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Numero do processo: 00845.060034/83-95
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 1986
Numero da decisão: 303-00.098
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar levanttada do ofício pelo Dr. Procurador Representante da Fazenda, no sentido de não se tomar conhecimento do recurso, por falta de poderes legais de representação do subscritor do recurso vencidos os Conselheiros Moacyr Eloy de Medeiros e Afonso Celso Mattos Lourenço; por maioria de votos, decidiu-se pela baixa do processo a origem, para fins de regularizar a representação processual.
Nome do relator: LUIZ CARLOS NOGUEIRA
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar levanttada do ofício pelo Dr. Procurador Representante da Fazenda, no sentido de não se tomar conhecimento do recurso, por falta de poderes legais de representação do subscritor do recurso vencidos os Conselheiros Moacyr Eloy de Medeiros e Afonso Celso Mattos Lourenço; por maioria de votos, decidiu-se pela baixa do processo a origem, para fins de regularizar a representação processual.
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Sessão de .l6 .de. o.utubr.o ..de 1985.__.. ACORDÃO N.o _ _, _ _ . Recurso n.O108 e642 - Processo nº 0845-060034/83-95 W Recorrente RHODIA NORDESTE S/A Recorrid DRF - SANTOS/SP • nº 303eOe098----- VI~TO, relatados e discutidos os presentes autos de re- curso interposto por RHODIA NORDESTE S/A. LUNA FREIRE - Proc. da Faz. Nac. Conselhei~ SALUSTIANO SIDNEY DE ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Con- selho de Contribuintes, por maioria de votos, em rejeitar a prelimi nar l'ev'arttada:"do ofício pelo Dr. Procurador Representante da Fazen= da, no sentido de não se tomar conhecimento do recurso, por falta de poderes legais de representação do subscritor do recurso venci dos os Conselheiros Moàcyr Eloy de Medeiros e Afonso Celso Mattos Lourenço; por ma~Dria de votos, decidiu-se pela baixa do processo a origem, para fins de regularizar a representação processual. Sala das sess,õe., em 16 de,10,:~~t ','ro de 1986. f'\ '1(,' :VVJvrf!/~'1'};/fl HÉLI~,LOYOLr{ilt ~~- presid~n-t-B----J '-iL\.~/\~- c ~ 'LUIZ cMliJõ1/ GUElRA ~ "or..-- '. VISTO EM SESSÃO DE: Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes ros: WILFRIDO AUGUSTO MARQU~S, MOACYR ELOY DE MEDEIROS, DE PINHO P~SSOA NETO, CARLINDO DE SOUZA MACHADO E SILVA, CAMPOS PESSOA e ~ONSO CELSO MATTOS LOURENÇO. RECURSO DO PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL Nº: 303-939 ••• SERViÇO PÚBLICO FEDERAL • MF - 3º CONSELHO DE CONTRIBUINTES RECURSO Nº 108.642 RESOLUÇÃO Nº 303 - 0.098 RECORRENTE: RHODIA NORIJESTE S/A . RECORRIDA DRF - SANTOS RELATOR: LUIZ CARLOS NOGUEIRA. R E LA T Ó R I O E V O T O impro ced'eQ: do feito, no pres~n- j) naturez~ de para do laudo técnico AFTN designada Contraa~empresa RHODIA NORDESTE S/A. foi lavrado o auto de infração de fls. 01, propondo a aplicação das :muitas previstas nos arts. 108 do DL 37/66 e 2º ,incis'O I,da, Lei nº .... 6.562/78. A autuação decorreu do fato da fiscalização, em ato de revisão documental, haver constatado que a .firma aCiIIlEJ:iden- tificada despachou, através da DI nº 24.896/82 aparelhos' e diêPo. sitivos' cobertos pelas GIs nº 7-81/001555 e 7-81/001558. sendo que as mercadorias da adição 001 não vieram e que aquelas desp~ chadas nas adições 004-005 e 006 constituiram um painel,confor- me descrito no laudo técnico de fls. 16. A CACEX,atendendo ao solicitado pelaDRF/SantoS,in£brm0u~. que o valor do ~ainel esta- va contido no aparelho especial para medir vazamento da célula bi-polar do eletrolizador .(adição 003). Em razão disto, a exi - gência fiscal recaiu somente sobre a falta detectada na adi ção OOl. Em sua defesa, apresentada tempestivamente, a autua . r -da alega, em slntese: - que a falta ou excesso de mercadoria é apurado na conferência aduaneira, estando presente a mercado ria, ocasião em que pode ser contestado ou confir mado; - que na representação da AFTN não foi citada a fal ta da mercadoria em questão; - que. a mercadoria dita CeDmofaltante (fios) esta- va presente, interligando os aparelhos, dispositi vos e suas fontes; . que a multa do art. 108 do DL 37/66 é te, pois, a prevalecer a tese do autor a defendente teria pago o 11 a maior; - que também é indevida a multa prevista no art. 2º, inciso I da Lei 6.562/78 pois, no presente caso trata-se de falta de mercadoria enquanto que o cio tado dispositivo legal pune a importação de mer- o cadoria sem Guia de Importação. r Decidindo o litígio, a autoridade de Primeira Ins tância julgou procedente a ação fiscal para exigir da autuada. o • pagamento do crédito tributário conforme proposto no auto de iQ:v . fração, por considerar: ' - que a falta apurada consta .fls:..16~,e na informação da a conferência aduaneira; - que o art. 108 do DL 37/66 é aplicável te caso, pois ocorreu uma infração de :. .' Recurso 108.642 ResBlução 303~0.098 SERViÇO PÚBLICO FEDERAL fiscal de declaração indevida; que a nao trazida da mercadoria da adição OOl,sob o aspecto cambial, onerou as mercadorias das de mais adições, sendo, portanto, exigível a multa do art. 2º, inciso 11, da Lei nº 6.562/78. Oportuno que se esclareça que a penalidade apontada no auto de infração relativa ao art. 2º, inciso I, da Lei nº 6.562/78 foi posteriormente corrigida para o inciso 11, tendo a autuada sido novamentei:iltimada e oferecido defesa neste sentido Inconformada com tal decisão, a recorrente recorre tempestivamente a este Conselho, como arrazoado de fls. 84/88 , o qual, assim como a petição de fls. 45/47, foi firmado por quem não possuia habilitação legal para fazê-lo. A representação em processo fiscal junto às repartições da Receita Federal, só pode- rá ser exercida diretamente pela parte, representada por pessoa com poderes para tanto ou advogado, credenciado através de manda to, constante da procuração hábil, conforme prescreve à legisla= ção inerente à Ordem dos Advogados do Brasil. Face ao exposto, voto no sentido de que seja o pre _ sente julgamento convertido em diligência junto à Repartição :,de origem para que intime a recorrente para fazer a regularização da representação processual e ratificar os atos praticados pe lo Despachante Aduaneiro que firmou as petições aci~ citadas. - Sala ~s Sessões, em 16 de outubro de 1986. OLS/CF 00000001 00000002 00000003
score : 1.0
Numero do processo: 10768.000604/2006-31
Turma: Terceira Turma Especial
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Jun 16 00:00:00 UTC 2009
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 2006
Simples. Inclusão retroativa. Quitação do Débito Inscrito em Divida Ativa.
Quitado em prazo hábil o débito inscrito em divida ativa e considerando que os atos da empresa sempre deixaram clara sua intenção de opção ao Simples, há que se admitir a inclusão retroativa naquele regime.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 3803-000.094A
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Terceira Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento, ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: REGIS XAVIER HOLANDA
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2006 Simples. Inclusão retroativa. Quitação do Débito Inscrito em Divida Ativa. Quitado em prazo hábil o débito inscrito em divida ativa e considerando que os atos da empresa sempre deixaram clara sua intenção de opção ao Simples, há que se admitir a inclusão retroativa naquele regime. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
turma_s : Terceira Turma Especial
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Numero do processo: 13839.000845/2005-15
Data da sessão: Tue Sep 15 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Sep 15 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2000
RESTITUIÇÃO. LEGITIMIDADE ATIVA.
A falta de prova de legitimidade ativa inviabiliza o deferimento de pedido de restituição/compensação.
RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. EXTINÇÃO DO DIREITO.
O direito de a contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento.
SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. FATO GERADOR PRESUMIDO.
No caso de substituição tributária só é cabível a restituição da quantia paga na hipótese de não se realizar o fator gerador presumido.
Numero da decisão: 3803-000.139
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª. TURMA ESPECIAL da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE MARTINS DE LIMA
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materia_s : Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2000 RESTITUIÇÃO. LEGITIMIDADE ATIVA. A falta de prova de legitimidade ativa inviabiliza o deferimento de pedido de restituição/compensação. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. EXTINÇÃO DO DIREITO. O direito de a contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. FATO GERADOR PRESUMIDO. No caso de substituição tributária só é cabível a restituição da quantia paga na hipótese de não se realizar o fator gerador presumido.
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Numero do processo: 10680.012275/2007-12
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2004
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de simples recibos, sem vinculá-los
ao pagamento realizado, mormente quando tal aspecto foi objeto de intimação por parte da autoridade lançadora.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-001.693
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS
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DESPESAS MÉDICAS. Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de simples recibos, sem vinculálos ao pagamento realizado, mormente quando tal aspecto foi objeto de intimação por parte da autoridade lançadora. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis – Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Eivanice Canário da Silva, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Luiz Claudio Farina Ventrilho, Tania Mara Paschoalin e Sandro Machado dos Reis. Relatório Fl. 86DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 18/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL 2 Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: “A Notificação de Lançamento sob análise originouse da revisão da Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2005, ano calendário 2004, tendo sido apurado imposto suplementar de R$ 4.266,67 (quatro mil, duzentos e sessenta e seis reais e sessenta e cinco ), acrescidos dos juros de mora e multa de oficio, embora o sujeito passivo tivesse apurado em sua Declaração imposto a restituir de R$ 1.233,33 (um mil, duzentos e trinta e três reais e trinta e três centavos) . Consoante Descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 06, o imposto suplementar apurado foi resultado de glosa de despesas médicas no total de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) tendo em vista que, intimado a apresentar comprovação das tais despesas médicas e dos seus efetivos pagamentos, o contribuinte trouxe apenas recibos expedidos pelos profissionais, deixando de apresentar comprovantes da efetividade dos pagamentos, tais como cópias de microfilmagens dos cheques emitidos ou extratos bancários que relacionassem as compensações dos cheques ou retiradas compatíveis em datas e valores com os recibos apresentados. Inconformado com o lançamento, o sujeito passivo apresentou a defesa de fls. 01, em resumo, justificando a sua necessidade dos tratamentos odontológicos e psicológico declarados, bem como alegando que os pagamentos que fez aos estes profissionais foi em dinheiro sacado de sua aposentadoria através de cartão e que, algumas vezes, os pagamentos foram antecipados e, outras vezes, postergados. Ao final, requer o cancelamento do débito fiscal.” Passo adiante, a DRJ entendeu por bem julgar procedente o lançamento, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÕES. Para gozar de deduções a título de despesas médicas, o contribuinte deve comprovar de forma inequívoca a efetividade do serviço e respectivo pagamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reiterando os argumentos expostos quando da apresentação da impugnação. É o relatório. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 18/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL Processo nº 10680.012275/200712 Acórdão n.º 280101.693 S2TE01 Fl. 85 3 Voto Conselheiro Sandro Machado dos Reis, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, razão pela qual conheço do mesmo. Tratase, na origem, de Auto de Infração lavrado com o escopo de promover a cobrança de suposto débito de IRPF devido pela Recorrente no Exercício de 2005. Isso porque, segundo apurado por procedimento fiscalizatório, o Recorrente teria deduzido, indevidamente, despesas suportadas com tratamentos odontológicos e terapêuticos. Afinal, como se depreende dos recibos apresentados, os mesmos correspondem à parcela substancial dos proventos percebidos pelo Recorrente, sendo certo que não indicam o beneficiário do tratamento ou mesmo o procedimento realizado, de modo que presumiuse, de forma relativa, a sua inidoneidade. Para se superar essa presunção, intimouse a Recorrente para que comprovasse que o mesmo arcou com suas despesas assistenciais, sendolhe facultada a possibilidade de promover a juntada de extratos de sua conta corrente ou cheques eventualmente emitidos, bem assim apresentar declaração detalhada dos profissionais que lhe prestaram os serviços. Diante disso, foram carreados ao processo (fls. 35/47) cópias dos extratos bancários do Recorrente, bem como de planilha objetivando correlacionar os valores sacados com o efetivamente quitado. Nada obstante, da análise desses documentos, não é possível apurar se os recibos foram efetivamente quitados. Muito pelo contrário. Tendo em vista as distorções entre os valores sacados e aqueles supostamente pagos, o que se pode concluir é que os recibos apresentados pelo Recorrente são efetivamente inábeis para comprovar seus supostos gastos. Logo, nego provimento ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis Fl. 88DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 18/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL
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Numero do processo: 37306.003408/2006-11
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2000 a 31/12/2005
Ementa: DECADÊNCIA. PRAZO DECENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 10 (dez) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ser lançado, conforme preceitos do art. 45, da Lei nº 8.212/91.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com o art. 49, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, c/c a Súmula nº 2, do 2º CC, às instância administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
CO-RESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOS DA EMPRESA. A indicação dos sócios da empresa no anexo da notificação fiscal denominado CO-RESP não representa nenhuma irregularidade e/ou ilegalidade, eis que referida co-responsabilização em relação ao crédito previdenciário constituído, encontra respaldo nos dispositivos legais que regulam a matéria, especialmente no art. 13, parágrafo único, da Lei nº 8.620/1993, c/c art. 660, inciso X, da Instrução Normativa nº 03/2005.
TAXA SELIC E MULTA. LEGALIDADE. Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no art. 34, da Lei nº 8.212/91.
Incide multa de mora sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas no vencimento, de acordo com o art. 35 da Lei nº 8.212/91 e demais alterações.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 206-00.016
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos: I) em rejeitar as preliminares de decadência e de exclusão dos co-responsáveis; e II) no mérito, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2000 a 31/12/2005 Ementa: DECADÊNCIA. PRAZO DECENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 10 (dez) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ser lançado, conforme preceitos do art. 45, da Lei nº 8.212/91. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com o art. 49, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, c/c a Súmula nº 2, do 2º CC, às instância administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. CO-RESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOS DA EMPRESA. A indicação dos sócios da empresa no anexo da notificação fiscal denominado CO-RESP não representa nenhuma irregularidade e/ou ilegalidade, eis que referida co-responsabilização em relação ao crédito previdenciário constituído, encontra respaldo nos dispositivos legais que regulam a matéria, especialmente no art. 13, parágrafo único, da Lei nº 8.620/1993, c/c art. 660, inciso X, da Instrução Normativa nº 03/2005. TAXA SELIC E MULTA. LEGALIDADE. Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no art. 34, da Lei nº 8.212/91. Incide multa de mora sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas no vencimento, de acordo com o art. 35 da Lei nº 8.212/91 e demais alterações. Recurso Negado.
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PRAZO DECENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 10 (dez) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ser lançado, conforme preceitos do art. 45, da Lei n°8.212/91. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com o art. 49, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, c/c a Súmula n° 2, do 2° CC, às instância administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. CO-RESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOS DA EMPRESA. A indicação dos sócios da empresa no anexo da notificação fiscal denominado CO-RESP não representa nenhuma irregularidade e/ou ilegalidade, eis que referida co-responsabilização em relação ao crédito previdenciário constituído, encontra respaldo nos dispositivos legais que regulam a matéria, especialmente no art. 13, parágrafo único, da Lei n° 8.620/1993, c/c art. 660, inciso X, da Instrução Normativa n° 03/2005. TAXA SELIC E MULTA. LEGALIDADE. Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no art. 34, da Lei n°8.212/91. t. ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.° 37306.003408/2006-11 CONFERE COMO ORIGINAL CCO2C06 Acórdão n.° 206-00.016 Brasília. 2 ? I I Fls. 247 • Calos . Inc dc multa dç .uklatutz -LBS°U :I C as contribuiçoes previdenciárias não recolhidas no -ncimento, de acordo com o art. 35 da Lei n° 8.212/91 e demais alterações. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos: I) em rejeitar as preliminares de decadência e de exclusão dos . co-responsáveis; e II) no mérito, em negar provimento ao recurso. ge—Nr\, ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente - RYCA O RIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Relat Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Bernadete de Oliveira Barros, Daniel Ayres Kalume Reis, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e deusa Vieira de Souza. Processo n.° 37306.003408/2006-11 CCO2/C06 • Acárdào n.° 206-00.016 ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTR1BU1NTES • CON ERE COM O O -1GINALit As. 248 Brasffia, 1111 4,1 Mat: tB 0122 Relatório ICLA S/A COMÉRCIO E INDÚSTRIA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da então Secretaria da Receita Previdenciária em Guarulhos/SP, DN n° 21.425-4/135/2006, que julgou procedente o lançamento fiscal referente a diferenças de contribuições sociais devidas ao INSS, correspondentes à parte da empresa, do financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, e as destinadas a Terceiros, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, em relação ao período de 02/2000 a 12/2005, conforme Relatório Fiscal, às fls. 112/114. Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, lavrada em 27/03/2006, contra a contribuinte acima identificada, constituindo-se crédito no valor de R$ 1.754.273,52 (Um milhão, setecentos e cinqüenta e quatro mil, duzentos e setenta e três reais e cinqüenta e dois centavos). De conformidade com o Relatório Fiscal, o crédito previdenciário ora exigido decorre das diferenças apuradas no confronto dos valores lançados em GFIP's e os recolhidos em GPS's. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 181/218, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pretende seja reconhecida a decadência pleiteada em sua impugnação, sob o argumento que a Lei n° 8.212/91 não poderia definir prazo decadencial diverso do estipulado no Código Tributário Nacional, de cinco anos, sob pena de incorrer em vício insanável de ilegalidade e inconstitucionalidade, ao conflitar com nonnatização de hierarquia superior, violando o art. 146, III, "b", da Constituição Federal, restando decaído o crédito previdenciário lançado fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, nos moldes do art. 150, § 4°, do CTN, sobretudo tratando-se de lançamento por homologação. Traz à colação jurisprudência corroborando seu entendimento. Após dissertar a respeito da responsabilidade tributária e sujeição passiva, conclui pela impossibilidade de responsabilização dos sócios em relação ao crédito previdenciário ora lançado, uma vez que não foram atendidos os requisitos necessários para tanto, inscritos no art. 135, do Código Tributário Nacional, entendimento que encontra guarida na doutrina e jurisprudência pátria trazida à colação. Sustenta ser ilegal e inconstitucional a incidência de contribuições previdenciárias sobre décimo terceiro salário, por este não ter efetivamente natureza de "salário", mas sim uma gratificação natalina para o empregado. Alega ser ilegal e inconstitucional a contribuição ao SAT, por desrespeitar o princípio da estrita legalidade, inscrito nos arts. 5°, inciso II; e 150, inciso I, da CF, tendo em vista que a Lei n° 8.212/91, não definiu a conceituação de atividades preponderantes nem delimitou os parâmetros dos três graus de risco das atividades econômicas, não podendo um MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • Processo n.° 37306.003408/2006-1 I C§N3FERE COM O 011GINAL CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.016 &adia. / VI -4- Fls. 249 Mal: LE 01 Decreto contemplar tais definições por afrontar com nessa Carta Magna, sendo competência do Poder Legislativo. Opõe-se à contribuição previdenciária destinada ao INCRA, vindicando sua exclusão do presente lançamento, alegando que referida exação afronta de forma flagrante a CF, especialmente por ser empresa urbana e inexistir dispositivo constitucional determinando a sua vinculação com outra categoria econômica (rural), sem qualquer beneficio próprio. Após tecer comentários acerca da origem da contribuição destinada ao Salário- Educação, assevera que sua cobrança é inconstitucional/ilegal, tendo em vista, entre outros motivos, a não recepção pela CF/88, bem como por inexistir Lei Complementar instituidora. Infere ser ilegal e inconstitucional a cobrança das contribuições destinadas ao SENAI e SESI, por entender que somente as indústrias devidamente subordinadas à CNI estão sujeitas a tais tributos, o que não se vislumbra com a recorrente, a qual desenvolve atividade de comércio de borracha, plásticos e ferramentas, razão pela qual a exigência de referido tributo malfere o disposto no art. 150, inciso I, da CF. Argüi a inconstitucionalidade da TAXA SELIC, aduzindo para tanto, entre outros motivos, que sua instituição decorreu de resolução do Banco Central, e não por lei, não podendo, dessa forma, ser utilizada em matéria tributária, por desrespeitar o Princípio da Legalidade. Alega, ainda, tratar-se referida taxa de juros remuneratórios, o que a torna ilegal e inconstitucional. Traz à colação inúmeras decisões de nossos Tribunais. Contrapõe-se à multa aplicada, por considerá-la confiscatório, sendo por conseguinte, ilegal e/ou inconstitucional, devendo ser excluída do crédito em questão. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos, tomando-a sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. A então Secretaria da Receita Previdenciária apresentou contra-razões, às fls. 110/113, em defesa da decisão recorrida, propondo a sua manutenção. É o Relatório. • Processo n.° 37306.003408/2006-11 CCO2/C06 Acórdão n.°206-00.016 Fls. 250. .M4TESMF - SEGUs nNoNDOF &alba, ,/ CE°RENSCE1i10:9DOE'rTRINALL.n IL I' Carlos • Voto Meet.1301 Conselheiro RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e dispensada do recolhimento do depósito recursal, por força de decisão judicial/liminar, conheço do recurso e passo à análise das alegações recursais. Preliminarmente, vindica a contribuinte seja acolhida a decadência de 05 (cinco) anos do art. 173, do Código Tributário Nacional, em detrimento do prazo decenal insculpido no art. 45, da Lei n° 8.212/91, por considerá-lo inconstitucional, restando maculada a exigência cujo fato gerador tenha ocorrido fora do prazo encimado, hipótese que se amolda ao presente caso. O exame dessa matéria impõe seja levado a efeito algumas considerações. O art. 45, inciso I, da Lei n° 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, senão vejamos: "Art. 45 — O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados: 1 — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu art. 173, caput, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, in verbis: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: Com mais especificidade, o art. 150, § 4 0, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: "Art.150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 40 - Se a lei titio fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." n.21 - MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • Processo n.° 37306.003408/2006-11- ,NgRE COMO ORIGINAL CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.016 Brunia, Fls. 251 rft Carlos to O núcleo da questão re • - t -.. • os, nt seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destaca-se o lançamento de oficio ou direto, previsto no art. 149, do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no art. 150, do CTN, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades tributárias. Dessa forma, sendo as contribuições previdenciárias tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a decadência a ser aplicada seria aquela constante do art. 150, § 4°, do CTN, conforme se extrai de recentes decisões de nossos Tribunais Superiores, uma das quais com sua ementa abaixo transcrita: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AÇÃO DECLARATÓRIA. IMPRESCRITIBILIDADE. INOCORRÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. PRAZO DECADENCIAL PARA O LANÇAMENTO. 1NCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 45 DA LEI 8.212, DE 1991. OFENSA AO ARE 146, III, B, DA CONSTITUIÇÃO. 2. As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplica-se também a elas o disposto no artigo 146, III, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social" (AgRg no Recurso Especial n° 616.348 — MG — ia Turma do STJ, Acórdão publicado em 14/02/2005 - Unânime). Mais a mais, a Constituição Federal, em seu art. 146, é por demais enfática, clara e objetiva ao disciplinar a matéria, estabelecendo que obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários são matérias reservadas à Lei Complementar: "Art. 146. Cabe à Lei complementar: III — estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: Processo n.° 37306.003408/2006-11 • MF -SEGUNDO CONSEINO DE CONTRIBUINTES CCO2/C06 Acórdão n°206-00.016 SIE C• 0-IGINAL Fls. 252 • BrasIna, • 01.1Cedos Necdm ( . 1. Mat.: 0 •-e - b) obrigação, lançamento, crédito, erescrição e decadência tributários; " Nesse diapasão, não faz o menor sentido prevalecer o prazo decadencial inscrito no art. 45, da Lei n° 8.212/91, por tratar-se de lei ordinária e a matéria necessitar de lei complementar para sua regulamentação, sob pena de se ferir flagrantemente a Constituição Federal. Em verdade, o instituto da decadência, bem como da prescrição, devem ser aplicados obedecendo ao prazo qüinqüenal do Código Tributário Nacional, por se tratar de lei complementar, estando em perfeita consonância com nossa Carta Magna. Dito isso, aplicando-se o prazo decadencial do art. 45, da Lei n° 8.212/91, qual seja, 10 (dez) anos, nos quedamos aos ditames de uma norma hierarquicamente inferior (lei ordinária) sobre o que define outra superior (lei complementar), o que é absolutamente repudiado por nosso ordenamento jurídico, sobretudo quando a Constituição Federal estabelece que referida matéria deve ser disciplinada por lei complementar, in casu, o Código Tributário Nacional, a qual para aprovação necessita de quorum qualificado, diferente da lei ordinária. Deve-se frisar, ainda, que o entendimento de que a Lei n° 8.212/91, por ser lei especial, deve sobrepor ao CTN (norma geral) também não tem o condão de prosperar. A norma geral serve justamente como base, para nortear, todas as outras normas especiais, não podendo estas se contraporem ao que delimita àquela, especialmente quando a matéria está reservada a lei complementar por força da Constituição Federal, tendo em vista a hierarquia formal, hipótese que se amolda ao presente caso. Se assim não fosse, de que serviriam as normas gerais, se a qualquer momento pudessem ser revogadas por leis especiais hierarquicamente inferiores. Observe-se que o principio da especialidade poderá ser aplicado quando duas leis hierarquicamente iguais se contraporem, por exemplo, duas leis ordinárias, ou quando a matéria não for reservada constitucionalmente a lei complementar, e estiver prevista concomitantemente nesta última e em lei ordinária, o que não se vislumbra na hipótese vertente. A sujeição das contribuições previdenciárias às normas gerais de direito tributário já foi chancelada em diversas oportunidades por nossos Tribunais Superiores e corroborada pela doutrina, conforme se extrai do excerto da obra DIREITO DA SEGURIDADE SOCIAL, de autoria de Leandro Paulsen e Simone Barbisan Fortes, nos seguintes termos: "As Contribuições especiais, dentre as quais as contribuições de seguridade social, por configurarem tributo, sujeitam-se, ainda, às normas gerais de direito tributário que estão sob a reserva de lei complementar (art. 146, III, da CF). O STF, em novembro de 2003, mais uma vez reafirmou este entendimento, conforme se vê da explicação de voto do Min. Carlos Velloso: • MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.° 37306.003408/2006-11 • CONFERE CO O GINAL CCO2C06 Acórdão n.° 206-00.016 Brants...aIi li] Fls. 253 Cada. ~dm Mac UI as contribuições estão sujeitas, hoje, à lei complementar de normas gerais (C.F., art. 143, III). A tes da Constituição de 1988, a discussão era extensa.. .Então, o que fez o constituinte de 1988? Acabou com as discussões, estabelecendo que às contribuições aplica-se a lei complementar de normas gerais. vale dizer, aplica-se o Código Tributário nacional. especialmente. no que diz respeito à obrigacão. lancamento, crédito, prescricã o e decadência tributários (C.F.. art. 146, inciso III. b) • e quanto aos impostos, a lei complementar definiria os respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes (CF, art. 146, III, a). (STF, RE 396.266-3/SC, nov/2003) Ascontribuiõesu'emaraisdedireittributários estabelecidos pelo Livro II do CTN (art. 96 em diante), do que são exemplo o modo de constituição do crédito tributário, as hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, os prazos decadencial e prescricional e as normas atinentes à certificação da situação do contribuinte perante o Fisco. " (Direito da Seguridade Social: prestações e custeio da previdência, assistência e saúde — Simone Barbisan Fortes, Leandro Paulsen — Porto Alegre: Livraria do Advogado Ed., 2005, págs. 356/358) (grifamos). Ademais, ao admitirmos o prazo decadencial inscrito na Lei n° 8.212/91, estamos fazendo letra morta da nossa Constituição Federal e bem assim do Código Tributário Nacional. Nesse sentido, aliás, foi entendimento da Egrégia Primeira Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça que, ao analisar o Recurso Especial n° 616.348, em 15/08/2007, decidiu por unanimidade de votos declarar a inconstitucionalidade do art. 45, da Lei n° 8.212/91, senão vejamos: "CONSTITUCIONAL, PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. INCIDENTE DE INCONSTITUCIONALIDADE. DO ARTIGO 45 DA LEI 8.212, DE 1991. OFENSA AO ART. 146, III, B, DA CONSTITUIÇÃO. 1. As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplica-se também a elas o disposto no art. 146, III, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.112, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social 2.Argüição de inconstitucionalidade julgada procedente." Em contrapartida, em que pese a decisão encimada espelhar a farta e mansa jurisprudência judicial a propósito da matéria, a nossa Suprema Corte ainda não se manifestou MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.° 37306.003408/2006-11 rRE COM • ORIGINAL & CCO2/C06 Acórdão n°206-00.016 Brasília. 3 11( 4 /1) Fls. 254 a Ai Carias . Alecrim Met: O 5 de forma definitiva •em relação ao prazo decadenci :1 a ser aplicado para as contribuições previdenciárias. E, como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito tributário, a este Egrégio Tribunal Administrativo é defeso afastar a aplicação de legislação vigente a pretexto de inconstitucionalidade, consoante se infere da Súmula n° 02, do 2° Conselho de Contribuintes, c/c artigo 49, do Regimento Interno. Dessa forma, mesmo não compartilhando com esse entendimento, por fazer prevalecer lei ordinária em detrimento da Constituição Federal, CTN, jurisprudência pacífica e doutrina majoritária, não há se falar em decadência do presente crédito previdenciário, porquanto o período do débito encontra-se dentro de prazo decadencial de 10 (anos), insculpido no art. 45, da Lei n°8.212/91. DA RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS. Opõe-se, ainda, à notificação, inferindo que os sócios da recorrente não podem ser responsabilizados pelos débitos da pessoa jurídica com o fisco, face a inexistência dos requisitos necessários para tanto, insculpidos no art. 135, do CTN. Não obstante as razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte em sua peça recursal, seu inconformismo, contudo, não merece acolhimento. Com efeito, a matéria objeto de julgamento nesta assentada refere-se à procedência ou improcedência do lançamento, e não quais bens irão suportar/garantir eventual crédito tributário definitivamente constituído, após decisão administrativa transitada em julgado, ou mesmo sobre quem irá recair tal responsabilidade. A questão suscitada pela contribuinte poderá ser objeto de apreciação em outras oportunidades, por exemplo na execução fiscal, obedecidas as normas procedimentais deste processo, não merecendo aqui fazer maiores considerações relativas a responsabilidade pelo crédito previdenciário, no tocante aos bens pessoais dos sócios ou da pessoa jurídica, ora recorrente. Ademais, na hipótese contemplada nestes autos, além de não se responsabilizar diretamente, ainda, qualquer pessoa pela falta do recolhimento das contribuições ora lançadas, consoante se infere do anexo "CO-RESP — RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS", inexiste atribuição da sujeição passiva pelo crédito tributário em discussão àquelas pessoas, uma vez que o lançamento fora efetuado conta a empresa e não contra eles. Conforme se verifica da notificação, são os sócios, tão somente co-responsáveis pelos créditos constituídos, na forma do art. 13, § único, da Lei n° 8.620/1993, c/c art. 660, inciso X, da Instrução Normativa n° 03/2005, não se cogitando na ilegalidade de tal procedimento por encontrar respaldo na legislação de regência, como restou claro na decisão de primeira instância, devendo ser mantido o feito na forma ali decidida. DA APRECIAÇÃO DE QUESTÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES/ILEGALIDADES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Relativamente ao inconformismo à cobrança das contribuições destinadas a terceiros (SESI/SENAI//INCRA/Salário Educação), bem como ao SAT, e aquelas incidentes • , MF SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUI S• O FERE COM O • RIGINALProcesso n.° 37306.003408/2006-11 C CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.016 Bres188, /ii Fls. 255 C. Matai Met.: dt 225 sobre décimo terceiro salário, além da exigência I I - ais e e t I entrar respaldo na legislação previdenciária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Note-se, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF n° 147/2007, que aprovou o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: "Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de oficio, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. " Observe-se, que somente na hipóteses contempladas no § único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Sumula n° 02, do 2° Conselho de Contribuintes, aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, assim estabelece: "O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária." E, segundo o art. 53, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, as Súmulas, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória pelo respectivo Conselho. Finalmente, o art. 102, I, "a" da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: "Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: 1— processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratária de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; " Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, também em relação a ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.° 37306.003408/2006-11 2gRE COÀ, ORIGINAL / CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.016 BrasIlla, ie e , v .1 r Fls. 256 fiL cado,- n DA MULTA E TAXA SEL1C. mat: e 1225 Por fim, insurge-se a contribuinte contra a a plicação da multa moratória e da Taxa Selic, por entender ser ilegal e inconstitucional, entendi ento que, igualmente, não tem o condão de macular a exigência em questão. Destarte, as contribuições sociais arrecadas pelo INSS estão sujeitas à taxa referencial do SELIC — Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do art. 34 da Lei n° 8.212/91, não prosperando a alegação da impossibilidade de utilização para a fixação de juros de mora, senão vejamos: "A ri. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei n°9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP n" 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei n° 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei n° 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei)." Por sua vez, de conformidade com o art. 35, inciso I, da Lei 8.212/91, as contribuições previdenciárias-estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso, senão vejamos: "Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I - para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: Nesse sentido, devida a contribuição e não sendo recolhida até a data do vencimento, fica sujeita aos acréscimos legais na forma da legislação de regência. Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC, com fulcro no art. 34, da Lei n° 8.212/91, e bem assim da multa moratória, nos termos do art. 35, do mesmo Diploma Legal. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expresso sobre a matéria fica restrito às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo pra si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.° 37306.003408/2006-11 CONFERE CO 0 9IGINAL CCO2/C06 Acórdão re.° 206-00,016 Brasas. _23/ 4 O Fls. 257 AMatn .40011.S Caries Llk 225 Por todo o exposto, es e • • - :no • sonância com os • dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO N SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO, rejeita a preliminar de decadência e, no m - 'to, NEGAR-LHE PROVIMENTO, mantendo incólume a decisão de primeira instância, pelos seus próprios fundamentos. Sala das Si - ões, em 08 de outubro de 2007. tisk • RYCARDO, NRIQUE- MAGA • AES DE OLIVEIRA I Page 1 _0010400.PDF Page 1 _0010500.PDF Page 1 _0010600.PDF Page 1 _0010700.PDF Page 1 _0010800.PDF Page 1 _0010900.PDF Page 1 _0011000.PDF Page 1 _0011100.PDF Page 1 _0011200.PDF Page 1 _0011300.PDF Page 1 _0011400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10070.001445/2006-31
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2002
RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS DE BENS IMÓVEIS. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. DESPESAS PARA COBRANÇA OU RECEBIMENTO DOS VALORES.
Somente podem ser abatidas da base de cálculo do imposto incidente sobre rendimentos de aluguéis de bens imóveis as despesas para cobrança ou recebimento dos rendimentos comprovadas com documentação hábil e idônea.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.174
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES
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DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. DESPESAS PARA COBRANÇA OU RECEBIMENTO DOS VALORES. Somente podem ser abatidas da base de cálculo do imposto incidente sobre rendimentos de aluguéis de bens imóveis as despesas para cobrança ou recebimento dos rendimentos comprovadas com documentação hábil e idônea. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Walter Reinaldo Falcão Lima, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 26/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10070.001445/200631 Acórdão n.º 2801002.174 S2TE01 Fl. 81 2 Relatório Mediante Auto de Infração, às fls. 03/08, formalizouse exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao exercício 2003, anocalendário 2002, no valor total de R$ 16.475,91, assim disposto: imposto suplementar no valor de R$ 7.165,00; multa de oficio no valor de R$ 5.373,75; juros de mora (calculados até julho/2006) no valor de R$ 3.937,16. De acordo com a descrição dos fatos e o enquadramento legal constantes da peça de autuação, a exigência fiscal decorreu de revisão efetuada na DIRPF/2003 apresentada pela contribuinte. Após análise, a autoridade lançadora apontou a ocorrência de infração à legislação tributária, a saber: i) omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrente de trabalho com vinculo empregatício Fundação Petrobrás de Seguridade Social Petros (CNPJ n° 34.053.942/00015); ii) omissão de rendimentos de aluguéis ou royalties recebidos das pessoas jurídicas Norskan Offshore Ltda. (CNPJ n° 04.023.447/000137) e G.R S/A (CNPJ n° 02.905.110/000128). No lançamento foi considerado o IRRF correspondente à esses valores, tudo na forma dos dispositivos legais citados na peça fiscal. Cientificada da exigência fiscal a contribuinte apresentou sua impugnação (à fl. 01), argumentando, em síntese, que: os rendimentos recebidos da Fundação Petrobrás de Seguridade Social Petros, CNPJ n° 34.053.942/000150, a título de pensão deixada pelo marido, teriam que ser rateados entre a contribuinte e mais 3 filhos, nos termos do Comunicado de Concessão de Beneficio, mas que por erro da Petros foi emitido o comprovante integralmente no nome da impugnante; até o mês de julho de 2002 os rendimentos foram divididos entre os quatro beneficiários, sendo que, a partir de agosto, apenas por três, posto que uma das filhas completou 21 anos e não mais fez jus à pensão; a diferença entre esse somatório desses rendimentos (R$ 48.946,54) em relação ao que consta do comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora (R$ 50.164,58) , no montante de R$ 1.218,00, referese a reembolso de recibos médicos que eram de sua sogra e que foi à época lhe repassado em mãos; quanto aos rendimentos de aluguéis recebidos da empresa G.R S/A, no valor de R$47.609,98, foi deduzido 5% a título de comissões pagas a Laureni Imóveis (CPF n° 472.671.94753), no total de R$ 2.380,49, reconhecendo como tributável tãosomente o valor líquido de R$ 45.229,48; Fl. 85DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 26/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10070.001445/200631 Acórdão n.º 2801002.174 S2TE01 Fl. 82 3 relativamente aos aluguéis recebidos da empresa Norskan Offshore Ltda., no valor de R$ 28.748,85, igualmente foi deduzido 5% pago a título de comissão a André Adolfo Siqueira, ou seja, R$ 1.437,40, restandolhe o valor de líquido de R$ 27.311,40. Ao final, solicitou a impugnante que fossem acolhidas suas razões de defesa. Na sequência, ao examinar o litígio, a 4a Turma de Julgamento da DRJ/Santa Maria (RS), julgou procedente em parte o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/STM n° 1810.541, de 23/04/2009, às fls. 59/63. Em decisão unânime, aquele Colegiado considerou como recebido pela contribuinte da Petrus apenas o montante de R$ 14.850,30 (R$ 13.632,26 + R$ 1.218,04), pois os documentos às fls. 16/17 demonstravam que a impugnante somente era titular de 25% do total do beneficio de pensão apontado pela fiscalização. Quanto ao valor de R$ 1.218,04, concluíram os julgadores pela ausência de comprovação de que se tratava de reembolso de despesas médicas, mantendo a tributação desta parcela. Também no referido julgado não foram acatadas as deduções pretendidas pela impugnante relativamente às comissões que teriam sido pagas pela prestação de serviços de administração dos imóveis locados, por não terem sido apresentados instrumentos hábeis a comprovar tais despesas. Transcrevese, a seguir, o ementário constante da referida decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. Excluemse do lançamento os rendimentos que não foram percebidos pelo contribuinte. Os comprovantes fornecidos pelas fontes pagadoras fazem prova a favor do contribuinte. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. É passível de ser compensado na declaração , o imposto de renda na fonte relativo aos rendimentos incluídos na base de cálculo do imposto. DEDUÇÕES. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação. Se forem pleiteadas deduções não comprovadas mediante documentação hábil e idônea, poderão ser glosadas pela autoridade lançadora. Lançamento Procedente em Parte. Cientificada da decisão a quo em 05/06/2009, a contribuinte interpôs em 01/07/2009 o Recurso Voluntário à fl. 67, acompanhado da documentação às fl. 68/75. Na peça recursal a interessada reitera os argumentos apresentados por ocasião da impugnação ao lançamento. Posteriormente, em 04/08/2009, o presente processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 26/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10070.001445/200631 Acórdão n.º 2801002.174 S2TE01 Fl. 83 4 É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. O recurso em julgamento foi tempestivamente apresentado, preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Não há no documento recursal qualquer alegação preliminar. Passo, portanto, à análise do mérito. A respeito, esclareçase primeiramente que a recorrente reconhece em sua peça recursal não possuir documentação comprobatória a desconstituir a parcela da exigência fiscal relacionada à tributação do valor de R$ 1.218,00, razão pela qual informa ter recolhido o imposto relativo a essa diferença, conforme DARF anexado à fl. 75 dos autos. Tratase, portanto, de matéria não questionada nesta instância. Quanto à questão que restou à discussão, atinente à apontada omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas jurídicas, o cerne do litígio é verificar se poderia a contribuinte deduzir dos rendimentos brutos de aluguéis valores que teriam sido pagos, respectivamente, aos Srs. Laureni Leopoldino Augusto Silva (CPF n° 472.671.94753) e André Adolfo Siqueira (CPF n° 043.933.43735), a título de comissões pela administração dos imóveis locados. O Decreto n° 3.000, de 1999, art. 50, assim dispõe: Art. 50. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto, no caso de alugueis de imóveis (Lei n° 7.739, de 16 de março de 1989, art. 14): I o valor dos impostos, taxas e emolumentos incidentes sobre o bem que produzir o rendimento; II o aluguel pago pela locação de imóvel sublocado; III as despesas pagas para cobrança ou recebimento do rendimento; IV as despesas de condomínio. (grifo nosso) Da leitura do dispositivo transcrito, podese concluir que é possível deduzir dos rendimentos provenientes de aluguéis as despesas relativas às taxas de administração, desde que comprovadamente pagas, posto que todas as deduções pleiteadas na declaração estão sujeitas à comprovação a critério da autoridade lançadora. Todavia, no presente caso, permanece ausente nos autos prova da real existência das relações contratuais de prestação de serviços de administração de imóveis, vez que a documentação apresentada pela recorrente encontrase desacompanhada de recibos discriminando os serviços prestados, e ainda, dos respectivos contratos, sendo, portanto, os Fl. 87DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 26/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10070.001445/200631 Acórdão n.º 2801002.174 S2TE01 Fl. 84 5 comprovantes de depósitos às fls. 21/24 e 69/72, e declarações às fls. 68 e 73, insuficientes para demonstrar, de forma inequívoca, os vínculos contratuais alegados pela defendente. Neste ponto, por relevante, transcrevo o art. 1° da Lei n° 8.846, de 21/01/1994, citado na decisão vergastada: Art. 1° A emissão de nota fiscal, recibo ou documento equivalente, relativo à venda de mercadorias, prestação de serviços ou operações de alienação de bens móveis, deverá ser efetuada, para efeito da legislação do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, no momento da efetivação da operação. 1° O disposto neste artigo também alcança: a) a locação de bens móveis e imóveis; b) quaisquer outras transações realizadas com bens e serviços, praticadas por pessoas físicas ou jurídicas. (destaque nosso) Como bem ressaltou a autoridade julgadora a quo, as cópias de comprovantes de depósito em conta dos Srs. Laureni Leopoldino Augusto Silva e André Adolfo Siqueira, sem a necessária vinculação com documentação hábil discriminando os serviços prestados, ou mesmo, com os respectivos contratos firmados entre as partes, não torna possível o acatamento da dedução dos valores pleiteados, visto que não restou devidamente comprovado o direito invocado. Diante do exposto, VOTO por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 88DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 26/01/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA
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Numero do processo: 13855.000016/2007-98
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006
PENSÃO ALIMENTÍCIA. NORMAS DO DIREITO DE FAMÍLIA.
ALCANCE.
As normas do Direito de Família não condicionam a fixação de alimentos à separação dos cônjuges e nem mesmo limita o dever de pagar alimentos a cônjuges e pais, estendendo-o aos ascendentes, descendentes, irmãos, enfim, aos parentes.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2801-001.918
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução a título de pensão alimentícia judicial nos valores de R$ 12.488,12, R$ 12.089,86, R$ 37.603,91, e R$ 44.093,37, referente aos anos-calendários de 2003, 2004, 2005, e 2006, respectivamente, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN
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NORMAS DO DIREITO DE FAMÍLIA. ALCANCE. As normas do Direito de Família não condicionam a fixação de alimentos à separação dos cônjuges e nem mesmo limita o dever de pagar alimentos a cônjuges e pais, estendendoo aos ascendentes, descendentes, irmãos, enfim, aos parentes. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução a título de pensão alimentícia judicial nos valores de R$ 12.488,12, R$ 12.089,86, R$ 37.603,91, e R$ 44.093,37, referente aos anos calendários de 2003, 2004, 2005, e 2006, respectivamente, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Eivanice Canário da Silva. Fl. 141DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13855.000016/200798 Acórdão n.º 280101.918 S2TE01 Fl. 139 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 81.007,30, referente aos exercícios de 2003, 2004, 2005 e 2006, a título de imposto (R$ 39.086,42), acrescido da multa de ofício equivalente a 75% do valor do tributo apurado (R$ 29.314,79), além dos juros de mora (R$ 12. 606,09). O lançamento é decorrente da apuração de dedução indevida a título de pensão alimentícia. Em sua impugnação, o contribuinte apresentou as razões de defesa abaixo, extraídas do Acórdão recorrido: 1 a Fiscalização parte de pressuposto equivocado, qual seja, dissolução da sociedade conjugal, para fundamentar as situações em que a prestação alimentícia é dedutível da base de cálculo; 2 isto é fruto de uma interpretação'equivocada das normas de direito de família que regem a prestação de alimentos: Cria requisito não previsto em lei, de forma a ferir o princípio da legalidade; 3 os alimentos em debate prestados pelo contribuinte enquadramse nos alimentos legais, pois a obrigação de prestá los decorreu da relação de parentesco entre pai e filhos e da relação de casamento. Fixados os alimentos por meio decisão judicial que homologou o acordo firmado na Ação de Oferta de Alimentos, proposta nos termos do art. 24, Lei 5.478/68; 4 a fiscalização se equivoca quando condiciona o surgimento da obrigação de prestar alimentos e o direito de recebêlos à dissolução da sociedade conjugal ou ao pedido de prestação pelos que deles necessitam; 5 a Ação de Oferta de Alimentos, segundo o art. 24 da Lei 5.478/68, denota que o oferecimento de alimentos está também disciplinado pelo direito de família; 6 a pensão alimentícia foi fixada, pois se encontrava afastado da cidade de São José da Bela Vista e, portanto, afastado do lar, em função de seu trabalho na Polícia Militar; 7 o Tribunal de Justiça do DF já decidiu ser juridicamente possível a homologação judicial de acordo de alimentos firmado entre cônjuges, na constância de casamento; 8 a Ação de Oferta de Alimentos teve por fundamento, não uma mera liberalidade, mas sim uma obrigação legal; Fl. 142DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13855.000016/200798 Acórdão n.º 280101.918 S2TE01 Fl. 140 3 9 não há que se falar em liberalidade em acordo homologado judicialmente, pois a partir daí o impugnante passou a ficar obrigado a pagar a pensão; 10 a pensão de que ora se trata é dedutível, pois a obrigação decorreu de uma obrigação legal, foi fixada por meio de acordo judicial e está em conformidade com as normas de direito de família; 11 os efeitos tributários relativos à dedutibilidade da pensão alimentícia já estão definidos no art. 8°, II, da Lei 9.250/95, não sendo possível à autoridade realizar qualquer juízo de valor; 12 a autoridade fiscal cria um requisito para a dedutibilidade da despesa com pensão alimentícia, qual seja, a dissolução da sociedade conjugal, não previsto na lei, ferindo claramente o princípio da legalidade. A 3ª Turma da DRJ/SP2/SP julgou procedente o lançamento, conforme Acórdão de fls. 97/104, que restou assim ementado: PENSÃO ALIMENTÍCIA AÇÃO DE OFERTA DE ALIMENTOS ART 24, DA LEI 5.478/68 'CONTRIBUINTE ALIMENTANTE COABITANDO 'COM O CÔNJUGE E FILHOS NATUREZA DE DEVER FAMILIAR. Pagamentos realizados em virtude de acordo homologado judicialmente, nos autos de Ação de Oferta de Alimentos, conforme previsão contida no art. 24, da Lei 5.478/68, quando a pessoa responsável pelo sustento da família não deixe a residência comum, não possuem natureza de obrigação de prestar alimentos e, portanto, não podem ser utilizados para a dedução da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, como pensão alimentícia. Tais pagamentos são decorrentes do poder de família e do dever de sustento, assistência e socorro entre os cônjuges e entre estes e os filhos e não do dever obrigacional de prestar alimentos. As despesas provenientes do poder de família são contempladas com a possibilidade de dedução em campo próprio da declaração, como dedução de dependentes, despesas médicas e com instrução. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 10/11/2008 (fl. 109), o interessado, representado por seus advogados (fl. 126), interpôs recurso voluntário de fls. 111/125, em 03/12/2008. Em sua defesa, alega que está cabalmente comprovado que a pensão alimentícia paga em decorrência de acordo homologado judicialmente encontra guarida nas normas do Direito de Família, tal como preceitua as normas tributárias, preenchendo, assim, todos os requisitos legais para a sua dedutibilidade da base de cálculo do imposto de renda. Aduz que a própria administração tributária, conforme Processo n° 13855.002404/200622 Acórdão n° 1725.601 – 8ª Turma da DRJ/SPO II, de 09/0612008, considerou que a pensão alimentícia, fixada nos autos de uma ação de oferta de alimentos, nos moldes do artigo 24, da Lei n° 5.478/68, encontra sim previsão na legislação pertinente ao Direito de Família, de forma a subsumir a situação fática do autuado à hipótese do inciso II, do artigo 4°, da Lei n° 9.250/95 e artigo 78 do Decreto 3.000/99, que garantem a dedutibilidade dos valores pagos de pensão Fl. 143DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13855.000016/200798 Acórdão n.º 280101.918 S2TE01 Fl. 141 4 alimentícia. Cita jurisprudência administrativa e judicial em seu favor. Discorre sobre ofensa ao Princípio da Legalidade. Requer, assim, o cancelamento da exigência tributária. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cuida o presente caso de glosa da dedução efetuada da base de cálculo do IRPF, no período fiscalizado, a título de Pensão Alimentícia Judicial, decorrente de uma Ação de Oferta de Alimentos em favor da esposa e dos filhos do contribuinte, em razão de ele estar afastado da residência da família por motivo de trabalho. Entendeu a autoridade lançadora que, uma vez que a separação do casal não se concretizou, a pensão em questão não atenderia às normas do direito de família, à luz do disposto no art. 1.701, do Código Civil, e, portanto, estaria sendo paga por liberalidade do contribuinte, não podendo ser aceita para fins de dedução do imposto de renda devido. Controvérsia similar a aqui exposta foi enfrentada por esta turma recentemente, no julgamento do Processo nº 3857.000904/200871, quando se prolatou o Acórdão 2801001.783, sessão de 23/08/2011, relatora a Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende. Assim, da mesma forma que no citado acórdão, insta frisar que as disposições acerca de pensão alimentícia, mais precisamente aquelas estabelecidas no Código Civil, art. 1694 a 1710, não condiciona a fixação de alimentos à separação dos cônjuges e nem mesmo limita o dever de pagar alimentos a cônjuges e pais, estendendoo aos ascendentes, descendentes, irmãos, enfim, aos parentes, contemplando uma noção abrangente de família para tal propósito. Por lógico, estabelece condições para que os alimentos sejam fixados pelo juiz, tais como a necessidade de quem pede e à capacidade do reclamado em suportálos. Importante observar, ainda, que a Lei nº 9,250, de 1995, ao cuidar da dedução a título de pensão alimentícia, apenas estabeleceu: Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão ou acordo judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Fl. 144DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13855.000016/200798 Acórdão n.º 280101.918 S2TE01 Fl. 142 5 III a quantia de R$ 117,00 (cento e dezessete reais) por dependente;(Redação dada pela Lei nº 11.119, de 25/05/2005) (...) Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; (...) § 3º As despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração, observado, no caso de despesas de educação, o limite previsto na alínea b do inciso II deste artigo.(grifos acrescidos) Observase que a Lei cuidou de estabelecer que as despesas com instrução dos alimentandos, quando arcadas pelo alimentante em decorrência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, são dedutíveis no ajuste anual, em campo próprio, respeitandose o limite anual individual correspondente. No mais, limitouse a determinar que estava tratando das pensões pagas em face das normas do Direito de Família e condicionar à existência de acordo homologado judicialmente ou decisão judicial. Portanto, no caso, deve ser considerada a existência de acordo homologado judicialmente estabelecendo a obrigação do contribuinte de pagar alimentos à esposa e aos filhos, perfeitamente compatível com as normas do Direito de Família. A pensão foi paga por meio de desconto em folhas de pagamentos e, diferentemente do que entendeu a autoridade lançadora, não restou comprovado que o interessado pudesse se desobrigar de tal encargo. Entretanto, o caso tem uma peculiaridade. Os pais efetivamente não entraram na justiça com uma ação de separação, de sorte que não há nenhuma determinação judicial acerca da guarda dos filhos, sendo ambos os pais responsáveis por eles. Dessa forma, era facultado a qualquer um dos cônjuges incluir os filhos como dependentes no ajuste anual, consoante Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, inc. III, §2º e 3º, a seguir transcritos: Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea "c", poderão ser considerados como dependentes: (...) Fl. 145DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13855.000016/200798 Acórdão n.º 280101.918 S2TE01 Fl. 143 6 III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; (...) § 2º Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges. § 3º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. § 4º É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte. O interessado efetivamente optou por declarar os dois filhos como dependentes nas declarações dos exercíoso de 2003 e 2004 (fls. 20/26). Ao optar por incluir os filhos como dependentes, como lhe era facultado, o interessado somente poderia deduzir os alimentos que lhes foram pagos se tivesse declarado esses mesmos alimentos como rendimentos tributáveis dos dependentes, conforme comprovantes de rendimentos de fls. 45 e 46. Como não o fez, impossível deduzir a parcela da pensão que coube aos filhos, devendo ser restablecida, relativamente aos exercício de 2003 e 2004, somente a parcela da pensão que coube à esposa, nos valores repectivos de R$ 12.488,12 (R$ 37.464,38/3) e R$ 12.089,86 (R$ 36.269,60/3). Já, em relação aos exercício de 2005 e 2006, não houve inclusão de dependente algum. Logo, devem ser restabelecidos os valores integrais declarados a título de pensão alimentícia, nos valores de R$ 37.603,91 e R$ 44.093,37, respectivamente, conforme demonstrativos de fls. 47 e 48. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer pensão alimentícia nos valores de R$ 12.488,12, R$ 12.089,86, R$ 37.603,91 e R$ 44.093,37, referente aos exercícios de 2003, 2004, 2005 e 2006, respectivamente. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 146DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 13842.000257/2008-67
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.
COMPROVAÇÃO.
À míngua de comprovação, rejeita-se a pretensa dedução de despesas
instrução e despesas médicas.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2801-001.749
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. À míngua de comprovação, rejeita-se a pretensa dedução de despesas instrução e despesas médicas. Recurso voluntário negado.
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DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. À míngua de comprovação, rejeitase a pretensa dedução de despesas instrução e despesas médicas. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Eivanice Canário da Silva, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Fl. 44DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 05/08/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13842.000257/200867 Acórdão n.º 280101.749 S2TE01 Fl. 40 2 Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 16.519,92, referente ao exercício de 2004, a título de imposto (R$ 7.154,58), acrescido da multa de ofício equivalente a 75% do valor do tributo apurado (R$ 5.365,93), além dos juros de mora (R$ 3.999,41). O lançamento é decorrente da apuração de dedução indevida a título de despesas com instrução e despesas médicas. Em sua impugnação, o contribuinte requereu o cancelamento do lançamento, mediante nova análise dos valores cobrados, considerando os pedidos e recibos apresentados. A 11ª Turma da DRJ/SP2/SP, conforme Acórdão de fls. 22/29, julgou procedente em parte a impugnação, após verificar que dos R$ 21.035,71 declarados pelo contribuinte a titulo de despesas médicas, somente foi comprovado, através de recibos em conformidade com a legislação, o valor de R$ 5.057,01, remanescendo, portanto, a glosa para as demais despesas que totalizam R$ 15.978,72. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 13/10/2010 (fl. 32), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 33/36, em 10/11/2010. Em sua defesa, alega que a decisão recorrida desconsiderou os seus argumentos no sentido de que não tinha mais em sua posse os documentos exigidos, visto que o contador acabou dando a eles destino ignorado. Aduz que, quando da mesma impugnação, apresentou os números de CPF e de CNPJ de todos os beneficiários dos pagamentos de despesas médicas, medida, que, por si só, poderia ter dado ensejo a obrigação da busca de verdade real pelo fisco, conforme entendimentos doutrinários e jurisprudenciais vigentes para a matéria. Defende, ainda, que a exigência havida em relação aos comprovantes de despesas com instrução foi totalmente descabida, visto que do termo de intimação recebido, cuja cópia segue anexa, constou apenas pedido de apresentação de comprovantes de despesas médicas, sem haver qualquer menção quanto a comprovação de despesas com instrução. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Inicialmente, esclareçase que é equivocado o argumento do recorrente de que no termo de intimação constou apenas pedido de apresentação de comprovantes de despesas médicas, sem haver qualquer menção quanto a comprovação de despesas com instrução. Pelo contrário, conforme se pode constatar, à fl. 07, foram solicitados comprovantes de dependência, comprovante de despesas com instrução e comprovantes originais e cópias das despesas médicas. Fl. 45DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 05/08/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13842.000257/200867 Acórdão n.º 280101.749 S2TE01 Fl. 41 3 Registrese, ademais, que a intimação anexada pelo interessado, à fl. 36, não diz respeito ao lançamento em apreço, eis que referese ao exercício de 2003, anocalendário de 2002. Além disso, é completamente desarrazoada a pretensão do recorrente de imputar à autoridade fiscal o dever de produzir a prova necessária a sua defesa, mormente quando se tem por finalidade, como neste caso, obter provas que deveriam e poderiam ter sido produzidas pelo autuado. Quanto à comprovação das despesas com instrução e despesas médicas, cujas glosas foram mantida pela decisão recorrida, o recorrente não logrou apresentar elementos de provas a confirmálas. Por conseguinte, considerase a certada as referidas glosas, ratificando se a conclusão da decisão de 1ª instância. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 46DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 05/08/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10314.004447/00-88
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 30/03/1994
Drawback Suspensão - Não comprovado pelo contribuinte o adimplemento do compromisso, demonstrando que efetivamente importou e exportou os produtos das quantidades e na qualidade firmadas no Ato Concessório.
Caberia ao contribuinte comprovar o adimplemento do regime de drawback.
Não realizada tal prova perde o contribuinte o direito ao regime.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3101-000.119
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 30/03/1994 Drawback Suspensão - Não comprovado pelo contribuinte o adimplemento do compromisso, demonstrando que efetivamente importou e exportou os produtos das quantidades e na qualidade firmadas no Ato Concessório. Caberia ao contribuinte comprovar o adimplemento do regime de drawback. Não realizada tal prova perde o contribuinte o direito ao regime. Recurso Voluntário Negado
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10314.004447/00-88 Recurso n° 132.956 Voluntário Acórdão n° 3101-00.119 — P Câmara / Ia Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2009 Matéria DRAWBACK - SUSPENSÃO Recorrente YAMAHA MOTOR DO BRASIL LTDA Recorrida DRJ - SÃO PAULO/SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO-li Data do fato gerador: 30/03/1994 Drawback Suspensão - Não comprovado pelo contribuinte o adimplemento do compromisso, demonstrando que efetivamente importou e exportou os produtos das quantidades e na qualidade firmadas no Ato Concessório. Caberia ao contribuinte comprovar o adimplemento do regime de drawback. Não realizada tal prova perde o contribuinte o direito ao regime. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso . it," ,e7-- HENRIQUE PINHEIRO TORRE- Presidente , n SUSYN.RN EIZ'W F • NN — Relatora 1 EDITADO EM: 29/09/2009 . Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, José Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domingo, João Luiz Fregonazzi, Rodrigo Cardozo Miranda, Valdete Aparecida Marinheiro, Tarásio Campeio Borges e Susy Gomes Hoffmann. 1 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte às fls. 837/853, em que pleiteia a cassação do v. Acórdão proferido pela DRJ de São Paulo em que julgou procedente o lançamento consubstanciado no auto de infração. Cuida referido Auto de Infração (fls. 06/50), de irregularidades constatadas em operação de Drawback na modalidade suspensão, em que se exigiu o recolhimento de Imposto de Importação e Imposto Sobre Produtos Industrializados, acrescidos de juros de mora e multa de oficio, totalizando o valor de R$ 248.204,89. Em procedimento fiscal de verificação do regular cumprimento dos requisitos e condições fixadas pela legislação aplicável relativos aos atos concessórios de drawback suspensão foi constatado o que segue: 2.1. Ato Concessório 0636-94/000002-3 — Esse ato concessório permitia à empresa importar 600 conjuntos de peças a serem utilizadas na confecção de 600 motos a serem exportadas. O relatório de comprovação (fls. 62 a 145) indica o regular cumprimento do regime, mas não é o que se conclui pela análise do histórico a seguir. Percebe-se que o desembaraço da última declaração de importação ocorreu após a data de embarque da última exportação. Portanto os materiais arrolados na DI 26.985 (folhas 146 a 150) não foram aplicados na produção exportada, o que fere o princípio fundamental do regime drawback, cabendo a constituição do crédito correspondente. 2.2. Ato Concessório 0636-94/000010-4 — Por meio desse incentivo o contribuinte pretendia importar 300 conjuntos de peças para fabricação e exportação de 300 motocicletas. O relatório de comprovação indica que as importações e exportações atenderam aos requisitos de quantidade e qualidade dos materiais, tal como pretendido. Uma análise mais detida, contudo, deixa claro que o registro de exportação 94/1029261 (folhas 402 a 405) se vincula a outro ato concessório. Portanto as 116 motos nele arroladas não podem comprovar o total cumprimento do regime, e, por conseguinte, faz-se necessária a constituição do crédito correspondente. Isso implica a cobrança de 38,66% dos impostos suspensos das adições 101 a 141 da DI 52.878, vinculadas ao incentivo e pelas quais foi importada a totalidade dos 300 conjuntos. 2.3. Ato concessório 0636-94/000040-6 — Por meio desse ato concessório pretendia importar 1500 conjuntos para fabricação e exportação de 1500 motocicletas. A quantidade efetivamente importada foi de 1200. Pelo anexo de exportação do relatório de comprovação (fls. 430) poder-se-ia concluir precipitadamente que o incentivo foi integralmente cumprido, pois indica que 1200 motos foram exportadas. Todavia esse número será menor, por dois motivos: a) Os registros de exportação 95/0317836-001 e 95/0317836-002 (fls. 536 a 538) não pertencem ao ato em questão. Assim, as 36 motocicletas que lhes correspondem devem ser subtraídas do relatório de comprovação por serem inválidas para comprovação do regime; b) Em 23.09.94 foi desembaraçada a primeira declaração de importação, a de número 60.503 (fls. 539 a 653). Por meio dela foram introduzidos 300 conjuntos de peças, o que permitiria fabricar e exportar 300 motocicletas. O número de motos exportadas, contudo, foi 372 — 60 em 15.09.94, 192 em 21.10.94, 96 em 02.11.94 e 24 em 18.11.94. Como o drawback é um regime aduaneiro que tem por princípio a aplicação de matéria-prima ou peças na fabricação de produtos a serem exportados, fica claro que 72 unidades só poderiam ter sido produzidas se houvesse um volume de importações que as justificasse, ou seja, se houvesse a importação de mais 72 conjuntos de peças anteriormente àquelas exportações, e isso não ocorreu (todas as 2 Processo n° 10314.004447/00-88 S3-CIT1 Acórdão n.° 3101-00.119 Fl. 968 demais importações ocorreram em 1995). Os dois motivos, a e b, perfazem 108 unidades exportadas que não podem ser validamente aceitas para comprovação do incentivo. Em conseqüência, cabe a constituição do crédito correspondente a 108 dos 1200 conjuntos importados, os quais não foram utilizados de acordo com as regras do regime. Para tanto, apurou-se o montante dos impostos de importação e sobre produtos industrializados devidos sobre 108 e 300 conjuntos arrolados nas adições 39 a 79 da declaração de importação 37.174 (fls. 431 a 535). 2.4. Ato concessório 1968-93/000126-7 — Apesar de a documentação relativa a esse ato encontrar-se no processo 10314.003236/95-06, ela foi analisada e revelou não haver quaisquer irregularidades. O inadimplemento sanado pelo contribuinte com o pagamento, em 27.06.95, do crédito correspondente. 2.5. Ato concessório 0636-94/000037-6 — A documentação relativa a esse ato encontra-se no processo 10314.003235/95-35. O relatório de comprovação indicava falta de cumprimento de algumas exportações. Contudo, a empresa, em 27.06.95, efetuou correta e espontaneamente o pagamento dos tributos correspondentes e de seus acrescidos, não havendo crédito remanescente. O contribuinte apresentou impugnação (fls.657/666) alegando em síntese que: 1. com relação a exigência descrita no item 2.1 irá efetuar o pagamento, posto que não possui argumento de defesa. No que diz respeito aos itens 2.4 e 2.5, esclarece que não existe nenhuma exigência; 2. no item 2.2 alega que o correto RE para fechamento do ato concessório 0636-94/000040-6 é o de n°. 94/0897009, no qual comprova a saída de 116 motocicletas; 3. com relação ao item 2.3, informa que os 108 conjuntos que devem ser suprimidos do Ato Concessório 0636-94/000040-6, pois estão contidos no Ato Concessório n°. 0636-95/00005-0, através do qual se verifica que foi autorizada a importação de 600 conjuntos, seguida de aditivo aumentando para 716; 4. no entanto, foram importados somente 600 conjuntos e, tendo sido exportados 716, conclui-se que há um saldo de 116 motocicletas em situação inversa àquela dos 108 citados pela fiscalização; 5. a jurisprudência tem aceitado o controle de estoques no sistema FIFO (first in first out). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo proferiu acórdão (fls.825/835) julgando o lançamento procedente, pois não houve a comprovação da exportação ao Ato Concessório que a originou. Os RE's em questão estão vinculados a outro Ato Concessório que não aquele que pretendem comprovar. Assim, tais exportações não estão vinculadas ao documento concessor do beneficio. Com relação à exportação de maior quantidade que o permitido, sustenta que é inquestionável a glosa das 72 motocicletas, uma vez que os insumos ainda não haviam sido Q677 3 importados com o beneficio. Isto porque, há que se exigir, no mínimo, que os produtos exportados apresentados pela beneficiária para a comprovação do adimplemento, tenham sido efetivamente produzidos com insumos importados beneficiados pelo regime e existentes na empresa no momento do processo de fabricação, e que a documentação apresentada pelo contribuinte demonstre, pelo controle de estoque, que são compatíveis os prazos de entrada de insumo e exportações correspondentes, sob pena de se violar o princípio básico do regime aduaneiro especial de Drawback. Irresignado o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls.837/853) reiterando praticamente os mesmo argumentos aduzidos na impugnação. Alega que o Superior Tribunal de Justiça já decidiu que basta ser observado, para comprovação das exportações e atos concessórios, o período da concessão, bem como a quantidade dos insumos importados e exportados. Em sessão realizada em 27.02.2008, os membros desta Câmara do Conselho de Contribuintes, entenderam por bem converter o julgamento em diligência a fim de determinar que o contribuinte fosse intimado a apresentar documentos necessários para a comprovação do cumprimento do Regime de Drawback — Suspensão. Os documentos requeridos por meio da Resolução de fls. 878/885, foram os seguintes: 1. RE 94/1029261 — retificador, comprovando a vinculaçã o aos Atos Concessários 0636-94/000010-4 e 0636-94/000040-6, para comprovar a exportação, respectivamente, de 116 e 60 unidades; 2. RE 95/0560711-001, que vincula a exportação de 36 unidades, ao Ato Concessório n°. 0636-94/000040-6; Em retorno, o contribuinte se manifestou às fls. 888/899, alegando que: 1. Como já havia recebido a baixa e aprovação do DECEX relativamente aos procedimentos do Regime, não havia examinado os documentos que embasaram o lançamento em questão; 2. Com relação aos registros de exportação 95/0317836-001 e 95/0317836-002 em que o Auditor Fiscal conclui que 72 unidades foram exportadas antes da importação do conjunto de peças correspondente, afirma o contribuinte que se a importação dessas peças não foi legal, "é porque outras 72 unidades entraram no pais como contrabando. Não há como fugir a essa lógica." 3. O contribuinte somente fez a revisão dos documentos após o lançamento, quando então tomou ciência da ocorrência de um erro humano e que ficou impossibilitado de proceder à retificação dos registros, ante a recusa do DECEX, em razão da baixa dos Atos Concessórios; 4. "o método FIFO adotado nos permite verificar que, se há saldo em determinada DI AC ou RE, por este método é possível utilizá-lo para comprovar a entrada que o fiscal não encontrou"; 5. Tanto o fiscal, quanto os Conselheiros não conseguiram "fechar a conta", razão pela qual, anexa planilha demonstrativa dos dois Atos ("Y.0 //4 Processo e 10314.004447/00-88 S3-CIT1 Acórdão n.° 3101-00.119 Fl. 969 Concessórios sob análise, que no entender do contribuinte é elucidativa e auto-explicativa; 6. "Adotando o método FIFO, os erros humanos ocorridos no lançamento exigem agora que, estando um AC esgotado e, por equivoco, dele tenha sido extraída certa quantidade de motores que não comportaria, apresentemos o AC correto, cujo saldo comportaria a existência do número de motores que foram exportados."; 7. Anexa cópia das REs mencionadas nos tres atos concessórios para comprovação da importação legal, "mesmo porque não teria sentido comercial adquiri-los no contrabando para depois exportá-los.". Em síntese o relatório. Voto Conselheira SUSY GOMES HOFFMANN, Relatora. Conheço do Recurso por preencher os requisitos legais. Cuida-se de Autos de Infração, fls. 06/50, lavrado em vista de irregularidades constatadas em operação de Drawbaek na modalidade Suspensão, em que se exigiu o recolhimento de Imposto de Importação e Imposto Sobre Produtos Industrializados, acrescidos de juros de mora e multa de oficio, totalizando o valor de R$ 248.204,89. Inicialmente, cumpre esclarecer que o débito referente ao Ato Concessório 0636-94/000002-3 (item 2.1) foi pago, tendo em vista que o contribuinte considerou devido o crédito consubstanciado no Auto de Infração. Com relação aos Atos Concessórios 1968-93/000126-7 e 0636-94/000037-6, importante informar que não existe nenhuma exigência de tributos por parte da fiscalização. Dessa forma, a discussão do presente processo cinge-se somente aos Atos Concessórios 0636-94/000010-4 e 0636-94/000040-6 (item 2.2 e 2.3). ATO CONCESSORIO — 0636-94000010-4 Alegou a fiscalização que (fls.47): "por meio desse incentivo o contribuinte pretendia importar 300 conjuntos de peças para fabricação e exportação de 300 motocicletas. O relatório de comprovação indica que as importações e exportações atenderam aos requisitos de quantidade e qualidade dos materiais, tal como pretendido. Uma análise mais detida, contudo, deixa claro que o registro de exportação 94/1029261 (folhas 402 a 405) se vincula a outro ato concessório. Portanto as 116 motos nele arroladas não podem comprovar o total cumprimento do regime, e, por conseguinte, faz-se necessária a constituição do crédito correspondente. Isso implica a cobrança de 38,66% dos impostos suspensos das adições 101 a 141 da 11 52.878, vinculadas ao incentivo e pelas quais foi importada a totalidade dos 300 conjuntos". 5 • AUTO DE INFRAÇÃO - DOC. fls.231; 402-406 Declaração de Data Quantidade Registro Data Quantidade Importação Exportação 52878 0510811994 300 9410896880-004 1510911994 184 94/1029251-004 21110/1994 110 (fls.231) TOTAL 300 300 Entretanto, aduz o contribuinte que foi mencionado para baixa do Ato Concessório 0636-94/000010-4 o Registro de Exportação 94/1029261-004 de 192 unidades. Ocorre que, referido ato já tinha sido utilizado anteriormente. Dessa forma, a empresa não comprovou um saldo remanescente neste Ato Concessório de 116 unidades. Para comprovar o saldo remanescente (116) deve-se utilizar o Registro de Exportação 94/0897009- 004, que exportou 176 unidades, sendo que o AC 0636-94/000040-6 utilizou 60 unidades deste RE e o AC 0636-94/000010-4, utilizou 116 unidades deste RE. Entretanto, analisando os documentos acostados aos autos (fis.402/405), verifica-se que o Registro de Exportação n°. 94/1029261-001/004 está vinculado ao Ato Concessório 0636-94/000040-6, totalizando a exportação de 192 unidades. Ressalta-se que, em nenhum momento o contribuinte demonstrou que das 176 unidades restantes do RE 94/1029261, 60 unidades foram utilizadas no Ato Concessório 0636-94/000040-6 e que 116 unidades foram utilizadas no Ato Concessório 0636-94/0010-4. Isto é, o contribuinte não apresentou RE retificadoras informando que parte das unidades do RE 94/1029261 foram utilizadas no AC 0636-94/000040-6 e no AC 0636-94/0010-4. Observe-se que o julgamento deste processo, na sessão de fevereiro de 2008 foi convertido em diligência para que a empresa contribuinte trouxesse aos autos as provas de suas alegações. É importante anotar que sob a visão prática pode-se afirmar que existe coerência nas alegações da Recorrente, todavia, as regras processuais determinam que seja provado o alegado; e, se a empresa Recorrente não cumpriu com os seus deveres formais, se confessadamente cometeu equívocos formais, a prova de que tais equívocos eram apenas equívocos. e não se tratavam de descumprimento dos requisitos do Ato Concessório, a conseqüência legal é a perda do beneficio da isenção. Importante, ainda, esclarecer, que nesta fase de julgamento não é possível considerar outros Registros de Exportação e outros Atos Concessórios para verificar a correição dos números importados e exportados, porque tais documentos não fizeram parte do conjunto probatório que ensejaram a lavratura do auto de infração. Assim, embora se verifique que a quantidade de produtos importados poderia comprovar a exportação dessas mercadorias, não existem documentos capazes de comprovar tais alegações e dessa forma, não há como aceitar os argumentos trazidos pelo contribuinte. ATO CONCESSORIO 0636-94/000040-6 Alegou a fiscalização que: "por meio desse ato concessório pretendia importar 1500 conjuntos para fabricação e exportação de 1500 motocicletas. A quantidade rr(S/ 6 Processo n° 10314.004447/00-88 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.119 Fl. 970 efetivamente importada foi de 1200. Pelo anexo de exportação do relatório de comprovação (fls. 430) poder-se-ia concluir precipitadamente que o incentivo foi integralmente cumprido, pois indica que 1200 motos foram exportadas. Todavia esse número será menor, por dois motivos: a) Os registros de exportação 95/0317836-001 e 95/0317836-002 (fls. 536 a 538) não pertencem ao ato em questão. Assim, as 36 motocicletas que lhes correspondem devem ser subtraídas do relatório de comprovação por serem inválidas para comprovação do regime; b) Em 23.09.94 foi desembaraçada a primeira declaração de importação, a de número 60.503 (fls. 539 a 653). Por meio dela foram introduzidos 300 conjuntos de peças, o que permitiria fabricar e exportar 300 motocicletas. O número de motos exportadas, contudo, foi 372 — 60 em 15.09.94, 192 em 21.10.94, 96 em 02.11.94 e 24 em 18.11.94. Como o drawback é um regime aduaneiro que tem por princípio a aplicação de matéria-prima ou peças na fabricação de produtos a serem exportados, fica claro que 72 unidades só poderiam ter sido produzidas se houvesse um volume de importações que as justificasse, ou seja, se houvesse a importação de mais 72 conjuntos de peças anteriormente àquelas exportações, e isso não ocorreu (todas as demais importações ocorreram em 1995). Os dois motivos, a e b, perfazem 108 unidades exportadas que não podem ser validamente aceitas para comprovação do incentivo. Em conseqüência, cabe a constituição do crédito correspondente a 108 dos 1200 conjuntos importados, os quais não foram utilizados de acordo com as regras do regime. Para tanto, apurou-se o montante dos impostos de importação e sobre produtos industrializados devidos sobre 108 e 300 conjuntos arrolados nas adições 39 a 79 da declaração de importação 37.174 (fls. 431 a 535)". AUTO DE INFRAÇÃO - Doc. Fls. 413/430 Declaração de Data Quantidade Registro Data Quantidade Importação Exportação 60503 31/08/94 300 — 300 94/0897009-004 15/09/94 60 23395 24/02/95 600-0 94/1029261-006 21/10/94 192 37174 31/03/95 300 - 600 94/1042316-002 02/11/94 96 15374 08102195 0-300 94/1093079-001 18/11/94 24 95/0203094-004 28/03/95 192 9510256412-009 13104195 408 95/0294234-004 30/04/95 192 95/0317836-002 12/05/95 36 (fls.536-538)* TOTAL 1200 1200 /t9/9 7 * Este Registro de Exportação está vinculado ao Ato Concessório 063695/00005-0, referente a 192 unidades. Aduz o contribuinte que pelo motivo "a", 36 motocicletas devem ser subtraídas do Relatório de Comprovação aprovado pelo DECEX porque o Registro de Exportação 95/0317836-001/002 não pertence ao Ato Concessório 0636-94/000040-6, mas sim ao Ato Concessório 0636-95/000005-0. Com a finalidade de comprovar que a autuação está equivocada, o contribuinte alega que o RE 95/0317836-001/002 foi indicado no Ato Concessório 0636- 94/000040-6, mas que na verdade, está vinculado ao Ato Concessório 0636-95/000005-0, vez que, foi utilizado a sua quantidade total (192 unidades) para baixa deste último Ato. O Registro de Exportação que comprova a exportação de 36 unidades de motocicleta é o de no. 95/0560711-001, de 22/07/1995. Ocorre que, mais uma vez, o contribuinte não trouxe aos autos cópia do Registro de Exportação n°. 95/0560711-001, que vincula a exportação de 36 unidades ao Ato Concessório n°. 0636-94/000040-6. !! Com relação ao motivo "b", a fiscalização apurou uma exportação a maior de 72 unidades, que não teriam comprovação de entrada no País, tendo em vista que através da Declaração de Importação n°. 60503, de 31/08/94, foram importadas 300 unidades de motocicletas, sendo exportadas 372 unidades. Para comprovar o equivoco da autoridade fiscal, alega o contribuinte que a fiscalização não considerou a DI 37174, de 31/05/95, que importou 300 unidades de motocicletas, bem como o RE substituto 95/0560711-001, de 22/07/95, que comprovou a exportação de 36 unidades. Entretanto, o contribuinte não trouxe aos autos o Registro de Exportação acima citado para comprovar os dois motivos que ensejaram a autuação 108 unidades. Dessa forma, em virtude do contribuinte não ter apresentado documentos que comprovem a sua alegação, não há como verificar se o Regime de Drawback foi cumprido. No processo administrativo, pode-se dizer que o ônus da prova é dividido entre as partes. É o que doutrina de Hugo de Brito Machado': "O desconhecimento da teoria da prova, ou a ideologia autoritária, tem levado alguns a afirmarem que no processo administrativo fiscal o ônus da prova é do contribuinte. Isto não é, nem poderia ser correto em um Estado de Direito democrático. O ônus da prova no processo administrativo fiscal é regulado pelos princípios fundamentais da teoria da prova, expressos, aliás, pelo Código de Processo Civil, cujas normas são aplicáveis ao processo administrativo fiscal. No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a 1 Machado, Hugo de Brito; Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 5. ed., São Paulo: Dialética, 2003, p.2'73 8 Processo n° 10314.004447/00-88 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.119 Fl. 971 constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, 1). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situacão de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo. e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil". (grifado) Depreende-se da leitura do texto acima transcrito que a alegação de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do crédito tributário deve ser comprovada pelo contribuinte. O contribuinte alegou que o Regime de Drawback foi cumprido, pela substituição de alguns Registros de Exportação. Dessa forma, caberia ao contribuinte comprovar a alegação de que houve o cumprimento do Regime Especial de Drawback. Não havendo prova do direito alegado, o mesmo não pode ser aceito. Frente a tais, entendo por não cumprido o regime de drawback e voto pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, para considerar integralmente procedente o lançamento consubstanciado no Auto de Infração de fls. 06/50. É como voto. 1 • tV SUSY GO'• S HOFF ANN 9
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Numero do processo: 10920.000393/2003-84
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2000, 2001, 2002
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11).
DEDUÇÔES. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DEPENDENTES. COMPROVAÇÃO.
À míngua de comprovação, rejeita-se as pretensas deduções a título de contribuição à previdência oficial e dependentes.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2801-002.007
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1565; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 102 1 101 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.000393/200384 Recurso nº 179.302 Voluntário Acórdão nº 280102.007 – 1ª Turma Especial Sessão de 26 de outubro de 2011 Matéria IRPF Recorrente GEOVANI CARVALHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001, 2002 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11). DEDUÇÔES. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DEPENDENTES. COMPROVAÇÃO. À míngua de comprovação, rejeitase as pretensas deduções a título de contribuição à previdência oficial e dependentes. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Fl. 115DF CARF MF Emitido em 23/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/11/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10920.000393/200384 Acórdão n.º 280102.007 S2TE01 Fl. 103 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 28.785,93, referente aos exercícios de 2000, 2001 e 2002, a título de imposto (R$ 14.241,21), acrescido da multa de ofício equivalente a 75% do valor do tributo apurado (R$ 10.680,90), além dos juros de mora (R$ 3.863,82). O lançamento é decorrente da apuração de dedução indevida a título de contribuição à previdência oficial, dependentes, despesas médicas e livrocaixa. Em sua impugnação, o contribuinte apresentou as razões de defesa abaixo, extraídas do Acórdão recorrido: a) as deduções declaradas a título de contribuição à previdência oficial correspondem exatamente aos valores descontados de seus rendimentos; b) só foram declaradas como dependentes pessoas que efetivamente dependem financeiramente do contribuinte; c) as deduções declaradas a título de despesas médicas se referem a pagamentos efetuados a plano de saúde e a profissionais dessa área; d) as deduções declaradas a título de despesas com instrução se referem a pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino particular; e) as despesas declaradas a título de livro caixa se referem à contribuição mensal obrigatória (DAS) ao sindicato de sua categoria profissional; f) a contribuição paga ao sindicato é necessária para que o contribuinte participe do rodízio de chamada. A 5ª Turma da DRJ/FNS/SC, conforme Acórdão de fls. 94/97, julgou procedente em parte o lançamento para restabelecer a parcela de R$ 1.820,40 da dedução a título de contribuição à previdência oficial, referente ao anocalendário 2001. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 05/02/2009 (fl. 100), o interessado interpôs recurso voluntário de fl. 101, em 17/02/2009. Em sua defesa, requer o cancelamento do auto de infração, tendo em vista que decorreram mais de cinco anos entre a data da notificação e a data do julgamento. Também contesta os valores glosados do INSS devidamente registrado pela OGMO, bem como dos dependentes que são seus filhos devidamente comprovados. É o relatório. Voto Fl. 116DF CARF MF Emitido em 23/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/11/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10920.000393/200384 Acórdão n.º 280102.007 S2TE01 Fl. 104 3 Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Inicialmente, no que tange à suscitada prescrição, importa esclarecer que o prazo de prescrição só tem iniciada a sua contagem a partir da decisão definitiva no processo administrativo fiscal, vale dizer que, enquanto não resolvido o litígio, nenhum prazo de caducidade achase em curso. Esse entendimento já é posição sumulada neste Conselho: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF nº 11) No que tange à reclamada dedução à titulo de contribuição à previdência oficial, há de se corroborar o entendimento da decisão recorrida, pois, pelo que consta dos autos, o contribuinte somente apresentou o comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte de fl. 116 ou 07/08, referente ao anocalendário de 2001, que registra desconto relativo a previdência oficial no montante de R$ 2.168,94. Entretanto, somente a parcela de R$ 1.820,40 foi restabelecida, tendo em vista os limites máximos fixados pela legislação previdenciária vigente durante o ano de 2001. Ressatese que, conforme previsão legal, cabe ao contribuinte que recebe de mais de uma fonte, ao ser descontado pelo teto da contribuição previdenciária, informar às demais fontes para não sofrer mais retenção. Caso sofra, pode pedir a restituição. Por óbvio, se o valor retido é passível de restituição, não pode ser deduzido para fins de cálculo do IR. Também devem ser mantidas as glosas dos dependentes Jean de Carvalho e Alessandro de Carvalho irmãos do contribuinte, dado que não restou comprovado que o recorrente detêm a guarda judicial deles. Verificase, inclusive, que, no anocalendário de 2001, Alessandro de Carvalho já tinha mais de 21 anos. Nesse caso, para que pudesse ser considerado dependente, seria necessário que restasse comprovada a sua incapacidade física ou mental para o trabalho, o que também deixou de ser provado. Ainda, não há como acatar a dedução do dependente Lucas Veiga de Carvalho, eis que o único documento apresentado consiste na cópia do oficio judicial (ação revisional de alimentos) juntada à fl. 90, datado de 05/07/2002, que determinou fosse descontado, mensalmente, da remuneração do contribuinte, a importância correspondente a 01 (um) saláriomínimo e 1/7 (um sétimo) a título de pensão alimentícia. Além disso, foi definido que a dita quantia fosse depositada na contacorrente de n° 000355264 da agência n° 0424 da Caixa Econômica Federal, em nome da mãe de Lucas Veiga de Carvalho: Gisele Veiga de Carvalho. Ou seja, este documento não é suficiente para comprovar a relação de dependência de Lucas Veiga de Carvalho nos anoscalendários de 1999, 2000 e 2001. Aliás, sequer foi apresentada a certidão de nascimento de Lucas Veiga de Carvalho, para comprovar que ele é filho do recorrente. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Fl. 117DF CARF MF Emitido em 23/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/11/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10920.000393/200384 Acórdão n.º 280102.007 S2TE01 Fl. 105 4 Tânia Mara Paschoalin Fl. 118DF CARF MF Emitido em 23/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 17/11/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN
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