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Numero do processo: 10384.900310/2008-88
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
Data do fato gerador: 31/12/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RETORNO DILIGENCIA.
Após diligência regularmente realizada, e que considerou todos os documentos constantes no processo e os registros nos sistemas internos da Receita Federal, não houve a constatação de liquidez e certeza do direito creditório pleiteado resultante do pagamento realizado pelo contribuinte no período em questão.
Numero da decisão: 1003-002.879
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Márcio Avito Ribeiro Faria, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Data do fato gerador: 31/12/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RETORNO DILIGENCIA. Após diligência regularmente realizada, e que considerou todos os documentos constantes no processo e os registros nos sistemas internos da Receita Federal, não houve a constatação de liquidez e certeza do direito creditório pleiteado resultante do pagamento realizado pelo contribuinte no período em questão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Márcio Avito Ribeiro Faria, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra Acórdão de nº 07-34.364, proferido pela 3ª Turma da DRJ/FNS, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Por economia processual e por entender suficientes as informações constantes no relatório do acórdão de piso, até então, passo a transcrevê-lo abaixo: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 90 03 10 /2 00 8- 88 Fl. 139DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-002.879 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10384.900310/2008-88 Trata-se de manifestação de inconformidade interposta contra o Despacho Decisório de fls. 04, por meio do qual a autoridade administrativa não reconheceu o direito creditório de R$ 5.232,16 e não homologou a compensação efetuada pela pessoa jurídica em epígrafe, sob o fundamento de que o crédito foi integralmente utilizado para quitar débitos da contribuinte. É de se registrar que o pagamento indicado pela contribuinte como indevido ou a maior refere-se ao Darf relativo ao período de apuração 30/11/2003, com código de receita 2484 (CSLL Pessoas Jurídicas não Financeiras Resultado Ajustado Estimativa Mensal), recolhido em 31/12/2003, no valor de R$ 9.275,49. No referido despacho decisório, consta o seguinte: A contribuinte, às fls. 02/03, apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese que: • O crédito da Jelta na quantia de R$ 7.716,17 decorre do ajuste final no ano de 2003 no encerramento do exercício. Vale dizer, o que se pagou de janeiro a novembro foi superior ao que seria devido na apuração do resultado final. Para a comprovação do alegado juntou os seguintes documentos: • a) página 980 do livro Diário (01.12.2003 até 31.12.2003) onde estão os lançamentos referentes à Provisão e ao ajuste. • b) página do livro Razão Analítico referente ao lançamento do IRPJ Antecipado (01.01.2003 a 31.12.2003) onde, ao final, se apurou o saldo a maior de R$ 7.716,17 valor este registrado no Ativo da empresa a titulo de CSSL A COMPENSAR. • c) folha do livro Diário pág. 180 (01.03.2004 a 08.03.2004) onde se registra o lançamento do valor compensado R$ 5.232,16 com o valor constante do Ativo da empresa CSSL 2003 A COMPENSAR. Fl. 140DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-002.879 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10384.900310/2008-88 • d) folha do Razão Analítico referente à conta CSSL ANTECIPADO 2003 (01.01.2004 a 31.12.2004), onde estão registrados o valor transportado de 31.12.2003 para 01.01.2004 (R$ 7.716,17) e o valor compensado na quantia de R$ 5.232,16, com indicativo do saldo de R$ 2.484,01. • e) conjunto de folhas (no total de 6) em que se registra todo o processo de compensação (PER/DCOMP n° 20019.60370.080304.1.3.043896); • f) cópia do Balanço encerrado em 31.12.2003, em que se verificam a conta do ativo CSSL 2003 A COMPENSAR R$ 7.716,17, e Demonstração do Resultado do mesmo ano. Espera ter exposto, com detalhe, a origem da CSSL 2003 A COMPENSAR que permitiu à compensação questionada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Teresina, para finalmente, concluir-se pela improcedência do Despacho Decisório do Senhor Delegado, o que aqui se requer. Por sua vez, a 3ª Turma da DRJ/FNS, ao analisar os autos, decidiu por indeferir a manifestação de inconformidade formulada e manter o Despacho Decisório sob o seguinte argumento: "...o ato administrativo que denegou a homologação do PER/DCOMP não padece de nenhum vício substancial que implique sua anulação, uma vez que suas conclusões são consistentes com as informações franqueadas pela própria interessada. Destarte, o tipo de erro de informação cometido pela contribuinte – e constatado somente após a emissão do Despacho Decisório – inviabiliza o uso do mesmo PER/DCOMP para a regularização do débito cuja homologação tenha sido regularmente denegada. Isso porque a informação referente ao “Tipo de Crédito” contida no PER/DCOMP é parâmetro basilar das verificações procedidas pela administração tributária com objetivo de estabelecer a certeza e liquidez do direito creditório que sustenta o pedido de compensação. Diferente de um dado informativo relacionado ao conteúdo do direito creditório– como são as informações no documento de arrecadação do pagamento indevido –, o “Tipo de Crédito” define toda abordagem que deve ser empregada para a verificação da existência e disponibilidade do direito creditório. Ademais, consoante disposto no art. 233, inciso IV, da Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012 (Regimento Interno da Receita Federal do Brasil), abaixo colacionado, não compete a essa instância de julgamento conhecer e julgar pedidos de restituição ou declaração de compensação, mas tão somente se pronunciar sobre a manifestação de inconformidade impetrada contra decisões proferidas pela competente autoridade fiscal, isto é, só é cabível a manifestação da autoridade julgadora a partir da instauração do litígio.(...) Cientificada da decisão da DRJ, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário que, em síntese, destacou a infringência aos princípios constitucionais da segurança jurídica, ampla defesa e contraditório. No mérito, alegou fazER jus ao valor informado na declaração de compensação, contudo, somente equivocou-se quanto à nomenclatura do crédito ao preencher o Per/Dcomp. Ainda, de acordo com a Recorrente, na verdade, o crédito utilizado na compensação seria decorrente de saldo negativo da CSLL e não do recolhimento a maior de estimativas. Por fim, requereu a reforma do acórdão de piso. Fl. 141DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-002.879 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10384.900310/2008-88 O processo foi encaminhado ao CARF e, no julgamento ocorrido em 06 de maio de 2019, foi proferida a Resolução nº 1003-000.069 – Turma Extraordinária / 3ª Turma, e-fls. 105-111, convertendo o julgamento em diligência, in verbis: Ante o exposto, tendo em vista o início de prova produzida no processo, e com fundamento no ART. 18 do Decreto n 70.225 de 06 de março de 1972, VOTO CONVERTER O JULGAMENTO DO RECURSO EM DILIGÊNCIA à Unidade de Origem, para que a DRF analise a documentação acostada aos autos, a fim de verificar se o crédito é líquido e certo (relativo ao período de apuração 30/11/2003, com código de receita 2484 (CSLL Pessoas Jurídicas não Financeiras Resultado Ajustado Estimativa Mensal) e que seja emitido Relatório Fiscal consubstanciado dos fatos averiguados e havendo a constatação de liquidez e certeza do crédito em questão, que seja realizada as compensações possíveis em relação à Declaração de Compensação (Dcomp) em discussão nestes autos. Por fim, destaco que, em razão do princípio da ampla defesa, que seja o contribuinte intimado do resultado da diligência para, querendo, manifestar-se sobre os resultados alcançados. Em atendimento, a Unidade de Origem a Unidade de Origem prestou a Informação Fiscal nº1.131/2020/EQUAD-DEVAT03/DRF TERESINA (e-fls. 119-120) não reconhecendo qualquer “crédito líquido e certo resultante do pagamento realizado pelo contribuinte, em 30/12/2003, capaz de ser utilizado para compensar o débito constante do PER/DCOMP nº20019.60370.080304.1.3.04-3896”. Logo após o cumprimento à referida diligência, conforme constou às e-fls. 121, foi prolatado despacho de encaminhamento ao CARF. Ocorre que antes do retorno dos autos a este Tribunal, a Recorrente, em razão do princípio da ampla defesa, deveria ter sido intimada do resultado da diligência para, querendo, manifestar-se sobre os resultados alcançados e isso não ocorreu. Assim, objetivando evitar nulidade processual e em obediência aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, esta Turma, novamente, converteu o julgamento do Recurso Voluntário em diligência (Resolução nº 1003-000.280, de 04 de fevereiro de 2021, e-fls. 124-130) para que a Unidade de Origem procedesse à intimação da Recorrente acerca da Informação Fiscal nº1.131/2020/EQUAD-DEVAT03/DRF TERESINA, e-fls. 119- 120. Em seguida, os autos foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal para as providências solicitadas na dita Resolução, com a devida cientificação da Recorrente nos termos consignados às e-fls. 136: “Contribuinte tomou ciência da informação fiscal nº1.131/2020 em 25/02/2021 e não apresentou contrarrazões até a presente data. Devolvo o presente processo ao CARF MF DF para prosseguir com o julgamento do recurso”. Após o transcurso do prazo sem manifestação por parte da Recorrente, o processo retornou ao CARF para o prosseguimento do julgamento do recurso voluntário da Recorrente. É o relatório. Fl. 142DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-002.879 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10384.900310/2008-88 Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Conforme relatado, trata-se de pedido de compensação não homologado, assim, inicialmente, vale ressaltar que sujeito passivo ao apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, tem a possibilidade de utilizá-lo na compensação de débitos. No presente caso, a autoridade administrativa não reconheceu o direito creditório de R$ 5.232,16, informado no PER/DCOMP 20019.60370.080304.1.3.043896, correspondente ao período de apuração 30/11/2003, com código de receita 2484 (Estimativa-CSLL), recolhido em 31/12/2003, no valor de R$ 9.275,49. Já a Recorrente argumentou cometeu um equívoco ao preencher o PER/DCOMP, pois indicou como crédito um Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL, período de apuração 30/11/2003 e código da receita 2484, quando deveria ter indicado como crédito o Saldo Negativo da CSLL do ano-calendário de 2003. Ocorre que ao contrário do afirmado pela Recorrente, o recolhimento apontado como a maior do que o devido têm código de receita 2484, ou seja, é de antecipação mensal por estimativa, tal como consta no Despacho Decisório e no acórdão de piso. Portanto, o cerne da questão é a possibilidade legal de a Recorrente utilizar em compensação, via Per/Dcomp, crédito oriundo de estimativas recolhidas indevidamente ou a maior. E, conforme disposto na Súmula Carf nº 84, é plenamente possível o reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada. Todavia, como em momento algum ocorreu o cotejo entre os valores apresentados pela Recorrente como recolhidos a maior a título de estimativa e a efetiva quantificação do direito creditório em questão, o julgamento foi convertido em diligência a fim de que a Unidade de Origem analisasse a documentação acostada aos autos e procedesse à verificação acerca da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Neste contexto, em cumprimento à diligência retro mencionada, a Unidade de Origem prestou a Informação Fiscal nº1.131/2020/EQUAD-DEVAT03/DRF TERESINA (e-fls. 119-120), nos seguintes termos: Assunto: DCOMP pagamento indevido ou a maior (Diligência Carf) Trata-se da Declaração de Compensação nº 20019.60370.080304.1.3.04-3896 não homologada pela DRF Fortaleza, fls. 4. 2. Inconformada com o resultado de sua DCOMP, o interessado ingressou com manifestação de inconformidade junto à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis, fls. 1 a 5, que confirmou a decisão da DRF Fortaleza. 3. Insatisfeita com o resultado do julgamento de sua manifestação, o interessado interpôs recurso voluntário junto ao Carf, que resolveu converter o julgamento do recurso em diligência, fls. 105 a 11, “para que a DRF analise a documentação acostada aos autos, a fim de verificar se o crédito é líquido e certo (relativo ao período de apuração 30/11/2003, com código de receita 2484 (CSLL Pessoas Jurídicas não Financeiras Resultado Ajustado Estimativa Mensal) e que seja emitido Relatório Fiscal Fl. 143DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-002.879 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10384.900310/2008-88 consubstanciado dos fatos averiguados e havendo a constatação de liquidez e certeza do crédito em questão, que seja realizada as compensações possíveis em relação à Declaração de Compensação (Dcomp) em discussão nestes autos.” 4. Como se observa às fls. 59, o contribuinte apurou saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2003 no valor de R$ 7.716,17, no entanto, conforme determinação acima, o que se deve averiguar é se do pagamento de R$ 9.275,49, referente ao período de apuração de 30/11/2003, restou saldo a ser reconhecido como líquido e certo a fim de ser compensado o débito informado pelo contribuinte no PER/DCOMP supracitado”. A Recorrente, embora devidamente intimada, não se opôs à análise, quedando-se inerte e não se manifestando quanto às conclusões apresentadas na Informação Fiscal. Diante disso, entendo estarem corretos os resultados da diligência, tendo em vista que foi realizada de forma imparcial e verificando os documentos colacionados e as informações dos sistemas internos da Receita Federal. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 144DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 36624.011848/2006-78
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2001 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. SAT. SALÁRIO EDUCAÇÃO.
INCRA.TAXA SELIC. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE MAIS BENIGNA. MULTA MAIS BENÉFICA.
O 13° salário tem natureza salarial, incidência da contribuição social destinada à Seguridade Social do art. 22, I, da Lei 8.212/91.
A contribuição do seguro de acidentes do trabalho SAT, está incluída no rol das contribuições previstas no art. 195 da CF188. O Decreto 2173/97 apenas explicitou os graus de risco e o que seja atividade preponderante. Não há incompatibilidade com o princípio da legalidade. A fixação de todos os elementos da obrigação tributária dá-se em seu integra pela Lei 8212/91, art.
22, Inciso II.
O Salário Educação, previsto na Lei 9.424/96 é devido pelas empresas, calculado com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título aos segurados empregados.
São devidas as contribuições sociais a terceiros, entre elas a devida ao INCRA, cuja legislação foi recepcionada pelo art. 240 da Constituição Federal de 1988:
A Súmula nº 4 do Conselho Administrativo Fiscal CARF
pacificou que: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de
Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.”
O artigo 106, II, “c” , do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna.
Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada no artigo 35 da Lei 8.212, há que se submeter ao preceituado sob o novo comando expresso na redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.740
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade. Por maioria de votos, em afastar a solidariedade dos co- responsáveis somente no presente estagio, não elidindo hipótese futura. Vencidos os conselheiros Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Marcelo Magalhães Peixoto. No mérito: Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando o recálculo da multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo a multa mais benéfica para o contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Nome do relator: IVACIR JÚLIO DE SOUZA
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DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. SAT. SALÁRIO EDUCAÇÃO.INCRA.TAXA SELIC. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE MAIS BENIGNA. MULTA MAIS BENÉFICA. O 13° salário tem natureza salarial, incidência da contribuição social destinada à Seguridade Social do art. 22, I, da Lei 8.212/91. A contribuição do seguro de acidentes do trabalho SAT , está incluída no rol das contribuições previstas no art. 195 da CF188. O Decreto 2173/97 apenas explicitou os graus de risco e o que seja atividade preponderante. Não há incompatibilidade com o princípio da legalidade. A fixação de todos os elementos da obrigação tributária dáse em seu integra pela Lei 8212/91, art. 22, Inciso II. O SalárioEducação, previsto na Lei 9.424/96 é devido pelas empresas, calculado com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título aos segurados empregados. São devidas as contribuições sociais a terceiros, entre elas a devida ao INCRA, cuja legislação foi recepcionada pelo art. 240 da Constituição Federal de 1988: A Súmula nº 4 do Conselho Administrativo Fiscal CARF pacificou que: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” O artigo 106, II, “c” , do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos Fl. 210DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada no artigo 35 da Lei 8.212, há que se submeter ao preceituado sob o novo comando expresso na redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade. Por maioria de votos, em afastar a solidariedade dos co responsáveis somente no presente estagio, não elidindo hipótese futura. Vencidos os conselheiros Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Marcelo Magalhães Peixoto. No mérito: Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando o recálculo da multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo a multa mais benéfica para o contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36624.011848/200678 Acórdão n.º 2403000.740 S2C4T3 Fl. 193 3 Relatório DA NOTIFICAÇÃO Tratase de crédito resultado de auditoria restrita na conciliação GFIP X GPS todos os fatos e conciliação GFIP, lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada que, conforme item 03 do Relatório Fiscal, fls. 56/58, referese às contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, relativas à parte da empresa, RAT, e terceiros. Tais contribuições têm como fato gerador os valores pagos aos segurados empregados e aos contribuintes individuais, declarados em GFIP e não recolhidos, nas competências de 11/2001 a 02/2006: “ 3. Os valores constantes da presente NFLD referemse às contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas pela empresa, apuradas no desenvolvimento da ação fiscal, sendo esta direcionada para a verificação de divergências entre as GFIP's (Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social), constantes do sistema informatizado da Previdência Social, informados pela empresa em confronto com as GPS (Guias de Recolhimento à Previdência Social), em conformidade com a IN/MPS/SRP/DEARP n° 03, de 30/03/2006 e com o Art. 32 da Lei 8.212/91, inciso IV, parágrafo 20.” Conforme item 6 do Relatório Fiscal os valores e as bases de cálculo foram apurados como se segue: “6. Os valores apurados estão apresentados no DAD (Discriminativo Analítico do Débito), que indica a base de cálculo e as contribuições apuradas conforme as seguintes alíquotas:Empresa 20%; SAT 2% ; e Terceiros 5,8%” O montante lançado é no valor de R$ 671.699,84 (Seiscentos e sessenta e um mil, seiscentos e noventa e nove reais e oitenta e quatro centavos), consolidado e notificado em 25/09/2006. DA IMPUGNAÇÃO A Notificada impugnou o presente crédito, através do instrumento de fls. 64/100, conforme as alegações a seguir: Dos SócioGerentes CoResponsáveis Do Débito Fiscal Preliminarmente, insurgese a Impugnante contra a inclusão dos sócios gerentes como coresponsáveis pelos supostos débitos exigidos, dos seus sóciosgerentes. Da Contribuição Previdenciária sobre o décimoterceiro salário Fl. 212DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 A exigência da contribuição previdenciária sobre a parcela paga aos funcionários da impugnante a título de gratificação natalina não possui respaldo no ordenamento jurídico, visto que não está de acordo com o que preceitua o inciso I do artigo 195 da Constituição Federal. Da contribuição das empresas para financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa Assevera que é indevida a contribuição para o custeio do denominado "seguro de acidentes do trabalho", em razão das suas normas instituidoras contrariarem alguns princípios insculpidos no texto constitucional. Do SalárioEducação No tocante a exigência da contribuição a título de terceiros, necessário se faz aduzir que parte dela é composta da contribuição para o salárioeducação, cuja exigência também é inconstitucional. Da contribuição o INCRA Igualmente indevida é a contribuição ao Instituto Nacional de Colonização e reforma Agrária INCRA, cobrado, por força da Lei n° 8.212/91. Das contribuições ao SENAI E SESI Da mesma forma, não é a empresa impugnante contribuinte das contribuições destinadas às duas entidades mencionadas, devendo o débito cobrado e esse título ser excluído do lançamento efetuado. Dos acréscimos Ainda que se considere exigíveis os montantes cobrados, o que se admite apenas para argumentar, devem ser diminuídos os acréscimos impostos ao valor principal, por ter esta autarquia previdenciária utilizado no cálculo dos mesmos critérios incompatíveis com a ordem constitucional vigente. Da taxa SELIC Como se não bastasse, o cômputo de juros moratórios com base na taxa Selic é manifestamente inconstitucional, ainda que sua aplicação seja prevista na Lei n° 9.065/95. Do pedido Requereu a desconstituição do lançamento e o seu conseqüente arquivamento. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar os argumentos da Impugnante, a Delegacia da Receita Previdenciária São Paulo Oeste, em 28/03/2007, emitiu a DECISÃONOTIFICAÇÃO n° 21.003.0/00254/2007 mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Fl. 213DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36624.011848/200678 Acórdão n.º 2403000.740 S2C4T3 Fl. 194 5 Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls.153/181. Em PRELIMINAR requereu a nulidade da NFLD em razão da ausência de indicação da base de cálculo e da alíquota em virtude de este fato implicar manifesto cerceamento à defesa da Recorrente, que não tem como aferir de qual base de cálculo e de qual alíquota partiu a Fiscalização Previdenciária. A seguir reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ”. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme fls. 186 e 189, o Recurso é tempestivo. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR DE NULIDADE Inovando, por não ter suscitado em sede de impugnação, em PRELIMINAR argüiu nulidade da NFLD em razão da ausência de indicação da base de cálculo e da alíquota. Alega que este fato implica em manifesto cerceamento à defesa da Recorrente, que não tem como aferir de qual base de cálculo e de qual alíquota partiu a Fiscalização Previdenciária. O Decreto 70.235/72 nos artigos 14 e 17 contém previsão para a hipótese de não se proceder à impugnação tempestivamente: “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento”. “ Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Não tendo sido argüida em sede de impugnação, à rigor, com o respaldo legal acima exibido, não tomaria conhecimento da matéria. Entretanto, valendome da prerrogativa da livre convicção, tomo conhecimento da preliminar para , em face do contido e informado à Recorrente através do Relatório Fiscal no item 6, às fls. 56, NEGARLHE PROVIMENTO. O documento retro aduz que as bases de cálculo e os valores foram apurados como se segue: “6. Os valores apurados estão apresentados no DAD (Discriminativo Analítico do Débito), que indica a base de cálculo e as contribuições apuradas conforme as seguintes alíquotas: Empresa 20%; SAT 2% ; e Terceiros 5,8%” Portanto, não assiste razão à recorrente no que concerne ao cerceamento de defesa apontado. DOS CORESPONSÁVEIS Conforme o documento de fls.01, resta pacífico que o Contribuinte sob Ação Fiscal que tem contra si o débito lançado é somente a pessoa jurídica AMERICAN DISPLAYS DO BRASIL S/A, representada pelo CNPJ n° 04.750.281/0001 50, na forma da NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD, n° 37.014.3973. Desse modo, muito embora a denominação do relatório esteja grafada com adição da palavra débito (CORESP Relatório de CoResponsáveis do Débito) induzindo, sem dúvida, a tal questionamento, o fato dos sóciosgerentes constarem do anexo de co responsáveis do lançamento, não significa que estes sejam solidários pelos valores levantados pela auditoria fiscal. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36624.011848/200678 Acórdão n.º 2403000.740 S2C4T3 Fl. 195 7 Mesmo entendimento deve ser dado ao relatório denominado RELAÇÃO DE VÍNCULOS. DO MÉRITO Após laboriosa e bem elaborada análise, a Relatora/Analista no voto de primeira instância, exarou decisão reproduzida na forma da ementa abaixo transcrita. Cumpre registrar que corroboro com a decisão divergindo somente quanto os valores da multa de mora: “CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. 13° SALÁRIO. SAT. SALÁRIOEDUCAÇÃO. INCRA. ACRÉSCIMOS LEGAIS. 13° SALÁRIO Natureza salarial, incidência da contribuição social destinada à Seguridade Social do art. 22, I, da Lei 8.212/91. SAT. A contribuição do seguro de acidentes do trabalho, está incluída no rol das contribuições previstas no art. 195 da CF188. O Decreto 2173/97 apenas explicitou os graus de risco e o que seja atividade preponderante. Não há incompatibilidade com o princípio da legalidade. A fixação de todos os elementos da obrigação tributária dáse em seu integra pela Lei 8212/91, art. 22, Inciso II. SALÁRIOEDUCAÇÃO. Previsto na Lei 9.424/96 é devido pelas empresas, calculado com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título aos segurados empregados. INCRA — São devidas as contribuições sociais a terceiros, entre elas a devida ao INCRA, cuja legislação foi recepcionada pelo art. 240 da Constituição Federal de 1988: ACRÉSCIMOS LEGAIS. Ás contribuições sociais arrecadadas pelo INSS não recolhidas no prazo, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, aplicamse juros e multa de mora de acordo com o previsto nos Artigos 34 e 35 da Lei n.° 8.212/91.”( grifei ) DO MÉRITO DA TAXA SELIC A empresa questionou a aplicação da taxa selic. Neste sentido, não assiste razão a recorrente na medida em que a matéria encontrase pacificada neste Conselho na forma da Súmula n °4: “Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Fl. 216DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 DA MULTA DE MORA De acordo com o Relatório denominado ACRÉSCIMOS LEGAIS – MULTA de fls. 47, a empresa foi autuada com fundamento na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35,I, II e III (com a redação pela Lei n. 9.876, de 26.11.99), então, naqueles termos foi definido o cálculo do valor da multa moratória. Entretanto o artigo supra foi alterado pela Lei 11.941/2009, estabelecendo que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação conforme definiu o legislador serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (Redação dada pela Lei 11.491, 2009)”(grifos do relator) Lei 9.430/96: “ Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o§3° do artigo 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.( vide Lei n° 9.716, de 1998)” MULTA MAIS BENÉFICA O artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36624.011848/200678 Acórdão n.º 2403000.740 S2C4T3 Fl. 196 9 Assim, Impõese, portanto, o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 para determinação e prevalência da multa mais benéfica. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” CONCLUSÃO Desse modo, por tudo que foi exposto, voto por conhecer do recurso e em preliminar, afastar a nulidade suscitada bem como a solidariedade dos coresponsáveis no presente estágio, para no , MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL determinando o recálculo da multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a multa mais benéfica para o contribuinte. Ivacir Júlio de Souza Fl. 218DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10384.002979/94-18
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 1996
Numero da decisão: 301-01.034
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em
diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MARCIA REGINA MACHADO MELARE
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RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 23 de maio de 1996 MOACY~ErnOS PresIdente , o 5 8ET 1996 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros : ISALBERTO ZAVÃO LIMA, JOAO BAPTISTA MOREIRA, FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO, LEDA RUIZ DAMASCENO e LUIZ FELIPE GALVÃO CALHEIROS. trnc MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CAMARA RECURSO N° RESOWÇÃON° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 117.578 301-1034 INTEL SAT SISTEMAS LTDA DRJ/FORTALEZAICE MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ RELATÓRIO •.' • • I 1 I A empresa acima identificada foi autuada sob a alegação de falta de recolhimento do II e do IPI, tendo em vista ter, em operação de internação de mercadorias estrangeiras, classificado separadamente baterias, carregadores e aparelho para telefonia celular, apesar do fato de os itens mencionados formarem um conjunto, sendo importadas em embalagem única. Diz o Auto de Infração, ainda, que como o aparelho para telefonia celular constitui o artigo que confere a característica do conjunto, a correta classificação fiscal da mercadoria é a do código 8525.20.0199, não sendo correto o procedimento que classificou separadamente as baterias no código 8507.30.0100 e os carregadores e acumuladores na posição 8504.40.0299. Ademais, consta que na classificação que deu, a autuada pretendeu beneficiar-se de isenções do IPI para os carregadores e da redução da alíquota do II para as baterias. Entendeu a fiscalização, também, que deve-se adicionar o valor das baterias e dos carregadores ao valor dos aparelhos para telefonia celular e tributar o conjunto, aplicando-se as alíquotas de 20% de II e 20% do IPI, referentes ao citado código 8525.20.0199, conforme o disposto nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado 2-a e 3-b. Ante ao fato relatado, o crédito tributário exigido consubstancia-se nos Impostos de Importação e sobre Produtos Industrializados, com os devidos acréscimos legais, juros de mora, além da aplicação da muIta a que se refere o inciso I, do artigo 4° da Lei 8.218/91. Em tempestiva impugnação a Autuada aduz, em suma, que o Auto de Infração não pode prosperar, vez que não se trata de um "sistema" de telefonia, no qual as partes distintas formam um coJijunto. Quanto à multa, diz ser inaplicável ao caso, conforme ADNICST 29180. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CAMARA • RECURSO N°RESOLUÇÃON° 117.578301-1034 • '. •I Na sequência regular do processo, a ilustre Autoridade Julgadora "a quo", rejeitando os argumentos da impugnação, manteve integralmente o Auto de Infração, uma vez que o conjunto classifica-se no código 8525.20.0199 da NBM/SH, à luz do Ato Declaratório Normativo COSIT 28/94. Quanto à aplicação da multa prevista no inciso I, do artigo 4° da Lei 8.218/91, diz inaplicável ao caso, aliás como já pronunciado pelo ADN/CST 29/80, do qual cita alguns trechos. Sustenta, outrossim, que sendo o lançamento atividade privativa da Autoridade Fiscal, compete a ela classificar a mercadoria, sendo que o código proposto pelo declarante na sua DI, constitui mero cumprimento de obrigação acessória. Destarte, "ninguém lhe pode exigir apresente declaração absolutamente correta, em relação a um assunto eminentemente técnico, de competência exclusiva do fisco". Pelas mesmas razões, defende que também não é devido o IPI e a respectiva multa. Após cumpridas as formalidades de praxe, a ilustre Autoridade Julgadora "a quo", passando a decidir, indeferiu o pedido de diligencia, uma vez que ela tem por objetivo a interpretação de um dispositivo de norma tributária, o qual já foi objeto de Ato Declaratório Normativo COSIT 28/94. Quanto ao mérito, apegando- se ao mesmo Ato Declaratório, manteve a classificação da mercadoria no código específico da NBM-SH (TIPIITAB), já que o mesmo concluiu que o telefone celular não se enquadra no destaque ("EX"). Diante da falta de recolhimento dos tributos manteve, também, a imposição das muItas, para ao final, julgar procedente o lançamento contido no Auto de Infração, em sua totalidade. Diante da errônea classificação manteve a multa de ofício constante do Auto de Infração. Cientificada da Decisão acima relatada, a Autuada, mais uma vez inconformada, interpôs Recurso Voluntário tempestivo, endereçado a este Terceiro Conselho, onde, além de rebater pontos da decisão monocrática, reitera os argumentos oferecidos na peça impugnatória, para requerer o seu integral provimento. Por fim, encontra-se juntado às fls. 38/39, recente petição da Recorrente, pugnando pela realização de diligência, em único quesito ao DTT, eis que entende que falta no processo um laudo técnico esclarecedor da matéria. É o relatório. 3 MINISTÉRIODAFAZENDA TERCEIROCONSELHODECONTRIBUINTES PRIMEIRACAMARA , .1. ,,, RECURSO N° RESOLUÇÃON° 117.578 301-1034 VOTO I I I~. •.•, .• 1 Inquestionavelmente, flagrante é o erro de classificação, pois o "KIT" das mercadorias importadas deve ser classificado no código 8525.20.0199. Entretanto, merece ser evidenciado que sobre tal código existe um destaque "EX", criado pela Portaria MP 785/92, a qual pode beneficiar a recorrente, com a redução do imposto de importação, tomando insubsistente o lançamento feito. Ocorre, porém, que inúmeras dúvidas recaem sobre o alcance da mencionada Portaria, razão pela qual voto no sentido de ser o julgamento convertido em diligência ao Departamento Técnico de Tarifas, para que responda ao quesito formulado às fls. pela recorrente. Este Conselho de Contribuintes solicita, ainda, ao DTT que encaminhe cópia de todo o processo administrativo, que gerou a publicação do "Ex 004" da Portaria MP 785/92. Sala das Sessões, em 23 de maio de 1996 c C e • MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ - RELATORA 4 00000001 00000002 00000003 00000004
score : 1.0
Numero do processo: 36660.000754/2005-56
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2000 a 31/05/2005
PREVIDENCIÁRIO.CONTRIBUIÇÕES SOBRE REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS DECLARADAS EM GFIP. ACRÉSCIMOS LEGAIS . SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO SAT. SALÁRIO EDUCAÇÃO. INCRA. SEBRAE. TAXA SELIC . MULTA MAIS BENÉFICA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA.
São devidas as contribuições dos segurados, patronais e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações de segurados empregados, declaradas em GFIP, cujos recolhimentos não foram comprovados na integralidade.
São devidos diferença de acréscimos legais quando os acréscimos legais são recolhidos a menor quando do pagamento da guia fora do prazo de vencimento.
É devida a contribuição destinada ao Seguro de Acidentes de Trabalho SAT.
É devida a contribuição para o Salário Educação
nos termos da Lei 9424/96.
São devidas as contribuições sociais destinadas a terceiros, entre elas a ao
INCRA, cuja legislação foi recepcionada pelo art. 240 da Constituição
Federal de 1988.
É devida pelas empresas a contribuição destinada ao SEBRAE, arrecadada pelo INSS como adicional às contribuições do SENAI, SENAC, SESI SESC, SEST, SENAT ou SESCOOP.
É pertinente aplicação da taxa SELIC conforme a Súmula nº 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF:
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais Em atenção ao preceituado no artigo 106 do Código Tributário Nacional CTN, que determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade
benigna, impõe-se observar o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 e compará-lo com o valor da multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 para determinação e prevalência da multa mais benéfica.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF
afastar a aplicação de normas legais sob fundamento de inconstitucionalidade. Neste sentido, há a Súmula n°2 deste órgão, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, expressamente tolhe seu pronunciamento cerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.678
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria votos, em dar
provimento parcial ao recurso, procedendo ao recálculo da multa na forma do art.35 da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Nome do relator: IVANCIR JÚLIO DE SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2000 a 31/05/2005 PREVIDENCIÁRIO.CONTRIBUIÇÕES SOBRE REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS DECLARADAS EM GFIP. ACRÉSCIMOS LEGAIS . SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO SAT. SALÁRIO EDUCAÇÃO. INCRA. SEBRAE. TAXA SELIC . MULTA MAIS BENÉFICA.INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. São devidas as contribuições dos segurados, patronais e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações de segurados empregados, declaradas em GFIP, cujos recolhimentos não foram comprovados na integralidade. São devidos diferença de acréscimos legais quando os acréscimos legais são recolhidos a menor quando do pagamento da guia fora do prazo de vencimento. É devida a contribuição destinada ao Seguro de Acidentes de Trabalho SAT. 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É pertinente aplicação da taxa SELIC conforme a Súmula nº 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à Fl. 152DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA 2 taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais Em atenção ao preceituado no artigo 106 do Código Tributário Nacional CTN, que determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese observar o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 e comparálo com o valor da multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 para determinação e prevalência da multa mais benéfica. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF afastar a aplicação de normas legais sob fundamento de inconstitucionalidade. Neste sentido, há a Súmula n°2 deste órgão, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, expressamente tolhe seu pronunciamento cerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria votos, em dar provimento parcial ao recurso, procedendo ao recálculo da multa na forma do art.35 da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Ivacir Júlio de Souza – PresidenteSubstituto e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Cid Marconi Gurgel de Souza.Ausentes os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 36660.000754/200556 Acórdão n.º 2403000.678 S2C4T3 Fl. 153 3 Relatório A Delegacia de Julgamento, em primeira instância, produziu relatório, por mim compulsado e corroborado, onde assim se manifestou: “ Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 67/74, e relatório complementar às fls.98 teve como fato gerador as remunerações pagas aos segurados empregados declaradas nas guias de Recolhimentos do FGTS e Informações a Previdência Social GFIP, no período de12/2000 a 02/2005, as folhas de pagamento para as competências 13/2000, 13/2001, 13/2002, 13/2003 e 13/2004. Foi apurado ainda diferença de acréscimos legais para as guias de competência 02/2001,09/2001, 08/2002, 11/2002, 03/2003 e 05/2005. 2. 0 débito apurado perfaz um montante de R$424.572,80 (quatrocentos e vinte e quatro mil quinhentos e setenta e dois reais e oitenta centavos) consolidado em 16/06/2005. 3.A NFLD engloba contribuições dos segurados empregados, patronais (rubrica empresa) e as devidas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Foi apurada em ação fiscal do tipo fato gerador específico, com o objetivo de analisar e regularizar divergências apontadas no batimento GFIP x GPS. DA IMPUGNAÇÃO 6. A interessada apresentou impugnação dentro do prazo regulamentar,com as seguintes alegações : 6.1 Erro da alíquota de contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência e incapacidade laborativa decorrentes de riscos ambientais do trabalho. 6.1.1 Afirma que a sistemática de cobrança do SAT/GILRAT disciplinada pelo Decreto 3048/99 afronta princípios constitucionais e tributários uma vez que com este Decreto deixou de existir a possibilidade de enquadramento de cada estabelecimento com grau de risco e taxa de SAT compatíveis. Os estabelecimentos ficaram obrigados a enquadrarse de acordo com a atividade preponderante da empresa como um todo, não obstante, a Fl. 154DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA 4 mesma possuir diversos estabelecimentos com diferentes atividades e, portanto, com efetiva e real graduação de riscos não uniformes. 61.2 Afirma que o próprio decreto dispõe expressamente que o SAT relacionase com a atividade exercida pelo segurado empregado, devendo existir, portanto, uma proporcionalidade entre a atividade e o custo do respectivo benefício, o que é implícito na natureza do SAT, como decorrência do art. 150, inciso II, da CF/88. Dessa forma, considerando que na mesma empresa podem existir empregados que exercem atividades de diferentes graus de risco(área administrativa e produtiva), as taxas de SAT devem ser diferenciadas. 6.1.3 Afirma que a própria Lei 8212191, estabeleceu as alíquotas a serem utilizadas para o recolhimento do SAT de acordo com o grau de risco da atividade exercida pelas empresas. Com isso , temse que o Decreto 3.048/99 não se harmoniza com a legislação ordinária e nem com as decisões dos nossos tribunais uma vez que define a preponderância pelo número de empregados e não pelo grau de risco da atividade. 6.1.4 Conclui que não pairam dúvidas quanto à ilegalidade da cobrança do SAT com a alíquota de risco grave (3%), visto que englobam empregados que trabalham na área administrativa da empresa, onde o grau de risco é mínimo, razão pela qual o valor excedente também deverá ser excluído da NFLD. 6.2 Aponta também impossibilidade de cobrança das contribuições para Sebrae. 6.2.1 Argumenta que a contribuição para o mora é devida por empresas que desenvolvem atividade rural, não podendo ser cobrada da embargante que exerce atividade inequivocamente urbana a indústria plástica. 6.2.2 Diz que tal contribuição foi devida por empresas ligadas à previdência urbana até a publicação da Lei 8212/91 que extinguiu tal cobrança; 6.2.3 Argumenta que é pacífico o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no sentido de não estarem sujeitas ao recolhimento das contribuições para o INCRA as empresas vinculadas à previdência urbana, transcrevendo julgados. 6.2.4 Conclui que não está sujeita ao recolhimento da contribuição ao Incra nos períodos citados no Relatório da Notificação de Lançamento Fiscal. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 36660.000754/200556 Acórdão n.º 2403000.678 S2C4T3 Fl. 154 5 6.3 Já com relação a contribuição para o SEBRAE entende não ser devida pela impugnante pelo simples fato de não ser micro empresa ou empresa de pequeno porte, não se favorecendo, portanto, dos benefícios promovidos pela entidade, que este é o entendimento dos Tribunais Regionais Pátrios, transcrevendo decisões. 6.4 Alega ainda impossibilidade de aplicação da taxa SELIC. 6.4.1 Cita o parágrafo 1° do art. 161 do CTN e diz que a taxa de juros nunca pode ultrapassar 1% ao mês. 6.4.2 Diz que não pode o ente arrecadador impor taxas de juros para as atividades que ele mesmo cobra. A taxa de juros, como qualquer outro indexador, deverá ser imposta por lei e calculada através de índices e parâmetros neutros, o que não acontece com a SELIC, cujo índice é decidido pelo Órgão Governamental chamado Banco Central. 6.4.3 Destaca que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n° 215.881, concluiu pela inconstitucionaliclade da mencionada taxa para fins tributários. 6.4.4 Pede a exclusão dos juros calculados com base na SELIC, referente ao período autuado, acaso seja julgada procedente a ação de execução fiscal. 7.Pede a realização de diligência por fiscal estranho ao feito, com o fito de promover a constatação da inexistência das infrações imputadas, bem como outras necessárias à elucidar qualquer matéria acaso tenha dúvida. 8. Em decorrência do Relatório Fiscal Complementar emitido, foi reaberto o prazo para apresentação de defesa, tendo o impugnante ratificado os termos da defesa anteriormente elaborada.” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, a AuditoraAnalista do Serviço de Contencioso Administrativo – Secap da Delegacia da Receita Previdenciária em Salvador BA, emitiu a DECISÃONOTIFICAÇÃO n° 04.401.4/552/2006, em 24/nov/2006 , mantendo procedente o lançamento DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário onde reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ”. É o Relatório. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA 6 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls.148, o recurso é tempestivo e reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO Na forma do Relatório Fiscal de fls. 68, item 5. cuja cópia foi entregue ao sóciogerente representante da empresa conforme o registro de fls 74, o lançamento teve como base AS DECLARAÇÕES EM GFIP pelo próprio contribuinte, e NÃO RECOLHIDAS: “ 5. A NFLD n.° 35.780.4090 e este relatório referemse apenas às contribuições patronais, declaradas em GFIP pelo contribuinte, relativas apenas aos fatos geradores decorrentes de folha de pagamento de salários, e não recolhidas à Seguridade Social na época própria, conforme responsabilidade à empresa imputada pelo art. 30, I, "b" da Lei n.° 8.212/91, c/c art. 216, I, "b" do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99.” Reportandome às referidas bases, estas restam informadas às fls. 04 a 18 nos DISCRIMINATIVO ANALÍTICO DE DÉBITO – DAD’s. Aduz que a recorrente no recurso em comento não contesta os valores por ela mesma informados até porque tratase de débito confessado na medida em que de acordo com o § 1° do art 225 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999, a declaração nas Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e de Informações â Previdência Social GFIP constitui confissão de divida. Desse modo, não contestando o Relatório Fiscal no que concerne ao contido no item 5 bem como os valores de, sua própria lavra, das bases dos DISCRIMINATIVO ANALÍTICO DE DÉBITO – DAD’s, implica constatar que se trata o presente recurso de instrumento meramente procrastinatório, visto a impossibilidade de se combater seu auto lançamento. Pesquisa no sitio da Receita Federa do Brasil, página, http://www.receita.fazenda.gov.br/Pessoajuridica/CNPJ, revela que o código e descrição da atividade da empresa em tela é 22.2931: “CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA PRINCIPAL 22.29301 Fabricação de artefatos de material plástico para uso pessoal e doméstico ” A notificação é datada de 20/06/2005. Nesta ocasião na forma da legislação vigente, o enquadramento no SAT ocorria observandose o anexo I do ROCSS aprovado pelo Decreto 2.173/97 e o ANEXO V do RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99 que determinava , Fl. 157DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 36660.000754/200556 Acórdão n.º 2403000.678 S2C4T3 Fl. 155 7 segundo o objeto da empresa, qual o CNAE bem como qual a alíquota se aplicaria como grau de risco para aquela atividade desenvolvida. Na forma do acima, a legislação, no capítulo RELAÇÃO DE ATIVIDADES PREPONDERANTES E CORRESPONDENTE GRAU DE RISCO, determinava que para a atividade “ FABRICAÇÃO DE ARTEFATOS DIVERSOS DE PLÁSTICOS” , atividade desenvolvida pela recorrente, o código seria 25.291 com grau de risco 3. Assim, impedida de argüir o principal, contestou a constitucionalidade da aplicação da taxa SELIC, das alíquota do SAT, das contribuições para o INCRA, e das contribuições para o SEBRAE. Concluiu, sem nexo com os argumentos, pedindo que se efetua se diligência por fiscal estranho ao feito, com o fito de promover a constatação da inexistência das infrações imputadas, infrações estas, reiterese, que ela confessara e não contestara nem em sede de impugnação, tampouco em grau de recurso. Cumpre ressaltar que é vedado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de normas legais sob fundamento de inconstitucionalidade. Neste sentido, há a Súmula n°2 deste órgão, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente tolhe seu pronunciamento cerca da inconstitucionalidade de lei tributária: “Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. DOS JUROS TAXA SELIC A questão encontrase pacificada com a edição da súmula n° 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF : “Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” DO SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT A contribuição patronal prevista no art. 22, II, da Lei 8.212/91, destinada ao Seguro de Acidente de Trabalho – SAT. O Supremo Tribunal Federal já se manifestou a respeito do SAT, aduzindo, inclusive, a desnecessidade de Lei Complementar para instituição da sobredita contribuição, bem como que não há ofensa aos art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal, consoante a ementa a seguir transcrita: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3º e 4º; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º; art. 154, I; art. 5º, II ; art. 150, I. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA 8 I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido”. (RE 343.4462/SC, Rel. Min. Carlos Velloso, DJ de 04/04/2003) SEBRAE Em relação à contribuição destinada ao SEBRAE, se consolidou a jurisprudência no STJ, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n ° 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 36660.000754/200556 Acórdão n.º 2403000.678 S2C4T3 Fl. 156 9 No mesmo sentido, entende o Supremo Tribunal Federal, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n ° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005 : PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. III. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. Relevante registrar, também, o contido na ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento Fl. 160DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA 10 mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) INCRA Quanto à improcedência de contribuição ao INCRA, o Supremo Tribunal Federal entende ser legítima a cobrança das empresas urbanas, uma vez que interessa à coletividade dos trabalhadores. (RE’s nºs 225.368, Rel. Min. Ilmar Galvão, 263.208, Rel. Min. Néri da Silveira, 254.634, Rel. Min. Sydney Sanches). Tanto o Superior Tribunal de Justiça, quanto o Supremo Tribunal Federal têm entendimento consolidados: PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E INCRA EMPRESA URBANA LEGALIDADE ORIENTAÇÃO DESTA PRIMEIRA SEÇÃO, SEGUINDO A JURISPRUDÊNCIA DO STF RECURSO NÃO ADMITIDO SÚMULA 168/STJ AGRAVO REGIMENTAL AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA MERA REPETIÇÃO DAS RAZÕES DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA IRRESIGNAÇÃO MANIFESTAMENTE INFUNDADA RECURSO NÃO CONHECIDO, COM APLICAÇÃO DE MULTA. 1. Nos termos da orientação desta Primeira Seção e do Supremo Tribunal Federal, é legítimo o recolhimento da contribuição social para o FUNRURAL e INCRA pelas empresas urbanas. Considerando que o acórdão embargado corroborou esse entendimento, correta é a aplicação da Súmula 168 desta Corte Superior. 2. Não tendo a agravante rebatido especificamente os fundamentos da decisão recorrida, limitandose a reproduzir as razões oferecidas nos embargos de divergência, é inviável o conhecimento do recurso. 3. Tratandose de agravo interno manifestamente infundado, impõese a condenação da agravante ao pagamento de multa de 10% (dez por cento) sobre o valor Fl. 161DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 36660.000754/200556 Acórdão n.º 2403000.678 S2C4T3 Fl. 157 11 corrigido da causa, nos termos do art. 557, § 2º, do Código de Processo Civil. 4. Agravo interno não conhecido, com aplicação de multa. (AgRg nos EREsp 530802/GO. Primeira Seção. Relatora Ministra DENISE ARRUDA. Julgamento 13/04/2005. DJ 09/05/2005, p. 291) (sem grifos no original). Juros SELIC A aplicação da taxa SELIC nos juros moratórios, verificase está também pacificada neste Conselho na fórmula da súmula n 3 : “Súmula nº 3 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. Tudo isto visto, resulta que não assiste razão à recorrente na total abrangência de suas alegações. Consta registrado no Relatório dos Fundamentos Legais, às fls. 60, na rubrica “ACRÉSCIMOS LEGAIS MULTA” que o cálculo do valor da multa moratória obedecera ao previsto no artigo 35,I, II e III da Lei 8.212/91, na redação dada pela lei n° 9.876, de 26/11/99. Entretanto o artigo supra foi alterado pela Lei 11.941/2009, estabelecendo que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (Redação dada pela Lei 11.491, 2009)”(grifos do relator) Lei 9.430/96: “ Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA 12 § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” MULTA MAIS BENÉFICA O artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Assim, Impõese, portanto, o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 e comparálo com o valor da multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 para determinação e prevalência da multa mais benéfica. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” CONCLUSÃO Desse modo, por tudo que foi exposto, voto por conhecer do recurso para no , MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL determinando o recálculo da multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a multa mais benéfica para o contribuinte. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Fl. 163DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 36660.000754/200556 Acórdão n.º 2403000.678 S2C4T3 Fl. 158 13 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA
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Numero do processo: 14743.000032/2006-20
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1802-000.094
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em declinar da competência de julgamento, remetendo o processo para a 3ª Seção, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEÃO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1292; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14743.000032/200620 Recurso nº 500.042 Voluntário Resolução nº 1802000.094 – 2ª Turma Especial Data 08 de agosto de 2012 Assunto COFINS Recorrente ORTO TRAUMA TAMBAÚ LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em declinar da competência de julgamento, remetendo o processo para a 3ª Seção, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 14743.000032/200620 Resolução n.º 1802000.094 S1TE02 Fl. 2 2 Relatório. Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife (PE), que por unanimidade de votos indeferiu a manifestação de inconformidade da contribuinte. O contribuinte apresentou Pedido de Restituição acompanhado de requerimento (fls. 08 a 28) pleiteando a restituição de crédito, no valor de R$ 62.283,13, alegando recolhimento indevido a titulo de contribuição para financiamento da seguridade social Cofins, em razão de ser sociedade civil de profissão regulamentada, pelo que estaria abrigado por isenção concedida pelo art. 6°, inciso II: da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991. No mais, por economia processual, a seguir passo a adotar o relatório de DRJ para resumir a lide: “Trata o presente processo de pedidos de Compensação formalizados por meio dos Pedidos de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação PER/DCOMP de fls. 02/05, que tem como créditos pagamentos da COFINS, cuja restituição foi pleiteada por meio do processo administrativo n° 11618.000660/200571, efetivados nos períodos de 26/10/1995 a 30/03/2004 e como débitos parcelas do IRPJ e CSLL, PIS e COFINS correspondentes aos períodos nelas especificados. 2. O Delegado da Receita Federal do Brasil em João Pessoa, por meio do Despacho Decisório de fl. 168, negou as homologações pleiteadas nas PER/DCOMP enumeradas, baseado no PARECER DRF/JPA/Saort n° 104/2006 de fls. 160/167 e na legislação que rege a matéria, pelas seguintes razões a seguir resumidas: a inexistência do crédito em que se fundamentaram as DCOMP, uma vez que o Pedido de restituição a que se referem foi considerado não formulado, por meio do Despacho Decisório que aprovou o PARECER DRF/JPA/Saort nª 129/2004, exarado no Processo Administrativo n° 11618.001583/200496. 3. Consta ainda no processo, à fl.191, o Despacho Decisório emitido pelo DRFJoão Pessoa, na data de 03/11/2006, que aprovou o Parecer Complementar DRF/JPA/Saort n° 0104/2006 de fls.189/190, no qual foi considerado como NãoFormulado o Pedido de Retificação de Compensação efetuada por meio da Declaração PER/DCOMP n° 38090.21064.180706.1.7.045355, tendo em vista haver decisão administrativa não homologada no Pedido de Compensação anterior, PER/DCOMP n° 37359.21064.300905.1.3.040351. 3. Cientificada dos dois Despachos Decisórios, em 21/02/2007 conforme "AR" de fl. 250, a contribuinte, por meio do por meio do seu Procurador, assim identificado no Instrumento de Procuração de fl. 227, apresentou manifestação de inconformidade, fls. 205/226, na data Fl. 338DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 14743.000032/200620 Resolução n.º 1802000.094 S1TE02 Fl. 3 3 de 19/03/2007, em que contesta o indeferimento sob os seguintes argumentos, em síntese: DA DECISÃO RECORRIDA 3.1.a autoridade fiscal não homologou as compensações pleiteadas, alegando que o crédito utilizado decorreria de pedido de restituição não conhecido por aquela DRF, entretanto tal entendimento não pode prosperar, uma vez que o referido pedido de restituição não foi julgado em última instância administrativa, estando pendente de análise de recurso perante a delegacia de julgamento; 3.2. que a decisão emanada pela Seção de Orientação e Análise Tributária Saort encontrase em perfeita contramão legal, pois não cabia a este órgão decidir em primeira instância, sendo o órgão competente para tal a delegacia especializada em julgamento, conforme prescreve a legislação vigente, no caso, os arts. 25, inciso I do Decreto n° 70.235, de 1972, alterado pelo art. 2° da Lei n° 8.748/93 e MP n° 2.15835/2001, art. 64, que transcreve; 3.3. que desta forma, podese concluir que a decisão emanada desta divisão é totalmente contrária à legislação pátria, em face da inexistência de instância intermediária, razão pela qual a considera nula de pleno direito, não gerando qualquer efeito, sendo, portanto válidas as compensações efetuadas pela contribuinte. Do DIREITO 3.4. há inúmeras decisões do Superior Tribunal de Justiça, que culminaram na edição da Súmula 276 do STJ, de 14.05.2003, dispondo que as sociedades civis de prestação de serviços são isentas da COFINS uma vez que a isenção concedida pela LC n° 70/91 foi revogada por uma lei ordinária, no caso, o art. 56 da Lei n° 9.430, de 1996, o que não é permitido, por ser esta de hierarquia inferior à primeira, adotando igual entendimento a Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, no Recurso n° 114.167 que transcreve. DO DIREITO SUBJETIVO À COMPENSAÇÃO DOS CRÉDITOS 3.5. é inarreddvel o seu direito A compensação pleiteada, de acordo com o que preconiza a legislação federal de regência da matéria, devendo os créditos ser corrigidos monetariamente. DO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO E DA ILEGALIDADE DO ART. 3º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05 3.6. a LC n° 118/05, mostrase ilegal ao estabelecer alteração do prazo de repetição de indébito nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, à medida em que vai de encontro ao que o CTN estabelece como causa de extinção do tributo, o que é já reconhecido em julgados do STJ; 3.7. assim, não resta dúvida quanto ao direito à restituição da Cofins recolhida nos últimos dez anos pelo contribuinte, uma vez que o tributo estava sujeito ao lançamento por homologação. DO PEDIDO Fl. 339DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 14743.000032/200620 Resolução n.º 1802000.094 S1TE02 Fl. 4 4 3.8. diante de todo o exposto requer o provimento integral da presente Manifestação de Inconformidade para reconhecer e homologar todas as compensações efetuadas. A DRJ de Recife (PE) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 26/10/1995 a 30/03/2004 COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. A compensação, nos termos em que esta definida em lei (art. 170 do CTN), como em qualquer outra compensação dessa natureza, só poderá ser homologada se os créditos do contribuinte em relação a Fazenda Pública, vencidos ou vincendos estejam revestidos dos atributos de liquidez e certeza. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, unia vez que neste juizo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese, negarlhe execução. COFINS SOCIEDADES CIVIS O Supremo Tribunal Federal, nos RE 381964 e 33457, de 17/09/2008, decidiu, em caráter definitivo, que é constitucional o art. 56 da Lei n° 9.430, de 1996, confirmando, assim, que as sociedades civis de prestação de serviços profissionais são contribuintes da Cofins à aliquota de 3%. Solicitação Indeferida” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 16/02/2009, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 18/03/2009, onde faz diversas argumentações que serão analisadas individualmente no voto e ao fim requer a reforma da decisão da DRJ. É o relatório. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 14743.000032/200620 Resolução n.º 1802000.094 S1TE02 Fl. 5 5 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. Tratase de recurso voluntário proposto pela Recorrente, a qual pleiteou a restituição de crédito no valor de R$ 62.283,13, alegando recolhimento indevido a titulo de contribuição para financiamento da seguridade social – COFINS, em razão de ser sociedade civil de profissão regulamentada. Havendo equívoco na distribuição, eis que não é competência dessa turma o julgamento de tal recurso pela matéria, proponho que seja encaminhado o presente processo para o órgão competente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 341DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 44021.000019/2006-87
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/06/1997 a 31/12/1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OMISSÃO NO ACÓRDÃO COMPROVAÇÃO.
ACOLHIMENTO.
Restando comprovada a omissão no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõe-se o acolhimento dos Embargos de Declaração para suprir a omissão apontada, no caso, conferindo-se
efeitos modificativos ao resultado levado a efeito por ocasião do primeiro julgamento.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ANULAÇÃO POR VÍCIO FORMAL APLICAÇÃO DA REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, II, CTN.
O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º,.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.
Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes
aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte.
No presente caso, o fato gerador ocorreu entre as competências 07/1997 a 12/1998, o lançamento da NFLD nº 35.418.6973, tornada nula por vício formal, foi cientificado em 19.11.2003, dessa forma, já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 10/1998, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN.
AÇÃO JUDICIAL RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO MATÉRIA
DIFERENCIADA SÚMULA Nº 1 DO CARF.
A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício com o mesmo objeto do processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme a Súmula nº 1 do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria distinta da constante do processo judicial, conforme a Súmula nº 1 do CARF.
Embargos Acolhidos em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.682
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
conhecer dos Embargos de Declaração, para, sanando a omissão apontada no acórdão nº 2403.00.120, de 09.07.2010, conferir efeitos modificativos ao Acórdão guerreado para dar nova redação à decisão nos seguintes termos: “ACORDAM os membros do Colegiado, nas
preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência , nos termos do art. 150, § 4º, CTN, dos créditos ora lançados até a competência 10/1998, inclusive.”
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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ACOLHIMENTO. Restando comprovada a omissão no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõese o acolhimento dos Embargos de Declaração para suprir a omissão apontada, no caso, conferindose efeitos modificativos ao resultado levado a efeito por ocasião do primeiro julgamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ANULAÇÃO POR VÍCIO FORMAL APLICAÇÃO DA REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, II, CTN. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º,. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Fl. 221DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 2 Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte. No presente caso, o fato gerador ocorreu entre as competências 07/1997 a 12/1998, o lançamento da NFLD nº 35.418.6973, tornada nula por vício formal, foi cientificado em 19.11.2003, dessa forma, já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 10/1998, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. AÇÃO JUDICIAL RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO MATÉRIA DIFERENCIADA SÚMULA Nº 1 DO CARF. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício com o mesmo objeto do processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme a Súmula nº 1 do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O julgamento administrativo limitarseá à matéria distinta da constante do processo judicial, conforme a Súmula nº 1 do CARF. Embargos Acolhidos em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração, para, sanando a omissão apontada no acórdão nº 2403 00.120, de 09.07.2010, conferir efeitos modificativos ao Acórdão guerreado para dar nova redação à decisão nos seguintes termos: “ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência , nos termos do art. 150, § 4º, CTN, dos créditos ora lançados até a competência 10/1998, inclusive.” Ivacir Júlio de Souza – Presidente Substituto Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Cid Marconi Gurgel de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto. Ausentes o Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari e o Conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 222DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 44021.000019/200687 Acórdão n.º 240300.682 S2C4T3 Fl. 223 3 Relatório Com fulcro no art. 64, I c/c art. 65, § 1º, IIII, do Anexo II do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, o Procurador da Fazenda Nacional, opõe, tempestivamente, Embargos de Declaração, às fls. 215 a 217, contra o Acórdão nº 240300.120 de 09 de julho de 2010 de lavra da Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF. Anotase que o processo nº 44021.000019/200687 em questão trata de Recurso Voluntário, fls. 172 a 191, com Anexos às fls. 192 a 203, apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo II, fls. 159 a 168, que julgou procedente a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº 37.013.0146, fl. 01 (no valor consolidado de R$ 4.028.982,13), referente a glosa de compensações efetuadas em desconformidade com a sentença que reconheceu à empresa o direito de compensar. Tratase de embargos opostos pelo Procurador da Fazenda Nacional por entender que o acórdão possui omissões ao não considerar o caráter substitutivo do lançamento formalizado nos autos eis que foi lavrado em substituição à NFLD 35.418.6973, de 19.11.2003, de forma a que se verifique a regra decadencial com fulcro no art. 173, II, CTN. Desta forma, em relação à presente NFLD nº 37.013.0146, fl. 01, temse as seguintes considerações a seguir. Tratase de recurso voluntário, fls. 172 a 191, com Anexos às fls. 192 a 203, apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo II, fls. 159 a 168, que julgou procedente a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº 37.013.0146, fl. 01 (no valor consolidado de R$ 4.028.982,13), referente a glosa de compensações efetuadas em desconformidade com a sentença que reconheceu à empresa o direito de compensar. Segundo o Relatório Fiscal, às fls. 48 a 50: 01. Este relatório é parte integrante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD de contribuições devidas à Seguridade Social no período de 07/1997 a 12/1998, em substituição à NFLD n. 35.418.6973 de 19.11.2003, tornada nula, de acordo com o Acórdão n. 2315 de 29.09.2005 da Quarta CAJ do Conselho de Recursos da Previdência Social, culminando com lavratura da presente NFLD Substitutiva. 03. A empresa ajuizou ação cautelar e, posteriormente, ação ordinária de números 96.00150265 e 96.00320535 contra o INSS objetivando obter declaração de inexistência de relação Fl. 223DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 4 jurídica entre as partes que obrigasse a autora a recolher contribuição incidente sobre os honorários pagos a autônomos e o prólabore pago aos administradores e reconhecer o direito da autora à restituição dos valores cobrados indevidamente, mediante compensação, corrigidos monetariamente desde os pagamentos indevidos. 04. Em sentença proferida pela mm Juíza da 14° vara da Justiça Federal condena o INSS ao reconhecimento do direito da autora à compensação das quantias indevidamente pagas a titulo da contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração de autônomos e administradores, nos termos do art. 66 da Lei 8383/91, com prestações relativas à contribuição previdenciária incidente sobre a folha de salários, sem as restrições ao exercício desse direito contempladas na Ordem de Serviço Conjunta n. 17, de 29.03.93, e sem as limitações percentuais impostas pelas Leis 9032/95 e 9129195 e consoante a documentação juntada aos autos, créditos esses monetariamente corrigidos desde o pagamento indevido, segundo índice oficial vigente à época, inclusive com a aplicação do IPC referente ao mês de maio de 1990 e correção consoante ao INPC no período de marco a dezembro de 1991 e com incidência de juros moratórias, tão somente a partir de 1° de janeiro de 1996, nos termos do art. 30 parágrafo 40 da Lei 9250/95. 07. Os parâmetros utilizados pelo contribuinte estão em flagrante conflito com os utilizados pela fiscalização e em desconformidade com os determinados na sentença proferida pela 14 Vara da Justiça Federal. 08. O direito de compensarse de valores indevidamente pagos esgotouse em 06/1997 e em parte de 07/1997, estando glosados todos os valores compensados a partir da competência 08/1997 e em parte de 07/1997. Desta forma, há que se destacar que a presente NFLD nº 37.013.0146, foi lavrada em substituição à NFLD n. 35.418.6973 de 19.11.2003, tornada nula, de acordo com o Acórdão n. 2315 de 29.09.2005 da Quarta CAJ do Conselho de Recursos da Previdência Social. Ainda assim, o Contribuinte Aletres Empreendimentos Ltda. ajuizou ação cautelar e, posteriormente, ação ordinária de números 96.00150265 e 96.00320535 contra o INSS objetivando obter declaração de inexistência de relação jurídica entre as partes que obrigasse a autora a recolher contribuição incidente sobre os honorários pagos a autônomos e o prólabore pago aos administradores e reconhecer o direito da autora à restituição dos valores cobrados indevidamente, mediante compensação, corrigidos monetariamente desde os pagamentos indevidos. O período de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal MPF, foi de 06/1997 a 12/1998, fls. 42. O período do débito, conforme o Relatório de Lançamentos – RL às fls. 09 a 10, é de 07/1997 a 12/1998. Fl. 224DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 44021.000019/200687 Acórdão n.º 240300.682 S2C4T3 Fl. 224 5 O Contribuinte Aletres Empreendimentos Ltda. teve ciência no dia 19.11.2003 da NFLD nº 35.418.6973, tornada nula, de acordo com o Acórdão n. 2315 de 29.09.2005 da Quarta CAJ do Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme Relatório Fiscal às fls. 48. O Contribuinte Aletres Empreendimentos Ltda. teve ciência da presente NFLD nº 37.013.0146, no dia 28/11/2006, conforme fls. 01. Em 14/12/2006, fls. 55 a 75, com Anexos às fls. 76 135, o Contribuinte Aletres Empreendimentos Ltda. apresentou impugnação. Às fls. 138 a 145, apresentase a DecisãoNotificação nº 21.401.4/0269/2004 que considerou procedente a NFLD nº 35.418.6973, tornada nula posteriormente pela decisão do CRPS. Às fls. 146 a 151, apresentase o Acórdão da Quarta CAJ do Conselho de Recursos da Previdência Social que julgou nula por vício formal a NFLD nº 35.418.6973. Às fls. 152, temse a movimentação processual no STJ do Recurso Especial – Resp 270733/SP relativo ao contribuinte SELETO S/A Indústria de Café. Às fls. 153 a 155, há a solicitação de informação fiscal para se determinar se o contribuinte SELETO S/A Indústria de Café teve a razão social alterada para Aletres Empreendimentos Ltda e também de os cálculos da glosa de compensação foram confirmados. Houve Informação Fiscal, às fls. 157 a 158, na qual se ratificou os cálculos realizados pela Fiscalização bem como a alteração da razão social de SeLETO S/A Indústria de Café para Aletres Empreendimentos Ltda. A recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, fls. 159 a 168. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 172 a 191, com Anexos às fls. 192 a 203, onde alega, em síntese que: Preliminarmente, pela possibilidade de recebimento e processamento do recurso sem o depósito prévio. Preliminarmente, seja reconhecida a decadência do crédito tributário em função da inconstitucionalidade do artigo 45, da Lei 8.212/1991 em face do dispositivo do CTN acerca da decadência. No mérito, alega, em apertada síntese, que: Em relação à glosa de compensação. A Fiscalização glosou as compensações efetuadas a partir de 07/1997 a 12/1998, sob a alegação de que a RECORRENTE não cumpriu a determinação da sentença, o que não é verdade, desconhecendo que não cabe mais recurso ao Erário Público (INSS). Fl. 225DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 6 O lançamento do débito objeto da presente, é manifestamente improcedente, notadamente, porque os débitos lançados se referem a compensações feitas de acordo e com base em DECISÕES JUDICIAIS, cujas cópias se anexam à presente Impugnação. Em relação aos acréscimos de atualização e juros procedidos pelo INSS. O referido importe não pode prosperar em razão de incorreções no tocante à composição dos acréscimos de atualização e juros procedidos pelo INSS estar em desacordo com a legislação que rege a matéria, bem como em face dos r. julgados proferidos nos autos do Processo nº 96.00320535 da 144 Vara da Seção Judiciária de São Paulo, cujos créditos por recolhimentos indevidos são aqueles pertinentes ao período que vai de setembro de 1989 a dezembro de 1995, resultando, por conseqüência, incorretas as glosas consideradas pelo INSS quanto às contribuições para o período de setembro de 1997 a dezembro de 1998. Em relação à apresentação de planilhas de compensação. Incorretas em decorrência das incorreções acima noticiadas, posto que nestas planilhas promove o INSS a efetiva atualização monetária dos valores originários adotando procedimento contrário à decisão do STJ. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 206. Esta Egrégia 3ª Turma, no Acórdão 240300.120, de 09.07.2010, decidiuse por, nas preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendo a decadência total do crédito tributário por quaisquer dos critérios do CTN. E a Ementa do Acórdão 240300.120 embargado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/1997 a 31/12/1998 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO GLOSA DE COMPENSAÇÃO PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Fl. 226DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 44021.000019/200687 Acórdão n.º 240300.682 S2C4T3 Fl. 225 7 No presente caso, o fato gerador ocorreu entre as competências 06/1997 a 12/1998, o lançamento tendo sido cientificado em 28.11.2006, dessa forma, irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, ora o art. 150, § 4º, CTN ora o art. 173, I, CTN, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o lançamento, independente de se tratar de lançamento por homologação ou de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. É o Relatório. Fl. 227DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 8 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 223. Anotase ainda que o Supremo Tribunal Federal – STF ao editar a Súmula Vinculante nº 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares. Fl. 228DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 44021.000019/200687 Acórdão n.º 240300.682 S2C4T3 Fl. 226 9 DAS QUESTÕES PRELIMINARES Devemos verificar a ocorrência, ou não, da decadência em relação à presente NFLD nº 37.013.0146, bem como em relação à NFLD nº 35.418.6973 tornada nula por vício formal. (i) Da Decadência da presente NFLD nº 37.013.0146. De plano a presente NFLD nº 37.013.0146, foi lavrada em substituição à NFLD n. 35.418.6973, de 19.11.2003, tornada nula, de acordo com o Acórdão n. 2315 de 29.09.2005 da Quarta CAJ do Conselho de Recursos da Previdência Social. Desta forma, exsurge a aplicação do art. 173, II, CTN a fim de se verificar a decadência em relação a esta NFLD Substitutiva: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. O Contribuinte Aletres Empreendimentos Ltda. teve ciência da presente NFLD nº 37.013.0146, no dia 28/11/2006, conforme fls. 01. A NFLD nº 35.418.6973 foi tornada nula, por vício formal, de acordo com o Acórdão n. 2315 de 29.09.2005 da Quarta CAJ do Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme Relatório Fiscal às fls. 48. Então, a ciência da presente NFLD nº 37.013.0146, em 28.11.2006, ocorreu em lapso de tempo inferior a 5 (cinco) anos a contar da data da anulação por vício formal da NFLD nº 35.418.6973, em 29.09.2005, pela Quarta CAJ do Conselho de Recursos da Previdência Social. Fl. 229DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 10 Desta forma, não ocorreu a decadência, nos termos do art. 173, II, CTN, em relação ao lançamento da presente NFLD nº 37.013.0146. (i) Da Decadência da NFLD nº 35.418.6973 tornada nula por vício formal. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Fl. 230DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 44021.000019/200687 Acórdão n.º 240300.682 S2C4T3 Fl. 227 11 Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Fl. 231DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 12 Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (g.n.)” Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: “Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (g.n.)” Fl. 232DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 44021.000019/200687 Acórdão n.º 240300.682 S2C4T3 Fl. 228 13 Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário. “Ementa: ....1. O entendimento jurisprudencial consagrado no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo decadencial de que dispõe o Fisco para constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados a partir do fato gerador.Todavia, se não houver pagamento antecipado, incide a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional.” (STJ.1ª Turma, AgRg no Ag 972.949/RS, Rel.: Min.Denise Arruda.,ago/08.) (g.n.) “Ementa: ....4. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5.Hipótyese dos autos em que não houve pagamento antecipado, aplicandose a regra do art. 173, I, do CTN.” (STJ. 2ª Turma, AgRg no Ag 939.714/RS, Rel.: Min. Eliana Calmon., fev/08.) . (g.n.) “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. (...) Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN..” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) . (g.n.) Uma corrente doutrinária também aponta que no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento, se aplica uma regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN em detrimento da aplicação da regra geral do art. 173, I, CTN. No entanto, nos casos de dolo, fraude ou simulação, de modo a que se configure a comprovada máfé do sujeito passivo, não corre o prazo do art. 150, § 4º, CTN mas sim a decadência tributária se rege pela disposição genérica do art. 173, I, CTN. Nesta corrente doutrinária podese citar, dentre outros, Ricardo Lobo Torres1, Eduardo Sabbag2, Mauro Luís Rocha Lopes3 e Leandro Paulsen4. 1 TORRES, Ricardo Lobo. Curso de direito financeiro e tributário. 16. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2009. p. 283. 2 SABBAG, Eduardo. Manual de direito tributário. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 723. 3 LOPES, Mauro Luís Rocha. Direito tributário brasileiro. Rio de Janeiro: Impetus, 2009. p. 248. Fl. 233DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 14 Há vozes discordantes na doutrina que defendem que a decadência opera com base na regra geral de decadência esposta no art. 173 do CTN, haja ou não pagamento antecipado no caso de lançamento por homologação, de forma a não se aplicar o art. 150, § 4º, CTN. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ e com a primeira corrente doutrinária exposta no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Outrossim, na presente hipótese de lançamento de glosa de compensação referente à presente NFLD nº 37.013.0146, nas competências 10/1989 a 12/1995 há valores recolhidos a homologar, conforme se depreende do Anexo I do Relatório Fiscal, às fls. 15 a 17, enquanto que nas competências 03/1996 a 12/1998 houve a compensação, conforme Anexo II do Relatório Fiscal, às fls. 18. Então, aplicandose o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF, exsurge a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte. Verificase, da análise dos autos, que: O Contribuinte Aletres Empreendimentos Ltda. teve ciência no dia 19.11.2003 da NFLD nº 35.418.6973, tornada nula, de acordo com o Acórdão n. 2315 de 29.09.2005 da Quarta CAJ do Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme Relatório Fiscal às fls. 48. O período do débito, conforme o Relatório de Lançamentos – RL às fls. 09 a 10, é de 07/1997 a 12/1998. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 10/1998, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. DO MÉRITO. Anotase que o contribuinte Aletres Empreendimentos Ltda. ajuizou ação cautelar e, posteriormente, ação ordinária de números 96.00150265 e 96.00320535 contra o INSS objetivando obter declaração de inexistência de relação jurídica entre as partes que obrigasse a autora a recolher contribuição incidente sobre os honorários pagos a autônomos e o prólabore pago aos administradores e reconhecer o direito da autora à 4 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 11. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009. p. 1036. Fl. 234DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 44021.000019/200687 Acórdão n.º 240300.682 S2C4T3 Fl. 229 15 restituição dos valores cobrados indevidamente, mediante compensação, corrigidos monetariamente desde os pagamentos indevidos. Desta forma, em razão da Súmula nº 1 do CARF, só é cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial, qual seja, a que não envolva a discussão acerca de compensação. Súmula nº 1 do CARF Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Portanto, em função da Súmula nº 1 do CARF não será analisado o Mérito posto que a matéria veiculada tem o mesmo objeto do processo judicial supracitado. CONCLUSÃO Por todo o exposto VOTO no sentido de conhecer dos Embargos de Declaração, para, sanando a omissão apontada no acórdão nº 240300.120, de 09.07.2010, conferir efeitos modificativos ao Acórdão guerreado para, NAS PRELIMINARES, declarar a decadência, nos termos do art. 150, § 4º, CTN, dos créditos ora lançados até a competência 10/1998, inclusive. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 235DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA
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Numero do processo: 12466.000302/94-15
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 1997
Ementa: CLASSIFICAÇÃO - RECURSO DE OFÍCIO.
Confirmado que o veículo em tela atende às especificações do Ato
Declaratório COSIT/ADN n° 32/93, negado provimento ao recurso.
Numero da decisão: 301-28.548
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de Oficio, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MOACYR ELOY DE MEDEIROS
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Numero do processo: 10384.003033/94-33
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 1996
Numero da decisão: 301-01.036
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em
diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MARCIA REGINA MACHADO MELARE
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RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 23 de maio de 1996 ~~.MOACYREb =D~E~Iro~OS Presidente ~=c..< /' MÁRCIA REGINA MACHA~ELARÉ Relatora I-; de [Jy(rvn"O' e , .O 5 SE T 1996 .fulz ~etrI~~~oo _0'0 •.. _'_00 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros : ISALBERTO ZAVÃO LIMA, JOÃO BAPTISTA MOREIRA, FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO, LEDA RUIZ DAMASCENO e LUIZ FELIPE GALVÃO CALHEIROS. {me MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CAMARA RECURSO N° RESOLUÇÃON° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 117.580 301-1036 INTEL SAT SISTEMAS LTDA DRJ/FORTALEZA/CE MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ RELATÓRIO • • • A empresa acima identificada foi autuada sob a alegação de falta de recolhimento do 11 e do IPI, tendo em vista ter, em operação de internação de mercadorias estrangeiras, classificado separadamente baterias, carregadores e aparelho para telefonia celular, apesar do fato de os itens mencionados formarem um conjunto, sendo importadas em embalagem única . Diz o Auto de Infração, ainda, que como o aparelho para telefonia celular constitui o artigo que confere a característica do conjunto, a correta classificação fiscal da mercadoria é a do código 8525.20.0199, não sendo correto o procedimento que classificou separadamente as baterias no código 8507.30.0100 e os carregadores e acumuladores na posição 8504.40.0299. Ademais, consta que na classificação que deu, a autuada pretendeu beneficiar-se de isenções do IPI para os carregadores e da redução da alíquota do 11 para as baterias. Entendeu a fiscalização, também, que deve-se adicionar o valor das baterias e dos carregadores ao valor dos aparelhos para telefonia celular e tributar o conjunto, aplicando-se as alíquotas de 20% de 11e 20% do IPI, referentes ao citado código 8525.20.O199, conforme o disposto nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado 2-a e 3-b. Ante ao fato relatado, o crédito tributário exigido consubstancia-se nos Impostos de Importação e sobre Produtos Industrializados, com os devidos acréscimos legais, juros de mora, além da aplicação da multa a que se refere o inciso I, do artigo 4° da Lei 8.218/91. Em tempestiva impugnação a Autuada aduz, em suma, que o Auto de Infração não pode prosperar, vez que não se trata de um "sistema" de telefonia, no qual as partes distintas formam um conjunto. Quanto à multa, diz ser inaplicável ao caso, conforme ADN/CST 29/80. f /" 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CAMARA I, I •I i RECURSO N° RESOLUÇÃON° 117.580 301-1036 • I i , i I .1 Na sequência regular do processo, a ilustre Autoridade Julgadora "a quo", rejeitando os argumentos da impugnação, manteve integralmente o Auto de Infração, uma vez que o conjunto classifica-se no código 8525.20.0199 da NBM/SH, à luz do Ato Declaratório Normativo COSIT 28/94. Quanto à aplicação da multa prevista no inciso I, do artigo 4° da Lei 8.218/91, diz inaplicável ao caso, aliás como já pronunciado pelo ADN/CST 29/80, do qual cita alguns trechos. Sustenta, outrossim, que sendo o lançamento atividade privativa da Autoridade Fiscal, compete a ela classificar a mercadoria, sendo que o código proposto pelo declarante na sua DI, constitui mero cumprimento de obrigação acessória. Destarte, "ninguém lhe pode exigir apresente declaração absolutamente correta, em relação a um assunto eminentemente técnico, de competência exclusiva do fisco". Pelas mesmas razões, defende que também não ê devido o IPI e a respectiva multa. Após cumpridas as formalidades de praxe, a ilustre Autoridade Julgadora "a quo", passando a decidir, indeferiu o pedido de diligencia, uma vez que ela tem por objetivo a interpretação de um dispositivo de norma tributária, o qual já foi objeto de Ato Declaratório Normativo COSIT 28/94. Quanto ao mérito, apegando- se ao mesmo Ato Declaratório, manteve a classificação da mercadoria no código específico da NBM-SH (TIPIITAB), já que o mesmo concluiu que o telefone celular não se enquadra no destaque ("EX"). Diante da falta de recolhimento dos tributos manteve, também, a imposição das multas, para ao final, julgar procedente o lançamento contido no Auto de Infração, em sua totalidade. Diante da errônea classificação manteve a multa de ofício constante do Auto de Infração. Cientificada da Decisão acima relatada, a Autuada, mais uma vez inconformada, interpôs Recurso Voluntário tempestivo, endereçado a este Terceiro Conselho, onde, além de rebater pontos da decisão monocrática, reitera os argumentos oferecidos na peça impugnatória, para requerer o seu integral provimento. Por fim, encontra-se juntado às fls. 38/39, recente petição da Recorrente, pugnando pela realização de diligência, em único quesito ao DTT, eis que entende que falta no processo um laudo técnico esclarecedor da matéria. É o relatório. 3 MINISTÉRIODAFAZENDA TERCEIROCONSELHODECONTRIBUINTES PRIMEIRACAMARA RECURSO N° RESOLUÇÃON° 117.580 301-1036 VOTO •., • . I -I I Inquestionavelmente, flagrante é o erro de classificação, pois o "KIT" das mercadorias importadas deve ser classificado no código 8525.20.0199. Entretanto, merece ser evidenciado que sobre tal código existe um destaque "EX", criado pela Portaria MF 785/92, a qual pode beneficiar a recorrente, com a redução do imposto de importação, tomando insubsistente o lançamento feito . Ocorre, porém, que inúmeras dúvidas recaem sobre o alcance da mencionada Portaria, razão pela qual voto no sentido de ser o julgamento convertido em diligência ao Departamento Técnico de Tarifas, para que responda ao quesito formulado às fls. pela recorrente. Este Conselho de Contribuintes solicita, ainda, ao DTT que encaminhe cópia de todo o processo administrativo, que gerou a publicação do "Ex 004" da Portaria MF 785/92. Sala das Sessões, em 23 de maio de 1996 ,/ MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ - RELATORA 4 00000001 00000002 00000003 00000004
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Numero do processo: 14041.000123/2008-34
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, II, DA LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 225, II, DECRETO Nº 3.048/99 C/C ART. 225, §§ 13 a 17, DECRETO Nº 3.048/99 DEIXAR DE LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE, DE FORMA DISCRIMINADA, FATOS GERADORES, QUANTIAS DESCONTADAS, CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA E TOTAIS RECOLHIDOS
Constitui infração, punível na forma da Lei, deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA CONTRIBUINTE INDIVIDUAL INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
A legislação da Seguridade Social indica que incidem contribuições providenciarias sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO SOLIDARIEDADE CESSÃO DE MÃO DE OBRA
A contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem.
A empresa prestadora de serviços mediante cessão de mão de obra
que tenha valores retidos poderá compensar essas importâncias quando do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço.
Numero da decisão: 2403-000.716
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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PRIVADOS DO DF Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, II, DA LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 225, II, DECRETO Nº 3.048/99 C/C ART. 225, §§ 13 a 17, DECRETO Nº 3.048/99 DEIXAR DE LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE, DE FORMA DISCRIMINADA, FATOS GERADORES, QUANTIAS DESCONTADAS, CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA E TOTAIS RECOLHIDOS Constitui infração, punível na forma da Lei, deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA CONTRIBUINTE INDIVIDUAL INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. A legislação da Seguridade Social indica que incidem contribuições providenciarias sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO SOLIDARIEDADE CESSÃO DE MÃODEOBRA A contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãode obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos Fl. 111DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI 2 serviços prestados, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. A empresa prestadora de serviços mediante cessão de mãodeobra que tenha valores retidos poderá compensar essas importâncias quando do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Jhonatas Ribeiro da Silva (substituto). Ausente o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Processo nº 14041.000123/200834 Acórdão n.º 240300.716 S2C4T3 Fl. 112 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 91 a 95, com Aditamento às fls. 99 a 100, interposto pela Recorrente – Associação dos Médicos de Hospitais Privados do Distrito Federal – AMHPDF contra Acórdão nº 0327.263 – 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília DF, fls. 195 a 201, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração nº. 37.129.9632, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 35.853,69 (trinta e cinco mil, oitocentos e cinqüenta e três reais e sessenta e nove centavos). Conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 05 a 07, o Auto de Infração nº. 37.129.9632, Código de Fundamentação Legal – CFL 34, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, em outras palavras, ter remunerado contribuintes individuais a seu serviço e registrar tais verbas remuneratórias em títulos não relacionados às contribuições previdenciárias. nas competências 01/2002 a 12/2003. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999.. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. II, alínea "a" e art. 373. A Portaria MPS n° 142, de 11/04/2007, estabeleceu o valor referido no Art. 283, II do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, em R$ 11.951,23 (onze mil novecentos e cinqüenta e um reais e vinte e três centavos). Segundo o Relatório Fiscal da Multa, às fls. 07 a 08, ficou caracterizada a circunstância agravante de reincidência específica, o que multiplica por 3 o valor da multa mínima. Não restaram caracterizadas circunstância atenuantes. Dentre os procedimentos adotados pela AuditoriaFiscal, conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 05 a 07, temse: 4. A análise da documentação apresentada levou esta auditoria a aprofundar as investigações quanto à relação existente entre a Associação e seus associados pessoas físicas. Isto porque nas declarações realizadas pela Associação através da DIRF em todas as competências dos exercícios 2002 e 2003 constavam valores referentes a remunerações pagas a, em média, 350 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI 4 pessoas físicas sem vínculo empregatício, valores e pessoas essas não declaradas nas respectivas GFIP. 5. Do confronto entre os valores declarados na DIRF e os registros contábeis, apresentados em meio digital conforme Recibos de Entrega de Arquivos Digitais, fls. 21, concluiuse que os mesmos tratavamse de valores pagos pela Associação aos seus associados pessoas físicas, pelos serviços médicos prestados por eles aos clientes autorizados pelas empresas de segurosaúde conveniadas pela Associação. 6. A tese ora defendida é que a atuação da Associação como intermediadora dos serviços de seus associados pessoas físicas a caracteriza como empresa cedente de mão de obra, nos termos da legislação previdenciária. 7. A tal condição de intermediadora de prestação de serviços consta explicitamente tanto do Estatuto da Associação, fls. 134 , quanto dos contratos por ela firmados com as empresas de segurosaúde conveniadas, fls. 129 . Estatuto Artigo 3 Para consecução de seus objetivos, poderá a Associação: (...) b) colaborar na solução de casos de credenciamento, celebrando e operacionalizando os contratos de prestação de serviços a serem executados por seus associado; c) a administração, na qualidade de mandatária, dos interesses de seus associados no que se refere à contratação de convênios para a prestação de serviços, inclusive com a cobrança, recebimento e repasse dos valores recebidos aos associados; (..)” Ainda de acordo com o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 05 a 07, a Recorrente atua como intermediadora dos serviços prestados por seus associados, pessoas físicas, a clientes autorizados pelas empresas de segurosaúde com ela conveniadas, fato este que caracteriza a Recorrente, nos termos da legislação previdenciária, como empresa cedente de mãodeobra: “8. A previsão normativa de cessão de mão de obra da Instrução Normativa SRP n° 3/2.005 é clara e ampla. Art. 143. Cessão de mãodeobra é a colocação à disposição da empresa contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores que realizem serviços contínuos, relacionadas ou não com sua atividade fim, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei n° 6.019, de 1.974. (grifo nosso) 9. No caso concreto, a empresa de segurosaúde conveniada é a contratante dos serviços; os associados pessoa física são os trabalhadores que realizam serviços médicos contínuos nas dependências de seus próprios consultórios e por força de contrato são colocados à disposição da contratante; e a Fl. 114DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Processo nº 14041.000123/200834 Acórdão n.º 240300.716 S2C4T3 Fl. 113 5 Associação é a cedente de mão de obra e que efetivamente remunera os associados pessoa física pelos serviços prestados.” O Relatório Fiscal da Infração, às fls. 05 a 07, destaca que a remuneração dos serviços prestados pelos associados é realizada exclusivamente pela Recorrente, sendo que os associados estão impedidos, estatutariamente, de serem remunerados diretamente pela empresa de segurosaúde. Observase, nos autos do processo referente à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.107.5440, correlata a este presente AI, houve a emissão de Representação Fiscal para Fins Penais, Relatório Fiscal, fls. 50 a 55: “29. Cabe ressaltar que a omissão de fatos geradores de contribuição previdenciária nas folhas de pagamento ou nas GFIP correspondentes caracteriza, em tese, crime de sonegação de contribuição previdenciária previsto no art. 337A do Código Penal, com a redação dada pela Lei n° 9.983/2.000, razão da qual foi emitida representação fiscal para fins penais a ser encaminhada à autoridade competente.” O período de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09422956F00, foi de 01/2002 a 12/2003, às fls. 09. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 05 a 07, é de 01/2002 a 12/2003. A Recorrente teve ciência do auto de infração no dia 21.12.2007, conforme Aviso de recebimento – AR nº 427352293 BR às fls. 41. A Recorrente apresentou impugnação, às fls. 44 a 49, com Anexos às fls. 50 a 79. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0327.263 – 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília DF, fls. 82 a 88, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 20/12/2007 DEBCAD 37.129.9632 DEIXAR DE LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Determina a lavratura de autodeinfração deixar a empresa de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma Fl. 115DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI 6 discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão da recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 91 a 95, onde alega em apertada síntese que: (i) pelo artigo 22, III da Lei n° 8.212/91, que fundamenta o presente lançamento, é o tomador de Serviços, no caso, os seguros e planos de saúde, o sujeito passivo da obrigação tributária; (ii) a AuditoriaFiscal reconhece que os associados da Recorrente prestam serviços a pacientes vinculados a seguros e/ou planos de saúde; (iii) a Recorrente, conforme seu Estatuto, é mera intermediadora de serviços, celebrando, em nome e no interesse de seus associados, contratos com os seguros e planos de saúde; (iv) é inadequado qualificar a atividade associativa de representação e intermediação como cessão de mãodeobra, conforme o previsto no § 3° do art. 31 da Lei n.° 8.212/91 e o art. 143 da IN/SRP n. ° 3/2005 que contêm definições do que é cessão de mão de obra; (v) não é possível, a:partir do disposto na legislação em vigor, enquadrar a situação em concreto na definição legal de cessão de mãodeobra, já que, ao contrário das características exigidas para a sua caracterização, resta evidenciada a autonomia dos médicos quando da prestação dos serviços, unia vez que 1) não há qualquer orientação da Associação quanto ao local da prestação dos serviços; 2) os médicos não são cedidos pela Associação aos planos de saúde, não ficando à disposição destes; e 3) os serviços não são prestados de forma contínua (vi) Diante da evidência inarredável de que tais requisitos do § 3° do art. 31 da Lei n° 8.212/91 não ocorrem in casu, a DRJ introduziu nova e impertinente fundamentação de que a Recorrente seria uma empresa e que teria terceirizado atividade fim, o que é vedado por interpretação, a contrário sensu, da Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho: TST Enunciado nº 331 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Processo nº 14041.000123/200834 Acórdão n.º 240300.716 S2C4T3 Fl. 114 7 Contrato de Prestação de Serviços Legalidade I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). (Revisão do Enunciado nº 256 TST) III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20 061983), de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. IV O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços, quanto àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos da administração direta, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista, desde que hajam participado da relação processual e constem também do título executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666, de 21.06.1993). (Alterado pela Res. 96/2000, DJ 18.09.2000) (vii) a qualificação de intermediadora da Recorrente foi reconhecida tanto pela Receita Federal, na Solução de Consulta COSIT n º 5/2004, quanto pela Subsecretaria de Receita da Secretaria de Fazenda do Distrito Federal, na Solução de Consulta nº 83/2003; (viii) que a Receita Federal, por meio da Solução de Consulta COSIT 5/2004, definiu que a Recorrente é mera intermediária no pagamento, sendo a real fonte pagadora o seguro ou plano de saúde e o prestador de serviço o associado, pessoa física ou jurídica, estabelecendose o regime tributário como se o serviço fosse prestado diretamente a estes últimos, o que torna insubsistente a NFLD, que parte de pressuposto contrário a tal ato normativo da Receita Federal; (ix) A clareza da Solução de Consulta contrasta com a arbitrariedade da NFLD e da decisão da DRJ/BSB. Principalmente ao se levar em consideração que tal consulta foi totalmente ignorada com fundamento numa Instrução Normativa Fl. 117DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI 8 n.° 740, de 02/05/2007, muito posterior à formulação e à resposta da consulta Em que pese não tratar de contribuição previdenciária, a consulta trata do regime tributário da relação entre a AMIIPDF, seus associados e os planos de saúde, que também é a relação base do presente caso tributário previdenciário A Recorrente em aditamento ao Recurso Voluntário, às fls. 99 a 100, alega, em síntese: (x) Requer a tramitação e julgamento conjunto de todas as autuações emitidas na AuditoriaFiscal, por razões de segurança jurídica, celeridade e economia processuais; (xi) requer a aplicação da Súmula Vinculante nº 8, STF em conjunto com o art. 150, § 4º, CTN, declarandose a decadência dos lançamentos efetuados no ano 2002. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 98. É o Relatório. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Processo nº 14041.000123/200834 Acórdão n.º 240300.716 S2C4T3 Fl. 115 9 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 98. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares e ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES DA REPERCUSSÃO GERAL JULGADA NO STF O Supremo Tribunal Federal STF reafirmou no dia 01.08.2011 que é constitucional a retenção, por parte do tomador de serviço, de 11% sobre o valor da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço para fins de contribuição previdenciária. A decisão foi tomada em julgamento de Recurso Extraordinário RE 603.191 que recebeu status de Repercussão Geral. O Plenário aplicou jurisprudência da Corte que confirma a constitucionalidade do artigo 31 da Lei 8.212/91, alterado pela Lei 9.711/98, que prevê a retenção da contribuição previdenciária e seu posterior recolhimento em nome da empresa cedente de mãodeobra: Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, negou provimento ao recurso extraordinário, contra o voto do Senhor Ministro Marco Aurélio. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. Ausente o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, licenciado. Falou pela União a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Plenário, 01.08.2011 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI 10 DA DECADÊNCIA Devese verificar a ocorrência, ou não, da decadência. A recorrente alega a decadência da parte da obrigação acessória compreendida até a competência 12/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. Cumpre resgatar que a recorrente foi cientificada do Auto de Infração no dia 21.12.2007, conforme Aviso de recebimento – AR nº 427352293 BR às fls. 41, e que o Auto de Infração se refere ao período de 01/2002 a 12/2003, conforme o Relatório Fiscal do Auto de Infração, às fls. 05 a 07. Ainda assim, a autuação foi lavrada devido a Recorrente ter deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos., descumprindo, assim, obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. Para este tipo de infração, Código de Fundamentação Legal – CFL nº. 34, o valor da multa é único, com base no art. 9º, inciso VI, da Portaria MPS N° 142, de 11 de abril de 2007, aos valores da época, R$ 11.951,21, mas, segundo o Relatório Fiscal da Multa, às fls. 07 a 08, ficou caracterizada a circunstância agravante de reincidência específica, o que multiplica por 3 o valor da multa mínima. Não restaram caracterizadas circunstância atenuantes. Desta forma, não há mitigação da multa por ocorrências. Ou seja, basta apenas uma única ocorrência da infração em uma competência para que seja efetivado o descumprimento da obrigação acessória, desde que aquela competência ainda não esteja decadente, nos termos da Súmula Vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal, e do Código Tributário Nacional. Ora, se a recorrente foi cientificada do Auto de Infração no dia 21.12.2007, e o Auto de Infração se refere ao período de 01/2002 a 12/2003, desta forma restou evidente que em função de apenas uma única competência, por exemplo, 12/2003, não decadente por quaisquer dos critérios adotados no Código Tributário Nacional, ter sido efetivado o descumprimento da obrigação acessória. Desta forma, não prospera a alegação da recorrente no sentido de que houve a decadência parcial da obrigação acessória em questão. Passemos à análise do Mérito com as argumentações da Recorrente. DO MÉRITO. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Processo nº 14041.000123/200834 Acórdão n.º 240300.716 S2C4T3 Fl. 116 11 (A) Da cessão de mãodeobra e da incidência de contribuição previdenciária na remuneração aos contribuintes individuais A Recorrente argumenta: (i) pelo artigo 22, III da Lei n° 8.212/91, que fundamenta o presente lançamento, é o tomador de Serviços, no caso, os seguros e planos de saúde, o sujeito passivo da obrigação tributária; (ii) a AuditoriaFiscal reconhece que os associados da Recorrente prestam serviços a pacientes vinculados a seguros e/ou planos de saúde; (iii) a Recorrente, conforme seu Estatuto, é mera intermediadora de serviços, celebrando, em nome e no interesse de seus associados, contratos com os seguros e planos de saúde; (iv) é inadequado qualificar a atividade associativa de representação e intermediação como cessão de mãodeobra, conforme o previsto no § 3° do art. 31 da Lei n.° 8.212/91 e o art. 143 da IN/SRP n° 3/2005 que contêm definições do que é cessão de mão de obra; (v) não é possível, a:partir do disposto na legislação em vigor, enquadrar a situação em concreto na definição legal de cessão de mãodeobra, já que, ao contrário das características exigidas para a sua caracterização, resta evidenciada a autonomia dos médicos quando da prestação dos serviços, unia vez que 1) não há qualquer orientação da Associação quanto ao local da prestação dos serviços; 2) os médicos não são cedidos pela Associação aos planos de saúde, não ficando à disposição destes; e 3) os serviços não são prestados de forma contínua (vi) Diante da evidência inarredável de que tais requisitos do § 3° do art. 31 da Lei n° 8.212/91 não ocorrem in casu, a DRJ introduziu nova e impertinente fundamentação de que a Recorrente seria uma empresa e que teria terceirizado atividade fim, o que é vedado por interpretação, a contrário sensu, da Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho: TST Enunciado nº 331 Contrato de Prestação de Serviços Legalidade I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração pública direta, indireta ou Fl. 121DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI 12 fundacional (art. 37, II, da CF/1988). (Revisão do Enunciado nº 256 TST) III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20 061983), de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. IV O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços, quanto àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos da administração direta, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista, desde que hajam participado da relação processual e constem também do título executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666, de 21.06.1993). (Alterado pela Res. 96/2000, DJ 18.09.2000) Analisemos. (A.1) da incidência de contribuição previdenciária na remuneração aos contribuintes individuais Discutese no presente Recurso Voluntários a incidência de contribuição previdenciária sobre as verbas pagas a qualquer título pela Recorrente aos médicos associados em função do atendimento a pacientes de empresas conveniadas à Recorrente(por exemplo, operadoras de planos de saúde). Sobre o tema, a LC 84/96, antes da reforma previdenciária da Emenda Constitucional 20/98, dispunha: Art. 1º Para a manutenção da Seguridade Social, ficam instituídas as seguintes contribuições sociais: I a cargo das empresas e pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, no valor de quinze por cento do total das remunerações ou retribuições por elas pagas ou creditadas no decorrer do mês, pelos serviços que lhes prestem, sem vínculo empregatício, os segurados empresários, trabalhadores autônomos, avulsos e demais pessoas físicas; Após a Emenda Constitucional 20/98, a Lei 9.876/99 revogou a LC 84/96 e trouxe modificações à Lei 8.212/1991, que passou a vigorar com a seguinte redação: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: Fl. 122DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Processo nº 14041.000123/200834 Acórdão n.º 240300.716 S2C4T3 Fl. 117 13 (...) V como contribuinte individual: (...) (g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; (...) Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...)III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; Pela leitura dos artigos acima transcritos, verificase que o legislador estabeleceu o conceito de segurado obrigatório, na condição de contribuinte individual (após a edição da Lei 9.876/99), como aquele que "presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego". Ainda assim, ressaltase que, tal como disposto no art. 3º, § 2º, do Código de Defesa do Consumidor, serviço deve ser entendido de forma ampla, ou seja: "§ 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista ". A legislação impõe a incidência de contribuição previdenciária calculada sobre o total de remunerações ou retribuições pagas ou creditadas pela empresa a contribuintes individuais. Além disso, nem mesmo se exige vínculo contratual entre as partes como requisito para a incidência da exação, mas a simples prestação de serviços. Como um primeiro aspecto, coloquemos o posicionamento da jurisprudência em relação à responsabilidade tributária entre o tomador e o prestador do serviço: STJ REsp 1162066 / SP RECURSO ESPECIAL 2009/00952143 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 22/06/2010 TRIBUTÁRIO. CONTRATO DE CESSÃO DE MÃODEOBRA. FOLHA DE SALÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. BENEFÍCIO DE ORDEM. INAPLICÁVEL. 1. Quanto à alegativa de não ser possível a aferição indireta do tributo devido, o apelo não deve ser conhecido em razão da ausência de prequestionamento. Incidência do óbice contido na Súmula 211/STJ. 2. Nos contratos de cessão de mãodeobra, a responsabilidade do tomador do serviço pelas contribuições previdenciárias é Fl. 123DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI 14 solidária, conforme consignado na redação original do art. 31 da Lei n. 8.212/91. Precedentes. 3. De acordo com o disposto no art. 124 do Código Tributário Nacional, a solidariedade tributária não comporta benefício de ordem. 4. Recurso especial conhecido em parte e não provido. STJ AgRg no REsp 1120910 / SC AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2009/00180096 Relator(a) Ministro BENEDITO GONÇALVES (1142) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento: 17/11/2009 TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CESSÃO DE MÃODEOBRA. ARTIGO 31 DA LEI N. 8.212/91 EM SUA REDAÇÃO ORIGINAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE SUBORDINAÇÃO DOS EMPREGADOS DA EMPRESA DE VIGILÂNCIA. SÚMULA 7/STJ. 1. A pretensão do presente recurso especial cingese a afastar a aplicação do artigo 31 da Lei n. 8.212/91 para que o referido contrato seja considerado como uma mera prestação de serviço; todavia, tal pretensão requer, inequivocadamente, o reexame de suporte probatório para alterar a premissa fática assentada pelo Tribunal de origem, o qual concluiu no sentido de que o referido contrato se enquadrava como cessão de mãodeobra, por ausência de comprovação da autora em sentido contrário. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que no contrato de cessão de mãodeobra a responsabilidade solidária entre o contratante e a empresa contratada somente poderá ser ilidida se aquele comprovar que a empresa prestadora de serviços recolheu os valores devidos. Nesse sentido: (AgRg no Resp 769.952/RS, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 4/5/2006, DJ 25/5/2006; REsp 410.104/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 6/5/2004, DJ 24/5/2004). 3. Agravo regimental não provido. STJ REsp 939189 / RS RECURSO ESPECIAL 2007/00748110 Relator(a) Ministra DENISE ARRUDA (1126) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento: 20/10/2009 TRIBUTÁRIO. CONTROVÉRSIA ACERCA DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE DE SERVIÇOS EXECUTADOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃODE OBRA. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONFORMIDADE COM A JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Processo nº 14041.000123/200834 Acórdão n.º 240300.716 S2C4T3 Fl. 118 15 1. A responsabilidade solidária do contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, na forma estabelecida pelo art. 31 da Lei 8.212/91, antes da alteração legislativa promovida pela Lei 9.711/98, produziu efeitos até 1º de fevereiro de 1999, quando passou a vigorar a atual sistemática de arrecadação, na qual as contribuições destinadas à Seguridade Social são retidas e recolhidas pelo próprio contratante dos serviços executados mediante cessão de mãode obra. 2. Nos presentes autos, ao decidir a causa, o Tribunal de origem entendeu que "a solidariedade só emerge após constituído o crédito tributário contra devedor principal (sujeito passivo), devendo a cobrança da exação ser direcionada à tomadora de serviços somente após prévia fiscalização e regular lançamento contra a prestadora (executora dos serviços). " 3. Como visto, no caso em apreço o acórdão recorrido não afastou a responsabilidade solidária. Logo, o Tribunal de origem não contrariou os arts. 124, II, do Código Tributário Nacional, e 31, caput e § 3º, e 33, § 3º, da Lei 8.212/91, e também não divergiu da orientação jurisprudencial predominante no Superior Tribunal de Justiça. Precedentes citados: REsp 800.054/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 3.8.2007, p. 333; AgRg no AgRg no Resp 1.039.843/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJe de 26.6.2008; REsp 776.433/RJ, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 22.9.2008. 4. Recurso especial desprovido. STJ REsp 913422 / SP RECURSO ESPECIAL 2006/02774177 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 24/04/2007 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. LEGITIMIDADE. LITISCONSÓRCIO. DESNECESSIDADE. ART. 31 DA LEI N.º 8.212/91, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 9.711/98. 1. A empresa prestadora de serviço é parte legítima para discutir a retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de cessão de mãodeobra, porquanto efetiva contribuinte da exação. 2. É desnecessária a formação de litisconsórcio ativo entre a prestadora e a tomadora de serviço ante a ausência de determinação legal nesse sentido. 3. A alteração que a Lei nº 8.212/91 sofreu com a Lei nº 9.711/1998 não criou nova contribuição sobre o faturamento, nem modificou a alíquota, menos ainda a base de cálculo da contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento, sendo, Fl. 125DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI 16 por conseguinte, devida a retenção do percentual de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. 4. A Lei nº 9.711/98 instituiu nova sistemática na forma de arrecadação da contribuição em debate, em que, por substituição, as empresas passam a figurar como responsáveis tributárias. 5. Recurso especial do INSS provido em parte. Recurso especial da Abeprest prejudicado. Da jurisprudência, observase que,, em termos de legislação tributário previdenciária, não há benefício de ordem entre o tomador e o prestador do serviço, sendo que a solidariedade só emerge após constituído o crédito tributário contra devedor principal (sujeito passivo), devendo a cobrança da exação ser direcionada à tomadora de serviços somente após prévia fiscalização e regular lançamento contra a prestadora (executora dos serviços). (A.2) da cessão de mãodeobra Em que pese os argumentos bem elaborados pela Recorrente acerca da não existência de cessão de mãodeobra, a NFLD em questão restou materializada a cessão de mãodeobra. Segundo o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 05 a 07, a Recorrente enquadrase no conceito de empresa cedente de mãodeobra, por atuar como intermediadora dos serviços prestados por seus associados, pessoas físicas, a clientes autorizados pelas empresas de segurosaúde, com ela conveniadas. Neste ponto, em que pese a Recorrente reconhecer que exerce atividades de intermediação de serviços entre os associados e as empresas conveniadas, rejeita o enquadramento dado pela AuditoriaFiscal como empresa cedente de mãodeobra com fundamento na não configuração da hipótese prevista no art. 31, § 3º, Lei 8.212/1991. “Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). (Produção de efeitos). § 1o O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 1o O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da Fl. 126DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Processo nº 14041.000123/200834 Acórdão n.º 240300.716 S2C4T3 Fl. 119 17 empresa cedente da mão de obra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 4o Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). I limpeza, conservação e zeladoria; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). II vigilância e segurança; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). III empreitada de mãodeobra; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). § 5o O cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). § 6o Em se tratando de retenção e recolhimento realizados na forma do caput deste artigo, em nome de consórcio, de que tratam os arts. 278 e 279 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, aplicase o disposto em todo este artigo, observada a participação de cada uma das empresas consorciadas, na forma do respectivo ato constitutivo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)” (gn) Eis, portanto, a questão de fundo: saber se os médicos associados à Recorrente prestam algum tipo de serviço às empresas conveniadas, configurandose a cessão de mãodeobra, sendo então caracterizada a condição de contribuintes individuais dos médicos associados em relação à Recorrente. Neste aspecto, para o deslinde da questão, importa observar o aspecto da relação jurídica entre a Recorrente e o associado de modo a se estabelecer, ou não, se é devido o lançamento acerca das contribuições devidas pela empresa destinadas à Seguridade Social, não declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, de responsabilidade da empresa, incidentes sobre a remuneração paga a contribuintes individuais. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI 18 Desta forma, a consideração, a da Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho serve apenas de indicativo da direção da jurisprudência, o que em hipótese alguma prejudica a linha de argumentação da Recorrida. Ademais, o art. 31, § 3º, Lei 8.212/1991 em absoluto exige que os serviços sejam relacionados com a atividade fim da empresa: § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. É evidente que os serviços médicos prestados pelos profissionais de saúde são dirigidos aos pacientes, pois a pessoa jurídica, tanto a Recorrente quanto as empresas conveniadas, obviamente, não se submete a procedimentos dessa natureza. Não obstante, analisandose o Relatório da Infração, às fls. 05 a 07, a Recorrente atua como intermediadora dos serviços prestados por seus associados, pessoas físicas, a clientes autorizados pelas empresas de segurosaúde com ela conveniadas, fato este que caracteriza a Recorrente, nos termos da legislação previdenciária, como empresa cedente de mãodeobra: “8. A previsão normativa de cessão de mão de obra da Instrução Normativa SRP n° 3/2.005 é clara e ampla. Art. 143. Cessão de mãodeobra é a colocação à disposição da empresa contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores que realizem serviços contínuos, relacionadas ou não com sua atividade fim, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei n° 6.019, de 1.974. (grifo nosso) 9. No caso concreto, a empresa de segurosaúde conveniada é a contratante dos serviços; os associados pessoa física são os trabalhadores que realizam serviços médicos contínuos nas dependências de seus próprios consultórios e por força de contrato são colocados à disposição da contratante; e a Associação é a cedente de mão de obra e que efetivamente remunera os associados pessoa física pelos serviços prestados.” Ainda o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 05 a 07, destaca que a remuneração dos serviços prestados pelos associados é realizada exclusivamente pela Recorrente, sendo que os associados estão impedidos, estatutariamente, de serem remunerados diretamente pela empresa de segurosaúde. Diante do exposto, restou configurada faticamente a cessão de mãodeobra, conforme o exposto no Relatório Fiscal da Infração, às fls. 05 a 07: “9. No caso concreto, a empresa de segurosaúde conveniada é a contratante dos serviços; os associados pessoa física são os Fl. 128DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Processo nº 14041.000123/200834 Acórdão n.º 240300.716 S2C4T3 Fl. 120 19 trabalhadores que realizam serviços médicos contínuos nas dependências de seus próprios consultórios e por força de contrato são colocados à disposição da contratante; e a Associação é a cedente de mão de obra e que efetivamente remunera os associados pessoa física pelos serviços prestados.” Ademais, observase dos autos que há uma relação jurídica entre o médico associado e a Recorrente, sujeitando as verbas pagas à incidência da contribuição previdenciária em questão, também em função da existência de um contrato formal entre as partes, pelo qual o profissional de saúde se vê impedido de ser remunerado pelo serviço prestado diretamente pela empresa de segurosaúde. Essa, na verdade, é uma questão incontroversa, pois a Recorrente, na Impugnação, às fls. 71, reconhece que há um vínculo contratual entre ela e os médicos associados: “4 A AMHPDF apenas atua como representante estatutária e intermediária de seus associados para aproximálos dos seguros e planos de saúde na prestação de serviços médicos aos beneficiários destes últimos. Por isso, são os planos de saúde que efetuam os pagamentos pelos serviços, após sua conferência, limitandose a Impugnante a repassar os honorários médicos;” Assim, a própria Recorrente reconhece a existência de uma relação jurídica contratual entre ela e o médico associado, pela qual este se compromete a atender aos segurados das empresas conveniadas e, em contrapartida, a Recorrente se compromete a pagar pelos serviços prestados aos segurados das empresas conveniadas. Desta forma, como negar aqui a inexistência de prestação de serviços à Recorrente? Qual seria então o objetivo do contrato firmado com o associado médico? É claro que, ao atender aos segurados das empresas conveniadas, o médico está prestando um serviço à Recorrente. Não de natureza médica, evidentemente, mas de atendimento, de disponibilização de seu tempo e serviços de saúde para o segurado das empresas conveniadas. Anotase em relação ao mercado das Seguradoras de Saúde, que os Planos de Saúde, como é o caso das empresas conveniadas à Recorrente, pagam um valor já previamente acertado entre eles e os médicos credenciados, de acordo com uma tabela de procedimentos, sem qualquer participação dos segurados. Esse valor é diferente do que é pago em uma consulta particular justamente porque ele não remunera o serviço médico prestado ao paciente, mas sim o serviço prestado ao plano de saúde, consistente no atendimento a um segurado seu. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, fls. 05 a 07, do confronto entre os valores declarados na DIRF e os registros contábeis, concluiuse que os mesmos tratavamse de valores pagos pela Associação aos seus associados pessoas físicas, pelos serviços médicos prestados por eles aos clientes autorizados pelas empresas de segurosaúde conveniadas pela Associação. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI 20 Ainda, se depreende do Relatório Fiscal da Infração, nas declarações de Imposto de Renda os profissionais de saúde associados à Recorrente informam que receberam da Recorrente, que inclusive retém na fonte o tributo devido. Devese destacar também que essa prestação de serviços do associado médico para a Recorrente constitui a premissa de funcionamento deste. De fato, ainda que o associado profissional de saúde preste serviços médicos diretamente ao segurado da empresa conveniada, há, concomitantemente, a prestação de serviços à Recorrente, sem os quais esta não pode exercer as atividades para as quais foi constituída. Logo, não há como deixar de reconhecer que a Recorrente utiliza a prestação de serviço (atendimento a segurados de empresas conveniadas) dos médicos associados e dela diretamente se beneficiam para que consigam atingir seus objetivos sociais. Assumese que qualquer interpretação da legislação infraconstitucional deve ser realizada à luz da Constituição da República, neste sentido a Seguridade Social é informada, e.g., pelo princípio do financiamento por toda a sociedade (ou solidariedade), e pelo princípio da eqüidade na forma de participação no custeio, que traduzem sua feição transindividual. Nos dizeres de Leandro Paulsen1: “as pessoas jurídicas podem ser chamadas ao custeio da seguridade social independentemente de terem ou não relação direta com os segurados ou de serem ou não destinatárias de benefícios" Ou seja, isentar de contribuição para a seguridade social os valores recebidos pelos associados da Recorrente, em razão do atendimento a segurados de empresas conveniadas, desequilibraria o sistema e negaria vigência aos princípios da solidariedade e da eqüidade na forma de participação no custeio de forma a se criar uma categoria de profissionais cuja remuneração estaria isenta da incidência de contribuição previdenciária e excluída do financiamento da Seguridade Social. Portanto, considero que há sim uma relação jurídica de cessão de mão deobra entre a Recorrente e as empresas conveniadas e também uma relação jurídica existente entre a Recorrente e os médicos associados que, no desenvolvimento de suas atividades profissionais, atendem a pacientes segurados de empresas conveniadas e, por isso, são remunerados pela Recorrente. Assim, incide a contribuição prevista no art. 22, III, da Lei 8.212/91 sobre as verbas pagas pela Recorrente aos profissionais de saúde associados, no caso, contribuintes individuais. (B) Da vinculação à Solução de Consulta COSIT nº 5/2004 à tributação fiscalprevidenciária, além da aplicação da Solução de Consulta da Subsecretaria de Receita da Secretaria de Fazenda do Distrito Federal. A Recorrente argumenta: 1 PAULSEN, Leandro. Contribuições Custeio da Seguridade Social. Porto Alegre: ESMAFE e Livraria do Advogado, 2007. p. 22. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Processo nº 14041.000123/200834 Acórdão n.º 240300.716 S2C4T3 Fl. 121 21 (vii) a qualificação de intermediadora da Recorrente foi reconhecida tanto pela Receita Federal, na Solução de Consulta COSIT n º 5/2004, quanto pela Subsecretaria de Receita da Secretaria de Fazenda do Distrito Federal, na Solução de Consulta nº 83/2003; (viii) que a Receita Federal, por meio da Solução de Consulta COSIT 5/2004, definiu que a Recorrente é mera intermediária no pagamento, sendo a real fonte pagadora o seguro ou plano de saúde e o prestador de serviço o associado, pessoa física ou jurídica, estabelecendose o regime tributário como se o serviço fosse prestado diretamente a estes últimos, o que torna insubsistente a NFLD, que parte de pressuposto contrário a tal ato normativo da Receita Federal; (ix) A clareza da Solução de Consulta contrasta com a arbitrariedade da NFLD e da decisão da DRJ/BSB. Principalmente ao se levar em consideração que tal consulta foi totalmente ignorada com fundamento numa Instrução Normativa n.° 740, de 02/05/2007, muito posterior à formulação e à resposta da consulta Em que pese não tratar de contribuição previdenciária, a consulta trata do regime tributário da relação entre a AMIIPDF, seus associados e os planos de saúde, que também é a relação base do presente caso tributário previdenciário Analisemos. (B.1) Solução de Consulta nº 83/2003 da Subsecretaria de Receita da Secretaria de Fazenda do Distrito Federal Em relação à aplicação, para o presente caso, da Solução de Consulta nº 83/2003 da Subsecretaria de Receita da Secretaria de Fazenda do Distrito Federal, cumpre informar que tal argumento não encontra qualquer fundamento na legislação que rege a tributação fiscalprevidenciária. Desta forma, superado este ponto, passemos para o seguinte. (B.2) Solução de Consulta COSIT nº 5/2004 Em relação à vinculação à Solução de Consulta COSIT nº 5/2004, de plano, colacionemos o posicionamento da Recorrida, às fls. 200 e 201: “Com relação à solução da Consulta COSIT nº 5/2004, por ser inespecífica ao caso em tela, esta não representa óbice para a aplicação e interpretação da legislação previdenciária, que não foi sequer citada na consulta indicada. No caso, deveria ter sido formulado consulta, que atendesse os requisitos estipulados no artigo 3º da Instrução Normativa RFB Fl. 131DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI 22 nº 740, de 02/05/2007, dentre eles, a exigência de que a consulta se circunscrevesse a fato determinado, contendo descrição detalhada de seu objeto e indicação necessária à elucidação da matéria (inciso III) e que indicasse os dispositivos que ensejaram a sua apresentação, bem como dos fatos a que será aplicada a interpretação solicitada (inciso IV).” O art. 3º, da IN RFB 740/2007, a que a Recorrida se refere: “Art. 3º A consulta deverá ser formulada por escrito, dirigida à autoridade mencionada no inciso I, II ou III do art. 10, e apresentada na unidade da RFB do domicílio tributário do consulente. § 1º A consulta será feita mediante petição e deverá atender aos seguintes requisitos: I identificação do consulente: a) no caso de pessoa jurídica ou equiparada: nome, endereço, telefone, endereço eletrônico (email), número de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) ou no Cadastro Específico do INSS (CEI) e ramo de atividade; b) no caso de pessoa física: nome, endereço, telefone, endereço eletrônico (email), atividade profissional e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF); e c) identificação do representante legal ou procurador, mediante cópia de documento, que contenha foto e assinatura, autenticada em cartório ou por servidor da RFB à vista da via original, acompanhada da respectiva procuração; II na consulta apresentada pelo sujeito passivo, declaração de que: a) não se encontra sob procedimento fiscal iniciado ou já instaurado para apurar fatos que se relacionem com a matéria objeto da consulta; b) não está intimado a cumprir obrigação relativa ao fato objeto da consulta; e c) o fato nela exposto não foi objeto de decisão anterior, ainda não modificada, proferida em consulta ou litígio em que foi parte o interessado; III circunscreverse a fato determinado, conter descrição detalhada de seu objeto e indicação das informações necessárias à elucidação da matéria; IV indicação dos dispositivos que ensejaram a apresentação da consulta, bem como dos fatos a que será aplicada a interpretação solicitada. § 2º No caso de pessoa jurídica que possua mais de um estabelecimento, as declarações a que se refere o inciso II Fl. 132DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Processo nº 14041.000123/200834 Acórdão n.º 240300.716 S2C4T3 Fl. 122 23 deverão ser prestadas pelo estabelecimento matriz e abranger todos os estabelecimentos. § 3º A declaração prevista no inciso II do § 1º não se aplica à consulta formulada em nome dos associados ou filiados por entidade representativa de categoria econômica ou profissional, salvo se formulada pela consulente na condição de sujeito passivo. § 4º Na hipótese de consulta que verse sobre situação determinada ainda não ocorrida, o consulente deverá demonstrar a sua vinculação com o fato, bem como a efetiva possibilidade da sua ocorrência. § 5º A associação que formular consulta em nome de seus associados deverá apresentar autorização expressa dos associados para representálos administrativamente, em estatuto ou documento individual ou coletivo” (gn) Resta então verificar se o argumento da Recorrente de que a Solução de Consulta de Consulta COSIT nº 5/2004 é vinculante e se aplica ao presente caso. Não obstante a força dos argumentos e a certeza demonstrada pela Recorrente na defesa da aplicação da Solução de Consulta COSIT nº 5/2004 para o presente caso, temos que lembrar que em 2007 houve a fusão da Secretaria da Receita Federal com a Secretaria da Receita Previdenciária, vide Lei 11.457/2007. Neste sentido, quando da elaboração da Solução de Consulta COSIT nº 5/2004, ou seja, no ano de 2004, a Secretaria da Receita Previdenciária, órgão do Ministério da Previdência Social era a responsável pela administração tributárioprevidenciária. Ainda assim, à título de esclarecimento, à época, 2004, a COSIT – Coordenação Geral de Tributação da Receita Federal, sendo a Receita Federal órgão do Ministério da Fazenda, não possuía quaisquer atribuições normativas em matéria tributário previdenciária. Desta forma, verificase, naturalmente, que a Solução de Consulta COSIT nº 5/2004, não possui qualquer alcance em matéria tributárioprevidenciária posto que à época a COSIT não detinha quaisquer competências normativas em matéria tributárioprevidenciária. Em relação ao posicionamento da Recorrida de que a Solução de Consulta para ser aplicada deve atender aos requisitos insculpidos no artigo 3º da Instrução Normativa RFB nº 740, de 02/05/2007, não há o que contestar visto advir de uma fundamentação normativa. Desta forma, pelo acima exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (C) Do julgamento conjunto dos processos. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI 24 A Recorrente argumenta: (x) Requer a tramitação e julgamento conjunto de todas as autuações emitidas na AuditoriaFiscal, por razões de segurança jurídica, celeridade e economia processuais; Analisemos. Em virtude de diversas restrições estruturais e operacionais no procedimento administrativo fiscalprevidenciário, nem sempre se faz possível o julgamento de todos os processos oriundos da mesma AuditoriaFiscal. Desta forma, não há como atender tal requisição. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, rejeitar a PRELIMINAR suscitada, e, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 134DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000127/2008-12
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA CONTRIBUINTE INDIVIDUAL INCIDÊNCIA
DE CONTRIBUIÇÃO.
A legislação da Seguridade Social indica que incidem contribuições providenciarias sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO SOLIDARIEDADE CESSÃO DE MÃO DE OBRA
A contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem.
A empresa prestadora de serviços mediante cessão de mão de obra
que tenha valores retidos poderá compensar essas importâncias quando do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIMENTO.
O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. Considerar-se-á como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991
(que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A,
para disciplinar a multa de ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito
lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos
legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.718
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de decadência, vencidos os Conselheiros Ivacir Julio de Souza, Jhonatas Ribeiro da Silva e Marcelo Magalhães Peixoto. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte.
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA CONTRIBUINTE INDIVIDUAL INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. A legislação da Seguridade Social indica que incidem contribuições providenciarias sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO SOLIDARIEDADE CESSÃO DE MÃO DE OBRA A contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. A empresa prestadora de serviços mediante cessão de mão de obra que tenha valores retidos poderá compensar essas importâncias quando do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. Considerar-se-á como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de decadência, vencidos os Conselheiros Ivacir Julio de Souza, Jhonatas Ribeiro da Silva e Marcelo Magalhães Peixoto. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte.
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PRIVADOS DO DF Recorrida FAZENDA PÚBLICA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA CONTRIBUINTE INDIVIDUAL INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. A legislação da Seguridade Social indica que incidem contribuições providenciarias sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO SOLIDARIEDADE CESSÃO DE MÃODEOBRA A contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãode obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. A empresa prestadora de serviços mediante cessão de mãodeobra que tenha valores retidos poderá compensar essas importâncias quando do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. Considerarseá como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E Fl. 525DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 2 MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de decadência, vencidos os Conselheiros Ivacir Julio de Souza, Jhonatas Ribeiro da Silva e Marcelo Magalhães Peixoto. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Fl. 526DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000127/200812 Acórdão n.º 240300.718 S2C4T3 Fl. 513 3 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Jhonatas Ribeiro da Silva (substituto). Ausente o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 527DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 491 a 504, interposto pela Recorrente – Associação dos Médicos de Hospitais Privados do Distrito Federal – AMHPDF contra Acórdão nº 0327.246 – 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília DF, fls. 236 a 241, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 01, Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.107.5440, no montante de R$ 5.912.495,03 (cinco milhões, novecentos e doze mil, quatrocentos e noventa e cinco reais e três centavos). Segundo a AuditoriaFiscal, de acordo com o Relatório Fiscal, fls. 50 a 55, o lançamento referese a as contribuições devidas pela empresa destinadas à Seguridade Social, não declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, de responsabilidade da empresa, incidentes sobre a remuneração paga a contribuintes individuais. Dentre os procedimentos adotados pela AuditoriaFiscal, conforme o Relatório Fiscal, fls. 50 a 55, temse: “ 5. Dentre os documentos solicitados e posteriormente analisados pela fiscalização constam: Estatuto Social, informações em meio digital referentes a folhas de pagamento e contabilidade, Guias de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social GFIP, Declaração de Imposto Retido na Fonte DIRF, termos de filiação e compromisso e contratos de conveniamento. 6. A análise da documentação apresentada levou esta auditoria a aprofundar as investigações quanto à relação existente entre a Associação e seus associados pessoas físicas. Isto porque nas declarações realizadas pela Associação através da DIRF em todas as competências dos exercícios 2002 e 2003 constavam valores referentes a remunerações pagas a, em média, 350 pessoas físicas sem vínculo empregatício, valores e pessoas essas não declaradas nas respectivas GFIP. 7. Do confronto entre os valores declarados na DIRF e os registros contábeis, apresentados em meio digital conforme Recibos de Entrega de Arquivos Digitais, fls. 21, concluiuse que os mesmos tratavamse de valores pagos pela Associação aos seus associados pessoas físicas, pelos serviços médicos prestados por eles aos clientes autorizados pelas empresas de segurosaúde conveniadas pela Associação. 8. A tese ora defendida é que a atuação da Associação como intermediadora dos serviços de seus associados pessoas físicas Fl. 528DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000127/200812 Acórdão n.º 240300.718 S2C4T3 Fl. 514 5 a caracteriza como empresa cedente de mão de obra, nos termos da legislação previdenciária. 9. A tal condição de intermediadora de prestação de serviços consta explicitamente tanto do Estatuto da Associação, fls. 29 , quanto dos contratos por ela firmados com as empresas de segurosaúde conveniadas, fls. 24 . Estatuto Artigo 3 Para consecução de seus objetivos, poderá a Associação: (...) b) colaborar na solução de casos de credenciamento, celebrando e operacionalizando os contratos de prestação de serviços a serem executados por seus associado; c) a administração, na qualidade de mandatária, dos interesses de seus associados no que se refere à contratação de convênios para a prestação de serviços, inclusive com a cobrança, recebimento e repasse dos valores recebidos aos associados; (..)” Ainda de acordo com o Relatório Fiscal, fls. 50 a 55, a Recorrente atua como intermediadora dos serviços prestados por seus associados, pessoas físicas, a clientes autorizados pelas empresas de segurosaúde com ela conveniadas, fato este que caracteriza a Recorrente, nos termos da legislação previdenciária, como empresa cedente de mãodeobra: “10. A previsão normativa de cessão de mão de obra da Instrução Normativa SRP n° 3/2.005 é clara e ampla. Art. 143. Cessão de mãodeobra é a colocação à disposição da empresa contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores que realizem serviços contínuos, relacionadas ou não com sua atividade fim, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei n° 6.019, de 1.974. (grifo nosso) 11. No caso concreto, a empresa de segurosaúde conveniada é a contratante dos serviços; os associados pessoa física são os trabalhadores que realizam serviços médicos contínuos nas dependências de seus próprios consultórios e por força de contrato são colocados à disposição da contratante; e a Associação é a cedente de mão de obra e que efetivamente remunera os associados pessoa física pelos serviços prestados.” O Relatório Fiscal, fls. 50 a 55, destaca que a remuneração dos serviços prestados pelos associados é realizada exclusivamente pela Recorrente, sendo que os associados estão impedidos, estatutariamente, de serem remunerados diretamente pela empresa de segurosaúde: “14. E que fique claro que, no caso em tela, quem remunera os serviços prestados pelos associados pessoas físicas é a própria Fl. 529DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 6 Associação. A condição de contratante das empresas de seguro saúde conveniadas é estabelecida contratualmente em relação à Associação, que emite notas fiscais de serviços em nome daquelas. 15. As empresas seguradoras conveniadas seriam o sujeito passivo caso não houvesse a intermediação da Associação, hipótese de que a Associação se resguarda através de obrigações estatutárias impostas a seus associados: Estatuto Artigo 8 São deveres dos associados: (...) k) rescindir contratos, convênios e quaisquer instrumentos que haja celebrado com entidades administradoras de convênios hospitalares, planos de saúde, hospitais e demais tomadoras de serviços que venham manter contratos com a AMHPDF; 1) absterse de realizar contratos, convênios e quaisquer instrumentos que haja celebrado com entidades administradoras de convênios hospitalares, planos de saúde, hospitais e demais tomadoras de serviços que venham manter contratos com a AMHPDF.” 16. Ou seja, o associado médico pessoa física se vê impedido de ser remunerado pelo serviço prestado diretamente pela empresa de segurosaúde. O pagamento vem necessariamente através da Associação, de fato, quem remunera o médico segurado contribuinte individual. Em relação às alíquotas aplicadas, o Relatório Fiscal, fls. 50 a 55, mostra que: 22. As contribuições destinadas à Seguridade Social a cargo da empresa foram consolidadas utilizando a alíquota de 20% (vinte por cento) sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados contribuintes individuais. Ainda segundo o Relatório Fiscal, fls. 50 a 55, não foram apropriados recolhimentos no presente lançamento, uma vez que a Recorrente não reconhece a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias lançadas: 24. Por caracterizar fato gerador não reconhecido pelo contribuinte, nenhum recolhimento foi considerado a seu favor no presente levantamento. Houve a emissão de Representação Fiscal para Fins Penais, Relatório Fiscal, fls. 50 a 55: “29. Cabe ressaltar que a omissão de fatos geradores de contribuição previdenciária nas folhas de pagamento ou nas GFIP correspondentes caracteriza, em tese, crime de sonegação de contribuição previdenciária previsto no art. 337A do Código Fl. 530DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000127/200812 Acórdão n.º 240300.718 S2C4T3 Fl. 515 7 Penal, com a redação dada pela Lei n° 9.983/2.000, razão da qual foi emitida representação fiscal para fins penais a ser encaminhada à autoridade competente.” Por fim, o Relatório Fiscal, fls. 50 a 55, informa sobre a também emissão de Autos de Infração ao término da AuditoriaFiscal: 27. Durante a ação fiscal foram emitidos, além desta notificação, os documentos abaixo relacionados, devendo, em caso de impugnação, apresentar defesas específicas para cada um, dentro do prazo de quinze dias, contados do seu recebimento: AI 30 – n º 37.129.9624 R$ 2.390,26 Resumo: Pelas Folhas de pagamento em desacordo com as normas estabelecidas, que omitiam fatos geradores. AI 34 n º 37.129.9632 – R$ 35.853,69 Resumo: Pela não utilização de títulos próprios de contabilidade no registro dos fatos geradores. AI 59 n º 37.129.9640 – R$ 2.390,26 Resumo: Pela não arrecadação, mediante desconto, das contribuições de responsabilidade de segurados a seu serviço. AI 68 n º 37.129.9659 – R$ 286.831,20 Resumo: Pela não declaração de todos os fatos geradores nas respectivas GFIP. AI 37 n º 37.129.9667 – R$ 2.390,26 Resumo: Pela não destaque dos 11% na emissão das notas fiscais de serviço. O período de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09422956F00, foi de 01/2002 a 12/2003, às fls. 18. O período do débito, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, às fls. 09, é de 01/2002 a 12/2003. A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 21.12.2007, conforme Aviso de recebimento – AR nº 427352293 BR às fls. 59. A Recorrente apresentou impugnação, às fls. 62 a 76, com Anexos às fls. 77 a 233. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, fls. 236 a 241, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 Fl. 531DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 8 NFLD 37.107.5440 CESSÃO DE MÃODEOBRA. A tese aventada pela fiscalização, de que a notificada se constitui em empresa cedente de mãodeobra, é condizente com o sistema normativo e jurisprudencial relativos à terceirização lícita, não se podendo admitir a mera intermediação de mãode obra em atividadefim. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL Incide , contribuição previdenciária sobre a remuneração paga aos contribuintes individuais. PERÍCIA É desnecessária a prova pericial quando se tratar de Matéria eminentemente de direito. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão da recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 491 a 504, onde alega em apertada síntese que: (i) pelo artigo 22, III da Lei n° 8.212/91, que fundamenta o presente lançamento, é o tomador de Serviços, no caso, os seguros e planos de saúde, o sujeito passivo da obrigação tributária; (ii) a AuditoriaFiscal reconhece que os associados da Recorrente prestam serviços a pacientes vinculados a seguros e/ou planos de saúde; (iii) a Recorrente, conforme seu Estatuto, é mera intermediadora de serviços, celebrando, em nome e no interesse de seus associados, contratos com os seguros e planos de saúde; (iv) é inadequado qualificar a atividade associativa de representação e intermediação como cessão de mãodeobra, conforme o previsto no § 3° do art. 31 da Lei n.° 8.212/91 e o art. 143 da IN/SRP n. ° 3/2005 que contêm definições do que é cessão de mão de obra; (v) não é possível, a:partir do disposto na legislação em vigor, enquadrar a situação em concreto na definição legal de cessão de mãodeobra, já que, ao contrário das características exigidas para a sua caracterização, resta evidenciada a Fl. 532DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000127/200812 Acórdão n.º 240300.718 S2C4T3 Fl. 516 9 autonomia dos médicos quando da prestação dos serviços, unia vez que 1) não há qualquer orientação da Associação quanto ao local da prestação dos serviços; 2) os médicos não são cedidos pela Associação aos planos de saúde, não ficando à disposição destes; e 3) os serviços não são prestados de forma contínua (vi) Diante da evidência inarredável de que tais requisitos do § 3° do art. 31 da Lei n° 8.212/91 não ocorrem in casu, a DRJ introduziu nova e impertinente fundamentação de que a Recorrente seria uma empresa e que teria terceirizado atividade fim, o que é vedado por interpretação, a contrário sensu, da Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho: TST Enunciado nº 331 Contrato de Prestação de Serviços Legalidade I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). (Revisão do Enunciado nº 256 TST) III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20 061983), de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. IV O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços, quanto àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos da administração direta, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista, desde que hajam participado da relação processual e constem também do título executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666, de 21.06.1993). (Alterado pela Res. 96/2000, DJ 18.09.2000) (vii) a Recorrente não pode ser caracterizada como empresa, ou seja, como uma organização autônoma que coordena um conjunto de fatores (agentes naturais, capital e trabalho), com vistas a por em marcha certos bens ou serviços e com finalidade lucrativa. É evidente que não existe capital envolvido, assim Fl. 533DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 10 como não há lucros e sua distribuição. A Recorrente é, em verdade, uma associação. (viii) não está correto afirmar que a Recorrente obtenha receita com a prestação de serviços médicos e que pague aos Associados pelos serviços executados. Os contratos que originaram o valor tributado no presente caso são todos para prestação de serviços médicos e assemelhados, em que a Recorrente assina o contrato como representante estatutária de seus associados. É assim que ela possibilita que os seus associados ativos tenham acesso a quase 100 planos de saúde. Em verdade, pelo já transcrito art. 11 do Estatuto, são os associados que tem o dever de custear (remunerar) a Recorrente com uma taxa que corresponde a um percentual — atualmente de 4% de seus honorários. (ix) a qualificação de intermediadora da Recorrente foi reconhecida tanto pela Receita Federal, na Solução de Consulta COSIT n º 5/2004, quanto pela Subsecretaria de Receita da Secretaria de Fazenda do Distrito Federal, na Solução de Consulta nº 83/2003; (x) que a Receita Federal, por meio da Solução de Consulta COSIT 5/2004, definiu que a Recorrente é mera intermediária no pagamento, sendo a real fonte pagadora o seguro ou plano de saúde e o prestador de serviço o associado, pessoa física ou jurídica, estabelecendose o regime tributário como se o serviço fosse prestado diretamente a estes últimos, o que torna insubsistente a NFLD, que parte de pressuposto contrário a tal ato normativo da Receita Federal; (xi) A clareza da Solução de Consulta contrasta com a arbitrariedade da NFLD e da decisão da DRJ/BSB. Principalmente ao se levar em consideração que tal consulta foi totalmente ignorada com fundamento numa Instrução Normativa n.° 740, de 02/05/2007, muito posterior à formulação e à resposta da consulta Em que pese não tratar de contribuição previdenciária, a consulta trata do regime tributário da relação entre a AMIIPDF, seus associados e os planos de saúde, que também é a relação base do presente caso tributário previdenciário. Assim, a afirmação de que se trata de uma consulta inespecífica é totalmente leviana; (xii) que mesmo que a qualificação assinalada pelo Fisco estivesse correta, a impugnante jamais poderia ter sido autuada com a cobrança da alíquota de 20% (vinte por cento), pois a obrigação de retenção da aliquota de 11% (onze por cento) sobre o valor da nota fiscal é atribuída ao contratante dos Fl. 534DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000127/200812 Acórdão n.º 240300.718 S2C4T3 Fl. 517 11 serviços (planos de saúde), cabendo à cedente de mãodeobra recolher apenas a diferença de 9% (nove por cento); (xiii) perícia contábil. Por último, embora apenas a alusão à legislação citada seja suficiente para tornar insubsistente a NFLD, em nome do princípio da eventualidade, a Recorrente requer, caso o Conselho de Contribuintes considere necessária para a prova de seu direito, auditoria ou perícia contábil que analise os seus livros e documentos associativos ou ainda o deferimento de prazo específico para juntada de tais documentos, em razão do seu enorme volume, para provar que não há pagamento por serviços, mas apenas repasse, pela AMHPDF. A Recorrente em aditamento ao Recurso Voluntário, às fls. 509 a 510, alega, em síntese: (xiv) Requer a tramitação e julgamento conjunto de todas as autuações emitidas na AuditoriaFiscal, por razões de segurança jurídica, celeridade e economia processuais; (xv) requer a aplicação da Súmula Vinculante nº 8, STF em conjunto com o art. 150, § 4º, CTN, declarandose a decadência dos lançamentos efetuados no ano 2002. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 508. É o Relatório. Fl. 535DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 12 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 508. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES DA REPERCUSSÃO GERAL JULGADA NO STF O Supremo Tribunal Federal STF reafirmou no dia 01.08.2011 que é constitucional a retenção, por parte do tomador de serviço, de 11% sobre o valor da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço para fins de contribuição previdenciária. A decisão foi tomada em julgamento de Recurso Extraordinário RE 603.191 que recebeu status de Repercussão Geral. O Plenário aplicou jurisprudência da Corte que confirma a constitucionalidade do artigo 31 da Lei 8.212/91, alterado pela Lei 9.711/98, que prevê a retenção da contribuição previdenciária e seu posterior recolhimento em nome da empresa cedente de mãodeobra: Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, negou provimento ao recurso extraordinário, contra o voto do Senhor Ministro Marco Aurélio. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. Ausente o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, licenciado. Falou pela União a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Plenário, 01.08.2011 Fl. 536DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000127/200812 Acórdão n.º 240300.718 S2C4T3 Fl. 518 13 DA DECADÊNCIA Devese verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Fl. 537DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 14 Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. Fl. 538DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000127/200812 Acórdão n.º 240300.718 S2C4T3 Fl. 519 15 O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (g.n.)” Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: “Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (g.n.)” Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário. “Ementa: ....1. O entendimento jurisprudencial consagrado no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo decadencial de Fl. 539DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 16 que dispõe o Fisco para constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados a partir do fato gerador.Todavia, se não houver pagamento antecipado, incide a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional.” (STJ.1ª Turma, AgRg no Ag 972.949/RS, Rel.: Min.Denise Arruda.,ago/08.) (g.n.) “Ementa: ....4. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Somente quand onão há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5.Hipótyese dos autos em que não houve pagamento antecipado, aplicandose a regra do art. 173, I, do CTN.” (STJ. 2ª Turma, AgRg no Ag 939.714/RS, Rel.: Min. Eliana Calmon., fev/08.) . (g.n.) “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. (...) Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN..” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) . (g.n.) Uma corrente doutrinária também aponta que no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento, se aplica uma regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN em detrimento da aplicação da regra geral do art. 173, I, CTN. No entanto, nos casos de dolo, fraude ou simulação, de modo a que se configure a comprovada máfé do sujeito passivo, não corre o prazo do art. 150, § 4º, CTN mas sim a decadência tributária se rege pela disposição genérica do art. 173, I, CTN. Nesta corrente doutrinária podese citar, dentre outros, Ricardo Lobo Torres1, Eduardo Sabbag2, Mauro Luís Rocha Lopes3 e Leandro Paulsen4. Há vozes discordantes na doutrina que defendem que a decadência opera com base na regra geral de decadência exposta no art. 173 do CTN, haja ou não pagamento antecipado no caso de lançamento por homologação, de forma a não se aplicar o art. 150, § 4º, CTN. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ e com a primeira corrente doutrinária exposta no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, como é o caso da contribuição social previdenciária, com a antecipação de pagamento e desde que não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN. 1 TORRES, Ricardo Lobo. Curso de direito financeiro e tributário. 16. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2009. p. 283. 2 SABBAG, Eduardo. Manual de direito tributário. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 723. 3 LOPES, Mauro Luís Rocha. Direito tributário brasileiro. Rio de Janeiro: Impetus, 2009. p. 248. 4 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 11. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009. p. 1036. Fl. 540DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000127/200812 Acórdão n.º 240300.718 S2C4T3 Fl. 520 17 Observase da análise dos autos que não houve recolhimentos a homologar, pois segundo o Relatório Fiscal, fls. 50 a 55, não foram apropriados recolhimentos no presente lançamento, uma vez que a Recorrente não reconhece a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias lançadas. Ademais, houve a emissão de Representação Fiscal para Fins Penais, Relatório Fiscal, fls. 50 a 55: “29. Cabe ressaltar que a omissão de fatos geradores de contribuição previdenciária nas folhas de pagamento ou nas GFIP correspondentes caracteriza, em tese, crime de sonegação de contribuição previdenciária previsto no art. 337A do Código Penal, com a redação dada pela Lei n° 9.983/2.000, razão da qual foi emitida representação fiscal para fins penais a ser encaminhada à autoridade competente.” Na hipótese presente, configurase a aplicação da regra de decadência insculpida no art. 173, I, CTN pois não houve pagamentos realizados pela Recorrente a homologar pela AuditoriaFiscal, além do que no Relatório Fiscal, às fls. 50 a 55, houve a emissão de Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP. CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Esse posicionamento possui amparo em decisões do Poder Judiciário. “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento Fl. 541DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 18 antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) Verificase, da análise dos autos, que a cientificação da NFLD pela Recorrente, às fls. 59, ocorreu em 21.12.2007 e o período do débito se refere a contribuições devidas à Seguridade Social de 01/2002 a 12/2003. Dessa forma, nos termos do artigo 173, I, CTN, constatase que não se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados entre as competências 01/2002 a 12/2003. Por todo o exposto, rejeito a preliminar de decadência examinada, pois não se configurou o instituto da decadência nos termos do art. 173, I, CTN. DO MÉRITO. Passemos à análise das argumentações da Recorrente. (A) Da cessão de mãodeobra e da incidência de contribuição previdenciária na remuneração aos contribuintes individuais A Recorrente argumenta: (i) pelo artigo 22, III da Lei n° 8.212/91, que fundamenta o presente lançamento, é o tomador de Serviços, no caso, os seguros e planos de saúde, o sujeito passivo da obrigação tributária; (ii) a AuditoriaFiscal reconhece que os associados da Recorrente prestam serviços a pacientes vinculados a seguros e/ou planos de saúde; (iii) a Recorrente, conforme seu Estatuto, é mera intermediadora de serviços, celebrando, em nome e no interesse de seus associados, contratos com os seguros e planos de saúde; Fl. 542DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000127/200812 Acórdão n.º 240300.718 S2C4T3 Fl. 521 19 (iv) é inadequado qualificar a atividade associativa de representação e intermediação como cessão de mãodeobra, conforme o previsto no § 3° do art. 31 da Lei n.° 8.212/91 e o art. 143 da IN/SRP n° 3/2005 que contêm definições do que é cessão de mão de obra; (v) não é possível, a:partir do disposto na legislação em vigor, enquadrar a situação em concreto na definição legal de cessão de mãodeobra, já que, ao contrário das características exigidas para a sua caracterização, resta evidenciada a autonomia dos médicos quando da prestação dos serviços, unia vez que 1) não há qualquer orientação da Associação quanto ao local da prestação dos serviços; 2) os médicos não são cedidos pela Associação aos planos de saúde, não ficando à disposição destes; e 3) os serviços não são prestados de forma contínua (vi) Diante da evidência inarredável de que tais requisitos do § 3° do art. 31 da Lei n° 8.212/91 não ocorrem in casu, a DRJ introduziu nova e impertinente fundamentação de que a Recorrente seria uma empresa e que teria terceirizado atividade fim, o que é vedado por interpretação, a contrário sensu, da Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho: TST Enunciado nº 331 Contrato de Prestação de Serviços Legalidade I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). (Revisão do Enunciado nº 256 TST) III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20 061983), de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. IV O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços, quanto àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos da administração direta, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista, desde que hajam participado da relação processual e constem também do título executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666, de 21.06.1993). (Alterado pela Res. 96/2000, DJ 18.09.2000) Fl. 543DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 20 (vii) a Recorrente não pode ser caracterizada como empresa, ou seja, como uma organização autônoma que coordena um conjunto de fatores (agentes naturais, capital e trabalho), com vistas a por em marcha certos bens ou serviços e com finalidade lucrativa. É evidente que não existe capital envolvido, assim como não há lucros e sua distribuição. A Recorrente é, em verdade, uma associação. (viii) não está correto afirmar que a Recorrente obtenha receita com a prestação de serviços médicos e que pague aos Associados pelos serviços executados. Os contratos que originaram o valor tributado no presente caso são todos para prestação de serviços médicos e assemelhados, em que a Recorrente assina o contrato como representante estatutária de seus associados. É assim que ela possibilita que os seus associados ativos tenham acesso a quase 100 planos de saúde. Em verdade, pelo já transcrito art. 11 do Estatuto, são os associados que tem o dever de custear (remunerar) a Recorrente com uma taxa que corresponde a um percentual — atualmente de 4% de seus honorários. Analisemos. (A.1) da incidência de contribuição previdenciária na remuneração aos contribuintes individuais Discutese no presente Recurso Voluntários a incidência de contribuição previdenciária sobre as verbas pagas a qualquer título pela Recorrente aos médicos associados em função do atendimento a pacientes de empresas conveniadas à Recorrente(por exemplo, operadoras de planos de saúde). Sobre o tema, a LC 84/96, antes da reforma previdenciária da Emenda Constitucional 20/98, dispunha: Art. 1º Para a manutenção da Seguridade Social, ficam instituídas as seguintes contribuições sociais: I a cargo das empresas e pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, no valor de quinze por cento do total das remunerações ou retribuições por elas pagas ou creditadas no decorrer do mês, pelos serviços que lhes prestem, sem vínculo empregatício, os segurados empresários, trabalhadores autônomos, avulsos e demais pessoas físicas; Após a Emenda Constitucional 20/98, a Lei 9.876/99 revogou a LC 84/96 e trouxe modificações à Lei 8.212/1991, que passou a vigorar com a seguinte redação: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: Fl. 544DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000127/200812 Acórdão n.º 240300.718 S2C4T3 Fl. 522 21 (...) (g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; (...) Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...)III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; Pela leitura dos artigos acima transcritos, verificase que o legislador estabeleceu o conceito de segurado obrigatório, na condição de contribuinte individual (após a edição da Lei 9.876/99), como aquele que "presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego". Ainda assim, ressaltase que, tal como disposto no art. 3º, § 2º, do Código de Defesa do Consumidor, serviço deve ser entendido de forma ampla, ou seja: "§ 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista ". A legislação impõe a incidência de contribuição previdenciária calculada sobre o total de remunerações ou retribuições pagas ou creditadas pela empresa a contribuintes individuais. Além disso, nem mesmo se exige vínculo contratual entre as partes como requisito para a incidência da exação, mas a simples prestação de serviços. Como um primeiro aspecto, coloquemos o posicionamento da jurisprudência em relação à responsabilidade tributária entre o tomador e o prestador do serviço: STJ REsp 1162066 / SP RECURSO ESPECIAL 2009/00952143 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 22/06/2010 TRIBUTÁRIO. CONTRATO DE CESSÃO DE MÃODEOBRA. FOLHA DE SALÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. BENEFÍCIO DE ORDEM. INAPLICÁVEL. 1. Quanto à alegativa de não ser possível a aferição indireta do tributo devido, o apelo não deve ser conhecido em razão da ausência de prequestionamento. Incidência do óbice contido na Súmula 211/STJ. 2. Nos contratos de cessão de mãodeobra, a responsabilidade do tomador do serviço pelas contribuições previdenciárias é solidária, conforme consignado na redação original do art. 31 da Lei n. 8.212/91. Precedentes. Fl. 545DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 22 3. De acordo com o disposto no art. 124 do Código Tributário Nacional, a solidariedade tributária não comporta benefício de ordem. 4. Recurso especial conhecido em parte e não provido. STJ AgRg no REsp 1120910 / SC AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2009/00180096 Relator(a) Ministro BENEDITO GONÇALVES (1142) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento: 17/11/2009 TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CESSÃO DE MÃODEOBRA. ARTIGO 31 DA LEI N. 8.212/91 EM SUA REDAÇÃO ORIGINAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE SUBORDINAÇÃO DOS EMPREGADOS DA EMPRESA DE VIGILÂNCIA. SÚMULA 7/STJ. 1. A pretensão do presente recurso especial cingese a afastar a aplicação do artigo 31 da Lei n. 8.212/91 para que o referido contrato seja considerado como uma mera prestação de serviço; todavia, tal pretensão requer, inequivocadamente, o reexame de suporte probatório para alterar a premissa fática assentada pelo Tribunal de origem, o qual concluiu no sentido de que o referido contrato se enquadrava como cessão de mãodeobra, por ausência de comprovação da autora em sentido contrário. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que no contrato de cessão de mãodeobra a responsabilidade solidária entre o contratante e a empresa contratada somente poderá ser ilidida se aquele comprovar que a empresa prestadora de serviços recolheu os valores devidos. Nesse sentido: (AgRg no Resp 769.952/RS, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 4/5/2006, DJ 25/5/2006; REsp 410.104/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 6/5/2004, DJ 24/5/2004). 3. Agravo regimental não provido. STJ REsp 939189 / RS RECURSO ESPECIAL 2007/00748110 Relator(a) Ministra DENISE ARRUDA (1126) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento: 20/10/2009 TRIBUTÁRIO. CONTROVÉRSIA ACERCA DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE DE SERVIÇOS EXECUTADOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃODE OBRA. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONFORMIDADE COM A JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. A responsabilidade solidária do contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, na forma estabelecida pelo art. 31 da Lei 8.212/91, antes da alteração Fl. 546DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000127/200812 Acórdão n.º 240300.718 S2C4T3 Fl. 523 23 legislativa promovida pela Lei 9.711/98, produziu efeitos até 1º de fevereiro de 1999, quando passou a vigorar a atual sistemática de arrecadação, na qual as contribuições destinadas à Seguridade Social são retidas e recolhidas pelo próprio contratante dos serviços executados mediante cessão de mãode obra. 2. Nos presentes autos, ao decidir a causa, o Tribunal de origem entendeu que "a solidariedade só emerge após constituído o crédito tributário contra devedor principal (sujeito passivo), devendo a cobrança da exação ser direcionada à tomadora de serviços somente após prévia fiscalização e regular lançamento contra a prestadora (executora dos serviços). " 3. Como visto, no caso em apreço o acórdão recorrido não afastou a responsabilidade solidária. Logo, o Tribunal de origem não contrariou os arts. 124, II, do Código Tributário Nacional, e 31, caput e § 3º, e 33, § 3º, da Lei 8.212/91, e também não divergiu da orientação jurisprudencial predominante no Superior Tribunal de Justiça. Precedentes citados: REsp 800.054/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 3.8.2007, p. 333; AgRg no AgRg no Resp 1.039.843/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJe de 26.6.2008; REsp 776.433/RJ, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 22.9.2008. 4. Recurso especial desprovido. STJ REsp 913422 / SP RECURSO ESPECIAL 2006/02774177 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 24/04/2007 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. LEGITIMIDADE. LITISCONSÓRCIO. DESNECESSIDADE. ART. 31 DA LEI N.º 8.212/91, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 9.711/98. 1. A empresa prestadora de serviço é parte legítima para discutir a retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de cessão de mãodeobra, porquanto efetiva contribuinte da exação. 2. É desnecessária a formação de litisconsórcio ativo entre a prestadora e a tomadora de serviço ante a ausência de determinação legal nesse sentido. 3. A alteração que a Lei nº 8.212/91 sofreu com a Lei nº 9.711/1998 não criou nova contribuição sobre o faturamento, nem modificou a alíquota, menos ainda a base de cálculo da contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento, sendo, por conseguinte, devida a retenção do percentual de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. Fl. 547DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 24 4. A Lei nº 9.711/98 instituiu nova sistemática na forma de arrecadação da contribuição em debate, em que, por substituição, as empresas passam a figurar como responsáveis tributárias. 5. Recurso especial do INSS provido em parte. Recurso especial da Abeprest prejudicado. Da jurisprudência, observase que,, em termos de legislação tributário previdenciária, não há benefício de ordem entre o tomador e o prestador do serviço, sendo que a solidariedade só emerge após constituído o crédito tributário contra devedor principal (sujeito passivo), devendo a cobrança da exação ser direcionada à tomadora de serviços somente após prévia fiscalização e regular lançamento contra a prestadora (executora dos serviços). (A.2) da cessão de mãodeobra Em que pese os argumentos bem elaborados pela Recorrente acerca da não existência de cessão de mãodeobra, a NFLD em questão restou materializada a cessão de mãodeobra. Segundo o Relatório Fiscal, às fls. 50 a 55, a Recorrente enquadrase no conceito de empresa cedente de mãodeobra, por atuar como intermediadora dos serviços prestados por seus associados, pessoas físicas, a clientes autorizados pelas empresas de seguro saúde, com ela conveniadas. Neste ponto, em que pese a Recorrente reconhecer que exerce atividades de intermediação de serviços entre os associados e as empresas conveniadas, rejeita o enquadramento dado pela AuditoriaFiscal como empresa cedente de mãodeobra com fundamento na não configuração da hipótese prevista no art. 31, § 3º, Lei 8.212/1991. “Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). (Produção de efeitos). § 1o O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Fl. 548DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000127/200812 Acórdão n.º 240300.718 S2C4T3 Fl. 524 25 § 1o O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da empresa cedente da mão de obra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 4o Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). I limpeza, conservação e zeladoria; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). II vigilância e segurança; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). III empreitada de mãodeobra; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). § 5o O cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). § 6o Em se tratando de retenção e recolhimento realizados na forma do caput deste artigo, em nome de consórcio, de que tratam os arts. 278 e 279 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, aplicase o disposto em todo este artigo, observada a participação de cada uma das empresas consorciadas, na forma do respectivo ato constitutivo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)” (gn) Eis, portanto, a questão de fundo: saber se os médicos associados à Recorrente prestam algum tipo de serviço às empresas conveniadas, configurandose a cessão de mãodeobra, sendo então caracterizada a condição de contribuintes individuais dos médicos associados em relação à Recorrente. Neste aspecto, para o deslinde da questão, importa observar o aspecto da relação jurídica entre a Recorrente e o associado de modo a se estabelecer, ou não, se é devido o lançamento acerca das contribuições devidas pela empresa destinadas à Seguridade Social, Fl. 549DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 26 não declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, de responsabilidade da empresa, incidentes sobre a remuneração paga a contribuintes individuais. Desta forma, a consideração, a da Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho serve apenas de indicativo da direção da jurisprudência, o que em hipótese alguma prejudica a linha de argumentação da Recorrida. Ademais, o art. 31, § 3º, Lei 8.212/1991 em absoluto exige que os serviços sejam relacionados com a atividade fim da empresa: § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. É evidente que os serviços médicos prestados pelos profissionais de saúde são dirigidos aos pacientes, pois a pessoa jurídica, tanto a Recorrente quanto as empresas conveniadas, obviamente, não se submete a procedimentos dessa natureza. Não obstante, analisandose o Relatório Fiscal, às fls. 50 a 55, a Recorrente atua como intermediadora dos serviços prestados por seus associados, pessoas físicas, a clientes autorizados pelas empresas de segurosaúde com ela conveniadas, fato este que caracteriza a Recorrente, nos termos da legislação previdenciária, como empresa cedente de mãodeobra: “10. A previsão normativa de cessão de mão de obra da Instrução Normativa SRP n° 3/2.005 é clara e ampla. Art. 143. Cessão de mãodeobra é a colocação à disposição da empresa contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores que realizem serviços contínuos, relacionadas ou não com sua atividade fim, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei n° 6.019, de 1.974. (grifo nosso) 11. No caso concreto, a empresa de segurosaúde conveniada é a contratante dos serviços; os associados pessoa física são os trabalhadores que realizam serviços médicos contínuos nas dependências de seus próprios consultórios e por força de contrato são colocados à disposição da contratante; e a Associação é a cedente de mão de obra e que efetivamente remunera os associados pessoa física pelos serviços prestados.” Ainda o Relatório Fiscal, fls. 50 a 55, destaca que a remuneração dos serviços prestados pelos associados é realizada exclusivamente pela Recorrente, sendo que os associados estão impedidos, estatutariamente, de serem remunerados diretamente pela empresa de segurosaúde: Fl. 550DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000127/200812 Acórdão n.º 240300.718 S2C4T3 Fl. 525 27 “14. E que fique claro que, no caso em tela, quem remunera os serviços prestados pelos associados pessoas físicas é a própria Associação. A condição de contratante das empresas de seguro saúde conveniadas é estabelecida contratualmente em relação à Associação, que emite notas fiscais de serviços em nome daquelas. 15. As empresas seguradoras conveniadas seriam o sujeito passivo caso não houvesse a intermediação da Associação, hipótese de que a Associação se resguarda através de obrigações estatutárias impostas a seus associados: Estatuto Artigo 8 São deveres dos associados: (...) k) rescindir contratos, convênios e quaisquer instrumentos que haja celebrado com entidades administradoras de convênios hospitalares, planos de saúde, hospitais e demais tomadoras de serviços que venham manter contratos com a AMHPDF; 1) absterse de realizar contratos, convênios e quaisquer instrumentos que haja celebrado com entidades administradoras de convênios hospitalares, planos de saúde, hospitais e demais tomadoras de serviços que venham manter contratos com a AMHPDF.” 16. Ou seja, o associado médico pessoa física se vê impedido de ser remunerado pelo serviço prestado diretamente pela empresa de segurosaúde. O pagamento vem necessariamente através da Associação, de fato, quem remunera o médico segurado contribuinte individual. Diante do exposto, restou configurada faticamente a cessão de mãodeobra, conforme o exposto no Relatório Fiscal, às fls. 50 a 55: “11. No caso concreto, a empresa de segurosaúde conveniada é a contratante dos serviços; os associados pessoa física são os trabalhadores que realizam serviços médicos contínuos nas dependências de seus próprios consultórios e por força de contrato são colocados à disposição da contratante; e a Associação é a cedente de mão de obra e que efetivamente remunera os associados pessoa física pelos serviços prestados.” Ademais, observase dos autos que há uma relação jurídica entre o médico associado e a Recorrente, sujeitando as verbas pagas à incidência da contribuição previdenciária em questão, também em função da existência de um contrato formal entre as partes, pelo qual o profissional de saúde se vê impedido de ser remunerado pelo serviço prestado diretamente pela empresa de segurosaúde. Essa, na verdade, é uma questão incontroversa, pois a Recorrente, na Impugnação, às fls. 71, reconhece que há um vínculo contratual entre ela e os médicos associados: Fl. 551DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 28 “A AMHPDF é mera intermediária, recebendo pagamento em nome dos associado para posterior repasse ao mesmo, ficando, na forma do art. 11, alínea "b", do Estatuto, supracitado, com um pequeno percentual a título de custeio das despesas administrativas. A contabilidade da Associação registra de forma cuidadosa essa distinção, já que espelha a preocupação de que os honorários dos Associados fiquem disponíveis na Associação apenas e tãosomente para o seu posterior repasse, pois são créditos de titularidade única e exclusiva do Associado.” Assim, a própria Recorrente reconhece a existência de uma relação jurídica contratual entre ela e o médico associado, pela qual este se compromete a atender aos segurados das empresas conveniadas e, em contrapartida, a Recorrente se compromete a pagar pelos serviços prestados aos segurados das empresas conveniadas. Desta forma, como negar aqui a inexistência de prestação de serviços à Recorrente? Qual seria então o objetivo do contrato firmado com o associado médico? É claro que, ao atender aos segurados das empresas conveniadas, o médico está prestando um serviço à Recorrente. Não de natureza médica, evidentemente, mas de atendimento, de disponibilização de seu tempo e serviços de saúde para o segurado das empresas conveniadas. Anotase em relação ao mercado das Seguradoras de Saúde, que os Planos de Saúde, como é o caso das empresas conveniadas à Recorrente, pagam um valor já previamente acertado entre eles e os médicos credenciados, de acordo com uma tabela de procedimentos, sem qualquer participação dos segurados. Esse valor é diferente do que é pago em uma consulta particular justamente porque ele não remunera o serviço médico prestado ao paciente, mas sim o serviço prestado ao plano de saúde, consistente no atendimento a um segurado seu. Conforme o Relatório Fiscal, fls. 50 a 55, do confronto entre os valores declarados na DIRF e os registros contábeis, apresentados em meio digital conforme Recibos de Entrega de Arquivos Digitais, fls. 21, concluiuse que os mesmos tratavamse de valores pagos pela Associação aos seus associados pessoas físicas, pelos serviços médicos prestados por eles aos clientes autorizados pelas empresas de segurosaúde conveniadas pela Associação. Ainda, se depreende do Relatório Fiscal, nas declarações de Imposto de Renda os profissionais de saúde associados à Recorrente informam que receberam da Recorrente, que inclusive retém na fonte o tributo devido. Devese destacar também que essa prestação de serviços do associado médico para a Recorrente constitui a premissa de funcionamento deste. De fato, ainda que o associado profissional de saúde preste serviços médicos diretamente ao segurado da empresa conveniada, há, concomitantemente, a prestação de serviços à Recorrente, sem os quais esta não pode exercer as atividades para as quais foi constituída. Logo, não há como deixar de reconhecer que a Recorrente utiliza a prestação de serviço (atendimento a segurados de empresas conveniadas) dos médicos associados e dela diretamente se beneficiam para que consigam atingir seus objetivos sociais. Assumese que qualquer interpretação da legislação infraconstitucional deve ser realizada à luz da Constituição da República, neste sentido a Seguridade Social é Fl. 552DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000127/200812 Acórdão n.º 240300.718 S2C4T3 Fl. 526 29 informada, e.g., pelo princípio do financiamento por toda a sociedade (ou solidariedade), e pelo princípio da eqüidade na forma de participação no custeio, que traduzem sua feição transindividual. Nos dizeres de Leandro Paulsen5: “as pessoas jurídicas podem ser chamadas ao custeio da seguridade social independentemente de terem ou não relação direta com os segurados ou de serem ou não destinatárias de benefícios" Ou seja, isentar de contribuição para a seguridade social os valores recebidos pelos associados da Recorrente, em razão do atendimento a segurados de empresas conveniadas, desequilibraria o sistema e negaria vigência aos princípios da solidariedade e da eqüidade na forma de participação no custeio de forma a se criar uma categoria de profissionais cuja remuneração estaria isenta da incidência de contribuição previdenciária e excluída do financiamento da Seguridade Social. Portanto, considero que há sim uma relação jurídica de cessão de mão deobra entre a Recorrente e as empresas conveniadas e também uma relação jurídica existente entre a Recorrente e os médicos associados que, no desenvolvimento de suas atividades profissionais, atendem a pacientes segurados de empresas conveniadas e, por isso, são remunerados pela Recorrente. Assim, incide a contribuição prevista no art. 22, III, da Lei 8.212/91 sobre as verbas pagas pela Recorrente aos profissionais de saúde associados, no caso, contribuintes individuais. (B) Da vinculação à Solução de Consulta COSIT nº 5/2004 à tributação fiscalprevidenciária, além da aplicação da Solução de Consulta da Subsecretaria de Receita da Secretaria de Fazenda do Distrito Federal. A Recorrente argumenta: (ix) a qualificação de intermediadora da Recorrente foi reconhecida tanto pela Receita Federal, na Solução de Consulta COSIT n º 5/2004, quanto pela Subsecretaria de Receita da Secretaria de Fazenda do Distrito Federal, na Solução de Consulta nº 83/2003; (x) que a Receita Federal, por meio da Solução de Consulta COSIT 5/2004, definiu que a Recorrente é mera intermediária no pagamento, sendo a real fonte pagadora o seguro ou plano de saúde e o prestador de serviço o associado, pessoa física ou jurídica, estabelecendose o regime tributário como se o serviço fosse prestado diretamente a estes últimos, o que torna insubsistente a NFLD, que parte de pressuposto contrário a tal ato normativo da Receita Federal; 5 PAULSEN, Leandro. Contribuições Custeio da Seguridade Social. Porto Alegre: ESMAFE e Livraria do Advogado, 2007. p. 22. Fl. 553DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 30 (xi) A clareza da Solução de Consulta contrasta com a arbitrariedade da NFLD e da decisão da DRJ/BSB. Principalmente ao se levar em consideração que tal consulta foi totalmente ignorada com fundamento numa Instrução Normativa n.° 740, de 02/05/2007, muito posterior à formulação e à resposta da consulta Em que pese não tratar de contribuição previdenciária, a consulta trata do regime tributário da relação entre a AMIIPDF, seus associados e os planos de saúde, que também é a relação base do presente caso tributário previdenciário. Assim, a afirmação de que se trata de uma consulta inespecífica é totalmente leviana; Analisemos. (B.1) Solução de Consulta nº 83/2003 da Subsecretaria de Receita da Secretaria de Fazenda do Distrito Federal Em relação à aplicação, para o presente caso, da Solução de Consulta nº 83/2003 da Subsecretaria de Receita da Secretaria de Fazenda do Distrito Federal, cumpre informar que tal argumento não encontra qualquer fundamento na legislação que rege a tributação fiscalprevidenciária. Desta forma, superado este ponto, passemos para o seguinte. (B.2) Solução de Consulta COSIT nº 5/2004 Em relação à vinculação à Solução de Consulta COSIT nº 5/2004, de plano, colacionemos o posicionamento da Recorrida, às fls. 240 e 241: “Com relação à solução da Consulta COSIT nº 5/2004, por ser inespecífica ao caso em tela, esta não representa óbice para a aplicação e interpretação da legislação previdenciária, que não foi sequer citada na consulta indicada. No caso, deveria ter sido formulado consulta, que atendesse os requisitos estipulados no artigo 3º da Instrução Normativa RFB nº 740, de 02/05/2007, dentre eles, a exigência de que a consulta se circunscrevesse a fato determinado, contendo descrição detalhada de seu objeto e indicação necessária à elucidação da matéria (inciso III) e que indicasse os dispositivos que ensejaram a sua apresentação, bem como dos fatos a que será aplicada a interpretação solicitada (inciso IV).” O art. 3º, da IN RFB 740/2007, a que a Recorrida se refere: “Art. 3º A consulta deverá ser formulada por escrito, dirigida à autoridade mencionada no inciso I, II ou III do art. 10, e Fl. 554DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000127/200812 Acórdão n.º 240300.718 S2C4T3 Fl. 527 31 apresentada na unidade da RFB do domicílio tributário do consulente. § 1º A consulta será feita mediante petição e deverá atender aos seguintes requisitos: I identificação do consulente: a) no caso de pessoa jurídica ou equiparada: nome, endereço, telefone, endereço eletrônico (email), número de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) ou no Cadastro Específico do INSS (CEI) e ramo de atividade; b) no caso de pessoa física: nome, endereço, telefone, endereço eletrônico (email), atividade profissional e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF); e c) identificação do representante legal ou procurador, mediante cópia de documento, que contenha foto e assinatura, autenticada em cartório ou por servidor da RFB à vista da via original, acompanhada da respectiva procuração; II na consulta apresentada pelo sujeito passivo, declaração de que: a) não se encontra sob procedimento fiscal iniciado ou já instaurado para apurar fatos que se relacionem com a matéria objeto da consulta; b) não está intimado a cumprir obrigação relativa ao fato objeto da consulta; e c) o fato nela exposto não foi objeto de decisão anterior, ainda não modificada, proferida em consulta ou litígio em que foi parte o interessado; III circunscreverse a fato determinado, conter descrição detalhada de seu objeto e indicação das informações necessárias à elucidação da matéria; IV indicação dos dispositivos que ensejaram a apresentação da consulta, bem como dos fatos a que será aplicada a interpretação solicitada. § 2º No caso de pessoa jurídica que possua mais de um estabelecimento, as declarações a que se refere o inciso II deverão ser prestadas pelo estabelecimento matriz e abranger todos os estabelecimentos. § 3º A declaração prevista no inciso II do § 1º não se aplica à consulta formulada em nome dos associados ou filiados por entidade representativa de categoria econômica ou profissional, salvo se formulada pela consulente na condição de sujeito passivo. § 4º Na hipótese de consulta que verse sobre situação determinada ainda não ocorrida, o consulente deverá Fl. 555DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 32 demonstrar a sua vinculação com o fato, bem como a efetiva possibilidade da sua ocorrência. § 5º A associação que formular consulta em nome de seus associados deverá apresentar autorização expressa dos associados para representálos administrativamente, em estatuto ou documento individual ou coletivo” (gn) A Recorrente argumenta que “houve arbitrariedade da NFLD e da decisão da DRJ/BSB” e que “a afirmação de que se trata de uma consulta inespecífica é totalmente leviana”. Resta então verificar se o argumento da Recorrente de que a Solução de Consulta de Consulta COSIT nº 5/2004 é vinculante e se aplica ao presente caso. Não obstante a força dos argumentos e a certeza demonstrada pela Recorrente na defesa da aplicação da Solução de Consulta COSIT nº 5/2004 para o presente caso, temos que lembrar que em 2007 houve a fusão da Secretaria da Receita Federal com a Secretaria da Receita Previdenciária, vide Lei 11.457/2007. Neste sentido, quando da elaboração da Solução de Consulta COSIT nº 5/2004, ou seja, no ano de 2004, a Secretaria da Receita Previdenciária, órgão do Ministério da Previdência Social era a responsável pela administração tributárioprevidenciária. Ainda assim, à título de esclarecimento, à época, 2004, a COSIT – Coordenação Geral de Tributação da Receita Federal, sendo a Receita Federal órgão do Ministério da Fazenda, não possuía quaisquer atribuições normativas em matéria tributário previdenciária. Desta forma, verificase, naturalmente, que a Solução de Consulta COSIT nº 5/2004, não possui qualquer alcance em matéria tributárioprevidenciária posto que à época a COSIT não detinha quaisquer competências normativas em matéria tributárioprevidenciária. Em relação ao posicionamento da Recorrida de que a Solução de Consulta para ser aplicada deve atender aos requisitos insculpidos no artigo 3º da Instrução Normativa RFB nº 740, de 02/05/2007, não há o que contestar visto advir de uma fundamentação normativa. Desta forma, pelo acima exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (C) Aplicação das alíquotas. A Recorrente argumenta: (xii) que mesmo que a qualificação assinalada pelo Fisco estivesse correta, a impugnante jamais poderia ter sido autuada Fl. 556DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000127/200812 Acórdão n.º 240300.718 S2C4T3 Fl. 528 33 com a cobrança da alíquota de 20% (vinte por cento), pois a obrigação de retenção da aliquota de 11% (onze por cento) sobre o valor da nota fiscal é atribuída ao contratante dos serviços (planos de saúde), cabendo à cedente de mãodeobra recolher apenas a diferença de 9% (nove por cento); Analisemos. Não prospera a argumentação da Recorrente pois, no mesmo sentido em que a Recorrida já havia se manifestado, a ausência da retenção de 11% (onze por cento) pode ser comprovada através dás cópias de notas fiscais anexadas aos autos, às fls. 222 a 226. Ou seja, incide a alíquota de 20% (vinte por cento) aplicada sobre a basedecálculo porque não houve qualquer recolhimento das contribuições incidentes sobre o pagamento feito aos contribuintes individuais. (D) Do perícia contábil. A Recorrente argumenta: (xiii) perícia contábil. Por último, embora apenas a alusão à legislação citada seja suficiente para tornar insubsistente a NFLD, em nome do princípio da eventualidade, a Recorrente requer, caso o Conselho de Contribuintes considere necessária para a prova de seu direito, auditoria ou perícia contábil que analise os seus livros e documentos associativos ou ainda o deferimento de prazo específico para juntada de tais documentos, em razão do seu enorme volume, para provar que não há pagamento por serviços, mas apenas repasse, pela AMHPDF. Analisemos. Reitera a Recorrente pela produção de perícia. Não confiro razão à Recorrente pois, em relação ao pedido de perícia indefiro tal pedido, a Recorrente não demonstrou, fundamentadamente, a observância dos requisitos elencados no art. 16, § 1º c/c art. 16, IV, Decreto 70.235/1972: “Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; Fl. 557DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 34 II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) “ § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) “(gn) Da leitura do dispositivo, verificase que a Recorrente não cumpriu os requisitos necessários à formulação de pedido de perícia, por meio de diligência, portanto não prospera o requerimento da Recorrente em relação à produção de provas. Fl. 558DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000127/200812 Acórdão n.º 240300.718 S2C4T3 Fl. 529 35 (E) Do julgamento conjunto dos processos. A Recorrente argumenta: (xiv) Requer a tramitação e julgamento conjunto de todas as autuações emitidas na AuditoriaFiscal, por razões de segurança jurídica, celeridade e economia processuais; Analisemos. Em virtude de diversas restrições estruturais e operacionais no procedimento administrativo fiscalprevidenciário, nem sempre se faz possível o julgamento de todos os processos oriundos da mesma AuditoriaFiscal. Desta forma, não há como atender tal requisição. DA MULTA DE MORA Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade Fl. 559DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 36 benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Fl. 560DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14041.000127/200812 Acórdão n.º 240300.718 S2C4T3 Fl. 530 37 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, rejeitar A PRELIMINAR suscitada, NO MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 561DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI
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