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Numero do processo: 12466.721637/2013-78
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 07/06/2011 a 28/03/2012
OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. ORIGEM DOS RECURSOS. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUNÇÃO.
Presume-se a interposição fraudulenta de terceiro nas operações de comércio exterior em que não resta comprovado a origem de disponibilidade e transferência dos recursos financeiros. No caso concreto restou confirmado por meio da contabilidade da recorrente que os recursos financeiros eram repassados pelos interessados nas importações, contabilizados a título de antecipação, corroborado por outros documentos.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Responde pela infração quem quer que, de qualquer forma, concorra para
sua prática ou dela se beneficie, bem como, o adquirente de mercadoria de
procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e
ordem por intermédio de pessoa jurídica importadora.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Domingos de Sá Filho, Jose Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 07/06/2011 a 28/03/2012 OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. ORIGEM DOS RECURSOS. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUNÇÃO. Presume-se a interposição fraudulenta de terceiro nas operações de comércio exterior em que não resta comprovado a origem de disponibilidade e transferência dos recursos financeiros. No caso concreto restou confirmado por meio da contabilidade da recorrente que os recursos financeiros eram repassados pelos interessados nas importações, contabilizados a título de antecipação, corroborado por outros documentos. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Responde pela infração quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem por intermédio de pessoa jurídica importadora. Recurso Voluntário Negado.
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ORIGEM DOS RECURSOS. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUNÇÃO. Presumese a interposição fraudulenta de terceiro nas operações de comércio exterior em que não resta comprovado a origem de disponibilidade e transferência dos recursos financeiros. No caso concreto restou confirmado por meio da contabilidade da recorrente que os recursos financeiros eram repassados pelos interessados nas importações, contabilizados a título de antecipação, corroborado por outros documentos. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Responde pela infração quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem por intermédio de pessoa jurídica importadora. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Ricardo Paulo Rosa Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 16 37 /2 01 3- 78 Fl. 634DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Domingos de Sá Filho, Jose Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Tratase o presente feito de exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias em substituição a pena de perdimento.. Acusação imputada se refere à interposição fraudulenta configurada pela falsidade ideológica pela infração da apresentação de documento falso para a nacionalização das mercadorias. Adoto o relatório da decisão recorrida por espelhar a realidade dos autos: "Relatório Trata o presente processo de impugnação contra a exigência da multa prevista no art. 23, inciso V, §§ 1º e 3º, do Decretolei nº 1.455/1976, com redação dada pelas Leis nos 10.637/2002 e 12.350/2010, no valor de R$ 113.480,20, objeto do Auto de Infração de fls. 02 45. O procedimento fiscal em questão foi iniciado em 14/08/2012, com diligência no estabelecimento da empresa AST Comércio Internacional Ltda. (CNPJ 32.393.589/0001 21), doravante identificada apenas por AST, quando foram retidos diversos documentos e a empresa intimada, para apresentar outros elementos e prestar esclarecimentos, o que foi atendido apenas parcialmente (fls. 6063). Em decorrência da verificação dos documentos retidos e apresentados, a empresa foi incluída em procedimento especial de fiscalização, nos termos da Instrução Normativa (IN) SRF nº 228/2002 (fls. 8890). A intimação constante do Termo de Início de Ação Fiscal passou por diversas prorrogações e não chegou a ser atendida de forma completa. Da análise dos documentos apresentados restaram indícios de incapacidade financeira da citada empresa e, assim, o exame foi estendido a todas as importações registradas pela AST, no período compreendido entre 01/01/2009 a 30/09/2012 Segundo a autoridade fiscal, a empresa promoveu a importação de diversas mercadorias, simulando ser por conta e risco próprios, visto que a importação foi por conta e ordem de terceiros, tendo a adquirente adiantado todos os valores para que a AST fizesse frente aos pagamentos dos impostos, câmbio e demais despesas. De acordo com a fiscalização, a empresa adquirente, COMERCIAL E IMPORTADORA DIRETA LTDA (CNPJ 45.236.965/000116), doravante identificada como DIRETA, Fl. 635DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.721637/201378 Acórdão n.º 3302002.989 S3C3T2 Fl. 22 3 comprou, por sua conta e ordem, as mercadorias diretamente dos exportadores. Acrescenta que a DIRETA ainda intermediou a compra de produtos para empresas de menor porte, os quais foram internados acobertados pelos mesmos documentos, gerando várias notas fiscais de vendas, onde constaram como adquirentes, além da DIRETA, as demais compradoras. Para essa intermediação, conforme foi constatado em alguns processos, a DIRETA recebeu 6% das vendas. Essa prática de simulação na operação de importação, com intuito de manter oculta a verdadeira importadora (que não constou na DI ou qualquer outro documento apresentado no despacho) é infração identificada como interposição fraudulenta de terceiros, além de ter ocorrido a utilização de documentos com falsidade ideológica. Conforme o relato, as mercadorias foram declaradas e internadas como sendo mercadorias compradas pela AST, que nacionalizou os bens e encaminhou à adquirente em território nacional. O Auditor esclarece que as mercadorias foram vendidas a mais de uma adquirente, assim a distribuição do valor aduaneiro foi proporcional às vendas, restando o valor de responsabilidade da DIRETA. Na tabela de fl. 07, estão relacionadas as Declarações de Importação. A fiscalização chama a atenção para as datas de desembaraço, das notas fiscais de entradas e das notas fiscais das saídas, que são praticamente iguais, indícios de que as mercadorias, quando internadas, já tinham endereço certo para entrega e que nunca foram compradas ou vendidas pela AST. O agente fiscal assevera que a atuação dessa empresa foi de prestação de serviços na internação, nacionalização e encaminhamento das mercadorias à verdadeira compradora (real importadora), que comprou os bens dos exportadores, adiantando todos os valores aplicados nessas importações para que a AST pudesse fazer frente aos gastos com o desembaraço. Na tabela de fl. 08, a fiscalização ressalta as datas de registro, das notas fiscais das saídas, e dos contratos de câmbio, que quando comparadas com as datas dos pagamentos, deixa evidente que sempre existiu o adiantamento feito pela DIRETA, em datas próximas às dos registros da DIs e aos pagamentos ao exterior. Na sequência, o autuante apresenta diversas comprovações de adiantamentos, feitos pela DIRETA para a AST, juntando folhas do extrato do Razão Contábil da AST com Contrapartida, obtidos através do Sistema Público de Escrituração Digital – SPED. Verificando as demais importações da AST, envolvendo outros exportadores e outros adquirentes, a fiscalização afirma haver identificado indícios que demonstraram a prática de interposição fraudulenta e uso de documentos material e ideologicamente falsos, o que revela que a empresa vem atuando de forma irregular, no comércio internacional, de maneira continuada, adotando a mesma sistemática na forma descrita. Fl. 636DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 De acordo com a fiscalização, a falta de condição financeira da AST para atuar no comércio internacional é evidente, já que ela necessita de adiantamentos dos adquirentes para cumprir com os compromissos de nacionalização de importações que registra como sendo por conta e risco próprios. Essa incapacidade financeira é revelada pelo procedimento adotado no aumento do Capital Social, feito em 2006, quando passou de R$ 100.000,00 para R$ 755.000,00, que justificou como sendo com aquisição de imóvel rural, feito para demonstrar capacidade de pagamento. Acrescenta que o mencionado aumento de capital não altera a condição financeira da empresa, pois o imóvel foi comprado pela própria AST, em 24/05/2006, por R$ 87.360,00 (fls. 100 103). O pagamento desse valor naturalmente diminuiu o saldo das disponibilidades e, em seguida, o mesmo Imóvel foi reavaliado em R$ 655.000,00, com base em Laudo (fls. 110112), emitido em 17/04/2006, que sequer foi registrado em cartório, e utilizado para aumentar o capital da empresa (fls. 110113). Diante disso, a fiscalização sustenta que o aumento do capital, formalizado na 21ª Alteração do Contrato Social, foi feito de forma “gráfica” e simulada, sem afetar a situação financeira da empresa. Ainda acerca da situação financeira da AST, a auditoria fiscal apresenta a evolução patrimonial anotada com base nas principais rubricas contábeis. Os valores apresentados são aqueles que constaram nas DIPJs apresentadas e balancete de 01 a 07/2012, e quando comparados o saldo final de 2009 e o inicial de 2010, surgem as primeiras incongruências, visto que, em diversas linhas, os valores estão divergentes. Em conformidade com o relato fiscal, esse quadro é agravado quando se verifica que alguns saldos dos valores registrados em realizável em curto prazo (conta de clientes), que deveriam dar sustentabilidade às obrigações mais imediatas, registram valores expressivos a receber de empresas ligadas, demonstrando que efetivamente não estão servindo de lastro de direitos capazes de sustentar o passivo circulante (vide tabela de fls. 1011). ADIANTAMENTOS À NTN”, de R$ 3.856.269,65, valor que foi adiantado pelos adquirentes de rolamentos, os quais pagam antecipadamente as mercadorias, e segue compensado com adiantamentos de clientes, registrados no Passivo Circulante. Outro ponto importante, segundo o AuditorFiscal, é o valor registrado em “Impostos a Recuperar”, com grande crescimento em 2012, que trata de valores referentes ao IPI na Importação, cujo valor não vai ser recuperado (pode ser utilizado unicamente como redutor do IPI a ser recolhido mensalmente), o que vai influenciar de forma significativa os resultados de 2012. No caso das obrigações tributárias, aparecem em início de 2012 com saldo de R$ 1.166.291,25, demonstrando que a empresa optou por atrasar os recolhimentos para poder fazer frente a outras responsabilidades, indício de falta de condição financeira. Na ótica da fiscalização, todas essas evidências demonstram que a AST não tem condição financeira para atuar no comércio internacional, necessitando dos adiantamentos dos adquirentes, Fl. 637DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.721637/201378 Acórdão n.º 3302002.989 S3C3T2 Fl. 23 5 não só nas suas operações por conta e ordem de terceiros, mas em todos os procedimentos, passando, assim, a simular as operações que precisava registrar como sendo por conta e risco próprios e para encomendante, para poder continuar recebendo os benefícios financeiros do FUNDAP. O autuante assevera que, em todas as importações a AST necessitou do adiantamento da DIRETA para dar continuidade aos procedimentos de nacionalização e pagamento aos fornecedores no exterior, e mesmo nos casos em que registrou importação por encomenda, conforme constatado em outros procedimentos, a AST precisou de adiantamentos da encomendante para poder fazer frente aos seus compromissos com o desembaraço. Nessa forma de agir, acrescentam, os intervenientes falsificaram as faturas comerciais apresentadas à RFB para nacionalização das mercadorias e declararam operações de comércio exterior de forma simulada. Esses documentos e declarações não representam as operações comerciais, pois o importador e comprador dos produtos, nelas indicado, não o é de fato, eis que a AST foi interposta nas relações dos demais envolvidos com o fisco (reais importadores e compradores das mercadorias), permitindo que esses últimos permanecessem ocultos aos olhos da fiscalização. O autuante afirma que os atos praticados pelo importador declarado tiveram como objetivo ocultar a verdadeira interessada nas mercadorias estrangeiras e as demais empresas envolvidas, nas operações de importação em questão, que permaneceram ocultas. Segundo a fiscalização, a declaração inexata é fruto de ações praticadas com dolo, pelos importadores e demais envolvidos, que intencionalmente promoveram modificações nas características essenciais da operação de importação, de modo a ocultar a participação do real importador, estando presentes, nos atos praticados, a sonegação, conluio, simulação e a fraude, conforme disposto nos artigos 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502/1964. Afirmam ainda tratarse de falsidade dos documentos que instruíram os despachos aduaneiros de importação, quais sejam as faturas comerciais e documentos do transporte internacional, pois quem comprou as mercadorias no exterior não foi declarado e a sua identificação e qualidade de real importador obrigatoriamente deveriam estar registradas em todos esses documentos. Nesse sentido, de acordo com o AuditorFiscal, a AST não é a compradora das mercadorias, como quis fazer crer, utilizando documentos ao menos ideologicamente falsos e fazendo declarações inverídicas na Declaração de Importação e quando da comercialização em território nacional. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 6 Com base no parágrafo único do art. 1º da IN SRF nº 225/2002, a fiscalização destaca que a importação por conta e ordem de terceiros pode variar na sua complexidade, em função da negociação entre as partes, mas tem por essência o interesse do adquirente em receber suas mercadorias negociadas no exterior, sem o que, a motivação do importador para promover a nacionalização das mercadorias, não existiria. Em decorrência, assevera que, caso a importação deixe de ser efetivamente negociada entre importador e exportador, havendo um terceiro responsável, vinculado à aquisição das mercadorias do exterior, sem que seja consignada sua identificação na DI e nos documentos de instrução, limitandose, a função do importador, a constar apenas nominalmente nos documentos necessários ao despacho aduaneiro, resta evidenciada a ocorrência enquadrada como ocultação do real responsável pela operação, mediante interposição fraudulenta. Aduz que, na importação por conta e ordem, embora a atuação da empresa importadora possa abranger desde a simples execução do despacho de intermediação da negociação no exterior, contratação do transporte, seguro, entre outros, o promotor da operação é o real adquirente. Este é o mandante da importação, aquele que efetivamente faz vir a mercadoria de outro país, em razão da compra internacional. Além disso, é o adquirente que pactua a compra internacional e dispõe de capacidade econômica para o pagamento, pela via cambial, da importação, pois é deste que se originam os recursos financeiros. Em seguida, a autoridade fiscal passa a discorrer sobre as modalidades de importação, com base na legislação de regência, mencionando a importação por conta e risco próprios (importação direta), a importação por conta e ordem de terceiros (art. 80, inciso I, da Medida Provisória nº 2.158 35/2001 e Instrução Normativa SRF nº 225, de 18/10/2002) e, por fim, a importação para revenda a encomendante predeterminado (art. 11 da Lei nº 11.281, de 20/02/2006 e IN SRF nº 634 de 24/03/2006). No tocante à habilitação para atuar no comércio exterior, por meio do Siscomex, esclarecem que, além do importador, o adquirente e o encomendante predeterminado que atuam por intermédio de pessoa jurídica importadora também devem se submeter ao procedimento de habilitação, conforme legislação citada, devendo estar vinculados ao importador no Siscomex, mediante a apresentação dos correspondentes contratos. Acerca das empresas envolvidas no procedimento fiscal, a fiscalização aponta a AST, cujas importações, nos seis meses que antecederam o procedimento chegaram a US$ 3.505.310,00 por No tópico intitulado “Sujeição Passiva”, o relatório faz alusão aos artigos 121, 124 e 128 do Código Tributário Nacional (CTN), ressaltando que contribuintes e/ou responsáveis podem ser coobrigados. Expõe que, na ocultação do sujeito passivo por interposição fraudulenta, ocorre simulação tributária por transferência subjetiva, isto é, estimase que da aplicação do critério subjetivo que Fl. 639DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.721637/201378 Acórdão n.º 3302002.989 S3C3T2 Fl. 24 7 permitiria levar a bom termo a sujeição passiva, surja outro que não aquele que deveria ser obrigado ou surja apenas um dos obrigados, ocultandose justamente aquele que demonstra a capacidade contributiva. Procurase demonstrar que a empresa AST, que se declarou como importadora, não foi quem comprou as mercadorias no exterior, não pagou pelos impostos e câmbio, pois recebeu adiantamentos da empresa adquirente, para fazer frente aos pagamentos necessários ao desembaraço das mercadorias. Ainda nessa linha, sustenta que não houve qualquer negociação entre as empresas AST e os exportadores, sendo que estes receberam os pedidos feitos pela adquirente e, no ato da preparação dos documentos, incluiu a importadora AST a mando do real comprador e a AST deu continuidade aos procedimentos na forma de interposta pessoa. Em face desses elementos, a fiscalização atesta haver solidariedade entre as empresas. A AST, na qualidade de importadora, assumiu a responsabilidade pela declaração registrada no Siscomex. A DIRETA, interessada nas mercadorias que comercializa, formulou pedidos de compra junto a diversos exportadores. Estes providenciaram os embarques emitindo todos os documentos necessários à internação em território nacional, em nome da interposta pessoa AST, que aceitou essa situação e providenciou o desembaraço das mercadorias para que o real interessado permanecesse oculto aos olhos da fiscalização. Ao tratar da responsabilidade e solidariedade, fazse alusão ao art. 95 do Decretolei nº 37/1966, que preceitua a responsabilidade conjunta tanto daqueles que de alguma forma concorrem para a prática da infração ou dela se beneficiam quanto, especialmente, do importador e do adquirente de mercadoria estrangeira importada por sua conta e ordem, o que é regulamentado pelo art. 603, incisos I e V, do Regulamento Aduaneiro. Sob essa ótica, o agente fiscal defende que houve coordenação entre as empresas reais adquirentes das mercadorias estrangeiras e o importador, que embora tenha declarado operação própria, foi identificado como prestador de serviço em operação por conta e ordem, o que implica que respondam conjuntamente pelas infrações praticadas. O autuante explica que a AST é uma empresa “fundapeana” e tem como principal interesse o aproveitamento de benefício financeiro oferecido pelo Fl. 640DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 8 Estado do Espírito Santo, prestando serviços para empresas interessadas em nacionalizar mercadorias importadas. A DIRETA é a empresa compradora das mercadorias no exterior, foi quem colocou pedidos de compra junto aos exportadores. As provas em que se baseia a autuação estão representadas pelos documentos entregues no registro das DIs, aqueles que foram apresentados em atendimentos às intimações, documentos registrados no Sistema Público de Escrituração Digital, sites livres da internet e os obtidos dos sistemas administrados pela RFB, os quais, segundo a fiscalização, permitiram a formação de robusto quadro indiciário e probatório, demonstrando de forma cabal as infrações praticadas e a inexistência da necessária boa fé nas ações dos envolvidos. As constatações são no sentido de que as mercadorias não foram compradas pela AST, assim como de que os impostos e demais despesas foram suportados pela DIRETA, que adiantou todos os valores para que a AST pudesse cumprir com as obrigações relacionadas com o desembaraço e pagamento do câmbio. O relatório aponta outras constatações: a) as mercadorias, que tem itens muito específicos, necessitam de boa estrutura comercial e de distribuição, para a comercialização, incoerente com a atividade da empresa importadora, agindo por conta e risco próprio, pois em sua estrutura não tem departamento de compra e/ou venda, e por esse motivo não tem estrutura suficiente para atuar na forma simulada, indício de que a AST atua por conta e ordem de terceiros, o que foi comprovado com a identificação de quem comprou e quem arcou com os custos das importações em análise; b) considerando as especialidades das mercadorias, é evidente que a compra no exterior não foi feita pela AST, que atua na prestação de serviços de nacionalização de mercadorias, não demonstrando estrutura suficiente para administrar a negociação; c) as importações foram registradas pela AST na sistemática de por conta e risco próprios e as notas fiscais de venda registraram como adquirente a empresa DIRETA; d) as datas de registro, desembaraço, entrada das mercadorias na AST e de venda desta para a DIRETA, são muito próximas, o que demonstra que as mercadorias passaram pela importadora e imediatamente foram repassadas para a compradora; Fl. 641DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.721637/201378 Acórdão n.º 3302002.989 S3C3T2 Fl. 25 9 e) nos registros contábeis da AST, constam os adiantamentos feitos pela DIRETA (extratos das folhas de livro razão com contrapartidas, obtidas através do SPED). Assim, a fiscalização entende estar demonstrada a prática de interposição fraudulenta, com a ocultação do real adquirente das mercadorias, comprador e principal interessado nas operações de importação em questão, infração considerada dano ao Erário, cabendo a proposição da pena de perdimento das mercadorias, com base no art. 689, inciso XXII, do Decreto n° 6.759/2009. Aduz que, tendo os bens sido remetidos a consumo, foi aplicada a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, conforme art. 23, § 3º, do Decretolei nº 1.455/1976, com redação dada pela Lei nº 12.350/2010. 8 Em decorrência, conforme o entendimento fiscal, ficou também caracterizada a falsidade ideológica nas faturas comerciais apresentadas para nacionalização das mercadorias, que não representam as verdadeiras operações comerciais, pois o importador nelas indicado não o é de fato, assim como a AST não atua na comercialização dessas mercadorias, simplesmente presta serviços na nacionalização dos bens. A irregularidade foi constatada nos documentos apresentados, acobertando as mercadorias em questão (BL, Packing List e fatura), indicando como importadora a AST, os quais omitem a real compradora das mercadorias (real importadora) e demonstram operações por conta e risco próprios e por encomenda, quando na realidade foi operação por conta e ordem de terceiros. Nesse caso, a penalidade cabível é igualmente o perdimento ou a multa equivalente ao valor aduaneiro, quando não localizada a mercadoria, consoante art. 105, inciso VI, do DecretoLei nº 37/1966 (689, inciso VI, do Decreto n° 6.759/2009). A empresa AST foi cientificada do Auto de Infração em 20/05/2013, por meio eletrônico, mediante envio ao domicílio tributário do sujeito passivo, conforme fl. 476, tendo apresentado a impugnação de fls. 497504, acompanhada dos documentos de fls. 505513, em 19/06/2013. A DIRETA, por sua vez, foi cientificada por via postal, em 11/05/2013, conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 479, tendo apresentado a impugnação, em 10/06/2013, às fls. 482490, instruída com os documentos de fls. 491494. A impugnação da empresa AST contém as seguintes razões de defesa: Fl. 642DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 10 1) para caracterizar as supostas ocorrências o Auditor Fiscal fez uso de presunções, no intuito de vincular informações desconexas relativas às operações aduaneiras e fiscais, com os tributos pagos conforme normatização, cuja documentação fora entregue voluntariamente pela empresa, para ao final, em equívoco, atingir conclusão desarrazoada; 2) a fiscalização presume incapacidade financeira da empresa sem qualquer fundamento concreto, além de desconsiderar a aquisição legítima de bens por ela realizada para o aumento de seu capital; 3) inverte arbitrariamente o ônus da prova, ignorando a presunção notória de boafé, afirmando que uma das empresas supostamente envolvidas deveria ter comparecido ao procedimento fiscalizatório para elidir a máfé (por ele atribuída); 4) presume que diferenças de valores por ele calculadas, por não se vincularem diretamente, teriam justificativa em uma fantasiosa comissão devida entre as empresas; 5) afirma que empresas terceiras fariam caucionamento financeiro antecipado para subsidiar as importações da impugnante, para, ao depois, contradizerse ao afirmar que tais valores caucionados não seriam suficientes para garantir as operações, novamente reafirmando a suposta incapacidade financeira; 6) presume atraso intencional no pagamento de tributos, que teriam por objetivo desviar os supostos valores para o ativo circulante da empresa, novamente, para municiar a tese de ausência de capacidade financeira; 7) o agente fiscal laborou em equívoco, ao presumir situações inexistentes, objetivando dar sustentabilidade à conclusão de que teria havido a infração de interposição fraudulenta; a empresa sempre possuiu capacidade financeira para realização das operações aduaneiras, o que de plano fulmina a hipótese de interposição fraudulenta, e a situação analisada não se amolda a uma empresa de fachada, tal como sugerido no relatório combatido, e sim de uma empresa familiar, de longo histórico no mercado, e que jamais teve qualquer intenção de prejudicar o Erário, o que de fato não ocorreu; 9) acerca da capacidade financeira da empresa autuada, muito embora tenha havido grande esforço da fiscalização para tentar comprovar a alegada incapacidade financeira da empresa, o conjunto probatório demonstra exatamente o oposto; Fl. 643DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.721637/201378 Acórdão n.º 3302002.989 S3C3T2 Fl. 26 11 10) pela documentação já juntada às fls. 6165 e 110112, observase que a empresa possuía um capital social de R$ 755.000,00 desde 25/10/2006, conforme demonstra o Laudo de fls. 110112 e a 21a Alteração Contratual, sendo certo que tais informações eram de conhecimento da RFB desde 10/08/2007, conforme documento de fls. 116119; 11) observandose o histórico de importações apresentado no relatório, verificase que a empresa possuía baixa movimentação anual de importação, em média inferior a dois eventos por mês, constatandose que nenhuma dessas importações, realizadas no período determinado pela fiscalização, sequer chegou a aproximarse da capacidade financeira da empresa, especialmente dos valores integralizados no capital social, revelando sua capacidade financeira para solver suas importações; 12) não há nos documentos constantes dos autos qualquer indício que desabone a capacidade financeira da empresa autuada, senão a simples presunção de que o imóvel utilizado para aumento do capital social não teria o valor declarado e, por isso, em seu entender, seria imprestável; 13) milita ainda em favor da efetiva capacidade econômica da empresa, outro laudo pericial judicial produzido nos autos do processo de n° 024.990.157.497, que tramitou na 3a Vara Cível da Comarca de Vitória, cujo valor atribuído ao citado imóvel integralizado, em abril de 2009 seria de R$ 504.000,00; 14) em nova presunção, a fiscalização afirma que "a empresa optou por atrasar os recolhimentos para poder fazer frente a outras responsabilidades, indício de falta de condição financeira " sendo flagrante o engendramento realizado pelo Auditor para atingir a conclusão equivocada, no sentido de que empresa não teria capacidade financeira; 15) a fiscalização descreve seu raciocínio utilizando o verbo "optar", que traz a idéia do elemento volitivo da escolha e, também por isso, há flagrante irregularidade na motivação do auto de infração, já que a fiscalização palpita aleatoriamente sobre escolhas que motivaram a vida financeira da empresa; 16) sem a força probante necessária, Auditor finaliza seu raciocínio afirmando que a suposta opção de atraso no tributo, seria indício de incapacidade financeira, ou seja, nada de concreto afirma, nada prova, e, portanto, nada de proveitoso conclui; Fl. 644DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 12 17) ainda no que se refere aos cálculos realizados entre os valores de importação, notas fiscais de entrada e de saída de mercadorias, especialmente as planilhas colacionadas no relatório, constatase que os valores não se conjugam como afirmado pelo autuante e, diante da falta de correlação ou semelhança entre os valores, o Auditor presume, 10 mais uma vez, que os valores somente se diferem em razão de existir uma suposta comissão na diferença apurada; 18) é evidente a utilização de presunções diversas objetivando atingir fim específico, qual seja, o de construir uma ficção, num esforço para criar e "costurar" uma argumentação que vincularia os dados documentais e as presunções realizadas, para embasar o intuito de configurar uma suposta incapacidade financeira que, por corolário lógico, embasaria sua tese de interposição fraudulenta; 19) as razões do auto de infração não subsistem, já que não há documentos ou provas concretas que revelem a incapacidade financeira, sendo evidente a sua capacidade econômica desde antes do período fiscalizado, conforme a alteração contratual e dados contábeis anexados; 20) a conclusão atingida pelo AuditorFiscal na tipificação relativa à adulteração ou falsificação de documentos para o desembaraço aduaneiro, igualmente não se subsiste em sua própria conceituação do elemento do tipo, pois inexistiu falsificação de documentos, tampouco adulteração, não havendo nos autos sequer o apontamento de qual documento teria sido falsificado ou adulterado; 21) exsurge a violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa, já que sem apontar especificadamente qual documentação foi alterada ou falsificada, impedese que a requerida promova sua defesa de forma ampla, sendo certo que não há conduta típica; 22) todas as operações de importação realizadas seguiram o trâmite legal, passaram pelo crivo da RFB, tiveram o recolhimento dos tributos e encargos de forma escorreita e antecipada, inexistindo qualquer irregularidade tendente a configurar a tipificação de falsificação ou adulteração apontada pela fiscalização; 23) não existiu dolo nas operações, devendose ponderar o histórico profissional escorreito da empresa ao longo de sua vida, tratandose que de empresa sólida, cumpridora de suas obrigações, que sempre atuou no mercado nacional de forma a desenvolver sua função social e contribuir com as exações que lhe foram impostas, possuindo, desde sempre, capacidade econômica comprovada para as atividades realizadas, tanto é assim que todos os impostos Fl. 645DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.721637/201378 Acórdão n.º 3302002.989 S3C3T2 Fl. 27 13 foram pagos e não há ações de cobrança em seu desfavor, nem mesmo de terceiros; 24) não há razão para ignorar toda conduta meritória, abonada pela seriedade evidente e pela manutenção, por anos, no acirrado mercado de importação, para subitamente tratála como empresa aventureira, ou mesmo inexistente (ilegal), conforme o rigor imposto pela fiscalização no esforço de gerar sua criminalização; 25) considerando que as presunções adotadas pela fiscalização não foram hábeis a demonstrar a ocorrência das infrações requerse a revisão do posicionamento adotado, para anular o auto de infração, requerendo a atribuição de efeito suspensivo à impugnação até o trânsito em julgado da respectiva decisão final administrativa, para darlhe total provimento no sentido de anular o auto de infração, em razão de que este se encontra baseado em presunções inexistentes, bem como em premissas igualmente equivocadas, que não conduzem às infrações apontadas, com a consequente extinção do processo administrativo; 26) requer juntada dos documentos anexos, que comprovam o quanto alegado. A empresa DIRETA insurgiuse contra a exigência, com base nos seguintes argumentos: 1) as acusações não procedem, sendo que a tentativa de responsabilização solidária se mostra ilegal e irrazoável, defendo ser afastada; 2) o modo como as importações eram realizadas seguia forma determinada pela empresa exportadora das mercadorias, o que pode ser comprovado pela quantidade de distribuidores que realizavam importações nos mesmos moldes, através da empresa AST; 3) nunca houve intuito, por parte da Impugnante, em se ocultar fraudulentamente aos olhos da fiscalização, pois sempre acreditou estar agindo da forma correta, pensando estar simplesmente pagando pelas importações que encomendava; 4) a Direta sempre arcou com todos os custos normais de uma importação, inclusive todos os tributos, não se beneficiando de qualquer irregularidade nem agindo de modo a descumprir as obrigações tributárias; 5) não poderia o AuditorFiscal da Alfândega de Vitória ter lavrado Termo de Responsabilidade Solidária contra a ora Fl. 646DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 14 Impugnante, uma vez que, em razão de seu domicílio tributário (BebedouroSP), a contribuinte somente poderia ter contra si realizado lançamento por autoridade de unidade da Receita Federal do Brasil que tenha jurisdição sobre o domicílio em questão; 6) a legislação tributária de regência das unidades da Receita Federal do Brasil dá conta de que tais unidades são competentes para atuar nos limites de suas jurisdição, não tendo havido delegação de competência de uma unidade para outra, razão pela qual deve ser anulado o Termo de Sujeição Passiva Solidária, pois lavrado por autoridade incompetente, nos termos do artigo 59, inciso I, do Decreto n° 70.235/1972; 7) o mesmo raciocínio deve ser aplicado para reconhecer que as provas obtidas são nulas, viciando as conclusões fiscais, porque os Mandados de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD) foram lavrados por autoridade incompetente, o que é corroborado pelo art. 6o da Portaria RFB 3.014/2011; 8) não há, no presente caso, interesse comum entre as empresas investigadas, porque a ora Impugnante sempre pagou todos os tributos devidos nas operações de importação; 9) o próprio AuditorFiscal diz que a empresa Direta foi levada a formalizar as operações no modo em que eram feitas e que a finalidade da empresa AST era a de se beneficiar das normas relativas ao FUNDAP; 10) não há previsão em lei (sentido estrito) que imponha responsabilidade solidária à ora Impugnante, razão para a impossibilidade de aplicação do artigo 124, do CTN; 11) como as acusações se referem a infrações tributárias, o artigo 137, do CTN impõe responsabilidade pessoal ao infrator, o que afasta a possibilidade de responsabilização solidária; 12) consta das acusações que seria caso de sonegação, fraude ou conluio, condutas que exigem dolo relacionado ao pagamento dos tributos, devendose aplicar o artigo 137 do CTN, afastandose a aplicação do artigo 124; o mesmo raciocínio se aplica à acusação de falsidade ideológica, pois somente aquele que tem poder de produzir o documento considerado falso pode ser acusado de ser o autor do delito, quando não haja prova contundente de participação de outrem; 14) os tribunais têm decidido ser o crime de falsidade um crimemeio, que visaria, no caso concreto, o crimefim de Fl. 647DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.721637/201378 Acórdão n.º 3302002.989 S3C3T2 Fl. 28 15 sonegação e não há acusação de sonegação fiscal, no presente caso, até porque a ora Impugnante sempre pagou os tributos devidos; 15) a legislação que embasa a acusação de falsidade ideológica somente passou a vigorar em 2010 (Decreto nº 6759/2009, com redação do Decreto 7213/2010), o que impossibilita considerar ocorrido tal crime para todo o período fiscalizado; 16) o contexto histórico da legislação que rege a figura da ocultação do real importador mostra que, em razão de enormes esquemas que visavam fraudar o Erário Público através de lavagem de dinheiro e interposição fraudulenta de terceiros (laranjas), o Estado viuse obrigado a punir a tentativa de esconder os verdadeiros importadores, que buscavam não ser identificados, pois se caracterizavam como infratores da lei, sonegadores contumazes; 17) a figura da "ocultação do real importador", portanto, só pode ser cogitada quando se verifica que há o intuito deliberado de sonegação de tributos, lavagem de dinheiro, ocultação de um infrator da lei e sempre será mediante interposição fraudulenta de terceiros, de modo que o presente caso não se enquadra na definição de "ocultação do real importador"; 18) o AuditorFiscal justifica que a "ocultação" visaria simplesmente esconder o importador dos olhos do Fisco, porém isso não é "ocultação de real importador" para o fim de aplicação das penas previstas na legislação tributária; 19) a "ocultação do real importador" deve vir acompanhada de interposição fraudulenta de terceiro, com intuito de não pagar tributos (já que fraude tributária se refere a não pagamento de tributos), na tentativa, também, de ocultar infrator da lei que realize lavagem de dinheiro utilizandose de laranjas, nada parecido com o presente caso; 20) se a Receita Federal considera que o nome da Direta deveria constar dos documentos relativos à importação, isso deve ser caracterizado como mero descumprimento de dever instrumental; 21) a boafé da ora Impugnante nas operações foi reconhecida pelo próprio AuditorFiscal quando menciona que a Direta foi levada a agir da forma constatada, assim como todos os outros distribuidores, além do fato de sempre ter pago os tributos; Fl. 648DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 16 22) por não ter havido "ocultação de real importador" no presente caso, a ora Impugnante não pode ser responsabilizada solidariamente, devendo o Termo de Sujeição Passiva Tributária Solidária ser anulado; 23) ainda que as infrações tivessem ocorrido, o nobre AuditorFiscal separa a eventual participação da Impugnante em porcentagens e, assim, não poderia ter exigido 100% do valor aduaneiro, razão pela qual o Auto de Infração deve ser cancelado; 24) requerse o reconhecimento da nulidade das provas e do Termo de Responsabilidade Solidária por incompetência da autoridade fiscal e, caso assim não se decida, requerse a anulação da responsabilização solidária para a Impugnante, uma vez que não se pode aplicar o artigo 124 do CTN, no caso concreto, sendo hipótese de responsabilização pessoal daquele que praticou as infrações, com base no artigo 137 do CTN; 25) requerse, ainda, o reconhecimento de que não houve "ocultação de real importador" no caso concreto, e o afastamento da acusação de "falsidade ideológica" sobre a ora Impugnante, anulandose a exigência, e, por fim, caso seja necessário, a adequação da responsabilidade às porcentagens destacadas pelo AuditorFiscal. Em apreciação preliminar dos autos, constatouse irregularidade na representação processual da empresa DIRETA, razão pela qual foi determinada a intimação dessa impugnante para sanar a falha (fls. 525526). Em decorrência, foram apresentados os documentos de fls. 529542. Conclusos, os autos retornaram a este órgão julgador.conta e risco próprios e US$ 3.216.910,00 no que se refere a importações por conta e ordem e por encomenda, valor que extrapolou em muito o seu limite estabelecido, de US$ 55.636,00. AST foi credenciada como interveniente no comércio exterior na modalidade ordinária e sempre se aproveitou dos benefícios financeiros do FUNDAP (Fundo para o Desenvolvimento das Atividades Portuárias, criado pelo estado do Espírito Santo), benefício fiscal concedido às empresas de comércio exterior que estabelecem domicílio fiscal no estado. A empresa DIRETA é credenciada como interveniente no comércio exterior na modalidade “ordinária”. Intimada a esclarecer e apresentar documentos, não atendeu à intimação fiscal." Sobreveio decisão afastando os argumentos das três empresas, mantendo o lançamento intacto. Intimadas em 16.09.2014 do Acórdão, somente a empresa AST COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA. apresentou recurso em 08 de outubro de 2014. A empresa COMERCIAL E IMPORTADORA DIRETA LTDA., intimada em 10.10.2014, sexta feira, o prazo iniciou em 13.10.2014, apresentou recurso em 10.11.2014. Fl. 649DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.721637/201378 Acórdão n.º 3302002.989 S3C3T2 Fl. 29 17 Em razões recursais ambas empresas manteve os mesmos argumentos sustentados na fase de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase de Recursos Voluntários interpostos pela empresa AST Comércio Internacional Ltda. e COMERCIAL E IMPORTADORA DIRETA LTDA., atendem os pressupostos de admissibilidade devendo, portanto, serem conhecidos. A Recorrente repeliu as acusações alegando que a motivação de “incapacidade financeira” tratavase de presunção por estar sem qualquer fundamento concreto por desconsiderar a aquisição legítima de bem imóvel utilizado no aumento do capital social. Tais afirmações corresponderia inversão do ônus da prova; que a diferença apontada como sendo ajuste de comissão entre a Recorrente e a empresa NTN também tratavase de ficção fiscal. Assim como, a fundamentação de caucionamento financeiro antecipado para subsidiar as importações, e, suposta presunção de que o atraso no pagamento de tributos teria por objeto desviar os supostos recursos financeiros para fortalecer o ativo circulante da empresa para suprir a incapacidade financeira. Compulsando os autos constatase juntada de extrato bancário das empresas envolvidas na trama, NTN, JNATIVA e MANAGUETTI & MARRA LTDA., e os razões contábeis da empresa AST, onde vislumbra pela leitura daqueles documentos que as transferências financeiras lançadas nos extratos bancários foram contabilizadas pela AST a título de antecipação, o que demonstração a incapacidade financeira, principalmente, caracterizado pelos registros de valores substanciais. Não merece prosperar os argumentos da Interessada de que o conjunto de documentos aduaneiros e fiscais entregues voluntariamente à fiscalização são capaz de comprovar a regularidades dos atos negociais concretizados, e, de que não havou interposição fraudulenta. A incapacidade financeira trazida pelas Autoridades Aduaneiras como uma das causas categóricas na existência de interposição fraudulenta, vejo com reserva, impondo exame criterioso dos demais elementos dos autos. No caso presente, verificase da documentação colecionada, que as tratativas negociais davam sempre por intermédio da empresa NTN DO BRASIL LTDA., essa certeza é extraída dos emails trocados entre os hipotéticos clientes da AST com a senhora NATÁLIA NAKAMURA, vinculada a empresa “NTN”, responsável pela tarefa de cobrar os pedidos e coordenar os embarques das mercadorias, informar o navio e a data da chegada no Brasil. Em alguns dos documentos a senhora Natália Nakamura, informa o tempo que os clientes dispunham para efetivar os pedidos em razão de “fechamento de carga por contêiner”, informando o país exportador, no caso em grande parte a origem das mercadorias Fl. 650DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 18 vinham do Panamá, bem como, o nome do navio e a data prevista para chegar ao Porto de VitóriaES. As importações davam, quase em sua totalidade, pelo Panamá, tendo como exportador a empresa NTN SUDAMERICANA S/A, que no Brasil ao tempo dos fatos era representada pela empresa NTN DO BRASIL LTDA. A convicção de que a empresa NTN é o verdadeiro importador extraise das comunicações entre a “NTN” e os Interessados nos produtos importados, dando conhecimento a AST por meio de cópias dos acordos comerciais. O artifício adotado pela NTN DO BRASIL LTDA. em suas importações acontecia por intermédio da AST, procedimento doloso que restou confirmado em diligência fiscal realizada perante JNATIVA IMPORTADORA E DISTRIBUIDORA DE ROLAMENTOS LTDA – EPP, nome de fantasia SAKAROL, quando foi ouvido o senhor JOÃO SAKAMOTO, sócio controlador, que afirmou: “2.1 As suas compras são feitas através da empresa NTN DO BRASIL LTDA., é para quem dirige os pedidos, e segundo o que sabe, esta consolida os pedidos dos revendedores e importa as mercadorias, em nome dos interessados, através da AST COM. INT. LTDA. de quem recebe as mercadorias já nacionalizadas. 2.1.1 – Todos os pagamentos foram feitos através de TED e/ou depósitos em cheque, diretamente em nome da AST; 2.1.2 Em alguns casos no inicio era cobrado também o frete que foram pagos junto com as notas fiscais de compra; 2.1.3 Nunca pagou qualquer valor para a NTN, seja a qualquer título. 2.2 – As mercadorias sempre foram garantidas pela NTN, quando existe falha a mercadoria é enviada para a NTN para que seja feito um laudo apurando as causas. Esse laudo depois de próton era encaminhado para o distribuidor das mercadorias. Desconhece a continuidade dos procedimentos, pois nunca ocorreu com a sua empresa.” Continua o depoente afirmando que: “2.3 Pelo que sabe a empresa NTN DO BRASIL é remunerada com comissões recebidas da NTN PANAMERICANA e NTN DO JAPÃO; 2.4. – Para efetuar os pedidos se baseava em máster list, dos produtos fabricados pela NTN e comprava os itens que tinha maior giro no mercado, baseado em sua experiência; 2.4.1 – Esse pedido era encaminhado para a NTN por email a Natalia@ntn.com.br; Concluiu o depoimento: 2.5. – Os pagamentos poderiam ser feitos de duas formas a vista ou no prazo de 90 dias; Fl. 651DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.721637/201378 Acórdão n.º 3302002.989 S3C3T2 Fl. 30 19 2.5.1 Para os pagamentos a vista, a NTN fazia os pedidos ao exterior e no embarque recebia cópia de diversos documentos e pelo que sabe encaminhava para a AST; 2.5.1.1 No embarque das mercadorias a AST recebia cópia do BL e da fatura internacional, com base nessas informações era cobrado pela AST e efetuava o pagamento do câmbio; 2.5.1.2 Na data do desembaraço, da mesma forma era cobrado e efetuava o pagamento dos impostos mais as despesas;” Dos documentos colecionados há email da NTN (fls.361/376) enviado pela senhora Natália Sakamura, esclarecendo o método de trabalho, veja: “Boa noite a todos, Visando esclarecer o método de trabalho e prazos adotados pela NTN do Brasil, quanto aos processos de importações, segue abaixo o cronograma com a definição de atividades e prazo as a serem cumpridos. Back order (Programação) – Resumo de todos os pedidos firmados com as respectivas datas prevista de disponibilidade no Panamá e preço FOB. Do envio da Back Order todos os distribuidores possuem 05 dias úteis para o envio da instrução de embarque completa. Após este período NÃO será aceito qualquer pedido de embarque para o mês corrente, visto que o Panamá necessita de tempo para dar continuidade ao processo (separação do Material, Embalagem, Contato com Agente, Reserva de Containeres/Navio, Agendamento de Retirada do Material do Armazém, Emissão dos Documentos (Proforma/Fatura/Packing list) para inicio da Exportação; ... Tratase de um email extenso onde os procedimentos a serem seguidos pelos clientes devem ser cumpridos à risca. A própria remetente comenta tratarse de muitas informações a ser assimilada, razão pela qual deveria ser marcada reunião com todos, onde pudesse ser detalhado os procedimentos. A Recorrente foi incapaz de contraditar essa documentação colecionada pela fiscalização, deixou transcorrer em silêncio os momentos oportunos de impugnar ou mesmo debater sobre o conteúdo dos depoimentos colhidos, o que por si só revela ser verdadeiro de que trata sim de interposição fraudulenta. No que tange a irresignação quanto ao imóvel adquirido e utilizado para o aumento de capital social, tenho que esse aumento do patrimônio líquido, neste caso, não configura ingresso de numerário, mas sim ingresso no ativo permanente, incapaz de afastar macula imputada de insuficiência financeira para operar no comércio exterior exigido pela Aduana. Convencido de que a AST, ora Recorrente, emprestou seu nome para a NTN do Brasil Ltda., efetivar importações contrariando todo arcabouço jurídico existente com intuito único de ludibriar as Autoridades Aduaneiras, se revela consistente acusação de Fl. 652DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 20 ocultação do sujeito passivo, o real importador responsável pelas operações e distribuídos para vários parceiros comerciais, clientes, tudo isso corroborada pela prova concludente extraída das transferências de numerários verificadas nos extratos acostados e contabilizadas a título de antecipação de pagamento por futuras compras, o que leva concluir que a recorrente realmente não possuía capacidade financeira e se prestou a praticar infração lhe imputada caracterizando interposição fraudulenta. DA SUJEIÇÃO PASSIVA DA EMPRESA COMERCIAL E IMPORTADORA DIRETA LTDA. A sustentação trazida pela empresa Comercial e Importadora Direta Ltda., concentrou em afirmar de não ter participado em trama visando quebrar a cadeia de IPI, possui mais de quarenta anos de atividade, não fez acordo com NTN e tampouco com AST, inclusive por ser prejudicial economicamente. Deixou de rebater as acusações no que concerne ao adiantamento de recursos financeiros, ao contrario, afirma ter pago todos os impostos incidentes sobre as operações de importações realizadas pela AST. De outro lado, a fiscalização traz a lume demonstração do vinculo forte de que os recursos financeiros foram antecipados a AST na nacionalização dos produtos que foram importados. No caso da Comercial e Importadora Direta Ltda. os produtos que lhe interessava eram importados da China, mas nada mudou na sistemática utilizada pela NTN, ambas, embora inscritas no SISCOMEX, utilizaram a empresa AST para importar, dando forte demonstração que adiantaram os recursos financeiros necessários ao pagamento dos tributos. A fiscalização cuidadosamente demonstrou os recursos repassados em contra partida pela importação. Está configurado nos autos a sujeição passíva, devendo ser mantida pelos contornos jurídicos dado ao assunto pela autoridade julgadora de piso. Em sendo assim, conheço do recurso, nego provimento. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 653DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 13887.000100/90-16
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 1995
Ementa: PIS/FATURAMENTO Decorrência - Tratando-se de lançamento reflexivo, a decisão proferida no processo matriz é aplicável ao julgamento do processo matriz é aplicável ao julgamento do processo decorrente, dada a relação de causa e efeito que vincula um ao outro.
Numero da decisão: 102-29.950
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Maria Clelia de Andrade Figueiredo
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Numero do processo: 13054.000533/2002-88
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO DE COBRANÇA.
Reconhecido o crédito apontado em pedido de compensação através de diligência realizada pela Delegacia da Receita Federal e sendo este crédito suficiente para quitar os débitos apontados, deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte para que, homologando-se a compensação apresentada, reste anulado a Auto de Infração Eletrônico de cobrança.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-002.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso no sentido de cancelar o lançamento. Declarou-se impedido o Conselheiro José Luiz Feistauer por ter participado do julgamento em primeira instância. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Dilson Gerent, OAB/RS 22.484.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO DE COBRANÇA. Reconhecido o crédito apontado em pedido de compensação através de diligência realizada pela Delegacia da Receita Federal e sendo este crédito suficiente para quitar os débitos apontados, deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte para que, homologandose a compensação apresentada, reste anulado a Auto de Infração Eletrônico de cobrança. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso no sentido de cancelar o lançamento. Declarouse impedido o Conselheiro José Luiz Feistauer por ter participado do julgamento em primeira instância. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Dilson Gerent, OAB/RS 22.484. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 4. 00 05 33 /2 00 2- 88 Fl. 335DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 06 /11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Relatório O Recorrente, Weatherford Indústria e Comércio Ltda., apresentou pedido de compensação no qual pretendia quitar débitos de COFINS, com créditos oriundos de F1NSOCIAL, advindos de decisão judicial já transitada em julgado. Tendo em vista a impugnação apresentada para combater a decisão que não homologou a compensação pretendida, a DRF de Novo Hamburgo (RS) intimou o contribuinte para apresentar documentação capaz de comprovar o seu direito creditório. Como não houve manifestação por parte do Recorrente, a Delegacia de Julgamento de Porto Alegre (RS) julgou parcialmente procedente a impugnação, tãosomente para substituir a multa de ofício (75%) pela multa moratória (20%). Contudo, ao ser intimado da decisão, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário com farta documentação, que, a princípio comprovaria o seu direito creditório. No referido recurso, o contribuinte invocou o princípio da Verdade Material, rogando pelo conhecimento e provimento do seu apelo. Em decisão proferida pela Terceira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no dia 06/07/2009, restou determinada a conversão do julgamento em diligência, para que, com base na documentação apresentada pelo contribuinte, a Delegacia da Receita Federal verificasse a existência dos créditos que foram reconhecidos em decisão judicial e apontados no pedido de compensação não homologado. Realizada a diligência, os autos retornaram ao CARF para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário já foram analisados no início do julgamento, que se deu em 06/07/2009. Portanto, dele conheço. Como relatado, ao apresentar o seu Recurso Voluntário, o Recorrente trouxe aos autos documentos que, como argumentou, comprovariam a existência dos créditos indicados no pedido de compensação não homologado pela Receita Federal. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 06 /11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13054.000533/200288 Acórdão n.º 3801002.178 S3TE01 Fl. 12 3 Em diligência que foi realizada nos termos da decisão exarada por este Conselho, a douta Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo (RS), chegou às seguintes conclusões: Em análise à determinação de diligencia proferida pela Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), verifiquei o que segue. 1. O contribuinte acima foi lançado de oficio devido a falta de pagamento da COFINS, relativa aos meses de julho, agosto e dezembro de 1997. 2. Inconformado com a cobrança, alegou a existência de crédito decorrente da ação judicial 93.00.051407. 3. Em tal ação, foi concedido ao autor o direito ao crédito decorrente do pagamento do FINSOCIAL com aliquotas superiores a 0,5%. 4. 0 autor original daquela ação era IRMAOS GEREMIA LTDA (CNPJ 89.744.106/000103) que foi incorporado pela Weatherford em 02/01/1997 (cópia do sistema CNPJ, em anexo). 5. 0 trânsito em julgado ocorreu em 23/05/1997. 6. Assim, para que fosse possível a apuração do crédito decorrente da ação, o contribuinte foi intimado pela DRF/Novo Hamburgo para a apresentação de documentação comprobatória (fls.85 c 86) . 7. Não tendo apresentado a referida documentação, a cobrança dos débitos foi mantida e o contribuinte apresentou pedido de impugnação que, julgado pela 2a turma da Delegacia de Julgamento de Porto Alegre (fls. 89 a 92), foi parcialmente atendido apenas para substituir multa de ofício (75%) pela multa moratória (20%). 8. Logo a seguir, o contribuinte apresentou recurso voluntário para o Segundo Conselho de Contribuintes, incluindo documentação contábil relativa aos valores pagos de FINSOCIAL. 9. Retornando em diligência, ao analisar essa documentação, foi possível quantificar o crédito decorrente da ação judicial e verificar a sua suficiência para a quitação integral dos débitos de PA 07 e 08/1997. 10. Quanto ao débito de dezembro de 1997, o mesmo já se encontra extinto haja vista existência de pagamento efetuado pelo contribuinte onde o mesmo utilizou indevidamente a data de vencimento 09/01/1997 e, não, 09/01/1998, fato este já apreciado pela DRJ/Porto Alegre. 11. Anexei a este processo: Fl. 337DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 06 /11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 a) demonstrativo de apuração do valor devido de FINSOCIAL, de acordo com a decisão judicial; b) demonstrativos de imputação(Sicalc) relativo aos pagamentos e débitos do FINSOCIAL; c) demonstrativo de atualização do crédito decorrente da ação; d) extrato de débitos — sistema SIEF; e) demonstrativo de utilização do crédito (compensação); f) cópia da tela do sistema CNPJ (com os dados da incorporação da empresa IRMÃOS GEREMIA LTDA — posteriormente com o nome alterado para BOMBAS GEREMIA); g) cópia de tela do sistema SINAL10, com o pagamento relativo ao período de apuração 12/1997. Como se observa da diligência realizada pela fiscalização, após a análise da documentação apresentada, o direito creditório do Recorrente foi devidamente comprovado. E mais, a fiscalização concluiu que o crédito indicado é suficiente para liquidar os débitos apontados no pedido de compensação e anteriormente compensados. Ressaltese que em despacho anteriormente exarado (fl. 88), a fiscalização já tinha reconhecido que parte do crédito cobrado já foi quitado pelo contribuinte, restando em aberto, tãosomente, os débitos cobrados nos PA's 07 e 08/97. Desta forma, como os créditos reconhecidos são suficientes para quitar os débitos consubstanciados nos citados PA’s, sem maiores delongas, conheço e dou provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte, para cancelar o lançamento e anular o Auto de Infração Eletrônico de cobrança. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 338DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 06 /11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10293.000279/88-70
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 1989
Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS - 1) Fichas financeiras elaboradas pelo próprio contribuinte são fontes idôneas de detectação de receitas auferidas e não contabilizadas pela empresa; 2) Eventual
refazimento de escrita não ilide o auto de infração que lançara a diferença de imposto decorrente de desvio de receitas da contabilidade; 3) Excluem-se da tributação as parcelas dos recebimentos que constituiam receitas de terceiros,não assim os custos não contabilizados porque a apropriação deles
na atividade de loteamento está sujeita a regras específicas, dentre as quais está o rigoroso controle contábil.
Numero da decisão: 101-78.698
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento, em parte; ao recurso, para excluir da tributação as importâncias de Ncz$ 32,65 (Cr$ 32.652.520,89) e Ncz$ 150,50 (Cr$ 150.500.000,25, nos exercícios de 1985 e 1986, respectivamente, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarou-se impedido o Conselheiro José Eduardo Rangel de Alckmin
Nome do relator: Carlos Alberto Gonçalves Nunes
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PROCESSO n9 10293/000.279/88-70 g i ,,ntsm, MINISTÉRIO DADA FAZENDA LADS/ Sessão de 24 de maio de 19..B.9.. ACÓRDÃO N2 101-78.698 Recurso n 2 — 93.919 — IRPJ — EXS: 1985 e 1986 Recorrente _ IPÉ' — EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA. Recorrid a - DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM RIO BRANCO - (AC). ._ OMISSÃO DE RECEITAS - 1) Fichas finan ceiras elaboradas pelo próprio contrI bilinte são fontes idôneas de detecta= ção de receitas auferidas e não con- tabilizadas pela empresa; 2) Eventual refazimento de escrita não ilide o auto de infração que lançara a diferen ça de imposto decorrente de desvio de" . receitas da contabilidade; 3) .fillart:: se da tributação as parcelas dos rece . bimentos que constituiam receitas de terceiros,ra6 ,assim os custos não con tabilizados porque a apropriação de- les na atividade de loteamento está' sujeita a regras específicas, dentre as quais está o rigoroso controle con tábil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por IP2 - EMPREENDIMENTOS IMOBILIÃRIOS LTDA.: . ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro' Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimen- to, em parte; ao recurso, para excluir da tributação as importâncias de Ncz$ 32,65 (Cr$ 32.652.520,89) e Ncz$ 150,50 (Cr$ 150.500.000,25, nos exercícios de 1985 e 1986, respectivamente, nos termos do relató_ rio e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarou-se im pedido o Conselheiro José Eduardo Rangel de Alckmin. - Sala das Sessões (DF), em 24 de maio de 1989 , / 7 /7,/ '--- -. -4)URGá. - EnEI' á LO"ES - PRESIDENTE .v /1M1 CARLOS ALBERTO GONÇALS NUNES - RELATOR VISTO EM AFol-wcmw• FERREIRA cmpcs - PROCURADOR SESSÃO DE: DA FAZENDA ff-‘ zf Flí NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conse- lheiros: FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, CRISTÓVÃO ANCHIETA DE PAIVA, CELSO ALVES FEITOSA, CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, JOSÉ EDUARDO RAN GEL DE ALCKMIN e RAUL PIMENTEL. 2 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10.923-000.279/88-70 RECURSO N9: 93.919 ACORDÃOW 101-78.698 RECORRENTE : IPÊ - EMPREENDIMENTOS IMOBILIÃRIOS LTDA. RELATÓRIO IPÊ - EMPREENDIMENTOS IMOBILIÃRIOS LTDA., qualificada E nos autos, foi autuada por omissão de receitas operacionais, confor me levantamento efetuado nas fichas financeiras, nos valores de Cr$ 163.741.031,32 e de Cr$ 847.905.587,00, nos exerci:cios de 1985 e 1986, respectivamente (fls. 6). Irresignada impugnou o lançamento (f is 54/57), ale- gando que desenvolve a atividade de loteamento ora em imóveis pró- / prios e ora em imóveis de terceiros , prestando neste caso serviços aos proprietários e recebendo parte da receita obtida como renumera cão. Nesta última modalidade, classifica suas relaçOes com o . Sr. Valdomiro Pereira de Moura em que a fiscalizada recebe apenas 5e% , (cinqüenta por cento) da receita apurada (empreendimento 'Morada do Sol), consoante documento de fls. 58 e comprovantes dos pagamen- tos feitos ao referido contratante acostados às fls. 107/130. Em seu entendimento esses valores teriam de reduzir a receita conside rada como omitida., já que não lhe pertenciam e foram entregues ao contratante. Do mesmo modo, entende como dedutiVeis as despesas ' realizadas com os loteamentos e que representam os custos necessá- rios à obtenção da receita, cujos comprovantes estão às fls.70/102. nif DMF - DF /19 C-C - Secgraf - 1600/75 umw Nnwo FEDERAL Processo n9 10.923-000.279/88-70 3 Acórdão n9 101-78.698 As anotações nas fichas financeiras não podem ser-. vir de base para o levantamento das receitas porque muitos valo- res são devolvidos, estornados e cancelados. Diz que o fisco sequer levou em consideração o dis- _ posto no § 69, do art. 89, do Decreto-lei n9 1648/78, tornando como valor,tributável 50% da receita levantada, e tampouco - a resposta à pergunta n9 463, do Plantão Fiscal. Pertuntas e Res- postas - IRPJ - EX 87. A multa de lançamento de oficio, alega, implica em verdadeiro "bis in idem". A exigência foi mantida (fls.1831/1848), tendo em vista a informação fiscal)Crls. 54/57) e o relatório do ,Serviço de Tributação a inapllcabilidade ao caso das normas sobre arbi- tramento de lucros, a falta de contabilização das . - receitas, inobservando o disposto noíatt. 157, "caput" e seu § 19, e 161 / e 179 do RIR/80, e arts. 79 e 12 do Decreto-lei n9 1598/77, e art. 29 da Lei n9 2.354/54 e art. 44 da Lei n9 4506/64. Basica _ mente, não se tomou em consideração o pagamento de 50% das recei _ tas do empreendimento Morada do Sol ao contratante e os custos porque não contabilizadas, invocando-se quanto a :_elas o Ac. n9 103-4.310/82. Na fase recursal (fls. 1850/1861), a empresa de,1= fende a tempestividade da sua impugnação questionada em primeira instância, e, em resumo, reitera as razões já oferecidas naquela:o -Portunidad , desenvolvendo-as. Defende a validade dos : . docu- mentos acostados à sua impugnação e conclui pedindo axedução da receita paga ao contratante e a dedução dos custos apresentados, ou, alternativamente, seja cancelado o auto de infração para que a fiscalização promova o arbitramento dos lucros. Em posterior petição apresenta novos elementos de prova, dentre os quais cópias de balanços e demonstrações finan- ceiras atinentes aos períodos fiscalizados. 17/ É-orelatório. 7CP] SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10293-000.279/88-70 4. Acórdão n9 101-78.698 VOTO_ Conselheiro CARLOSALBERTO GONÇALVES NUNES, Relator: A impugnação fls. 54/57 foi apresentada dentro do prazo legal. Recurso tempestivo e assente em lei, dele tomo co nhecimento. Fichas financeiras elaboradas pelo póprio contri-- buinte são fontes idóneas de detectação de receitas auferidas e não contabilizadas pela empresa. O refazimento da escrita, a qualquer tempo, é um direito,do contribuinte. Só que; após autuada, o acerto contábil' não ilide o lançamento de imposto sobre as receitas omitidas. Não sendo imprestável a escrita da empresa, o au tuante deve acrescentar ao lucro real a receita desviada, cobran- do a diferença de imposto apurado. Ademais, o arbitramento e forma de determinação de lucros e não instrumento de defesa do contribuinte para pagar menos tributo que o devido. Quanto aos custos, é pre.csn se ter em linha de cor' ta que_e em se tratando de empresa cuja atividade económica e lo- teamento de terrenos a sua apropriação está sujeita a regras espe cincas (IN SRF n9 84/79, alterada pela IN SRF 23/83), dentre as quais está o rigoroso controle contábil Se a empresa não conta- bilizou custos não poderá pretender compensá-los com a receita o- mitida e tributada pela fiscalização. Diferentemente, na determinação da receita omiti- da pertinente ao empreendimento "Morada do Sol" não se Pode descon siderar que apenas cinqüenta por cento do valor recebido cabe recorrente, de acordo com o Instrumento Particular de Prestaçãode cí/7 SERVIÇO PÚBLICO PROCESSO N9 10293-000.279/88-70 5. Acórdão n9 101-78.698 Serviços, celebrado entre ela, na qualidade de prestadára de ser- viços, e o proprietário da gleba, Sr. Valdomiro Pereira de Moura, na posição -de contratante (fls. 58/60). O restante pertence ao con tratante e lhe foi pago através de recibos expedidos por seu procurador (f is. 107/130), com firma reconhecida à época dos pa- gamentos. O fato desse contrato somente ter sido registrado' no Cartório de Registro de Títulos e Documentos nãó:deve ser moti- vo para ignorá-lo e os efeitos jurídicos que produzem, pelo menos entre as partes. Segundo informação fiscal, os referidos pagamentos não foram contabilizados (fls. 63); logo não afetaram o lucro real do período. Os valores pagos ao Sr. Voldomiro Pereira de Mou- ra montam em Cx:$ 32.652.520,89 e Cr$ 155.500.000,25, nos exerci cios de 1985 e de 1986, respectivamente, e por hão constituiremre ceita da empresa, , devern ser egellalos: da ,redetta cles~a submetida tributação na pessoa jurídica porque pertencem à declaração da pessoa física beneficiária dos pagamentos. Por todo o exposto, dou provimento parcial ao re, curso para excluir da base de cálculo do imposto, as quantias de Cr$ 32.652.520,89 e de Cr$ 155.500.000,25, nos exercícios de 1985 e de 1986, respectivamente,. / /)-2 CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES - RELATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 11065.001447/2005-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3401-000.530
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do processo nos termos do RICARF, art 62-A, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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RICARF, art. 62 A, parágrafo 2 Recorrente Madefi S.A Indústria e Comércio Recorrida Fazenda Nacionnal Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do processo nos termos do RICARF, art 62A, nos termos do voto do relator. Júlio César Alves Ramos – Presidente Angela Sartori Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11065.001447/200581 Resolução n.º 3401000.530 S3C4T1 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra indeferimento parcial de pedido de ressarcimento/compensação (PER/DECOMP), relativo ao saldo credor de contribuição para o PIS não cumulativa. O Recorrente discorda da glosa oriunda da tributação das receitas decorrentes das transferências de créditos do ICMS a terceiros, alegando que as receitas oriundas das operações de cessão de saldo credor de ICMS estariam abrangidas pela isenção de impostos e contribuições pois decorre de exportações. Considera também que tais receitas não se enquadrariam no conceito de faturamento mensal, já que nestas cessões de créditos de ICMS o que teria ocorrido, na verdade, seria uma quitação de dívidas com fornecedores. Na sequência, o interessado reclama, quanto ao exame do pedido em questão: "Neste caso, a fiscalização simplesmente restringiuse aos valores constantes em planilhas apresentadas pela empresa, não efetuando uma análise aprofundada das operações realizadas pela fiscalizada." Passa então a incluir em sua manifestação diversos assuntos sem conexão com o presente processo, referentes a créditos oriundos de receitas de vendas no mercado interno e receitas operacionais, glosas de despesas financeiras, bens utilizados como insumo, encargos de depreciação, glosas de devoluções de vendas e outros valores com direito a crédito, além de um pedido para realização de perícia. Isso posto, requer a "declaração de insubsistência do Auto de Infração bem como a produção de todos os meios de prova em Direito admitidos. A DRJ decidiu em Síntese: “As s u n t o: Contribuição p a r a o Fi n a n c i a m e n t o da Seguridade Social – Cofins. Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIAS DE CRÉDITOS DE ICMS. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11065.001447/200581 Resolução n.º 3401000.530 S3C4T1 Fl. 3 3 A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até a vigência dos arts. 7º, 8° e 9º da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” No Recurso Voluntário reiterou os argumentos e pedido da Manifestação de Inconformidade dispostos acima. É o relatório Voto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço. Todavia, o julgamento deve sobrestado em obediência art. 62A do Regimento Interno deste Conselho. As redações das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, vigentes à época dos fatos ora analisados, dispunham que estas contribuições tinham como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, sendo que o total das receitas compreenderia a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Somente com a edição dos artigos 7º a 9º da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008 (convertida na Lei nº 11.945. de 04 de Junho de 2009) é que foram desoneradas da incidência do PIS/Pasep e da Cofins as transferências onerosas de ICMS. Todavia, neste momento impõese o sobrestamento do julgamento porque o tema está sob análise do Supremo Tribunal Federal, que decidiu pela repercussão geral do Recurso Extraordinário nº 606.107. Este Recurso é o leading case do tema da Repercussão Geral, descrito no site (24/05/2012): “DECISÃO : O Plenário do Supremo Tribunal Federal, apreciando o RE 540.410QO, rel. min. Cezar Peluso, acolheu questão de ordem no sentido de “determinar a devolução dos autos, e de todos os recursos extraordinários que versem a mesma matéria, ao Tribunal de origem, para os fins do art. 543B do CPC” (Informativo 516, de 27.08.2008). Decidiuse, então, que o disposto no Fl. 118DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11065.001447/200581 Resolução n.º 3401000.530 S3C4T1 Fl. 4 4 art. 543B do Código de Processo Civil também se aplica aos recursos interpostos de acórdãos publicados antes de 03 de maio de 2007 cujo conteúdo verse sobre tema em que a repercussão geral tenha sido reconhecida. No presente feito, o recurso extraordinário versa sobre tema (Tema 283) em que a repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 606.107RG (rel. min. Ellen Gracie, DJe de 20.08.2010), assim ementado: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. VALORES DA TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. 1. A questão de os valores correspondentes à transferência de créditos de ICMS integrarem ou não a base de cálculo das contribuições PIS e COFINS nãocumulativas apresenta relevância tanto jurídica como econômica. 2. A matéria envolve a análise do conceito de receita, base econômica das contribuições, dizendo respeito, pois, à competência tributária. 3. As contribuições em questão são das que apresentam mais expressiva arrecadação e há milhares de ações em tramitação a exigir uma definição quanto ao ponto. 4. Repercussão geral reconhecida.” Do exposto, nos termos do art. 328 do RISTF (na redação dada pela Emenda Regimental 21/2007), determino a devolução dos presentes autos ao Tribunal de origem, para que seja observado o disposto no art. 543B e parágrafos do Código de Processo Civil.” No Regimento Interno do CARF, a determinação de sobrestamento para a hipótese em tela consta do § 2º do art. 62A do Anexo II, acrescentado pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, que dispõe o seguinte: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. “ Pelo exposto, levando em conta art. 62A, § 2º, do RICARF, voto por sobrestar o julgamento até que o STF decida sobre VALORES DA TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. Somente após decisão transitada em julgado do Colendo Tribunal sobre o tema é que o processo deve retornar a esta Turma para julgamento. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11065.001447/200581 Resolução n.º 3401000.530 S3C4T1 Fl. 5 5 Angela Sartori (assinado digitalmente) Fl. 120DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 03/08/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10840.000542/85-71
Data da sessão: Thu Oct 15 00:00:00 UTC 1987
Ementa: IRPF - CÉDULA "H" - RENDIMENTOS - DISTRIBUIÇÃO
DISFARÇADA DE LUCROS - REGIME DO DECRETO-
LEI N9 1.598/77.
Configura distribuição disfarçada de lucros
a dação em pagamento de imóveis do ativo permanente da empresa para o fim de liquidar
crédito em conta corrente de sócio que se retira da sociedade, se o valor pelo qual os
bens são alienados é notoriamente inferior ao
preço de mercado.
Numero da decisão: 103-08.086
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão, bem como da decadência e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Amaury JOsé de Aquino Carvalho , Didier de Assunção Sebastião Rodrigues Cabral e Francisco Xavier da Silva Guimarães
Nome do relator: Antonio da Silva Cabral
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Configura distribuição disfarçada de lucros a dação em pagamento de imóveis do ativo per manente da empresa para o fim de liquidar crédito em conta corrente de sócio que se re tira da sociedade, se o valor pelo qual os bens são alienados é ndtoriamente inferior ao preço de mercado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por HENRIQUE RODRIGUES PUPO. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Con- selho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em rejeitar as pre- liminares de nulidade do lançamento e da decisão, bem como da decadén cia e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recur so. Venc os os conselheiros Amaury JOsé de AquinoCarvalho , Didier de Assunção Sebastião Rodrigues Cabral e Francisco Xavier-da Silva Gui- marães. Sa ; das Sessões-1)F L em 15 de outubro de 1987 ifiaNIO DA LVA CABRAL PRES E RELATOR Nrk., VISTO EM:S VAc rig4 PROCURADOR DA FAZENDA NA- SESSÃO DE 10 4 WO/ 4 CIONAL v.v. — Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes conselhe ros: CARLOS AUGUSTO DE VILHENA, LORGIO RIBEIRO e RICHARD ULRICHICW TZER. SERVICO PÚBLICO FIEDER^L Processo n9 10840/000.542/85-71 RECURSO N9 49.244 ACÓRDÃO N9 103-08.086 RECORRENTE: HENRIQUE RODRIGUES PUPO RELATÓRIO HENRIQUE RODRIGUES PUPO, residente em Ribeirão Pre- to, Estado de São Paulo, inscrito no CPF sob o n9 015.338.518-91 não se conformando com a decisão de fls. 95/97, recorre a este Cole_ giado, para os fins e efeitos do art. 33 do Decreto n9 70.235/72. Contra o interessado foi lavrado o auto de infração de fls. 38, em razão de a fiscalização ter verificado, conforme lan çamento contábil, às fls. 472 do livro Diário n9 31 da CONCRENASA - CONCRETO NACIONAL S.A., que o mesmo, ainda na qualidade de pessoa ligada, adquiriu, por valor notoriamente inferior ao de mercado, bens do Ativo Permanente da referida empresa, caracterizando, assim, distribuição disfarçada de lucros, no valor de Cr$ 1.614.753,10.r-0s te modo, incluiu-se na cédula "H" dos rendimentos tributáveis da de claração de rendimentos do exercício de 1980, ano-base de 1979, a importância referida, conforme apurado no modelo CSF-19/75, apurado com apoio no art. 91, no art. 367, inciso I, e no art. 368, inciso I, por infração aos arts. 20 e 39, inciso VIII, sujeitando-se à pe- nalidade prevista no art. 728, inciso II, do RIR/80. Deve ser consignado que às fls. 33 foi anexado um "Termo de Encerrramento de Ação Fiscal" na empresa CONCRENASA, em que a fiscalização descreve a maneira como chegou a apurar o montan te da distribuição disfarçada de lucros. Na impugnação, o autuado invocou a preliminar de de- cadência, já que a Receita Federal aceitara sua declaração de rendi mentos, no dia 24.03.80, o que significa ter dado inicio às medidas preparatórias para o lançamento respectivo. Ora, tendo sido lavradc o auto de infração no dia 09.04,85, a exigência foi efetivada foz- \-1 do prazo em que poderia o fisco ter procedido ao lançamento. Quantr - SERVICO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10840/000,542/85-71 2. ACÓRDÃO N9 103-08.086 ao mérito, diz não caber a exigência, uma vez que, no momento em que ocorreram os fatos narrados, já não era mais ligado ã empresa . Como a distribuição disfarçada de lucros só ocorre em negócios cele_ brados entre a empresa e a pessoa ligada a ela (arts. 60 e seguin- tes do Decreto-lei n41.598/77), fica afastada a presunção de distri buibuição disfarçada de lucros no caso em julgamento. Por outro la- do é equivocada a assertiva de que o preço da transação foi de va- _ lor notoriamente inferior ao de mercado. Isto porque não houve a necessária indicação dos meios utilizados pelo fisco para a determi_ nação do valor de mercado dos bens adquiridos pelo autuado, limitan_ do-se o fiscal a concluir que os mesmos foram recebidos por valorno toriamente inferior ao de mercado, o que resultou em cerceamento do direito de defesa. Além disso o imóvel em questão foi alienado por Cr$ 15.000.000, valor de mercado da época, e o valor corrigido mon- tou a Cr$ 14.404.404, o que demonstra que, no momento em que adqui- riu o citado imóvel, o valor de aquisição pelo qual a empresa lhe cedera o bem estava de acordo com o valor de mercado. Na informação de fls. 55/56 o fiscal autuante rejei- tou a preliminar de decadência, lembrando que parâmetro para a con- tagem do prazo, no caso, não seria o dia em que o contribuinte apre sentou sua declaração de rendimentos relativa ao exercício de 1980, mas o dia em que recebeu a notificação do lançamento primitivo, na forma do art. 29, parágrafo único, da Lei n9 2862/56. Anexou-se aos autos o AR de fls. 57, no qual se vê que o interessado teria recebi do a notificação do lançamento primitivo no dia 18.08.80. Quanto ao mérito, não procederia a alegação, no sentido de que o beneficiário não pertencia ã empresa no momento da dação em pagamento do citado imóvel. As negociações de bens do Ativo Permanente (27.07.79) e o seu desligamento da empresa (12.07.79) ocorreram em datas muito pró ximas. Além disso, o desligamento foi registrado pela Junta Comer- cial em 31.07.79, posterior ã celebração da escritura de dação em pagamento. Consta, ainda, registrado na escrita contábil da empresa alienante (fls. 472 do Diário n9 31) que o contribuinte adquiriu "por ocasião de sua saída, 27.07.79, do cargo de sócio Diretor-Pre- sidente" os imóveis descritos na escritura. Rejeitou, também, a pre SERVIDO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10840/000.542/85-71 3. ACÓRDÃO N9 103-08.086 liminar de cerceamento do direito de defesa, uma vez que os meios utilizados pelo fisco para determinar o valor de mercado dos bens adquiridos estão descritos nos docs. de fls. 33 e 34 e corroborados pelos de fls. 26 a 32, dos quais o contribuinte teve conhecimento. Na decisão, fls. 60/62, a autoridade julgadora rejei tou a preliminar de decadência, uma vez que o impugnante teria sido notificado do lançamento primitivo no dia 15.08.80, sendo que o cré dito tributário ora impugnado foi constituído em 09.04.85, antes portanto, do decurso do prazo decadencial. Não acolheu, igualmente, a preliminar de cerceamento do direito de defesa, pois os docs. de E ls. 24/32, bem como o Termo de Encerramento da Ação Fiscal, de fls. 33/34, demonstram como o Fisco chegou ã apuração do valor notoria- mente inferior ao de mercado, sendo que o contribuinte teve ciência destes documentos. Quanto ao mérito, a autoridade julgadora baseou- -se no fato de o presente processo ser decorrente do Processo n9 10840/000.543/85-33. Ora, tendo ficado provado, no processo princi- pal, que houve distribuição disfarçada de lucros, segue-se que no processo decorrente também se deverá admitir a distribuição disfar- çada. O contribuinte apresentou o recurso voluntário de E ls. 66/76, salientando sentir-se injustiçado, eis que o processo matriz, segundo a decisão de primeira instância, já se acharia em fase de cobrança executiva, quando a questão ainda está em discus- são neste processo. Por isso, requereu a juntada ao presente do pra cesso matriz, pois não se pode julgar o mesmo fato, que é a distri- buição disfarçada de lucros, em dois processos distintos. Tornou c levantar a preliminar de decadência, pelos mesmos motivos apresent- dos na impugnação. Suscitou, ainda, a preliminar de cerceamento d direito de defesa, também pelos mesmos motivos da peça impugnatóri Quanto ao mérito, não pode prosperar o auto, pois o recorrente de ligou-se da empresa em 12.07.79, e a dação em pagamento ocorreu dia 27.07.79, quando não mais fazia parte dos quadros desta. A ci \V constância de o fato só ter sido apresentado ã Junta Comercial po riormente não implica em que o recorrente fosse ligado ã empres? SERVICO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10840/000.542/85-71 4. ACORDA° N9 103-08.086 momento da dação, uma vez que o art. 39 do Decreto n9 57.651/66 de- termina que os documentos que são arquivados, na forma do art. 37 deverão ser apresentados na Junta dentro do prazo de 30 dias conta- dos da lavratura, sendo que os efeitos retroagirão ã data da lavra- tura. Por fim, quanto à maneira de se calcular o custo dos imóveis objeto da dação em pagamento, reporta-se ao que já dissera na impu- gnação. A matéria veio a julgamento nesta Câmara, no dia 14.08.86, sendo objeto do Acórdão n9 103-07.522 (fls. 88), cujo Re- lator, Cons. Urgel Pereira Lopes, votou por que se determinasse a remessa dos autos ã repartição de origem a fim de que fosse prolata da decisão apreciando o mérito, no que foi apoiado pela unanimidade dos participantes. Ponderou o Relator que: "De modo algum se podem ignorar os fatos e o direito invocados na defesa de um processo decorrente sóror que não houve defesa no matriz. Na jurisprudência desta Câmara casos houve em que, não obstante defe- sas tempestivas em ambos os processos, o decorrente colheu sorte diversa face às provas e argumentos ne le produzidos. Nessas condições, a decisão de primeiro grau não po de prevalecer na parte em que se louvou no pressupos- to da não modificação do lançamento que considerou principal, que veio a determinar, na verdade, o abandono do exame, da matéria de mérito. Inclusive para que se assegure o resguardo do prin- cípio do duplo grau de jurisdição. Voto, pois, pelo retorno dos autos à D.R.F. em Ri- beirão Preto-SP, a fim de que seja prolatada decisão de primeiro grau apreciando o mérito do litígio e subsequente abertura do prazo para recurso a este Conselho." Em razão disto, nova decisão foi prolatada, indefe- rindo a autoridade julgadora a impugnação, quanto ao mérito, pelos seguintes fundamentos: " Não procede a alegação de que o preço de aqui sição dos imóveis estava compatível com o valor de mercado, sob o fundamento que os mesmos foram vendi- dos em 1984 por Cr$ 15.000.000,00, enquanto o valor corrigido pela variação das ORTN's montou a Cr$ 14.404.404. EERVICO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10840/000.542/85-71 5. ACÓRDÃO N9 103-08.086 Os preços de imóveis, além de geralmente não a- companharem a variação das ORTN's, sua cotação de mercado depende de inúmeras outras variáveis, tais como oferta e procura no setor, valorização real, ou melhoramentos públicos realizados. Ademais, as escrituras públicas trazidas aos au tos pela fiscalização (fls. 26 a 32) evidenciam os" exatos valores de mercado praticados naquela oportu- nidade, demonstrando, assim, que a alienação feita pela empresa foi feita por preço notoriamente infe- rior. Lportanto, incensurável o critério adotado pe- la fiscalização, consagrado que está pelo artigo368, § 39, do RIR/80, ressaltando-se, ainda, que a transa ção foi realizada em 27.07.79, portanto, em data mui to próxima daquela em que o interessado teve efetiva do o seu desligamento da empresa, conforme se verift ca da Ata da Assembléia Geral Extraordinária, reali- zada em 12.07.79, aliás, registrada na JUCESP em 31.07.79 (fls. 48). Face ao exposto, acolho a impugnação, por tem- pestiva, para INDEFERI-LA quanto ao mérito, mantendo o crédito tributário nos termos em foi constituído. Apresentou o autuado novo recurso voluntário (f is. 102/104), invocando o art. 28 do Decreto n9 70.235/72, segundo o qual: "Na decisão em que for julgada a questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompa- tíveis." Ora, na decisão que ora é contestada o julgador não se pronunciou sobre as preliminares relativas a decadência e ao cer ceamento do direito de defesa. Assim, solicita que este colegiado determine a volta dos autos à repartição de origem para que as pre- liminares sejam apreciadas Quanto ao mérito, reporta-se, na essên- cia, ao que já dissera na impugnação e no primeiro recurso voluntá- rio. \-)É o relatório. MFCT. samvico PÚBUCO FeDeRAL Processo n9 10840/000.542/85-71 6. ACORDAO N9 103-08.086 VOTO Conselheiro ANTONIO DA SILVA CABRAL, Relator. O recurso é tempestivo, uma vez que a ciência da de_ cisão recorrida se deu em 05.08.87 (AR de fls. 99), e a protocoliza ção do presente ocorreu em 01.09.87 (doc. de fls. 101). O recorrente invocou o art. 28 do Decreto número 70.235/72, segundo o qual: "Na decisão em que for julgada questão preliminar se rã também julgado o mérito, salvo quando incompati= veis." Ora, a decisão não examinou a preliminar de decadán cia. Logo, deve-se devolver o processo a instância inferior, para novo julgamento. Em primeiro liga, este artigo já foi aplicado indi- retamente quando esta Câmara apreciou o presente caso, no acórdãom ferido no Relatório, no qual se determinou a baixa dos autos para apreciação do mérito. Além do mais, o Delegado da Receita Federal observou exatamente o entendimento desta Câmara, a qual devolveu a matéria ao julgador singular a fim de que: "... seja prolatada decisão de primeiro grau apre- ciando o mérito do litígio e subsequente abertura do prazo para recurso a este Conselho." Na fundamentação, o Relator disse textualmente: "Nessas condições, a decisão de primeiro grau não po de prevalecer na parte em que se louvou no pressupos to da não modificação do lançamento que considerou principal, que veio a determinar, na verdade, o aban dono do exame, da matéria do mérito." Ficou patente, portanto, que a devolução dos autos ã jr- primeira instãncia foi apenas para que fosse apreciado o mérito, já que as preliminares foram objeto da decisão monocrática. - SERVICO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10840/000.542/85-71 7. ACÓRDÃO N9 103-08.086 Vigora em direito processual o princípio do aprovei- tamento das formas, ou o princípio da salvabilidade do processo, de que falou PONTES DE MIRANDA, consubstanciado no art. 244 do Código de Processo Civil, que transcrevo: "Art. 244 - Quando a lei prescrever determinada forma, sem cominação de nulidade, o juiz considerará válido o ato se, realizado de outro modo, lhe alcan- çar a finalidade." O art. 28 do Decreto n9 70.235/72 não diz ser nulo o julgamento de primeiro grau pelo fato de a prestação jurisdicional ter sido efetuada em duas decisões, em que se analisou a preliminar de decadência em uma e o mérito em outra. Por outro lado, o Acórdão n9 103-07.522/86, conforme se viu, teve o objetivo de sanear o pro- cesso a fim de que, conforme foi dito pelo Relator, se observasse o duplo grau de jurisdição, uma vez que a Câmara não poderia apreciar o caso se não fosse sanada a deficiência da decisão singular, que não apreciara o mérito. Nem se esqueça que o art. 249 do CPC contém o princi pio do aproveitamento dos atos processuais, conforme se vê pela lei tura do seguinte parágrafo: "§ 19 - O ato não se repetirá nem se lhe suprirá a falta guando não prejudicar a parte." A matéria relativa ã preliminar de decadência já foi apreciada pela autoridade singular; o autuado já se defendeu adequa damente e o Colegiado entendeu como aproveitável esta parte. Se man dou se devolvessem os autos, conforme disse, foi apenas para apreci ação do mérito. Passo, assim, ã análise da preliminar de decadência. it)-- Desde o início do processo o recorrente vem insistin do no fato de que já teria ocorrido a decadência, uma vez que, ten- , SERVICO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10840/000.542/85-71 8. ACÓRDÃO N9 103-08.086 do apresentado sua declaração de rendimentos no dia 24.03.79, e,por outro lado, tendo o auto de infração sido lavrado no dia 09.04.85, a autuação teria sido efetuada fora do prazo. Não procede a tese do recorrente, já sobejamente analisada no Acórdão n9CSRF/01-0.040/80, no qual ficou assentado que a Fazenda Nacional decai do direito de proceder a novo lançamento ou a lançamento suplementar, após cinco anos, contados da notificação do lançamento primitivo ou do primei- ro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se aquele se der após esta data. Na verdade, aplica-se ao caso o art. 711, § 29, do RIR/80, e não o § 19, que consolidou o art. 173, parágrafo único, do CTN, pois este último dispositivo só se aplica nos casos em que hou ver medida preparatória, por iniciativa do fisco, indispensável ao lançamento, e não simples declaração de rendimentos. Nem se percade vista que, no casom tratava-se de lançamento de ofício, que possui regra própria, qual seja, a do § 29, citado. Assim, rejeito a preliminar de decadência e passo ã analise do mérito. Embora o presente processo não seja decorrente do processo lavrado contra a pessoa jurídica, pois o presente se encon tra baseado no art. 367, inciso I, e no art. 368, inciso I,do MR/80, enquanto o processo contra a pessoa jurídica teve como fundamento o art. 371 do mesmo Regulamento, a verdade é que o fato da distribui- ção disfarçada de lucros não foi contestado pela pessoa jurídica e o respectivo processo já se acha em fase de cobrança judicial. Não se justifica, por outro lado, a juntada do processo da pessoa jurí- dica ao presente por serem processos distintos e não existir entre eles o nexo de causa e efeito. De resto, a se dar acolhida ao pedi- do de juntada, o processo contra a pessoa jurídica haveria de se [ transformar em prova contrária ao recorrente, justamente pelo fato (,--de a distribuição disfarçada ter sido aceita pela empresa. senvtco "'muco FEDERAL Processo n9 10840/000.542/85-71 9. ACÓRDÃO N9 103-08.086 O presente feito teve sua origem num crédito que o recorrente teria contra a empresa da qual era sócio durante o perlo do em que exerceu a Presidência, conforme se vê pela leitura da es- critura de dação em pagamento, fls. 24v., no seguinte teor: "E, perante ditas testemunhas, pela outorgante deve- dora e dadora Concrenasa Concreto Nacional S/A., na forma acima representada, me foi dito que é devedo- ra ao outorgado credor e tomador, Dr. Henrique Ro- drigues Pupo, em conta corrente, da importância de Cr$ 1.100.000,00 (hum milhão e cem mil cruzeiros) que, assim, em pagamento parcial e amortização da mencionada divida então confessada, ela outorgante devedora e dadora, por esta escritura e na melhor forma de direito, dá ao outorgado credor e tomador, DAÇÃO EM PAGAMENTO, dos imóveis abaixo descritos,pe lo valor de Cr$ 280.000 (duzentos e oitenta mil cru_ zeiros), em quanto os estimam, a saber...." Desde logo, observe-se que o valor da dação em paga mento foi meramente estimado pelas artes, contrariando a sistemáti- ca da lei das sociedades por ações, a qual exige (art. 89) que o in gresso de bens na sociedade seja feito mediante avalização realiza- da por três peritos, nomeados por assembléia geral dos subscrito- res. A mesma lei fixa os critérios de avalização dos bens constan- tes do ativo, etc. Ora, tantas precauções da lei seriam inutiliza- das pelo fato de, na restituição de capital ou, o que é pior, no pa gamento de um crédito a um acionista ex-Presidente da companhia,fos- sem deixados de lado todas as avaliações e a própria escrituração contábil para se dar ao credor um imóvel pelo preço "estimado". Esta situação, no caso presente, se tornou mais es- tranha pela circunstância de os imóveis terem sido dados ao credor por preço muito baixo do de mercado. Reporto-me ao bem elaborado es tudo feito pelo autuante e que consta no Termo de Encerramento de Ação Fiscal de fls. 29v., no qual foram pesquisados os preços de Venda de cinco imóveis localizados nas cercanias dos imóveis objeto {"--- da dação em pagamento. Mediante compração dos vários preços de mer- cado, ã época, chegou o autuante ã conclusão de que o valor médio SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10840/000.542/85-71 10. ACIORDA0 N9 103-08.086 do metro quadrado, na região, era de Cr$ 526,43, enquanto os imó- veis dados pela empresa obtiveram um valor estimado pelos interes- sados de apenas Cr$ 77,79. O recorrente, em momento algum contestou este cálculo. Verifica-se que tinha razão o autuante, ao chegar _ conclusão de que os imóveis objeto da dação em pagamento valiam cer ca de Cr$ 1.894.753,10, e não a irrisória quantia de Cr$ 280.000,00, eis que na própria escritura de dação está dito (fls. 25) que o VA- LOR VENAL ATUAL dos imóveis era de Cr$ 1.270.935,60. A questão se acha mais patente, ainda, se considerar que é comum, nestas oca- siões, as partes contratantes avaliarem o imóvel por valor inferior ao de mercado, para pagamento a menor do imposto de transmissão. Em bora não se possa dizer que, no caso, esse valor venal tenha sido falsificado, não menos verdade é que as partes caíram em contradi- ção quando, para efeitos de dação em pagamento avaliaram os imóveis em apenas Cr$ 280.000,00, e, para efeitos de pagamento de imposto de transmissão, disseram que o valor venal era de Cr$ 1.270.935,60. A única defesa do recorrente se situou na circunstán cia de ele ter alienado estes imóveis, objeto da dação, por Cr$ 15.000.000, enquanto o custo corrigido ter atingido a Cr$ 14.404.404,00. Esta espécie de argumentação não merece acolhida, pe los motivos invocados pela decisão de primeira instância. Menciona o recorrente, ainda, o argumento de que ja- mais o presente caso poderia ser tratado como distribuição disfarça da de lucros, eis que é essencial para a configuração do tipo legal previsto no art. 368, inciso I, do RIR/80, que a operação se reali- ze entre a empresa e pessoa ligada. Ora, no dia 12.07.79 ocorrera o seu desligamento da Presidência da empresa, enquanto a dação empa gamento se efetuou no dia 27.07.79, quando, portanto, não estava mais jungido à pessoa jurídica. Dá-se, aqui, mais um caso de apego à mera forma juri SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10840/000.542/85-71 11. ACORDA() N9 103-08.086 dica para acobertar a realidade econômica. Ainda que não se possa dizer, por falta de provas, que o recorrente elaborou o instrumento da dação em pagamento com o propósito de fraudar o fisco, a verdade é que o pagamento foi realizado para saldar uma obrigação contraída ao tempo em que o recorrente era Presidente da empresa. O pagamento foi um ato final, mas a obrigação foi contraída pela empresa, sem sombra de dúvida, com uma pessoa ligada. A circunstância de o valor da dação ser muito abaixo do valor pelo qual a empresa contraria com terceiros me leva ã conclusão de que a dação já tinha sido prevista por ocasião da transferência da Presidência. Não se trata de mera conjectura, como poderá parecer num primeiro momento. É a própria contabilidade da devedora que re- gistrou o fato às fls. 472 do livro Diário n9 31, conforme doc. de fls. 55, da seguinte forma: IN ... por ocasião de sua saída, 27/07/79, do cargo de sócio Diretor-Presidente..." Em outras palavras, a contabilidade da empresa regis trou a aquisição dos imóveis mediante o instrumento da dação como tendo ocorrido por ocasião da saída do cargo de sócio Diretor-Presi dente, que na realidade, teria ocorrido no dia 27.07.79, e não no dia 12.07.79. Por todos estes motivos, voto no sentido de se rejei tar as preliminares de decedência, de nulidade de auto de infração e de nulidade da decisão e, no mérito, pelo não provimento do recur so. Bra-1,lia-DF., 15 de outubro de 1987. i --"InF IO DA SILVA CABRAL - RE ,I MFCT. Page 1 _0048800.PDF Page 1 _0048900.PDF Page 1 _0049100.PDF Page 1 _0049300.PDF Page 1 _0049500.PDF Page 1 _0049700.PDF Page 1 _0049900.PDF Page 1 _0050100.PDF Page 1 _0050300.PDF Page 1 _0050500.PDF Page 1 _0050700.PDF Page 1 _0050900.PDF Page 1
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Numero do processo: 10845.000524/2005-35
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA POR FALTA DEMONSTRAÇÃO DO DIREITO. NOVA APURAÇÃO DE FATOS POR DILIGÊNCIA. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL PARA RECONHECIMENTO OU NÃO DO DIREITO.
Reconhecido o direito de a Interessada produzir prova de seu crédito por meio de diligência, que trouxe aos autos análise original e inovadora sobre os créditos admitidos e não admitidos, cabe à autoridade fiscal competente da unidade de jurisdição do contribuinte, por meio de novo despacho decisório, apreciar a declaração de compensação
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-002.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Fez Sustentação Oral pela Recorrente Rogério do Amaral Silva Miranda de Carvalho, OAB/SP nº 120.627.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA POR FALTA DEMONSTRAÇÃO DO DIREITO. NOVA APURAÇÃO DE FATOS POR DILIGÊNCIA. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL PARA RECONHECIMENTO OU NÃO DO DIREITO. Reconhecido o direito de a Interessada produzir prova de seu crédito por meio de diligência, que trouxe aos autos análise original e inovadora sobre os créditos admitidos e não admitidos, cabe à autoridade fiscal competente da unidade de jurisdição do contribuinte, por meio de novo despacho decisório, apreciar a declaração de compensação Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez Sustentação Oral pela Recorrente Rogério do Amaral Silva Miranda de Carvalho, OAB/SP nº 120.627. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 05 24 /2 00 5- 35 Fl. 960DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10845.000524/200535 Acórdão n.º 3302002.195 S3C3T2 Fl. 960 2 (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso retorno de diligência, requerido pela Resolução n. 3302 00.058, de 23 de agosto de 2010. A diligência foi requerida nos seguintes termos: Diante desse contexto, é preciso converter o julgamento do recurso em diligência, com a finalidade de esclarecer o seguinte: 1) Especificamente, quais as razões do indeferimento inicial (se falta de apresentação de documentos ou se os livros não permitiam a apuração e, nesse último caso, se há alguma incompatibilidade em relação ao apurado na auditoria apresentada pela interessada). 2) Verificar se os seguintes problemas formais com as declarações de compensação eram sanáveis e se foram resolvidos: a) a adoção de conta contábil única para registro dos créditos de PIS e Cofins e a consequência de haver ocasionado compensações indevidas de PIS; b) compensação de débitos da Cofins utilizando créditos de PIS sem a elaboração de PER/DCOMP; c) compensações indevidas de PIS; sobre a falta de acréscimo de juros e multa de mora e a sua regularização; d) necessidade de retificação das declarações; sobre a apresentação de PER/DCOMP em formulário papel para os períodos de janeiro e fevereiro de 2006, em desacordo com a IN SRF no 598, de 2005; e) elaboração de “pedidos de ressarcimento informando os créditos relativos a um único mês e com valor correspondente ao débito compensado”; f) compensações não identificadas no livro Razão; g) apropriação indevida de despesas diversas para os períodos de dezembro de 2002 a janeiro de 2007 (PIS) e fevereiro de 2004 a janeiro de 2007 (Cofins); h) apropriação indevida de despesas de estufagens, transporte nas docas, taxa de entrada e saída com descarga de caminhões, seguros, telefone, taxa de manutenção de PABX. 3) Esclarecer se a apuração dos créditos foi, de fato, demonstrada após a auditoria, e se se, por amostragem, a critério da Fiscalização, os cálculos estão corretos e são suficientes para a compensação, abrangendo, eventualmente, juros e multa de mora. Fl. 961DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10845.000524/200535 Acórdão n.º 3302002.195 S3C3T2 Fl. 961 3 Ademais, a Interessada deverá ser intimada a apresentar certidão de objetoepé da ação judicial cautelar apresentada e cópias de eventuais decisões nela proferidas. As questões de apresentação de documentação e provas devem ser analisadas e relatadas pela Fiscalização em termo circunstanciado. Posteriormente, os aspectos formais e materiais das declarações de compensação devem ser analisados pela seção competente da Sacat ou seção equivalente, que também deverá lavrar relatório conclusivo, dando ciência de ambos os relatórios à recorrente, que poderá apresentar resposta no prazo de trinta dias. Foi realizada diligência conjunta dos seguintes processos, segundo o termo de informação fiscal de fls. 541 a 624: 1. 10845.003528/200494 (CARF); 2. 10845.000524/200535 (CARF); 3. 10845.000525/200580 (CARF); 4. 10845.001219/200561 (CARF); 5. 10845.001220/200595 (CARF); 6. 1845.003161/200590 (CARF); 7. 10845.003162/200534 (CARF); 8. 10845.003414/200525 (CARF); 9. 10845.000184/200623 (DRJ); 10. 10845.000186/200612 (DRJ ); 11 .10845.000398/200608 (DRJ); 12. 10845.000399/200644 (DRJ). A Fiscalização deu conta de que intimou a Interessada a apresentar documentação, que lhe foi apresentada em meio magnético e analisada por amostragem. Seguiuse intimação para apresentar documentação adicional e justificar valores apurados. Ainda relatou a Fiscalização: Verificamos em relação a situação dos fornecedores da VOLCAFÉ perante o cadastro CNPJ, que alguns encontramse na situação atual de INAPTA, SUSPENSA ou BAIXADA. Em relação às aquisições de cooperativas, a Fiscalização esclareceu o seguinte: Com base em informações prestadas pelas cooperativas e/ou nas DACON's, verificase que uma parcela pequena da receita foi oferecida a tributação do PIS e COFINS, não se podendo Fl. 962DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10845.000524/200535 Acórdão n.º 3302002.195 S3C3T2 Fl. 962 4 assegurar da inclusão dos valores relativos aos fornecimentos efetuados por estas cooperativas ao contribuinte (VOLCAFÉ). A partir daí a Fiscalização fez a apuração dos valores, analisando cada um dos adquirentes. Ainda reportouse às aquisições de pessoas físicas, a notas fiscais consideradas em duplicidade, valores contabilizados a maior, créditos não previstos em legislação (Despesas de Corretagem, Seguros (sobre transporte até o armazém, depósito em armazém e transporte do armazém ao porto), Despesas Diversas, Telefone, Taxa de Manutenção de PABX, Despesas Bancárias, Comissões Bancárias, Taxa de Entrada em Armazém e Taxa de Saída de Armazém). Na sequência, passou a tratar dos questionamentos efetuados pelo Carf e pela DRJ. b) Com relação a suficiência dos créditos acima demonstrados para compensação do débito constante da Declaração de Compensação apresentada pelo Recorrente, após aplicação no programa simulador de compensações homologado pela Secretaria da Receita federal do Brasil, cujos relatórios encontramse em anexo, fls. 855 a 856, verificaramse os seguintes saldos remanescentes de débitos: •Dos R$ 244.845,00, os créditos apurados foram suficientes para abater R$ 32.412,66, restando saldo devedor de R$ 212.432,34, referente a Declaração de compensação fls. 02 a 05. Intimada, a Interessada manifestouse nas fls. 867 a 953, em que tratou inicialmente do seu direito de ressarcimento e de compensação segundo a legislação, do direito a crédito relativo às contribuições não cumulativa. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Com a realização da diligência, várias das questões inicialmente apresentadas pela Interessada foram superadas e outras surgiram, à vista da apresentação da documentação. A situação é peculiar à vista de, inicialmente, a Interessada não haver identificado na documentação a origem dos valores que lhe confeririam o direito de crédito. Como a Fiscalização não foi clara na descrição desses fatos e a Interessada insistia em afirmar que tinha a documentação comprobatória, resolveuse converter o julgamento em diligência. Como resultado, as questões que são agora apresentadas a análise visam a apuração do crédito da Interessada, que não foi efetuada até o momento. Fl. 963DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10845.000524/200535 Acórdão n.º 3302002.195 S3C3T2 Fl. 963 5 Tratase de matéria de competência privativa da autoridade fiscal, nos termos do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil (Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012), art. 224. Ademais, admitindo, em tese, que a matéria pudesse ser apreciada no âmbito do Carf, haveria necessariamente supressão de instância, o que seria vedado pelas leis disciplinadoras do Processo Administrativo Fiscal. E, quando se falar, em “matéria” no parágrafo anterior, devese esclarecer que se trata de outra matéria em relação à originalmente apresentada no recurso da Interessada. A questão posta no recurso dizia respeito, primeiramente, à existência de prova do direito, razão pela qual os autos foram baixados em diligência. Essa foi a questão que levou ao indeferimento original e que veio à discussão no recurso. Portanto, realizada a diligência, o presente processo deve ser saneado, restabelecendo o contraditório apropriadamente. Para isso, a diligência deve servir de base à unidade de origem para que emita novo despacho decisório a respeito da declaração de compensação. Tal despacho decisório não poderá desconsiderar a documentação juntada aos autos com a diligência, nem a informação fiscal da Fiscalização e a chamada “manifestação de inconformidade” apresentada pela Interessada. Do indeferimento parcial ou total do direito de crédito da não homologação das compensações, caberá direito a manifestação de inconformidade à DRJ. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para admitir reconhecer o direito da Interessada a ter seu direito de crédito analisado com base na documentação apresentada e nas demais informações coletadas na diligência, por meio de novo despacho decisório da seção competente da unidade de jurisdição da RFB. (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Fl. 964DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10845.000524/200535 Acórdão n.º 3302002.195 S3C3T2 Fl. 964 6 Fl. 965DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 13817.000342/2001-66
Data da sessão: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2001
PEREMPÇÃO.
Não sendo cumprida nem recorrida a exigência no prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância, deve ser declarada a perempção, não se conhecendo do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 3201-000.397
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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'3"1-°' '1... í.t.z.. .± '.: . CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n0 13817.000342/2001-66 Recurso n° 142.647 Acórdão n° 3201-00.397 - r Câmara/ia Turma Ordinária Sessão de 04 de fevereiro de 2010 Matéria F1NSOCIAL - RESTITUIÇÁÉVCOMPENSAÇÃO Recorrente PÃES E DOCES CBA LTDA. Recorrida DRJ-CAMP1NAS/SP Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2001 Ementa: PEREMPÇÃO. Não sendo cumprida nem recorrida a exigência no prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância, deve ser declarada a perempção, não se conhecendo do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2° Câmara / 1' Tunna Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. 1 dit r • ARCON.DES DO' AMARAL G i, ‘i 1 1C • iriliát+0 ROSA Relator 1 1 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim, Rosa Maria de Jesus da Silva C. de Castro, Marcelo Ribeiro Nogueira e Luciano Lopes de Almeida Moraes. 1 _ Processo n° 13817.000342/2001-66 S3-C2T1 Acórdão n°3201-00.397 Fl. 311 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata-se de Pedido de Restituição de fl. 01, protocolado em 1910912001, no valor de R$ 9.015,59, correspondente a recolhimentos feitos a título de Contribuição para o Fundo de Investimento Social — Finsocial, relativos aos períodos de apuração janeiro/1991 a março/1992, conforme planilha de cálculo à fl. 07. Ao direito creditório postulado, a contribuinte vinculou débitos tributados mediante apresentação de pedidos dou declarações de compensação neste processo e em outros. — que a este estão apensados. A DRF em Santo André emitiu o Despacho Decisório de fls. 60/62, indeferindo o pedido de restituição e não homologando as compensações dos débitos, sob a fundamentação de que: Inexistem indébitos a restituir, visto que a declaração de inconstitucionalidade da majoração das aliquotas do F1NSOCIAL foi proferida pelo STJ em sede de controle difuso, com eficácia inter pars, não sendo a interessada parte daquela lide; Além da inexistência de recolhimentos indevidos, na data da protocolização (19/09/2001) já tinha ocorrido à extinção do direito de pedir restituição por decurso de prazo de cinco anos, nos termos do Ato Declaratório SRF n°96, de 26/11/1999. Cientificada do indeferimento de seu pleito em 10/08/2006 (fl. 63-verso), a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 04/09/2006 (fls. 67/78), na qual alega, em síntese: Como não houve publicação da Resolução do Senado para que se conferisse efeito erga omnes à declaração de inconstitucionalidade do FENSOCIAL, editou-se a MP n° 1.110/95 para regular o assunto. Posteriormente, a MP n ó 1.621/98 alterou o conteúdo daquela MP, deixando de constar óbice à restituição dos valores indicados pela contribuinte. Portanto, somente a partir de 1998 iniciou-se a contagem do prazo para pedir essa restituição; Cita Acórdão n° 01-03.754 da P Turma da Câmara de Recursos Fiscais para afirmar que o prazo para pedir restituição de tributos pagos indevidamente pode ser contado de três formas, quais sejam: I) da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; 2) da Resolução do Senado Federal que confere efeito erga omnes à decisão inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade do tributo; 3) publicação de um ato administrativo que reconhece caráter da exação tributária; Cita Acórdão n° 301-30988, do 3° Conselho de Contribuintes para sustentar o entendimento de que o prazo para requerer indébito tributário decorrente da declaração de inconstitucionalidade das majorações do F1NSOCIAL é de cinco anos, contados de 12106/1998, data da publicação da Medida Provisória n° 1.621-36, que de forma definitiva trouxe a manifestação do Poder Executivo no sentido de possibilitar a compensação; 2 Processo n° 13817.000342/2001-66 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.397 Fl. 312 Enfatiza que existem ainda decisões que consideram que a contagem do referido prazo teve inicio com a publicação da Instrução Normativa SRF n° 31/97; Conforme entendem a doutrina e a jurisprudência, a extinção do credito tributário operar-se-ia com a homologação do lançamento, o que, na pratica, resultaria num prazo de dez anos: cinco para a homologação tácita e mais cinco para o exercício do direito â restituição de recolhimento indevido; Cita Láudio Camargo Fabretti, em seu livro Código Tributário Comentado e o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que julgou improvido o recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional no Resp O 627.203-R, para corroborar a tese dos 10 anos, bem como transcreve trecho da posição do STI no Recurso Especial n° 726.668-PE, nas palavras do ministro Teori Albino Zavaski; Assevera que o disposto no artigo 30 da Lei Complementar if 118/2005 somente pode ser aplicado a situações que venham a ocorrer a partir de sua vigência; Solicita que sejam mantidas suspensas as compensações nos moldes da MP 135/03 transformada na Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003 nos termos do seu artigo 17, §11. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou sua decisão na ementa correspondente. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/1991 a 31/03/1992 RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. EXTINÇÃO DO DIREITO. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento. 3 - Processo n° / 3817.000342/2001-66 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.397 Fl. 313 VOTO Conselheiro RICARDO PAULO ROSA, Relatar. O Aviso de Recebimento acostado aos autos — verso da folha 291, informa o recebimento da intimação no dia 16 de novembro de 2007, uma sexta-feira. Conforme legislação de regência, os prazos serão contínuos, excluindo-se de sua contagem o dia de início e incluindo-se o do vencimento, iniciando-se e encerrando-se somente em dias de expediente normal. O prazo para apresentação de recurso voluntário é de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância, sob pena de o contribuinte ser considerado perempto e a decisão administrativa definitiva. Decreto 70.235/72 Dos Prazos Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 42. São definitivas as decisões: I - de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; Pelo fato de ter sido dado ciência ao contribuinte em uma sexta-feira, a contagem do prazo para apresentação do recurso iniciou-se na segunda-feira, dia 19 de novembro, e encerrou-se no dia 18 de dezembro. Consta à folha 292 do processo protocolo de recebimento do recurso voluntário datado de 19 de dezembro, um dia depois de findo o prazo legal para apresentação do mesmo. Ante o exposto, VOTO POR NÃO CONHECER do recurso voluntário apresentado pela rec,ifiente fora do prazo determinado pela legislação. S. dap\ ssões, em 04 de fevereiro de 2010 I ¥1 1 I ir II LO ROSA. 4
score : 1.0
Numero do processo: 10925.001863/2003-87
Data da sessão: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1999
EXPLORAÇÃO EXTRATIVA
Para ser considerada a área de exploração extrativa, além do Plano de Manejo, deverá ser apresentado o Relatório de Execução do plano e/ou comprovante de extração da madeira, como notas fiscais, os quais devem ser especificamente os referentes à área autorizada pelo órgão ambiental para sua exploração controlada e não de propriedade diversa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-000.071
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1999 EXPLORAÇÃO EXTRATIVA Para ser considerada a área de exploração extrativa, além do Plano de Manejo, deverá ser apresentado o Relatório de Execução do plano e/ou comprovante de extração da madeira, como notas fiscais, os quais devem ser especificamente os referentes à área autorizada pelo órgão ambiental para sua exploração controlada e não de propriedade diversa. Recurso Voluntário Negado.
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Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto ri e Relator. ep .------ II.YO/h'IsAit Yin litátt- LENA T .01, ANO DAMORIM - Presidente ' LUCIANO LOPES 1B : L , IDA MORAES — Relator11' EDITADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mercia Helena Trajano Damorim (Presidente), Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes (Relator), Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. 1 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase, fls.: Trata o presente processo de Auto de Infração, fls. 01/04 e 18/20, através do qual se exige, do interessado, o Imposto Territorial Rural — ITR, relativo ao exercício de 1999, acrescido de juros moratórios e multa de oficio, totalizando o crédito tributário de R$ 20.302,99, incidente sobre o imóvel rural denominado "Fazenda Mato dos Fagundes", com NIRF — Número do Imóvel na Receita Federal — 0.928.131-2, localizado no município de Vargem/SC. Na Descrição dos Fatos, à fl. 03, o fiscal autuante relata que foi apurado falta de recolhimento do Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, do exercício de 1999, após alteração da declaração do contribuinte, conforme art. 14 da Lei n°9.393/96, por não ter a empresa feito prova da existência de Plano de Manejo Sustentado em situação regular para a área declarada de 344,6 hectares. O enquadramento legal do lançamento consta à 03. Instruíram o lançamento os documentos de fls. 14 a 17 e 35 a 43. A interessada foi cientificada do lançamento, por via postal, em 27/10/2003 (fl. 104), apresentou impugnação, em 26/11/2003, fls. 23 a 34, aduzindo, em síntese, que: Existe o plano de manejo florestal para o imóvel, protocolado e aprovado pelo lbama/SC, conforme oficio n° 120/89, executado dentro do prazo, de acordo com a legislação vigente à época; O plano de manejo não teve sua execução continuada, por impedimento legal e judicial, em virtude de existir na propriedade muitos pinheiros, cuja exploração ficou proibida com o Decreto 750/93, de 10/02/93, por encontrar-se em processo de extinção conforme Portaria 37-N, de 03/04/1992 do Ibama/SC; O Decreto n° 750/93 diz que o Estado de Santa Catarina está inserido na Mata Atlântica, não podendo haver qualquer exploração florestal até 1996; Em 04/06/1996, a Fundação do Meio Ambiente — FATMA, editou a Portaria Interinstitucional n° 01, disciplinando as autorizações de exploração florestal, em Santa Catarina, sendo suspensa pela Ação Civil Pública n°96.04.43429-2; Embora impedida, por decisão judicial, de explorar a área, resolveu conservá-la e mantê-la como área de interesse ecológico, em razão da beleza cênica e da grande variedade de espécies vegetais e animais existentes no imóvel, considerados em extinção; Para comprovar a real situação do imóvel, apresentou nos autos, relatórios de avaliação ecológica, elaborado pela 2 Processo n° 10925.001863/2003-87 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.071 Fl. 437 empresa MAURIQUE e relatório de monitoramento e fauna elaborado pela empresa BOURSHEID; Mencionou o art. 10 inciso II 55' 1°, alínea "b" da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, para justificar a exclusão da tributação da área de interesse ecológico; É ilegal a multa aplicada no lançamento, posto que caracteriza verdadeiro excesso, um desvio de finalidade, violando a Constituição a Federal de 1988 e os princípios jurídicos e legais que devem reger tais procedimentos; A multa de 75%, além de ilegal, possui caráter confiscatório porque viola os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, inclusive cita, entendimento do Superior Tribunal de Justiça, no processo 1998.010.00.50151-1, que decidiu que não ser confiscatória apenas a multa de 20%; Cita o entendimento de Ângela Maria da Motta Pacheco, que prelecionou sobre o caráter confiscató rio do tributo, dizendo que o art 5°, incisos XXII e XXIV, da Constituição Federal assegura o direito de propriedade, salvo o caso de desapropriação por necessidade ou utilidade pública ou interesse social, mediante prévia e justa indenização em dinheiro; Os valores exigidos no Auto de Infração estão incorretos, porque foi utilizada como indexador de correção monetária a taxa SELIC; O fato da taxa SELIC ter sido instituída como indexador oficial, através da Lei Federal, não implica em dizer que sua utilização seja legal, posto que esta já nasceu viciada, conforme demonstrado pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça; Mencionou a ementa n° 2155881 sobre Empréstimo Compulsório com Aplicação da taxa SELIC, art. 39, parágrafo 40, da Lei 9.250/95; Requer análise da impugnação, decidindo sobre a invalidade do lançamento e determinar o cancelamento e arquivamento do auto de infração, com conseqüente dispensa de pagamento dos valores por ele exigidos. Instruíram os autos, os documentos de fls. 134 a 147. Retornou o presente processo a julgamento a esta 1" Turma, em virtude de decisão proferida pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, segundo Acórdão n° 302-39.238, fls. 351 a 355, sessão de 29 de janeiro de setembro de 2008, assim ementado: ITR. DOCUMENTAÇÃO NÃO ANALISADA. EQUIVOCO DA REPARTIÇÃO DE ORIGEM. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA — Comprovada a efetiva existência de documento não analisado pela decisão de primeira instância em função de mero equívoco cometido pela repartição de origem quando de sua juntada aos autos administrativos; e, em respeito aos 3 princípios da ampla defesa e da busca da verdade material que regem o PAF, deve a decisão de primeira instância ser anulada para que outra seja proferida, considerando-se tudo o que nos autos conste. PROCESSO ANULADO. A conselheira relatora do voto do Acórdão mencionado informou que a interessada reiterou seus argumentos em relação à existência de plano de manejo sustentado para comprovação da área de exploração extrativa. Embora o plano não fosse aceito para o ano base de 1998, porque passou a viger em 1999, mas a alíquota aplicável ao caso, deve ser aquela dos imóveis com alto grau de aproveitamento, conforme especificado no Certificado de Cadastro de Imóvel Rural — CCIR, que atribuiu à propriedade status de grande propriedade produtiva. Relatou ainda que segundo afirmação da contribuinte houve equivoco na juntada por parte da DRF de Campo Grande, anexando ao processo de n° 10925.001863/2003-87 documentos que deveriam ter sido juntados nos autos do processo n° 19925.001864/2003-21, o mesmo tendo ocorrido em sentido inverso. Mas, o CCIR de fl. 294 corresponde a Fazenda Mato dos Fagundes. Conforme Acórdão n" 6.355, de 05 de agosto de 2005, anulado pelo Terceiro Conselho de Contribuintes, esta 1" Turma de Julgamento julgou procedente o lançamento impugnado, com manutenção do crédito tributário (lis. 149 a 164). Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande/MS indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/CGE n° 15.236, de 05/09/2008, fls. 361/376: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1999 ANÁLISE DO MÉRITO. Procede-se à nova análise do mérito da impugnação, cumprindo determinação do órgão julgador de segunda instância nesse sentido, que entendeu ter ocorrido preterição do direito de defesa do contribuinte no julgamento proferido anteriormente pela primeira instância administrativa. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Inexistindo atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. Constitucionalidade de Lei. As autoridades e órgãos administrativos não possuem competência para decidir sobre a constitucionalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo. ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. 4 Processo n° 10925.001863/2003-87 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.071 Fl. 438 A área utilizada com exploração extrativa é comprovada com plano de manejo sustentado, desde que o cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte, no período para o qual foi autorizado. MULTA DE OFÍCIO - JUROS - TAXA SELIC. A obrigatoriedade da aplicação da multa de oficio, nos casos de informação inexata na declaração, e os acréscimos do imposto com juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC decorrem de lei. Lançamento Procedente. Às fls. 380 o contribuinte foi intimado da decisão supra, motivo pelo qual apresenta Recurso Voluntário de fls.383/432, tendo sido dado, então, seguimento ao mesmo. É o Relatório. 5 , Voto Conselheiro LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais. Como visto, trata-se de recurso no qual é requerido o afastamento da ' exigência fiscal contida no Auto de Infração (fls. 02/04 e 18/20), baseada que foi no descumprimento pela Interessada da apresentação do plano de manejo para comprovação da existência de áreas de "Exploração Extrativa", nos termos do art. 10, § 5° da Lei 9.393/1996, de área de 344,6 ha. Sobre o assunto referente à área utilizada com a exploração extrativa, diz o art. 10, da Lei 9.393/1.996: Art. 10. § I°. Para os efeitos de apuração do ITR considerar-se-á: (.) V - área efetivamente utilizada, a porção do imóvel que no ano anterior tenha: a) sido plantada com produtos vegetais; b) servido de pastagem, nativa ou plantada, observados índices de lotação por zona de pecuária; c) sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental; d) servido para exploração de atividades granjeira e aqiiícola; e) sido o objeto de implantação de projeto técnico, nos termos do artigo 7° da Lei n°8.629, de 25 de fevereiro de 1993; VI- Grau de Utilização - GU, a relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável. § 2". As informações que permitam determinar o GU deverão constar do DIA 7'. § 3°. Os índices a que se referem as alíneas b e c do inciso V do § 1° serão fixados, ouvido o Conselho Nacional de Política Agrícola, pela Secretaria da Receita Federal, (.) § 5°. Na hipótese de que trata a alínea c do inciso V do § 1°, será considerada a área total objeto de plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente, e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. § Será considerada como efetivamente utilizada a área dos imóveis rurais que, no ano anterior, estejam: 6 Processo n° 10925.001863/2003-87 S3-CIT2 Acórdão n.° 3102-00.071 Fl. 439 I - comprovadamente situados em área de ocorrência de calamidade pública decretada pelo Poder Público, de que resulte frustração de safras ou destruição de pastagens; II - oficialmente destinados à execução de atividades de pesquisa e experimentação que objetivem o avanço tecnológico da agricultura.(..) Essa matéria foi ainda disciplinada pelos artigos da IN n° 43/97: Art. 12. Área utilizada é a porção da área do imóvel que, no ano anterior ao da entrega do DIA T, tenha: 1- sido plantada com produtos vegetais; - servido de pastagem, nativa ou plantada, observados índices de lotação por zona de pecuária (art. 15); III - sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental (art. 15); IV - servido para exploração de atividades granjeira e aqüícola; V - sido objeto de implantação de projeto técnico, nos termos do art. 7° da Lei n°8.629, de 1993; VI - sido comprovadamente situada em área de ocorrência de calamidade pública decretada pelo Poder Público, de que resulte frustração de safras ou destruição de pastagens; VII - sido oficialmente destinada à execução de atividades de pesquisa e experimentação que objetivem o avanço tecnológico da agricultura. (.) § 2° Áreas plantadas com produtos vegetais são aquelas plantadas com culturas temporárias e permanentes, inclusive as reflorestadas com essências exóticas ou nativas com destinação comercial e as plantadas com horticulturas (os principais produtos estão listados no Anexo II). § 3° São essências nativas as espécies arbóreas, naturais ou espontâneas do País ou da região, cuja madeira tenha valor econômico, como, por exemplo, andiroba, aguano ou mogno, angico, aroeira, bicuiba ou iciuba, bracatinga, canela, cedro, erveira, freijó, gonçalo alves, imbuia, ipê, jacarandá, jacaré, louro, maçaranduba, pau-brasil, pau-ferro, pau-marfim, pinho ou pinheiro, sucupira e tabebuia. § 4° Essências exóticas são as espécies arbóreas oriundas de outro país ou continente, cuja madeira apresente valor econômico, como, por exemplo, acácia negra, eucalipto, grnelinea-arbórea, pinus caribea e pinus eliotti. 7 § 60 Áreas objeto de exploração extrativa são as áreas utilizadas com extrativismo vegetal ou florestal, observado o disposto no art. 16, inciso III e parágrafo único. § 7" Exploração extrativa é a atividade de extração e coleta de produtos vegetais nativos, não plantados, ou exploração madeireira de florestas nativas, não plantadas. § 8° Consideram-se utilizadas pela exploração de atividades granjeira ou aqüícola, conforme o caso, as áreas ocupadas com benfeitorias, construções e instalações destinadas ou empregadas na criação de aves, coelhos, suínos, bichos da seda (casulos), abelhas, peixes, camarões e rãs. § 9°A área objeto de implantação de projeto técnico, referida no inciso V, será reconhecida e declarada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA e, sem prejuízo dos termos e condições estabelecidos em regulamento por esse órgão, o projeto deverá atender aos seguintes requisitos: I - seja elaborado por profissional legalmente habilitado e identificado; II - esteja cumprindo o cronograma fisico-financeiro originalmente previsto, não admitidas prorrogações de prazos; III - preveja que, no mínimo 80% (oitenta por cento) da área total aproveitável do imóvel esteja utilizada em, no máximo 3 (três) anos para as culturas temporárias e 5 (cinco) para as culturas permanentes; IV - haja sido aprovado pelo órgão federal competente até 31 de dezembro do ano anterior ao do exercício em cobrança. Ora, o art. 10, § 1°, V, "c" e § 50 da Lei n° 9.393/96 considera como área efetivamente utilizada a área total objeto de manejo sustentado, desde que esteja sendo cumprido o cronograma pelo recorrente. O recorrente não apresentou documentação comprobatória da área utilizada com a exploração extrativa, com cópia do Plano de Manejo autorizado pelo lhama, acompanhado com os Relatórios de Execução do PMFS, referente à área de exploração extrativa em debate para o ano de 1998. Pelo contrário, confirma em suas defesas que este plano somente teve inicio no ano de 1999. Sobre o tema, o Manual de Perguntas e Respostas do ITR relativo ao Exercício 1998 esclarece: 154. O que se entende por áreas utilizadas com produtos vegetais? São aquelas plantadas com culturas temporárias e permanentes, inclusive as reflorestadas com essências exóticas ou nativas com destinação comercial, as plantadas com forrageiras para venda e as plantadas com hortículas (IN SRF 43/97, art. 12, § 2°). 8 Processo n° 10925.001863/2003-87 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.071 Fl. 440 155. O que se entende por área utilizadas com essências nativas? São aquelas áreas exploradas com as espécies arbóreas, naturais ou espontâneas do Pais ou da região, cuja madeira tenha valor econômico (IN SRF 43/97, art. 12, § 156. O que se entende por área utilizadas com essências exóticas? São aquelas áreas exploradas com as espécies arbóreas oriundas de outro pais ou continente, cuja madeira apresenta valor econômico (IN SRF 43/97, art. 12, § 157. Áreas plantadas com espécies exóticas (acácia negra, eucalipto, pinus, etc) para fins industriais ou comerciais devem ser informadas como áreas plantadas com produtos vegetais ou exploração extrativa? Estas áreas cultivadas com essências exóticas arbóreas devem ser informadas como áreas utilizadas - plantadas com produtos vegetais. Não se sujeitam a índice de exploração. Aceita-se integralmente, até prova em contrário, as áreas informadas pelo contribuinte. 158. O reflorestamento com espécies exóticas é considerado área com produtos vegetais independentemente da destinação. Com relação às áreas reflorestadas com espécies nativas, como fazer a sua distribuição? As áreas reflorestadas com espécies nativas, destinadas a recompor as áreas de preservação permanente e de reserva legal, deverão ser informadas, respectivamente, como áreas de preservação permanente ou de reserva legal. Já as áreas reflorestadas com essências nativas, fora das áreas de interesse ambiental, independentemente da destinação, serão consideradas áreas plantadas com produtos vegetais. Desta feita, não há como acatar o recurso interposto neste tópico. Já no que se refere ao documento CCIR juntado aos autos, entendo, assim como a fiscalização, que ele, sozinho, não tem o poder de afastar a tributação ocorrida, como bem decidiu a decisão recorrida às fls. 374: A contribuinte alega em fase recursal que a DRF Campo Grande trocou os Certificados de Cadastros dos Imóveis Rurais — CCIR das propriedades, objeto de Auto de Infração, Processos n's 10925.001863/2003 e 10925.001864/2003-21. Ao invés de ser anexado o Certificado da Fazenda Mato dos Fagundes a estes autos, foi juntado o da Fazenda Espigão Branco. Mas, o erro foi corrigido constando à fl. 294 o CCIR da Fazenda Mato dos Fagundes, cujo imóvel, de acordo com o Incra é considerado "Grande Propriedade Produtiva". Realmente, observa-se que no lançamento a fiscalização considerou uma área de produção vegetal de 793,6 hectares, o que significa que o imóvel não é considerado improdutivo. Mas, este documento não se constitui 9 em cronograma fisico-financeiro para comprovar que o PMFS •está efetivamente sendo executado naquele período a que se refere. Para ser considerada área de exploração extrativa seria necessário que a contribuinte apresentasse os documentos conforme foi solicitado na intimação. Essa classificação de imóvel como "Grande propriedade produtiva" é atribuída ao imóvel em razão das informações prestadas na declaração cadastral perante o Incra, seguindo determinados parâmetros. São informações prestadas pelo contribuinte, e não pelo Incra, que poderá efetuar a fiscalização da realidade existente no imóvel, confirmando ou não, o que foi declarado. De qualquer modo, a mesma prova que seria feita perante o Incra poderia ser feita perante a Receita Federal, e, sendo corretas aquelas informações, novamente nenhum prejuízo adviria à interessada. Por outro lado, deve ser notado que os elementos determinantes da autuação combatida são documentos ligados ao Ibama — o plano de manejo e o cumprimento de seu crono grama — cuja comprovação, se feita, afasta a exigência formulada. Porém como já salientado nos parágrafos precedentes, sem o plano de manejo sustentado como previsto na lei e sem o cumprimento do cronograma fisico-financeiro, não há como restabelecer a área utilizada com a exploração extrativa informada na DIAT/1999. A produtividade do imóvel é medida pelo Grau de Utilização da terra, que é a relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável, nos termos do inciso VI do § 1°, art. 10, da Lei n.° 9.39311996. No caso em questão, por ter sido aceita área utilizada menor do que a declarada, foi apurado no lançamento de oficio Grau de Utilização de 69,8%, o que resultou na aplicação da alíquota de 1,60%, o que está previsto na Lei n° 9.393/1996, tendo sido compensado o imposto pago com base na alíquota menor, sendo mantida a exigência no Auto de Infração somente da diferença apurada, com os acréscimos legais cabíveis no procedimento de oficio. Quanto à aplicação da taxa SELIC, também não merece sorte a recorrente, já que prevista em lei, bem como já definida jurisprudencialmente como devida e legal. Esta matéria inclusive já se encontra sumulada neste Conselho: Súmula 3°CC n°4 - A partir de 1° de abril de 1995 é legítima a aplicação/utilização da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita ederaL Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. LUCIANO LOP D MEIDA MORA • io
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Numero do processo: 13302.000056/2007-96
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. Restando comprovada a omissão no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõe-se o acolhimento dos Embargos de Declaração tão somente para suprir a omissão apontada, re-ratificando o resultado do julgamento levado a efeito por ocasião do primeiro julgamento.
DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI N° 8.212/1991 - INCONSTITUClONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Em não sendo contatada a antecipação de pagamento, aplica-se a norma contida no art. 173, I do CTN na contagem do prazo decadencial.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-002.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, para re-ratificar o acórdão nº. 2401-001.181, passando o resultado do julgamento, no que se refere a decadência, a ser: por unanimidade de votos, declarar a decadência até a competência 11/2001.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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OMISSÃO NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. Restando comprovada a omissão no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõese o acolhimento dos Embargos de Declaração tão somente para suprir a omissão apontada, reratificando o resultado do julgamento levado a efeito por ocasião do primeiro julgamento. DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI N° 8.212/1991 INCONSTITUClONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Em não sendo contatada a antecipação de pagamento, aplicase a norma contida no art. 173, I do CTN na contagem do prazo decadencial. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, para reratificar o acórdão nº. 2401001.181, passando o resultado do julgamento, no que se refere a decadência, a ser: por unanimidade de votos, declarar a decadência até a competência 11/2001. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 30 2. 00 00 56 /2 00 7- 96 Fl. 357DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 2 Elias Sampaio Freire Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 13302.000056/200796 Acórdão n.º 2401002.923 S2C4T1 Fl. 247 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Debito lavrada contra o contribuinte acima identificado por descumprimento de obrigação principal contida na Lei 8212/91. De acordo corn o Relatório Fiscal de fls. 245/250, a NFLD foi lavrada tendo como fatos geradores as remunerações pagas aos segurados empregados, contribuintes individuais, prestadores de serviço e transportadores autônomos declarados e não declarados em GFIP's no período de janeiro de 1999 a junho de 2004. Em julgamento realizado por esta câmara, foi proferido o acórdão nº. 2401 001.181, que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2004 NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE REMUNERAÇÃO DE EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS As remunerações pagas, devidas ou creditadas aos empregados e/ou contribuintes individuais estão sujeitas h incidência de contribuições previdenciárias. DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI N° 8.212/1991 INCONSTITUClONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS IMPOSSIBILIDADE Somente podem ser compensados junto à seguridade social, créditos da mesma natureza. PERÍCIA DESNECESSIDADE Não restando comprovada a sua necessidade e os requisitos a ela ensejadores, a perícia não se justifica. ARROLAMENTO DE BENS Lei 9.532/97 0 arrolamento previsto na Lei 9532/97 é apenas uma averbação nos registros competentes sobre a existência do arrolamento promovido pelo fisco, ocorre sempre que o valor dos créditos tributários lançados superar 30% do patrimônio conhecido da empresa e não se confunde com o arrolamento como condição de seguimento de recurso. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 4 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Contra referido acórdão a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, atacando a decadência com base no art. 150, § 4º do CTN. A embargante alega, em síntese, que “ao reconhecer a decadência de parte do lançamento, o Relator aplicou a regra constante do artigo 150, §4º, do CTN sem esclarecer se houve pagamento parcial do tributo, ponto essencial para definição do “dies a quo” do prazo decadencial.” Desta foram, retornam os autos para o julgamento do recurso apresentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 13302.000056/200796 Acórdão n.º 2401002.923 S2C4T1 Fl. 248 5 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Os Embargos foram opostos tempestivamente e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Os embargos de declaração intentados pela d. Procuradoria da Fazenda Nacional merecem prosperar.Com efeito, entendo realmente ter ocorrido a alegada contradição, senão vejamos: O presente lançamento trata de valores pagos aos segurados empregados, contribuinte individuais prestadores de serviços e transportadores autônomos sem que houvesse recolhimentos sobre tais valores. Desta forma, ao não se constatar a antecipação de pagamento, equivocada a aplicação do art. 150, § 4º do CTN, razão pela qual os embargos devem ser acolhidos e na questão da decadência deverá ser aplicado o disposto no art. 173, I do mesmo diploma legal. No presente caso o lançamento foi efetuado em 21/06/2007, fl. 01, tendo os fatos geradores ocorridos entre janeiro de 1999 a junho de 2004, o que fulmina em parte o direito do fisco de constituir o lançamento aplicandose a regra contida no art. 173, I do CTN, deverão ser excluídas do lançamento as competências até 11/2001. Ante ao exposto, VOTO no sentido de Conhecer dos Embargos de Declaração para Rerratificar o acórdão nº. 2401001.181, excluindo do lançamento os valores relativos as competências até 11/2001, com base no art. 173, I do CTN. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Fl. 361DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por ELIAS SAM PAIO FREIRE
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