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Numero do processo: 10980.007812/2008-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 03 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Oct 23 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2005
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA. SÚMULA CARF Nº 122.
A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Súmula CARF nº 122.
Comprovado nos autos que tal averbação ocorreu em data posterior ao fato gerador do imposto, deve ser mantido o lançamento.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS.
Meras alegações desacompanhadas de provas não são suficientes para caracterização de Área de Preservação Permanente. Não sendo apresentada documentação que embase a alegada de preservação permanente, em especial, laudo emitido por profissional habilitado, acompanhado de ART, deve ser mantido o lançamento tributário.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS.
As decisões administrativas e judiciais, mesmo proferidas pelo CARF ou pelos tribunais judicias, que não tenham efeitos vinculantes, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se estendem a outras ocorrências, senão aquela objeto da decisão.
DILIGÊNCIA. SUBSTITUIR PROVA DOCUMENTAL. PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO.
A diligência não tem a faculdade de substituir provas que poderiam ser produzidas pelo contribuinte com a juntada de documentos aos autos no momento oportuno. Assim, o pedido de diligência será indeferido se o fato a ser provado não necessitar de conhecimento técnico especializado fora do campo de atuação do julgador ou outros elementos externos que deveriam ser acostados aos autos pelo interessado.
Numero da decisão: 2202-007.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mário Hermes Soares Campos - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: MARIO HERMES SOARES CAMPOS
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2005 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA. SÚMULA CARF Nº 122. A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Súmula CARF nº 122. Comprovado nos autos que tal averbação ocorreu em data posterior ao fato gerador do imposto, deve ser mantido o lançamento. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS. Meras alegações desacompanhadas de provas não são suficientes para caracterização de Área de Preservação Permanente. Não sendo apresentada documentação que embase a alegada de preservação permanente, em especial, laudo emitido por profissional habilitado, acompanhado de ART, deve ser mantido o lançamento tributário. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais, mesmo proferidas pelo CARF ou pelos tribunais judicias, que não tenham efeitos vinculantes, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se estendem a outras ocorrências, senão aquela objeto da decisão. DILIGÊNCIA. SUBSTITUIR PROVA DOCUMENTAL. PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO. A diligência não tem a faculdade de substituir provas que poderiam ser produzidas pelo contribuinte com a juntada de documentos aos autos no momento oportuno. Assim, o pedido de diligência será indeferido se o fato a ser provado não necessitar de conhecimento técnico especializado fora do campo de atuação do julgador ou outros elementos externos que deveriam ser acostados aos autos pelo interessado.
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AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA. SÚMULA CARF Nº 122. A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Súmula CARF nº 122. Comprovado nos autos que tal averbação ocorreu em data posterior ao fato gerador do imposto, deve ser mantido o lançamento. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS. Meras alegações desacompanhadas de provas não são suficientes para caracterização de Área de Preservação Permanente. Não sendo apresentada documentação que embase a alegada de preservação permanente, em especial, laudo emitido por profissional habilitado, acompanhado de ART, deve ser mantido o lançamento tributário. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 78 12 /2 00 8- 17 Fl. 283DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-007.050 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.007812/2008-17 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão prolatada no Acórdão nº 04-22.987 da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), que julgou procedente em parte a impugnação de Auto de Infração relativo a lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). Na “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)” esclarece a autoridade fiscal lançadora que, após regularmente intimado e análise das informações e documentação apresentadas foi promovida a retificação das áreas e valores declarados na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Rural (DITR), apresentada pelo contribuinte. Foi procedida à glosa parcial de área declarada como de benfeitorias, de 80,0 hectares, para 0,5 hectares, assim como, glosada toda a área declarada como Reserva Legal, por ausência da devida averbação no Registro do Imóvel e não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao órgão competente. Dessa forma, o Valor da Terra Nua Tributável foi alterado de R$ 5.630.710,80 para R$ 7.370.949,30 e o grau de utilização do imóvel de 100,0 % para 44,0 %, sendo apurada diferença de imposto de R$ 163.901,12. Tudo conforme descrito, nos seguintes termos: Verifica-se que no exercício 2005, o contribuinte informa a existência de 80,0 hectares ocupados por benfeitorias úteis e necessárias à atividade rural. Em documento datado de 19 de setembro de 2007, o contribuinte requer prorrogação de prazo para atendimento do solicitado na intimação, entrega cópia das matrículas n° 9.492, 9.490, 19.542, 6.739, 6.740, cópia de termo de comodato firmado em 06 de abril de 2000, croqui dos imóveis relacionados no termo de comodato, cópia de solicitação encaminhada à Companhia de Saneamento do Paraná e apresenta diversas informações relacionadas, salientando que em 06 de abril de 2000 o contribuinte e a empresa Muralha Planejamento e Projetos de Engenharia Ltda. firmaram contrato de comodato a título de empréstimo com a Companhia de Saneamento do Paraná (SANEPAR), relativo à parte das áreas dos imóveis registrados nas matrículas de n° 9462, 9492, 9490 e 12738. Conforme tabela constante da cláusula primeira do Termo de Comodato, consta que; da matrícula n° 9.490, foram cedidos 779.485,12 m2 em comodato. O contribuinte alega que esta área acrescida de 2,06 hectares relativos a outras benfeitorias, totalizando 80,0 hectares, foram declaradas como área ocupada com benfeitorias úteis e necessárias destinadas à atividade rural. Além do exposto, o contribuinte informa que os 77,94 hectares correspondem "a uma das áreas inundadas, submersas para servir de reservatório de água potável". Na própria resposta, o contribuinte informa entender que após reanálise do problema, sua solução, salvo melhor juízo, seria classificar estas áreas Fl. 284DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-007.050 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.007812/2008-17 inundadas e áreas anexas como áreas imprestáveis para a atividade rural não declarada de interesse ecológico, requerendo seja autorizada a retificação da declaração e não aplicação de qualquer sanção, por não ter havido dolo ou má fé por parte do contribuinte. Outrossim, informa que, conforme cláusula sétima do termo de comodato, os impostos que recaírem sobre as áreas de terras comodadas serão pagos pela "Comodatária a partir da assinatura do instrumento. Posteriormente, em 12 de outubro de 2007, o contribuinte apresenta Laudo técnico elaborado pelo Eng. Civil Oswaldo Stahlschmidt e cópia atualizada da matrícula n° 9.492. Com base nas informações e documentos apresentados inclusive com manifestação do próprio contribuinte, verifica-se que o imóvel de NIRF 1718561-0 encontra-se registrado na matrícula 9.492 com 271,75 hectares. Conforme termo de comodato apresentado, a área cedida em comodato incluída nesta matrícula é de 22,61 hectares e não 77,94 hectares conforme informado pelo contribuinte. O mapa anexo ao termo de comodato, confirma esquematicamente tal fato. Não são apresentados elementos comprobatórios de que a área cedida pelo contribuinte em comodato se enquadre nas condições relacionadas no art. 16 do Decreto 4.382/2002, e diante do exposto foi efetivada a glosa parcial da área ocupada por benfeitorias úteis e necessárias originalmente declarada, de 80,0 para 0,5 hectares. Na DITR relativa ao exercício 2005, o contribuinte declara a existência de 58,0 hectares classificados como área de reserva legal no imóvel. Da análise da matrícula n° 9.492, não foi localizada averbação -da reserva legal na mesma. A alínea "a", inciso II, § 1°, art. 10 da Lei n° 9.393/96, dispõe que as áreas de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989 não compõem a área tributável do imóvel. O § 8°, art. 16 da Lei 4.771/65,determina que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. Outrossim, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, conforme determina o § 40, art. 16 da Lei n° 4.771/65. Considerando o exposto, foi procedida a glosa da área de reserva legal, originalmente declarada de 58,0 hectares para 0,0 hectares. Foi interposta impugnação, onde o autuado defende o entendimento de que não há necessidade de averbação no registro do imóvel e, tampouco do ADA, para efeito de fruição do beneficio de exclusão da Área de Reserva Legal, bastando a sua existência, fato este não contestado pela fiscalização. No que se refere à área de benfeitoria não considerada, afirma ter deixado claro que, por se tratar de área emprestada a título de comodato perpétuo à Companhia de Saneamento do Paraná (SANEPAR), não poderia compor a área tributável do imóvel e que havia informado tal impossibilidade no campo de benfeitorias por não ter identificado campo apropriado na DITR, Assim, ao ceder tal área, ela deixou de ser passível de utilização pelo Impugnante e, por consequência, não sujeita a tributação. Os principais argumentos apresentados na impugnação encontram-se relatados no Acórdão relativo ao julgamento de piso nos seguintes termos: Cientificado do lançamento, por via postal, em 13/06/2008, conforme AR à fl. 56, o interessado apresentou a impugnação de fls. 60 a 96, em 14/07/2008, alegando, em síntese, que: • No contrato de comodato firmado com a SANEPAR foi informada equivocadamente a área de 77,9 ha como área cedida, o correto seria 22,6 ha, cabendo esclarecer que tal situação foi retificada junto a esse órgão, quando do recebimento da intimação para apresentar os documentos comprobatórios dos dados informados no DIAT/2005; • Não existe previsão legal para a imposição da averbação da área de reserva legal junto à matrícula do imóvel bem como a solicitação de ADA, tais exigências se afastam da legislação do ITR, pois conforme prevê o § 70, art. 10, da Lei 9.393/96 a declaração não Fl. 285DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-007.050 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.007812/2008-17 está sujeita à prévia comprovação por parte do contribuinte para a obtenção da isenção do imposto; • Como não há prova da inexistência da área de reserva legal, ressaltando-se que a efetiva existência não foi nem contestada, a declaração se torna válida e suficiente para a constituição desta área; • O lançamento não pode se fundamentar nos parágrafos 4° e 8° do art. 16, da Lei 4.771/65, pois estes se aplicam à legislação ambiental, devendo prevalecer, no âmbito tributário, a determinação do § 7°, art. 10, Lei 9.393/96, norma específica do ITR; de mesmo sentido foi a utilização do art. 17-0 da Lei n° 6.938/81, pois com a sua revogação e a inserção do § 70, art. 10 da Lei 9.393, houve a inexigibilidade de comprovação por meio de documento, para fins tributários; • A autuação fiscal também foi lavrada com fulcro nos arts. 9° e 11 da IN/SRF n° 256, contudo estes atos normativos infra-legais não devem instituir obrigação tributária sem respaldo legal e inovar na legislação tributária, pois acaba violando o Princípio da Legalidade, sendo farta a jurisprudência do 3° Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, que entende ser improcedente o lançamento com base na exigência de averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel e do ADA; • A área emprestada a SANEPAR a título de comodato não pode ser tributada, pois deixou de ser utilizada pelo interessado, passando a ser de domínio da União, quando a SANEPAR, em virtude de obter a concessão do serviço público de abastecimento de água, deteve a posse da área, alagando-a para construção do reservatório; • Como não existe posse ou domínio útil por parte do contribuinte na área cedida, não há a visualização do fato gerador do ITR, presente no art. 1° da Lei 9.393/96, portanto, nula é a tributação nas terras submersas, sendo de mesmo sentido as decisões do Eg. CSRF, em Acórdão que transcreveu e na doutrina; • As áreas marginais ao reservatório não foram cedidas à SANEPAR, contudo são caracterizadas como área de preservação permanente, excluídas da área tributável nos termos do art. 11 do Decreto n° 4.382/2002; • Deve-se ajustar a base de cálculo e a alíquota do ITR utilizadas no arbitramento, tendo em vista a improcedências das glosas efetuadas na área de reserva legal bem como as áreas alagadas e a as marginais a elas; • O fato de ter constado informação equivocada na DIRT/2005 quanto às benfeitorias, não afasta a efetiva utilização de toda a área aproveitável, devendo prevalecer a aplicação do princípio da verdade material; A impugnação foi considerada pela autoridade julgadora de piso tempestiva e de acordo com os demais requisitos de admissibilidade, sendo julgada parcialmente procedente por aquela autoridade (fls. 141/149). Foi mantida a glosa da Área de Reserva Legal, devido à ausência de averbação no Registro do imóvel e não apresentação do ADA. No que se refere às benfeitorias, após análise de Laudo Técnico emitido pelo engenheiro civil, foi alterada a área ocupada de benfeitorias úteis e necessárias às atividades rurais desenvolvidas no imóvel de 0,50 ha para 2,06 ha e o grau de utilização de 44,0% para 44,19%. A decisão exarada apresenta a seguinte ementa: Princípios Constitucionais. Não cabe aos órgãos administrativos apreciar arguições de legalidade e/ou constitucionalidade de dispositivos da legislação em vigor, matéria reservada ao Poder Judiciário. Prova Pericial. Fl. 286DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-007.050 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.007812/2008-17 A perícia técnica destina-se a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitando- se ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. Benfeitorias Úteis e Necessárias Destinadas à atividade Rural. Não são consideradas benfeitorias úteis e necessárias aquelas que não se destinam as atividades rurais no próprio imóvel. As áreas ocupadas com outras benfeitorias tratam- se de áreas não utilizadas pela Atividade Rural. Porém, cabe alterar aquelas relacionadas com as atividades rurais do imóvel efetivamente comprovadas mediante laudo emitido por profissional habilitado. Área de Reserva Legal. Tributação. ADA. Para a exclusão da área de reserva legal, além da averbação na matrícula do imóvel na data do fato gerador, deve ser reconhecida como de interesse ambiental, mediante protocolização do Ato Declaratório Ambiental - ADA, perante ao Ibama, no prazo de seis meses, contado a partir do término do prazo regular fixado para a entrega da declaração. O autuado interpôs recurso voluntário (fls. 157/202), onde reafirma não haver necessidade de averbação no registro do imóvel e, tampouco do ADA, para efeito de fruição do beneficio de exclusão da Área de Reserva Legal, bastando a sua existência, fato este não contestado pela fiscalização, citando decisões administrativas e judiciais que acredita ratificarem tal entendimento, bastando a simples declaração, uma vez que não questionada a existência de tal área, tanto pela fiscalização, quanto pela autoridade julgadora de piso. No que se refere à área de benfeitoria não considerada, também reitera as alegações de se tratar de área emprestada a título de comodato perpétuo à Companhia de Saneamento do Paraná (SANEPAR), de forma que não poderia compor a área tributável do imóvel e que havia informado tal impossibilidade no campo de benfeitorias por não ter identificado campo apropriado na DITR, Que, ao ceder tal área, ela deixou de ser passível de utilização pelo autuado e, por consequência, não sujeita a tributação. Afirma que tal área é utilizada para o fim de servir de reservatório de água destinado à satisfação da Política Nacional de Recursos Hídricos, mais precisamente ao abastecimento de Curitiba e Região Metropolitana. Entende que: “Desta feita, sendo a União a possuidora e detentora da parte alagada do imóvel, tendo direitos sobre as águas lá represadas, não há que se falar em tributação pelo ITR do nu- proprietário das terras submersas.” Acrescenta que, da mesma forma que as áreas alagadas, também as áreas marginais às águas da União constituem áreas de preservação permanente, pelo que, estas também devem ser excluídas da área tributável, nos termos do art. 11 do Decreto n° 4.382, de 19 de setembro de 2002 (Regulamento do ITR): Anexa documentação emitida pelo Instituto Ambiental do Paraná, onde afirma haver a “perfeita delimitação das áreas alagadas e de suas margens, totalizando uma área total de 121,394ha de área de preservação permanente no imóvel rural.” Esses o principais argumentos apresentados no recurso, e que serão melhor detalhados por ocasião do voto. Ao final, é requerida a redução da base de cálculo e alíquota do ITR, por considerar improcedente a glosa efetuada de área de reserva legal, bem como, por não considerar as áreas submersas e as marginais a elas, que entende como de áreas de preservação permanente não passíveis de tributação. Em 25/07/2011 foi apresentado novo requerimento (fls. 236/238), onde é solicitada a juntada dos seguintes documentos: - requerimento e Cadastro de imóvel com reserva legal e preservação permanente; Fl. 287DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-007.050 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.007812/2008-17 - memorial descritivo da área de matrícula da Fazenda do Capão e mapa com a delimitação das áreas do imóvel; - termo de Compromisso de Proteção de reserva legal firmado entre o Sr. Carlos Seara Muradas e Instituto Ambiental do Paraná - IAP; e - matrícula atualizada do Imóvel -Fazenda do Capão. É o relatório. Voto Conselheiro Mário Hermes Soares Campos, Relator. O recorrente foi intimado da decisão de primeira instância, por via postal, em 10/02/2011, conforme Aviso de Recebimento de fl. 165. Tendo sido o recurso ora objeto de análise protocolizado em 14/03/2011, conforme carimbo aposto pelo Centro de Atendimento da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba/PR, na própria peça recursal (fl. 168), considera-se tempestivo, assim como, atende aos demais pressupostos de validade, devendo ser conhecido. ÁREA DE RESERVA LEGAL Antes de abordar propriamente o tema, cumpre pontuar que, as decisões administrativas e judicias trazidas ao recurso são desprovidas da natureza de normas complementares e não vinculam decisões deste Conselho, sendo opostas somente às partes e de acordo com as características específicas e contextuais dos casos julgados e procedimentos de onde se originaram. Embora o CTN, em seu art. 100, II, considere as decisões de órgãos colegiados como normas complementares à legislação tributária, tal inclusão se subordina à existência de lei que confira a essas decisões eficácia normativa. Como inexiste, até o presente momento, lei que atribua a efetividade de regra geral a essas decisões, tais acórdãos têm sua eficácia restrita às partes do processo, não produzindo efeitos em outras lides, ainda que de natureza similar à hipótese julgada. Requer o contribuinte a consideração de 58 hectares a título de área de reserva legal declarada, independentemente de averbação em matrícula do registo do imóvel e da apresentação do Ato Declaratório Ambiental. Cita e reproduz o §7° da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, que entende prever, expressamente, não haver necessidade de comprovação, por parte do contribuinte, das áreas isentas, ou seja, não há a necessidade de averbação em matrícula ou emissão de ADA para fins tributários. Ao contrário, ainda segundo sua interpretação, a norma, expressamente, dispensa a comprovação, por parte do contribuinte, das áreas de reserva legal para fins de sua exclusão da área tributável, bastando a simples declaração. Cita algumas decisões do extinto Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda e deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), assim como, decisões judiciais, que considera respaldarem a tese por ele defendida. Ainda quanto à área de reserva legal, afirma que “não há na legislação em vigor à época dos fatos qualquer exigência formal à comprovação da existência de reserva legal para fins de ITR, bastando a simples declaração do contribuinte”; e que “os §§ 4° e 8°, art. 16, da Lei n° 4.771/65 (Código Florestal) são aplicáveis somente para fins ambientais, não se confundindo Fl. 288DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-007.050 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.007812/2008-17 com a inexigibilidade prevista no § 7° do art. 10, da Lei n° 9.393/96.” Assim, por força do § 7°, art. 10 da Lei n° 9.393/96, caso a autoridade fiscal não concorde com a existência da reserva legal declarada, deveria ter apresentado prova capaz de demonstrar eventual irregularidade na declaração prestada pelo Recorrente, e, somente então, ter lavrado o auto de infração. De outro modo, inexistindo prova do fisco de inexistência de reserva legal, a declaração do contribuinte é, por expressa atribuição legal, válida e suficiente à constituição, sendo desnecessária a sua averbação na matrícula do imóvel ou a emissão de ADA. Em requerimento, apresentado em prazo distante do recurso, é solicitada a juntada de “Requerimento e Cadastro de Imóvel com Reserva Legal e Preservação Permanente” (formulário protocolizado junto ao Instituto Ambiental do Paraná em 14/02/2011); memorial descritivo da área de matrícula da Fazenda do Capão (datado de 11/02/2011); mapa com a delimitação das áreas do imóvel (datado de 11/02/2011); termo de Compromisso de Proteção de reserva legal firmado com o (IAP), datado de 25/03/2011 e matrícula atualizada do imóvel Fazenda do Capão. Apesar de apresentados a posteriori, recebo tais documentos posto que diretamente relacionados com os fatos apontados na decisão de piso e considerando que não existentes na data de apresentação do recurso, o que remete à aplicação dos disposto na alínea “b”, do § 4º, do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Conforme salientado no julgamento de piso, na instância administrativa prevalece o entendimento de que a dispensa de comprovação relativa às áreas de interesse ambiental (preservação permanente/utilização limitada), conforme redação do parágrafo 7°, do art. 10, da Lei n° 9.393, de 1996, diz respeito unicamente à dispensa de comprovação da efetiva existência de tais áreas no imóvel na data da entrega da declaração. O que não dispensa o contribuinte de, uma vez sob procedimento administrativo de fiscalização, comprovar com documentos hábeis o cumprimento de exigências legais previstas na legislação ambiental e tributária, para justificar a exclusão das áreas ambientais por ele declaradas da incidência do ITR. O tema não é estranho a este Conselho Administrativo, sendo pacífico o entendimento de que a Reserva Legal, para gozar da isenção do ITR requer, obrigatoriamente, a sua averbação à margem da matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador da obrigação tributária. Consta dos autos matrícula atualizada do imóvel (fls. 268/270), documento expedido em 26/05/2011, e juntado ao presente procedimento posteriormente à apresentação do recurso, onde consta a averbação na matrícula do imóvel objeto do presente lançamento, de “Termo de Compromisso e Proteção de Reserva Legal”, termo este lavrado em 25/05/2011, ou seja, averbação esta ocorrida em data muito posterior à de ocorrência do fato gerador do ITR de 2005. Logo, como restou comprovada a inexistência de averbação tempestiva da reserva legal, não há que se falar em dedução da respetiva área da base de tributação do imposto relativo ao exercício de 2005. Conforme o art. 144 do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 26 de outubro de 1966), o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação (na espécie 1.º de janeiro de cada ano). Demais disto, a legislação que rege a caracterização da reserva legal, à época dos fatos, assim como das alterações posteriores, exige, para o seu reconhecimento, a averbação à margem da matrícula de registro de imóveis, conforme se depreende do § 2.º do art. 16 da Lei n.º 4.771, de 15 de setembro de 1965, que não possui aplicação somente para efeitos ambientais, como sustenta o recorrente. Fl. 289DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-007.050 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.007812/2008-17 Tal exigência também consta do § 1.º do art. 12 do Decreto n.º 4.382, de 19 de setembro de 2002, que regulamenta o ITR, consolidando a legislação do referido imposto, nos seguintes termos: Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindo-se apenas sua utilização sob regime de manejo florestal sustentável (Lei n.º 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória n.º 2.166-67, de 2001). § 1.º Para efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. Portanto, para a área de reserva legal ser considerada isenta é necessária a devida averbação na matrícula do imóvel, antes de ocorrido o fato gerador do ITR, tratando-se de requisito inarredável. Nesse sentido a Súmula CARF n.º 122, a qual dispensa a apresentação do ADA, para efeito de reconhecimento de área de Reserva Legal para fins de ITR, mas desde que averbada na matrícula do imóvel em data anterior à da ocorrência do fato gerador. Confira-se: “A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA).” Correto assim o procedimento adotado pela autoridade fiscal lançadora. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Requer o atuado a reforma da decisão de piso, para o fim de reconhecimento da improcedência da autuação no que se refere à glosa (no cálculo do ITR) das terras cedidas em comodato (áreas alagadas) e das áreas marginais, por entender serem áreas de posse/domínio da União e de preservação permanente, sob os seguintes argumentos: Ao impugnar o lançamento de ITR, o ora Recorrente demonstrou que a área emprestada a título de comodato perpétuo à SANEPAR (área alagada), e suas margens, não poderiam compor a área tributável do imóvel, e que havia informado tal impossibilidade no campo de benfeitorias por não ter identificado campo apropriado na DITR. (...) Conforme se verifica no contrato de comodato (fls. 24-27), a área emprestada é destinada exclusivamente para a formação de reservatório de água para abastecimento público, pelo que necessariamente, por conta da construção de barragem, a área cedida em comodato está alagada. O Recorrente cedeu a referida área gratuitamente, em ato de cooperação com empresa estatal de saneamento, para a consecução do interesse público, qual seja, o de gerenciar recursos hídricos em prol da sociedade, conforme preceitua o art. 21, XIX, da CF/88 e o art. 2° da Lei n° 9.433/97. Com relação às áreas alagadas, a Constituição Federal, em seu art. 20, prevê que são bens da União os lagos, os rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, bem como os terrenos marginais. Confira-se: (...) A comodatária SANEPAR, que é uma empresa estatal de economia mista, foi criada em 1963 para cuidar das ações de saneamento básico em todo o Estado do Paraná, tendo a ela sido outorgada a concessão do direito de administrar recursos hídricos para o fim de abastecimento da população. (...) Desta forma, constata-se que, apesar de o Recorrente ser proprietário das terras alagadas, o fato é que tal propriedade é limitada, pois a ele foram retirados diversos dos Fl. 290DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-007.050 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.007812/2008-17 direitos a ela atinentes, em decorrência do alagamento da área e da concessão de seu uso à SANEPAR. Ou seja, o ora Recorrente não tem a posse da área alagada, que é de fato da SANEPAR, e, frise-se novamente, é destinada à consecução do interesse público, regido pela Política Nacional dos Recursos Hídricos e explorado, pela SANEPAR, mediante concessão governamental. Considerando o exposto, tem-se que, a par do regime de uso da área pela SANEPAR por meio de concessão, a União é a verdadeira e efetiva detentora do domínio de tal área e proprietária das águas nela represadas, até que porventura a represa venha a secar definitivamente ou deixe de ser de interesse público a sua utilização, quando então, retornaria a propriedade efetiva e plena ao Recorrente. Posto isto, cabe analisar o fato gerador do ITR. O caput do art. 1° da Lei n° 9.393/96 prevê que: (...) Conforme se verifica, o legislador previu expressamente a sujeição passiva do tributo àquele que detém a posse ou o domínio do imóvel, além do proprietário, logicamente, quando este detém estes poderes. Ou seja, deve ser tributado pelo ITR aquele que efetivamente pode usar e fruir as terras. Ocorre que, conforme demonstrado, o Recorrente não possuiu estes poderes, estando, de outro modo, obrigado a respeitar, em caráter perene, o domínio da União sobre suas terras para o fim de servir de reservatório de água destinado à satisfação da Política Nacional de Recursos Hídricos, mais precisamente ao abastecimento de Curitiba e Região Metropolitana. Desta feita, sendo a União a possuidora e detentora da parte alagada do imóvel, tendo direitos sobre as águas lá represadas, não há que se falar em tributação pelo ITR do nu- proprietário das terras submersas. (...) Como se observa, o Recorrente (na decisão supra) detinha a propriedade do imóvel cujas áreas foram alagadas e que, embora detivesse a propriedade, não era a detentora do domínio, o qual pertencia à União. É justamente o caso dos autos. Embora não tenha havido desapropriação em favor da SANEPAR, está claro que às terras foram a ela cedidas graciosamente via comodato perene e que o detentor do domínio de tal área (alagada) é a União. O comodato, neste contexto, tem exclusivamente o efeito de evitar o desembolso do Poder Público e permitir que no futuro — quando e se não houver interesse público na utilização de tais águas e no seu represamento — a propriedade plena retorne ao ora Recorrente. Ora, com o devido respeito, não pode o Recorrente ser penalizado por ter cooperado — e estar cooperando — com a realização do interesse público. A área alagada, bem como as áreas marginais a ela, não podem sequer ser incluídas na área do imóvel de propriedade do Recorrente para fins de tributação (linha 1, pg. 3, da DITR), pelo que a área cedida em comodato à SANEPAR, para a consecução do interesse público de distribuir água á população, não pode compor a base de cálculo do tributo. (...) Destaque-se, por oportuno que, também as áreas marginais às águas da União constituem áreas de preservação permanente, pelo que estas também devem ser excluídas da área tributável, nos termos do art. 11 do Decreto n° 4.382/02: (...) Veja-se, neste sentido, que as referidas áreas marginais não foram contempladas na área cedida à SANEPAR para a realização do serviço público. Fl. 291DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2202-007.050 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.007812/2008-17 Deve, portanto, ser também considerada na área não sujeita à incidência (ou à inclusão na base de cálculo) do ITR. Cabe observar que, ainda que assim não fosse, o que se admite apenas a título de argumentação, não poderia incidir ITR sobre a área alagada, pelo simples fato de esta não constituir terra aproveitável. Conforme exposto, a área cedida em comodato à SANEPAR mediante contrato de concessão, para a finalidade pública de dessedentar a população está alagada, não sendo possível a sua utilização para qualquer finalidade agropecuária. Portanto, não é passível de tributação. (...) Assim, deve ser reformada a r. decisão recorrida, para o fim de reconhecer a improcedência da autuação no que se refere à glosa (no cálculo do ITR) das terras cedidas em comodato (áreas alagadas) e das áreas marginais, em vista destas serem áreas de posse/domínio da União e de preservação permanente. Quanto à alegação da r. decisão recorrida de que não poderiam ser excluídas as referidas áreas do cálculo do ITR, pois não teriam sido apresentados os documentos comprobatórios da sua existência e extensão, o ora Recorrente apresenta documentação oficial emitida pelo Instituto Ambiental do Paraná (Doc. 01), no qual há a perfeita delimitação das áreas alagadas e de suas margens, totalizando uma área total de 121,394ha de área de preservação permanente no imóvel rural. Alega o recorrente ter apresentado, juntamente com a peça recursal, “documentação oficial emitida pelo Instituto Ambiental do Paraná, no qual há a perfeita delimitação das áreas alagadas e de suas margens, totalizando uma área total de 121,394ha de área de preservação permanente.” Entretanto, de fato, o documento apresentado trata-se do formulário “Requerimento e Cadastro de Imóvel com Reserva Legal e Preservação Permanente”, formulário este simplesmente protocolizado junto ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP), conforme atesta o respectivo “Comprovante de Protocolo” de 14/02/2011. Ou seja, não se trata de “documentação oficial emitida pelo Instituto Ambiental do Paraná, no qual há a perfeita delimitação das áreas alagadas e de suas margens”, e sim, de documento preenchido pelo próprio contribuinte e protocolizado junto ao IAP, sem qualquer informação de anuência do referido órgão quanto às informações nele prestadas. Quanto à área de preservação permanente, o tema foi abordado no julgamento de piso nos seguintes termos: Apesar da área de preservação permanente não ter sido objeto de verificação fiscal, sendo mantida a área declarada pelo contribuinte, nesta fase, ele pretende seja considerada uma área superior à declarada no DIAT/2005 (áreas existentes às margens da área alagada), reserva legal, área ocupada com benfeitorias (área cedida em comodato para a Sanepar), grau de utilização superior ao considerado no lançamento e redução da alíquota aplicada. As áreas do imóvel rural afastadas da tributação pelo ITR estão discriminadas no art. 10, parágrafo 10, inciso II, da Lei n.° 9.393, de 19/12/1996, nos seguintes termos: (...) No procedimento de fiscalização foi solicitado à contribuinte que apresentasse laudo de engenheiro civil, discriminando as benfeitorias úteis e necessárias destinadas à atividade rural existente no exercício de 2005 e cópia da matrícula. Como já dito anteriormente, no lançamento do exercício de 2005, somente foram glosadas as área de reserva legal e a ocupada com benfeitorias, mas o interessado pretende sejam consideradas as áreas que ficam às margens das áreas alagadas, como preservação permanente, sem contudo, ter apresentado qualquer documentação para justificar seu pedido. Salientamos que para alterar a área pretendida como preservação Fl. 292DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 2202-007.050 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.007812/2008-17 permanente o interessado teria de apresentar uma nova distribuição das áreas do imóvel através de um novo laudo emitido por profissional habilitado para tal, pois o Laudo Técnico, acompanhado da ART, não indica o total de áreas do imóvel que se enquadram nessa definição e mencione especificamente em que artigo da Lei n.° 4.771/1965 (Código Florestal), com as alterações da Lei n° 7.803/1989, a área se enquadra. São consideradas de preservação permanente as áreas definidas nos artigos 2° e 3° da Lei n.° 4.771/1965, e há necessidade de identificação dessas áreas por meio de laudo técnico, com indicação dos dispositivos legais em que se enquadram, tendo em vista que, para as indicadas no art. 3°, também é exigida declaração por ato do Poder Público, consoante previsão nele contida. Além do que, há necessidade de o contribuinte protocolizar tempestivamente junto ao Ibama o Ato Declaratório Ambiental — ADA. A exigência de apresentação do ADA, além de constar de Instruções Normativas expedidas pela Receita Federal, está prevista na Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17-0, § 1 °, com a redação dada pela Lei n° 10.165, de 27 de dezembro de 2000, art. 1°. No caso em questão, não há comprovação de que foi apresentado ADA ao Ibama no prazo indicado na IN SRF n° 256, de 11/12/2002, e também no Laudo apresentado às fls. 32 a 38, não foram discriminadas as áreas de preservação permanente existentes no imóvel. Assim, não é possível acolher o pedido do contribuinte para afastar a tributação sobre áreas dessa natureza existente às margens das áreas alagadas, vez que não foi fornecido sequer a dimensão das áreas do imóvel que se enquadrariam nessa situação. No que se refere à exigência de averbação do ADA junto ao IBAMA, o tema vem sendo objeto de discussões no âmbito deste Conselho, sendo atualmente posição majoritária desta 2ª Turma de Julgamento no sentido de que o ADA não é elemento obrigatório e essencial para comprovação da área isenta ao ITR, podendo ser comprovado por meio de outros elementos. Nesse sentido, o Acórdão 2202-006.961 (2ª Turma, da 2ª Câmara da 2ªSeção de Julgamento), sessão de 08/07/2020. Tal posicionamento vem sendo justificado em decorrência de interpretação consolidada no Superior Tribunal de Justiça (STJ), quanto à impossibilidade de tal exigência para fatos geradores anteriores a vigência da Lei n.º 12.651, de 25 de maio de 2012 (novo Código Florestal). Também contribui, a alteração promovida nos arts. 19 e 19A da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, pela Lei nº 13.874, de 20 de setembro de 2019. Segundo o § 1º do art. 19A da referida lei, os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil devem, em sua decisões, adotar o entendimento a que estiverem vinculados, quando houver manifestação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), entre outras, na hipótese de: - tema decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em matéria constitucional, ou pelo Superior Tribunal de Justiça, pelo Tribunal Superior do Trabalho, pelo Tribunal Superior Eleitoral ou pela Turma Nacional de Uniformização de Jurisprudência, no âmbito de suas competências, quando a) for definido em sede de repercussão geral ou recurso repetitivo; ou b) não houver viabilidade de reversão da tese firmada em sentido desfavorável à Fazenda Nacional, conforme critérios definidos em ato do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, Ocorre que ainda não há uma especificação de que forma deve ocorrer a manifestação da PGFN quanto às referidas matérias. Entretanto, no Parecer PGFN/CRJ/Nº 1329/2016 foi aprovada a seguinte redação para o item o item 1.25, “a”, da Lista de dispensa de contestar e recorrer para os representantes daquele Órgão: Fl. 293DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 2202-007.050 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.007812/2008-17 1.25 - ITR a) Área de reserva legal e área de preservação permanente Precedentes: AgRg no Ag 1.360.788/MG, REsp 1.027.051/SC, REsp 1.060.886/PR, REsp 1.125.632/PR, REsp 969.091/SC, REsp 665.123/PR e AgRg no REsp 753.469/SP. Resumo: O STJ entendeu que, por se tratar de imposto sujeito a lançamento que se dá por homologação, dispensa-se a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis e a apresentação do Ato Declaratório Ambiental pelo Ibama para o reconhecimento das áreas de preservação permanente e de reserva legal, com vistas à concessão de isenção do ITR. Dispensa-se também, para a área de reserva legal, a prova da sua averbação (mas não a averbação em si) no registro de imóveis, no momento da declaração tributária. Em qualquer desses casos, se comprovada a irregularidade da declaração do contribuinte, ficará este responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa. OBSERVAÇÃO 1: Caso a matéria discutida nos autos envolva a prescindibilidade de averbação da reserva legal no registro do imóvel para fins de gozo da isenção fiscal, de maneira que este registro seria ou não constitutivo do direito à isenção do ITR, deve-se continuar a contestar e recorrer. Com feito, o STJ, no EREsp 1.027.051/SC, reconheceu que, para fins tributários, a averbação deve ser condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. Tal hipótese não se confunde com a necessidade ou não de comprovação do registro, visto que a prova da averbação é dispensada, mas não a existência da averbação em si. OBSERVAÇÃO 2: A dispensa contida neste item não se aplica para as demandas relativas a fatos geradores posteriores à vigência da Lei n.º 12.651, Noutro giro, tratando da novel legislação, foi elaborada pela PGFN a Nota SEI nº 51/2019/CRJ/PGACET/PGFN-ME, onde destaco o itens 7 e 8: 7. Com a edição da Lei nº 13.874, de 2019 (fruto da conversão da Medida Provisória nº 881, de 2019), houve a modificação do regime legal de dispensas de contestação e recursos encartado no art. 19 da Lei nº 10.522, de 2002, que culminou com a extinção da figura jurídica do ato declaratório do PGFN, resguardada a eficácia dos atos já editados antes da vigência da nova lei. Segundo a novel sistemática do art. 19-A, III, da Lei nº 10.522, de 2002, a vinculação da RFB às teses firmadas pelos Tribunais Superiores competentes (e não mais passíveis de impugnação em juízo) dá-se com a manifestação da PGFN, sendo desnecessária a edição de ato administrativo específico ou aprovação ministerial para tanto. 8. Sucede que a matéria, até o momento, pende de regulamentação pelos órgãos envolvidos, o que se pretende seja levado a efeito em breve. Embora o referido regulamento não seja indispensável para a concretização do art. 19-A, III, da Lei nº 10.522, de 2002, entende-se deveras recomendável proceder-se à definição interna do procedimento, no intuito de garantir certeza, uniformidade e segurança jurídica na atuação entre RFB e a PGFN. Nesses termos, em que pese a ausência de clara regulamentação da matéria entre os Órgãos envolvidos, considerando a manifesta posição da PGFN no sentido de impossibilidade de reversão do decidido e dispensa de contestação ou recurso, abstendo-me de minha posição pessoal que se apega aos estritos termos da Lei, deixo de considerar como necessários o registro na matrícula do imóvel e averbação do ADA junto ao IBAMA, para efeito de exclusão da área de preservação permanente no cálculo do imposto, devendo ser avaliados os demais requisitos necessários ao reconhecimento de tais áreas. Conforme se constata na DITR/2005 (fls. 8/12), assim como, do “Demonstrativo de Apuração do ITR”, foram originalmente declarados pelo contribuinte 26ha a título de Área de Preservação Permanente, área esta mantida pela autoridade fiscal lançadora. Por outro lado, no Fl. 294DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 2202-007.050 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.007812/2008-17 “Primeiro Termo Aditivo ao Contrato de Comodato...” (fl. 127), a área do imóvel cedida em comodato pelo contribuinte à Companhia de Saneamento do Paraná é de 22,6 hectares. A informação relativa à suposta Área de Preservação Permanente pleiteada pelo recorrente somente se encontra no já referido “Requerimento e Cadastro de Imóvel com Reserva Legal e Preservação Permanente”. Documente este, repise-se, preenchido pelo próprio contribuinte e protocolizado junto ao IAP, sem qualquer informação de anuência do referido órgão quanto às informações nele prestadas. Há que destacar o fato de que tal documento somente foi protocolizado junto ao IAP na data de 14/02/2011, ou seja, em data muito distante da ocorrência do fato gerador do imposto objeto do presente lançamento. Registre-se que o laudo apresentado ainda na fase do procedimento de fiscalização não traz qualquer informação quanto à distribuição das áreas do imóvel, que eventualmente pudessem se enquadrar nas definições de áreas não tributáveis de que trata a legislação do ITR. Presentes, portanto, os mesmos motivos que ocasionaram o não reconhecimento de tais áreas no julgamento de piso, pois, juntamente com as alegações da impugnação, assim como, do recurso ora sob análise, não foi apresentada qualquer documentação que embasasse as supostas áreas. Em especial, um novo laudo, emitido por profissional habilitado para tal, pois o Laudo Técnico não indica o total de áreas do imóvel que se enquadrariam nessa definição, assim como, não menciona em que artigo da Lei n.° 4.771, de 1965 (Código Florestal), com as alterações da Lei n° 7.803/1989, especificamente a área se enquadraria. Finalmente, quanto ao requerimento de diligência, “para o fim de apurar os fatos apresentados pelo ora recorrente”, deveria o contribuinte, ao discordar da autuação, apresentar no momento oportuno, qual seja, o da impugnação, os documentos e fatos que entendesse capazes de alteração dos valores lançados, ou eventuais fatos desconstitutivos. Diferentemente, limitou-se a alegações genéricas quanto à área alagada e suas margens, no entanto, sem o carreamento de provas robustas quanto às suas delimitações e optando por substituir sua incumbência probatória pela solicitação de providências a cargo da Administração Tributária, por meio de realização de diligência. Caberia ao autuado instruir sua defesa, juntamente com os motivos de fato e de direito, com os documentos que respaldassem suas afirmações, ou entendesse pertinentes a sua comprovação, conforme disciplina o caput e inc. III, do Decreto nº 70.235, de 1972, bem como o disposto no inciso I, do art. 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015), aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. Assim sendo, em consonância com a decisão de piso, indefiro o pedido de diligência reiterado no recurso sob análise. Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso e no mérito negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos Fl. 295DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 2202-007.050 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.007812/2008-17 Fl. 296DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13811.001655/2003-53
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2008
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
ANO-CALENDÁRIO: 1997
SIMPLES - INCLUSÃO - "PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ADMINISTRAÇÃO E LOCAÇÃO DE IMÓVEIS PRÓPRIOS" - LC 123, de 14/12/06.
Nos termos da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de
2006, artigo 17, §2°, "poderão optar pelo Simples Nacional
sociedades que se dediquem exclusivamente à prestação de outros
serviços que não tenham sido objeto de vedação expressa no
caput deste artigo."
INCLUSÃO RETROATIVA.
Comprovada a intenção do contribuinte em aderir ao sistema, a
opção há que ser retificada de oficio, nos termos do Ato
Declaratório Interpretativo SRF n°. 16/02.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 303-35.639
Decisão: ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de
contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Heroldes Bahr Neto, Celso Lopes Pereira Neto e Anelise Daudt Prieto votaram pela conclusão. O Conselheiro Celso Lopes Pereira Neto fará a declaração de voto.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: NILTON LUIZ BARTOLI
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Nos termos da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, artigo 17, §2°, "poderão optar pelo Simples Nacional sociedades que se dediquem exclusivamente à prestação de outros serviços que não tenham sido objeto de vedação expressa no caput deste artigo." INCLUSÃO RETROATIVA. Comprovada a intenção do contribuinte em aderir ao sistema, a • opção há que ser retificada de oficio, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo SRF n°. 16/02. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Heroldes Bahr Neto, Celso Lopes Pereira Neto e Anelise Daudt Prieto votaram pela conclusão. O Conselheiro Celso Lopes Pereira Neto fará a declaração de voto. /462 Processo n° 13811.001655/2003-53 CCO3/CO3 Acórdão n.°303-35.639 Fls. 131 ANELISE AUDT PRIETO Presidente 1,2'0N-LUI ARTOLIY Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nanci Gama, Vanessa Albuquerque Valente e Tarásio Campelo Borges. • • 2 Processo n° 13811.001655/2003-53 CCO3/CO3 Acórdão n.°303-35.639 Fls. 132 Relatório Tornam os autos a julgamento por esta Eg. Câmara, tendo em vista cumprimento da diligência formulada na Resolução n°303-01.399, constante às fls. 79/82 Com o intuito de ilustrar o presente e recordar aos pares a matéria, adoto o relatório de fls.80/81, o qual passo a ler em sessão. Comprova o cumprimento da referida diligência os documentos juntados às fls. 85/125. É o relatório. • • Ab. 3 Processo n° 13811.001655/2003-53 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.639 Fls. 133 Voto Conselheiro NILTON LUIZ BARTOLI, Relator Tendo em vista o retorno da diligência solicitada em 30 de janeiro de 2008, retornam os autos a esse relator para julgamento. Cinge-se a questão em pedido de inclusão no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, com data retroativa a 01/01/1998 até 31/12/2004, data pela qual o Recorrente optou pelo Lucro Presumido. • O pedido de inclusão do recorrente foi indeferido em razão do exercício da atividade econômica vedada, qual seja, locação ou administração de imóveis próprios. No caso em pauta, o presente processo foi convertido em diligência, visto que o conjunto probatório trazido nos autos foram considerados insuficientes para constatar quais são as atividades exercidas de fato pelo Recorrente efetivamente. Assim o julgamento foi convertido em diligênicia à repartição de origem para que o recorrente apresentasse: I .Contrato social e posteriores alterações; 2. Notas fiscais com descrição dos serviços e outros elementos necessários à efetiva comprovação da atividade. Em atendimento a diligência, a autoridade fiscal intimou o contribuinte para que este apresentasse os documentos supramencionados, sendo este atendido, conforme 110 manifestação do Recorrente às fls. 85, no qual aduz que os alugueres percebidos se referem aos imóveis de Propriedade A.A. Costa S/C LTDA, havidos pela empresa em razão da cisão de outra sociedade, denominada "A COMPONESA INDÚSTRIA QUÍMICA LTDA", comprovado com o protocolo de cisão em anexo. Esclarece também, que a empresa está impossibilitada de emitir nota fiscal em razão de se tratar de recebimento de alugueres próprios, atividade não relacionada na lista de serviços anexa à Lei Complementar n° 1116/2003 e Decreto Municipal n° 44.540 de 29/03/04. O Recorrente traz à baila os seguintes documentos: Protocolo de Cisão (fls. 87/93); Contrato Social (fls. 94/98), Alteração de Contrato Social (fls. 99/104 e 105/109); relatórios de recebimento dos alugueres pertencentes ao Recorrente, emitidos pela administradora de imóveis EAL — Escritório Almeida Leite LTDA (fls. 110/124). Assim, após este breve relatório, analiso o mérito com base nos documentos anexados nos autos pela autoridade fiscal, em respeito ao princípio da verdade material. Como exposto acima, a controvérsia travada nos autos refere-se à atividade exercida pelo contribuinte: se esta é uma atividade que incorre em vedação à opção Simples. Q4 Processo n° 13811.001655/2003-53 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.639 Fls. 134 De início, explanemos à respeito da possibilidade de opção retroativa ao Simples. Tomemos como premissa que a Lei 9.317/96, que instituiu o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples, estabelecia em seu artigo 8°, que a opção pelo sistema se daria mediante a inscrição da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa ou empresa de pequeno porte no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda — CGC/MF. Neste contexto, a Secretaria da Receita Federal, por meio de Ato Declaratório Interpretativo, dispôs acerca da Retificação de Oficio da opção pelo Simples, por parte da autoridade fiscal, em casos em que restar comprovado ter ocorrido erro de fato, nos seguintes termos: Ato Declarató rio Interpretativo SRF n°16, de 02 de outubro de 2002 • "Artigo único. O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de oficio tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples. Parágrafo único. São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (Datf-Simples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada." In casu, note-se que a Recorrente procedeu como se enquadrada estivesse, já que apresentou Declarações Simplificadas/PJ dos exercícios compreendidos entre 1998 a 2004 (fls. 40), bem como efetuou os recolhimentos de acordo com a forma simplificada de tributação no mesmo período, consoante se observa da consulta de fls. 52/55. Assim, no caso em tela, demonstra-se a ocorrência de erro de fato, tendo o contribuinte comprovado sua intenção em aderir ao Simples. Desta feita, entendo que é direito do contribuinte seu ingresso retroativo no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples, desde que respeitados os requisitos previstos em lei para sua opção. Já no que tange à atividade exercida pela empresa Recorrente, cumpre-nos, portanto, analisar o objeto social da Recorrente, à época dos fatos, às fls. 95: "CLÁUSULA TERCEIRA A sociedade terá por objeto a prestação de serviços de administração e locação de imóveis próprios. "(g.n) Nessa esteira, constata-se que Alteração Contratual constante às fls. 121/125, em nada versa sobre a alteração do objeto social da empresa.. Processo n° 13811.001655/2003-53 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.639 Fls. 135 Assim, para o caso em questão, cumpre notar o que dispõe o §2°, do artigo 17, da Lei Complementar n°. 123, de 14 de dezembro de 2006, que a partir de 1° de julho de 2007, revogou' a Lei do Simples (Lei n°. 9.317, de 5 de dezembro de 1996): "Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (.) "§2° Poderão optar pelo Simples Nacional sociedades que se dediquem exclusivamente à prestação de outros serviços que não tenham sido objeto de vedação expressa no caput deste artigo." (g. n) Analisando as atividades exercidas pela Recorrente, conforme o contrato social do Recorrente, em contraposição às vedações dispostas na Lei Complementar n°. 123, de 14 de • dezembro de 2006, verificam-se que aquelas não se encontram dentre as impeditivas à opção pelo Simples, não sendo cabível a exclusão do Simples. Depreende-se da análise da legislação acima transcrita, que é permitida à opção ao Simples quando o recorrente exercer atividades que explorem a locação e administração de imóveis. E conforme interpretação do §2°, do art. 17 da LCP n° 123/206, como a locação e administração de imóveis próprios não é objeto de vedação expressa, logo, tal atividade pode se beneficiar da sistemática Simples. Concluo, portanto, que a atividade exercida pela Recorrente não é objeto de vedação ao Simples, sob a ótica da legislação vigente. No tocante à aplicação da Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006, ao presente, importa destacar, o que ela dispõe, em seu artigo 16, §4°: • ",¢ 4° Serão consideradas inscritas no Simples Nacional as microempresas e empresas de pequeno porte regularmente optantes pelo regime tributário de que trata a Lei n°9.317, de 5 de dezembro de 1996, salvo as que estiverem impedidas de optar por alguma vedacã o imposta por esta Lei Complementar" Note-se que a Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006, dispôs que a opção pelo 'Simples Nacional' das ME (microempresas) e EPP (empresas de pequeno porte) será na forma estabelecida pelo Comitê Gestor, órgão vinculado ao Ministério da Fazenda, para tratar dos aspectos tributários da Lei Geral do Simples. Com efeito, através da Resolução CGSN n° 04, de 30/05/07, o mencionado Comitê Gestor, ao regulamentar a opção ao 'Simples Nacional', resolveu em seu artigo 18 que: 1 Lei Complementar n°. 123, de 14 de dezembro de 2006 Art. 89 — Ficam revogadas, a partir de 1° de julho de 2007, a Lei n°. 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e a Lei n°. 9.841, de 5 de outubro de 1999. 6 Processo n° 13811.001655/2003-53 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.639 Fls. 136 "Art. 18. Serão consideradas inscritas no Simples Nacional as ME e EPP regularmente optantes pelo regime tributário de que trata a Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, salvo as que estiverem impedidas de optar por alguma das vedações previstas nesta Resolução." Pondero, neste ponto, que tal artigo, primeiramente, convalida a migração automática para o 'Simples Nacional', não havendo necessidade, neste sentido, de formalização expressa para a opção. Noutro aspecto, o dispositivo (in fine) ressalvou que só há migração automática caso não haja impedimento para tanto, mas advindos da nova lei. Entretanto, cumpre ainda notar o que dispõe o §1° da citada Resolução CGSN 04, de 30/05/07, que diz respeito aos casos ainda não definitivamente julgados: "Art. 18. • §1" Para fins de opção tácita de que trata o caput, consideram-se regularmente optantes as ME e as EPP, inscritas no CNRI como optantes pelo regime tributário de que trata a Lei n°9.317/96, que até 30 de junho de 2007 não tenham sido excluídas dessa sistemática de tributação ou, se excluídas, que até essa data não tenham obtido decisão definitiva da esfera administrativa ou judicial com relacão a recurso interposto." Desta forma, o dispositivo em questão esclarece que também se consideram regularmente optantes aquelas empresas que se excluídas até 30/06/07, não tenham obtido decisão definitiva na esfera administrativa ou judicial, com relação ao recurso interposto. Por tudo isto, se conclui que a retroatividade está prevista na própria sistemática da Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006, e mesmo que não assim não o fosse, o artigo 106, do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172, de 25/10/1966) estipula que: • "Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: (.) II — tratando-se de ato não definitivamente julgado: quando deixe de defini-lo como infração;" E não se diga que não seria o caso da lei nova deixar de definir como 'infração', pois se a Lei n° 9.317/96 discriminava atividades que vedavam a opção ao Simples, caso estas fossem exercidas por recorrente optante, haveria, nesta hipótese, clara infração ao regime da Lei n°9.317/96. Portanto, se a lei nova não pune mais certo ato, que deixou de ser considerada como infração, também pelo artigo 106 do Código Tributário Nacional, ela retroage em beneficio do recorrente, como no presente. No mais, não se pode deixar de considerar o estabelecido na Lei de Introdução ) ao Código Civil vigente (Lei n°4.657, de 04/09/1942), que dispõe em seu artigo 6° que: p 7 . • . • Processo n° 13811.001655/2003-53 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.639 Fls. 137 "Art. 6° A lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada." Logo, tal qual prescreve a LICC, chamada de 'lei de introdução às leis', uma vez que dita princípios gerais sobre as normas de direito público e de direito privado (arts. 7° a 19), as normas têm efeito imediato e geral. Diante desses argumentos, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 11 de setembro de 2008 NIOLI e1 ator • Qt\' • 8 I Processo n° 13811.001655/2003-53 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.639 Fls. 138 Declaração de Voto Conselheiro CELSO LOPES PEREIRA NETO Peço vênia ao i. relator para discordar do judicioso voto condutor do acórdão prolatado nos autos do presente recurso voluntário, quanto ao seu entendimento de que a retroatividade está prevista na própria sistemática da Lei Complementar n° 123 ou, mesmo que se assim não o fosse, a situação ora examinada é um típico caso de aplicação do disposto no artigo 106, inciso II, alínea "a", do Código Tributário Nacional. 111 A Resolução CGSN n° 04, de 30/05/07, do Comitê Gestor do "Simples Nacional", citada pelo i. relator, realmente prevê a migração automática para o Regime da Lei Complementar n° 123 de todos que estavam incluídos na sistemática da Lei n° 9.317/96, não havendo necessidade de formalização expressa para a opção. A ressalva à migração automática seria apenas para aquelas empresas que estivessem impedidas de optar pelo novo regime. Vejamos: "Art. 18. Serão consideradas inscritas no Simples Nacional, em 10 de julho de 2007, as ME e EPP recularmente optantes pelo regime tributário de que trata a Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, salvo as que estiverem impedidas de optar por alguma das vedações previstas nesta Resolução. (Redação dada pela Resolução CGSN n° 20, de 15 de agosto de 2007) § 1° Para fins da opção tácita de que trata o caput, consideram- • se regularmente optantes as ME e as EPP inscritas no CNPJ como optantes pelo regime tributário de que trata a Lei n°9.317, de 1996, que até 30 de junho de 2007 não tenham sido excluídas dessa sistemática de tributação ou, se excluídas, que até essa data não tenham obtido decisão definitiva na esfera administrativa ou judicial com relação a recurso interposto. (..) "(grifei) No entanto, essa medida foi tomada apenas para evitar todo um trâmite burocrático, que sobrecarregaria as empresas e a administração pública, o que seria contra o objetivo do regime simplificado. Ou seja, a inércia da empresa rezularmente optante pelo regime da Lei n° 9.317/96 levá-la-ia à inclusão no novo regime da Lei Complementar n° 123, tendo que expressar a sua vontade apenas no caso de não querer ser incluída na nova sistemática. No entanto, o § 9°, desse mesmo artigo 18 da Resolução CGSN n° 04, deixa claro que não se convalidaram situações em que a empresa estava irregularmente inscrita na Processo n° 13811.001655/2003-53 CCO3/CO3 Acórdão n.°303-35.639 Fls. 139 sistemática anterior, Se ela incorresse em situação excludente ou exercia atividade vedada pela sistemática anterior e que não fosse vedada pela nova, seria excluída retroativamente do regime da Lei n° 9.317/96, mas isso não prejudicaria sua opção tácita pelo novo regime. Vejamos a redação desse parágrafo: Resolução CGSN n° 04 Art. 18. Serão consideradas inscritas no Simples Nacional, em 1° de julho de 2007, as ME e EPP regularmente optantes pelo regime tributário de que trata a Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, salvo as que estiverem impedidas de optar por alguma das vedações previstas nesta Resolução. (Redação dada pela Resolução CGSN n° 20, de 15 de agosto de 2007) 9° Ulterior exclusão do regime tributário de que trata a Lei n° 110 9.317, de 1996, não implicará anulação da opção tácita pelo Simples Nacional. (..)(grifei) No segundo argumento, o i. relator considerou que a exclusão do Simples, quando a atividade da empresa leva à vedação de sua opção por aquele regime, seria uma infração e, uma vez que a Lei do "Super Simples" — LC n° 123/2006 — permitiria a inclusão das pessoas jurídicas que realizam atividades semelhantes à da recorrente, seria o caso de aplicação retroativa da legislação mais benigna. Discordo desse entendimento. O que temos são dois regimes distintos, aquele da Lei n° 9.317/1996 (Regime Simples da União) e o da Lei Complementar n° 123/2006 (Simples Nacional). Inclusive, o Art. 94 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias — ADCT da CF/88, prevê que os regimes especiais de tributação para microempresas e empresas • de pequeno porte próprios da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios cessarão a partir da entrada em vigor do regime previsto no art. 146, III, d, da Constituição, deixando claro que não se trata de uma simples modificação dos regimes anteriores, mas um novo regime nacional, de observância obrigatória por todas as esferas governamentais. Sendo regimes distintos, têm condições de enquadramento diferentes. A meu ver, não se pode considerar que o fato de não atender os requisitos e condições para optar por qualquer desses regimes especiais simplificados, constitua-se em infração. Portanto, não haveria sentido em aplicar-se, à espécie, o art. 106,11 do CTN. No entanto, voto pela não exclusão da empresa do regime simplificado da Lei n° 9.317/1996, por entender não ter sido demonstrado nos autos que a atividade por ela desenvolvida enquadre-se nas vedações previstas no art 90, XII, alínea "b" da referida Lei. Sala das Sessões, em 11 de setembro de 2008 artL )1) CELSO LOPES PEREIRA NETO - Conselheiro 10
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Numero do processo: 11042.000254/2004-90
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 303-01.470
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: NANCI GAMA
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Recorrida DRJ-FLORIANOPOLIS/SC CC03/CO3 Fls. 162 RESOLUÇÃO N I' 303-01.470 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. ANE DT PRIETO Presi ente C Relatora Participaram,Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Nilton Luiz Bartoli, Vanessa Albuquerque Valente, Heroldes Bahr Neto, Luis Marcelo Guerra de Castro, Celso Lopes Pereira Neto e Tarásio Campelo Borges. Processo n.° 11042.000254/2004-90 Resolução n.° -30.301.470 CC03/CO3 Fls. 258 RELATOR JO Adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento (fls. 103 e 104), que passo a transcrever: "A empresa acima qualificada importou, por meio da DI n° 01/0391858-7, registrada em 20/04/2001, a mercadoria descrita coma "ácido dodecilbenzenossiilfônico biodegradável - Lavrex 100" nos documentos que instruíram o despacho (lis. 22 e 23), classificando-a no código NCM 2904.10.20 (16,5% de 11 e 0% de IPA Por sua vez, Laudo de Análise do Laboratório de Análises da Funcamp — Fundação de Desenvolvimento da Unicamp (n" 1218.01 - LAB 0330/JAGUARÃO — fir. 39 a 41), emitido ern função de amostra coletada no curso de outro despacho aduaneiro (DI n" 02/0887138-6), referente a produto descrito de maneira idêntica ao ora analisado, exportado pela mesma empresa (American Chemical I.C.S.A., do Uruguai), informou que a mercadoria tratava-se de "uma mistura de ácidos alquilbenzenossulfõnicos lineares, na forma liquida", "um agente orgânico de superficie ciniônico" composto de 35,8% de ácido dodecilbenzenossulfônico, 30,2% de ácido tridecilbenzenossulfônico, 27,4% de ácido undecilbenzenosulfônico, 4,1% de ácido tetradecilbenzenossulfôncio e 2,4% de ácido decilbenzenossulfônico. Com base nestas informações, a autoridade autuante concluiu que o produto importado deveria ser classificado no código NCM 3402.11,90 (16,5% de II e 5% de IN), o que gerou a lavratura dos Autos de Infração de fls. 01 a 18 para exigência de R$ 2.945,62 a titulo de Imposto sobre Produtos Industrializados apv, R$ 8.343,84 a titulo de Imposto de Importação (II), acrescidos de multa de oficio (75%) e juros de mora, e de R$ 15.170,62 a titulo de multa do controle administrativo das importações (mercadoria importada ao desamparo de Guia de Importação ou documento equivalente). Ciente da autuação, a interessada protocolizou a defesa de j7s. 57 a 71, argumentando, em síntese, que: a) o Auto de Infra cão ora impugnado carece de identificação, ou seja, não het numeração que o identifique. impedindo à contestante o seu acompanhamento; b) o Laudo Técnico embasador dos lançamentos (LAB n° 330/03), contrariamente ao que menciona o Auto, não se encontra em anexo; c) assim sendo, não há como se defender daquilo que não integra a autuação; 2 Processo n.° 11042.000254/2004-90 Resolução n.° -30.301.470 CC03/CO3 Fls. 259 d) os Laudos LAB n's 247/03 e 249/03, citados na parte final expositiva do Auto de Infração, além de não se encontrarem em anexo, embasam processos ainda pendentes de julgamento; e) uma vez que não foram coletadas amostras da mercadoria objeto da DI le 01/0867223-3, não se pode supor que o Laudo LAB n° 330/03, elaborado a partir de amostras retiradas em agosto de 2002, segundo a autoridade autuante, no curso de importação diversa efetuada por outro importador em outubro de 2002 (data incompatível com a coleta das amostras), refira-se ao mesmo produto importado pela impugnante em agosto de 2001; com a criação da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), criou-se um item especifico para o produto em questão, ácido dodecilbenzenossulfônico e seus sais: 2904.10.20; • Laudo do Laboratório de Análises Tecnológicas do Uruguai (LA TU), em anexo, confirma a composição do produto - ácido dodecilbenzenossulfônico, e a sua correta classificação; h) a responsabilidade em realizar o controle aduaneiro é da Receita Federal, que deveria ter diligenciado no sentido de verificar qual era o produto efetivamente importado na ocasião oportuna; i) deve-se lembrar que o Laudo em comento traz em seu corpo a seguinte nota: "os resultados das análises contidos neste documento tem significação restrita e se referem somente à amostra recebida por este Laboratório"; .1) conforme exemplificam Acórdãos emanados do Conselho de Contribuintes, cujas ementas foram transcritas, na ausência de provas, como no caso em tela, não há como aceitar a reclassificação tarifaria de mercadoria importada; k) o Certificado de Origem do produto continua válido, sendo improcedentes as exigências do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados; 1) não procede a cobrança da multa por falta de licença de importação ou documento equivalente, porque na época do fato gerador não havia nenhum tipo de controle administrativo sobre a mercadoria, dando-se o licenciamento de forma automática; m) unicamente a partir de 31/03/2003 passou-se a exigir a LI para o código 2904.10.20, em função da entrada em vigor da Resolução de Diretoria Colegiada — RDC 01/03, da Agenda Nacional de Vigilância Sanitária (AN VISA); assim, não se pode permitir a retroatividade da exigência para fato gerador anterior à sua obrigatoriedade; Ao final, considerando as razões apresentadas, a impugnante requer que sejam acolhidas as preliminares argüidas, tornando insubsistente o Auto de Infração, ou, caso assim não entenda a autoridade julgadora, seja no mérito julgado improcedente o lançamento."" A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis/SC, por unanimidade de votos, deu parcial provimento à impugnação, exarando a seguinte ementa: 3 Processo n.° 11042.000254/2004-90 Resolução n.° -30.301.470 CC03/CO3 Fls. 260 "Assunto: Procedimento Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 28/11/2001 Ementa: PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEMENTO DE DEFESA. Mesmo que o sujeito passivo alegue não ter recebido cópias de todas as peças do feito, é facultada a vista ao processo, na repartição competente, durante o prazo legal para impugnação, sendo inaceitável a invocação de preterimento de defesa ainda mais se a peça impugnatória demonstrar o conhecimento integral da imputação. AUTO DE INFRAÇÃO. FORMALIDADES. válido o auto de infração lavrado ern observância dos requisitos previstos no art. 10 do Decreto n" 70.235/1972. Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 28/11/2001 Ementa: DESCLASSIFICAÇÃO FISCAL. COMPROVAÇÃO. Mantém-se a desclassifica cão fiscal realizada com base em Laudo Técnico que contenha elementos suficientes para comprovar que o produto examinado se enquadra, inequivocamente, na classificação fiscal determinada pela autoridade lançadora. PROVA EMPRESTADA. Lauto técnico exarado em outro processo administrativo pode ser utilizado como prova para importações diversas, desde que trate de produto originário do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificaça o. CERTIFICADO DE ORIGEM Uma vez que a fatura comercial embasadora do Certificado de origem faz referência ao produto efetivamente importado, Lavrex 100, incabível a perda da preferência percentual efetivada pela fiscalização. Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 28/11/2001 Ementa: FALTA DE LICENCIAMENTO. PENALIDADE. Aplica-se multa por falta de licenciamento quando o importador, além de classificar erroneamente a mercadoria, descreve-a de forma inexata, impedindo a sua correta identificação. Lançamento Procedente em Parte." Intimado da mencionada decisão, o contribuinte apresentou o presente Recurso Voluntário em 19/01/05 (fls. 115 a 142), insistindo nos pontos objeto de sua impugnação, acrescentando ainda que: 4 Processo n.° 11042.000254/2004-90 Resolução n.° -30.301.470 CC03/CO3 Fls. 261 - requer a juntada de laudo técnico, emitido pelo Laboratório Pró-Ambiente Análises Químicas e Toxicológicas, no qual analisado o produto importado, com as mesmas técnicas e equipamentos da UNICAMP, chegou a um resultado diferente do obtido pelo laudo que embasou a autuação; - requer a juntado de parecer técnico elaborado por perito químico; - não deve confundir os conceitos de constituição química definida e substância pura; - incluir o ácido dodecilbenzenossulrónico e seus sais, muito consumido no Brasil e no mundo, em "outros" é urn desproposito comercial e químico; - a classificagão NCM 3402.11.90 é genérica, ampla, abrigando centenas de "agentes orgânicos de superficie", inclusive o sal do ácido dodecilbenzenossulfônico; cita jurisprudencias que vedam a utilização de laudo emprestado; cita o artigo 112 do CT1V; - para amparar as importações da época tinha laudo "LA TU", o qual nunca foi rejeitado pela Receita Federal, que acatou a classificação adotada pelo contribuinte por mais de 25 anos; na época do fato gerador, não havia nenhum tipo de controle administrativo sobre a mercadoria, dando-se o licenciamento de forma automática; cita outros processos que foi absolvido do pagamento da multa, e - não cabe a multa de oficio, nem a proporcional ao valor aduaneiro, pois o produto foi classificado corretamente pelo contribuinte. A Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, converteu o julgamento do recurso em diligência ao LABANA a fim de que fossem respondidos os seguintes quesitos: (i) Considerado o produto químico objeto da questão, podem as substâncias presentes diferentes do ácido dodecilbenzenossulfânico ser de alguma forma consideradas impurezas? (ii) Em caso contrário, como se explica sua presença? Ficou determinado, ainda, que o contribuinte fosse intimado a apresentar quesitos e que, antes do retorno do processo a este Conselho, fosse dada vista ao mesmo do parecer do órgão técnico. Devidamente intimado da diligência determinada por essa Câmara, o contribuinte apresentou petição com quesitos a serem respondidos pelo perito (fls. 208 e 209). Em cumprimento da diligência, o Laboratório de Análises Falcão Bau r apresentou o Parecer Técnico n°008/2007 de fls. 215 a 219. 5 Processo n.° 11042.000254/2004-90 Resolução n.° -30.301.470 CO3/CO3 Fls. 262 Em 20 de julho de 2007, o processo foi remetido a esta Câmara que, por unanimidade de votos, novamente converteu o julgamento do feito em diligência, para que fosse concedida vista ao contribuinte do parecer técnico apresentado pelo Laboratório de Análises Falcão Bauer (fls. 215 a 219), conforme detenninado na diligência anterior. Devolvido o processo à repartição de origem, foi juntada informação fiscal certificando que o contribuinte já havia sido notificado do teor do parecer técnico n° 012/2007, contbnne fls. 227 dos autos Sendo assim, o processo retornou a esta Camara para exame e julgamento. o relatório. 6 7 Processo n.° 11042.000254/2004-90 Resolução n.° -30.301.470 CC03/CO3 Fls. 263 VOTO Conselheira NANCI GAMA, Relatora O lançamento, objeto do presente recurso voluntário, decorre da reclassificação fiscal do produto denominado "ácido dodecilbenzanessulfônico biodegradável", que, segundo o fisco, com base no laudo de análise da FUNCAMP — fundação de Desenvolvimento da Unicamp, deveria ser classificado no código NCM n° 3402.11.90 e não no código NCM n° 2904.10.20, conforme identificado pelo contribuinte. No entanto, antes de analisar as questões de mérito suscitadas nos autos e especialmente o resultado da diligência determinada por essa E. Câmara, cumpre ressaltar que não há como se verificar a tempestividade do Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte. Com efeito, na notificação de fls., que intimou o contribuinte da decisão da DR.' de origem, consta carimbo que indica que a mesma foi postada em 26.11.2004. Ocorre que no A.R. de referida notificação não consta a data de seu recebimento pelo contribuinte, mas tão somente carimbo de entrega no correio de destino com a data de 08.04.2005, ou seja, quase cinco meses após a remessa pelo correio de origem. Dessa forma, não há como se apurar se o Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte em 19.01.2005 é tempestivo. Como se sabe, uma das condições da admissibilidade do recurso é a tempestividade, sendo, portanto, imprescindível que conste nos autos informação precisa quanto à data em que o contribuinte foi cientificado da decisão que ensejou o recurso ora analisado por essa E. Câmara. Sendo assim, CONVERTO 0 JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que o processo retome à repartição de origem, para que o servidor competente esclareça as datas menionadas acima, notadamente a data que o contribuinte foi cientificado da decisão proferida pela Delegacia Regional de Julgamento. Ê como voto. Sala das Sessões, em 10 de setembro de 2008. AMZ-1)-
score : 1.0
Numero do processo: 10880.016588/99-12
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue May 11 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Wed May 12 00:00:00 UTC 2004
Numero da decisão: 303-00.947
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: NILTON LUIZ BARTOLI
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Numero do processo: 10073.720171/2007-33
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
VALOR DA TERRA NUA (VTN) REVISÃO ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE GLOSA
O VTN arbitrado pela fiscalização pode ser revisto ante a apresentação de laudo técnico de avaliação, emitido por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, que atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do
imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto, o que não se verifica nos autos. Quanto a área de preservação permanente, restabelecida a sua dedução da área total do imóvel, para o fim de apuração do ITR em face da apresentação do ADA, de protocolo anterior ao fato gerador.
Lei 12.651 de 25 de maio de maio de 2012.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-001.698
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR
PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir da área tributável do imóvel 121 há (cento e vinte e um hectares) a título de área de preservação permanente, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: CARLOS ANDRÉ RIBAS DE MELLO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 VALOR DA TERRA NUA (VTN) REVISÃO ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE GLOSA O VTN arbitrado pela fiscalização pode ser revisto ante a apresentação de laudo técnico de avaliação, emitido por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, que atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto, o que não se verifica nos autos. Quanto a área de preservação permanente, restabelecida a sua dedução da área total do imóvel, para o fim de apuração do ITR em face da apresentação do ADA, de protocolo anterior ao fato gerador. Lei 12.651 de 25 de maio de maio de 2012. Recurso provido em parte.
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Quanto a área de preservação permanente, restabelecida a sua dedução da área total do imóvel, para o fim de apuração do ITR em face da apresentação do ADA, de protocolo anterior ao fato gerador. Lei 12.651 de 25 de maio de maio de 2012. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir da área tributável do imóvel 121 há (cento e vinte e um hectares) a título de área de preservação permanente, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 EDITADO EM: 26/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o Auto de Infração, no qual é cobrado o Imposto sobre Propriedade Territorial Rural – ITR, exercício 2003, relativo ao imóvel denominado “Sítio Serrote e água Branca” localizado no município de Resende RJ, com área total de 212,9 hectares, cadastrado na RFB sob o nº 3.441.4215, por falta de comprovação da área de preservação permanente e do valor da terra nua. O contribuinte apresentou tempestivamente a impugnação de fls.17 e ss., com os documentos que a acompanham, alegando, em síntese: Quanto à Área de Preservação Permanente: O imóvel do Impugnante é caracterizado por significativa parte da Área de Preservação Permanente, objeto de especificação em Laudo datado de 04/12/1998, devidamente acompanhado da correspondente Anotação de Responsabilidade Técnica – ART/CREA. Esse Laudo Técnico, que apurou a Área de Preservação Permanente de 121,0 hectares, subsidiou anterior impugnação do lançamento de ITR/1995 e que veio a ser aceito pela Receita Federal. A área de 121,0 permaneceu a mesma, como declarada na DIT/2003. Afirma o impugnante que a Área de Preservação Permanente de 121,0 hectares está declarada corretamente e comprovada. Não haveria como prosperar o critério adotado pelo Fisco reduzindoa a zero. A região, onde se localiza o imóvel rural, é marcada por área de declividade superior a 45 graus, por esse mesmo motivo enquadrada como Área de Preservação Permanente. “Assim, tais importantes e fundamentai características do imóvel e que apuradas tecnicamente desde 1994 – e que já aceitas como corretas não podiam ser ignoradas pelo Sr. AuditorFiscal, sobremodo tendo em consideração os preceitos constitucionais relativos “a função sócioambiental da propriedade e dos expressos termos das Leis 4.771, de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal) e Lei 9.433, de 08 janeiro de 1977, e seu respectivo Regulamento, no concernente às Áreas de Preservação Permanente.” Cita art. 3º da Resolução n º 303, de 20/03/2002, do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente). Quanto ao Valor da Terra Nua: “Em relação ao Valor da Terra Nua, o Sr. Auditor Fiscal, sem qualquer critério ou fundamentação, resolveu atribuir à Terra Nua o elevadíssimo valor de R$ 507.474,83, quantia esta que com toda a segurança, não corresponde ao valor apurado real do imóvel. Podese apurar, por simples cálculo aritmético, que o valor do hectare considerado pelo Fl. 101DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10073.720171/200733 Acórdão n.º 2802001.698 S2TE02 Fl. 101 3 Sr. Auditor Fiscal foi de R$ 2.417,70 para o remoto ano de 2003; valor esse nunca praticado na Região de toda a Resende, como de facílima constatação.” Para provar, anexa documento relativo à alienação de área rural e lindeira ao seu imóvel que registra, segundo informa, o valor de R$ 1.061,27 por hectare. Por último, informa que sempre foram prestadas as declarações referentes ao Ato Declaratório Ambiental – ADA deste imóvel rural. Ao final pede a insubsistência do Auto de Infração. Em julgamento, a 1ª Turma da DRJ/REC, em sessão realizada no dia 30/03/2009, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, aos fundamentos de que: quanto à área de preservação permanente, o contribuinte apresentou a fl.40 ADA sem data de protocolo e os demais documentos anexados aos autos não substituem a apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental, para fins de dedução do ITR das áreas nele constantes; quanto ao valor da terra nua, o contribuinte não apresentou laudo de avaliação para impugnar o VTN estabelecido pela RFB. Cientificado da supramencionada decisão, conforme fl.54, o contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário a fl. 58, atacando a decisão exarada pela DRJ, juntando novos documentos e deduzindo os seguintes argumentos: apresentou em atenção à notificação fiscal cópia do ADA protocolado no IBAMA, laudo técnico da área de preservação permanente emitido por engenheiro agrônomo inscrito no CREA, memorial descritivo do imóvel elaborado por engenheiro credenciado, avaliação do imóvel elaborada por engenheiro agrônomo nos moldes determinados pela ABNT, levantamento perimétrico da propriedade elaborado por engenheiro agrônomo, cópia de notação de responsabilidade técnica (ART/CREA) referente aos serviços prestados por engenheiro agrônomo; reafirma, como já o fizera em sua impugnação, que seu imóvel está situado na área de proteção ambiental denominada APA da Mantiqueira, nos termos do Decreto 91.304/85; os documentos apresentados por ocasião da notificação fiscal, acima referidos, não foram juntados aos autos, razão pela qual os reapresenta por ocasião do presente recurso, bem como junta cópia do requerimento à época protocolado, do qual consta a relação dos documentos que o acompanhavam; quanto à área de preservação permanente, fez juntar aos autos o ADA, protocolado no IBAMA anteriormente; a apresentação do ADA seria mesmo dispensável, já que a categorização das áreas de preservação permanente decorre da própria letra da lei, não devendo a exigência do ADA sobreporse à lei, citando a respeito a jurisprudência do STJ; Fl. 102DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 quanto ao valor da terra nua, o suposto valor constante do SIPT não é referido nos autos para fundamentar o lançamento do valor de fl.29, sendo o SIPT mantido de forma inacessível ao cidadão, em violação ao princípio da publicidade, havendo nulidade por ausência nos autos de tais informações; demais disso, foram fornecidos à RFB elementos suficientes para aferição, dentre os quais o laudo de avaliação elaborado segundo a NBR ABNT 14.6533; a omissão dos autos de tais elementos apresentados pelo contribuinte quando de sua notificação importa na invalidade do ato de lançamento, por omissão de provas; o valor adotado, supostamente com base no SIPT, é totalmente dissociado da realidade de mercado na região É o relatório Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. lançamento com base no VTN arbitrado pela RFB e na desconsideração da área de preservação permanente apontada pela contribuinte. Inicialmente, quanto às preliminares trazidas pelo recorrente, registrese que essas devem ser rejeitadas, eis que ausentes, no caso, as hipóteses que propiciariam a nulidade da presente Notificação de Lançamento. Quanto aos documentos que acompanham o recurso voluntário, na esteira da jurisprudência reiterada desta Turma, dos mesmos conheço, em homenagem ao princípio do formalismo moderado. Quanto as ementas de decisões colacionadas pelo Recorrente com o intuito de embasar seu entendimento, registrese que a autoridade administrativa julgadora não se encontra obrigada a se submeter a decisões, desprovidas de efeito erga omnes, envolvendo terceiros estranhos à controvérsia, podendo firmar seu livre convencimento na apreciação da matéria, em consonância com a legislação de regência a que se encontra vinculada. No presente caso, discutese, essencialmente, se a validade do Laudo de Avaliação e da ADA, juntos aos autos pelo contribuinte. VT Valor da Terra Nua O art, 14, caput e §1º., da Lei nº.9.393, de 19 de dezembro de 1996, autoriza a Receita Federal, no caso de falta de entrega de declaração ou de subavaliação, fixar o valor da terra nua com base em sistema por ela instituído, utilizando informações sobre preços de terras que deverão considerar os levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, observados os critérios estabelecidos no art. 12, 1º, inciso II, da Lei nº. 8.629, de 25 de fevereiro de 1993. Nesse contexto, foi aprovado o Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, pela Portaria SRF nº. 447, de 28 de março de 2002, alimentado com os Fl. 103DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10073.720171/200733 Acórdão n.º 2802001.698 S2TE02 Fl. 102 5 valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores de terra nua da base de declarações do ITR (art. 3º da Portaria SRF nº 447, de 2002). É sabido que as vistorias, perícias, avaliações e arbitramentos relativos a imóveis rurais são atividades de competência dos engenheiros agrônomos e florestais, que devem ser objeto de Anotação de Responsabilidade Técnica — ART para sua plena validade (Arts. 7° e 13 da Lei nº 5.194, de 24 de dezembro de 1966, c/c o disposto na Resolução na 345, de 27 de junho de 1990, e na Resolução n a 218, de 29 de junho de 1973, ambas do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia — CONFEA). De acordo com a Resolução CONFEA na 345, de 1990, que dispõe sobre as atividades de Engenharia de Avaliações e Perícias de Engenharia, a avaliação "é a atividade que envolve a determinação técnica do valor qualitativo ou monetário de um bem, de um direito ou de um empreendimento" e o laudo "é a peça na qual o perito, profissional habitado, relata o que observou e dó as suas conclusões ou avalia o valor de coisas ou direitos, fundamentadamente ''(art. 1a, alíneas "c" e "e"). Na elaboração dos Laudos 'Técnicos, os profissionais devem observar ., ainda, os requisitos das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT, que regem a matéria (no caso da avaliação dos imóveis rurais, em especial a NBR 146533).. Outrossim, o Laudo de Avaliação de imóvel rural para fins de determinação do VTN a ser utilizado no cálculo do ITR deve ter como objetivo o preço de mercado da terra na data do fato gerador (art. 8 a, §2 a, da Lei na 9.393, de 1996), apurado de acordo os critérios de localização do imóvel, capacidade potencial da temi e dimensão do imóvel (art. 14, §l a, da Lei na 9..393, de 1996), Conjugandose as exigências da legislação tributária com as prescrições da NBR 1465.33, os Laudos 'Técnicos de Avaliação para fins de determinação do VTN tem como requisitos principais: (a) a identificação e caracterização do imóvel avaliando, em que se descreve os aspectos relevantes na formação do valor; (b) a pesquisa realizada, com a identificação das fontes e descrição dos imóveis da amostra coletada (no mínimo ,5 elementos); (c) a escolha e justificativa do método de avaliação utilizado; e (d) a memória de cálculo do tratamento dos dados. O laudo apresentado às fls. 73 e ss, apesar de ter sido elaborado por engenheiro agrônomo, está desacompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica — ART, de vez que a ART de fl.33 referese a profissional diverso do que firma o referido laudo, não se prestando para o fim a que se propõe pelo menos ainda por uma outra razão além desta. Ora, a base de todo o processo de avaliação é a amostra, pois é a partir dela que se irá estimar o valor de mercado, O avaliador deve sempre utilizar dados de mercado de imóveis com características, tanto quanto possível, semelhantes às do imóvel avaliando (item 7,4,1 da NBR 146533), sendo que cada elemento amostrai deve guardar "semelhança com o imóvel objeto de avaliação, no que diz respeito à sua localização, à destinação e à capacidade de uso das terias" (item 7.7 2„2 d da NBR 146533) para fins de garantir a qualidade da amostra. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 6 A NBR 1465.33 prevê o método comparativo direto de dados de mercado (item 8.1), em que pode se aplicar inferência estatística com modelos de regressão linear (Anexo A) ou tratamento de por fatores (Anexo B). As duas metodologias estão baseadas em comparações do imóvel avaliado com outros imóveis. Assim, o laudo em apreço, elaborado em 2008, • toma como amostra transações imobiliárias ocorridas nos anos de 2005 e 2006, bem como imóveis à venda no momento da elaboração do laudo, faltandolhe o requisito de contemporaneidade à data do fato gerados, como acima já aludido; • apesar de ter sido exigido que o laudo de avaliação atendesse as normas da ABNT (NBR 14.6533), com Grau II de Fundamentação e Precisão, não consta no laudo a apuração da pontuação para esses fins E mais, não se vislumbra nos autos nenhum indicativo de que os imóveis destacados no laudo, possuem características semelhantes as do avaliado, conforme subitem 7.4.1.da citada NBR, "in verbis: Item 7.4.1 NBR “Na pesquisa, o que se pretende é a composição de uma amostra representativa de dados de mercado de imóveis com características, tanto quanto possível, semelhantes às do avaliando, usandose toda a evidência disponível. Esta etapa deve iniciarse pela caracterização e delimitação do mercado em análise, com o auxílio de teorias e conceitos existentes ou hipóteses advindas de experiências adquiridas pelo avaliador sobre a formação do valor. Na estrutura da pesquisa são eleitas as variáveis que, em princípio, são relevantes para explicar a formação de valor e estabelecidas as supostas relações entre si e com a variável dependente. A estratégia de pesquisa referese à abrangência da amostragem e às técnicas a serem utilizadas na coleta e análise dos dados, como a seleção e abordagem de fontes de informação, bem como a escolha do tipo de análise (quantitativa ou qualitativa) e a elaboração dos respectivos instrumentos para a coleta de dados (fichas, planilhas, roteiros de entrevistas, entre outros).” Por tais razões, não há nos autos elementos suficientes, capazes de afastar o arbitramento pela RFB do VTN, para o imóvel em questão. Área de preservação permanente A apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA se tornou obrigatória, a partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR, por força da Lei n° 10.165, de 28/12/2000. Referida lei acrescentou à Lei 6938/81 o artigo 170, que dispõe, verbis: Fl. 105DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10073.720171/200733 Acórdão n.º 2802001.698 S2TE02 Fl. 103 7 "Art. 17O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — 1TR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei n° 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a titulo da Taxa de Vistoria § 1ºA A. Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído pela Lei nº 10.165, de 2000). § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. ( ) “ Assim sendo, para que o sujeito passivo possa se beneficiar da isenção do ITR relativa às áreas de preservação permanente, reserva legal/utilização limitada, interesse ecológico e etc, a partir do exercício de 2001, deve apresentar o Ato Declaratório Ambiental ADA (ou, pelo menos, comprovar a protocolização do requerimento do mesmo no órgão competente na data legalmente estabelecida) Nos termos do art. 10, § 4º' da Instrução Normativa SRF n° 43, de 07/05/1997, com a redação dada pelo art. 1° da Instrução Normativa SRF n° 67, de 01/09/1997 e, para o exercício em questão, encontra se prevista na IN/SRF nº 256/2002, no Decreto nº 4.382/2002 – RITR (art. 10, § 3º, inciso I), tendo como fundamento o art. 17O da Lei 6.938/1981, em especial o caput e parágrafo 1º, cuja atual redação foi dada pelo art. 1º da Lei 10.165/2000, acima transcrito, o contribuinte teria o prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao lbama. Embora assista razão à DRJ quando afirma que não consta data de protocolo do ADA apresentado a fl.40, pois o campo para seu preenchimento foi inadvertidamente deixado em branco, é inevitável notar que no canto superior direito do documento encontrase impresso em estilos bem grandes o ano de 1997, razão pela qual tenho que o referido documento foi protocolado naquele ano, em data, portanto, muito anterior ao fato gerador ou ao lançamento, como afirma o contribuinte, apontando a área de preservação permanente de 121 ha, informado pelo contribuinte em sua DITR. Por esta razão, tenho como satisfeita essa exigência para fim de utilização da área de preservação ambiental para fins de dedução do ITR. Isto posto, dou parcial provimento ao recurso, para restabelecer a dedução dos 121 ha a título de área de preservação permanente, da área total do imóvel, para fins de cálculo do ITR devido, mantendose o VTN arbitrado pela RFB. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Fl. 106DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 8 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10073.720171/200733 Acórdão n.º 2802001.698 S2TE02 Fl. 104 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão referente ao processo em epígrafe. Brasília/DF, 26 de setembro de 2012. (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 108DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13971.000156/2005-78
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
CONCOMITÂNCIA DE PROCESSOS NA VIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL.
A propositura de ação judicial importa a renúncia à discussão administrativa relativamente à matéria sub judice. Quanto à matéria diferenciada, há de ser conhecido o recurso.
GANHO DE CAPITAL. CONTRATO. NOTAS PROMISSÓRIAS.
A alienação de bens e direitos com emissão de notas promissórias pro soluto é considerada operação à vista para fins de apuração de ganho de capital, computando-se o valor total da alienação, independentemente da quitação dos títulos. Recurso negado.
Numero da decisão: 2802-000.795
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR
PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: JORGE CLÁUDIO DUARTE CARDOSO
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A propositura de ação judicial importa a renúncia à discussão administrativa relativamente à matéria sub judice. Quanto à matéria diferenciada, há de ser conhecido o recurso. GANHO DE CAPITAL. CONTRATO. NOTAS PROMISSÓRIAS. A alienação de bens e direitos com emissão de notas promissórias pro soluto é considerada operação à vista para fins de apuração de ganho de capital, computandose o valor total da alienação, independentemente da quitação dos títulos. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 16/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martin Fernandez e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Fl. 1DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 16/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) do exercício 2003, anocalendário 2002, em virtude de apuração de ganho de capital na alienação de participação societária referente a cotas de capital que o contribuinte possuía da pessoa jurídica Ataliba Cozinha Industrial Ltda (fls. 185/193 e 194/197). A exigência foi impugnada com as seguintes alegações: a) houve um contrato de compra e venda de participações e acervo patrimonial com a empresa Embrasa S/A Alimentação e Serviços e com o Sr. João Paleóloge Guimarães, objetivando ceder e transferir quotas do capital social da Ataliba Cozinha Industrial Ltda, que a transação foi concretizada em 26/11/02, sendo que os pagamentos referentes à compra foram efetuados de maneira parcelada, de acordo com o prazo e segundo as regras de reajustamento indicadas no anexo I do instrumento contratual, produzindo, assim, ganhos de capital decorrentes de diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente; b) segundo o DecretoLei n° 1.510/76 (art. 4°, d), os ganhos de capital provenientes da venda de participações societárias são livres da incidência tributária do Imposto de Renda da Pessoa Física quando o seu portador as detiver durante período maior de 5 anos, contados da data da sua subscrição ou aquisição, tratandose de direito adquirido daqueles que tivessem, anteriormente à entrada em vigor da nova legislação de regência (Lei n° 7.713/88 que revogou a referida isenção), preenchido os requisitos legais de subscrição ou aquisição de quotas ou ações durante período superior a 5 anos; e c) ter efetuado consulta sobre a tributação de ganhos de capital correspondente à alienação de sua participação societária, bem como ter realizado o depósito dos valores relativos ao imposto de renda vinculado à operação, nos montantes em que entendia correto. A impugnação foi conhecida unicamente em relação às matérias estranhas às que forem submetidas ao exame do Poder Judiciário com suporte no Ato Declaratório Normativo Cosit nº 3/96, tendo sido apontada como matéria submetida à 1ª Vara Federal de Blumenau no mandado de segurança 2003.72.05.0016953 a discussão sobre o direito adquirido à isenção prevista na alínea “d” do art. 4º do DecretoLei nº 1.510/76. O acórdão recorrido manteve o lançamento parcialmente com os seguintes fundamentos, em síntese: a) as notas promissórias foram emitidas desvinculadas do contrato original, de forma que esse contrato está perfeito e acabado, consoante a 121ª alteração contratual (fls. 37/49), caracterizando a disponibilidade jurídica, em conseqüência, a apuração do ganho de capital total ocorreu no mês da alienação, independentemente de serem os títulos quitados ou não, conforme Parecer Normativo CST nº 130/1975; b) o valor depositado é inferior o valor do tributo exigido de ofício, sendo cabível a exigência da diferença, porém inaplicável a multa de oficio sobre os valores depositados de R$343.826,32, mantendo a exigência de multa sobre a parcela de R$199.718,68 que corresponde à parcela não depositada. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 16/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13971.000156/200578 Acórdão n.º 280200.795 S2TE02 Fl. 279 3 Ciente da decisão de primeira instância em 29012009 (fls. 245), o recorrente apresentou recurso voluntário em 13022009 (fls. 248), no qual apresenta os seguintes argumentos: DA RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA 1. o objeto da impugnação é distinto da matéria discutida no mandado de segurança 2003.72.05.0016953, aqui se defende da imputação de falta de pagamento do imposto de renda sobre o ganho de capital, enquanto o objeto da ação judicial é o reconhecimento da isenção ou não do tributo sobre o ganho de capital, usando de outras expressões, no Judiciário, tratouse de inexistência de fato gerador (não incidência); ou quando muito de fato gerador não ocorrido (isenção), já na impugnação a Administração Tributária está a admitir a ocorrência do fato gerador; 2. o mandado de segurança contém pedido formulado anteriormente à ocorrência do fato gerador de maneira que não se aplica a Súmula nº 1 do Conselho de Contribuintes pois essa é empregada apenas quando já ocorrido o fato gerador em concreto; a Administração pode rever seus atos quando eivados de ilegalidade, com nesse caso, pois não poderia o fiscal ter autuado o contribuinte se não ocorrido o seu fato gerador; DO MOMENTO DO GANHO DE CAPITAL 3. no contrato, ficou expressamente determinado que a venda do capital social foi realizada à prazo, como deixam claro as cláusulas 2ª, 3ª, 4ª, 5ª e 6ª; e como mera garantia do pagamento firmado à prazo, foram emitidas 35 (trinta e cinco) notas promissórias para cada um dos sócios vendedores, sendo que a última delas teria vencimento somente em 15 de maio de 2005, coube ao recorrente 5 (cinco) notas promissórias no valor de R$ 176.500,00, com vencimento até 15 de maio de 2003, e mais 30 (trinta) notas promissórias no valor de R$ 66.083,33, com vencimentos mensais até o dia 15 de maio de 2005, antes dessas datas não tem o portador a disponibilidade econômica ou jurídica sobre o valor nele expresso; 4. quando da lavratura do auto de infração, o contribuinte detinha uma série de notas promissórias ainda por vencer, além de muitas outras que sequer foram adimplidas pelo devedor até a data de apresentação do recurso voluntário, tendo havido, inclusive, protestos por inadimplência de alguns títulos relacionados ao negócio jurídico realizado, conforme provam os documentos contidos no processo administrativo (fls. 149 e ss.); 5. incorreta a premissa do acórdão recorrido de que as notas promissória não foram recebidas em caráter condicional e que são desvinculadas do contrato; 6. o agente fiscal está pretendendo criar um novo fato gerador do IRPF, implicando ônus tributário antes mesmo de o contribuinte adquirir a disponibilidade jurídica da renda, muito menos disponibilidade econômica, uma vez que ainda não recebeu sequer metade dos valores garantidos pelas notas promissórias; são indicadas decisões judiciais (fls. 255 e ss.) É o relatório. Voto Fl. 3DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 16/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. I Da formulação de consulta Inicialmente registro que a ação fiscal foi iniciada após mais de um ano da notificação ao contribuinte da resposta dada à consulta formulada (fls. 50/57). Destarte, não havia impedimento à ação fiscal iniciada em 13012005. II Da concomitância entre o processo administrativo e a ação judicial Passo a apreciar se deve ser reconhecida a renúncia à instância administrativa em função da impetração do mandado de segurança preventivo (fls. 66) mediante o qual buscouse impedir que a Fazenda Nacional exigisse Imposto de Renda Pessoa Física sobre ganho de capital na alienação das participações societária da pessoa jurídica Ataliba Cozinha Industrial Ltda tendo como causa de pedir o reconhecimento do direito adquirido ao tratamento dado pelo art. 4º letra "d", do DecretoLei n° 1.510/76 que previu a não incidência do imposto sobre as alienações de ações adquiridas há mais de cinco anos, ainda que essa alienação viesse a ocorrer já na vigência da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. A ação judicial foi objeto de recurso extraordinário ao STF interposto pelo contribuinte, não há notícia de decisão com trânsito em julgado. Não tenho dúvida acerca da identidade de objeto entre a ação judicial e o recurso administrativo, motivo pelo qual reputo correta a decisão recorrida no ponto em que deixou de conhecer da impugnação nesse ponto. Pelas mesmas razões, não deve o CARF conhecer do recurso voluntário nessa parte, cabendo, entretanto, apreciar a matéria que não foi objeto da ação judicial. É o que se faz a seguir. III Do momento da incidência do imposto sobre o ganho de capital Inicialmente, devese consignar que o lançamento adotou como custo de aquisição a quantia de R$341.500,00 e não R$437.500,00 como apurado pelo contribuinte. Sobre essa parte da autuação não houve manifestação de inconformismo. A fiscalização reputou que os depósitos (fls. 188) não foram efetuados pelo valor integral, autuou com multa e juros o valor total, porém a DRJ afastou a exigência de multa e juros sobre o valor depositado (R$343.826,32), mantendo a exigência integral do imposto e dos encargos de multa e juros exclusivamente sobre a diferença entre o imposto apurado de ofício e o valor depositado. A jurisprudência dominante nesse Conselho considera que nas alienações em que o pagamento é ajustado de forma parcelada, com emprego de notas promissórias pro soluto, o fato gerador ocorre na data da alienação e que o ganho deve ser apurado como se a venda houvesse sido realizada à vista. Acórdão n°. : 10615.897 (...) Fl. 4DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 16/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13971.000156/200578 Acórdão n.º 280200.795 S2TE02 Fl. 280 5 IRPF — GANHO DE CAPITAL — TÍTULOS PRO SOLUTO — DECADÊNCIA Na venda a prazo efetuada com notas promissórias recebidas pro soluto, considerase, para fins de apuração de ganho de capital, ocorrido o fato gerador na data da alienação do imóvel, já que o pagamento pro soluto é aquele que se dá quitação da divida a que se refere, sem depender de qualquer evento posterior. Recurso de oficio negado.(acórdão nº 10615897, de 18/10/2006, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti) GANHO DE CAPITAL CONTRATO CONDIÇÕES A incidência do Imposto de Renda nas alienações de bens sob condição pro soluto ocorre no momento em que considerada juridicamente concluída a transação.(acórdão nº 10247627, de 21062006, da 2ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) redator(a)designado Moisé Giacomelli Nunes da Silva. Não há no contrato de compra e venda e de alteração societária sob exame qualquer cláusula que estipule que as notas promissórias foram emitidas com caráter pro solvendo. Ao contrário, as cláusulas contratuais estipulam que as notas promissórias são emitidas em garantia de primeiro grau da dívida contraída pelo comprador, e que , em segundo grau, a garantia da dívida são títulos recebíveis da própria pessoa jurídica Ataliba cujas ações estavam sendo alienadas. Exemplo disso é o teor da cláusula 6ª (fls. 26 e 35). Ressaltase, ainda, que na cláusula 2ª (fls. 24/25) é estipulado que no caso de não pagamento das notas promissórias a cobrança ocorrerá somente em dinheiro com os acréscimos moratórios contratuais por vias judiciais ou extrajudiciais e que na cláusula 8ª (fls. 27) definese como irrevogável e irretratável o negócio celebrado. Outrossim, quando intimado a relacionar os recebimentos vinculados à alienação das cotas e apresentar cópia das notas promissórias não resgatadas (fls. 126/127), o contribuinte apresentou novo contrato – Instrumento Particular de Cessão de Direitos e Obrigações (fls. 143/147), mediante o qual transfere à pessoa jurídica Ferran do Brasil Serviços e Soluções em Alimentação S.A, os direitos e obrigações resultantes do contrato de alienação de suas cotas. Essa negociação demonstra que a inadimplência dos compradores em relação às notas promissórias pro soluto não prejudicaram a alienação. Além disso, na 121ª Alteração contratual consta ampla quitação dada pelos sócios cedentes, in verbis: Os dois sócios cedentes, a outra sócia cedente, o sócio cessionário, a sócia cessionária e a Sociedade outorgamse neste ato, a mais ampla, plena, rasa, geral, irrevogável, irretratável e recíproca quitação com relação às quotas ora cedidas e transferidas, para nada mais reclamarem, uns dos outros, em tempo .algum, seja a que titulo e/ou pretexto for, dando a Fl. 5DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 16/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 presente cessão e transferência de quotas como firme, boa, perfeita e acabada. Destarte, o contrato de alienação deve ser entendido como uma operação à vista, tendo como preço parte em dinheiro e parte em direitos de crédito, conseqüentemente a apuração do ganho de capital deve ocorrer na data de alienação com base no valor total da operação. Não assiste razão ao recorrente em considerar que não há o fato gerador do imposto, pois o houve a disponibilidade jurídica.do direito de crédito a que aluz o art. 43 do Código Tributário Nacional (CTN), tanto que foi esse direito de crédito objeto de novo negócio jurídico. Por fim, entender que a garantia por meio de notas promissórias pro soluto caracterizou uma alienação à prazo com efeito de diferir o pagamento do imposto seria deixar ao critério dos particulares convencionar livremente o momento em que venceria o tributo. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 6DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 16/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10925.902983/2009-99
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
Ementa: IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS
RECONHECIDOS JUDICIALMENTE.
Tratando-se de créditos fictos para os quais inexiste previsão legal, a decisão judicial que os reconheceu há de ser cumprida em seus estritos limites.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
Ementa: IPI. DIREITO DE CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS
TRIBUTADOS A FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES.
As aquisições de produtos de estabelecimentos optantes pelo SIMPLES não ensejarão aos adquirentes direito a fruição de crédito de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-003.405
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS RECONHECIDOS JUDICIALMENTE. Tratando-se de créditos fictos para os quais inexiste previsão legal, a decisão judicial que os reconheceu há de ser cumprida em seus estritos limites. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: IPI. DIREITO DE CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS TRIBUTADOS A FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. As aquisições de produtos de estabelecimentos optantes pelo SIMPLES não ensejarão aos adquirentes direito a fruição de crédito de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS RECONHECIDOS JUDICIALMENTE. Tratandose de créditos fictos para os quais inexiste previsão legal, a decisão judicial que os reconheceu há de ser cumprida em seus estritos limites. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: IPI. DIREITO DE CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS TRIBUTADOS A FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. As aquisições de produtos de estabelecimentos optantes pelo SIMPLES não ensejarão aos adquirentes direito a fruição de crédito de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por A LEXANDRE KERN 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório BRASPLAST INDÚSTRIA & COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA. formulou Pedido de Ressarcimento em papel e Declarações de Compensação, por meio dos quais pretende ter direito creditório, oriundo do saldo credor de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, autorizado pelo art. 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, referente ao 2º trimestre de 2004, no valor de R$ 172648,26, reconhecido e compensado com débitos do próprio estabelecimento.estabelecimento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba SC emitiu Despacho Decisório, deferindo o ressarcimento apenas parcialmente, em R$ 167.085,67. A glosa, no valor de R$ 5.562,59, deveuse ao creditamento irregular do IPI em aquisições de insumos a fornecedores optantes pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições Simples. Sobreveio reclamação, por meio da qual o interessado alega que apurou o total do crédito de IPI decorrente das aquisições de insumos conforme direito que lhe foi assegurado em decisão judicial e que não há qualquer ressalva nesse sentido na decisão que transitou em julgado em seu favor, da qual destaca o seguinte trecho: “Se for eliminada a possibilidade de aproveitamento do crédito de IPI referente a insumos adquiridos sem a incidência dessa exação, estarseá anulando o tratamento privilegiado, pois a alíquota recairá sobre a totalidade do valor do produto industrializado e não somente sobre o valor agregado” (autos nº 2000.72.02.0021593, do TRF4) Sustenta que tal ressalva aplicase independente de o fornecedor ser do SIMPLES, em respeito aos princípios constitucionais da nãocumulatividade e da ordem econômica, dentre outros. Afirma que o crédito originase do princípio da não cumulatividade e não dos benefícios fiscais do imposto. Complementa, argumentando que suportou o ônus total do imposto, conforme laudo pericial apresentado no curso da ação judicial. Ao final, reclama que a autoridade fiscal não pode restringir algo que a Constituição não restringiu no seu texto. Insurgese ainda contra o disposto no art. 5º, §5º, da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, que fundamentou a glosa efetuada, por considerálo ilegal e inconstitucional. Alega que a empresa inscrita no SIMPLES é contribuinte do IPI. Mesmo admitindo o contrário, sustenta que então o SIMPLES estaria incluído nas hipóteses de creditamento quando o insumo e/ou o produto não são onerados pelo IPI. Acrescenta que tal dispositivo já foi considerado inconstitucional e que o aproveitamento desses créditos já foi admitido em decisão que apresenta. Aponta também violação ao art. 49, do CTN, e finaliza registrando que a própria RFB já se manifestou no sentido que defende, por meio de orientação existente no sítio desse órgão, que transcreve. Reforça que a decisão da autoridade administrativa viola diretamente princípios constitucionais da nãocumulatividade, da seletividade, da isonomia e da razoabilidade, além de contrariar decisão judicial. Sustenta seu direito de compensar/restituir os valores conforme declarado em sentença judicial transitada em julgado e com fundamento Fl. 133DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10925.902983/200999 Acórdão n.º 380303.405 S3TE03 Fl. 133 3 no art. 964, do Código Civil – CC Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, e no art. 165, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN. Traz doutrina. A DRJ/RPO8ª Turma julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, sob o consideração de que cabia ao interessado a prova do direito alegado. O Acórdão nº 14037.375. de 24 de abril de 2012, fls. 88 a 96, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. VINCULAÇÃO DEPENDENTE DE DISPOSIÇÃO LEGAL EXPRESSA. As decisões judiciais e administrativas somente vinculam os julgadores de 1ª instância nas situações expressamente previstas na legislação. INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. A legitimação do direito ao crédito de IPI depende de o destaque do imposto na respectiva nota fiscal de aquisição de insumos estar revestido dos atributos inerentes à exação, isto é, permitir a cobrança do emitente e o creditamento do adquirente, o que não se amolda, respectivamente, aos optantes pelo Simples e a seus clientes. RECONHECIMENTO DE CRÉDITOS POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL. O reconhecimento do direito a créditos de IPI limitase aos termos do pedido e do dispositivo da decisão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 8ª Turma da DRJ/RPO. O arrazoado de fls. 101 a 116, após síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma todos os argumentos já expedidos por ocasião da Manifestação de Inconformidade: a) De que procedimento compensatório adotado pela recorrente teve como fundamento o provimento que transitou em julgado na ação ordinária nº 2000.72.02.0021593; Fl. 134DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por A LEXANDRE KERN 4 b) De que são ilegítimas as restrições impostas pela autoridade fiscal, e ; c) De que o procedimento fiscal violou inúmeros princípios constitucionais. Pede provimento para o efeito de reconhecimento do direito creditório glosado e conseqüente integral homologação da compensação declarada. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 101 a 116 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJRPO8ª Turma nº 14037.375, de 24 de abril de 2012. Conforme relatado, o recorrente contesta a glosa procedida, alegando que o fato de fornecedor do insumo ser pessoa jurídica optante pelo Simples não ilide a possibilidade de creditamento e que a vedação inscrita na Lei nº 9.317, de 1996, é manifestamente inconstitucional. Acrescentou que o direito ao crédito foi concedido por decisão judicial transitada em julgado e que a autoridade administrativa não poderia restringir direito concedido em âmbito judicial e amparado em princípios e dispositivos constitucionais. Frisese, liminarmente, que a vedação ao aproveitamento de créditos no caso em tela tem expressa previsão no art. 149 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, aprovado pelo Decreto nº 2.637, de 25 de junho de 1998– RIPI/98, (art. 166 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, e art. 228 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010 – RIPI/2010), aqui transcrito para esclarecer a discussão: Art. 149. As aquisições de produtos de estabelecimentos optantes pelo SIMPLES, de que trata o art. 105, não ensejarão aos adquirentes direito a fruição de crédito de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem (Lei nº 9.317, de 1996, art. 5º, § 5º). (grifei) Está turma recursal não tem competência para apreciação de argüições de ilegalidade e de inconstitucionalidade de qualquer ordem, haja vista o disposto na Súmula CARF nº 2: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10925.902983/200999 Acórdão n.º 380303.405 S3TE03 Fl. 134 5 Os diplomas legais regularmente introduzidos no ordenamento jurídico nacional têm presunção de constitucionalidade, razão pela qual somente dispondo de provimento judicial que negue vigência à norma do § 5º do art. 5º da Lei nº 9.317, de 1996, é que se poderá admitir que o ora recorrente aproveite créditos dessa natureza. O recorrente brada a tutela que lhe foi deferida nos autos da Ação Ordinária nº 2000.72.02.0021593. A propósito, a sentença do juízo federal da 1ª Vara Federal de Chapecó/SC acolheu o pedido para declarar o direito de compensar os créditos .de IPI decorrentes da aquisição de matériaprima isenta, não tributada ou à alíquota zero havidos após 10 de agosto de 1990 com os débitos vencidos e vincendos relativos ao IPI. A apelação interposta pela União foi parcialmente procedente, apenas para considerar prescritos os valores anteriores a agosto de 1995, bem como para afastar a correção monetária dos créditos escriturais de IPI. Ora, é evidente, o pedido da parte autora e o próprio provimento judicial não abarcam as aquisições de insumos tributados a fornecedores optantes pelo SIMPLES. Desnecessário dizer, tratandose de créditos reconhecidos por decisão judicial e para os quais inexiste previsão legal, a decisão há de ser cumprida nos seus estreitos limites. Procederam corretamente a autoridade fiscal, ao glosar os créditos por aquisições de insumos a fornecedores optantes pelo SIMPLES, e a decisão de piso, ao manter tal decisão. Nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 21 de agosto de 2012 Alexandre Kern Fl. 136DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por A LEXANDRE KERN 6 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10925.902983/200999 Interessada: BRASPLAST INDÚSTRIA & COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380303.405, de 21 de agosto de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 21 de agosto de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 137DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por A LEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10314.003311/99-45
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Data do fato gerador: 12/11/1997
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMPOSTO PAGO NO DESEMBARAÇO ADUANEIRO. ISENÇÃO. COMPETÊNCIA PARA O JULGAMENTO DA MATÉRIA.TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES.
A competência para o julgamento de pedidos de restituição do imposto incidente por ocasião do desembaraço aduaneiro de importação ê da Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Recurso Não Conhecido.
Numero da decisão: 2803-000.046
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, para declinar competência à Terceira Seção do CARF nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida DRJ-FLORIANÓPOLIS/SC ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Data do fato gerador: 12/11/1997 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMPOSTO PAGO NO DESEMBARAÇO ADUANEIRO. ISENÇÃO. COMPETÊNCIA PARA O JULGAMENTO DA MATÉRIA.TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. A competência para o julgamento de pedidos de restituição do imposto incidente por ocasião do desembaraço aduaneiro de importação ê da Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Turma Especial da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, para declinar competência à Terceira â do CARPI nos t- o- do voto do Relatar. SÓN A • ED ROSENBURG FILHO /residente t • ALE NDRE KERN Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Luís Guilherme Queiroz Vivacqua c Andréia Dantas Lacerda Moneta. • Relatório Cuida-se de recurso (fls. 120 a 135) interposto pelo recorrente acima qualificado, contra o Acórdão n9- 07-12.183, de 29 de fevereiro de 2008, da DRI/FNS, fls. 115 e 116, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 12/11/1997 PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO COM ALEGAÇÕES DE QUE A IMPORTADORA FAZIA JUS À ISENÇÃO NÃO REQUERIDA NO DESPACHO ADUANEIRO. ÓNUS DA PROVA DO REQUERENTE. Quando a isenção de tributo está condicionada ao tipo de uso que se dará ao equipamento e a importadora não fizer o pedido (de isenção) no despacho aduaneiro, fazendo-o em fase posterior, deverá demonstrar, cabalmente, a utilização que está procedendo. Meras alegações são insuficientes para o reconhecimento da isenção em questão. Não reconhecida a isenção não há que se falar em repetição de indébito e muito menos de compensações que desse fato (indébito) possam decorrer. Solicitação Indeferida Após resumir os fatos relacionados com o julgamento, em primeira instância administrativa, da Manifestação de Inconformidade interposta contra o Despacho Decisório que indeferiu seu pedido de restituição do IP I, por ocasião da importação de "no breaks ", o Recorrente pede reforma da decisão da DRJ/FNS, por entender que o bem em questão é isento do imposto, nos moldes da Medida Provisória n 9 1.508, de 20 de junho 1996, convertida na Lei n2 9493, de 10 de setembro de 1997. É o Relatório no que interessa a este julgamento. Voto Conselheiro ALEXANDRE KERN, Relator O Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes — RICC, em seus arts. 22 e 23, assim dispõe: Art. 22. Compete ao Terceiro Conselho de Contribuintes julgar recursos de oficio e voluntário de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação referente a: 1- imposto sobre a importação e a exportação; - imposto sobre produtos industrializados nos casos d"(j. importação; ets 2 Processo n° 10314.003311/9945 S2-TE03 Acórdão n.° 2803-00046 Ft. 93 III apreensão de mercadorias estrangeiras encontradas em situação irregular, prevista no art. 87 da Lei n.' 4.502, de 30 de novembro de 1964; IV - contribuições, taxas e infrações cambiais e administrativas relacionadas com a importação e a exportação; V- classificação taritõria de mercadoria estrangeira; VI isenção, redução e suspensão de impostos de importação e exportação; VII - vistoria aduaneira, dano ou avaria, falta ou extravio de mercadoria; VIII - omissão, incorreção, falta de manifesto ou documento equivalente, bem como falta de volume manifestado; IX infração relativa a fatura comercial e outros documentos tanto na importação quanto na exportação; X - trânsito aduaneiro e demais regimes especiais e atípicos, salvo a hipótese prevista no inciso XVII, do art. 105, do Decreto- lei n°37, de 18 de novembro de 1966; XI - remessa postal internacional, salvo as hipóteses previstas nos incisos XV e XVI, do art. 105, do Decreto-lei n°37, de 1966.; XII - valor aduaneiro; -UH - bagagem; XIV- imposto sobre propriedade territorial rural (ITR); XV - imposto sobre produtos industrializados apv cujo lançamento decorra de classificação de mercadorias; XVI - contribuição para o Fundo de Investimento Social (Finsocial), quando sua exigência não esteja (astreada, no todo ou em parte, em fatos cuja apuração serviu para detern2inar a prática de infração a dispositivos legais do imposto sobre a renda; XVII - contribuições de intervenção no domínio económico; XVIII - contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins devidas na importação de bens e serviços; XIX- direito antidumping ou compensatório; XX - exclusão e vedação de empresas optantes do Simples, exceto na hipótese de lançamento; e XXI- tributos, empréstimos compulsórios, contribuições e matéria correlata não incluídos n competência julgadora dos demais Conselhos. Art. 23. Incluem-se na competência dos Conselhos os recursost voluntários interpostos em processos administrativos de Sk' t, - Ckt 3 restituição, ressarcimento e compensação, bem como de reconhecimento de isenção ou imunidade tributária. § 1' A competência para o julgamento de recurso voluntário em processo administrativo de apreciação de compensação é definida pelo crédito alegado. § 2 Os recursos voluntários interpostos em processos administrativos de suspensão de isenção ou de imunidade tributária, dos quais não tenha decorrido a lavratura de auto de infração, incluem-se na competência do Conselho incumbido de julgar o tributo objeto da suspensão. À vista do que dispõem o inciso II do art. 22 e o art. 23, fica patente que a competência para apreciação e julgamento da matéria está afeta à Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Com essas considerações, voto no sentido de não conhecer do presente recurso para declinar competência à e. Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e determinar a remessa dos autos ao referido órgão dej gamento, com as homenagens de praxe. Sala... Sessões, em 11 de março de 2009 fáif ALE NDRE N 4
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Numero do processo: 13896.909040/2009-70
Data da sessão: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 15/05/2003
PRELIMINAR DE NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA.
INOCORRÊNCIA.
Inexiste nulidade na decisão de primeira instância proferida em total conformidade com as normas do Processo Administrativo Fiscal (PAF) e os elementos fáticos presentes nos autos.
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal.
Numero da decisão: 3803-003.468
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Juliano Eduardo Lirani, que,
abstendo-se de votar o mérito, votou por converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral: Dr. Rogério Pires da Silva, OAB/SP nº 111.399.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/05/2003 PRELIMINAR DE NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade na decisão de primeira instância proferida em total conformidade com as normas do Processo Administrativo Fiscal (PAF) e os elementos fáticos presentes nos autos. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/05/2003 PRELIMINAR DE NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade na decisão de primeira instância proferida em total conformidade com as normas do Processo Administrativo Fiscal (PAF) e os elementos fáticos presentes nos autos. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Juliano Eduardo Lirani, que, abstendose de votar o mérito, votou por converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral: Dr. Rogério Pires da Silva, OAB/SP nº 111.399. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 23/08/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da DRJ Campinas/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte para se contrapor à não homologação da compensação pleiteada, nos termos do despacho decisório eletrônico exarado pela repartição de origem. O contribuinte havia transmitido à Receita Federal, em 28 de setembro de 2006, Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), relativos a pretenso pagamento da Cofins efetuado a maior, no montante de R$ 13.455,65, cujo direito creditório reclamado neste processo totaliza o valor atualizado de R$ 20.911,43. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem decidiu por não homologar a compensação, sob o fundamento de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito da titularidade do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e alegou que pretendia comprovar a efetividade da compensação, mas que, até aquele momento, não havia localizado os elementos comprobatórios, por se tratar de documentos antigos, em razão do que requereu o deferimento de prazo adicional para a apresentação dos documentos necessários ao exame dos fatos. Informou o então Manifestante que a apresentação do DARF estaria sendo providenciada e que teria havido recolhimento a maior da contribuição, do que decorreria a existência do crédito, cuja compensação pretendiase efetivar. Acrescentou o Manifestante que, no caso de indeferimento da dilação do prazo para apresentação dos documentos, se determinasse a realização de perícia contábil, nos termos do artigo 16 do Decreto n° 70.235/1972, para que o perito informasse, com base no exame da escrituração contábil e fiscal, o valor correto da base de cálculo da contribuição para o PIS no período sob análise, bem como o valor correto da contribuição devida e o montante do indébito decorrente do pagamento a maior, este devidamente atualizado até a data da compensação, detalhandose as explicações referentes a eventuais divergências apuradas entre os valores escriturados e os declarados em DCTF e/ou DIPJ. Indicou o Manifestante como seu assistente técnico o Sr. Waldir Luiz Bulgarelli e requereu a suspensão da exigibilidade de todo e qualquer débito discutido nos autos. A DRJ Campinas/SP julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL C0F1NS Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 Fl. 282DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 23/08/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.909040/200970 Acórdão n.º 380303.468 S3TE03 Fl. 282 3 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Não havendo provas da existência do crédito utilizado, devese negar homologação à compensação declarada. PEDIDO DE DILAÇÃO DE PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INDEFERIMENTO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. 0 pedido de juntada de documentos após a impugnação deve ser indeferido quando não demonstrada a ocorrência de força maior, fato novo ou superveniente. PERÍCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Indeferese o pedido de perícia quando as informações necessárias encontramse nos autos e não é demonstrada sua real necessidade para a solução do litígio. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o contribuinte recorre a este Conselho e requer o deferimento da juntada, em até 30 dias contados da data da protocolização da peça recursal, de laudo contábil comprobatório do direito reclamado, assim como o provimento do Recurso Voluntário para a reforma integral da decisão atacada, com o reconhecimento do crédito e a homologação da compensação em sua totalidade, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o julgamento da Manifestação de Inconformidade foi realizado de forma açodada, com indeferimento da pericia postulada que garantiria um mínimo de instrução ao feito; b) nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa; c) direito à compensação da contribuição recolhida a maior, relativamente a receitas financeiras, na vigência da Lei nº 9.718/1998, à luz da jurisprudência deste Egrégio Conselho e da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF); d) a Lei nº 11.941/2009 agasalhou o entendimento do STF sobre a matéria, retirando do ordenamento jurídico o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, fazendo cessar, desde então, a eficácia do preceito, precipuamente para as pessoas jurídicas que permaneceram no regime cumulativo de apuração das contribuições, mesmo após as edições das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; e) o art. 53 da Lei nº 11.941/2009 introduziu no ordenamento tributário o dever fazendário de reconhecer de ofício a prescrição, reiterando a preocupação do legislador em prover maior eficiência à Administração tributária, evitandose desnecessárias inscrições de débitos já extintos, bem como os prejuízos decorrentes do ônus da sucumbência; f) os valores recolhidos foram apurados com base na totalidade das receitas, abarcando as operacionais e as não operacionais, estas últimas submetidas à tributação somente Fl. 283DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 23/08/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS 4 a partir da vigência das Medidas Provisórias nº 65/2002 e 135/2003, convertidas, respectivamente, nas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; g) “a preclusão do direito à dilação probatória não pode prevalecer sobre a finalidade do lançamento, que é constituir o crédito tributário efetivamente devido, e nem pode ser oposto ao contribuinte porque, a rigor, o laudo técnico a ser apresentado a esta Eg. Corte substitui a perícia negligenciada pela d. Delegacia de Julgamento”; h) “é dever da Administração Pública privilegiar a adoção de formas simples, suficientes para propiciar o grau de certeza e segurança que o lançamento exige”, sendo “os obstáculos temporais à dilação probatória em circunstâncias como estas (...) inoponíveis; i) “na remota hipótese de restarem dúvidas quanto à acurácia dos trabalhos periciais ou quanto à imparcialidade do “expert”, ainda assim restará a esta Egrégia Corte a opção de conversão do julgamento em diligência (...) de modo a permitir que auditoria fazendária analise a escrita fiscal da empresa e confirme, a um só tempo, a natureza das operações descritas no laudo técnico e a precisão dos números informados pelo perito assistente da empresa”. Ao final, o Recorrente requer o sobrestamento do presente processo até o julgamento final do RE 609.096, em que o STF discute a constitucionalidade da incidência da Cofins e da contribuição para o PIS sobre receitas financeiras de instituições financeiras, por se tratar de um “leading case”, que passará a ser obrigatoriamente reproduzido pelos Conselheiros, por força do contido no art. 62A do Regimento Interno do CARF. Junto ao Recurso Voluntário, o Recorrente traz aos autos cópias do documento de identificação do causídico, dos acórdãos do RE 346.084 e 390.840 (inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo), do E.M. Ministerial nº 161/2008 – MF/MP/MAPA/AGU, de 3 de outubro de 2008, do estatuto social, de alteração contratual, dentre outras. Posteriormente, o Recorrente traz aos autos laudo contábil, elaborado, segundo ele, por uma auditoria independente, que, ainda segundo ele, conteria a apuração do crédito pleiteado com base na escrita contábil da empresa, cujo conhecimento seria “imprescindível para a adequada mensuração da exigência”, assim como cópias de comprovantes de arrecadação obtidos no sítio da Receita Federal na internet. Afirma, ainda, que, segundo entendimento recente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o PIS e a Cofins não incidem sobre juros sobre o capital próprio recebidos durante a vigência da Lei nº 9.718/1998 (REsp 1.104.184). É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos sobre Pedido de Restituição cumulado com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), não acatados pela Fl. 284DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 23/08/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.909040/200970 Acórdão n.º 380303.468 S3TE03 Fl. 283 5 Receita Federal por se referir a pagamento integralmente utilizado na quitação de outro débito do sujeito passivo. Quanto à preliminar de nulidade da decisão a quo arguida pelo Recorrente, por cerceamento do direito de defesa, esclareçase, de pronto, que referida decisão se deu em conformidade com as regras previstas no Decreto nº 70.235/1972, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal (PAF), tendo sido justificada com base nos elementos fáticos presentes nos autos, assim como fundamentada na legislação tributária de regência, com observância do amplo direito de defesa e do contraditório. O pedido de perícia, nos termos do art. 18 do PAF, subordinase a avaliação da autoridade julgadora de primeira instância, que pode indeferilo quando considerálo prescindível ou impraticável, tendo o julgador de piso fundamentado a sua decisão denegatória no fato de se tratar de provas que o próprio sujeito passivo enfrentava dificuldades em sua obtenção, conforme ele mesmo arguira, encontrandose o pedido de perícia formulado de forma genérica, em dissonância com o teor do despacho decisório, este baseado no DARF e na DCTF apresentada pelo sujeito passivo. Afastase, portanto, a preliminar de nulidade arguida. No mérito, registrese que o contribuinte, em sua Manifestação de Inconformidade – que corresponde à fase de Impugnação prevista no PAF, por força do disposto no art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996 –, restringiu o seu pedido ao deferimento de prazo adicional para a apresentação dos documentos necessários ao exame dos fatos relativos ao pagamento indevido, nada dizendo sobre a natureza desses documentos ou mesmo do pagamento efetuado, se referente, por exemplo, à receita bruta decorrente da prestação de serviços ou a outras receitas, não havendo qualquer informação quanto à razão desencadeadora da ocorrência do respectivo indébito, mas apenas a informação de que houvera um recolhimento de tributo a maior, assim como o requerimento de prazo para a apresentação de documentos antigos que, segundo ele, até então não haviam sido localizados, ou, alternativamente, a realização de perícia, sem, contudo, pronunciarse sobre as razões de fato ou de direito ensejadoras do recolhimento indevido. Nesse sentido, temse que, desde a primeira instância, por força do contido no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal – PAF), tornouse definitiva na esfera administrativa a discussão acerca dos motivos fáticos e de direito que deram origem ao indébito que se pretende compensar, em razão do que eles não serão apreciados neste Conselho, tendo permanecido controvertida nos autos apenas a possibilidade de apresentação de documentos comprobatórios após a manifestação de inconformidade e a existência ou não de um pagamento a maior. Esclareçase que matéria não suscitada em sede de defesa no Processo Administrativo Fiscal (Impugnação ou Manifestação de Inconformidade) submetese à preclusão processual, não devendo ser conhecidas as razões e as alegações somente trazidas aos autos em sede de Recurso Voluntário, ou seja, questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF), somente demandada em sede de recurso, “constitui matéria preclusa da qual não se toma conhecimento” 1. 1 Conforme já decidiu o então Segundo Conselho de Contribuintes, quando do proferimento do acórdão nº 203.09143, em 9 de setembro de 2003. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 23/08/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS 6 Nem mesmo o DARF correspondente ao alegado pagamento indevido foi trazido aos autos na fase de impugnação, tendo havido tão somente a afirmativa de que os elementos probatórios seriam documentos antigos de difícil localização, decorrendo daí o pedido de prorrogação do prazo para a sua apresentação. O Recorrente, somente após a interposição do Recurso Voluntário, trouxe aos autos um “laudo técnico” que, segundo ele, comprovaria o indébito, sem, contudo, lastreálo com os documentos hábeis e idôneos comprobatórios das informações nele contidas. Dessa forma, a questão relativa à possibilidade de apreciação de provas trazidas a destempo não merece acolhida nesta instância, pois, além da ocorrência de preclusão temporal, as provas que devem ser apresentadas pelo interessado são aquelas previstas na legislação tributária, como por exemplo, a escrituração contábilfiscal e as notas fiscais de venda de mercadorias ou serviços. Documentos particulares, como o referido “laudo técnico”, ainda que elaborados por profissionais competentes, não têm o condão de substituir as provas próprias do processo administrativo fiscal, ainda mais quando desacompanhadas dos documentos a que fazem referência. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal, inexistindo, nos casos da espécie, autorização legal para a inversão do ônus da prova, como pretende o Recorrente ao sugerir que esta Turma converta o julgamento em diligência para que a Fiscalização analise a escrita fiscal da empresa e confirme a natureza das operações descritas no laudo técnico e a precisão dos números informados pelo perito assistente da empresa. No que se refere ao pedido de sobrestamento do presente processo até o julgamento final do RE 609.096, em que o STF discute a constitucionalidade da incidência da Cofins e da contribuição para o PIS sobre receitas financeiras de instituições financeiras, tem se que a matéria discutida no referido RE não coincide com a matéria controvertida nestes autos, não se subsumindo, portanto, à previsão do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Além disso, conforme anteriormente afirmado, as razões de direito do alegado indébito não serão objeto de apreciação neste Conselho em decorrência da preclusão, dado que não foram objeto de análise na primeira instância administrativa em face da ausência de postulação no momento processual devido. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação da declaração apresentada, esta baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei Fl. 286DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 23/08/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.909040/200970 Acórdão n.º 380303.468 S3TE03 Fl. 284 7 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) No presente caso, nem na fase de Manifestação de Inconformidade, nem no Recurso Voluntário, o interessado se predispôs a demonstrar de forma inequívoca o direito pleiteado. Ele poderia ter apresentado, desde o primeiro momento de sua manifestação, os documentos necessários à demonstração do direito creditório, mas assim não procedeu, não havendo, conforme já afirmado, previsão legal para a inversão do ônus da prova. As exceções previstas no § 4º do art. 16 do PAF, supra reproduzidos, não se aplicam ao presente processo, pois não se trata de (i) impossibilidade de apresentação de provas por motivo de força maior, (ii) de fato ou direito superveniente ou (iii) de prova destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Nesse contexto, mostrase oportuno e esclarecedor o seguinte excerto extraído da obra “Processo administrativo federal” de autoria de Rodrigo Francisco de Paula, editora Dey Rey, Belo Horizonte, 2006, páginas 153 a 154: Dessa feita, em muitas situações, a mera alegação não se apresenta suficiente. É necessário conferirlhe grau substancial de veracidade, com elementos que revelem liame entre o alegado e o ocorrido. Assim, o impugnante deve se desimcumbir de sua tarefa de comprovar o que alega, para que suas alegações se revistam de um tônus diverso do meramente protelatório, já que a impugnação administrativa suspende a exigibilidade do crédito tributário. A defesa genérica desprovida de elementos probatórios e manifestamente orientada à inversão do ônus da prova não é apta a favorecer a defesa do ora Recorrente. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 287DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 23/08/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS 8 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 13896.909040/200970 Interessada: SND DISTRIBUIÇÃO DE PRODUTOS DE INFORMÁTICA LTDA. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380303.468, de 23 de agosto de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 23 de agosto de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 288DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 23/08/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 15563.000092/2008-95
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 16 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Aug 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1998 a 30/12/1998
DECADÊNCIA
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8,212, de 24/07/91 Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrario, aplica-se o disposto no
artigo 173, I.
Encontram-se atingidos pela decadência todos os fatos geradores apurados pela fiscalização.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-000.193
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto d(a) relator(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 30/12/1998 DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8,212, de 24/07/91 Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrario, aplica-se o disposto no artigo 173, I. Encontram-se atingidos pela decadência todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-09-12T13:26:35Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 8; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-09-12T13:26:35Z; Last-Modified: 2011-09-12T13:26:35Z; dcterms:modified: 2011-09-12T13:26:35Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:09c2537f-a53e-4e4b-8c93-4655dd078625; Last-Save-Date: 2011-09-12T13:26:35Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-09-12T13:26:35Z; meta:save-date: 2011-09-12T13:26:35Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-09-12T13:26:35Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-09-12T13:26:35Z; created: 2011-09-12T13:26:35Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2011-09-12T13:26:35Z; pdf:charsPerPage: 1370; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-09-12T13:26:35Z | Conteúdo => ' DE -L1MA Presidente HELTO S2-TED3 Fl I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 15563.000092/2008-95 Recurso n° 266.759 Voluntário Aciirdfio n° 2803-00.193 — .3" Turma Especial Sessão de 16 de agosto de 2010 Matéria DECADÊNCIA 1 1 Recorrente LAVANDERIA SAO SEBASTIA0 Recorrida DDELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO DO RIO DE JANEIRO II ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 30/12/1998 DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8,212, de 24/07/91 Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdencidrias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrario, aplica-se o disposto no artigo 173, I. Encontram-se atingidos pela decadência todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto d(a) relator(a). OSEAS C0113 ZA lOR - Relator , Participaram do presente julgamento os conselheiros: Eduardo de Oliveira, L Oseas Coimbra Junior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Amilcar Barca Junior, Gustavo V 4orato 'e Helton Carlos Praia de Lima (presidente). elatório I I Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão que manteve a notifiCação, fiscal lavrada, referente a contribuições devidas incidentes sobre valores relativos ali nentaçãO fornecida pela empiresa sem a devida inscrição no Programa de Alimentação do , 1 balhador — PAT. , , A presente notificação se refere às competências 01 a 12/1998, tendo sido dado ciência ao contribuinte em 27/12/2007. o Relatório. 1, Voto Conselheiro OSEAS COIMBRA JUNIOR, Relator DAS QUESTÕES PRELIMINARES DA DECADÊNCIA A súmula vinculante do STF, IV 08 traz: "São inconstinicionais os parcigrafb único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8212/91, que tratum de prescrição e clecadrencia de crédito tributário". • Com a decisão do Pretória Excelso, a questão passa a ser decidida coin base nos artigos art. 150, § 4- e 173, ambos do Código Tributário Nacional — CTN. Trasncrevemos o artigo 173 : Art. 173, O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 11 - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio ,formal, o lançamento anteriormente efetuado, Parágrafb único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitiwunente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. !I Processo n° 15563 000092/2008-95 82-T E03 AcOrdiio n." 2803-00.193 Fl 2 !!! !!! !I ! I A jurisprudência 'Atria já assentou que a aplicabilidade deste aitigo seria na hipóteses de inexistência de pagamento antecipado ou na ocorrência de fraude ou dolo, conforme transcrevemos. !!! "Ementa: II Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....." (STJ. REsp 395059/1?S. Rel.: Min. Diana Calmon. 2" Tama. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/1 0/02, p. 347) "Ementa: Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a lixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerai-, em conjunto, os arts. 1.50, ,yç 4", e 1 73, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciciria) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorréncia do fato gerador. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, 1, do CTN ..,." (STJ. EREsp 78727/DF. Rel.: Min . Franciulli Netto. I" Seção. Decisão; 27/08/03. DJ de .28/10/03, p. 184.) Já o artigo 150, § 40, informa: Art.150 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos albums cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim eyercida pelo obrigado, expressamente a hoinologa 4" - Se a lei não fixar prazo a homologação, sera ele de .cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pliblica se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorréncia de dolo, fi . ande ou simulação. (grifo nosso) Tal regra é aplicada quando temos antecipação parcial de pagamento e inocorrência de fraude ou dolo. Aplicando-se as regras dos arts. 150 ou 173, há que se reconhecer a decadência referente As competências 'anteriores a 11/2002, inclusive Urna vez que a ciência ! „ 3 do débito y foi em 27/12/2007 todos os fatos geradores constantes na presente NFLD estio decadentesois se referem a período até 12/1998. Ante o exposto, acato a preliminar de decadência, nos terms do voto CONCLUSÃO Pelo exposto, voto or conhecer do recurso e, no mérito, dou-lhe provimento. OSEAS COIL. J ()I1 - Relator , ' 1 ! proferido.
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