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Ne-CSRF/G3-0.275 Recurso n°--RD/1.01 -- O . 110 Recorrente FAZENDA NACIONAL , , Recorrido QUART -A. CAM.7= RA DO PRIME IDO CONSEXTiO DE CONT'ilRIP,UTNr., SUJEITO P ASSIVO ANGELA WIRTH QUARTIN BARBOSA , "IRPF - C2P"r: L"ik G - 1.2 1., rnA DE ESCRImURAU2C TRI'RUTLÇT,O. Tv.,bserv, ,,,das .s:,s re,..!.,-,,s ('-i.e apu- ' raçao do rendimento 1Tquido, e2tabelec1dPs no art. 54e incisos, do RIR/75, e conhoci - da a receita brut,), rejeitam-se as deduu6es C reduções íncompro-vadas, face a omissão co 1 contribuinte, e a base de cálculo é determi , nada m--1- rp,-,--.iv-, h-,1-, no,-„, 1-hn-u-a,3 9 --,, 15% do seu monUmte, ?i_ vista do § 19 do art, i 60 do oiLad:.) Regulamento. Entretanto, no primeiro exercício de :Inob- serv5nci ,) d ,-1 rorm- (--'-')Ivel de , nlir-rão do rendimento líquido, pode ser tolerada a regularidade se a receita bruta excedeu o limite pertinente em valor tão pequeno que,.., no curso do ano-base, poderia no ser prev,i. slvel o enquadramento do contribuinte nau- tra das formas do art. 54 P incisos,do R2R/ /75, considerando-se, tambm, que os limi- tes são reajustados ao t.6rmino do ano-base': Vistos, relc_Lados e discutidos os presentes autos de recurso interposto 1-s ela FAZENDA NAnTOWALt , ' ACORDAM os Membros da Camara Superior de Recursos Fi,- 'cais, por unanimidaed de votos, ne.ar provimenbo ao recurs ills\o es A.a4 , r i,I, Sala das Sess;. s /(D ', co 26 de outubro de 1982. 1 , ,/ 1 AMADOR O firMi'.12;.....„-?tRNANDEZ - PRESIDENTE v.v. 7- ._. /7/ .',...<44 SEBAST-NO.wiGUES CABRAL - RELATOR \, \\I\ - ==71NACIONALD LUIZ FERNA,Ail OLIVEIRA DE MORAES Participaram, ainda, do presente julg=ento, os seguintes Conselhei' — ros: RAUL PIMENTEL, JACINTO DE MEDEIROS CALMON, WALDEVAN.ALVES DE, 1 OLIVEIRA, LUIZ MIRANDA, URGEL PEREIRA LOPES, e PEDRO MARTINS FERNAN' _ DES. ' , , -, ,,,~0., SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N. 0835/051,392/80 RECURSO N.° :— RD/i. 04-0 .110 ACÓRDÃO N.°CSRF/01-0.275 REcoRRENTE:FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: QUARTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: ANGELA WIRTH QUARTIN BARBOSA RELATÓRIO Contra a decisão prolatada pela Colenda Quarta Câma ra do Primeiro Conselho de Contribuintes através do Acórdão n9 104- -2.659, de 18/02/82, recorre a Fazenda Nacional através de seu Pro- curador Representante junto âquele Colegiado, com fundamento no in- ciso II, do artigo 39, do Decreto n9 83.304/79, conforme se consta- ta pela petição de fls. 832 a 834, A Câmara recorrida, conforme sintetizado na ementa do Acórdão retro citado, decidiu que: "CÉDULA "G" - RENDIMENTOS - ARBITRAMENTO - COEFICIEN TE - É inaplicável, como coeficiente para arbitra- mento do rendimento tributável resultante da explo- ração das atividades agricolaou pastoril e das in- dústrias extrativas vegetal e animal, o percentual de 15% estabelecido como limite máximo para cômputo do rendimento liquido tributável (DL. 902/69, art. 49 .§ 69, acrescentado pelo art. 19 do DL. 1.074/70; DL. 1.494/76, art. 12; DL. 1.584/77, art. 49). En- quanto não forem fixados, conforme determinação le- gal, os critérios para o arbitramento, a tributação dos rendimentos classificáveis na Cédula "G" far-se -á à vista dos elementos que permitam apurar a re- ceita bruta, as despesas de custeio e os investimen tos incentivados realizados durante o ano-base e,eE conseqüência, chegar /à id ificação do rendimento, liquido tributável. , i / D M F - RJ/1.° C - C - Secgraf - 1600/75 , , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0835/051.392/80 2. , 1 Acórdão n9-CSRF/01-0.275. ,, "CÉDULA "B" - RENDIMENTOS - GANHOS EM OPERAÇÕES FINAN CEIRAS A CURTO PRAZO, Somente a partir do exercício de 1978 é que os ganhos referidos no item VI do ar- tigo 27 do RIR/80 se classificam obrigatoriamente na cédula "B"." i Por outro lado, a Egrégia Segunda Cámara do mesmo•„ Conselho, ao julgar o recurso n9 36.121, versando mesma matéria, as- „, sentou que: .„., , , "IRPF - CÉDULA G-- ARBITRAMENTO DO RENDIMENTO TRIBUTA - 1 VEL. -Quando inexistir a escrituração rudimentar ou simpli ficado, a que estão obrigados os contribuintes que auferirem receita bruta, classificável na cédula G, entre os limites fixados no artigo 54, II, do Regula mento do Imposto de Renda, justifica-se o arbitrameií to do rendimento tributável na base de 15% da recei- ta bruta, coeficiente previsto no artigo 49 do De- creto n9 1.584.; de 29 de novembro de 1977, para fi- xar o limite não transponível pela soma das reduçOes que beneficiam os rendimentos da cédula G.” Em razão do decidido no Acórdão paradigma à Procura- doria da Fazenda Nacional sustenta perante a esta Superior Instância ,, Administrativa in verbis: "3. Embora a decisão recorrida tenha aplicado o inciso III do art. 54 do RIR/75 e o acórdão paradig- ma se embase no inciso II do mesmo dispositivo legal, os dois casos referem-se à inexistência de escritura ção regular, para comprovação dos resultados da ex71 ploraçâo agrícola ou pastorile das indústrias extra _ tivas vegetal e animal. 4, Respeitáveis que são os argumentos do ilus- tre Relator, parece-nos, data venia, que o melhor en'_ tendimento está com a decisáo trazida a colação. 5. É certo que o rendimento líquido tributável na cédula "G" está limitado a um máximo de 15% da re ceita bruta, adotado qualquer critério de sua apura --7 H ção (DL-902/69, art. 49,§ 69; DL-1.584/77, art. 49), R 6. É certo também que o contribuinte é obrigado H a cumprir o dever de manter a escrituração de suas atividades de acordo com as imposiç6es legais, para apuração exata dos resultados, Se assim não procede, por negligência ou outra razão qualquer, há que se arbitrar o rendimento tributável, desde que não ocor ra imunidade, não haja, p i'Sen,. expressa, nem seja dã. so de não incidência ?( . 21. , '(-- L - z , .., ,, SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0835/051.392/80 3. Acórdão n9-CSRF/01-0.275. 7. Ora, se o contribuinte com escrituração re- gular de resultados tributáveis na cédula "G" pode ter um máximo de 15% da receita bruta sujeito â inci ciência do imposto, com muito mais razão deve ser a- 1 plicado esse critério de tributação âquele que se en - ; contra em situação irregular, 8. Entendimento diverso, como o da respeitável decisão recorrida, conduz â aplicação injusta da lei, em beneficio de contribuinte negligente, amparando-o com isenção que a lei não criou, nem desejou criar. 9. 0 argumento de que, não fixadas normas de ar bitramento pelo Ministro da Fazenda (art. 54, § 1-9.> do RIR/75),os contribuintes da cédula "G" ficariam sujeitos âs normas dos contribuintes das outras cédu - , las, não convence, pois o arbitramento toma sempre um valor exato tributável e, no caso, há um limite legal para os rendimentos tributáveis e que foi ado- tado. 10. Adotando-se a razão exposta pelo digno Re- lator, estaria correto o entendimento da autuação e da primeira instância, eis que o lucro arbitrado dos demais contribuintes é em percentagem da receita bru ta, não sendo inferior a 15% (RIR/80,art.400,§ 19).w Não foram apresentadas contra-razOes por parte •o su . - .1 jeito passivo na presente relação juridico-tributáriai. l4:if :, L'? ::2 o relatório. , . ' SERVIÇO Plj EiLICO FEDERAL PROCESSO N9 0835/051.392/80 4. Acórdão n9-CSRF/01-0.275 VOTO _ Conselheiro SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL, Relator: A materia tratada nos presentes autos já foi objeto de decisão por esta Câmara Superior, podendo-se citar, dentre ou- tros, o Acórdão n9-CSRF/01-0.262, de que foi Relator o Conselheiro • ! Urgel Pereira Lopes. Adoto, sem ressalvas, os fundamentos expendidos pelo Ilustre Relator citado,a,queM peço venia para aqui reproduzir: "Não sofre contestação o fato de que os rendimen tos das atividades agrícolas estão sujeitos â dência do imposto sobre a renda, face ao ordenamen- to jurídico vigente. Quer dizer: há inteira e inata cável previsão legal nesse sentido. Sem contrarieda- de ã Constituição Federal, ao Código Tributário Na- cional ou ã legislação ordinária. Assente essa premissa, são despiciendas, para . já, consideraç3es em torno do princípio da anualida de, ou do princípio da legalidade ou da anterioridã - , de da lei. Temos, claro e insofismável, que a regra geral 1 e a incidência do tributo sobre os rendimentos elas • sificáveis na cedula G, derivados das atividades a- i grIcolas enumeradas no art. 38 do RIR/75. També"m á regra geral que a forma de apuração desses rendimentos á a discriminada no art. 54 e in cisas do mesmo Regulamento. Basicamente, são três: estimado (forma A), escrituração rudimentar (forma B) e contábil (forma C). Todas elas em função do va lor da receita bruta auferida no ano-base. A controv&irsia exsurge nos casos em que os con- tribuintes descumprem a obri gação "ex lega" de apu- rar os rendimentos segundo uma das formas estabele- cidas no citado art. 54. Vale dizer: quando o con- tribuinte lhe dá causa por descumprir a lei. Convem ressaltar que o descumprimento da lei,na hipótese em análise, não e omissão sem maiores con- seqüências. Bem pelo contrário, a conseqüência ime- diata e inexorável e a de frustrar ao fisco os meios de apurar, com a correção e exatidão necessárias, a.n verdadeira base de cálculo do tributo. Ora, 7.2 • S E RV I Ç O PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0835/051.392/80 5. Acórdão n9-CSRF/01-0.275 vermos presente que o descumprimento da obrigação legal imposta pelo referido art. 54, por parte do contribuinte, não decorre, "in casu", de caso for- . tuito ou de força maior, ou de qualquer fato inibi: dor conhecido de idêntica relevancia; se admitir-- :, mos, também, que pagar o menor imposto poss5ivel não constitui hipótese desprezada, "ab initio",por qualquer contribuinte, talvez pudóssemos conside- rar que o injustificado descumprimento da obriga- ção de apurar o rendimento tributável na forma cor • reta, bem poderia não estar assim tão isento de il--i._ tencionalidade. . , Nesse contexto, o aplicador da lei, tão isento, imparcial e objetivo quanto humanamente possível, , não pode, a meu julzo, minimizar a previsão legal „ . para..atributação dos rendimentos classificáveis j na códula G, e o comportamento omissivo do contri .: buinte, para concentrar sua atenção, fundamental-- .,,, mente, a esmiuçar formalismos de ordem legal impos . tos ã Fazenda PrIblica. , Neste voto tentar-se-á não perder de vista os . seguintes Pontos: (a) os rendimentos provenientes das atividades agrícolas estão sujeitas ao imposto de renda; (b) a quantificação dos rendimentos tri- butáveis, segundo o mêtodo que autoriza as dedu- ç8es de custos e despesas, e reduç6es por investi- mentos, era obrigação legal do contribuinte; (c) o contribuinte descumpriu, por inteira responsabili- dade sua, a referida obrigação; (d) cabe ao intór- prete perquirir, no ordenamento jurí.dico vigente, a base de cálculo do tributo correspodente a espó- . cie dos autos. Preconiza o § 19 do art. 54 do RIR/75 que "a inobservãncia do disposto neste artigo importara , em arbitramento do rendimento tributável com base nas normas fixadas pelo Ministro da Fazenda". Arbitramento, como se sabe, pode consistir no cálculo feito pela autoridade lançadora, baseada nos elementos de que dispuser, para fixar os rendi mentos sobre os quais se fará o lançamento. No caso do § 19 do art. 54 do RIR/75, segundo normas a serem fixadas pelo Sr. Ministro da Fazen- da. Como essas normas ainda não foram baixadas, en tendeu-se, no Acórdão recorrido, inaplicável o arl: bitramento com base no dispositivo legal em ques- ,1 tão. Se bem entendi, haveria como que uma "vacatio legis" no plano da eficácia da citada norma jurídi ca, por inaplicável enquanto não regulamentada. — Contudo, embora inexistisse apuração do endi-/n mento tributável, por haver o contribuinte dr CuM7. AC , . : SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0835/051,392/80 6. ', Acõrdão n9-CSRF/01-0.275 prido o art. 54 e incisos do RIR/75, e inexistindo, também, as tais normas sobre arbitramento anuncia- ! das no § 19 desse artigo, assim mesmo o Acõrdão re- corrido concluiu ser devida a tributação. Propôs, no entanto, outra modalidade de arbitra ! mento, "...não com base em coeficientes, pois que este sistema não seria aplicável a contribuintes de outras cedulas", mas sim com apoio nos itens I e III do art. 676, combinados com os itens I e III do art. 678, ambos do RIR/80. Creio ser possível solução mais adequada. Inexistindo forma regular de apuração dos rendi ! - , mentos líquidos, é entendimento geralmente aceito que o rendimento bruto continua sendo o melhor indi 1 cador para se chegar ao rendimento tributãvel. Ren- ! dimento bruto, ou receita bruta, se adotada a termi nologia da apuração contabil das pessoas jurídicas, i e que 6 utilizada na cedula G. , Sabe-se que da receita bruta podem ser feitas 1 as deduções da cedula G (despesas de custeio e pre- juízos de exercícios anteriores) e a redução pelos • investimentos, desde que demonstradase comprovadas, • para se chegar, ao rendimento liquido. Supondo-se que o contribuinte houvesse cumprido ! o disposto no art. 54 do RIR/75, adotando, dentre! ! . as três formas ali relacionadas, aquela que se ajus- . tasse ao montante de sua receita bruta, estaria ! quantificada a base de cálculo, configurada a hip6- . tese de'incidencia e estabelecido o vinculo obriga- ! cional, sobrevindo a exigibilidade do credito tri- ' butário com o lançamento regularmente notificado. j Se, numa eventual fiscalização, fossem comprova ! das receitas omitidas, ou deduçoes ou reduções inda !! vidas, caberia o acr•scimo correspondente e a tribU -. tação da diferença encontrada. Em suma: o que estivesse declarado de acordo ! com a lei, seria aceito; o que houvesse sido omiti- ( do em matéria de receita, ou deduzido, ou reduzido, em desobediencia á lei, seria tributado. Porem -- e este pormenor e da maior relevância- 1 em qualquer caso, o rendimento líquido tributável, E! declarado pelo contribuinte ou apurado pela fiscali ! zação, jamais poderia exceder de 15% da receita bru ta do ano-base, declarada ou apurada, por força d5 ! disposto no § 19 do art. 60 do RIR/75. Em conclusão: (a) se a premissa para se fruir ! das deduções ou reduções consiste na respectiva com ! provação; (b) se essa comprovação não e somente do-1 ! cumental, mas também escriturai, nas hipõteses das ! formas B e C do art. 54 do RIR/75, de tal maneira ! que os documentos sem a escrituração,ou -II rsg',nã9 (...-" ! A9: -3 • , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0835/051.392/80 7. Acôrdão n9-CSRF/01-0.275 atendem ãs exigências legais; (c) se a inexistência de tal comprovação decorre de descumprimento de o- brigação legal somente imputável ao . contribuinte Que, de modo algum, pode ser erigido em fator ex- 1 cludente de tributação prevista em lei; então a con secf?Iência .1Ogica só poderia ser a de se tributar Si receita bruta declarada ou apurada. Entretanto, por força do já citado § 19 do art. 60 do RIR/75, sabendo-se que em hipótese alguma a base de cálculo dos rendimentos classificáveis na cédula fj, poderá exceder Aç=, 159: da receita bruta, evidente que serão esses 15% que constituirão a ba- se de cSlculo. Portanto, os outros 85% continuam no tributados. Ressalte-se que.não é em todos os casos de tributa ção de rendimentos classificáveis na cédula G que montante das deduç8es e reduç6es atinge 85% da re- ceita bruta. Muito pelo contrário. Mesmo porque, se assim não fosse, quer dizer, se as deduç6es e redu- çOes cedulares sempre atingissem ou ultrapassassem os 85% da receita bruta, o limite de 15% do 19 do' art. 60 do . RIR/75 seria absolutamente inócuo. Por outro lado, para aqueles a quem pareça ex- cessivo tributar 15% da receita bruta, pelo abando- no das deduOes e reduç6es incomprovadas, convém lembrar três aspectos essenciais. O primeiro, é que âs autoridades incumbidas da triSutação, fiscaliza- ção e arrecadação, no âmbito federal, interessa que os preceitos do art. 54 e incisos, do RIR/75, hoje reproduzidos no art. 54 e incisos, do RIR/80, sejam - - observados pelos contribuintes, por corresponderem à regra geral de tributação de que se trata. O se- gundo, de certo modo decorrente do primeiro, é que se vierem a ser baixadas as normas de arbitramento anunciadas no § 19 do citado art. 54 (previstas no Decreto-lei n9 902/69, portanto, há mais de 12 nos), e logicamente previsível que os coeficientes ou outros indicadores de arbitramento não conduzam a tributação menos gravosa do que a resultante da base de cálculo de 15% da receita bruta. Mesmo por- que, se assim não fosse, não restaria motivo para que os contribuintes efetuassem a apuração nos mol- des do art. 54. A não ser, talvez, aqueles cujas de duçOes e reduç6es alcançassem valor superior a 85%> da receita bruta. Entretanto, não é razoável conje- turar que as normas de arbitramento fossem de tal ordem que apenas estes últimos se sentissem estimu- lados a observar as regras do art. 54 sobre apura-- ção do rendimento liquido. Surge, então, o terceiro aspecto: as anunciadas normas de arbitramento se- riam realmente necessárias para os casos de impossi bilidade de s .- conhecer a receita bruta, ou, até, de inco iai idade dos elementos que a demonstras- sem. (6 u - ///- F-' CO FEDERAL -- pocreqo No 0835/051,392/80 8.SERVI (,; O nLI p Ac6rdão n9-CSRF/01-0,275 Afigura-se-me, por consegüinte, que o desprezo das deduçOes e reduçaes possíveis, aqui preconizado pela omissão do contribuinte em comprová-las na for ma da lei, conjugado com o limite de 15% fixado n.C5 § 19 do art, 60 do RIR/75, alem de ser a solução ju rídica, justa e razoável, está muito longe de ser iníqua, ou excessivamente gravosa. Aliás, enquanto o limite tributável, na cédula G, era de 5%, casos desta natureza nem eram questio -- nados pelos contribuintes. Somente com a elevação do percentual para 15%, através do Decreto-lei n9 :1 1.584/77, e que as controvérsias começaram a ter ex pressão. Recorde-se que o percentual de 25%, intro- duzido pelo Decreto-lei 1,494/76, nunca foi aplica- 1 do. Tem-se, na cédula G, e na solução que exponho, situação em muito idêntica ao que se passa na cédu- la D. Nesta, a falta de escrituração do livro Caixa acarreta, como se sabe, a indedutibilidade das des- 1 pesas acima de 20% do rendimento bruto, ainda que o 1 contribuinte disponha de todos os comprovantes de tais despesas. AS condicSes le gais para a dedutibi- lidade nao se esgotam com a existência dos compro- vantes das desPesas, consoante remansosa lurispru- dência. Requer-se, também-, a escrituração do livro . 1 Caixa. - H• Assinale-se que, na cédula G, de igual maneira não basta dispor de comprovantes de des pesas e cus- tos, ou dos investimentos. Exige-se, ainda, a escri turação, nas formas B e C, pelo menos, já que a for • ma A contenta-se com o resultado estimado. A inexistência ou*imprestabilidade da escritura -- çao rudimentar, se for o caso da forma 13, ou conta- bil, nos casos em que se exige a forma C, ã falta de normas especiais, equivale ã não escrituração do livro Caixa, na cédula D, para as deduçOes superio- res a 20% do rendimento bruto. A solu9ão defendida neste voto somente encontra óbice se nao se conhecer ou não se puder apurar a receita bruta, no todo ou em parte. Aí, sim, salvo conclusOes a que se chegue em virtude de estudo que é desnecessário aprofundar nesta oportunidade, pare ce fazerem falta normas especificas sobre arbitra- mento. Discutiu-se nestes autos em torno do vocábulo arbitramento. Se admitirmos que a adoção de base de cálculo que não corresponda a receita bruta, menos deduçOes e reduçOes pelos investimentos, implica to mar-se como base de cálculo valor inexato, pode-se até falar em arbitramento. Todavia, a soluça() pli-/ cável ã hipóteses coro a do caso destes auto ' não:// suRv;o0 p úmico FEDERAL PROCESSO N9 0835/051,392/80 9. Acórdão n9-CSRF/01-0.275 . . tem a ver com o desconhecimento das deduções e redu ções, mas, sim, com a glosa de deduções e reduc6e-S.- que o contribuinte não comprovou conforme determina a lei, por sua omissão, ünica,e exclusivamente. AI, então, já inc parece inadequado falar-se em arbitra-. • mento, Trata-se, na verdade, de tributação com base na receita bruta, numa das duas modalidades possí- veis, enquanto não baixadas as normas de arbitramen. .., - to: (a) receita bruta, menos deduções e reduçoes comprovadas, sem se exceder de 15% dessa receita bruta; ou (b) receita bruta, sem deduções ou redilçes, por,__ não comprovadas, mas -Lambem sem ultrapassar os tais 15% da receita bruta. Aliás, no essencial, esse e o tratamento jurldi co-fiscal aplicável á tributação dos rendimentos classificáveis em qualquer das 8 cedulas. Assim, não á realmente de arbitramento que se , cuida. O uso do vocábulo arbitramento, nestes autos, desde o Auto de Infração ate o AcOrdão recorrido foi, "maxima venia concesse inadequado. De qual- quer maneira, não vislumbro inovação no feito no eu— tendimento que defendo, mesmo porque com ele nao chego a tributação menor nem maior do que a do Auto de Infração. Tambem há correspondencia no percen- tual de 15% da receita bruta, utilizado no lançamen to impugnado. São os mesmos a base de cál=io e 5 fato gerador. Nenhuma diferença quanto ã materia de fato. Igualmente, lá, como aqui, se abandonam as de duções e, reduçOes, inadmitindo-as, por incomprova das, Apenas, no Auto se mencionou como base legal, dentre outros dispositivos legais arrolados, o § 19 do art. 54 do RIR/75. Ora, se e certo que o Auto de infração deve eón ter, dentre outros elementos, a descriçao do fato e a disposição legal infringida, a jurisprudência ad- ministrativa, e mesmo a judicial, tem dado maior re levância á materia de fato, do que á capitulação 1-J. gal. De um lado, porque os fatos tidos por irregulà res, imputados ao contribuinte, constituem o mais . importante fator para a apresentação da defesa. De outra parte, porque a lei presume-se conhecida por, todos, segundo o princípio t nemo ignorare legis po- test". Ainda porque, estabelecido o litígio adminis trativo fiscal, não está o julgador adstrito ã capI tulação legal contida no Auto, se entender que aos fatos melhor se enquadra outro ou outros dispositi- vos legais. Penso que -bambem no processo administra . tivo fiscal tem guarida, com as devidas cautelas, 5 princípio de que ao julgador cabe extrair o direito aplicável aos fatos do processo: "da mihi factum, dabo tibi ius; lura novit curia". Evidentemente,se ., que dal resulte cerceamento do direito de 'esa. (p,,.. ., 7.-- • -,: SER'v1C0 PÚBLICO FEDERAL PROCESSO NQ 0835/051.392/80 10. Ac5rdão n9-CSRF/01-0, 275 . Neste feito, apesar de parte do debate ter-se concentrado na figura do arbitramento, creio que a verdadeira essência do problema era outra, confor- me se buscou demonstrar neste voto, e esse ponto nuclear da questão tambêm não foi ignorado desde o início, embora como vocábulos e conceitos nem sem- pre os mais têcnicos. Conseqüentemente, a solução que me parece cor- reta, e que implica descartar a figura do arbitra- r mento, sem nada mais alterar na .matêria de fato ou de direito, não implica inovação no feito, pois inovar significa introduzir fato novo, em relação ao que se está fazendo ou está feito no processo, com o intuito de ver alterada a fase anterior. A inovação, ainda que formulada sob a forma de aten- tado contra direito, consubstancia-se em relação a estado de fato ou situação de fato (DE PL:ACIDO E SILVA, in Vocabulário Jurídico, Forense, V. I1,2a. - ed.). Nessa ordem de idêias, o fato de o recurso es-. _ pecial pedir seu provimento nos termos do acêrdão - paradigma, que alude o arbitramento, não prejudica o entendimento esposado neste voto, de modo a que :este possa ser acoimado de ter decidido "circa pe- -tita" ou "ultra petita". _• _ , .e. . - No entanto, conforme já decidiu esta meSma Cámara• Superior, no caso sub judice há que considerar o aspecto altamente relevante consiste em que a receita bruta auferida pelo contribuin- te durante o ano de1978, base .do exercício de 1979, foi de Cr$.... 2.657_395,0,0„. enquanto que o limite a partir do qual estava ele obrigado a manter escrituração contábil (forma C), foi fixado em 1 • Cr$ 7.238,400,00 Constata-se, de imediato, que o excesso da recei - , ta bruta declarada sobre o limite estabelecido pela autoridade fa- zendária não foi significante. Deve ser considerado o fato de que este foi o pri- 1 meiro ano em que o sujeito passivo inobservou as normas relativas a escrituração; que os valores a serem observados pelos contribuintes para efeito de enquadramento em uma das formas de escrituração (RIIV /75, art. 54), são estabelecidos por ocasião do encerramento do pe- ríodo-base; que as receitas decorrentes da exploração da atividade I agrícola comumente não mant6m fluxo regular e de fâcil previsão,. sendo razoãvel admitir-se que , prevaleça a forma de apuração uti .zad,:p SERVICO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 08351051,392/80 11. AcOrdão n9-CSRF/01-0, 275 pelo contribuinte, principalmente em razão de que inocorreu prejuízo para a Fazenda Pública e, ainda mais, "a aplicação da lei não deve estar desacompanhada dos princípios que norteiam a boa justiça11(CSRE/ /01-0.266/82 - voto, in fine). ; Nego provimento ao recurso especial. éit Brasília (DF', em 26 de outuhrrn, ) • /7 SEBASTIÃO V. ,10e- UES CABRAL - RELATOR. r • Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1
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Sessão de 26 de agosto de 19 85 ACORDÃO No-CSRF/02-0.151 Recurso n° RP/201-0.170 Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrido PRIMEIRA CÂMARA DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: BANCO DO ESTADO DO PARANÁ S/A. , IOF - Auto de infração lavrado contra instituição financeira (estabelecimen to bancário). Intimação. O Sujeito paz sivo hã de ser intimado na sua sede ou dependência centralizadora, que colhe a documentação e recolhe o imposto. (Res. 619/80, MNIs. 4.4.9.14, 4.4.5.4 e 4.4.9.4). Nega-se provimento ao recurso espe- cial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fis cais, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso espe- cial, nos e rmo „ do relatOrio e voto que passam a integrar o presen te julgad 6rth i 9 _ 2 - Sala das ts:o i e tDF), em 26 de agosto de 1985.,/ ,„5 As- i -4W) /1- 1 'AMADOR O e '` ''' 9 10 E RNÁN DE Z - PRESIDENTE ("\ (4, 4N' rjv.... kf .1, , ! (Adis-, EBASTIAO :• 9 ei S -0UARJ - RELATOR ..= o' LUIZ FERNANDe VEI • Á DE MORAES - PROCURADOR DA FA- ZENDA NACIONAL• v.v Participaram, ainda do presente julgamento os seguintes Conselhei ros: HAROLDO BRAGA LOBO, SnRGIO GOMES VELLOSO, HAMILTON DE SÃ DAR" TAS, JOS2 FAÇANHA MAMEDE, ROBERTO BARBOSA DE CASTRO e SEBASTIÃO R.5" DRIGUES CABRAL. Fez sustentação oral, pelo sujeito passivo, o Dr.- Reinaldo Chaves Rivera, com instrumento de mandato nos autos, e, pela Fazenda Nacional, o Dr. Luiz Fernando Oliveira de Moraes. .1?v. 4 3 , , ' >? Nvp, ,..k SERVIÇOPOBLCO FEDERAL NWCESSON90168/001.648/83-37 RECURSON9: RP/201-0.170 AD5RDAIDN9: -CSRF/02-0.151 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: PRIMEIRA CÂMARA DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: BANCO DO ESTADO DO PARANÁ S/A. RELATÓRIO Em agosto de 1982, foi lavrado o auto de infração, de fls. 98 , contra o BANCO DO ESTADO DO PARANTÃ S/A, no qual se\ apurou que a Agência de Ourizona - PR., do autuado,infrin- giu os MNIs. 4.4.2.2.c ,4.4.4.5.a.IIIe 4.4.4.1. d , ao simular rece—_ bimentos de depósitos em cheques, colocando recursos ã disposição de seus clientes, pela rubrica "CHEQUES E ORDENS A RECEBER, oucon tas de RELAÇÕES INTERDEPARTAMENTAIS, cobrando remuneração, para si, sem cobrar, registrar e recolher o 10F, em face dessas operaçaes de crédito. Apurou-se, nessa peça básica, o imposto no valor de Cr$ 1.130.119, com os acréscimos legais, e foi proposta a muita de 40% (aTI 4.4.8.a.II). Defendendo-se, o autuado apresentou a impugnação, de Lis, 113/123, sem questionar a legitimidade da intimação, fei- ta na pessoa do seu gerente, em 18.08.82 . Replicando, veio a informação fiscal de fls. 131/i __ - 4 DMF - DF/19 C-C - Secgraf - 1600/75 SERVIÇOPÚBLICOFEDERAL PROCESSO N90168/001.648/83-37 3. Acórdão n9-CSRF/02-0.151 133 , suscitando a intempestividade da impugnação, ao fundamento de que a intimação se deu no dia 18.08.82, enquanto a defesa foi apresentada no dia 20.09.82. A decisão singular (fls.138/139), acolhendo a in- formação fiscal, julgou intempestiva a impugnação, vindo, em se- guida, o Termo de Revelia, de fls.145 Inconformado, o autuado InterpOs recurso voluntá- rio (f is. 147/160), sustentando que a intimação, de fls. 98/ — 7N foi feita em pessoa errada, eis que a mesma só poderia ser fei- ta na sua Direção Geral e não na sua Agência, como,de resto, foi feita. Esse recurso voluntário foi tombado, na colenda 19' Cãmara do 29 Conselho de Contribuintes, sob n9 74.347, sendo, pre liminarmente, convertido o julgamento na diligência de fls. 175/ 178, acolhendo-se, por maioria, o voto do eminente conselheiro 1,1 NO DE AZEVEDO MESQUITA, para o fim de se esclarecer: "a) - qual o local em que a falta foi verifi.... cada pela Fiscalização do Banco Central; b) - qual o local em que foi pesquisada a documentação respectiva e efetuado o levantamento das operaçoes dadas como irregulares em face do IOC; c) - qual o local em que foi lavrado o auto de infração." Essa diligência foi respondida, pela informação de fls.181, dela se intimando o sujeito passivo, no sentido de que: "a) - a falta foi verificada por nosso fis- na 1 4 .7arRn-r. n at,r-jAnni a , onA4, foi ini ni aria A iri i-nria conforme atesta a carta de apresentação (fls. 03 ) b) - a documentação que compOe este proces- so foi pesquisada tanto na Agência como na Direção Geral do BANESTADO. Fez-se necessário complementa //:5- SERVIÇONBLICOFEDERAL PROCESSO N9 0168/001.648/83-37 4. Acórdão n9-CSRF/02-0.151 a vistoria na Direção Geral, uma vez que as agên- cias somente mantém em suas dependências os docu- mentos relativos aos últimos 180 (cento e oitenta) dias. Transcorrido esse prazo, os documentos são remetidos à sede, para microfilmagem. Convém res- saltar que somente ficavam nas agências os extra- tos das contas de ~>sitasnãoretiradospelos clien- tes. As cópias "eram arquivadas na Direção Geral, em microfichas. Pelas razaes acima, o levantamento das operaçaes dadas como irregulares iniciou-se na agência e foi complementado na sede, onde, inclusive,estendeu-se a verificação; c) - o auto de infração foi lavrado no nos- so Departamento Regional em Curitiba, (PR) eentre- gue à Agência na data indicada por força do estabe lecido no artigo 10 do Decreto n9 70.235, de 06.03-. 72. Por lapso, não foi mencionado no instrumento que o auto não foi lavrado no local da verificação da falta. Contudo, conforme decisão unânime do 29 Conselho de Contribuintes (Recurso n9 63.576), a- córdão n9 53.262, de 30.04.73), a ausência da indi cação deste fato não constitui nulidade." O recurso voluntário, de n9 74.347, foi julgado na sessão de 22.02.84, cujo acórdão, ora recorrido, recebeu o n9 62.284(fls. 216) etem esta ementa: "PROCESSO FISCAL - A intimação da autuada deverá ser feita na sede da instituição financeira ou na dependência centralizadora jurisdicionadaspg_ lo órgão preparador. O comparecimento espontâneo da autuada para impugnar a exigência fiscal supre ain timaçao irregularmente procedida. Recurso provido, para declarar a tempestividade da impugnação." O voto majoritário, citando a Resolução 619, de 1980, do BACEN, faz transcrever o MNI 4.4.9.14, para sustentar que, no caso, a intimação havia de fazer-se na sede da instituição fi- nanceira, ao fundamento de que a regra geral manda que os "atos processuais devem ser praticados pelas autoridades que jurisdicio- Aam o sujeito passivo. Eacrescenta que . esse entendimento se ampa- ra, também, no MNI 4.4.5.4., que dispOe ser o imposto recolhido, englobadamente, pela sede ou dependência centralizadora da insti- tuição responsável pela cobrança, SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0168/001.648/83-37 5. Acórdão n9-CSRF/02-0.151 Por isso que, afirma o douto voto, a documentação do IOF deve ficar na sede centralizadora, para eventual exame do FISCO. Tanto isso é certo, que o MNI 4.4.9.4 manda que "O preparo do processo compete ao setor téc nico do Banco Central que jurisdicione a sede dia- instituição, onde teve inicio o procedimento fis- cal." E, antes de concluir, o voto vencedor e embasador do V. acórdão recorrido, enfatiza, in verbis: "Nestas condiçaSes, quando a citada norma do MNI 4.4.9.14 diz que "O auto de infração deve ser submetido ã assinatura do autuado, seu representan \\ te ou prepost&r , a intimaçao do sujeito passivo só poderã ser feita na sede da instituição, pois, éne la, salvo raras exceçOes que se encontram, quer o representante legal da instituição,queros seus prepostos estes, como tal entendidos "aquele que dirige um serviço, um negócio por delegação da pes soa competente", isto J, o delegado da instituiça5 como defi.nido no verbete "preposto" constante no,No vo Dicionário da Língua Portuguesa, de Aurélio Bull arque de Holanda Ferreira." E conclui, citando o art. 214 §§ 19 e 49, do CPC.: "Nestas condiçOes, a impugnação apresenta- da a fls. é tempestiva, pelo que voto no sentido de dar provimento ao recurso para determinar a re- messa dos autos ã instância a quo para decisão quan to ao mérito do litígio." Irresignada, a FAZENDA NACIONAL interp8e o recurso Especial, de fls.227/230 , postulando a reforma do V. acórdão re- corrido, para restabelecer a declaração de intempestividade da im_ pugnação, merca destes fundamentos: a) - é evidente que o auto de infração, uma vez concluídas as diligências e vistorias, teria de "ser entregue no pon to inicia l des 1.~ífir.çge"; b) - o CPC, subsidiariamente, aplicável nos casos versados pelo Decreto n9 70.235/72 e pela 1:: • , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N90168/001.648/83-37 6. Acórdão n9-CSRF/02-0.151 solução n9 619/80, dispae, em seu art. 100 inciso IV, "Art. 100. É competente o foro: IV - do lugar a) - onde está a sede, para a ação em que for ré a pessoa jurídica; c) - não procede o alegado prejuízo da defe \..... sa, pois a impugnação tinha o prazo de 30 dias e se \ — 1 / ria possível, com os meios modernos de comunica- i ção, e, "na realidade, á que houve propositado ul- trapassamento do prazo para, em se alegando falha processual, se obter procrastinação". Com as contra-razaes , de fls. 234 / 237 , onde se con — tem os fundamentos deduzidos no voto majoritário do acórdão recor._ rido, subiu o recurso especial, com despacho de fls. 240, para a- g)preciação desta Cãmara Superior de Recursos Fiscais. ? g o relatório. ;_,,,,,) _ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0168/001.648/83-37 7. Acórdão n9-CSRF/02-0.151 • VOTO — — — Conselheiro SEBASTIÃOBORGES TAQUARY, Relator Entendo, data venha, que a regra do art. 100, inci— so IV, do CPC, não se aplica à hipótese subexame. E se aplicável fosse, ela havia de ser interpretada em desfavor da tese recorren— te, eis que, no caso, também se trata de pessoa jurídica e,paris so, ter-se-ia de entender que a intimação só poderia ser na Dire- ção Geral, ou seja, na sede do sujeito passivo; aliás, foi o en- tendimento esposado pelo venerando acórdão recorrido. O MNI 4.4.9.4 (Res. 619/80) manda que o preparo do processo fiscal do IOF é da competência do setor técnico do Banco Central, onde se iniciou o procedimento. A resposta à diligência esclarece que o auto de in fração foi feito, lavrado, no Departamento Regional do Banco Cen- tral, em Curitiba, onde, aliás, está a sede centralizadora, bemco mo a documentação fiscal do sujeito passivo. Entendo, pois, que o v. acórdão recorrido se harmo niza com a melhor interpretação, quando considerou tempestiva a impuganação. A fiscalização há de ter início aonde está a docu- mentação e aonde se processa a coleta e o recolhimento do IOF. Tais providências não se fazem na agência, mas na sede do sujeito passivo, até por medida de maior segurança e maior economia, nos procesimentos fiscais,/ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO . N9 0168/001.648/83-37 8. Acórdão n9-CSRF/02-0.151 Por tais fundamentos, nego provimento ao recurso (:/1 especial, para confirmar, co o confirmo, o acórdão recorrido, por d'seus judiciosos fundamentos. .. -,. Brasília-DF/em 26 de agosto de 1985. )10' . - r\ tenh • A-j2 'eri If-et .!, BASTIA0 BO S TAO ARY - RELATOR . . ._. Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1
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Numero do processo: 12689.000764/88-15
Data da sessão: Fri May 26 00:00:00 UTC 1995
Data da publicação: Tue Dec 29 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Quebra natural (falta), admitida pela Instrução Normativa n° 012/76, tem como único objetivo excluir a responsabilidade da transportador, para efeito da aplicação de multas, não podendo ser extendida, para fins de dispensa de tributos.
Recurso negado
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Decisão: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos temos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Cons. Fausto de Freitas e Castro Neto que provia o recurso.
Nome do relator: MOACYR ELOY DE MEDEIROS
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RECORRIDA :SEGUNDA CÁMARADO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES INTERESSADA : FAZENDA NACIONAL. Quebra natural (falta), admitida pela Instrução Normativa n° 012/76, tem como único objetivo excluir a responsabilidade da transportador, para efeito da aplicação de multas, não podendo ser extendida, para fins de dispensa de tributos. Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por AGÊNCIA MARÍTIMA GRANEL LTDA. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos temos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Cons. Fausto de Freitas e Castro Neto que provia o recurso. ia. em 26 de maio de 1995. Mii ."/ P „1_,.004 ' • ,LOY I)E M 14_cIROS RELATORC_, LUIZ FERNANDO OUVE MORAES PROCURADOR DA FAZENDA -NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: UBALDO CAMPELLO NETO, SERGIO DE CASTRO NEVES, ROMEU BUENO DE CAMARGO e . JOÃO HOLANDA COSTA. Ausente, por motivo não justificado o Cons. Sebastião Rodrigues Cabral 2. Processo Nr. 12689-000.764/88-15 Recurso Nr.RD/302-0.220 Recorrente : AGENCIA MARITIMA GRANEL LTDA. Recorrida : SEGUNDA CAMARA 1-)0 TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES R E L A T O R O Em decisão proferida nos termos do acórdão nr. 302.32.082, a recorrida sentenciou o não provimento ao recurso voluntário então julgado, por entender incablvel a extensão do disposto na IN SRF nr. 012/76, para fins de dispensa dos tributos incidentes sobre a falta de produtos transportados a granel. Com base em jurisprudência mencionada, a recorren- te defende a tese de que são inevitáveis as quebras, para mais ou para menos, até o limite de 5% do total manifestado. Reporta-se, ainda, a recorrente ao Laudo do I.N.T. que considera a imprecisão do método de medição responsável por diferenças quantitativas da ordem de 5%, pleiteando a reforma da decisão recorrida e, consequente, acolhimento de suas razões re- cursais. A Fazenda Nacional defende a confirmação da deci- são recorrida. E o relatório. 3. Proc. 12689/000764/88-15 RD N. 302.0.290 V O O Conselheiro MOACYR ELOY DE MEDEIROS, Relator: Este recurso especial se restringe ao ques- tionamento sobre a extensÃo, nu nÃo, do dis posto na IN SRF n. 012/76, para efeito de se considerar a isenção do imposto para a mercadoria extraviada ou avariada. A quebra natural admitida pela IN SRF n. 95/84, como tolerância da perda em quebra, Para cobrança de tributos é de 1% (um por cento) do total manifestado para granéls sMidos, (meio por cento), para granéis if- quidos. A Instrução Normativa SRF n. 12/76, ao admi- tir o limite de falta em até 5% (cinco por cento) do peso manifestado, teve como único objetivo excluir a responsabi- lidade do transportador para efeito da aplicação da multa, não eximindo-o do pagamento do tributo devido. O Regulamento Aduaneiro - Dec. 91.030, de 05/03/85, estabelece em seu art. 107 que a mercadoria fal- tante ficará sujeita aos tributos vi gorantes na data em que a autoridade aduaneira apurar o fato. O pará grafo Único do mesmo artigo menciona que considera-se apurado o fato na da- ta do lançamento do crédito tributário correspondente. O art. 481 do R.A., em seu parágrafo 3. esta- belece que não será considerada isenção ou redução de imPos- to que beneficie mercadoria extraviada ou avariada. A recorrente insurge-se ainda, quanto ao mé- todo de medição adotado na alfãnde ga, arqueacP;,o, mas ao ser intimada a apresentar o Relatório de Ulagem, que entende, ser o documento hábil, não o fez. O "Relatório de Ula gem - não é documento exi- gido pela legislação aduaneira, que entretanto o aceita tam- bém como prova. Isso posto, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 26 de maio . de 1995. UACYR ELOY mfc a:csrf220v ,14 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1
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RP/N° 105-0 228 MATÉRIA PIS DEDUÇÃO EXS de 1984 e 1985 RECORRENTE FAZENDA NACIONAL RECORRIDA QUINTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO JOANES INDUSTRIAL S/A - PRODUTOS QUÍMICOS E VEGETAIS LANÇAMENTO DECORRENTE - PIS/DEDUÇÃO "Não se conhece de apelo na falta do necessário pressuposto da existência de decisão contrária aos interesses do Recorrente " "Na existência de evidente erro parcial entre o julgamento apurado no lançamento matriz e o decorrente é de se determinar o retorno do Auto à Câmara Julgadora para correção do equivoco e busca da sintonia de julgado " Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, por ausência dos pressupostos para sua admissibilidade, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado Sala das • - ssões - DF, em 16 de maio de 1994 A lird/,jor--- rít4 . j/1 " NT, I . — VICT ,., R LU1'. 1 E SALLES FREIRE RELATOR MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PROCESSO N° 10580/00 966/89-77 ACÓRDÃO N° C SRF/01 -1 694 : XDE /// 1 / LUIZ FERNANDO OUVE/1_ MORAES PROCURADOR DA FAZ~NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros- SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL, KASUKI SHIOBARA(Suplente Convocado), WALDEVAN ALVES DE OLIVEIRA, CÂNDIDO RODRIGUES NEUI3ER, LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO, CARLOS WALBERTO CHAVES ROSAS, MÁRCIO MACHADO CALDEIRA (Suplente Convocado), AFONSO CELSO MATTOS LOURENÇO, JOSÉ CARLOS GUIMARÃES, WILFRIDO AUGUSTO MARQUES (Suplente Convocado), RAFAEL GARCIA CALDERON BARRANCO, DíCLER DE ASSUNÇÃO, JACKSON GUEDES FERREIRA, e LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA til iv4\1 1! 2) \ 1CONS \AC RP/105-0 228 21/08/95 2 day MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PROCESSO N° 10580/00.966/89-77 ACÓRDÃO N° CSRF/01-1 694 RECURSO N° RP/N° 105-0 228 RECORRENTE FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Lastreado no apelo formulado a esta Câmara Superior nos autos do lançamento matriz, por igual propugna o Douto Procurador da Fazenda Nacional e reforma do veredicto tomado à unanimidade de votos nos autos do lançamento decorrente pela pertinente matéria reflexa A parte produziu contra-razões É o Relatório 4,, 11CONS \ AC RP/105-0 228 21108195 3 clay MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS PISCAIS PROCESSO Na . 10580/00966/89-77 ACÓRDÃO N° CSRF/01-1 694 VOTO CONSELHEIRO VICTOR LUIS DE SALLES FREIRE, RELA1 OR 1 tit+44/at/ ttikliFVJL3 V ti Pelo fato de neste lançamento decorrente o 1 Relator do lançamento matriz ter seu voto vencido ali prolatado aqui inteiramente acolhido, de sorte a não se excluir a parcela que ali restou excluída pelo voto vencedor, de rigor não é de se tomar conhecimento do apelo, haja vista que a Fazenda Nacional sagrou-se vencedora na tributação reflexa de PIS/Dedução, embora vencida na tributação de IRPJ. Neste diapasão, de rigor, deveria o contribuinte ter formulado apelo retificatório para adequação do decorrente ao âmbito do decidido no principal, na manifesta discrepância De qualquer modo, ante a evidente contradição, é de se recomendar, o retorno da auto à Colenda 5 a Câmara para se corrigir o evidente erro formal incorrido pelo acórdão 105 5 694, para o efeito de se ajustar este decorrente pela exclusão operada no lançamento matriz do item "Glosa do resultado líquido auferido nas operações a termo em Bolsa de Mercadorias no exterior (I-IEDGE)", do impo e de Cr$ 50 945 387,00, dentro dos melhores princípios de Justiça Fiscal na busca de decisões c crentes entre o principal e o decorrente É como vot Sal das S ssões - , em 16 de maio de 1994 I, VICTOR LUIS D i ALLES FREIRE \1C0NSkAC RP/105-0 228 23108/95 4 clay Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Exportação temporária. Reimportação, após o prazo de 1 (um) ano, sem que sua prorrogação tenha sido solicita- da à autoridade aduaneira, mas sob li cenciamento prévio da CACEX. Inocor:: rência do fato gerador do Imposto de Importação. Recurso especial despro- vido . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fis cais, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso espe- cial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presen, - te julgadp,'. ( t -k - ,) ii)„/,` ;," Sala das ,Sesi.6-:f 1, ) , em 29 de novembro de 1985. ,7'i - f / -I , ii, 1/ • • D'è12 O ' —4-'4) FP- ÂNDEZ - PRESIDENTE, /7 .. • . FAÇ Á A/• n ,DEi - RELATOR LUIZ -1 • Pê :n—n IRA DE NDRAES - PROCURADOR DA FAZEN- /O DA NACIONAL - v.v Participaram, ainda, do presente julgamentos os seguintes Conselhei ros: HÉLIO LOYOLLA DE ALENCASTRO, HAMILTON DE SÃ DANTAS, =10 REÉ";" DA SILVA, PAULO CÉSAR DE AVILA E SILVA e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. Ausente justificadamente a Cons. ENILA LEITE DE FREITAS CHAGAS. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N? 0845/056.144/83-80 RECURSO N9: RP/303-0.841 ACÓRDÃO N9:—CSRF/03-01.283 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: TERCEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: nmminsA, INDOSTRIAS ETETRONECANICAS BRASILEIRAS S/A. RELATÓRIO Recorre o ilustre Procurador da Fazenda Nacional junto à 3a. Câmara do egrégio Terceiro Conselho de Contribuintes, contra decisão daquele colegiado, consubstanciada no Acórdão n9 303-23.828, assim ementado: "Exportação Temporária - Regime regularmente conce dido Reimportação licenciada pela CACEX, inclu- sive quanto ao excesso no prazo inicial (prorrogá vel) de 01 ano. Inocorrência de fato gerador da 3. brigação tributária. Recurso provido." Em suas razões, diz o recorrente, com base em dis- posições do Decreto 63.433, de 16.10.68, que, não tendo sido a mercadoria reimportada no prazo, nem havendo a importadora reque- rido prorrogação do aludido prazo, não poderia a Câmara recorrida reconhecer ao sujeito passivo o direito à não-incidência do tribu to. Aduz que a própria 3a. Câmara já alterou seu entendimento so- bre tais casos, como sucedeu com o Acórdão 303-23.924, quando de- cidiu que, se a reimportação não se fizer no prazo improrrogado de um ano, sujeita-se o importador ao pagamento dos direitos '")dç. importação. DMF - DF/19 C-C - Secgraf - 1600/75 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0845/G56.144/83-80 2. Acórdão n9-CSRF/03-01.283 Em contra razões, diz o sujeito passivo, a) que, ao proceder a reimportação, estava aco- bertada por Aditivo da Guia de Importação que lhe autorizava o retorno das mercadorias, no prazo estabelecido, sem cobertura cambial; b) que ficou comprovado, nos autos, que o impor- tador não extrapolou o prazo fixado para a permanência dos bens no exterior; c) que o Acórdão invocado pelo recorrente não guar da qualquer semelhança com o caso em exam / 21 ,,--- „----"(---.----) t o relatório ///72 //2 - SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N. 0845/056.144/83-80 3. Acórdão n9-CSRF/03-01.283 VOTO Conselheir JOS2 FAÇANHA MAMEDE, Relator Na parte referente ao Regime Aduaneiro Especial de Exportação Temporária, diz o Manual de Normas para a Tributação das Importações, editado pela Secretaria da Receita Federal, que, "para efeito de incidência do Imposto de Importação" é considera_ da estrangeira a mercadoria, nacional ou nacionalizada reimporta da, quando: (a) "haja sido exportada sem observância das nor- mas regulamentares relativas à exportação tem_ porãria." _ (b) "no exterior, é submetida a processo substan- cial de transformação, adqüirindo nova indivi_ dualidade, ressalvadas as exceçaes regulamen- tares expressas, inclusive a substituição au- torizada." O mesmo Manual, citando o Parecer Normativo CST 635/71, ensina que "na exportação temporária, o que a lei cogita é a não constituição do fato gerador do I.I., quando do retorno da mercadoria exportada, nas condições previstas no regulamento entre as quais se inclui o prévio licenciamento da operação exportação/im portação pela CACEX. O novo Regulamento Aduaneiro baixado com o Decre- to 91.030, de 05 de março de 1985, já em vigo ,. dispondo sobre exportação temporária, determina que :7 4(, .., o '''' ' k- ,,./ \. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0845/056.144183-80 4. Acórdão n9-CSRF/03-0.1.283 "o exame do mérito de aplicação do regime exaure- -se com a sua concessão, não cabendo mais discu- ti-lo quando da reimportação da mercadoria"(art. 385). Pelo que se observa da leitura atenta do proces- so, a exportação da mercadoria foi realizada de acordo comas nor_ mas vigentes, com o prévio licenciamento pela CACEX e autorização da repartição aduaneira. No seu retorno, não se configurou qual- quer alteração das características substanciais da mercadoria. Além disso, na sua permanência no exterior, por prazo superior ao concedido pela autoridade aduaneira, a mercadoria não deixou de estar amparada pelo licenciamento da CACEX, através de Aditivoex_ pedido pela aludida Carteira. A única falha do sujeito passivo, no caso, foi a falta de pedido de autorização à re partição adua- neira para essa permanência da mercadoria no exterior. Ao que se extrai, porém, do ensinamento contido no Parecer Normativo acima citado, o que é essencial para a não con figuração do fato gerador do tributo, é o fato de estar a opera- ção exportação/importação licenciada pela CACEX. Tanto isso éver dade que, na Portaria 370179, pela qual o Sr. Ministro da Fazen- da delegou ao Secretário da Receita Federal a competência para relevar a falta de observância das normas processuais reguladoras da exr)ortação teirporgria, o requisito imposto para essa relevação é o pré- vio licenciamento, pela Cacex, da mercadoria à qual foi aplicado esse regime aduaneiro especial. Esse entendimento fica ainda mais explicito após a entrada em vigor do novo Regulamento Aduaneiro baixado com o Decreto 91.030, cujo artigo 385, acima citado, prol, be, à reimportação da mercadoria, discutir o mérito da concessão do regime aduaneiro especial de exportação temporária, dizendo que tal discussão se exaure com a concessão mesma. A conclusão a tirar de todo o contexto é que a le_ gislação não autoriza cobrar imposto de importação só pelo fato de ter o contribuinte beneficiário desse regime deixado de soli- - citar à autoridade aduaneira prorrogação de prazo para a perm- . /j-‘„C:7 _.--------„,,,,,------ 2._ 2 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 08451059.224181-61 5. Acórdão n9-CSRF/03-01.283 nência da mercadoria no exterior, por não erigir tal evento como criador do fato gerador do tributo. A falta de cumprimento dessa obrigação poderia redundar na aplicação de multa mas, nesse pon- to, a legislação é omissa, talvez pelo fato de essa figura daex- portação temporãria ser de existência ainda recente entre nós. Note-se que o novo regulamento só impõe a obrigatoriedade de as- sinatura de termo de responsabilidade, na Exportação Temporãria, quando for exigível o Imposto de Exportação. A única alusão que o novo Regulamento fez ao Imposto de Importação é quando se refe_ re ã exigibilidade desse tributo para os materiais estrangeiros que tenham sido empregados no conserto, reparo, restauração, be- neficiamento ou transformação de mercadoria exportada temporaria mente. Isso posto, entendo, acompanhando a maioria vence _ dora na Cãmara recorrida, que não se configurou, no caso, o fato gerador do imposto de importação nem do imposto sobre produtos in dustrializados vinculado àquele. Nego, pois, provimento ao recurso especial , , BraSÁlía,DF, em 29 de novembro de 1985. _ : , . 2( , 47 Já 'T EC , , T. qá _EDE - ATOR :,- ,, : , Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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Recorrido : TERCEIRA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES INTERESSADA: FAZENDA NACIONAL _ PEDIDO DE REEXAME - PRAZO - O prazo para interposiçao de pedido de reexame de des- pacho que nega seguimento a recurso de di vergência, e contado a partir da data da publicação do mesmo, não produzindo efei- to a simples publicação de noticia desse despacho RECURSO DE DIVERGÊNCIA - Admissibilidade - Nao pode ser negado seguimento a recurso de divergência sob o fundamento de que as decisaes apontadas como divergentes -são muito antigas. DESPESAS OPERACIONAIS - Remuneração de Ad ministradores - A dedutibilidade de des- pesas de remuneração de administradores está sujeita à comprovação de que os mes- mos efetivamente prestaram serviços à em- presa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re- curso interposto por HOSPITAL SANTA MÔNICA LTDA: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fis- cais, por maioria de votos: a) rejeitar a preliminar de intempestivi dade. Vencido o Conselheiro Jacinto de Medeiros Calmon (Relator); h) rejeitar a preliminar de não conhecimento quanto à não positivação da divergência. Vencidos os Conselheiros Jacinto de Medeiros Calmon . L_e Urgel Pereira Lopes; c) no mérito, negar provimento ao Recurso Es- pecial (de divergência). Vencidos os Conselheiros Fernando Cícero . Velloso e Wagner Gonçalves. Designa91 Relator para o acórdão o Conse lheiro Pedro Martins Fernandes.q7#/ V.V. . 7 Sala das 04, ,/,.8:- em 24 de abril de 1981. AMADOR tií Lfb " RNANDEZ PRESIDENTE A Ád 41 ..,,,,d_W 40eleb- 14-, —,,,,,,,rd~~ PEDRO !'frU " r '-'' ERN Á n D S RELATOR DESIGNADO1// ,1 :41/ u i i __ i ADHEMILSON :ASTO riE CARVALHO PROCURADOR DA FA- ZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselhei ros: Luiz Miranda e Sebastião "odrigues Cabral. -- , 4¡,.--:-:-4 :'..:J.44w SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N. 0882/005.140/78 RECURSO 1.4.°: RD/103-0.015 AU5K:I.Ão N.°, CSRF/01-0.155 RECORRENTE: HOSPITAL SANTA MÔNICA LTDA. RELATÓRIO Hospital Santa Mônica S.A. recorre para esta Câmara Superior de parte da decisão proferida pela 3a. Câmara do 19 Con selho de Contribuintes, consubstanciada no Acórdão n9 103=2.653, em que aquele colegiado, por maioria de votos, manteve a tributa- ção;nos exercícios financeiros de 1975, 1976 e 1979, de importân- cias pagas a diretores da empresa sem a correspondente prova de contra-prestação de serviços. O recurso de divergencia fundamentou-se nos Acórdãos 1.4-0.573, de 11.06.1975, e 62.555, de 29.07.1970, respectivamente . da 4a. Câmara Provisória e da la. Câmara do 19 Conselho de Contri_ buintes. Apreciando o referido recurso, o Sr. Presidente da 3a. Câmara do 19 Conselho de Contribuintes proferiu a seguinte deci- são: "O primeiro dos Acórdãos arrolados pelo re- corrente como divergentes, o de n9 1.4-0573, foi prolatado pela extinta Quarta Câmara Provisória deste Conselho. A propósito da não acolhida de Acórdão das extintas Câmaras Provisórias para fundamentar ou , - dissídio, já se manifestou o Sr. Presidente D M F - RJ/1.° C - C - Secgraf - .00/75 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0882/005.140/78 2. Acórdão n9 CSRF/01-0.155 Primeiro Conselho de Contribuintes, em decisão exarada no Processo n9 0830-027/78, publicada no D.O.U. de 06.02.80, cujos fundamentos e conclu- sões acolho sem reservas. Quanto ao segundo dos Acórdãos, o de n9 62.555, prolatado pela Egrégia Primeira Câmara deste Conselho em sessão de 29.07.70, cumpre es clarecer que ali se examinou a dedutibilidade da remuneração de diretores, cujo montante foi glo sado, em revisão de declaração de rendimentos, sob o argumento de que os diretores residiam em local diverso daquele onde funcionava a so- ciedade. Dal o lançamento suplementar, afinal derrubado pelo Colegiada, sob o fundamento de que a conveniência de moradia dos diretores não afetava a dedutibilidade "... jã que escudada (a glosa) em simples suposições de conveniência co mercial". Na ocasião, também foi salientado, a meu ver corretamente, que a então vigente lei das Sociedades por Ações exigia a residência dos di retores no país, mas não necessariamente no lo- cal de funcionamento da empresa. Ora, no Aéordão recorrido examinou-se mate ria diversa, qual seja a da efetiva prestação de serviços de gerência, por uma pletora de di- retores que, não obstante tratar-se de lançamen to de ofício, resultante de ação direta no domi- cílio da empresa, esta não logrou comprovar que se tratava de diretores de fato e de direito, e não apenas, de direito. Portanto, no processo que deu origem ao A- córdão paradigma, punha-se em dúvida - a efetividade dos serviços, por ausência física dos diretores da sede da empresa, ao passo que, ! no que deu causa ao Aaordão recorrido, discut.=Cilik/i SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0882/005.140/78 3. Acórdão n9 CSRF/01-0.155 se a efetividade dessa prestação, uma vez que, pelos elementos colhidos, in loco, pela fisca- lização, esta concluiu no sentido de que se tra tava de diretores, na sua maioria, pura e sim- plesmente designados por Assembléia Geral mas semefetivo exercício. Aliás, quem inicialmente suscitou esse fa- to, nos autos, foi o patrono de vários acionis- tas, em representação à S.R.F., que se .sentiam prejudicados pelo valor excessivo contabilizado a título de honorários da Diretoria, quando, se gundo a denúncia, apenas um dos diretores pres tava serviços â. sociedade. De modo que, ante o exposto, não hã como comparar as situações fáticas examinadas no A- córdão recorrido e no indicado como divergente. Igualmente, não ocorreu entendimento diferente sobre a mesma regra de direito, nem se aplica- ram teses jurídicas divergentes a espécies seme lhantes. Consequentemente, a admissibilidade do dis sídio, conforme diria o ínclito Ministro Oro- zimbo Nonato, cujos ensinamentos nos são tão gratos como parecem ser ao ilustre patrono da recorrente, constituir-se-ia em raciocínio de conspícua absurdeza. Deixo, pois, de admitir o recurso." Tendo sido publicada no D.O. de 27.03.1980 a notícia da decisão, sem a respectiva fundamentação, em 02 de maio de 1980, a recorrente requereu ao Presidente da Câmara Superior de Recur- sos Fiscais, em 12 de maio de 1980, o reexame de sua admissibili- dade, com fundamento no §, 49 do art. 59 do Regimento Interno des- ta Câmara Superior, sustentando a tempestividade do recurso e o cumprimento dos demais pressupostos pára sua admissibilidade. A fls. 288 e 289 pronunciou-se a Procuradoria do Conten cioso Administrativo defendendo a decisão recorrida, e arguin n SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0882/005.140/78 4. Acórdão n9 CSRF/01-0.155 a intempestividade do pedido de reexame de tal decisão, bem como a imprestabilidade dos acórdãos indicados como divergentes, quer por se originar um deles de órgão extinto, quer por inexistir "a pretensa interpretação conflitante da mesma lei tributária, entre as decisaes em causa, posto que o ponto nodal da questão reside em elementos táticos, passíveis de prova, para sua exata aprecia- ção", argumentando, ainda, que, "in casu em nenhum momento conse- guiu a interessada produzir prova da efetiva prestação de servi- ços pelos diretores simplesmente eleitos pela Assembléia Geral" e que "no aresto trazido como paradigma discutia-se _matéria tática diversa, ou seja, a residência dos diretores no mesmo local da se de da empresa". A fls. 209, o Sr. Presidente desta Câmara Superior pro- feriu decisão conhecendo do agravo por não ter sido cumprido o dispositivo regimental que determina a ciência do teor da decisão, formalidade essencial à validade e eficácia de tal ato, como tam- bém por entender. , no mérito, que "a divergência está caracteriza- da, pois tanto no Acórdão 62.555, como no recorrido (119 103-02.653) se questionou a dedutibilidade de honorários pagos a diretores cuja efetiva prestação de serviços não ficou comprovada no curso da fiscalização", tanto mais que "no acórdão paradigma foi afir- mado não estar o sujeito passivo sujeito á comprovação da presta- ção de serviços para deduzir a remuneração paga à diretoria". De fls. 204 a 239 foi emitido pelo ilustre Procurador da Fazenda Nacional junto a esta Câmara, a guisade contra-razões, extenso e erudito parecer, lido em plenário, em que, requerendo, de inicio, o reexame,da admissibilidade do recurso, argui as se- guintes preliminares: a) intempestividade do recurso; b) não pre enchimento dos pressupostos para a sua admissibilidade, tendo em vista que os acórdãos ditos divergentes são antigos, além de sere ferirem a legislação revogada. Quanto ao mérito, as contra-razões asseveram em suma: a) que os acórdãos trazidos à colação como paradigmas são imprestáveis, porquanto as situaçOes táticas não se aliam, tampou ; co se espelha a colisão entre o acórdão r- orrido e os ditos mol- des em confronto (itens 26 e segs.) AP/17- SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0882/005.140/78 5. Acórdãos n9 CSRF/01-0.155 b) que os argumentos expendidos pela recorrente não re- sistem, sequer, a uma análise superficial, e cedem à verdadeira e xegese da leis, escoimada a peça jurídica da errónea interpreta- ção gramatical e isolada (itens 45 e segs.); c) que a recorrente deseja a inversão do ónus da prova, contravindo os princípios insertos na legislação fiscal (itens 55 e segs.); d) que, segundo a melhor doutrina e pacifica e torrenci ai jurisprudência dos Pretórios Administrativos, a remuneração de de diretores é indedutivel quando não comprovado que correspondea serviços de gestão efetivamente prestados á sociedade, seja em vista da a- tual Lei das Sociedades Anónimas, seja em atenção ao Direito ante nor. É o relatório. VOTO Conselheiro PEDRO MARTINS FERNANDES, relator-designado. DA PRELIMINAR DE PEREMPÇÃO A preliminar de perempção do pedido de reexame do des- pacho da Presidência da Egrégia Terceira Câmara do Primeiro Conse lho de Contribuintes não tem condições de prosperar. Com efeito, reza o § 49 do artigo 59 do Regimento In- terno desta Câmara Superior, baixado com a Portaria n9 434, de 03.05.79, que: "§ 49. Do despacho que negar seguimento ao re- curso, poderá ser requerido reexame de sua ad- missibilidade ao Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no prazo de cinco (5) dias, contado da publicação do despacho no Diário Ofi cial da União, o qual terá caráter definitivo. (os destaques são da transcrição) Como pode-se ver, o termo "a quo" para ser requeric SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0882/005.140/78 6. AcOrdão n9 CSRF/01-0.155 : tal _reexame é a data da publicação do despacho que negar segui- mento ao recurso especial. Entretanto, tal despacho não chegou a ser sequer publi- cado, como, aliás, deixou bem claro a Presidência desta Câmara Su perior no despacho em que deferiu o reexame requerido. De fato, a publicação feita no Diário Oficial da União de 27.03.80, foi a do aviso da Secretaria da Colenda Câmara recor rida, no qual a respectiva chefia fez saber que a Presidência da- quele colegiada não havia admitido o recurso de divergência inter_ posto pela recorrente. Ora, há muita diferença entre a publicação de um aviso no qual se faz saber que o recurso não foi admitido, e a do despa cho através do qual foi negado seguimento a essa petição. Isto porque o primeiro traz a lume apenas a conclusão da autoridade prolatora, enquanto que o segundo desvenda os funda mentos daquela, condição necessária para que o destinatário de tal decisão possa exercitar, em tóda a sua magnitude, o seu direi_ to de defesa. Mesmo porque, a publicação da noticia do referido despa cho denegatOrio, repita-se, não poderia produzir qualquer efeito em relação ao seu destinatário,em razão de vicio essencial, qual seja a falta dos respectivos fundamentos, motivo porque tal publi cação está eivada de nulidade. Desta meneira, aludida publicação não produziu efeito com relação ao prazo de pedido de reexame justamente porque ela não transmitiu ao contribuinte todas as informações necessárias para que o mesmo pudesse exercitar, sem restrições de qualquer ti po, o seu direito de defesa. É de ver-se que, com o reduzido prazo regimental fixa- do para o pedido de reexame, pretendeu tal norma, ao referir-se expressamente â publicação do despacho, que fossem transmitidos, com essa publicação, os fundamentos que alicerçaram a negativa de Lseguimento do recurso, de modo a possibilitar, de imediato, que o recorrente pudesse fazer sua defesa, sem qualquer limitação e in- dependentemente do cumprimento de qualquer condição que viesse 4' i46, [ , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0882/005.140/78 7. AcOrdão n9 CSRF/01-0.155. - lher o seu direito de defesa, que se expressa também na disponibi lidade total do prazo estabelecido para esse fim. É irrelevante o fato de a recorrente não ter peticiona- do, dentro do prazo de cinco dias da publicação do precitado avi- so, para suscitar a preliminar de preterição do seu direito de de' fesa, sob a alegação de que o referido despacho não fora publica- do na integra. Isto porque, aludida publicação somente poderia ser ti- da como não efetuada, e o suprimento dessa irregularidade, porque devido a erro que não pode ser atribuído ao sujeito passivo, cabe ria não à iniciativa deste, da qual independe totalmente, mas sin de oficio, à autoridade prolatora daquele despacho. O prazo para o pedido de reexame somente começou a fluir a partir do suprimento dessa irregularidade, o que somente ocor reu com a ciência do inteiro teor do prefalado despacho, fato que se deu apenas em 07.05.80, razão porque deve ser considerado tem- pestivo o requerimento, protocolizado em 12 de mesmo mês e ano, no qual a recorrente pede o reexame do mencionado despacho. Ante o exposto, é de ser rejeitada a preliminar de pe- rempção do pedido de reexame do despacho da Presidência da Colen- da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. DA PRELIMINAR DE FALTA DE COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA A preliminar de que o recurso especial não preencheu o pressuposto para a sua admissibilidade, de comprovação da diver- gência com a decisão indicada como divergente, também não tem con dições de subsistir. Com efeito, os dispositivos pertinentes à matéria,o ar- tigo 49 e seu inciso II,e o19 do artigo 59 do Regimento Interno desta Câmara Superior, baixado com a Portaria n9 434, de 03.05.79, reza que: "Art. 49. Competirá à Câmara Superior de,Recursos ‘..- Fiscais • 2 lgar o recurso especial interposto con tra:d" ,, ,/;. Y SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0882/005.140/78 8. Acórdão n9 104-CSRF/01-0.155 II - decisão que der à lei Tributária interpre- tação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara de Conselho de Contribuintes ou a pró- pria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Art. 59. (omissis) §. 19. Na hipótese de que trata o item lido art. 49, a petição deverá indicar a decisão divergen te, que será comprovada mediante apresentação de cópia autentica de seu inteiro teor ou de cópia da publicação em que tenha sido divulgada, e exporá os fundamentos do pedido." A recorrente indicou, como divergentes do "decisum" re corrido, os Acórdãos n9s. 1.4-0.573, de 11.06.75, da extinta Quar ta Câmara Provisória do Primeiro Conselho de Contribuintes, e n9 62.555, de 29.07.70, da Primeira Câmara do mesmo Conselho, tendo juntado cópias do inteiro teor das decisaes indicadas como diver- gentes. Com relação ao Acórdão n9 1.40.573, de 11.06.75, da ex tinta Quarta Câmara Provisória do Primeiro Conselho de Contribuin tes, não pode prevalecer a alegação de que, por tratar-se de deci são de Câmara Transitória, não se prestaria à comprovação de vergência, e referentemente ao Acórdão n9 62.555, de 29.07.70, da Primeira Câmara do mesmo Conselho, não tem condiçOes de pros- perar a alegação deque nãoseprestaria o mesmo fim em razão de sua longevidade, tendo em vista que aquele e este argumentos não en- contram guarida na norma regimental, que não estabeleceu qualquer distinção relativas à transitoriedade da Câmara ou à longevidade do Acórdão, nem na melhor exegese, pela qual veda-se ao intérpre te distinguir onde a norma não o faz. A propósito da prestabili- dadedásAcOrdãoddasextintasCâmaras Transitórias para comprovação de divergência, cite-se a decisão desta Câmara Superior, consubstan- ciada na Resolução n9 CSRF/01-0.006, de 23.05.80, na qual, por maioria de votos, decidiu-se nesse sentido. Resta, portanto, examinar se existe ergência entre os citados Acórdãos e a decisão recorrida. 4/ /Sh 7 s' • SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0882/005.140/78 9. Acórdão n9 CSRF/01-0.155 Inicialmente cabe ressaltar que aqueles e esta versaram sobre matéria fática idêntica, ou seja, a glosa de despesas de re muneração de diretores pela falta de comprovação da efetiva pres- tação de serviços por estes às respectivas empresas. Tal situa- ção de fato é bastante clara entre o Acórdão recorrido e a aponta da decisão da extinta Quarta Câmara Transitória, nos quais as re- ferências a esse fato são especificas. Com referencia ao Acórdão da Primeira Câmara, é bem verdade que tratou de hipótese em que os diretores residiam em localidade diversa daquela onde estava se diada a empresa, e que esta encontrava-se com suas atividades pa- ralizadas, mas é fácil entender-se que essa situação apenas ser- viu de suporte à presunção de que citados diretores não prestavam serviços à empresa, pela simples razão de que tais serviços ,eram completamente desnecessários. Entretanto, essa circunstância não influi a ponto de modificar a matéria fática subjacente que era a vinculação da dedutibilidade de tais despesas à efetiva prestação de serviços pelos diretores, e, nessa parte, a situação de fato é idêntica à da decisão recorrida. Desta forma, enquanto que a decisão recorrida entendeu ser indedutivel tal despesa, os Acórdãos apontados como divergen- tes manifestaram entendimento de que a mesma despesa era dedutivel Portanto, o Acórdão recorrido interpretou a norma de regência no sentido de que esta condiciona a dedutibilidade dessa despesa à comprovação da efetividade daprestação de serviços pelos diretores, enquanto que as decisões apontadas como divergentes a- colheram a interpretação de que aludida norma não condiciona a dedutibilidade da mencionada despesa à comprovação citada. Logo, fica evidente que a Egrégia Câmara recorrida deu à lei tributária interpretação diferente ,da que lhe tinham dado as Colendas Quarta Câmara TrasitOria e Primeira Câmara, ambas do Primeiro Conselho de Contribuintes. Finalmente, não há falar em modificação da jurisprudên- cia a respeito da matéria na citada Primeira Câmara, uma vez que somente foi apontado um Acórdão posterior ao apontado como diver- gente, em que a decisão foi em sentido contrá io a este, e um Acór dão apenas não forma a jurisprudência. JW/ )('N SERVIÇOPÚBLICOFEDERAL PROCESSO N9 0882/005.140/78 10. Acórdão n9 CSRF/01-0.155 Face ao exposto, é de rejeitar,-se a preliminar de falta de comprovação da divergência entre o Acórdão recorrido e as deci- saes indicadas como divergentes. MÉRITO No mérito, subscrevo, sem quaisquer ressalvas, o voto do ilustre Conselheiro Relator. Diante de todo o exposto, e de tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de: I - rejeitar a preliminar de intempestividade do pedido de reexame do despacho denegatOrio da admissibilidade do recurso especial; II - rejeitar a preliminar de falta de comprovação da di- vergência entre a decisão recorrida e os Acórdãos in- dicados como divergentes; e III - no mérito, negar provimento ao recurso especial de fls. 253/265.W Brasil-DF., 4 de abril de 1981 Winkini! PEDRO ' , R I ERNANDES - RELATOR-DESIGNADO. VOTO VENCIDO DO CONSELHEIRO JACINTO DE MEDEIROS CALMON. Arguem os pareceres da Procuradoria da Fazenda Nacional, em primeiro lugar, a intempestividade do pedido de reexame do des- pacho do Presidente da 3a. Câmara do 19 Conselho de Contribuintes que negou seglailientoao recurso especial interposto com base em de- cisOes divergentes. No exame dos autos, verifica-se que, efetivamente, o cha- mado recurso de divergência ingressou na Agência da Receita Fede- ral em Itapecerica da Serra em 12 de maio de 1980, portanto 45 dias depois da publicação do ato recorrido no Diário Oficial da União, de 27.03.80. Ao postular a tempestividade do recurso, a interessada não alegou cerceamento de defesa, nem tampouco que não fora cumpri da formalidade legal, mas tão somente que: n: "A despeito do disposto no 49 do artigo 59 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0882/005.140/78 11. Acórdão n9 CSRF/01-0..155 Regimento Interno baixado com a Portaria Ministe- rial n9 434, de 03 de maio de 1979, estatuindo que o pedido de reexame deva ser apresentado no prazo - de 05 dias contados da publicação no Diário Ofi- cial da União, o certo é que tal prazo deve -ter seu inicio na data em que a parte houver sido cien tificada pessoalmente da decisão possível do recur so. Isto porque o pedido de reexame foi criado pe- la Portaria que baixou o Regimento Interno, e a norma do Decreto 83.304/74 que instituiu o recurso especial não excepciona a regra geral do art. 23, § 29, inciso I, do Decreto n9 70.235/72. Logo, o presente recurso, em tudo semelhante ao agravo de despacho denegatório de recurso ex- traordinário do processo comum, não poderia subme- ter-se a disciplina diversa daquela estabelecida em norma hierarquicamente superior. A Recorrente tomou ciência do despacho recorri- do em data de 07.05.1980, no Posto da Receita em Itapecerica da Serra, data a partir da qual passou, realmente, a fluir o prazo. Consequentemente, é tempestivo, e merece ser, co nhecido." O despacho do Sr.Presidente desta Câmara Superior conhe ceu do recurso, ressaltando que: "Embora o agravo tenha sido apresentado fora do prazo previsto no artigo 59, § 49, do Regimehto In terno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, apro vado pela Portaria MF n9 434/79, dele passo a co- nhecer, não pelos argumentos apresentados pelo pa- trono da autuada, mas porque o referido despacho, por lapso da Secretaria da Câmara recorrida, não foi publicado e sim a notícia do mesmo, contrarián, E do o determinado no aludido dispositivo regime I SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0882/005.140/78 12. Acórdão n9 CSRP/01-0.-155 tal, vez que tal como foi efetivado não ensejou condições de recurso ao recorrente. Portanto, se considerada suprida a formalidade da publicação do despacho, no caso dos autos, mani festar-se-ia claramente o cerceamento do direito de defesa, por preterição de forma essencial a va- lidade e eficácia do ato." O erudito parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional, subscrito pelo Professor Leon Sklarowsky,examina com acuidade o )ç problema da intempestividade do recurso, partindo do próprio argu mento da recorrente de que "o presente recurso, em tudo é seme- lhante ao agravo de despacho denegatório do recurso extraordiná- rio do processo comum", e que, ademais, não há como deixar de a- plicar subsidiariamente o Código de Processo civil, sustentando que este "no artigo 506 assenta que o prazo para interpo- sição do recurso, aplicável em todos os casos o disposto no artigo 186 e seus parágrafos, contar- se-á da data: II- da intimação às partes, quando a sentença não for proferida em audiencia; enquanto que o artigo 242 adverte contar-se o prazo para interposição de recurso da data em que são intimadas da decisão, da sentença ou do acór- dão (vide art. 240, e o artigo 236 anuncie que "NO Distrito Federal e nas Capitais dos Estados e territórios, consideram-se feitas as intimaçOes pela só publicação dos atos no Diário Oficial." Embora seja recomendável a publicação integral da deci- são, concordo com a tese sustentada pela Procuradoria da Fazenda Nacional de que a publicação no Diário Oficial tem o efeito de me ra intimação para ciencia do ato praticado, e a partir daí flui o prazo 1...ra recurso (artigos 240 e 242 do Código de Processo Ci- vil) // SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 O 882/00,5 1 40 / 7 8 13. Acórdão n9 CSRF/01-0.155 Aliás, este é o procedimento que os Regimentos Internos dos Conselhos de Contribuintes adotam quanto a apresentação de contra-razões pelo contribuinte no caso de interposição de re- curso especial pela Fazenda Nacional, hipótese em que o prazo se inicia a partir da data da noticia de interposição do recurso. Não resta dúvida que o contribuinte teve ciência do des_ pacho do Sr. Presidente da 3a. Câmara do 19 Conselho de Contri- buintes que negava seguimento ao recurso especial, em 27 de mar- ço de 1980, publicada que foi a noticia daquele despacho no Diá- rio Oficial. Embora fosse evidente que a negativa de seguimento ao chamado recurso de divergência, no prazo e comprovadas as decisões supostamente divergentes, só poderia ter como fundamento a inexis_ tência da arguida divergência, o que possibilitaria ao contribuin_ te condições de recurso, restrito que seria este a sua admissibi- lidade, caberia ao contribuinte, se assim o desejasse, suscitar,a partir daquela publicação, a preliminar de cerceamento de defesa ou simplemente solicitar o reexame da decisãó, protestando por apresentação de razões complementares. , Na verdade, entretanto, nem mesmo quarenta e cinco dias após a publicação do despacho, o contribuinte alegou ,cerceamento de defesa, nem que tivesse sido inoperante a publicação no Diário Oficial por não conter a justificativa da decisão, mas pura e sim . plesmente limitou-se a negar eficácia ao disposto no § 49 do art. 59 do Regimento Interno baixado com a Portaria Ministerial n9 434, de 03 de maio de 1979, ao estatuir que o pedido de reexame deva ser apresentado no prazo de 05 dias contados da publicação no Diá rio Oficial da União, fundamentando tal afirmação no argumento de que "a norma do Decreto 83.304/79 que instituiu o recurso espe- cial não excepciona a regra geral do art. 23, § 29, do inciso I do Decreto n9 70.232/72". Seria irrelevante, pois, nos termos em que foi posta a questão pelo contribuinte, a publicação do despacho na integra no Diário Oficial, pois o que o recorrente nega é que tal publicação, ao invés da ciência pessoal, tenha efi cia para assinalar o iní- cio do prazo para reexamedo despacho , , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0882/005.140/78 14. Acórdão n9 CSRF/01-0.155 Torna-se desnecessário contestar as afirmativas do re- corrente, pois o douto Procurador da Fazenda Nacional já as recha çou em seu lúcido parecer, do qual transcrevemos o seguintelance: "Vale dizer, a regra do Decreto n9 70.235 prevê as três formas de intimação (pessoal, por via pos- tal ou por edital) contudo não exclui que legisla- ção própria eleja quaisquer dessas modalidades, co mo o fizeram o Chefe do Poder Executivo, dentro de sua competência exclusiva, ao baixar o ato que criou a Câmara Superior (art. 81, V, da Constitúi- ção Federal vigente), e o Ministro da Fazenda, por determinação do Decreto n9 83.304. Trata-se, pois, de competência e não de hierarquia entre normas." Rejeitando, pois, a preliminar arguida pelo recorrente de ineficácia do prazo fixado pelo artigo 59, § 49, do Regimento Interno desta Câmara, e não vislumbrando a nulidade da publicação do despacho do Presidente da 3a. Câmara do 19 Conselho de Contri- buintes, acolho a preliminar de intempestividade do pedido de re- exame do referido despacho. A segunda preliminar arguida pelo Dr. Procurador da Fa- zenda Nacional junto a esta Câmara refere-se ao não preenchimento dos pressupostos da adminissibilidade do recurso de divergência, propriamente dito. O artigo 39, II, do Decreto n9 83.304/79 dispõe: "Art. 39 - Caberá recurso especial: 1- II- de decisão que der à lei tributária interpre- tação divergente da que lhe tenha dado outra Câma- ra ou a própria Câmara Superior de Recursos Fis- cais." É desnecessário ressaltar que o Decreto n9 83.304/79 in_ troduziu profundas e substanciais reformas no julgamento dos liti gios fiscais na superior instância administrativa. . O recurso de divergência ou de uniformização de juriàprip /7' , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0882/005.140/78 15. Acórdão n9 CSRF/01-0.155 dência foi, precisamente, o instrumento funcional e dinâmico de que se utilizou sabiamente o legislador para agilizar a correção_ de eventuais e até ocasionais distorções de interpretação no novo sistema de julgamento, razão por que tal recurso se tornou admis- sivel não só de decisões unânimes, como também foi facultado ao contribuinte e a Fazenda Nacional. Fixando um novo marco na evolução dos julgamentos de li- tígios fiscais, o Decreto n9 83.304/79 não objetivou trazer a a- preciação ou revisão, como parâmetros, decisões anteriores, erra- = das ou corretas, já superadas ou modificadas por jurisprudência ou legislação posterior, mais sim possibilitar a uniformização de decisões recentes, contemporâneas, proferidas sob a égide daquele novo diploma legal. Tanto assim é que o preceito legal prevê apenas a diver gência com outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais, eliminando, implicitamente, conflito com decisões da an- tiga Instância Especial, ora com. atribuições delegadas do -Secretário da Re celta Federal ora ao Secretário Geral do Ministério da Fazenda, como também com as decisões do Conselho Pleno nos antigos recursos de divergência entre as Câmaras Transitórias. Se assim não fora, fácil seria encontrar acórdãos even- tualmente divergentes entre mais de cem mil julgados que constitu em o vasto repositório juriSprudêncial deste Conselho. O caso dos autos é típico: o recorrente localizou um a- córdão, um apenas, lacónico e impreciso, de mais de dez anos a- traz, e outro de pouco mais de cinco anos, este último de Câmara extinta, o qual, quando muito, teria servido de parâmetro, quando a Câmara existia, apenas para comprovar divergência com outra Câ- mara também provisória. O ilustre Procurador da Fazenda Nacional junto a esta Câmara já demonstrou em parecer, e o fez de forma exuberante, que "a jurisprudência de nossos tribunais, apreciando recurso de re- vista do Código de Processo Civil de 1939, em tudo idêntico ao re_ . curso em exame (...), tem-se definido uniformementela impresta !-- bilidade dos acórdãos quando distanciados no tempo.' j _..- , , ''. , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0882/005.140/78 Acórdão n9 CSRF/01-0.155 Acrescente-se a circustãncia de que decisões posterio- res deste Conselho firmaram entendimento diverso como lembra o parecer do Dr. Procurador da Fazenda Nacional ao citar o Acórdão n9 67.363, da la. Câmara deste Conselho, que assim se resume: "Os pagamentos a títulos de honorários de dire- tor só são dedutíveis se comprovada a efetiva pres_ tação de serviços pelos beneficiários." No mesmo sentido o Acórdão n9 103-02.181, da 3a. Câma- ra deste Conselho: "Honorários de diretor: só são dedutíveis do lu- cro tributável os pagamentos de honorários que cor_ respondam a serviços efetivamente prestados." Também a antiga InstánCia Especial (Parecer publicado em "Decisões da Instância Administrativa Especial" n9 06) se pronun- ciou no sentido de que "a remuneração de administradores que não corresponda a efetiva prestação de serviços não é custo ou despe- sa operacional". . Como se vê, além de antigas, as decisões invocadas es- tão superadas por decisões posteriores deste Conselho. Tenho para mim, pois, que se a uniformização de juris- prudência colimada pelo Decreto n9 83.304 de 28 de maio de 1979, não alcança apenas as decisões proferidas após a sua vigência, co . _ mo parece ter sido o propósito do legislador, de forma alguma po- deria ser reivindicada com base em acórdãos antigos e superados por decisões posteriores, diametralmente opostas. Isto posto, acolho, também, a preliminar de não preen- chimento dos pressupostos legais de admissibilidade do recurso de divergência. No Mérito Se rejeitadas as preliminares, e admitida a existência de dissídio jurisprudencial, há que prevalecer o acórdão recorri- do. '-- Dr. Leon Sklarowsky alinha, em seu parecer, as opiniões_ , sobre a matéria de ilustres autores, como Ruy Carneiro, Fran Ma . SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0882/005.140/78 17. Acórdão n9 CSRF/01-0.155 tins e Wilson de Campos Batalha, que ressaltam como necessário conteúdo da função de administrador de sociedade a prestação de serviço. Tais abalisadas opiniões interpretam e enfatisam o pró- prio texto do artigo 152 da Lei n9 6.404, de 15 de dezembro de 1976, que dispõe: "Art. 152 - A assembléia geral fixará o montante global ou individual da remuneração dos administra dores tendo em conta suas responsabilidades, o tem - po dedicado às suas funções, sua competência e repu tação profissional e o valor de seus serviços no mercado." Vale aqui reproduzir a lição de ALBERTO XAVIER comentan do o transcrito art. 152 da nova lei da sociedade por ações: "O conceito de remuneração de administrador que se deduz do art. 152 desta lei restringe-se, na verdade, à retribuição do trabalho de gestão da empresa - aliás uma das formas típicas de trabalho jã perfeitamente autonomizada e caracterizada pe- los economistas clássicos. Que assim ressalta, a- liás, claramente,de o próprio 19 art. 152 contra- por a participação do lucro à "remuneração" quan- do afirma que a primeira não pode ultrapassar a se gunda. A "remuneração" a que alude o caput do art. 152, é pois, a contraprestação de uma prestação de serviço, baseando-se num princípio de equivalen cia jurídica-económica entre o benefício auferido e custo suportado para sua obtenção. E isto seja qual for a forma jurídica de que essa retribuição Se reveste, prolabore fixo ou variável, senha de presença, emolumento ou honorário; e seja paga em dinheiro ou em espécie." (ADMINISTRADORES DE SOCIE DADES - pag. 36/37). Não menos elucidativo é o aentário do conceituado JO- 52 WASHINGTON COELHO sobre a materi. / , SERVIÇOPÚBLICOFEDERAL PROCESSO N9 0882/005.140/78 18. Acórdão n9 CSRF/01-0.155 "O tema remuneração dos administradores incendi- ou o palco das mais acaloradas discussões. Tratando-se de ponto essencial ao sistema de proteção das minorias, objetivo solar da lei, a fórmula teria que vedar as válvulas de sangramento dos lucros, que se tornara habitual através da li- berdade ate então vigente para fixar a remuneração e a participação dos diretores nos lucros. As amarrações instituidas no art. 152 para nor- tear a fixação do quantum a pagar - responsabilida_ des, tempo dedicado às funções, competência e re- putação profissional e o valor dos serviços no mercado - apesar de terem sido acusados, por uns, de idealisticas, sem possibilidade de execução, e, por outros, de excessivas, e, portanto, de difícil . atingimento - formam um quadro razoavelmente opera cional, sobretudo para aferir e eliminar os abusos de diretores pro-nomine, que se nomeam para o fim de receber, através de remuneração, autêntica dis- tribuição de lucros." (A NOVA LEI DAS SOCIEDADES A_ NONIMAS - pags. 67 a 68). Sendo, pois, a remuneraçãO de diretores, essencial e conceitualmente, uma retribuição de serviços prestados, na gestão do negócio da empresa, e, consequentemente, uma despesa da pessoa jurídica, não escapa ao principio geral que rege as despesas dedu tiveis, para efeito fiscal, isto é, que sejam -Citeis e necessãrias. Em recente tese apresentada no 19 Congresso Brasileiro de Direito Tributário, sob o titulo "A Tributação do Trabalho dos Dirigentes de Empresa", publicada em Resenha Tributária - Seção 1.3 - pags. 473 e 479, o Professor EURICO KORFF, destaca "o cons_ tante zelo das autoridades fazendãrias para vincular as retiradas ao trabalho efetivamente prestado, formulando, inclusive, uma sé- rie de condições expressas para assegurar que a retribuição seja efetivamente pro labore", e confronta a posição de outros países, em relação ao vinculo entre honorários de administrador e servi- ços prestados, de onde permitimo-nos transcrever o seguinte te , , _ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0882/005.140/78 19. Acórdão n9 CSRF/01-0.155 to: "George Thomas Washington e V. Henry Rotschild em, extenso estudo sobre a remuneração de "corporate executive" nos Estados Unidos da América, salien- tam como características principais da posição fis cal norte-americana e flexibilidade, baseada na "razoabilidade" de volume de remuneração e no grau de identificação de beneficiário (ou de seu parentesco) com o ou os controladores da empresa, pressuposta sempre na natureza "útil" e "necessá- ria" da despesa. Quando pode ter a convicção de não existir tal identificação ou parentesco e quando a determina- ção do honorário é fruto de decisões de assemblei as constituídas por grande número de acionistas, sem domínio por parte da administração, o Fisco norte-americano tende a dispensar melhor acolhimen to aos níveis estabelecidos. Em conseqüência, a a- tenção das autoridades fazendárias se concentra mais sobre as sociedades fechadas, procurando dis- tinguir entre a legitima compensação por serviço efetivamente prestado e a distribuição disfarçada de lucros ou um donativo oculto, já que na ausen- cia de oposição de interesses-entre acionistas e diretoria prevaleceria a tendência de distribuir a maior parte do lucro como remuneração da diretoria ... No exame das controvérsias, frequentemente Ie - vadas até o Judiciário, têm os tribunais estaduni- denses recorrido essencialmente ã análise de quer,- tweaspectos: o volume do negócio ao qual o dirigen te se acha ligado, a finalidade e as responsabili- dades do seu trabalho, as suas;qualificacõesecontri buições para o sucesso de empreendimento e as remu neraras para funçes comparáveis eirt atividecès corrpará veis. (o grifo nosso) , Na Grã-Bretanha a legislação de "profits -ta-/ SERVIÇOPÚBLICOFEDERAL PROCESSO N9 0882/005.140/78 20. Acórdão n9 CSRF/01-0.155 restringe a dedução como despesas dos pagamentos feitos a diretores que controlem a sociedade ou a qualquer pessoa que possua 20% ou mais das ações or dinãrias, excluídos de antemão as chamadas "Whéle time service directors", ou seja, os que dediquem o seu tempo integral à sociedade numa função adminis- trativa ou técnica e não controlam, individualmente, mais de 5% do seu capital acionãrio ordinário. Na França, além de indagações em torno da iden tificação (e de parentesco) do diretor com o grupo controlador, prevalece também a flexibilidade quan- to aos níveis propostos, cuja aceitação depende de comparações com serviços semelhantes remunerados por empresas semelhantes da mesma região, além dese considerar a grandeza, a receita bruta e a rentabi- lidade da firma pagadora, a extensão decontribUição prestada para o seu êxito, a sua despesa total com a administração e o tempo dedicado pelo administra- dor. Critério semelhante é adotado na República Fe- deral Alemã, mediante cotejo de remuneração paga ao diretor com pagamentos feitos pela própria ou outras firmas a terceiros por serviços semelhantes. . Na ãrea da sociedade fechada que,emprinclpio, mais atrai a atenção do Fisco, dada a alegada tendên_ cia de aumentar o vulto da remuneração em detrimen- to dos lucros tributáveis, Washington e Rothschild focalizaram à parte a situação das pequenas empre- sas, merecedoras, segundo opinam, de tratamentomais, brando. A. confusão do administrador com o proprietá_ _ _ rio,co-proprietãrio ou controlador que, de forma ge ral, suscita cuidados fiscais maiores em relação à Sociedade fechada, no caso de pequena empresa assumiria condições até para justificar a eleva- ção dos limites de remuneração desses administr,f t T d, SERVIÇOPÚBLICOFEDERAL PROCESSO N9 0882/005.140/78 21. Acórdão n9 CSRF/01-0.155 dores-empresários modestos, num campo em que o re- manescente após o pagamento das despesas operacio- nais e dos impostos é "ao mesmo tempo retribuição da habilidade do dirigente e do sucesso e da remune- ração do capital" onde, enfim, o titular conta muitomaiscomasua remuneração mensal do que com o que sobra, depois de consumida sua remuneração pes soai. Relatório publicado nos Estados Unidos da A- mérica demonstra como numerosas empresas pequenas . continuam a operar, apesar de aparentemente defi citárias, pelo simples motivo de seus dirigentes estarem menos interessados em seus dividendos de acionistas do que na sua remuneração como adminis- tradores, embora essa por vezes exceda os limites da pura compensação pelo trabalho para também, par cialmente, se transformar em remuneração do capi- tal. Tal tolerância não deveria ser considerada fora do contexto de uma era de progressiva concentração das atividades econômicas, quando o poder público não pode desconhecer a sua responsabilidade na pro teção, frente às grandes organizações em continuo crescimento, das pequenas e médias empresas, in- clusive no que diz respeito à conveniente dosa- gem da interferência fiscal." Como se vê, não apenas no Brasil mas em outros importãn tes paises a legislação estabelece um necessário condicionamento entre a remuneração do administrador e o serviço prestado. Evidencia-se, assim, que a tese sustentada pelo acórdão recorrida nem é nova, nem exorbitante, pois na verdade não se pre tende que o Fisco policie a prestação de serviços pelos adminis- tradores de empresa, mas tão somente que estes, quando solicita- dos, comprovem, através das respectivas empresas, que efetivamen te prestam serviços de gestão através dos quais façam jus a reti- radas ou honorários, coibindo-se assim a doação ou distribuição de, lucros através do ilegítimo rótulo de despesas com administrador ,- : , 'I SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0882/005-140/78 22. Acórdão n9 CSRF/01-0.155 que nada administram. Tais são as razaes por que votamos pelo não provimento do recurso teP B asilia-DF., 24 de abril de 1981 r td,~ qiotê,i)z-ü- CINTO DE MEDEIROS CAL .1 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1 _0002300.PDF Page 1 _0002400.PDF Page 1
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IMPORTADORA E EXPORTADORA •DECADÊNCIA - Crédito tributário constituído através de lançamento regularmente notifica do ao sujeito passivo, antes que se escoas- se o prazo guingüenal de decadência.A fluên cia do prazo finda com o ato do lançamento, praticado na forma prescrita pela legisla- i ção de regência, e não é afetada pelo poste rior decurso de tempo no julgamento daim- pugnação e recurso na esfera administrativa (STF, ERE n9 94.462-1 SP, sessão de 06.10.82, ' guando foi unificado o entendimento do ór- gão sobre prazo de decadência).Devolução do processo ã Douta Primeira Câmara do 39 C.C., para julgamento do mérito do litígio. Recur - so especial provido unanimemente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re curso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fis- cais, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso especial para rejeitar a preliminar de decadência, determinap io a devolução dos autos a Câmara recorrida para conhecimento 4 do trierit" _ Sala das SeSSões-(-rYF), em 29 de-iitnho de 1983. / .'`hi /I( ;P: 4 4:' AMADOR OUT —' • r i ERNÃNDEZ // - PRESIDENTE ENILA LEITE DEEITAS CHAGAS - RELATORA _ v.v ( \\\' \\\ LUIZ Fà,\* à NDO OLIVEIRA DE MORAES - PROCURADOR DA FAZEN - \ DA NACIONAL \\t Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, JOSÉ FAÇANHA MAMEDE, EDWALDO REIS DA SILVA, PAULO CÉSAR DE ÁVILA E SILVA e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. Ausente por motivo justificado o Conselheiro HINDEMBURGO DOBAL TEIXEIRA. - , SERVIÇO PUBLICO FEDERAL • PROCESSO N. 9 0220/011.305/76 RECURSO N.0,-RP/301-0.082 mx5FmÃo N.°:-CSRF/031.076 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: PRIMEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: FEMACO LTDA. IMPORTADORA E EXPORTADORA • RELATÓRIO Recorre a Câmara Superior de Recursos Fiscais o Procura dor da Fazenda Nacional junto à Primeira Câmara do 39 Conselho de I Contribuintes. Pleiteia a reforma do ao. n923.243 , de29/07/82 em • que foi provido recurso interposto por FEMACO LTDA. IMPORTADORA E EXPORTADORA . Reproduzo a ementa do julgado (f is 39/48 ): "PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. Entre o auto de infração e a decisão final proferida na reclamação administrativa do contribuinte, flui o prazo quinqüenal de decadência (RE-STF n9s 89.765 e 94.462-1/SP)." O ilustre relator, Dr. Francisco Martins Leite Cavalcan te, fundamentou seu voto nas decisões citadas, reproduzidas em par- te no acórdão ora sob exame, que leio de inteiro teor. Em síntese . defende-se a tese de que o lançamento só se constitui definitivamen te, após o término de procedimento administrativo ao qual tenha da- do origem. O prazo quinqüenal começa a correr "do primeiro dia útil do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado", segundo prescreve o art. 173 do C.T.N. e não sofre inter rupção. Na espécie,decorrerank cinco anos contados desta data até que o recurso do contribuinte desse entrada no C.C., concluindo-se que expirou o prazo sem que o crédito tributário se constitui se de ir ma definitiva. Assim se expressa o relator da decisão ref,tprida-zp • DMF - RJ/1° C - C - Secgraf - 0C447 • : : SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0220/011.305/76 - Acórdão n9-CSRF/03-1.076 2. "O Auto de Infração transcrito no relatório (f is. 1) , foi lavrado em 09/9/76;a decisão recorrida foi prolata- da apenas em 29/05/82; chegando o processo ao E. 39 Conselho em 21/5/82; e incluído em pauta para esta sessão. Por tais fatos, e aplicando subsidiariamente os prin- cípios do Direito Processual Civil Brasileiro, levan- to preliminar de decadência, com fundamento nos R. E. . n9 89.765-SC de 10.10.78. e R.E. n9 94.461-1/SP de . 30.06.81, respectivamente relatados pelos eminentes Ministros MOREIRA ALVES e SOARES MUROZ...." (in verbis). , . . O Douto recorrente a esta C.S.R.F. refuta a tese acima exposta, em petição que leio em sessão e está a fls.51 do processo. Argumenta que o lançamento, formalizado através de auto de infração ou de notificação fiscal, constitui definitivamente o crédito tributã- . • rio, não se podendo mais, a partir daí, falar em decadência, e ense- . jando-se ao contribuinte a direito de apresentar reclamação e reciJí soi r//I, É o relatório. F/ /2 , . . .' ... • , • - ^ • , : 3. SERVIÇO PÚDLICO FEDERAL PROCESSO N9 0220/011.305/76 Acórdão n9- CSRF/03-1.076 VOTO Conselheira ENILA LEITE DE FREITAS CHAGAS - Relatora: Fundamenta-se a decisão . recorrida nos RR.EE.- n9 89 .765-SC,de 10.10.78, e 94.462-1/SP, de 30.06.81, em que o STF, através da Primei ra Turma, adotou o entendimento acima referido. Entretanto, essa posição do STF não mais se mantém. Reunindo-se o Tribunal Pleno em 06.10.82, foi apreciado embargo de divergência da União ao RE. n9 94.462-1/SP, sendo aponta- das várias decisões da Segunda Turma com outro entendimento. • O embargo de divergência foi conhecido e recebido, uni- ficando-se a posição do 'órgão em relação aos institutos da decadência e da prescrição. Segue-se a ementa então lavrada: • "EMENTA - Prazos de prescrição e de decadência em direi_ to tributário. - Com a lavratura do auto de infração, consuma-se o lançamento do crédito tributário (art. 142 do C.T.N.). Por outro lado, a decadência só é admissível no perío- do anterior a essa lavrátura; depois, entre a ocorren- cia dela e até que flua o prazo para a interposição do recurso administrativo, ou enquanto não for decidido o recurso dessa natureza de que se tenha valido o contri buinte, não mais corre prazo para decadência, e aind -a- não se iniciou a fluência de prazo para prescrição; de corrido o prazo para interposição do recurso adminis- trativo, sem que ela tenha ocorrido, ou decidido o re- curso administrativo interposto pelo contribuinte,há a constituição definitiva do crédito tributário, a que alude o artigo 174, começando a fluir, daí, o prazo de prescrição da pretensão do Fisco. - É esse o entendimento atual de ambas as turmas do S.T.F. Embargos de divergência conhecidos e recebidos." Em seu voto, assim se expressa o ilustre relatop-.AMiniay , • SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0220/011.305/76 4. Acórdão n9-CSRF/03-1.076 tro MOREIRA ALVES: •, "Essa posição, aliás, é a única sustentável em face da ir natureza dá decadência e da prescricão, natureza essa que não é alterada pelo C.T.N. Com efeito, na realida- de,a relação obrigacional tributária nasce, como não poderia deixar de ser por sua própria natureza, com a ocorrência do fato gerador. E, a partir desse momento, surge, também, para o Fisco o direito potestativo de e- rr fetuar o lançamento, e direito potestativo a ser exerci do dentro de prazo determinado que, por ser prazo d-e- exercício de direito potéstativo, é prazo de decadência." Após analisar e refutar as objeções ã tese que o lança-- mento é o exercício de um direito potestativo do estado, continua o relator: • "O exercício deste direito ocorre - como se vê dos termos do art. 145 do C.T.N. - com o lançamento(e o auto de in fração é modalidade de lançamento) regularmente notifi: cado até porque - como acentua Alberto Xavier,Do lança- mento no Direito Tributário Brasileiro,n9 57, pag.150 São Paulo, 1977 - 'A notificação configura-se como re- quisito de perfeição do lançamento, o qual deve, portan to, considerar-se Como um ato receptício.' Ate aí flui 1 o prazo .de decadência. Segue-se o prazo parao pagamento, ou, se houver impug- nação pelo sujeito passivo, o lapso de tempo de tramita ção do recurso administrativo até decisão final.Num nbutro desses períodos não flui, evidentemente, prazo de decadência, pois não há mais direito potestativo a ser exercido. E.não flui também prazo de prescrição, pois este só começa a correr quando se viola o direito subje tivo de crédito do Fisco, o que só pode ocorrer a par-- tir do momento em que, sendo ele exigível não é satis- feito pelo sujeito passivo. E isso só se dá quando ter- mina o prazo para pagamento, sem que o débito seja sol- vido, ou quando há a inexecução da decisão denegatória da impugnação." O ilustre MINISTRO MOREIRA ALVES aborda também um aspecto crucial da questão, embora não de natureza doutrinária: a preocupação com a procrastinação dos litígios fiscais, quando o sujeito passivo sem lhe dar causa, sofre as consequências dessa demora. Foi o que o- 1 correu no presente processo. Assim se expressa o SR. MINISTRO. r "A crítica que se tem feito a essa orientação, rela cir454 • ,14) - SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0220/011.305/76 5. Acórdão n9-CSRF/03-1.076 cunstância de que a própria Administração poderia, já que não sujeita a qualquer espécie de prazo extintivo durante a tramitação do recurso administrativo, pro- crastinar sua decisão final não procede, pois,além de • argumentar com o patológico, e não com o normal, des- conhece a circunstância de que o recurso existe em fa vor do contribuinte, e não da Administração, e é di- reito daquele e não imposição desta. Ademais, se qui- zesse criar prazo extintivo pra coibir essa procrasti nação, mister seria que a lei (que poderia também es- tabelecer que, após certo período de tempo, não flui- riam juros e correção monetária em favor da Fazenda) se socorresse de outra"modalidade de prazo que não o de decadência ou de prescrição, pois a natureza de am bos não se amolda a esse fim." (ERE 94.462-1 - SP, D.J. de 17.12.82) Entendo de todo pertinente a sugestão do MINISTRO MO- „ REIRA ALVES de que legislação ordinária poderia estabelecer prazos para a ação fiscal, pois, infelizmente, o "patológico” a que ele se refere corro exceção ocorre com frequência na tramitação administrati- va de primeira instância. Cabe observar que o entendimento acima exposto sobre os institutos da decadência e da prescrição é de todo coincidente com a quele tradicionalmente adotado nos Conselhos de Contribuintes do MF e nessa C.S.R.F., conforme se verifica da jurisprudência relativa ã matéria. Enquanto numerosas teses se degladiam quanto ã data ini cial do prazo de decadência, são elas quase unânimes no sentido de que se trata de prazo paraque a Fazenda Nacional exerça o direito de constituir o crédito tributário através do lançamento. Uma vez efetu— ado o lançamento e notificado o sujeito passivo, não há que se falar . em decadência. Essa posição é a mesma adotada por mim em voto de numero sos acórdãos de que fui relatora no decurso desses dez anos de traba- lho no Conselho de Contribuintes. Face o exposto, dou provimento ao recurso esp d2( / v.v • volvendo-se os autos à Douta Primeira Câmara /ao 39 C.C., a fim de que se pronuncie quanto ao mérito do litígid Brasília, DF, em 29 de junho...de 1983. ENILA LEITE DE FREITASCHAGAS - RELATORA. • Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1
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Numero do processo: 10675.906640/2009-92
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 30/06/2005
PIS. COISA JULGADA. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98 e há incidência da contribuição PIS sobre este tipo de receita, pois estas receitas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-001.083
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl (Relator), Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Designado o Conselheiro Flávio de Castro Pontes para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Gustavo Lanna Murici, OAB/MG 87.168.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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COISA JULGADA. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98 e há incidência da contribuição PIS sobre este tipo de receita, pois estas receitas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl (Relator), Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Designado o Conselheiro Flávio de Castro Pontes para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Gustavo Lanna Murici, OAB/MG 87.168. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) SIDNEY EDUARDO STAHL Relator. EDITADO EM: 07/07/2012 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906640/200992 Acórdão n.º 380101.083 S3TE01 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906640/200992 Acórdão n.º 380101.083 S3TE01 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face da nãohomologação parcial de compensação realizada com créditos de PIS decorrentes da decisão judicial transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança nº 2000.38.03.0007782, de autoria da Recorrente, que objetivou a declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 (ampliação da base de cálculo do tributo). O despacho decisório exarado pela Delegacia da Receita Federal em Uberlândia – MG que vedou parcialmente o direito ao crédito de PIS da Recorrente, baseouse em manifestação da Equipe de Ações Judiciais – EQAJ daquela DRF, exarada em processo fiscal de acompanhamento do Mandado de Segurança acima aludido (Informação Fiscal n°. 0098/2010/DRF/UBE/EGAJ PAJ 10675.000306/0097), que ao analisar o alcance da decisão judicial em questão, acabou por entender que o Recorrente se utilizou de base de cálculo menor do que a devida, pois considerou que as receitas que deverão compor a base de cálculo do PIS das instituições financeiras tais como a Recorrente serão todas aquelas relativas às atividades típicas realizadas por este gênero empresarial, quais sejam, as oriundas das “operações bancárias” em geral, o que culminou na apresentação de Manifestação de Inconformidade pelo Contribuinte. A Manifestação de Inconformidade restou indeferida através do Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora MG, que corroborou o entendimento esposado pela DRF de origem, conforme ementa abaixo transcrita, in verbis: “PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A base de cálculo do PIS/Pasep para as instituições financeiras e assemelhadas é o faturamento, entendido como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” A fundamentação apontada pelo acórdão da DRF que sustentou a decisão pode ser extraída dos seguintes trechos: Ao pretender ser tributada apenas em relação aos serviços prestados no seu sentido estrito, intenta a manifestante excluir da incidência da contribuição as receitas provenientes daquelas que constituem justamente as atividades principais do seu objeto, ou seja, as receitas obtidas no exercício das suas atividades empresariais, que são as mais expressivas em termos de riquezas geradas. (…) Ora, as chamadas operações bancárias (“spreads”, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de Fl. 151DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906640/200992 Acórdão n.º 380101.083 S3TE01 Fl. 4 4 recursos financeiros próprios ou de terceiros, empréstimos, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc.), se constituem na essência do exercício das atividades empresariais das instituições financeiras. Já os chamados serviços bancários (tarifas de manutenção de conta, de abertura de crédito, de custódia, de administração, etc...), são atividades secundárias e acessórias, executadas unicamente para que a instituição possa desempenhar adequadamente a sua atividade principal. Portanto, correta a autoridade administrativa ao incluir no faturamento da manifestante as receitas relativas a empréstimos, financiamentos, etc…, que são oriundas do exercício das atividades empresariais, como definido na decisão exarada no Recurso Extraordinário 401.3487Minas Gerais. Inconformada, a Contribuinte interpõe o presente Recurso Voluntário, através do qual sustenta possuir direito ao crédito de PIS inicialmente indeferido, porquanto está devidamente amparada por decisão transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança n° 2000.38.03.0007782, o qual, por sua vez, está em consonância com a decisão do Órgão Plenário do Supremo Tribunal Federal que extirpou do ordenamento jurídico o artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, ao consignar que a base de cálculo do PIS está atrelada ao conceito estrito de receita bruta de venda de mercadorias e da prestação de serviços. Em suma, alega a Recorrente em suas razões recursais que a receita de prestação de serviços que configura o “faturamento” das instituições financeiras engloba todos os tipos de taxas, tarifas e comissões cobradas pelas instituições para prestar serviços bancários. Por sua vez, a movimentação financeira decorrente de operações bancárias, e não de serviços bancários, está fora do conceito de “faturamento” determinado pelo Supremo Tribunal Federal. À final, requer seja dado provimento ao recurso. É o Relatório. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906640/200992 Acórdão n.º 380101.083 S3TE01 Fl. 5 5 Voto Vencido Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. A lide consiste em se determinar qual a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep, a partir da decisão transitada em julgado no Mandado de Segurança n° 2000.38.03.0007782, da lavra do Ministro Cezar Peluso, no Recurso Extraordinário 401.348 7, de autoria da Recorrente, a seguir transcrita: DECISÃO: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2.Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Minº ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Minº MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3.Diante do exposto, e com fundamento no artigo 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas ex lege. Publiquese. Int.. Brasília, 28 de novembro de 2005. Ministro CEZAR PELUSO Relator O ponto fulcral, do presente processo, portanto, é determinar, conforme apontado no relatório e na decisão supra se, sobre os montantes recebidos pelas instituições financeiras a título de remuneração decorrente do pagamento de operações de empréstimos bancários, “spreads”, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamentos, colocação e negociação de títulos Fl. 153DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906640/200992 Acórdão n.º 380101.083 S3TE01 Fl. 6 6 e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc. – as chamadas intermediações financeiras – incide ou não a contribuição para o PIS/Pasep. Isso decorre do entendimento esposado de que o significado de faturamento ao qual está obrigada a Recorrente é o de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Além desse entendimento, apontou o Ministro Relator, ainda, que seu entendimento se substancia no que foi decidido nos Recursos Extraordinários nº 346.084PR, nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG. Lembremonos que o regime legal aplicável às instituições financeiras com relação ao PIS é o da Lei 9.718/1998 por expressa disposição do inciso I, do artigo 8º da Lei nº 10.637/20021. A norma assim define a base de incidência da contribuição: Artigo 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei.(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Artigo 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica.(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) O confronto da norma e da decisão do Min. Cezar Peluso supra citada serviram para a decisão da DRF de Juiz de Fora, ora atacada. Assim expressou a decisão da DRJ: Como se vê na decisão acima, o Ministro Cezar Peluso definiu que a base de cálculo da contribuição é o faturamento, assim entendido como sendo a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação dc serviços de qualquer natureza. Logo à frente, o Exmo. Senhor Ministro esclarece que o faturamento é a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. 1 Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: I – as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6º, 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998 (parágrafos introduzidos pela Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001), e Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983;... Fl. 154DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906640/200992 Acórdão n.º 380101.083 S3TE01 Fl. 7 7 Portanto, é necessário delimitar qual a composição do faturamento das instituições financeiras, ou para melhor se adequar à decisão transitada em julgado, qual é a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais desse tipo de empresa. As instituições financeiras têm tratamento jurídico diferenciado em relação às empresas que exercem outras atividades. Seu objeto social é distinto e, por consequência, o conceito de faturamento em relação a elas deve ser examinado de forma diferenciada. No Recurso Extraordinário n° 346.0846PR, citado na Decisão em questão, o mesmo Ministro Cezar Peluso manifestou, em seu voto que o faturamento deve ser entendido resultado econômico das operações empresariais típicas, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado”. E continuou o julgador “a quo”: Então, quais seriam as receitas operacionais típicas das instituições financeiras e assemelhadas? São elas, evidentemente, as decorrentes da intermediação de operações a da prestação de serviços de natureza financeira: empréstimos, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc... Configurase, assim, uma situação sui generis devido às especificidades e particularidades desta atividade econômica, totalmente diferente da atuação das pessoas jurídicas eminentemente comerciais ou das demais prestadoras de serviços. (...) Diferentemente do que afirma a manifestante, o faturamento das instituições financeiras vai muito além do que a simples receita proveniente da cobrança de tarifas (de manutenção de conta, de abertura de crédito, de custódia, de administração, etc...), abrangendo um outro universo de receitas típicas e características da atividade financeira. Ao pretender ser tributada apenas em relação aos serviços prestados no seu sentido estrito, intenta a manifestante excluir da incidência da contribuição as receitas provenientes daquelas que constituem justamente as atividades principais do seu objeto, ou seja, as receitas obtidas no exercício das suas atividades empresariais , que são as mais expressivas em termos de riquezas geradas. Apesar do entendimento aparentemente conclusivo apresentado na decisão da DRJ, tenho que o exame da matéria merece maior cuidado especialmente para dar ampla segurança à relação fisco/contribuinte, quanto ao sentido dado pelo Ministro Peluso ao faturamento que abrange “as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906640/200992 Acórdão n.º 380101.083 S3TE01 Fl. 8 8 O PIS (Programa de Integração Social) teve sua concepção na Constituição de 1967, que, em seu artigo 158, V, previa: “Artigo 158. A Constituição assegura aos trabalhadores os seguintes direitos, além de outros que, nos termos da lei, visem à melhoria, de sua condição social: (...) V – integração do trabalhador na vida e no desenvolvimento da empresa, com participação nos lucros e, excepcionalmente, na gestão, nos casos e condições que forem estabelecidos.” A Emenda Constitucional nº 1/69 repetiu a previsão em seu artigo 165, V, com redação quase homônima. Com esse fundamento, foi editada a Lei Complementar nº 7/70, que instituiu o Programa de Integração Social, “destinado a promover a integração do empregado na vida e no desenvolvimento das empresas”. Para alcançar esse objetivo, a Lei Complementar nº 7/70 instituiu um Fundo de Participação, a ser constituído por depósitos efetuados pelas empresas – conceituadas como pessoas jurídicas nos termos da legislação do Imposto de Renda – na Caixa Econômica Federal. Até então, a Constituição Federal não previa uma basedecálculo determinada para o PIS, limitandose a falar de “participação nos lucros” da empresa. A Lei Complementar nº 7/70 determinou que a basedecálculo seria o faturamento, mas não o definiu. Diante disso, o Banco Central editou a Resolução nº 174/71, que considerou faturamento, corretamente e conforme o sentido laico, a receita operacional das empresas. A legislação do PIS sofreu alterações nos anos seguintes, por meio das Leis Complementares nºs 17/73 – que instituiu um adicional de 0,125% à alíquota incidente sobre o faturamento em 1975 e 0,25% para os anos subsequentes – 19/73 – que determinou a aplicação unificada dos recursos do PIS e do Pasep (Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público, instituído pela Lei Complementar nº 8/70) – e 26/75 – que criou o Fundo Unificado PIS/Pasep. De acordo com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, o PIS/PASEP tinha, até a edição da Emenda Constitucional nº 8/77, natureza tributária. Com a EC nº 8/77, contudo, perdeu essa natureza, pois a Emenda incluiu um novo inciso no artigo 43 da Carta de 1969 – que tratava das atribuições do Poder Legislativo –, separando a contribuição social ao PIS/PASEP dos tributos. Em 1988, o Decretolei nº 2.445, com algumas mudanças instituídas pelo Decretolei nº 2.449, alterou a alíquota e a base de cálculo do PIS/PASEP, que passaria a ser calculado à base de “sessenta e cinco centésimos por centro da receita operacional bruta”, conceituada, naquele instrumento como “o somatório das receitas que dão origem ao lucro operacional, na forma da legislação do imposto de renda”, admitidas algumas exclusões e deduções estabelecidas no próprio decretolei. Os dois decretoslei geraram grande polêmica e terminaram por ser repelidos pelo Supremo Tribunal Federal, sob o argumento de inconstitucionalidade perante a Carta de 1969, pois, embora esta outorgasse ao Presidente da República competência expressa para Fl. 156DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906640/200992 Acórdão n.º 380101.083 S3TE01 Fl. 9 9 baixar decretoslei referentes às finanças públicas, inclusive matéria tributária, entendiase que o PIS/PASEP não tinha mais natureza tributária, ou mesmo de finanças públicas, não podendo ser objeto de decretolei. A questão da alteração da definição basedecálculo foi meramente tangenciada por alguns ministros, não constituindo a razão da inconstitucionalidade dos dois decretoslei. Analisando essa questão, o MinistroRelator Carlos Velloso apenas lembrou que a Constituição então vigente não havia especificado a basedecálculo do PIS e que, consoante a Resolução Bacen nº 174/71, o “faturamento” da LC 7/70 era, na realidade, a receita operacional, ou seja, quando se usava o termo receita operacional, esse estava sendo usado como sinônimo de faturamento, de modo que “nada teria sido alterado, portanto”. A nova Constituição Federal entrou em vigor logo em seguida, recepcionando o PIS/PASEP expressamente em seu artigo 239. A Constituição de 1988, além disso, arrolou, em seu artigo 195, as bases de cálculo que poderiam ser utilizadas para financiamento da seguridade social, como segue: “Artigo 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; II dos trabalhadores; III sobre a receita de concursos de prognósticos.” Em 30 de outubro de 1998 foi publicada a Medida Provisória nº 1.724, posteriormente convertida na Lei nº 9.718/1998 estando as instituições Financeiras obrigadas a tributar o PIS (e a COFINS) sob a sua égide. A discussão que se travou circundou os conceitos de receita bruta e faturamento. O conceito de faturamento já havia sido examinado pelo Pleno do STF no Recurso Extraordinário nº 150.7551, gerando acirrado debate entre, de um lado, os Ministros Carlos Velloso e Marco Aurélio – que sustentavam a inconstitucionalidade do artigo 28 da Lei 7.738/89, argumentando que “faturamento” e “receita bruta” são termos distintos – e, de outro, o Ministro Sepúlveda Pertence – que alegava que, em uma interpretação conforme a Constituição, os dois termos poderiam ser considerados equivalentes. Segundo o Ministro Sepúlveda Pertence, “a substancial distinção pretendida entre receita bruta e faturamento – cuja procedência teórica não questiono –, não encontra respaldo atual no quadro do direito positivo pertinente à espécie, ao menos, em termos tão inequívocos que induzisse, sem alternativa, à inconstitucionalidade da lei”. Mesmo porque, arguia o Ministro, “antes da Constituição, precisamente para a determinação de base de cálculo do Finsocial, o DecretoLei 2.397, 21.12.87, já restringira, para esse efeito, o conceito de receita bruta a parâmetros mais limitados que o de receita Fl. 157DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906640/200992 Acórdão n.º 380101.083 S3TE01 Fl. 10 10 líquida de vendas e serviços, do Decreto Lei 1.589/77, de modo, na verdade, a fazer artificioso, desde então, distinguilo da noção corrente de faturamento”. Diante disso, o Ministro Carlos Velloso retrucou, afirmando que “a autorização (da CF/88) é para que a incidência seja sobre faturamento e não sobre receita bruta – é o inciso I do artigo 195. Mas S. Exa. Parece que equiparou receita bruta a faturamento, o que também não me parece adequado fazer”. Ao seu auxílio, veio o Ministro Marco Aurélio, afirmando que “não posso atribuir ao legislador a inserção de expressões, a inserção de vocábulos em preceitos de lei sem o sentido vernacular, e, aqui, mais do que o sentido vernacular, temos o sentido técnico. (...) Senhor Presidente, não posso dizer que receita bruta consubstancia sinônimo de faturamento”. O Ministro Sepúlveda Pertence então reconheceu que “há um consenso: faturamento é menos que receita bruta”, mas reiterou que a lei tributária chamou “receita bruta o que é faturamento. E aí, ela se ajusta à Constituição”. Em outras palavras, que faturamento e receita bruta são diferentes, mas a legislação infraconstitucional restringiu tanto o conceito de receita bruta que terminou por equiparálo ao conceito de faturamento, não infringindo, portanto, a Constituição. A divergência persistiu, mas a maioria dos Ministros terminou optando pela posição do Ministro Sepúlveda Pertence. Assim, o acórdão foi tomado por maioria de votos, no sentido de “dar provimento ao recurso para declarar a constitucionalidade do artigo 28 da Lei nº 7.738/89, considerada a expressão “receita bruta” como correspondente a “faturamento”. Mas, o que havia naquele momento era o entendimento que se restringiu de tal forma a receita bruta que, apesar de ser nominada desse modo, tratavase, na verdade, de faturamento. É como se houvesse a determinação de incidir um tributo sobre carros de passeio e se fizesse incidilo sobre automóveis, tendo um, por sinônimo de outro. Assim dispunha o artigo: “Artigo 28. Observado o disposto no artigo 195, § 6º, da Constituição, as empresas públicas ou privadas, que realizam exclusivamente venda de serviços, calcularão a contribuição para o FINSOCIAL à alíquota de meio por cento sobre a receita bruta.” O que entendeu o Supremo é que o termo “receita bruta” constante no artigo significava faturamento, nada mais, nunca disse, portanto, que receita bruta e faturamento são a mesma coisa. Esse é o primeiro cuidado que devemos tomar. Assim, tendo o STF acatado a equiparação entre “faturamento” e “receita bruta” para os fins do artigo 28 da Lei nº 7.738/89, pretendeuse estender esse entendimento errôneo ao PIS/PASEP, por meio da edição da Lei nº 9.718/98, que alterou a base de cálculo do PIS/PASEP no seguinte sentido: “Art 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão Fl. 158DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906640/200992 Acórdão n.º 380101.083 S3TE01 Fl. 11 11 calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Tentando evitar que a polêmica entre os conceitos de “receita bruta” e “faturamento” fosse reavivada – num ato de confissão de incapacidade de planejamento – o Congresso Nacional resolveu dar maior respaldo constitucional à Lei nº 9.718/98 e fêlo por meio da Emenda Constitucional nº 20/98, que alterou o artigo 195 da Carta Maior, incluindo a “receita” expressamente entre as possíveis bases de cálculo para as contribuições sociais, como segue: Artigo 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre:(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Assim, a partir da Emenda Constitucional nº 20, de 1998, a Constituição Federal passou a autorizar a União a tributar a (totalidade da) receita dos contribuintes, ou seja, modificada a Constituição, não mais se discute que, a partir de 16/12/1998, o legislador federal passou a ter competência para editar uma nova lei instituindo contribuições sociais com base de cálculo composta por qualquer receita da pessoa jurídica. Após a EC 20/98, a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS não mais estão limitadas ao faturamento das empresas. Porém, considerando que a Lei nº 9.718/98 foi publicada antes da promulgação da Emenda Constitucional nº 20/98, que modificou a redação do artigo 195 da Constituição Federal para outorgar competência à União Federal para instituição de contribuição social sobre receita, o Plenário do Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucional aquele § 1º do artigo 3º da referida Lei nº 9.718/98, valendo transcrever o seguinte excerto da ementa do acórdão proferido no RE nº 390.485: Fl. 159DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906640/200992 Acórdão n.º 380101.083 S3TE01 Fl. 12 12 “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvidas e da classificação contábil adotada.” (grifo nosso). Com base nesta decisão, os diversos processos pendentes de julgamento perante o Supremo Tribunal Federal passaram a ser julgados monocraticamente por seus Ministros, com fundamento no artigo 557, § 1ºA do CPC. Ocorre, porém, que nos processos de sua Relatoria, o ilustre Ministro Cezar Peluso tem proferido decisões do seguinte teor: “2. Consistente, em parte, o recurso. Uma das teses do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Minº ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Minº MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3. Diante do exposto, e com fundamento no artigo 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe parcial provimento, para, concedendo, em parte, a ordem, excluir, da base de incidência do PIS e da COFINS, receita estranha ao faturamento das recorrentes, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas em proporção.” (grifos nossos). Do mesmo modo seguiu a decisão que baliza o presente processo, ante citada. A decisão tomou por referência o julgamento do RE nº 390.840MG com idêntico teor dos demais citados e tem por núcleo a noção de faturamento conforme a redação original do artigo 195, I, b, da Constituição Federal. No acórdão, o Supremo Tribunal Federal concluiu pela declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei nº 9.718/1998: “Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906640/200992 Acórdão n.º 380101.083 S3TE01 Fl. 13 13 por ela exercida e a classificação contábil adotada pelas receitas”, cujo caput prescreve: “O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica”. Em questão estava a constitucionalidade da correspondência estabelecida pela Lei entre faturamento e receita bruta, nos termos em que essa fora definida.” A análise daquele RE foi baseada exclusivamente na violação do princípio da supremacia da Constituição, conforme o voto do Ministro Cezar Peluso, as duas razões teriam ocorrido para a inconstitucionalidade. A uma: de ordem material, pelo conteúdo do § 1o do artigo 3o da Lei nº 9.718/98, que ampliava o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”. O sentido dado ao conceito afrontaria a noção de faturamento pressuposta no artigo 195, I, b da Constituição Federal. A duas: de ordem formal, pois, pelo artigo 195, § 4º, sendo o legislador competente para “criar outras fontes” de custeio da seguridade social, não agiu em conformidade com o artigo 154, I da Constituição Federal2. Quanto à inconstitucionalidade formal, diz o Ministro Peluso, em seu voto vista, que, na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º, não houve usurpação de competência (incompetência orgânica), mas violação do disposto no artigo 154, I, c/c o disposto no artigo 195, § 4o (incompetência procedimental). Afinal, se, de um lado, à época, o artigo 195, I, da CF não previa a receita como fonte, o legislador ordinário, se quisesse prevê la, poderia terse valido do § 4º do artigo 195, mas desde que c/c o artigo 154, I, cujo preceito, porém, descumpriu. Quanto à inconstitucionalidade material, teria havido desconformidade entre a definição adotada na Lei para receita bruta, cujo sentido violava a significação adotada pela jurisprudência do STF como equivalente a de faturamento. Porém, ao final, o voto conferiu, mediante interpretação conforme a Constituição, ao termo receita bruta, (constante do caput do artigo 3º e nele equiparado a faturamento), o sentido de receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviços, de acordo com jurisprudência anterior do STF. A questão nuclear da inconstitucionalidade está, pois, localizada no sentido atribuído pelo legislador ao conceito de receita bruta, ao qual a expressão constitucional faturamento fora equiparada. Em seu voto, o Ministro Cezar Peluso examinou o sentido de receita bruta, primeiro, para distinguilo do de faturamento, e, assim, declarar inconstitucional o referido § 1º do artigo 3º e, ao depois, para equiparar um ao outro conforme o sentido atribuído a faturamento na jurisprudência anterior do STF, a fim de manter o caput do artigo 3º mediante interpretação conforme a Constituição. Ao fazêlo, no entanto, o Ministro Peluso estabeleceu a referida equiparação nos seguintes termos: “Quanto ao caput do artigo 3º, julgoo constitucional para lhe dar interpretação conforme a Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de ‘receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços’, adotado pela legislação anterior, e que, a 2 Art. 154. A União poderá instituir: I mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam nãocumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição; Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906640/200992 Acórdão n.º 380101.083 S3TE01 Fl. 14 14 meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” (grifei). O posicionamento mencionado parece conduzir ao entendimento de que receita bruta e faturamento não se confundem. Nem receita bruta, em termos de faturamento, se reduz a receita, pois nem toda receita é operacional. Mas, se, sob receita operacional, para efeito de significado estrito de receita bruta, entendese receita bruta de vendas e serviços, que significa: ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais típicas. O problema suscita um prévio exame de questões referentes à determinação de um conceito. Primeiro, é preciso entender a congruência entre o sentido de receita bruta e de faturamento em termos de venda de mercadoria e de prestação de serviços, de modo a permitir a equivalência: “ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício de atividades empresariais típicas”. “Mas o acórdão rechaçou também o argumento que aceitava uma espécie de “constitucionalidade superveniente”, por força da EC nº 20/98, que alterara o artigo 195, I da Constituição Federal. Aqui aparece também um problema de determinação do conceito. Afinal, essa nova formulação constitucional (a receita e o faturamento) conduz à necessária distinção que se há de fazer, para o futuro, entre faturamento e receita. Essa atual distinção constitucional há de ser compatível com o sentido que foi atribuído pelo acórdão para conferir, mediante interpretação conforme, constitucionalidade à expressão receita bruta constante do caput do artigo 3º da Lei nº 9.718/98.” Daí a seguinte questão: se, na formulação vigente (pós EC nº 20/98), a Constituição admite duas fontes distintas, a receita ou o faturamento, qual a diferença entre receita bruta, equiparada a faturamento pelo voto do Ministro Peluso, e a receita, conforme a nova expressão constitucional? Becker3 explica que “não existe um legislador tributário distinto e contraponível a um legislador cível ou comercial. Os vários ramos do direito não constituem compartimentos estanques, mas são partes de um único sistema jurídico, de modo que qualquer regra jurídica exprimirá sempre uma única regra (conceito ou categoria ou instituto jurídico) válida para a totalidade daquele único sistema jurídico. Essa interessante fenomenologia jurídica recebeu a denominação de cânone hermenêutico da totalidade do sistema jurídico. Com toda razão, o Professor da Universidade de Roma, Emilio Betti, especialista em hermenêutica, roga atenção para o deplorável fato de grande parte dos juristas ainda não terem demonstrado o mínimo indício de conhecer e compreender esse fundamental cânone hermenêutico da totalidade do sistema jurídico. Da fenomenologia jurídica acima indicada decorre o seguinte: uma definição, qualquer que seja a lei que a tenha enunciado, deve valer para todo o direito; salvo se o legislador expressamente limitou, estendeu ou alterou aquela definição ou excluiu sua aplicação num determinado setor do direito; mas para que tal alteração ou limitação ou exclusão aconteça é indispensável a existência de regra jurídica que tenha disciplinado tal limitação, extensão, alteração ou exclusão. Portanto, quando o legislador tributário fala de 3 Teoria Geral do Direito Tributário, p. 122/123, com itálicos do original. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906640/200992 Acórdão n.º 380101.083 S3TE01 Fl. 15 15 venda, de mútuo, de empreitada, de locação, de sociedade, de comunhão, e incorporação, de comerciante, de empréstimo, etc., devese aceitar que tais expressões têm dentro do direito tributário o mesmo significado que possuem no outro ramo do direito, onde, originariamente, entraram no mundo jurídico. Lá, por ocasião de sua entrada no mundo jurídico, é que houve uma deformação ou transfiguração de uma realidade préjurídica (exemplo: conceito de Economia Política; instituto da Ciência das Finanças públicas). Recomenda Luigi Vittorio Berliri o abandono, de uma vez para sempre, do arbitrário expediente de atribuir ao legislador tributário (como se fosse um outro legislador e, ainda por cúmulo, ignorante de direito) uma linguagem sua própria que atribuiria a palavra ou expressão que tem um bem preciso e conhecido significado jurídico, um esquisito significado novo de Direito Tributário. O “marido” de direito tributário – com razão adverte Luigi Vittorio Berliri – não pode ser outro que o marido do direito civil e canônico, isto é, aquele que é unido à mulher pelo vínculo do matrimônio. O “grau de oficial” ao qual se refere o artigo 7º da lei do imposto de renda, não pode ser outro que aquele decorrente dos regulamentos militares. Exatamente como a “maltose”, o “tártaro” e o “cróton” aos quais as normas tributárias fazem referência (a propósito do imposto de fabricação sobre glicose e sobre os óleos de sementes), não podem ser senão a maltose, o tártaro e o cróton da merceologia. Tanto não é possível pensar em um marido (“de direito tributário”), em uma enfiteuse, em uma servidão, em uma hipoteca (“de direito tributário”), em um oficial, em um domínio útil, em um débito quirografário (“de direito tributário”), quanto impossível seria pensar em uma maltose, um tártaro e um cróton (“de direito tributário”). As definições provocadas por Becker correspondem, conforme exemplifica, às significações diuturnas e técnicas do termo, dentro do sentido que lhe dá a norma. Entretanto, o genial doutrinador peca por entender que o legislador toma as normas realizando uma deformação ou transfiguração de seu sentido. Certamente não. Têm, na norma jurídica formalizada, o mesmo sentido que têm em cada um dos seus usos normais. Se o legislador viesse a criar um imposto incidente sobre o uso de cadeiras, apenas exemplificando para fins didáticos, “cadeira” seria tomada no sentido comum do termo, peça do mobiliário e nenhum outro sentido senão o comum. Quando a lei fala em comprar, vender, emprestar ou alugar não é necessário fazer qualquer outra definição senão a praticada ordinariamente, salvo se o termo por si só seja técnico. Essa prática, de se entender que todos os termos têm um significado jurídico ao serem empregados na norma, é uma prepotência da ciência, clara e compreensível, oriunda mais de uma necessidade de precisão científica do que da realidade, mas não é uma provável verdade da norma. Decerto o legislador oriundo de diversas formações não se preocupa em entender os termos técnicos empregados na norma antes de propôla. Se, por ex., o legislador tivesse que determinar o uso obrigatório de uma calça por uma categoria profissional em épocas diferentes seguramente se referiria ao termo de época, determinaria o uso de calça jeans ou blue jeans em um momento histórico, calça de brim azul em outro ou, como era conhecida antigamente, calça rancheira. Por isso, fizemos o pressuposto ligado à linguagem e ao tempo. Por outro lado, um termo técnico como enfiteuse, elisão ou evicção seria tomado no seu sentido técnico porque nenhum outro sentido poderia ser usado senão esse, mas atentemos que, em caso de existir um termo de significado corrente e um significado técnico, o termo pode ser tomado em qualquer significado – digamos que seja “transfusão”, referindose à Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906640/200992 Acórdão n.º 380101.083 S3TE01 Fl. 16 16 necessidade de que se usem equipamentos descartáveis para a coleta de sangue e transfusão do mesmo, por ex., mas é importante lembrar que ninguém precisa de um conhecimento técnico para saber o que significa “transfusão”. Assim, a linguagem do legislador é meramente comum, não técnica, não havendo, portanto, qualquer necessidade de se definir o termo “tributo” na lei porque o termo já é conhecido pela linguagem comum, ou seja, todos sabemos a que se refere quando a lei fala em tributo ou, em outro giro, qual é a acepção tomada pelo legislador no uso do termo. Entretanto, no caso do conceito dado ao elemento receita para fins de incidência do PIS (e da COFINS) a questão não é tão simples. Receita é um termo plurívoco mesmo na linguagem comum. Tem diversos significados e alcances. Pode referirse à culinária aonde corresponde a indicação minuciosa sobre a quantidade dos ingredientes e a maneira de preparar um prato salgado ou doce; pode se referir à farmácia aonde compreende uma fórmula para preparação de um medicamento; à medicina, que corresponde à própria prescrição; ou, àquilo que nos interessa, ao conceito contábil. A questão da definição de faturamento em termos de receita bruta gira, pois, em torno do sentido conotativo (qualificação do conceito: atributos que lhe são próprios) e do seu sentido denotativo (delimitação do conceito: extensão de objetos abrangidos). Sob esses dois aspectos é que se deve entender o sentido conferido à significação da expressão receita bruta como equivalente a faturamento. Sobre isso, voltarei ao que foi decidido no Recurso Extraordinário nº 150.7551 aonde ficou claro que receita e faturamento são distintos e que faturamento é menos que receita bruta. Portanto, tomoos como distintos. Pela nova dicção do artigo 195, por força da referida Emenda, passou a Constituição Federal a determinar como fonte das contribuições o faturamento ou a receita. A expressão “incidentes sobre a receita ou o faturamento” aponta, agora, para diferentes hipóteses de incidência ou fatos geradores distintos. Assim, ainda que, ad argumentandum, se admitisse que a intenção do constituinte derivado pudesse ter sido “espletiva”, objetivamente, a nova redação constitucional não equiparou os conceitos. Apenas estendeu a possibilidade da base de cálculo, antes restrita ao faturamento, também para a receita. Nesse sentido, observese, inicialmente, que, no caso em tela, pela nova redação, o “ou” tem função disjuntiva e não conjuntiva, como se observa pelo uso dos demonstrativos (“a receita ou o faturamento”). Destarte, o novo dispositivo, trazido pela Emenda Constitucional, ao contrário do que se possa pensar, reforça a tese de que, na Constituição Federal, mormente para efeitos fiscais, faturamento e receita são conceitos distintos, ainda que ou um ou outro possam configurar base de cálculo de contribuição social. Faturar, conforme diapasão do próprio Supremo é a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços de qualquer natureza. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906640/200992 Acórdão n.º 380101.083 S3TE01 Fl. 17 17 O conceito de faturamento advém além do conceito contábil, da Lei nº 5.474/68, segundo a qual a fatura tem a função de documentar a efetivação de vendas mercantis ou de prestações de serviços. Nesse sentido, o termo “faturamento” referese tanto ao ato de expedição do documento que representa a venda da mercadorias ou a prestação de serviços, como à própria receita proveniente dessas operações. Fora dessas duas atividades, não há que se falar em faturamento. Conforme ante examinado, o uso da expressão faturamento, antes da EC nº 20/98, tem seu sentido conotativo determinado por venda: “vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza”. Nesses termos, alcança o sentido estrito de receita bruta. Ou seja, receita bruta, desde que tomada em sentido estrito, pode ser equiparada à expressão constitucional faturamento. Já com a introdução da expressão “receita”, porém, o seu conceito deve ser devidamente separado do de faturamento. A receita há de se entender esta como as quantidades de valor financeiro, originários de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do resultado, conforme o tipo de atividade por ela exercida. Nesse sentido, a receita, constante da nova redação do art. 195, I, à diferença de o faturamento, passa a constituir um conceito “alargado”, qualquer valor auferido, que abrange a classe genérica da receita como base de cálculo. Como classe genérica, receita passa a referirse às atividades da sociedade que constituem as fontes do resultado, conforme o tipo de atividade por ela exercida. Nessa classe genérica está o conceito lato de receita bruta, que, então sim, incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimento de aplicações financeiras, indenizações etc. Mas não as incorpora no conceito estrito de receita bruta. E nisso se distingue de faturamento, enquanto vendas faturadas e não faturadas, isto é, todas as vendas. Pareceme, diante disso, que o entendimento da questão exige uma consideração mais detalhada do termo receita bruta, mormente quando referida a receita operacional, para adequála ao faturamento no sentido constitucional. Com efeito, o tratamento do termo faturamento como “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza” generalizouse com o advento da LC nº 70/91, que assim o definiu em seu artigo 2º. Porém, como disse o Min. Carlos Britto (em seu voto no RE nº 346.084–6 PR): “Tudo estaria pacificado não fosse o advento da Lei Ordinária nº 9.718, de 1998 (...), que equiparou os termos ‘faturamento’ e ‘receita bruta’, não exclusivamente operacional”. Receita operacional, segundo o Ministro Carlos Britto, remete ao mencionado Decretolei nº 2.297/1987, artigo 22, § 1º, alínea “a”: “a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda”. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906640/200992 Acórdão n.º 380101.083 S3TE01 Fl. 18 18 E completa: “receita operacional é a receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimento de aplicações financeiras, indenizações etc.”. Nesse passo, é inevitável o recurso ao sentido técnico dos temos. A expressão receita está diretamente vinculada ao resultado da empresa. A formação do resultado decorre dos processos de mutação patrimonial das diversas categorias que compõem os elementos do custo e da receita4. Receita definese, segundo o autor, como a “quantidade de valor financeiro, originários de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do resultado” 5. Mais especificadamente esclarece Bulhões Pedreira que receita “é o valor financeiro cuja propriedade é adquirida por efeito do funcionamento da sociedade empresária. As quantidades de valor financeiro que entram no patrimônio da sociedade em razão do seu financiamento e capitalização não são receitas; na transferência de capital de terceiros a sociedade adquire apenas o poder de usar o capital; na de capital próprio adquire a propriedade de capital destinado a aumentar seu capital estabelecido” 6. Nesses termos, receita e resultado não se confundem: o segundo é mais extenso (conceito denotativo) que o primeiro. Ou seja, por força dessa distinção será possível dizer que receita tem a ver com valores cuja propriedade, sendo adquirida por força do funcionamento da empresa (atividade típica, receita operacional), excluiria a receita não operacional. Já a receita bruta designa a contraprestação da venda de bens e serviços, enquanto valor financeiro cuja disponibilidade a empresa adquire com a venda de bens ou a prestação de serviços. Nesse sentido, distinguese da receita líquida, que é aquele valor, “diminuído de deduções e abatimentos e dos tributos cujo fato gerador seja a venda dos bens ou o fornecimento dos serviços” 7. Só a receita bruta nesse sentido estrito é que equivale a faturamento. Já o conceito de receita, como a nova fonte instituída pela EC nº 20/98, é que significaria quantidade de valor financeiro, originário de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do resultado: todas as receitas operacionais. Afinal, da receita operacional se excluem os valores que constituem a receita não operacional, os que entram no patrimônio da sociedade por força de financiamento e capitalização, o capital de terceiros do qual a empresa tem apenas o uso. Desse esclarecimento técnico decorre, então, que receita bruta e receita operacional não se identificam inteiramente. 4 cf. Bulhões Pedreira: Finanças e demonstrações financeiras da companhia – conceitos fundamentais, Rio de Janeiro, Forense, 1989, passim. 5 pág. 455, grifei. 6 pág. 456, grifei. 7 Bulhões Pedreira, p. 457. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906640/200992 Acórdão n.º 380101.083 S3TE01 Fl. 19 19 O próprio Ministro Peluso ao se referir às diversas espécies de receita no seu votovista no RE 390.840MG8 apontou que distinguemse, pelo menos, quatro modalidade de receita: i) Receita bruta das vendas e serviços; ii) receita líquida das vendas e serviços; iii) receitas gerais e administrativas (operacionais); iv) receitas não operacionais. A norma do artigo 187 da Lei nº 6.404/76 (referida pelo Ministro Peluso, no RE 390.840MG), ao disciplinar a “Demonstração do Resultado do Exercício” mostra, em sede legal, a diferença. Mais precisamente, no artigo 22, § 1º, do Decretolei nº 2.397/87, determina se a incidência do FINSOCIAL sobre: alínea “a”: “a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;”. Seguese, alínea “b”, “as rendas e receitas operacionais das instituições financeiras e entidades a elas equiparadas”; alínea “c”, “as receitas operacionais e patrimoniais das sociedades seguradoras e entidades a elas equiparadas”. Assim, se a receita, constante da nova redação do art. 195, I, passa a constituir um conceito “alargado” correspondendo a qualquer valor auferido abrangendo a classe genérica da receita como base de cálculo e referindo às atividades da sociedade que constituem as fontes do resultado que incorporam outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimento de aplicações financeiras, indenizações etc., conforme o tipo de atividade por ela exercida, mas, à diferença de o faturamento, nisso dele se distingue, enquanto vendas faturadas e não faturadas, isto é, todas as vendas, é correta interpretação do Ministro Carlos Britto, quando restringe a expressão receita operacional àquela obtida mediante a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza. Afinal, de outro modo ficaria obscura a distinção entre a receita ou o faturamento conforme a nova dicção constitucional, bem como o reconhecimento de que a nova redação não é expletiva. Como obscuro ficaria também o argumento, segundo o qual a inconstitucionalidade declarada do § 1o do artigo 3o da Lei nº 9.718/98 também decorreria de uma questão de ordem formal, posto que, pelo artigo 195, § 4º, sendo o legislador competente para “criar outras fontes” de custeio da seguridade social (receita), não teria agido em conformidade com o art. 154, I da Constituição Federal. Por óbvio, não há como se supor que em uma mesma operação a contrapartida do tomador do empréstimo fosse “despesa financeira”, sendo para o concessor “receita operacional” e não “receita financeira”, transmudandose a natureza da relação. Por todo o exposto, há de se concluir, em suma, que receitas oriundas da atividade típica da pessoa jurídica – receitas operacionais – não podem ser consideradas 8 http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=261694 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906640/200992 Acórdão n.º 380101.083 S3TE01 Fl. 20 20 faturamento para efeito de incidência da contribuição para o PIS (e COFINS) sob a égide da Lei nº 9.718/98 (afastado por inconstitucional o § 1º do seu art. 3º). Esta resposta não se altera em função da empresa envolvida ser uma empresa comercial, uma prestadora de serviços, uma “holding” ou uma instituição financeira. Não é o fato de determinada receita resultar da exploração do objeto social da pessoa jurídica que, determina estarmos diante de faturamento. Receita é gênero do qual faturamento é espécie. Restaria examinar em que sentido se toma o conceito de serviço na definição de receita bruta como a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços e serviços de qualquer natureza. Serviço, em sentido vulgar, é qualquer esforço humano que tenha por objetivo propiciar a outrem um proveito, uma utilidade, um benefício, uma vantagem, até um obséquio ou favor. Em termos econômicos, tratase de fornecimento de trabalho, de locação de bens móveis, de cessão de direitos, ou seja, atividades que constituem bens incorpóreos na circulação de mercadorias. Para efeitos constitucionais e tributários (CF, art. 150, I), o termo passa pelo uso jurídico, consistindo em atividade de fazer com vistas a um resultado útil a terceiro9. Não dispensa, assim, a ideia de trabalho e, nesses termos, de um facere destinado a outrem. Por consequência, não há serviço na atividade útil em favor do próprio prestador. Na linguagem jurídica em geral, anota Maria Helena Diniz, serviço quer dizer o “exercício de qualquer atividade intelectual ou material com finalidade lucrativa ou produtiva.” 10 Com sua costumeira precisão, registra De Plácido e Silva11: SERVIÇO. Do latim servitium (condição de escravo), exprime, gramaticalmente, o estado de que é servo, encontrandose no dever de servir; ou de trabalhar para o amo. Extensivamente, porém, e expressão designa hoje o próprio trabalho a ser executado, ou que se executou, definindo a obra, o exercício do ofício, o expediente, o mister, a tarefa, a ocupação ou a função. Por essa forma, constitui serviço não somente o desempenho de atividade ou de trabalho intelectual, como a execução de trabalho ou de obra material. Aires Fernandino Barreto, em excelente monografia sobre o ISS, parte da idéia do trabalho, como um fazer, um conceito mais amplo, e doutrina com inteira propriedade: É lícito afirmar, pois, que serviço é uma espécie de trabalho. É o esforço humano que se volta para outra pessoa; é fazer desenvolvido para outrem. O serviço é, assim, um tipo de trabalho que alguém desempenha para terceiro. Não é esforço desenvolvido em favor do próprio prestador, mas de terceiros. Conceitualmente parece que são rigorosamente procedentes 9 cf. Pontes de Miranda, Tratado de Direito Privado, Rio de Janeiro, 1964, tomo XVIII, p. 9 10 Maria Helena Diniz, Dicionário Jurídico, Saraiva, São Paulo, 1998, pág. 311 11 De Plácido e Silva, Vocabulário Jurídico, Forense, Rio de Janeiro, 1987, vol. IV, pág. 215. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906640/200992 Acórdão n.º 380101.083 S3TE01 Fl. 21 21 essas observações. O conceito de serviço supõem uma relação com outra pessoa, a quem se serve. Efetivamente, se é possível dizerse que se fez um trabalho “para si mesmo”, não o é afirmarse que se prestou serviço “a si próprio”. Em outras palavras, pode haver trabalho, sem que haja relação jurídica, mas só haverá serviço no bojo de uma relação jurídica. (Aires Fernandino Barreto, ISS na Constituição e na Lei, Dialética, São Paulo, 2003, pág. 29) Como se vê, há claramente em todas as definições de serviço a idéia de atividade destinada a atender diretamente necessidades humanas. No serviço há sempre uma atividade que consiste em servir a outrem, em atender necessidades de outrem. É o próprio agir, a própria atividade ou esforço humano, que serve, que atende a necessidade de outrem. É certo que a expressão de qualquer natureza pode ser vista como indicativa de ampliação do alcance da referida norma. Mas é certo também que o ser de qualquer natureza o serviço não nos autoriza a entender como tal uma atividade que serviço não seja. Como se sabe o STF julgou inconstitucional a inclusão de “locação de bens móveis” na lista de serviços anexa ao DL nº 406/68 (RE nº 116.121). A decisão se substanciou na distinção entre præstare ou facere e dare. Nessa mesma linha podese entender que instituições financeiras também prestem serviços, como o serviço de cobrança de duplicatas, o serviço de emissão de talões de cheque e outros do mesmo gênero. Mas isso não faz das atividades financeiras um serviço. Na verdade, independentemente da questão referente à definição constitucional de serviço, o problema relativo às contribuições para o PIS ou para COFINS, seja qual for o sentido atribuído a serviço de qualquer natureza, está antes na definição de faturamento. Ou seja, é o conceito constitucional de faturamento que autoriza a inclusão nele do conceito de receita bruta em sentido estrito, e não o contrário. É no tratamento dado à receita da venda de serviços como receita bruta em sentido estrito e, por força disso, equiparável a faturamento em seu sentido constitucional que está a questão. Ou em outro giro: não se trata de saber se o conceito de serviço financeiro integra a expressão serviços de qualquer natureza, conforme a definição legal de receita bruta, mas se faz parte da definição constitucional de faturamento. Recorro de novo ao Ministro Pertence, ao esclarecer que, quando a lei ordinária chama de receita bruta (em sentido estrito) o que é faturamento, é aí que ela se ajusta à Constituição. Nesses termos, ainda conforme o mesmo Ministro, “a partir da explícita vinculação genética da contribuição social de que cuida o artigo 28 da Lei 7.738/89 ao FINSOCIAL, é na legislação desta, e não alhures, que se há de buscar a definição específica da respectiva base de cálculo, na qual receita bruta e faturamento se identificam”. E nessa legislação (DecretoLei nº 2.397/87, art. 22, § 1º), como já exposto, está disposto que receita bruta é das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços de qualquer natureza (alínea a), dela distinguindose as rendas e receitas operacionais das instituições financeiras e entidades a elas equiparadas (alínea b), bem como as receitas operacionais e patrimoniais das sociedades seguradoras e entidades a elas equiparadas (alínea c). Fl. 169DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906640/200992 Acórdão n.º 380101.083 S3TE01 Fl. 22 22 Vale dizer, ainda que se entenda que o conceito constitucional de serviço possa admitir como tal os serviços efetivamente prestados pelas instituições financeiras, as demais receitas operacionais das instituições financeiras (receitas financeiras e outras) estão excluídas do conceito de receita bruta em sentido estrito para efeito de sua subsunção ao conceito constitucional de faturamento. Não há, pois, como subsumilas à expressão: serviços de qualquer natureza. Muito bem, além de todo exame supra realizado, é preciso examinar, no contexto a nós apresentado a quê corresponde a expressão receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, usada na decisão do Recurso Extraordinário 401.3487, evitandose a superficialidade com a qual o tema foi abordado no acórdão combatido. Tomo, somente para fins didáticos, a liberdade de repetir a decisão do Ministro Peluso no Recurso Extraordinário em foco, grifando alguns pontos para destacar: DECISÃO: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2.Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Minº ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Minº MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3.Diante do exposto, e com fundamento no artigo 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas ex lege. Publiquese. Int.. Brasília, 28 de novembro de 2005. Ministro CEZAR PELUSO Relator Obviamente, não estamos diante de um voto claro suficiente, mas estamos diante elementos suficientes para que se possa esclarecêlo. No voto do Ministro Peluso, falase, pois, de receita bruta de venda de mercadoria e da prestação de serviço, isto é, do sentido estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza; falase, assim, de soma das Fl. 170DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906640/200992 Acórdão n.º 380101.083 S3TE01 Fl. 23 23 receitas; em alusão ao artigo 187 da Lei nº 6.604/197612, de receita como gênero abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial; por fim, dentro do gênero, das receitas operacionais; donde, receita bruta como produto do exercício de atividades empresariais típicas. Não me parece que o Ministro Peluso quis rever o conceito de faturamento, até então consagrado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal. Nesse sentido, o conceito de “ faturamento” não mais seria a “receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços de qualquer natureza” mas “qualquer outra receita, desde que oriunda das atividades empresariais”. Primeiramente porque não foi objetivo do STF, ao declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, redefinir o conceito constitucional de faturamento, mas sim o de rechaçar a definição legal de receita bruta estabelecida pelo § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, por ser esta inadequada àquela expressão constitucional. Depois porque, a mais simples interpretação sistemática do voto em foco, nos leva a entender que o que se pretende é tributar o faturamento cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza. Veja que o voto em exame utilizase da fórmula sintática “ou seja”, se utiliza de uma paráfrase que faz o desenvolvimento de um texto sem alteração do seu sentido original, nesse rumo, não pode desempenhar outro papel na frase, senão de conector para convencer o interlocutor acerca de sua validade preliminar13 – o faturamento pressuposto na redação original do artigo 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais – equivalendo (1) faturamento, (2) receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza e (3) receita das atividades empresariais. A decisão faz equiparação do conceito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, através da locução “ou seja” ao termo soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Não substitui um pelo outro, como se fez fazer crer. 12 Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; III as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; IV – o lucro ou prejuízo operacional, as outras receitas e as outras despesas; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) V o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto; VI – as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados, que não se caracterizem como despesa; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) VII o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social. § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. § 2º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) (Revogado pela Lei nº 11.638,de 2007) 13 FUCHS, C. La paraphrase. Paris: Presses universitaires de France, 1982, pág. 55. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906640/200992 Acórdão n.º 380101.083 S3TE01 Fl. 24 24 Repete, ainda, o voto a expressão faturamento – excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente – e quando fala em receita estranha ao faturamento não se refere a nenhuma outra, senão a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, reforçando a idéia da definição constitucional de faturamento, senão o voto se limitaria a apontar a receita, mas ao se referirse a faturamento informa que toma a “receita” no sentido de faturamento, conforme até aqui expus. Por último, o voto do Ministro Peluso cita expressamente os Recursos Extraordinários nº 346.084PR, nº 357.950RS, nº 358.273RS e nº 390.840MG, informando que a decisão se deu conforme o seu teor, da maneira que se pode ver por meio da abreviatura “cf”. Conforme já visto anteriormente esses Recursos firmaram o entendimento que era inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvidas e da classificação contábil adotada, devendose tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Assim, referendou o Ministro o entendimento do próprio STF de que o faturamento se cinge à receita decorrente da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, independentemente de sua posição pessoal, mesmo porque, julgando nos termos do artigo 557 do Código de Processo Civil não poderia têlo feito, se em sentido distinto da jurisprudência dominante do STF. Considerando isso, quer pela óptica constitucional, quer pela óptica doutrinária ou ainda, pela interpretação primária do próprio voto, tenho que não há como se tomar as intermediações financeiras sujeitas à incidência da contribuição Desse modo, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl – Relator Fl. 172DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906640/200992 Acórdão n.º 380101.083 S3TE01 Fl. 25 25 Voto Vencedor Conselheiro Flávio de Castro Pontes Redator designado Ainda que respeitáveis as razões do ilustre relator, discordase de seu entendimento. Consignese, de imediato, que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é o fórum adequado para se discutir a violação de coisa julgada. Ora, se a recorrente tivesse absoluta certeza dos efeitos da coisa julgada material, deveria pleitear ao órgão jurisdicional, que possui os meios necessários de tornar eficaz uma decisão judicial, o seu cumprimento. Assim sendo, não há contrariedade à coisa julgada, visto que a decisão transitada em julgado não definiu a composição da base de cálculo da contribuição PIS para as instituições financeiras. Incontestavelmente o cerne do litígio consiste em interpretar a coisa julgada na referida atividade jurisdicional. Pertinente é a colocação de Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart sobre a coisa julgada in Manual do processo de conhecimento. 5 ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 630: (...) a coisa julgada material corresponde à imutabilidade da declaração judicial sobre o direito da parte que requer alguma prestação jurisdicional. Portanto, para que possa ocorrer coisa julgada material, é necessário que a sentença seja capaz de declarar a existência ou não de um direito.(grifouse) Como bem relatado, o Excelso Supremo Tribunal Federal (STF) em decisão monocrática do Relator, Ministro Cezar Peluso, recurso extraordinário 401.348, processo originário 2000.38.03.0007782/MG, decidiu não incluir na base de cálculo do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, in verbis: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2. Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3. Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, Fl. 173DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906640/200992 Acórdão n.º 380101.083 S3TE01 Fl. 26 26 excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados.(grifouse) Outrossim, sabese que o STF no julgamento do recurso extraordinário 346.084PR declarou inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Neste julgamento, o Ministro César Peluso esclareceu o seu ponto de vista a respeito do conceito de faturamento: “Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado a ideia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. A propósito, o art. 2º e o caput do art. 3º da Lei 9.718/98 mantiveramse incólumes pela decisão do STF: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". (grifouse) Necessário é lembrar que a decisão judicial declarou inconstitucional o parágrafo 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, garantindose o direito da recorrente de apurar a contribuição PIS com base no faturamento, assim entendido a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviço de qualquer natureza, isto é, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Destarte, resta definir o que seja a soma das receitas oriundas das atividades empresariais. Tenhase presente que o conflito de interesses referese a um ramo peculiar da atividade econômica, o do sistema financeiro. O conceito de instituição financeira está definido no art. 17 da Lei 4.595/1964: Art. 17. Consideramse instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros.(grifouse) Fl. 174DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906640/200992 Acórdão n.º 380101.083 S3TE01 Fl. 27 27 Configurase que as atividades de uma instituição financeira estão relacionadas com a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros, a exemplo de operações de créditos e aplicação em títulos e valores mobiliários. Percebese que as instituições financeiras transferem recursos para os diversos agentes econômicos. Como exemplo típico de uma receita de operação financeira, citase o spread, em regra, a diferença que as instituições financeiras pagam na captação de recursos e o que elas cobram dos clientes. É certo que a natureza dessa receita é operacional e está vinculada à atividade econômica da instituição financeira. A partir destes conceitos, podese inferir que as instituições financeiras têm como atividade principal a intermediação de recursos financeiros. Neste contexto, as receitas oriundas das operações bancárias (receitas operacionais) compõem o faturamento porque estão relacionadas ao exercício do objeto social dessas instituições, nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98. Como bem assentado pelo Ministro Cezar Peluso, a inclusão ou não de eventuais receitas financeiras no conceito de receita bruta tem como variável a atividade empresarial. Assim, as receitas operacionais das instituições financeiras amoldamse ao conceito de faturamento estabelecido no art. 2º e no caput do art. 3º da Lei 9.718/98, de sorte que as aludidas operações caracterizam uma peculiar prestação de serviços de qualquer natureza. Nesta esteira, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007, também adotou o entendimento de que as receitas decorrentes das atividades financeiras integram a base de cálculo das contribuições PIS e Cofins como prestação de serviços. Por oportuno, colacionase alguns trechos do citado Parecer, inclusive a conclusão: “(...) 55. Assim, as operações bancárias consistem em prestação de serviços. Efetivamente, é possível considerar o conjunto da atividade exercida por um banco comercial, para fins tributários (definição da base de cálculo da COFINS) como prestação de serviços. (...) 60. (...) O resultado da atividade de intermediação financeira, apesar de não sujeita à ação de faturar, constituindo ato de comércio e decorrendo da própria atividade negocial da empresa, integra o seu faturamento para os efeitos fiscais de concretizar o fato gerador da COFINS/PIS. 61. O relevante para a norma é a identidade entre a receita bruta operacional e a atividade mercantil desenvolvida nos termos do objeto social da pessoa jurídica. A declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do §1º do art. 3º da Lei 9.718, de 1998, não alterou, nesse particular, o critério definidor da base de incidência da COFINS/PIS como o resultado econômico da atividade empresarial vinculada aos seus objetivos sociais. Ao revés, apenas firmou o entendimento de que Fl. 175DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906640/200992 Acórdão n.º 380101.083 S3TE01 Fl. 28 28 não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de incidência da COFINS/PIS (v.g. Receitas de Capital de locadora de veículos), mas apenas aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da empresa, como é o caso das operações bancárias das instituições financeiras.(...) 66. Em face dos argumentos acima expendidos, concluise que: (...) d) o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que ampliou o conceito de receita bruta para abarcar as receitas não operacionais foi considerado inconstitucional pelo STF nos RREE n. 346.084, 357.950, 358.273, 390.840;(...) h) serviços para as instituições financeiras abarcam as receitas advindas da cobrança de tarifas (serviços bancários) e das operações bancárias (intermediação financeira); (...) 66. Têmse, então, que a natureza das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros pode ser classificada como serviços para fins tributários, estando sujeita à incidência das contribuições em causa, na forma dos arts. 2º, 3º, caput e nos §§5º e 6º do mesmo artigo, exceto no que diz respeito ao “plus” contido no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, considerado inconstitucional por meio do Recurso Extraordinário 357.9509/RS e dos demais recursos que foram julgados na mesma assentada.” (grifouse) Convém ressaltar que nas demonstrações de resultado dessas instituições, as questionadas receitas são classificadas como receitas operacionais da atividade financeira, por conseguinte de prestação de serviços nos termos da tese acima esposada. E, mais, cabe acrescentar que o Tribunal Regional Federal da 3ª Região também está consolidando esse entendimento, conforme recentes decisões judiciais, a exemplo do acórdão abaixo: MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTÁRIO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE FATURAMENTO. LEI N. 9.718/1998, ART. 3º, § 1º. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITA BRUTA DECORRENTE DO EXERCÍCIO DO OBJETO SOCIAL. REFORMATIO IN PEJUS. NÃO OCORRÊNCIA. 1. (...)2. O Plenário do Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/1998, por ocasião do julgamento dos Recursos Extraordinários n. 357.950/RS, n. 390.840/MG, n. 358.273/RS e n. 346.084/PR. 3. No caso concreto, a questão vai além da simples declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/1998. Tratase, também, de definir o alcance do termo "faturamento", base sobre a qual incide o tributo. 4. Quando do julgamento dos Recursos Extraordinários mencionados, a Suprema Corte reconheceu a sinonímia existente entre os termos faturamento e receita bruta, para fins de incidência da COFINS . Entretanto, a realidade alcançada pelos termos citados não se limita simplesmente às operações de venda de mercadorias e de Fl. 176DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906640/200992 Acórdão n.º 380101.083 S3TE01 Fl. 29 29 prestação de serviços, notadamente nos dias atuais, em que as atividades empresariais assumem formas as mais diversas, de modo que, mediante uma interpretação teleológica, o termo faturamento, assim como a receita bruta, abrange a totalidade das receitas decorrentes do exercício do objeto social. 5. Os impetrantes são instituições financeiras, que obtém receitas mediante as atividades de "coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros" (art. 17, da Lei n. 4.595/1964). Neste caso, compõem o seu faturamento todas as receitas decorrentes do exercício das atividades às quais se dedicam, não se limitando às operações de venda de mercadoria e de prestação de serviços. 6. Deve ser reconhecida a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/1998, para que a impetrante possa apurar a COFINS tendo por base de cálculo o faturamento, correspondente à receita bruta decorrente do exercício do objeto social ao qual se dedica. (...)(grifouse) (Processo: 001092848.2005.4.03.6100, eDJF3 Judicial 1 DATA:04/05/2012) Com efeito, o voto vencedor do Desembargador Federal Márcio Moraes entendeu de forma explícita que compõe o faturamento das instituições financeiras todas as receitas decorrentes do exercício das atividades às quais se dedicam, conforme excerto abaixo: É certo que, quando do julgamento dos Recursos Extraordinários n. 357.950/RS, 390.840/MG, 358.273/RS e 346.084/PR, a Suprema Corte reconheceu a sinonímia existente entre os termos faturamento e receita bruta, para fins de incidência da COFINS. Entretanto, a realidade alcançada pelos termos citados não se limita simplesmente às operações de venda de mercadorias e de prestação de serviços, notadamente nos dias atuais, em que as atividades empresariais assumem formas as mais diversas, de modo que, mediante uma interpretação teleológica, o termo faturamento, assim como a receita bruta, abrange a totalidade das receitas decorrentes do exercício do objeto social. (...) Nesse caso, compõem o seu faturamento todas as receitas decorrentes do exercício das atividades às quais se dedicam, não se limitando às operações de venda de mercadoria e de prestação de serviços.(grifouse) Não é outro o entendimento dos Tribunal Regional Federal 2ª Região, segundo se depreende do acórdão assim ementado: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. PIS E COFINS. ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPENSAÇÃO. I O § 1º do art. 3º da lei nº 9718/98, que Fl. 177DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10675.906640/200992 Acórdão n.º 380101.083 S3TE01 Fl. 30 30 alterou a base de cálculo da COFINS e do PIS, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. II As instituições financeiras devem recolher o PIS e a Cofins incidentes sobre seu faturamento, este entendido como a receita bruta oriunda do desenvolvimento de suas atividades empresariais. Apenas a eventual incidência dessas contribuições sobre receitas nãooperacionais é que será indevida, ensejando a compensação dos valores que eventualmente tenham sido recolhidos a esse título. III – Embargos de declaração parcialmente providos. (Processo: 2005.51.01.0117643 , E DJF2R Data:04/04/2011) (grifouse) Assinalese, também, que este entendimento está em consonância com os princípios constitucionais da capacidade contributiva, que se aplica as diversas espécies tributárias, e universalidade do custeio da seguridade social. É indubitável a capacidade econômica das instituições financeiras, portanto devem suportar a incidência da contribuição PIS sobre suas receitas operacionais. De outro giro, o financiamento da seguridade social por toda a sociedade, esteado no princípio da solidariedade, não autoriza a exclusão das aludidas receitas da tributação em referência. De modo que em face das razões acima, as receitas operacionais de instituições financeiras são para fins tributários consideradas como prestação de serviços e estão sujeitas a incidência da contribuição PIS. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, e, por conseguinte, não homologando a compensação. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Redator designado Fl. 178DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Sessão de 2.4.. de„ julb,O. de 19 ,1 ACORDÃO N° .,CSRE/0 0 . 423 Recurso n° RP/303-0.295 ,, Recorrente FAZENDA NACIONAL,. . , Recorrido TERCEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sujeito Passivo: NAUTILUS AGENCIA MARÍTIMA LTDA. , ACRÉSCIMO DE VOLUMES AO MANIFESTO: lega lidade da aplicação da multa fixa previa ta no art. 107, inciso VI, do Decreto- -lei n9 37/66 (na nova redação do art. 59 do Decreto-lei n9 751/69), em seu valor atualizado anualmente pela autoridade competente, per força de previsão legal. , . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL:. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, dar' provimento ao Recurso Especial. Vencidos os Cons. Randolfo Henrique de 8ouza Neto, Enila Leite Frei- tas Chagas e Wilfrido Augusto Marques.d . Sala das Sessaes (6),» de julho de 1981 _....,,, „ , . .. 1/- -t*:' il:AMADOR OU'. '. e FEÉNANDEZ - PRESIDENTE 7 Ir i , i 4111 1 • - ,Át- . - . l• : I -. •WALDO'Erf - RELATOR,, SIL i'i d , 1 f•#t il ?! / i ° i-- -- °11 / 1 ADHEMILS• B 3 STOSiliE CARVALHO - PROCURADOR DA FA -1 , ZENDA NACIONAL. i , , . _ , v.v. 1 , Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei- ros: HINDEMBURGO DOBAL TEIXEIRA, PAULO DE ALMEIDA e SEBASTIÃO RODRI- GUES CABRAL. , +. 1 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N. 0845/058.926/80 • RECURSO N.° : RP/303-0.295 ACÓRDÃO N.° : CSRF/03-0.423 ° . RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL . Recorrida: TERCEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sujeito Passivo: NAUTILUS AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA. RELATÓRIO O recurso da Fazenda Nacional visa à reforma do acórdão n9 20.195, de 25.03.1981, da 3a. Câmara do Egrégio 39 Con selho de Contribuintes, que, por maioria de votos, deu provimento ao apelo do sujeito passivo, para o fim de mandar reduzir a multa fixa prevista no art. 107, inciso VI, do Decreto-lei n9 37/66 (na redação dada pelo art. 59 do Decreto-lei n9 751/69), por volume acrescido ao manifesto, ao valor vigorante à época da importação. _ Os fundamentos do acórdão recorrido vêm assim re- sumidos na respectiva ementa, "verbis": "II- Conferencia final de manifesto. Estabelecimen - to de controles pela administração aduaneira, pe- -----" los quais toma conhecimento dos fatos. Recurso - provido". Arrima-se o douto procurador recorrente, em seu arrazoado de fls. 27/29, que leio na íntegra em plenário, espe cialmente nas disposiçOes dos arts. 105, do Código Tributário Na cional e 110 do Decreto-lei n9 37, de 18.11.66, segundo os quais todos os valores expressos em cruzeiros na legislação tributária : são atualizados anualmente de acordo com os índices próprio de correção monetária estabelecidos pelo órgão competente. .i9p5 #--/ ; ( , D M F - RJ/1.° C - C . ecgraf - 1600/7b • ,, Não houve apresentação de contra-razóes pelo su- jeito passivo. Ê o relatório. _ _ ,---- _ _ , , . . t- - z. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 0845/058.926/80 Acórdão n9-CSRF/03-0.423 VOTO_ Conselheiro EDWALDO REIS DA SILVA, Relator: Cinge-se o litígio; exclusivamente, ã cominação da multa prevista no art. 107, inciso VI, do Decreto-lei n9 37, de 18.11.66 (na redação dada pelo art. 59 do Decreto-lei n9 751/69), no caso de acréscimo de volumes ab manifesto do navio. - Em numerosas e reiteradas decisões, esta Câmara Superior já firmou o entendimento de que aludida penalidade é de ser aplicada em seu valor atualizado monetariamente, nos preci sos termos do disposto no art. 99 da Lei n9 4.357/64, combinado com o art. 110 do Decreto-lei n9 37/66. No presente caso, entendo bem e legalmente apli cada dita penalidade, através do lançamento efetuado pelo auto de infração e notificação fiscal de fl. 1-v; eis que, na oca- sião, seu valor já se achava atualizado monetariamente por ato administrativo que, de acordo com autorização legal, estabeleceu os novos valores desse tipo de multa '(fixada em cruzeiros), des tinados a vigorar durante o exercício de 1980. Isto posto, dou provimento ao recurso especial" Brasília - DF., em 24 de julho de 1981. .EDWALDO REIS DA '.ILVA RELATOR. Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10820.000986/2007-01
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2003
DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
Auto de Infração de ObrigaçãoAcessória por não comportar recolhimento parcial, obedece a regra imposta pelo artigo 173,I do CTN.
AUTO-DE-INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES.
Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91.
Os fatos geradores objeto de ação judicial estão dispensados da informação em GFIP, enquanto não for decidida a lide.
RELEVAÇÃO
A multa será relevada se o infrator solicitar, for primário, não tiver incorrido em agravantes e comprovar a correção da falta no prazo para impugnação.Artigo 291, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99, vigente à época da autuação.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, reconhecendo a fluência do prazo decadencial até a competência 11/2001, inclusive, e mantendo a relevação da multa, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luiz Marsico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini.
Declarações de impedimento: Fabio Pallaretti Calcini
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2003 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. Auto de Infração de ObrigaçãoAcessória por não comportar recolhimento parcial, obedece a regra imposta pelo artigo 173,I do CTN. AUTO-DE-INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. Os fatos geradores objeto de ação judicial estão dispensados da informação em GFIP, enquanto não for decidida a lide. RELEVAÇÃO A multa será relevada se o infrator solicitar, for primário, não tiver incorrido em agravantes e comprovar a correção da falta no prazo para impugnação.Artigo 291, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99, vigente à época da autuação. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Fatos Geradores Recorrente UNIMED DE BIRIGUI COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2003 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. Auto de Infração de ObrigaçãoAcessória por não comportar recolhimento parcial, obedece a regra imposta pelo artigo 173,I do CTN. AUTODEINFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. Os fatos geradores objeto de ação judicial estão dispensados da informação em GFIP, enquanto não for decidida a lide. RELEVAÇÃO A multa será relevada se o infrator solicitar, for primário, não tiver incorrido em agravantes e comprovar a correção da falta no prazo para impugnação.Artigo 291, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99, vigente à época da autuação. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 09 86 /2 00 7- 01 Fl. 3353DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, reconhecendo a fluência do prazo decadencial até a competência 11/2001, inclusive, e mantendo a relevação da multa, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luiz Marsico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini. Declarações de impedimento: Fabio Pallaretti Calcini Fl. 3354DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10820.000986/200701 Acórdão n.º 2302002.465 S2C3T2 Fl. 1.676 3 Relatório Trata o presente de autodeinfração de obrigação acessória, lavrado e cientificado ao sujeito passivo em 24/05/2007, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispunha o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s do período de 01/1999 a 08/2003, todos os valores pagos ao segurados cooperados contribuintes individuais que prestaram serviço à empresa, ao abrigo da Lei Complementar n.º 84/96, até 02/2000, e cooperados contribuintes individuais membros da Diretoria sob a égide das Leis n.º9.876/99, a partir de 03/2000 e n.º10.666/2003, para as competências a partir de 04/2003 conforme planilhas de fls. 07/60. A recorrente impugnou a autuação e juntou as GFIPS’s retificadoras. A fiscalização examinou os documentos juntados, fls. 1609, e se pronunciou pela correção total da falta, ressaltando que as contribuições decorrentes da Lei Complementar n.º 84/96, estão sendo discutidas na Ação Declaratória 9608024668, Recurso de Apelação TRF 3ªRegião 1999.03.99.01916126, e desta forma a autuada está dispensada de informar tais valores em GFIP, de acordo com o Manual da GFIP Acórdão de fls. 1611/1613, julgou o lançamento procedente em parte, relevando a multa procedente. Ainda inconformada, a recorrente apresentou recurso tempestivo, arguindo em síntese: a) a tempestividade do recurso; b) a desnecessidade do depósito recursal; c) que a fiscalização relevou a multa, mas impôs o pagamento das contribuições sobre a remuneração dos contribuintes individuais; d) que este auto de infração não cuida de recolhimento de contribuições, e até o relatório fiscal diz que as contribuições foram objeto de notificações fiscais de lançamento de débito; e) que a decisão deve ser reformada; f) que deve ser acatada a decadência quinquenal. Requer o provimento do recurso, a reforma da decisão recorrida e a anulação do auto de infração. É o relatório. Fl. 3355DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar O auto de infração lavrado e cientificado ao sujeito passivo em 24/05/2007, e compreende o período de 01/1999 a 08/2003. O recorrente alega a decadência quinquenal, e com efefito, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Fl. 3356DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10820.000986/200701 Acórdão n.º 2302002.465 S2C3T2 Fl. 1.677 5 Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Portanto, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08 para acatar o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional artigo , artigo 173, inciso I, uma vez Fl. 3357DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 que se trata de auto de infração e os valores devidos não foram objeto de recolhimento previdenciário, devendo ser excluídos da autuação as ocorrências até 11/2001: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Do Mérito Referese o auto de infração ao descumprimento de obrigação acessória, qual seja, a falta de informação em GFIP de toda a remuneração paga aos segurados contribuintes individuais, que prestaram serviço à recorrente. A obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). Descumprida obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar o AutodeInfração. A penalidade pecuniária exigida dessa forma convertese em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. No presente caso, a obrigação acessória corresponde ao dever de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, por intermédio de documento definido em regulamento (GFIP), TODOS os dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. Ao não informar os valores relativos aos pagamentos efetuados a contribuintes individuais, a recorrente infringiu o artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, pois é obrigada a informar, mensalmente, ao INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações do interesse do Instituto, sendo que a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, estava contida no artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso Fl. 3358DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10820.000986/200701 Acórdão n.º 2302002.465 S2C3T2 Fl. 1.678 7 II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, vigentes à época dos fatos geradores e da lavratura do mesmo. Entretanto, por ora da impugnação a autuada apresentou as GFIP’s retificadoras, onde constavam as informações faltantes e o próprio fisco admitiu a correção da infração para os valores que não haviam sido declarados a partir de 03/2000. Com relação às competências até 02/2000, por força da ação judicial n.º 1999.03.99.01916126, o fisco informou que a recorrente estava dispensada de declarar os valores em GFIP e às fls. 1609, atesta que as faltas foram sanadas. Assim, a decisão de primeira instância pugnou pela procedência parcial da autuação, porquanto entendeu que as exações lançadas até 02/2000, sob a égida da Lei Complementar 84/96, não deveriam ter feito parte do lançamento, por força da ação judicial, estando correta apenas a multa aplicada para o descumprimento da obrigação acessória a partir de 03/2000. Porém, está consignado na decisão recorrida que a multa foi totalmente relevada porque as faltas foram corrigidas com a entrega das GFIP’s retificadoras. Isto significa que não há multa a ser paga pelo contribuinte no que concerne ao descumprimento da obrigação acessória de informar em GFIP a remuneração dos segurados contribuintes individuais que prestaram serviço à recorrente a partir de 03/2000. A relevação da multa foi possível porque a recorrente cumpriu com as disposições contidas no artigo 291, § 1º do Regulamento da Previdência Social, vigente à época da lavratura: Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 de 1º/2/2007 DOU de 2/2/2007) §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 de 1º/2/2007 DOU de 2/2/2007) Não cabe a anulação do auto de infração como quer a recorrente, porquanto as infrações existiram e o contribuinte perdeu a primariedade, apenas a multa aplicada foi relevada, frente à correção da falta. O contribuinte não possui qualquer saldo a recolher com relação às exações lançadas neste auto de infração a partir da competência 03/2000. Com relação as exações discutidas na esfera judicial, não há obrigatoriedade da informação em GFIP, enquanto não houver decisão final do pleito. Pelo exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso, em vista da fluência do prazo decadencial, com base nos disposto pelo artigo 173, I do Código Tributário Nacional, devendo ser excluídas do lançamento as competências até 11/2001 e mantenho a relevação da multa aplicada. Fl. 3359DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Liege Lacroix Thomasi Fl. 3360DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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