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Numero do processo: 11080.005351/2008-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/04/2007, 01/05/2007 a 31/05/2007
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO 11%. IMPOSSIBILIDADE DE
INDEFERIMENTO DO PEDIDO APENAS EM RAZÃO DA EXISTÊNCIA
DE SUPOSTOS INDÍCIOS DE IRREGULARIDADE NO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS PELA REQUERENTE.
Entendendo o servidor, quando da análise do pedido de restituição, que há indícios de recolhimento a menor de contribuições previdenciárias pela empresa requerente, deve comunicar este fato ao departamento responsável pela fiscalização, para que seja realizada diligência na empresa a fim de investigar esses indícios e, sendo o caso, proceder à lavratura do competente auto de infração. Não pode o fisco, simplesmente, indeferir o pedido de restituição por supostos indícios de irregularidades.
Da mesma forma, supostas irregularidades quanto à contabilização das receitas obtidas pela Recorrente em razão dos serviços por ela prestados, e das despesas incorridas nesses serviços, não são suficientes para o indeferimento do pedido de restituição.
RETENÇÃO DE 11% DESTACADO NAS NOTAS FISCAIS.
Se os valores pleiteados estiverem destacados nas notas fiscais que instruem o pedido de restituição, não é necessário que o contribuinte comprove o efetivo repasse à Seguridade Social pela empresa que efetuou a retenção para que a restituição seja deferida.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-002.079
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
1.0 = *:*
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/04/2007, 01/05/2007 a 31/05/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO 11%. IMPOSSIBILIDADE DE INDEFERIMENTO DO PEDIDO APENAS EM RAZÃO DA EXISTÊNCIA DE SUPOSTOS INDÍCIOS DE IRREGULARIDADE NO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS PELA REQUERENTE. Entendendo o servidor, quando da análise do pedido de restituição, que há indícios de recolhimento a menor de contribuições previdenciárias pela empresa requerente, deve comunicar este fato ao departamento responsável pela fiscalização, para que seja realizada diligência na empresa a fim de investigar esses indícios e, sendo o caso, proceder à lavratura do competente auto de infração. Não pode o fisco, simplesmente, indeferir o pedido de restituição por supostos indícios de irregularidades. Da mesma forma, supostas irregularidades quanto à contabilização das receitas obtidas pela Recorrente em razão dos serviços por ela prestados, e das despesas incorridas nesses serviços, não são suficientes para o indeferimento do pedido de restituição. RETENÇÃO DE 11% DESTACADO NAS NOTAS FISCAIS. Se os valores pleiteados estiverem destacados nas notas fiscais que instruem o pedido de restituição, não é necessário que o contribuinte comprove o efetivo repasse à Seguridade Social pela empresa que efetuou a retenção para que a restituição seja deferida. Recurso Voluntário Provido.
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EMPRESAS EM GERAL Recorrente MARCO PROJETOS E CONSTRUCOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/04/2007, 01/05/2007 a 31/05/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO 11%. IMPOSSIBILIDADE DE INDEFERIMENTO DO PEDIDO APENAS EM RAZÃO DA EXISTÊNCIA DE SUPOSTOS INDÍCIOS DE IRREGULARIDADE NO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS PELA REQUERENTE. Entendendo o servidor, quando da análise do pedido de restituição, que há indícios de recolhimento a menor de contribuições previdenciárias pela empresa requerente, deve comunicar este fato ao departamento responsável pela fiscalização, para que seja realizada diligência na empresa a fim de investigar esses indícios e, sendo o caso, proceder à lavratura do competente auto de infração. Não pode o fisco, simplesmente, indeferir o pedido de restituição por supostos indícios de irregularidades. Da mesma forma, supostas irregularidades quanto à contabilização das receitas obtidas pela Recorrente em razão dos serviços por ela prestados, e das despesas incorridas nesses serviços, não são suficientes para o indeferimento do pedido de restituição. RETENÇÃO DE 11% DESTACADO NAS NOTAS FISCAIS. Se os valores pleiteados estiverem destacados nas notas fiscais que instruem o pedido de restituição, não é necessário que o contribuinte comprove o efetivo repasse à Seguridade Social pela empresa que efetuou a retenção para que a restituição seja deferida. Recurso Voluntário Provido. Fl. 198DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Tiago Gomes de Carvalho Pinto, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 199DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 11080.005351/200846 Acórdão n.º 240202.079 S2C4T2 Fl. 190 3 Relatório Tratase de pedido de restituição apresentado em 07/05/2008, referente ao valor excedente da retenção de 11% incidente sobre o valor da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços a título de contribuição devida à Seguridade Social, nos meses de 04/2007 e 05/2007. A d. Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre – RS, ao analisar o processo (fls. 89/90), pronunciouse pelo indeferimento do pedido de restituição, sob os argumentos de que (i) não foram confirmados os recolhimentos no código 2658; (ii) o valor da remuneração da folha de pagamento é muito inferior ao valor da mãodeobra contida nas notas fiscais; e (iii) a empresa não contabiliza as obras através da utilização de centros de custos distintos para cada uma. Inconformada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 93/107) alegando que (i) não utilizou notas fiscais individuais por serem fatos geradores comuns para todas as obras tendo adotado o procedimento pro rata e pleiteando que um simples erro formal não poderia inviabilizar o pedido; (ii) caso não seja reconsiderado esse equívoco da Recorrente na contabilização das notas fiscais estariam sendo violados os princípios constitucionais da igualdade, nãoconfisco e da capacidade contributiva; e (iii) deveria ser aberto prazo de 20 dias para as retificações necessárias. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre – RS, ao analisar o processo (fls. 109/112), julgou a manifestação de inconformidade improcedente, sob os argumentos de que (i) houve a apresentação deficiente pela Recorrente da documentação necessária que demonstre a existência ou não do seu direito creditório; (ii) não há previsão legal que autorize a abertura do prazo de 20 dias para a regularização do pedido de restituição; (iii) precluiu o direito à apresentação de documentos após a manifestação de inconformidade; e (iv) o órgão administrativo não tem competência para se manifestar sobre questões que envolvem suposta inconstitucionalidade. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 116/184) alegando que (i) o entendimento emanado fere o princípio da segurança jurídica, uma vez que em diversos outros casos a Recorrente teve o seu direito à restituição deferido; (ii) apesar de inexistir a divisão em centros de custos, a contabilidade da empresa é extremamente organizada, devendo prevalecer o princípio da verdade material; e (iii) o indeferimento da restituição viola os princípios constitucionais da igualdade e nãoconfisco. É o relatório. Fl. 200DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Tratase de pedido de restituição apresentado em 07/05/2008, referente ao valor excedente da retenção de 11% incidente sobre o valor da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços a título de contribuição devida à Seguridade Social, nos meses de 04/2007 e 05/2007. A autoridade fiscal justifica o indeferimento do presente pedido de restituição no fato de que não foram confirmados os recolhimentos no código 2658, o valor da remuneração da folha de pagamento é muito inferior ao valor da mãodeobra contida nas notas fiscais, e também porque a empresa não contabiliza as obras por meio da utilização de centros de custos distintos para cada uma. Contudo, analisando os documentos trazidos aos autos e os argumentos da Recorrente, entendo que tem razão em suas alegações. Primeiramente, porque a alegação da autoridade fiscal de que o valor da folha de pagamento da empresa seria muito inferior ao valor da mãodeobra destacada nas notas fiscais não é motivo para o indeferimento do pedido de restituição. Isso porque, ao contrário do que pode ter entendido o fiscal responsável pela análise da questão, tal fato em hipótese alguma beneficiou o contribuinte, já que sofreu a retenção de valor muito superior ao que seria devido para a quitação da contribuição previdenciária incidente sobre a sua folha de salários. Vejase que as retenções objeto do presente pedido de restituição datam de 2007, e até hoje, aproximadamente 4 anos após, a empresa ainda não teve o excedente restituído. Até se poderia cogitar, e se imagina que pode ter sido esta a preocupação do fiscal que analisou o pedido de restituição, que poderia a Recorrente estar fraudando a previdência social pelo fato de possuir uma folha de salários muito baixa diante do tipo de serviço que presta. No entanto, esta possível e eventual suposição não pode inviabilizar o direito do contribuinte à restituição, mormente quando não se tem notícia nos autos de que a Recorrente teria sofrido procedimento de fiscalização, e sido autuada pelo motivo destacado acima. Caso fosse essa, de fato, a preocupação do servidor, o procedimento que deveria ter sido seguido era a fiscalização da empresa para investigar se havia mesmo irregularidades nos recolhimentos realizados sobre a sua folha de salários, e não simplesmente, de forma cômoda, barrar a retenção dos valores excedentes, retidos pelos tomadores dos serviços prestados pela empresa. Ademais, também entendo que não deve prevalecer a segunda justificativa posta pelo fiscal para indeferir a restituição da Recorrente, que é o fato de a empresa não contabilizar as obras mediante a utilização de centros de custos distintos para cada uma, eis que, da mesma forma que entendi em relação à primeira justificativa apresentada pelo fisco, a Fl. 201DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 11080.005351/200846 Acórdão n.º 240202.079 S2C4T2 Fl. 191 5 autoridade fiscal dispunha de outros meios para fiscalizar a empresa e, em sendo necessário, exigirlhe os montantes eventualmente devidos, não sendo o pedido de restituição o procedimento correto para isso. Logo, entendendo o fisco que o contribuinte não seguiu as determinações legais quanto à forma de contabilização das receitas vinculadas aos serviços que presta, o que poderia configurar descumprimento ao disposto no art. 32, II da Lei nº 8.212/1991, deveria a fiscalização ter procedido à lavratura de auto de infração para exigir a multa devida pelo contribuinte, do que, aliás, não se tem notícia, e não simplesmente indeferir a restituição pleiteada. Tendo sido afastados dois dos argumentos da decisão recorrida para indeferir a restituição, cumpre analisarmos a questão trazida pela autoridade fiscal à fl. 89, de que não foram confirmados os recolhimentos dos valores retidos através do código 2658. Em relação a esta questão, muito embora a autoridade fiscal não tenha indeferido o pedido de restituição com base neste fato, cumpre esclarecer que entendo que a falta de localização dos valores retidos e recolhidos pela empresa tomadora dos serviços no sistema da fiscalização não inviabiliza a restituição, uma vez que o art. 203 da IN/SRP nº 03/2005, vigente à época dos fatos, previa que se os valores pleiteados estiverem destacados nas notas fiscais de prestação de serviço, como ocorre no presente caso, conforme se pode observar analisando as fls. 33/36 dos autos, independente de terem sido confirmados os seus repasses através do código 2658 os mesmos deverão ser restituídos. Por esses motivos, entendo que deve ser deferida a restituição ao contribuinte dos valores destacados na fl. 89 dos presentes autos. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 202DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 15374.981407/2009-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Dec 13 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006
RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA.
É de trinta dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo, impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
Numero da decisão: 3301-011.388
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Adao Vitorino de Morais, Semiramis de Oliveira Duro, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Jucileia de Souza Lima, Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausentes o conselheiro Ari Vendramini e o conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes.
Nome do relator: Liziane Angelotti Meira
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006 RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de trinta dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo, impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
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INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de trinta dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo, impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Adao Vitorino de Morais, Semiramis de Oliveira Duro, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Jucileia de Souza Lima, Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausentes o conselheiro Ari Vendramini e o conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes. Relatório Visando à elucidação do caso, adoto relatório do constante do Acórdão no.06- 55.016 - 3ª Turma da DRJ/CTA (fl. 61/66): Trata o processo de Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório (Rastreamento nº 849779226), emitido em 23/10/2009, pela DERAT Rio de Janeiro, que não homologou a compensação declarada por meio do Per/Dcomp nº 42604.30485.140507.1.3.04-4309, uma vez que o crédito informado de R$ 51.944.74, correspondente a parte do pagamento de PIS não cumulativo (código 6912) de R$ 274.915,26, efetuado em 13/04/2006, já estava integralmente utilizado para quitação de débito do próprio período e tributo. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 98 14 07 /2 00 9- 05 Fl. 156DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-011.388 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.981407/2009-05 Cientificada da decisão administrativa, em 06/11/2009, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, em 04/12/2009, argumentando, em síntese, que a Declaração de Débitos e Créditos Tributos Federais (DCTF), de março de 2006, apresentou o valor de R$ 274.915,26 de PIS/Pasep (código 6912), mas, na realidade, apenas R$ 222.970,52 era devido. Por isso, houve o recolhimento de R$ 51.944,74 a maior, utilizado na compensação declarada. Diz que, mesmo restando clara a origem do referido crédito e tendo sido informado em 09/11/2009, em DCTF retificadora, não foi homologada a compensação pleiteada. Salienta o princípio da legalidade e que a investigação dos fatos no processo administrativo fiscal está submetida a um princípio inquisitório e a sua valoração a um princípio da verdade material. Reafirma que o procedimento tem por finalidade a descoberta da verdade material, por meio de investigação, realizando-se todas as diligências necessárias à busca da verdade material e citando doutrina a respeito. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se considerar não-homologada a compensação declarada. PROVAS. INSUFICIÊNCIA. A mera alegação de direito desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período não é suficiente para demonstrar que houve recolhimento indevido ou maior que o devido de contribuição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Foi apresentado Recurso Voluntário (fls 123/129), contudo em data posterior ao prazo legal. Foi também apresentada petição (fls. 119/121), na qual a Recorrente explica os motivos da apresentação posterior do recurso. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O sujeito passivo foi cientificado em 25/06/2018 do teor do Acórdão nº 06-55.016 de folhas 61/66, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem à folha 72. Decorrido o prazo para interposição de Recurso Voluntário, o contribuinte apresentou em 01/08/2018 a petição de folhas 119/121, na qual, em síntese, justifica a ausência de manifestação nestes autos por ter equivocadamente protocolado o recurso aqui cabível no processo nº 16682.720976/2013-33, na data de 24/07/2018. De fato, conforme consulta realizada à folha 152 deste processo e documento juntado pelo contribuinte à folha 122, existe uma Solicitação de Juntada de Documentos no processo nº 16682.720976/2013-33, datada de 24/07/2018, ou seja, dentro do prazo para apresentação de Recurso Voluntário nestes autos de nº 15374.981407/2009-05. Fl. 157DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-011.388 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.981407/2009-05 No entanto, o alegado erro de fato da Recorrente não autoriza a ampliação do prazo legal para apresentar recurso voluntário. Sendo assim, proponho o não conhecimento do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Relatora Fl. 158DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11444.000307/2010-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/2005 a 30/09/2009
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.
O órgão público é obrigado a arrecadar e recolher as contribuições dos contribuintes individuais e dos segurados empregados, assim considerados pela legislação vigente, os exercentes de mandato eletivo, vereadores.
LEGITIMIDADE DA PARTE. NÃO OCORRÊNCIA DE ILEGALIDADE.
Os documentos de constituição do crédito previdenciário serão emitidos em nome do Município, quando auditoria se desenvolver no órgão publico de administração direta (Câmara Municipal), sendo obrigatório consignar no referido documento, o nome do Município, seguido do nome do órgão a que se refere o débito, no qual ocorreu o fato gerador de obrigação previdenciária.
PRODUÇÃO ELEMENTOS PROBATÓRIOS. PRECLUSÃO TEMPORAL.
O momento para produção de provas no processo administrativo tributário é juntamente com a impugnação, conforme determina o art. 16, § 4º, do Decreto no 70.235/1972 diploma que rege o contencioso administrativo fiscal.
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR.
O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei
nº 8.212/1991).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-002.179
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial para redução da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à
época dos fatos geradores.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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PARCELA DOS SEGURADOS Recorrente MUNICÍPIO DE ÁLVARO DE CARVALHO CÂMARA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2005 a 30/09/2009 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. O órgão público é obrigado a arrecadar e recolher as contribuições dos contribuintes individuais e dos segurados empregados, assim considerados pela legislação vigente, os exercentes de mandato eletivo, vereadores. LEGITIMIDADE DA PARTE. NÃO OCORRÊNCIA DE ILEGALIDADE. Os documentos de constituição do crédito previdenciário serão emitidos em nome do Município, quando auditoria se desenvolver no órgão publico de administração direta (Câmara Municipal), sendo obrigatório consignar no referido documento, o nome do Município, seguido do nome do órgão a que se refere o débito, no qual ocorreu o fato gerador de obrigação previdenciária. PRODUÇÃO ELEMENTOS PROBATÓRIOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. O momento para produção de provas no processo administrativo tributário é juntamente com a impugnação, conforme determina o art. 16, § 4o, do Decreto no 70.235/1972 diploma que rege o contencioso administrativo fiscal. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei nº 8.212/1991). Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 90DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para redução da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Walter Murilo Melo de Andrade. Ausente o Conselheiro Tiago Gomes de Carvalho Pinto. Fl. 91DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11444.000307/201098 Acórdão n.º 240202.179 S2C4T2 Fl. 88 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados (vereadores) e contribuintes individuais (autônomos), relativas às contribuições da parcela desses segurados, para as competências 05/2005 a 09/2009. O Relatório Fiscal (fls. 34/45) informa que o fato gerador decorre da remuneração paga ou creditada aos segurados obrigatórios que prestaram serviços ao Município de Álvaro de Carvalho/Câmara Municipal, e foi constituído por meio dos levantamentos: 1. SV1 contribuição sobre subsídio vereadores à competências 08/2005 a 11/2008; 2. PA1 contribuição sobre pagamento contribuinte individual à competências 05/2005, 01/2006, 05/2007; 3. PA2 contribuição sobre pagamento contribuinte individual à competências 12/2008, 07/2009 a 09/2009; 4. SV2 contribuição sobre subsídio vereadores à competências 12/2008; Esse Relatório Fiscal informa que as contribuições incidentes sobre a remuneração dos exercentes de mandato eletivo são devidas desde 19/09/2004, em razão da entrada em vigor da Lei no 10.887/2004, que introduziu a alínea “j” no inciso I do art. 12 da Lei n° 8.212/1991. Esclarece que a autuada não entregou a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) no período de 01/2005 a 07/2005 e de 01/2009 a 09/2009, e que entregou GFIP sem movimento no período de 08/2005 a 12/2008. Informa também que, por se tratar a autuada de pessoa jurídica de direito público, até a competência 01/2007 nos AIOP, não se aplica a multa de mora por expressa determinação legal. Para as competências 02/2007 a 11/2008, procedeu à comparação de multas a serem aplicadas, levandose em consideração a legislação anterior e a introduzida pela edição da Medida Provisória (MP) no 449/2008, convertida na Lei no 11.941/2009, em atendimento ao contido no art. 106, II, alínea “c”, do CTN, que trata da retroatividade benigna em termos de penalidade a ser aplicada, apresenta quadro demonstrativo com as multas aplicadas, por período, chegando à conclusão de que é mais benéfico à autuada a aplicação da multa de ofício de 75%, prevista no art. 35A da Lei no 8.212/1991, introduzido pela MP supra, conforme planilhas anexas ao Relatório Fiscal. Para as competências 12/2008 a 09/2009, aplicase a multa de ofício prevista na legislação introduzida pela MP supracitada. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 30/03/2010 (fl.01). Fl. 92DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 52/55) – acompanhada de anexos de fls. 56/58 –, alegando, em síntese, que: 1. o presente Auto de Infração (AI) trata de débitos relativos a cota patronal incidente sobre os subsídios pagos aos vereadores e que, por equívoco, o Sr. Auditor relacionou os autônomos que não deveriam estar aqui relacionados. Dentre esses, informa que foi recolhida a GPS de forma equivocada, em nome do próprio autônomo e que estão sendo retificadas as GFIP’s e sendo procedidos os devidos ajustes; 2. as irregularidades apontadas são de responsabilidade da Câmara Municipal, não sendo a Prefeitura quem deu origem a elas. Que a Prefeitura está com três convênios para serem assinados com o Governo do Estado e a falta de CND está impedindo tal celebração; 3. requer a suspensão da exigibilidade do presente crédito tributário, que não seja apenado com a não expedição de CND e que seja cancelado o presente Auto. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Ribeirão Preto/SP – por meio do Acórdão no 1431.205 da 7a Turma da DRJ/RPO (fls. 64/68) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele se coaduna com os preceitos legais que disciplinam a sua lavratura, posto que traz em seu conteúdo todos os requisitos necessários a sua validade. Assim sendo, o direito ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal foram integralmente preservados. A Notificada apresentou recurso (fls. 73/76), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Marília/SP encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fls. 84/85). É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11444.000307/201098 Acórdão n.º 240202.179 S2C4T2 Fl. 89 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo (fls. 72/73) e não há óbice ao seu conhecimento. A Recorrente informa que recolheu de forma equivocada em GPS a contribuição dos contribuintes individuais (autônomos), mas não junta aos autos documentos capaz de prova a veracidade dessa informação, e nem faz prova que tenha regularizado a situação verificada pela Fiscalização. Com isso, não iremos acatar essa alegação. Constatase que a Recorrente apenas alega que recolheu contribuições dos segurados contribuintes individuais (autônomos) de forma equivocada em GPS, contudo não trouxe aos autos qualquer meio de prova a corroborar sua tese, conforme previsto no art. 16, III e §4°, do Decreto no 70.235/1972, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. l.° da Lei n.° 8.748/1993) (...) §4.° A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/1997) (g.n.) Da leitura do dispositivo acima, percebese que cabe à Recorrente, no momento adequado, trazer aos autos todos os elementos fáticos e jurídicos probatórios de que dispõe, obedecendo ao prazo para impugnação previamente estabelecido pelo arcabouço jurídicotributário em vigor, prazo este definido para todos os sujeitos passivos, em atendimento ao princípio da isonomia. Tais elementos probatórios não foram juntados aos autos. A lavratura do auto de infração reveste da presunção de legitimidade, de veracidade e de legalidade, devendo esta presunção ser afastada pela Recorrente nas suas alegações, fato este que não foi evidenciado. Fl. 94DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Cumpre esclarecer que o Pedido de Ajuste de Guia – GPS (fls. 77/83), feito pela Recorrente junto ao Fisco, deverá ser analisado pelo setor responsável da Secretaria da Receita Federal do Brasil e não compete a esta Corte Administrativa (CARF), com atribuições exclusivamente de julgamento, analisar os sistemas informatizados do Fisco para verificar se houve ou não recolhimentos equivocados. Assim, entendo que, caso haja recolhimentos equivocados, o órgão responsável pela análise do Pedido de Ajuste de Guia deverá proceder as medidas cabíveis. Logo, não há prova de que efetivamente ocorreu o recolhimento das contribuições sociais previdenciárias da parte dos segurados, incidentes sobre a remuneração dos contribuintes individuais (autônomos), e que ora foram lançadas no presente Auto de Infração. Quanto à alegação de que a Câmara Municipal seria responsável pelas irregularidades apontadas na auditoria fiscal, não sendo a Prefeitura quem deu origem a elas, temse que o Fisco atuou em conformidade com a legislação quando constitui os valores apurados no presente processo em nome do Município de Álvaro de Carvalho. Isso decorre do fato de que, embora a Câmara Municipal tenha autonomia administrativa, ela não possui personalidade jurídica e quem responde pelo crédito tributário é o ente Federado, no caso em tela o Município, devendo o lançamento incluir ambos no polo passivo. No nosso ordenamento jurídico, a Câmara Municipal é enquadrada como órgão representativo do Poder Legislativo municipal e independente, sendo que nenhum órgão público possui personalidade jurídica própria, por mais relevantes que sejam as atribuições exercidas. Segundo Hely Lopes Meirelles (Livro: Direito administrativo brasileiro. São Paulo: Editora Malheiros, 2003), órgãos públicos são “centros de competência instituídos para o desempenho de funções estatais, através de seus agentes, cuja atuação é imputada à pessoa jurídica a que pertencem” (grifo nosso). Ainda dentro desse contexto, esse doutrinador (Hely Lopes Meirelles) informa que “a teoria do órgão, também chamada de teoria da imputação volitiva, estabelece que o Estado manifesta sua vontade por meio dos órgãos que integram a sua estrutura, de tal forma que quando os agentes públicos que estão lotados nos órgãos manifestam a sua vontade, esta é atribuída ao Estado”. Assim, como os entes da Federação (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) possuem personalidade jurídicas próprias e são sujeitos de direitos e obrigações, esses entes responderão pelas obrigações tributárias de seus órgãos. Sendo assim, as obrigações tributárias da Câmara Municipal serão constituídas em nome do Município. Isso está em consonância com o art. 41 do Código Civil que insere os Municípios como pessoa jurídica de direito público interno. Lei no 10.406/2002 – diploma que institui o Código Civil: Art. 41. São pessoas jurídicas de direito público interno: I a União; II os Estados, o Distrito Federal e os Territórios; Fl. 95DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11444.000307/201098 Acórdão n.º 240202.179 S2C4T2 Fl. 90 7 III os Municípios; (g.n.) IV as autarquias, inclusive as associações públicas; (Redação dada peia Lei no 11.107, de 2005) V as demais entidades de caráter público criadas por lei. (g.n.) No mesmo sentido, o art. 12, inciso II, do Código de Processo Civil (Lei no 5.869/1973) dispõe que o Município deverá responder em juízo pelas suas obrigações. Lei no 5.869/1973 – Código de Processo Civil: Art. 12. Serão representados em juízo, ativa e passivamente: (...) II – o Município, por seu Prefeito ou procurador; (g.n.) Nos termos do art. 15, inciso I, da Lei no 8.212/1991, considerase como empresa as entidades da administração pública e, com isso, os Municípios também podem ser contribuintes da seguridade social. Lei no 8.212/1991: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; (g.n.) (...) Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). De acordo com arcabouço jurídicotributário, quando o procedimento de auditoria fiscal se desenvolver nos órgãos da administração pública direta, no caso em tela a Câmara Municipal, deverá ser emitido o Auto de Infração em nome do ente estatal, com a identificação do CNPJ do respectivo ente da Federação, procedendo à identificação do órgão, nos documentos de constituição do crédito após a menção do ente estatal, conforme ocorreu no presente caso: Município de Álvaro de Carvalho Câmara Municipal. Diante disso, foi correto o procedimento adotado pela auditoria fiscal, que lavrou o Auto de Infração em nome do Município e o notificou na pessoa do Prefeito Municipal, não se verificando qualquer motivo para acatar as alegações da Recorrente expostas na sua peça recursal de fls. 73/76. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das Fl. 96DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. Em decorrência dos princípios da autotutela e da legalidade objetiva, no que tange à multa aplicada de 75% sobre as contribuições devidas nas competências 02/2007 a 11/2008, entendo que deverá ser aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas através de lançamentos fiscais de contribuições previdenciárias na vigência da Medida Provisória (MP) 449, convertida na Lei 11.941/2009, mas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes de sua edição. É que a medida provisória revogou o artigo 35 da Lei 8.212/1991 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores. Lei no 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo portanto necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A Fl. 97DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11444.000307/201098 Acórdão n.º 240202.179 S2C4T2 Fl. 91 9 redação do dispositivo legal, em especial os trechos por mim destacados, é muito claro nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia, desde 27/12/1996, o artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, aplicável a todos os demais tributos federais: Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Multas de Lançamento de Ofício Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral; é um dos critérios para a solução dos conflitos aparentes. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP 449 aplicavase sem vacilo o artigo 35 da Lei 8.212/1991. Portanto, a sistemática dos artigos 44 e 61 da Lei nº 9.430/1996 para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. E não fica só nisso, dependendo de alguns agravantes esta última que se inicia em 75% pode chegar a 225%; enquanto a multa de mora é limitada a 20% do valor principal. De fato, a fixação da multa de ofício independe do tempo de atraso no pagamento do tributo. Para fatos geradores ocorridos a 5 anos ou no anobase anterior, por exemplo, não significa que no lançamento relativo ao mais antigo a multa de ofício seja maior. Levarseão em consideração outros fatores, como: fraude, omissão de informações ou se apenas faltou a espontaneidade para o pagamento. Fatores esses que não influenciam a fixação da multa de mora no âmbito das contribuições previdenciárias. Na Previdência Social, essas condutas do sujeito passivo são consideradas infrações por descumprimento de obrigações acessórias e, portanto, ensejam lavratura de auto de infração, cuja multa não tem nenhuma relação com a multa de mora que, pelo artigo 35 da Lei nº 8.212/1991, é fixada em percentuais progressivos, considerando o tempo em atraso para o pagamento e a fase do contencioso administrativo fiscal em que realizado: prazo de defesa, após o prazo para a defesa e antes do recurso, após recurso e antes de 15 dias da ciência da decisão e após esse prazo. Quando Fl. 98DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 realizado o lançamento a multa de mora é maior em razão da gradação e não porque foi aplicada com um procedimento de ofício. E esse acréscimo de valor da multa de mora também ocorre igualmente em outras fases do processo sem que, em qualquer momento, a Lei nº 8.212/1991 alterasse a natureza jurídica da multa de mora. E, ainda, a diferença de percentual para a multa de mora quando a contribuição é paga espontaneamente ou não é de apenas 4%. Ressaltando que, mesmo tendo iniciado o procedimento fiscal, o sujeito passivo tem direito a recolher ou mesmo parcelar suas contribuições em atraso, como se espontaneamente. Portanto, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória (MP) 449. Alguns sustentam a aplicação quando, embora tenham os fatos geradores ocorrido antes, o lançamento foi realizado na vigência da MP 449. E aí consulto as Normas Gerais de Direito Tributário. Preceitua o CTN que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. É a afirmação legislativa da natureza declaratória do lançamento, já predominante na doutrina desde a edição das obras de Direito Tributário do saudoso mestre Amílcar de Araújo Falcão (FALCÃO, Amilcar de Araújo. Fato Gerador da Obrigação Tributária. 4. ed. Anotada e atualizada por Geraldo Ataliba. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1977): “[...] De logo convém recordar que não é manso e tranqüilo o entendimento que exprimimos quanto à função do fato gerador como pressuposto e ponto de partida da obrigação tributária. Alguns autores dissentem dessa conclusão, afirmando que tal função criadora deve ser atribuída ao lançamento. Contestam estes que o lançamento tenha, como à maioria da doutrina e a nós parece ter, natureza declaratória [...]”. Ainda dentro desse contexto, pela legislação da época da ocorrência do fato gerador, seriam duas multas distintas a serem aplicadas pela AuditoriaFiscal: 1. uma relativa ao descumprimento da obrigação acessória – capitulada no Código de Fundamento Legal (CFL) 68 –, com base o art. 32, IV e § 5o, da Lei no 8.212/1991, no total de 100% do valor devido, relativo às contribuições não declaradas, limitada em função do número de segurados; 2. outra pelo descumprimento da obrigação principal, correspondente, inicialmente, à multa de mora de 24% prevista no art. 35, II, alínea “a”, da Lei no 8.212/1991, com a redação dada pela Lei no 9.876/1999. Tal artigo traz expresso os percentuais da multa moratória a serem aplicados aos débitos previdenciários. Essa sistemática de aplicação da multa decorrente de obrigação principal sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 35 e 35A, ambos da Lei nº 8.212/1991, acrescentados pela Lei nº 11.941/2009. Lei nº 8.212/1991: Fl. 99DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11444.000307/201098 Acórdão n.º 240202.179 S2C4T2 Fl. 92 11 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (g,n,) ......................................................................................................... Lei nº 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Em decorrência da disposição acima, percebese que a multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/96, se aplica aos casos de contribuições que, embora tenham sido espontaneamente declaradas pelo sujeito passivo, deixaram de ser recolhidas no prazo previsto na legislação. Esta multa, portanto, se aplica aos casos de recolhimento em atraso, que não é o caso do presente processo. Por outro lado, a regra do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 (acrescentado pela Lei nº 11.941/2009) aplicase aos lançamentos de ofício, que é o caso do presente processo, em que o sujeito passivo deixou de declarar fatos geradores das contribuições previdenciárias e consequentemente de recolhêlos, com o percentual 75%, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Lei nº 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Entretanto, não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991, eis que o critério jurídico a ser adotado é do art. 144 do CTN (tempus regit actum: o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada). Ainda deixo consignado que não há sentido em se aplicar a retroatividade benéfica do art. 106, II, alínea “c”, do CTN, pois haveria cisão ou combinação de preceitos legais na aplicação da multa de mora, conduta esta não aceitável no arcabouço jurídico vigente. Dessa forma, entendo que para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei nº 8.212/1991) e não a multa de ofício fixada no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996. Fl. 100DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para redução da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/1991 vigente à época dos fatos geradores. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 101DF CARF MF Emitido em 25/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10183.721774/2010-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 23 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Dec 17 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2005
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Aplicação da Súmula CARF nº 2.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2005
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUBMETIDO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.
Inexistente o pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, nas competências do fato gerador relativas às rubricas objeto de lançamento, não há que se falar da decadência prevista na regra especial do artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, prevalecendo, deste modo, a contagem do prazo estabelecido na regra geral do artigo 173, inciso I, do CTN.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2005
CRÉDITOS PRESUMIDOS. AGROINDÚSTRIA. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DE CRÉDITOS BÁSICOS.
A incidência do Pis ficará suspensa no caso de venda de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, quando efetuada por pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária, sendo vedada a apuração de créditos básicos nessas operações por força da disposição contida no contida no parágrafo 2º, inciso II, do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2005
CRÉDITOS PRESUMIDOS. AGROINDÚSTRIA. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DE CRÉDITOS BÁSICOS.
A incidência da Cofins ficará suspensa no caso de venda de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, quando efetuada por pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária, sendo vedada a apuração de créditos básicos nessas operações por força da disposição contida no contida no parágrafo 2º, inciso II, do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003.
Numero da decisão: 3401-009.945
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Gustavo Garcia Dias dos Santos - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco e Ronaldo Souza Dias (Presidente).
Nome do relator: Gustavo Garcia Dias dos Santos
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2005 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUBMETIDO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Inexistente o pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, nas competências do fato gerador relativas às rubricas objeto de lançamento, não há que se falar da decadência prevista na regra especial do artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, prevalecendo, deste modo, a contagem do prazo estabelecido na regra geral do artigo 173, inciso I, do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2005 CRÉDITOS PRESUMIDOS. AGROINDÚSTRIA. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DE CRÉDITOS BÁSICOS. A incidência do Pis ficará suspensa no caso de venda de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, quando efetuada por pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária, sendo vedada a apuração de créditos básicos nessas operações por força da disposição contida no contida no parágrafo 2º, inciso II, do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2005 CRÉDITOS PRESUMIDOS. AGROINDÚSTRIA. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DE CRÉDITOS BÁSICOS. A incidência da Cofins ficará suspensa no caso de venda de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, quando efetuada por pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária, sendo vedada a apuração de créditos básicos nessas operações por força da disposição contida no contida no parágrafo 2º, inciso II, do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003.
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JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUBMETIDO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Inexistente o pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, nas competências do fato gerador relativas às rubricas objeto de lançamento, não há que se falar da decadência prevista na regra especial do artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, prevalecendo, deste modo, a contagem do prazo estabelecido na regra geral do artigo 173, inciso I, do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2005 CRÉDITOS PRESUMIDOS. AGROINDÚSTRIA. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DE CRÉDITOS BÁSICOS. A incidência do Pis ficará suspensa no caso de venda de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, quando efetuada por pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária, sendo vedada a apuração de créditos básicos nessas operações por força da disposição contida no contida no parágrafo 2º, inciso II, do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2005 CRÉDITOS PRESUMIDOS. AGROINDÚSTRIA. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DE CRÉDITOS BÁSICOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 17 74 /2 01 0- 19 Fl. 879DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-009.945 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.721774/2010-19 A incidência da Cofins ficará suspensa no caso de venda de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, quando efetuada por pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária, sendo vedada a apuração de créditos básicos nessas operações por força da disposição contida no contida no parágrafo 2º, inciso II, do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias - Presidente (documento assinado digitalmente) Gustavo Garcia Dias dos Santos - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco e Ronaldo Souza Dias (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório da DRJ: OBJETO Trata o presente processo de impugnação, fls. 567, apresentada em 29 de novembro de 2010, conforme extrato de fls. 716, contra o lançamento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), conforme autos de infração de fls. 401 e 410, cientificados à interessada em 29 de outubro de 2010 (sexta-feira). LANÇAMENTO O crédito tributário exigido foi discriminado nos autos de infração em epígrafe, com os seguintes valores: Contribuição para o PIS/PASEP 306.058,38 Juros de Mora 174.541,60 Multa Proporcional 229.543,76 Valor do Crédito Tributário 710.143,74 Fl. 880DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-009.945 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.721774/2010-19 Valores em Reais Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social 1.409.523,40 Juros de Mora 803.830,70 Multa Proporcional 1.057.142,53 Valor do Crédito Tributário 3.270.496,63 Valores em Reais Crédito Tributário do Processo 3.980.640,37 Valores em Reais Conforme descrição dos fatos, fls. 403, a empresa apurou o crédito presumido das contribuições em epígrafe nas compras de carnes de bovinos e suínos pela alíquota integral, enquanto que o § 3°, inc. I, do art. 8°, Lei n° 10.925, de 2004, estipulava a aplicação de 60% da alíquotas para determinar o crédito presumido. IMPUGNAÇÃO A interessada, após qualificar-se, argüir tempestividade e resumir os fatos, apresentou os seguintes pontos relevantes para a solução do litígio. i. Decadência do lançamento em relação aos fatos geradores anteriores a 29 de outubro de 2005; ii. A pessoa jurídica que efetuar exportações ou efetuar vendas a comercial exportadora com o fim específico de exportação pode aproveitar-se dos créditos de PIS e COFINS à razão de 100%; iii. A multa de 75% é confiscatória, conforme jurisprudência e doutrina citada. Por fim, requer a nulidade por conta da decadência argüida; nulidade do lançamento para reconhecer a possibilidade de crédito de 100% dos insumos adquiridos de pessoas jurídicas; e redução da multa aplicada para valores não confiscatórios. É a síntese do necessário. A DRJ Campo Grande, em sessão realizada em 16/08/2018, decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação em acórdão ementado da seguinte maneira: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2005 CRÉDITO PRESUMIDO Fl. 881DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-009.945 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.721774/2010-19 A alíquota para cálculo do crédito presumido da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP deve ser calculada à razão de 60% das alíquotas previstas nas respectivas legislações. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2005 CRÉDITO PRESUMIDO A alíquota para cálculo do crédito presumido da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP deve ser calculada à razão de 60% das alíquotas previstas nas respectivas legislações. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2005 DECADÊNCIA Na falta de recolhimento antecipado da contribuição, o termo inicial do prazo decadencial é regido pelo art. 173, inc. I, do CTN. O contribuinte, tendo tomado ciência do acórdão da DRJ em 30/08/2018, apresentou em 21/09/2018 o recurso voluntário de fls. 856/872, em que reitera os argumentos deduzidos perante o colegiado de piso. Ao fim, requer a Recorrente o provimento do recurso, para os fins de: a) preliminarmente, seja declarada a nulidade da infração por conta da decadência ocorrida do fisco lançar crédito tributário para os fatos geradores anteriores a 29/10/2005, por força do art. 150, §4° do CTN; b) no mérito, seja cancelado o auto de lançamento lavrado, para o fim de reconhecer o direito à Recorrente de aproveitar créditos de PIS e de COFINS na proporção de 100% sobre os insumos adquiridos, na forma prevista pelo art. 3º inc. II da Lei n° 10.637/02 e art. 3º, inc. II da Lei n° 10.833/03; c) subsidiariamente, na hipótese de não acolhida as razões apresentadas pela Recorrente, requer a redução da multa de ofício aplicada, sob pena de ofensa ao princípio do não confisco, disciplinado no art. 150, inciso IV, da Constituição Federal. É o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Garcia Dias dos Santos, Relator. Fl. 882DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-009.945 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.721774/2010-19 O recurso voluntário é tempestivo e atende em parte aos requisitos de admissibilidade fixados em lei, razão pela qual é parcialmente conhecido. Isso porque a Recorrente dedica parte de sua defesa a alegações de inconstitucionalidade direcionadas ao artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996, que prevê a aplicação da multa de ofício de 75% nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, e, como já é cediço, é defeso a esse colegiado apreciar a inconstitucionalidade de leis regularmente inseridas no ordenamento segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, atribuição essa reservada aos órgãos do Poder Judiciário. Referido entendimento é objeto da Súmula nº 2 deste Conselho, verbis: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por essas razões, não conheço do recurso nessa parte. No mérito, mas em questão antecedente, alega a Recorrente a ocorrência da decadência do crédito tributário lançado para os fatos geradores anteriores a 29/10/2005, por força do artigo 150, parágrafo 4° do CTN, que, no seu entender, deve ser aplicado ao caso, independentemente da existência de pagamento antecipado, já que o tributo lançado é originariamente submetido a lançamento por homologação. Embora o tema mereça maiores digressões, a tese ventilada pela Recorrente não encontra guarida neste Conselho, em cujas turmas já é pacífico o entendimento de que, para fins de aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, parágrafo 4°, do CTN, necessário o recolhimento antecipado, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento a parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Esse entendimento, inclusive, é cristalizado no enunciado de nº 99 deste CARF, que, nada obstante seu texto faça menção expressa às contribuições previdenciárias, deve ter sua inteligência aproveitada para qualquer tributo, já que versa sobre as normas gerais de direito tributário previstas no Código Tributário Nacional. Veja-se: Súmula CARF nº 99 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Nesse mesmo sentido os seguintes precedentes: Acórdão nº 2301-007.654, 937303-010.821, 2402-008.461, 3201-007.196 e dezenas de outros. Fl. 883DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-009.945 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.721774/2010-19 Igual entendimento detém o Superior Tribunal de Justiça, que, ao apreciar o REsp 973.733/SC sob a sistemática dos recursos repetitivos, firmou sob o Tema nº 163 a seguinte tese, vinculante para esse Conselho, por força do RICARF, Anexo II, art. 62, § 2º: Tema Repetitivo nº 163: O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Amparando-se nesse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça ainda editou o enunciado sumular nº 555 nos seguintes termos: Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. No aresto recorrido, há relatório extraído dos sistemas de arrecadação da RFB pelas autoridades julgadoras de 1ª instância no qual se evidencia a ausência de pagamento para as competências anteriores a 29/10/2005, conclusão não afastada pelas alegações trazidas pela Recorrente, de tal maneira que aplicável ao caso o prazo decadencial previsto no artigo 173, inciso I, do CTN – que viria a se encerrar tão somente em 31/12/2010, ou seja, após a ciência do auto de infração, ocorrida em 29/10/2010. Dessa maneira, nego provimento ao recurso nesse ponto. Por fim, na questão de fundo, alega a Recorrente ter direito ao cálculo de créditos na proporção de 100% sobre os insumos adquiridos, na forma prevista pelo artigo 3º, inciso II, da Lei n° 10.637/2002 e pelo artigo 3º, inciso II, da Lei n° 10.833/2003, ainda que se refiram a insumos abarcados pela regra prevista nos artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925/2004, que juntos preveem a suspensão da incidência das contribuições e o cálculo de créditos presumidos, por entender que o benefício fiscal em questão é uma faculdade à disposição do sujeito passivo e não uma imposição legal. Igualmente não lhe assiste razão. O artigo 9º da Lei nº 10.925, de 2004, não deixa muita dúvida ao expressamente dispor que a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins ficará suspensa no caso de venda de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do artigo 8º da referida lei, quando efetuada por pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. Veja-se: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, Fl. 884DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-009.945 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.721774/2010-19 crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto no caput deste artigo aplica-se também às aquisições efetuadas de: (...) III - pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) III - de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Note-se, portanto, que, diferentemente do que alega a Recorrente, a lei não faculta ao sujeito passivo a suspensão da incidência das contribuições nas hipóteses abarcadas pelos artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925/2004 – cujo efeito prático seria a possibilidade de a operação ser normalmente tributada pelo vendedor, gerando créditos cheios para o adquirente. O que é facultado pela legislação invocada, especificamente pelo artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, é a possibilidade de apuração de crédito presumido, já que, pela regra geral, é vedada a apuração do crédito básico previsto no artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, conforme disposição contida no parágrafo 2º, inciso II, desses dispositivos, segundo os quais não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, como é o caso da suspensão. Assim, se, por um lado, impõe o artigo 9º da Lei nº 10.925/2004 a suspensão da incidência das contribuições nas operações nele listadas, dentre as quais se encontram as aquisições de bovinos e suínos para abate que foram objeto do presente lançamento, em contrapartida, faculta o artigo 8º o cálculo de créditos presumidos sobre essas operações, já que a apuração dos créditos básicos previstos no artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 é vedada pela disposição contida no parágrafo 2º, inciso II, desses dispositivos. Deste modo, nego provimento ao recurso também nesse ponto. Conclusão Por todo o acima exposto, conheço em parte do recurso voluntário, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. É o voto. Fl. 885DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-009.945 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.721774/2010-19 (documento assinado digitalmente) Gustavo Garcia Dias dos Santos Fl. 886DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10980.905215/2008-41
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3403-000.341
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Antonio Carlos Atulim – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Raquel Motta Brandão Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Cuidase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação, relativo ao PER/DCOMP 31514.71280.130704.1.3.048650, em virtude de direito de crédito integralmente alocado a outro débito de titularidade do contribuinte. Em manifestação de inconformidade o contribuinte esclareceu que o indébito decorreu de indevida tributação de comissões sobre vendas diretas do fabricante/montadora à base de cálculo da Cofins, eis que a alíquota respectiva fora reduzida a zero (art. 2º, § 2º da Lei nº 10.485/02). Foram juntadas cópias do DARF, DCTF, DIPJ e livro razão contábil. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/07/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10980.905215/200841 Resolução n.º 340300.341 S3C4T3 Fl. 2 2 A DRJ Curitiba/PR julgou o recurso improcedente ao argumento que a DCTF e DIPJ respectivas foram retificadas somente após a ciência do despacho decisório, para ajustaremse às alegações deduzidas, além de inexistir prova nos autos que corroborasse os argumentos apresentados. Em recurso voluntário o contribuinte asseverou a questão fática; sustentou a inobservância dos princípios da legalidade, informalismo moderado, proporcionalidade, razoabilidade e verdade material; requereu a realização de diligência fiscal; justificou as retificações realizadas e, para reafirmar o seu direito, acostou planilhas de apuração do tributo, cópias do razão contábil e balancete analítico. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso protocolado é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Examinando a situação em debate, observei que o fundamento inicial da não homologação da compensação realizada se lastreou em uma suposta utilização do direito creditório para “quitação” de outros tributos, de forma tal que não haveria saldo disponível para a compensação realizada. Notei, também, que a Administração Tributária em momento algum contestou diretamente a existência do crédito vindicado. A meu sentir os princípios da oficialidade, do informalismo moderado e, principalmente, da verdade material impõem bem mais do processo administrativo fiscal que simples exames fundados em verificações automáticas de sistema, a partir de declarações prestadas pelo contribuinte, sem qualquer participação das autoridades administrativas, que sequer assinam o despacho decisório, porquanto validado por meio de chancela eletrônica. Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações tecnológicas, porém, no caso vertente não houve um único procedimento fiscal tendente a investigar a ocorrência, fundandose o indeferimento combatido eminentemente em questões de natureza formal, sem qualquer averiguação de ordem material. Esta turma julgadora tem reiteradamente decidido que nestas situações, desde que a peça recursal se faça acompanhar de início razoável de prova, como no caso vertente, que o julgamento deve ser convertido em diligência para análise da procedência do direito invocado. Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: a) Aferição da procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Fl. 97DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/07/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10980.905215/200841 Resolução n.º 340300.341 S3C4T3 Fl. 3 3 b) Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, d) Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. Robson José Bayerl Fl. 98DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/07/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 13839.907936/2016-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Dec 17 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/12/2010 a 31/12/2010
DECISÃO ADMINISTRATIVA. AUSÊNCIA DE PROVAS. PREJUDICIAIS. REFORÇO DE FUNDAMENTO. NULIDADE. AUSÊNCIA.
Não há nulidade na decisão administrativa em que os julgadores, como reforço à constatação de ausência de provas das alegações, invocam questões prejudiciais à análise do mérito.
PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPENSAÇÃO. DCTF. DIPJ. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO POR OUTROS MEIOS DE PROVA. POSSIBILIDADE.
A ausência de retificação da DCTF e da DIPJ, de modo a evidenciar direito creditório relacionado a pagamento a maior que o devido, não pode se constituir em óbice intransponível à restituição/compensação do referido crédito, quando haja a efetiva comprovação da existência deste, por meio de documentos hábeis e idôneos.
PROVAS DE DIREITO CREDITÓRIO. OMISSÃO DO INTERESSADO. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE
A realização de diligência, no processo administrativo fiscal, não pode servir para suprir a omissão do interessado na apresentação de provas hábeis e idôneas do direito creditório que alega possuir.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
null
DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. AJUSTES DE PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. INCORREÇÕES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO
Não comprovadas os alegados equívocos na apuração dos ajustes de preços de transferência acrescidos na apuração da CSLL, impõe-se a não homologação da compensação realizada com base no referido direito creditório.
Numero da decisão: 1302-005.900
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, também por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto condutor. Os Conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca, Andréia Lucia Machado Mourão, Flávio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto e Fabiana Okchstein Kelbert votaram pelas conclusões do relator quanto à retificação da DIPJ. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1302-005.899, de 21 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 13839.907935/2016-83, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Gustavo Guimarães da Fonseca, Andréia Lúcia Machado Mourão, Flávio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente).
Nome do relator: Paulo Henrique Silva Figueiredo
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2010 a 31/12/2010 DECISÃO ADMINISTRATIVA. AUSÊNCIA DE PROVAS. PREJUDICIAIS. REFORÇO DE FUNDAMENTO. NULIDADE. AUSÊNCIA. Não há nulidade na decisão administrativa em que os julgadores, como reforço à constatação de ausência de provas das alegações, invocam questões prejudiciais à análise do mérito. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPENSAÇÃO. DCTF. DIPJ. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO POR OUTROS MEIOS DE PROVA. POSSIBILIDADE. A ausência de retificação da DCTF e da DIPJ, de modo a evidenciar direito creditório relacionado a pagamento a maior que o devido, não pode se constituir em óbice intransponível à restituição/compensação do referido crédito, quando haja a efetiva comprovação da existência deste, por meio de documentos hábeis e idôneos. PROVAS DE DIREITO CREDITÓRIO. OMISSÃO DO INTERESSADO. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE A realização de diligência, no processo administrativo fiscal, não pode servir para suprir a omissão do interessado na apresentação de provas hábeis e idôneas do direito creditório que alega possuir. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. AJUSTES DE PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. INCORREÇÕES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO Não comprovadas os alegados equívocos na apuração dos ajustes de preços de transferência acrescidos na apuração da CSLL, impõe-se a não homologação da compensação realizada com base no referido direito creditório. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 79 36 /2 01 6- 28 Fl. 1249DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-005.900 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13839.907936/2016-28 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, também por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto condutor. Os Conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca, Andréia Lucia Machado Mourão, Flávio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto e Fabiana Okchstein Kelbert votaram pelas conclusões do relator quanto à retificação da DIPJ. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1302-005.899, de 21 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 13839.907935/2016-83, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Gustavo Guimarães da Fonseca, Andréia Lúcia Machado Mourão, Flávio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em relação a Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo sujeito passivo acima identificado. O presente processo decorre de Declaração de Compensação na qual a Recorrente compensou suposto direito creditório relativo a pagamento indevido a título de estimativa mensal de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), em relação ao período de apuração de dezembro de 2010, com débito de sua responsabilidade. Por meio do Despacho Decisório eletrônico emitido pela autoridade administrativa, não se reconheceu o direito creditório invocado pela Recorrente, pelo fato de que o pagamento apontado na DComp estaria integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte. A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em que alega que a decisão administrativa se pautou apenas nas informações constantes de sua Declaração de Débito e Crédito Tributário federal (DCTF) original, sem considerar aquelas contidas na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) retificadora por ela apresentada, e o valor efetivamente devido em relação ao tributo e período citados. Arguiu, ademais, que teria havido equívoco formal de sua parte, ao não promover a retificação da DCTF, e invocou o princípio da verdade material, para pleitear o reconhecimento do indébito, que decorreria de Fl. 1250DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-005.900 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13839.907936/2016-28 revisão do cálculo dos ajustes de preço de transferência, quando teria reduzido os respectivos ajustes de R$ 11.205.578,40 para R$ 918.993,69. Na decisão de primeira instância, apontou-se que o único elemento de prova apresentado pela Recorrente, para comprovar o seu crédito, seria planilha por ela própria elaborada, a qual estaria desacompanhada dos necessários documentos comprobatórios. Destacou que sequer teria havido a retificação da DCTF correspondente, e não teria sido apresentado impedimento para sua realização. Por fim, apontou que a retificação da DIPJ seria intempestiva, por haver sido realizada após mais de cinco anos do ano-calendário correspondente. Após a ciência da referida decisão, foi apresentado Recurso Voluntário, no qual a Recorrente afirma que a ausência de retificação de DCTF não inviabiliza o reconhecimento do crédito; que o cálculo correto da CSLL foi realizado na DIPJ retificadora apresentada antes da formalização da DComp; e que, ainda que assim não tivesse ocorrido, o crédito pleiteado seria comprovado a partir da análise dos documentos juntados aos autos e à disposição da autoridade fiscal. Fornece detalhes acerca da revisão efetuada nos ajustes relacionados ao preços de transferência, que, em essência, decorrem da adoção de programa extrator de informações em substituição à extração manual anteriormente realizada, para a identificação das operações sujeitas ao citado ajuste. Alternativamente ao pedido de reconhecimento do seu direito creditório, pugnou pela declaração de nulidade do acórdão recorrido, para que, superada as questões prejudiciais da ausência de retificação da DCTF e tempestividade da retificação da DIPJ, seja realizada a efetiva análise do crédito compensado. É o Relatório. Fl. 1251DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-005.900 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13839.907936/2016-28 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado da decisão de primeira instância, por via eletrônica, em 07 de fevereiro de 2020 (fl. 332), tendo apresentado o seu Recurso Voluntário em 10 de março do mesmo ano (fl. 333), dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Recurso é subscrito por procuradores da pessoa jurídica, devidamente constituídos às fls. 365/366. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Arts. 2º, inciso II, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. DA NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO Conforme relatado, a Recorrente pugna pela declaração de nulidade da decisão de primeira instância, para que “superada a questão prejudicial da ausência de retificação da DCTF e/ou tempestividade da retificação da DIPJ, o crédito em discussão seja efetivamente analisado”. A arguição é absolutamente improcedente. Como é sabido, as causas de nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, consistindo, basicamente, na incompetência da autoridade e no cerceamento do direito de defesa: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. No caso em apreço, não se vislumbra nenhuma das referidas causas. Fl. 1252DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-005.900 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13839.907936/2016-28 A decisão recorrida foi proferida por autoridade competente e não se observa qualquer prejuízo ao direito de defesa da Recorrente. As prejudiciais apontadas no Recurso foram fundamentos adotados pelos julgadores a quo, como reforço para o seu principal argumento para o não reconhecimento do direito creditório, que foi a ausência de apresentação de prova por parte do sujeito passivo. Todos os referidos fundamentos devem ser examinados como matéria de mérito, inclusive, sob a ótica da possibilidade de superação de questões prejudiciais e devolução dos autos para prosseguimento da análise do crédito, sem que isso importe em nulidade do Acórdão recorrido. Deste modo, rejeito a alegação de nulidade. DAS PREJUDICIAIS Como já abordado, na decisão recorrida, os julgadores de primeira instância mencionam duas questões prejudiciais à análise do mérito do direito creditório compensado pela Recorrente. DA AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF Em primeiro lugar, menciona-se o fato de que não teria sido promovida a retificação da DCTF relativa ao 4º trimestre do ano-calendário de 2010, o que seria essencial “para que um pagamento possa ser considerado como um possível pagamento a maior, exceto se houver algum impedimento para que o contribuinte faça a retificação, o que não foi nem alegado”. No Recurso Voluntário, a Recorrente sustenta que “apesar de a DCTF ser o documento que se presta para constituir débitos e créditos federais, a falta de retificação desta declaração não pode ser motivo suficiente para a não homologação da DCOMP”. Além disso, apontou que, desde 1º de janeiro de 2016 já teria se esgotado o prazo para a apresentação de DCTF retificadora, de modo que estava impedida de transmiti-la. De fato, a ausência de retificação tempestiva da DCTF não pode se constituir em óbice intransponível à restituição/compensação de direito creditório, quando haja a efetiva comprovação da existência deste, por meio de documentos hábeis e idôneos. Tal entendimento encontra amparo no próprio Parecer Normativo Cosit nº 2, de 2015, que admite a retificação posterior ao Despacho Decisório da autoridade administrativa e possibilita a comprovação por outros meios de prova, conforme trechos a seguir de sua ementa: Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. (...) A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazê-la em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. No mesmo sentido, a jurisprudência do CARF, como se exemplifica pelo julgado a seguir ementado: Fl. 1253DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-005.900 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13839.907936/2016-28 UTILIZAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. COMPROVAÇÃO. Ainda que não retificada a DCTF correspondente, o sujeito passivo pode comprovar o indébito por outros meios ao longo do contencioso administrativo fiscal. Afastada aquela exigência posta no acórdão recorrido para deixar de apreciar os demais elementos e alegações dos autos acerca do indébito utilizado em compensação, impõe-se o retorno dos autos ao Colegiado a quo. (Acórdão nº 9101-005.545, de 12 de agosto de 2021, Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa) A conclusão a que se chega é que, embora dada a sua natureza de confissão de dívida, o conteúdo da DCTF seja relevante meio de prova da (in)existência do crédito tributário, não é um requisito imprescindível para a análise da liquidez e certeza do direito creditório. A existência de provas hábeis e idôneas do indébito é que, de fato, constitui condição sine qua non dos citados requisitos. Deste modo, conclui-se ser possível ser superada a exigência apontada na decisão recorrida. DA INTEMPESTIVIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DIPJ No Acórdão recorrido, aponta-se que a retificação da DIPJ relativa ao ano-calendário de 2010, realizada pela Recorrente, apenas, em 29 de janeiro de 2016, seria intempestiva e os dados inseridos na declaração retificadora não poderiam ser considerados, uma vez que efetuada após o prazo de cinco anos do citado ano-calendário. Nos termos do art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (Destacou-se) Como se observa pelo teor do trecho destacado, tendo decorrido o prazo de cinco anos desde o fato gerador, não provadas as ocorrências de dolo, fraude ou simulação, considera-se definitivamente homologado o lançamento e extinto o crédito correspondente, desde, é óbvio, que exista pagamento/confissão do crédito tributário. Tal entendimento se alinha àquele consagrado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em relação à decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário, no que tange aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, por meio de julgamento do Resp n° 973.733/SC (Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009), julgado sob a sistemática do artigo 543-C, do antigo CPC (e de observância obrigatória pelos órgãos do CARF, por força do disposto no art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Fl. 1254DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-005.900 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13839.907936/2016-28 Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015), cuja ementa se transcreve: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Fl. 1255DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1302-005.900 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13839.907936/2016-28 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008 (Destacou-se) No caso sob análise, a Recorrente confessou o crédito tributário relativo à estimativa de CSLL referente ao período de dezembro de 2010, por meio da DCTF apresentada em 14 de setembro de 2011, no valor de R$ 1.149.840,88 (fl. 36) 1 . O citado crédito foi extinto na forma dos pagamentos realizados em 31 de janeiro de 2011 e 30 de junho de 2011 (fl. 23). Deste modo, em 31 de dezembro de 2015, operou-se a homologação tácita do lançamento e a extinção definitiva do crédito tributário relativo à CSLL devida em dezembro de 2010. Além disso, correto o entendimento manifesto na decisão recorrida no sentido da prescrição do direito de se promover a retificação da DIPJ referente ao ano-calendário de 2010, conforme entendimento que se extrai do Parecer Cosit nº 48, de 1999, e Solução de Consulta Interna Cosit nº 21, de 2005. A questão que se deve enfrentar, contudo, é: apesar de, à data da apresentação da DComp, já haver operado a homologação tácita do lançamento, a extinção definitiva do crédito tributário e a prescrição do direito de se retificar a DIPJ em relação a determinado tributo e fato gerador, seria possível se reconhecer o indébito em relação a pagamento a eles atrelado, mas efetuado a menos de cinco anos, como no caso sob análise? A posição deste Relator, para guardar coerência com aquela que adoto em relação ao conflito restituição/compensação versus decadência do direito de se constituir crédito tributário é no sentido de responder afirmativamente à indagação. Uma vez provada, por meio de documentos hábeis e idôneos, a liquidez e certeza do direito creditório, e tendo o pleito de restituição/compensação sido apresentado no prazo de cinco anos previsto no art. 168, inciso I, do CTN, deve ser reconhecido o direito creditório. Neste sentido, apesar de reconhecer a prescrição do direito de se retificar a DIPJ, afasto a imposição de tal óbice ao reconhecimento do crédito compensado. Em decorrência da determinação constante do art. 63, §8º, do RI/CARF, porém, registro que o fundamento adotado pela maioria do Colegiado foi o de que a questão da retificação da DIPJ não é relevante para a análise do direito creditório invocado. O essencial é a existência das provas hábeis e idôneas do referido direito, sendo desnecessária qualquer análise acerca da homologação do lançamento, da extinção definitiva do crédito tributário e da prescrição do direito de se retificar a DIPJ. DO MÉRITO Superadas as referidas prejudiciais, chega-se ao cerne da discussão, a Recorrente conseguiu demonstrar, por meio de provas hábeis e idôneas, a liquidez e certeza do direito creditório alegado, para possibilitar a compensação declarada? No Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido uma vez que o pagamento permanecia integralmente alocado ao débito confessado, já que a Recorrente não teria tido a diligência de retificar as informações na DCTF, para evidenciar o valor do débito que entendia efetivamente devido. 1 A referida DCTF é retificadora. Não consta dos autos DCTF anterior, de modo a se saber desde quando o crédito tributário estava confessado. Fl. 1256DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1302-005.900 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13839.907936/2016-28 Para os julgadores de primeira instância, com a Manifestação de Inconformidade, não foram apresentadas provas hábeis a comprovar o indébito, conforme trecho a seguir: Na manifestação de inconformidade a interessada alega que por possuir operações comerciais e financeiras com partes relacionadas sediadas em outras jurisdições tributárias, está sujeita às regras dos preços de transferência instituídas pela Lei nº 9.430/96, e que após a revisão do cálculo dos ajustes de preço de transferência verificou havia sido adicionado originalmente à apuração da base de cálculo da CSLL a título de “Ajustes Decorrentes de Métodos - Preços de Transferências” o valor de R$ 11.205.578,40, sendo que o valor correto do ajuste devido era de R$ 918.993,69. Afirma que apresentou em 29 de janeiro de 2016 a DIPJ Retificadora, demonstrando que o valor efetivamente devido a título de estimativa de CSLL de dezembro de 2010 era de R$ 2.459.400,26, o que acabou por gerar pagamento indevido de CSLL no valor de R$ 925.792,62. Admite que cometeu um equívoco formal ao deixar de retificar sua DCTF a fim de refletir o valor correto do débito da estimativa de CSLL devida, o qual, por outro lado, foi devidamente informado na DIPJ Retificadora. Ocorre que não há no processo nenhuma prova sobre o alegado, consta apenas uma planilha denominada “Relatório Ajuste Fiscal - Importação IN 243/02 - CIF + II” (fls. 260 e 261). Ora, planilha não é prova, serve para resumir e ordenar dados que constam em documentos que comprovam os dados insertos na planilha, ou seja, serve apenas para auxiliar no entendimento das provas. Trata-se de documento elaborado pelo próprio contribuinte que para ter alguma validade tem que estar acompanhado de documentos que comprovem o que nela foi alegado. Na verdade, não consta do processo nenhum documento que comprove o crédito da interessada. Apenas com o Recurso Voluntário, a Recorrente apresenta maiores detalhamentos acerca da revisão de cálculo por ela realizada na apuração da CSLL referente ao período de apuração de dezembro de 2010, bem como junta aos autos documentos comprobatórios dos supostos equívocos cometidos na primeira apuração. Conforme alega, [...] identificou alguns erros na captura manual de informações do seu banco de dados para o cálculo do Ajuste de TP do período, o que resultou em 4 (quatro) alterações substanciais quando da realização de captura mediante a utilização de sistema informatizado, a seguir discriminadas. (i) excluiu do cálculo original materiais que foram equivocadamente considerados, mas não estão sujeitos às regras de preço de transferência (e.g., aquisições de empresas não vinculadas); (ii) incluiu no novo cálculo materiais que não foram considerados na apuração original, mas que estão sujeitos às regras de preço de transferência; (iii) alterou o método de aferição de preço-parâmetro para alguns materiais; e (iv) corrigiu o valor das variáveis consideradas para a aferição do preço- parâmetro de alguns materiais. A par disso, apresenta, com a peça recursal, oito grupos de documentos comprobatórios (fls. 381/1.246), conforme a seguir explicitados Doc_Comprobatorios01.pdf – Cálculo de Ajuste de TP errado, refletido na DIPJ 2010/2011 original; Fl. 1257DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1302-005.900 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13839.907936/2016-28 Doc_Comprobatorios02.pdf – Cálculo de Ajuste de TP correto, refletido na DIPJ 2010/2011 retificadora; Doc_Comprobatorios03.pdf – DIs relacionadas ao material STN35389, excluído do segundo cálculo, por ser importado de pessoa jurídica não vinculada; Doc_Comprobatorios04.pdf – DIs relacionadas ao material SP1723, excluído do segundo cálculo, por ser importado de pessoa jurídica não vinculada; Doc_Comprobatorios05.pdf – DIs relacionadas ao material I36270, excluído do segundo cálculo, por ser importado de pessoa jurídica não vinculada; Doc_Comprobatorios06.pdf – DIs relacionadas ao material I82306/100D, que sofreu alteração de método no segundo cálculo; Doc_Comprobatorios07.pdf – DIs relacionadas ao material 3TD04322R27, cujos valores foram corrigidos no segundo cálculo; Doc_Comprobatorios08.pdf – DIs relacionadas ao material STN31450/065A20UL, cujos valores foram corrigidos no segundo cálculo. Ainda que os referidos documentos pudessem ter sido apresentados juntamente com a Manifestação de Inconformidade, hipótese em que teriam sido apreciados pelo julgador de primeira instância, considero aceitável a sua juntada neste instante, posto que, como invocado pela Recorrente, a apuração dos ajustes relativos a preços de transferência se faz a partir de memórias de cálculos internas, e os documentos apensos ao Recurso se contrapõem ao fundamento de que a Planilha de fls. 260/261 e a DIPJ retificadora seriam insuficientes para a referida comprovação, o que estaria abarcado pelo art. 16, §4º, alínea c) do Decreto nº 70.235, de 1972. A questão, contudo, é que mesmo com os novos elementos de prova apresentados não fica comprovada a liquidez e certeza do crédito alegado. É importante destacar, de logo, que o exame completo dos documentos apresentados e das alegações de equívocos no cálculo dos ajustes de preço de transferência não pode ser realizado nesta instância julgadora, posto que os Conselheiros não tem acesso aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal e à escrituração comercial da Recorrente, de modo a verificar a correção das informações contidas nos referidos documentos. Tal fato poderia justificar a conversão do julgamento em diligência, para a realização dos exames em questão. Contudo, para que se chegasse a tal decisão, seria necessário que a análise prévia dos elementos de prova conduzissem a uma mínima certeza acerca do direito alegado e à verossimilhança das alegações. Em sentido diverso, contudo, o exame dos elementos de prova revela contradições e ausência de demonstração da multicitada liquidez e certeza. Em primeiro lugar, nos dois primeiros grupos de documentos, a Recorrente apresenta duas planilhas com a demonstração de cálculos dos ajustes de preços de transferências. Da comparação entre os demonstrativos, constata-se que houve significativa redução dos produtos sujeitos aos citados ajustes. A primeira planilha tem seis páginas e a segunda, apenas, duas. Apesar de a referida redução ser justificada, genericamente, pela alegação da Recorrente de que “excluiu do cálculo original materiais que foram equivocadamente considerados, mas não estão sujeitos às regras de preço de transferência (e.g., aquisições de empresas não vinculadas)”, era essencial à demonstração do credito que, para cada produto Fl. 1258DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 1302-005.900 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13839.907936/2016-28 excluído, houvesse a comprovação do fato alegado, ou seja, de que o produto não se sujeitava às regras de preço de transferência. A Recorrente, entretanto, apresenta elementos de prova em relação a, apenas, três produtos (conforme Anexos Doc. 03, Doc. 04 e Doc. 05). A par disso, nos Doc. 03 e 05, os produtos são importados da Sociedade Española de Frenos Calefacción y Señales, S.A., a qual, de acordo com as informações constantes do seu site na internet, faz parte do grupo Knorr-Bremse desde 1989 (https://rail.knorr-bremse.com/es/es/about-us/knorr- bremse-in-spain/). Do cotejo das planilhas, observa-se, ainda, que, no demonstrativo que a Recorrente aponta como sendo como equivocado (Doc. 01), os métodos adotados foram o PRL60 e o PRL20, com a aplicação a alguns produtos do método PIC. Na nova planilha (Doc. 02), de outra parte, há diversos produtos para os quais foi selecionado o método CAP. Há alteração de diversos parâmetros para os mesmos produtos, nas duas planilhas, sem que sejam apresentados os elementos necessários, para se demonstrar a correção da segunda apuração e o equívoco cometido na primeira. A alteração de método é ilustrada para, apenas, um produto, conforme o Doc. 06. Alterou-se do método PRL60 para o método PIC. Ocorre que, os elementos de prova apresentados somente revelam como se chegou aos novos parâmetros. Não há a demonstração de qual o equívoco cometido no cálculo anterior. Por exemplo, o preço FOB médio em Reais foi alterado de R$ 2.634,02 para R$ 2.024,73. Não se sabe, porém, como havia sido calculado o primeiro valor e quais as alterações realizadas (produtos excluídos?, erros em valores?), para se chegar ao novo parâmetro. Mesmo quanto aos produtos em que teria cometido equívoco nos primeiros cálculos realizados, os elementos de prova apresentados se restringem a demonstrar a nova apuração (Doc. 07 e Doc. 08), sem, mais uma vez, demonstrar-se como havia sido determinado o primeiro valor e quais as alterações realizadas. A conclusão a que se chega é que a Recorrente não se desincumbiu do ônus de comprovar a liquidez e certeza do direito creditório compensado, de modo que correta a decisão recorrida. A precariedade das provas apresentadas, em relação a tão substanciais alterações de cálculos (lembre-se que a Recorrente pretende reduzir os ajustes de preços de transferências de R$ 11.205.578,40 para R$ 918.993,69) se revela em um grau que não ampara, nem mesmo a conversão do julgamento em diligências, já que seria necessária um ampla instrução processual com a apresentação de todas as provas ainda não apresentadas, o que, como tenho, recorrentemente, afirmado, não se coaduna com o escopo das diligências determinadas pelos julgadores administrativos no processo administrativo fiscal. O momento de apresentação das provas pelo sujeito passivo é com a apresentação da Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sendo admitido o complemento com o Recurso Voluntário, nas situações amparadas pela legislação. Não se pode, entretanto, admitir, ainda mais em sede de julgamento de segunda instância, que a diligência seja realizada para a apresentação das provas que deveriam ter sido já apresentadas pelo contribuinte juntamente com os seus recursos. A Recorrente chega a afirmar que “dispõe de ampla documentação a ser submetida à análise da D. Fiscalização, da D. DRJ ou deste C. CARF, na hipótese de ser identificado algum questionamento nos seus cálculos”. Ora, se possui em seu poder a documentação comprobatória do seu direito creditório, deveria haver, desde o inicio, juntado aos autos. Não o fazendo, deixa de comprovar a liquidez e certeza do crédito compensado. Fl. 1259DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 1302-005.900 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13839.907936/2016-28 Por todo o exposto, vota-se por REJEITAR A PRELIMINAR DE NULIDADE, e, no mérito, POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente Redator Fl. 1260DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10070.001227/2002-72
Data da sessão: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1101-000.006
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto do relator. O conselheiro José Sérgio Gomes acompanha pelas conclusões quanto a diligência para que seja intimada apenas a contribuinte para comprovar o oferecimento à tributação dos rendimentos e a contabilização da fonte retida.
Nome do relator: JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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MINISTÉRIO DA FAZENDA . CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS t: --,, PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n°n° 10070.001227/2002-72 Recurso n° 164.117 Voluntário Resolução n° 1101-00.006. — P Câmara / 1' Turma Ordinária Data 17 de junho de 2009 Assunto IRF - Ano(s): 2001 Recorrente COMPANHIA SIDERÚRGICA NACIONAL Recorrida 3' TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ I , Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto do relator. O conselheiro José Sérgio Gomes acompanha pelas conclusões quanto a diligência para que seja intimada apenas a contribuinte para comprovar o oferecimento à tribu . ão dos rendimentos e a contabilizacão da fonte retida 4 ,AN ON PRAGA - Preside , te ., .., .. '?---- I JOÃO CARLOS D IMA JUNIOR - Relator EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Sandra Maria Faroni, Valmir Sandri, Aloysio José Percinio da Silva, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (Vice- Presidente), João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, José Sergio Gomes (suplente convocado) e. Antonio Praga (Presidente da Câmara). 4/7, 1 Processo n° 10070.001227/2002-72 S1-C1T2 • Resolução n.° 1101-00.006. Fl. 2 RELATÓRIO Trata-se de pedido de restituição e pedidos de compensação convertidos em Declarações de Compensação — Dcomp e Dcomp eletrônicas. O recorrente pleiteava a restituição de R$ 160.043.790,86 (cento e sessenta milhões, quarenta e três mil, setecentos e noventa reais e oitenta e seis centavos), referente a saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, atualizado, apurado na Declaração de Imposto de Renda, ano calendário 2001; e a posterior compensação deste valor com débitos de IRRF, IPI, PIS e COFINS. Através do Despacho Decisório — Parecer n° 65/2007 (fls. 1043/1047), houve o reconhecimento parcial do crédito e foram homologadas as compensações, até o limite do direito creditório reconhecido. O Despacho decisório reconheceu à recorrente o direito creditório no valor de R$ 150.299.201,06 (cento e cinqüenta milhões, duzentos e noventa e nove mil, duzentos e um reais e seis centavos). A recorrente, então, apresentou manifestação de inconformidade (fls. 1080/1085), na qual alegou que o valor do crédito, em 31/12/2001, não seria de apenas R$ 150.299.201,06 (cento e cinqüenta milhões, duzentos e noventa e nove mil, duzentos e um reais e seis centavos), mas sim de R$ 151.310.083,43 (cento e cinqüenta e um milhões, trezentos e dez mil e oitenta e três reais e quarenta e três centavos). A diferença seria oriunda de erro na elaboração dos cálculos, especificamente, de erro constante no quadro de fls. 1045, em relação ao valor do IRRF - código de retenção 3426. Alegou, ainda, que a divergência em relação ao valor de R$ 8.742.489,20 (oito milhões, setecentos e quarenta e dois mil, quatrocentos e oitenta e nove reais e vinte centavos) seria oriunda da atualização do crédito, feita com base na variação da taxa SELIC. A Delegacia de Receita Federal de Julgamentos indeferiu a solicitação da recorrente (fls. 1121/1123), sob argumento de que a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte apresentada, tendo o recorrente como interessado, espelha exatamente os números considerados pela fiscalização, qual seja, o valor de R$ 150.299.201,06 (cento e cinqüenta milhões, duzentos e noventa e nove mil, duzentos e um reais e seis centavos). Assim o quadro demonstrativo de fls. 1045 estaria rigorosamente de acordo com a DIRF. Intimada em 05/11/2007, a recorrente apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário, no qual alega que o problema em relação aos valores do crédito se resume ao montante retido por duas fontes pagadoras: Bradesplan Participações S/A e Ita Energética S/A. Segundo o recorrente, os valores informados pelas empresas não corresponde ao valor informado pela fiscalização no quadro de fls. 1045. Para comprovar o alegado, traz a recorrente aos autos os documentos de fls. 1173/119 e 1194/1196, quais sejam, cópia da ficha 43 da DIPJ 2002 e comprovantes de 2 Processo n° 10070.001227/2002-72 S1-C1T2 Resolução n.° 1101-00.006. Fl. 3 rendimentos pagos ou creditados e de retenção de imposto de renda na fonte, onde constam os valores supostamente não considerados pela fiscalização; e cópia do recibo de entrega da Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte enviada pelo contribuinte Bradesplan Participações S/A, respectivamente. Requer, então, a realização de diligências para que sejam verificados os valores retidos informados e, após a confirmação da exatidão dos mesmos, seja reconhecido o crédito e autorizadas as compensações. É o relatório. 712(7-- 3 Processo n° 10070.001227/2002-72 SI-C1T2 Resolução n.° 1101-00.006. Fl. 4 VOTO Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR O recurso é tempestivo e apresentado por parte legítima, o que enseja no seu conhecimento. A fiscalização, ao realizar os trabalhos de verificação dos valores informados pela recorrente no pedido de restituição formulado, entendeu que os créditos pleiteados não estavam corretos. Para embasar a decisão de fls. 1043/1047, elaborou a fiscalização quadro demonstrativo de fls. 1045. Referido quadro demonstrativo, por sua vez, foi elaborado com os valores constantes na Declaração de Imposto de Renda retido na Fonte — DIRF (fls. 862), que possuía a recorrente como interessada. A recorrente, por sua vez, embasado nos documentos de fls. 1187 e 1190, informa que os valores constantes na DIRF é que estão equivocados, o que teria levado a fiscalização a, indevidamente, indeferir a restituição da parte dos créditos pleiteados. Segundo a recorrente os erros seriam os seguintes: Código de Valor considerado Valor correto Diferença recolhimento pela fiscalização (imposto retido) (imposto retido) 3426 R$ 732.986,25 R$ 1.755.828,10 R$ 1.022.841,90 1708 R$ 458.473,63 R$ 550.061,72 R$ 2.103,51 Por sua vez, os documentos de fls. 1187 e 1190, dão aparente suporte as alegações despendidas pela recorrente. De fato, ambos documentos consistem em "Comprovante anual de rendimentos pagos ou creditados e de retenção de imposto de renda na fonte — pessoa jurídica" aparentemente entregues ao órgão fiscalizador na data correta. Além disso, insta ser registrado que a DIPJ-2002 (ano calendário 2001) apresentada pela recorrente (fls. 101/138) contem as informações relativas às retenções, exatamente da forma como alegado no Recurso Voluntário. Outrossim, não há qualquer documento nos autos que indique se houve eventual entrega de declarações retificadoras (DIRF, DIPJ, ou qualquer outro documento relevante ao • caso), que justificaria a existência de tamanha diferença entre os valores apontados pela fiscalização e pela recorrente. Também não há notícia de que a fiscalização tenha tido acesso aos documentos posteriormente juntados pela recorrente que, supostamente, fazem prova de suas alegações. Há, isso sim, indícios que, em algum lugar do processamento das declarações e valores formados, existe um erro, uma falha. 4 Processo n° 10070.001227/2002-72 S1-C1T2 Resolução n.° 1101-00.006. Fl. 5 Tal imperfeição, contudo, somente pode ser superada através da análise criteriosa de todas as declarações entregues, devendo ser confrontados os valores informados, • datas das entregas e demais informações relevantes ao caso. E, esta análise deve ser feita pela fiscalização, a quem incumbe a tarefa de verificação dos procedimentos adotados pelos contribuintes. Assim, os fatos a serem apurados pela fiscalização são os seguintes: 1) se os valores informados no quadro demonstrativo de fls. 1045 englobam todas as retenções sofridas pela recorrente, notadamente aquelas realizadas através dos códigos de arrecadação 3426 e 1708; 2) se os valores retidos pela empresa Bradesplan Participações S/A, informados pelo recorrente, supostamente comprovados através do documento de fls. 1187, estão de fato corretos, através da realização de diligências naquela fonte pagadora; 3) se os valores retidos pela empresa lia Energética S/A, informados pela recorrente, supostamente comprovados através do documento de fls. 1190, estão de fato corretos, através da realização de diligências naquela fonte pagadora. Assim, diante do exposto, voto o sentido de converter o julgamento em diligência para que sejam esclarecidos os questi amentos supracitados. JOÃO CARLOS DE I A JUNIOR - Relato • 5
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Numero do processo: 10980.004180/2002-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 01 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Jul 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/06/1999 a 31/10/2001
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. CONHECIMENTO.
Cabe As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgar a manifestação de inconformidade tempestivamente apresentada contra despacho decisório proferido em processo administrativo de restituição, ressarcimento ou compensação relativo a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 3402-000.689
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para afastar a preliminar de não-conhecimento e determinar o retorno dos autos à instância julgadora a quo para que prossiga no julgamento do mérito. Vencido o Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça (Relator) que anulava a decisão recorrida. Designada a Conselheira Silvia de Brito Oliveira para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D' EÇA
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇA0 DE JULGAMENTO Processo n° 10980.004180/2002-36 Recurso n° 250.511 Voluntário Acórdão n° 3402-00.689 — 4° Camara / 2' Turma Ordinária Sessão de 1 de julho de 2010 Matéria COFINS/PIS - RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - BASE DE CALCULO - ICMS SUBSTITUIÇÃO Recorrente SPAIPA S/A INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Period° de apuração: 01/06/1999 a 31/10/2001 RE STITUIÇÃO/COMPEN S AÇA.O. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. CONHECIMENTO. Cabe As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgar a manifestação de inconformidade tempestivamente apresentada contra despacho decisório proferido em processo administrativo de restituição, ressarcimento ou compensação relativo a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a preliminar de não-conhecimento e determinar o retorno dos autos á. instancia julgadora a quo para que prossiga no julgamento do mérito. Vencido o Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça (Relator) que anulava a decisão recorrida. Designada a Conselheira Silvia de Brito Oliveira para redigir o voto vencedor, Naq. Bast fficdhatta - Presidenta VACUA "(kO s(4/ 447/../ 4 Fernand e Luiz da Gama Lobo D'Eça — Relator EDITADO EM 17/08/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Ali Zraik Júnior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Leonardo Siade Manzan e Nayra Bastos Manatta. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls, 1662/1687 — vol. IV) contra o Acórdão DRJ/CTA 06-15.719 de 10/10/07 constante de fls. 1638/1658 (vol. IV), intimado por via postal em 08/11/07 e exarado pela da 3' Turma da DRJ de Curitiba - PR que, por unanimidade de votos, houve por bem "não conhecer" da manifestação de inconformidade de fls. 1562/1576 (vol. IV), mantendo os ir, Despacho Decisório (fls. 1400/1411) e Despacho Decisório Complementar (fls.1503) ambos da SEORT/DRF/Curitiba-PR, que deferiram parcialmente (R$ 887.543,91) o Pedido de Restituição da COFINS e do PIS de fls. 01 no valor de R$ 1.249.968,23 protocolado em 09/04/02, e o Pedido de Compensação constante de fls. 181 (não homologado R$ 134.192,51), através dos quais a ora Recorrente pretendia ver compensados supostos créditos contra a Fazenda de PIS e de COFINS ern razão de recolhimentos indevidos no valor de R$ L249.968,23 efetuados no período de 06/99 a 10/01 (CF. DARFs e demonstrativos de fls. 02/179) por indevida inserção do ICMS substituição tributária na base de calculo, com débitos vincendos de tributos administrados pela SRF. Os os ir. Despacho Decisório (fls. 1400/1411) e Despacho Decisório Complementar (fls.1503) ambos da SEOR'T/DRF/Curitiba-PR, que deferiram parcialmente (R$ 887.543,91) o Pedido de Restituição da COFINS e do PIS de fia. 01 no valor de R$ 1.249.968,23 protocolado em 09/04/02, e o Pedido de Compensação constante de fls. 181 (não homologado R$ 134.192,51), aos fundamentos de que: "DESPACHO DECISÓRIO 1. Em 09/04/2002, o interessado protocolou Pedido de Restituição de PIS .e de COFINS no valor de RS 1,249.968,23 alegando recolhimento a maior dessas exações durante o período de junho de 1999 até outubro de 2001 (fl. 01). 2. Apresentou os documentos de fls. 02 a 181, dentre os quais, o Pedido/Declaração de Compensação de fl, 181. 3.- Em 15/09/2003, providenciei a Informacão Fiscal de lis, 182 a 184, para solicitar junto ci SAPAC - Seção de Programação, Avaliação e Controle da Atividade Fiscal a determinação de diligência junto ao interessado para que fosse realizada, mediante amostragem, as seguintes tarefas.' • Verificação se os valores constantes das notas fiscais referentes aos períodos de junho de 1999 até outubro de 2001 e que serviram de base de cálculo do PIS e da COFINS incluíam os valores adicionais do ICIVIS recolhido com base na substituição tributária, • Verificação se coda totalização mensal dos valores acima (e que serviram de base de cálculo do PIS e da COFINS) estão de acordo com os valores constantes das notas fiscais devidamente 2 Processo n° 10980.004180/2002-36 S3-C4T2 Acórdão n.°3402-00.689 Fl. 2 escrituradas nos livros contábeisfiscais, ou seja, se na escrita do contribuinte, os totals foram considerados com ci suplemento dos valores do ICMS recolhido com base na substituição tributária. • Verificar mediante comprovantes de reColhimentos mensais (DAR s) do PIS e da COFINS se os valores foram pagos considerando-se as bases de cálculo com o incremento do 1CMS recolhido coin base na substituição tributária. • Verificar se as totalizações (com base nas providências elencadas nos itens anteriores) dos valores do P15 e da COFINS conforme informados pelo interessado em sua planilha de fl 14 referentes aos períodos de apuração dezembro de 1999; março e dezembro de 2000 e janeiro e agosto de 2001 estão corretas. 4. Ent 29/09/2003, a SAPAC encaminhou o processo para o SEF1S-Serviço de Fiscalização para proceder h diligência solicitada 6(1. 185). 5. 0 SEFIS anexou ao processo os documentos de/is. 186 a 206 6. Em 16/04/2004, providenciei a Intimação SEORT/EQARC n" 0.59/2004 para requerer do interessado. providencias com relação à retificações de DCTF's e/ort DIP,Ps e a apresentação de documentos conexos com as ações judiciais que serviram de suporte para compensar/suspender valores devidos e informadas em .DCTF's relativamente ao PIS e COTINS compreendidos no interregna temporal que o interessado pleiteou a restituição (fls. 207e 208). 7. Em atendimento à Intimação, o interessado apresentou os documentos de/is. 210 a 380. 8. Mediante requerimento da EQCAJ/DRF-CTA, o interessado anexou ao processo os documentos de fls.. .5.37 a 1230 contemplando cópias de ações judiciais. 9. Em 12/09/2005, a EQCAJ-DRF-CTA providenciou a Informação Fiscal delis. 1233 e 1234. 10. Em 23/09/2005, esta Equipe providenciou nova informação Fiscal a ser encaminhada para a EQCAJ-DRF-CTA onde foi requerida suplementares providencias àquela Equipe conexas ao tema em debate (fls. 1235 a 1237). 11. Foram anexados ao processo os documentos de fly. 1240 a 1266. 12. A EQCAJ-DRF-CTA providenciou a confecção das planilhas de/Is. 1267a 1389. 13. Conforme documento de/is. 1392 a 1397, o SECAT-EOCAJ- DI?F—CTA emitiu o Termo de Encerramento da diligência efetuada junto ao contribuinte da qual o mesmo foi cientificado em 28/07/2006 (fl. 1297). pig 3 14. Em 02/08/2006, o processo retornou para esta Equipe (li. 1399), 15, Anexei ao processo os documentos de fis. 38,3 a 536 contemplando. • Cópias dasfichas 32 A - Cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP integrantes das D1RI's contemplando os anos calendários de 199.9 até 2001 (fis 383 a 444). • Cópias das DCTF's contemplando os periodos de apt, ação 06/1999 até 10/2001 relativamente ao PIS (lis. 384 a 445). • Pesquisa junto ao sistema de informações SINAL 09 para confirmar valores de PIS recolhidos pelo interessado (fls. 446 a 449). • Pesquisa junto ao sistema de informações SINAL DEP para confirmar valores de PIS depositados pelo interessado (lls. 450 a 455) • Copias das fichas 33 A - Cálculo da COFINS integrantes das DIPTs contemplando os anos calendários de 1999 até 2001 (lIs. 456 a 524). • Cópias das DCTF's contemplando os períodos de apuração 06/1999 até 10/2001 relativamente a COFINS (lis. 457 a 525). • Pesquisa junto ao sistema de informações SINAL 09 para confirmar valores de COFINS recolhidos pelo interessado (lls. 527a 529) • Pesquisa junto ao sistema de infOrmações SINAL DEP para confirmar valores de COFINS depositados pelo interessado (fls. 530a 536) 16. É o relatório, 17. 0 interessado anexou cópia de decisões de soluções de consultas n° 140/96 (lIs, 02 e 03) e n° 139/96 (fls. 08 e 09) com resultados favoráveis ao considente n,o sentido de que, como contribuinte substituto tributário, não integraria a base de cálculo da COTINS e do PIS, a pal cela do ICMS uma vez que este valor será computado na base de cálculo das contribuições quando recolhida pelo contribuinte substituído, 18. Ainda, de acordo com cópias das decisões anexadas e nos termos do art, 57 do Decreto n° 70,235/72, recorreu-se de oficio das decisões mencionadas uma vez que suas eficácias estavam condicionadas à confirmação, em pronunciamento definitivo, do Sr. Coordenador do Sistema de Tributação. 19. Uma vez que o contribuinte não anexou documentos comprobatórios da solução definitiva das consultas, solicitei O desarquivamento dos processos de consultas conexos a este processo, identificados como sendo os de Os 10980,008414/96- 23 ('decisão nO 140/96) e 10980,008412/96-06 (decisão n° 139/96), N't 4 Processo n° 10980 004180/2002-36 S3-C4T2 Acórdão n ° 3402-00.689 Fl 3 20. De acordo coin despachos anexados ao processo e com base no art. 48 § 13 da Lei n° 9.430/96 e no art. 15 da IN SRF n° 02/97, desde 1° de Janeiro de 1997, cessaram todos os efeitos decorrentes das consultas não solucionadas' definitivamente, consideradas como tais as que se encontravam, à época, em grau de recurso, voluntário ou de oficio, à Coordenação do Sistema de Tributação, o que é o caso da presente análise. 21. Apesar do contribuinte não haver protocolado nova consulta referente ao assunto; administrativamente, está correta a sua alegação de que o valor do ICMS recolhido com base no instituto da substituição tributária não deve ser incorporado ti base de cálculo do PIS e da COFINS. 22.. Assim, cabe razão ao interessado relativamente ao seu pleito de restituição conforme documento de fl. 01, crédito este que o contribuinte requer seja utilizado para compensa cão dos debitas elencado.s 110 Pedido de Compensação de IL 181 23. No entanto, devido ao montante signgicativo do valor pleiteado (R$ 1.249.968,23) e tendo em vista que os documentos comprobatórios apresentados pelo interessado referem-se a dados extraídos de sua escrita contábil; foi solicitado à SAPAC - Seção de Programação, Avaliação e Controle da Atividade Fiscal (fls, 182 a 184) a realização de diligencia junto ao contribuinte para verificar; por amostragem, as providencias já especificadas no Relatório. 24_ De acordo coin o art. 3° da Lei no 9.718 de .27/11/1998, tem- se, in verbis: 'Art 3° 0 faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § I° entende-se por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificacdo contábil adotada para as receitas. ,sS. 2° Para . fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. .2°, excluem-se da receita bruta. I - as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados - e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e interinunicipal e de Comunicação - ICMS, Quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário: " (grifo nosso). 25. Em atendimento a solicitação, a SAPAC encaminhou o processo para o SEF1S Serviço de Fiscalização que promoveu diligência junto ao contribuinte cujo resultado, confirme documento de fls. 205 e 206, infirma que, após verificação por amostragem, constatou-se que foram incluídos nas bases de 5 cálculo do PIS e da COFINS os valores adicionais do ICMS recolhidos corn base na substituição tributária, 26, A IL 16, o interessado apresenta resumidamente, 'as a mês, O valor total da base de cálculo do PIS e da COFINS e os valores dessas exações recolhidos/pagos indevidamente/a maior considerando o período de 06/1999 até 10/2001. 27. A' fl. 17, apresenta o valor total da base de calculo e a distribuição desse valor total considerando cada uma das unidades operacionais (filiais) da empresa 28. As fls.. 18 a 160, o interessado apresenta, analiticamente, o valor da base de cálculo mensal para cada uma de suas unidades operacionais, considerando-se os produtos expedidos, e que serviram de suporte para os cálculos sintéticos apresentados nas planilhas delis. 16 e 17, 29. Conforme planilha de if 16, os valores de PIS e CORNS recolhidos indevidamente ou a maior estão demonstrados no quadro ilustrado a seguir Quadro 1 - PIS e COF1NS - Valores recolhidos a maior/indevidamente de acordo com informações do contribuinte 30. Levando-se em consideração que o pleito de restituição contempla o período de 06/2000 até 10/2001, fez -se necessário realizar as verificações das informações/declarações que o contribuinte prestou h Secretaria da Receita Federal, relativamente ao PIS e ei COFINS, no período identificado, tanto nas Declarações de Imposto de Renda-Pessoa Jurídica - D1PJ's corno nas Declarações de Contribuição e Tributos Federais - DCTF's urna vez que a restituição, em tais casos, somente é possível se os valores de ambos' tributos estejam quitados no período abrangido pelo pleito. 31, Esta verificação foi feita a partir dos documentos anexados ao process° às /Is. 383 a 525. 32. Após a análise de todas as quitações infirmadas pelo interessado, resultou que as imicas confirmações a serem ratificadas se referiam as quitações do PIS contemplando os períodos de apuração de 11/1999 até 02/2001 e conexos corn a Ação Judicial n° 97.0025959-5 (ver DCTF's referentes aos períodos de apuração 11/1999 até 02/2001 - 394 a 428). 33, Observe-se que o interessado não apresentou quaisquer Pedidos de RestituiçãO/Compensagão alegando créditos da Ação Judicial mencionada e, assim, de acordo com o art 127, inciso 25, do Regimento Interno da SRF, o processo foi encaminhado para o SECAT—EQCAJ-DRF-CTA para que a alegação do interessado quanto a real existência de créditos de P15 conexos corn a Ação Judicial mencionada e a suficiência de tais créditos para compensar os- débitos informados em DCTF's (notadamente os periodos de apuração 11/1999 até 02/2001 394 a 428) . fosse comprovada. \\k 6 Processo rf 10980 004180/2002-36 S3-C4T2 AcOrdzio n ° 3402-00.689 Fl 4 34. Em 12/09/200.5, o SECAT-EOCAJ-DRF-CTA providenciou a Informação Fiscal, de ,fls. 1233 e 1234, relatando que as compensações de PIS declaradas em DCTF's referentes aos períodos de apuração 11/1999 a 02/2001, e vinculadas ez Ação Ordinária no 97.00259.59-5 seriam improcedentes uma vez que o crédito de PIS, alegado pelo interessado, havia sido extinto em agosto de 1998 e, portanto, não serial?' suficientes para alcançar as compensações em 1999, 2000 e 2001. 35, Tendo em vista esta situação e considerando o pleito do interessado de' valores de PIS referentes aos períodos de apuração que englobam o interregno temporal de 11/1999 a 02/2001, esta Equipe, antes do reconhecimento do direito ao crédito pleiteado, necessitou verificar se a quitação dos valores de PIS conexos com tais períodos de apuração e informados em DCTF's estariam assegurados, fosse mediante a quitação propriamente dita, fosse mediante outras formas de garantia de extinção do débito do interessado. 36. No caso em particular, não foram relatadas na informação de/is. 1233 e 1234, eventuais ações que garantissem o credito da Secretaria da Receita Federal conexos com as compensações atreladas ri Ação Judicial n° 97.0025959-5. 37, Dessa firma, o processo retornou para o SECAT-EQCAJ- DRF-CTA para que fiassem informada.s quais providencias foram ou seriam implementadas para a assegurar que eventual cobrança futura dos valores compensados conexos coin ação judicial n" 97.00259.59-5 não fosse atacada pelo instituto da decadência/prescrição tributária 38 Tendo em vista o requerido, foi necessária a implementação de diligência junto ao contribuinte conforme documentos de [Is. 1390 e 1391. 39, Asfls. 1392 a 1399, Termo de Encerranzento da diligencia implementada pelo SECAT/EQCAI onde está informado que o crédito de PIS alegado na Ação Judicial no 97.0025959-.5 não foi suficiente para proporcionar cria deferimento/homologação da compensação de parte dos débitos de PIS infirmada pelo responsável nas DCTF's contemplando os períodos de apuração de 11/1999 ate 02/2001. 40. Assim, cabe razão ao interessado o pie ito contemplando a COFINS referente aos períodos de apuração de 06/1999 ate 10/2001 e o PIS referente aos períodos de apuração 06/199.9 ate 10/1999 e de 03/2001 ate 10/2001 conforme quadro a seguir: -) 41. A tabela anterior demonstra que o crédito do interessado soma R$ 887.534,91 contemplando o PIS e a COFINS englobando as períodos de apuração 06/1999 ate 10/2001 a ser acrescido de taxas de juros SELIC a partir do Ines seguinte ao WI do vencimento das tributas. 7 42. Conforme Termo de Encerramento (17s. 1392 a 1399), os débitos remanescentes do excesso de compensagdo e que não firam inchddos no processo de Auto de Infiação n° 10980 000019/00-23 estão sendo cobrados em procedimento administrativo próprio mediante o processo n° 10980 007734/2006-81. 43, Ocorre, no entanto, que relativamente aos períodos de apuração 11/1999 até 02/2001, o interessado, ao incluir na base de cálculo do PIS e da COFINS, o ICAIS recolhido com base na substituição tributária, .fez recolhimentos a maior de PIS conforme quadro 1 anteriormente ilustrado, 44. Tais valores (destacados em negrito no quadro I) deverão ser excluídos dos valores a serem cobrados mediante o processo n" 10980.007734/2006-81 tuna vez que indevidos, 45, Dessa forma, com base no art. 165-1 do CTN, proponho seja reconhecido o direito crediuirio do interessado no valor de R$ 887 534,91 a ser acrescido de taxas de juros SELIC a partir do mês seguinte ao do vencimento dos tributos conforme discriminados no quadro 2 anteriormente ilustrado. 46 A consideração superior [assinatura do AFRF informante, em 20/09/2003] De acordo. RESOLVO reconhecer o direito creditório do interessado no valor de R$ 887.534,91 a ser acrescido de taxas de juros SELIC partir do mis seguinte ao do vencimento dos tributos conforme discriminados no quadro 2, Primeiramente, ao SEORT/EQARC para providenciar cópia deste Despacho Decisório a ser encaminhado para o SECAT/EQCA, para serem implementadas as providências elencadas no articulado 44. Em seguida, ao SEORT/EQLIQ para as providências com relação ao Pedido de Compensação de fl. 181 e cientificar o contribuinte, Em caso de inconformidade, o interessado poderá • manifestd-la Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba no prazo de trinta dias, a contar da data da ciência desta decisão. [assinatura do Chefe do Seort/DRE/Curitiba " Por seu turno a decisão de fls. 1638/1658 (vol. IV), da 3' Turma da DRJ de Curitiba - PR, houve por bem "não conhecer" da manifestação de inconfonnidade de fls. 1562/1576 (vol. IV), mantendo os Ir. Despacho Decisório (fl s. 1400/1411) e Despacho Decisório Complementar (fls.1503) ambos da SEORT/DRF/Curitiba-PR, aos fundamentos sintetizados em sua ementa exarada nos seguintes termos: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS BE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 09/04/2002 declamação de compensação, DÉBITO NÃO CONFESSADO, MANIFESTA CÃO DE INCONFORMIDADE, INC'ABIME'NTO. 8 Processo n0 10980 004180/2002-36 S3-C4T2 Acórdão n.° 3402-00.689 Fl 5 Relativamente aos débitos não confessados pelo sujeito passivo, o lançamento de oficio é o ato jurídico que, no ternos do art. 142 do CT1V, perfaz o único instrumento legal hábil para formalizar a pretensão .fazendária e conferir exigibilidade ao crédito Tributário, razão pela qual o exercício do direito ao contraditório, nestes casos, deve se dar em sede da impugnação ao lançamento, e não via manifestação de inconformidade contra a não-homologagão da declaração de compensação. Impugnação não Conhecida" Nas razões de Recurso Voluntário (fIs. 1662/1687 — vol. IV) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta que a reforma da r. decisão recorrida e a legitimidade do credito compensando, tendo em vista que: a) a nulidade da r. decisão recorrida e do anterior despacho decisório nos termos da legislação de regência do PAF, por preterição aos seus direitos de defesa legal e constitucionalmente assegurados ; b) o direito de efetuar a compensação nos termos da legislação de regência. o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Fernando Luiz da gama Lobo D'Eça, Relator O recurso reúne as condições de admissibilidade e, no mérito merece parcial provimento. Preliminarmente, é inquestionável o direito da ora Recorrente de apresentar manifestação de inconformidade contra a decisão da DRF que federe parcialmente pedido de restituição e compensação deixando de homologar os créditos submetidos a homologação de compensação, assim como é inquestionável seu direito ao exame do mérito pela DRJ, de sua manifestação de inconformidade oportunamente apresentada nos casos de homologação deferida apenas parcialmente, ainda que seja para indeferir o pleito desta última. De fato, ao dispor sobre ao procedimentos administrativos de restituição, ressarcimento e compensação, a Lei if 9430/96 veio a dispor em seu art. 74 que: "Art.. 74. 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (coin redação dada pela Lei n" 10.637, de 30/12/2002 - DOU de 31/12/2002 - Ed. Extra - em vigor desde a publicação, produzindo efeitos a partir de 01/10/2002). 1"A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos 9 débitos compensados (§ 1" acrescido pela Lei n" 10.637, de 30/12/2002 (DOU de 31/12/2002 - Ed. Extra - em vigor desde a publica cão, produzindo efeitos a partir de 01/10/2002) § 2°A compensação declarada a Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação,(' § 2" acrescido pela Lei n" 10,637, de 30/12/2002 - DOU de 31/12/2002 - Ed. Extra - em vigor desde a publicação, produzindo efeitos a partir de 01/10/2002) 4" Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo (§ 4" acrescido pela Lei n" 10.637, de 30/12/2002 - DOU de 31/12/2002 - Ed. Extra - em vigor desde a publicação, produzindo efeitos a partir de 01/10/2002). § 5" 0 prazo para homologação da compensa cão declarada pelo sujeito passivo sod de 5 (cinco anos), contado da data da entrega da declaração de compensagdo.(§ 5" com redação dada pela Lei n" 10.833, de 29/12/2003 - DOU de 30/12/2003 - Ed. Extra A - em vigor desde a publicagtio). § 6" A declaração de compensação constitui confissão de divida e instrument() hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (§ 6" acrescido pela Lei n" 10.833 de 29/12/2003 - DOU de 30/12/2003 - Ed. Extra A - em vigoi desde a publicação). § 7" Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá-lo a efetuai; no prazo de 30 (trinta dias), contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (c 7" acrescido pela Lei n" 10.833, de 29/12/2003 (DOU de 30/12/2003 - Ed. Extra A - em vigor desde a publicação), § 8" Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7", o debito será encaminhado à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Divida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 90 (§ 8" acrescido pela Lei n" 10 833, de 29/12/2003 (DOU de 30/12/2003 - Ed. Extra A - em vigor desde a publicação). § 9" E facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7", apresentar manifestação de inconformidade contra a homologação da da compensagão(§ 9" acrescido pela Lei n" 10 833, de 29/12/2003 - DOU de 30/12/2003 - Ed. Extra A - em vigor desde a publicação,). § 10.. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (§ 10 acrescido pela Lei n" 10.833, de 29/12/2003 (DOU de 30/12/2003 - Ed Extra A - em vigor desde a publicação). § 11, A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os if 9' e 10 obedecertio ao rito processual do Decreto n" 10 Processo n0 10980 004180/2002-36 83-C41. 2 Acórdão n ° 3402-00.689 Fl 6 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (f 11 acrescido pela Lei n°10833, de 29/12/2003 DOU de 30/12/2003 - Ed. Extra A - em vigor desde a publicação). ,§" 14. A Secretaria da Receita Federal - SRF disciplinará o disposto zeste artigo, inclusive quanto à fixa cão de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituiçiio, de ressarcimento e de compensação. 14 acrescido pela Lei n" 11.051, de 29/12/2004 - DOU de 30/12/2004 - em vigor desde a publicação)." Por seu turno, o art. 224, inc. I e § 20 do RI/SRF, aprovado pela Portaria MF 30/05, tal como o antigo RI/SRF/01 (art. 203 da Portaria MF no 259/2001) expressamente estabelece que: 'Art. 2.24. Às Delegacias da Receita Federal de Julgamento - DRJ compete: . I - julgar, em primeira instância, conforme Anexo V, proce.s.sos administrativos liscais de (. ) de manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações dos Inspetores e dos Delegados da Receita Federal em processos administrativos relativos, ci restituição, compensação, ao ressarcimento, à imunidade, à suspensão, à isenção e à redução de tributos e contribuições administrados pela SRF; ( ..) (,-) ss. 2' 0 julgamento de manifestação de inconformidade contra o indeferimento de pedido de restituição ou ressarcimento ou a não-homologação de compensação será realizado pela DRJ competente para o julgamento de litígios que envolvam o tributo ou contribuição ao qual o crédito se refere, conforme previsto no Anexo V." Dos preceitos expostos, parece não haver dúvida que tanto a DRF, corno a DRJ, estão obrigadas a decidir os recursos administrativos expressamente previstos para os processo de restituição e compensação, sendo que a omissão daqueles órgãos no cumprimento do dever imposto por lei, não somente compromete a regularidade do processo administrativo legalmente previsto para a restituição e compensação de tributos, como implica ern manifesta nulidade (ex vi do art, 59, II do Dec. 70.235/72), pois como já assentou a Suprema Corte solidamente apoiada na melhor Doutrina nacional e alienígena: "Quando o poder conferido a um determinado órgão ou entidade é distribuído pelas autoridades que o integram, sob o critério de hierarquia, nenhuma delas, seja a de grau inferior, seja a de grau superior, pode realizar ato válido na esfera de competência da outra, se inexiste lei que autorize a atividade de que se trata. A competência administrativa, sendo um requisito de ordem pública, é intransferível e improrrogável ad nutum do administrador, só podendo ser delegada ou avocada de acordo com a lei regulamentadora da administração." (cf. Ac. do 11 STF Pleno no MS n° 21.117-2-DF, em sessão de 28105/92, Rei . , Min. limar (3alvão, publ. in DJU de 14/10/94 e in JSTF/Lex- Vol. 195, pág. 135) Na aplicação desses preceitos de inegável juridicidade, ressaltando a necessidade de observância do rito legalmente previsto nos processos administrativos, como garantia da plena defesa dos administrados, a Jurisprudência do E. STJ recentemente assentou que: "o procedimento administrativo é informado pelo principio do 'due process of law'. Se o ato eivado de ilegalidade não cumpriu sua finalidade, ocasionando prejuízo 6. parte, deve ser anulado, como anulados devem ser os atos subseqüentes a ele. A garantia da plena defesa implica a observância do rito, as cientificações necessárias, a oportunidade de objetar a acusação desde o seu nascedouro, a produção de provas, o acompanhamento do iter procedimental, bem corno a utilização dos recursos cabíveis" (cf. Ac. da 1' Turma do STJ no R.Esp. 536.463-SC, Reg. n° 200300853863, em sessão de 25/11/03, Rel. Min. LUIZ FUX, publ. in DJU de 10/12/03, pág. 360). Nessa mesma ordem de ideias aquela E. Corte Superior de Justiça concluiu que "formulado na esfera administrativa pedido de compensação de exação declarada inconstitucional corn débitos referentes a tributos da mesma espécie, não pode a fazenda pública ignorar a reclamação (art. 151, III do CTN), e inscrever o débito, executando-o judicialmente" (cf. Ac. da 1 0 Turma do STJ no REsp 491557-RS , Reg. n° 2002/0162231-9, ern sessão de 26/08/03, Ministro LUIZ FUX, publ. in DJU de 20/10/03 p. 194). Como também é curial e já assentou a Jurisprudência Administrativa, a nulidade da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal, implica em retorno do processo administrativo para o órgão julgador, a fim de que novo provimento seja exarado, de modo a não ensejar supressão de instância (cf: Ac. n. 203-09919, da 3a Câm do 2° CC, Rec. n. 122925, Proc. n° 10830 005027/97-76, Rel. Cons. Cesar Piantavigna, em sessão de 02/12/2004, em nome de MIRACEMA NUODEX S/A INDÚSTRIAS QUÍMICAS) Isto posto, pelas razões expostas, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário (fls. 1662/1687 — vol. IV) para, com fundamento no art. 224, inc. I e § 20 do RI/SRF, aprovado pela Portaria MF 30/05, arts. 11 e 13 da Lei n° 9.784 de 29/01/99 e no art. 59, inc. II do Decreto n° 70.235/72, anular a r. decisão recorrida da 3 Turma da DRJ de Curitiba - PR (fls. 1638/1658 - vol. IV), para que outra seja proferida com o exame do mérito, retomando-se o devido processo legal do contencioso administrativo tributário da restituição e compensação de tributos E o meu voto.. Old/ Fernando Luiz Da Gama Lobo D'Eça 12 Processo n° 10980.004180/2002-36 S3-C4T2 AcOrdrio n.° 3402-00.689 Fl 7 Voto Vencedor Conselheira Silvia de Brito Oliveira, Redatora Designada Nos termos em que relatado estes autos, divirjo do Ilustre Conselheiro relator . quanto à sua conclusão pela nulidade da decisão recorrida pelas razões a seguir. A meu ver, a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba-PR (DRI/CTA) não contém vicio de nulidade, pois foi prolatada por autoridade competente e sem preterição do direito de defesa, visto que foi suficientemente fundamentada para concluir pelo não-conhecimento da manifestação de inconformidade e deu- se seguimento ao recurso cabível que ora se examina. Assim, a decisão recorrida não é nula. Apenas está embasada em fundamentos que, apreciados na fase recursal, entendemos equivocados, conforme explicitado no voto vencido. Explicitações essas das quais não discordo e divirjo tão-somente da conclusão pela nulidade. A decisão que entendo correta, no julgamento do presente recurso, é de se superar a decisão recorrida, com o entendimento de que a manifestação de inconformidade deve ser conhecida, para que a DRJ/CTA, em face da decisão deste colegiado, possa conhecer dessa manifestação de inconformidade para apreciar-lhe o mérito. Destarte, pelos próprios fundamentos do voto vencido, voto pelo provimento parcial do recurso para que estes autos sejam novamente submetidos a julgamento da instância recorrida quanto ao mérito. 13
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Numero do processo: 23034.004663/2003-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/1996 a 31/12/2002
CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO.
A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei n° 11.457/2007).
SALÁRIO EDUCAÇÃO/ FNDE. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS EM LEI.
O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas a outras Entidades ou Fundos: Salário Educação/ FNDE.
PRODUÇÃO ELEMENTOS PROBATÓRIOS. PRECLUSÃO TEMPORAL.
O momento para produção de provas no processo administrativo tributário é juntamente com a impugnação, conforme determina o art. 16, § 4º, do Decreto no 70.235/1992 diploma que rege o contencioso administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.102
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1996 a 31/12/2002 CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei n° 11.457/2007). SALÁRIO EDUCAÇÃO/ FNDE. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS EM LEI. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas a outras Entidades ou Fundos: Salário Educação/ FNDE. PRODUÇÃO ELEMENTOS PROBATÓRIOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. O momento para produção de provas no processo administrativo tributário é juntamente com a impugnação, conforme determina o art. 16, § 4º, do Decreto no 70.235/1992 diploma que rege o contencioso administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado.
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FNDE/SALÁRIOEDUCAÇÃO Recorrente TELEMAR NORTE LESTE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1996 a 31/12/2002 CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei n° 11.457/2007). SALÁRIOEDUCAÇÃO/FNDE. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS EM LEI. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas a outras Entidades ou Fundos: Salário Educação/FNDE. PRODUÇÃO ELEMENTOS PROBATÓRIOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. O momento para produção de provas no processo administrativo tributário é juntamente com a impugnação, conforme determina o art. 16, § 4o, do Decreto no 70.235/1992 diploma que rege o contencioso administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 269DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Tiago Gomes de Carvalho Pinto. Fl. 270DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 23034.004663/200362 Acórdão n.º 240202.102 S2C4T2 Fl. 244 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, relativas às contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros (SalárioEducação/FNDE), para as competências 06/1996 a 12/2002. Os valores lançados foram constituídos pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), por intermédio da Notificação para Recolhimento de Débito (NRD) n° 01313/2004 (fl. 97), sendo que o processo foi encaminhado para a Receita Federal do Brasil em virtude das disposições contidas nos artigos 3° e 4o da Lei no 11.457/2007. Conforme fls. 01/02 dos autos, a empresa recebeu a visita de técnico do Programa Integrado de Inspeção em Empresas e Escolas (PROINSPE), para efetivarem supervisão na empresa, referente aos recolhimentos da Contribuição do SalárioEducação, bem como as aplicações no Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental (SME), correspondente ao período de 01/1995 a 02/2003. Foram anexados documentos às fls. 03/94. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 10/12/2004 (fls.01 e 101), mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 102/107) – acompanhada de anexos de fls. 108/144 –, alegando, em síntese, que: 1. ocorreu a decadência das parcelas anteriores a dezembro de 1999; 2. há impossibilidade de exigência de salárioeducação de contribuinte que participava do Sistema de Manutenção do Ensino Fundamental; 3. é inexigível a multa da defendente por supostas infrações praticadas por suas sucedidas; 4. protesta pela exclusão dos valores alcançados pela decadência, bem como da multa, e também pela juntada posterior de documentos. Posteriormente, apresenta também aditamento à impugnação datado de 02/09/2008, alegando, em síntese, que a exigência fiscal está parcialmente afetada pela decadência, haja vista a ciência da notificação em 10/12/2004, ou seja, há mais de cinco anos da ocorrência de parte dos fatos geradores envolvidos, nos termos do art. 150, § 4° do CTN. Estariam, então, decaídos todos os créditos anteriores a 10/12/1999. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro/RJ – por meio do Acórdão no 1234.988 da 11a Turma da DRJ/RJ1 (fls. 160/174) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que ela declarou a decadência tributária para os valores lançados nas competências 06/1996 a 11/1999, nos termos do art. 150, §4° do Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 271DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Os valores atingidos pela decadência tributária foram devidamente excluídos do presente processos por meio do Discriminativo Analítico do Debito Retificado (DADR), fls. 175/177. A Autuada apresentou recurso voluntário (fls. 181/190), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia Especial de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro (Demac/RJO) informa que o recurso é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF para processamento e julgamento (fls. 241/242). É o relatório. Fl. 272DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 23034.004663/200362 Acórdão n.º 240202.102 S2C4T2 Fl. 245 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DO MÉRITO: Quanto à alegação da impossibilidade de exigência de salárioeducação de contribuinte que participava do sistema manutenção do ensino fundamental, uma vez que a Recorrente teria cumprido a legislação de regência. Tal alegação não será acatada, eis que a Recorrente não cumpriu a legislação estabelecida para a realização das deduções permitidas, conforme os fatos e a legislação a seguir delineados. Inicialmente, a contribuição destinada ao SalárioEducação/FNDE, por força do Decreto no 87.043/1982, foi fixada a alíquota em 2,5% sobre a folha de salários. Posteriormente, a Lei no 9.424/1996 também disciplinou a matéria no art. 15, in verbis: Art. 15. O SalárioEducação, previsto no artigo 212, § 5° da Constituição Federal e devido pelas empresas, na forma em que vier a ser disposto em regulamento, é calculado com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, assim definidos no artigo 12, inciso I, da Lei 8.212/91. O Supremo Tribunal Federal (STF) já se pronunciou tanto pela constitucionalidade da legislação anterior à Constituição Federal de 1988 quanto à sua recepção, como também pela constitucionalidade da Lei no 9.424/1996. Diante disso, vejamos o teor do enunciado da Súmula 732 do STF: Súmula 732 STF. É constitucional a cobrança da contribuição do salárioeducação, seja sob a Carta de 1969, seja sob a Constituição Federal de 1988, e no regime da Lei 9.424/1996. Por sua vez, a Lei no 9.766/1998 estabeleceu que a contribuição social destinada ao SalárioEducação deverá obedecer os mesmos prazos e condições estipulados para as contribuições sociais devidas Seguridade Social. Lei 9.766/1998 Art. 1o. A contribuição social do SalárioEducação, a que se refere o art. 15 da Lei n° 9.424, de 24 de dezembro de 1996, obedecerá aos mesmos prazos e condições, e sujeitarseá ás mesmas sanções administrativas ou penais e outras normas relativas as contribuições sociais e demais importâncias devidas Seguridade Social, ressalvada a competência do Fundo Fl. 273DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE, sobre a matéria. (g.n.) O Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental (SME) consiste em um programa pelo qual a empresa, contribuinte da contribuição social do SalárioEducação, propiciava aos seus empregados e dependentes o direito social de obter o ensino fundamental, estava consubstanciado em três modalidades, a saber: (i) aquisição de vagas na rede de ensino particular destinadas a empregados e dependentes; (ii) escola própria gratuita mantida pela empresa; e (iii) indenização de dependentes. As empresas optantes pelo SME deveriam recolher a contribuição social do SalárioEducação ao FNDE com a dedução dos valores comprovadamente despendidos na indenização de dependentes até o limite mensal, por aluno, fixado pelo Conselho deliberativo do FNDE. Isso estava estabelecido no art. 10 do Decreto no 3.142/1999, in verbis: Art 10. O Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental constituise no programa pelo qual a empresa, contribuinte da contribuição social do salárioeducação, propicia aos seus empregados e dependentes o direito social de obter o ensino fundamental, por intermédio das seguintes modalidades: I aquisição de vagas na rede de ensino particular destinadas a empregados e dependentes, indicados pela empresa, até o limite de vagas geradas por sua contribuição II escola própria gratuita mantida pela empresa para os seus empregados, dependentes e alunos da comunidade; III indenização de dependentes, mediante comprovação semestral de freqüência e pagamento das mensalidades em estabelecimentos particulares. § 1° As empresas optantes pelo Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental ou pela arrecadação direta recolherão a contribuição social do salárioeducação ao FNDE: I integralmente, no caso da modalidade de que trata o inciso I do caput deste artigo; II com a dedução dos valores comprovadamente despendidos na manutenção da escola própria ou na indenização de dependentes, até o limite mensal por aluno fixado pelo Conselho Deliberativo do FNDE, nos demais casos. (g.n.) Constatase que a Recorrente estava inserida na modalidade de indenização de dependentes, mediante comprovação semestral de frequência e pagamento das mensalidades em estabelecimentos particulares. Nesta modalidade, a empresa reembolsava aos empregados a importância correspondente ao somatório, no semestre, do valor mensal pertinente à vaga (R$ 21,00). Somente teria direito ao reembolso os empregados que comprovassem a frequência regular e a quitação das mensalidades de seus dependentes em estabelecimentos de ensino particular. Após essa comprovação, ela deveria deduzir da contribuição social devida ao salárioeducação os valores despendidos na indenização até o limite mensal por aluno fixado pelo Conselho Deliberativo do FNDE. Contudo, a Recorrente incorreu em irregularidade ao efetuar as deduções, na medida em que não enviou a Relação de Alunos Indenizados (RAI) ao FNDE, nem o Formulário Autorização para Manutenção de Ensino (FAME), dentro do prazo legal (31 de Fl. 274DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 23034.004663/200362 Acórdão n.º 240202.102 S2C4T2 Fl. 246 7 julho para os dados relativos ao 1° semestre, e 31 de janeiro do exercício seguinte para os dados relativos ao 2° semestre), descumprindo assim as regras inseridas nas Resoluções editadas pelo FNDE, que dispunham sobre todas as condições a serem cumpridas pelas empresas optantes pelo SME, no caso em tela a Resolução FNDE no 2/2002. Resolução FNDE n° 2 de 20 de Agosto de 2002. Dispõe sobre a arrecadação direta ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE da contribuição social do SalárioEducação em razão da opção pelo Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental, e dá outras providências. Fundamentação Legal: Lei n° 9.424, de 24 de dezembro de 1996, § 3° do art. 15°; Decreto n° 3.142 de 16 de agosto de 1999. A SECRETÁRIA EXECUTIVA DO FUNDO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO FNDE, no uso de suas atribuições conferidas pelo inciso VII do art. 90, do Regimento Interno do FNDE, aprovado pela Portaria MEG n° 1.627, de 3 de novembro de 1999, bem como do inciso I do art. 2° da RS/SE/FNDE n° 1, de 7 de dezembro de 1999, e Considerando o correto cumprimento dos deveres constitucionais e legais e gozo dos direitos correspondentes as empresas sujeitas a contribuição social do SalárioEducação, resolve: Art. 1°. Estabelecer as normas do Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental a serem observadas pela empresa contribuinte do SalárioEducação, para propiciar aos seus empregados e dependentes o direito social obter o ensino fundamental, por meio das modalidades previstas nos incisos I a III do art. 6° desta Resolução, ou a conta de deduções desta contribuição. (...) Art. 8°. A empresa deverá prestar contas ao FNDE, dos recursos financeiros aplicados nas modalidades Escola Própria e Indenização de Dependentes, respeitando os procedimentos e os prazos estabelecidos no art. 10 desta Resolução, sob pena de serem glosadas todas as deduções efetivadas no semestre, resultando em notificação para recolhimento de débito. (...) Art. 10. As informações das empresas para atualização do cadastro dos alunos beneficiários, mantido pelo FNDE, serão encaminhadas nos prazos fixados e de conformidade com as orientações fornecidas por esta Autarquia, da seguinte forma: (...) II na modalidade Indenização de Dependentes, por meio eletrônico www.fnde.gov.br link captação dos Dados da RAI para atualização semestral do sistema de Relação de Alunos Fl. 275DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Indenizados RAI, cujo envio deverá, obrigatoriamente, ocorrer até 31 de julho para os dados relativos ao 1° semestre, e 31 de janeiro do exercício seguinte para os dados relativos ao 2° semestre. (g.n.) Parágrafo Único A empresa responsável pela indicação dos alunos beneficiários, deverá encaminhar, obrigatoriamente, a via original da Relação de Alunos Cadastrados RAC e/ou Cadastro de Aluno CA, ao FNDE e uma cópia as escolas prestadoras de serviços, nas modalidades Aquisição de Vagas e Escola Própria, obedecidos os prazos e de conformidade com as orientações fornecidas por esta Autarquia. (...) Art. 16. Os formulários previstos no art. 2°e no inciso I do art. 10, bem como o Comprovante de Arrecadação Direta CAD de que trata o art. 3o, todos desta Resolução, preenchidos ou atualizados e assinados pelo respectivo coresponsável, e autenticados pelo Banco do Brasil S.A no caso do CAD, atestarão, junto aos órgãos fiscalizadores o cumprimento das normas previstas nesta Resolução. (g.n.) Cumpre esclarecer que os valores lançados no presente processo foram apurados pelo FNDE através do cruzamento de dados fornecidos pelo próprio interessado. Logo, não acato a alegação da Recorrente de que teria cumprido a legislação de regência, eis que ela não apresentou, dentro do prazo legal, a documentação exigida para fazer jus as deduções realizadas no salárioeducação, qual seja: o Formulário Autorização para Manutenção de Ensino (FAME); a Relação de Alunos Indenizados (RAI); o Comprovante de Arrecadação Direta (CAD); bem como o comprovante semestral de frequência (prevista no Decreto no 3.142/1999, art. 10, III) a fim de demonstrar o número de alunos que efetivamente gozaram do beneficio da indenização de dependentes a fim de deduzir tais valores do Salário Educação a pagar. Com relação ao argumento de que não há previsão na legislação para a exigibilidade de multa da Recorrente por supostas infrações tributárias praticadas por suas sucedidas, razão não confiro a Recorrente, já que a multa foi aplicada em conformidade à legislação tributária a seguir delineada. Segundo a Recorrente, o art. 132 do CTN não permite que haja responsabilidade de sucessão por infrações tributárias. Argumenta também que o referido código não admite a imputação às sucessoras de créditos oriundos de infrações tributárias, salvo se tais créditos já tiverem sido formalizados pelo lançamento no momento da incorporação. Tal Alegação também não será acatada pelas seguintes razões a seguir demonstradas. Em meio à seara tributarista brasileira, dizse que responsabilidade tributária “é a submissão, em virtude de disposição legal expressa, de determinada pessoa que não é contribuinte, mas está vinculada ao fato gerador da obrigação tributária, ao direito do fisco de dirigir a prestação respectiva” (Hugo de Brito Machado, Curso de Direito Tributário, 23ª ed., São Paulo, Malheiros, 2003, p. 145). O conceito aí enunciado decorre do texto do Código Tributário Nacional (CTN), que define “responsável” pelo método da exclusão; vale dizer, define “contribuinte”, que é o sujeito que pratica o verbonúcleo da norma hipotética tributária, Fl. 276DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 23034.004663/200362 Acórdão n.º 240202.102 S2C4T2 Fl. 247 9 e, por exclusão, denomina de “responsável” todo sujeito passivo que responde pela obrigação tributária sem ser “contribuinte”, compondo essas espécies o gênero de “sujeito passivo” – arts. 121 e 128 do CTN. Por sua vez, a responsabilidade por sucessão dáse quando um sujeito sucede ao outro em universalidade de bens, créditos e débitos. Essa hipótese está arrolada no art. 132 do CTN. A punição prevista na lei tributária onera o patrimônio do sujeito passivo, que é composto de todos os seus bônus (bens e direitos) e ônus (obrigações). Esse patrimônio poderá ser transmitido, mediante a incorporação, transformação ou fusão, cabendo ao sucessor, no caso a Recorrente, o ônus de responder por tais obrigações. Isso está em consonância com o art. 132 do CTN, in verbis: Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Percebese que esse art. 132, acima transcrito, está inserido na Seção II – Responsabilidade dos Sucessores, do Capítulo V Responsabilidade Tributária, do Título II – Obrigação Tributária, do Livro Segundo – Normas Gerais de Direito Tributário, do Código Tributário Nacional (CTN). Tal Seção iniciase com o art. 129, que constitui regra geral aplicável a todas as disposições relativas às “Responsabilidade dos Sucessores” (artigos 130 a 133), e assim prescreve: Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. (g.n.) Da inteligência desse art. 129, observase que a sucessora, no caso a Recorrente, é responsável pelos créditos tributários constituídos em data anterior ou posterior à data do evento da sucessão, relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. Esse entendimento também está consubstanciado na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a saber: “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ARTIGO 159 DO CC DE 1916. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. MULTA TRIBUTÁRIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. SUCESSÃO EMPRESARIAL. OBRIGAÇÃO ANTERIOR E LANÇAMENTO POSTERIOR. RESPONSABILIDADE DA SOCIEDADE SUCESSORA. 1. Não se conhece do recurso especial se a matéria suscitada não foi objeto de análise pelo Tribunal de origem, em virtude da falta do requisito do prequestionamento. Súmulas 282 e 356/STF. Fl. 277DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 2. A responsabilidade tributária não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas abrange as multas, moratórias ou de outra espécie, que, por representarem penalidade pecuniária, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. 3. Segundo dispõe o artigo 113, § 3º, do CTN, o descumprimento de obrigação acessória faz surgir, imediatamente, nova obrigação consistente no pagamento da multa tributária. A responsabilidade do sucessor abrange, nos termos do artigo 129 do CTN, os créditos definitivamente constituídos, em curso de constituição ou "constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data", que é o caso dos autos. 4. Recurso especial conhecido em parte e não provido. (REsp 959389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, DJe 21/05/2009)” ......................................................................................................... “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL EM EMBARGOS À EXECUÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO SUCESSOR EMPRESARIAL POR INFRAÇÕES DO SUCEDIDO. ARTIGO 133 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. PRECEDENTES. 1. Em interpretação ao disposto no art. 133 do CTN, o STJ tem entendido que a responsabilidade tributária dos sucessores estendese às multas impostas ao sucedido, sejam de natureza moratória ou punitiva, pois integram o patrimônio jurídico material da sociedade empresarial sucedida. 2. Os arts. 132 e 133, do CTN, impõem ao sucessor a responsabilidade integral, tanto pelos eventuais tributos devidos quanto pela multa decorrente, seja ela de caráter moratório ou punitivo. A multa aplicada antes da sucessão se incorpora ao patrimônio do contribuinte, podendo ser exigida do sucessor, sendo que, em qualquer hipótese, o sucedido permanece como responsável. É devida, pois, a multa, sem se fazer distinção se é de caráter moratório ou punitivo; é ela imposição decorrente do nãopagamento do tributo na época do vencimento" (REsp n. 592.007/RS, Rel. Min. José Delgado, DJ de 22/3/2004). 2. Recurso especial provido. (REsp 1085071/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 08/06/2009)” (grifo nosso). ......................................................................................................... TRIBUTÁRIO. EMPRESA INCORPORADORA. SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO SUCESSOR. MULTA FISCAL (MORATÓRIA). APLICAÇÃO. ARTS. 132 E 133, DO CTN. PRECEDENTES. 1. Recurso Especial interposto contra v. Acórdão segundo o qual não se aplicam os arts. 132 e 133, do CTN, tendo em vista que multa não é tributo, e, mesmo que se admita que multa moratória Fl. 278DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 23034.004663/200362 Acórdão n.º 240202.102 S2C4T2 Fl. 248 11 seja ressalvada desta inteligência, o que vem sendo admitido pelo STJ, in casu tratase de multa exclusivamente punitiva, uma vez que constitui sanção pela não apresentação do livro diário geral. 2. Os arts. 132 e 133, do CTN, impõem ao sucessor a responsabilidade integral tanto pelos eventuais tributos devidos quanto pela multa decorrente, seja ela de caráter moratório ou punitivo. A multa aplicada antes da sucessão se incorpora ao patrimônio do contribuinte, podendo ser exigida do sucessor, sendo que, em qualquer hipótese, o sucedido permanece como responsável. Portanto, é devida a multa, sem se fazer distinção se é de caráter moratório ou punitivo, visto ser ela imposição decorrente do não pagamento do tributo na época do vencimento. 3. Na expressão "créditos tributários" estão incluídas as multas moratórias. 4. A empresa, quando chamada na qualidade de sucessora tributária, é responsável pelo tributo declarado pela sucedida e não pago no vencimento, incluindose o valor da multa moratória. 5. Precedentes das 1ª e 2ª Turmas desta Corte Superior e do colendo STF. 6. Recurso provido (STJ, 1Turma, REsp 432049/SC, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, J. 13/08/2002, DJ 23.09.2002, p. 279) (g.n.) Extraise ainda desses entendimentos do STJ que, na sucessão empresarial, a responsabilidade tributária da sucessora engloba créditos relativos a tributos e multas. Isso decorre do fato de o patrimônio ser definido como um conjunto de bens, direitos e obrigações, de forma que o sucessor, no caso a Recorrente, não receber apenas o bônus, mas também arca com o ônus (obrigações – dentre elas as multas aplicadas pelo Fisco) integrantes do patrimônio. Com isso, não pode ser afastada a responsabilidade da sucessora em relação às multas aplicadas no presente lançamento fiscal. A Recorrente insiste na realização de dilação do prazo para apresentação de elementos probatórios e solicita realização de diligência fiscal, tal alegação não pode ser atendida, tendo em vista a inexistência de previsão legal. Assim, estabelece o art. 16, § 4o, do Decreto no 70.235/1972 – diploma que rege o contencioso administrativo fiscal no âmbito federal. Art. 16. A impugnação mencionará: I – a autoridade julgadora a quem é dirigida; II – a qualificação do impugnante; Fl. 279DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. l.° da Lei n.° 8.748/1993) IV – as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. (Redação dada pelo art. l.° da Lei n.° 8.748/1993) V – se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Acrescido pelo art. 113 da Lei n.° 11.196/2005) (...) § 4.°. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/1997) (g.n.) § 5° A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997) Com isso, somente com a comprovação da ocorrência de uma das hipóteses previstas nas alíneas acima transcritas poderá a Recorrente requerer a juntada de documentos após decorrido o prazo de defesa, fato que não foi materialmente demonstrado na peça recursal de fls. 181/190. Isto é, a dilação de prazo – permitida no âmbito do contencioso administrativo tributário pelo art. 16, § 4o, do Decreto no 70.235/1972 – deverá estar consubstanciada em questões objetivas (fundadas em motivos que possam ser demonstrados), e não em mero temor subjetivo de alegações da Recorrente. Também não é cabível a realização de diligência fiscal. Cabe ao Recorrente trazer aos autos todos os elementos fáticos e jurídicos probatórios de que dispõe, obedecendo ao prazo para impugnação previamente estabelecido pelo arcabouço jurídicotributário em vigor, prazo este definido para todos os sujeitos passivos, em atendimento ao princípio da isonomia. Ademais, verificase que – para apreciar e prolatar a decisão de procedência, ou não, do lançamento fiscal ora analisado, bem como se há vícios na decisão de primeira instância – não existem dúvidas a serem sanadas, já que, na Notificação com seus anexos (fls. 01/144), consta de forma clara os elementos necessários para a configuração do ato administrativo fiscal. Estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/144) – para a análise do presente lançamento fiscal – todos os seus requisitos legais, conforme preconiza o Fl. 280DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 23034.004663/200362 Acórdão n.º 240202.102 S2C4T2 Fl. 249 13 art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária principal (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante do tributo devido; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Dessa forma, a realização de dilação de prazo e de diligência fiscal, solicitados pela Recorrente, não é necessária para a deslinde do caso analisado no momento. Assim, indeferese esse pedido por considerálo prescindível e meramente protelatório, nos termos do o art. 16, § 4o, do Decreto no 70.235/1972, acima transcrito. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 281DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/10/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10530.721266/2017-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 24 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Dec 17 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2012, 2013, 2014
PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE. EFEITOS.
Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. VISTAS DO PROCESSO
O interessado tem o direito de ter vistas do processo fiscal por meio do Portal e-CAC, com acesso com certificação digital, ou na repartição lançadora, no prazo para a impugnação. Não exercendo esse direito, a alegação de desconhecimento dos autos não pode ser oposta como hipótese de cerceamento do direito de defesa.
JULGAMENTO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. DRJ EM LOCALIDADE DIVERSA.
É válida a decisão proferida por Delegacia da Receita Federal de Julgamento - DRJ de localidade diversa do domicílio fiscal do sujeito passivo.
Aplicação da Súmula CARF nº 102.
JULGAMENTO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. INTIMAÇÃO PRÉVIA. SUSTENTAÇÃO ORAL.
As normas que regulam o julgamento tributário fiscal em primeira instância não preveem a possibilidade de sustentação oral e nem exige intimação prévia ao sujeito passivo em relação às sessões realizadas no âmbito dos colegiados das Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil.
COMUNICAÇÃO POR EDITAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Far-se-á a intimação por via postal, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à Administração Tributária. Quando resultar improfícuo este meio de ciência, a intimação poderá ser feita por edital.
PROVAS. ADMISSIBILIDADE
É lícito ao Fisco federal valer-se de informações colhidas por outras autoridades fiscais, administrativas ou judiciais para efeito de lançamento, desde obtidas licitamente e que guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer.
MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA.
A prática reiterada de declarar a menor valores apurados na escrituração contábil/fiscal, visando retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal pela autoridade fazendária, caracteriza a figura da sonegação descrita no art. 71 da Lei nº4.502, de 1964, impondo-se a aplicação da multa de ofício qualificada, prevista no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996.
Numero da decisão: 3401-010.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Gustavo Garcia Dias dos Santos - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco e Ronaldo Souza Dias (Presidente).
Nome do relator: Gustavo Garcia Dias dos Santos
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EFEITOS. Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. VISTAS DO PROCESSO O interessado tem o direito de ter vistas do processo fiscal por meio do Portal e- CAC, com acesso com certificação digital, ou na repartição lançadora, no prazo para a impugnação. Não exercendo esse direito, a alegação de desconhecimento dos autos não pode ser oposta como hipótese de cerceamento do direito de defesa. JULGAMENTO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. DRJ EM LOCALIDADE DIVERSA. É válida a decisão proferida por Delegacia da Receita Federal de Julgamento - DRJ de localidade diversa do domicílio fiscal do sujeito passivo. Aplicação da Súmula CARF nº 102. JULGAMENTO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. INTIMAÇÃO PRÉVIA. SUSTENTAÇÃO ORAL. As normas que regulam o julgamento tributário fiscal em primeira instância não preveem a possibilidade de sustentação oral e nem exige intimação prévia ao sujeito passivo em relação às sessões realizadas no âmbito dos colegiados das Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil. COMUNICAÇÃO POR EDITAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Far-se-á a intimação por via postal, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à Administração Tributária. Quando resultar improfícuo este meio de ciência, a intimação poderá ser feita por edital. PROVAS. ADMISSIBILIDADE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 12 66 /2 01 7- 10 Fl. 3124DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-010.225 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.721266/2017-10 É lícito ao Fisco federal valer-se de informações colhidas por outras autoridades fiscais, administrativas ou judiciais para efeito de lançamento, desde obtidas licitamente e que guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. A prática reiterada de declarar a menor valores apurados na escrituração contábil/fiscal, visando retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal pela autoridade fazendária, caracteriza a figura da sonegação descrita no art. 71 da Lei nº4.502, de 1964, impondo-se a aplicação da multa de ofício qualificada, prevista no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias - Presidente (documento assinado digitalmente) Gustavo Garcia Dias dos Santos - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco e Ronaldo Souza Dias (Presidente). Relatório Do lançamento Cuida-se de auto de infração de Pis/Pasep, referente aos anos-calendário de 2012 a 2014, totalizando (principal, multa e juros, calculados até 03/2017) o valor de R$ 404.018,84, em razão da insuficiência de recolhimento da contribuição relativa a diferenças encontradas e não esclarecidas entre valores constantes em DCTF/DACON e/ou na DIPJ/ECF, quando confrontados com as receitas apuradas junto ao Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia – TCM/BA. O quadro abaixo resume as diferenças. Fl. 3125DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-010.225 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.721266/2017-10 Relatou a Fiscalização que as correspondências remetidas para o endereço cadastrado estavam sendo devolvidas, razão pela qual diligenciou presencialmente e constatou que se trata de endereço inexistente (o nº 280 da Praça São João, em Barrocas/BA). Na oportunidade, verificou que, no mesmo local, mas em outra numeração (nº 310), há um imóvel em que consta o nome da empresa na fachada, mas que, segundo a vizinhança, nada ali funciona desde maio de 2016. O auditor fiscal compareceu também à agência dos Correios que atende ao local e foi informado que o proprietário da contribuinte fora instado a não mais utilizar o nº 280, que não existe, e que, ainda assim, os Correios vinham entregando-lhe as correspondências, pois o local de funcionamento da empresa era quase em frente à agência postal, de conhecimento, portanto, dos funcionários dos Correios. Foi informado também que o proprietário da contribuinte solicitou que não lhe fosse feita a entrega de correspondências, que deveriam ficar sempre na própria agência, para que fossem por ele apanhadas. Este procedimento se chama “posta restante a pedido”. No entanto, o proprietário não vinha buscando as postagens, razão pela qual os envelopes vêm sendo devolvidos com a anotação “não procurado”. Após, verificou o auditor fiscal a alteração de endereço da fiscalizada no sistema CNPJ da cidade de Barrocas/BA para a cidade de Biritinga/BA, oportunidade em que foi postado novamente o Termo de Início para a Praça da Matriz, nº 168, Centro, Biritinga/BA. Decorridos mais de 30 dias sem providências dos Correios, após reclamação, o serviço postal registrou em seu sistema a incompletude de endereço. Neste interim, verificou o auditor fiscal que, mais uma vez, a Fiscalizada alterara seu endereço, agora para a Praça 23 de Abril, nº 184, 1º andar, sala 6, ainda na cidade de Biritinga/BA. Compareceu em diligência ao local no dia 07/02/2017, quando constatou que não existe o número 184, na Praça 23 de Abril, em Biritinga/BA, último e atual endereço tributário da Fiscalizada. Asseverou também que nesta praça há poucos imóveis, e o único com alguma possibilidade de possuir a referida sala no 1º andar, é o imóvel com número 194. Contudo, por lá ninguém conhece a empresa, e que o funcionário dos Correios afirmou desconhecer a empresa e a confirmou a inexistência do número 184 na referida praça. Por essa razão, promoveu a ciência do termo de início de procedimento fiscal em 22/02/2017 por meio do edital de fl. 93, publicado em 07/02/2017, para que a empresa fosse intimada a esclarecer as diferenças entre as receitas informadas, débitos declarados e as receitas apuradas junto ao TCM/BA, bem como a apresentar o Livro Caixa dos anos-calendário 2012 e 2013; a apresentar o Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) do ano-calendário 2014 e a transmitir Escrituração Contábil Digital (ECD) ao Sistema Público de Escrituração Digital Fl. 3126DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-010.225 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.721266/2017-10 (Sped) do ano 2014. Conforme consulta aos empenhos no sistema do TCM/BA, verificou que os pagamentos se referem a serviços, principalmente locação de veículos a prefeituras. A empresa não atendeu à intimação, implicando lançamento das diferenças com base nas receitas apuradas junto ao TCM/BA e arbitramento do lucro dos três anos com fundamento no inciso III, artigo 47, da Lei nº 8.981, de 1995. Como algumas municipalidades efetuaram retenções de imposto de renda, referidos montantes foram deduzidos do lançamento. Por fim, asseverou a Fiscalização que, devido à enorme diferença entre as receitas apuradas e os valores declarados/informados à Receita Federal, a declaração de inatividade e a sucessiva eleição de domicílios tributários para endereços inexistentes, restou evidente a intencionalidade do administrador de elidir os tributos devidos. No seu entender, este comportamento, tendente a impedir o conhecimento por parte da autoridade tributária federal da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e com reflexo na sua obrigação do pagamento de tributo, classifica-se como sonegação fiscal pelo artigo 71 da Lei nº 4502, de 1964, e implica lançamento tributário com multa de ofício duplicada, conforme determinado pelo § 1º, art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996 e o oferecimento de Representação Fiscal para Fins Penais com fulcro no inciso I, artigo 2º, da Lei nº 8.137/1990. Da impugnação Ciente do lançamento em 31/03/2017 por meio do edital de fl. 2807, publicado em 16/03/2017, a empresa ofereceu a Impugnação de fls. 2811/2823 alegando: Cerceamento ao direito de defesa, em função de os autos não se encontrarem disponíveis em meio digital ou para extração em meio físico nas dependências da RFB para que tomasse conhecimento da exação; Vício de formação do auto de infração, que teria se usado de aferição indireta para apurar a base de cálculo das contribuições, método que deveria ser apenas subsidiário, não aplicável ao caso concreto, pois acredita ter vício na ciência por edital, haja vista que o auditor fiscal destinou correspondências a endereços já desatualizados, não tendo se configurado assim tentativas válidas de ciência por esse meio; A imprestabilidade e a ilegalidade do uso das informações obtidas junto ao TCM/BA para fins fiscais, por ausência de convênio válido entre os órgãos. A impugnação fora apresentada com a assinatura de seu representante Ângelo Franco Gomes de Rezende, mas sem seu documento de identificação, razão pela qual a DRF Feira de Santana/BA intimou a empresa a apresentar o documento de identidade faltante, para seguimento do feito. Após mais um AR devolvido, a DRF enviou nova intimação, agora diretamente para o endereço do escritório de advocacia representante da empresa, Rezende Advogados Associados, tendo finalmente recebido em resposta o documento faltante. Do acórdão de DRJ Fl. 3127DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-010.225 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.721266/2017-10 Em sessão ocorrida em 22/09/2017, a 1ª Turma da DRJ em Belém/PA julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito exigido, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2012, 2013, 2014 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. AMPLA DEFESA. IMPUGNAÇÃO. Os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória não se sujeitando ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa. Ademais, após a ciência do auto de infração, com o litígio instaurado entre o fisco e o contribuinte, a legislação concede na fase impugnatória, ampla oportunidade para apresentação documentos e razões de fato e de direito. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - VISTAS AO PROCESSO - O interessado tem o direito de ter vistas ao processo fiscal por meio do Portal e- CAC, com acesso com certificação digital, ou na repartição lançadora, no prazo para a impugnação. Não exercendo esse direito, a discussão sobre a não entrega da cópia do processo não pode ser oposta como uma das hipóteses prováveis de cerceamento do direito de defesa, aludido no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. Ademais, se o autuado revela conhecer as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as de forma meticulosa, com impugnação que abrange questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de direito de defesa. COMUNICAÇÃO POR EDITAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - INOCORRÊNCIA. Far-se-á a intimação por via postal, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária, quando resultar improfícuo este meio de ciência, a intimação poderá ser feita por edital publicado. PROVAS - ADMISSIBILIDADE - É lícito ao Fisco federal valer-se de informações colhidas por outras autoridades fiscais, administrativas ou judiciais para efeito de lançamento, desde que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Correta a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% quando restar evidenciado nos autos os motivos da aplicação da referida multa. Do recurso voluntário Fl. 3128DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-010.225 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.721266/2017-10 Ciente desta decisão por via pessoal em 02/10/2017 (fl. 2882), a empresa apresentou o recurso voluntário de fls. 2970/3012 em 23/04/2018 alegando: Preliminarmente, a nulidade da ciência do acórdão de DRJ em razão de a pessoa por meio de quem teria ocorrido a intimação (Manoel Santos da Silva Junior) não dispor de poderes para receber intimações ou de representar a Recorrente perante a RFB, haja vista que a procuração de fls. 2883/2885, além de não deferir poderes perante a RFB, é específica e outorgada com finalidade determinada, qual seja de representar a empresa em licitações e pregões presenciais; A nulidade do julgamento perante a DRJ, por cerceamento ao seu direito de defesa, já que, jurisdicionado em Feira de Santana/BA, teve sua impugnação apreciada pela DRJ Belém/PA, em inobservância do enunciado de nº 102 do CARF. Além do mais, não fora intimada acerca da realização do julgamento, violando diversos direitos inerentes à advocacia; Cerceamento ao direito de defesa, em função de os autos não se encontrarem disponíveis em meio digital ou para extração em meio físico nas dependências da RFB para que tomasse conhecimento da exação; Vício de formação do auto de infração, que, diante da ausência de esclarecimentos por parte da Recorrente, teria se utilizado de aferição indireta para apurar a base de cálculo das contribuições, método que no seu entender deveria ser apenas subsidiário, não aplicável ao caso concreto, pois reputa como irregular a ciência por edital, dado que o auditor fiscal destinou correspondências a endereços já desatualizados, não tendo se configurado, assim, tentativas válidas de ciência pelos meios ordinários; Além do mais, adveio em favor da Recorrente um fato relevante: a própria DRF de Feira de Santana/BA reconheceu que a Recorrente efetivamente encontra-se estabelecida no endereço informado à RFB e para o qual não fora encaminhada qualquer notificação ou intimação (Praça 23 de Abril, nº 184, 1º andar - Centro - Biritinga/BA); A imprestabilidade e a ilegalidade do uso das informações obtidas junto ao TCM/BA para fins fiscais, por ausência de convênio válido entre os órgãos. Ao fim, pugna pela nulidade do auto de infração, pelas razões expostas; subsidiariamente, pela devolução do prazo para impugnação; e, no mérito, pela reversão dos valores lançados, incluindo a multa qualificada. É o relatório. Voto Fl. 3129DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-010.225 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.721266/2017-10 Conselheiro Gustavo Garcia Dias dos Santos, Relator. Da preliminar de tempestividade O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, mas aparentemente se mostra intempestivo, pois fora apresentado em 23/04/2018 contra decisão de piso cuja ciência teria ocorrido em 02/10/2017 (fl. 2882). A peça recursal, no entanto, prequestiona a suposta intempestividade da defesa apresentada em 23/04/2018, amparando-se na alegação de que a ciência pessoal do acórdão de DRJ ocorrida em 02/10/2017 (fl. 2882) é inválida, em razão de a pessoa por meio de quem teria ocorrido a intimação (Manoel Santos da Silva Junior) não dispor de poderes para receber intimações ou de representar a Recorrente perante a RFB. Esclarece, ademais, que a procuração de fls. 2883/2885 é específica e outorgada com finalidade determinada, qual seja de representar a empresa em licitações e pregões presenciais. De fato, o instrumento de fls. 2883/2885 limita-se a conferir poderes especiais de representação em licitações e pregões presenciais nos seguintes termos: (...) a quem confere(m) poderes especiais, para em conjunto ou separadamente, representá-la perante quaisquer Órgãos e/ou Repartições Públicas Municipais, Estaduais, Federais e Autarquias, inclusive prefeituras, com o fim especial de representá-la em LICITAÇÕES e PREGÕES PRESENCIAIS, com poderes de ofertar lances, dá e receber quitação, podendo para tanto, apresentar, juntar, analisar e retirar documentos, fazendo provas dos documentos apresentados, requerer, alegar, concordar, discordar, assinar documentos, papeletas e tudo referente a licitação, assinar termos, prestar declarações. assinar contratos de qualquer natureza; receber e endossar cheques em nome da outorgante, assinar recibos, dar quitação; apresentar propostas, cumprir todas as formalidades de praxe, dar e receber quitação, concordar com todos os seus termos, assistir a abertura de propostas; fazer impugnações, reclamações, protestos; prestar cauções, levantá-las, receber as Importâncias caucionadas ou depositadas; concordar, discordar, transigir, desistir; podendo enfim, tudo mais fazer que se torne necessário ao bom, fiei e cabal desempenho do presente mandato, inclusive substabelecer poderes, o que tudo dará por firme e valiosa como se a própria fosse. (...) Dessa maneira, tem razão à Recorrente quando afirma que a ciência pessoal ocorrida em 23/04/2018 se mostra irregular ante a ausência de assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, devidamente constituídos, conforme exige o art. 23, I, do Decreto nº 70.235/1972. Tendo em vista que a Recorrente procedeu da forma prevista no parágrafo 8° do art. 272 do CPC/2015, arguindo a nulidade da intimação como preliminar de recurso para que este tenha seu trânsito regular, informado o relator pelos princípios da celeridade processual e do aproveitamento dos atos, ante o afastamento da intempestividade, conheço do presente e passo ao exame das questões nele veiculadas. Das demais questões preliminares Fl. 3130DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-010.225 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.721266/2017-10 A Recorrente também reputa como viciado o início da fase litigiosa, especificamente os desdobramentos da ciência do auto de infração, em função de os autos não se encontrarem disponíveis em meio digital ou para extração física nas dependências da RFB para que pudesse tomar conhecimento da exação, cerceando seu direito de defesa. Alega especificamente que não teve acesso digital ao processo mediante portal e- CAC nem pela conta pessoal do advogado que subscreve o presente voluntário nem pela conta da própria pessoa jurídica, acessada por seu procurador em 19 e 20/04/2017. Aduz também que teve seu atendimento presencial em 25/04/2017 negado pela DRF Feira de Santana/BA, por ausência de agendamento, e que somente obteve cópia de parte do processo (até fls. 1462) no dia seguinte, na mesma unidade, obtendo o restante dos autos a partir de agendamento no CAC da DRF Salvador no dia subsequente, 27/04/2017. Desta maneira, diante da greve geral nacional ocorrida em 28/04/2017, do fim de semana dos dias 29 e 30/04/2017 e o feriado do dia 01/05/2017, não dispôs de prazo suficiente para produção de sua defesa perante o colegiado de primeira instância. Em que pese a potencial relevância dos fatos narrados, não considero configurado o cerceamento ao direito de defesa dado que a Recorrente tudo alega, mas nada traz aos autos para comprovar aludidos fatos. Isso se dá quer na oportunidade em que faz sua defesa perante o colegiado de piso quer agora, na interposição do recurso voluntário, conduta essa última que considero ainda mais grave diante das razões de decidir do acórdão de 1ª instância, em que expressamente foi asseverado que não havia qualquer prova das restrições apontadas. É bom lembrar que compete à Recorrente – e não ao órgão julgador - instruir as peças recursais com os documentos que as fundamentam, nos termos do que preconizam os art. 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Normas dessa natureza estão difundidas em diferentes diplomas e, em verdade, apenas dão corpo ao instituto do ônus da prova, conforme previsto no art. 373 do CPC/2015. Demais disso, não se mostra razoável a alegação de ausência de prazo para produção de defesa na medida em que afirma ter tomado ciência do auto de infração mediante edital em 31/03/2017, a partir do qual poderia obter acesso aos autos (i) digitalmente, via e-CAC, tentativa ocorrida somente 19/04/2017, após 19 dias, que alega ter sido frustrada, evento não comprovado; e (ii) presencialmente, o que somente veio fazer em 26/04/2017, após 26 dias; fatos esses que evidenciam, quando muito, sua desídia, e não a ineficácia administrativa, como alega. Não acolho a nulidade suscitada. Ainda em questão preliminar, sustenta a Recorrente que seria nulo o julgamento perante a DRJ, por cerceamento ao seu direito de defesa, já que, jurisdicionado em Feira de Santana/BA, teve sua impugnação apreciada pela DRJ Belém/PA, em inobservância do enunciado de nº 102 do CARF. Além do mais, não teria sido intimada previamente acerca da realização do julgamento, violando diversos direitos inerentes à advocacia, em especial a possibilidade de sustentação oral. Primeiramente, observo que a Súmula nº 102 desta Casa advoga em sentido contrário ao levantado pela Recorrente, pois reputa como “ (...) válida a decisão proferida por Delegacia da Receita Federal de Julgamento - DRJ de localidade diversa do domicílio fiscal do sujeito passivo”. Fl. 3131DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3401-010.225 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.721266/2017-10 Também não se sustenta o alegado cerceamento ao direito de defesa decorrente de violação aos direitos inerentes à advocacia, por ausência de intimação prévia acerca da realização do julgamento de primeira instância. Primeiro porque a Portaria MF nº 431, de 2011, que até então regulava o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) não prevê a possibilidade de sustentação oral e nem exige intimação prévia ao sujeito passivo em relação às sessões realizadas no âmbito dos colegiados que formam aquela instância de julgamento. Nem mesmo o invocado art. 339 do antigo Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil (Portaria MF Nº 430, de 2017) tem relevância para a questão, pois se limita a atribuir aos Presidentes de Turma das DRJ a incumbência de “distribuir os processos aos julgadores de acordo com os critérios e prioridades estabelecidos, organizar a pauta das sessões de julgamento e decidir acerca das solicitações de diligências feitas pelo relator”. Nesse contexto, ainda que as prerrogativas supostamente violadas decorram abstratamente do próprio princípio da ampla defesa, o rito do processo administrativo em sede de julgamento de primeira instância deve, necessariamente, seguir o regramento normativo pertinente, sendo certo que, desta feita, a instrução probatória e, em última análise, a própria defesa devem ficar circunscritas aos meios autorizados pela legislação processual administrativa, sem que isso reste caracterizada qualquer restrição ilegítima aos direitos processuais constitucionalmente garantidos. Afasto, portanto, a nulidade levantada. Do mérito Já no mérito, alega ter ocorrido vício de formação do auto de infração, que, diante da ausência de esclarecimentos por parte da Recorrente, teria se utilizado de aferição indireta para apurar a base de cálculo das contribuições, método que no seu entender deveria ser apenas subsidiário, não aplicável ao caso concreto, pois reputa como irregular a ciência por edital, já que o auditor fiscal teria destinado correspondências a endereços já desatualizados, não tendo se configurado, assim, tentativas válidas de ciência pelos meios ordinários. Quanto ao ponto, observo que o Termo de Inicio de Fiscalização fora lavrado em 13/06/2016 (fls. 55 e ss), oportunidade em que o endereço válido, fornecido pelo próprio contribuinte em 06/07/2015, era Praça São João, nº 280 – Centro, Barrocas- BA., CEP: 48.705.000 (fl. 87), para o qual foi encaminhado referido termo, e devolvido, vide AR de fls. 85/86. A alteração de seu endereço para a cidade de Biritinga/BA somente veio a ocorrer em 01/09/2016 (fl. 90). Dessa forma, considero como atendido o requisito previsto no parágrafo 1º do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, que condiciona à existência de frustrada tentativa prévia de ciência por via pessoal, postal ou eletrônica para que a intimação seja feita por edital. Diante desse quadro, resta desnecessário o exame das demais tentativas de ciência, mas ainda assim prossigo em sua análise, uma que vez denotam evidências relevantes do claro tumulto processual provocado pelo sujeito passivo. Fl. 3132DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3401-010.225 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.721266/2017-10 Após frustrada tentativa de ciência postal, procedeu a Fiscalização à diligência presencial, tendo constatado que se trata de endereço inexistente (o nº 280 da Praça São João, em Barrocas/BA). Na oportunidade, verificou que, no mesmo local, mas em outra numeração (nº 310), há um imóvel em que consta o nome da empresa na fachada, mas que, segundo a vizinhança, nada ali funcionava desde maio de 2016. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, o auditor fiscal compareceu também à agência dos Correios que atende ao local e foi informado que o proprietário da contribuinte fora instado a não mais utilizar o nº 280, que não existe, e que, ainda assim, os Correios vinham entregando-lhe as correspondências, pois o local efetivo de funcionamento da empresa era quase em frente à agência postal, de conhecimento, portanto, dos funcionários dos Correios. Foi informado também que o proprietário da Recorrente solicitou que não lhe fosse feita a entrega de correspondências, que deveriam ficar sempre na própria agência, para que fossem por ele apanhadas, procedimento conhecido como “posta restante a pedido”. No entanto, o proprietário da Recorrente não vinha buscando as postagens, razão pela qual os envelopes vinham sendo devolvidos com a anotação “não procurado”. Após, verificou o auditor fiscal a alteração de endereço da fiscalizada no sistema CNPJ da cidade de Barrocas/BA para a cidade de Biritinga/BA em 01/09/2016 (fl. 90), tendo efetuado em 30/12/2016 nova tentativa de postagem do Termo de Início para a Praça da Matriz, nº 168, Centro, Biritinga/BA. Decorridos mais de 30 dias sem providências dos Correios, após reclamação, o serviço postal registrou em seu sistema a incompletude de endereço (fl. 89). Quanto a esse ponto, sustenta a Recorrente que a postagem fora remetida já para endereço desatualizado, pois teria efetuado a alteração de seu endereço para Praça 23 de Abril, nº 184, 1º andar, sala 6, ainda na cidade de Biritinga/BA, em 29/12/2016, um dia antes do protocolo dos Correios. Com efeito, em relação a esta segunda tentativa de postagem (de 30/12/2016, para Praça da Matriz, nº 168, Centro, Biritinga/BA), é importante observar que a alteração do domicílio tributário não tem efeitos automáticos, como preconiza a Recorrente, até porque pode a Administração Fazendária recusar o novo endereço com amparo no art. 127, § 2º, do CTN. No caso em tela, a alteração passou a surtir efeitos apenas em 03/01/2017 (fl. 90), após a remessa da intimação em questão, fragilizando a tese da Recorrente. Só que outro ponto é que mais chama a atenção: é possível notar do AR de fl. 89 que os Correios teve frustrada a tentativa de entrega por mais uma vez ter encontrado dificuldades de localizar o endereço cadastrado, como ocorrera com o endereço anterior, à Praça São João, nº 280 – Centro, Barrocas- BA, de número inexistente. A situação ainda piora, pois, neste interim, verificou o auditor fiscal que, mais uma vez, a Fiscalizada alterara seu endereço, agora para a Praça 23 de Abril, nº 184, 1º andar, sala 6, ainda na cidade de Biritinga/BA, tendo comparecido em diligência ao local no dia 07/02/2017, quando constatou que não existe o número 184, na Praça 23 de Abril, em Biritinga/BA, último e atual endereço tributário da Fiscalizada. Asseverou também que nesta praça há poucos imóveis, e o único com alguma possibilidade de possuir a referida sala no 1º andar, é o imóvel com número 194. Contudo, por lá ninguém conhece a empresa, e que o funcionário dos Correios da localidade afirmou desconhecer a empresa e confirmou a inexistência do número 184 na referida praça. Fl. 3133DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3401-010.225 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.721266/2017-10 Contra esse ponto, a Recorrente noticia fato relevante posterior: a própria DRF de Feira de Santana/BA teria reconhecido que a empresa efetivamente encontra-se estabelecida no endereço informado à RFB, Praça 23 de Abril, nº 184, 1º andar - Centro - Biritinga/BA. Ocorre que, a meu ver, tal evento não altera em nada a força dos indícios consubstanciados nos fatos narrados, principalmente porque a razão fática que impossibilitou a localização de seu endereço pelo auditor fiscal fora, conforme aduz a empresa, a aposição equivocada de placa com o número 194 (e não número 184) no endereço apontado. Ora, considerar essa sucessão de três equívocos no cadastro perante a Administração Tributária como meras coincidências e, ao fim, ainda reputar seus desdobramentos como ineficácia fazendária atenta inclusive contra o bom senso, razão pela qual, como já havia antecipado, reputo como válida a ciência do termo de início mediante edital e, por consequência, a premissa de que a Recorrente não teria atendido aos questionamentos nele existentes. Dito isto, passo ao exame da questão de fundo, isto é, a possibilidade de o auditor fiscal se utilizar de aferição indireta para recomposição da base de cálculo das contribuições e, nessa hipótese, as alegadas imprestabilidade e ilegalidade do uso das informações obtidas junto ao TCM/BA para fins fiscais, por ausência de convênio válido entre os órgãos. O primeiro ponto a observar é que a exação fiscal não se amparou em mera presunção para a qual não se oportunizou à Recorrente o direito ao afastamento. Pelo contrário, diante das inconsistências encontradas e não esclarecidas entre valores constantes em DCTF/DACON e/ou na DIPJ/ECF, quando confrontados com as receitas apuradas junto ao Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia – TCM/BA, a autoridade fiscal intimou a empresa a esclarecer essas diferenças (fls. 55/84), não tendo recebido qualquer resposta durante o procedimento fiscal. Na intimação em questão, o auditor fiscal identificou cada valor recebido pela empresa de acordo com as informações extraídas da base de dados do TCM/BA, concedendo-lhe a oportunidade de trazer os esclarecimentos pertinentes, o que não fora feito na ocasião. Em verdade, a Recorrente não trouxe, quer na Impugnação quer no Recurso Voluntário, uma única palavra que diga respeito a essas diferenças, tendo se limitado a alegar a invalidade do uso dessas informações, o que, no meu entendimento, igualmente não deve prosperar. Primeiro porque seu principal argumento de defesa se ampara na inexistência de convênio válido entre o TCM/BA e a RFB para uso dessas informações para fins fiscais. Ocorre que, privilegiando o princípio da transparência administrativa, referidos dados são abertos, extraídos da base de dados pública daquela Corte de Contas, e estão disponíveis para quaisquer interessados, incluindo, nesse caso, as administrações fazendárias, sendo, portanto, desnecessária a existência de convênio para o seu uso. Ademais, afirma o auditor fiscal que consulta à base de dados do TCM/BA demonstra que os pagamentos se referem a serviços, principalmente locação de veículos a prefeituras, atraindo a incidência das contribuições, fato que, de modo semelhante, não fora especificamente refutado pela Recorrente em sua impugnação e no presente recurso voluntário. Com efeito, o princípio da verdade material decorre do princípio da legalidade e sustenta o dever de diligência atribuído à Administração em busca do conhecimento da verdade Fl. 3134DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3401-010.225 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.721266/2017-10 que, hipoteticamente, esteja mais próxima da realidade dos fatos, ainda que reste prejudicial aos interesses fazendários. Detém, no entanto, dupla face, traduzindo-se também na possibilidade de se considerar todos os fatos e provas, desde que lícitos, mesmo que não tenham sido declarados e obtidos nos meios ordinariamente destinados a esse fim. Por essa razão, nego provimento ao recurso nesse ponto, mantendo o lançamento em relação às diferenças entre os valores constantes em DCTF/DACON e/ou na DIPJ/ECF, quando confrontados com as receitas apuradas junto ao Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia – TCM/BA. Da qualificação da multa de ofício Por fim, sustenta a Recorrente que deveria a multa qualificada ser afastada, já que sua aplicação teria se amparado na impossibilidade de localização do sujeito passivo nos endereços cadastrados durante as tentativas de ciência, o que, no seu entender, sequer se configurou, conforme já exposto. Daí que, afastado o argumento relativo aos endereços inconsistentes, não se justificaria o agravamento da multa, considerado o entendimento representado nas Súmulas n° 14 e nº 25 deste CARF. Também não lhe assiste razão nesse ponto. Penso que não se trate de aplicação dos enunciados de n° 14 ou nº 25 deste Conselho, abaixo reproduzidos, principalmente porque a qualificação da multa não se amparou em mera omissão de receitas e sim, na prática reiterada – por três anos sucessivos – e sem qualquer justificativa aparente - mesmo em sede de recurso voluntário - de sistematicamente não oferecer à tributação a maior parte das receitas auferidas durante o desempenho de suas atividades, além de sucessivamente eleger domicílios tributários com endereços inexistentes, comportamentos estes que, conjuntamente, no meu entendimento, são tendentes a impedir o conhecimento por parte da autoridade tributária federal da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, como consta na capitulação invocada. Súmula CARF nº 14 A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25 A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Diversos são os precedentes desta Casa que aplicam tal entendimento, a teor do que restou decidido, por exemplo, à unanimidade, no Acórdão nº 9303-004.666, de relatoria da i. Conselheira Érika Costa Camargos Autran, veja-se: MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. Fl. 3135DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3401-010.225 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.721266/2017-10 A prática reiterada de informar por meio de declarações entregues à Secretaria da Receita Federal do Brasil, durante vários períodos, de valores menores, visando retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal pela autoridade fazendária, caracteriza a figura da sonegação descrita no art. 71 da Lei n. º4.502, de 1964, enseja a aplicação da multa de ofício de 150% (cento e cinqüenta por cento) prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. Nesse mesmo sentido os Acórdãos nº 9303-005.058, nº 9303-004.316, n º 9303-008.395, da Câmara Superior, e nº 3301-004.354, nº 3401-004.360, nº 3201-002.186, nº 3302-003.101, e diversos outros. Nos termos, portanto, da jurisprudência majoritária do CARF, a prática reiterada de infrações à legislação tributária denota a intenção dolosa do contribuinte de fraudar a sua aplicação e lesar o Fisco, ensejando a aplicação da multa de ofício na forma qualificada, pelo que considero justificada a duplicação da multa, nos termos do que preconiza o parágrafo 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, nego provimento ao recurso também neste ponto, para manter a qualificação da multa de ofício aplicada. Conclusão Por todo o acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É o voto. (documento assinado digitalmente) Gustavo Garcia Dias dos Santos Fl. 3136DF CARF MF Documento nato-digital
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