000970/200830 Acórdão n.º 380200.511 S3TE02 Fl. 175 13 porque a sua essentialia consiste em ser modo obstativo ao nascimento da obrigação. Isenção é o contrário de incidência. As reduções, ao invés, pressupõem a incidência e a existência do dever tributário instaurado com a realização do fato jurígeno previsto na hipótese de incidência da norma de tributação. As reduções são diminuições no quantum da obrigação, via base de cálculo rebaixada ou alíquota reduzida. (grifo nosso) (COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Curso de direito tributário brasileiro. 9. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2008, p. 196) Portanto, seja admitindo a isenção como hipótese de exclusão do crédito tributário, seja aceitando a ideia de isenção como excludente da norma hipotética de incidência, no caso em exame – onde houve, tãosomente, uma redução da base de cálculo do PIS (em 48,1%, imposta pelo artigo 1o, inciso II, da Lei 10.485/02) e a estipulação de uma alíquota, inclusive, mais elevada que a ordinariamente estabelecida (2% contra 1,65%) –, não há que se falar em isenção, já que todos os elementos necessários à constituição do crédito tributário – este, efetivamente existente – se fazem presentes. Aliás, e agora nos restringindo à tese da isenção como hipótese de dispensa legal de pagamento de tributo devido – na forma do CTN – a sustentabilidade lógica da proposição defendida pela reclamante necessitaria fossem alterados os fundamentos necessários à classificação da isenção como uma hipótese de exclusão do crédito tributário, estabelecida pelo artigo 175, I, do CTN, normativamente, portanto. Já a tese da isenção parcial requer, como condição sine qua non, seja afastada a incidência do tributo e o surgimento da obrigação tributária principal, criando o denominado fato gerador isento, previamente, pois, à materialização da obrigação tributária, posto que seria impraticável defender tal tese uma vez materializada, na sua totalidade, a obrigação tributária, que, neste caso, deveria subsistir apenas em parte. Enfim, a questão em exame representa exclusivamente o estabelecimento de base de cálculo e alíquota específicas visando reduzir a carga tributária de um particular seguimento da economia, o que, de forma alguma, se assemelha à isenção, posto que incompatível: a) com a tese mais tradicional – isenção como hipótese normativa de exclusão do crédito tributário (artigo 175, inciso I, do CTN); b) com a tese da isenção como excludente da norma hipotética de incidência – que exige seja a isenção conferida na sua totalidade. Aliás, a alteração da alíquota pode ocorrer não apenas para reduzir a carga tributária, mas também para aumentála (como não raro ocorre), o que põe por terra em definitivo a tese da isenção parcial. O caso em exame também não se enquadra como nãoinciência tributária, como, alternativamente, defende a reclamante. Redução de base de cálculo nada tem a ver com nãoincidência da norma tributária. A nãoincidência, como defende Sacha Coêlho, é um “nãoser”. Enquanto a isenção advém de norma positiva que estabelece condição onde a norma hipotética de incidência não tem alcance, na nãoincidência simplesmente não há norma, ou seja, o ato praticado é estranho ao campo da normatividade tributária. Exatamente por isso é que Geraldo Ataliba, de forma brilhante, comparava a nãoincidência ao nãocrime. Por seu turno, no caso presente, a própria redução da base de cálculo é suficiente para demonstrar de forma transparente a materialidade da hipótese de incidência, Fl. 13DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 14 que, por alcançar a realidade fática, comprova não se enquadrar o fato no âmbito da não incidência tributária. Portanto, relativamente aos créditos do PIS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados a vendas efetuadas para o mercado interno com redução da base de cálculo, diante do fato de referida redução não se enquadrar como hipótese de isenção ou de nãoincidência tributária, concluise que não há amparo legal que possibilite a utilização desses créditos para fins de compensação com outros tributos federais, ou ainda, para ressarcimento em dinheiro. Assim, em relação a referidos créditos, cabível apenas sua utilização para dedução da própria contribuição devida pela empresa interessada. Negase, pois, provimento ao recurso neste âmbito. Da inaplicabilidade, ao caso, do direito prescrito pela Lei no 9.430/96 Também não merece acolhida o argumento aduzido pela empresa recorrente concernente à alegada aplicabilidade ao caso do disposto no artigo 74 da Lei no 9.430/96. Com efeito, o caput do referido dispositivo, segundo redação dada pela Lei nº 10.637/02, garante o direito à compensação de créditos do contribuinte com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB, mas isso apenas em relação a créditos passíveis de restituição ou de ressarcimento, conforme se observa do preceito acima referenciado: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (grifo nosso) Como demonstrado, os créditos da reclamante não se enquadram como passíveis de restituição ou de ressarcimento, razão pela qual o artigo 74 da Lei no 9.430/96 não ampara o direito que a mesma alega fazer jus. Do alegado direito a creditamento do PIS pela realização de despesas com fretamento Conforme já revelado, a legislação pertinente ao regime da não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS autoriza o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos do artigo 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Referidas leis, no entanto, em seus correspondentes artigo 3o, § 2o (com as alterações implementadas pela Lei nº 10.865, de 2004), fazem ressalvas ao direito de creditamento em tela, como, por exemplo, aquela objeto de seu inciso II, segundo o qual não dará direito a crédito o valor “da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição”. Quanto às despesas com armazenagem e fretes, interessante observar que a possibilidade de utilização dessas despesas para fins de apuração de créditos decorrentes da nãocumulatividade do PIS e da COFINS se encontra explicitada no inciso IX do artigo 3o da Lei no 10.833/03 (relativa à COFINS nãocumulativa), inciso este que, por força do disposto no Fl. 14DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11030.000970/200830 Acórdão n.º 380200.511 S3TE02 Fl. 176 15 artigo 15, inciso II, da referida Lei, é aplicável também para o PIS/Pasep não cumulativo. Para maior clareza reproduzo os preceitos legais em comento: Lei 10.833/03 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1o e 10 a 20 do art. 3o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) A motivação arguida pela autoridade recorrida para indeferir o direito ao creditamento sobre referidas despesas foi a nãoincidência do PIS sobre os fretes marítimos internacionais prestados por empresas domiciliadas no exterior. Inicialmente, não se questiona que o ônus das operações com frete tenha sido integralmente suportado pela reclamante. O motivo para a glosa de tais despesas, como consignado no termo de verificação fiscal, foi a contratação de fretes com empresas domiciliadas no exterior. Com efeito, os incisos I e II do § 3o do artigo 3o das Leis 10.637/02 e 10.833/03 restringem o direito ao crédito: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Ademais, prescreve o inciso II do § 2o do artigo 3o das Leis 10.637/02 e 10.833/03 (acima já referenciado): § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Contraditanto não haver desobedecido a esses preceitos, a reclamante insiste que os créditos do PIS em contenda advêm de fretes marítimos “adquiridos” e “pagos” a pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil. Especificamente, assevera que os pagamentos relativos aos fretes teriam sido realizados a pessoas jurídicas/sucursais domiciliadas no país, embora com sede no exterior, mas que isso não obstaculizaria o creditamento em litígio, amparado que estaria pela lei n° 10.833/03, em cuja redação inexistiria “[...] menção à ‘sede’ da pessoa jurídica contratada para o fretamento, conquanto esteja ela "domiciliada" no país!”. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 16 No entanto, segundo o termo de verificação fiscal e decisão vergastada, o agenciamento dos serviços de fretamento foi intermediado por despachantes aduaneiros e pessoas jurídicas que se dedicavam à atividade de agenciamento de fretes internacionais. Nesse diapasão, consta da decisão recorrida: Muito embora o ônus das operações de frete tenha sido suportado pela empresa (vendedora), se pode inferir pelos documentos de fls. 42/47 que o fretamento dos bens que vendeu ao mercado externo foram operados por empresas cuja sede está no exterior, sendo que, conforme informado pela Fiscalização, o agenciamento daqueles serviços foram intermediados por despachantes aduaneiros que atuavam como representantes da contribuinte. Atentese que a empresa nada manifestou a este propósito em sua peça de descontentamento, sendo de ser salientado que daquilo que fundamentado pela Fiscalização, entendese que na verdade a contribuinte contratava, também, pessoas jurídicas domiciliadas no País que se dedicavam à atividade de agenciamento de fretes internacionais, fazendo o pagamento do serviço de transporte para elas. Nesse caso, é preciso ressaltar que tais agenciadores não prestam o serviço de transporte, não sendo eles os recebedores do pagamento por tais serviços. Na verdade os valores entregues para os agenciadores correspondem aos pagamentos dos transportadores, resultando que para atendimento da exigência legal (custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País), necessário se faz que o transportador (o prestador do serviço de transporte internacional) seja domiciliado no País. (grifos nossos) Sobre a questão, importa destacar que a recorrente não acostou aos autos nenhuma prova capaz de demonstrar que as empresas nacionais que receberam pelos serviços de frete teriam efetivamente prestado tais serviços, não tendo agido tãosomente como agenciadoras dos fretes. Em relação ao inciso II do § 2o do artigo 3o das Leis 10.637/02 e 10.833/03, acima reproduzido, entendo que, de fato, as despesas com frete não se enquadram na vedação ali contida, já que estas não se enquadram como insumos. Não obstante, a glosa dos valores correspondentes aos fretes internacionais encontra guarida no inciso II do § 3o do artigo 3o da Lei 10.637/02, já que não foram pagos a pessoa jurídica domiciliada no País, como demonstrado. Finalmente, e ainda em relação à glosa dos valores correspondentes a fretes, a reclamante alega nulidade do procedimento fiscal por falta de fundamentação legal. No procedimento fiscal vergastado, todavia, não se vislumbra a existência de qualquer vício capaz de fundamentar a nulidade do ato administrativo em questão. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as hipóteses de nulidade estão previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, que considera nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Neste comenos, é importante ressaltar que o direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, que traz como consequência, com respeito à nulidade do processo, que somente àquela que sacrifica os fins de justiça do processo deve ser declarada pela autoridade julgadora. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11030.000970/200830 Acórdão n.º 380200.511 S3TE02 Fl. 177 17 Com efeito, a doutrina pátria é pacífica quando entende que a nulidade por cerceamento ao direito de defesa exige seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito por parte do sujeito passivo. Assim, não se declarará nulo nenhum ato processual quando este não causar prejuízo à parte ou ao acusado. E prejuízo à defesa, de fato, não houve, o que se extrai da minuciosa e pontual defesa apresentada pela interessada. Aliás, tanto no termo de verificação fiscal quanto no despacho decisório da unidade de origem são referenciadas as normas que tratam do regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, informação que, associada aos claros motivos para a glosa das despesas com frete, contraditados pela reclamante, demonstram a ausência de razões capazes de sustentar a nulidade do procedimento. Portanto, uma vez afastada a nulidade reclamada, e considerando que os fretes internacionais foram pagos a pessoa jurídica não domiciliada no país, legítima a glosa dos pagamentos em tela para fins de creditamento do PIS. Do cálculo dos créditos sobre as despesas com transporte de chassis Conforme relatado, vêse que, relativamente à apuração dos créditos sobre as despesas com transporte de chassis houve glosa parcial dos valores pleiteados, não tendo sido admitidos os valores calculados com base em despesas de períodos diversos do trimestre correspondente ao pedido de ressarcimento. A justificativa da fiscalização para a glosa foi baseada na distorção no cálculo do crédito decorrente da inclusão de bases de cálculo de períodos outros daquele objeto do pleito. A recorrente, por sua vez, propugna pela nulidade do procedimento por cerceamento ao seu direito de defesa, uma vez que a autoridade administrativa não teria fundamentado adequadamente a glosa em evidência. Aduz, ainda, que teria direito ao crédito como garantia do primado da nãocumulatividade das contribuições sociais (§ 12 do art. 195 da Constituição Federal) e em vista dos demais argumentos anteriormente relatados. Primeiramente, importa destacar que a fiscalização, em nenhum momento, se contrapôs ao direito de creditamento da empresa relativamente às despesas com transporte de chassis, mas sim à forma como a mesma resolveu operacionalizar seu pedido, incluindo no pleito correspondente ao quarto trimestre de 2007 despesas incorridas em momentos diferentes, com prejuízo para o necessário controle dos créditos decorrentes do regime da não cumulatividade das contribuições sociais. Com efeito, tais pedidos deverão obedecer a um mínimo de regramento, sem o qual tornarseia virtualmente impossível o controle do já complicado regime de não cumulatividade em tela, com prejuízos para o Erário. Por tal razão é que cada pedido deverá abordar um único trimestrecalendário, trimestre este (quarto trimestre de 2007) consignado no pleito (PER/DCOMP) da interessada. Inadmissível, pois, que a suplicante, ao apresentar pedido correspondente a um determinado trimestre, inclua no quantum pleiteado créditos decorrentes de períodos outros, os quais deveriam haver sido consignados nos trimestres de respectiva competência. Correta, pois, glosa dos créditos calculados com base em despesas de competência diversa daquela objeto do presente processo. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 18 Quanto à alegada nulidade por cerceamento ao direito de defesa da suplicante, entendo que a mesma não restou caracterizada, e isso em vista do fundamentado recurso elaborado pela recorrente, o que demonstra a ausência do aduzido prejuízo, conforme razões já desenvolvidas sobre essa questão linhas acima. Da atualização dos créditos pela taxa SELIC Relativamente aos argumentos aduzidos pela reclamante concernente à incidência da taxa SELIC, importa destacar que existe vedação legal expressa à correção dos créditos do PIS apurados no regime da nãocumulatividade pela referida taxa. Tal vedação, com efeito, está consignada no artigo 13 da Lei n° 10.833/03, que trata da COFINS não cumulativa, cujo preceito é também aplicável ao regime do PIS não cumulativo por força do inciso VI do artigo 15 da mesma lei. Referidos dispositivos encontramse abaixo transcritos: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Assim, não há como acolher o pleito da interessada nesse sentido. Da conclusão Por todo o exposto, voto, preliminarmente, para rejeitar a tese de nulidade aduzida pela interessada e, no mérito, para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela mesma. Sala de Sessões, em 02 de junho de 2011. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 18DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 13609.904042/2012-66
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2023
Numero da decisão: 3002-000.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para fins de averiguação acerca da existência dos créditos e, em caso positivo, apuração do valor do crédito decorrente das despesas apontadas na DACON (energia elétrica, aluguel de prédios locados a pessoas jurídicas, aluguel de máquinas e equipamentos e arrendamento mercantil).
(documento assinado digitalmente)
Wagner Mota Momesso de Oliveira- Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mateus Soares de Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mateus Soares de Oliveira (Relator), Wagner Mota Momesso de Oliveira (Presidente) e Anna Dolores Barros de Oliveira Sa Malta.
Nome do relator: MATEUS SOARES DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 20 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202304
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 15 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 13609.904042/2012-66
anomes_publicacao_s : 202305
conteudo_id_s : 6847007
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 15 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3002-000.314
nome_arquivo_s : Decisao_13609904042201266.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : MATEUS SOARES DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13609904042201266_6847007.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para fins de averiguação acerca da existência dos créditos e, em caso positivo, apuração do valor do crédito decorrente das despesas apontadas na DACON (energia elétrica, aluguel de prédios locados a pessoas jurídicas, aluguel de máquinas e equipamentos e arrendamento mercantil). (documento assinado digitalmente) Wagner Mota Momesso de Oliveira- Presidente (documento assinado digitalmente) Mateus Soares de Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mateus Soares de Oliveira (Relator), Wagner Mota Momesso de Oliveira (Presidente) e Anna Dolores Barros de Oliveira Sa Malta.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2023
id : 9891085
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Sat May 20 09:03:41 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1766403271350550528
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-05-10T14:27:56Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-05-10T14:27:56Z; Last-Modified: 2023-05-10T14:27:56Z; dcterms:modified: 2023-05-10T14:27:56Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-05-10T14:27:56Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-05-10T14:27:56Z; meta:save-date: 2023-05-10T14:27:56Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-05-10T14:27:56Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-05-10T14:27:56Z; created: 2023-05-10T14:27:56Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; Creation-Date: 2023-05-10T14:27:56Z; pdf:charsPerPage: 2034; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-05-10T14:27:56Z | Conteúdo => 0 S3-TE02 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13609.904042/2012-66 Recurso Voluntário Resolução nº 3002-000.314 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária Sessão de 12 de abril de 2023 Assunto COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA Recorrente DISTRIBUIDORAS DE BEBIDAS AMARAL Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para fins de averiguação acerca da existência dos créditos e, em caso positivo, apuração do valor do crédito decorrente das despesas apontadas na DACON (energia elétrica, aluguel de prédios locados a pessoas jurídicas, aluguel de máquinas e equipamentos e arrendamento mercantil). (documento assinado digitalmente) Wagner Mota Momesso de Oliveira- Presidente (documento assinado digitalmente) Mateus Soares de Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mateus Soares de Oliveira (Relator), Wagner Mota Momesso de Oliveira (Presidente) e Anna Dolores Barros de Oliveira Sa Malta. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto as fls. 93-105 em face da r. decisão de fls. 83-89, pugnando-se por sua reforma, sustentando, em síntese que: - O despacho decisório de fls.04 que analisou o PER nº 41708.65421.091112.1.1.11-1472, às fls. 05/09 relativo a COFINS referente ao 2º trimestre de 2008 deve ser anulado por não considerar as declarações retificadoras ocorridas em 2012; - Ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo recorrente, a decisão recorrida chamou atenção que o indeferimento do pleito se deveu, ao contrário do sustentado pelo contribuinte, à vedação, a época dos fatos, do desconto de créditos relativos a COFINS pagos nas operações de aquisição para revenda de bebidas, refrigerantes e água mineral, objeto social da Manifestante. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 09 .9 04 04 2/ 20 12 -6 6 Fl. 152DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 3002-000.314 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13609.904042/2012-66 1 Voto Conselheiro Mateus Soares de Oliveira, Relator. Chama-se atenção as fls. 101,102,104 do Recurso Voluntário, onde o recorrente destaca que os créditos não decorrem da venda de bebidas, mas, sim, de despesas de energia elétrica, aluguel de prédios locados a pessoas jurídicas, aluguel de máquinas e equipamentos e arrendamento mercantil. Esclarece ainda que tais informações estão reproduzidas nas Fichas 16A das DACON’s retificadoras apresentadas em 2012, as quais, supostamente, demonstrariam que NÃO foi apropriado qualquer crédito a título de “01. Bens para Revenda” como equivocadamente menciona o acórdão recorrido. De forma a esclarecer de vez a pretensão recursal, transcreve-se trecho do recurso voluntário as fls. 104: Deste modo, não há que se falar em qualquer creditamento de COFINS sobre bebidas adquiridas para revenda, posto que Recorrente com base na Solução de Consulta n.º 156 – SRRF06/Disit, apropriou-se exclusivamente do COFINS Não-Cumulativo – Mercado Interno sobre despesas com energia elétrica, alugueis de prédios e máquinas, e arrendamento mercantil, pelo que merece reforma o v. acórdão recorrido. 2 Do Dispositivo Considerando a informação na DACON identificando cada um dos ítens elencados em sede de Recurso Voluntário e que a decisão de primeiro grau não enfrentou esses argumentos, bem como os argumentos do Acórdão recorrido possui fundamentação diversa dos documentos e pleitos apresentados neste processo, converte-se este julgamento em diligencia para fins de averiguação acerca da existência e, em caso positivo, apuração do valor do crédito decorrente das despesas apontadas na DACON (energia elétrica, aluguel de prédios locados a pessoas jurídicas, aluguel de máquinas e equipamentos e arrendamento mercantil). (documento assinado digitalmente) Mateus Soares de Oliveira Fl. 153DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000958/2006-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue May 16 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2005
PROVA. RECEITA FINANCEIRA.
Em constatado que a fiscalização em procedimento apurou a base de cálculo da COFINS incidente sobre as receitas financeiras, posteriormente declaradas inconstitucionais pelo Judiciário, não há que se falar em insuficiência probatória.
PAGAMENTO. DARF AUTENTICADO.
É suficiente para demonstrar o pagamento do tributo devido o DARF devidamente autenticado com todas as características (período de apuração, tributo, valor, mora) do montante alegadamente em mora.
Numero da decisão: 3401-011.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário na parte que trata de recolhimento de valores a maior, para, na parte conhecida, dar-lhe parcial provimento para afastar o lançamento sobre as receitas financeiras e sobre os recolhimentos extemporâneos demonstrados por meio dos DARFs coligidos aos autos, desde que disponíveis para utilização neste processo.
(documento assinado digitalmente)
Arnaldo Diefenthaeler Dornelles - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Oswaldo Gonçalves de Castro Neto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo Garcia Dias dos Santos, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Winderley Morais Pereira, Fernanda Vieira Kotzias, Renan Gomes Rego, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente).
Nome do relator: OSWALDO GONCALVES DE CASTRO NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 20 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202303
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2005 PROVA. RECEITA FINANCEIRA. Em constatado que a fiscalização em procedimento apurou a base de cálculo da COFINS incidente sobre as receitas financeiras, posteriormente declaradas inconstitucionais pelo Judiciário, não há que se falar em insuficiência probatória. PAGAMENTO. DARF AUTENTICADO. É suficiente para demonstrar o pagamento do tributo devido o DARF devidamente autenticado com todas as características (período de apuração, tributo, valor, mora) do montante alegadamente em mora.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 16 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 19515.000958/2006-22
anomes_publicacao_s : 202305
conteudo_id_s : 6849250
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 16 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3401-011.520
nome_arquivo_s : Decisao_19515000958200622.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : OSWALDO GONCALVES DE CASTRO NETO
nome_arquivo_pdf_s : 19515000958200622_6849250.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário na parte que trata de recolhimento de valores a maior, para, na parte conhecida, dar-lhe parcial provimento para afastar o lançamento sobre as receitas financeiras e sobre os recolhimentos extemporâneos demonstrados por meio dos DARFs coligidos aos autos, desde que disponíveis para utilização neste processo. (documento assinado digitalmente) Arnaldo Diefenthaeler Dornelles - Presidente (documento assinado digitalmente) Oswaldo Gonçalves de Castro Neto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo Garcia Dias dos Santos, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Winderley Morais Pereira, Fernanda Vieira Kotzias, Renan Gomes Rego, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2023
id : 9894783
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Sat May 20 09:03:45 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1766403271351599104
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-05-05T18:20:52Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-05-05T18:20:52Z; Last-Modified: 2023-05-05T18:20:52Z; dcterms:modified: 2023-05-05T18:20:52Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-05-05T18:20:52Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-05-05T18:20:52Z; meta:save-date: 2023-05-05T18:20:52Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-05-05T18:20:52Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-05-05T18:20:52Z; created: 2023-05-05T18:20:52Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2023-05-05T18:20:52Z; pdf:charsPerPage: 1810; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-05-05T18:20:52Z | Conteúdo => S3-C 4T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 19515.000958/2006-22 Recurso Voluntário Acórdão nº 3401-011.520 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de março de 2023 Recorrente CONSTRUCOES E COMERCIO CAMARGO CORREA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2005 PROVA. RECEITA FINANCEIRA. Em constatado que a fiscalização em procedimento apurou a base de cálculo da COFINS incidente sobre as receitas financeiras, posteriormente declaradas inconstitucionais pelo Judiciário, não há que se falar em insuficiência probatória. PAGAMENTO. DARF AUTENTICADO. É suficiente para demonstrar o pagamento do tributo devido o DARF devidamente autenticado com todas as características (período de apuração, tributo, valor, mora) do montante alegadamente em mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário na parte que trata de recolhimento de valores a maior, para, na parte conhecida, dar-lhe parcial provimento para afastar o lançamento sobre as receitas financeiras e sobre os recolhimentos extemporâneos demonstrados por meio dos DARFs coligidos aos autos, desde que disponíveis para utilização neste processo. (documento assinado digitalmente) Arnaldo Diefenthaeler Dornelles - Presidente (documento assinado digitalmente) Oswaldo Gonçalves de Castro Neto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo Garcia Dias dos Santos, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Winderley Morais Pereira, Fernanda Vieira Kotzias, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 09 58 /2 00 6- 22 Fl. 1296DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-011.520 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000958/2006-22 Renan Gomes Rego, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente). Relatório 1.1. Trata-se de lançamento de ofício de COFINS apurado entre outubro de 2002 e dezembro de 2005 por “diferenças verificadas entre os valores declarados e os valores escriturados apontadas no DEMONSTRATIVO DAS DIFERENÇAS VERIFICADAS - COFINS, parte integrante deste Termo”. 1.2. Narra o auto de infração que em alguns períodos a Recorrente pagou COFINS a título de ajustes de provisões (isto é, pagamento de COFINS em atraso, devida em meses anteriores) e diferiu, sem previsão legal, o pagamento da COFINS incidente sobre receitas financeiras. 1.3. Em Impugnação, a Recorrente destaca: 1.3.1. Ter recolhido antes do início do procedimento de fiscalização parte da COFINS devida em atraso, com incidência dos consectários da mora; 1.3.2. Os débitos referentes às receitas financeiras estão suspensos por decisão proferida no MS 1999.61.000196717; 1.3.3. Ter recolhido, após a lavratura do auto de infração, a diferença incontroversa. 1.4. Posteriormente, a Recorrente esclarece que os valores de março de 2004 e julho de 2005 foram recolhidos a maior, e, portanto, nestes meses e nos demais em que não houve pagamento, houve impugnação à autuação. 1.5. A DRJ São Paulo manteve íntegro o lançamento, porquanto: 1.5.1. Preclusos os meses em que não houve impugnação ou comprovação de pagamento e, nos meses em que houve pagamento parcial, preclusa a diferença a recolher; 1.5.2. Não é possível concluir – por ausência de provas - que os valores de COFINS autuados refiram-se a receitas financeiras e, consequentemente, encontrem-se acobertados pela decisão judicial; 1.5.3. “A contribuinte não apresentou registros contábeis, contratos, recibos, ou qualquer comprovante que subsidiasse a alegação de que os valores [devidos em março de 2004 e julho de 2005] teriam sido provisionados a maior”; 1.5.4. Não basta para comprovar a quitação dos débitos de COFINS a juntada de comprovantes de pagamento ou de compensação das diferenças apuradas pela Fl. 1297DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-011.520 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000958/2006-22 fiscalização, a Recorrente deve demonstrar que toda a COFINS de cada um dos períodos de apuração foi quitada. 1.6. Intimada, a Recorrente busca guarida nesta Casa em peça que argumenta, em síntese: 1.6.1. A DRJ reconheceu os pagamentos posteriores à lavratura do auto de infração; 1.6.2. Se não havia certeza acerca da natureza das receitas autuadas (se financeiras ou não) deveria a DRJ ter baixado o processo em diligência para se verificar – o que requer com o Voluntário; 1.6.3. Trouxe aos autos documentos suficientes para demonstrar o recolhimento a posteriori da diferença entre os valores provisionados e os efetivamente devidos de COFINS; 1.6.4. Trouxe aos autos documentos suficientes para demonstrar o recolhimento a maior em maio de 2003, inclusive, aviso de cancelamento de débito com a seguinte mensagem “UT-413 Aviso de Débito 2346 CANCELADO em 07/2003 – PIS recolhido indevido”; 1.6.5. A planilha coligida aos autos pela Recorrente demonstra que cada um dos DARFs referem-se a pagamentos em atraso com a incidência dos consectários da mora; 1.6.5.1. “A própria Receita Federal por meio de seu sistema, tem condições de verificar os pagamentos e alocá-los para os períodos corretos”; 1.6.6. Todos os valores devidos foram recolhidos, logo não há ação ou omissão a atrair a incidência de multa; 1.6.7. Necessária a conversão do julgamento em diligência para reanálise do crédito lançado. Voto Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Relator. 2.1. No curso do procedimento de fiscalização a Recorrente foi intimada a deixar a disposição da fiscalização uma série interminável de documentos e informações, assim o fazendo. Após a análise dos documentos apresentados, a fiscalização lançou de ofício a diferença das contribuições por dois motivos: a) pagamento diferido, b) diferimento das RECEITAS FINANCEIRAS. Para demonstrar o montante de cada um dos valores glosados a fiscalização apresentou planilha nos seguintes termos: Fl. 1298DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-011.520 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000958/2006-22 2.1.1. Desta forma, foi a própria fiscalização que apurou a base de cálculo da COFINS e do PIS sobre receitas financeiras com base na documentação apresentada pela Recorrente. Portanto, o fundamento da DRJ de inexistência de prova do montante das receitas financeiras não se sustenta (com a devida vênia, aproxima-se demasiadamente de venire contra factum proprio). 2.1.2. Pois bem. Noticia a Recorrente ter movido Mandado de Segurança (1999.61.000196717) justamente para a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo das contribuições; mandamus que transitou em julgado com decisão favorável à Recorrente. 2.1.3. Somada a premissa 1 (a Receita Federal apurou e lançou PIS e COFINS sobre as receitas financeiras da Recorrente) com a premissa 2 (o Poder Judiciário afastou a incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas financeiras da Recorrente) temos que o provimento do recurso neste ponto é imperioso ante a coisa julgada. 2.2. Raciocínio semelhante pode ser adotado para os RECOLHIMENTOS EXTEMPORÂNEOS. A fiscalização, primeiramente, apurou a base de cálculo das contribuições de acordo com o declarado pela Recorrente e o valor recolhido a este título, coligindo aos autos planilha de suas conclusões mês a mês: Fl. 1299DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-011.520 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000958/2006-22 2.2.1. Concluído o procedimento fiscal, foi apurada diferença entre o valor a recolher declarado e o valor a recolher de acordo com a escrituração fiscal, lançando-se, mês a mês a diferença. 2.2.2. A Recorrente concorda que recolheu tributo a menor no respectivo período de apuração, porém informa que antes do início do procedimento fiscal recolheu a diferença aos cofres públicos. Para demonstrar o alegado a Recorrente traz aos autos a DCTF do período indicando uma e justamente os valores apurados pela fiscalização em cada um dos períodos de apuração com os recolhimentos via DARF datados, planilha indicando os débitos a recolher no período e o DARF extemporâneo devidamente autenticado: Fl. 1300DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-011.520 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000958/2006-22 2.2.3. Destaque-se que os DARFs extemporâneos não foram descritos nas DCTFs apresentadas pela Recorrente e, consequentemente, não foram considerados pela fiscalização a título de pagamento na planilha de apuração. Confirma o alegado a identidade numérica entre o valor descrito em DCTF a título de pagamento e o apurado pela fiscalização. Ora, se o valor de COFINS paga descrito em planilha pela fiscalização é idêntico ao valor de COFINS paga descrito pela Recorrente em DCTF, e se dentre os pagamentos descritos pela Recorrente em DCTF não se encontra o DARF pago de forma extemporânea, logo na planilha da fiscalização não está considerado o valor pago de forma extemporânea. 2.2.4. Destarte, o total das contribuições pagas pela Recorrente é igual à soma dos valores apurados pela fiscalização com os DARFs coligidos pela Recorrente. Em demonstrado o recolhimento das contribuições devidas no período que não foram consideradas pela fiscalização, de rigor o provimento do recurso para que estes pagamentos sejam abatidos do montante do lançamento de ofício. 2.3. Não há o que discutir acerca de VALORES RECOLHIDOS À MAIOR. Eventual saldo credor à Recorrente deve ser discutido em processo próprio que tenha este objeto. O que compete em lançamento de ofício é apenas e tão somente a exigência fiscal – exigência abordada nos tópicos anteriores. 2.4. Por fim, prejudicadas as teses sobre o afastamento da MULTA DE OFÍCIO e da conversão do julgamento em DILIGÊNCIA ante o provimento do Recurso. 3. Ante o exposto, admito, porquanto tempestivo, e conheço em parte do Recurso Voluntário (salvo recolhimento à maior) e na parte conhecida dou parcial provimento para afastar o lançamento sobre receitas financeiras e sobre os recolhimentos extemporâneos demonstrados por meio dos DARFs coligidos aos autos. (documento assinado digitalmente) Oswaldo Gonçalves de Castro Neto Fl. 1301DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10880.928500/2010-83
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu May 18 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO INDÉBITO.
Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não dispensa a comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. ESCRITURAÇÃO. LIVROS. DOCUMENTOS. ELEMENTOS DE PROVA.
Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, líquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional). A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais.
Numero da decisão: 1003-003.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Márcio Avito Ribeiro Faria - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Gustavo de Oliveira Machado e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: MARCIO AVITO RIBEIRO FARIA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 20 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202305
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO INDÉBITO. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não dispensa a comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. ESCRITURAÇÃO. LIVROS. DOCUMENTOS. ELEMENTOS DE PROVA. Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, líquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional). A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 18 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 10880.928500/2010-83
anomes_publicacao_s : 202305
conteudo_id_s : 6851761
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 18 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 1003-003.613
nome_arquivo_s : Decisao_10880928500201083.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : MARCIO AVITO RIBEIRO FARIA
nome_arquivo_pdf_s : 10880928500201083_6851761.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Márcio Avito Ribeiro Faria - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Gustavo de Oliveira Machado e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed May 10 00:00:00 UTC 2023
id : 9898531
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Sat May 20 09:03:50 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1766403271353696256
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-05-17T14:19:12Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-05-17T14:19:12Z; Last-Modified: 2023-05-17T14:19:12Z; dcterms:modified: 2023-05-17T14:19:12Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-05-17T14:19:12Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-05-17T14:19:12Z; meta:save-date: 2023-05-17T14:19:12Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-05-17T14:19:12Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-05-17T14:19:12Z; created: 2023-05-17T14:19:12Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2023-05-17T14:19:12Z; pdf:charsPerPage: 1841; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-05-17T14:19:12Z | Conteúdo => S1-TE03 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10880.928500/2010-83 Recurso Voluntário Acórdão nº 1003-003.613 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária Sessão de 10 de maio de 2023 Recorrente EBP BRASIL CONSULTORIA E ENGENHARIA AMBIENTAL LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO INDÉBITO. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não dispensa a comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. ESCRITURAÇÃO. LIVROS. DOCUMENTOS. ELEMENTOS DE PROVA. Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, líquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional). A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Márcio Avito Ribeiro Faria - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Gustavo de Oliveira Machado e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 85 00 /2 01 0- 83 Fl. 1599DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-003.613 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.928500/2010-83 Relatório Trata-se de recurso voluntário em face do Acórdão, nº 01-35.341, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém – PA, que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade (fls. 540/554). Versa o presente processo sobre PER/DCOMP nº 37201.36361.280405.1.3.02- 9211 (fl.1/21) onde o contribuinte indica crédito de saldo negativo IRPJ ano-calendário 2003 no valor de R$ 220.035,02 para compensar débitos próprios. Ainda segundo consta do PER/DCOMP, o crédito em questão seria constituído por imposto de renda retido na fonte - IRRF. Os códigos de retenção indicados são: 1708, 3249, 0916, 0924. O mesmo crédito teria sido utilizado nos PER/DCOMP 19385.78467.290905.1.3.02-3104 (fl.22/23) e 28385.11340.290705.1.3.02-9723 (fl.24/25). Por intermédio do Despacho Decisório nº 863996495 de 07/06/2010 e anexo (fl.26/33), o direito creditório foi reconhecido em parte (R$ 43.339,92) e as compensações, em consequência, parcialmente homologadas. A tela a seguir, extraída do despacho decisório, esclarece: Em sede de manifestação de inconformidade a contribuinte defendeu a existência do direito creditório, posto que as retenções teriam sido sofridas e para tanto colacionou aos autos os seguintes documentos: planilha de retenções não comprovadas (fl.38/39), notas fiscais (fl.40/85, 87/88, 92/116, 119/169, 171/212, 214/297, 299/316, 318/319, 321, 323/332, 334/337, 339/373), comprovantes de rendimentos pagos e retenção de imposto de renda na fonte (fl.86, 89/91, 117/118, 170, 213, 298, 317, 320, 322, 333, 338, 374), cópia de DARF estimativa mensal IRPJ (fl.376), despacho de encaminhamento (fl.401) e DIRF (fl.402/536). 3. A Recorrente apresentou manifestou de inconformidade, juntando notas fiscais, Informes de Rendimentos, planilha que resumia as retenções, e defendendo que todas as retenções apresentadas que dariam azo ao crédito dariam azo ao crédito pleiteado. Informou que, embora alguns créditos constantes na DIPJ ou na própria PER/DCOMP Fl. 1600DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-003.613 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.928500/2010-83 estivessem com o código ou o CNPJ equivocado (sem a utilização do CNPJ da matriz da fonte pagadora), as Notas Fiscais juntadas ao processo estampariam corretamente o IRRF. 4. Defendeu, inclusive, que, em havendo divergência entre o Valor efetivamente retido e o declarado em DIRF ou Informe de Rendimentos, o que prevaleceria, por consectário lógico, seria o valor efetivamente retido, tal como indicado em Nota Fiscal. Em razão disso, o valor não confirmado pelos sistemas da Receita Federal passaria de R$ 176.695,10 para R$ 1.908,16 (em relação ao qual a Recorrente juntou o comprovante de recolhimento). A d. DRJ, por sua vez, analisou uma a uma as divergências encontradas entre as informação prestadas e aquelas constantes nos sistemas da RFB e na DIRF, para ao final reconhecer retenções sofridas da ordem de R$ 92.478,32, que somadas às já reconhecidas pelo Despacho Decisório perfaz um Saldo Negativo IRPJ ano-calendário 2003 de R$ 135.818,24: Assim, o total reconhecido em decorrência da análise individualizada das retenções, é de R$ 92.478,32. Somando-se as retenções já confirmadas conforme despacho decisório (R$ 213.099,64), o montante das retenções confirmadas perfaz R$ 305.577,96. Deduzindo-se das retenções confirmadas (R$ 305.577,96) o IRPJ Devido (R$ 169.759,72) temos que deve ser reconhecido Saldo Negativo IRPJ ano-calendário 2003 de R$ 135.818,24. Isto posto, voto no sentido de reconhecer parcialmente (R$ 135.818,24) o direito creditório pleiteado, incluso o reconhecido pela unidade de origem, referente a saldo negativo IRPJ ano-calendário 2003 e declaro homologadas em parte as compensações. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Regularmente cientificada, em 15.8.2018 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem, de fl. 564), juntou seu Recurso Voluntário aos autos em 13.9.2018, à fl. 565, assim sintetizado (fls. 568/573): A Recorrente acostou um Memorial Descritivo (Doc. 03), onde faz um cotejo entre as Notas Fiscais, as retenções declaradas no PER/DCOMP, com os valores não confirmados e aproximados em razão do indeferimento e as razões de decidir para a não concessão do direito creditório. Prossegue a Recorrente afirmando que a maior parte dos valores não confirmados (aproximadamente R$ 70.729,03) decorreriam de dois fatores, com os quais não concorda: (i) divergência entre a Nota Fiscal e a DIRF das fontes pagadoras; e (ii) inexistência de DIRF. Contudo, no seu entendimento deveriam prevalecer os valores informados no documento fiscal, que estampam a realidade material dos créditos: 10. No entanto, não é crível que apenas os créditos estampados nas DIRFS sejam reconhecidos, em detrimento daqueles estampados nas Notas Fiscais. Isso porque as retenções constantes das notas são obviamente os valores mais confiáveis a amparar o direito creditório, até porque as obrigações acessórias (DIRF, DIPJ) estão sujeitas às retificações pelas fontes pagadoras, sendo certo que a Nota Fiscal, ao contrário, estampa: (i) valor líquido recebido; (ii) o valor bruto da nota; (iii) e a retenção efetuada. 11. Por isso, é claro que o valor da Nota Fiscal estampa a realidade material dos créditos, em detrimento das demais obrigações acessórias. Inclusive, do cotejo desses documentos, é possível perceber que nem todos os valores foram declarados nos DIRFS Fl. 1601DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-003.613 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.928500/2010-83 das matrizes, sendo certo as retenções efetuadas pelas empresas filiais só poderiam ser reconhecidas pelo cotejo das Notas Fiscais. 12. Cumpre destacar que, na falta das DIRFs, ou mesmo em caso de divergência entre DIRFs e Notas Fiscais, estas últimas devem prevalecer, pois estampam a realidade das retenções realizadas. Assim, sustentou que, para amparar o seu direito, “fará prova em momento oportuno de que as retenções foram efetivamente realizadas, com a juntada dos extratos bancários que demonstrará o recebimento líquido dos valores”. 14. Inclusive, os extratos bancários servirão para demonstrar eventualmente aqueles casos em que a Recorrente não conseguiu efetivamente localizar Notas Fiscais (CNPJ 13788120/0008-13 e 14372981/0001-02) para comprovar as efetivas retenções que dão azo ao direito creditório. Defendeu que nos caso dos CNPJs 05304897/0002-32, 57507626/0098-39 e 60744463/0010-80 deveria prevalecer os valores informados em DIRF e não aqueles declarados na Dcomp, resultando em valor maior do que o efetivamente declarado (aproximadamente R$ 4.122,91) e de ofício considerar o valor efetivamente estampado na DIRF (e adicioná-lo a PER/DCOMP). 16. Ora, por coerência e apreço à realidade material, o certo seria de ofício considerar o valor efetivamente estampado na DIRF (e adicioná-lo a PER/DCOMP), já que se a falta ou a divergência da DIRF com a Nota Fiscal serve para orientar a não concessão do crédito, por óbvio ela deve orientar o acréscimo do crédito quando se observa um valor maior do que o declarado. 17. Isso porque a Recorrente apenas por liberalidade não utilizou todo o crédito, crente de que o valor declarado e constante das Notas Fiscais serviria para compensar com os seus débito. 18. Daí a necessidade de que o crédito reconhecido pelo acórdão seja utilizado para a compensação, ou que ao menos se declare saldo credor a ser utilizado em nova compensação/restituição. Prossegue analisando os CNPJs 03002935/0003-67, 33000167/1049-00, 334535898/0095-03, cujas as razões de decidir do acórdão remeteriam para o reconhecimento total ou parcial em despacho decisório. E de fato, em relação ao primeiro CNPJ, houve o efetivo reconhecimento. Porém, em relação aos dois últimos impende tecer duas considerações, a saber: (i) Em relação ao CNPJ 33000167/1049-00, cuja retenção é de R$ 319,50, não está claro que houve reconhecimento do crédito em despacho decisório, pois este consta da planilha juntada às fls. 21, sendo certo que o extrato bancário a ser juntado orientará a real retenção do imposto de renda; e (ii) Em relação ao CNPJ 33452598/0095-03, além de não estar claro o reconhecimento parcial em despacho decisório, é preciso levar em consideração que há uma diferença entre o valor efetivamente reconhecido (aproximadamente R$ 98.000,00), e o valor declarado (aproximadamente R$ 103.000,00). Embora esta diferença não corresponda ao valor constante da planilha apresentada quando da Manifestação de Conformidade (R$ 10.918,19), é certo que apenas o extrato bancário demonstrará a efetiva retenção. Fl. 1602DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-003.613 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.928500/2010-83 Assim, embora a Recorrente concorde com o entendimento deduzido em relação ao primeiro CNPJ, em relação aos dois últimos, é preciso aguardar a produção da prova da retenção real (por meio do extrato bancário). Por último a recorrente, requer a aplicação da lógica do arredondamento (aplicada para outras seis retenções) para o CNPJ 16701716/0001-56, pois o valor do crédito não reconhecido é de apenas R$ 0,08. CONCLUSÃO Em função do quanto exposto, a Recorrente requereu o recebimento e o processamento do presente recurso para: (i) A reforma do Acórdão nº 01-35.341 para que seja reconhecido o direito creditório tal como encartado no PER/DCOMP, e amparado nas Notas Fiscais juntadas no processo e acostadas com a peça recursal; (ii) Alternativamente, o reconhecimento do direito creditório efetivamente constante das DIRFS, correspondente aos CNPJS nºs 05304897/0002-32, 57507626/0098-39 e 60744463/0010-80; (iii) A confirmação do valor cheio constante do PER/DCOMP, em relação ao CNPJ 16701716/0001-56, aplicando-se o arredondamento; e (iv) E que seja deferida e aguardada a juntada de extrato bancário que dê conta de demonstrar as efetivas retenções declaradas no PER/DCOMP, objeto do presente processo administrativo. É o relatório. Voto Conselheiro Márcio Avito Ribeiro Faria, Relator. Submete-se à apreciação desta Turma de Julgamento o recurso voluntário oferecido pela contribuinte EBP BRASIL CONSULTORIA E ENGENHARIA AMBIENTAL LTDA.. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal – PAF, inclusive para os fins do inciso III, do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada Código Tributário Nacional – CTN. Assim, dele toma-se conhecimento. O litígio sob análise neste processo corresponde ao valor das compensações não homologadas, cujo crédito de Saldo Negativo de IRPJ, ano 2003, envolvido alcança valor não reconhecido de R$ 84.216,78 (R$ 220.035,02 1 – 135.818,24 2 ). Pois bem. 1 Valor declarado no PER/DCOMP 2 Valor reconhecido pela d. DRJ Fl. 1603DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-003.613 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.928500/2010-83 Em sua defesa a Recorrente sustenta que a Nota Fiscal seria o documento “por excelência” para a comprovação do alegado direito creditório. Afirmou também a Recorrente que em momento oportuno faria prova de que as retenções foram efetivamente realizadas, com a juntada dos extratos bancários que demonstrará o recebimento líquido dos valores. Pois bem. Para comprovar suas alegações e a defesa do direito creditório a Recorrente trouxe aos autos uma planilha demonstrativa que denominou de Memorial Descritivo (Doc. 03), bem como várias Notas Fiscais e a DIPJ. Vejamos que a jurisprudência deste e. CARF admite, somente quando comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto, a dedução do imposto retido, cuja retenção pode ser comprovada por outros meios que não a DIRF, conforme enunciados estabelecidos nos termos do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, firmou os seguintes entendimentos: Súmula CARF nº 80 Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Súmula CARF nº 143 A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos (Vinculante, conforme Portaria ME nº 410, de 16/12/2020, DOU de 18/12/2020). Aplicando as precitadas Súmulas verifica-se que na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do tributo devido o valor retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo da contribuição. Veja-se que a prova da retenção na fonte não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Neste diapasão, verifica-se que a planilha de dados elaborada pela Recorrente, acompanhada tão somente das notas fiscais, sem qualquer lastro fiscal/contábil ou mesmo financeiro (extratos bancários) não tem a força probatório necessária, posto que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo. É de se notar que o Recurso Voluntário embute solicitação de desconstituição de confissão de dívida anterior e, nesse contexto, deve ela atestar que o direito de crédito aproveitado na compensação tem apoio não só legal como documental. Ressalte-se que o chamado ônus da prova é da contribuinte no que tange à existência e regularidade do crédito com que pretendeu extinguir a obrigação tributária. Com efeito, ao pleitear junto à Autoridade Tributária a existência de um crédito capaz de extinguir um débito, o contribuinte assume a incumbência de demonstrar sua liquidez e certeza quando do Fl. 1604DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-003.613 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.928500/2010-83 exame administrativo. Como visto, a disponibilidade do crédito não existia na fase em que aconteceu a conferência eletrônica da compensação e sua liquidez e certeza não foi demonstrada na fase de contestação do despacho resultante. Nessas condições, acatar as razões da interessada seria admitir que sua simples vontade e seu entendimento, materializados na contraposição de declarações, poderiam ser utilizados para gerar créditos oponíveis à Fazenda Pública. Tal pretensão não tem sustentação, opondo-se inclusive aos marcos legais traçados pelo art. 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada Código Tributário Nacional – CTN, pelo que se lhe nega os efeitos pretendidos, in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda. Neste sentido encontramos jurisprudência exarada pelo egrégio Superior Tribunal de Justiça – STJ, assim disposta: (...) o art. 170 do CTN estabelece certas condições à compensação de tributos .... A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei, segundo o texto legal referenciado. .... (STJ. AGREsp 495012/AL. Rel.: Min. José Delgado. 1ª Turma. Decisão: 20/05/03. DJ de 30/06/03, p. 154.) (...) A compensação posto modalidade extintiva do crédito tributário (artigo 156, do CTN), exsurge quando o sujeito passivo da obrigação tributária é, ao mesmo tempo, credor e devedor do erário público, sendo mister, para sua concretização, autorização por lei específica e créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos, do contribuinte para com a Fazenda Pública (art. 170, do CTN).” (STJ, 1ª T., AgRg no Resp 862.572/CE, Rel. Ministro LUIZ FUX, mai/08) A respeito do tema, dispõe o Código de Processo Civil (CPC) Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015, em seu art. 373: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Vejamos, que não basta a juntada de quaisquer documentos, os elementos trazidos aos autos devem guardar o devido valor probatório, para que juntos, documentos e argumentos, para além de provar, comprovar a certeza e a liquidez dos créditos que são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei, segundo o texto legal referenciado. Dessa forma, neste momento processual, para comprovar a liquidez e certeza do crédito informado no Pedido de Compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábil-fiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a existência do pretenso Saldo Negativo no período de apuração destacado, conforme previsto no art. 923 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, transcrito a seguir: Fl. 1605DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1003-003.613 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.928500/2010-83 Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). Já a informação prestada em DIPJ (original ou retificadora) é condição necessária, mas, diferentemente do alegado pela Recorrente e segundo jurisprudência pacificada neste e. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, não se presta para comprovação do crédito nela informado, inteligência da Súmula CARF nº 92: A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. Portanto, como a empresa sustenta a sua argumentação sem trazer aos autos elementos probatórios para a convicção da existência do direito creditório, resta a este julgador negar o pleito, na medida em que não ficou demonstrada a certeza e liquidez do pretenso crédito. Não se trata aqui, de privilegiar o aspecto formal em detrimento da verdade material. Contudo, tendo em vista que a interessada pretende infirmar informações por ela própria prestadas, é necessário que a dita pretensão esteja calcada em provas documentais robustas. DO RECONHECIMENTO DA RETENÇÃO ESTAMPADA NA DIRF Neste ponto a Recorrente defendeu que como os valores declarados na DIRF são maiores do que aqueles constantes nos PER/DCOMPS, o certo seria de ofício considerar o valor efetivamente estampado na DIRF (e adicioná-lo a PER/DCOMP). Vejamos que o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizá-lo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. O Per/DComp delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos, de modo que em regra a retificação somente é possível se encontrar pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e o seu cancelamento é procedimento cabível ao sujeito passivo na forma, no tempo e lugar previstos na legislação tributária (art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170-A do Código Tributário Nacional, art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 com redação dada pelo art. 49 da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, que entrou em vigor em 01.10.2002 e foi convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002). Posteriormente, ou seja, em 31.10.2003, ficou estabelecido que o Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega até a intimação válida do despacho decisório. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§1º do Fl. 1606DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1003-003.613 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.928500/2010-83 art. 5º do Decreto-Lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). Ademais, as argumentações trazidas pelo Recorrente no seu bem elaborado recurso trata-se de matérias não afetas à esta instância de julgamento, posto que o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) determinou que a competência para julgar os pedidos de compensação segue a regra da origem do crédito declarado, conforme se extrai do art. 7º, § 1º, do Anexo II da Portaria nº 343, de 9 de junho de 2015, in verbis (grifei): Art. 7º Inclui-se na competência das Seções o recurso voluntário interposto contra decisão de 1ª (primeira) instância, em processo administrativo de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. (Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018) § 1º A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. Como visto não é competência deste colegiado adicionar parcelas extras de composição de crédito no PER/DCOMP. Assim, rejeitam-se as alegações trazidas neste ponto. CONCLUSÃO Ante todo o exposto, conhece-se do Recurso Voluntário para negar-lhe provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Márcio Avito Ribeiro Faria Fl. 1607DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 35013.001163/2006-49
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/1999 a 28/02/2000
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS, HOMOLOGAÇÃO E DECADÊNCIA. OBSERVÂNCIA DAS REGRAS FIXADAS NO crN.
1- Segundo a súmula n° 8 do Supremo Tribunal Federal, as regras
relativas a homologação e decadência das contribuições sociais,
diante da sua reconhecida natureza tributária, seguem aquelas
fixadas pelo Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 206-01.484
Decisão: ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos em declarar a decadência da totalidade das contribuições apuradas, vencidas as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira, que votaram por reconhecer a decadência somente até a competência 11/99.
Nome do relator: ROGERIO DE LELLIS PINTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 20 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 200811
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1999 a 28/02/2000 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS, HOMOLOGAÇÃO E DECADÊNCIA. OBSERVÂNCIA DAS REGRAS FIXADAS NO crN. 1- Segundo a súmula n° 8 do Supremo Tribunal Federal, as regras relativas a homologação e decadência das contribuições sociais, diante da sua reconhecida natureza tributária, seguem aquelas fixadas pelo Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Sexta Câmara
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2008
numero_processo_s : 35013.001163/2006-49
anomes_publicacao_s : 200811
conteudo_id_s : 6853108
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 19 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 206-01.484
nome_arquivo_s : 20601484_150277_35013001163200649_005.PDF
ano_publicacao_s : 2008
nome_relator_s : ROGERIO DE LELLIS PINTO
nome_arquivo_pdf_s : 35013001163200649_6853108.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos em declarar a decadência da totalidade das contribuições apuradas, vencidas as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira, que votaram por reconhecer a decadência somente até a competência 11/99.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2008
id : 4839788
ano_sessao_s : 2008
atualizado_anexos_dt : Sat May 20 09:03:35 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1766403271367327744
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-06T23:08:54Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-06T23:08:54Z; Last-Modified: 2009-08-06T23:08:54Z; dcterms:modified: 2009-08-06T23:08:54Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-06T23:08:54Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-06T23:08:54Z; meta:save-date: 2009-08-06T23:08:54Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-06T23:08:54Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-06T23:08:54Z; created: 2009-08-06T23:08:54Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-08-06T23:08:54Z; pdf:charsPerPage: 939; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-06T23:08:54Z | Conteúdo => 4 412GeoUtreetEalWil.g0 DE rmp L. Beasilik_ 922j ode CCO2/C06/ Fls. 247 Mais F • 41. " Ijk Si 73 16'83 Canalli°eab::*1 trt fr MINISTÉRIO DA FAZENDA 15,4_,L,Hrzipr SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° 35013.001163/2006-49 Recurso n° 150.277 Voluntário Matéria RETENÇÃO Acórdão n• 206-01.484 Sessão de 04 de novembro de 2008 Recorrente CONDOMÍNIO SHOPPING CENTER PIEDADE Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Assurrro: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1999 a 28/02/2000 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS, HOMOLOGAÇÃO E DECADÊNCIA. OBSERVÂNCIA DAS REGRAS FIXADAS NO crN. 1- Segundo a súmula n° 8 do Supremo Tribunal Federal, as regras relativas a homologação e decadência das contribuições sociais, diante da sua reconhecida natureza tributária, seguem aquelas fixadas pelo Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido.) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Sçtl‘ MF -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUI' CONFERE COM O ORIGINAL Processo n° 35013.001163/2006-49 Bmiflua. 241) / CO32C06 Acórdão n.° 206-01.484 fe„...1 Fls. 248 Marie de Fátima we de Carvalho Mat. Sins 751683 ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos em declarar a decadência da totalidade das contribuições apuradas, vencidas as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bemadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira, que votaram por reconhecer a decadência somente até a competência 11/99. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente ao, RO É u 10 DE LELLIS PINTO Rei. ir Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e silva Vieira, Bemadete de Oliveira Barros, Cleusa Vieira de Souza, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 • AP7Tedsssoo nn.:3250064131.00.4841163120°6-49 . SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIRU^ n13.5 CCOVC06 CONE RR E COM O ORIGINAL FLs. 249 Brunia__&2_ST 09 a da) Maria de FÉ( Cifellie Canalbe Relatório Mat. Siarte 751683 Trata-se de recurso voluntário interposto pelo CONDOMÍNIO SHOPPING CENTER PIEDADE, contra decisão-notificação exarada pela extinta Secretaria da Receita Previdenciária, a qual julgou procedente a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, no valor originário de RS 36.767,38 (trinta e seis mil setecentos e sessenta e sete reais e trinta e oito centavos), lavrada em decorrência da inobservância do dever de retenção dos contratantes de serviços executados mediante mão-de-obra cedida. Em seu recurso, alega o Contribuinte que a NFLD seria nula tendo em vista que o MPF originário da ação fiscal fora assinado por funcionário sem a competência legal para emiti-lo, no caso o Chefe da Seção de Fiscalização e não o "Titular da área de Fiscalização das Gerências Executivas". Aduz ainda que haveria nulidade no fato de não ter sido anexado aos autos os anexos denominados de TIAD e TEAF, bem como o próprio MPF. Discorre sobre a vinculação da Administração Pública aos ditames legais, e delimita aquilo que acredita ser os prejuízos decorrentes da anexação dos documentos citados anteriormente. Insistindo em nulidade, alega o Contribuinte que a NFLD não traria a fundamentação adequada para a determinação dos juros nela incidentes. Outra nulidade decorreria da ausência de procedimento de consulta as cooperativas, que a seu ver seria necessário, e ainda que não teria sido demonstrado qualquer prejuízo ao Fisco com a ausência de retenção. Pelo mérito, sustenta a Recorrente ter ocorrido à decadência do direito de lançar, nos termos fixados pelo CTN, e reclama da imposição de multas em razão de ato da administração, para na seqüência encerrar requerendo provimento do seu recurso. A mesma SRP apresentou contra-razões ao recurso, pugnando pela manutenção do débito. É o essencial para julgamento. Voto Conselheiro ROGÉRIO DE LELLIS PINTO, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço dos recursos interpostos. Alega o contribuinte em sede de preliminar, que o crédito tributário em questão, teria sido alcançado pela decadência, haja vista a extrapolação do qüinqüídio fixado pelo CTN, o que acredito faz como razão.), 3 MI' • StkiUNtai CONSELHO Ut CONTIU1s... CONFIM COM O ORIGINAL Processo n° 35013 001163/2006-49 Branilla,W____/ • ----- fui CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.484 S Fls. 250s Maria de FM' .• errara de Carvalho Mat Siape 731683 Sem embargos, é sabido que a questão do prazo decadencial das contribuições sociais, foi objeto de constantes e ácidas discussões tanto no âmbito doutrinário, quanto jurisprudencial. Analisando a matéria, o E. STJ, por meio de seu plenário, fixou seu entendimento e em decisão unânime, reconhecendo a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91, que fixa o prazo de 10 anos para a decadência das contribuições sociais, reconhecendo a prevalência do prazo quinquenal previsto no CTN. Na esteira do entendimento exarado pelo STJ, o Egrégio Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária, e também de forma unânime, reconheceu o mesmo vício de constitucionalidade que pairava sobre as diretrizes insertas no art 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, entendendo que os prazos decadências das contribuições sociais, onde se incluem as previdenciárias, devem respeitar os limites temporais do CTN, norma geral a quem a Constituição atribui a prerrogativa de tratar o tema. Eliminando as divergências interpretativas que impediam a aplicação prática dos prazos decadenciais fixados na norma Codificada em relação às contribuições previdenciárias, o STF acabou por editar a súmula vinculante n° 8, impondo a sua observância pelas demais instâncias judiciárias e administrativas. A referida súmula restou vazada nos seguintes termos: "SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5° DO DECRETO-LEI N° 1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI N° 8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO 7RIBUTÁRIO". Assim é que, hoje resta inequívoca que a decadência das contribuições previdenciárias, encontram-se reguladas pelas normas e prazos fixados pelo Código Tributário Nacional, não devendo, portanto, qualquer observância às inconstitucionais previsões do art 45 e 46 da Lei n° 8.212/91. Se encontra-se resolvida a aplicação do CTN no que tange a decadência das contribuições previdenciárias, o mesmo não se pode dizer em relação a qual regra deve ser aplicada, ou seja, em todas as situações a do § 4° do art 150, cuja contagem (para fins de homologação) se dá a partir da ocorrência do fato gerador, ou se o art. 173, I, que diz que o referido cálculo se inicia a partir do 1° dia do exercício seguinte aquele em que o débito poderia ser constituído. Em verdade, as contribuições previdenciárias são inegavelmente tributos sujeitos a homologação por parte do Fisco, na medida em que a legislação previdenciária confere ao próprio contribuinte o dever de antecipar o recolhimento dos valores que lhe são reputados, justamente a situação definida no caput do art 150 do CTN. Como efeito, mesmo em se tratando de tributos ditos homologáveis, parte da doutrina vem reconhecendo, na esteira da jurisprudência do próprio STJ (Resp 757922/SC), que a regra prevista no § 4° do art 150 do CTN, somente se aplicaria naquelas situações onde o contribuinte efetivamente tenha efetuado algum recolhimento, sobre o qual caberia então ao Fisco pronunciar-se em 05 anos, sob pena de, transcorrido esse prazo, não mais poder constituir o débito remanescente. 7 4 — - r s ix•bauNasstiuto am tubussyr CONFERECOM o monos • Processo n° 35013.001163/2006-49 91) / O / 11. CCO2/056Brüa, Acórdão ri.° 206-01.484 4111/ Fls. 251 Maria de Fátima de Carealho Mat. Siape 751683 Para os defensores dessa tese, portanto, a contagem do prazo para que a Fazenda Pública efetue a referida homologação a partir da ocorrência do fato gerador, somente ocorre naquelas hipóteses em que o contribuinte tenha efetuado algum recolhimento. Do contrário, não havendo antecipação alguma por parte do contribuinte, não haveriam valores a serem homologados, e por conseqüência, incidindo a partir de então regra geral de decadência fixada no art. 173 do Códex. Não obstante esse raciocínio, filio-me aqueles que acreditam que o fator preponderante para a aplicação da regra contida no mensurado § 4° do art. 150, diz respeito ao próprio regime jurídico do tributo, de forma que o fato da legislação conferir o dever de antecipação do recolhimento do tributo ao contribuinte, sem qualquer prévia verificação do Fisco, nos é suficiente para a incidência do mencionado dispositivo legal, sendo, em verdade, regra a regular a situação telada. Desta feita, temos que a nosso ver, e na linha do que diz o abalizado professor Alberto Xavier, in Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro, 3' Ed. Pág. 100, "o que é relevante, pois, é saber se, em face da legislação, o contribuinte tem ou não o dever de antecipar o pagamento," (...) "a linha divisória que separa o art. 150 § 4° do 173 do CTN está, pois, no regime jurídico do tributo (...)". Embora entenda não haver qualquer necessidade de se constatar ou não ter havido prévio recolhimento do tributo previdenciário, para fins de incidir a norma do art 150, § 4° do CTN, o Relatório Fiscal em seu item 3.5, nos diz expressamente que houve retenção e recolhimentos por parte do contribuinte em notas ficais pertinentes, o que a meu ver, toma inconteste a contagem do prazo homologatório, a partir da ocorrência do fato gerador. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso interposto, para acatar a preliminar aventada pelo Contribuinte, e reconhecer a decadência das contribuições ora lançadas. Sala das Sessões, em 04 de novembro de 2008 !:dOld RO 1$b " L LLIS PINTO
score : 1.0
Numero do processo: 11618.003325/2006-14
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 10/01/1995 a 15/09/2004
SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS
PROFISSIONAIS. COFINS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO.
O Supremo Tribunal Federal, sob o regime da repercussão geral (art. 543-B do CPC), decidiu que a norma veiculada pelo art. 56 da Lei nº 9.430, de 1996, revogou a isenção da COFINS concedida às sociedades civis de prestação de serviços profissionais, prevista no inciso II do art. 6º da Lei Complementar nº 70, de 1991.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 10/01/1995 a 15/09/2004
ARGUMENTO EM DEFESA DA INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO DO
DIREITO DE PLEITEAR A RESTITUIÇÃO. INDÉBITO TRIBUTÁRIO
INEXISTENTE. PEDIDO PREJUDICADO.
Constatada a legitimidade dos pagamentos apontados pela recorrente como alicerce de seu pedido de compensação, patente a inexistência de indébito tributário e, consequentemente, prejudicado qualquer exame quanto à alegada inexistência de prescrição do direito de pleitear a restituição do crédito.
EXAME DE ALEGAÇÃO SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE DE
NORMA. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA.
À autoridade administrativa falece competência para afastar a aplicação de norma sob fundamento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário. Tal questão, inclusive, é objeto da Súmula no 2 do CARF.
Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-000.539
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares aduzidas pela recorrente e, no mérito, para negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
dt_index_tdt : Sat May 20 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 201107
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 10/01/1995 a 15/09/2004 SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS. COFINS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. O Supremo Tribunal Federal, sob o regime da repercussão geral (art. 543-B do CPC), decidiu que a norma veiculada pelo art. 56 da Lei nº 9.430, de 1996, revogou a isenção da COFINS concedida às sociedades civis de prestação de serviços profissionais, prevista no inciso II do art. 6º da Lei Complementar nº 70, de 1991. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/01/1995 a 15/09/2004 ARGUMENTO EM DEFESA DA INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE PLEITEAR A RESTITUIÇÃO. INDÉBITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. PEDIDO PREJUDICADO. Constatada a legitimidade dos pagamentos apontados pela recorrente como alicerce de seu pedido de compensação, patente a inexistência de indébito tributário e, consequentemente, prejudicado qualquer exame quanto à alegada inexistência de prescrição do direito de pleitear a restituição do crédito. EXAME DE ALEGAÇÃO SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa falece competência para afastar a aplicação de norma sob fundamento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário. Tal questão, inclusive, é objeto da Súmula no 2 do CARF. Recurso ao qual se nega provimento.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
numero_processo_s : 11618.003325/2006-14
conteudo_id_s : 6852325
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 19 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3802-000.539
nome_arquivo_s : Decisao_11618003325200614.pdf
nome_relator_s : FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
nome_arquivo_pdf_s : 11618003325200614_6852325.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares aduzidas pela recorrente e, no mérito, para negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2011
id : 9899715
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat May 20 09:03:50 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1766403271385153536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2093; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 133 1 132 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11618.003325/200614 Recurso nº 264.390 Voluntário Acórdão nº 380200.539 – 2ª Turma Especial Sessão de 5 de julho de 2011 Matéria Declaração de Compensação DCOMP Recorrente Clínica de Litotrícia da Paraíba Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 10/01/1995 a 15/09/2004 SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS. COFINS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. O Supremo Tribunal Federal, sob o regime da repercussão geral (art. 543B do CPC), decidiu que a norma veiculada pelo art. 56 da Lei nº 9.430, de 1996, revogou a isenção da COFINS concedida às sociedades civis de prestação de serviços profissionais, prevista no inciso II do art. 6º da Lei Complementar nº 70, de 1991. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/01/1995 a 15/09/2004 ARGUMENTO EM DEFESA DA INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE PLEITEAR A RESTITUIÇÃO. INDÉBITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. PEDIDO PREJUDICADO. Constatada a legitimidade dos pagamentos apontados pela recorrente como alicerce de seu pedido de compensação, patente a inexistência de indébito tributário e, consequentemente, prejudicado qualquer exame quanto à alegada inexistência de prescrição do direito de pleitear a restituição do crédito. EXAME DE ALEGAÇÃO SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa falece competência para afastar a aplicação de norma sob fundamento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário. Tal questão, inclusive, é objeto da Súmula no 2 do CARF. Recurso ao qual se nega provimento. Fl. 137DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/ 07/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares aduzidas pela recorrente e, no mérito, para negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. EDITADO EM: 13/07/2011 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ Recife (fls. 66/76), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra o despacho decisório proferido pela DRF João Pessoa, que não homologou a compensação de créditos da COFINS – cuja restituição fora pleiteada por meio do processo administrativo no 11618.000660/200571 – com débitos do PIS e da COFINS de maio de 2006. Conforme relatório objeto da decisão recorrida, a compensação não foi homologada pelo fato de o pedido de restituição dos créditos alegados haver sido considerado não formulado, posto que este não estaria em conformidade com os requisitos estabelecidos nas instruções normativas da Receita Federal atinentes ao assunto, conforme parecer e despacho decisório prolatados no processo relacionado ao pedido de restituição. Com efeito, nos termos do parecer e do despacho decisório em questão, o não conhecimento do pedido de restituição decorreu do fato de a interessada, em detrimento da utilização do programa PER/DCOMP 1.5, haver apresentado seu pedido via “requerimento”, no qual foram incluídos pagamentos de períodos que excederam o prazo de 5 anos estabelecido no artigo 168 do CTN, condição não admitida pelo referido sistema informatizado. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alegou: a) que a decisão que não homologou o pedido de compensação não deveria prosperar, posto que a manifestação de inconformidade relativa ao pedido de restituição correlato não havia sido ainda examinado pela Delegacia de Julgamento; b) que, nos termos do artigo 25 do Decreto no 70.235/72, com a redação dada pela MP no 2.15835/2001, o exame do pedido de compensação seria da competência da Delegacia de Julgamento, e não da Seção de Orientação e Análise Tributária – SAORT, e ainda, que segundo o inciso III do artigo 126 da Portaria no 259, de 24/08/2001 – Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal – referida Seção teria competência, dentre outros assuntos, para se manifestar em processos administrativos referentes a restituição e a Fl. 138DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/ 07/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11618.003325/200614 Acórdão n.º 380200.539 S3TE02 Fl. 134 3 compensação, mas não para “julgar qualquer processo administrativo tributário”; em razão disso a decisão da SAORT seria nula; c) que segundo pacificado entendimento do Superior Tribunal de Justiça, retratado em sua Súmula de no 276, as sociedades civis de prestação de serviços são isentas da Cofins, uma vez que a isenção concedida pela LC nº 70/91 fora revogada por lei ordinária, no caso, o artigo 56 da Lei nº 9.430/96, o que não seria permitido por afrontar a hierarquia das leis; d) que, uma vez demonstrada a legitimidade do crédito decorrente do pagamento indevido, seria inarredável o seu direito à compensação pleiteada de acordo com o que preconiza a legislação federal de regência da matéria, devendo os créditos ser corrigidos monetariamente; e, e) que a LC nº 118/05, ao estabelecer alteração do prazo de repetição de indébito nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, seria ilegal, na medida em que vai de encontro ao que o CTN estabelece como causa de extinção do tributo, questão já reconhecida em julgados do STJ; isso consubstanciaria patente direito à restituição da Cofins recolhida nos últimos dez anos, posto que tributo sujeito a lançamento por homologação. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, que negou o direito pleiteado, em síntese, sob o fundamento de que a compensação só poderia ser homologada diante de créditos revestidos dos atributos de liquidez e certeza, ressaltando, ainda, a incompetência da autoridade tributária administrativa para apreciação da inconstitucionalidade das leis e a limitação dos efeitos das decisões judiciais para as partes envolvidas, admitidas as exceções nas quais não se enquadraria o caso presente. Cientificada da referida decisão em 30/10/2008 (fls. 79), a interessada, em 24/11/2008 – postagem (fls. 131) –, apresentou o recurso voluntário de fls. 80/111, onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito com fundamento nos mesmos argumentos já expostos na primeira instância recursal, ressaltando, adicionalmente, que a 1a Seção do STJ já teria se posicionado no sentido de que o novo prazo de cinco anos prescrito pela Lei Complementar no 118/05 só teria passado a valer a partir da data em que referida norma entrara em vigor. Argumenta ainda que os órgãos administrativos, diante do necessário zelo para com a Constituição Federal, teriam competência para se posicionar sobre a inconstitucionalidade de atos normativos. Apresenta tese sustentando a diferença entre controle de constitucionalidade e decisão sobre aplicação de norma inconstitucional a fato concreto, reclamando, também, o amparo aos direitos e garantias individuais que resguardariam seu pedido. Com fundamento no artigo 74, parágrafo 9o, da Lei no 9.430/96, c/c art. 151, III, do CTN, reclama a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em face da instauração do litígio tributário. Diante do exposto, requer seja dado provimento ao seu recurso, com a conseqüente homologação da compensação pleiteada, na sua integralidade. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Fl. 139DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/ 07/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 Das preliminares Admissibilidade do recurso Conforme relatado, a ciência da decisão recorrida se deu em 30/10/2008 (fls. 79). Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 24/11/2008 (v. fls. 131), tempestivamente, portanto. Ademais, nos termos do instrumento de mandato de fls. 112, vêse que o signatário da petição de recurso voluntário detém legitimidade para representar a empresa perante este foro. Portanto, e considerando, ainda, a competência material para o julgamento do feito, conheço do recurso, posto que atendidos os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Da não configuração de hipótese de sobrestamento do recurso A recorrente contesta a interpretação do prazo prescricional de restituição ditada pelo artigo 3o da Lei Complementar nº 118/05, questão que, por sinal, está pendente de julgamento no STF, o qual, no Recurso Extraordinário no 561.908, reconheceu a repercussão geral da matéria em tela, conforme ementa a seguir transcrita: TRIBUTO – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – REPERCUSSÃO GERAL – ADMISSÃO. Surge com repercussão geral controvérsia sobre a inconstitucionalidade, declarada na origem, da expressão “observado, quanto ao artigo 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional”, constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005.(RE 561908 RG, Relator(a): Min. MIN. MARCO AURÉLIO, julgado em 08/11/2007, DJe157 DIVULG 06122007 PUBLIC 07122007 DJ 07122007 PP00016 EMENT VOL0230208 PP01660 ) Em tais casos, o § 1º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho – aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010 – , determina o sobrestamento do julgamento do feito até que seja proferida decisão definitiva de mérito pelo STF, na forma preconizada no art. 543B do Código de Processo Civil. No entanto, tal não se aplica ao caso presente, uma vez que é irrelevante para a lide qualquer apreciação relacionada à contagem do prazo prescricional do direito à restituição do indébito tributário, uma vez que, conforme será demonstrado, não há, no mérito, direito que socorra a reclamante em relação ao crédito alegado, já que, como afirma a própria recorrente, a origem dos créditos diz respeito a alegada iletimidade da exigência da COFINS sobre as sociedades civis de prestação de serviços profissionais por suposta afronta à hierarquia das leis quando da revogação da isenção concedida pela Lei Complementar nº 70/91 por via de lei ordinária (Lei nº 9.430/96), questão que já foi pacificada pelo Supremo Tribunal Federal. Assim, diante da inexistência de qualquer impedimento para o exame da contenda, passase a análise das demais preliminares e do mérito da lide propriamente dito. Da inexistência de nulidade por alegada falta de competência para exame do pedido de compensação A recorrente protesta contra a decisão que não homologou seu pedido de compensação, posto que dito indeferimento fora prolatado antes do exame, pela Delegacia de Julgamento, da manifestação de inconformidade relativa ao pedido de restituição correlato. Fl. 140DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/ 07/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11618.003325/200614 Acórdão n.º 380200.539 S3TE02 Fl. 135 5 Essas questões já foram devidamente apreciadas na decisão recorrida, inclusive no que diz respeito à efetiva competência da SAORT para se manifestar em processos administrativos referentes à restituição e à compensação. Ademais, tendo em foco o princípio da efetividade do processo e o da instrumentalidade das formas, tenho que o caso não importa nulidade da demanda, até porque não restou configurado prejuízo para a defesa da recorrente ou para o resultado final do processo administrativo. Portanto, afastamse os argumentos de nulidade aduzidos pela suplicante. Do mérito A reclamante alega que as sociedades civis de prestação de serviços seriam isentas da COFINS, uma vez que a isenção concedida pela LC nº 70/91 foi revogada por lei ordinária, no caso, o artigo 56 da Lei nº 9.430/96, em propalada ofensa ao princípio da hierarquia das leis. Tal questão, no entanto, já se encontra pacificada pelo STF, que, sob o regime da repercussão geral (art. 543B do CPC), decidiu que a norma veiculada pelo art. 56 da Lei nº 9.430, de 1996, revogou a isenção da COFINS concedida às sociedades civis de prestação de serviços profissionais, prevista no inciso II do art. 6º da Lei Complementar nº 70, de 1991. Os fundamentos que serviram de base para o referido julgado estão resumidos na ementa do Recurso Extraordinário no 377.457, abaixo reproduzida: Contribuição social sobre o faturamento COFINS (CF, art. 195, I). 2. Revogação pelo art. 56 da Lei 9.430/96 da isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6º, II, da Lei Complementar 70/91. Legitimidade. 3. Inexistência de relação hierárquica entre lei ordinária e lei complementar. Questão exclusivamente constitucional, relacionada à distribuição material entre as espécies legais. Precedentes. 4. A LC 70/91 é apenas formalmente complementar, mas materialmente ordinária, com relação aos dispositivos concernentes à contribuição social por ela instituída. ADC 1, Rel. Moreira Alves, RTJ 156/721. 5. Recurso extraordinário conhecido mas negado provimento.(RE 377457, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 17/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe241 DIVULG 18122008 PUBLIC 19122008 EMENT VOL0234608 PP01774) Com efeito, constatada a legitimidade dos pagamentos apontados pela recorrente como alicerce de seu pedido de compensação, demonstrada está a inexistência de indébito tributário, razão pela qual não há como acolher o pedido de compensação em tela, posto que não fundamentado em direito creditório legítimo, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal, acima colacionada, que asseverou, em caráter definitivo, a legalidade da revogação da isenção da COFINS originariamente concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6º, inciso II, da Lei Complementar 70/91. Assim, e em obediência ao disposto no art. 62A1 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as 1 "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". Fl. 141DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/ 07/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, fica assentado que são efetivamente devidos os pagamentos da COFINS realizados pela recorrente segundo a forma de incidência instituída pelo art. 56 da Lei nº 9.430, de 1996. Consequentemente, o indédito alegado não existe, não havendo, pois, razão legal que autorize a homologação da compensação pleiteada. Diante disso, prejudicado está qualquer exame quanto à alegada inexistência de prescrição do direito de pleitear a restituição do crédito em apreço, posto que, como demonstrado, não há direito creditório que fundamente a existência de indébito tributário em favor da reclamante. Finalmente, quanto aos argumentos relacionados à ilegalidade ou à inconstitucionalidade da norma, importa ressaltar que o julgador administrativo está vinculado à legalidade estrita, por força do disposto no artigo 116, III, da Lei no 8.112/90, preceito o qual se repete no artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22/06/2009. Ademais, é vedado à instância administrativa negar a aplicação de lei que entenda inconstitucional, assunto, inclusive, pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos de sua Súmula no 02, segundo a qual “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Da conclusão Por todo o exposto, voto, preliminarmente, para rejeitar as preliminares aduzidas pela recorrente e, no mérito, para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela mesma. Sala de Sessões, em 05 de julho de 2011. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 142DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/ 07/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A
score : 1.0
Numero do processo: 16327.907564/2012-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue May 16 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 15/06/2004
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO OU RECEITA BRUTA. ATIVIDADE EMPRESARIAL TÍPICA. CAPTAÇÃO DE RECURSOS.
Mesmo considerando a inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) quanto ao alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, há que se reconhecer que a grandeza faturamento ou receita bruta alcança o produto do exercício da atividade empresarial típica ou operacional da pessoa jurídica, abarcando, por conseguinte, a prestação remunerada de serviços bancários, bem como as receitas remuneradas decorrentes de operações ativas próprias de uma instituição financeira.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
null
DESPACHO DECISÓRIO. CRUZAMENTO DE DADOS FORNECIDOS PELO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Tendo o despacho decisório se baseado nas informações prestadas pelo próprio sujeito passivo, na DCTF e no DARF, informações essas não retificadas antes da prolação do despacho decisório e de cujo cruzamento não se apurou o indébito alegado, afasta-se a ocorrência de nulidade decorrente de cerceamento do direito de defesa, pois que a autoridade administrativa agiu em conformidade com as regras que regem a análise de pedidos de restituição.
Numero da decisão: 3201-010.254
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: (i) excluir da base de cálculo da contribuição as receitas financeiras decorrentes da aplicação de recursos próprios (aplicações financeiras de recursos próprios em renda fixa, fundos de investimento e renda variável), considerados como recursos próprios somente o dinheiro em caixa que não seja de origem de terceiros, que não tenha conexão com serviços prestados ou tarifas cobradas pela instituição financeira e aquelas receitas resultantes das aplicações dos recursos próprios do Patrimônio Líquido, vencido o conselheiro Ricardo Sierra Fernandes, que negava provimento, e, (ii) excluir da base de cálculo da contribuição a recuperação de encargos e despesas e a atualização monetária dos depósitos judiciais, vencidos os conselheiros Ricardo Sierra Fernandes, Ana Paula Pedrosa Giglio e Hélcio Lafetá Reis, que negavam provimento nesses itens. Os conselheiros Leonardo Vinicius Toledo Andrade, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Márcio Robson Costa davam provimento em maior extensão, para abranger os depósitos compulsórios no Banco Central. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-010.245, de 21 de março de 2023, prolatado no julgamento do processo 16327.904270/2012-91, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Sierra Fernandes, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ricardo Rocha de Holanda Coutinho, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Paula Pedrosa Giglio, Márcio Robson Costa, Tatiana Josefovicz Belisário e Hélcio Lafetá Reis (Presidente).
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 20 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202303
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/06/2004 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO OU RECEITA BRUTA. ATIVIDADE EMPRESARIAL TÍPICA. CAPTAÇÃO DE RECURSOS. Mesmo considerando a inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) quanto ao alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, há que se reconhecer que a grandeza faturamento ou receita bruta alcança o produto do exercício da atividade empresarial típica ou operacional da pessoa jurídica, abarcando, por conseguinte, a prestação remunerada de serviços bancários, bem como as receitas remuneradas decorrentes de operações ativas próprias de uma instituição financeira. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL null DESPACHO DECISÓRIO. CRUZAMENTO DE DADOS FORNECIDOS PELO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo o despacho decisório se baseado nas informações prestadas pelo próprio sujeito passivo, na DCTF e no DARF, informações essas não retificadas antes da prolação do despacho decisório e de cujo cruzamento não se apurou o indébito alegado, afasta-se a ocorrência de nulidade decorrente de cerceamento do direito de defesa, pois que a autoridade administrativa agiu em conformidade com as regras que regem a análise de pedidos de restituição.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 16 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 16327.907564/2012-74
anomes_publicacao_s : 202305
conteudo_id_s : 6849190
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 16 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3201-010.254
nome_arquivo_s : Decisao_16327907564201274.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : HELCIO LAFETA REIS
nome_arquivo_pdf_s : 16327907564201274_6849190.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: (i) excluir da base de cálculo da contribuição as receitas financeiras decorrentes da aplicação de recursos próprios (aplicações financeiras de recursos próprios em renda fixa, fundos de investimento e renda variável), considerados como recursos próprios somente o dinheiro em caixa que não seja de origem de terceiros, que não tenha conexão com serviços prestados ou tarifas cobradas pela instituição financeira e aquelas receitas resultantes das aplicações dos recursos próprios do Patrimônio Líquido, vencido o conselheiro Ricardo Sierra Fernandes, que negava provimento, e, (ii) excluir da base de cálculo da contribuição a recuperação de encargos e despesas e a atualização monetária dos depósitos judiciais, vencidos os conselheiros Ricardo Sierra Fernandes, Ana Paula Pedrosa Giglio e Hélcio Lafetá Reis, que negavam provimento nesses itens. Os conselheiros Leonardo Vinicius Toledo Andrade, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Márcio Robson Costa davam provimento em maior extensão, para abranger os depósitos compulsórios no Banco Central. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-010.245, de 21 de março de 2023, prolatado no julgamento do processo 16327.904270/2012-91, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Sierra Fernandes, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ricardo Rocha de Holanda Coutinho, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Paula Pedrosa Giglio, Márcio Robson Costa, Tatiana Josefovicz Belisário e Hélcio Lafetá Reis (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2023
id : 9893637
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Sat May 20 09:03:44 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1766403271430242304
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-05-15T19:51:04Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-05-15T19:51:04Z; Last-Modified: 2023-05-15T19:51:04Z; dcterms:modified: 2023-05-15T19:51:04Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-05-15T19:51:04Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-05-15T19:51:04Z; meta:save-date: 2023-05-15T19:51:04Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-05-15T19:51:04Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-05-15T19:51:04Z; created: 2023-05-15T19:51:04Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; Creation-Date: 2023-05-15T19:51:04Z; pdf:charsPerPage: 2702; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-05-15T19:51:04Z | Conteúdo => S3-C 2T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 16327.907564/2012-74 Recurso Voluntário Acórdão nº 3201-010.254 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de março de 2023 Recorrente BANCO ABC BRASIL S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/06/2004 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO OU RECEITA BRUTA. ATIVIDADE EMPRESARIAL TÍPICA. CAPTAÇÃO DE RECURSOS. Mesmo considerando a inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) quanto ao alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, há que se reconhecer que a grandeza faturamento ou receita bruta alcança o produto do exercício da atividade empresarial típica ou operacional da pessoa jurídica, abarcando, por conseguinte, a prestação remunerada de serviços bancários, bem como as receitas remuneradas decorrentes de operações ativas próprias de uma instituição financeira. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DESPACHO DECISÓRIO. CRUZAMENTO DE DADOS FORNECIDOS PELO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo o despacho decisório se baseado nas informações prestadas pelo próprio sujeito passivo, na DCTF e no DARF, informações essas não retificadas antes da prolação do despacho decisório e de cujo cruzamento não se apurou o indébito alegado, afasta-se a ocorrência de nulidade decorrente de cerceamento do direito de defesa, pois que a autoridade administrativa agiu em conformidade com as regras que regem a análise de pedidos de restituição. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: (i) excluir da base de cálculo da contribuição as receitas financeiras decorrentes da aplicação de recursos próprios (aplicações financeiras de recursos próprios em renda fixa, fundos de investimento e renda variável), considerados como recursos próprios somente o dinheiro em caixa que não seja de origem de terceiros, que não tenha conexão com serviços prestados ou tarifas cobradas pela instituição financeira e aquelas receitas resultantes das aplicações dos recursos próprios do Patrimônio Líquido, vencido o conselheiro Ricardo Sierra Fernandes, que negava provimento, e, (ii) excluir da base de cálculo da contribuição a recuperação de encargos e despesas e a atualização monetária dos depósitos judiciais, vencidos os conselheiros Ricardo Sierra Fernandes, Ana Paula Pedrosa Giglio e Hélcio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 75 64 /2 01 2- 74 Fl. 219DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-010.254 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.907564/2012-74 Lafetá Reis, que negavam provimento nesses itens. Os conselheiros Leonardo Vinicius Toledo Andrade, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Márcio Robson Costa davam provimento em maior extensão, para abranger os depósitos compulsórios no Banco Central. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-010.245, de 21 de março de 2023, prolatado no julgamento do processo 16327.904270/2012-91, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Sierra Fernandes, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ricardo Rocha de Holanda Coutinho, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Paula Pedrosa Giglio, Márcio Robson Costa, Tatiana Josefovicz Belisário e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em contraposição ao acórdão da Delegacia de Julgamento (DRJ) que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada pelo contribuinte acima identificado em face do despacho decisório da repartição de origem em que se indeferira o Pedido de Restituição de parcela da Contribuição para o PIS, em razão da constatação de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento integral do direito creditório, aduzindo, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) a autoridade administrativa deveria tê-lo intimado previamente para apresentar informações e documentos acerca do indébito; b) houve recolhimento da contribuição em montante superior ao devido, pois, na base de cálculo, foram incluídas indevidamente receitas alheias ao faturamento ou à receita de vendas e/ou de prestação de serviços, em conformidade com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em que se decidiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições cumulativas promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998; c) o entendimento de que o conceito de faturamento varia em função do objeto social de cada contribuinte gera um grau de incerteza absolutamente incompatível com uma obrigação tributária, não havendo, Fl. 220DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-010.254 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.907564/2012-74 portanto, qualquer relação de identidade entre o conceito de faturamento e a atividade principal do contribuinte; d) desde o advento do Decreto-lei nº 1.598/1977, por força do seu art. 17, as receitas financeiras são consideradas receitas operacionais que compõem o lucro operacional, independentemente do objeto social da pessoa jurídica, isso em conformidade com o art. 373 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999); e) referida questão encontra-se pendente de decisão do STF (RE 609.096), com reconhecimento da existência de repercussão geral, razão pela qual o presente feito devia ser sobrestado até o trânsito em julgado da matéria, nos termos do art. 62-A, §§ 1º e 2º, do Regimento Interno do CARF; f) na hipótese de se entender diferentemente, devia-se reconhecer ao menos parte do indébito, excluindo-se da base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiros sem intermediação financeira, bem como a remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte carreou aos autos cópias dos seguintes documentos: (i) despacho decisório, (ii) Pedido de Restituição, (iii) planilhas com identificação de contas, (iv) comprovantes de arrecadação, (v) Dacon e (vi) Balancete. A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, fundamentando o acórdão nas seguintes constatações: (i) a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998 não alcança as receitas típicas das instituições financeiras, (ii) os juros sobre o capital próprio auferidos pela sociedade empresarial decorrentes da participação no patrimônio liquido de outras sociedades constituem receita de natureza financeira, própria da entidade, (iii) o depósito compulsório rentável é uma fonte permanente de receita da instituição financeira e, como tal, tem natureza de receita operacional e (iv) inocorrência de cerceamento do direito de defesa, uma vez que a decisão fora prolatada com dados fornecidos pelo próprio interessado. Cientificado do acórdão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou seu pedido, repisando os argumentos de defesa de forma mais ampla, sendo ressaltada a previsão, em normas complementares da Receita Federal, da necessidade de intimação prévia à prolação de despacho decisório, bem como a não obrigatoriedade de retificação prévia da DCTF em face de pedido fundado em inconstitucionalidade de lei. Acrescentou-se, ainda, na peça recursal, o argumento de que o conceito de faturamento, nos termos defendidos pela Administração tributária, somente passou a existir com o advento da Lei nº 12.973/2014, previsão essa que não podia retroagir para alcançar fatos anteriores à sua inserção no ordenamento jurídico. Quando do julgamento do Recurso Voluntário, esta turma ordinária o converteu em diligência à repartição de origem para que se intimasse o Recorrente para apresentar o detalhamento de todas as suas receitas, esclarecendo aquelas com origem em aplicações financeiras de recursos próprios e aquelas referentes a recursos de terceiros. Fl. 221DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-010.254 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.907564/2012-74 Realizada a diligência, a autoridade fiscal registrou em relatório as seguintes constatações: 1) a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998 foi proferida em processos envolvendo contribuintes que produzem mercadorias, que as fazem circular, ou prestadores de serviços, devendo tal decisão ser interpretada, no presente caso, considerando-se a realidade das instituições financeiras que prestam serviços financeiros; 2) o termo “serviço financeiro” abrange todo o tipo de prestação de esforços e conhecimentos de cunho financeiro, usualmente disponibilizados pelas instituições financeiras, abrangendo os ganhos auferidos pelas entidades bancárias em operações de intermediação financeira, bem como todas as atividades relacionadas a essa atividade- fim, como operações nos mercados à vista, a termo, de opções e de futuros organizados pelas Bolsas de Valores, de Mercadorias e Futuros, tais como compra e venda de títulos e valores mobiliários, ativos financeiros e contratos vinculados a mercados de liquidação futura, dentre outras, todas elas sendo parte integrante da base de cálculo da contribuição; 3) não há como se confundirem as receitas financeiras obtidas pelas demais pessoas jurídicas decorrentes da aplicação de recursos disponíveis (receitas não relacionadas à atividade-fim desses entes jurídicos) com as receitas de intermediação financeira, com títulos de capitalização, títulos e valores mobiliários e receitas de aplicações interfinanceiras de liquidez e prêmios de seguros e corretagens oriundas da venda de seguros auferidas exclusivamente pelas sociedades seguradoras, instituições financeiras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de capitalização, sociedades gestoras de ativos, seguradoras e sociedades de arrendamento mercantil; 4) os dividendos e os juros sobre o capital próprio (JCP) pagos pelas sociedades nas quais os bancos detêm participações se relacionam, claramente, aos objetivos sociais perseguidos por bancos de investimentos ou bancos múltiplos, devendo, portanto, integrar a base de cálculo da contribuição; 5) os depósitos compulsórios estão relacionados aos objetivos sociais inerentes às instituições financeiras, sendo o seu recolhimento compulsório um instrumento do Banco Central do Brasil (Bacen) que abarca os depósitos à vista, depósitos a prazo (Certificados de Depósito Bancário - CDB - e Recibos de Depósitos Bancários - RDB) e as aplicações em poupança, cujo objetivo precípuo é o controle da quantidade de moeda em circulação na economia, com vistas ao controle da inflação e à manutenção da estabilidade financeira, provendo as instituições financeiras de um “colchão de liquidez” que pode ser utilizada em momentos de crise, estando a remuneração paga pelo Bacen vinculada aos objetivos sociais perseguidos pelas entidades bancárias; Fl. 222DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-010.254 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.907564/2012-74 6) só as receitas de cunho não operacional, classificadas na conta nº 7.3.0.00.00-6 (receitas não operacionais) do Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (Cosif) podem ser excluídas da base imponível da contribuição. Cientificado dos resultados da diligência, o contribuinte se manifestou arguindo que, ao invés de intimá-lo para detalhar as suas receitas, nos termos determinados pela resolução desta turma julgadora, a autoridade administrativa restringiu sua atividade à defesa de uma tese de direito, com descumprimento da diligência determinada. Contudo, ainda de acordo com o contribuinte, inobstante o descumprimento da resolução, o Demonstrativo da Base de Cálculo da contribuição, os Balancetes juntados aos autos e o Manual de Normas do Sistema Financeiro – Cosif – possibilitavam a verificação de quais eram as receitas que possuíam “origem em aplicações financeiras de recursos próprios e aquelas aplicações financeiras referentes a recursos de terceiros”, que foi, justamente, o objetivo da diligência. Em sua manifestação, o contribuinte ainda repisa alguns dos argumentos de defesa do recurso, cita decisões do CARF que corroboram sua defesa e faz referência às chamadas “receitas residuais” (recuperação de encargos e despesas, rendas de aplicações no exterior, rendas de repasses interfinanceiros e outras rendas operacionais) que, segundo ele, não se enquadram no conceito de faturamento. Por fim, argumenta que, na Solução de Consulta nº 1.024/2016, a própria Receita Federal reconheceu a não incidência da contribuição em relação às receitas de atualização monetária de depósitos judiciais realizados por instituições financeiras, registradas especificamente na conta contábil 7.1.9.99.00-9 (subconta 7.1.9.99.00.000023.3). Cientificada, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) requereu o acolhimento das conclusões do relatório de diligência. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, ressalvando o meu entendimento pessoal expresso na decisão paradigma, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir. Deixa-se de transcrever a parte vencida do voto do relator, que pode ser consultada no acórdão paradigma e deverá ser considerada, para todos os fins regimentais, inclusive de pré- questionamento, como parte integrante desta decisão, transcrevendo-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Quanto ao afastamento da preliminar de nulidade arguida e à exclusão da base de cálculo da contribuição das receitas financeiras decorrentes da aplicação de recursos próprios (aplicações financeiras de recursos próprios em renda fixa, fundos de investimento e renda variável), considerados como recursos próprios somente o dinheiro em caixa que não seja de origem de terceiros, que não tenha conexão com serviços prestados ou tarifas cobradas pela Fl. 223DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-010.254 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.907564/2012-74 instituição financeira e aquelas receitas resultantes das aplicações dos recursos próprios do Patrimônio Líquido, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto do relator do acórdão paradigma: O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele se toma conhecimento. Conforme acima relatado, controverte-se nos autos acerca do despacho decisório da repartição de origem em que se indeferiu o Pedido de Restituição de parcela da Contribuição para o PIS, em razão da constatação de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. De início, deve-se registrar que, tanto na Manifestação de Inconformidade, quanto no Recurso Voluntário, o Recorrente centra sua defesa na conceituação e alcance do termo “faturamento”, ex vi da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do RE nº 585.235, submetido à sistemática da repercussão geral, em que se reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, solicitando, alternativamente, que, caso sua compreensão do referido conceito não fosse acolhida por este colegiado, que ao menos se reconhecesse o direito à exclusão da base de cálculo das contribuições das receitas financeiras decorrentes da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiros sem intermediação financeira, bem como a remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central. O Recorrente trouxe aos autos cópias de planilhas com identificação de contas, do Dacon e do Balancete, sem, contudo, apontar de forma direta e sem justificar que contas encontrar-se-iam, segundo o seu entendimento, fora do referido conceito de faturamento das instituições financeiras, fazendo referência genérica, apenas, às chamadas “receitas financeiras”, aduzindo serem tais receitas decorrentes de operações de intermediação financeira e concessão de crédito. Em planilhas apresentadas na primeira instância, o Recorrente aponta receitas de diferentes naturezas e origens agrupadas na rubrica “Receitas Operacionais”, estas distribuídas nos subgrupos “Rendas de operações de crédito”, “Rendas de Câmbio”, “Rendas de aplicações interfinanceiras de liquidez”, “Rendas de títulos e valores mobiliários”, “Rendas de prestação de serviços” e “Rendas de Participações”, bem como nas contas “Outras receitas operacionais”, “Receitas não operacionais”, “Outras adições” etc., englobando cada uma dessas rubricas muitas espécies de receitas, sem, contudo, indicar e justificar, direta e especificamente, quais dessas contas, de acordo com seu entendimento, estariam fora do conceito de faturamento para fins de incidência das contribuições cumulativas, conclusão essa também não passível de obtenção na cópia do Dacon original também apresentada na primeira instância. Após a realização da diligência, o Recorrente traz aos autos informações adicionais acerca do seu pleito, indicando as contas referentes às aplicações financeiras de recursos próprios e de terceiros: -0 RENDAS DE APLICAÇÕES INTERFINANCEIRAS DE LIQUIDEZ Fl. 224DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-010.254 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.907564/2012-74 o 7.1.4.10.00-7 RENDAS DE APLICAÇÕES EM OPERAÇÕES COMPROMISSADAS – Registrar as rendas de aplicações em operações compromissadas, que constituam receita efetiva da instituição, no período. o 7.1.4.20.00-4 RENDAS DE APLICAÇÕES EM DEPÓSITOS INTERFINANCEIROS - Registrar as rendas de depósitos interfinanceiros, que constituam receita efetiva da instituição, no período. -3 RENDAS COM TITULOS E VALORES MOBILIARIOS E INSTRUMENTOS FINANCEIROS DERIVATIVOS o 7.1.5.10.00-0 RENDAS DE TÍTULOS DE RENDA FIXA - Registrar as rendas de títulos de renda fixa, que constituam receita efetiva da instituição, no período. o 7.1.5.15.00-5 – RENDAS DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS NO EXTERIOR - Registrar as rendas de aplicações em títulos e valores mobiliários, no exterior. o 7.1.5.20.00-7 RENDAS DE TÍTULOS DE RENDA VARIÁVEL - Registrar as rendas de títulos de renda variável, que constituam receita efetiva da instituição, no período. o 7.1.5.40.00-1 RENDAS DE APLICAÇÕES EM FUNDO DE INVESTIMENTO - Registrar as rendas de fundos de investimento, que constituam receita efetiva da instituição, no período. o 7.1.5.75.00-7 - LUCROS COM TITULOS DE RENDA FIXA - Registrar os lucros apurados na venda definitiva de títulos de renda fixa. o 7.1.5.80.00-9 - RENDAS EM OPERACOES COM DERIVATIVOS - Registrar as rendas em operações com instrumentos financeiros derivativos de acordo com a modalidade, inclusive os ajustes positivos ao valor de mercado. Argumenta, ainda, o Recorrente, também após a realização da diligência, que “a conta contábil 7.1.9.99.00-5 OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS (e subcontas) é utilizada para a escrituração das demais rendas operacionais que constituem receita efetiva da instituição mas que não decorrem do exercício de suas atividades típicas, dentre as quais cita-se exemplificativamente as seguintes: 7.1.9.00.00-5 OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS o 7.1.9.30.00-6 RECUPERAÇÃO DE ENCARGOS E DESPESAS - Registrar a recuperação de encargos e despesas, que constituam receita efetiva da instituição, no período. o 7.1.9.40.00-3 - RENDAS DE APLICACOES NO EXTERIOR - Registrar o valor das receitas provenientes de aplicações de saldos disponíveis e em títulos e valores mobiliários, efetuadas no exterior. Fl. 225DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-010.254 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.907564/2012-74 o 7.1.9.80.00-1 – RENDAS DE REPASSES INTERFINANCEIROS - Registrar as rendas de repasses interfinanceiros, que constituam receita efetiva da instituição, no período. o 7.1.9.99.00-9 OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS – Registrar as rendas operacionais que constituam receita efetiva da instituição, no período, para cuja escrituração não exista conta específica, bem como para a reclassificação dos saldos credores apresentados por contas de resultado de natureza devedora, decorrentes do registro da variação cambial incidente sobre operações passivas com cláusula de reajuste cambial, devendo a instituição manter o controle analítico para identificar as rendas da espécie, segundo a sua natureza.” Segundo ele, amparando-se em posicionamento de ex-conselheiro registrado no acórdão nº 3401-002.873, “aludidas verbas são representativas de receitas residuais, como, aliás, descreve o próprio COSIF, (...) de maneira que não é possível classificá-las, para fins de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e Cofins, como faturamento, na acepção até aqui defendida, consistente no somatório das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais típicas, razão pela qual entendo assistir razão ao contribuinte neste ponto”. Também defende a não inclusão na base de cálculo das receitas de atualização monetária de depósitos judiciais, nos termos da Solução de Consulta nº 1.024/2016, e as receitas relativas à recuperação de encargos e despesas, conforme decidido no acórdão nº 3201-004.445, de 27/11/2018. Feitas essas considerações, passa-se à análise do recurso. Preliminarmente, o Recorrente aduz que a autoridade administrativa, antes de prolatar o despacho decisório, deveria tê-lo intimado para apresentar informações e documentos acerca do indébito, nos termos previstos na legislação tributária, sob pena de violação da regra prevista no art. 59 do Decreto nº 7.235/1972. 1 No entanto, tal argumento não se sustenta, pois o despacho decisório se baseou nas informações prestadas pelo próprio Recorrente na DCTF (contribuição devida no período – confissão de dívida) e no DARF (pagamento efetuado), de cujo cruzamento não se extraiu o alegado indébito. Logo, uma vez tendo o Recorrente se equivocado ao não retificar a DCTF para ajustar o débito confessado ao montante por ele considerado devido, não se pode imputar à autoridade administrativa o alegado cerceamento do direito de defesa, pois ela agiu em conformidade com as regras que regem a análise de pedidos de restituição. Além do mais, ao Recorrente restou assegurado o direito de impugnar a decisão no âmbito do processo administrativo fiscal, onde, nos termos do Decreto nº 70.235/1972, é-lhe facultada a apresentação dos motivos de fato e de direito em que se fundamenta sua defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possua. 1 Art. 59. São nulos: (...) II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 226DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3201-010.254 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.907564/2012-74 Logo, afasta-se a preliminar de nulidade arguida. Quanto ao pedido alternativo do Recorrente de se reconhecer pelo menos o direito à exclusão da base de cálculo das contribuições das receitas financeiras decorrentes da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiros sem intermediação financeira, há que destacar que, conforme decisão contida no Acórdão 9303-005.051, a CSRF decidiu que “[não] se incluem no conceito de receitas operacionais auferidas pelas instituições financeiras as provenientes da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiros.” Sobre essa matéria, esta turma ordinária nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Ano-calendário: 2012, 2013 FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. BANCOS Entende-se por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, quais sejam, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social. As receitas decorrentes do exercício das atividades financeiras e bancárias, incluindo as receitas da intermediação financeira, compõem a base de cálculo da Cofins para as instituições financeiras e assemelhadas, nos termos do RE 585.2351/MG. RECEITAS OPERACIONAIS. APLICAÇÃO DE RECURSOS PRÓPRIOS. EXCLUSÃO. Não se incluem no conceito de receitas operacionais auferidas pelas instituições financeiras as provenientes da aplicação de recursos próprios. Entendimento exarado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão nº 9303-005.051. (Acórdão 3201-003.653, rel. Paulo Roberto Duarte Moreira, j. 18/04/2018 – g,n.) Em relação às aplicações de recursos de terceiros sem intermediação financeira, o Recorrente faz um pedido genérico acerca de sua exclusão da base de cálculo, não tecendo, contudo, nem mesmo uma linha para identificar quais as rendas ou receitas discriminadas nas planilhas por ele apresentadas se enquadram nessa situação. Nesse sentido, acata-se neste voto a exclusão da base de cálculo da contribuição das receitas financeiras decorrentes da aplicação de recursos próprios (aplicações financeiras de recursos próprios em renda fixa, fundos de investimento e renda variável), dada a não configuração de intermediação financeira. Quanto ao pedido de exclusão da base de cálculo da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central, este voto se alinha ao decidido no acórdão nº 3401-010.462, cuja ementa encontra-se transcrita acima, no sentido de que, “[no] caso de instituição financeira sujeita à apuração da Cofins Fl. 227DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3201-010.254 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.907564/2012-74 sob o regime de incidência cumulativa, conforme disposto na Lei nº 9.718, de 1998, a remuneração decorrente de depósitos compulsórios no Banco Central do Brasil deve ser tributada pelas referidas contribuições, por se constituir em receita da atividade empresarial”. (g.n.) A autoridade administrativa, no relatório de diligência, muito bem se expressou ao tratar dessa questão, no sentido de que os depósitos compulsórios estão relacionados aos objetivos sociais inerentes às instituições financeiras, sendo o seu recolhimento compulsório um instrumento do Banco Central do Brasil (Bacen) que abarca os depósitos à vista, depósitos a prazo (Certificados de Depósito Bancário - CDB - e Recibos de Depósitos Bancários - RDB) e as aplicações em poupança, cujo objetivo precípuo é o controle da quantidade de moeda em circulação na economia, com vistas ao controle da inflação e à manutenção da estabilidade financeira, provendo as instituições financeiras de um “colchão de liquidez” que pode ser utilizada em momentos de crise, estando a remuneração paga pelo Bacen vinculada aos objetivos sociais perseguidos pelas entidades bancárias. Por fim, registre-se que, no âmbito do RE 609.096, o STF reconheceu a repercussão geral relativamente ao conceito de faturamento das instituições financeiras para fins de incidência das contribuições cumulativas, mas até a presente data, não se tem uma decisão definitiva de mérito. Em 18/12/2022, o relator do RE 609.096, Ministro Ricardo Lewandowiski, único a votar na ocasião (o Ministro Dias Toffoli pediu vista), fixou a seguinte tese: "O conceito de faturamento como base de cálculo para a cobrança do PIS e da COFINS, em face das instituições financeiras, é a receita proveniente da atividade bancária, financeira e de crédito proveniente da venda de produtos, de serviços ou de produtos e serviços, até o advento da Emenda Constitucional 20/1998" (g.n.). Nota-se que a decisão do relator é por demais ampla, alcançando a receita proveniente das atividades centrais de toda instituição financeira (atividades bancárias, financeira e de crédito), receita essa decorrente, dentre outras atividades, da prestação de serviços ou de produtos e serviços, definição essa que, pelo menos em tese (já que ainda não se tem a discriminação das diferentes prestações de serviços), vai ao encontro do entendimento defendido neste voto. Em seu voto, o Ministro Ricardo Lewandowiski reportou-se ao voto do Ministro Moreira Alves, que, ao julgar a ADC 1, declarou a constitucionalidade da Cofins, reafirmando o entendimento do Ministro Ilmar Galvão, em julgado semelhante (RE 150.764), que tratava do precursor Finsocial, cujo teor é o seguinte: “[o] conceito de receita bruta das vendas de mercadorias e mercadorias e serviços ‘coincide com o de faturamento, que, para efeitos fiscais, sempre foi entendido como o produto de todas as vendas, e não apenas das vendas acompanhadas de fatura, formalidade exigida tão-somente nas vendas mercantis a prazo (art. 1º da Lei 187/36)’” (g.n.) Mais à frente no seu voto, o relator assim se expressou: (...) é possível inferir que a atividade bancária, financeira e creditícia, em que figure pessoa física ou jurídica na condição de destinatária final, a qual tem Fl. 228DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 3201-010.254 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.907564/2012-74 origem em uma relação de consumo, pode ser caracterizada como venda de produtos, de serviços ou de produtos e serviços, mesmo que, quanto a esta, não se emita uma fatura. Isso significa que a receita proveniente de tais produtos ou serviços integra o faturamento. (g.n.) O Ministro Relator também fez referência ao voto do Ministro Alexandre de Moraes no julgamento do RE 659.412, cujo teor é o seguinte: “É constitucional a incidência da contribuição para o PIS e da COFINS sobre a locação de bens móveis, considerado que o resultado econômico dessa atividade coincide com o conceito de faturamento ou receita bruta, tomados como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, pressuposto desde a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal” (g.n.) O Ministro Relator ainda se vale do item 15 da Lei Complementar (LC) nº 116/2203, que dispõe sobre o ISS, para concluir que “as instituições financeiras auferem receitas que se amoldam ao conceito de faturamento, decorrente da venda de bens e da prestação de serviços, eis que são prestadoras de serviços.” No referido item, encontram-se relacionados os subitens 15.1 a 15.18, em que é possível verificar que o conceito de “prestação de serviços” pelas instituições financeiras é assaz amplo e diversificado, destacando-se, por ora, os serviços de câmbio, arrendamento mercantil, crédito imobiliário, contrato de crédito etc., não se restringindo, portanto, ao alcance restritivo pretendido pelo Recorrente. É excluído do conceito de prestação de serviços, pelo Ministro Relator, em conformidade com a LC 116/2003, somente “o valor intermediado no mercado de títulos e valores mobiliários, o valor dos depósitos bancários, o principal, juros e acréscimos moratórios relativos a operações de crédito realizadas por instituições financeiras” A exclusão supra refere-se a “valores” e não a “rendas”, situação essa em que se pode concluir que as rendas auferidas pela instituição financeira a partir de sua interveniência na administração de fundos de terceiros são tributadas pelas contribuições cumulativas, excetuando-se o capital que se encontra sob sua custódia. Nesse contexto, vislumbra-se que, se não houver uma discussão mais ampla no Plenário do STF sobre o conceito de faturamento das instituições financeiras para fins de tributação das contribuições cumulativas, para além do que restou consignado no voto do Ministro Relator, de forma mais detalhada, dúvidas remanescerão acerca dessa matéria, restando ao intérprete e/ou aplicador das normas tributárias extrair da regra genérica a exegese aplicável a cada caso. Quanto à exclusão da base de cálculo da contribuição da recuperação de encargos e despesas e a atualização monetária dos depósitos judiciais, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado do acórdão paradigma: Em sessão de julgamento, a maioria desta Turma Julgadora divergiu parcialmente do i. Relator quanto à possibilidade de a Recorrente - Instituição Financeira – excluir da base de cálculo das contribuições – os valores relativos à Fl. 229DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 3201-010.254 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.907564/2012-74 “recuperação de encargos e despesas” e a “atualização monetária dos depósitos judiciais”. Considerando que as Instituições Financeiras sujeitam-se à apuração do PIS e da Cofins pelo regime cumulativo, é certo que a base de cálculo destas contribuições devem abranger, apenas, o que restar configurado como receita própria de sua atividade (receitas operacionais). Pois bem. As instituições financeiras são reguladas no país pelo Banco Central do Brasil e, como tal, devem observar o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (COSIF), criado com a edição da Circular 1.273, em 29 de dezembro de 1987, com o objetivo de unificar e uniformizar os procedimentos de registro e elaboração de demonstrações financeiras. O Capítulo 1 do COSIF estabelece as Normas Básicas, os princípios, critérios e procedimentos contábeis que devem ser utilizados por todas as instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional. O item 17 do Capítulo 1 trata das "Receitas e Despesas" e a devida classificação: 1. Classificação 1 Para fins de registros contábeis e elaboração das demonstrações financeiras, as receitas e despesas se classificam em Operacionais e Não Operacionais. (Circ 1273) 2 As receitas, em sentido amplo, englobam as rendas, os ganhos e os lucros, enquanto as despesas correspondem às despesas propriamente ditas, as perdas e os prejuízos. (Circ 1273) 3 As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais. (Circ 1273) 4 As despesas operacionais decorrem de gastos relacionados às atividades típicas e habituais da instituição. (Circ 1273) 5 As receitas não operacionais provêm de remunerações eventuais, não relacionadas com as operações típicas da instituição. (Circ 1273) 6 Os gastos não relacionados às atividades típicas e habituais da instituição constituem despesas não operacionais. (Circ 1273) 7 Os ganhos e perdas de capital correspondem a eventos que independem de atos de gestão patrimonial. (Circ 1273) 8 As gratificações pagas a empregados e administradores e as contribuições para instituições de assistência ou previdência de empregados contabilizamse como despesas operacionais, quando concedidas por valor fixo, verba ou percentual da folha de pagamento ou critérios assemelhados, independentemente da existência de lucros. (Circ 1273) 9 Classificam-se como participações estatutárias nos lucros somente aquelas participações, gratificações e contribuições que legal, estatutária ou contratualmente devam ser apuradas por uma porcentagem do lucro ou, pelo menos, subordinem-se à sua existência. (Circ 1273) 10 Em relação aos títulos genéricos de receitas e despesas, tais como OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS, OUTRAS DESPESAS ADMINISTRATIVAS e Fl. 230DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 3201-010.254 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.907564/2012-74 OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS, a instituição deve adotar subtítulos de uso interno para identificar a natureza dos lançamentos efetivados. (Circ 1273) Logo, não precisamos de maiores aprofundamentos acerca daquilo que se deve ter como receita operacional das instituições financeiras: são aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais O Capítulo 2 do COSIF, a seu turno, apresenta o Elenco de Contas, ou seja as contas integrantes do plano contábil e respectivas funções. Deste capítulo extraio as contas em exame, acrescidas das respectivas funções, conforme plano de contas extraído do sítio do Banco Central do Brasil: 7 CONTAS DE RESULTADO CREDORAS 7.1 - RECEITAS OPERACIONAIS 7.1.9.30.00-6 Título: RECUPERACAO DE ENCARGOS E DESPESAS Função: Registrar a recuperação de encargos e despesas, que constituam receita efetiva da instituição, no período. Esta conta requer os seguintes subtítulos de uso interno: - Ressarcimentos de despesas de telefone - Ressarcimentos de despesas de telex - Ressarcimentos de despesas de portes e telegramas - Recuperação de despesas de depósito - Recuperação de Multas da Compensação Base normativa: (Circ 1273) 7.1.9.99.00-9 Título: OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS Função: registrar as rendas operacionais que constituam receita efetiva da instituição no período, para as quais não haja conta específica para escrituração, bem como para a reclassificação dos saldos credores apresentados por contas de resultado de natureza devedora, decorrentes do registro da variação cambial incidente sobre operações passivas com cláusula de reajuste cambial. Na escrituração nesse título, a instituição deve manter o controle analítico para identificar as rendas da espécie, segundo a sua natureza. Base normativa: IN BCB nº 273/2022 É preciso destacar que na hipótese específica ora examinada, em que tratamos da 7.1.9.30.00-6 - RECUPERACAO DE ENCARGOS E DESPESAS, muito embora esteja, indubitavelmente, inserida no grupo de receita operacional, deve ser examinada com maior cautela. Nesse aspecto, valho-me da fundamentação apresentada pelo então Conselheiro Diego Diniz Ribeiro no seu voto apresentado no Processo nº Fl. 231DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 3201-010.254 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.907564/2012-74 10980.901854/201567, Acórdão nº 3402-004.434, de 26 de setembro de 2017, que se amolda com perfeição à hipótese dos autos: III.a Das rubricas contábeis passíveis de exclusão 39. Dentre as rubricas contábeis glosadas pela fiscalização é possível constatar que algumas delas são típicas hipóteses de exclusão da receita bruta. É o caso dos seguintes registros: (i) recuperação de créditos baixados como prejuízos, (ii) recuperação de encargos e despesas, e, ainda, (iii) reversão de provisões. (...) 43. Já em relação à (ii) recuperação de encargos e despesas o que se tem é a recuperação de valores adiantados pela recorrente em favor dos seus clientes. Por outro giro verbal, a recuperação desses importes nada mais é do que uma recomposição patrimonial da recorrente, não configurando, pois, uma riqueza nova, o que impede a incidência da contribuição em tela por não se amoldar ao conceito de receita. Trata-se de mero ingresso, mas não de receita, exatamente como desenvolvido no tópico imediatamente anterior do presente voto. 44. Diante de tais considerações, encaminho o presente voto para afastar as glosas perpetradas pela fiscalização sobre as seguintes rubricas contábeis: (i) recuperação de créditos baixados como prejuízos, (ii) recuperação de encargos e despesas, e, ainda, (iii) reversão de provisões. Logo, não há dúvidas de que os valores registrados na conta contábil 7.1.9.30.00-6 - RECUPERACAO DE ENCARGOS E DESPESAS não pode ser considerada receita própria da instituição financeira, afastando-se, assim, a caráter operacional, base de cálculo das contribuições nos termos do art. 3º da Lei nº 9.718 de 1998. Já no que se refere à Conta Contábil 7.1.9.99.00-9 - OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS, subconta 7.1.9.99.00.000023.3 - RECEITAS DE ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DE DEPÓSITOS JUDICIAIS, trata-se, de igual modo, de receita que, embora registrada como operacional, destina-se a lançamentos residuais. Logo, é imprescindível o exame acerca da natureza dos registros nela comportados para se aferir, efetivamente, o seu caráter operacional ou não. A própria RFB, em sede de Solução de Consulta, já se manifestou exatamente sobre os registros correspondentes às atualizações de depósitos judiciais, como, por exemplo, por meio da SOLUÇÃO DE CONSULTA DISIT/SRRF01 nº1024, DE 07 DE ABRIL DE 2016: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS EMENTA: FATO GERADOR. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. DEPÓSITOS. No caso de instituições financeiras, sujeitas ao regime cumulativo, a receita de variações monetárias ativas, contrapartida decorrente de variação monetária dos depósitos de natureza tributária ou não tributária, efetuados judicial ou administrativamente, não se encontra abrangida pela hipótese de incidência da Cofins, por não se constituir em receita típica da atividade empresarial, não havendo que se falar em tributação pela referida contribuição. SOLUÇÃO DE CONSULTA VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 152 , DE 17 DE JUNHO DE 2015. Fl. 232DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 3201-010.254 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.907564/2012-74 DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 4.595, de 1964; Lei nº 9.718, de 1998; Lei nº 11.941, de 2009; Decreto nº 1.355, de 1994. ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: FATO GERADOR. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. DEPÓSITOS. No caso de instituições financeiras, sujeitas ao regime cumulativo, a receita de variações monetárias ativas, contrapartida decorrente de variação monetária dos depósitos de natureza tributária ou não tributária, efetuados judicial ou administrativamente, não se encontra abrangida pela hipótese de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, por não se constituir em receita típica da atividade empresarial, não havendo que se falar em tributação pela referida contribuição. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 4.595, de 1964; Lei nº 9.718, de 1998; Lei nº 11.941, de 2009; Decreto nº 1.355, de 1994. Ainda que não se refira a ato interpretativo de caráter vinculante, a sua fundamentação é de todo pertinente à hipótese dos autos, como se depreende da ementa supra. Por estas razões, portanto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, em maior extensão relativamente ao voto do d. Relator, para excluir, da base de cálculo da contribuição, também os ingressos provenientes da recuperação de encargos e despesas (conta contábil 7.1.9.30.00- 6 - RECUPERACAO DE ENCARGOS E DESPESAS) e a atualização monetária dos depósitos judiciais (conta contábil 7.1.9.99.00-9 - OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS, subconta 7.1.9.99.00.000023.3 - RECEITAS DE ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DE DEPÓSITOS JUDICIAIS). Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de afastar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: (i) excluir da base de cálculo da contribuição as receitas financeiras decorrentes da aplicação de recursos próprios (aplicações financeiras de recursos próprios em renda fixa, fundos de investimento e renda variável), considerados como recursos próprios somente o dinheiro em caixa que não seja de origem de terceiros, que não tenha conexão com serviços prestados ou tarifas cobradas pela instituição financeira e aquelas receitas resultantes das aplicações dos recursos próprios do Patrimônio Líquido; (ii) excluir da base de cálculo da contribuição a recuperação de encargos e despesas e a atualização monetária dos depósitos judiciais. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Fl. 233DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 3201-010.254 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.907564/2012-74 Fl. 234DF CARF MF Original
score : 1.0
