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Numero do processo: 13855.003493/2009-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Jan 05 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004
DECADÊNCIA. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. PESSOA FÍSICA.
Tendo o lançamento sido efetivado no quinquênio legal não ocorre a decadência. Cabe ao interessado a comprovação da conclusão da obra em período decadencial mediante a apresentação dos documentos hábeis.
INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE.
No sistema brasileiro - seja em âmbito administrativo ou judicial -, a finalidade do recurso é única, qual seja: devolver ao órgão de segunda instância o conhecimento das mesmas questões suscitadas e discutidas no juízo de primeiro grau. Por isso, inadmissível, em grau recursal, modificar a decisão de primeiro grau com base em novos fundamentos que não foram objeto da defesa - e que, por óbvio, sequer foram discutidos na origem.
Numero da decisão: 2202-008.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, apenas quanto à preliminar de decadência para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Ronnie Soares Anderson (Presidente), Samis Antônio de Queiroz, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva e Sônia de Queiroz Accioly.
Nome do relator: Marcelo de Sousa Sáteles
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OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. PESSOA FÍSICA. Tendo o lançamento sido efetivado no quinquênio legal não ocorre a decadência. Cabe ao interessado a comprovação da conclusão da obra em período decadencial mediante a apresentação dos documentos hábeis. INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. No sistema brasileiro - seja em âmbito administrativo ou judicial -, a finalidade do recurso é única, qual seja: devolver ao órgão de segunda instância o conhecimento das mesmas questões suscitadas e discutidas no juízo de primeiro grau. Por isso, inadmissível, em grau recursal, modificar a decisão de primeiro grau com base em novos fundamentos que não foram objeto da defesa - e que, por óbvio, sequer foram discutidos na origem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, apenas quanto à preliminar de decadência para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Ronnie Soares Anderson (Presidente), Samis Antônio de Queiroz, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva e Sônia de Queiroz Accioly. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 34 93 /2 00 9- 77 Fl. 117DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-008.959 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.003493/2009-77 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto por ANTONIO MARCOS VASCO contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – DRJ/RJ – que acolheu parcialmente a impugnação apresentada em face de auto de infração lavrado em razão da falta de recolhimento da cota patronal e daquelas destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, no total de R$39.271,65 (trinta e nove mil, duzentos e setenta e um reais e sessenta e cinco centavos), referentes a obra de construção civil de pessoa física, no período compreendido entre 07/2004 a 09/2009. O ora recorrente fora intimado para informar à Receita Federal, no prazo de 15 (quinze) dias contados do recebimento, os dados do responsável pela obra e os relativos a esta, mediante a apresentação dos seguintes documentos: I - Declaração e Informação Sobre Obra (DISO) devidamente preenchida e assinada pelo responsável pela obra, conforme definido pelo artigo 19, inciso ll da Instrução Normativa MPS/SRP n° 3/2005; ll - projeto aprovado da. obra a ser executada ou Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREAA) para a obra de construção civil matriculada ou alvará de concessão de licença para construção, sempre que exigível pelos Órgãos competentes; III- Habite-se, auto de conclusão, certidão de área construída com data de aprovação do projeto e data de cadastramento da obra, ou outro documento oficial expedido por Órgão competente da Prefeitura Municipal, constando os dados oficiais da obra; IV - Se recolhimentos referentes a mão-de-obra foram efetuados durante a construção, apresentar estes documentos de arrecadação de contribuições sociais previdenciárias e das destinadas a outras entidades e fundos, com vinculação inequívoca à matricula CEI da obra; V - O proprietário, pessoa física, deverá apresentar documento de identificação, CPF e um comprovante de residência; VI - Se o imóvel já estiver totalmente regularizado apresentar somente a CND (Certidão Negativa de Débito) ou a matricula atualizada do Cartório de Registro de Imóveis com a averbação do mesmo. (f. 10/11) Transcorrido in albis o prazo, emitido o ARO (Aviso para Regularização de Obra) e constituído o crédito tributário. Em sua peça impugnatória (f. 31/65) alega, em caráter preliminar, ter sido a exigência fulminada pela decadência e, quanto ao mérito, pugnou pela aplicação dos percentuais contidos na Tabela CUB referentes aos imóveis comerciais. Ao final, pretendeu fossem as intimações remetidas ao endereço de seu patrono. A instância a quo houve por bem converter o julgamento em diligência, determinando a designação de Auditor-Fiscal da Receita Federal para a verificação da alegação de não se tratar de imóvel residencial, mas comercial. (f. 72/73) Fl. 118DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-008.959 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.003493/2009-77 Em sua informação fiscal, a autoridade fazendária informou que deveras o imóvel ostentava cariz comercial, tendo as obras sido concluídas no ano de 2004 – vide f. 74. Ao apreciar as razões declinadas, restou o acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 DECADÊNCIA. ÔNUS DA PROVA. Compete ao sujeito passivo a comprovação da realização de parte da obra ou da sua total conclusão em período abrangido pela decadência. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL DE RESPONSABILIDADE DE PESSOA FISICA. AFERIÇAO INDIRETA. CUB. Na falta de prova regular e formalizado pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. RETIFICAÇÃO. Retifica-se o auto de infração quando a impugnação demonstra que o crédito tributário foi apurado a maior. INTIMAÇÃO DO PATRONO DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE. É descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante, em endereço diverso de seu domicílio fiscal. (f. 91) Intimado do acórdão, a recorrente apresentou, em 02/03/2011, recurso voluntário (f. 102/112), replicando ipsis litteris a preliminar de decadência. Em caráter subsidiário, pediu a redução da multa aplicada de 75% (setenta e cinco por cento) para 20% (vinte por cento), sob o argumento da vedação constitucional ao confisco. Nenhuma documentação foi acostada e, por ter sido acolhido pela DRJ, não renovado o pedido de aplicação dos percentuais contidos na Tabela CUB referentes aos imóveis comerciais. É o relatório. Voto Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Relatora. Difiro a aferição dos pressupostos de admissibilidade para após cotejar as razões declinadas em primeira e segunda instância. Em franca inovação recursal, pede “a redução da multa de ofício de 75% para 20% atendendo-se assim aos princípios da proporcionalidade e do não-confisco contidos na Constituição Federal.” (f. 112) Fl. 119DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-008.959 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.003493/2009-77 No sistema brasileiro – seja em âmbito administrativo ou judicial –, a finalidade do recurso é única, qual seja: devolver ao órgão de segunda instância o conhecimento das mesmas questões suscitadas e discutidas no juízo de primeiro grau. Por isso, inadmissível, em grau recursal, modificar a decisão de primeiro grau com base em novos fundamentos que não foram objeto da defesa – e que, por óbvio, sequer foram discutidos na origem. Não conheço, por esses motivos, da insurgência. Ainda que não tivesse promovido inovação recursal, o argumento da vedação constitucional da utilização de tributos com efeitos de confisco esbarra no verbete sumular de nº 2 deste Conselho, que é hialino ao dispor ser a temática de apreciação cuja competência é exclusiva do Poder Judiciário. Em verdade, poder-se-ia cogitar o não conhecimento da integralidade do recurso, por afronta à dialeticidade, eis que se limita a replicar integralmente as mesmas razões declinadas na peça impugnatória, já apreciadas e afastadas pela DRJ. Entretanto, por atenção ao formalismo moderado e por prestigiar a solução de mérito preconizada pelo CPC, de aplicação subsidiária neste contencioso administrativo fiscal, conheço parcialmente do recurso do tempestivo recurso, presentes os pressupostos de admissibilidade. Insiste a recorrente que [n]o caso sub examen, ocorreu a decadência, haja vista que o impugnante contratou em 12 novembro de 2001, serviços particulares de empreitada a serem executados pelo, empreiteiro Sebastião Antônio Da Silva, para construção do imóvel objeto desta impugnação, serviços estes, que foram concluídos em 10 de maio de 2002, conforme se pode constatar pelo prazo de término da obra contido no Contrato Particular de Empreitada. (doc.2) e pela Declaração (doc.3) firmada pelo empreiteiro que executou a obra. Junta-se também na presente impugnação Taxa de Execução de Obras recolhida em 22/05/2002 (doc.4) e Memorial Descrito de 22/10/2001 (doc.5), descrevendo as obras que foram efetuadas e que seriam concluídas em 2002. Diante destes documentos anexos pode constatar claramente que o fato gerador ocorreu em maio de 2002, ou seja, com o término da obra pelo empreiteiro. Importa ressaltar, que caso V.Sa. não reconheça que o fato gerador ocorreu em 2002 diante dos documentos acostados, o que não espera, deverá considerar que ocorreu em 2003, uma vez que o Impugnante pagou em 12/01/2004 em parcela única, a totalidade do IPTU de 2004 (doc. 6 quitado com carimbo da Prefeitura), já com a área de construção de 556,12 m². E mesmo ocorrendo em 2003, a Fazenda já decaiu do direito de constituir o crédito tributário. Ora, levando-se em consideração que o critério temporal do IPTU é 1° de Janeiro de cada ano, que no IPTU de 2004 já constava a área construída e que o Impugnante recebeu o carnê no começo desse mesmo ano para pagar, presume-se que já havia construção em 2003, isto comprova-se também pela Certidão de Lançamento n°: 0224/2009 (doc.7), expedida pela Prefeitura Municipal de Orlândia, que demonstra a tributação do IPTU de 2004 já com a área de construção de 556,12 m². Neste diapasão, fica demonstrado que a área construída lançada no IPTU de 2004, refere-se à Fl. 120DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-008.959 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.003493/2009-77 construção efetuada em 2003. Portanto de qualquer forma, considerando que o fato gerador ocorreu em 2002 ou em 2003 conforme documentação comprobatória anexa, seguindo as normas do art. 150, §4° ou 173, I, ambos do CTN, o prazo para INSS constituir o crédito tributário, ou seja, efetuar o lançamento de oficio, decaiu, pois iniciou na data da ocorrência do fato gerador, ou seja, do término da área construída (maio de 2002), ou em 01/01/2004, primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (2003). (f. 107/109; sublinhas deste voto) Embora inicialmente aborde a impossibilidade de aplicação do prazo decadencial decenal, o cerne da controvérsia está na comprovação da data do término da obra, para fins de delimitação do termo a quo da causa extintiva do lançamento. Como já decidiu a eg. Câmara Superior deste Conselho, “[o] rol descrito na Instrução Normativa da Receita Federal regente da matéria não possui caráter taxativo, mas sim exemplificativo, podendo o sujeito passivo demonstrar o término da obra por meio de outros documentos que não os descritos na norma.” (CARF. Acórdão nº 9202-007.025, Cons.ª Rel.ª Ana Cecília Lustosa da Cruz, sessão de 21 de junho de 2018) Passo à análise dos documentos acostados aos autos com o fito de demonstrar o término da obra. O contrato de empreitada (f. 46/48), a declaração do pedreiro responsável pela consecução da obra (f. 49) e o memorial descritivo (f. 51/52), por serem unilateralmente produzidos, se revelam inaptos a albergar a tese do recorrente. Registro que, ainda que o memorial descritivo tivesse aptidão de socorrer a pretensão recursal, sequer foi pontuada a data de término da obra. Em verdade, dois documentos juntados pelo próprio recorrente sinalizam que o término da obra se deu em meados de 2004. O primeiro deles, uma certidão, lavrada pela Prefeitura Municipal de Orlândia, com o seguinte teor: CERTIFICO, a pedido feito por pessoa interessada e para os devidos fins que ANTONIO MARCOS VASCO E ANDERSON CORTEZ CORRÊA requereu em 24/05/2002 a aprovação do projeto para construção de um prédio comercial com área de 556,12 metros quadrados, no imóvel localizado à Rua 14 n° 89- A, no Jardim Arantes, nesta cidade, que foi aprovado em 28/06/2004, conforme plantas e memoriais descritivos aprovados e arquivados por esta municipalidade. Tem o valor venal válido para o exercício de 2007 (atualizado de acordo com a vistoria para a emissão do Habite-se) de RS 28.517,63 para o terreno e R$ 72.429,06 para a construção, totalizando RS 100.946,69 tudo conforme ALVARÁ DE HABITE-SE N° 053/2004 e Cadastro Imobiliário Municipal n° 060.065.006.000. (f. 58; sublinhas deste voto) Em consonância do que atestado pela Municipalidade, está a emissão do “Habite-se” em 02/07/2004 – f. 63. Fl. 121DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-008.959 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.003493/2009-77 Diante da ausência de comprovação de quaisquer recolhimentos, aplicável o prazo decadencial quinquenal previsto no inc. I do art. 173 do CTN. O termo a quo é o dia 1º de janeiro de 2005, findo o prazo para cientificação do lançamento em 31 de dezembro de 2009. Por ter sido cientificado em 19 de novembro de 2009, afastada a decadência. Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso, apenas quanto à preliminar de decadência para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Fl. 122DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10880.902980/2012-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 07 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Jan 07 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO.
Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração da contribuição a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ).
Numero da decisão: 1302-006.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Gustavo Guimarães da Fonseca, Andréia Lúcia Machado Mourão, Flávio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente).
Nome do relator: Paulo Henrique Silva Figueiredo
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GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração da contribuição a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Gustavo Guimarães da Fonseca, Andréia Lúcia Machado Mourão, Flávio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em relação ao Acórdão nº 11-49.264, de 20 de fevereiro de 2015, por meio do qual a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente acima identificada (fls. 138/150). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 29 80 /2 01 2- 14 Fl. 179DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-006.056 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.902980/2012-14 O presente processo decorre da Declaração de Compensação (DComp) nº 20249.69611.261108.1.3.02-0658 (fls. 2/9), por meio da qual a Recorrente compensou R$ 16.136,36 de saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) relativo ao ano- calendário de 2007, no montante R$ 2.548.710,03, com débito de sua responsabilidade. No Despacho Decisório eletrônico de fl. 10, a autoridade administrativa reconheceu saldo negativo passível de compensação em relação ao referido ano-calendário no valor de R$ 1.518.507,71, já que houve a confirmação de, apenas, R$ 812.432,82 (de um montante de R$ 1.842.635,15) em estimativas de IRPJ compensadas com saldo negativo de períodos anteriores, que compuseram o referido saldo negativo. A razão para a não confirmação foi que as referidas compensações não teriam sido homologadas ou teriam sido homologadas parcialmente, conforme detalhado à fl. 14. Por tal motivo, apesar de o crédito reconhecido ser suficiente para a compensação realizada por meio da DComp nº 20249.69611.261108.1.3.02-0658, as demais compensações realizadas com o mesmo saldo negativo foram homologada parcialmente (DComp nº 07963.40989.280409.1.7.02-5024) ou não homologada (DComp nº 13924.56411.230409.1.3.02- 1045). Foi, então, apresentada a Manifestação de Inconformidade de fls. 17/27 na qual se arguiu, preliminarmente, a nulidade do Despacho Decisório, por cerceamento do direito de defesa, pois haveria “simples citação de dispositivo legal sem a indicação precisa da sua correlação com o fato objeto do indeferimento do direito creditório”. Quanto ao mérito, argumentou-se que as estimativas de IRPJ que comporiam o saldo negativo de IRPJ compensado nas DComp sob análise nos presentes autos seriam objeto de discussão no âmbito dos processos administrativos que cuidariam da compensação das referidas estimativas, o que implicaria a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, na forma do art. 151, inciso III, do CTN. E, ainda, que “eventuais débitos decorrentes de estimativas não homologadas deverão ser cobrados com base nos respectivos PER/DCOMps, não cabendo a glosa dessas estimativas na apuração do imposto ou saldo negativo apurado na DIPJ”. Na decisão de primeira instância, o entendimento que prevaleceu foi o de “não ser passível de restituição/compensação a parcela do saldo negativo decorrente de estimativa cuja compensação não foi homologada”. A referida decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2007 SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INDEDUTIBILIDADE. A estimativa ainda não liquidada, seja por compensação ou por recolhimento, não é passível de compor o saldo negativo para fins de restituição/compensação, pois até então não terá havido o indébito representado pelo pagamento indevido ou a maior, requisito essencial estabelecido em lei complementar. Não há que se falar em excedente de pagamento e, por conseguinte, de existência de crédito, se aquele nem ocorreu. Fl. 180DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-006.056 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.902980/2012-14 Após a ciência do Acórdão, a Recorrente interpôs o Recurso Voluntário de fls. 158/166, no qual reitera, basicamente, as alegações de mérito contidas na Manifestação de Inconformidade, formulando pedido subsidiário pelo sobrestamento do julgamento do recurso apresentado no presente processo até decisões finais nos processos administrativos que cuidam das compensações das estimativas não homologadas. Em 11 de fevereiro de 2021, os autos foram distribuídos, por sorteio, a este Conselheiro. O processo foi, inicialmente, pautado para a reunião de julgamento não presencial do mês de junho de 2021, tendo sido retirado de pauta, por solicitação da Recorrente, nos termos do art. 12 da Portaria CARF/ME nº 690, de 2021. Foi, então, reincluído na pauta desta reunião de julgamento, em obediência ao disposto no art. 12 da Portaria CARF/ME nº 7.755, de 2021. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo, Relator. 1 DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado da decisão de primeira instância, por via eletrônica, em 28 de julho de 2015 (fls. 152/153), tendo apresentado seu Recurso Voluntário, em 26 de agosto do mesmo ano (fl. 156), dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável ao caso por força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. O Recurso é assinado por procurador, devidamente constituído às fls. 29 a 31. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Arts. 2º, inciso I, e 7º, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 2 DO MÉRITO Conforme relatado, a matéria sob litígio nos presentes autos se limita a parcelas do saldo negativo de IRPJ relativo ao ano-calendário de 2007 composta pelos valores devidos a título de estimativa e extintos mediante compensação. Os valores devidos por estimativa pela Recorrente em relação aos meses de janeiro e junho de 2007 foram objeto de compensações tratadas nos processos administrativos nº 10880.680243/2011-74, 10880.688609/2009-39 e 10875.720325/2010-57. O Despacho Decisório emitido pela autoridade administrativa e a decisão recorrida não reconheceram o saldo negativo de IRPJ composto pelas referidas estimativas, uma Fl. 181DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-006.056 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.902980/2012-14 vez que as compensações em questão não haviam sido homologadas no âmbito dos citados processos administrativos. Ocorre que, em consonância com o sustentado pela Recorrente, o fato de as referidas estimativas terem sido objeto de compensação por meio de DComp, ainda que não homologada, já é suficiente para a sua consideração na composição do saldo negativo de IRPJ relativo ao ano-calendário de 2007. Tal fato decorre da posição externada no Parecer Normativo Cosit nº 2, de 3 de dezembro de 2018 (com status de norma complementar, na forma do art. 100 do CTN): e) no caso de Dcomp não homologada, se o despacho decisório for prolatado após 31 de dezembro do ano-calendário, ou até esta data e for objeto de manifestação de inconformidade pendente de julgamento, então o crédito tributário continua extinto e está com a exigibilidade suspensa (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996), pois ocorrem três situações jurídicas concomitantes quando da ocorrência do fato jurídico tributário: (i) o valor confessado a título de estimativas deixa de ser mera antecipação e passa a ser crédito tributário constituído pela apuração em 31/12; (ii) a confissão em DCTF/Dcomp constitui o crédito tributário; (iii) o crédito tributário está extinto via compensação; não é necessário glosar o valor confessado, caso o tributo devido seja maior que os valores das estimativas, devendo ser as então estimativas cobradas como tributo devido; f) se o valor objeto de Dcomp não homologada integrar saldo negativo de IRPJ ou a base negativa da CSLL, o direito creditório destes decorrentes deve ser deferido, pois em 31 de dezembro o débito tributário referente à estimativa restou constituído pela confissão e será objeto de cobrança; Assim, à data de transmissão das DComp tratadas no presente processo (na verdade, desde o ano de 2007, quando da apresentação das DComp tratadas nos processos administrativos nº 10880.680243/2011-74, 10880.688609/2009-39 e 10875.720325/2010-57), as estimativas já estavam extintas, sob condição resolutória de sua posterior homologação, por meio de Declarações de Compensação. A não-homologação das compensações somente implicaria na exigência dos débitos, com base nas próprias DComp, posto que estas possuem a natureza de confissão de dívida. Tal posição foi consolidada na recente Súmula CARF nº 177: Estimativas compensadas e confessadas mediante Declaração de Compensação (DCOMP) integram o saldo negativo de IRPJ ou CSLL ainda que não homologadas ou pendentes de homologação. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Como se não bastasse, o Recurso Voluntário interposto pela Recorrente no processo administrativo nº 10880.680243/2011-74 foi provido por esta Turma Julgadora, nesta mesma sessão de julgamento, resultando na homologação da compensação ali tratada, até o limite do crédito reconhecido. Por meio de consulta ao sistema informatizado e-processo, constata-se, também, que a Manifestação de Inconformidade interposta no processo administrativo nº 10880.688609/2009-39 foi julgada procedente, com o reconhecimento do direito creditório que foi suficiente para homologação parcial do débito apontado na DComp ali tratada, tendo havido o subsequente recolhimento da diferença por parte da Recorrente e sido promovido o arquivamento dos autos. Por fim, a Manifestação de Inconformidade interposta no processo administrativo nº 10875.720325/2010-57 foi julgada improcedente e o débito Fl. 182DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-006.056 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.902980/2012-14 remanescente foi inscrito em Dívida Ativa da União, com a cobrança transferida para os autos do processo administrativo nº 10875.720327/2010-46. Deste modo, cabe reconhecer o crédito correspondente às estimativas de IRPJ compensadas, no valor de R$ 1.030.202,33, as quais, somadas às parcelas já reconhecidas no Despacho Decisório, resultam no saldo negativo de R$ 2.548.710,03, conforme apontado nas DComp aqui tratadas e na Declaração de Informações Econômico-Ficais da Pessoa Jurídica (DIPJ). 3 CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito creditório compensado nos presentes autos e homologar as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 183DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 13855.003495/2009-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Jan 05 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004
DECADÊNCIA. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. PESSOA FÍSICA.
Tendo o lançamento sido efetivado no quinquênio legal não ocorre a decadência. Cabe ao interessado a comprovação da conclusão da obra em período decadencial mediante a apresentação dos documentos hábeis.
INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE.
No sistema brasileiro - seja em âmbito administrativo ou judicial -, a finalidade do recurso é única, qual seja: devolver ao órgão de segunda instância o conhecimento das mesmas questões suscitadas e discutidas no juízo de primeiro grau. Por isso, inadmissível, em grau recursal, modificar a decisão de primeiro grau com base em novos fundamentos que não foram objeto da defesa - e que, por óbvio, sequer foram discutidos na origem.
Numero da decisão: 2202-008.957
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, apenas quanto à preliminar de decadência para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Ronnie Soares Anderson (Presidente), Samis Antônio de Queiroz, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva e Sônia de Queiroz Accioly.
Nome do relator: Marcelo de Sousa Sáteles
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 DECADÊNCIA. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. PESSOA FÍSICA. Tendo o lançamento sido efetivado no quinquênio legal não ocorre a decadência. Cabe ao interessado a comprovação da conclusão da obra em período decadencial mediante a apresentação dos documentos hábeis. INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. No sistema brasileiro - seja em âmbito administrativo ou judicial -, a finalidade do recurso é única, qual seja: devolver ao órgão de segunda instância o conhecimento das mesmas questões suscitadas e discutidas no juízo de primeiro grau. Por isso, inadmissível, em grau recursal, modificar a decisão de primeiro grau com base em novos fundamentos que não foram objeto da defesa - e que, por óbvio, sequer foram discutidos na origem.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, apenas quanto à preliminar de decadência para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Ronnie Soares Anderson (Presidente), Samis Antônio de Queiroz, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva e Sônia de Queiroz Accioly.
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OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. PESSOA FÍSICA. Tendo o lançamento sido efetivado no quinquênio legal não ocorre a decadência. Cabe ao interessado a comprovação da conclusão da obra em período decadencial mediante a apresentação dos documentos hábeis. INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. No sistema brasileiro - seja em âmbito administrativo ou judicial -, a finalidade do recurso é única, qual seja: devolver ao órgão de segunda instância o conhecimento das mesmas questões suscitadas e discutidas no juízo de primeiro grau. Por isso, inadmissível, em grau recursal, modificar a decisão de primeiro grau com base em novos fundamentos que não foram objeto da defesa - e que, por óbvio, sequer foram discutidos na origem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, apenas quanto à preliminar de decadência para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Ronnie Soares Anderson (Presidente), Samis Antônio de Queiroz, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva e Sônia de Queiroz Accioly. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 34 95 /2 00 9- 66 Fl. 107DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-008.957 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.003495/2009-66 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto por ANTONIO MARCOS VASCO contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – DRJ/RJ – que acolheu parcialmente a impugnação apresentada em face de auto de infração lavrado em razão da falta de recolhimento de contribuição previdenciária de terceiros, no total de R$9.903,29 (nove mil, novecentos e três reais e vinte e nove centavos), referentes a obra de construção civil de pessoa física, no período compreendido entre 07/2004 a 09/2009. O ora recorrente fora intimado para informar à Receita Federal, no prazo de 15 (quinze) dias contados do recebimento, os dados do responsável pela obra e os relativos a esta, mediante a apresentação dos seguintes documentos: I - Declaração e Informação Sobre Obra (DISO) devidamente preenchida e assinada pelo responsável pela obra, conforme definido pelo artigo 19, inciso ll da Instrução Normativa MPS/SRP n° 3/2005; ll - projeto aprovado da. obra a ser executada ou Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREAA) para a obra de construção civil matriculada ou alvará de concessão de licença para construção, sempre que exigível pelos Órgãos competentes; III- Habite-se, auto de conclusão, certidão de área construída com data de aprovação do projeto e data de cadastramento da obra, ou outro documento oficial expedido por Órgão competente da Prefeitura Municipal, constando os dados oficiais da obra; IV - Se recolhimentos referentes a mão-de-obra foram efetuados durante a construção, apresentar estes documentos de arrecadação de contribuições sociais previdenciárias e das destinadas a outras entidades e fundos, com vinculação inequívoca à matricula CEI da obra; V - O proprietário, pessoa física, deverá apresentar documento de identificação, CPF e um comprovante de residência; VI - Se o imóvel já estiver totalmente regularizado apresentar somente a CND (Certidão Negativa de Débito) ou a matricula atualizada do Cartório de Registro de Imóveis com a averbação do mesmo. (f. 10/11) Transcorrido in albis o prazo, emitido o ARO (Aviso para Regularização de Obra) e constituído o crédito tributário. Em sua peça impugnatória (f. 23/57) alega, em caráter preliminar, ter sido a exigência fulminada pela decadência e, quanto ao mérito, pugnou pela aplicação dos percentuais contidos na Tabela CUB referentes aos imóveis comerciais. Ao final, pretendeu fossem as intimações remetidas ao endereço de seu patrono. A instância a quo houve por bem converter o julgamento em diligência, determinando a designação de Auditor-Fiscal da Receita Federal para a verificação da alegação de não se tratar de imóvel residencial, mas comercial. (f. 64/65) Fl. 108DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-008.957 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.003495/2009-66 Em sua informação fiscal, a autoridade fazendária informou que deveras o imóvel ostentava cariz comercial, tendo as obras sido concluídas no ano de 2004 – vide f. 66. Ao apreciar as razões declinadas, restou o acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 DECADÊNCIA. ÔNUS DA PROVA. Compete ao sujeito passivo a comprovação da realização de parte da obra ou da sua total conclusão em período abrangido pela decadência. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL DE RESPONSABILIDADE DE PESSOA FISICA. AFERIÇAO INDIRETA. CUB. Na falta de prova regular e formalizado pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. RETIFICAÇÃO. Retifica-se o auto de infração quando a impugnação demonstra que o crédito tributário foi apurado a maior. INTIMAÇÃO DO PATRONO DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE. É descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante, em endereço diverso de seu domicílio fiscal. (f. 91) Intimado do acórdão, a recorrente apresentou, em 02/03/2011, recurso voluntário (f. 94/104), replicando ipsis litteris a preliminar de decadência. Em caráter subsidiário, pediu a redução da multa aplicada de 75% (setenta e cinco por cento) para 20% (vinte por cento), sob o argumento da vedação constitucional ao confisco. Nenhuma documentação foi acostada e, por ter sido acolhido pela DRJ, não renovado o pedido de aplicação dos percentuais contidos na Tabela CUB referentes aos imóveis comerciais. É o relatório. Voto Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Relatora. Difiro a aferição dos pressupostos de admissibilidade para após cotejar as razões declinadas em primeira e segunda instância. Fl. 109DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-008.957 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.003495/2009-66 Em franca inovação recursal, pede “a redução da multa de ofício de 75% para 20% atendendo-se assim aos princípios da proporcionalidade e do não-confisco contidos na Constituição Federal.” (f. 103) No sistema brasileiro – seja em âmbito administrativo ou judicial –, a finalidade do recurso é única, qual seja: devolver ao órgão de segunda instância o conhecimento das mesmas questões suscitadas e discutidas no juízo de primeiro grau. Por isso, inadmissível, em grau recursal, modificar a decisão de primeiro grau com base em novos fundamentos que não foram objeto da defesa – e que, por óbvio, sequer foram discutidos na origem. Não conheço, por esses motivos, da insurgência. Ainda que não tivesse promovido inovação recursal, o argumento da vedação constitucional da utilização de tributos com efeitos de confisco esbarra no verbete sumular de nº 2 deste Conselho, que é hialino ao dispor ser a temática de apreciação cuja competência é exclusiva do Poder Judiciário. Em verdade, poder-se-ia cogitar o não conhecimento da integralidade do recurso, por afronta à dialeticidade, eis que se limita a replicar integralmente as mesmas razões declinadas na peça impugnatória, já apreciadas e afastadas pela DRJ. Entretanto, por atenção ao formalismo moderado e por prestigiar a solução de mérito preconizada pelo CPC, de aplicação subsidiária neste contencioso administrativo fiscal, conheço parcialmente do recurso do tempestivo recurso, presentes os pressupostos de admissibilidade. Insiste a recorrente que [n]o caso sub examen, ocorreu a decadência, haja vista que o impugnante contratou em 12 novembro de 2001, serviços particulares de empreitada a serem executados pelo, empreiteiro Sebastião Antônio Da Silva, para construção do imóvel objeto desta impugnação, serviços estes, que foram concluídos em 10 de maio de 2002, conforme se pode constatar pelo prazo de término da obra contido no Contrato Particular de Empreitada. (doc.2) e pela Declaração (doc.3) firmada pelo empreiteiro que executou a obra. Junta-se também na presente impugnação Taxa de Execução de Obras recolhida em 22/05/2002 (doc.4) e Memorial Descrito de 22/10/2001 (doc.5), descrevendo as obras que foram efetuadas e que seriam concluídas em 2002. Diante destes documentos anexos pode constatar claramente que o fato gerador ocorreu em maio de 2002, ou seja, com o término da obra pelo empreiteiro. Importa ressaltar, que caso V.Sa. não reconheça que o fato gerador ocorreu em 2002 diante dos documentos acostados, o que não espera, deverá considerar que ocorreu em 2003, uma vez que o Impugnante pagou em 12/01/2004 em parcela única, a totalidade do IPTU de 2004 (doc. 6 quitado com carimbo da Prefeitura), já com a área de construção de 556,12 m². E mesmo ocorrendo em 2003, a Fazenda já decaiu do direito de constituir o crédito tributário. Ora, levando-se em consideração que o critério temporal do IPTU é 1° de Janeiro de cada ano, que no IPTU de 2004 já constava a área construída e que o Impugnante recebeu o carnê no começo desse mesmo ano para pagar, presume-se que já havia construção em 2003, isto comprova-se também pela Certidão de Lançamento n°: Fl. 110DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-008.957 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.003495/2009-66 0224/2009 (doc.7), expedida pela Prefeitura Municipal de Orlândia, que demonstra a tributação do IPTU de 2004 já com a área de construção de 556,12 m². Neste diapasão, fica demonstrado que a área construída lançada no IPTU de 2004, refere-se à construção efetuada em 2003. Portanto de qualquer forma, considerando que o fato gerador ocorreu em 2002 ou em 2003 conforme documentação comprobatória anexa, seguindo as normas do art. 150, §4° ou 173, I, ambos do CTN, o prazo para INSS constituir o crédito tributário, ou seja, efetuar o lançamento de oficio, decaiu, pois iniciou na data da ocorrência do fato gerador, ou seja, do término da área construída (maio de 2002), ou em 01/01/2004, primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (2003). (f. 99/100; sublinhas deste voto) Embora inicialmente aborde a impossibilidade de aplicação do prazo decadencial decenal, o cerne da controvérsia está na comprovação da data do término da obra, para fins de delimitação do termo a quo da causa extintiva do lançamento. Como já decidiu a eg. Câmara Superior deste Conselho, “[o] rol descrito na Instrução Normativa da Receita Federal regente da matéria não possui caráter taxativo, mas sim exemplificativo, podendo o sujeito passivo demonstrar o término da obra por meio de outros documentos que não os descritos na norma.” (CARF. Acórdão nº 9202-007.025, Cons.ª Rel.ª Ana Cecília Lustosa da Cruz, sessão de 21 de junho de 2018) Passo à análise dos documentos acostados aos autos com o fito de demonstrar o término da obra. O contrato de empreitada (f. 38/40), a declaração do pedreiro responsável pela consecução da obra (f. 41) e o memorial descritivo (f. 43/44), por serem unilateralmente produzidos, se revelam inaptos a albergar a tese do recorrente. Registro que, ainda que o memorial descritivo tivesse aptidão de socorrer a pretensão recursal, sequer foi pontuada a data de término da obra. Em verdade, dois documentos juntados pelo próprio recorrente sinalizam que o término da obra se deu em meados de 2004. O primeiro deles, uma certidão, lavrada pela Prefeitura Municipal de Orlândia, com o seguinte teor: CERTIFICO, a pedido feito por pessoa interessada e para os devidos fins que ANTONIO MARCOS VASCO E ANDERSON CORTEZ CORRÊA requereu em 24/05/2002 a aprovação do projeto para construção de um prédio comercial com área de 556,12 metros quadrados, no imóvel localizado à Rua 14 n° 89- A, no Jardim Arantes, nesta cidade, que foi aprovado em 28/06/2004, conforme plantas e memoriais descritivos aprovados e arquivados por esta municipalidade. Tem o valor venal válido para o exercício de 2007 (atualizado de acordo com a vistoria para a emissão do Habite-se) de RS 28.517,63 para o terreno e R$ 72.429,06 para a construção, totalizando RS 100.946,69 tudo confonne ALVARÁ DE HABITE-SE N° 053/2004 e Cadastro Imobiliário Municipal n° 060.065.006.000. (f. 50; sublinhas deste voto) Fl. 111DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-008.957 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.003495/2009-66 Em consonância do que atestado pela Municipalidade, está a emissão do “Habite-se” em 02/07/2004 – f. 55. Diante da ausência de comprovação de quaisquer recolhimentos, aplicável o prazo decadencial quinquenal previsto no inc. I do art. 173 do CTN. O termo a quo é o dia 1º de janeiro de 2005, findo o prazo para cientificação do lançamento em 31 de dezembro de 2009. Por ter sido cientificado em 19 de novembro de 2009, afastada a decadência. Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso, apenas quanto à preliminar de decadência para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Fl. 112DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 12898.000277/2010-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
CESSÃO DE MÃO DE OBRA.
RETENÇÃO.
O contratante de serviços mediante cessão de mão de obra,
inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura e recolher a importância em nome da prestadora.
JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-02.481
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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EMPRESAS EM GERAL Recorrente ARAÚJO ABREU ENGENHARIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CESSÃO DE MÃODEOBRA. RETENÇÃO. O contratante de serviços mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura e recolher a importância em nome da prestadora. JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado Fl. 392DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 09/02/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Igor Araújo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Ewan Teles Aguiar. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 09/02/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12898.000277/201044 Acórdão n.º 240202.481 S2C4T2 Fl. 385 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte o lançamento com ciência em 31/03/2010. Foram excluídos do lançamento os valores correspondentes às retenções a que estava dispensado o recorrente, seja pela natureza do serviço prestado ou pelas características do prestador de serviço; e também os meses de 01 e 02/2005 por terem sido alcançados pela decadência. Tratase de crédito decorrente da retenção sobre serviços prestados ao recorrente mediante cessão de mãodeobra. Os valores não foram retidos e, portanto, não foram repassados à Previdência Social. Seguem transcrições do relatório e outros trechos do acórdão recorrido: CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL. CESSÃO DE MAODEOBRA OU EMPREITADA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE PRINCIPAL DA EMPRESA CONTRATANTE PELA RETENÇÃO DE 11% E RESPECTIVO RECOLHIMENTO. É devida a contribuição à Seguridade Social incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados das empresas contratadas (art.20 e art.22, I, II, III da Lei 8.212/91). O contratante de serviços executados mediante empreitada de construção civil responde pela retenção de 11% sobre os valores pagos As empresas contratadas e pelo repasse A Seguridade Social, a titulo de antecipação de recolhimento das contribuições das empresas contratadas. (artigo 31, caput, da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n°9.711/98). DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Diante da Súmula vinculante no.08 do STF, o artigo 45 da lei 8.212/91 foi declarado inconstitucional. Aplicase, portanto, o prazo decadencial qüinqüenal previsto no CTN. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte ... 2. Informa o relatório fiscal que: 2.1. os fatos geradores, relativos a pagamentos de valores a empresas contratadas pelos serviços prestados mediante empreitada de construção civil, foram obtidos da contabilidade da empresa, sendo que a contribuição substitutiva de 11% sobre o valor bruto das notas fiscais não foi retida das empresas contratadas, no momento do pagamento das notas fiscais. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 09/02/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 2.2. o lançamento tem como base o art. 31, art. 33, parágrafo 5 ° da lei 8.212/91, com redação dada pela lei 9.711/98. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação: 3.2.1 suspensão da exigibilidade do crédito; 3.2.2. decadência; 3.2.3. os serviços prestados pelas empresas ARPL CONSULTORIA IMOBILIÁRIO LTDA, AIR BALANCE SYSTEM S/C LTDA, MARCO AURÉLIO DA SILVA REVESTIMENTO ME, M&P COMPANY LTDA, LFS DESENHOS TÉCNICOS S/C LTDAME e PRIMUS TECNOLOGIA LTDAME são realizados pelos próprios sócios, uma vez que aquelas empresas não possuem empregados e o seu faturamento do mês é igual ou inferior a 2 vezes o limite máximo do saláriodecontribuição. 3.2.4. não incide a retenção de 11% sobre os serviços de sup rvisdo, fiscalização, administração ou gerenciamento de obras, assessoria ou consultoria técnica, conforme art. 170 da IN MPS/SRP 03/2005 e art. 143 da IN IZFB 971/09. E também natureza confiscatória da multa imposta. É o Relatório. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 09/02/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12898.000277/201044 Acórdão n.º 240202.481 S2C4T2 Fl. 386 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, Fl. 396DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 09/02/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No mérito A recorrente apresentou documentos para a comprovação de que alguns serviços foram prestados pelos próprios sócios das contratadas e que o faturamento do mês anterior à da emissão da nota fiscal é igual ou inferior a duas vezes o limite máximo do salário de contribuição e também que elas não possuíam empregados. Os valores correspondentes foram excluídos do lançamento. Igualmente para as prestadoras cujos serviços não estavam sujeitos à retenção. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 09/02/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12898.000277/201044 Acórdão n.º 240202.481 S2C4T2 Fl. 387 7 Os valores mantidos no lançamento correspondem aos serviços alegados pela recorrente como tendo as mesmas características, porém que não se fizeram acompanhados dos documentos necessários ou apresentados deficientemente de forma a não se revestirem das formalidades necessárias para a comprovação de seu conteúdo. Ressaltase que a jurisprudência da Corte Especial se pacificou no sentido da validade da sistemática de antecipação do tributo: RECURSO ESPECIAL Nº 1.036.375 SP (2008/00465883) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS RECORRIDO : TAIFA ENGENHARIA LTDA ADVOGADO : DINO PAGETTI E OUTRO(S) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO. RETENÇÃO DE 11% SOBRE FATURAS. ART. 31, DA LEI Nº 8.212/91, COM A REDAÇÃO DA LEI Nº 9.711/98. NOVA SISTEMÁTICA DE ARRECADAÇÃO MAIS COMPLEXA, SEM AFETAÇÃO DAS BASES LEGAIS DA ENTIDADE TRIBUTÁRIA MATERIAL DA EXAÇÃO. 1. A retenção de contribuição previdenciária determinada pela Lei 9.711/98 não configura nova exação e sim técnica arrecadatória via substituição tributária, sem que, com isso, resulte aumento da carga tributária. 2. A Lei nº 9.711/98, que alterou o artigo 31 da Lei nº 8.212/91, não criou nova contribuição sobre o faturamento, tampouco alterou a alíquota ou a base de cálculo da contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento. 3. A determinação do mencionado artigo configura apenas uma nova sistemática de arrecadação da contribuição previdenciária, tornando as empresas tomadoras de serviço como responsáveis tributários pela forma de substituição tributária. Nesse sentido, o procedimento a ser adotado não viola qualquer disposição legal. 4. Precedentes: REsp 884.936/RJ, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/08/2008, DJe 20/08/2008; AgRg no Ag 906.813/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/10/2007, DJe 23/10/2008; AgRg no Ag 965.911/SP, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/04/2008, DJe 21/05/2008; EDcl no REsp 806.226/RJ, Rel. MIN. CARLOS FERNANDO MATHIAS (JUIZ CONVOCADO DO TRF 1ª REGIÃO), SEGUNDA TURMA, julgado em 04/03/2008, DJe 26/03/2008; AgRg no Ag 795.758/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/06/2007, DJ 09/08/2007. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 09/02/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 5. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, dar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Denise Arruda, Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Eliana Calmon e Francisco Falcão votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Teori Albino Zavascki. Brasília (DF), 11 de março de 2009(Data do Julgamento) MINISTRO LUIZ FUX Relator Assim, com acerto, a decisão recorrida demonstrou diligência e correção que não merecem reparos. Quanto à natureza confiscatória alegada e, portanto, que seriam inconstitucionais os dispositivos legais, o artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Em razão do exposto, voto por negar provimento ao recurso. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 399DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 09/02/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 37332.001586/2004-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 03 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Jan 05 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/1998 a 30/11/2003
JULGAMENTO CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA. CONFIRMAÇÃO DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO A MENOR.
Após conversão do julgamento em diligência, reiterado que todos os valores recolhidos pela fiscalizada já foram considerados pela autoridade fiscalizadora, conforme demonstrado no Relatário de Apropriação de Documentos Apresentados (RADA).
DECADÊNCIA QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. CONHECIMENTO DE OFÍCIO.
Sedimentando o entendimento sobre o prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias, o STF editou a Súmula Vinculante n. 08, que assim dispõe: [s]ão inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário. Declarada a inconstitucionalidade do prazo de decenal para a constituição do crédito, certo ter sido parcela dos créditos fulminada pela decadência.
Numero da decisão: 2202-009.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para declarar a decadência do lançamento, no que se refere às competências anteriores a julho de 1999.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Ronnie Soares Anderson (Presidente), Samis Antônio de Queiroz, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva e Sônia de Queiroz Accioly.
Nome do relator: Marcelo de Sousa Sáteles
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CONFIRMAÇÃO DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO A MENOR. Após conversão do julgamento em diligência, reiterado que todos os valores recolhidos pela fiscalizada já foram considerados pela autoridade fiscalizadora, conforme demonstrado no Relatário de Apropriação de Documentos Apresentados (RADA). DECADÊNCIA QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. CONHECIMENTO DE OFÍCIO. Sedimentando o entendimento sobre o prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias, o STF editou a Súmula Vinculante n. 08, que assim dispõe: “[s]ão inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário.” Declarada a inconstitucionalidade do prazo de decenal para a constituição do crédito, certo ter sido parcela dos créditos fulminada pela decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para declarar a decadência do lançamento, no que se refere às competências anteriores a julho de 1999. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Mário Hermes Soares Campos, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 33 2. 00 15 86 /2 00 4- 10 Fl. 738DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-009.123 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 37332.001586/2004-10 Martin da Silva Gesto, Ronnie Soares Anderson (Presidente), Samis Antônio de Queiroz, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva e Sônia de Queiroz Accioly. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto por CONSTRUTORA CASSI LTDA. contra decisão-notificação proferido pela Gerência Executiva em Petrolina do Instituto Nacional do Seguro – que rejeitou a impugnação apresentada para manter a exigência de R$8.647,72 (oito mil, seiscentos e quarenta e sete reais e setenta e dois centavos) pela “diferença entre os valores de contribuições levantados pela fiscalização devidos ao INSS e destinados à Seguridade Social, correspondentes às partes da Empresa, financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (RAT) e terceiros e os valores pagos pela empresa” (f. 74), no período de 08/1998 a 11/2003. Em sintética impugnação (f. 194/197) afirma, preliminarmente, necessidade de conexão, uma vez que contra ela lavradas diversas NFLD´s e autos de infração. No mérito, alega apenas que [o] lançamento de ofício procedido pelo agente fiscal decorreu, sem sombra de dúvidas, de desculpável equívoco. Com efeito, o agente fiscal deixou de computar, no demonstrativo que elaborou, os valores compensados pela Impugnante. Vale esclarecer que os créditos, objeto da compensação, decorreram de retenções efetuadas pelos próprios tomadores dos serviços, tudo como faz prova cópias do resumo de folhas, guias de recolhimento e guias de retenção, ora acostadas a essa impugnação. (f. 196) Após o manejo da defesa, promoveu dois aditamentos: uma para que reconhecida a decadência até junho de 1999 – vide f. 198/202 – e outra para que realizada perícia técnica contábil (f. 520). Ao apreciar as razões apresentadas na impugnação e nas manifestações posteriores, houve por bem rechaçá-las. Anotado que haveria a discriminação clara e precisa dos fatos geradores das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, bem como fundamentação legal do débito relativamente ao levantamento efetuado. Precisamente às fls. 71/72, em seu Relatório Fiscal, a Autoridade Notificante chama atenção apontando que os fatos geradores estão minuciosamente detalhados no Relatório de Lançamentos e no Discriminativo Analítico de Débito, e também para os relatórios que acompanham a NFLD, onde constam todos os elementos esclarecedores do crédito previdenciário apurado. (...) 4.3 – Vale ressaltar, que a legitimidade do ato administrativo, traz incita [sic] a inversão do ônus da prova. Sabemos, pois, que os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção da legitimidade, independentemente de Fl. 739DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-009.123 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 37332.001586/2004-10 norma legal que a estabeleça, cabendo à notificada trazer aos autos provas que contradigam o que foi apurado pela fiscalização afim de que o débito apurado seja elidido ou reduzido. (Hely Lopes, Direito Administrativo Brasileiro, 21ª ed. Pág. 141/142) No atinente à documentação acostada, elencou a decisão seis guias de pagamento que realmente não haviam sido analisadas pela fiscalização, porque haviam sido recolhidas para CEI incorreto e/ou com código de arrecadação incorreto ou se tratava de guia referente à competência que não havia sido objeto da fiscalização. Assim, todas as guias, salvo as retromencionadas, haviam sido aproveitadas pela fiscalização. Em relação ao para que todas as autuações conexas fossem julgadas em conjunto, a decisão concluiu que não haveria essa necessidade, visto que, inclusive, tem a fiscalização o poder/dever de lavrar Auto de Infração – AI (art. 293 ‘caput’ do RPS) e pelo descumprimento de obrigação principal, tem o fisco, o poder/dever de emitir Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD (art. 37 Lei 8.212/91, c/c art. 243 do RPS) situação essa perfeitamente formalizada pelo procedimento fiscal ora guerreado. Quanto à decadência, com arrimo em excertos de Pareceres da Administração Pública e também decisões do STJ, chancela a aplicabilidade do prazo decadencial decenal. E, por derradeiro, indeferir a realização de perícia técnica contábil, ante o cariz meramente procrastinatório. Intimada da decisão a recorrente apresentou recurso voluntário (f. 540/551) sustentando que, a análise por competência, demonstraria a insubsistência parcial da autuação. De acordo com seus próprios cálculos, haveria em aberto apenas R$618,23 (seiscentos e dezoito reais e vinte e três centavos) – f. 551. O pedido de julgamento conjunto, a decretação da decadência parcial e o requerimento de realização de perícia não foram renovados. Ao analisar a alegação, as autoridades fazendárias propuseram que que se determine a realização de diligência, a fim de que a Fiscalização analise os documentos e demonstrativos apresentados pela Notificada em seu recurso, verificando a necessidade de retificação do crédito apurado. Se necessária a retificação do crédito apurado, a Fiscalização deve elaborar planilha demonstrando a retificação a ser feita no crédito, por estabelecimento e por competência, informando o valor original, o valor excluído, e o valor remanescente. (f. 715) Fl. 740DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-009.123 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 37332.001586/2004-10 Cumprida a diligência (f. 721/723) oportunizada a manifestação da parte ora recorrente (f. 731/732) que deixou transcorrer o prazo in albis (f. 736). Vieram-me os autos conclusos. É o relatório. Voto Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Relatora. Difiro a aferição do preenchimento dos pressupostos de admissibilidade para após cotejar as razões declinadas em primeira e em segunda instância. No sistema brasileiro – seja em âmbito administrativo ou judicial –, a finalidade do recurso é única, qual seja, devolver ao órgão de segunda instância o conhecimento das mesmas questões suscitadas e discutidas no juízo de primeiro grau. Por isso, inadmissível, em grau recursal, modificar a decisão de primeiro grau com base em novos fundamentos que não foram objeto da defesa – e que, por óbvio, sequer foram discutidos na origem. Da análise do relatório resta claro que as razões de insurgência declinadas em sede de impugnação não guardam nenhuma relação com a apresentada em sede recursal. Não mereceria ser a insurgência conhecida por essa razão. Apesar da flagrante modificação das razões de defesa, convertido o julgamento em diligência para que averiguada a plausibilidade das alegações lançadas em grau recursal. Por esse motivo, entendo ter havido a devolução da matéria a este eg. Conselho. O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. A única alegação trazida na peça recursal é que os valores exigidos já haviam sido recolhidos, conforme demonstrado pela documentação que naquela oportunidade teria acostado. Ocorre que, quando da realização da diligência, determinada para verificar se, de fato, o montante exigido já havia sido recolhido, diversa foi a conclusão. Confira-se: De acordo com a NFLD 35.601.980-2, constituída em 09/07/2004, o débito nominal consolidado da empresa fiscalizada (excluídos multas e juros) era de R$ 5.044,81 (Cinco mil, quarenta e quatro reais e oitenta e um centavos). Estes valores estão demonstrados no processo através dos diversos relatórios que compõem a NFLD, bem como na planilha "VALORES ORIGINAIS - NFLD 35.601.980-2", em anexo. Analisando o processo, apuramos o valor de R$ 6.292,13 (Seis mil, duzentos e noventa e dois reais e treze centavos), correspondente a contribuições previdenciárias devidas no mesmo período abrangido pela NFLD 35.601.980-2. Este valor não considera multa e juros, e está demonstrado na planilha "VALORES APURADOS", em anexo. Desta forma, em relação ao valor levantado originalmente, houve um acréscimo de R$ 1.247,32 (Um mil, duzentos e quarenta e sete reais e trinta e dois centavos), Fl. 741DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-009.123 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 37332.001586/2004-10 conforme a planilha "VALORES DIVERGENTES DA NFLD", em anexo. Todos os valores pagos pela empresa fiscalizada, através de GPS - Guia da Previdência Social e apresentados no recurso (fls. 520 a 531), foram considerados na fiscalização e devidamente apropriados conforme claramente exposto no RADA - Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (fls. 32 a 43), à exceção dos abaixo relacionados, pelas razões que seguem: (…) Além dos valores acima, que não foram considerados por terem sido transferidos para outros estabelecimentos, a GPS no valor de R$ 5.597,19 (Cinco mil, quinhentos e noventa e sete reais e dezenove centavos) da competência 03/2002, que havia sido considerada pela fiscalização, também teve que ser excluída em virtude de ter sido transferida para outro estabelecimento, em 28/01/2005, e, portanto, após o encerramento da fiscalização, conforme Anexo II - GPS EXCLUÍDA. (f. 719/720; sublinhas deste voto) Não merece guarida a tese suscitada, pois. Entretanto, de ofício, passo apreciar matéria não renovada em sede recursal, embora trazida em um dos aditamentos à impugnação. Isso porque as matérias de ordem pública, cognoscíveis ex officio em matéria tributária, estão sempre umbilicalmente atreladas à questão de viabilidade do próprio executivo fiscal, dentre as quais estão a liquidez e exigibilidade do título, bem como o preenchimento de condições da ação e pressupostos processuais. A decadência da constituição do crédito é matéria sabidamente de ordem pública, conforme a reiterada jurisprudência pátria: AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSO CIVIL. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. ARTS. 5º E 1.022 DO CPC/15. TRIBUNAL A QUO QUE SE OMITIU SOBRE A CONDUTA CONTRADITÓRIA DO PARQUET. PREQUESTIONAMENTO FICTO. PRESCRIÇÃO. MATÉRIA NÃO PRECLUSA. AGRAVO CONHECIDO PARA CONHECER E DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL (...) VII - Nos termos da jurisprudência do STJ, as matérias de ordem pública, tais como prescrição e decadência, podem ser apreciadas a qualquer tempo nas instâncias ordinárias. Conforme o entendimento do STJ, "enquanto não instaurada esta instância especial, a questão afeta à prescrição, em todos os seus contornos, em especial à lei regente, não se submete à preclusão, tampouco se limita à extensão da matéria devolvida em apelação" (STJ. REsp nº 1.608.048/SP, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 22/5/2018, DJe 1º/6/2018; destaques deste voto). PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. GRATIFICAÇÃO DE DESEMPENHO. GDAP E GDASS. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE. Fl. 742DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-009.123 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 37332.001586/2004-10 INEXISTÊNCIA. FUNDAMENTO NÃO IMPUGNADO. SÚMULAS 283 E 284 DO STF. PRESCRIÇÃO. QUESTÃO ANTERIORMENTE DECIDIDA, NO CURSO DA AÇÃO. PRECLUSÃO. SUMULAS 7 E 83/STJ. 1. Constata-se que não se configura a alegada ofensa ao artigo 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, uma vez que o Tribunal de origem julgou integralmente a lide e solucionou, de maneira amplamente fundamentada, a controvérsia, em conformidade com o que lhe foi apresentado. 2. Nas razões do Recurso Especial, a parte recorrente sustenta apenas que "a prescrição deveria ser analisada ainda que não houvesse alegação em Recurso". Todavia, no enfrentamento da matéria, o Tribunal de origem lançou o seguinte fundamento (fl. 568, e-STJ): " Inicialmente, no tocante à alegação de omissão sobre a prescrição, não prospera o recurso. A questão acerca da prescrição foi devidamente enfrentada na sentença (Evento 19 dos autos originários), não tendo sido objeto de embargos de declaração e tampouco sido impugnada no recurso de apelação. Dessa forma, ainda que a prescrição se trate de questão de ordem pública, se não for impugnada no momento oportuno, no momento em que apreciada pelo magistrado a quo, opera-se a preclusão consumativa". 3. A fundamentação utilizada pelo Tribunal a quo para firmar seu convencimento não foi inteiramente atacada pela parte recorrente e, sendo apta, por si só, para manter o decisum combatido, permite aplicar na espécie, por analogia, os óbices das Súmulas 283 e 284 do STF, ante a ausência de impugnação de fundamento autônomo e a deficiência na motivação. 4. Ainda que fosse superado tal óbice, a irresignação não mereceria prosperar, porquanto se extrai do acórdão vergastado que o entendimento do Tribunal de origem está em consonância com a orientação do STJ de que as matérias de ordem pública, tais como prescrição e decadência, podem ser apreciadas a qualquer tempo nas instâncias ordinárias. Todavia, existindo decisão anterior, opera-se a preclusão consumativa se não houver impugnação no momento processual oportuno. Precedentes: AgInt no REsp 1.584.287/DF, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe 21.5.2018; EDcl no AgInt no REsp 1.594.074/PR, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe 26.6.2019. (STJ. REsp nº 1823532/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/09/2019, DJe 11/10/2019; destaques deste voto.) Em que pese a coerência da fundamentação apresentada à época, o exc. Supremo Tribunal Federal, ao editar a superveniente Súmula Vinculante de nº 8, pôs uma pá de cal na controvérsia, ao chancelar os motivos declinados pela recorrente para reconhecer a inconstitucionalidade do parágrafo único do art. 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que trazia prazo decenal para a aferição da prescrição e decadência dos créditos previdenciários. Em obediência ao comando da al. “a” do inc. II do § 1º do art. 62 do RICARF, passo à aplicação do entendimento vinculante firmado pela Corte Constitucional ao caso concreto. Consabido que este eg. Conselho editou o verbete sumular de nº 99, segundo o qual [p]ara fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza Fl. 743DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-009.123 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 37332.001586/2004-10 pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. De acordo com o discriminativo analítico do débito (f. 8/15) estão sendo exigidas contribuições sociais devidas nas competências de 08/1998 a 11/2003, ao passo que apenas em 09/07/2004 (f. 5) teve a recorrente ciência da autuação. Também observo no DAD que houve recolhimento a menor, o que é comprovado pelo próprio relatório fiscal, que deixa claro se tratar de “diferença entre os valores de contribuições levantados pela fiscalização devidos ao INSS e destinados à Seguridade Social, correspondentes às partes da Empresa, financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (RAT) e terceiros e os valores pagos pela empresa.” (f. 74) Desse modo, aplicável ao presente caso o regramento previsto no §4º do art. 150 do CTN para a contagem do prazo decadencial, encontrando-se parcialmente fulminados pela decadência os lançamentos anteriores a julho de 1999. Ante o exposto, dou parcial provimento ao recurso para declarar a decadência das exigências anteriores a julho de 1999. (documento assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Fl. 744DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 19515.005343/2008-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Jan 05 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
ILEGALIDADE DE INCLUSÃO DOS DIRETORES NO RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. PRECLUSÃO.
Por não ter sido renovada em sede recursal, está preclusa, a discussão acerca da ilegalidade de inclusão dos diretores no relatório de representantes legais.
MULTA ACESSÓRIA. CFL 30. IMPROCEDÊNCIA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. AFASTAMENTO.
A multa acessória deve ser afastada quando a sanção é aplicada exclusivamente por ter a recorrente escorreitamente deixado de incluir em sua Folha de Pagamentos os valores por ela pagos a título de Previdência Privada a alguns dos segurados que lhe prestaram serviços com amparo na Lei Complementar nº 109/2001.
Numero da decisão: 2202-009.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Ronnie Soares Anderson (Presidente), Samis Antônio de Queiroz, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva e Sônia de Queiroz Accioly.
Nome do relator: Marcelo de Sousa Sáteles
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 ILEGALIDADE DE INCLUSÃO DOS DIRETORES NO RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. PRECLUSÃO. Por não ter sido renovada em sede recursal, está preclusa, a discussão acerca da ilegalidade de inclusão dos diretores no relatório de representantes legais. MULTA ACESSÓRIA. CFL 30. IMPROCEDÊNCIA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. AFASTAMENTO. A multa acessória deve ser afastada quando a sanção é aplicada exclusivamente por ter a recorrente escorreitamente deixado de incluir em sua Folha de Pagamentos os valores por ela pagos a título de Previdência Privada a alguns dos segurados que lhe prestaram serviços com amparo na Lei Complementar nº 109/2001.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 ILEGALIDADE DE INCLUSÃO DOS DIRETORES NO RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. PRECLUSÃO. Por não ter sido renovada em sede recursal, está preclusa, a discussão acerca da ilegalidade de inclusão dos diretores no relatório de representantes legais. MULTA ACESSÓRIA. CFL 30. IMPROCEDÊNCIA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. AFASTAMENTO. A multa acessória deve ser afastada quando a sanção é aplicada exclusivamente por ter a recorrente escorreitamente deixado de incluir em sua Folha de Pagamentos os valores por ela pagos a título de Previdência Privada a alguns dos segurados que lhe prestaram serviços com amparo na Lei Complementar nº 109/2001. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Ronnie Soares Anderson (Presidente), Samis Antônio de Queiroz, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva e Sônia de Queiroz Accioly. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 53 43 /2 00 8- 54 Fl. 215DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-009.003 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.005343/2008-54 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto por CCB - CIMPOR CIMENTOS DO BRASIL LTDA. contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – DRJ/SPOI – que rejeitou a impugnação apresentada para manter a multa [CFL 30], no total de R$2.509,78 (dois mil quinhentos e nove reais e setenta e oito centavos), aplicada por deixado de “preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço.” (f. 04). De acordo com o relatório fiscal, nas competências 01/2004 a 12/2004, a autuada deixou de incluir em sua Folha de Pagamentos os valores por ela pagos a título de Previdência Privada a alguns dos segurados que lhe prestaram serviços (conforme planilha anexa). Tais valores integram, consoante a legislação vigente, o salário-de- contribuição, uma vez que foram pagos a apenas alguns dos segurados a seu serviço (e não a todos), por isso deveriam constar na Folha de Pagamento: Art. 214, §9º, inciso XV, do Regulamento da Previdência Social - RPS. (...) Como a autuada é reincidente (conforme Termo de Antecedentes - anexo), a multa foi elevada em duas vezes (R$ 1.254,89 X 2 = R$ 2.509,78). (f. 10/11) Na peça impugnatória (f. 80/92) defendeu, preliminarmente, a nulidade por “ausência de materialidade da suposta obrigação tributária”, porquanto o auto de infração “(...) não evidenciou a configuração do fato descrito na hipótese de incidência das contribuições previdenciárias (...).” (f. 82) No mérito, sustentou, em apertadíssima síntese, que i) a LC109/2001 permitiu que os planos de previdência complementar de entidades abertas “(...) abranjam apenas algumas categorias de pessoas na empresa. E, para essas hipóteses, o seu artigo 69, §1º veio garantir que as contribuições vertidas não são objeto de incidência tributária (tanto de impostos, como de contribuições)” (f. 87); ii) o plano contratado “(...) foi instituído dentro dos limites da Lei Complementar nº 109/2001, na qualidade de Coletivo e mantido por Entidade Aberta de Previdência Complementar (razão Pela qual não deveria ser obrigatoriamente concedido a todos os empregados)” (f. 88); e, por derradeiro, iii) padeceria de ilegalidade da inclusão de seus diretores no polo passivo do lançamento por meio do relatório de representantes legais. (f. 88) Ao apreciar as razões declinadas, restou o acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTO. OBRIGAÇÃO. A empresa é obrigada a preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço. PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR. Para que os valores pagos pela Impugnante a título de Previdência Privada Complementar sejam excluídos do salário-de-contribuição, Fl. 216DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-009.003 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.005343/2008-54 o respectivo programa deve estar disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes. (Lei n° 8.212191, art. 28, §9 0, "p"). OS VALORES PAGOS EM DESACORDO COM A LEI N" 8.212191 SÃO TRIBUTÁVEIS. Dispõe o Art. 142 do Código Tributário Nacional que a Autoridade Tributária deve determinar a matéria tributária, o quantum debeatur e seus consectários. Estando os desembolsos em desacordo com o estatuído pela legislação, deve ser cobrado o Crédito Tributário. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO Os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Essa presunção decorre do princípio da legalidade da Administração. RELATÓRIO VÍNCULOS. RELATÓRIO REPLEG. Em razão de os relatórios "VÍNCULOS - ação de vínculos" e "REPLEG - Relatório de Representantes Legais" visarem a atender o disposto na LEF - Lei de Execuções Fiscais (Lei n° 6.830/80), qualquer correção deve restringir-se aos dados referentes à pessoa, ao cargo que ela ocupava, quando da ocorrência dos fatos geradores e ao período de atuação. (f. 164/165) Intimada do acórdão, a recorrente apresentou, em 14/10/2008, recurso voluntário (f. 179/194), replicando as teses arguídas em sede de impugnação, salvo a de que eivada de ilegalidade de inclusão dos diretores no relatório de representantes legais. É o relatório. Voto Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Relatora. O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. A DRJ bem pontua a existência de prejudicialidade do Auto de Infração — AI n° 37.176.584-6 (...) e do Auto de Infração — AI n° 37.176.585-4, (...), vez que para o julgamento deste torna-se necessária definição sobre a incidência das contribuições previdenciárias correspondentes à parte da empresa, à relacionada com o SAT/RAT e Adicionais e com a dos Terceiros, decorrentes das remunerações pagas aos segurados a título de Previdência Privada. (f. 170) Ausente qualquer insurgência específica quanto à multa aplicada, tendo a decisão a quo mantido incólume a exigência da obrigação principal, igualmente haveria de subsistir a penalidade. Como conclui a DRJ, com arrimo no deslinde da exigência tributária por descumprimento de obrigação principal, teria a empresa deixado “(...) de lançar nas respectivas folhas de pagamento a totalidade das remunerações pagas, devidas ou creditadas, a título de Fl. 217DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-009.003 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.005343/2008-54 Previdência Privada, aos segurados empregados a seu serviço, no período de 01/2004 a 12/2004.” (f. 170) Entendimento diverso é o deste eg. Turma. É que os lançamentos incrustrados nos autos de infração nºs 37.176.585-4 e 37.176.584-6, apreciadas nesta mesma sessão de julgamento (processos de nºs 19515.005341/2008-65 e 19515.005342/2008-18 respectivamente), foram integralmente excluídos, restando ambas as decisões ementadas de forma idêntica: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CARÊNCIA DE LEGITIMIDADE PARA EXIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO ANTE CONVÊNIO E ILEGALIDADE DE INCLUSÃO DOS DIRETORES NO RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. PRECLUSÃO. Por não ter sido renovada em sede recursal, estão preclusas as discussões acerca da de carência de legitimidade para exigência das contribuições ante convênio firmado e da ilegalidade de inclusão dos diretores no relatório de representantes legais. PRELIMINAR DE NULIDADE POR CARÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA MATERIALIDADE DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. REJEIÇÃO. Não é possível acolher preliminares de nulidade cujas teses suscitadas estão umbilicalmente atreladas a questões de natureza meritória, uma vez presentes os requisitos do art. 11 do Decreto nº 70.235/72 e ausentes as causas de nulidade prevista no art. 59. NÃO INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR. As contribuições que o empregador verte ao plano de previdência complementar do empregado não devem ser consideradas parte de sua remuneração, pois o requisito enumerado na al. “p” do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212.91 não fora replicado na Lei Complementar de nº 109/2001. PLANOS ABERTOS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. BENEFICIÁRIOS. A Lei Complementar nº 109/2001 expressamente permite sejam disponibilizados pelo empregador a grupos de uma ou mais categorias específicas dos seus empregados elencados no art. 26. Por ter sido a sanção aplicada exclusivamente por ter a ora recorrente escorreitamente, com amparo na Lei Complementar nº 109/2001, “deixado de incluir em sua Folha de Pagamentos os valores por ela pagos a título de Previdência Privada a alguns dos segurados que lhe prestaram serviços”, há de ser a multa afastada. Ante o exposto, dou provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Fl. 218DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-009.003 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.005343/2008-54 Fl. 219DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13855.003496/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Jan 05 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004
DECADÊNCIA. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. PESSOA FÍSICA.
Tendo o lançamento sido efetivado no quinquênio legal não ocorre a decadência. Cabe ao interessado a comprovação da conclusão da obra em período decadencial mediante a apresentação dos documentos hábeis.
INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE.
No sistema brasileiro - seja em âmbito administrativo ou judicial -, a finalidade do recurso é única, qual seja: devolver ao órgão de segunda instância o conhecimento das mesmas questões suscitadas e discutidas no juízo de primeiro grau. Por isso, inadmissível, em grau recursal, modificar a decisão de primeiro grau com base em novos fundamentos que não foram objeto da defesa - e que, por óbvio, sequer foram discutidos na origem.
Numero da decisão: 2202-008.956
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, apenas quanto à preliminar de decadência para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Ronnie Soares Anderson (Presidente), Samis Antônio de Queiroz, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva e Sônia de Queiroz Accioly.
Nome do relator: Marcelo de Sousa Sáteles
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, apenas quanto à preliminar de decadência para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Ronnie Soares Anderson (Presidente), Samis Antônio de Queiroz, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva e Sônia de Queiroz Accioly.
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OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. PESSOA FÍSICA. Tendo o lançamento sido efetivado no quinquênio legal não ocorre a decadência. Cabe ao interessado a comprovação da conclusão da obra em período decadencial mediante a apresentação dos documentos hábeis. INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. No sistema brasileiro - seja em âmbito administrativo ou judicial -, a finalidade do recurso é única, qual seja: devolver ao órgão de segunda instância o conhecimento das mesmas questões suscitadas e discutidas no juízo de primeiro grau. Por isso, inadmissível, em grau recursal, modificar a decisão de primeiro grau com base em novos fundamentos que não foram objeto da defesa - e que, por óbvio, sequer foram discutidos na origem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, apenas quanto à preliminar de decadência para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Ronnie Soares Anderson (Presidente), Samis Antônio de Queiroz, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva e Sônia de Queiroz Accioly. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 34 96 /2 00 9- 19 Fl. 117DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-008.956 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.003496/2009-19 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto por ANTONIO MARCOS VASCO contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – DRJ/RJ – que acolheu parcialmente a impugnação apresentada em face de auto de infração lavrado em razão da falta de recolhimento da cota patronal e daquelas destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, no total de R$6.636,47 (seis mil, seiscentos e quarenta e sete reais e quarenta e sete centavos), referentes a obra de construção civil de pessoa física, no período compreendido entre 07/2004 a 09/2009. O ora recorrente fora intimado para informar à Receita Federal, no prazo de 15 (quinze) dias contados do recebimento, os dados do responsável pela obra e os relativos a esta, mediante a apresentação dos seguintes documentos: I - Declaração e Informação Sobre Obra (DISO) devidamente preenchida e assinada pelo responsável pela obra, conforme definido pelo artigo 19, inciso ll da Instrução Normativa MPS/SRP n° 3/2005; ll - projeto aprovado da. obra a ser executada ou Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREAA) para a obra de construção civil matriculada ou alvará de concessão de licença para construção, sempre que exigível pelos Órgãos competentes; III- Habite-se, auto de conclusão, certidão de área construída com data de aprovação do projeto e data de cadastramento da obra, ou outro documento oficial expedido por Órgão competente da Prefeitura Municipal, constando os dados oficiais da obra; IV - Se recolhimentos referentes a mão-de-obra foram efetuados durante a construção, apresentar estes documentos de arrecadação de contribuições sociais previdenciárias e das destinadas a outras entidades e fundos, com vinculação inequívoca à matricula CEI da obra; V - O proprietário, pessoa física, deverá apresentar documento de identificação, CPF e um comprovante de residência; VI - Se o imóvel já estiver totalmente regularizado apresentar somente a CND (Certidão Negativa de Débito) ou a matricula atualizada do Cartório de Registro de Imóveis com a averbação do mesmo. (f. 10/11) Transcorrido in albis o prazo, emitido o ARO (Aviso para Regularização de Obra) e constituído o crédito tributário. Em sua peça impugnatória (f. 30/65) alega, em caráter preliminar, ter sido a exigência fulminada pela decadência e, quanto ao mérito, pugnou pela aplicação dos percentuais contidos na Tabela CUB referentes aos imóveis comerciais. Ao final, pretendeu fossem as intimações remetidas ao endereço de seu patrono. A instância a quo houve por bem converter o julgamento em diligência, determinando a designação de Auditor-Fiscal da Receita Federal para a verificação da alegação de não se tratar de imóvel residencial, mas comercial. (f. 72/73) Fl. 118DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-008.956 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.003496/2009-19 Em sua informação fiscal, a autoridade fazendária informou que deveras o imóvel ostentava cariz comercial, tendo as obras sido concluídas no ano de 2004 – vide f. 74. Ao apreciar as razões declinadas, restou o acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 DECADÊNCIA. ÔNUS DA PROVA. Compete ao sujeito passivo a comprovação da realização de parte da obra ou da sua total conclusão em período abrangido pela decadência. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL DE RESPONSABILIDADE DE PESSOA FISICA. AFERIÇAO INDIRETA. CUB. Na falta de prova regular e formalizado pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. RETIFICAÇÃO. Retifica-se o auto de infração quando a impugnação demonstra que o crédito tributário foi apurado a maior. INTIMAÇÃO DO PATRONO DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE. É descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante, em endereço diverso de seu domicílio fiscal. (f. 91) Intimado do acórdão, a recorrente apresentou, em 02/03/2011, recurso voluntário (f. 102-112), replicando ipsis litteris a preliminar de decadência. Em caráter subsidiário, pediu a redução da multa aplicada de 75% (setenta e cinco por cento) para 20% (vinte por cento), sob o argumento da vedação constitucional ao confisco. Nenhuma documentação foi acostada e, por ter sido acolhido pela DRJ, não renovado o pedido de aplicação dos percentuais contidos na Tabela CUB referentes aos imóveis comerciais. É o relatório. Voto Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Relatora. Difiro a aferição dos pressupostos de admissibilidade para após cotejar as razões declinadas em primeira e segunda instância. Em franca inovação recursal, pede “a redução da multa de ofício de 75% para 20% atendendo-se assim aos princípios da proporcionalidade e do não-confisco contidos na Constituição Federal.” (f. 112) Fl. 119DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-008.956 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.003496/2009-19 No sistema brasileiro – seja em âmbito administrativo ou judicial –, a finalidade do recurso é única, qual seja: devolver ao órgão de segunda instância o conhecimento das mesmas questões suscitadas e discutidas no juízo de primeiro grau. Por isso, inadmissível, em grau recursal, modificar a decisão de primeiro grau com base em novos fundamentos que não foram objeto da defesa – e que, por óbvio, sequer foram discutidos na origem. Não conheço, por esses motivos, da insurgência. Ainda que não tivesse promovido inovação recursal, o argumento da vedação constitucional da utilização de tributos com efeitos de confisco esbarra no verbete sumular de nº 2 deste Conselho, que é hialino ao dispor ser a temática de apreciação cuja competência é exclusiva do Poder Judiciário. Em verdade, poder-se-ia cogitar o não conhecimento da integralidade do recurso, por afronta à dialeticidade, eis que se limita a replicar integralmente as mesmas razões declinadas na peça impugnatória, já apreciadas e afastadas pela DRJ. Entretanto, por atenção ao formalismo moderado e por prestigiar a solução de mérito preconizada pelo CPC, de aplicação subsidiária neste contencioso administrativo fiscal, conheço parcialmente do recurso do tempestivo recurso, presentes os pressupostos de admissibilidade. Insiste a recorrente que [n]o caso sub examen, ocorreu a decadência, haja vista que o impugnante contratou em 12 novembro de 2001, serviços particulares de empreitada a serem executados pelo, empreiteiro Sebastião Antônio Da Silva, para construção do imóvel objeto desta impugnação, serviços estes, que foram concluídos em 10 de maio de 2002, conforme se pode constatar pelo prazo de término da obra contido no Contrato Particular de Empreitada. (doc.2) e pela Declaração (doc.3) firmada pelo empreiteiro que executou a obra. Junta-se também na presente impugnação Taxa de Execução de Obras recolhida em 22/05/2002 (doc.4) e Memorial Descrito de 22/10/2001 (doc.5), descrevendo as obras que foram efetuadas e que seriam concluídas em 2002. Diante destes documentos anexos pode constatar claramente que o fato gerador ocorreu em maio de 2002, ou seja, com o término da obra pelo empreiteiro. Importa ressaltar, que caso V.Sa. não reconheça que o fato gerador ocorreu em 2002 diante dos documentos acostados, o que não espera, deverá considerar que ocorreu em 2003, uma vez que o Impugnante pagou em 12/01/2004 em parcela única, a totalidade do IPTU de 2004 (doc. 6 quitado com carimbo da Prefeitura), já com a área de construção de 556,12 m². E mesmo ocorrendo em 2003, a Fazenda já decaiu do direito de constituir o crédito tributário. Ora, levando-se em consideração que o critério temporal do IPTU é 1° de Janeiro de cada ano, que no IPTU de 2004 já constava a área construída e que o Impugnante recebeu o carnê no começo desse mesmo ano para pagar, presume-se que já havia construção em 2003, isto comprova-se também pela Certidão de Lançamento n°: 0224/2009 (doc.7), expedida pela Prefeitura Municipal de Orlândia, que demonstra a tributação do IPTU de 2004 já com a área de construção de 556,12 m². Neste diapasão, fica demonstrado que a área construída lançada no IPTU de 2004, refere-se à Fl. 120DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-008.956 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.003496/2009-19 construção efetuada em 2003. Portanto de qualquer forma, considerando que o fato gerador ocorreu em 2002 ou em 2003 conforme documentação comprobatória anexa, seguindo as normas do art. 150, §4° ou 173, I, ambos do CTN, o prazo para INSS constituir o crédito tributário, ou seja, efetuar o lançamento de oficio, decaiu, pois iniciou na data da ocorrência do fato gerador, ou seja, do término da área construída (maio de 2002), ou em 01/01/2004, primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (2003). (f. 107/109; sublinhas deste voto) Embora inicialmente aborde a impossibilidade de aplicação do prazo decadencial decenal, o cerne da controvérsia está na comprovação da data do término da obra, para fins de delimitação do termo a quo da causa extintiva do lançamento. Como já decidiu a eg. Câmara Superior deste Conselho, “[o] rol descrito na Instrução Normativa da Receita Federal regente da matéria não possui caráter taxativo, mas sim exemplificativo, podendo o sujeito passivo demonstrar o término da obra por meio de outros documentos que não os descritos na norma.” (CARF. Acórdão nº 9202-007.025, Cons.ª Rel.ª Ana Cecília Lustosa da Cruz, sessão de 21 de junho de 2018) Passo à análise dos documentos acostados aos autos com o fito de demonstrar o término da obra. O contrato de empreitada (f. 45/47), a declaração do pedreiro responsável pela consecução da obra (f. 48) e o memorial descritivo (f. 50/51), por serem unilateralmente produzidos, se revelam inaptos a albergar a tese do recorrente. Registro que, ainda que o memorial descritivo tivesse aptidão de socorrer a pretensão recursal, sequer foi pontuada a data de término da obra. Em verdade, dois documentos juntados pelo próprio recorrente sinalizam que o término da obra se deu em meados de 2004. O primeiro deles, uma certidão, lavrada pela Prefeitura Municipal de Orlândia, com o seguinte teor: CERTIFICO, a pedido feito por pessoa interessada e para os devidos fins que ANTONIO MARCOS VASCO requereu em 17/06/2004 a aprovação do projeto para regularização de um prédio comercial com área de 207,50 metros quadrados, no imóvel localizado à Rua 14 n° 99-A, no Jardim Arantes, nesta cidade, que foi aprovado em 28/06/2004, conforme plantas e memoriais descritivos aprovados e arquivados por esta municipalidade, e tem o valor venal válido para o exercício de 2007 (atualizada de acordo com a vistoria para emissão do Habite-se) R$ 7.129,41 para o terreno e R$ 20.980,32 para a construção, totalizando R$ 28.109,73 tudo conforme ALVARÁ DE HABITE-SE N° 050/2004 e Cadastro Imobiliário Municipal n° 060.065.005.000. (f. 57; sublinhas deste voto) Em consonância do que atestado pela Municipalidade, está a emissão do “Habite-se” em 01/07/2004 – f. 63. Fl. 121DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-008.956 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.003496/2009-19 Diante da ausência de comprovação de quaisquer recolhimentos, aplicável o prazo decadencial quinquenal previsto no inc. I do art. 173 do CTN. O termo a quo é o dia 1º de janeiro de 2005, findo o prazo para cientificação do lançamento em 31 de dezembro de 2009. Por ter sido cientificado em 19 de novembro de 2009, afastada a decadência. Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso, apenas quanto à preliminar de decadência para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro Oliveira Fl. 122DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 15758.000265/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Jan 03 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2006
CONTRIBUIÇÃO DESTINADAS A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS.
As contribuições destinadas às Entidades Terceiras são devidas, de acordo com os respectivos ordenamentos jurídicos, nos termos do art. 30 da Lei n° 11.457/07.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FISCALIZAÇÃO DE EMPRESA. CONSTATAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO NÃO DECLARADO. COMPETÊNCIA. AUTUAÇÃO. POSSIBILIDADE.
A autoridade fiscal a quem a lei atribui a função de zelar pela tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança, recolhimento etc. das contribuições à seguridade social e a Terceiros, que, atualmente, cabe à Receita Federal do Brasil, nos termos da Lei nº 11457/07, tem competência para investigar a real natureza da relação de trabalho existente entre o prestador e o tomador de serviço, enquadrando-a conforme a sua natureza jurídica, sem que isso signifique reconhecimento de vínculo empregatício, o que cabe exclusivamente à Justiça do Trabalho. O juízo de valor da autoridade fiscal não é definitivo e poderá ser contestado judicialmente, conforme entendimento pacífico do Superior Tribunal de Justiça.
Numero da decisão: 2402-010.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões a Conselheira Ana Claudia Borges de Oliveira.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco Ibiapino Luz, Gregorio Rechmann Junior, Diogo Cristian Denny (suplente convocado), Renata Toratti Cassini, Ana Claudia Borges de Oliveira, Denny Medeiros da Silveira (Presidente). Ausente o conselheiro Marcio Augusto Sekeff Sallem, substituído pelo conselheiro Diogo Cristian Denny.
Nome do relator: Renata Toratti Cassini
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As contribuições destinadas às Entidades Terceiras são devidas, de acordo com os respectivos ordenamentos jurídicos, nos termos do art. 30 da Lei n° 11.457/07. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FISCALIZAÇÃO DE EMPRESA. CONSTATAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO NÃO DECLARADO. COMPETÊNCIA. AUTUAÇÃO. POSSIBILIDADE. A autoridade fiscal a quem a lei atribui a função de zelar pela tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança, recolhimento etc. das contribuições à seguridade social e a Terceiros, que, atualmente, cabe à Receita Federal do Brasil, nos termos da Lei nº 11457/07, tem competência para investigar a real natureza da relação de trabalho existente entre o prestador e o tomador de serviço, enquadrando-a conforme a sua natureza jurídica, sem que isso signifique reconhecimento de vínculo empregatício, o que cabe exclusivamente à Justiça do Trabalho. O juízo de valor da autoridade fiscal não é definitivo e poderá ser contestado judicialmente, conforme entendimento pacífico do Superior Tribunal de Justiça. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões a Conselheira Ana Claudia Borges de Oliveira. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco Ibiapino Luz, Gregorio Rechmann Junior, Diogo Cristian Denny (suplente convocado), Renata Toratti Cassini, AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 75 8. 00 02 65 /2 01 0- 11 Fl. 666DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-010.597 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15758.000265/2010-11 Ana Claudia Borges de Oliveira, Denny Medeiros da Silveira (Presidente). Ausente o conselheiro Marcio Augusto Sekeff Sallem, substituído pelo conselheiro Diogo Cristian Denny. Relatório Por bem descrever os fatos até o julgamento em primeira instância, adoto o relatório da decisão recorrida, abaixo transcrito: Trata-se de crédito lançado pela fiscalização em desfavor ao contribuinte acima identificado, destinadas ao FNDE – Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, arrecadadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos do artigo 3° da Lei 11.457, de 16/03/2007, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos cooperados caracterizados como segurados empregados, no período abrangido pelas competências 01/2005 a 09/2006. Consta do Relatório Fiscal que o Hospital: • utilizou na atividade de auxiliar de enfermagem cooperados disponibilizados pela COOPSERV – Sociedade Cooperativa dos Profissionais da Área da Saúde, CNPJ 01.062.990/0001-55, conforme Contrato de Prestação de Serviços entre as partes; • foi fiscalizado pelo Ministério do Trabalho com lavratura de diversos Autos de Infração e Notificação referentes aos cooperados contratados irregularmente para o exercício de atividade fim do contratante; • recolheu a contribuição de que trata o inciso IV, artigo 22 da Lei 8.212, de 24/07/1991 incidente sobre as notas fiscais emitidas pela COOPSERV e pela Cooperativa de Serviços Médicos, Odontológicos e Paramédicos do Planalto Ltda, esta última não integra o objeto do crédito ora lançado; • declarou em GFIP as bases de cálculo, relativas às cooperativas, após o início do procedimento fiscal ensejando a lavratura do Auto de Infração 37.284.230-5, por descumprimento desta obrigação acessória. A Fiscalização expediu ofício à Gerência Regional do Trabalho e Emprego em Santo André — GRTE—SA, com o fim de conhecer na integra os fatos apurados por aquele Órgão. Cópia dos documentos disponibilizados por aquela Gerência estão anexados aos autos. A Auditora relata: 12. Além dos Autos mencionados, a GRTE—SA enviou-nos fotocópia da Notificação Fiscal para Recolhimento do Fundo de Garantia e da ContribuiçãoSocial — NFGC, que tem como objeto o lançamento dos valores devidos ao FGTS, decorrentes dos pagamentos aos cooperados considerados como empregados. 13. A descaracterização dos serviços prestados por cooperados, através de cooperativas de trabalho, resultou do fato de que, nas diligências efetuadas pelo AFT nas dependências da empresa tomadora dos serviços, foi constatado que na atividade laboral os trabalhadores cooperados participavam interativamente do processo produtivo-empresarial. 14. Conforme o Relatório Fiscal da NFGC, nas entrevistas realizadas pelo AFT com os trabalhadores cooperados, verificou-se que: a) O motivo de seu ingresso nos quadros da cooperativa foi a escassez de vagas com vinculo CLT no mercado de trabalho, sendo sua adesão à cooperativa precedida da aplicação de teste pelo tomador; Fl. 667DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-010.597 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15758.000265/2010-11 b) Ignoravam os direitos e deveres inerentes à sua condição de cooperados. Não sabiam informar os nomes dos gestores da cooperativa nem o endereço completo da sede. Tampouco compareciam às assembleias, acompanhavam resultados financeiros ou conheciam o contrato celebrado entre cooperativa e tomador; c) Exerciam, todos, atividade de auxiliar de enfermagem, diretamente relacionado à atividade principal do tomador, concomitantemente a trabalhadores contratados como empregados para a mesma função, subordinados e com remuneração definida pelo contratante. 15. Pela exposição, ficaram claros e presentes todos os caracteres da relação de emprego existente, o que, a partir de outubro de 2006, ficou ratificado, quando o sujeito passivo rescindiu o contrato de prestação de serviços com a COOPSERV, contratando os trabalhadores como empregados, após nova ação da fiscalização trabalhista, registrada entre 03/08/2006 e 19/10/2006, no Livro de Inspeção do Trabalho. 16. As fotocópias dos documentos supramencionados integram o ANEXO ll do relatório fiscal do débito principal Al nº 37.284.218-6. Acrescenta que os pagamentos efetuados à COOPSERV estão escriturados nos Livros Diário nº 143 a 153, e que o Hospital mantém convênio com Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação — FNDE, tendo apresentado os Comprovantes de Arrecadação Direta do salário-educação — CAD. O crédito foi assim constituído: 22. Pelo exposto e de acordo com os dispositivos legais supra referidos, procedemos ao lançamento, através do levantamento "CE — Cooperados considerados empregados", das diferenças de contribuições sociais destinadas a OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS, especificamente FNDE, incidentes sobre os valores constantes das Notas Fiscais "registrados como serviços prestados por profissionais" e discriminados nas respectivas planilhas individualizadoras da produção mensal por cooperado, emitidos pela cooperativa de trabalho "COOPSERV", (ANEXO II — fotocópias por amostragem). 23. O presente crédito foi lançado separadamente das demais contribuições sociais destinadas a OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS, tendo em vista que a empresa mantinha convênio com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação — FNDE para o recolhimento direto da contribuição social, conforme mencionado no item 18. 24. Sobre o salário de contribuição lançado foi aplicada a aliquota de 2,5% (Dois décimos e meio por cento). 25. Esclarecemos que os valores recolhidos através de Guias de Recolhimento à Previdência Social — GPS, relativos à COOPSERV, na forma entendida pelo contribuinte conforme relatado no item 19, não contemplam as contribuições relativas a Outras Entidades e Fundos. Durante o procedimento fiscal, além deste, foram lavrados os seguintes Autos de Infração: No item 29 do Relatório Fiscal consta a relação dos dirigentes do Hospital. Fl. 668DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-010.597 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15758.000265/2010-11 Foram juntados aos autos pela Fiscalização: a) ANEXO I: Estatuto Social e Atas; Termo de Início de Procedimento Fiscal — TIPF; Termos de Intimação Fiscal — TIF de n° 01 a 16, acompanhados dos protocolos de atendimento e Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal —TEPF. b) ANEXO II — fotocópias dos seguintes documentos: • Contrato de Prestação de Serviços, Termos Aditivos e Termo de Rescisão de Contrato; • Livro de Inspeção do Trabalho — Termo de Abertura e registro das inspeções datas de 13/06/2005, 09/12/2005 e 03/08/2006; • Autos de Infração de n° 1200982-2, 1200983-1, 1200984-9 e 1200985-7, apresentados pelo contribuinte; • Oficio expedido pela Gerência Regional do Trabalho e Emprego em Santo André — GRTE—SA, acompanhado dos Autos de Infração 1200982-2, 1200988-1, 1200983-1, 1200984-9; 1200985-7, e 1200987-3, bem como a Notificação Fiscal para Recolhimento do Fundo de Garantia e da Contribuição Social — NFGC; • Notas Fiscais de Serviços n° 13883; 14324; 15038; 15463; 15748; 16177; 16575; 16819 e respectivas Planilhas de Controle de Produção. Referido crédito, consolidado em 29/06/2010, importava em R$36.553,28 (trinta e seis mil, quinhentos e cinquenta e três reais e vinte e oito centavos), já incluídos aí os juros e a multa de mora incidentes sobre o débito originário. Em 04/08/2010, o Hospital apresentou impugnação onde, preliminarmente requer a decadência das contribuições lançadas no período de janeiro a maio de 2005, com base no parágrafo 4º, artigo 150 do CTN. Alega que o lançamento pautou-se na fiscalização promovida pelo Ministério do Trabalho, especificamente nos autos de infração nº 1200982-2, 1200983-1, 1200984-9 e 1200985-7, porém, no Julgamento do Processo 00413-2007-43102-00-9, a 1ª Vara do Trabalho de Santo André, houve por bem dar procedência parcial ao pleito do Hospital. Transcreve parte do voto, onde está consignado a falta de competência da autoridade administrativa para caracterizar a relação de emprego. Assegura que recolheu o que era de sua responsabilidade, na forma indicada pelo inciso III do artigo 201 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada procedente em parte pela DRJ/CPS em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2006 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - DESCARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO - DECADÊNCIA. Atendidas as condições legais, pode a fiscalização desconsiderar o vínculo pactuado e proceder à caracterização do trabalhador como segurado empregado. É de cinco anos o prazo de que a seguridade social dispõe para constituir os seus créditos, a contar da ocorrência do fato gerador, na forma da Lei. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Notificado dessa decisão aos 12/09/12 (fls. 185), dela o contribuinte interpôs recurso aos 15/10/12 (fls. 188 ss.), alegando, em síntese, a) ausência de competência do auditor fiscal da Receita Federal do Brasil para apreciar matéria afeta à Justiça do Trabalho, declarando vínculo empregatício apenas para fins previdenciários, b) impossibilidade de lançamento de Fl. 669DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-010.597 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15758.000265/2010-11 débito previdenciário decorrente da desconstituição da qualidade de segurado contribuinte individual e caracterização como empregado com base exclusivamente em auto de infração lavrado pela fiscalização trabalhista anulado pela Justiça do Trabalho, c) ausência de vínculo de emprego entre o recorrente e os cooperados que lhe prestavam serviços. Não houve contrarrazões. É a síntese do necessário. Voto Conselheiro Renata Toratti Cassini, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos formais de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Trata-se de recurso interposto contra acórdão que julgou procedente em parte impugnação apresentada contra auto de infração lavrado para a constituição de crédito tributário de contribuições a outras entidades e fundos (FNDE) incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos cooperados caracterizados como segurados empregados nas competências 01/2005 a 09/2006. Relata a autoridade fiscal que o recorrente utilizou, no período de 01/2005 a 09/2006, na atividade de auxiliar de enfermagem, "cooperados" vinculados à cooperativa COOPSERV - Sociedade Cooperativa dos Profissionais da Área de Saúde, conforme "Contrato de Prestação de Serviços", atividade identificada com a atividade-fim da tomadora. Acrescenta que o recorrente houvera sido fiscalizado pelo Ministério do Trabalho aos 13/06/2005 a 06/07/2005 e 09/12/2005 a 19/12/2005, procedimento do qual resultaram na emissão de diversos autos de infração, dentre os quais os de nº 1200982-2, 1200983-1, 1200984- 9 e 1200985-7 se referem a trabalhadores cooperados contratados irregularmente para o exercício de atividade fim do contratante. Informa que além dos autos de infração mencionados, em resposta a ofício enviado à Gerência Regional do Trabalho e Emprego em Santo André – GRTE – SA, obteve desse órgão fotocópia da Notificação Fiscal para Recolhimento do Fundo de Garantia e da Contribuição Social — NFGC, que tem como objeto o lançamento dos valores devidos ao FGTS, decorrentes dos pagamentos aos cooperados considerados como empregados. A descaracterização dos serviços prestados por cooperados por meio de cooperativas de trabalho resultou do fato de que nas diligências efetuadas pelo Auditor Fiscal do Trabalho nas dependências da empresa tomadora dos serviços, ora recorrente, foi constatado que na atividade laboral, os trabalhadores cooperados participavam interativamente do processo produtivo- empresarial. Relata a autoridade fiscal autuante que conforme o Relatório Fiscal da NFGC - Notificação Fiscal para Recolhimento do Fundo de Garantia e da Contribuição Social, nas entrevistas realizadas pelo AFT com os trabalhadores cooperados, verificou-se que: a) O motivo de seu ingresso nos quadros da cooperativa foi a escassez de vagas com vinculo CLT no mercado de trabalho, sendo sua adesão à cooperativa precedida da aplicação de teste pelo tomador; Fl. 670DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-010.597 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15758.000265/2010-11 b) Ignoravam os direitos e deveres inerentes à sua condição de cooperados. Não sabiam informar os nomes dos gestores da cooperativa nem o endereço completo da sede. Tampouco compareciam às assembleias, acompanhavam resultados financeiros ou conheciam o contrato celebrado entre cooperativa e tomador; c) Exerciam, todos, atividade de auxiliar de enfermagem, diretamente relacionada à atividade principal do tomador, concomitantemente a trabalhadores contratados como empregados para a mesma função, subordinados e com remuneração definida pelo contratante. Desse modo, ficaram claros e presentes todos os caracteres da relação de emprego existente, o que, a partir de outubro de 2006, ficou ratificado quando o recorrente rescindiu o contrato de prestação de serviços com a COOPSERV, contratando os trabalhadores como empregados após nova ação da fiscalização trabalhista, registrada entre 03/08/2006 e 19/10/2006, no Livro de Inspeção do Trabalho. Relata a autoridade fiscal autuante que os pagamentos efetuados à COOPSERV estão escriturados nos Livros Diário nº 143 a 153, e que o recorrente mantém convênio com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação — FNDE, tendo apresentado os Comprovantes de Arrecadação Direta do salário-educação — CAD. Notificado do lançamento, o recorrente, então impugnante, apresentou impugnação, alegando (i) decadência do crédito tributário relativo ao período compreendido entre janeiro e maio/2005, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, (ii) que o fato gerador seria “inexigível”, pois a autuação teve origem nos autos de infração lavrados pelo Ministério do Trabalho de nºs 1200982-2, 1200983-1, 1200984-9 e 1200985-7 que teriam sido anulados por sentença proferida em ação anulatória ajuizada perante a Vara do Trabalho de Santo André, restando, portanto, regular a contratação efetivada dos serviços questionados. Julgada parcialmente procedente a impugnação apresentada pela DRJ/CPS para acolher a alegação de decadência, o recorrente, então, interpôs recurso voluntário questionando os fundamentos da decisão recorrida, argumentando, em síntese, (i) que o auditor fiscal da Receita Fiscal do Brasil não teria competência para apreciar matéria afeta à Justiça do Trabalho, declarando vínculo empregatício, ainda que apenas para fins previdenciários, (ii) impossibilidade de lançamento de débito previdenciário decorrente da desconstituição da qualidade de segurado contribuinte individual e caracterização como empregado com base exclusivamente em auto de infração lavrado pela fiscalização trabalhista anulado pela Justiça do Trabalho e (iii) ausência de vínculo de emprego entre o recorrente e os cooperados que lhe prestavam serviços. Pois bem. Da competência do Auditor Fiscal da RFB para caracterização de relação de emprego para fins previdenciários com base nos fatos apurados O recorrente alega em seu recurso que a autoridade fiscal autuante “criou” vínculo de emprego entre si os cooperados, extrapolando sua atribuições de fiscalizar o correto recolhimento de parcelas pagas pelas empresas e creditadas aos seus empregados a título de contribuições à seguridade social. Diz que o valor cobrado nos presentes autos não foi lançado a título de parcelas efetivamente devidas pelo recorrente pelo recorrente aos seus empregados, cuja incidência é incontroversa, mas sim após a autoridade lançadora ter “criado a hipótese de incidência da contribuição previdenciária, qual seja, o vínculo empregatício”, o que fere o princípio da legalidade inserto no art. 37 da CF. Fl. 671DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-010.597 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15758.000265/2010-11 Cita julgados do TRF-2 que corroboram a sua tese, no sentido de que a Fiscalização carece de competência para apreciar matéria trabalhista de cunho previdenciário. Afirma que o que define o vínculo empregatício não é apenas a forma como o empregado exerce suas tarefas, desconsiderando-se o elemento formal de sua contratação, e que em nenhum momento foi declarada a nulidade do Contrato de Prestação de Serviços Cooperados celebrados entre si e a COOPSERV, da mesma forma que não foi declarada a nulidade entra a associação cooperativa dos empregados da COOPSERV e a cooperativa. Argumenta que o que caracteriza uma relação de emprego é a subordinação, quando o empregado está sujeito às normas da empresa, ao controle de frequência, de horário e das tarefas que lhe são previamente determinadas, não sendo esse o presente caso. Nos termos do art. 2º da Lei nº 11457, de 15 de março de 2007, “além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição”. Ou seja, a partir da entrada em vigor da Lei nº 11457/07, a atribuição de fiscalizar etc. o recolhimento de contribuições à Seguridade Social e a Terceiros (conforme art. 3º), até então à cargo do Instituto Nacional do Seguro Social, passou a ser incumbência legal da Receita Federal do Brasil. Nesse contexto, o Superior Tribunal de Justiça já houvera firmado entendimento no sentido de que "A fiscalização do INSS pode autuar empresa se esta deixar de recolher contribuições previdenciárias em relação às pessoas que ele julgue com vínculo empregatício. Caso discorde, a empresa dispõe do acesso à Justiça do Trabalho, a fim de questionar a existência do vínculo." (REsp 236.279-RJ, Rel. Min. Garcia Vieira, DJ 20/3/2000). De igual modo: (REsp 515821/RJ, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ de 25/04/2005). 1 Em outro julgado a respeito do tema, o mesmo tribunal superior assim se pronunciou acerca da competência da fiscalização nesse seu mister de fiscalizar o recolhimento das contribuições previdenciárias: (...) II - O INSS, "ao exercer a fiscalização acerca do efetivo recolhimento das contribuições por parte do contribuinte, possui o dever de investigar a relação laboral entre a empresa e as pessoas que a ela prestam serviços. Caso constate que a empresa erroneamente descaracteriza a relação empregatícia, a fiscalização deve proceder a autuação, a fim de que seja efetivada a arrecadação" (REsp nº 515.821/RJ, Rel. Min. FRANCIULLI NETTO, DJ de 25.04.2005). III - Destaque-se que remanesce hígida a competência da Justiça do Trabalho na chancela da existência ou não do aludido vínculo empregatício, na medida em que: "O juízo de valor do fiscal da previdência acerca de possível relação trabalhista omitida pela empresa, a bem da verdade, não é definitivo e poderá ser contestado, seja administrativamente, seja judicialmente" (REsp nº 575.086/PR, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 30.03.2006). 2 (Os destaques são meus) 1 REsp nº 837636, rel. Min. José Delgado, 1ª T., j. 17/08/06, DJ 14/09/06. 2 REsp nº 859956, rel. Min. Francisco Falcão, 1ª T., j. 10/10/06, DJ 26/10/06 Fl. 672DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-010.597 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15758.000265/2010-11 Assim, a autoridade fiscal a quem a lei atribui a função de zelar pela tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança, recolhimento etc. das contribuições à seguridade social e a Terceiros, que, atualmente, cabe à Receita Federal do Brasil, nos termos da Lei nº 11457/07, tem competência para investigar a real natureza da relação de trabalho existente entre o prestador e o tomador de serviço, enquadrando-a conforme a sua natureza jurídica, sem que isso signifique reconhecimento de vínculo empregatício, o que cabe exclusivamente à Justiça do Trabalho. O juízo de valor da autoridade fiscal não é definitivo e poderá ser contestado judicialmente, conforme entendimento pacífico do Superior Tribunal de Justiça. 3 O recorrente também afirma que o que caracteriza uma relação de emprego é o fato de o empregado estar sujeito às normas da empresa, ao controle de frequência, de horário e das tarefas lhe serem previamente determinadas, o que não é o caso dos cooperados em relação a si. A esse respeito, relata a autoridade fiscal autuante no Relatório Fiscal a fls. 28/29 que da NFGC [Notificação Fiscal para Recolhimento do Fundo de Garantia e da Contribuição Social], nas entrevistas realizadas pelo AFT com os trabalhadores cooperados, verificou-se que: (...) C) Exerciam, todos, atividade de auxiliar de enfermagem, diretamente relacionada à atividade principal do tomador, concomitantemente a trabalhadores contratados como empregados para a mesma função, subordinados e com remuneração definida pelo contratante. 15. Pela exposição, ficaram claros e presentes todos os caracteres da relação de emprego existente, o que, a partir de outubro de 2006, ficou ratificado, quando o sujeito passivo rescindiu o contrato de prestação de serviços com a COOPSERV, contratando os trabalhadores como empregados, após nova ação da fiscalização trabalhista, registrada entre 03/08/2006 e 19/10/2006, no Livro de Inspeção do Trabalho. (Destaquei) Os questionários respondidos pelos entrevistados ao AFT encontram-se a fls. 202/213 dos autos, dos quais pode-se constatar que os entrevistados confirmaram que assinavam livro de ponto para controle de horário, eram subordinados a algum funcionário do recorrente e se houvesse necessidade de faltarem, deveriam avisar, como outro funcionário qualquer, tudo a contradizer o que diz o recorrente em sua afirmação no sentido de que não havia subordinação entre si e os cooperados. Diante desse quadro, constata-se que a autoridade autuante, diferentemente do que afirma do recorrente, não “criou” o fato gerador da obrigação tributária, mas tão somente, na linha do entendimento do Superior Tribunal de Justiça, investigou a relação de trabalho havida entre o recorrente e os cooperados e, constatando que a empresa descaracterizou indevidamente a relação de emprego, procedeu ao lançamento, conforme determina o art. 142 do CTN. Desse modo, entendo que o recorrente não tem razão em suas afirmações. Do auto de infração lavrado pelo Ministério do Trabalho O recorrente alega, ainda, que a existência do contrato de trabalho é matéria de direito cuja apreciação está necessariamente afeta ao Poder Judiciário. Assim, não é possível que pudesse que Receita Federal do Brasil invadir a esfera de competência da Justiça do Trabalho e, 3 REsp nº 515.821/RJ, rel. Min. FRANCIULLI NETTO, DJ de 25.04.2005, REsp nº 575.086/PR, rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 30.03.2006, dentre vários outros no mesmo sentido. Fl. 673DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2402-010.597 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15758.000265/2010-11 com base em simples dedução, descaracterizar como autônomos, para efeito de contribuições previdenciárias, profissionais que prestam serviços a clientela múltipla, de forma autônoma e independente, baseando-se em prova emprestada obtida por autoridade declarada incompetente para exercer juízo de valor sobre a existência ou não dos pressupostos caracterizadores de uma relação de emprego. Em outros termos, diz que os autos de infração lavrados pelo Auditor Fiscal do Trabalho foram anulados pela Justiça do Trabalho, razão pela qual não poderiam fundamentar o presente lançamento. Já expus no tópico acima que o entendimento pacífico do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que a Receita Federal do Brasil tem competência para exercer juízo de valor acerca da natureza jurídica da relação de trabalho entre a empresa e as pessoas que lhe prestam serviços quando da fiscalização do recolhimento de contribuições à Seguridade Social e a Terceiros, podendo proceder à autuação caso constate a indevida descaracterização de relação de emprego, remanescendo hígida, todavia, a competência da Justiça do Trabalho, a quem compete o juízo definitivo do aludido vínculo empregatício, que poderá ser contestado pela empresa. No que diz respeito à alegação do recorrente no sentido de que o lançamento teve por fundamento auto de infração lavrado por Auditor Fiscal do Trabalho que foi anulado pela Justiça do Trabalho, ressalte-se que a ação anulatória de nº 00413-2007-431-02-00-9, que teve por objeto anular o auto de infração de nº 1.200.982-2, de fato, teve sentença procedente, confirmada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região. No entanto, essa ação, ao final, teve decisão desfavorável ao recorrente, proferida pelo Tribunal Superior do Trabalho, no sentido de que 1.1. Compete ao auditor-fiscal do trabalho ou às autoridades que exerçam funções delegadas, a fiscalização do fiel cumprimento das normas de proteção ao trabalho (CLT, art. 626), sob pena de responsabilidade administrativa (CLT, art. 628). 1.2. A ação fiscalizadora é exercida, exclusivamente, por agentes do Poder Público, aos quais cabe, dentre outras atribuições, verificar o fiel cumprimento da obrigação legal de formalização do vínculo empregatício, quando houver trabalho subordinado, oneroso, não-eventual e prestado com pessoalidade (art. 7º, § 1º, da Lei nº 7.855/89; art. 11, II, da Lei nº 10.352/02). 1.3. Assim, o auditor-fiscal do trabalho, sob pena de responsabilidade administrativa, deve proceder à autuação de empresa, por falta de registro de empregado (art. 41 da CLT), independentemente dos motivos pelos quais os contratos de trabalho não foram formalizados, sem que isso importe em reconhecimento de vínculo empregatício. 4 Assim, o auto de infração de nº 1.200.982-2, inicialmente anulado por sentença da 1ª Vara da Justiça do Trabalho de Santo André, confirmada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, teve sua validade reconhecida por decisão proferida pelo Tribunal Superior do Trabalho. Anote-se, ademais, que o auto de infração de nº 1.200.982-2 não foi o único que fundamentou a presente autuação fiscal, uma vez que conforme esclarece a autoridade fiscal lançadora, 9. Conforme anotação no Livro de Inspeção do Trabalho, constatamos que a empresa foi fiscalizada pelo Ministério do Trabalho nas datas de 13/06/2005 a 06/07/2005 e 09/12/2005 a 19/12/2005, pelo Auditor Fiscal do Trabalho — AFT, Sr. Oton Abreu Garcia, CIF 03291-3 — Matricula 1182553, sendo concluída com a emissão dos 4 RR-41340- 66.2007.5.02.0431, rel. Min. Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira, 3ª T., j. 08/09/10, DJ 17/09/10 Fl. 674DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2402-010.597 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15758.000265/2010-11 Autos de Infração e Notificação de n° n° 1200982-2, 1200986-5, 1200987-3, 1200988-1, 1200983-1, 1200984-9,1200985-7 e 1200989-0. 10. Mediante a estes (sic) registros, solicitamos à empresa cópia dos Autos de Infração supramencionados (TIF n° 06, de 25/01/2010), devidamente entregues, e de cuja leitura verificamos estar relacionados a trabalhadores cooperados, contratados irregularmente, para o exercício de atividade fim do contratante os de no 1200982- 2, 1200983-1, 1200984-9 e 1200985-7. Ademais, também ficou claro de tudo quanto já acima exposto que o auditor fiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para proceder ao juízo de valor acerca da natureza jurídica das relações de trabalho entre prestadores e tomadores de serviços quando da fiscalização do recolhimento de contribuições à seguridade social e a terceiros, devendo proceder à correção do enquadramento legal dessa relação jurídica se necessário para ajustá-la á realidade dos fatos verificados. No presente caso, também conforme consta do Relatório Fiscal e dos questionários respondidos pelos “cooperados” entrevistados, ficou claro que a real natureza jurídica da relação de trabalho entre aqueles e o recorrente envolvia caracteres de relação de emprego. Desse modo, também nesse ponto, entendo que não tem razão o recorrente. Do vínculo de emprego entre o recorrente e os cooperados Por fim, o recorrente argumenta que não existe vínculo de emprego entre si e os cooperados e que justamente para poder ter maior poder de direção sobre seus serviços, e não apenas em relação a orientações relativas à parte técnica, foi que procedeu à contratação, como efetivos empregados, daqueles profissionais, não havendo uma só comprovação no auto de infração de que a situação dos cooperados, antes da contratação como empregados, tivesse essas características. Pois bem. Com relação a essas alegações, entendo que todos esses pontos já foram devidamente analisados e abordados ao longo deste voto nos tópicos anteriores. De todo modo, anoto, novamente, que conforme consta do Relatório Fiscal e dos questionários respondidos pelos “cooperados” entrevistados, que se encontram a fls. 202/213 dos autos, ficou bastante claro que a real natureza jurídica da relação de trabalho entre aqueles e o recorrente envolvia caracteres de relação de emprego. Veja que cooperados foram entrevistados e responderam a perguntas tais como (i) “Qual o seu horário de trabalho? Há registro de ponto?”, (ii) “A quem o sr. está subordinado?” e (ii) “Se for faltar, é necessário avisar? Neste caso, é possível enviar alguém para substituir?” Todos responderam que têm horário fixo de trabalho e, também, registro de ponto, que estão subordinados a algum funcionário efetivo da recorrente, que se precisarem faltar, é necessário avisarem, tudo a revelar a subordinação. Esclareceram, também, que em caso de ausência, não há possibilidade de substituição, o que deixa clara a pessoalidade, já exposta no relatório fiscal, que informa que adesão dos cooperados à cooperativa era precedida de teste aplicado pelo tomador do serviço a ser contratado. Fl. 675DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 2402-010.597 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15758.000265/2010-11 Acresça a isso o fato de que os cooperados exercem atividade-fim do recorrente, o que evidencia a não-eventualidade.5 Por fim, a onerosidade, “traduzida pelo pagamento de salário em pecúnia ou em utilidade” 6, também está presente, na medida em que todos os cooperados informaram os valores recebidos do recorrente pelo trabalho a ele prestado. Enfim, por todas essas razões, entendo que o recorrente não tem razão. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini 5 Segundo a doutrina, “a expressão ‘serviços de natureza não eventual” referida no art. 3º da CLT deve ser interpretada sob a ótica do empregador, isto é, se a necessidade daquele tipo de serviço ou mão de obra para a empresa é permanente ou acidental. Não se deve empregar a interpretação de repetição da prestação do serviço pelo mesmo trabalhador. Com muita correção Catharino esclarece que: “Eventual significa casual, fortuito, que depende de acontecimento incerto. Mas eventual de que e de quem? Do trabalho prestado por determinado trabalhador ou da atividade do empregador? (grifos nossos) Nossa legislação preferiu o enquadramento do trabalhador de acordo com a atividade do empregador. A necessidade daquele tipo de serviço pode ser permanente (de forma contínua ou intermitente) ou acidental, fortuita, rara. Assim, o vocábulo “serviços de natureza não eventual” caracteriza-se quando o tipo de trabalho desenvolvido pelo obreiro, em relação ao seu tomador, é de necessidade permanente para o empreendimento. A pergunta correta é: a empresa precisa permanentemente daquele tipo de serviço para funcionar ou precisa de forma acidental? Não se deve confundir necessidade permanente da mão de obra com serviço inserido na atividade-fim da empresa empregadora, pois é possível um trabalhador ser empregado tanto na hipótese de seu serviço se inserir na atividade- fim do empregador, quanto na que corresponde à atividade-meio da empresa. A diferença é que naquela há a presunção de necessidade permanente da mão de obra para o tomador e nesta deve ser analisado o caso concreto. Eis a diferença.(...).” (CASSAR, Vólia Bomfim. DIREITO DO TRABALHO: de acordo com a reforma trabalhita. Rio de Janeiro: Forense, São Paulo: Método, 2018, p. 267). 6 CASSAR, Vólia Bomfim. DIREITO DO TRABALHO: de acordo com a reforma trabalhita. Rio de Janeiro: Forense, São Paulo: Método, 2018, p. 261 Fl. 676DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 12267.000236/2008-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/1997 a 31/10/2005
AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Fiscalização da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário.
DECADÊNCIA PARCIAL. ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA VINCULANTE nº 08 do STF.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente.
No caso de lançamento das contribuições sociais, em que os fatos geradores efetuou-se antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-002.431
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período lançado pelo artigo 150, §4° do CTN.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1997 a 31/10/2005 AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Fiscalização da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. DECADÊNCIA PARCIAL. ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA VINCULANTE nº 08 do STF. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento das contribuições sociais, em que os fatos geradores efetuouse antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 31DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período lançado pelo artigo 150, §4° do CTN. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12267.000236/200860 Acórdão n.º 2402002.431 S2C4T2 Fl. 426 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, concernente à contribuição desses segurados e não descontada em época própria, para as competências 10/1997 a 10/2005. O Relatório Fiscal (fls. 81/87) informa que os valores apurados referemse às divergências no confronto de valores efetivamente recolhidos pela empresa, com aqueles apurados a partir da massa salarial constante das RAIS e das GFIP’s, durante 01/1999 a 10/2005, obtidas nos sistemas corporativos do INSS. Assim, a base de cálculo foi apurada com base nas Relações Anuais de Informações Sociais (RAIS), por aferição indireta, nos termos dos §§ 3o e 6o do artigo 33 da Lei n° 8.212/1991, porque a empresa deixou de apresentar qualquer folha de pagamento ou livro diário, motivo pelo qual foi lavrado o Auto de Infração no 37.115.8028 (processo 12267.000228/200813), em decorrência do descumprimento de obrigação tributária acessória. Acompanham o relatório fiscal as planilhas explicativas de fls. 88/111. Esse Relatório Fiscal informa ainda que: “(...) 3. Na auditoriafiscal, foi efetuado o lançamento do crédito previdenciário, por arbitramento, utilizandose a RAIS (Relação Anual de Informações Sociais), a DIPJ (Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica) e a DIRF (Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte) na aferição indireta da base de cálculo (remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais). 4. A massa salarial informada na RAIS foi extraída do CNIS – Cadastro Nacional de Informações Sociais – em 03/04/2007. (...) 7. Cabe salientar que não foram apresentados documentos que evidenciam o desconto da contribuição do segurado efetuado pela empresa, tais como: recibo de salários, recibo de pagamento de autônomo – RPA e folha de pagamento. 8. Entretanto, em consulta realizada aos sistemas corporativos da RFB – Secretaria da Receita Federal do Brasil, verificamos que, em algumas competências, o contribuinte declarou em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) a contribuição descontada do segurado e não a recolheu em época própria, caracterizando, em tese, o crime de apropriação indébita previdenciária (levantamento FP2). 9. A contribuição do segurado empregado, que faz parte do levantamento FP2, foi calculada aplicandose a alíquota mínima de 8% sobre a remuneração declarada em GFIP, resultando em uma contribuição inferior a declarada em GFIP. Já a Fl. 33DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 contribuição aferida do segurado contribuinte individual é igual a declarada em GFIP. 10. Logo, o crédito previdenciário, constituído através dessa notificação, é composto da: Contribuição descontada dos segurados declarada em GFIP e não recolhida em época própria – levantamento FP2; e Contribuição dos segurados sem comprovação do desconto – levantamento FP1 (remunerações pagas em período anterior à implantação da GFIP) e FP3 (remunerações não declaradas em GFIP). 18. Ressaltamos que, em 05/07/2007, foi emitido TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal – dando ciência ao sujeito passivo de que ele se encontrava sob ação fiscal e intimandoo a apresentar os documentos necessários à verificação do regular cumprimento das obrigações previdenciárias principais e acessórias. Entretanto, de todos os documentos solicitados, a empresa entregou apenas: DIPJ (anocalendário 1999 a 2005) e DIRF (anocalendário 1997 a 2004, exceto 2000). Por essa infração à legislação previdenciária, foi lavrado o Auto de Infração n°37.115.8028 (CFL 38). 19. Pela ausência ou negativa do contribuinte em apresentar os documentos solicitados, adotamos o lançamento por arbitramento, aplicandose a aferição indireta como procedimento para se estimar o valor da base de cálculo objeto da incidência das contribuições previdenciárias. 20. Por fim, informamos que a estimativa da base de cálculo teve como parâmetro os dados constantes na RAIS, na DIPJ e na DIRF. (...) 22. A base de cálculo utilizada para a apuração da contribuição dos segurados encontrase discriminada no anexo da NFLD n° 37.115.8010, denominado Relatório de Lançamentos – RL. 23. Encontrase, em anexo, de forma detalhada, por competência e por tipo de segurado, a apuração da base de cálculo por aferição indireta, bem como a contribuição dos segurados. 24. Como o contribuinte apresentou a DIPJ e a DIRF, foi possível identificar alguns segurados contribuintes individuais através do cruzamento dessas declarações. (...)” A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 27/09/2007 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 117/137), alegando, em síntese, que: 1. por motivos alheios a sua vontade, ocorreu, em 27 de junho de 2007, um incêndio nas suas instalações, conforme Registro de Ocorrência de n° 02602008/2007 em anexo (doc. 5/6) e certidão da Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro (doc. 7) e a maioria dos documentos Fl. 34DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12267.000236/200860 Acórdão n.º 2402002.431 S2C4T2 Fl. 427 5 fiscais pegaram fogo, portanto é imprescindível que a impugnante proteste pela produção de prova pericial e fazse necessário também que seja deferida a impugnante que seja nomeado assistente técnico e desde já indica o Sr. ROBSON SOARES ORLANDO, inscrito no CRC/RJ sob o n° 068.4330; 2. é inconstitucional o artigo de lei que autoriza o INSS a apurar e constituir créditos pelo prazo de dez anos. Dessa forma, entende a Notificada que deve ser aplicado o artigo 150, parágrafo 4° do Código Tributário Nacional; 3. elaborou as planilhas de fls. 124/133, com o fim de demonstrar quais seriam os valores efetivamente devidos, os quais teriam sido integralmente recolhidos. Com relação às planilhas apresentadas argumentou a Notificada: “(...)Não pode prosperar o contido na NFLD, e levandose em consideração a impossibilidade da apresentação de todos os documentos solicitados, assim como do levantamento acurado das informações, dada a ocorrência já mencionada de um sinistro nas instalações da impugnante dias antes do início da ação fiscal, a impugnante apresenta os dados corretos daquilo que, segundo as normas vigentes, deveria integrar peça fiscal de notificação de lançamento de débito, conforme os fundamentos que se segue (...)”; 4. com o fim de comprovar a inexistência das contribuições cobradas, a Notificada juntou aos autos cópias de GFIP (comprovantes de declaração das contribuições a recolher à Previdência Social e a outras entidades e fundos por FPAS), às fls. 148/305. A Notificada juntou ainda aos autos cópia incompleta de Guia de Recolhimento do FGTS (fls. 146/147) e cópia de guia de recolhimento da competência 12/2000, no valor de R$ 557,01 (mais acréscimos legais), conforme se verifica às fls. 145; 5. solicitou a Notificada que seja expedido oficio às instituições financeiras, para que forneçam cópias micro filmadas das guias que foram pagas pela Notificada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro/RJ – por meio do Acórdão no 1219.072 da 14a Turma da DRJ/RJO1 (fls. 330/337) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que a guia de recolhimento da competência 12/2000, no valor de R$557,01 (mais acréscimos legais), foi confirmada no sistema, cabendo a revisão do lançamento mediante a apropriação do recolhimento efetuado. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação (fls. 344/406, Volume II). A Delegacia da Receita Federal do Brasil encaminha os autos ao CARF para processo e julgamento (fls. 415/424). É o relatório. Fl. 35DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DAS PRELIMINARES: A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo dúvidas quanto ao lançamento, o qual, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador das contribuições sociais lançadas, que foram as relativas às contribuições previdenciárias dos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviço, não descontadas em época própria, para as competências 10/1997 a 10/2005. Os valores das contribuições sociais previdenciárias decorrem das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, concernentes às divergências do confronto de valores efetivamente recolhidos pela empresa com aqueles apurados a partir da massa salarial constante das RAIS, DIPJ, DIRF e GFIP’s, obtidas nos sistemas corporativos do Fisco. Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/111) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN, o art. 37 da Lei n.° 8.212/1991 e o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumpri la ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei no 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Lei n° 8.212/1991: Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12267.000236/200860 Acórdão n.º 2402002.431 S2C4T2 Fl. 428 7 Nesse mesmo sentido dispõe o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Relatório Fiscal (fls. 81/87) e seus anexos (fls. 01/80 e 88/111) são suficientemente claros e relacionam os dispositivos legais aplicados ao lançamento fiscal ora analisado, bem como descriminam o fato gerador da contribuição devida. A fundamentação legal aplicada encontrase no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD (fls. 69/72), que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Há o Discriminativo Analítico de Débito (DAD), que contém todas as contribuições sociais devidas, de forma clara e precisa (fls. 04/25). Ademais, constam outros relatórios que complementam essas informações, tais como: Discriminativo Sintético do Débito (DSD), fls. 26/35; Relatório de Lançamentos (RL), fls. 36/52; as planilhas contendo as remunerações dos segurados e os valores recolhidos à Previdência Social, por competência, (fls. 88/111); dentre outros. Esses documentos, somados entre si, permitem a completa verificação dos valores e cálculos utilizados na constituição do crédito tributário. Além disso – no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD (fls. 76/78) e no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF (fls. 79/80) –, todos assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador das contribuições lançadas e a informação de que o sujeito passivo recebeu toda a documentação utilizada para caracterizar os valores lançados no presente lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal de fls. 81/87. Cumpre esclarecer que a documentação, juntada aos autos pela Recorrente, com o fim de comprovar que recolheu corretamente as contribuições devidas, não se mostra apta a ensejar a revisão do lançamento fiscal. Esses documentos, acompanhados de planilhas apresentadas, são elementos meramente declaratórios, e desacompanhados de elementos subjacentes ao fato que se pretende comprovar não constituem elemento de prova. O mesmo ocorre com os valores contidos nas GFIP ora apresentadas, que discrepam daqueles que foram obtidos pelo Fisco por meio do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS). Além da GFIP que elaborou, a Recorrente deveria ter apresentado os livros diários, razão, recibos de pagamento, rescisões, folhas de pagamento, dentre outros documentos contábeis, para comprovar a fidedignidade dos registros contidos nos seus documentos declaratórios e na sua tese de defesa. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias dos segurados empregados e contribuintes individuais, fazendo constar nos relatórios que o compõem (fls. 01/111) os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. A Recorrente alega que seja declarada a extinção do crédito tributário, pois os supostos créditos levantados pela fiscalização foram fulminados pelo instituto jurídico da decadência. Pelos motivos a seguir delineados, tal alegação será acatada em parte. Inicialmente, registramos que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, ambos da Lei nº 8.212/1991. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante 8 STF: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional nº 45/2004, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (g.n.) Fl. 38DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12267.000236/200860 Acórdão n.º 2402002.431 S2C4T2 Fl. 429 9 II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por consequência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo sentido: "TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E 150, § 4º, DO CTN. 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual 'o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação – que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' –,há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 3. No caso concreto, o débito é referente à contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. É aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento." (AgRg nos EREsp 216.758/SP, 1ª Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 10.4.2006) "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. (...) 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005) Verificase que o lançamento fiscal em tela referese às competências 10/1997 a 10/2005 e foi efetuado em 27/09/2007, data da intimação e ciência do sujeito passivo (fls. 01). No caso em tela, tratase do lançamento de contribuições, cujos fatos geradores a Recorrente efetuou antecipação de pagamento, conforme Relatório de Documentos de Apresentados de fls. 53/75 e planilhas demonstrativas de recolhimentos à Previdência Social de fls. 88/111. Nesse sentido, aplicase o art. 150, § 4º, do CTN, para considerar que os valores apurados até a competência 08/2002, inclusive, foram abrangidos pela decadência tributária. Com isso – como o crédito foi constituído com fundamento no direito potestativo do Fisco em lançar os valores das contribuições não recolhidas em época determinada pela legislação vigente –, a preliminar de decadência será acatada para os valores Fl. 40DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12267.000236/200860 Acórdão n.º 2402002.431 S2C4T2 Fl. 430 11 apurados até a competência 08/2002, inclusive, eis que o lançamento fiscal referese ao período de 10/1997 a 10/2005 e as competências posteriores a 08/2002 não foram abarcadas pela decadência tributária. Diante disso, acato parcialmente a preliminar de decadência tributária, excluindo as contribuições apuradas até a competência 08/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Após isso, passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: A Recorrente alega revisão ou cancelamento do lançamento fiscal, pois apresentou todas informações possíveis, não incorrendo em negativa de cumprir qualquer determinação feita pelo Fisco, não sendo cabível o arbitramento efetuado. Tal alegação é infundada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício, com a utilização da base de cálculo decorrente de aferição indireta. Esta decorre de um ato necessário e devidamente motivado, conforme registro no Relatório Fiscal – itens “11” a “21” (fls. 81/87 – Volume I) –, visto que a auditoria fiscal demonstrou que ocorreu recusa ou sonegação de documentos ou informações, ou sua apresentação foi deficiente. Essa demonstração da recusa de apresentação de documentos ou informações, ou a sua apresentação deficiente, ficou assentada no Relatório Fiscal nos seguintes termos (fls. 83/85): “[...] 18. Ressaltamos que, em 05/07/2007, foi emitido TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal – dando ciência ao sujeito passivo de que ele se encontrava sob ação fiscal e intimandoo a apresentar os documentos necessários à verificação do regular cumprimento das obrigações previdenciárias principais e acessórias. Entretanto, de todos os documentos solicitados, a empresa entregou apenas: DIPJ (anocalendário 1999 a 2005) e DIRF (anocalendário 1997 a 2004, exceto 2000). Por essa infração à legislação previdenciária, foi lavrado o Auto de Infração n°37.115.8028 (CFL 38). 19. Pela ausência ou negativa do contribuinte em apresentar os documentos solicitados, adotamos o lançamento por arbitramento, aplicandose a aferição indireta como procedimento para se estimar o valor da base de cálculo objeto da incidência das contribuições previdenciárias. 20. Por fim, informamos que a estimativa da base de cálculo teve como parâmetro os dados constantes na RAIS, na DIPJ e na DIRF. 21. A complementação da fundamentação legal encontrase no anexo FLD Fundamentos Legais do Débito. [...]” Nesses itens “18” a “21”, constatase que é incontroverso que os documentos em questão não foram apresentados à Fiscalização ou sua apresentação foi deficiente, a teor do contido nos §§ 1°, 3° e 5° do art. 33 da Lei n° 8.212/1991. Isso ensejou a lavratura do Auto de Fl. 41DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Infração n° 37.115.8028 (processo 12267.000228/200813) pelo descumprimento de obrigação tributária acessória. Logo, a contribuição social previdenciária apurada pela técnica de arbitramento é adequada, razoável e proporcional, não merecendo ser reformada. Além disso, a Recorrente não apresentou qualquer elemento probatório de que suas alegações sejam verdadeiras. Assim, o lançamento fiscal ora analisado está amparado no art. 33, §§ 3° e 6o, da Lei no 8.212/1991 e no art. 148 do CTN, encontrandose lavrado dentro da legalidade. Lei no 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. ......................................................................................................... Lei no 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o. É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o. A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (g.n.) Fl. 42DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12267.000236/200860 Acórdão n.º 2402002.431 S2C4T2 Fl. 431 13 (...) § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Portanto, o procedimento de aferição indireta utilizado pela auditoria fiscal, para a apuração da contribuição previdenciária, foi corretamente aplicado, pois a auditoria fiscal demonstrou que ocorreu recusa ou sonegação de documentos ou informações, ou sua apresentação foi deficiente, podendo o Fisco inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para reconhecer que sejam excluídos, em decorrência da decadência tributária quinquenal, os valores apurados até a competência 08/2002, inclusive, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 35220.000295/2006-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO
ART. 41 DA LEI N º 8.212, de 24/07/91. EFEITOS RETROATIVIDADE
BENIGNA. RECONHECIMENTO
A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n º 8.212/91; entretanto, tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, do que deixou de definir o ato como infração.
A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). A exclusão por lei de algum desses elementos implica retroatividade benigna do artigo 106 do CTN.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2402-002.451
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N º 8.212, de 24/07/91. EFEITOS RETROATIVIDADE BENIGNA. RECONHECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n º 8.212/91; entretanto, tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, do que deixou de definir o ato como infração. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). A exclusão por lei de algum desses elementos implica retroatividade benigna do artigo 106 do CTN. Recurso Voluntário Provido Fl. 154DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Igor Araújo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35220.000295/200616 Acórdão n.º 240202.451 S2C4T2 Fl. 141 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação lavrada em 31/05/2006. Segue transcrição de trechos do acórdão recorrido: EMENTA AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE CONFECÇÃO DE FOLHAS DE PAGAMENTO PARA OS ÓRGÃOS PÚBLICOS. DETERMINAÇÃO LEGAL. APRESENTAÇÃO DAS GFIPs CORRESPONDENTES. NÃO SUPRIMENTO DA FALTA. i. Sendo, para efeitos da legislação previdenciária, equiparados às empresas, os órgãos públicos são obrigados ao cumprimento das obrigações acessórias exigidas das empresas privadas. ii. O dever legal de preparar folhas de pagamento não é suprido pela apresentação das GFIP's, posto que são diversos os fundamentos legais relativos a estas obrigações acessórias. ... 01. Em ação fiscal desenvolvida no Município de Granito (PE), Câmara Municipal, foi lavrado em 30/05/2006, Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal n° 30, infração ao artigo 32, I, da Lei n.° 8.212, de 24/07/1991 e alterações posteriores, combinado com art. 225, I e § 9.° do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999. O valor da penalidade Importou em R$ 1.156,83 (um mil cento e cinqüenta e seis reais e oitenta e três centavos). 02. De acordo com o Relatório Fiscal anexo ao auto infracional fl. 08/11, a Câmara Municipal de Granito preparou as folhas de pagamento das remunerações pagas a segurados a seu serviço em desacordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social. ... 04. O mesmo relatório expõe que a multa foi aplicada ao dirigente máximo em exercício no órgão fiscalizado à época da ocorrência dos fatos, posto que, apesar de intimada, a Câmara Municipal de Granito não apresentou ato legal que atribuísse competência funcional para o cumprimento das obrigações acessórias previdenciárias a qualquer servidor do quadro do Poder Legislativo Municipal. Contra a decisão o recorrente reiterou suas alegações iniciais: 06. O autuado apresentou defesa, constante à fl. 28, na qual, em apertada síntese, a alega que os pagamentos as pessoas físicas constantes nos anexos I e II do relatório fiscal foram quitados Fl. 156DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 através de empenhos e informados ao INSS via arquivos SEFIP, conforme cópias dos protocolos de envio dos arquivos e relação de trabalhadores constantes das GFIP's, referentes às competências apontadas no auto infracional. 07. Por fim, alegando que não houve supressão de informações, posto que os dados relativos aos segurados foram enviados à Previdência Social através de arquivos SEFIP, requer que a defesa seja acatada em todos os seus termos, para que, assim, o presente lançamento fiscal seja anulado. É o Relatório. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35220.000295/200616 Acórdão n.º 240202.451 S2C4T2 Fl. 142 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator É pacífico neste Conselho que deve ser observada a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n º 8.212/91; entretanto, tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009. Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Conforme previsto no art. 106, inciso II do Código Tributário Nacional CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, no caso presente, aplicase o art. 106, inciso II, alíneas “a” e “b” do CTN. A Medida Provisória n º 449/2008, ao revogar o art. 41 da Lei n º 8.212/91, afastou a responsabilização do dirigente nas omissões e ações que geram o descumprimento de obrigações acessórias. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum benefício para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a Medida Provisória deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional. Caso a fiscalização fosse autuar o prefeito municipal na data de hoje, por fatos pretéritos, não poderia fazêlo, em função da MP nº 449/2008. Assim, em relação ao dirigente, a MP é, sem dúvida, mais benéfica; se antes da MP a autuação era em nome do dirigente, com sua responsabilização pessoal, após, não cabe tal autuação. Ressaltase que atualmente a MP nº 449/2008 teve suas regras convalidadas com a sua conversão na Lei n° 11.941, de 27/05/2009. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Pelo exposto, voto pelo provimento do recurso. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 159DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 08/02/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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