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Numero do processo: 10380.905735/2008-13
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO.
Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indefere-se o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador.
PRECLUSÃO.
Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo.
NULIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA.
Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de perícia considerada desnecessária e prescindível à solução da lide administrativa, mormente quando formulado de forma genérica e sem atendimento aos requisitos do Diploma Processual Administrativo Federal.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR TRIMESTRAL
BÁSICO. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA. SAÍDAS SEM
DESTAQUE DO IMPOSTO.
A falta de lançamento do imposto incidente nas saídas de produtos tributados para pessoa física, não contribuinte do imposto, justifica a reconstituição da escrita fiscal para dar conta dos débitos não apurados.
SAÍDAS COM SUSPENSÃO. DEPÓSITO FECHADO. NOTAS
FISCAIS REQUISITOS.
A suspensão do imposto nas saídas de produtos do estabelecimento industrial para depósito fechado está condicionada à regular inscrição do destinatário no CNPJ como estabelecimento dessa natureza e à emissão de nota fiscal que indique tratar-se de remessa para depósito, pelo depositante, na remessa, e pelo depósito fechada, no retorno.
Numero da decisão: 3803-001.316
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indefere-se o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. PRECLUSÃO. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. NULIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de perícia considerada desnecessária e prescindível à solução da lide administrativa, mormente quando formulado de forma genérica e sem atendimento aos requisitos do Diploma Processual Administrativo Federal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR TRIMESTRAL BÁSICO. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA. SAÍDAS SEM DESTAQUE DO IMPOSTO. A falta de lançamento do imposto incidente nas saídas de produtos tributados para pessoa física, não contribuinte do imposto, justifica a reconstituição da escrita fiscal para dar conta dos débitos não apurados. SAÍDAS COM SUSPENSÃO. DEPÓSITO FECHADO. NOTAS FISCAIS REQUISITOS. A suspensão do imposto nas saídas de produtos do estabelecimento industrial para depósito fechado está condicionada à regular inscrição do destinatário no CNPJ como estabelecimento dessa natureza e à emissão de nota fiscal que indique tratar-se de remessa para depósito, pelo depositante, na remessa, e pelo depósito fechada, no retorno.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. PRECLUSÃO. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. NULIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de perícia considerada desnecessária e prescindível à solução da lide administrativa, mormente quando formulado de forma genérica e sem atendimento aos requisitos do Diploma Processual Administrativo Federal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR TRIMESTRAL BÁSICO. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA. SAÍDAS SEM DESTAQUE DO IMPOSTO. A falta de lançamento do imposto incidente nas saídas de produtos tributados para pessoa física, não contribuinte do imposto, justifica a reconstituição da escrita fiscal para dar conta dos débitos não apurados. SAÍDAS COM SUSPENSÃO. DEPÓSITO FECHADO. NOTAS FISCAIS REQUISITOS. A suspensão do imposto nas saídas de produtos do estabelecimento industrial para depósito fechado está condicionada à regular inscrição do destinatário Fl. 899DF CARF MF Emitido em 18/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/03/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 06/03/2011 por ALEXANDRE KERN 2 no CNPJ como estabelecimento dessa natureza e à emissão de nota fiscal que indique tratarse de remessa para depósito, pelo depositante, na remessa, e pelo depósito fechada, no retorno. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Daniel Maurício Fedato, Carlos Henrique Martins de Lima e Rangel Perrucci Fiorin. Relatório NUFARM INDÚSTRIA QUÍMICA E FARMACÊUTICA LTDA. formulou Pedido de Ressarcimento/Declaração de Compensação PER/DCOMP nº 22895.22209.130204.1.3.011707, visando a compensar débitos montantes a R$531.551 com o saldo credor básico de IPI, acumulado no 4º trimestre de 2003, no valor de R$ 929.441,86. A autoridade fiscal de jurisdição deferiu o pleito apenas parcialmente, haja vista ter apurado as seguintes irregularidades, que resultaram na glosa de R$ 397.890,45 no valor do saldo credor: a) Falta de destaque do IPI na saída de resina polietileno AD BS 002 J a Industria Brasileira de Artefatos e Plásticos S/A, documentada pela Nota Fiscal n° 32671, de 10/10/03, CFOP 5102; b) Falta de destaque do imposto nas saídas de diversos produtos adquiridos para industrialização, com o CFOP 5949 (Outra saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificado), mediante as notas fiscais relacionadas no Demonstrativo das Notas Fiscais de Saídas para Depósito de Terceiros e do IPI devido. Sobreveio Manifestação de Inconformidade. A 3ª Turma da DRJ/BEL julgoua improcedente. O Acórdão nº 0115.487, de 27 de outubro de 2009, fls. 772 a 776, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria não expressamente contestada, conforme art. 17 do Decreto n. 70.235/72. IPI. SUSPENSÃO INDEVIDA. Fl. 900DF CARF MF Emitido em 18/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/03/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 06/03/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10380.905735/200813 Acórdão n.º 380301.316 S3TE03 Fl. 791 3 É descabida a suspensão do IPI, nas remessas de produtos, a título de armazenagem, para estabelecimento que não seja da mesma firma, nem depósito fechado, tampouco armazémgeral. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 PERÍCIA. DESNECESSIDADE. A realização de perícia não se presta para produção de provas que o sujeito passivo possuía o encargo probatório de trazer ao processo. SUSTENTAÇÃO ORAL. DESCABIMENTO. No âmbito da legislação processual tributária, inexiste previsão para a realização de sustentação oral durante a sessão de julgamento de primeira instância. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/BEL. O arrazoado de fls.778 a 787, após resumo dos fatos, argúi, em sede de preliminar, a nulidade do procedimento por cerceamento de seu direito de defesa porque lhe foi indeferido o pedido de perícia. Cita e transcreve jurisprudência e doutrina que entende dãolhe amparo. No mérito, retoma o argumento de que há previsão regulamentar, no inc. III do art. 42, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 – RIPI/2002, para a suspensão do imposto nas saídas para depósitos fechados, inexistindo, na legislação de regência, qualquer restrição quanto à propriedade do depósito, exigindose tãosomente que os produtos para lá remetidos e depositados retornem ao estabelecimento remetente. Quanto à saída de resina polietileno AD BS 002 J, com o CFOP 5901 (Remessa Para Industrialização Por encomenda), argumenta que o art. 42, inciso VI, do RIPI/2002, dispõe claramente que podem sair com suspensão do imposto as MP, PI e ME destinados a industrialização por encomenda, desde que os produtos industrializados sejam enviados ao estabelecimento remetente daqueles insumos. Franqueia seus livros fiscais para que apure a verdade material. Conclui, pedindo que se reconheça a nulidade por cerceamento ao direito de defesa e que se julgue pela total improcedência do “lançamento” [sic transit, fl. 787] ora recorrido. Requer, por derradeiro, que seja realizada a intimação de todos os atos processuais, inclusive quando da inclusão em pauta de julgamento para fins de SUSTENTAÇÃO ORAL de suas razões, através de aviso de recebimento, no endereço do procurador, na pessoa do advogado José Erinaldo Dantas Filho, inscrito na OAB/CE sob o n° 11.200, com endereço na Rua Nunes Valente, 2604, Bairro Dionísio Torres, CEP 60125071, Fortaleza/CE. Fl. 901DF CARF MF Emitido em 18/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/03/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 06/03/2011 por ALEXANDRE KERN 4 É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 778 a 787 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJBEL nº 0115.487, de 27 de outubro de 2009. Pedido de direcionamento das intimações para o endereço dos procuradores Com relação ao requerimento para que as notificações e intimações relativas ao presente processo sejam enviadas ao endereço do patrono da causa, indefirase. Na atual fase do procedimento, todos os atos administrativos são, via de regra, feitos por meio postal e o Decreto nº 70.235, de 6 de março 1972 PAF, art. 23, II, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67, determina que, nesta modalidade, sejam endereçados ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Não há portanto como deferir a solicitação para que as intimações sejam encaminhadas ao domicílio dos procuradores da sociedade. Matéria controversa De acordo com o Relatório da decisão recorrida, o requerente não insurgiu contra a reconstituição da escrita fiscal do IPI decorrente da saída do produto Resina de polietileno AD BS 002 J, mediante Nota Fiscal n° 32671, razão pela qual a glosa foi considerada definitiva. Por não constar da Manifestação de Inconformidade, a matéria acima não pode ser conhecida nesta etapa processual. Na lição de Chiovenda, repetida por Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart, temse que:1 ... a preclusão consiste na perda, ou na extinção ou na consumação de uma faculdade processual. Isso pode ocorrer pelo fato: i) de não ter a parte observado a ordem assinalada pela lei ao exercício da faculdade, como os termos peremptórios ou a sucessão legal das atividades e das exceções; ii) de ter a parte realizado atividade incompatível com o exercício da faculdade, como a proposição de uma exceção incompatível com outra, ou a prática de ato incompatível com a intenção de impugnar uma decisão; iii) de ter a parte já exercitado validamente a faculdade A cada uma das situações acima corresponde, respectivamente, os três tipos de preclusão: a temporal, a lógica e a consumativa. 1MARINONI, Luiz Guilherme e ARENHART, Sérgio Cruz Arenhart. Manual do Processo do Conhecimento. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2004, p. 665, apud CHIOVENDA, Giuseppe. "Cosa giudicata e preclusione", in Saggi di diritto processuale civile. Milano: Giuffrè, 1993, vol. 3, p. 233. Fl. 902DF CARF MF Emitido em 18/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/03/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 06/03/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10380.905735/200813 Acórdão n.º 380301.316 S3TE03 Fl. 792 5 No caso em tela ocorreu a preclusão temporal, consistente na perda da oportunidade que o recorrente teve para tratar dos tema na Manifestação de Inconformidade. Ultrapassada aquela etapa, extinguese o direito de levantála agora, nesta fase recursal. Preliminar de nulidade A prova pericial foi considerada desnecessária pela decisão de piso porque os fatos a serem provados não necessitavam de conhecimento técnico especializado nem havia fatos obscuros a merecer esclarecimento. É entendimento há muito assentado na segunda instância de julgamento administrativo o de que não caracteriza cerceamento do direito de defesa o indeferimento fundamentado de pedido de produção de prova pericial, mormente quando o contribuinte não indica com precisão o objeto e relevância da prova respectiva, em atendimento ao disposto no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235, de 6 de março 1972 PAF, tal como ocorre no caso dos autos. Número do Recurso:139822 Câmara:TERCEIRA CÂMARA Número do Processo: 10768.021875/9850 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ E OUTROS Recorrente:MED LINE URGÊNCIAS E TRANSPORTE AEROMÉDICO LTDA. Recorrida/Interessado: 5ª TURMA/DRJRIO DE JANEIRO/RJ I Data da Sessão: 23/03/2006 00:00:00 Relator Paulo Jacinto do Nascimento Decisão: Acórdão 10322368 Resultado: NPU NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ementa: PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIMENTO CERCEAMENTO DE DEFESA Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento dai pedido de perícia considerada desnecessária e prescindível e formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72. Publicado no D.O.U. n° 107 de 06/06/2006. No mesmo sentido: Número do Recurso:145350 Câmara: QUARTA CÂMARA Número do Processo: 10730.005293/200381 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria:IRPF Recorrente: SÉRGIO VICTOR LEUTWILER TAUIL Recorrida/Interessado:2ª TURMA/DRJ RIO DE JANEIRO/RJ II Data da Sessão: 1310912005 00:00:00 Relator: Pedro Paulo Pereira Barbosa Decisão: Acórdão 104 21032 Resultado: NPU NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares argüidas pelo Recorrente. No mérito, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros José Pereira do Nascimento e Meigan Sack Rodrigues, que proviam parcialmente o recurso para que os valores tributados em um mês constituíssem origem para os depósitos do mês subseqüente. Fl. 903DF CARF MF Emitido em 18/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/03/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 06/03/2011 por ALEXANDRE KERN 6 Ementa: PAF INDEFERIMENTO DE PEDIDOS DE DILIGÊNCIA E PERÍCIAS CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INOCORRÊNCIA Não configura cerceamento de direito de defesa o indeferimento, na decisão de primeira instância, de pedido de realização de diligência e perícia, quando as razões do indeferimento estão claramente expostas na decisão. PAF PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA INDEFERIMENTO A diligência e a perícia não se prestam para produzir provas de responsabilidade das partes ou colher juízo de terceiros sobre a matéria em litígio, mas a trazer aos autos elementos que possam contribuir para o deslinde do processo. Devem ser indeferidos os pedidos prescindíveis ara o desfecho da lide. Recurso negado. No mesmo sentido: Número do Recurso: 132391 Câmara: SEGUNDA CÂMARA Número do Processo: 10730.000683/0014 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria:IRPF Recorrente:ROZANE RANGEL DA CUNHA Recorrida/Interessado:2a TURMA/DRJRIO DE JANEIRO/RJ II Data da Sessão: 16/04/2003 00:00:00 Relator Geraldo Mascarenhas Lopes Cançado Diniz Decisão: Acórdão 10245999 Resultado: NPU NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Ementa: IRPF — PERÍCIA — REQUISITOS O pedido de perícia deve mencionar as diligências que o Impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito (art. 16, IV, do Decreto n° 70.235, de 06/03/72). PERÍCIA NEGATIVA DO PEDIDO CERCEAMENTO DE DEFESA PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO — INEXISTÊNCIA Havendo nos autos documentos que permitam a atividade de fiscalização, tendo o Contribuinte oportunidades para acostar os documentos solicitados e por ele não apresentados (art. 16, §§ 5° e 6°, do Decreto n° 70.235, de 06/03/72), e abertos todos os prazos de defesa, não há como se falar em cerceamento de defesa ou ofensa ao principio do contraditório em sede do contencioso administrativo. IMPUGNAÇÃO DEFINIÇÃO DOS MOTIVOS DE FATO E DE DIREITO — PRECLUSÃO Considerandose que, com espeque no artigo 16, I, cumulado com o artigo 17, ambos do Decreto n° 70.235/72, a Impugnação é o momento em que a lide administrativa se instaura, precluindo neste instante os motivos de fato e de direito em que apóia. Não há como se apreciar as razões trazidas em sede de Recurso Voluntário que inauguram debate sobre questões fáticas e articulações de direito não impugnadas, o que impede que a instância recursal sobre Ia se manifeste. Fl. 904DF CARF MF Emitido em 18/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/03/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 06/03/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10380.905735/200813 Acórdão n.º 380301.316 S3TE03 Fl. 793 7 Por tais fundamentos, rejeito a preliminar de nulidade argüida em sede de recurso voluntário. Mérito – tributação das saídas relacionadas no Demonstrativo das Notas Fiscais de Saídas para Depósito de Terceiros e do IPI devido (fls. 639 a 642, v. III) Compulsando o referido demonstrativo, constato que todas as saídas ali planilhadas têm como destinatário a pessoa física do Sr. José Maria de Arruda Filho, CPF nº 045.149.39315, não se tratando de estabelecimento inscrito no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas como depósito fechado. Ademais, as referidas operações de saída foram cursadas sob o Código Fiscal de Operações e de Prestações CFOP ora 5901 Remessa para industrialização por encomenda, ora 5949 Outra saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificado, inconsistentes com a natureza da operação alegada pelo recorrente – remessa para depósito. Ainda a militar contra as suas pretensões, fosse o destinatário efetivamente deposito fechado, o contribuinte, ora recorrente, deveria ter destacado o imposto nas notas fiscais respectivas, pois não foram tomar as medidas condicionantes da suspensão estabelecidas no art. 404 do RIPI/2002, quais sejam, a emissão de nota fiscal com indicação da natureza da operação – Outras saídas – Remessa para Depósito” ou “ Outras saídas – Retorno de Mercadorias Depositadas”, pelo depositante no primeiro caso, e pelo depositário, no segundo. Nada a reparar na decisão recorrida. Conclusão Do exposto, voto por que se rejeite a preliminar de mérito argüida e se negue provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 1 de março de 2011 Alexandre Kern Fl. 905DF CARF MF Emitido em 18/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/03/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 06/03/2011 por ALEXANDRE KERN 8 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10380.905735/200813 Interessada: NUFARM INDÚSTRIA QUÍMICA E FARMACÊUTICA LTDA. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380301.316, de 1 de março de 2011, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 1 de março de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 906DF CARF MF Emitido em 18/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/03/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 06/03/2011 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 11610.008002/2002-55
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2001
DIRPF. OBRIGATORIEDADE. DE ENTREGA. MULTA POR ATRASO NA APRESENTAÇÃO. PARTICIPAÇÃO EM QUADRO SOCIETÁRIO. EMPRESA INAPTA.
A condição de participante do quadro societário de empresa é um dos requisitos para a obrigatoriedade da entrega da declaração de rendimentos no prazo determinado.. Entretanto, verificada a condição de que a empresa pela qual o sujeito passivo era responsável, no ano-calendário objeto da multa por atraso na entrega tia DIRPF, encontrava-se na condição de Inapta por omissa
não-localizada, por ato declaratório da própria Receita Federal, deixa de existir o motivo que o obrigava à entrega da declaração de rendimentos.
Súmula 44 do CARF.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2802-000.434
Decisão: Acordam os membros do colegiada por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPF- auto infração - multa por atraso na entrega da DIRPF
Nome do relator: LUCIA REIKO SAKAE
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OBRIGATORIEDADE. DE ENTREGA. MULTA POR ATRASO NA APRESENTAÇÃO. PARTICIPAÇÃO EM QUADRO SOCIETÁRIO.. EMPRESA INAPTA. A condição de participante do quadro societário de empresa é um dos requisitos para a obrigatoriedade da entrega da declaração de rendimentos no prazo determinado.. Entretanto, verificada a condição de que a empresa pela qual o sujeito passivo era responsável, no ano-calendário objeto da multa por atraso na entrega tia DIRPF, encontrava-se na condição de Inapta por omissa não-localizada, por ato declaratório da própria Receita Federal, deixa de existir o motivo que o obrigava à entrega da declaração de rendimentos. Súmula 44 do CARF, Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiada por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Valeria Pestana Marques- Presidente, ogyr to Sakae- Relator. EDITADO EM: 20/10/2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Guilherme Barranco de Souza (Suplente- convocado), Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Carlos Nogueira Nicácio e Valéria Pestana Marques (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Paula Locoselli Erichsen, Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido na 1" instância administrativa, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, de fls. 13/ 15, que considerou procedente o lançamento, referente ao Ano-Calendário 2000, Exercício 2001, em que se exigiu a multa por atraso na entrega da declaração no valor de R$ 165,74.. Na decisão de 1" instância foi mantido o lançamento nos seguintes termos: ".5 As hipóteses de obrigauniedade de apresentação da declaração em exame foram estabelecidas pela Instrução SRF n" 12.3, de 28/12/2000, que assim dispõe em seu artigo 1": 1" Está obrigada a apresentar a Declaração de Ajuste Anual, a pessoa física, residente no Brasil, que no ano- calendário de 2000 • ) III participou do quadro .societário de empresa como titular ou sócio," 6 As pesquisas de fls. 10 e 12 dão conta de que a contribuinte era sócia gerente da empresa Somar Inter Serv S/C Lida ME, CNPJ: 58729.278/0001-84, no ano-calendário em exame 8 Assim, tendo em vista que a contribuinte estava obrigada à apresentação da declaração de ajuste anual e a tendo feito com atraso, não há como eximi-la da multa imposta 9 Diante do exposto, voto por julgar PROCEDENTE 0 LANÇAMENTO consubstanciado no Auto de Infração de 11 04 A ciência de tal julgado se deu por via postal em 24/08/2007, consoante o AR — Aviso de Recebimento — de ti. 16-VERSO. À vista da decisão, foi protocolizado, em 13/09/2007, recurso voluntário de fis 19/20, no qual o pólo passivo questiona a decisão proferida, Na peça recursal, a contribuinte afirmando estar aposentada por acidente de trabalho bem antes desse período, informa que desconhecia ser a responsável pela empresa que sempre esteve inativa, uma vez que esses assuntos eram tratados por seu companheiro.. Afirmando estar com câncer e sem condições de pagar a multa, requer a relevação da multa, É o relatório.. 22 Processo n" 11610.008002/2002-55 SI-TE02 Acórdão n " 2802-W434 Fl 26 Voto Conselheira Lucia Reiko Sakae, Rela O recurso voluntário é tempestivo e presentes, ainda, os demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. Versam os autos sobre multa por atraso na entrega da declaração de ajuste anual, referente ao ano-calendário de 1000. A contribuinte foi considerada como obrigada a entregar a declaração anual de ajuste por se entender que a mesma participava de quadro societário de empresa como titular ou sócio, como preconizava a IN SRF n" 123, de 28/12/2000 Analisando-se a documentação de fls. 10/12, verifica-se que nos cadastros da Receita Federal a mesma constava como "Sócio-gerente", da empresa "Somar-Inter Serv. S/C Ltda.. ME", CNP.] n °: 58.729,278/0001-84, considerada INAPTA, por ser "Omissa Não- Localizada"; tal situação foi registrada em 14/09/1.999, através do Ato- declaratório n° 00043 de 14/09/1999. A caracterização de inapta por omissa não—localizada fora definido através da IN SRF n° 66/1997 que dispunha, em seu artigo 2°, tratar-se de pessoa jurídica que "embora obrigada, deixar de apresentar a declaração anual de imposto de renda por um ou mais exercícios e, cumulativamente, não for localizada no endereço informado à Secretaria da Receita Federal (SRF)". Ocorre que como a pessoa jurídica da qual a contribuinte estava indicada como sócia nos cadastros da Receita Federal, foi caracterizada como Inapta em 14/09/1,999, no ano-calendário de 2.000, a recorrente não poderia ser considerada como participante de tal empresa, quer como sócia ou titular, à medida que o mesmo órgão não poderia adotar procedimentos incompatíveis. Desta feita, sendo a caracterização corno sócia o único requisito para a obrigatoriedade da entrega da declaração, há que se cancelar a exigência da multa por atraso na entrega da declaração ora exigência da mu como a seguir: Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, cancelando-se a a por atraso na entrega da declaração de rendimentos. Além disso a Súmula CARF n" 44 já estabeleceu a inaplicabilidade da multa, "Descabe a aplicação da multa por falta ou atraso na entiega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando o .sócio ou titular de pessoa .jurídica inapta não se enquadre nas demais hipóteses de obrigatoriedade de apresentação dessa declaração 3 COIICILISãO, Ante o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso interposto. 4 Data da ciência: MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO (- Processo n": 11610.008002/2002-55 Recurso n" : 16.3.209 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § .3" do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tornar ciência do Acórdão n"...2802-00.434. Brasília/DF, EVELINE COÊLHO DE MELO HOMAR Chefe da Secretaria Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ..) Apenas com ciência Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Procurador(a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000292/2005-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Fri Nov 04 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Data do fato gerador: 31/01/2002, 28/02/2002, 28/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 28/06/2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEGISLAÇÃO ANTERIOR. PAGAMENTOS À LUZ DE LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. INEXISTÊNCIA DE INDÉBITO
Tendo em vista que os pagamentos cuja restituição e/ou compensação foram pleiteadas se deram à luz de legislação superveniente, a declaração parcial de inconstitucionalidade da legislação anterior não tem o condão de tornar indevidos os referidos recolhimentos, devendo ser indeferido o direito à restituição e não homologada a compensação declarada.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA DO CARF
O CARF não é competente para a análise de pedidos formulados pelos contribuintes visando à retificação de declaração de compensação. A matéria é de competência da autoridade administrativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil competente para a apreciação da referida declaração.
Numero da decisão: 1302-006.277
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcelo Cuba Netto, Flávio Machado Vilhena Dias, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Fellipe Honório Rodrigues da Costa (Suplente convocado) e Paulo Henrique Silva Figueiredo (presidente). Ausente o Conselheiro Marcelo Oliveira.
Nome do relator: Paulo Henrique Silva Figueiredo
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Data do fato gerador: 31/01/2002, 28/02/2002, 28/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 28/06/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEGISLAÇÃO ANTERIOR. PAGAMENTOS À LUZ DE LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. INEXISTÊNCIA DE INDÉBITO Tendo em vista que os pagamentos cuja restituição e/ou compensação foram pleiteadas se deram à luz de legislação superveniente, a declaração parcial de inconstitucionalidade da legislação anterior não tem o condão de tornar indevidos os referidos recolhimentos, devendo ser indeferido o direito à restituição e não homologada a compensação declarada. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA DO CARF O CARF não é competente para a análise de pedidos formulados pelos contribuintes visando à retificação de declaração de compensação. A matéria é de competência da autoridade administrativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil competente para a apreciação da referida declaração.
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEGISLAÇÃO ANTERIOR. PAGAMENTOS À LUZ DE LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. INEXISTÊNCIA DE INDÉBITO Tendo em vista que os pagamentos cuja restituição e/ou compensação foram pleiteadas se deram à luz de legislação superveniente, a declaração parcial de inconstitucionalidade da legislação anterior não tem o condão de tornar indevidos os referidos recolhimentos, devendo ser indeferido o direito à restituição e não homologada a compensação declarada. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA DO CARF O CARF não é competente para a análise de pedidos formulados pelos contribuintes visando à retificação de declaração de compensação. A matéria é de competência da autoridade administrativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil competente para a apreciação da referida declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcelo Cuba Netto, Flávio Machado Vilhena Dias, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Sávio Salomão de Almeida AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 02 92 /2 00 5- 68 Fl. 2727DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-006.277 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19740.000292/2005-68 Nóbrega, Fellipe Honório Rodrigues da Costa (Suplente convocado) e Paulo Henrique Silva Figueiredo (presidente). Ausente o Conselheiro Marcelo Oliveira. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em relação ao Acórdão nº 12-21.437, de 16 de outubro de 2008, por meio do qual a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente acima identificada (fls. 2.033/2.071). O presente processo decorre de Declarações de Compensação (DComp), por meio da qual a Recorrente compensou suposto direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior que o devido a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) devido pelas entidades abertas ou fechadas de previdência complementar e sociedades seguradoras que operam planos de benefícios de caráter previdenciário, na forma da Medida Provisória nº 2.222, de 2001, e pago conforme o benefício previsto pelo art. 17 da Lei nº 9.779, de 1999 (código de receita 8998), em 31/01/2002, no montante de R$ 10.168.049,70, com débitos de sua responsabilidade (fls. 39/420). Decorre, ainda, de Pedidos de Restituição (PER) relativos a pagamentos a mesmo título realizados entre 28/02/2002 e 28/06/2002, nos valores de R$ 12.024.995,74 (fls. 421/423), R$ 1.427.260,28 (fls. 424/426), R$ 10.390.500,93 (fls. 427/429), R$ 1.424.772,19 (fls. 430/432), R$ 10.263.477,69 (fls. 433/435), R$ 1.429.120,88 (fls. 436/438), R$ 10.529.718,40 (fls. 442/444), R$ R$ 1.380.617,04 (fls. 445/447), R$ 10.680.113,91 (fls. 448/450), R$ 30.655,42 (fls. 451/453) e R$ 1.307.107,54 (fls. 454/456). Por meio do Despacho Decisório de fl. 603, baseado no Parecer nº 063/2005 (fls. 585/595), as compensações realizadas não foram homologadas e os Pedidos de Restituição foram indeferidos, uma vez que os recolhimentos foram realizados por meio do parcelamento de que trata o art. 17 da Lei nº 9.779, de 1999, constituindo confissão extrajudicial irretratável de dívida. Além disso, procedimento fiscal teria confirmado a correção da apuração e recolhimento dos tributos, no bojo do referido parcelamento. A Recorrente apresentou, então, a Manifestação de Inconformidade de fls. 658/684, em que alega que, apesar de ter-se valido da remissão e parcelamento propiciados pela Medida Provisória nº 2.222, de 2001, os referidos pagamentos se tornaram indevidos ante o trânsito em julgado do Mandado de Segurança nº 90.0010071-2, que declarou a sua imunidade à cobrança de todos os impostos, nos termos do art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal. Além disso, argumentou, que a confissão de dívida, por meio do parcelamento, não possui o condão de tornar devido o tributo não previsto em lei. O Acórdão de fls. 1.801/1.803, negou provimento à Manifestação de Inconformidade, pelas mesmas razões expostas no Despacho Decisório da autoridade administrativa. Em relação àquela decisão, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 1.815/1.836, em que reitera os termos da Manifestação de Inconformidade, além de invocar o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 17, de 2005, que reconhece o direito de Fl. 2728DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-006.277 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19740.000292/2005-68 restituição/compensação do contribuinte que efetuou pagamento de tributos e contribuições com base no art. 5° da Medida Provisória n° 2.222, de 2001, em valor superior ao devido; e de sustentar a inaplicabilidade da Instrução Normativa SRF nº 126, de 2002, ao presente caso. Por meio do Acórdão nº 102-47.965, a Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte deu provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo a possibilidade de restituição do indébito, se confirmada a alegada não incidência do IRPJ sobre os rendimentos da entidade, e determinou o retorno dos autos à autoridade julgadora de primeira instância, para a devida análise do mérito (fls. 1.945/1954). A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I considerou, porém, necessário que os autos retornassem à Unidade de origem, para que, ali, fosse realizado o exame de mérito, de modo a evitar a supressão de instâncias (fl. 1.962). O processo contou com manifestação da Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário da Superintendência Regional da 7ª Região (fls. 1.965/1.968) e da Procuradoria da Fazenda Nacional (fl. 1.972), antes que a autoridade administrativa proferisse novo Despacho Decisório (fls. 1.999/2000), amparado no Parecer nº 028/2008 (fls. 1.996/1.998), por meio do qual, mais uma vez, as compensações realizadas não foram homologadas e os Pedidos de Restituição foram indeferidos. O fundamento, nesta oportunidade, foi que a decisão proferida no Mandado de Segurança nº 90.0010071-2 não conferia à Recorrente qualquer direito a restituição ou compensação de crédito. A contribuinte apresentou, então, nova Manifestação de Inconformidade (fls. 2.012/2.027), defendendo que: a) o pedido inicial do MS nº 90.0010071-2, que define os limites da coisa julgada, foi formulado de modo amplo, irrestrito, sem qualquer limitação temporal e com cunho mandamental e declaratório expresso e específico; e b) tanto a sentença quanto o acórdão, que também definem os limites da coisa julgada, deram o mesmo alcance ao pedido então formulado pela RECORRENTE: concederam integralmente a segurança para declará-la imune à incidência de todos os impostos, nos termos do art. 150, VI, c), da CF/88, inclusive, eximí-la do pagamento do IOF, sem qualquer limitação quanto aos períodos de ocorrência dos respectivos fatos geradores e reconhecendo expressa e especificamente o cunho declaratório do pedido. Afirmou, então, que “os valores pagos nos termos do art. 17 da Lei n° 9.779/99, acrescido pela redação do art. 10 da MP nº 2158-35/01, foram pagos indevidamente”. A autoridade julgadora de primeira instância proferiu nova decisão (fls. 2.033/2.071), mantendo o indeferimento do direito creditório e a não homologação das compensações declaradas, por considerar que os pagamentos efetuados pela Recorrente eram devidos pelas seguintes razões: 53 Primeiro, porque todos os recolhimentos a título de IRRF, que o interessado - espontaneamente - efetuou em 2002, e que, só agora, em 2005 - e após confissão irretratável de dívida -, quer que lhe sejam restituídos, à época eram devidos até mesmo pelas pessoas jurídicas imunes e/ou isentas, tornando irrelevante à espécie o fato de o interessado ser ou não imune. 54 Segundo, porque, ainda que assim não o fosse, a Constituição Federal dispõe, expressamente, que a fruição do benefício especial da imunidade, de que trata o Fl. 2729DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-006.277 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19740.000292/2005-68 dispositivo constitucional em cujo animo o interessado ingressou no Judiciário para se eximir do IOF, está condicionada ao atendimento de requisitos expressos em lei, que não constam tenham sido verificados em sede do Judiciário. 55 Terceiro, porque a decisão judicial que transita em julgado (ainda mais quando proferida há mais de doze anos dos recolhimentos a cujo crédito o interessado se crê titular) não tem o condão, como já decidiu o Supremo Tribunal Federal, de impedir que lei nova venha a reger, diferentemente, fatos ocorridos a partir de sua vigência. 56 Quarto, porque, como já o asseverou a Procuradoria da Fazenda Nacional- PGFN, as decisões judiciais geradas pelo mandado de segurança impetrado, ainda que tenham assegurado imunidade ao interessado, não lhe asseguraram qualquer direito à compensação e/ou restituição. 57 Quinto, porque a possibilidade de compensação ora em análise já foi submetida ao Poder Judiciário. A referida decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 2002 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO E DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. PAGAMENTOS DEVIDOS. Indefere-se o pedido de reconhecimento de direito creditório se calcado em pagamentos que, na forma da lei, eram devidos, a cuja restituição e compensação, portanto, o interessado não tem direito. Houve a interposição do Recurso Voluntário de fls. 2.105/2.127, em que a Recorrente sustenta que a decisão proferida no Mandado de Segurança nº 90.0010071-2, e nos Agravos de Instrumento nº 1999.02.01.032025-0 e 2002.02.01.042552-8, eximi-la-ia de todos os tributos, inclusive do IRPJ previsto no art. 28 da Lei nº 9.532, de 1997. Argui, ademais, que o Supremo Tribunal Federal, por meio da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1.758-4-DF teria declarado a inconstitucionalidade da expressão “inclusive pessoa jurídica imune” contida no referido dispositivo legal. Aduz a Recorrente, por fim, que os requisitos para o gozo da imunidade foram aferidos no citado Agravo de Instrumento nº 1999.02.01.032025-0. Em agosto de 2009, a Recorrente apresentou a Petição de fls. 2.175/2.177, visando à retificação de períodos de apuração de débitos compensados por meio da DComp nº 28475.29303.060705.1.3.04-2831. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional se manifestou em relação ao referido pleito (fls. 2.212/2.218), defendendo a preclusão processual, a inexistência de erro material na DComp original e a violação à legislação que trata da retificação da Declaração de Compensação. O Recurso Voluntário não foi conhecido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento (fls. 2.280/2.292), que reconheceu a concomitância das discussões perante as instâncias administrativa e judicial, de modo que “a controvérsia somente pode ser deslindada pelo poder judiciário, soberano para definir os limites objetivos da coisa julgada exarada no mandado de segurança n° 90.0010071-2”. A referida decisão foi objeto de Embargos de Declaração por parte da Recorrente (fls. 2.299/2.311), sob a alegação de omissão quanto ao argumento de que “o alcance amplo e Fl. 2730DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-006.277 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19740.000292/2005-68 irrestrito da coisa julgada formada no MS n° 90.0010071-2 já havia sido definido pelo Poder Judiciário”, os quais não foram admitidos, conforme Despacho de fls. 2.338/2.341. Foi interposto, então, o Recurso Especial de fls. 2.362/2.379, em que a Recorrente defendeu o conhecimento do seu Recurso Voluntário. O Recurso Especial foi admitido, por meio do Despacho de fls. 2.434/2.438, e provido, pelo Acórdão nº 9202-007.699 (fls. 2.473/2.492). A referida decisão considerou que não haveria concomitância entre as discussões travadas nos âmbitos administrativo e judicial. Assim, determinou o retorno dos autos, para julgamento das demais questões contidas no Recurso Voluntário. Posteriormente à indicação do processo para a pauta de julgamento, a Recorrente juntou aos autos decisões proferidas pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 2.507/2.594 e 2.629/2.726). É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo, Relator. Afastada a controvérsia acerca da concomitância do tema abordado no Recurso Voluntário com a matéria submetida ao Poder Judiciário, cabe a análise do direito creditório invocado pela Recorrente. A discussão não é nova no âmbito do CARF, eis que já explorada em outros processos administrativos relacionados com a Recorrente. Há, contudo, dois entendimentos divergentes acerca da abrangência da coisa julgada na ação judicial movida pela Recorrente e dos seus efeitos frente à legislação superveniente. Na sessão de 3 de abril de 2018, 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu o Acórdão nº 9101-003.521 (Redatora designada Conselheira Adriana Gomes Rêgo), que serviu de paradigma aos Acórdãos de nº 9101-003.522 a 9101-003.530, no sentido de que os pagamentos realizados pela Recorrente, com base na Medida Provisória nº 2.222, de 2001, eram devidos, posto que esta legislação é superveniente ao trânsito em julgado da decisão exarada no Mandado de Segurança nº 90.00100712, de modo que “inovou o estado de direito e fez cessar quaisquer efeitos da coisa julgada porventura existentes em relação ao IRPJ”. A mesma conclusão já havia respaldado o Acórdão nº 9101-002.819, de 11 de maio de 2017 (Relatora Conselheira Adriana Gomes Rêgo). Em 04 de fevereiro de 2020, contudo, a mesma Turma, proferiu os Acórdãos nº 9101-004.729, 9101-004.734 e 9101-004.735 (Relatora Conselheira Andréa Duek Simantob), considerando que a decisão proferida no Agravo de Instrumento nº 1999.02.01.032025-0, em 21/05/2002, que reconheceria a imunidade da Recorrente, é posterior à inovação legislativa, de modo que seriam indevidos os pagamentos realizados. Semelhantemente, o Acórdão nº 9101- 005.954, de 07 de fevereiro de 2022, de relatoria da mesma Conselheira. Fl. 2731DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-006.277 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19740.000292/2005-68 Nos presentes autos, a decisão da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que determinou o retorno do processo para exame das demais questões abordadas no Recurso Voluntário da Recorrente (Acórdão nº 9202-007.699, de 27 de março de 2019, Relatora Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira) partiu da premissa de que (...) dada a alteração da legislação tributária, a contribuinte não mais estava amparada por imunidade reconhecida por ação judicial, não há concomitância entre a discussão administrativa versando sobre o indeferimento dos pedidos de restituição e compensação dos créditos tributários relativos a período posterior à alteração da legislação e a ação judicial que houvera reconhecido tal imunidade, em momento anterior e fundamentada em legislação diversa. (grifo nosso) Assim, considerando que a referida premissa foi o fundamento para o conhecimento do Recurso Voluntário (o qual, de outro modo, permaneceria sem ser conhecido, conforme decisão anterior), não há como, no presente exame, dela se afastar. É incabível, portanto, aqui, a rediscussão acerca dos efeitos da coisa julgada formada a partir do Mandado de Segurança nº 90.00100712, conforme tratado no item 5 do Recurso Voluntário. Todas as demais alegações veiculadas no Recurso Voluntário devem ser examinadas a partir da referida premissa. I. Do art. 28 da Lei nº 9.532, de 1997, e da sua (in)constitucionalidade Em primeiro lugar, a Recorrente argumenta que o Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1.758-4-DF declarou inconstitucional a expressão “inclusive pessoa jurídica imune”, prevista no art. 28 da Lei nº 9.532, de 1997. Deste modo, por ter tido a sua imunidade reconhecida no, já referido, Mandado de Segurança nº 90.00100712, não se sujeitaria ao pagamento de IRPJ sobre os rendimentos decorrentes de aplicações em fundos de investimento. De fato, a citada Ação Direita de Inconstitucionalidade afastou a incidência da tributação nos moldes do art. 28 da Lei nº 9.532, de 1997, em relação às pessoas jurídicas imunes. Eis o teor da referida decisão: Preliminarmente, o Tribunal, por unanimidade, não conheceu da ação direta com relação à Medida Provisória nº 1636, de 12 de dezembro de 1997. No mérito, o Tribunal, também por unanimidade, julgou procedente a ação para declarar a inconstitucionalidade da expressão “inclusive pessoa jurídica imune”, contida no artigo 028 da Lei nº 9532, de 10 de dezembro de 1997, nos termos do voto do Relator. Votou o Presidente, Ministro Nelson Jobim. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie. (Relator Ministro Carlos Velloso, 10/11/2004, DJ 11/03/2005) Não obstante, conforme referido, o Acórdão que decidiu pelo conhecimento do Recurso Voluntário considerou que, com a edição da Medida Provisória nº 2.222, de 2001 (posteriormente, convertida na Lei nº 11.053, de 2004), houve inovação legislativa que determinou a incidência do IRPJ sobre os referidos rendimentos para as “entidades abertas de previdência complementar e de sociedades seguradoras que operam planos de benefício de caráter previdenciário”. Fl. 2732DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-006.277 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19740.000292/2005-68 Neste sentido, considerando-se que os recolhimentos foram realizados à luz da nova legislação, é inócuo que a legislação anterior tenha sido considerada parcialmente inconstitucional. II. Do direito à compensação dos valores pagos Aqui, também, não cabe discutir se o decidido no Mandado de Segurança nº 90.00100712 tem caráter meramente declaratório ou mandamental, de modo a garantir à Recorrente o direito à compensação dos valores pagos a título de IRPJ sobre os rendimentos decorrentes de aplicações em fundos de investimento. É que, uma vez que a premissa adotada é que à data dos recolhimentos a Recorrente não estava mais amparada pela imunidade reconhecida no referido procedimento judicial, já que os pagamentos foram realizados por força do art. 1º da Medida Provisória nº 2.222, de 2001, não há, igualmente, qualquer direito à compensação dos valores decorrentes do Mandado de Segurança em questão. III. Dos acréscimos legais aplicáveis na compensação dos valores pagos Não tendo sido reconhecido o direito à restituição ou compensação, perde sentido se discutir acerca de forma de cálculo dos supostos créditos tributários detidos pela Recorrente. IV. Da retificação de dados informados na DComp Na Petição de fls. 2.175/2.177, a Recorrente pleiteia a retificação do período de apuração dos débitos compensados por meio da DComp nº 28475.29303.060705.1.3.04-2831, alegando erro de fato no preenchimento da referida declaração, quando foi informada a primeira semana de junho de 2005, quando o correto seria julho de 2005. Conforme a Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, a retificação das Declarações de Compensação deverá ser requerida à RFB mediante documento retificador gerado no Programa PER/DCOMP (art. 76). Falta, portanto, competência ao CARF, para decidir acerca dos pedidos de retificação de DComp, de modo que o pleito não merece ser apreciado. V. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 2733DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1302-006.277 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19740.000292/2005-68 Fl. 2734DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13710.001348/00-60
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999
É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. A não apresentação pela interessada dos documentos necessários à análise do pleito implica no seu indeferimento.
Numero da decisão: 3803-001.440
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Acompanhou o julgamento o Dr. Luiz Paulo Romano, OAB/DF nº 14.303.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUZA
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(sucessora da CYANAMID) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. A não apresentação pela interessada dos documentos necessários à análise do pleito implica no seu indeferimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Acompanhou o julgamento o Dr. Luiz Paulo Romano, OAB/DF nº 14.303. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alexandre Kern (Presidente), Belchior Melo de Sousa (Relator), Hélcio Lafetá Reis, e a suplente Andréa Medrado Darzé. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 1420.236, de 27 de agosto de 2008, da DRJRibeirão Preto/SP, fls. 151 a 155, que decidiu pelo indeferimento da solicitação de ressarcimento. Fl. 191DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/04/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ALEXANDRE KERN, 23/04/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 2 Transcrevendo parte do relatório da DRJ, assim diz: “Em 14/07/2000 a empresa Cyanamid Química do Brasil Ltda, localizada no Rio de Janeiro, protocolou no CAC TJA (RJ), na qualidade de matriz, o pedido de ressarcimento de fl. 01, relativo ao Crédito Presumido do IPI relativo ao 1° trimestre de 2000, com base na Portaria MF n° 38/97 e na IN SRF 23/97, cuja apuração foi feita de forma centralizada. A DRF/RJ constatou que a matriz havia alterado a sua razão social para Fort Dodge Manufatura Ltda e se transferido para a cidade de Campinas, por conseguinte, o processo foi remetido para a DRF jurisdicionante daquela cidade, que intimou a interessada a apresentar os livros de apuração do IPI. Em resposta, a empresa esclareceu que por força do decurso de prazo para a guarda de documentos fiscais, não possui mais os documentos solicitados.” Em sua manifestação de inconformidade, alegou que: a) o pedido de ressarcimento foi devidamente instruído com a apuração do crédito presumido de IPI, com o demonstrativo do crédito presumido; e com certidões que comprovam a regularidade fiscal e previdenciária; b) estar demonstrada a liquidez e certeza dos créditos, bem como seu direito ao ressarcimento. c) o direito ao crédito está de acordo com e amparada pela Lei n° 9.363/97, pela Portaria n° 38/97 e pela IN n° 23/97 d) a existência de decisão anterior da DRF em Campinas negando o crédito por falta de legitimidade, decisão que foi anulada por acórdão da DRJ em Ribeirão Preto; e) o direito creditório foi reconhecido pela autoridade fiscal, quando da lavratura do Termo de Diligência e Verificação Fiscal às fls. 30 deste processo. A DRJ/Ribeirão Preto consignou que, pelos documentos juntados a este processo, não houve julgamento anterior referente ao pedido em análise. Em razão disso, considerou que a lide em questão diz respeito apenas à necessidade ou não dos documentos solicitados para a análise do pleito, posto que não foi levantada nenhuma questão de mérito no despacho decisório, tendo sido somente analisado fato prejudicial, ou seja, a falta de comprovação, por meio de documentos hábeis, não só do direito, como do quantum a ser ressarcido. Verificou que a interessada não anexou ao pedido de ressarcimento relação com a discriminação dos diversos insumos empregados na industrialização, com respectivas classificações fiscais e alíquotas, cópia do Livro Registro de Apuração do IPI referente ao período de apuração, contendo inclusive o estorno do crédito correspondente ao valor solicitado, Declaração de Apuração do Crédito Presumido — DCP, cópias de notas fiscais de aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais embalagens utilizados, cópias das notas fiscais de vendas (exportação), comprovantes de exportação, Livro de inventário etc., documentos que considerou imprescindíveis à apuração e deferimento do crédito. Assim, manteve o despacho decisório denegatório, servindose do Arts. 333 e 396 do Código de Processo Civil, Art.264 do Decreto n°3000, de 26 de março de 1999, art. 39 Fl. 192DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/04/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ALEXANDRE KERN, 23/04/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 13710.001348/0060 Acórdão n.º 3803001.440 S3TE03 Fl. 173 3 e 40 da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o Processo Administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, disposições legais que tratam do ônus de instruir o processo tendo em vista a prova das alegações. Cientificada da decisão em 06 de novembro de 2008, irresignada, a interessada apresentou o recurso voluntário de fls. 347 a 350, em 03 de dezembro de 2008, em que reitera os mesmos argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A recorrente elaborou seu recurso apenas repetindo todos os termos da manifestação de inconformidade. Não anexou nenhum documento como elemento de convicção para refutar a afirmação da DRJ/Ribeirão Preto de que este processo não teve, segundo os documentos juntados a ele, despacho decisório da DRF/Rio de Janeiro reconhecendo o direito creditório ora pleiteado. Ao apenas reiterar a transcrição do teor de tal decisão, conforme citada abaixo, seu argumento pode inclinarse tanto para a máfé como para o equívoco, porquanto faz menção de que teria decisão a seu favor pela DRF/Rio de Janeiro no presente processo, em que pede ressarcimento do saldo credor relativo ao primeiro trimestre de 1999, quando o período de apuração de que cuida a transcrição é o segundo trimestre de 1998: "Na diligência realizada no estabelecimento industrial da empresa em tela, ao examinar seu documentário fiscal, verificamos que a empresa citada tem fábrica em Paulinéia (sic), no Estado de São Paulo, bem como em Resende, no Estado do Rio de Janeiro e, tendo em vista o Quadro Demonstrativo do Crédito Presumido, referente ao segundo trimestre de 1998, conforme se verifica às fls. 02 do presente processo, examinamos o LivroRegistro de Apuração do IPI, modelo 08, onde estão caracterizados os valores lançados nas saídas, bem como verificamos várias notas fiscais, razão pela qual opinamos pelo deferimento do pedido”. (não destacado no original). Assim, não se coaduna com o fato a afirmação da recorrente, transcrita abaixo, de que a decisão acima teria sido modificada pelo despacho decisório da DRF em Campinas de indeferir a solicitação. No entanto, passados alguns anos, nova análise foi realizada, desta vez pela D. Fiscalização de Campinas e, surpreendentemente, essa D. Autoridade alterou posição anteriormente adotada pela D. Fiscalização do Rio de Janeiro, a qual tinha reconhecido o direito da Recorrente, e indeferiu o Pedido de Ressarcimento. Fl. 193DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/04/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ALEXANDRE KERN, 23/04/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 4 Inexistente a decisão da DRF/Rio de Janeiro, relativamente aos presentes autos, a necessidade do procedimento da DRF em Campinas, tendente a constatar a verossimilhança do crédito solicitado, ajustase ao ditame da estrita legalidade, conforme já expendido e bem fundamentado pela decisão recorrida. Não são, com efeito, válidos os fundamentos legais de que se serviu a Defesa para conspurcar de ilegalidade o procedimento da Administração Tributária, de igual modo também contrapostos pela decisão de piso, sendo desse modo irretocável. É preciso destacar que a recorrente deixou de cumprir as exigências preliminares quanto ao fornecimento dos dados que deveriam acompanhar seu pedido de ressarcimento. Assim, seria mesmo próprio intimála a fazêlo, que por duas vezes pediu prorrogação do prazo. A sua alegação de a impossibilidade de atendimento, por deles não mais dispor e de decurso do prazo de cinco anos nos quais se obrigava a manter os livros fiscais e sua escrituração contábil, como resposta à reintimação, com efeito, não encontra amparo na determinação específica do art. 264, do Decreto n° 3000, de 26 de março de 1999, verbis: Art.264.A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei n2 486, de 1969, art. 49,)• Pelo exposto, nada havendo na decisão recorrida que mereça reparos, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 06 de abril de 2011 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 194DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/04/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ALEXANDRE KERN, 23/04/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 13710.001348/0060 Acórdão n.º 3803001.440 S3TE03 Fl. 174 5 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 13710.001348/0060 Interessada: FORT DODGE MANUFATURA LTDA. (sucessora da CYANAMID) Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803001.440, de 06 de abril de 2011, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 06 de abril de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 195DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/04/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ALEXANDRE KERN, 23/04/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 6 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 13710.001348/0060 Interessada: FORT DODGE MANUFATURA LTDA. (sucessora da CYANAMID) Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803001.440, de 06 de abril de 2011, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 06 de abril de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 196DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/04/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ALEXANDRE KERN, 23/04/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Numero do processo: 10768.720414/2007-15
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL
SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITOS. DÉBITOS
CONFESSADOS. ERRO. COMPROVAÇÃO.
O deferimento de pedido de restituição de pagamento indevido de débito declarado em DCTF depende da prova do erro na confissão, passível de ser produzida, mesmo no curso do contencioso administrativo fiscal, até o momento processual da reclamação.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 3803-001.410
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITOS. DÉBITOS CONFESSADOS. ERRO. COMPROVAÇÃO. O deferimento de pedido de restituição de pagamento indevido de débito declarado em DCTF depende da prova do erro na confissão, passível de ser produzida, mesmo no curso do contencioso administrativo fiscal, até o momento processual da reclamação. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis e Andréa Medrado Darzé. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório TELEMAR NORTE LESTE S.A formulou o Pedido Eletrônico de Ressarcimento/Declaração de Compensação PER/DCOMP nº 25892.94185.151203.1.3.04 8953, anexa fls. 04 a 08, de crédito proveniente de pagamento de COFINS, período de apuração fevereiro/2003, que teria sido efetuado a maior ou indevido, com débito de COFINS, período de apuração novembro/2003, no valor total de RS 82.587,93. O valor original do crédito pleiteado, R$ 71.684,69, corresponde a parcela do recolhimento efetuado por meio do darf (R$ 16.726.869,76), discriminado à fl. 06, confirmado à fl. 44, concernente à COFINS, código recolhimento 2172, período de apuração fevereiro de 2003. A autoridade administrativa com jurisdição sobre o declarante indeferiu o pleito de restituição e não homologou a compensação, tendo em vista que o requerente não apresentou "documentação hábil e idônea conforme solicitado nos Termos da Intimação Fiscal e do Termo de Reintimação Fiscal" que comprovassem o valor da base de cálculo informada na planilha apresentada pela interessada (fl. 26). O Parecer Conclusivo nº 225/2008, fls. 47 a 50, sobre o qual se apoiou o Despacho Decisório de fl. 51, deu conta de que a interessada, regularmente intimada conforme Termos de Intimação e Reintimação Fiscal, fls. 27 e 28, não apresentou nenhuma documentação hábil e idônea que comprovassem as deduções, notadamente os valores concernentes a "cancelamento de 4ª conta", as "receitas diferidas no mês", os "descontos concedidos" e "PIS retido órgão público", relativos ao mês de fevereiro de 2003. Sobreveio reclamação, fls. 59 a 65. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente.O Acórdão 1328.618 4ª Turma da DRJ/RJ2, de 24 de março de 2010, fls. 110/113, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão de primeira instância. O arrazoado de fls. 118/133, após protesto de tempestividade e síntese dos fatos relacionados à lide, explica que o crédito utilizado para realizar a compensação advém de recolhimento maior efetuado para a competência de fevereiro de 2003, verificado após a apuração de deduções da base de cálculo da COFINS, que ensejaram a apresentação de DCTF retificadora e a consequente redução no imposto a pagar. Esclarece que a DCTF original incluiu indevidamente os valores de "cancelamento de 4ª conta", "receitas diferidas no mês", "descontos concedidos" e "PIS retido órgão público" na base de cálculo da contribuição para o período em questão, e que para a Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10768.720414/200715 Acórdão n.º 380301.410 S3TE03 Fl. 161 3 extinção do débito de COFINS em questão, recolheu, por meio de DARF's, os valores de R$ 10,00 e de R$ 16.726.869,76, nada obstante o acúmulo dos valores relativos a crédito de saldo negativo de IRPJ no ano calendário 2002, de R$ 27.779.695,56, acrescido de crédito decorrente de compensação de pagamento indevido (DCOMP n° 1332.4209.3230.1203.1.3.040081) no valor de R$ 282.185,59. Nesse contexto, considerando o valor total suportado anteriormente para a extinção do débito da COFINS de fevereiro de 2003 de R$ 44.788.760,91 e o valor do efetivo débito, de R$ 28.061.891,15, apurou o crédito de R$ 16.726.869,76, do qual foi utilizado o montante de R$ 82.587,93 para a compensação que ora se discute. Quanto aos valores atinentes ao "cancelamento de 4ª conta", aduz referirem se a supostas receitas ponderadas pela Fiscalização que, contudo, não podem ser caracterizados como tal, por tratarse de valores cujas cobranças dos usuários foram devidamente invalidadas, em face da inexistência da correspondente prestação de serviço, conforme permissão da Anatel, consubstanciada no § 2º do art. 51 do anexo à Resolução nº 85/19981 da ANATEL, de 7 de agosto de 2007. Em relação à inclusão das receitas diferidas de órgãos públicos na respectiva base de cálculo, assinala que tais valores são decorrentes da prestação de serviços de telecomunicações a órgãos públicos ou sociedades de economia mista, oferecidos à tributação pelo regime de caixa, nos termos do art. 7º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, e que tal peculiaridade foi desconsiderada pela Fiscalização, que as tributou segundo o regime de competência. Entende assim que esses valores não poderiam compor a base de cálculo da COFINS para o período de apuração em questão. No que tange às deduções concernentes a "descontos concedidos", entende não integrarem a base de cálculo da . COFINS, porque dizem respeito a descontos promocionais concedidos em épocas comemorativas aos clientes da Recorrente para fidelização dos mesmos. Sintetiza as deduções da base de cálculo na fl. 125: Salienta que as deduções foram evidenciadas por meio dos demonstrativos acostados aos autos, que constituem documentos oficiais da Recorrente, elaborado com base nas informações de seus Livros Contábeis e Fiscais, devendo ser levados em consideração para o julgamento do caso, no máximo, ensejando diligência nos referidos livros para se confirmar os dados lançados nos demonstrativos em questão, mas jamais resultando no indeferimento da 1 "Art. 68. Transcorrido 30 (trinta) dias de inadimplência a Prestadora pode suspender, parcialmente, o provimento do STFC, com bloqueio das chamadas originadas. Art. 69. A Prestadora, após um período mínimo de 30 (trinta) dias de suspensão parcial do provimento do STFC, permanecendo o Assinante inadimplente, pode proceder à suspensão total do provimento do STFC, inabilitandoo a originar e receber chamadas. (...) Art. 70. Transcorridos 30 (trinta) dias de suspensão total do provimento do serviço em determinada modalidade do STFC, por inadimplência, a Prestadora pode rescindir o contrato de prestação de serviço." Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN 4 compensação. Nada obstante, a Fiscalização entendeuos imprestáveis para demonstrar as deduções em questão da base de cálculo da COFINS e, consequentemente, por desconsiderar tais deduções, que poderiam ser facilmente comprovadas por meio de diligência estabelecimento da Empresa, em que fossem verificados seus livros fiscais relativos ao período de fevereiro de 2003, em apreço ao princípio da verdade material. Conclui que a Receita Federal do Brasil, com base, exclusivamente na análise das DCTF's, não encontrou o crédito utilizado, mas que, conforme exposto, o fato é que a Recorrente, em sua DCTF, registrou valor maior do que o realmente devido a titulo de COFINS em fevereiro de 2003 e que o crédito existe, de maneira que o erro no preenchimento dos documentos fiscais não possui o condão de afastar o direito à compensação, a impor a integral reforma do v. acórdão recorrido. Diz que a verdade material deve prevalecer sobre a formal e que acaso tivesse diligenciado efetivamente junto ao estabelecimento da Empresa, a fim de verificar as informações lançadas em seus livros contábeis, teria esclarecido as imprecisões apontadas e constatado as deduções que ocasionaram a redução da base de cálculo da COFINS. Cita e transcreve jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do STJ e doutrina de Hely Lopes Meirelles, Alberto Xavier, Ippo Watanabe e Luiz Pigatti Júnior. Conclui, requerendo recebimento do recurso com efeito suspensivo, sustandose quaisquer atos tendentes ao prosseguimento da cobrança administrativa ou judicial dos débitos debatidos no presente Processo Administrativo até ulterior decisão definitiva em contrário, nos termos do artigo 151, III do Código Tributário Nacional, bem como à inscrição de seu nome no CADIN ou outro órgão de proteção ao crédito. Postula seja dado provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendose o seu direito creditório na integralidade, devidamente atualizado, bem como a insubsistência da decisão recorrida e a extinção dos débitos de COFINS apurados em novembro de 2003 e consubstanciados na declaração de compensação não homologada, a teor do artigo 156, II do CTN. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 118 a 133 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão nº 1328.618 4ª Turma da DRJ/RJ2, de 24 de março de 2010. Compulsando os autos, constato, às fls. 19 e 20, que o contribuinte, ora recorrente, apresentou DCTF original em 12/05/2003, informando o débito de COFINS, período de apuração fevereiro/2003, no valor de R$ 44.515.310,18, retificandoo em 20/10/2006, apresentando o valor de R$ 28.061.891,15, divergente do valor constante da DIPJ, fls. 17, R$ 44.456.114,08. Em face dessas inconsistências, foi intimado a prestar esclarecimentos (fl. 22). Em resposta ao solicitado, o contribuinte, em 01/10/2008, apresentou os demonstrativos solicitados (fls. 24 a 26). Reintimado (fls. 27 e 28) a, com base em documentação hábil e idônea, comprovar, na composição dos valores dos débitos do PIS da COFINS, (i) o montante de R$ 3.151.608,50, relativo a “cancelamento de 4ª conta”, no mês de fevereiro de 2003; (ii) os montantes de R$ 4.016.860,50 e R$ 53.684.887,20, relativos a “receitas diferidas no mês”, dos meses de fevereiro e novembro de 2003; (iii) os montantes de R$ 10.869.926,41 e R$ 13.079.301,77 relativos a “descontos concedidos” no mês de fevereiro Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10768.720414/200715 Acórdão n.º 380301.410 S3TE03 Fl. 162 5 e novembro de 2003, e; (iv) o montante de R$ 87.136,81 relativo a “PIS retido órgão público” no mês de novembro de 2003, a Equipe Fiscal 33 do Grupo Especial de Fiscalização criado pela Portaria SRRF n° 498 junto à DEFIS/RJ deu conta, fls. 41 a 43, de que nenhuma documentação hábil e idônea foi apresentada e que o interessado limitouse a apresentar meros demonstrativos intitulados "PIS RETENÇÃO DE ÓRGÃOS PÚBLICOS", "Composição do Diferimento de órgãos Públicos de fev/2003" e uma relação de códigos tarifários e que, quanto ao item (i) das intimações (Cancelamento de 4ª a Conta) nada foi apresentado ou esclarecido. Diante da falta de comprovação das deduções, a Fiscalização considerou que a base de cálculo da COFINS para o mês de fevereiro de 2003 é de R$ 1.509.626.734,91, deixando de computar os redutores nos montantes de R$ 3.151.608,50, R$ 4.016.860,52 e R$ 10.869.926,41 e concluiu que a Cofins devida no PA era de R$ 44.997.265,95, conforme abaixo demonstrado. Computados todos os pagamentos e compensações efetuadas para o a extinção do débito, emergiu saldo a pagar no valor de R$ 1.231.286,25, nada havendo a restituir. Em sede de recurso voluntário, o interessado retoma o argumento de que a documentação acostada aos autos é suficiente para a comprovação do direito creditório, invocando o princípio da verdade material. Ora, em se tratando de uma relação processual probatória, os procedimentos de restituição/compensação exigem do sujeito passivo a comprovação do direito que entende possuir. Não existe, propriamente, a obrigação de provar, senão com o risco de que, em não se cumprindo o ônus probatório, não se venha a alcançar sucesso em sua pretensão. Inversamente do que ocorre nos casos em que se trata de lançamento de ofício, nos processos envolvendo restituição/compensação o ônus da prova do direito é do sujeito passivo, já que lhe cabe a iniciativa e o interesse em ver reconhecido seu direito ao crédito. A jurisprudência administrativa emanada do Conselho de Contribuintes é firme nesse sentido, conforme exemplificam as ementas dos seguintes Acórdãos: VALORES A REPETIR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. INDEFERIMENTO. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN 6 Pedido de Restituição deve ser acompanhado da demonstração dos' valores pagos a maior ou indevidamente e da comprovação respectiva, de modo a permitir a regular apuração do quantum a repetir sem a qual os créditos não podem ser reconhecidos, ainda que o direito se apresente plausível. (Acórdão n° 203 11.106, de 30/06/2006 da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes) PIS. FATURAMENTO. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO. ELEMENTO DE PROVA. O pedido de restituição ou compensação deverá vir acompanhado da prova ou elementos suficientes para possibilitar a apuração do valor recolhido a maior, sob pena da inviabilização da determinação da liquidez e da certeza do valor a repetir. (Acórdão n° 20310.937, de 23/05/2006, da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes) Assim, a natureza da relação processual própria dos processos de restituição/compensação atribui ao sujeito passivo o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito que pleiteia, não cabendo à autoridade administrativa suprir o encargo que é da pleiteante. Quanto ao poder probante dos documentos apresentados pelo interessado, como enfatizou a Autoridade Administrativa competente para apreciar o pleito, tratase de meros demonstrativos que não têm o condão de comprovar a efetividade do demonstrado, principalmente para efeitos fiscais, e não a documentação hábil e idônea solicitada. De se destacar também que, quanto à dedução intitulada Cancelamento de 4ª Conta, nada foi apresentado ou esclarecido. Neste contexto, a falta de comprovação dos créditos que a contribuinte alega possuir, além de enfraquecer a defesa, é razão suficiente para que a compensação não seja homologada, pois a simples menção do valor creditório, sem a devida comprovação, inviabiliza o reconhecimento do direito creditório. Mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, o requerente, enquanto manifestante, poderia produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, em face da aplicação analógica do § 4º do art. 16 do PAF, autorizada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008. O interessado, contudo, não se dignou a fazêlo, talvez esperando que a autoridade fiscal suplementasse a sua vontade e o intimasse a tanto. Omitiuse em trazer ao processo qualquer prova conclusiva a propósito das bases de cálculo da Cofins para o período em que alega o direito creditório. Ao contrário, em vez de tentar comprovar a regularidade das deduções procedidas na base de cálculo Cofins em fevereiro de 2003, o recorrente preferiu tergiversar, afirmando ser defeso ao Fisco discutir a base de cálculo de tributo relativo a período decaído. Em fim, inexiste nos autos qualquer prova conclusiva da base de cálculo da Cofins para o período em que alega o direito creditório, não se podendo operar, portanto, a liquidez e certeza de seus eventuais créditos. Conclusão Com essas considerações e com os fundamentos da decisão recorrida que, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, adoto como razão de decidir e passam a fazer parte integrante desse voto, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 6 de abril de 2011 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 09/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10768.720414/200715 Acórdão n.º 380301.410 S3TE03 Fl. 163 7 Alexandre Kern Fl. 7DF CARF MF Emitido em 09/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN 8 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10768.720414/200715 Interessada: TELEMAR NORTE LESTE S/A Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380301.410, de 6 de abril de 2011, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 6 de abril de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 8DF CARF MF Emitido em 09/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10880.722121/2008-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Thu Nov 03 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2003
DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DAS RECEITAS FINANCEIRAS REFERENTES AO IRRF APROVEITADO. SÚMULA CARF Nº 80.
Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto.
Numero da decisão: 1302-006.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Flávio Machado Vilhena Dias, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Sávio Salomão de Almeida Nobrega, Fellipe Honorio Rodrigues da Costa (suplente convocado), e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). Ausente o conselheiro Marcelo Oliveira.
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
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SALDO NEGATIVO DE IRPJ. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DAS RECEITAS FINANCEIRAS REFERENTES AO IRRF APROVEITADO. SÚMULA CARF Nº 80. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Flávio Machado Vilhena Dias, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Sávio Salomão de Almeida Nobrega, Fellipe Honorio Rodrigues da Costa (suplente convocado), e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). Ausente o conselheiro Marcelo Oliveira. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo em epígrafe, com amparo no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Os autos retornam para julgamento do recurso após realização da diligência solicitada por este Colegiado, conforme Resolução nº 1302-000.580 (e-fl. 1500 e ss.). Por bem descrever a matéria litigiosa, tomo de empréstimo o relatório contido na referida Resolução, complementando-o ao final: Adoto o relatório do acórdão recorrido por bem descrever os fatos relativos ao presente processo: AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 21 21 /2 00 8- 67 Fl. 1537DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-006.285 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.722121/2008-67 Trata o presente processo da DCOMP eletrônica nº 38938.96526.250906.1.7.02- 4071 (retificadora da 42504.88293.060504.1.3.02-6220) transmitida com objetivo de declarar a compensação do(s) débito(s) nela apontado(s), com crédito no montante de R$ 23.464.176,80 proveniente de saldo negativo de IRPJ, ano-base 2003 e exercício 2004. A este crédito foram vinculadas as compensadas listadas no Despacho Decisório, fls. 273/274. (g.n.) A matéria foi objeto de análise dos elementos constitutivos do crédito pleiteado e, após as referidas verificações, foi proferida decisão por intermédio do Despacho Decisório manual onde foram feitas as considerações que se seguem. Informa a autoridade fiscal que segundo consta da DIPJ apresentada pela requerente (fls. 193 e seguintes) foi apurado um saldo negativo de IRPJ de R$ 23.319.991,50, constando ainda a apuração de um IR devido de R$ 1.138.273,06. Consta ainda do referido documento eletrônico que teria sido recolhido R$ 4.425.458,50 a título de Estimativa. Consulta aos sistemas de controle de pagamento e às DCTF’s apresentadas revelaram que não houve recolhimentos ou declaração de débitos a título de estimativa, levando o fisco a concluir que todo o crédito pretendido estaria amparado nas retenções de IR informadas. No intuito de confirmar as retenções foi feita consulta ao sistema SiefDirf onde foram localizadas retenções da monta de R$ 23.505,343,96, valor em sua maioria proveniente de aplicações financeiras que atingiram o valor de R$ 122.567.660,88 (R$ 3.525.458,90 provenientes de operações de “Day Trade” e R$ 89.441.197,14 provenientes de operações de Swap, ambos não informados na DIPJ). A requerente foi intimada a esclarecer como havia sido feita a contabilização dessas receitas financeiras, a apuração das variações cambiais passivas e a demonstrar o conteúdo da linha 36 da Ficha 09A – “Outras Exclusões”. Após analisar os documentos apresentados como resposta á intimação, a autoridade fiscal fez diversas críticas acerca das despesas relativas ás operações de Swap e Day Trade, sem no entanto concluir pela glosa de nenhuma dessas despesas. Também apresentou críticas acerca do montante lançado na linha “Outras Exclusões”, sedo que, também nesse caso, não ocorreu glosa. Ao final concluiu que: “De todo o exposto, conclui-se que as receitas relativas aos ganhos de SWAP, informados pelo sistema Sief-Dirf no montante de R$ 89.441.187,14 não foram declarados na Linha 06A/21 Ganhos Auferidos no Mercado de Renda Variável, conforme determina o Majur, esta linha foi deixada em branco, deste modo, o imposto retido na fonte pertinente esta receita no montante de R$ 17.888.237,26 não é passível de restituição. Em igual situação se encontra as receitas oriundas de operações de DayTrade, também não declaradas, sendo que neste caso o IRRF é de R$ 35.254,56.” (g.n.) Considerando somente as receitas oferecidas á tributação foi elaborado novo cálculo do IR sobre o Lucro Real, reproduzido abaixo: Fl. 1538DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-006.285 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.722121/2008-67 Foi então reconhecido para a requerente um montante de R$ 4.443,579,08, a título de saldo negativo relativo ao ano-calendário de 2003, homologando-se as compensações até o limite desse direito creditório. (g.n.) Regularmente cientificada do despacho decisório, a contribuinte protocolou suas contrarazões fundamentando sua defesa nos tópicos abaixo: “II.1 – DA EFETIVA COMPROVAÇÃO DOS VALORES RETIDOS A TÍTULO DE OPERAÇÕES DE “SWAP” E “DAY TRADE” – DA NECESSIDADE DE PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL II.2 –DA INCONSISTÊNCIA DOS ARGUMENTOS CONSTANTES DA R. DECISÃO – DA LEGITIMIDADE DOS CRÉDITOS DECORRENTES DAS OPERAÇÕES DE “DAY TRADE” E DE “SWAP”” Ao final veio requerer: “Diante de todo o exposto, é a presente para requerer a procedência da presente manifestação de inconformidade e reformado despacho decisório ora recorrido na parte em que foi desfavorável à Impugnante, para que seja reconhecido o valor integral do saldo negativo pleiteado e seja homologada a totalidade das compensações realizadas pela Impugnante nos autos do presente processo, afastando-se a cobrança imputada pelo despacho em questão. Outrossim, uma vez que a compensação veiculada pela Per/dcomp n° 26784.83055.140606.1.3.02-7372 foi homologada nos autos do processo n° 11610.004356/2003-10, não poderá ser objeto de análise nos autos do processo em epígrafe, sendo que eventual glosa neste processo não poderá gerar efeitos com relação a tal Per/Dcomp. Protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas, inclusive a juntada de novos documentos.” A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) de Juiz de Fora em seu julgamento, constatou que "a negativa do fisco se baseia no simples fato de as receitas relativas aos ganhos de SWAP e as oriundas de operações de Day-Trade, cujos montantes comprovados no sistema SiefDirf atingiram R$89.441.187,14 e R$3.525.458,90, respectivamente, não terem sido oferecidas à tributação. Ou seja, para que o IRRF seja considerado na apuração do saldo negativo, é imprescindível o oferecimento à tributação dos respectivos rendimentos". E, mais adiante, continua a autoridade julgadora: Em sua manifestação de inconformidade, no entanto, a manifestante se limitou a reafirmar a efetividade das retenções do IR mencionadas em suas declarações, fato sobre o qual não há controvérsia pois o próprio fisco já se encarregou de confirmá- las, e a debater a correção dos lançamentos relativos às despesas citadas pela autoridade fiscal no despacho decisório, despesas que como já dissemos não foram objeto de glosa. Não há na peça de defesa ou nos documentos que a acompanham Fl. 1539DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-006.285 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.722121/2008-67 nenhuma tentativa de se comprovar que os respectivos resultados positivos foram oferecidos à tributação. Assim, considerando-se que a requerente não demonstrou a tributação das receitas que deram origem às retenções na fonte em questão, o IRRF não pode ser utilizado na composição do saldo negativo. E aquela Turma da DRJ decide emitindo as seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano- calendário: 2003 IRPJ. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. RETENÇÕES NA FONTE. TRIBUTAÇÃO DOS RESPECTIVOS RENDIMENTOS. O imposto de renda retido na fonte, sendo antecipação do imposto devido no final do período de apuração, pode ser utilizado como componente do saldo negativo de IRPJ, se ficar comprovado, mediante documentação hábil e idônea, que o contribuinte sofreu a retenção do imposto e que os respectivos rendimentos foram oferecidos à tributação no período correspondente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2003 PRODUÇÃO DE PROVAS. PROVA DOCUMENTAL. A prova documental deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de a manifestante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a ocorrência de algumas das hipóteses excepcionadas pela legislação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Acórdão Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade para manter inalterada a decisão atacada. Tomando conhecimento da decisão prolatada, a Empresa apresentou Recurso de Ofício apresentando, resumidamente, os seguintes argumentos: II - Do Direito II.1 - Das Inconsistências do Despacho Decisório tece comentários sobre as indagações feitas no DD acerca da não obediência ao Manual de Preenchimento da DIPJ, que em nada importaram à questão principal do processo, relativa ao não oferecimentos das receitas de SWAP e Day-Trade à tributação. II.2 - DA Efetiva Comprovação do Oferecimento à Tributação dos Valores a Título de Operações de "SWAP" e "Day-Trade" afirma que o erro de preenchimento jamais poderia ensejar a não aceitação dos créditos, uma vez que foi comprovado o oferecimento das receitas à tributação. conforme demonstrado, as retenções foram indicadas na ficha 53 de tal DIPJ, fato que não foi analisado no acórdão. Entende a Recorrente que ao se recusar a apurar os verdadeiros fatos ocorridos e impedir a restituição a que faz jus, o v. acórdão violou o princípio da verdade material. Argumenta sobre este princípio e apresenta jurisprudência administrativa acerca do erro de preenchimento de declaração. II.2.1 - Do Oferecimento à tributação das receitas de operações de "SWAP" Examinando-se as variações ativas e passivas que compõem a conta 3.4.7.35.1.06 (Swap), vide doc. 06 e 06-A, observa-se uma variação ativa total de 239.488.643,73, uma variação passiva total de R$293.358.382,10 e o valor líquido de 53.869.738,37 (e apresenta o razão da contas referidas). É certo que o valor de R$239.488.643,73 foi oferecido à tributação e que este valor é composto pela soma do montante de R$89.441.197,14 (que deveria constar na linha 21, da ficha 06A da DIPJ) e do valor de R$150.047.456,59 (que deveria constar na linha 20 da ficha 06A da DIPJ). Logo observa-se que, além do oferecimento à tributação dos 89 milhões houve também o oferecimento de mais 150 milhões, não havendo como prosperar os argumentos do acórdão. II.2.2. - Do oferecimento à tributação das receitas atinentes às operações de "Day- Trade" Na composição da conta 3.4.7.35.1.07 (VC ajuste BM&F) referente ás Fl. 1540DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-006.285 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.722121/2008-67 operações de "Day Trade" houve lançamentos a crédito no valor de R$72.647.971,19, montante que foi oferecido à tributação. Este valor é composto pelo montante de R$3.525.458,90 a título de day trade (que deveriam constar na linha 22 da ficha 06-A da DIPJ) e o valor de R$69.122.512,29 (que deveriam constar na linha 20 da ficha 06-A da DIPJ Os equívocos na declaração ficariam assim corrigidos: (...) II.3 - Da possibilidade de juntada de documentos após a apresentação da manifestação de inconformidade Defende a impossibilidade de o julgador se recusar a analisar provas apresentadas após a impugnação com fundamento na Lei nº 9.784, de 1999, em especial nos artigos 3º e 38. Pede que o processo seja baixado em diligência, caso seja julgado pertinente, a juntada de novos documentos que se façam necessários e que seja julgado procedente o Recurso Voluntário. (...) A apreciar o recurso interposto, a Turma, como dito, resolveu converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: Voto O recurso voluntário é tempestivo e dele conheço. A matéria litigiosa restringe-se ao oferecimento, ou não, à tributação das receitas decorrentes de operações de SWAP, no valor de R$89.441.187,14 e Day Trade, no total de R$3.525.458,90. Segundo o acórdão recorrido, a Empresa não demonstrou a tributação das receitas que deram origem às retenções na fonte em questão, limitando-se a reafirmar a efetividade das retenções na fonte mencionadas, fato incontroverso, pelo que a impugnação foi considerada improcedente. Em ser recurso voluntário, alega a Companhia que um simples erro de preenchimento de declaração não pode suprimir direito seu ao crédito. É de se notar que o que está em discussão é exatamente a comprovação de que houve um simples erro no preenchimento e que, se assim for, seu direito estará assegurado. Para comprovar que o que houve foi um erro, a Recorrente terá que demonstrar que as receitas relativa às operações de SWAP e Day Trade foram contabilizadas e compuseram a formação do lucro líquido do exercício. Com este desiderato a Recorrente apresenta a conta 3.4.7.35.1.06 (SWAP) em cujos movimentos a crédito estariam registradas as receitas decorrentes de operações de SWAP. Alerta, contudo, que a conta é um registro geral (sintético) destas operações e que recebe lançamentos, também, a débito, a título de despesas e resultados negativos dessas mesmas operações. Ao final, seu saldo representa o resultado líquido anual e, no ano de 2003, foi um resultado devedor de 53.869.738,37, que integra as variações cambiais passivas registradas na linha 32 da ficha 06-A da DIPJ ano-calendário 2003. Afirma que, os R$239.488.643,73 registrados a crédito na referida conta são compostos pelos R$89.441.197,14 (receitas de SWAP dos contratos liquidados no ano de 2003) mais R$150.047.456,59, sem, todavia, apresentar a composição deste último valor. A afirmação de que os 89 milhões comporiam esta conta, entretanto, é inverossímil. Sabemos que a retenção na fonte e a verificação do resultado dos contratos de SWAP são feitos no fechamento do contrato, cujos prazos são acordados pelas partes. O controle e a contabilização de despesas e resultados, entretanto, é feito obedecendo ao princípio da competência, mês a mês, do que resulta que o controle contábil sintético realizado pela Recorrente atesta uma aparente idoneidade, haja vista que há valores consideráveis registrados como receita nesta conta de resultado, mas não faz prova efetiva em relação ao valor apurado em determinado ano-calendário, uma vez que receitas podem ter sido contabilizadas em períodos pretéritos. Fl. 1541DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-006.285 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.722121/2008-67 A título exemplificativo, se compararmos o informe de rendimentos fornecido pelo Banco Votorantim (fl. 344) no que se refere às operações de SWAP, podemos observar que no mês de setembro de 2003 a Recorrente obteve rendimentos no valor de R$40.654.476,47 e que foi retido na fonte um imposto de R$8.130.895,29, somente em relação a este banco. O valor total lançado a crédito na conta 3.4.7.35.1.06 SWAP para o mesmo mês, correspondente à receita de operações de SWAP, foi de R$7.921.292,58. É este o motivo que nos leva à concluir por ser inverossímil a afirmação acima. É de se notar, contudo, que desta discrepância de valores não se pode concluir que a Recorrente não ofereceu as receitas à tributação. O que o fato denota é que os instrumentos contábeis utilizados para este fim são inconclusivos. O Laudo Técnico da PricewatherhouseCoopers, cuja juntada a Recorrente solicitou em janeiro de 2016, embora afirme que as receitas das operações de SWAP integram o resultado da Recorrente, o faz em função da sistemática adotada, de registro sintético em conta única, com lançamentos a débito e a crédito. Mas o Laudo reconhece (fl. 1212), ipsis litteris: Importante mencionar que as receitas de aplicação financeiras são registradas contabilmente pelo regime de competência' (R$ 349.973 mil), desta forma, os rendimentos auferidos e demonstrados na Ficha 53 da DIPJ a título de Swap (regime de caixa / efetivo recebimento) no montante de R$ 89.441 mil são diferentes. Nesse contexto temos que, pela sistemática de tributação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ, a receita de aplicações financeiras, que é o valor constante do balanço da Sociedade, pelo regime de competência, compôs o resultado da Sociedade e por esse motivo foi tributado pelo imposto de renda ao final do ano- calendário, na forma dos valores que analisamos acima. Adicionalmente, de acordo com o princípio contábil de registro das receitas pelo regime de competência, tanto o valor reconhecido pelo regime de caixa, como o valor reconhecido pelo regime de competência, são tributados, em momentos separados. Com base no acima, constatamos que a Nitroquímica auferiu receitas de rendimento de aplicações financeiras (ganhos) e que tais receitas integraram a base de cálculo do IRPJ tendo em vista que os respectivos ganhos foram contabilizados nas contas contábeis de resultado acima mencionadas e declarados na DIPJ conforme quadros acima. Conclusão irretocável, mas, para efeito de restituição/compensação não basta afirmar que as receitas de aplicações financeiras são tributadas na Recorrente, mas provar que as rendimentos de operações de SWAP cujos contratos foram encerrados em 2003 e que sofreram a incidência do imposto de renda na fonte que compõem a base negativa objeto de Dcomp foram oferecidos à tributação (R$89.441.197,14). Injusto seria, no entanto, simplesmente não-homologar a compensação requerida ante essa fumaça de bom direito. Assim, pensou-se em propor uma diligência por amostragem, mas ante o controle contábil genérico da Companhia, o que seria apresentado acabaria por impor uma decisão de aceitar ou não aceitar que os valores estariam dentro da contabilidade, pois nos seriam apresentadas planilhas sem registro contábil. Nestas condições, considerando que a prova da liquidez e certeza do crédito objeto de DComp é de integral responsabilidade da Declarante, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a Empresa seja intimada a apresentar: (g.n.) a) a contabilização em contas de resultado dos rendimentos obtidos em operações de SWAP relativas a cada contrato encerrado em 2003, de forma organizada e didática, ainda que o oferecimento à tributação tenha sido feita em anos- calendário anteriores; (g.n.) b) a comprovação da contabilização em contas de resultado dos ganhos obtidos em operações de Day Trade no ano-calendário de 2003; (g.n.) Fl. 1542DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-006.285 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.722121/2008-67 O Auditor Fiscal da Receita Federal responsável pela diligência, no uso da técnica de auditoria que considere adequada, confirme a correção dos valores apresentados pela Recorrente e apresente suas conclusões a respeito. A Companhia Nitro Química deverá ser intimada do resultado da diligência, atribuindo- lhe 30 dias para manifestação a respeito. Após isso, retorne o processo para julgamento. (...) Realizada a diligência, os autos retornaram a este Colegiado para prosseguimento do feito. Uma vez que o Relator originário não mais faz parte do Colegiado, os autos foram a mim distribuídos mediante sorteio entre os membros da Turma, conforme previsto no Regimento Interno do CARF. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. Preliminarmente deve-se esclarecer que o acórdão nº 09-52.032, exarado pela 2ª Turma da DRJ/JFA, foi juntado aos autos em 23/05/2014 (vide página de autenticação do documento), e o recurso voluntário contra ele interposto foi recepcionado pelo órgão fazendário local em 08/07/2014 (vide carimbo aposto na peça recursal). Não consta dos autos, todavia, a intimação do acórdão recorrido ao sujeito passivo. No entanto, e tendo em vista o curto espaço de tempo decorrido entre a juntada do acórdão de primeiro grau e a interposição do presente recurso (embora superior a 30 (trinta) dias), deve-se concluir que o órgão local não chegou a intimar o sujeito passivo do acórdão da DRJ pois a recorrente se antecipou, interpondo o recurso mesmo sem receber a intimação. Isso posto, considero que recurso é tempestivo e, ademais, atende aos demais pressupostos recursais previstos nas normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, logo, dele tomo conhecimento. Quanto ao resultado da diligência solicitada por esta Turma por meio da Resolução nº 1302-000.580, a autoridade fazendária local informou o seguinte (e-fl. 1534): Trata o presente de diligência fiscal a fim de atender à demanda expressa na Resolução nº 1302-000.580 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, datada de 11/04/2018, constante às fls. 1500 a 1509, para que a empresa fosse intimada a apresentar: a) A contabilização em contas de resultado dos rendimentos obtidos em operações de SWAP relativas a cada contrato encerrado em 2003, de forma organizada e didática, ainda que o oferecimento à tributação tenha sido feito em anos-calendário anteriores; b) A comprovação da contabilização em contas de resultado dos ganhos obtidos em operações de Day Trade no ano-calendário de 2003; Destarte, foi emitido o Termo de Intimação Fiscal nº 1 (fl. 1511), cuja ciência eletrônica ocorrera em 16/04/2021 (fl. 1513), concedendo o prazo de 30 (trinta) para atendimento do solicitado na resolução. Em resposta apresentada às fls. 1517 a 1529, o contribuinte Fl. 1543DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1302-006.285 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.722121/2008-67 pede dilação de prazo de 30 dias a contar do vencimento da intimação, ou, pelo menos 20 dias, se a fiscalização não estivesse de acordo. A seguir, no mesmo documento, faz uma retrospectiva dos fatos e não traz elementos adicionais aos já anexados. Ato contínuo, foi concedida a prorrogação do prazo por mais trinta dias, totalizando 60 (sessenta) dias para apresentação de toda documentação, de forma organizada e didática, tal como requerido na resolução (fl. 1530). Entretanto, passados mais de 100 (cem) dias da ciência da intimação, nenhum elemento adicional foi carreado aos autos. (g.n.) Isto posto, considerando a impossibilidade de se confirmar a correção dos valores apresentados pela recorrente, pela sua inocorrência, encaminhe-se o presente processo ao CARF, para prosseguimento. (g.n.) (...) Em síntese, embora a autoridade diligenciante tenha intimado a ora recorrente a apresentar as informações e documentos requeridos por esta Turma, e inclusive concedido a prorrogação de prazo de 30 (trinta) dias por ela solicitada, o fato é que, passados mais de 100 (cem) dias da intimação, a diligência não pode ser concluída em razão da absoluta falta de apresentação dos elementos nela solicitados. Isso posto, é de se concluir que permanece incomprovado o oferecimento à tributação do IRPJ das receitas auferidas com as aplicações financeiras de swap (R$ 89.441.187,14) e day-trade (R$ 3.525.458,90), questionadas no despacho decisório que homologou apenas parcialmente as DCOMPs, razão pela qual o IRRF sobre elas incidente não pode compor o saldo negativo do IRPJ do ano-calendário de 2003, conforme estabelecido na Súmula CARF nº 80, in verbis: Súmula CARF nº 80 Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Tendo em vista todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 1544DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13819.002894/2001-99
Data da sessão: Tue May 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 1997
IRPF - NORMAS PROCESSUAIS - PEREMPÇÃO.
O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo
de Recursos Fiscais - Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF é
de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância. Após o
prazo estabelecido a decisão já se torna definitiva.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2802-000.312
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por perempto, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: LUCIA REIKO SAKAE
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS91i:p.4;:e- SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 13819,00.2894/2001-99 Recurso n" 163,083 Voluntário Acórdão n" 2802-00.312 — 2" Turma Especial Sessão de 11 de maio de 2010 Matéria IRPF Ex(s).: 1997 Recorrente TEREZIN HA BEZERRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1997 IRPF - NORMAS PROCESSUAIS - PEREMPÇÃO, O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância. Após o prazo estabelecido a decisão já se torna definitiva. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por perempto, nos termos do voto da Relatora Valeria Pestana Marques -.Presidente Luci Z.eil • Sakae - Relatora EDITADO EM: O AG n 2nle Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Ana Paula Locoselli Erichsen, Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Carlos Nogueira Nicácio e Valéria Pestana Marques (Presidente). Relatório 'Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido na 1" instância administrativa, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, de tis, 15/17, que considerou procedente o lançamento. A ciência de tal julgado se deu por via postal em 24/09/2002, consoante o AR — Aviso de Recebimento — de fl, 20. À vista da decisão, foi protocolizado, em 30/07/2007, recurso voluntário de fls.. 33, no qual o pólo passivo afirmando 'estar recorrendo tempestivamente, anexa comprovante de que a firma de que era responsável foi baixada com data de 17/03/1980. Observa-se à ft, 21 a lavratura do "Termo de Perempção" e, na sequência, a juntada de cartas de cobranças, assim como à fi. 29, Termo de juntada de documentos de fls, 25/29. Encontra-se à fl. 44, despacho da DRF de origem, encaminhando o recurso para análise da perempção, a teor do artigo 35 do Decreto n° 70..235/72 PAF É o relatório. ;. 2 Processo n" 13819 002894/2001-99 52-TE02 Atániilo n° 2802-00312 Fl 46 - Voto Conselheira Lucia Reiko Sakae, Relatora O Decreto no 70.235/72, que regula o processo administrativo tributário, prevê, no art,33, o cabimento de recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos .30 dias seguintes à ciência da decisão, sob pena de perempção deste direito do contribuinte, a saber: 'Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com eleito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão, § 1' (Revogado pela Medida Provisória i?" 465, de 2009) § .2" (Incluído pela Lei n" 10.52,, de 20021 Ate " ç-j°: (Vide Adin n" 1.976-7) § 3" O arrolamento de que trata o § 2 0 será realizado preferencialmente sobre bens imóveis. (Incluído pela Lei n" 10.522. de 2002) § 40 O Poder Executivo editará as normas regulamentares necessárias à operacionalização do arrolamento previsto no § .2' (Incluído pela Lei n" 10.522, de 20021"(g n.) Passados os trinta dias sem qualquer manifestação, a decisão de primeira instância toma-se definitiva, a teor do artigo 42 do Decreto n° 70,2.35/72 - PAF "A ri. 42 São definitivas as decisões: 1 - de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto, II - de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição, III - de instância especial r Parágrafo ánico Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de oficio "(g. a) 3 No presente caso, verifica-se a total intempestividade do recurso voluntário, tornando-se definitiva a decisão de primeira instância, Pelo exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso por perempto., L. a -iko Sakae 4
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000471/2005-50
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003
SÚMULA Nº 39 DO CARF, PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR NACIONAIS JUNTO À AGÊNCIA ESPECIALIZADA DAS NAÇÕES UNIDAS, TRIBUTAÇÃO.
Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA CONCOMITANTE.
A aplicação concomitante da multa isolada pelo não recolhimento do imposto de renda mensal a título de antecipação, e da multa de oficio prevista no inciso I, do artigo 44, da Lei n° 9.430/96, decorrente do lançamento suplementar de imposto de renda, não é legítima.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2802-000.408
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso interposto, para afastar tão-só a exigência da multa isolada, nos termos do voto do Relator, Vencido o Conselheiro José Evande Carvalho de Araújo que reduzia a penalidade ao percentual de 50% (cinqüenta por cento).
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: CARLOS NOGUEIRA NICACIO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2003 SÚMULA Nº 39 DO CARF, PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR NACIONAIS JUNTO À AGÊNCIA ESPECIALIZADA DAS NAÇÕES UNIDAS, TRIBUTAÇÃO. Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA CONCOMITANTE. A aplicação concomitante da multa isolada pelo não recolhimento do imposto de renda mensal a título de antecipação, e da multa de oficio prevista no inciso I, do artigo 44, da Lei n° 9.430/96, decorrente do lançamento suplementar de imposto de renda, não é legítima. Recurso parcialmente provido.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-11-18T19:02:06Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-11-18T19:02:06Z; Last-Modified: 2010-11-18T19:02:06Z; dcterms:modified: 2010-11-18T19:02:06Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:a03b93cd-4eb1-408d-9f1a-ed0d0d01191a; Last-Save-Date: 2010-11-18T19:02:06Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-11-18T19:02:06Z; meta:save-date: 2010-11-18T19:02:06Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-11-18T19:02:06Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-11-18T19:02:06Z; created: 2010-11-18T19:02:06Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2010-11-18T19:02:06Z; pdf:charsPerPage: 1544; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-11-18T19:02:06Z | Conteúdo => , Carlos Nogueira Nicácio - Relator S2-TE.02 Fl 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 18471,000471/2005-50 Recurso n° 157,689 Voluntário Acórdão n" 2802-00.408 - 2" Turma Especial Sessão de 27 de julho de .2010 Matéria IRPF - Ex(s),: 2003 Recorrente JOÃO CARLOS MACHADO RIBEIRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2003 Ementa: SÚMULA N" 39 DO CARI', PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR NACIONAIS JUNTO À AGÊNCIA ESPECIALIZADA DAS NAÇÕES UNIDAS, TRIBUTAÇÃO. Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA CONCOMITANTE,. A aplicação concomitante da multa isolada pelo não recolhimento do imposto de renda mensal a título de antecipação, e da multa de oficio prevista no inciso I, do artigo 44, da Lei n° 9,4.30/96, decorrente do lançamento suplementar de imposto de renda, não é legítima. Recurso parcialmente provido, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso interposto, para afastar tão-só a exigência da multa isolada, nos termos do voto do Relator, Vencido o Conselheiro José Evande Carvalho de Araújo que reduzia a penalidade ao per ntual de 50% (cinqüenta por cento), - J---- c,d1-- Valéria Pestana Maiipies., - Presidente EDITADO EM: Z SEI 2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), José Evande Carvalho Araújo (Suplente convocado), Sidney Ferro Barros, Carlos Nogueira Nicácio e Valéria Pestana Marques (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Ana Paula Locoselli Erichsen e Lúcia Reiko Sakae. (\h, 2 Processo n" 18471 000471 /2005-50 S2-T E02 Acói duon " 2802-00408 Fl 3 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido pela 3" Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro — Em procedimento de verificação do cumprimento de obrigação tributária, foi lavrado auto de infração em face do Recorrente em razão da classificação incorreta de rendimentos na Declaração de Ajuste Anual do ano-calendário 2002. O Recorrente reportou como isentos ou não tributáveis, os rendimentos recebidos em decorrência da prestação de serviços à Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura — UNESCO, no valor de R$47,864,71 (quarenta e sete mil oitocentos e sessenta e quatro reais e setenta e um centavos). Em consequência, foi exigido do Recorrente o recolhimento do imposto de renda incidente sobre os montantes recebidos, o pagamento de multa de oficio isolada pelo não recolhimento do imposto de renda mensal e multa de oficio incidente sobre o montante de imposto suplementar apurado. Em sede de impugnação, o Recorrente alegou, em síntese: 1) Que aos servidores da UNESCO aplicam-se as disposições da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas das Nações Unidas, a qual determina que os funcionários de tal instituição gozarão de isenção de impostos quanto aos salários e rendimentos recebidos; 2) Que o Acordo Básico de Assistência Técnica firmado com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e Agência Internacional de Energia Atômica não estabelece distinções entre seus diversos prestadores de serviço, estendendo-se os benefícios previstos no mencionado Acordo a todos os servidores estrangeiros e nacionais; 3) Que de acordo com a legislação do imposto de renda, apenas os rendimentos auferidos por prestadores de serviços à Agências Internacionais de forma autônoma seriam tributáveis, aplicando-se ao Recorrente a isenção prevista na legislação de referência, ainda que o Recorrente não faça parte do quadro de funcionários efetivos da UNESCO; 4) Que em decorrência das características das atividades desempenhadas frente à UNESCO, existe relação de emprego entre o Recorrente e a Agência Internacional, na medida em que o Recorrente atua mediante subordinação jurídica e dependência hierárquica; 5) Que não é legítima a cobrança concomitante da multa de oficio de 75% incidente sobre o imposto suplementar apurado, com a multa isolada de oficio pelo não recolhimento do imposto de renda mensal (carnê-leão). O acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por unanimidade de votos, decidiu pela procedência do lançamento, na medida em que as atividadescr—' 3 desempenhadas pelo Recorrente perante a UNESCO não estariam enquadradas dentre aquelas de caráter diplomático ou missão internacional. Dessa forma, os rendimentos auferidos pelo Recorrente não são considerados isentos, nos termos da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas das Nações Unidas.. Relativamente à aplicação da multa de oficio concomitantemente com a multa de oficio pelo não recolhimento do imposto de renda mensal, aduz que as penalidades em comento não são excludentes, uma vez que buscam coibir condutas diferentes praticadas pelo Recorrente. Dada a decisão proferida pela Delegacia de Julgamento, houve a interposição de Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, reiterando-se os argumentos apresentados na peça inipugnatória. É o relatório.- 4 Processo n" 18471.000471/2005-50 S2-TE02 Acá dão n ." 2802410.408 Fl. 4 Voto Conselheiro Carlos Nogueira Nicácio, Relator O Recurso é tempestivo e preenche as formalidades legais, por isso, dele conheço. A questão ora em litígio versa sobre a isenção para fins de imposto de renda de rendimentos auferidos pelo Recorrente em razão da prestação de serviços técnicos na área de informática perante a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura — UNESCO. O artigo 5°, da Lei n° 4..506/64, assim determina: Ari .5° Estão isentos do imposto os rendimentos- do trabalho airferidos por: I- Servidores diplomáticos de governos estrangeiros; II - Servidores de organismos internacionais de que o Brasil fixa parte e aos quais .se tenha obrigado, por tratado ou convênio, a conceder isenção; III - Servidor não brasileiro de embaixada, consulado e repartições oficiais de outros países no Brasil, desde que no país de sua nacionalidade seja assegurado igual tratamento a brasileiros que ah exerçam idênticas funções. Parágrafb único As pessoas referidas nos- itens II e III deste artigo serão contribuintes como residentes no estrangeiro em relação a outros rendimentos produzidos no país, (Omissis) Depreende-se que a isenção concedida aos servidores de organismos internacionais de que o Brasil faça parte tem de estar prevista em tratado ou convênio. Tratando-se de rendimentos pagos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura — UNESCO, verifica-se a existência do Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto n° 59..308, de 23/09/1966: ARTIGO V Facilidades, Privilégios e Imunidades 1. O Governo, caso ainda não esteja obrigado a lazê-lo, aplicará aos Organismos, a seus bens, fundo e haveres, bem como a :seus funcionários, inclusive peritos de assistência técnica.' a) com respeito à Organização das Nações Unidas, a Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas; 5 b) COM respeito às Agências Especializadas, a Convenção .sobre Privilégios e Imunidades- das Agências Especializadas c.) com respeito à Agência Internacional de Energia Atômica o Acordo sobre Privilégios e Imunidades da Agência hiternacional de Energia Atômica ou, enquanto tal Acordo não lar aprovado pelo Brasil, a Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas". (Omissis) A Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, firmada em Londres, em 13/02/1946, e promulgada pelo Decreto n° 27.784, de 16/02/1950 assim prevê: ARTIGO V Fimcionários Seção 17. O Secretário Geral determinará as categorias dos funcionários aos quais se aplicam as disposições do presente artigo assim como as do artigo VII Submeterá a lista dessas categorias à Assembleia Geral e, em seguida, dará conhecimento aos Governos de todos os Membros O nome dos fimcionários compreendidos nas referidas categorias serão comunicados periodicamente aos Governos dos Membros Seção 18 Os funcionários da Organização das Nações Unidas: a) gozarão de imunidades de jurisdição para os atos praticados no exercício de suas funções oficiais (inclusive seus pronunciamentos verbais e escritos); b) seião isentos de qualquer imposto sobre os salários eniolumentos recebidos das Nações Unidas; c) serão isentos de todas as obrigações referentes ao serviço nacional, d) não serão submetidos, assim como suas esposas e demais pessoas da família que deles dependam, às restrições imigratórios e às formalidades de registro de estrangeiros, e) usufruirão, no que diz respeito à facilidades cambiais, dos mesmos privilégios que os funcionários, de equivalente categoria, pertencentes às Missões Diplomáticas acreditadas .junto ao Governo interessado; .f) gozarão, assim como suas esposas e demais pessoas da .família que deles dependam, das 111eS111CIS facilidades de repatriamento que os funcionários diplomáticos em tempo de crise internacional; g) gozarão do direito de importar, livre de direitos, o mobiliário e seus bens de uso pessoal quando da primeira instalação no país interessado, Seção 19. Além dos privilégios e imunidades previstos na Seção 13, o Secretário Geral e todos os subsecretários gerais, tanto no que lhes diz respeito pessoa/mente, como no que se refere a seus cônjuges e filhos menores gozarão dos privilégios, imunidades, 6 Processo n" 18471 000471/2005-50 E02 Acórdão n " 2802-00408 El. 5 isenções e facilidades concedidas, de acordo com o direito internacional, aos agentes diplomáticos. (Omissis) Da análise dos dispositivos acima, verifica-se que a isenção de impostos sobre salários e emolumentos encontra-se no bojo de diversas outras vantagens destinadas a funcionários de organismos internacionais, tais corno imunidade de jurisdição, isenção de serviço militar, facilidades imigratórias, privilégios cambiais equivalentes aos dos funcionários de missões diplomáticas, facilidades de repatriamento idênticas às dos funcionários diplomáticos, liberdade de importação de mobiliário e bens de uso pessoal. Embora a supramencionada Convenção utilize a expressão "funcionários" de forma genérica, a análise do conjunto de privilégios nela elencados permite concluir que o termo não abrange qualquer funcionário brasileiro, mas apenas aqueles que preencham os requisitos da Seção 17. Assim, fica claro que as vantagens e isenções relacionadas no artigo V, da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas são dirigidas aos funcionários internacionais, integrantes dos quadros da ONU com vinculo estatutário, e não apenas contratual. Diante do exposto, constatando-se que o Recorrente não é funcionário internacional pertencente ao quadro estatutário da ONU, incluído em categoria determinada pelo Secretário-Geral e aprovada pela Assembléia Geral, mas sim, técnico residente no Brasil, a serviço da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura — UNESCO, não há corno reconhecer a isenção pleiteada. Tal entendimento foi pacificado perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais mediante a edição da Súmula Vinculante n° .39: SÚMULA N" 39 DO CARF PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR NACIONAIS JUNTO À AGÊNCIA ESPECIALIZADA DAS NAÇÕES UNIDAS TRIBUTAÇÃO. Os valores- recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vinculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Fisica. Adicionalmente, questiona o Recorrente a aplicação concomitante da multa de oficio decorrente da apuração de imposto de tenda suplementar e multa isolada pelo não recolhimento de imposto de renda mensal (carnê-leão). No presente caso, ambas as multas aplicadas têm como base de cálculo o valor do imposto de renda suplementar apurado em sede de lançamento, em razão da classificação incorreta de rendimentos recebidos no curso do ano-calendário 2002.. O artigo 44, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme redação vigente à época dos fatos, assim determinava: 7 Art 44 Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de/alta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte, — de cento e cinqüenta por cento,nos casos de evidente intuito de . fraude, definido nos artigos 71,72 e 73 da Lei n 4 502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §1 - Ás multas de que trata este artigo serão exigidas. 1 . juntamente com o tributo ou contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos,. II — isoladamente, quando o tributo ou contribuição houve, sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora, III — isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnê-leão) na fbrnia do art. 8 da Lei n 7 713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fhzê-lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste (Orizi.ssis) Partindo-se da premissa de que a uma mesma conduta ilícita não pode ser atribuída mais de uma penalidade sob pena de bis in idem, forçoso concluir que as multas previstas nos incisos I a III, do parágrafo 1 , do artigo 44, da Lei n 9,430196 não poderiam ser aplicadas concomitantemente, Desta feita, não seria permitido à Autoridade, em um mesmo exercício, exigir a multa aplicável pela ausência de recolhimento do imposto de renda mensal, concomitantemente com a multa de oficio pela redução indevida, total ou parcial, do imposto de renda devido ao final do ano-calendário, a ser apurado em sede de Declaração de Ajuste Anual, Assim, somente mostra-se possível a cobrança da multa de oficio pelo não recolhimento da antecipação mensal, prevista no inciso III, do parágrafo 1 , do artigo 44, da Lei n 9.430/96, nas hipóteses em que tal penalidade venha a ser exigida isoladamente, ou seja, desacompanhada do lançamento de imposto. O inciso I, do parágrafo 1 , do artigo 44, da Lei n 9,430/96, trata da aplicação da multa a ser exigida na hipótese em que se lança, por exemplo, imposto de renda devido para o ano-calendário, quando tal montante não houver sido recolhido no prazo estabelecido pela legislação, coincidente com o teimo final para a apresentação da Declaração de Rendimentos. Tendo em vista que na hipótese dos autos foi apurado o pagamento a menor pelo Recorrente do valor de imposto de renda devido ao final do ano-calendário em razão da classificação incorreta de rendimentos recebidos da UNESCO, forçoso concluir-se pela 8 — Carlos Nogueira Nicácio , C Processo n" 18471.000471/2005-50 S2-T E02 Acórdão n." 2802-00.408 Fl 6 exclusiva aplicabilidade da multa de 75%, a ser exigida juntamente e com base valor do lançamento principal. Pelo exposto, conheço do Recurso Voluntário apresentado na forma da lei e voto no sentido de dar-lhe provimento parcial a fim de que seja desconstituída a multa de oficio exigida isoladamente em razão do não recolhimento do imposto de renda mensal. 9 Data da ciência: / ------ ----/ MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2" CANIARA/2" SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n": 18471.000471/2005-50 Recurso n": 157.689 „," TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3" do art, 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 de . junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n" 2802-00.408. Brasília/DF, 21 SET 2010 4_91 EVELIN E COÊLHO DE MAIO HOMAR Chefe da Secretaria Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Procurador(a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 10166.720586/2013-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2008
ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. ESPÓLIO.
Ciente da morte do contribuinte antes da lavratura da notificação de lançamento, esta deveria ser efetuada em nome do espólio, responsável pelo tributo devido pelo de cujus.
Numero da decisão: 2201-009.768
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Francisco Nogueira Guarita, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Relator, e Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que negaram provimento. Designando para redigir o voto vencedor o Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator
(documento assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fófano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Thiago Duca Amoni (suplente convocado), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2008 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. ESPÓLIO. Ciente da morte do contribuinte antes da lavratura da notificação de lançamento, esta deveria ser efetuada em nome do espólio, responsável pelo tributo devido pelo de cujus.
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ESPÓLIO. Ciente da morte do contribuinte antes da lavratura da notificação de lançamento, esta deveria ser efetuada em nome do espólio, responsável pelo tributo devido pelo de cujus. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Francisco Nogueira Guarita, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Relator, e Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que negaram provimento. Designando para redigir o voto vencedor o Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator (documento assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fófano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Thiago Duca Amoni (suplente convocado), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Reproduzo o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF), que bem descreve os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 05 86 /2 01 3- 16 Fl. 98DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-009.768 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.720586/2013-16 Tratam os autos de lançamento de Imposto de Renda na Fonte, incidente sobre os rendimentos do trabalho assalariado, pagos ou creditados por pessoas físicas ou jurídicas, consubstanciados no auto de infração às fl. 03/09, referente a fatos geradores ocorridos nos anos 2008 (meses de janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho, julho, agosto, setembro e outubro), com crédito tributário total de R$ 100.459,93 (cem mil quatrocentos e cinquenta e nove reais e noventa e três centavos), assim discriminado: IMPOSTO (Código Receita 2932) R$ 39.049,88 JUROS DE MORA (Calculados até 02/2013) R$ 17.478,94 MULTA PROPORCIONAL (Passível de Redução) R$ 43.931,11 VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO R$ 100.459,93 A autoridade fiscal verificou a falta de recolhimento das retenções referentes ao Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF sobre o trabalho assalariado, no ano-calendário 2008, informados, pelo contribuinte, na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF. Segundo a fiscalização, foram detectadas divergências entre os valores informados em DIRF (Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte) e os valores recolhidos por meio de DARF (Documento de Arrecadação de Receitas Federais) e/ou declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). A partir das divergências encontradas intimou-se, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 2558/2012 do dia 21/12/2012, o contribuinte para prestar os devidos esclarecimentos. Após uma tentativa de ciência por via postal, que restou infrutífera, publicou-se o Edital de intimação nº 006 de 09/01/2013 em 24/01/2013, também não atendido pelo contribuinte. Assim, procedeu-se, a revelia, à análise dos valores informados em DIRF, dos valores declarados em DCTF e demais informações constantes dos sistemas da RFB, quando se verificou haver, de fato, divergências entre os valores informados em DIRF, os recolhidos por meio de DARF e os declarados em DCTF, referentes ao IRRF sobre o trabalho assalariado (código da receita 0561), no ano-calendário 2008, resultando no lançamento de ofício do Imposto de Renda Retido na Fonte, não recolhido e nem confessado em DCTF, nos termos do artigo 841, incisos II, III e IV, do artigo 842 e do artigo 845, incisos II e III do Decreto 3.000 de 23/06/1999 – RIR/99. A multa de ofício de 75% foi agravada em 37,50% (metade) em virtude do não atendimento à intimação fiscal (art. 44, Lei nº 9.430/96). Na esteira da autuação, foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais nos autos do processo administrativo nº 10166.720587/2013-61, apenso. Cientificado, por edital, do lançamento em 23/02/2013 (fls. 23), apresentou a impugnação às fl. 26/34 em 25/03/2013, onde argumentou, em síntese, o que segue: DAS PRELIMINARES – DA NULIDADE DO LANÇAMENTO O contribuinte Lino Martins Pinto faleceu no dia 24 de fevereiro de 2007 (anexa cópia da certidão de óbito). De acordo com a Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), art. 131, III, o espólio assume a condição de responsável tributário, quanto a todos os fatos geradores acorridos até aquela data. Fl. 99DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-009.768 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.720586/2013-16 O lançamento de oficio, em se tratando de ato administrativo vinculado, deve apontar corretamente quem é o sujeito passivo da obrigação tributária. Assim, no caso em comento, o sujeito passivo das obrigações tributárias é o espólio e não a pessoa física “Lino Martins Pinto”. Note-se que as duas tentativas de intimação por via postal foram infrutíferas ante a informação de que o contribuinte havia falecido. Ainda assim, a fiscalização ignorou as regras do CTN e não intimou o sujeito passivo correto, isto é, o espólio, na pessoa do seu inventariante, cujo CPF e dados fiscais se encontram nos cadastros da RFB. Portanto, é nulo o lançamento desde a origem. DO MÉRITO Os valores declarados em DIRF constituem em meio hábil para a constituição do crédito tributário. Portanto, o presente auto de infração é totalmente ineficaz. No momento da declaração ocorreu o lançamento, assim, parte do crédito tributário encontra-se atingido pela prescrição. A representação fiscal é descabida, pois, mesmo constatando o falecimento do contribuinte nos avisos de recebimento postal, a RFB constatou a ocorrência de crime tributário. A morte do contribuinte é um fato insuperável para o direito penal. DOS ACRÉSCIMOS LEGAIS O não atendimento da intimação pelo contribuinte falecido, não pode ensejar o agravamento da multa. Como descabe o lançamento de oficio, inexiste a imposição que qualquer penalidade pecuniária. A multa e os juros, em si mesmos, seguem a sorte do imposto de renda que, uma vez inexigível, acarreta a inexigibilidade daquela. DO PEDIDO Requer seja declarado a nulidade do lançamento ou o reconhecimento da total improcedência do lançamento. Protesta pela produção de todas as demais provas admitidas em direito, inclusive a realização de diligências, em homenagem, ao principio da verdade real. É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF), julgou procedente em parte a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2008 DIRF - DECLARAÇÃO DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE. PESSOA FÍSICA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Declaração feita pela fonte pagadora, pessoa física, destinada a informar à Receita Federal o valor do Imposto de Renda Retido na Fonte, dos rendimentos pago ou Fl. 100DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-009.768 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.720586/2013-16 creditados para seus beneficiários, sujeita ao lançamento de oficio quando não efetuar ou efetuar com inexatidão o pagamento ou recolhimento do imposto devido. DIRF. DÉBITOS INFORMADOS. AUSÊNCIA DE CONFISSÃO. A DIRF não constitui instrumento de confissão de dívida, o que implica exigir de ofício os débitos que, embora nela tenham sido informados, não foram integralmente recolhidos. LEGITIMIDADE. ESPÓLIO. LANÇAMENTO. Mesmo que não conste o termo “espólio” na identificação do sujeito passivo mas o representante legal apresenta a impugnação em nome do espólio, validado está o lançamento. PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO DA CONTAGEM. Nos exatos termos do Parecer PGFN/CAT nº 1.617/2008, para fins de cômputo do prazo de decadência, Não tendo havido qualquer pagamento, aplica-se a regra do art. 173, inciso I da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN), pouco importando se houve ou não declaração, contando-se o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA AGRAVADA A multa agravada por não atendimento a intimação aplicada diante de uma intimação por edital, portanto ficta, não é condizente com o ordenamento jurídico. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Sendo os documentos acostados aos autos claros, permitindo um adequado julgamento, torna-se prescindível a realização de perícia ou diligência para a solução da controvérsia. PROTESTO PELA JUNTADA DE TODAS AS PROVAS ADMITIDAS EM DIREITO. As provas documentais devem ser apresentadas por ocasião da impugnação, sob pena de preclusão processual, exceto nas situações previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União - PAF. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento - DRJ carece de competência para a análise do inconformismo do sujeito passivo em relação à Representação Fiscal para Fins Penais - RFFP lavrada pela fiscalização. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A decisão de primeira instância, por maioria de votos, afastou o agravamento da multa, reduzindo a multa aplicada ao percentual de 75%, e manteve o restante do lançamento fiscal, tendo ficado vencido o relator, que votou pela improcedência da impugnação. Cientificado dessa decisão em 07/01/2014, por edital (fl. 72), por ter sido improfícua a tentativa de ciência por via postal (fls. 64/71), o Contribuinte apresentou, em Fl. 101DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-009.768 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.720586/2013-16 06/02/2014, por meio de procurador legalmente habilitado, o Recurso Voluntário de fls. 74/81, no qual argumenta, em suma: PRELIMINAR 1. O Contribuinte faleceu no dia 24/02/2007, com 91 anos de idade, conforme certidão de óbito de fl. 37. 2. De acordo com o CTN, art. 131, III, o espólio assume a condição de responsável tributário, a partir da abertura da sucessão (evento “morte”), quanto a todos os fatos geradores de tributos ocorridos até aquela data. 3. A partir do momento em que a pessoa física Lino Martins Pinto deixou de existir, o sujeito passivo das obrigações tributárias passa à figura do espólio, representado pelo inventariante. 4. Nas duas tentativas de intimação por via postal, consta claramente a informação de que o contribuinte havia falecido. 5. Ainda assim, a Fiscalização ignorou as regras do CTN e não intimou o sujeito passivo correto, ou seja, o espólio, na pessoa do seu inventariante, tornando nulo o lançamento fiscal. MÉRITO 6. Os valores foram devidamente declarados em DIRF, que é meio hábil para constituição do crédito tributário, sendo o lançamento ineficaz. 7. Parte do crédito tributário foi atingido pela prescrição, pois o prazo para cobrança do débito se iniciou no momento da declaração. Cita jurisprudência. Ao final, requer a nulidade do lançamento e, subsidiariamente, a total improcedência do lançamento fiscal. É o relatório Voto Vencido Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. De início, cabe esclarecer que a decisão de primeira instância afastou o agravamento da multa, reduzindo a multa aplicada ao percentual de 75%. Fl. 102DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-009.768 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.720586/2013-16 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS O Recorrente cita decisões judiciais. Quanto ao entendimento que consta das decisões proferidas pela Administração Tributária ou pelo Poder Judiciário, embora possam ser utilizadas como reforço a esta ou aquela tese, elas não se constituem entre as normas complementares contidas no art. 100 do CTN e, portanto, não vinculam as decisões desta instância julgadora, restringindo-se aos casos julgados e às partes inseridas no processo de que resultou a decisão. São inaplicáveis, portanto, tais decisões à presente lide. PRELIMINARES Alega o Recorrente que é nulo o lançamento fiscal, por ter sido dirigido ao contribuinte falecido, quando deveria ter sido intimado o espólio, na pessoa do seu inventariante. Restou configurado nos autos que o Contribuinte faleceu em 24/02/2007, conforme cópia da certidão de óbito (fl. 37), o que ocorreu antes da ciência do lançamento de ofício, que se deu em 23/02/2013 (fl. 23). Assim, o responsável pela obrigação tributária em questão, a partir da abertura da sucessão, que se dá com a morte do titular, passa a ser o espólio do contribuinte, nos termos do art.131, inciso III, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional): Art.131. São pessoalmente responsáveis: (...); III – o espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. No mesmo sentido dispõe o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/1999): Art. 23. São pessoalmente responsáveis (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 50, e Lei n° 5.172, de 1966, art. 131, incisos II e III): I - o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelo tributo devido pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão, do legado, da herança ou da meação; II - o espólio, pelo tributo devido pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. § 1° Quando se apurar, pela abertura da sucessão, que o de cujus não apresentou declaração de exercícios anteriores, ou o fez com omissão de rendimentos até a abertura da sucessão, cobrar-se-á do espólio o imposto respectivo, acrescido de juros moratórios e da multa de mora prevista no art. 964, I, "b", observado, quando for o caso, o disposto no art. 874 (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 49). § 2º Apurada a falta de pagamento de imposto devido pelo de cujus até a data da abertura da sucessão, será ele exigido do espólio acrescido de juros moratórios e da multa prevista no art. 950, observado, quando for o caso, o disposto no art. 874. § 3º Os créditos tributários, notificados ao de cujus antes da abertura da sucessão, ainda que neles incluídos encargos e penalidades, serão exigidos do espólio ou dos sucessores, observado o disposto no inciso I. (destaquei) Fl. 103DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-009.768 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.720586/2013-16 Desse modo, o sujeito passivo do lançamento é o espólio e não o de cujus identificado na autuação. No entanto, esse vício é sanável. A nulidade do lançamento, por ser ato extremo, só deve ser declarada quando existir prejuízo insuperável para o sujeito passivo, sobretudo quando o vício do ato lhe impede o exercício da ampla defesa e do contraditório, ou quando lesar o interesse público. Nesse entendimento temos a seguinte decisão deste Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 1998 PRELIMINAR - ILEGITIMIDADE PASSIVA - DE CUJUS - ESPÓLIO - Não há nulidade sem prejuízo da parte. Se o erro na identificação do sujeito passivo não maculou o seu direito de defesa, como ocorreu no presente caso, não há necessidade de se proceder a um novo lançamento. (Acórdão nº 2202-002.639, de 15/04/2014, Redatora designada: Dayse Fernandes Leite) No caso presente, o autuado foi notificado e, dentro do prazo legal, o espólio de Lino Martins Pinto, representado por seu inventariante e por meio do seu procurador legalmente habilitado, compareceu aos autos com a impugnação, tendo contestado pontualmente o lançamento, manifestando-se sobre o mérito, fazendo alegações pertinentes ao objeto da autuação e anexando documentos comprobatórios. Portanto, não houve prejuízo à defesa. Constata-se que o inventariante recebeu o Auto de Infração como se realizado contra o espólio, tanto que, na peça impugnatória, inseriu o termo “espólio”. Dessarte, não há que se falar em prejuízo ao exercício das garantias constitucionais à ampla defesa e ao contraditório, nem em ofensa ao interesse público, afastando- se, assim, a nulidade do ato. MÉRITO Aduz o Recorrente que o lançamento é ineficaz, pois a DIRF é meio hábil para a constituição do crédito tributário. Afirma que, no momento da declaração, ocorreu o lançamento e, assim, parte do crédito tributário encontra-se atingido pela prescrição. A DIRF não é instrumento de confissão de dívida, pois ela é apenas uma obrigação tributária acessória que identifica o tipo de retenção e o beneficiário, a qual deve ser apresentada pelas fontes pagadoras quando há a retenção na fonte do imposto sobre a renda e/ou contribuições sobre rendimentos pagos ou creditados por elas. O fato de o contribuinte fornecer informações referentes aos débitos dos impostos retidos na fonte em DIRF é irrelevante ao deslinde do presente litígio, uma vez que ele efetuou retenção de valores e não efetuou o devido recolhimento à União, mediante DARF. Nesse sentido temos as seguintes decisões deste Conselho: Fl. 104DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-009.768 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.720586/2013-16 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2005 PROGRAMA DIRF/DARF. RECOLHIMENTO EM DATA POSTERIOR AO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. Correta a decisão recorrida que considerou procedente o lançamento do imposto de renda retido na fonte declarado em DIRF e não recolhido ou compensado antes do início da ação fiscal. (Acórdão nº 2802-003.148, de 07/10/2014, Rel. Jaci de Assis Junior). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 Ementa: FALTA DE RECOLHIMENTO. RETENÇÕES EFETUADAS E NÃO REPASSADAS À FAZENDA NACIONAL. Correto é o lançamento do IRRF incidente sobre os rendimentos do trabalho assalariado, retidos e não recolhidos pela contribuinte, na qualidade de fonte pagadora e responsável tributário, apurados por meio dos dados presentes nas DIRF apresentadas, em confronto com os DARF recolhidos. (Acórdão nº 2202-000.183, de 30/07/2009, Rel. Antonio Lopo Martinez). Desse modo, está correto o lançamento fiscal dos valores do IRRF declarados em DIRF e não recolhidos por meio de DARFs. Cabe esclarecer a distinção entre prescrição e decadência no direito tributário. Enquanto a prescrição extingue o direito de o credor cobrar o crédito tributário pelo decurso do prazo de 5 anos contado da constituição definitiva do crédito, a decadência é a perda da pretensão de se exigir um direito, ou seja, perda da possibilidade da Fazenda Pública constituir o próprio crédito tributário pelo decurso do tempo (artigos 150, §4º e 173, ambos do CTN). Visto que a DIRF não é meio hábil para constituição do crédito tributário, não há que se falar em prescrição para cobrança. O instituto da prescrição encontra-se disciplinado no artigo 174 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Parágrafo único. A prescrição se interrompe: I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal; II - pelo protesto judicial; III - por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; IV - por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor. (destaquei) Fl. 105DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-009.768 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.720586/2013-16 Como não ocorreu ainda a constituição definitiva do crédito tributário, uma vez que ele foi constituído por ocasião da ciência do lançamento fiscal e encontra-se em litígio administrativo, não se pode cogitar de eventual prescrição. Somente após cinco anos, contados da sua constituição definitiva, havendo inércia do Fisco na cobrança, é que se pode falar em prescrição da cobrança do crédito tributário. Ainda que se entenda que o Recorrente tenha pretendido alegar decadência, em vez de prescrição, também não lhe cabe razão. No tocante à contagem do prazo decadencial, deve-se adotar as conclusões exaradas no Recurso Especial nº 973.733 - SC, julgado sob a sistemática do art. 543-C, do Código de Processo Civil (CPC), cuja ementa abaixo se transcreve: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). No que concerne ao IRRF, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerra-se depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador Fl. 106DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-009.768 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.720586/2013-16 (art. 150, § 4º). Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o prazo de 5 (cinco) anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I). No presente caso, em relação ao mês de janeiro de 2008, não ocorreram pagamentos (tabela de fl. 11), de modo que deve ser aplicada a regra do art. 173, I, contando-se o prazo decadencial do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ou seja, o prazo final seria 31/12/2013. Em relação aos períodos de fevereiro a outubro de 2008, seja pela regra do art. 150, § 4º do CTN, seja pela regra do art. 173, inciso I, do CTN, os lançamentos efetuados não foram alcançados pela decadência, visto que a ciência do lançamento ocorreu em 23/02/2013 (fl. 23). Portanto, fica afastada também a alegação de decadência do lançamento fiscal. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, por negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Voto Vencedor Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama, Redator designado. Adoto o relatório produzido pelo Conselheiro Relator e apesar de seu costumeiros acertos, além de seus argumentos apresentados em seu voto, ouso dele discordar. O Código Tributário Nacional – CTN, tratou do espólio em diversas passagens: Art.131. São pessoalmente responsáveis: (...); III – o espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. Fl. 107DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 2201-009.768 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.720586/2013-16 (...) Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: (...) IV - o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio; (...) Art. 184. Sem prejuízo dos privilégios especiais sobre determinados bens, que sejam previstos em lei, responde pelo pagamento do crédito tributário a totalidade dos bens e das rendas, de qualquer origem ou natureza, do sujeito passivo, seu espólio ou sua massa falida, inclusive os gravados por ônus real ou cláusula de inalienabilidade ou impenhorabilidade, seja qual for a data da constituição do ônus ou da cláusula, excetuados unicamente os bens e rendas que a lei declare absolutamente impenhoráveis. (...) Art. 189. São pagos preferencialmente a quaisquer créditos habilitados em inventário ou arrolamento, ou a outros encargos do monte, os créditos tributários vencidos ou vincendos, a cargo do de cujus ou de seu espólio, exigíveis no decurso do processo de inventário ou arrolamento. (...) Art. 192. Nenhuma sentença de julgamento de partilha ou adjudicação será proferida sem prova da quitação de todos os tributos relativos aos bens do espólio, ou às suas rendas Verifica-se, que o Código Tributário Nacional quis diferenciar de forma contundente o de cujus do seu espólio, dispondo serem pessoas diferentes. No caso em questão, a pessoa natural já havia falecido quando do recebimento dos valores objeto de cobrança nos presentes autos, uma vez que está devidamente comprovado que o Contribuinte autuado faleceu em 24/02/2007, conforme cópia da certidão de óbito (fl. 37). Por outro lado, a fiscalização ignorou a informação constante nos presentes autos e que está evidenciada nos documentos constantes às fls. 19 e 22 dos presentes autos, de modo que deveria proceder à intimação em nome do espólio, conforme determina o artigo 131 do CTN: Art.131. São pessoalmente responsáveis: (...); III – o espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. No mesmo sentido dispõe o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/1999): Art. 23. São pessoalmente responsáveis (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 50, e Lei n° 5.172, de 1966, art. 131, incisos II e III): Fl. 108DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 2201-009.768 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.720586/2013-16 I - o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelo tributo devido pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão, do legado, da herança ou da meação; II - o espólio, pelo tributo devido pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. § 1° Quando se apurar, pela abertura da sucessão, que o de cujus não apresentou declaração de exercícios anteriores, ou o fez com omissão de rendimentos até a abertura da sucessão, cobrar-se-á do espólio o imposto respectivo, acrescido de juros moratórios e da multa de mora prevista no art. 964, I, "b", observado, quando for o caso, o disposto no art. 874 (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 49). § 2º Apurada a falta de pagamento de imposto devido pelo de cujus até a data da abertura da sucessão, será ele exigido do espólio acrescido de juros moratórios e da multa prevista no art. 950, observado, quando for o caso, o disposto no art. 874. § 3º Os créditos tributários, notificados ao de cujus antes da abertura da sucessão, ainda que neles incluídos encargos e penalidades, serão exigidos do espólio ou dos sucessores, observado o disposto no inciso I. (destaquei) Portanto, analisando os autos, verifica-se que a falta de observação de elementos de prova constantes no processo implica em cerceamento do direito de defesa, uma vez que não se sabe ao certo qual se subsume o fato jurídico tributário em discussão nos presentes autos. Não foi cumprido o disposto nos artigos 10, 11 e 59 do Decreto nº 70235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do autuado; (...) III - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; (...) Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do notificado; (...) Art. 59. São nulos: (...) II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 109DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 2201-009.768 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.720586/2013-16 § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. (...) § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Observe-se que os procedimentos adotados, implicaram em cerceamento do direito de defesa. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos das razões acima expostas. (documento assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 110DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1
score : 1.0
Numero do processo: 10680.004851/2003-24
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão
de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Exercício: 2000, 2001
COBRANÇA..
Insubsistente o provimento judicial que dava supedâneo à suspensão da exigibilidade dos valores lançados de CPMF, e sendo declarada a sua exigibilidade na própria decisão, e na falta de outro fato que configure hipótese dessa suspensão, nada impede que seja efetivada a cobrança pelo órgão de origem, nos termos da legislação em vigor.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2000, 2001
PROVAS.
As provas devem ser apresentadas na forma e no tempo previstos na
legislação que rege o Processo Administrativo Fiscal.
Numero da decisão: 3803-001.178
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator e votos que integram o presente julgado.
Matéria: CPMF - ação fiscal- (insuf. na puração e recolhimento)
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF Exercício: 2000, 2001 COBRANÇA.. Insubsistente o provimento judicial que dava supedâneo à suspensão da exigibilidade dos valores lançados de CPMF, e sendo declarada a sua exigibilidade na própria decisão, e na falta de outro fato que configure hipótese dessa suspensão, nada impede que seja efetivada a cobrança pelo órgão de origem, nos termos da legislação em vigor. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2000, 2001 PROVAS, As provas devem ser apresentadas na forma e no tempo previstos na legislação que rege o Processo Administrativo Fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Presidente, (assinado digitalmente) !-'i r ;':(11 LL : 1 Belchior' Melo de Sousa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique Martins de Lima, Hélcio Lafeta Reis, Range! Permed Florin e Daniel Mauricio Fedato. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de n° 02-11.567, de 04 de setembro de 2006, da DR_J-Belo Horizonte/MG, fls.. 108 a 118, que decidiu por não conhecer da impugnação, em razão de concomitância do objeto deste processo com sua apreciação pelo Judiciário. O lançamento foi efetuado sobre relatório denominado "Valores In formados pelos Declarantes", enviado por instituições financeiras à Secretaria da Receita Federal, em que constam entre outros dados os valores da CPMF devida que não foi retida nem recolhida por força de medida judicial, Em sua impugnação alegou, sucintamente, que: a) as contribuições relativas a julho, agosto, outubro a dezembro de 1999 e janeiro a maio de 2000 estavam corn a exigibilidade suspensa, em razão da Ação Civil Pública iy° 1999,38.00.026220-6, que tramitou perante a le Vara Federal do Estado de Minas Gerais e do Mandado de Segurança n° 1999.38..00,033639-5, que tramitou perante 20" Vara da Justiça Federal de Minas Gerais, A liminar nesta última perdurou até 01/03/2000, quando a sentença de mérito denegou a segurança considerando improcedente o pedido, b) em 24 de novembro de 2000 foi concedida liminar no Mandado de Segurança n" 2000.38.00.039287-2, e em 02 de agosto de 2001 foi publicada a sentença confirmando a procedência do pedido quanto à não-exigência da multa e dos juros balizados pela taxa SELIC sobre os valores devidos de CPMF não recolhida por força de decisão judicial; c) 6.. ilegal e confiscatória a multa de 75% afrontando o princípio da razoabilidade; d) a SEL1C não pode ser utilizada na correção dos créditos devidos à Receita Federal, vez que não possui característica de indenização, sob pena de ferir os mandamentos contidos nos §§ 1°c 3°, do art.. 192, da CR11988, e no § 1°, do art_ 161, do CTN.. Consoante o dispositivo da decisão recorrida, a DR.} assim deliberou: (i) rejeitar a preliminai de nulidade. 1)) indeferir o pedido de produção posterior de playas, exonerar a contribuinte da multa de oficio, nas tem mor do art 70 da Medida Provisória n°2 158-35, de 2001, d) declarar (William a exi 3Oncia da conu ibuição na esfera administrativa, em virtude de a mattfria da p1 esente autuação estar sendo discutida judicialmente (Mandado de &gut alkyl n° 2000 38 00 039287 -2), prosseguindo-se a cobrança do principal; devendo ficar, contudo, sob, estada, ate a decivão final, a ação de cobrança do juro de mora, nos termos do Ato 2 Fl. 2 2 Processo n" 10680,004851/2003-24 S3-I E03 Ac6rd6o n " 3803-001. 178 Fl 197 Declarat6rio (N) n° 3, de 1996. citado nos fundamentos deste (lc& dão fos no original] Cientificada da decisão em 25 de outubro de 2006, irresignada, a interessada apresentou o recurso voluntário de lls,128 a 137, em 27 de novembro de 2006, em que reitera o mesmos argumentos quanta ao provimento judicial obtido no Mandado de Segurança n° 2000.38,00.039287-2, e pede a reforma do acórdão quanto ao prosseguimento da cobrança da CPMF e a produção posterior de provas. E o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa Registre-se, inicialmente, que o prazo fatal para a apresentação deste recurso voluntário expirou em 24 de novembro de 2006. Não há aposição de carimbo de recepção no corpo do recurso voluntário, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte.. Não ha% também, documento comprobatório da sua postagem nos Correios . HA, a 11, 124, Termo de Perempção, datado de 30 de novembro de 2006 . Posterior documento do Secat/DRF- B1-I, de 11. 188, dá conta da recepção do recurso em 27 de novembro de 2006, fora do prazo, portanto Contudo, despacho da mesma seção, de 14 de março de 2007, ti, 195, torna sem efeito o "Termo de Perempção citado e da prosseguimento aos autos encaminhando-o para o Segundo Conselho de Contribuintes . Em vista da admissão implícita de tempestividade do recurs°, pela citada Delegacia, e pelo desfecho que se (lard ao presente voto, considero o recurso tempestivo, sem a exigência da correspondente prova documental Conforme expressa a recorrente, como matéria trazida no recurso, "a r. decisão carece de reforma sonzente no panto em que foi exarado entendimento de indeferir a produção de provas e prosseguir com a cobrança da CPMF, conforme restará demonstrado a seguir." Nada ha a reparar na decisão recorrida, eis que bem fundamentada quanto impossibilidade de produção posterior de provas O nobre relator refere que não se configuraram, no caso presente, as exceções do art, 16, § 40, letras re "b", do Decreto n° 70,235/72, conforme transcrito: "Art. 16—A impugnação mencionará 4" - A prova documental sera apresentada na impugnação, precluindo o di, eito de a impugnante fazê-lo em outro momento processual, a mews que . ,fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força b) refira-se a fato ou a direito superveniente; 702 , 20 k 1 pot 1.13E.LCHOR 3 DF - 1== 11 2 ej destine-se a contrapor fatos ' ou raz5e8 posies iormente trazidos a05 MIMS Alem disso, constata que outros requisitos não estão presentes, ao esclarecer que "os pedidos de diligencias ou pericias devem ser acompanhados dos motivos que as justifiquem, dos quesitor a serem respondidos e, no caso de perícia, dos dados referentes ao perito indicado pela impugnante [ .1, considera-se não fbrundacio o pedido de diligencia ou perícia que delyar de atender aos requishos acima mencionados [ ]" Visto tudo isso, declarou que o pedido de produção posterior de provas, incluindo o pedido de perícia, sem o cumprimento dos requisitos que o devem acompanhar, configurou a preclusão temporal do direito de fazê-lo. Acerto na decisão de piso, a ela faço o adendo de que, no caso, também há preclusão lógica dessa sua faculdade, em razão da concomitância, ao ter buscado a apreciação do Judiciário para a matéria que conforma o objeto deste auto de infração: a incidência da CPMF agregada de seus consectúrios, multa de oficio e juros de mora. Quanto ao prosseguimento da cobrança do principal da aludida contribuição, correta a decisão recorrida, posto que, dado o andamento que tiveram as quatro ações judiciais em que se ancorava a contribuinte, assegurando-lhe a última delas tão-so o não-recolhimento da multa de ofício e dos ,juros, nada mais obsta a sua exigibilidade. Em virtude disso, em nada deve ser reformada a decisão recorrida . Diante do exposto, voto poi - negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 02 de fevereiro de 2011 Belchior Melo de Sousa H...P111 1 . 1'.1:12-'1 110 1 1 oor '1111: 1 . 1EL(1.1 11117 111C)1,1:1;1:%. 4 1 -4.:1 , Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos l iscais Terceira Seção - Terceira Câmara CARF-NIF Fl 198 Processo W2 : 10680 004851/2003-24 1nteressada: MINAS GOIAS TRANSPORTES LTDA. Encaminhem-se, de ordem, os presentes autos it unidade de origem, para ciência interessada do teor do Acórdão ri.2 380301.178 — 3' Turma Especial, de fls.. 196/197 e demais providências. Brasilia, 22 de fevereiro de 2011,
score : 1.0
