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Numero do processo: 10730.003095/86-11
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 1988
Ementa: IRPJ - AGRAVAMENTO DE PARTE DA EXIGÊNCIA.
- Petição de inconformismo que se
recebe como impugnação, em respeito ao
duplo grau de jurisdição.
Numero da decisão: 103-08.357
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em determinar a correção de instância.
Nome do relator: Franscisco Xavier da Silva Guimarães
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score : 1.0
Numero do processo: 11065.720964/2012-81
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
TRANSFERÊNCIA DE BASE DE CÁLCULO. ILÍCITO NÃO APONTADO.
Ou se qualifica a operação como maculada por alguma patologia jurídica ou ela é lícita e, a ela, devemos dar os efeitos que lhe são próprios segundo a legislação tributária. No robusto Relatório de Ação Fiscal, verifica-se pontos que poderiam ter sido conduzidos pelos autuantes para a conclusão de que houve simulação nos atos praticados pela recorrente, mas assim não conduziram a auditoria, razão pela qual, há que se tomar os atos como lícitos e lhes conferirem os efeitos que lhes são próprios.
A instância julgadora pode determinar que se exclua uma parcela da base tributável e que se recalcule o tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de cálculo considerando uma despesa dedutível ou uma receita como não tributável, mas não pode alterar o critério jurídico que fundamenta o lançamento.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. Contribuição para o PIS.
Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamentos decorrentes.
Numero da decisão: 1302-001.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para exonerar a recorrente dos créditos tributários relativos ao item 001 dos autos de infração, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Waldir Rocha e Eduardo Andrade que negavam provimento.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Eduardo Andrade, Cristiane Costa, Waldir Rocha, Guilherme Silva, Márcio Frizzo.
Nome do relator: Alberto Pinto Souza Junior
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 TRANSFERÊNCIA DE BASE DE CÁLCULO. ILÍCITO NÃO APONTADO. Ou se qualifica a operação como maculada por alguma patologia jurídica ou ela é lícita e, a ela, devemos dar os efeitos que lhe são próprios segundo a legislação tributária. No robusto Relatório de Ação Fiscal, verifica-se pontos que poderiam ter sido conduzidos pelos autuantes para a conclusão de que houve simulação nos atos praticados pela recorrente, mas assim não conduziram a auditoria, razão pela qual, há que se tomar os atos como lícitos e lhes conferirem os efeitos que lhes são próprios. A instância julgadora pode determinar que se exclua uma parcela da base tributável e que se recalcule o tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de cálculo considerando uma despesa dedutível ou uma receita como não tributável, mas não pode alterar o critério jurídico que fundamenta o lançamento. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. Contribuição para o PIS. Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamentos decorrentes.
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Recorrente SULBRA VEÍCULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 TRANSFERÊNCIA DE BASE DE CÁLCULO. ILÍCITO NÃO APONTADO. Ou se qualifica a operação como maculada por alguma patologia jurídica ou ela é lícita e, a ela, devemos dar os efeitos que lhe são próprios segundo a legislação tributária. No robusto Relatório de Ação Fiscal, verificase pontos que poderiam ter sido conduzidos pelos autuantes para a conclusão de que houve simulação nos atos praticados pela recorrente, mas assim não conduziram a auditoria, razão pela qual, há que se tomar os atos como lícitos e lhes conferirem os efeitos que lhes são próprios. A instância julgadora pode determinar que se exclua uma parcela da base tributável e que se recalcule o tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de cálculo considerando uma despesa dedutível ou uma receita como não tributável, mas não pode alterar o critério jurídico que fundamenta o lançamento. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. Contribuição para o PIS. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamentos decorrentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para exonerar a recorrente dos créditos tributários relativos ao item 001 dos autos de infração, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Waldir Rocha e Eduardo Andrade que negavam provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 09 64 /2 01 2- 81 Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 27/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/1 0/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/10/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR 2 ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Eduardo Andrade, Cristiane Costa, Waldir Rocha, Guilherme Silva, Márcio Frizzo. Relatório Versa o presente processo sobre recurso de voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 10040.975 da 1ª Turma da DRJ/POA, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Incabível na esfera administrativa a discussão de que uma determinada norma legal não é aplicável por ferir princípios constitucionais, pois essa competência é atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário, na forma dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. IRPJ CSLL. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. DESLOCAMENTO DA BASE TRIBUTÁVEL PARA SOCIEDADES QUE SE ENCONTREM EM SITUAÇÃO TRIBUTARIAMENTE MAIS FAVORÁVEL. TRANSFERÊNCIA DE RECEITAS DE EMPRESA TRIBUTADA PELO LUCRO REAL PARA EMPRESA DO LUCRO PRESUMIDO. IMPOSSIBILIDADE. Quando comprovado por indícios convergentes que se constituiu sociedade com o único intuito de se transferir a base tributável para essa nova empresa que se encontra em situação tributariamente mais favorável, uma vez identificada a verdade dos fatos e o real sujeito passivo das operações que geraram as respectivas receitas, cabível a exigência dos tributos devidos do efeito sujeito passivo. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. SALDO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS DE CSLL INSUFICIENTES. Constatada a insuficiência de saldo de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL utilizado pelo contribuinte como compensação nas bases de cálculo dos IRPJ/CSLL, impõese o lançamento de ofício das respectiva diferenças de tributos apuradas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 03/12/2012 (AR a fls. 1654) e interpôs recurso voluntário em 19/12/2012 (a fls. 1656), no qual alega as seguintes razões de defesa: a) que o procedimento fiscal teve como foco a empresa recorrente, assim como algumas empresas relacionadas ao grupo econômico da qual pertence (Sulbra ` Participações Ltda); b) que baseouse na análise das receitas escrituradas pela pessoa jurídica Sulbra Participações Ltda relacionadas ao comissionamento relativo à intermediação de financiamentos concedidos para aquisição de veículos de clientes da recorrente; Fl. 1705DF CARF MF Impresso em 27/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/1 0/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/10/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 11065.720964/201281 Acórdão n.º 1302001.210 S1C3T2 Fl. 1.676 3 c) que, após a análise dos elementos supra referidos, foi constatado pela Ilustre Agente Fiscal da Receita Federal do Brasil RFB um suposto “planejamento tributário” utilizado pela empresa ora recorrente, com a utilização da empresa Sulbra Participações Ltda, a qual é optante pela tributação, pelo regime de lucro presumido, tendo como propósito criar uma situação jurídica com vistas a reduzir a tributação incidente sobre a receita obtida, pelo recebimento de comissões pagas pelas indústrias de automóvel; d) que com base no artigo 116, parágrafo único, do Código Tributario Nacional, a autoridade fiscalizadora considerou que as comissões relacionados aos financiamentos de veículos vendidos pela recorrente que foram recebidas pela empresa Sulbra Participações Ltda devem ser consideradas como receitas omitidas pela recorrente, imputando as à mesma por meio dos Autos de Infração em comento; e) que o parágrafo único do art. 116 do CTN não é autoaplicável, tanto que remete à observância dos procedimentos “a serem estabelecidos em lei ordinária”, logo, não tem eficácia imediata, pois depende de regulamentação procedimental por lei ordinária; f) que devem ser declarados nulos todos os autos de infração objeto do processo ora combatido , tendo em vista que foram baseados em norma que carece de regulação por meio de lei ordinária; g) que o parágrafo único do art. 116 é incosntitucional; h) que foram lavrados autos de infração do IRPJ, CSLL, COFINS e PIS; i) que a empresa Sulbra Participações Ltda presta serviços de agenciamento para a recorrente e fornece mãodeobra especializada para as empresas do mesmo setor da recorrente; j) que se trata de intermediação de negócios prestada por meio de um serviço especializado com vistas à recepção e encaminhamento de pedidos de financiamentos de veículos comercializados pela recorrente e demais revendas e concessionárias; l) que a Sulbra Participações Ltda atua, conforme Doc. III, como correspondente bancária para diversos clientes seus, dentre eles, a recorrente; m) que o fato de existir um grupo econômico onde uma empresa presta serviços para outra não pode ser fato ensejador de qualquer desconsideração; n) que inexiste qualquer atipicidade, anormalidade ou inadequação do negócio praticado pela recorrene e demais empresas aptos a contaminar a validade jurídica dos mesmos. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por advogadocom poderes para tal (procuração a fls. 1586), razão pela qual dele conheço. Incialmente, ressalto que a contribuinte não apresentou qualquer contestação aos itens 0002, 0003, 0004 e 0005 dos autos de infração do IRPJ (a fls. 1514 e Fl. 1706DF CARF MF Impresso em 27/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/1 0/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/10/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR 4 segs.) e da CSLL ( a fls. 1554 e segs.), razão pela qual considero definitivamente constituídos, na esfera administrativa, os respectivos créditos tributários. Aplicase a mesma conclusão, pelo mesmo motivo, aos créditos tributários a que se refere o item 0002 dos autos de infração da COFINS (a fls. 1531), PIS/Pasep (a fls. 1545). Com efeito, a recorrente apresenta três argumentos contrários aos lançamentos a que se refere o item 0001 dos autos de infração em tela, quais podem ser assim resumidos: a) que o parágrafo único do art. 116 do CTN é inconstitucional; b) que o parágrafo único do art. 116 do CTN não é autoaplicável, tanto que remete à observância dos procedimentos “a serem estabelecidos em lei ordinária”, logo, não tem eficácia imediata, pois depende de regulamentação procedimental por lei ordinária; e c) que a Sulbra Participações Ltda tem substância economica e que que o fato de existir um grupo econômico onde uma empresa presta serviços para outra não pode ser fato ensejador de qualquer desconsideração. A alegação de inconstitucionalidade do parágrafo único do art. 116, além de impertinente ao caso, como veremos em seguida, não pode se objeto de pronunciamento por parte deste Colegiado, por força do que dispõe a Súmula CARF nº 2, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O segundo argumento é impertinente, pois o lançamento não se fundamentou no parágrafo único do art. 116 do CTN. Tal dispositivo não é ciitado nem nos autos de infração nem no Relatório da Ação Fiscal, razão pela qual a questão levantada acerca da falta de regulamentação desse dispositivo é impertinente ao deslinde da questão ora sub examine. Por outro lado, a recorrente alega que seus atos são todos lícitos e os autuantes não refutam, tanto que não enquadram a conduta da recorrente como dolosa e, consequentemente, aplicam a multa ad valorem de 75%. Ora, o julgamento no âmbito do CARF é de cognição restrita. O próprio regimento e a súmula no 2 já vedam qualquer juízo de constitucionalidade de lei. Na verdade, isso decorre do fato de que a atividade dos colegiados do CARF não passa de mero controle de legalidade dos lançamentos tributários. Assim, ou se demonstra que a operação está maculada por alguma patologia jurídica ou ela é lícita e a ela devemos dar os efeitos que lhe são próprios segundo a legislação tributária. No robusto Relatório de Ação Fiscal, verificase pontos que poderiam ter sido conduzidos pelos autuantes para a conclusão de que houve simulação na utilização da Sulbra Participações Ltda, mas assim não entenderam, razão pela qual, há que se tomar os atos como lícitos e lhes conferirem os efeitos que lhes são próprios. Diante de tal constatação, concluo que o item 0001 dos autos de infração em tela deva ser cancelado, pois não cabe a esta instância julgadora alterar critério jurídico adotado no lançamento. Já que o TVF é parte integrante do lançamento tributário fica claro que foi adotado um critério jurídico, o qual, se alterado para atender as conclusões deste julgado, significaria um possível novo lançamento. A instância julgadora pode determinar que se exclua uma parcela da base tributável e que se recalcule o tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de cálculo considerando uma despesa dedutível ou uma receita como não tributável, mas não pode alterar o critério jurídico que fundamenta o lançamento, mesmo porque, nessa hipótese, estaríamos determinando um novo lançamento. Em face do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar provimento parcial, para cancelar o item 0001 dos autos de infração do IRPJ, CSLL, Cofins e PIS/Pasep. Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 27/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/1 0/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/10/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 11065.720964/201281 Acórdão n.º 1302001.210 S1C3T2 Fl. 1.677 5 Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 27/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/1 0/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/10/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR
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Numero do processo: 10580.005022/2005-59
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
Ementa: MULTA ISOLADA - ESTIMATIVA REDUÇÃO SUSPENSÃO -
A apresentação de toda a escrita fiscal e contábil, nestas incluídos os livros diários, razão e LALUR, ainda que sem a devida escrituração de balanços ou balancetes, na forma mais completa e desejável, não pode justificar a aplicação da multa exclusiva, quando presentes ainda prejuízos fiscais em todos os meses dos anos devidamente registrados nas respectivas DIPJ.
Numero da decisão: 1401-000.176
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos temos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Antonio Bezerra Neto
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Recorrida 2 TURMA/DRJ-SALVADOR/BA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: MULTA ISOLADA - ESTIMATIVA REDUÇÃO SUSPENSÃO - A apresentação de toda a escrita fiscal e contábil, nestas incluídos os livros diários, razão e LALUR, ainda que sem a devida escrituração de balanços ou balancetes, na forma mais completa e desejável, não pode justificar a aplicação da multa exclusiva, quando presentes ainda prejuízos fiscais em todos os meses dos anos devidamente registrados nas respectivas DIPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos temos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. 11) MAL ' . QU : PESSOA MONTEIRO - Presidente ANTONIO B RRA NETO - Relator rl 1 7 O IOEDITADO EM: L \ — Participaram, da presente sessão de julgamento, os Conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luís Gomes de Matos, André Ricardo Lemes da Silva, Alexandre Antônio Alkimim Teixeira e Maurício Pereira Faro. Processo n° 10580.005022/2005-59 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.176 Fl. 2 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra o Acórdão n° 15-14.680, da 2' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Salvador-BA. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: "Trata o processo em questão de Auto de Infração, às fls. 06 a 13, referente à aplicação da multa de oficio isolada pela falta de recolhimento das estimativas do Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, em todos os meses dos anos-calendário de 2000 a 2003, no valor de R$3.332.143,89 (três milhões, trezentos e trinta e dois mil, cento e quarenta e três reais e oitenta e nove centavos). O enquadramento legal aponta: arts. 222, 223, 225, 230, 841, incisos III e IV, e 957, parágrafo único, inciso IV, do RIR/1999; e artigos 43 e 44, inciso I e á' 1°, e inciso IV da Lei n° 9.430, de 1996. No Termo de Verificação Fiscal, às fis. 14 a 16, o Autuante declara, em síntese, que: — a contribuinte tem por principal atividade a construção de estações e redes de distribuição de energia elétrica e possui nove filiais cadastradas na SRF, sendo uma em situação cancelada e as demais ativas. A ação fiscal teve por objetivo verificar a correspondência entre os valores declarados em DCTF ou pagos e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo; — segundo informações constantes das DIPJ relativas aos anos- calendário de 2000, 2001, 2002 e 2003, a pessoa jurídica optou pelo lucro real anual, determinando a base de cálculo do IRPJ com base em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução. Caberia ao sujeito passivo, por disposição legal, recolher mensalmente o imposto por estimativa, ainda que tivesse apurado prejuízo fiscal no respectivo ano-calendário, ou então poderia suspender ou reduzir o pagamento, desde que demonstrasse, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excedia o valor calculado com base no lucro real do período; — os mencionados balanços ou balancetes mensais devem ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no Livro Diário. A demonstração do lucro real deverá ser transcrita no LALUR, observando-se que, a cada balanço levantado para fins se suspensão ou redução do imposto, deve-se determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando-se aqueles apurados em meses anteriores do mesmo ano-calendário. A não escrituração do Diário e do LAL UR, até a data fixada para pagamento do Processo n° 10580.005022/2005-59 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.176 Fl. 3 imposto do respectivo mês, implicará a desconsideração do balancete para efeito da suspensão ou redução e a aplicação da multa de ofício sobre os valores indevidamente suspensos ou reduzidos,. — constatamos que não há escrituração de Balanços ou Balancetes de Suspensão ou Redução mensais, tanto no Diário como no LAL UR, conforme Termo de Constatação n° 001, às fls. 336/337, com ciência do contribuinte, conforme resposta à fl. 343. Em 21/06/2005, o contribuinte apresentou os livros auxiliares, com os balancetes de suspensão do período, não registrados na Junta Comercial, segundo Termo de Constatação n° 002, às fls. 346/347. Ressalte-se que tais balancetes não foram transcritos no Livro Diário, razão pela qual foram desconsiderados. Acrescente-se que os balancetes apresentados em 22/09/2004, conforme relação de documentos retidos, à fl. 317, representam impressões avulsas e não se encontravam registrados nos livros Diário, livros esses que não foram retidos à época, fato que só ocorreu em 12/05/2005, conforme relação defl. 332; — a desconsideração dos referidos balancetes significa o não cumprimento de uma obrigação acessória, acarretando a aplicação da multa de oficio isolada, ainda que tenha havido prejuízo fiscal no ano-calendário correspondente. A apuração dos valores consta das planilhas "Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada — IRPJ", às fls. 17 a 20, e baseou-se nos dados extraídos do livro Razão dos anos-calendário de 2000 a 2003, às fls. 137/302. Às fls. 397 a 408, a pessoa jurídica apresentou impugnação ao feito fiscal, alegando, em resumo, que: • a Impugnante estava sujeita à apuração do lucro real, recolhendo o IRPJ por estimativa. Como apurou prejuízo fiscal nos anos-calendário de 2000 a 2003, suspendeu o pagamento do imposto, com base em balancetes mensais. Todavia, de acordo com o trabalho fiscal, a Impugnante deixara de escriturar os balancetes de suspensão no Livro Diário, motivo pelo qual aqueles teriam sido desconsiderados e a multa aplicada. Assim, simplesmente por não ter cumprido uma obrigação acessória, e a despeito de ter apurado prejuízo em todos esses anos- calendário, estaria sujeita à multa de ofício de 75% sobre o IRPJ pretensamente devido; • como a Impugnante não possuía IRPJ a pagar (nem por estimativa mensal, nem no ajuste), o valor que constituiu base de cálculo para aplicação da multa foi apurado a partir da receita bruta mensal. Em que pese jamais ter deixado de entregar suas declarações de rendimentos, tendo informado a existência de prejuízo, inclusive apresentando o cálculo do IRPJ mensal por estimativa, bem como jamais ter deixado de recolher imposto devido e ter realizado os balancetes de redução/suspensão, não obstante, por não tê-los transcrito no Livro Diário, foi surpreendida com a lavratura do presente auto; 3 Processo n° 10580.005022/2005-59 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.176 Fl. 4 • conforme se demonstrará a seguir, o auto de infração ora combatido deve ser anulado in totum. A uma, porque inexiste falta de recolhimento de imposto. A duas, porque o valor da penalidade revela-se desproporcional à suposta infração praticada, assumindo nítido caráter confiscató rio. Com o advento da Lei n°9.430/96 (reproduz os artigos 43 e 44 da Lei n° 9.430/96 e artigos 222, 230 e 957 do RIR/I999), tornou-se possível a aplicação da multa isolada, inclusive nas hipóteses em que o contribuinte, sujeito à apuração do IRPJ e CSLL por estimativa, deixar de recolher tais tributos, ainda que, ao final do exercício, tenha apurado prejuízo fiscal. Ocorre que apenas a falta de recolhimento do imposto devido, fato que não se verificou, uma vez que foi apurado prejuízo não apenas ao final do exercício, mas em todos os meses dos anos de 2000 a 2003, como se depreende dos balancetes e das Fichas de Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa, é que poderia sujeitar à imposição da multa em comento em percentual tão elevado; é irrelevante para a aplicação da multa a existência ou não de prejuízo ao final do exercício, porém, a presença de prejuízo a cada mês não se demonstra despicienda. Pelo contrário, a aplicação da multa prescinde da falta de pagamento de imposto devido, sob pena de ferir a razoabilidade, a proporcionalidade e ser confiscatória. Em não havendo falta de pagamento, mas, unicamente, um lapso no que diz respeito à transcrição dos balancetes de suspensão — que foram realizados —, fato devidamente documentado por meio das declarações de rendimentos e balancetes ora acostados (docs. 6 e 7), inexiste situação ensejadora à imposição da penalidade ora combatida; • o Conselho de Contribuintes já manifestou sua inconformidade face à aplicação da multa isolada, nas hipóteses em que o contribuinte recolheu o tributo, uma vez que o Fisco já tomou conhecimento do prejuízo fiscal. Nesse sentido, transcreve parte de voto dado em decisão da 1' Turma da CSRF, bem como de ementas de outros julgados daquele Conselho, para concluir que, como a Impugnante subsume-se a todas as situações enfrentadas pelo Conselho de Contribuintes, em casos semelhantes, evidencia-se que a penalidade aplicada deve ser relevada; não obstante no caso em exame não caiba a aplicação da multa de 75%, ressalte-se que mesmo que essa penalidade pudesse ser imposta, apenas a título de argumentação, estaria inconteste a desproporcionalidade da multa face à conduta praticada. Cita obra de Helenilson Cunha Pontes. Para o citado autor, para a concretização da proporcionalidade de multa tributária, devem estar presentes, cumulativamente: (i) adequação; (ii) necessidade e; (iii) conformidade ou proporcionalidade em sentido estrito. Pois bem, analisando-se a penalidade em exame, resta que não houve atendimento a nenhum dos três critérios supra mencionados; • o critério "adequação", por razões óbvias, não foi cumprido, tendo em vista que a multa de 75% sobre o valor do 4 Processo n° 10580.005022/2005-59 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.176 Fl. 5 imposto que seria devido, caso não realizados os balancetes de suspensão, não se revela razoável. É patente que o objetivo, no caso em tela, é evitar que os contribuintes deixem de recolher o imposto devido pela estimativa mensal, sob a alegação de verificação de prejuízo ao final do ano-calendário. Todavia, não foi isso o que se verificou. A Impugnante realizou os balancetes mensais — a despeito de não tê-los transcrito no Diário — e sempre apurou prejuízo. Muito embora tenha cometido tal lapso, nunca deixou de recolher os tributos devidos ao Fisco Federal; • nesse mesmo contexto, temos que o comando "necessidade" também foi ignorado, pois a medida escolhida não foi a menos onerosa possível. Pelo contrário, optou-se pela penalidade mais gravosa à Impugnante, que, reafirme-se, em ocasião alguma deixou de recolher os tributos devidos. No que diz respeito à conformidade", novamente, evidencia-se o desatendimento a este primado, tendo em vista que a restrição imposta acaba por aniquilar a atividade desenvolvida pela Impugnante. Ora, se não há tributo, sequer haveria que se falar em multa aplicável. Conclui-se então pela impossibilidade de exigir-se qualquer penalidade pecuniária. Assim, vê-se que a penalidade aplicada no caso em exame revela-se desarrazoada e em total desconformidade ao princípio da proporcionalidade; • não bastassem os argumentos já trazidos, temos que a penalidade aplicada é excessiva diante da infração cometida, caracterizando infração ao art. 150, V, da Constituição Federal, que veda a utilização de tributos (principal e multa), com feições confiscatórias. Nesse sentido, a tributação que atinge o patrimônio do contribuinte de forma substancial acaba por ferir o direito de propriedade (art. 5 0, XXII) e a livre iniciativa dos particulares (art. 170, II e IV). O confisco tratado pelo dispositivo constitucional é genericamente vedado, a não ser nos casos expressamente autorizados pelo legislador constituinte ou pelo legislador complementar (o que não foi o caso); • ante as considerações acima, resta patente a confiscatoriedade da multa em razão da mera ausência de transcrição dos balancetes de suspensão no Livro Diário. Na hipótese de tal pleito não ser admitido, requer que o percentual de 75% para apuração das multas seja reduzido a um percentual • máximo de 30%. Isto porque o próprio STF, quando do julgamento do Recurso Extraordinário n° 81.550, decidiu que a multa de 100% sobre o valor do imposto devido, em hipótese de falta de pagamento de imposto, possuía caráter confiscatório e, por conseguinte, reduziu-a ao percentual de 30%; • por todo o exposto, requer seja julgada procedente a presente impugnação, para os fins de anular integralmente o auto de infração, relevando-se a multa isolada aplicada. Juntamente com a impugnação, a Interessada trouxe aos autos os documentos de fis. 409 a 602. Ressalte-se, ainda, que o presente processo é composto de 3 (três) volumes. O volume I encontra-se numerado da folha 01 à 1 5 • Processo n° 10580.005022/2005-59 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.176 Fl. 6 197; o volume II, da folha 198 à 395; e o volume III, da folha 396 à 607 (até o presente momento)." A DRJ, por unanimidade de votos, manteve em parte o lançamento, nos termos da ementa abaixo: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindo-se a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 LUCRO REAL ANUAL. SUSPENSÃO DO RECOLHIMENTO DA ESTIMATIVA. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual está obrigada aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, podendo suspendê-los sob a condição de levantar balanços ou balancetes mensais acumulados - que demonstrem que o imposto apurado é igual ou inferior ao montante já pago -, e de transcrevê-los no livro Diário, até a data de vencimento de cada parcela mensal. ESTIMATIVA NÃO RECOLHIDA. MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. RETROATIVIDADE BENIGNA. É cabível o lançamento desta penalidade quando constatado que a pessoa jurídica não efetuou os recolhimentos mensais obrigatórios do IRPJ estimado, ressaltando-se, porém, que o percentual da multa deve ser reduzido para 50% (cinqüenta por cento), em obediência ao princípio da retroatividade da lei mais benigna.." No caso, o provimento parcial foi para reduzir a multa isolada do patamar de 75% para 50% em função da alteração de legislação superveniente (retroatividade benigna) Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho repisando os tópicos trazidos anteriormente. É o relatório. 6 Processo n° 10580.005022/2005-59 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.176 Fl. 7 Voto Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Trata-se de lançamento de multa isolada por falta ou insuficiência dos recolhimentos mensais por estimativa nos anos-calendário de 2000 a 2003. Cabe de início esclarecer que no tocante à multa isolada sempre fui de acordo de que há aqui a existência de duas infrações distintas.Uma coisa é o descumprimento da obrigação de recolher, até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir, o imposto apurado por estimativa; outra, completamente diferente é a caracterização de declaração inexata e da falta de recolhimento do imposto apurado no final do ano, com base no lucro real. A alíquota de 75% foi inclusive alterada posteriormente pelo legislador para ressaltar mais ainda essa constatação. Nesse passo não discordo da DRJ quando apregoa que "É impossível conceber uma regra jurídica impositiva sem efetividade. O artigo 44 da Lei n°9.430, de 1996, veio, exatamente, dar efetividade à regra que permite a apuração do lucro real anual, condicionada aos recolhimentos mensais por estimativa." Mas, data vênia, divirjo quanto ao resto do voto do julgador de primeiro grau. É porque no caso destes autos a situação apresentada é diferente dos casos anteriores em que tenho sido relator. Na verdade, o litígio se resume na não transcrição no livro Diário da Demonstração de Resultado em períodos em que os recolhimentos por estimativa foram suspensos por haver prejuízos fiscais em todos eles, mensalmente. Entendo que se trata de um caso particular onde suas peculiaridades devem ser sopesadas. E essa ponderação tem que vir a reboque do verdadeiro fundamento pelo qual a regra foi criada e existe. Julgo que a exigência de registro no diário de balanço ou balancete em cada período de apuração quando o contribuinte apura resultados segundo o lucro real estimativa suspensão ou redução, tem por finalidade impedir a manipulação de dados, bem assim a confecção de dados extemporâneos e permitir ao Fisco buscar uma exata tomada de posição, se necessário, no momento próprio. Não há dúvida de ser ela uma obrigação de caráter formal, que dá segurança ao fisco até para que ele não precise aprofundar investigações mais detalhadas na contabilidade. Poupa-lhe esforço. Por outro prisma, o fato de existir uma legislação que comande a transcrição dos balanços de suspensão no livro Diário implica em dotar a regra de uma condição suficiente para se garantir ao fisco em tese a inexistência daquela manipulação indevida ressaltada no parágrafo anterior. Porém, o argumento a contrario senso não é verdadeiro, ou melhor é uma falácia, a chamada "falácia do falso antecedente". Pois, se uma regra "P" implica "Q". Não se 74,,pode concluir com todo o rigor lógico que "não P" implique também em "não Q". Isso porque . 7 Processo n° 10580.005022/2005-59 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.176 Fl. 8 existem outras forma de chegar-se a "Q" (Segurança, não manipulação dos resultados, confecção de dados extemporâneos, etc) sem ter necessariamente que passar por "P" (transcrição dos balancetes no livro Diário). E essa outra forma, obviamente, passa pelo reconhecimento de que aquela omissão em nada afeta a validade e a eficácia da escrituração como prova primária. Se esta existe, o Fisco pode, e deve, a partir dela, empreender as diligências necessárias à configuração do fato tributário. Nesse diapasão, analisando o que consta dos autos, verifico que a escrita contábil da Recorrente existia, sendo que ainda presente neles demonstração de resultados, o LALUR, o Diário e registro no RAZÃO. Por isso, entendo que a desconsideração da contabilidade da Recorrente, nesse caso especifico se configura com um excesso de rigor formal. É que os balancetes por ela apresentados demonstram facilmente a existência de prejuízos fiscais em todos os meses dos anos envolvidos, sem se constituir em nenhuma operação muito complexa essa verificação e até de fácil entendimento até para uma criança, para daí concluir facilmente pela desnecessidade do recolhimento das estimativas. O Fisco, em 2005, quando do lançamento de oficio, já dispunha das Declarações de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ, dos anos- calendário de 2000 a 2003, juntadas aos autos pelo próprio autuante, peça que tem como elemento integrante a Ficha 11 - Cálculo do Imposto de Renda por Estimativa Mensal, que por sua vez foi constituído a partir dos balanços de suspensão e redução mensais, onde todos eles indicam prejuízos fiscais. E isso tudo não foi questionado, bem assim serve como baliza inicial para indicar que os dados não foram extemporaneamente produzidos ou mesmo manipulados. Nesse ponto, se constata duas coisas. O ônus da prova, nesse caso, estaria invertido. Caberia ao fisco cumprir nesse caso específico o mandamento nuclear que determina a procura pelo fato verdadeiro. A rigidez do formalismo, como uma espécie de barreira fictícia erigida pela legalidade, levou-o a desconsiderar o registro dos custos e das despesas contabilizados pelo contribuinte, escudando-se, tão-somente, nas receitas, tomadas como único divisor para apuração das estimativas. O dever investigatório deveria ter sido acionado, não se podendo admitir um formalismo exagerado sem apreço pela situação específica do caso, bem assim do fundamento maior pelo qual uma regra foi criada. Nessa mesa linha a jurisprudência do CARF tem se firmado: "MULTA ISOLADA - FALTA DE TRANSCRIÇÃO DA DRE NO DIÁRIO - Transcritos os balanços no livro Diário, a falta de transcrição da demonstração do resultado dos períodos em que se suspenderam ou se reduziram as estimativas mensais, não justifica a imposição da multa isolada, quando o fisco teve em mãos elementos suficientes para auditar os recolhimentos efetuados. 1° Conselho de Contribuintes / 7a. Câmara / ACÓRDÃO 107-07356 em 15.10.2003. Publicado no DOU em: 12.02.2004." "ESTIMATIVA REDUÇÃO SUSPENSÃO - A apresentação de toda a escrita fiscal e contábil, nestas incluídos os livros diários, razão e LALUR, ainda que sem a devida escrituração de balanços ou balancetes, na forma ?mais completa e desejável, não pode justificar a aplicação da multa exclusiva, 8 Processo n° 10580.005022/2005-59 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.176 Fl. 9 quando presentes ainda prejuízos. Recurso negado. Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF - Processo n° : 10830.008800/2002-20 Acórdão n° 107-08.10022. Primeira Turma / ACÓRDÃO CSRF/01-04.053 em 19/08/2002. Publicado no DOU em: 05.08.2003." "FALTA DE TRANSCRIÇÃO DOS BALANÇOS OU BALANCETES DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO - A simples falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no livro Diário, não pode justificar a aplicação da multa isolada prevista no art. 44 § 1°, "IV", da Lei n° 9.430/96, quando o sujeito passivo apresenta toda a escrita contábil e fiscal demonstrando que apurou prejuízos fiscais. Recurso Provido. 1° Conselho de Contribuintes / la. Câmara / ACÓRDÃO 101-94.401 em 16/10/2003. Publicado no DOU em: 28.01.2004." Por todo o exposto, dou provimento ao recurso. NTONIO WZERRA NETO 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA 2,4"M CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - Q.:0' QUARTA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO Processo n° : 10580.005022/2005-59 Acórdão n° : 1401-00.176 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. ()1 Brasília, n \?\ Ç \ Lk L " ekk- Scuzc.",_ aristela de Sousa Rodrigues — Sedretaria da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração.
score : 1.0
Numero do processo: 11613.000273/2007-47
Data da sessão: Wed Mar 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 20/03/2007
NORMA DE INCIDÊNCIA TIPICIDADE CERRADA
O sistema de direito positivo e a lógica jurídica exigem que o fato contenha todos os requisitos definidos no tipo legal para que possa ocorrer a incidência A tipicidade cerrada da norma penal e da norma tributária constitui o elemento essencial do princípio da segurança jurídica
MULTA ADMINISTRATIVA SOBRE O CONTROLE ADUANEIRO
Quando o valor aduaneiro não é definitivo na data do registro da (DI), em virtude de o preço a pagar ou das informações necessárias à utilização do método do valor de transação depender de fatores a serem implementados após a importação, como é o caso dos autos, o fato de o Contribuinte apresentar o preço definitivo das mercadorias importadas fora do prazo estabelecido pela IN SRF n° 327/03 - após 90 dias do registro da DI, mas antes de apuração pela autoridade aduaneira, em procedimento de fiscalização - por si só, não constitui nem realiza a regra-matriz de incidência da multa administrativa disposta no art 633, inc I, do Decreto n° 4.543/02
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3101-000.356
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: Luiz Roberto Domingo
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio Henrique Pinheiro Torres -Yres g ente Luiz Roberto Doming15 Relator EDITADO EM: 0910412010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, T arásio Campeio Borges, Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente e Vaidete Aparecida Marinheiro. Relatório Irata-se de Recurso de Oficio interposto pela turma julgadora de primeira instância em face da decisão que exonerou a contribuinte interessada de crédito tributário cujo valor excedeu o limite de alçada, com base nos fundamentos consubstanciados na seguinte ementa: A APLICAÇÃO DE PENALIDADE REQUER ESTRITA ADEQUAÇÃO ENTRE O FATO E A HIPÓTESE LEGAL DE INCIDÊNCIA O descumprimento do prazo estabelecido no art 22, §1°, da IN SRF n ó 327/03, não constitui, por si só, fato tipificado como sujeito à exação imposta pelo parágrafo único, do ai t 88, da iVIP 2 158-35/01 Lançamento Improcedente Por bem descrevei o objeto da lide, adoto o relatório de Primeira Instância de tis 69/72: "A autuação foi motivada pela constatação do não cumprimento do prazo estipulado no artigo 22, § 1 0, da Instrução Normativa (IN) SRF 12° 327, de 9 de maio de 2003, quando da solicitação pelo inter essado de retificação da DI em tela, formalizada por meio do Processo AdIlliniStt ativo n°11613 000215/2007-13 Da descri elo dos atos feita pela fiscalização Nas folhas 02/04 do citado auto de infração a autoridade autuante descreve os fatos da .forma que pode ser resumida confoime a seguir - os pedidos de retificação de Dl do interessado decorrem, em alguns casos, de processos de importação de matérias-primas constituídas de minérios transportados a granel, cru cuja composição constam, inclusive, alguns metais nobres, - em razão da falta de informação no momento do desembaraço da real composição química do material importado, a fatura comercial instrutiva da Dl é apresentada com dados pi ovisórios, oriundos de estimativa com base no total de produto embarrado pelo fornecedor internacional, dados esses que são ajustados [quanto à composição e valor./ por ocasião da subseqüente apresentação da fatura comercial definitiva, emitida com base em análises técnicas especializadas, - [discorre sobre as disposições contidas no art 22, da IN SRF n' 327/03]; Processo n" 1[613 000273/1007-47 S3-C1T1 Acórdão n 3101-00356 Fl 90 - nos Dados Complementares da D1 foi informado que "{ • informamos que o valor aduaneiro declarado é provisório, sujeito à variação, devido à analise química e período cotacional dos metais Em vista das etapas descritas, estimamos que o valor declarado será retificado em até 150 dias", - a possibilidade de variação, portanto, foi atendida quanto a esse item de informação da situação na própria DI e, vez que a DI foi desembaraçada, conclui-se pela anuência da fiscalização quanto à dilação do prazo para 150 dias, - a fatura constante na DI era provisória e perderia sua validade em 20/08/07, prazo de 150 dias para apresentação da fatura definitiva, deferido pela fiscalização, - somente em 17/09/07 for apresentado o requerimento para a juntada da fatura definitiva à DL Portanto, a interessada deixou de apresentar a fatura comercial no prazo fixado, com o respectivo pedido de retificação no prazo fixado, configurado, com isso, a infração ora autuada; o ADI SRF n° 17/04 tornou explicito o reconhecimento de que a aplicação da multa do inciso I, do art. 633, do Regulamento Aduaneiro esta incondicionada à evidenciaçã o da intenção do agente, erigindo, portanto, a caracterização do fato como condição suficiente à imposição da respectiva cominação, - no momento em que o ADI SRF n° 17/04 estabek o entendimento de que a constatação de diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação é suficiente para a aplicação da multa administrativa de 100% da diferença entre ambos os preços, há que se entender que tal constatação exige a declaração de um preço que, subsequentemente, se revela não corresponder àquele efetivamente praticado na importação; - - tal corre quando o importador apresenta preço provisório da mercadoria, requer prazo diferenciado para apresentar a retificação, deixa referido prazo transcorrer sem nenhuma justificativa formal e, depois de superado o prazo regulamentar; resolve apresentar os valores efetivamente praticados, quando o preço provisório, por força do decurso de prazo da IN SRF n° 327/0.3,/á havia se tornado definitivo, - a legislação não considera regular a retcação extemporânea, uma vez que torna definitiva a fatura provisória não retificada no prazo, incorrendo esses casos na hipótese de incidência da multa administrativa referida anteriormente Da impuenacão Inconformada quanto ao Auto de Infi ação, do qual foi cientificada em 27/11/07, a interessada apresentou, tempestivamente, em 27/12/07, a peça impugnatória de/is 35/45 que a seguir resume-se 3 - a conduta que .se pune com a aplicação da multa de 100% é o fato de existir, de um lado, "o preço declarado" e, de oun o, "o preço efetivamente praticado na importação" ou "o preço arbitrado". Ou seja, são as condutas dos COM) ibuintes que, na importação de mercadoria, atuam para mascarar o preço real da importação utilizando subterfúgios, artifícios maliciosos que sempre configuram fr ande, sonegação ou conluio, - somente na fraude, sonegação ou conluio, tal como tipificado nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4502/1964 verificar-se-á a existência de uni fato efetivamente declarado (o preço irreal da importação) e o fato verdadeiro que se pretendeu encobrir (o preço efetivamente praticada na importação ou o preço tu bitraá) É por isso que a cabeça do artigo 88 da NIP n°2 158- 35/2001 faz menção expressa a estas condutas para em seguida tratar do arbitramento Certamente que este dispositivo não precisaria fazer menção à fraude, sonegação ou conluio e tratar de procedimento para se apurar o "preço efetivamente praticado na operação", posto que este é verificado pelo Fisco no âmbito do poder geral de fiscalização, - no caso sub examine, não se constatou a existência de fraude, conluio ou sonegação, ou seja, a intenção de a impugnante lesar os cofres públicos, tampouco de dissimular as informações apresentadas na DI, para subfatiti ar -o preço da mercadoria e/ou reduzir o valor dos impostos devidos, razão pela qual a autuação deve ser integralmente cancelada; - as autoridades adminisu ativas, por meio do DI n° 17/2004, manifestaram o entendimento de que a aplicação da multa em tela independe da intenção do agente, - em que pese a duvidosa legalidade deste ato administrativo ao menos ele ressalta que a multa aplica-se, tão somente, quando seja constatado que o contribuinte declarou um preço e posteriormente se apurou o preço efetivamente praticado na importação ou o preço arbitrado, - este é o ponto fundamental no presente caso, não há um valor declarado pela impugnante e um preço efetivamente praticado na importação, a ensejar a incidência da multa como pi etende o auto de infração; seja porque inexistiu qualquer intenção da impugnante em mascarar o valor correto da operação, seja porque inexiste um valor declarado pelo contribuinte e um preço efetivamente praticado apurado pelas autoridades administrativas, - [discorre sobre as atividades da empresa e sobre o modus opera.ndi nas importações que realiza que, no presente caso, se submete ao regime aduaneiro especiaL de Drawbacici, - por que a impugnante dependia de informações e técnicos alhures. em razão da complexidade da análise quimica, não foi pos.sivel oferecer o valor aduaneira real dentro do prazo de 150 dias Somente o fez no prazo de 180 dias após o regist, o da Dl, quando apresentou o pedido de r etificação do valor aduaneiro, justificando ainda a sua apresentação extemporânea; 4 Processo o' / /613 000273/200747 Acórdão n O 31.01-00 356 S3-CITI Fl 91 - a própria fiscalização reconheceu que o valor apresentado na Dl era um preço provisório e que posterionnente haveria o preço definitivo com base no laudo técnico,- - isto significa que, em nenhum momento, a impugnante apresentou a valor constante da DI como sendo o preço real da mercadoria, ao contrário, além de haver manifestado expressamente a necessidade de posterior retificação, procedeu à sua alteração após análise laboratorial, conforme restou demonstrado 7105 autos, - nunca existiu divergéncia entre o valor declarado na DI e aquele efetivamente praticado na importação, já que o "valor declarado" na DI era reconhecidamente provisól ia e o "valor efetivamente praticado na importação" foi corretamente apresentado pela impugnante, embora extemporaneamente; - a simples demora na entrega da retificação, nãO constitui conduta típica sujeita à penalidade do artigo 633, inciso I, do Regulamento Aduaneiro, mas, ao revés, demonstra que a impugnante cumpriu as obrigações fiscais impostas pela lei, pautando-se, sua conduta, pela legalidade e boa-fé, - pelo exposto, requer o cancelamento da multa objeto da autuação Ao analisar a questão a DRJ-Fortaleza entendeu pela improcedência do lançamento, sob o fundamento que o descumprimento do prazo estabelecido no art. 22, § 1°, da fN SRF if 327/03, não constitui, por si só, fato tipificado como sujeito à exação imposta pelo parágrafo único, do art.. 88, da MP 2A58-35/0l, regulamentado pelo art. 633, inc. 1, do Decreto n° 4.543/02, É o Relatório Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Conheço do Recurso de Oficio por atender aos requisitos de admissibilidade, em especial, quanto à matéria de competência deste Conselho e quanto à superação do limite de alçada conforme estabelecido no art. 34, do Decreto n° 70 235/72, com alterações introduzidas pela Lei n° 9 532/97 e Portaria MF n° 3/2008 Corno relatado, o presente processo trata da exigência de multa administrativa sobre o controle aduaneiro por ter entendido a Fiscalização como definitivo o preço provisório apresentado pela importadora, haja vista que não realizou a retificação da DI tempestivamente A interpretação dada pelo Fisco, constitui presunção que não está prevista em lei_ Um a coisa é atraso na retificação de Dl apresentada e aceita com valor provisória, por pendente cláusula negociai do preço, outra coisa é o tipo penal prevista no art.. 88 da Media Provisória 2 158-35/01, que trata da diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado É certo que no caso de o valor aduaneiro não é definitivo na data do registro da (Dl), em virtude de o preço a pagar ou das informações necessárias à utilização do método do valor de transação depender de fatores a serem implementados após a importação, como é o caso dos autos, o Contribuinte deverá apresentar o preço definitivo das mercadorias importadas no prazo de 90 dias da data do registro da DI, conforme estabelecido pela IN SRF ri° 327/03 Ocorre que o atraso no cumprimento da obrigação acessória, antes de qualquer apuração pela autoridade aduaneira, em procedimento de fiscalização, por si só, não constitui nem realiza a regra-matriz de incidência da multa administrativa disposta no art. 633, inc I, do Decreto n' 4.543/02. A mora no cumprimento de obrigação acessória que fornece o definitivo valor da importação, em hipótese nenhuma, pode desencadear a presunção de que o valor provisório deva ser considerado definitivo e, por conta disso, caracterize-se a divergência entre o valor declarado e o valor praticado na transação comercial, conforme bem apreciou a decisão de primeira instância.: "Note-se que, conforme já 1 eferenciado, a importação em epígrafe se processou com as prerrogativas inerentes às transações com cláusula de revisão de preços, essa condição foi consignada no momento do registro da DI e as autoridades aduaneiras i econheceram que o valor apresentado naquele momento eia provisório e seria posterior mente alterado para o valor definitivo O deferimento do pedido de retificação da Dl para o valor informado pelo importador; de acordo com a fatura definitiva apresentada, conforme 11 66, significa o reconhecimento da autoridade administrativa de que o valor de transação definitivo, que se encontrava sob condicão suspensiva, é o valor agora declarado pelo importador no momento da solicitação de ajjjaCãQffipJe este coincide CCM' o peco efetivamente pago ou a pagar. Portanto„ não há que se falar em "diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado", sendo, neste caso, inaplicável a exação imposta ao interessado, visto não haver estrita adequacão entre o fato e a hipótese de incidência. Por fim, faça-se constar que a mercadoria ingressou no País com o beneficio de drawback, modalidade suspensão, na qual o incentivo é concedido sob condição de ulterior exportação dos bens importados, nas condições e termos firmados em Ato Concessen ia, emitido pela Secretaria de Comércio Exterior. (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Nesse caso, embora o fato gerador tenha ocorrido na data do egistro da DI, o pagamento do crédito correspondente somente será exigido do beneficiário, se constatada a sua inadimplência em relação ao compromisso de exportação assumido ou, ainda, no caso de renúncia à aplicação do regime, e somente para aquelas mercadorias para as quais venha a ser adotado 5 Processo n° 11613 000273/2007-47 S3-CIT1 Acórdão n 3101-00;356 Fi 92 procedimento previsto no vitt 342, do Decreto n° 4 543/02 que implique no pagamento dos tributos suspensos. Assim, concluo que, no presente caso, o descumprimento do prazo estabelecido no art .22, ,5ç 1°, da LU SRF n" 327/03, não constitui, por si só, fato tipificado como sujeito à exação imposta pelo parágrafo único, do art. 88, da .11/IP 2 158-35/01, regulamentado pelo art 631, Mc I, do Decreto n°4 543/02 É de notar-se que a subsunção do conceito do fato ao conceito da norma jurídica é procedimento da lógica que não admite que o aplicador exceda aos requisitos do tipo ou aos limites do fato real para moldá-los ao seu entendimento particular e pessoal O sistema de direito positivo e a lógica jurídica exigem que o fato contenha todos os requisitos definidos no tipo legal para que possa ocorrer a incidência.. A tipicidade cerrada da norma penal e da norma tributária constitui o elemento essencial do princípio da segurança jurídica. Portanto, em face da realidade fática dos autos e dos relevantes fundamentos que foram trazidos pela decisão recorrida, entendo que o fato da Contribuinte apresentai o preço definitivo das mercadorias importadas fora do prazo estabelecido pela IN SRF ri' 327/03, não realiza a regra-matriz de incidência da multa administrativa disposta no art. 633, inc 1, do Decreto n° 4.543/02. Diante do exposto NEGO PROVEVIENTO ao Recurso de Oficio Luiz Roberto Domingo 7
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Numero do processo: 18471.000443/2006-13
Data da sessão: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 201-00.776
Decisão: Resolvem os Membros da Primeira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Fabíola Cassiano Keramidas
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Resolvem os Membros da Primeira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Participaram, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Walber José da Silva, Mauricio Taveira e Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D' eça, José Antonio Francisco e Alexandre Gomes. Relatório e Voto Trata-se de Autos de Infração relativos à Contribuição para a Seguridade Social (COFINS) e à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) lavrados em razão do suposto não recolhimento de valores devidos na sistemática cumulativa e não cumulativa. A fundamentação fatica do auto de infração encontra-se as fls. 82/85 — Vol. I. Conforme constatado do Termo de Verificação Fiscal II (t1s. 78/85), a fiscalização teve origem na diligência derivada do processo administrativo n° 70768.010268/99-36, relativo ao processo n° 99.001.2015-9, da 17 a Vara Federal, no qual a Recorrente discute a inconstitucionalidade das alterações trazidas pela Lei n° 9.718/98 ao ordenamento jurídico. 4,,fikro Processo n° Processo n.° 18471.000443/2006-13 Resolução n.° 201-00.776 CCO2/C0 I Fls. 2 Terminada a auditoria fiscal foram lavrados autos de infração por tributo e período, tendo-se formado um processo administrativo para a constituição dos valores vinculados ao processo judicial e outro processo (o ora analisado) para a exigência dos demais valores. 0 Termo de Verificação Fiscal (fis. 78/85) consignou, para o período que importa neste auto de infração que: "6..) Após análise comparativa entre os mapas demonstrativos de bases de cálculo do PIS e da Cofins, para o período de janeiro de 1999 a dezembro de 2005 e contribuições devidas, com as páginas dos balancetes (Demonstração de Resultado) para o grupo de contas 311 e 312, para o mesmo período e as DCTF apresentadas, identificadoras das contribuições devidas, surgiram as seguintes inconsistências: comparando-se as bases de cálculo (receitas operacionais) dos balancetes com os mapas demonstrativos, verificamos que os valores informados nos mapas demonstrativos são superiores; comparando-se os valores devidos de contribuições (PIS e Cofins) nas DCTF com os mapas demonstrativos, verificamos que os valores informados nas DCTF são inferiores; Para o ano calendário de 2003, a intimada tem a informar que o recolhimento em separado do PIS cumulativo e do PIS não cumulativo só ocorreu a partir da competência abr/2003, por isso para o período jan/03 a mar/03 todo o valor devido de PIS foi informado como PIS cumulativo. No período de mai/03 a set/03 ocorreu erro no preenchimento da DCTF, sendo todo o valor informado como PIS cumulativo. Para o período de out/03 a dez/2003 ocorreu erro no preenchimento da DCTF, não sendo informado todo o débito. No caso da Cofins, a intimada tem a informar que ocorreram erros no preenchimento da DCTF, não sendo informado todo o débito. Dessa forma a intimada vem solicitar a esta fiscalização a possibilidade de alterar as DCTF de modo que as diferenças apontadas possam ser sanadas,. Diante do exposto, e considerando que a empresa fiscalizada não apresenta nenhum documento ou lançamento contábil que comprove a alegação acima citada, inclusive o fato de estar sob procedimento de oficio, onde não cabe a retificação das DCTF apresentadas, providência utilizada em procedimento espontâneo, procedemos a tributação das diferenças de contribuição para o PIS e para a Cofins; Para o ano calendário de 2004, a intimada verificou que quando do envio das bases de cálculo não foram consideradas cis últimas apurações. As diferenças apontadas pela .fiscalização quando do primeiro levantamento, se reduziram a diferenças que ocorreram por preenchimento incorreto das DCTF. Dessa forma, solicitou a possibilidade de alterar as DCTF de modo que as diferenças apontadas possam ser sanadas; 2 Processo n.° 18471.000443/2006-13 Resolução n.° 201-00.776 CCO2/C01 Fls. 3 Diante do exposto, e considerando que a empresa fiscalizada não apresenta nenhum documento ou lançamento contábil que comprove a alegação acima citada, inclusive o fato de estar sob procedimento de oficio, onde não cabe a retificação das DCTF apresentadas, providência utilizada em procedimento espontâneo, procedemos a tributação das diferenças de contribuição para o PIS e para a Cofins,. Considerando que a empresa fiscalizada possui liminar em mandado de segurança relativa ao processo no 99.001.2015-9 da .17a Vara Federal, sobre o alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, para o período de janeiro de 1999 a fevereiro de 2003, e que para esse período foram encontrados remanescentes de contribuição devida, procedemos ao lançamento da seguinte forma: de fevereiro de 1999 até fevereiro de 2003, lançamento com exigibilidade suspensa, sem multa de oficio, cobrando apenas contribuição devida e juros de mora (lançamento com fins decadenciais); de março de 2003 até dezembro de 2004, no caso da Cofins, e de março de 2003 a setembro de 2004, no caso do PIS, normal, ou seja, cobrado contribuição devida, multa de oficio de 75% e juros de mora." (destaquei)) Inconformada, a Recorrente apresentou suas razões de impugnação As fls. 132/150, alegando, em síntese, que: Ocorreu a nulidade absoluta das autuações fiscais ora impugnadas, devido a ausência de motivação e cerceamento do direito de defesa, inclusive porque apenas consta dos autos o "Termo de Verificação Fiscal II", não constando dos autos o "Termo de Verificação Fiscal I", do qual, supõe-se, deva constar a adequada explanação dos procedimentos de conferência da documentação e dos esclarecimentos apresentados no curso da fiscalização, com a indicação dos reais motivos pelos quais os documentos não teriam sido aceitos. Houve falha no preenchimento das declarações, mas desta falha não resultou recolhimento de tributo a menor. Ao se limitar a simples constatação das diferenças baseadas em demonstrativos equivocados cuja substituição fora requerida, a Fiscalização deixou de verificar a origem e a natureza dos respectivos montantes que, dependendo da situação, podem caracterizar recursos não tributados (isentos ou excluídos da base por lei) ou, se tributados, pelo regime cumulativo ou não-cumulativo, gerando, assim, exações de diferentes formas e valores. No que respeita à contribuição ao PIS dos meses de maio a setembro/2003, a Recorrente informou a fiscalização que os valores devidos pelas duas sistemáticas a que estão submetidas suas receitas — cumulativa e não cumulativa — haviam sido declarados em DCTF conjuntamente, na ficha atinente à sistemática cumulativa, transparecendo corn isso que o valor apurado conforme a sistemática não cumulativa Ili() teria sido declarado e tampouco recolhido. Logo, a Recorrente informou a Fiscalização do erro, tendo sido apresentando, inclusive, o demonstrativo do cálculo adotado para a apuração da contribuição ao PIS pelos dois sistemas, o qual demonstra que a soma do total devido pelo regime cumulativo com o total devido pelo regime não-cumulativo corresponde, exatamente, ao valor constante das fichas DCTF apresentadas. Registra a Recorrente que o total do montante 3 Processo n.° 18471.000443/2006-13 Resolução n.° 201-00.776 CCO2/C0 1 Fls. 4 devido conforme ambas as sistemáticas de apuração foi integralmente recolhido e que o Agente Fiscal desconsiderou os esclarecimentos prestados e, sob o fundamento de que havia se iniciado o procedimento de oficio, condição que impossibilitava a retificação das declarações, autuou a Recorrente concluindo que não foi realizado o recolhimento da diferença devida pelo regime não-cumulativo. Para exemplificar a Recorrente esclarece que constou da DCTF do mês de maio/2003 (ficha de PIS-sistemática cumulativa) que o valor do débito apurado totalizava R$10.395.011,77, não tendo sido apresentada a ficha atinente às receitas sujeitas à. sistemática não cumulativa (conforme indicado pela fiscalização no "Termo Verificação fiscal II"). Já no mapa demonstrativo fornecido pela Recorrente o valor do PIS totaliza R$ 9.035.596,14 e aquele apurado para as receitas vinculadas à sistemática não cumulativa, R$ 1.359.415,63 (que é justamente o que exige a autuação). Ora, a soma dos dois montantes totaliza, exatamente, o montante de R$ 10.395.011,77. Tal raciocínio e o cálculo demonstrados para o mês de maio são igualmente aplicáveis aos meses de junho a setembro. No que se refere ao PIS apurado pelo regime não-cumulativo dos meses de outubro a dezembro/2003, a Fiscalização decidiu exigir diferenças constatadas a partir da confrontação dos montantes de base e tributo apurados em demonstrativo elaborado e disponibilizado pela Impugnante com os valores infonnados em DCTF nas fichas de apuração da contribuição calculada segundo as regras da não-cumulatividade; Em razão de constar do demonstrativo fornecido pela Recorrente A Fiscalização valores do PIS apurado pela sistemática não cumulativa superiores aos infonnados nas DCTF, assumiu a Fiscalização que a diferença, como deixou de ser declarada, também não teria sido paga. Todavia, conforme atestam os DARFs anexos e as relações "compensação de pagamento indevido ou maior" ou de "outras compensações e deduções" listadas nas DCTF, os valores que a Fiscalização exige foram todos satisfeitos, motivo pelo qual essa parcela do crédito ora impugnado encontra-se extinta, nos termos do art. 156 do CTN. Importante registrar, que os valores exigidos no lançamento de oficio foram todos eles adimplidos antes do inicio da Fiscalização, motivo pelo qual não há que imaginar que a Impugnante esteja obrigada a recolher a multa de oficio imposta pelos AIIMs impugnados. Para exemplificar a Recorrente esclareceu o procedimento adotado no mês de outubro/2003, em que apresentou planilha informando que teria R$ 1.030.704,86 de PIS a recolher, apurados de acordo com as regras da sistemática não cumulativa. JA na DCTF está indicado que o valor devido seria apenas R$ 731.427,70, sendo assim a Fiscalização imaginou que a diferença entre ambos os valores (ou seja, R$ 299.277,16) não teria sido recolhida, razão pela qual a exigiu na autuação. No entanto, com se verifica dos documentos ora anexados, o montante exato de R$ 1.030.704,86 foi pago na data de seu vencimento. No que respeita às supostas diferenças da contribuição ao PIS atinentes aos meses de janeiro a setembro/2004, trata-se, apenas e tão somente, de falhas formais havidas quando do preenchimento das DCTF, sem originar, contudo, qualquer recolhimento a menor do tributo de que se cuida. A Recorrente, por entender, inicialmente, que as receitas de multas e juros cobrados em razão do inadimplemento dos usuários estariam sujeitas A. sistemática de apuração não cumulativa da contribuição ao PIS, assim procedeu. Da mesma forma, no que respeita às receitas de serviços de "portas de acesso", isto 6, decorrentes de funcionalidades complementares, inclusive o suporte provido para a viabilização de conexões à interne, entendeu a Recorrente, em um primeiro momento, que se sujeitariam à. sistemática de apuração 4 Processo n.° 18471.000443/2006-13 Resolução n.° 201-00.776 CCO2/C01 Fls. 5 não cumulativa, pois não seriam propriamente decorrentes da "prestação de serviços de telecomunicações". Quanto a receitas de multas e juros decorrentes de inadimplemento, a Recorrente formulou consulta A. Secretaria da Receita Federal, a qual lhe foi respondida no sentido de que permaneceriam sujeitas A. apuração conforme a sistemática cumulativa, por terem a mesma natureza das receitas decorrentes da prestação de serviços de telecomunicações. JA no que tange as receitas de "portas de acesso", no oficio n° 113/2006, enviado em 27/04/2006 pelo Sr. Superintendente Executivo da ANATEL ao Sr. Secretário Executivo do CONFAZ, a referida agência em resposta à consulta que lhe fora formulada pelo CONFAZ, esclarece tratar-se de serviços de telecomunicação. Deste modo, tratando-se de serviços de telecomunicação conforme manifestação exarada pelo órgão competente, as receitas dai decorrentes sujeitam-se A. contribuição ao PIS apurada conforme a sistemática cumulativa, nos termos do art. 8° , VIII, da Lei n° 10.637/2002; Por estas razões, os demonstrativos apresentados pela impugnante à fiscalização consideraram tais receitas como sujeitas A. apuração do PIS conforme a sistemática cumulativa, por ser este o entendimento oficial vigente. Todavia, as DCTF anteriormente apresentadas haviam considerado estas mesmas receitas como sujeitas A. sistemática não cumulativa, o que gerou a autuação. No que respeita aos valores indicados no demonstrativo de "composição da diferença" como "DARF PIS cumulativo" e "DARF COFINS Cumulativo" (incorreção no período de apuração e na DCTF), a Recorrente registra que os mesmos foram recolhidos e indicados em DARF no "período de apuração" como débitos do mês de fevereiro/2004, mas que, no entanto, como se vê da planilha, dizem respeito ao PIS/COFINS devido no mês de janeiro. A Recorrente informa já ter solicitado as retificações dos documentos de arrecadação. Quanto A. Cofins de fevereiro a junho, novembro e dezembro/2004, a Fiscalização somou os valores de contribuição indicados no campo "Cofins cumulativo a pagar" da parte que trata da "base de cálculo regime cumulativo", com o subitem "DARF" da "Composição de pagamento" do trecho a respeito da "base de cálculo regime não-cumulativo", ambos indicados no demonstrativo preparado e entregue A Fiscalização pela Recorrente. Comparou este valor com os montantes informados como "débito apurado" nas fichas das DCTF da Cofins calculada segundo as regras da cumulatividade apresentadas nos períodos (valores listados no "Termo de Verificação Fiscal II). A comparação resultou em diferença de Cofins, correspondente ao valor do pagamento feito da contribuição pelo regime não- cumulativo. De fato a totalidade da Cofins indicada na "composição do pagamento", subitem "DARF", foi integralmente recolhida, conforme verifica-se dos DARF anexos, que indicam cada um dos períodos lançados de oficio pela Fiscalização. Em relação ao mês de julho/2004, a Recorrente registra que a diferença entre o valor que apurou em planilha e o valor declarado em DCTF tem origem na não consideração do pagamento da COFINS conforme sistemática não cumulativa do período, efetuada via DARF e em pedidos de compensações apresentados em relação a parte da Cofins conforme sistemática cumulativa, não informados na DCTF. De fato, somando-se o valor do DARF (R$ 159.774,42) corn os valores dos pleitos de compensação apresentados e não infomiados em DCTF (R$ 2.300.373,26), apura-se a diferença lançada na autuação, no total de R$ 4., 5 Processo n.° 18471.000443/2006-13 Resolução n.° 201 -00.776 CCO2/C01 Fls. 6 2.460.147,68. Portanto, demonstrada a extinção do crédito tributário atinente à suposta diferença, impõe-se o cancelamento da autuação fiscal também nesta parte. Por fim, para o mês de agosto, a fiscalização examinou o valor indicado na planilha como devido a titulo de Cofins, sistemática cumulativa, e o constante da DCTF apresentada, apurando diferença a maior constante da planilha que não estava indicada em DCTF, lançando a diferença. Tal valor, assim como explicitado para o PIS no item "a", decorre da mudança de apuração das receitas de multa e juros de clientes em atraso e de portas de acesso da sistemática não-cumulativa para a cumulativa, sem originar recolhimento a menor, como se vê do demonstrativo de apuração das bases de Cofins para 2004. Dessa maneira, tal parcela da exação deve ser igualmente cancelada. Após a analisar as razões apresentadas pela Recorrente, a Quarta Turma de Julgamento da Delegacia do Rio de Janeiro II (fls. 902/918 — Vol. V) proferiu o acórdão n° 13- 14.801, por meio do qual entendeu por bem cancelar parcialmente o auto de infração em análise, in verbis : "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/03/2003 a 31/12/2004 NULIDADE. AMPLA DEFESA. Uma vez petfeitamente identificado no auto de infração que foram garantidos ao autuado todos os direitos para o exercício de sua defesa, não se tem configurada qualquer afronta aos princípios da ampla defesa ou do contraditório. DEVER DE PROVAR. BASE DE CÁLCULO INFORMADA. DESCONSIDERAÇÃO. Somente se inviabiliza a base de cálculo informada pelo autuado, para substitui-la por um montante mais gravoso, mediante a apresentação de provas efetivas que explicitem a origem da diferença. RECOLHIMENTO COMPROVADO. Não deve prosperar o lançamento de oficio motivado por falta ou insuficiência de recolhimento, quando restar comprovada a efetivação do pagamento dentro do prazo legalmente previsto para o seu vencimento. FALTA DE RECOLHIMENTO - A falta ou insuficiência de recolhimento apurada em procedimento fiscal , enseja o lançamento de oficio com os devidos acréscimos. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). CONFISSÃO DE DÍVIDA. As declarações de compensação (Dcomp) entregues à SRF a partir de 31/10/2003, constituem-se confissão de divida e instrumento hábil e suficiente à exigência dos débitos indevidamente compensados. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 30/04/2003 a 30/09/2004 NULIDADE. AMPLA DEFESA. 6 Processo n.° 18471.000443/2006-13 Resolução n.° 201-00.776 CCO2/C01 Fls. 7 Uma vez perfeitamente identificado no auto de infração que foram garantidos ao autuado todos os direitos para o exercício de sua defesa, não se tem configurada qualquer afronta aos princípios da ampla defesa ou do contraditório. DEVER DE PROVAR. BASE DE CÁLCULO INFORMADA. DESCONSIDERA Somente se inviabiliza a base de calculo informada pelo autuado, para substitui-la por um montante mais gravoso, mediante a apresentação de provas efetivas que explicitem a origem da diferença. RECOLHIMENTO COMPROV.ADO. Não deve prosperar o lançamento de oficio motivado por falta ou insuficiência de recolhimento, quando restar comprovada a efetivação do pagamento dentro do prazo legalmente previsto para o seu vencimento. FALTA DE RECOLHIMENTO - A falta ou insuficiência de recolhimento apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de oficio coin os devidos acréscimos. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). CONFISSÃO DE DÍVIDA. As declarações de compensação (Dcomp) entregues à SRF a partir de 31/10/2003, constituem-se confissão de divida e instrumento hábil e suficiente cl exigência dos débitos indevidamente compensados." Em resumo, a decisão de primeira instância administrativa concluiu que a fiscalização não lop-ou comprovar a ocorrência das infrações, razão pela qual devem ser consideradas como efetivas as informações apresentadas pela Recorrente, a saber: "Ern nosso caso, não há qualquer elemento apresentado pela fiscalização que nos leve a desconsiderar os valores do PIS cumulativo e não cumulativo constantes das colunas "PLANILHA CUMULATIVA" e "PLANILHA NÃO CUMULATIVA" do "Demonstrativo das Diferenças das Bases de Cálculo entre os Valores Apurados e os Declarados em DCTF" (fl. 51) como verdadeiros. A simples declaração do fiscal autuante de que "a empresa fiscalizada não apresenta nenhum documento ou lançamento contóbil que comprove sua alegação", confrontada com o fato de que os valores considerados como devidos do PIS não cumulativo são exatamente aqueles constantes no citado Demonstrativo, bem como nas planilhas de folhas 52/55, sem trazer aos autos elementos documentais, ou mesmo demonstrativos, que infirmem a alegação da impugnante, não nos permite atestar a inviabilidade dos valores apresentados pelo interessado no curso da ação. Por conseguinte, à mingua de instrução primária que dê os contornos materiais que levaram a fiscalização a impugnar os valores trazidos pelo contribuinte, no curso da ação fiscal, apresenta-se sem sustentação a imposição sob exame. 7 Processo n.° 18471.000443/2006-13 Resolução n.° 201-00.776 CCO2/C01 Fls. 8 Além do mais, em se tratando de atividade vinculada, a teor do art.] 42 do CTN, deve o lançamento fundar-se na certeza da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, vale dizer, tal ocorrência deve restar devidamente comprovada, excetuados unicamente os casos em que autorize a lei sua presunção." A par deste fato, a decisão administrativa de primeira instância analisou cada período especificamente apresentando suas conclusões de forma individual. "(•) Sendo assim, em relação aos lançamentos de PIS relativos aos períodos de 05/2003 a 09/2003, estes devem ser exonerados. Quanto aos períodos 10/2003, 11/2003 e 12/2003, além das considerações feitas acima, tem-se, ainda, que os valores constantes dct planilha de folha 51, nas colunas "DCTF CUMULATIVA" e "DCTF NA-0 CUMULATIVA", ao que parece, foram retirados da DCTF apresentada em 06/04/2005, que consta como cancelada, uma vez que foi substituida pela apresentada em 17/10/2005, ou seja, antes do inicio do procedimento fiscal. Tendo em vista que os valores lançados foram obtidos, justamente, pela diferença entre o valor informado na coluna "PLANILHA NA -0 CUMULATIVA" e a coluna "DCTF NÃO CUMULATIVA", que não espelha a realidade, uma vez que os valores corretos são aqueles constantes da DCTF apresentada em 17/10/2005 (11s. 834/840), que coincidem com os valores das colunas acima descritas, o lançamento deve ser exonerado na forma da planilha abaixo. Acrescente-se, ainda, que em relação a estes períodos haviam sido efetuados os pagamentos constantes de folhas 828/833, todos anteriores ao inicio do procedimento fiscal que não foram considerados pelo fiscal autuante. Portanto, por todos estes motivos, os lançamentos de PIS relativos aos períodos 10/2003 a 12/2003, também devem ser exonerados. Em relação ao ano de 2004, o interessado argumenta que as diferenças da contribuição atinentes aos meses de janeiro a seteinbro/2004, tratam-se, apenas e tão somente, de falhas formais havidas quando do preenchimento das DCTF, sem originar, contudo, qualquer recolhimento a menor do tributo de que se cuida. Passemos a examinar primeiramente os períodos para os quais os recolhimentos encontrados no Sistema Sinal7 (fls. 828/833) são iguais ou superiores aos valores informados como devidos tanto em DCTF, quanto durante o curso da ação fiscal. Em relação aos períodos de 02/2004, 03/2004, 06/2004, 07/2004 e 08/2004, verifica-se estar correto o impugnante, uma vez que os somatórios dos valores recolhidos do PIS cumulativo e não cumulativo relativos a tais períodos (fls. 828/833) são iguais ou superiores aos somatórios dos valores do PIS cumulativo e não cumulativo declarados em DCTF, que por sua vez, são superiores aos valores informados no curso da ação fiscal. Portanto, tais valores devem ser exonerados integralmente. 8 Processo n.° 18471.000443/2006-13 Resolução n.° 201-00.776 Quanto aos períodos de 01/2004, 05/2004 e 09/2004 tem-se que os somatórios dos valores recolhidos do PIS cumulativo e não cumulativo são inferiores aos valores informados como devidos no curso da ação .fiscal. Verifica-se que na DIRPJ Ano Calendário 2004, apresentada em 29/12/2005, (fls.841/853) os valores informados da contribuição para o PIS/Pasep tanto incidência cumulativa, como não cumulativa, estão em conformidade com os informados no Demonstrativo de fl. 58, nas colunas "PLANILHA CUMULATIVA" e "PLANILHA NA -0 CUMULATIVA". Cabe registrar, ainda, o fato de que as planilhas de fls. 59/62 intituladas "Cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep ano-calendário 2004" confirmam os valores informados nas colunas "PLANILHA CUMULATIVA" e "PLANILHA NÃO CUMULATIVA" do "Demonstrativo das Diferenças das Bases de Cálculo entre os Valores Apurados e os Declarados em DCTF" ff1. 58). Sendo assim, por tais motivos e pela mesma fundamentação consignada acima, no que tange ao dever de provar do fisco, tomam-se por verdadeiros os valores informados nas colunas "PLANILHA CUMULATIVA" e "PLANILHA NÃO CUMULATIVA" do "Demonstrativo das Diferenças das Bases de Calculo entre os Valores Apurados e os Declarados em DCTF" 58), de forma que devem ser parcialmente exonerados os lançamentos referentes aos períodos 01/2004, 05/2004 e 09/2004, na forma da planilha abaixo. Quanto ao Ines abril/2004, uma vez que o somatório dos valores recolhidos do PIS cumulativo e não cumulativo (fis. 828 e 833) é superior ao somatório dos valores do PIS cumulativo e não cumulativo, informados no curso da ação fiscal deve ser integralmente exonerado na forma da planilha abaixo. Passo, a examinar agora, de forma individualizada os períodos lançados, em relação et Contribuição para o Financiamento da Seguridade - Cofins. Quanto ao período 03/2003 a interessada efetuou os pagamentos encontrados no Sistema Sinal7 (fls. 854, 856 e 858), em valor superior ao declarado em DCTF, sendo assim, o fiscal autuante deveria tê-los considerado ao apurar o valor a ser lançado, o que não foi feito. Portanto, levando-se em conta tais pagamentos, e considerando-se como devido o valor da Cofins informado no curso da ação fiscal, o período 03/2003 deve ser parcialmente exonerado na forma da planilha abaixo. Em relação aos períodos 10/2003, 11/2003 e 12/2003, da mesma forma que ocorreu com o PIS, tem-se que os valores constantes da planilha de folha 51, nas colunas "DCTF CUMULATIVA" e "DCTF NÃO CUMULATIVA", ao que parece, foram retirados da DCTF apresentada em 06/04/2005, que consta como cancelada, uma vez que foi substituída pela apresentada em 17/10/2005, ou seja, antes do inicio do procedimento .fiscal. CCO2/C01 Fls. 9 9 Processo n.° 18471.000443/2006-13 Resolução n.° 201-00.776 CCO2/C01 Fls. 10 Tendo em vista que os valores lançados foram obtidos, justamente, pela diferença entre o valor informado na coluna "PLANILHA CUMULATIVA" e a coluna "DCTF CUMULATIVA", que não espelha a realidade, urna vez que os valores corretos são aqueles constantes da DCTF apresentada em 17/10/2005 «is. 864/866), que coincidem com os valores da coluna "PLANILHA CUMULATIVA", o lançamento deve ser exonerado na forma da planilha abaixo. Quanto aos períodos 07/2003, 08/2003 e 09/2003, tem-se que o próprio impugnante confirma ter cometido erros no preenchimento da .fichas da DCTF, declarando a menor o que havia apurado. Em relação a tais períodos não foram encontrados recolhimentos que pudessem infirmar o lançamento, como ocorreu com o mês 03/2003. Ademais, há que se considerar que a responsabilidade por infrações a legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável, como define o art. 136 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Sendo assim, devem ser mantidos integralmente os lançamentos referentes a 07/2003, 08/2003 e 09/2003, uma vez que os valores declarados em DCTF são inferiores aos informados no curso da ação fiscal pela própria impugnante. No que diz respeito ao lançamento da Cofins relativa ao ano de 2004, a argumentação do contribuinte é de que a Fiscalização somou os valores de contribuição indicados no campo "Cofins cumulativo a pagar", da parte que trata da "base de cálculo regime cumulativo", com o subitem "DARF" da "Composição de pagamento" do trecho a respeito da "base de cálculo regime não cumulativo", ambos indicados no demonstrativo preparado e entregue a Fiscalização pela Impugnante (doc. 29). Isso feito, comparou o valor da soma com os montantes informados como "débito apurado" nas fichas das DCTF da Co/Ins calculada segundo as regras da cumulatividade apresentadas nos períodos (valores listados no "Termo de Verificação Fiscal 11'). Prossegue afirmando que a comparação resultou em diferença de Cofins, correspondente ao valor do pagamento feito da contribuição pelo regime não cumulativo e que a totalidade da Co/Ins indicada na "composição de pagamento" subitem "Darr, fora integralmente recolhida por ele. Para o ano de 2004, em relação aos períodos de março, abril, maio, junho, novembro e dezembro, o somatório dos débitos da Co/Ins cumulativa com a Cofins não cumulativa declarados ern DCTF idêntico ao valor informado como devido no curso da ação fiscal como Cofins cumulativa. Sendo assim, considerando-se como verdadeiros os valores informados no curso da ação fiscal, e o que o valor total informado como devido em DCTF é idêntico ao informado no curso da ação fiscal, não tendo sido efetuada, portanto, declaração a menor do total, devem ser exonerados integralmente tais períodos. 10 Processo n.° 18471.000443/2006-13 Resolução n." 201-00.776 CCO2/C01 Fls. 11 Quanto ao período de julho/2004 a impugnante argumenta que a diferença entre o valor que apurou em planilha e o valor declarado em DCTF tem origem na não consideração do pagamento da COFINS conforme sistemática não cumulativa do período, efetuada via DARE, e em pedidos de compensações apresentados em relação a parte da Cofins conforme sistemática cumulativa, não informados na DCTF. Alega, ainda, que se for somado o valor do DARE (R$ 159.774,42) com os valores dos pleitos de compensação apresentados e não informados em DCTF (R$ 2.300.373,26), apura-se a diferença lançada na autuação, no total de R$ 2.460.147,68. Primeiramente, em relação ao recolhimento do valor de R$ 159.774,42 (fl. 786) no código 5856, assiste razão ao impugnante no sentido de que deveria ter sido considerado pela fiscalização quando da autuação, o que passa a ser feito neste momento. Quanto a alegação da existência de pedidos de compensação apresentados a Secretaria da Receita Federal mas não informados em DCTF, verifica-se, de inicio, que as declarações de compensação que se encontram as folhas 790, 795, 797, 803, 806 e 809 foram apresentadas a SRI' antes do inicio do procedimento fiscal. Além disto, verifica-se, também, que o somatório dos valores ali declarados, respectivamente, de R$ 75.767,15, R$ 137.758,46, R$ 1.247.379,77, R$ 1.123.861,40, R$ 951.475,00 e R$ 394.544,51, perfaz um total de R$ 3.930.786,29, enquanto que o valor informado na DCTF, apresentada em 20/11/2005, como crédito vinculado — compensação de pagamento indevido ou a maior (fl. 884) é de R$ 1.630.413,03. A diferença entre tais montantes é de R$ 2.300.373,26, e tal montante, juntamente com os R$ 159.774,42, relativo ao pagamento efetuado em 13/08/2004 786) e não considerado pela fiscalização equivalem, justamente, ao valor que foi lançado. Tem-se no presente caso que, a época do lançamento, já estava em vigor a nova redação dada pela Lei n" 10.637, de 30 de dezembro de 2002, ao artigo 74 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, no qual foi acrescido o syç 2', nos seguintes termos: ,sS' 2". A compensação declarada a Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Mas se mesmo diante do acima disposto existiam dúvidas em relação a condição de confissão de divida que caracterizava os débitos informados em declaração de compensação, com o advento do artigo 17 da Medida Provisória (MP) n° 135, de 2003, convertida na Lei n" 10.833, também de 2003, que dentre outras alterações incluiu o parágrafo 6° no art 74 da Lei 9.430/96, tais dúvidas foram completamente dissipadas, sendo confirmado que tal declaração se constitui em instrumento de confissão de divida e dai a desnecessidade de lançamento de oficio para a exigência dos valores que tiveram a compensação solicitada. 0 citado parágrafo diz o seguinte, in verbis: 11 Processo n.° 18471.000443/2006-13 Resolução n.° 201-00.776 CCO2/C01 Fls. 12 sS' 6' A declaração de compensação constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Assim, considerando tais dispositivos, entende-se que as declarações de compensação formalizadas pelo contribuinte em 2004 extinguiram os débitos nele informados, sob condição resolutória da posterior verificação do procedimento por ele efetuado, pela autoridade fiscal. Desta forma, apesar da efetiva ausência de declaração em DCTF para os valores de COFINS compensados, entendo incabível o lançamento relativo ao período de apuração 07/2004, em razão da extinção expressamente prevista na alteração legal acima citada, cabendo a constituição do crédito eventualmente apurado somente na hipótese de não-homologação da compensação informada, ou homologação parcial. Por fim, em relação ao mês de agosto/2004, a impugnante afirma que a fiscalização lançou a diferença entre o valor indicado na coluna "PLANILHA CUMULATIVA" (1 7. 58) e o constante da DCTF apresentada, mas que tal montante não poderia ser exigido, (-facto que a diferença, decorre da mudança de apuração das receitas de multa e juros de clientes em atraso e de portas de acesso da sistemática não- cumulativa para a cumulativa, sem originar recolhimento a menor. Não merece acolhida tal argumentação, uma vez que em relação a tal período não .foi declarado qualquer débito de Cofins não cumulativa em DCTF e o valor do débito declarado como Colins cumulativa inferior ao valor informado no curso da ação fiscal, pela própria impugnante. Além disto, não foram encontrados recolhimentos que pudessem infirmar o lançamento. Sendo assim, deve ser mantido integralmente o lançamento referente ao período de agosto/2004." Pelo valor cancelado os autos foram enviados a este Egrégio Conselho por Recurso de Oficio. Em virtude do quantum mantido nos autos, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário às fls. 921/935 — Vol. V, por meio do qual (i) reiterou suas alegações de nulidade do auto de infração, (ii) requereu a manutenção da decisão na parte em que exonerou o contribuinte e (iii) em relação aos demais valores mantidos na exigência fiscal, esclareceu a Recorrente que foram devidamente recolhidos, apresentou guias DARF. o relatório. Os Recursos Voluntário e de Oficio atendem aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual deles conheço. Conforme relatado trata-se de processo complexo, que envolve vários períodos e esclarecimentos específicos. A questão probatória também se faz bastante relevante, tendo sido inclusive por esta razão que os julgadores administrativos de primeira instância cancelaram a maior parte do auto de infração. 12 Processo n.° 18471.000443/2006-13 Resolução n.° 201-00.776 CCO2/C01 Fls. 13 Ocorre que os documentos acostados ao processo — mesmo corn todos os seus volumes - não são suficientes para que esta julgadora conclua pela manutenção ou pelo cancelamento do auto de infração. É que a principal alegação da Recorrente é pela impossibilidade de manutenção da exigência em razão da extinção do crédito tributário ocorrida pelo pagamento. E exatamente neste ponto que discordo da decisão recorrida. Não vejo valores totalmente extintos e, em virtude deste fato, preciso de esclarecimentos da administração pública. Vários débitos foram extintos em razão de procedimentos de compensação, sobre os quais não há infonnação de deferimento ou homologação. A titulo de ilustração, nas competências de maio a agosto de 2003, as quais foram devidamente canceladas, a Recorrente, sistematicamente, recolheu por meio de guia DARF apenas R$ 10,00, tendo compensado: R$9.980.865,78 em maio/03 — fls.184 — R$10.189.111,75 em junho/03 — fls. 189; R$8.926.865,32 em julho/03 —fls. 192; R$11.506.259,18 em agosto/03 —fls. 195. Sem mencionar que os processos de compensação citados na DCTF do período de 3 0 Trimestre/04, As fls.885/901 — Vol. V — (13708.001805/2004-97, 13708.001806/2004-31; 13708.001807/2004-86, 13708.001808/2004-21) — já foram julgados nesta mesma Primeira Camara, tendo sido indeferidos, por maioria, os pedidos de restituição — documentos que ora anexo aos autos. Ante o exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para que as autoridades administrativas analisem os documentos apresentados pela Recorrente com seus recursos (Impugnação e Voluntário) e verifiquem os pagamentos realizados. Para tanto, devera. o Agente Fiscal elaborar planilha explicativa e demonstrativa de todos os pagamentos trazidos pela contribuinte (se por meio de DARF ou processo de compensação/Dcomp), indicando a sua localização (fls. do processo), bem como a situação atual das compensações (se deferidas/ homologadas/ não declaradas) e a existência de saldo a recolher. Registra -se que, a autoridade administrativa dever á realizar uma segunda planilha, indicando apenas os débitos atualmente extintos, relacionando a extinção com a forma de pagamento (Guias DARF ou compensação) e o respectivo documento comprobatório. CLUi F iol assi no Keramidas vkk 13
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Numero do processo: 10630.002064/2007-67
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1995 a 31/03/1996
DECADÊNCIA. SUMULA VINCULANTE Nº 08. PRAZO QUINQUENAL DOS ARTIGOS 173, INCISO I E 150, § 4º DO CTN.
Afastada a aplicação dos prazos previstos nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 em decorrência da Súmula Vinculante nº 08 do STF, a decadência deve ser analisada sob a ótica dos artigos 173, I ou 150,§ 4º ambos do CTN.
Independente da regra aplicável a decadência no caso concreto é inexorável.
Numero da decisão: 2301-003.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzales Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira (presidente)
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/1995 a 31/03/1996 DECADÊNCIA. SUMULA VINCULANTE Nº 08. PRAZO QUINQUENAL DOS ARTIGOS 173, INCISO I E 150, § 4º DO CTN. Afastada a aplicação dos prazos previstos nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 em decorrência da Súmula Vinculante nº 08 do STF, a decadência deve ser analisada sob a ótica dos artigos 173, I ou 150,§ 4º ambos do CTN. Independente da regra aplicável a decadência no caso concreto é inexorável.
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Responsabilidade solidária Recorrente CELULOSE NIPO BRASILEIRA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1995 a 31/03/1996 DECADÊNCIA. SUMULA VINCULANTE Nº 08. PRAZO QUINQUENAL DOS ARTIGOS 173, INCISO I E 150, § 4º DO CTN. Afastada a aplicação dos prazos previstos nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 em decorrência da Súmula Vinculante nº 08 do STF, a decadência deve ser analisada sob a ótica dos artigos 173, I ou 150,§ 4º ambos do CTN. Independente da regra aplicável a decadência no caso concreto é inexorável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzales Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira (presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 00 20 64 /2 00 7- 67 Fl. 612DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 12/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Relatório Tratase de NFLD nº 35.655.0966 a qual exige contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração de empregados da empresa contratada Administradora Reflor Ltda., que prestou serviços à contratante Celulose NipoBrasileira S/A CENIBRA, no período de 09/95; 11/95 e 01/96 a 03/96. A autuada apresentou impugnação alegando, dentre outras matérias, a decadência do direito do Fisco de lançar. A DRJ de Belo Horizonte negou provimento à impugnação mantendo o lançamento integralmente, o que motivou a interposição de recurso voluntário a esse E. CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Decadência Cabe salientar que, de acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Súmula vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconst6itucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou” Fl. 613DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 12/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10630.002064/200767 Acórdão n.º 2301003.663 S2C3T1 Fl. 613 3 Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafo da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. §1º A Súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.).” Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, nos termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilidade pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Fl. 614DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 12/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 Afastado, pois, o prazo previsto originalmente no citado artigo 45, cabe agora verificar o prazo aplicável, se aquele do artigo 150, § 4º ou do artigo 173, inciso I, ambos da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Temos adotado a posição doutrinária e jurisprudencial no sentido de que havendo pagamento antecipado por parte do contribuinte, em relação ao fato gerador posto em discussão, deve incidir o prazo decadencial qüinqüenal previsto no mencionado artigo 150, § 4º. Nesse sentido a decisão proferida pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, na sistemática de recurso repetitivo, nos autos do Recurso Especial 973.733/SC, a qual deve ser atendida, por força do disposto no artigo 62A Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante Fl. 615DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 12/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10630.002064/200767 Acórdão n.º 2301003.663 S2C3T1 Fl. 614 5 a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.” Contudo, no caso dos autos, ainda que se adote o dies a quo do artigo 173, inciso I do CTN, verificase que a decadência é inexorável, haja vista que o recorrente foi cientificado da NFLD em 18/08/2004 e esta, por sua vez, exige contribuições previdenciárias relativas às competências de 09/1995 a 03/1996. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 616DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 12/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 11634.000123/2009-57
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
ARBITRAMENTO DO LUCRO. NÃO APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA.
Sujeita-se ao arbitramento do lucro o contribuinte o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou, na hipótese de tributação com base no lucro presumido, o Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária.
MULTA DE OFÍCIO.
Quando apurado em procedimento de ofício imposto devido em montante superior ao declarado, impõe-se a multa de ofício sobre as diferenças apuradas.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%.
MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA.
O agravamento da penalidade em 50%, previsto no inciso I do § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, deve ser aplicado nos casos em que o contribuinte deixar de atender à intimação do Fisco para prestar esclarecimentos, independentemente da importância dessa intimação para o resultado do julgamento, bem como da necessidade de a autoridade fiscal obter os esclarecimentos junto a terceiros.
Assim, não se deve majorar a penalidade quando o sujeito passivo apresenta resposta incompleta ou diferente da desejada pela autoridade fiscal. No caso dos autos, a falta de apresentação dos livros fiscais já resultou no arbitramento nos lucros não podendo motivar, também, o agravamento da multa.
Do mesmo modo, não se deve agravar a penalidade quando o contribuinte deixar de atender à intimação que contém pedido incompatível com as circunstâncias da ação fiscal, como na hipótese de se exigir a apresentação de arquivos digitais em fiscalização onde a empresa não possuía nem mesmo os livros ficais básicos escriturados, não sendo razoável supor que os possuísse em meio digital. Ou ainda quando o sujeito passivo não responder à intimação para se manifestar sobre o resultado da fiscalização, devendo seu silêncio ser interpretado como impossibilidade de contradição da força das provas. Nessas circunstâncias, deve-se interpretar a lei da forma mais favorável ao contribuinte, nos termos do incisos II e IV do art. 112 do Código Tributário Nacional.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. CSLL. PIS/PASEP. COFINS.
Aplica-se aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido no principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Tendo o IRPJ sido apurado pelo lucro arbitrado, a CSLL também deve sê-lo, e o PIS/PASEP e a COFINS devem ser apurados no regime cumulativo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1102-000.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso para reduzir o percentual da multa de ofício aplicada de 225% para 150%, vencidos os conselheiros João Otávio Oppermann Thomé e Ricardo Marozzi Gregório. O conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho acompanhou o relator pelas conclusões em relação às matérias MPF e preclusão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Evande Carvalho Araujo.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator.
Documento assinado digitalmente.
José Evande Carvalho Araujo Redator designado.
Participaram do julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 EXPEDIÇÃO DE REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA RMF. SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO. DESNECESSIDADE. Não há motivo para o sobrestamento do julgamento sob o fundamento de quebra de sigilo bancário se as informações porventura obtidas por meio de RMF não foram determinantes para o lançamento efetuado, nem constituíram elemento de prova de ilícitos praticados que tenham sido objeto de lançamento de ofício. AUSÊNCIA DE MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), mero instrumento de controle administrativo, a partir de 01.01.2008, passou a ser emitido exclusivamente de forma eletrônica, podendo ser consultado via internet por meio de código de acesso fornecido à pessoa jurídica fiscalizada, o que dispensa sua juntada aos autos do processo. INOBSERVÂNCIA DE PRAZOS LEGAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não comprovada a alegada inobservância de prazos legais para a manifestação da fiscalizada no curso do procedimento, a qual, em tese, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 01 23 /2 00 9- 57 Fl. 3010DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 11634.000123/200957 Acórdão n.º 1102000.918 S1C1T2 Fl. 3 2 poderia ensejar cerceamento do seu direito de defesa, improcede a alegação de nulidade do lançamento por este motivo. INTIMAÇÃO PARA PRESTAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS ANTES DO LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura a fase litigiosa entre o fisco e contribuinte, sendo descabido cogitarse de violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório na fase investigatória que antecede o lançamento. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não comprovada a alegada omissão da autoridade julgadora de primeira instância em nenhum ponto relevante para o deslinde do litígio, improcede a alegação de sua nulidade por este motivo. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. REFORMA DO LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A mera retificação de base de cálculo pela autoridade julgadora, no exercício de sua competência legal, não implica a nulidade do lançamento efetuado, nem tampouco da decisão proferida, salvo se restasse configurada a alteração do critério jurídico utilizado na autuação e o consequente cerceamento do direito de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 ARBITRAMENTO DO LUCRO. NÃO APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. Sujeitase ao arbitramento do lucro o contribuinte o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou, na hipótese de tributação com base no lucro presumido, o Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária. MULTA DE OFÍCIO. Quando apurado em procedimento de ofício imposto devido em montante superior ao declarado, impõese a multa de ofício sobre as diferenças apuradas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. O agravamento da penalidade em 50%, previsto no inciso I do § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, deve ser aplicado nos casos em que o contribuinte deixar de atender à intimação do Fisco para prestar esclarecimentos, independentemente da importância dessa intimação para o resultado do Fl. 3011DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 11634.000123/200957 Acórdão n.º 1102000.918 S1C1T2 Fl. 4 3 julgamento, bem como da necessidade de a autoridade fiscal obter os esclarecimentos junto a terceiros. Assim, não se deve majorar a penalidade quando o sujeito passivo apresenta resposta incompleta ou diferente da desejada pela autoridade fiscal. No caso dos autos, a falta de apresentação dos livros fiscais já resultou no arbitramento nos lucros não podendo motivar, também, o agravamento da multa. Do mesmo modo, não se deve agravar a penalidade quando o contribuinte deixar de atender à intimação que contém pedido incompatível com as circunstâncias da ação fiscal, como na hipótese de se exigir a apresentação de arquivos digitais em fiscalização onde a empresa não possuía nem mesmo os livros ficais básicos escriturados, não sendo razoável supor que os possuísse em meio digital. Ou ainda quando o sujeito passivo não responder à intimação para se manifestar sobre o resultado da fiscalização, devendo seu silêncio ser interpretado como impossibilidade de contradição da força das provas. Nessas circunstâncias, devese interpretar a lei da forma mais favorável ao contribuinte, nos termos do incisos II e IV do art. 112 do Código Tributário Nacional. TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. CSLL. PIS/PASEP. COFINS. Aplicase aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido no principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Tendo o IRPJ sido apurado pelo lucro arbitrado, a CSLL também deve sêlo, e o PIS/PASEP e a COFINS devem ser apurados no regime cumulativo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso para reduzir o percentual da multa de ofício aplicada de 225% para 150%, vencidos os conselheiros João Otávio Oppermann Thomé e Ricardo Marozzi Gregório. O conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho acompanhou o relator pelas conclusões em relação às matérias “MPF” e “preclusão”. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Evande Carvalho Araujo. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. Documento assinado digitalmente. José Evande Carvalho Araujo – Redator designado. Participaram do julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Fl. 3012DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 11634.000123/200957 Acórdão n.º 1102000.918 S1C1T2 Fl. 5 4 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por VISATEC CONSTRUÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA, contra acórdão proferido pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ/Curitiba, que concluiu pela procedência parcial do lançamento de ofício efetuado, e cuja ementa transcrevese abaixo: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004 DECADÊNCIA. DOLO. A ocorrência de dolo afasta a contagem do prazo decadencial pela forma prevista no art. 150 do Código Tributário Nacional. INEXISTÊNCIA, NOS AUTOS, DE MPF. Desde 1º/01/2008, por força da Portaria RFB nº 11.371, de 2007, o MPF passou a ser emitido exclusivamente de forma eletrônica, podendo ser consultado via internet, o que dispensa a juntada aos autos de via impressa. ARBITRAMENTO DE LUCROS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS CONTÁBEIS. Tendo o contribuinte apresentado DIPJ com base no lucro real e, reiteradamente intimado, deixado de apresentar seus livros contábeis, o arbitramento dos lucros é medida que se impõe. CONSTRUÇÃO CIVIL COM FORNECIMENTO DE MATERIAIS. PERCENTUAIS PARA ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro arbitrado sobre as receitas auferidas na atividade de construção civil com fornecimento de materiais resulta da aplicação dos percentuais de 9,6% para o IRPJ e de 12% para a CSLL. Não havendo o fornecimento de materiais, os percentuais são de 38,4% para o IRPJ e 32% para a CSLL. MULTA QUALIFICADA E AGRAVADA. A conduta dolosa tendente a ocultar da Autoridade Fiscal a ocorrência de fatos geradores de tributos, acrescida do persistente não atendimento de reiteradas intimações para apresentar livros, documentos e arquivos digitais, enseja a imposição da multa de ofício qualificada e agravada, no percentual de 225%. DECORRÊNCIA. Aplicamse aos lançamentos reflexos, no que couber, o que restar decidido com relação ao lançamento matriz.” Os fatos e circunstâncias específicas que deram ensejo ao lançamento fiscal encontramse descritos no Termo de Verificação Fiscal de fls. 824838. Em síntese, a autuação decorreu da constatação de omissão de receitas operacionais apuradas a partir de: (i) divergências entre o Livro de Registro de Prestação de Fl. 3013DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 11634.000123/200957 Acórdão n.º 1102000.918 S1C1T2 Fl. 6 5 Serviços e a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ apresentada, e (ii) informações e documentos obtidos pela fiscalização junto a terceiros, referentes a notas fiscais de prestação de serviços que não estavam escrituradas naquele livro e nem compunham o montante informado na DIPJ. Por entender caracterizada a conduta dolosa do contribuinte na prática de sonegação, foi aplicada a multa qualificada de 150%, aumentada ainda de 50%, em razão da falta de atendimento às intimações fiscais, perfazendo o percentual final de 225%. Por não terem sido apresentados os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, o contribuinte teve o seu lucro arbitrado pela fiscalização. Em razão disto, as receitas consignadas na DIPJ, na qual o contribuinte informara o lucro real trimestral como forma de apuração, foram também submetidas ao regime do lucro arbitrado, sendo aplicada, no caso, a multa de ofício de 75%. De se observar que na autuação foram abatidos do montante do imposto apurado os valores do imposto já declarados pelo contribuinte como devidos. O contribuinte impugnou o feito, alegando, em síntese, o seguinte, de acordo com o relato da decisão recorrida que, por bem resumir suas alegações, adoto: “ aduz que se trata de tributos sujeitos a lançamento por homologação, e que o Fisco teria 5 anos, contados da ocorrência do fato gerador, para efetuar o lançamento e que, por essa razão, já estaria decaído do direito a qualquer lançamento relativo a fatos geradores ocorridos antes de 31.03.2004; suscita a nulidade do lançamento, argumentando: 1) que não existe nos autos Mandado de Procedimento Fiscal; 2) que não foram observados prazos legalmente estabelecidos; sustenta a impossibilidade de tributação mediante lucro arbitrado. Tece considerações acerca dos inciso I, III e VI do art. 530 do RIR/99, no propósito de demonstrar não ser cabível o arbitramento de seu lucro; reclama do fato de ter sido utilizado o percentual de 38,4% para o arbitramento de seu lucro, ao argumento de que sua atividade é a prestação de serviços de construção civil com emprego de materiais e, por essa razão, deveria ter sido utilizado o percentual de 8%; relata que, em decorrência do afastamento da tributação pelo lucro real e adoção do lucro arbitrado, o lançamento do PIS e da COFINS foi constituído pela sistemática da cumulatividade, em detrimento da nãocumulatividade, inerente ao lucro real. Argumenta que deve prevalecer a sistemática por ela adotada; com argumentação variada, contesta a multa de ofício de 75%; também com argumentação variada, contesta a qualificação da multa, com ênfase na alegação de que todas as notas supostamente omitidas foram devidamente contabilizadas no livro de prestação de serviços. Adiciona que, no ano de 2004, apresentou uma DIPJ e vinte e nove DCTF retificadoras, o que demonstraria que os erros e omissões estavam sendo sanados; argumenta que não ocorreu embaraço à fiscalização, e que, em todas as intimações, teceu considerações, apresentou justificativas e juntou os documentos Fl. 3014DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 11634.000123/200957 Acórdão n.º 1102000.918 S1C1T2 Fl. 7 6 que lhe estavam disponíveis. Alega que jamais se negou a entregar os documentos solicitados, mas que apenas requereu prazo razoável para fazêlo.” Em virtude dos argumentos apresentados, determinou a DRJ a realização de diligência com vistas a apurar os valores dos materiais efetivamente empregados nos serviços prestados pela impugnante. Embora tenha o contribuinte silenciado a respeito, nas duas oportunidades que o autor da diligência lhe deu no curso do procedimento, elaborou aquela autoridade relatório em que identifica notas fiscais emitidas correspondentes a serviços em que teriam sido utilizados materiais. A DRJ afastou a decadência, rejeitou as demais alegações de nulidade, e manteve os percentuais de multa aplicados às infrações lançadas. Contudo, reduziu os valores do IRPJ e da CSLL lançados, na parte dos serviços em que aplicáveis os percentuais de arbitramento de 9,6% e de 12%, respectivamente, em oposição aos percentuais de 38,4% e de 32% que constaram do lançamento original. Cientificada desta decisão em 14.09.2009, conforme AR de fls. 1359, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 08.10.2009, fls. 13601390, no qual reprisa integralmente os argumentos expostos na inicial. Sustenta ainda que o acórdão recorrido expressamente reconheceu que o lançamento fora constituído de forma ilícita e dissonante do ordenamento, ao reformar o crédito tributário lançado, e que a única alternativa cabível seria a anulação do lançamento por completo, posto que a autoridade julgadora não possui competência para refazer o lançamento. Contesta a fundamentação adotada na decisão recorrida com relação ao MPF, observando que as alterações promovidas pelo ato infralegal nela citado (Portaria RFB no 11.371, de 12.12.2007, não podem ser aplicadas ao caso concreto, visto que os créditos lançados são anteriores à sua edição. Demanda ainda a nulidade do acórdão recorrido por não ter proferido qualquer julgamento acerca da impossibilidade da tributação cumulativa do PIS e da COFINS, em detrimento da nãocumulatividade. Na semana anterior ao julgamento do processo, na sessão de julho de 2013, trouxe a recorrente aos autos os documentos de fls. 26123009, e fez variadas alegações, no sentido da nulidade por quebra de sigilo bancário, da necessidade de sobrestamento do julgamento pelo mesmo motivo, da existência de contradição e ausência de motivação com relação à desconsideração das informações contidas na DACON, DIPJ e DCTF, da ausência de prova da ocorrência do fato gerador dos valores contidos em declarações desprezadas, da desnecessidade do lançamento de oficio das receitas reconhecidas e declaradas em DACON, DIPJ e DCTF, da inexistência de omissão de receita e demonstração inequívoca de erro na qualificação jurídica dos fatos, da existência de vicio no lançamento com base no lucro arbitrado, da nulidade parcial do lançamento por vicio no procedimento por ausência de intimação da recorrente em relação a algumas notas fiscais, e da indevida aplicação da multa qualificada e do seu agravamento em razão de embaraço. Os documentos juntados são cópias simples de decisões judiciais e administrativas, de DACON e DIPJ apresentadas, e de livros identificados como Razão nº 13 e 14, e Diário nº 09. Fl. 3015DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 11634.000123/200957 Acórdão n.º 1102000.918 S1C1T2 Fl. 8 7 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, antes do julgamento a recorrente trouxe uma série de novas alegações, que não haviam sido anteriormente aduzidas nem em sede de impugnação, nem em sede de recurso. Cediço que, nos termos da legislação que rege o processo administrativo fiscal (Decreto nº 70.235/72 – PAF), as questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, e que somente vêm a ser demandadas em sede de recurso, constituem matérias preclusas, das quais não se toma conhecimento, por constituir afronta ao duplo grau de jurisdição a que se submete o processo. Exceção devese fazer, contudo, com relação às matérias cujo reconhecimento deva ser feito de ofício, hipótese na qual se inserem as nulidades arguidas. Neste sentido dispõe o artigo 245 do Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária no âmbito do contencioso administrativo: “Art. 245. A nulidade dos atos deve ser alegada na primeira oportunidade em que couber à parte falar nos autos, sob pena de preclusão. Parágrafo único. Não se aplica esta disposição às nulidades que o juiz deva decretar de ofício, nem prevalece a preclusão, provando a parte legítimo impedimento.” Assim também orientase a jurisprudência do CARF, consoante os precedentes a seguir colacionados: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ARGUIÇÃO DE NULIDADES. PRECLUSÃO. Operase a preclusão em relação às nulidades suscitadas no recurso, que não devam ser decretadas de ofício e que não foram argüidas na impugnação.” (Acórdão nº 10322044, relator Paulo Jacinto do Nascimento) “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRELIMINAR DE NULIDADE MOMENTO PARA ARGÜIÇÃO PRECLUSÃO Salvo nos casos expressamente previstos em lei, o momento para o contribuinte apresentar as razões de fato e de direito em que se fundamenta a defesa é o da apresentação da impugnação ou do recurso, sob pena de preclusão.” (Acórdão nº 10422723, relator Pedro Paulo Pereira Barbosa) “NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE DO LANÇAMENTO PRECLUSÃO As questões suscitadas em sede de recurso voluntário devem ser Fl. 3016DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 11634.000123/200957 Acórdão n.º 1102000.918 S1C1T2 Fl. 9 8 prequestionadas na impugnação ao lançamento.” (Acórdão nº 10247484, relator José Raimundo Tosta Santos) “PRECLUSÃO. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo, exceto quando deva ser reconhecida de ofício.” (Acórdão nº 20310837, relator Emanuel Carlos Dantas de Assis) Inicio a análise pela questão referente à quebra do sigilo bancário, com base na qual argui a recorrente a nulidade do procedimento, ou, alternativamente, a necessidade de sobrestamento do julgamento, demandas estas que não constavam da peça recursal. Aliás, em vista do reiterado entendimento deste Colegiado, no sentido de que o sobrestamento deva ser reconhecido de ofício, pelo próprio relator, quando configurada esta situação, de qualquer sorte caberia uma análise preliminar desta questão, ante os fatos concretos, antes de se adentrar no enfrentamento específico das alegações recursais. Esta análise se faz necessária, no caso, porque a autoridade fiscal consignou, no Termo de Verificação Fiscal (fls. 825) o seguinte, verbis: “Consoante o determinado no Art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001, atendendo as condições do Art. 4°, § 6° do Decreto n° 3.724/2001, foram emitidas, em 30/12/2008, Requisições sobre Movimentação Financeiras ao Banco do Brasil S/A, Caixa Econômica Federal, Banco Safra S/A e Banco do Estado do Rio Grande do Sul com a requisição de documentos bancários relativos as operações mantidas pela empresa nas mencionadas Instituições Financeiras.” Tendo havido a solicitação de documentos bancários diretamente às instituições financeiras, por meio de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF, consoante o entendimento reiteradamente manifestado por esta Turma, haveria, a princípio, motivo suficiente para o sobrestamento do julgamento, em atenção ao disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, ainda que tal providência não tenha sido requerida pela parte. Por outro lado, também é o entendimento desta Turma, reiteradamente manifesto, de que não há que se falar em quebra de sigilo bancário nos casos em que os extratos são apresentados pela própria fiscalizada. Em outro interessante precedente desta Turma, de lavra deste relator, também restou consignado que o simples fato de ter havido emissão de RMF às instituições financeiras não é bastante, por si só, para determinar o sobrestamento, sendo necessário que as informações obtidas por este meio tenham sido determinantes para a efetivação do lançamento. No precedente a que me refiro (processo no 16024.000584/200760, julgado na sessão de abril de 2013, Acórdão no 1102000.858), ocorrera o seguinte, consoante excerto que transcrevo do voto condutor: “É verdade que no caso concreto a autoridade fiscal intimou a recorrente a apresentar os extratos bancários de diversas contas correntes, em mais de uma instituição financeira, conforme Termo de Intimação de fls. 208209, e que, não tendo sido integralmente atendida, expediu Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF àquelas instituições para a obtenção dos extratos bancários.relativos aos anos de 2002 a 2004. É o que está descrito no Termo de Constatação Fiscal de fls. 462466. (...) Fl. 3017DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 11634.000123/200957 Acórdão n.º 1102000.918 S1C1T2 Fl. 10 9 Nos presentes autos, todos os créditos com relação aos quais a recorrente foi intimada a comprovar a origem são de depósitos ocorridos exclusivamente na conta bancária n° 2.1229, agência 24090, do Bradesco S/A, no ano calendário de 2002. Ou seja, em que pese tenha havido a expedição de requisições de movimentação financeira a outras instituições financeiras, e abrangendo períodos diversos, o fato é que, com relação a todos os fatos geradores aqui discutidos, os elementos de prova (os extratos bancários) foram fornecidos pela própria recorrente, em atendimento a intimação regularmente expedida pela autoridade fiscalizadora no uso de sua competência legal. Portanto, não há que se falar em prova ilícita ou imprestável, nem tampouco em quebra de sigilo bancário.” O entendimento foi, na ocasião, seguido à unanimidade pelos conselheiros integrantes do Colegiado. Em síntese, o que procurei lá deixar assente, e que aqui reafirmo, é que, se os dados porventura obtidos por meio de RMF não tiveram qualquer relevância para o lançamento efetuado, nem constituíram elemento de prova de ilícitos praticados que tenham sido objeto de lançamento de ofício, não há motivo para o sobrestamento do julgamento por alegada quebra de sigilo bancário sem autorização judicial. Dito isto, volto ao caso concreto. Reproduzo novamente o mesmo excerto do Termo de Verificação Fiscal, agora porém acrescido dos parágrafos imediatamente a ele anterior e posterior: “As recorrentes procrastinações e omissões no atendimento ao Fisco Federal determinaram a lavratura, em 23/12/2008, de Termo de Embaraço Fiscalização (fls. 312315), matéria tratada no Art. 919, § único, do RIR/99, e no Art. 33, inciso I, da Lei n° 9.430/96, sendo a ciência efetuada pela via postal, dada a impossibilidade da entrega pessoal aos seus administradores (fls. 316317). De mesma data, foi formalizada Representação para Fins Penais, 411 integrante do processo administrativo fiscal n° 10930.720112/200807, nos termos do estabelecido na Portaria RFB n° 665/2008, Art. 7° (fls. 318 a 322). Consoante o determinado no Art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001, atendendo as condições do Art. 4°, § 6° do Decreto n° 3.724/2001, foram emitidas, em 30/12/2008, Requisições sobre Movimentação Financeiras ao Banco do Brasil S/A, Caixa Econômica Federal, Banco Safra S/A e Banco do Estado do Rio Grande do Sul com a requisição de documentos bancários relativos as operações mantidas pela empresa nas mencionadas Instituições Financeiras. Em um atendimento parcial do solicitado, foi recebido no dia 16/01/2009, os livros de prestação de serviços relativos aos anos calendários de 2004, 2005 e 2006 (fls. 435450) e as notas fiscais correlatas (fls. 451614). Importante observar que no termo de entrega, foi requerido um novo prazo de atendimento: "Livro Diário de 2004 em 28/01/2009" e "Livro Diário de 2005/2006 em 20/02/2009" (fl. 435). Até a data de lavratura do presente Termo, tais registros não foram entregues.” Vêse, assim, que a observação feita com relação à expedição das RMF está inserida dentro de um contexto em que o Auditor Fiscal está simplesmente descrevendo tudo o que aconteceu ao longo do procedimento fiscal, em uma ordem cronológica das ocorrências. Fl. 3018DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 11634.000123/200957 Acórdão n.º 1102000.918 S1C1T2 Fl. 11 10 De fato, todo este excerto integra a primeira parte do Termo de Verificação Fiscal, que se denomina “1. Do Procedimento Fiscal”. Como havia uma recorrente procrastinação e falta de atendimento às intimações, por parte da contribuinte, vendose impossibilitada de dar prosseguimento normal à fiscalização naquelas condições, lavrou a autoridade fiscal um Termo de Embaraço à Fiscalização, e, passo seguinte (e decorrente do próprio embaraço), expediu as RMF, nos termos da legislação regulamentar, com vistas a dar prosseguimento à fiscalização pelo único meio que, naquele momento, se afigurava possível. Contudo, logo após, registra o fiscal autuante que houve um atendimento parcial do quanto solicitado à contribuinte nas diversas intimações a ela dirigidas, tendo sido recebidos os livros de prestação de serviços e as notas fiscais correlatas. Vejase que as RMF foram emitidas em 30/12/2008, e os referidos livros e documentos foram apresentados pela fiscalizada no dia 16/01/2009. A partir daí, o que se verifica do restante do relato fiscal, é que toda a fiscalização desenvolveuse a partir das informações obtidas nestes livros e documentos apresentados pela fiscalizada, em confronto com as informações apuradas junto a terceiros clientes da fiscalizada (Prefeituras, em sua maior parte) e com as declarações apresentadas pela recorrente ao fisco. De fato, conforme já constou no início do presente relatório, ao norte, foram duas as infrações apontadas pela fiscalização: (i) receitas auferidas e comprovadas por meio de circularizações efetuadas junto a terceiros e que foram omitidas na escrituração do Livro de Registro de Prestação de Serviços, e (ii) diferença entre os valores registrados no referido livro e os declarados ao fisco. De se ressaltar que, nos autos, não há sequer cópia das RMF que teriam sido emitidas, nem de quaisquer documentos ou informações que por meio delas teriam sido obtidos, o que já bem demonstra a total irrelevância dessas informações para a constituição do crédito tributário aqui discutido. Conforme dito, o parcial atendimento das intimações fiscais abriu o caminho para o prosseguimento da ação fiscal sob outra ótica, tornando despiciendas as RMF emitidas, bem como as informações que porventura tenham sido prestadas, em atendimento às mesmas. Por todo o exposto, nenhum motivo há, no presente caso, para o sobrestamento do julgamento sob o fundamento de quebra de sigilo bancário, muito menos para a decretação da suposta nulidade do lançamento, pelo mesmo alegado motivo. Com relação às demais alegações feitas na petição apresentada na semana anterior ao julgamento do processo, na sessão de julho de 2013, e os documentos com ela apresentados, após analisálos, não constatei propriamente substancial inovação, senão apenas abordagens ligeiramente variadas sobre os mesmos temas e questões suscitadas ao longo do recurso, pelo que, quando for o caso, serão pontualmente destacadas ao longo do voto a seguir. Passo, então, à análise propriamente das alegações recursais. O lançamento foi cientificado à recorrente em 31.03.2009, e diz respeito a fatos geradores ocorridos no ano de 2004. A análise da decadência, contudo, se fará ao final, em razão da vinculação desta questão à aplicação ou não da multa qualificada ao caso. Fl. 3019DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 11634.000123/200957 Acórdão n.º 1102000.918 S1C1T2 Fl. 12 11 Com relação às alegações de nulidade dos créditos constituídos, por alegada inexistência, nos autos, do Mandado de Procedimento Fiscal, e suposta inobservância de prazos legalmente estabelecidos, sem razão a recorrente. De fato, o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, instituído originariamente pela Portaria SRF nº 3.007, de 2001, constitui mero instrumento de controle indispensável à administração tributária, permitindo acompanhar o desenvolvimento das atividades realizadas pelos AuditoresFiscais, e também instrumento de garantia para o contribuinte, na medida em que este poderá conferir se, de fato, os AuditoresFiscais que o estejam fiscalizando estão no exercício legal de suas funções. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142 do CTN, e os pressupostos de sua validade e eficácia para surtir os efeitos a que se destina têm sede, apenas, no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF, diploma este que possui status e força de Lei, consoante reiterada e pacífica jurisprudência administrativa e judicial. E a competência para a realização desta atividade encontrase assente no art. 6o da Lei no 10.593, de 2002, com a redação que lhe foi dada pela Lei no 11.457, de 2007, verbis: “Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (...)” Portanto, eventuais falhas ou irregularidades que porventura tivessem ocorrido quanto à observância das regras pertinentes ao MPF, quando muito, poderiam suscitar responsabilidade administrativa do AuditorFiscal da Receita Federal; nunca, porém, teriam força para retirar daquela autoridade a competência para efetuar o lançamento, que lhe é assegurada por lei. Neste sentido, o seguinte precedente deste Colegiado: “NULIDADE DO LANÇAMENTO EM RAZÃO DE VÍCIOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA. A nulidade do auto de infração somente se configura na ocorrência das hipóteses previstas na legislação. Os preceitos estabelecidos no Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172, de 1966) e no Processo Administrativo Fiscal (Decreto n° 70.235, de 1972) sobrepõem se às recomendações insertas na Portaria que criou o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), que se consubstancia mero instrumento de controle administrativo, de sorte que eventuais alterações nele inseridas, ou até mesmo a inexistência deste instrumento, não caracterizam vícios insanáveis.” (Acórdão 110200.197, relator José Sérgio Gomes, sessão de 20 de maio de 2010) No caso concreto, de qualquer sorte, cumpre observar que já no Termo de Início de Ação Fiscal (fls. 1), foi informado à recorrente o número do Mandado de Fl. 3020DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 11634.000123/200957 Acórdão n.º 1102000.918 S1C1T2 Fl. 13 12 Procedimento Fiscal (MPF n°: 09.1.02.002008006106) e o código de acesso ao MPF na internet (67303070). É que desde o dia 1º de janeiro de 2008 a matéria atinente ao MPF já se encontrava regrada pela Portaria RFB nº 11.371, de 12.12.2007, a qual revogou as normas anteriores, e expressamente dispôs, no seu art. 4o, o seguinte (grifos acrescidos): “Art. 4º O MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica e assinado pela autoridade outorgante, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência pelo sujeito passivo do MPF, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de novembro de 1997, darseá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. Dentre as normas anteriores, que foram por esta Portaria revogadas, encontramse aquelas que previam a emissão do MPF em três vias, sendo que uma delas deveria integrar o processo administrativo. Com a possibilidade de consulta, via internet, do MPF emitido, mediante a utilização do referido código de acesso, mesmo após a conclusão do procedimento fiscal correspondente, não mais se faz necessária a juntada do MPF aos autos do processo. Num último esforço para ver prevalecer o seu equivocado entendimento acerca da questão, aduz a recorrente que as disposições da Portaria RFB nº 11.371, de 2007, acima reproduzidas, não poderiam ser aplicadas ao caso concreto, visto que os créditos lançados são anteriores à sua edição, citando, em seu socorro, o art. 144 do CTN. Ora, o artigo 144 apenas estatui que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e se rege pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada, e isto foi rigorosamente observado no caso concreto. Em primeiro lugar, porque, conforme já referido, a emissão de MPF não possui assento em lei. E, em segundo, porque, ainda que possuísse, as normas que definem a forma e as circunstâncias de sua emissão são normas processuais, e não substanciais. Neste aspecto, é precisa e oportuna a lição de Humberto Theodoro Júnior, quando afirma que “a lei que se aplica em questões processuais é a que vigora no momento da prática do ato formal, e não do tempo em que foram consumados.” 1 Portanto, sob qualquer ótica que se analise a questão, não encontra fundamento a suscitada alegação de nulidade do procedimento fiscal por falta de MPF. Com relação aos prazos, alega a recorrente que a autoridade fiscal somente lhe concedeu prazos exíguos para que se manifestasse, o que, em termos práticos, tornava impossível o atendimento das intimações. Aponta a inobservância, por parte daquela 1 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil. Rio de Janeiro: Forense, 2002. Fl. 3021DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 11634.000123/200957 Acórdão n.º 1102000.918 S1C1T2 Fl. 14 13 autoridade, do prazo legal de vinte dias, estabelecido no art. 844 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, que possui a seguinte redação: “Art. 844. O processo de lançamento de ofício, ressalvado o disposto no art. 926, será iniciado por despacho mandando intimar o interessado para, no prazo de vinte dias, prestar esclarecimentos, quando necessários, ou para efetuar o recolhimento do imposto devido, com o acréscimo da multa cabível, no prazo de trinta dias (Lei nº 3.470, de 1958, art. 19).” Para corroborar suas alegações, desenvolve o seguinte raciocínio, verbis: “Em 18/06/2008, a recorrente foi cientificada da instauração da fiscalização e intimada a apresentar documentos, sendo concedido somente 5 (cinco) dias para tanto. Já se verifica, ai, violação ao art. 844. A seguir, em 30/06/2008, a recorrente requereu dilação do prazo, o qual foi estendido somente até 09/07/2008, ou seja, concedeuse 9 (nove) dias de prazo. Após, em 18/07/2008, o Auditor Fiscal reintimou a recorrente para que apresentasse a documentação solicitada, fixando marco final em 04/08/2008. Como a recorrente tomou ciência da reintimação somente em 22/07/2008, o prazo efetivo concedido foi de 13 (treze) dias.” Bem aí já se vê a total improcedência do alegado. A própria recorrente confirma que foi sucessivamente reintimada a apresentar documentos, e que sucessivamente solicitou prorrogações de prazo, as quais lhe foram concedidas pela autoridade fiscal. Contudo, considera em seu raciocínio somente o prazo ou prorrogação de prazo concedido a cada nova intimação, sem levar em conta que, entre a intimação original e a data final aprazada transcorreram, neste exemplo por ela mesma dado, 47 dias. De mais a mais, o lançamento fiscal somente veio a consumarse já passados mais de oito meses desde o início da fiscalização, sendo que boa parte dos livros e documentos solicitados, a que se refere a intimação em comento, jamais foram apresentados ao fisco. A recorrente, quase ao final da peça recursal, na penúltima página, retorna às suas alegações relativas aos vícios insanáveis que entende presentes no lançamento, e, ali, inserido no meio de um parágrafo, faz a seguinte observação: “De igual forma, o Auditor Fiscal determinou que a recorrente se manifestasse acerca de determinadas notas fiscais e, posteriormente, ao lavrar os autos de infração, acrescentou novas notas à lista, sem permitir qualquer defesa.” Quase despercebida, assim, poderia passar essa alegação de cerceamento do seu direito de defesa, circunstância a qual, quando de fato ocorre, é causa de nulidade do lançamento. Na peça trazida na semana anterior à sessão de julho, a recorrente aborda esta mesma questão em um item próprio, denominado “Da nulidade parcial do lançamento por vicio no procedimento: ausência de intimação da recorrente em relação às notas fiscais 3113, 3150, 3163, 3151, 3216, 3125, 3169, 3213, 3253, 3293, 3304, 3324, 3358, 3409, 3435, 3516, 3552, 3517, 3564, 3615 e 3667.” De pronto, devese ressaltar que, nos termos do PAF, é somente a partir da lavratura do auto de infração que se instaura a fase litigiosa entre o fisco e contribuinte, pelo que não há que se falar em violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório na fase investigatória que antecede o lançamento. Fl. 3022DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 11634.000123/200957 Acórdão n.º 1102000.918 S1C1T2 Fl. 15 14 Este entendimento, aliás, encontrase deveras consolidado no âmbito do CARF. Cito exemplificativamente os precedentes a seguir: Acórdão no 10196.060, relator João Carlos de Lima Junior, sessão de 28 de março de 2007: PRELIMINAR — CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura a fase litigiosa entre o fisco e contribuinte, sendo descabido cogitarse de violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório na fase investigatória que antecede o lançamento. Acórdão no 10807.927, relatora Karem Jureidini Dias, sessão de 13 de agosto de 2004: PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DE DEFESA —PROCEDIMENTOS DE FISCALIZAÇÃO — Antes de concluído o procedimento de fiscalização, não há que se falar na existência de litígio, vez que inexistente, ainda, qualquer pretensão do Fisco, sobre a qual possa haver resistência por parte do contribuinte. A fase litigiosa do processo administrativo só tem início com a apresentação da peça impugnatória, conforme o disposto no artigo 14 do Decreto n° 70.235/1972, ocasião em que é resguardado ao autuado o direito de participar ativamente do processo, defendendose de todas as imputações que lhe foram feitas, observados, inclusive, os princípios do contraditório e da ampla defesa. Conforme visto, a mesma questão foi novamente trazida nas alegações feitas na semana anterior ao julgamento, apenas abordandoa sob a ótica de um suposto vício no procedimento, fazendo expressa menção ao art. 845 do RIR/99, onde haveria exigência de prévia intimação para esclarecimentos. O art. 844 do RIR/99, mais específico que o referido pela recorrente, e cuja matriz legal é o art. 19 da Lei nº 3.470, de 1958, assim determina (grifo acrescido): “Art. 844. O processo de lançamento de ofício, ressalvado o disposto no art. 926, será iniciado por despacho mandando intimar o interessado para, no prazo de vinte dias, prestar esclarecimentos, quando necessários, ou para efetuar o recolhimento do imposto devido, com o acréscimo da multa cabível, no prazo de trinta dias.” Diante do tudo o quanto até aqui exposto, e do quanto mais se exporá adiante no voto, fica claro que não havia qualquer necessidade de solicitação de novos esclarecimentos específicos com relação às referidas notas fiscais, podendo a recorrente fazer os esclarecimentos que entendesse devidos no exercício do seu direito de defesa, assegurado a partir da instauração da fase litigiosa. Ausente, portanto, a alegada nulidade parcial por cerceamento do direito de defesa e/ou suposto vício de procedimento. Adentrando especificamente na apuração do crédito tributário lançado, sustenta a recorrente a impossibilidade de se fazer a tributação, no caso concreto, mediante o lucro arbitrado, porque a situação de fato não se enquadra em nenhum dos dispositivos em que se fundamentou a autoridade fiscal para fazêlo (incisos I, III, e VI, do art. 530, do RIR/99), que possui a seguinte redação: Fl. 3023DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 11634.000123/200957 Acórdão n.º 1102000.918 S1C1T2 Fl. 16 15 “Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (...) VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário.” Em síntese, alega que o inciso I não é aplicável porque ela não é obrigada pela tributação pelo lucro real; o inciso III não é aplicável porque ela optou pela tributação com base no lucro real, e não presumido (de que trata o art. 527 citado); e o inciso VI não é aplicável porque não há provas de que ela não mantenha o Livro Razão. E, por fim, afirma que na sua DIPJ/2005, acostada aos autos, encontramse disponíveis à fiscalização todas as informações imprescindíveis à apuração do lucro real, não se justificando, portanto, o arbitramento. Não lhe assiste razão. A utilização do arbitramento como forma de apuração dos lucros encontrase plenamente justificada em razão do quanto exposto no Termo de Verificação Fiscal. A tanto basta referir que, muito embora intimada, desde o Termo de Início de Ação Fiscal, a apresentar os livros Diário e Razão, obrigatórios às pessoas jurídicas submetidas ao lucro real, e a despeito das sucessivas reintimações, em nenhum momento os apresentou à fiscalização. Ao contrário do que sustenta a recorrente, a mera apresentação de DIPJ, declaração de cunho meramente informativo, indicando apuração pelo lucro real, não é suficiente a respaldar a tributação por este regime, sendo indispensáveis, nos termos da lei, a apresentação, entre outros, dos livros antes referidos, mantidos e escriturados na forma das leis comerciais e fiscais. O CARF já possui entendimento consolidado a respeito desta questão, inclusive destacando que o momento próprio para a apresentação dos livros e documentos exigidos por lei, pela fiscalizada, como forma de evitar o arbitramento dos lucros, é o da realização do procedimento fiscal. Neste sentido é a Súmula a seguir transcrita: “Súmula CARF nº 59 A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para Fl. 3024DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 11634.000123/200957 Acórdão n.º 1102000.918 S1C1T2 Fl. 17 16 a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal.” Sem utilidade, portanto, as cópias dos documentos trazidos aos autos na semana anterior ao julgamento que se realizaria na sessão de julho passado, e identificados como sendo os livros Razão nº 13 e 14, e Diário nº 09. Nas alegações feitas na petição apresentada naquela semana, a recorrente acrescenta a menção ao art. 148 do CTN para fundamentar um suposto vício no arbitramento efetuado. Ora, o dispositivo invocado é de todo inaplicável ao caso, posto que versa sobre o arbitramento do valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, o que nada tem a ver com arbitramento de lucros para fins de apuração do imposto de renda devido. Ainda nas alegações relativas à apuração do crédito tributário lançado, aduz a recorrente que sua atividade é de instalação e manutenção de redes de distribuição de energia elétrica, e que, na prestação dos seus serviços, fornece materiais, motivo pelo qual são incorretos os percentuais de arbitramento utilizados pelo fisco, aplicáveis apenas aos casos em que esses mesmos serviços fossem executados sem o fornecimento de materiais. Nesta parte, a autoridade julgadora a quo já determinou a redução dos percentuais de arbitramento aplicados, tanto para o IRPJ quanto para a CSLL, em razão da comprovação da utilização de materiais reconhecida em diligência por ela mesma requisitada, e assim procedeu a despeito da inércia da recorrente na produção de qualquer prova a seu favor no curso daquela diligência. Portanto, nada mais há a avançar nesta questão, uma vez que a redução que se faria possível já restou consumada na decisão recorrida. Contudo, insiste a recorrente, nas suas razões de recurso, que aquela autoridade não teria competência para reformar o lançamento nesta parte, de sorte que a única alternativa cabível seria a completa anulação do lançamento. Não lhe assiste razão. Cediço que o processo administrativo fiscal é um processo de acertamento da relação tributária e de busca da verdade material. Após uma primeira fase unilateral ou não contenciosa, que se encerra com o ato de constituição, pela autoridade competente, do lançamento fiscal, o processo de determinação e exigência do crédito tributário entra na fase bilateral ou contenciosa, que se inicia com a impugnação do lançamento e segue com os demais atos de instrução do processo, tais como perícias ou diligências (como de fato ocorreu no caso concreto), e se conclui com o julgamento, realizado ordinariamente em pelo menos duas instâncias administrativas. Absolutamente natural e normal que, ao longo dessa dialética que se segue, novas provas e argumentos sejam apresentados e enfrentados, do que pode resultar, afinal, o cancelamento total ou parcial do crédito tributário lançado, como, aliás, ocorreu no caso concreto. Na busca da verdade material, sempre que o julgador constatar erro na identificação da base de cálculo, em face das provas existentes nos autos, deve retificála de ofício. Fl. 3025DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 11634.000123/200957 Acórdão n.º 1102000.918 S1C1T2 Fl. 18 17 A autoridade julgadora a quo, ao contrário do que alega a recorrente, não efetuou qualquer lançamento, nem tampouco convalidou qualquer ilegalidade que teria sido praticada pelo agente fiscal. Ao contrário, no exercício de sua competência legal, tão somente julgou o processo, tendo acatado um dos argumentos expendidos pela parte, do que resultou o parcial ajuste efetuado na base de cálculo. A mera retificação de base de cálculo, consoante remansosa jurisprudência do CARF, não implica a nulidade do lançamento efetuado, nem tampouco da própria decisão assim proferida. Somente haveria de se falar em nulidade se com esta retificação restasse configurada a alteração do critério jurídico utilizado na autuação, porque isto implicaria cerceamento do direito de defesa, mas esta hipótese, conforme visto, nenhuma relação guarda com o caso dos autos. Prosseguindo nas alegações relativas à apuração do crédito tributário, sustenta a recorrente a impossibilidade da tributação cumulativa do PIS e da COFINS, em detrimento da nãocumulatividade, inerente ao lucro real, e demanda a nulidade do acórdão recorrido por não ter proferido qualquer julgamento acerca desta questão. Mais uma vez não lhe assiste razão. O argumento central de sua defesa, neste aspecto, é de que, sendo ilícita a tributação pelo lucro arbitrado, ilícita também é a apuração do PIS e da COFINS pelo regime cumulativo. Contudo, conforme já exposto no presente voto, o arbitramento consistiu na única forma, diante do caso concreto, de quantificar a base tributável do imposto de renda, sendo que a apuração do PIS e da COFINS pelo regime cumulativo constitui, conforme a própria recorrente deixa transparecer em suas alegações, mera decorrência da imposição do regime do lucro arbitrado ao caso. Tampouco é verdade que o acórdão recorrido não tenha proferido qualquer julgamento acerca desta questão. Transcrevo abaixo a manifestação da autoridade julgadora a quo a respeito: “No item seguinte da impugnação, ao exteriorizar seu inconformismo contra a tributação do PIS e da COFINS pela sistemática da cumulatividade, em detrimento da nãocumulatividade, a própria impugnante reconhece que se trata de medida decorrente do afastamento da tributação com base no lucro real. Uma vez que a impugnante jamais apresentou sua escrituração comercial, não existe a hipótese de ser mantida a tributação com base no lucro real. Logo, não há o que apreciar em seu inconformismo.” Por fim, insurgese a recorrente contra as multas impostas. Com relação à multa de 75%, aduz que a sua aplicação aos valores que já haviam sido declarados na DIPJ/2005 é indevida, não se subsumindo o caso a nenhuma das hipóteses previstas no art. 44, inciso I, da Lei no 9.430, de 1996, para a sua aplicação (falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração, ou declaração inexata). Não lhe assiste razão. Ao ser rejeitada a apuração pelo lucro real, informada na DIPJ pela recorrente, todos os tributos devidos, em razão da apuração pelo lucro arbitrado, levada a efeito de ofício pela autoridade fiscal, tiveram de ser recalculados, inclusive aqueles Fl. 3026DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 11634.000123/200957 Acórdão n.º 1102000.918 S1C1T2 Fl. 19 18 devidos em face da receita informada pela recorrente em sua DIPJ, que, aliás, constitui apenas parte da receita por ela efetivamente auferida. Se neste recálculo são apurados tributos devidos em valor superior ao declarado, legítima é a imposição da multa de ofício sobre as diferenças apuradas, exatamente nos termos do que dispõe o art. 44, inciso I, da Lei no 9.430, de 1996. Conforme já apontado no relatório ao norte, na autuação foram abatidos do montante do tributo apurado os valores já declarados pela recorrente como devidos, de sorte que a multa se fez incidir tão somente sobre as diferenças apuradas. Neste sentido, transcrevo o seguinte excerto do recurso voluntário, no qual a própria recorrente descreve o procedimento fiscal, para contestar a aplicação da multa de 75%, sic: “Consoante se infere dos autos de infração, o Auditor Fiscal, para a apuração da base de cálculo dos tributos ora se discute, valeuse da seguinte metodologia: primeiramente, foi identificada a receita bruta do anocalendário de 2004, obtida a partir dos valores declarados na DIPJ/2005, somada com as diferenças encontradas no livro de serviços e com as notas fiscais supostamente não escrituradas, fornecidas pelas Prefeituras Municipais e órgãos públicos mediante solicitação do Fisco. Tal receita bruta, foi utilizada de base de cálculo para o PIS e a COFINS, bem como, para fins de IRPJ e de CSSL, aplicouse o percentual de 38,4%, arbitrandose, assim, as respectivas bases de cálculo. Ao final, após calculado os créditos tributários, descontouse o que a recorrente já havia recolhido anteriormente, também declarado na mencionada D1PJ.” Nas alegações feitas na semana anterior ao julgamento, revisita a recorrente o tema, aduzindo haver contradição e ausência de motivação com relação à desconsideração das informações contidas na suas DACON, DIPJ e DCTF, uma vez que sempre optou pela tributação pelo lucro real, mas foi tributada com base no lucro arbitrado. Creio ter sido suficientemente demonstrada, por tudo o quanto até aqui exposto, a correção do procedimento fiscal levado a efeito, que, no caso, implicou o arbitramento dos lucros (e consequente desconsideração da forma de tributação originalmente adotada – lucro real) bem como a apuração do PIS e da Cofins pela modalidade cumulativa (e consequente desconsideração da forma de tributação originalmente adotada – modalidade não cumulativa). A bem da verdade, a contradição que se verifica é nas próprias alegações feitas, onde a suposta desconsideração a que se refere a recorrente é tratada ora como parcial, ora como total, confirase: “Ocorre que a "desconsideração" não foi total. As receitas informadas nas declarações não foram ignoradas; (...) Essa desconsideração "parcial" mostrase contraditória e, sobretudo, desmotivada. Em momento algum o Sr. Auditor traz os motivos pelos quais desconsiderou TODAS as informações contidas nas declarações.” Contraditória também esta afirmação com o próprio relato efetuado pela recorrente do procedimento fiscal levado a efeito, e acima reproduzido. Fl. 3027DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 11634.000123/200957 Acórdão n.º 1102000.918 S1C1T2 Fl. 20 19 Ademais, a recorrente em nenhum momento apontou ou demonstrou, de modo específico, a eventual desconsideração, pela fiscalização, de algum valor que deveria ter sido considerado no lançamento, a exemplo de algum pagamento. Suas alegações, neste sentido, são meramente evasivas, sustentando não haver prova de que não recolheu, quando, na verdade, se recolhido tivesse, deveria apresentar a prova desse recolhimento. Confirase a manifestação da recorrente neste sentido: “Da mesma forma, não consta dos autos quaisquer provas no sentido de que os valores declarados na DIPJ/2005 não foram recolhidos ao Fisco, não permitindo, assim, a aplicação da multa de 75%.” As alegações feitas nos demais itens do documento apresentado na semana anterior ao julgamento, no sentido da ausência de prova da ocorrência do fato gerador dos valores contidos em declarações desprezadas, da desnecessidade do lançamento de oficio das receitas reconhecidas nessas mesmas declarações, da inexistência de omissão de receita e da demonstração inequívoca de erro na qualificação jurídica dos fatos, também encontramse, portanto, devidamente analisadas e rebatidas, em face de tudo o quanto até aqui exposto. Com relação à multa de 225%, aduz que em nenhum momento ocultou a ocorrência dos fatos geradores das obrigações tributárias, que toda a documentação fiscal foi regularmente emitida e facilmente identificada pelo Auditor Fiscal, e que não houve qualquer intenção dolosa de maquiar as obrigações tributárias. Afirma que todas as notas supostamente omitidas na DIPJ foram devidamente contabilizadas no livro de prestação de serviços e reconhece que cometeu alguns erros, normais na vida empresarial, e vinha tentando consertar estes erros, do que é prova a apresentação de diversas declarações retificadoras — uma DIPJ e vinte e nove DCTF's. Aduz que, contrariamente ao exposto pelo agente fiscal, que a acusou de embaraço à fiscalização, a recorrente nunca deixou de responder ao Fisco, e efetivamente não dispunha de meios materiais para responder, de pronto, às intimações fiscais, em face dos exíguos prazos concedidos, e que, na verdade, foi o próprio agente fiscal quem provocou embaraço e inviabilizou o procedimento de lançamento. A análise dos autos não confirma as alegações da recorrente. A conduta da recorrente, durante todo o procedimento fiscal, foi manifestamente evasiva, tendo a recorrente efetivamente deixado de atender a diversas intimações fiscais no curso do procedimento fiscal, fato este que acarretou a lavratura de Termo de Embaraço à Fiscalização. De acordo com o relato ali efetuado, e demais elementos constantes dos autos, faço a seguir um breve resumo do ocorrido. No dia 18/06/2008 foi iniciada a fiscalização com a apresentação do primeiro termo de intimação fiscal, solicitando a apresentação de diversos livros e documentos. Em 27/06/2008, a empresa protocolou pedido de prorrogação de prazo para o seu atendimento. De tudo quanto foi solicitado, apresentou tão somente uma cópia da vigésima sexta alteração do seu contrato social. No dia 09/07/2008 solicitou nova prorrogação de prazo. Em 18/07/2008 a fiscalização lavrou o termo de reintimação fiscal, cuja ciência se deu no dia 22/07/2008. Fl. 3028DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 11634.000123/200957 Acórdão n.º 1102000.918 S1C1T2 Fl. 21 20 Novas intimações foram feitas em 25/08/2008 e em 07/10/2008. Por fim, sem que tivesse havido qualquer manifestação concreta por parte da recorrente, além dos citados pedidos de prorrogação de prazo, em 23/12/2008 a autoridade fiscal lavrou o termo de embaraço. Somente em 16/01/2009 respondeu a recorrente (fls. 435), informando que naquele ato, dos documentos solicitados, estava apresentando o Livro de Prestação de Serviços dos anos de 2004/2005/2006 e as Notas Fiscais da Prestação de Serviços dos anos de 2004/2005/2006. Neste mesmo instrumento, pleiteou novo prazo para a apresentação do Livro Diário de 2004 para 28/01/2009, e dos Livros Diário de 2005 e 2006 para 20/02/2009. Não se manifestou sobre os demais livros e documentos solicitados desde o início do procedimento fiscal, a exemplo do Razão. Além disto, não consta que tenha apresentado qualquer outro livro ou documento, nem mesmo os livros Diário a que se referiu, até a data da lavratura e ciência do auto de infração, que se deu, afinal, em 31/03/2009. O procedimento evasivo da recorrente, de sucessivamente solicitar novas prorrogações de prazo, sem efetivamente apresentar os elementos solicitados ou sequer uma justificativa razoável para a sua não apresentação, levou a fiscalização a ter de empreender uma série de circularizações junto a terceiros para a confirmação da receita auferida pela recorrente. Foi somente com esses procedimentos levados a efeito que a fiscalização logrou apurar que a efetiva receita da recorrente em 2004 fora não de R$ 6.394.955,73, conforme constara em sua DIPJ, mas sim de R$ 14.511.433,21. As receitas omitidas, no montante total de R$ 8.116.477,48, correspondem a 126,9% das receitas declaradas, ou 55,9% das receitas totais, conforme se demonstra no quadro abaixo: Receita informada Omissão de Receita total Mês na DIPJ Receitas apurada (multa de 75%) (multa de 225%) jan/04 467.936,66 350.327,03 818.263,69 fev/04 570.215,84 794.409,12 1.364.624,96 mar/04 538.345,80 941.422,55 1.479.768,35 abr/04 431.238,10 1.026.639,68 1.457.877,78 mai/04 431.238,10 922.504,42 1.353.742,52 jun/04 761.016,89 693.280,35 1.454.297,24 jul/04 552.190,34 374.433,21 926.623,55 ago/04 601.878,60 820.474,74 1.422.353,34 set/04 585.346,34 503.542,29 1.088.888,63 out/04 500.657,43 467.531,90 968.189,33 nov/04 482.345,52 581.422,81 1.063.768,33 dez/04 472.546,11 640.489,38 1.113.035,49 Total 6.394.955,73 8.116.477,48 14.511.433,21 Diante do montante das receitas omitidas, de sua reiteração em todos os meses do ano calendário, e da conduta demonstrada pela recorrente durante o procedimento fiscal, sobressai nitidamente o seu intuito de evadirse do pagamento dos tributos devidos. A alegação de que se trataria de erros normais da atividade empresarial cai por terra quando se Fl. 3029DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 11634.000123/200957 Acórdão n.º 1102000.918 S1C1T2 Fl. 22 21 verifica que em nenhum momento se equivocou a recorrente em sentido contrário, declarando receitas a maior que o apurado. Sua afirmativa de que todas as notas fiscais supostamente omitidas na DIPJ teriam sido devidamente contabilizadas nos Livros de Prestação de Serviços de suas filiais, conforme documentos trazidos junto com a defesa (Anexo I da impugnação) não merece credibilidade, prima facie, por se tratar de simples cópias de planilhas e de termos de abertura e encerramento emitidos por meio eletrônico, sem qualquer certificação de sua autenticidade ou mesmo de registro junto aos órgãos de fiscalização municipais. E, de qualquer sorte, ainda que se os tomasse por verdadeiros, resta sem qualquer justificativa o fato de não terem as receitas ali discriminadas sido declaradas à Secretaria da Receita Federal. A propósito, a circunstância de não ter a recorrente apresentado ao fisco esses livros, apesar das sucessivas reintimações durante os mais de oito meses que durou a fiscalização, e de não ter sequer feito menção à sua existência, nem mesmo quando, em 16/01/2009, informou que estava apresentando o “Livro de Prestação de Serviços dos anos de 2004/2005/2006”, apenas reafirmam minha convicção de que a recorrente agia de modo consciente e doloso na tentativa de evadirse de suas obrigações para com o fisco federal, talvez imaginando que o agente fiscal não se daria ao trabalho de efetuar todas as verificações que fez junto a terceiros. Portanto, plenamente justificada a imposição da multa qualificada, prevista no inciso II do 44 da Lei no 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997, vigente à época dos fatos, ou no § 1º do mesmo artigo, na redação dada pela Lei no 11.488, de 2007, dispositivos os quais determinam a sua aplicação nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, dentre os quais encontrase a figura da sonegação fiscal, aqui caracterizada. 2 Além das sucessivas intimações e reintimações para a apresentação dos livros e documentos necessários para a realização dos trabalhos de fiscalização, todas desatendidas, houve também intimação e reintimação específica para a apresentação de arquivos digitais contendo as informações contábeis do contribuinte, nos moldes previstos na Instrução Normativa SRF no 86/2001 (fls. 77 e 615). Ambas, contudo, conforme nos informa o relatório fiscal que acompanha os autos de infração lavrados, “foram sumariamente ignoradas, sem qualquer menção a um eventual impedimento para a geração dessa mídia” (fls. 836), informação esta que não foi refutada pela recorrente. E, por fim, houve ainda uma intimação feita em 27/02/2009, após a conclusão dos trabalhos de circularização junto a terceiros, para que fossem esclarecidas pela recorrente: (i) as divergências encontradas nos trimestres do ano calendário de 2004 entre as entradas de recursos registradas no Livro de Prestação de Serviços apresentado e as correspondentes receitas informadas na DIPJ, consoante tabela demonstrativa transcrita no Anexo I; e (ii) as razões da não inclusão das receitas apontadas nas notas fiscais emitidas pela empresa, e relacionadas no anexo II da intimação, na DIPJ apresentada. Esta intimação também não recebeu resposta. 2 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 3030DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 11634.000123/200957 Acórdão n.º 1102000.918 S1C1T2 Fl. 23 22 Conforme já antes afirmado, o reiterado desatendimento às intimações fiscais, e/ou seu atendimento apenas parcial, fizeram com que o fisco tivesse de empreender um esforço muito maior para conseguir apurar o crédito tributário devido. Em face das circunstâncias acima expostas, plenamente justificado também o agravamento da penalidade aplicada em 50%, o qual possui suporte legal no § 2º do art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997, vigente à época dos fatos: “Art. 44. (...) § 2º As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) prestar esclarecimentos; (Incluída pela Lei nº 9.532, de 1997) b) apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, com as alterações introduzidas pelo art. 62 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991; (Incluída pela Lei nº 9.532, de 1997) c) apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38. (Incluída pela Lei nº 9.532, de 1997)” Posteriormente, a Lei no 11.488, de 2007, apenas alterou a redação do parágrafo em questão para adequálo à nova reorganização do art. 44 em parágrafos e incisos, e renumerou as alíneas ‘a’, ‘b’, e ‘c’ acima, para os incisos I, II, e III, respectivamente, sem promover, contudo, qualquer alteração em seus conteúdos. Resta, por fim, analisar a alegação atinente à decadência. Consoante a remansosa jurisprudência do CARF, recentemente consolidada em súmula, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, como ocorre no presente caso, a decadência regese pelo disposto no art. 173, inciso I, do CTN, ou seja, conta se o prazo de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Confirase: “Súmula CARF nº 72 Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN.” Mesmo para os fatos geradores mais antigos, atinentes ao primeiro trimestre de 2004, para fins de IRPJ e CSLL, ou ao mês de janeiro de 2004, para fins de PIS e de COFINS, o prazo somente se iniciou, portanto, no dia 1o de janeiro de 2005, vindo a expirar em 1o de janeiro de 2010. Tendo a recorrente tomado ciência dos lançamentos em 31.03.2009, concluise que os fatos geradores lançados não foram atingidos pelo fenômeno decadencial. Em conclusão, e por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Fl. 3031DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 11634.000123/200957 Acórdão n.º 1102000.918 S1C1T2 Fl. 24 23 Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Voto Vencedor Conselheiro José Evande Carvalho Araujo Na sessão de julgamento deste processo, ousei divergir do posicionamento do Ilustre Relator no tocante ao agravamento da multa de ofício por falta de atendimento de intimação para prestar esclarecimentos, entendimento que prevaleceu pela maioria dos votos da Turma. Todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos AuditoresFiscais do Tesouro Nacional no exercício de suas funções, nos termos do art. 927 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99. Enquanto o art. 968 do RIR/99 traz a multa pelo descumprimento desse dever por terceiros, o agravamento da penalidade em 50%, previsto na inciso I do § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, é a punição imposta à pessoa objeto da fiscalização. Ressaltese que o agravamento deve ser aplicado nos casos em que o contribuinte deixar de atender à intimação do Fisco para prestar esclarecimentos, independentemente da importância dessa intimação para o resultado do julgamento, bem como da necessidade de a autoridade fiscal obter os esclarecimentos junto a terceiros. Salvo melhor juízo, o Ilustre Relator também interpreta a legislação da mesma forma, estando nossa discordância centrada na análise dos fatos. De acordo com o voto vencido, o contribuinte solicitou diversas prorrogações de prazos para apresentação dos documentos solicitados no início do procedimento fiscal, mas não apresentou nenhum documento concreto entre os meses de junho e dezembro de 2008. Contudo, em janeiro de 2009, foram apresentados o livro de prestação de serviços e notas fiscais. Dessa forma, entendo que essa resposta supriu as faltas anteriores, desautorizando o agravamento da penalidade em sua função. Observese que o Termo de Verificação Fiscal justifica o agravamento afirmando que, após diversas intimações, foram apresentados apenas “os livros de prestação de serviço e das notas fiscais a eles relacionadas”, e que todos os “elementos requeridos são instrumentos básicos de administração e controle de uma entidade não se justificando eventuais dificuldades em sua separação.” (fl. 1.484) Contudo, a consequência pela falta de apresentação dos livros foi o arbitramento dos lucros, não havendo sentido em majorar a penalidade pela mesma razão. A lei exige que o contribuinte preste esclarecimentos, mas não o pune por não trazer as informações desejadas pelo Fisco. Restam ainda a falta de atendimento a i) intimação e reintimação específicas para a apresentação de arquivos digitais contendo as informações contábeis do contribuinte, Fl. 3032DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 11634.000123/200957 Acórdão n.º 1102000.918 S1C1T2 Fl. 25 24 nos moldes previstos na Instrução Normativa SRF no 86/2001, e ii) intimação de 27/02/2009 para esclarecimento das divergências apuradas na ação fiscal. Nesses casos, penso que a norma deve ser aplicada com certo tempero. A intimação para apresentação de arquivos digitais mostrase um pouco deslocada no âmbito de uma fiscalização onde a empresa não possuía nem mesmo os livros fiscais básicos, o que resultou no arbitramento de seus lucros, parecendome um exagero a punição pela falta de resposta a algo que apenas em remotíssima hipótese existiria. Do mesmo modo, a falta de resposta à intimação que solicitava manifestação sobre as divergências apuradas, demonstrando de forma contundente a omissão de receitas, não pode ser vista como falta de colaboração com o Fisco, mas apenas como impossibilidade de contradição da força das provas. Ademais, o Termo de Verificação Fiscal não fundamenta o aumento da penalidade na falta de atendimento a essa intimação específica (fls. 1.484 a 1.486). Dessa forma, penso que o contribuinte respondeu à Fiscalização, mesmo que de forma incompleta, não sendo possível ser penalizado pela falta de atendimento à intimação para prestar esclarecimentos. Já para as intimações não respondidas, devese reconhecer que uma trazia pedido incompatível com as circunstâncias da ação fiscal e que a outra apresentava o resultado dos trabalhos, devendose entender que o não atendimento decorreu de impossibilidade de resposta e não de falta de colaboração com o Fisco, interpretandose a lei da forma mais favorável ao contribuinte, nos termos dos incisos II e IV do art. 112 do Código Tributário Nacional – CTN, abaixo transcritos: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...) II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; (...) IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Foram essas as razões porque a Turma Julgadora, por maioria de votos, entendeu por dar provimento parcial ao recurso voluntário, reduzindo o percentual da multa de ofício aplicada de 225% para 150%. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 3033DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 11634.000123/200957 Acórdão n.º 1102000.918 S1C1T2 Fl. 26 25 Fl. 3034DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO
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Numero do processo: 10909.900218/2008-51
Data da sessão: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002
RECOLHIMENTOS A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA.
A denúncia espontânea não alcança os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação, que serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de 0,33% por dia de atraso, observado o limite de 20%.
Numero da decisão: 3803-000.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique Martins de Lima, Hélcio Lafetá Reis, Rangel Perrucci Fiorin e Daniel Maurício Fedato.
Nome do relator: Relator Belchior Melo de Sousa
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. A denúncia espontânea não alcança os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação, que serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de 0,33% por dia de atraso, observado o limite de 20%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique Martins de Lima, Hélcio Lafetá Reis, Rangel Perrucci Fiorin e Daniel Maurício Fedato. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 90 02 18 /2 00 8- 51 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN 2 Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 0715.802, de 17 de abril de 2009, da DRJFlorianópolis/SC, fls. 57 a 60, que indeferiu a solicitação de reforma do despacho decisório que homologou parcialmente as compensações declaradas por insuficiência de crédito, em face da incidência de multa de mora por extinção do débito fora do prazo. Contra a não homologação integral de sua compensação, a Contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade des folhas 08 a 17, na qual discordou do critério de imputação adotado pela DRF/Itajaí/SC. Alegou que a autoridade fiscal partiu da equivocada e ilegal premissa de que, sendo o débito em questão vencido em data anterior e tendo sido efetivada a compensação via DCOMP apenas em período posterior, haveria a incidência de multa mora sobre a compensação. Consignou que, em face do artigo 138 do Código Tributário Nacional CTN, o adimplemento de um valor já vencido, antes da instauração de procedimento de ofício e antes da declaração em DCTF, torna inaplicável a imposição da multa de mora. Juntou jurisprudência e doutrina que estariam a corroborar sua tese. Manifestouse pela ilegalidade ou inconstitucionalidade do que está expressamente previsto no artigo 61 da Lei n.o 9.430/1996, segundo o qual “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.” A DRJFlorianópolis, refutou os argumentos da impugnante assentando que em face de às instâncias administrativas, pelo caráter vinculado de sua atuação, não ser dada a atribuição de apreciar questões relacionadas com a legalidade ou constitucionalidade de qualquer ato legal, descabidas tornamse quaisquer manifestações deste juízo, sobretudo quando se trata de disposição literal de lei regularmente editada. Citou tanto a jurisprudência judicial quanto as reiteradas manifestações do Primeiro Conselho de Contribuintes, traduzidas estas em inúmeros de seus acórdãos; citese, entre estes, o de n.o 10607.303, de 05/06/95, n sentido desta limitação de competência, verbis: CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS Não compete ao Conselho de Contribuintes, como tribunal administrativo que é, e, tampouco ao juízo de primeira instância, o exame da constitucionalidade das leis e normas administrativas. Aduziu, ainda, que não tem efeito sobre a aplicação da penalidade o fato de o valor devido ter sido ou não declarado em DCTF ou a circunstância de o sujeito passivo encontrarse já em procedimento de ofício ou não. Ciente da decisão em 27 de maio de 2009, irresignada apresenta recurso voluntário de fls. 64 a 76, em 26 de junho de 2009, manejando os mesmo argumentos acima relatados trazidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator Fl. 98DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10909.900218/200851 Acórdão n.º 3803000.666 S3TE03 Fl. 98 3 O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Toda a controvérsia restringese à possibilidade ou não do uso do instituto da denúncia espontânea para o fato presente. A responsabilidade que refere o art. 138 do CTN é relativa a infrações tais como os ilícitos tributáriospenais, dolosos (sonegação, fraude, conluio e outros crimes contra a ordem tributária), e outros ilícitos tributários, não dolosos (nãoprestação de informações obrigatórias às autoridades fazendárias, concernentes à existência do fato gerador, declarações inexatas, etc). Não ao mero inadimplemento de tributo. Dessa distinção resulta a graduação de penalidades, diferenciandose em multa de ofício e multa de mora, esta, mais branda, que visa indenizar o Erário pela demora no recebimento do seu crédito, aquela, punitiva, aplicável às infrações relativas à obrigação tributária principal. A demonstrar o caráter de indenização da multa de mora, o seu percentual é proporcional à quantidade de dias de atraso, até o limite de vinte por cento do valor do tributo, conforme fixados em lei. Se não é atípico que haja possibilidade de previsão de multa de mora nas obrigações contratuais privadas, comumente pactuada, além dos juros, pelo atraso no cumprimento das obrigações, assim também acontece na obrigação tributária, com a diferença de que nesta a multa é estabelecida em lei, face ao caráter ex lege da obrigação tributária. Se um contribuinte declara o tributo e por alguma razão não pode pagálo no prazo, sujeitase à multa de mora. Outro, que sequer declara e espera a inércia do sujeito ativo, ao sobrevir um procedimento fiscal, na espécie, arca com penalidade maior, segundo a previsão legal. É esta última penalidade que é excluída pela denúncia espontânea, quando o contribuinte se antecipa a qualquer procedimento fiscal. A primeira, não. Ora, isto é que é razoável: o contribuinte meramente inadimplente arca com uma multa menor, e aquele que pratica as demais infrações tributárias será punido com uma multa maior, submetendose à multa menor caso promova a autodenúncia. Escorome no escólio de Zelmo Denari, in Infrações Tributárias e Delitos Fiscais, Paulo José da Costa Jr. e Zelmo Denari, 2ª ed., São Paulo, Saraiva, 1996, p. 24, para apreender a distinção entre multa punitiva e multa indenizatória, para, ao fim, entender em que se aplica o instituo da denúncia espontânea: “A nosso ver, as multas de mora – derivadas do inadimplemento puro e simples de obrigação tributária regularmente constituída – são sanções inconfundíveis com as multas por infração. Estas são cominadas pelos agentes administrativos e constituídas pela Administração Pública em decorrência da violação de leis reguladoras da conduta fiscal, ao passo que aquelas são aplicadas em razão da violação do direito subjetivo de crédito. (...) Como é intuitivo, a estrutura formal de cada uma dessas sanções é diferente, pois, enquanto as multas por infração são infligidas com caráter intimidativo, as multas de mora são aplicadas com caráter indenizatório. De uma maneira mais sintética, Kelsen refere que, ao passo que o Direito Penal busca intimidar, o Direito Civil quer ressarcir, (...). Como derradeiro argumento, as multas de mora, enquanto sanções civis, Fl. 99DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN 4 qualificamse como acessórias da obrigação tributária, cujo objeto principal é o pagamento do tributo. Essa acessoriedade, em contraposição à autonomia, as tornam inconfundíveis com as multas punitivas.” A respeito da incidência da multa de mora na denúncia espontânea, cumulativamente com os juros de mora, assim se pronuncia Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, São Paulo, Saraiva, 6ª edição, 1993, p. 348/351, verbis: “Modo de exclusão da responsabilidade por infrações à legislação tributária é a denúncia espontânea do ilícito (...). A confissão do infrator, entretanto, haverá se ser feita antes que tenha início qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com o fato ilícito, sob pena de perder seu teor de espontaneidade (art. 138, parágrafo único). A iniciativa do sujeito passivo, promovida com a observância desses requisitos, tem a virtude de evitar a aplicação de multas de natureza punitiva, porém não afasta os juros de mora e a chamada multa de mora, de índole indenizatória e destituída do caráter de punição. Entendemos, outrossim, que as duas medidas juros de mora e multa de mora por não se excluírem mutuamente, podem ser exigidas de modo simultâneo: uma e outra. O art. 138 do CTN, ao determinar que “a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora”, precisa ser interpretado em conjunto com o art. 161 do mesmo Código, que informa: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (negrito acrescentado). Consoante o art. 161, transcrito, seja qual for o motivo determinante do atraso a parcela do crédito tributário não pago no vencimento é acrescida de juros de mora e das penalidades cabíveis. Dentre essas penalidades, que precisam estar estabelecidas em lei, encontrase exatamente a multa de mora. E é cediço que as leis sempre estipularam, ao lado dos juros de mora, também a multa moratória. Assim, é que veio compor o ordenamento jurídico pátrio idêntica previsão, no artigo 61, e parágrafos, da Lei n.o 9.430/1996, verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” Fl. 100DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10909.900218/200851 Acórdão n.º 3803000.666 S3TE03 Fl. 99 5 Com o respeito que é devido à Corte Superior de Justiça, divirjo do seu entendimento e penso ser indiferente, para afastar ou não a denúncia espontânea, o fato de o contribuinte apresentar ou não a DCTF. Considerar este evento o ponto de corte entre ambos os efeitos só é possível se se desconsiderar a mecânica de apresentação desta obrigação acessória. Para o período que cobre a apuração dos débitos deste processo, julho e agosto/2003, a obrigação de apresentar a DCTF era trimestral, e a partir do anocalendário 2005, semestral, salvo a exceção prevista, de apresentação mensal. Não há razoabilidade, cogito, em considerar que dois contribuintes que recolheram tributos com um ou dois meses de atraso, um esteja coberto pela denúncia espontânea pelo fato de descumprir a obrigação acessória de apresentar a DCTF, destaquese, três ou seis meses depois do fato gerador, e após o pagamento atrasado, e o outro não esteja, pelo fato de têla cumprido. Segundo este critério, quem errou mais será mais beneficiado do que quem errou menos. De imaginarse, ainda, que seguro da cobertura do dito instituto, o primeiro contribuinte pode executar um atraso deliberado de seus recolhimentos, enquanto o segundo, que pode têlos executado por dificuldade financeira, submeterse a um ônus maior com o pagamento da multa, sendo correto no cumprimento de sua obrigação acessória. Por isso, não vejo nenhuma razão para a dicotomia. Depreendo que o efeito deste lapso de tempo entre o pagamento atrasado e a posterior apresentação da DCTF pode não ter sido sintonizado pela E. Corte Superior. Destaquese uma vez mais, ante a mecânica descrita acima, que a lei conferiu ao contribuinte a prerrogativa de substituir o Poder Público no procedimento de apurar o próprio quantum debeatur e recolhêlo “sem prévio exame da autoridade administrativa”, mantida a (prerrogativa) da Fazenda de, “tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa” dentro do prazo “de cinco anos a contar do fato gerador.”. Ademais, no caso concreto, como remate de todos os argumentos expendidos, na data da transmissão da DComp, 08/10/2004, ela tinha o mesmo efeito de confissão de dívida da DCTF, consoante o art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 10.833/2003. Art. 17. O art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pelo art. 49 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. [...]. § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Em conseqüência, os débitos por ela compensados podem ser objeto de remessa à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de inscrição na Dívida Ativa, tal como ocorre com os confessados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. Noutra palavra, isto significa que cai por terra o argumento da recorrente de que efetuou a extinção do débito, por meio da compensação, antes de ser declarado/constituído, pois a própria declaração de compensação foi o meio dessa constituição. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso Fl. 101DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN 6 Sala das sessões, 24 de agosto de 2010 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 102DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 12466.003935/2008-15
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 03/10/2008 a 09/10/2008
PARTES E ACESSÓRIOS PARA MÁQUINAS MULTIFUNCIONAIS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Por aplicação da RGI/SH 3-C, combinada com a RGI/SH 6 e a RGC-1, os cartuchos de toner e de tinta e demais partes e acessórios de máquina multifuncional devem ser classificados no código 8443.99.39.
MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NCM. Mantida a reclassificação fiscal efetuada, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro decorrente da incorreição na classificação fiscal na NCM adotada pela contribuinte na DI.
MULTA DE OFÍCIO. O não cumprimento da legislação fiscal sujeita o infrator à multa de ofício no percentual de 75% do valor do imposto lançado de ofício, nos termos da legislação tributária específica.
JUROS DE MORA - Os juros de mora decorrem de lei e, por terem natureza compensatória, são devidos em relação ao crédito não integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta de recolhimento no prazo legal.
Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 3202-001.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Sérgio Pin Jr, OAB/SP nº. 235.202
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente CISA TRADING S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 03/10/2008 a 09/10/2008 PARTES E ACESSÓRIOS PARA MÁQUINAS MULTIFUNCIONAIS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Por aplicação da RGI/SH 3C, combinada com a RGI/SH 6 e a RGC1, os cartuchos de toner e de tinta e demais partes e acessórios de máquina multifuncional devem ser classificados no código 8443.99.39. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NCM. Mantida a reclassificação fiscal efetuada, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro decorrente da incorreição na classificação fiscal na NCM adotada pela contribuinte na DI. MULTA DE OFÍCIO. O não cumprimento da legislação fiscal sujeita o infrator à multa de ofício no percentual de 75% do valor do imposto lançado de ofício, nos termos da legislação tributária específica. JUROS DE MORA Os juros de mora decorrem de lei e, por terem natureza compensatória, são devidos em relação ao crédito não integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta de recolhimento no prazo legal. Recurso voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Sérgio Pin Jr, OAB/SP nº. 235.202 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 39 35 /2 00 8- 15 Fl. 566DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório O presente litígio decorre de lançamentos de ofício, veiculados através de autos de infração, do Imposto de Importação, do IPI, do PIS e da Cofins, acrescidos da multa de ofício de 75% pela falta de pagamento do tributo (art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007) e também da multa regulamentar de 1% sobre o valor da mercadoria classificada incorretamente na NCM (art. 84, inciso I, da Medida Provisória n° 215835/01 combinado com o art. 69 e art. 81, inc. IV, da Lei n ° 10.833/03), em decorrência de classificação incorreta de mercadorias, detectada em ato de conferência aduaneira, mais especificamente na importação de “cartuchos de toner”, classificados pelo importador no código NCM/SH 8443.99.29; de “cartuchos de tinta” no código NCM/SH 8443.99.27, e de “cabeça de impressão”, no código NCM/SH 8443.99.25. Segundo entendeu a fiscalização, os citados cartuchos são partes de máquinas multifuncionais do código NCM/SH 8443.31.00, devendo ser classificados no código NCM/SH 8443.99.39. Com o intuito de elucidar os fatos e destacar os argumentos trazidos pelas partes transcrevese o Relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: Versa o presente processo sobre os Autos de Infração lavrados (fls. 02/39) para a exigência do crédito tributário relativo às diferenças de recolhimento do Imposto de Importação – II (R$ 512.671,24); Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Importação (R$ 715.711,70); PIS/PASEP – Importação (R$ 3.045,56) e COFINS – Importação (R$ 14.026,13), acrescidos da multa de ofício; bem como à multa por classificação incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, no valor de R$ 44.970,57, prevista art. 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.15835, de 27 de agosto de 2001. Foi constatado pela fiscalização que alguns itens das adições das Declarações de Importações (DI) relacionados nos autos de infração são partes e acessórios compatíveis com equipamentos multifuncionais, classificáveis na Nomenclatura Comum do Mercosul no código 8443.99.39, da TEC, aprovada pela Res. Camex n° 43/2006, sendo que o importador os classificou nos códigos NCM 8443.99.29 (cartucho de toner), NCM 8443.99.27 (cartuchos de tinta) e NCM 8443.99.25 (cabeça de impressão). Informa que as máquinas multifuncionais (NCM 8443.31.00) tem a seguinte definição: "Máquinas que executem pelo menos duas das seguintes funções: Fl. 567DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12466.003935/200815 Acórdão n.º 3202001.432 S3C2T2 Fl. 567 3 impressão, cópia ou transmissão de telecópia (FAX), capazes de ser conectadas a uma máquina automática, para processamento de dados ou a uma rede". Explica que, entretanto, os acessórios para as máquinas multifuncionais não tinham classificação específica até aquele momento. Diante deste fato, a solução foi adotar a regra 3C. Ademais, de acordo com a solução de consulta SRRF 9ª. RF/DIANA n° 126/07, o cartucho de toner utilizado em máquinas capazes de efetuar múltiplas funções, impressão, cópia, facsímile, etc., é classificado no item 8443.99.3 e, como não existe um subitem apropriado para sua inclusão, o código NCM/TEC a ser utilizado é o 8443.99.39 Tratase de importação por conta e ordem de terceiros, cujo adquirente é Hewlett Packard Brasil Ltda, CNPJ 61.797.924/000740, observando que foram feitos depósitos administrativos para liberação das mercadorias. Regularmente cientificada, a interessada apresentou impugnação tempestiva, às fls. 186/194, na qual, em síntese: Alega que a Regra Geral nº 3 a) mostrase suficiente para sustentar as classificações das mercadorias nas posições 8443.99.25 (partes e acessórios / de impressoras ou traçadores gráficos ("plotters') / cabeças de impressão térmicas ou de jato de tinta, mesmo com depósito de tinta incorporado) e 8443.99.27 (partes e acessórios / de impressoras ou traçadores gráficos ("plotters') / cartuchos de tinta), eis que são mais específicas do que a posição 8443.99.39, pois as primeiras falam expressamente em "impressoras", enquanto a última se trata de uma posição de "outros" para "copiadoras". Ademais, em observância ao disposto na segunda parte da Regra 3a) combinado com a Regra 3b), a classificação fiscal correta é a eleita pelo contribuinte, pois o produto deve ser classificado pelo artigo que lhe confira a característica essencial e, neste caso, a característica essencial do equipamento multifuncional é de impressora, e não de copiadora. Vejase que a função de copiadora acaba necessariamente utilizando da função de impressão, enquanto que a função de impressora não necessita de nenhum elemento da função de cópia. Aduz que a Regra 3c é de aplicação em caráter subsidiário, não prevalecendo na hipótese de especificidade ou essencialidade do produto, quando então valem as regras 3a ou 3b. Transcreve posicionamento da Diana da 7ª. Região Fiscal, através da Solução de Consulta n° 68, de 06 de outubro de 2008, a qual inclusive faz referência a produtos da marca "HP", por conta e ordem de quem a Impugnante realizou as importações. Pretende a produção de provas, notadamente pericial, formulando quesitos e indicando assistente técnico. Requer a improcedência do presente Auto de Infração e o levantamento dos depósitos efetivados. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a impugnação. Confirase a ementa do julgado: Fl. 568DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 03/10/2008 a 09/10/2008 PARTES E ACESSÓRIOS PARA MÁQUINAS MULTIFUNCIONAIS. Os cartuchos de toner, de tinta e demais partes e acessórios compatíveis para uso em máquinas multifuncionais classificamse no código NCM 8443.99.39 da TEC, aprovada pela Resolução Camex 43/2006, em virtude do disposto na alínea “c” da 3ª Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado combinado com o preceito contido na Regra Geral Complementar nº 1. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado onde repisa os argumentos já trazidos na impugnação, além de citar julgados proferidos pelo CARF sobre a matéria. Ao final, requereu a reforma da decisão recorrida, com a anulação das cobranças dos tributos e das multas aplicadas e, subsidiariamente, a exclusão da multa e dos juros de mora, em razão de seguir conduta reiteradamente adotada pelas autoridades administrativas. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o Relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O cerne do presente litígio referese à correta classificação fiscal a ser atribuída aos produtos importados descritos como “cartuchos de toner de diversos modelos”. O importador classificou os produtos no código NCM/SH 8443.99.29, por entender que esta posição é mais específica do que aquela indicada pela fiscalização, devendo ser aplicada a RGI/SH 3B (Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado), subsidiária da RGI/SH 3A. Isto porque conforme os dizeres da regra 3B das RGISH, uma mercadoria deve ser classificada na posição NCM que lhe confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação em produtos que estejam misturados ou em obras compostas por matérias diferentes. A fiscalização, por sua vez, afirma que os citados cartuchos devem ser classificados no código NCM/SH 8443.99.39, em função do que dispõe a RGI/SH 3C. Isto porque, no seu entender, como a NCM não previu um código específico para partes de máquinas multifuncionais, possuindo somente desdobramentos para partes de telecopiadores (8443.99.1), de impressoras ou tragadores gráficos (8443.99.3) e de máquinas copiadoras (8443.99.3), devese enquadrar as mercadorias em questão em algum dos itens acima. Tal enquadramento deve ser feito pela utilização da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado 3, alínea c, uma vez que, conforme já foi exaustivamente discutido em processos de solução de consulta anteriores à modificação ocorrida na TEC em 2006, que criou posição específica para as máquinas multifuncionais (8443.31.00), não possível determinar se a Fl. 569DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12466.003935/200815 Acórdão n.º 3202001.432 S3C2T2 Fl. 568 5 função essencial de tais equipamentos é a impressão ou a realização de cópias, não se aplicando, nesse caso, as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado 3a e 3b. As posições indicadas pelas partes estão dispostas na TEC conforme abaixo: 8443 Máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão da posição 84.42; outras impressoras, máquinas copiadoras e telecopiadoras (fax), mesmo combinados entre si; partes e acessórios. 8443.9 Partes e acessórios 8443.99 Outros 8443.99.2 – De impressoras ou traçadores gráficos (“plotters”) 8443.99.29 Outros 8443.99.3 De máquinas copiadoras 8443.99.39 Outros Pois bem. Essa matéria não é nova nesta Turma. Já foi apreciada em dois julgados proferidos recentemente: o primeiro, de relatoria do ilustre Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior (Acórdão nº 3202000.551, sessão de 21/08/2012) e o segundo, de relatoria da nobre Presidente e Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Acórdão nº 3202000.774, sessão de 25/06/2013). Nesse último julgado, inclusive, a Recorrente também era a empresa Cisa Trading S/A. Deste modo, por concordar inteiramente com o voto proferido no Acórdão nº 3202000.774, onde há identidade de matéria e de partes com o processo em análise, e também por economia processual, adoto neste voto os mesmos fundamentos e razões de decidir proferidos naquele julgado, o qual se transcreve parcialmente a seguir: Tratase de Autos de Infração lavrados contra a empresa CISA TRADING S/A, para exigência da diferença que deixou de ser recolhida relativa ao Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep, bem como de multa de oficio e multa regulamentar por classificação incorreta na NCM, no valor total de R$ 311.058,53, decorrente de reclassificação fiscal procedida pelo Fisco de mercadorias identificadas como cartuchos de toner para impressoras multifuncionais, conforme descritas nas adições 001 e 002 das DI nº. 08/14983736 e 08/14983744 (efls. 58/59 e 75/76, respectivamente). Alegando tratarse da aplicação das RGI/SH 3a e 3b, pretende a contribuinte a classificação no código 8443.99.29 – Outras partes e acessórios de impressoras ou traçadores gráficos; já o Fisco, por aplicação da RGI/SH 3c, pretende a classificação na posição 8443.99.39 – Outras partes e acessórios de máquinas copiadoras. Notase, portanto, que a diferença de classificação reside apenas quanto ao item e subitem da posição. Os textos das classificações pretendidas são os seguintes 8443. Máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão da posição 84.42; outras impressoras, máquinas copiadoras e telecopiadores (fax), mesmo combinados entre si; partes e acessórios Fl. 570DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 8443.9 – Partes e Acessórios 8443.99 – Outros 8443.99.10 – De telecopiadores (fax) 8443.99.20 – De impressoras ou traçadores gráficos (“plotters”) 8443.99.30 – De máquinas copiadoras Logo de pronto, verificase que a classificação da mercadoria em questão não se mostra possível pela aplicação da RGI 1, vez que não há na TEC texto de posição que descreva os cartuchos de toner para máquinas multifuncionais. Também não se mostra cabível a aplicação da Regra 2a ou 2b, vez que não se trata de produto incompleto ou inacabado, nem desmontado ou por montar, tampouco de matéria em estado puro, misturada ou associada a outras matérias. Necessário, portanto, conhecerse o teor das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado nº 3: 3. Quando parecer que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais Posições por aplicação da Regra 2b ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A Posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais Posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais Posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3a, classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3a e 3b não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na Posição situada em último lugar na ordem numérica, entre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. A Regra 3a é clara: devese classificar a mercadoria na posição (no caso, item) mais específica. Esclarece a NESH que posição mais específica é aquela que identifica a mercadoria mais claramente, com descrição mais precisa e completa. Acontece que o item referente a partes e acessórios de impressora é tão específico quanto os itens referentes a partes e acessórios de telecopiadoras e de copiadoras, não trazendo nenhum deles qualquer descrição mais precisa ou completa da mercadoria em relação aos outros, uma vez que esta se trata de cartucho de toner que pode ser utilizado, indistintamente, em qualquer uma das funções, seja ela impressão, cópia ou telecópia. Não se mostra possível, portanto, a aplicação da regra 3a. Por sua vez, a regra 3b determina a classificação pela matéria ou artigo que configure à mercadoria sua característica essencial, porém é aplicável somente nos casos de i. produtos misturados; ii. obras compostas de matérias diferentes; iii. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12466.003935/200815 Acórdão n.º 3202001.432 S3C2T2 Fl. 569 7 obras constituídas pela reunião de artigos diferentes; e iv. mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho. A mercadoria em questão não se trata de nenhum dos 4 casos em que a regra pode ser aplicada, conforme destacou a Solução de Consulta SRRF 9ª RF/DIANA nº. 126/07 (fls. 43/48), a saber: “As máquinas multifuncionais, obviamente, não são produtos misturado e não podem ser classificadas com base no critério da matéria constitutiva (plástiCo, metal ou outra). Tampouco, a situação é de uma mercadoria vendida como um "sortido". Assim, excluemse as hipóteses listadas nas letras "a", "b" e "d" acima. 19. Com relação à situação "c", apesar de sua versatilidade, ela não é obtida pela reunião (ou acoplamento, agrupamento) de artigos diferentes, vez que muitos dos seus elementos, tais como cilindro de impressão, gavetas de papel, circuitos integrados e muitos outros são comuns à realização de diferentes funções. Em outras palavras, ela não é uma "obra composta pela reunião de artigos diferentes", tal como mencionada pela Regra, como seria o caso, por exemplo, de uma caneta relógio, que combina, num único corpo; dois artigos distintos, cada qual com sua própria função e identidade. Descartase, pois, a utilização da RGI 3 b).” Resta apenas, portanto, a aplicação da regra 3c, a qual determina que, dentre as posições suscetíveis de validamente se tomarem em consideração, a classificação devese dar na posição situada em último lugar na ordem numérica, qual seja, a posição 8443.99.30 – Outras partes e acessórios de máquinas copiadoras. É preciso ter em mente que a noção leiga que se tem do equipamento a que se destinam os cartuchos de toner não corresponde àquela que se deve ter para fins de classificação da mercadoria. Corriqueiramente, chamamos o equipamento de “impressora multifuncional”, identificandoo, assim, como se impressora fosse, e dando à função impressão uma preponderância que, para fins merceológicos, não existe. Tanto assim o é que, ao ter sido criado um código específico para o equipamento multifuncional (8443.31.00), este não foi aposto como um tipo de impressora, mas como uma máquina resultante da combinação entre si de impressora, aparelho de copiar e aparelho de telecopiar. Vejase: 84.43 Máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão da posição 84.42; outras impressoras, máquinas copiadoras e telecopiadores (fax), mesmo combinados entre si; partes e acessórios. 8443.3 Outras impressoras, aparelhos de copiar e aparelhos de telecopiar (fax), mesmo combinados entre si. 8443.31 Máquinas que executem pelo menos duas das seguintes funções: impressão, cópia ou transmissão de telecópia (fax), capazes de ser conectadas a uma máquina automática para processamento de dados ou a uma rede Notase claramente, portanto, que, para fins de classificação de uma “impressora multifuncional”, não foi dada à função de impressão prevalência sobre as demais funções de cópia e telecópia (fax), não se podendo denominar a máquina multifuncional de “impressora multifuncional”, como em linguagem leiga assim se faz. Fl. 572DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 8 Não havendo essa preponderância da função impressão quando da classificação do equipamento a que se destinam, pareceme óbvio inexistir também essa preponderância em relação aos cartuchos de toner que se destinam a esse mesmo equipamento. Os acessórios de máquinas que executam múltiplas funções, tal como a máquina a que se destinam, são, sim, classificados por sua função principal, porém quando a eles se pode atribuir uma função principal, o que não se aplica ao caso. No que diz respeito à aplicação das multas e dos juros, requer a contribuinte a sua exclusão, vez que, segundo alega, agiu conforme prática reiterada da Administração. Primeiramente, é de se salientar que não existe a alegada prática reiterada da Administração, tendo em vista, até mesmo, a existência de solução de consulta orientando a classificação da mercadoria no código pretendido pelo Fisco. Muito embora a consulta não seja dirigida à ora recorrente, verificase dali a inexistência de tal prática reiterada pelo órgão competente para dirimir dúvidas acerca de classificação fiscal. De outro giro, não se pode olvidar que o lançamento tributário é atividade administrativa plenamente vinculada e obrigatória, o que restringe o proceder da autoridade fiscal aos estreitos termos da lei. Os critérios para aplicação dos acréscimos legais são objetivos e não fica ao alvedrio dos agentes do Fisco estipular os encargos legais a serem exigidos do sujeito passivo, pois a própria lei já os especifica. No que se refere à multa de ofício, temse que o não recolhimento dos tributos caracteriza uma infração à ordem jurídica e a inobservância da norma jurídica importa em sanção, aplicável coercitivamente, visando evitar ou reparar o dano que lhe é conseqüente. Cabível, portanto, a aplicação da multa de ofício de 75%, por constituirse na plena aplicação da legislação em vigor, nos estritos limites da lei, mais especificamente da Lei nº. 9.430/96, art. 474, I. O mesmo se pode dizer da multa de 1% por classificação errônea na NCM, estabelecida no art. 84, inciso I, da Medida Provisória n° 215835/01, combinado com o art. 69 e art. 81, inc. IV, da Lei n ° 10.833/03. No tocante aos juros moratórios, sua exigência também é pertinente, vez que, ao teor do artigo 161 do CTN, o crédito não integralmente pago no vencimento (no caso, a data do registro da DI) deve ser acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, calculados na forma do §3º do art. 61 da Lei nº. 9.430/1996. Como já destacado no irretocável voto acima transcrito, a RGI/SH 3A pode ser aplicável apenas quando uma posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. O termo “genérico” utilizado pela regra, a meu ver, deve ser entendido como uma classe envolvendo diversas espécies, um conjunto de espécies. Pois bem. No caso em tela, dentre os códigos suscetíveis de serem utilizados (8443.99.20 – partes e acessórios de impressoras ou traçadores gráficos; 8443.99.30 – partes e acessórios de máquinas copiadoras) nenhum é “genérico”. Ambos são específicos e determinados: o primeiro referese às partes/acessórios de impressoras e o segundo, às partes/acessórios de copiadoras. Portanto, como dispõe a parte final da própria RGI/SH 3A, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma das partes do produto composto, tais posições devem considerarse como igualmente específicas. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12466.003935/200815 Acórdão n.º 3202001.432 S3C2T2 Fl. 570 9 Por outro lado, a RGI/SH 3B é destinada aos “produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho”. Observese que a regra utiliza como fator determinante a composição das matérias/ingredientes que compõem os produtos mesclados, compostos ou sortidos. A máquina multifuncional não é um “produto misturado”, não é uma “obra composta por matérias diferente” ou uma “obra constituída pela reunião de artigos diferente”, nem muito menos uma “mercadoria sortida”! Por isso a máquina multifuncional não deve ser classificada considerandose o critério de sua matéria constitutiva (plástico, metal, etc...). Devese utilizar o critério do uso ou função da mercadoria. A máquina multifuncional, como o próprio nome indica, tem múltiplas funções. Destarte, inaplicável a regra 3B ao caso em tela. Resta, portanto, a aplicação da RGI/SH 3C, uma vez que as Regras 3A e 3B não permitiram efetuar a classificação, de modo que a mercadoria deve ser classificada na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de serem adotadas (8443.99.20 ou 8443.99.30). Importante observar que o critério decisivo e fundamental para a correta classificação, em geral, deve ser buscado nas características e propriedades objetivas da própria mercadoria, tal como definidas nos textos das posições/subposições e nas notas de Seção e de Capítulo (RGI/SH 1 e 6) e, mutatis mutandis, dentro de cada posição e subposição, o item e subitem aplicável (RGC1), e não em elementos subjetivos. Isto implica dizer que não se deve considerar, no caso em tela, a denominação “popular” ou “comercial” atribuída à máquina multifuncional, ou mesmo ao uso mais “comum” dado ao produto, por tratarem se de elementos subjetivos e não determinantes para fins da ciência da merceologia. Por fim, quanto ao argumento de que deve ser excluída a multa e os juros de mora em razão das supostas práticas reiteradas adotadas pelas autoridades administrativas (art. 100, III, do CTN), entendo que não assiste razão à Recorrente. A litigante alega que algumas soluções de consulta proferidas pela 7ª Região Fiscal, indicando o código indicado por ela, configurariam prática reiterada pela autoridade administrativa, nos termos do art. 100, inciso III e parágrafo único, do CTN, o qual dispõe: Art. 100 São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: (...) III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; (...) Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. O equívoco, ao invocarse o art. 100 do CTN, reside em pretender imputar à solução de consultas, registrese de outros contribuintes, como prática reiterada da Administração, quando, em verdade, aquela não possui esse atributo. O instituto da consulta fiscal garante ao contribuinte consulente, e apenas a ele, o direito de obter manifestação formal da Administração Tributária, em caso de dúvida sobre a interpretação de dispositivo específico da legislação tributária ou à correta classificação Fl. 574DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 10 fiscal de um produto específico, de modo que o consulente fica “protegido”, no que se refere à matéria objeto da consulta, contra sanção pelo não pagamento ou pelo pagamento a menor de tributos. Tratase de uma norma individual (vala apenas para a consulente) e concreta (acerca de determinada mercadoria importada ou em vias de o ser). Terceiros não aproveitam dos efeitos da consulta. Como muito bem destacou a decisão recorrida, “as Soluções de Consulta ou de Divergência apenas dizem respeito à situação fática trazida pelo respectivo consulente. Como atos interpretativos que são não têm o poder de instituir normas, limitandose a explicitar o sentido e o alcance das normas integrantes dos atos constitutivos que interpretam. Sua normatividade fundase no poder vinculante do entendimento neles expresso em relação aos órgãos da administração tributária e somente ao sujeito passivo alcançado pela orientação que propiciam. Tratam de casos específicos, inseridos em determinado contexto causal ou temporal, pelos quais não se pode simplesmente aferir a perfeita similaridade com outras situações”. Assim, a premissa adotada pela Recorrente para aplicação do citado dispositivo legal afigurase incorreta, não restando configurada prática reiteradamente observada pela autoridade administrativa. As práticas reiteradas são normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos, consagrando, assim, os usos e costumes como fonte do direito tributário e, por isso mesmo, a sua caracterização pressupõe: i) inexistência de norma escrita a respeito de determinada matéria, motivando assim a adoção de práticas, pela autoridade fiscal, com vista a suprir a lacuna legal ou regulamentar a sua execução; ii) a compatibilidade entre a prática tida por reiterada e a lei, já que consistem em normas complementares a esta, sob pena de se admitir a ilicitude da Administração como geradora de direitos. Com efeito, no ordenamento jurídico pátrio é princípio assente a primazia da lei, notadamente em atividade tributária, não cabendo invocar o costume em detrimento do direito escrito. No caso em concreto, o litígio deve ser resolvido com base em normas jurídicas consubstanciadas nas RGI/SH, as quais revelam que os “cartuchos de toner de diversos modelos” devem ser classificadas no código NCM/SH 8443.99.39, em função do que dispõe a RGI/SH 3C, não cabendo aludir a direito consuetudinário, sob o argumento de que há soluções de consultas em sentido divergente ao adotado pela fiscalização. Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 575DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12466.003935/200815 Acórdão n.º 3202001.432 S3C2T2 Fl. 571 11 Fl. 576DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10825.000520/2005-95
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2006
Ementa: NULIDADE - VÍCIO FORMAL - É nulo o auto de infração que não contém a assinatura do AFRF autuante.
Numero da decisão: 105-16.224
Decisão: ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso para declarar nulo o lançamento por vício formal, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: José Clóvis Alves
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