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Numero do processo: 13934.000039/97-43
Data da sessão: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2007
Ementa: PIS – BASE DE CÁLCULO - SEMESTRALIDADE – Até o advento da MP nº 1212/95, a base de cálculo da Contribuição para o PIS é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, de acordo com o parágrafo único, do art. 6º, da Lei Complementar nº 07/70. Precedentes do STJ e da CSRF.
Recurso especial provido
Numero da decisão: CSRF/02-02.656
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Antonio Bezerra Neto
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Precedentes do STJ e da CSRF. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela IVAUTO — IVAIPORA COMÉRCIO DE AUTOMÓVEIS LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. MANOEL ANTÔNIO GADELHA DIAS PRESIDENTE sN.1 ANTONI EZERRA NETO RELATO FORMALIZADO EM: 04 JUN 2007 Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: JOSEFA MARIA COELHO MARQUES, GILENO GURJA0 BARRETO, ANTONIO CARLOS ATULIM, MARIA TERESA MARTNEZ LOPEZ, DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA, HENRIQUE PINHEIRO TORRES, FLAVIO DE SA MUNHOZ e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR. ABN Processo :13934.000039/97-43 Acórdão n° : CSRF/02-02.656 Recurso n2 : 202-107.768 Recorrente : IVAUTO — IVAIPORA COMÉRCIO DE AUTOMÓVEIS LTDA Interessada : FAZENDA NACIONAL Relatório Trata-se de Auto de Infração decorrente de falta de recolhimento da contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, referente aos períodos de apuração outubro/1991 a dezembro/1992 e setembro/1993 a outubro/1994. Em julgamento, de fls.144 a 153, os membros da Primeira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes deram provimento parcial ao recurso: I) Para considerar decaídos os fatos geradores ocorridos no período de março/1992 a setembro/1992. II) Para não acolher a "semestralidade" do PIS. As fls. 322 a 342, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial de divergência, em que alegou no que tange ao não acolhimento da tese da "semestralidade" do PIS, que a melhor exegese da regra inserta no artigo 6°, parágrafo único, da Lei Complementar n° 07/70 diz respeito a sua base de cálculo e não ao prazo de recolhimento da contribuição, como firmado pelo Acórdão recorrido. As fls. 382 a 385, consta despacho da Sr. Presidente da Segunda Camara do Segundo Conselho de Contribuintes negando seguimento ao Recurso Especial do Contribuinte, uma vez que não cumpriu as formalidades necessárias para a comprovação da divergência. As fls. 393/398 foi apresentado Agravo contra a decisão que negou seguimento ao Recurso Especial em relação a "Semestralidade" do PIS. Conforme determinação regimental, os autos foram distribuídos a um Conselheiro Membro da 2a Turma, que concluiu pela rejeição do agravo, confirmando decisão anterior de não dar seguimento ao recurso interposto pela empresa, nos termos do despacho de fls. 469/471. Entretanto, o Presidente da CSRF discordou dos entendimentos anteriores: determinou que fosse a matéria de expediente submetida ao Colegiado da 2a Turma da CSRF, a qual, por maioria de votos, votou por acolher o agravo (fl. 474). Contra-razões do representante da Fazenda Nacional às fls. 249 a 259, protestando pelo reconhecimento do sexto mês versado no parágrafo único, do art. 6°, da Lei Complementar n° 07/70, como prazo de recolhimento do PIS. As fl s. 123/124, o Presidente da CSRF acolheu o agravo interposto pela Recorrente, em relação à "semestralidade" do PIS, devolvendo os autos à Camara recorrida para exame do dissídio jurisprudencial. Em cumprimento ao decidido na Ata de Matéria de Expediente n° 31/2004, às fls. 382 a 385, consta despacho da Sr. Presidente da Segunda Camara do Segundo Conselho de (5. 2 ,- Processo : 13934.000039/97-43 Acórdão n° : CSRF/02-02.656 Contribuintes dando seguimento ao Recurso Especial do Contribuinte, no que concerne à "semestralidade" do PIS. Contra-razões de fls. 504/513. É o relatório. c,i9 3 p. Processo : 13934.000039/97-43 Acórdão n° : CSRF/02-02.656 VOTO Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Relator. 0 Recurso Especial interposto pelo Sujeito Passivo corn base no inciso I do art. 32 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes aprovado pela Portaria MF n° 55/98, atende os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Em ã "semestralidade" do PIS, afirma o sujeito passivo que a exigência do PIS seja calculada com base no faturamento do sexto mês anterior ao mês de referência, ex vi art. 6°, da Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970, enquanto que Fazenda Nacional e a Camara Recorrida defendem o disposto na referida lei trata de prazo de recolhimento da exação, e não de base de cálculo. Entretanto, os Colegiados Administrativos já pacificaram o entendimento de que, até o advento da MP n° 1.212/95, o sexto mês versado no artigo 6°, § único, da Lei Complementar 07/70, trata-se da base de cálculo do PIS, e não a prazo de recolhimento. Nesse sentido a própria Camara Superior de Recursos Fiscais já se pronunciou nos Acórdãos CSRF/02-01.028 e CSRF/02-01.016, que assim estão respectivamente ementados: "PIS - LEI COMPLEMENTAR N° 7/70 - SEMESTRALIDADE - Sob o regime da Lei Complementar n° 7/70, o faturamento do sexto mês anterior (semestralidwle) ao da ocorrência do fato gerador da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, constitui a base de cálculo da incidência. Recurso provido." "PIS - BASE DE CALCULO - SEMESTRALIDADE - LC n° 7/70, Art. 6°, PARÁGRAFO ÚNICO - MEDIDA PROVISÓRIA n. 1.212/95. Até a edição do Medida Provisória n. 1.212/95, a base de cálculo da Contribuição para o PIS, é o faturamento do sexto mês anterior ao fato gerador. Recurso negado." Desse modo, considerando também as decisões do Superior Tribunal de Justiga, que também entendem o sexto mês anterior como a base de cálculo do tributo, concluo que nessa matéria não assiste razão a recorrente. Para ilustrar, empresto-me da ementa do voto da Exma. Sra. Ministra do Superior Tribunal de Justiça, Dra. Eliana Calmon, proferido no RE n° 144.708 - Rio Grande do Sul (1997/0058140-3): "TRIBUTÁRIO — PIS — SEMESTRALIDADE — BASE DE CALCULO — CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. 0 PIS semestral, estabelecido na LC 07/70, diferente do PIS REPIQUE — art. 3°, letra "a" da mesma lei — tem como fato gerador o faturamento mensal. 2. Em beneficio do contribuinte, estabeleceu o legislador como base de cálculo, entendendo-se corno tal a base numérica sobre ci qual incide a aliquota elo tributo, o 4 ,^73- ANTONIO ZERRA NETO Processo : 13934.000039/97-43 Acórdão n° : CSRF/02-02.656 faturamento de seis meses anteriores a ocorrência do fato gerador — art. 6°, parágrafo tinico da LC 07/70. 3. A incidência da corre cão monetária, segundo posição jurisprudencial, só pode ser calculada a partir do fato gerador. 4. Corrigir-se a base cálculo do PIS é pratica que não se alinha a previsão da lei a posição da jurisprudência. Recurso especial improvido." Pelo exposto, voto no sentido dar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, no que concerne ao acolhimento da "semestralidade" do PIS. assim como voto. Sala das Sessões-DF, em 23 de abril de 2007. 5
score : 1.0
Numero do processo: 13855.002886/2008-82
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
Numero da decisão: 2201-001.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
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LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 28 86 /2 00 8- 82 Fl. 336DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração (fls. 2/5), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2006, na qual se apurou crédito tributário no valor total de R$ 815.932,58, calculados até 29/08/2008. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovados. Cientificado do lançamento, o autuado apresentou tempestivamente Impugnação (fls. 247/270), alegando, em síntese: PRELIMINARMENTE: A REVOGACÃO DO ARTIGO 42 DA LEI N. 9.430/96 EM FACE DA ANTINOMIA COM O PARÁGRAFO 42 DO ARTIGO 52 DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001 ... a Lei Complementar 105/2001 que, de um lado, ao permitir a quebra do sigilo bancário do contribuinte pela administração, do outro estabelece que a autoridade passa a dispor do poder de investigar as origens dos depósitos bancários, o destino dos cheques emitidos transferindose à autoridade administrativa o sigilo destas operações que invadem a intimidade do fiscalizado. ... Na verdade, não poderia o agente fiscal se utilizar do artigo 42 da Lei Federal n. 9.430/96 para autuar o impugnante... BREVE HISTÓRICO DA QUESTÃO DE IMPOSIÇÃO POR PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA E CONSEQUENTE ARBITRAMENTO CORRESPONDENTE À SOMA DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS – ... os depósitos bancários de per si não podem servir de base à presunção legal relativa de omissão de rendimentos ou de receitas, havendo necessidade de prova evidente por parte do fisco de auferimento de renda ou de consumo incompatíveis com os rendimentos (ou receitas) declarados. A solução encontrada então seria criar uma presunção legal "juris tantun" de forma que caberia ao contribuinte provar que o depósito bancário efetuado em sua conta não era decorrente de rendimentos tributáveis pelo imposto de renda e outros tributos. Sendo assim, como antes do advento da Lei Complementar 105/2001 a administração tributária não poderia quebrar o sigilo bancário do contribuinte administrativamente, só restaria à Fazenda adotar a criação de uma presunção legal "juris Fl. 337DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13855.002886/200882 Acórdão n.º 2201001.816 S2C2T1 Fl. 3 3 tantum" de sorte a poder inverter o ônus da prova de que depósito bancário não é rendimento ou receita, mesmo que este por si só não possa ser considerado sequer indício de omissão de rendimento ou receita. A APLICAÇÃO DA PRESUNÇÃO "JURIS TANTUM" PREVISTA NO ARTIGO 42 DA LEI N. 9.430/96 PARA CONSIDERAR A SOMA DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMO OMISASSÃO DE RENDIMENTOS OU RECEITA — A questão a ser levantada neste ponto é a de saber se o fisco, após a vigência da Lei Complementar 105/2001 e utilizandose dela, pode ainda usar da presunção relativa do artigo 42 da Lei 9430/96 que considera o depósito bancário por si só como omissão de rendimento ou receita até que o contribuinte prove o contrário. Notese que não se cuida de saber se seria válida tal presunção mesmo antes da vigência do artigo 5º, § 4º da Lei Complementar 105/2001, mas tão somente, em confronto com esse dispositivo legal posterior. Nesse ponto é que reside a verdadeira antinomia entre o artigo 42 da Lei 9.430/96 e o § 4° do artigo 5º da Lei Complementar 105/2001. Havendo a antinomia entre o dispositivo de lei anterior, mesmo deixandose de levar em consideração o princípio da hierarquia das leis o que não é o caso, possível é constatar a revogação tácita do citado artigo 42 da Lei 9.430/96 pelo § 4 do artigo 5º da Lei Complementar 105/2001. MÉRITO DA AUTUACÃO FISCAL ... não basta a simples presunção legal de que os depósitos constituem renda tributável, é imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que, por si só, depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto de renda pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. O lançamento assim constituído só é admissível quando ficar comprovado o nexo causal entre o depósito e o fato que represente omissão de rendimentos. A 8ª Turma da DRJ – São Paulo/SPO II julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A partir de 1° de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei n.º 9.430 de 1996, consideramse rendimentos omitidos autorizando o lançamento do imposto correspondente os depósitos junto a instituições financeiras quando o contribuinte, após regularmente intimado, não lograr êxito em comprovar mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados. Lançamento Procedente Fl. 338DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Intimado da decisão de primeira instância em 18/08/2009 (fl. 303), Carlos Roberto Rossanez apresenta Recurso Voluntário em 14/09/2009 (fls. 304/331), sustentando, exatamente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Alega o recorrente, preliminarmente, nulidade da exigência, pois, segundo se ponto de vista, o artigo 42 da Lei n° 9.430/1996 não estaria em consonância com o § 4° do artigo 5° da Lei Complementar n° 105/2001. Asseverando, ainda, que “... possível é constatar a revogação tácita do citado artigo 42 da Lei 9.430/96 pelo § 4º do artigo 5º da Lei Complementar 105/2001.” Pois bem, em que pese os argumentos despendidos, sua irresignação, contudo, não merece acolhimento. Ao contrário do que alega o §4º do artigo 5º da Lei Complementar nº 105/2001 surgiu para disciplinar os critérios segundo os quais as instituições financeiras prestarão informações sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários, além de subsidiar os serviços de fiscalização e auditoria da autoridade lançadora. Transcrevese o § 4º do artigo 5º da Lei Complementar nº 105/2001: Art. 5o O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. (...) § 4o Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. Por sua vez, o art. 42 da Lei 9.430/1996 diz respeito à tributação da omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários, por meio de uma presunção de omissão de rendimentos legalmente estabelecida. Portanto, não existe qualquer conflito ou incompatibilidade entre as normas que possa invalidar o lançamento. Em relação ao mérito aduz o recorrente que “... a presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96 colide com as diretrizes do processo de criação das presunções legais, pois a experiência havida com os casos anteriores evidenciou que entre esses dois fatos não havia nexo causal, vale dizer, constatouse não haver liame absoluto entre Fl. 339DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13855.002886/200882 Acórdão n.º 2201001.816 S2C2T1 Fl. 4 5 o depósito bancário e o rendimento omitido.” Além do mais, assevera o contribuinte, “... para que o depósito bancário se transforme em renda tributável, é necessário que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida (ex: aplicações em imóveis, carros e outros bens próprios ou benefício pessoal do contribuinte)”. Pois bem, a tributação da omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários pautouse no art. 42 e parágrafos, da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores introduzidas pelo art. 4º da Lei nº 9.481, de 1997, e pelo art. 58 da Lei nº 10.637, de 2002: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. De acordo com o dispositivo supra, basta ao Fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origens não comprovadas para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao Fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. Não se pode olvidar que a utilização da figura jurídica da presunção legal para fins de encontrar a renda omitida, está em perfeita consonância com os dispositivos legais constante na legislação pátria. No processo tributário administrativo as provas obedecem às disposições estabelecidas no Código Civil. É o que se extrai do art. 212, IV, do referido Código: Art. 212. Salvo o negócio a que se impõe forma especial, o fato jurídico pode ser provado mediante: I confissão; II documento; III testemunha; IV presunção; V perícia. (grifei) Portanto, a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 constitui um instrumento direcionado à facilitação do trabalho de investigação fiscal, justamente em razão das dificuldades impostas à identificação dos fatos econômicos dos quais participou o recorrente. Existe normalmente uma grande quantidade de ações e negócios não formais efetuados pelo contribuinte, na maioria das vezes marcada pela inexistência de prova documental, razão pela qual a lei desincumbiu a autoridade fiscal de provar sua ocorrência. Não tem sentido a autoridade fiscal constituir prova de um fato presumido. Além do mais, diferentemente do que pensa o recorrente, na presunção legal a lei se encarrega de presumir a ocorrência do fato gerador e, consequentemente, não há a necessidade de se estabelecer liame entre o depósito bancário e o rendimento omitido. Quanto à argumentação de que os depósitos bancários não conduziriam à presunção de disponibilidade econômica, vale registrar que o fato gerador do Imposto de Fl. 340DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Renda, conforme art. 43 do Código Tributário Nacional1, alberga tanto as disponibilidades econômicas quanto as disponibilidades jurídicas de renda ou proventos de qualquer natureza. Cabe esclarecer que o § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/1990, que previa o arbitramento dos rendimentos com base na renda presumida, foi expressamente revogado pelo art. 88, inciso XVIII, da Lei nº 9.430/1996. Isso, aliás, ratifica a intenção do legislador em dar novo tratamento à matéria, eis que, na lei nova, deixou de existir a obrigatoriedade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita. Portanto, diferentemente da tese defendida pelo suplicante, a autoridade fiscal não tem que comprovar renda incompatível e tampouco renda consumida, conforme se observa da Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Em relação à obrigatoriedade de manter registros contábeis para a comprovação dos depósitos feitos em suas contas, esclareçase que a partir da edição da Lei nº 9.430/1996, o sujeito passivo da obrigação tributária estava ciente de que deveria manter em seu poder, pelo prazo em que a Secretaria da Receita Federal – SRF pudesse exercer o direito de constituir o crédito tributário pelo lançamento, as informações e os documentos necessários a comprovar a origem dos depósitos feitos em suas contas bancárias. O que não significa manter escrituração contábil tal qual as pessoas jurídicas, mas sim o mínimo de organização que lhe permita informar e comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos que circulam pelas suas contas bancárias. Ressaltese o recorrente, além das questões de direito mencionados em sua defesa, não carreou aos autos qualquer documento capaz de ilidir a tributação perpetrada pela autoridade fiscal. Destarte, comprovada a ocorrência do fato gerador decorrente, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, em razão da ausência de comprovação, por parte do autuado, da irrealidade das imputações feitas, não há outra solução senão a manutenção da exigência. Ante ao exposto, voto por REJEITAR a preliminar e, no mérito NEGAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah 1 CTN – Lei n° 5.172, de 1966 – Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13855.002886/200882 Acórdão n.º 2201001.816 S2C2T1 Fl. 5 7 Fl. 342DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 12963.000341/2007-61
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2007
PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR
Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador.
PRAZO DECADENCIAL. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. CONTAGEM PELA REGRA DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN.
Inexistindo antecipação de recolhimento, a contagem do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias tem como marco inicial o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que os tributos poderiam ter sido lançados.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-002.652
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência para os períodos de 01/1999 a 11/2001 (inclusive 13/2001); 01 a 05/2002 e 09 e 11/2002 (inclusive 13/2002); II) afastar a preliminar de exclusão dos presidentes da Cooperativa do REPLEG - Relatório de Representantes Legais; e III) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ENQUADRAMENTO PELA ATIVIDADE PREPONDERANTE. ATIVIDADE QUE ENGLOBA O MAIOR NÚMERO DE SEGURADOS. A alíquota para a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios acidentários e da aposentadoria especial é fixada com base no enquadramento da empresa no correspondente grau de risco, em função da sua atividade preponderante, assim entendida aquela que contempla o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2007 RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. O Relatório de Representantes Legais representa mera formalidade exigida pelas normas de fiscalização, em que é feita a discriminação das pessoas que representavam a empresa ou participavam do seu quadro societário no período do lançamento, não acarretando, na fase administrativa do procedimento, qualquer responsabilização das pessoas constantes daquela relação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2007 PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatandose a antecipação de pagamento parcial do tributo aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 96 3. 00 03 41 /2 00 7- 61 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 PRAZO DECADENCIAL. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. CONTAGEM PELA REGRA DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN. Inexistindo antecipação de recolhimento, a contagem do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias tem como marco inicial o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que os tributos poderiam ter sido lançados. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência para os períodos de 01/1999 a 11/2001 (inclusive 13/2001); 01 a 05/2002 e 09 e 11/2002 (inclusive 13/2002); II) afastar a preliminar de exclusão dos presidentes da Cooperativa do REPLEG Relatório de Representantes Legais; e III) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12963.000341/200761 Acórdão n.º 2401002.652 S2C4T1 Fl. 145 3 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n.º 37.034.7200, lavrada contra o sujeito passivo acima identificado para exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social, incluindo aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT e para outras entidades e fundos (terceiros). Nos termos do relatório fiscal, fls. 108/109, os fatos geradores que deram ensejo ao lançamento foram os pagamentos a segurados empregados e contribuintes individuais (diretores e autônomos) no período de 01/1999 a 01/2000, de 03/2000 a 01/2002, de 03/2002 e 04/2002, de 06/2002 a 12/2003, 02/2004, 08/2004 a 10/2004, 12/2004, de 03/2005 a 01/2006, 03/2006 e de 05/2006 a 07/2007. Afirma o fisco que o sujeito passivo, embora devidamente intimado a apresentar as folhas de pagamento de 01/1999 a 07/2007, somente disponibilizou aquelas relativas ao ano de 2003. Ressalta que nas competências em que as folhas não foram exibidas, utilizou as bases de cálculo declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Consta no Termo de Encerramento da Ação Fiscal – TEAF, fl. 75, a informação de que algumas remunerações foram obtidas diretamente do Livro Razão, pelo fato da empresa não ter exibido as folhas de pagamento, nem efetuado a declaração de todas os fatos geradores na GFIP. Cientificada do lançamento em 03/12/2007, a Cooperativa ofertou impugnação, fls. 111/114, cujas razões não foram acatadas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora (MG), que declarou procedente o lançamento (ver fls. 123/131), em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2007 CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO. VALOR ES DECLARADOS EM GFIP. COTA PATRONAL. A empresa é obrigada a arrecadar e recolher as contribuições incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados de que trata o artigo 22, incisos I a IV, da Lei n° 8.212/1991 na redação dada pela legislação posterior, bem como as contribuições destinadas aos terceiros, conforme previsto no artigo 94 da citada lei. PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA. PRAZO DECENAL. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 0 direito de cobrar os créditos da Seguridade Social prescreve em 10 (dez) anos, não sendo possível, na esfera administrativa, afastar a aplicação de lei, decreto ou ato normativo em plena vigência. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. EMISSÃO OBRIGATÓRIA. O "REPLEG Relatório de Representantes Legais" 6, documento de emissão obrigatória que integra a notificação fiscal de lançamento de crédito. LEGALIDADE E/OU CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. ARGUIÇÃO. DESCABIMENTO NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. 0 controle da legalidade e/ou da constitucionalidade de lei é matéria reservada ao Supremo Tribunal Federal. Lançamento Procedente Irresignado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 135/138, no qual, em apertada síntese, alegou que: a) estão decadentes as contribuições lançadas para o período de 01/1999 a 12/2002; b) devem ser excluídos do polo passivo os presidentes da entidade, posto que não praticaram qualquer ato de gestão que pudesse qualificálos como corresponsáveis; c) não deve prevalecer a apuração com base em livro contábil, sem que tenham sido analisadas as notas fiscais e recibos; d) a alíquota RAT é 1%, posto que se trata de serviço prestado em escritório; e) não foi considerado o disposto na legislação, a qual determina que, nos casos em que o valor da contribuição não atinge o valor mínimo para pagamento estabelecido pela Administração Tributária, devese acumular o valor para o próximo período. Ao final pede o reconhecimento parcial da decadência, a exclusão dos presidentes do polo passivo e a declaração de improcedência do lançamento. É relatório. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12963.000341/200761 Acórdão n.º 2401002.652 S2C4T1 Fl. 146 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Exclusão de representantes legais O pedido para exclusão dos representantes legais do polo passivo da relação tributária não merece acolhida. É que não há a vinculação dos mesmos na condição de devedores. No presente caso, a responsabilização é das empresas arroladas, os sócios e gerentes, por serem os representantes legais do sujeito passivo, constam da relação anexada ao AI apenas para cumprir formalidade das normas emanadas da Administração, sendo que este rol tem caráter apenas informativo O Fisco não atribuiu responsabilidade direta aos sócios/gestores, mas apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Assim, a empresa carece de interesse de agir quanto ao pedido exclusão dos representantes legais, posto que inexiste a alegada responsabilização dos mesmos pelo crédito. Decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 148DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que, com base nos elementos constantes nos autos, não seja possível se chegar a uma conclusão segura sobre esse fato. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Assim, seja pela aplicação do art. 150, § 4.º ou do 173, I, estão decadentes as competências até 11/2001 (inclusive aquela correspondente ao 13.º salário desse ano). Conforme relatado, a ciência do lançamento pelo sujeito passivo deuse em 03/12/2007. Verifico do Relatório de Documentos Apresentados – RDA, fls. 41/48, o qual discrimina os recolhimentos efetuados pelo sujeito passivo, que não há pagamentos para as competências 12/2001 e 06 a 08/2002 e 10/2002. Assim, seguindo a jurisprudência majoritária do CARF, entendo que deva ser aplicada a norma do art. 173, I, do CTN, para a contagem do prazo de decadência dessas competências, o que me leva a concluir que inexistiu o transcurso do prazo decadencial para as mesmas. Para as competências 01 a 05 e 09 e 11/2002 (incluindo o 13.º salário), deve se contar o prazo decadencial pela norma do art. 150, § 4.º do CTN, haja vista que existem recolhimentos, devendo as mesmas serem afastadas por decadência. Para o período posterior (12/2002 a 07/2007), não há o que se falar decadência, independentemente do critério a ser adotado, haja vista que a ciência do lançamento ocorreu em 03/12/2007. Em resumo, deve ser reconhecida a decadência para os períodos de 01/1999 a 11/2001 (inclusive 13/2001); 01 a 05/2002 e 09 e 11/2002 (inclusive 13/2002). Apuração com base na contabilidade Observase no anexo Relatório de Lançamentos, fls. 32/40, que apenas no ano de 1999 houve lançamentos de remuneração de contribuintes individuais com base no Livro Razão. Considerando que o referido período será excluído do lançamento em razão da decadência, o inconformismo do sujeito passivo quanto à utilização de remunerações da contabilidade perdeu o objeto, posto que as contribuições decorrentes serão expurgadas da NFLD. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12963.000341/200761 Acórdão n.º 2401002.652 S2C4T1 Fl. 147 7 Alíquota RAT Alega a Cooperativa que na apuração a alíquota RAT deveria ter sido fixada em 1%, posto que o grau de risco para trabalho em escritório é leve. Não lhe devo dar razão. A definição da alíquota da contribuição para financiamento dos benefícios acidentários e da aposentadoria especial é prevista no art. 22, II, da Lei n.º 8.212/1991, nos seguintes termos: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. A Relação das Atividades Preponderantes e os Correspondentes Graus de Risco consta do anexo V do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999. A fiscalização enquadrou a Cooperativa conforme o Código CNAE 52493, correspondente a atividade de COMÉRCIO VAREJISTA DE OUTROS PRODUTOS NÃO ESPECIFICADOS ANTERIORMENTE, cujo grau de risco conforme o citado anexo é médio, com alíquota RAT de 2%. Esse enquadramento foi efetuado conforme a atividade declarada pela empresa na inscrição do CNPJ. Analisandose o Estatuto da Cooperativa Regional Agropecuária de Caldas, observase que a seu objetivo principal é vender a produção agrícola dos seus associados nos mercados local, nacional e internacional, funcionando como uma intermediária entre os cooperados e o mercado consumidor. Essa atividade, no período do lançamento tinha enquadramento mais específico no CNAE 51.110, INTERMEDIÁRIOS DO COMÉRCIO ATACADISTA DE PRODUTOS AGRÍCOLAS IN NATURA; PRODUTOS ALIMENTÍCIOS PARA ANIMAIS, cuja alíquota RAT correspondente, conforme o Anexo V do RPS, era também 2%. Nesse sentido, descabe o inconformismo da recorrente quanto à fixação da alíquota RAT em 2%. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Contribuição sobre remuneração aos autônomos A alegada omissão no recolhimento da contribuição incidente sobre as remunerações pagas aos contribuintes individuais em razão do valor ser inferior ao mínimo fixado na legislação não pode ser aceita. É que o sujeito passivo não apresentou qualquer prova no sentido de que houve recolhimento conjunto de várias competências, cujos valores da contribuição supostamente não teriam atingido a quantia mínima para recolhimento. É notório que nesse ponto recorrente apenas alega, sem, no entanto, apresentar qualquer elemento de prova que pudesse socorrer suas alegações. Sobre essa questão, é bom que se diga, que o art. 333 do Código de Processo Civil (Lei n.º 5.869/1973), utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, é do réu o encargo de provar a existência de fato que possa extinguir o direito do autor. Eis o dispositivo: Art.333.O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Assim, não tendo a recorrente demonstrado a veracidade de suas alegações sobre a existência recolhimentos de conjunto de competências que não atingiram o valor mínimo, afasto esse argumento. Conclusão Diante do exposto, voto por afastar a preliminar de exclusão dos presidentes da Cooperativa do Relatório de Representantes Legais, por reconhecer a decadência para os períodos de 01/1999 a 11/2001 (inclusive 13/2001); 01 a 05/2002; 09/2002 e 11/2002 (inclusive 13/2002) e, no mérito, por negar .provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 151DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10920.000953/97-09
Data da sessão: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF
Exercício: 1994, 1995, 1996
GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. CUSTO DE CONSTRUÇÃO.
Comprovada a edificação no terreno alienado, as tabelas elaboradas pelo SINDUSCON regional para aferição do custo médio da construção devem ser consideradas para fins de custo de construção da edificação, ao qual se soma o custo de aquisição do terreno para fins de apuração do efetivo custo de aquisição do bem alienado. A simples afirmação de que o custo de construção da edificação "é indeterminável", além de ensejar um ganho de capital fictício fere, flagrantemente, as disposições contidas no art. 148 do CTN. Se de um lado a utilização das tabelas SINDUSCON é praxe na verificação de acréscimos patrimoniais a descoberto, de outra forma não pode agir o Fisco na identificação do valor obtido pelo contribuinte a título de lucro imobiliário. Registre-se o dever de considerar a meação na hipótese vertente.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 3301-000.088
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara
da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir o ganho de capital para R$ 1.651,36, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Silvana Mancini Karam
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Exercício: 1994, 1995, 1996 GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. CUSTO DE CONSTRUÇÃO. Comprovada a edificação no terreno alienado, as tabelas elaboradas pelo SINDUSCON regional para aferição do custo médio da construção devem ser consideradas para fins de custo de construção da edificação, ao qual se soma o custo de aquisição do terreno para fins de apuração do efetivo custo de aquisição do bem alienado. A simples afirmação de que o custo de construção da edificação "é indeterminável", além de ensejar um ganho de capital fictício fere, flagrantemente, as disposições contidas no art. 148 do CTN. Se de um lado a utilização das tabelas SINDUSCON é praxe na verificação de acréscimos patrimoniais a descoberto, de outra forma não pode agir o Fisco na identificação do valor obtido pelo contribuinte a título de lucro imobiliário. Registre-se o dever de considerar a meação na hipótese vertente. Recurso parcialmente provido.
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS . . TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO '•*Z wo,s+ Processo n° 10920.000953/97-09 Recurso n0 119.796 Voluntário Acórdão n° 3301-00.088 — 3' Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 01 de junho de 2009 ; Matéria Imposto sobre a Renda de Pessoa Física Recorrente FLÁVIO HAMILTON BRAGA Recorrida DRJ FLORIANÓPOLIS/SC ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Exercício: 1994, 1995, 1996 GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. CUSTO DE CONSTRUÇÃO. Comprovada a edificação no terreno alienado, as tabelas elaboradas pelo SINDUSCON regional para aferição do custo médio da construção devem ser consideradas para fins de custo de construção da edificação, ao qual se soma o custo de aquisição do terreno para fins de apuração do efetivo custo de aquisição do bem alienado. A simples afirmação de que o custo de construção da edificação "é indeterminável", além de ensejar um ganho de capital fictício fere, flagrantemente, as disposições contidas no art. 148 do CTN. Se de um lado a utilização das tabelas SINDUSCON é praxe na verificação de acréscimos patrimoniais a descoberto, de outra forma não pode agir o Fisco na identificação do valor obtido pelo contribuinte a título de lucro imobiliário. Registre-se o dever de considerar a meação na hipótese vertente. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir o ganho de capital para R$ 1.651,36, nos termos do voto da relatora. MOISES GIACOMELLI NUN DA SILVA Presidente em Exercício Processo n° 10920.000953/97-09 S3-C3T1 Acórdão n.°3301-00.088 Fl. 264 \/1410141--S^A-- SILVANA MANCINI KARAM Relatora FORMALIZADO EM: 2 5 SEI ZOO9 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Núbia Matos Moura, Alexandre Naoki Nishioka, Eduardo Tadeu Farah, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, José Raimundo Tosta Santos e Rubens Mauricio Carvalho (Suplente convocado). Relatório O presente processo administrativo teve origem em auto de infração lavrado em 11 de agosto de 1997, no qual se imputou ao contribuinte: (I) acréscimo patrimonial a descoberto decorrente de sinais exteriores de riqueza, nos meses de fevereiro/91, setembro a dezembri o/93 e janeiro a setembro/95; (II) ganho de capital auferido em novembro/95, decorrente da alienação de terreno localizado na Rua Santa Catarina, em Joinville (SC). O lançamento referente ao acréscimo patrimonial a descoberto foi considerado nulo por ilegitimidade passiva, nos termos da decisão de fls. 83/92. Entendeu o órgão julgador de primeira instância que o fato de o contribuinte ser casado sob o regime da comunhão universal de bens não autoriza o agrupamento de todos os bens e direitos do casal para fins de apuração de eventual variação patrimonial a descoberto. A autoridade julgadora manteve, tão-somente, a exigência do IRPF sobre o acréscimo patrimonial caracterizado por pagamentos efetuados à instituição Sudameris Arrendamento Mercantil S/A, nos anos- calendários 1993, 1994 e 1995, pagamentos estes não impugnados pelo contribuinte que ensejaram o Processo Administrativo n". 10920.001734/00-70. No tocante ao ganho de capital, a DRJ de Florianópolis se manifestou no sentido de que o custo da edificação da casa de alvenaria de 204,34 m2 é indeterminável nos termos da legislação de regência, o que levou a autoridade julgadora a considerar como zero o custo da casa, nos termos do art. 16, § 40, da Lei n°. 7.713/88. No entanto, o valor devido foi reduzido em 50%, tendo em vista a meação. Contra os termos desta decisão o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, sustentando a ocorrência de erros de cálculo no tocante à exigência dos valores remanescentes. O julgamento do recurso foi convertido em diligência por esta Segunda Câmara (fls. 110/112), a fim de que a DRF de Joinville (SC) homologasse as guias DARFs de fls. 105/107, sendo que a DRF competente sobre estas se manifestou às fls. 116 dos autos. Após, esta mesma Câmara de Julgamentoj negou provimento ao recurso do contribuinte, conforme se pode verificar às fls. 119/123. 2 Processo n° 10920.000953/97-09 S3-C3T1 Acórdão n.° 3301-00.088 Fl. 265 Contra esta decisão o contribuinte interpôs Recurso Especial (fls. 129/141), que após longa celeuma processual foi admitido, conforme decisão de fls. 216/220, em sua integralidade, o que significou dizer que a C. Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) deste Tribunal deveria analisar os seguintes pontos: (a) cerceamento do direito de defesa do contribuinte com relação aos erros de cálculos apontados por este quanto ao "quadro demonstrativo" de fls. 91; (b) apuração do lucro imobiliário sem a consideração do custo de construção. O contribuinte juntou os documentos de fls. 142/178. Os autos seguiram para a Primeira Turma da CSRF, que decidiu, às fls. 231/237, anular o Acórdão n°. 102-44.639, exarado às fls. 119/123, por entender ter havido cerceamento do direito de defesa do contribuinte, já que o argumento relativo à impropriedade dos cálculos de fls. 91 não foi devidamente ventilado pela Segunda Câmara do 1° CC. Também decidiu 'a Primeira Turma da CSRF que a questão referente ao custo de construção da casa de alvenaria deveria ser, da mesma forma, objeto de nova análise pela câmara julgadora. Sendo o processo a mim sorteado, identifiquei, num primeiro momento, a necessidade de conversão do julgamento em diligência, para que fosse refeito o lançamento no que se refere à apuração do eventual ganho de capital, com a devida inclusão do custo da construção da casa de alvenaria no respectivo cálculo, arbitrado com base nos índices oficiais do SINDUSCON, considerando-se como data de início da construção o dia 20/12/1984 e término em28/06/1985 (fls. 244/248). O documento de fls. 250, apresentado pela DRF de Joinville (SC), por consignar informações equivocadas (nome do contribuinte e número do processo) ensejou novo pedido de diligência, no qual inseri, ainda, a necessidade de intimação do interessado (contribuinte) para, querendo, se manifestar sobre as conclusões expostas pela DRF. Realizada a diligência às fls. 258 o contribuinte, todavia, sobre esta deixou de se manifestar (fls. 262). É o relatório. Voto Conselheira SILVANA MANCINI KARAM, Relatora. Conforme relatado, a Primeira Turma da CSRF determinou a prolação de novo julgamento por esta Segunda Turma do 1° CC para a devida apreciação da correção dos cálculoS apresentados pela DRJ de Florianópolis às fls. 91, objeto do processo administrativo n. Processo Administrativo n". 10920.001734/00-70, (Divida ativa d. 91.1.03.00011-70) cujo cancelamento foi proposto pele Procuradoria da Fazenda Nacional, conforme meramente noticiado nestes autos, por se tratar de matéria absolutamente alheia à presente discussão Determinou ainda a d. CSRF a verificação do efetivo ganho de capital sobre a venda do terreno situado na cidade de Joinville, na Rua Santa Catarina, objeto do presente feito, conforme exposto a seguir. Do efetivo ganho de capital: 3 Processo n° 10920.000953/97-09 S3-C3T1 Acórdão n.° 3301-00.088 Fl. 266 Em sede de Recurso Especial o contribuinte apresentou os documentos de fls. 158/160, consistentes no (I) "Requerimento de Licença para Execução de Obras", no (II) Alvará de Construção" e no (III) "Certificado de Vistoria e de Construção de Obras". Confonne já havia esclarecido às fls. 248, muito embora o contribuinte tenha anexado tais documentos apenas em sede de Recurso Especial, não há que se falar em preclusão de direito, face à decisão exarada pela C. CSRF às fls. 231/237, que determinou a devolução, a esta Segunda Câmara do 1° CC, de toda a matéria do Recurso Voluntário. Também conforme explicitado às fls. 248, os documentos apresentados pelo contribuinte propiciam a aplicação dos índices SINDUSCON, conforme pugnado pelo Recorrente, já que informam a data de início e de encerramento da construção da casa de alvenaria sobre o terreno localizado na Rua Santa Catarina, em Joinville (SC). Nos termos dos documentos analisados a obra teve inicio em 20/12/1984 e término em 28/06/1985. Destaco que a utilização dos índices do SINDUSCON para fins de apuração do efetivo lucro imobiliário auferido pelo contribuinte é procedimento convalidado por este E. Tribunal, conforme os arestos apresentados pelo Recorrente na oportunidade do Recurso Especial (fls. 161/178). Nestes, ressalta-se a devida aplicação do art. 148 do CTN, "verbis": "Art. 148 — Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial." De fato, se o Fisco ordinariamente procede ao arbitramento do custo da construção para fins de apuração de eventual acréscimo patrimonial a descoberto, de outra forma não deve proceder para fins de apuração do efetivo lucro imobiliário auferido pelo contribuinte. Pois bem. Realizada a diligência solicitada às fls. 251/256, a DRF de Joinville (SC) emitiu o documento de fls. 258, no qual foi consignado o cálculo demonstrativo do imposto sobre o ganho de capital apurado na alienação do imóvel, considerando-se, para tanto, o custo de construção da casa, conforme os índices apontados pelo SINDUSCON regional (SINDUSCON de Santa Catarina). Verifico, em análise ao documento em questão, que a DRF também considerou, para o cálculo do imposto devido, a redução do ganho de capital em razão da data de sua aquisição pelo Recorrente, chegando ao valor devido de R$ 3.302,73, o que representou expressiva redução do valor do imposto originariamente lançado, no importe de R$ 6.266,98. Observo que a DRF de Joinville, em atendimento à solicitação desta Segunda Câmara, tornou as providências necessárias para dar ciência ao Recorrente acerca do teor da Comunicação SACAT 001/2008 (fls. 260/261), mas este, por se encontrar em local incerto e ignorado, deixou de se manifestar sobre o resultado da diligência. 4 Processo n° 10920.000953/97-09 S3-C3T1 Acórdão n.° 3301-00.088 Fl. 267 Sendo assim, e considerando que a DRF de Joinville acatou a determinação desta Segunda Câmara a fim de considerar, na apuração do lucro imobiliário obtido pelo Recorrente, o custo de construção da casa de alvenaria sobre o terreno localizado na Rua Santa Catarina, Joinville (SC), tenho para mim que a pretensão do contribuinte, no presente caso concreto, foi plenamente atendida, sendo que esta converge com o atual posicionamento deste E. Tribunal sobre o assunto. Noto, todavia, que o valor apontado como devido a titulo de IR sobre ganho de capital às fls. 258 — R$ 3.302,73 — não deve ser exigido do Recorrente em sua integralidade, pois, como bem explicitou a autoridade julgadora de primeira instância administrativa às fls. 90, há que se respeitar a meação, nos termos do art. 34, parágrafo único, da IN SRF n°. 39/93 (revogada pela IN SRF n°. 84/2001). Por tal motivo, o IR incidente sobre o ganho de capital apurado na alienação do imóvel situado na Rua Santa Catarina, em Joinville (SC), corresponde ao montante de R$1.651,36 (R$ 3.302,73 / 2), que deverá ser quitado pelo Recorrente com os acréscimos legais cabíveis. Diante de todo o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso do contribuinte. Sala das Sessões - DF, em 01 de junho de 2009ji/taaSixs' SILVANA MANCINI KARAM 5 ,, 4 4 f '' zoirtr::".:TK.2, -* *ttle d !/,' ' MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS , Processo n°: 10920.000953/97-09 Recurso n° 119796 Voluntário 1 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3 0 do art. 61 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria Ministerial n° 147, de 25 de junho de 2007, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Primeira Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a tomar ciência do Acórdão n° 3301-00.088 Brasília, / / MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS Chefe Da Secretaria Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência / / 1 Procurador(a) da Fazenda Nacional ,
score : 1.0
Numero do processo: 13839.001032/00-68
Data da sessão: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2007
Ementa: PIS. DECADÊNCIA. O lançamento da contribuição ao PIS está sujeito ao prazo de decadência de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência dos fatos geradores, nos termos do art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional, especialmente na hipótese de terem sido efetuados pagamentos parciais nos períodos abrangidos pelo lançamento.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/02-02.673
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos
Atulim e Antonio Bezerra Neto que deram provimento ao recurso.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Flávio de Sá Munhoz
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA TURMA Processo n° 13839.001032/00-68 Recurso n° 202-121940 Especial do Procurador Matéria PIS Acórdão n° CSRF/02-02.673 Sessão de 23 de abril de 2007 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado IDEAL STANDARD WABCO IND. E COM. LTDA. PIS. DECADÊNCIA. 0 lançamento da contribuiçâo ao PIS está sujeito ao prazo de decadência de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência dos fatos geradores, nos termos do art. 150, § 40 do Código Tributário Nacional, especialmente na hipótese de terem sido efetuados pagamentos parciais nos períodos abrangidos pelo lançamento. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL, ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim e Antonio Bezerra Neto que deram provimento ao recurso. MANOEL ANTÔNIO GADELHA DIAS Presidente , FLAVIO Dg SA MUNHOZ Relator Processo n.° 13839.001032/00-68 Acórdão n.° CSRF/02-02.673 CSRF/T02 Fls. 2 FORMALIZADO EM: 14 AGO 2007 Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: JOSEFA MARIA COELHO MARQUES, GILENO GURJ;k0 BARRETO, MARIA TERESA MARTÍNEZ LOPES, DALTON CÉSAR CORDEIRO DE MIRANDA, HENRIQUE PINHEIRO TORRES e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR. Processo n.° 13839.001032/00-68 Acórdão n.° CSRF/02-02.673 CSRF/T02 Fls. 3 Relatório Trata-se de recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão n° 202-14.804, proferido pela Segunda Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, com fundamento no art. 32, inciso I do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, em razão de a decisão recorrida não ter sido proferida por unanimidade de votos, e sob a alegação de contrariar expressa disposição de lei. 0 processo foi instaurado a partir da lavratura, em 26/6/2000, de auto de infração contra a interessada em decorrência de suposto recolhimento a menor de Contribuição ao PIS, nos períodos de apuração compreendidos entre Janeiro de 1991 e Dezembro de 1999. A decisão recorrida . deu parcial provimento ao recurso voluntário do contribuinte, acolhendo a preliminar de decadência, aplicando a regra do art. 173, I do Código Tributário Nacional, que estabelece que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário se extingue no prazo de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetivado, nos termos da ementa a seguir parcialmente transcrita: NORMAS PROCESSUAIS - PRAZO DECADENCIAL - Nos tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, havendo pagamentos, a decadência do direito de constituir o crédito tributário se rege pelo artigo 150, § 4 0, do CTN, de modo que o prazo para esse efeito será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Não havendo pagamentos, configura-se a situação ern que a constituição do crédito tributário deverá observar o disposto no artigo 173, inciso I, do CTN, com a decadência do direito de constituir o crédito tributário pelo lançamento. (Precedentes do STJ - REsp n° 58.918-5/RJ, REsp n° 199560/SP). A Fazenda Nacional, não se conformando com a decisão proferida pela c. Segunda Camara interpôs o presente recurso especial, no qual sustenta que o prazo decadencial aplicável à Contribuição ao PIS é o disposto no art. 45 da Lei n° 8.212/91, face a constitucionalidade do mencionado dispositivo legal e sua aplicabilidade ao lançamento tributário em análise. 0 d. Presidente da Segunda Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, por meio do Despacho n° 202-00.081 (fls. 283 e 284), recebeu o recurso interposto pelo procurador da Fazenda Nacional as fls. 268/282, tendo em vista que "observados os pressupostos de admissibilidade exigidos pela citada legislação de regência: decisão não foi unanime (artigo 32, I); tempestividade (artigo 33, capuz'); e, demonstração da contrariedade à lei (artigo 33, § 1°)". A Interessada foi cientificada do Acórdão proferido pela Segunda Camara do Segundo Conselho de Contribuintes e do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, em 20/1/04. Tempestivamente apresentadas as contra-razões pela interessada, os autos foram encaminhados para julgamento nesta Eg. Segunda Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais. É o relatório. 6,) Processo n.° 13839.001032/00-68 Acórdão n.° CSRF/02-02.673 CSRF/T02 Fls. 4 Voto Conselheiro FLAVIO DE SA MUNHOZ, Relator. 0 Recurso Especial ora interposto pela Fazenda Nacional reúne as condições de admissibilidade; dele tomo conhecimento. Com efeito, a decisão recorrida, proferida pela c. Segunda Câmara do E. Segundo Conselho de Contribuintes, não alcançou a unanimidade de votos e o recurso, tempestivamente interposto, foi fundamentado em suposta contrariedade à lei, nos termos do art. 32, inciso I do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 55/98. A questão a ser enfrentada no julgamento do presente recurso se restringe a verificação do prazo para a realização do lançamento de oficio, aplicável à contribuição ao PIS, tributo sujeito a lançamento por homologação. A Fazenda Nacional sustenta nas razões de seu recurso que o prazo de decadência para o lançamento de Contribuição ao PIS é de dez anos, com fundamento no art. 45 da Lei n° 8.212/91. A Lei n° 8.212/91, no entanto, se aplica às contribuições devidas à seguridade social, previstas no art. 195, inciso I da CF/88 e a contribuição ao Programa de Integração Social — PIS não está abrangida no rol das contribuições sociais mencionadas no referido dispositivo constitucional. Confira-se a redação dos artigos 45 e 11 da Lei n° 8.212/91: "Art. 45. 0 direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados: 1 — do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o crédito poderia ter sido constituído; "Art. 11. No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social é composto das seguintes receitas: Parágrafo único. Constituem contribuições sociais: a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; b) dos empregados domésticos; c) as dos trabalhadores, incidentes sobre o seu salário-de- contribuição; d) as das empresas, incidentes sobre o faturaniento e lucro; Processo n.° 13839.001032/00-68 Acórdão n.° CSRF/02-02.673 CSRF/T02 Fls. 5 Observa-se absoluta identidade entre as contribuições sociais definidas no art. 11 da Lei n° 8.212/91 e as previstas no art. 195, I da CF/88, este último assim redigido: "Art.195.A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I- do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na fornia da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer titulo, a pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vinculo empregaticio; b) a receita ou o faturamento; c) o lucro" A contribuição social devida ao PIS foi recepcionada pela CF188 pelo art. 239 do Ato das Disposições Gerais e não se encontra incluída na outorga de competência inserida no art. 195, I da CF/88, conforme decidiu o Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do RE 150.164-1, cujo voto do relator, Ministro Ilmar Galvdo, está assim redigido: "Por outro lado, a existência de duas contribuições sobre o faturamento está prevista na própria Carta (art. 195, 1 e 239) [referindo-se ao Finsocial e ao PIS], motivo singelo, mas bastante, não apenas para que não se possa falar em inconstitucionalidade, mas também para infirmar a ilação de que a contribuição do artigo 239 satisfaz a previsão do art. 195, 1, no que toca a contribuição calculada sobre o faturamento". A contribuição destinada ao PIS, que está sujeita a lançamento por homologação, de acordo com reiteradas decisões do Supremo Tribunal Federal, tem natureza tributária, aplicando-se, portanto, quanto à. decadência, a regra inscrita no art. 150, § 4° do CTN, assim redigido: "Art. 150. 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) §4°Se a lei não fixar prazo à homologação, sera ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a fazenda pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." A questão já foi pacificada no âmbito desta Segunda Turma desta Camara Superior de Recursos Fiscais que, por meio do Acórdão CSRF/02-01.766, na sessão de 14 de setembro de 2004, assim firmou o entendimento de que o prazo decadencial aplicável ao PIS é o constante do § 4 0 , do art. 150, do CTN, in verbis: Processo n.° 13839.001032/00-68 Acórdão n.° CSRF/02-02.673 CSRF/T02 Fls. 6 "(...) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA 0 PIS - DECADÊNCIA - A contribuição social para o PIS, "ex vi" do disposto no art. 149, c.c. art. 195, ambos da C.F., e, ainda, em face de reiterados pronunciamentos da Suprema Corte, tem caráter tributário. Assim, em face do disposto nos arts. n 146, III, "b", da Carta Magna de 1988, a decadência do direito de lançar as contribuições sociais deve ser disciplinada em lei complementar. A falta de lei complementar especifica dispondo sobre matéria, ou de lei anterior recebida pela Constituição, a Fazenda Pública deve seguir as regras de caducidade previstas no Código Tributário Nacional. Inaplicável a regra estabelecida no art. 45 da Lei n° 8.212/91, até porque a referida lei não incluiu a contribuição para o PIS entre as fontes de custeio da Seguridade Social. Recurso negado." (CS RF/O 1-05 . 157) Vale destacar que o prazo decadencial, nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, começa a fluir da data da ocorrência do fato gerador, independentemente de terem sido efetuados pagamentos parciais, tendo em vista que o que se homologa é a atividade de lançamento e não, propriamente, o pagamento, nos termos do que dispõe o artigo 150, § 4 0 do CTN. Neste sentido, confira-se a redação do caput do citado art. 150 do CTN, acima transcrita. Ressalte-se que a redação do artigo transcrito é clara a indicar que "a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa" De rigor observar que, para a solução do presente caso, irrelevante a discussão acerca do objeto da homologação referida no citado art. 150, eis que, conforme relatado, foram comprovados pagamentos antecipados da exação no período compreendido pelo lançamento, como se observa dos demonstrativos de fls. 62 a 67. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 23 de abril de 2007 FLAVIO DE SA MUNHOZ
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Numero do processo: 19515.002772/2003-65
Data da sessão: Wed Sep 23 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Sep 23 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1999
IRPF - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DECADÊNCIA - Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro (art. 150, § 4.° do CTN).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - Com o advento da Lei n° 9.430/96, caracteriza-se também omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimentos mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular não comprove a origem dos recursos utilizados, observadas as exclusões previstas no § 3 o, do citado diploma legal.
MULTA DE OFÍCIO - CONFISCO - Em se tratando de lançamento de ofício, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos
TAXA SELIC - A partir de Io de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula Io CCn° 04).
Preliminar rejeitada.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-000.254
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR a preliminar argüida pelo Recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Pedro Anan Júnior
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1999 IRPF - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DECADÊNCIA - Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro (art. 150, § 4.° do CTN). OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - Com o advento da Lei n° 9.430/96, caracteriza-se também omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimentos mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular não comprove a origem dos recursos utilizados, observadas as exclusões previstas no § 3 o, do citado diploma legal. MULTA DE OFÍCIO - CONFISCO - Em se tratando de lançamento de ofício, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos TAXA SELIC - A partir de Io de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula Io CCn° 04). Preliminar rejeitada. Recurso negado.
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR a preliminar argüida pelo Recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
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Numero do processo: 13971.002098/2005-17
Data da sessão: Thu May 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2001 ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel. RESERVA LEGAL – Estando a reserva legal registrada à margem da matrícula do registro de imóveis não há razão para ser desconsiderada sob pena de afronta a dispositivo legal. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2201-000.669
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso, para restabelecer a área de reserva legal de 190ha, que se encontra averbada, nos termos do voto da Redatora designada. Vencido o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah (Relator). Designado para redigir o voto vencedor a Conselheira Rayana Alves de Oliveira França
Nome do relator: Rayana Alves de Oliveira França
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ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel. RESERVA LEGAL – Estando a reserva legal registrada à margem da matrícula do registro de imóveis não há razão para ser desconsiderada sob pena de afronta a dispositivo legal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso, para restabelecer a área de reserva legal de 190ha, que se encontra averbada, nos termos do voto da Redatora designada. Vencido o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah (Relator). Designado para redigir o voto vencedor a Conselheira Rayana Alves de Oliveira França (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França – Redatora designada EDITADO EM: Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIR A FRANCA, Assinado digitalmente em 21/08/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 13971.002098/200517 Acórdão n.º 220100.669 S2C2T1 Fl. 2 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), José Evande Carvalho Araújo (Suplente convocado) e Moisés Giacomelli Nunes da Silva (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Janaína Mesquita Lourenço de Souza e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente) . Relatório Pedro Claudino dos Santos recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância, proferida pela 1a Turma da DRJ de Campo Grande/MS, pleiteando sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário de fls. 53/54. Tratase de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR (fls. 02/08), no valor total de R$ 30.856,57, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo ao imóvel denominado “Fazenda Ofélia” localizado no Município de Doutor PedrinhoSC. A infração apurada pela fiscalização foi de exclusão indevida da tributação das áreas de 190,0ha título de preservação permanente e de 290,0ha relativa à área de utilização limitada. Cientificado do auto de infração em 31/10/2005 (fl. 31), o autuado apresentou impugnação em 16/11/2005 (fl. 34), requerendo, em síntese, a revisão do lançamento, posto que houve uma inversão entre as áreas de preservação permanente e utilização limitada. Isto posto, a área de reserva legal encontrase averbada à margem da matrícula do registro imobiliário. Além do mais, o ADA é dispensável conforme decisões do STJ. A 1a Turma da DRJ de Campo Grande/MS julgou integralmente procedente a exigência, consubstanciada na ementa abaixo transcrita: ÁREAS DE RESERVA LEGAL E PRESERVAÇÃO PERMANENTE Para efeito de redução do ITR, em cumprimento de dispositivo legal, as áreas de preservação permanente e de Reserva Legal devem estar declaradas tempestivamente junto ao órgão ambiental IBAMA, através do ADA Ato Declaratório Ambiental, e, as áreas de Reserva Legal devem estar averbadas à margem da matrícula do registro imobiliário na data do fato gerador. Intimado da decisão de primeira instância em 14/09/2007 (fl. 52), o autuado apresenta Recurso Voluntário em 04/10/2007, sustentando, em síntese, que: a) pouco provável que uma propriedade não possua sequer nenhuma área considerada de preservação permanente, especialmente a Região do Vale do Itajaí, além do que a área de Reserva Legal exigida para a Região Sul que é de 20%, está averbaria as margens da escritura, e que também não foi considerada; Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIR A FRANCA, Assinado digitalmente em 21/08/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 13971.002098/200517 Acórdão n.º 220100.669 S2C2T1 Fl. 3 3 b) nosso município, assim como o Estado encontrase no domínio da área de Mata Atlântica protegida por lei, e que obrigatoriamente não se pode utilizar a propriedade em 100%, visto que a supressão de vegetação apenas é permitida em vegetação com estágio inicial de regeneração de acordo com a Portaria Interinstitucional n. 01 de 04 de junho de 1996, e Resolução CONAMA N.° 004 de 04 de maio de 1994 que define os estágios para o Estado de Santa Catarina e Lei Federal 11.428, de 22/12/2006, logo a grande maioria das propriedades da região possui uma vasta área coberta por vegetação nativa; c) outra consideração a fazer é que no preenchimento do quadro 9 houve apenas uma inversão no preenchimento da linha 02 e 03, onde a área de preservação permanente é de 290 ha e a reserva legal de 190 ha; fato este já anteriormente explicado a através de oficio à unidade da Receita Federal, assim como sendo que nas declarações atuais do ITR já foi devidamente corrigido. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 11/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIR A FRANCA, Assinado digitalmente em 21/08/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 13971.002098/200517 Acórdão n.º 220100.669 S2C2T1 Fl. 4 4 Voto Vencido Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos a autoridade fiscal lavrou a exigência ao argumento de que o recorrente exclui indevidamente da tributação do ITR 190,0ha título de preservação permanente e de 290,0ha relativa à área de utilização limitada. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 26/30) a exclusão de áreas declaradas como preservação permanente e de reserva legal, para fins de apuração do ITR, está condicionada ao reconhecimento delas pelo IBAMA ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA), no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. Pois bem, cingese a controvérsia, basicamente, na obrigatoriedade OU NÃO da entrega tempestiva da ADA para fins de exclusão de áreas declaradas como de preservação permanente e reserva legal. Ressaltese que, de acordo com os autos, encontrase averbada à fl. 61, o total de 190,0ha como área de reserva legal (indevidamente consignado pelo cartório de registro como área de preservação permanente). Inicialmente, impende registrar que sempre me posicionei no sentido de que, antes do exercício de 2000, não havia previsão legal para a apresentação do Ato de Declaração Ambiental – ADA para fins de exclusão da tributação do ITR de áreas declaradas como de preservação permanente e reserva legal. Esse entendimento está arrimado ao fato de que a redução da área tributável do ITR, por falta de previsão legal, não estava condicionada a obtenção do ADA, podendo ser fundada em quaisquer outros meios probatórios idôneos. Neste mesmo sentido, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF editou a Súmula nº 4, nos seguintes termos: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. (grifei) Entretanto, o art. 1° da Lei nº 10.165/2000 alterou a Lei n° 6.938/1981 ao incluir letras ao art. 17, verbis: Fl. 94DF CARF MF Impresso em 11/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIR A FRANCA, Assinado digitalmente em 21/08/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 13971.002098/200517 Acórdão n.º 220100.669 S2C2T1 Fl. 5 5 Art. 1o Os arts. 17B, 17C, 17D, 17F, 17G, 17H, 17I e 17O da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (NR) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. (AC) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (NR) (grifei) (...) Pelo que se vê, o excerto legal transcrito instituiu a obrigatoriedade da entrega do ADA ao IBAMA para fins de redução do valor a pagar do ITR. Portanto, para que se exclua a tributação sobre áreas de preservação permanente e reserva legal, além de comprovação efetiva da existência dessas áreas, bem como da averbação no cartório competente da reserva legal é necessário o reconhecimento específico pelo IBAMA ou órgão estadual correspondente, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA). Em relação ao prazo de apresentação do ADA, cumpre reproduzir o art. 17 da IN SRF nº 60/2001, verbis: Art. 17. Para fins de apuração do ITR, as áreas de interesse ambiental, de preservação permanente ou de utilização limitada, serão reconhecidas mediante ato do IBAMA ou órgão delegado por convênio, observado o seguinte: I as áreas de reserva legal e de servidão florestal, para fins de obtenção do ato declaratório do IBAMA, deverão estar averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, conforme preceitua a Lei no 4.771, de 1965; II o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado a partir da data final da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; III se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não for deferido pelo IBAMA, a Secretaria da Receita Federal fará lançamento suplementar, recalculando o ITR devido. (grifei) Destarte, a leitura do art. 17 da IN SRF nº 60/2001 não deixa dúvidas da obrigatoriedade da entrega do ADA, bem como do prazo para protocolizar requerimento junto ao IBAMA. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 11/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIR A FRANCA, Assinado digitalmente em 21/08/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 13971.002098/200517 Acórdão n.º 220100.669 S2C2T1 Fl. 6 6 Fazse mister registrar que Medida Provisória nº 2166/2001 apenas dispensou a comprovação prévia das áreas pelo declarante, ou seja, o declarante deve preencher o ADA e protocolálo junto ao IBAMA, porém não é necessário que o ADA venha acompanhado de provas das suas alegações, tais como laudos, certidões e averbações cartoriais, atos administrativos de proteção ambiental, etc. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Voto Vencedor Conselheira Rayana Alves de Oliveira França – Relatoradesignada Com todo respeito à posição do nobre Relator, Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, ouso discordar de seu entendimento acerca da obrigatoriedade da entrega tempestiva da ADA para fins de exclusão de áreas declaradas como de preservação permanente e reserva legal, sendo esse mais um elemento de prova da pretensão do recorrente. Analisando a legislação concluo que a finalidade precípua do ADA foi a instituição de uma Taxa de Vistoria que deve ser paga sempre que o proprietário rural se beneficiar de uma redução de ITR com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, não tendo portanto o condão de definir áreas ambientais, de disciplinar as condições de reconhecimento de tais áreas e muito menos de criar obrigações tributárias acessórias ou regular procedimentos de apuração do ITR. A obrigatoriedade do ADA está prevista no art. 1º da Lei nº 10.165, de 27/12/2000, que deu nova redação ao artigo 17O da Lei nº 6.938/81, in verbis: “Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. [...] § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.” Da leitura em conjunto dos dispositivos legais acima, verificase que o § 1º instituiu a obrigatoriedade apenas para situações em que o benefício de redução do ITR ocorra com base no ADA, ou seja, depende do reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público. Por outro lado, a exclusão de áreas ambientais cuja existência decorre diretamente da Fl. 96DF CARF MF Impresso em 11/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIR A FRANCA, Assinado digitalmente em 21/08/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 13971.002098/200517 Acórdão n.º 220100.669 S2C2T1 Fl. 7 7 lei, independentemente de reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público, não pode ser entendida como uma redução “com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA”. Assim, a apresentação tempestiva do ADA não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam os art.2º e 16 da Lei n.4.771/65 da base de cálculo do ITR. Assim, dispõe referidos artigos, ex legis: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. (...) Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de Fl. 97DF CARF MF Impresso em 11/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIR A FRANCA, Assinado digitalmente em 21/08/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 13971.002098/200517 Acórdão n.º 220100.669 S2C2T1 Fl. 8 8 supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (...) §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) A lei, portanto define, objetivamente, a área de preservação permanente, impondo ao proprietário o dever de preservála, independente de qualquer determinação do poder público. Não obstante, apesar da área de reserva não depender de qualquer ato do poder público, a lei determina os percentuais a serem preservados, a necessidade da aprovação da localização e em algumas situações, a celebração de termo de compromisso com o órgão ambiental competente e impõe a averbação na matricula do imóvel, vedada sua alteração em caso de transmissão a qualquer título. Portanto, para exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR não é imprescindível a apresentação do ADA, podendo o mesmo ser suprido por outras provas como Laudos Técnicos, acompanhados por Anotações de Responsabilidade Técnica – ART, Certidão do Ibama, Termo de Ajuste de Conduta. Já para a área de reserva legal, apesar de entender que não depende de qualquer ato do Poder Público para existir, para sua exclusão da base de cálculo do ITR, é indispensável que esteja averbada na matricula do imóvel, ou ao menos tenha sido firmado Termo de Ajustamento de Conduta, nos termos do §1º do art. 16 do Código Florestal. Assim, comprovada a averbação da área de 190,0ha de reserva legal, entendo que a mesma deve ser restabelecida. Quanto a área de preservação permanente glosada não encontrei nos autos provas contundentes da sua materialidade, não há provas suficientes para acolhêla. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso, para restabelecer a área de reserva legal de 190ha, que se encontra averbada (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Fl. 98DF CARF MF Impresso em 11/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIR A FRANCA, Assinado digitalmente em 21/08/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 13971.002098/200517 Acórdão n.º 220100.669 S2C2T1 Fl. 9 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência da decisão consubstanciada no acórdão supra. Brasília/DF, 28/07/2011 __________(assinado digitalmente)_____________ FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 99DF CARF MF Impresso em 11/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIR A FRANCA, Assinado digitalmente em 21/08/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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Numero do processo: 10640.720127/2008-22
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. AVERBAÇÃO DE TERMO DE RESPONSABILIDADE.
Cabe excluir da tributação do ITR as áreas de Utilização Limitada, com existências comprovadas por laudos técnicos do IBAMA, e reconhecidas em Termo de Responsabilidade de Averbação firmado entre o proprietário do imóvel e a autoridade de fiscalização ambiental.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.682
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para acatar Área de Utilização Limitada de 81,72 ha, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Antônio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin, Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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AVERBAÇÃO DE TERMO DE RESPONSABILIDADE. Cabe excluir da tributação do ITR as áreas de Utilização Limitada, com existências comprovadas por laudos técnicos do IBAMA, e reconhecidas em Termo de Responsabilidade de Averbação firmado entre o proprietário do imóvel e a autoridade de fiscalização ambiental. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para acatar Área de Utilização Limitada de 81,72 ha, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin, Luiz Cláudio Farina Ventrilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 01 27 /2 00 8- 22 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10640.720127/200822 Acórdão n.º 2801002.682 S2TE01 Fl. 92 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 1ª Turma da DRJ/BSA (Fls. 63), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Da Autuação Contra a contribuinte interessada foi lavrado, em 21/07/2008, a Notificação de Lançamento n° 06104/00023/2008 (às fls. 01/05), pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 16.655,72, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, do exercício de 2005, acrescido de multa de oficio (75,0%) e juros legais, incidentes sobre o imóvel rural denominado "Fazenda da Estiva", cadastrado na SRF, sob o n° 3.602.3329, com área declarada de 402,1 ha, localizado no Município de São João Del Rei/MG. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2005 incidentes em malha valor, iniciouse com a intimação de fls. 09/10, exigindose a apresentação de Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecida na NBR 14.653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, com ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) registrado no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados. A falta de apresentação do laudo de avaliação ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do SIPT da RFB. Por não ter sido apresentado a tempo qualquer documento de prova, decidiuse lavrar a presente Notificação de Lançamento, alterandose o VTN de R$ 2.000,00 para R$ 241.260,00 , com base no SIPT. Desta forma, foi aplicada a alíquota de cálculo máxima (3,3%), prevista para a dimensão do imóvel, sobre a nova base de cálculo (VTN tributável), disto resultando imposto suplementar no valor de R$ 7.895,58, conforme demonstrativo de fls. 04. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais da infração, da multa de oficio e dos juros de mora, encontramse descritos às folhas 02/03 e 05. Da Impugnação Cientificada do lançamento pessoalmente em 23109/2008, fls. 01, devido à devolução pela ECT da Notificação de lançamento, fls. 18, a Impugnante, por meio de procurador legalmente constituído, doc de fls. 23, protocolou em 16/10/2008, fls.19, a impugnação de fls. 19/22, lida nesta Sessão. Apoiada nos documentos de fls. 24, 25, 26/27, 28/32 3 33/39, 40/57 e 58, alegou e requereu o seguinte, em síntese: Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10640.720127/200822 Acórdão n.º 2801002.682 S2TE01 Fl. 93 3 • apresenta uma síntese do lançamento; • desde longa data os sócios sempre implementaram atividade agrícola na propriedade, tais como, plantio de grãos, florestas, etc; • preliminarmente, de forma contrária aos fundamentos alegados na notificação recebida, a Impugnante quando solicitada, não deixou de apresentar o respectivo Laudo de Avaliação da área do Imóvel, para fins de regularização da declaração do ITR junto a Secretaria da Receita Federal, segundo se faz prova em anexo, restando assim prejudicada em preliminar tal notificação, perdendo assim seu objeto, devendose anular tais lançamentos; • é certo que tais procedimentos Administrativos/Fiscais, administrativamente são elaborados e informados pelo Contador da Empresa. E este, quando da declaração, sem que antes efetivamente buscasse maiores detalhes com o cliente, equivocouse ao lançar Informações inexatas pertinentes à utilização da área do imóvel; que na verdade, há muito tempo, conforme inicialmente dito, vem sendo explorada pela empresa e seus sócios; • tão logo tiveram conhecimento de tais inexatidões, as partes interessadas tomaram providências no sentido de sua regularização; encaminhando laudo de Avaliação (anexo) que representa o levantamento real da área que se pretendia declarar na época; • com a analise de laudo, concluise quanto à distribuição e utilização da área, baseada nas avaliações técnicas do profissional especializado (Sr. Pedro José da Silveira Junior), que deveriam ser declaradas pelo ora contador, o que não ocorreu, ou seja, que a qualidade das terras se encontra inseridas como classe 2C, sendo, aptidão regular para lavoura nos níveis de manejo C (mecanização e alto grau de investimento) Aptidão para pastagens, silvicultura e preservação de fauna e flora. (E não Terra Nua como se pretende); • esclarece ainda, que o mencionado Laudo de Avaliação foi protocolizado no dia 04 de agosto de 2008, mês antes da notificação, o que desde já, reafirma a boafé da impugnante. Deste modo, já regularizado e esclarecido o deslinde, descabe a notificação e cobrança do valor do crédito apurado; • todos estes fatos qualificam a impugnante como idônea, ocorrendo no caso em tela uma simples omissão de declaração da real área da Fazenda Estiva, que, como exposto, já estava sendo regularizada, antes mesmo do recebimento de tal notificação. Neste contexto, vale lembrar que para existência de qualquer imposição tributária, deverá haver um 'FATO' gerador. Não se pode, arbitrariamente, notificar por um fato que já esta sendo legalizado, como na presente situação; • solicita que, caso não entenda desta maneira, requer também as diligências previstas no Art. 16, IV do Dec. 70.235/72, o que Fl. 93DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10640.720127/200822 Acórdão n.º 2801002.682 S2TE01 Fl. 94 4 desde já confirmariam as informações prestadas, ou seja, a real utilização da área notificada como Terra Nua; • requer: •• seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado; •• não entendendo desta maneira que existam provas suficientes para cancelarem o débito, requer as diligências previstas no Art. 16, IV do Dec. 70.235/72, o que desde já confirmariam tais informações prestadas e demais esclarecimento, tendo como perito o Sr. Pedro José da Silveira Júnior, Engenheiro Florestal, CREA 48969/D, com endereço a Av. Bandeirantes, 839/201, Mangabeiras, Belo Horizonte/MG, Cep: 30315000. Passo adiante, a 1ª Turma da DRJ/BSA entendeu por bem julgar a impugnação procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: DA PRELIMINAR DE NULIDADE. Tendo em vista que o procedimento fiscal foi instaurado em conformidade com os princípios constitucionais vigentes, possibilitando ao contribuinte exercer plenamente o contraditório, por meio da entrega tempestiva de sua impugnação, momento oportuno para rebater as acusações e apresentar os documentos de provas respectivos, não há que se falar em nulidade do lançamento. LANÇAMENTO ERRO DE FATO REVISÃO. Cabe ser revisto de oficio o lançamento quando for devidamente comprovada, por meio de documentação hábil e idônea, a ocorrência de erro de fato no preenchimento da DITR/2005. No caso, cabe acatar as pretendidas áreas ocupadas com benfeitorias e utilizadas na produção vegetal, comprovadas nos autos, para efeito de apuração da área aproveitável do imóvel e o seu Grau de Utilização. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. Nos termos exigidos pela fiscalização e observada a legislação de regência, as áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, devem constar de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado tempestivamente junto ao IBAMA. RETIFICAÇÃO DOS DADOS CADASTRAIS DA ÁREA DE PASTAGEM. A alteração pretendida em relação à área de pastagem somente é possível quando comprovada a existência de rebanho, no respectivo ano base, em quantidade suficiente para justificar tal alteração, observada a legislação de regência. DO VALOR DA TERRA NUA VTN. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10640.720127/200822 Acórdão n.º 2801002.682 S2TE01 Fl. 95 5 Quanto o VTN/ha do laudo apresentado foi maior do que o VTN/ha arbitrado pela autoridade fiscal, com base no SIPT, cabe manter o valor arbitrado, para que não haja agravamento da exigência, no que diz respeito a essa matéria. Cientificada em 29/07/2009 (Fls. 74), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 27/08/2009 (fls. 78), argumentando basicamente que: A Firma é proprietária do imóvel rural com a área total de 402.1 ha. de terras de cultura e campo, sito no local denominado FAZENDA DA ESTIVA, nos Pastos denominados Pinheiro, Pasto de Baixo, Pasto de Cima, Pasto da Casa, inclusive benfeitorias, no distrito de Emboabas, deste Município de São João del Re, MG; imóvel este cadastrado no NIRF n.° 3.602.332 9, constante na escritura de compra e venda, com conseqüente retificação de área; passando de 252,00.00 ha., para 463:12.75 `ha:, averbada no Registro de Imóveis desta Comarca, sobre a matrícula 12.406, livro 2BP, fls. 199; justificando, que desta, foi vendido uma área, em 3010411992, restando somente uma área de 402.1 ha. Por este e outros motivos, não quitou os impostos apurados nas alterações decorrentes, com redução dos impostos suplementares por esse Órgão fiscalizador sobre os ITRs do exercício que se seque: Exercício de 2005, conforme Processo 10640.7201271200822, Acórdão n° 0329.221 1 8 Turma da DRJIBSA sessão de 0410212009. Justificando, ainda a este conceituado Orgão fiscalizador da Receita que os aludidos Processos julgados anteriormente, deixaram de distribuir as áreas de PRESERVAÇÃO PERMANENTE COM 18,25 HA. E A ÁREA DE RESERVA LEGAL COM 81,72 HA., perdendo assim a REQUERENTE, PARTE DO GRAU DE UTILIZAÇÃO DA PROPRIEDADE RURAL, NOS EXERCÍCIOS EM QUESTÃO, QUE DEVERIA SER DE 100% DE UTILIZAÇÃO E NÃO DE 75%, CONFORME CONSTAM NO LAUDO ELABORADO PELO ENGENHEIRO FLORESTAL SR. PEDRO JOSÉ DA SILVEIRA JUNIOR, CRER: 48969/D. Segue também, o ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA), comprovando a área de Preservação Permanente (APP), com a área de 18,25 ha. e área de Reserva Legal (ARL) de 81,72 ha., datado em 2710712009. Número do Recibo do ADA 10931310000140, fazendo valer e reforçando o Laudo acima descrito. Solicitase a esse conceituado Orgão, observar a escritura de aquisição do imóvel e suas averbações e demais documentos em anexo: Fl. 95DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10640.720127/200822 Acórdão n.º 2801002.682 S2TE01 Fl. 96 6 1º Averbação (Av3) número 12.406, do termo de responsabilidade de Preservação de Florestas, de 25 de maio de 1995; 2º Levantamento planmétrico cadastral — Mapa do Terreno Rural; 3° Termo de responsabilidade de Preservação de Floresta (IEF) firmado em 09 de maio de 1995; • Aguardando uma resposta É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Cuida o presente lançamento da alteração procedida pela fiscalização do VTN declarado de R$ 2.000,00 para o VTN arbitrado de R$ 241.260,00. Conforme se verifica nos autos, a DRJ/BSA proferiu julgamento acatando parte do contido no laudo técnico apresentado pela contribuinte, e acatando a argumentação de erro de fato na DITR desta. Entendeu a DRJ/BSA que, em virtude do erro de preenchimento da DITR, deveria ser aceito a existência de 1,04 ha de área ocupada com benfeitorias, e a existência da área utilizada com produtos vegetais de 241,0 ha. Ainda em seu julgamento, a DRJ/BSA negou o pedido relativo a 60,00 ha de área de pastagem, por falta de comprovação, a 18,25 ha de área de preservação permanente, e a 81,72 ha de área de reserva legal, ambas em virtude da inexistência de ADA tempestivo. Por sua vez, em seu recurso a contribuinte cuida apenas de pedir o reconhecimento de 18,25 ha de área de preservação permanente, e de 81,72 ha de área de reserva legal, apresentando ADA de 2009. No mérito, cingese a discussão em saber se a apresentação do ADA tempestivo é elementos essencial e indispensável para que as áreas de Reserva Legal e Preservação Permanente possam ser reconhecidas, e isentas de tributação. Nesse sentido, cabe destacar, com relação à matéria, o que prevê o art. 10 da Lei 9.393/96, o qual disciplina a apuração do ITR: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos Fl. 96DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10640.720127/200822 Acórdão n.º 2801002.682 S2TE01 Fl. 97 7 pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior.” A exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal para fins de apuração da área tributável do ITR, por sua vez, está prevista nas alíneas “a”e “b”, do inciso II, §1º, do artigo supramencionado: “§ 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior;” Até o Exercício de 2000, o ADA, segundo entendimento amplamente dominante desse Egrégio Conselho, não era indispensável para efetiva comprovação quanto à existência das áreas passíveis de serem excluídas de tributação, de modo que admitiase a comprovação mediante a produção de outras provas. Isso se dava, principalmente, em razão de à época, inexistir previsão legal no sentido de caracterizar aquele documento como requisito para o gozo da isenção. A exigência se dava tãosomente através de instrumentos infralegais, com o que entendiase não ser possível exigirse o ADA como requisito indispensável ao benefício. Ocorre que, em 2000, com o advento da Lei nº 10.165/00, que incluiu o art. 17O, § 1º, à Lei nº 6.938/81, a exigência de apresentação do ADA passou a ter fundamento legal, expressandose o dispositivo no seguinte sentido: “Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.” É certo que a Administração Pública, em razão do disposto no art. 37, caput, da Constituição Federal, que prevê o princípio da legalidade, deve, necessariamente, cumprir as determinações dos ditames legais, salvo se contrários a alguma norma constitucional – o que parece não ser o caso do dispositivo acima mencionado. Assentese, assim, que, em consonância com tal dispositivo, o ADA passou a ser documento indispensável para fruição da isenção. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10640.720127/200822 Acórdão n.º 2801002.682 S2TE01 Fl. 98 8 Todavia, em 24 de agosto de 2001, foi editada a MP 2.16667, que inseriu o §7º ao art. 10 da Lei nº 9.393/96: “Art. 10. (...) § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis.” Denotase, assim, que a regra que foi inserida pela Medida Provisória em comento diverge daquela prevista no art. 17O, § 1º, à Lei nº 6.938/81. Em consonância com as regras de resolução de antinomias entre regras jurídicas previstas na Lei de Introdução do Código Civil, segundo a qual as normas mais novas revogam as anteriores no que forem divergentes, entendemos que, hoje, encontrase em vigor, sendo plenamente aplicável, a regra do art. 10, §7º, da Lei nº 9.393/96, que não condiciona a isenção à prévia apresentação do ADA. É clara a norma decorrente do art. 10, § 7º, da Lei nº 9.393/96 ao determinar que a isenção de ITR não dependerá da prévia apresentação do ADA, com o que se pode concluir que admitese a posterior apresentação do mesmo no caso em que a Fiscalização tenha dúvidas quanto à efetiva possibilidade de determinado beneficiário gozar do benefício, ou mesmo a apresentação de outros documentos que tenham força probante suficiente para corroborar as informações da declaração. A respeito da comprovação é importante destacar a previsão da Lei nº 4.771/96 (Código Florestal), que no § 2º do art. 16 (incluído pela Lei nº. 7.803/89) define que “reserva legal é a área de, no mínimo, 20% de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso”, e no § 8º prevê que tal área “deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão a qualquer título, ou de desmembramento da área”. De acordo com artigo acima mencionado do Código Floresta a averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel é maneira legalmente prevista de comprovar a preservação e conseqüentemente a existência das áreas de Reserva Legal e Preservação Permanente. Ressaltese que o recorrente pleiteia as áreas 81,72 ha de Reserva Legal, e de 18,25 ha de Preservação Permanente. Observase que consta da matrícula do imóvel, às fl. 53 e seguintes, a averbação, em 1995, do Termo de Responsabilidade de Compromisso de Conservação de Área de Utilização Limitada firmado entre a contribuinte/proprietária do imóvel e a autoridade florestal, segundo o qual a área de 81,72 ha ficou gravada como Área de Utilização Limitada. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10640.720127/200822 Acórdão n.º 2801002.682 S2TE01 Fl. 99 9 Apresenta ainda a contribuinte o instrumento do Termo de Compromisso, e uma ADA protocolizada em 2009. Da análise dos requisitos para isenção do ITR, especificamente a comunicação tempestiva a órgão de fiscalização ambiental e averbação na matrícula do imóvel da referida área, cabe computar a área de 81,72 ha como Área de Utilização Limitada, excluindoa, desse modo, da área tributável pelo ITR no exercício em exame. No que pertine à área pleiteada de 18,25 ha de Preservação Permanente, a contribuinte não apresenta qualquer outro elemento de prova, afora os já apresentados na impugnação; ressaltand0se que tal área não se encontra averbada na matrícula do imóvel, nem foi objeto de Termo de Responsabilidade e Compromisso firmado entre a contribuinte e a autoridade florestal. Ante tudo acima exposto, e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento parcial ao recurso, para acatar a Área de Utilização Limitada de 81,72 ha. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 99DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Numero do processo: 10166.907420/2009-26
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 09/06/2009
NORMAS PROCESSUAIS - INTEMPESTIVIDADE.
O Recurso Voluntário apresentado fora do prazo regulamentar, acarreta a preclusão do direito, impedindo ao julgador de conhecer as razões da defesa. O decurso do prazo para interposição do Recurso Voluntário consolida o crédito tributário na esfera administrativa (artigo 33, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972).
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO
Numero da decisão: 3101-000.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Luiz Roberto Domingo - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente)
Matéria: CPMF - proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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O Recurso Voluntário apresentado fora do prazo regulamentar, acarreta a preclusão do direito, impedindo ao julgador de conhecer as razões da defesa. O decurso do prazo para interposição do Recurso Voluntário consolida o crédito tributário na esfera administrativa (artigo 33, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972). RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo. Henrique Pinheiro Torres Presidente Luiz Roberto Domingo Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 74 20 /2 00 9- 26 Fl. 469DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10166.907420/200926 Acórdão n.º 3101000.982 S3C1T1 Fl. 439 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente contra decisão prolatada pela DRJ–BrasíliaDF, que não homologou a compensação efetuada por falta de comprovação do direito creditório decorrente do pagamento a maior a título de CPFM, cuja ementa está transcrita nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Data do fato gerador: 09/06/2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DISPONIBILIDADE DE CRÉDITO. Uma vez que o contribuinte não comprovou a existência do crédito alegado, não há que se falar em sua utilização para compensação de débitos, devendo, por conseguinte, não se homologar a compensação. Solicitação Indeferida. Intimada em 24/09/2009, conforme conta do carimbo de retorno do AR à Agência Postal dos Correios, a Recorrente aparelhou Recurso Voluntário em 30/10/2009, no qual alega: a) a demonstração documental da exigência do crédito de CPMF decorrente do pagamento a maior, resultante do erro no preenchimento da DCTF; b) o cerceamento do direito de defesa, uma vez que, nas hipóteses em que a Fiscalização entende que os documentos juntados pelo Contribuinte são insuficientes, cabeira ao Julgador providenciar as diligências necessárias para verificação do alegado; c) a existência do tributo devido a menor do que declarado em DCTF, conforme documentos juntados aos autos às fls. 52/436. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Preliminarmente é dever do julgador apreciar os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10166.907420/200926 Acórdão n.º 3101000.982 S3C1T1 Fl. 440 3 O artigo 56 da Lei nº 9.784/99 confirma o direito constitucional de o contribuinte interpor recurso contra as decisões administrativas, determinando que “das decisões administrativas cabe recurso, em face de razões de legalidade e de mérito”. Daí, concluíse, que o sujeito passivo possui o direito de recorrer das decisões administrativas, proferidas pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, pois, somente assim, estará assegurado o seu direito à ampla defesa, consagrado pela Constituição Federal e pelas normas infraconstitucionais. Vislumbrase que tal fato busca, na verdade, o reexame da decisão por outra autoridade, a fim de obterse um aprimoramento dos julgados na fundamentação de suas decisões, propiciando, desta forma, maior segurança ao sistema. Pois bem, vencido em primeira instância, o contribuinte não está obrigado a recorrer, mas, se assim proceder, estará sujeito ao prazo de 30 dias, sob pena de preclusão, apresentar Recurso Voluntário, conforme preceitua o caput do art. 33, do Decreto nº 70.235/72 c.c. art. 68 do Decreto nº 7.574/2011. Verificase, que se ultrapassado esse período, qual seja, 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da decisão, sem a apresentação pelo contribuinte do Recurso Voluntário, estará ele impedido de apresentar referido recurso em outro momento. No caso em tela, a Recorrente foi intimada de modo regular em 24/09/2009 (quintafeira), conforme Aviso de Recebimento – AR (fls. 41 verso), e só protocolizou seu Recurso Voluntário na data de 30/10/2009 (sextafeira), ou seja, 4 (quatro) dias após o transcurso do prazo recursal, já que o prazo encerrouse no dia 26/10/2009 (segundafeira). Diante do exposto, não conheço do presente Recurso Voluntário, por intempestivo. Luiz Roberto Domingo Fl. 471DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 13002.100024/2007-74
Data da sessão: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2002
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PARA REQUERIMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 4º, SEGUNDA PARTE, DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. INTERPRETAÇÃO DITADA PELO ARTIGO 3O DA REFERIDA NORMA. APLICAÇÃO UNICAMENTE A PROCESSOS FORMALIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. HIPÓTESE DOS AUTOS. DIREITO PRESCRITO. Com a declaração da inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, a aplicação da interpretação ditada pelo artigo 3o da referida norma (prazo de 5 anos para se pleitear a restituição) passou a ser considerada válida, unicamente, para os processos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Realidade em que o pedido de compensação foi protocolizado em 17/08/2007, portanto, quando já admitida a interpretação de que trata o artigo 3o da Lei Complementar nº 118/05, segundo a qual, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário ocorre no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 do CTN. No caso, os pagamentos objeto do pedido ocorreram entre 18/02/1999 e 21/03/2002. Por sua vez, o pedido de compensação só foi formalizado em 17/08/2007, posteriormente ao prazo de 5 anos contados da data da extinção do crédito tributário. Direito prescrito. Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade aduzida pela recorrente e, no mérito, para negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. EDITADO EM: 29/08/2012 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2002 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PARA REQUERIMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 4º, SEGUNDA PARTE, DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. INTERPRETAÇÃO DITADA PELO ARTIGO 3O DA REFERIDA NORMA. APLICAÇÃO UNICAMENTE A PROCESSOS FORMALIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. HIPÓTESE DOS AUTOS. DIREITO PRESCRITO. Com a declaração da inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, a aplicação da interpretação ditada pelo artigo 3o da referida norma (prazo de 5 anos para se pleitear a restituição) passou a ser considerada válida, unicamente, para os processos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Realidade em que o pedido de compensação foi protocolizado em 17/08/2007, portanto, quando já admitida a interpretação de que trata o artigo 3o da Lei Complementar nº 118/05, segundo a qual, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário ocorre no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 do CTN. No caso, os pagamentos objeto do pedido ocorreram entre 18/02/1999 e 21/03/2002. Por sua vez, o pedido de compensação só foi formalizado em 17/08/2007, posteriormente ao prazo de 5 anos contados da data da extinção do crédito tributário. Direito prescrito. Recurso ao qual se nega provimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade aduzida pela recorrente e, no mérito, para negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. EDITADO EM: 29/08/2012 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2465; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 138 1 137 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13002.100024/200774 Recurso nº 517.259 Voluntário Acórdão nº 3802001.242 – 2ª Turma Especial Sessão de 23 de agosto de 2012 Matéria Declaração de Compensação DCOMP Assuntos Tributários Diversos Recorrente Centro Clínico Canoas Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2002 INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INOVAÇÃO NA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE, CONTUDO, TAMBÉM CONTEMPLOU A RAZÃO INICIAL, A QUAL É SUFICIENTE PARA NEGAR O DIREITO PLEITEADO. INOCORRÊNCIA DE OFENSA AOS FINS DA JUSTIÇA. CAUSA DE NULIDADE NÃO MATERIALIZADA. O direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, segundo o qual, com respeito à nulidade do processo, somente àquela que sacrifica os fins de justiça deve ser declarada pela autoridade julgadora. Não há nulidade quando a decisão de primeira instância, embora tendo inovado, se alicerça, também, no mesmo argumento utilizado inicialmente para o indeferimento do pleito, o qual é bastante para chegar a entendimento no mesmo sentido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2002 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PARA REQUERIMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 4º, SEGUNDA PARTE, DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. INTERPRETAÇÃO DITADA PELO ARTIGO 3O DA REFERIDA NORMA. APLICAÇÃO UNICAMENTE A PROCESSOS FORMALIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. HIPÓTESE DOS AUTOS. DIREITO PRESCRITO. Com a declaração da inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, a aplicação da interpretação ditada pelo artigo 3o da referida norma (prazo de 5 anos para se pleitear a restituição) passou a ser considerada válida, unicamente, para os processos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 2. 10 00 24 /2 00 7- 74 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 08/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Realidade em que o pedido de compensação foi protocolizado em 17/08/2007, portanto, quando já admitida a interpretação de que trata o artigo 3o da Lei Complementar nº 118/05, segundo a qual, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário ocorre “no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150” do CTN. No caso, os pagamentos objeto do pedido ocorreram entre 18/02/1999 e 21/03/2002. Por sua vez, o pedido de compensação só foi formalizado em 17/08/2007, posteriormente ao prazo de 5 anos contados da data da extinção do crédito tributário. Direito prescrito. Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade aduzida pela recorrente e, no mérito, para negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. EDITADO EM: 29/08/2012 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ Porto Alegre (fls. 84/85), a qual, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2002 ALEGAÇÃO FALTA DE COMPROVAÇÃO IMPROCEDÊNCIA DA DEFESA. As razões de fato e direito do indébito, devido à necessidade de liquidez e certeza do crédito favorável ao contribuinte, devem ser comprovadas de forma inequívoca, sendo obrigação do contribuinte, nos termos do art.333 do Código de Processo Civil, devendo ser indeferida a restituição/compensação que desrespeita este requisito. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 08/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13002.100024/200774 Acórdão n.º 3802001.242 S3TE02 Fl. 139 3 PER/DCOMP INAPRECIAÇÃO CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Os pleitos de PER/DCOMP devem ser primeiro analisados para depois, caso não exista crédito ou crédito suficiente, serem exigidos os débitos neles contidos. Por conseguinte, a inapreciação acarreta o cancelamento da exigência fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/1999 ALEGAÇÃO FALTA DE COMPROVAÇÃO IMPROCEDÊNCIA DA DEFESA. As razões de fato e direito do indébito, devido à necessidade de liquidez e certeza do crédito favorável ao contribuinte, devem ser comprovadas de forma inequívoca, sendo obrigação do contribuinte, nos termos do art.333 do Código de Processo Civil, devendo ser indeferida a restituição/compensação que desrespeita este requisito. Solicitação Deferida em Parte Por bem descrever o litígio, reproduzo, abaixo, o relatório objeto da decisão recorrida: O contribuinte supracitado solicitou a restituição de COFINS e PIS para fins de compensação com débitos de PIS e COFINS, conforme PER/DCOMP de fls.01 a 09 e 34 a 43 . Não apresentou razões de fato ou direito que respaldassem seu pedido. A DRF de origem indeferiu a restituição e não homologou a compensação devido à incidência da decadência do direito de pleitear a restituição, conforme ato decisório de fls.26 a 28. Ato contínuo, foi apensado aos autos o processo administrativo nº 11065.003987/200761, que contém auto de infração que foi parcialmente compensado com os supostos créditos apontados pelo contribuinte (fl.01), conforme fl.31. Irresignado, o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega que a decadência não é de cinco anos do pagamento indevido, mas de dez anos do fato gerador, sendo que a Lei Complementar 118/2005 somente se aplica a fatos geradores posteriores a sua publicação, segundo doutrina e jurisprudência. Ademais, argumenta que os débitos de PER/DCOMP, de fls.34 a 43, pertinentes ao período de junho e setembro de 2005 e cujo crédito advém de supostos créditos decorrentes de pagamentos ocorridos em 21/03/2002, não poderiam ser exigidos, pois se tratam de PER/DCOMP realizadas via eletrônica, enquanto que nas outras PER/DCOMP foi via formulário de papel (fls.01 a 09), sem contar que não haveria decadência, nem utilização do mesmo crédito em outros pedidos. Por fim, solicita a suspensão dos débitos, nos termos do art.74, §11, da Lei 9.430/1996 e do art.151, III, do CTN. A decisão de primeira instância indeferiu o pedido e considerou não homologadas as compensações a ele atreladas, mas em relação à PER/DCOMP de fls. 34 a 43 (débitos do período de junho e setembro de 2005), cancelou a exigência, entendendo a Fl. 159DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 08/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 instância a quo pela necessidade de prolação de decisão em que o direito seja apreciado, posto que constatado nos autos inexistência de exame do direito correspondente aos débitos em tela. A ciência da decisão recorrida ocorreu em 21/10/2009 (fls. 95). Inconformada, a interessada apresentou, em 17/11/2009 (fls. 96), o recurso voluntário de fls. 96/115, onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito com fundamento nos mesmos argumentos já expostos na primeira instância recursal, requerendo, ainda, seja declarada nula a decisão de primeira instância por alegada mudança do fundamento do ato decisório que não homologou a compensação – restrito à aduzida decadência do direito –, enquanto a DRJ, além da decadência, baseouse também na inexistência de comprovação do direito para não deferi lo. Diante do exposto, requer seja anulado o acórdão de primeira instância, ou, alternativamente, acaso este colegiado mantenha a decisão recorrida, seja a mesma reformada para homologar o pedido de compensação formulado, “[...] já que não atingido pelo prazo decadencial”. É o relatório. Voto Das preliminares O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. A primeira questão que merece ser examinada diz respeito à aduzida nulidade da decisão de primeira instância. Para a reclamante, referida decisão seria nula por alegada mudança na fundamentação do ato decisório que não homologou a compensação intentada. Segundo a recorrente, a compensação foi negada por suposta decadência do direito, enquanto a decisão da DRJ teria se baseado também na não comprovação do direito por parte da interessada, inovando nessa parte, portanto. Decerto, o Parecer DRF/NHO/Seort no 364/2007 (fls. 26/27) fundamentouse unicamente na decadência do direito para propor a não homologação das compensações vislumbradas pelo sujeito passivo, o que foi corroborado pelo Despacho Decisório de fls. 28. E a DRJ, apesar de ter contemplado esse argumento para não deferir o pleito da reclamante, também se pautou na inexistência de comprovação do direito para não reconhecêlo. Mas é inconteste que a instância a quo igualmente se fundamentou na decadência do direito para não reconhecer a compensação pleiteada, conforme seguinte trecho do voto condutor da decisão em tela (ver fls. 85): O motivo acima já seria suficiente para indeferir o pleito do contribuinte, mas ainda somase a decadência do direito de pleitear a restituição, pois o Ato Declaratório SRF nº 96, de 26 de novembro de 1999, uniformizou o entendimento administrativo sobre o prazo para solicitação de restituição/compensação, que é de 5, anos do indébito, sendo que, posteriormente, tal ato administrativo foi corroborado pela Lei Complementar nº 118, de 09/02/2005, em seu art.3º, que tem natureza eminentemente interpretativa e aplicação imediata. (grifo nosso) Fl. 160DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 08/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13002.100024/200774 Acórdão n.º 3802001.242 S3TE02 Fl. 140 5 E a decadência do direito – na verdade, prescrição dos reclamados créditos – é razão suficiente para se negar compensação atrelada a pagamentos cujo direito postulatório já caducou. Tal fato demonstra não haver razão que justifique seja declarada a nulidade da decisão de primeira instância, até porque o direito processual brasileiro tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, que traz como consequência, com respeito à nulidade do processo, que somente àquela que sacrifica os fins de justiça do processo deve ser declarada pela autoridade julgadora. No caso, a apresentação de argumentos novos para o indeferimento do pedido de restituição pela DRJ não implicará em prejuízo para o deslinde da lide, até porque a razão do indeferimento inicial do pedido também foi contemplada pela decisão de primeira instância, sendo a mesma bastante para a negativa do pedido, como se verá adiante. Com essas considerações, voto para não acolher a tese de nulidade desenvolvida pela recorrente. Da extinção do direito à compensação Com relação à contagem do prazo para se requerer a repetição do indébito, o Supremo Tribunal Federal, na sessão plenária de 04/08/2011, que julgou o Recurso Extraordinário nº 566.621/RS – o qual substituiu o RE nº 561.908 como paradigma na repercussão geral –, assentou ser inconstitucional o artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação da interpretação ditada pelo artigo 3o da referida norma (prazo de 5 anos para se pleitear a restituição) tãosomente para os processos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Referido acórdão foi assim ementado: DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR NO 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4o, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como Fl. 161DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 08/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4o, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3o, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Assim, segundo o acórdão do STF, o “novo prazo de 5 anos” deverá ser adotado unicamente para os processos formalizados depois de 9 de junho de 2005, como no caso presente, em que o pedido de restituição da interessada só foi formalizado em 17/08/2007 (ver fls. 01). E a adoção do entendimento determinado pela LC 118/05 demonstra já estar prescrito o direito postulatório inerente aos alegados créditos aos quais se refere a interessada. Com efeito, prescreve o artigo 168 do CTN que o direito de pleitear a restituição decorrente, dentre outras hipóteses, do pagamento indevido ou a maior que o devido, extinguese com o decurso do prazo de 5 anos contados da data da extinção do crédito tributário. No caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação a extinção do crédito tributário ocorre “no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150” do CTN, conforme artigo 3o da Lei Complementar nº 118/05, abaixo reproduzido: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. No caso concreto, como consignado na decisão recorrida, os pagamentos objeto do pedido ocorreram em 18/02/1999 (R$ 12.242,35 – fls. 02/03), em 10/03/1999 (R$ 19.230,12 – fls. 05), em 15/04/1999 (R$ 4.173,90 – fls. 07/08), e em 21/03/2002 (R$ 15.139,78 – fls. 09/10). Por sua vez, o pedido foi protocolizado em 17/08/2007, portanto, posteriormente ao prazo de 5 anos contados da data da extinção do crédito tributário. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 08/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13002.100024/200774 Acórdão n.º 3802001.242 S3TE02 Fl. 141 7 Assim, por restar caracterizada a extinção do direito de ação da recorrente pela prescrição, posto que o pedido foi protocolizado depois do transcurso do prazo quinquenal contado a partir da extinção do crédito tributário pelo pagamento, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela mesma. Sala de Sessões, em 23 de agosto de 2012. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 163DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 08/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/09/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A
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