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Numero do processo: 10980.009486/2005-21
Data da sessão: Thu Apr 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2002
Ementa: DIP.J. ATRASO NA ENTREGA. ENTIDADE SEM FINS
LUCRATIVOS IMUNE OU ISENTA.
A obrigatoriedade de apresentação, nos prazos fixados na legislação de regência, da Declaração Integrada de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ aplica-se a todos os contribuintes, ainda que beneficiários de isenção ou imunidade.
Numero da decisão: 1803-000.365
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Em face da declaração de impedimento do Conselheiro Sergio Rodrigues Mendes, foi convocado o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro para compor o colegiado. Ausente, justificadamente o Conselheiro Bendicto Celso Benício Júnior.
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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ATRASO NA ENTREGA. ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS IMUNE OU ISENTA. A obrigatoriedade de apresentação, nos prazos fixados na legislação de regência, da Declaração Integrada de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ aplica-se a todos os contribuintes, ainda que beneficiários de isenção ou imunidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Em face da declaração de impedimento do Conselheiro Sergio Rodrigues Mendes, foi convocado o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro para compor o colegiado. Ausente, justificadamente o Conselheiro Bendicto Celso Benício Júnior. E-F_" '4 EIRA DE MORAES - Presidente e Relatara EDITADO EM: 099 J1) [ 2 O 10 Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Luciano Inocêncio dos Santos, Walter Adolfo Maresch e Eduardo Martins Neiva Monteiro. Relatódo Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: "Trata o presente processo de auto de infração «i, 11), cientificado em 03/08/2005 ( fi. 25), mediante o qual é exigido da contribuinte qualificada o crédito tributário de R$ 500,00 referente à multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos da pessoa jurídica relativa ao ano-calendário 2001. 2. O enquadramento legal do lançamento encontra-se discriminado no campo 05 (Descrição dos Fatos/Fundamentação) do auto de infração, àfl. 11. 3. Em 31/08/2005, a contribuinte apresentou a impugnação de .fls 01/07, instruída com os documentos de/Is. 08/23, cujo teor é a seguir sintetizado. 4. Alega, inicialmente, que a DIRI fbi entregue e que teria havido falha no sistema de registro da data de envio. Diz, ainda, que é entidade inume/isenta de tributação e que, assim, não teria havido qualquer prejuízo ao Erário. 5 A seguir, reclama da ausência e sustenta a necessidade de prévia intimação do contribuinte para prestar esclarecimentos à .fiscalização, 6 Sustenta, também, que a D1PJ foi corretamente preenchida e que teria havido falha no sistema de transmissão de dados da Receita Federal, sendo inexigível a multa lançada. 7. Na seqüência, aduz a necessidade de fixação da multa no valor mínimo legal, que defende ser de R$ 165,74, como estabelecido no art. 964 do Regulamento do Imposto de Renda. 8 Diz, a seguir, que não houve prejuízos ao Erário e que o fim da multa em questão é meramente arrecadatória 9. Ao .final, pede o cancelamento da exigência ou, conforme o caso, a sua redução para R$ 165,74 10. É o relatório." A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, em decisão assim ementada: "DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS DA PESSOA JURÍDICA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A pessoa jurídica que, obrigada à entrega da declaração de rendimentos, a apresenta fora do prazo legal, está sujeita à multa estabelecida na legislação de regência". 2 (Á Processo n 10980 009486/2005-21 S1-TE03 Acórdão n 1803-09365 Fl. 2 Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, além de reiterar as alegações contidas na impugnação, apenas aduz que o recurso é tempestivo e é inexigível o depósito recursal de 30% como condição para seguimento do recurso, É o relatório. Voto Conselheira SELENE FERREIRA DE MORAES, Relatora A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 16/05/2008 (AR de fls. 34). O recurso foi protocolado em 16/06/2008, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. A recorrente aduz a ocorrência de falhas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, anexando matéria jornalística pára comprovar sua alegação. Não se vislumbra nos presentes autos elementos capazes de comprovar eventual erro nos sistemas da RFB, A DIPJ/2002, referente ao ano-calendário de 2001, deveria ser entregue até o útlimo dia útil de: a) maio de 2002, pelas pessoas jurídicas imunes ou isentas; b) junho de 2002, pelas demais pessoas jurídicas. A recorrente entregou sua declaração em 16/10/2002, ou seja, após o prazo legal. Em diversas ocasiões este Conselho já se manifestou sobre o cabimento da multa por atraso na entrega da DIN, inclusive em relação às pessoas imunes ou isentas: "DIPJ APRESENTADA FORA DE PRAZO — ENTIDADE FILANTRÓPICA IMUNE/ISENTA DE TRIBUTAÇÃO — A imunidade, isenção ou não incidência não eximem as pessoas jurídicas das demais obrigações previstas na legislação fiscal ('art. 167 do RI1?199),"(Acórdão n", 10.5-16196, em sessão de 09/12/2006) "DIPJ — ATRASO NA ENTREGA — ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS IMUNE OU ISENTA.A obrigatoriedade de apresentação, nos prazos fixados na legislação de regência, da Declaração Integrada de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica D1PJ aplica-se a todos os contribuintes, ainda que beneficiários de isenção ou imunidade "(Acórdão n' 107-09308, em sessão de 05/03/2008) 91; A entrega extemporânea da declaração sujeita o contribuinte à penalidade prevista no art. 70 da Lei n° 10,426/2002, resultado da conversão da Medida Provisória n° 16, de 27 de dezembro de 2001, in verbis: "Art. 7" O sujeito passivo que deixar de apresentai .. Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte - DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não- apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal - SRF, e sujeitar-se-á às seguintes multas.: 3°A multa mínima a ser aplicada será de: - R$ 200,00 (duzentos reais), tratando-se de pessoa física, pessoa .jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei n°9.317, de 1996; II- R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos." Fixado neste Conselho o entendimento de que a obrigatoriedade de apresentação das declarações de imposto de renda nos prazos fixados na legislação de regência é dever instrumental de cunho eminentemente formal, é cabível a penalidade, sendo indiferente o fato de ser o contribuinte beneficiário de imunidade ou isenção. Quanto aos demais tópicos, a decisão recorrida deve ser integralmente mantida pelos seus próprios fundamentos, os quais adoto integralmente no presente voto, conforme trechos a seguir reproduzidos: "11. Esclareça-se, de início, que apesar da alegação de que a DIPJ teria sido entregue tempestivamente, nenhuma prova ..foi apresentada nesse sentido. O único documento apresentado, à JI 10, prova justamente que houve o atraso na entrega da declaração. A alegação não pode, pois, ser acolhida 14. No que se refere à reclamação de cerceamento de defesa, não se vislumbra fundamento na reclamação dado que a interessada .foi cientificada da autuação e pode se defender, segundo as normas do processo administrativo. 15. Quanto ao disposto no art. 9 0 do PAF, é bastante salientar que a simples constatação de atraso na entrega da declaração, com a informação respectiva no auto de infração, constitui a aludida prova indispensável à comprovação do ilícito. ) 27. Quanto ao disposto no art. 964, do RIR 1999, na medida em que a Lei n" 10.426, de 24 de abril de 2002, resultado da conversão da Medida Provisória n° 16, de 27 de dezembro de 1:j Processo n" I 0980 009486/2005-2 I Sl-TE03 Acórdão n ° 1803-00365 Fl, 3 2001, estabeleceu, para as pessoas jurídicas, a multa mínima de R$ 500,00, 17‘70 há como alterar o lançamento." Ante todo o exposto, NEGO PROVIMENTO aarecurso, SE '. . 4 IRA DE MORAES 5
score : 1.0
Numero do processo: 10675.720649/2012-11
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DESPESAS LIVRO-CAIXA COMPROVADAS NOS AUTOS. DEDUTIBILIDADE. PRINCÍPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA.
Verificada pela autoridade lançadora de infração de omissão de rendimentos a procedência das despesas escrituradas em livro-caixa, associadas à percepção daqueles, cumpre deduzi-las para fins de apuração do imposto de renda, ainda que tal documento tenha sido entregue após o início da ação fiscal, sob pena de violação ao princípio da capacidade contributiva.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para fins de que sejam computadas na apuração do imposto de renda do ano-calendário 2009, as despesas de livro-caixa comprovadas consoante manifestação da fiscalização.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DESPESAS LIVRO-CAIXA COMPROVADAS NOS AUTOS. DEDUTIBILIDADE. PRINCÍPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. Verificada pela autoridade lançadora de infração de omissão de rendimentos a procedência das despesas escrituradas em livro-caixa, associadas à percepção daqueles, cumpre deduzi-las para fins de apuração do imposto de renda, ainda que tal documento tenha sido entregue após o início da ação fiscal, sob pena de violação ao princípio da capacidade contributiva. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para fins de que sejam computadas na apuração do imposto de renda do ano-calendário 2009, as despesas de livro-caixa comprovadas consoante manifestação da fiscalização. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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DESPESAS LIVROCAIXA COMPROVADAS NOS AUTOS. DEDUTIBILIDADE. PRINCÍPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. Verificada pela autoridade lançadora de infração de omissão de rendimentos a procedência das despesas escrituradas em livrocaixa, associadas à percepção daqueles, cumpre deduzilas para fins de apuração do imposto de renda, ainda que tal documento tenha sido entregue após o início da ação fiscal, sob pena de violação ao princípio da capacidade contributiva. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 72 06 49 /2 01 2- 11 Fl. 233DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para fins de que sejam computadas na apuração do imposto de renda do anocalendário 2009, as despesas de livrocaixa comprovadas consoante manifestação da fiscalização. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10675.720649/201211 Acórdão n.º 2402005.658 S2C4T2 Fl. 1.817 3 Relatório Examinase recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG) DRJ/JFA, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), relativo ao ano calendário 2009, decorrente da constatação de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Tratandose de retorno de diligência, peço a devida vênia para reproduzir o seguinte trecho do relatório da Resolução que demandou tal feito: Após o lançamento, o contribuinte, ora recorrente, apresentou solicitação de retificação de lançamento (SRL). Não tendo havido a modificação, apresentou impugnação administrativa. Reconheceu a existência de omissão de rendimentos, sustentando que entregou a sua declaração de renda "zerada" por não ter, no momento da elaboração da DIPF, os elementos necessários à apresentação da declaração correta. Tal insuficiência de informações teria se dado por conta de uma doença que acometia o contribuinte. Na impugnação, o ora recorrente aduz que houve a omissão de rendimentos. No entanto, postula o acolhimento da impugnação, uma vez que havia despesas dedutíveis que não foram consideradas pela fiscalização (livrocaixa). A 6ª Turma de Julgamento da DRJ/JFA julgou improcedente a impugnação apresentada, em acórdão assim ementado: INDEFERIMENTO DE SOLICITAÇÃO DE LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO. A informação no resultado da apreciação da Solicitação de Retificação de Lançamento de que os documentos apresentados pelo contribuinte não são capazes de elidir o lançamento não constitui cerceamento ao direito de defesa do contribuinte. PEDIDO DE INCLUSÃO DA DEDUÇÃO DE LIVROCAIXA. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL APÓS CIÊNCIA DO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A retificação da declaração de ajuste anual por iniciativa do próprio contribuinte, visando a reduzir ou a excluir tributo, é inadmissível após o início do procedimento fiscal. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE. A responsabilidade por infrações independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Inconformado com a manutenção do crédito tributário lançado pelo Fisco, o contribuinte interpõe recurso voluntário, reiterando, em síntese, todos os termos da impugnação rejeitada. Pugna pela reforma integral da decisão de primeira instância. Fl. 235DF CARF MF 4 A extinta 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, expôs, na prolação da Resolução nº 2801000.329, em 3/12/2014, seu entendimento no sentido de que não houve a nulidade aventada na decisão que apreciou a Solicitação de Retificação de Lançamento SRL, porém apontou que àquela ocasião havia sido apresentada documentação relativa ao livrocaixa do contribuinte. Nesse sentido, resolveu aquela Turma determinar a conversão do feito em diligência, para fins de que a autoridade lançadora analisasse tal documentação. Realizada tal providência, conforme Despacho de fl. 230, retornaram os autos para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10675.720649/201211 Acórdão n.º 2402005.658 S2C4T2 Fl. 1.818 5 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson Relator O recurso já foi conhecido pelo CARF, razão pela qual passo a sua apreciação. Cabe afastar, de início, a alegação do contribuinte quanto à nulidade da decisão que indeferiu a SRL, por insuficiência de fundamentação para a apreciação dos documentos apresentados como provas. Notese que a omissão de rendimentos foi confirmada pelo contribuinte, a despeito das justificativas carreadas para justificar seu proceder, estando asseverado na decisão da SRL que as informações das DIRF das fontes pagadoras atestam tal omissão. Em outros termos, o cerne do lançamento quedou incontroverso, não sendo razão suficiente para a decretação de nulidade da decisão da SRL eventual lacuna no que tange à manifestação acerca dos documentos de livrocaixa, entregues após o crédito tributário haver sido constituído. Aliás, como bem explica a instância a quo: A Solicitação de Retificação de Lançamento (SRL), conforme dispõe o art. 6º da IN SRF nº 579, de 08/12/2005, alterada pela IN SRF nº 958, de 15/07/2009, constituise em um rito sumário e facultativo para que o contribuinte pleiteie a retificação do lançamento, verbis: IN SRF nº 579, de 08/12/2005 Art. 6º Na hipótese de lançamento efetuado sem prévia intimação, o sujeito passivo poderá solicitar sua retificação, no prazo de trinta dias contados de sua ciência, nos termos dos arts. 145 e 149 da Lei nº 5.172, de 1966 CTN. (...) § 2º Na hipótese de indeferimento total ou parcial da solicitação de retificação do lançamento, o sujeito passivo poderá apresentar impugnação, no prazo de trinta dias contados da ciência do indeferimento, nos termos do art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972. A SRL é, assim, um procedimento simplificado, sem demoras e maiores formalidades, com o objetivo de evitar a formação desnecessária de processos administrativos fiscais nas situações em que o sujeito passivo comprova que o lançamento não deveria ter sido efetuado ou que deveria sêlo de outra forma. Nessa linha, no ato que defere ou indefere a SRL, não é necessário que a autoridade administrativa descreva pormenorizadamente todas as razões de fato e de direito que levaram ao resultado da solicitação do contribuinte. Quando não acatada a SRL, reabrese, então, o prazo para apresentação de impugnação, a ser acompanhada com as provas e argumentos necessários à Fl. 237DF CARF MF 6 comprovação do direito alegado, a qual integrará o processo administrativo fiscal a ser analisado pelas Delegacias de Julgamento da Receita Federal. Observese, também, que o duplo grau de jurisdição administrativa permaneceu preservado a despeito de eventual consideração acerca da qualidade das argumentos que ampararam o indeferimento da solicitação do contribuinte, dado que as razões por ele vertidas na impugnação foram amplamente analisadas pela DRJ/JFA, e que não houve qualquer empecilho à interposição do recurso ora em foco. Assim, não caracterizadas as hipóteses legais previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, tampouco constatado prejuízo insanável ao direito de defesa, não há falar em reconhecimento de nulidade na espécie. Quanto à questão de fundo, necessário esclarecer que, nos termos dos art. 6º da Lei nº 8.134/90, o contribuinte poderá deduzir as despesas do livrocaixa, da receita percebida do trabalho não assalariado. Tal possibilidade, como é cediço, é exercida mediante a entrega de DIRPF, devendo ser preenchidos os campos adequados de tal declaração com os elementos necessários para esse abatimento. Com efeito, tratase de uma faculdade a ser exercida pelo contribuinte, caso lhe interesse, desde que ofereça à tributação os rendimentos gerados pelas referidas despesas. No caso concreto o notificado omitiu, de maneira incontroversa, rendimentos, havendo sido por esse motivo autuado. Somente após a constatação da infração à legislação tributária, ou seja, em sede de solicitação de retificação de lançamento, demanda o aproveitamento de despesas associadas aos ingressos recebidos. Ora, como bem destacado na decisão contestada, uma vez sob procedimento fiscal, está excluída a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores (§ 1º do art. 7º do Decreto nº 70.235/72, c/c o art. 147 do CTN). Tenho, porém, que a situação é distinta daquela na qual, após o início de uma ação fiscal na qual são questionadas as deduções informadas na declaração de ajuste, é formulado um pedido para fins de que seja aceita um dedução anteriormente não postulada. Explico. Por exemplo, cogitese de um caso em que o contribuinte tem despesas médicas glosadas, e, no curso do procedimento fiscal ou do contencioso pleiteia uma dedução de pensão judicial paga não informada em declaração. Nesses casos e inexistindo erro material nos termos do art. 21 do Decretolei nº 1967/82 e art. 6º do Decretolei nº 1968/82 não estando mais o contribuinte sob a aludida espontaneidade, desvelase, efetivamente, a tentativa transversa de retificação de declaração em momento já superado por força dos mandamentos legais. A alegação de que a base de cálculo do imposto de renda não estaria sendo apurada corretamente não se sustentaria, pois os rendimentos percebidos ao longo do ano calendário não possuem uma correlação direta e necessária com as deduções que o contribuinte, ao seu talante, deixou de informar em declaração. Em outras palavras, e ilustrando, os rendimentos decorrentes do trabalho iriam ser percebidos, a princípio, independentemente ou não da realização de uma pagamento de pensão alimentícia, ou de um gasto com fisioterapia. O próprio contribuinte, assim, optou em sua declaração por configurar a base de cálculo do imposto daquela maneira, ao deixar de pedir essa ou aquela dedução. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10675.720649/201211 Acórdão n.º 2402005.658 S2C4T2 Fl. 1.819 7 Quando os rendimentos dependem de um dispêndio para sua percepção, a análise adequada da situação requer enfoque diverso. Não é razoável tributar o rendimento, ainda que não declarado, sem considerar as despesas incorridas para o seu auferimento quando a legislação assim o permite, sob pena de estarse a violar a capacidade contributiva realmente consubstanciada na totalidade dos eventos. O ônus da prova dessas despesas, por óbvio, cabe ao contribuinte. Desse modo, constatado via procedimento fiscal que o contribuinte omitiu rendimentos, não se pode obstálo de comprovar que o acréscimo patrimonial efetivo não corresponde ao delineado na autuação, desde que, à evidência, tal feito seja realizado em consonância com as normas regentes do procedimento administrativo fiscal. No particular, como decorrência da demanda posta na Resolução nº 2801 000.329, temse atestado pela própria autoridade lançadora a procedência das despesas lançadas no livrocaixa (fl. 230), nos seguintes termos: Em cumprimento à Resolução nº 2801.000.329 (doc. fls. 225/226), procedi à análise individualizada dos documentos que embasaram a escrituração do Livro Caixa de fls. 32 a 60, sendo verificada a procedência das despesas escrituradas no aludido livro fiscal. Nesse contexto, o adequado dimensionamento da capacidade contributiva revelada na percepção dos rendimentos constatados como omitidos, requer sejam consideradas como deles dedutíveis as despesas do livrocaixa, nos termos preconizados pela legislação de regência. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para fins de que sejam computadas na apuração do imposto de renda do anocalendário 2009, as despesas de livrocaixa comprovadas consoante manifestação da fiscalização. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 239DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.006419/2008-47
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1202-000.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em determinar o sobrestamento do julgamento do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Andrada Márcio Canuto Natal e Orlando José Gonçalves Bueno.
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em determinar o sobrestamento do julgamento do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Andrada Márcio Canuto Natal e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos, passo a transcrever, em parte, o relatório do Acórdão nº 0720.552 da DRJ/FNS, de fls. 806 a 820, o qual também adoto: “A pessoa jurídica em epígrafe foi submetida a procedimento fiscal do qual resultaram as seguintes exigências, referentes a fatos geradores ocorridos nos anos calendário de 2004 e 2005, calculadas segundo as regras do Simples Federal: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 06 41 9/ 20 08 -4 7 Fl. 1059DF CARF MF Processo nº 11516.006419/200847 Resolução nº 1202000.173 S1C2T2 Fl. 1.060 2 (...) DO RELATO DA FISCALIZAÇÃO No Termo de Verificação Fiscal, acostado às fls. 653 a 657, a autoridade fiscal revela que: nos anoscalendário fiscalizados, a contribuinte optou pelo Simples Federal, tendo apresentado declarações com receitas compatíveis com o regime simplificado; em 14/02/2008, a contribuinte foi intimada a apresentar, além dos livros e documentos contábeis e fiscais, os extratos bancários relativos ao período fiscalizado (fl. 02); a contribuinte apresentou o Livro Caixa; no tocante aos extratos bancários, a contribuinte declarou que não iria entregá los (fl. 74). Sendo assim, a fiscalização solicitou os extratos bancários através da Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira das instituições bancárias nas quais a empresa possui conta corrente, conforme documentos de fls. 75/77; os extratos bancários foram disponibilizados pelas instituições financeiras (fls. 81/430); os valores movimentados nas contas correntes representam volume de recursos muito superior as receitas declaradas; diante disto, por intermédio do Termo de Intimação 002, de 14/08/2008, a contribuinte foi instada a comprovar a origem dos recursos depositados nas contas correntes de sua titularidade (fls. 431 a 471); a contribuinte encaminhou informações (fls. 472 a 518) acerca de parte dos valores listados nos anexos do Termo de Intimação 002; após a comprovação da veracidade das informações prestadas pela empresa, os valores que representaram transferências entre contas de mesma titularidade, estorno de valores descontados ou devolução de cheques, foram excluídos do demonstrativo original, dando origem aos demonstrativos depurados (fls. 519/557); os totais mensais foram consolidados no "Demonstrativo de Ingresso de Recursos" (fl. 558); as diferenças entre os ingressos nas contas bancárias cuja origem não restou comprovada e as receitas declaradas foram consideradas receitas omitidas, nos termos do art. 287 do Regulamento do Imposto de Renda; foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais nos autos do processo administrativo n 9 11516.006420/200871. Notase que, em relação aos fatos ocorridos em ambos os anoscalendário, o lançamento efetivouse segundo as normas do Simples Federal, e os valores lançados foram associados à multa de oficio ordinária de 75%.” Contra o lançamento fiscal foi apresentada impugnação, de fls. 666 a 697, e anexos, de fls. 698 a 803, na qual apresenta, em síntese, os seguintes argumentos: quebra do sigilo bancário ao arrepio da Constituição; Fl. 1060DF CARF MF Processo nº 11516.006419/200847 Resolução nº 1202000.173 S1C2T2 Fl. 1.061 3 ausência de ato ou formalidade essencial descumprimento do art. 4º, parágrafo 5º , do Decreto nº 3.724/2001; ausência de demonstração dos requisitos fundamentação fática e legal do ato administrativo (motivação) para expedição do RMF; ausência de forma do ato determinada pela Portaria SRF nº 180, de 01/02/2001 anexo I; semelhanças entre a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 e o saldo credor de caixa forma de apuração da omissão; do aproveitamento dos rendimentos tidos como omitidos como origem das movimentações dos meses seguintes; da tributação de valores referentes às transferências bancárias entre as contas do próprio contribuinte; da impossibilidade de tributação do anocalendário 2005 no regime do SIMPLES; da ilegalidade dos juros previstos na Lei nº 8.981/95 e da taxa Selic. Na sequência, foi emitido o Acórdão nº 0720.552 da DRJ/FNS, de fls. 806 a 820, julgando improcedente a impugnação e mantendo integralmente o lançamento fiscal, com o seguinte ementário: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa fisica ou jurídica. EXTRAPOLAÇÃO DO LIMITE DA RECEITA BRUTA ACUMULADA. EXCLUSÃO DO SIMPLES OBRIGATÓRIA. Cabe à autoridade lançadora averiguar se no anocalendário objeto da auditoria fiscal a contribuinte, optante pelo Simples, atendia os requisitos legais para enquadrarse nesta sistemática de recolhimento de tributos. Assim, se no anocalendário imediatamente anterior ao examinado a empresa auferiu receita em montante superior ao limite legalmente estabelecido, sua exclusão do sistema simplificado para o ano subseqüente é obrigatória, devendo portanto o lançamento ser realizado segundo à sistemática comum de tributação das pessoas jurídicas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 1061DF CARF MF Processo nº 11516.006419/200847 Resolução nº 1202000.173 S1C2T2 Fl. 1.062 4 Anocalendário: 2004, 2005 SIGILO BANCÁRIO. ACESSO ÀS INFORMAÇÕES PELO FISCO. LEGITIMIDADE. Os agentes do fisco podem ter acesso a informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes sem que isso se constitua violação ao sigilo bancário, eis que se trata de exceção expressamente prevista em lei. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. REQUISIÇÃO ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. HIPÓTESE. As informações referentes à movimentação bancária da contribuinte, podem ser obtidas pelo fisco junto is instituições financeiras, no âmbito de procedimento de fiscalização em curso, quando ocorrer embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição do auxilio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei n2 5.172, de 25 de outubro de 1966. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (R1V1F). AUSÊNCIA DO RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO. Constando do relatório fiscal e demais peças dos autos que a RMF foi emitida por agente competente e nas situações previstas na legislação, de forma a possibilitar ao contribuinte aferir a legalidade do procedimento administrativo, não há que se falar em nulidade do procedimento, ainda que não conste dos autos um relatório circunstanciando a hipótese que determinou a emissão da RMF. ERRO de DIREITO. A escolha equivocada de um módulo normativo caracteriza erro de direito gerando a improcedência da parcela do lançamento afetada pelo erro. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Dessa decisão, a DRJ/Florianópolis recorreu de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF, na forma do art. 34, inciso I, do Decreto n.° Fl. 1062DF CARF MF Processo nº 11516.006419/200847 Resolução nº 1202000.173 S1C2T2 Fl. 1.063 5 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações, e Portaria do Ministro da Fazenda n° 3, de 03 de janeiro de 2008. Irresignada com a decisão, a interessada apresentou, tempestivamente, em 03/09/2012, recurso voluntário a este colegiado, de fls. 850 a 877, repisando praticamente as mesmas alegações trazidas na peça impugnatória. Posteriormente, em 28/09/2010, é apresentada nova peça processual, também denominada recurso voluntário, de fls. 881 a 922, acompanhados dos demonstrativos/documentos das fls. 923 a 982. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso de ofício atende aos requisitos do art. 34 do Decreto n° 70.235, de 1972, combinado com o estabelecido na Portaria MF n.° 03, de 2008, porque o acórdão recorrido exonerou valores de tributo e de multa em montante superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) estabelecido na referida Portaria, portanto, dele conheço. A ciência ao autuado do acórdão recorrido ocorreu em 09/08/2010, conforme AR de fls. 849. Assim, o recurso voluntário apresentado em 03/09/2012, de fls. 850 a 877, é tempestivo e nos termos da lei. Portanto, dele tomo conhecimento. Consta, ainda, dos autos, nova peça processual entregue em 28/09/2010, também denominada recurso voluntário, de fls. 881 a 922. Apresentada fora do prazo regulamentar de 30 dias previsto no rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, é intempestivo e, portanto, não deve ser conhecidas as razões ali trazidas. Como já relatado, o presente processo trata de lançamento fiscal para exigência dos tributos sujeitos à sistemática do SIMPLES, face a ocorrência da presunção de omissão de receitas (art. 42 da Lei 9.430, de 1996) ao ser constatado, pela fiscalização, a existência de movimentação financeira bancária, em nome da empresa, sem comprovação da origem. Os Bancos do Brasil, Bradesco e Safra foram instados a apresentar os extratos com a movimentação financeira bancária mediante a emissão, pela autoridade fiscal, de Requisição de Informações sobre Movimentação FinanceiraRMF, nos termos do art. 6° da Lei Complementar n° 105, de 2001, regulamentado pelo Decreto n° 3.724, de 2001, fls. 75 a77. A recorrente se manifestou expressamente a respeito da matéria relativa à licitude da obtenção dos extratos bancários que serviram de base para a apuração da presunção de omissão de receitas. Em que pese existir autorização legal para a requisição desses extratos bancários diretamente às instituições financeiras, discutese atualmente no Supremo Tribunal Federal STF a constitucionalidade da quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, matéria examinada em sede do Recurso ExtraordinárioRE 601314, o qual teve sua “repercussão geral” reconhecida em 23/10/2009. Consulta efetuada no sítio do STF na internet, revela que o processo ainda aguarda julgamento do mérito. Fl. 1063DF CARF MF Processo nº 11516.006419/200847 Resolução nº 1202000.173 S1C2T2 Fl. 1.064 6 RE 601314 RG / SP SÃO PAULO REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI Julgamento: 22/10/2009 Publicação DJe218 DIVULG 19112009 PUBLIC 20112009 EMENT VOL0238307 PP01422 EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Cármen Lúcia e Cezar Peluso. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI Relator (destaquei) O Regimento Interno do STF RISTF, em seu art. 328, abaixo reproduzido, determina que todos os demais recursos extraordinários, com questão idêntica, sejam sobrestados, até que o Supremo Tribunal Federal decida os que tenham sido selecionados como representativos da causa: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, a Presidência do Tribunal ou o(a) Relator(a), de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em cinco dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a Presidência do Tribunal ou o(a) Relator(a) selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. Art. 328A. Nos casos previstos no art. 543B, caput, do Código de Processo Civil, o Tribunal de origem não emitirá juízo de admissibilidade sobre os recursos extraordinários já sobrestados, nem sobre os que venham a ser interpostos, até que o Supremo Tribunal Federal decida os que tenham sido selecionados nos termos do § 1º daquele artigo. (destaque meus) Fl. 1064DF CARF MF Processo nº 11516.006419/200847 Resolução nº 1202000.173 S1C2T2 Fl. 1.065 7 Da leitura acima, percebese que a própria Corte Superior determina o sobrestamento dos processos judiciais em trâmite na esfera daquele poder até decisão final, pelo Supremo Tribunal Federal, da matéria com repercussão geral. Isso decorre em razão do atendimento aos princípios da eficiência e da economia processual com o objetivo de melhor atender ao interesse público. Assim, por uma questão de economia processual, tendo como objetivo afastar possíveis prejuízos para todas as partes, Fazenda, Contribuinte e a movimentação de toda a máquina do próprio Poder Judiciário, caso ocorra a impetração de alguma ação judicial a respeito da exigência aqui discutida, temse como mais do que razoável, e prudente, aguardar a decisão do E. Supremo Tribunal Federal acerca da constitucionalidade dos meios de prova obtidos no presente processo (extratos bancários), evitandose possível anulação do processo por vício na obtenção das provas. Com efeito, o artigo 62A, §1º do RICARF (Portaria MF nº 256, de 22 de Junho de 2009 e alterações), estabelece o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. {2} Já a Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, no seu art. 2º, § 2o, inciso I, prevê a hipótese de que o sobrestamento seja apreciado durante a sessão de julgamento: Art. 2o. Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1o. § 1o. No caso da identificação se verificar antes da sessão de julgamento do processo: I o conselheiro relator deverá elaborar requerimento fundamentado ao Presidente da respectiva Turma, sugerindo o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; II o Presidente da Turma, com base na competência de que trata o art. 17, caput e inciso VII, do Anexo II do RICARF, determinará, por despacho: a) o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; ou b) o julgamento do recurso na situação em que o processo se encontra. Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 11516.006419/200847 Resolução nº 1202000.173 S1C2T2 Fl. 1.066 8 § 2o. Sendo suscitada a hipótese de sobrestamento durante a sessão de julgamento do processo, o incidente deverá ser julgado pela Turma, que poderá: I decidir pelo sobrestamento do processo do julgamento do recurso, mediante resolução; ou II recusar o sobrestamento e realizar o julgamento do recurso. § 3o. Na ocorrência de sobrestamento, nos termos dos §§ 1o e 2o, as respectivas Secretarias de Câmara deverão receber os processos e mantêlos em caixa específica, movimentandoos para a atividade SOBRESTADO. (grifei) Por tratarse de matéria a ser apreciada pelo E. Supremo Tribunal Federal no rito da Repercussão Geral (licitude da obtenção dos extratos bancários), o próprio RICARF recomenda o sobrestamento do processo (art. 62A, § 1º do RICARF), sendo que essa hipótese poderá ser apreciada durante a sessão de julgamento Turma de julgamento, nos termos do art. 2º, § 2o, inciso I, da Portaria CARF nº 001, de 2012. Em vista do exposto, proponho que seja determinado o sobrestamento do julgamento do recurso voluntário, até que seja proferida decisão nos autos do Recurso ExtraordinárioRE 601314, em trâmite perante o E. Supremo Tribunal Federal. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 1066DF CARF MF
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Numero do processo: 13805.004479/96-28
Data da sessão: Wed Aug 04 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Exercício: 1992, 1993, 1994, 1995
VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS. DEPÓSITOS JUDICIAIS.
O instituto da correção monetária tem por objetivo assegurar a neutralidade das demonstrações financeiras da pessoa jurídica, face aos efeitos da inflação, o que só acontece se mantido o equilíbrio na correção das contas credoras e devedoras. Se o contribuinte comprova que não corrigiu as obrigações, não há que se exigir a correção das contas que abrigam os valores depositados judicialmente.
Numero da decisão: 1301-000.360
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso voluntário . (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Relator
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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Recorrida 1ª TURMA / DRJ SALVADOR / BA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1992, 1993, 1994, 1995 VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS. DEPÓSITOS JUDICIAIS. O instituto da correção monetária tem por objetivo assegurar a neutralidade das demonstrações financeiras da pessoa jurídica, face aos efeitos da inflação, o que só acontece se mantido o equilíbrio na correção das contas credoras e devedoras. Se o contribuinte comprova que não corrigiu as obrigações, não há que se exigir a correção das contas que abrigam os valores depositados judicialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso voluntário . (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Ricardo Luiz Leal de Melo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Fábio Soares de Melo, Valmir Sandri e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Relatório SISGRAPH LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 05.503, de 26/07/2004, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado pelo relator do processo por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito. Tratase de Auto de Infração (fls. 01/02), lavrado em 18/04/96, relativo a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL, para exigência de crédito tributário, no valor de 90.408,97 UFIR (noventa mil, quatrocentas e oito Unidades Fiscais de Referência e noventa e sete centésimos), incluída a multa de ofício no percentual de 100% (cem por cento) e os juros de mora calculados até 17/04/96. 2. A presente autuação decorreu dos mesmos pressupostos fáticos do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, auto de infração formalizado no Processo n° 13805.004478/9665, e de acordo com a descrição dos fatos do auto de infração da CSLL (fls. 01/02) e do Termo de Verificação Fiscal CSLL (fls. 95/96), anexo ao auto de infração, foram apuradas as infrações abaixo descritas. Provisões não Autorizadas 3. Contabilização de provisão relativa a Contribuição para o FINSOCIAL questionada judicialmente, sendo que os lançamentos foram realizados em contra partida à conta redutora da receita bruta. O auditor fiscal aponta que tais lançamentos contrariam o art. 220 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 85.450, de 04/12/1980 RIR/1980, pois esta seria uma provisão não autorizada, reduzindo indevidamente do Lucro Líquido sobre o qual a incide a CSLL. Os valores apurados se referem ao anocalendário 1991 e primeiro semestre de 1992, e estão demonstrados nas planilhas às fls. 82 e 83, resultando nos seguintes valores: Período de Apuração Provisões Não Autorizadas 1991 Cr$ 40.611.104,00 06/1992 Cr$ 37.292.093,65 Omissão de Variações Monetárias Ativas 4. Falta de contabilização das variações monetárias ativas decorrentes de depósitos judiciais relativos ao INSS, PIS e FINSOCIAL, e conseqüente redução indevida do Lucro Líquido sobre o qual incide a CSLL. Quanto ao FINSOCIAL, ficou ressaltado que o contribuinte ofereceu à tributação parte dos rendimentos, em 24/03/94, quando levantou parcela do depósito judicial, entretanto, sem o pagamento de multa e juros de mora, ficando configurada postergação da CSLL. Os valores apurados se referem aos anoscalendário 1991, 1992 (primeiro e segundo semestre), 1993 e 1994, e estão demonstrados nas planilhas às fls. 84 até 94, resultando nos seguintes valores: Período de Apuração Variação Monetária Ativa dos Depósitos 1991 Cr$ 16.890.174,44 06/1992 Cr$ 122.841.884,56 12/1992 Cr$ 510.982.660,75 Fl. 2DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13805.004479/9628 Acórdão n.º 130100.360 S1C3T1 Fl. 268 3 1993 CR$ 17.341.929,78 1994 R$ 64.047,54 5. Foram capitulados como enquadramento legal o art. 2° e §§ da Lei n° 7.689 de 15/12/1988; artigos 220 e 254, inciso I do RIR/80; e artigo 320, § 1°, item f do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041 de 11/01/94 – RIR/94. Contestação 6. O contribuinte foi cientificado do lançamento em 18/04/1996 (fl.01), impugnandoo em 20/05/1996 (segunda feira) (fls.98/152). 7. Inicialmente, a impugnante contesta a suposta infração ao art. 220 do RIR/80, alegando que inexistia dispositivo neste regulamento que tratasse os tributos ou contribuições depositados judicialmente como provisão não autorizada, portanto, deveriam ser tratados como custos ou despesas operacionais dedutíveis no período base de incidência do fato gerador, nos termos de seu art. 225. Assevera que, somente a partir de 1° de janeiro de 1993, com a vigência dos artigos 7° e 8° da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, os tributos e contribuições passaram a ser dedutíveis quando pagos, e sua contabilização como custo ou despesa considerada como redução indevida do lucro real nos caso em que estivessem com sua exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 da Lei n° 5.172/66. 8. Aponta que os valores apurados pela fiscalização são relativos a períodos anteriores a 1° de janeiro de 1993, e, conseqüentemente, não estariam sujeitos às restrições de dedutibilidade advindas com a Lei n° 8.541/92. Trazendo, ainda, considerações de ordens constitucionais e contábeis contrárias a esta nova forma tributação. 9. Neste mesmo sentido, transcreve Ementas de Acórdãos proferidos pelo Primeiro Conselho de Contribuintes em que foi reconhecida dedutibilidade dos tributos e contribuições referentes a períodos de apurações anteriores à vigência da Lei n° 8.541/92, independentemente de seu pagamento ou suspensão de sua exigibilidade. 10. Com relação aos valores autuados a título de omissão variação monetária ativa, a impugnante alega que a correção monetária decorrente de depósitos judiciais, até que seja proferida a decisão final da lide, não representa disponibilidade econômica ou jurídica, portanto não poderia ser entendida como renda tributável, nos termos do art. 43, incisos I e II, da Lei n° 5.172 de 25/10/1966 CTN. 11. Sustenta a tese de que o reconhecimento desta variação monetária como fato tributável estaria sujeito a uma condição suspensiva, nos termos dos artigos 116, inciso II, e 117, inciso I, do CTN, qual seja, que ação judicial seja julgada procedente. 12. Respaldando sua argumentação, apresenta Ementas de Acórdãos proferidos pelo Primeiro Conselho de Contribuintes contrários à tributação das variações monetárias dos depósitos judiciais sob a mesma argumentação de indisponibilidade do depósito judicial. 13. Protesta, ainda, que, caso não fosse acolhida sua argumentação inicial, e devesse a variação monetária ativa ser reconhecida imediatamente, antes da decisão Fl. 3DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 do processo, auditor fiscal deveria ter reconhecido a correspondente variação monetária passiva dos tributos a recolher, mantendo assim inalterado os resultados apurados pela impugnante nos diversos exercícios. Lembrando que, somente a partir de 1° de janeiro de 1993, passou a vigorar legislação que impusesse a obrigação de efetuar a adição ao lucro real dos valores depositados judicialmente, e que, além disso, a dedução das variações monetárias de obrigações estava prevista no art. 254, inciso II, do RIR/80. 14. Especificamente quanto à apuração da CSLL, a impugnante aponta que o auditor fiscal não procedeu à dedução do Imposto de Renda da base de cálculo da CSLL, contrariando posicionamento do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que acolheu a alegação de inconstitucionalidade da parte final do caput do art. 2° da Lei n° 7.688/88, “antes da provisão para o Imposto de Renda”. 15. Além disso, a impugnante alegou que os ajustes ao Lucro Líquido para a apuração da base de cálculo da CSLL estavam elencados exaustivamente no art. 2° da Lei n° 7.688/88, e não faziam qualquer referência a valores depositados judicialmente. 16. Finalizando sua contestação, a impugnante assevera que o auto de infração se encontra viciado, fazendo referência a dois valores para o mesmo exercício de 1992, devendo ser suprimida esta falha, sob pena de ocorrência de nulidade insanável. Requer, ainda, a juntada de novos documentos e a realização de perícias, com o objetivo de provar todo o alegado. A 1ª Turma da DRJ em Salvador/BA analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 05.503, de 26/07/2004 (fls. 156/170), considerou parcialmente procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Exercício: 1992, 1993, 1994, 1995 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Descabe argüir a nulidade do Auto de Infração se em sua defesa a impugnante demonstra inteiro conhecimento da matéria em litígio. PROVAS. APRESENTAÇÃO. MOMENTO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. Deve ser considerado não formulado, o pedido de perícia que não atender os requisitos legais e indeferido, quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Exercício: 1992, 1993, 1994, 1995 Fl. 4DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13805.004479/9628 Acórdão n.º 130100.360 S1C3T1 Fl. 269 5 Ementa: DESPESAS COM TRIBUTOS. DEDUTIBILIDADE. São admissíveis como dedutíveis segundo o regime de competência as despesas com tributos incorridas, ainda que questionados judicialmente. DEPÓSITOS JUDICIAIS. VARIAÇÃO MONETÁRIA ATIVA. Integrando os depósitos judiciais o patrimônio do depositante, a variação monetária ativa deles decorrente compõe o lucro líquido do exercício, constituindose em fato gerador da CSLL. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa de ofício de 100% deverá ser reduzida para 75%, em face da retroatividade benigna da penalidade prevista no Código Tributário Nacional. Esclareço, por oportuno, que: (i) a infração intitulada “provisões não autorizadas” foi integralmente afastada; (ii) a infração intitulada “omissão de variações monetárias ativas” foi parcialmente afastada (apenas a parcela referente à variação monetária contabilizada até o anocalendário 1992, relativa ao Finsocial, ao restar comprovado que o contribuinte não contabilizou a respectiva variação monetária passiva); e (iii) a multa de ofício foi reduzida de 100% para 75%, em face do princípio da retroatividade benigna em matéria de penalidades. Ciente da decisão de primeira instância em 02/10/2008, conforme Aviso de Recebimento à fl. 173v, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 31/10/2008 conforme carimbo de recepção à folha 176. No recurso interposto (fls. 177/199) a interessada aduz argumentos que podem ser assim sintetizados: • Afirma que não ocorreu redução na base de cálculo da CSLL pela não contabilização das variações monetárias ativas sobre depósitos judiciais, em razão de seu procedimento de igualmente não contabilizar as variações monetárias passivas sobre as obrigações tributárias contabilizadas em seu passivo. Sustenta que todos os seus livros seriam conhecidos e auditados pela fiscalização, e junta aos autos cópias extraídas dos livros Razão de 1991 a 1994, com o que pretende comprovar suas assertivas. Colaciona jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais no sentido de que o instituto da correção monetária teria o objetivo de neutralidade das demonstrações financeiras em face dos efeitos da inflação. • Reclama, ainda, que seria ônus do Fisco demonstrar que a contribuinte teria contabilizado as variações monetárias passivas e não as ativas, causando assim desequilíbrio na base de cálculo da contribuição. Ao assim não proceder, o próprio Fisco teria dado causa à insubsistência do lançamento, conforme jurisprudência que colaciona. • Na sequencia, a recorrente insiste em que não estaria obrigada a adicionar a variação monetária ativa sobre valores depositados judicialmente, visto que tais valores estariam sujeitos a condição suspensiva e, em decorrência, não teria ocorrido o fato gerador da contribuição. Por sua ótica, tal somente viria a ocorrer no momento em que tivesse uma Fl. 5DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 decisão judicial a seu favor, que lhe permitisse efetuar o levantamento desses recursos. Colaciona jurisprudência administrativa em favor de sua tese. • A recorrente retorna, então, ao tema das variações monetárias passivas dos tributos questionados judicialmente (as quais não teriam sido contabilizadas) para afirmar sua dedutibilidade à vista do regime de competência. Reitera a tese da neutralidade da correção monetária, sustentada por mais jurisprudência e por manifestações das Superintendências Regionais da Receita Federal. Insiste, também, sobre a dedutibilidade dos valores depositados judicialmente. • A interessada sustenta que o acórdão recorrido teria reconhecido, no que toca ao Finsocial, que o contribuinte teria efetuado o pagamento do tributo ao levantar os valores depositados em 1994. No entanto, sem qualquer justificativa, teria mantido a exigência do tributo, aplicando ainda a multa de ofício de 75%. A seu ver, tal procedimento caracterizaria a imposição de dupla tributação sobre o mesmo fato. • Insiste na dedutibilidade dos depósitos judiciais para fins de CSLL. • Alega a ocorrência de prescrição intercorrente, uma vez que entre a data em que o contribuinte apresentou a impugnação (20/05/1996) e a data do julgamento (26/07/2004) terseiam decorrido mais de oito anos. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Após a decisão de primeira instância, resta em discussão tão somente parte da infração objeto de lançamento original, decorrente da falta de contabilização das variações monetárias ativas incidentes sobre valores de tributos depositados judicialmente. No período base 1991 e nos dois semestres do anocalendário 1992 tais variações monetárias incidem exclusivamente sobre depósitos da contribuição previdenciária (INSS). No anocalendário 1993 as variações monetárias incidem sobre depósitos de INSS, de PIS e de FINSOCIAL, inclusive a parcela que o Fisco entendeu tratarse de postergação. No anocalendário 1994 as variações monetárias incidem sobre depósitos de INSS, de PIS e de FINSOCIAL. Desde a impugnação, entre outros argumentos, o sujeito passivo sustentava que as variações monetárias ativas que deixou de oferecer à tributação seriam equilibradas (ou neutralizadas) pelas variações monetárias passivas, incidentes sobre as obrigações contabilizadas em seu passivo, as quais, em procedimento análogo ao adotado com relação às variações ativas, não teriam sido contabilizadas. Desta forma não teria havido qualquer redução na base de cálculo da CSLL, visto que a falta de contabilização de variações monetárias ativas e passivas teria o mesmo efeito que a contabilização de ambas. O acórdão combatido firmou seu entendimento acerca da obrigatoriedade de reconhecimento contábil das variações monetárias, mas deferiu apenas parcialmente o pleito da então impugnante, ao argumento de que faltariam provas, nos autos, acerca do alegado Fl. 6DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13805.004479/9628 Acórdão n.º 130100.360 S1C3T1 Fl. 270 7 procedimento da contribuinte. É esclarecedor, nesse sentido, o conteúdo dos parágrafos 50 a 52, a seguir transcritos (grifo no original): 50. Como já foi visto, as restrições quanto a dedutibilidade de tributos não pagos e/ou com exigibilidade suspensa advindas com a Lei nº 8.541/92, não se estendiam a apuração da base de cálculo da CSLL, portanto, o registro das variações monetárias ativa e passiva relativas às contas de direito de crédito e de obrigação não afetavam a apuração da base de cálculo da CSLL do período, uma vez que deviam ser aplicados os mesmos índices de correção. 51. Entretanto, caberia à impugnante provar que deixou de proceder à devida atualização da conta da obrigação no passivo, por entender que a variação monetária ativa relativa aos depósitos judiciais se anularia com a variação monetária passiva. 52. No presente caso, a impugnante não demonstrou a ausência do reconhecimento da variação passiva das obrigações, para tanto, bastaria ter juntado aos autos o razão contábil das contas do passivo relativas às obrigações tributárias a recolher. Somente em relação ao FINSOCIAL, tendo o auditor fiscal acostado aos autos o razão contábil desta obrigação até o anocalendário de 1992 (fls. 09, 11 e 13), pôdese verificar ausência de contabilização da atualização monetária passiva, em conseqüência, deve ser exonerada a parcela do valor autuado relativo a este período de apuração. No recurso voluntário, a interessada insiste em seu argumento, fazendo acostar aos autos cópias de páginas de seus livros Razão de 1991 a 1994 (fls. 214/254), com o que pretende provar suas afirmações de que não teriam sido contabilizadas as variações monetárias passivas. De se ressaltar que tal procedimento foi quase “sugerido” pelo julgador de primeira instância, no parágrafo 52, acima. Antes de passar à análise dos documentos, duas considerações devem ser feitas. Em primeiro lugar, deve ser rechaçada a afirmação da recorrente de que caberia ao Fisco provar que teriam sido contabilizadas as variações monetárias passivas. Tal afirmação (de que não foram contabilizadas) partiu da recorrente, sujeito passivo da obrigação tributária, como tentativa de modificar ou extinguir o direito – crédito tributário – alegado pelo sujeito ativo. Em tais condições, o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Em segundo lugar, estabelecido a quem cabe o ônus da prova, é de se verificar se tais documentos podem ser trazidos aos autos nesta fase processual. A rigor, não caberia seu acolhimento como provas, em face do instituto da preclusão, tratado pelo art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972. A aplicação de tal instituto, no entanto, tem sido feita de maneira mais amenizada por este Conselho, em face dos princípios da verdade material e da formalidade moderada no processo administrativo fiscal, especialmente em se tratando de provas documentais, a reforçar e complementar alegações e provas anterior e tempestivamente apresentadas, exatamente como é o presente caso. Boa parte das variações monetárias ativas foi afastada, em face da constatação pela autoridade julgadora de que havia nos autos provas suficientes de que as correspondentes variações monetárias passivas igualmente não haviam sido contabilizadas. O que a ora recorrente faz é trazer “mais do mesmo”, ou, em outras palavras, trazer elementos que buscam provar, também para a parte que remanesceu da autuação, a não contabilização das variações monetárias passivas, de tal forma a afastar integralmente a exigência. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 Diante do exposto, passo a examinar os documentos de fls. 214/254, a verificar se socorrem as pretensões da recorrente, e em que extensão. Os documentos de fls. 214/221 se referem ao PIS e, de sua análise, constato que o contribuinte contabilizou os depósitos em seu ativo, sem atualização por variações monetárias ativas (o que já havia sido constatado desde a autuação), e contabilizou as obrigações correspondentes em seu passivo, sem variações monetárias passivas. Isso pode ser constatado para os anoscalendário 1993 e 1994, exatamente aqueles nos quais se deu a autuação. Os documentos de fls. 222/246 se referem ao INSS e, de sua análise, constato que o contribuinte contabilizou os depósitos em seu ativo, sem atualização por variações monetárias ativas (o que já havia sido constatado desde a autuação), e contabilizou as obrigações correspondentes em seu passivo, sem variações monetárias passivas. Isso pode ser constatado para todo o período objeto de autuação, a saber, o períodobase 1991, os dois semestres do anocalendário 1992 e os anoscalendário 1993 e 1994. Os documentos de fls. 247/254 se referem ao FINSOCIAL e, de sua análise, constato que o contribuinte contabilizou os depósitos em seu ativo até março/1992, sem atualização por variações monetárias ativas (o que já havia sido verificado desde a autuação), e contabilizou as obrigações correspondentes em seu passivo, no mesmo período, sem variações monetárias passivas. No períodobase 1991, as obrigações foram registradas na conta de passivo código 21361. A partir do anocalendário 1992, ocorreu reclassificação contábil para a conta de passivo código 846. Em face destas constatações, devese dar razão à recorrente. A correção monetária (na qual está inserido o reconhecimento contábil de variações monetárias ativas e passivas) tem por finalidade a neutralidade das demonstrações financeiras, afastando ou minimizando os efeitos da inflação. Se, por um lado, é inconteste que o lucro contábil, ponto de partida para a determinação da base de cálculo da CSLL, foi reduzido pela falta de contabilização das variações monetárias ativas incidentes sobre os depósitos judiciais e respectivas contrapartidas (receitas financeiras), o mesmo lucro contábil foi aumentado, em idêntico montante, pela ausência das contrapartidas (despesas financeiras) das variações monetárias passivas incidentes sobre as obrigações tributárias registradas no passivo, o que restou comprovado com a documentação apresentada pela recorrente. Esse equilíbrio já foi reconhecido em várias decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais, bastando, a título exemplificativo, o acórdão a seguir transcrito: IRPJ VARIAÇÃO MONETÁRIA ATIVA DEPÓSITOS JUDICIAIS O instituto da correção monetária tem por objetivo assegurar a neutralidade das demonstrações financeiras da pessoa jurídica, face os efeitos da inflação, o que só acontece se mantido o equilíbrio na correção das contas credoras e devedoras. Não corrigida a obrigação, não há que se exigir a correção da conta que abriga os valores depositados judicialmente. (Ac. CSRF/01 02.868, publicado no DOU de 14/12/2000) Deixo de me manifestar acerca dos demais argumentos aduzidos pela recorrente, posto que a análise até aqui empreendida é suficiente para o afastamento integral da exigência. Em conclusão, voto pelo provimento do recurso interposto e consequente cancelamento do auto de infração. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13805.004479/9628 Acórdão n.º 130100.360 S1C3T1 Fl. 271 9 (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 9DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 03/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 11020.720141/2009-77
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 2005
CONCEITO DE INSUMOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. NOTA TÉCNICA PGFN Nº 63/2018.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170 PR (2010/02091150), pelo rito dos recursos representativos de controvérsias, decidiu que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância. Os critérios de essencialidade e relevância estão esclarecidos no voto da Ministra Regina Helena Costa, de maneira que se entende como critério da essencialidade aquele que diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou serviço, constituindo elemento essencial e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço ou b) quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência.
Por outro lado, o critério de relevância é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja: a) pelas singularidades de cada cadeia produtiva b) seja por imposição legal.
INSUMO. ÓLEO DIESEL. TRATORES. POMARES.
Uma vez que a empresa se dedica à atividade agroindustrial de produção de maças, as despesas com óleo diesel utilizado em tratores devem ser admitidos como insumos, vez que essenciais para a sua produção.
PIS NÃO CUMULATIVO. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS.
Na não cumulatividade do PIS, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda, desde que observadas as disposições normativas que regem a espécie.
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de restituição, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 3402-006.979
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a validade dos créditos referentes ao óleo diesel utilizado em tratores. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula que negava provimento ao recurso neste ponto. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto aos créditos das despesas com manutenção dos bens do ativo imobilizado.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Sílvio Rennan do Nascimento Almeida, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado) e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. NOTA TÉCNICA PGFN Nº 63/2018. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170 - PR (2010/0209115-0), pelo rito dos recursos representativos de controvérsias, decidiu que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância. Os critérios de essencialidade e relevância estão esclarecidos no voto da Ministra Regina Helena Costa, de maneira que se entende como critério da essencialidade aquele que “diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou serviço”, “constituindo elemento essencial e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço” ou “b) quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”. Por outro lado, o critério de relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja: a) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva” b) seja “por imposição legal.” INSUMO. ÓLEO DIESEL. TRATORES. POMARES. Uma vez que a empresa se dedica à atividade agroindustrial de produção de maças, as despesas com óleo diesel utilizado em tratores devem ser admitidos como insumos, vez que essenciais para a sua produção. PIS NÃO CUMULATIVO. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Na não cumulatividade do PIS, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda, desde que observadas as disposições normativas que regem a espécie. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 01 41 /2 00 9- 77 Fl. 190DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-006.979 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.720141/2009-77 Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de restituição, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a validade dos créditos referentes ao óleo diesel utilizado em tratores. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula que negava provimento ao recurso neste ponto. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto aos créditos das despesas com manutenção dos bens do ativo imobilizado. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Sílvio Rennan do Nascimento Almeida, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado) e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Trata-se de Pedido de Compensação de crédito da contribuição destinada ao PIS. Conforme identificado no Relatório de Verificação Fiscal e planilhas com a relação de créditos glosados, os valores pleiteados foram parcialmente reconhecidos pela fiscalização, com a homologação parcial da compensação. As irregularidades fiscais identificadas pela fiscalização se referem à “Apuração indevida de créditos sobre partes, peças, combustíveis, despesas diversas e bens sujeitos à alíquota zero”. Assim, as glosas dos créditos podem ser segregadas em dois grupos: a) créditos de insumos que não são utilizados diretamente na produção: óleo diesel utilizado em tratores que são igualmente utilizados em “plantas frutíferas (pomares) não produtivas, por se tratar de cultura em formação”; e b) créditos aproveitados como relacionados a insumos que, na verdade, referem-se às despesas relacionados aos bens do ativo imobilizado da pessoa jurídica (tratores e implementos). Fl. 191DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-006.979 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.720141/2009-77 Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, afirmando que os créditos foram tomados sobre despesas incorridas na produção, enquadrando-se no conceito de insumo. A defesa foi julgada improcedente pelo acórdão da DRJ. Intimada desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário alegando, em síntese: (i) a validade dos créditos de insumos sobre despesas com óleo diesel utilizado em tratores e implementos agrícolas; (ii) direito ao crédito sobre bens diversos (partes, peças, bens destinados ao imobilizado e despesas diversas). Invoca a discussão quanto aos créditos de insumos de PIS e COFINS, indicando que a empresa planta, produz e comercializa maças, sendo que os gastos, custos de produção desses bens geram direito ao crédito. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 3402-006.976, de 25 de setembro de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 11020.720138/2009-53. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3402-006.976): “Atentando-se para a peça recursal da empresa, observa-se que a empresa se atém a discussão quanto ao conceito de insumo, aduzindo que a fiscalização adotou um conceito mais restritivo, baseado no IPI, enquanto a empresa entende que os bens foram utilizados em sua produção, sendo cabível o creditamento. Contudo, se olvida a Recorrente que há, nos autos, dois pontos distintos trazidos pela fiscalização para a glosa dos créditos, que cabem ser analisados de forma segregada: um relacionado ao conceito de insumo e outro relacionado aos bens do ativo imobilizado. Senão vejamos. I – DO CONCEITO DE INSUMO: ÓLEO DIESEL EMPREGADO EM TRATORES Um primeiro ponto se relaciona, tão somente, com o conceito de insumo, vez que a fiscalização entendeu que a fase pré agrícola na produção de maças (plantas frutíferas - Fl. 192DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-006.979 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.720141/2009-77 pomares) não integrariam a produção. Com isso, as despesas com óleo diesel para abastecimento dos tratores, por terem sido igualmente utilizados nessa fase pré produção e não sendo suscetível de separar das despesas incorridas com as fases admitidas como produtivas pela fiscalização (colheita, por exemplo), não dariam direito ao crédito por não terem sido integralmente utilizadas na produção. Vejamos, novamente, o teor no relato fiscal: Da análise da memória de cálculo do contribuinte, constata-se que a maioria dos itens incluídos pelo contribuinte refere-se a óleo diesel utilizado em tratores, bem como manutenção de tratores e implementos agrícolas. Contudo, há de se lembrar que a contribuinte utiliza tais tratores tanto em pomares em produção, próprios e de terceiros, quanto em pomares ainda não produtivos, bem como na manutenção das propriedades de terceiros. Mesmo utilizando parte dos tratores da empresa e de terceiros e, consequentemente, óleo diesel, em pomares não produtivos, bem como em áreas rurais de terceiros, o contribuinte não imobiliza nenhum valor referente a estas operações. Cabe lembrar que plantas frutíferas (pomares) não produtivas, por se tratar de cultura em formação, devem ter todos os seus custos e despesas imobilizadas em conta do ativo imobilizado até a sua primeira produção. Assim, quanto às despesas com óleo diesel para os tratores, utilizado na produção e em razão de contratos de arredamento firmados com terceiros, cabe avaliar o seu enquadramento no conceito de insumo, à luz do art. 3º, II, da Lei n.º 10.833/2003. Com efeito, as contribuições do PIS e da COFINS não cumulativas foram instituídas por diplomas legais ordinários, quais sejam, a Lei n.º 10.637/2002 (conversão da MP 66/2002 que instituiu o PIS não cumulativo - vigência a partir de 01/12/2002) e a Lei n.º 10.833/2003 (conversão da MP 135/2003 que instituiu a COFINS não cumulativa - vigência a partir de 01/02/2004). No art. 3º das referidas leis o legislador identificou a forma como seria operacionalizada a não cumulatividade dessas contribuições, identificando os créditos suscetíveis de serem deduzidos do valor do tributo apurado na forma do art. 2º. Esses créditos são calculados pela aplicação da alíquota do tributo sobre determinadas despesas, dentre as quais os "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes" (inciso II), ora sob análise. Este Conselho Administrativo, de forma majoritária e à luz de uma interpretação histórica e teleológica dos referidos diplomas legais, adotava a interpretação do conceito de insumos considerando a sua essencialidade/necessidade para o processo produtivo da empresa ou para a prestação de serviço, em uma aproximação intermediária que não é tão ampla como da legislação do Imposto de Renda, nem tão restritiva como aquela veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004. 12 1 A título de exemplo, vejam-se manifestação da Câmara Superior de Recursos Fiscais entendendo pela corrente intermediária que já prevalecia neste Conselho antes do julgamento do processo pelo Superior Tribunal de Justiça, exigindo a necessidade de relação com a atividade desenvolvida pela empresa e a relação com as receitas tributadas: "Considera-se como insumo, para fins de registro de créditos básicos, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, aquele custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produto destinado à venda, que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas, dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos em relação a custos com fretes em compras de insumos. (...)" (Número do Processo 10983.721444/2011-81 Data da Sessão 12/12/2017 Relator Andrada Márcio Canuto Natal Nº Acórdão 9303-006.108 - grifei) 2 Como bem esclarece o Acórdão nº 3403-002.656, julgado em 28/11/2013, Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não Fl. 193DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-006.979 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.720141/2009-77 Cumpre mencionar que uma corrente de interpretação intermediária do aproveitamento do crédito, admitindo que a legislação identificou apenas um rol exemplificativo de créditos de insumos, foi adotada pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento em curso na sistemática dos recursos repetitivos do Recurso Especial nº 1.221.170, entendendo que o "o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte" (grifei). Referido julgado foi ementado nos seguintes termos: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO- CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (STJ, REsp 1221170/PR, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Seção, julgado em 22/02/2018, DJe 24/04/2018 - grifei) Passa-se, por conseguinte, a ser necessário avaliar os critérios da essencialidade ou relevância do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. A Procuradoria da Fazenda Nacional expediu a Nota Técnica nº 63/2018 em análise deste julgado, dispensando os procuradores de recorrerem quanto a esta tese. Naquela Nota, foram identificados o que são esses critérios em conformidade com o voto da Ministra Regina Helena Costa: guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final." (grifei) Fl. 194DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-006.979 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.720141/2009-77 (...) os critérios de essencialidade e relevância estão esclarecidos no voto da Ministra Regina Helena Costa, de maneira que se entende como critério da essencialidade aquele que “diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou serviço”, a)”constituindo elemento essencial e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço” ou “b) quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”. Por outro lado, o critério de relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja: a) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva” b) seja “por imposição legal.” (grifei) À luz deste conceito, considerando que a Recorrente se dedica à atividade agroindustrial de produção de maças, as despesas com óleo diesel utilizado em tratores devem ser admitidos como insumos da Recorrente, vez que essencial para a sua produção. À época da fiscalização, a empresa procedeu com a descrição de seu processo produtivo nos seguintes termos: Processo Produtivo da Empresa 1 - Roçadas entre as filas de plantas de macieiras com tratores e roçadeiras; 2 - Poda de parte dos galhos das macieiras feito manualmente com tesouras e serrotes e os galhos retirados do pomar com tratores e implementos agrícolas; 3 - Arranquio de árvores velhas, doentes ou defeituosas, com tratores e implementos agrícolas, movimentação de solo, gradeação, preparo c adubação com tratores c implementos agrícolas e plantio de mudas novas, tutoradas com palanques e arames, feitos com tratores c implementos agrícolas; 4 — Tratamento fitossanitário quinzenais das árvores, com tratores c pulverizadores; 5 - Raleio das frutas que ficam em excesso parte com produtos pulverizadas com tratores, e parte manualmente com tesouras; 6 - Colheita : A fruta é colhida a mão, posta cm sacolas, para caregá-las até os bins, que são carregados do meio do pomar por tratores com implementos e transportados até o local onde serão colocados em cima dos caminhões por tratores com empilhadeiras, para serem transportados até as câmaras frias. 7 - Caiação manual de frutas industriais que ficaram no chão, roçada e limpeza do solo com trator e implementos. 8 - Eventualmente também era comercializada maçã embalada cm caixas de papelão com bandejas. (e-fl. 29 – grifei) Observa-se que os tratores são utilizados em distintos momentos da produção da empresa, sendo cabível o creditamento sobre o óleo diesel utilizado nesses equipamentos. Aqui importante salientar que a fiscalização em qualquer momento coloca em cheque que o óleo diesel não seria utilizado nos tratores, apenas afirmando que não seria cabível o crédito em razão dos tratores serem utilizados “em pomares ainda não produtivos, bem como na manutenção das propriedades de terceiros.” Contudo, a própria fiscalização evidenciou que os pomares não produtivos a que faz referência fazem parte do processo produtivo das maças. Com efeito, afirma a fiscalização que esses pomares se referem à cultura em formação. Ora, é intuitivo que as mudas desenvolvidas em cultura de formação são essenciais para a própria plantação da árvore de maça. Fl. 195DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-006.979 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.720141/2009-77 Da mesma forma, a fiscalização evidencia que a empresa possuía contratos de parceria com outras pessoas que autorizavam a utilização dos tratores na manutenção das propriedades de terceiros. Como relatado pela própria fiscalização Em relação aos contratos de parceria agrícola apresentados, é mencionado expressamente que é de responsabilidade da empresa a manutenção das máquinas e equipamentos necessários para o desenvolvimento das atividades, bem como plantio de novas mudas anualmente com fins de reposição, sendo que tudo deve ser "devolvido" ao parceiro nas mesmas condições ao final do contrato. (e-fl. 78) Assim, não constam dos autos quaisquer elementos trazidos pela fiscalização que possam evidenciar que a empresa não utilizaria os tratores em sua produção ou para o exercício de sua atividade de produção de maças, ainda que por meio de contratos de parceria agrícola com terceiros. Com isso, o óleo diesel utilizado nesses tratores deve, sim, ser admitido como insumo. Nesse sentido, voto no sentido de admitir o crédito de PIS sobre o óleo diesel utilizado nos tratores. II – DOS CRÉDITOS DAS DESPESAS COM MANUTENÇÃO DOS BENS DO ATIVO IMOBILIZADO Outra discussão distinta da anterior se refere às despesas para manutenção de bens do ativo imobilizado da empresa que, ao contrário do que pretende a Recorrente, não se encerra com a discussão quanto ao conceito de insumo. Com efeito, desde o início nestes autos, a fiscalização identifica que as despesas com manutenção dos tratores que foram glosadas (recauchutagem de pneus, embreagem, bicos injetores, pistões, blocos e cabeçotes - reforma de motores - , câmbio, amortecedores, motor de partida, freios e pneus), deveriam ser consideradas como créditos relacionados a depreciação de ativos imobilizados, na forma do art. 3º, VI, Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003, e não como crédito de insumos como pretendido pela empresa (art. 3º, II, Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003). Ora, nos termos do inciso VI, dos artigos 3º, das Leis n.º 10.637/2002 e nº 10.833/2003, somente geram direito ao crédito do PIS e da COFINS os bens incorporados ao ativo imobilizado utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Nesta hipótese, o crédito é calculado sobre os encargos de depreciação, nos termos do §1º, III dos dispositivos mencionados. Nos exatos termos dos diplomas legais, na redação vigente à época dos fatos geradores autuados: Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (...) § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (...) III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; (grifei) Assim, a empresa indevidamente tomou os créditos relacionados às partes e peças de manutenção de bens do ativo imobilizado (tratores) como se tratassem de insumos, quando o correto seria, apenas, tomar o crédito dessas despesas como encargos de depreciação dos bens. Fl. 196DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-006.979 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.720141/2009-77 Inclusive, a solução de consulta n.º 286/2008 mencionada pela própria Recorrente em sede de fiscalização, e a solução de consulta n.º 480/2009, indicada no Recurso Voluntário, evidenciam que somente são admitidos como créditos de insumos aquelas despesas com manutenções realizadas em bens com vida útil inferior a 1 (um) ano, leia- se, que não se enquadrem como bens do ativo imobilizado. Vejamos o teor das consultas: PIS/PASEP NÃO-CUMULATIVO. DIREITO DE CRÉDITO. MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. A partir de 1º de dezembro de 2002, geram direito a créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep os valores referentes à aquisição de partes e peças de reposição para máquinas e equipamentos empregados diretamente na produção de bens destinados à venda, desde que tais partes e peças sofram alterações (desgaste, dano, perda de propriedades físicas ou químicas) decorrentes de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, e caso as referidas partes e peças de reposição não estejam incluídas no ativo imobilizado, sejam pagas a pessoa jurídica domiciliada no País e sejam respeitados os demais requisitos legais e normativos pertinentes. Respeitados tais requisitos, a partir daquela data também os serviços de manutenção em máquinas e equipamentos empregados diretamente na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pagos a pessoa jurídica domiciliada no país, geram direito a créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep, desde que dos dispêndios com tais serviços não resulte aumento de vida útil superior a um ano. Caso resulte aumento de vida útil superior a um ano de dispêndios com partes e peças de reposição para máquinas e equipamentos empregados diretamente na produção de bens destinados à venda ou com serviços de manutenção dessas máquinas e desses equipamentos, devem tais dispêndios ser capitalizados para servirem de base a depreciações futuras, deles não decorrendo geração de direito a créditos a descontar da Contribuição para o PIS/Pasep. A partir de 1º de maio de 2004, por conseqüência das disposições da Lei nº 10.865, de 2004, os bens e serviços importados utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda também podem gerar créditos, atendidos todos os requisitos legais e regulamentares. (SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 286 de 25 de Agosto de 2008 - grifei) EMENTA: NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. As despesas com aquisição de partes e peças de reposição usadas em máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens destinados a venda, quando não representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas, são consideradas insumos para os fins de creditamento na forma do disposto no art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, desde que respeitados todos os demais requisitos normativos e legais atinentes à espécie. Igualmente, também se consideram insumos, para os mesmos fins, os serviços de manutenção nos mencionados máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens destinados a venda, que não acrescentem vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicados, desde que respeitados todos os demais requisitos normativos e legais atinentes à espécie. (Solução de Consulta n.º 480 de 18 de Dezembro de 2009) E, nos presentes autos, a empresa em qualquer momento contesta que os tratores seriam integrantes do ativo imobilizado, não trazendo qualquer elemento modificativo efetivo para a concessão do crédito quanto a esses itens. De fato, a própria Recorrente, em fase de fiscalização, identificou às e-fls. 32/33 uma série de tratores que integravam seu ativo mobilizado e já tinham, inclusive, sido objeto de depreciação. Acresce-se que, como indicado pela fiscalização no relatório de verificação fiscal, uma vez que não foi possível segregar na contabilidade os valores correspondentes à depreciação, a fiscalização não possuía documentos e informações suficientes para conceder o crédito com fulcro no art. 3º, VI das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. E em Fl. 197DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3402-006.979 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.720141/2009-77 sua defesa a Recorrente nada acrescenta em relação às despesas referentes à manutenção dos bens imobilizados. Aqui importante frisar que essa distinção em relação à discussão de insumo (aplicável às despesas com óleo diesel, vista no tópico anterior) em relação aos bens do ativo imobilizado foi delineada na r. decisão recorrida, que assim se manifestou: b) Conforme bem detalhada a motivação das glosas de despesas com tratores, foi pelo fato que dentre as diversas utilizações com referidas máquinas, muitas delas não poderiam ser aproveitadas no crédito da contribuição, por serem despesas a serem ativadas no permanente da empresa até que os pomares próprios e de terceiros passem a produzir, enquanto que, não existe qualquer contabilização no permanente, segundo a autoridade fiscal, e, ainda, o fato de que não há qualquer segregação da utilização dos tratores e máquinas agrícolas em áreas próprias, de terceiros em arrendamento e de terceiros, e de áreas em formação, o que impede a possibilidade de aceitação de parte dessas despesas que poderiam estar sendo aplicadas em áreas em produção. Quanto às empilhadeiras, a que se refere a impugnante, embora pelas características somente pudessem ser utilizadas no processo produtivo não identificou quais seriam, com documentos para tanto; c) A afirmação de que todos os gastos com diesel, manutenção de máquinas e equipamentos são necessários à produção do produto não leva em conta que para efeito de utilização dos créditos oriundos desses gastos devem estar perfeitamente enquadrados no inciso II do artigo 3º da lei 10.833/2003, ou seja, bens e serviços utilizados como insumo na produção e fabricação de bens ou produtos destinados à venda, o que não inclui bens que deveriam ser ativados no permanente, nem despesas ou custos de implantação de pomares que ainda não estejam em produção nem atividades em áreas de terceiros; (e-fls. 164/165) Ora, essencial novamente 3 firmar que o contribuinte figura como titular da pretensão nas Declarações de ressarcimento e de compensação e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando que o direito invocado existe. O contribuinte traz considerações gerais quanto ao conceito de insumo, sem demonstrar que eventualmente os bens ou serviços não teriam sido ativados ou afastados das despesas de depreciação (Parecer n.º 5/2018). Assim, caberia ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a Fiscalização incorreu em erro ao não reconhecer o crédito pleiteado, em conformidade com os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972 4 . Nesse sentido, face a ausência de qualquer elemento modificativo concreto da conclusão alcançada pela fiscalização quanto aos créditos relacionados à manutenção de bens do ativo imobilizado (tratores), cabe ser negado provimento ao Recurso neste ponto. III - DISPOSITIVO Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer os créditos referentes ao óleo diesel utilizado em tratores. 3 Como já consigando por esta Turma em outras oportunidade como, por exemplo, no Acórdão n.º 3402-004.763, de 25/10/2017, de minha relatoria. 4 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III- os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" Fl. 198DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3402-006.979 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.720141/2009-77 É como voto.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer os créditos referentes ao óleo diesel utilizado em tratores. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 199DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.011656/2006-19
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/09/2003
DCOMP. POSSIBILIDADES.
É vedada a compensação administrativa de crédito objeto de
contestação judicial, pelo sujeito passivo, uma vez que a sentença na qual este sujeito se baseou veta a possibilidade de compensar valores dos créditos de IPI com tributos de outra natureza.
MULTA ISOLADA. FRAUDE, SONEGAÇÃO OU CONLUIO.
É inaplicável a multa isolada no percentual de 150% sobre os
valores em aberto quando não comprovada intenção ou dolo do
sujeito passivo, no sentido de caracterizar fraude, sonegação ou
conluio, conforme expressamente regula o texto legal. Deve ser
aplicada nestes casos a multa de 75%, conforme regra geral
aplicável ao caso.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2102-000.012
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, deu-se provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de 150% para 75%. A Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentou declaração de voto. Fez sustentação oral o representante da recorrente, Dr. Kazuki Shiobara, CI n2 322.176, SSP/PR
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: GILENO GURJÃO BARRETO
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Recorrida DRJ em Ribeirão Preto - SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/09/2003 DCOMP. POSSIBILIDADES. É vedada a compensação administrativa de crédito objeto de contestação judicial, pelo sujeito passivo, uma vez que a sentença na qual este sujeito se baseou veta a possibilidade de compensar valores dos créditos de IPI com tributos de outra natureza. MULTA ISOLADA. FRAUDE, SONEGAÇÃO OU CONLUIO. É inaplicável a multa isolada no percentual de 150% sobre os valores em aberto quando não comprovada intenção ou dolo do sujeito passivo, no sentido de caracterizar fraude, sonegação ou conluio, conforme expressamente regula o texto legal. Deve ser aplicada nestes casos a multa de 75%, conforme regra geral aplicável ao caso. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, deu-se provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de 150% para 75%. A Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentou declaração de voto. Fez sustentação oral o representante da recorrente, Dr. Kazuki Shiobara, CI n 2 322.176, SSP/PR. _ • eA1/4)-15Utta _ •+ 4 •SEF • MARIA COELHO MARQUES Presidente Processo n" 10980.011656/2006-19 S2-C1T2 Acórdiio n.° 2102-00.012 Fl. 239 4n01, y, B ' ETO ff; GILE G1.1 Relat r Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Mauricio Taveira e Silva, Roberto Velloso (Suplente), José Antonio Francisco e Ivan Allegretti (Suplente). Relatório Por bem descrever os atos praticados no presente feito, adoto como parte do relatório aquele constante na r. decisão recorrida, a seguir transcrito em sua inteireza: "A contribuinte em epígrafe,enviou eletronicamente as DCOMP relacionadas aos autos, visando extinguir os débitos declarados com créditos originários de decisão judicial MS n° 2001.7000.000525-9, cuja decisão concedeu o direito à utilização de créditos de IPI referentes às aquisições de matérias-primas, embalagens e instintos imunes, isentos, não- tributados ou tributados à alíquota zero. Contudo, apurou-se que em 13/03/2002 o interessado interpôs recurso especial (ao STJ) e extraordinário (ao STF), de modo que em 17/04/2002 referido processo foi remetido ao Superior Tribunal de Justiça, o qual ainda não foi julgado. Assim, os créditos ainda não são passíveis de aproveitamento mediante compensação. Por conseguinte, .foi proferido o Despacho Decisório de .fls. 72/77, não-homologando as compensações declaradas e ressaltando que a empresa prestou falsa informação ao formular as Dcomp quando informou ter ocorrido trânsito em julgado em 11/04/2002. Assim, mediante Auto de Infração foi constituído o crédito tributário no montante de R$ 994.444,03, que resultou da aplicação do percentual de 150% sobre o valor das compensações indevidas, sob o argumento de que a contribuinte quis, deliberadaniente, extinguir seus débitos por meio de créditos não reconhecidos por lei, prestando falsa informação, o que caracteriza evidente intuito defraude. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou sua contestação tanto contra a não homologação de suas compensações como contra o lançamento argumentando, em suma, o seguinte: 40.1‘ 2 Processo n° 10980.011656/2006-19 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.012 Fl. 240 /. A requerente efetuou as compensações com o aproveitamento de créditos do IP1 nas entradas das ma térios-primas, embalagens e insumos imunes, isentos, não- tri bu lados ou tributados à alíquota zero, empregados na fabricação de produtos industrializados, reconhecidos pelo acórdão proferido pelo Egrégio TRF da 4" Região; 2. Do referido acórdão, a Fazenda Aracionol deixou de apresentar recurso, seja especial, extraordinário ou mesmo embargo de declaração. Apenas a empresa interpôs recurso especial e extraordinário visando à rejeorrna do acórdão proferido nos aspectos que lhe foram contraditórios, quais sejam, a prescrição e a incidência de antalizczçif o Trzorze tária; 3. Assim, o mérito da ação judicial, que consiste no reconhecimento os créditos de IPI pretendidos-, já que tem decisão definitiva, na medida em que trarzscorret in albis o prazo para a União Federal interpor recurso em z face do acórdão do TRF da 4" Região; 4. Para corroborar o entendimento da contri bu in te que a matéria já transitou em julgado, apresenta posicionanzentos de processualistas, corno Nelson Nery Júnior e Ce-inciido Rangel Dinanzarco, como também acórdãos cio STF e STJ dando sustentação ao posicionamento por ala adotado; 5. A multa isolada teve o artigo 18 da Lei n° 10.833/2003 citado COPIO enquadramento legal, dispositivo que sofreu alterações em sua redação, sendo que a autoridade lançadora pião explicitou qual regra seria aplicável ao caso, como tarnbénz não houve fundamentação em qualificar a penalidade para 15 00/,- 6. A multa lançada não pode prosperar, assim como a sua qualificação em 150% por diversas razões: as compensações levadas a efeito devem ser integrahnente homologadas, conforme já delineado nos tópicos anteriores, e consequentemente a penalidade não pode prosperar; é evidente que a conduta que a conduta da impugnante não pode ser enquadrada rzos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, nos termos dos artigos 71,71 e 73 da Lei n° 4.502/64; o evidente intuito de fraude; outorizador da aplicação da multa de 150%, não se presurrze e deve ser provado; 7.Caso as compensações não sejam integralmente hornologadas, a impugnante argumenta que não pode haver manutenção dos débitos de PIS e COFINS, como também seja carzcelada a sua conseqüente penalidade, nos valores de R$ 23_ 507, 07 e R$ 108.494,19, incluídos nas compensações que sornam R$ 27.888,76 e R$ 128.717,36, respectivamente, pois referidos débitos decorrem da receita de R$ 3.616.472,99, que representa o total do crédito referente à parcela da decisão judicial já transitada em julgado." Neste sentido, às fls. 194/199, a DRJ erri Ribeirão Preto - SP, através do Acórdão n2 14-16.563, na data de 03/08/2007, proferiu sua decisão, por unanimidade de votos, o 40 3 Processo n" 10980.011656/2006-19 S2-CIT2 Acórdão n.° 2102-00.012 Fl. 241 inicialmente ressaltando que a manifestação de inconformidade e a impugnação foram reunidas para serem julgadas em um único acórdão, de acordo com o art. 1 8, § 3 2, da Lei n2 10.833/2003. Salientou também que o crédito tributário está suspenso devido à impugnação apresentada. Por fim, ressaltou ainda que, em relação aos débitos de PIS e Cofins, que estariam majorados em decorrência do reconhecimento da receita referente aos créditos de IPI pertencentes à ação judicial, não seria objeto do presente processo. A ementa deste Acórdão segue abaixo transcrita. "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/09/2003 DCOMP. POSSIBILIDADES. É vedada a compensação administrativa de crédito objeto de contestação judicial, pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Solicitação Indeferida COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Quando o interessado declara como líquidos e certos créditos deferidos judicialmente sem o trânsito em julgado da sentença, caracteriza-se o expediente fraudulento da falsa declaração para eximir-se do pagamento do tributo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CAPITULAÇÃO LEGAL IMPERFEITA. O erro na capitulação legal ou mesmo a sua ausência não acarreta a nulidade do auto de infração quando a descrição dos fatos nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defender-se de forma ampla das imputações que lhe foram feitas." Por conseguinte, passou a analisar o mérito do processo, onde sustentou que não houve desconhecimento da legislação pela contribuinte, que, mesmo sabendo que não poderia compensar créditos judiciais antes do trânsito em julgado da sentença para a compensação, segundo o art. 170 do CTN, esta o fez, apresentando as DComps. Acrescentou que as decisões têm efeitos inter partes e não erga omnes, segundo o Decreto n2 73.529/1974. Consequentemente, não alcançam a área administrativa os efeitos das decisões judiciais. Aduziu, ainda, que a imperfeição do enquadramento legal do lançamento não prejudicou a ampla defesa da interessada, portanto, este lançamento é válido e eficaz. Ressaltou que a requerente prestou falsa declaração, ao afirmar que os créditos judiciais já se encontravam transitados em julgado, estando em vigor a multa prevista no art. 18, caput, § 42, da Lei n2 10.833/2003, com a redação dada pela Lei n 2 11.051/2004. Por fim, argumentou que houve a existência de dolo pela contribuinte no caso em tela, já que esta dispunha da capacidade de antecipação ou previsão das consequências do seu modo de agir, como restou comprovado na presente autuação. Diante do exposto, a DRJ em Ribeirão Preto - SP decidiu no sentido de que fosse mantido o Despacho Decisório e que fosse julgado procedente a multa aplicada. & 4 • Processo n" 10980.011656/2006-19 S2-C1T2 Acórdão o.° 2102-00.012 Fl. 242 Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 02/10/2007, às fls. 205/231, reiterando o que alegou na manifestação de incon formidade, acrescentando que os motivos que ensejaram a penalidade exigida não restaram demonstradas nos autos. Por conseguinte, sustentou que a multa isolada exigida devido às compensações a seguir não pode prosperar, pois é entendimento das autoridades fiscais que o crédito tributário apurado na Ação Judicial n2 2001.70.00.000525-9/PR não pode ser utilizado para compensações dos débitos de PIS, Cofins, IRPJ e CSLL, gerados em função da receita. Ademais, entendeu a contribuinte que teria havido ausência de apreciação dos argumentos expostos no item 5 da impugnação, caracterizando preterição ao direito de defesa, devendo, portanto, ser declarada nula a decisão de primeira instância. Salientou, entretanto, que, caso Vossas Senhorias acolhessem as pretensões da recorrente, por força do art. 59, § 32, do Decreto n2 70.235/72, a nulidade da decisão poderia ser superada. Quanto à alegação do cabimento do art. 18 da Lei n2 10.833/2003, aduziu a contribuinte que tal lei sofreu alterações, onde passou a multa isol ada ter cabimento apenas nas hipóteses em que ficasse caracterizada a prática das infrações dispostas nos arts. 71 a 73 da Lei ri2 4.502/64 (sonegação, fraude ou conluio), o que não ocorreu rio caso em tela, devendo, portanto, ser a penalidade integralmente cancelada. Acrescentou que a sonegação, a fraude e o conluio não se presumem, sendo que as autoridades não apresentaram nenhum elemento e nenhum argumento que fundamentasse a qualificação penal, desrespeitando o princípio da motivação dos atos administrativos. Assim, requereu, preliminarmente, que seja d eclarada nula a decisão de primeira instância. Em relação ao mérito, requereu a reforma do r_ Acórdão recorrido para que sejam homologadas as compensações levadas a efeito através das DComps retificadoras, consequentemente, que seja considerado improcedente o lançamento da multa isolada. Pugna, também, pelo cancelamento da penalidade isolada e pela exclusão da exigência dos débitos de PIS e Cofins, nos valores de R$ 23.507,O7 e de R$ 108.494,19. É o Relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÁO BARRETO, Rei ator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade necessários à sua interposição, portanto, dele tomo conhecimento. A questão tratada no caso em tela refere-se a um pedido de compensação formulado em 31/07/2003, relativo a uma decisão judicial, que, segundo a contribuinte, teria transitado em julgado em abril de 2002. Tal pedido foi glosado pelo Fisco, uma vez que este entendeu que os créditos envolvidos no pedido de compensação não possuíam trânsito em julgado, assim, não poderiam ser utilizados, conforme arts. 170 e 170-A do CTN, além de ensejar um auto de infração por falta de recolhimento de contribuição ao PIS e de Cofins, com os quais os créditos teriam sido compensados, além de multa isolada de 150%, alegando ter havido dolo por parte da contribuinte em compensar indevidamente os créditos de IPI com débitos de PIS e Cofins. s Processo n° 10980.011656/2006-19 S2-CIT2 Acórdão n.° 2102-00.012 Fl. 243 I - Dos débitos compensados pela contribuinte Com a finalidade de esclarecer a questão quanto à compensação dos valores de PIS e Cofins por parte da contribuinte, que, conforme os pedidos de compensação presentes nos autos, compensou os valores de PIS (RS 23.507,07) e Cotins (R$ 108.494,19) com valores de créditos de IPI relativos à decisão judicial n2 2001 .70.00.000 525-9/PR, alega a contribuinte que tais valores correspondem à aplicação das aliquotas relativas a tais tributos sobre a receita de R$ 3.616.472,99, tema do processo judicial citado acima, que teria transitado em julgado, não fazendo sentido recolher tais valores, mesmo que não homologadas as referidas compensações, conforme pleiteado originalmente. Alega a contribuinte que houve trânsito em julgado material sobre parte da sentença, o que verifico em análise nos autos. Nesse tocante, há inclusive recente decisão do Primeiro Conselho de Contribuintes, além de farta jurisprudência (e doutrina) a respeito. Cito: "Número do Recurso: 156405 Matéria: IRF Recorrente: PEBB CORRETORA DE' VALORES' L7r)A.(ATUAL COMPANHIA PEBB DE PARTICIPA ÇC, ES). Data da Sessão: 05/11/2008 00:00:00 Relator: Janaina Mesquita Lourenço cie Souza Decisão: Acórdão 106-17141 • Resultado: DPU - DAR PROVIMENTO POR VIVANIA/LIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, D_AR provimento ao recurso para reconhecer o direi to à compensação e DETERMINAR o retorno dos autos à DRF de origem para exame das demais questães referentes- à compensação. Fez sustentação oral pelo recorrente a Sra. Suza na Soa res Melo, OAB/SP n" 198.074." Outrossim, primeiramente, é fundamental que seja realizada uma análise acerca da compensação realizada pela contribuinte. Conforme seus pedidos de compensação, podemos notar que os valores foram compensados com o saldo de crédito garantido judicialmente através de sentença relativa ao Processo n'=)- 2001_70.00.000525-9/PR. Ocorre que, no meu entender, tal compensação calcou-se em sentença que ora transcrevo, que, eu meu entender, limitou a extensão da compensação efetuada, senão vejamos: "Portanto, é de reconhecer o direito cz o crédito de IPI na hipótese de entrada de matérias-primas, instemos e embalagens inumes, isentas, não-tributados ou tributados c't alligtzczta zero, merecendo acolhimento a pretensão. Outrossim, os créditos deverão ser utilizados exclus ivamente para fins de apuração contábil do IP! devido (C TN, art. 153, áç 3 0, II). Assim, afasta-se a possibilidade de repetição tf° indébito, bem como a compensação pela Lei 8383/91 em, cdner: outros 6 Processo n° 10980.011656/2006-19 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.012 Fl. 244 tributos na forma disposta na Lei 9.430/96, que depende de requerimento à Fazenda, não cabendo ao Judiciário substituir- se à Administração." (grifo nosso) Assim, a sentença deixa claro que não seria cabível a compensação destes créditos de IPI com quaisquer débitos relativos a outros tributos, o que fora realizado pela contribuinte, conforme documentação presente nos autos. Desta forma, não nos resta alternativa senão considerar impraticável a compensação realizada pela contribuinte, pela redação do dispositivo da coisa julgada, transitada em julgado ou não a referida sentença. Outra questão alegada pela contribuinte fora no sentido de que os débitos compensados com os referidos créditos seriam indevidas. Outrossim, mesmo sendo indevidos tais valores, estes foram declarados nas respectivas DCTFs, conforme documentos anexados aos autos, de fis. 62 e 65. Lembramos que os declarados em DCTF constituem-se em confissão de dívida por parte do contribuinte, devendo, assim, ser quitados junto ao Fisco, e, se for o caso de pagamento indevido, o contribuinte deveria iniciar pedido de ressarcimento em processo administrativo distinto, onde deveria comprovar a origem e natureza dos valores pagos indevidamente. Corroborando com este entendimento cito: "DCTF. VALORES DECLARADOS. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Os valores de débitos declarados em DCTF, ainda que vinculados a fatos que representem hipótese de suspensão de exigibilidade ou de extinção do crédito tributário, são considerados confissão de divida, permitindo a sua cobrança, após apuração administrativa especifica de eventual incorreção ou falta na vinculação." (Acórdão n2 201-79.341, relator: José Antonio Francisco, em 27/06/2006) "DCTF - CONFISSÃO DE DÍVIDA - SALDO A PAGAR - Somente o saldo a pagar informado na DCTF configura-se em confissão de divida, que não comporta lançamento de oficio e sim a cobrança desse saldo. Na hipótese de o contribuinte informar que o débito declarado teria sido integralmente extinto mediante pagamento, que em realidade não foi realizado, correta a lavratura de auto de infração para constituição do crédito tributário." (Acórdão n 2 102-47.809, Relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva, em 28/07/2006) Diante destas considerações, entendo que o crédito respaldado pela sentença judicial existe, porém, a compensação realizada com débitos de outros tributos que não o IP I não pode ser aqui homologada, pelos fatos e fundamentos retrodescritos. II - Da multa agravada aplicada Outro aspecto a ser considerado será sobre o eventual dolo, ao praticar ato considerado pela Fiscalização classificável como fraude, sonegação ou conluio, uma vez que a contribuinte compensou valores ainda não confirmados por sentença transitada em julgado. 7 Processo n° 10980.011656/2006-19 S2-CIT2 Acórdão n.° 2102-00.012 Fl. 245 Corno dito, a contribuinte obteve ganho de causa em sentença judicial, onde discutia-se acerca dos ditos créditos de IPI. Verificando o andamento do Processo n2 2001.70.00.000525-9/PR, podemos perceber que não houve contestação ou interposição de qualquer recurso por parte do ex-adverso, mas, sim, por parte da própria contribuinte, contestando parte do indébito, considerada pela sentença como prescrita ou cuja correção monetária seria inincidente. Tal sentença encontra-se anexada aos autos, às fls. 41/47, com data de 02/10/2001. Podemos perceber daí que os pedidos formulados pela contribuinte, datados dos anos de 2003 e 2004, são posteriores ao prazo cabível à parte adversa no processo judicial interpor recurso à decisão supracitada. Desta forma, a contribuinte considerou que, uma vez que a matéria não foi impugnada, teria transitado em julgado, no que concordamos, com fundamento na mais abalizada doutrina processual civil. A autoridade julgadora entendeu, contrariamente, que, tendo havido interposição de Recurso Especial ao STJ e Recurso Extraordinário ao STF, a demanda estaria integralmente em andamento, e por isso a suposta "má-fe" da contribuinte ao declará-la com trânsito em julgado. Para melhor analisar a questão, temos que nos remeter aos conceitos de coisa julgada formal e material, além de nos ater às sentenças, onde são discutidas várias matérias, com decisões diferentes, e seus respectivos efeitos no mundo jurídico. Primeiramente, temos que entender que urna sentença de mérito poderá ser simples ou complexa, dependendo do número de quesitos que a compõem, sendo que, no caso de sentenças complexas, como a do caso em tela, mais de um assunto é discutido e mais de urna decisão é tomada, dentro de uma mesma sentença. Desta forma, cada uma das decisões possui uma solução autônoma entre as demais, dando a possibilidade da parte que se sentir insatisfeita com a decisão proferida recorrer no que lhe é interessante, e não necessariamente à sentença como um todo, nos casos onde a decisão lhe é parcialmente favorável. Corroborando com este entendimento, Humberto Teodoro Junior cita um exemplo que demonstra a situação a que quero me referir: "Numa hipótese de ação indenizatória, em que se pleiteiam verbas para reparação de danos materiais, lucros cessantes e danos morais, as três postulações de mérito podem encontrar soluções definitivas em momentos processuais distintos, assim imaginados: a) os danos materiais podem se tornar certos e líquidos na sentença de primeiro grau, uma vez que o réu interponha apelação apenas enz face da solução relativa aos lucros cessantes e aos danos morais (segundo o art. 515, a apelação somente devolve ao Tribunal o conhecimento da matéria impugnada); b) os lucros cessantes, por sua vez, podem ter sua apreciação judicial encerrada no Tribunal de 2° grau, se o recurso especial levar ao exame do Superior Tribunal de Justiça apenas a matéria relacionada com o dano moral (nesse caso, o acórdão do Tribunal, proferido em grau de apelação, teria substituído, em caráter definitivo, apenas um ca ítulo da sentença de 1° \ 8 Processo n° 10980.011656/2006-19 S2-CIT2 Acórdão n.° 2102-00.012 Fl. 246 grau, qual seja, o dos lucros cessantes, conforme a regra do art. 512: 'o julgamento proferido pelo Tribunal substituirá a sentença ou a decisão recorrida no que tiver sido objeto de recurso); c) .finalmente, o Superior Tribunal de Justiça, conhecendo do especial, definirá a solução de mérito, referente aos danos morais (única questão cujo conhecimento lhe foi devolvido), e o que decidir substituirá aquilo que a sentença de primeiro grau e o acórdão da apelação haviam estatuído a respeito. Daí a inevitável conclusão de que três julgamentos de mérito, de natureza definitiva, teriam sido proferidos por juízos distintos e em momentos diversos, dentro de uni só processo, provocando preclusões e formando coisas julgadas em estágios diferentes da marcha processual." (JUNIOR, Humberto Teodoro, Curso de Direito Processual Civil, Vol. II, Forense, 1996) O exemplo citado pelo doutrinador esclarece bem a questão de um só processo gerar mais de uma sentença definitiva, portanto, mais de um trânsito em julgado, de uma forma mais precisa, um trânsito em julgado para cada matéria nos momentos em que as decisões acerca das mesmas se tornarem definitivas. Podemos citar o próprio CPC, que, em seu art. 498, parágrafo único, assim dispõe: "Art. 498. Quando o dispositivo do acórdão contiver julgamento por maioria de votos e julgamento unânime, e forem interpostos embargos infringentes, o prazo para recurso extraordinário ou recurso especial, relativamente ao julgamento unânime, ficará sobrestado até a intimação da decisão nos embargos. Parágrafo único. Quando não forem interpostos embargos infringentes, o prazo relativo à parte unânime da decisão terá como dia de início aquele em que transitar em julgado a decisão por maioria de votos." Nota-se claramente que o próprio CPC segrega o que é decidido de forma unânime e por maioria de votos na mesma sentença, o que corrobora com o entendimento de que é possível segregar decisões dentro da mesma sentença, o que nos leva a crer que, se tenho decisões distintas em uma mesma sentença, também posso ter trânsitos em julgado distintos dentro de uma mesma sentença. Desta forma vale a pena elucidar o que viria a ser coisa julgada e suas modalidades. Podemos considerar a ocorrência da coisa julgada quando da sentença ou decisão judicial não for mais cabível impugnação ou qualquer outro recurso, conforme o art. 62, § 32, da Lei de Introdução do Código Civil (Decreto-Lei n 2 4.657, de 1942): "Art. 6" A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada. (Redação dada pela Lei n"3.238, de 1".8.1957) 9 d Processo n° 10980.011656/2006-19 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.012 Fl. 247 § 3" Chama-se coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não caiba recurso." Porém, o conceito acima demonstrado não abrange toda a complexidade acerca da coisa julgada, que é definida, na verdade, não apenas pela sentença ou decisão em si, mas também pelo seu conteúdo. Podemos dividir a coisa julgada em duas espécies, a coisa julgada formal e material. A coisa julgada formal corresponde à imutabilidade da sentença, ou seja, não estando esta mais pendente de recurso ou de qualquer outra condição de eficácia, tendo ela resolvido ou não o mérito da causa, tornar-se-á imutável e indiscutível. Sua eficácia é transitória, sendo sua observância obrigatória, apenas, em relação ao processo em que foi proferida e ao estado de coisas que se considerou no momento de decidir. Em processo posterior não obsta que, mudada a situação fática, a coisa julgada possa ser modificada. Podemos notar, portanto, que a coisa julgada formal baseia-se na sentença como instrumento imutável, deixando de lado o seu conteúdo e o número de questões decididas pela mesma. Por outro lado, a coisa julgada material, conforme defende Alexandre Câmara: "Já a coisa julgada material, consiste na imutabilidade e indisclitibilidade do conteúdo (declaratório, constitutivo, condenatório) da sentença de mérito, e produz efeitos para fora cio processo. Formada esta, não poderá a mesma matéria ser novamente discutida, em nenhum outro processo." (CAMARA, Alexandre. Lições de Direito Processual Civil, Volume I, 8 2 ed. Rio de Janeiro: Lúmen hiris, 2002, p. 464-465) Assim, temos que a coisa julgada material se refere ao mérito da questão, que compõe a sentença, de forma que quando a questão resolvida pende-se ao mérito, a decisão, qualquer que seja o momento em que ocorra, terá de fazer coisa julgada material, porque, logicamente, assumirá autoridade que impeça sua rediscussão no processo atual ou em qualquer outro processo superveniente. Conforme entendimento de Barbosa Moreira, no tocante a situações em que ocorrem várias decisões quanto ao mérito da questão: "a) ao longo de um mesmo processo, podem suceder-se duas ou mais resoluções de mérito, proferidas por órgãos distintos, em momentos igualmente distintos; b) todas essas decisões transitam em julgado ao se tornarem imutáveis e são aptas a produzir coisa julgada material, não restrita ao âmbito do feito em que emitidas; c) se em relação a mais de uma delas se configurar motivo legalmente previsto de rescindibilidade, para cada qual será proponivel uma ação rescisória individualizada; d) o prazo de decadência terá de ser computado caso a caso, a partir do trânsito em julgado de cada decisão." (Barbosa Moreira. Sentença objetivamente complexa. Trânsito em julgado . . Processo n° 10980.011656/2006-19 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.012 Fl. 248 e rescitidibilidade, Revista Dialética de direito processual, v. 45, p. 182) Aplicando tais esclarecimentos ao caso em tela, temos uma sentença que julgou vários aspectos dentro de urna situação complexa, de forma a resultar em um ganho de causa parcial às partes, o que resultou em urna interposição de recurso por parte da requerente às instâncias superiores, apenas no que lhe fora desfavorável, e por outro lado, nenhum questionamento por parte da parte diversa, fazendo com que a questão que fora favorável à requerente não fosse em momento algum questionada, produzindo efeitos definitivos. Temos, portanto, que, no tocante à matéria que não fora questionada por nenhuma das partes envolvidas no processo, ocorreu a coisa julgada material. Desta forma, entendo que a sentença judicial em questão, no que diz respeito ao crédito concedido, não atacada pela requerente e muito menos pela parte vencida, conforme podemos evidenciar no acompanhamento processual junto à página eletrônica do TRF da 42 Região, não poderia, já de então, ser alterada por via recursal, o que garante o trânsito em julgado material da questão aqui abordada. Assim, não considero a conduta da contribuinte dolosa, no sentido adotado pela autoridade lançadora, de suposta tentativa de ludibriá-la. Entendo que para ser caracterizada a multa isolada de 150% aplicada pela Fiscalização seria necessária a demonstração de clara e inequívoca evidência de intenção, por parte da contribuinte, de fraudar ou sonegar valores junto ao Fisco, não o claro e inequívoco desconhecimento jurídico dos efeitos da coisa julgada, como demonstrado na decisão recorrida. Por isso, entendo adequada a aplicação da multa no percentual de 75%, conforme regra geral e entendimento pacífico deste Colegiado. III - Conclusão Diante de todo o exposto, entendo impossível de ser homologada a compensação realizada pela contribuinte, considerado o teor da sentença judicial. Por isso, voto no sentido de manter o lançamento integralmente, por considerar não extinta a obrigação tributária sujeita ao procedimento compensatório, devidamente declarados em DCTFs. Por outro lado, voto no sentido de reformar a decisão a quo, reduzindo a multa agravada para o percentual de ofício de 75%, conforme previsto na legislação em vigor. É corno voto. Sala das Sessões, em 03 março de 2009. /GILE —GU 'ik- O ARRETO lei ia 1 I
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Numero do processo: 16366.000513/2009-58
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/10/2004
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante/recorrente.
INFRAÇÕES E PENALIDADES. LEGISLAÇÃO. INTERPRETAÇÃO. Interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado a legislação que define infrações ou lhes comina penalidades.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-001.280
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/10/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante/recorrente. INFRAÇÕES E PENALIDADES. LEGISLAÇÃO. INTERPRETAÇÃO. Interpretase da maneira mais favorável ao acusado a legislação que define infrações ou lhes comina penalidades. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 23/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Pereira e Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. Ausente momentaneamente a Conselheira Nanci Gama. Relatório Fl. 371DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.1019.09408.9I8I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Tratase de impugnação contra a multa isolada, no montante de R$ 585.870,61, por ter a ora recorrente informado na PERDCOMP o trânsito em julgado de ação mandamental, cujo crédito ainda encontrase em discussão. Consta dos autos que o crédito tributário em questão originouse no Mandado de Segurança nº 2004.70.01.0050810, impetrado pela empresa, ainda não transitada em julgado, que discute o direito de escriturar créditos de IPI com as mesmas alíquotas incidentes nas saídas, abrangendo operações futuras e aquelas ocorridas nos últimos cinco anos, contados do ajuizamento da ação, corrigidos monetariamente. Consta dos autos que tanto a liminar como a sentença foram denegadas, como também restou negado no mérito provimento à apelação pelo TRF da 4ª Região e até o momento a empresa não obteve qualquer decisão que lhe fosse favorável. Visando a determinar a legitimidade do pedido de compensação, o Fisco verificou que a informação inserida na Dcomp, de que o trânsito em julgado da ação judicial se deu em 30/04/2004, era incorreta, já que na data de sua transmissão ainda não havia sido julgada a liminar nem a segurança. Este fato, por contrariar as determinações do artigo 170A do Código Tributário Nacional – CTN; do artigo 74 da Lei nº 9430, de 1996, e do artigo 34 da IN/RFB nº 900 de 2008, ensejou tanto na nãohomologação da compensação pretendida como no lançamento da multa isolada, por prática de fraude, conforme o artigo 18 da Lei nº 10.833/2003. Regularmente cientificada de ambos os procedimentos, a empresa apresentou apenas contestação quanto ao lançamento da multa isolada, fazendo, em resumo, fez as seguintes considerações: Além da permissão da compensação do crédito tributário antes do trânsito em julgado da ação judicial, tendo em vista que o crédito tributário foi acumulado anteriormente a Lei complementar nº 104/01, a empresa não tinha outra alternativa a não ser fazer a declaração de compensação e, para tanto, foi obrigada a indicar a data do trânsito em julgado, caso contrário, o sistema não lhe permitiria fazer a Dcomp; A empresa tinha plena ciência de que poderia realizar a compensação, já que seu crédito havia sido acumulado em data anterior à publicação da LC nº 104/2001, porém, a única maneira de formalizar a compensação era por meio do PERDCOMP, caso contrário a empresa ficaria totalmente desprotegida; A data lançada nas PERDCOMP coincide com a data do ajuizamento do mandado de segurança, de forma que a mesma não foi inventada, mas guarda conexão com o processo judicial e a empresa foi coagida a lançar esta data pois, caso contrário, seu pedido de compensação não seria analisado, por não ter se utilizado do programa PERDCOMP. Agiria de mafé o contribuinte se não tivesse comunicado a efetivação da utilização do crédito ao Fisco, sendo assim, como alegar máfé ou fraude se o contribuinte confessou o seu débito e realizou o pedido de compensação com crédito tributário com fundamento em datas reais, relativas à decisões totalmente favoráveis no judiciário. Aonde pode se constatar dolo neste caso? A empresa utilizouse de crédito tributário cuja discussão no judiciário estava encerrada, tendo em vista que no final do ano de 2002, no Supremo Tribunal Federal, por 9 votos a 1, foi garantido o direito ao crédito de IPI relativo à aquisições Fl. 372DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.1019.09408.9I8I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16366.000513/200958 Acórdão n.º 310201.280 S3C1T2 Fl. 2 3 isentas, não tributadas e tributadas a alíquota zero. Assim, pautado pela segurança jurídica, a empresa realizou suas ações com o norte da doutrina e das decisões judiciais à época; No que pertine à fixação de penalidade em matéria tributária é fundamental a consideração da máfé ou não do contribuinte, isto é, a sua cooperação em relação à atividade fiscalizatória da administração pública, fornecendo os documentos solicitados, prestando declarações e assim por diante, exatamente como se portou a empresa ora impugnante; O contribuinte em nenhum momento se utilizou de expediente para retardar o fato gerador dos tributos, já que a realização do pedido de utilização do crédito tributário implica a existência de débitos constituídos, estando a empresa amparada pelo princípio da boafé, o qual encontra ressonância na melhor jurisprudência pátria, colecionada na peça impugnatória; A medida provisória nº 449/2008 e a Lei nº 11.941/2009 conferiram anistia parcial à utilização de créditos de IPI, nos casos em apreço, dando claro reconhecimento de que a matéria estava com decisão a favor da empresa, inclusive quanto às compensações; A lei aplicável não é a lei vigente à época do encontro de contas, mas sim a lei que vigorava no momento dos recolhimentos indevidos que geraram o direito ce crédito do sujeito passivo. Por fim, solicitou a nulidade do auto de infração, com o cancelamento da multa isolada . Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/10/2004 DCOMP. NÃOHOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A não contestação expressa dos fatos apontados na decisão administrativa pressupõe a concordância da impugnante e indica sua indiscutibilidade no âmbito do processo administrativo. Não tendo a impugnante se manifestado quanto a nãohomologação das compensações o assunto reportase incontroverso. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. INFORMAÇÕES FALSAS. MULTA ISOLADA MAJORADA. É ilegítima a compensação de débitos com créditos judiciais sem trânsito em julgado, compensação essa declarada mediante prestação de informações falsas, justificando a imposição da multa isolada majorada de 150%, sobre os débitos indevidamente compensados, com evidente intuito de fraude. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na Manifestação de Inconformidade. Fl. 373DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.1019.09408.9I8I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Tal como se depreende dos autos e, notadamente, na ementa que sintetiza a decisão tomada na instância a quo, considerouse que a recorrente não manifestou expressamente contrariedade à não homologação da compensação pleiteada. Da leitura do Recurso Voluntário apresentado, confirmase o entendimento que norteou a decisão de piso, afastandose a possibilidade de que tenha havido preterição ao direito de defesa do contribuinte. Isso porque, embora a certa altura se pudesse entender que os protestos dirigidos à exigência de processo judicial transitado em julgado antes da vigência da Lei que estabeleceu o requisito estivessem relacionados ao reconhecimento dos créditos do contribuinte e não à multa aplicada, o fato é que, diante da explícita menção contida na ementa da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, menos não havia como esperar do que uma objetiva e contundente manifestação de contrariedade por ocasião da apresentação do Recurso, fato que não ocorreu e cuja omissão ficou ainda mais caracterizada no teor do pedido que encerra a peça recursal, nos seguintes termos. IV — DO REQUERIMENTO Diante de todo o exposto, requer seja provido o presente recurso para o fim de decretar a nulidade do auto de infração em análise, visando o afastamento e cancelamento da aplicação da multa isolada nos casos em análise, por imperativo de Justiça! Nestes termos, Pede deferimento. Arapongas, 01 de abril de 2010. Por força destas circunstâncias, não há como entender diferentemente, se não pela constatação de ausência de qualquer manifestação da recorrente quanto à não homologação da compensação e o não reconhecimento do crédito consignado na Dcomp, restando apenas decidir quanto à multa aplicada pela prestação de informações falsas na Declaração. Quanto a isso, parece que seja desnecessário encaminhar um novo processo discursivo acerca do tema já tão bem examinado no voto condutor da decisão recorrida. Melhor será reproduzilo na parte em que examina a pertinência de aplicação da multa frente aos argumentos apresentados pela recorrente, para depois expor o ponto no qual identifico razão para discordar da decisão tomada. Inexistindo liminar ou outra ordem judicial em vigor a amparar o crédito e sua compensação, a mera expectativa de uma decisão judicial favorável a contribuinte, seja porque outras concedidas a terceiros existem, seja sob a alegação de segurança jurídica, não ampara sua pretensão, não impede o lançamento, a cobrança do crédito tributário nem a nãohomologação das compensações declaradas em pedidos administrativos. Fl. 374DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.1019.09408.9I8I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16366.000513/200958 Acórdão n.º 310201.280 S3C1T2 Fl. 3 5 Decisões judiciais atinentes ao caso concreto não têm eficácia erga omnes; não constituem legislação tributária, à luz do CTN, artigos. 96 e 100, e dependem de Resolução do Senado Federal para que tenham efeito sobre a atividade da Administração Tributária (controle difuso da constitucionalidade). De acordo com o Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, se houvesse declaração de inconstitucionalidade, de lei, tratado ou ato normativo, com eficácia ex tunc, proferida pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade (controle concentrado de constitucionalidade), relativamente à questão sob escrutínio, então seria permitido às autoridades fiscais incumbidas do julgamento administrativo em 1ª instância afastar a aplicação do diploma normativo mediante ato emanado do Secretário da Receita Federal. Do contrário, deve ser aduzido que o princípio da estrita legalidade é o paradigma da atividade administrativa estatal. À administração Pública compete tão somente aplicar o direito tributário positivo. Por outro lado, há que se destacar que a discussão judicial referente ao direito a créditos de IPI no caso de aquisições tributadas pelo imposto mas com base na alíquota incidente sobre os produtos a que dá saída não está encerrada judicialmente, já que tal discussão não está contida no RE nº 212.484/RS, que trata do creditamento do IPI de aquisições isentas, tributadas a alíquota 0% e não tributadas. Assim, em que pese a indiscutível respeitabilidade das decisões emanadas do Egrégio Superior Tribunal de Justiça e do Egrégio Supremo Tribunal Federal, e a sua plena eficácia e força impositiva para as partes envolvidas nos respectivos processos judiciais, a Constituição Federal, o Código Tributário, Lei Ordinária, ou ato infralegal não estabelecem, como regra geral, a obrigatoriedade de aplicação das decisões dos tribunais pelas autoridades administrativas de julgamento. Desta forma, verificase que não há qualquer direito adquirido por parte da interessada com referência a estes créditos, nem qualquer ofensa à segurança jurídica e, por conseguinte não há como aceitar, administrativamente, que a empresa escriture, em seus livros fiscais, créditos fictos (inexistentes), nem mesmo que os compensem com tributos e contribuições administrados pela RFB sem o trânsito em julgado da ação judicial que lhe confira esse direito. Ademais, há que se ressaltar que, havendo contestação judicial quanto ao crédito objeto da compensação, sem o trânsito em julgado do respectivo provimento, a compensação administrativa não pode ser realizada pela existência de impedimento legal. Isto porque somente pode ser autorizada administrativamente a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos a favor do contribuinte. O crédito em discussão não ostenta a marca da liquidez e da certeza, pois ainda está sob apreciação do direito em que se funda e, ainda mais, ex vi do art. 170A, é defeso efetuar compensações de débitos com direito creditório cujo mérito é discutido em processo judicial em trâmite, ou seja, ainda não julgado definitivamente. Vale dizer, só há crédito oponível à Fazenda Pública com o desfecho em definitivo favorável ao particular da demanda judicial: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 375DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.1019.09408.9I8I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial”. (Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Quanto à aplicabilidade do art. 170A, acrescido pela Lei Complementar nº 104, de 2001, ao Código Tributário Nacional, esclareçase que a referida Lei é de 10/01/2001, e o pedido de ressarcimento e as compensações foram protocolizados no ano de 2004, já sob a sua vigência. Também a ação judicial foi ajuizada no ano de 2004, já sob a vigência do dispositivo impeditivo. Portanto, já não se admitia a compensação de tributos antes do trânsito em julgado da decisão judicial, a não ser que o provimento judicial fosse expresso neste sentido, afastando a eficácia do art. 170A. Mas assim não ocorreu, mesmo porque não há notícias nos autos que a empresa solicitou a compensação destes créditos judicialmente. Não se trata aqui da data da obtenção do direito creditório, como quer crer a contribuinte, mas da data da solicitação da compensação, pois esta compensação se rege pela lei eficaz no momento do seu processamento – no caso, da data da transmissão das PER/COMP , e não no momento em que é gerado o crédito a repetir. Neste sentido, inclusive, o pronunciamento do Supremo Tribunal Federal, ao interpretar que o regime jurídico é do momento do encontro de contas. Observese a ementa de julgado sobre o tema:1 (...) Outrossim, há que se ressaltar que os créditos solicitados referemse ao período compreendido entre os anos de 2002 a 2004, sendo totalmente apurado após a edição da LC nº 104, de 2001, contrariamente ao alegado pela contribuinte. Acrescentese que o artigo 74 da Lei nº 9430, de 1996, na redação dada pelo art. 49 da Lei nº 10.637, de 30/12/2002, menciona expressamente a necessidade de trânsito em julgado no caso de compensação de créditos autorizados judicialmente, guardando perfeita consonância com o art. 170A do CTN. Todavia, há que se reconhecer que mesmo sob a égide da legislação anterior, somente era possível a compensação administrativa de tributos e contribuições com créditos judiciais após o trânsito em julgado da ação e quando comprovada a desistência da execução, conforme demonstram os artigos 12 e 17 da IN 21/97: Art. 12. Os créditos de que tratam os arts. 2º e 3º, inclusive quando decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, serão utilizados para compensação com débitos do contribuinte, em procedimento de ofício ou a requerimento do interessado. (...) Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a 1 STF, Primeira Turma, RE 254459 / SC, Relator Min. ILMAR GALVÃO, julgamento em 23/05/2000, unânime. No mesmo sentido, STF, Primeira Turma, AIAgR 511024, Relator Min. EROS GRAU, julgamento em 14/06/2005, unânime. Cf. www.stf.gov.br, acesso em 08/04/2007. Fl. 376DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.1019.09408.9I8I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16366.000513/200958 Acórdão n.º 310201.280 S3C1T2 Fl. 4 7 restituição, o ressarcimento ou a compensação. (Redação dada pela IN SRF nº 73/97, de 15/09/1997) § 1° No caso de título judicial em fase de execução, a restituição, o ressarcimento ou a compensação somente poderão ser efetuados se o contribuinte comprovar junto à unidade da SRF a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. (Redação dada pela IN SRF nº 73/97, de 15/09/1997) Portanto, fica claro que a legislação tributária sempre vedou a compensação administrativa de créditos judiciais antes do trânsito em julgado da sentença (mesmo antes do artigo 170A). Antes deste dispositivo, porém, a compensação de créditos discutidos judicialmente era possível quando discutida na própria ação judicial (mandado de segurança) e deferida pelo magistrado, mas essa não se solicitava administrativamente e se fazia precariamente por efeito de liminar em mandado de segurança ou antecipação de tutela (em outros tipos de ação judicial). (...) Em sua impugnação, a empresa alegou que não tinha outra alternativa a não ser fazer a declaração de compensação e, para tanto, foi obrigada a indicar a data do trânsito em julgado, caso contrário, o sistema não lhe permitiria fazer a Dcomp, e que essa seria a única maneira de formalizar a compensação, sem a qual a empresa ficaria totalmente desprotegida. Que a data lançada nas PERDCOMP coincide com a data do ajuizamento do mandado de segurança, de forma que a mesma não foi inventada, mas guarda conexão com o processo judicial e que foi “coagida” a lançar esta data pois, caso contrário, seu pedido de compensação não seria analisado, por não ter se utilizado do programa PERDCOMP. Acrescentou que não agiu de máfé, pois comunicou a efetivação da utilização do crédito ao Fisco, confessou seu débito e realizou o pedido de compensação com crédito tributário com fundamento em datas reais, relativas à decisões totalmente favoráveis no judiciário. A contribuinte, ora recorrente, ao informar nas PERD/DCOMP o suposto trânsito em julgado da ação mandamental, prestou informação falsa ao Fisco, visando, com tal informação liquidar, por meio da compensação irregular, os créditos tributários por ela devidos. Certo está que, na data da transmissão destes documentos, nenhum crédito líquido e certo, nos termos do artigo 170 do CTN c/c o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 (com a redação que a época vigorava) amparava as compensações, sendo que no momento em que a contribuinte as transmitiu já buscava a extinção de seus débitos de forma antecipada. Nenhuma dúvida existe de que tais compensações pela via administrativa eram indevidas e que a interessada disso sabia. Os argumentos apresentados em sua impugnação deixam claro que é conhecedora da legislação que rege as compensações e suas modificações e que mesmo sabendo das limitações administrativas e da vedação legal à compensação, por desejar compensar créditos que “acreditava” existir, burlou o sistema eletrônico, produzindo informação falsa que excluiria de imediato o débito da contribuinte e levaria o fisco certamente ao erro. A exposição dos fatos contrastada na legislação de regência, tal como consta nos excertos do voto acima transcritos, não deixa dúvidas quanto ao equívoco do contribuinte ao informar na Dcomp processo judicial que ainda não havia transitado em julgado no momento do registro da Declaração, tampouco da presença do elemento volitivo na ação Fl. 377DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.1019.09408.9I8I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 empreendida. Contudo, há uma questão de caráter essencialmente legal que se requer seja enfrentada. Seguese o enunciado normativo que determina a aplicação de multa isolada em situações como de que aqui se trata. Lei 10.833/03 Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1o Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2o A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. § 3o Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. Como fica claro, também da leitura do voto em primeira instância, a imposição de multa foi mantida com supedâneo na evidente presença do dolo nas ações da recorrente, se não vejamos. O art. 72 da Lei nº 4.502, de 30.11.1964, definiu a fraude, sob a ótica tributária, ao conceituar que “é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento”. Não há dúvidas que a empresa visou com tal informação falsa liquidar, por meio da compensação irregular, os créditos tributários por ela devidos, ou seja evitar o pagamento do imposto, extinguindoo de forma irregular. Bem identificada, dentre as hipóteses de aplicação da multa isolada, a possibilidade de que esteja caracterizada a fraude na ação do contribuinte, ocorrência contemplada no artigo 72, já que as demais não tem chance de ser encontradas, a teor dos artigos citados. Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 378DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.1019.09408.9I8I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16366.000513/200958 Acórdão n.º 310201.280 S3C1T2 Fl. 5 9 Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Não havendo ação tendente a impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador ou de sua natureza ou circunstâncias materiais, tampouco das condições pessoais do contribuinte e, menos ainda, conluio, apenas se cogita e investiga da possibilidade de que tenha havido fraude. O problema é que fraude, tal como descrito no artigo 72 da Lei 4.502/64, remissão feita no enunciado legal que define a infração passível da aplicação da multa, está conceituada como toda ação ou omissão dolosa tendente a (i) impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a (ii) excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. O exame das circunstâncias materiais que levaram à aplicação da multa denota uma ação intencional, e, assim, dolosa, mas relacionada à informação prestada quanto ao efetivo trânsito em julgado do processo judicial de reconhecimento de um direito, inexatidão cuja consequência afeta exclusivamente a liquidez do crédito do contribuinte, em nada interferindo na ocorrência do fato gerador do crédito tributário, elemento central do conceito de fraude e do qual a infração não pode ser dissociada. Assim prescreve o Código Tributário Nacional, no tocante à interpretação da legislação tributária. Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Noutro giro, a teor do texto da lei que define a infração e comina a penalidade, tratase de pena aplicável quando demonstrada a presença do dolo, ou, simplesmente, a compensação indevida de crédito ou o débito não passível de compensação por expressa disposição legal, como expresso no caput do artigo 18 da Lei 10.833/03, graduada em 75% ou 150% (parágrafo 2º), conforme o caso. Uma vez que tratamse de infrações contempladas no mesmo texto normativo e cuja conduta foi perfeitamente identificadas no auto de infração, admissível a manutenção da pena na menor graduação. Pelo exposto, considerando a definição de fraude contida na Lei 4.502/64 e o preceituado no Código Tributário Nacional, no sentido de que a lei que define infrações ou lhes comina penalidades deve ser interpretada da maneira mais favorável ao acusado quando houver dúvida quanto à capitulação legal do fato, VOTO POR DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente, para reduzir a multa aplicada ao percentual de 75%. Fl. 379DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.1019.09408.9I8I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 Sala de Sessões, 11 de novembro de 2011. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 380DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP29.1019.09408.9I8I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por RICARDO PAULO ROSA em 23/11/2011 10:41:34. Documento autenticado digitalmente por RICARDO PAULO ROSA em 23/11/2011. Documento assinado digitalmente por: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO em 06/03/2012 e RICARDO PAULO ROSA em 23/11/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por HIULY RIBEIRO TIMBO em 29/10/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP29.1019.09408.9I8I Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: F24F7A17ED76688FF46E3CBB29949DE903E35CE9 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 16366.000513/2009-58. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10675.003589/2003-70
Data da sessão: Tue May 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LIÉCRO LÍQUIDO.
Ano-Calendário: 1994
EMENTA: REGRAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRAZO
DECADENCIAL DE DEZ ANOS. ARTIGOS 45 E 46 DA LEI N°.
8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA VINCULANTE N°
08. OBRIGATORIEDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
De acordo com a Súmula Vinculante n°. 08, são inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário, logo o prazo decadencial da CSLL é de cinco anos.
Numero da decisão: 1802-000.464
Decisão: Acordam os membro do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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Edwal Casoni de P unior — Relator. EDITADO EM: 1 6, S1-TE02 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10675.003589/2003-70 Recurso n° 163.292 Voluntário Acórdão n° 1802-00.464 — 2 Turma Especial Sessão de 18 de maio de 2010 Matéria CSLL. Recorrente Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora de Fátima S.A. Recorrida 2' Tuuna/DRJ - Rio de Janeiro/RJ. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LIÉCRO LÍQUIDO. Ano-Calendário: 1994 EMENTA: REGRAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL DE DEZ ANOS. ARTIGOS 45 E 46 DA LEI N°. 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA VINCULANTE N° 08. OBRIGATORIEDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. De acordo com a Súmula Vinculante n°. 08, são inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário, logo o prazo decadencial da CSLL é de cinco anos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membro do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do jel-atiW -e voto que integram o presente julgado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gilberto Baptista (Suplente Convocado), Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, João Francisco Bianco. Processo n° 10675A03589/2003-70 81-TE02 Acórdão n.° 1802-00.464 Fl, 2 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima qualificada pretendendo reformar decisão proferida pela 2a Turma da DRJ do Rio de Janeiro/RJ. Versa o processo em análise acerca de auto de infração (fls. 21 — 32), lavrado para formalização e exigência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL - referente ao ano calendário 1994 e do qual a recorrente tomou ciência em 21 de novembro de 2003. Confoune Descrição dos Fatos (fls. 23 — 24), a recorrente impetrou o Mandado de Segurança n° 96.0005164-0, objetivando o direito de compensar, integralmente, os prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativas da contribuição social sobre o lucro, acumulados até 31/12/1994, ou gerados a partir de 01/01/1995, sem a limitação imposta pelos artigos 42 e 58 da Lei n° 8.981/95 e 15 e 16 da Lei n° 9.065/95. Relata-nos a Fiscalização, que pretendida liminar fora indeferida em 26/04/1996, e a segurança denegada, razão pela qual apresentou-se a apelação para a qual negou-se provimento em 19/10/1999, interpondo-se Recurso Extraordinário e Especial, em 27/02/2000. Assenta a Fiscalização que após os trâmites de praxe, a recorrente sucumbiu no Poder Judiciário, transitando-se em julgado em 16/10/2002 as desfavoráveis decisões, diante do que, foram efetuadas as conferências da regularidade fiscal do IRPJ e da CSLL, observando-se as limitações impostas pelos artigos 42 e 58 da Lei n° 8.981/95. Nessa ordem de ideias, assentou-se que Quadro Demonstrativo da Compensação de Prejuízos Fiscais — extraído do SAPLI — Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro Inflacionário e Base de Cálculo Negativa da CSLL, apontam que nos meses de abril, maio, junho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro do período base de 1994, a recorrente compensou todo o resultado positivo apurado com a base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores. Destarte, procedeu-se ao lançamento de oficio, decorrente das compensações da base negativa da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido de períodos anteriores superiores ao limite de 30% (trinta por cento) dos lucros líquidos ajustados, nos meses de abril, maio, junho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro de 1994. Cientificado (fl. 35), a recorrente apresentou Impugnação (fls. 37 - 39), sustentando ter havido a decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário, porquanto, a liminar em mandado de segurança fora indeferida e a exigibilidade dos tributos não estava suspensa, ficando o Fisco jungido a realizar a constituição definitiva dos seus supostos créditos, inscrição em dívida ativa e ação de execução fiscal. Alegou ainda, que ante a inércia do Fisco, mesmo não estando a exigibilidade dos créditos suspensa, se imporia reconhecer a decadência eis que se deveria exigir o crédito em 1995, ano seguinte ao fato gerador por tratar-se CSLL e IRPJ ano calendário de 1994. Processo n° 10675.003589/2003-70 81-TE02 Acórdão n.° 1802-00.464 Fl. 3 Teceu comentários no sentido de ser a decadência tributária modalidade de extinção do direito não-constituído ou em vias de constituição, requerendo assim a improcedência do lançamento. Entendeu a decisão recorrida (fls. 56 — 61) que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito referente à Contribuição Social sobre o lucro líquido extingue-se após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído (inciso I, artigo 45, da Lei n.° 8.212/1991 — revogado pelo Supremo Tribunal Federal), e que a ausência de impugnação, por parte da interessada, de matéria objeto de lançamento de oficio, consolida administrativamente o crédito tributário decorrente, julgando, portanto procedente o auto de infração. Cientificada (fl. 67) a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 68 — 78) reiterando o decaimento e pugnando por provimento. É relatório. Processo n° 10675.003589/2003-70 81-TE02 Acórdão w° 1802-00.464 Fl, 4 Voto Conselheiro Relator, Edwal Casoni de Paula Femandes Junior Recurso apresentado no prazo e com os demais requisitos de admissibilidade satisfeitos. Dele tomo conhecimento. Observe-se que a possível extinção do crédito tributário deve ser enfrentada em prejuízo da própria matéria controvertida (compensação de base negativa de CSLL em patamar superior ao permitido), e já nessa sede preliminar constata-se que o Recurso Voluntário merece ser provido e o auto de infração julgado, portanto, improcedente, eis que o crédito tributário nele controlado foi extinto nos moldes do artigo 156, inciso V, do Código Tributário Nacional. Depreende-se do relatório elaborado acima, que a decisão recorrida entendeu que o prazo decadencial oponível ao Fisco e do dispõe para lavratura de auto de infração afeto à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, seria de dez anos consoante os revogados artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91. Ocorre, que nos termos do artigo 2° da Lei 11.417/2006, o supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante n° 08, cuja redação transcreve-se abaixo: Súmula Vinculante 08. São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-Lei n°1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Desta forma, a interpretação dada pela decisão recorrida ao caso concreto fica prejudicada, porquanto o enunciado de Súmula Vinculante adstringe os demais órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, ao seu cumprimento, tendo por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas. Não incide, portanto, o prazo decadencial de dez anos, e tendo em vista que os fatos geradores se relacionam ao ano calendário 1994 e o lançamento somente ocorreu em 21 de novembro de 2003, reconheço 7)decaimento do direito de o Fisco constituir o crédito tributário, votando no sentido de DARMovimento. ao Recurso Voluntário. Edwal Casoni de Paulern—mandhs Junior 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO PROCESSO: 10675.003589/2003-70 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada nos despachos supra, nos termos do art. 81, § 3 0 , do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, 16 dezembro de 2010. Maria Cont"eição de Sousa Rodrigues Secretária da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração.
score : 1.0
Numero do processo: 10675.720038/2007-06
Data da sessão: Wed May 12 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2004
ÁREAS ALAGADAS. RESERVATÓRIOS DE USINAS HIDRELÉTRICAS.
O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas.
(Súmula CARF no 45, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-000.578
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: NÚBIA MATOS MOURA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2004 ÁREAS ALAGADAS. RESERVATÓRIOS DE USINAS HIDRELÉTRICAS. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. (Súmula CARF no 45, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) Recurso Voluntário Provido
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-07-13T14:03:18Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-07-13T14:03:18Z; Last-Modified: 2010-07-13T14:03:18Z; dcterms:modified: 2010-07-13T14:03:18Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:f3b7c1fe-d8b2-4b6d-a9aa-8806c11cf561; Last-Save-Date: 2010-07-13T14:03:18Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-07-13T14:03:18Z; meta:save-date: 2010-07-13T14:03:18Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-07-13T14:03:18Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-07-13T14:03:18Z; created: 2010-07-13T14:03:18Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2010-07-13T14:03:18Z; pdf:charsPerPage: 1233; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-07-13T14:03:18Z | Conteúdo => S2-C1T2 F1. 157 04:1 \tyL, MINISTÉRIO DA FAZENDA 1..:7 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO - Processo n° 10675.720038/2007-06 Recurso n° 340.663 Voluntário Acórdão n° 2102-00.578 — 1" Câmara / 2' Turma Ordinária Sessão de 12 de maio de 2010 Matéria ITR - Áreas alagadas Recorrente COMPANHIA ENERGÉTICA DE MINAS GERAIS - CEMIG Recorrida PRIMEIRA TURMA DA DRJ BRASÍLIA/DF ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2004 ÁREAS ALAGADAS. RESERVATÓRIOS DE USINAS HIDRELÉTRICAS. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. (Súmula CARF no 45, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) Recurso Voluntário Provido Vistos, relatadose/ Presentes autos. Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do vote d.elatora. 7 / GIOVANNI CHRIS ,7UNES CAMPOS — Presidente 1 III IrBIA MATOS M4 3° • — Relatora EDITADO EM: 1 e /06/ 010 ' P. iciparam da sessão de julgamento os conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira de Lima, Ewan Teles Aguiar, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia - Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra COMPANHIA ENERGÉTICA DE MINAS GERAIS - CEMIG foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 01/04, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do imóvel denominado Usina de Miranda, com 4.475,5 ha (NIRF 6.584.143-3), relativo ao exercício 2004, no valor de R$ 1.182.532,59, incluindo multa de oficio e juros de mora, estes calculados até 29/06/2007. A infração apurada pela autoridade fiscal foi, conforme Notificação de Lançamento, fls. 02, e Relatório Fiscal, fls. 28/30, arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN), mediante utilização do valor extraído do Sistema de Preços de Terra (SIPT), em razão de a contribuinte ter deixado de apresentar laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, que foi devidamente apreciada pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme acórdão DRJ/BSA n° 03-21.907, de 15/08/2007, fls. 77/88. Naquela oportunidade, decidiu-se, por unanimidade de votos, pela procedência do lançamento. Cientificada da decisão de primeira instância em 26/09/2007, fls. 95, a contribuinte apresentou, em 11/10/2007, recurso voluntário, fls. 96/124, onde alega, primordialmente, que as porções de terra cobertas pelas águas de reservatórios das usinas hidrelétricas — ou que lhe servem de margem legal, de preservação ou de segurança — são bens de domínio público da União e nunca poderiam ser colhidas no critério material da hipótese de incidência de qualquer tributo, quanto mais ainda de imposto de competência privativa e exclusiva daquela mesma pessoa política de direito público interno. É o Relatório. Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Muito embora o lançamento trate de arbitramento do Valor da Terra Nua (V'TN), verifica-se que a lide instalada desde o início do procedimento fiscal gira em torno da possibilidade de se exigir, ou não, ITR sobre terras alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. Tal constatação confirma-se da leitura do Relatório Fiscal, fls. 28/30, parte integrante da Notificação de Lançamento, onde a autoridade fiscal discorre longamente sobre o tema. Já no recurso, assim como na impugnação, a contribuinte afirma que o imóvel em questão está em grande parte coberta de água, não se prestando a nenhum outro fim, que o de reservar água, potencializando a força hidráulica para a geração de energia e que as margens dos reservatórios também não se prestam a qualquer outro objetivo, funcionando apenas como faixas de segurança para a variações normais do nível d'água. E, em assim sendo, 2 Processo n° 10675.720038/2007-06 S2-C1 12 Acórdão n.° 2102-00.578 Fl. 158 defende a tese de que áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas não se sujeitam à incidência do ITR. Ocorre que tal matéria já se encontra pacificada neste Conselho, conforme Súmula CARF n°45, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009, que a seguir se transcreve: Súmula CAR_F n°45 - O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. No presente caso, resta claro dos autos que o imóvel é utilizado como reservatório de usina hidrelétrica, estando suas áreas, portanto, submersas, de sorte que a exigência consubstanciada no lançamento não pode prosperar. Ante o exposto, VOTO por dar provimento ao recurso. L4(),f) --- Núbia atos Moura - Relatora 3
score : 1.0
Numero do processo: 13847.000133/2004-16
Data da sessão: Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Obrigações Acessórias
xereicio: 2001
Ementa: MULTA POR ATRASO. ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE.
"INFORMAÇÕES - DIPJ - Caracterizado o atraso na entrega da Declaração de informações, há de se exigir a multa prevista pela inobservância do prazo legal prescrito para o cumprimento da obrigação acessória.
Numero da decisão: 1802-000.526
Decisão: Acordam os membros do colegiada por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o prc te julgado
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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MINISTÉRIO DA FAZENDA kNN' CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 13847.000133/2004-16 Recurso n" 341.200 Voluntário Acórdão n" 1802-00.526 — 2" Turma Especial Sessão de 05 de jullio/2010 Matéria Obrigação Acessória Recorrente VALE VERDI S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO Recorrida 3a,Turma/DRJ/Ribeirão Preto/SP Assunto: Obrigações Acessórias xereicio: 2001 Ementa: MULTA POR ATRASO. ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE. "INFORMAÇÕES - DIPJ - Caracterizado o atraso na entrega da Declaração de informações, há de se exigir a multa prevista pela inobservância do prazo legal prescrito para o cumprimento da obrigação acessória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiada por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o prc te julgado. E SI Cf 5Á),11"-- esirente:R- ek7L EDITADO EM: O r AGO 2010 Participaram da sessão dejd gamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente de Turma), José De/Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista (Suplente Convocado), Nelso Kichel, Edwal Ca‘ni De Paula Fernandes Junior e João Francisco Bianeo (Vice Presidente). Relatório Por economia processual c bcm descrevei a lide, adoto o relatório da decisão recorrida (fis.48/49) que a seguir transcrevo: 15. --ata o j)1 ente processo de auto de infração para exigência multa por atraso na entrega da Declaração de MIO, inações Lconómico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIP1) do Ex-ercicio de 2001, da empresa .supra, no valor de R$ 414,35. Notificada do lançamento, a interessada apresentou impugnação, alegando que entregou espontaneamente a declaração. dando conhecimento à Secretaria da Receita Federal de toda sua movimentação econômico-fiscal e infirmando .ser devedora dos tributos considerados como base de cálculo para a multa cobrada Aduziu que, com a edição da Lei n° .10 684, de 30 de maio de 2003, formalizou .seu pedido de parcelamento especial (Paes), abrangendo todos seus débitos c-.'.x.istentes em fase administrativa ou judicial, incluindo, inclusive, aquele considerado como base ei..1c-irlo para L'.;:plicação 011:,i. 1:4( 1(i.. Ponderou que o débito em tela, se existia, dever-ia ter .sido apresentado pela Receita Federal por- ocasião do enquadramento no Paes, e não após encerramento do prazo para O parcehimento. Requereu o cancelamento do débito ou .seu enquadramento para ser- pago na fluiria e no prazo estabelecidos no Paes A empresa interessada foi cientificada da decisão proferida no Acórdão n" 14-17.236, de 11 de outubro de 2007, lls,48/50, conforme Aviso de Recebimento (AR), 11.54, cm 20112/2007, e, inconformada, interpôs recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes (11.55/59), em 18/01/2008 que, em síntese, traz os mesmos argumentos expendidos na impugnação. É o relatório. .• 2 Processo n" 13M 7.000 L n/2004-16 S1-11CO2 Acórdão n 1802-00.526 I 2 Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n" 70.235/72. Assim, dele conheço. Analisando os documentos que compõem o processo, verifica-se que a contribuinte apresentou a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica — DIR1/2001, em 29/08/2003, após o prazo fixado pela Secretaria da Receita Federal., para 29/06/2001. O atraso na entrega da INPM 999 revela o descumprimento, do prazo fixado pela norma, de uma atividade fiscal exigida do contribuinte. É regra de conduta formal que não se confunde com o não pagamento de tributo, nem com as multas decorrentes por tal procedi mento Com efeito, cumpre à autoridade administrativa aplicar a multa prevista pela inobservância do prazo legal prescrito para o cumprimento da obrigação acessória. A apresentação da declaração de Infmmações DIPJ pelas pessoas jurídicas obrigadas, quando intempestiva, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega, conforme prescrito no art. 88 da Lei n" 8.981/95 e, na 'Lei n° 10.426/2002 (art.7", inciso 1) que transcrevo a seguir: Art. 7" O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de InJOrmações Económico-Fiscais da Pessoa Jurídica - Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCIT, Declafrwdo S'irnplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Relido na Fonte - DIRP e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - Dacon, nos pra.zos.fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, .será intimado a apresentar declaração original, no caso de não- apresentação., ou a prestar esclarecimentos. WS demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal - SRF, e sw-eitar-se-á às seguintes multas (Redação dada pela Lei 110 11.051, de 2004) 1 - de 2%(dois por cento) ao trds-calendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica infbrmado na DIRI, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), observado o disposto no ) Embora a Recorrente tenha tomado às providências neces _árias .'ira regularizar a sua situação perante o órgão administrativo, as mesmas ['oram extemporâneas, o que não lhe exime da exigência da multa pelo descumprimento da obrigação acessória.. Dessa forma, estando a interessada obrigada à apresentação da Declaração de Informações (D1PJ/200 1), e, sendo .inconteste que, apresentou a Declaração, com atraso, é de se manter a exigência da multa no valor lançado A recorrente também alega que, com a edição da Lei n° 1()684, de 30 de maio de 2003, formalizou seu pedido de parcelamento especial (Paes), abrangendo todos seus débitos existentes cm fase administrativa ou judicial, incluindo, aquele considerado como base de cálculo para aplicação da multa cobrada. A recorrente traz como paradigma ao alegado a decisão da mesma DR.1 processo n" 13847.000136/2004-41, desse contribuinte, Acórdão n o 14-13.183 4" Turma da DR1/RPO, nos seguintes termos (11.62): Quanto à alegação vinculada ao PALS, é de se registrar que, nos. termos da legislação de regência, cabe a inclusão, independentemente da data em que viriam a .ser lançadas., as multas por atraso relativas. às declarações ergo prazo para apresentação encerrou-se anteriormente a 28/02/2003 e respectiva entrega tenha se efetivado até 28 de novembro de 2003 Atendendo essas condições- deve a autoridade preparadora providenciar que selam incluídas no parcelamento especial, com atenção ao disposto no § 7" do ar!. I" da Lei n° 10.Ó84/2003 Nesse ponto, entendo que se trata de matéria distinta do auto dc j .. !garn,sn.to, ‘‘abi sndo a,. tr,ridad- ír.--rn-ad-ra acelca de pedi de de 11 lelu;4ã..3 no parcelamento, à luz da Lei n° i0684/2003. Diante do exposto,-votó no sentido de NEGAR provimento ao recurso .R.élatof-rt Éste-í Ma rqu es,..}-i(rs--de Sousa ( 4 / Cã. MiNiSTERIO DA FAZENDA tis CONSELHO ADMINISTRATiVO DE RECURSOS ElSCAIS CAR\ SEGUNDA CAMARAM' SESSÃO Processo P2 Ceei 3Pcr_Y:7,-- É, Interessado(a) ,/- <200 TERMO DE JUNTADA CONSELHO ADMINISTRATWO DE RECURSOS FISCAIS — CARF 23 Câmara/1 a Sessão Declaro que juntei aos autos ó Acórdão (fie.:) Encaminhem-se os presentes autos à Delegacia da Receita Federal em
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