Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,988)
- Primeira Turma Ordinária (16,488)
- Primeira Turma Ordinária (16,445)
- Primeira Turma Ordinária (16,296)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,295)
- Segunda Turma Ordinária d (16,013)
- Segunda Turma Ordinária d (14,536)
- Primeira Turma Ordinária (13,108)
- Primeira Turma Ordinária (12,545)
- Segunda Turma Ordinária d (12,534)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,777)
- Terceira Câmara (68,236)
- Segunda Câmara (57,099)
- Primeira Câmara (21,379)
- 3ª SEÇÃO (16,295)
- 2ª SEÇÃO (11,352)
- 1ª SEÇÃO (6,877)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,096)
- Segunda Seção de Julgamen (115,765)
- Primeira Seção de Julgame (77,654)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,120)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,458)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,581)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,108)
- HELCIO LAFETA REIS (3,896)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,840)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,683)
- WILDERSON BOTTO (2,674)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,662)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (19,340)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 14041.001334/2008-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1401-000.162
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 19 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201208
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 14041.001334/2008-94
conteudo_id_s : 5960329
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 1401-000.162
nome_arquivo_s : Decisao_14041001334200894.pdf
nome_relator_s : ANTONIO BEZERRA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 14041001334200894_5960329.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
id : 7602035
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 19 09:56:08 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1727721675673305088
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1304; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 1.245 1 1.244 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14041.001334/200894 Recurso nº 999999 Resolução nº 1401000.162 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 08 de agosto de 2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente VIP SERVICE CLUB LOCADORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 14041.001334/200894 Resolução n.º 1401000.162 S1C4T1 Fl. 1.246 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal em BrasíliaDF. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Tratam os autos de lançamentos de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), consubstanciados nos autos de infração às fl. 02/38, referentes aos anos calendários 2003 e 2004, com crédito tributário total de R$ 3.759.216,09, assim distribuídos: IRPJ R$ 2.380.916,65; CSLL R$ 895.768.39; Cofins R$ 370.549,73; PIS R$ 111.981,32. Consoante descrição dos fatos contida nos autos de infração e no Relatório de Verificação Fiscal (RVF) às fl. 528/530 (parte integrante daqueles), foram verificadas as seguintes irregularidades: Glosa de despesa apropriada a maior Ano 2003 Em resposta à intimação, o sujeito passivo respondeu por escrito anexando contratos de arrendamento mercantil (leasing) com a Volkswagen do Brasil referentes a 24 veículos e respectivas notas fiscais (fl. 65/99). Além disso anexou planilha indicando a aquisição total de 69 veículos em 2003 (fl. 61/62). Relativamente aos veículos adquiridos objeto de leasing, foram pagas três prestações mensais de cada contrato: 3 x (R$ 3.517,44), 3 x (R$ 6.322,59) e 3 x (R$ 7.023,87), totalizando R$ 50.591,70; sendo que foi contabilizado na conta Arrendamento Mercantil (fl. 46) o valor de R$ 249.738,00, superior à despesa efetiva em R$ 199.146,30. Este excedente foi glosado pela autoridade fiscal. Esta infração gerou lançamentos de IRPJ e de reflexo de CSLL; Omissão de receitas caracterizada pela ausência de escrituração de bens de natureza permanente (veículos) adquiridos junto à Volkswagen do Brasil nos anos 2003 e 2004 1) 2003 Conforme expediente da Volkswagen do Brasil, em resposta ao Termo de Diligência Fiscal de 15/06/2008, e a resposta do contribuinte acima mencionada,, a empresa adquiriu veículos no montante de R$ 1.488.693,67. Desse valor foram contabilizados apenas R$ ,215.057,26 na conta Veículos (fl. 47), caracterizando a falta de contabilização de bens do ativo permanente no valor de R$ 1.273.636,41, sendo devido o lançamento por omissão de receita neste montante; 2) 2004 Com referência aos 58 veículos adquiridos em 2004 no montante de R$ 1.555.031,07, confirmados pela Volkswagen do Brasil, conforme fl. 174/1777, o contribuinte não prestou esclarecimentos satisfatórios quanto à falta de escrituração dos mesmos no ativo permanente, sendo devido o lançamento de omissão de receita nesse montante. Esta infração gerou lançamentos de IRPJ e de reflexos de CSLL, PIS e Cofins; Falta de declaração do lucro operacional apurado na contabilidade da empresa a narração dos fatos foi a seguinte: "Na DIPJ do anocalendário 2003, a empresa apresentou todos os itens zerados, porem verificando na contabilidade Demonstração Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 14041.001334/200894 Resolução n.º 1401000.162 S1C4T1 Fl. 1.247 3 de Resultado as fls constatouse que a .empresa obteve lucro no período no valor de R$ 1.106.461,19. (Lucros não declarados)" (grifo no original). Esta infração gerou lançamentos de IRPJ e de reflexo de CSLL. Cientificado pessoalmente dos lançamentos em 03/12/2008, o sujeito passivo apresentou uma impugnação para cada lançamento em 02/01/2003, conforme segue: fl. 531/541 (CSLL), instruída com os documentos às fl. 542/636; fl. 637/645 (Cofins), instruída com os documentos às fl. 646/689; fl. 690/698 (PIS), instruída com os documentos às fl. 699/742; e fl. 743/753(IRPJ), instruída com os documentos às fl. 754/849. O teor das impugnações está resumido a seguir: IRPJ Ano 2003 Omissão de receitas por falta de contabilização de bens do permanente a autoridade fiscal considerou contabilizado apenas o montante de R$ 215.057,26 do valor total de veículos adquiridos, lançando omissão de receita de R$ 1.273.636,41. Entretanto, às fl. 209, 666 e 667 do Razão estão os lançamentos equivalentes às aquisições de 26 veículos Kombi e 24 veículos Gol adquiridos nos meses de agosto e setembro de 2003, conforme relação da Volkswagen, cujas contrapartidas estão registradas como exigibilidade na conta n° 2.1.1.01.020, às fl. 414, 417 e 427 do Razão. Ainda às fl. 209 e 661 estão contabilizadas as outras aquisições distantes na relação da *Volkswagen. Elaborou o demonstrativo à fl. 533 onde estão indicados todos os valores registrados contabilmente, totalizando R$ 1.031.157,16, que deverá ser desconsiderado do montante tributado no auto de infração como omissão de receitas; Falta de declaração de lucro operacional a fiscalização considerou como não declarado o lucro contábil de R$ 1.106.461,19 constante na Demonstração de Resultado à fl. 589 do Diário, tendo em vista que a DIPJ foi entregue zerada. Contudo, mesmo diante do erro da DIPJ, a forma de apuração do lucro foi trimestral, conforme balancetes trimestres em anexo (fl. 754/804). Do lucro líquido foram excluídos os valores não recebidos provenientes de faturas emitidas contra a Presidência da República, no total de R$ 1.979.208,87, consoante o disposto no art. 409 do RIR/99. Os lucros apurados nos 2o, 3o e 4o trimestres foram compensados com o prejuízo fiscal/base negativa apurado no Io trimestre. Apurados o imposto sobre os valores dos lucros após a compensação, o saldo a pagar foi "compensado" (deduzido) com as retenções realizadas pelos órgãos públicos. Elaborou o demonstrativo à fl. 534 indicando o exposto. Os valores apurados de IRPJ em cada trimestre foram devidamente apropriados na contabilidade, conforme fl. 284, 285, 423, 585 e 584 do Diário. Então, visto que a contabilidade registrou os valores apurados a título de IRPJ, não procede a autuação aplicada, Glosa de despesas matéria não contestada Ano 2004 Omissão de receitas por falta de contabilização de bens do permanente do montante de R$ 1.555.031,07, considerado omitido pela autoridade fiscal, deve ser excluído o valor de R$ 136.430,82, uma vez que as fl. 207, 208 e 212 do Razão possuem escrituração de parte das aquisições em abril, julho e agosto. Todos os veículos alcançados pela fiscalização foram adquiridos pela modalidade financeira Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 14041.001334/200894 Resolução n.º 1401000.162 S1C4T1 Fl. 1.248 4 leasing, no entanto os lançamentos não foram todos identificados em vista de que os contratos não foram localizados. Contudo, no decorrer da fiscalização solicitou as bancos o encaminhamento de cópia dos referidos documentos, conforme cópias das solicitações em anexo. Tais solicitações não foram atendidas em tempo hábil, mas os documentos serão anexados posteriormente. Como prova trouxe também cópias dos DUT de alguns veículos; Inconstitucionalidade da Multa de oficio alegou a inconstitucionalidade da multa de75%, pleiteando sua redução para 20%. No ano 2003, do valor tributável total considerado pela autoridade fiscal no lançamento, qual seja, R$ 2.579.243,90, restou impugnado o valor de R$ 2.137.618,35, havendo um valor não contestado de R$ 441.625,55, No ano 2004, o valor tributável do lançamento foi R$ 1.555.031,07, sendo impugnado R$ 136.430,82, restando um valor não contestado de R$ 1.418.600,25; Parte destes valores tributáveis não contestados devem ser compensados com o saldo não utilizado do prejuízo apurado no Io trimestre de 2003 (apurado no balancete em anexo), conforme demonstrativo à fl. 749. O imposto devido apurado com base na diferença do valor tributável após compensação, acrescido de juros e multa de 20%, deve ser "compensado" com o imposto retido na fonte por órgãos públicos (conforme anexo II fl. 805/807). Então, após todos estes ajustes, não há débito a título de IRPJ, razão pela qual é totalmente improcedente o lançamento; CSLL Os argumentos trazidos para contestar a omissão lançada em 2003 e 2004, a falta de declaração do lucro operacional apurado em 2003 e a multa de ofício são os mesmos apresentados para o lançamento de IRPJ; A contribuição devida calculada com base no valor tributável não contestado, acrescida de juros e multa de 20%, deve ser "compensado" com a contribuição retida na fonte por órgãos públicos (conforme fl. 592). Então, após todos estes ajustes, não há débito a título de CSLL, razão pela qual é totalmente improcedente o lançamento. PIS Os argumentos trazidos para contestar a omissão lançada e a multa de ofício são os mesmos apresentados para o lançamento de IRPJ; A contribuição devida calculada com base no valor tributável não contestado, acrescida de juros e multa de 20%, deve ser "compensado" com a contribuição retida na fonte por órgãos públicos (conforme fl. 700). Então, após todos estes ajustes, não há débito a título de PIS, razão pela qual é totalmente improcedente o lançamento. Cofins Os argumentos trazidos para contestar a omissão lançada e a multa de ofício são os mesmos apresentados para o lançamento de IRPJ; A contribuição devida calculada com base no valor tributável, não contestado, acrescida de juros e multa de 20%, deve ser "compensado" com a contribuição retida na fonte por órgãos públicos (conforme fl. 647). Então, após todos estes ajustes, não há Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 14041.001334/200894 Resolução n.º 1401000.162 S1C4T1 Fl. 1.249 5 débito a título de Cofins a recolher no montante de apenas R$ 144.803,61, conforme planilha à fl. 644. Razão pela qual é parcialmente procedente o lançamento. Requer a juntada posterior de documentos que se mostrarem necessários; É o relatório. A DRJ MANTEVE EM PARTE, por maioria de votos, os lançamentos, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 GLOSA DE DESPESAS. Matéria não impugnada. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE BENS NO ATIVO PERMANENTE. PROVA PARCIAL. Deve ser excluído do valor tributável considerado no lançamento o montante relativo a veículos adquiridos junto à Volkswagen cuja escrituração o sujeito passivo logrou comprovar quando da impugnação. FALTA DE DECLARAÇÃO DE LUCRO OPERACIONAL. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO FATO GERADOR. Não pode conviver em um mesmo lançamento a apuração do lucro real trimestral com a apuração anual. As infrações relativas à omissão de receitas e glosa de despesas foram corretamente lançadas considerando fatos geradores trimestrais, haja vista que o sujeito passivo não fez a opção pela apuração anual nos termos da lei. Em vista disso, não poderia ter sido incluído em 31/12/2003 o lucro operacional não declarado referente a todo o anocalendário, ou seja, adotandose a forma de apuração anual apenas para esta infração. Houve erro na identificação do fato gerador, violando o disposto no art. 142 do CTN. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Nesse sentido súmula do Primeiro Conselho de Contribuintes. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DIREITO NÃO EXERCIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO PREJUÍZO FISCAL A COMPENSAR. A compensação de prejuízos fiscais é um direito do contribuinte que pode ser exercido ou não, a seu critério quanto à oportunidade. Demonstrado nos autos que o sujeito passivo não exerceu seu direito a compensar lucro apurado com prejuízo fiscal de período anterior, não pode a autoridade julgadora efetuar a compensação de ofício do valor tributável apurado em decorrência de infrações. Ademais, não restou comprovada existência do prejuízo fiscal a compensar. IMPOSTO RETIDO POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. DEDUÇÃO INDEVIDA. O sujeito passivo não logrou comprovar documentalmente as retenções de imposto na fonte por órgãos públicos, razão pela qual não é devida sua dedução do imposto devido apurado. Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 14041.001334/200894 Resolução n.º 1401000.162 S1C4T1 Fl. 1.250 6 Irresignada com a decisão de primeira instância a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. É o relatório. Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 14041.001334/200894 Resolução n.º 1401000.162 S1C4T1 Fl. 1.251 7 VOTO Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte defendeu a utilização dos seus estoques de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores, não considerados pela Autoridade Fiscal quando da apuração da base de cálculo. A DRJ, negou esse aproveitamento em função da falta de demonstração dessa vontade na Declaração. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DIREITO NÃO EXERCIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO PREJUÍZO FISCAL A COMPENSAR. A compensação de prejuízos fiscais é um direito do contribuinte que pode ser exercido ou não, a seu critério quanto à oportunidade. Demonstrado nos autos que o sujeito passivo não exerceu seu direito a compensar lucro apurado com prejuízo fiscal de período anterior, não pode a autoridade julgadora efetuar a compensação de ofício do valor tributável apurado em decorrência de infrações. Ademais, não restou comprovada existência do prejuízo fiscal a compensar. Divirjo da posição adotada pela DRJ. A jurisprudência administrativa é pacífica no sentido do aproveitamento de ofício, se houver, de saldo de prejuízos fiscais ou bases de cálculo negativas, independente da opção ter sido expressa na declaração de rendimentos. É que a lei não distingue entre o lucro tributável declarado e o apurado em lançamento suplementar, podendo ambos, portanto, serem alvos da compensação de prejuízos fiscais, caso o contribuinte aceite. Neste sentido há ampla jurisprudência administrativa, a exemplo das ementas a seguir trasladadas: COMPENSAÇÃO DE MATÉRIA TRIBUTADA PELA FISCALIZAÇÃO A ação fiscal deve levar em conta, ao proceder o lançamento de ofício, os prejuízos declarados pelo contribuinte, compensandoos. A compensação independe de opção na declaração de rendimentos." (Ac. 1° CC 10177.400/87 Resenha Tributária, Jurisprudência do IR, Vol. 1.21, pág. 50) "PREJUÍZO FISCAL COMPENSAÇÃO DE MATÉRIA TRIBUTADA PELA FISCALIZAÇÃO A determinação de matéria tributável, em procedimento de ofício, impõe, também, o direito ao contribuinte de compensar prejuízos fiscais, de exercícios anteriores, ainda pendentes de compensação na escrituração fiscal." (Ac. 1º CC 103 19820/98) Outrossim, a declaração de rendimentos foi entregue zerada não sendo possível nessa indicar o aproveitamento de prejuízos. Ocorre que o Livro de Apuração do Lucro Real LALUR deveria ter sido apresentado pelo Contribuinte, mas não o foi, o que torna inviável a conferência e auditoria. Ademais, essa análise deve ser primordialmente empreendida pela Auditoria Fiscal, que detém os recursos adequados para esse mister, notadamente o Sistema Sapli que controla esses prejuízos a partir da alimentação das declarações de rendimentos. Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 14041.001334/200894 Resolução n.º 1401000.162 S1C4T1 Fl. 1.252 8 Assim, não há como prosseguir no julgamento do presente processo, eis que os valores de prejuízos fiscais e da base negativa da CSLL devem ser auditados e referendados, de forma que se possa concluir pela sua utilização no presente caso. Do exposto, o presente processo deve seguir para diligência, de forma que os valores dos Prejuízos Fiscais e da Base Negativa da CSLL ainda não compensados, ou seja, passíveis de compensação, a partir de investigação do Sapli e do Lalur, e sejam informados de forma objetiva para o período considerado da autuação. Outrossim, o sujeito passivo pleiteou também a dedução do IRPJ e da CSLL devidos apurados com base na diferença do valor tributável após compensação com o imposto e a contribuição retidos na fonte por órgãos públicos. Uma vez que o processo já vai ser baixado em diligência, aproveitase o ensejo, em nome do princípio da verdade material, para que se abra também a oportunidade de o contribuinte fazer prova dessas retenções que foram demonstradas apenas em planilha na fase impugnatória e que não foi aceita pela DRJ. Se for o caso, apurar o crédito tributário remanescente, após a devida apreciação dos tópicos anteriores. Ao fim, elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas. Entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10726.000398/2004-94
Data da sessão: Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2009
Ementa: REGIMES ADUANEIROS
Data do fato gerador: 15/02/2001
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. REGIME DE ADMISSÃO
TEMPORÁRIA. TRANSFERÊNCIA NÃO AUTORIZADA. SUJEIÇÃO PASSIVA.
A relação jurídica tributária constituída com a importação de bens se estabelece entre o importador - sujeito que pratica a ação prevista no verbo do critério material da hipótese de incidência - e a União - sujeito de direito público que recebeu a outorga da competência tributária constitucional. O regime especial de admissão temporária vinculada a tal importação, implica esses sujeitos, e não outros, acerca da suspensão dos impostos bem como acerca da exigência desses impostos suspensos no caso de inadimplemento do regime como é o caso de transferência a terceiros sem a expressa autorização da autoridade fiscal.
O Terceiro que utiliza o bem objeto de regime de admissão temporária, ainda que sem a expressa autorização da autoridade fiscal, não pode figurar como sujeito passivo da obrigação tributária correspondente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3101-000.277
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
dt_index_tdt : Sat Mar 19 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 200910
ementa_s : REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 15/02/2001 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. REGIME DE ADMISSÃO TEMPORÁRIA. TRANSFERÊNCIA NÃO AUTORIZADA. SUJEIÇÃO PASSIVA. A relação jurídica tributária constituída com a importação de bens se estabelece entre o importador - sujeito que pratica a ação prevista no verbo do critério material da hipótese de incidência - e a União - sujeito de direito público que recebeu a outorga da competência tributária constitucional. O regime especial de admissão temporária vinculada a tal importação, implica esses sujeitos, e não outros, acerca da suspensão dos impostos bem como acerca da exigência desses impostos suspensos no caso de inadimplemento do regime como é o caso de transferência a terceiros sem a expressa autorização da autoridade fiscal. O Terceiro que utiliza o bem objeto de regime de admissão temporária, ainda que sem a expressa autorização da autoridade fiscal, não pode figurar como sujeito passivo da obrigação tributária correspondente. Recurso Voluntário Negado.
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2009
numero_processo_s : 10726.000398/2004-94
anomes_publicacao_s : 200910
conteudo_id_s : 5646560
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 3101-000.277
nome_arquivo_s : 310100277_107726000398200494_006.pdf
ano_publicacao_s : 2009
nome_relator_s : LUIZ ROBERTO DOMINGO
nome_arquivo_pdf_s : 10726000398200494_5646560.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2009
id : 4732841
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 19 09:55:56 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; xmp:CreatorTool: Xerox WorkCentre 5755; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2014-03-28T14:46:00Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:docinfo:creator_tool: Xerox WorkCentre 5755; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: false; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2014-03-28T14:46:00Z; created: 2014-03-28T14:46:00Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2014-03-28T14:46:00Z; pdf:charsPerPage: 0; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Xerox WorkCentre 5755; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Xerox WorkCentre 5755; pdf:docinfo:created: 2014-03-28T14:46:00Z | Conteúdo =>
_version_ : 1727721675677499392
score : 1.0
Numero do processo: 10680.933179/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1401-000.343
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o processo em diligência
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 19 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10680.933179/2009-71
conteudo_id_s : 5518685
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 1401-000.343
nome_arquivo_s : Decisao_10680933179200971.pdf
nome_relator_s : MAURICIO PEREIRA FARO
nome_arquivo_pdf_s : 10680933179200971_5518685.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o processo em diligência
dt_sessao_tdt : Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
id : 6120213
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 19 09:56:05 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1727721675680645120
conteudo_txt : Metadados => date: 2015-09-04T13:13:29Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 1401000343_10680933179200971_201503 Cemig; xmp:CreatorTool: PDFCreator Version 1.4.2; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: 77820304120; dcterms:created: 2015-09-04T13:13:29Z; Last-Modified: 2015-09-04T13:13:29Z; dcterms:modified: 2015-09-04T13:13:29Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 1401000343_10680933179200971_201503 Cemig; xmpMM:DocumentID: uuid:3c49431c-5562-11e5-0000-45365753ed9f; Last-Save-Date: 2015-09-04T13:13:29Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDFCreator Version 1.4.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2015-09-04T13:13:29Z; meta:save-date: 2015-09-04T13:13:29Z; pdf:encrypted: true; dc:title: 1401000343_10680933179200971_201503 Cemig; modified: 2015-09-04T13:13:29Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: 77820304120; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: 77820304120; meta:author: 77820304120; dc:subject: ; meta:creation-date: 2015-09-04T13:13:29Z; created: 2015-09-04T13:13:29Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2015-09-04T13:13:29Z; pdf:charsPerPage: 1857; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: 77820304120; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-09-04T13:13:29Z | Conteúdo => S1-C4T1 Fl. 161 1 160 S1-C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.933179/2009-71 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1401-000.343 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 24 de março de 2015 Assunto PER/DCOMP - DILIGÊNCIA Recorrente COMPANHIA ENERGÉTICA DE MINAS GERAIS - CEMIG Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o processo em diligência. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização da Resolução Considerando que o relator à época do Julgamento Mauricio Pereira Faro não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura como Presidente e Redator responsável pela formalização da resolução. Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e André Mendes de Moura (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recurso interposto pelo contribuinte contra acórdão que julgou, improcedente o pedido de compensação. Por bem resumir a questão ora examinada, adoto e transcrevo o relatório do órgão julgador a quo: Fl. 161DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10680.933179/2009-71 Resolução nº 1401-000.343 S1-C4T1 Fl. 162 2 “Trata-se de Declaração de Compensação (DCOMP), mediante utilização de pretenso "Pagamento Indevido/a Maior" no valor de R$ 2.519.864,93. A análise do documento protocolizado pelo contribuinte foi efetuada pela DRF através do Despacho Decisório n° 848544443 anexado à fl. 34, exarado aos 07/10/2009, que: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratar-se de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o Saldo Negativo de IRPJ ou CSLL do período." Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170 da Lei n" 5.172, de 1966 ( CTN), art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005 e art. 74 da Lei n" 9.430, de 1996. Tendo em vista as razões acima expendidas, a DRF NÃO HOMOLOGA a compensação declarada pelo contribuinte na DCOMP identificada no item 2. O contribuinte foi cientificado do procedimento aos 20/10/2009, conforme documento à fl. 60. Irresignado, o contribuinte apresenta em 18/11/2009 a manifestação de inconformidade anexada às fls. 01 a 09, onde, em síntese, argumenta: A tempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade. Informa que apurou a CSLL-Estimativa Mensal no mês de abril/2005 no montante de R$ 2.519.864,93, informou o valor apurado em DCTF e efetuou o recolhimento da importância correspondente. Acrescenta que, posteriormente, constatou erro na apuração do valor da CSLL (estimativa mensal) para o período, e "acabou por encontrar prejuízo', "gerando o recolhimento indevido de todo o montante anteriormente recolhido no valor de R52.5I9.864.93 ".(grifo e negrito do original) A DCTF originalmente apresentada foi retificada e os valores apurados como devidos estão em conformidade com as informações prestadem DIM. O indébito apurado foi utilizado em compensações de débito declaradas em DCOMP. autoridade fiscal Não Homologou a compensação declarada, exigindo do contribuinte o principal, multa e juros referentes ao débito compensado. "Todavia, a Requerente demonstrará ser totalmente ilegal a cobrança do saldo devedor acima referido, pleiteando pela homologação das compensações declaradas e a anulação do despacho decisório (...)". Tendo em vista a motivação apresentada pela DRF argumenta que "o entendimento da autoridade fiscal destoa do entendimento do Conselho de Contribuintes sobre o assunto, não atendendo aos ditames da Lei n" 9.430, de 1990. Invoca os arts. 2° e 74 da Lei n° 9.430, de 1996 para alegar que "não há qualquer impedimento legal à compensação pleiteada". Afirma que a única restrição existente está prevista no art. 10 da IN SRF n" 600, de 2005. Ilustra com acórdãos e voto do Conselho de Contribuintes. Argumenta que "a Requerente efetuou recolhimento antecipado de IRPJ e, em função de ter constatado erro na apuração da base de cálculo mensal, apurou Fl. 162DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10680.933179/2009-71 Resolução nº 1401-000.343 S1-C4T1 Fl. 163 3 antecipação superior à que seria efetivamente devida dentro do próprio mês." Informa a retificação da DCTF, "tornando perfeitamente identificável o mês de geração do indébito tributário". Ressalta que a Instrução Normativa n° 900, de 2008, que revogou a IN SRF n° 600, de 2005 revogou "a hipótese de vedação à compensação dentro do próprio ano, o que demonstra uma mudança de entendimento dentro da própria RFB, em relação ao tema objeto da presente impugnação". Em outra linha argumentativa, o manifestante "requer que seja preservado o direito à restituição do indébito tributário, tendo em vista que a Declaração de Compensação e a presente impugnação, tempestivamente apresentada, são provas do cumprimento do prazo prescricional de 05 (cinco) anos previsto no art. 168 do CTN". Destaca ainda que "na hipótese de o despacho decisório em epigrafe não for reformado, considera-se resguardado o seu direito de contestação na esfera judicial em até dois anos contados da decisão administrativa que denegar a compensação, por força do art. 169 do Código Tributário Nacional". Por fim, requer o acolhimento da manifestação de inconformidade para reformar o Despacho Decisório prolatado pela DRF e a homologação da compensação, além da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Diante da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, o processo foi encaminhado a esta DRJ para manifestação acerca da lide (fl.61). É o relatório.” Em face de tais argumentos, entendeu a 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade, considerar improcedente a manifestação de inconformidade para rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito não homologar a compensação em litígio neste processo, nos seguintes termos:: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Data do fato gerador: 31/05/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. COMPENSAÇÃO - PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA As estimativas mensais, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da lei não se caracterizam, de imediato, como tributo indevido ou a maior passível de restituição/compensação. A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a apuração do possível indébito, quando ocorre a efetiva apuração do imposto devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Em face do referido acórdão de Primeira Instância a CEMIG DISTRIBUIÇÃO S.A., interpôs Recurso Voluntário. É o Relatório. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10680.933179/2009-71 Resolução nº 1401-000.343 S1-C4T1 Fl. 164 4 VOTO Conselheiro André Mendes de Moura, Redator para Formalização do Voto Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, e tendo em vista que o relator originário do processo não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontro-me na posição de Redator, nos termos dos arts. 17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pelo Conselheiro durante a sessão de julgamento. A seguir, a transcrição do voto. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizá-lo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Ainda, o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional 1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170-A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto- Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10680.933179/2009-71 Resolução nº 1401-000.343 S1-C4T1 Fl. 165 5 suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental pré-constituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientando-se pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório pela legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou a CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ ou de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do ano-calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza3. A partir de 30.11.2009, foi expressamente afastada a vedação de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL, para fins de compensação com débitos tributários, cuja matéria é tratada em sede de norma complementar. Sobre a retroatividade de seus efeitos, vale ressaltar que a legislação tributária abrange as normas complementares que incluem os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas superiores, necessários à perfeita execução das leis. Como têm caráter meramente elucidativo e explicitador, apresentam nítida feição interpretativa, podendo operar efeitos retroativos para atingir fatos anteriores ao seu advento. Assim, em relação à compensação tributária, tem-se que o permissivo regulamentar de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL alcança o Per/DComp formalizado antes da sua vigência4. O pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada, pode ser analisado, uma vez que o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa pode caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”, desde que comprovado erro, em conformidade com a Súmula CARF nº 84. 3 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 4 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170-A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto- Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional, Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10680.933179/2009-71 Resolução nº 1401-000.343 S1-C4T1 Fl. 166 6 A Unidade de origem afastou a possibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito e assim não foi analisada a efetiva existência do direito creditório pleiteado. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação5. Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento da Per/DComp, cujo pretenso direito creditório se refere ao pagamento de estimativa em valor indevido, impõe, pois, o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Também devem ser examinados conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso6. Analisando o que foi anteriormente exposto, verifica-se que a decisão recorrida absteve-se de verificar a existência do suposto pagamento a maior efetuado pela contribuinte a título de recolhimento de estimativa sob o argumento que as estimativas mensais, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da lei não se caracterizam, de imediato, como tributo indevido ou a maior passível de restituição/compensação. Em assim sucedendo e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto por converter o julgamento na realização de diligência para que a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente, considerando a observância ao princípio da verdade material, determinar o retorno do processo para que sejam verificados os seguintes pontos: i) a comprovação da efetividade dos pagamentos que geraram o tributo pago a maior; e ii) requerer a juntada dos documentos necessários a averiguação da base de cálculo da DCTF retificada, a partir do montante comprovado quantificar o direito creditório. A autoridade designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal circunstanciado e conclusivo sobre os fatos averiguados em especial a comprovação da efetividade dos pagamentos que geraram o tributo pago a maior, bem como quantificar o direito creditório. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes à diligência efetuada e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes7 . (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Redator para Formalização do Voto 5 Fundamentação legal: art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012. 6 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto-lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. 7 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000497/2010-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1401-000.129
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 19 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201204
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 15956.000497/2010-24
conteudo_id_s : 5216985
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 1401-000.129
nome_arquivo_s : Decisao_15956000497201024.pdf
nome_relator_s : ANTONIO BEZERRA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 15956000497201024_5216985.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
id : 4566988
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 19 09:55:53 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1727721675708956672
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1290; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 1.456 1 1.455 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15956.000497/201024 Recurso nº 999999 Resolução nº 1401000.129 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 10 de abril de 2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente SÃO MARTINHO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, João Carlos de Figueiredo Neto e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 1456DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15956.000497/201024 Resolução n.º 1401000.129 S1C4T1 Fl. 1.457 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1422.915, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão PretoSP. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos, foram apuradas, no ano calendário de 2005, as seguintes infrações: 1) Redução indevida do lucro real. em virtude da exclusão não autorizada pela legislação de valores do lucro líquido do exercício; 2) redução indevida do lucro real, em virtude da exclusão do lucro líquido das parcelas relativas à depreciação incentivadaatividade rural, sem que fossem observados os requisitos legais; 3) Falta de pagamento, nos meses de setembro a dezembro de 2005, do IRPJ e CSLL sobre a base de cálculo estimada em função de balanços de suspensão/redução. Foram lavrados os seguintes autos de infração: 1 Imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ) fls. 2 a 11. Imposto: R$4.846.138,50 Juros de mora: R$2.483.161,36 Multa Proporcional: R$ 3.634.603,87 Multa Isolada: R$ 1.271.381,74 Total: R$ 12.235.285,47 Enquadramento legal do imposto: Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, (Regulamento do Imposto de Renda RIR, de 1999), arts. 221, 222, 230, 247. 248, 250, 305, 307, 313. 314 e 843; Lei n° 8.023, de 2000. art. 2o; Lei n° 9.430, de 1996, art. 44, § Io, alterado pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 2007, c/c art. 106, II, c da Lei n° 5.172, de 1966. 2 Contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) fls. 12 a 20: Contribuição: R$1.753.249,86 Juros de mora: R$ 898.365,22 Multa Proporcional: R$ 1.314.937.39 Multa Isolada: R$483.678,60 Total: R$4.450.231,07 Enquadramento legal da contribuição: Lei n° 7.689. de 15 de dezembro de 1988. art. 2o e §§; Lei n° 9.249, de 1995. art. 20; Lei n° 9.430, de 1996, arts. Io e 28; Lei n° Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15956.000497/201024 Resolução n.º 1401000.129 S1C4T1 Fl. 1.458 3 8.981, de 1995, arts. 57; Lei n° 9.065, de 1995, art. 16; Lei n° 10.637. de 2002. art. 37; RIR. de 1999, arts. 219, 221. 222, 223, 224, 225, 247, 249, 250.275, 843; Lei n° 9.430, de 1996. art. 44. § Io, alterado pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 2007, c/c art. 106, II, c da Lei n° 5.172. de 1966. Notificada do lançamento a contribuinte, representada pelo procurador Elias Eduardo Rosa Georges (fls. 1166, 1168 a 1187). ingressou, em 28/10/2010, com a impugnação de fls. 1128 a 1165, alegando: • O lançamento deve ser cancelado em relação ao período de janeiro a agosto de 2005, uma vez que, nos termos do art. 150, § 4o do Código Tributário Nacional (CTN), operouse a decadência. A existência ou não do pagamento antecipado não tem o condão de deslocar a regra de decadência do art. 150, § 4o, para o art. 173, 1, do CTN. O próprio art. 150 não condiciona a homologação ao fato de se verificar ou não o pagamento antecipado do tributo; • Foram glosadas despesas relativas a pagamentos de juros de empréstimos bancários pagos no bojo do Programa Especial de Saneamento de Ativos Pesa, criado pela Lei n° 9.138/95, por meio do qual os produtores rurais que possuíssem dívidas oriundas de crédito rural poderiam efetuar a securitização dessas dívidas mediante a aquisição de Certificados do Tesouro Nacional. Tais títulos eram adquiridos por um valor bastante inferior ao saldo devedor, mas com a previsão de serem atualizados com base em um determinado índice durante um tempo fixado (20 anos) até atingirem o valor do saldo da dívida que estava sendo renegociada. A atualização dos referidos títulos era utilizada para abater a atualização da dívida contraída entre o devedor e a instituição financeira credora, reduzindo os valores que iam sendo pagos pelo devedor a título de encargos decorrentes da dívida. Assim, deduziu a diferença entre o valor a maior da atualização da sua dívida e o valor decorrente da atualização dos títulos do Tesouro Nacional adquiridos, o que é permitido pelos arts. 299 e 374 do RIR, de 1999. Se fosse desconsiderada a existência dos referidos títulos teria sido deduzido um valor maior na apuração do lucro real. correspondente ao valor integral dos juros previstos nos contratos de empréstimos; • Com relação à depreciação acelerada incentivada, a Medida Provisória (MP) n° 2.15970, de 2001, art. 6o, apenas impõe como condição para o aproveitamento do benefício fiscal que a pessoa jurídica utilize, na atividade rural, o bem a ser depreciado;^ • A Instrução Normativa (IN) SRF n° 257, de 2002. ao regulamentar a Lei n° 8.023, de 1990, extrapolou o citado diploma, ao prever que "a pessoa jurídica rural que explorar outras atividades deverá segregar, contabilmente, as receitas, os custos e as despesas referentes à atividade rural das demais atividades...''. O art. 314 do RIR. de 1999, não restringiu o benefício da depreciação acelerada incentivada apenas para as empresas que desempenham exclusivamente atividades rurais; • A cana de açúcar é considerada uma cultura permanente, já que proporciona mais de uma colheita sem a necessidade de novo plantio, recebendo somente tratos culturais no intervalo entre as colheitas. Uma vez que o ciclo da cana de açúcar envolve até 5 cortes ou colheitas, sua vida útil ultrapassa um ano. sendo justificável o registro dos dispêndios com a sua formação em conta do ativo imobilizado. De forma simplificada e nos termos do art. 183, § 2o, da Lei n° 6.404, de 1976, na depreciação a diminuição do valor econômico decorre do desgaste, sem que ocorra a extinção física do ativo, e na exaustão a diminuição do valor decorre do esgotamento do ativo, ensejando o seu desaparecimento. Dessa forma, não resta dúvida de que a cultura da cana de açúcar fica sujeita à sistemática de depreciação (e não de exaustão), por Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15956.000497/201024 Resolução n.º 1401000.129 S1C4T1 Fl. 1.459 4 essencialmente não se consumir durante o seu ciclo, já que é a partir das touceiras que brotam os colmos (canas) e essas permanecem no solo a cada colheita; • O cultivo da cana de açúcar deve ser equiparado à cultura da laranja, café e cacau. Embora a cana não seja tecnicamente um fruto, a parte subterrânea do canavial (touceira) permite, após a colheita, que novos colmos (canas) brotem, cresçam e atinjam o tamanho adequado para outro corte. Embora apresente rendimento decrescente ao longo de várias colheitas de cana, não se exaure nem se esgota, não podendo ser equiparada à atividade florestal ou à exploração de jazidas minerais, que são sujeitas à exaustão; • Nulidade do auto de infração pela ausência de recomposição da apuração do 1RPJ e CSLL relativamente ao próprio exercício a que se refere a autuação, como também quanto aos exercícios subseqüentes. Deveria ter sido considerado como dedutível parcela do valor por ela excluído, correspondente à depreciação normal ou à quota de exaustão aplicável, no próprio exercício da autuação e nos seguintes; • A multa isolada exigida é ilegal, pelo fato de inexistir à época da ocorrência dos fatos qualquer previsão normativa que autorizasse a sua aplicação. Somente a Lei n° 9.430, de 1996, art. 44, previa a aplicação da multa de ofício de 75% pela falta de recolhimento do tributo ou da multa isolada de 150%, que era aplicada apenas em caso de fraude. Assim, a multa isolada objeto do presente auto de infração somente passou a ser exigida no art 44 da Lei n° 9.430, de 1996, com o advento da Lei n° 11.488, de 2007, art. 14. Ao aplicar a referida multa a fatos geradores anteriores a sua vigência, o Fisco está promovendo uma retroação da lei, o que só é admitido no Direito Tributário quando beneficiar o contribuinte, nos termos do art. 106. II, "c'\ do CTN; • E completamente inadequada a aplicação da multa isolada em cumulação com a multa de ofício sobre a mesma infração; • E flagrante a desproporcionalidade entre a suposta infração cometida e a multa cominada, de modo que fica evidente o fito confiscatório da multa de 125% (75% + 50%) imputada na autuação. Solicitou a juntada posterior de documentos, bem assim a produção de todas as provas em direito admitidas. Requereu que as intimações referentes ao presente processo sejam feitas somente cm nome de seus patronos Dr. Rodrigo Maito Silveira e Dr. José Roberto Martinez de Lima. no seguinte endereço: Avenida Paulista. n° 1294, 8o andar, CEP 01310100, município de São Paulo. SP. E o relatório. A DRJ, por unanimidade de votos, MANTEVE o lançamento, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 EXCLUSÃO INDEVIDA. LUCRO REAL. Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15956.000497/201024 Resolução n.º 1401000.129 S1C4T1 Fl. 1.460 5 Somente se admite a exclusão do lucro líquido, na determinação do lucro real, dos valores cuja dedução seja autorizada pela legislação e que não tenham sido computados na apuração do lucro líquido do período de apuração, bem assim dos resultados e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido que não sejam computados no lucro real. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. CANADE AÇÚCAR. EXAUSTÃO. DEPRECIAÇÃO. Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira estão sujeitos a exaustão e não a depreciação, de modo que não se aplica a depreciação integral prevista no art. 6o da Medida Provisória n° 2.15970, de 2001. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECADÊNCIA. IRPJ. CSLL. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extinguese no prazo de 5 (cinco) anos, contados do fato gerador, no caso de haver pagamento antecipado do tributo, caso contrário o prazo é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar arguição de inconstitucionalidade de lei. MULTA DE OFÍCIO. O lançamento decorrente de procedimento fiscal implica a exigência de multa de ofício, cujo percentual é fixado em lei. MULTA ISOLADA. A falta de recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada por empresa que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada, de que trata o inciso IV do § Io do art. 44 da Lei n° 9.430/96. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. NULIDADE. Tratandose de auto de infração lavrado por pessoa competente, não tendo havido preterição do direito de defesa da contribuinte e não tendo sido feridos os artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235/72, não cabe o acatamento da preliminar de nulidade. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15956.000497/201024 Resolução n.º 1401000.129 S1C4T1 Fl. 1.461 6 Ajuntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicílio fiscal eleito por ele. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15956.000497/201024 Resolução n.º 1401000.129 S1C4T1 Fl. 1.462 7 VOTO Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Delimitação da Diligência A diligência circunscrevese à glosa de valores pretensamente pagos a título de juros (Redução indevida do lucro real. em virtude da exclusão não autorizada pela legislação de valores do lucro líquido do exercício). O PESA é um programa cujo agente financeiro é o BB, permitindo ao agricultor trocar Títulos da União parte da dívida agrícola que tem com o banco referente a antigos financiamentos. Tais títulos tem prazo de resgate de até 20 anos, corrigidos por índices oficiais e juros. O agricultor pode usar esses títulos para quitar suas dívidas junto ao BB, que os carrega até o vencimento recebendo os juros. Assim justificou a Recorrente essa exclusão: Com base na Resolução n° 2471/98 do Banco Central do Brasil e outros diplomas legais vigentes, a Sociedade securitizou em 1998, 1999 e 2000 a dívida assegurada junto às instituições financeiras, através de aquisição, no mercado secundário, de Certificados do Tesouro Nacional CTN, como garantia de moeda de pagamento do valor do principal da dívida. Os financiamentos securitizados estarão automaticamente quitados nos seus vencimentos mediante o resgate dos Certificados do Tesouro Nacional, que se encontram custodiados pelas instituições financeiras credoras. Referidos certificados não são comercializáveis e destinamse exclusivamente à liquidação desta dívida. O desembolso da sociedade durante os 20 anos de vigência desta securitização limitase ao pagamento anual de montantes equivalentes à aplicação de percentuais variáveis entre 3,9% e 4,96% ao ano sobre o valor securitizado, atualizado monetariamente pelo IGPM, limitado a 9,5% ao ano até a data do pagamento anual. Esta obrigação foi registrada nas demonstrações financeiras de acordo com o valor destes desembolsos futuros. Em seu recurso, complementa: Em 26 de fevereiro de 1998, o Banco Central editou a Resolução n° 2.471, que possibilitou a diversas empresas do setor agrícola brasileiro renegociar suas dívidas decorrentes de operações de crédito rural com as instituições financeiras credoras, condicionando esta renegociação à securítização da dívida por meio de aquisição, por parte das empresas devedoras, de CTNs, que deveriam ser entregues às instituições financeiras credoras em garantia de pagamento do valor do principal das dívidas. A renegociação das dívidas envolveu, basicamente: (i) a formatação de prazo de vinte anos para reembolso do principal das dívidas; (ii) a denominação do IGPM como indexador do principal da dívida; (iii) a determinação dos encargos da dívida, a partir da renegociação, em juros de 8% a 10% ao ano, conforme o valor do débito apurado, para pagamento anual; (iv) a constituição de garantia ao pagamento do principal através da cessão dos CTNs; e (v) a determinação da forma de pagamento do principal, em uma única parcela, mediante resgate dos títulos oferecidos em garantia. Esta renegociação recebeu o nome de PESA Programa Especial de Saneamento de Ativos. Na adesão ao PESA, a subscrição dos CTNs, emitidos com valor nominal idêntico ao montante das Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15956.000497/201024 Resolução n.º 1401000.129 S1C4T1 Fl. 1.463 8 dívidas renegociadas, foi realizada considerandose a taxa de desconto de 12% ao ano em relação ao prazo de vinte anos. Desta forma, os títulos foram adquiridos efetivamente por 10,3667% de seu valor de face, que também é corrigido pela variação do IGPM. Posteriormente, em 31 de julho de 2003, o Banco Central editou a Resolução n° 3.114, que autorizou a aplicação de um bônus de 5 pontos percentuais sobre as taxas de juros das operações renegociadas no âmbito do PESA, o que reduziu efetivamente os juros a serem pagos anualmente para taxas de 3 a 5% ao ano, conforme o valor das dívidas. Aderimos ao PESA entre 1998 e 2000, com o objetivo de quitar nossas dívidas entre 2018 e 2020. Pelo fato de os CTNs terem o mesmo valor nominal que o saldo devedor da dívida renegociada até o prazo final, não será necessário contrairmos outras dívidas para amortizar a dívida do PESA. Conseqüentemente, no prazo de 20 anos, o nosso fluxo de saída de caixa anual estará limitado entre 3,0% e 4,96% sobre o valor da dívida refinanciada, ajustado pelo IGPM. O valor das obrigações em aberto nos termos do PESA [...] reflete o montante da saída do fluxo de caixa futura, ou seja, o fluxo futuro de juros nominal que deveria ser pago na data zero de referência. Nesse sentido, resta evidente que a Recorrente possuía uma dívida necessária ao desempenho de suas atividades. Para comprovar o valor da despesa necessária que foi excluída na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSL, segue adiante a atualização das dívidas, bem como dos CTNs no ano de 2005 Segundo a fiscalização: O montante excluído na apuração do Lucro Real do Exercício decorre da divergência entre o resultado contábil apurado com base no conceito de "essência" da securitização versus o resultado fiscal apurado com base nos índices de atualização determinados nos respectivos contratos de financiamento decorrentes de créditos rurais". 17 Controle de Adição / Exclusão PESA do período de 2004 e 2005. Considerando os documentos apresentados, intimamos a fiscalizada, por meio do termo de intimação fiscal n° SC 599/20091 a explicar, sinteticamente, cada lançamento correspondente aos Financiamentos Securitizados que redundaram na exclusão do valor de R$ 1.736.199,47 da apuração do Lucro Real, no cálculo do IRPJ no anocalendário de 2005. Foi solicitada, ainda, a apresentar a base legal utilizada para a exclusão do Lucro Real do Cálculo do IRPJ no anocalendário de 2005. Em resposta à intimação foram apresentados: 1 Demonstrativo de saldos das contas contábeis utilizadas na apuração dos valores excluídos na carga tributária Financiamento Securitizados e 2 Controle de Adição / Exclusão PESA, este último já apresentado anteriormente. No controle de Adição/Exclusão PESA, é possível constatar que o valor proveniente das adições foi calculado levando em consideração o saldo atualizado da dívida conforme contrato, o valor da Cédula do Tesouro Nacional, bem como o valor da "essência". Não é possível constatar, no entanto, os motivos da exclusão efetuada pela fiscalizada, mês a mês. Nesta oportunidade, não houve apresentação da base legal utilizada pela fiscalizada para efetuar as exclusões, nem os lançamentos correspondentes aos Financiamentos Securitizados, conforme solicitado no termo de intimação fiscal. Posteriormente, foi apresentado demonstrativo de saldos das contas contábeis utilizadas na apuração dos valores excluídos na carga tributária Financiamentos Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15956.000497/201024 Resolução n.º 1401000.129 S1C4T1 Fl. 1.464 9 Securitizados onde se explicita detalhadamente a que se refere cada conta utilizada' para apuração da exclusão. (...) Embora tenham sido apresentados os contratos de renegociação das dividas agrícolas, bem como o modo como foram calculadas as exclusões mês a mês, não restou claro o motivo, tampouco a base legal, pelo qual os valores foram excluídos do lucro real, sendo que esta fiscalização decidiu pela glosa de tais valores excluídos da apuração do Lucro Real no anocalendário de 2005. A Recorrente, por sua vez, assevera que a base legal seria o art. 299 e 374, ambos do RIR/99, pois tratarseia de despesas financeiras de” juros pagos em decorrência de empréstimos contraídos junto a instituições financeiras, com o objetivo de incrementar as atividades contempladas no objeto social da Recorrente”. . No intuito de comprovar a despesa financeira, traz tabela com a atualização das dívidas, dos CTNs no ano de 2005 e o valor a ser excluído da base de cálculo do IRPJ e CSLL: SÃO MARTINHO S/A MOVIMENTAÇÃO FINANCIAMENTOS SECURITIZADOS E CERTIFICADOS DO TESOURO NACIONAL 2004 2005 Banco Contrato Saldo atualizado considerando pagamentos de anos anteriores Pagtos Encargos Saldo B.Brasil 21600759 32.841.822 (782.301) 1.184.422 33.243.944 Bradesco 9880000 • 2.746.777 (81.686) 115.287 2.780.378 Bradesco 9700032 15.971.165 (601.916) 797.212 16.166.461 Bradesco 9700033 3.884.394 (126.433) 173.944 3.931.905 Bradesco 2304 1 6.073.821 (218.281) 292.456 6.147.997 Bradesco 5101 7 10.082.995 (376.428) 499.550 10.206.117 Bradesco 99.05.002 10.700.324 (401.132) 531.790 10.830.982 Bradesco 287.313 3 2.890.210 (92.635) 127.944 2.925.518 Itau 519 00012800 8 3.755.703 (125.202) 171.097 3.801.599 Itau 519 00012600 2 5.906.267 (211.024) 283.187 5.978.430 Total Financiamento (1) 94.853.480 (3.017.037) 4.176.888 96.013.332 B.Brasil CTN2020BR (5.670.506) (758.270) (6.428.776) Bradesco CTN2018 (4.749.179) (635.069) (5.384.248) Bradesco CTN2020 (5.092.794) (681.100) (5.773.894) Itau CTN2019 (1.844.336) (246.628) (2.090.964) Total CTN (2) (17.356.815) (2.321.066) (19.677.882) Despesa necessária líquida (12) = 3 77.496.665 (3.017.037) 1.855.822 76.335.450 Ajuste Valor Presente do fluxo de caixa (4) (116.622) Total excluído no Lucro Real e Base de cálculo da CSL (3+4) 1.739.200 Dessa forma, em respeito ao princípio da verdade material orientador do Processo Administrativo Fiscal, e ante a dúvidas quanto à natureza da glosa, proponho baixar o feito em diligência: Para que a fiscalização investigue melhor e esclareça a seguinte assertiva “divergência entre o resultado contábil apurado com base no conceito de ‘essência’ da Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15956.000497/201024 Resolução n.º 1401000.129 S1C4T1 Fl. 1.465 10 securitização versus o resultado fiscal apurado com base nos índices de atualização determinados nos respectivos contratos de financiamento decorrentes de créditos rurais” Intimar o contribuinte a demonstrar detalhadamente como se dá a contabilização dessa equalização de forma a melhor entender a operação. Verificar a adição alegada em ano anterior que segundo a Recorrente, relacionarseia a essa exclusão. Calcular qual seria o valor da depreciação/exaustão normal no próprio ano calendário de 2005, sem considerar a depreciação acelerada. (VERIFICAR MELHOR REDAÇÃO) Verificar por amostragem se os valores da Tabela acima são verossímeis e condizentes com os contratos e a contabilidade, solicitando ao Contribuinte, se for o caso, detalhar e explicar melhor de forma individual e analítica a formação da Tabela Acima. Para efeito de aplicação da decadência, verificar se houve ou não pagamentos dos tributos dentro dos fatos geradores, conforme afirmado pela Recorrente em seu Recurso. Ao fim, elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas no sentido de avaliar a real natureza dessa exclusão. Entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este Conselho para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10865.003727/2007-15
Data da sessão: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1402-000.080
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes momentaneamente, os Conselheiros Leonardo Henrique Magalhães
de Oliveira e Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento, o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 19 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201108
numero_processo_s : 10865.003727/2007-15
conteudo_id_s : 6576944
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 1402-000.080
nome_arquivo_s : Decisao_10865003727200715.pdf
nome_relator_s : ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10865003727200715_6576944.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes momentaneamente, os Conselheiros Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento, o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro.
dt_sessao_tdt : Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2011
id : 9239000
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 19 09:56:22 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1727721675782356992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1430; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 0 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.003727/200715 Recurso nº Voluntário Resolução nº 140200.080 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 5 de agosto de 2011 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente TRW AUTOMOTIVE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes momentaneamente, os Conselheiros Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento, o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 951DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10865.003727/200715 Resolução n.º 140200.080 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório TRW AUTOMOTIVE LTDA com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que deferiu em parte seu pleito. Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de declarações de compensação eletrônicas, abaixo relacionadas, com utilização do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003, no valor de R$ 15.021.920,52, cujo direito creditório foi reconhecido parcialmente, no valor de R$ 7.749.422,70, por meio do despacho decisório de folhas 306/313. (...) A interessada foi cientificada em 30/12/2008 (fls. 337) e apresentou manifestação de inconformidade em 29/01/2009 (fls. 338/366), alegando em síntese: que as estimativas de janeiro, março, maio, junho, julho, agosto, setembro, outubro e novembro que são objeto de compensação não homologada em outros processos, ainda estão pendentes de decisão do recurso e que em caso de manutenção da decisão de não homologação, a estimativa será cobrada naquele processo; que a parcela da estimativa de junho, no valor de R$ 30.353,14 não foi confirmada em virtude da dcomp 15169.67130.250505.1.3.013040 não ter sido analisada e o contribuinte não pode ser prejudicado pela inércia da administração pública. que o despacho esqueceu de considerar a compensação de 303.317,51 relativa a estimativa de outubro, por meio da dcomp 21738.41282.290104.1.3.044304, já homologada no processo 10865.000626/200431; que em relação a estimativa de outubro “ o valor constante da DCOMP retificadora, e que fora admitida, encontrase equivocado tratandose, sem dúvida, de erro de fato(falha de digitação), e será objeto de pedido de revisão de débito a ser apresentado pela contribuinte nos autos do processo 10865.000627/200567 para que conste o valor efetivamente devido, ou seja, R$ 457.723,23”; que, em relação a estimativa de novembro, o despacho esqueceu de considerar que R$ 202.982,09 foi compensado na DCOMP 20176.93389.270904.1.7.046978 já homologada; “que o despacho simplesmente olvidou considerar que, do total de R$ 1.386.974,54 foi indicado a compensação um valor de R$ 633.141,72 através da DCOMP 40974.41247.290104.1.3.043142 que foi parcialmente homologada, conforme consta do despacho decisório prolatado nos autos do processo 10865.000626/200431”; “ que o r. despacho simplesmente olvidou considerar que, do total de R$ 1.386.974,54 foi indicado a compensação um valor de R$ 205.563,14 através da DCOMP 21738.41282.290104.1.3.044304, que foi parcialmente homologada, conforme consta do despacho decisório prolatado nos autos do processo 10865.000626/200431;” Fl. 952DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10865.003727/200715 Resolução n.º 140200.080 S1C4T2 Fl. 3 3 “ que o r. despacho novamente fez confusão quanto à existência de débitos, uma vez que, o débito indicado a compensação na referida Dcomp retificadora, no valor de R$ 500.300,46 referese a CSLL e não IRPJ”. que o despacho desconsidera o imposto pago pelo contribuinte no exterior, alegando que a documentação não foi traduzida e que junta cópias dos documentos traduzidos. A competência para julgamento do processo foi transferida pela Portaria nº 1036/2010 (fls. 491/494). A decisão recorrida está assim ementada: SALDO NEGATIVO IRPJ. COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVAS. As compensações declaradas, pendentes de decisão administrativa, não gozam dos atributos de certeza e liquidez, exigidos pelo art. 170 CTN. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte No voto condutor do acórdão de primeira instância extraise os seguintes fundamentos: O despacho decisório desconsidera o imposto pago no exterior e parte das estimativas que foram informadas como compensadas. Diante das alegações do contribuinte verificouse o que se segue: 1. Estimativa de janeiro O contribuinte declarou em DCTF (fl. 168) compensação no valor de R$ 397.455,35, sendo que R$ 135.621,57 no processo 10865.000245/200371 e R$ 261.833,78 na perdcomp 24589.81504.270904.1.7.028802. Em relação a compensação da parcela de R$ 135.621,57, o crédito foi analisado no processo 10865.000135/200318 que considerou a compensação não homologada (fls. 206/210). O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade e a DRJ Ribeirão Preto a considerou improcedente por meio de do Acórdão 1426.856 (fls. 496/509). A interessada recolheu o valor conforme demonstra o extrato do processo (fls. 510 ). Em relação a compensação da parcela de R$ 261.833,78, este valor consta do processo nº 10865.000657/200310 e foi considerada não homologada. O contribuinte recorreu e o processo está em julgamento na DRJ Ribeirão Preto (511/513). (...) 3. Estimativa de maio O contribuinte declarou em DCTF (fl. 171) compensação no valor de R$ 1.096.488,92 por meio de do PERDCOMP nº 24589.81504.270904.1.7.028802 que não foi admitida. O débito constava na PERDCOMP nº 32736.59581.290104.1.3.02 1604, embora em valor maior. Verificase que a compensação não foi homologada(fls. 215 a 220). O contribuinte recorreu e o processo nº 10865.000657/200310 está em julgamento na DRJ Ribeirão Preto (fls. 511/513). Fl. 953DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10865.003727/200715 Resolução n.º 140200.080 S1C4T2 Fl. 4 4 4. Estimativa de junho O contribuinte declarou compensação de pagamento indevido ou a maior, no valor de R$ 653.275,88, sendo que R$ 291.661,53 na DCOMP 41101.35396.250505.1304.8025 e R$ 361.614,35 na DCOMP nº 13354.46782.270904.1304.6888. Ambas foram analisadas no processo 10865.000626/200431 e o crédito ali reconhecido não foi suficiente para homologar a compensação dessas parcelas. O contribuinte recorreu e o processo está em julgamento na DRJ Ribeirão Preto (fls. 522/525 ). Declarou também, compensação de R$ 616.757,78, sendo que R$ 30.353,14, no PERDCOMP 15169.67130.250505.1301.3040 e R$ 586.404,64 no PERDCOMP 24589.81504.270904.1702.8802. Conforme fls. 526/527, a PERDCOMP 15169.67130.250505.1301.3040 foi totalmente homologada. Em relação ao valor de R$ 586.404,64 a compensação foi considerada não homologada por meio do processo 10865.000657/200310 (fls. 215/220). O contribuinte recorreu e o processo está em julgamento na DRJ Ribeirão Preto (fls. 511/513). 5. Estimativa de julho O contribuinte declarou em DCTF (fl. 173) compensação no valor de R$ 1.576.853,94, sendo que, parcela de R$ 183.499,47 no PERDCOMP 10239.24715.270904.1701.6980, e parcela de R$ 1.393.354,47 no PER/DCOMP 03222.6174.270307.17011144. O despacho decisório já reconheceu a parcela de R$ 183.499,47. Em relação ao valor de R$ 1.393.354,47, a compensação não foi homologada no processo 10865.900991/200618. O contribuinte recorreu e a DRJ Ribeirão Preto não reconheceu o direito creditório no acórdão nº 1426.855 (fls. 528/541). 6. Estimativa de agosto O contribuinte declarou em DCTF (fl. 174) compensação no valor de R$ 333.592,09 no PERDCOMP 29788.18658.270904.1701.0528 que foi não admitida em virtude da inclusão de novos débitos. A interessada alega na manifestação que o débito foi objeto de compensação na DCOMP 31666.11202.280307.1.3.019000. A compensação não foi homologada no do processo 10865.900991/200618. O contribuinte recorreu e a DRJ Ribeirão Preto manteve a não homologação no acórdão nº 1426.855 (fls. 528/543 ). 7. Estimativa de setembro O contribuinte declarou em DCTF (fl. 175) compensação no valor de R$ 340.667,22, sendo que R$ 164.175,49 por meio da DCOMP nº Fl. 954DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10865.003727/200715 Resolução n.º 140200.080 S1C4T2 Fl. 5 5 31666.11202.280307.1301.9000 e R$ 176.491,73 por meio da DCOMP 00248.55083.271003.1301.7706. O valor de R$ 164.175,49 foi pago no processo nº 10865.900991/200618 conforme extrato fls. 542/541. Em relação a parcela de R$ 176.491,73, a DCOMP não foi homologada no processo nº 10865.000971/200475. O contribuinte recorreu e a DRJ Ribeirão Preto manteve a decisão no acórdão nº 1419801 (fls 586/604). O débito está controlado no processo nº 10865.002436/200611. Verificase que a parcela foi paga, conforme extrato de fl. 544. 8. Estimativa de outubro O contribuinte declarou compensação em DCTF (fl. 176) no valor de R$ 761.040,79, sendo R$ 22.327,86 na DCOMP 29788.18658.270704.1701.0528 e R$ 738.712,93 na DCOMP 19650.71945.131004.1301.0157. A DCOMP 29788.18658.270704.1701.0528 não foi admitida. A DCOMP 19650.71945.131004.1301.0157 foi retificada pela DCOMP 21620.09703.151204.1701.0157 que foi considerada não homologada. A interessada na manifestação de inconformidade alegou que parcela do débito no valor de R$ 303.317,51 foi compensada na DCOMP 21738.41282.290104.1.3.04 4304. De fato verificase que o valor foi compensado no processo 10865.000626/200431, conforme consultas de folhas 522/524 . Alega ainda que a diferença no valor de R$ 457.723,28 foi compensada a maior por meio de da DCOMP 21620.09703.151204.1.7.01.8093 que será objeto de revisão, no processo 10865.000627/200567 e que considerando que R$ 303.317,51 foi compensado na DCOMP 21738.41282.290104.1.3.044304 e que R$ 457.723,28 foi compensado no processo 10865.000627/200567, o débito de R$ 22.327,86 não existe. Analisando as folhas 546/564, verificase que o débito que consta no processo nº 10865.000627/200567 é de R$ 435.395,42 e foi considerado não homologado. O contribuinte recorreu e a DRJ Ribeirão Preto manteve a decisão no acórdão nº 1419.615 (fls. 565/583). Verificase que a parcela de R$ 22.327,86 constava no processo 10865.900991/200618 e segundo o extrato (fls. 542/543) foi pago. Portanto, somandose os valores de R$ 303.317,51, compensado no processo nº 10865.000627/200567, com R$ 22.327,86, pago no processo 10865.900991/2006 18, mais R$ 435.395,42 não homologado no processo 10865.000627/200567, o resultado será R$ 761.040,79 que é aquele informado na DCTF. 9. Estimativa de novembro O contribuinte declarou em DCTF (fls. 177/178) compensação com pagamento indevido no valor de R$ 209.596,00, sendo que R$ 197.083,62 com a DCOMP 03527.37079.270904.1304.1762 e R$ 12.512,44 com a DCOMP 13354.46782.270904.1304.6888. O despacho decisório reconhece o valor de R$ 197.083,62. Fl. 955DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10865.003727/200715 Resolução n.º 140200.080 S1C4T2 Fl. 6 6 A parcela de R$ 12.512,44 foi considerada não homologada no processo nº 10865.000626/200431 (fls. 522/525). O contribuinte recorreu e o processo está pendente de julgamento na DRJ Ribeirão Preto. (...) 10. Das estimativas compensadas Somente podem ser deduzidas na apuração do IRPJ devido no encerramento do período as estimativas que tenham sido efetivamente extintas. As compensações declaradas, pendentes de decisão administrativa, não gozam dos atributos de certeza e liquidez. Assim, não há como se conferir o atributo da certeza e liquidez para a estimativa compensada utilizada para compor o saldo negativo do IRPJ, no anocalendário de 2003, a teor do artigo 170, do Código Tributário Nacional, razão pela qual se impõe a manutenção de parte da glosa das antecipações na apuração do saldo negativo devido. Na hipótese de falta de pagamento ou de compensação considerada não declarada, o valor da estimativa deve ser glosado quando da apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ, devendo ser exigida eventual diferença do IRPJ ou da CSLL a pagar mediante lançamento de ofício, cabendo, ainda, a aplicação da multa isolada pela falta de pagamento da estimativa, e não será cobrada a estimativa. Diante disso, foi efetuada a análise das estimativas nos itens 1 a 9, apurandose os seguintes valores: (...) O contribuinte apresentou a documentação traduzida (fls. 420/423), portanto, deve ser considerado o valor de R$400.916,22. Conclusão VOTO por DAR PROVIMENTO PARCIAL À MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE da interessada, para reconhecer o direito creditório adicional no valor de R$ 1.941.867,19 (Hum milhão, novecentos e quarenta e um mil reais, oitocentos e sessenta e sete reais e dezenove centavos) e homologar as demais compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. (Grifei) Cientificada da aludida decisão em 16/03/2011, fl. 828, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 15/04/2011, fls 829 e seguintes, no qual repisa as alegações da peça impugnatória e contesta as conclusões do acórdão recorrido, ao final, requer (verbis): (...) Percebese, portanto, que a discussão acerca da quitação do imposto devido nas estimativas cingese a três pontos: As compensações efetuadas com o Saldo negativo de 2002, cujo crédito está sendo discutido no Processo 10865.000657/200310; As compensações efetuadas com pagamento indevido ou a maior das estimativas de 2003, controladas no Processo 10865.000626/200431; As compensações efetuadas com crédito de IPI ao 2o Trimestre de 2003, controladas no Processo 10865.900991/200618. Fl. 956DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10865.003727/200715 Resolução n.º 140200.080 S1C4T2 Fl. 7 7 Além disso, houve quitação de alguns débitos nos anos anteriores a 2010 e que não foram reconhecidas no v. acórdão. (...) Finalmente, no que s e refere à parcela de julho/2003, no valor de R$ 1.393.354,46, não menciona o Acórdão que quanto à decisão da DRJ que manteve o não reconhecimento do crédito, foi interposto Recurso Voluntário com Pedido de Conversão em diligência nos autos do Processo 10865.900991/200618 (doc.33) para que a administração apure que o crédito naquele processo é legítimo e decorre do aproveitamento regular de crédito de IPI e de pagamento indevido e a maior, conforme de observa da respectiva petição de Recurso. Tecidas essas considerações, têmse, também que a análise do crédito decorrente do saldo negativo de 2003 dever ser considerada conforme o Quadro Explicativo Anexo III. (...) Tecidas as considerações acima, verificase indispensável a conversão do julgamento em diligência para que o fisco possa realizar o trabalho de alocação dos débitos pago e das homologações recentes, de forma a rever a composição do saldo negativo dos anos de 2001, 2002 e 2003, a fim de homologar as compensações com os créditos deles decorrentes, sob pena de não o fazendo, incorrer em enriquecimento ilícito em detrimento do contribuinte. Requer, outrossim, que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, e, ao final, seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário, uma vez que confirmados todos os créditos de saldo negativo dos anos mencionados, ficando, portanto, validado o saldo negativo do ano de 2003 que gerou o crédito discutido no presente processo. (Grifei) É o relatório. Fl. 957DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10865.003727/200715 Resolução n.º 140200.080 S1C4T2 Fl. 8 8 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de declarações de compensação eletrônicas, com utilização do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003, no valor de R$ 15.021.920,52, cujo direito creditório foi reconhecido parcialmente pela Unidade de Origem, no valor de R$ 7.749.422,70, sendo que no DRJ foi reconhecida a parcela adicional de R$ 1.941.867,19. A partir da análise do voto condutor do acórdão recorrido, bem como da peça recursal, cujos trechos relevantes à atual fase do litígio encontramse transcritos no relatório acima, verificase, de plano, que o presente não se encontra em condições de julgamento em 2a. instância, pelo que o processo deve ser convertido em diligência para os seguintes fins. 1) reunir a este o processo 10865.000657/200310, após o julgamento em 1a. instância, caso interposto o recurso voluntário (se não houver recurso voluntário, verificar os reflexos da decisão no presente processo); 2) reunir a este os processos 10865.900991/200618, 10865.000626/200431, 10865.000971/200475, 10865.000627/200567 (nos quais o contribuinte já interpôs recurso voluntário), também para julgamento em conjunto, ou caso já estejam julgados em segunda instância, verificar os reflexos da decisão no presente processo; 3) Proceder as verificações propugnadas pelo contribuinte nas peças recursais dos aludidos processos, conforme quadros anexos aos recursos, efetuando os procedimentos cabíveis. 4) Ao final, deverá ser lavrado relatório consubstanciado dos procedimentos executados pela unidade de origem, bem com cientificado o contribuinte para, caso deseje, manifestar no prazo de 30 dias. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para realização dos procedimentos acima descritos. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 958DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 19/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10380.005914/2007-78
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PERÍODO
PARCIALMENTE ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA
VINCULANTE STF Nº 8.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.
Nos termos do art. 103A
da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal A Recorrente teve ciência do Auto de Infração de obrigação acessória no dia 27.02.2007, o período objeto do Auto de Infração é de 01/1999 a 12/2005.
Dessa forma, constata-se que já se operara a decadência do direito de
constituição dos créditos ora lançados até a competência 01/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES
PREVIDENCIÁRIAS
Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP,
com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO
DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO
DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART.
106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A,
Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009.
Numero da decisão: 2403-000.427
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso acatando a preliminar de decadência até a competência 01/2002 com base nos critérios estabelecidos no Art. 150, § 4º, CTN. Os Conselheiros Ivacir Julio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza e Eivanice Canário da Silva votaram pelas conclusões. No mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando o recalculo da multa, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte.
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 19 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201103
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PERÍODO PARCIALMENTE ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal A Recorrente teve ciência do Auto de Infração de obrigação acessória no dia 27.02.2007, o período objeto do Auto de Infração é de 01/1999 a 12/2005. Dessa forma, constata-se que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 01/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10380.005914/2007-78
anomes_publicacao_s : 201103
conteudo_id_s : 4678590
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2403-000.427
nome_arquivo_s : 2403000427_10380005914200778_201103.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 10380005914200778_4678590.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso acatando a preliminar de decadência até a competência 01/2002 com base nos critérios estabelecidos no Art. 150, § 4º, CTN. Os Conselheiros Ivacir Julio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza e Eivanice Canário da Silva votaram pelas conclusões. No mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando o recalculo da multa, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
id : 4739698
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 19 09:56:00 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1727721675802279936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2266; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 70 1 69 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.005914/200778 Recurso nº 268.360 Voluntário Acórdão nº 240300.427 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2011 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente COOPERATIVAS DOS PROF DE SAUDE DO CEARA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PERÍODO PARCIALMENTE ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal A Recorrente teve ciência do Auto de Infração de obrigação acessória no dia 27.02.2007, o período objeto do Auto de Infração é de 01/1999 a 12/2005. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 01/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Fl. 71DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 29/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 2 Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso acatando a preliminar de decadência até a competência 01/2002 com base nos critérios estabelecidos no Art. 150, § 4º, CTN. Os Conselheiros Ivacir Julio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza e Eivanice Canário da Silva votaram pelas conclusões. Fl. 72DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 29/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10380.005914/200778 Acórdão n.º 240300.427 S2C4T3 Fl. 71 3 No mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando o recalculo da multa, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Cid Marconi Gurgel de Souza, Eivanice Canário da Silva (suplente). Ausentes o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto e o Conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 73DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 29/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, às fls. 58 a 67, apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Recife PE, Acórdão nº 1120.034 – 6ª Turma, fls. 47 a 50, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração nº. 37.042.9893, com ciência da Recorrente em 27.02.2007, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 109.993,53 (cento e nove mil, novecentos e noventa e três reais e cinqüenta e três centavos). Conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 18 a 19, o Auto de Infração nº. 37.042.9893, Código de Fundamentação Legal – CFL 68, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter apresentado as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social Gfip, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas competências de 01/1999 a 12/2005. No caso, de acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fls. 18 a 19, a Recorrente apresentou GFIP com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias referentes aos segurados contribuintes individuais (prólabore, pessoas físicas autônomos e cooperados), verificados em livros Diário e Razão. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3º e 5º, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. II, e art. 373. A multa é apurada por competência, sendo seu valor total a soma dos valores de cada competência em que ocorreu a Infração. O período de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal Complementar – MPF nº 09344879C01, foi de 12/1998 a 10/2006, fls. 09. O período objeto do auto de infração, conforme o Anexo do Relatório Fiscal da Infração, fls. 20, é de 01/1999 a 12/2005. A Recorrente teve ciência do Auto de Infração no dia 27.02.2007, conforme fls. 01. O Relatório Fiscal da Infração, fls. 18 a 19, mostra que o autuado é primário, não registra a existência de circunstância agravante, conforme a descrição do inciso V do art. 290, do Decreto n° 3.048/1999, tampouco registra a existência de circunstância atenuante, prevista no art. 291 do Decreto n° 3.048/1999. Fl. 74DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 29/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10380.005914/200778 Acórdão n.º 240300.427 S2C4T3 Fl. 72 5 Contra a autuação, a Recorrente apresentou impugnação tempestiva, de fls. 30 a 32. Após análise, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Recife PE,emitiu o Acórdão nº 1120.034 – 6ª Turma, fls. 47 a 50, julgando procedente a autuação e mantendo a multa aplicada, conforme a Ementa a seguir: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/03/2000 a 31/12/2005 PREVIDÊNCIA SOCIAL. CUSTEIO. FATO GERADOR. GF1P. NÃO INFORMAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO. A apresentação das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e informações à Previdência Social Gfip, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, constitui infração à legislação previdenciária. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. A autuação encontrase devidamente instruída, não havendo que se falar em cerceamento ao direito de defesa do contribuinte. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 58 a 67, na qual alega em síntese que: Em sede Preliminar: (a) da impossibilidade de defesa do autuado nos termos do art. 5º, LV, CRFB/1988; (b) do cerceamento de defesa devido ao não desmembramento da autuação. (c) da decadência para os períodos anteriores a 02/2002, com fulcro no art. 150, § 4º, CTN. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 69. É o Relatório. Fl. 75DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 29/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 69. Anotase ainda que o Supremo Tribunal Federal – STF ao editar a Súmula Vinculante nº. 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº. 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Avaliados os pressupostos, passo para o exame das Preliminares e do Mérito. DAS PRELIMINARES (a) violação a preceitos constitucionais. A Recorrente alega: da impossibilidade de defesa do autuado nos termos do art. 5º, LV, CRFB/1988 Fl. 76DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 29/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10380.005914/200778 Acórdão n.º 240300.427 S2C4T3 Fl. 73 7 Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Fl. 77DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 29/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 8 Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (b) Do cerceamento de defesa A Recorrente argumenta: Teve o direito de defesa cerceado na medida em que não houve o desmembramento da autuação. Analisemos. Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: • A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; • A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; • A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. Folha de Rosto do Auto de Infração; b. Instruções para o Contribuinte – IPC; c. REPLEG – Relatório de representantes Legais; d. VÍNCULOS – Relação de Vínculos; Fl. 78DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 29/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10380.005914/200778 Acórdão n.º 240300.427 S2C4T3 Fl. 74 9 e. Mandado de Procedimento Fiscal MPF; f. Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD; g. Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal TEAF; h. Relatório Fiscal da Infração. Cumprenos esclarecer ainda, que a autuação fiscal foi elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999, especialmente com a discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura. Art.293.Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §1oRecebido o autodeinfração, o autuado terá o prazo de trinta dias, a contar da ciência, para efetuar o pagamento da multa de ofício com redução de cinqüenta por cento ou impugnar a autuação. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §2oImpugnada a autuação, o autuado, após a ciência da decisão de primeira instância, poderá efetuar o pagamento da multa de ofício com redução de vinte e cinco por cento, até a data limite para interposição de recurso. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §3ºO recolhimento do valor da multa, com redução, implica renúncia ao direito de impugnar ou de recorrer.(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) §4oApresentada impugnação, o processo será submetido à autoridade competente, que decidirá sobre a autuação, cabendo recurso na forma da Subseção II da Seção II do Capítulo Único do Título I do Livro V deste Regulamento. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) Analisandose o auto de infração e seus anexos, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. artigo 293, Decreto 3.048/1999. (c) Da decadência Fl. 79DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 29/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 10 A Recorrente alega: da decadência para os períodos anteriores a 02/2002, com fulcro no art. 150, § 4º, CTN. Analisemos. Devese verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá Fl. 80DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 29/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10380.005914/200778 Acórdão n.º 240300.427 S2C4T3 Fl. 75 11 reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou Fl. 81DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 29/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 12 c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (g.n.)” Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: “Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto Fl. 82DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 29/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10380.005914/200778 Acórdão n.º 240300.427 S2C4T3 Fl. 76 13 o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (g.n.)” Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário. “Ementa: ....1. O entendimento jurisprudencial consagrado no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo decadencial de que dispõe o Fisco para constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados a partir do fato gerador.Todavia, se não houver pagamento antecipado, incide a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional.” (STJ.1ª Turma, AgRg no Ag 972.949/RS, Rel.: Min.Denise Arruda.,ago/08.) (g.n.) “Ementa: ....4. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5.Hipótyese dos autos em que não houve pagamento antecipado, aplicandose a regra do art. 173, I, do CTN.” (STJ. 2ª Turma, AgRg no Ag 939.714/RS, Rel.: Min. Eliana Calmon., fev/08.) . (g.n.) “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. (...) Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN..” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) . (g.n.) Uma corrente doutrinária também aponta que no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento, se aplica uma regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN em detrimento da aplicação da regra geral do art. 173, I, CTN. No entanto, nos casos de dolo, fraude ou simulação, de modo a que se configure a comprovada máfé do sujeito passivo, não corre o prazo do art. 150, § 4º, CTN mas sim a decadência tributária se rege pela disposição genérica do art. 173, I, CTN. Fl. 83DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 29/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 14 Nesta corrente doutrinária podese citar, dentre outros, Ricardo Lobo Torres1, Eduardo Sabbag2, Mauro Luís Rocha Lopes3 e Leandro Paulsen4. Há vozes discordantes na doutrina que defendem que a decadência opera com base na regra geral de decadência esposta no art. 173 do CTN, haja ou não pagamento antecipado no caso de lançamento por homologação, de forma a não se aplicar o art. 150, § 4º, CTN. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ e com a primeira corrente doutrinária exposta no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN. Entretanto, há de se salientar que a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, trouxe nova disciplina para as punições pelo descumprimento das obrigações acessórias, ao revogar os parágrafos do art. 32 da Lei nº 8.212/91 e ao criar o art. 32A como nova sistemática de aplicação de multas. Ademais, o art. 32, § 11, da Lei 8.212/1991, correlaciona o arquivamento dos documentos comprobatórios das obrigações tributárias ã prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (gn) Temse que na atual disciplina trazida pela Lei 11.941/2009, conforme o art. 32, § 11, Lei 8.212/1991, a avaliação da decadência da penalidade pecuniária por declaração que não contempla todos os fatos geradores darseia nos autos do processo em que tivesse sido realizado o lançamento das contribuições não recolhidas. Desta forma, devese cotejar o presente AI nº. 37.042.9893, com ciência do Auto de Infração no dia 27.02.2007, conforme fls. 01, com a correlata NFLD nº. 37.042.992 3. No caso concreto, utilizandose a sistemática do art. 32, § 11, Lei 8.212/1991, na correlata NFLD nº. 37.042.9923, o Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA, às fls. 72 a 103 , apresenta pagamentos realizados pela Recorrente a 1 TORRES, Ricardo Lobo. Curso de direito financeiro e tributário. 16. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2009. p. 283. 2 SABBAG, Eduardo. Manual de direito tributário. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 723. 3 LOPES, Mauro Luís Rocha. Direito tributário brasileiro. Rio de Janeiro: Impetus, 2009. p. 248. 4 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 11. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009. p. 1036. Fl. 84DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 29/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10380.005914/200778 Acórdão n.º 240300.427 S2C4T3 Fl. 77 15 homologar pela AuditoriaFiscal, ainda assim em que pese tais pagamentos não estarem contemplados em todas as competências objeto da NFLD Portanto, aos lançamento das contribuições a que se refere a aplicação da penalidade imposta no presente auto de infração, por não se ter considerado a ocorrência da ausência de antecipação de pagamento, aplicase a regra do art. 150, § 4º, do CTN, ou seja, contase o prazo decadencial a partir da data do fato gerador. Verificase, da análise dos autos, que: A recorrente teve ciência do Auto de Infração nº. 37.042.9893 no dia 27.02.2007, conforme fls. 01. O período objeto do auto de infração, conforme o Anexo do Relatório Fiscal da Infração, fls. 20, é de 01/1999 a 12/2005. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 01/2002, inclusive, nos termos do artigo 150, § 4º, CTN. Por todo o exposto, acato parcialmente a preliminar ora examinada, no que tange à decadência, excluindo as contribuições apuradas até a competência 01/2002, inclusive, nos termos do artigo 150, § 4º, CTN, e passo ao exame de mérito. DO MÉRITO CÁLCULO DA MULTA Recálculo da multa com base no art. 32A, II, Lei 8.212/1991, a partir da alteração da Lei 11.941/2009. No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 85DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 29/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 16 I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, Auto de Infração nº. 37.042.9893, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Fl. 86DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 29/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10380.005914/200778 Acórdão n.º 240300.427 S2C4T3 Fl. 78 17 Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NAS PRELIMINARES, acolher a decadência até a competência 01/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN, NO MÉRITO DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 87DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 29/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10380.008857/2007-89
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/10/2005
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA.
ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
PRECEDENTES.
Integram o salário de contribuição os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado, razão pela qual, possui natureza jurídica salarial.
NORMAS PROCEDIMENTAIS. AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO.
Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição
indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendo-se o ônus da prova ao contribuinte.
Numero da decisão: 2403-000.378
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Nas preliminares, em acolher a
decadência, por voto de qualidade, até a competência 11/2000, nos termos do Art. 173, I, CTN; vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto. No mérito, por unanimidade de votos, determinar o recálculo da multa com base no Art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com a prevalência da multa mais benéfica ao contribuinte.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
dt_index_tdt : Sat Mar 19 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201102
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/10/2005 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. Integram o salário de contribuição os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado, razão pela qual, possui natureza jurídica salarial. NORMAS PROCEDIMENTAIS. AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO. Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendo-se o ônus da prova ao contribuinte.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10380.008857/2007-89
anomes_publicacao_s : 201102
conteudo_id_s : 4678545
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2403-000.378
nome_arquivo_s : 2403000378_10380008857200789_201102.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
nome_arquivo_pdf_s : 10380008857200789_4678545.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, Nas preliminares, em acolher a decadência, por voto de qualidade, até a competência 11/2000, nos termos do Art. 173, I, CTN; vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto. No mérito, por unanimidade de votos, determinar o recálculo da multa com base no Art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com a prevalência da multa mais benéfica ao contribuinte.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
id : 4738609
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 19 09:55:57 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1727721675854708736
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2042; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 242 1 241 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.008857/200789 Recurso nº 162.980 Voluntário Acórdão nº 240300.378 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 10 de fevereiro de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente ITAPICURU AGRO INDUSTRIAL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/10/2005 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. Integram o salário de contribuição os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado, razão pela qual, possui natureza jurídica salarial. NORMAS PROCEDIMENTAIS. AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO. Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendose o ônus da prova ao contribuinte. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Nas preliminares, em acolher a decadência, por voto de qualidade, até a competência 11/2000, nos termos do Art. 173, I, CTN; vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto. No mérito, por unanimidade de votos, determinar o recálculo da multa com base no Art. 32 A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com a prevalência da multa mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Carlos Alberto Mees Stringari Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Carlos Alberto Mees Stringari, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, Acórdão 0711.672 6ª Turma, que julgou procedente a autuação motivada por descumprimento de obrigação tributária legal acessória. Assim o lançamento foi apresentado pela DRJ: Tratase de Auto de Infração lavrado contra a empresa acima identificada, por ter apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas competências 10/1999 a 08/2006, o que constitui infração ao inciso IV, do art. 32, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, e § 5°, acrescentado pela Lei n°9.528, de 10 de dezembro de 1997, c/c o art. 225, IV e § 4°. do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999. Conforme consta no Relatório Fiscal, às fls.14/19, e planilhas (fls. 20/23), os fatos geradores não declarados em GFIP são: gratificação de estímulo à produtividade, paga aos segurados empregados através do cartão Flexcard, administrado pela empresa Incentive House S.A; diferenças de salário de contribuição e base de cálculo do adicional RAT para aposentadoria especial (25 anos), constantes da folha de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10380.008857/200789 Acórdão n.º 240300.378 S2C4T3 Fl. 243 3 pagamento; pagamentos a contribuintes individuais e transportadores autônomos (fretes). Em decorrência da infração ao dispositivo acima descrito, foi aplicada a multa no valor de R$ 806.901,51 (oitocentos e seis mil, novecentos e um reais e cinqüenta e um centavos), prevista no § 5° do art. 32 da Lei n 8.212/91 e no artigo 284, inciso II do RPS. Não constam circunstâncias agravantes e atenuantes. Em 05/12/2006 foi dada ciência à recorrente da autuação, folha 25. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 145 a 170, onde alega, em síntese, que: • Houve pagamento de rendimento para pessoa jurídica e não para pessoa física, do que resulta não ser caso de incidência de contribuição. • Não se vê, dentre os inúmeros demonstrativos que compõem o lançamento, qualquer prova de que tenha ocorrido pagamento ou crédito de rendimento para empregado ou para pessoa física. • Quais foram os empregados beneficiários de tais rendimentos? • Houve regularidade nos alegados pagamentos de modo a compor a folha de salários? • Houve prestação de serviço para justificar pagamento para pessoa física e quais foram essas pessoas físicas beneficiárias dos rendimentos? • Não se trata de cessão de mãodeobra. • Questiona a aferição das bases de cálculo. • Questiona a multa aplicada, inclusive sua constitucionalidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões levantadas pela recorrente. Registro que o recurso restringese ao pagamento de gratificação de estímulo à produtividade pagos por intermédio do cartão Flexcard, contratado junto à empresa Incentive House S. A. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Preliminar Decadência Por dever de ofício inicio pela análise da decadência. O lançamento fundamentouse no artigo 45 da Lei 8.212/91. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade desse artigo, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN), o art. 173 ou o art. 150 (este último diz respeito ao lançamento por homologação). Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10380.008857/200789 Acórdão n.º 240300.378 S2C4T3 Fl. 244 5 § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Conforme registrado no recurso, este processo está vinculado à NFLD 35.420.7954, que trata da obrigação principal associada ao paramento das gratificações de estímulo à produtividade. Consta do relatório Fiscal da NFLD, folhas 109 a 111, que o procedimento é tido, em tese como sonegação fiscal. 3. A situação descrita no item 2.1.7, em tese, configura o CRIME DE SONEGAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA, previsto no artigo 337A, inciso I, do Código Penal, com redação dada pela Lei 9.983, de 14/07/2000, portanto, será este fato objeto de REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, com comunicação à autoridade competente para providências cabíveis. Por entender que é procedimento doloso, aplico a regra do artigo 173 do CTN. O período do lançamento é de 10/1999 a 08/2006. A ciência do lançamento ocorreu em 05/12/2006. Entendo decadentes as competências até 11/2000, inclusive e 13/2000. Inconstitucionalidade competência A contribuinte alega ilegalidades e/ou inconstitucionalidades nas normas que fundamentaram a multa. Inicialmente devese registrar que a multa aplicada tem respaldo nas leis. Cumpre esclarecer que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 O Decreto nº 6.764, de 10 de fevereiro de 2009, que aprovou a Estrutura Regimental do Ministério da Fazenda apresenta as atribuições do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, no artigo 32. Art. 32. Ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, órgão colegiado judicante, paritário, compete julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos especiais, sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme estabelecido nos arts. 25, inciso II, e 37, § 2o, do Decreto no 70.235, 6 de março de 1972, alterado pela Medida Provisória no 449, de 3 de dezembro de 2008. Parágrafo único. Metade dos conselheiros integrantes do CARF será constituída de representantes da Fazenda Nacional, e a outra metade, de representantes dos contribuintes, indicados pelas confederações representativas de categorias econômicas de nível nacional e pelas centrais sindicais Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, em seu artigo 62 expressamente veda aos julgadores do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10380.008857/200789 Acórdão n.º 240300.378 S2C4T3 Fl. 245 7 Para haver harmonia nos julgamentos, conforme artigo 72 do Regimento Interno, o CARF emitirá súmulas para decisões reiteradas e uniformes, de observância obrigatória pelos membros do CARF. Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Nesse sentido, quando da Consolidação das Súmulas dos Conselhos de Contribuintes, foi editada a Súmula CARFnº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, em relação a ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. Mérito Pagamentos efetuados à PJ Alega a recorrente que houve pagamento de rendimento para pessoa jurídica e não para pessoa física e que disso resulta não ser caso de incidência de contribuição. Abaixo ficará demonstrado que os pagamentos se destinavam efetivamente a pessoas físicas e que a intermediação de uma terceira pessoa jurídica tinha por finalidade fraudar o fisco. A sistemática aplicada consiste em contratar uma empresa para efetuar premiações em cartões magnéticos carregados com determinado valor, que poderá ser utilizado para saques ou compras em estabelecimentos da rede comercial. A contratante repassa à contratada o valor dos prêmios mais a remuneração da contratada e indica quem deve receber a premiação (pessoas físicas) e quanto deve receber. A empresa contratada emite os cartões de premiação tal e qual foi determinado pela contratante. Analisando a operação fica evidente que a contratante, por via indireta, remunera as pessoas físicas que determina, no valor que determina; que uma das características da operação é que a remuneração da contratada é bem menor que a carga tributária que incide sobre remuneração de pessoas físicas e que essa operação, se não declarada ao fisco, resulta em sonegação fiscal. Aferição Fl. 7DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Consta do Relatório Fiscal da Infração, folhas 14 a 19, os seguintes textos que relatam que documentos contendo os nomes e valores pagos aos beneficiários das premiações não foram apresentados pela empresa, após ter sido intimada a apresentálos. 2.4.2 Campo (B)— Contribuição Segurados ( Levant. PCD ) — Consta os valores das Contribuições dos Segurados referente ao subitem anterior. Ressaltamos que foi aplicada uma alíquota mínima de 8%, uma vez que foi solicitado ao Contribuinte, relação discriminada dos beneficiários, bem como dos valores pagos, através do TIAD — Termo de Intimação para Apresentação de Documentos, de 20/10/2006, (em anexo ), e não nos foi apresentada; ... Vale ressaltar que não foram relacionados os nomes individualmente, uma vez que a empresa não forneceu a relação dos funcionários recebedores da Gratificação de Estímulo à Produtividade, bem como arquivo magnético dos Contribuintes Individuais, como explicitado anteriormente. Prevendo essa situação, a Lei 8.212/91 estabeleceu que quando ocorre recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Deduzse, pela leitura da Lei e do relato fiscal que o procedimento da aferição é procedente e que os questionamentos da recorrente acerca do lançamento, de quais empregados foram favorecidos e de outras informações que sonegou ao Fisco são improcedentes. Registro também que o lançamento referente ao pagamento de premiação não se reporta à cessão de mãodeobra e que a regularidade dos pagamentos se verifica na planilha de folhas 20 a 23. CÁLCULO DA MULTA Fl. 8DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10380.008857/200789 Acórdão n.º 240300.378 S2C4T3 Fl. 246 9 Recálculo da multa com base no art. 32A, II, Lei 8.212/1991, a partir da alteração da Lei 11.941/2009. No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 9DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. Conclusão À vista do exposto, voto por, nas preliminares, reconhecer a decadência das competências até 11/2000 e 13/2000. No mérito, voto para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 10DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10380.008857/200789 Acórdão n.º 240300.378 S2C4T3 Fl. 247 11 Fl. 11DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 12897.000638/2009-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1401-000.219
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto que passa a fazer parte integrante deste julgado.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 19 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201303
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 12897.000638/2009-29
conteudo_id_s : 5270464
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 1401-000.219
nome_arquivo_s : Decisao_12897000638200929.pdf
nome_relator_s : FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
nome_arquivo_pdf_s : 12897000638200929_5270464.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto que passa a fazer parte integrante deste julgado.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
id : 4970915
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 19 09:56:03 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1727721675859951616
conteudo_txt : Metadados => date: 2013-05-19T22:10:37Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: convertonlinefree.com; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: en-US; dcterms:created: 2013-05-19T22:10:37Z; Last-Modified: 2013-05-19T22:10:37Z; dcterms:modified: 2013-05-19T22:10:37Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2013-05-19T22:10:37Z; pdf:docinfo:creator_tool: convertonlinefree.com; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2013-05-19T22:10:37Z; meta:save-date: 2013-05-19T22:10:37Z; pdf:encrypted: true; modified: 2013-05-19T22:10:37Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: en-US; meta:creation-date: 2013-05-19T22:10:37Z; created: 2013-05-19T22:10:37Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2013-05-19T22:10:37Z; pdf:charsPerPage: 1400; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: convertonlinefree.com; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: convertonlinefree.com; pdf:docinfo:created: 2013-05-19T22:10:37Z | Conteúdo => S1-C4T1 Fl. 1 1 S1-C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12897.000638/2009-29 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1401-000.219 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 07 de março de 2013 Assunto Realização de diligência Recorrente TV Zero Produções Audiovisuais Ltda. Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto que passa a fazer parte integrante deste julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Mauricio Pereira Faro e Roberto Armond Ferreira da Silva. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira e Karem Jureidini Dias. Fl. 3743DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 12897.000638/2009-29 Resolução nº 1401-000.219 S1-C4T1 Fl. 2 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado em face da recorrente, para exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, referentes ao ano-calendário de 2005, tendo em vista a constatação de diversas irregularidades relativas à omissão de receitas, glosa de despesas e inexatidão no preenchimento da DIPJ. A infração de omissão de receitas decorreu da presunção de omissão de receitas fundada no art. 42 da Lei nº 9.430/96 (existência de valores creditados em contas de depósito ou de investimento, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprovou a origem dos recursos utilizados nessas operações). Com relação a esta infração, a contribuinte (ora recorrente) apresentou diversas alegações de defesa. Dentre tais alegações, afirmou a recorrente que os créditos efetuados em conta bancária do Santander (conta corrente 980064-4) referiam-se a empréstimos bancários na modalidade “conta garantida”. Com o intuito de comprovar esta alegação, a contribuinte trouxe aos autos os documentos de fls. 967-974, os quais foram considerados suficientes para elidir a presunção de omissão de receitas em relação a dois depósitos, cuja origem originalmente havia sido considerada não comprovada pela fiscalização. Sobre o tema, assim manifestou-se a decisão de piso, fls. 3481: 26. Dos documentos juntados pelo impugnante (doc. 1), tem-se que foram comprovados apenas os créditos em negrito abaixo. Para eles o contribuinte apresentou contrato bancário esclarecendo a natureza de mútuo dessas operações. Nos demais casos, não foi trazida prova: É o relatório. Fl. 3744DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 12897.000638/2009-29 Resolução nº 1401-000.219 S1-C4T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Como se percebe, dos quatro depósitos alegados pela contribuinte, resultou documentalmente comprovado que dois deles referiam-se a contratos de mútuo. No tocante aos outros dois depósitos, a contribuinte não trouxe aos autos os correspondentes contratos de mútuo, capazes de comprovar a efetividade daqueles empréstimos. Não obstante a ausência dos aludidos contratos de mútuo, é forçoso reconhecer que existe um forte indício no sentido de que estes dois valores creditados em sua conta bancária também decorram de contratos de mútuo. Afinal, no respectivo extrato de conta corrente tais depósitos possuem a mesma descrição (“CTA GARANTIDA”) daquela que consta em relação aos depósitos efetivamente comprovados. Apesar deste forte indício, contudo, não considero cabalmente comprovada a origem destes depósitos. Afinal, se estes dois depósitos efetivamente decorreram de empréstimos, porque razão a contribuinte não juntou aos autos os correspondentes contratos de mútuo, assim como fez em relação aos outros dois depósitos que resultaram comprovados ? Considero plausível a hipótese de que tais contratos tenham sido extraviados, cumulada com a hipótese de que o Banco Santander, no momento, também não disponha de cópia dos aludidos contratos, tendo em vista que os mesmos se referem a operações ocorridas no ano-calendário de 2005. No entanto, considero que o Banco Santander possui plenas condições de informar se, na época dos fatos, todos os valores consignados nos extratos bancários da contribuinte sob o código “CTA GARANTIDA” efetivamente se referiam a contratos de mútuo. Diante do exposto, considero necessária a realização de diligência, concedendo à recorrente a oportunidade de trazer aos autos uma correspondência oficial, emitida pelo Banco Santander, informando se, na época dos fatos (29 de julho de 2005), todos os valores consignados nos extratos bancários da contribuinte sob o código “CTA GARANTIDA” efetivamente se referiam a contratos de mútuo. É como voto. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator. Fl. 3745DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS txtfls txtSigla txtMinisterio txtCARF txtNomeOrgao labProcesso txtProcesso labRecurso txtRecurso cbTipoRecurso TxtIdDoc txtDecisao txtTurma labData txtData labAssunto txtAssunto labRecorrente txtRecorrente labRecorrida txtRecorrida
score : 1.0
Numero do processo: 19647.004623/2005-05
Data da sessão: Wed Dec 15 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 1401-000.051
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o
julgamento em diligência para a DRF apensar os processos nº 19647.004623/2005-05, 19647.004636/2005-76 e 19647.004640/2005-34, aguardar o julgamento em definitivo do processo nº 19647.009690/2006-99 e apurar o saldo negativo do período, vencido o relator, que negava provimento ao recurso. Proferiram sustentação oral a dra. Lenisa P. Matos, OAB-DF nº 21698 e o PFN dr. Moises de Sousa Carvalho.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 19 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201012
numero_processo_s : 19647.004623/2005-05
conteudo_id_s : 6573221
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 1401-000.051
nome_arquivo_s : 140100051_19647004623200505_201012.pdf
nome_relator_s : FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
nome_arquivo_pdf_s : 19647004623200505_6573221.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para a DRF apensar os processos nº 19647.004623/2005-05, 19647.004636/2005-76 e 19647.004640/2005-34, aguardar o julgamento em definitivo do processo nº 19647.009690/2006-99 e apurar o saldo negativo do período, vencido o relator, que negava provimento ao recurso. Proferiram sustentação oral a dra. Lenisa P. Matos, OAB-DF nº 21698 e o PFN dr. Moises de Sousa Carvalho.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 15 00:00:00 UTC 2010
id : 6481593
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 19 09:56:06 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1727721675862048768
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-01-12T17:01:27Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2513773_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2011-01-12T17:01:27Z; Last-Modified: 2011-01-12T17:01:27Z; dcterms:modified: 2011-01-12T17:01:27Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2513773_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:9d673cf1-843b-473f-ae64-ff14909673de; Last-Save-Date: 2011-01-12T17:01:27Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2011-01-12T17:01:27Z; meta:save-date: 2011-01-12T17:01:27Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2513773_0.doc; modified: 2011-01-12T17:01:27Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2011-01-12T17:01:27Z; created: 2011-01-12T17:01:27Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2011-01-12T17:01:27Z; pdf:charsPerPage: 1630; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2011-01-12T17:01:27Z | Conteúdo => S1-C4T1 Fl. 1 1 S1-C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19647.004623/2005-05 Recurso nº 513.016 Resolução nº 1401-000.051 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 15 de dezembro de 2010 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente Teleceará Celular S.A. Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para a DRF apensar os processos nº 19647.004623/2005-05, 19647.004636/2005-76 e 19647.004640/2005-34, aguardar o julgamento em definitivo do processo nº 19647.009690/2006-99 e apurar o saldo negativo do período, vencido o relator, que negava provimento ao recurso. Proferiram sustentação oral a dra. Lenisa P. Matos, OAB-DF nº 21698 e o PFN dr. Moises de Sousa Carvalho. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes De Mattos - Relator. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner (Presidente), Eduardo Martins Neiva Monteiro (suplente convocado), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro e Karen Jureidini Dias. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 12/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE 2 RELATÓRIO O Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos, Relator: Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 104-108): Trata o presente processo de DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO, constantes de PER/DCOMP n° 09511.64836. 140404.1.3.04-5530 (fls. 01 a 05) e de PERDCOMP n° 39631. 81020.140504.1.3.04-6996 (fls. 09 a 13), apresentados pela contribuinte, para fins de compensação de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, a título de estimativa mensal (código 2362), período de apuração setembro de 2002, no valor original de R$ 1.056.165,60, com débitos de CSLL no valor de R$ 277.741,96, estimativa do mês de março de 2004 (fl. 04) e COFINS no valor de R$ 1.096.432,66, período de apuração abril de 2004 (fl. 12). Cabe ressaltar que o PER/DCOMP de fls. 01 a 05 foi formalizado através do presente processo, ao passo que o PER/DCOMP de fls. 09 a 13 foi formalizado mediante processo n° 19647.004266/2005-77, juntado por anexação ao presente processo (n° 19647.004623/2005- 05), conforme Aviso de Juntada à fl. 08. Por meio do Despacho Decisório à fl. 20, o Delegado da Receita Federal do Brasil em Recife, aprovando proposta contida no Relatório de Informação Fiscal às fls. 16 a 17 NÃO HOMOLOGOU as compensações declaradas mediante PER/DCOMP acima mencionados, DETERMINANDO, ainda, a cobrança dos débitos cujas compensações declaradas foram consideradas indevidas pela inexistência de crédito. Consta do citado Relatório (fls. 16/17) que, de acordo com o que preceitua o artigo 10 da IN/SRF n° 600, de 28/12/2005, a pessoa jurídica somente poderá utilizar o valor pago (indevido ou a maior) de IRPJ, a título de estimativa mensal, ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento, para dedução do valor do IRPJ devido ou para compor o saldo negativo do IRPJ. Sendo assim, concluiu a autoridade fiscal que o valor alegado como sendo de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal não poderá ser utilizado como crédito em Declaração de Compensação — DCOMP de natureza de "PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR", para compensação de débitos. A ciência, pela contribuinte, do Despacho Decisório de fl. 20 ocorreu em 07/03/2007, através do Termo de Ciência de fls. 22/23. Tempestivamente, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 27 a 39 (juntamente com documentação de fls. 40 a 64), onde, inicialmente, afirma que, em outubro de 2006, recebeu autos de infração de IRPJ e CSLL, envolvendo diversas supostas infrações (sic), que deram origem ao processo administrativo n° 19647.009690/2006-99 e que, entre tais infrações, constavam dos itens 6 e 7, respectivamente, "deduções indevidas no ajuste anual de antecipações de IRPJ e de CSLL não comprovadas" e "imposição de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 12/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Processo nº 19647.004623/2005-05 Resolução n.º 1401-000.051 S1-C4T1 Fl. 2 3 multa isolada por falta de pagamento de IRPJ e CSLL por estimativa mensal". Adita que as mencionadas exigências não foram devidamente fundamentadas, o que impedia a adequada defesa da empresa autuada. Em seguida, a contribuinte alega que, em março de 2007, foi intimada pela DRF/Recife, mediante Relatório de Informação Fiscal, onde os auditores responsáveis informam que tomaram conhecimento da Solução de Consulta Interna n° 18, de 2006, que prevê metodologia de cálculo diferente da que havia sido adotada por ocasião da fiscalização e, por , essa razão, alguns valores foram excluídos do processo n° 19647.009690/2006-99, passando a ser tratados em processos específicos e objeto de cobrança espontânea, entre os quais o presente processo de compensação. Feitas as considerações acima, a contribuinte se insurge contra a decisão da autoridade administrativa, nos seguintes termos: 1—Previsão do artigo 10 da IN/SRF n° 600/2005 não tem amparo em lei Segundo a contribuinte, o artigo 10 da IN/SRF n° 600/2005 estabelece restrição à restituição e/ou compensação que a Lei n° 9.430/1996 não prevê. Transcreve, nesse sentido, redação do artigo 74 da citada Lei, dada pela Lei n° 10.637/2002, dispositivo que faculta ao sujeito passivo que apurar crédito, inclusive judicial transitado em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou ressarcimento, sua utilização na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pelo mesmo Órgão. Assim, entende que, se foi apurado crédito fiscal, o que ocorre quando há recolhimento indevido ou a maior de tributo, o mesmo pode ser utilizado para compensar seus próprios débitos fiscais. Em seguida, afirma que o mesmo artigo 74, em seu § 3°, prevê os casos em que a compensação não poderia ser realizada e no § 12 estão relacionadas as hipóteses em que a compensação seria considerada não declarada. Entretanto, argumenta, o citado dispositivo não proibiu a compensação do IRPJ e da CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo do período de apuração desses tributos, não podendo a Receita Federal criar restrições e proibições não previstas em lei. Alega que o fato de o citado artigo 74 estabelecer, em seu § 14, que cabe à Secretaria da Receita Federal disciplinar o disposto no mesmo artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação, não significa permitir restrição ou vedação de direitos, mas apenas estabelecer procedimentos e explicitar o que já consta de norma superior. Com relação ao IRPJ e à CSLL, manifesta seu entendimento de que tais tributos possuem regras para recolhimento ao longo do ano e sempre que for verificado que o montante já recolhido supera o que deveria ter sido, com base em tais regras, configura-se a situação de recolhimento indevido ou a maior. Reporta-se ao IRRF, argumentando que, como a retenção ocorre independentemente do total do lucro apurado no Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 12/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE 4 período (estimado, real ou presumido), poderá ocorrer que o imposto retido supere o valor efetivamente devido com base no lucro apurado. A contribuinte afirma que o artigo 10 da IN/SRF n° 600/2005 não poderia ter estabelecido restrição ao direito de compensação que já não estivesse prevista em lei e que, apenas por tal razão, o Despacho Decisório de fl. 20 deve ser alterado, a fim de que seja homologada a compensação declarada. II — Quando da compensação realizada pela contribuinte, a regra do artigo 10 da IN/SRF n° 600/2005 ainda não existia. A contribuinte afirma que, ainda que o questionamento anterior venha a ser superado, o Despacho Decisório de fl. 20 deve ser reformado, pois, quando da formalização da declaração de compensação, não existia a regra estabelecida no já mencionado artigo 10. Alega que a regra contida no citado artigo é a mesma estabelecida no artigo 10 da IN/SRF n° 460, de 18/10/2004 (mas não contida nas revogadas IN/SRF n° 210/2002 e IN/SRF n° 21/1997, publicadas anteriormente). Prossegue a interessada afirmando que, ao decidir pela não homologação da compensação declarada em 14/04/2004 (fl. 01) e, portanto, anteriormente à restrição contida nas IN/SRF n° 460/2004 e IN/SRF n° 600/2005 (artigo 10, em ambos os casos), a autoridade administrativa aplicou retroativamente dispositivo restritivo ao direito da empresa, afrontando as disposições contidas no artigo 5°, inciso XXXVI da Constituição Federal e nos artigos 103, 106 e 146 da Lei n° 5.172/1966 (Código Tributário Nacional), cujas redações se encontram reproduzidas às fls. 32/33. Com as considerações acima, a contribuinte conclui que a aplicação retroativa do artigo 10 da IN/SRF n° 600, pela autoridade administrativa, contraria a legislação tributária, entendendo que tal razão, por si só, já seria suficiente para que fosse reformado o Despacho de fl. 20, homologando-se, em decorrência, a compensação declarada mediante PER/DCOMP de fls. 01 a05. III — Se não fosse realizada a compensação do IRPJ de setembro de 2002, recolhido a maior, haveria saldo negativo ao final do ano. A contribuinte afirma que, mesmo que se pudesse discordar de todas as razões expostas acima, haveria mais um motivo para que se desse provimento a sua manifestação deinconformidade, homologando-se a compensação realizada. Isto porque, como defende, o IRPJ de setembro de 2002, recolhido a maior, foi utilizado em compensação da CSLL devida em março de 2004. Segundo a interessada, chega-se à mesma conclusão a partir dos termos do artigo 10 da IN/SRF n° 600/2005, qual seja a de que o IRPJ e a CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo do ano- calendário somente podem ser utilizados ao final do período de apuração em que houve a retenção ou o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período, de onde conclui que, no máximo, haveria um problema de inobservância de exercício em que o IRPJ de setembro de 2002, recolhido a maior, Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 12/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Processo nº 19647.004623/2005-05 Resolução n.º 1401-000.051 S1-C4T1 Fl. 3 5 transformar-se-ia em saldo negativo de IRPJ, passível de compensação com qualquer tributo, a • partir do final do ano de 2002. Em seguida, a contribuinte, sob o argumento de que o Despacho Decisório não contém qualquer fundamentação e o Relatório de Informação Fiscal é bastante lacônico (sic), alega que, possivelmente, a DRF/Recife julgasse que, ao final do ano-calendário, não teria saldo negativo de IRPJ e que, portanto, o referido órgão teria concluído, em razão do auto de infração lavrado, constante do processo n° 19647.009690/2006-99, no qual a amortização de ágio realizada pela contribuinte, sucedida pela TIM Nordeste S/A, foi considerada indedutível. Feitas essas considerações, a contribuinte manifesta seu entendimento no sentido de que, se a decisão a ser prolatada nos autos do mencionado processo for pelo cancelamento do auto de infração, o provimento da manifestação de inconformidade no presente processo (19647.004623/2005-05) será imperativo. IV — Indevida revisão de lançamento. Sob outro enfoque, a contribuinte questiona os termos em que foi efetuada a revisão do lançamento consubstanciado no auto de infração lavrado contra a TIM Nordeste S/A (sucessora da TELECEARÁ Celular S/A), constante do processo n° 19647.009690/2006-99. Segundo a contribuinte, o novo valor total exigido por intermédio dos mais de vinte despachos decisórios por ela recebidos (sic) é superior ao valor diminuído pela revisão de oficio havida nos autos do processo administrativo n° 19647.009690/2006-99. Conclui, dessa forma, ter havido uma indevida alteração no lançamento regularmente notificado, que não se coaduna com o que estabelecem os artigos 145 a 149 do CTN (redação do artigo 145 e seus incisos, à fl. 37). A contribuinte afirma que, assim agindo, a autoridade administrativa, ao rever seus atos pretéritos, impõe uma exigência ainda maior, sem que uma das hipóteses de alteração do lançamento estivesse preenchida. Adita que, ao adotar entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil contido na Solução de Consulta Interna n° 18, de 13/10/2006, posterior aos autos de infração lavrados em 09/10/2006, a autoridade administrativa introduz modificação nos critérios jurídicos por ocasião do lançamento, atentando contra o disposto no artigo 146 do CTN, segundo o qual é vedada a aplicação retroativa de critérios jurídicos que levem a um aumento da exigência fiscal. Diante do que expõe, a contribuinte requer, ao final de sua manifestação de inconformidade, seja reformado o Despacho Decisório ora contestado, para que a compensação seja integralmente homologada, com base nos argumentos já expostos e sintetizados como a seguir: a) a previsão do artigo 10 da IN/SRF n° 600/2005 não tem amparo em lei; b) quando da compensação realizada pela contribuinte, a regra do artigo 10 da IN/SRF n° 600/2005 ainda não existia; c) se a compensação do IRPJ de setembro de 2002 recolhido a maior não fosse realizada haveria saldo negativo ao final do ano, passível de ser compensado com outros débitos fiscais; d) o Despacho Decisório de fl. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 12/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE 6 20 é fruto de uma revisão de oficio de lançamento realizado, que aumentou o valor total da exigência (quando considerados todos os Despachos Decisórios proferidos pela autoridade administrativa), o que configura violação ao artigo 149 do CTN. Relativamente ao processo n° 19647.004266/2005-77 (anexado ao presente processo, conforme fls. 07/08), que trata da compensação de crédito do IRPJ, pretensamente apurado em setembro de 2002, com débito da COFINS (código 2172), correspondente ao período de apuração abril de 2004, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 65 a 77 (juntamente com documentação de fls. 78 a 101), onde formula as mesmas razões apresentadas na manifestação de fls. 27 a 39. A 5ª Turma da DRJ Recife, por unanimidade, indeferiu a solicitação da contribuinte, pormeio do Acórdão nº 11-22.752, assim ementado (v. fls. 103): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 DELEGACIAS DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO. ATRIBUIÇÃO DOS JULGADORES. O julgador da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento deve observar o entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) expresso em atos normativos. 1RPJ/CSLL - LUCRO REAL ANUAL - PAGAMENTO POR ESTIMATIVA MENSAL. A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto ou contribuição social com base em estimativa mensal deve apurar seus resultados ao final do ano-calendário, ocasião em que, caso venha a constatar a existência de saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, nasce o direito de requerer a restituição do referido saldo ou proceder a sua compensação com tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação de regência. INSTRUÇÃO NORMATIVA. APLICAÇÃO. A orientação contida em instrução normativa se aplica a fatos ocorridos anteriormente a sua vigência quando dispõe sobre procedimento compatível com diploma legal em vigor à época de ocorrência desses fatos. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - EFICÁCIA A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para exigência de débitos indevidamente compensados. Solicitação Indeferida Intimada desse Acórdão em 17/08/2009 (fls. 89), a contribunte apresentou em 14/09/2009 o Recurso Voluntário de fls. 90-109, reiterando os argumentos apresentados na fase impugnatória e apresentando as seguintes alegações adicionais: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 09/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 12/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Processo nº 19647.004623/2005-05 Resolução n.º 1401-000.051 S1-C4T1 Fl. 4 7 a) A premissa adotada pela DRJ implica a apuração de saldo negativo de IRPJ pela contribuinte em 2002, passível de compensação com os débitos Segundo a Recorrente, se o Fisco adotar a premissa de ausência de vinculação entre o presente pleito de compensação e o processo administrativo n° 19647.009690/2006-99, então deveria ser aceito o saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 16.259.131,90 apurado pela contribuinte no ano-calendário de 2002 (conforme a ficha 12-A da DIPJ/2003 — doc. j). b) A Secretaria da Receita Federal aceita a compensação de IRPJ/CSLL recolhido indevidamente ou a maior nos meses posteriores Segundo a Recorrente, o art. 10 da Instrução Normativa n° 600/05 impediria (contrariando a Lei n° 9.430/96) apenasd a compensação do IRPJ e da CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo dos meses do período-base anual com outros tributos distintos deles próprios. No entanto, o IRPJ ou a CSLL eventualmente recolhidos indevidamente ou a maior poderiam ser compensados com eles próprios, em outros meses do mesmo período-base anual. c) Da vinculação entre o presente pleito de compensação e o processo administrativo n° 19647.009690/2006-99 Segundo a Recorrente, caso admitida a vinculação entre o presente pleito de compensação e o processo administrativo n° 19647.009690/2006-99, a decisão final a ser proferida neste processo administrativo de compensação ficará na dependência do destino a ser dado ao referido processo nº 19647.009690/2006-99. Em relação ao aludido processo, a Recorrente esclarece que apresentou recurso voluntário em 20/11/2009, o qual aguarda julgamento no Conselho de Contribuintes. Neste termos, requereu que seja dado provimento ao Recurso Voluntário, homologando-se as compensações declaradas nos autos. É o relatório. VOTO VENCEDOR O Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, redator designado: Lido o relatório e ouvidos os procuradores de ambas as partes, a turma julgadora, antes de o nobre Conselheiro Relator das prosseguimento ao julgamento do feito, questionou-o se não seria o caso, no presente feito, de baixar o feito em diligência. Mesmo após os debates, o douto Conselheiro Relator não se convenceu da necessidade da diligência, tendo desta feita, ficado vencido face o entendimento sufragado pelos seus pares, tendo eu sido designado, permissa venia, para a redação da resolução de diligência. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 09/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 12/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE 8 Segundo o entendimento da maioria da turma julgadora, a estimativa desaparece quando se extingue o ano-calendário, não havendo que se falar, a priori, em devolução de estimativa recolhida a maior após o encerramento do exercício fiscal. De fato, no caso do imposto de renda e da CSLL apurados pelo regime anual, com recolhimentos mensais por estimativa, estas nada mais são do que antecipação do tributo que será apurado ao final do ano- calendário. Desta feita, encerrado o ano-calendário, realiza-se o ajuste anual e apura-se o imposto de renda e a CSLL devidas naquele exercício, deduzindo-se o valor das estimativas pagas. Caso as estimativas não tenham sido pagas, ou tenham sido pagas a maior, o seu reflexo deverá ser apurado segundo o resultado do exercício, seja pela composição do saldo de tributo a pagar, seja pela composição do saldo negativo a restituir. Por isso que, se tiver havido pagamento a maior de estimativa, esta, de per si, não é passível de restituição, mas sim o saldo negativo que decorreu desse recolhimento a maior. Assim, o pedido de restituição das estimativas deve ser entendido como pedido de restituição do saldo negativo de cada exercício fiscal. E este é o entendimento que deverá ser aplicado para a solução do presente feito. Por outro lado, estando pendente, contra o ano-calendário, a verificação do montante de tributo a pagar pela existência de auto de infração lavrado com relação ao mesmo período, não há que se negar definitivamente o direito à restituição do crédito. Fosse assim, toda autuação fiscal, ainda que pendente de revisão no curso do processo administrativo, seria ato impeditivo de restituição de saldo negativo, pensamento esse que atenta contra a boa-fé e o princípio da confiança legítima, caros ao nosso ordenamento jurídico. Mesmo porque, a demora no julgamento final da autuação fiscal poderia levar à prescrição do direito de restituição do crédito, fato este que não pode ser imputado ao contribuinte. Diante desses argumentos, a 1ª turma ordinária da 4ª Câmara da 1ª Sessão do CARF decidiu o seguinte: a) baixar o feito à unidade de origem, para promover o apensamento dos processos nº 19647.004623/2005-05, 19647.004636/2005-76 e 19647.004640/2005-34; b) aguardar o julgamento do processo nº 19647.009690/2006-99; c) após o trânsito em julgado na esfera administrativa do processo nº 19647.009690/2006-99, seja apurado o saldo negativo cuja restituição se processo neste feito; d) seja dado vista à Recorrente do resultado da diligência; e) retornem os autos à este Conselho, para julgamento. Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Redator Designado Fl. 8DF CARF MF Emitido em 09/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 09/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 25/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 12/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE
score : 1.0
Numero do processo: 10865.902699/2008-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1402-000.085
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 19 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201109
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10865.902699/2008-93
conteudo_id_s : 6576918
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 1402-000.085
nome_arquivo_s : Decisao_10865902699200893.pdf
nome_relator_s : ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10865902699200893_6576918.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
dt_sessao_tdt : Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
id : 9239005
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Mar 19 09:56:22 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1727721675868340224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1272; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 0 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.902699/200893 Recurso nº Resolução nº 140200.085 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 29 de setembro de 2011 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente UNICOL ENGENHARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 199DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10865.902699/200893 Resolução n.º 140200.085 S1C4T2 Fl. 2 2 RELATÓRIO UNICOL ENGENHARIA LTDA com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que confirmou o despacho decisório da Delegacia da Receita Federal de origem e indeferiu seu pleito. Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Versa este processo sobre PER/DCOMP. A DRF/Limeira SP, através do Despacho Decisório nº 790549937 (fl. 23), não homologou a compensação declarada nos PER/DCOMP que relaciona. O despacho decisório contém a seguinte fundamentação: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que não foi apurado saldo negativo, uma vez que, na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do crédito informado no PER/DCOMP, consta contribuição social a pagar. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$54.730,33 Valor da contribuição social a pagar na DIPJ: R$568,92 O interessado, cientificado em 18/09/2008 (fl. 28), apresentou, em 30/09/2008, manifestação de inconformidade (fls. 29/31). Nesta peça, alega, em síntese, que, a DIPJ continha erro e foi retificada em 27/09/2008. Às fls. 90/93, foi juntada cópia da Portaria RFB/SUTRI nº 1.036/2010, que transfere a competência para julgamento deste processo para a DRJ/RJO I A decisão recorrida traz a seguinte ementa e voto condutor: Ementa: COMPENSAÇÃO. Mantémse o despacho decisório, se não elididos os fatos que lhe deram causa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Voto (...) O legislador foi inequívoco: a compensação é efetuada mediante a entrega de declaração de compensação, na qual cabe ao declarante prestar as informações do crédito de que, comprovadamente, declara ser titular, e, também, as informações do débito que, lastreado em documentos e registros contábeis idôneos, apurou. Fl. 200DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10865.902699/200893 Resolução n.º 140200.085 S1C4T2 Fl. 3 3 As informações prestadas em Dcomp devem corresponder àquelas que o declarante já havia prestado a esta Secretaria em outros documentos (darf, DCTF, DIPJ, etc). A DRF, ao confrontar as informações prestadas no PER/DCOMP (tipo de crédito: saldo negativo de CSLL; período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005) com as da DIPJ, não localizou o crédito pleiteado (na DIPJ constava CSLL a pagar). Na manifestação de inconformidade, o interessado não elide os fatos apontados no Despacho Decisório. Alega, apenas, que a DIPJ continha erro e foi retificada em 27/09/2008. O interessado foi cientificado do Despacho Decisório em 18/09/2008 fl. 28. A DIPJ retificadora foi transmitida em 27/09/2008 (fl. 57). A DIPJ deveria ter sido retificada antes da apresentação do PER/DCOMP. O interessado teve, ainda, a oportunidade de efetuar a retificação antes da emissão do Despacho Decisório (foi intimado através do Termo de Intimação juntado às fls. 21/22). O ato de verificação da certeza e liquidez do indébito tributário, relativo ao saldo negativo da CSLL, em sede de análise, pela DRF, da declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo, não está limitado aos valores das antecipações recolhidas no curso do anocalendário, devendo atingir, também, a verificação da regularidade da determinação da base de cálculo apurada pelo contribuinte. A ausência de informações na DIPJ impediu a verificação do alegado saldo negativo de CSLL. Assim, sem a apuração, em tempo hábil, de saldo negativo, não há que se falar em constituição de direito creditório a tal título. Ademais, o interessado não comprova o erro contido na DIPJ (junta, apenas, DIPJ retificadora). As informações sobre fatos tributáveis devem estar lastreadas na escrituração contábilfiscal e na documentação do contribuinte. Se houve um erro de fato no preenchimento da DIPJ, este deve ser comprovado. Uma vez que o interessado alega que teria um valor a ser restituído/compensado, cabe unicamente a ele o ônus da comprovação, por meio dos documentos hábeis, como os livros contábeis e fiscais, bem como os demais que demonstrem as informações neles contidas. O Despacho Decisório deve, então, ser mantido, por não terem sido elididos os fatos que lhe deram causa. : Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 201DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10865.902699/200893 Resolução n.º 140200.085 S1C4T2 Fl. 4 4 VOTO Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, tratase de pedido de reconhecimento de direito creditório da CSLL, anocalendário de 2003, relativo a alegado saldo negativo de recolhimento, que não constou na DIPJ originalmente apresentada pelo contribuinte, e foi objeto de retificação (recibo de fl. 50), após a ciência do despacho decisório. A DRJ não acatou a retificação por entender não ter sido comprovado o alegado erro na apuração do Saldo Negativo de recolhimentos da CSLL, dentre outros fundamentos. Este Conselho já reconheceu a possibilidade da comprovação de erro no preenchimento de declarações no transcurso do processo administrativo. Vejamos alguns julgados que amparam esse entendimento. Acórdão 10808689, de 25/1/2006 IRPJ ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, e exigido o valor efetivamente devido conforme o lucro real. Acórdão 10194955, de 15/04/2005 IRPJ AUDITORIA EM DCTF FALTA DE PAGAMENTO. Comprovado que a diferença apurada na auditoria deveuse, exclusivamente, a erro no preenchimento da declaração, cancelase o auto de infração. Acórdão 10321472, de 5/12/2003 CSLL ERRO O PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL IMPRESCINDÍVEL COMPROVAÇÃO MATERIAL DO EQUÍVOCO OU DO ERRO DE FATO A ordem jurídica vigente não permite a cobrança de tributos sem que seja procedida a determinação da matéria tributável, consoante dispõe o artigo 142 do CTN. Entretanto, nos casos em que o contribuinte não logra comprovar, materialmente, os equívocos ou erros de fato que teria cometido quando do preenchimento da declaração não vejo como não prevalecer à tributação pretendida exclusivamente com base no procedimento sumário de revisão das declarações de ajuste (malhas fiscais). No caso do autos aduz a recorrente que incorreu em erro na informação dos valores recolhidos por estimativa, tendo retificado as Declarações de IRPJ dentro do prazo de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador, sendo que os valores corretos estão devidamente amparados em seus registro contábeis (balancetes de suspensão transcritos no Diário). Fl. 202DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10865.902699/200893 Resolução n.º 140200.085 S1C4T2 Fl. 5 5 Portanto, cabível a apreciação do mérito pela autoridade administrativa, considerando as declarações retificadoras, desde que comprovado o erro. Ocorre que os documentos comprobatórios foram trazidos apenas com o recurso voluntario (fls. 104 e seguintes). Resta então a este colegiado determinar a realização de diligéncia para que seja verificada a efetividade do direito creditório pleiteado. Diante do exposto, propugno pela conversão do julgamento em diligência para que a Unidade de origem: 1) verifique a correção do saldo negativo de CSLL, anocalendario 2003 do contribuinte, elaborando parecer consubstanciado, indicando os valores que eventualmente estejam equivocados; 2) cientifique o contribuinte desse relatório, concedendo lhe o prazo de 30 dias para manifestação. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 203DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA
score : 1.0
