Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,886)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,227)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,909)
- Segunda Turma Ordinária d (14,490)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,514)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,208)
- Terceira Câmara (67,880)
- Segunda Câmara (56,645)
- Primeira Câmara (20,759)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,732)
- Segunda Seção de Julgamen (115,217)
- Primeira Seção de Julgame (77,090)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,488)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,931)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,803)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,628)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,711)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 11128.006943/2005-49
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 11/12/2001
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MONOMULS 9035. NCM 3404.90.19.
O produto caracterizado como uma mistura de reação constituída de Ésteres de Glicerol com Ácidos Graxos, na forma de pó, com características de cera, classifica-se no código NCM 3404.90.19 determinado pela fiscalização.
MULTAS. FALTA DE PAGAMENTO DE TRIBUTOS. CLASSIFICAÇÃO
INCORRETA. CABIMENTO.
Constatadas a falta de pagamento de tributos e a incorreta classificação da mercadoria impõe-se a aplicação das respectivas multas por expressa disposição legal.
MULTA. AUSÊNCIA DE LICENCIAMENTO. DESCRIÇÃO
ADEQUADA DA MERCADORIA. INAPLICABILIDADE.
Inaplicável a multa por infração administrativa ao controle das importações nos casos em que a mercadoria se encontra adequadamente descrita (AD Normativo COSIT nº 12, de 1997).
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 3802-000.496
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar, unicamente, a aplicação da multa por infração ao controle administrativo das importações (art. 169, I, “b” do DL nº 37/66 c/c art. 526, II do Decreto nº 91.030/85), nos termos do voto do(a) relator(a).
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: REGIS XAVIER HOLANDA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
dt_index_tdt : Sat May 20 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 201106
ementa_s : Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 11/12/2001 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MONOMULS 9035. NCM 3404.90.19. O produto caracterizado como uma mistura de reação constituída de Ésteres de Glicerol com Ácidos Graxos, na forma de pó, com características de cera, classifica-se no código NCM 3404.90.19 determinado pela fiscalização. MULTAS. FALTA DE PAGAMENTO DE TRIBUTOS. CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. CABIMENTO. Constatadas a falta de pagamento de tributos e a incorreta classificação da mercadoria impõe-se a aplicação das respectivas multas por expressa disposição legal. MULTA. AUSÊNCIA DE LICENCIAMENTO. DESCRIÇÃO ADEQUADA DA MERCADORIA. INAPLICABILIDADE. Inaplicável a multa por infração administrativa ao controle das importações nos casos em que a mercadoria se encontra adequadamente descrita (AD Normativo COSIT nº 12, de 1997). RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
numero_processo_s : 11128.006943/2005-49
conteudo_id_s : 6850056
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3802-000.496
nome_arquivo_s : Decisao_11128006943200549.pdf
nome_relator_s : REGIS XAVIER HOLANDA
nome_arquivo_pdf_s : 11128006943200549_6850056.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar, unicamente, a aplicação da multa por infração ao controle administrativo das importações (art. 169, I, “b” do DL nº 37/66 c/c art. 526, II do Decreto nº 91.030/85), nos termos do voto do(a) relator(a).
dt_sessao_tdt : Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
id : 9895512
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat May 20 09:03:46 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1766403270718259200
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1862; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 2.43 1 11..4433 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.006943/200549 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802000.496 – 2ª Turma Especial Sessão de 02 de junho de 2011 Matéria II/IPI Falta de recolhimento Recorrente Genkor Ingredientes Ltda. Recorrida Fazenda Nacional Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 11/12/2001 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MONOMULS 9035. NCM 3404.90.19. O produto caracterizado como uma mistura de reação constituída de Ésteres de Glicerol com Ácidos Graxos, na forma de pó, com características de cera, classificase no código NCM 3404.90.19 determinado pela fiscalização. MULTAS. FALTA DE PAGAMENTO DE TRIBUTOS. CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. CABIMENTO. Constatadas a falta de pagamento de tributos e a incorreta classificação da mercadoria impõese a aplicação das respectivas multas por expressa disposição legal. MULTA. AUSÊNCIA DE LICENCIAMENTO. DESCRIÇÃO ADEQUADA DA MERCADORIA. INAPLICABILIDADE. Inaplicável a multa por infração administrativa ao controle das importações nos casos em que a mercadoria se encontra adequadamente descrita (AD Normativo COSIT nº 12, de 1997). RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar, unicamente, a aplicação da multa por infração ao controle administrativo das importações (art. 169, I, “b” do DL nº 37/66 c/c art. 526, II do Decreto nº 91.030/85), nos termos do voto do(a) relator(a). Fl. 145DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11128.006943/200549 Acórdão n.º 3802000.496 S3TE02 Fl. 3.43 2 (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi, Solon Sehn e Tatiana Midori Migiyama (Substituta). Fl. 146DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11128.006943/200549 Acórdão n.º 3802000.496 S3TE02 Fl. 4.43 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por Genkor Ingredientes Ltda. contra Acórdão nº 1729.128, de 04 de dezembro de 2008 (fls. 80 a 90), proferido pela 1ª Turma da DRJ/São Paulo IISP, que manteve os lançamentos relativos ao Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, multas de ofício, multa do controle administrativo das importações e multa por erro na classificação da mercadoria Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de autos de infração, lavrados em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, multas de ofício, multa do controle administrativo das importações e multa por erro na classificação da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, devido à apuração dos fatos a seguir descritos. A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro mercadoria descrita como – Mono e diglicerídeos de Ácidos Graxos, Ésteres de Mono e Diglicerídeos com Ácidos Graxos, Ref. Monomuls 9035 Powder por meio da declaração de importação nº 01/11999450, registrada em 11/12/2001, cópia de fls. 18 a 20, classificandoa no código NCM 2915.70.39, sujeita à alíquota de imposto de importação de 14,5% e Imposto sobre Produtos Industrializados de 0%. Em ato de conferência física, foi coletada amostra da mercadoria para análise laboratorial, Pedido de Exame nº 3303/GCOF, cópia na fl. 24. O Laudo nº 0061.01, elaborado pelo Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami traz as seguintes informações sobre a mercadoria, de interesse para o presente litígio (nas fls. 25/26): Identificação por C.G. (após TransesterificaçãoMetanol): positiva para Palmitato de Metila e Estearato de Metila Teor por C.G. (após TransesterificaçãoMetanol) (% em área): 54,8% de Palmitato de Metila e 45,2% de Estearato de Metila Características de Cera: positivas Faixa de Fusão: 68 – 70ºC Ponto de Gota: 67ºC Viscosidade em Viscosímetro Brookfield, fuso 31: Fl. 147DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11128.006943/200549 Acórdão n.º 3802000.496 S3TE02 Fl. 5.43 4 45.0 cPs (77ºC) CONCLUSÃO: Tratase de Cera Artificial à base de Mistura de Reação constituída de Ésteres de Glicerol com Ácidos Graxos, na forma de pó. RESPOSTAS AOS QUESITOS: 1. Não se trata de um Outro Ácido Monocarboxílico Acíclico Saturado e seus Anidridos, Halogenetos, Peróxidos e Perácidos; seus Derivados Halogenados, Sulfonados, Nitrados ou Nitrosados, de constituição química definida. Tratase de Cera Artificial à base de Mistura de Reação constituída de Ésteres de Glicerol com Ácidos Graxos, uma Outra Cera Artificial. 2. Não se trata de preparação e nem de composto orgânico de constituição química definida. 3. De acordo com Literatura Técnica Específica (cópia anexa), a mercadoria é utilizada como aditivo emulsificante, estabilizante, dispersante e opacificante em cosméticos, produtos alimentícios e farmacêuticos. 4. De acordo com Literatura Técnica Específica (cópia anexa), mercadoria de denominação comercial MONOMULS 9035 tratase de Glicerídeo de Óleo de Palma Hidrogenado. Com base nas informações do laudo técnico oficial, a fiscalização classificou a mercadoria no código NCM 3404.90.19, com alíquota de II de 16,5% e IPI de 15%. Diante da discordância do contribuinte quanto a classificação da mercadoria adotada pela fiscalização, foram lavrados os presentes autos de infração, formalizando a exigência do recolhimento das diferenças de imposto de importação e de imposto sobre produtos industrializados apuradas em razão da mudança de classificação fiscal, acrescidas das multas de ofício (de 75% sobre o II e IPI), da multa do controle administrativo das importações, capitulada no art. 169, inciso I, alínea “b” do DecretoLei nº 37/66, alterado pelo art. 2º da Lei nº 6.562/78, regulamentado pelo art. 526, inciso II do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, da multa por erro na classificação da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, preceituada no inciso I do artigo 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001, totalizando, com juros calculados até 30/09/2005, o valor de R$ 38.888,08. Cientificado da lavratura do auto de infração em 06/01/2006 (fl. 32verso), o contribuinte (Contrato Social e Alteração Contratual de fls. 42 a 54) protocolizou impugnação, tempestivamente, em 03/02/2006, de fls. 33 a 40, alegando, resumidamente, que: 1) a empresa descreveu o produto importado como Mono e Diglicerídeos, terminologia que é sinônimo de Monoglicerídeos; ao se fazer tal afirmação, não quer alterar a declaração feita, mas demonstrar que a impugnante não pode vir a ser prejudicada, por termos estritamente técnicos que se equivalem; que junta legislação internacional que comprova o que afirma no que diz respeito a equivalência dos termos Mono e Diglicerídeos e Monoglicerídeos de ácidos graxos; Fl. 148DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11128.006943/200549 Acórdão n.º 3802000.496 S3TE02 Fl. 6.43 5 2) na composição do produto em questão predominam os ésteres de ácido esteárico; que não se trata de “Cera Artificial”; é utilizado como emulsificante alimentício e agente complexante de amilose em produtos contendo amido, tendo composição química plenamente definida; sua aplicação é em produtos de panificação, portanto, incompatível com ceras; 3) o laudo oficial é impreciso ao não determinar o teor de Monoglicerídeo, mas tão somente determina uma composição de 54,8% de Palmitato de Metila (Monopalmitato de Glicerina) e 45,2% de Estearato de Metila (Monoestearato de Glicerina), Ésteres de Glicerol com Ácidos Graxos, desprezando resíduos de triglicerídeo, glicerol e água; o laudo oficial é contraditório, pois define perfeitamente a composição química do produto e diz tratarse de composto orgânico de composição química indefinida; 4) o laudo da Unicamp (de fls. 68 a 70) identifica os constituintes e apresenta as suas proporções no produto; ressalta que as conclusões deste laudo estão em harmonia com as conclusões do laudo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), de fls. 72 a 74; ambos demonstram que as aplicações do Monomuls 9035 não condizem com as aplicações preconizadas pelo laudo técnico oficial, sendo incompatíveis com as mencionadas para Ceras Artificiais, uma vez que o produto é utilizado como emulsificante e agente complexante de amido em produtos de panificação; os laudos trazidos pela impugnante são taxativos quando afirmam e comprovam que o produto em questão: a) tem composição química definida; sendo minuciosos quanto ao percentual de impurezas encontradas; b) não pode ser tido como cera artificial; 5) tratase o produto de um monoglicerídio destilado purificado de origem vegetal contendo predominantemente em sua composição ésteres de ácido esteárico e ésteres de ácido palmítico, que não pode ser classificado como cera artificial, tendo constituição química definida, sendo de utilização alimentícia; 6) está corretamente descrita na DI, com todos os elementos necessários ao enquadramento pleiteado, não se constatando em momento algum intuito doloso ou de máfé por parte do contribuinte. A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e considerou procedentes os lançamentos em acórdão com a seguinte ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. Cera Artificial à base de Mistura de Reação constituída de Ésteres de Glicerol com Ácidos Graxos, na forma de pó, classificase no código TEC/NCM 3404.90.19. Correta a aplicação da multa de ofício, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, em conformidade com as disposições do Ato Declaratório Interpretativo COSIT nº 13/2002. Cabível a multa do controle administrativo das Importações, capitulada na alínea “b” do inciso I do art. 169 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pela pelo art. 2º da Lei nº 6.562/78, por falta de Licença de Importação, quando a mercadoria não é corretamente descrita na declaração de importação, conforme Ato Declaratório Normativo COSIT nº 12/97. Fl. 149DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11128.006943/200549 Acórdão n.º 3802000.496 S3TE02 Fl. 7.43 6 Cabível a multa prevista no inciso I do artigo 84 da MP 2.158 35, de 24/08/2001 se o contribuinte classifica incorretamente a mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul. Cientificado do referido acórdão em 05 de janeiro de 2009 (fl. 91v), o interessado apresentou recurso voluntário em 04 de fevereiro de 2009 (fls. 93 a 104) pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. Anota ainda que a autoridade fiscal se restringe à analise do fato do laudo técnico oficial mencionar a presença de 54,8% de Palmitato de Metilo e 45,2% de Estearato de Metilo como sendo, deliberadamente, resultado de uma mistura de compostos químicos propositadamente realizada antes da reação, o que não é verdade. Registra que a presença de ésteres de acido Palmítico (45,17% conforme laudo Unicamp e 48,18% conforme laudo UEPG) e ésteres de ácido esteárico (53,36% Unicamp e 45,17% UEPG) no produto Monomuls 9035 é mera conseqüência da reação química da matéria prima original, óleo de palma reagindo com glicerol, não sendo, portanto, resultado de mistura deliberada e proposital destes componentes ( ésteres de ácido palmítico e ésteres de ácido esteárico ) buscando qualquer efeito específico na sua aplicação. E que o fato da presença de 54,8% de Palmitato de Metilo e 45,2% de Estearato de Metilo é irrelevante frente a aplicação e performance que se espera do produto. Acrescenta que a empresa ao utilizar o produto Monomuls 9035 busca obter os benefícios do princípio ativo: "Monoglicerideo de Ácido Graxo" (sinônimo de Mono e Diglicerideos), residindo aqui o ponto de discórdia entre a Autoridade Fiscal e a Empresa, pois a Empresa busca o principio ativo Monoglicerideo de Ácido Graxo Destilado, ou seja, purificado por destilação molecular, conforme descrito pelo Laudo da UEPG, no produto Monomuls 9035 (94% laudo UEPG e 93,4% laudo Unicamp, sendo a diferença para 100% impurezas do processo), não sendo este parâmetro (Monoglicerideo de Acido Graxo), analisado e considerado pela autoridade fiscal. Aponta que isto de fato é o que ocorre na fabricação do Monomuls 9035, onde óleo de palma reage com glicerol e após a purificação por destilação molecular resulta em Monoglicerideo de Acido Graxo com mais de 93% de pureza e o restante como sendo as "impurezas" glicerol e água. Por fim, transcreve ainda decisão em procedimento administrativo onde, na impossibilidade de realização de outra análise técnica, entendeuse que, em havendo dúvida, deverá prevalecer a posição do Contribuinte. É o relatório. Fl. 150DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11128.006943/200549 Acórdão n.º 3802000.496 S3TE02 Fl. 8.43 7 Voto Conselheiro Regis Xavier Holanda, Relator Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Da classificação fiscal No presente caso, o impugnante pleiteia a classificação do produto importado descrito na DI como Monoediglicerídeos de Ácidos Graxos, Ésteres de Monoediglicerídeos com Ácidos Graxos, Ref. Monomuls 9035 Powder (fl. 20) no código NCM 2915.70.39 (II: 14,5% e IPI: 0%) e a fiscalização pretende o código NCM 3404.90.19 (II: 16,5% e IPI: 15%). O laudo de assistência técnica do Laboratório Nacional de Análises (fls. 25 e 26), de 09/01/2002, solicitado pela fiscalização aduaneira, assim descreve o produto: Tratase de Cera Artificial à base de Mistura de Reação constituída de Ésteres de Glicerol com Ácidos Graxos, na forma de pó. Em resposta aos quesitos formulados, referido laudo traz ainda as seguintes informações: 1Não se trata de um Outro Ácido Monocarboxílico Acíclico Saturado e seus Anidridos, Halogetos, Peróxidos e Perácidos; seus Derivados Halogenados, Sulfonados, Nitrados ou Nitrosados, de constituição química definida. Tratase de Cera Artificial à base de Mistura de Reação constituída de Ésteres de Glicerol com Ácidos Graxos, uma Outra Cera Artificial. 2Não se trata de preparação e nem de composto orgânico de constituição química definida. 3De acordo com Literatura Técnica Especifica (cópia anexa), a mercadoria é utilizada como aditivo emulsificante, estabilizante, dispersante e opacificante em cosméticos, produtos alimentícios e farmacêuticos. 4De acordo com Literatura Técnica Especifica (cópia anexa), mercadoria de denominação comercial MONOMULS 9035 tratase Glicerídeo de Óleo de Palma Hidrogenado. Já o relatório de análise produzido pelo Laboratório de Óleos e Gorduras da FEA/UNICAMP (fls. 68 a 70), de 25/01/2006, providenciado pela recorrente, traz as seguintes conclusões: 1) Com base nos resultados acima, podese concluir que o produto "Monomuls 9035 powder" possui composição química definida, característica de monoglicerídios (ésteres de glicerol com um ácido graxo), com teor de 93,4% destes Fl. 151DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11128.006943/200549 Acórdão n.º 3802000.496 S3TE02 Fl. 9.43 8 compostos e 6,6% de outros componentes glicerídicos, considerados impurezas de processo. 2) Segundo HAWLEY (1977), ceras são definidas como misturas de alto ponto de fusão ou compostos de alto peso molecular, sólidos a temperatura ambiente e geralmente similares em composição aos óleos e gorduras, exceto que não contém glicerídios. (GUSTONE, 1986) definiu ceras como ésteres de ácidos carboxílicos de cadeia longa com álcoois de cadeia longa. As principais aplicações são: adesivos, edificações, velas, cosméticos, selantes, protetores de produtos plásticos, explosivos, ceras de polimento, tintas de impressão, indústria de papel, produtos de limpeza, impermeabilizantes e produtos farmacêuticos. Portanto, o produto "Monomuls 9035 powder" não pode ser classificado como um cera artificial ou mesmo natural, visto que em sua composição em ácidos graxos não existe a presença de ésteres de ácidos carboxílicos de cadeia longa e álcoois de cadeia longa, já que o glicerol possui apenas três átomos de carbonos, sendo classificado como um álcool de cadeia curta. Suas aplicações não correspondem às acima citadas, visto que este produto é aplicado na indústria de alimentos como emulsificante e, principalmente, como agente complexante de amilose em produtos contendo amidos, funções ou aplicações incompatíveis com uma cera. Ainda, o relatório de análise produzido pelo Laboratório de Biotecnologia de Lipídeos da Universidade Estadual de Ponta Grossa (fls. 72 a 74), de 18/01/2006, também demandado pela empresa interessada, apresenta a seguinte conclusão: A amostra analisada é 94% monoglicerídeo destilado de origem vegetal com composição química definida, contendo 6% de outras substâncias não monoglicerídicas como impurezas resultantes do processo. Portanto não se trata de cera artificial. Preliminarmente, impõese o registro de que os laudos apresentados pela recorrente, datados de 2006, baseiamse em produto fornecido pela interessada importadora, não se podendo garantir que se tratam de amostras idênticas às retiradas quando do desembaraço aduaneiro e objeto do laudo oficial de janeiro de 2002 produzido em consonância com a legislação processual. De qualquer sorte, em que pesem as divergências constantes nos laudos, é incontroverso que o produto em questão se trata de uma mistura de ésteres de ácidos graxos. Tanto o laudo oficial como os carreados pela interessada assim identificam o produto em questão. Assim, tanto a fiscalização como a interessada comungam do fato de que, dentre os ésteres que compõem o produto analisado, destacamse aqueles derivados do ácido esteárico e do ácido palmítico (cerca de 98% dos monoglicerídeos encontrados). De acordo com a Regra Geral nº 1 para a Interpretação do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (Decreto nº 97.409/88), “para os efeitos legais a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas regras seguintes”. Fl. 152DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11128.006943/200549 Acórdão n.º 3802000.496 S3TE02 Fl. 10.43 9 Semelhante regramento, agora cuidando da classificação em subposições e em itens e subitens, encontramos na Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) nº 6 e na Regra Geral Complementar (RGC) nº 1. A Nomenclatura Comum do Mercosul, baseada no Sistema Harmonizado, traz os seguintes textos relacionados aos códigos desejados: 2915 ÁCIDOS MONOCARBOXÍLICOS ACÍCLICOS SATURADOS E SEUS ANIDRIDOS, HALOGENETOS, PERÓXIDOS E PERÁCIDOS; SEUS DERIVADOS HALOGENADOS, SULFONADOS, NITRADOS OU NITROSADOS 2915.70 Ácido palmítico, ácido esteárico, seus sais e seus ésteres 2915.70.3 Sais do ácido esteárico 2915.70.39 Outros ............................................................................................ 3404 CERAS ARTIFICIAIS E CERAS PREPARADAS 3404.90 Outras 3404.90.1 Ceras artificiais 3404.90.19 Outras Por relevante, cumpre ainda trazermos à baila a Nota 1, “a” do Capítulo 29 que apresenta a seguinte disposição de interesse: 1. Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo apenas compreendem: a) os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas; Já as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) relativas a supracitada Nota 1 do Capítulo 29 esclarecem que: “A) Compostos de constituíção química definida (Nota 1 do Capítulo) Um composto de constituíção química definida apresentado isoladamente é uma substância constituída por uma espécie molecular (covalente ou iônica, por exemplo) cuja composição é definida por uma relação constante entre seus elementos e que pode ser representada por um diagrama estrutural único. Numa rede cristalina, a espécie molecular corresponde ao motivo repetitivo. Assim, a posição 2915.70.39 – deseja pela recorrente – compreende apenas outros sais do ácido esteárico, e não, uma mistura de ésteres deste ácido, tampouco, uma mistura de ésteres do ácido esteárico com ésteres de outros ácidos. Portanto, qualquer das composições apresentadas para o produto em questão, quer no laudo oficial, quer nos laudos trazidos pelo impugnante, descaracterizandoo como um composto de constituição química apresentado isoladamente, já justificaria a exclusão do produto Monomuls 9535 do Capítulo 29. Dessa forma, por tratarse inequivocamente de uma mistura de ésteres graxos, resta claro que o produto em questão não se classifica no Capítulo 29, conforme Fl. 153DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11128.006943/200549 Acórdão n.º 3802000.496 S3TE02 Fl. 11.43 10 deseja a recorrente, uma vez que não se trata de um composto orgânico apresentado isoladamente (Nota 1, “a” do Capítulo 29). Ainda nesse sentido, em que pese os ésteres dos ácidos palmítico e esteárico serem classificados na posição 2915, as respectivas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado esclarecem que esta posição não compreende: “c) As misturas de mono, di e triestearatos de glicerol, emulsionantes de corpos graxos (gordos*) (posição 34.04 quando elas tiverem características de ceras artificiais, ou posição 38.24 nos outros casos). Afastada, portanto, a classificação deseja pela empresa ora recorrente, passemos à análise das Notas referentes ao Capítulo e Posição indicadas pela fiscalização. A Nota 5 do Capítulo 34 apresenta o seguinte texto: 5. Ressalvadas as exclusões abaixo indicadas, a expressão ceras artificiais e ceras preparadas, utilizada no texto da posição 34.04, aplicase apenas: a) aos produtos que apresentem as características de ceras, obtidos por um processo químico, mesmo solúveis em água; ........................ c) aos produtos que apresentem as características de ceras, à base de ceras ou parafinas e contendo, além disso, gorduras, resinas, matérias minerais ou outras matérias. Já as NESH da posição 3404 trazem as informações que seguem: A presente posição compreende as ceras artificiais (por vezes conhecidas na indústria por "ceras sintéticas") e as ceras preparadas (definidas na Nota 5 do presente Capítulo), constituídas de matérias orgânicas de peso molecular relativamente elevado e que não são compostos de constituição química definida apresentados isoladamente. Estas ceras são: A) Produtos orgânicos obtidos por um processo químico que apresentam características de cera, mesmo solúveis em água. .............. ................................. C) Produtos que apresentem características de ceras, à base de uma ou várias ceras e contendo, além disso, gorduras, resinas, matérias minerais ou outras matérias. ................ ........................ As ceras dos grupos A) e C), acima devem ter: 1) um ponto de gota superior a 40°C, e 2) uma viscosidade, medida no viscosímero rotativo, igual ou inferior a 10 Pa.s (ou 10.000 cP) a uma temperatura de 10°C acima do seu ponto de gota. Fl. 154DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11128.006943/200549 Acórdão n.º 3802000.496 S3TE02 Fl. 12.43 11 Complementando ainda com outras informações extraídas das NESH da posição 3404 temse que: As ceras desta posição podem ser de composições químicas muito diferentes. Entre elas, podem citarse: (...) 5) As ceras compostas de misturas de cetonas graxas (gordas*), de ésteres graxos (gordos*) (tais como o monoestearato de propileno glicol, modificado por pequenas quantidades de sabão; a mistura de mono e de diestearato de glicerol, esterificada por meio do ácido bitartárico e do ácido acético, por exemplo), de aminas ou amidas graxas (gordas*). Entram na composição dos cosméticos, pomadas para polimento, tintas, etc. O laudo técnico oficial é claro em identificar que o produto em questão possui sim ponto de gota superior a 40ºC e uma viscosidade inferior a 10.000 cP, fato que, para efeito de classificação fiscal, identificao como possuidor de características de cera. Nesse ponto, cabe apontar que o laudo da UNICAMP apresentado pela interessada, ao concluir que o produto em análise não pode ser classificado como uma cera artificial, parte de premissa outra não referendada pelas respectivas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – a de que em sua composição em ácidos graxos não existe a presença de ésteres de ácidos carboxílicos de cadeia longa e álcoois de cadeia longa. Por conseguinte, em consonância com as regras de classificação fiscal, caracterizado sim o produto como uma cera artificial, a classificação NCM 3404.90.19 – indicada pela fiscalização apresentase como a adequada para o produto em questão. Alfim, a par da decisão apresentada pela recorrente, cumpre anotarmos que, em momento posterior, esta mesma Casa já decidiu, por unanimidade, também diante de semelhantes pontos de divergência dos laudos, para produto similar ao objeto deste processo, da seguinte forma: “Ementa: O produto descrito como "MONOMULS 90 4 GW Emulsificante grau alimentício, éster de ácido esteárico e seus sais" se classifica na posição 3404.90 por se tratar, conforme Laudo do LABANA, de "Cera Artificial à base de mistura de reação constituída de Ésteres de Ácidos Graxos de Glicerina, na forma sólida". (Acórdão nº 30238.358, de 23/01/2007, Recurso nº 120.512 – Terceiro Conselho de Contribuintes), Assim, livre de qualquer dúvida, tenho por correta a classificação definida pela autoridade fiscal no exercício de sua atividade vinculada. Das multas Na presente situação, foram ainda aplicadas diversas multas decorrentes da falta de pagamento de tributos, da incorreta classificação da mercadoria e da importação de mercadoria ao desamparo de licenciamento de importação que encontram supedâneo legal nos seguintes normativos: Fl. 155DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11128.006943/200549 Acórdão n.º 3802000.496 S3TE02 Fl. 13.43 12 Lei nº 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; ............................................................... (redação original) Lei nº 4.502/64 Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício: I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória; ............................................................................ (Redação vigente à época dada pela Lei nº 9.430, de 1996 ) MP nº 2.158/01 Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou II quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. § 1o O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. § 2o A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. Decreto nº 91.030/85 – Regulamento Aduaneiro Fl. 156DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11128.006943/200549 Acórdão n.º 3802000.496 S3TE02 Fl. 14.43 13 “Art. 526. Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas (Decretolei No 37/66, art. 169, alterado pela Lei No 6.562/78, art. 2o): .................................................... II importar mercadoria do exterior sem guia de importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: multa de trinta por cento (30%) do valor da mercadoria; ....................................................” No tocante à multa de ofício por falta de pagamento de tributos, antes da publicação da Medida Provisória nº 2.158, em 27/08/2001, o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10/1997 orientava a não aplicação da multa de ofício, prevista no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, nos casos de classificação tarifária errônea, se a mercadoria estivesse corretamente descrita. No entanto, após a publicação da referida Medida Provisória, já não cabe a exclusão da multa de ofício, ainda que a mercadoria tenha sido corretamente descrita, nos casos de classificação fiscal incorreta, em conformidade com Ato Declaratório Interpretativo nº 13/2002, in verbis: Art. 1º Não constitui infração punível com a multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a indicação indevida de destaque ex, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. De pronto, sem qualquer necessidade de análise quanto à correta descrição do produto – o que se fará mais adiante – afastamos a aplicação do indigitado ADI uma vez que a operação em análise tratase de importação feita pelo regime de recolhimento integral dos tributos aduaneiros, não abarcando, assim, nenhuma das hipóteses previstas no citado ADI, quais sejam: imunidade, isenção, redução, preferência percentual, destaque ex. Já quanto à multa por incorreta classificação da mercadoria, vêse que a sua cobrança decorre da aplicação direta do indigitado artigo 84 e parágrafos da Medida Provisória nº 2.158/01, não carecendo de maiores comentários. Por fim, quanto à aplicação da multa por infração administrativa ao controle das importações (art. 526, II do Regulamento Aduaneiro), vejamos o que diz o Ato Declaratório (Normativo) COSIT nº 12, de 22 de janeiro de 1997, in verbis: “O CoordenadorGeral do Sistema de Tributação, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa n.º 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no Fl. 157DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11128.006943/200549 Acórdão n.º 3802000.496 S3TE02 Fl. 15.43 14 inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n.º 91.030, de 5 de março de 1985, e no art. 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional – Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966, Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Recita Federal e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior – SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque “ex” exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante” (grifei). Analisando o presente caso, tenho que a descrição detalhada da mercadoria informada da DI Monoediglicerídeos de Ácidos Graxos, Ésteres de Monoediglicerídeos com Ácidos Graxos, Ref. Monomuls 9035 Powder (fl. 20) – se apresenta adequada à identificação do produto uma vez que, além de citar corretamente o seu nome comercial, traz características relevantes de sua composição. Penso, diversamente da decisão recorrida, que a falta de indicação das proporções dos constituintes do produto e da anotação de que o mesmo apresenta características de cera – informações facilmente disponibilizadas pelo laudo técnico oficial – não comprometem a correição da descrição da mercadoria que conta, inclusive, com razoáveis elementos – a exemplo do nome comercial – que serviram de referência à elaboração do laudo – esse, sim, necessariamente mais detalhado . Com efeito, a descrição da mercadoria, a par de se mostrar isenta de erros, contém elementos razoáveis à sua identificação e classificação fiscal, não se constatando, em momento algum, intuito doloso ou máfé por parte do contribuinte, portanto, abrangida pelo Ato Declaratório nº 12/97. Assim, não restando configurada infração administrativa ao controle das importações, deve ser afastada a aplicação da multa prevista no artigo 526, II do então vigente Regulamento Aduaneiro. Da conclusão Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao presente recurso voluntário para afastar, unicamente, a aplicação da multa por infração ao controle Fl. 158DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11128.006943/200549 Acórdão n.º 3802000.496 S3TE02 Fl. 16.43 15 administrativo das importações (art. 169, I, “b” do DL nº 37/66 c/c art. 526, II do Decreto nº 91.030/85). Sala das Sessões, em 02 de junho de 2011 (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Fl. 159DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720775/2013-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue May 16 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. VALOR EXONERADO. PORTARIA MF Nº 2, DE 17/01/2023. DATA DA APRECIAÇÃO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. SÚMULA CARF 103.
A partir de 17/01/2023, data de publicação da Portaria MF nº2, o valor do crédito decorrente de tributo e multa cancelados passou para o montante superior a R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais) e, conforme preconiza a Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data da apreciação em segunda instância.
DEPÓSITO JUDICIAL. CONVERSÃO EM RENDA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO.
Efetuado o lançamento para prevenir decadência de contribuições depositadas em juízo, a conversão do depósito suficiente e tempestivo em renda impõe o acolhimento da alegação recursal de o crédito tributário estar extinto.
PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. ELEMENTOS DA AÇÃO. SÚMULA CARF Nº 1.
Deve ser reconhecida a concomitância entre a ação judicial e o processo administrativo quando houver identidade entre os elementos da ação, a saber, partes, pedido e causa de pedir.
INCRA. CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. RE 630.898/RS COM REPERCUSSÃO GERAL.
A contribuição ao INCRA foi instituída pela Lei nº 2.613/55 e alterada pelo Decreto-lei nº 1.146/70 que estabeleceu como sujeito passivo as pessoas naturais e jurídicas, inclusive cooperativas. No julgamento do Recurso Extraordinário nº 630.898/RS, com repercussão geral (Tema 495), o STF concluiu pela constitucionalidade da contribuição ao INCRA.
Numero da decisão: 2402-011.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntário e de ofício interpostos.
(documento assinado digitalmente)
Francisco Ibiapino Luz - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ana Claudia Borges de Oliveira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Claudia Borges de Oliveira (Relatora), Francisco Ibiapino Luz (Presidente), Gregório Rechmann Junior, José Marcio Bittes, Rodrigo Duarte Firmino e Wilderson Botto (suplente convocado).
Nome do relator: ANA CLAUDIA BORGES DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 20 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202304
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. VALOR EXONERADO. PORTARIA MF Nº 2, DE 17/01/2023. DATA DA APRECIAÇÃO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. SÚMULA CARF 103. A partir de 17/01/2023, data de publicação da Portaria MF nº2, o valor do crédito decorrente de tributo e multa cancelados passou para o montante superior a R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais) e, conforme preconiza a Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data da apreciação em segunda instância. DEPÓSITO JUDICIAL. CONVERSÃO EM RENDA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO. Efetuado o lançamento para prevenir decadência de contribuições depositadas em juízo, a conversão do depósito suficiente e tempestivo em renda impõe o acolhimento da alegação recursal de o crédito tributário estar extinto. PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. ELEMENTOS DA AÇÃO. SÚMULA CARF Nº 1. Deve ser reconhecida a concomitância entre a ação judicial e o processo administrativo quando houver identidade entre os elementos da ação, a saber, partes, pedido e causa de pedir. INCRA. CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. RE 630.898/RS COM REPERCUSSÃO GERAL. A contribuição ao INCRA foi instituída pela Lei nº 2.613/55 e alterada pelo Decreto-lei nº 1.146/70 que estabeleceu como sujeito passivo as pessoas naturais e jurídicas, inclusive cooperativas. No julgamento do Recurso Extraordinário nº 630.898/RS, com repercussão geral (Tema 495), o STF concluiu pela constitucionalidade da contribuição ao INCRA.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 16 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 16682.720775/2013-36
anomes_publicacao_s : 202305
conteudo_id_s : 6849269
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 16 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 2402-011.205
nome_arquivo_s : Decisao_16682720775201336.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : ANA CLAUDIA BORGES DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 16682720775201336_6849269.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntário e de ofício interpostos. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Presidente (documento assinado digitalmente) Ana Claudia Borges de Oliveira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Claudia Borges de Oliveira (Relatora), Francisco Ibiapino Luz (Presidente), Gregório Rechmann Junior, José Marcio Bittes, Rodrigo Duarte Firmino e Wilderson Botto (suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2023
id : 9895126
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Sat May 20 09:03:46 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1766403270722453504
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-05-05T15:33:14Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-05-05T15:32:45Z; Last-Modified: 2023-05-05T15:33:14Z; dcterms:modified: 2023-05-05T15:33:14Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:376d0928-ecc6-48fc-af2a-87788efd9f1f; Last-Save-Date: 2023-05-05T15:33:14Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-05-05T15:33:14Z; meta:save-date: 2023-05-05T15:33:14Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-05-05T15:33:14Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-05-05T15:32:45Z; created: 2023-05-05T15:32:45Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2023-05-05T15:32:45Z; pdf:charsPerPage: 2204; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-05-05T15:32:45Z | Conteúdo => S2-C 4T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 16682.720775/2013-36 Recurso De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2402-011.205 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 6 de abril de 2023 Recorrentes GLOBO COMUNICAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. VALOR EXONERADO. PORTARIA MF Nº 2, DE 17/01/2023. DATA DA APRECIAÇÃO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. SÚMULA CARF 103. A partir de 17/01/2023, data de publicação da Portaria MF nº2, o valor do crédito decorrente de tributo e multa cancelados passou para o montante superior a R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais) e, conforme preconiza a Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica- se o limite de alçada vigente na data da apreciação em segunda instância. DEPÓSITO JUDICIAL. CONVERSÃO EM RENDA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO. Efetuado o lançamento para prevenir decadência de contribuições depositadas em juízo, a conversão do depósito suficiente e tempestivo em renda impõe o acolhimento da alegação recursal de o crédito tributário estar extinto. PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. ELEMENTOS DA AÇÃO. SÚMULA CARF Nº 1. Deve ser reconhecida a concomitância entre a ação judicial e o processo administrativo quando houver identidade entre os elementos da ação, a saber, partes, pedido e causa de pedir. INCRA. CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. RE 630.898/RS COM REPERCUSSÃO GERAL. A contribuição ao INCRA foi instituída pela Lei nº 2.613/55 e alterada pelo Decreto-lei nº 1.146/70 que estabeleceu como sujeito passivo as pessoas naturais e jurídicas, inclusive cooperativas. No julgamento do Recurso Extraordinário nº 630.898/RS, com repercussão geral (Tema 495), o STF concluiu pela constitucionalidade da contribuição ao INCRA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntário e de ofício interpostos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 07 75 /2 01 3- 36 Fl. 493DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-011.205 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.720775/2013-36 (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Presidente (documento assinado digitalmente) Ana Claudia Borges de Oliveira – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Claudia Borges de Oliveira (Relatora), Francisco Ibiapino Luz (Presidente), Gregório Rechmann Junior, José Marcio Bittes, Rodrigo Duarte Firmino e Wilderson Botto (suplente convocado). Relatório Tratam-se de recursos voluntário e de ofício interpostos do Acórdão nº 12- 58.314 (fls. 243 a 248) que julgou procedente em parte a impugnação da contribuinte e manteve em parte o crédito constituído por meio de 2 Autos de Infração, relativos às contribuições ao INCRA e ao SAT/RAT, incidentes sobre os valores pagos a segurados, no período de janeiro de 2009 a dezembro de 2009. a) AI DEBCAD Nº 51.014.867-0, valor original de R$ 23.410.554,03: refere-se à diferença de alíquota da contribuição para o SAT/RAT, depositada judicialmente, em sede do processo judicial nº 2007.51.01.017547-0; EXONERADO (informação fls. 435) – depósitos liberados fls. 451. b) AI DEBCAD Nº 51.014.868-9, valor original de R$ 1.868.794,91: refere-se às contribuições a Outras Entidades e Fundos (Terceiros) devidas ao INCRA, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, depositadas judicialmente, em sede do processo judicial nº 2004.51.01.016293-0/RJ. NÃO CONHECIDO. (processo judicial 200451010162930) (informação fls. 438) mas podia ter conhecido porque não é concomitância e sim deposito preventivo. Deve ser devolvido á origem para julgar mérito, contudo se tem RG posso analisar, A decisão recorrida deu parcial provimento à impugnação, não conhecendo da impugnação em relação ao AI DEBCAD nº 51.014.868-9, manteve o crédito tributário, para fins de prevenção da decadência, no valor de R$ 1.868.794,91, e exonerou o crédito tributário exigido através do DEBCAD nº 51.014.867-0, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. CONCOMITÂNCIA ENTRE CONTENCIOSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. EFEITOS. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo importa em renúncia ao contencioso administrativo. Ocorrerá, todavia, a instauração do contencioso somente em relação à matéria distinta daquela discutida judicialmente. CONVERSÃO EM RENDA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A conversão de depósito judicial em renda extingue o crédito tributário. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 494DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-011.205 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.720775/2013-36 A contribuinte foi cientificada da decisão em 28/11/2013 (fl. 259) e apresentou recurso voluntário em 16/12/2013 (fls. 263 a 276) sustentando: a) indevida lavratura do auto de infração; b) inexigibilidade das contribuições devidas ao INCRA e ao SAT/RAT. Em 08/06/2017, os autos vieram a julgamento e esta Turma, em outra composição, concluiu pelo conhecimento dos recursos de ofício e voluntário, para negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário (Acórdão nº 2402- 005.878 – fls. 293 a 300), nos termos da ementa abaixo: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CONVERSÃO EM RENDA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A conversão de depósito judicial em renda extingue o crédito tributário. TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DO DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. IMPROCEDÊNCIA. São improcedentes os lançamentos de ofício em que o tributo exigido esteja com a exigibilidade suspensa, por força de depósito do seu montante integral. Decisão que se alinha ao entendimento firmado em decisão definitiva do Superior Tribunal de Justiça adotada sob o rito do art. 543-C do CPC. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 302 a 312) e a contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 330 a 339). A 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por sua vez, deu provimento ao recurso especial (Acórdão nº 9202-007.129 – fls. 366 a 379) e determinou o retorno dos autos à Turma a quo para apreciação das demais questões referentes ao mérito da inconstitucionalidade da contribuição ao INCRA, bem como não apreciação dessas questões pela DRJ, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Ainda que se refira a crédito tributário objeto de depósito judicial, não é nulo o lançamento de ofício realizado para fins de prevenção da decadência, com o expresso reconhecimento da suspensão da sua exigibilidade e sem a aplicação de penalidade ao sujeito passivo. MATÉRIAS NÃO EXAMINADAS NA FASE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. DEVOLUÇÃO A TURMA A QUO. Uma vez restabelecidas as autuações fiscais, fazse necessário o retorno dos autos à Turma a quo para análise dos pontos específicos suscitados no recurso voluntário que deixaram de ser apreciados no acórdão recorrido. A contribuinte opôs embargos de declaração (fls. 400 a 403), rejeitados nos termos do Despacho de Admissibilidade de fls. 408 a 412. Fl. 495DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-011.205 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.720775/2013-36 Os autos vieram a julgamento. Voto Conselheira Ana Claudia Borges de Oliveira, Relatora. RECURSO DE OFÍCIO Da admissibilidade Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data da apreciação em segunda instância. Quanto ao limite de alçada, a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, determinava o cabimento do recurso de ofício quando a decisão proferida pela DRJ exonerasse o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos e mil reais). A partir de 17/01/2023, data de publicação da Portaria MF nº 2, o valor do crédito decorrente do tributo somado à multa cancelados passou a ser de quantia superior a R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais). O Acórdão nº 12-58.314 (fls. 243 a 248), que deu parcial provimento à impugnação, não conheceu da impugnação em relação ao AI DEBCAD nº 51.014.868-9, manteve o crédito tributário no valor de R$ 1.868.794,91, e exonorou o crédito tributário exigido através do DEBCAD nº 51.014.867-0, com valor original de R$ 23.410.554,03, referentre à diferença de alíquota da contribuição para o SAT/RAT, depositada judicialmente, em sede do processo judicial nº 2007.51.01.017547-0 (0017547-40.2007.4.02.5101). Do exposto, o recurso de ofício deve ser conhecido, uma vez que o crédito exonerado é maior do que o limite disposto na Portaria MF nº 2, de 17 de janeiro de 2023. Das alegações recursais O Acórdão nº 12-58.314 proferido pela DRJ (fls. 243 a 248) julgou parcialmente procedente a impugnação da contribuinte e manteve em parte o crédito constituído por meio de 2 Autos de Infração, nos termos abaixo: a) AI DEBCAD Nº 51.014.867-0, valor original de R$ 23.410.554,03,: refere-se à diferença de alíquota da contribuição para o SAT/RAT, depositada judicialmente, em sede do processo judicial nº 2007.51.01.017547-0; EXONERADO b) AI DEBCAD Nº 51.014.868-9, valor original de R$ 1.868.794,91: refere-se às contribuições a Outras Entidades e Fundos (Terceiros) devidas ao INCRA, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, depositadas judicialmente, em sede do processo judicial nº 2004.51.01.016293-0/RJ. NÃO CONHECIDO. Do crédito exonerado No tocante ao AI DEBCAD Nº 51.014.867-0, com valor original de R$ 23.410.554,03, referente à diferença de alíquota da contribuição para o SAT/RAT, depositada judicialmente no processo judicial nº 2007.51.01.017547-0 (AREsp 1623474), verifica-se que, de fato, ocorreu a extinção deste crédito em face da liberação dos depósitos judiciais feitos pela contribuinte. Fl. 496DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-011.205 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.720775/2013-36 Nos termos delineados pela decisão proferida pela DRJ, Acórdão nº 12-58.314 (fls. 243 a 248), no tocante aos documentos juntados às fls. 219/222, tendentes a demonstrar a realização da conversão em renda dos valores depositados em data anterior ao lançamento, tem-se que em consulta realizada no sistema informatizado SDJ – Sistema de Gestão de Depósitos Judiciais/Extrajudiciais, consoante extrato de fls. 242 anexa, verificou-se que de fato houve a liberação dos depósitos judiciais relativos ao processo nº 2007.51.01.017547-0 em favor do INSS (código 759), constando como data do pagamento definitivo o dia 28/12/2012, pelo que procede a alegação da empresa de que o crédito já se encontrava extinto pelo pagamento quando do lançamento (05/2013). Os mesmos dados são corroborados pela Informação Fiscal constante às fls. 456 e 457. Conforme preconiza o inciso VI do artigo 156 do Código Tributário Nacional, a conversão do depósito judicial em renda da União é causa de extinção do crédio tributário. Destarte, efetuado o lançamento para prevenir decadência de contribuições depositadas em juízo, a conversão do depósito suficiente e tempestivo em renda impõe o acolhimento da alegação recursal de o crédito tributário estar extinto (Acórdão nº 2401- 010.397, Relator Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, publicação 09/11/2022). Nesse mesmo sentido é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONVERSÃO DO DEPÓSITO JUDICIAL INTEGRAL EM RENDA. DEFINITIVIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A matéria objeto do recurso especial interposto encontra-se abrangida pelo depósito judicial integral que foi, posteriormente, convertido em renda e, por consequência, extinto. Assim, mostra-se imperiosa a declaração da definitividade do crédito tributário lançado. (Acórdão nº 9202-010.243, Relatora Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz, 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, publicado 10/02/2022) Do exposto, impossível tecer outra conclusão, que não aquela proferida pela DRJ, para negar provimento ao recurso de ofício e declarar a extinção do crédito tributário constituído por meio do AI DEBCAD Nº 51.014.867-0, no valor original de R$ 23.410.554,03. RECURSO VOLUNTÁRIO Da admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele conheço e passo à análise da matéria. Das alegações recursais Quanto ao AI DEBCAD Nº 51.014.868-9, a DRJ não conheceu da impugnação apresentada pelo contribuinte, em razão de concomitância, nos seguintes termos (fl. 247): DEIXO DE TOMAR CONHECIMENTO das alegações de mérito, relativamente à exigibilidade das contribuições para o SAT/RAT e para o INCRA, tendo em vista a coincidência de matéria versada nos processos judicial e administrativo, o que importa renúncia a esta instância, pelo que em relação ao AI nº 51.014.868-9 (INCRA), a impugnação não merece ser conhecida, sendo que o mesmo não poderá ter sua cobrança realizada em razão do depósito do montante integral feito em juízo; A respeito da concomitância, o art. 38 da Lei nº 6.830/80 dispõe que a discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, salvo as hipóteses de Fl. 497DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-011.205 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.720775/2013-36 mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Esse mesmo entendimento é extraído do enunciado da Súmula nº 1 do CARF: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. O Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, ao proferir voto no Acórdão nº 3402- 006.382, Publicado 09/04/2019, com precisão apontou que o instituto da concomitância deve ter tratamento semelhante ao da litispendência no processo civil, de forma que somente ocorrerá a renúncia ou desistência do recurso administrativo quando houver identidade entre os três elementos dos processos administrativo e judicial, quais sejam, partes, pedidos e causas de pedir. Como visto, são três os elementos da ação: partes, pedido e causa de pedir, conforme disposição do art. 337, §§ 1º e 2º, do Código de Processo Civil, aplicado de forma supletiva e subsidiária ao processo administrativo fiscal: Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar: (...) § 1º Verifica-se a litispendência ou a coisa julgada quando se reproduz ação anteriormente ajuizada. § 2º Uma ação é idêntica a outra quando possui as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido. Disto, importa dizer que os elementos da ação se prestam a identificar a ação, tarefa de extrema importância quando se pretende comparar uma ação com outra. É impossível afirmar que duas ações são iguais, parecidas ou absolutamente diferentes sem o conhecimento de quais são os elementos da ação 1 . Como bem discorreu a Conselheira Cristiane Silva Costa no voto proferido no Acórdão nº 9101-004.303, da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Sessão de 06/08/2019, “não basta a constatação de existência de ação judicial, para aplicação da rigorosa consequência de negativa de seguimento quanto ao mérito de recurso administrativo (...). Com efeito, é necessário coincidência entre causa de pedir e pedido entre processo judicial e administrativo, para que se conclua pela identidade entre a discussão na esfera administrativa e judicial. Se presente tal coincidência – entre causa de pedir e pedido – constata-se o impedimento na análise dos recursos apresentados na esfera administrativa” (g f ) Nesse mesmo sentido estão, outrossim, os julgados abaixo transcritos: PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Todavia, para ser caracterizada a concomitância, o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais devem guardar uma irrefutável identidade. (Acórdão nº 3302-008.240, Publicado em 17/03/2020) 1 NEVES, Daniel Amorrim Assumpção. Manual de Direito Processual Civil, vol. único. 2019, p. 137. Fl. 498DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-011.205 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.720775/2013-36 PROCESSO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. IDENTIDADE DE OBJETO. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA CARF nº 1. Somente se verifica identidade de objeto quando as demandas judiciais e administrativas ostentem as mesmas partes, a mesma causa de pedir (fundamentos de fato - ou causa de pedir remota - e de direito - ou causa de pedir próxima) e o mesmo pedido (postulação incidente sobre o bem da vida). Interpretação sistêmica da Súmula CARF nº 1. (...) (Acórdão nº 2201-003.151, Publicado em 02/06/2016) Decorre do exame dos autos que o AI nº 51.014.868-9 tem como objeto as contribuições a Outras Entidades e Fundos (Terceiros) devidas ao INCRA, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, para as competências dos anos de 2008 e 2009 (fls. 128), depositadas judicialmente, em sede do processo judicial nº 2004.51.01.016293-0/RJ (RESP 977.058, RE 578.635). O Mandado de Segurança nº 2004.51.01.016293-0 (19ª VF/RJ - nº 2004.51.01.025411-3) foi impetrado pleiteando o deferimento de medida liminar para, nos termos do art. 151, inciso IV, do CTN, suspender a exigibilidade da contribuição para o INCRA, a partir do mês de agosto de 2004, inclusive, e, ao final, a concessão da segurança para que, confirmando a liminar, não sejam compelidos a pagar a contribuição para o INCRA, instituída pela Lei n° 2.613/55, a partir do mês de agosto de 2004, inclusive. Do cotejo entre os elementos da ação, partes, pedidos e causas de pedir, conclui- se que, de fato, há concomitância. O próprio Relatório Fiscal informa às fls. 129 qu , “ p s c j s v s d remunerações constantes da GFIP, que servem de base de cálculo para a contribuição destinada ao INCRA, atestamos que o montante do depósito é integral, razão pela qual há suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do inciso II do art. 151 do CTN. Ademais, vale consignar que no julgamento do Recurso Extraordinário nº 630.898/RS, com repercussão geral (Tema 495), o Supremo Tribunal Federal decidiu pela constitucionalidade da contribuição ao INCRA, nos termos do acórdão publicado em 11/05/2022. Não compete à autoridade administrativa apreciar a arguição de inconstitucionalidade da lei, atribuição de competência privativa do poder judiciário, conforme disposição do art. 102 da Constituição Federal. Ao julgador do CARF compete a verificação dos aspectos legais da atuação da Autoridade Fiscal, não podendo afastar ou deixar de observar os comandos da lei sob o fundamento de inconstitucionalidade, em consonância com os comandos do artigo do 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/15, combinando com a Súmula CARF nº 2. Por derradeiro, fica a ressalva de que o mandado de segurança impetrado pela contribuinte suspendeu a exigibilidade do crédito tributário; contudo, não tem, entre os seus efeitos, o de impedir o lançamento preventivo da decadência. Extrai-se do art. 63 da Lei nº 9.430/96 que, na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. Do exposto, concluo por negar provimento aos recursos voluntário e de ofício e manter a decisão proferida pela DRJ. Fl. 499DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L5172.htm#art151iv https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L5172.htm#art151iv https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L5172.htm#art151v Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-011.205 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.720775/2013-36 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento aos recursos voluntário e de ofício e manter a decisão proferida pela DRJ. (documento assinado digitalmente) Ana Claudia Borges de Oliveira Fl. 500DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 11080.728683/2018-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 13 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2018
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CONSTITUCIONALIDADE.
Conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE nº 796939, com repercussão geral, o §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 é inconstitucional, de forma que não há suporte legal para a exigência da multa isolada (50%) aplicada pela negativa de homologação de compensação tributária realizada pelo contribuinte.
Numero da decisão: 1201-005.881
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Fredy José Gomes de Albuquerque.
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Fábio de Tarsis Gama Cordeiro, Viviani Aparecida Bacchmi, Thais De Laurentiis Galkowicz e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 20 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202304
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2018 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CONSTITUCIONALIDADE. Conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE nº 796939, com repercussão geral, o §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 é inconstitucional, de forma que não há suporte legal para a exigência da multa isolada (50%) aplicada pela negativa de homologação de compensação tributária realizada pelo contribuinte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 11080.728683/2018-74
anomes_publicacao_s : 202305
conteudo_id_s : 6850294
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 1201-005.881
nome_arquivo_s : Decisao_11080728683201874.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
nome_arquivo_pdf_s : 11080728683201874_6850294.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Fredy José Gomes de Albuquerque. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Fábio de Tarsis Gama Cordeiro, Viviani Aparecida Bacchmi, Thais De Laurentiis Galkowicz e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Apr 13 00:00:00 UTC 2023
id : 9896045
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Sat May 20 09:03:46 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1766403270732939264
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-05-15T11:05:12Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-05-15T11:05:12Z; Last-Modified: 2023-05-15T11:05:12Z; dcterms:modified: 2023-05-15T11:05:12Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-05-15T11:05:12Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-05-15T11:05:12Z; meta:save-date: 2023-05-15T11:05:12Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-05-15T11:05:12Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-05-15T11:05:12Z; created: 2023-05-15T11:05:12Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2023-05-15T11:05:12Z; pdf:charsPerPage: 1820; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-05-15T11:05:12Z | Conteúdo => S1-C 2T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11080.728683/2018-74 Recurso Voluntário Acórdão nº 1201-005.881 – 1ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de abril de 2023 Recorrente ALBATROZ SEGURANÇA E VIGILÂNCIA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2018 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CONSTITUCIONALIDADE. Conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE nº 796939, com repercussão geral, o §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 é inconstitucional, de forma que não há suporte legal para a exigência da multa isolada (50%) aplicada pela negativa de homologação de compensação tributária realizada pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Fredy José Gomes de Albuquerque. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Fábio de Tarsis Gama Cordeiro, Viviani Aparecida Bacchmi, Thais De Laurentiis Galkowicz e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Relatório ALBATROZ SEGURANÇA E VIGILÂNCIA LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 107-002.403 (fls. 41), pela DRJ 07, interpôs recurso voluntário (fls. 58) dirigido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo como objetivo a reforma daquela decisão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 86 83 /2 01 8- 74 Fl. 89DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-005.881 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.728683/2018-74 O recorrente apresentou à Secretaria da Receita Federal do Brasil as declarações de compensação – DCOMP nº 04480.01765.200813.1.3.02-2590 e nº 35814.24323.170913.1.3.02-0506, as quais apontam o direito creditório oriundo no saldo negativo de IRPJ do segundo trimestre de 2009, no valor de R$ 641.137,25, com origem em retenções na fonte (código 6190). O alegado direito de crédito não foi reconhecido pela Administração Tributária, que não homologou a compensação, em razão de as retenções na fonte que compuseram o saldo negativo requerido terem sido apenas parcialmente confirmadas. Tal procedimento foi formalizado no processo nº 10880.901351/2016-09. Em face da não homologação dessa compensação, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 2, em que se impôs multa isolada no percentual de 50% dos correspondentes débitos compensados, o que consiste o objeto do presente processo. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contra a não homologação das compensações, no referido processo nº 10880.901351/2016-09, e apresentou impugnação contra o presente lançamento tributário (fls. 9). A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, quando foram reconhecidas muitas retenções na fonte em favor do contribuinte, considerando os documentos apresentados com a manifestação, mas insuficientes para quitar o IRPJ devido, levando à confirmação da não homologação da DCOMP. Já a impugnação foi julgada improcedente, na mesma assentada. O recurso voluntário do processo da DCOMP (proc. nº 10880.901351/2016-09) foi julgado improcedente por esta Turma Julgadora, nesta mesma assentada, o que significa a manutenção da decisão que não homologou a DCOMP. O presente recurso voluntário (fls. 58), que trata da multa isolada, traz os argumentos a seguir sintetizados: i) a não homologação da compensação levou à exigência dos créditos tributários compensados, com a incidência de juros de mora e de multa de ofício. A presente exigência de multa isolada está sendo feita em razão do mesmo fato, o que configura bis in idem. ii) o total das retenções na fonte no ano 2009 supera o montante de retenções apontadas na DCOMP, devendo ser aproveitadas no cômputo do direito creditório; iii) as retenções na fonte foram reconhecidas em valores muito inferiores aos constantes da sua DIPJ e das correspondentes DIRF; iv) não se pode afastar a possibilidade de que os recolhimentos efetuados pelas fontes pagadoras sejam provados por outros meios que não os informes de rendimentos, incluindo as informações constantes nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil; v) os seus clientes são, em boa parte, órgãos públicos, cujo regime de pagamentos não é atrelado ao regime de apuração tributária; vi) o processo em que se discute a não homologação da DCOMP ainda não foi definitivamente decidido; Fl. 90DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-005.881 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.728683/2018-74 vii) o prazo legal para o julgamento de um processo administrativo é de 360 dias, de forma que não deve incidir juros de mora sobre o presente crédito tributário a partir da expiração desse prazo. Os argumentos de defesa do recorrente serão detalhados e apreciados no voto que se segue. É o relatório. Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O interessado foi cientificado da decisão de primeira instância em 16/03/2021 (fls. 55) e o seu recurso voluntário foi apresentado em 15/03/2021 (fls. 56). Assim, o recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que passo a conhecê-lo. O recorrente opõe-se à decisão de primeira instância com os vários argumentos, fáticos e legais. Contudo, entendo que a correspondente análise deve ser precedida pela análise do fundamento legal do lançamento tributário em tela, qual seja, o §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996. Verifico que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE nº 796939, com repercussão geral, declarou a inconstitucionalidade do §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, nos seguintes termos: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, apreciando o tema 736 da repercussão geral, conheceu do recurso extraordinário e negou-lhe provimento, na medida em que inconstitucionais, tanto o já revogado § 15, quanto o atual § 17 do art. 74 da Lei 9.430/1996, mantida, assim, a decisão proferida pelo Tribunal a quo. Foi fixada a seguinte tese: "É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária". Tudo nos termos do voto reajustado do Relator. O Ministro Alexandre de Moraes acompanhou o Relator com ressalvas. Não votou o Ministro Nunes Marques, sucessor do Ministro Celso de Mello (que votara na sessão virtual em que houve o pedido de destaque, acompanhando o Relator). Plenário, Sessão Virtual de 10.3.2023 a 17.3.2023. Contudo, essa decisão é recente. Consultando o sítio do Supremo Tribunal Federal na Internet, verifico que a correspondente ata de julgamento foi publicada no dia 24/03/2023, não havendo notícia da citação das partes ou de apresentação de recurso. Sendo uma decisão do Plenário, esta está sujeita apenas a embargos de declaração. Contudo, deve-se afirmar que essa decisão ainda não transitou em julgado. O artigo 26-A do Decreto nº 70.236/1972 determina que a lei declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal pode ter a sua aplicação afastada no âmbito do processo administrativo fiscal, verbis: Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 91DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-005.881 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.728683/2018-74 [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; Por sua vez, o artigo 62 do Regimento Interno do CARF (Anexo II da Portaria MF nº 343/2015) reproduz a mesma regra legal, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Como se pode ver, os órgãos de julgamento do processo administrativo fiscal estão desobrigados de aplicar uma lei considerada inconstitucional em decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal desde que esta atenda a dois requisitos: que seja tomada pelo Tribunal Pleno e que seja uma decisão definitiva. O primeiro requisito foi atendido, sem sombra de dúvida, e eu trouxe ao colegiado uma questão a ser solucionada em relação ao segundo requisito: podemos considerar a referida decisão como definitiva em relação ao presente processo? Seguiu-se um amplo debate no colegiado, cujos elementos agora trago neste voto, como razões de decidir. Caso a decisão em tela tivesse transitado em julgado, seria um passo confortável afirmar que esta é definitiva e a aplicação do referido artigo 26-A do decreto nº 70.235/1972 estaria garantida. Contudo, a afirmação do seu contrário não é tão tranquila assim, quero dizer, se a decisão não transitou em julgado, não necessariamente ela não é definitiva, conforme os postulados da lógica clássica 1 . Considerando que o processo administrativo fiscal é informado pelo princípio da formalidade moderada, a questão trazida ao colegiado consiste em definir se, no presente caso, é possível considerar que a decisão em tela é definitiva, para a presente lide, ainda que não esteja revestida pela forma do trânsito em julgado, considerando este último como a preclusão recursal para as partes. A decisão definitiva é aquela que chegou ao seu fim e, portanto, não pode ser alterada. Sabemos que uma decisão pode ser complexa, no sentido de emitir efeitos distintos para 1 Se A implica B (A->B) então necessariamente a negação de B implica a negação de A (~B->~A), mas não se pode afirmar que a negação de A implica a negação de B (~A->~B é falso). Fl. 92DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-005.881 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.728683/2018-74 pessoas distintas. Assim, a presente decisão judicial, tomada em sede de Recurso Especial, vai causar uma série de efeitos financeiros sobre as partes, demandando, possivelmente, a continuidade do processo em etapas de liquidação e execução. Nada disso importa para o presente processo administrativo, cujo elemento de conexão com o processo judicial é apenas a aplicação do §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, ou seja, somente interessa a declaração de inconstitucionalidade do referido dispositivo, contida no processo judicial. Então, a questão a ser resolvida pode ser simplificada para: a declaração de inconstitucionalidade laborada pela Corte Suprema é definitiva frente ao presente processo? Mais especificamente, a decisão que declarou a inconstitucionalidade do §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 pode ser alterada? O único recurso cabível contra a decisão que resolveu o referido RE nº 796939 são os embargos de declaração. Como é sabido, essa espécie de recurso não se presta para afrontar o mérito da decisão atacada, mas apenas para aperfeiçoá-la diante de eventual omissão, contradição ou obscuridade, conforme jurisprudência pacífica dos tribunais superiores, exemplificada na decisão a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO ART 1.022 DO CPC/2015. INEXISTENTE. INADEQUAÇÃO LÓGICA ENTRE FUNDAMENTAÇÃO POSTA E A CONCLUSÃO ADOTADA. I - Segundo o art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, os embargos de declaração são cabíveis para esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento e/ou corrigir erro material. II - A contradição que vicia o julgado de nulidade é a interna, em que se constata uma inadequação lógica entre a fundamentação posta e a conclusão adotada, o que, a toda evidência, não retrata a hipótese dos autos. Nesse sentido: EDcl no AgInt no RMS 51.806/ES, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 16/5/2017, DJe 22/5/2017; EDcl no REsp 1.532.943/MT, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 18/5/2017, DJe 2/6/2017. III - A pretensão de reformar o julgado não se coaduna com as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material contidas no art. 1.022 do CPC/2015, razão pela qual inviável o seu exame em embargos de declaração. IV - Cumpre ressaltar que os aclaratórios não se prestam ao reexame de questões já analisadas com o nítido intuito de promover efeitos modificativos ao recurso. No caso dos autos, não há vícios na decisão, considerando que foram apreciadas todas as teses relevantes para o deslinde do caso de modo fundamentado e coerente. V - Agravo interno improvido. (AgInt nos EDcl no RMS 54.398/RJ, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/09/2018, DJe 21/09/2018) Portanto, em regra, eventuais embargos de declaração não irão alterar a decisão que declarou inconstitucional o §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996. Assim, essa decisão seria definitiva, repito, em regra, para os fins do presente processo. Contudo, os debates travados no presente julgamento avançaram sobre o campo da cogitação, não sem razão, tendo em vista a recente decisão, também do Supremo Tribunal Federal, que retirou o ICMS da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, quando os embargos de declaração interpostos pela União apontaram omissão quanto à Fl. 93DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-005.881 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.728683/2018-74 definição do valor do ICMS a ser considerado (destacado ou pago) e omissão quanto à modulação dos efeitos da decisão. Durante os debates, ficou clara uma importante diferença entre os dois processos judiciais comparados. No processo sobre o ICMS, o que estava sub judice era a base de cálculo das duas contribuições (PIS/PASEP e COFINS), ou seja, a fórmula do cálculo a ser adotada para se chegar aos valores devidos. Daí, a importância da definição do valor do ICMS a ser adotado (destacado ou pago). Diferentemente, no processo sobre a multa isolada, a questão sub judice que importa ao presente processo é somente a constitucionalidade do §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, não comportando qualquer questão sobre valores. Outra importante reflexão sobre a referida comparação é o fato de a modulação realizada na decisão sobre o ICMS, resolvida em sede de embargos, ter garantido os seus efeitos para todos os fatos geradores que ainda encontravam-se sub judice em processo judicial ou administrativo. Assim, caso tal modulação seja realizada para o processo da multa isolada, a decisão alcançaria o presente processo, ou seja, em nada mudaria os seus efeitos em relação à decisão atual, ainda que eventualmente embargada. Portanto, é possível concluir que, diante do atual cenário jurídico, inclusive jurisprudencial, a atual decisão do Supremo Tribunal Federal pode ser considerada definitiva em relação aos seus efeitos sobre o presente processo. O referido debate não olvidou a possibilidade de uma alteração da decisão da Suprema Corte, ainda que incerta, remota e desconhecida, em sede de embargos de declaração. Contudo, concluiu-se que não se pode dar conteúdo a uma expressão jurídica aberta pela sua exceção ou por algum elemento improvável. Caso isso fosse possível, uma decisão transitada em julgado não poderia ser considerada definitiva, uma vez que está sujeita a uma eventual ação rescisória, conforme previsto no artigo 966 do Código de Processo Civil pátrio. Mais ainda, mesmo que já não caiba ação rescisória, sempre está sujeita a uma mudança do cenário jurídico que lhe tire os efeitos, como ocorreu com a incidência da CSLL, afastada para alguns contribuintes em sede de decisões judiciais transitadas em julgado que a consideravam inconstitucional, mas retomada por uma decisão do Supremo Tribunal Federal 2 . A contrário senso, não acolher a referida decisão judicial como definitiva implicaria reconhecer a plena eficácia do §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 e negar provimento ao recurso voluntário, o que seria, no mínimo, temerário diante da decisão já publicada da Suprema Corte. O referido debate também contemplou, com o fito de afastar qualquer dúvida, a possibilidade de o presente processo ser sobrestado até que sobrevenha o trânsito em julgado da referida decisão judicial, o que implicaria aguar o possível ingresso de embargos de declaração e o seu correspondente julgamento, com trânsito em julgado. Contudo, tal medida iria de encontro ao esforço da Fazenda Nacional para diminuir a litigiosidade no âmbito da administração tributária, o que inclui fortemente o contencioso administrativo. Deve ser salientado que a multa isolada em tela é exigida em razão da não homologação de uma compensação, ou seja, para cada processo de DCOMP não homologada há 2 RE 955227 (Tema 885) e RE 949297 (Tema 881). Fl. 94DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1201-005.881 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.728683/2018-74 um processo para a correspondente multa isolada. Considerando que o número de processos administrativos que tratam de DCOMP não homologada é proporcionalmente grande em relação ao total de processos no contencioso administrativo, o sobrestamento desses processos implicaria manter sob administração, por tempo indeterminado, um custoso acervo de processos pendentes de julgamento, em troca de uma questionável segurança jurídica. Deve ser lembrado que o processo é instrumento para a consecução do Direito, de forma que os seus percursos não devem ser utilizados para impedir ou retardar o seu fim último. De todo modo, para o efeito de reconhecer a inconstitucionalidade do §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, o melhor direito está em considerar definitiva a decisão do Supremo Tribunal Federal no RE nº 796939, com repercussão geral, e dar provimento ao presente recurso voluntário. Saliente-se que o presente entendimento não está realizando uma relativação da expressão “decisão definitiva”, uma vez que esta é uma expressão jurídica aberta, a qual deve ter o seu conteúdo densificado pelo operador do direito, diante do cenário fático trazido nos autos e do cenário jurídico do momento da decisão. Em outras palavras, a interpretação de uma expressão jurídica aberta é relativa por sua própria natureza. Assim o é a interpretação da expressão “decisão definitiva”. Assim, no atual cenário jurídico, a presente multa isolada não possui suporte legal, devendo ser exonerada. Diante do reconhecimento da insubsistência da multa aplicada, os demais argumentos do recorrente perdem o seu objeto, pelo que deixo de apreciá-los. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Declaração de Voto Conselheiro Fredy José Gomes de Albuquerque Fl. 95DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1201-005.881 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.728683/2018-74 O processo em análise trata de multa isolada por compensação não homologada, a qual foi objeto de recente análise do Supremo Tribunal Federal, que a declarou inconstitucional, porém, ainda sem trânsito em julgado, mas com julgamento definitivo de mérito. O voto do i. Conselheiro Relator trouxe a informação de que o STF julgou o RE nº 796939 e declarou a inconstitucionalidade do §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, mediante a sistemática de repercussão geral, conforme TEMA 736 do qual se firmou a seguinte tese, cuja ata de julgamento já se encontra publicada desde 27/03/2023: É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária. TEMA 736: Constitucionalidade da multa prevista no art. 74, §§ 15 e 17, da Lei 9.430/1996 para os casos de indeferimento dos pedidos de ressarcimento e de não homologação das declarações de compensação de créditos perante a Receita Federal. Vê-se, portanto, que o mérito já se encontra inteiramente esgotado, sendo adequado afirmar que não há norma jurídica vigente que autorize a cobrança de multa isolada por compensação não homologada, conforme pretendeu a administração tributária quando do lançamento ora analisado. Ocorre, porém, que a citada decisão do STF ainda não transitou em julgado, conforme se evidencia em pesquisa ao site do Tribunal, razão pela qual, durante a sessão de julgamento do presente processo no CARF, suscitou-se como dúvida se o Colegiado deveria tratar a decisão do STF como definitiva, conforme expressamente registra o art. 62 do Regimento Interno do CARF, a saber: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II - que fundamente crédito tributário objeto de: b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Penso que a decisão do STF é definitiva porquanto haver esgotado o mérito relativo à declaração de inconstitucionalidade da norma, produzindo imediatos efeitos em relação a todos os processos cujos lançamentos estejam sendo discutidos perante o CARF. Nesses casos, o crédito tributário ainda é controvertido na esfera administrativa, com exigibilidade suspensa desde sua constituição, não se admitindo pretender que sejam dados efeitos jurídicos ao ato administrativo de lançamento que se baseie em norma reconhecidamente inconstitucional, por força de expressa decisão do Supremo Tribunal Federal. Fl. 96DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1201-005.881 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.728683/2018-74 O caráter definitivo da decisão da Corte Superior decorre da apreciação e esgotamento integral do mérito, tendo sido firmada a tese que considerou inconstitucional a multa por compensação não homologada. Não há dúvidas quanto a matéria sobre a qual repousa a inconstitucionalidade, inclusive, com decisão unânime de seus membros. Note-se que o RICARF trata de decisões definitivas do STF, não versa sobre decisões com trânsito em julgado, que são diferentes. No caso em apreço, os efeitos da declaração de inconstitucionalidade já são definitivos, vale dizer, não há dúvida razoável de que a norma sobre a qual se funda o lançamento não pode produzir efeitos. Não faz sentido – nem é minimamente razoável – exigir que o CARF afaste decisão da Corte Suprema por entender que a decisão, para ser válida, prescinde de trânsito em julgado formal. Nem se diga que ainda a possível modulação dos efeitos da decisão afasta o caráter definitivo da mesma, a uma, porque não há nos autos do citado Recurso Extraordinário (na data do presente julgamento) nenhum registro de interposição de qualquer recurso complementar que indique pretensão modulatória, a duas, porque a possível modulação teria o efeito de evitar a repetição de indébito dos contribuintes que já pagaram a multa, mas não alcança os que ainda discutem sua validade perante a própria administração pública. Não parece razoável – mais ainda, penso ser claramente ilegal – dar efeitos jurídicos a norma sabidamente inconstitucional, sob a premissa equivocada de que a decisão do STF, em regime de repercussão geral, só se tornaria definitiva após o trânsito em julgado. Entendo que a definitividade diz respeito à análise do mérito, jamais do carimbo formal do trânsito em julgado. É dizer: são materialmente definitivas – e, portanto, aplicam-se imediatamente aos processos em trâmite no CARF – as decisões do STF que, em controle concentrado (ADI, ADC ou ADPF) ou difuso, sob o regime de repercussão geral, firmem tese que encerre o mérito sob a qual recaia a declaração de inconstitucionalidade, considerando a publicação de suas respectivas atas de julgamento o termo inicial que as tornam definitivas, ressalvadas as hipóteses em que existirem incidentes processuais ativos que possam desconstruir a posição de mérito já assumida pela Corte Constitucional. Nos presentes autos processuais, não há nenhum elemento que impeça o CARF de dar cumprimento imediato à decisão definitiva do STF sobre o tema, razão pela qual acompanho o voto do i. Conselheiro Relator, para afastar a exigência da multa prevista no §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, porquanto inconstitucional. DISPOSITIVO Ante o exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Fredy José Gomes de Albuquerque Fl. 97DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 35011.000197/2007-17
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2008
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/08/2001 a 31/10/2002
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF - EXTINTO POR DECURSO DE PRAZO - LANÇAMENTO POSTERIOR - NULIDADE.
A conclusão do procedimento fiscal sem amparo de MPF válido é vício insanável e causa de nulidade do lançamento.
Recurso de Oficio Negado.
Numero da decisão: 206-01.311
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votou por dar provimento ao recurso de oficio.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Sat May 20 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 200809
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2001 a 31/10/2002 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF - EXTINTO POR DECURSO DE PRAZO - LANÇAMENTO POSTERIOR - NULIDADE. A conclusão do procedimento fiscal sem amparo de MPF válido é vício insanável e causa de nulidade do lançamento. Recurso de Oficio Negado.
turma_s : Sexta Câmara
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2008
numero_processo_s : 35011.000197/2007-17
anomes_publicacao_s : 200809
conteudo_id_s : 6846052
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 15 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 206-01.311
nome_arquivo_s : 20601311_147281_35011000197200717_004.PDF
ano_publicacao_s : 2008
nome_relator_s : ANA MARIA BANDEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 35011000197200717_6846052.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votou por dar provimento ao recurso de oficio.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2008
id : 4839750
ano_sessao_s : 2008
atualizado_anexos_dt : Sat May 20 09:03:35 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1766403270738182144
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-06T22:24:26Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-06T22:24:26Z; Last-Modified: 2009-08-06T22:24:26Z; dcterms:modified: 2009-08-06T22:24:26Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-06T22:24:26Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-06T22:24:26Z; meta:save-date: 2009-08-06T22:24:26Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-06T22:24:26Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-06T22:24:26Z; created: 2009-08-06T22:24:26Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2009-08-06T22:24:26Z; pdf:charsPerPage: 870; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-06T22:24:26Z | Conteúdo => ME • SOUND° drnmsnuo DE CONTRIBI 'n JJ CONF EkE COM O ORIGINAL CCOVC06 Maria de FEIO:nó 3 lan de ' ifalbue Fls. 97Mat. Siape 75163 41., -:•‘9 MINISTÉRIO DA FAZENDA .W.45agrit ".1,LVÃ.r.ne SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° 35011.000197/2007-17 Recurso n° 147.281 De Oficio Matéria DIFERENÇAS DE CONTRIBUIÇÕES Acórdão n° 206-01.311 Sessão de 04 de setembro de 2008 Recorrente DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO BELÉM (PA) Interessado TORONTO CONSTRUÇÕES INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2001 a 31/10/2002 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF - EXTINTO POR DECURSO DE PRAZO - LANÇAMENTO POSTERIOR - NULIDADE. A conclusão do procedimento fiscal sem amparo de MPF válido é vício insanável e causa de nulidade do lançamento. Recurso de Oficio Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ME- Ski iNnn CONSELHO DE CONTRIBUNITES CONFERE CI WI 0 ORIGINAL (2..k • Processo n° 35011.000197/2007-17 bradá, frDS 0 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.311 Fls. 98 Maria de Farinta Ft 11C1 c MaL Sirpe 751683 "'lb° ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votou por dar provimento ao recurso de oficio. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente AN (Sr )EIRA Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Rogério de Lellis Pinto, Bemadete de Oliveira Barros, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Cleusa Vieira de Souza e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n° 35011.000197r2007-17 CCO2/C.06 Acórdão n.° 206-01.311 ME - SEGUNDO CfPdvaHO DE CONTRIBUT"r791 CONFERI. t_t" 'NPIGINAL Fls 99 Branliajig_0 1757, \CS Maria de Nino Fewc16:1-ãr Relatório MA. Sua 751683 Trata-se de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados, da empresa, à destinada ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, as destinadas a terceiros (Salário-Educação, SESI, SENAI, SEBRAE e INCRA). O Relatório Fiscal (fls. 41/48) informa que os fatos geradores das contribuições lançadas são as remunerações pagas aos segurados empregados, apuradas por aferição indireta, com base nas notas fiscais de serviços emitidas pela notificada. A motivação para o uso do procedimento de aferição está detalhada no Relatório Fiscal. A notificada apresentou defesa (fls. 79/81) onde alegou que recebeu com perplexidade a notificação em razão dos auditores fiscais não terem mais comparecido à empresa, o que levou a inferir que a fiscalização havia sido encerrada pelo decurso do prazo do MPF — Mandado de Procedimento Fiscal. Irresigna-se pela adoção do procedimento de aferição indireta e considera que a autoridade lançadora ao demonstrou quais as impropriedades levaram a tanto. Assim, considera que ficou caracterizado o cerceamento de defesa. A 4' Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA, por meio do Acórdão n° 01-8-544 considerou o lançamento nulo sob o argumento de que na data da lavratura da NFLD não havia MPF válido, o que se caracteriza em vício insanável. O que foi verificado pelo relator no julgamento de primeira instância é que, não obstante o contribuinte ter sido devidamente intimado do MPF Fiscalização que iniciou o procedimento fiscal, não há nos autos comprovação de que o mesmo tenha sido intimado dos três Mandados de Procedimento Fiscais que prorrogaram o prazo de execução da ação fiscal. Da decisão acima, foi apresentado recurso de oficio ao Segundo Conselho de Contribuintes. É o relatório. Voto Conselheira ANA MARIA BANDEIRA, Relatora Trata-se de recurso de oficio contra acórdão de primeira instância que anulou a notificação em tela. 3 L=F • SF.GCLINDOONFERCE0aNSwELOHOORDEIGINCOAWFRIL BU'rtrtS '.. Processo n° 35011.000197/2007-17 Brasília, t e/ • D 3 1 OBI CCOVC06 Achrdào n.° 206-01311 Fls 100 Maria de Fátima Fe • arviaaralliuTiii) . Mat. Siape 731683 A meu ver, a decisão recorrida não merece reparo. Claro está que apesar dos MPF's Complementares terem sido emitidos, não foi dada ciência dos mesmos ao contribuinte. Portanto, tal qual o contribuinte entendeu, o MPF se extinguiu pelo decurso do prazo nos termos do inciso II do art. 15 do Decreto n° 3.969/2001 e a conclusão do procedimento fiscal ocorreu sem amparo de MPF em vigor. Diante do exposto e considerando tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso de oficio para NEGAR-LHE PROVIMENTO. É COMO voto. Sala das Sessões, em 04 de setembro de 20081 1090407 1 A IA BAN EIRA 4
score : 1.0
Numero do processo: 11516.723691/2018-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2023
Numero da decisão: 2402-001.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil adote as providências solicitadas nos termos do voto que segue na resolução.
(documento assinado digitalmente)
Francisco Ibiapino Luz - Presidente
(documento assinado digitalmente)
José Márcio Bittes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Duarte Firmino, Gregorio Rechmann Junior, Jose Marcio Bittes, Ana Claudia Borges de Oliveira, Wilderson Botto (suplente convocado(a)) e Francisco Ibiapino Luz (Presidente).
Nome do relator: JOSE MARCIO BITTES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 20 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202304
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 15 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 11516.723691/2018-67
anomes_publicacao_s : 202305
conteudo_id_s : 6847005
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 15 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 2402-001.224
nome_arquivo_s : Decisao_11516723691201867.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : JOSE MARCIO BITTES
nome_arquivo_pdf_s : 11516723691201867_6847005.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil adote as providências solicitadas nos termos do voto que segue na resolução. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Presidente (documento assinado digitalmente) José Márcio Bittes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Duarte Firmino, Gregorio Rechmann Junior, Jose Marcio Bittes, Ana Claudia Borges de Oliveira, Wilderson Botto (suplente convocado(a)) e Francisco Ibiapino Luz (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2023
id : 9890769
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Sat May 20 09:03:41 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1766403270750765056
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-05-08T17:27:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-05-08T17:27:24Z; Last-Modified: 2023-05-08T17:27:24Z; dcterms:modified: 2023-05-08T17:27:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-05-08T17:27:24Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-05-08T17:27:24Z; meta:save-date: 2023-05-08T17:27:24Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-05-08T17:27:24Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-05-08T17:27:24Z; created: 2023-05-08T17:27:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2023-05-08T17:27:24Z; pdf:charsPerPage: 2188; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-05-08T17:27:24Z | Conteúdo => 0 S2-C 4T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11516.723691/2018-67 Recurso Voluntário Resolução nº 2402-001.224 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 6 de abril de 2023 Assunto GANHO DE CAPITAL PERMUTA DE AÇÕES Recorrente DEISI BEATRIZ LAUS VAHLDICK DE SOUZA Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil adote as providências solicitadas nos termos do voto que segue na resolução. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Presidente (documento assinado digitalmente) José Márcio Bittes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Duarte Firmino, Gregorio Rechmann Junior, Jose Marcio Bittes, Ana Claudia Borges de Oliveira, Wilderson Botto (suplente convocado(a)) e Francisco Ibiapino Luz (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão 12-109.523 - 19ª Turma da DRJ/RJO, em sessão realizada em 14 de agosto de 2019, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente Impugnação apresentada contra Auto de Infração de fls. 794/802, relativo ao exercício 2015, ano-calendário 2014 , que apurou crédito tributário de ganho de capital no IRPF no valor total de R$ 14.366.772,36 (QUATORZE MILHÕES, TREZENTOS E SESSENTA E SEIS MIL, SETECENTOS E SETENTA E DOIS REAIS E TRINTA E SEIS CENTAVOS, decorrente de Ação Fiscal encerrada em 11/02/2019, por OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES NÃO NEGOCIADAS EM BOLSA DE VALORES. NOS TERMOS DO RELATÓRIO FISCAL ANEXADO AOS AUTOS, fls 769 a 792, a referida omissão foi constatada uma vez que a RECORRENTE era possuidora de 705.283 ações da empresa DUDALINA S/A, no valor de R$ 7.223.381,49 (Sete milhões duzentos e vinte e três mil e trezentos e oitenta e um reais e quarenta e nove centavos), a qual foi INCORPORADA pela empresa RESTOQUE COMÉRCIO E CONFECÇÕES DE ROUPAS S/A RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .7 23 69 1/ 20 18 -6 7 Fl. 1247DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 2402-001.224 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11516.723691/2018-67 em 21/11/2014. a REQUERENTE foi remunerado por meio da SUBSCRIÇÃO de 9.305.324 ações da INCORPORADORA, perfazendo um total de R$ 94.914.304,80 (Noventa e quatro milhões, novecentos e quatorze mil e trezentos e quatro reais e oitenta centavos). Ocorre que, em sua DIRPF, a REQUERENTE limitou-se a excluir as ações da INCORPORADA e incluir as ações da INCORPORADORA pelo mesmo valor declarado no exercício anterior referente a sua participação na INCORPORADA, ignorando a evolução patrimonial auferida de R$ 87.690.923,31 (Oitenta e sete milhões, seiscentos e noventa mil e novecentos e vinte e três reais e trinta e um centavos), omitindo-se de fazer a DECLARAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL RESULTANTE Por ser casada em comunhão universal de bens desde 10/09/1982 com RENÊ MURILO HESS DE SOUZA, o auto de infração o incluiu como responsável solidário de fato. Inconformado com o lançamento efetuado, a recorrente juntou IMPUGNAÇÃO (fls. 816/843) em 15/03/2019 citando jurisprudências judiciais e administrativas, além de citações doutrinárias, pleiteou pela juntada dos documentos anexados e a realização de quaisquer diligências que se fizessem pertinentes alegando, em síntese, o que se segue: 1.A INEXISTÊNCIA DE GANHO DE CAPITAL NA INCORPORAÇÃO DE AÇÕES, uma vez que tal ato EQUIVALE-SE A UMA SUB-ROGAÇÃO, não havendo no presente ato qualquer ganho financeiro, sendo que somente no momento que ocorrer a alienação efetiva das ações é que se poderá avaliar se houve ganho de capital tributável; 2. Que os contribuintes não participaram do negócio jurídico da venda das ações que representavam o controle acionário da DUDALINA para a RESTOQUE e não exerceram o seu direito legal de retirada da sociedade, o que eventualmente poderia gerar um ganho de capital; 3. Que não houve qualquer alteração na situação patrimonial do impugnante em virtude do ato ocorrido em 21/11/2014. O contribuinte pessoa física autuado manteve em sua declaração de ajuste o valor que dela já constava, não considerando a mais valia decorrente da avaliação que, frise-se, decorre de imposição legal (art. 252, § 1º, da lei 6.404/76); 4. Que a exigência de IRPF na presente circunstância, afronta o conceito constitucional de “renda e proventos de qualquer natureza” - porquanto tributa-se patrimônio e não renda - como também viola o princípio da capacidade contributiva (artigo 145, §1º, da lei constitucional de 1988, vez que o contribuinte não manifesta qualquer riqueza passível de tributável) e da legalidade (artigo 150, I, do mesmo diploma, vez que se exige exação sem respaldo em lei ou na própria carta magna); 5.Que a tributação pelo imposto de renda pessoa física, na hipótese, representaria tributação sobre renda virtual, transformando-se em tributação sobre o patrimônio e não sobre renda efetivamente auferida, ofendendo, ainda, o princípio da capacidade contributiva e o regime de caixa, regra geral de tributação do imposto de renda da pessoa física. 6. Que a operação realizada estaria acobertada pela isenção do imposto sobre ganho de capital decorrente de alienação de participações societárias adquiridas até 31.12.1983. O acórdão RECORRIDO (fls. 938/964) decidiu, por unanimidade, pela improcedência das alegações e manteve o crédito tributário sob os seguintes fundamentos: Fl. 1248DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 2402-001.224 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11516.723691/2018-67 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos. A alienação é gênero, do qual a transferência das ações, nos termos do art. 252 da Lei nº6.404, de 1976, é espécie. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. Na incorporação de ações, há alienação pelos acionistas da incorporada de seus ativos, nos termos do art. 3º, § 3º, da Lei nº 7.713, de 1988, sendo a transmissão da propriedade dos ativos onerosa e avaliada em moeda corrente. Assim, havendo diferença positiva entre o valor da transmissão e o respectivo custo de aquisição, esta deve ser tributada como ganho de capital, por configurar acréscimo patrimonial, independentemente da existência de fluxo financeiro, não havendo que se falar em operação de sub-rogação real ou permuta. A incorporação de ações caracteriza operação de subscrição de capital com integralização em bens, porquanto os acionistas da companhia cujas ações são incorporadas as transferem para a companhia dita incorporadora, a título de integralização de capital. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DECRETO-LEI Nº 1.510/1976. NÃO-INCIDÊNCIA. REVOGAÇÃO PELA LEI N° 7.713/1988. Inexiste direito adquirido a isenção, salvo se houver sido concedida a prazo certo e sob condição onerosa (CTN, art. 178). Para que possa haver a fruição do benefício, a lei isentiva deve estar em vigor no momento em que ocorre o fato gerador, o que não é o caso. INCONSTITUCIONALIDADE. CAPACIDADE CONTRIBUTIVA E NÃO CONFISCO. Os princípios constitucionais tributários são endereçados aos legisladores e devem ser observados na elaboração das leis tributárias, não comportando apreciação por parte das autoridades administrativas responsáveis pela aplicação destas, seja na constituição, seja no julgamento administrativo do crédito tributário. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. CITAÇÕES DOUTRINÁRIAS NA IMPUGNAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa apreciar alegações mediante juízos subjetivos, uma vez que a atividade administrativa deve ser exercida de forma plenamente vinculada, sob pena de responsabilidade funcional. PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA. DESNECESSÁRIAS. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de produção de provas, diligência (ou perícia) quando a sua realização revele-se prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora. Irresignado, a RECORRENTE apresentou Recurso Voluntário em 19/09/2019 (fls. 974 /1010 ), no qual argumenta que o Acórdão recorrido ignorou os argumentos apresentados na impugnação, notadamente nos seguintes fatos a) A incorporação das ações da Dudalina foi deliberada e aprovada por sua assembleia geral em vista dos interesses da sociedade e não de seus acionistas; b) No caso dos autos, existe farta comprovação documental de que os recorrentes, não participaram do negócio jurídico da venda das ações que representavam o controle acionário da Dudalina para a Restoque, ocorrida entre dezembro de 2012 a agosto de 2013, portanto, NÃO ALIENARAM as suas ações; Fl. 1249DF CARF MF Original Fl. 4 da Resolução n.º 2402-001.224 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11516.723691/2018-67 c) Não houve, no referido processo de aprovação, manifestação de vontade expressa por parte dos acionistas, incluindo-se os recorrentes, sendo tal requisito imprescindível à existência de uma alienação. d) Ainda, é inegável que os recorrentes não participaram dos atos societários que culminaram na incorporação das ações da Dudalina pela Restoque, transformando aquela em controlada integral desta, todavia, foram compelidos compulsoriamente, por serem MINORITÁRIOS, a aceitar a transferência de suas ações na empresa Dudalina, em aumento de capital, na companhia incorporadora Restoque, sem qualquer interferência na atribuição dos valores, seja da companhia incorporada seja da companhia incorporadora, bem como também, frise-se, sua situação patrimonial antes, durante e imediatamente depois do ato societário de 21/11/2014, permaneceu absolutamente inalterada; e) Ao contrário das conclusões do agente fiscal e da DRJ/RJO, não houve ALIENAÇÃO, a incorporação de ações se deu por meio de SUB-ROGAÇÃO REAL LEGAL, com a simples substituição das ações da Dudalina de titularidade dos recorrentes por ações da Restoque, mantendo-se a mesma proporção e valor de investimento anteriormente detido, de modo que nessas circunstâncias não incide a regra matriz do imposto de renda da pessoa física; f) no ato da incorporação das ações, realizado em 21/11/2014, os recorrentes não receberam dinheiro algum pelas ações, mas outras ações, cujo estimativa de valor, ainda que superior, foi momentâneo, diante da variação do valor das ações no tempo, assim, não ocorreu ganho de capital tributável pelo IRPF, pois não houve acréscimo patrimonial, mas mera possibilidade de acréscimo e/ou decréscimo, a ser verificado quando da efetiva alienação destas ações, pois, sabidamente, as ações recebidas poderiam sofrer sucessivas desvalorizações e em algum momento no futuro (não foi o caso dos autos), serem inclusive, vendidas, por um valor inferior ao próprio custo de aquisição das ações originalmente detidas na companhia, e lançadas em suas declarações de IRPF; g) Nenhuma pessoa física, seja ela acionista da incorporadora -Restoque (caso exista), seja ela acionista da incorporada – Dudalina (entre outros os autuados), no ato de incorporação de ações de 21/11/2014, transferiu “a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital” qualquer bem ou direito de sua propriedade, pelo contrário, o ato de incorporação de ações previsto no art. 252, da Lei n° 6.404/76, como o ocorrido em 21/11/2014, é um ato jurídico praticado EXCLUSIVAMENTE POR PESSOAS JURÍDICAS, em decorrência de deliberação soberana e por maioria, da assembleia- geral das duas COMPANHIAS (pessoas jurídicas) pelo que, é juridicamente impossível atribuir o “aumento de capital” ocorrido em decorrência desse ato, na empresa incorporadora, como sendo uma transferência de bens e/ou direitos de pessoa física para a integralização de capital em uma pessoa jurídica; h) Ao contrário da informação prestada pelo agente fiscal, NÃO SE APLICA o disposto no art. 23, § 2°, da Lei 9.249/95, razão pela qual, NÃO HÁ possibilidade de “visualização do incremento patrimonial de R$ 87.690.923,31, advindo da incorporação das ações da Dudalina pela Restoque (R$ 94.914.304,80 – R$7.223.381,49 = R$ 87.690.690.923,31).”, simplesmente por que as participações detidas antes de 31/10/2014, entre ações da “Dudalina”, da “Villapar” e da “Adropar”, convertidas em 705.283 ações da “Dudalina S/A”, possuíam um custo de aquisição de R$ 7.223.381,49 (aprox. R$ 10,2418 por ação Dudalina) e, as aludidas ações foram “substituídas” em absoluta e perfeita equivalência, em operação entre pessoas jurídicas, por 9.305.324 ações da Restoque ao custo de aquisição de R$ 7.223.381,49 (aprox.. R$ 0,7762633 por ação Restoque). i) No caso dos autos, tanto as ações detidas antes de 31/10/2014 da “Dudalina S/A”, quanto as ações detidas na empresa “Adropar Participações S/A”, sabidamente foram adquiridas muito antes de 1983 (a apurar da Villapar), sendo os seus ajustes ao longo do Fl. 1250DF CARF MF Original Fl. 5 da Resolução n.º 2402-001.224 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11516.723691/2018-67 tempo, vinculadas a bonificações decorrentes de aumentos de capital por conta de aproveitamento de “Reservas de Lucros” e, “Reservas para Aumento de Capital decorrentes dos efeitos de “correção monetária de balanço”, que não podem ser consideradas “novas aquisições” e sim meras decorrências da participação original detida, cuja proporção não se alteraram; j) o Decreto-Lei nº 1.510, de 1976, estabelece, em seu artigo 4º, isenção do imposto de renda sobre lucro auferido em participação societária, esclarecendo, na 2ª parte do seu artigo 5º, que as bonificações são adquiridas, a custo zero, às datas de subscrição ou aquisição das participações a que corresponderem. Isso significa, em termos práticos, que: (a) a tributação/isenção se refere ao lucro na alienação de participação societária, e não a ágio na alienação de ações ou cotas societárias que não correspondem a aumento de participação societária; e (b) as bonificações, justamente por não decorrer de aumento de participação societária, presumem-se adquiridas (b.1) a custo zero, e (b.2) na data da aquisição societária a que correspondem, ou seja, não são consideradas autonomamente, mas como acessório de aquisição societária anterior. Pediu ainda a conexão do presente processo administrativo com o processo administrativo nº nº 11516.723572/2018-12, em nome do RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO, por tratarem de idêntica matéria e do mesmo fato. Não foram alegadas quaisquer eventuais ilegalidades ou irregularidades tanto no AUTO DE INFRAÇÃO quanto no ACÓRDÃO recorrido, limitando-se a inconformidade a matéria de DIREITO. Não houve requisição dos autos para apresentação de contrarrazões pela PGFN. Eis o relatório. VOTO Conselheiro José Márcio Bittes, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Conversão do julgamento em diligência. Tendo em vista o ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 12, DE 25/06/2018, que isenta do imposto de renda sobre ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por pelo menos cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, encaminha-se o presente processo para que a unidade de origem verifique se os fatos relatados nos autos não se subsomem nesta previsão. Em seguida, dê ciência ao Sujeito Passivo da conclusão, abrindo-lhe prazo de 30 dias para manifestação e, posteriormente, retorne os autos devidamente instruídos ao CARF para novo julgamento. (documento assinado digitalmente) José Márcio Bittes Fl. 1251DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 16682.904628/2012-36
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2023
Numero da decisão: 1002-000.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem elabore relatório circunstanciado e definitivo sobre o crédito postulado, podendo a autoridade administrativa intimar o Recorrente a apresentar cópia integral da escrituração contábil-fiscal do período-base examinado e outras informações que julgar oportunas, certificando, ainda, se o valor vindicado já foi compensado ou restituído em outros processos do mesmo contribuinte.
(documento assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral, Fellipe Honório Rodrigues da Costa e Miriam Costa Faccin.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 20 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202304
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 16682.904628/2012-36
anomes_publicacao_s : 202305
conteudo_id_s : 6850344
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 1002-000.419
nome_arquivo_s : Decisao_16682904628201236.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : AILTON NEVES DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 16682904628201236_6850344.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem elabore relatório circunstanciado e definitivo sobre o crédito postulado, podendo a autoridade administrativa intimar o Recorrente a apresentar cópia integral da escrituração contábil-fiscal do período-base examinado e outras informações que julgar oportunas, certificando, ainda, se o valor vindicado já foi compensado ou restituído em outros processos do mesmo contribuinte. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral, Fellipe Honório Rodrigues da Costa e Miriam Costa Faccin.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2023
id : 9896686
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Sat May 20 09:03:47 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1766403270780125184
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-05-12T17:18:16Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-05-12T17:18:16Z; Last-Modified: 2023-05-12T17:18:16Z; dcterms:modified: 2023-05-12T17:18:16Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-05-12T17:18:16Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-05-12T17:18:16Z; meta:save-date: 2023-05-12T17:18:16Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-05-12T17:18:16Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-05-12T17:18:16Z; created: 2023-05-12T17:18:16Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2023-05-12T17:18:16Z; pdf:charsPerPage: 2414; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-05-12T17:18:16Z | Conteúdo => 00 SS11--TTEE0022 MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA EECCOONNOOMMIIAA CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 16682.904628/2012-36 RReeccuurrssoo Voluntário RReessoolluuççããoo nnºº 1002-000.419 – 1ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária SSeessssããoo ddee 20 de abril de 2023 AAssssuunnttoo DILIGÊNCIA RReeccoorrrreennttee BRASKEM QPAR S/A IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem elabore relatório circunstanciado e definitivo sobre o crédito postulado, podendo a autoridade administrativa intimar o Recorrente a apresentar cópia integral da escrituração contábil-fiscal do período-base examinado e outras informações que julgar oportunas, certificando, ainda, se o valor vindicado já foi compensado ou restituído em outros processos do mesmo contribuinte. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral, Fellipe Honório Rodrigues da Costa e Miriam Costa Faccin. Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/POA. Trata-se de processo de PER/DCOMP Eletrônico relativo à declaração de compensação de nº 18617.95461.130911.1.3.04-9878, transmitida pelo contribuinte em 13/09/2011 (fls. 16 a 21). De acordo com o informado no PER/DCOMP, a empresa teria direito a um crédito original de CSRF de R$ 45.563,11 (valor corrigido de R$ 49.021,35), referente ao Código de Receita 5952 para o período de apuração da 2ª quinzena de dezembro de 2010. O crédito foi integralmente utilizado nesse PERDCOMP para compensar débitos de tributos. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório não homologando a declaração de compensação, tendo em vista que o DARF recolhido de R$ 47.823,03, relativo à 2ª quinzena de dezembro de 2010, já teria sido integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação (fl. 81). RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .9 04 62 8/ 20 12 -3 6 Fl. 630DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 1002-000.419 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 16682.904628/2012-36 Foi dada ciência em 14/11/2012 do Despacho Decisório (fl. 85) e o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 12/12/2012 (fls. 4 a 12). Em tal manifestação a empresa em síntese alega que cometeu erro no preenchimento da DCTF, visto que seu débito de CSRF seria de R$ 393.931,41, e não do valor declarado de R$ 439.494,52. Tal erro não teria o condão de afastar o direito creditório pleiteado. Cita a Instrução Normativa nº 900/2008, a qual condicionava o reconhecimento do direito creditório a apresentação de documentos comprobatórios. Diz que se tivesse recebido intimação para apresentação dos documentos, teria prontamente atendido, e que isso geraria a nulidade do Despacho Decisório. Aponta que o erro de apuração se deveu, além do erro de preenchimento da DCTF, ao pagamento em duplicidade dos serviços prestados pela empresa Montik Comércio e Montagens Industriais. POR FIM, requer o provimento de sua manifestação de inconformidade, reformando-se o Despacho Decisório para reconhecer integralmente o crédito oriundo do pagamento a maior da ordem de R$ 45.563,11, com a consequente homologação da compensação declarada. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/POA, conforme acórdão n. 10-063.799 (e-fl. 96), que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 16/12/2010 a 31/12/2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO NA FONTE INDEVIDA OU A MAIOR. EFETIVIDADE DO RECOLHIMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. DEVOLUÇÃO AO BENEFICIÁRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. PARTE ILEGÍTIMA PARA O PLEITO. Comprovada nos autos a efetividade do recolhimento do tributo retido indevidamente, há que se considerar existente crédito passível de restituição. Contudo, a fonte pagadora não é parte legítima para pleitear a restituição, haja vista que não restou comprovada a devolução ao beneficiário do tributo retido indevidamente. DCTF E DARF. CONCORDÂNCIA COM O DESPACHO DECISÓRIO. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova - certeza e liquidez, não é suficiente para reformar a decisão de compensação. Ainda mais quando a declaração espontânea apresentada - DCTF, e o recolhimento em DARF, estão de acordo com o valor considerado pela DRF de origem. Irresignado, o ora Recorrente apresenta Recurso Voluntário (e-fls. 108), no qual expõe os fundamentos de fato e de direito a seguir sintetizados: Como preliminar de mérito, defende a nulidade do Despacho Decisório Eletrônico, arguindo que “Os atos das autoridades administrativas são vinculados e não discricionários, devem ser praticados sob a determinação de uma disposição legal que predetermina, objetiva e completamente, o comportamento a ser adotado na situação descrita, como ocorre na hipótese em comento, em que a norma determina, em casos de dúvida, a prévia intimação do contribuinte para apresentação de documentos comprobatórios de seu crédito.” Fl. 631DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 1002-000.419 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 16682.904628/2012-36 Aduz que “...face à ausência de cumprimento ao art. 65 da IN 900/2008, uma vez que a Recorrente não foi previamente intimada a prestar esclarecimentos, deve ser reconhecida de plano a nulidade do despacho decisório em vistas do cerceamento do direito de defesa da ora Recorrente, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72.” No mérito, relata que “A despeito de o valor total de débitos atinentes a CSRF do período de dezembro de 2010 somar a quantia de R$ 393.931,41, a Recorrente equivocadamente declarou em sua DCTF que o débito era de R$ 439.494,52” e que “O equivocado valor de R$ 439.494,52 nasceu justamente da declaração em duplicidade da retenção oriunda do pagamento feito à empresa Montik Comércio e Montagens Industriais, o que gerou o consequente recolhimento a maior.” Acrescenta que “O pagamento a maior se deu porque a Recorrente efetivamente recolheu aos cofres públicos o valor R$ 439.494,52, mediante a quitação de dois DARFs distintos, um no valor de R$ 393.931,41 e outro no valor de R$ 45.563,11, ora anexados aos autos.” É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva - Relator Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23-B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF) e da Portaria CARF nº 6786/2022. Demais disso, entende-se que o Recurso, embora seja tempestivo e atenda aos demais requisitos de admissibilidade, não se encontra em condições de julgamento, conforme se explica a seguir. Constata-se que o ora Recorrente não teve deferido o pedido de restituição constante do PER/DCOMP nº 18617.95461.130911.1.3.04-9878, conforme mostra o excerto seguinte do Despacho Decisório Eletrônico: Fl. 632DF CARF MF Original Fl. 4 da Resolução n.º 1002-000.419 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 16682.904628/2012-36 Como se observa, o suposto crédito informado no mencionado PER/DCOMP teria decorrido de pagamento indevido ou a maior, e o indeferimento do pedido deveu-se ao fato de o crédito pretendido ter sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte. A DRJ, por sua vez, denegou o pleito do então manifestante, aduzindo, em síntese, que a retificação da DCTF ocorreu em momento posterior ao da emissão do Despacho Decisório Eletrônico e que não foi anexada escrituração contábil que evidenciasse o direito ao crédito. Pois bem. O entendimento deste relator sobre a matéria, já manifestado em outros julgamentos de mesma natureza, é que a análise da legitimidade do direito creditório ora postulado não pode ser sumariamente descartada pelo só fato de o requerente ter deixado de apresentar tempestivamente declarações retificadoras em substituição às maculadas por erro formal de preenchimento. A análise da postulação, nesse caso, requer a comprovação idônea e irretorquível do erro cometido, por qualquer dos meios jurídicos disponíveis, de modo a permitir a formação de firme convicção do julgador e solucionar a lide. A própria Administração Tributária parece referendar este entendimento no Parecer Normativo nº 02/2015, quando afirma que "...a não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazê-la em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios". Calcado nessa diretriz, vejo plausibilidade nas alegações do Recorrente quanto à existência do crédito pleiteado e do erro de preenchimento da DCTF, conforme se depreende dos documentos anexados no Recurso: - às e-fls. 570 foi juntado balancete do período-base examinado – dezembro de 2010; - às e-fls. 30 consta a nota fiscal com registro da operação da qual teve origem o suposto pagamento em duplicidade; - às e-fls. 123 consta registro da nota de crédito em favor da Montik Comércio e Montagens Industriais, que, segundo o Recorrente, serve de comprovação da devolução do valor indevidamente retido à empresa prestadora de serviço; - às e-fls. 28 e 29 foram juntados 2 (dois) DARF de recolhimento que comprovariam o recolhimento em duplicidade; - às e-fls. 381 foi juntado razão contábil da conta 2104019906 – Retenção PIS/COFINS/CSLL do período-base examinado; Embora não sejam suficientes à formação de juízo conclusivo quanto à existência do crédito vindicado, tais elementos configuram um princípio de prova que pode (ou não) ser corroborado por declarações e livros contábeis e ficais de posse do contribuinte, como a DIPJ, Diário e Lalur. Por isso, considero justo facultar-lhe oportunidade de comprovar, por outros meios que não exclusivamente a DCTF retificada a destempo, o crédito decorrente do recolhimento em duplicidade arguido. Nesse contexto, voto por baixar o processo em diligência junto à Unidade de Origem para que elabore relatório circunstanciado e definitivo sobre o crédito postulado, podendo a autoridade fiscal intimar o Recorrente à apresentação de cópia integral da escrituração Fl. 633DF CARF MF Original Fl. 5 da Resolução n.º 1002-000.419 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 16682.904628/2012-36 contábil-fiscal do período-base examinado e outras informações que julgar oportunas, certificando, inclusive, se o valor vindicado já foi compensado ou restituído em outros processos do mesmo contribuinte. Após, os sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado da diligência para, se desejar, apresentar manifestação a respeito dela, devendo os autos, então, retornar a este Relator para prosseguimento. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 634DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 11030.000977/2008-51
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO.
DESCRIÇÃO SUFICIENTE DOS FATOS. INEXISTÊNCIA DE
CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA DA INTERESSADA.
CAUSA DE NULIDADE NÃO MATERIALIZADA.
O direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, segundo o qual, com respeito à nulidade do processo, somente àquela que sacrifica os fins de justiça deve ser declarada pela autoridade julgadora.
A nulidade por cerceamento ao direito de defesa exige seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito por parte do sujeito passivo.
Não há nulidade quando a autoridade fiscal, de forma suficiente, demonstra os motivos pelos quais indeferiu o pleito da interessada, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa que são assegurados ao administrado pela Constituição Federal, direito este cujo exercício restou
materializado nas alegações aduzidas na peça recursal.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
PIS/PASEP. REGIME DE APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVA.
APLICAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE OS CRÉDITOS.
IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL.
Em função da vedação legal objeto do artigo 13 da Lei n° 10.833/03, c/c artigo 15, inciso VI, da mesma Lei, é inaplicável a correção monetária ou a incidência de juros sobre os créditos apurados no regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP E DA COFINS.
CRÉDITOS APURADOS EM RELAÇÃO A CUSTOS, DESPESAS E
ENCARGOS VINCULADOS A VENDAS PARA O MERCADO
INTERNO. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS
APENAS PARA A DEDUÇÃO DA CORRESPONDENTE
CONTRIBUIÇÃO DEVIDA.
A legislação concernente ao regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS autoriza o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, ressalvadas determinadas condições em que aduzido direito não é permitido, nos termos das leis instituidoras do referido regime.
Os créditos apurados dessa forma deverão ser utilizados, prioritariamente, para a dedução do valor devido das correspondentes contribuições a recolher.
Relativamente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados a receitas de exportação ou a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não-incidência
das contribuições em tela, a lei autoriza sua utilização para a compensação com outros tributos administrados pela RFB, ou ainda, mediante ressarcimento em espécie, caso não seja possível a utilização dos créditos para a dedução das contribuições a recolher até o final de cada trimestre do ano civil.
No entanto, o direito à ampla compensação ou ao ressarcimento em espécie não existe em relação às vendas efetuadas para o mercado interno, mesmo diante do fato de o produto estar sujeito a redução da base de cálculo da contribuição, posto que aludida redução não caracteriza hipótese de isenção ou de não-incidência
tributária, condições estas que estão albergadas pelo direito referenciado, nos termos ressaltados.
Assim, relativamente aos créditos do PISPasep e da COFINS não-cumulativos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados às vendas para o mercado interno, tais créditos poderão ser utilizados, tão-somente, para a dedução da correspondente contribuição devida.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-000.428
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade aduzida pela interessada e, no mérito, para negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 20 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 201104
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. DESCRIÇÃO SUFICIENTE DOS FATOS. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA DA INTERESSADA. CAUSA DE NULIDADE NÃO MATERIALIZADA. O direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, segundo o qual, com respeito à nulidade do processo, somente àquela que sacrifica os fins de justiça deve ser declarada pela autoridade julgadora. A nulidade por cerceamento ao direito de defesa exige seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito por parte do sujeito passivo. Não há nulidade quando a autoridade fiscal, de forma suficiente, demonstra os motivos pelos quais indeferiu o pleito da interessada, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa que são assegurados ao administrado pela Constituição Federal, direito este cujo exercício restou materializado nas alegações aduzidas na peça recursal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PIS/PASEP. REGIME DE APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE OS CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. Em função da vedação legal objeto do artigo 13 da Lei n° 10.833/03, c/c artigo 15, inciso VI, da mesma Lei, é inaplicável a correção monetária ou a incidência de juros sobre os créditos apurados no regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP E DA COFINS. CRÉDITOS APURADOS EM RELAÇÃO A CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS VINCULADOS A VENDAS PARA O MERCADO INTERNO. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS APENAS PARA A DEDUÇÃO DA CORRESPONDENTE CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. A legislação concernente ao regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS autoriza o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, ressalvadas determinadas condições em que aduzido direito não é permitido, nos termos das leis instituidoras do referido regime. Os créditos apurados dessa forma deverão ser utilizados, prioritariamente, para a dedução do valor devido das correspondentes contribuições a recolher. Relativamente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados a receitas de exportação ou a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não-incidência das contribuições em tela, a lei autoriza sua utilização para a compensação com outros tributos administrados pela RFB, ou ainda, mediante ressarcimento em espécie, caso não seja possível a utilização dos créditos para a dedução das contribuições a recolher até o final de cada trimestre do ano civil. No entanto, o direito à ampla compensação ou ao ressarcimento em espécie não existe em relação às vendas efetuadas para o mercado interno, mesmo diante do fato de o produto estar sujeito a redução da base de cálculo da contribuição, posto que aludida redução não caracteriza hipótese de isenção ou de não-incidência tributária, condições estas que estão albergadas pelo direito referenciado, nos termos ressaltados. Assim, relativamente aos créditos do PISPasep e da COFINS não-cumulativos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados às vendas para o mercado interno, tais créditos poderão ser utilizados, tão-somente, para a dedução da correspondente contribuição devida. Recurso a que se nega provimento.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
numero_processo_s : 11030.000977/2008-51
conteudo_id_s : 6846920
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 15 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3802-000.428
nome_arquivo_s : Decisao_11030000977200851.pdf
nome_relator_s : FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
nome_arquivo_pdf_s : 11030000977200851_6846920.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade aduzida pela interessada e, no mérito, para negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
id : 9890561
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat May 20 09:03:40 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1766403270802145280
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2143; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 167 1 166 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.000977/200851 Recurso nº 876.234 Voluntário Acórdão nº 380200.428 – 2ª Turma Especial Sessão de 6 de abril de 2011 Matéria Ressarcimento PIS/Pasep Recorrente Comil Carrocerias e Ônibus Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. DESCRIÇÃO SUFICIENTE DOS FATOS. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA DA INTERESSADA. CAUSA DE NULIDADE NÃO MATERIALIZADA. O direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, segundo o qual, com respeito à nulidade do processo, somente àquela que sacrifica os fins de justiça deve ser declarada pela autoridade julgadora. A nulidade por cerceamento ao direito de defesa exige seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito por parte do sujeito passivo. Não há nulidade quando a autoridade fiscal, de forma suficiente, demonstra os motivos pelos quais indeferiu o pleito da interessada, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa que são assegurados ao administrado pela Constituição Federal, direito este cujo exercício restou materializado nas alegações aduzidas na peça recursal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PIS/PASEP. REGIME DE APURAÇÃO NÃOCUMULATIVA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE OS CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. Em função da vedação legal objeto do artigo 13 da Lei n° 10.833/03, c/c artigo 15, inciso VI, da mesma Lei, é inaplicável a correção monetária ou a incidência de juros sobre os créditos apurados no regime da não cumulatividade do PIS/Pasep. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 Fl. 202DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 19/04/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 2 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP E DA COFINS. CRÉDITOS APURADOS EM RELAÇÃO A CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS VINCULADOS A VENDAS PARA O MERCADO INTERNO. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS APENAS PARA A DEDUÇÃO DA CORRESPONDENTE CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. A legislação concernente ao regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS autoriza o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, ressalvadas determinadas condições em que aduzido direito não é permitido, nos termos das leis instituidoras do referido regime. Os créditos apurados dessa forma deverão ser utilizados, prioritariamente, para a dedução do valor devido das correspondentes contribuições a recolher. Relativamente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados a receitas de exportação ou a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência das contribuições em tela, a lei autoriza sua utilização para a compensação com outros tributos administrados pela RFB, ou ainda, mediante ressarcimento em espécie, caso não seja possível a utilização dos créditos para a dedução das contribuições a recolher até o final de cada trimestre do ano civil. No entanto, o direito à ampla compensação ou ao ressarcimento em espécie não existe em relação às vendas efetuadas para o mercado interno, mesmo diante do fato de o produto estar sujeito a redução da base de cálculo da contribuição, posto que aludida redução não caracteriza hipótese de isenção ou de nãoincidência tributária, condições estas que estão albergadas pelo direito referenciado, nos termos ressaltados. Assim, relativamente aos créditos do PISPasep e da COFINS não cumulativos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados às vendas para o mercado interno, tais créditos poderão ser utilizados, tão somente, para a dedução da correspondente contribuição devida. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade aduzida pela interessada e, no mérito, para negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. EDITADO EM: 12/04/2011 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros José Fernandes do Nascimento e Tatiana Midori Migiyama. Fl. 203DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 19/04/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 11030.000977/200851 Acórdão n.º 380200.428 S3TE02 Fl. 168 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ Santa Maria (fls. 119/137), a qual, por unanimidade de votos, não acolheu os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra despacho decisório que reconhecera apenas em parte pleito relacionado a direito creditório relativo ao PIS nãocumulativo de competência do 2o trimestre de 2007. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento eletrônico transmitido pela contribuinte em 18/07/2007 relativo a valores de PIS não cumulativo (mercado interno) referente ao segundo trimestre de 2007, totalizando o montante de R$ 25.017,07, conforme documentos de fls. 02/03 e 09/11. O processo foi encaminhado à SAFIS da DRF de origem para verificação da legitimidade do crédito pleiteado (fl. 04), tendo sido realizada a necessária fiscalização, emitindose Termo de Início do Procedimento Fiscal e procedendose às verificações entendidas cabíveis, tendo sido produzido o Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal de fls. 54/57, com o demonstrativo de fl. 58, onde, em especial, assentaram os agentes fiscais: Dos créditos das matérias primas, insumos, etc, que a empresa empregou nos produtos e mercadorias exportados para o exterior, nos quais não há incidência do PIS, art. 5° da Lei n° 10.637/2002, a mesma poderá deduzir do valor da contribuição a recolher das demais operações; compensar com débitos próprios ou, no final do trimestre, caso não tenha conseguido utilizar o crédito, poderá solicitar seu ressarcimento §§ 1° e 2° da referida norma. (fls. 54/55) A interpretação do art. 16 da Lei n° 11.116 de 18/05/05 (...), não pode ser aplicada ao PIS nãocumulativo sobre o mercado interno para a Comil, com exceção das vendas a Zona Franca de Manaus, haja vista que as demais vendas por ela efetuadas não se enquadram no artigo 17 da Lei n° 11.033, de 21/12/2004, por não se tratar de suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, dos produtos e mercadorias vendidas no mercado interno. A redução da base de cálculo do PIS e da Cofins dada pelo Art. 1° da Lei n° 10.485/2002 não pode ser considerada uma isenção, haja vista que estes dois institutos jurídicos são distintos pelo 6° do Art. 150 da Constituição Federal (Emenda Constitucional n° 3 de 1993). A redução da base de cálculo não está citada no artigo 17 da Lei n°11.033/2004 e, portanto, não alcançada pelo Art. 16 da Lei n°11.116/2005. (fl. 56) DOS SALDOS ORIGINÁRIOS DO MERCADO INTERNO Quanto aos saldos dos créditos originários do mercado interno remanescente, a empresa poderá utilizar apenas para deduzir os débitos apurados da própria contribuição, pois nas normas legais não há previsão para compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal, tão pouco o seu ressarcimento em espécie. Fl. 204DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 19/04/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 4 (...) Diante disso, efetuamos a análise do demonstrativo do pedido de Ressarcimento de Crédito do PIS – mercado interno, listado nas folhas 09/11, com as planilhas do contribuinte, DACON, escrita contábil e documentação, realizados pelo critério de amostragem, tendo constatado a seguinte irregularidade: A contribuinte incluiu na base de cálculo dos créditos os valores de R$ 173.055,05, R$ 88.069,00 e R$ 61.478,00, dos meses de abril, maio e junho, respectivamente, provenientes de fretes marítimos internacionais prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, intermediados por Despachantes Aduaneiros, que atuam como representantes da contribuinte. Ocorre que tais serviços não são alcançados pela COFINS e pelo PIS, não havendo débito para os prestadores de serviços não há que se falar em crédito de PIS e COFINS para quem utiliza e paga tais serviços. (fl. 56) Na fl. 60 está anexado o Despacho Decisório DRF/PFO de 31/07/2008, onde o Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Passo Fundo (RS), observada a verificação efetuada na escrituração contábil e fiscal da empresa, conforme o Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, resolveu: a) glosar o valor de R$ 4.291,37 (quatro mil, duzentos e noventa e um reais e trinta e sete centavos), de acordo com as razões indicadas no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal; b) reconhecer à pessoa jurídica o direito creditório contra a Fazenda Pública da União no valor de R$ 20.725,70 (vinte mil, setecentos e vinte e cinco reais e setenta centavos), decorrente de estímulos fiscais na área do PIS nãocumulativo apurado no segundo trimestre de 2007 (abril a junho). Determinou fosse efetivado o processamento do ressarcimento do valor reconhecido nos termos das normas em vigor e cientificada a contribuinte do Despacho Decisório e do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal de fls. 54/58, comunicando o direito de impugnação no prazo legal. Foi anexada tela relativa ao Sistema PER/DCOMP, despacho e extratos contendo informações acerca da situação cadastral e fiscal da contribuinte. A seguir foi emitido o Despacho DRF/PFO de 11/09/2008 (autoriza a emissão de Ordem BancáriaOB – fls. 91/92), e a Comunicação de fl. 93, da qual a contribuinte tomou ciência em 19/09/2008 (própria fl. 93). Em 21/10/2008 a contribuinte apresentou, através de procurador (Instrumento Procuratório de fl. 117) a manifestação de inconformidade de fls. 95/116, argüindo o que, em síntese, está exposto a seguir: O PROCEDIMENTO FISCAL • através de despacho decisório, a fiscalização da DRF/Passo Fundo (RS) decidiu: a) glosar parte (R$ 4.291,37) dos créditos de PIS nãocumulativo objetos de pedido de ressarcimento (2° trimestrecalendário de 2007); Fl. 205DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 19/04/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 11030.000977/200851 Acórdão n.º 380200.428 S3TE02 Fl. 169 5 b) autorizar (deferir) a compensabilidade restrita desses créditos em face de débitos do próprio PIS, ou seja, reconheceu a quantificação do direito creditório (liquidez e certeza), discordando, tãosomente, quanto à modalidade de seu aproveitamento. • transcreve parte do ato decisório e registra, no concernente aos créditos do mercado interno (remanescentes), que a autoridade fiscal reconheceu a quantificação do direito creditório (liquidez e certeza), discordando, tãosomente, quanto à modalidade de seu aproveitamento, ou seja, só está autorizada a sua dedução com débitos do próprio PIS, se houver. BREVE SÍNTESE DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO • as glosas dissentidas foram levadas a efeito por duas razões distintas: a) créditos apurados no mercado interno em razão de vendas operadas com redução de base de cálculo; b) créditos calculados sobre fretes marítimos. • passa a recapitular as razões fiscais que deram lastro às glosas, referindo ao Termo de Verificação produzido pelos agentes fiscais. QUANTO AOS CRÉDITOS DO MERCADO INTERNO (REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO NA SAÍDA) • a Fiscalização calcou a não ressarcibilidade dos créditos, exclusivamente, em duas inconsistentes premissas: a) os créditos apurados sobre matériasprimas, insumos e materiais de embalagens e empregados nas mercadorias (carrocerias e ônibus) que foram objeto de exportação sob o beneficio da nãoincidência (imunidade), em conformidade com o art. 5° da Lei n° 10.637, de 2002, ou ainda, comercializados para a Zona Franca de Manaus (ZFM), mediante alíquota zero, podem ser ressarcidos; b) os créditos resultantes da mesma sistemática (não cumulatividade) que forem, ao contrário, objeto de vendas para o mercado interno sob o efeito da redução da base de cálculo e mantidos, nos termos do art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004, só poderão ser compensados com débitos do próprio PIS, ao suposto de uma dedução literal do art. 16 da Lei n° 11.116, de 2005, segundo a qual o ressarcimento só seria possível se a saída se desse nas hipóteses exonerativas ali mencionadas (suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência). • transcreve fragmento textual do Termo de Verificação produzido pelos agentes fiscais. QUANTO AOS CRÉDITOS DE FRETES MARÍTIMOS • a Fiscalização opinou pela glosa da totalidade dos créditos de PIS calculados (descontados) sobre dispêndios suportados com fretes marítimos internacionais necessários à remessa de ônibus/carrocerias para clientes sediados no mercado exterior, tal como autorizado pelo inciso IX do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003; Fl. 206DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 19/04/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 6 • transcreve parte do termo de verificação, entendendo que o raciocínio desenvolvido é infundado; • a Fiscalização procedeu ao que chamou de novo cálculo dos créditos apurados (segregados) nos mercados interno e externo, espelhandoo no demonstrativo das glosas (fl. 56). AS INCONSISTÊNCIAS DO DESPACHO DECISÓRIO (E DA FISCALIZAÇÃO QUE O PROCEDE) • o decisum e o termo de verificação fiscal em lide apresentam irregularidades e impropriedades de natureza factual e material que determinam a sua insubsistência. OS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS MANTIDOS EM RAZÃO DAS VENDAS NO MERCADO INTERNO SÃO LEGALMENTE RESSARCÍVEIS • o ponto nodal da discórdia fiscal reside em sustentar a impossibilidade de restituir as importâncias de créditos do PIS não cumulativo sob o inconsistente pretexto de que os créditos originados de vendas no mercado interno têm o aproveitamento vedado (aspecto material) pela modalidade restitutória, permitindose, somente, por meio de dedução com débitos da própria contribuição; • tal posição está sustentada naquilo que estabelecem os arts. 16 da Lei n° 11.116, de 2005, e 17 da Lei n° 11.033, de 2004, bem como o que preconiza o § 6° do art. 150 da CF, acrescido pela EC n° 3, de 1993, ou seja, apenas os créditos mantidos na saída em função de suspensão, isenção, aliquota zero ou nãoincidência seriam passíveis de ressarcimento, o que não seria o caso da redução da base de cálculo, ocorrente nas operações de venda das carrocerias ou ônibus no mercado interno; • a empresa discorda do posicionamento fiscal, porquanto a redução da base de cálculo é, sem dúvida, hipótese exonerativa equivalente à figura da isenção parcial, pelo que o despacho decisório é insubsistente; • a legislação de regência assegura o direito à restituição de créditos do PIS nas compras de insumos utilizados na industrialização de produtos ou mercadorias acumulados trimestralmente, notadamente em razão da impossibilidade de se valer de dedução ou compensação da própria contribuição social ou com quaisquer tributos administrados pela RFB, face ao amontoamento de créditos provocados pela preponderância de saídas imunizadas (vendas para o mercado externo ou ZFM), ou, ainda, pela própria saída com parcial incidência do tributo (caso das vendas realizadas no mercado interno); • refere ao art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004, dizendo que a manutenção do direito creditório ali disposta sequer foi objeto da dissonância fiscal, sendo que o valor apurado poderia ser deduzido dos débitos de PIS futuros, mediante simples encontro de contas (o que não será feito, eis que inexistem débitos de PIS e de COFINS); • nos termos do art. 16 da Lei n° 11.116, de 2005, quis o legislador ordinário impedir que os créditos ficassem inservíveis nos casos em que empresas, pela natureza particular de suas operações (exonerações totais ou parciais nas saídas), gerassem contínuo saldo credor da contribuição, o que, à mingua de débitos equivalentes, tornaria nulo o próprio direito de crédito concedido e inócua a sistemática da não cumulatividade engendrada no § 12 do art. 195 da CF; Fl. 207DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 19/04/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 11030.000977/200851 Acórdão n.º 380200.428 S3TE02 Fl. 170 7 • o beneficio fiscal trazido pelo inciso II, § 2°, do art. 1° da Lei n° 10.485, de 2002 – redução de base de cálculo – não tem o condão de interferir quanto à forma ou modalidade de aproveitamento dos créditos resultantes desta exoneração parcial, porquanto tais créditos, mantidos na exata medida em que a saída tenha se dado com a redução da base imponível do tributo, são resultado de uma modalidade que ataca o aspecto quantitativo do fato gerador, de forma a dispensar parcialmente o pagamento do tributo, afeiçoandose, à vista disso, como regra isentiva; • registra magistério de doutrinadores a propósito de isenções parciais, entendendo que as mesmas podem se revestir de diversas modalidades técnicas, determinadas segundo o elemento de quantificação da relação tributária que é utilizada para provocar o efeito liberatório desejado, podendo ocorrer sob a forma de uma bonificação na base de cálculo; • reproduz entendimento do STF de que redução da base de cálculo é caso de isenção parcial; • entende que no caso em tela a redução da base de cálculo (inciso II, § 2°, do art. 1° da Lei n° 10.485, de 2002) pertence ao gênero das regras isentivas, sendo forçoso reconhecer que o direito à devolução de créditos fiscais resultantes dessa benesse fiscal também se dê pela modalidade restitutória (ressarcimento), tal como autorizado pelo art. 16 da Lei n° 11.116, de 2005, combinado com o art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004; • ainda que isenção não fosse, o art. 1°, § 2°, inciso II, da Lei n° 10.485, de 2002, determina a nãoincidência da norma tributária sobre uma parcela do fato econômico ensejador do pagamento do tributo (fato gerador), donde decorre a absoluta aplicação do art. 16 da Lei n° 11.116, de 2005, ou seja, tem cabimento a recuperação total dos créditos descontados em operações anteriores por meio de ressarcimento; • no caso em tela, não se materializa no plano substancial a incidência ampla e total da lei tributária, porque a alíquota da contribuição ataca apenas parcialmente a base imponível da mesma, donde a obrigação tributária surge incompleta em razão de sua nãoincidência (parcial) preconizada pelo art. 1°, § 2°, inciso II, da Lei n° 10.485, de 2002; • como parte da base de cálculo é intributável, a contribuição não incide sobre o todo, caso em que a figura da nãoincidência outorga à empresa o inatacável direito ao pleno ressarcimento dos créditos acumulados ao final de cada trimestrecalendário; • refere ao § 6° do art. 150 da CF, dizendo que o mesmo determina ser indispensável, para fins de concessão dos direitos aos benefícios que enumera, veículo legislativo próprio (lei específica), nada exigindo ou ressalvando quanto à modalidade de aproveitamento dos créditos tributários: se por restituição ou compensação. Aponta entendimentos do Poder Judiciário e de doutrinadores; • não faz sentido algum a concessão ao direito de ressarcimento (restituição) a quem pode o mais – aquele que é agraciado com a isenção ou nãoincidência total do pagamento da contribuição na saída do produto de seu estabelecimento – e tolher (prejudicar) a fruição deste mesmo direito (ou a ele análogo) a quem pode o menos – aquele que é beneficiado apenas Fl. 208DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 19/04/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 8 com isenção ou nãoincidência parcial (redução de base de cálculo) do tributo em evidência na saída das mercadorias (produtos); • esta disparidade de critérios é inadmissível, desequilibrando e colidindo com os princípios da isonomia e seus consectários, proporcionalidade e razoabilidade, todos da CF de 1988, vetores a orientar o Sistema Tributário Nacional, inclusive o aplicador da lei fiscal; • não merece ser acolhida a distinção feita, devendo ser corrigido o Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal e, por conseqüência, o Despacho Decisório, por serem substancialmente inválidos, improcedentes, ilegais e, também, inconstitucionais, devendo eles se adequarem à melhor interpretação das normas, visandose resguardar o ressarcimento dos créditos já reconhecidos e quantificados, resultantes das vendas de ônibus ou carrocerias operadas no mercado interno. O DIREITO À COMPENSABILIDADE AMPLA DOS CRÉDITOS DE PIS/COFINS COM DÉBITOS TRIBUTÁRIOS DE NATUREZA DIVERSA • consectariamente e sem prejuízo dos vícios que apontou, entende que o seu direito é exeqüível, na hipótese, mediante autocompensação, nos moldes autorizados pelo art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 49 da Lei n° 10.637, de 2002; • os agentes fiscais concluíram no sentido de que os créditos mantidos em face da redução da base de cálculo a que alude a Lei n° 10.485, de 2002, somente serviriam para fins de dedução, sendo que tal compensabilidade autorizada é flagrantemente reducionista de direito subjetivo da empresa. Observa que nem mesmo uma lei complementar (CTN) pode reduzir, amesquinhar ou restringir o direito à compensação, sendo ela um livre exercício à hábil e célere via ressarcitória; • a concepção fiscal colide com lei ordinária federal autorizativa (art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996), que passou a permitir que o encontro de contas entre o sujeito passivo e ativo tributários se desse com quaisquer tributos; • a hodierna lei regulamentar do direito compensatório passou a permitir, expressamente, no vocábulo poderá, oporse crédito sem preferenciar a origem ou espécie, através de simples procedimento compensatório (autolançamento), desde que os débitos sejam próprios e administrados pela RFB. Registra lições de doutrinadores; • não merecem prevalecer, portanto, as restrições pretendidas pelos agentes fiscais, face à evidente otimização legal do ajuste de contas, ora previamente reconhecido; • o Despacho Decisório proferido pela autoridade administrativa faz uso de argumento até agora criticado, evidenciando a mávontade do Fisco Federal em devolver à empresa o que lhe é assegurado por direito, o que deve ser afastado pela DRJ. A AUTORIZAÇÃO LEGAL AO CREDITAMENTO E RESSARCIMENTO DO PIS SOBRE DESPESAS COM FRETE MARÍTIMO • em que pese a mais absoluta ausência de fundamentação legal, donde se reclama a nulidade do procedimento, se verifica que a discórdia Fl. 209DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 19/04/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 11030.000977/200851 Acórdão n.º 380200.428 S3TE02 Fl. 171 9 fiscal reside em obstaculizar os ressarcimentos de importâncias de créditos do PIS nãocumulativo apurados sobre despesas com fretes marítimos, sob o parco argumento de que tais serviços não estão alcançados pela COFINS e pelo PIS, não havendo débito para os prestadores de serviços não há que se falar em crédito de PIS e COFINS para quem utiliza e paga tais serviços; • o raciocínio fiscal está guiado para o campo da tributalidade, ou não, dos serviços de fretagem pela contribuição em tela, sendo que a empresa discorda dos motivos apontados pelo Fisco; • o PIS, desde a EC n° 42, de 2003, passou a figurar como contribuição social nãocumulativa (§ 12 do art. 195 da CF), o que impede, por força do art. 110 do CTN, qualquer alteração ou restrição infraconstitucional tendente a limitar a aplicabilidade daquela sistemática, ou seja, à luz do texto constitucional, a nova sistemática passou a permitir a manutenção e o crédito do tributo sobre a totalidade dos produtos ou bens adquiridos, sem exceção; • refere ao art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, dizendo que o mesmo assegura que a operação não pode ser onerada pelo custo representado pelo quantum do bem, serviço ou mercadoria adquirida; • a empresa apurou e escriturou créditos de PIS resultantes de despesas com fretes marítimos incorridas (pagas) nos anoscalendário de 2007 e 2008, porquanto tais operações se mostravam indispensáveis à vazão de suas carrocerias e ônibus para clientes sediados no exterior, sendo que os dispêndios com o transporte marítimo foram totalmente suportados pela empresa, na condição de vendedora; • a apuração de tais créditos encontra amparo expresso no inciso IX do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, havendo geração de direito ao creditamento da despesa correspondente, calculado sobre o valor dos fretes incorridos no mês; • a despesa passível de creditamento tem como requisitos únicos os dispostos no inciso II do § 3° do art. 3° daquela Lei (que reproduz), sendo que a empresa observou rigorosamente aqueles pressupostos, sobretudo porque os créditos do PIS constituídos no trimestrecalendário em testilha são indiscutivelmente decursivos de fretes marítimos adquiridos e pagos à pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil; • não há controvérsia fazendária sobre as circunstâncias da aquisição ou pagamento dos fretamentos terse dado junto à pessoa jurídica domiciliada no País, nem existe dissenso sobre o montante do crédito reclamado; • com o objetivo de permitir a melhor visualização dos fatos aduzidos, juntou em outros processos, por critério de amostragem e a título meramente exemplificativo, cópias de documentos que serviram de suporte aos lançamentos contábeis e à conseqüente constituição do crédito em foco; • não pode haver dúvidas acerca da regularidade dos créditos do PIS calculados sobre os fretes marítimos, seja porque foram eles adquiridos de pessoas jurídicas constituídas e operantes no País, seja porque foram pagos (creditados) às mesmas, também em território nacional, resultando Fl. 210DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 19/04/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 10 ser forçoso reconhecer que estão preenchidos todos os requisitos dos incisos I e II, § 3°, do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003; • só resta à empresa supor que a glosa levada a efeito pela Fiscalização encontra hipotético arrimo no estabelecido pelo inciso II, § 2°, do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, que reproduz, sendo a condicionante ali estabelecida inaplicável ao caso em tela, pela simples e notória razão de só ter lugar nas taxativas situações em que o serviço não alcançado pelo PIS tenha sido adquirido e revendido ou utilizado como insumo em produtos ou serviços do adquirente, igualmente intributáveis na saída; • entende, sem embargo de adquirir de e pagar a pessoas jurídicas nacionais pelos fretes marítimos, fator esse influente no custo do produto vendido (comercializado), que tais serviços jamais poderiam ser considerados insumos dos ônibus ou carrocerias exportados (assim imunes à incidência do tributo), mormente porque os ditos fretamentos não são aplicados, transformados fisicamente, ou mesmo consumidos no processo de industrialização desses bens. Registra pronunciamentos administrativos neste sentido; • qualquer outro juízo fiscal cujo intento seja o de elastecer o alcance da restrição contida na norma, esbarra no princípio da tipicidade cerrada (reserva legal) e nos rigores dos comandos prescritos pelos arts. 97, 142 e 108 e §§ do CTN; • conclui despontar cristalino o direito da empresa à apuração, constituição e aproveitamento dos créditos de PIS descontados sobre os fretes marítimos, tal como consentido pelo art. 3°, inciso IX, da Lei n° 10.833, de 2003, via compensação ou ressarcimento, nos moldes dos §§ 1° e 2°, art. 6°, do mesmo diploma legal, devendo ser afastadas as ilegais limitações impostas pela Fiscalização, por serem insubsistentes. DO DIREITO À CORREÇÃO/ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DOS CRÉDITOS RESSARCíVEIS • entende a empresa que os créditos objeto do pedido de ressarcimento devem receber atualização/correção monetária sobre a expressão da moeda nele vertida desde a data de sua constituição até a data do depósito bancário daqueles já ressarcidos ou daqueles que, desconstituídas as glosas aplicadas pela Fiscalização, porventura venham a sêlo; • entre os pedidos de ressarcimento e a data de disponibilização do numerário, geralmente perpassa longo tempo que, a despeito da apregoada falta de material humano nas estruturas da RFB, não pode a empresa ver seu crédito perder o valor de outrora pelos efeitos nefastos da corrosão inflacionária da moeda; • a incidência da correção monetária sobre determinado crédito tem o objetivo único de garantir a manutenção real de seu valor, atualizandoo de acordo com as oscilações inflacionárias que o afetam, não significando, portanto, uma majoração (plus) do próprio crédito; • registra entendimentos do Conselho de Contribuintes a propósito da incidência da SELIC sobre créditos passíveis de ressarcimento. Cita entendimento doutrinário; • a conivência em se aceitar que os valores devolvidos a destempo pela Fazenda Pública, observado o prazo legal para devolução, fossem Fl. 211DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 19/04/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 11030.000977/200851 Acórdão n.º 380200.428 S3TE02 Fl. 172 11 pagos sem a devida indexação, teria o mesmo efeito de tornar o contribuinte refém da morosidade administrativa, sendo ressarcido em importância sempre menor ao que justamente haveria de receber; • prestigiados assim os princípios da isonomia, da equidade e da repulsa ao enriquecimento sem causa, valores esses constitucionalmente consagrados e que a despeito de eventual alegação de ausência de previsão legal para a incidência de correção/atualização dos pedidos de ressarcimento, encontram primazia na aplicação dos instrumentos de integração da lei tributária no art. 108 do CTN; • conclui pela aplicação (analógica) ao Pedido de Ressarcimento em tela do que estabelecido na Lei n° 9.250, de 1995 (art. 39, § 4°) combinado com o Decreto n° 2.138, de 1997, e a Lei n° 8.383, de 1991 (art. 66), devendo os créditos resultantes deste processo fiscal sofrer correção/atualização pela SELIC desde a data do protocolo (entrega do PER/DCOMP) até o efetivo ressarcimento, por ser medida de justiça fiscal. PEDIDOS • ao finalizar, requer, cumulativamente ou alternativamente: a) seja recebida a impugnação (manifestação de inconformidade) e, tendo presentes os princípios insertos no art. 2° da Lei n° 9.784, de 1999, somado ao que dispõe o art. 50 do mesmo Diploma, se determine o seu regular processamento; b) seja declarado (julgado) nulo, inválido e/ou improcedente o Despacho Decisório (e o Termo de Verificação Fiscal que o precede), cassandose seus efeitos; c) seja declarado o direito creditório do PIS nãocumulativo, haurido na comercialização com o mercado interno, 2° trimestre de 2007, passível de ressarcimento, nos termos autorizados pelos arts. 17 da Lei n° 11.033, de 2004, e 16 da Lei n° 11.116, de 2005, bem ainda, subjacentemente, seja autorizada a compensação dos mesmos, nos moldes prescritos pelo art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, e alterações; d) seja declarado o direito creditório do PIS nãocumulativo calculado sobre os fretes marítimos, adquiridos e pagos consoante prescreve o inciso IX do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, passível de ressarcimento e/ou compensação, nos termos dos §§ 1° e 2° do art. 6° daquela mesma Lei, determinandose a insubsistência da glosa fiscal; e) seja deferido, em qualquer caso, a atualização/correção dos créditos hauridos deste processo fiscal pela taxa SELIC, nos termos propostos no subtítulo próprio. • pede deferimento. O Órgão de origem encaminhou o processo a esta DRJ (fl. 118). Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 212DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 19/04/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 12 Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. TERMO DE VERIFICAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não restando configuradas quaisquer das situações previstas na legislação pertinente, não há que se falar na possibilidade de declaração de nulidade ou invalidação de Despacho Decisório ou Termo de Verificação Fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. AFRONTA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Compete privativamente ao Poder Judiciário apreciar questões que envolvam inconstitucionalidade ou ilegalidade de atos legislativos ou normativos, bem como de afronta a princípios constitucionais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei n° 10.833, de 2003, não incide atualização ou correção monetária sobre os créditos de PIS apurados no regime da nãocumulatividade, passíveis de ressarcimento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PIS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS BÁSICOS. VENDAS NO MERCADO INTERNO. No regime nãocumulativo, os créditos decorrentes de vendas no mercado interno são passiveis, tão somente, de dedução do valor devido da contribuição. PIS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS RELATIVOS A SERVIÇOS DE FRETAMENTO. Os valores referentes aos fretes internacionais contratados para o transporte até o destinatário final de mercadorias vendidas para clientes no mercado externo, podem compor o somatório dos créditos a serem descontados do PIS, desde que prestados por pessoa jurídica domiciliada no País e cujo ônus seja do vendedor. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Cientificada da referida decisão em 24/02/2010 (fls. 139), a interessada, em 26/03/2010 (fls. 140), apresentou o recurso voluntário de fls. 140/165, onde se insurge contra a decisão recorrida com fundamento nos mesmos argumentos já expostos na primeira instância recursal, aduzindo em acréscimo, notadamente, que os pagamentos relativos aos fretes teriam sido realizados a pessoas jurídicas/sucursais domiciliadas no país, embora com sede no exterior, mas que isso não obstaculizaria o creditamento em litígio, amparado que estaria pela lei n° 10.833/03, em cuja redação inexistiria “[...] menção à ‘sede’ da pessoa jurídica contratada para o fretamento, conquanto esteja ela "domiciliada" no país!”. Diante do exposto, requer a reforma do acórdão vergastado para “JULGAR/DECLARAR:” Fl. 213DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 19/04/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 11030.000977/200851 Acórdão n.º 380200.428 S3TE02 Fl. 173 13 I) o "DESPACHO DECISORIO'' hostilizado, nos termos da fundamentação, INVÁLIDO e/ou IMPROCEDENTE, cassandolhe os efeitos; II) o direito creditório do PIS NÃOCUMULATIVO, haurido da comercialização com o mercado interno, 2° trimestre de 2007, passível de "ressarcimento", nos termos autorizados pelos arts. 17 da Lei n° 11.033/04 e 16 da Lei n° 11.116/05, bem ainda, subjacentemente, AUTORIZE a "compensação" dos mesmos, nos moldes prescritos pelo art. 74 da Lei n° 9.430/96 e alterações; III) o direito creditório do PIS NÃOCUMULATIVO calculado sobre os fretes marítimos, adquiridos e pagos consoante prescreve o inc. IX, art. 3°, da Lei n° 10.833/03, passível de "ressarcimento" e/ou "compensação", nos termos dos §§ 1° e 2°, art. 6°, do mesmo Diploma, determinando a insubsistência da glosa fiscal; IV) DEFIRA, em qualquer caso, a atualização/correção dos créditos hauridos deste processo fiscal pela taxa SELIC, nos termos propostos no subtítulo 5.3, retro. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Ainda em sede de preliminar, existe uma questão de nulidade a qual, adianto, está afastada, mas cujas razões serão demonstradas quando do exame do mérito, dado o liame que existe entre os argumentos em prol da nulidade apresentados pela recorrente e as questões relativas aos fundamentos da lide analisadas. Conforme relatado, vêse que a contenda envolve discussão acerca de pedido de ressarcimento de créditos de PIS/Pasep nãocumulativo – mercado interno, de competência do segundo trimestre de 2007, onde parte do direito creditório não foi reconhecido em decorrência da exclusão da base de cálculo dos valores correspondentes às despesas com fretes marítimos internacionais prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, despesas estas não alcançadas pela COFINS e pelo PIS. Com respeito à parcela do crédito homologada pela autoridade administrativa – a maior parte do pleito –, seu aproveitamento ficou restrito apenas à compensação com débitos do próprio PIS, restrição esta fundamentada em exegese do artigo 16 da Lei n° 11.116/05, c/c artigo 17 da Lei n° 11.033/04 e § 6° do artigo 150 da Constituição Federal. Relativamente à parcela do crédito homologada, segundo o raciocínio aplicado, a ampla compensação ou o ressarcimento só seriam admitidos se as saídas tivessem sido destinadas para o mercado exterior – posto que a situação estaria amparada pelos §§ 1o e 2o do artigo 5o da Lei 10.637/02 – ou se o caso pudesse ser enquadrado em hipótese de venda com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência, nos termos do artigo 17 da Lei no 11.033/04, uma vez que o artigo 16 da Lei n° 11.116/05 garantia o mesmo direito. Fl. 214DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 19/04/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 14 A primeira questão que necessita ser examinada diz respeito à existência ou não de direito a compensação com outros tributos federais, ou a ressarcimento, dos créditos do PIS decorrentes das vendas efetuadas no mercado interno com redução da base de cálculo. Para tanto, convém sejam feitas breves considerações acerca do regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e, também, da COFINS, dada a similitude entre os regimes de incidência nãocumulativa das referidas contribuições. O regime de incidência nãocumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS foi instituído, respectivamente, pelas leis nº 10.637, de 30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), e 10.833, de 29/12/2003 (conversão da medida Provisória no 135, de 2003), tendo passado a produzir efeitos, em relação à nãocumulatividade dessas contribuições – na mesma ordem – a partir de 1o de dezembro de 2002 e de 1o de fevereiro de 2004. Ressalvadas as exceções legais, estão sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda que apuram o IRPJ com base no lucro real. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS as alíquotas das contribuições em evidência são, em regra, de, respectivamente, 1,65% (artigo 2o da Lei no 10.637/2002) e 7,6% (artigo 2o da Lei no 10.833/2003). No entanto, as leis instituidoras do regime da nãocumulatividade prevêem hipóteses legais que ensejam a aplicação de bases de cálculo e de alíquotas específicas, nos termos dos parágrafos objeto dos correspondentes artigo 2o de cada uma das leis em comento, dentre as quais a condição prescrita pelo inciso III do § 1o dos respectivos artigo 2o (incluídos pela Lei nº 10.865, de 2004), que determina a aplicação do disposto no artigo 1o da Lei 10.485, de 3/07/2002, para os produtos ali elencados (onde se enquadra a mercadoria industrializada pela reclamante), dispositivo este que estipula a alíquota de 2% para o PIS/Pasep a ser aplicada sobre uma base de cálculo reduzida em 48,1%, conforme se observa abaixo: Lei 10.485, de 3/07/2002 Art. 1o As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 1o O disposto no caput, relativamente aos produtos classificados no Capítulo 84 da TIPI, aplicase, exclusivamente, aos produtos autopropulsados. § 2o A base de cálculo das contribuições de que trata este artigo fica reduzida: [...] II em 48,1% (quarenta e oito inteiros e um décimo por cento), no caso de venda de produtos classificados nos seguintes códigos da TIPI: 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 8702.10.00 Ex 02, 8702.90.90 Ex 02, 8704.10.00, 87.05 e 8706.00.10 Ex 01 Fl. 215DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 19/04/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 11030.000977/200851 Acórdão n.º 380200.428 S3TE02 Fl. 174 15 (somente os destinados aos produtos classificados nos Ex 02 dos códigos 8702.10.00 e 8702.90.90). A legislação pertinente ao regime autoriza, ainda, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos do artigo 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O cálculo do crédito é realizado mediante a aplicação das mesmas alíquotas específicas para o PIS/Pasep e para a COFINS sobre referidos custos, despesas e encargos (vide artigo 3o, § 1o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). Referidas leis, em seus correspondentes artigo 3o, § 2o, fazem ressalvas ao direito de creditamento em tela. Assim, não dará direito a crédito o valor da mãodeobra paga a pessoa física (hipótese prevista originariamente nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), bem como (e agora incluídas pela Lei 10.865/2004) as quantias despendidas na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, e aqui (isenção), quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. Doravante, voltaremos a essa questão. Os créditos apurados deverão ser utilizados, prioritariamente, para a dedução do valor devido das correspondentes contribuições a recolher. No caso de créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados a receitas de exportação, poderão tais créditos ser utilizados para a compensação com outros débitos da própria empresa, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Nesse caso, as leis instituidoras da nãocumulatividade admitem, ainda, o ressarcimento em dinheiro, caso não seja possível a utilização dos créditos para a dedução das contribuições a recolher até o final de cada trimestre do ano civil. Feitas as observações de natureza mais geral sobre o regime da não cumulatividade das contribuições sociais, passemos para os pontos especificamente relacionados à lide. Do alegado direito a ressarcimento em espécie ou para compensação com outros tributos dos créditos do PIS decorrentes das vendas efetuadas no mercado interno com redução da base de cálculo da contribuição A primeira questão posta em exame requer seja examinado se existe direito à compensação com outros tributos, ou para ressarcimento em espécie, dos créditos do PIS decorrentes das vendas efetuadas no mercado interno com redução da base de cálculo da contribuição em tela. Não há questionamento quanto ao direito de creditamento (a não ser em relação aos serviços de frete, problema adiante analisado), já que tal direito está claramente amparado pelo artigo 3o da mencionada Lei 10.637/02 (bem como pelo artigo 3o da Lei 10.833/03, no caso da COFINS). Com respeito às receitas decorrentes da prestação de serviços para o exterior com ingresso de divisas ou à exportação de mercadorias (ou operação equivalente), o artigo 5o da Lei 10.637/02 (bem como o artigo 6o da Lei 10.833/03, no caso da COFINS), ao estabelecer a nãoincidência da contribuição sobre aludidas receitas, autoriza, nessas hipóteses, a utilização dos créditos apurados na forma do artigo 3o, inclusive, por meio de compensação com débitos próprios de outros tributos administrados pela RFB ou ressarcimento em dinheiro, nos termos do referido dispositivo, abaixo reproduzido: Lei no 10.637, de 30/12/2002 Fl. 216DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 19/04/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 16 Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. [...] (grifos nossos) Além disso, nos termos do artigo 16 da Lei no 11.116, de 18/05/2005, o saldo credor da contribuição para o PIS/Pasep ou COFINS, apurado na forma do artigo 3o das Leis 10.637/02 e 10.833/03 (além do saldo pela incidência das referidas contribuições sobre as importações) em virtude do disposto no artigo 17 da Lei no 11.033, de 21/12/2004 (vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência das contribuições em tela) poderá também ser aproveitado da mesma forma que a prevista no artigo 5o da Lei 10.637/02 e artigo 6o da Lei 10.833/03, ou seja, mediante compensação com débitos próprios de outros tributos federais, ou ainda, ressarcimento em dinheiro, nos termos estabelecidos pelo comentado preceito legal, abaixo transcrito: Lei nº 11.116, de 18/05/2005 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. (grifo nosso) Fl. 217DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 19/04/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 11030.000977/200851 Acórdão n.º 380200.428 S3TE02 Fl. 175 17 Como se vê, o direito à utilização dos créditos do PIS e da COFINS para a compensação com débitos de outros tributos administrados pela RFB, assim como por meio de ressarcimento em dinheiro, é restrito para os casos em que aludidos créditos tiverem sido apurados na forma do artigo 3o das Leis 10.637/02 e 10.833/02, dentre outros, sobre custos, despesas e encargos necessários à fabricação de mercadorias exportadas ou à prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior cujo pagamento represente ingresso de divisas (§§ 1o e 2o do artigo 5o da Lei 10.637/02 e §§ 1o a 3o do artigo 6o da Lei 10.833/03), bem como em virtude de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência das contribuições em tela (artigo 16 da Lei no 11.116/05 c/c artigo 17 da Lei 11.033/04). No entanto, o crédito da contribuição objeto da lide decorre da aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos vendidos no mercado interno, condição que, conforme demonstrado, não encontra abrigo legal que garanta o direito à ampla compensação ou ao ressarcimento em dinheiro que a lei confere aos créditos apurados na fabricação de bens exportados. Resta examinar apenas se referidas alienações podem ser enquadradas como operações realizadas com isenção ou nãoincidência, como defende a empresa interessada. Neste comenos, também não há direito que ampare a tese aduzida pela recorrente, conforme fundamentos na sequência delineados. A isenção tributária, para os doutrinadores mais antigos (Rubens Gomes de Sousa, Amílcar de Araújo Falcão, Fábio Fanucchi, dentre outros), é a dispensa legal de pagamento de tributo devido. Segundo essa tese, na isenção ocorre o fato gerador, a incidência tributária e a materialização da obrigação tributária, que, no entanto, é dispensada pela lei isentiva. Não obstante as pesadas críticas contrárias a essa linha conceitual, não se pode negar que tal ideia está em sintonia com o artigo 175, inciso I, do CTN, que coloca a isenção como hipótese de exclusão do crédito tributário. Souto Maior Borges, por sua vez, defende que [...] nãoincidência, imunidade e isenção apresentam como nota comum a circunstância de, em face delas, não surgir o vínculo jurídico denominado incidência [...]. E, sem a incidência do tributo, não surge a obrigação tributária. (grifei) (BORGES, Souto Maior. Teoria geral da isenção tributária. Malheiros: São Paulo. 3.ed. 2001. p.190) Até aqui, nenhum problema com a doutrina contemporânea. Mas a recorrente, fundada exatamente em lição de Souto Maior Borges, além de Ives Gandra Martins e em jurisprudência do STF (para o ICMS), aduz que a hipótese normativa na qual se enquadra diz respeito às chamadas isenções parciais, onde “[...] surge o fato gerador da tributação, constituindose, portanto, a obrigação tributária, embora o quantum do débito seja inferior ao que normalmente seria devido se não tivesse sido estabelecido preceito isentivo” (conf. fls. 148). E assim, caracterizada a redução da base de cálculo como isenção, estaria a empresa amparada pelo direito de compensar os créditos do PIS com débitos de outros tributos administrados pela RFB, ou ainda, pelo direito ao ressarcimento em dinheiro, alicerçada que estaria pelo artigo 16 da Lei no 11.116/05, c/c artigo 17 da Lei no 11.033/04. Fl. 218DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 19/04/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 18 No entanto, não obstante a respeitável doutrina e jurisprudência em que a recorrente se alicerça, não há como se aceitar a tese da isenção parcial defendida pela mesma. Luciano Amaro leciona que a técnica da isenção “[...] consiste em estabelecer, em regra, a tributação do universo, e, por exceção, as espécies que ficarão fora da incidência, ou seja, continuarão não tributáveis. Essas espécies excepcionadas dizemse isentas” (Direito Tributário Brasileiro. 15. ed. São Paulo: Saraiva. 2009. p. 280) (grifei). Por sua vez, Paulo de Barros Carvalho explica a isenção tributária a partir da divisão das normas jurídicas em normas de comportamento e em normas de estrutura; nestas, inclui as regras de isenção, cuja forma de ação envolte o ataque a um ou mais dos critérios da norma, mutilandoos parcialmente. Ressalta o i. professor que a isenção subtrai parcela do campo de abrangência do critério do antecedente (p. ex., critério espacial) ou do consequente (p. ex., sujeito passivo) da norma jurídica tributária, impedindo o tributo de nascer (e aqui, entendase, de nascer na sua totalidade). Exatamente por isso é que não se pode confundir subtração do campo de abrangência do critério do antecedente ou do consequente com a redução (parcial, portanto) da base de cálculo ou da alíquota do tributo. Nesse sentido, postula que a diminuição que se processa no critério quantitativo, mas que não conduz ao desaparecimento do objeto, não é isenção – muito embora a doutrina a denomine de isenção parcial –, mas apenas providência modificativa que reduz o quantum do tributo que deve ser pago. Nas palavras do próprio autor: Não confundamos subtração do campo de abrangência do critério da hipótese ou da conseqüência com mera redução da base de cálculo ou da alíquota, sem anulálas. A diminuição que se processa no critério quantitativo, mas que não conduz ao desaparecimento do objeto, não é isenção, traduzindo singela providência modificativa que reduz o quantum do tributo que deve ser pago. O nome atribuído pelo direito positivo e pela doutrina é isenção parcial. (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 6. ed. São Paulo: Saraiva. 1993. p. 333334) (grifei) Seguindo essa mesma linha, e criticando a tese das isenções parciais (na qual se embasa intensamente a defesa da reclamante, como ressaltado), Sacha Calmon Navarro Coêlho: [...] à luz da teoria da norma jurídica tributária, a denominação isenção parcial para o fenômeno da redução parcial do imposto a pagar, através das minorações diretas de bases de cálculo e de alíquotas, afigura se absolutamente incorreta e inaceitável. A isenção ou é total ou não é, porque a sua essentialia consiste em ser modo obstativo ao nascimento da obrigação. Isenção é o contrário de incidência. As reduções, ao invés, pressupõem a incidência e a existência do dever tributário instaurado com a realização do fato jurígeno previsto na hipótese de incidência da norma de tributação. As reduções são diminuições no quantum da obrigação, via base de cálculo rebaixada ou alíquota reduzida. (grifo nosso) (COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Curso de direito tributário brasileiro. 9. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2008, p. 196) Portanto, seja admitindo a isenção como hipótese de exclusão do crédito tributário, seja aceitando a ideia de isenção como excludente da norma hipotética de incidência, no caso em exame – onde houve, tãosomente, uma redução da base de cálculo do PIS (em 48,1%, imposta pelo artigo 1o, inciso II, da Lei 10.485/02) e a estipulação de uma alíquota, inclusive, mais elevada que a ordinariamente estabelecida (2% contra 1,65%) –, não Fl. 219DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 19/04/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 11030.000977/200851 Acórdão n.º 380200.428 S3TE02 Fl. 176 19 há que se falar em isenção, já que todos os elementos necessários à constituição do crédito tributário – este, efetivamente existente – se fazem presentes. Aliás, e agora nos restringindo à tese da isenção como hipótese de dispensa legal de pagamento de tributo devido – na forma do CTN – a sustentabilidade lógica da proposição defendida pela reclamante necessitaria fossem alterados os fundamentos necessários à classificação da isenção como uma hipótese de exclusão do crédito tributário, estabelecida pelo artigo 175, I, do CTN, normativamente, portanto. Já a tese da isenção parcial requer, como condição sine qua non, seja afastada a incidência do tributo e o surgimento da obrigação tributária principal, criando o denominado fato gerador isento, previamente, pois, à materialização da obrigação tributária, posto que seria impraticável defender tal tese uma vez materializada, na sua totalidade, a obrigação tributária, que, neste caso, deveria subsistir apenas em parte. Enfim, a questão em exame representa exclusivamente o estabelecimento de base de cálculo e alíquota específicas visando reduzir a carga tributária de um particular seguimento da economia, o que, de forma alguma, se assemelha à isenção, posto que incompatível: a) com a tese mais tradicional – isenção como hipótese normativa de exclusão do crédito tributário (artigo 175, inciso I, do CTN); b) com a tese da isenção como excludente da norma hipotética de incidência – que exige seja a isenção conferida na sua totalidade. Aliás, a alteração da alíquota pode ocorrer não apenas para reduzir a carga tributária, mas também para aumentála (como não raro ocorre), o que põe por terra em definitivo a tese da isenção parcial. O caso em exame também não se enquadra como nãoinciência tributária, como, alternativamente, defende a reclamante. Redução de base de cálculo nada tem a ver com nãoincidência da norma tributária. A nãoincidência, como defende Sacha Coêlho, é um “nãoser”. Enquanto a isenção advém de norma positiva que estabelece condição onde a norma hipotética de incidência não tem alcance, na nãoincidência simplesmente não há norma, ou seja, o ato praticado é estranho ao campo da normatividade tributária. Exatamente por isso é que Geraldo Ataliba, de forma brilhante, comparava a nãoincidência ao nãocrime. Por seu turno, no caso presente, a própria redução da base de cálculo é suficiente para demonstrar de forma transparente a materialidade da hipótese de incidência, que, por alcançar a realidade fática, comprova não se enquadrar o fato no âmbito da não incidência tributária. Portanto, relativamente aos créditos do PIS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados a vendas efetuadas para o mercado interno com redução da base de cálculo, diante do fato de referida redução não se enquadrar como hipótese de isenção ou de nãoincidência tributária, concluise que não há amparo legal que possibilite a utilização desses créditos para fins de compensação com outros tributos federais, ou ainda, para ressarcimento em dinheiro. Assim, em relação a referidos créditos, cabível apenas sua utilização para dedução do próprio PIS devido pela empresa interessada. Negase, pois, provimento ao recurso neste âmbito. Da inaplicabilidade, ao caso, do direito prescrito pela Lei no 9.430/96 Fl. 220DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 19/04/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 20 Também não merece acolhida o argumento aduzido pela empresa recorrente concernente à alegada aplicabilidade ao caso do disposto no artigo 74 da Lei no 9.430/96. Com efeito, o caput do referido dispositivo, segundo redação dada pela Lei nº 10.637/02, garante o direito à compensação de créditos do contribuinte com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB, mas isso apenas em relação a créditos passíveis de restituição ou de ressarcimento, conforme se observa do preceito acima referenciado: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (grifo nosso) Como demonstrado, os créditos da reclamante não se enquadram como passíveis de restituição ou de ressarcimento, razão pela qual o artigo 74 da Lei no 9.430/96 não ampara o direito que a mesma alega fazer jus. Do alegado direito a creditamento do PIS pela realização de despesas com fretamento Conforme já revelado, a legislação pertinente ao regime da não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS autoriza o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos do artigo 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Referidas leis, no entanto, em seus correspondentes artigo 3o, § 2o (com as alterações implementadas pela Lei nº 10.865, de 2004), fazem ressalvas ao direito de creditamento em tela, como, por exemplo, aquela objeto de seu inciso II, segundo o qual não dará direito a crédito o valor “da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição”. Quanto às despesas com armazenagem e fretes, interessante observar que a possibilidade de utilização dessas despesas para fins de apuração de créditos decorrentes da nãocumulatividade do PIS e da COFINS se encontra explicitada no inciso IX do artigo 3o da Lei no 10.833/03 (relativa à COFINS nãocumulativa), inciso este que, por força do disposto no artigo 15, inciso II, da referida Lei, é aplicável também para o PIS/Pasep não cumulativo. Para maior clareza reproduzo os preceitos legais em comento: Lei 10.833/03 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1o e 10 a 20 do art. 3o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 221DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 19/04/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 11030.000977/200851 Acórdão n.º 380200.428 S3TE02 Fl. 177 21 A motivação arguida pela autoridade recorrida para indeferir o direito ao creditamento sobre referidas despesas foi a nãoincidência do PIS sobre os fretes marítimos internacionais prestados por empresas domiciliadas no exterior, conforme o seguinte trecho do relatório fiscal de fls. 56. A contribuinte incluiu na base de cálculo dos créditos os valores de R$ 173.055,05, R$ 88.069,00 e R$ 61.478,00, dos meses de abril, maio e junho, respectivamente, provenientes de fretes marítimos internacionais prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, intermediados por Despachantes Aduaneiros, que atuam como representantes da contribuinte. Ocorre que tais serviços não são alcançados pela COFINS e pelo PIS, não havendo débito para os prestadores de serviços não há que se falar em crédito de PIS e COFINS para quem utiliza e paga tais serviços. (fl. 56) (grifo nosso) Inicialmente, não se questiona que o ônus das operações com frete tenha sido integralmente suportado pela reclamante. Tal particularidade, inclusive, está explicitada no voto condutor do acórdão recorrido. O motivo para a glosa de tais despesas, como consignado no termo de verificação fiscal, foi a contratação de fretes com empresas domiciliadas no exterior. Com efeito, os incisos I e II do § 3o do artigo 3o restringem o direito ao crédito: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Ademais, prescreve o inciso II do § 2o do artigo 3o das Leis 10.637/02 e 10.833/03 (acima já referenciado): § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Contraditanto não haver desobedecido a esses preceitos, a reclamante insiste que os créditos do PIS em contenda advêm de fretes marítimos “adquiridos” e “pagos” a pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil. Especificamente, assevera que os pagamentos relativos aos fretes teriam sido realizados a pessoas jurídicas/sucursais domiciliadas no país, embora com sede no exterior, mas que isso não obstaculizaria o creditamento em litígio, amparado que estaria pela lei n° 10.833/03, em cuja redação inexistiria “[...] menção à ‘sede’ da pessoa jurídica contratada para o fretamento, conquanto esteja ela "domiciliada" no país!”. No entanto, segundo o termo de verificação fiscal e decisão vergastada, o agenciamento dos serviços de fretamento foi intermediado por despachantes aduaneiros e pessoas jurídicas que se dedicavam à atividade de agenciamento de fretes internacionais. Nesse diapasão, consta da decisão recorrida: Muito embora o ônus das operações de frete tenha sido suportado pela empresa (vendedora), se pode inferir pelos documentos de fls. 48/53 que o fretamento dos bens que vendeu ao mercado externo foram operados por empresas cuja sede está no exterior, sendo que, conforme informado pela Fl. 222DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 19/04/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 22 Fiscalização, o agenciamento daqueles serviços foram intermediados por despachantes aduaneiros que atuavam como representantes da contribuinte. Atentese que a empresa nada manifestou a este propósito em sua peça de descontentamento, sendo de ser salientado que daquilo que fundamentado pela Fiscalização, entendese que na verdade a contribuinte contratava, também, pessoas jurídicas domiciliadas no País que se dedicavam à atividade de agenciamento de fretes internacionais, fazendo o pagamento do serviço de transporte para elas. Nesse caso, é preciso ressaltar que tais agenciadores não prestam o serviço de transporte, não sendo eles os recebedores do pagamento por tais serviços. Na verdade os valores entregues para os agenciadores correspondem aos pagamentos dos transportadores, resultando que para atendimento da exigência legal (custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País), necessário se faz que o transportador (o prestador do serviço de transporte internacional) seja domiciliado no País. (grifo nosso) Sobre a questão, importa destacar que a recorrente não acostou aos autos nenhuma prova capaz de demonstrar que as empresas nacionais que receberam pelos serviços de frete teriam efetivamente prestado tais serviços, não tendo agido tãosomente como agenciadoras dos fretes. Em relação ao inciso II do § 2o do artigo 3o das Leis 10.637/02 e 10.833/03, acima reproduzido, entendo que, de fato, as despesas com frete não se enquadram na vedação ali contida, já que estas não se enquadram como insumos. Não obstante, a glosa dos valores correspondentes aos fretes internacionais encontra guarida no inciso II do § 3o do artigo 3o da Lei 10.637/02, já que não foram pagos a pessoa jurídica domiciliada no País, como demonstrado. Finalmente, e ainda em relação à glosa dos valores correspondentes a fretes, a reclamante alega nulidade do procedimento fiscal por falta de fundamentação legal. No procedimento fiscal vergastado, todavia, não se vislumbra a existência de qualquer vício capaz de fundamentar a nulidade do ato administrativo em questão. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as hipóteses de nulidade estão previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, que considera nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Neste comenos, é importante ressaltar que o direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, que traz como consequência, com respeito à nulidade do processo, que somente àquela que sacrifica os fins de justiça do processo deve ser declarada pela autoridade julgadora. Com efeito, a doutrina pátria é pacífica quando entende que a nulidade por cerceamento ao direito de defesa exige seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito por parte do sujeito passivo. Assim, não se declarará nulo nenhum ato processual quando este não causar prejuízo à parte ou ao acusado. E prejuízo à defesa, de fato, não houve, o que se extrai da minuciosa e pontual defesa apresentada pela interessada. Aliás, tanto no termo de verificação fiscal quanto no despacho decisório da DRF Passo Fundo são referenciadas as normas que tratam do regime da nãocumulatividade do PIS, notadamente a Lei 10.637/2002, informação que, associada aos claros motivos para a glosa das despesas com frete, contraditados pela reclamante, demonstram a ausência de razões capazes de sustentar a nulidade do procedimento. Fl. 223DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 19/04/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 11030.000977/200851 Acórdão n.º 380200.428 S3TE02 Fl. 178 23 Portanto, uma vez afastada a nulidade reclamada, e considerando que os fretes internacionais foram pagos a pessoa jurídica não domiciliada no país, legítima a glosa dos pagamentos em tela para fins de creditamento do PIS/Pasep. Da atualização dos créditos do PIS nãocumulativo pela taxa SELIC Relativamente aos argumentos aduzidos pela reclamante concernente à incidência da taxa SELIC, importa destacar que existe vedação legal expressa à correção dos créditos do PIS apurados no regime da nãocumulatividade pela referida taxa. Tal vedação, com efeito, está consignada no artigo 13 da Lei n° 10.833/03, que trata da COFINS não cumulativa, mas cujo preceito é também aplicável ao regime do PIS nãocumulativo por força do inciso VI do artigo 15 da mesma lei. Referidos preceitos encontramse abaixo transcritos: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Assim, não há como acolher o pleito da interessada nesse sentido. Da conclusão Por todo o exposto, voto, preliminarmente, para rejeitar a tese de nulidade aduzida pela interessada e, no mérito, para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela mesma. Sala de Sessões, em 06 de abril de 2011. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 224DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 19/04/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA
score : 1.0
Numero do processo: 13811.001522/2007-19
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2003
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PRÁTICA DE
ATO MERAMENTE FORMAL. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO.
A responsabilidade por descumprimento de obrigação acessória autônoma (de natureza meramente formal), sem vínculo com a existência do fato gerador do tributo, não se beneficia do efeito excludente relativo à denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN.
De acordo com a moldura fática delineada nos autos, deixou a recorrente de declarar corretamente o valor dos tributos devidos na DCTF, razão pela qual não se aplica ao caso o benefício da denúncia espontânea nem se exclui a multa moratória devida, em razão do pagamento do valor do tributo devido, o qual, ainda que realizado antes da apresentação da DCTF, ocorreu de forma
intempestiva.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-000.525
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, para negar
provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto vencedor objeto do presente julgado.
Vencido o Conselheiro Solon Sehn (relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Francisco José Barroso Rios.
Nome do relator: SOLON SEHN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 20 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 201106
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2003 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PRÁTICA DE ATO MERAMENTE FORMAL. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. A responsabilidade por descumprimento de obrigação acessória autônoma (de natureza meramente formal), sem vínculo com a existência do fato gerador do tributo, não se beneficia do efeito excludente relativo à denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN. De acordo com a moldura fática delineada nos autos, deixou a recorrente de declarar corretamente o valor dos tributos devidos na DCTF, razão pela qual não se aplica ao caso o benefício da denúncia espontânea nem se exclui a multa moratória devida, em razão do pagamento do valor do tributo devido, o qual, ainda que realizado antes da apresentação da DCTF, ocorreu de forma intempestiva. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
numero_processo_s : 13811.001522/2007-19
conteudo_id_s : 6852072
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 19 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3802-000.525
nome_arquivo_s : 380200525_13811001522200719_201106.pdf
nome_relator_s : SOLON SEHN
nome_arquivo_pdf_s : 13811001522200719_6852072.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, para negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto vencedor objeto do presente julgado. Vencido o Conselheiro Solon Sehn (relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Francisco José Barroso Rios.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
id : 5461157
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat May 20 09:03:38 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1766403270809485312
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1953; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 198 1 197 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13811.001522/200719 Recurso nº 893.398 Voluntário Acórdão nº 380200.525 – 2ª Turma Especial Sessão de 02 de junho de 2011 Matéria IOF DENÚNCIA ESPONTÂNEA Recorrente RHODIA POLIAMIDA E ESPECIALIDADES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PRÁTICA DE ATO MERAMENTE FORMAL. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. A responsabilidade por descumprimento de obrigação acessória autônoma (de natureza meramente formal), sem vínculo com a existência do fato gerador do tributo, não se beneficia do efeito excludente relativo à denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN. De acordo com a moldura fática delineada nos autos, deixou a recorrente de declarar corretamente o valor dos tributos devidos na DCTF, razão pela qual não se aplica ao caso o benefício da denúncia espontânea nem se exclui a multa moratória devida, em razão do pagamento do valor do tributo devido, o qual, ainda que realizado antes da apresentação da DCTF, ocorreu de forma intempestiva. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, para negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto vencedor objeto do presente julgado. Vencido o Conselheiro Solon Sehn (relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Francisco José Barroso Rios. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente Fl. 203DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/06/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/06/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Redator designado EDITADO EM: 24/06/2011 Participou, ainda, da presente sessão de julgamento, o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Tratase, o presente feito, de recurso voluntário interposto em face de decisão da 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas (SP), que, por unanimidade de votos, manteve parcialmente o crédito tributário impugnado, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Anocalendário: 2003 DCTF. REVISÃO INTERNA. IOF. MULTA DE MORA. SÚMULA N° 360 Superior Tribunal de Justiça (STJ): "O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". Rel. Min. Eliana Calmon, em 27/08/08. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A decisão recorrida entendeu cabível a multa de mora dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação e informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (Dctf). O sujeito passivo, nas razões recursais de fls. 126194, alega que o art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN) aplicase a qualquer tipo de multa. Aduz que o pagamento teria ocorrido antes da apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (Dctf), o que, de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), configura denuncia espontânea, afastando a incidência da multa de mora. Requerse o conhecimento e o integral provimento do recurso, para fins de reforma da decisão recorrida e conseqüente afastamento da exigência fiscal. É o relatório. Voto Vencido A ciência da decisão recorrida ocorreu em 28/10/2010 (fls. 124), ao passo que o recurso foi protocolizado em 25/11/2010 (fls. 126), dentro do prazo legal. A matéria em Fl. 204DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/06/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/06/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13811.001522/200719 Acórdão n.º 380200.525 S3TE02 Fl. 199 3 debate está inserida na competência da Terceira Seção, de sorte que, presentes os demais requisitos de admissibilidade, o recurso pode ser conhecido. No mérito, cumpre destacar que a denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do CTN, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da Dctf. Essa interpretação, embora questionada por parte da doutrina e da jurisprudência, foi consolidada pelo STJ no Recurso Especial no 886.462/RS: TRIBUTÁRIO. ICMS. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E NÃO PAGO NO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360∕STJ. 1 Nos termos da Súmula 360∕STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido . 2. Recurso especial parcialmente conhecido e, no ponto, improvido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08∕08. (STJ. 1 S. REsp 886.462/RS. Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008. Transitado em julgado em 01/12/2008). Referido recurso foi julgado nos moldes do regime previsto no art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), razão pela qual deve ser aplicado o art. 62A do Regimento Interno desse Conselho: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No caso em exame, o Recorrente apresentou (i) prova do pagamento do principal, acrescido de juros de mora; (ii) realizado no dia 07/01/2004, antes de qualquer providência fiscalizatória (fls. 100); (iii) cópia da Dctf originária, entregue em 12/02/2004 (fls. 93); e (iv) cópia da Dctf retificadora, em 04/10/2006 (fls. 96). A comparação destes dois últimos documentos mostra que o pagamento foi anterior a ambos. Encontramse presentes, portanto, os pressupostos do art.138 do CTN: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do Fl. 205DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/06/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/06/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Estando caracterizada a denúncia espontânea, não cabe a incidência de multa, punitiva ou moratória, inclusive porque, consoante destaca Robson Maia Lins, ambas têm a mesma configuração normativa: [...] embora com nomes distintos o pressuposto de ambas as multas é um descumprimento de um dever jurídico e o conseqüente é o pagamento de uma quantia em dinheiro. Não importa o nome: multa punitiva e multa moratória têm a mesma configuração normativa de sanção e por isso devem ser excluídas quando da denúncia espontânea (LINS, Robson Maia. A mora no direito tributário. Tese de Doutorado. Faculdade de Direito. PUC/SP. São Paulo, 2008, p. 245) 1. Essa tem sido a interpretação acolhida pela jurisprudência do STJ, consoante se depreende da leitura dos julgados a seguir: TRIBUTÁRIO PROCESSUAL CIVIL ART.138 DO CTN DENÚNCIA ESPONTÂNEA RECONHECIDA PELA CORTE A QUO TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – INOVAÇÃO RECURSAL IMPOSSIBILIDADE MULTA MORATÓRIA AFASTADA. 1. O acórdão recorrido entendeu caracterizada a denúncia espontânea evidenciando que: a) houve pagamento integral do tributo acrescido de multa de mora; b) a Fazenda não contestou o fato da inexistência de prévia fiscalização ou abertura de procedimento administrativo. 2. A Corte a quo não fez distinção entre a natureza do ato homologatório do tributo, se por homologação ou por outro meio, limitandose a interpretar o art. 138 do CTN. Tratase de inovação recursal insuscetível de conhecimento dada a ausência de prequestionamento. 3. É desnecessário fazer distinção entre multa moratória e multa punitiva, visto que ambas são excluídas em caso de configuração da denúncia espontânea. Precedentes. 4. Agravo regimental improvido. (STJ. 1ª T. AgRg no REsp 919.886/SC, Ministro HUMBERTO MARTINS, DJe 24/02/2010) [...] A denúncia espontânea autoriza o afastamento tanto da multa moratória quanto da multa punitiva, pois o art. 138 do Código Tributário NacionalCTN não veicula qualquer distinção dessa natureza (STJ. 2ª T. REsp 1.086.051/SP. Rel. Min. Castro Meira. DJe 02/06/2010). 1 Disponível em: http://www.sapientia.pucsp.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=8261. Acesso: 12/05/2011. Fl. 206DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/06/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/06/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13811.001522/200719 Acórdão n.º 380200.525 S3TE02 Fl. 200 5 TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA. EXCLUSÃO. LEI 8.212/91, ART. 35, I. COMPATIBILIDADE COM O ART. 138 DO CTN. 1. É desnecessário fazer distinção entre multa moratória e multa punitiva, visto que ambas são excluídas em caso de configuração da denúncia espontânea. Precedentes. [...] (STJ. 1 T. REsp 774.058/PR. Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 15/10/2009). No mesmo sentido, destacamse os seguintes acórdãos do Carf: DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO. MULTA DE MORA. INAPLICABILIDADE. Se o débito é denunciado espontaneamento ao Fisco, acompanhado do correspondente pagamento do imposto corrigido e dos juros moratórios, é incabível a exigência de multa de mora, de vez que o art. 138 do CTN não estabelece distinção entre multa punitiva e multa moratórias. MULTA DE OFÍCIO. Em decorrência, é descabida a imposição da multa de ofício em face do pagamento do tributo desacompanhado da multa de mora. Recurso especial provido. (3ª T. Acórdão CSRF/0305.102. Rel. Anelise Daudt Prieto. Sessão de 06/11/2006). MULTAS DE OFÍCIO E DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA O contribuinte faz jus a tal beneficio de exclusão da multa, seja de oficio ou de mora, por haver recolhido o imposto mais os juros devidos antes do inicio qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso especial negado. (3ª T. Acórdão CSRF/0304.690. Rel. Carlos Henrique Klaser Filho. Sessão de 20/02/2006). DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO MULTA DE MORA INAPLICABILIDADE. Se o débito é denunciado espontaneamente ao Fisco, acompanhado do correspondente pagamento do imposto corrigido e dos juros moratórios, é incabível a exigência de multa de mora, de vez que o art. 138 do CTN não estabelece distinção entre multa punitiva e multa moratória. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO (3ª C. 3º CC. Acórdão 30330.332. Rel. Zenaldo Loibman. Sessão de 10/07/2002). Entendese, portanto, que o recurso deve ser conhecimento e provido em sua integralidade, afastandose a exigência da multa de mora. Sala de Sessões, em 02 de junho de 2011. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 207DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/06/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/06/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 Voto Vencedor Conselheiro Francisco José Barroso Rios, Redator designado: Com respeito ao voto do insigne colega Relator originariamente responsável pelo exame da lide, e mesmo reconhecendo como fortes a doutrina e a jurisprudência trazidas pelo mesmo, associadas aos seus bem desenvolvidos argumentos, penso no sentido de que a denúncia espontânea, para ser caracterizada, necessita, além da declaração prévia a qualquer procedimento fiscal, do recolhimento do principal, dos juros de mora e da multa de mora. Com efeito, a multa de mora está prevista no artigo 61 da Lei no 9.430/96, segundo o qual os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso, percentual este limitado a 20% (§ 2º do dispositivo em comento). A incidência da multa de mora sobre os recolhimentos em atraso sempre se fez presente no nosso ordenamento jurídico, devendo, pois, recair sobre os créditos tributários recolhidos a destempo, obrigação esta que não pode ser afastada pela apresentação ulterior de DCTF, original ou retificadora. Sobre isso, comungo com os fundamentos abaixo colacionados desenvolvidos pelo i. Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, no julgamento do Recurso Voluntário no 500.340, assim se manifestou sobre a questão: [...] No meu entendimento, se recolhidos após o vencimento do prazo fixado em lei, estão sujeitos a multa de mora tanto o valor do tributo devido declarado na DCTF originária, quanto àquele informado na DCTF retificadora. A razão para esse posicionamento está alicerçada no fato de que a declaração correta do valor do tributo devido na DCTF constitui obrigação acessória autônoma, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, portanto, a retificação da dita Declaração, seja para fim [de] inclusão ou correção do valor do tributo devido, tratase de cumprimento de ato meramente formal, cuja denunciação não está contemplada pelo instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 1382 do CTN. Com efeito, a falta de informação na DCTF, da mesma forma que falta de entrega desta Declaração, constitui mero descumprimento de atividade fiscal exigida por lei, sem qualquer influência nos elementos caracterizadores do fato gerador do tributo. Na verdade, tratase de regra de conduta estritamente formal, concernente ao cumprimento de obrigação acessória autônoma (ou deveres instrumentais, segundo alguns), sem qualquer repercussão nos elementos caracterizadores do fato gerador do tributo. 2 "Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o inicio de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração". Fl. 208DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/06/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/06/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13811.001522/200719 Acórdão n.º 380200.525 S3TE02 Fl. 201 7 Dessarte, a falta de informação ou apresentação de informação errada na DCTF constitui infração de natureza meramente formal, sem qualquer repercussão sobre os elementos caracterizadores do fato gerador do tributo. Em decorrência, tal tipo de infração não se enquadra no conceito de denúncia espontânea, estando excluída do efeito excludente do referido instituto. Admitir o contrário, além de flagrante contradição com os preceitos normativos que obrigam a declaração correta dos tributos devidos na DCTF, implicaria um verdadeiro incentivo ao nãopagamento de tributo no prazo determinado, já que ausente qualquer punição pecuniária para o ato faltoso. Na prática, transformaria a obrigação de pagar os tributos na data vencimento, sem qualquer sanção de natureza pecuniária. [...] Logo, para fim de cobrança da multa de mora, entendo ser irrelevante o fato de o sujeito passivo ter declarado em DCTF, tempestivamente ou não, o tributo devido. Por conseguinte, a mera retificação de DCTF, da mesma forma que a falta ou atraso na entrega desta Declaração, constitui ato de descumprimento de dever meramente formal ou de obrigação acessória autônoma, não alcançado pelos efeitos da denúncia espontânea. [...] (Processo no 15374.000838/200715. Recurso Voluntário no 500.340. Acórdão no 310200.908. 1a Câmara. 2a Turma Ordinária. Sessão de 04/02/2011. Relator: Cons. José Fernandes do Nascimento. Decisão por maioria de votos) Em sintonia com o entendimento de que a apresentação de DCTF não configura denúncia espontânea e não elide o recolhimento da multa de mora, o seguinte julgado do STJ: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" . É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (Recurso Especial nº 962.379RS. Órgão julgador: Primeira Seção. Relator: Min. Teori Albino Zavascki. Recorrente: Brasquim Indústria Química Importação Ltda. Recorrida: Fl. 209DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/06/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/06/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 8 Fazenda Nacional. Data do julgamento: 22/10/2008. Decisão unânime) Em seu voto, o Min. Relator transcreveu trecho de outro voto seu desenvolvido no Agravo Regimental nos Embargos de Divergência no Recurso Especial no 638.069, segundo o qual: [...] Não se pode confundir nem identificar denúncia espontânea com recolhimento em atraso do valor correspondente a crédito tributário devidamente constituído. O art. 138 do CTN, que trata da denúncia espontânea, não eliminou a figura da multa de mora, a que o Código também faz referência (art. 134, par. único). [...] Mas reconheço, como já dito, forte jurisprudência que alicerça a tese desenvolvida pelo colega Relator. No momento, no entanto, mantenho meu posicionamento nos termos aqui postos. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 02 de junho de 2011. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Redator designado Fl. 210DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/06/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/06/2011 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.008891/2007-09
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
CRÉDITO FISCAL DO PROGRAMA FUNDOPEM. RECEITA DE
SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. EXCLUSÃO DA BASE DE
CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP.
IMPOSSIBILIDADE.
Integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa, o valor da receita de subvenção para investimento, recebido a título de crédito fiscal presumido do Programa Fundopem.
DESPESAS COM SERVIÇOS DE TRANSPORTE EM FROTA PRÓPRIA.
NÃO ATENDIMENTO DO CONCEITO DE INSUMO. DIREITO AO
CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP.
IMPOSSIBILIDADE.
Por não serem aplicados no processo de fabricação do produto final, não se enquadram no conceito de insumo nem geram direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa as despesas com os serviços de transporte realizados em frota da própria pessoa jurídica.
ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE VEÍCULOS PESADOS
UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE CARGA. NÃO ATENDIMENTO
DO CONCEITO DE INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO DA
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. IMPOSSIBILIDADE.
Somente os encargos de depreciação de máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda proporcionam o direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa.
Por não se enquadrar no conceito de insumo, não dão direito ao referido crédito os encargos de depreciação dos veículos de carga da pessoa jurídica utilizados na própria atividade de transporte.
DESPESAS DE ALUGUÉIS DE MÁQUINA E EQUIPAMENTO.
LOCAÇÃO DE VEÍCULOS DE CARGA. UTILIZAÇÃO NA ATIVIDADE
DE TRANSPORTE DA EMPRESA. DEDUÇÃO DO CRÉDITO
APURADO. POSSIBILIDADE.
Quando pagas à pessoa jurídica, as despesas com a locação de veículos de carga, utilizados nas atividades de transporte da própria locatária, proporcionam o direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
LITISPENDÊNCIA ADMINISTRATIVA. FALTA DE ATENDIMENTO
DE REQUISITOS. INOCORRÊNCIA.
Não ocorre litispendência administrativa se não há identidade quanto ao pedido e à causa de pedir objeto do processo de ressarcimento e compensação e o novo processo de cobrança de crédito tributário formalizado por meio de auto de infração.
CONCOMITÂNCIA DE MATÉRIA EM DISCUSSÃO NA ESFERA
ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. RENÚNCIA TÁCITA À INSTÂNCIA
ADMINISTRATIVA. OCORRÊNCIA.
Importa renúncia tácita à instância administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do despacho decisório, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo irrelevante que o processo judicial venha a ser extinto com ou sem julgamento do mérito.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3802-000.477
Decisão: Acordam os membros do colegiado: a) por unanimidade, REJEITAR as
preliminares de nulidade suscitadas; b) por unanimidade, NÃO CONHECER da matéria de mérito referente ao percentual de cálculo do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep, por concomitância com ação judicial; e c) em relação às demais matérias de mérito conhecidas, c.1) por unanimidade, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso, para restabelecer a dedução dos créditos apurados sobre o valor das despesas de locação dos
veículos de carga e homologar as compensações até o limite do crédito reconhecido; c.2) por maioria, manter na base de cálculo os valores das receitas de subvenção para investimento, recebidas a título de incentivo fiscal do Programa Fundopem, vencidos os Conselheiros Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi; c.3) pelo voto de qualidade, manter a glosa dos demais créditos, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi que mantinham o crédito relativo i) à despesa de transporte com frota própria (somente em relação à compra) relativamente aos subitens combustíveis, manutenção de
veículos e pedágio; e ii) ao valor do encargo de depreciação dos veículos pesados.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 20 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 201106
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITO FISCAL DO PROGRAMA FUNDOPEM. RECEITA DE SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. IMPOSSIBILIDADE. Integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa, o valor da receita de subvenção para investimento, recebido a título de crédito fiscal presumido do Programa Fundopem. DESPESAS COM SERVIÇOS DE TRANSPORTE EM FROTA PRÓPRIA. NÃO ATENDIMENTO DO CONCEITO DE INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. IMPOSSIBILIDADE. Por não serem aplicados no processo de fabricação do produto final, não se enquadram no conceito de insumo nem geram direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa as despesas com os serviços de transporte realizados em frota da própria pessoa jurídica. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE VEÍCULOS PESADOS UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE CARGA. NÃO ATENDIMENTO DO CONCEITO DE INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. IMPOSSIBILIDADE. Somente os encargos de depreciação de máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda proporcionam o direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa. Por não se enquadrar no conceito de insumo, não dão direito ao referido crédito os encargos de depreciação dos veículos de carga da pessoa jurídica utilizados na própria atividade de transporte. DESPESAS DE ALUGUÉIS DE MÁQUINA E EQUIPAMENTO. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS DE CARGA. UTILIZAÇÃO NA ATIVIDADE DE TRANSPORTE DA EMPRESA. DEDUÇÃO DO CRÉDITO APURADO. POSSIBILIDADE. Quando pagas à pessoa jurídica, as despesas com a locação de veículos de carga, utilizados nas atividades de transporte da própria locatária, proporcionam o direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 LITISPENDÊNCIA ADMINISTRATIVA. FALTA DE ATENDIMENTO DE REQUISITOS. INOCORRÊNCIA. Não ocorre litispendência administrativa se não há identidade quanto ao pedido e à causa de pedir objeto do processo de ressarcimento e compensação e o novo processo de cobrança de crédito tributário formalizado por meio de auto de infração. CONCOMITÂNCIA DE MATÉRIA EM DISCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. RENÚNCIA TÁCITA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. OCORRÊNCIA. Importa renúncia tácita à instância administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do despacho decisório, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo irrelevante que o processo judicial venha a ser extinto com ou sem julgamento do mérito. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 11080.008891/2007-09
conteudo_id_s : 6849552
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3802-000.477
nome_arquivo_s : Decisao_11080008891200709.pdf
nome_relator_s : JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
nome_arquivo_pdf_s : 11080008891200709_6849552.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado: a) por unanimidade, REJEITAR as preliminares de nulidade suscitadas; b) por unanimidade, NÃO CONHECER da matéria de mérito referente ao percentual de cálculo do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep, por concomitância com ação judicial; e c) em relação às demais matérias de mérito conhecidas, c.1) por unanimidade, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso, para restabelecer a dedução dos créditos apurados sobre o valor das despesas de locação dos veículos de carga e homologar as compensações até o limite do crédito reconhecido; c.2) por maioria, manter na base de cálculo os valores das receitas de subvenção para investimento, recebidas a título de incentivo fiscal do Programa Fundopem, vencidos os Conselheiros Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi; c.3) pelo voto de qualidade, manter a glosa dos demais créditos, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi que mantinham o crédito relativo i) à despesa de transporte com frota própria (somente em relação à compra) relativamente aos subitens combustíveis, manutenção de veículos e pedágio; e ii) ao valor do encargo de depreciação dos veículos pesados.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
id : 9895493
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat May 20 09:03:46 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1766403270828359680
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 33; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2103; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 619 1 618 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.008891/200709 Recurso nº 876.629 Voluntário Acórdão nº 380200.477 – 2ª Turma Especial Sessão de 01 de junho de 2011 Matéria PIS RESSARCIMENTO Recorrente FRIGORÍFICO MERCOSUL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITO FISCAL DO PROGRAMA FUNDOPEM. RECEITA DE SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. IMPOSSIBILIDADE. Integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa, o valor da receita de subvenção para investimento, recebido a título de crédito fiscal presumido do Programa Fundopem. DESPESAS COM SERVIÇOS DE TRANSPORTE EM FROTA PRÓPRIA. NÃO ATENDIMENTO DO CONCEITO DE INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. IMPOSSIBILIDADE. Por não serem aplicados no processo de fabricação do produto final, não se enquadram no conceito de insumo nem geram direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa as despesas com os serviços de transporte realizados em frota da própria pessoa jurídica. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE VEÍCULOS PESADOS UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE CARGA. NÃO ATENDIMENTO DO CONCEITO DE INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. IMPOSSIBILIDADE. Somente os encargos de depreciação de máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda proporcionam o direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa. Por não se enquadrar no conceito de insumo, não dão direito ao referido crédito os encargos de depreciação dos veículos de carga da pessoa jurídica utilizados na própria atividade de transporte. Fl. 203DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 DESPESAS DE ALUGUÉIS DE MÁQUINA E EQUIPAMENTO. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS DE CARGA. UTILIZAÇÃO NA ATIVIDADE DE TRANSPORTE DA EMPRESA. DEDUÇÃO DO CRÉDITO APURADO. POSSIBILIDADE. Quando pagas à pessoa jurídica, as despesas com a locação de veículos de carga, utilizados nas atividades de transporte da própria locatária, proporcionam o direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 LITISPENDÊNCIA ADMINISTRATIVA. FALTA DE ATENDIMENTO DE REQUISITOS. INOCORRÊNCIA. Não ocorre litispendência administrativa se não há identidade quanto ao pedido e à causa de pedir objeto do processo de ressarcimento e compensação e o novo processo de cobrança de crédito tributário formalizado por meio de auto de infração. CONCOMITÂNCIA DE MATÉRIA EM DISCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. RENÚNCIA TÁCITA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. OCORRÊNCIA. Importa renúncia tácita à instância administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do despacho decisório, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo irrelevante que o processo judicial venha a ser extinto com ou sem julgamento do mérito. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: a) por unanimidade, REJEITAR as preliminares de nulidade suscitadas; b) por unanimidade, NÃO CONHECER da matéria de mérito referente ao percentual de cálculo do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep, por concomitância com ação judicial; e c) em relação às demais matérias de mérito conhecidas, c.1) por unanimidade, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso, para restabelecer a dedução dos créditos apurados sobre o valor das despesas de locação dos veículos de carga e homologar as compensações até o limite do crédito reconhecido; c.2) por maioria, manter na base de cálculo os valores das receitas de subvenção para investimento, recebidas a título de incentivo fiscal do Programa Fundopem, vencidos os Conselheiros Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi; c.3) pelo voto de qualidade, manter a glosa dos demais créditos, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi que mantinham o crédito relativo i) à despesa de transporte com frota própria (somente em relação à compra) relativamente aos subitens combustíveis, manutenção de veículos e pedágio; e ii) ao valor do encargo de depreciação dos veículos pesados. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 204DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.008891/200709 Acórdão n.º 380200.477 S3TE02 Fl. 620 3 José Fernandes do Nascimento Relator. EDITADO EM: 10/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Tatiana Midori Migiyama, Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão nº 1024.680, de 15 de abril de 2010 (fls. 400/406), proferido pelos membros da 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA), em que, por unidade de votos, indeferiram a preliminar de litispendência administrativa, por ausência de previsão normativa, não conheceram da manifestação de inconformidade, quanto à discussão do percentual incidente sobre compras de insumos de pessoas físicas no cálculo do crédito presumido, tendo em vista a identidade de objeto com questão levada ao crivo do Poder Judiciário, declarando a definitividade da discussão na esfera administrativa quanto a este aspecto. No mérito, quanto às questões não abrangidas pela ação judicial, julgaram procedente em parte a manifestação de inconformidade, cancelando a glosa dos valores relativos às Bonificações por Fidelidade e por Rastreabilidade, e não homologaram as compensações declaradas, tendo em vista a inexistência de direito creditório passível de compensação, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 FUNDOPEM BASE DE CÁLCULO. INCENTIVO FISCAL. INCLUSÃO. Resta irrelevante se os valores ora discutidos classificamse como subvenções para investimento ou para custeio, dado coadunaremse, de um ou de outro modo, com a receita bruta conceituada como acréscimo de patrimônio, sendo que, independentemente da natureza jurídica apurada, tal receita não se encontra dentre as possíveis de exclusão da base de cálculo da contribuição que é a universalidade das receitas. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação/despacho decisório, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. CRÉDITO IMPOSSIBILIDADE Apenas os custos e as despesas elencadas nos incisos do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 geram créditos de PIS pela sistemática da não cumulatividade. BONIFICAÇÃO DE RASTREABILIDADE E BONIFICAÇÃO DE FIDELIDADE CRÉDITO POSSIBILIDADE Não há como dissociar do valor do insumo o montante pago ao produtor a Fl. 205DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 título de Bonificação por Fidelidade e por Rastreabilidade, uma vez que esses valores dependem diretamente das características do insumo. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Outros Valores Controlados Por bem descrever os fatos registrados nos autos até prolação do Acórdão recorrido, adoto o Relatório nele encartado, que segue transcrito: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido pela DRF Porto Alegre (fls.232) não reconheceu o direito creditório de valores referentes ao PIS nãocumulativo dos períodos de apuração julho a setembro de 2005 e não homologou as declarações de compensações apresentadas. O Fiscal encarregado de verificar os créditos pleiteados constatou as seguintes irregularidades (fls.202/224): a) Não inclusão na base de cálculo das contribuições em comento de receitas recebidas a título de crédito fiscal denominado Fundopem; b) Inclusão indevida de créditos calculados sobre despesas relativas a transporte realizado com frota própria; c) Inclusão indevida de créditos calculados sobre Bonificações por Fidelidade e por Rastreabilidade pagas a fornecedores de gado; d) Utilização de alíquota incorreta no cálculo do crédito presumido de insumo adquiridos de pessoas físicas; e) Inclusão indevida de créditos calculados sobre encargos de depreciação de veículos pesados e de bens de informática ; f) Inclusão indevida de créditos referentes à locação de veículos de transporte. Na manifestação de inconformidade, tempestivamente apresentada (fls. 236/290) e ratificada (fls.322/375) alega, preliminarmente, a litispendência administrativa do presente processo com o de nº 11080.011387/200869, cujo objeto são autos de infração relativos ao PIS e à Cofins nãocumulativos dos períodos de apuração abril de 2004 e agosto de 2004 a dezembro de 2005, onde estariam sendo discutidas as mesmas glosas objeto do presente manifestação. Pleiteia o cancelamento da cobrança dos valores compensados, uma vez que não haveria decisão definitiva proferida no processo principal (11080.011387/200869). Passa a discorrer a respeito do crédito presumido sobre insumos adquiridos de pessoas físicas, considerando não existir divergência a respeito do fato da empresa na condição de adquirente de animais vivos para abate possuir o direito de calcular crédito presumido sobre essas aquisições, residindo a divergência no percentual a ser aplicado para o cálculo do Fl. 206DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.008891/200709 Acórdão n.º 380200.477 S3TE02 Fl. 621 5 referido crédito. Transcreve a legislação que trata do assunto. Defende a aplicação do percentual de 60% (inciso I, § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004) alegando que produz mercadorias classificadas no capítulo 2 e assim faria juz a aplicação deste percentual sobre o valor dos insumos adquiridos de pessoa física, independente da classificação do insumo em si. Por fim, argumenta que à época dos fatos geradores não existiria o inciso III, do § 3º da Lei 10.295/2004, onde consta o percentual de 35% aplicado pela Fiscalização, entendendo que tal dispositivo só teria sido trazido ao mundo jurídico com o advento da Lei nº 11.488/2007, e portanto, não poderia ser aplicado aos períodos de apuração objeto do presente processo. No que diz respeito ao crédito calculado sobre Bonificações por Fidelidade e por Rastreabilidade pagas a fornecedores de bois vivos, afirma que o preço deste insumo é composto por três elementos: a) o preço de tabela por quilo, a rendimento; b) um adicional pelo fato dos animais atenderem ao requisito da rastreabilidade (denominado bonificação por rastreabilidade); e c) um adicional pela qualidade da carne do exemplar (boi), definido pelo percentual de gordura em relação ao volume total da carcaça e pela regularidade das entregas de animais pelo produtor rural (denominado bonificação por fidelidade); Dessa forma, acredita que tanto o crédito presumido calculado sobre aquisições pessoas físicas como o crédito calculado sobre aquisições de pessoa jurídica deveriam incidir sobre essas parcelas que compõem o preço total dos insumos. Essas parcelas constariam das notas fiscais e dos contratos de fornecimento celebrado entre as partes, não se dissociando do preço das mercadorias. Pondera ser o produto final dependente da qualidade dos insumos, informando que seus clientes impõem condições para aquisição da carne. Exemplifica afirmando que a rastreabilidade do animal é obrigatória na venda para países europeus. Passa a descrever o circuito de produção da carne, a qual se inicia com a aquisição do animal vivo com o transporte em veículo adequado, passando pelo abate e condições de higiene e refrigeração. Alega ser do produtor da carne toda a responsabilidade com o seu transporte e conservação, sendo justamente a conservação, o correto manuseio e abastecimento do mercado, o que o produtor da carne agregaria ao seu produto. Sendo assim, os caminhões boiadeiros e demais veículos pesados, com câmaras frias móveis seriam partes integrantes e indissociáveis da produção e fornecimento da carne. Alega que a redação inicial dada pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 albergaria a depreciação de todos os bens incorporados ao ativo imobilizado utilizados no processo de Fl. 207DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 produção dos bens a serem vendidos, gerando créditos passíveis de dedução das contribuições para o PIS e a Cofins. Acredita que os veículos que transportam gado até a planta frigorífica, bem como aqueles que fazem o transporte de produtos em produção entre as plantas e ainda os veículos que transportam o produto pronto até o consumidor cumpririam papel imprescindível no processo de produção do alimento, estando a qualidade de seu produto intrinsecamente relacionado ao adequado transporte. Aplica o mesmo raciocínio para os valores referentes à locação de veículos que completariam a capacidade de movimentação dos animais vivos. Defende que o transporte efetuado é insumo utilizado na produção e por isso compõem a base de cálculo dos créditos. Alega afronta ao princípio da isonomia por entender que se contratasse o transporte de terceiros teria direito a tal crédito. Com relação à depreciação de bens de informática alega que esses equipamentos participam dos processo de produção, classificando os produtos desde a sua origem (rastreabilidade) até a entrega ao cliente, como condição de fornecimento. Afirma que se assim não fosse, o rígido controle de qualidade necessário ao seu enquadramento como empresa exportadora de carne estaria prejudicado. Discorda da tributação dos valores recebidos do Fundopem, afirmando que se trata de um financiamento de parcela de até 75% do ICMS devido mensalmente pelo estabelecimento incentivado, observados alguns limites. Afirma que as isenções ou reduções de tributos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos se caracterizam, no âmbito da legislação tributária, como subvenções para investimentos. A legislação do imposto de renda exclui expressamente da sua base tributável o valor recebido a título de subvenção. A Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008 ao instituir o “regime tributário de transição”referendou a neutralidade dos incentivos fiscais para fins de incidência dos tributos sobre a renda e a receita. Os valores colocados à disposição do subvencionado para que este os aplique exclusivamente na instalação ou ampliação do empreendimento objeto do incentivo fiscal. Devem ser registrados como reserva de capital, fazendo parte dos resultados nãooperacionais, não sendo computados na determinação do lucro real. Não há renda nem provento se não houver acréscimo patrimonial. Subvenções para investimento não compõem a receita bruta da pessoa jurídica e portanto não deveriam compor a base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins. Junta demonstrações financeiras da empresa onde estaria comprovado que os valores recebidos foram registrados como reserva de capital e utilizados para compensação de prejuízos no exercício de 2006, tudo conforme determinado pela legislação para enquadramento como subvenção de investimento. Ataca a determinação contida no § 1º do art. 45 do decreto nº 4.524/2002 que considera adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do Fl. 208DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.008891/200709 Acórdão n.º 380200.477 S3TE02 Fl. 622 7 estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Entende que as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 não teriam estabelecido tal requisito, excedendose o Poder Executivo na regulamentação, e o Fisco na exigência de comprovação de remessa para recinto alfandegado. Anexei às fls. 381/398 cópia da petição inicial do Mandado se Segurança nº 2008.71.00.0301210, onde a interessada discutiu a alíquota a ser aplicada sobre as aquisições de pessoas físicas para fins de cálculo do crédito presumido. Sobreveio o Acórdão recorrido, sendo dele cientificada a Interessada, por via postal (fl. 410), em 28/05/2010. Inconformada, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 413/470, protocolado em 21/06/2010 (fl. 413), em que reapresentou as razões de defesa aduzidas na Manifestação de Inconformidade de fls. 236/289. Em aditamento, pleiteou a nulidade parcial do Acórdão recorrido, para que fosse apreciada o mérito da questão não conhecida no referido julgado, atinente ao percentual do crédito presumido incidente sobre as compras dos insumos adquiridos de pessoas físicas, sob o argumento de que não se configurou a alegada concomitância de julgamento da dita matéria, por duas razões: (i) o processo judicial não havia se aperfeiçoado, considerando a inexistência de intimação/citação válida da parte impetrada e do litisconsorte passivo necessário, e, (ii) o feito foi extinto sem julgamento de mérito por desistência da parte impetrante, ora recorrente, não tendo sido resolvido o direito material abordado e inexistindo a coisa julgada, formal ou material. No final, requereu o seguinte: a) em preliminar: a.1) fosse reconhecida a litispendência administrativa e anulados os atos processuais a partir do Despacho Decisório, inclusive, retornando os autos à Unidade da Receita Federal de origem, para aguardar a decisão definitiva a ser proferida no processo administrativo nº 11080.011387/200869; e a.2) caso não provida a primeira preliminar suscitada, que fosse reconhecida a nulidade da parte da decisão recorrida que não conheceu do mérito, sob o argumento de que houve concomitância com a esfera judicial, com a devolução dos autos à instância a quo, para realização de novo julgamento, com apreciação do mérito da matéria que não fora conhecida; e b) no mérito: caso rejeitadas as preliminares, fato que admitia apenas a título argumentativo, fosse conhecido e apreciado integralmente o mérito do presente Recurso, inclusive no que toca ao percentual do crédito presumido, para que fossem reformada a decisão recorrida, na parte que lhe foi desfavorável, reconhecidos os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, apurados sob o regime não cumulativo, e canceladas as cobranças dos débitos, com a conseqüente homologação das compensações declaradas. Em cumprimento ao despacho de fl. 618, os presentes autos foram enviados a este e. Conselho. Na Sessão de fevereiro de 2011, em cumprimento ao disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, foram distribuídos, mediante sorteio, para este Conselheiro. Fl. 209DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 8 É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso é tempestivo, foi apresentado por parte legítima, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento, com exceção da matéria que trata do percentual do crédito presumido, por concomitância de ação judicial. I DAS PRELIMINARES Em preliminar, a Recorrente alegou: a) nulidade do Despacho Decisório e dos atos processuais subsequentes, sob alegação de que houve litispendência administrativa, uma vez que a matéria discutidas nos presente autos seria a mesma objeto do processo nº 11080.011387/200869; e b) nulidade parcial do Acórdão recorrido, na parte concernente à questão que abordava a legalidade do percentual do crédito presumido da atividade agropastoril, matéria não conhecida pela instância a quo, sob o argumento de que havia concomitância de discussão sobre tal matéria na esfera judicial e administrativa. Da nulidade por litispendência administrativa. No presente Recurso, pleiteou a Interessada a reforma do Acórdão recorrido, para que fosse reconhecida a preliminar de litispendência e anulados os demais atos processuais a partir do Despacho Decisório, inclusive, determinadose o retomo dos autos à Unidade da Receita Federal de origem, para que o julgamento dos presentes autos fosse procedido somente após o julgamento e à luz da decisão definitiva proferida nos autos do processo administrativo de nº 11080.011387/200869, que trata da cobrança dos valores da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa (períodos de apuração abril de 2004 e agosto de 2004 a dezembro de 2005) e Cofins nãocumulativa (períodos de apuração agosto de 2004 a dezembro de 2005). Alegou a Recorrente que o processo nº 11080.011387/200869 seria o principal, pois continha a discussão de toda a matéria de mérito objeto deste processo, logo, com a impugnação daquele, estaria suspensa a exigibilidade dos valores nele lançados de ofício, bem como, via de consequência, todos os demais valores exigíveis com base no desdobramento da mencionada ação fiscal, incluindo os débitos cobrados nos presentes autos, em decorrência da nãohomologação das compensações declaradas. Não procede a alegação da Recorrente, com a devida vênia. No caso, embora algumas questões de méritos estejam sendo abordadas em ambos os processos, na verdade, o objeto deste processo é distinto daquel’outro. Com efeito, enquanto nos presentes autos discutese o direito ao ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa do 3º trimestre de 2005 e a nãohomologação da compensação dos débitos discriminados na Carta Cobrança de Fl. 210DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.008891/200709 Acórdão n.º 380200.477 S3TE02 Fl. 623 9 fls. 408/409, por inexistência do valor crédito informado, no citado processo a discussão gira em torno da exigência das diferenças dos débitos da Contribuição para o PIS/Pasep dos meses de abril de 2004 e agosto de 2004 a dezembro de 2005, formalizada por meio de auto de infração. No âmbito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF) federal, inexiste dispositivo disciplinando a alegada litispendência administrativa. O assunto encontrase abordado no Código de Processo Civil (CPC), especificamente no inciso V e §§ 1º a 3º do art. 301, que têm a seguinte redação, in verbis: Art. 301 Competelhe, porém, antes de discutir o mérito, alegar: (...) V litispendência; (...) § 1º Verificase a litispendência ou a coisa julgada, quando se reproduz ação anteriormente ajuizada. § 2º Uma ação é idêntica à outra quando tem as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido. § 3º Há litispendência, quando se repete ação, que está em curso; há coisa julgada, quando se repete ação que já foi decidida por sentença, de que não caiba recurso. (...) Assim, no âmbito do processo civil, ocorre a litispendência quando duas causas são idênticas quanto às partes, pedido e causa de pedir. Em outras palavras, quando a nova ação que repete outra que já fora ajuizada, sendo idênticas as partes, o conteúdo e o pedido formulado. Dessa forma, ainda que aplicável ao PAF o referido instituto, por força do princípio da subsidiariedade, no presente caso não restou configurada a alegada litispendência administrativa, haja vista não haver identidade do objeto deste processo com o do processo nº 11080.011387/200869, pois, conforme anteriormente demonstrado, o pedido e à causa de pedir são distintas. Com essas considerações, rejeito a presente preliminar. Da nulidade parcial do Acórdão recorrido. No presente Recurso, pleiteou a Interessada que, caso não acatada a primeira preliminar, fosse decretada a nulidade da parte do Acórdão recorrido que não conhecera da questão de mérito, atinente ao percentual do crédito presumido incidente sobre os insumos adquiridos de pessoas físicas, sob o argumento de que a matéria fora submetida ao crivo do Poder Judiciário, por meio do Mandado se Segurança nº 2008.71.00.0301210, configurando concomitância entre as instâncias administrativa e judicial. Fl. 211DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 10 Alegou a Recorrente que não existiu a mencionada concomitância, por duas razões: (i) o processo judicial não havia se aperfeiçoado, considerando a inexistência de intimação/citação válida da parte impetrada e do litisconsorte passivo necessário, e, (ii) o feito foi extinto sem julgamento de mérito, por desistência da parte impetrante, ora recorrente, não tendo sido resolvido o direito material, inexistindo a coisa julgada, formal ou material. Com devido respeito, não procedem as alegações da Recorrente, haja vista que, a simples propositura, pelo contribuinte, da ação judicial “importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto”, conforme expressamente determina o § 2o do art. 1o1 do Decretolei nº 1.737, de 1979, e o parágrafo único do art. 382 da Lei nº 6.830, de 1980, a seguir transcritos: Art. 1º Serão obrigatoriamente efetuados na Caixa Econômica Federal, em dinheiro ou em Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional ORTN, ao portador, os depósitos: (...) § 2º A propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. (...) Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Nos termos do art. 263 do CPC, a ação judicial considerase proposta na data em que a petição inicial é despachada pelo juiz, ou simplesmente distribuída, onde houver mais de uma vara. Todavia, em relação a réu, só produz os efeitos mencionados no art. 219 do CPC depois da citação válida. Logo, em conformidade com o referido comando legal, não é necessário que haja citação válida da Fazenda Nacional ou da autoridade coatora (no caso de mandado de segurança), nem tampouco que haja decisão de mérito, como suscitado pela Recorrente, para 1 “Art. 1º Serão obrigatoriamente efetuados na Caixa Econômica Federal, em dinheiro ou em Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional ORTN, ao portador, os depósitos: (...) § 2º A propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto”. 2 "Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto". Fl. 212DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.008891/200709 Acórdão n.º 380200.477 S3TE02 Fl. 624 11 que se materialize a renúncia tácita ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. De qualquer forma, para que se configure tal impedimento, resulta de todo irrelevante que o processo tenha sido extinto, no judiciário, com ou sem julgamento do mérito, nos termos do art. 267 do CPC. É de sabença que não se aplica ao processo de mandado de segurança o disposto no art. 214 do CPC, conforme alegação da Recorrente. Neste sentido, dispõem os arts. 19 e 20 nº Lei nº 1.533, de 31 de dezembro de 1951 (revogada), bem como o art. 26 da Lei nº 12.016, de 7 de agosto de 2009 (revogadora). Por oportuno, cabe esclarecer que, no âmbito do citado Mandado Segurança, foi proferida decisão liminar3, com seguinte teor, in verbis: DECISÃO (liminar/antecipação da tutela) Em um juízo preliminar, pareceme correta a interpretação da autoridade impetrada. Em síntese, o artigo 8º, § 1º, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, estabelece que a pessoa jurídica que produza mercadoria de origem animal, classificada no capítulo 2 da NCM, destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS e COFINS, 60% da alíquota incidente sobre o valor das aquisições de produtos de origem animal classificados no capítulo 2 da NCM. De sua vez, a pessoa jurídica que produz mercadoria de origem animal, igualmente classificada nos capítulos 2 e 3 da NCM, porém, tenha adquirido produtos que não se enquadrem no capítulo 2 (entre outros), poderão deduzir das contribuições (PIS e COFINS) 35% da alíquota incidente sobre as mencionadas aquisições. Vejase que a regra diferencia dois momentos: [i] a produção; [ii] a aquisição da mercadoria de origem animal. No caso dos autos, a impetrante produz mercadoria de origem animal, classificada nos capítulos a que faz referência o caput do artigo 8º; contudo, as aquisições não se enquadram no inciso I, porém, na hipótese residual do inciso III (35% da alíquota sobre o valor da aquisição de "demais produtos"). No mais, não vejo nulidade no auto de infração, capaz de ser corrigida ab initio. Ante o exposto, indefiro a liminar. (1) Intimese. (2) Notifique se para prestar informações. (3) Abrase vista ao Ministério Público Federal. Porto Alegre, 25 de novembro de 2008. (grifos do original) 3 Disponível em: <http://www.jfrs.jus.br/processos/acompanhamento/>. Acesso em: 27 abr 2011. Fl. 213DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 12 A referida decisão foi agravada perante o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), dando origem ao Agravo de Instrumento nº 2008.04.00.0424420/RS, em que a Relatora Designada proferiu a seguinte decisão4, in verbis: É o relatório. Decido. O presente recurso deve observar o disposto na Lei nº 11.187/2005 que alterou os artigos do CPC que normatizam o processamento do agravo de instrumento. Nos termos da referida alteração legislativa, os artigos 522 e 527 passaram a estabelecer, como regra, o agravo retido, reservando o agravo de instrumento, propriamente dito, para atacar as decisões que: inadmitirem a apelação; abordarem os efeitos de recebimento do apelo e para aquelas decisões que possam causar às partes lesão grave e de difícil reparação. Sendo que para a última o ônus de comprovar tal lesão é do recorrente. Na espécie, não logrou a parte agravante demonstrar onde residiria o risco de lesão e de difícil reparação a justificar a concessão do provimento negado no primeiro grau. Como bem apontou o juízo a quo, verbis " não vejo nulidade no auto de infração, capaz de ser corrigida ab initio". Assim, não havendo demonstração de situação excepcional a justificar a admissão do agravo de instrumento, inviável o processamento do recurso. Por fim, sinalo que não se pode confundir os prejuízos financeiros que a parte possa vir a sofrer com o dano irreparável ou de difícil reparação previsto no instituto processual civil. Assim sendo, converto o agravo de instrumento em agravo retido e determino sua remessa à Vara de origem, por se tratar de decisão irrecorrível (art. 527, § único, CPC). Intimemse. Porto Alegre, 27 de novembro de 2008. Tais decisões representam a prova inequívoca de que, antes da extinção da referida ação judicial, a respectiva relação jurídicoprocessual já se encontrava devidamente consolidada. Ademais, o citado pedido de desistência somente foi apresentado depois proferidas as referidas decisões judiciais. De qualquer forma, a simples propositura da referida ação judicial, para discutir o percentual do crédito presumido incidente sobre os insumos adquiridos de pessoas físicas, questão também objeto deste processo, implica renúncia tácita à instância administrativa, por coincidência de matéria litigiosa levada à apreciação desta instância e da instância judicial. No mesmo sentido, consolidouse a jurisprudência deste e. Conselho, conforme entendimento consignado na Súmula Carf nº 1, divulgada por intermédio da Portaria Carf nº 106, de dezembro de 2009, o cujo enunciado segue transcrito: 4 Disponível em: <http://www.trf4.jus.br/trf4/processos>: Acesso em: 27 abr 2011. Fl. 214DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.008891/200709 Acórdão n.º 380200.477 S3TE02 Fl. 625 13 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Com essas considerações, rejeito a presente preliminar e, em conformidade com a decisão de primeiro grau, também não conheço da referida matéria, em razão da concomitância de ação judicial proposta com o mesmo objeto. Superadas todas as questões preliminares, passo a análise do mérito da presente lide. II DO MÉRITO Em relação ao mérito, pelas razões expostas no tópico precedente, deixo de conhecer da matéria referente ao percentual de cálculo do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins incidente sobre os insumos adquiridos de pessoas físicas. Dessa forma, resta analisar apenas as seguintes questões: a) não inclusão na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep dos valores das receitas de subvenção para investimento, recebidas a título de incentivo fiscal (crédito presumido), concedido pelo governo do Estado do Rio Grande do Sul, no âmbito do Programa Fundopem; e b) inclusão indevida, na base de cálculo dos créditos da dita Contribuição, do valor b.1) das despesas com transporte realizado em frota própria; b.2) das despesas com locação de veículos de transporte; b.3) dos encargos de depreciação de veículos pesados. II.1 Das Receitas não Incluídas na Base de Cálculo da Contribuição Na apuração do valor dos débitos da Contribuição para o PIS/Pasep do período em destaque, a Interessada excluiu da base de calculo os valores das receitas de subvenção para investimento, recebidas a título de incentivo fiscal do Programa Fundopem. Das receitas recebidas a título de incentivo fiscal do Fundopem. Segundo o item 1 da Informação Fiscal que serviu de fundamento para o prolação da decisão consignada no contestado Despacho Decisório, os valores recebidos a título de crédito presumido do Programa Fundopem integravam a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, definida no caput e § 1º do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, pois, de acordo com disposto no § 3º do referenciado artigo 1º, não havia previsão para exclusão desse tipo receita do cômputo da referida base de cálculo. No mesmo sentido, o Órgão julgador a quo manteve incólume a decisão consignada no citado Despacho Decisório, com respaldo no argumento de que, dada a universalidade do conceito legal da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, independentemente do tipo de subvenção (corrente ou para investimento), este tipo de receita não se encontrava dentre as possíveis hipóteses de exclusão da dita base de cálculo. Fl. 215DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 14 Por outro lado, no presente Recurso, a Interessada reafirmou o direito de excluir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep o valor recebido, a título de crédito fiscal, do Programa Fundopem, sob a alegação de que tal receita consistia num tipo de subvenção para investimento, expressamente excluída da base de calculo do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRRJ). Assim, fica evidenciado que o cerne da presente controvérsia envolve a definição da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa, assunto que se encontra expressamente disciplinado no caput e nos §§ 1º e 2º do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, a seguir transcritos: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...) (grifos não originais). Tratase, evidentemente, de conceito abrangente que inclui todas as modalidades de receita auferidas pela pessoa jurídica, independentemente da denominação ou classificação contábil, ou seja, alcança as receias operacionais e as nãooperacionais, compreendendo tanto as receitas decorrentes de venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia quanto todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. As únicas modalidades de receita, excluídas da mencionada base de cálculo, são aquelas taxativamente discriminadas no § 3º5 do citado art. 1º, dentre as quais não se inclui a receita de subvenção para investimento, recebida a título de incentivo fiscal. É oportuno esclarecer ainda que, por falta de previsão legal, o disposto no art. 4436 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 5 "§ 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; II (VETADO) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda de álcool para fins carburantes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. VI–não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009)". Fl. 216DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.008891/200709 Acórdão n.º 380200.477 S3TE02 Fl. 626 15 1999), que autorizava a exclusão da referida receita da composição do lucro real, base de cálculo do IRPJ, não se aplica ao caso em tela, conforme alegado pela Recorrente, haja vista que há regramento próprio dispondo sobre assunto, conforme exposto precedentemente. Com efeito, em consonância com disposto no § 12° do art. 195 da Constituição Federal de 1988, com a redação dada pela Emenda Constitucional n° 42, de 19 de dezembro de 2003, o regime da nãocumulatividade, previsto para a cobrança das contribuições sociais incidentes sobre a receita ou faturamento, onde se enquadra a Contribuição para o PIS/Pasep, deve ser instituído nos termos de lei específica. Nesse sentido, no que tange ao regime nãocumulativo de cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep, com respaldo nos incisos III, IV e VI do art. 97 do CTN, coube à Lei nº 10.637, de 2002, definir o fato gerador, fixar a alíquota e base de cálculo da dita Contribuição, bem a forma de desconto do valor incidente nas operações anteriores, as condições e requisitos relativos ao aproveitamento de créditos e as despesas e custos para os quais são permitidos o creditamento. Dessa forma, resta esclarecido que não se pode aplicar os casos autorizados de dedutibilidade previstos na legislação do imposto de renda, para fim de apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, na forma do regime nãocumulativo, posto que há regramento específico que disciplina a matéria que, necessariamente, deve ser observado. Com essas considerações, fica esclarecido que os valores recebidos do Fundopem pela Interessada, a título de crédito fiscal presumido, embora qualificados como receita de subvenção para investimento, integram a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa, conforme entendimento esposado no Acórdão recorrido. II.2 – Da Glosa dos Valores Incluídos na Base de Cálculo dos Créditos da Contribuição Na apuração do valor dos créditos da referida Contribuição do período em apreço, a Interessada incluiu na base de cálculo o valor (i) das despesas com transporte realizado em frota própria; (ii) dos encargos de depreciação de veículos pesados; e (iii) das despesas de locação de veículos de transporte de carga. Antes de analisar a controvérsia em torno de cada uma das questões suscitadas, entendo pertinente apresentar uma breve digressão acerca do disciplinamento legal do regime de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa. Do regime de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. Conforme anteriormente exposto, a definição e o disciplinamento do regime jurídico da nãocumulatividade das contribuições incidentes sobre a receita ou faturamento 6 "Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, §2º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas". Fl. 217DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 16 foram atribuídos ao legislador ordinário, nos termos do § 12 do art. 195 da Constituição Federal de 1988, acrescentado pela Emenda Constitucional nº 42, de 19 de dezembro de 2003, a seguir transcrito: Art. 195 A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Alterado pela EC000.020 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; b) a receita ou o faturamento; c) o lucro (...) § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (...) (grifos não originais). Em conformidade com o disposto no referido preceito constitucional, foi editada a Lei nº 10.637, de 2002, que, de forma exaustiva, define e disciplina o regime jurídico da nãocumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep. O regime de apuração dos créditos encontrase exaustivamente disciplinado no art. 3º do mencionado diploma legal, que dispõe acerca dos créditos permitidos, a forma e o período de apuração, as vedações etc. Dessa forma, na presente analise, será levada em conta apenas o disposto no referido preceito legal, complementado pela legislação esparsa que regulamenta a matéria. Assim, neste tópico não será levado em consideração, por serem estranhas ao objeto da presente controvérsia, o regime de deduções permitidas na legislação do IRPJ nem o regime de crédito estabelecida na legislação do IPI. Da glosa dos créditos apurados sobre as despesas de transporte com frota própria. No âmbito do regime nãocumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep, dentre as operações geradoras de créditos, passíveis dedução do valor do débito do respectivo período, destacamse as previstas no inciso II do art. 3° da da Lei nº 10.637, de 2002, com redação dada pelo art. 21 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, a seguir transcrito:: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 218DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.008891/200709 Acórdão n.º 380200.477 S3TE02 Fl. 627 17 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) De acordo com a citada Informação Fiscal, as despesas de transporte com frota própria não se enquadravam no conceito de insumo estabelecido no transcrito inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, combinado com o estabelecido nas alíneas “a” e “b” do § 4º do art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004, que seguem transcritos: Art. 8° Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: (...) b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; (...) 4° Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput , entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (...) Segundo a Fiscalização, a Interessada atua no setor de frigorífico, atuando na atividade de industrialização de carnes, especificamente na modalidade de abate de bovinos, cujo produto final são cortes de carcaça e couro bovinos, conforme exposto no itens a seguir transcritos: Fl. 219DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 18 2. A empresa atua no setor frigorífico procedendo a industrialização de carnes, na modalidade abate de bovinos, transformandoos em cortes específicos e meias carcaças, isto é, compra animais vivos para abate, realiza o abate e separa os cortes em peças, desossadas ou não, embalandoas para comercialização tanto no mercado interno, quanto no mercado externo. A empresa também comercializa o couro proveniente dos animais que abate. 3. O produto acabado da empresa resumese a cortes de carcaça de bovinos (picanha, costela, patinho, acém, etc.) embalados "in natura" e prontos para comercialização, além do couro. Diante do exposto, fica esclarecido que, para a Fiscalização, o processo de produção ou industrialização da Recorrente iniciase com abate dos bovinos e termina com a embalagem dos produtos finais (carcaça, carne e couro). Logo, segundo esse entendimento, não seria insumo os demais dispêndios não aplicados ou consumidos na produção ou fabricação dos produtos finais. De outra banda, alegou a Recorrente que tinha direito aos referidos créditos, pelas seguintes razões, ipsis litteris: O processo de produção do produto compreende desde os cuidados com os animais vivos até a entrega da carne com qualidade para o consumo humano, de modo que, tanto as despesas com a manutenção desses veículos, o combustível do transporte e da operação das câmaras frias, geram direito a crédito tanto de PIS quanto de COFINS. Não se pode deixar de enfatizar que as glosas em comento acalentam também uma ilógica e odiosa afronta ao princípio da isonomia, que dispensa digressões por se tratar de um dos pilares constitucionais do Sistema Tributário Nacional, haja vista que, não fosse verticalizado o Frigorífico Mercosul, ou seja, se este contratasse o transporte dos bois e da carne de terceiros, teria o crédito sobre o valor do serviço de transporte. É simplesmente um absurdo glosar os créditos sobre os custos incorridos no transporte com meios próprios, que é a opção do contribuinte em função da viabilidade (haja vista os volumes de bois, de carcaças e de carne que movimenta) e o cuidado com a qualidade do produto. Da leitura do excerto transcrito, fica claro que, para a Recorrente, o seu processo de produção compreende desde os cuidados com os animais vivos até a entrega dos produtos finais industrializados (carcaça, carne e couro) no estabelecimento do cliente. Assim, segundo esse entendimento, seria insumo tanto as despesas com realizadas com o transporte dos animais vivos como dos produtos finais entregues nos estabelecimentos dos clientes. Assim, fica demonstrado que o ponto fulcral da presente controvérsia está relacionado com a definição do processo de produção da Interessada. Para a Autoridade Fiscal e o Colegiado julgador a quo, seriam considerados insumos apenas os bens e serviços consumidos ou aplicados na fabricação dos produtos finais, no âmbito do estabelecimento industrial. Em consequência, estariam excluídos da definição de insumo de produção todas as demais despesas realizadas antes e depois do processo de industrialização. Fl. 220DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.008891/200709 Acórdão n.º 380200.477 S3TE02 Fl. 628 19 De outra parte, sob o argumento de que o seu processo produtivo compreende desde os cuidados com os animais vivos até a entrega dos produtos acabados ao cliente, alegou a Recorrente que as despesas realizadas com o transporte dos animais vivos (da fazenda de criação até o abatedouro) e dos produtos finais vendidos (do abatedouro até o estabelecimento dos clientes) enquadravamse no conceito de insumo, logo tinha direito aos respectivos créditos. No entendimento da Recorrente, os denominados veículos boiadeiros e frigoríficos da sua frota de transporte seriam considerados bens de produção, por conseguinte as despesas de combustíveis e manutenção realizadas com tais veículos estariam compreendidas no conceito de insumo. Não procedem as alegações da Recorrente, pois, nos termos do inciso II do art. 3° da Lei nº 10.637, de 2002, são considerados insumos somente as despesas vinculadas aos serviços aplicados “na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda” ou seja, aplicados no processo produtivo. No presente caso, obviamente, as despesas realizadas com os referidos veículos estavam relacionadas com os serviços de transporte prestados nas fases anterior e posterior ao processo industrialização dos produtos vendidos. Segundo a Recorrente, resultaria ilógica e odiosa afronta ao princípio da isonomia, o fato de a despesa com frete contratado e pago a terceiros dar direito a crédito, enquanto que a despesa com o mesmo serviço de transporte, realizado em veículos da própria Interessada, não propiciar tal direito. Essa alegação se refere ao disposto no inciso IX7 do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, aplicável também à Contribuição para o PIS/Pasep, nos termos do inciso II do art. 15 da mesma Lei, que assegura o direito de crédito aos pagamentos das despesas de frete na operação de venda, em que o ônus seja suportado pelo vendedor. Não existe a alegada isonomia. No meu entendimento, as despesas com frete são distintas das despesas com combustível, peças de reposição, manutenção, pedágio e serviços de honorários realizados com os veículos de transporte de carga da frota da Interessada, conforme discriminado nas tabelas de fls. 209/210. De qualquer forma, no caso em tela, por falta de previsão legal, as despesas realizadas com os referidos veículos de transporte não dão direito a crédito da Cofins não cumulativa, pois não se enquadram na definição de insumo aplicado ou consumido na fabricação dos produtos vendidos, conforme entendimento da Autoridade Fiscal, ratificado no Acórdão recorrido. Nesse sentido, o entendimento do Tribunal Regional Federal (TRF) da 5a Região, conforme consignado no julgado a seguir transcrito8: TRIBUTÁRIO. CREDITAMENTO DE INSUMOS. PIS E COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. ARTIGO 3º, II, DAS LEIS N.º 10.637/02 E 10.833/03. ABRANGÊNCIA DOS BENS E SEVIÇOS UTILIZADOS NA PRESTAÇÃO 7 "Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...)". 8 TRF da 5a Região. Quarta Turma. Apelação Civel no 508.684. Relatora: Desembargadora Federal Margarida Cantarelli. Data da decisão: 09/11/2010. Publicada no DJU de 11/11/2010. Fl. 221DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 20 DO SERVIÇO E FABRICAÇÃO DE MERCADORIAS. I. As restrições ao abatimento de créditos da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS pelo regime nãocumulativo, previstas no art. 3º, II, das Leis n.º 10.637/02 e 10.833/03, bem como na IN n.º 247/2002 e IN 404/2004 Receita Federal, não ofendem o disposto no art. 195, parágrafo 12, da Constituição Federal. II. O conceito de insumo, para fins de creditamento no regime não cumulativo das contribuições PIS e COFINS, abrange os elementos aplicados diretamente na fabricação do bem ou na prestação do serviço, ou seja, aqueles vinculados à atividade fim do contribuinte. III. No caso, os combustíveis e lubrificantes utilizados pela empresa não estão inseridos na cadeia de fabricação, mas apenas são usados na frota de caminhões que atende a fabrica, não podendo as despesas deles decorrentes serem tidas como insumos. IV. Apelação improvida. (grifos não originais) Com base nessas considerações, sou pela manutenção da glosa dos referidos créditos. Da glosa dos créditos apurados sobre o valor do encargo de depreciação dos veículos. A glosa dos referidos créditos foi realizada com base no argumento de que os veículos pesados integrantes da frota de propriedade da Interessada não se enquadravam no conceito de máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda. Em consequência, os encargos de depreciação dos referidos veículos não asseguravam direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa, previsto na redação originária do inciso VI do art. 3° da Lei 10.637, de 2002, combinado com o disposto no inciso III do a § 3º do mesmo artigo, a seguir transcritos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; (...) § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Vigência) (...) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; (...) (grifos não originais) Por outro lado, com base no entendimento de que tais veículos seriam bens de produção, alegou a Recorrente que os encargos de depreciação em questão enquadravamse no conceito de insumo, logo ela tinha direito aos créditos calculados sobre o valor dos tais encargos. Não assiste a razão a alegação da Recorrente. De acordo com disposto no inciso VI do art. 3° da Lei 10.637, de 2002, somente os valores dos encargos de depreciação Fl. 222DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.008891/200709 Acórdão n.º 380200.477 S3TE02 Fl. 629 21 das máquinas e dos equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda possibilitam o direito ao crédito questionado. No caso presente, os citados veículos foram utilizados no transporte (i) do gado vivo da propriedade do produtor rural até a planta industrial e (ii) do produto industrializado da planta industrial até o estabelecimento dos clientes, logo, não tiveram qualquer participação no processo de fabricação dos produtos finais vendidos pela Recorrente. O fato de tais veículos serem imprescindíveis para atividade da Recorrente, conforme alegado no presente Recurso, ao meu ver, não tem qualquer relevância para fim da definição do bem de produção em comento. Com base nessas considerações, entendo que deve ser mantida a glosa dos referidos créditos. Da glosa dos créditos apurados sobre valor das despesas de locação de veículos de transporte. De acordo com item 4 da Informação Fiscal que serviu de base para a decisão consignada no citado Despacho Decisório, a glosa dos referidos créditos foi realizada com base no entendimento de que somente as despesas de aluguéis de “prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa”, enquadravase na hipótese prevista no inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, a seguir transcrito: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (...) Segundo a Autoridade Fiscal, ainda que utilizados nas atividades da Recorrente, as despesas com a locação de veículos de carga não poderiam ser utilizadas como base de cálculo do crédito em questão, porque os referidos veículos não seriam prédios, nem tampouco máquinas e equipamentos. Discordo. No meu entendimento, a expressão genérica “máquinas e equipamentos” compreende também os veículos de transporte de carga que, no caso em tela, foram utilizados no transporte de animais e de carne fresca, complementando os serviços de transporte realizados em frota da própria Recorrente. Segundo o Dicionário Houaiss9, máquina “é qualquer equipamento que empregue força mecânica, composto de peças interligadas, cada qual com uma função específica, e em que o trabalho humano é substituído pela ação do mecanismo”. Logo, é indubitável que os veículos de transporte de carga são uma espécie de máquina, aliás, uma das máquinas mais complexas. 9 Versão eletrônica disponível em: <http://educacao.uol.com.br/dicionarios/>. Acesso em 27 abr 2011. Fl. 223DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 22 Cabe enfatizar que a dedutibilidade do referido crédito não está condicionada a que as máquinas e os equipamentos locados sejam utilizados na “fabricação de produtos destinados à venda”, conforme exigido para os encargos de depreciação. Deveras, no caso em tela, a exigência é que as máquinas e os equipamentos sejam utilizados “nas atividades da empresa”. Aliás, sobre tal requisito inexiste controvérsia, pois a própria Autoridade Fiscal asseverou que os mencionados veículos foram utilizados na atividade de transporte de animais e bois realizada pela Recorrente. Com base nessas considerações, entendo que deve ser restabelecida a dedução dos créditos apurados sobre o valor das despesa de locação com os referidos veículos de transporte de carga. III DA CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de: a) REJEITAR as preliminares de nulidade suscitadas; b) NÃO CONHECER da matéria de mérito referente ao percentual de cálculo do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep, por concomitância com ação judicial; e c) em relação às demais matérias de mérito conhecidas, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao presente Recurso, para restabelecer a dedução dos créditos apurados sobre o valor das despesa de locação dos veículos de carga e homologar a compensação até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Declaração de Voto Conselheiro Solon Sehn No mérito, pedese vênia para divergir do eminente Conselheiro Relator no tocante à incidência da contribuição sobre subvenções para investimentos contabilizadas como reserva de capital (crédito fiscal do programa Fundopem/RS), bem como em relação à glosa do crédito decorrente de despesas de frota própria e dos encargos de depreciação de veículos pesados utilizados pelo Recorrente no transporte de cargas. 1 Da incidência da contribuição sobre as subvenções para investimento Fl. 224DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.008891/200709 Acórdão n.º 380200.477 S3TE02 Fl. 630 23 A decisão recorrida entendeu que as exclusões da base de cálculo somente seriam admitidas quando expressamente previstas no art. 1º, § 3º, da Lei nº 10.833/2003. Assim, considerando que o dispositivo nada dispõe acerca das subvenções para investimento, foi mantida a exigência da contribuição. Entretanto, devese ter cautela com essa interpretação. Embora assentada em premissa correta, referida exegese nem sempre conduz a um resultado válido. O fato de determinando ingresso não estar relacionado de forma expressa no art. 1º, § 3º, não implica necessariamente a sua inclusão na base de cálculo do tributo. O inciso I do dipositivo também autoriza a exclusão das receitas não alcançadas pela incidência da contribuição. Antes de tudo, portanto, cumpre verificar se o evento efetivamente constitui uma receita tributável: Art. 1º [...]§ 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); É o exatamente o que com a subvenção para investimento contabilizada como reserva de capital. Esta, em uma primeira análise, parece não se enquadrar em nenhum dos incisos no § 3º. Um exame mais detido, no entanto, conduz à aplicação do inciso I, em razão da não subsunção do ingresso no conceito de receita bruta. Por outro lado, cumpre destacar que a amplitude desse conceito não pode ser buscado unicamente no art. 1º da Lei nº 10.833/2003: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. O caput e o § 1º do art. 1º da Lei nº 10.833/2003 apresenta uma redação tautológica e circular, que, em última análise, acaba definindo o total das receitas como todas as receitas da pessoa jurídica, o que, obviamente, não representa um parâmetro seguro, sobretudo quando associada à exegese equivocada das exclusões da base de cálculo previstas no § 3º, destacada inicialmente. O conceito de receita não é amplo nem tampouco indetermiando. A doutrina tem delineado o seu conteúdo e, nos últimos anos, notadamente após edição da Lei nº 9.718/1998. Os estudos existentes, consoante destacado em pesquisa sobre o tema, tem partido do art. 212, § 1º, da Constituição e de dispositivos da Lei nº 6.404/1976 (art. 187, I, II, IV e § 1º, “a”), definindo o sentido jurídico de receita bruta como um “ato, fato ou negócio jurídico apto a gerar alteração positiva do patrimônio líquido da pessoa jurídica que a aufere, sem reservas, condicionamentos ou correspondências no passivo”10. 10 SEHN, Solon. “O conceito de receita no direito privado e suas implicações no direito tributário (PISCofins, IRPJ, Simples).” Revista Dialética de Direito Tributário. São Paulo: Dialética, 2006, n.º 127. No mesmo sentido, Fl. 225DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 24 A noção de receita bruta pressupõe, assim, a ocorrência de acréscimento ao patrimônio líquido da pessoa jurídica, o que a distingue os mero ingressos de caixa e de outros eventos sem repercussão patrimonial positiva: A necessidade de repercussão patrimonial também é ressaltada por Geraldo Ataliba e Clèber Giardino, quando ensinam que receita constitui “acréscimo patrimonial que adere definitivamente ao patrimônio do alienante. A ele, portanto, não se podem considerar integradas importâncias que apenas ‘transitam’ em mãos do alienante, sem que, em verdade, lhes pertençam em caráter definitivo”. Nesse mesmo raciocínio, aliás, temse colocado praticamente toda a doutrina dedicada ao estudo do tema, considerando receita apenas “[...] a entrada que, sem quaisquer reservas, condições ou correspondência no passivo, se integra ao patrimônio da empresa, acrescendoo, incrementandoo” (AIRES F. BARRETO); “um ‘plus jurídico’ (acréscimo de direito), de qualquer natureza e de qualquer origem, que se agrega ao patrimônio como um elemento positivo, e que não acarreta para o seu adquirente qualquer nova obrigação” (RICARDO MARIZ DE OLIVEIRA); o “incremento do patrimônio” (ALIOMAR BALLEIRO); o “elemento positivo do acréscimo patrimonial” (GISELE LEMKE); “a entrada de riqueza nova no patrimônio da pessoa jurídica” (HUGO DE BRITO MACHADO e HUGO DE BRITO MACHADO SEGUNDO); as “quantias que a empresa recebe não para si” (HAMILTON DIAS DE SOUZA, LUIZ MÉLEGA e RUY BARBOSA NOGUEIRA), que “possam alterar o patrimônio líquido” (JOSÉ EDUARDO SOARES DE MELO); a entrada “de cunho patrimonial” (MARCO AURÉLIO GRECO), que “tem o condão de incrementar o patrimônio” (ALEXANDRE BARROS CASTRO)11. Isso ocorre porque a receita corresponde ao elemento positivo que compõe a renda da pessoa jurídica, considerado de forma isolada, independente da dedução de custos, despesas, participações ou provisões. É o que ressaltam Hugo de Brito Machado e Hugo de Brito Machado Segundo, quando destacam que a receita “[...] se caracteriza por representar a entrada de riqueza nova no patrimônio da pessoa jurídica. Receita é um elemento novo que, depois de considerados os custos e as despesas, comporá a renda”12. Por conseguinte, somente podem ser consideradas receita as entradas relevantes para efeitos de composição da renda, o que afasta de seu âmbito de significação as transferências de capital, gênero que abrange as subvenções de investimentos. As transferências de capital, com efeito, são negócios jurídicos unilaterais que visam a transmissão de direitos patrimoniais de uma pessoa física ou jurídica para outra, independe de qualquer contraprestação. Pressupõem, para sua caracterização, a intenção objetiva de realizar o incremento do patrimônio do beneficiário, que, por sua vez, deve mantê las em conta de reserva de capital. Do contrário, perdem sua natureza jurídica, convertendose em renda da beneficiada. cf.: SEHN, S. Cofins incidente sobre a receita bruta. São Paulo: Quartier Latin, 2006; SEHN, S. PISCofins: não cumulatividade e regimes de incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011. 11 SEHN, PISCofins..., op. cit., p. 152153. 12 MACHADO, Hugo de Brito; MACHADO SEGUNDO, Hugo de Brito. Parecer Contribuições incidentes sobre faturamento. PIS e Cofins. Descontos obtidos de fornecedores. Fato gerador. Inocorrência. Revista Dialética de Direito Tributário. São Paulo: Dialética, n. 113, p. 136137. Fl. 226DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.008891/200709 Acórdão n.º 380200.477 S3TE02 Fl. 631 25 Algumas modalidades de transferência de capital estão relacionadas no art. 38 do DecretoLei nº 1.598/1977 e no § 1º, art. 182, da Lei nº 6.404/1976, dentre as quais, para efeitos do caso em exame, cumpre destacar as subvenções para investimentos, que estava prevista no texto do dispositivo legal vigente ao tempo da ocorrência dos eventos imponíveis. As subvenções, de acordo com a Nota Explicativa da Instrução CVM nº 59/1986, têm a seguinte caracterização: [...] Em relação às subvenções recebidas pela companhia, elas podem ser classificadas em dois tipos diferentes: subvenções para investimento e subvenções para custeio. As subvenções para investimento são registradas contabilmente como reserva de capital. Normalmente, referemse a valores de que a companhia se beneficia a título de devolução, isenção ou redução de impostos devidos, ou de valores recebidos destinados à expansão de suas atividades, sob a forma de investimentos para capital fixo ou capital de giro. É o caso, por exemplo, de devolução de IPI ou ICM e de isenção temporária de imposto de renda como incentivo regional ou setorial. As subvenções para custeio são constituídas por auxílio financeiro comumente recebido de forma periódica pela companhia para fazer face às suas despesas, insuficientemente cobertas pelas receitas de suas operações (tarifas). São, contabilmente, classificadas como receita extraordinária. É exemplo típico o caso das ferrovias brasileiras13. Portanto, as subvenções para investimento são transferências de capital vinculadas à expansão das atividades empresariais, concedidas pelo Poder Público mediante devolução, isenção ou redução de tributos. Diferenciamse das subvenções para custeio, que visam o auxílio financeiro de atividades operacionais deficitárias, destinadose à despesas correntes da pessoa jurídica. As subvenções para investimentos, quando contabilizadas como reserva de capital, não transitam em conta de resultado, como ensina José Bulhões Pedreira: Dois requisitos são necessários para que se caracterize a transferência de capital: (a) que o doador tenha a intenção de fazer contribuição para o estoque de capital da pessoa jurídica, e (b) que esta não modifique a natureza da transferência, transformando o capital em renda. [...] A transferência de capital pressupõe a intenção do doador de contribuir para o estoque de capital da pessoa jurídica, e não para o custeio das suas atividades ou operações. Mas a pessoa jurídica que a recebe pode mudar essa destinação, transformando o capital em renda. Por isso, a caracterização de 13 “Esta Nota Explicativa faz parte integrante da INSTRUÇÃO CVM Nº 59, de 22.12.86, sendo, portanto, obrigatória a adoção de todos os conceitos aqui emitidos por parte das companhias abertas.” Fl. 227DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 26 transferência de capital, para efeitos fiscais, pressupõe tanto a intenção de quem transfere quanto o tratamento que a pessoa jurídica dá, na sua contabilidade, à transferência recebida: somente há transferência de capital se a pessoa jurídica credita os valores recebidos a conta de reserva de capital. Se o crédito é feito a conta de resultados, a lei tributária considera que a pessoa jurídica transformou a transferência de capital em transferência de renda e a submete ao imposto. A subvenção para investimento e a doação não pressupõem, todavia, aplicação de recursos no ativo permanente da pessoa jurídica. O capital próprio (assim como o de terceiros) achase aplicado, de modo indiscriminado, em todos os elementos do ativo, e a pessoa jurídica pode receber subvenções para investimento ou doações para aumentar o capital de giro14. Assim, enquanto mantidas em conta de reserva de capital, as subvenções não transitam em conta de resultado e, dessa maneira, não configuram receita tributável porque são destituídas de aptidão para gerar renda. Pelo mesmo motivo, não estão sujeitas à incidência da contribuição, ao menos enquanto não creditadas a conta de resultados. Cumpre destacar que esse regime – vigente ao tempo da ocorrência dos eventos imponíveis – foi alterado com introdução dos novos critérios e métodos contábeis previstos na Lei nº 11.638/2007. Esta revogou o art. 182, § 1º, “d”, da Lei nº 6.404/1976, de modo que as subvenções para investimentos deixaram de ser contabilizadas como reserva de capital, para integrar a conta de resultados. Essa sucessão legislativa reforça que, ao tempo da ocorrência dos eventos imponíveis, antes da promulgação da Lei nº 11.638/2007, as subvenções para investimentos não integravam a conta de resultados, consoante sustentado pelo ilustre Professor José Bulhões Pedreira, nas lições citadas acima. Os efeitos fiscais dos critérios e métodos contábeis da Lei nº 11.638/2007, porém, foram neutralizados pelo Regime Tributário de Transição RTT, instituído pela Lei nº 11.941/2009. Esta, no que se refere especificamente ao tema em exame, estabeleceu que: Art. 21. As opções de que tratam os arts. 15 e 20 desta Lei, referentes ao IRPJ, implicam a adoção do RTT na apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Parágrafo único. Para fins de aplicação do RTT, poderão ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando registrados em conta de resultado: I o valor das subvenções e doações feitas pelo poder público, de que trata o art. 18 desta Lei; e Feitas essas observações, ingressando nas particularidades do caso concreto, notase que, de acordo com o livro razão (fls. 6062), com os balancetes de verificação (fls. 89, 134135) e demonstrações contábeis (balanço patrimonial fls. 212, demonstração das origens e aplicações de recursos fls. 215, demonstração das mutações do patrimônio líquido fls. 216), a subvenção para investimentos foi efetivamente contabilizada como reserva de capital. 14 PEDREIRA, José Luiz Bulhões. Imposto de renda: pessoas jurídicas. Rio de Janeiro: AdcoasJustec, 1979, v. II, p. 403. Fl. 228DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.008891/200709 Acórdão n.º 380200.477 S3TE02 Fl. 632 27 O crédito presumido de Icms concedido pelo Estado do Rio Grande do Sul no âmbito do Fundopem, por sua vez, está claramente vinculado à execução de projeto de implantação de atividade industrial por parte do contribuinte. Não se trata, assim, de subvenção destinada ao custeio de despesas correntes, de auxílio para atividade deficitária, mas de verdadeira subvenção para investimentos, consoante previsto no ato concessionário (fls. 56): CLÁUSULA PRIMEIRA Considerase implementado o incentivo previsto no Decreto nº 37.373 de 23 de abril de 1997, concedido à EMPRESA pelo Decreto nº 38.793/98, fixado em até 75% (setenta e cinco por cento) do incremento real do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicações ICMS, devido mensalmente pelo estabelecimento inscrito no CGC/TE sob o nº 008/0137695. Parágrafo Único Para efeito do disposto nesta cláusula, considerase: a) increment real, o valor total do ICMS devido mensalmente pela EMPRESA, por se tratar de projeto de implantação; b) ICMS devido, o definido na Nota 1, do inciso XIII, do artigo 32, do Livro 01, do Regulamento do ICMS, aprovado pelo Decreto nº 37.699/97. A vinculação entre a subvenção e a implantação industrial é tal ordem que a inexecução do projeto apresentado ao Estado implica a revogação do benefício (fls. 5758): CLÁUSULA QUINTA Sob pena de cessação do benefício previsto na Cláusula Primeira a EMPRESA obrigase a: I cumprir o seu projeto descrito no Processo nº 002752 16.00 SEDAI 97.0, que integra este Protocolo para todos os efeitos legais e/ou convencionais; Desse modo, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, encontramse presentes os requisitos de caracterização da subvenção para investimentos previstos no Parecer Normativo CST nº 112/1978, da Coordenação do Sistema da Tributação: 2.12 – Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o ‘animus’ de subvencionar para investimento. Impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado.[...] 2.13 Outra característica bem nítida da SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO, para os fins do gozo dos favores previstos no § 2º do art. 38 do D.L. 1.598/77, é a que seu beneficiário terá que ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. Em outras palavras: quem está suportando o ônus de implantar ou expandir o empreendimento econômico é que deverá ser tido Fl. 229DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 28 como beneficiário da subvenção e por decorrência dos favores legais. […]15 Por fim, registrese que, mesmo que inexistisse a vinculação a um projeto de implantação industrial, ainda assim o contribuinte teria direito à excluir a subvenção do Fundopem da base de cálculo da contribuição, enquanto mantida a contabilização como reserva de capital ou reserva de incentivos, no regime do RTT. Isso porque, consoante destaca José Bulhões Pedreira, nada impede o emprego da subvenção para investimentos em capital de giro da pessoa jurídica: O PNCST n.º 112/78 interpreta restritivamente a expressão “subvenção para investimento”, ao considerar como requisito essencial que os recursos doados sejam aplicados em bens do ativo permanente. Essa interpretação não tem fundamento na lei. A legislação tributária classifica todas as subvenções em apenas duas categorias – correntes e para investimento. A que não se classifica em uma delas pertence, necessariamente, à outra, e toda transferência de capital é subvenção para investimento. A palavra investimento, no caso, deve ser entendida nos seus dois sentidos de criação de bens de produção e de aplicação financeira16. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já apresenta julgados nessa mesma linha, com destaque para o Acórdão nº 10708.739: A subvenção para investimento (deixando de lado o mérito de tratarse, juridicamente, de uma doação), caracterizase em função de sua natureza de uma transferência de capital sendo irrelevante a destinação do seu valor. Vale dizer, ‘a palavra investimento, no caso, deve ser entendida nos seus dois sentidos de criação de bens de produção e de aplicação financeira’ (Bulhões Pedreira), jamais como condicionante de que o valor recebido deva estar vinculado à (implantação ou expansão de determinados empreendimentos econômicos) aquisição de determinados bens ou direitos sujeitos a imobilização17. O julgado faz referência à precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que também se afasta das conclusões do PN CST n.º 112/1978: O PN CST n° 112/78, no subitem 2.12, acima transcrito, quando falou em efetiva e específica aplicação de subvenção em investimentos previstos ou projetados, foi mais longe. Bulhões Pedreira apontalhe a falta de base legal, nesse ponto. Realmente, se estudada a questão em tese, o PN CST n° 112/78 teria excedido a lei, no particular18. A possibilidade de aplicação da subvenção de investimentos em capital de giro também é prevista na Nota Explicativa da Instrução CVM nº 59/1986, reproduzida acima. Portanto, em qualquer dos ângulos analisados, o crédito presumido do Fundopem/RS constitui 15 Parecer Normativo CST n.º 112/1978, de autoria de Carlos Augusto de Vilhena. DOU de 11/01/1979, Seção I, Parte I, p. 467 e ss. 16 PEDREIRA, op. cit., p. 402403. 17 Decisão de 20 de setembro de 2006. Rel. Conselheiro Luiz Martins Valero. 18 Voto do relator no Acórdão nº CSRF/01885. Fl. 230DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.008891/200709 Acórdão n.º 380200.477 S3TE02 Fl. 633 29 subvenção para investimento. Assim, enquanto contabilizado como reserva de capital, não transitam em conta de resultado e, por conseguinte, não constituem receita tributável. 2 Dos créditos sobre despesas de transporte com frota própria O conceito de insumo, para fins de creditamento do PIS/Pasep e da Cofins, tem sido objeto de grande controvérsia doutrinária e jurisprudencial19. Esta, por sua vez, se reflete em algumas decisões desse Conselho, como o acórdao proferido no Recurso Voluntário n. 146.77820 e, nessa mesma linha, a recente decisão da 2ª Turma Ordinária, 2ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento, no Recurso Voluntário nº 369.519: [...] O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração pela não comutatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. Contudo, no presente feito, o desate da questão independe do ingresso nesse debate, uma vez que o direito ao crédito sobre valor das despesas de transporte com frota própria encontra amparo na Instrução Normativa SRF nº 404/2004, que assim estabelece: Art. 8° Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: [...] b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; [...] 4° Para os efeitos da alínea “b” do inciso I do caput , entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: 19 Sobre o tema, cf: MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática nãocumulativa do PIS e da Cofins. In: PEIXOTO, Marcelo Magalhães; FISCHER, Octávio Campos (coord.) PISCOFINS: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 2003; OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Aspectos relacionas à "não cumulatividade" da Cofins e da contribuição ao PIS. IN: PEIXOTO et. al., op. cit., p. 47 e ss.; SEHN, Solon. PIS Cofins..., op. cit., p. 313 e ss. 20 Carf. 2º C. 4ª T. Processo Administrativo n. 11065.101039/200617. Relator Rodrigo Bernardes de Carvalho. Sessão de 05/09/2008. Fl. 231DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 30 a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; 21 O valor do crédito, por sua vez, é calculado considerando o valor do custo de aquisição do bem, conforme decorre do § 3º do art. 8º desse mesmo ato normativo: Art. 8º [...] § 3º Para efeitos do disposto no inciso I, deve ser observado que: I o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente na aquisição, quando recuperável, não integra o valor do custo dos bens; e II o Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) integra o valor do custo de aquisição de bens e serviços22. O custo de aquisição, por outro lado, compreende as despesas de transporte, independente de se tratar de fronta própria ou de frete pago a terceiro, consoante prevê o art. 13, § 1º, “a”, do DecretoLei nº 1.598/1977: Art 13. O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. § 1º O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: a) o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto neste artigo; 23 O crédito de insumos, portanto, é calculado sobre o custo de aquisição, que compreende, observado o disposto no art. 13 do DecretoLei nº 1.598/1977, o valor do custo de de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte. Nesse sentido, cabe destacar as seguintes soluções de consulta: [...] FRETE NA AQUISIÇÃO. CUSTO DE PRODUÇÃO. O frete pago na aquisição dos insumos é considerado como parte do custo daqueles, integrando o cálculo do crédito da Cofins não cumulativa. O transporte de bens entre os estabelecimentos industriais da pessoa jurídica dará direito ao credito da Cofins apenas quando se tratar de produto ainda em fase de industrialização, de forma que o custo desse transporte seja considerado custo de produção. Caso se trate de produto 21 Grifamos. 22 Grifamos. 23 Grifamos. Fl. 232DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.008891/200709 Acórdão n.º 380200.477 S3TE02 Fl. 634 31 acabado, esse frete não dará direito ao crédito, por não se enquadrar no conceito de insumo24. FRETE NA AQUISIÇÃO. O custo do transporte (frete), pago a pessoa jurídica domiciliada no País, de bens adquiridos para revenda e de insumos adquiridos para produção ou fabricação de bens destinados a venda pode gerar crédito na sistemática nãocumulativa da Cofins. A partir de 01/05/2004, o frete contratado com pessoas físicas ou jurídicas domiciliadas no exterior também pode gerar crédito nessa sistemática25. CRÉDITO. FRETE. O valor do frete pago na aquisição de insumo pode integrar a base de cálculo do crédito previsto no art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, desde que a aquisição do insumo dê direito à apuração de crédito e desde que a aquisição do frete esteja sujeita à incidência da Cofins26. CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO. CUSTO DE PRODUÇÃO. O frete pago a pessoa jurídica na aquisição de matériaprima, material de embalagem e produtos intermediários compõe o custo destes insumos para fins de cálcu lo do crédito a ser descontado da Cofins nãocumulativa apurada. FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA. O frete pago na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, também gera direito a crédito a ser descontado da Cofins não cumulativa a purada27. No caso em exame, não há dúvidas de que o bem transportado (animais vivos para abate) é insumo (matériaprima essencial) da atividade industrial exercida pelo contribuinte (industrialização de carnes). Assim, com a devida vênia, não cabe a glosa mantida pela decisão recorrida, porque o valor dispendido com o transporte do insumo até o estabelecimento do fabricante integra o custo de aquisição da matériaprima, servindo, por conseguinte, de base para o cálculo do crédito. Incluemse no custo de transporte as despesas com combustível, pedágio e todas as demais discriminadas na tabela de fls. 526527, com exceção: (a) das peças de reposição e de manutenção, que são bens do ativo imobilizado, salvo quando apresentar vida útil inferior a um ano, o que não foi provado; e (b) aos honorários, não há especificação do que se tratam, porquanto, consoante discriminado nas tabelas de fls. 526/527, estão discriminadas apenas como “ serviços e honorários – PJ”. 3 Dos créditos sobre o valor do encargo de depreciação dos veículos pesados Entendese que, se os veículos pesados são empregadas no transporte do gado para abate do estabelecimento produtor até o fabricante integram o processo produtivo, que não se limita ao espeço físico da unidade industrial. Tanto é assim que, consoante destacado no item anterior, a legislação tributária prevê a inclusão dos valores dispendidos com o transporte da matériaprima no custo do insumo industrial. 24 Solução de Consulta Disit 08 nº 169, de 23 de Junho de 2006. Grifamos. 25 Solução de Consulta nº 104, de 06 de Dezembro de 2004. 26 Solução de Consulta Disit 06 nº 63, de 12 de Julho de 2010. 27 Solução de Consulta nº 449, de 16 de Novembro de 2006. No mesmo sentido: Solução de Consulta nº 234 de 13 de Agosto de 2007. Fl. 233DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 32 Tal circunstância torna aplicável, com a devida vênia, a hipótese de creditamento prevista no inciso VI do art. 3° da Lei nº 10.833/2003: Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005); Redação original: VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; O direito ao crédito, por sua vez, prevalece mesmo considerando que os veículos também são utilizados para o transporte do produto industrializado da planta industrial até o estabelecimento dos clientes, porque, consoante estabelece a Instrução Normativa SRF nº 457/2004, o crédito é calculado tendo por base os encargos de depreciação definidos pela Secretaria da Receita Federal: Art. 1º As pessoas jurídicas sujeitas à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), em relação aos serviços e bens adquiridos no País ou no exterior a partir de 1º de maio de 2004, observado, no que couber, o disposto no art. 69 da Lei nº 3.470, de 1958, e no art. 57 da Lei nº 4.506, de 1964, podem descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação de: I máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços; e [...] § 1º Os encargos de depreciação de que trata o caput e seus incisos devem ser determinados mediante a aplicação da taxa de depreciação fixada pela Secretaria da Receita Federal (SRF) em função do prazo de vida útil do bem, nos termos das Instruções Normativas SRF nº 162, de 31 de dezembro de 1998, e nº 130, de 10 de novembro de 1999. Tais encargos são definidos de forma presumida, considerando condições médias de uso. Portanto, eventual desgaste adicional, decorrente do emprego do veículo na entrega dos produtos ao cliente, não afeta o cálculo do crédito. Por outro lado, o deferimento de taxa de depreciação superior à presumida deve se basear em laudo do Instituto Nacional de Tecnologia ou de outra entidade oficial de pesquisa (Lei nº 3.470/1958; Lei nº 4.506/1964), que estará sujeito a novo controle por parte da Administração Pública. Votase, assim, pelo provimento parcial do recurso voluntário, para fins de exclusão dos créditos presumidos do Fundopem/RS da base de cálculo da contribuição e de Fl. 234DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.008891/200709 Acórdão n.º 380200.477 S3TE02 Fl. 635 33 manutenção do direito ao crédito sobre despesas de transporte de insumo com frota própria e sobre o encargo de depreciação dos veículos pesados. (assinado digitalmente) Solon Sehn Fl. 235DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 13/06/2011 por SOLON SEHN, 30/ 06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.957664/2017-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 13 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
Ano-calendário: 2012
DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO.
Demonstrado a liquidez e certeza do direito creditório pela recorrente, há que se reconhecer e homologar as compensações até o limite do crédito comprovado.
Numero da decisão: 1401-006.499
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório de R$ 765.454,66 e homologar as compensações realizadas até o limite do crédito reconhecido.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Itamar Artur Magalhães Alves Ruga - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, André Severo Chaves, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, André Luis Ulrich Pinto, Lucas Issa Halah e Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente).
Nome do relator: ITAMAR ARTUR MAGALHAES ALVES RUGA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 20 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202304
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2012 DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. Demonstrado a liquidez e certeza do direito creditório pela recorrente, há que se reconhecer e homologar as compensações até o limite do crédito comprovado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 15 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 10880.957664/2017-94
anomes_publicacao_s : 202305
conteudo_id_s : 6846977
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 15 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 1401-006.499
nome_arquivo_s : Decisao_10880957664201794.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : ITAMAR ARTUR MAGALHAES ALVES RUGA
nome_arquivo_pdf_s : 10880957664201794_6846977.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório de R$ 765.454,66 e homologar as compensações realizadas até o limite do crédito reconhecido. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Itamar Artur Magalhães Alves Ruga - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, André Severo Chaves, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, André Luis Ulrich Pinto, Lucas Issa Halah e Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Apr 13 00:00:00 UTC 2023
id : 9890675
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Sat May 20 09:03:40 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1766403270849331200
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-05-08T19:45:53Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-05-08T19:45:53Z; Last-Modified: 2023-05-08T19:45:53Z; dcterms:modified: 2023-05-08T19:45:53Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-05-08T19:45:53Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-05-08T19:45:53Z; meta:save-date: 2023-05-08T19:45:53Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-05-08T19:45:53Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-05-08T19:45:53Z; created: 2023-05-08T19:45:53Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2023-05-08T19:45:53Z; pdf:charsPerPage: 1414; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-05-08T19:45:53Z | Conteúdo => S1-C 4T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10880.957664/2017-94 Recurso Voluntário Acórdão nº 1401-006.499 – 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de abril de 2023 Recorrente U.S.J. - ACUCAR E ALCOOL S/A - EM RECUPERACAO JUDICIAL Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2012 DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. Demonstrado a liquidez e certeza do direito creditório pela recorrente, há que se reconhecer e homologar as compensações até o limite do crédito comprovado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório de R$ 765.454,66 e homologar as compensações realizadas até o limite do crédito reconhecido. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Itamar Artur Magalhães Alves Ruga - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, André Severo Chaves, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, André Luis Ulrich Pinto, Lucas Issa Halah e Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 76 64 /2 01 7- 94 Fl. 229DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-006.499 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.957664/2017-94 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra a Decisão 4ª Turma da DRJ/BHE (Acórdão 02-97.856, fls. 97 e ss.) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora recorrente. Destaco excerto da defesa exordial que expõe muito bem de forma resumida os fatos (e-fls. 02 e ss.): [...] O direito creditório (crédito) é oriundo de recolhimento indevido em relação ao período de novembro de 2009, conforme recolhimento efetuado em 20/08/2012, através do DARF (Doc. 04) com o Código 2484 — "CSLL - Estimativa", e que foi utilizado para extinção de débitos do auto de infração lavrado em 18/09/2012 (Doc. 05) pela Receita Federal do Brasil referente ao mesmo período e tributo acima demonstrado. [...] O Contribuinte durante o ano calendário de 2009 efetuou a apuração da CSLL com base em balancetes de suspensão e/ou redução, e por conta disso, nos meses de novembro/2009 e dezembro/2009, apresentou os seguintes valores a recolher: Diante da falta de recolhimento das antecipações da CSLL acima, o auditor da Receita Federal do Brasil iniciou um procedimento de fiscalização, e mesmo diante desse procedimento, o Contribuinte efetuou o recolhimento das antecipações mensais da CSLL acima citados em 20/08/2012 (Doc. 04) e 27/08/2012 (Doc. 07), respectivamente, com os devidos acréscimos legais (multa e juros de mora), como segue: Por outro lado, a fiscalização desconsiderou os recolhimentos das antecipações tidas como "espontâneos" e lavrou um auto de infração em 18/09/2012 (Doc. 05), com os seguintes valores de CSLL, vejamos: Por conta da fiscalização desconsiderar os pagamentos "espontâneos" das antecipações da CSLL dos períodos de novembro/2009 e dezembro/2009, o Contribuinte optou em efetuar a liquidação total do auto de infração em 30 dias, e para isso, utilizou-se do instituto da compensação através das PER/DCOMP's dos valores de CSLL pagos "espontaneamente", para liquidação de parte do auto. Fl. 230DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-006.499 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.957664/2017-94 Importante frisar que os valores recolhidos à maior foram atualizados pela taxa Selic, a razão de 1,54% (conforme programa da SRFB), bem como, o valor do principal (novembro/2009 e dezembro/2009) constante do auto de infração, haja vista que a liquidação dentro do prazo de 30 dias se deu no mês seguinte à lavratura do auto de infração, como segue: A par disso, a liquidação do auto de infração ocorreu parte através do instituto da compensação com o devido preenchimento das PER/DCOMP's e parte com o recolhimento através dos DARF's, como será demonstrado abaixo: [PER/DCOMP 15799.84442.051113.1.7.04-4618 – objeto deste PAF] Note-se que o auto de infração fora integralmente quitado com as próprias antecipações da CSLL (novembro/2009 e dezembro/2009) recolhidas em atraso e tidas pelo contribuinte, mas não aceitas pelo auditor da Receita Federal do Brasil, como "espontâneas", bem como, mediante outros dois DARF's, sendo um referente a multa isolada e a outro referente ao saldo remanescente do auto. Dessa forma, não devem prosperar as considerações levadas a efeito para indeferimento da compensação com recolhimento indevido, oriundo do recolhimento de DARF, apurado no mês de novembro de 2009, sendo que as justificativas apresentadas pela auditoria da Receita Federal do Brasil são improcedentes. Em síntese, a recorrente apresentou o PER/DCOMP no. 15799.84442.051113.1.7.04-4618, indicando como crédito o Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL, código 2484 (estimativa de nov/09), cujo recolhimento no valor total de R$ 765.454,66, foi efetuado em 20/08/12. A DRJ confirmou o pagamento, mas não reconheceu o direito creditório no valor de R$ 765.454,66. Alega o julgador: “tal como indicado nas Informações Complementares da Análise de Crédito (fls. 86 e 87), o valor de R$ 765.454,66, recolhido por meio do DARF acima ilustrado, não mais se encontra disponível, uma vez que foi integralmente alocado ao débito de estimativa de CSLL de novembro de 2009 (código 2484), com imputação proporcional às parcelas de Imposto, multa de ofício e juros de mora”. [Código 1409 – MULA CSLL (20%,)] [Código 9443 – Juros CSLL] Consignou a imagem do sistema da RFB referente à alocação de tal pagamento: Fl. 231DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-006.499 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.957664/2017-94 De acordo com a imagem acima, a arrecadação ocorreu em 20/08/2012, com juros e multa. O recolhimento da estimativa foi feito em 20/08/12. O AI foi lavrado no mês seguinte em 18/092012 (fl. 51 e ss.). A ciência do AI se realizou em 24/09/2012 (informações na DCOMP, na ficha Débitos) [cópia TVF e-fls. 57 e ss.] O DARF acima foi indicado como crédito de PGIM, no valor original de R$ 765.454,66, na DCOMP no. 15799.84442.051113.1.7.04-4618 (retificadora da 35276.70861.191012.1.3.04- 9207). Por meio da DCOMP acima, a recorrente buscou compensar os débitos abaixo: Fl. 232DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-006.499 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.957664/2017-94 Do Voto Condutor da Decisão Recorrida (e-fls. 100 e ss.) [...] Examinando-se os registros informáticos da RFB, verifica-se a efetividade do alegado pagamento, realizado por meio do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF) 1185881613-5, abaixo descrito: Fl. 233DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-006.499 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.957664/2017-94 Entretanto, tal como indicado nas Informações Complementares da Análise de Crédito (fls. 86 e 87), o valor de R$ 765.454,66, recolhido por meio do DARF acima ilustrado, não mais se encontra disponível, uma vez que foi integralmente alocado ao débito de estimativa de CSLL de novembro de 2009 (código 2484), com imputação proporcional às parcelas de Imposto, multa de ofício e juros de mora. Em assim sucedendo, voto por considerar IMPROCEDENTE a presente manifestação de inconformidade. Do Recurso Voluntário II. PRELIMINARMENTE II..1. NULIDADE DO V. ACÓRDÃO: AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTOS RELEVANTES DAMANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE III. DO MÉRITO III.1. DA HIGIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO: INEXISTÊNCIA DE QUALQUER QUESTIONAMENTO PORPARTE DA D. AUTORIDADE FISCAL COM RELAÇÃO À EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO 64. Consoante restou largamente demonstrado no TÓPICO introdutório, o direito creditório pleiteado se funda em recolhimento de estimativa de CSLL para os mês de novembro/2009 (e também de dezembro de 2009, debatido em outro processo) que foi entendido pela fiscalização, de forma absolutamente equivocada, como recolhimento indevido, eis que realizado após a verificação de equívoco pelo contribuinte no curso de fiscalização iniciada. 65. Repita-se a sequência de fatos: (1) O débito debatido neste processo se refere a antecipação de CSLL na data-base de novembro/2009; Fl. 234DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-006.499 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.957664/2017-94 (2) O valor devido a título de principal (tributo) foi integralmente pago em DARF, tão logo o equívoco escusável foi percebido pelo RECORRENTE; (3) A quitação mediante pagamento do DARF por foi desconsiderada pela D. Autoridade Fiscal porque a fiscalização já havia sido iniciada (o agente fiscal preferiu seguir uma autuação mesmo tendo a evidência de que o contribuinte espontaneamente havia reconhecimento seu erro involuntário e feito o recolhimento para retificar seu procedimento); (5) Tentando desfazer todo o imbróglio, o RECORRENTE procedeu ao pagamento do fatídico Auto de Infração por meio da compensação daquele mesmo crédito (DARF) que acabara de pagar, buscando evitar a mesma autuação. (6) Esta quitação foi formalizada via PERD/COMP, não homologada e que acabou gerando o presente processo. 66. Independentemente da nulidade do auto de infração (ie. processo de débito), ao deixar de considerar os recolhimentos feitos pelo contribuinte, fato é que a fiscalização optou por efetuar o lançamento sem considerá-los no cálculo, entendendo-os, portanto, como recolhimentos indevidos. Referido aspecto, portanto, é absolutamente relevante, na medida em que a qualificação dos pagamentos como indevidos foi feita pela própria fiscalização, ao desconsiderá-lo na lavratura do ato administrativo. IV. DOS PEDIDOS i. Preliminarmente, seja reconhecida a nulidade do v. acórdão, tendo em vista que não foram analisados os argumentos expostos pela RECORRENTE na Manifestação de Inconformidade, bem como não foi fundamentada a razão pela qual se entendeu pela não homologação do direito creditório em questão; ii. Caso assim não se entenda, o que se admite para argumentar, e independentemente de ter havido a suposta confissão do débito, o que se observa é a patente nulidade por vício material do auto de infração que se buscou compensar (ie. débito compensado - PAF 19515.722013/2012-11), tal como determina a jurisprudência do STJ em recurso repetitivo, devendo esta ser reconhecida inclusive ex officio na esteira dos precedentes deste egrégio CARF, também pela via da manifestação de inconformidade; No mérito, caso sejam superadas as nulidades mencionadas, o que se admite apenas por argumentação, que seja o presente recurso voluntário provido, a fim de que seja julgado improcedente o despacho decisório proferido nos presentes autos, eis que: a. é absolutamente hígido o crédito compensado no PER/DCOMP que deu origem à não homologação, em especial diante do fato de que este é oriundo de pagamento considerado indevido pela autoridade fiscal por meio de DARF; e b. A não homologação carece de fundamentação jurídica, na medida em que a D. Autoridade Fiscal, no momento do procedimento de fiscalização, ignorou o pagamento realizado pela Recorrente. Nestes termos, pede deferimento [...] É o relatório. Fl. 235DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-006.499 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.957664/2017-94 Voto Conselheiro Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, portanto dele conheço. Auto de Infração (PAF AI — 19515.722013/2012-11 — ARQUIVADO EM 26/01/18 Em 18/09/12 a Autoridade Fiscal lançou os valores abaixo (cf. e-fl. 58): No entanto, a contribuinte já havia recolhido o valor exigido com os acréscimos legais: Fl. 236DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1401-006.499 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.957664/2017-94 Ou seja, o auto de infração foi lavrado em 18/09/12 para exigir o valor de R$ 521.995,82, o qual já havia sido recolhido em 20/08/12, mas ainda não estava alocado no código correto pelo sistema. Para quitar então o valor exigido por meio do Auto de Infração, a recorrente apresentou a DCOMP indicando o DARF acima como crédito, mas emitiu-se o Despacho Decisório, com as informações abaixo: A interessada entregou a DCOMP no. 15799.84442.051113.1.7.04-4618 indicando este DARF, mas como o sistema alocou em 20/12/12, emitiu-se o Despacho Decisório, indicando que o valor já havia sido utilizado. Fl. 237DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1401-006.499 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.957664/2017-94 A recorrente apresentou a sua manifestação de inconformidade, explicando detalhadamente a situação. No entanto, o Colegiado de primeira instância julgou improcedente. O Julgador de origem, indeferiu o direito creditório por considerar que o valor do DARF não mais se encontra disponível, uma vez que foi integralmente alocado ao débito de estimativa de CSLL de novembro de 2009 (código 2484), com imputação proporcional às parcelas de Imposto, multa de ofício e juros de mora. No mesmo sentido do Despacho Decisório, o julgador de origem fundamentou a sua decisão, sem apreciar as alegações expostas na manifestação de inconformidade. A meu ver, caberia a nulidade da Decisão, no entanto, em homenagem a economia processual e à Causa Madura, entendo que há elementos suficientes para se reconhecer o direito creditório no presente caso, em valores originais, de modo que se faça a respectiva imputação de pagamento e controle dos débitos na unidade de origem. Ressalto que, conforme pesquisa no comprot, o Auto de Infração encontra-se arquivado: De fato, caberia a nulidade do Auto de Infração em relação à exigência da estimativa. Mas o PAF está arquivado tendo em vista a discussão sobre o débito na DCOMP apresentada. Fl. 238DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1401-006.499 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.957664/2017-94 Da Informação Fiscal constante do PAF no. 10880.729791/2012-91 Reproduzo informação constante do PAF epigrafado que demonstra a suficiência dos créditos do contribuinte (DARF e PERDCOMP) para cobrir o saldo devedor (e-fls. 167/168): Fl. 239DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 1401-006.499 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.957664/2017-94 A DCOMP indicada acima no. 35276.70861.191012.1.3.04-9207 foi retificada pela DCOMP no. 15799.84442.051113.1.7.04-4618, objeto desses autos. Pelo exposto, concluo que a recorrente tem de fato o crédito indicado no PER/DCOMP, o qual deve ser utilizado para imputação de pagamento dos débitos indicados na DCOMP conforme explicado desde a sua defesa inicial (foram pagas as estimativas e a multa isolada com DCOMPSs e DARFs, dentro do prazo de 30 para se beneficiar do desconto legal). Conclusão Desta forma, VOTO por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório de R$ 765.454,66 e homologar as compensações realizadas até o limite do crédito reconhecido. (documento assinado digitalmente) Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, Relator Fl. 240DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 1401-006.499 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.957664/2017-94 Fl. 241DF CARF MF Original
score : 1.0
