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Numero do processo: 10283.003818/90-84
Data da publicação: Tue Dec 29 00:00:00 UTC 2009
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Aplica-se a penalidade por embar que da mercadoria no exterior an tes da expedição da Guia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar opresente jul gado. a d.s Sessões (DF), em 27 de novembro de 1991. //, MARI à ' S ' . r - PRESIDENTE /-„• ULO AFV.° Á DE BARROS jaNIOR - RELATOR IRAN D LIMA - PROCURADOR DA FA ZENDA NACIONAL — Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselhei ros: ITAMAR VIEIRA DACOSTA, FAUSTO FREITAS DE CASTRO NETO, UBALDU CAMPELO NETO, JOSÉ ALVES DA FONSECA, JOÃO HOLANDA DA COSTA e SEBAS TIÃO RODRIGUES CABRAL. Presente ao julgamento o advogado da inte- ressada, Dr. Jorge de Souza Ramalho - OAB/SP n 76.418 - A/84. \ 4 . , `~- \0AMIEFP/DF- SECOS N2 064/90 4. gOiip SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N° 10283/003.818/90-84 RECURSO N9 : RP/303-01.121 ACORDA° Ne: CSRF/03-01.849 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: TERCEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: GRADIENTE INDUSTRIAL S/A RELATÓRIO A 3a. Cãmara deste Conselho, em decisão adotada por maioria de votos, em AcOrdão que leio em sessão e que considero co mo se neste estivesse transcrito, desclassificou a penalidade im- posta por importação não amparada por GI para a de embarque de mer cadoria no exterior _antes da emissão da competente GI. Dessa decisão recorre a douta Procuradoria da Fazenda Nacional alegando, em síntese, o seguinte. Se acontece o embarque no exterior, antes de expedi- da a GI, mas se ela é obtida anteriormente ã. entrada dbs bens no territario nacional, a infração cometida é a descrita no inciso VI do ART. 526 do RA. Se ela não estiver emitida no momento da entra- da, fica confirmada a ocorrência da infração capitulada no inciso Ir desse mesmo artigo. Assim, forçosamente, acontecem as duas in- fraçOes mas, por força do § 49 desse dispositivo, serã imputada a penalidade mais grave, ou seja, a do inciso II. - A emissão da GI posteriormente ã entrada dos produtos no territOrio brasileiro, prãtica essa normatizada pela PortariaMF 222/81 e IN SRF 89/83, que visam a dar cobertura ã formalização ao O Vik 414DAMEFP/OF- SECOS Ne 065/90 J.H. sEmmonmnomiERAL PROCESSO N9 10283/003.818/90-84 3. Acórdão n9-CSRF/03-01.849 despacho aduaneiro, evitando até, a decretação do perdi:mento da mercadoria, não elide a infração jã caracterizada. Pede a reforma dessa decisão para se manter a de la. Instância, citando Acórdãos de 1988 dessa mesma Câmara nesse sen_ tido. Acolhido esse Recurso Especial, é dada vista à interes sada que oferece contra razões. Nelas & mencionado o voto vencedor e arguido que, na forma do ART. 528 do RA, é considerado ter ocorrido o embarque na data da emissão do conhecimento internacional de transporte,o que aconteceria em uma importação via aérea guando o conhecimen- to fosse datado num domingo â noite, em um país da Europa, che- gando a mercadoria na 2a. feira às 8 horas da manhã ao Brasil, an_ tes do início do expediente normal do órgão emissor da GI. Neste - caso não crê que fosse de se aplicar a penalidade do inciso II do ART. 526 do RA, em razão do § 49 do mesmo artigo, pois a GI não poderia ser obtida antes desse horário. Esse exemplo serve para demonstrar que se fosse inten- ção do legislador agir com tal vigor etário, ele não teria cria- do o § 29, II, desse ART. 526 Que gradua e limita a aplicação da pena para infrações formais e menores como as contidas nos inci- sos IV e VII desse mesmo artigo, todas com GI emitidas. Cita voto vencedor em muitos Recursos Voluntários seme_ lhantes e pede seja mantida a decisão recorrida IV'2 o relatório. Gâ Xrr n - , SEIR~WUCOF~ PROCESSO N9 10283/003.818/90-84 4. Acórdão n9-CSRF/03-0.1.849 VOTO_ Conselheiro PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR, relator. Entendo que a importação não ocorreu a descoberto de GI. A mesma, emitida após a entrada dos bens no território nacio nal, existe. Só se configuraria a hipótese da penalidade prevista no ART. 526, II, do RA, se a Guia não fosse expedida. Ora, se ela foi pedida e o órgão competente para es-se controle autoriza sua edição, descabe falar-se em importação ao desamparo de GI. Face ao exposto, nego provimento ao Recurso, mantendo- -se a decisão recorrida. Brasil - D. , em 27 de setembro de 1991. 11 .) PAULO AFFONSECA DE BAR OS FARIA JÚNIOR - RELATOR ,/ Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10820.000786/2006-69
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2004
Ementa:
IRPF DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS FUNDAMENTADO MOTIVO PARA SUSPEITAR-SE DA INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES APRESENTADOS NÃO APRESENTAÇÃO PELO CONTRIBUINTE DE PROVAS SUPLEMENTARES DE PAGAMENTO E DA EFETIVIDADE DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS GLOSAS MANTIDAS
Havendo nos autos, como resultado do trabalho da Fiscalização, fundados motivos para suspeitar-se da inidoneidade dos comprovantes de despesas médicas apresentados, exigida comprovação de efetivo desembolso e de efetiva prestação dos serviços e não produzidas tais provas pelo contribuinte, é de manterem-se as glosas respectivas.
IMPOSIÇÃO DE MULTA AGRAVADA NÃO CONFIGURAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE MULTA RECONDUZIDO AO PATAMAR ORDINÁRIO DE 75%
Não comprovado de forma cabal o evidente intuito de fraude, não se sustenta a imposição da multa qualificada no percentual de 150%, devendo a mesma ser mantida apenas no patamar ordinário de 75%, nos termos da lei.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-000.964
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para tão somente afastar a qualificação da multa. Vencido(s) o Conselheiro(s) Dayse Fernandes Leite (relatora) que dava provimento parcial em maior extensão e a Conselheira Lúcia Reiko Sakae que negava provimento. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Carlos André Ribas de Mello. A Conselheira Lúcia Reiko Sakae apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello Redator designado
EDITADO EM:5/7/2013
Participaram, do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas De Mello (Relator), German Alejandro San Martin Fernandez, Lucia Reiko Sakae, Dayse Fernandes Leite e Sidney Ferro Barros.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002, 2004 Ementa: IRPF DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS FUNDAMENTADO MOTIVO PARA SUSPEITAR-SE DA INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES APRESENTADOS NÃO APRESENTAÇÃO PELO CONTRIBUINTE DE PROVAS SUPLEMENTARES DE PAGAMENTO E DA EFETIVIDADE DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS GLOSAS MANTIDAS Havendo nos autos, como resultado do trabalho da Fiscalização, fundados motivos para suspeitar-se da inidoneidade dos comprovantes de despesas médicas apresentados, exigida comprovação de efetivo desembolso e de efetiva prestação dos serviços e não produzidas tais provas pelo contribuinte, é de manterem-se as glosas respectivas. IMPOSIÇÃO DE MULTA AGRAVADA NÃO CONFIGURAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE MULTA RECONDUZIDO AO PATAMAR ORDINÁRIO DE 75% Não comprovado de forma cabal o evidente intuito de fraude, não se sustenta a imposição da multa qualificada no percentual de 150%, devendo a mesma ser mantida apenas no patamar ordinário de 75%, nos termos da lei. Recurso provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para tão somente afastar a qualificação da multa. Vencido(s) o Conselheiro(s) Dayse Fernandes Leite (relatora) que dava provimento parcial em maior extensão e a Conselheira Lúcia Reiko Sakae que negava provimento. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Carlos André Ribas de Mello. A Conselheira Lúcia Reiko Sakae apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Redator designado EDITADO EM:5/7/2013 Participaram, do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas De Mello (Relator), German Alejandro San Martin Fernandez, Lucia Reiko Sakae, Dayse Fernandes Leite e Sidney Ferro Barros.
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IMPOSIÇÃO DE MULTA AGRAVADA NÃO CONFIGURAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE MULTA RECONDUZIDO AO PATAMAR ORDINÁRIO DE 75% Não comprovado de forma cabal o evidente intuito de fraude, não se sustenta a imposição da multa qualificada no percentual de 150%, devendo a mesma ser mantida apenas no patamar ordinário de 75%, nos termos da lei. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 07 86 /2 00 6- 69 Fl. 283DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para tão somente afastar a qualificação da multa. Vencido(s) o Conselheiro(s) Dayse Fernandes Leite (relatora) que dava provimento parcial em maior extensão e a Conselheira Lúcia Reiko Sakae que negava provimento. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Carlos André Ribas de Mello. A Conselheira Lúcia Reiko Sakae apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso –Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello – Redator designado EDITADO EM:5/7/2013 Participaram, do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas De Mello (Relator), German Alejandro San Martin Fernandez, Lucia Reiko Sakae, Dayse Fernandes Leite e Sidney Ferro Barros. Relatório Tratase de Auto de Infração de fl. 165 a 170, lavrado para a exigência do Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, referente ao anocalendário de 2001 e 2003, para formalização e cobrança do crédito tributário nele estipulado no valor total de R$ 26.261,41, incluído multa de ofício,juros de mora, estes calculados até 03/2006, sob o fundamento de dedução indevida da base de cálculo do IRPF de dependentes e de despesas médicas. Discordando da exigência fiscal(fls.180 a 208) o interessado em primeira instância, contesta o lançamento alegando, em síntese: 1. A fiscalização deve aterse ao estrito cumprimento das Lei, adotando critérios mínimos de razoabilidade e bom senso; 2. Apenas após provar que as informações apresentadas nas declarações de rendimentos são insuficientes, o fisco poderia valerse de outros métodos, sendo a presunção inadmissível; Fl. 284DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 10820.000786/200669 Acórdão n.º 2802000.964 S2TE02 Fl. 597 3 3. Por essas razões o contribuinte insiste em que a fiscalização intime os prestadores de serviços cujas despesas foram glosadas para provar que o declarado foi verdade; 4. As declarações prestadas e os recibos e notas fiscais emitidos bastam como meio de prova, no presente processo; 5. 0 pai do interessado é sim seu dependente; 6. Não há que se falar em valores excessivos, em documentação falsa ou inidônea pois o agente da fiscalização não é perito para proválo; 7. Não há como o contribuinte saber se a situação de um profissional é regular junto ao respectivo conselho regional, ou se este está trabalhando na regional na qual é inscrito; 8. Se faltou data em recibo, houve falha no seu preenchimento, nada mais; 9. 0 contribuinte alega que pode pagar suas contas em dinheiro, não em cheque, pois não há lei que o exija de outra forma. 10. Finaliza requerendo que o AI seja julgado improcedente. A Sexta Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo II (SP), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n° 1717.583, de 07 de março de 2007, que se encontra às fls. 216 a 227, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001,2003 DEDUÇÃO DE DESPESAS COM DEPENDENTES. São passíveis de dedução as despesas com dependentes desde que comprovada a relação de dependência. Restabelecida a relação de dependência do pai do contribuinte, para o Ano calendário 2001. Mantida a glosa das deduções em relação à esposa, para todo o período em apreço, e aos pais para o Anocalendário 2003. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. Considerase a dedução referente a despesas médicas somente quando inequivocamente comprovadas pela documentação apresentada pelo contribuinte. AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. Presentes, na conduta do contribuinte, as condições que propiciaram a majoração da referida multa, é de se mantêla no nível de 150% (cento e cinqüenta por cento). Quando não Fl. 285DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE 4 caracterizado o dolo, como no caso da glosa de despesas com não dependente, descabe a multa agravada, devendo a mesma ser reduzida para o patamar de 75%. Lançamento Procedente em Parte A ciência de tal julgado se deu por via postal em 21/05/2007, consoante o AR – Aviso de Recebimento – de fl. 239. À vista disso foi protocolizado, em 15/06/2007, recurso voluntário dirigido a este colegiado, fls.243 a 262, no qual o pólo passivo, repisa os argumentos apresentados em primeira instância. Prossegue sua defesa no sentido de oferecer argumentos consistentes no sentido de corroborar a idoneidade dos comprovantes relativos a despesas médicas, sob o argumento de que são hábeis para a comprovação das despesas medicas os recibos e notas fiscais emitidos por profissionais e empresas legalmente habilitados perante seus órgãos de classe e sobre os quais não constavam qualquer restrição para a prestação dos serviços profissionais. Ademais, milita em favor do contribuinte a presunção, quando existentes recibos de honorários profissionais, a efetiva prestação dos serviços bem como os respectivos pagamentos (seja a que titulo for) efetuados pelo contribuinte em razão da utilização dos mesmos (serviços). A presunção "juris tantum" de veracidade que gozam respectivos recibos, só poderia ser elidida por prova inconcussa, robusta e idônea de sua imprestabilidade, ônus carreado ao fisco. Alias, a simples posse dos recibos firma a presunção de pagamento, uma vez que eles constituem a prova das obrigações, que, com essa entrega (recibos), se extingue de vez. Assegura que o fato de realizar os pagamentos de seus débitos em moeda corrente, não há, salvo melhor juízo, qualquer dispositivo legal que o desautorizasse. Afirma que houve o dispêndio do valor consignado nos comprovantes apresentados, tanto que o recibo foi emitido em seu favor. Salienta, que os profissionais foram intimados e confirmaram a prestação dos serviços, bem como o recebimento em espécie. Aponta decisões desse Conselho, que entende conter entendimentos que lhe são favoráveis . Quanto a multa de ofício argumenta que não merece o recorrente ser penalizado com a incidência tributária e, menos ainda, da multa confiscatório de 75%, eis que eivada de erro de fato, face à má apreciação dos documentos trazidos pelo recorrente. Ademais, houve infringência ao princípio da razoabilidade e do confisco, além de outros. Assim é imperiosa a decretação da nulidade do lançamento com a expedição da decisão invalidante, em consonância com o princípio da legalidade previsto na CF/1988 e na Lei Federal nº 9.784/1999; É o Relatório. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 10820.000786/200669 Acórdão n.º 2802000.964 S2TE02 Fl. 598 5 Voto Vencido Conselheira Dayse Fernandes Leite Relatora O recurso de fls. 243 a 262 é tempestivo, consoante o cotejo do AR – Aviso de Recebimento de fl. 239 protocolo de recepção aposto à fl. 243. Estando dotado, ainda, dos demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. Pelo que nos autos consta, entendo que a lide restringise aos Exercícios de 2002 e 2004 uma vez nestes anos calendários é que foram constatadas as irregularidades consubstanciadas no Auto de Infração ora rechaçado (fl.s 165 a 172). A matéria ora em litígio versa, sobre à aceitação ou não dos comprovantes das seguintes despesas médicas: EXERCÍCIO 2002 ANO CALENDÁRIO 2001 Declaração nº 08/10.021.779 apresentada em 11/03/2002 a) R$ 9.000,00 — Anocalendário 2001 CLINICA DE FISIOTERAPIA CORPUS S/C LTDA, valor informado como pagamento no ano calendário 2001, não apresentou comprovação do efetivo desembolso dos recursos para o pagamento. Evidencia de inidoneidade dos recibos; (Declaração de fls 134 serviços prestados nos pacientes Teresa Castro Faisting (mãe do declarante), Daniel Henrique Vidal (Filho do declarante), Jorge Paulo Faisting (pai do declarante) e Lucas Manoel Vidal (Filho do declarante). · Tratamento realizado em Daniel Henrique – Recibos fls. 18 a 21 R$2.000,00 · Tratamento realizado em Lucas Manoel Vidal – Recibos de fls. 22 a 24 R$2.400,00 · Tratamento realizado em Tereza de Castro Faisting – Recibos de fls. 25 a 26 – R$ 1.600,00 · Tratamento realizado em Jorge Paulo Faisting – Recibos de fls. 27 a 31 – R$ 3.000,00 b) R$ 9.000,00 — Anocalendário 2001 SERVIÇO MEDICO DE ASSIS S/C LTDA, não comprovou pagamento; · Nota Fiscal de fls. 32 no valor de R$9.000,00, Tratamento clínico realizado no declarante, c/c Declaração de fls 84. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE 6 c) R$ 442,00 — Anocalendário 2001 Marcelo Seiji Mifune, despesa com não dependente; · Tratamento realizado em Maria Claudete Recibos de fls. 33 – R$ 442,00 c) R$ 80,00 — Anocalendário 2001 Clinica e Diagnostico, despesa com não dependente; · Tratamento realizado em Maria Claudete – Recibo fls. 34 – R$ 80,00 d) R$ 50,00 — ano calendário 2001 — Despesa com não dependente · Tratamento realizado em Maria Claudete – Recibo de fls. 34 – R$ 50,00 EXERCÍCIO 2003 ANO CALENDÁRIO DE 2002 e) R$ 14.000,00 — ano calendário 2002, não SERVIÇOS MÉDICOS DE ASSIS S/C LTDA — Não comprovou pagamento; · Tratamento realizado no Declarante Nota Fiscal de fls. 43, R$8.000,00 c/c Declaração de fls. 83. · Tratamento realizado em Tereza de Castro Faisting – Nota Fiscal de fls. 44 – R$6.000,00 f) R$ 7.000,00 — ano Calendário 2002 — Maria Cândida Pimentel Gonçalves — não comprovou pagamento · Recibos de fls. 39 a 42 – R$7.000,00 EXERCÍCIO DE 2004 – ANO CALENDÁRIO DE 2003 g) R$ 11.000,00 — ano calendário 2003— SERVIÇO MEDICO DE ASSIS S/C LTDA — Não comprovou pagamento; · Tratamento realizado no Declarante Notas Fiscais fls. 46,47 – R$ 5.000,00, c/c Declarações fls 86 e 87 · Tratamento realizado em Lucas Manoel Vidal – Nota Fiscal – fls. 48, 49 – R$ 6.000,00, c/c Declarações fls 88 e 89 h) i ) R$ 220,00 —ano calendário 2003 — Frank Azevedo Dutra — Despesa com não dependente; · Tratamento realizado em Rosa Ribeiro Moraes Recibo de fls. 151, R$220,00 Fl. 288DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 10820.000786/200669 Acórdão n.º 2802000.964 S2TE02 Fl. 599 7 j) R$ 360,00 —ano calendário 2003 — CLINICA BALARIN S/C LTDA — Despesa com não dependente · Tereza de Castro Faisting – Nota Fiscal fls. 54 – R$360,00 Primeiramente, é importante citar a Lei n°. 9.250, de 26 de dezembro de 1995, determina em seu artigo 8°, inciso II, alínea a, que a base de cálculo do imposto de renda devido no anocalendário será diminuída dos pagamentos efetuados a médicos, dentistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (Omissis) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 2° O disposto na alínea a, do inciso II: (Omissis) II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Controle Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. (Omissis) Apesar de pertinentes as razões defendidas no voto condutor do acórdão combatido, em regra, a comprovação da efetividade da despesa médica reportada pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual é feita mediante a apresentação à Autoridade Fiscal dos recibos de pagamento emitidos pelo profissional ou instituição responsável pelo serviço médico prestado. Enquanto o art. 80 do RIR99 é mera repetição do art. 8º da lei 9.250/1995, o art. 46 da IN SRF 15/2001 é a interpretação dada pela Receita Federal. Em homenagem ao princípio da verdade material e, considerando que não há qualquer imputação em desfavor da efetiva realização da despesa, considero que a melhor interpretação da norma legal autoriza a glosa em litígio, como será explicitado adiante. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE 8 O inciso III do §2º do art. 8º da lei 9.250/1995 restringe a dedução aos pagamentos efetuados pelo contribuinte que sejam especificados e comprovados com a indicação do nome, endereço e o CPF ou CNPJ de quem os recebeu. Evidenciese que o legislador facultou ao contribuinte, na falta da documentação, apresentar cheque nominativo. Se o cheque nominativo sem a indicação do endereço e sem a especificação do serviço prestado é suficiente, não haveria razão para que os recibos com a indicação do serviço, c/c as Declarações fornecidas pelos profissionais que prestaram os serviços. As Notas Fiscais com a discriminação dos serviços e indicando em quem os serviços foram prestados, não vejo razão para não acatálos como comprovação das despesas médicas efetuadas. Enfim, a Autoridade Fiscal tem sempre o direito de empreender diligências tão aprofundadas como julgue apropriado na eventualidade de suspeitar da prova apresentada pelo contribuinte; no entanto, a lavratura de Auto de Infração não pode estar fundada na suspeita da Autoridade Fiscal, necessitando de elementos que efetivamente caracterizarem os documentos apresentados como inidôneos. Neste caso concreto, portanto, cotejando a imputação constante do auto de infração, a impugnação, a peça recursal e o documentos trazido aos autos, considero que devem ser acatados os comprovantes abaixo relacionados: Os recibos apresentados em conformidade com a norma legal foram os seguintes: Anocalendário 2001 PRESTADOR DE SERVIÇO SERVIÇO PRESTADO Valor Fls CLINICA DE FISIOTERAPIA CORPUS S/C LTDA Fisioterapia 9.000,00 18 a 31 SERVIÇO MEDICO DE ASSIS S/C LTDA 9.000,00 32 Total 18.000,00 Anocalendário 2003 PRESTADOR DE SERVIÇO SERVIÇO PRESTADO Valor Fls SERVIÇO MEDICO DE ASSIS S/C LTDA 11.000,00 43 e 44 Total 11.000,00 Em que pese seja sensível às preocupações da autoridade fiscal e do julgador de primeira instância, não havendo prova em desfavor dos recibos e das declarações dos profissionais e enquanto não houver disciplina legal mais adequada, atende ao verdadeiro Fl. 290DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 10820.000786/200669 Acórdão n.º 2802000.964 S2TE02 Fl. 600 9 interesse público privilegiar o devido processo legal e as demais garantias ínsitas ao Estado Democrático de Direito, cujo valor superam eventual perda arrecadatória. Assim, concluo que devem ser restabelecidas as dedução de despesas médicas da seguinte forma: anocalendário 2001, R$18.000,00 (parcial), anocalendário 2003, R$11.000,00 (parcial). Esclareço que, em relação aos valores declarados pelo contribuinte no ano calendário 2002, apesar de terem sido mencionados nos termos da fiscalização, não foram objeto de lançamento. No Auto de Infração de fls . 165 a 172, as infrações apuradas referemse aos anos calendário de 2001 e 2003. Como se depreende do texto legal (Art. 8º, § 2º II) , para fins de dedução de despesas médicas exigese que os pagamento sejam realizados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes. Portanto agiu corretamente o órgão julgador de primeira instância ao manter a glosa referente à dedução relativa aos prestadores de serviços Marcelo Seiji Mifune, Clinica e Diagnostico Mirandópolis e Dr. Yoshio Murai, no valor total de R$572,00 (fls. 33 a 34), no ano calendário de 2001 e no ano calendário 2003 o valor de R$580,00 relativa aos prestadores de serviços — Frank Azevedo Dutra e CLINICA BALARIN S/C LTDA. Estas despesas foram realizadas com pessoas que não constam como dependentes nas DIRPF. No Exercício 2002 Ano Calendário 2001 – foi lançado o valor de R$ 572,00 – relativo a despesa médica sendo a beneficiária, Maria Claudete, esposa do declarante que optou por entregar declarações em separado. No Exercício de 2004 – Ano Calendário 2003 – foi lançado o valor de R$220,00 tratamento médico realizado em Rosa Ribeiro Moraes e R$ 360,00, referente a tratamento médico realizado em Tereza de Castro Faisting. A seguir, é de examinar o argumento passivo de inobservância nos presentes autos do princípio constitucional da legalidade em face da penalidade aplicada. Tal assertiva não há de ser objeto de manifestação por parte desta relatora, haja vista ter restado entendimento pacificado e até mesmo sumulado por este Colegiado sobre tema, in verbis: Súmula CARF n.º 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por via de conseqüência e em obediência ao § 4º, do art. 72 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que determina a adoção obrigatória de tais súmulas pelos membros do CARF, falece a esta autoridade julgadora competência para administrativamente enfrentar o assunto. Ad argumentandum, ainda que assim não fosse, é de se salientar que a exigência da multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), tem por base legal o artigo 44, inciso I, da Lei n.º 9.430/96, abaixo transcrito: Art. 44 Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Fl. 291DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE 10 I de 75% (setenta e cinco por cento), nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; ” (grifos não originais). Portanto, a constatação pelo Fisco da omissão de rendimentos pelo defendente e a não comprovação de valores pleiteados como dedução caracterizou como inexata a declaração de rendas em tela, o que ensejou o lançamento de ofício com a conseqüente aplicação da multa em epígrafe. Neste contexto, a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. Dessa forma, o tratamento tributário dispensado ao contribuinte segue estritamente os preceitos legais pertinentes à espécie, os quais devem ser fielmente observados pela autoridade lançadora, cuja atividade é vinculada e obrigatória (artigo 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional). Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para que sejam restabelecidas as dedução de despesas médicas de R$18.000,00 no ano calendário 2001, R$11.000,00 no anocalendário 2003. Quanto a multa de ofício, esta deve ser mantida exatamente como aplicada pela autoridade de primeira instância. Brasília/DF, Sala de Sessões, (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Fl. 292DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 10820.000786/200669 Acórdão n.º 2802000.964 S2TE02 Fl. 601 11 Voto Vencedor Conselheiro Carlos André Ribas de Mello – redator designado. Em que pese o respeito ao judicioso e profícuo trabalho desenvolvido pela I. Relatora, ouso divergir de seu entendimento pelas seguintes razões. Quanto às glosas de despesas médicas ainda remanescentes, já que parte das mesmas foi desconstituída pelo acórdão da d. DRJ, o recurso não exibe razões suficientes para seu afastamento. A fiscalização, em minudente trabalho, apresentou diversos motivos para suspeitar da inidoneidade dos comprovantes exigidos, como se pode ler no termo de constatação de fls.154 e ss., tendo exigido do contribuinte a comprovação do efetivo pagamento e da efetividade da prestação dos serviços correspondentes, no que não foi atendida. Tenho, portanto, por hígido o trabalho da fiscalização neste aspecto, reportandome às bem lançadas razões invocadas pela d. DRJ, no acórdão de fls.216 e ss., especialmente fls.221223, para manter tais glosas. Por outro lado, no que tange a imposição de multa qualificada no percentual de 150%, nos termos do art.44, II, da Lei n.9.430/96, tenho que o simples fato de ter apresentado o contribuinte documentos tidos por inidôneos e de não ter trazido aos autos os elementos de prova suplementar exigidos pelo Fisco, não dão supedâneo suficiente a imposição da multa agravada, havendo necessidade de configurarse de forma cabal o “evidente intuito de fraude”, que tenho por não configurado no caso presente, pelo cotejo dos elementos dos autos. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE
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Numero do processo: 13502.000157/2008-91
Data da sessão: Thu Oct 28 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/02/2003 a 30/06/2003
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO.
Provimento negado ao Recurso Voluntário em razão da Súmula nº. 1 do Regulamento do CARF, segundo a qual importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
MULTA DE OFÍCIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A simples declaração de compensação não configura denúncia espontânea, devendo ser mantida a multa de ofício.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Para ser configurada a nulidade do auto de infração deve existir algum dos requisitos previsto no art. 59 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3401-001.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não se conhecer do recurso em face da opção pela discussão na via judicial. Na parte conhecida, negou-se provimento ao recurso
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO - Presidente.
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator.
EDITADO EM: 21/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho e Gilson Macedo Rosenburg Filho
Nome do relator: Fernando Marques Cleto Duarte
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/02/2003 a 30/06/2003 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. Provimento negado ao Recurso Voluntário em razão da Súmula nº. 1 do Regulamento do CARF, segundo a qual importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. MULTA DE OFÍCIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A simples declaração de compensação não configura denúncia espontânea, devendo ser mantida a multa de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Para ser configurada a nulidade do auto de infração deve existir algum dos requisitos previsto no art. 59 do Decreto nº 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não se conhecer do recurso em face da opção pela discussão na via judicial. Na parte conhecida, negou-se provimento ao recurso GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO - Presidente. FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator. EDITADO EM: 21/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho e Gilson Macedo Rosenburg Filho
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Provimento negado ao Recurso Voluntário em razão da Súmula nº. 1 do Regulamento do CARF, segundo a qual importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. MULTA DE OFÍCIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A simples declaração de compensação não configura denúncia espontânea, devendo ser mantida a multa de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Para ser configurada a nulidade do auto de infração deve existir algum dos requisitos previsto no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não se conhecer do recurso em face da opção pela discussão na via judicial. Na parte conhecida, negouse provimento ao recurso GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente. FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 01 57 /2 00 8- 91 Fl. 805DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 8/05/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por FERNANDO MARQUE S CLETO DUARTE Processo nº 13502.000157/200891 Acórdão n.º 3401001.082 S3C4T1 Fl. 806 2 EDITADO EM: 21/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho e Gilson Macedo Rosenburg Filho Relatório Em 8.2.2008, foi lavrado Auto de Infração contra a contribuinte Sansuy S/A Indústria de Plásticos (CNPJ 14.807.945/000124) exigindo o recolhimento de crédito tributário de IPI no valor de R$ 3.659.202,95 (atualizado até 31.1.2008), composto da seguinte forma: Imposto: R$ 1.484.310,50 Juros de mora: R$ 1.061.659,63 Multa proporcional (passível de redução): R$ 1.113.232,82 O lançamento referese ao campo “outros créditos”, efetuado pela contribuinte no livro registros de Apuração de IPI entre os meses de fevereiro e junho de 2003. A contribuinte justificou que eram créditos correspondentes ao IPI relativo à aquisição de matériaprima, produto intermediário, material de embalagem, máquinas e equipamentos não tributados ou sujeitos à alíquota zero, assegurados pela ação ordinária, com antecipação de tutela, sob nº 2001.60.00.0278846, 18ª Vara Federal de São Paulo – SP. No entanto, essa ação foi impetrada pelos estabelecimentos inscritos no CNPJ 14.807.945/000558 e 14.807.945/000639. Nas peças processuais apresentadas pela empresa, e também nas consultas efetuadas no site do TRF da 3ª região, não foi identificado qualquer requerimento incluindo como parte a contribuinte autuada. Assim, de acordo com a autonomia de estabelecimentos prevista no artigo 518, inc. IV, do Decreto nº 4544/2002, a contribuinte não estaria atingida pelas decisões decorrentes do processo judicial nº 2001.61.00.0278846. Além disso, o artigo 170A da Lei nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional veda a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Em 10.3.2008, a contribuinte protocolou, tempestivamente, Impugnação Administrativa, na qual alega: a) o Auto de Infração padece de nulidade absoluta, por ter origem em procedimento que cerceou o direito à ampla defesa da contribuinte. Isso porque o início da fiscalização se deu em desacordo com o disposto na legislação vigente, especialmente com o comando do artigo 844 do Regulamento do Imposto de Renda, que dispõe: Fl. 806DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 8/05/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por FERNANDO MARQUE S CLETO DUARTE Processo nº 13502.000157/200891 Acórdão n.º 3401001.082 S3C4T1 Fl. 807 3 “Art. 844. O processo de lançamento de ofício, ressalvado o disposto no art. 926, será iniciado por despacho mandando intimar o interessado para, no prazo de vinte dias, prestar esclarecimentos, quando necessário, ou para efetuar o recolhimento do imposto devido, com o acréscimo da multa cabível, no prazo de trinta dias” Nesse caso, o direito não foi garantido à contribuinte, violando o direito à ampla defesa e ao contraditório; b) o Auditor Fiscal utilizou tãosomente informações oferecidas pela contribuinte, supostamente corroboradas em análise dos livros de apuração do IPI, não havendo verificação fática, em documentos hábeis, da eventual ocorrência da infração. O auditor não analisou as notas fiscais que originaram os créditos, sequer verificando se realmente todo o crédito glosado se referia apenas aos valores oriundos de aquisição de insumos não tributados, sujeitos à alíquota zero, isentos ou imunes. A total ausência de provas da efetiva ocorrência dos fatos geradores impõe a nulidade do lançamento; c) da leitura do Auto de Infração e do seu relatório, verificase que as glosas feitas pela Fiscalização estão demonstradas apenas de maneira global, não havendo individualização e tampouco verificação dos valores de cada um dos créditos apropriados. Essa informação seria vital para a contribuinte poder confrontar os valores da glosa da Fiscalização com as notas fiscais que lastrearam o creditamento para apurar se, de fato, todas as glosas efetuadas se referem a créditos não admissíveis. Essa falta impediu a contribuinte de exercitar regularmente o seu direito à ampla defesa, o que deve acarretar a anulação do Auto de Infração; d) para fins de apuração de crédito de entrada e saída de produtos, criouse uma ficção de que cada uma das filiais de uma só empresa seria autônoma. Essa “autonomia”, no entanto, referese apenas à forma de apuração do IPI, não dando personalidade jurídica própria a cada uma das filiais de uma mesma empresa, sendo, portanto, o pólo ativo da ação judicial a empresa Sansuy S/A Indústria de Plásticos, representando sua matriz e todas as suas filiais. A compensação dos créditos na aquisição de insumos isentos com os débitos de IPI incidente nas vendas da impugnante foi efetuada, em 2003, mediante autorização judicial válida e eficaz à época dos fatos. A decisão judicial que reformou a decisão anterior ainda não é definitiva e, portanto, não está irradiando plenamente seus efeitos; e) mesmo havendo o art. 170A do CTN que impede a compensação antes do trânsito em julgado, se o juiz de causa decidir de maneira contrária, prevalece a decisão judicial; f) a glosa efetuada deve ser contestada, pois, conforme estabelecido no inciso II do § 3º do artigo 153 da Constituição Federal, o Imposto sobre Produtos Industrializados deve ser calculado respeitando o princípio da nãocumulatividade; g) a multa de 75% deve ser aplicada apenas quando houver falta de declaração ou declaração inexata dos valores devidos a título de tributos federais. No presente caso houve apenas glosa de uma compensação feita com base em decisão judicial válida à Fl. 807DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 8/05/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por FERNANDO MARQUE S CLETO DUARTE Processo nº 13502.000157/200891 Acórdão n.º 3401001.082 S3C4T1 Fl. 808 4 época dos fatos, não havendo sonegação tampouco evasão fiscal. Deve prevalecer, quando muito, a multa moratória de 20% prevista no art.61 de Lei nº 9.430/96; h) a aplicação da Taxa SELIC sobre o crédito tributário em tela é ilegal, por ferir frontalmente a Constituição Federal, em razão de não ter sido criada por lei e por não respeitar direitos fundamentais dos contribuintes: a legalidade, uma vez que a Lei nº 9.430/96, que faz menção ao uso da Taxa SELIC é de criação exclusiva do Poder Executivo Federal, sem a participação do Poder Legislativo; e a segurança jurídica, pois a contribuinte fica submetida ao exclusivo arbítrio das decisões administrativas do Comitê de Política Monetária, que pode aumentar ou diminuir tal Taxa, sem que a contribuinte possa vislumbrar, de antemão, o quanto progride a sua dívida. Em sessão de 21.5.2008, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Salvador – BA acordou, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e julgar procedente o lançamento. De acordo com o voto: a) a única hipótese para a nulidade dos atos processuais, entre os quais se incluem os autos de infração, está precisamente definida no inciso I do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, e referese aos casos em que a lavratura tenha sido feita por pessoa incompetente, o que não ocorreu na presente situação; b) no Termo de Início de Fiscalização do qual foi cientificada em 8.2.2008, o auditor fiscal expressamente consignou que “a presente intimação exclui a espontaneidade (...), observando o disposto no artigo 909 do Decreto nº 3.000/99”. Esse artigo dispõe: “Art. 909. A pessoa física ou jurídica submetida à ação fiscal poderá pagar, até o vigésimo dia subseqüente à data do recebimento do termo de início da fiscalização, o imposto já declarado, de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável, com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo” (Lei nº 9.430, de 1996, art. 47, e Lei nº 99.532, de 1997, art. 70, II) Ressaltase que a espontaneidade para pagamento somente com incidência dos acréscimos moratórios referese a valores já declarados, que não é o caso do presente crédito tributário; c) a alegação de que seria nulo auto de infração por terem sido as glosas demonstradas apenas de maneira global não merece prosperar. O total dos créditos glosados está no demonstrativo à folha 09; os valores escriturados à folha 10; e as fotocópias do livro do IPI, às folhas 244/273; d) o Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – RIPI/2002 estabelece: “Art. 518 – Na interpretação e aplicação deste Regulamento, são adotados os seguintes conceitos e definições: (…) IV – são considerados autônomos, para efeito de cumprimento da obrigação tributária, os estabelecimentos, ainda que pertencentes a uma mesma pessoa física ou jurídica” Fl. 808DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 8/05/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por FERNANDO MARQUE S CLETO DUARTE Processo nº 13502.000157/200891 Acórdão n.º 3401001.082 S3C4T1 Fl. 809 5 Portanto, para efeitos da legislação do IPI, os vários estabelecimentos de uma mesma empresa são considerados autônomos. Além disso, a contribuinte utilizouse do crédito do IPI decorrente da entrada de matériasprimas e insumos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero, bem como calculado sobre a energia elétrica, sem o trânsito em julgado da ação e mesmo havendo manifestação em sentido contrário por parte do Poder Judiciário; e) ao contrário do que alega a contribuinte, à época da autuação, ela não estava amparada por decisão judicial que lhe garantisse o direito ao crédito do IPI em tela e a compensação com parcelas vincendas do próprio IPI, não havendo irregularidade na lavratura do Auto de Infração; f) carecem as Delegacias de Julgamento da Receita Federal, no desempenho de suas funções, de competência para pronunciarse a respeito de conformidade de lei ou ato normativo com preceitos emanados da Constituição Federal; g) não é possível admitir o crédito derivado de aquisições de insumos não gravados pelo IPI, pois: não há lei que autorize a escrituração e o aproveitamento do crédito inexistente; não é permitido à contribuinte adotar uma alíquota para cálculo do crédito que mais lhe convenha e a concessão de crédito fictício na aquisição de matériaprima ou qualquer outro insumo isento, sujeito à alíquota zero ou nãotributado beneficiará apenas a contribuinte, sem nenhum proveito ao adquirente/consumidor do produto; h) estando comprovada a falta de recolhimento do IPI e a situação apresentada perfeitamente tipificada e enquadrada no art. 80, inciso I, da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo art. 45 da Lei nº 9.430/96, a fiscalização procedeu corretamente ao aplicar a multa de ofício; i) quanto à inconstitucionalidade da Taxa SELIC, conforme já mencionado, falece competência a Delegacia de Julgamento para apreciála. A aplicação da Taxa SELIC como juros de mora encontra respaldo na Lei nº 9.430/96, não havendo justificativa para que se afaste a sua aplicação. Em 23.7.2008, a contribuinte protocolou, tempestivamente, Recurso Voluntário, no qual: a) alega que não basta que a contribuinte tenha tido “oportunidade” para se justificar. Para poder iniciar os procedimentos tendentes ao lançamento de ofício, conforme dispõe o artigo 844, a autoridade fiscal deve previamente intimar a contribuinte para prestar os esclarecimentos necessários, em 20 dias e notificálo de seu direito de recolher o imposto devido, apenas com multa moratória, no prazo de 30 dias. b) não há qualquer prova em favor do Fisco apta a constituir indício “primário” da irregularidade, absolutamente necessária para se dar validade a um lançamento de ofício; c) a decisão recorrida merece ser reformada, visto que sequer analisou corretamente o mérito da alegação da contribuinte, que apontou a nulidade do lançamento pela falta de discriminação dos valores individuais de IPI glosados, implicando em grave cerceamento de defesa; Fl. 809DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 8/05/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por FERNANDO MARQUE S CLETO DUARTE Processo nº 13502.000157/200891 Acórdão n.º 3401001.082 S3C4T1 Fl. 810 6 d) os julgadores dos tribunais administrativos, por estarem exercendo o ofício judicante e por estarem limitados pelo princípio da legalidade, cujo efeito máximo é o de acarretar o dever de cumprimento primeiramente da Constituição Federal, podem e devem conhecer acerca da inconstitucionalidade de leis argüidas em sede administrativa; e) ao contrário do que entendeu a decisão, o presente caso não se trata de lançamento de ofício puro, em que a Autoridade Fiscalizadora foi obrigada a apurar o crédito tributário sonegado pela contribuinte. Os valores já haviam sido declarados pela contribuinte antes da autuação, e foram utilizados em rubrica apartada no RAIPI devidamente autorizado por decisão judicial, não merecendo prosperar a multa de 75%; f) reitera os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. Conclui requerendo que seja provido o presente recurso administrativo. É o relatório. Voto Conheço do recurso por ser tempestivo e cumprir os pressupostos de admissibilidade. Em suma foi lavrado auto de infração contra a contribuinte, exigindo o recolhimento de crédito tributário, referente ao campo “outros créditos”, apropriado pela contribuinte no livro registros de Apuração de IPI entre os meses de fevereiro e junho de 2003. Não logrando êxito em sua impugnação, protocolou Recurso Voluntário, onde alega preliminarmente, que o auto de infração, pelas seguintes razões, a falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos ou quitar o débito, a falta de fundamentação probatória, a falta de discriminação dos valores glosados, e quanto ao mérito pede que a decisão judicial seja reconhecida para a empresa como um todo, que o crédito alegado seja reconhecido, uma vez que advém do princípio da não cumulatividade, e por fim pela não aplicação da multa de ofício e da Taxa SELIC. No que tange às questões de nulidade, estas não merecem prosperar, já que não se enquadram nas hipóteses presentes no art. 59 do Decreto nº. 70.235/72, que reproduzo abaixo. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 810DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 8/05/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por FERNANDO MARQUE S CLETO DUARTE Processo nº 13502.000157/200891 Acórdão n.º 3401001.082 S3C4T1 Fl. 811 7 § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Neste caso nenhum ato ou termo foi lavrado por pessoa incompetente, bem como não existem despachos ou decisões proferidas com preterição do direito de defesa, uma vez que a impugnação e o recurso foram aceitos, bem como, conforme consta na decisão recorrida o total dos créditos glosados está no demonstrativo à folha 09; os valores escriturados à folha 10; e as fotocópias do livro do IPI, às folhas 244/273, nestas ultimas é possível verificar os valores glosados. Quanto ao mérito, é importante frisar que apenas a sociedade tem personalidade jurídica conforme o art. 44 do CC/02, que reproduzo abaixo. Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; II as sociedades; III as fundações. IV as organizações religiosas; (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) V os partidos políticos. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) § 1o São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negarlhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) § 2o As disposições concernentes às associações aplicamse subsidiariamente às sociedades que são objeto do Livro II da Parte Especial deste Código. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) Com isso é perceptível que quem entrou com a ação judicial foi a sociedade como um todo e não o estabelecimento que é uma parte deste, por exemplo aplicando a autonomia suscitada na decisão recorrida, poderíamos chegar à abominação de dentro de uma sociedade o mesmo imposto incidir de maneiras distintas, caso uma filial logre êxito em demanda judicial e outra não. No entanto, sendo aplicável a decisão judicial à recorrente, acabamos entrando na zona de influência da Súmula CARF nº. 1, que diz o seguinte: Fl. 811DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 8/05/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por FERNANDO MARQUE S CLETO DUARTE Processo nº 13502.000157/200891 Acórdão n.º 3401001.082 S3C4T1 Fl. 812 8 “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial” Portanto só conheço em parte o recurso, no que tange à multa de ofício, e neste caso ele não merece prosperar, como mostrarei a seguir. O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 diz o seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Neste caso, houve falta de pagamento, uma vez a simples declaração de compensação não se configura como denúncia espontânea, uma vez que esta deve ser acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, conforme o art. 138 do CTN, que reproduzo abaixo: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Como houve falta de pagamento, e o simples pedido de compensação não configura denúncia espontânea, a multa de ofício deve ser mantida. Frente a todo o exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso, no que tange à nulidade e à multa de ofício, porém negarlhes provimento, tendo em vista a não configuração de qualquer hipótese de nulidade e de denúncia espontânea e entender ser devida a multa de ofício. Fernando Marques Cleto Duarte Relator Fl. 812DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 8/05/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por FERNANDO MARQUE S CLETO DUARTE Processo nº 13502.000157/200891 Acórdão n.º 3401001.082 S3C4T1 Fl. 813 9 Fl. 813DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 8/05/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por FERNANDO MARQUE S CLETO DUARTE
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-08T14:07:42Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-08T14:07:42Z; Last-Modified: 2009-07-08T14:07:42Z; dcterms:modified: 2009-07-08T14:07:42Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-08T14:07:42Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-08T14:07:42Z; meta:save-date: 2009-07-08T14:07:42Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-08T14:07:42Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-08T14:07:42Z; created: 2009-07-08T14:07:42Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2009-07-08T14:07:42Z; pdf:charsPerPage: 1202; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-08T14:07:42Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA ÇMFL Sessão de..22...eg..11920111UP.de 19..9 ACÓRDÃO N2 .Ç . 954 Recurso n9 RD/102-0.330 Recorrente BECKER , MULLE R & C IA. LTDA. Recorrida SEGUNDA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES INTERESSADA: FAZENDA NACIONAL RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA - ADMIS SIBILIDADE - Para que se caracterize a divergencia jurisprudencial a que se re fere o inciso II do artigo 32 do Decre- to n9 83.304/79, g necessãrio que se comprove a ocorrencia de antagonismo ou contradição entre as teses juridicaspos — tas em confronto. In casu, embora todas as decis jes ver sem sobre arbitramento de lucro, o fato que o determinou no procedimento fiscal objeto da decisão recorrida g diverso daqueles que foram arrolados nos para digmas. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por BECKER, MULLER & CIA. LTDA. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por não caracterizado o dissídio jurisprudencial, nos termos do relatOrio e voto que passam a integrar o presente julgado. Sala das Sessaes (DF), em 27 de novembro de 1989 URGE w REI' Á LOPE. PRESIDENTE , 4 LOURIERDES , xein DOS ° 1 TOS RELATOR V.V. Colx.X270- JuglikCESAR GON:14.VES CORREA PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: JOSÉ EDUARDO RANGEL DE ALCKMIM, JACINTO DE MEDEIROS CALMON, WALDEVAN AL VES DE OLIVEIRA, ANTONIO DA SILVA CABRAL, CARLOS WALBERTO CHAVES ROSAS, MARIAM SEIF, BENEDICTO ONOFRE EVANGELISTA e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. Ausente justificadamente o Conselheiro LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 11065/000.226/87-42 . Recurso n9 RD/102-0.330 Acórdão n9 CSRF/01-0.954 Recorrente: BECEER, MULLER & CIA. LTDA. CGC n9 87.256.806/0001-23 Recorrida: SEGUNDA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Acórdão recorrido n9 102-23.119 Interessada: FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Inconformada com a decisão da C. Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, consubstaanciada no Acór- dão n9 102-23.119, de 13.04.88, a contribuinte acima identificada recorre ã E. Câmara Superior de Recursos Fiscais com as razões ex postas a fls. 203/210, arrimando-se no permissivo contido no arti_ go 39, inciso-II, do Decreto n9 83.304/79, vale dizer, invocando divergência jurisprudencial com decisões de outras Câmaras do mes_ mo Conselho. 2. Tendo deixado de atender às prescrições estabele cidas no parágrafo primeiro do artigo 59 do regimento interno da Câmara Superior, no que toca à comprovação da divergência, o se- guimento do seu apelo foi negado pelo digno Presidente da Câmara recorrida, conforme se vê no despacho de fls. 212/213. 3. Irresignada com essa decisão, a contribuinte re- correu ao Judiciário, obtendo sentença favorável ã imediata remes_ sa dos autos ã instância especial independente do exame dos pres- supostos de admissibilidade. 4. Trata o feito fiscal de arbitramento de lucro na forma prevista nos artigos 399 e 400 do regulamento do imposto de renda, aprovado pelo Decreto n9 85.450/80 (RIR/80). Mantida a exi gência com as decisões do Delegado da Receita Federal em Novo Ham_ burgo, RS (f is. 142/155) e da Segunda Câmara (fls. 182/201), o su_ jeito passivo apelou para a Instância Especial trazendo como para digmas os Acórdãos n9s 101-67.137, 101-72.405, 101-72.643, da Pri meira Câmara do 19 Conselho de Contribuintes, 103-04.364, da Ter_ ceira Câmara e CSRF/01-0.017 e CSRF/01-0.221, da Câmara Superior. Os acórdãos foram indicados pelos seus números e citação do núme- ro da Resenha Tributária em que foram publicados. Não foram jun- . 7)--2 tadas cópias de in eiro teor ou de ementas. f x edi 4 . . 1 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 11065/000.226/87-42 2. Acórdão n9 CSRF/01-0.954 5. Além dos paradigmas obtidos na esfera administra tiva, a recorrente invocou decisões do Tribunal Federal de Recur- sos sempre perseguindo o objetivo de infirmar o procedimento do fisco, no que concerne ao arbitramento, que entende não ser apli- cável ã espécie, tal como nas decisões trazidas para confronto. 1 6. Comentando a decisão recorrida, afirma que a Cãma ra louvou-se, exclusivamente, na informação fiscal de fls. 135 a 141. Dessa forma, "Ignorou o fato de que o arbitramento foi ado- tado exclusivamente por suposta falta de apresentação da declara_ ção..." Para reforçar o argumento, transcreve o seguinte trecho da informação do autuante: "Alerte-se que dentro de tais solicitações, encon- trava-se a exigencia da apresentação da declaração IRPJ, relativa ao período de 01/03/85 a 30/06/86, cujo prazo normal de entrega expirou em 30/06/86. 1 Ignorou o fato de que, ao contrario do que afirma o subscritor do Auto de Infração, a declaração de rendimentos foi entregue no dia 09/02/87, confor- me fazem certo o recibo e a cOpia anexados ã Im- pugnação, tendo havido, provavelmente, uma defici encia de comunicação entre a Agencia de São Leo a poldo e a Delegacia em Novo Hamburgo." 07 Com essa argumentação, pretende destruir a motiva _ ção para o arbitramento, uma vez que possuia escrita, na data da autuação, bem como, dias antes, havia apresentado a declaração de rendimentos relativa ao período autuado. É o que se vê na conti 1 — , i nuação do arrazoado: "Incabível, portanto, o arbitramento, devendo ser mantido o resultado apurado na escrituração, de sorte que a improcedencia, em todo ou em parte,de algum dos demais itens da Impugnação e do Recurso, adicionados ao Lucro Real, terão apenas o efeito de anular parte do prejuízo, mas sem resultar em pagamento.". .d , 74") 1f SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 11065/000.226/87-42 3. Ac6rdão n9 CSRF/01-0.954 VOTO Conselheiro LOURIERDES FUMA DOS SANTOS, relator. O recurso á tempestivo, visto que, tendo ciência da decisão em 16.05.88 (fls. 201v), a recorrente apresentou o re- curso especial em 19.05.88, como se vê do carimbo aposto à peti- ção de fls. 202. As condiç5es de conhecimento, todavia, devem ser, agora, examinadas porque, pelas razaies expostas, esse exame foi prejudicado na Câmara recorrida. 02. A fls. 206 0 a recorrente transcreve os seguintes trechos dos ac6rdãos que invocou: Acórdão 101-67.137 "0 arbitramento dos lucros tributãveis medida ex- trema que sõ se justifica quando não seja possi- vel a apuração do lucro real." AcOrdão 101-72.405 "Arbitramento. A falta de apresentação da declara- ção de rendimentos não autoriza a adoção dessa me dida extrema se a empresa possui escrituração re-1. gular." Ac6rdão 101-72.643 "IRPJ - Arbitramento de lucro - Falta de declaração - A falta de declaração, por si s6, não justifica o arbitramento do lucro. No processo de lançamen- to de oficio, por falta de declaração de rendimen- tos, e necessãrio verificar-se, previamente, se a pessoa jurídica reune condiçSes para ser tributa- da sobre o lucro real e somente se elege o arbi- tramento do lucro com prevalencia da receita bru- ta sobre os demais elementos admitidos em seme lhante arbitramento, quando não tenha sido apura do .o lucro real por meio de escrituração regular ou se tenha deixado de elaborar as demonstraçSes financeiras imprescindíveis a sua determinação." AcOrdão 103-04.364 "Não cabe o arbitramento automãtico do lucro por falta de entrega da declaração de rendimentos ain- da que não atendida no prazo marcado a intimação para apresentã-la ou prestar os esclarecimentos ne cessãrios. A falta de entrega da declaração deren fir-7 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 11065/000.226/87-42 4. Acórdão n9 CSRF/01-0.954 rendimentos no prazo regulamentar não "é causa de arbitramento. A desatenção ã intimação para apre senta-la ou prestar os esclarecimentos necessã- rios pode ensejar a majoração da multa e não o ar bitramento. Em qualquer hiptitese a autoridade tem obrigação legal de verificar se o contribuinte faz jus ou não ã tributação com base no lucro real,di ligenciando se necessário junto ao seu domicilio onde todos os elementos devem encontrar-se ã dis- posição do fisco." Acórdão CSRF/01-0.017 "Arbitramento: Trata-se de mero instrumento que oh jetiva determinar o lucro tributável, sem qualquer: conotação penal; por se tratar de medida extrema somente se justifica quando impraticãvel o apro- veitamento da escrita. Lucro real: uma vez deter- minados os custos forjados e as receitas omitidas, sem necessidade de abandonar a escrita, é de ser aproveitada, adicionando-se as receitas omitidas ao lucro real e glosando-se os custos forjados,pa ra efeito de determinação do lucro tributável." — 1 Acórdão CSRF/01-0.221 "IRPJ - Arbitramento do lucro - O início de proce- dimento ex-officio não serve de fundamento para o arbitramento. Necessãrio se faz a verificação dos pressupostos que o autorizam e a observãncia da i precedencia quanto aos critérios a serem adotados no seu cálculo. Distinção entre procedimento de ofício e arbitramento do lucro. A falta de apre- sentação da declaração de rendimentos e a subse- quente omissão na prestação de esclarecimentos não foram arrolados pela lei como fundamento para o ar bitramento do lucro. Compatibilidade entre o dis- posto nos arts. 77 e 78 do Decreto-lei 5.844, de , 1943 e as normas do Decreto-lei 1.648/78. "Os ele mentos de que se dispuser" (a que se refere o De- creto-lei 5.844/43) não são somente os constantes na repartição mas também os que se encontrarem ã 1 disposição do Fisco no domicilio do contribuinte." 1 3. A fim de bem examinar a questão, providenciei a vinda aos autos do inteiro teor das decisões erigidas em paradig- ma para confrontar a fundamentação que as sustentou com aquela ex , posta no aresto recorrido. 4. De plano há de ser descartada toda e qualquer re- ferência feita nos paradigmas à falta de entrega da declaração de rendimentos, visto que nem na decisão de primeiro grau nem de se- 1 gundo grau a hipótese foi objeto de consideração como alicerces dos respectivos julgados. 1 (d!d7 SERVIÇO POBLICO FEDERAL Processo n9 11065/000.226/87-42 5. Acórdão n9 CSRF/01-0.954 5. Isto posto, vamos examinar cada um dos alegados acórdãos divergentes. Assim, pela ordem. Acórdão n9 101-67.137, de 11.12.74. 6. No relatório que precedeu o voto condutor da deci são, le-se o que se segue: "A empresa alega que por ocasião da fiscalizaçãojã havia entregue as respectivas declarações de ren- dimentos pelo resultado real e somente faltava a copiagem das matrizes no livro 'Diário', e que os dados relativos a descontos auferidos e resultado da venda de um caminhão, adicionados às vendas re gistradas para cãlculo do arbitramento foram obtl- dos da escrituração que possuia." 7. Pronunciando-se sobre essa afirmação da empresa, disse o relator: "Verifica-se, das matrizes anexas - fls. 44 a 219- que os resultados indicados nas declarações de ren dimentos dos exercícios de 1968 e 1969 são coincT dentes com os constantes dos balanços e demonstr -a- ções dos periodos encerrados em 31/12/1967 e ...- 31/12/1968. Os valores adicionados pelo fisco às vendas regis tradas, relativos a descontos auferidos e resulta do na venda de um veiculo, encontram-se espelha- dos nas demonstrações da conta 'Lucros e Perdas'." 8. Face a essa constatação, concluiu que, no caso, a apuração pelo resultado real era perfeitamente possível, não se justificando, portanto, o recurso à medida extrema do arbitramen to, adotada pelo fisco. Ora, não foi essa a hipótese julgada na Segunda Câmara. Ao contrário da versão do paradigma, a recorren te não apoiou o resultado espelhado na declaração de rendimentos em escrituração, visto que não a possuia, como bem acentuou o re- lator: "De se alertar que no caso concreto não houve arbi tramento do lucro em conseqüencia de desclassifi- cação de escrita conforme expressamente diz a Sú- mula 76 do Tribunal Federal de Recursos, mas, sim, arbitramento de lucros com base na receita bruta produzida no período em razão de a Autuada não pos suir escrita." (destaquei) , / SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 11065/000.226/87-42 6. Acórdão n9 CSRF/01-0.954 Acórdão n9 101-72.405, de 24.06.81 9. No caso desse acórdão, a contribuinte transcreveu, apenas, a primeira parte da ementa que trata da falta de apresen tação da declaração de rendimentos. Entretanto, não só pelo res- tante da ementa como pelo conteúdo do acórdão, verifica-se que a questão transcendeu a esse aspecto particular do feito fiscal. De fato, pela leitura do voto encontra-se a motivação principal do decidido pela Primeira Câmara, na ocasião. Diz-se, no voto: "A falta de apresentação da declaração de rendimen tos, por si sõ, não autoriza o recurso excepcio- nal. Nem o RIR/75 nem o Dec.lei 1648, de 18/12/78 permitem esse procedimento. Com efeito, dentre as hipOteses elencadas nos incisos I a VII, do art. 79, do mencionado diploma, não se encontra a pre- tendida previsão legal. Nessa situação, impunha-se determinar o lucro re- al da empresa através do exame de sua escrituração. De outro lado, também não justifica a desclassifi cação da escrita do contribuinte a falta de auteri ticação do livro copiador se, antes da lavratur -a- do auto de infração, a pessoa jurídica intimadapa ra cumprimento dessa formalidade legal a cumprir, ainda que fora do prazo assinalado." 10. No meu entender, essa decisão não pode ser consi- derada divergente uma vez que não se assentou na mesma fundamenta ção fática e jurídica que informou a decisão recorrida. Recorren do ao relatório do acórdão paradigma, nele se vê que "Os lucros da empresa (...) foram arbitrados pelo autuante, basicamente,por fal ta de autenticação dos livros Diãrio Copiador e de apresentaçãodas das declarações do imposto de renda referentes àqueles periodos..." Nesse caso, a Primeira Câmara entendeu que os motivos alegados pe lo fisco não tinham sustentação legal para optar pelo arbitramen- to. No caso dos autos, a motivação do decisum é completamente di versa: a autuada não possuia escrita regular à época do lançamento. Acórdão n9 101-72.643, de 23.09.81 11. Em bem lançado voto, o relator tece judiciosas considerações a respeito do arbitramento e das cautelas a serem F/9, SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 11065/000.226/87-42 7. Acórdão n9 CSRF/01-0 . 954 tomadas pela autoridade fiscal de modo a que sejam atendidos to- dos os requisitos da lei. A propósito, disse: "Depara-se, pois, por medida precãria o dirigir a ação fiscal unicamente por meio de expediente in- terno, no caso de falta da declaração de rendimen tos, sem se proceder às citadas verificações, a fim de colher-se, preponderantemente, o imposto de renda sobre o lucro real, quando respeitadas as condições para sua determinação, ou, se não aten- didas, sobre o lucro arbitrado com base na recei ta bruta diante da possibilidade de esta tornar-si conhecida pelo fisco. Na hipótese dos autos, não resultou provado que a recorrente não atendia as condições da lei para sujeitar-se à tributação comum pelo lucro real, quando apenas se lhe enviou intimação para pres- tar esclarecimentos acerca da falta de declaração de rendimentos, sem se proceder à ação fiscal ex- terna no domicilio da empresa." 12. Mais uma vez, o confronto entre a decisão recorri da e a eleita paradigma não chega a convencer-me da ocorrência de dissídio jurisprudencial. No padrão oferecido, o fisco não promo — veu as investigações necessárias a dar suporte à sua ação. Ante o silêncio da empresa, decidiu-se, de forma precária, pelo arbitra — mento do lucro, merecendo a censura da instância revisora. No ca so em exame, cabe repetir, o fundamento da autuação está elencado no regulamento (artigo 399, I): a contribuinte não apresentou ao fisco, quando solicitada a prova de ter elaborado de forma regu- lar a escrituração e as demonstrações financeiras. Não há, por- tanto, que cogitar de ação aligeirada do fisco, visto como a fis- calização se estendeu pelo período de 09.09.86 a 12.02.87, dadas à empresa todas as condições para atendimento às solicitações da autoridade fiscal. Acórdão n9 103-04.364, de 13.04.82 13. Entendo dispensável comentar o conteúdo dessa de- cisão pela simples razão de que o voto do relator tem como espe- lho o mesmo que foi proferido no Acórdão n9 101-72.643, objeto de consideração nos parágrafos 11 e 12, precedentes. dif 4 Processo n9 11065/000.226/87-42 8. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Acórdão n9 CSRF/01-0.954 Acórdão n9 CSRF/01-0.017, de 23.11.79 14. De logo, deixo claro que, nesse caso, existia es- crita. A Primeira Câmara, em sua decisão, havia mantido a des- classificação imposta pelo Delegado da Receita Federal. Tratando- -se de decisão não-unânime, o Procurador da Fazenda Nacional in- terpôs o recurso especial por entendê-la contrária à lei ou à evi_ dência da prova. Os vencidos consideraram que deveria ter sido mantido o lançamento em sua forma original, ou seja, com o apro- veitamento da escrita feitos os ajustes relativos às omissões, no_ tas "calçadas" e outras irregularidades. 15. Para melhor entendimento, esclareça-se que: 1) a fiscalização aproveitou a escrita e fez os ajustamentos necessá- rios à apuração da exigência; 2) o Delegado alterou o critério e optou pela desclassificação da escrita, reduzindo a exigência; 3) em recurso de oficio o Superintendente restabeleceu o lançamento primitivo; 4) apreciando o recurso voluntário, a Câmara manteve a desclassificação. 16. A instância especial ficou com o aproveitamentoda escrita. Dai todas as considerações expendidas no voto quanto ao caráter excepcional do arbitramento por desclassificação de escri_ ta. São, contudo, considerações que não aproveitam à recorrente visto que a mesma não apresentou escrita a ser aproveitada ou des_ classificada. Acórdão n9 CSRF/01-0.221, de 04.05.82 . 17. Lê-se no relatório: "A razão do litígio foi assim sumariada no primei ro paxá- grafo da fundamentação da decisão singular de fls. 13/14: 'Intimada aos 13/11/80 a apresentar declaração de rendimentos do exercício de 1980 (fls. 04) a re- clamante deixou no esquecimento qualquer resposta. A vista do silencio da contribuinte a fiscaliza- ção procedeu .à. notificação do lançamento,arbitran do o lucro com os elementos de que dispunha co - (Y7Z 112 _, SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 11065/000.226/87-42 9. Acórdão n9 CSRF/01-0.954 conforme determina o art. 89, § 49, do Decreto-lei n9 1.648/78, no caso, o lucro liquido do exercício anterior ajustado nos termos da IN-SRF n9 108/80, item I, letra 'a' (fls. 03/08).' 18. A decisão da Primeirã-Cãmara começa por afirmar que não consta do D.L. n9 1.648/78 que o arbitramento se faça por simples falta da declaração de rendimentos. Diz, a seguir, que nesse caso, cabe ã autoridade saber se se trata de contribuinte sujeito ã tributação com base no lucro real, se mantém escritura- ção na forma das leis comerciais e fiscais e se elaborou as demons trações financeiras previstas na legislação regente. E prossegue: "Assim sendo, não se dispensa a ida do representante do fisco ao domicilio da contribuinte, quando não atendida a intimação, por- quanto os elementos contãbeis ali lhe são franqueados e se encon tram ã sua disposição inclusive, se for o caso de não estarem sen do atendidos os requisitos da lei para deferir-se a tributação pe lo lucro real, tem ele a oportunidade de levantar o montante da receita bruta sobre a qual ocorre, de preferencia, o arbitramento do lucro. No presente caso, o arbitramento foi feito internamen- te na repartição, não se preocupando a autoridade fiscal de apu- rar a receita bruta." 19. Ainda uma vez, confronto entre o acórdão paradig- ma e o acórdão recorrido evidencia que não estão reunidos os re- quisitos necessários ã configuração da divergência no sentido pos to no Decreto n9 83.304/79, isto é, divergência na interpretação da legislação tributária. Não se trata, aqui, de arbitramento por falta de entrega da declaração, nem de arbitramento com base em elementos internos da repartição, nem pelas outras causas que determinaram o lançamento de que cuidaram os paradigmas. No caso, a motivação está claramente expressa no auto de infração, fls. 98: "De conformidade com o art. 399 'caput', I e IIIdo RIR/80, o contribuinte teve seu lucro, relativo ao exercício de 1986, período-base de 01.03.85 a 28.02.86 e 31.03.86 a 30.06.86, arbitrado com ba- se na Receita Bruta, de acordo com o que dispõe o art. 400, 'caput' e § 59 do RIR/80 e Portaria MF 76/79, uma vez que não possuia contabilidade rela tiva àqueles períodos-base e concedidos os pra- zos legais não logrou apresentá-la à fiscaliz.áão, "7_1 /7 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 11065/000.226/87-42 10. Acórdão n9 CSRF/01-0.954 conforme histõrico detalhado dos procedimentos que culminaram com o arbitramento constante do Termo de Encerramento da Ação Fiscal que é parte inte- grante deste Auto de Infração." 20. Manifestando-se em contra-razões, o D. Procurador da Fazenda Nacional, a fls. 254/262, após minuciosa análise de to do o conteúdo do processo, conclui pela inocorrência do alegado dissídio jurisprudencial, pontuando, ao final: "10. Verifica-se, portanto, que os acOrdãos menci onados na peça recursal, por todas as circunstãn - cias evidenciadas ao longo das peças transcritas, desservem, evidentemente, a amparar o conhecimento do recurso de divergencia interposto. 11. É certo, por outro lado, que, ao contrãriodo que alega, a recorrente em nenhum momento ofereceu meios para que fosse comprovado o resultado das suas operações, no período de 01.03.85 a 30.06.86, razão pela qual o arbitramento efetuado deita ral zes seguras no disposto no art. 399, incisos I e - III do RIR/80, estando em conformidade com a juris prudencia deste Conselho de Contribuintes. Por todo o exposto, requer a FAZENDA NACIONAL, o não conhecimento do recurso especial interposto , por carente do seu peculiar pressuposto ou, na im provável hipOtese de do mesmo se conhecer, que lb:j seja negado provimento, mantido, a teor prOprio, o acOrdão recorrido, que, a par de com justiça ter solucionado a controversia, reflete a correta aplica ção da legislação fiscal de regencia." 21. Como se depreende do teor deste voto, entendo não ocorrida a reclamada divergência na interpretação da legislação tributária. Essa foi aplicada, coerentemente, da mesma forma na decisão recorrida e nos julgados paradigma. O que variou foi o conjunto de provas contido em cada processo levando a soluções di - ferentes, compatíveis com cada caso em particular. 22. No entanto, a recorrente baseia seu recurso no in ciso II do artigo 39 do Decreto n9 83.304/79; vale dizer, recor- re contra decisão que deu à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara de Conselho de Con- tribuintes. Esse tipo de recurso, instituído com a criação da Cã- mara Superior de Recursos Fiscais, tem por finalidade, como se lê /7 07/4 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 11065/000.226/87-42 11. Acórdão n9 CSRF/01-0.954 na exposição de motivos que acompanhou o projeto, "assegurar a,co — erencia nos julgamentos e de corrigir eventuais desvios na aplicação da le- gislação tributãria (...) de forma a alcançar a uniformização da jurisprudin cia." 23. O recurso especial, com os temperamentos necessã rios, segue, no seu processo, o modelo do antigo recurso de re- vista, instituto da pretérita legislação processual civil. No di — zer de GABRIEL DE REZENDE FILHO (Curso de Direito Processual Ci- vil, 39 vol. n9 962) , a revista n e o recurso pelo qual se provoca, contra decisão final de processo, o novo pronunciamento do direito em tese, dada a divergência de interpretação verificada com decisão de outra ou outras turmas isoladas ou reunidas do mesmo Tribunal." (destaques originais). Segundo o autor, a primeira condição do recurso é que a divergén — cia seja inequívoca. Prossegue dizendo que a divergência se ins tala, de uma parte quando as decisões admitem teses antagônicas ou, de outra, quando a decisão recorrida implica a adoção de uma tese que contradiz a afirmada em outra decisão. Atente-se que o autor fala em teses. Necessário, portanto, que as posições dis- cordantes não se situem, meramente, no campo da a•reciação da pro va. 24. Partindo dessas premissas fundamentais, a diver gência, em princípio, não se pode instalar quando se cogita de matéria de prova. Primeiro, porque, segundo a doutrina, sua fi- nalidade é formar a convicção do julgador (Cf. MOACYR AMARAL SAN TOS, Primeiras Linhas de Direito Processual Civil, 29 volume,n9 555); depois, porque nosso sistema processual civil adotaoprin cípio da livre convicção do julgador (v. CPC, art. 131 e Decreto n9 70.235/72, art. 29). 25. Como é intuitivo prever, a adoção desse princí- pio pode ensejar diferença de conclusão. Exemplificando: a nor- ma legal, em matéria de imposto de renda, prescreve que, para se rem aceitas, as despesas declaradas devem ser comprovadas. As- sim, em determinado processo, apreciando a prova, pode o julga- dor entender que ela atende ã pretensão do contribuinte. Ao pas so que, em outro processo, apreciando matéria idêntica, pode o /1'7 11"( SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 11065/000.226/87-42 12. Acórdão n9 CSRF/01-0.954 julgador considerar que a prova ofertada não o convenceu e dar as despesas por não comprovadas. Embora as conclusões sejam di- ferentes, não se pode dizer que ocorreu divergência na interpre tação da legislação tributária, ou seja que houve antagonismo ou contradição entre as teses jurídicas esposadas. 26. No caso em exame, assumo que a Câmara recorrida bem examinou as provas trazidas aos autos pelas partes, formou sua convicção e aplicou o direito. E, ao fazê-lo, não se desvi- ou da linha de interpretação adotada pelas Câmaras arroladas pe la recorrente como respaldo para arrimar sua pretensão. Vale di zer, não negou que o arbitramento seja medida extrema, que a me- ra falta de apresentação da declaração não autoriza o arbitramen to e que a escrita só deve ser desclassificada quando inaprovei tável para apuração do lucro real. Em suma. A divergência não restou caracterizada. Face a todo o exposto, voto, em preliminar ao exame do mérito, porque não se conheça do recurso da contribuin te, face ao não atendimento do requisito fundamental de caracte- rização inequívoca da ocorrência de divergência na interpretação da legislação tributária, nos termos postos pelo inciso II do ar tigo 39 do Decreto n9 83.304/79. 21 Brasília, DF, em 27 de," embro de 1989 LOURIERDES FIUZA DO. S AI TOS - RELATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1
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Sessão de 3. de fevereiro de 19 :$4 ACORDA-0 N0CSRF/03-01.157 ._ Recurso n° RP/302-0.252 Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrido SEGUNDA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES INTERESSADA: LINEA "C" AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA. FALTA DE MERCADORIA IMPORTADA, TRANSPOR- TADA EM "CONTAINER." arrolado em Termo de Avaria, no porto de destino, como "amassa- do/enferrujado e lacrado no costado". A responsabilidade fiscal do transportador somente será excluída se feita prova de "caso fortuito" ou "força maior;' ou outra circunstância eximente (art. 22, incisos II e III, e parágrafo único, do Decreto n9 63.431/68). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fis cais, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, e determinar a devolução dos autos à Câ- mara recorrida 9 para a apreciação da matéria referente à bet minação do valor do tributo devido. Vencido o Cons. Newton Par n`fi-os dl (Ir L9 -7..-/ Sala das ess ,he DF), em 03 de f- -reiro-,d 1984. 0 1010111h AMADOR O ,P -:- ,i - ÂNDEZ _ _ - PRESIDENTE i DWALDO R A . A - RELATOR d, g/ LUIZ FERNANDO9.ve • À DE MORAES - PROCURADOR DA FA- ZENDA NACIONAL . V. V. MOX SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N.2 0845/060.372/81-56 RECURSO N.°: RP/302-0.252 ACÓRDÃO N.°: CSRF/03-01. 157 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL RECORRENTE: SEGUNDA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES INTERESSADA: LINEA "C" AGENCIA MARÍTIMA LTDA. RELATÓRIO A Fazenda Nacional, por seu Procurador junto ã Câmara do Egrégio TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, recorre a esta Câmara Superior, pleiteando a reforma do AcOrdão n9 302-29. 311/83 (fls. 60/61), da mesma Câmara, que, por maioria de votos, deu provimento ao apelo voluntário da empresa transportadora, aci ma indicada, pelos fundamentos assim resumidos na respectiva emen ta, "verbis": "Extravio ou falta de mercadoria estivada em "containers". Rejeitada a preliminar de ilegitimi- dade de parte passiva. Avaria dos continentes que não possibilita inferência de falta no conteúdo Ca massados e enferrujados nas laterais"). Não reali- zação de vistoria aduaneira. Recurso voluntário pro vido." Trata-se de apuração, em conferência final de mani festo, da responsabilidade fiscal do transportador por "falta" ou "extravio" de mercadoria estrangeira transportada em "contai ners", sob a condição "house-to-pier". Por ocasião da descarga, as 3 (três) "unidades de carga" objeto do processo se apresentavam avariadas, motivo pelo qual for.. arr2adas em Termo de Avaria com as seguintes ressal- vas: D M F - RJ/1.° C - C - Secgraf - 1600/75 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0845/060.372/81-56 2. Acórdão n9 CSRF/03-01.157 1) "Containers"n9s.CTIU-025449-5 e CTIU-043690-4: "Amassado e enferrujado nas laterais";e 2) "Container" n9 CTIU-037431-4 : "Amassado e enfer- rujado, e lacrado no costado". Conforme se vê do r. Acórdão recorrido, os votos vencidos davam provimento parcial ao recurso voluntário para man- ter a exigência apenas quanto às mercadorias dadas como estivadas no Container indicado no item 2, supra, o qual, segundo o Termo de Avaria respectivo, descarregou com a ressalva adicional de ha- ver sido "lacrado no.dostado". No recurso especial, que leio na íntegra em sessão (lê), o douto Procurador, após sustentar que o fato de ter sido a mercadoria em causa transportada em "cofres de carga" não pode nem deve ter o condão de eximir a responsabilidade do transportador, nos termos da legislação de regência, argumenta: "8. A interpretação que se procura dar como ex- cludente da responsabilidade do transportador não pode prevalecer, por isso que a legislação de refe rência, em nenhum- de seus dispositivos faz alusão a tal. 9. Pelo contrário, o que se infere da Lei n9 6288, de 11/12/65, bem como do Decreto n9 80.145, de 15.08.77, que a regulamentou, é a responsabili- dade ,inequívoca do transportador. 10. E isso resulta claro do que dispõe o Capítulo VII do Decreto n9 80.145/77, que atribui a respon- sabilidade legal das partes envolvidas em transpor tes de "containers" no Art. 29 c/c o Art. 34.0 pri meiro, dizendo da responsabilidade do transporta- dor pelas perdas ou danos às mercadorias (nosso o grifo), desde o seu recebimento até a sua entrega; o segundo preceituando que "as normas deste capítu lo não se aplicam às determinações da responsabili dade - fiscal, que se regem pela legislação tributá- ria (nossos os grifos). 11. Ora, o que se perquire, o que se discute, é a responsabilidade fiscal pelas faltas apuradas e esta é do transportador, o que resulta claro da le , gislação tributária, no caso o Decreto-lei n9 37, de 18/11/66, pois de resp 'Iabildade fiscal é de que trata o proiesso. 47 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0845/060.372/81-56 3. Acórdão n9 CSRF/03-01.157 12. Qualquer que seja a forma de contratar em ne- gócios que envolvam mercadorias acondicionadas em "containers", seja sob a denominação de cláusula "House to House", "House To Pier" ou que outro no- me venha a ter, trata-se de mero ajuste entre as partes interessadas, ajuste esse ao qual o fiscose mantém alheio, e que não se lhe pode arguir ou opor. 13. As hipóteses de exoneração de responsabilida- de previstas na Lei n9 6288/75 (Art. 20 e incisos), referem-se as mercadorias e interessam as partes envolvidas na operação, sejam transportador, expor tador ou importador, expedidor ou destinatário, tu do se resolvendo em ação de regresso pelos prejuí- zos sofridos, conforme preceitua o Art. 31, § 19 e § 29 do Decreto n9 80.145/77. 14. A legislação é propositalmente severa com o transportador, o que tem sua explicação lógica, já que êle é o responsável direto pela mercadoria que lhe foi entregue pelo exportador e que, presume-se, tenha entrado em território nacional. 15. Somente em 3 (três) hipóteses pode o transpor tador ver sua responsabilidade elidida, a teor do Art. 102 do Código Comercial o que se vê reproduzi do no Parágrafo Onico do Art. 22 do Decreto n7:3' 63.421/68: 1) vício próprio; 2) força maior; 3) ca so fortuito. Nenhuma delas o transportador provou e este ônus a si lhe cabe." Sem oferecimento de contra-razões pelo sujeito pas sivo, vem o feito ã apreciação e julgamento desta Câmara uperio o relatório ./ 7.5 /P7 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0845/060.372/81-56 4. Acórdão n9-CSRF/03-01.157 VOTO Conselheiro: EDWALDO REIS DA SILVA, Relator Nos termos do art. 39, inc. I, do Decreto n9 83.30409, somente e cabível recurso especial da parte não unãnime da r. deci- são em causa. Tomo, pois, conhecimento do apelo fazendário apenas no tocante à falta de mercadoria imputada ao "container"n9CTIU-037431-4, apontado no relatório supra. Quanto ao mesmo "container", ressalvou o Termo de Ava_ ria, alem dos danos observados nos demais, ainda o fato de haver si- do "lacrado no costado" do navio, circunstãncia que, sem dúvida, nos leva a admitir ter estado o "cofre de carga" em questão sob a guar- da e responsabilidade do transportador sem o "lacre" de segurança a duane ira. Como se sabe, o "container" "e um recipiente construi— do de material resistente, destinado a propiciar o transporte de mercadorias com segurança, inviolabilidade e rapidez, dotado de dis- positivos de segurança aduaneira e devendo atender às condiçOes tec nicas e de segurança previstas pela legislação nacional e pelas con vençOes internacionais ratificadas pelo Brasil" (art. 49 do Decreto r980.145/77, regulamento da Lei n9 6.288/75, que dispae sobre a uni_ tização, movimentação e transporte, inclusive intermodal, de merca- dorias em unidades de cargal. De acordo com essa legislação especifica (art. 34 do citado Decreto n9 80.145/77), regem-se pela legislação tributária as determinaçOes de responsabilidade por extravio e/ou avaria demer cadorias importadas. Ora, provado que aludido "container"descarregou com "sinais externos de avaria" e, mesmo, "indicio de violação", carac- teriza-se a responsabilidade fiscal do transportador pelo se.' con ,,nà "7 _ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0845/060.372/81-56 5. Acórdão n9-CSRF/03-01.157 teúdo, nos termos dos arts. 39, § 19, 41 e 60, parágrafo único, do Decreto-lei n9 37/66, e art. 22, incisos II e III, do Decreto n9 63.431/68, a qual somente poderia ser elidida se feita prova de "ca so fortuito" ou "força maior", ou qualquer outra circunstância exi- mente, o que, todavia, não ocorreu. Isto posto, dou provimento ao recurso especial, para restabelecer a exigência tributária no tocante à mercadoria dada co_ mo estivada no "container" n9 CTIU-037431-4, que, segundo o Termo de Avaria respectivo, foi "lacrado no costado" do navio, retornando os autos à Egrégia Câmara "a quo", para apreciação e decisão da ma- téria referente à determinaçã do va or do tributo devido, tambemob jeto do recurso voluntário. = ' diP { Brasilia - DF22( 03 de fevereiro de 1984. "N I , Ee ALDO REIS DA ILVA - RELATOR _ Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
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Numero do processo: 19515.000203/2002-02
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/1996 a 30/04/1996, 01/08/1996 a 31/10/1996, 01/05/1997 a 30/11/1997, 01/02/1998 a 28/02/1998, 01/06/1998 a 31/08/1998, 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/05/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 30/09/1999, 01/12/1999 a 31/01/2000
AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE DESTAQUE DAS FATURAS EMITIDAS. MOTIVO INSUFUCIENTE PARA TORNA O AUTO DE INFRAÇÃO NULO.
O art. 142 do CTN obriga a verificação do fato gerador no procedimento fiscal, não sendo obrigatório destacar no auto de infração as faturas emitidas pela contribuinte, quando os fatos que originaram o lançamento forem observáveis pela escrituração contábil.
LANÇAMENTO. PERÍODO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO COM ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. Quando há a antecipação de pagamento em tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo para constituição do crédito é de cinco anos, contados da data do fato gerador, nos termos do art. 150, §4o, do CTN.
EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO POR PAGAMENTO OU COMPENSAÇÃO.
O pagamento e a compensação são formas de extinção do crédito tributário, conforme art. 156, incisos I e II do CTN. Comprovado o pagamento e/ou a compensação, deve ser excluído o crédito lançado.
ALEGAÇÕES SEM PROVAS.
Meras alegações sem provas não devem ser acatadas pelo julgador.
TAXA SELIC PARA CRÉDITOS DA UNIÃO.
A aplicação de juros de mora sobre a Taxa Selic para tributos administrados pela Receita Federal é permitida pela Súmula no 04 do CARF, in verbis:
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 3401-002.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto, para reconhecer a decadência dos períodos anteriores a julho de 1997 e excluir os valores comprovadamente recolhidos antes da autuação.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/1996 a 30/04/1996, 01/08/1996 a 31/10/1996, 01/05/1997 a 30/11/1997, 01/02/1998 a 28/02/1998, 01/06/1998 a 31/08/1998, 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/05/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 30/09/1999, 01/12/1999 a 31/01/2000 AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE DESTAQUE DAS FATURAS EMITIDAS. MOTIVO INSUFUCIENTE PARA TORNA O AUTO DE INFRAÇÃO NULO. O art. 142 do CTN obriga a verificação do fato gerador no procedimento fiscal, não sendo obrigatório destacar no auto de infração as faturas emitidas pela contribuinte, quando os fatos que originaram o lançamento forem observáveis pela escrituração contábil. LANÇAMENTO. PERÍODO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO COM ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. Quando há a antecipação de pagamento em tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo para constituição do crédito é de cinco anos, contados da data do fato gerador, nos termos do art. 150, §4o, do CTN. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO POR PAGAMENTO OU COMPENSAÇÃO. O pagamento e a compensação são formas de extinção do crédito tributário, conforme art. 156, incisos I e II do CTN. Comprovado o pagamento e/ou a compensação, deve ser excluído o crédito lançado. ALEGAÇÕES SEM PROVAS. Meras alegações sem provas não devem ser acatadas pelo julgador. TAXA SELIC PARA CRÉDITOS DA UNIÃO. A aplicação de juros de mora sobre a Taxa Selic para tributos administrados pela Receita Federal é permitida pela Súmula no 04 do CARF, in verbis: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto, para reconhecer a decadência dos períodos anteriores a julho de 1997 e excluir os valores comprovadamente recolhidos antes da autuação. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2214; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 1.565 1 1.564 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000203/200202 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401002.155 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de fevereiro de 2013 Matéria COFINS Recorrente PROMON TELECOM LTDA Recorrida DRJSÃO PAULO/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1996 a 30/04/1996, 01/08/1996 a 31/10/1996, 01/05/1997 a 30/11/1997, 01/02/1998 a 28/02/1998, 01/06/1998 a 31/08/1998, 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/05/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 30/09/1999, 01/12/1999 a 31/01/2000 AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE DESTAQUE DAS FATURAS EMITIDAS. MOTIVO INSUFUCIENTE PARA TORNA O AUTO DE INFRAÇÃO NULO. O art. 142 do CTN obriga a verificação do fato gerador no procedimento fiscal, não sendo obrigatório destacar no auto de infração as faturas emitidas pela contribuinte, quando os fatos que originaram o lançamento forem observáveis pela escrituração contábil. LANÇAMENTO. PERÍODO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO COM ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. Quando há a antecipação de pagamento em tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo para constituição do crédito é de cinco anos, contados da data do fato gerador, nos termos do art. 150, §4o, do CTN. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO POR PAGAMENTO OU COMPENSAÇÃO. O pagamento e a compensação são formas de extinção do crédito tributário, conforme art. 156, incisos I e II do CTN. Comprovado o pagamento e/ou a compensação, deve ser excluído o crédito lançado. ALEGAÇÕES SEM PROVAS. Meras alegações sem provas não devem ser acatadas pelo julgador. TAXA SELIC PARA CRÉDITOS DA UNIÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 02 03 /2 00 2- 02 Fl. 1565DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29 /04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 A aplicação de juros de mora sobre a Taxa Selic para tributos administrados pela Receita Federal é permitida pela Súmula no 04 do CARF, in verbis: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto, para reconhecer a decadência dos períodos anteriores a julho de 1997 e excluir os valores comprovadamente recolhidos antes da autuação. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori. Fl. 1566DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29 /04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 19515.000203/200202 Acórdão n.º 3401002.155 S3C4T1 Fl. 1.566 3 Relatório Trata o presente processo de auto de infração (fls. 515/521) lavrado em 10/07/2002, em decorrência de diferença encontrada entre valor escriturado e o valor pago da COFINS, no período de 28/02/1996 a 31/01/2000. Inconformada, a Contribuinte apresentou Impugnação (fls.525/557), mas a DRJ manteve todos os lançamentos, conforme acórdão de fls. 781/813, cuja ementa é a seguinte: “DECADÊNCIA O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo às contribuições sociais é de dez anos, nos termos do art. 45 da Lei n° 8.212/1991. BASE DE CALCULO. CONTRATOS DE LONGO PRAZO. É a receita bruta das vendas de mercadorias e serviços de qualquer natureza nos termos do art. 2° da Lei Complementar n° 70/1991. A apuração da base de cálculo da contribuição nos contratos cujo prazo de duração seja superior a um ano deve ser feita observandose as disposições relativas ao imposto de renda. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE Procede a cobrança de encargos de juros com base na taxa SELIC, porque encontrase amparada por lei, cuja legitimidade não pode ser aferida na esfera administrativa. PERÍCIA CONTÁBIL. INDEFERIMENTO. É totalmente prescindível a perícia quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à formação da convicção do julgador para a decisão do processo. Lançamento Procedente”. A contribuinte foi intimada do acórdão em 14/11/2002 (fls.816) e interpôs Recurso Voluntário em 13/12/2002 (fls.852/896), com as alegações resumidas abaixo: 1 Houve cerceamento de defesa, em conseqüência de a DRJ ter negado a perícia requerida na Impugnação; 2 O auto de infração não atendeu ao disposto no art. 142 do CTN, pois esse dispositivo exige a demonstração do fato gerador. Por isso, era necessária a indicação das faturas emitidas pela recorrente, sobre as quais a Fl. 1567DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29 /04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 contribuição não foi paga. Como não houve essa indicação, o auto de infração é nulo; 3 Decaiu o direito do fisco de efetuar o lançamento de todos os fatos geradores ocorridos a mais de cinco anos, antes da lavratura do auto; 4 No auto de infração foram considerados os valores relativos a contratos de longo prazo, dos quais a Recorrente ainda não tinha faturado; 5 No auto de infração reputaramse devidas as contribuições pagas com atraso e as quitadas por compensação; 6 As receitas não faturadas, referentes a contratos de longo prazo, não devem compor a base de cálculo da COFINS; 7 Os contratos dos quais se originaram as receitas tributadas foram firmados com empresas sob o controle do Poder Público, inseridas no §3o, do art. 10, do Decretolei 1.598/87. Conforme o mencionado dispositivo, as receitas oriundas desses contratos que não tenham sido efetivamente recebidas não compõem a base de cálculo do Imposto de Renda. Sendo assim, também não sofrem incidência da COFINS; 8 A aplicação da Taxa SELIC nos créditos tributários é inconstitucional. Ao fim, a Recorrente pediu que, se fosse vencido o pedido preliminar (realização de perícia), fosse julgada improcedente a ação fiscal. O Recurso Voluntário em questão foi apreciado pelo Segundo Conselho de Contribuinte junho de 2004 (fls.1.056/1.058). Na oportunidade, o julgamento foi convertido em diligência da seguinte forma, in verbis: “A Recorrente afirmou que havia quitado diferenças apuradas na ação fiscal, mediante pagamento e compensações. A fim de robustecer suas alegações, acostou o material inserto às fls. 277/327, que retrata recolhimentos efetivados por FARFs e requerimentos de compensação. Como a planilha disposta, às fls. 228/246, não esclarece quais as origens dos créditos nela considerados para efeitos de compensações, necessário esclarecerse este particular do levantamento fiscal, notadamente para desvendar se efetivamente compuseram as apurações, ou não, descrevendose, neste último caso, a razão pela qual se entendeu por enjeitálo. Igual pesquisa é demandada pelos pagamentos referidos acima. Fl. 1568DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29 /04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 19515.000203/200202 Acórdão n.º 3401002.155 S3C4T1 Fl. 1.567 5 Sendo assim, apesar do bom trabalho do servidor que se ocupou dos levantamentos realizados nesse feito administrativo, opino pela realização de diligência para que: informe, detalhadamente e objetivamente, se a Recorrente utilizouse de valores de indébitos de Finsocial para satisfazer pendências de Cofins, descrevendo as competências, os valores dos débitos e dos respectivos créditos compensado;. informe, detalhadamente e objetivamente, se as compensações solicitadas pela Recorrente – retratadas às fls. 304; 306; 322/323 e 325, foram considerados nas apurações que resultaram na expedição do auto de infração, especialmente nas planilhas acostadas às fls. 229/246, indicando as competências em que foram consideradas; relate os tributos que a Recorrente pretendeu compensar por meio das solicitações reproduzidas às fls. 304; 306 e 327, e a situação em os respectivos créditos administrativos se encontravam na data de 10/07/2002 (data de expedição do auto de infração – fl. 253), bem como seus resultados e situações atuais; e esclarecer quais as faturas e as receitas consideradas, nas respectivas competências, para efeito de cobrança de Cofins no auto de infração inserto nesse processo administrativo”. Na resposta da diligência constam as seguintes informações (fls.1.421/1.431): O valor de R$ 529.261,23, compensado a título de recolhimento da FINSOCIAL, não foi considerado na autuação; Os pagamentos de R$ 129,17 e R$ 3.022,01, demonstrados às fls. 284 e 285, não foram considerados no cálculo do auto de infração por não terem sido informados na época da fiscalização; A compensação solicitada à fl.304 também não foi considerada no auto de infração, por não ter sido declarada em DCTF. O pedido que compõe o Processo Administrativo no 13805.011492/9797, no valor de R$ 1.710.032,86, foi homologado em 26/01/2005. A compensação solicitada à fl. 306, referente ao período de dezembro de 1997, no valor de R$ 1.886.066,34 também não foi considerado no auto de infração. Nesse caso, foi homologada a compensação apenas de R$ 1.830.389,28, restando um saldo devedor de R$ 56.677,06. O pagamento de R$ 131.477,76, referente a julho de 1998, demonstrado à fl. 308, era desconhecido da fiscalização no momento da lavratura do auto de infração. O pagamento de R$ 626.606,97 não foi considerado no auto de infração. Fl. 1569DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29 /04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 6 O pagamento no valor de R$ 213.356,25, demonstrado à fl. 312, foi declarado em DCTF complementar, por isso não foi considerado pela fiscalização em decorrência de a mesma desconhecer tal pagamento. Ao tempo da lavratura do auto, a fiscalização desconhecia o recolhimento por DARF de R$ 369.277,99, apresentado às fls. 314. Os pagamentos de R$ 654.333,27 e R$ 57.361,94, referentes às fls. 316 e 317, também não foram considerados na fiscalização. Os pagamentos de R$ 242.893,88 e R$ 35.038,89, referentes ao mês de maio, demonstrados às fls. 319 e 320, e os pagamentos de R$ 77.578,18 e R$ 227.853,05, demonstrado às fls. 322 e 323, também eram desconhecidos da fiscalização, por isso não foram considerados nos lançamentos. O pagamento de R$ 41.653,33, demonstrado às fls. 325, referente ao mês de setembro de 1999, não foi considerado no auto, pois foi informado à SRF por meio de DCTF complementar em 06/09/2000. A compensação solicitada no total de R$ 733.000,00, apresentada nas fls. 327 e 691, para o período de apuração de dezembro de 1999, não foi considerado no auto de infração, pois o pedido foi protocolado em 13/01/2000. Assim, a fiscalização não tinha essa informação. Após a conclusão da diligência, a recorrente se manifestou afirmando o seguinte (fls.1.443/1.437): Apesar de a diligência ter abatido R$ 6.783.115,23, dos valores pagos e/ou compensados, esse não foi o único erro de cálculo no auto de infração. A autuação tomou como base de cálculo “não o faturamento dos serviços prestados pela Recorrente, mas receitas, apuradas para fins de cálculo de imposto de renda, por se tratar de contratos de longo prazo, em função do progresso na execução, independentemente de qualquer faturamento”. “Outro erro numérico da autuação está em ter ela considerado que as receitas a serem tributas não seriam apenas as faturas, mas as determinadas em função do progresso do contrato, ainda que não faturada. (...) Em síntese (...) o auto deixou de diferir valores ainda não recebidos e determinou a base de cálculo em função do progresso dos contratos e não função do faturamento”. É o Relatório. Fl. 1570DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29 /04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 19515.000203/200202 Acórdão n.º 3401002.155 S3C4T1 Fl. 1.568 7 Voto Conselheiro JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA O Recurso voluntário interposto é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A recorrente foi autuada pela falta/insuficiência de recolhimento da COFINS no período entre fevereiro de 1996 e janeiro de 2002. No Recurso Voluntário, foram atacadas as seguintes matérias: · Nulidade em decorrência da falta de indicação do fato gerador autuado; · Prazo decadencial para a União constituir crédito da COFINS; · Valores pagos ou compensados não considerados na autuação; · Inclusão na base de cálculo de valores não faturados; · Taxa SELIC. Feito esse esclarecimento, podemos passar à apreciação da primeira questão. 1 Nulidade em decorrência da falta de indicação do fato gerador autuado A Recorrente alega nulidade do auto de infração por não atender às exigências do art. 142 do CTN, que determina a indicação do fato gerador. Assim, deveria o agente autuante ter indicado as faturas emitidas pela autuada, a fim de se verificar qual fato gerador foi lançado. Tal alegação não deve prosperar, isso porque o art. 142 do CTN dispõe que o fato gerador será verificado no lançamento. Por sua vez, o lançamento é o procedimento administrativo, composto por uma série de atos desenvolvido pela administração. Nessa série de atos há a verificação dos fatos geradores realizados pela contribuinte. No auto de infração, por sua vez, o agente fiscal sintetizou todos os fatos geradores, dividindoos por períodos, como está disposto no auto de infração, não sendo obrigatório o destaque das faturas emitidas pela Recorrente. Além disso, muito embora não tenha utilizado as notas fiscais para efetuar o lançamento, a autoridade fiscal utilizou outros métodos, conforme se verifica na descrição contida na fl. 1.421, in verbis: “A fiscalização para obter a base de cálculo da COFINS apoiou se nas receitas escrituradas, cujas fontes foram os Balancetes Mensais Analíticos, fl. 51/203. Fl. 1571DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29 /04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 8 Das bases de cálculo obtidas, expressas nos demonstrativos de fl. 213 a 217, a fiscalização elaborou os demonstrativos de folhas 218/227, nos quais foram apurados as bases de cálculo da COFINS e os valores devidos, em cada mês, desta contribuição. Calculados os valores devidos foram eles comparados com os pagos ou declarados levando a uma das seguintes situações: a) insuficiência de recolhimento / declaração; b) crédito de COFINS a compensar. Obtido o valor original da COFINS a compensar, calculado pela fiscalização nos trabalhos de auditoria contábil fiscal, eram estes transferidos para os "DEMONSTRATIVOS DAS COMPENSAÇÕES EFETUADAS" , fl. 228/246, também denominados, nestes autos, de "ANEXO 01 a ANEXO 19" e uma vez efetuados os cálculos do total do crédito a ser compensado este era transferido para comporem os cálculos nos "demonstrativos de apuração das insuficiências no recolhimento do cofins" (fl. 219 /227),onde eram apurados os valores que a fiscalização considerou, nos seus levantamentos, como SALDO DEVIDO da COFINS e exigido no auto de infração”. Assim, não há razão para nulidade do auto de infração. No tocante à alegação de nulidade do acórdão da DRJ por ter indeferido a diligência, cabe razão à Recorrente. A diligência é procedimento permitido pelo art. 18, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, cuja redação, dada pela Lei nº 8.748, 9 de dezembro de 1993, é a seguinte: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine”. (grifo nosso) Conforme se pode notar do texto acima, o deferimento ou indeferimento da realização de diligência dependerá da interpretação subjetiva do julgador. Portanto, o indeferimento dela não causa nulidade do acórdão. 2Prazo decadencial para a União constituir crédito da COFINS Fl. 1572DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29 /04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 19515.000203/200202 Acórdão n.º 3401002.155 S3C4T1 Fl. 1.569 9 Alega a Recorrente que estão decaídos os lançamentos referentes aos fatos geradores ocorridos há mais de cinco anos na data do lançamento, pois o prazo de decadência para o lançamento dos tributos sujeitos à homologação é de cinco anos, a contar da data do fato gerador. Neste ponto, tem razão a Recorrente. Conforme o demonstrativo elaborado pelo auditorfiscal, juntado na fl. 447, houve antecipação do pagamento, ainda que não tenha sido em sua integralidade. Por essa razão o prazo decadencial é de cinco anos, a contar da data do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Conforme decisão do STJ no Recurso Especial nº 973.733, julgado pela sistemática do art. 543C, do CPC, a exceção ao termo a quo no prazo decadencial para o lançamento de ofício dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação ocorre somente quando o contribuinte não antecipa o pagamento, o que não é caso. Desse modo, como a autuação se deu em 10/07/2002, estão decaídos todos os lançamentos que tinham mais de cinco até a essa data. Assim, in casu, são insubsistentes todos os lançamentos referentes aos períodos anteriores julho de 1997. 3 Valores pagos ou compensados não considerados na autuação O pagamento e a compensação são formas de extinção do crédito tributário, conforme art. 156, incisos I e II do CTN, in verbis: “Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação”. Uma vez extinto o crédito, não há como ocorrer o lançamento. A diligência comprovou que alguns valores autuados já tinham sido pagos antes da lavratura do auto de infração. Ocorre que, apesar de a autuação ter abarcado a maioria dos meses entre 1996 e 2000, muitos meses não foram autuados. Assim, dos valores levantados durante a diligência, nem todos são referentes aos períodos lançados. Portanto, estes não poderão ser abatidos do auto de infração. Por essa razão, necessária se faz a tabela abaixo, elaborada com base nas informações prestadas na resposta da diligência, para melhor visualizar os valores que realmente podem ser excluídos dos autos e os valores que serão mantidos. Fl. 1573DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29 /04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 10 Ano Meses autuados Lançamento Valor pago ou compensado Valor Mantido Julho R$ 1.151.459,14 R$ 0,00 R$ 1.151.459,14 Agosto R$ 354.508,91 R$ 0,00 R$ 354.508,91 1997 Setembro R$ 1.013.740,06 R$ 0,00 R$ 1.013.740,06 Outubro R$ 1.810.110,57 R$ 1.710.032,86 R$ 100.077,71 Novembro R$ 2.391.538,95 R$ 1.830.389,28 R$ 561.149,67 Fevereiro R$ 38.140,65 R$ 0,00 R$ 38.140,65 Junho R$ 85.295,08 R$ 0,00 R$ 85.295,08 1998 Julho R$ 129.090,30 R$ 131.477,76 R$ 0,00 Agosto R$ 136.304,53 R$ 0,00 R$ 136.304,53 Novembro R$ 101.122,18 R$ 0,00 R$ 101.122,18 Maio R$ 159.404,42 R$ 277.932,77 R$ 0,00 Junho R$ 305.431,22 R$ 305.431,23 R$ 0,00 1999 Agosto R$ 11,55 R$ 0,00 R$ 11,55 Setembro R$ 41.653,33 R$ 510.884,18 R$ 0,00 Dezembro R$ 581.661,29 R$ 733.000,00 R$ 0,00 2000 Janeiro R$ 21.338,70 R$ 0,00 R$ 21.338,70 Total do valor principal indevido R$ 5.499.148,08 Total do valor principal mantido R$ 3.563.148,18 Portanto, deve ser mantido somente o valor principal de R$ 3.563,148,18 (três milhões, quinhentos e sessenta e três mil, cento e quarenta e oito reais e dezoito centavos), acrescido de juros e multa. 4Inclusão na base de cálculo de valores não faturados Conforme alega a Recorrente, o fisco “lançou a exação, em período regido pela Lei Complementar 70/91, sobre valores que não representavam faturamento da Recorrente”, isso porque entram na base de cálculo os valores constantes em contrato de longo prazo, porém ainda não faturados pela Recorrente. Embora tenha citado o contrato de prestação de serviço várias vezes, a Recorrente não trouxe aos autos nenhuma prova da existência do contrato e do lançamento sobre o mesmo. Assim, reputamse meras alegações sem provas, não dando procedência à Contribuinte neste quesito para manter a base de cálculo. O lançamento foi efetuado com base nos registros contábeis da Recorrente. Para afastar os registros contábeis e se adentrar ao mérito acerca da exigência de contribuição sem faturamento do valor contratado, seria necessário, primeiro, que ficasse comprovado que realmente existiu o contrato de prestação de serviço de longo prazo, cujo valor lançado na contabilidade não foi faturado. Como a Recorrente não fez prova desse fato, tornase inócuo discutir se o alegado fato afasta ou não lançamento da COFINS. Além disso, também não se tem qualquer demonstrativo com as datas dos pagamentos do contrato, para demonstrar que realmente houve pagamento em data diferente da data do faturamento. Fl. 1574DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29 /04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 19515.000203/200202 Acórdão n.º 3401002.155 S3C4T1 Fl. 1.570 11 Portanto, em razão da falta de prova dos contratos e da prova da data de pagamento, não há como analisar se a Recorrente tem direito ao diferimento. Por esse motivo, o lançamento deve ser mantido. 5 Taxa Selic. A aplicação de juros de mora sobre a Taxa Selic para tributos administrados pela Receita Federal é permitido pela Súmula no 04 do CARF, in verbis: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Ex positis, dou provimento parcial Recurso Voluntário interposto, para declarar decaídos os créditos lançados anteriores a julho de 1997 e para retirar do auto de infração os valores destacados como pagos ou compensados na tabela exposta neste voto. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator Fl. 1575DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29 /04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
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Recurso da Fazenda Nacional negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, CONHECER do recurso e, no meri- to, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatOrio e voto que passam a integrar o presente julgado. Defendeu o sujeito passivo, seu advogado, Dt. Cons- tantino Alves de Oliveira - OAB/RJ n9 1.155-B. Defendeu a Fazenda' Nacional, seu Procurador-Representante, Dr. Luiz Fernando Oliveira de Moraes. S- a da. Sess5es-DF, em 26 de maio de 1995 410( - MAR fr.M SO"‘ - PRESIDENTE La4.- FA STO DerE FREITAS E CASTRO NETO — RELATOR v.v. DAINEFP/DF- SECOB N 2 064/90 J. Partj,ci,paraft3 f nd,a, do px.esente ju,j,g,rjentop oS pe9unte is Conselh€ ros: MOACYR EJL40Y DE MEDE 'IR,OS f ,. - RGT.0 CASTRO NEVES IJRALDO CAMPELO NETO ( JOÃO HOLANDA COSTA E ROMEU RUENO DE CAMARGO. Audente , por mo- tivo 2,t' o justificado o Cons. Sebapti,ao Rodrirgues C"abral. , t. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N° 10711/004.923/86-58 RECURSO N9 : RP/303-1.176 ACÔRDÃO N2 : CSRF/13-2.277 RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL RECORRIDA : TERCEIRA CÂMARA. DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: PETRÕLE0 BRASILEIRO S/A-PEmROBRAS RELATÓRI O A Petr6leo13-rasileiro S/A - PETROBRAS foi exigida a multa capitulada no art. 521, inciso II, alínea "b", do Regula mento Aduaneiro, face à não reexportação de produto importado ' temporariamente. A Cãmara recorrida, apreciando recurso voluntãrio apresentado, deu-lhe provimento, por força da Lei n9 4.287/63, aue garante à PETROBRÃS a isenção de oenalidadisfiscais. A Fazenda Nacional, defende a reforma da decisão' recorrida, eis que o dis positivo legal aue a fundamentou foi ob- jeto de revogação tãcita, promovida tanto pelo CTN, art. 134, co mo pelo texto constitucional que iguala todos perante a Lei. - Em suas contra-razoes, o sujeito passivo alega ,que o recurso especial interposto não atende aos requisitos Para sua admissibilidade, visto não ter demonstrado, de forma cabal, que a decisão recorrida foi contraria à Lei ou à evidência de prova, face à não comprovação de que o dispositivo que a fundamentou fo ra objeto de revogacão, 1,,A)*- (2P-4 ./ DAUEFP/OF- 5E009 N2 065/90 J.N. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCW$0 N9 10711/004,923_/86-58 3. Ac6rdRo n9 CSRgjG3-2,277 No mais, insiste nas raz3es recursais apresenta- das em segunda instancia administrativa, as quais redundam na confirma* da decisÃo recorrida, por seus prOprios fundamentos. É o relatõri,o, SER~ ~CO FEDERAL PROCESSO N9 10711/004,923/86-58 4. AcOrdão n9 CSRF/03-2,277 VOTO Conselheiro FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO - Relator Quanto a Preliminar de inabissibilidade do recur- so da Procuradoria da Fazenda, não a aceito visto que nos termos regimentais ela se adeaua,visto aue o acOrdão recorrido não foi unanime. Por estar perfeitamente comprovado no processo, a matera de fato e de direito e de se negar provimento ao recurso especial interposto pelas razSes expostas no voto do Conselheiro Sergio Castro Neves neste processo que adoto e transcrevo: "O rt, 19 da Lei n9 4.287/63 dispOe que a recorrente e suas subsidiãrias - mesmo as que,vibs sem a ser criadas postetiomente - "ficam isentas de penalidades fiscais", sem especificar a nature za de tais Penalidades nem as circianstãncias da isenção. Não se trata, portanto, de uma isenção no sentido comum do termo, mas de uma declaração' de inimputabilidade. Muito lamentavelmente, a Recorrente vem-se escorando em tal dispositivo legal para afrontar' sistematicamente todo o arcabouço jurldico que re ae o comercio exterior brasileiro com um descaso" as normas que não pode ser justificado pelas suas necessidades operacionais e s6 se explica pela certeza da impunidade. Este Conselho, aliás, tem sido freqüente e Impontenten. testemunha de fatos que demonstram estar a Lei citada prestando-se a desmandos varios por parte da Recorrente, jã que se sup3e não ter sido intenção do legislador sub- trair a Recorrente do alcance da legislação adua- neira e fiscal, de modo geral. Sem - embargo deste inerme peroração, e-me for çoso reconhecer Que a Recorrente, tendo laborado' em omissão que acarretaria suas naturais conse- qüências para qualquer outra pessoa fica ou ju- rldica, encontra-se acoitada pelo Art. 19 da Lei n9 4.287/63 e, assim sendo, no tenho alternativa senão dar Provimento ao recurso". (ae-LII SEI~ PÚBLICO FEDERAL PROCW.$0 N9 10711/004,923186-58 5. Ac6rdRo n9 CSRF103-2,277 Por todo o exposto, nego provento ao recurso da Fazenda Nacj,onal, Sala das Sess ges-DF, em 26 de maio de 1995 4.2.--1-14 FhSTO DE FREITAS E CASTRO NETO - RE ATORATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
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Numero do processo: 11070.000244/84-30
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Sessão de 14 novembro de 19 86 ACORDÃO N.° -CSRF/01-.(1.700 Recurso n.° — RD/105-0.047 Recorrente - FAZENDA NACIONAL Recorrid - QUINTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: COMERCIAL DE BEBIDAS J.B. LTDA. OMISSÃO DE RECEITA - Quando ampara da por levantamentos específicos provas colhidascolhidas pelo Fisco Estadual e não contraàtados-mm perante o fisco estadual, nem perante o fe- deral e ainda quando se verifica a expressa concordância com a exigên cia estadual, mediante a liquida- ção da respectiva exigência: consi dera-se adequadamente fundamentad -i = a exigência do fisco federal calca - da nos mesmos dados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re curso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fis- cais, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso pa- ra restabelecer a tributação da quantia de Cr$2.369.573, no exercício de 1982, nos t- ^os do relatóri e voto que passam a integrar o pre--, , / sente julgado 1 1 611,// ,I h,. das Sesi-íio (DF) 14 de novembro de 1986 ff , AMADOR 0$ 'R'"_. 0 : RN1bEZ - :E::: RELATOR LUIZ FERNANco o ()C: DE MORAES - PROCURADOR DA FAZEN-'i Participaram, ainda, do pres=, te julgamento, os seguintes Conselhei - ros: RAUL PIMENTEL, JACINTO DE MEDEIROS CALMON, WALDEVAN ALVES DE OLI ''-- VEIRA, URGEL PEREIRA LOPES, LUIZ MIRANDA, ANTONIO DA SILVA CABRAL 7 LOURIERDES FIUZA DOS SANTOS, SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL e CARLOS AGOS TINHO ALÉSSIO OLIVETO. Ausente justificadamente os Conselheiros MARI- NHO MENDES DOMENICI e JOSÉ AUGUSTO SALLES DE CARVALHO. , , 4 AtkAtf,, '-%Éli, c;P3f4 f SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO Nq 11070/000.244/84-30 RECURSO N9: RD/105-0.047 ACÓRDÃO N9: CSRF/01-0.700 RECORRENTEN9: FAZENDA NACIONAL SUJEITO PASSIVO: COMERCIAL DE BEBIDAS J.B. LTDA. RELATÓRIO Os autos dão-nos conta de que o sujeito passivo foi autuado por omissão de receita, com base em levantamento efe- tuado pela Fiscalização estadual, tendo esta lançado, segundo se lê no Relatório da decisão recorrida (fls. 75/76): "imposto sobre a diferença entre o valor real da operação e o constante das notas fis- cais de venda de cerveja. O levantamento das diferenças foi feito de acordo com os seguintes critérios: a) primeiro, as "operações em que foi emi - tida nota fiscal de venda por valor in ferior ao valor real da operação (Subl faturamento), com emissão de conheci-- mento de transporte relativo ã diferen_ ça": Em 1981 setembro (fls. 09) Cr$ 1.350 outubro (fls. 09) Cr$ 52.579 h) segundo, as "operações em que foi emi- tida nota fiscal de venda por valor in ferior ao real da operação (Subfatura= mento), sem a emissão de •Qtr. documen -_ to relativo ã diferença".‘ -7r... , DMF DF/19 C-C Secgraf - 1600/75 , SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 11070/000.244/84-30 3. Acórdão n9-CSRF/01-0.700 Em 1981 setembro (fls. 16) Cr$ 27.405 outubro (fls. 17) Cr$ 359.618 novembro (fls. 17) Cr$ 600.600 dezembro (fls. 17) Cr$1.381.950 Os valores referidos nas letras "a" e "b" acima conferem com as da matéria tributável des crita no Auto de Infração de fls. 1. Comercial de Bebidas J.B. Ltda., impugnou a exigência (f is. 25 a 27), argumentando que o Auto de Lançamento do Fisco Estadual não pode ser tomado como paradigma para a tributação em foco porque: a) na ocasião da sua lavratura foi edita- da a Lei Estadual 7.801, de 07.07.83 (doc. de fls. 49), que levou a ora re- corrente ã conclusão de que o pagamen- to do Auto com os benefícios da anis- tia instituídas pela referida Lei tor- nava-se mais vantajosa que o pagamento de honorários a um bom advogado para reclamar da autuação. "LOGO, O PAGAMEN TO RECLAMADO PELO ICM ATRAVÉS DE CONS= TRUÇÃO NÃO PODE SER LEVADO EM CONTA PA RA O PRESENTE CASO, NÃO SERVE DE MEI5 PROBATÓRIO PARA APLICAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO IMPUGNADO"; b) o "Auto de Lançamento" do ICM foi la- vrado com base em valores de fretes co brados por TRANSPORTES J.F. LTDA., em- presa independente, cujos serviços são cobrados diretamente, através de conhe cimentos de fretes ou NOTAS DE SERVIÇO, SEM QUALQUER PARTICIPAÇÃO DA IMPUGNAN- TE; c) a impugnante opera no ramo de Comércio de Bebidas, NUNCA POSSUIU VEICULOS TRANSPORTADORES, NUNCA FOI REGISTRADA EM SUA CONTABILIDADE QUALQUER DESPESA COM VEICULOS AUTOMOTORES; d) não possuindo transporte próprio, te- ria que se valer de serviços de tercei ros, que cobraram a remuneração de tais serviços diretaante dos adquiren tes das mercadoriasffl (//2// SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 11070/000.244/84-30 4. Acórdão n9-CSRF/01-0.700 Acrescentou a fiscalizada que os Fiscais de Tributos Federais fizeram uma verdadeira devassa na sua escrita contábil, inclusive com levanta-- mento físico dos estoques e levantamento do "Cai xa" (doc. de fls. 50), nada encontrando de irre- gular." Mantida a exigência pela decisão de primeiro grau, houve recurso para o Primeiro Conselho, que, através da sua Quin_ ta Câmara, dele conheceu e proveu, lendo-se na ementa e fundamen_ , tos da decisão,na parte, ainda litigiosa, respectivamente: "OMISSÃO DE RECEITAS - Subfaturamento - Não pode prosperar a presunção de omissão de receitas baseada, unicamente, em prova em- prestada pelo fisco estadual que não é con clusiva quanto ã efetividade da ocorrência do subfaturamento. Na escrituração da fiscalizada, como se viu, nada foi apurado. : , A exigência baseia-se, unicamente em dados colhidos em ação fiscal estadual, que não é con- clusiva quanto ã ocorrência de subfaturamento que presumiu dos fatos relatados no "Anexo do Auto de Lançamento de fls. 08 a 22". E nada adi tou a fiscalização federal no sentido de suprir- a lacuna observada no procedimento do fisco esta_ dual. Por isso que entendo não poder prosperar a pretensão contestada. Não porque seja descartável i a hipótese da prática de subfaturamento, mas tão somente porque não existem nos autos elementossU ficientes para o estabelecimento de convicção riO sentido da confirmação de tal prática. O .§ 19 do artigo 174 do RIR vigente dispõe no sentido de que "A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos le- gais". L.--O § 29 do mesmo artigo estabelece que "ca- be ã autoridade administrativa a prova da invera cidade dos fatos registrados com observa cia ,açs . i / - (---1 e )/ , ij , _ 5. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 11070/000.244/84-30 Acórdão n9-CSRF/01-0.700 disposto no parágrafo 19". Caberia, assim, ã fiscalização comprovar, de modo inequívoco, que a venda de mercadorias por preço inferior ao corrente na praça caracterizou a prática de subfaturamento, que as diferenças en tre o preço no mercado e o registrado nas notas fiscais de venda foram recebidas pela empresa,por seus sócios, ou por pessoas a eles vinculadas, e que representariam, para a autuada e para seus só cios, a percepção de rendimentos sem o respectivo eventual ónus da incidência tributária. Nem prevalece o argumento de que, tendo li- quidado o crédito tributário relativo ao ICM, a autuada estaria, implicitamente, admitindo a prá- tica do ilícito, sujeitando-se, por isso, do gra- vame do Imposto de Renda. 2 indispensável que a ocorrência citada como geradora do crédito tributário tivesse focos de realidade. Aí, o pagamento do ICM constituir-se-- ia num elemento subsidiário das provas do fato. Em face do exposto, voto no sentido de que se dê provimento ao recurso." , ' Inconformada com essa decisão, através de petição - dirigida ao Presidente da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 84), recebida em 10.01.85 (fls. 70), com fun- damento no artigo 39 e seu inciso II do Decreto n9 83.304, de 28.03.79, insurge-se a FAZENDA NACIONAL, representada pelo seu procurador junto àquele Colegiado (fls. 85/91), contra o Acórdão n9 105-1.129, de 03.12.84 (fls. 72/83), pelo qual decidiu aludida . Câmara, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso autua- do neste Conselho sob n9 88.606 (f is. 66/68), sob o fundamento,re - sumido em sua ementa, de que: "OMISSÃO DE RECEITAS - Subfaturamento - Não pode prosperar a presunção de omissão de re ceitas baseadas, unicamente, em prova em- prestada pelo fisco estadual que não é con- clusiva quanto ã efetividade da ocorrência do subfaturamento." , O Procurador da Fazenda Nacional junto / ã ,Çãm a /:/-/' SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 11070/000.244/84-30 6. Acórdão n9-CSRF/01-0.700 recorrida deu "visto" no prefalado Acórdão em 07.01.85 (f is. 72), e, no recurso especial, indica a existência de dissídio dessa de- cisão com os Acórdãos n9s 101-73.408, de 09.06.82, e 102-18.400 de 11.08.81, proferidos respectivamente pelas Colendas Primeira e Segunda Câmaras do Primeiro Conselho de Contribuintes, anexados por cópia aos autos (fls.92/96 verso e 97/102) , que decidiram, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos interpostospe los sujeitos passivos, sob os fundamentos, sintetizados em suas ementas, de que: "LANÇAMENTO DE OFICIO COM BASE EM PROVA PRO- DUZIDA PELO FISCO ESTADUAL - Os fatos des - critos em auto de infração estadual, por. conterem declarações prestadas por agentes - do Poder Público fazem fé pública e, assim, presumem-se verdadeiros até prova em contrá - rio." "OMISSÃO DE RECEITA APURADA PELA FISCALIZA-- ÇÃO DO ICM - Pago o tributo cobrado sobre receita omitida apurada pela FiscalizaçãoEs tadual, é legítima a incidência do imposto de renda sobre a respectiva parcela quer como lucro adicionado ao lucro real tributa do, se a empresa possuia escrituração regu- lar, quer como receita para efeito de arbi- tramento, quando verificada a inexistência de escrita." Fundamentando o seu recurso, escreveu o ilustre Procurador que assina a peça de recurso: "Naquele acórdão n9 101-73.408, está dito que a declaração do fiscal do Estado, como tal, faz fé pública, presumindo-se verdadeiros os fa- tos ate prova em contrário produzida pela autua-- da; que -e--IFielevante o argumento de que o paga-- mentoda exigência se fez por mera conveniência..., - etc. Aqui, no acórdão recorrido, a autuação esta dual (de que resultouexigência imediatamente pa- ga) foi tomada como mero elemento subsidiário, e- xigindo-se que a fiscalização federal, apesar da concordância da autuada com o débito exigido pelo - Estado, fosse comprovar (contraprova a cargo da autuada J-17175.5 da fiscalização) a existência dos fatos que fundamentaram a formulação da exigência - exigência esta, repita-se, implicitamente reco- nhecida pela autuada mediante pagamento do l tri- ~-1 Processo n9 11070/000.244/84-30 7. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Acórdão n9-CSRF/01-0.700 to (ICM) apurado pelo Estado. Verifica-se, pois, no mínimo, um contra-senso: o mesmo fato que foi reconhecido perante o fisco estadual está sendo negado perante o fisco federal." Portanto, não há como prosperar o acórdão recorrido. O que ele pretendeu, na verdade, foi negara fé pública de que desfrutam os agentes fiscais do Estado; repudiar a veracidade presumi da dos fatos até prova em contrário; destruir 5 efeito implícito (da concordância e do reconheci mento do débito) pelo pagamento sem contestação: Em suma: negou-se o reflexo necessário e inarre- aãvel, perante o Imposto de Renda, do mesmo fato (OMISSÃO DE RECEITA) reconhecido pela autuada pe rante o Fisco Estadual." Submetidos os autos ao crivo de admissibilidade, escreveu o ilustre Presidente da Câmara recorrida: "A omissão de receitas tributada nestes au- tos teve como base a apurada pela fiscalização es tadual, e paga sem contestação pelo sujeito pas- sivo, em face, segundo aquela, de "operações em que foi emitida notafiscal de venda por valor in ferior ao real da operação (subfaturamento), com e sem emissão de conhecimento de transporte rela tivo à diferença"; nos casos em que houve emis-1 são, os emitentes foram um transportador autôno- mo, identificado, e empresa do mesmo grupo da contribuinte; o subfaturamento foi quantificado pelo valor do frete nos casos em que houve emis- são de conhecimentos, e pelo valor dos emitidos nas mesmas épocas quando não houve a emissão. Em relação ao Acórdão n9 101-73.408, apon- tado como divergente, versou ele também sobre ca so de omissão de receitas com base em autuação do fisco estadual, em que esta foi paga sem con testação, e nenhuma prova foi produzida em con- trário na autuação do fisco federal, conforme re gistra a respectivaementa e os seguintes trechos do voto do seu relator, o ilustre Conselheiro Car los Alberto Gonçalves Nunes (f is. 96): A declaração prestada pelo fiscal do Estado, na qualidade de agente do po- der público, em relação às ocorrências descritas no auto de infração :or = e 2/2 Processo n9 11070/000.244/84-30 8. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Acórdão n9-CSRF/01-0.700 lavrado, faz fé pública e os fatos pre sumem-se verdadeiros até prova em con- trário. Se a fiscalizada não contesta o feito produzindosanecessária contraprova, ad mite a veracidade da afirmação. Mas se assim não fosse, deveria demons trar perante ã autoridade fazendáriafe. deral que a declaração do autuante não correspondia ã realidade." No que respeita ao Acórdão n9 102-18.400 também indicado como divergente, tratou ele de caso de omissão de receita embasado em autuação do fisco estadual, esta paga igualmente sem con- testação, em que, segundo o voto do seu relator, o culto Conselheiro Jacinto de Medeiros Calmon: "a recorrente não oferece um só argu- mento ou prova que conteste o bem ela borado auto de infração" (fls. 101). Isto posto, e CONSIDERANDO que, em relação ã parte que trata da omissão de receita com base em autuação estadual em face de operações em que houve emis- são de conhecimentos de transportes por tercei-- ros, entende-se feita a prova que ilide a presun ção de omissão de receita, pois os respectivos .kia r- lores foram comprovadamente recebidos pelos emi- tentes; CONSIDERANDO que, nessa parte, não se con- figura a alegada divergência de julgados, uma vez que os decisórios, apontados como divergen-- tes, tratam de casos em que não foi feita qual- quer prova que pudesse ilidir aludida presunção; CONSIDERANDO que, na parte em que 'o "deci- sum" recorrido versou sobre a omissão de receita, com base na autuação estadual em face de opera-- ções em que não houve emissão de conhecimentos de transportes por terceiros, não tendo sido produ- zida qualquer prova que pudesse ilidir menciona- da presunção, está perfeitamenbacaracterizado o dissídio jurisprudencial com as decisões indica- das como divergentes; CONSIDERANDO a competência conferida pelo 39 do artigo 59 do Regimentdn terno da Câmara Superior de Recursos Fiscais/ , SERVIÇO PDBLICO FEDERAL Processo n9 11070/000.244/84-30 9. Acórdão n9-CSRF/01-0.700 DOU SEGUIMENTO ao recurso especial inter- posto pela Fazenda Nacional, apenas na parte de que trata o terceiro considerando retro." Encaminhados os autos ã repartição de origem em contra-razões, disse o sujeito passivo: "1 - Deve ser mantida a Douta Sentença da Quinta_Câmara do Primeiro Conselho de Contribuin_ tes do Ministério da Fazenda. 2 - Improcede, data venia, de todo em to- do o pedido de reforma da sentença apelada, pa- ra que seja nula na parte em que o "Decisum" re corrido versou sobre "Omissão de Receita Opera- cional, com base na autuação estadual em face das operações em que não houve emissão de conhe_ cimentos de Fretes por terceiros. 3 - Com efeito, resumindo o alentado ar- razoado da apelante, vê-se que a mesma apresen ta os seguintes argumentos para fundamentar seui pedido. -,, , a) que ... "O acórdão recorrido deu ã Lei aplicação divergente dada por outras câmaras do Primeiro Conselho de Contribuintes. b) que ... "A Matéria Tributável ... decor re nos termos do Auto de Infração de Fls. 01 d5 processo, apurado pelo Fisco Estadual. c) que ... "Presume haver Omissão de Recei_ ta com base na autuação Estadual. 4 - Quanto ao primeiro argumento da ape- lante, na verdade, nada tem haver com os acór- dãospor ela apresentada nos Autos. Tal argumento é destituído de qualquer im portância, uma vez que os acórdãos juntados são divergentes, da Douta Decisão Recorrida, são processos completamente diferentes, tratam de casos em que os sujeitos passivos não apresenta ram qualquer prova que pudesse ilidir as presuFi_ ções. 5 - Quanto ao segundo argumento, não pode prosperar porque, não se pode condenar ninguém por presunção, ou simplesmente pela vontade de condenar. . ,, O Auto de Lançamento do ICM, base p; , a JA áVI! . , X/ SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 11070/000.244/84-30 10. Acórdão n9-CSRF/01-0.700 Auto de Infração do Imposto de Renda, foi lavra do contra a apelante, digo, contra a ape1ada,s5 bre o valor do frete que transportes J.F. Ltda.- cobrava, empresa independente estabelecida com ramo de prestação de serviços de Transportes e entrega de Mercadorias, conforme Contrato So- cial arquivado na MM. Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Sul sob n9 432 004 371-31 cujos seus.serviços são cobrados através de conheci-- mentos de Fretes ou notas de Serviços, sem qual quer partiCipação da Apelada. 6 - Quanto ao Terceiro Argumento da ape- lante,não tem fundamento, pois, a apelada con- forme provas apresentadas, nunca possuiu Trans- porte próprio, precisou sempre recorrer a servi ços de Terceiros, e esses por sua vez cobravam justa remuneração pelos serviços efetuados aos compradores das mercadorias, o que ficou total- mente provado através dos fretes que emitiu. 10 - A Transportadora Transportes J.F.Ltda. efetuou a entrega das mercadorias, portanto, a , obrigação de emitir e cobrar os conhecimentos de - Fretes pelo serviço efetuado é dela e não da i apelada. 11 - Consultada que foi dita empresa, cons tata-se Conforme suas Declarações de Renda (DO- CUMENTOS ANEXOS) que ela ofereceu ã tributação do Imposto de Renda tanto as receitas de fretes que foram emitidos conhecimentos de fretes, co- mo também foram oferecidas a tributação as re- ceitas que por um lapso não foram emitidos co- nhecimentos, senão vejamos, só para exemplifi-- car: - PERÍODO BASE - 1983 - EXERCÍCIO DA DECLARAÇÃO 1984 - Receita de Fretes C/Conheci- mentos de Fretes Cr$95.467.869 - Receita -de Fretes que não fo- ram emitidos conhecimentos de Frete Cr$ 9.638.285 TOTAL DA RECEITA A OFERECER A TRIBUTAÇÃO Cr$105.106.154 12 - Verificando-se a Declaração de Renda -= desta empresa consta-se que foi ofe7 f/ ea toda a receita ã Tributação do I. Renda0 )" : Processo n9 11070/000.244/84-30 11. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Acórdão n9-CSRE/01-0.700 13 - Fica provado mais uma vez, que a ape- lada nada deve Os cofres Públicos Federais, re- ferente ã Receita que não foi emitida conheci-- mento de Fretes, pois a mesma pertence e foi o- ferecida ã tributação pela transportadora." Em sessão de 23/05/85, esta Câmara converteu o julgamento em diligência, lavrando através da Resolução n9-CSRF 01-0.048, cujo teor passo a ler: (lido em sessão) Cumprindo a diligência, a Fiscalização fez jun- tar aosautos os doe. defis.129/137 e 140/151, que deram sustenta- ção ã ação fiscal estadual e, indiretamente, também à. exigência constante dos presentes autos; cópia de Termo de Esclarecimen.--- tos, datado de 04/09/85 (fls. 138) em cujo texto se lê (lido em sessão); a resposta escrita oferecida pela autuada a esses que- sitos (fls. 139), que, também, leio em sessão, e, finalmente;em atenção ao solicitado na referida reso ução, prestou os seguin- tes esclareCimentos(lidos em sess: ,) . â É o relatótio. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 11070/000.244/84-30 12. Acórdão n9-CSRF/01-0.700 VOTO_ _ Conselheiro AMADOR OUTERELO FERNANDEa, Relator: Como visto pelo Relatório, em face de o Recurso Es pecial haver logrado admissibilidade parcial, isto é, somente ter sido admitido para a apreciação da omissão de receita na parte não coberta por conhecimento de transporte, o litígio está res- trito aos valores constantes no item "b" do Relatório, cujo mon- tante corresponde a Cr$2.369.573, no ano-base de 1981, exercício de 1982. Entendo que laborou em erro a r. decisão recorrida, quando deu provimento ao recurso, sob o fundamento de que a prova emprestada pelo fisco estadual não era conclusiva quanto a efeti- vidade da ocorrência do subfaturamento, na medida em que os levan tamentos feitos pelo fisco estadual não estavam acostados aos au- tos. Ao contrário do então concluído, o exame fiscal le- vado a cabo pela fiscalização do ICM está amparada em dados da própria escrita de autuada e o procedimento adotado para reduzir o valor das vendas está bem demonstrado inclusive pela resposta dada ao Termo de Esclarecimentos, datado de 04/09/85. Lamentavelmente, talvez o próprio fisco tenha con tribuído para tornar insubsistente a ação fiscal na medida em que sustentou ser suficiente a prova de que a exigência estadual fora liquidada sem objeção. Esse fato é relevante, mas isoladamente não se au- to sustenta; todavia, se ele é antecedido de levantamentos como o .= levado a efeito pelo fisco estadual que minudencia e quantifica a omissão e de fatos indiciários, graves, que, indiretamente- con- corrempara a sua prova, como os relatados no relatório •1dir Processo x19 ll070/000,244/84-30 13. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Acórdão n9-CSRF/01-0.700 gência de fls. 125/128, extraídos da própria escrita da autuada: nenhuma dúvida subsiste de que a fiscalizada, deliberadamente, a través do subterfúgio da cobrança de frete por intermédio de sua interligada, sempre fixo de Cr$400,00 por caixa, qualquer que fosse a distância (cf. quadro de fls. 127), reduziu o valor das suas receitas. O fato de o montante sonegado compor a receita de outra empresa não elide a exigência: a uma, porque os regimes de tributação não são os mesmos; a duas, porque não se compensa a omissão de uma empresa com o eventual aumento de receita de ou- tra. Cada uma tem sua personalidade jurídica e suas responsabili dades tributárias individuais. Por outro lado, a prova emprestada poderia ter sido colocada em dúvida se a autuada, nestes autos, com dados ob jetivos houvesse contestado os dados em que se amparou o levanta mento fiscal estadual e, por via de conseqüência, o federal. Tal, porém, não ocorreu. Ao contrário, limitou-se a justificar o seu procedimento, deixando intactos os elementos denunciadores da o- missão. Em face do exposto e de tudo mais que dos autos consta, dou provimento parcial ao recurso para restabelecer a tributação sobre a parcela de C.*2.369.573, no exercício d= 98 f/ '17 AMADOR OS E FERNANDEZ - PRESIDENTE E RELATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1
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Numero do processo: 13807.009037/00-51
Data da sessão: Fri May 29 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri May 29 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — NULIDADE — É nula,
por cerceamento do direito de defesa, a decisão de primeiro grau que deixou de apreciar argumento de defesa essencial à solução da lide suscitado na impugnação
LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO - DIFERENCIAL DO
IPC/BTNF - PAGAMENTO COM O BENEFÍCIO DA LEI N°
8.541/92, ART. 31, V, E SEU § 3 0 • LEI N° 8.682/93, ARTS. 10 E 11:
No período compreendido entre o advento da MP n° 312/93, que
revogou a Lei n° 8.200/91, e o da Lei n° 8.682/93, não mais havia
obrigatoriedade do contribuinte calcular e computar lucro inflacionário referente ao diferencial IPC/BTNF, de modo que o pagamento do Imposto de Renda sobre o lucro inflacionário acumulado então existente, com o beneficio previsto no art. 31, inciso V, e seu § 3°, da Lei n° 8.541/92, realizou e zerou todo o saldo existente. Os atos praticados com base naquela medida e suas reedições foram convalidados pelo art. 10 da Lei n° 8.682/93, não se podendo aplicar o disposto no artigo 11, seguinte, que revigorou a exigência contida no art. 3° da Lei IV 8.200/91, aos atos jurídicos perfeitos e acabados sob a égide da lei anterior. JUROS DE MORA- SELIC - A Lei 9.065/95, que estabelece a aplicação de juros moratórios com base na variação da taxa Selic para os débitos não pagos até o vencimento, esta legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional, não cabendo a órgão integrante do Poder Executivo negar-lhe aplicação.
Recurso Provido
Numero da decisão: 1802-000.061
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o julgado.
Matéria: IRPJ - tributação de lucro inflacionário diferido(LI)
Nome do relator: Rogério Garcia Peres
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — NULIDADE — É nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão de primeiro grau que deixou de apreciar argumento de defesa essencial à solução da lide suscitado na impugnação LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO - DIFERENCIAL DO IPC/BTNF - PAGAMENTO COM O BENEFÍCIO DA LEI N° 8.541/92, ART. 31, V, E SEU § 3 0 • LEI N° 8.682/93, ARTS. 10 E 11: No período compreendido entre o advento da MP n° 312/93, que revogou a Lei n° 8.200/91, e o da Lei n° 8.682/93, não mais havia obrigatoriedade do contribuinte calcular e computar lucro inflacionário referente ao diferencial IPC/BTNF, de modo que o pagamento do Imposto de Renda sobre o lucro inflacionário acumulado então existente, com o beneficio previsto no art. 31, inciso V, e seu § 3°, da Lei n° 8.541/92, realizou e zerou todo o saldo existente. Os atos praticados com base naquela medida e suas reedições foram convalidados pelo art. 10 da Lei n° 8.682/93, não se podendo aplicar o disposto no artigo 11, seguinte, que revigorou a exigência contida no art. 3° da Lei IV 8.200/91, aos atos jurídicos perfeitos e acabados sob a égide da lei anterior. JUROS DE MORA- SELIC - A Lei 9.065/95, que estabelece a aplicação de juros moratórios com base na variação da taxa Selic para os débitos não pagos até o vencimento, esta legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional, não cabendo a órgão integrante do Poder Executivo negar-lhe aplicação. Recurso Provido
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Recorrida 4a TURMA DRJ/ SÃO PAULO/SP I PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — NULIDADE — É nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão de primeiro grau que deixou de apreciar argumento de defesa essencial à solução da lide suscitado na impugnação LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO - DIFERENCIAL DO IPC/BTNF - PAGAMENTO COM O BENEFÍCIO DA LEI N° 8.541/92, ART. 31, V, E SEU § 3 0 • LEI N° 8.682/93, ARTS. 10 E 11: No período compreendido entre o advento da MP n° 312/93, que revogou a Lei n° 8.200/91, e o da Lei n° 8.682/93, não mais havia obrigatoriedade do contribuinte calcular e computar lucro inflacionário referente ao diferencial IPC/BTNF, de modo que o pagamento do Imposto de Renda sobre o lucro inflacionário acumulado então existente, com o beneficio previsto no art. 31, inciso V, e seu § 3°, da Lei n° 8.541/92, realizou e zerou todo o saldo existente. Os atos praticados com base naquela medida e suas reedições foram convalidados pelo art. 10 da Lei n° 8.682/93, não se podendo aplicar o disposto no artigo 11, seguinte, que revigorou a exigência contida no art. 3° da Lei IV 8.200/91, aos atos jurídicos perfeitos e acabados sob a égide da lei anterior. JUROS DE MORA- SELIC - A Lei 9.065/95, que estabelece a aplicação de juros moratórios com base na variação da taxa Selic para os débitos não pagos até o vencimento, esta legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional, não cabendo a órgão integrante do Poder Executivo negar-lhe aplicação. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o julgado. ik CCOI/T93 Eis, 2 RoOrio Gárcia Peres — Relator Adriana — Presidente o valor do lucro inflacionário a realizar em 31/12/1995 era de R$ 212.227,00, sendo que o valor constante do auto de infração era de R$ 287.775,25; 5- Processo n° 13807-009037/00-51 Acórdão n." 1802-00.061 EDITADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Éster Marques Lins de Sousa, Rogério Garcia Peres, Cheryl Bemo, e Adriana Gomes Rego. Relatório Contra a empresa acima identificada foi lavrado, em 22/09/2000, o auto de infração de fls. 79/83, por meio do qual foi formalizado crédito tributário relativo ao IRPJ referente ao período compreendido entre 02/12/1995 a 31/12/1995, acrescido de juros de mora. Segundo o descrito no Auto de Infração e no Termo de Verificação e Constatação de fls. 70 a 77, a contribuinte e acusada das seguintes infrações: • Falta de adição ao Lucro Real de parcela do Lucro Inflacionário após a Cisão Parcial ocorrida em 01/12/1995 no período de apuração compreendido entre 02/12/1995 a 31/12/1995, no valor de R$ 287.755,25. Como enquadramento legal estão indicados os artigos 195, 417, 418, 419, 420 e 422 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 11 de janeiro de 1994 (RIR/1994), artigos 5 0, 70, 8° e 13 da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995. A empresa impugnou tempestivamente a exigência, alegando, em síntese, que: CCO 1/193 Fls 3 Processo n° 13807-009037/00-51 Acórdão n.° 1802-00.061 • a realização do lucro inflacionário tem nítida influência na determinação dos prejuízos fiscais compensáveis, e que foram impugnados em outros autos. Trata-se de matéria dependente, porque se existiam prejuízos acumulados em 31/12/1995, o lucro inflacionário deveria ser considerado urna adição na determinação do lucro real, o qual é apurado antes da compensação de prejuízos fiscais; • nulidade do auto de infração em virtude de erro na identificação do sujeito passivo visto que a recorrente foi transformada de sociedade por ações em sociedade por quotas de responsabilidade limitada. O litígio foi julgado em primeira instancia pela 4a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, em decisão assim ementada: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/1995 Ementa: LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO. NÃO REALIZAÇÃO. CISÃO PARCIAL. Correta a exigência formulada, quando o contribuinte deixou de realizar — com o conseqüente não oferecimento à tributação —parcela do lucro inflacionário acumulado, decorrente do património não vertido. BENEFICIO FISCAL. ALIQUOTA REDUZIDA. IMPROPRIEDADE. Sendo faculdade da pessoa jurídica a utilização de tributação mediante alíquota do IRPJ mais benéfica, a mesma somente poderia faze-lo desde que em estrita obediência ao determinado pela Lei (art.31 da Lei n" 8.541/1992), realizando, de maneira concomitante, tanto o saldo do lucro inflacionário acumulado, como o saldo credor da difèrença de correção monetária complementar da diferença IPC/BTNF, ambos existentes em 31/12/1992 e após devidamente corrigidos...e CCOI/T93 Fls 4 Processo o' 13807-009037/00-51 Acórdão o.' 1802-00.061 MEDIDA JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. DISTINÇÃO DE OBJETOS. EXIGÊNCIA DA MULTA DE OFICIO, DECADÊNCIA. Quando distintos os objetos do processo judicial e o do processo administrativo fiscal, incabível a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em razão daquele, bem como da não aplicação da multa de ofício. Descabida, no entanto, a complementação do crédito tributário constituído, com tal parcela, visto alcançado pela decadência." Cientificada, a empresa apresentou recurso voluntário em 8 de março de 2006, conforme carimbo aposto a fl. 183, instruindo-o com arrolamento de bens. Inicialmente, suscita a Recorrente nulidade da decisão por ofensa ao princípio do devido processo legal, por não ter o órgão julgador tomado conhecimento do pedido de nulidade presente na impugnação quanto da ocorrência de erro na identificação do sujeito passivo. Quanto ao mérito, alega que: a) O Auto de Infração lavrado é reprodução de um outro Auto de Infração lavrado contra a Recorrente. Trata-se do Processo tf 13807.009.038/00-14, notificado à Recorrente em 22 de setembro de 2000 e que tem por objeto a mesmíssima matéria, a diferença está no período, que vai de 02/12/1995 a 31/12/1995, sendo que este último teve decisão favorável à Recorrente, produzida pela 1a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (Recurso n° 137.102 — Acórdão n° 101-94.515), com a seguinte ementa: "LUCRO INFLACIONÁ RIO ACUMULADO - DIFERENCIAL DO IPC/B'TNF - PAGAMENTO COM O BENEFICIO DA LEI N° 8.541/92, ART. 31, E E SEU § 3 0. LEI N° 8.682/93, ARTS. 10 E 11: No período compreendido entre o advento da MP n° 312/93, que revogou a Lei n° 8.200/91, e o da Lei n° 8.682/93, não mais havia Processo n° 13807-009037/00-51 Acórdão w° 1802-00.061 CCO 1 /T93 Els 5 obrigatoriedade do contribuinte calcular e computar lucro inflacionário referente ao diferencial IPC/BTNF, de modo que o pagamento do Imposto de Renda sobre o lucro inflacionário acumulado então existente, com o beneficio previsto no art. 31, inciso V, e seu ,sç 3 0, da Lei n° 8.541/92, realizou e zerou todo o saldo existente. Os atos praticados com base naquela medida e suas reedições foram convalidados pelo art. 10 da Lei n° 8.682/93, não se podendo aplicar o disposto no artigo 11, seguinte, que revigorou a exigência contida no art. .3° da Lei n" 8,200/91, aos atos jurídicos perfeitos e acabados sob a égide da lei anterior." b) A exigência de juros de mora durante o período da suspensão de exigibilidade do crédito tributário corresponde a ofensa ao art. 151 do CTN; c) É imprestável a aplicação da taxa SELIC para atualização de crédito tributário. É o relatório . CCO1 /T93 Fls 6 Processo n° 13807-009037/00-51 Acórdão o.' 1802-00.061 Voto Conselheiro ROGÉRIO GARCIA PERES, Relator O recurso é tempestivo e foi encaminhado a este Conselho por ter sido feito arrolamento de bens. Dele conheço. Mérito o Falta de adição do Lucro Inflacionário Acumulado — Diferencial do IPC/BTNF O termo de verificação fiscal constante nesse processo foi utilizado para fundamentar dois autos de infração, que tratam da mesma matéria (Falta de adição do Lucro Inflacionário Acumulado — Diferencial do IPC/BTNF). O primeiro com número de Processo Administrativo 13807.009038/00-14 corresponde ao período compreendido entre 1/1/1995 à 1/12/1995 (anterior a cisão parcial). O segundo, sendo analisado nesse processo, corresponde a não adição do mesmo lucro inflacionário, entretanto, para o período compreendido entre 2/12/1995 a 31/12/1995 (após cisão parcial). O primeiro processo foi julgado procedente (Acórdão 101-94.515 — Relatora Sandra Maria Faroni) em favor da Recorrente visto que o Conselho de Contribuintes considerou que o saldo acumulado do lucro inflacionário foi integralmente tributado, conforme demonstrado abaixo: "Porém há um outro aspecto que envolve a questão e que já mereceu apreciação deste Conselho. É que a Lei 8.200/91, que determinava, no seu art. 3°, inciso II,o cômputo, no lucro real, da parcela da correção monetária das demonstrações financeiras, relativa ao período-base de 1990, que corresponder à diferença verificada no ano de 1990 entre a variação do índice de Preços ao Consumidor (IPC) e a variaçã o do BTN Fiscal, foi revogada pelo art. 70 da MP 312, de 11 de fevereiro de 1993. A Lei 8.541/92, no seu art. 31, permitiu que as pessoas jurídicas considerassem integralmente realizado o lucro inflacionário acumulado e o saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF (Lei n° 8.200, de 28 de junho de 1991, art. 3 0) existente em 31 de dezembro de 1992, tributando-o à alíquota de 5%. Com base nessa lei, a Recorrente exerceu a opção, recolhendo o imposto em 19 de fevereiro de 2002. Como a Medida Provisória havia revogado a Lei 8.200/91 em 11 de fevereiro de 2002, ao tributar O saldo integral não havia obrigatoriedade de efetuar a correção monetária correspondente à difirença IPC/BTNF. A Lei 8.682, de 14/07/94, ratificou os atos praticados com base na MP 312/93 e revigorou a Lei 8.200/91. Assim, quando exerceu a opção de tributar integralmente o saldo do lucro inflacionário acumulado, à alíquota de, CCOI/T93 Eis 7 Processo n° 13807-009037/00-51 Acórdão n.° 1802-00.061 5%, estava revogada a Lei 8.200/91, que obrigava a correção da diferença IPC/B TNF, nada mais restando a esse título a tributar. Existem, inclusive, manifestações deste Conselho (acórdãos 107- 06.840, de 16/10/2002 e 103-21.428, de 05/11/2003), no sentido de que no período compreendido entre o advento da ME n° 312/93, que revogou a Lei n" 8,200/91, e o da Lei n" 8.682/93, não mais havia obrigatoriedade de o contribuinte calcular e computar lucro inflacionário referente ao diferencial IPC/BTNF, de modo que o pagamento do Imposto de Renda sobre O lucro inflacionário acumulado então existente, com o beneficio previsto no art. 31, inciso V, e seu ,sç 3 0, da Lei n" 8.541/92, realizou e zerou todo o saldo existente. Os atos praticados com base naquela medida e suas reedições foram convalidados pelo art. 10 da Lei n° 8,682/93, não se podendo aplicar O disposto no artigo 11, seguinte, que revigorou a exigência contida no art. 3 0 da Lei n" 8,200/91, aos atos jurídicos perfeitos e acabados sob a égide da lei anterior," g• Juros de mora A exigência de juros de mora decorre de determinação expressa da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional), cujo artigo 166 reza que, o crédito tributário não integralmente pago na data de seu vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante de sua falta, excepcionando apenas as situações em que haja pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do credito. Os juros de mora, na realidade, não têm a natureza de sanção, mas incidem sobre capital que, pertencendo ao fisco, estava em poder do contribuinte. • Taxa Selic A SELIC não foi aplicada a titulo de correção monetária, mas sim de juros de mora. O art. 13 da Lei n° 9.065/95 determina que, a partir de 10 de abril de 1995, serão calculados segundo a taxa SELIC os juros de que trata o art. 84, I, da Lei 8.981/05, cuja dicção é a seguinte: "Art. 84- as tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1" de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, serão acrescidos de: 1- juros de mora, equivalentes a taxa media mensal de captação do Tesouro Nacional relativa a Dívida Mobiliaria Federal interna," Portanto, a incidência dos juros segundo a Taxa Selic consta de disposição expressa de lei em vigor, cuja aplicação não pode ser negada por este órgão administrativo, 7 CCOI/T93 Fls, 8 Brasília (DF), em‘29 de maio de 2009. Ploccsso n° 13807-009037/00-51 Acórdão n,' 1802-00.061 Pelas razões explanadas, dou provimento ao recurso para cancelar a exigência relativa à falta de adição do lucro inflacionário acumulado (diferencial IPC/BTNF). 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO PROCESSO: 13807.009037100-51 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada nos despachos supra, nos termos do art. 81, § 3 0 , do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasília 22 de dezembro de 2010. EA-) Maria Conceição de Sousa Rodrigues Secretária da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração.
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