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Numero do processo: 11065.001002/2006-81
Data da sessão: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO.. MULTA ISOLADA.
Exclui-se a cobrança de multa isolada, enquanto pendente de decisão
definitiva a respeito do mérito da compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3803-000.612
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Daniel Mauricio Fedato (Relator), Designado o Conselheiro Belchior Melo de Sousa para a redação do voto vencedor.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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JULGAMENTO Processo n" 11065.001002/2006-81 Recurso n" 250.16.3 Voluntário Acórdão n" 3803-00.6I2 — 3" Turma Especial Sessão de 24 de agosto de 2010 Matéria COF1NS E. PIS Recorrente CONSTRUSINOS IND. E COM, DE ARTEFATOS DE. CIMENTO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO.. MULTA ISOLADA. Exclui-se a cobrança de multa isolada, enquanto pendente de decisão definitiva a respeito do mérito da compensação. Recurso Voluntário Negado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Daniel Mauricio Fedato (Relator), Designado o Conselheiro Belchior Melo de Sousa para a redação do voto vencedor.. Belcl\ior Melo de Sousa — Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente da Turma), Belchior Melo de Sousa, Daniel Mauricio Fedato (Relator), Carlos Henrique Martins de Lirr a, Hélcio Lafetá Reis e Rangel Perrucci Fiorin., Relatório Contra a empresa em epígrafe, em 28,03.2006 foi lavrado Auto de Inflação (11s. 01/05) no montante de R$ 89,115,00, motivado pelo lançamento da multa isolada decorrente de compensações consideradas não declaradas, Com essas considerações requereu que fosse julgado improcedente o Auto 2 Ocorre que em decorrência de terem sido consideradas não declaradas as compensações transmitidas após 29,12,04, objeto do processo n" 11065.000634/2006-28, com cópias do parecer e despacho decisório (11s.. 08/10), a DRF/Nlovo Hamburgo efetuou o lançamento de oficio da multa isolada, animada no art. 18 da Lei na 10.833, de 29A203, com a redação que lhe foi dada pelo art. 25 da Lei na 11.051, de 29.12,04, que deu origem a este processo.. hresignada, a Recorrente apresentou impugnação ao lançamento (fis, 19/90). Importante ressaltar que são 4 impugnações, uma para cada tributo/contribuição compensado indevidamente. Repiso considerações da DRJ, onde citou que o procedimento foi desnecessário, em razão de ter sido lavrado somente um Auto de Infração, que considerou todos os tributos/contribuições objeto das declarações de compensação antes referidas. Embora tal fato, não traz nenhum prejuízo ao julgamento da lide, visto que as 4 impugnações possuem o mesmo teor. As alegações em síntese são: Infração. "a) defende o direito à utilização dos créditos oferecidos para a compensação, pois, a partir da assinatura da escritura de cessão de direitos creditórios havidos por cessão, o c; édito decorrente ria sentença judicial, proferida no processo n° 89 0013624-0, passou a ser crédito próprio do impugnante, b) diz que o crédito adquirido preenche os requisitos do art. 74 da Lei n" 9.4.30, de 1996, quais sejam a impugnanie adquiriu, na condição de crédito próprio, decorrente de ação judicial com trânsito em julgado, e utilizou-o na compensação de débitos próprios; c) diferentemente cio entendimento da DRF/Novo Hamburgo, a Lei na 9 430, de 1996, quando trata da compensação, não impede a transferência de créditos entre contribuintes diversos; d) acrescenta que a Lei na 11 0.31/04 é posterior às cessões de crédito e às primeiras compensações efetuadas, as quais necessariamente vinculam-se às últimas pela declaração do total do crédito inicial, não podendo fundamentar o presente Auto de Infração, e) entende que o auto de infração lavrado é totalmente improcedente, pois foram utilizados créditos próprios, e não de terceiros, e, não sendo as compensações indevidas, inaplicável o lançamento de multa isolada,. f) diz ser descabida a afirmativa de que o crédito-prémio à reconhecido judicialmente, seria de natureza .financeira Transcreve o5 artigos I° e 2° do Decreto n" 491, de 05 de março de 1969; e g) além de . flagrante improcedência do enquadramento legal da multa, tal percentual é abusivo, tendo efeito nitidamente confiscatório, o que é vedado pela Constituição Federal, em seu art 150, inciso IV NOCCSSO nõ 11065.001002/2006-81 S3-TE03 Acórdão n." 3803-00.612 H 51 Ocorre que a DR.1 de Porto Alegre/RS não reconheceu o pleito da Autora, pois entendeu que, considerada não declarada a compensação em face de pretensão de utilização de crédito de terceiros, é aplicável a multa de 75%. Inconformada, a Interessada apresentou extenso Recurso Voluntário colacionado com jurisprudência, almejado deste Conselho o cancelamento integral da multa isolada, Em síntese, é o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Daniel Maurício Fedato, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende às demais exigências legais, razão pela qual dele conheço. Conforme constado na peça e no Relatório, versa a matéria sobre a análise da possibilidade de aplicação de multas de oficio isoladas sobre compensações consideradas não declaradas, transmitidas após 29,12,04, objeto do processo n." 11065,0006:34/200628, capitulada no artigo 18 da Lei n," 10,833, de 29.12.03, com a redação que lhe foi dada pelo artigo 25 da Lei n° 11.051, de 29.12.04, tendo em vista a desconsideração da possibilidade de utilização do crédito judicialmente deferido nos autos do processo n° 89,0013624-0/RS, através do instituto de direito privado, denominado cessão de direitos creditórios, para fins de compensação com débitos próprios da cessionária, A Recorrente, agindo nos rigores da lei, transmitiu as DCOMP, devidamente intimada, apresentou cópia da petição inicial das decisões proferidas no processo judicial n," 89.0013624-0/RS, certidão de trânsito em julgado, escritura pública de cessão de parte dos direitos creditórios e de notificação extrajudicial encaminhada à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional em Novo Hamburgo/RS, A decisão da Autoridade foi proferida em 14.03,06, decidindo pelo não reconhecimento do direito creditório e considerando como não declaradas as compensações efetuadas no processo 11065,000634/2006-28, sequer facultando a interessada direito a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, Tal decisão, além de informar a divisão em dois processos administrativos com relação ao mesmo crédito, levou em consideração que a ação judicial, que reconheceu o direito creditório da Recorrente, referia-se ao crédito-prêmio do IPI, sendo este de natureza financeira não se conformando com as normas tributárias, entendendo ainda que o art. 74, da Lei n," 9,430/96, com a redação dada pela Lei n." 10..637/02, permitiria apenas a compensação com débitos próprios do contribuinte, bem corno autorizaria somente ao sujeito passivo que apurar o crédito efetuar as compensações, por isso, estaria verificada a impossibilidade da cessão de créditos a terceiros, a fim de que estes efetuem a compensação dos mesmos com eventuais débitos tributários que possuam. Acrescentou ainda que o artigo 123, do CTN, veda que convenções particulares, salvo expressa definição legal em contrário, não podem ser opostas à Fazenda Nacional para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes, restando por indeferir o direito das cessionárias a respeito de sua pretensão de compensação, pois seriam ineficazes no âmbito tributário as cessões de crédito efetuadas. Com relação a este processo, lhe foi imposta a muita isolada de 75% sobre os valores declarados como compensados, contra esta decisão foi interposta impugnação ao lançamento, em 28.04..2006, à URI, postulando-se, assim, fosse a mesma integralmente cancelada. Esteiou-se o inconformismo na jurídica razão de que o cessionário do crédito, observados os artigos 42, § 3 0 e 567, II, ambos do CPC, bem como os artigos 286 a 298, do CC, devidamente notificada a Fazenda Nacional a respeito da escritura pública de cessão efetuada, deveria ser tratado como legítimo titular do direito creditório que lhe foi transferido por ato entre vivos, preenchendo os requisitos do artigo 74, da Lei n" 9,430/96, para efetuar o encontro de contas. Salientou-se que não se estava modificando a definição legal do sujeito passivo da obrigação tributária correspondente (art. 123, do CTN), pois o cessionário estava utilizando-se do crédito para compensação com seus débitos próprios e não de outro contribuinte qualquer, bem como que o referido crédito judicial transitou em julgado para ser utilizado nos específicos de compensação tributária ou pagamento em espécie, sendo irrelevante, pois, a sua natureza financeira, não tributária. Veja-se que estamos falando de urna ação judicial já transitada em julgado, onde a Fazenda Nacional não quer cumprir alegando ser vedada a compensação.. E corno já foi citado, acrescentou ainda a inexistência de efeito confiscatório da multa de 75% sobre os valores compensados, ressaltando que a garantia constitucional prevista no artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal, Portando vejo como sendo inaplicável ao caso presente, de exigência de multa isolada, a qual visa apenas a punir a pretensa conduta do contribuinte. Neste contexto, entendo que não podem ser exigidas multas por compensação efetuada de forma pretensamente indevida, em qualquer de suas hipóteses de incidência, enquanto pendente de decisão definitiva a respeito do mérito da compensação Do contrário estaríamos cobrando multa sobre compensação que poderá a vir ser homologada pela última instância administrativa, levando o contribuinte ao solve et repete. Desta forma, é evidente a necessidade de aguardar o julgamento do mérito do processo administrativo n" 11065,000594/2006-14. Considero justo a nulidade do presente Auto de Infração pela impossibilidade da cobrança de multa isolada por compensação indevida, em qualquer de suas hipóteses de incidência, enquanto pendente o julgamento de mérito administrativo da compensação. 5 Nocesso n" 11065 001002/2006-81 S3-TE03 Acórdão n " 3803-00.512 H 152 Com essas considerações, dou provimento ao Recurso Voluntário para excluir a referida multa, cancelando o Auto de Inflação. c„.77 44,4 Daniel Maurício Fedato Voto Vencedor Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Redator Designado Trata-se de compensação efetuada com crédito decorrente de Cessão de Direitos Creditórios originários de ação judicial impetrada por terceiro. Não é o caso, aqui, assim como considerou o nobre relator, de considerar que tenha havido trânsito em julgado na referida ação, ainda que antes da transmissão das DComps. Ao tempo das transmissões das DComps havia vedação expressa à compensação com o tipo de crédito acima citado, no modo como regido pelo art, 74, § 12, II, da Lei n°9.430/96, introduzida pela Lei n' 11.051/2004, sendo atribuído às compensações o caráter de "não declaradas",, Assim decidiu a Delegacia de origem e mantido pela decisão recorrida.. Tal norma ao indicar a nova categoria "não declaradas", para as decisões a serem proferidas nas manifestações em processos de compensação, o fez individualizando as naturezas de créditos impedidos de serem utilizados em compensação, já existentes sob nomenclatura genérica no caput do art. 18 da Lei n" 10.833/200.3. Exato por ter trabalhado com as categorias genéricas do art. 18 da Lei n" 10..833/200.3, essa Lei, n" 11.051/2004, por seu artigo 25, alterou a redação daquele artigo e introduziu, entre outros, o § 40, para estender a aplicação da multa isolada prevista no capta para contemplar a hipótese de fato de compensações "não declaradas", verbis: Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n2.158-3.5, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada sobre as difirenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicar-se-á unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das inflações previstas nos cirts 71 a 7.3 da Lei n" 4 .502, de 30 de novembro de 1964. [grifo nosso] [ 4"A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação /br considerada não declarada nas hipóteses do inciso 11 do 12 do art 74 da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Inchurdo pela Lei n°11 .051, de 2004) 4" Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação Ibr considerada não declarada nas hipóteses do inciso 11(10 § 12 do art. 74(1(1 Lei n" 9430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando-se o percentual previsto no inciso 1 do capta do art 44 da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na ibima de seu § 1", quando fbr o caso. (Redação dada pela Lei a" 11.488, de 15 de Pinho de 2007) Como norma de conteúdo processual, é aplicável a situações pendentes de julgamento. Por isso, não importa se o crédito que utilizou após a modificação legislativa de vedação de uso deste tipo de crédito veiculada pelo art. 74, § 12, 11, da Lei tf 9A30/96, decorre do saldo já utilizado em compensação antecedente, mesmo tratando-se do mesmo crédito. Não merece acolhida, por outro lado, a argumentação da recorrente de que o crédito lhe pertence, e não a terceiro. Gize-se que um direito de crédito de que seja titular, por cessão onerosa de terceiro, no âmbito do Direito Civil, não pode ser oposto à Fazenda Nacional, para com ele extinguir tributo, eis que carecente de amparo legal, desde a redação do caput do art. 74 na dicção da Lei n" 10.637/2002, que passou a explicitar que as compensações dever-se-iam dar com os débitos próprios de quem era detentor do crédito que apurasse perante a Secretaria da Receita Federal. A partir do teor legal conforme acima mencionado, a multa isolada já abarcava a infração aqui tratada, com previsão no capta do citado art. 18, desde sua primeira redação com a MP IV 135, de 30 de outubro de 2003, vigendo a partir de 1 0 de fevereiro de 2004, ao mencionar, genericamente, ser aplicável "nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal [.. Posteriormente, conforme a cita do art. 18 da Lei n" 10.833/2003, retro, a Lei n° 11..488/2007 modificou a redação deste dispositivo legal e previu a qualificação da multa, duplicando a multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento) nos casos em que couber. Registre-se isto para o fim de que se saiba que não existe modificação legislativa posterior que exclua a multa de oficio isolada da hipótese da fato ora configurada, de sorte a prover-se a exoneração da ora imposta pelo presente auto de infração, por aplicação retroativa, nos termos do art. 106, 11, "c", do Código Tributário Nacional, Ao contrário, esta lei vem de confirmar que o crédito utilizado pelo contribuinte é inservivel para compensar débitos. este prisma, voto por negar provimento ao recurso. Beichior-nélo de Sousa 6
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Numero do processo: 10865.003526/2010-13
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/08/2009
Ementa:
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS.
VEDAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.
DECADÊNCIA
Deve-se aplicar regra única de decadência para o lançamento.
PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR
Integra o salário de contribuição a parcela recebida em desacordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS
É proibida a compensação de débitos próprios com créditos de terceiros.
Numero da decisão: 2403-000.979
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, reconhecendo a decadência parcial do crédito tributário até a competência 10/2005, com base na regra do art. 150, § 4º do CTN.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/08/2009 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. DECADÊNCIA Deve-se aplicar regra única de decadência para o lançamento. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR Integra o salário de contribuição a parcela recebida em desacordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS É proibida a compensação de débitos próprios com créditos de terceiros.
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Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente GAINO DISTRIBUIÇÃO E LOGÍSTICA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/08/2009 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. DECADÊNCIA Devese aplicar regra única de decadência para o lançamento. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR Integra o saláriodecontribuição a parcela recebida em desacordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS É proibida a compensação de débitos próprios com créditos de terceiros. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, reconhecendo a decadência parcial do crédito tributário até a competência 10/2005, com base na regra do art. 150, § 4º do CTN. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente/Relator Participaram do presente julgamento, os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio De Souza, Jhonatas Ribeiro Da Silva, Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.003526/201013 Acórdão n.º 2403000.979 S2C4T3 Fl. 2 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, acórdão 1433.508, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento foi assim descrito no relatório da decisão recorrida: Trata o presente de Auto de Infração de Obrigações Principais AIOP Debcad n.° 37.283.7298, de 10/11/2010, no montante de R$ 305.386,62 (trezentos e cinco mil. trezentos e oitenta e seis reais e sessenta e dois centavos), referente a contribuições a outras entidades e fundos (terceiros), quais sejam, Salário Educação, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA, Serviço Nacional do Transporte SEST, Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT e Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas SEBRAE, incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados no período de 01/2005 a 08/2009. Informa o Relatório do Auto de Infração RAI (fls. 80/90) que a autuada foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, por ultrapassar o limite de receita bruta, através do Ato Declaratório DRF/LIM n.° 026, de 10/12/2009, com efeitos a partir de 31/12/2004 (fls. 135). Também a autuada adquiriu, da empresa Investiplan Agroindustrial. Importação e Exportação S/A, direitos creditórios junto ao Instituto Nacional de Seguro Social INSS, tendo se utilizado desses créditos para deduzir contribuições previdenciárias devidas, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas e/ou devidas aos segurados empregados e contribuintes individuais constantes em suas folhas de pagamento, através de sua inclusão, na forma de compensação, nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP referentes ao período de 02/2005 a 05/2007. Essas compensações foram um dos fatores que propiciaram a lavratura do presente AIOP, ou seja, compensação na própria GFIP de créditos oriundos de ação judicial contra a Previdência Social adquiridos de outra empresa, prática esta não prevista no art. 74 da Lei 9.430/96. No período de 01/2005 a 03/2007, a autuada efetuou pagamentos de cestas básicas em espécie a seus empregados e, de 04/2007 a 08/2009, efetuou pagamentos sob a rubrica "PAT" em folhas de pagamento sem a devida inscrição no Programa de Fl. 280DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Alimentação do Trabalhador do Ministério do Trabalho e Emprego PAT. Portanto, a referida utilidade foi fornecida em desacordo com a legislação previdenciária , implicando em sua consideração como salário de contribuição. Esclarece ainda a fiscalização que, para a apuração da base de cálculo das contribuições referentes ao PAT no período de 01/2005 a 03/2007, foi utilizado o valor constante na folha de pagamento relativa a 04/2007, ou seja, R$ 60,00 por empregado. Já para o periodo de 04/2007 a 08/2009, os valores foram apurados diretamente dás folhas de pagamento, tudo conforme o Anexo 02 (fls. 95/97). Segundo o RAI, as GPS e quotas de salário família pagas pela empresa foram deduzidas na apuração do crédito tributário e as compensações efetuadas, cujos valores se encontram no Anexo 03 (fls. 98/99) não foram consideradas pela fiscalização, pelos motivos anteriormente expostos. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: • Decadência período anterior a 11/2005. • Compensação. Possibilidade de utilizar crédito de terceiros. • Indevida exclusão do SIMPLES. • Cerceamento de defesa. • SEBRAE. • SELIC. • Inconstitucionalidade e confisco da multa. É o Relatório. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.003526/201013 Acórdão n.º 2403000.979 S2C4T3 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. INCONSTITUCIONALIDADE COMPETÊNCIA A contribuinte alega ilegalidades e/ou inconstitucionalidades nas normas que fundamentaram o lançamento e competência deste colegiado para decidir sobre a questão. Inicialmente devese registrar que tanto o lançamento como os acréscimos têm respaldo nas leis. Cumpre esclarecer que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. O Decreto nº 6.764, de 10 de fevereiro de 2009, que aprovou a Estrutura Regimental do Ministério da Fazenda apresenta as atribuições do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, no artigo 32. Art. 32. Ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, órgão colegiado judicante, paritário, compete julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos especiais, sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme estabelecido nos arts. 25, inciso II, e 37, § 2o, do Decreto no 70.235, 6 de março de 1972, alterado pela Medida Provisória no 449, de 3 de dezembro de 2008. Parágrafo único. Metade dos conselheiros integrantes do CARF será constituída de representantes da Fazenda Nacional, e a outra metade, de representantes dos contribuintes, indicados pelas confederações representativas de categorias econômicas de nível nacional e pelas centrais sindicais Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, em seu artigo 62 expressamente veda aos julgadores do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Para haver harmonia nos julgamentos, conforme artigo 72 do Regimento Interno, o CARF emitirá súmulas para decisões reiteradas e uniformes, de observância obrigatória pelos membros do CARF. Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Nesse sentido, quando da Consolidação das Súmulas dos Conselhos de Contribuintes, foi editada a Súmula CARFnº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, em relação a ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. CERCEAMENTO DE DEFESA Alega a recorrente que as planilhas apresentadas são confusas e não demonstram claramente a ocorrência da base de cálculo e do fato gerador, ocasionando o cerceamento de defesa. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.003526/201013 Acórdão n.º 2403000.979 S2C4T3 Fl. 4 7 Entendo que não cabe razão à recorrente visto que o Relatório Fiscal apresenta de forma clara o que é e os critérios utilizados em cada levantamento e as planilhas detalham por competência e por estabelecimento as bases de cálculo. Não percebo os alegados vícios. DECADÊNCIA No julgamento de primeira instância decidiuse pela aplicação da regra da decadência do artigo 173 do CTN pela ausência de recolhimentos no período sujeito à decadência. Em consulta ao sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB relativa aos recolhimentos efetuados pela autuada (fls. 220/222). constatamos, para o período questionado (01/2005 a 11/2005). recolhimentos parciais para as competências 01/2005. 06/2005, e de 08/2005 a 11/2005. Entretanto, tais recolhimentos foram efetuados, através de Guias da Previdência Social GPS. apenas na rubrica "Valor do INSS", que refere se às contribuições parte dos segurados e da empresa, não havendo valores recolhidos na rubrica '"Val.Outras Entidades", relativa às contribuições a outras entidades e fundos (terceiros). Não concordo com o procedimento adotado. Entendo que o artigo 150, § 4º do CTN referese ao lançamento como um todo e é junto ao lançamento que devese verificar a ocorrência de pagamentos antecipados. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Considerando a existência de pagamentos antecipados, entendo que devese aplicar a regra do artigo 150, § 4º a todo lançamento. A ciência do lançamento ocorreu em 10/11/2010. Entendo decadentes as competências até 10/2005, inclusive. EXCLUSÃO DO SIMPLES Alega a autuada que os efeitos do ato declaratório que a excluiu do SIMPLES somente poderiam produzir efeitos após sua publicação. Abaixo ficará demonstrado que não cabe razão à recorrente. A empresa foi excluída pelo Ato Declaratório Executivo DRF/LIM 26, de 10 de dezembro de 2009, que motivou a exclusão por ultrapassar os limites de receita bruta. A data da ocorrência é 31/12/2004. A exclusão foi a partir de 01/01/2005, tudo conforme abaixo. Art. 1°. Fica o contribuinte, a seguir identificado, excluído do SIMPLES a partir do dia 01/01/2005 pela ocorrência da situação excludente indicada abaixo: Nome: GAINO DISTRIBUIÇÃO E LOGÍSTICA LTDA EPP CNPJ n° 04.294.615/000129 Data da opção pelo SIMPLES: 14/02/2001 Situação excludente: 304 Descrição: Exclusão do SIMPLES Federal, por ultrapassar os limites de receita bruta Data da ocorrência: 31122004 Processo n° 10865.003774/200912 Fundamentação Legal: Lei n° 9.317, de 05/12/1996: artigos 9 o , inciso IX, 12, 13, inciso II, alínea "b", 14, inciso I e 15, inciso III; Instrução Normativa SRF n° 608, de 09/01/2006: art. 23, inciso I e 24, inciso V. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.003526/201013 Acórdão n.º 2403000.979 S2C4T3 Fl. 5 9 Art. 2°. A exclusão do SIMPLES surtirá os efeitos previstos nos artigos 15, inciso III e 16 da Lei n° 9.317, de 1996 e suas alterações posteriores. Entendo legal e correto o procedimento do Fisco. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE UTILIZAR CRÉDITO DE TERCEIROS. A recorrente defende seu procedimento de efetuar compensação com credito adquirido de terceiros. Veremos abaixo que tal procedimento é ilegal e que o procedimento do Fisco está correto. Inicialmente, registra o Relatório Fiscal que a recorrente adquiriu da empresa Investiplan, em 16/06/2009 direito creditório junto ao INSS. Num segundo momento utilizou esse crédito para compensação de valores devidos à Previdência Social. 1.4. Em 16/06/2009 a empresa ora fiscalizada adquiriu, através de Escritura Pública de Cessão de Direitos Creditórios lavrada no 4 2 Tabelionato de Notas Maria Beatriz Moll Laporte Feijó Comarca de Curitiba Estado do Paraná, às folhas 003 e 004 do Livro 1107 (cópia anexa), da empresa Investiplan Agroindustrial, Importação e Exportação S/A, inscrita no C N P J n2 02.843.245/000106, com sede na B R 153, Km 54,5, Fazenda Felicidade, no Município de São J o s é do Rio Preto, Estado de São Paulo, direitos creditórios junto ao INSTITUTO NACIONAL DO S E G U R O SOCIAL INSS, constantes do Processo Judicial nQ 94.00493690, da 24â Vara Federal, Seção Judiciária do Estado do Rio de Janeiro. 1.5. foi observado neste procedimento fiscal, que a empresa entregou novas G F I Ps nas datas de 04/12/2009, 07/12/2009 e 14/12/2009 respectivamente, referente as competências de 02/2005 a 05/2007 incluindo compensações dos créditos adquiridos conforme mencionado no item anterior, para deduzir contribuições previdenciárias devidas pela empresa, incidentes sobre a remunerações pagas ou creditadas e/ou devidas aos segurados empregados e contribuintes individuais constantes de folhas de pagamento da empresa. Ocorre que a Lei 9.430/96, estabelece que será considerada não declarada a compensação em que o crédito seja de terceiros. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses:(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) II em que o crédito:(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros;(Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) Tal entendimento é harmônico com o do STJ, conforme julgamento efetuado em 22/03/2011, REsp 1232968 / SC, RECURSO ESPECIAL 2011/00192638, relatado pelo Ministro Humberto Martins. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SUJEITO PASSIVO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE EMPRESAS INTEGRANTES DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. ART. 30, IX, DA LEI N. 8.212/1991. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. 1. Discutese nos autos a legitimidade de empresas do mesmo grupo econômico para requer em juízo compensação tributária. 2. O Tribunal "a quo" decidiu que não é possível "conferir interpretação extensiva ao artigo 74 da Lei nº 9.430/96 nos moldes pretendidos pela autora, de modo a alcançar os débitos das pessoas que devam responder solidariamente pela dívida." 3. Inexiste lei que autorize a compensação pretendida, equiparando a pessoa jurídica que pagou a maior e tem direito à compensação com o grupo econômico ao qual ela pertence. O Judiciário não pode imiscuirse na tarefa de legislador para criar uma nova forma de compensação de tributos. 4. Conforme já decidido pelo STJ "a Lei 11.051, de dezembro de 2004, modificando o art. 74 da Lei 9.430/96, passou a proibir, em seu § 12, qualquer hipótese de compensação de débitos próprios com créditos de terceiros". (AgRg no REsp 1077445/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 08/05/2009). Recurso especial improvido. SELIC Fl. 287DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.003526/201013 Acórdão n.º 2403000.979 S2C4T3 Fl. 6 11 Quanto à aplicação da taxa SELIC nos juros moratórios, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros. Abaixo apresento a Súmula número 3. “Súmula nº 3 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto elo provimento parcial do recurso, reconhecendo a decadência parcial do crédito tributário até a competência 10/2005, com base na regra do artigo 150, §4º do CTN. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 288DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10935.006191/2009-72
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2008 a 30/06/2009
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO – AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL – FALTA DE PRECISÃO E CLAREZA NA DESCRIÇÃO DA CONDUTA INFRACIONAL VÍCIO MATERIAL NULIDADE.
A descrição clara e precisa do fato gerador e da matéria tributável das contribuições sociais previdenciárias lançadas é condição sine qua non à validade do lançamento, sendo que a sua ausência e/ou equívoco importa na nulidade material de ato, configurando afronta aos preceitos do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Ocorrência de vício de natureza material.
Numero da decisão: 2403-001.034
Decisão: ACORDAM os membros do Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso determinando a nulidade por vício material. Vencidos o relator Carlos Alberto Mees Stringari e o conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Designado o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro para redigir o voto vencedor
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente CRECHE JESUS CRIANÇA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2008 a 30/06/2009 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO – AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL – FALTA DE PRECISÃO E CLAREZA NA DESCRIÇÃO DA CONDUTA INFRACIONAL VÍCIO MATERIAL NULIDADE. A descrição clara e precisa do fato gerador e da matéria tributável das contribuições sociais previdenciárias lançadas é condição sine qua non à validade do lançamento, sendo que a sua ausência e/ou equívoco importa na nulidade material de ato, configurando afronta aos preceitos do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Ocorrência de vício de natureza material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso determinando a nulidade por vício material. Vencidos o relator Carlos Alberto Mees Stringari e o conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Designado o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro para redigir o voto vencedor Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 78DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Presidente/Relator Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Redator Designado. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel De Souza, Ivacir Julio De Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Marthius Sávio Cavalcante Lobato Fl. 79DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10935.006191/200972 Acórdão n.º 2403001.034 S2C4T3 Fl. 73 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba, Acórdão 0625.478 7 ª Turma, que julgou improcedente a impugnação. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), o lançamento referese às contribuições sociais devidas pela empresa destinadas a outras entidade (Terceiros). Os fatos geradores objeto da autuação referemse às remunerações pagas aos segurados empregados que prestaram serviços ao contribuinte no período de 11/2008 a 06/2009. 0 crédito tributário perfaz a quantia de R$ 4.532,59. Registra ainda o Relatório Fiscal que a empresa apresentou suas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com o código de FPAS 639, se declarando, sem ter efetivamente essa condição, entidades em gozo regular de isenção, concedida na forma do art. 55 da Lei 8.212, de 1991. Em empresas com esse enquadramento não há incidência de contribuições previdenciárias a cargo da empresa ou para terceiros. Subsiste, porém, a obrigação de descontar e recolher as contribuições dos empregados e demais segurados que lhe prestem serviços, incidentes sobre seu salário de contribuição, e outras que a lei lhe atribua responsabilidade pelo recolhimento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: • Atende a todos requisitos para gozar da isenção. • A lei de regência da isenção no período Novembro/2008 a 12/fevereiro/2009 era a MPV 446 de 7/11/2008. • Tanto o Acórdão 06.25.477, Recorrido, como o Auto de Infração, naquela ocasião impugnado, tem origem numa fundamentação de substituir a imunidade Constitucional por uma isenção decorrente de mero ato originário do órgão público da administração. • Apresenta jurisprudência sobre incidência de imposto sobre o patrimônio, renda ou serviços das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos. Por decisão desta turma de julgamento, o processo 10935.006190/200928, ao qual este estava apenso, baixou em diligência para verificar se nas competências 11/2008 a 02/2009, a recorrente cumpria os requisitos estabelecidos pela MPV 446/2008 para gozo da isenção. O resultado da diligência, materializado no Termo de Informação Fiscal, folhas 148 e 149, daquele processo, registra que a entidade cumpria integralmente à época Fl. 80DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 todos requisitos estabelecidos nos incisos I a XII do Artigo 28 da MPV 446 para o gozo da isenção. A entidade cumpria integralmente à época, todos os requisitos enumerados nos incisos I a XII do Artiqo 28 da MPV 446 para o gozo da isenção das contribuições sociais nas competências de 11/2008 a 02/2009, período no qual a MPV 446/2008 estava em plena vigência. É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10935.006191/200972 Acórdão n.º 2403001.034 S2C4T3 Fl. 74 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator Conheço do recurso e passo à análise das questões pertinentes. MPV 446 A MP nº. 446/2008 foi rejeitada expressamente pelo Congresso Nacional, conforme ato do Presidente da Câmara dos Deputados publicado no DOU do dia 12/02/2009. ATO DO PRESIDENTE DA CÂMARA DOS DEPUTADOS O PRESIDENTE DA CÂMARA DOS DEPUTADOS faz saber que, em sessão realizada no dia 10 de fevereiro de 2009, o Plenário da Casa rejeitou a Medida Provisória nº 446, de 10 de novembro de 2008, que "Dispõe sobre a certificação das entidades beneficentes de assistência social, regula os procedimentos de isenção de contribuições para a seguridade social, e dá outras providências.". Brasília, 10 de fevereiro de 2009 Deputado MICHEL TEMER Presidente da Câmara dos Deputados Conforme disciplinado pelo artigo 62 da Constituição Federal, a Medida Provisória perde a eficácia desde a edição se não for convertida em lei no prazo de 60 dias prorrogável por mais 60 dias, operando efeitos “ex tunc”, isto é, retroagindo à sua edição, como se nunca tivesse existido. Diante da hipótese de rejeição, o parágrafo 3 do artigo 62 da CF previu que o Congresso Nacional deveria disciplinar, por decreto legislativo, as relações jurídicas delas decorrentes. O §11. previu que se não editado o decreto legislativo a que se refere o §3º até sessenta dias após a rejeição ou perda de eficácia de medida provisória, as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante sua vigência conservarseão por ela regidas. Art. 62 [...]§3º. As medidas provisórias, ressalvado o disposto nos §§ 11 e 12 perderão eficácia, desde a edição, se não forem convertidas em lei no prazo de sessenta dias, prorrogável, nos termos do §7º, uma vez por igual período, devendo o Congresso Nacional disciplinar, por decreto legislativo, as relações jurídicas delas decorrentes. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 §11. Não editado o decreto legislativo a que se refere o §3º até sessenta dias após a rejeição ou perda de eficácia de medida provisória, as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante sua vigência conservarseão por ela regidas. (sem grifos no original) No caso concreto o Congresso não expediu Decreto Legislativo disciplinando os efeitos da MPV 446, disso resultando que as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante a vigência da Medida Provisória, 7/11/2008 a 11/02/2009, conservam se por elas regidas, valendo as regras da Medida Provisória. O artigo 28 da MPV 449/2008 estabelecia os requisitos para gozo da isenção. Art.28 .A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I seja constituída como pessoa jurídica nos termos do caput do art. 1º; II não percebam, seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; III aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; IV preveja, em seus atos constitutivos, em caso de dissolução ou extinção, a destinação do eventual patrimônio remanescente a entidades sem fins lucrativos congêneres ou a entidades públicas; V não seja constituída com patrimônio individual ou de sociedade sem caráter beneficente; VI apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e à dívida ativa da União, certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS e de regularidade em face do Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal CADIN; VII mantenha escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de forma segregada, em consonância com os princípios contábeis geralmente aceitos e as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade; VIII não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; IX aplique as subvenções e doações recebidas nas finalidades a que estejam vinculadas; Fl. 83DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10935.006191/200972 Acórdão n.º 2403001.034 S2C4T3 Fl. 75 7 X conserve em boa ordem, pelo prazo de dez anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem como os atos ou operações realizados que venham a modificar sua situação patrimonial; XI cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; e XII zele pelo cumprimento de outros requisitos, estabelecidos em lei, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. O Fisco verificou que, no período de 11/2008 a 02/2009, a entidade cumpria integralmente à época todos requisitos estabelecidos nos incisos I a XII do Artigo 28 da MPV 446 para o gozo da isenção. A entidade cumpria integralmente à época, todos os requisitos enumerados nos incisos I a XII do Artiqo 28 da MPV 446 para o gozo da isenção das contribuições sociais nas competências de 11/2008 a 02/2009, período no qual a MPV 446/2008 estava em plena vigência. Entendo que no período de 7/11/2008 a 11/02/2009 a recorrente estava isenta das contribuições patronais. IMUNIDADE Quanto às alegações acerca de seu direito à imunidade entendo que não assiste razão à recorrente. A Constituição Federal de 1988, estabeleceu no seu art. 195, § 7º, imunidade, embora o texto constitucional faça referência a isenção, quanto a contribuições previdenciárias apenas e tão somente para entidades beneficentes de assistência social que atendam as exigências estabelecidas em lei isto é, é uma imunidade condicionada a certos requisitos estabelecidos na lei. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.(grifei) Fl. 84DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Antes da promulgação da Lei n.º 8212/91 foi ajuizado o Mandado de Injunção nº 2321 – RJ (Rel. o Min. Moreira Alves), pois desde a promulgação da Constituição, o dispositivo constitucional imunizante, reconhecido como de eficácia limitada, carecia de regulamentação. Apreciando especificamente a imunidade de contribuições previdenciárias aqui tratada no referido Mandado de Injunção, decidiu o Supremo Tribunal Federal que: a) a norma constitucional carecia de regulamentação para permitir o gozo da imunidade; b) que os arts. 9º e 14 do CTN não serviam para a regulamentação exigida; e c) que a regulamentação podia ser feita por meio de lei ordinária. A regulamentação da imunidade veio através da Lei n.º 8.212/91. Registra o Relatório Fiscal que a recorrente não tinha direito à isenção. 6. A fruição do benefício da isenção das contribuições sociais de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, está condicionada ao implemento dos requisitos legais e do cumprimento das condições estabelecidas no Artigo 55 da Lei 8.212/1991, cujo reconhecimento desse direito à isenção se dá através da expedição de Ato Declaratório de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais pela Receita Federal do Brasil Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: ... 7. Sendo assim, a entidade não tendo a isenção concedida nos termos acima, deve recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga/devida/creditada a seus segurados como se fosse uma empresa sem a isenção das contribuições sociais, ou seja, deve recolher a parte patronal (empresa + SAT) além da contribuição devida a Outras Entidades (Terceiros). Entendo correto o lançamento para as competências 03 a 06/2009. CONCLUSÃO À vista do exposto voto pelo provimento parcial do recurso, devendo ser excluído do crédito tributário o período de 7/11/2008 a 11/02/2009. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 85DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10935.006191/200972 Acórdão n.º 2403001.034 S2C4T3 Fl. 76 9 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Redator Designado Divirjo do I. Relator quanto à regularidade do lançamento posto que houve a violação ao disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, ocasionando o surgimento de vício material no lançamento mencionado. Da regularidade do lançamento A partir da argumentação da Recorrente, confiro razão à mesma pois, de plano, notase que o procedimento fiscal não atendeu a todas as determinações legais, havendo, pois, nulidade por vício insanável e cerceamento de defesa. Conforme o Relatório Fiscal, às fls. 14 a 15, foi efetuada auditoriafiscal na Recorrente que resultou no AIOP nº 37.179.7780 em julgamento: 3. 0 contribuinte identificado em epígrafe está sendo autuado , através do presente Auto de Infração devendo recolher a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), débito no montante de R$ 4.532.59 ( Quatro mil, quinhentos e trinta e dois reais e cinqüenta e nove centavos ) consolidado em 27 de Agosto de 2009, referente a contribuições sociais destinadas a Outras Entidades denominadas Terceiros, incidentes sobre remunerações pagas/creditadas aos segurados empregados em retribuição aos serviços prestados a entidade ao período de Novembro /2008 a Junho/2009. 3.1 Cumpre destacar ainda que, para evitar uma multiplicidade de relatórios fiscais repetidos, os elementos de provas referentes às Contribuições Previdenciárias ( Parte Patronal ) e aquelas relativas aos valores devidos a Outras Entidades (Terceiros) estarão presentes no processo administrativo principal Auto de Infração AI DEBCAD 37.179.7799. 4. A ação fiscal foi iniciada em 02.07.2009 com a cientificação do responsável legal pela Creche Jesus Criança , Sr. Tamotu Maeda , presidente da mesma, através do Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIPF). Nesse termo é cientificado que a entidade está sob fiscalização e intima a mesma para que apresente diversos documentos necessários ao desenvolvimento dos trabalhos. Dentre esses documentos solicitados constava a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Fl. 86DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Social (GFIP). Da análise das GFIPs do período de 11/2008 a 06/2009 foi constatado pela fiscalização que as mesmas foram entregues com o código de FPAS 639. 5. O enquadramento da empresa no código Fundo de Previdência e Assistência Social (FPAS) respectivo deve ser feito de acordo com as orientações contidas na Instrução Normativa RFB 836 de 02.04.2008 e que o código FPAS tem por objetivo definir as alíquotas das contribuições previdenciárias e para Outras Entidades que serão recolhidas pela empresa. Destaco abaixo o item VIII da referida IN que trata exclusivamente da utilização do FPAS 639. (...) 6. A fruição do benefício da isenção das contribuições sociais de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, está condicionada ao implemento dos requisitos legais e do cumprimento das condições estabelecidas no Artigo 55 da Lei 8.212/1991, cujo reconhecimento desse direito à isenção se dá através da expedição de Ato Declaratório de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais pela Receita Federal do Brasil: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória n°2.18713, de 2001). III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei n° 9.732, de 1998). (Vide ADIN n° 2.0285) IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97). § 1° Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10935.006191/200972 Acórdão n.º 2403001.034 S2C4T3 Fl. 77 11 § 2° A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3º Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Incluído pela Lei n° 9.732, de 1998). (Vide ADIN n° 20285) § 4º O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei n° 9.732, de 1998). (Vide AD1N n° 2028 § 5º Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Incluído pela Lei n° 9.732, de 1998). (Vide ADIN n° 20285) § 6º A inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3º do art. 195 da Constituição. (Incluído pela Medida Provisória n°2.18713, de 2001). 7. Sendo assim, a entidade não tendo a isenção concedida nos termos acima, deve recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga/devida/creditada a seus segurados como se fosse uma empresa sem a isenção das contribuições sociais, ou seja, deve recolher a parte patronal (empresa + SAT) além da contribuição devida a Outras Entidades (Terceiros). (grifos nossos) Observase no Relatório Fiscal, no item 6 às fls. 14 a 15, que foi efetuada uma imputação genérica à Recorrente, qual seja, a de descumprimento do art. 55, Lei 8.212/1991, sem que se descrevesse, com clareza e precisão, qual o dispositivo deste art. 55 que foi descumprido pela Recorrente. Ou seja, em nenhum momento a auditoriafiscal descreve com clareza e precisão qual o inciso do art. 55, Lei 8.212/1991 que foi, ou foram, descumprido(s) pela Recorrente, de modo a possibilitar a que se proceda a ampla defesa e ao contraditório. A partir desta imputação genérica de descumprimento do art. 55, Lei 8.212/1991, a auditoriafiscal efetuou o lançamento do AIOP com fundamento de que a Recorrente não teria direito à isenção das contribuições sociais previdenciárias. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado o AIOP nº 37.179.7780 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura do AIOP nº 37.179.7780) Fl. 88DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: • A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; • A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; • A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); Fl. 89DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10935.006191/200972 Acórdão n.º 2403001.034 S2C4T3 Fl. 78 13 e. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); f. REPLEG Relatório de Representantes Legais (Este relatório lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação.); g. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); h. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal deveria ter sido elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 Diante da situação posta a análise, outra solução não encontro que não seja a de reconhecer que o AIOP nº 37.179.7780 carregava desde a origem o vício da falta de clareza e precisão, ao se fazer uma imputação genérica de descumprimento do art. 55, Lei 8.212/1991, prejudicando o direito de defesa do autuado e que não caberia a esta Colenda Turma, sob pena de quebra do equilíbrio processual, determinar o saneamento da peça acusatória. O lançamento merece, dessa forma, a declaração de nulidade por vício material. CONCLUSÃO Pelas razões de fato e de direito acima expostas, voto no sentido de dar provimento ao recurso para ANULAR O LANÇAMENTO POR VÍCIO MATERIAL. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Redator Designado. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 12196.000712/2007-42
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2000 a 30/11/2006
PREVIDENCIÁRIO. NULIDADE. DECADÊNCIA. MULTA DE MORA. MULTA MAIS BENÉFICA. PERÍCIAS.
Atos perfeitamente motivados não padecem de nulidade. Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular,
quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF
e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da
Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora artigos 35, I, II, III da Lei 8.212/91.
Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional cabe aplicar o artigo 35-A, se mais benéfico ao contribuinte, na forma da Lei 11.941/2009 que revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 e conferiu nova redação ao art. 35 da mesma Lei.
A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato pro bando puder ser demonstrado pela juntada de documentos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.985
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, I) Nas preliminares, por
unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência até a competência 02/2002 com base § 4º do art 150 do CTN Votou pelas conclusões o Conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. II) Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora de acordo com a redação do art 35 da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei 9.430/96, prevalecendo a mais benéfica para o contribuinte. Vencido o Conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: IVANCIR JÚLIO DE SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 30/11/2006 PREVIDENCIÁRIO. NULIDADE. DECADÊNCIA. MULTA DE MORA. MULTA MAIS BENÉFICA. PERÍCIAS. Atos perfeitamente motivados não padecem de nulidade. Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora artigos 35, I, II, III da Lei 8.212/91. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional cabe aplicar o artigo 35 A, se mais benéfico ao contribuinte, na forma da Lei 11.941/2009 que revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 e conferiu nova redação ao art. 35 da mesma Lei. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato pro bando puder ser demonstrado pela juntada de documentos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, I) Nas preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência até a competência 02/2002 com base § 4º do art 150 do CTN Votou pelas conclusões o Conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. II) Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora de acordo com a redação do art 35 da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei 9.430/96, prevalecendo a mais benéfica para o contribuinte. Vencido o Conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Carlos Alberto Mees StringariPresidente Ivacir Júlio de SouzaRelator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Jhonatas Ribeiro Da Silva. Ausentes os conselheiros Cid Marconi Gurgel de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12196.000712/200742 Acórdão n.º 240300.985 S2C4T3 Fl. 1.209 3 Relatório Tratase de lançamento de valores declarados nas GFIP’s, de : diferença folha de pagamento, de complemento salarial, salários a maior, décimo terceiro, retirada de pró labore, Prestação serviços pessoa física apurados na contabilidade, e de diferença de acréscimos legais, e não recolhidas a Previdência Social dentro do prazo previsto na Legislação Previdenciária. O valor do crédito tributário de R$ 457.913,93 (quatrocentos e cinqüenta e sete mil, novecentos e treze reais e noventa e três centavos). DA IMPUGNAÇÃO Inconformada, a empresa apresentou impugnação as fls. 1118 a 1151, alegando, em síntese, que: Da nulidade dos autos de infrações. Cerceamento de defesa. "Como é sabida, a inobservância da forma vicia substancialmente o ato, tornandoo passível de invalidação. No caso em apreço, o auto de infração não obedeceu à forma exigida por lei, sendo portanto nulo. O revestimento exteriorizador do ato administrativo constitui requisito vinculado e imprescindível a sua perfeição. Enquanto a vontade dos particulares pode manifestarse livremente, a da Administração exige procedimentos especiais e forma legal para que se expresso validamente. A inexistência da forma induz a inexistência do ato administrativo! Pois bem, no caso em tela, os autos de infrações, não estão devidamente fundamentados, vez que, somente mencionam o serviço que esta sendo tributado O Auditor Fiscal, ao lavrar o respectivo auto de infração, deve fazer o devido enquadramento na lista de remunerações que acompanha a lei complementar definidora ou elencadora das contribuições. não Basta, assim, alegarse que não foram retidas as contribuições devidas pelos segurados empregado e contribuinte individual. Conclusivo, que foram feridos os princípios da ampla defesa e do contraditório, pois, devido à falta de demonstrativo detalhado, o contribuinte não teve conhecimento exato do que esta sendo foi tributado, não podendo, portanto, se defender, pois desconhece o conteúdo dos mesmos, estando nitidamente prejudicado no seu direito de defesa. Dentre das irregularidades no lançamento efetuado pelo Auditor Fiscal do INSS, destacamse varias menções de valores indevidos, cuja a contribuições do INSS já foram recolhidas em data anterior, tendose amparado apenas em registro contábil complementar ou de retificação. Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Compulsando o Auto de infração, vislumbrase que a empresa possui um quadro de funcionários muito extenso; e basta uma analise superficial nos lançamentos, que verificamos vários erros na contabilização da GNP, porquanto, mister ressaltar que, a apuração merece ser maior aprofundamento. E a esse respeito, foi solicitado ao Auditor fiscal um prazo maior, porem, no momento da lavratura do auto de infração, comportouse com autentico de agente punitivo, pois, negou a concessão de um prazo maior, visando unicamente aplicar a multa, sem questionar afundo sua procedência. Como se não bastasse tamanha arbitrariedade, o mesmo levou toda a documentação da empresa, dificultando ainda mais a realização de um exame mais acuado para defesa, impedindo qualquer espécie de exames comparativos entre os documentos, declarações e imputações constantes nos autos, alem de despojar a empresa do suas principais provas. Tais fatos, conduzem a nulidade do auto, por impedimentos ao exercício da ampla defesa e por descumprimentos das normas mínimas previstas nas normas procedimentais administrativas, fatores imprescindíveis para emprestar validade formal aos autos lavrados e aqui defendidos." NO MÉRITO. "Pois bem, a contribuinte foi atuada por não retirar as contribuições devidas pelos segurados empregado e contribuinte individual. No caso em apreço, os valores contabilizados são os valores reais, melhor explicando, parte dos valores contabilizados, são custos da empresa e, não se referem a salário, restando patente, que o cálculo realizado pelo Auditor Fiscal e equivocado, abusivo e ilegal. Como se vê, não existe nenhuma base jurídica que consistência aos cálculos invocados pelo Auditor Fiscal de molde a que possa subsistir o auto de infração. Isto porque, a Lei nada menciona acerca de custos da empresa lançados na contabilização, indiferentemente dos salários. Na verdade, grande parte dos valores levantados pelo Auditor Fiscal referese exclusivamente aos custos da empresa. Por causa dessa mera formalidade, a interpretação do Auditor fiscal foi no sentido de lançar o auto de infração ora discutido e não levar em consideração tal contabilização. Conclusivo, portanto, que o lançamento e fruto de entendimento subjetivo e de interpretação equivocada de preceitos legais, quer do Direito do Trabalho, quer da própria legislação previdenciária. Isto, portanto, e o fulcro da presente ação, ou seja, o Auditor fiscal, ao concretizar a cobrança do credito fruto de lançamento irregular e arbitrário, esta inegavelmente a ameaçar o patrimônio da empresa que poderá ser compelida a pagar o que não deve O auto de infração foi omisso em pontos relevantes e limitado em seu relatório, a meros cálculos, sem apontar quais os fatos concretos que geraram a convicção de debito suplementar, principalmente no tocante a Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12196.000712/200742 Acórdão n.º 240300.985 S2C4T3 Fl. 1.210 5 relação dos empregados lidos como sujeitos do beneficio. O "debito suplementar" em nenhum momento foi realmente demonstrado. Este fato inegavelmente caracteriza a insubsistência do auto de infração, uma vez que e flagrante o equivoco do auditor fiscal, notadamente em seu relatório fiscal da notificação fiscal de lançamento de debito. Entretanto, no momento de apuração do suposto debito da empresa, poderia o Auditor fiscal, verificar e comparar as demonstrações dos descontos previdenciários da empresa sem ter que proceder a uma autuação, daí porque, se conclui a arbitrariedade e a inconsistência do lançamento levado a efeito. E obvio, que o fiscal, poderia naquele momento, verificar de maneira correta a folha de pagamento e os respectivos descontos para comprovar a regularidade da empresa junto a agencia do INSS. Em suma, a empresa foi altamente penalizada e, o Auditor fiscal, ao invés de sanar irregularidades e orientar o contribuinte, funcionou, no caso, como agente arrecadador imune a maiores reflexões acerca de suas reais atribuições Conclusivo então que as multas de mora e de oficio decorrentes das supostas irregularidades, bem como, os valores das contribuições cobradas não guardam a exata correspondência entre os documentos e registros dos mesmos, em relação aos autos aqui atacados. Alem do mais, ficou demonstrado que a autuada foi ferida nos seus consagrados direitos constitucionais da ampla defesa, em face de retenção dos documentos e entrega dos Autos de Infrações, em data inoportuna, de forma tal que os prazos para a apresentação da defesa fluíram exatamente durante a semana santa, sobrando tempo insuficiente para adequado cotejo da realidade dos fatos com as imputações apresentadas pelo fisco." DO PEDIDO. "Em vista do exposto, demonstrada a improcedência à ausência dos requisitos imprescindíveis para validade dos autos c o ferimento aos direitos da ampla defesa, requer a V. Sa. sejam cancelados, sem julgamento do mérito os autos de infrações de n°37.039.1233; Caso ultrapassadas as preliminares, sejam julgados improcedentes os autos ora atacados, determinando seus definitivos arquivamentos; Requer ainda, o deferimento do prazo para a apuração dos valores em perícias própria com vistas ao levantamento dos efetivos valores, com prazo razoável para tal; Outrossim, requer ajuntada dos inclusos documentos comprobatórios, bem como, protesta provar o alegado por todos os meios de provas cm direito admitidas, requerendo desde já o Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 depoimento pessoal dos requerentes, oitiva de testemunhas, provas documentais e periciais." DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, a 4ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Campo Grande – (MS), DRJ/CGE, emitiu o Acórdão de n° 0412.909 mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário conforme registro às fls. 1.169, onde reiterou as alegações que fizera em sede de impugnação. Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12196.000712/200742 Acórdão n.º 240300.985 S2C4T3 Fl. 1.211 7 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE E DOS PRESSUPOSTOS Conforme registro de fls.1.207, o Recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DAS PRELIMINARES Da Preliminar de Nulidade De plano é cumpre refutar a afirmação da Recorrente logo no item primeiro de sua peça recursal quando registra que tenha sido “CONDENADA A RECOLHER aos cofres da Previdência Social a importância de R$495.543.59 ”. Aduz que a ação fiscal bem como as decisões administrativas não se processam em fórum criminal. Portanto, não têm o condão autoimputado. Na seqüência, assevera que na decisão primária, entretanto, não foram analisadas adequadamente as razões suscitadas pela Recorrente, pois deixou de observar, especialmente as questões relativas às formalidades a serem aplicadas ao processo, desde lançamento, além da decadência e prescrição da cobrança do pretenso crédito, assim como da efetiva apuração. Reiterando a alegação efetuada em sede de impugnação, a Recorrente alega que o lançamento estaria inquinado de nulidade na forma da síntese abaixo estratificada com grifos de minha autoria : “ 13.Dentre das irregularidades no lançamento efetuado pelo Auditor Fiscal do INSSS, destacamse várias menções de valores indevidos, cuja a contribuições do INSS já foram recolhidas em data anterior, tendose amparado apenas em registro contábil complementar ou de retificação. 14.Isto ocorreu, especialmente com os SPG, CTB e PPF, assim como, com os recolhimentos autônomos efetuados para a pessoas físicas, cujos importes foram simplesmente preteridos pelo Auditor sobre o argumento de que teria sido recolhido de forma imprópria, cobrandoos novamente. 15.Claro então ficou que, um exame mais acuado nos levantamentos se tornou questão imprescindível para que haja justiça e que a defesa seja apresentada de forma coerente com os dados efetivamente ocorrentes. 16.Neste particular, vale repisar, não houve tempo hábil para um novo confronto, cotejando as informações ficais e Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 contábeis, para contrapor as inúmeras irregularidades de valores detectados nos autos lavrados. 17.0 que agravou ainda mais, a exigüidade do tempo de defesa, foi justamente o fiscal ter mantido em seu poder tanto os documentos como os autos de infrações, só notificando a autuada de forma que iniciou a contagem de prazo as vésperas da semana santa, fluindo, durante esta os prazos normais de defesa, o que o tornou ainda mais exíguo, prejudicando a defesa amplos entendimentos da Constituição Federal. (...) 22. Neste prisma, é digno de se notar que o prazo de 15 dias estipulado pelo Auditor fiscal, para apresentação da defesa é demais exíguo, vez que, o número de funcionários é grande, com alta rotatividade, dada as espécies de atividades exercidas pela autuada, porquanto, custoso para a realização de perícia contábil para a devida apuração de cada funcionário ou mesmo constatações para apresentação da defesa. Atropelou, então o principio da ampla defesa. Autêntico cerceamento, portanto.” No item 22 da peça recursal, a empresa reclama de que o Auditor teria “estipulado” o prazo de 15 dias para apresentação de defesa. Do exposto se conclui que a recorrente não leu a íntegra do o relatório IPC INSTRUÇÕES PARA O CONTRIBUINTE às fls. 02, documento este recebido pelo Recorrente, onde se verifica que tal prazo é legal, regulamentar e de praxe e que contempla à todos os contribuintes. Assim não foi concedido ao arbítrio do Auditor. No item 17, alega “exigüidade de tempo para fazer a defesa, vejamos : a empresa foi notificada em 30/03/2007 e interpôs o presente recurso em 17/12/2007. Portanto não é razoável e muito menos motivo de crédito que 09 (NOVE) meses depois a empresa continue alegando não “houve tempo hábil para um novo confronto para simplesmente cotejar as informações ficais e contábeis, e contrapor as inúmeras irregularidades de valores detectados nos autos lavrados. Nos itens 13 e 14 alega que já teria recolhida às exações mas não faz prova de suas afirmações. Desse modo, restando precárias e infundadas as alegações, rejeito a prejudicial interposta. Da decadência De plano, em atenção ao artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscal – RICARF, é relevante observar que às fls.134/164, consta registrado no Relatório RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, valores recolhidos anteriores à presença fiscal o que implica que houve “pagamentos antecipados” em referência à tese reiteradamente esposada por parte do STJ. Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12196.000712/200742 Acórdão n.º 240300.985 S2C4T3 Fl. 1.212 9 Tomandose como certo o entendimento de que ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar, quedome a observar hipótese decadencial face a edição da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal – STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ”: SÚMULA VINCULANTE DO STF N° 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. A súmula n° 8 passou a produzir efeitos a partir de 20 de junho de 2008, conforme ata da vigésima segunda sessão plenária do STF, do dia 12.06.2008, cuja íntegra do debate foi publicado no Diário de Justiça do dia 11.09.2008. O material está no site do tribunal. Consolidando o sumulado, se observa a Lei complementar n° 128, de 19 de dezembro de 2008, artigo 13, I, “a ” : “ Lei Complementar n°128, de 19 de dezembro de 2008 (...) Art. 13. Ficam revogados: I – a partir da data de publicação desta Lei Complementar: a) os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991” A Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007 através do artigo 2°, § 4°, extinguiu a então Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social promovendo a unificação das receitas dando origem a atual Receita Federal do Brasil. Relevante destacar que a partir da Lei nº 9.528/97 é que se introduziu a obrigatoriedade de os sujeitos passivos das contribuições previdenciárias apresentarem a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Então, somente da competência janeiro de 1999 em diante, todas as pessoas físicas ou jurídicas sujeitas ao recolhimento do FGTS, conforme estabelece a lei nº 8.036/90 e legislação posterior, bem como às contribuições e/ou informações à Previdência Social, na forma do disposto nas leis nº 8.212/91 e 8.213/91 e legislação posterior, estão obrigadas ao cumprimento desta obrigação. Na referida GFIP, deverão ser informados os dados da empresa e dos trabalhadores, os fatos geradores de contribuições previdenciárias e valores devidos ao INSS, bem como as remunerações dos trabalhadores e valor a ser recolhido ao FGTS. As empresas estão obrigadas à entrega da GFIP ainda que não haja recolhimento para o FGTS, caso em que esta GFIP será declaratória, contendo todas as informações cadastrais e financeiras de interesse da Previdência Social. Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Desse modo, com a introdução da GFIP na legislação previdenciária, se institui para os contribuintes o dever que não existia antes de janeiro de 1999 de declarar, e , espontaneamente, antes de eventual ação fiscal que lhe exija, antecipar os pagamentos, os valores que entendam devidos à Previdência Social e proceder a demais obrigações acessórias. Obrigado a isso, a legislação das contribuições previdenciárias submeteu o sujeito passivo o dever de efetuar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, pagamento este, por analogia, também sujeito a ulterior homologação. Logo, inserido na dicção do artigo 150. Segundo leciona Hugo Brito Machado, em Curso de Direito Tributário e Finanças Públicas, Editora Saraiva, Edição exclusiva ANFIP, pg. 847: “ Por homologação é o lançamento feito quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa no que concerne à sua determinação. Operase pelo ato em que a autoridade, tomando conhecimento da determinação feita pelo sujeito passivo, expressamente a homologa( CTN, art. 150), ou então, mediante homologação tácita, que se opera pelo decurso de prazo de decadência do direito de constituir o crédito tributário, pelo lançamento.(CTN, art. 150, § 4°) ”. Nestas condições as contribuições para a Previdência Social e suas obrigações principais e acessórias se subsumem à lançamentos por homologação expressa ou tácita. Também é relevante saber que os recolhimentos das contribuições previdenciárias, antes da atual Guia da previdência Social – GPS, eram efetuados mediante as denominadas Guias de Recolhimento da Previdência Social GRPS, vigentes até a edição da Resolução Nº 657, de 17 de dezembro de 1998, que institui a atual GPS. Naquelas guias denominadas GRPS, segregados em campos próprios, se informavam os pagamentos que estavam sendo recolhidos bem como a que título, se vinculados aos segurados, às empresas ou para terceiros. Muito embora segregados, tais recolhimentos não representavam “dinheiro carimbado”, permitindose assim eventuais remanejamentos/retificações daquelas destinações, até porque os ingressos daqueles valores afluíam de um mesmo contribuinte para o mesmo cofre público. Atualmente, na forma do leiaute das Guias da Previdência Social – GPS, a exceção da rubrica outras entidades, não se vislumbra, de imediato, tampouco de forma mais detida, de modo claro e efetivo, quais os fatos geradores ou quais rubricas estão sendo contemplados com tal pagamento. Eis porque a necessidade de ações e procedimentos fiscais, considerados os prazos decadenciais, para corroborar ou não, de forma expressa os auto lançamentos e eventuais recolhimentos produzidos pelos contribuintes. Por tudo isso, entendo que qualquer eventual recolhimento na forma difusa como é procedido atualmente, bem como no modo como o fora no passado, tem o condão de alcançar qualquer rubrica de modo integral ou parcial. Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12196.000712/200742 Acórdão n.º 240300.985 S2C4T3 Fl. 1.213 11 Cumpre notar que, de forma alguma o legislador condicionou a homologação, nos termos do artigo 150, à antecipações de pagamento até porque na dicção do artigo 160, parágrafo único, em ocorrendo antecipação de pagamento, o sujeito passivo pode ser contemplado com desconto: “ Art. 160. Quando a legislação tributária não fixar o tempo do pagamento, o vencimento do crédito ocorre trinta dias depois da data em que se considera o sujeito passivo notificado do lançamento. Parágrafo único. A legislação tributária pode conceder desconto pela antecipação do pagamento, nas condições que estabeleça. ” Relevante notar que: “o objeto da homologação é a atividade de apuração, e não o pagamento do tributo. (Cf. Zuudi Sakakihara, em Código Tributário Nacional Comentado, coord. de Vladimir Passos de Freitas, Editora Revista dos Tribunais, São Paulo, 1999, p.584)”.(grifei) Destarte, não sendo o objeto da homologação o pagamento, mas a atividade que em face de determinada situação de fato afirma existir um tributo e lhe apura o montante, ou nega a existência desse tributo a ser apurado, não é razoável concluir que a ausência do pagamento influencie a homologação. Entendo, ainda, que a ausência de pagamento aliada ao fato de a autoridade administrativa não ter cumprido seu mister, não desnatura a condição de lançamento do por homologação, neste caso tácita. À exceção do prazo qüinqüenal legal, o legislador não condicionou , e nem poderia, nenhuma outra hipótese para reconhecer a decadência tanto no que se refere às obrigações principais quanto às acessórias. Entretanto saber se houve ou não o lançamento, é dado importante para definir se foi expressa ou tácita a homologação. Neste sentido, é fundamental o entendimento sobre o que venha a ser o denominado lançamento posto que sendo este um ato vinculado e obrigatório da autoridade administrativa, é a existência dele que vai determinar se foi expressa a homologação das obrigações principais e acessórias ou tácita. Tendo a Autoridade Administrativa procedido ao lançamento expressamente, vencido o prazo qüinqüenal este restará homologado incluindo aí eventuais pagamentos e como conseqüência a decadência sobre hipotéticas diferenças não apontadas tempestivamente. Em não existindo lançamentos e nem autolançamentos mediante GFIPs, bem como pagamentos e demais obrigações adimplidas, vencido prazo qüinqüenal, tal circunstância restará tacitamente homologada e como conseqüência o instituto da decadência fulmina o direito do fisco de proceder ao lançamento para garantir a cobrança do crédito tributário e quaisquer outras exigências vinculadas. Fl. 1237DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Assim, resumidamente, no que concerne às obrigações principais e acessórias, convém lembrar que tratandose de lançamento por homologação, o que restará homologado tacitamente é a circunstância existente à época cumpridas ou não, adimplidas parcial ou integralmente e até mesmo inadimplidas as obrigações. O contribuinte é sabedor de que deve efetuar o recolhimento em época própria , de modo espontâneo, isto é antes da presença do fisco, e eis aí a antecipação de que nos fala a dicção do artigo 150, caput, do CTN. Partindo do entendimento que decadência não se concede mas sim se reconhece em razão de ter ocorrido a homologação tácita das circunstâncias decaídas, o legislador, em tempo algum, pretendeu reconhecer a decadência de forma menos ou mais gravosa. Se assim o fosse, o legislador estaria estimulando a que o contribuinte efetuasse um planejamento fiscal que contemplasse “antecipações” ainda que irrisórias somente com o fito de se prevalecer do beneficio de uma tipificação menos severa quando do reconhecimento de eventual decadência sobre suas obrigações tributárias. Portanto, aplicando se forma menos severa, tal tratamento se constituiria em prêmio ao contribuinte inadimplente que porventura à época do termo do prazo qüinqüenal tivesse efetuado algum “pagamento antecipado” assegurando tal hipotético “direito” para ser compulsado em hipótese decadencial. À decadência, se constatada, não cabe condicionamento nem mesmo renúncia. É compulsório seu reconhecimento. Então qual a razão do legislador mencionar pagamentos antecipados no § 1º do artigo 150 do CTN ? Para definir e caracterizar o que seria lançamento por homologação e informar que mesmo tendo sido efetuado o pagamento, espontaneamente, antes da ação do fisco, a extinção do crédito referente àquele pagamento só se daria com a condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Pagamento antecipado não se trata pois de condição para reconhecimento de decadência. Cabe lembrar, por relevante, que no artigo 150 do CTN, legislador se refere genericamente à ulterior homologação sem taxar se expressa ou tácita. Art. 150 CTN : (...) “ § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento.” Assim, refratário a chamar de pagamento antecipado os recolhimentos efetuados dentro dos prazos legais, rechaço ainda mais conceber que, também, os pagamentos efetuados fora dos prazos com multa e juros, porém realizados antes da ação fiscal, são distinguidos como tal para efeito de homologação. A meu juízo, tratase de concepção teratológica. A leitura atenta do artigo 150 do CTN, caput, evidencia que o que o legislador pretendeu exortando o dever de antecipar o pagamento, antes da ação fiscal Fl. 1238DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12196.000712/200742 Acórdão n.º 240300.985 S2C4T3 Fl. 1.214 13 ação essa, ressaltese, cujo prazo para ocorrer, sem a perda do direito potestativo, se insere no comando qüinqüenal do artigo em tela foi conceituar a modalidade de lançamento, neste caso lançamento por homologação, e não condicionar direitos para o reconhecimento de eventual reconhecimento decadência : “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Releva observar que para análise em comento, as expressões nucleares do artigo acima são: lançamento por homologação; dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa ; atividade; expressamente a homologa; ( referindose à atividade define que o que se homologa é atividade); condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento; será ele de cinco anos; e considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito. Entendo que tais expressões constituem a espinha dorsal que estrutura o texto na sua totalidade. A leitura feita assim, de forma indutiva, do particular para o geral e depois integrando as partes e relendo de forma dedutiva, do geral para o particular, permite ,sem dúvida, compreender que o que a autoridade administrativa homologa é a ATIVIDADE conforme se extraí do caput, parte final : Fl. 1239DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 “ ...sem prévio exame da autoridade administrativa, opera se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. Manifestandose sobre a decadência o legislador foi econômico e objetivo definindo na forma do artigo 150 § 4º que : “ Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação”. Outro ponto de relevo que entendo deva ser destacado da leitura do § 4º do artigo 150 é que na hipótese de comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação, fica explícito que não se aplicará o referido artigo para o reconhecimento da decadência. Entretanto, nem de forma explícita, tampouco implícita, ficou determinado a capitulação do artigo 173 para a determinação da decadência dos valores fraudados. A meu juízo, a comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação importa conduta criminosa e a decadência ou a prescrição devem ser analisadas e em foro próprio não comportando benefício tributário. Por outro aspecto, na forma do artigo 173, sem mencionar homologação mas sim o direito de a fazenda constituir o crédito tributário: “ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. É de se reparar que para os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, isto é para aqueles sob lançamento por homologação, o legislador foi explícito preceituando que a decadência se observa na forma do artigo 150 § 4º : “ Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação” Ao passo que sob a ótica do artigo 173, a decadência se observa conforme o § único : Fl. 1240DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12196.000712/200742 Acórdão n.º 240300.985 S2C4T3 Fl. 1.215 15 “ Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Resumidamente, artigo 150 invoca o lançamento e sua homologação ao passo que o artigo 173 não exorta a homologação, sendo lícito, portanto, inferir que para o reconhecimento da decadência a aplicação do artigo 173 é regra geral e no que se refere aos tributos submetidos aos lançamentos por homologação é especifica a aplicação do artigo 150 § 4º salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Corroborando tal entendimento, consta decisão do STJ nos embargos de Divergência n° 413.265SC( 2004/01609837), onde a Primeira Seção firmou entendimento preciso e atual sobre a interpretação das normas jurídicas que regem a decadência do direito do fisco no Código Tributário Nacional – CTN. Ficou assente no julgado, por unanimidade, à luz da relatoria da Min. Denise Arruda, que a decadência do direito do fisco no CTN é tratada mediante uma REGRA GERAL e uma REGRA ESPECÍFICA. A regra geral está prevista no artigo 173, I do CTN, aplicase a todos os tributos; já a específica consta do 150, § 4° do CTN, e aplicase aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Sobre a decadência, registrase ainda o contido no artigo 156, V, da Lei 5.172/66, que a decadência extingue o crédito tributário. O artigo 107 do CTN determina que : “ A legislação tributária será interpretada conforme o disposto neste Capítulo”. Logo em seguida o artigo 108 preceitua que : “ Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada : I a analogia;” Assim, na forma do artigo 107 e 108 do CTN , por analogia, resta tomar emprestado o conceito de decadência conforme a definição noutros ramos do direito. Em obediência à máxima “Dormientibus non sucurrit jus” que admite ser traduzida como o direito não socorre aos que dormem, decadência pode ser definida como a perda do direito ou da faculdade pela inércia de seu titular em exercêlo. Em direito civil, decadência é a perda de um direito potestativo pelo seu não exercício, durante o prazo fixado em lei ou eleito e fixado pelas partes. Nesse instituto extinguese o direito potestativo de poder, condição que torna a execução contratual dependente duma covenção que se acha subordinada à vontade ou ao arbítrio de uma ou outra das partes. Não procedem eventuais contestações. O direito é outorgado para ser exercido dentro de determinado prazo, se não exercido, extinguese. Fl. 1241DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 Na decadência o prazo não se interrompe, nem se suspende, corre indefectivelmente contra todos e é fatal, peremptório, termina sempre no dia préestabelecido. Destarte, a decadência : Extingue direito potestativo; O prazo pode ser legal ou convencional; Supõe uma ação cuja origem seria idêntica da do direito; Corre contra todos; Decorrente de prazo legal pode ser julgado de ofício pelo juiz independentemente de argüição do interessado; Resultante de prazo legal não pode ser renunciado; e A ação tem natureza constitutiva. No Código Penal Brasileiro – CPB , a decadência é prevista na art. 107, IV causa de extinção da punibilidade. Nestes termos o cerne da questão é a decadência da exigência de tributo cujo lançamento é por homologação observando que esta não se resume à mera questão pecuniária, sobre se houve ou não recolhimento antecipado. Homologase a, na hipótese de ocorrência tácita, modalidade do caso em comento, a perda do direito potestativo, ainda que inadimplidas as obrigações. Claro que as condutas ilícitas, por constituírem crimes, estão excepcionadas desta análise. Entretanto, mesmo essas, em fórum próprio, têm regramento legal e são, também alcançadas pelos institutos da decadência/prescrição. Segundo o art.139 do Código Tributário Nacional CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Visto isso, é lícito depreender que se a obrigação principal se subsumir aos ditames do lançamento por homologação previstos no artigo 150, § 4° no mesmo Código Tributário, o crédito tributário derivado desta obrigação, quando constituído pelo efetivo lançamento, qualquer que seja a denominação ou a classificação dada a esse lançamento, em obediência ao comando preceituado no artigo 139 do mesmo diploma legal, terá a mesma natureza jurídica original. Assim, considerando o período da ocorrência da infração definido pelas competências 03/2000 a 11/2006, conforme Relatório Fiscal de folhas 176, e, ainda, que a empresa fora notificada em 30/03/2007, na forma do artigo 150, § 4° do CTN, bem como em obediência ao previsto no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, o crédito lançado pela fiscalização, compreendido pelas competências 02/2002 e anteriores conforme a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, n° 37.039.1233, contra a empresa, GENTE SIP RECURSOS HUMANOS LTDA, encontrase fulminado pelo instituto da decadência . Fl. 1242DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12196.000712/200742 Acórdão n.º 240300.985 S2C4T3 Fl. 1.216 17 DO MÉRITO A empresa alega : “43.Na verdade, grande parte dos valores levantados pelo Auditor Fiscal referese exclusivamente aos custos da empresa. 44.Por causa dessa mera formalidade, a interpretação do Auditor fiscal foi no sentido de lançar o auto de infração ora discutido e não levar em consideração tal contabilização. 45. Conclusivo, portanto,que o lançamento é fruto de entendimento, subjetivo e de interpretação equivocada de preceitos legais, quer do Direito do Trabalho, quer da própria legislação previdenciária. Isto, portanto, é o fulcro da presente ação; ou seja, o Auditor fiscal, ao concretizar a cobrança do crédito fruto de lançamento irregular e arbitrário, está inegavelmente a ameaçar o patrimônio da empresa que poderá ser compelida a pagar o que não deve.” O Relatório fiscal registra pontualmente apontando inclusive nos registros contábeis as contas que suportaram a infração de que tratase de lançamentos: de diferenças de folhas de pagamentos com as GFIP, de prólabores, pagamentos a pessoas físicas e salários suplementares lançados na contabilidade do sujeito passivo. A auditoria fiscal constatando que nas contas contábeis: 52101 salários, 21311 salários a pagar e 11102 caixa, com histórico de salários, considerou que se tratavam de remunerações pagas aos seus empregados e, que essas não constavam nas folhas de pagamentos. Assim, pela natureza da conta (salários) e históricos salários, onde constam os lançamentos, esses são fatos geradores de contribuições previdenciárias, portanto, os valores constantes na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD são devidos. A Recorrente , entretanto, negando o óbvio, alega que os valores lançados na sua contabilidade são custos da empresa e, que esses não se referem a salários. Seu combate se estabelece de forma subjetiva pois não traz, visàvis, os elementos de prova de suas alegações.. É compulsório provar que os lançamentos são inexatos ou foram corrigidos, pois seus livros contábeis, fonte material que constataram a infração, fazem prova contra o mesmo, conforme o artigo 226 da Lei n° 10.406, de 10/01/2002 (Código Civil Brasileiro): "Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que a lei exige escritura pública, ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão dos lançamentos ” Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 O Relatório Fiscal identifica os dispositivos legais aplicados ao lançamento e os fatos geradores das contribuições previdenciárias demonstrando materialmente que a Auditoria Fiscal aplicou a legislação vigente sob o comando do disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. Assim, considero o procedimento administrativo perfeitamente regular e válido. Dessa forma, rejeito, também , as alegações de mérito. Da Multa. No presente lançamento, conforme o registro de fls.169, no Relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD e Acréscimos Legais da Multa, o cálculo do valor teve por base os parâmetros estabelecidos pelo art. 35, I, II, II . Entretanto o artigo supra foi alterado pela Lei 11.941/2009, estabelecendo que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (Redação dada pela Lei 11.491, 2009)”(grifos do relator) Lei 9.430/96: “ Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” Multa Mais Benéfica Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12196.000712/200742 Acórdão n.º 240300.985 S2C4T3 Fl. 1.217 19 O artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Assim, impõese, portanto, o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 de modo que comparando o resultado com o valor da multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 prevaleça a multa mais benéfica. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Do pedido de perícia No presente caso, a perícia é despicienda, pois toda a matéria probatória já consta nos autos. E com principio basilar do direito processual, cabe à parte provar fato modificativo, extintivo ou impeditivo do direito do Fisco. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente e a notificação seguiu o procedimento previsto. A instância a quo recusou o reiterado pedido de perícia e arrazoou com a pertinente fundamentação: “Assim, rejeitase a alegação do Sujeito Passivo. Pedido de Perícia Cumpre esclarecer que não há possibilidade de conceder provimento ao pedido de perícia, pois não foram preenchidos os requisitos exigidos para que se viabilize tal procedimento, confrontando com o mencionado no § 1° do art. 11 da Portaria RFB n° 10.875, de 16.08., c/c o inciso IV do seu art. 70, que determinam a formulação de quesitos e indicação do nome, endereço e qualificação profissional de seu perito para os exames desejados na defesa. Destarte, considerase não formulado o pedido de perícia. Além de não merecer conhecimento, em face da inobservância dos requisitos para a sua formulação, também a prova que seria objeto da pretendida perícia nem foi trazida aos autos. ” Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 Aduz que, desta feita sob a égide do artigo 17 do Decreto 70.235, não provimento às alegações da Recorrente: Artigo 17 do Decreto n ° 70.235/1972: “ Art. 17. A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligência, inclusive perícias quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Parágrafo único. O sujeito passivo apresentará os pontos de discordância e as razões e provas que tiver e indicará, no caso de perícia, o nome e o endereço do seu perito.” A propósito,IPPO WATANABE e LUIZ PIGATTI JUNIOR, Manual de Processo Administrativo Tributário, Editora Juarez de Oliveira, 2000, p.146 a 150, leciona: “PERÍCIA DENEGADA. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato pro bando puder ser demonstrado pela juntada de documentos (Ac. n. 1071.365, DOU de 2.1.97, p. 66, Rel. Cons. Carlos Alberto Gonçalves Nunes). No mesmo sentido AC. n. 107 1.291, DOU de 2.1.97, p. 6.819; 1072.300, DOU de 7.1.97, p.335; 10702.984, DOU de 22.1.97, p. 1.275)”(grifos de minha autoria) CONCLUSÃO Desse modo, por tudo que foi exposto, voto por conhecer do recurso, para negar a PRELIMINAR de nulidade e dar PROVIMENTO PARCIAL a PRELIMINAR DE DECADÊNCIA e , NO MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL determinando o recálculo da multa de mora de acordo com a redação do artigo 35A da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a multa mais benéfica para o contribuinte. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10680.011343/2007-26
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/10/2005
PREVIDENCIÁRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. NULIDADE.
O STF declarou inconstitucionalidade a contribuição incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural do empregador rural pessoa física.
O lançamento efetuado para constituir créditos de tributos declarados inconstitucional é nulo.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-000.971
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Nome do relator: IVANCIR JÚLIO DE SOUZA
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INCONSTITUCIONALIDADE. NULIDADE. O STF declarou inconstitucionalidade a contribuição incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural do empregador rural pessoa física. O lançamento efetuado para constituir créditos de tributos declarados inconstitucional é nulo. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees StringariPresidente Ivacir Júlio de SouzaRelator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Jhonatas Ribeiro Da Silva. Ausentes os conselheiros Cid Marconi Gurgel de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Conforme o relatório Fiscal de fls. 41, o lançamento referese “ às contribuições previdenciárias descontadas sobre os valores de aquisição de produto rural(carvão vegetal) de pessoas físicas, constantes nas notas fiscais de entrada e, devidas pelos mesmos: à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, ao financiamento da complementação das prestações por acidentes de trabalho até 06/97; ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho a partir de 07/97 e; as destinadas a terceiros (SENAR). Na condição de subrogada, a empresa deixou de recolher tais valores, no prazo legal estabelecido, como é de sua responsabilidade.” .......4. A Empresa efetuou a retenção 2,2% (dois virgula dois por cento) referente às contribuições previdenciárias, devidas pelos produtores rurais pessoas físicas, entretanto, na condição de subrogada, não efetuou o recolhimento das referidas contribuições, sendo, portanto devedora das mesmas. Aduz que às fls. 31, a fundamentação legal da autuação foi pautada sob o comando do artigo 25 da Lei n 8.212/91. A empresa impugnou a autuação e não logrou êxito. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.121, a 7ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Belo Horizonte – (MG)DRJ/BHE, em 24 DE JULHO DE 2007, emitiu o Acórdão n° 0215.594 mantendo procedente o lançamento guerreado. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário onde reiterou tão somente seu pedido de perícia que fora negado em instância a quo. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.011343/200726 Acórdão n.º 240300.971 S2C4T3 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls.137, o recurso é tempestivo e reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR DE INCONSTITUCIONALIDADE A autuação ocorreu em razão da previsão de incidência sobre a comercialização da produção rural com amparo legal no art.25, II, da Lei n 8.212/91, in verbis: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. A contribuição em apreço tem como responsável pelo repasse dos descontos a empresa adquirente da produção, conforme determinação da Lei n 8.212/91: Art.30 – (...) (...) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Em respeito a esse comando legal, a auditoria, ao verificar que a recorrente descontou a contribuição do produtor rural pessoa física e não repassou lavrou o presente auto. Relevante destacar que o artigo 25 da Lei n° 8.212/91 que respaldou a autuação, foi alterado pelo art.1° da Lei n° 8.540/92. Mais relevante e crucial é conhecer que recente Recurso Extraordinário, n° 596.177/RS, julgado no Pretório Excelso, sob a relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, decidiu pela inconstitucionalidade do art.1° da Lei n 8.540/92. Nestes termos, estando a empresa desobrigada de descontar , não há que se falar em repassar. Por outro giro, no caso presente a recorrente fora autuada por justamente ter descontado e não repassado.Assim, para elidir hipótese de eventual questionamento, cabe refletir sobre o alcance da inconstitucionalidade ao caso concreto. O artigo 168A do Decreto – Lei n 2.848 , Código Penal, tipifica que ocorre crime de apropriação indébita se a empresa deixar de repassar contribuições recolhidas dos contribuintes: "Art.168A Deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas dos contribuintes, no prazo e forma legal ou convencional:" (Acrescido pela Lei n° 9.983, de 14 de julho de 2000). Isto destacado, é compulsório notar que na parte final se exigi forma legal. De fato, à época da lavratura do auto a forma continha previsão legal. Entretanto, face ao reconhecimento da inconstitucionalidade, sendo, portanto, ex tunc a decisão, aduz que jamais o fora. Tudo isto exposto, se apresenta descabido exigir que se repasse ao fisco valores originados de exigência indevida. Em isso se materializando ocorreria locupletamento em razão de arrecadação sem causa. Assim, em razão de a exação prevista no artigo art. 25, I da Lei n 8.212/91, motivo da autuação em comento, ter sido julgada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal – STF, cumpreme declarar de ofício a nulidade do lançamento. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Fl. 145DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.011343/200726 Acórdão n.º 240300.971 S2C4T3 Fl. 3 5 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 11516.006724/2007-58
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2000 a 30/06/2007.
NÃO RETENÇÃO DOS 11% NA CONTRATAÇÃO DE CESSÃO DE MÃO DE OBRA,
CONFORME PREVISÃO DO ART. 31 DA LEI N. 8.212/91. MULTA COM BASE NO ART. 92 DA LEI N. 8.212/91. RECURSO IMPROVIDO
A empresa contratante deve reter 11% do valor da nota fiscal ou fatura, se realizou algum serviço previsto nas listas constantes no art. 31, § 4o da Lei n. 8.212/91 e art. 219 § 2o do Decreto n. 3.048/99.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-000.957
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBATO
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SOCIAL ELOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 30/06/2007. NÃO RETENÇÃO DOS 11% NA CONTRATAÇÃO DE CESSÃO DE MÃODEOBRA, CONFORME PREVISÃO DO ART. 31 DA LEI N. 8.212/91. MULTA COM BASE NO ART. 92 DA LEI N. 8.212/91. RECURSO IMPROVIDO A empresa contratante deve reter 11% do valor da nota fiscal ou fatura, se realizou algum serviço previsto nas listas constantes no art. 31, § 4o da Lei n. 8.212/91 e art. 219 § 2o do Decreto n. 3.048/99. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marthius Savio Cavalcante Lobato Relator Fl. 219DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBATO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES S TRINGARI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Jhonatas Ribeiro da Silva, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBATO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES S TRINGARI Processo nº 11516.006724/200758 Acórdão n.º 2403000.957 S2C4T3 Fl. 78 3 Relatório Trata se de Auto de Infração por infringência ao disposto no art. 32, inciso IV, § 5°, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.528/97, c/c o art. 225, inciso IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, por apresentar a empresa, acima identificada, na rede bancária Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições. Conforme Relatório Fiscal, de fls. 11/12, a autuada deixou de informar à previdência social a integralidade dos valores pagos às cooperativas de trabalho e a diversos segurados contribuintes individuais, bem como os valores pagos a José Anastácio Fernandes e Camangui Agnellino, caracterizados como segurados empregados. A penalidade aplicável encontrase prevista no art. 32, § 5°, da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei ir 9.528/97, e no art. 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, com a redação dada pelo Decreto n° 4.729/03. Impugnação as fls. 104123. Julgado procedente em parte a impugnação, recorre voluntariamente (fls. 152166). É o relatório. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBATO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES S TRINGARI 4 Voto Conselheiro Marthius Savio Cavalcante Lobato DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e reúne os pressuposto de admissibilidade. Conheço. DA MULTA Insiste o recorrente de que os valores das despesas com materiais e equipamentos não pode ser tributado. Fundamenta no sentido de que: a lei maior ordena que tudo o que não for folha de salários, faturamento ou lucro, não pode ser utilizado como base de cálculo de contribuição social, a menos, que seja observado o previsto no art. 194, §4°, da CF. Como a contribuição em voga foi erigida através de lei ordinária, resta claro que deva atender as fontes de financiamento previstas no art. 195, da CF. Alei ordinária desonerou as cooperativas de recolher a contribuição e onerou o tomador de serviços com a contribuição previdenciária incidente sobre rendimentos do trabalho, à luz do preceito constitucional considerandose que nas notas fiscais acostadas aos autos quando da impugnação não consta discriminado quais são os valores das despesas com materiais e equipamentos, os argumentos da defesa não merecem credibilidade, vez que sem estas informações a autoridade lançadora não tinha como deduzilas da base de cálculo como pretende a requerente, tampouco este órgão julgador. Ao contrário do que tenta fazer crer a recorrente, ficou devidamente comprovado nos autos, conforme r. decisão a quo, que: nas notas fiscais acostadas aos autos quando da impugnação não consta discriminado quais são os valores das despesas com materiais e equipamentos, os argumentos da defesa não merecem credibilidade, vez que sem estas informações a autoridade lançadora não tinha como deduzilas da base de cálculo como pretende a requerente, tampouco este órgão julgador.(fl. 6, da r. decisão). Ressaltese que o recorrente sequer impugnou tal argumento ou mesmo apontou, através das Notas Fiscais que as mesmas estavam discriminadas. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBATO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES S TRINGARI Processo nº 11516.006724/200758 Acórdão n.º 2403000.957 S2C4T3 Fl. 79 5 A ausência de impugnação dos fundamentos da r. decisão, principalmente quando se trata de matéria de fatos e provas, levaria ao não conhecimento do recurso por desfundamentado. Fato é que, como demonstrado, não há que se falar em ilegalidade da tributação. Negase provimento ao recurso. CONCLUSÃO Diante do exposto, conheço do recurso e no mérito nego provimento. Marthius Savio Cavalcante Lobato Fl. 223DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBATO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES S TRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 14474.000294/2007-92
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2006
Ementa:
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA.
ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Numero da decisão: 2403-000.857
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, “caput”, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2006 Ementa: MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, “caput”, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente/Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14474.000294/200792 Acórdão n.º 2403000.857 S2C4T3 Fl. 537 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária em Curitiba, DecisãoNotificação n° 14.401.4/0056/2007, que julgou procedente o lançamento. De acordo com informação fiscal inserida no Relatório Fiscal do lançamento, a empresa foi excluída do SIMPLES desde 05/01/2004, no entanto, não vinha recolhendo as contribuições patronais destinadas à seguridade social e previstas no artigo 22 da Lei 8.12/91. O crédito lançado, atualizado até a data do lançamento, importa em R$ 551.260,73. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: • O lançamento é nulo, posto que escorado em decisão do Ilmo. Delegado da Receita Federal em Curitiba, datada de 02 de agosto de 2004 (Ato Declaratório Executivo DRF/CTA n.° 522285) que retroagiu à data de cinco de janeiro de 2004. • Requer o efeito suspensivo, até que ocorra a decisão final acerca da exclusão do SIMPLES discutida no Processo Administrativo 10980.009604/200682, onde solicita revisão de exclusão. Observo que a recorrente obteve provimento jurisdicional em sentença no Mandado de Segurança n.° 2007.70.00.0185069, determinando o seguimento do recurso sem a exigência do depósito recursal. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O lançamento referese à cota patronal das contribuições previdenciárias e as contribuições a terceiros. A empresa era optante pelo SIMPLES e foi excluída pelo Ato Declaratório Executivo da DRF Curitiba n° 522285, de 02 de Agosto de 2004 (folha 212). O Edital 002/2005, de 15/02/2005 deu ciência da exclusão e abriu prazo de 45 dias para manifestação de inconformidade (folha 511). Não houve manifestação de inconformidade no prazo estabelecido. Os efeitos da exclusão retroagiram a 05/01/2004, pelo fato de desenvolver atividade econômica excludente. Em 31/05/2005, a empresa solicitou revisão da exclusão do Simples acima citada, o que ocasionou a abertura do processo 10980.009604/200682. Este processo está tramitando como “pedido de inclusão retroativa no SIMPLES”, foi indeferido pela DRF Curitiba em Despacho Decisório datado de 22/01/2007 (folha 514), foi protocolizada manifestação de inconformidade, que também não foi acatada pela DRJ. Atualmente o processo encontrase no CARF. Pela análise dos fatos acima apresentados, entendo que a empresa não era optante pelo SIMPLES e que o lançamento está correto. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14474.000294/200792 Acórdão n.º 2403000.857 S2C4T3 Fl. 538 5 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Dados do Processo Número : 10980.009604/200682 Data de Protocolo : 25/08/2006 Documento de Origem : RQO18082006 Procedência : Assunto : INCLUSAO COM DATA RETROATIVA IMPOSTO SIMPLES Nome do Interessado : G M FERRAMENTARIA MANUT MOLDES MAQUINAS CNPJ : 06.061.435/000122 Localização Atual Órgão Origem : CADASTROEACDRFCTAPR Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Órgão Destino : CONSELHO ADMINIST RECURSOS FISCAISMFDF Movimentado em : 29/07/2009 Sequencia : 0008 RM : 10201 Situação : EM ANDAMENTO UF : DF Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10166.722229/2009-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
Ementa:
PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR
Integra o salário de contribuição a parcela "in natura" recebida em desacordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976.
SIMPLES. EXCLUSÃO
Empresas excluídas do SIMPLES estão sujeitas às regras normais de
tributação.
Numero da decisão: 2403-000.877
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, determinando o recalculo da multa, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, ao artigo 32-A
da Lei 8.212/91 com prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva na questão da tributação do PAT.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 Ementa: PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR Integra o salário de contribuição a parcela "in natura" recebida em desacordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976. SIMPLES. EXCLUSÃO Empresas excluídas do SIMPLES estão sujeitas às regras normais de tributação.
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SIMPLES. EXCLUSÃO Empresas excluídas do SIMPLES estão sujeitas às regras normais de tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recalculo da multa, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, ao artigo 32 A da Lei 8.212/91 com prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva na questão da tributação do PAT. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente/Relator Fl. 923DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ivacir Júlio de Souza e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Ausentes o conselheiros Marthius Sávio Cavalcante Lobato (substituído pelo conselheiro Igor Araujo Souza), o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto (substituído pelo conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva) e o conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 924DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.722229/200914 Acórdão n.º 2403000.877 S2C4T3 Fl. 2 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, 0339.352 5ª Turma, que julgou improcedente a impugnação ao lançamento. A empresa apresentou as GFIP contendo dados não correspondentes à totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária. Esclarece o Relatório Fiscal que o contribuinte se declarou como optante pelo SIMPLES. Entretanto, em pesquisa realizada nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, verificouse sua exclusão desse regime desde 01/01/2002. Assim, tendo em vista a declaração incorreta, não houve recolhimento nem declaração em GFIP da contribuição patronal previdenciária. Relata também a fiscalização que, em decorrência das alterações da Lei nº 8.212/91, introduzidas pela Lei nº 11.941/2009, foi aplicado o dispositivo mais benéfico ao contribuinte quanto à aplicação da multa pela não declaração em GFIP e o não recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, em respeito ao art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional – CTN. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega, em síntese: • Requer a juntada dos autos que resultaram na exclusão da empresa do SIMPLES. • A empresa não foi notificada no ano 2005 da exclusão do SIMPLES. • Para o auxílio alimentação houve fornecimento de alimentos in natura e não em pecúnia. É o Relatório. Fl. 925DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões. SIMPLES Consta do processo documento registrando a exclusão da empresa do SIMPLES, efetuada por meio do Ato Declaratório Executivo 0497207, em 26/01/2005, com efeito retroativo a 01/01/2002. Destaco o registro da ausência de contestação. Tal documento foi assim apresentado na decisão ora recorrida. Observase, entretanto, pelo documento de fl. 108 – Consulta Histórico da empresa – Sistema SIVEX – Sistema de Vedações e Exclusões do Simples da Receita Federal, que a ora impugnante foi excluída do SIMPLES pelo Ato Declaratório Executivo n. 0497207, em 26/01/2005, com efeito retroativo a 01/01/2002 – SEM CONTESTAÇÃO. Com base nesse documento considero superada a questão da exclusão do SIMPLES. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO Quanto ao auxílio alimentação, registra o relatório Fiscal que a empresa não é inscrita no PAT. A inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador é requisito essencial para que o benefício não integre a base de cálculo das contribuições previdenciárias. O inciso I do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991, assim dispõe sobre o saláriodecontribuição: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a Fl. 926DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.722229/200914 Acórdão n.º 2403000.877 S2C4T3 Fl. 3 5 forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). E o art. 458 da CLT assevera a natureza salarial do benefício. Logo, uma vez que se subsume ao conceito de saláriodecontribuição, somente outro dispositivo legal seria idôneo para o excluir da base de cálculo da contribuição: Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações “in natura” que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. (...)Grifamos Assim o fez a Lei nº 8.212/91 em sua alínea “c”, do §9º do artigo 28; no entanto, somente para as empresas inscritas no Programa de Alimentação do Trabalhador: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; No caso sob exame, está demonstrado nos autos que durante o período a que se refere o lançamento da rubrica a recorrente não estava inscrita no programa e, portanto, o lançamento é procedente. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 927DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Fl. 928DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 23034.034133/2004-20
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/1996 a 30/06/2002
INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO
Da decisão de primeira instância cabe recurso dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Recurso protocolizado em prazo superior não será conhecido.
Numero da decisão: 2403-000.804
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1996 a 30/06/2002 INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO Da decisão de primeira instância cabe recurso dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Recurso protocolizado em prazo superior não será conhecido.
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Numero do processo: 10943.000224/2007-18
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/08/2002
GFIP. ERROS NOS DADOS RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO.
Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme disposto na Legislação.
PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
Numero da decisão: 2403-000.845
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule a multa, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 32-A
da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/08/2002 GFIP. ERROS NOS DADOS RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO. Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme disposto na Legislação. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule a multa, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 32-A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2092; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 116 1 115 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10943.000224/200718 Recurso nº 000 Voluntário Acórdão nº 2403000.845 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 26 de ooutubro de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente PRO INOX INDUSTRIA E COMERCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/08/2002 GFIP. ERROS NOS DADOS RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO. Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme disposto na Legislação. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule a multa, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10943.000224/200718 Acórdão n.º 2403000.845 S2C4T3 Fl. 117 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão Gerencia Executiva do INSS em São Bernardo do Campo, DECISÃONOTIFICAÇÃO n° 21.434.4/0210/2005, que julgou a autuação procedente. A autuação foi assim apresentada na DN: 1. Tratase de Auto de Infração lavrado em desfavor da Empresa acima identificada, por infringência ao art. 32, inciso IV, § 5°, da Lei n° 8.212/91 por ter a empresa apresentado GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias nas competências 01/2000 a 08/2002, conforme relatório fiscal da infração de fls. 02. 2. Consta do relatório fiscal da infração, fls. 02, que a empresa autuada nas competências acima, efetuou lançamentos nas contas de lucros distribuídos antecipadamente, conservação do imobilizado e conservação e manutenção, cujos comprovantes foram solicitados, mas não foram apresentados, motivo que levou a fiscalização a considerálos como prólabore indireto e como tal deveriam ser informados em GFIP. 3. A multa foi aplicada com base no artigo 32, IV, § 5° da Lei n. 8.212/91, regulamentado pelo art. 284, II, do Decreto n. 3.048/99 RPS, com valores atualizados segundo a Portaria MPS n. 525/2002, art. 12, no valor de R$ 90.616,92 (noventa mil e seiscentos e dezesseis reais e noventa e dois centavos), posteriormente retificado por meio do Despacho Decisório n. 21.434.4/0027/2003 para R$ 87.023,21 (oitenta e sete mil e vinte e três reais e vinte e um centavos), face a alegação, devidamente comprovada pela fiscalização, de que parte do prólabore indireto tratavase de outras despesas devidamente comprovadas. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega, em síntese, que: • Não houve clareza e precisão na referida Autuação que possibilitasse a compreensão exata da suposta infração que se teria cometido. • O Sr. Agente Fiscal citou vários artigos da legislação previdenciária, de modo genérico. • A. decisão de primeira instância fere o principio constitucional da ampla defesa ao emitir a Ordem de Intimação, intimando a Recorrente ao recolhimento do total do débito, bem como exigir, para a interposição do Recurso, o depósito correspondente a 30% (trinta por cento) do valor do débito. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 • Multa. • SELIC. É o Relatório. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10943.000224/200718 Acórdão n.º 2403000.845 S2C4T3 Fl. 118 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator PRELIMINARES Inicialmente registro que o recurso, não foi instruído com prova do depósito recursal, em virtude da recorrente ter sido dispensada do depósito para garantia de instância, por força de decisão judicial que concedeu liminar nos autos da ação mandamental n° 2005.61.14.0053267, proferida pelo juízo federal da 2" Vara Federal da Subseção Judiciária de São Bernardo do Campo/SP. A recorrente alega cerceamento de defesa pela falta de clareza e precisão na Autuação que possibilitasse a compreensão exata da suposta infração que se teria cometido e pela citação de vários artigos da legislação previdenciária, de modo genérico. Quanto à alegada falta de clareza, esta não trouxe prejuízo algum à recorrente, visto que alegou quando da impugnação "que localizou comprovantes que esclarecem que valores considerados pela fiscalização como rendimento indireto ou prólabore, são despesas normais da empresa conforme documentos comprobatórios a vossa disposição na empresa." Para a alegação da citação de vários artigos da legislação, de forma genérica, também não percebi prejuízo à requerente. Desse modo, não entendo presente características de cerceamento de defesa e não percebo vício que acarrete nulidade. MÉRITO SELIC SÚMULA Quanto à aplicação da taxa SELIC nos juros moratórios, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros. Abaixo apresento a Súmula número 3. “Súmula nº 3 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 MULTA No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 121DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10943.000224/200718 Acórdão n.º 2403000.845 S2C4T3 Fl. 119 7 (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 122DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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