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Numero do processo: 13807.006235/2005-94
Data da sessão: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2001
LEGALIDADE.
É cabível a aplicação de multa pela falta ou atraso na entrega da DCTF, conforme legislação de regência.
DCTF- OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA.
A entrega da DCTF fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa correspondente.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3102-000.141
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma Ordinária/ 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n0 13807.006235/2005-94 Recurso n° 142.706 Voluntário Acórdão n° 3102-00.141 — P Câmara / 2a Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2009 Matéria DCTF Recorrente PRO RH CONSULTORIA EM RECURSOS HUMANOS S/C LTDA. Recorrida DRJ-SÃO PAULO/SP ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2001 LEGALIDADE. É cabível a aplicação de multa pela falta ou atraso na entrega da DCTF, conforme legislação de regência. DCTF- OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA. A entrega da DCTF fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa correspondente. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2' Turma Ordinária/la Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. RCIA EL NA TRAMiN0 D'AMORIM Presidente e Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Judith do Amaral Marcondes Armando, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Ricardo Paulo Rosa e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. Processo n° 13807.006235/2005-94 S3-CIT2 Acórdão n.° 3102-00.141 Fl. 37 Relatório A empresa acima identificada recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida que transcrevo, a seguir: "Por meio do Auto de Infração de fl. 02, o contribuinte acima identificado foi autuado e notificado a recolher o crédito tributário no valor de R$ 1.188,08, a título de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, referente ao 1°, 2°, 3° e 4° trimestre do ano calendário de 2001. O enquadramento legal consta da descrição dos fatos como artigo 113, § 3' e 160 da Lei n° 5.172/1966 (C12\); artigo 4° combinado com o artigo 2° da Instrução Normativa SRF n" 73/98; artigo 2" e 5° da Instrução Normativa SRF n° 126/98 combinado com item I da Portaria MF n° 118/84; artigo 5° do DL 2124/84 e artigo 7" da MP n" 118/01 convertida na Lei n° 10.426/2002. Não se conformando com o lançamento acima descrito, a interessada apresentou a impugnação de fl(s). 01, na qual alega, em síntese o seguinte: - que pelo fato de ter sido erroneamente classificado como Pequena Empresa, deu conta em 2003, que não tinha apresentado a DCTF, desde 1999; - que o sócio gerente é o único prestador direto de serviços, e, sendo aposentado, optou pelo regime de Livro Caixa, por não poder pagar um escritório de contabilidade, o que gerou o atraso em tela." O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do Acórdão DRJ/SPO I ri2 16-12.697 de 13/03/2007, proferida pelos membros da 5' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, cuja ementa dispõe, verbis: "Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2001 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. O cumprimento da obrigação acessória - apresentação de declarações (DCTF) - fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Lançamento Procedente." 2 Processo n° 13807.006235/2005-94 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.141 Fl. 38 Cientificada do acórdão de primeira instância, conforme AR, à fl. 23-verso; a interessada apresentou recurso, em que repisa praticamente as razões contidas na impugnação, O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até a fl. 35 (última), que trata do trâmite dos autos no âmbito deste Conselho. É o Relatório. 3 Processo n° 13807.006235/2005-94 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.141 Fl. 39 Voto Conselheira MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo, da aplicação da multa pelo atraso na entrega das DCTF no ano-calendário de 2001, no qual está sendo exigido o crédito tributário no valor de R$ 1.188,08. Inicialmente, como bem frisou a decisão a quo, que, nos termos do art.3° do Decreto-Lei n° 4.657, de 04/09/1942: "Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece." O atraso na entrega da declaração foi confirmado pela própria recorrente e é obrigação acessória decorrente de legislação tributária, ou seja, daquele elenco de espécies normativas descritas no art. 96 do CTN. Consiste na prestação positiva (de fazer, ou seja, de entrega de declaração em tempo hábil) de interesse da fiscalização e o seu descumprimento gera penalidade para o sujeito passivo, desde que esteja previsto em lei e a penalidade imputada converte-se em obrigação principal. O lançamento teve fulcro nas seguintes disposições legais, citadas no referido auto: Lei n°5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional -CTN), art. 113, § 3° e 160; Instrução Normativa (IN) SRF n° 73, de 1996, art. 40 dc art. 2°; IN SRF n° 126, de 1998, arts. 2° e 6°, c/c Portaria MF n° 118, de 1984; Decreto-lei n° 2.124, de 1984, art. 5°; Medida Provisória n° 16- 01, convertida na Lei n° 10.426, de 2002. Embora a DCTF tenha sido entregue antes de qualquer procedimento fiscal, sua apresentação deu-se após o prazo estabelecido na legislação tributária, o que torna aplicável penalidade pelo não cumprimento da obrigação acessória. Dispõe, ainda, o § 2° do art. 113 do CTN, que a obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, converte-se em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária. Verifica-se que o procedimento fiscal obedeceu aos requisitos previstos na legislação vigente. Com efeito, a ação fiscal trata da exigência da multa pela não apresentação de DCTF. Portanto, a obrigação acessória deve atender aos requisitos de entrega, bem como a entrega no prazo legal, sem necessidade de intimação prévia. O art. 113, §§ 2° e 3°, do CTN e Portaria MF n.° 118/84, que delegou competência para tanto, ao Secretario da Receita Federal, através da Instrução Normativa n.° 126/1998, instituiu a Declaração de Contribuições e Tributos Federais — DCTF, como obrigação acessória dos contribuintes prestarem mensalmente informações relativas à obrigação principal de tributos e/ou contribuições federais, por meio de formulário padrão, e no 4 Processo n° 13807.006235/2005-94 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.141 Fl. 40 caso de inobservância, aplicação da multa. A multa em questão tem fundamento e suficiência legal no art. 11, §§ 2°, 30 e 4° do Decreto-Lei if 1.968/82, com a redação que lhe foi dada pelo art. 10 do Decreto-Lei n' 2.065/83, e no art. 5°, § 3 0, do Decreto-Lei n2 2.124/84, como já comentado acima. Outros atos foram editados, nos termos do art. 100, inciso I do CTN, e com base nos mesmos decretos-lei, onde estabelecem orientações técnicas e procedimentais, sem inovar ou criar qualquer outra obrigação para a pessoa jurídica. Destarte, a matriz legal para a autuação, além do art. 70 da Lei n.° 10.426/02 (derivação da Medida Provisória n.° 16, de 2001), está contida no art. 50 do Decreto-Lei n.° 2.124, de 1984. O art. 5°. Caput e § 3°, do Decreto-Lei n° 2.124, de 13 de junho de 1984, dispõe: "Art.5° - O ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal §3° - Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§ 2°, 3" e 4° do artigo 11 do Decreto- lei n°1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decreto-lei n°2.065, de 26 de outubro de 1983." Destarte a penalidade aplicada foi de acordo com o determinado na legislação tributária pertinente. Diante do exposto, voto por que se negue provimento ao recurso e procedência do lançamento para considerar devida a multa legalmente prevista para a entrega a destempo da DCTF. Sala das Sessões, em 27 de março de 2009. O M JRCIA HELENUt TRAJANO D'AMORIM Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10980.005812/2007-93
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/2006
DECADÊNCIA ARTIGO 150, §4º, DO CTN. SUMULA 8. STF.
O STF declarou a inconstitucionalidade dos parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário, bem como editou a súmula n.º 08.
Aplica-se ao caso o artigo 150, §4º, do CTN, haja vista haver contribuições parciais, considerando a totalidade da folha de pagamentos do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.637
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em conhecer em parte do recurso, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas, pela aplicação da regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que negavam provimento ao recurso, devido a aplicação da regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA- Presidente.
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro Jose Silva.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/2006 DECADÊNCIA ARTIGO 150, §4º, DO CTN. SUMULA 8. STF. O STF declarou a inconstitucionalidade dos parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário, bem como editou a súmula n.º 08. Aplica-se ao caso o artigo 150, §4º, do CTN, haja vista haver contribuições parciais, considerando a totalidade da folha de pagamentos do contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em conhecer em parte do recurso, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas, pela aplicação da regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que negavam provimento ao recurso, devido a aplicação da regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA- Presidente. (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro Jose Silva.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/2006 DECADÊNCIA ARTIGO 150, §4º, DO CTN. SUMULA 8. STF. O STF declarou a inconstitucionalidade dos parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário, bem como editou a súmula n.º 08. Aplicase ao caso o artigo 150, §4º, do CTN, haja vista haver contribuições parciais, considerando a totalidade da folha de pagamentos do contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em conhecer em parte do recurso, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas, pela aplicação da regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que negavam provimento ao recurso, devido a aplicação da regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 58 12 /2 00 7- 93 Fl. 5058DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro Jose Silva. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa DELARA BRASIL LTDA., em face de decisão que considerou procedente em parte o lançamento fiscal de crédito relativo à contribuição social previdenciária incidente sobre o pagamento de frete a pessoas físicas. 2. Por oportuno, transcrevo, in verbis, o relatório apresentado por ocasião da decisão deste Conselho que converteu em diligência o julgamento: “1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa DELARA BRASIL LTDA, contra decisão de primeira instância que julgou procedente lançamento de contribuições previdenciárias e de terceiros (SEST/SENAT), incidentes sobre o pagamento de fretes a pessoas físicas. 2. A ementa do decisum restou vazada nos seguintes termos: “O prazo para apresentação de Impugnação contra Notificação Fiscal de Lançamento de Débito era fixado em 15 dias por força de disposição expressa da Lei. 8.212/91, não cabendo sua prorrogação. LANÇAMENTOS E M DUPLICIDADE A alegação de que estaria havendo lançamentos em duplicidade deve ser acompanhada de indicação dos valores porventura duplicados, não cabendo este tipo alegação "em tese". FALTA DE CLAREZA DO RELATÓRIO FISCAL Os esclarecimentos posteriores ao Relatório Fiscal inicial suprem as eventuais falhas do primeiro no que diz respeito à clareza necessária para se aferir a motivação do lançamento. DECADÊNCIA O prazo decadencial aplicável às contribuições previdenciárias é o previsto no artigo 45 da Lei 8.212/91, que se encontra em plena vigência. PRESUNÇÕES. ARBITRAMENTO O descumprimento pelo sujeito passivo de seu dever de colaboração com a Fiscalização em procedimento fiscal, obstruindo ou dificultando a apuração de regularidade do cumprimento das obrigações previdenciárias principais e acessórias, justifica plenamente a apuração do valor devido por meio do arbitramento nos termos da previsão do §3°, do art. 33, da Lei 8.212/91. VERDADE MATERIAL E TIPICIDADE A busca da verdade material pressupõe a observância, pelo sujeito passivo, do seu dever de colaboração para com a Fiscalização no sentido de lhe proporcionar condições de apurar a verdade dos fatos. O lançamento de acordo com as normas vigentes e regentes do tributo exigido atende integralmente o requisito da tipicidade da tributação. MULTA CONFISCATÓRIA Não é confiscatória a penalidade exigida nos exatos termos da previsão legal aplicável à espécie. JUROS SELIC A exigência de juros de mora calculados com base na taxa SELIC é determinada por lei, não cabendo à esfera administrativa afastar sua exigência por suposta ilegalidade. Lançamento Procedente em Parte.” 3. Em seu recurso voluntário, acompanhado da documentação de fls. 4.500/4.919, o contribuinte alega, em síntese, o seguinte: a) preliminarmente, contesta o prazo de 15 dias para impugnação e apresentação de documentos; Fl. 5059DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10980.005812/200793 Acórdão n.º 2301003.637 S2C3T1 Fl. 4.994 3 b) que a notificação fiscal de lançamento do débito – NFLD não proporcionou o pleno conhecimento do lançamento fiscal, o que teria maculado o direito de defesa do contribuinte; c) a decadência quinquenal para a realização do lançamento; d) a insubsistência do lançamento baseado única e exclusivamente em presunções, procedimento que teria infringido os princípios da tipicidade da tributação e da verdade material; e) no mérito, defende a inaplicabilidade do percentual da base cálculo fixada no lançamento, tanto pelo art. 267 (11% até outubro de 2001) e depois pelo §4° do art. 201 (20% a partir de novembro de 2001) do Decreto 3.048/99, quanto pelo art. I o da Portaria 1.135/01, haja vista a ilegalidade e inconstitucionalidade de ambas as normas; argumenta que os julgadores deixaram de analisar esta questão em face de não terem encontrado nos relatórios Fundamentos Legais do Débito e no Relatório Fiscal menção aos referidos dispositivos; f) por fim, questiona o caráter confiscatório da muita aplicada e a inaplicabilidade da taxa SELIC. 4. O fisco, por sua vez, não apresentou contrarazões, limitandose a encaminhar o processo a este Conselho. É o relatório.” 3. Por meio da Resolução 230100.058, às fls. 4945/4947, este Conselho determinou a baixa dos autos para realização de diligência consistente no reexame, pelo Auditor Fiscal, do lançamento outrora realizado, em virtude da juntada de novos documentos após a decisão recorrida. 4. O contribuinte juntou aos autos, às fls. 4955/4956, pedido de desistência parcial do recurso interposto, em razão da inclusão de parte do débito no parcelamento previsto pela Lei nº. 11.941/2009, restando pendente de discussão o débito referente ao período de 01/2000 a 04/2000. 5. Em resposta à diligência, a DRJ, à fl. 4968, restituiu os autos a este Conselho por entender que a competência do Auditor Fiscal se exauriu com a apuração e o lançamento do débito tributário, não havendo motivos de força maior, nem fatos, direitos ou razões supervenientes aptos a justificar a inclusão de outras provas nos autos e a nova análise do débito naquela instância. 6. O contribuinte manifestou, por meio da petição de fls. 4989/4990, seu desinteresse na nova análise dos documentos juntados, bem como reiterou o pedido de desistência parcial do recurso. 7. Restando atendida, pela DRJ, a solicitação de desistência parcial do recurso, os autos vieram para julgamento e apreciação do mérito referente apenas à alegação de decadência do período de 01/2000 a 04/2000. É o relatório. Voto Fl. 5060DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. O contribuinte juntou aos autos, às fls. 4955/4956, pedido de desistência parcial do recurso interposto, em razão da inclusão de parte do débito no parcelamento previsto pela Lei nº. 11.941/2009, restando pendente de discussão o débito referente ao período de 01/2000 a 04/2000. Assim, conheço em parte do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DECADÊNCIA 2. Em razão de o contribuinte ter parcelado e solicitado, por conseguinte, a desistência parcial do recurso voluntário, permanecendo ativas as competências 01/2000 a 04/2000, verifico que tal período foi alcançado pela decadência. 3. Sobre a decadência, o Supremo Tribunal Federal – STF, por unanimidade, declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante nº 08, verbis: “(...) Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69.” É como voto. ............................................................. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. 4. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei nº 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula Fl. 5061DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10980.005812/200793 Acórdão n.º 2301003.637 S2C3T1 Fl. 4.995 5 que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 5. Ainda sobre o assunto, a Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 6. Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei nº 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional – CTN se aplicar ao caso concreto. 7. Acerca das regras de verificação da decadência, frisese, posto que importante, que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidouse no seguinte sentido: “(...) 1. Está assentado na jurisprudência desta Corte que, nos casos em que não tiver havido o pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, é de se aplicar o art. 173, inc. I, do Código Tributário Nacional (CTN). Isso porque a disciplina do art. 150, § 4º, do CTN estabelece a necessidade de antecipação do pagamento para fins de contagem do prazo decadencial. Precedente em recurso representativo de controvérsia (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009). [...] 3. Recurso especial parcialmente provido”. (REsp 1015907/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 10/09/2010) “(...) 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em Fl. 5062DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, ‘Decadência e Prescrição no Direito Tributário’, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199) (...) 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008”. (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 18/09/2009). 8. Compulsando os autos, depreendese que houve o recolhimento parcial das contribuições previdenciárias, considerando a totalidade das contribuições sociais previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamentos da empresa. Dessa forma, tenho como certo que deva ser aplicada a regra constante do artigo 150, §4º, do CTN. 9. O CARF, por intermédio de uma de suas Câmaras Superiores, corroborou tal entendimento ao aplicar a regra do art. 150, “eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratarse de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal)”. (Processo nº 36918.002963/200575; Recurso nº 243.707 Especial do Procurador Acórdão nº 920201.418) 10. Dessa forma, tenho como certo que deva ser aplicada ao lançamento fiscal a regra constante do artigo 150, §4º, do CTN. Fl. 5063DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10980.005812/200793 Acórdão n.º 2301003.637 S2C3T1 Fl. 4.996 7 11. E com base nas informações expostas acima, tendo em vista que a recorrente foi cientificada do lançamento fiscal em 17/05/2005, referente às contribuições do período de 01/01/1999 a 31/05/2006, ficam alcançadas pela decadência quinquenal as competências de 01/2000 a 04/2000. CONCLUSÃO 12. Dado o exposto, CONHEÇO em parte do recurso voluntário para DAR LHE PROVIMENTO e excluir do lançamento as contribuições apuradas, pela aplicação da regra decadencial expressa no §4º, art. 150, do CTN. Ficam alcançadas pela decadência quinquenal as competências de 01/2000 a 04/2000. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 5064DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 10711.005303/2006-50
Data da sessão: Wed Mar 17 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3201-000.115
Decisão: RESOLVEM os membros da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o Julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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I '&.;:re..a-• ze;-‘,", MINISTÉRIO DA FAZENDA t• j,„(N .. -kty '-'•'• -- •-•tt - CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10711.005303/2006-50 Recurso u° 141991 Resolução n° 3201-00115 - r Câmara / P Turma Ordinária Data 17 de março de 2010 - Assunto Solicitação de Diligência Recorrente LU ELETRONICS DA AMAZÔNIA LTDA. Recorrida DRJ-FORTALEZA/CE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da r Câmara/f. Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o Julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. , JUDITH DO 44 ARAL MARCONDES • • • 'O pidente r\ L,,. r \Rçt 'C) ROSA 1es \ Relatot \. - Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Marcelo Ribeiro Nogueira. Fez sustentação oral a advogada Georgeana leal de Macedo Rezende OAB/RJ 111642. 1 - _ Processo n° /0711.005303/2006-50 S3-C2T1 Resolução n.° 3201-00115 Fl. 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de auto de infração decorrente de classificação fiscal incorreta com lançamentos de Imposto de Importação, multa proporcional e multa por classificação fiscal. Valor total da autuação R$ 24.35739. Alega a fiscalização aduaneira que os produtos da Declaração de Importação (Dl) no 06/0932443-2 (silicato de alumínio e bário) devem ser classificados no código NCM/SH 2842.10.90 em vez do código 2842.90.00. Intimada a empresa autuada (fl. 01), ingressou a mesma com a impugnação de fls. 23-25. Seguem as alegações da empresa. A atividade preponderante da empresa é a produção de produtos odontológicos, categoria farmacêutica. A multa do artigo 44, inciso 1, da Lei n° 9.430/96 é imprópria uma vez que a mercadoria está corretamente descrita. Defende a classificação fiscal constante na DI pelo fato de não haver restrição a tal classificação nas Notas de Capítulo e que, pela apliação da Regra 3-c de Intepretação do Sistema Harmonizado, as mercadorias devem ser classificadas na posição situada em último lugar na ordem numérica dentre as suscetíveis de validade. • Alega a quantidade de empregados da empresa e da possibilidade de criação de empregos no exterior com o posicionamento da Receita Federal. Solicita a improcedência da autuação e a realização do desembaraço das mercadorias. Inconformada com a decisão proferida em primeira instância, a contribuinte apresenta recurso voluntário a este Colegiado, repisando argumentos presentes na impugnação ao lançamento. Em síntese, alem de insurgir-se contra as multas aplicadas, sustenta que o laudo técnico que serviu de base à autuação é deficiente por não ter identificado "a sílica (dióxido de silício = Si02) que compõe mais de 50% (cinqüenta por cento) da composição". 2 Processo n° 10711.00530312006-50 53-C2T1 Resolução n.° 3201-00115 Fl. 3 Voto Conselheiro RICARDO PAULO ROSA, Relator Conselheiro Ricardo Rosa, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Durante a sessão de julgamento, a Turma entendeu prudente a realização de diligênica para confecção de laudo técnico com vistas a dirimir dúvidas suscitadas quanto a aspectos merceológicos do produto sub examine. O exame deve ser realizado pelo Laboratório Nacional de Análises, pelo Instituto Nacional de Tecnologia ou por outro órgão federal congênere. Deverão ser respondidos os quesitos a seguir formulados, além dos que venham a ser apresentados pelas partes, contribuinte e Receita Federal, antes do inicio dos trabalhos periciais, se assim desejarem. Ante o exposto, VOTO POR CONVERTER o julgamento em diligência para realização de laudo técnico nos termos especificados. A empresa, assim como a fiscalização, devem ser informadas do interesse na apresentação de outros quesitos. Realizada a perícia, deverão as partes ser intimidas para apresentar manifestações em 15 (quinze) dias. Após, devolvam os autos para julgamento. Quesitos: 1) descrever a composição química do produto importado, identificando os componentes e a sua participação percentual na sua constituição; 2) esclarecer se a mercadoria se trata de um produto químico inorgânico; 3) esclarecer se o produto se trata de um sal dos ácidos ou peroxoácidos inorgânicos (incluídos os aluminossilicatos de constituição química definida ou não), exceto azidas ou um ácido inorgânico ou um composto oxigenado inorgânico dos elementos não- metálicos; 4) especificar o que são "silicatos duplos ou complexos" e informar se o produto importado está compreendido neste conceito; 5)`aso o produto não se enquadre em nenhuma das definições do item "3", estabelecer a que( grupo químico o mesmo pertence; Saia•dd essoes, em 17 de março de 2010. ; 11 kj 'n 1 ,1 L (RIáR96 AULO ROSA . I 3
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Numero do processo: 10925.001760/2005-89
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/04/2002, 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Uma vez que o Termo de Encerramento da Ação Fiscal e a indicação do art. 57 da MP nº 2.158-35/2001 cumprem o disposto no art. 10, IV, do PAF, não tendo causado prejuízo à defesa do contribuinte.
MULTA REGULAMENTAR, APRESENTAÇÃO DA DECLARAÇÃO ESPECIAL DE INFORMAÇÕES RELATIVAS AO CONTROLE DE PAPEL IMUNE. PRAZO. RETROATIVIDADE BENIGNA APLICADA DE OFÍCIO.
A falta ou atraso na apresentação da DIF - Papel Imune, ensejava, à época dos fatos, a imposição da multa R$ 5.000,00, por mês-calendário, para quem deixasse de fornecer ., nos prazos estabelecidos as informações através da entrega da DIF Papel Imune, prevista no artigo 57, I, da MP 2.158-35, de 2001. Entretanto, a Lei nº 11.945, de 04/06/2010 estabeleceu penalidade mais especifica para os casos de não apresentação, nos prazos estabelecidos, da DIF - Papel Imune. A lei especial revoga a geral, no que esta tem de especial. Deve ser aplicada, portanto, a retroatividade benigna prevista no artigo 106, inciso II, alínea "c", do CTN, uma vez que a penalidade prevista no artigo 1º, parágrafo 4°, inciso II, da Lei 11.945/2009 é menos severa que aquela prevista no artigo 57, I, da MP 2.158-34/2001, vigente ao tempo de sua prática.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-000.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao Recurso de Voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Octavio Carneiro Silva Correa, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Leonardo Mussi da Silva.
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Uma vez que o Termo de Encerramento da Ação Fiscal e a indicação do art. 57 da MP nº 2.15835/2001 cumprem o disposto no art. 10, IV, do PAF, não tendo causado prejuízo à defesa do contribuinte. MULTA REGULAMENTAR, APRESENTAÇÃO DA DECLARAÇÃO ESPECIAL DE INFORMAÇÕES RELATIVAS AO CONTROLE DE PAPEL IMUNE. PRAZO. RETROATIVIDADE BENIGNA APLICADA DE OFÍCIO. A falta ou atraso na apresentação da DIF Papel Imune, ensejava, à época dos fatos, a imposição da multa R$ 5.000,00, por mêscalendário, para quem deixasse de fornecer ., nos prazos estabelecidos as informações através da entrega da DIF Papel Imune, prevista no artigo 57, I, da MP 2.15835, de 2001. Entretanto, a Lei nº 11.945, de 04/06/2010 estabeleceu penalidade mais especifica para os casos de não apresentação, nos prazos estabelecidos, da DIF Papel Imune. A lei especial revoga a geral, no que esta tem de especial. Deve ser aplicada, portanto, a retroatividade benigna prevista no artigo 106, inciso II, alínea "c", do CTN, uma vez que a penalidade prevista no artigo 1º, parágrafo 4°, inciso II, da Lei 11.945/2009 é menos severa que aquela prevista no artigo 57, I, da MP 2.15834/2001, vigente ao tempo de sua prática. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 17 60 /2 00 5- 89 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao Recurso de Voluntário. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Octavio Carneiro Silva Correa, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Leonardo Mussi da Silva. Relatório Tratase de analisar lançamento de multa regulamentar devida em face do atraso na entrega de DIFsPapel Imune, no valor de R$ 292.500,00. Cientificada, a Interessada apresentou impugnação, a qual foi julgada improcedente pela DRJ (fls. 156 e ss.) De acordo com o acórdão recorrido, o Termo de Encerramento da Ação Fiscal e a indicação do art. 57 da MP nº 2.15835/2001 cumprem o disposto no art. 10, IV, do PAF, não havendo que se falar em nulidade da autuação. Confirase: De princípio, devo analisar o pleito pelo reconhecimento de preliminar de nulidade em face da não observância do que dispõe o art. 10, IV, do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, verbis: [...] A impugnante entende que a simples referência ao art. 57 da MP n° 2.15835, de 2001, sem especificar em qual dos seus incisos estaria enquadrado o seu caso, teria o condão de fazer "cair por terra o lançamento fiscal". Entendo que o pleito não deva ser acatado. Vejamos. Na verdade, a disposição legal infringida, que deu azo à medida fiscal combatida, é o art. 10 c/c art. 1° e 11 da IN SRF n° 71/2001, verbis: [...] Como resultado da infração a estes dispositivos normativos, aplicouse a penalidade disposta no art. 57 da MP n° 2.15835, de 2001, conforme preceitua o art. 12 da mesma IN SRF n° 71/2001, que também segue transcrito, in verbis: Art. 12. A não apresentação da DIF Papel Imune, nos prazos estabelecidos no artigo anterior, enseja a aplicação da Fl. 201DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10925.001760/200589 Acórdão n.º 3202000.772 S3C2T2 Fl. 201 3 penalidade prevista no art. 57 da Medida Provisória n°2.15834, de 27 de julho de 2001. Observese que referido comando normativo também se reporta genericamente ao comando legal que instituiu a penalidade, sem especificar o inciso que deve ser aplicado. Cabe, pois, transcrever a integra do reportado art. 57 da Medida Provisória (MP) n° 2.15835 (última reedição), verbis: Art.57.O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei n° 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único.Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. Penso que a multa aplicável pelo atraso na entrega das DIFs só pode ser aquela prescrita no inciso I do dispositivo legal recém transcrito, que é o único que trata de prazos. A penalidade disposta no inciso II, de sua parte, tem a sua aplicação limitada a erros ou omissões intrínsecos à declaração apresentada, e não à falta ou atraso da entrega da própria declaração. Destarte, tenho que a clareza da norma tornou desnecessária a especificação do inciso a ser aplicado no caso que deu origem ao lançamento em apreço. Tanto é assim que a impugnante defendese, consistentemente, contra a aplicação da penalidade prescrita no inciso I, única hipótese que daria sustentação à apuração dos valores lançados no auto de infração. Aliás, a demonstração da apuração dos valores do crédito tributário lançado, efetuada pelo autuante no Termo de Encerramento da ação fiscal, acostado à fl. 41, do qual teve ciência a impugnante (que solicitou cópia do inteiro teor do processo, fl. 45), não deixa margem a dúvidas quanto à capitulação penal que está sendo utilizada. Ademais, tenho que vícios formais do lançamento só se prestarão a anulálo se efetivamente acarretarem o cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo, o que aqui não se verificou. [...] Fl. 202DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 4 A DRJ também negou o pedido de improcedência do lançamento, assentando que a entrega da declaração não impede a aplicação da multa por atraso na entrega da DIF: Neste aspecto, entende a impugnante que o lançamento fiscal não pode subsistir porquanto, uma vez comprovada a entrega das declarações, não teria ocorrido a infração apontada pelo autuante: "falta da entrega da DIFDeclaração de Informações papel imune". E também que não procede a aplicação da penalidade lançada porque atendeu à solicitação da autoridade fiscal, apresentando as declarações que se encontravam omissas, no prazo estabelecido na intimação. Também nestes pontos razão não lhe assiste. Ora, basta consultar a descrição dos fatos que ensejaram a autuação, elaborada pelo autuante (fl. 07), para constatar que, na verdade, a infração ocorrida foi o atraso na entrega das declarações. E a penalidade se aplica pela falta de entrega das declarações nos prazos estipulados na norma regente (IN SRF n° 71/2001), e não no prazo concedido pela intimação fiscal, a qual apenas se prestou para determinar a regularização da omissão (sob pena de cancelamento do registro) e, eventualmente, possibilitar a comprovação tempestiva das declarações que constavam omissas nos sistemas de controle da Receita Federal. Frisese, outrossim, que a entrega das declarações a destempo não se presta a desconstituir a infração relativa à mora, aquela que está sendo penalizada. [...] Combate a impugnante, neste ponto, a própria literalidade da norma instituidora da penalidade, entendendo que não se pode coadunar imposição de penalidade com a não prestação de informações solicitadas pelo Fisco. Neste caso, a norma haveria de prescrever a penalidade apenas no caso de não fornecimento de informações determinadas pela legislação. Em que pesem seus argumentos, não pode a autoridade administrativa deixar de fazer cumprir norma regente a pretexto de sua eventual impropriedade semântica. Tal óbice há que ser oponível, tãosomente, ao próprio legislador. No presente contexto, o fato relevante para o julgamento administrativo é que o sujeito passivo não apresentou as declarações nos prazo prescritos no art. 11 da IN SRF n° 71/2001, pouco importando se sua obrigação emergiu de solicitação ou de determinação da norma tributária. Para a DRJ, a multa lançada pode ser instituída por instrução normativa, sendo desnecessária lei formal para tanto: Quanto à questão da instituição de obrigação acessória (no caso presente, a apresentação da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune) por Instrução Normativa, há que se rechaçar a tese de ilegalidade esposada pela impugnante dado que estas, desde a edição do Código Tributário Nacional (CTN), não decorrem Fl. 203DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10925.001760/200589 Acórdão n.º 3202000.772 S3C2T2 Fl. 202 5 exclusivamente de lei, podendo incorporarse ao ordenamento tributário por meio de outros diplomas que integram o que se denomina de "legislação tributária". A este respeito, cumpre trazer à baila os seguintes comandos estatuídos no CTN, in verbis: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 2°. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Se isto não bastasse, veio a Lei n° 9.779/99 outorgar poderes à Secretaria da Receita Federal para dispor sobre obrigações assessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados. Vejamos o que dispõe o seu art. 16, citado pela própria impugnante e tratado, em termos similares, pelo art. 212 do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (Regulamento do IPI — RIPI/02): Lei n°9.779/99 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. [...] Vejase que, diferentemente do que entende a impugnante, a lei conferiu sim amplos poderes para a Receita Federal instituir as obrigações acessórias, "estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável". No exercício da competência conferida pelo citado art. 16 da Lei n° 9.779/99, o Secretário da Receita Federal expediu a referida IN SRF n° 71/2001, instituindo a DIFPapel Imune e determinando o prazo de entrega das declarações. Assim sendo, não procede a alegação de que não haveria respaldo legal para a instituição da obrigação acessória cujo descumprimento resultou na autuação ora guerreada. Cumpre consignar, ademais, que, ainda que assim não fosse, não compete às autoridades administrativas afastar a aplicação de dispositivos normativos vigentes, a pretexto de eventuais ilegalidades ou inconstitucionalidades. Nestes termos, é impertinente ao julgamento administrativo considerar se o legislador podia ou não abrir mão de sua competência legislativa, nesta matéria, em favor do Executivo, se a multa tem natureza confiscatória, ou se é desproporcional ou irrazoável. À autoridade administrativa só compete fazer cumprir as normas vigentes. Outrossim, o acórdão rejeitou a ocorrência de bis in idem, pelo fato de a multa ser aplicada a cada mês de atraso, nas seguintes palavras: Fl. 204DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 6 Neste aspecto, entende a impugnante que o valor da multa aplicada implicou em penalizála "195 vezes", configurandose a ocorrência de bis in idem. Também neste aspecto não lhe assiste razão. Diferentemente do alegado, a rigor, aqui não se está diante de bis in idem, o qual, na acepção tributária, significa a dupla imposição tributária do mesmo fato gerador (de tributos). Sequer se está diante de múltiplas penalizações. Na verdade, a penalidade aplicada é uma só: multa pelo atraso na entrega de declaração. A sua apuração é que se computa em face da extensão do atraso. De qualquer forma, ainda assim é preciso interpretar o comando normativo que instituiu a penalidade, para o fim de quantificála frente a uma dada situação fálica. Neste intento, entendo que, de fato, a redação da matriz legal para a multa não delineou com exatidão a forma como esta deva ser calculada. Em razão desta imprecisão, há até quem defenda que, independentemente do atraso, aplicarseia apenas a multa de R$ 5.000,00 para cada obrigação tributária vencida (com a eventual redução em 70% para as empresas que foram optantes pelo Simples Federal). Esta tese, entretanto, tém sido majoritariamente vencida no julgamento administrativo. Observo, a este respeito, que a multa disposta no artigo 57 da MP n° 2.158/2001 aplicase a qualquer caso de inobservância no cumprimento de obrigação acessória, relativa à prestação de informações solicitadas pelo fisco federal. À guisa de exemplo, trago à baila sua aplicação no contexto da Declaração Especial de Informações Fiscais relativas à Tributação de Bebidas (DIF Bebidas), instituída pela IN SRF n° 325, de 30 de abril de 2003, verbis: Vejase, assim, que enquanto a DIF — Bebidas deve ser entregue mensalmente, a DIF — Papel Imune deve ser entregue trimestralmente. Notese, outrossim, que o comando matriz da multa é o mesmo (tem a mesma origem) e se refere expressamente a "mêscalendário". Assim sendo, no âmbito da obrigatoriedade da DIF — Bebidas, sujeita à entrega mensal, poderia haver de fato dúvidas quanto à forma do cálculo da multa, dado que o "mêscalendário" se confunde com a periodicidade da obrigação tributária. Neste sentido, para cada um dos mesescalendário há que ser entregue uma DIF — Bebidas. Ou seja, a penalidade poderia, então, estar adstrita à obrigação tributária mensal. Justamente em razão disto, veio a norma fixar os termos inicial e final para o cálculo da multa (§ 2° do art. 3°, transcrito e destacado), não deixando mais espaço para qualquer possível interpretação diferente (e o mesmo foi feito para a DIF — Cigarros, conf. IN SRF n° 194, de 29 de agosto de 2002). Nestes termos, por exemplo, se o contribuinte entregou em dezembro de 2003 a DIF Bebidas vencida no mês de julho de 2003, não há dúvidas de que estará sujeito a uma multa de R$ 15.000,00. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10925.001760/200589 Acórdão n.º 3202000.772 S3C2T2 Fl. 203 7 Pois bem. Voltandose agora ao caso ora impugnado, relativo à DIF — Papel Imune, como o vencimento da obrigação acessória é trimestral, não pode haver margem à confusão quanto cálculo da multa, a qual, como visto, reportase ao período mensal. Fica claro, assim, que a multa de R$ 5.000,00 é devida por mês de atraso. E ressaltese, neste passo, que ainda que a norma da DIF — Papel Imune não tenha especificado expressamente os termos inicial e final para o cálculo da multa (talvez até porque, neste caso, não havia esta necessidade), o entendimento da Administração Tributária, a respeito da aplicação do mesmo comando legal, já foi expresso nas normas da DIF — Bebidas e DIF — Cigarros (cálculo cumulativo, por mês de atraso). Não poderia a Administração Tributária adotar critérios diferentes para situações análogas, sob pena de ferir o princípio da isonomia. Em razão deste entendimento, tenho por correto o cálculo da multa aplicada por meio do auto de infração ora em julgamento. Por último, a DRJ decidiu que a multa tributária não exige a individualização da penalidade, na forma do art. 136 do CTN: A este respeito, pretende a impugnante que a aplicação da penalidade pela infração ocorrida leve em consideração as peculiaridades de seu caso, uma empresa com pequeno capital social e reduzida receita bruta anual, não havendo que se aplicar à espécie, o art. 136 do C1N, que trata da natureza objetiva da infração. Também neste aspecto não é possível acatar seu pleito. Como já assinalado alhures, a autoridade administrativa não pode deixar de observar o direito positivado. E, como a própria impugnante reconhece, na seara tributária prevalece, em regra, o princípio da natureza objetiva da infração, conforme o comando do citado art. 136 do CTN, verbis: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Sob a égide deste comando, não há espaço para aplicação do princípio da individualização da pena tributária, salvo disposição de lei em contrário, como é o caso da qualificação da penalidade quando constatadas as situações prescritas nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, nas quais é necessário realizar a (subjetiva) análise da intenção do infrator. Não resignada com o acórdão acima transcrito, a recorrente interpôs recurso voluntário, pedindo a reforma da decisão, de modo a julgar improcedente o lançamento. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 8 O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e merece ser apreciado. Primeiramente, rejeito a preliminar de nulidade do auto de infração, uma vez que o Termo de Encerramento da Ação Fiscal e a indicação do art. 57 da MP nº 2.15835/2001 cumprem o disposto no art. 10, IV, do PAF, não tendo causado prejuízo à defesa do contribuinte. Tratase de analisar lançamento de multa regulamentar devida em face do atraso na entrega de DIFsPapel Imune, no valor de R$ 292.500,00, nos termos do art. 57 da MP nº 2.15835/2001. In verbis: Art.57.O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei n° 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único.Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. Entretanto, depois de apresentado o recurso voluntário, sobreveio lei que diminui a multa aplicado no caso dos autos. Por isso, examino de ofício a aplicação da retroatividade benigna, exigida pelo art. 106, II, “c”, do CTN. A nova lei que reduziu a multa pela entrega intempestiva da DIFPapel está disposta no art. 1º, § 4º, da Lei 11.945/2009: Art. 1o Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que:(Produção de efeitos). I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alíneaddo inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e Fl. 207DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10925.001760/200589 Acórdão n.º 3202000.772 S3C2T2 Fl. 204 9 II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federalpara a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. [...] § 3o Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4o O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3odeste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. Regulamentando o disposto no artigo acima transcrito, o do RIPI/2010 estabeleceu o seguinte: Art. 588. O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 2o do art. 328 sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades (Lei no 11 945, de 2009, art., lo, § 4o). I cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta (Lei no 11.945, de 2009, ar! lo, § 40, inciso I); e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso 1, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido (Lei no 11 945, de .2009, ar! 1 o, § 4o, inciso 11), Portanto, diferentemente do que ocorre com a multa então prevista no artigo 57, inciso I, da MP n° 2,15834 (atualmente consignada no artigo 592 do novo RIP1), a multa prevista no artigo 588, I do RIPI2010 não deve ser cobrada por mêscalendário de atraso, mas sim urna única vez por declaração não entregue à Receita Federal. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 10 Desta forma, no caso em tela, deve ser aplicada a retroatividade benigna prevista no artigo 106, inciso II, alínea "c", do CTN, urna vez que a penalidade prevista no artigo 1°, parágrafo 4°, inciso II, da Lei 11.945/2009 é menos severa que aquela prevista no artigo 57, I, da MP 2.15834/2001, vigente ao tempo de sua prática. Nesse sentido, vejase a seguinte jurisprudência do CARF: CARF 3a. Seção / 2a. Turma da 3a. Câmara / ACÓRDÃO 3302 00.443 em 30/06/2010 ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2002 a 31/07/2004 MULTA REGULAMENTAR, APRESENTAÇÃO DA DECLARAÇÃO ESPECIAL DE INFORMAÇÕES RELATIVAS AO CONTROLE DE PAPEL IMUNE. PRAZO. RETROATIVIDADE BENIGNA. A falta ou atraso na apresentação da DIF Papel Imune, ensejava, à época dos fatos, a imposição da multa R$ 5.000,00, por mêscalendário, para quem deixasse de fornecer ., nos prazos estabelecidos as informações através da entrega da DIF Papel Imune, prevista no artigo 57, I, da MP 2.15835, de 2001 Entretanto, a Lei nº 11.945, de 04/06/2010 estabeleceu penalidade mais especifica para os casos de não apresentação, nos prazos estabelecidos, da DIF Papel Imune. A lei especial revoga a geral no que esta tem de especial. Deve ser aplicada, portanto, a retroatividade benigna prevista no artigo 106, inciso II, alínea "c", do CTN, uma vez que a penalidade prevista no artigo 1º, parágrafo 4°, inciso II, da Lei 11.945/2009 é menos severa que aquela prevista no artigo 57, I, da MP 2.158 34/2001, vigente ao tempo de sua prática. Em razão da aplicação, de ofício, da multa superveniente mais benéfica à recorrente, substituindo a fundamentação legal da cominação da penalidade, entendo que restam prejudicados os demais argumentos articulados no recurso voluntário. Além disso, a análise das discussões acerca da razoabilidade e proporcionalidade da multa, ou de sua eventual ofensa ao Código Tributário Nacional, esbarra na Súmula CARF nº 2, a qual impede este Tribunal Administrativo de apreciar matéria alusiva à constitucionalidade de leis tributárias. Ante o exposto, voto para DAR parcial provimento ao recurso voluntário, para aplicar a retroatividade benigna, substituindo a multa originalmente cominada pela penalidade fixa de R$ 5.000,00, por cada DIF em atraso, num total de dez (fl. 43), prevista no artigo 1°, § 4º, II, da Lei 11.945/2009, totalizando o valor de R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais). É meu voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 209DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10925.001760/200589 Acórdão n.º 3202000.772 S3C2T2 Fl. 205 11 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 13805.008280/97-41
Data da sessão: Thu Jul 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DECISÃO DE PRIMEIRA
INSTÂNCIA. NULIDADE. Não é nula a decisão de primeira instância que examina o atendimento pelo contribuinte dos pressupostos para a fruição da anistia de que trata a Lei n. 9.779/99.
PARCELAMENTO. ANISTIA. Faz jus aos benefícios previstos no art. 17 da Lei n. 9779/99 o contribuinte que atende aos requisitos estabelecidos na legislação para tal finalidade.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 1201-000.271
Decisão: Acordam os membros do colegiados, por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade suscitada pelo Relator, por impossibilidade de apreciação desta matéria pelo rito do Decreto n° 70.235/72 e, no mérito, DAR provimento ao recurso para reconhecer o direito do contribuinte ao beneficio de que trata a Lei n° 9.779/99, com as alterações da MP 2.158-6/99, quanto a parcela discutida na manifestação de inconformidade, nos termos do relatório e voto do conselheiro designado. Vencido o conselheiro Marcelo Cuba Neto que reconhecia o direito ao usufruto do aludido beneficio, nos termos do relatório e voto que
integram o presente julgado. Designado o conselheiro Antonio Carlos Guidoni para redação do voto vencedor.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Marcelo Cuba Neto
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Numero do processo: 15374.000838/2007-15
Data da sessão: Fri Feb 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO - CIDE
Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PRÁTICA DE ATO MERAMENTE FORMAL. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO.
A responsabilidade por descumprimento de obrigação acessória autônoma (de natureza meramente formal), sem vínculo com a existência do fato gerador do tributo, não se beneficia do efeito excludente relativo à denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN. De acordo com a moldura fática delineada nos autos, deixou a Recorrente de cumprir obrigação meramente acessória, consistente no dever de declarar corretamente o valor dos tributos devidos na DCTF, razão pela qual não se aplica ao caso o benefício da denúncia espontânea nem se exclui a multa moratória devida, em razão do pagamento a destempo do valor do tributo devido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-00.908
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Beatriz Veríssimo de Sena, que fará declaração de voto, e Luciano Pontes de Maya Gomes. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida.
Nome do relator: José Fernandes do Nascimento
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RETIFICAÇÃO DA DCTF. PRÁTICA DE ATO MERAMENTE FORMAL. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. A responsabilidade por descumprimento de obrigação acessória autônoma (de natureza meramente formal), sem vínculo com a existência do fato gerador do tributo, não se beneficia do efeito excludente relativo à denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN. De acordo com a moldura fática delineada nos autos, deixou a Recorrente de cumprir obrigação meramente acessória, consistente no dever de declarar corretamente o valor dos tributos devidos na DCTF, razão pela qual não se aplica ao caso o benefício da denúncia espontânea nem se exclui a multa moratória devida, em razão do pagamento a destempo do valor do tributo devido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Beatriz Veríssimo de Sena, que fará declaração de voto, e Luciano Pontes de Maya Gomes. A Conselheira Nanci Gama declarouse impedida. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 10/05/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 09/06/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO, 09/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA 2 José Fernandes do Nascimento Relator. EDITADO EM: 09/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, José Fernandes do Nascimento, Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama. Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão nº 1224.379, de 28 de maio de 2009 (fls. 45/47), proferido pelos membros da 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ (DRJ/RJI), em que, por unidade de votos, julgaram procedente o lançamento, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO – CIDE Anocalendário: 2004 MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea, com a consequente exclusão da multa, nos recolhimentos de tributos sujeitos a lançamentos por homologação e declarados pelo contribuinte. Lançamento Procedente Por bem descrever os fatos objeto dos presentes autos, transcrevo a seguir o Relatório encartado no Acórdão recorrido: Trata o presente processo do auto de infração lavrado pela Defic (RJ), referente ao quarto trimestre de 2004, por meio do qual é exigida do interessado a multa paga a menor, no valor de R$ 2.657.895,12 (fls. 32/35). 2 Em procedimento de auditoria interna na DCTF do quarto trimestre, foi constatado que a contribuição de intervenção no domínio econômico Cide vencida em 15/12/2004 foi recolhida em 15/2/2005 sem a multa de mora, ora exigida. 3 Ao impugnar a exigência, fls. 1/6 (documentos de fls. 7/31), o interessado alega, em síntese, que efetuou denúncia espontânea. 4 É o Relatório. Examino somente agora em face do volume de trabalho e das condiçôes do serviço. Sobreveio o Acórdão recorrido, sendo dele cientificada a Autuada, por via postal (fl. 48v), em 17/06/2009. Inconformada, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 51/64, protocolado em 02/07/2009 (fl. 50), em que, em síntese, alegou que: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 10/05/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 09/06/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO, 09/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Processo nº 15374.000838/200715 Acórdão n.º 3102000.908 S3C1T2 Fl. 69 3 a) a decisão recorrida incorreu em equívoco ao aplicar ao caso presente o entendimento esposado na Súmula 360 do STJ, posto que, embora o tributo estivesse sujeito a lançamento por homologação, o valor devido foi retificado na DCTF e efetivado o pagamento imediatamente; b) a denúncia espontânea foi caracterizada, uma vez que a Autuada não estava sob procedimento fiscal concernente ao tributo em questão; e c) a jurisprudência da 1ª Seção do STJ pacificouse no sentido de não admitir o benefício da denúncia espontânea, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando o contribuinte, declara a dívida e efetua o pagamento a destempo, à vista ou parceladamente. O pressente caso era diferente, pois a Recorrente havia retificado a DCTF, fazendo nela constar o valor omitido, e quitado o referido valor. Ainda segundo a Recorrente, para a última hipótese, a jurisprudência do STJ admite a denúncia espontânea. No final, pede acolhimento do presente Recurso, para o fim de reformar o Acórdão recorrido. Em cumprimento ao despacho de fl. 67, os presentes autos foram enviados a este e. Conselho. Na Sessão de julho de 2010, em cumprimento ao disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, foram distribuídos, mediante sorteio, para este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso é tempestivo, foi apresentado por parte legítima, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Os presentes autos tratam da cobrança da multa de mora, formalizada por meio do Auto de Infração de fls. 32/37, motivada pelo recolhimento intempestivo do valor da Cide do mês de novembro de 2004. O presente procedimento fiscal foi realizado em conformidade com o disposto no art. 431 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O Acórdão recorrido manteve o lançamento integralmente, com o argumento de que não se aplicaria ao caso em tela o instituto da denúncia espontânea, vez que a Cide era tributo sujeito a lançamento por homologação e que a Interessado havia declarado o valor 1 "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único.Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento". Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 10/05/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 09/06/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO, 09/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA 4 tributo na DCTF. Em suporte a esse argumento, foi evocado o entendimento esposado na Súmula 3602 do STJ. Por sua vez, a Recorrente insurgiuse contra a referida decisão, insistindo que seria beneficiária do instituto da denúncia espontânea, pois havia retificado a DCTF e recolhido imediatamente o valor do débito declarado, acrescido dos juros moratórios. Ademais, em 07/03/2005, por meio da petição de fls. 10/11, encartada no processo administrativo nº 10768.001291/200558 (fls. 10/13), comunicou o fato a Administração tributária. Dessa forma, fica demonstrado que não há discordância acerca da materialidade da infração cometida. Com efeito, o cerne da presente controvérsia cingese apenas a questão da aplicação ou não dos efeitos do instituto da denúncia espontânea a presente exigência fiscal. Não merece guarida o argumento da Recorrente. No meu entendimento, se recolhidos após o vencimento do prazo fixado em lei, estão sujeitos a multa de mora tanto o valor do tributo devido declarado na DCTF originária, quanto àquele informado na DCTF retificadora. A razão para esse posicionamento está alicerçada no fato de que a declaração correta do valor tributo devido na DCTF constitui obrigação acessória autônoma, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, portanto, a retificação da dita Declaração, seja para fim inclusão ou correção do valor do tributo devido, tratase de cumprimento de ato meramente formal, cuja denunciação não está contemplada pelo instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 1383 do CTN. Com efeito, a falta de informação na DCTF, da mesma forma que falta de entrega desta Declaração, constitui mero descumprimento de atividade fiscal exigida por lei, sem qualquer influência nos elementos caracterizadores do fato gerador do tributo. Na verdade, tratase de regra de conduta estritamente formal, concernente ao cumprimento de obrigação acessória autônoma (ou deveres instrumentais, segundo alguns), sem qualquer repercussão nos elementos caracterizadores do fato gerador do tributo. Dessarte, a falta de informação ou apresentação de informação errada na DCTF constitui infração de natureza meramente formal, sem qualquer repercussão sobre os elementos caracterizadores do fato gerador do tributo. Em decorrência, tal tipo de infração não se enquadra no conceito de denúncia espontânea, estando excluída do efeito excludente do referido instituto. Admitir o contrário, além de flagrante contradição com os preceitos normativos que obrigam a declaração correta dos tributos devidos na DCTF, implicaria um verdadeiro incentivo ao nãopagamento de tributo no prazo determinado, já que ausente qualquer punição pecuniária para o ato faltoso. Na prática, transformaria a obrigação de pagar os tributos na data vencimento, sem qualquer sanção de natureza pecuniária. 2 "O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". 3 "Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o inicio de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração". Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 10/05/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 09/06/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO, 09/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Processo nº 15374.000838/200715 Acórdão n.º 3102000.908 S3C1T2 Fl. 70 5 Em consonância com o entendimento aqui esposado, tem se posicionado a jurisprudência do e. Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme arestos a seguir transcritos, in verbis: TRIBUTÁRIO. ENTREGA COM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. É assente no STJ que a entidade "denúncia espontânea" não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTF. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. 2. É cabível a aplicação de multa pelo atraso ou falta de apresentação da DCTF, uma vez que se trata de obrigação acessória autônoma, sem qualquer laço com os efeitos de possível fato gerador de tributo, exercendo a Administração Pública, nesses casos, o poder de polícia que lhe é atribuído. 3. A entrega da DCTF fora do prazo previsto em lei constitui infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária. Do contrário, estarseia admitindo e incentivando o nãopagamento de tributos no prazo determinado, já que ausente qualquer punição pecuniária para o contribuinte faltoso 4. Agravo regimental desprovido. grifos não originais (AgRg no AG nº 490.441/PR, Relator Ministro LUIZ FUX, DJ de 21/06/2004, p. 164) TRIBUTÁRIO. PRÁTICA DE ATO MERAMENTE FORMAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DCTF. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. I A inobservância da prática de ato formal não pode ser considerada como infração de natureza tributária. De acordo com a moldura fática delineada no acórdão recorrido, deixou a agravante de cumprir obrigação acessória, razão pela qual não se aplica o benefício da denúncia espontânea e não se exclui a multa moratória. "As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN" (AgRg no AG nº 490.441/PR, Relator Ministro LUIZ FUX, DJ de 21/06/2004, p. 164). II Agravo regimental improvido. grifos não originais (STJ, ADRESP 885259/MG, Primeira Turma, Rel. Min Francisco Falcão, pub. no DJU de 12/04/2007). Assim, consoante se verifica na relevante jurisprudência, a inobservância da prática de ato meramente formal, ou seja, sem repercussão nos elementos do fato gerador do tributo, ainda que posteriormente cumprido pelo sujeito passivo de forma espontânea, não o habilita aos efeitos do instituto da denúncia espontânea, disciplinado no art. 138 do CTN. Logo, para fim de cobrança da multa de mora, entendo ser irrelevante o fato de o sujeito passivo ter declarado em DCTF, tempestivamente ou não, o tributo devido. Por conseguinte, a mera retificação de DCTF, da mesma forma que a falta ou atraso na entrega Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 10/05/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 09/06/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO, 09/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA 6 desta Declaração, constitui ato de descumprimento de dever meramente formal ou de obrigação acessória autônoma, não alcançado pelos efeitos da denúncia espontânea. Admitir como correto o entendimento da Recorrente, significaria abonar a burla direta às normas que impõem os deveres de declarar os tributos corretamente na DCTF e de pagálos no prazo de vencimento. De fato, segundo o entendimento da Recorrente, o sujeito passivo que declarasse corretamente os valores dos tributos devidos na DCTF e não os recolhesse no vencimento, estariam sujeitos ao pagamento da multa de mora, ao passo que aquele que não os declarasse ou os declarasse incorretamente na DCTF (portanto, cometendo um ilícito tributário de natureza formal), estaria dispensado da referida multa, no caso de pagamento a destempo do tributo devido. Tal entendimento, ao meu sentir, resultaria num evidente incentivo a prática de um ilícito (a declaração incorreta dos tributos devidos na DCTF), beneficiando o sujeito passivo que agisse de forma ilegal, omitindo o valor do tributo devido do conhecimento da Administração tributária. Além disso, representaria um incentivo ao descumprimento do dever de pagar, com pontualidade, os tributos devidos, conforme expressamente determina o art. 614 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Com base nessas considerações, NEGO PROVIMENTO ao presente Recurso, para manter integralmente o Acórdão recorrido. Sala das Sessões, em 04 de fevereiro de 2011. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento 4 "Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. (...)". Declaração de Voto Peço licença ao nobre relator para abrir divergência. Entendo que a multa de mora de 20% não se aplica quando o tributo não é declarado e há, antes da fiscalização, há correção da DCTF e pagamento da diferença do tributo, como é o caso em exame. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 10/05/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 09/06/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO, 09/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Processo nº 15374.000838/200715 Acórdão n.º 3102000.908 S3C1T2 Fl. 71 7 In casu, como o contribuinte por iniciativa própria declarou a diferença faltante do débito tributário e pagouo integralmente antes de qualquer procedimento da Administração Tributária, resta indevida a multa moratória diante da configuração da denúncia espontânea. A CIDE é tributo sujeito a lançamento por homologação, no qual cabe ao contribuinte tomar todas as providências formais para o seu lançamento antes da iniciativa do fisco. Se o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica a DCTF antes do fisco, noticiando a existência de diferença a maior cuja quitação se dá concomitantemente, resta caracterizada a hipótese de incidência do benefício da denúncia espontânea. Ocorre que, se o contribuinte não efetuasse a retificação, o fisco não poderia executálo sem antes proceder à constituição do crédito tributário atinente à parte não declarada. Incide o artigo 138, do CTN, pois o instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. Para melhor ilustrar a questão, cito o precedente abaixo, de lavra do Superior Tribunal de Justiça (STJ): PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO ERRO MATERIAL EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RETIFICAÇÃO DO DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL DENÚNCIA ESPONTÂNEA CARACTERIZAÇÃO POSSIBILIDADE EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. 1. Esta Corte consagrou o entendimento de que o tributo declarado e pago, antes do vencimento, faz jus ao benefício da denúncia espontânea. 2. Hipótese em que a empresa fez retificação da sua declaração por via da DCTF e pagou de imediato, afastando a mora e as conseqüências da inadimplência. Precedentes. 3. Erro material que se corrige, para acolher os embargos, com efeitos infringentes. 4. Embargos de declaração acolhidos para dar provimento ao recurso especial. (STJ, EDcl no REsp 1176793/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 17/08/2010, DJe 26/04/2011) Por isso, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 04 de fevereiro de 2011. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 10/05/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 09/06/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO, 09/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA 8 Beatriz Veríssimo de Sena Fl. 8DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 10/05/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 09/06/2011 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO, 09/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.009145/2005-56
Data da sessão: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2004
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.
Deve o contribuinte cumprir a obrigação acessória de entrega no de prazo legal de Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), sem necessidade de intimação prévia, sob pena de ser obrigado a recolher a multa prevista na legislação.
APLICAÇÃO DA TAXA SELIC.
A taxa SELIC visa a mera indenização pela demora no cumprimento da obrigação de pagar a multa estipulada. A obrigação, outrossim, encontra abrigo no art. 13 da Lei n° 9.065/95.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-000.177
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: Beatriz Veríssimo de Sena
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2004 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Deve o contribuinte cumprir a obrigação acessória de entrega no de prazo legal de Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), sem necessidade de intimação prévia, sob pena de ser obrigado a recolher a multa prevista na legislação. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. A taxa SELIC visa a mera indenização pela demora no cumprimento da obrigação de pagar a multa estipulada. A obrigação, outrossim, encontra abrigo no art. 13 da Lei n° 9.065/95. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida DRJ-CURITIBA/PR ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2004 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. 1 Deve o contribuinte cumprir a obrigação acessória de entrega no de prazo legal de Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), sem necessidade de intimação prévia, sob pena de ser obrigado a recolher a multa prevista na legislação. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. A taxa SELIC visa a mera indenização pela demora no cumprimento da obrigação de pagar a multa estipulada. A obrigação, outrossim, encontra abrigo no art. 13 da Lei n°9.065/95. Recurso Voluntário Negado. I Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. 1 V, :eXALne-- g).Q_ V0- fd-Jg0-;Y-Ç'nci\ft -v-\--\t ME CIA HELENA TR- AJ - 0 D'AMORIM - Presidente ...—,---›.---,,-- -:----- B-7 --.ATRIZ VERÍSSIMO DE SENA — Relatora EDITADO EM: 09/09/2009 i Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim, Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Contra a empresa supra identificada foi lavrado auto de infração para formalizar a exigência de multa por atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF relativas ao ano calendário de 2004, nos termos do § 3° do art. 113 e do art. 116 do CTN, dos arts. 40 .e 2° da IN SRF n° 73/96, arts. 20 e 6°, da IN SRF 126/98, item I da Portaria 118/84 do Ministério da Fazenda, art. 5° do Decreto-Lei n° 2.124/84, e art. 7° da Lei n° 10.426/2002. Em sua impugnação o Contribuinte pediu, em síntese, que o auto de infração fosse cancelado ou anulado, ou reduzida a multa cobrada, porque a multa seria confiscatória. Requer, ademais, a não aplicação da taxa SELIC. Remetidos os autos a exame da colenda Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR, o lançamento foi julgado procedente, porquanto a multa teria sido aplicada em conformidade com a legislação tributária. Contra a decisão da DRJ-Curitiba/PR, o Contribuinte interpôs recurso voluntário dentro do prazo legal de trinta dias. É o relatório. Decido. Voto Conselheira BEATRIZ VERÍSSIMO DE SENA, Relatora. Entendo que não merece prosperar o recurso voluntário, na medida em que está correta a aplicação de multa pelo atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF. O art. 113, §§ 2° e 3°, do CTN e Portaria do Ministério da Fazenda n.° 118/84, que delegou competência ao Secretario da Receita Federal, através da Instrução Normativa n.° 126/1998, instituiu a Declaração de Contribuições e Tributos Federais — DCTF, como obrigação acessória dos contribuintes prestarem mensalmente informações relativas à obrigação principal de tributos ou contribuições federais, por meio de formulário padrão. Em caso de inobservância de tal obrigação, a referida norma impõe a aplicação de multa, como é o caso concreto. Além disso, a multa em questão tem fundamento e suficiência legal no art. 11, §§ 2°, 3° e 4° do Decreto-Lei no 1.968/82, com a redação do art. 10 do Decreto-Lei no 2.065/83, e do art. 5°, § 3°, do Decreto-Lei no 2.124/84. Por possuir amparo legal, o Superior Tribunal de Justiça vem decidindo pela manutenção da multa por atraso de entrega de DCTF em hipóteses como esta. Transcreve-se as ementas abaixo, para melhor ilustrar a questão: 2 Processo n° 10980.009145/2005-56 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.177 Fl. 37 TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. LEGALIDADE. 1. É cabível a aplicação de multa pelo atraso na entrega da declaração de rendimentos, a teor do disposto na legislação de regência. Precedentes. 2. "A par de existir expressa previsão legal para punir o contribuinte desidioso (art. 88 da Lei 8.981/95), é de fácil inferência que a Fazenda não pode ficar à disposição do contribuinte, não fazendo sentido que a declaração possa ser entregue a qualquer tempo, segundo o arbítrio de cada um" (REsp. 24324I/RS, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ de 21.08.2000 p. 114). 3. Recurso Especial provido (REsp 591.726/GO, Rel. Min. Herman Benjamin, Dl de 21.5.2008). PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO - RECURSO ESPECIAL INADMITIDO - AGRAVO DE INSTRUMENTO - DCTF - ATRASO NA ENTREGA - MULTA - POSSIBILIDADE - ENTENDIMENTO PACIFICADO - SÚMULA 83/S'TJ. - É pacifico na jurisprudência deste Tribunal Superior o entendimento no sentido da possibilidade de aplicação de multa ao contribuinte pelo atraso na entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais - DCTF. Incide, à espécie, o enunciado 83/STJ, fundamento suficiente para se negar seguimento ao agravo de instrumento. - Agravo regimental improvido (AgRg no Ag 572.765/MG, Rel. Min. Peçanha Martins, al de 24.3.2006). No que diz respeito à aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, entendo ser a mesma mera recomposiçãb dos juros devidos pela demora no cumprimento da obrigação de pagar a multa estipulada. A obrigação encontra abrigo no art. 13 da Lei n°9.065/95. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. ATRIZ VERÍSSIMO DE SENA 3
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Numero do processo: 13839.001919/2004-41
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002
DECADÊNCIA TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DOLO.
Nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação e, existindo dolo, deve ser aplicado o prazo decadencial inserto no artigo 173, I do CTN.
MULTA QUALIFICADA. Comprovado o evidente intuito de fraude, em razão da sonegação, correta a qualificação da multa.
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. O agravamento da multa de oficio pelo atraso ou não atendimento de intimações e pedidos de esclarecimentos aplica-se na hipótese de não atendimento ao termo de intimação fiscal ou, no caso de atraso de cumprimento, quando este gera efetivo prejuízo ao procedimento fiscal.
Numero da decisão: 9101-001.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros José Ricardo da Silva (Relator), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Paulo Roberto Cortez (Suplente convocado), Valmir Sandri e Jorge Celso Freire da Silva, que votou com o relator pelas conclusões. Designado para redigir o acórdão o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCOS VINÍCIUS BARROS OTTONI Relator Ad Hoc Designado
(assinado digitalmente)
JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Suzy Gomes Hoffmann, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época). Ausente, justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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Nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação e, existindo dolo, deve ser aplicado o prazo decadencial inserto no artigo 173, I do CTN. MULTA QUALIFICADA. Comprovado o evidente intuito de fraude, em razão da sonegação, correta a qualificação da multa. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. O agravamento da multa de oficio pelo atraso ou não atendimento de intimações e pedidos de esclarecimentos aplicase na hipótese de não atendimento ao termo de intimação fiscal ou, no caso de atraso de cumprimento, quando este gera efetivo prejuízo ao procedimento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros José Ricardo da Silva (Relator), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Paulo Roberto Cortez (Suplente convocado), Valmir Sandri e Jorge Celso Freire da Silva, que votou com o relator pelas conclusões. Designado para redigir o acórdão o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS VINÍCIUS BARROS OTTONI – Relator Ad Hoc – Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 19 19 /2 00 4- 41 Fl. 7807DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 5/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI 2 (assinado digitalmente) JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Suzy Gomes Hoffmann, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época). Ausente, justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias. Relatório Cientificada da decisão de Segunda Instância, em 31/01/2011 (fls. 1658), a Fazenda Nacional, por seu procurador, legalmente habilitado, junto a Turma Julgadora, apresenta, tempestivamente, em 31/01/2011, seu Recurso Especial (fls. 1662/1669), para a 1ª Turma de Julgamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, pleiteando a reforma da decisão proferida pela então Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão nº 10322.621, de 20/09/2006 (fls. 1613/1634) cuja decisão, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares de nulidades suscitadas; Pelo voto de qualidade, reduzir a multa de lançamento de ofício qualificada de 150% ao seu percentual normal de 75%. Por maioria de votos, reduzir o agravamento da multa de lançamento de ofício seu percentual normal de 75%. Por maioria de votos, declarar a decadência de direito de constituir o crédito tributário relativo aos fatos geradores anteriores a 05/11/1999, vencido o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto que acolheu a decadência apenas em relação ao IRPJ e PIS; e, no mérito, por unanimidade de votos dar provimento parcial ao recurso, suscitado através do recurso voluntário interposto, em 26/04/2006, pelo contribuinte SAF – Comércio de Papéis e Aparas Ltda. O pleito da Fazenda Nacional busca amparo no então art. 7º, inciso I do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Recurso Especial privativo do Procurador da Fazenda Nacional), aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007, atualmente regido pelos arts. 64, II e 67, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010. Consta dos autos, que contra o contribuinte, SAF – Comércio de Papéis e Aparas Ltda., foi lavrado, em 27/10/2004, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Jundiaí – SP, os Autos de Infrações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ); Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS); Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), com ciência, através de AR, em 05/11/2004 exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 38.008.622,43, a título de tributos e contribuições, acrescidos da multa de lançamento de ofício qualificada agravada de 225% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor dos tributos e contribuições, referente aos exercícios de 2000 a 2003, correspondente aos anoscalendário de 1999 a 2002, respectivamente. Fl. 7808DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 5/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 13839.001919/200441 Acórdão n.º 9101001.644 CSRFT1 Fl. 7.808 3 A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização externa, onde a autoridade fiscal lançadora constatou as seguintes irregularidades: omissão de receita operacional decorrente da venda de produtos industrializados sob encomenda bem como de outras receitas — distribuição disfarçada de lucros. Também foi procedido o arbitramento da receita operacional com base no faturamento constante da declaração de imposto de renda pessoa jurídica — DIPJ, tendo em vista a não apresentação dos livros fiscais e contábeis. Infração capitulada nos arts. 530, inciso III, 532, 536, 537 e 681, parágrafo 3º inciso III, todos do Regulamento do Imposto de Renda — RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 1999. Os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil responsáveis pela constituição do crédito tributário lançado esclarecem, através do Termo de Verificação Fiscal e de Imputação de Responsabilidade Tributária, datado de 27/10/2004, as irregularidades apuradas. Impugnado, tempestivamente, o lançamento, em 06/12/2004 (fls. 1405/1418), instruído pelos documentos de fls. 1419/1426 e após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP, em 23/02/2006, decide julgar procedente o lançamento, mantendo integralmente o crédito tributário lançado (fls. 1486/1497), lastreado, em síntese, nos seguintes argumentos básicos: que presumese distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica realiza com pessoa ligada transação em condições de favorecimento, assim entendida como aquelas mais vantajosas para a pessoa ligada do que as que prevaleçam no mercado ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros; que não se caracteriza tributação a maior de receitas operacionais de rubricas diferentes, que a contribuinte não faz prova de se tratar de mesma titularidade; que a utilização da taxa Selic como juros moratórios decorre de expressa disposição legal; que tratandose de lançamento de oficio, o termo inicial da decadência ocorre no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; que o prazo decadencial para lançamento das contribuições sociais é de dez anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento; que por decorrer dos mesmos fatos e das mesmas provas, à tributação reflexa aplicase o decidido no IRPJ pela intima relação de causa e efeito; que constatadas as irregularidades descritas no auto de infração, tendo sido observadas na autuação as respectivas legislações regentes das matérias, e não havendo contestação quanto a elas pela impugnante, importam definitivas as exigências correspondentes. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 28/03/2006, conforme Termo constante às fls. 1516/1521, e com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, Fl. 7809DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 5/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI 4 tempestivamente, em 26/04/2006, o seu Recurso Voluntário (fls. 1526/1578), instruído pelos documentos de fls. 1579/1593, o qual, ao ser apreciado pela então Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão nº 10322.621, de 20/09/2006 (fls. 1613/1634), acordaram os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, conforme se verifica em sua ementa e decisão: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002. Ementa: PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. — A emissão do MPF pressupõe a obediência do processo de seleção do sujeito passivo a ser fiscalizado aos princípios ordenadores da Administração Pública. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Auto de Infração deve ser lavrado contra o contribuinte que tenha relação pessoal e direta com o fato gerador. A responsabilidade tributária pelo tributo é fator a ser definido em sede de execução. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DO ADMINISTRADOR DE FATO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA — A intimação para ciência do Auto de Infração deve ser direcionada para os representantes legais da pessoa jurídica. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE TERMOS E DOCUMENTOS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA — O sujeito passivo recebeu cópia de todos os documentos necessários à perfeita compreensão da exigência. A documentação restante foi disponibilizada mediante consulta nos autos e envolve informações de conhecimento prévio do sujeito passivo. INCOMPETÊNCIA DOS AUDITORES FISCAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA O trabalho dos Auditores Fiscais foi perfeitamente acobertado pelo MPF que lhe deu origem, emitido pelo Superintendente Regional da Receita Federal. INCOMPETÊNCIA DO DELEGADO DE JULGAMENTO EM RIBEIRÃO PRETO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA — A transferência de processos administrativos entre Delegacias de Julgamentos é atividade prevista na competência do Secretário da Receita Federal, nos termos do inciso XXVII, do art. 230, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 30, de 25 de fevereiro de 2005. Preliminares rejeitadas. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002. Ementa: DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Os tributos, cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, sujeitam à modalidade de lançamento por homologação, tendo o prazo decadencial regido pelo art. 150, § 4º, do CTN. Fl. 7810DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 5/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 13839.001919/200441 Acórdão n.º 9101001.644 CSRFT1 Fl. 7.809 5 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002. Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEDUÇÃO DA RECEITA DECLARADA. CABIMENTO. Se a apuração da omissão de receita teve por base todas as notas fiscais emitidas pela pessoa jurídica, do montante apurado deve ser excluído o valor da receita declarada que, até prova em contrário, da mesma forma teve aqueles documentos como origem. LUCRO ARBITRADO. IMPOSTO DE RENDA PAGO SOBRE RECEITA DECLARADA. DEDUÇÃO. CABIMENTO — Do imposto de renda decorrente do lucro arbitrado, calculado sobre a receita declarada, deve ser deduzido o valor do imposto que incidiu sobre essa receita no regime de apuração adotado pela pessoa jurídica. LUCRO ARBITRADO. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. IMPOSSIBILIDADE — Não há como aplicar a distribuição disfarçada de lucros na sistemática do arbitramento, por ser previsão legal vinculada ao regime de apuração do lucro real. MULTA QUALIFICADA E AGRAVADA. A falta de declaração ou a prestação de declaração inexata, por si sós, não autorizam a qualificação da multa de lançamento de oficio, que somente se justifica quando presente o evidente intuito de fraude, caracterizado pelo dolo específico, resultante de intenção criminosa e de vontade de obter o resultado da ação ou omissão delituosas, descrito na Lei n° 4.502/64. O não atendimento à intimação para exibir livros e documentos fiscais não é conduta típica para fins de agravamento da multa. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002 Ementa: CSLL, PIS E COFINS — Aplicamse às autuações lavradas como decorrência, os efeitos do julgamento no Auto de Infração do IRPJ. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, "por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidades suscitadas; Pelo voto de qualidade, reduzir a multa de lançamento ex officio —qualificada de 150% ao seu percentual normal de 75%, vencidos os conselheiros Leonardo de Andrade Couto (Relator), Márcio Machado Caldeira, Flávio Franco Corrêa e Edison Antonio Costa Britto Garcia (Suplente Convocado): por unanimidade de votos, REDUZIR o agravamento da multa de lançamento ex officio seu percentual normal de 75%; Por maioria de votos DECLARAR a decadência de direito de constituir o crédito tributário relativo aos fatos geradores anteriores a 05/11/1999, vencido o Conselheiro Fl. 7811DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 5/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI 6 Leonardo de Andrade Couto que acolheu a decadência apenas em relação ao IRPJ e PIS; e, no mérito, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do voto do Relator Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento. Cientificada, formalmente, da decisão de Segunda Instância, em 02/08/2008, conforme Termo constante às fls. 1639, a Fazenda Nacional interpôs, inicialmente, de forma tempestiva (02/08/2008), Embargos de Declaração (fls. 1639/1645), os quais foram acolhidos através do Acórdão nº 10323.622, de 12/11/2008 (fls. 1651/1657), inconformado com o resultado, interpôs de forma tempestiva, em 31/01/2011, o seu Recurso Especial de fls. 1662/1669, com amparo no art. 7º, incisos I , da Portaria MF nº 147, de 2007, atualmente regido pelos arts. 64, II, 67 e 68, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que do referido acórdão, extraise que a declaração da decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo aos fatos geradores anteriores a 05/11/1999 se deu por maioria de votos, vencido o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto que acolheu a decadência apenas em relação ao IRPJ e PIS. Outrossim, a redução da multa de oficio de 150% para 75% fora tomado pelo voto de qualidade, vencidos os conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Márcio Machado Caldeira, Flávio Franco Corrêa e Edison Antônio Costa Britto Garcia; que, contudo, a conclusão estampada no aresto em foco, quanto à decadência, merece reforma. Isso porque, ao declarar a decadência do direito ao lançamento da totalidade do período que menciona, o acórdão recorrido o fez com apoio na aplicação do disposto no art. 150, § 4.°, do CTN, violando o disposto no inciso II, do art. 44, da Lei n° 9.430/96, bem como o inciso I do art. 173, I do CTN, o qual deve ser aplicado nos casos em que, embora o tributo esteja sujeito à sistemática do lançamento por homologação, tenhase procedido a lançamento de oficio e, sobretudo, tenha havido dolo, fraude ou simulação, com o claro objetivo de ludibriar o Fisco; que, desde já, importante ressaltar que, apesar do advento do novo Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, o presente recurso cabível, em razão da regra de transição constante do artigo 4°, in verbis: "Os recursos com base no inciso I do art. 72 e do art. 92 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n2 147, de 25 de junho de 2007, interpostos em face de acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II desta Portaria, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento". Frisese que o julgamento ocorreu em 20 de setembro de 2006; que pelas razões acima mencionadas, encontramse atendidos os pressupostos de admissibilidade do presente recurso, consoante o disposto nos artigos 7°, I, e 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais; que verificase que a sonegação, do artigo 71, referese à conduta (comissiva ou omissiva) para impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais da contribuinte. Fraude, do artigo 72, que não se trata de fraude à lei, mas ao Fisco, atua na formação do fato gerador da obrigação tributária principal, impedindo ou retardando sua ocorrência, como, também, depois de formado, modificandoo para reduzir imposto ou diferir seu pagamento; Fl. 7812DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 5/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 13839.001919/200441 Acórdão n.º 9101001.644 CSRFT1 Fl. 7.810 7 que resta claro que a recorrente adotou práticas que denotam a intenção de prejudicar o conhecimento das reais condições da pessoa jurídica, pelas autoridades tributárias, inclusive com a utilização de interpostas pessoas; que o entendimento da primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes e da Terceira Câmara do segundo Conselho de Contribuintes, consubstanciado nos acórdãos nºs 10196211 e 20311554 respectivamente, é no sentido de que a entrega de declarações falsas combinadas com a inexistência de escrituração (no caso em tela omissão de receitas operacionais e demais receitas) denota conduta dolosa do contribuinte no intuito de impedir ou retardar que a autoridade torne conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária (faturamento), configurando a existência de sonegação fiscal, ensejadora da multa de oficio agravada e, conseqüentemente, a aplicação do prazo decadencial prescrito no art. 173, I do CTN; que, deste modo, devese manter a multa de oficio majorada em 150%, percentual aplicado no procedimento fiscal, mantendo o entendimento do conselheiro vencido, outrossim, com relação ao prazo decadencial, tomandose, como preceito orientador, o art. 173, I do CTN, que aponta, como termo inicial da decadência, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, tendo em vista o que dispõe o artigo 44, inciso II da Lei 9.430/96. Após o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional o Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais exarou o Despacho nº 120000.006/2012, de 13/02/2012 (fls. 1670/1671), dando seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por satisfazer aos pressupostos regimentais. Ciente, em 02/03/2012 (fls. 1673), nos termos regimentais, do Acórdão recorrido e do Despacho de Exame de Admissibilidade, o contribuinte deixou de apresentar as suas contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni, Redator Ad Hoc Designado Inicialmente é de se ressaltar, que em face da necessidade da formalização da decisão proferida nos presentes autos, de competência da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais e, tendo em vista que o Conselheiro José Ricardo da Silva, relator do processo, não mais faz parte de nenhum dos colegiados que integram o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o Presidente da 1ª Turma da CSRF, determinou designar este Conselheiro como Redator Ad Hoc, para formalizar o acórdão já proferido, nos termos do item III do art. 17 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF). Depreendese do relatado, que a Fazenda Nacional ingressou com Recurso Especial, com amparo no art. 7º, inciso I, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Fl. 7813DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 5/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI 8 Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007, atualmente regido pelos arts. 64, II e 67, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010. Tendo a Fazenda Nacional tomado ciência do decisório recorrido em 31/01/2011 (fls. 1658) e tendo protocolizado o presente apelo em 31/01/2011 (fls. 1662/1669), isto é, dentro do prazo de 15 (quinze) dias, evidenciase a tempestividade do mesmo nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É de se observar, que a Fazenda Nacional, cumpriu os requisitos previstos no RICARF para interpor Recurso Especial do Procurador, já que demonstrou que a decisão foi nãounânime de Câmara, prolatada antes da edição do novo regimento e foi contrária à lei ou à evidência da prova. Assim sendo, o Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, preenche os requisitos legais de admissibilidade merecendo ser conhecido pela turma julgadora. Observase, que a Fazenda Nacional insurgese contra decisão da então Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, exarado pelo Acórdão 10322.621, de 20/09/2006, que, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares de nulidades suscitadas; Pelo voto de qualidade, reduzir a multa de lançamento de ofício qualificada de 150% ao seu percentual normal de 75%. Por maioria de votos, reduzir o agravamento da multa de lançamento ex officio seu percentual normal de 75%. Por maioria de votos, declarar a decadência de direito de constituir o crédito tributário relativo aos fatos geradores anteriores a 05/11/1999, vencido o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto que acolheu a decadência apenas em relação ao IRPJ e PIS; e, no mérito, por unanimidade de votos dar provimento parcial ao recurso. Como visto do relatório, o ponto nodal da presente discussão diz respeito, tãosomente, no que se refere a desqualificação / desagravamento da multa de ofício e ao termo inicial da contagem do prazo decadencial dos tributos e contribuições considerados lançamento por homologação. Em situações como dos autos, onde existe a discussão sobre o prazo decadencial, é de suma importância se analisar, inicialmente, a possibilidade da qualificação da multa de lançamento de ofício, já que esta análise tem por objetivo verificar a essência do lançamento, ou seja, a de verificar se a qualificação da multa de ofício esta atrelada as operações realizadas das quais decorrem o lançamento propriamente dito ou se a qualificação se deu por outro motivo qualquer. Assim sendo, neste processo, se faz necessário à evocação da justiça fiscal, no que se refere à multa qualificada aplicada, decorrente do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, que prevê sua aplicação nos casos de evidente intuito de fraude, conforme farta Jurisprudência emanada deste Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Observase que os autos noticiam, que as práticas que justificariam a aplicação da multa qualificada consistiram na inclusão de sócios que negam essa condição, na declaração de receitas em valores insignificantes em relação às apuradas pelo fisco e na informação de domicílio em endereço inexistente. Fl. 7814DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 5/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 13839.001919/200441 Acórdão n.º 9101001.644 CSRFT1 Fl. 7.811 9 Como visto, resta claro nos autos de que a autoridade fiscal lançadora entendeu que a falta de declaração de receitas ou a sua declaração inexata na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica, a contribuinte agiu com dolo, tentando impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Não há dúvidas, que a falta de declaração de receitas ou a sua declaração inexata na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica, levou a fiscalização a aplicar a multa qualificada de 150%, ao fundamento de que, com essa atitude, a contribuinte tentou impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou de suas circunstâncias materiais, situação fática que, a princípio, se subsume perfeitamente ao tipo previsto no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502, de 1964. Assim, resta nítido pela análise dos autos de que a autoridade fiscal lançadora resolveu qualificar a multa de ofício diante do fato de entender que ficou caracterizada a conduta dolosa do contribuinte de se eximir do imposto devido, quer pelo fato de deixar de declarar as receitas ou a sua declaração inexata na Declaração de Informações Econômico fiscais da Pessoa Jurídica, quer pela declaração de quantias insignificantes. Desta conduta concluise, que a autoridade fiscal lançadora entendeu ser perfeitamente normal aplicar a multa de lançamento de ofício qualificada nas hipóteses de constatação de falta de declaração de receitas ou a sua declaração inexata na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica. Ou seja, a fiscalização amparou o lançamento sob o argumento de que nesses casos é possível inferir que o contribuinte deixou deliberadamente de incluir receitas em sua declaração, formando a convicção de que a multa de ofício qualificada é aplicável já que está comprovado nos autos a intenção dolosa e fraudulenta na conduta adotada pela contribuinte, com o propósito específico de impedir o nascimento da obrigação tributária. Ora, com a devida vênia, a prestação de informações ao fisco, em resposta à intimação, divergente de dados levantados pela fiscalização, bem como a falta de declaração de receitas ou a sua declaração inexata na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica, independentemente do montante em questão, caracteriza, quando for o caso, falta simples de omissão de receitas, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996, pelas razões abaixo expostas. Da análise, dos autos do processo, é cristalino a conclusão de que a multa qualificada foi aplicada em decorrência de que a autoridade fiscal lançadora entendeu que estaria caracterizado o evidente intuito de fraude, já que o contribuinte teria se utilizado de meios escusos para não declarar receitas ou declarar de forma inexata na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica. Ou seja, entendeu a autoridade fiscal lançadora que a contribuinte deixou, de forma deliberada, de prestar informações ao fisco, em sua Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica, com intuito claro de reduzir o seu imposto de renda. Ora, o máximo que poderia ter acontecido, nesta situação, é o fato da autoridade fiscal lançadora desconsiderar os dados e provas apresentadas (matéria de prova) e constituir o lançamento do crédito tributário respectivo a titulo de omissão de receitas, o que a meu ver caracteriza irregularidade simples penalizada pela aplicação da multa de lançamento Fl. 7815DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 5/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI 10 de ofício normal de 75%, já que a irregularidade apontada jamais seria motivo para qualificação da multa, já que ausente conduta material bastante para a sua caracterização. Verificase, que os elementos de prova que serviram para subsidiar o procedimento fiscal em curso, foram obtidos pela autoridade fiscal através das informações fornecidas pelo próprio contribuinte na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica e, que por sua vez, não logrou, a princípio, naquele momento, êxito em fornecer contra provas demonstrando a efetividade da ocorrência alegada de que as operações realizadas não caracterizam fato gerador de imposto de renda. Ou seja, o suplicante não conseguiu provar, naquele momento, que as operações realizadas não caracterizam fato gerador do imposto de renda, razão pela qual a autoridade fiscal, por dever de oficio, teve que desconsiderar as alegações apresentadas e não considerálas e tributálas através do lançamento realizado. Ora, a multa de lançamento de ofício qualificada, decorrente do art. 44, § 1º, da Lei n° 9.430, de 1996, aplicada, muitas vezes, de forma generalizada pelas autoridades lançadoras, deve obedecer toda cautela possível e ser aplicada, tão somente, nos casos em que ficar nitidamente caracterizado o evidente intuito de fraude, conforme farta Jurisprudência emanada do então Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, bem como da Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais. Sem dúvida, que se trata de questão delicada, pois para que a multa de lançamento de ofício se transforme de 75% em 150% é imprescindível que se configure o evidente intuito de fraude. Este mandamento se encontra no inciso II do artigo 957 do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999. Ou seja, para que ocorra a incidência da hipótese prevista no dispositivo legal referendado, é necessário que esteja perfeitamente caracterizado o evidente intuito de fraude. Para tanto, se faz necessário sempre ter em mente o princípio de direito de que a “fraude não se presume”, devem existir, sempre, dentro do processo, provas materiais sobre o evidente intuito de fraude. Como se vê o art. 957, II, do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999, que representa a matriz da multa qualificada, reportase aos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964, que prevêem o intuito de se reduzir, impedir ou retardar, total ou parcialmente, o pagamento de uma obrigação tributária, ou simplesmente, ocultála. Com a devida vênia, dos que pensam em contrário, a simples omissão de receitas ou de rendimentos; a simples declaração inexata de despesas, receitas ou rendimentos; a classificação indevida de receitas / rendimentos na DIPJ ou Declaração de Ajuste Anual, a falta de comprovação da efetividade de uma transação comercial e/ou de um ato, a inclusão e/ou falta de inclusão de algum valor, bem ou direito na Declaração de Bens ou Direitos, não tem, a princípio, a característica essencial de evidente intuito de fraude. Da mesma forma, a prestação de informações ao fisco, em resposta à intimação emitida divergente de dados levantados pela fiscalização, bem como a falta de declaração de receitas ou a sua declaração inexata na Declaração de Informações Econômico fiscais da Pessoa Jurídica, não evidencia, por si só, o evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996. Quando a autoridade lançadora age deste modo, aplica, no meu modo de entender, incorretamente a multa de ofício qualificada, pois, tais infrações não possuem o essencial, qual seja o evidente intuito de fraudar. A prova, neste aspecto, deve ser material; evidente como diz a lei. Matéria de prova apresentada pela contribuinte, a falta de declaração Fl. 7816DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 5/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 13839.001919/200441 Acórdão n.º 9101001.644 CSRFT1 Fl. 7.812 11 de receitas ou a sua declaração inexata na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica, dedução indevida de despesas ou declaração inexata (falta de inclusão de algum bem ou direito na Declaração de Ajuste Anual), jamais serão motivos para qualificar a multa de ofício. Com efeito, a qualificação da multa, nestes casos, importaria em equiparar uma infração fiscal de falta de declaração de receitas ou a sua declaração inexata na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica, detectável pela fiscalização através da confrontação e análise das declarações de imposto de renda, às infrações mais graves, em que seu responsável surrupia dados necessários ao conhecimento da fraude. A qualificação da multa, nestes casos, importaria em equiparar uma prática identificada de falta de declaração de receitas ou a sua declaração inexata na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica, aos fatos delituosos mais ofensivos à ordem legal, nos quais o agente sabe estar praticando o delito e o deseja, a exemplo: da adulteração de comprovantes, da nota fiscal inidônea, movimentação de conta bancária em nome fictício, movimentação bancária em nome de terceiro (“laranja”), movimentação bancária em nome de pessoas já falecidas, da falsificação documental, do documento a título gracioso, da falsidade ideológica, da nota fiscal calçada, das notas fiscais de empresas inexistentes (notas frias), das notas fiscais paralelas, do subfaturamento na exportação (evasão de divisas), do superfaturamento na importação (evasão de divisas), etc. O fato de alguém, pessoa jurídica, não registrar as vendas, no total das notas fiscais na escrituração ou pessoa física não registrar rendimentos recebidos, pode ser considerado, de plano, com evidente intuito de fraudar ou sonegar o imposto de renda? Obviamente que não. Ora, se nestas circunstâncias, ou seja, o ato de não registrar as vendas realizadas ou os rendimentos recebidos não se pode considerar como evidente intuito de sonegar ou fraudar, é evidente que no caso em discussão é semelhante, já que a princípio, a autoridade lançadora tem o dever legal de cobrar o imposto sobre as supostas operações de omissão de receitas ou dedução indevida de despesas, já que a contribuinte, em tese, estaria pagando imposto a menor, ou seja, supostamente realizou as operações que geraram receitas e não trouxe provas, que fossem suficientes para ilidir a acusação ou as provas apresentadas não convenceram a autoridade fiscal lançadora. Este fato não tem o condão de descaracterizar o fato ocorrido, qual seja, a de simples omissão de receitas. Se a premissa da autoridade fiscal lançadora fosse verdadeira, ou seja, que a simples omissão de receitas ou de rendimentos; a simples declaração inexata de receitas ou rendimentos; a classificação indevida de receitas / rendimentos na Declaração de Ajuste Anual; a falta de inclusão de algum valor / bem / direito na Declaração de Bens ou Direitos, a inclusão indevida de algum valor / bem / direito na Declaração de Bens ou Direitos, a simples glosa de despesas por falta de comprovação ou a falta de declaração de alguma receita ou rendimento recebido, através de crédito em conta bancária, pelo contribuinte, daria por si só, margem para a aplicação da multa qualificada, não haveria a hipótese de aplicação da multa de ofício normal, ou seja, deveria ser aplicada a multa qualificada em todas as infrações tributárias, a exemplo de: passivo fictício, saldo credor de caixa, declaração inexata, falta de contabilização de receitas, omissão de rendimentos relativo ganho de capital, depósitos bancários não justificados, acréscimo patrimonial a descoberto, rendimento recebido e não declarado e glosa de despesas, etc. Fl. 7817DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 5/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI 12 Já ficou decidido por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que a multa qualificada somente será passível de aplicação quando se revelar o evidente intuito de fraudar o fisco, devendo ainda, neste caso, ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos, conforme se constata nos julgados abaixo: Acórdão nº 9202002.421 – 2ª Turma, de 07 de novembro de 2012: APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONDUTA REITERADA. E MONTANTE OMITIDO. MULTA QUALIFICADA. IMPOSSIBILIDADE. A omissão de rendimentos, independentemente do montante omitido, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n°. 9.430, de 1996. Precedentes da 2ª Turma da CSRF. Acórdão nº 920202.078 – 2ª Turma, 22 de março de 2012: IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONDUTA REITERADA. E MONTANTE OMITIDO. MULTA QUALIFICADA. IMPOSSIBILIDADE. A apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte cuja origem não foi justificada, independentemente de ter reiterado a conduta em dois anos consecutivos no caso 2000 e 2001 e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n°. 9.430, de 1996. Precedentes da 2ª Turma da CSRF. Acórdão nº 920201.874 – 2ª Turma, de 29 de novembro de 2011: IRPF PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA MULTA QUALIFICADA. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista, à época do lançamento em apreço, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização. No caso, o dolo que autorizaria a qualificação da multa não restou comprovado, conforme bem evidenciado pelo acórdão recorrido. Apenas a presumida omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, ainda que por três exercícios, sem nenhum outro elemento adicional, não caracteriza o dolo. Ademais, diante das circunstâncias duvidosas, tem aplicação ao feito a regra do artigo 112, incisos II e IV, do CTN . Fl. 7818DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 5/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 13839.001919/200441 Acórdão n.º 9101001.644 CSRFT1 Fl. 7.813 13 Como se vê, exigese, portanto, que haja o propósito deliberado de modificar a característica essencial do fato gerador do imposto, quer pela alteração do valor da matéria tributável, quer pela exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador, com a finalidade de se reduzir o imposto devido ou evitar ou diferir seu pagamento. Inaplicável nos casos de presunção simples de omissão de rendimentos / receitas ou mesmo quando se tratar de omissão de rendimentos / receitas de fato. Inaplicável também quando se tratar de dedução indevida de despesas ou falta de inclusão, na Declaração de Ajuste anual – Declaração de Bens e Direitos, de algum bem e/ou direito. No caso de realização da hipótese de fraude, o legislador tributário entendeu presente, ipso facto, o “intuito de fraude”. E nem poderia ser diferente, já que por mais abrangente que seja a descrição da hipótese de incidência das figuras tipicamente penais, o elemento de culpabilidade, dolo, sendolhes inerente, desautoriza a consideração automática do intuito de fraudar. Quando a lei se reporta à evidente intuito de fraude é óbvio que a palavra intuito não está em lugar de pensamento, pois ninguém conseguirá penetrar no pensamento de seu semelhante. A palavra intuito, pelo contrário, supõe a intenção manifestada exteriormente, já que pelas ações se pode chegar ao pensamento de alguém. Há certas ações que, por si só, já denotam ter o seu autor pretendido proceder, desta ou daquela forma, para alcançar, tal ou qual, finalidade. Intuito é, pois, sinônimo de intenção, isto é, aquilo que se deseja, aquilo que se tem em vista ao agir. O evidente intuito de fraude floresce nos casos típicos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária em nome fictício, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, etc., conforme se observa na jurisprudência abaixo: Acórdão n.º.10419.386, de 11 de junho de 2003: MOVIMENTAÇÃO DE CONTAS BANCÁRIAS EM NOME DE TERCEIROS E/OU EM NOME FICTÍCIOS – COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE DE EMPRESA DESATIVADA MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA – Cabível a exigência da multa qualificada prevista no artigo 4°, inciso II, da Lei n.º 8.218, de 1991, reduzida na forma prevista no art. 44, II, da Lei n.º 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964. A movimentação de contas bancárias em nome de terceiros e/ou em nome fictício, devidamente, comprovado pela autoridade lançadora, circunstância agravada pelo fato de não terem sido declarados na Declaração de Ajuste Anual, como rendimentos tributáveis, os valores que transitaram a crédito nestas contas corrente cuja origem não comprove, somado ao fato de não terem sido declaradas na Declaração de Bens e Direitos, bem como compensação na Declaração de Ajuste Anual de imposto de renda na fonte como retido fosse por empresa desativada e com inscrição bloqueada no fisco estadual, caracterizam evidente intuito de fraude nos termos do art. 992, inciso II, do Fl. 7819DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 5/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI 14 Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994 e autoriza a aplicação da multa qualificada. Acórdão n.º. 10419.534, de 10 de setembro de 2003: DOCUMENTOS FISCAIS INIDÔNEOS MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA – LANÇAMENTO POR DECORRÊNCIA – SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS No lançamento por decorrência, cabe aos sócios da autuada demonstrar que os custos e/ou despesas foram efetivamente suportadas pela sociedade civil, mediante prova de recebimento dos bens a que as referidas notas fiscais aludem. À utilização de documentos ideologicamente falsos ” notas fiscais frias “, para comprovar custos e/ou despesas, constitui evidente intuito de fraude e justifica a aplicação da multa qualificada de 150%, conforme previsto no art. 728, inc. III, do RIR/80, aprovado pelo Decreto n.º 85.450, de 1980. Acórdão n.º. 10193.919, de 22 de agosto de 2002: MULTA AGRAVADA – CUSTOS FICTÍCIOS – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE – Restando comprovado que a pessoa jurídica utilizouse de meios inidôneos para majorar seus custos, do que resultou indevida redução do lucro sujeito à tributação, aplicável é a penalidade exasperada por caracterizado o evidente intuito de fraude. Acórdão CSRF/0104.917, 13 de abril de 2004: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICAÇÃO No caso de lançamento de ofício será aplicada multa calculada sobre o crédito tributário apurado, no percentual de 150%, quando caracterizado o evidente intuito de fraude por parte do autuado, em face dos levantamentos realizados pela autoridade autuante e fatos revelados nos autos do processo. Acórdão n.º. 10312.178, de 17 de março de 1993: CONTA BANCÁRIA FICTÍCIA – Apurado que os valores ingressados na empresa sem a devida contabilização foram depositados em conta bancária fictícia aberta em nome de pessoa física não encontrada e com movimentação pelas representantes da pessoa jurídica, está caracterizada a omissão de receita, incidindo sobre o imposto apurado a multa majorada de 150% de que trata o art. 728, III, do RIR/80. Assim, entendo que, no caso dos autos, não se percebe, por parte da contribuinte, a prática de ato doloso para a configuração do ilícito fiscal. A informação de que a suplicante deixou de declarar receitas ou declarou de forma inexata na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica, caracteriza motivo de lançamento de multa simples sem qualificação. Resta, ainda, a discussão do agravamento da multa de ofício. Inicialmente, cabe esclarecer que foi aplicada a multa de ofício qualificada de 150%, agravada em 50% pelo não atendimento a intimação, conforme previsto no art. 44, Fl. 7820DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 5/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 13839.001919/200441 Acórdão n.º 9101001.644 CSRFT1 Fl. 7.814 15 inciso I, § 2o, da Lei no 9.430, 1996. Ou seja, a recorrente foi intimada para que apresentasse os livros fiscais e esta deixou de atender esta intimação. Ora, a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem se firmado no sentido de que, para se proceder o agravamento da penalidade é necessário que à conduta do sujeito passivo esteja associado um prejuízo concreto ao curso da ação fiscal. Ou seja, é medida aplicável naqueles casos em que o fisco só pode chegar aos valores tributáveis depois de expurgados os artifícios postos pelo sujeito passivo. O não atendimento à intimação, na qual eram solicitados a apresentação de livros fiscais e contábeis, não obstou o procedimento fiscal, pois a lei faculta ao fisco a possibilidade de proceder o arbitramento em razão da recusa da apresentação de livros fiscais e contábeis. Tanto é verdade, que foi o próprio autuante que arbitrou o lucro da empresa tendo por base a receita operacional constante da DIPJ. Ora, a falta de apresentação dos livros fiscais não obstou a atividade fiscal, pelo contrário a facilita, pois tal conduta do contribuinte coloca a presunção legal contra ele, autorizando o lançamento de ofício, através do arbitramento. Como se vê, ao não apresentar os livros fiscais, o contribuinte atua contra si próprio, não se podendo, nestes casos, terse como evidenciada conduta tendente à caracterização da situação que justifique a imposição da multa de agravada. Assim sendo, inaplicável o agravamento da multa de ofício em face do não atendimento à intimação para apresentação dos livros fiscais e contábeis, já que estas omissões tem conseqüências específicas previstas na legislação de regência. Assim, entendo de que não restou evidenciada a situação de fato que daria ensejo à aplicação da multa de ofício no percentual de 225% (qualificada agravada), devendo a mesma ser reduzida para o percentual normal de 75%. Desta forma, só posso concluir pela inaplicabilidade da multa de lançamento de ofício qualificada agravada, devendo a mesma ser reduzida para aplicação de multa de ofício normal de 75%. Ou seja, o colegiado, ao analisar o prazo decadencial, deve partir do princípio que a multa a ser aplicada é a multa de ofício normal de 75%. Quando se fala em decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, é preciso admitir, antes de mais nada, que se está diante de uma das mais polêmicas questões embutidas em nosso direito tributário. Entretanto, entendo, que nos dias atuais, no que diz respeito à discussão sobre o termo inicial da contagem do prazo decadencial, tornouse pacifica, já que em 21/12/2010, houve a edição da Portaria MF nº. 586, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Dispõe o art.62 do RICARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 7821DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 5/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI 16 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Diante disso, resta claro que os julgados proferidos pelas turmas integrantes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) devem se adaptar, nos casos de decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, a estes julgados. A contagem do prazo decadencial é um destes temas. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça decidiu, por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº. 973.733 – SC (2007/01769940), que a contagem do prazo decadencial dos tributos ou contribuições, cujo lançamento é por homologação, deveria seguir o rito do julgamento do recurso especial representativo de controvérsia, cuja ementa é a seguinte: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 7822DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 5/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 13839.001919/200441 Acórdão n.º 9101001.644 CSRFT1 Fl. 7.815 17 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose Documento: 6162167 EMENTA / ACÓRDÃO Site certificado DJe: 18/09/2009 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial Fl. 7823DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 5/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI 18 qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Nos julgados posteriores, sobre o mesmo assunto (contagem do prazo decadencial), o Superior Tribunal de Justiça aplicou a mesma decisão acima transcrita, conforme se constata no julgado do AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº. 1.203.986 MG (2010/01395597), verbis: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N° 973.733/SC. ARTIGO 543C, DO CPC. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO QÜINQÜENAL. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados:I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado,por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Fl. 7824DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 5/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 13839.001919/200441 Acórdão n.º 9101001.644 CSRFT1 Fl. 7.816 19 Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). Documento: 12878841 EMENTA / ACÓRDÃO Site certificado DJe: 24/11/2010 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, sujeito ao regime dos recursos repetitivos, reafirmou o entendimento de que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em FALTA O JULGAMENTO AGUARDAR) 4. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que formalizou os créditos tributários em questão, sendo a execução ajuizada tão somente em 21.03.2005. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Agravo regimental desprovido. É de se esclarecer, que na solução dos Embargos de Declaração impetrado pela Fazenda Nacional no Recurso Especial nº. 674.497 PR (2004/01099782), houve o acolhimento em parte do embargo pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) para modificar o entendimento sobre os fatos geradores ocorridos em dezembro cuja exação só poderia ser exigida a partir de janeiro do ano seguinte, verbis: Fl. 7825DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 5/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI 20 PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. O ministro Mauro Campbell Marques, relator do processo, em síntese, assim se manifestou em seu voto: Sobre o tema, a Primeira Seção desta Corte, utilizandose da sistemática prevista no art. 543C do CPC, introduzido no ordenamento jurídico pátrio por meio da Lei dos Recursos Repetitivos, ao julgar o REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux (j. 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, como o caso dos autos, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN) (...) Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. Desta forma, para lançamentos em que não houve pagamento antecipado, é de se observar que os julgados do Superior Tribunal de Justiça firmaram posição no sentido de que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado corresponde, de fato, ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Código Tributário Nacional. Fl. 7826DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 5/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 13839.001919/200441 Acórdão n.º 9101001.644 CSRFT1 Fl. 7.817 21 Por outro lado, para os lançamentos em que houve pagamento antecipado a contagem do prazo decadencial tem início na data do fato gerador da obrigação tributária discutida. O caso em questão trata de cobrança de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ); Contribuição para Programa de Integração Social (PIS); Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) ocorrido no anocalendário de 1999. Sob o meu ponto de vista o maior obstáculo neste tipo de interpretação dada pelo Superior Tribunal de justiça está em definir o que seria considerado “pagamento antecipado” nos futuros julgados por este tribunal Administrativo. Ora, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o escoamento do prazo do art. 150, § 4º, sem manifestação do Fisco, significa a aquiescência implícita aos valores declarados pelo contribuinte, porque o silêncio, neste caso, é qualificado pela lei, trazendo efeitos. A única diferença de regime está consubstanciada na hipótese em que não há pagamento antecipado, que de acordo com Superior Tribunal de Justiça, se aplicaria, para efeitos de marco inicial do prazo decadencial, o art. 173, I, do Código Tributário Nacional (regra geral, que deverá ser seguido conforme a interpretação dada pelo STJ), por força do que dispõe o parágrafo único deste mesmo preceptivo. Exaurido o prazo, o Fisco não poderá manifestar qualquer intenção de cobrar os valores. Há, pois, falarse em decadência nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. No presente caso se torna irrelevante continuar a discussão sobre qual seria o significado de “pagamento antecipado”, já que houve recolhimento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ); Contribuição para Programa de Integração Social (PIS); Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), o como restou consignado nos demonstrativos de sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, relativo ao exercício de 2000. Assim sendo, no ponto de vista dos julgados do Superior Tribunal de Justiça, o termo inicial da contagem do prazo decadencial é o mês da ocorrência do fato gerador, sendo que de acordo com a decisão recorrida o último fato gerador declarado decadente foi 04/11/1999. Assim, de acordo com a linguagem do Superior Tribunal de Justiça “o termo inicial para contagem do prazo decadencial, nos casos em que houve pagamento antecipado, é a data do fato gerador da exigência tributária". O prazo fatal para a constituição deste último fato gerador (o mais atual) ocorreria em 04/11/1999, tendo ocorrido a ciência do lançamento em 05/11/2004, está decadente o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário questionado neste Recurso Especial. Ou seja, a decisão recorrida declarou a decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo aos fatos geradores anteriores a 05/11/1999. Ultrapassado esse lapso temporal de cinco anos sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. Nestas condições, entendo que se faz necessário adaptar a decisão recorrida aos julgados do Superior Tribunal de Justiça, razão pela qual conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, por tempestivo, preenchendo as demais questões de admissibilidade e, no mérito, voto no sentido de negar provimento. Fl. 7827DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 5/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI 22 (Assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni – Relator designado. Voto Vencedor Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Redator Designado. Peço vênia para discordar das razões expostas pelo Relator no tocante à qualificação e ao agravamento da multa de ofício, bem como quanto ao prazo decadencial. Primeiramente se faz necessário analisar a existência, no caso concreto, de alguma das condutas previstas nos artigos 71, 72 e/ou 73 da Lei nº 4.502/64, senão vejamos: “Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72.” Insta observar que no caso dos autos a suposta conduta dolosa imputada ao contribuinte é aquela prevista no artigo 71 da lei 4.502/64, ou seja, teria o contribuinte praticado a conduta de sonegar. Cumpre esclarecer que a conduta de sonegar consiste em utilizar procedimentos que violem diretamente a lei fiscal, por meio da ação consciente do contribuinte (ato doloso) em se opor à lei, impedindo ou retardando o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador. No caso dos autos, consta no Termo de verificação fiscal que: - Em alteração contratual de 23/05/2000, foi incluído na sociedade o Sr. Ademir Nogueira dos Reis. Em depoimento prestado à Fiscalização esse sócio afirmou que seu ingresso deuse apenas formalmente e que desconhece qualquer informação ou documento referente à empresa; Fl. 7828DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 5/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 13839.001919/200441 Acórdão n.º 9101001.644 CSRFT1 Fl. 7.818 23 - Em alteração contratual de dezembro/2000, retirouse da sociedade o Sr. Sidney Ângelo Trigo e foi incluída como sócia uma empresa uruguaia. Em 31/10/2002 a pessoa indicada como representante legal dessa offshore prestou declaração à Fiscalização afirmando ter sido incluído na sociedade à sua revelia, tendo descoberto por acaso sua condição de sócio, ao tentar recadastrar seu CPF; - No período fiscalizado a autuada declarou receita em valores insignificantes em relação àquela apurada pelo Fisco. Salientese que, a partir do quarto trimestre de 2000 a receita declarada foi zero; e: - Em alteração contratual de 18/03/2002, a empresa, prestou declaração falsa à Junta Comercial e, posteriormente, ao cadastro da Receita Federal ao informar como seu domicílio endereço inexistente, conforme relatório de diligência anexo aos autos. As práticas adotadas pela recorrente demonstram a intenção de prejudicar o conhecimento, pela fiscalização, das reais condições da pessoa jurídica. As Declarações com valores de receita muito inferiores ao real ou zerados, e o registro de endereço inexistente caracterizam informações falsas, dificultando ou impedindo o acesso aos dados da empresa, conduta enquadrada no art. 71 da Lei n°4.502, de 30 de novembro de 1964. A Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, estabelece o percentual da multa de oficio em 150% nesses casos: “Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: ( ) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Assim, comprovado de modo efetivo o evidente intuito de fraude, é correta a aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, II, da lei 9430/96. Quanto ao prazo decadencial, a regra aplicável é a do artigo 173 do CTN, em razão do dolo constatado no caso. Consta dos autos, que contra o contribuinte, SAF – Comércio de Papéis e Aparas Ltda., foi lavrado auto de infração para constituição de crédito tributário de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, relativo aos anoscalendário de 1999 a 2002. A ciência do contribuinte se deu em 05/11/2004. Portanto, em relação ao IRPJ e a CSLL, para o fato gerador mais antigo que se deu em 31/12/1999, o prazo decadencial para lançamento de ofício começou a fluir em 01/01/2001 e findouse em 01/01/2006. Quanto à contribuição ao PIS e à Cofins, tributos de apuração mensal, o lançamento relativo ao fato gerador mais antigo, ou seja, 01/01/1999, poderia ser feito ainda no Fl. 7829DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 5/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI 24 ano calendário de 1999, assim o prazo decadencial teve início em 01/01/2000 e findouse em 01/01/2005. Em conclusão, no caso, tendo em vista que a intimação do contribuinte se deu em 05/11/2004, nos termos da regra do artigo 173 do CTN, não operou – se a decadência. Por fim, quanto ao agravamento da multa de ofício, entendo que este deve ser mantido, já que no caso, a empresa não atendeu nenhuma solicitação ou intimação para prestar esclarecimentos, dificultando o trabalho da fiscalização. Cabível, portanto, o agravamento da multa, nos termos do § 2° do mencionado artigo: “2º As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: a) prestar esclarecimentos;” Assim, por todo o exposto, dou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para: (i) manter a qualificação e o agravamento da multa de ofício e, (ii) declarar que não operouse a decadência para o lançamento, nos termos do artigo 173 do CTN. É como voto. (documento assinado digitalmente) João Carlos de Lima Júnior – Redator designado. Fl. 7830DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 5/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por JOAO CARLOS DE LI MA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI
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Numero do processo: 10768.005753/2004-25
Data da sessão: Fri Aug 20 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 2102-000.029
Decisão: Resolvem os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Rubens Mauricio de Carvalho
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Resolvem os por unanimidade de votos, CONVERTER EDITADO EM: 07/02/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Niibia Matos Moura, Rubens Mauricio Carvalho e Eivanice Canário da Silva. . 1 DE CARE ME Fl. 2443 Processo n° 10768.005753 12004-25 S2-C1T2 Resolução n.° 2102-00.029 Fl. 12 RELATÓRIO Trata o presente processo de lançamento de oficio de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), referente aos anos-calendário de 1999, 2000, 2001 e 2002, consubstanciado no Auto de Infração As fls. 982 a 995. A fiscalização foi efetivada em decorrência dos fatos narrados nos autos da ação penal n.° 2003.51.01.500281-0, da Terceira Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, corn sentença condenatória prolatada em 31/10/2003. Os elementos extraídos da referida ação penal foram obtidos pela Receita Federal mediante autorização da Justiça Federal Brasileira, que concedeu (fls. 959 e 961) acesso aos autos do processo judicial n.° 2003.51.01.500281-0 e afastamento do sigilo bancário dos réus desse processo cm beneficio da Receita Federal. A questão trata das inforMaçOes remetidas a Justiça Federal Brasileira pela Procuradoria da Suíça (fls. 893 a 913), a qual relatou que o autuado detinha a propriedade da la conta corrente n.° 182.275 ZA, aberta em 07/07/1999, na Suíça, por intermédio de representação, no Brasil, do DISCOUNT BANK & TRUST COMPANY (DBTC) - atualmente I'UNION BANCAIRE PRIVÉE (UBP). A Procuradoria Suíça informou o depósito inicial de US$ 312.790,00 e o saldo final de US$ 1.199.241,80, existente cm 17/07/2002, ocasião em que foi efetuado o bloqueio da referida conta pelo Justiça Suíça. Impugnada a autuação, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, não acatou as preliminares de nulidade e no mérito, considerou procedente em parte o lançamento, reduzindo R$556.985,15 da base de calculo da Infração 001 e R$3.072,22 da base de cálculo da Infração 002, conforme demonstrativo de fls. 1093/1094. Em relação aos demais valores lançados, entendeu que os argumentos da recorrente c provas apresentadas foram insuficientes, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 1.099 a 1.116, repisando, os mesmos argumentos trazidos na sua impugnação dirigida à DRJ, alegando em síntese: ' • a) Indisponibilidade da Renda: 0 IR somente incide sobre acréscimos patrimoniais disponíveis e estando as contas i correntes bloqueadas em razão de decisão judicial, não há o alegado acréscimo patrimonial a descoberto; b) Opção de tributação: Com base no principio do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), foi indevida a. opção pela tributação dos , depósitos no exterior como acréscimo patrimonial a descoberto, pois de acordo corn a Lei n° 9.430, de 1996, o lançamento deveria seguir a metodologia da tributação depósitos bancários de origem não comprovada. • 1 c Erros no cálculo do APD: Insiste que quanto à inclusão do saldo no exterior existente em 17/07/2002 como aplicação, assevera que, em respeito ao principio da Verdade . Material, a fi c ização deveria ter procedido ao planilhamento financeiro segund oda a movimentação 2 --FL 24-14 DF CATiF IMF Processo n° 10768.005753/2004-25 Resolugao n.° 2102-00.029 • s financeira bancária da conta no exterior7 griOlii -tando. a evolução financeira da referida conta, além da necessidade de retificação na aquisição e venda dos veículos Fiorino e Vectra. Ainda, deveria ter sido adotado nos cálculos os saldos no inicio do Mês e não no saldo final de cada mês. d) Decadência: Alega decadência do direito de ser constituído os credito relativos aos ganhos líquidos no mercado de renda variável, compreendidos entre 31/0 1 /1 9 99 e 31/08/1999; e) Erro: Não foi observado nem na autuação tampouco na decisão recorrida e cometido erro aritmético no que se refere ao limite de isenção do IR nas alienações que não ultrapassem 5.000 Ufir, conforme disposto no §8 ° do art. 72 da Lei n° 9.430, de 1996; O Depósito de RS 25.000,00: Deve ser cancelado este o depósito da base de cálculo do lançamento por não ter sido intimada a outra titular da conta corrente e g) Multa 150%: Que as justificativas de reiteração na autuação e altos valores no julgamento recorrido não são suficientes para a exasperação da multa de oficio, isso porque sequer ficou assentado que a recorrente é a titular da conta corrente, que Omissão e ocultação de informações, tampouco podem justificar esse agravamento. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado/ para o para julgamento de segunda instância administrativa. Em sessão de julgamento, resolveram converter o julgamento em diligência, fls. 1128 a 1138, nos seguintes termos: A noticiado nos autos que estão em andamento processos judiciais contra o contribuinte. Portanto, é de born alvitre verificar o andamento da ação penal n. 2003.51.01.500281.-0, da Terceira Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, e juntar aos autos outros elementos de interessa do presente litígio tributário, tais como os extratos bancários da conta no exterior, caso já tenham sido fornecidos, e prova da titularidade da conta S 3) Intimar o contribuinte para que apresente documentos do Detran relativo aos veículos que adquiriu e vendeu, conforme alegado no item 3 da peça recursal. 4) A fiscalização poderá ainda, trazer outros elementos ele prova ou novos documentos, que tenha relação intrínseca com as infrações autuadas e possam corroborar no julgamento, em face das alegações da peça recursal. 5) Ao final a fisealização deverá lavrar termo consubstanciado, do qual eleve ser cientificado o contribuinte, concedendo-lhe o prazo de 30 dias para se manifestar. Outrossim, conforme decidido pela maioria desse Colegiado, que acompanhou os doutos fundamentos da ilustre presidente da Câmara, Dra. Leila Maria Scherrer Leitão, o julgamento deste rec urso voluntário foi sobrestado até decisão final do processo penal. na esfera do Judiciário. Portanto, cumpridas as diligências, os autos deverão permanecer na unidade. de origem até que possa ser juntado o inteiro te. de decisão final transitada em julgado na ação penal n° 2003.51.01.500281-0. 3 Imp, esso em 15110/2013 rx,r MARIA MAIDALk-:NA SILVA -VERSO EM BRANCO , DF CARF 1\4F Fl. 2'445 . Processo n° 10768.00753/2004-25 Resolução n.° 2102-00.029 Fl. 14 Para atender a diligência, a fiscalização juntou ao processo excertos do PAF de Leila Machado Picanço, fls. 1144 a 1156, cópia de Decisão interlocutória (VI- Comunicação) na ação penal n° 2003.51.01.500281-0, fls. 1157 a 1162. Instado a se manifestar sobre a diligência, fls. 1154/1165, o contribuinte anexou os documentos de ils. 1166 a 1199 e posteriormente as razões de fls. 1.207 a 1.209, dizendo que a diligtí'ncia confirmou que os valores decorrentes das vendas dos veículos devem ser expurgados na apuração do acréscimo Patrimonial a descoberto e que a própria sentença judicial trazida aos autos pela fiscalização, indica que a RFB jamais poderia ter utilizado as informações referentes aos dados bancários fornecidos pela autoridade suíça para instauração do ProCesso Administrativo Fiscal e, muito menos, a constituição de crédito tributário, requerendo ao final, pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência Ultimada a diligência foi Lavrado o Termo de Constatação Fiscal de fls. 1200 e proferido o despacho de fl. 1210 retornaram os autos a esse Conselho para seguimento no julgamento de segunda instancia administrativa. 0 RELATÓRIO. VOTO Não obstante os documentos acostados aos autos decorrentes da diligencia solicitada pela Segunda Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, fls. 1128 a 1138, entendo que a diligência não foi cumprida na sua íntegra e que novos fatos decorrentes da diligência devem ser esclarecidos para que seja possível o julgamento da presente lide. Pelo exposto, voto no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência a cargo da unidade de origem para esclarecer o seguinte: 1) A Decisão interlocutória (VI- Comunicação) na ação penal ri° 2003.51.01.500281-0, fls. 1157 a 1162, foi deliberada para atender a defesa de pessoa distinta do sujeito passivo do presente PAF (fl.1161). Di ante disso pergunto: Ha na ação penal n° 2003.51.01.500281-0 decisão com o mesmo teor aplicável ao Sr. Ludo Manoel dos Santos Picanço? Caso positivo, solicito que essa Decisão seja juntada a estes autos e 2) Não foi anexado o inteiro teor de decisão final transitada em julgado na ação penal n° 2003.51.01.500281-0. Nesse sentido os autos devem retornar e permanecer na unidade de origem até que possa ser juntado o inteiro teor de decisão final transitada em julgado na Ação Penal n.° 2003.51.01.500281-0, conforme já solicitado na Resolução anterior, fl. 1138. Ainda, deve vir a decisão judicial final sobre a utilização pela Receita Federal dos dados enviados pela Promotoria da Suíça prolatada nessa Ação Penal. I Mauricio Carvalho , 4 7Gi r MARIA mAn'fkl.EflA SIL VA 'VERSO 'EN/1 f
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Numero do processo: 10805.720241/2006-61
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO.
RETENÇÕES DE IMPOSTO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Na hipótese de a fonte pagadora não fornecer o comprovante anual de retenção, sua prova pode se dar por meio dos registros contábeis do beneficiário, acompanhados da nota fiscal ou fatura e da comprovação do valor líquido quitado pela fonte pagadora.
Numero da decisão: 1101-000.987
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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SALDO NEGATIVO. RETENÇÕES DE IMPOSTO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Na hipótese de a fonte pagadora não fornecer o comprovante anual de retenção, sua prova pode se dar por meio dos registros contábeis do beneficiário, acompanhados da nota fiscal ou fatura e da comprovação do valor líquido quitado pela fonte pagadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 02 41 /2 00 6- 61 Fl. 709DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10805.720241/200661 Acórdão n.º 1101000.987 S1C1T1 Fl. 3 2 Relatório MAXBRILL SERVIÇOS ESPECIALIZADOS E COMÉRCIO DE PRODUTOS LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas/SP que, por unanimidade de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que reconheceu parcialmente o saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário 2002, no valor de R$ 113.877,55. As verificações foram motivadas pelo pedido de restituição veiculado no processo administrativo nº 10830.004287/200117, referente a saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 1997, utilizado para compensação de estimativas de IRPJ em períodos de apuração subseqüentes. Na análise do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, a autoridade administrativa local admitiu apenas as retenções de IRRF confirmadas em DIRF (R$ 45.453,35), vez que a interessada, intimada, não logrou apresentar os comprovantes de retenção que demonstrariam a totalidade do valor deduzido em sua apuração (R$ 113.877,55). Quanto às estimativas apontadas no total de R$ 147.361,17, validou aquelas compensadas mediante DCOMP, pois apesar de não reconhecido o crédito nos correspondentes processos administrativos, os débitos compensados foram cadastrados para cobrança, no valor total de R$ 138.537,21. De outro lado, glosou as estimativas referentes aos meses de fevereiro/2002 (R$ 4.076,03), abril/2002 (R$ 1.532,89) e setembro/2002 (R$ 3.215/51), porque não confirmada sua liquidação. O saldo negativo foi reduzido de R$ 113.877,55 para R$ 36.629,39, e imputado às compensações de débitos de estimativas de IRPJ e CSLL apurados no ano calendário 2003, veiculadas em DCOMP. A autoridade administrativa também discorre sobre a apuração da CSLL no anocalendário 2002, mas suas verificações não repercutem no presente litígio. Manifestando sua inconformidade, a interessada apresentou alguns comprovantes de retenção que logrou obter, observou que não lhe cabe fazer as declarações de retenção do IRPJ em nome de seus tomadores de serviços e muito menos enviálas, e defendeu a prova de seu crédito mediante apresentação de suas faturas devidamente escrituradas em seu Livro Diário. A Turma julgadora admitiu como comprovada apenas a retenção de R$ 60,70 demonstrada no comprovante de retenção juntado à impugnação, reproduzindo a legislação que impõe ao sujeito passivo o dever de se resguardar com referida demonstração para valerse das retenções sofridas ao longo do período de apuração. Cientificada da decisão de primeira instância em 06/08/2008 (fl. 676), a contribuinte postou recurso voluntário em data que não é possível distinguir no carimbo de postagem (fls. 680/688), no qual reprisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, argüindo ofensa ao princípio da nãocumulatividade, bem como a ocorrência Fl. 710DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10805.720241/200661 Acórdão n.º 1101000.987 S1C1T1 Fl. 4 3 de bitributação, e reportandose a julgados deste Conselho que admitem a prova da retenção por meio de documentos indiretos. Em 17/09/2008 foi intimada de carta cobrança, mas em 19/09/2008 os autos foram encaminhados para apreciação do recurso voluntário pelo Primeiro Conselho de Contribuintes. Fl. 711DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10805.720241/200661 Acórdão n.º 1101000.987 S1C1T1 Fl. 5 4 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Não é possível identificar qual a data de postagem do recurso voluntário, mas o carimbo da unidade preparadora à fl. 68 indica que em 05/09/2008 a defesa já se encontrava naquele órgão. Considerando que, intimada em 06/08/2008, a interessada poderia interpor recurso até 05/09/2008, a defesa apresentada deve ser conhecida porque tempestiva. Tratase, aqui, da apuração do saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário 2002, informado na DIPJ pelo valor de R$ 113.877,55, em razão do confronto do tributo devido com antecipações a título de retenções (R$ 113.877,55) e de estimativas (R$ 147.367,17), conforme demonstrado à fl. 10. Tais estimativas, por sua vez, estão informadas como devidas em vários meses do anocalendário (fls. 06/09) e às fls. 11/16 consta a Ficha 43 da DIPJ, na qual estão relacionadas 45 (quarenta e cinco) fontes pagadoras que teriam promovido referidas retenções, todas sob o código 1708 (remuneração de serviços profissionais prestados por pessoa jurídica). Às fls. 29/39 constam as Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF nas quais a contribuinte foi identificada como beneficiária no ano calendário 2002. Intimada a apresentar os comprovantes das referidas retenções (fls. 40/41), a interessada juntou os documentos de fls. 42/269 detalhando mensalmente as notas fiscais emitidas que ensejaram as retenções sofridas, e indicando o correspondente registro em Livro Diário, este também apresentado por cópia, acompanhado dos Termos de Abertura e Encerramento. A autoridade administrativa juntou às fls. 279/300 e 394/401 as DCOMP apresentadas de 14/11/2003 a 01/11/2006, com retificações, nas quais o crédito em referência foi utilizado. Ali também estão relacionadas 54 (cinquenta e quatro) fontes pagadoras dos rendimentos que se sujeitaram a retenção de imposto. No despacho decisório de fls. 320/330, a autoridade fiscal limita as retenções a R$ 45.453,35 (montante confirmado em DIRF), na medida em que a contribuinte, intimada, não apresentou os comprovantes de rendimentos, mas apenas demonstrativos de retenções acompanhados do Livro Diário, sem sequer apresentar as correspondentes notas fiscais, as quais, de qualquer forma, por serem documentos emitidos pela requerente, não permitiriam comprovar a efetividade das retenções. Ainda, atesta que parte das estimativas do período não foram confirmadas, porque vinculadas a saldos negativos não reconhecidos nos processos administrativos nº 10805.720239/200691 e 10805.720240/200616, admitindo na composição do saldo negativo apenas o montante de R$ 138.537,21 que, somado às retenções confirmadas, resultou no reconhecimento de direito creditório ao sujeito passivo de R$ 36.629,39. Referido despacho foi cientificado à interessada em 08/10/2007. Manifestando sua inconformidade, a interessada limitou seus argumentos à glosa de retenções na fonte, apresentando o comprovante juntado às fls. 442/443, bem como as notas fiscais emitidas em relação às demais fontes pagadoras (fls. 444/642). Em recurso voluntário, a contribuinte mais uma vez somente defende a dedução dos valores retidos no período, sem questionar a desconsideração das antecipações computadas no saldo negativo declarado, porque não confirmado o crédito utilizado para sua compensação. Fl. 712DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10805.720241/200661 Acórdão n.º 1101000.987 S1C1T1 Fl. 6 5 É certo que os processos administrativos nº 10805.720239/200691 e 10805.720240/200616 encontramse neste Conselho, o primeiro aguardando digitalização para sorteio e o segundo distribuído a esta Relatora, e, em tese, o reconhecimento de direito creditório naqueles autos poderia repercutir na formação do saldo negativo aqui utilizado em compensação. Contudo, como a contribuinte não vinculou o presente litígio à matéria tratada naqueles autos, este órgão julgador não poderia determinar, de ofício, que eventual reconhecimento de direito creditório naqueles autos fosse imputado às estimativas que compõe o direito creditório aqui utilizado. Assim, na medida em que a admissibilidade das estimativas na composição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002 não está aqui em discussão, cumpre apenas apreciar a validade da prova juntada pela contribuinte para demonstrar as retenções que integram referido saldo negativo. Comparando as alegações apresentadas pela recorrente com as parcelas já reconhecidas nestes autos, temse a seguinte consolidação: Fonte Pagadora CNPJ DIPJ DRF MI DRJ Option 00.185.334/000187 140,38 128,24 CSM Cartões de Segurança 00.624.910/000145 2.553,12 2.553,12 Unimed Bragança Paulista 01.029.782/000235 720,00 360,00 Banco Nossa Caixa S A 01.641.591/000149 4,38 Produtos Elsie 01.702.007/000118 131,60 148,29 FEBEM 44.480.283/000191 60,70 60,70 Splice 45.397.007/000127 588,67 729,88 Exel Global Logística do Brasil 46.044.913/000100 177,03 177,03 Fund para Des Med Hosp 46.230.439/000101 51,57 51,57 Hospital Guilhermo Álvaro 46.374.500/001670 13.822,40 Hospital Geral Jesus T. da Costa 46.374.500/010904 13.194,83 Hospital Geral de Taipas 46.374.500/011129 10.279,01 Hospital Regional Sul 46.374.500/011200 9.012,69 Hospital e Matern. Interlagos 46.374.500/013091 6.496,16 Hospital Psiquiátrico Pinel 46.374.500/013253 785,65 Sec. Gov. e Gestão Estratégica 46.379.400/000150 12.306,89 Prefeitura do Mun de SP 46.392.130/000380 5.936,59 23.120,87 Bunker 47.100.862/000150 694,05 696,78 ICA Telecomunicações 47.103.106/000184 1.602,06 1.584,84 Cia Brasileira de Distribuição 47.508.411/000156 3.378,40 Irmãos Russi 50.947.761/000123 16.044,94 Int Hemodiálise Sorocaba 54.329.859/000178 637,52 632,77 DaimlerChrysler do Brasil 59.104.273/000129 98,29 96,01 Ibrame 60.846.599/000100 926,11 926,11 Laboratório Sardalina 60.885.613/000185 1.652,51 2.070,97 Santa Helena Comércio 61.980.272/000190 662,99 211,38 CIESP 62.226.170/000146 10.579,43 10.644,44 Siemefre Sind. Est. Ind. Equips. 62.520.960/000130 60,00 Sind Ind. Prod. Cim. Estado de SP 62.648.563/000148 53,36 25,52 Matec 64.978.646/000120 659,75 659,73 Hemodialise Sorocaba 67.361.402/000192 631,55 631,42 Totais 113.877,55 45.453,35 60,70 60,70 Fl. 713DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10805.720241/200661 Acórdão n.º 1101000.987 S1C1T1 Fl. 7 6 A contribuinte juntou, em sua manifestação de inconformidade, as notas fiscais referentes às seguintes fontes pagadoras: Fonte Pagadora CNPJ DIPJ DRF MI DRJ Unimed Bragança Paulista 01.029.782/000235 720,00 360,00 Hospital Guilhermo Álvaro 46.374.500/001670 13.822,40 Hospital Geral Jesus T. da Costa 46.374.500/010904 13.194,83 Hospital Geral de Taipas 46.374.500/011129 10.279,01 Hospital e Matern. Interlagos 46.374.500/013091 6.496,16 Hospital Psiquiátrico Pinel 46.374.500/013253 785,65 Sec. Gov. e Gestão Estratégica 46.379.400/000150 12.306,89 Prefeitura do Mun de SP 46.392.130/000380 5.936,59 23.120,87 Cia Brasileira de Distribuição 47.508.411/000156 3.378,40 Int Hemodiálise Sorocaba 54.329.859/000178 637,52 632,77 DaimlerChrysler do Brasil 59.104.273/000129 98,29 96,01 Laboratório Sardalina 60.885.613/000185 1.652,51 2.070,97 Siemefre Sind. Est. Ind. Equips. 62.520.960/000130 60,00 Sind Ind. Prod. Cim. Estado de SP 62.648.563/000148 53,36 25,52 Totais 69.421,61 26.306,14 De plano resta dispensada a análise da prova concernente às fontes pagadoras Prefeitura Municipal de São Paulo e Laboratório Sardalina, na medida em que já foi reconhecido à interessada montante superior à retenção por ela indicada em DIPJ. Assim, o litígio centrase nas retenções promovidas pelas seguintes fontes pagadoras: Fonte Pagadora CNPJ DIPJ DRF MI DRJ Unimed Bragança Paulista 01.029.782/000235 720,00 360,00 Hospital Guilhermo Álvaro 46.374.500/001670 13.822,40 Hospital Geral Jesus T. da Costa 46.374.500/010904 13.194,83 Hospital Geral de Taipas 46.374.500/011129 10.279,01 Hospital e Matern. Interlagos 46.374.500/013091 6.496,16 Hospital Psiquiátrico Pinel 46.374.500/013253 785,65 Sec. Gov. e Gestão Estratégica 46.379.400/000150 12.306,89 Cia Brasileira de Distribuição 47.508.411/000156 3.378,40 Int Hemodiálise Sorocaba 54.329.859/000178 637,52 632,77 DaimlerChrysler do Brasil 59.104.273/000129 98,29 96,01 Simefre Sind. Est. Ind. Equips. 62.520.960/000130 60,00 Sind Ind. Prod. Cim. Estado de SP 62.648.563/000148 53,36 25,52 Totais 61.832,51 1.114,30 Observase, neste conjunto, que a maior parte das fontes pagadoras que não apresentaram DIRF, excluída a referência à Cia. Brasileira de Distribuição e ao SIMEFRE, aparentam prestar serviços públicos, podendo representar a órgãos da administração pública. Em tais condições, a Receita Federal já se manifestou, em Solução de Consulta, favoravelmente à comprovação, por meios indiretos, das retenções sofridas pelos prestadores de serviços. Neste sentido é a ementa da Solução de Consulta SRRF/5a RF/DISIT nº 19/2004: Fl. 714DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10805.720241/200661 Acórdão n.º 1101000.987 S1C1T1 Fl. 8 7 Assunto: Obrigações Acessórias Ementa: COMPROVANTE ANUAL DE RETENÇÃO FORNECIDO POR ÓRGÃO OU ENTIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL. AUSÊNCIA. Na hipótese de o órgão ou entidade da administração pública federal não fornecer o comprovante anual de retenção, a pessoa jurídica poderá utilizar os seus registros contábeis, acompanhados da nota fiscal ou fatura e da comprovação do valor depositado pela fonte pagadora, para respaldar a compensação dos tributos e contribuições federais retidos. Dispositivos Legais: art. 64 da Lei n° 9.430, de 1996; arts. 5o e 28 da IN SRF n° 306, de 2003; art. 923 do Decreto n° 3.000, de 1999. É certo que a Lei nº 7.450/85 estabelece, em seu art. 55, que o imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Por sua vez, o art. 86 da Lei nº 8.981/95 obriga as fontes pagadoras a fornecer tais documentos e fixa multa de cinqüenta Ufirs por documento que deixar de ser fornecido ou fornecido com inexatidão. Contudo, como o prestador de serviços não dispõe de meios cogentes próprios para obrigar a fonte pagadora a fornecerlhe referidos comprovantes, sua ausência não pode ensejar a impossibilidade de dedução daquela antecipação, sem que outra forma de prova lhe seja facultada, mormente tendo em conta que o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, dispõe que a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (art. 923). No presente caso, a contribuinte apresentou à autoridade fiscal demonstrativo das retenções, com referências à emissão da nota fiscal e seu pagamento, acompanhado de sua escrituração no Livro Diário. Deixou, porém, de apresentar as notas fiscais, que somente vieram aos autos por ocasião da manifestação de inconformidade. Assim, cumpre avaliar se as notas fiscais apresentadas suportam as operações alegadas e se a escrituração destas evidencia as retenções pretendida pela contribuinte. É certo que, como apontou a autoridade fiscal que primeiro examinou a pretensão da contribuinte, as provas por ela apresentadas correspondem a documentos produzidos por ela própria, sem intervenção de terceiros. Todavia, não se pode olvidar que, antes de utilizar o indébito, contemporaneamente ao período no qual o saldo negativo foi apurado, a contribuinte apresentou DIPJ cuja intempestividade não foi suscitada pela autoridade fiscal, lá relacionando as fontes pagadoras e as retenções sofridas, as quais guardam correspondência com o total deduzido na apuração do IRPJ devido em 2002. E, intimada durante o procedimento de análise desta apuração, iniciado cerca de 5 (cinco) anos depois daquela declaração prestada ao Fisco, a contribuinte apresentou demonstrativo consistente com as retenções informadas na DIPJ, e com quase total equivalência com seus registros contábeis expostos em Livro Diário autenticado contemporaneamente à época em que apresentada a DIPJ. Para além disso, as notas fiscais apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade denotam prestação de serviços contínuos a empresas privadas e órgãos públicos, com valores uniformes ao longo do período fiscalizado, e por várias vezes acompanhadas de cartas de correção ou de correspondências remetidas pelos clientes, Fl. 715DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10805.720241/200661 Acórdão n.º 1101000.987 S1C1T1 Fl. 9 8 denotando operações efetivas. Logo, nada há que desabone a qualidade probatória dos elementos apresentados. E, do exame nos autos, constatase que a contribuinte contabilizou as notas fiscais de serviço creditando a conta de receita nº 302.005 seu valor bruto, mas registrando direitos a receber na conta nº 107.0XX (final variável conforme o cliente) apenas pelo valor líquido da retenção de imposto de renda, esta contabilizada a débito da conta nº 153.007, possivelmente como imposto a recuperar. O recebimento dos serviços prestados se dá pelo valor líquido das notas fiscais, inclusive já reduzido pela retenção para a Seguridade Social (11%), e em regra é contabilizado um ou mais meses depois da emissão da nota fiscal, a débito de conta de disponibilidade nº 10100X (final variável conforme o destino) e a crédito da conta representativa de direitos a receber (nº 107.0XX). Notese que algumas retenções somente são confirmadas pelo pagamento do valor líquido das notas fiscais ocorrido no anocalendário 2003. Porém, como a contabilização da receita se verificou no anocalendário 2002, observado está o entendimento que orienta a Súmula CARF nº 80 (Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto). Na quase totalidade dos casos em debate constam dos autos as notas fiscais emitidas em favor das fontes pagadoras alegadas, demonstrando o valor da operação e a retenção destacada, bem como os lançamentos contábeis de reconhecimento da receita e do recebimento do direito já líquido da retenção sofrida. A abordagem individualizada abaixo evidencia as folhas dos autos nas quais constam referidas informações. Unimed Bragança Paulista CNPJ nº 01.029.782/000235 A recorrente demonstra que emitiu 12 (doze) notas fiscais ao longo do ano calendário 2002, e em cada uma delas sofreu retenção de R$ 60,00, muito embora parte delas somente tenha sido quitada pela fonte pagadora em 2003, provável razão de esta somente ter informado, em DIRF, retenções no valor de R$ 360,00. Como as receitas foram contabilizadas no anocalendário 2002, deve ser integralmente admitida a dedução dos valores retidos no montante de R$ 720,00. Ressaltese que a contribuinte deixou de juntar aos autos a folha no 385 do Livro Diário, na qual estaria registrado o recebimento da nota fiscal no 245, mas tendo em conta a regularidade dos demais registros do período em questão, não há óbices ao reconhecimento integral das retenções sofridas. Fl. 716DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10805.720241/200661 Acórdão n.º 1101000.987 S1C1T1 Fl. 10 9 Fonte Pagadora: Unimed Bragança Paulista CNPJ nº 01.029.782/000235 Nota Fiscal de Serviços Livro Diário Nº Data Valor Retenção Fl. Vl. Líquido Data Fl. 107 1/2/2002 6.000,00 60,00 467 5.280,00 20/3/2002 107 150 1/3/2002 6.000,00 60,00 487 5.280,00 2/5/2002 131 152 1/3/2002 6.000,00 60,00 488 5.280,00 22/5/2002 141 201 1/4/2002 6.000,00 60,00 516 5.280,00 18/7/2002 169 245 1/5/2002 6.000,00 60,00 537 5.280,00 9/8/2002 NC 289 1/6/2002 6.000,00 60,00 557 5.280,00 27/9/2002 199 335 1/7/2002 6.000,00 60,00 574 5.280,00 7/10/2002 205 369 1/8/2002 6.000,00 60,00 584 5.280,00 27/11/2002 227 406 1/9/2002 6.000,00 60,00 593 5.280,00 24/2/2003 256 443 1/10/2002 6.000,00 60,00 605 5.280,00 13/3/2003 257 478 1/11/2002 6.000,00 60,00 616 5.280,00 4/4/2003 259 518 1/12/2002 6.000,00 60,00 632 5.280,00 17/10/2003 267 Totais 72.000,00 720,00 Hospital Guilhermo Álvaro CNPJ nº 46.374.500/001670 A recorrente demonstra que emitiu 10 (doze) notas fiscais ao longo do ano calendário 2002 que ensejaram retenção de R$ 1.065,14 e três notas com retenção de R$ 1.057,00, perfazendo o total deduzido no período de R$ 13.822,40. Aqui, também, embora parte das notas fiscais somente tenha sido quitada pela fonte pagadora em 2003, as receitas foram contabilizadas no anocalendário 2002, de modo que deve ser integralmente admitida a dedução dos valores retidos no montante de R$ 13.822,40. Fonte Pagadora: Hospital Guilhermo Álvaro CNPJ nº 46.374.500/001670 Nota Fiscal de Serviços Livro Diário Nº Data Valor Retenção Fl. Vl. Líquido Data Fl. 72 2/1/2002 106.514,22 1.065,14 449 93.732,52 26/3/2002 110 111 1/2/2002 106.514,22 1.065,14 468 93.732,52 29/4/2002 128 153 1/3/2002 106.514,22 1.065,14 489/490 93.732,52 31/5/2002 144 202 1/4/2002 106.514,22 1.065,14 517 93.732,52 5/7/2002 163 246 1/5/2002 106.514,22 1.065,14 538 93.732,52 8/8/2002 179 290 1/6/2002 106.514,22 1.065,14 558 93.732,52 9/9/2002 191 336 1/7/2002 106.514,22 1.065,14 575 93.732,52 8/10/2002 205 370 1/8/2002 106.514,22 1.065,14 585 93.732,52 8/11/2002 221 407 1/9/2002 106.514,22 1.065,14 594 93.732,52 11/12/2002 235 444 1/10/2002 106.514,22 1.065,14 606 93.732,52 16/12/2002 240 492 1/11/2002 105.699,64 1.057,00 623 93.015,68 15/1/2003 252 517 1/12/2002 105.699,64 1.057,00 631 93.015,68 13/3/2003 257 551 26/12/2002 105.699,64 1.057,00 640 93.015,68 22/4/2003 261 Totais 1.382.241,12 13.822,40 Hospital Geral Jesus T. da Costa CNPJ nº 46.374.500/010904 A recorrente alega que sofreu retenções de R$ 13.194,83, e elas estão evidenciadas em notas fiscais emitidas em favor daquela fonte pagadora, que pagou à interessada apenas o valor líquido devido contabilizado conforme tabela abaixo, mesmo em Fl. 717DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10805.720241/200661 Acórdão n.º 1101000.987 S1C1T1 Fl. 11 10 relação às notas fiscais nº 118, 160, 167, 208, 252, 339, 373, 410, 447, 481, 537, que apesar de indicarem as retenções que seriam devidas, apresentam valor líquido igual ao valor bruto dos serviços. Embora apresentando a nota fiscal no 557, a contribuinte não fez uso desta dedução no período em questão. De outro lado, a contribuinte não apresentou as notas fiscais no 67 e 68, mas demonstrou sua contabilização e recebimento pelo valor líquido, a qual, inclusive, observou o mesmo padrão verificado no mês de janeiro/2001, durante as análises do processo administrativo no 10805.720240/200616. Assim, deve ser admitido o valor deduzido no período, de R$ 13.194,83. Fonte Pagadora: Hospital Geral Jesus T. da Costa CNPJ nº 46.374.500/010904 Nota Fiscal de Serviços Livro Diário Nº Data Valor Retenção Fl. Vl. Líquido Data Fl. 67 2/1/2002 49.933,49 499,33 43.941,48 26/3/2002 110 68 2/1/2002 47.785,72 477,86 42.051,43 26/3/2002 110 118 1/2/2002 102.397,97 1.023,98 472 90.110,21 29/4/2002 128 160 1/3/2002 102.397,97 1.023,98 494 90.110,21 31/5/2002 144 167 4/3/2002 40.774,40 407,74 496 35.881,48 31/5/2002 144 208 1/4/2002 102.397,97 1.023,98 521 90.110,21 5/7/2002 163 252 1/5/2002 102.397,97 1.023,98 542 90.110,21 8/8/2002 179 296 1/6/2002 102.397,97 1.023,98 563/565 90.110,21 9/9/2002 191 339 1/7/2002 102.397,97 1.023,98 578 90.110,21 8/10/2002 205 373 1/8/2002 102.397,97 1.023,98 588 90.110,21 8/11/2002 221 410 1/9/2002 102.397,97 1.023,98 596 90.110,21 11/12/2002 235 447 1/10/2002 102.397,97 1.023,98 608/609 90.110,21 16/12/2002 240 481 1/11/2002 102.397,57 1.023,98 618/619 90.109,86 15/1/2003 252 537 1/12/2002 102.397,97 1.023,98 635 90.110,21 13/3/2003 257 556 26/12/2002 54.612,25 546,12 641 48.058,78 15/4/2003 260 557 26/12/2002 47.714,63 477,14 642 41.988,88 12/6/2003 NC Totais 1.367.197,76 13.671,97 Hospital Geral de Taipas CNPJ nº 46.374.500/011129 A recorrente demonstra que emitiu 13 (treze) notas fiscais com retenções que oscilam em torno de R$ 850,00, e totalizam R$ 10.279,01, consoante deduzido na DIPJ. Os registros contábeis evidenciam que os recebimentos se verificaram pelo valor líquido das retenções, como abaixo demonstrado, de modo que deve ser admitida a dedução total de R$ 10.279,01. Fl. 718DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10805.720241/200661 Acórdão n.º 1101000.987 S1C1T1 Fl. 12 11 Fonte Pagadora: Hospital Geral de Taipas CNPJ nº 46.374.500/011129 Nota Fiscal de Serviços Livro Diário Nº Data Valor Retenção Fl. Vl. Líquido Data Fl. 71 2/1/2002 85.518,59 855,19 448 75.256,36 26/3/2002 110 122 1/2/2002 85.821,69 858,22 473 75.523,08 29/4/2002 128 164 1/3/2002 85.649,57 856,50 495 75.371,62 31/5/2002 144 216 1/4/2002 85.408,69 854,09 522 75.159,64 5/7/2002 163 259 1/5/2002 85.699,02 856,69 543 75.415,44 8/8/2002 179 309 3/6/2002 85.822,39 858,22 566 75.523,71 9/9/2002 191 349 1/7/2002 85.560,24 855,60 579 75.293,01 8/10/2002 205 387 1/8/2002 85.821,69 858,22 589 75.523,08 8/11/2002 221 426 1/9/2002 85.707,03 857,07 598 75.422,19 28/11/2002 228 458 1/10/2002 85.618,18 856,18 611 75.344,00 11/12/2002 235 495 1/11/2002 16.610,64 166,11 624 14.617,36 16/12/2002 240 500 6/11/2002 69.087,45 690,87 625 60.796,96 15/1/2003 252 538 1/12/2002 85.605,19 856,05 636 75.332,57 15/4/2003 260 Totais 1.027.930,37 10.279,01 Hospital e Matern. Interlagos CNPJ nº 46.374.500/013091 A recorrente demonstra que emitiu 11 (onze) notas fiscais com retenções individuais de R$ 590,56, totalizando a dedução indicada na DIPJ de R$ 6.496,16. Os registros contábeis evidenciam que os recebimentos se verificaram pelo valor líquido das retenções, como abaixo demonstrado, de modo que deve ser admitida a dedução total de R$ 6.496,16. Fonte Pagadora: Hospital Geral de Taipas CNPJ nº 46.374.500/011129 Nota Fiscal de Serviços Livro Diário Nº Data Valor Retenção Fl. Vl. Líquido Data Fl. 112 1/2/2002 59.056,37 590,56 469 51.969,61 31/5/2002 144 154 1/3/2002 59.056,37 590,56 491 51.969,61 31/5/2002 144 203 1/4/2002 59.056,37 590,56 518 51.969,61 5/7/2002 163 247 1/5/2002 59.056,37 590,56 539 51.969,61 8/8/2002 179 291 1/6/2002 59.056,37 590,56 559 51.969,61 9/9/2002 192 337 1/7/2002 59.056,37 590,56 576 51.969,61 8/10/2002 206 371 1/8/2002 59.056,27 590,56 586 51.969,52 8/11/2002 221 409 1/9/2002 59.056,17 590,56 595 51.969,43 11/12/2002 235 445 1/10/2002 59.056,17 590,56 607 51.969,43 16/12/2002 240 479 1/11/2002 59.056,17 590,56 617 51.969,43 15/1/2003 252 519 1/12/2002 59.056,17 590,56 633 51.969,43 13/3/2003 257 Totais 649.619,17 6.496,16 Hospital Psiquiátrico Pinel CNPJ nº 46.374.500/013253 A recorrente demonstra que emitiu 5 (cinco) notas fiscais com retenções de R$ 147,31, que somadas a uma quinta nota com retenção de R$ 49,10, totalizam R$ 785,65, como deduzido na DIPJ (R$ 785,65). Os registros contábeis evidenciam que os recebimentos se verificaram pelo valor líquido das retenções, como abaixo demonstrado, de modo que deve ser admitida a dedução total de R$ 785,65. Fl. 719DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10805.720241/200661 Acórdão n.º 1101000.987 S1C1T1 Fl. 13 12 Fonte Pagadora: Hospital Psiquiátrico Pinel CNPJ nº 46.374.500/013253 Nota Fiscal de Serviços Livro Diário Nº Data Valor Retenção Fl. Vl. Líquido Data Fl. 114 1/2/2002 14.730,69 147,31 470 12.963,00 29/4/2002 128 156 1/3/2002 14.730,69 147,31 492 12.963,00 31/5/2002 144 204 1/4/2002 14.730,69 147,31 519 12.963,00 5/7/2002 163 248 1/5/2002 14.730,69 147,31 540 12.963,00 8/8/2002 179 292 1/6/2002 14.730,69 147,31 560 12.963,00 9/9/2002 192 351 1/7/2002 4.910,20 49,10 580 4.320,98 8/10/2002 206 Totais 78.563,65 785,65 Sec. Gov. e Gestão Estratégica CNPJ nº 46.379.400/000150 A recorrente alega que sofreu retenções de R$ 12.306,89, e elas estão quase totalmente evidenciadas em notas fiscais emitidas em favor daquela fonte pagadora, que pagou à interessada apenas o valor líquido devido contabilizado conforme tabela abaixo, mesmo em relação às notas fiscais nº 450, 577, 587, 597, 610, 620 e 634 que, apesar de indicarem as retenções que seriam devidas, apresentam valor líquido igual ao valor bruto dos serviços. Considerando, porém, que as retenções totalizam R$ 12.306,29, deve ser admitida parcialmente sua dedução na apuração do saldo negativo de IRPJ no anocalendário 2002. Fonte Pagadora: Sec. Gov. e Gestão Estratégica CNPJ nº 46.379.400/000150 Nota Fiscal de Serviços Livro Diário Nº Data Valor Retenção Fl. Vl. Líquido Data Fl. 73 2/1/2002 99.765,78 997,66 450 87.793,88 17/1/2002 75 115 1/2/2002 99.765,78 997,66 471 87.793,88 19/2/2002 87 157 1/3/2002 99.765,78 997,66 493 87.793,88 14/3/2002 101 205 1/4/2002 99.765,78 997,66 520 87.793,88 15/4/2002 123 249 1/5/2002 99.765,78 997,66 541 87.793,88 17/5/2002 137 293 1/6/2002 99.765,78 997,66 561/562 87.793,88 21/6/2002 156 338 1/7/2002 99.765,78 997,66 577 87.793,88 17/7/2002 168 372 1/8/2002 99.765,78 997,66 587 87.793,88 15/8/2002 182 421 1/9/2002 99.765,78 997,66 597 87.793,88 25/9/2002 198 431 10/9/2002 5.918,21 59,18 600/601 5.208,03 25/9/2002 198 455 1/10/2002 108.939,01 1.089,39 610 95.866,33 11/10/2002 208 489 1/11/2002 108.939,21 1.089,39 620 95.866,53 21/11/2002 226 528 1/12/2002 108.939,01 1.089,39 634 95.866,33 13/12/2002 237 Totais 1.230.627,46 12.306,29 Cia Brasileira de Distribuição CNPJ nº 47.508.411/000156 A recorrente demonstra que emitiu mensalmente 10 (dez) notas fiscais em favor de diferentes filiais da empresa, com retenções mensais de R$ 702,50, que declinaram a partir de maio e deixaram de existir depois de junho/2002, mas totalizam R$ 3.378,40 como indicado pela interessada em DIPJ. Os registros contábeis evidenciam que os recebimentos se verificaram pelo valor líquido das retenções, como abaixo demonstrado, de modo que deve ser admitida a dedução total de R$ 3.378,40, não representando óbices a ausência das folhas do Fl. 720DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10805.720241/200661 Acórdão n.º 1101000.987 S1C1T1 Fl. 14 13 Livro Diário nas quais estariam escriturados os recebimentos das notas fiscais no 133, 176, 265 e 275, tendo em conta a regularidade das demais operações em volume representativo. Fonte Pagadora: Cia. Brasileira de Distribuição CNPJ 47.508.411/000156 Nota Fiscal de Serviços Livro Diário Nº Data Valor Retenção Fl. Vl. Líquido Data Fl. 85 15/1/2002 11.400,00 114,00 453 10.032,00 5/2/2002 83 86 15/1/2002 6.300,00 63,00 454 5.544,00 5/2/2002 83 87 15/1/2002 6.370,00 63,70 455 5.605,60 5/2/2002 83 88 15/1/2002 8.190,00 81,90 456 7.207,20 24/1/2002 78 89 15/1/2002 8.100,00 81,00 457 7.128,00 5/2/2002 83 90 15/1/2002 6.370,00 63,70 458 5.605,60 1/2/2002 82 91 15/1/2002 10.920,00 109,20 459 9.609,60 1/2/2002 82 92 15/1/2002 2.700,00 27,00 460 2.376,00 18/2/2002 86 93 15/1/2002 8.100,00 81,00 461 7.128,00 1/2/2002 82 94 15/1/2002 1.800,00 18,00 462 1.584,00 24/1/2002 77 126 15/2/2002 11.400,00 114,00 474 10.032,00 5/3/2002 97 127 15/2/2002 6.300,00 63,00 475 5.544,00 5/3/2002 97 128 15/2/2002 6.370,00 63,70 476 5.605,60 5/3/2002 97 129 15/2/2002 8.190,00 81,90 477 7.207,20 5/3/2002 97 130 15/2/2002 8.100,00 81,00 478 7.128,00 22/3/2002 108 131 15/2/2002 6.370,00 63,70 479 5.605,60 27/2/2002 92 132 15/2/2002 10.920,00 109,20 480 9.609,60 27/2/2002 92 133 15/2/2002 2.700,00 27,00 481 2.376,00 6/3/2002 NC 134 15/2/2002 8.100,00 81,00 482 7.128,00 27/2/2002 92 135 15/2/2002 1.800,00 18,00 483 1.584,00 5/3/2002 97 171 15/3/2002 11.400,00 114,00 499 10.032,00 4/4/2002 116 172 15/3/2002 6.300,00 63,00 502 5.544,00 25/3/2002 109 173 15/3/2002 6.370,00 63,70 503 5.605,60 4/4/2002 116 175 15/3/2002 8.190,00 81,90 504/505 7.207,20 5/4/2002 117 176 15/3/2002 8.100,00 81,00 506 7.128,00 8/4/2002 NC 178 15/3/2002 6.370,00 63,70 507 5.605,60 3/4/2002 115 179 15/3/2002 10.920,00 109,20 508 9.609,60 4/4/2002 116 180 15/3/2002 2.700,00 27,00 509 2.376,00 28/3/2002 111 181 15/3/2002 8.100,00 81,00 510 7.128,00 4/4/2002 116 182 15/3/2002 1.800,00 18,00 511 1.584,00 4/4/2002 116 220 15/4/2002 11.400,00 114,00 523 10.032,00 6/6/2002 150 221 15/4/2002 6.210,00 62,10 524 5.464,80 25/4/2002 127 222 15/4/2002 6.370,00 63,70 525 5.605,60 6/5/2002 132 223 15/4/2002 8.190,00 81,90 526 7.207,20 23/4/2002 126 224 15/4/2002 8.100,00 81,00 527 7.128,00 6/5/2002 132 225 15/4/2002 6.370,00 63,70 528 5.605,60 6/5/2002 132 226 15/4/2002 10.920,00 109,20 529 9.609,60 6/5/2002 132 227 15/4/2002 2.700,00 27,00 530/531 2.376,00 6/5/2002 132 228 15/4/2002 8.100,00 81,00 532 7.128,00 6/5/2002 132 229 15/4/2002 1.800,00 18,00 533 1.584,00 23/4/2002 126 262 15/5/2002 7.220,00 72,20 544 6.353,60 22/5/2002 141 263 15/5/2002 3.360,00 33,60 545 2.956,80 22/5/2002 141 264 15/5/2002 6.370,00 63,70 546 5.605,60 22/5/2002 141 265 15/5/2002 8.190,00 81,90 547 7.207,20 1/6/2002 NC 266 15/5/2002 4.320,00 43,20 548 3.801,60 21/5/2002 140 267 15/5/2002 10.920,00 109,20 549 9.609,60 22/5/2002 141 Fl. 721DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10805.720241/200661 Acórdão n.º 1101000.987 S1C1T1 Fl. 15 14 Fonte Pagadora: Cia. Brasileira de Distribuição CNPJ 47.508.411/000156 Nota Fiscal de Serviços Livro Diário Nº Data Valor Retenção Fl. Vl. Líquido Data Fl. 268 15/5/2002 2.700,00 27,00 550 2.376,00 28/5/2002 143 270 15/5/2002 5.130,00 51,30 551 4.514,40 5/6/2002 150 271 15/5/2002 1.320,00 13,20 552 1.161,60 25/6/2002 NC 273 15/5/2002 5.520,67 55,21 553 4.858,19 22/5/2002 141 312 18/6/2002 424,67 4,25 567 373,71 28/6/2002 159 313 18/6/2002 546,00 5,46 568 480,48 28/6/2002 159 314 18/6/2002 728,00 7,28 569 640,64 27/6/2002 158 315 18/6/2002 180,00 1,80 570 158,40 5/7/2002 163 Totais 337.839,34 3.378,40 Int Hemodiálise Sorocaba CNPJ nº 54.329.859/000178 A recorrente demonstra que emitiu 12 (doze) notas fiscais que ensejaram retenções em torno de R$ 50,00 cada, mas totalizam o valor indicado em DIPJ R$ 637,52, superior àquele informado pela fonte pagadora em DIRF (R$ 632,77). Os registros contábeis evidenciam que os recebimentos se verificaram pelo valor líquido das retenções, como abaixo demonstrado, de modo que deve ser admitida a dedução pelo valor de R$ 637,52, não representando óbices a ausência da folha do Livro Diário na qual estaria escriturado o recebimento da nota fiscal no 434, tendo em conta a regularidade de todas as outras operações verificados. Fonte Pagadora: Int Hemodiálise Sorocaba CNPJ nº 54.329.859/000178 Nota Fiscal de Serviços Livro Diário Nº Data Valor Retenção Fl. Vl. Líquido Data Fl. 99 21/1/2002 4.994,33 49,94 465 4.395,01 5/2/2002 83 140 20/2/2002 4.994,33 49,94 486 4.395,01 5/3/2002 97 187 20/3/2002 4.994,33 49,94 514 4.395,01 5/4/2002 117 234 20/4/2002 4.994,33 49,94 536 4.395,01 1/6/2002 147 278 20/5/2002 4.994,33 49,94 556 4.395,01 6/6/2002 150 326 1/7/2002 5.950,25 59,50 573 5.236,22 8/7/2002 164 358 20/7/2002 5.472,29 54,72 583 4.815,62 6/8/2002 178 393 20/8/2002 5.472,29 54,72 592 4.815,62 5/9/2002 190 434 20/9/2002 5.472,29 54,72 604 4.815,62 8/10/2002 NC 467 20/10/2002 5.472,29 54,72 615 4.815,62 6/11/2002 219 504 20/11/2002 5.472,29 54,72 628 4.815,62 6/12/2002 234 543 16/12/2002 5.472,29 54,72 639 4.815,62 6/1/2003 250 Totais 63.755,64 637,52 DaimlerChrysler do Brasil CNPJ nº 59.104.273/000129 A recorrente alega que sofreu retenções de R$ 98,29, superiores às informadas pela fonte pagadora (R$ 96,01), e elas estão evidenciadas em notas fiscais emitidas em favor daquela fonte pagadora, que pagou à interessada apenas o valor líquido devido contabilizado conforme tabela abaixo, mesmo em relação às notas fiscais nº 599 e 626 que, apesar de indicarem as retenções que seriam devidas, apresentam valor líquido igual ao valor Fl. 722DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10805.720241/200661 Acórdão n.º 1101000.987 S1C1T1 Fl. 16 15 bruto dos serviços. Assim, deve ser admitida a dedução de R$ 98,29 na apuração do saldo negativo de IRPJ no anocalendário 2002, não representando óbice a falta de juntada da folha do Livro Diário na qual estaria contabilizado o recebimento da nota fiscal no 464, dada a regularidade dos demais registros semelhantes. Fonte Pagadora: DaimlerChrysler do Brasil CNPJ nº 59.104.273/000129 Nota Fiscal de Serviços Livro Diário Nº Data Valor Retenção Fl. Vl. Líquido Data Fl. 196 20/3/2002 3.950,00 39,50 515 3.476,00 16/4/2002 123 430 10/9/2002 2.044,96 20,45 599 1.799,56 17/10/2002 209 464 10/10/2002 766,86 7,67 612 674,84 2/12/2002 NC 501 18/11/2002 3.066,64 30,67 626 2.698,64 16/12/2002 240 Totais 9.828,46 98,29 Simefre Sind. Est. Ind. Equips. CNPJ nº 62.520.960/000130 A recorrente demonstra que emitiu 12 (doze) notas fiscais que ensejaram retenções individuais de R$ 5,00, totalizando o valor de R$ 60,00 deduzido na DIPJ. Os registros contábeis evidenciam que os recebimentos se verificaram pelo valor líquido das retenções, como abaixo demonstrado, de modo que deve ser admitida a dedução total de R$ 60,00, não representando óbices a ausência das folhas do Livro Diário nas quais estariam escriturados os recebimentos das notas fiscais no 355 e 391, tendo em conta a regularidade das demais operações em volume representativo. Fonte Pagadora: Simefre Sind. Est. Ind. Equips. CNPJ nº 62.520.960/000130 Nota Fiscal de Serviços Livro Diário Nº Data Valor Retenção Fl. Vl. Líquido Data Fl. 7 13/12/2002 500,00 5,00 638 440,00 15/7/2003 265 97 21/1/2002 500,00 5,00 464 440,00 7/5/2002 133 138 20/2/2002 500,00 5,00 485 440,00 5/8/2002 177 185 20/3/2002 500,00 5,00 513 440,00 5/9/2002 190 232 20/4/2002 500,00 5,00 535 440,00 5/11/2002 218 276 20/5/2002 500,00 5,00 555 440,00 5/12/2002 233 318 20/6/2002 500,00 5,00 572 440,00 15/1/2003 252 355 20/7/2002 500,00 5,00 582 440,00 17/2/2003 NC 391 20/8/2002 500,00 5,00 591 440,00 6/3/2003 NC 433 20/9/2002 500,00 5,00 603 440,00 15/4/2003 260 466 20/10/2002 500,00 5,00 614 440,00 15/5/2003 262 503 20/11/2002 500,00 5,00 627 440,00 23/6/2003 264 Totais 6.000,00 60,00 Sind Ind. Prod. Cim. Estado de SP CNPJ nº 62.648.563/000148 A recorrente demonstra que emitiu 12 (doze) notas fiscais que ensejaram retenções individuais de R$ 2,32, totalizando o valor de R$ 27,84, e não o montante de R$ 53,36 deduzido na DIPJ. Os registros contábeis evidenciam que os recebimentos se verificaram pelo valor líquido das retenções, como abaixo demonstrado, de modo que deve ser admitida a dedução parcial de R$ 27,84, não representando óbices a ausência da folha do Livro Diário na Fl. 723DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10805.720241/200661 Acórdão n.º 1101000.987 S1C1T1 Fl. 17 16 qual estaria escriturado o recebimento da nota fiscal no 512, tendo em conta a regularidade das demais operações em volume representativo. Fonte Pagadora: Sind Ind. Prod. Cim. Estado de SP CNPJ nº 62.648.563/000148 Nota Fiscal de Serviços Livro Diário Nº Data Valor Retenção Fl. Vl. Líquido Data Fl. 96 21/1/2002 232,00 2,32 463 204,16 5/2/2002 83 137 20/2/2002 232,00 2,32 484 204,16 18/3/2002 104 184 20/3/2002 232,00 2,32 512 204,16 5/4/2002 117 231 20/4/2002 232,00 2,32 534 204,16 7/5/2002 133 275 20/5/2002 232,00 2,32 554 204,16 5/6/2002 150 317 20/6/2002 232,00 2,32 571 204,16 31/7/2002 174 354 20/7/2002 232,00 2,32 581 204,16 26/8/2002 187 390 20/8/2002 232,00 2,32 590 204,16 2/10/2002 203 432 20/9/2002 232,00 2,32 602 204,16 4/11/2002 217 465 20/10/2002 232,00 2,32 613 204,16 6/2/2003 255 512 20/11/2002 232,00 2,32 630 204,16 11/3/2003 NC 541 13/12/2002 232,00 2,32 637 204,16 2/4/2003 258 Totais 2.784,00 27,84 Encerrando, relativamente aos itens em litígio, devem ser admitidas as seguintes retenções no cômputo do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002: Fonte Pagadora CNPJ DIPJ DRF MI R.Voluntário Unimed Bragança Paulista 01.029.782/000235 720,00 360,00 360,00 Hospital Guilhermo Álvaro 46.374.500/001670 13.822,40 13.822,40 Hospital Geral Jesus T. da Costa 46.374.500/010904 13.194,83 13.194,83 Hospital Geral de Taipas 46.374.500/011129 10.279,01 10.279,01 Hospital e Matern. Interlagos 46.374.500/013091 6.496,16 6.496,16 Hospital Psiquiátrico Pinel 46.374.500/013253 785,65 785,65 Sec. Gov. e Gestão Estratégica 46.379.400/000150 12.306,89 12.306,29 Cia Brasileira de Distribuição 47.508.411/000156 3.378,40 3.378,40 Int Hemodiálise Sorocaba 54.329.859/000178 637,52 632,77 4,75 DaimlerChrysler do Brasil 59.104.273/000129 98,29 96,01 2,28 Siemefre Sind. Est. Ind. Equips. 62.520.960/000130 60,00 60,00 Sind Ind. Prod. Cim. Estado de SP 62.648.563/000148 53,36 25,52 2,32 Totais 61.832,51 1.114,30 60.692,09 Fl. 724DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10805.720241/200661 Acórdão n.º 1101000.987 S1C1T1 Fl. 18 17 Ao final, admitese parcialmente as retenções deduzidas pela contribuinte para formação do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, como abaixo resumido: Fonte Pagadora CNPJ DIPJ DRF DRJ R.Voluntário Option 00.185.334/000187 140,38 128,24 CSM Cartões de Segurança 00.624.910/000145 2.553,12 2.553,12 Unimed Bragança Paulista 01.029.782/000235 720,00 360,00 360,00 Banco Nossa Caixa S A 01.641.591/000149 4,38 Produtos Elsie 01.702.007/000118 131,60 148,29 FEBEM 44.480.283/000191 60,70 Splice 45.397.007/000127 588,67 729,88 Exel Global Logística do Brasil 46.044.913/000100 177,03 177,03 Fund para Des Med Hosp 46.230.439/000101 51,57 51,57 Hospital Guilhermo Álvaro 46.374.500/001670 13.822,40 13.822,40 Hospital Geral Jesus T. da Costa 46.374.500/010904 13.194,83 13.194,83 Hospital Geral de Taipas 46.374.500/011129 10.279,01 10.279,01 Hospital Regional Sul 46.374.500/011200 9.012,69 Hospital e Matern. Interlagos 46.374.500/013091 6.496,16 6.496,16 Hospital Psiquiátrico Pinel 46.374.500/013253 785,65 785,65 Sec. Gov. e Gestão Estratégica 46.379.400/000150 12.306,89 12.306,29 Prefeitura do Mun de SP 46.392.130/000380 5.936,59 23.120,87 Bunker 47.100.862/000150 694,05 696,78 ICA Telecomunicações 47.103.106/000184 1.602,06 1.584,84 Cia Brasileira de Distribuição 47.508.411/000156 3.378,40 3.378,40 Irmãos Russi 50.947.761/000123 16.044,94 Int Hemodiálise Sorocaba 54.329.859/000178 637,52 632,77 4,75 DaimlerChrysler do Brasil 59.104.273/000129 98,29 96,01 2,28 Ibrame 60.846.599/000100 926,11 926,11 Laboratório Sardalina 60.885.613/000185 1.652,51 2.070,97 Santa Helena Comércio 61.980.272/000190 662,99 211,38 CIESP 62.226.170/000146 10.579,43 10.644,44 Siemefre Sind. Est. Ind. Equips. 62.520.960/000130 60,00 60,00 Sind Ind. Prod. Cim. Estado de SP 62.648.563/000148 53,36 25,52 2,32 Matec 64.978.646/000120 659,75 659,73 Hemodialise Sorocaba 67.361.402/000192 631,55 631,42 Totais 113.877,55 45.453,35 60,70 60.692,09 Considerando que a autoridade fiscal admitira a existência de saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 36.629,39, e que a decisão recorrida acresceulhe R$ 60,70, as análises aqui promovidas elevam o direito creditório a R$ 97.382,18, motivo pelo qual restam acolhidos parcialmente os argumentos deduzidos pela contribuinte em recurso voluntário. Por estas razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para reconhecer à interessada direito creditório suplementar de R$ 60.692,09. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 725DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10805.720241/200661 Acórdão n.º 1101000.987 S1C1T1 Fl. 19 18 Fl. 726DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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