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Numero do processo: 10980.009499/2005-09
Data da sessão: Thu Apr 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Obrigações Acessórias
Exercício: 2001
Ementa: PEREMPÇÃO. Não se conhece do recurso interposto além do prazo fixado no artigo 33 do Decreto 702.35, de 1972, por perempto, quando restar comprovada a extemporaneidade.
Numero da decisão: 1803-000.362
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo. Em face da declaração de impedimento do Conselheiro Sergio Rodrigues Mendes, foi convocado o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro para compor o colegiado, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Benedieto Celso Benício Júnior
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-09-02T17:01:22Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-09-02T17:01:22Z; Last-Modified: 2010-09-02T17:01:22Z; dcterms:modified: 2010-09-02T17:01:22Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:5ab2c3d4-5b22-41e6-8c71-4a0a4b9b9ce5; Last-Save-Date: 2010-09-02T17:01:22Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-09-02T17:01:22Z; meta:save-date: 2010-09-02T17:01:22Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-09-02T17:01:22Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-09-02T17:01:22Z; created: 2010-09-02T17:01:22Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2010-09-02T17:01:22Z; pdf:charsPerPage: 1270; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-09-02T17:01:22Z | Conteúdo => • SI-TM F I 1 ••J-' Y MINISTÉRIO DA FAZENDA :0,,z voto CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10980.009499/2005-09 Recurso n" 167, 112 Voluntário Acórdão n° 1803-00.362 — 3a Turma Especial , Sessão de 08 de abril de 2010 Matéria IRPJ Recorrente ASSOCIAÇÃO BENFICENTE SÃO ROQUE Recorrida 1" TURMA/DRJ-CURITIBA/PR Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2001 Ementa: PEREMPÇÃO. Não se conhece do recurso interposto além do prazo fixado no artigo .3.3 do Decreto 702.35, de 1972, por perempto, quando restar comprovada a extemporaneidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo. Em face da declaração de impedimento do Conselheiro Sergio Rodrigues Mendes, foi convocado o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro para compor o colegiado, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Benedieto Celso Benício Júnior. ~ar -F EIRA DE MORAES — Presidente e Relatora EDITADO EM: O 9 J Li L 20 3 Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Luciano Inocência dos Santos, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes e Eduardo Martins Neiva Monteiro. Relatório Por descrever bem os fatos constantes dos presentes autos, adoto o relatório da decisão recorrida: "Trata o presente processo de auto de infração (fl, 10), cientificado em 02/08/2005 (fl. 28), mediante o qual é exigido da contribuinte qualificada o crédito tributário de R$ 414,35 referente à multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos da pessoa jurídica relativa ao ano-calendário 2000 2, O enquadramento legal do lançamento encontra-se discriminado no campo 05 (Descrição dos Fatos/Fzuidamentaçâo) do auto de 4-ação, àfl. 10, 3. Em 31/08/2005, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01/08, instruída com os documentos de fls. 09126, cujo teor é a seguir sintetizado, 4. Alega, inicialmente, que a DIPJ . foi entregue e que teria havido falha no sistema de registro da data de envio. Diz, ainda, que é entidade imune/isenta de tributação e que, assim, não teria havido qualquer prejuízo ao Erário. 5 A seguir, reclama da ausência e sustenta a necessidade de prévia intimação do contribuinte para prestar esclarecimentos à fiscalização, 6. Sustenta, também, que a DIRI fbi corretamente preenchida e que teria havido falha no sistema de transmissão de dados da Receita Federal, sendo inexigível a multa lançada.. 7. Na seqüência, aduz a necessidade de fixação da multa no valor Míni71110 legal, que defende ser de R$ 165,74, como estabelecido no art. 964 do Regulamento do Imposto de Renda. 8. Diz, a seguir, que não houve prejuízos ao Erário e que o fim da multa em questão é meramente arrecadató rio. 9. Ao . final, pede o cancelamento da exigência ou, conforme o caso, a sua redução para R$ 165,74. 10. É o relatório." A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, em decisão assim ementada: "DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS DA PESSOA JURIDICA MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A pessoa jurídica que, obrigada à entrega da declaração de rendimentos, a apresenta fora do prazo legal, está sujeita à multa estabelecida na legislação de regência". Processo n° 10980.009499/2005-09 81 -TE03 Acórdão n ° 1803 -00,362 El 2 Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, além de reiterar as alegações contidas na impugnação, apenas aduz que o recurso é tempestivo e é inexigível o depósito recursal de 30% corno condição para seguimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheira SELENE FERREIRA DE MORAES, Relatora A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 12/05/2008 (AR de fls. 38). O recurso foi protocolado em 16/06/2008, ou seja, após o transcurso do prazo legal de 30 dias previsto no Decreto n° 70„235/1972. Aduz a recorrente que foi intimada em 16/05/2008, conforme o extrato dos Correios, anexado às fls. 49. Ocorre porém que o extrato anexado pela recorrente refere-se ao objeto n° RL876077899BR, e não ao AR enviado e recebido pela contribuinte nos presentes autos (fls. 38), No AR de fls„ 38 — número RL8760761088R - constam os números da intimação de fls. .39 e do presente processo administrativo - 10980.009499/2005-09. Como muito bem ressaltado no despacho de fls. 51, o AR n° RL876077899BR foi enviado a outro contribuinte, qual seja, Igreja Presbiteriana Renovada de Vila Camargo, nos autos de outro processo administrativo — 10980.009488/2005-21, Por conseguinte, restou comprovado nos autos a intempestividade do recurso. A contagem do prazo para apresentação do recurso iniciou em 13 de maio de 2008, primeiro dia útil após a intimação, conforme definido no art. 5 0 do Decreto n. 70.235, de 1972, sendo o prazo fatal para apresentação do recurso a data de 11 de junho de 2008, uma quarta-feira. Porém, a contribuinte só postou seu recurso voluntário em 16/06/2008 (fls. 41), depois de transcorridos mais de .30 (trinta) dias da ciência da decisão, implicando, portanto, na sua perempção, ex-vi do artigo .33 do Decreto n i), 70.235, de 1972. Ante todo o exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso, por perempto, uma vez que restou comprovada sua extemporaneidade. R a"' B MORAES 3
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004221/2003-36
Data da sessão: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO.
Acolhem-se os embargos declaratórios quando demonstrada a contradição entre a parte dispositiva do Acórdão e seus fundamentos, procedendo-se ao saneamento do equívoco cometido.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 1998
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, sendo dispensável comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários (Súmula CARF no 26, em vigor desde 22/12/2009).
Numero da decisão: 2202-001.365
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos apresentados para, re-ratificando o Acórdão n.º 106-17.111, de 09/10/2008, sanando os vícios apontados, atribuir efeitos infringentes para reduzir o montante a ser excluído da base
de cálculo da exigência de R$ 2.218.397,56 para R$ 2.148.397,56.
Nome do relator: Maria Lucia Moniz de Aragão Calomino Astorga
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Acolhem-se os embargos declaratórios quando demonstrada a contradição entre a parte dispositiva do Acórdão e seus fundamentos, procedendo-se ao saneamento do equívoco cometido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 1998 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, sendo dispensável comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários (Súmula CARF no 26, em vigor desde 22/12/2009).
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CONTRADIÇÃO. Acolhem-se os embargos declaratórios quando demonstrada a contradição entre a parte dispositiva do Acórdão e seus fundamentos, procedendo-se ao saneamento do equívoco cometido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 1998 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, sendo dispensável comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários (Súmula CARF no 26, em vigor desde 22/12/2009). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos apresentados para, re-ratificando o Acórdão n.º 106-17.111, de 09/10/2008, sanando os vícios apontados, atribuir efeitos infringentes para reduzir o montante a ser excluído da base de cálculo da exigência de R$ 2.218.397,56 para R$ 2.148.397,56. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora Fl. 7DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 2 Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 19515.004221/2003-36 Acórdão n.º 2202-01.365 S2-C2T2 Fl. 2 3 Relatório Em sessão plenária de 09/10/2008, foi julgado pela Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes o recurso no 163.221, proferindo-se a decisão consubstanciada no Acórdão no 106-17.111 (fls. 909 a 952), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF IRPF Ano-calendário: 1998 PROVAS ACOSTADAS AOS AUTOS APÓS O PRAZO DE INTERPOSIÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO - IMPRESCINDIBILIDADE DA ANÁLISE PARA O DESLINDE DA CONTROVÉRSIA - VERDADE MATERIAL - A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, exceto se comprovada a ocorrência de uma das hipóteses do art. 16, § 4o, do Decreto no 70.235/72. Essa é a regra geral insculpida no Processo Administrativo Fiscal Federal. Entretanto, os Regimentos dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais sempre permitiram que as partes pudessem acostar memoriais e documentos que reputassem imprescindíveis à escorreita solução da lide. Em homenagem ao princípio da verdade material, pode o relator, após análise perfunctória da documentação extemporaneamente juntada, e considerando a relevância da matéria, integrá-la aos autos, analisando-a, ou convertendo o feito em diligência. FATO GERADOR. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. O fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Física, relativamente aos rendimentos sujeitos à tributação anual, é complexivo e se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, momento em que se verifica o termo final do período, para efeitos da determinação da base de cálculo do imposto. DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. O direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde que não seja constada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante Fl. 9DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 4 documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SÚMULA 182 DO TFR.INABLICABILIDADE A Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recurso não se aplica aos lançamentos efetuados com base na presunção legal de omissão de rendimentos prevista no art. 42, da Lei no 9.430, de 1996. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRAZIDA NA FASE DA AUTUAÇÃO - AUSÊNCIA DE INVESTIGAÇÃO DOS DEPOSITANTES PELA FISCALIZAÇÃO - DESNECESSIDADE DA COMPROVAÇÃO DA CAUSA DOS DEPÓSITOS E DA EVENTUAL TRIBUTAÇÃO DESSES VALORES - NÃO APERFEIÇOAMENTO DA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI N° 9.430/96 - Comprovada a origem dos depósitos bancários, caberá a fiscalização aprofundar a investigação para submetê- los, se for o caso, às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, na forma do art. 42, § 2°, da Lei n° 9.430/96. Não se pode, simplesmente, ancorar-se na presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/96, obrigando o contribuinte a comprovar a causa da operação, e se esta foi tributada. Conhecendo-se a origem dos depósitos na fase da autuação, inviável a manutenção da presunção de rendimentos com fulcro no art. 42 da Lei n° 9.430/96. Entretanto, caso o contribuinte faça a prova da origem após a fase da autuação, ou seja, na impugnação ou no recurso voluntário, a presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/96 somente será elidida se o contribuinte comprovar que os valores não deveriam ter sido ordinariamente tributados. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998 CONCESSÃO DE LIMINAR PARA SUSPENSÃO DE ATOS RELACIONADOS À CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ALCANCE A concessão de liminar que determina que a autoridade fiscal se abstenha da prática de qualquer ato relacionado à investigação de fatos que possam vir a gerar crédito tributário atinge somente o procedimento fiscal em curso, não se aplicando ao lançamento já regularmente constituído nem ao julgamento da lide sobre ele existente. JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios dos débitos para com a Fazenda Nacional passaram a ser equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, de acordo com precedentes já definidos pela Súmula no 4 do 1o CC, vigente desde de 28/07/2006. A decisão foi assim resumida: Fl. 10DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 19515.004221/2003-36 Acórdão n.º 2202-01.365 S2-C2T2 Fl. 3 5 ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, ACATAR o aditamento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga (relatora) e Sérgio Galvão Ferreira Garcia (suplente convocado), que não o acataram. Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares argüidas pelo recorrente. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 2.218.397,56, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga (relatora) e Sérgio Galvão Ferreira Garcia (suplente convocado), que deram provimento, em menor extensão, para excluir da base de cálculo somente o valor de R$ 127.514,72, referente aos depósitos de R$ 70.000,00 (17/12/98); R$ 36.000,00 (parte do depósito de R$ 60.000, de 25/3/98); R$ 10.000,00 (14/4/98); R$ 9.150,00 (10/2/98); R$ 2.364,62 (21/9/98). Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao acatamento do aditamento ao recurso e à exclusão da base de cálculo dos demais valores o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos. Intimada do referido Acórdão, em 11/02/2009 (vide documento anexado à fl. 954), a Fazenda Nacional, com fulcro no art. 7o, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria no 147, de 25 de junho de 2007, vigente à época dos fatos, interpôs Recurso Especial de fls. 957 a 965, que foi admitido conforme Despacho do Presidente da Primeira Câmara em exercício da Presidência da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF de fls. 966 a 967. Os autos foram encaminhados à unidade de origem para a ciência ao contribuinte do Acórdão recorrido, do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e do referido despacho para que, querendo, apresentasse as contra razões e recurso especial da parte do julgamento que lhe foi desfavorável. Conforme petição de fls. 970, o contribuinte, com o intuito de usufruir dos benefícios da Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009, expressamente desistiu de interpor Recurso Especial, quanto à parcela do lançamento mantida pelo Acórdão 106-17.111, bem como renunciou a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam os objetos da desistência. DOS EMBARGOS Em 23/06/2010, por meio do despacho de fls. 980 e 981, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária de São Paulo, com fundamento no art. 58 do então vigente Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria no 147, de 25 de junho de 2007, apresentou embargos inominados alegando que houve contradição no Acórdão guerreado. A embargante alega que, na parte dispositiva do Acórdão, ficou consignado que o Colegiado decidiu, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário “para excluir da base de cálculo o valor de R$ 2.218.397,56, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” Ficou registrado, ainda, que os conselheiros vencidos deram provimento em menor extensão para excluir somente o valor de R$127.514,72, referente a diversos depósitos, dentre eles, um depósito de R$70.000,00, de 17/12/1998. Afirma a embargante que, no item 3 do voto vencido (fl. 940), acatado pelo voto vencedor (fl. 952), a relatora, referindo-se ao depósito de R$70.000,00, de 17/12/1998, entendeu que a origem do mesmo não restou demonstrada. Aduz, entretanto, que na parte final do voto vencido ficou registrada a exclusão do “valor R$127.514,72, conforme indicado no Fl. 11DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 6 item 4 deste voto.” (fl. 943) e que o item 4 mencionado pela relatora refere-se a um Depósito de R$25.143,50, de 14/12/1998. Conforme despacho do Sr. Presidente da Primeira Câmara da Segunda Seção do CARF de fl. 982, os autos foram encaminhados para manifestação ao Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, membro da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção do CARF e redator do voto embargo. Analisando os presentes embargos, o redator do voto vencedor, no exercício da Presidência da Primeira Câmara da Segunda Seção, devolveu o processo para a Segunda Câmara da Segunda Seção, sugerindo que os embargos inominados fosse submetidos à apreciação da Conselheira relatora do 106-17.111, argumentando que o pedido de esclarecimento da unidade preparadora estava voltado para o voto vencido. Por fim, foram os autos direcionados a esta Conselheira, que conclui que houve, de fato, contradição entre a parte dispositiva do Acórdão e os fundamentos do voto vencido. Os embargos propostos foram acolhidos pelo Presidente da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que determinou a inclusão do processo em pauta para julgamento. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 19515.004221/2003-36 Acórdão n.º 2202-01.365 S2-C2T2 Fl. 4 7 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. 1 Análise dos Embargos Em análise do argüido, verifica-se que, de fato, existe contradição entre a decisão e os fundamentos. Consta na parte dispositiva do Acórdão embargado, transcrita anteriormente no relatório, que os Conselheiros vencidos deram provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo somente a importância de R$127.514,72, que seria composta pelos seguintes depósitos: R$70.000,00 (17/12/1998); R$36.000,00 (parte do depósito de R$60.000,00 de 25/03/1998); R$10.000,00 (14/04/1998); R$9.150,00 (10/02/1998); R$2.364,62 (21/09/1998). Da mesma forma, na conclusão do voto vencido está consignado que a exclusão da base de cálculo importa em R$127.514,72, fazendo-se referência, por equívoco ao item 4 do voto (4. Decadência), quando o correto seria item 5 (5. Presunção de omissão com base em depósito bancário de origem não comprovada), no qual se discorreu sobre a origem de cada um dos depósitos questionados pelo contribuinte (fls. 938 a 942). Ocorre, entretanto, que, em relação ao depósito de R$70.000,00, os argumentos da relatora são no sentido de manter o lançamento, como se observa no seguinte trecho do voto vencido (fl. 940): 3. Depósito de R$70.000,00 (BANCO REAL - 17/12/1998) Alega que, conforme cópia do Livro Diário do Hospital e Maternidade Jundiaí S/A (fls. 603 a 609 — volume IV e fls. 890 a 895 — volume V), do qual o contribuinte é sócio, teria recebido os montantes de R$ 40.000,00 e R$30.000,00, a título de devolução de empréstimo, cuja soma importa em 70.000,00. Aduz que o valor a receber não consta da Declaração de Bens existentes em 31/12/1997 porque foi disponibilizado ao Hospital no mesmo mês (12/1998) por meio de dois empréstimos (um de R$ 40.000,00 e outro de R$ 30.000,00). O contribuinte anexa cópia do Livro Razão e do Livro Diário (fls. 605 a 608 —volume IV e 891 a 894 — volume V), pela qual se verifica a existência de dois lançamentos de empréstimos feitos pelos sócios à empresa, nos valores de R$ 40.000,00 e R$30.000,00 (dias 10 e 14/12/1998, respectivamente) e devolução de empréstimo, dos mesmos valores no dia 17/12/1998. Contudo, muito embora exista coincidência entre datas e valores, não se pode saber, apenas com os documentos acostados aos autos, com que sócio efetivamente os empréstimos foram contratados. Conclui-se, assim, que não restou demonstrada origem do depósito questionado. Resta, assim, evidenciada a contradição entre a parte dispositiva do acórdão e seus fundamentos, em relação ao depósito de R$70.000,00, mantido pela relatora vencida. Tal fato acarretou também a omissão quanto aos fundamentos que levaram o relator designado a excluir o referido depósito, uma vez que, não obstante o tenha excluído da base de cálculo, Fl. 13DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 8 baseou sua decisão no voto vencido, como se observa na parte conclusiva do voto vencedor (fl. 952): Ante o exposto, considerando as exclusões perpetradas no voto da Conselheira relatora (R$ 127.514,72), voto no sentido de DAR provimento PARCIAL para excluir da base de cálculo do imposto lançado o montante de R$ 2.218.397,56. Destarte, há que se acolher os embargos propostos para que o Colegiado se manifeste em relação ao depósito bancário de R$70.000,00, efetuado em 17/12/1998. 2 Análise do depósito de R$70.000,00, efetuado em 17/12/1998. O contribuinte alega que teria recebido os montantes de R$ 40.000,00 e R$30.000,00, a título de devolução de empréstimo, no total de R$70.000,00, conforme cópia do Livro Diário do Hospital e Maternidade Jundiaí S/A (fls. 603 a 609 e fls. 890 a 895), entidade da qual é sócio. Aduz que o valor a receber não consta da Declaração de Bens existentes em 31/12/1997 porque foi disponibilizado ao Hospital no mesmo mês (12/1998) por meio de dois empréstimos (um de R$ 40.000,00 e outro de R$ 30.000,00). O contribuinte anexa cópia do Livro Razão e do Livro Diário (fls. 605 a 608 e 891 a 894), pela qual se verifica a existência de dois lançamentos de empréstimos feitos pelos sócios à empresa, nos valores de R$ 40.000,00 e R$30.000,00 (dias 10 e 14/12/1998, respectivamente) e devolução de empréstimo, dos mesmos valores no dia 17/12/1998. Contudo, muito embora exista coincidência entre datas e valores, não se pode saber, apenas com os documentos acostados aos autos, com que sócio efetivamente os empréstimos foram contratados e, sequer, identificar quem efetuou o depósito de R$70.000,00 na conta do contribuinte (fl. 431). Destarte, entendo que não restou comprovada a origem do depósito de R$70.000,00 e, portanto, este valor deve ser deduzido do montante a ser excluído indicado na decisão embargada. 3 Conclusão Diante do exposto, voto por ACOLHER os embargos, saneando os vícios apontados para re-ratificar o Acórdão no 106-17.111, de 09/10/2008, com efeitos infringentes, para reduzir o montante a ser excluído da base de cálculo de R$2.218.397,56 para R$2.148.397,56. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 14DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA
score : 1.0
Numero do processo: 13609.720041/2007-01
Data da sessão: Fri Mar 12 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO.
Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no SIPT, exige-se que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preços de 1º/01/2003.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.474
Decisão: Acordam os Membros do Colegiada, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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ARBITRAMENTO. Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no SIPT, exige-se que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Noimas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preços de 1"/01/2003. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros do Colegiada, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. CAIO MARCOS CA DIDQ -Presidente JOSE RAIMUN DP TgsTA SANTOS - Relator EDITADO EM: 18 j 'A 2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Ana Neyle Olímpio Holanda, Alexandre Naoki Nishioka, José Raimundo Tosta Santos, Robinson Passos de Castro e Gonçalo Bonet Allage. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão n° 03-25.292, proferido pela i a Turma da DRJ Brasília (fls. 114/117), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o Auto de Infração. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo órgão julgador a quo nos seguintes termos: Pela notificação de lançamento de n° 06113/0001612007 (fls. 01), a contribuinte em referência foi intimada a recolher o crédito tributário de R$ 32.790,88, correspondente ao lançamento do ITR/2003, da multa proporcional (75,0%) e dos juros de mora calculados até 29/06/2007, incidentes sobre o imóvel rural "Fazenda Santo Antonio 1" (NIRF 0.645.590-5), com 8.387,0 ha, localizado no município de João Pinheiro - MG. A descrição dos fatos, o enquadramento legal da infração e o demonstrativo da multa de oficio e dos juros de mora encontram-se às fls. 02/05. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão da DITR/2003 (fls.09/11), iniciou-se com o termo de intimação de fls. 06/07, para a contribuinte apresentar, dentre outros, os seguintes documentos de prova: - cópia do Ato Declaratório Ambiental — ADA requerido ao IBAMA e da matrícula do registro imobiliário, com a averbação da área de reserva legal; - laudo técnico com ART/CREA, com memorial descritivo do imóvel, no caso de área de preservação permanente prevista no art. 2° do Código Florestal, e certidão do órgão competente no caso de estar prevista no art. 3° desse código, com o ato do poder público que assim a declarou; - laudo de avaliação do imóvel, com ART/CREA, nos termos da NBR 14653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, contendo os elementos de pesquisa identificados. Em atendimento, a requerente apresentou os documentos de fls. 12/56. Da análise desses documentos e da DITR/2003, a autoridade fiscal glosou o VTN declarado de R$ 623.983,38 (R$ 74,39/ha), arbitrando-o em R$ 7.338.121,78 (R$ 874,94/ha), tendo sido apurado imposto suplementar de R$ 14.124,87, conforme demonstrado às fls. 04. Cientificada do lançamento em 17/07/2007 (fls. 110), a contribuinte protocolou em 15/08/2007, por meio de representantes legais, a impugnação de fls. 58/65, exposta nesta sessão e lastreada nos documentos de fls. 66/108, alegando, em síntese: - discorda do procedimento fiscal no incoerente arbitramento do VTN (parcialmente transcrito), sem fiscalização in loco, visto que o imóvel apresenta baixa fertilidade natural e baixo aproveitamento para cultivo, conforme esclarece o laudo técnico já anexado anteriormente; - o VTN declarado equivale ao valor contábil, superior ao valor de mercado em 2003 desse imóvel peculiar por sua grande dimensão, em hipótese alguma subavaliado; transcreve entendimentos de José Carlos Pellegrino e da Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo, para referendar seus argumentos, além do art.14 da Lei n° 9.393/1996, para eventualmente adotar-se o 2 Processo n° 13609.720041/2007-01 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.474 Fl. 143 menor valor da terra para a região (R$ 500,00/ha), fornecido pela Secretaria Estadual de Agricultura. Ao final, a contribuinte requer, além da produção de provas necessárias em direito admitidas, a anulação do lançamento impugnado, por afronta à CF188, ao CTN e à legislação do ITR; em conseqüência, sejam extintos o crédito fiscal, as multas e os acréscimos, ou seja adotado o valor mínimo de R$ 500,00/ha, fornecido pela Secretaria de Agricultura. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador a quo manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2003 DO VALOR DA TERRA NUA - VIN. Deverá ser mantido o VIN arbitrado pela autoridade fiscal para o ITR12003, por falta de documentação hábil para comprovar o valor pretendido e as características particulares desfavoráveis do imóvel, que o justificassem. Lançamento Procedente Em sua peça recursal (fls. 122/132), a contribuinte repisa as mesmas questões declinadas perante o Órgão julgador de primeiro grau. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Conforme Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, à fl. 04, a autoridade fiscal arbitrou o Valor da Terra Nua - VTN declarado de R$ 623.983,38 (R$ 74,39/ha), arbitrando-o em R$ 7.338.121,78 (R$ 874,94/ha), com suporte no VTN por aptidão agrícola proporcional às áreas declaradas no exercício de 2003, para os imóveis rurais localizados no município de João Pinheiro — MG, constante do Sistema de Preço de Terras (SIPT - fl. 08), instituído nos termos do § 1° do art. 14 da Lei 9.393/1996, com base em valores fornecidos pela Secretaria Estadual de Agricultura de Minas Gerais. Referida norma dispõe que a fiscalização procederá à determinação e ao lançamento de oficio do imposto, considerando infoi inações sobre preços de terra, constantes de sistema a ser por ela instituído, observados os critérios estabelecidos no artigo 12, § 1°, inciso II da Lei n° 8.629, de 25/02/1993, e levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Desnecessário, portanto, qualquer fiscalização in loco da propriedade, para se constatar que o VTN indicado pela contribuinte encontra-se subavaliado, mesmo em relação ao menor VTN por aptidão agrícola, pretendido secundariamente pela contribuinte, que não pode ser adotado, sem que haja correspondência com as áreas utilizadas na atividade rural. 3 Em suas alegações, a contribuinte refere-se ao laudo de avaliação anexado na fase inicial (fls. 27/30) e reapresentado na impugnação (fls. 78/79), argumentando que o imóvel apresenta fertilidade natural e aproveitamento para cultivo baixos, devido à excessiva arenosidade do solo, características desfavoráveis que justificariam esse valor. Referido laudo foi apreciado pela P Turma de Julgamento da DRJ Brasília, que formou convicção de que não cabe ser ele aceito, por não atender às exigências da autoridade fiscal, não podendo ser classificado com Grau II de fundamentação e precisão, nos termos da NBR 14653 da ABNT e da intimação inicial. Com efeito, para formar a convicção sobre os valores indicados para o imóvel avaliado, esse laudo deveria atender aos requisitos estabelecidos na norma NBR 14.653-3 da ABNT, com a apuração de dados de mercado (ofertas/negociações/opiniões), referentes a pelo menos 05 (cinco) imóveis rurais, com o seu posterior tratamento estatístico (regressão linear ou fatores de homogeneização), de forma a apurar o valor mercado da terra nua do imóvel, a preços de 01/01/2003. Desta forma, apareceriam todas as distorções na formação de preço, aventadas pela contribuinte em seu recurso, como a baixa fertilidade do solo, topografia, valor por hectare na alienação de grandes propriedades etc. A discrepância entre o VTN declarado pela contribuinte e o levantado pela fiscalização, resulta, penso eu, do laudo técnico de avaliação ter apurado o VTN a partir dos valores que incorporam a conta contábil do ativo da contribuinte, ou seja, refere-se ao custo de • aquisição ou formação de cada terreno, conforme resposta à intimação (fl. 14) e indicação no laudo à fl. 29, quando deveria ter-se baseado no valor de mercado. À mingua de elementos de prova hábil e idôneo a demonstrar que as características particulares desfavoráveis do imóvel, em relação à média da região, toma inviável a aplicação do V'TN arbitrado, concluo que a o decisão de primeiro grau não merece qualquer reparo. \ÇX Em face ao exposto, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões - D em 12 de março de 2010 An — JOSÉ RAIMUN7) O 1 STA SANTOS _ 4
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Numero do processo: 00283.001370/83-08
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 1984
Ementa: ABATIMENTOS DA RENDA BRUTA - DEPENDENTES - Comprovando o contribuinte, através atestado firmado por Juiz de Menores, que é legitimo responsável por menor pobre, assiste-lhe o direito
de considerar referido menor seu dependente, para efeitos de abatimento no imposto de renda.
Numero da decisão: 104-04.304
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso Vencidos os Conselheiros Olavo João Galvão e Carlos Walberto Chaves Rosas que votaram por negar provimento.
Nome do relator: Eugênio Botinellly Soares
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PRESIDENTE PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL 'ES RELATOR em 21 de fevereiro de 1984 MANSO Sala das Sessões, FRANCIS~ J 1 R MAl 1984FA~ENDA NACIONAL: RD/I04-0.240 VISTO EM SESSÃO DE: RECURSO DA Participaram, ainda, do presente.julgamento, os seguintes Conselhei .. ros: Mário Rodrigues Teixeira, Tereso de Jesus Torres, Helena Cristi na Lana de Paula e Luiz Miranda. tO ~Je cteorttol~ '!oCO~rfotf/1AAo<dcJ p-do (XcÓl1-~ e512f/ o)~o. 60fJ ck. fot//e2, 8V" ~ oteC-(O~ cA--e- ~ j--e:oh O, fon~Ç>VV\À~cLOte&, k vD.f-05, JCV\, FV(~ ""'O H.ec MnS4.J ~Ú~, "V'/O~ ol-v-r~e:r-1 oLo J-tR.!'" ioíU-v e c./O /--o ee-c.. rQ,.5~ 0\ ~-k9nCM- O ~k áM{9ad~. 'rES !li' .$ fS c;/..sl cJli ~ .~ ~- ~_.,.b .. ~. SERViÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO NC? 0283/001.370/83-08 RECURSO N'?: 41.573 ACÓRDÃO N'?: 104-4.304 RECORRENTE: FRANCISCO ORLEILSON GUIMARÃES R E L A T 6 R I O " Contra o contribuinte;ep~grafado, Oficial da For- ça Auxiliar do Amazonas, foi feito lan~amento constante da Notifi- cação de Imposto Suplementar de fls. 02, na~:DRF em Manaus-AM, pe- la glosa do abatimento relativo a 05 dependentes, na sua ;.deélara- ção de rendimentos do exercício de 1982. O interessado impugnou a exigência fiscal, nao con cordando coma glosa, juntando xerocópia do atestado do MM. DR. Juiz de Menores da lO~ Varada Comarca de Manaus, (fls. 03), em que essa autoridade afirm~Vi nos termos seguintes, que o Récorren~ te: "de acordo com o que foi requerido e o resulta do das sindicâncias r e demais. provas', apr.esentadas neste Juizo, mantém sob sua inteira responsabilida de econômica os menores ...!'. - Em diligência procedida na residência do cccbnt~i~ buinte, apurou a fiscalização, junto a sua empregada doméstica, que,c os menores com ele não residem e nem residiram nos anos de 1981 e 1982. A autoridade "a quo" manteve a exigência através da decisâo de fls. 17, resumida na :ementa assim transcrita: "O abatimento de menores pobres corno dependentes está condicionado a que os mesmos residam .debaixo do mesmo teto do declarante." ~\ DMF - DF /1 q c-c -Secgraf - 1600/75~ SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0283/001.37 O /83-08 Acórdão n9 104-4.304 2. Irresignado com essa decisão, da qual tomou ciên- cia em 14/05/83, interpôe o interessado o recurso de fls. 23/24, protocolizado em 31 seguinte, com a guarda do prazo prev.isto no art. 33 do Decreto n9 70.235/72. É o relatório. (l v O T O Conselheiro Eugênio Botinelly Soares - Relator Trata-se, como se observa do relató~io,de do abatimento referente a menores pobr~s que o Recorrente rou como .dependentes seus na cédula C ,itendo'efétuadodepósito recurso, na forma do art. 705, S 39 do RIR/80, conforme DARF fls. 21. glosa decla para '.à Nas~razões alinhadas no recurso, o contribuinte a lega, em resumo, que a autoridade julgadora calcou a sua deci- são na,.informação da empregada doméstica, não conhecedora da sua vida familiar anterior, eis que fora admitida em 1983. "Data veftia" da decisão da ilustre autoridade ju! gadora de primeira instância, afirmando ser jurisprudência: mansa e pacifica que a criação e educãção do menor pobre "pressupõe re- sidência debaixo do mesmo teto" (sic), a NOTA 197 - .JURISPRUÔ~N- elA à alinea "b" do S 19 do art. 70, do RIR/80, se ppoe ao afir~ mado por S.Sia., eis que aquela NOTA. está assim expressa: "Quando o menor pobre não reside como contribuin te que o crie ou eduque, os abatimentos estão su- jeitos aos limites legais e à comprovação dos va- lores efetivamente despendidos (Ac. . ',CSRFI /01.0.055/80)" (os grifos não são do original). Não consta dos autos:quea ~eE'artiçãotenha exigido do Recorrente qualquer comprovação das despesas reallzadas com a criação ou educação dos menores /constantes da sua declaração, dai, talvez, porque tenha juntado ao processo apenas o atestado da au- toridade judiciária, a quem comprovou:"_taisdespesas, conforme :a- centua S.E~a. em sua declaração de fls. 03. Quanto à declaração da empregada, alega o contri- ~ SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0283./0'01.370/83-08 3. Acórdão n9 104-4.304 buinte tratar-se de pessoa rec~m-admitida no serviço, desconhecedo ra-de fatos que ocorrem com sua familia, não me :",parecendo mais valiosa essa declaração que o atestado do Juiz de Menores da 10~ .Vara da Comarca de Manaus, testembnh~, a meu ver, mais que ~sufi- ciente para satisfazer o preceituado no já referido art. 70, 9 19, alinea "b", do RIR/80, eis que afirma esse magistrado a dependên- cia econômica dos menores em questão, ao Recorrente, mediante provas apresenta~as naquele guizo. Nestas condiçôes, tomo conhecimento do recurso, por tempestivo, e voto no sentidodê.;.quelhe seja dado provimento. BraSi1ia-D~:1.~: fevereirode 1984 EUGENIO-BOTI;EiL 1 SOARES - RELATOR 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
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Numero do processo: 11634.000412/2006-11
Data da sessão: Tue Jan 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Omissão de Receitas — IRPJ e reflexos
Ano-calendário: 2003 e 2004
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. NULIDADES.
Não padece de nulidade processual o lançamento que é preparado com observância dos pressupostos referidos no art. 10 do Decreto n° 70.235/72 e no art. 142 do CTN, portanto, que não é viciado por qualquer das situações previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972.
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. ART. 42 DA LEI N°
9.430/96. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto a instituições financeiras, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. A regra
contida no inciso IV, do art. 150, da Constituição Federal de 1988, impede que a instituição de tributos seja injusta e consumidora da maior parte da renda e da propriedade. As penalidades não só não se confundem com os tributos, bem como, não lhes é aplicável a "vedação ao confisco" prevista no
art. 150 da CF/88.
Numero da decisão: 1103-000.394
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Gervásio Nicolau Recketenvald
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ementa_s : Omissão de Receitas — IRPJ e reflexos Ano-calendário: 2003 e 2004 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. NULIDADES. Não padece de nulidade processual o lançamento que é preparado com observância dos pressupostos referidos no art. 10 do Decreto n° 70.235/72 e no art. 142 do CTN, portanto, que não é viciado por qualquer das situações previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. ART. 42 DA LEI N° 9.430/96. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto a instituições financeiras, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. A regra contida no inciso IV, do art. 150, da Constituição Federal de 1988, impede que a instituição de tributos seja injusta e consumidora da maior parte da renda e da propriedade. As penalidades não só não se confundem com os tributos, bem como, não lhes é aplicável a "vedação ao confisco" prevista no art. 150 da CF/88.
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Sessão de 25 de janeiro de 2011 Matéria Auto de Infração - IRPJ Recorrente COSTA RICA INDÚSTRIA TEXTIL LTDA. 1 Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Omissão de Receitas — IRPJ e reflexos Ano-calendário: 2003 e 2004 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. NULIDADES. Não padece de nulidade processual o lançamento que é preparado com observância dos pressupostos referidos no art. 10 do Decreto n° 70.235/72 e no art. 142 do CTN, portanto, que não é viciado por qualquer das situações previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. ART. 42 DA LEI N° 9.430/96. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto a instituições financeiras, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. A regra contida no inciso IV, do art. 150, da Constituição Federal de 1988, impede que a instituição de tributos seja injusta e consumidora da maior parte da renda e da propriedade. As penalidades não só não se confundem com os tributos, bem como, não lhes é aplicável a "vedação ao confisco" prevista no art. 150 da CF/88. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julga o7— ,-- va - Presidente. (Aloysio ) Q V;-671-4,- Gerfa io Nicolau Recktenvald - Rela or. J EDITADO EM: 0 II Ã9R 2Q11 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio Jose Percinio da Silva, Marcos Shigueo Takata, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correa Sotero, Mário Sergio Fernandes Barroso e Gervásio Nicolau Recktenvald. 2 Processo n° 11634.000412/2006-11 SI-C1T3 Acórdão n.° 1103-00.394 Fl. 2 Relatório A empresa COSTA RICA INDÚSTRIA TÊXTIL LTDA., CNPJ 01.561.585/0001-81, veio perante este Conselho para, através do competente recurso voluntário, demonstrar sua não conformidade com o decidido pela P Turma da DRJ de Curitiba, que negou provimento à impugnação, conforme registra o Acórdão n° 06-13.481, de 08 de fevereiro de 2007. 0 referido julgamento, por unanimidade de votos, manteve os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, com os correspondentes acréscimos legais, marcados Com a aplicação de multa de oficio de 150% (fl. 864). Compulsando os autos, vê-se que a matéria discutida cinge-se à tributação, desenvolvida pela DRF de Londrina, de omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, presumida nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/96, relativamente aos anos de 2003 e 2004, anos em que a empresa adotou a tributação pelo lucro real trimestral (fl. 781). Houve intimação individualizada para justificar a origem dos depósitos, conforme intimação de fls. 369 a 484, entregue A. recorrente em 21/02/2006 (fl. 484). Em vista do não atendimento, em 08/03/2006 foi lavrada uma reintimação para justificar a origem dos depósitos, cuja foi notificada à fiscalizada em 09/03/2006 (fl . 487). Não justificados a contento os depósitos, seu montante foi considerado como omissão de receita, por presunção, nos valores especificados nas fls. 662 a 777, dos quais foram deduzidas as receitas declaradas, mas somente em relação ao PIS e COFINS (fl. 779 a 780), pois as fichas relacionadas A. apuração do IRPJ e da CSLL estavam Zeradas (fl. 777 e 778). Ainda, a autuação foi onerada pela multa de oficio qualificada, de 150%, por, segundo o fisco, "constatada omissão de receita perpetrada pela pessoa jurídica, causando prejuízo aos cofres públicos, em razão da entrega das Declarações referentes aos Exercícios de 2004 e 2005 com valores zerados à Secretaria da Receita Federal, o que caracteriza o evidente intuito defraude" (fl. 781). O fisco também destacou que em 2003 as DCTFs somente acusavam saldo a pagar de COFINS e em 2004 todos os valores das DCTFs encontravam-se zerados, assim como os da DIPJ. Por fim, cabe referir que o fisco formalizou Representação Fiscal para Fins Penais, por entender que, em tese, teria identificado situação que configuraria crime contra a ordem tributária capitulada no art. 1 0, inciso I, e art.2°, inc. I, da Lei n° 8.137/90 (fl. 781/782). A autuação foi notificada à recorrente em 26/10/2006, que a impugnou, tempestivamente, em 22/11/2006 (fl. 785). Inicialmente, alegou que houve cerceamento de defesa, com o que justificou a arguição de nulidade da autuação, pois não teria tido "oportUnidade de amplamente demonstrar C\O 3 que os lançamentos encontrados nas suas contas bancárias referiam-se ci vendas antecipadas e parceladas" (fl. 787), o que teria feito através das Notas Fiscais. Entretanto, como não havia coincidência entre os depósitos e as Notas Fiscais, o fisco não teria aceitado a justificativa, do que a recorrente concluiu: "0 resultado da auditoria leva ao absurdo de se ignorar que a Impugnante efetivamente emitiu Notas Fiscais de Venda e recolheu impostos sobre esse fato gerador" (789). Nas 'raz6es de mérito, alegou a inexistência de omissão de receitas, pois os lançamentos bancários não provariam nexo causal de renda. Pondera que "ainda que não tenha o Auditor considerado as notas fiscais como justificativa das movimentag5 es bancárias, não se pode presumir que os depósitos bancários nas contas correntes da Impugnante sejam prova de omissão de receita" (fl. 804). Ainda, argui que a multa aplicada mostra-se desproporcional se ponderado o desrespeito à norma e em relação à consequência jurídica, caracterizando efeito confiscatório. Em 08 de fevereiro de 2007, a DRJ em Curitiba, através da la Turma, efetuou o julgamento em Primeiro Grau administrativo, conforme acórdão n° 06-13.481 (fl. 860), produzindo as seguintes ementas: NULIDADES. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não se tratando das situações previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, incabível falar em nulidade do lançamento fiscal. PRINCIPIO DO CONTRADITÓRIO. Antes da lavratura de auto de infração, não há que se falar em violação ao princípio do contraditório, já que a oportunidade de contradizer o fisco é prevista em lei para a fase do contencioso administrativo, que se inicia com a impugnação do lançamento. PERÍCIA. Considera-se não formulado o pedido de perícia que não atender aos requisitos do at. 16, IV, do Decreto n" 70.235/1972, coin a redação do art. I `) da Lei n°8.748/1993. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n°9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancaria para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas opera cães. MULTA QUALIFICADA. Cabe a aplicação da multa qualificada, quando restar comprovado que o envolvido na pratica da infração tributária objetivou deixar de recolher, intencionalmente, os tributos devidos, inclusive medignte apresentação de declaração totalmente zeracla. 0 decidido pelo Acórdão a quo, conforme espelham as ementas suso reproduzidas, foi fundamentado, em síntese, nos seguintes argumentos: (a) que o pedido de nulidade, por não infringid6 o disposto no art. 59 do PAT, não pode ser acolhido; (b) que não houve cerceamento de defesa, pois sua apresentação e posterior ao lançamento, e não na fase de preparo do processo; (c) que o pedido de perícia, alem de desnecessário tal procedimento, foi formalizado de forma incompleta; (d) que a presunção de omissão de receita está fundamentada no art. 42 da Lei n° 9.430/96, cujos trâmites foram corretamente cumpridos pelo fisco, sendo, 4 Processo n° 11634.000412/2006-11 S 1 -C1T3 Acórdão n.° 1103-00.394 Fl. 3 portanto, correta a presunção inferida; (e) quanto ao caráter confiscatório da multa, a DRJ alega que tais arguições não podem ser discutidas na esfera administrativa. Inconformada com a decisão, da qual foi notificada em 28/02/2007 (fl. 880), tempestivamente, em 28/03/2007, a interessada interpôs recurso voluntário, repisando, basicamente, as arguições da impugnação. Nas razões preliminares alegou, em síntese, o que segue: (a) que o fisco deve determinar com segurança a infração, através de elementos de Convicção plena, irrecusáveis, por 'isso deveria permitir a participação contraditória do sujeito passivo na fase de preparo do processo, de forma plena, e não até onde era conveniente ao Estado; (b) que a lavratura do auto de infração foi prematura e apenas para atender ao interesse de "desencargo" (fl. 887) do Auditor; (c) que não houve determinação segura da infração, eivada de subjetivismo, pois a recorrente teria apresentado as Notas Fiscais que justificariam os lançamentos bancários; (d) que é totalmente nula e improcedente a exigência contida no processo, por ter havido cerceamento de defesa, pois os depósitos bancários teriam base nas vendas, o que poderia ser comprovado por perícia contábil. Nas razões de mérito, alega a improcedência da presunção, repisando que as Notas Fiscais justificariam os depósitos bancários, o que assenta nas seguintes alegações: (a) que a análise da documentação contábil demonstraria que para viabilizar os recebimentos e pagamentos efetuados, a recorrente somente poderia ter usado as contas correntes bancárias; (b) que é "muito difícil vincular exatamente as despesas com os saques ou cheques compensados, pois como as operações ocorriam diariamente, muitas despesas eram pagas com parte de saques realizados anteriormente, com recursos que se encontravam na empresa em espécie, sacados e não utilizados" (fl. 896); (c) que ocorre normalmente que cheques são compensados em datas diferentes das quitações; (d) que há cheques que não são sacados, mas repassados a terceiros para pagamento de despesas; (e) que embora o Auditor não tenha admitido as notas fiscais para justificar as movimentações bancárias, não se pode presumir que os depósitos bancários nas contas correntes da recorrente sejam prova de omissão de receita (essa arguição é sedimentada em jurisprudência do Conselho de Contribuintes relativa a períodos anteriores a 1997); (f) alega que "a multa apresentada no referido auto de infração se apresenta exorbitante e abusiva, com clara natureza confiscatória" (fl. 899). Ao final, nos pedidos, requer sejam acolhidas integralmente as razões e fundamentos da defesa, "para o Jim único do cancelamento e anulação do auto de infração e do processo dele decorrente" (fl, 900). Sucessivamente, requer seja julgada "totalmente improcedente a exigência fiscal, determinando-se a devolução dos autos de processo administrativo para o exercício da ampla defesa da Recorrente, com a produção da perícia requerida na Impugnação, oportunizando-lhe prazo para indicação de perito, e, posteriormente, a reclassificação dos lançamentos e receitas, extinguindo-se o crédito tributário em constituição dada sua nulidade, ilegalidade e total improcedência" (fl. 900). É. o Relatório. 5 Voto Conselheiro Gervásio Nicolau Recktenvald 0 recurso voluntário interposto é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade. Portanto, é conhecido. Conforme relatado, a exigência fiscal constituída neste processo envolve omissão de receita, relativamente a 2003 e 2004, caracterizada por presunção, nos termos do disposto no art. 42 da Lei n° 9.430/96. A formalização da presunção está de acordo com a legislação de regência, não se identificando deficiências ou incorreções nesse aspecto. Ainda, o Fisco deduziu da receita total presumida, aquela receita tributada originariamente pela recorrente, mas somente em relação ao PIS e à COFINS, pois no concernente ao IRPJ, nem em 2003 e nem em 2004, tributou algum valor. Todavia, embora apresentasse suas DIPJs em branco, mas com opção pelo lucro real trimestral, sob intimação, apresentou ao Fisco as Demonstrações de Resultados trimestrais, tanto de 2003 como de 2004. Em 2004 tais resultados mostraram-se negativos, isto e, com prejuízos, o que foi considerado na confecção do Auto de Infração. Tais demonstrativos, através de determinados parâmetros, foram confrontados com os Livros Fiscais de ICMS, merecendo confiabilidade. Assim, o lançamento não aparenta qualquer irregularidade, apesar da veemente contestação da recorrente. Em suas razões preliminares, fundamentalmente, a recorrente contesta a inferência fiscal extraída da presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430/92, a qual classifica com não segura, eivada de subjetivismos, sem convicção, inferida de forma prematura, insubsistente por integralmente justificada pelas Notas Fiscais, etc. Entretanto, tais alegações não podem ser acolhidas porque o fisco cumpriu o rito para perfectibilizar a presunção, ao intimar a recorrente, mediante apresentação individualizada de cada depósito, solicitando que justificasse a origem dos recursos utilizados na formalização desses depósitos. Nas respostas a tais intimações, a recorrente não logrou comprovar a origem desses recursos, limitando-se a alegações genéticas de que teriam origem nas Notas Fiscais de Venda, sem, entretanto, convencer. Evidentemente, considerando tratar-se de empresa tributada pelo lucro real, o que implica existência de contabilidade, a resposta à intimação fiscal não poderia impor qualquer dificuldade. Uma outra arguição de defesa, ainda dentro das razões preliminares, centra- se em pleito de cerceamento de defesa, pois, segundo o recurso, a origem dos depósitos poderia ter sido comprovada por perícia contábil. 6 Processo n° 11634.000412/2006-11 SI-C1T3 Acórdão n.° 1103-00394 Fl. 4 Todavia, também essa alegação não pode prosperar, pois a perícia poderia ter sido contratada pela recorrente no decorrer do procedimento fiscal, na ocasião em que o fisco, ao não localizar na contabilidade a comprovação da origem dos depósitos bancários, intimou a recorrente a justificá-los. Depois, por ocasião da impugnação, a interessada perdeu outra oportunidade de tentar a alegada perícia, pois, segundo a DRJ, o pedido foi "considerado não formulado por não atender aos requisitos do at. 16, IV, do Decreto n° 70.235/1972, com a redação do art. 1" da Lei n° 8.748/1993" (fl. 860). Ademais, até o momento, apesar das sucessivas defesas, não vieram aos autos sequer amostras, por mínimas que fossem, de demonstrativos que mostrassem a compatibilidade entre os depósitos bancários e as vendas realizadas. Ante o exposto, nego provimento As razões preliminares. No que concerne As razões de mérito, estas não merecem sorte diferente. Alegações como: (a) análise da documentação contábil demonstraria que para viabilizar os recebimentos e pagamentos efetuados, a recorrente somente poderia ter usado as contas correntes bancárias; (b) que é "muito dificil vincular exatamente as despesas com os saques ou cheques compensados, pois como as operações ocorriam diariamente, muitas despesas eram pagas com parte de saques realizados anteriormente, com recursos que se encontravam na empresa em espécie, sacados e não utilizados" (fl. 896); (c) que ocorre normalmente que cheques são compensados em datas diferentes das quitações; (d) que há cheques que não são sacados, mas repassados a terceiros para Pagamento de despesas; (e) que embora o Auditor não tenha admitido as notas fiscais para justificar as movimentações bancárias, não se pode presumir que os depósitos bancários nas contas correntes da recorrente sejam prova de omissão de receita (essa arguição é sedimentada em jurisprudência do Conselho de Contribuintes relativa a períodos anteriores a 1997); etc., não socorrem, no caso, a recorrente. Embora todas as alegações sejam pertinentes A. matéria, elas estão desvinculadas do foco especifico, que é o de justificar a origem dos depósitos efetuados nas contas bancárias nos anos de 2003 e 2004. Diante disso, não acolho também esses argumentos de defesa. Por fim, a litigante alega que "a multa apresentada no referido auto de infração se apresenta exorbitante e abusiva, com clara natureza confiscat6ria" (fl. 899). Também essa alegação não pode ser acolhida, por ser da competência exclusiva do Poder Judiciário o julgamento do tema proposto. Ante o exposto, NEGO provimento ao recurso voluntário. Wik Gervásio Nicolau Recktenvald - Relator ‘J 7
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Numero do processo: 10580.720088/2006-53
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
Ementa: DIREITO CREDITÓRIO
Uma vez comprovado o direito creditório deve ser deferida a compensação.
Numero da decisão: 1103-000.718
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao
recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Mário Sérgio Fernandes Barroso
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso – Presidente em exercício e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Mário Sérgio Fernandes Barroso. Relatório Trata o presente processo, formalizado em 30 de agosto de 2006, de declarações de compensação onde a pessoa jurídica utiliza crédito proveniente de Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário de 2003, cujo valor é de R$ 3.833.137,43, para compensação com débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme detalhamento a folha 203. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 2 Despacho Decisório DRF/SDR n º 1.119/2006 defere em parte a solicitação do contribuinte fundamentandose no quanto segue: Preliminarmente assegura o despacho decisório que durante o anocalendário de 2003, a empresa apurou estimativas de IRPJ nos meses de janeiro e março, cujas quitações ocorreram por meio de compensações com saldos negativos de IRPJ apurados em 31/12/2001 e 31/12/2002, ressaltando que referidos saldos foram examinados nos processos 10580.013161/200211 e 10580.001247/200374 que concluíram pela inexistência dos créditos razão por que serão os mesmos cobrados nos respectivos processos não cabendo a glosa de seus respectivos valores. Informase que consulta ao sistema SIEFDIRF (fls. 193/196) atestou a existência de operações Swap não computadas na Ficha 53 da DIPJ 2004 no valor de R$ 96.696,96 com IRRF de R$ 19.339,39. Verificouse ainda que do total de IRRF, R$ 296.264,45 foram deduzidos na estimativa relativa ao mês de março de 2003, e o restante levado para o ajuste. Foi detectada inconsistência no valor informado à linha 17 (Dedução de Imposto de Renda Mensal pago por Estimativa) da Ficha 12 A da DIPJ/2004, e o que foi efetivamente comprovado através de compensação. Acrescenta que nenhum pagamento foi recuperado no sistema SINAL 05, fazendose necessária a recomposição da referida ficha. Da recomposição efetuada o valor originalmente apresentado na DIPJ/2004 a título de Saldo Negativo do IRPJ que era de R$ 3.833.137,43 passa a ser de R$ 1.465.046,10, tendo sido indeferido, portanto, a quantia de R$ 2.368.091,33. Impugnação. Ciente da decisão em 16 de outubro de 2007, e inconformado com o resultado da mesma o contribuinte apresenta em 13 de novembro de 2007, Manifestação de Inconformidade de fls. 212/237, para alegar basicamente o seguinte: Cerceamento do direito de defesa em razão de o despacho decisório em nenhum momento deixar claro qual o motivo da glosa, que apenas informa em um parágrafo, que no sistema SINAL 05 não foi detectado nenhum pagamento, bem como há inconsistência entre o valor informado na linha 17 (declaração do imposto mensal pago por estimativa) da ficha 12 A da DIPJ/2004 e o valor que foi efetivamente comprovado por compensação. Que deveria a autoridade administrativa antes de negar a compensação em questão apenas com base em mera presunção, abrir fase de instrução probatória, de modo a permitir ao contribuinte demonstrar a plena regularidade da referida compensação. Que apesar de não estar devidamente fundamentada a decisão, explica que pleiteou através do presente processo a compensação de saldo credor de R$ 3.383.137,43 e que parte deste montante decorre de compensações realizadas no PA 10580.001247/200374 no valor de R$ 480.494,93 e PA 10580.002771/200362, no montante de R$ 1.433.192,83 e que a Fiscalização aponta ao recompor a linha 17 da ficha 12 A que os créditos corresponderiam a R$ 2.182.952,25, decorrente de IRPJ pago por estimativa, fruto de compensações tributárias não discutidas pela fiscalização e R$ 421.131,65 – IRRF. Que a Impugnante informa por sua vez IRPJ estimativa de R$ 4.570.382,92 IRRF de R$ 401.792,26. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10580.720088/200653 Acórdão n.º 110300.718 S1C1T3 Fl. 2 3 Informa ser a diferença encontrada de R$ 2.387.430,72 e, afirma que tal importância foi paga a título de estimativa e não foi considerado pela fiscalização. Informa que os valores foram “pagos” através DCOMP 09976.17754.270906.1.02.3946, retificada em 31.10.2003 e faz parte do processo administrativo 10580.720089/200606 que não foi considerada pela decisão ora impugnada. Cita o artigo 59 do Decreto 70.235/72 para alegar que é nulo o Despacho Decisório n º 1.119 ao tomar prova emprestada de outro processo administrativo (ainda que não o faça expressamente, uma vez que como visto em preliminar, a sua fundamentação é falha e não conclusiva) agiu em contrariedade a lei, uma vez que tal permissivo não lhe é outorgado, ademais quando o referido processo administrativo encontrase pendente de julgamento no Conselho de Contribuintes. Conclui que a autoridade julgadora, que proferiu o despacho decisório do qual ora se recorre é incompetente para glosar a base de cálculo negativa do IRPJ, que é discutida no processo 10580.720089/200606, que está pendente de julgamento por parte do Conselho de Contribuintes. A 1.ª Turma da DRJ de Salvador (BA), por meio do acórdão n.º 1517.950 decidiu: “DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. NULIDADE. Incabível a alegação de cerceamento ao direito de defesa e a pretendida declaração de nulidade do Despacho Decisório, se os elementos que o compõem foram postos à disposição da contribuinte e lhe permitiram conhecer os fatos que lhe deram fundamento, tendo usufruído dos prazos legais previstos para a contestação, e, em sua defesa demonstrado pleno conhecimento da matéria que deu causa ao indeferimento do seu pleito. PEDIDOS DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Indeferemse os pedidos de diligência que, a critério da autoridade julgadora, se mostrem desnecessários a compreensão da lide. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Para que o crédito do contribuinte seja aceito em compensação deve ele ser liquido e certo o que torna inaceitável supostos créditos, que, por força de julgamentos futuros, poderão ou não a vir se concretizar.” A contribuinte, ora recorrente, alega fl.313/341(resumo): Fl. 396DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 4 Pede que o recurso seja recebido com os efeitos suspensivo e devolutivo, para que se suspenda a cobrança dos valores enquanto pendente a sua apreciação; O débito cujo pagamento por compensação é buscado neste processo não é o mesmo discutido no processo 10.580.720089/200606 e o inciso V, § 3.º, do art.74 da Lei n.º 9.430/96 não se aplica ao presente caso. A vedação legal trata de débito, o que se pleiteia aqui é a compensação de crédito com débito nunca usado antes. Assim, análise deve ficar suspensa aguardando a resolução da questão prejudicial relativa ao processo administrativo (PA) 10.580.720089/200606. Não há motivo para a desconsideração dos créditos no presente processo, uma vez que, se necessária, a glosa de tais valores procederseá no respectivo processo 10.580.720089/200606; DA IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DOS VALORES DISCUTIDOS NO PROCESSO ADMINISTRATIVO N.º10580.720089/200606 Os débitos que se discutem são diversos daqueles que se discutem no PA 10.580.720089/200606, restando insubsistente a fundamentação utilizada no acórdão recorrido; Não se nega que os créditos do PA 10.580.720089/200606 se relacionam com este processo, contudo se afirma que os débitos não são os mesmos; Caso algum crédito apurado pela ITAPEBI no PA 10.580.720089/200606 seja considerado inexistente, não cabe tal glosa ser declarada neste processo, visto que o referido débito não foi englobado no pedido de compensação ora discutido e nem foi debatido; Portanto o acórdão recorrido é incompetente para desconsiderar créditos discutidos em outro processo administrativo pendente de julgamento; Só pode ser glosado o pleito quando resolvida a procedência ou não da compensação discutida no PA 10580.720089/200606. NECESSIDADE DA SUSPENSÃO DA ANÁLISE DA PRESENTE COMPENSAÇÃO ATÉ O JULGAMENTO FINAL DO PA 10.580.720089/200606 OU NECESSIDADE DE INSTRUÇÃO PROBATÓRIA Devese buscar a verdade material; O pleito deve ser convertido em diligência para que se produzam as instruções probatórias necessárias ao deslinde; A contribuinte, ora recorrente, alega fl.313/341(resumo): Pede que o recurso seja recebido com os efeitos suspensivo e devolutivo, para que se suspenda a cobrança dos valores enquanto pendente a sua apreciação; O débito cujo pagamento por compensação é buscado neste processo não é o mesmo discutido no processo 10.580.720089/200606 e o inciso V, § 3.º, do art.74 da Lei n.º 9.430/96 não se aplica ao presente caso. A vedação legal trata de débito, o que se pleiteia aqui é a compensação de crédito com débito nunca usado antes. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10580.720088/200653 Acórdão n.º 110300.718 S1C1T3 Fl. 3 5 Assim, análise deve ficar suspensa aguardando a resolução da questão prejudicial relativa ao processo administrativo (PA) 10.580.720089/200606. Não há motivo para a desconsideração dos créditos no presente processo, uma vez que, se necessária, a glosa de tais valores procederseá no respectivo processo 10.580.720089/200606; DA IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DOS VALORES DISCUTIDOS NO PROCESSO ADMINISTRATIVO N.º10580.720089/200606 Os débitos que se discutem são diversos daqueles que se discutem no PA 10.580.720089/200606, restando insubsistente a fundamentação utilizada no acórdão recorrido; Não se nega que os créditos do PA 10.580.720089/200606 se relacionam com este processo, contudo se afirma que os débitos não são os mesmos; Caso algum crédito apurado pela ITAPEBI no PA 10.580.720089/200606 seja considerado inexistente, não cabe tal glosa ser declarada neste processo, visto que o referido débito não foi englobado no pedido de compensação ora discutido e nem foi debatido; Portanto o acórdão recorrido é incompetente para desconsiderar créditos discutidos em outro processo administrativo pendente de julgamento; Só pode ser glosado o pleito quando resolvida a procedência ou não da compensação discutida no PA 10580.720089/200606. NECESSIDADE DA SUSPENSÃO DA ANÁLISE DA PRESENTE COMPENSAÇÃO ATÉ O JULGAMENTO FINAL DO PA 10.580.720089/200606 OU NECESSIDADE DE INSTRUÇÃO PROBATÓRIA Devese buscar a verdade material; O pleito deve ser convertido em diligência para que se produzam as instruções probatórias necessárias ao deslinde. Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, pois, conheço. A questão se resume a diferença para menor de R$ 2.387.430,72 no saldo negativo utilizado neste processo para compensar os débitos indicados na fl. 203. No PAF 10580.720089/200606, foi reconhecido nesta turma o direito das compensações pleiteadas, notadamente, a pleiteada pela declaração de compensação n.º Fl. 398DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 6 09976.17754.270906.1.7.023946 (considerada anteriormente como não homologada de acordo com anexo de fl. 590), de valor R$ 2.387.430,72, débito de estimativa mensal setembro de 2003. Assim, uma vez resolvido no âmbito do PAF 10580.720089/200606, a declaração de compensação n.º 09976.17754.270906.1.7.023946 a saber, “Por todo o exposto, voto por homologar a compensação pedida, até o limite da utilização do IRRF levando em conta a existência de outros processos de compensação usando a mesma origem de créditos a exemplo do processo n° 10580.001247/200374 , dando provimento ao recurso.” Atentar que o valor da estimativa de R$ 2.387.430,72 que faltava no saldo negativo de 2003, esta umbilicalmente ligado ao reconhecimento gerado no PAF 10580.720089/200606. Em face do exposto, voto por homologar a compensação pleiteada levando em consideração o PAF 10580.720089/200606, que a partir deste momento deve correr junto com este PAF, dando provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 03 de julho de 2012 Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 399DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
score : 1.0
Numero do processo: 15374.903572/2008-37
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSTOS RECOLHIDOS DIANTE DA INOVAÇÃO NO SISTEMA JURÍDICO POSITIVO APÓS IMUNIDADE RECONHECIDA POR DECISÃO JUDICIAL. É ponto pacífico na jurisprudência e nos precedentes desse CARF que a coisa julgada não obsta que lei nova possa reger a matéria em termos diversos do disposto em decisão judicial, o que implicaria, inarredavelmente, em desrespeito ao sistema de freios e contrapesos decorrente da tripartição dos poderes.
Numero da decisão: 1802-000.824
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSTOS RECOLHIDOS DIANTE DA INOVAÇÃO NO SISTEMA JURÍDICO POSITIVO APÓS IMUNIDADE RECONHECIDA POR DECISÃO JUDICIAL. É ponto pacífico na jurisprudência e nos precedentes desse CARF que a coisa julgada não obsta que lei nova possa reger a matéria em termos diversos do disposto em decisão judicial, o que implicaria, inarredavelmente, em desrespeito ao sistema de freios e contrapesos decorrente da tripartição dos poderes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA – Presidente. (assinado digitalmente) EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR – Relator. Fl. 334DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 22/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, João Francisco Bianco, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Nelso Kichel e Gilberto Baptista. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro/RJ. Versa o presente processo sobre Declaração de Compensação apresentada pela recorrente (fls. 1 5), da qual resultou o Despacho Decisório de folha 06, que diante da verificada inexistência do crédito apontado pela recorrente não homologou a compensação declarada. Devidamente notificada a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 9 – 19), alegando em síntese que o crédito indicado decorria de pagamento realizado por equívoco, em face da coisa julgada (trânsito em julgado em 22/08/1991) proferida no Mandado de Segurança no qual se reconheceu sua imunidade à incidência de todos os impostos, tendo direito, na forma da legislação, à utilização de créditos decorrentes de pagamentos indevidos, acrescidos de taxa Selic. A 1ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro/RJ, nos termos do acórdão e voto de folhas 105 a 110, fundamentando, em resumo, que a recorrente não teria comprovado ser indevido o pagamento com base no qual alega ser detentor de direito creditório. Devidamente notificada (fl. 115), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 116 – 128), argumentando que seria imune conforme reconhecido por provimento jurisdicional transitado em julgado e, portanto, os pagamentos efetivados foram flagrantemente indevidos, dando lastro às restituições/compensações pleiteadas. É o relatório. Fl. 335DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 22/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 15374.903572/200837 Acórdão n.º 180200.824 S1TE02 Fl. 2 3 Voto Conselheiro EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de admissibilidade, admitoo para julgamento. Cuidase como visto, de apresentação de DCOMPs cujo crédito seria oriundo de pagamentos efetivados indevidamente porquanto a recorrente, na qualidade de ente imune, pagou impostos à União. Argumentou a recorrente que a referida imunidade teria sido reconhecida por provimento jurisdicional transitado em julgado, decorrendo daí, diante de pagamento espontâneo de impostos, o seu direito creditório. A decisão recorrida, reportandose aos fundamentos também contidos no Despacho Decisório, refutou o crédito pleiteado já que os recolhimentos foram efetivados pela recorrente espontaneamente em 2002 e decorreram das disposições contidas na MP nº 2.222, de 04 de setembro de 2001. A recorrente, por seu turno, insiste que tem reconhecida a imunidade por decisão judicial transitada em julgado, e diante disso, ainda que tenha efetivado os recolhimentos, esses se revestiriam de caráter de “tributo pago indevidamente”. Temse, portanto, que o deslinde do caso concreto passa necessariamente pelo cotejo dos efeitos da norma individual e concreta obtida pela recorrente. Inegavelmente (“vide” documentos de folhas 35 a 52 – cópias do processa judicial, incluindo certidão de trânsito em julgado), a recorrente obteve do Poder Judiciário, posicionamento no qual se assinalou que entidades fechadas de previdência privada (como seu caso), embora cobrando dos seus associados contribuições mensais a título de remuneração pelos serviços prestados, gozam de imunidade tributária. Por essa razão é que se reafirma que o enfrentamento da questão da recorrente deve ser realizado à luz da eficácia das decisões do Poder Judiciário, já que não se discute a efetividade dos pagamentos, como também não se discute o mandamento legal que impôs a superveniente obrigação à recorrente, tampouco, a mudança de posicionamento do Supremo Tribunal Federal acerca das entidades fechadas de previdência. Relembrese, portanto, que o óbice encontrado pela decisão recorrida consiste no fato de o Supremo Tribunal Federal, em caso alheio ao processo da ora recorrente, ter decidido que as entidades de previdência privada não gozavam da imunidade de impostos de que trata a alínea "c" do inciso VI do art. 150 da CF (sendo este o fundamento da imunidade da Fl. 336DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 22/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 4 recorrente), e que a lei inovadora não encontra limites na sua eficácia em razão de decisão judicial anterior, evitando eternizarse os efeitos da coisa julgada. Tem razão a decisão recorrida. Por óbvio não se olvida que em determinado período, cotejando a legislação e a jurisprudência que vigoravam, a recorrente obteve do Poder Judiciário declaração de ser ente imune, ocorre, que também na se pode olvidar, que o quadro normativo vigente, as leis que regem a matéria e o posicionamento do Poder Judiciário, evoluíram para os fins de obrigar a recorrente, ao pagamento do imposto tido por ela como indevido. Confirase, nesse propósito, o teor do artigo 1º da Medida Provisória nº 2.222/2001, convertida na Lei nº 11.053/2004, e cuja disciplina hospedou os recolhimentos efetivados pela ora recorrente, in verbis: Art. 1º A partir de 1º de janeiro de 2002, os rendimentos e ganhos auferidos nas aplicações de recursos das provisões, reservas técnicas e fundos de entidades abertas de previdência complementar e de sociedades seguradoras que operam planos de benefícios de caráter previdenciário, ficam sujeitos à incidência do imposto de renda de acordo com as normas de tributação aplicáveis às pessoas físicas e às pessoas jurídicas nãofinanceiras. Parágrafo único. O imposto correspondente à parcela do rendimento ou ganho apropriada ao participante ou assistido pelo plano não pode ser compensado com qualquer imposto ou contribuição devido pelas pessoas jurídicas referidas neste artigo ou pela pessoa física participante ou assistida. Como bem observou a decisão recorrida, a recorrente gozou incontinente da reconhecida imunidade, até que sobreveio alteração no sistema jurídico vigente, fato que a obrigou ao pagamento do imposto, como de fato o fez nos recolhimentos por ela considerados, posteriormente, como se indevidos fossem. Ademais, é ponto pacífico na jurisprudência e nos precedentes desse CARF que a coisa julgada não obsta que lei nova possa reger a matéria em termos diversos, o que implicaria, inarredavelmente, em desrespeito ao sistema de freios e contrapesos decorrente da tripartição dos poderes. Dito isso, verificase que os pagamentos realizados pela recorrente, não se revestem do caráter de “pagamento indevido”, motivo pelo qual, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2011 (assinado digitalmente) EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Fl. 337DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 22/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 15374.903572/200837 Acórdão n.º 180200.824 S1TE02 Fl. 3 5 Fl. 338DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 22/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10425.002284/2007-16
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2003
VENDA DE IMÓVEL. GANHO DE CAPITAL.
O ganho de capital oriundo de baixa do ativo imobilizado, evidenciado pelo instrumento de Contrato de Compra e Venda e Assunção de Dívida, compõe as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL.
LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL.
Segue a sorte do lançamento principal o lançamento decorrente em face da conexão dos fatos e das provas.
Numero da decisão: 1802-000.879
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Nelso Kichel
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2003 VENDA DE IMÓVEL. GANHO DE CAPITAL. O ganho de capital oriundo de baixa do ativo imobilizado, evidenciado pelo instrumento de Contrato de Compra e Venda e Assunção de Dívida, compõe as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL. Segue a sorte do lançamento principal o lançamento decorrente em face da conexão dos fatos e das provas.
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GANHO DE CAPITAL. O ganho de capital oriundo de baixa do ativo imobilizado, evidenciado pelo instrumento de Contrato de Compra e Venda e Assunção de Dívida, compõe as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL. Segue a sorte do lançamento principal o lançamento decorrente em face da conexão dos fatos e das provas. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Fl. 463DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), André Almeida Blanco, José de Oliveira Ferraz, Nelso Kichel, Marcelo Assis Guerra e Marco Antonio Castilho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 179/185 interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ/Recife (fls. 168/172) que julgou improcedente a impugnação, mantendo os autos de infração do IRPJ e reflexo (CSLL), anocalendário 2003. A decisão recorrida tem a seguinte ementa (fl. 168): (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 VENDA DE IMÓVEL. GANHO DE CAPITAL. O ganho de capital oriundo de baixa do ativo imobilizado, evidenciado pelo Contrato de Compra e Venda e Assunção de Dívida, compõe as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 VENDA DE IMÓVEL, GANHO DE CAPITAL. O ganho de capital oriundo de baixa do ativo imobilizado, evidenciado pelo Contrato de Compra e Venda e Assunção de Divida, compõe as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Lançamento Procedente (...) Quanto ao lançamento fiscal, transcrevo o relatório da decisão recorrida que, em síntese, expõe a lide (fls. 169/170): Contra a empresa acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração a seguir especificados, para exigência de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, IRPJ, e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, CSLL: Tributo Fls. Imposto/ Contribuição. Juros de Mora Multa Proporcional Multa Isolada Total R$ IRPJ 124 107.786,47 57.557,97 80.839,85 63.147,08 309.331,37 CSLL 134 47.443,13 25.334,63 35.582,34 24.532,95 132.893,05 Fl. 464DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.002284/200716 Acórdão n.º 180200.879 S1TE02 Fl. 3.94 3 De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 126 a 129 foram apuradas as seguintes infrações: 1 Omissão de Receita não Operacional Caracterizada por insuficiência de contabilização tendo em vista que em 29/08/2003 o contribuinte, em lançamento contábil, reduziu a conta de Receitas não Operacionais no valor de R$ 443.907,66, referente à constituição de reserva para fins de amortização, reembolso e resgate de ações. O valor deveria ter sido adicionado ao Lucro Líquido para apuração do Lucro Real. Enquadramento legal à fl. 127. 2 Exclusões não autorizadas na apuração do Lucro Real. Exclusões indevidas Redução indevida do Lucro Real provocada pela exclusão no LALUR, não autorizada, do valor de R$ 682.295,85 referente ao saldo da conta de Desapropriação de Imóveis. Enquadramento legal à fl. 128. 3 Multa Isolada. Falta de Recolhimento do IRPJ sobre Base de Cálculo Estimada. Efetuado o ajuste na parte A do LALUR, em razão das infrações apuradas conforme demonstrado à fl. 128, em maio de 2003 não foi recolhida a estimativa no valor de R$ 126.294,16 resultando na Multa Isolada (50%) pelo não recolhimento de R$ 63.147,08. Enquadramento Legal à fl. 129. (...) Ainda, como reflexo, por falta de recolhimento da CSLL – estimativa de maio/2003, houve o lançamento da multa isolada de R$ 24.532,95, conforme demonstrativos de fls. 131/140. Devidamente intimada, a autuada apresentou impugnação às fls. 145 a 147 fazendo, em síntese, as seguintes alegações: que o objetivo da fiscalização, sempre, é buscar maior arrecadação tributária para financiamento do gasto público; que, entretanto, é incabível sacrificarse a autuada que luta há anos sem incentivos fiscais, sempre cumprindo seus deveres; que são inverídicas as imputações da fiscalização por ter laborado em erros e equívocos; que a fiscalização visou tanto a pessoa jurídica autuada, quanto a pessoa física do seu DiretorPresidente na época, impondo sacrifícios; Fl. 465DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 que houve desapropriação do imóvel (e não compra) pelo Poder Público estadual, por preço vil e, ainda, foi pago em atraso; que a desapropriação é ato de força – conforme cópia do Decreto (fl. 71) e que o expropriante assume os possíveis riscos (ônus ou bônus); que, se tributação houver, os tributos devem ser cobrados da CINEP Companhia de Desenvolvimento da Paraíba, empresa responsável pela expropriação; que, no caso, houve simples devolução do imóvel que fora adquirido no dia 29/12/1994 da própria CINEP, configurando verdadeira retrocessão; que o valor recebido foi simples indenização e que não cabe a exigência do IRPJ; que se impõe revisão do lançamento para evitar prejuízos à empresa e cerceamento do direito de defesa; que a autuada, cumpridora dos seus deveres, entende que a fiscalização deveria apurar a verdade e não punir indiscriminadamente; que tem direito ao devido processo legal, com as garantias da ampla defesa e do contraditório; que a fiscalização cometeu, no caso, equívocos gritantes, com evidentes prejuízos e sacrifícios à autuada; que seja afastado o lançamento fiscal e, se houver tributos a serem pagos, que seja responsabilizada a CINEP, empresa que efetuou a expropriação do imóvel o qual havia sido, anteriormente, adquirido dela; Não obstante as razões deduzidas, a decisão de primeira instância julgou improcedente a impugnação, mantendo o lançamento do IRPJ e reflexo (CSLL), como já mencionado incialmente. A propósito, convém, ainda, transcrever excerto do voto condutor do acórdão guerreado, que revela os fundamentos que embasaram a decisão a quo (fl.171), in verbis: (...) Portanto, o montante recebido se caracteriza como produto de transação efetuada entre as partes por meio de contrato de compra e venda sem qualquer característica de desapropriação. Acrescentese que ainda que se tratasse de desapropriação a legislação é clara quanto à tributação do ganho de capital auferido. (...) Irresignada com esse decisum, do qual tomou ciência em 15/07/2007 (fl.177), a recorrente apresentou Recurso Voluntário em 14/08/2007 de fls. 179/185, juntando, ainda, os documentos de fls. 186/193, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que a decisão a quo rejeitou os argumentos de defesa e manteve a exigência tributária; Fl. 466DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.002284/200716 Acórdão n.º 180200.879 S1TE02 Fl. 4.94 5 que, data venia, a decisão deve ser reformada, pois a origem do débito imputado é a DESAPROPRIAÇÃO do imóvel da recorrente, através do Decreto nº. 24.164/2003, baixado pelo Governador do Estado, na época (fl. 71); que não há dúvida de que se trata de desapropriação, fato que impede a cobrança de imposto de renda, nos termos de nossa melhor jurisprudência pátria; que a indenização paga pelo bem expropriado, que decorre do direito fundamental de propriedade, nada mais é do que a restituição, em dinheiro, do preço equivalente, nem mais, nem menos, não havendo espaço para se falar em ágio ou deságio. É certo também que, dentro do "justo preço" pago na indenização, estão considerados eventuais juros moratórios e compensatórios, dada a natureza indenizatória; que a indenização pela desapropriação apenas objetivou eliminar a perda patrimonial sofrida pelo expropriado; que o fato gerador do imposto de renda, grosso modo, é o ganho ou acréscimo patrimonial; que, não havendo esse ganho patrimonial, não há que se falar em incidência do fato gerador, pois não satisfeita concretamente a hipótese abstratamente prevista; que, pela não incidência de tributação sobre o ganho de capital na desapropriação, existe jurisprudência pacífica do STJ (REsp 960.407/RS, REsp 799.434/CE e REsp 576.665/AL). Por fim, ante essas razões, a recorrente pediu provimento ao recurso. É o relatório. Fl. 467DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos. Portanto, dele conheço. A controvérsia versa acerca da exigência de crédito tributário do IRPJ e reflexo (CSLL), uma vez que a recorrente deixara de computar na base de cálculo dessas exações fiscais o resultado da venda de imóvel, ganho de capital oriundo de baixa de imóvel do ativo imobilizado, evidenciado pelo instrumento de Contrato de Compra e Venda e Assunção de Dívida, quanto ao anocalendário 2003. Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo diretamente à análise do mérito da lide. A recorrente, em seu recurso, negou a existência de ganho de capital, no caso; que a baixa do imóvel do ativo imobilizado da empresa (operação ocorrida no ano 2003) não decorreu de operação de venda e compra, mas sim de um ato de força do Estado da Paraíba (desapropriação do imóvel); que o preço recebido constitui indenização, incabível, assim, cogitar de lucro ou de ganho de capital tributável na operação; que, caso se entenda diversamente, os tributos deveriam ser exigidos da CINEP Companhia de Desenvolvimento da Paraíba, empresa que realizou a operação de transferência do imóvel, o qual foi adquirido dela em 1994, retornando para sua titularidade em 2003, configurando verdadeira retrocessão. Dos fatos narrados nos autos de infração do IRPJ e da CSLL Diversamente do alegado pela recorrente, a narrativa dos fatos efetuada pela fiscalização, constante dos autos de infração do IRPJ e da CSLL, rechaça, de plano, a versão de transferência do imóvel à CINEP via desapropriação pelo Estado da Paraíba, mas sim por intermédio de instrumento de Contrato Particular de Compra e Venda e Assunção de Dívida. Nesse sentido, transcrevo a descrição dos fatos contante dos autos de infração do IRPJ e da CSLL (fls.126/127 e 136/137), in verbis: (...) Do Negócio Jurídico: Transação efetuada pelo contribuinte para baixa do ativo imobilizado não pode ser considerada desapropriação tendo em vista que Decreto do Governo do Estado da Paraíba que declara o imóvel, que pertencia ao contribuinte, como de "utilidade pública, para fins de desapropriação" (cópia do Decreto à fls. 71) é datado de 13 de junho de 2003, publicado no Diário Oficial do Estado no dia 15 de junho de 2003; quando a transação de compra e venda do referido imóvel já havia sido firmada de acordo com Contrato Particular de Compra e Venda e Assunção de Dívida assinado entre o contribuinte (vendedor) e a CINEP, Companhia de Desenvolvimento da Paraíba (compradora) no dia 27 de maio de 2003 (conforme fls. 62 a 64). Fl. 468DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.002284/200716 Acórdão n.º 180200.879 S1TE02 Fl. 5.94 7 No dia 13 de junho de 2003, contribuinte já havia, inclusive, recebido e depositado R$ 300.000,00 desde o dia 28 de maio de 2003, a título de pagamento da primeira prestação do referido imóvel, conforme extrato a fls. 40, e conforme declarado pelo próprio contribuinte a fls. 60. Como também o contribuinte já havia escriturado valor de R$ 426.203,51 referente à assunção de dívida, a qual se tratava de parte do pagamento conforme contratado. Dessa forma, no final do mês de maio de 2003 o negócio jurídico já estava consolidado, uma vez o Contrato entre as partes já se encontrava assinado e maior parte do pagamento efetuado. Do Ganho de Capital: Em consulta ao Registro Geral do Imóvel solicitado ao Cartório do 1° Ofício da Comarca de Campina Grande PB, percebese que em 10/11/1994 o mesmo imóvel foi desapropriado de antigos proprietários, tendo como expropriante o Governo do Estado da Paraíba, em favor da mesma CINEP, CNPJ 09.123.027/000146, pelo valor de R$ 4.545,40 (quatro mil, quinhentos e quarenta e cinco reais, e quarenta centavos). No dia 29/12/1994, a CINEP vendeu o imóvel à Indústria de Perfilados Plásticos S/A Perfisa, pelo valor de R$ 22.950,00 (vinte e dois mil reais, novecentos e cinqüenta reais). Descartase a possibilidade de enquadrar o valor recebido na transação como sendo mera indenização, pela simples comparação entre os valores envolvidos: a Perfisa comprou o terreno por R$ 22.950,00, tinha o imóvel (terreno mais edificações) escriturado no momento da venda com um valor contábil de R$ 285.769,11, e o vendeu (de acordo com Contrato de Compra e Venda e Assunção de Dívida) por R$ 1.126.203,51 (um milhão, cento e vinte e seis mil, duzentos e três reais, e cinqüenta e um centavos). Além de todo o exposto, pelo art. 418 do RIR Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3.000/1999), mesmo que seja considerada uma desapropriação do imóvel, deve ser classificado como ganho de capital o valor da diferença entre o valor pago pelo expropriante e o valor contábil do bem. Da Apuração: Em lançamento contábil no dia 29/08/2003, contribuinte reduziu a conta de Receitas Não Operacionais, no valor de R$ 443.907,66 referente a constituição de reserva para fins de amortização, reembolso e resgate de ações. Nada impede a constituição de tal reserva, porém esse valor deve ser tratado como uma adição no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR). No mais, contribuinte utilizou como exclusão no LALUR o saldo da conta de Desapropriação de Imóveis no valor de R$ 682.295,85. Essa exclusão é indevida, pois não possui previsão legal. Fl. 469DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Contribuinte deixou de fazer opção pelo diferimento da tributação, nos termos do art. 422 do RIR, conforme cópia do LALUR às fls. 75 a 105. Dessa forma, evidenciase a falta de contabilização do ganho de capital apurado na alienação/baixa de bem do ativo permanente gerando, em conseqüência, redução indevida do lucro sujeito à tributação. (...) Como visto, os pontos controvertidos para resolução da lide são: a natureza jurídica do ato que que determinou a saída do imóvel da esfera jurídica da recorrente e a natureza jurídica do valor percebido nessa operação. Desapropriação: verba indenizatória e ganho de capital Em sede de jurisprudência administrativa e judicial, o entendimento é pacífico no sentido de que o preço ou o valor percebido ou recebido pela desapropriação de imóvel por utilidade pública, necessidade pública ou interesse social não se sujeita à tributação, por ter caráter indenizatório. Entretanto, o valor tributável pelo IRPJ e pela CSLL não é o valor indenizatório, mais sim o ganho de capital desde que, devidamente, comprovado pelo fisco. Nesse sentido, transcrevo o entendimento jurisprudencial acerca da matéria. 1 – Conselhos de Contribuintes, atual CARF: IRPJ e OUTROS — GANHO DE CAPITAL — DESAPROPRIAÇÃO — A desapropriação é ato coativo do Estado, que, na satisfação do interesse público, retira a propriedade de bem integrante do patrimônio do particular, mediante justa e prévia indenização. Nos termos do art. 5°, XXIV da CF, o valor recebido tem natureza indenizatória, portanto, não se sujeita à incidência de imposto de renda e conseqüentemente apuração de ganho de capital. Recurso Provido. (Acórdão n° 10196.431, sessão de 08 de novembro de 2007) GANHO DE CAPITAL DESAPROPRIAÇÃO — NÃO INCIDÊNCIA Desapropriar é ato de Estado, não configurando negócio jurídico de âmbito privado. A indenização do bem desapropriado é mera reposição patrimonial, não se sujeitando à incidência tributária, sob pena de diminuíla, desvirtuando o conceito de "justa indenização em dinheiro", que condiciona e dá validade ao ato do poder expropriante. Recurso provido.(Acordão 10246.997, sessão de 10 de agosto 2005) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1998 GANHO DE CAPITAL DESAPROPRIAÇÃO PELO PODER PÚBLICO NATUREZA INDENIZATÓRIA NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO O Supremo Tribunal Federal STF reconheceu a inconstitucionalidade da incidência do imposto de renda sobre ganho de capital no caso de desapropriação pelo poder público, por entender que essa incidência desnatura a "justa Fl. 470DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.002284/200716 Acórdão n.º 180200.879 S1TE02 Fl. 6.94 9 indenização", exigida pela Carta Magna como requisito para a relativização do direito à propriedade. Recurso provido. (Acórdão nº 10249.142, de 25 de junho de 2008) IRPJ GANHO DE CAPITAL DESAPROPRIAÇÃO POR UTILIDADE PÚBLICA A desapropriação é ato coativo do Estado, que, na satisfação do interesse público, retira a propriedade de bem integrante do patrimônio do particular, mediante justa e prévia indenização. Nos termos do art. 5°, XXIV, da CF, o valor recebido tem natureza indenizatória, portanto, não se sujeita à incidência de imposto de renda e conseqüentemente apuração de ganho de capital. (Ac. 106 159.958, de 06/12/2006). IRPJ INDENIZAÇÃO DECORRENTE DE DESAPROPRIAÇÃO. Em face do princípio constitucional da "justa e prévia indenização em dinheiro", a indenização decorrente de desapropriação não constitui receita nem acréscimo ao patrimônio do expropriado, inexistindo ganho a ser tributado. Precedentes do extinto Tribunal Federal de Recursos e do Supremo Tribunal Federal. (Acórdão 10193136, Recurso 119.757, Primeira Câmara). IRPF IMÓVEIS GANHO DE CAPITAL DESPAROPRIAÇÃO. Não se sujeita à tributação a diferença entre o valor recebido pelo expropriado e o valor de aquisição do imóvel objeto de desapropriação, visto assumir esta caráter meramente indenizatório e o tributo, por desfalcar o preço, desnatura o conceito de "justa indenização em dinheiro", que condiciona e dá validade ao ato do poder expropriante." (Acórdão 104 17.280, Recurso 119.722) IRPF IMÓVEIS GANHO DE CAPITAL DESPAROPRIAÇÃO. Não se sujeita à tributação o lucro decorrente de desapropriação de imóvel porquanto o valor recebido pelo expropriado não passa de mera reposição com característica indenizatória, sendo certo, também, que a imposição do tributo, ao desfalcar o preço, desnatura o conceito de "justa indenização em dinheiro", que condiciona e dá validade ao ato do poder expropriante. (Acórdão 10417.127). Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF Exercício: 1998 GANHO DE CAPITAL DESAPROPRIAÇÃO PELO PODER PÚBLICO NATUREZA INDENIZATóRIA NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO O Supremo Tribunal Federal STF reconheceu a inconstitucionalidade da incidência do imposto de renda sobre ganho de capital no caso de desapropriação pelo poder público, por entender que essa incidência desnatura a 'justa indenização'; exigida pela Carta Magna como requisito para a relativização do direito à Fl. 471DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 propriedade.Recurso provido. Acórdão 10423081 de 06.03.2008. IRPJ e OUTROS — GANHO DE CAPITAL — DESAPROPRIAÇÃO — A desapropriação é ato coativo do Estado, que, na satisfação do interesse público, retira a propriedade de bem integrante do patrimônio do particular, mediante justa e prévia indenização. Nos termos do art. 5°, XXIV, da CF, o valor recebido tem natureza indenizatória, portanto, não se sujeita a incidência de imposto de renda e conseqüentemente apuração de ganho de capital. Recurso Provido. Acórdão 10196.431, de 08/11/2007. IRPF — GANHO DE CAPITAL — DESAPROPRIAÇÃO — Desapropriar é ato de Estado, não configurando negócio jurídico de âmbito privado. A indenização do bem desapropriado é mera reposição patrimonial, não se sujeitando à incidência tributária, sob pena de diminuíla". (Acórdão 10418.071, Julgamento em 20.06.2001). 2 – Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF: IRPF — GANHO DE CAPITAL — DESAPROPRIAÇÃO POR UTILIDADE PÚBLICA — A desapropriação é ato coativo do Estado, que, na satisfação do interesse público, expropria bem privado, mediante justa e prévia indenização (art. 5°, XXIV, da CF). Assim sendo, o valor recebido não está sujeito à incidência de imposto de renda e consequentemente à apuração de ganho de capital, eis que não se cogita de negócio jurídico, mas simples indenização pela perda involuntária do patrimônio.(CSRF/01 04.918, sessão de 12 de abril de 2004). 3 – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Sumula CARF: Súmula CARF nº 42: Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação. 4 – Superior Tribunal de Justiça – STJ: DESAPROPRIAÇÃO INDENIZAÇÃO IMPOSTO DE RENDA— NÃO INCIDÊNCIA. A indenização decorrente de Desapropriação não apresenta nenhum Ganho ou Acréscimo de capital e sobre ela não incide o imposto de Renda. Recurso Provido". (S7J, REsp. 153.772/RJ, Rel. Min. Garcia Vieira, 1° Turma, 04/05/1.998). TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DESAPROPRIAÇÃO. JUROS MORATÓRIOS E COMPENSATÓRIOS. 1. O imposto sobre a renda tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda (produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos) e de proventos de qualquer natureza (art. 43, do CTN). 2. As verbas de caráter indenizatório não estão sujeitas à incidência do imposto, porquanto a indenização não traduz a idéia de "acréscimo patrimonial" exigida pelo art. 43, do CTN. Fl. 472DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.002284/200716 Acórdão n.º 180200.879 S1TE02 Fl. 7.94 11 3. O imposto de renda não incide sobre as verbas auferidas a título de indenização por desapropriação, porquanto não representam acréscimo patrimonial. 4. Os juros compensatórios e moratórios integram a indenização por desapropriação, e, conseqüentemente, não estão sujeitos à incidência do referido imposto. 5. Precedentes da Corte: REsp 156.772/RJ, Rel. Min. Garcia Vieira, •DJ. 04/05/98; REsp, 118.534/RS, Rel. Min. Milton Luiz Pereira DJ 19/12/1997; ROMS 11.392/RJ, Rel. Min. Pado Medina, DJ. 13/10/2003: REsp 208.477/RS, Rel. Min. Francisco Peçonha Martins, DJ 25/06/2001. 6. (...) 7. (...) 8.(...) 9. Recurso especial a que se nega provimento. (REsp n.° 673.273/AL, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª Turma, DJ 02/05/2005). IMPOSTO DE RENDA RETENÇÃO INDENIZAÇÃO DESAPROPRIAÇÃO JUROS COMPENSÁTORIOS E MORATORIOS SÚMULA n° 39 DO TFR.. A indenização decorrente de desapropriação não é ganho de capital nem acréscimo dele. A propriedade é transferida ao poder publico pelo valor determinado pela justiça a titulo de indenização. Não ocorre venda nem lucro, é reposição do valor do bem atingido. Este é o bom entendimento da Sumula n.° 39 do TFR prestigiado por esta alta Corte de Justiça (REsps nºs. 47.4493SP e 54.1557SP). Os juros compensatórios e moratórias integram a indenização. Recurso improvido. (REsp n.° 130.194/SP, Rel. Min. GARCIA VIEIRA, STJ, 1°. Turma, DJ 24/11/1997). TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DESAPROPRIAÇÃO. JUROS DE MORA E COMPENSATÓRIOS. INCIDÊNCIA. I. Os juros de mora e compensatórios recebidos como indenização em ação expropriatória não se submetem à incidência do Imposto de Renda Precedentes. 2. Recurso especial improvido. (REsp nº 674.959/PR, Rel. Min.CASTRO MEIRA, STJ, 2° Turma, DJ 20/03/2006). TRIBUTÁRIO — IMPOSTO DE RENDA — DESAPROPRIAÇÃO DIRETA— JUROS COMPENSATÓRIOS E MORATÓRIOS — NÃO INCIDÊNCIA DO TRIBUTO — PRECEDENTES. Os juros compensatórios e moratórios integram a indenização por expropriação, não constituindo renda; portanto, não podem ser tributáveis. Recurso especial não conhecido. (STJ, REsp 208477/RS, Rel. Min. Peçanha Martins, 2ª Turma, DJ 25/06/2001) Fl. 473DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 12 DESAPROPRIAÇÃO INDENIZAÇÃO IMPOSTO DE RENDA NÃO INCIDÊNCIA. A indenização decorrente de Desapropriação não apresenta nenhum Ganho ou Acréscimo de Capital e sobre ela não incide o Imposto de Renda. Recurso Provido". (STJ, REsp 153772/RJ, Rel. Min. Garcia Vieira, 1ª Turma, DJ de 04/05/1998). PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. DISCUSSÃO ACERCA DA INCIDÊNCIA, OU NÃO DO IMPOSTO DE RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS SOBRE INDENIZAÇÃO DECORRENTE DE DESAPROPRIAÇÃO DE IMÓVEL URBANO. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONFORMIDADE COM A JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE DESTE SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. 1. Consoante esta Corte Superior tem reiteradamente decidido, não há contrariedade ao art. 535 do Código de Processo Civil quando o Tribunal de origem se pronuncia, de maneira fundamentada, sobre as questões relevantes ao deslinde da controvérsia, inexistindo ponto omisso sobre o qual se devesse manifestar em sede de embargos declaratórios. O órgão julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pelas partes, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, o que ocorreu na hipótese dos autos. 2. A indenização decorrente de desapropriação, seja por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social, não constitui ganho ou acréscimo patrimonial, razão pela qual não pode ser objeto de incidência do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas. Tal entendimento restou consolidado com a edição da Súmula 39/TFR, do seguinte teor: "Não está sujeita ao Imposto de Renda a indenização recebida por pessoa jurídica, em decorrência de desapropriação amigável ou judicial." 3. Recurso especial desprovido. (REsp 799.434/CE, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/04/2007, DJ 31/05/2007 p. 354). TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INDENIZAÇÃO DECORRENTE DE DESAPROPRIAÇÃO. VERBA INDENIZA TÓRIA. NÃOINCIDÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A incidência do imposto de renda tem como fato gerador o acréscimo patrimonial (art. 43, do CTN), sendo, por isso, imperioso perscrutar a natureza jurídica da verba percebida, a fim de verificar se há efetivamente a criação de riqueza nova: a) se indenizatória, que, via de regra, não retrata hipótese de incidência da exação; ou b) se remuneratória, ensejando a tributação. Isto porque a tributação ocorre sobre signos presuntivos de capacidade econômica, sendo a obtenção de renda e proventos de qualquer natureza um deles. 2. Com efeito, a Constituição Federal, em seu art. 5º, assim disciplina o instituto da desapropriação: “XXIV a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;” Fl. 474DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.002284/200716 Acórdão n.º 180200.879 S1TE02 Fl. 8.94 13 3. Destarte, a interpretação mais consentânea com o comando emanado da Carta Maior é no sentido de que a indenização decorrente de desapropriação não encerra ganho de capital, porquanto a propriedade é transferida ao poder publico por valor justo e determinado pela justiça a título de indenização, não ensejando lucro, mas mera reposição do valor do bem expropriado. 4. In casu, os ora recorridos perceberam verba decorrente de indenização oriunda de ato expropriatório, o que, manifestamente, consubstancia verba indenizatória, razão pela qual não pode ser objeto de incidência do imposto sobre a renda. 5. Deveras, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido da nãoincidência da exação sobre as verbas auferidas a título de indenização advinda de desapropriação, seja por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social, porquanto não representam acréscimo patrimonial. 6.Precedentes: AgRg no Ag 934.006/SP, Rel. Ministro CARLOS FERNANDO MATHIAS, DJ 06.03.2008; REsp 799.434/CE, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, DJ 31.05.2007; REsp 673273/AL, Rel. Ministro LUIZ FUX, DJ 02.05.2005; REsp 156.772/RJ, Rel. Min. Garcia Vieira, DJ 04/05/98; REsp 118.534/RS, Rel. Min. Milton Luiz Pereira, DJ 19/12/1997. 7.Ad argumentandum tantum, ainda que se considerasse a alegação da recorrente, de que o imposto de renda deveria incidir não sobre a própria indenização, mas sobre o ganho de capital apurado quando da operação que importasse a desapropriação, nos termos do art. 3°, § 3°, da Lei 7.713/89, o recurso não mereceria prosperar, porquanto o voto condutor do acórdão recorrido consignou o malogro da União em comprovar o efetivo ganho de capital decorrente da indenização por desapropriação do imóvel, in verbis: "Evidentemente, cabe à União apurar e provar que, no procedimento desapropriatório, houve acréscimo patrimonial, apurado a partir do cotejo entre o valor do imóvel desapropriado e o valor fixado em sentença a titulo de indenização. Eventualmente, se a União lograr obter tal prova, haverá efetivo ganho de capital, realizandose, então, o fato gerador do imposto. No caso, não houve tal prova, de modo que não incide imposto de renda sobre a indenização recebida pelos impetrantes." 8. Destarte, reformar a decisão do Tribunal a quo implicaria o revolvimento do contexto fáticoprobatório dos autos, insindicável em sede de recurso especial, em face do óbice contido na Súmula 07/STJ. 9. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, Fl. 475DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 14 desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 10. Recurso especial a que se nega provimento. (REsp 960.407/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/08/2008, DJ de 15/09/2008). (Grifei) Portanto, inferese que, restando comprovado pelo fisco ganho de capital na desapropriação de imóvel, é possível sua tributação. Operação de venda do imóvel por ato bilateral (Contrato) A fiscalização – conforme narrado nos autos de infração do IRPJ e da CSLL refutou, de plano, que a operação de baixa do imóvel do ativo imobilizado da empresa tivesse ocorrido a título de desapropriação (ato unilateral) no anocalendário 2003, mais sim por intermédio de negócio jurídico bilateral, por instrumento de Contrato de Venda e Compra e Assunção de Dívida. Segundo a fiscalização, a desapropriação não restou configurada; que a operação de venda do imóvel foi concretizada muito tempo antes da publicação do decreto expropriatório; que a operação gerou lucro ou ganho de capital para a recorrente, pois o imóvel estava registrado na contabilidade pelo valor de R$ 285.769,11 (fl. 08), e foi vendido (de acordo com o instrumento de Contrato de Compra e Venda e Assunção de Dívida) por R$ 1.126.203,51 (fls. 62/64); que o valor recebido pela recorrente não constitui indenização, pois decorreu de ato voluntário Contrato de Compra e Venda , recebendo a autuada pelo imóvel preço praticamente 4 (quatro) vezes superior ao registrado na sua contabilidade no ano de 2003; que o preço foi recebido, a maior parte, imediatamente, inclusive muito tempo antes da publicação do decreto de expropriação; que a recorrente havia adquirido esse imóvel em dezembro/1994 da própria CINEP pelo valor de R$ 22.950,00, valor equivalente a US$ 27,000,00 (vinte e sete mil dólares), na época, conforme Certidão – Registro Geral – Cartório do 1º Ofício de Campina Grante R20116 (fl. 118). Compulsando as peças do processo, realmente, não há dúvida que o imóvel foi objeto de operação de compra e venda. Nesse sentido constam dos autos (fls. 62/64): 1) – Cópia do instrumento de Compra e Venda e Assunção de Dívida, de 27 de maio de 2003, entre a Companhia de Desenvolvimento da Paraíba – CINEP (Compradora), Indústria de Perfilados Plástivos S/A (Vendedora) e CANDE – Compina Grande Industrial S/A (Inteveniente – empresa ligada à vendedora do imóvel), cujas Cláusulas – as principais – transcrevo, a seguir: CONTRATO DE COMPRA E VENDA E ASSUNÇÃO DE DIVIDA QUE ENTRE SI CELEBRAM A COMPANHIA DE DESENVOLVIMENTO DA PARAIBA CINEP, A INDÚSTRIA DE PERFILADOS PLÁSTICOS S/A PERFISA E A CAMPINA GRANDE INDUSTRIAL SIA CANDE. (...) CLÁUSULA PRIMEIRA DO OBJETO A VENDEDORA é possuidora de um terreno com área de 41.992,00 m2, localizada na Av. Chesf n.° 1387, no Distrito Industrial de Campina Grande, havidos por escritura pública de Fl. 476DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.002284/200716 Acórdão n.º 180200.879 S1TE02 Fl. 9.94 15 desapropriação amigável, transcrita sob o n.° R19116, às fls. N° 16 do Livro 2A, com as seguintes dimensões e confrontações:(...) CLÁUSULA SEGUNDA DO PREÇO O valor certo e previamente ajustado ente as partes é de R$ 1.126.203,51 ( hum milhão, cento e vinte e seis mil, duzentos e três reais e cinqüenta e hum centavos). CLÁUSULA TERCEIRA DO PAGAMENTO O valor acima ajustado será pago (...) da seguinte forma: a)R$ 426.203,51 ( quatrocentos e vinte e seis mil, duzentos e três reais e cinquüenta e hum centavos), mediante assunção, na forma prevista no art. 299 e seguintes do Código Civil vigente (Lei n° 10.106, de 10 de janeiro de 2002), pela VENDEDORA, da Dívida, de mesmo valor, da INTERVENIENTE, para com a COMPRADORA, em 10 de junho de 1999, (...) b) R$ 300.000,00 ( trezentos mil reais) em cheque de emissão da COMPRADORA em favor da VENDEDORA, na data da assinatura do presente instrumento, (...) c) R$ 200.000,00 ( duzentos mil reais), também em cheque de emissão da COMPRADORA de nº 45204, da conta corrente n.° 90038191, da Agência 1188, do Banco Real em favor da VENDEDORA; dentro do de prazo de 30 (trinta) dias, contados da assinatura do presente instrumento; e , d) R$ 200.000,00 (duzentos mil reais), igualmente em cheque de emissão, da COMPRADORA de n.° 45205, da conta corrente n.° 90038191, da Agência 1188, do Banco Real em favor da VENDEDORA, dentro de 60 (sessenta) dias, contados da assinatura do presente Instrumento. CLÁUSULA QUARTA DOS TRIBUTOS A VENDEDORA declara, expressamente, estar quites com os tributos Federais, Estaduais e Municipais incidentes sobre o imóvel em tela, apresentando, na oportunidade, as certidões negativas respectivas, passando a responder por eles a COMPRADORA a partir desta data. CLÁUSULA QUINTA DA IRRETRATABILIDADE, . O presente instrumento é celebrado em caráter irrevogável e irretratável por ambas as partes. (...) 2) – Cópia dos extratos bancários. Intimada pela fiscalização a contribuinte apresentou cópia dos extratos bancários do anocalendário 2003 de sua conta bancária, onde constam – em relação ao mencionado Contrato de Compra de Venda – os seguintes depósitos a crédito, em cheques emitidos pela Compradora CINEP: Fl. 477DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 16 a) R$ 300.000,00 (trezentos mil), depositados em 28/05/2003 (fl. 40); b) R$ 200.000,00 (duzentos mil), depositasdos em 02/07/2003 (fl. 44); c) R$ 200.000,00 (duzentos mil), depositados em 13/08/2004 (fl. 48). Como demonstrado, a operação de compra e venda foi concretizada em 27/05/2003, recebendo a autuada (vendedora do imóvel), imediatamente, mais da metade do preço acordado, ou seja: a) a assunção de dívida da empresa ligada (empresa CANDE) pela VENDEDORA, junto à empresa COMPRADORA CINEP, no valor de R$ 426.203,51 (compensação ou encontro de contas); b) o valor de R$ 300.000,00 (trezentos mil), depositado a crédito na conta corrente bancária da VENDEDORA pela COMPRADORA CINEP, em 28/05/2003. Portanto, a operação de compra e venda do imóvel restou configurada, ou seja, devidamente demonstrada nos autos. Desapropriação do imóvel não configurada para efeito de afastamento de tributação do ganho de capital (inexistência dos pressupostos fáticos e jurídicos) Não obstante, no mês seguinte a essa operação de venda e compra do imóvel já configurada, sacramentada, houve a declaração de utilidade pública desse imóvel para fins de desapropriação. Vale dizer: totalmente fora de contexto, em 15 de junho de 2003, foi publicado no Diário Oficial do Estado da Paraíba o Decreto, de 13 de julho de 2003, declarando o imóvel, em tela, de utilidade pública para fins de desapropriação, como se tal imóvel ainda estivesse na esfera jurídica da recorrente, com a finalidade de instalação de empreendimento industrial, de caráter urgente, designando a CINEP – Companhia de Desenvolvimento da Paraíba, empresa que adquirira o imóvel por instrumento particular de Compra e Venda e Assunção de Dívida, para promover os atos de expropriação (fl. 71). A propósito, transcrevo os termos do Decreto, publicado no dia 15 de junho de 2003 (fl. 71): Decreto 24.164/2003 João Pessoa, 13 de junho de 2003 Declara de utilidade pública para efeito de desapropriação o imóvel que menciona: O GOVERNADOR DO ESTADO DA PARAIRA, no uso das atribuições que lhe confere o Art. 86, inciso IV da Constituição do Estado da Paraíba, e na conformidade do que dispõe o Art. 5º, alínea "i", combinado com o Art. 6°, do DecretoLei nº 3.365, de 21 de junho de 1941, com as alterações introduzidas pela Lei nº 2.786, de 21 de maio de 1956, e CONSIDERANDO a necessidade de interiorizar o processo de industrialização preconizado pelo Governo do Estado da Paraíba; CONSIDERANDO a inexistência de áreas urbanas destinadas a instalações de indústrias nas cidades do interior; Fl. 478DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.002284/200716 Acórdão n.º 180200.879 S1TE02 Fl. 10.94 17 CONSIDERANDO, por conseqüente, ser imprescindível a atuação do Poder Público, expropriando a área que se destina a instalação de empresas, possibilitando a geração de empregos e promoção do desenvolvimento regional, DECRETA: Art. 1º Fica declarado de utilidade pública, para fins de desapropriação, o seguinte imóvel: um terreno com área de 41.992,00 m2 (...), pertencente à INDÚSTRIA DE PERFILADOS PLÁSTICO S/A – PERFISA (...) Art. 2º O imóvel descrito no artigo anterior será destinando à instalação de empreendimentos industriais, vedada sua utilização para outra finalidade. Art. 3º É de natureza urgente a desapropriação de que trata este Decreto para efeito de imediata imissão na posse do imóvel descrito, de conformidade com o art. 15 do Decreto nº 3.365/41. Art.4º Fica a COMPANHIA DE DESENVOLVIMENTO DA PARAÍBA CINEP, autorizada a promover a desapropriação do imóvel por meios amigáveis, judiciais e extrajudiciais, necessário à incorporação dele ao seu patrimônio ou ao patrimônio dos dos fundos por ela geridos. Art. 5º Este decreto entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário. (...) Ora, o decreto – como ato de força, unilateral, do Poder Público para expropriação do imóvel foi desnecessário (sem os elementos ou pressupostos legais), pois, muito antes de sua publicação, o imóvel já não pertencia à pretensa expropriada, já não estava na esfera jurídica da contribuinte recorrente. Ou seja: o imóvel em 27/05/2003, muito tempo antes da publicação do decreto de desapropriação de 15/06/2003, foi objeto de instrumento de Contrato de Compra e Venda e Assunção de Dívida entre a autuada (Vendedora) e a CINEP (Compradora), cuja avença tem as características de ser bilateral, voluntária e consensual, inclusive, com Cláusulas de irrevogabilidade e irretratabilidade. Quando da publicação do indigitado Decreto, o imóvel já estava incorporado ao patrimônio da empresa CINEP (empresa de economia mista, nomeada responsável pela promoção dos atos de expropriação), não se justificando a declaração de utilidade publica para fins de desapropriação. O imóvel, como demonstrado, não estava mais com a pretensa expropriada, que se desfez do imóvel, voluntariamente, muito antes da publicação do mencionado decreto expropriatório, recebendo preço acordado, em torno de 4 (quatro) vezes o seu valor, atualizado, registrado na escrituração contábil do anocalendário 2003. Logo, o artigo 4º do aludido decreto do Estado da Paraíba, que trata de autorização para promoção da desapropriação do imóvel pela CINEP, é uma contradição, pois, Fl. 479DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 18 muito antes de sua publicação, esse imóvel foi adquirido pela empresa estatal por instrumento Particular de Compra e Venda e Assunção de Dívida, tendo, inclusive, efetuado pagamento, imediatamente, da maior parte do preço acordado (a compra e o pagamento a maior parte , foram efetuados, ainda, no mês anterior à publicação do decreto expropriatório). Por conseguinte, não restou caracterizada a retirada compulsória do imóvel da esfera jurídica da empresa contribuinte. Ainda assim, conforme cópia de Certidão do Registro Geral do Cartório do 1º Ofício de Campina Grande, houve o registro de Escritura Pública de Desapropriação do imóvel, lavrada em 10/07/2003, pela Compradora (fl. 120). Porém, como demonstrado, a recorrente se desfez do imóvel voluntariamente, mediante contrato bilateral, muito antes da publicação do ato de desapropriação do Poder Público. O Decreto estatal de declaração do imóvel de utilidade pública para fins de desapropriação não pode, no caso, ser utilizado retroativamente, nem banalizado, para transmutar a natureza jurídica do Contrato de Compra e Venda (ato jurídico perfeito) celebrado entre as partes, sob pena de desvirtuamento da ordem jurídica e de servir de instrumento de evasão de tributos cuja competência impositiva não é do Estadomembro, mas sim da União. Outras contradições do decreto de desapropriação: a) em 1994 – esse mesmo imóvel – foi objeto de desapropriação pelo Estado da Paraíba e destinado, ainda em 1994, para a recorrente para instalação de indústria, e em 2003 – novamente – o imóvel é declarado de utilidade pública, de caráter urgente, para instalação de indústria. Ora, imóvel de indústria sendo desapropriado para instalação de indústria. Contradição insuperável; b) houve pagamento do preço do imóvel, em torno de 4 (quatro) vezes o valor atualizado registrado na escrituração contábil da recorrente, no ano de 2003. Ora, pagamento de preço em torno de 4 (quatro) vezes o valor de mercdo do imóvel não tem caráter meramente indenizatório, o ganho de capital é patente, para não dizer cavalar; c) pela melhor doutrina, a desapropriação de utilidade pública distinguese da desapropriação por necessidade pública; esta seria urgente, e aquela não. Assim, desapropriação de utilidade pública não tem caráter de urgência, e no caso a desapropriação foi decretada por utilidade pública, de caráter urgente. A propósito, vejase a distinção dessas duas situações, in verbis: Necessidade pública tem por principal característica uma situação de urgência, cuja melhor solução será a transferência de bens particulares para o domínio do Poder Público. Utilidade pública se traduz na transferência conveniente da propriedade privada para a Administração. Não há o caráter imprescindível nessa transferência, pois é apenas oportuna e vantajosa para o interesse coletivo. O Decretolei 3.365/41 prevê no artigo 5º as hipóteses de necessidade e utilidade pública sem diferenciálos, o que somente poderá ser feito segundo o critério da situação de urgência. Fl. 480DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.002284/200716 Acórdão n.º 180200.879 S1TE02 Fl. 11.94 19 d) não houve laudo de avaliação do imóvel, simplesmente foi pago, pelo instrumento de Contrato de Compra e Venda, o valor de – aproximadamente – 4 vezes o valor do imóvel registrado, atualizado, na escrituração contábil no anocalendário 2003. Portanto, diante de tudo que foi exposto, temse que não restaram configurados os pressupostos fáticos e jurídicos que pudessem legitimar o indigitado ato de desapropriação. O decreto do ente da Federação, neste caso, não tem o condão de afastar a tributação do ganho de capital referente à operação de venda do imóvel pela recorrente (o qual foi baixado do ativo imobilizado), pois entendimento em contrário configuraria afastamento, usurpação, pelo Estadomembro de competência tributária conferida à União pela Constituição Federal, além de atentar contra o princípio do Pacto Federativo. Ganho de capital demonstrado sobre a operação de venda do imóvel baixado do ativo imobilizado Apenas para argumenar, ainda que ficasse caracterizada a desapropriação (que não é o caso), mesmo assim o ganho de capital seria tributável, conforme argumentação constante do seguinte precedente do STJ: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INDENIZAÇÃO DECORRENTE DE DESAPROPRIAÇÃO. VERBA INDENIZA TÓRIA. NÃOINCIDÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A incidência do imposto de renda tem como fato gerador o acréscimo patrimonial (art. 43, do CTN), sendo, por isso, imperioso perscrutar a natureza jurídica da verba percebida, a fim de verificar se há efetivamente a criação de riqueza nova: a) se indenizatória, que, via de regra, não retrata hipótese de incidência da exação; ou b) se remuneratória, ensejando a tributação. Isto porque a tributação ocorre sobre signos presuntivos de capacidade econômica, sendo a obtenção de renda e proventos de qualquer natureza um deles. 2. Com efeito, a Constituição Federal, em seu art. 5º, assim disciplina o instituto da desapropriação: “XXIV a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;” 3. Destarte, a interpretação mais consentânea com o comando emanado da Carta Maior é no sentido de que a indenização decorrente de desapropriação não encerra ganho de capital, porquanto a propriedade é transferida ao poder publico por valor justo e determinado pela justiça a título de indenização, não ensejando lucro, mas mera reposição do valor do bem expropriado. 4. In casu, os ora recorridos perceberam verba decorrente de indenização oriunda de ato expropriatório, o que, manifestamente, consubstancia verba indenizatória, razão pela qual não pode ser objeto de incidência do imposto sobre a renda. Fl. 481DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 20 5. Deveras, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido da nãoincidência da exação sobre as verbas auferidas a título de indenização advinda de desapropriação, seja por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social, porquanto não representam acréscimo patrimonial. 6.Precedentes: AgRg no Ag 934.006/SP, Rel. Ministro CARLOS FERNANDO MATHIAS, DJ 06.03.2008; REsp 799.434/CE, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, DJ 31.05.2007; REsp 673273/AL, Rel. Ministro LUIZ FUX, DJ 02.05.2005; REsp 156.772/RJ, Rel. Min. Garcia Vieira, DJ 04/05/98; REsp 118.534/RS, Rel. Min. Milton Luiz Pereira, DJ 19/12/1997. 7.Ad argumentandum tantum, ainda que se considerasse a alegação da recorrente, de que o imposto de renda deveria incidir não sobre a própria indenização, mas sobre o ganho de capital apurado quando da operação que importasse a desapropriação, nos termos do art. 3°, § 3°, da Lei 7.713/89, o recurso não mereceria prosperar, porquanto o voto condutor do acórdão recorrido consignou o malogro da União em comprovar o efetivo ganho de capital decorrente da indenização por desapropriação do imóvel, in verbis: "Evidentemente, cabe à União apurar e provar que, no procedimento desapropriatório, houve acréscimo patrimonial, apurado a partir do cotejo entre o valor do imóvel desapropriado e o valor fixado em sentença a titulo de indenização. Eventualmente, se a União lograr obter tal prova, haverá efetivo ganho de capital, realizandose, então, o fato gerador do imposto. No caso, não houve tal prova, de modo que não incide imposto de renda sobre a indenização recebida pelos impetrantes." 8. Destarte, reformar a decisão do Tribunal a quo implicaria o revolvimento do contexto fáticoprobatório dos autos, insindicável em sede de recurso especial, em face do óbice contido na Súmula 07/STJ. 9. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 10. Recurso especial a que se nega provimento. (REsp 960.407/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/08/2008, DJ de 15/09/2008). (Grifei) O ganho de capital, que no caso é imenso, restou, sobejamente, demonstrado pela fiscalização, conforme consta, expressamente, narrado nos autos de infração do IRPJ e da CSLL (fls.126/127 e 136/137), in verbis: Fl. 482DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10425.002284/200716 Acórdão n.º 180200.879 S1TE02 Fl. 12.94 21 (...) Do Ganho de Capital: Em consulta ao Registro Geral do Imóvel solicitado ao Cartório do 1° Ofício da Comarca de Campina Grande PB, percebese que em 10/11/1994 o mesmo imóvel foi desapropriado de antigos proprietários, tendo como expropriante o Governo do Estado da Paraíba, em favor da mesma CINEP, CNPJ 09.123.027/000146, pelo valor de R$ 4.545,40 (quatro mil, quinhentos e quarenta e cinco reais, e quarenta centavos). No dia 29/12/1994, a CINEP vendeu o imóvel à Indústria de Perfilados Plásticos S/A Perfisa, pelo valor de R$ 22.950,00 (vinte e dois mil reais, novecentos e cinqüenta reais). Descartase a possibilidade de enquadrar o valor recebido na transação como sendo mera indenização, pela simples comparação entre os valores envolvidos: a Perfisa comprou o terreno por R$ 22.950,00, tinha o imóvel (terreno mais edificações) escriturado no momento da venda com um valor contábil de R$ 285.769,11, e o vendeu (de acordo com Contrato de Compra e Venda e Assunção de Dívida) por R$ 1.126.203,51 (um milhão, cento e vinte e seis mil, duzentos e três reais, e cinqüenta e um centavos). (...) RIR/99, art. 418: Art.418.Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, na desapropriação, na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31). Acordo particular para transferir a responsabilidade tributária da contribuinte para terceiros não tem efeito contra o fisco (CTN, art. 123), in verbis: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Ademais, em relação às infrações imputadas nos autos de infração do IRPJ e da CSLL (transcritas no relatório), a recorrente nada objetou, especificamente, quanto a matérias de fato e de direito. Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 483DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 22 Fl. 484DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 03/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 13609.001010/2004-05
Data da sessão: Fri May 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RECURSO VOLUNTÁRIO - PRAZO - INTEMPESTIVIDADE
Não se toma conhecimento do recurso interposto após o prazo de trinta dias ocorridos entre a data da intimação da decisão de primeira instância e da apresentação do recurso voluntário (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 33). Os prazos fixados no Código Tributário Nacional ou na legislação serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia de início e incluindo-se o de
vencimento (CTN, art. 210).
Recurso Não Conhecido.
Numero da decisão: 2101-000.533
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiada, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso, nos termos do voto do Relator
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Ana Neyle Olimpio Holanda
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13609.001010/2004-05 Recurso n° 335.517 Voluntário Acórdão n° 2101-00.533 — i a Câmara / i a Turma Ordinária Sessão de 14 de maio de 2010 Matéria ITR Recorrente EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA - EMBRAPA Recorrida 1' TURMA/DRJ-BRASILIA/DF Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RECURSO VOLUNTÁRIO - PRAZO - INTEMPESTIVIDADE Não se toma conhecimento do recurso interposto após o prazo de trinta dias ocorridos entre a data da intimação da decisão de primeira instância e da apresentação do recurso voluntário (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 33). Os prazos fixados no Código Tributário Nacional ou na legislação serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia de início e incluindo-se o de vencimento (CTN, art. 210). Recurso Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiada, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso, nos temios do voto do Relator. r CAIO MARCOS C. /̀Snlif.1113Q - Presidente 1 --- --ANA NEYIS OLIMP:10 HOLANDA Relatora rJUN 9010EDITADO EM: 1 • Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Alexandre Naoki Nishioka, Ana Neyle Olímpio Holanda, José Raimundo Tosta Santos, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Trata o presente processo de auto de que diz respeito a imposto sobre a propriedade territorial rural (ITR), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 132.976,64, referente ao imóvel rural Centro Nacional de Pesquisa de Milho e Sorgo - CNPMS, localizado no município de Sete Lagoas (MG), a título de imposto, acrescido da multa de oficio equivalente a 75% do valor do tributo apurado, além de juros de mora, em face da alteração de valores apresentados na declaração do tributo, no exercício 2000, com supedâneo nos artigos 1 0, 70, 90, 10, 11 e 14 da Lei n° 9.393, de 19/11/1996„ Lei n° 4.771, de 15/09/1965, com as alterações veiculadas pela Lei n°7.803, de 18/07/1989, nos seguintes moldes: i) Valor da Terra Nua para R$ 1.546.240,00. 2. Em contraposição, foi apresentada a impugnação de fls. 43 a 52. 3. Submetida a lide a julgamento, os membros da i a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) acordaram por dar o lançamento como procedente, resumindo o seu entendimento nos termos da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR Exercício: 2000 EMENTA: DO SUJEITO PASSIVO DO IMPOSTO. São contribuintes do Imposto Territorial Rural o proprietário, o .>5/ possuidor ou o detentor a qualquer título de imóvel rural, assim definido em lei. - DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DA ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/ RESERVA LEGAL. Para serem excluídas do ITR, exige-se que essas áreas sejam reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBANIA/órgão conveniado, ou que se confirme a protocolização tempestiva de seus requerimentos do Ato Declarató rio Ambiental — ADA, devendo, ainda, a área reserva legal estar averbada, à época do respectivo fato gerador, à margem da matrícula do imóvel. DA LEGALIDADE/CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe a órgão administrativo apreciar argüição de legalidade ou constitucionalidade de leis ou atos normativos da SRF. Lançamento Procedente. 4. Intimado do acórdão de primeira instância aos 29/03/2006, conforme Aviso de Recepção (AR) de fl. 105, o sujeito passivo apresenta sua irresignação por meio de recurso voluntário, aos 06/06/2006, (fls. 117 a 123). 2 Processo n° 13609.001010/2004-05 S2-CIT1 Acórdão n.°2101-00.533 Fl. 185 5. Na petição recursal o sujeito passivo apresenta, em síntese, os seguintes argumentos de defesa: I — preliminarmente, o imóvel sobre o qual recai o imposto ora guerreado é de propriedade da União Federal e foi entregue à autuada, quando da sua criação, como forma de integralização da parte do seu capital, na qualidade de sócia majoritária e controladora da paraestatal; II - nesta qualidade, de bem imóvel da União, afetado com a finalidade pública, excluída a cogitação, pelo legislador ordinário, de qualquer hipótese de incidência tributária sobre o imóvel, em razão de imunidade prevista na Constituição Federal; III — por outro lado, o cumprimento da obrigação foi dispensado por ato da Secretaria da Receita Federal, que declarou a autuada imune do tributo, sendo que tal ato foi suspenso posteriormente, sem terem sido observadas as determinações do artigo 32 da Lei n° 9.430, de 1996, oportunizando o contraditório; IV — no mérito, afirma que o imóvel se destina à execução de atividades de pesquisa e experimentação o que, por força do artigo 10, § 6°, item II, da Lei n° 9.393, de 1996, o exclui da tributação do ITR; V — a área de preservação permanente existente no imóvel corresponde a 1.029 ha, no entorno de cinco nascentes, dois cursos de água, topo de morros reservatórios, açudes e lagoas, que são protegidos por lei, e a vegetação não pode ser cortada, tornando ...2/\ desnecessário qualquer ato declaratório e desnecessária a averbação em Cartório de Registro Imobiliário; • VI — a área de reserva legal existente no imóvel corresponde a 400,00 ha, carecendo de estar averbada no Cartório do Registro Imobiliário, tendo sido remetido ao IEF/IBAMA oficio requerendo o reconhecimento; VII — a área ocupada com benfeitorias corresponde a 502,8138 ha, sendo: i) 38,138 ha de construção de casas de moradia, galpões para laboratório, escritórios, armazenamento, beneficiamento, açudes, estradas internas e de acesso e outras instalações; e ii) 499,00 ha destinados à instalação de experimentos e produção. 6. Ao final, defende sejam acolhidos os argumentos, considerando-se imunidade, ou, o tributo seja calculado sobre a área efetivamente utilizada, cancelada a aplicação da multa de oficio, vez que não concorreu para o não pagamento do tributo, e reconhecida a prescrição dos créditos referentes ao período 1999/2000 e 2000/2001. 7. Submetidos os autos a julgamento na Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, os membros do colegiado decidiram por diligência, com o escopo de a autoridade preparadora tomar as seguintes providências: i) intimar a recorrente a apresentar laudo com Anotação de Responsabilidade Técnica para o mapa de fl. 67, sob pena de não ser considerado válido para fins jurídicos; ii) oficie ao Cartório de Registro de Imóveis, a fim de que forneça cópia das matrículas dos imóveis cadastrados no NIRF 2.511.917-6; 3 iii) Oficie ao IBAMA para que informe se o imóvel mantém as a'reas de preservação permanente e reserva legal devidamente preservadas. 8. Em resposta, foram anexados os seguintes documentos: i) laudo sobre a área fisica ocupada pela EMBRAPA — Centro Nacional de Pesquisa de Milho e Sorgo e Anotação de Responsabilidade Técnica, de fls. 141 e 142; ii) Termo de Responsabilidade de Preservação de floresta junto ao Instituto Estadual de Florestas, de fls. 150 e verso; iii) cópia da matricula n° 2.906, arquivada no Cartório de Registro de Imóveis da cidade de Sete Lagoas (MG), de fls. 151 a 152; iv) Relatório de Vistoria Técnica, emitido pelo Instituto Estadual de Florestas, de fls. 154 a 156; v) cópia da matricula n° 2.906, registrada no livro 2-DGP, fl. 373, aos 07/08/1978, no Cartório do 10 Oficio de Registro de Imóveis, de fls. 166 e 166 verso; vi) manifestação da recorrente, de fls. 174 a 176. 9. Após as providências adotadas, vieram os autos a julgamento nesse colegiado, de acordo com as determinações de competência veiculadas pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, em seu artigo 3°, TIL É o Relatório. Voto Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda, Relatora Não obstante houvera o recurso voluntário interposto sido dado como tendo atendido os requisitos de admissibilidade no julgamento empreendido Primeira Câmara do _ Terceiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, essencial que seja averiguada a tempestividade do apelo. Isto porque, o sujeito passivo foi intimado do inteiro teor do acórdão de primeira instância aos 29/03/2006, conforme Aviso de Recepção (AR) de fl. 105, e apresentou sua irresignação aos 06/06/2006, (fls. 117 a 123). O prazo para interposição do recurso voluntário está determinado no artigo - 33 do Decreto n° 70.235, de 1972, litteris: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. As normas para contagem dos prazos fixados na legislação tributária estão inscritas no artigo 210, do Código Tributário Nacional, e seu parágrafo único que em seu parágrafo único, que determinam- 4 Processo n° 13609.001010/2004-05 S2-C1T1• Acórdão n.° 2101-00.533 Fl. 186 Art. 210. Os prazos fixados nesta Lei fixados ou na legislação tributária serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia de inicio e incluindo-se o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Tal mandamento deve ser interpretado de acordo com o principio da Súmula 310 do Supremo Tribunal Federal, e a norma do artigo 184, § 2°, do Código de Processo Civil. Destarte, a contagem do lapso de tempo permitido à autuada para interposição do recurso iniciou-se aos 30 de março de 2006, quinta-feira, primeiro dia útil seguinte ao da intimação, que se deu na sexta-feira. Como os prazos somente se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato, o prazo venceu-se aos 28 de abril de 2006, sexta-feira, não havendo nos autos qualquer elemento que comprove que este não tenha sido dia de expediente normal na repartição de jurisdição do recorrente. •)‘: Com efeito, por ter sido o recurso voluntário apresentado somente aos 06 de junho de 2006 não foi observado o trintidio legalmente exigido para sua interposição. Forte no exposto, sendo o recurso intempestivo, voto no sentido de não conhecê-lo. Sala das Sessões, em 14 de maio de 2010 r r --Ana Neyle Ofimpio liolan a 5
score : 1.0
Numero do processo: 11610.005471/2003-01
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 17/04/2003 a 30/04/2003
JULGAMENTO EM DUAS INSTÂNCIAS
Compensação de débitos do sujeito passivo com créditos de terceiros jurisdicionalmente tutelada. É direito do contribuinte submeter o exame da matéria litigiosa remanescente às duas instâncias administrativas. Forçosa é a devolução dos autos para apreciação das demais razões de mérito pelo órgão julgador a quo quando superadas, no órgão julgador adquem, prejudiciais que fundamentavam o julgamento de primeira instância.
Numero da decisão: 3101-001.614
Decisão: ACORDAM os membros da la câmara / la turma ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice da compensação de crédito a terceiro e determinar o retorno dos autos ao órgão de origem para analisar a compensação. A Conselheira Fabia Regina de Freitas participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Luiz Roberto Domingo, que se declarou impedido de votar
Nome do relator: Vanessa Albuquerque Valente
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 17/04/2003 a 30/04/2003 JULGAMENTO EM DUAS INSTÂNCIAS Compensação de débitos do sujeito passivo com créditos de terceiros jurisdicionalmente tutelada. É direito do contribuinte submeter o exame da matéria litigiosa remanescente às duas instâncias administrativas. Forçosa é a devolução dos autos para apreciação das demais razões de mérito pelo órgão julgador a quo quando superadas, no órgão julgador adquem, prejudiciais que fundamentavam o julgamento de primeira instância.
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Compensação de débitos do sujeito passivo com créditos de terceiros jurisdicionalmente tutelada. É direito do contribuinte submeter o exame da matéria litigiosa remanescente as duas instancias administrativas. Forçosa é a devolução dos autos para apreciação das demais razões de mérito pelo órgão julgador a quo quando superadas, no órgão julgador adquem, prejudiciais que fundamentavam o julgamento de primeira instancia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da la câmara / la turma ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice da compensação de crédito a terceiro e determinar o retorno dos autos ao órgão de origem para analisar a compensação. A Conselheira Fabia Regina de Freitas participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Luiz Roberto Domingo, que se declarou impedido de votar. „ /HENRIQUE PINHEIRO TORRE'S' Presidente? V ESSA ALBUQUERQUE VALENTE Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Fábia Regina de Freitas (Suplente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da autoridade julgadora de primeira instancia, decisão DRJ/JFA, às fls. 386/392, que passo a transcrever: "A empresa, acima qualificada apresentou, em 17/04/2003, através de seu procurador (fls. 13/14), o formulário correspondente a Declaração de Compensação, com o objetivo de compensar o débito nele apontados, corn créditos de terceiros constantes do processo administrativo n° 13746.000533/2001-17, indicado no formulario de fls. 02. A mesma empresa Brarnpac S A, conforme o mesmo formulário de lls. 02, informa também, deter créditos decorrentes da judicial n° 99.00.60542-0, que se encontram no processo administrativo n°13746.000533/2001-17. O Parecer Seort n" 144, de 2008(fls. 24/29), proferido pela Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu/R.1, foi assim ementado: Ausência de Requisitos Essenciais do Crédito. O crédito oferecido pelo contribuinte que não preencha os requisitos estabelecidos na legislação tributária não se presta a ser utilizado em compensação tributária. Crédito Não Habilitado. O crédito proveniente de semença judicial transitada em julgado somente pode ser utilizada para compensar débitos tributários se o for previamente habilitado junto a Secretaria da Receita Federal. Parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional. O entendimento jurídico da Procuradoria da Fazenda Nacional sobre determinada matéria manifestado em parecer serve como orientação à Secretaria da Receita Federal ern seus despachos decisórios. Impossibilidade de Compensação Débito de um Contribuinte com Crédito de Terceira. Conforme entendimento jurídico veiculado em parecer PGSN/Nig, a partir dia 30.08/2002 data da publicação da Medida Provisória n° 66, convertida na Lei n° 10.637/02, a vedação à compensação tributária de débito de um contribuinte com crédito de terceiro, antes somente prevista em norma infralegal, 1N/SRF n° 41/2000, foi positivada no Direito Tributário Brasileiro. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA NÃO HOMOLOGADA. As razões de decidir contidas no Parecer no 144, de 2008 e respectivo Despacho Decisorio(fls.24/29), são, ern resumo, as seguintes: ...concluímos, portanto, estar perfeitamente claro o momento em que a vedação ao intento das empresas Nitriflex SA e Brampae SA em compensar débitos tributários de uma com crédito tributário de outra adquire enfim força de lei. Mas ao considerarmos a existência de período em que tal cessão de credito tributário seria permitida apenas em ato normativo, cessão esta garantida por decisão judicial transitada ern julgado, surge então iima complexa questão a ser resolvida no caso em concreto. i.Numa época em que não havia lei, mas apenas norma infra legal (JN/SRF n°41/2000) vedando a utilização de crédito de um contribuinte para compensar débito de outro, a pessoa jurídica titular do crédito obteve sentença transitada ern julgado proferida no Mandado de Segurança (MS) n° Processo n° 11610.005471/2003-01 S3-CITI AcOrd5o n.° 3101-001.614 Fl. 2 2001.5110001025-0, reconhecendo seu direito de cedê-lo a terceiro para utilização em compensação tributária. ii.Ocorre que, antes que a declaração de compensação sob análise fosse entregue a Secretaria da Receita Federal, o artigo 74 da Lei n°9.430/96 sofreu alteração introduzida pelo artigo 49 da MP no 66, de 29/08/2002. posteriormente convertido com alteração de texto no art. 49 da Lei n°10.637/2002, no sentido de que os créditos do sujeito passivo poderiam ser utilizados para compensar débitos In próprios... iii.Ao dispor que o crédito do sujeito passivo possa apenas ser utilizado para compensar débitos tributários próprios, a nova norma contida no caput do artigo 74 da Lei n°9.430/96 acabou por vedar, com forgo de lei, a compensação de crédito de um contribuinte com débito de outro. ... a Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Nova Iguaçu fin provocada a se pronunciar sobre o aproveitamento do credito oferecido compensação no caso em estudo, dando parecer sobre os efeitos de legislação superveniente em relação a autoridade da coisa julgada. neste ato decisório, será adotado o entendimento da douta Procuradoria. A respeito da resposta ao questionamento, pronunciou-se o órgão consultor no sentido de que a nova regra contida no artigo 74 da Lei n°9.430/66, após a alteração que lhe foi dada pelo artigo 49 da MP 66, de 29.08.2002, convertido no artigo 49 da Lei no 10.637/02 tem o condão de restringir a utilização do crédito em questão, sem contudo ofender a autoridade cla coisa julgada e sem que represente aplicação retroativa da lei Segundo o entendimento esposado no parecer da PSFNI Nova Iguaçu(RJ), quando o Mandado de Segurança (MS) n° 200L5110001025-0 foi ajuizado inexistia lei expressa que dispusesse sobre a compensação tributária do débito de um contribuinte mediante utilização de crédito de terceiros, embora a Instrução Normativa SRF n°41/2000 já vedasse esta espécie de compensação tributária. Assim, ainda de acordo com o entendimento da Procuradoria da Fazenda Nacional somente os pedidos de compensação tributária formalizados antes do dia 29.08.2002, data da publicação da Medida Provisória 66/02, convertida na Lei no 10.637/02, é que estariam amparados pelo MS n° 2000.5110001025-0. Portanto, somente em tais pedidos de compensação é que poderia ser utilizado o crédito cedido pela sociedade empresária Nitriflex S.A. A DRF/Nova Iguaçu/RJ continua em sua decisão, transcrevendo partes do parecer expedido pela PSFIV/Nova Iguaçu/RJ, a respeito da questão ern exame: A questão posta na presente consulta reside no fato de se investigar se a decisão judicial transitada em julgado continua surtir seus efeitos, não obstante o advento de novas regras jurídicas acerca da compensação que. como evidente , não foram objeto daquele mandamus. Com efeito, quando ajuizado o MS 2001.5110001025-0, vigorava a IIV SRI' n°41/00, cujo artigo 10 vedava a compensação de débitos do sujeito passivo com créditos de terceiros, administrados pela SRF sendo certo que a Lei n° 9.430/96 em seus arts. 73 e 74, dispositivos estes expressamente mencionados no voto do relator, eram omissos a respeito, dai a razão pela qual ter o tribunal ad quem afastado a limitação imposta pela I IV SR17 41/00. Entretanto, os referidos arts. 73 e 74 sofreram total reformulaçãO através do art. 49 da n°66/02, convertida na Lei n°10.637/2002... ... se de unia decisão judicial decorre a coisa julgada, é certo que este efeito não prevalecerá se ocorrerem mudanças nas normas jurídicas que tratam da questão transitada em julgado. ... hoje a situação fatica-jurídica é diversa A Lei n° 9.430/96 que era omissa sobre o tema, a partir de 30 de agosto de 2002 passou a ser clara ao prever como única possibilidade de compensação de tributos administrados pela SRF, inclusive os judiciais transitados em julgado, a efetividade entre créditos e débitos do próprio sujeito passivo. ... Assim, a coisa julgada não pode ser invocada quando direito superveniente repercute na relação jurídica sobre o qual a coisa julgada se operou. Ressalvam-se , pois, os efeitos jurídicos dos pedidos de compensação efetivamente realizados por conta da decisão judicial considerados lbws consumados , ate a edição da MP 66, de 29.08.2002, convertida na Lei n°10.637/2002. Registre-se: a lei nova não esta a alcançar fatos passados, compensações efetivadas perante a ordem jurídica anterior e com espeque em decisão judicial transitada em julgado. A nova lei alcança, isto sim, os fatos novos ocorridos sob a sua égide e sobre a qual a coisa julgada não pode surtir efeitos, já que estamos diante de novos regramentos jurídicos. Logo, após as alterações da MP 66/02, convertida na Lei n° 10.637/02, as pretendidas compensações com débitos de terceiros não podem ser admitidas eis que não permitidas pela Lei, não sendo a mesma objeto de qualquer discussão judicial. Não há que se falar de violação à coisa julgada e o suposto direito adquirido, como evidente, relaciona-se cis compensações requeridas — fatos consumados sob efeitos da coisa julgada, jamais aos pedidos de compensação formulados depois das alterações legislativas supervenientes a coisa julgada Os novos regramentos jurídicos portanto, tem aplicação imediata, não alcançando as relações jurídicas que lhes são anteriores (pedidos de compensação), mas sim os pedidos apresentados a partir do inicio de sua vigência.. Registre-se que não há qualquer violação da Administração ern relação ao direito de crédito do contribuinte. Este é válido tal qual reconhecido no MS n° 98.0016658-0, hoje objeto de ação rescisória julgada parcialmente procedente. Assim, o parecerista houve por bem adotar o entendimento da Procuradoria por ser ela o órgão de consultoria e de assessoramento jurídico no âmbito do Ministério da Fazenda. Tal entendimento se deu no sentido de que as compensações tributárias entre débitos de um contribuinte e créditos de outro somente podem ser efetivadas em relação aos pedidos apresentados anteriormente ao dia 29/08/2002, data da publicação da Medida Provisória n° 66, de 2002, posteriormente convertida na Lei n°10.637, de 2002. E conclui em seu arrazoado "... as declarações de compensação foram apresentadas após o advento do artigo 49 da Medida Provisória 66, de 29.08.2002. posteriormente, convertido no artigo 49 da Lei n°10.637/02, as compensações por meio dela declaradas não podem ser homologadas. Além disso, não se pode esquecer que o crédito não foi habilitado junto à Secretaria da Receita Federal, nem mesmo após a sociedade empresaria Nitriflex S A Comercio e Indústria ter recorrido ao Poder Judiciário". 0 Despacho Decisório de fls. 29, aprovou integralmente o parecer, para não homologar a compensação pleiteada e determinou fosse dada ciência ao contribuinte e tomadas as demais providências cabíveis. Processo n° I 1610.005471/2003-01 S3-CI Ti Acórdão n° 3101-001.614 11.3 Pelo requerimento de fls. 41/42 e arrazoado de fls. 43/72, a interessada manifestou sua inconformidade, alegando em síntese que: vem, inconformada com o r. Despacho Decisório..., do qual teve ciência em 14/04/08, apresentar MANIFESTACA - 0 DE INCONFORMIDADE... A ... Nitriflex SA ... obteve o reconhecimento judicial, por decisão transitada em julgado, de crédito de IPI, nos autos do MS 98.0016658-0, homologado administrativamente no PA 10735.000001/99-18 e apenso (PA 10735.000202/99- 70 aditamento para inclusão da filial Nitrillex localizada em Canoas -- RS) e, ainda, conta com r. Decisão transitada ett1 julgado proferida nos autos do MS 2001.51.10.001025-0, que afastou o óbice previsto na IN/SRF n° 41/2000, de forma a reconhecer e declarar o direito da Nitriflex de ceder parte do seu crédito a terceiros para utilização em compensações tributárias. Outrossim, adveio r. Decisão judicial proferida ... nos autos do MS n° 99.0060542-0, também transitada em julgado, determinando que, no cômputo do crédito de IPI apurado e homologado nos PA's 10735.000001/99-18 e 10735.000202/99-70, fossem aplicados juros morató rios de I% e os expurgos inflacionários, dando origem ao PA 13746.000533/2001-17, o qual encontra- se aquele apensado. os pedidos de homologação do crédito ... foram formalizados não so pela empresa Nitriflex e suas filiais, mas também por sua coligada Branipac SA, ora recorrente. Pois bem, no entender da Autoridade Fiscal, a recorrente não poderia utilizar o crédito para compensações. após 28/09/02 ... Ademais, aduziu que somente com a habilitação do crédito é que se poderia efetuar a declaração de compensação... ... o equivoco não poderia ter sido maior, notadamente em razão das r. Decisões transitadas em julgado em favor da Nitriflex que permitem recorrente utilizar-se de seus créditos. Além disso, a recorrente não se trata de terceiro, mas sim de empresa coligada, que possui autorização administrativa para utilizar o crédito... 0 MS 98.0016658-0 (Nitriflex) teve por objeto o reconhecimento do direito ao crédito -de IPI, no período de 08/1988 ate 07/1998, decorrente da aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos a ali quota zero... Em 12/09/2003 transitou em julgado o v. acórdão proferido pelo E. TRF do 2° Região que, convalidando a medida liminar deferida initio litis e concedendo a ordem, decidiu pela irretroatividade da legislação então limitadora do direito a plena disponibilidade do crédito (IN/SRF 41/00) para alcançar fatos consumados sob a égide de normas que o garantiam expressamente, a saber, art. 170 do CTN e arts. 73 e 74 da Lei n.° 9.430/96, regulamentados pela IN/SRF 21/9. ... a ora recorrente é empresa coligada e lambem e interessada nos pedidos de homologação do crédito Conforme relação de documentos n.° 01 a 03 a recorrente é parte interessada nos pedidos de homologação do crédito de IF], formalizados através dos PA's 10735.000001/99-18 e 10735.000202/99-70, aos quais o PA 3746.000533/2001- 17, encontra-se vinculado. ... nos pedidos administrativos e nos despachos decisórios ... a recorrente, coligada da empresa Nitriflex, consta expressamente como interessada, podendo, assim, dele utilizar-se. Assim, a recorrente não é terceiro, mas sim empresa coligada e parte nos pedidos de homologação do crédito e consta expressamente nos despachos decisórios homologatórios, os quais autorizam as compensações. A coisa julgada ... reconheceu o direito ao crédito de IPI Ou seja, a coisa julgada reconheceu o direito er propriedade do crédito. Definindo o conteúdo e alcance do direito el propriedade, ... o art. 1.228 do Código Civil ... Não podendo a legislação tributaria alterar o conteúdo e alcance dos institutos e conceitos de direito privado utilizados para _fixar competências tributárias dos entes politicos (art. 110 do CTN) Entende a interessada, também, que a coisa julgada material impede a aplicação da Lei n2 10.637, de 2002, que limita a disponibilidade do crédito do IPI, porque, no caso, esse crédito foi reconhecido por decisão judicial transitada em julgado. Alega que a limitação legal apontada no despacho decisório so é aplicável aos créditos nascidos posteriormente et sua entrada em vigor, acrescentando que admitir o contrario resultaria no descumprimento de uma ordem judicial, no desrespeito a coisa julgada material e aos princípios da não-cumulatividade do IPI e da irretroatividade das leis. Ressalta a requerente que também foi proposto o Mandado de Segurança n° 2001.51.10.001025-0 para impedir que a IN SRF n° 41, de 2000, obstasse a livre disposiç'do do crédito do IPI conquistado em juizo pela Nitriflex S/A Indústria e Comércio. Diz ainda que, em 12 de setembro de 2003, transitou em julgado acórdão proferido pelo TRF da 22 Região, confirmando o direito de livre disposição do crédito decorrente da decisão judicial relativa ao processo n° 98.0016658-0. A reclamante se utilizou do principio constitucional que trata cia irretroatividade da lei como base de argumentação a respaldar a não utilização, no caso concreto, da nova redação do art. 74 da Lei n°9.430, de 1996, trazida pela Lei n° 10.637, de 2002, salientando trecho da ADI-MC 172, DJ 19/02/1993, p. 2.032, do Relator Min Celso de Melo. Prossegue em seu documento asseverando que: Restou demonstrado ... que, por forgo do principio constitucional da irretroatividade das leis, a nova redação do art. 74 da Lei 9.430/96 (que passou a proibir a cessão de crédito para terceiros) so produz efeitos com relação a fatos geradores de créditos ocorridos posteriormente à sua entrada em vigor (na pior das hipóteses em 29/08/2002, quando entrou em vigor a MP 66'02), pelo que não pode afetar o crédito de IF] compensado pela recorrente, eis que decorrente de fatos ocorridos entre 08/88 e 07/98. A reclamante transcreve ementa do EREsp 488.992/MG, Di 07/06/2004, p. 156, cuja relatoria pertenceu ao Min. Teori Albino Zcrvascki: É inviável, na hipótese, apreciar o pedido à luz do direito superveniente, porque os novos preceitos normativos, ao mesmo tempo em que ampliaram o rol das espécies tributarias compensáveis, condicionaram a realização da compensação a outros requisitos, cuja existência não constou da causa de pedir e nem foi objeto de exame nas instancias ordincirias. E segue: Noutro dizer, a E. Corte Superior, legitima interprete da legisla çõo infraconstitucional, fixou o entendimento que o regime jurídico da Processo n° I 1610.005471/2003-01 S3-CI TI AcOrchlo n.° 3101-001.614 Fl. 4 compensação, em razão das sucessivas mudanças implementadas, fixa-se pela data do ajuizamento da ação. 0 MS n° 98.0016658-0 foi impetrado em 21/07/98, pelo que sujeita-se o crédito de IPI lá pleiteado ao regime jurídico de compensação vigente época da impetração (seguindo o entendimento do E. ST.1), qual seja aquele previsto no art. 170 do CTN e arts. 73 e 74 da Lei no 9.430/96, regulamentados pela IN/SRF 21/97, que permitia a cessão do crédito para terceiro. Por firn, deve ser rechaçado o entendimento de que a suposta inexistência de habilitação do crédito de IPI seria óbice as declarações de compensação. É sabido que em 25/02/2005 foi publicada a IN/SRF 517, que passou a exigir a habilitação de créditos reconhecidos por decisões judiciais transitadas em julgado. Para não inviabilizar seus procedimentos de compensação é que a Nun flex sujeitou-se á mencionada regra. ... a bem da verdade, a IN/SRF 517 so produz efeitos para fatos posteriores a entrada em vigor da regra. No presente caso, a decisão judicial transitada em julgado que reconheceu o direito ao crédito de IPI transitou em julgado em 18/04/2001, anteriormente a entrada em vigor c/a IN/SRF 517, por isto, Portanto, a inexistência de habilitação do crédito de IPI não é óbice para sua Ao final, pede a reforma da decisão com a consequente homologação das compensações e a extinção dos créditos tributários compensados." Sob apreciação da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora (MG), a 3' Turma, em 18 de dezembro de 2009, indeferiu o pleito da Contribuinte, nos termos do Acórdão DRJ/JFA n° 09-27.689, consubstanciado na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRL4LIZADOS - IPI Período de apuração: 17/04/2003 a 30/04/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE COLIGADA. CRÉDITOS DE TERCEIROS'. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÉNCIA. TITULO JUDICIAL. INAPLICABILIDADE. 1.Não ocorre a homologação tcicita em compensações baseadas em créditos de terceiros na vigência da Lei n° 10.637, de 2002. 2. Não há previsão legal na legislação tributária que atribua as pessoas jurídicas o direito de compensar créditos de coligada como próprios. 3. As compensações declaradas a partir de 1 2 de outubro de 2002, de débitos do sujeito passivo com crédito de terceiros, esbarram em inequívoca disposição legal - MP n° 66 de 2002, convertida na Lei n° 10.637, de 2002 - impeditiva de compensações da espécie. É descabida a pretensão de legitimar compensações de débitos da requerente com crédito de terceiros, declaradas após I° de outubro de 2002, pretensão essa findada em decisão judicial proferida anteriormente aquela data, que afastou a vedação, outrora existente, em instrução normativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO '7 Período de apuração: 17/04/2003 a 30/04/2003 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. 1. Não cabe apreciar questões relativas a ofensa a princípios constitucionais, tais como da legalidade, da não-cumulatividade ou da irretroatividade de lei competindo, no âmbito administrativo, tão somente aplicar o direito tributário positivado. 2. A doutrina trazida ao processo, não é texto normativo, não ensejando, pois, rubordinação administrativa. 3.A jurisprudência administrativa e judicial colacionadas não possuem legalmente eficácia normativa, não se constituindo em normas gerais de direito tributário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido" Regularmente notificada da decisão de primeira instância, a Interessada interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário perante este Eg. Conselho. Nesta peça, a Contribuinte reitera os argumentos expendidos em sua manifestação de inconformidade, requerendo, ao final, seja conhecido e provido o presente Recurso Voluntário para que, reformando-se o Acórdão recorrido, seja HOMOLOGADA A COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA efetuada pela recorrente, com a consequente extinção baixa dos débitos. A autoridade competente deu por encerrado o preparo do processo e encaminhou para apreciação deste órgão julgador de segunda instancia. Os autos, posteriormente, foram distribuídos, mediante sorteio, a este Conselheira. o relatório. Voto Conselheira VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE, Relatora 0 Recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme se verifica, discute-se nos presentes autos a regularidade da compensação de débitos, da Recorrente, com crédito da empresa Nitriflex S/A, reconhecido por decisão judicial transitada em julgado anteriormente à data em que entrou em vigor a nova redação do art. 74 da Lei n° 9.430/96 (Lei n° 10.637/02). 0 crédito encontrava-se amparado em decisões judiciais transitadas em julgado, nos Mandados de Segurança n's 98.0016658-0 e 2001.51.10.001025-0, tendo o primeiro garantido o direito ao crédito tributário e tendo o segundo garantido o direito de ceder o crédito a terceiros para utilização em compensação tributária, afastados os efeitos da Instrução Normativa SRF n°41/2000. A 3' Turma da DRJ de Juiz de Fora(MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, pela Recorrente, por entender pela ilegalidade de compensação em razão desta ter sido efetuada com crédito de terceiro. Entendeu a Turma Julgadora pela impossibilidade da compensação tendo em vista que "o formulário "Declaração de Compensação" foi entregue após 1 0 de outubro de 2002, data em que passou a produzir Processo n° 11610.005E171/2003-01 S3-CITI Acórdão n° 3101-001.614 Fl. 5 efeitos a nova redação dada ao caput do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, pelo art. 49 da Lei n° 10.637, de 2002 (conversão da MP n° 66, de 2002)". No caso sub examen, da análise das peças processuais que substanciam os autos, entendo, serem pertinentes às alegações expendidas, pela Recorrente, em sua peça recursal. Com todo respeito ao voto condutor da decisão recorrida, dele não corroboro, vez que comungo com o entendimento proferido pelo ilustre Professor Paulo de Barros Carvalho, em Parecer elaborado tratando da matéria, constantes às fls. 322/372 dos autos. In casu, comungo do entendimento "de que a coisa julgada produzida no MS no 98.0016658-0 não só reconheceu o direito de crédito, como também sua plena disponibilidade, sendo certo que o MS n° 2001.51.10.001025-0 só foi impetrado para preventivamente afastar a interpretação restritiva do Fisco, à época constante da IN/SIZE n° 41/00, e até então inexistente". Conforme se verifica, o MS n° 98.0016658-0 foi impetrado em 21/07/98, pelo que sujeita-se o crédito de [PI all pleiteado ao regime jurídico de compensação vigente A época da impetração (consoante entendimento do STJ), qual seja aquele previsto no art. 170 do CTN e arts. 73 e 74 da Lei 9.340/96, regulamentados pela IN 21/97, que permitia a cessão do crédito para terceiro. Como bem asseverou a Recorrente "o fato de a limitação à cessão de créditos ter sido elevada ao altiplano de lei ordinária (Lei 9.430/96) evidentemente não possibilita ao Fisco desfazer situações consolidadas anteriormente a entrada em vigor da mesma lei". Com efeito, os dispositivos da Lei n° 10.637/2002 não podem ser aplicados ao caso concreto, pois, do contrário, atingir-se-iam fatos anteriores A sua vigência, o que é expressamente vedado pelo principio da irretroatividade das leis. Nesse aspecto do litígio, corroboro com as palavras do eminente parecerista prof. Paulo de Barros Carvalho: a União não pode aplicar retroativamente a Lei n° 10.637/02, porquanto a NITRELEX, além de ter obtido decisão favorável, transitada em julgado, conferindo-lhe a possibilidade de compensar os créditos de IPI com débitos próprios ou de terceiros, é certo, também, por outro lado, que os valores a serem compensados dizem respeito a fatos geradores ocorridos anteriormente à publicação da referida Lei. Dito de outro modo: fazer repercutir, sobre este caso concreto, as disposições da Lei n° 10.637/2002, é violar, de uma só vez, o primado da coisa julgada e (la irretroatividade, e, por conseqüência, o sobreprincipio da segurança jurídica." No caso concreto, entendo desnecessário maiores digressões. Pelo que consta dos autos, referida compensação (de créditos com débitos de terceiros) foi assegurada judicialmente, por coisa julgada. Como bem demonstrado e explicitado, pela Recorrente, em seus memoriais apresentados a este colegiado, em sessão, e colacionado aos autos, cujos trechos transcrevo-os a seguir: fy 6. No MS 2001.51.10.001025-0, a compensação foi deferida pelo E. TM; da 2 a Regido, que reconheceu a impossibilidade da legislação em matéria de compensação retroagir para afetar fatos consumados sob a égide de normas que garantem o pleno direito da Nitriflex compensar o seu crédito. Troia-se de coisa jukada. 0 E. Tribunal assim decidiu ('doe. 08): 7.Em consonância com a jurisprudência e do STJ (REsp-repetitivo I. I37.738/SP) no caso concreto deve ser observada a legislação pertinente em vigor na época do ajuizamento da ação, em respeito à coisa julgada (doc. 09). 8.Assim às compensações realizadas pela Nitriflex e a recorrente, no ano de 2003, não se aplica, como sustenta a DRJ, a MP 66/02 ( e legislação posterior), que alterou a lei 9.430/96, quando veda a compensação de crédito com débito de terceiros, mas sim da época do ajuizamento da demanda na qual o crédito foi reconhecido. Aplica-se, portanto, a legislação determinada na coisa julgada (art. 170, arts. 73 e 74, redação original, e IN/SEE 21/97). 14. (..) após a prolação do acórdão que transitou em julgado no MS 2001.51.10.001025-0, tendo a Nitriflex noticiado ao Tribunal a entrada em vigor da IN/SRF 210/02 ( que manteve a limitação da IN/SWF 41/00 e revogou a IN/SRF 21/97), a E. Corte em 11/11/2002 proferiu a seguinte decisão (doc. 13): "1. Seguem em anexo relatório, voto e acórdão em 7 (sete) laudas impressas. 2.Intime-se a digna autoridade impetrada para ciência e cumprimento do v. acórdão que INVALIDOU A LIMITAÇÃO a compensação de créditos da impetrante corn débitos de terceiros, tal como previsto na INSRF N° 41/00, repetida na INSRF 210 de 30 de setembro de 2002, sob as penas previstas no art. 14 do CPC. (..)" (g.n.) 15. Esse pronunciamento do E. TRF da 2 Região prova que, muito mais que o afastamento do veiculo normativo em si (IN/SRF 41/00, como a DIU alega), a coisa julgada reafirmou o direito cis compensações do crédito de IPI conz débitos de terceiros, caso contrário não teria tomado o cuidado de asseverar àquela altura que a IN/SRF 210/2002 (que justamente regulamento a MP 66/02) também não poderia obstar o direito. 18. Finalmente, cumpre informar que a Nitriflex peticionou recentemente nos autos do MS n° 2001.51.10.001025-0 requerendo o cumprimento da coisa julgada que invalidou a norma de limitação da compensação do seu crédito com débitos de terceiros. Na petição a Nitriflex informou que a RFB indeferiu as compensações administrativamente, sob o argumento de que a partir do dia 29/08/2002, data da publicação da Medida Provisória n° 66 convertida na Lei n. 10.637/02, a vedação a compensação tributária de débito de um contribuinte com crédito de terceiro que antes somente era prevista em norma infralegal, IN/SRF n° 41/2000, foi positivada no Direito Tributário Brasileiro. Processo n° 11610.005471/2003-01 S3-Cl TI Acerao n.°3101-001.614 Fl. 6 19. A MM. Juiza da causa proferiu decisão em 06/06/2013 estabelecendo sett entendimento de que a Lei n° 10.637/2002 não pode afetar a decisão transitada em julgado no MS n° 2001.51.10.001025-0, mas, por .força dos princípios do contraditório e da ampla defesa determinou que a Fazenda Nacional se pronunciasse previamente. (doc.14.). "A principio, depreende-se de fls. 1071/10178 que foi reconhecido c't impetrante o direito de compensar o seu crédito de IPI reconhecido na ação n" 980016658-0(referente a matérias-primas, produtos intermediários e embalagens utilizados na produção de resinas e borrachas, adquiridos no período de julho de 1989 a julho de 1998), com débitos de terceiros não optantes pelo REM, afastada a limitação imposta pela IN/SRF n. 41/00, em seu art. 1". que assim dispõe: Portanto, o mérito do presente writ residiria na aplicabilidade ou não ao caso concreto da restrição contida na INS1?F n° 41/00 e da analise da irretroatividade da IN/SRF n. 41/00 para alcançar fatos consumados sob a égide de normas que garantiriam o direito a compensar o seu crédito (art. 170 do CTN, art. 73 e 74 da Lei n. 9.430/96, regulamentados pela IN/SRF n. 21/97). o que teria afastado a limitação prevista na IN SRI? 41/00 a compensação do crédito da impetrante, com débitos de terceiros. Em sede de execução, argumenta a impetrante, as fls. 560/572, que há descurnprimento de ordem judicial e ofensa à coisa julgada, eis que os pedidos de compensação objeto deste mandamus foram indeferidos administrativamente. sob o argumento de que a partir do dia 29/08/2002. data da publicação da Medida Provisória n. 66 convertida na Lei n. 10.637/02, a vedação a compensação tributária de débito de um contribuinte com crédito de terceiro que antes somente era prevista em norma infralegal, IN/SRF n" 41/2000, .fin positivada no Direito Tributário Brasileiro (fl. 574). Corn efeito, no ordenamento jurídico em vigor, as leis possuem vigência para o futuro a não ser que disponham diferentemente de forma expressa. Portanto, a principio, a vigência da Lei n. 10.637/02 não abrangeria as sentenças transitadas em julgado antes da sua vigência(art. 50, inciso XXXVI, da CR788 e o art. 6°, da LICC). Diante do exposto e a fim de fazer cumprir o principio constitucional do contraditório e da ampla defesa, intime-se a impetrado para que se manifeste sobre o descumprimento do julgado alegado as fls. 560/572, no prazo máximo de 30 (trinta) dias, devendo esclarecer (i) se as compensações em tela foram indeferidas tão somente pelo fato de que o encontro de contas de pessoas jurídicas diversas é vedado pela legislação em vigor, ou (n) se as mesmas não foram homologadas porque existe algum outro óbice a liquidez e certeza dos créditos compensaveis."(g.n) 20. Desde então a Fazenda Nacional vem pedindo sucessivos prazos para cumprimento da decisão (doc. 15), mas a Procuradoria da Fazenda Nacional de Duque de Caxias, através do oficio PSFN/DC/DUQUE DE CAXIAS/N° 110/2013, de 05/08/2013, já orientou a DRFB de Nova Iguaçu/RJ a cumprir a coisa julgada, in verbis (doc. 16): "Encaminho em anexo, para ciência e providências administrativas, cópias das alegações do impetrante relativas ao descumprimento de decisão judicial TRANSITADA EM JULGADO proferida no MANDADO DE SEGURANÇA n° 0001025-18.2001.4.02.5110. Requer que informe a esta procuradoria eventual medida implementada para que se cumpra a decisão em referência." (g. n.) 21. Portanto, não há dúvidas a respeito do equivoco das decisões recorridas., impondo-se a homologação das compensações." Pelas razões acima expostas, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para que seja reformada a decisão recorrida, no sentido de afastar-se o óbice da compensação com crédito de terceiro, determinando-se o retorno dos autos ao órgão de origem para analisar a compensação, efetuada pela Recorrente. `c AV. ALB UQ UERQ u VALENTE /7
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