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Numero do processo: 13986.000060/2005-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO
CONTRIBUINTE.
O raciocínio formulado pela recorrente apresenta equívoco evidente ao dizer que demonstrou seus créditos conforme intimação da auditoria-fiscal, e bem por isso não apresentou a comprovação de seus créditos na manifestação de inconformidade. Ora, a manifestação de inconformidade é o recurso manejável contra o despacho decisório que apontou a ilegitimidade da comprovação apresentada pela recorrente com pertinência aos créditos pleiteados. Cumpria à manifestante apontar nos autos os documentos que eventualmente comprovariam seus créditos, ou trazer cópia deles, de forma organizada, para que os julgadores pudessem analisar tais comprovantes.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. VENDAS EFETUADAS COM
SUSPENSÃO, ALÍQUOTA ZERO OU NÃO-INCIDÊNCIA. CONDIÇÕES
DE CREDITAMENTO.
Para fins de caracterização de creditamento de imposto, a data que vale é a data da nota fiscal representativa do negócio jurídico, e não a data da efetiva entrada dos bens adquiridos em seus estabelecimentos. Os arts. 3º das Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003 quando tratam de créditos a serem descontados da base de cálculo das contribuições em tela, usam as expressões
bens adquiridos para revenda e bens e serviços utilizados como insumo, ficando clara a necessidade da aquisição jurídica no primeiro caso e da aquisição jurídica e entrada física, no segundo (para os insumos). Demais disso, os §§ 8º e 9º do precitado artigo das Leis manda serem observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES
DE CREDITAMENTO.
As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tão-somente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. ESTOQUE DE ABERTURA
DE CRÉDITOS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
Em virtude de o estoque de abertura de créditos, neste caso, ter sido recalculado em função da glosa do item embalagens (foram subtraídos da base de crédito dos estoques de abertura em 31.01.2004, o valor de R$ 551.083,05, estoque de embalagens, pois essas foram utilizadas exclusivamente no transporte dos produtos), a manutenção daquela glosa tem reflexos negativos para a recorrente também neste item.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES.
CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não-cumulatividade, as aquisições de serviços de frete que: estejam relacionados à aquisição de bens para revenda; sejam tidos como um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem; estejam associadas à operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM
COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE
CREDITAMENTO.
Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não-cumulatividade, as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM
DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
Apenas os bens do ativo permanente que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da não-cumulatividade.
CÁLCULO DO RATEIO PROPORCIONAL DOS CUSTOS
VINCULADOS ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO.
A rubrica Outras receitas integram o total das receitas, mas não
necessariamente a receita total sujeita à incidência não-cumulativa. Para que ficasse evidenciada a impropriedade do cálculo apresentado pela recorrente, devia a auditoria-fiscal
provar que as Outras receitas eram decorrentes de operações que, por suas naturezas, fossem sujeitas à incidência não-cumulativa.
Em outras palavras, aqui o ônus de provar o erro do cálculo
apresentado pela recorrente é da auditoria-fiscal, pois Outras receitas é rubrica residual, que engloba todas as demais receitas não incluídas nas linhas anteriores do DACON, inclusive as decorrentes de venda de bens do ativo permanente, sendo irrelevante a classificação contábil adotada para essas receitas, e assim não devem entrar automaticamente na parcela do denominador para que se encontre o percentual de rateio referente às receitas de exportação.
Numero da decisão: 3101-000.796
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em: dar
provimento ao recurso quanto ao rateio proporcional; negar provimento ao recurso quanto às glosas de vendas com suspensão, com alíquota zero ou não incidência, de fretes, de combustíveis e de depreciação; e por voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto às glosas de embalagens e de estoque de abertura de créditos. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Vanessa Albuquerque Valente e Wilson Sampaio Sahade Filho, que
davam provimento ao recurso, nessa parte.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. O raciocínio formulado pela recorrente apresenta equívoco evidente ao dizer que demonstrou seus créditos conforme intimação da auditoriafiscal, e bem por isso não apresentou a comprovação de seus créditos na manifestação de inconformidade. Ora, a manifestação de inconformidade é o recurso manejável contra o despacho decisório que apontou a ilegitimidade da comprovação apresentada pela recorrente com pertinência aos créditos pleiteados. Cumpria à manifestante apontar nos autos os documentos que eventualmente comprovariam seus créditos, ou trazer cópia deles, de forma organizada, para que os julgadores pudessem analisar tais comprovantes. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. VENDAS EFETUADAS COM SUSPENSÃO, ALÍQUOTA ZERO OU NÃOINCIDÊNCIA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Para fins de caracterização de creditamento de imposto, a data que vale é a data da nota fiscal representativa do negócio jurídico, e não a data da efetiva entrada dos bens adquiridos em seus estabelecimentos. Os arts. 3º das Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003 quando tratam de créditos a serem descontados da base de cálculo das contribuições em tela, usam as expressões bens adquiridos para revenda e bens e serviços utilizados como insumo, ficando clara a necessidade da aquisição jurídica no primeiro caso e da aquisição jurídica e entrada física, no segundo (para os insumos). Demais disso, os §§ 8º e 9º do precitado artigo das Leis manda serem observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Fl. 1211DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. ESTOQUE DE ABERTURA DE CRÉDITOS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Em virtude de o estoque de abertura de créditos, neste caso, ter sido recalculado em função da glosa do item embalagens (foram subtraídos da base de crédito dos estoques de abertura em 31.01.2004, o valor de R$ 551.083,05, estoque de embalagens, pois essas foram utilizadas exclusivamente no transporte dos produtos), a manutenção daquela glosa tem reflexos negativos para a recorrente também neste item. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da nãocumulatividade, as aquisições de serviços de frete que: estejam relacionados à aquisição de bens para revenda; sejam tidos como um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem; estejam associadas à operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da nãocumulatividade, as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas os bens do ativo permanente que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da nãocumulatividade. CÁLCULO DO RATEIO PROPORCIONAL DOS CUSTOS VINCULADOS ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. A rubrica Outras receitas integram o total das receitas, mas não necessariamente a receita total sujeita à incidência nãocumulativa. Para que ficasse evidenciada a impropriedade do cálculo apresentado pela recorrente, devia a auditoriafiscal provar que as Outras receitas eram decorrentes de operações que, por suas naturezas, fossem sujeitas à incidência não cumulativa. Em outras palavras, aqui o ônus de provar o erro do cálculo apresentado pela recorrente é da auditoriafiscal, pois Outras receitas é rubrica residual, que engloba todas as demais receitas não incluídas nas linhas anteriores do DACON, inclusive as decorrentes de venda de bens do ativo permanente, sendo irrelevante a classificação contábil adotada para essas receitas, e assim não devem entrar automaticamente na parcela do denominador para que se encontre o percentual de rateio referente às receitas de exportação. Fl. 1212DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13986.000060/200541 Acórdão n.º 310100.796 S3C1T1 Fl. 1.552 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em: dar provimento ao recurso quanto ao rateio proporcional; negar provimento ao recurso quanto às glosas de vendas com suspensão, com alíquota zero ou não incidência, de fretes, de combustíveis e de depreciação; e por voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto às glosas de embalagens e de estoque de abertura de créditos. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Vanessa Albuquerque Valente e Wilson Sampaio Sahade Filho, que davam provimento ao recurso, nessa parte. (assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Relator. EDITADO EM: 10/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Wilson Sampaio Sahade Filho, Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro e Vanessa Albuquerque Valente e Corintho Oliveira Machado. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins nãocumulativa, relativos ao terceiro trimestre de 2004. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Joaçaba/SC pelo seu deferimento parcial (Despacho Decisório, às folhas 1438 e 1439, e Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal, às folhas 1417 a 1437), fazendoo com base no não acatamento da apuração de créditos em relação às seguintes operações: Fl. 1213DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 (a) apuração indevida de créditos em relação a operações de vendas efetuadas com suspensão, alíquota zero ou não incidência: apesar de a contribuinte, como exportadora de maçãs, deter o benefício de preservação de créditos relativos aos insumos adquiridos e de ver ressarcidos os saldos credores apurados, tal direito restringese aos saldos credores acumulados a partir de 09/08/2004. Assim, como a contribuinte utilizouse de aquisições anteriores a esta data, foram glosados os créditos respectivos; (b) aquisição de embalagens destinadas somente ao transporte dos produtos industrializados: entendeu a autoridade fiscal que, dentre as embalagens adquiridas, estariam incluídas algumas que se destinariam apenas ao transporte de produtos elaborados, o que as descaracterizaria como "embalagens de apresentação" e justificaria sua exclusão da lista de embalagens passíveis de gerarem créditos. Em razão do critério adotado, não apenas foram efetuadas as glosas respectivas, como também foram excluídos, do estoque existente em 31/01/2004, para fins de cálculo do estoque de abertura passível de geração de créditos, os valores referentes às embalagens para transporte existentes em estoque até aquela data; (c) aquisição de serviços de transportes não vinculados a operações de venda: a autoridade fiscal glosou os créditos apropriados pela contribuinte relativos a aquisição de serviços de transporte vinculados a compra de produtos, a transporte de funcionários, a fretes de documentos e a fretes de produtos entre matriz e filial, entre outros. Afirma a autoridade fiscal que apenas o transporte associado às operações de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, é que dá direito ao creditamento a título da contribuição; (d) aquisição de combustíveis e lubrificantes não caracterizados como insumos no processo produtivo: a autoridade fiscal glosou os créditos relativos às aquisições de combustíveis e lubrificantes consumidos por diversos automóveis da contribuinte, bem como às aquisições de tintas, tinner, pneus e remédios, com base da afirmação de que só dão direito ao creditamento as aquisições de combustíveis e lubrificantes aplicados diretamente no cultivo da maçã; (e) depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado: em relação aos créditos apurados no mês de julho de 2004, foram eles glosados em razão de que estariam associados a "máquinas e equipamentos que não são utilizados na produção de bens destinados à venda, no caso específico a produção de maçã". Já em relação aos créditos apurados nos meses de agosto e setembro de 2004, alega a autoridade fiscal que apenas os bens incorporados ao ativo imobilizado por meio de aquisições efetuadas a partir de 01/05/2004 é que dão direito a crédito em face de depreciação; assim, foram glosados os créditos efetuados a título de depreciação relativos a bens do ativo imobilizado adquiridos antes desta data. Além das glosas de créditos acima indicadas, constatou a autoridade fiscal, ainda, outra irregularidade: a incorreta Fl. 1214DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13986.000060/200541 Acórdão n.º 310100.796 S3C1T1 Fl. 1.553 5 apuração do rateio proporcional destinado à segregação dos créditos relativos às operações de exportação dos créditos relativos às operações no mercado interno. É que a contribuinte, ao efetuar o cálculo dos percentuais relativos ao mencionado rateio proporcional, teria deixado de incluir na receita bruta total os valores lançados nas linhas 07 e 09 da Ficha 07 da DACON a título de "outras receitas", distorcendo, com isso, a apuração dos percentuais. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, encaminhou a contribuinte, por meio de seu procurador, a manifestação de inconformidade às folhas 1441 a 1473, na qual contesta a decisão da DRF/Joaçaba/SC, pelas razões a seguir expostas. Inicialmente, no item 3.1.1, às folhas 1443 a 1446, contesta a contribuinte a glosa dos créditos relativos às operações de vendas efetuadas com suspensão, alíquota zero ou não incidência. E o faz afirmando que incorreu a autoridade fiscal em erro ao considerar, na aferição da data limite de 09/08/2004 (prevista na lei como marco inicial para a apuração de saldos credores), a data constante das notas fiscais de aquisição de insumos. Entende que a data a ser considerada é a da efetiva entrada dos bens adquiridos em seus estabelecimentos, como consta de sua escrituração. Afirma que, consideradas as datas das entradas efetivas, nenhuma das aquisições teria sido efetuada antes de 09/08/2004. No item 3.1.2, às folhas 1446 a 1454, contesta a contribuinte a glosa dos créditos relativos às aquisições de embalagens, discordando da assertiva fiscal de que as mesmas foram utilizadas unicamente no transporte de produtos e que não serviram à valorização da apresentação dos produtos ou a indicação promocional. Assim se expressa (folha 1447): Na realidade, as embalagens utilizadas, tanto internas como externas, além da proteção à integridade de seu conteúdo (no caso específico a maçã), ainda tem objetivo promocional, tanto do produto como da marca utilizada pela requerente, o que conseqüentemente vem a valorizar o produto, elevam os insumos na elaboração dos produtos (veja‐se os valores expressivos glosados), motivam a compra do produto, inclusive pela marca apresentada, e, caracterizando inclusive embalagem de apresentação, conforme se infere nas fotos anexas (Doc. 1). Inclusive porquê, a marca da requerente é valorizada e conhecida, e ainda divulgada tanto no mercado interno como no mercado externo. A prova disso é a nova marca e embalagem que passou a ser usada no mercado externo a partir de 2007 para atrair novos clientes internacionais, de nome "snow apple", anexa foto ao Doc. 1. Alega, também, que a legislação em vigor permite a utilização de créditos das compras de embalagens, considerada insumos Fl. 1215DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 pela requerente, sem a restrição imposta pela autoridade fiscal. Faz expressa remissão aos artigos 3.o e 5.o da Lei n.o 10.637/2002, ao artigo 66 da Instrução Normativa SRF n.o 247/2002 e ao artigo 8.o da Instrução Normativa SRF n.o 404/2004, para fins de afirmar que tanto a Lei quanto os atos da Receita Federal, quando tratam de insumos, o fazem incluindo entre eles as embalagens, sem quaisquer restrições, já que elas (as embalagens) fazem parte do produto final destinado à venda. Menciona a contribuinte, ainda, disposições de outros tributos (IPI e ICMS) e de outra figura jurídicotributária (o crédito presumido do IPI) que, a seu juízo, também autorizariam uma acepção ampla para o conceito de insumo. E faz referência a manifestações administrativas (consulta respondida pela SRRF da 2.a Região Fiscal e decisão da DRJ/Salvador/BA) que estariam a respaldar seu entendimento. Na seqüência, no item 3.1.3, às folhas 1454 a 1460, insurgese a contribuinte contra a glosa dos créditos relativos à aquisição de serviços de transportes. Entende que "todos os bens e serviços utilizados como insumos, na fabricação de bens e produtos destinados à venda, são autorizados a escrituração de créditos, tendo o contribuinte / requerente agido de acordo com os ditames legais" (folha 1454). Alega que em relação aos serviços em geral utilizados como insumos, que englobam os serviços de transportes utilizados para o transporte das compras dos insumos, o direito de crédito está expressamente garantido pelo inciso II do artigo 3.o e pelo artigo 5.o da Lei n.o 10.637/2002; também os incisos II e IX do artigo 3.o da Lei n.o 10.833/2003, trariam esta garantia. Em relação especificamente ao inciso IX do artigo 3.o da Lei n.o 10.833/2003, argumenta a contribuinte que (folhas 1455): O que podemos extrair desse inciso, é que também, quando o vendedor suportar o ônus do frete, quando da venda de seus produtos, também poderá apropriar o crédito, porém, essa é mais uma opção de crédito, e não pode ser entendido como uma restrição em relação aos serviços utilizados como insumos. Assim, se para aquisição de determinado insumo para a fabricação / produção do produto, é necessário o desembolso com o frete, este está também amparado pelo direito ao crédito. Da mesma forma, se para a fabricação / produção do produto, é necessário a utilização de serviços correspondentes, esse também está amparado pelo direito ao crédito, entre eles: fretes pagos com o transporte dos funcionários que fazem a colheita da maçã, fretes pagos de produtos (insumos) entre matriz e filiais, entre outros. Como os locais de produção, são distantes entre um e outro local, é necessário o pagamento de frete para o transporte dos produtos (insumos) que estão em estoque para o local de produção, a ser utilizado na formação do produto destinado à venda. Ao final deste item de sua manifestação de inconformidade, alega a contribuinte que seu entendimento está corroborado não Fl. 1216DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13986.000060/200541 Acórdão n.º 310100.796 S3C1T1 Fl. 1.554 7 apenas por soluções de consulta prolatadas por algumas SRRF (transcritas no texto), mas também pelos próprios termos das instruções de preenchimento da DACON e da alínea "b" do inciso I do parágrafo 5.o do artigo 66 da Instrução Normativa SRF n.o 247/2002, que orientam no sentido de que os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, são tidos como insumos para fins de direito a crédito. Em outro item de sua manifestação de inconformidade. o 3.1.4, às folhas 1460 a 1463, contesta a contribuinte a glosa de créditos relativos à aquisição de combustíveis e lubrificantes. Afirma que seu direito ao crédito está expresso de forma literal tanto no inciso II do artigo 3.o da Lei n.o 10.833/2003 quanto no inciso II do artigo 3.o da Lei n.o 10.637/2002, dispositivos estes que determinam o direito dos contribuintes de se aproveitarem de créditos calculados em relação a "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". Cita, ainda, os termos da alínea "b" do inciso I do artigo 66 da Instrução Normativa SRF n.o 247/2002, que reproduz a autorização legal posta naquelas Leis. A partir destes atos legais, argumenta a contribuinte que o Despacho Decisório da DRF/Joaçaba/SC impôs restrições não legalmente postas. Reafirma seu direito aos créditos, "mesmo porquê, sendo a atividade da requerente/contribuinte, o cultivo de maçã, é necessário a preparação do solo, a preparação da terra, drenagem, entre outras atividades, para a garantia da formação e produção do produto, sendo necessário utilizarse de máquinas e outros equipamentos movidos a combustíveis e lubrificantes para a fabricação ou produção do produto da venda" (folha 1463). No item 3.1.5, às folhas 1463 e 1464, a contribuinte faz menção à glosa efetuada em relação ao crédito associado ao estoque de abertura existente em 31/01/2004. Como a autoridade fiscal glosou créditos relativos a despesas com embalagens e, em face disto, acabou recalculando o valor dos créditos referentes ao estoque de abertura (pela exclusão dos créditos vinculados às embalagens objeto de glosa), limitase a contribuinte a contestar o recálculo por via da reafirmação de sua discordância quanto às mencionadas glosas dos créditos de embalagens (item 3.1.2). No item 3.1.6, às folhas 1464 a 1468, discorda a contribuinte da glosa dos créditos vinculados aos encargos com depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado. Assim se expressa: Na análise dos créditos pleiteados pelo contribuinte, foram subtraídos da linha 7/9 da ficha 7 da DACON (encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado), o valor de R$ 71.982,23 (...), relativo encargos de depreciação, pois foram considerados que mencionados encargos não fazem parte de Fl. 1217DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 8 máquinas do processo produtivo para efeito de apuração dos créditos de Cofins. Conforme consta em relatórios inseridos no processo administrativo em exame, segue alguns exemplos outros: carretão c/ rolete (transporte maçãs), registrador eletrônico de temperatura (câmaras frigoríficas, entre outros, indispensáveis para a formação do produto da venda. Entende a contribuinte que seu direito ao crédito está expresso de forma literal tanto no inciso III do parágrafo 1.o do artigo 3.o da Lei n.o 10.637/2002 quanto no inciso III do parágrafo 1.o do artigo 3.o da Lei n.o 10.833/2003, dispositivos estes que determinam o direito dos contribuintes de se aproveitarem de créditos calculados em relação a "encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês". Cita, ainda, os termos do artigo 4.o do Ato Declaratório SRF n.o 02/2003, no qual está expresso que "a apuração dos créditos decorrentes de depreciação e de amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do art. 3.o da Lei n.o 10.637, de 2002, alcança os encargos incorridos em cada mês, independentemente da data de aquisição desses bens". Alega, assim, que "a legislação argumentada e apresentada não fazem as restrições apontadas pela análise fiscal. Motivo pelo qual é legítimo o direito do contribuinte" (folha 1467). No item 3.1.7 de sua manifestação de inconformidade, à folha 1468, contesta a contribuinte o critério adotado pela autoridade fiscal para o cálculo do rateio proporcional dos créditos vinculados a operações de exportação e a operações no mercado interno. Entende que aplicou o critério segundo as instruções de preenchimento da DACON, razão pela qual pleiteia a manutenção do cálculo original. Ao final de sua manifestação de inconformidade, às folhas 1469 a 1471, resume a contribuinte suas razões de discordância, nos seguintes termos: a) Aquisições anteriores a 09.08.204 ‐ Do direito de crédito das vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS: os valores subtraídos na análise tributária são indevidos, pois as entradas ocorreram a partir de 09 de agosto de 2004, sendo legítimos a apropriação de referidos créditos. as datas mencionadas no relatório emitido pela análise tributária, referem‐se à data de emissão de referidos documentos, porém, a entrada efetivou‐se nos livros fiscais conforme entrada no estabelecimento da requerente, ou seja, a partir de 09 de agosto de 2004, conforme se verifica nos livros fiscais de entrada da requerente, inseridos no processo administrativo em debate. b) Das embalagens utilizadas como insumos, inclusive embalagens do estoque de abertura em 31.01.2004: as embalagens foram consideradas pela análise fiscal como destinadas somente ao transporte dos produtos. Porém, as embalagens utilizadas pela requerente, além de proteger o Fl. 1218DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13986.000060/200541 Acórdão n.º 310100.796 S3C1T1 Fl. 1.555 9 produto, tem efeitos promocionais, elevam as despesas, motivam a compra do produto em vista da marca apresentada, e servem de embalagem de apresentação valorizando a marca e produto da requerente, entre outros efeitos. Ademais, a legislação argumentada e apresentada não fazem as restrições apontadas pela análise fiscal. Motivo pelo qual é legítimo o direito do contribuinte. c) Das aquisições de serviços de transportes utilizados como insumos: pela análise fiscal, apenas os fretes relativos a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda autorizam o crédito do imposto, ignorando‐se os fretes pagos quando da aquisição de insumos e prestação de serviços aplicados nos produtos das vendas e também de transferência de insumos entre um e outro estabelecimento. Nesse caso, também a legislação argumentada e apresentada não fazem as restrições apontadas pela análise fiscal. Motivo pelo qual é legítimo o direito do contribuinte. d) Das aquisições de combustíveis e/ou lubrificantes: pela análise fiscal, os combustíveis e lubrificantes não fazem parte do processo produtivo para efeito de apuração dos créditos da COFINS, e por esse motivo foram desconsiderados. Porém, sendo a atividade da requerente / contribuinte, o cultivo de maçã, é necessário a preparação do solo, a preparação da terra, drenagem, entre outras atividades, para a garantia formação e produção do produto, sendo necessário utilizar‐se de máquinas e outros equipamentos movidos a combustíveis e lubrificantes para a fabricação ou produção do produto da venda. A legislação argumentada e apresentada não fazem as restrições apontadas pela análise fiscal. Motivo pelo qual é legítimo o direito do contribuinte. e) Dos encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado: na análise dos créditos pleiteados pelo contribuinte, foram desconsiderados os encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, pois foram considerados que mencionados encargos não fazem parte de máquinas do processo produtivo para efeito de apuração dos créditos de PIS. Segue alguns exemplos de máquinas ou equipamentos utilizados no processo produtivo, entre outros: carretão c/ rolete (transporte maçãs), registrador eletrônico de temperatura (câmaras frigoríficas, entre outros, indispensáveis para a formação do produto da venda. A legislação argumentada e apresentada está em vigor, e não fazem as restrições apontadas pela análise fiscal. Motivo pelo qual é legítimo o direito do contribuinte. f) Cálculo do Rateio Proporcional: pela análise tributária, houve alteração da forma de cálculo do Rateio Proporcional, porém, o cálculo do contribuinte foi de acordo com Fl. 1219DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 10 instruções de preenchimento da DACON, e a autoridade administrativa não apresentou base legal para alteração do cálculo. Em face do todo exposto, a requerente agiu em conformidade com a lei, na apropriação dos créditos pleiteados no processo administrativo, objeto de julgamento pelo despacho decisório em questão, motivo pelo qual, requer, o deferimento total dos créditos pleiteados com a reforma da decisão no despacho decisório. A DRJ em FLORIANÓPOLIS/SC julgou procedente o lançamento, ementando assim o acórdão: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. As diligências, passíveis de serem promovidas em sede de julgamento administrativo, não se destinam a suprir a omissão na produção da prova por parte daquele a quem tal ônus incumbia, mas apenas à dirimição de dúvidas pontuais acerca dos elementos de prova trazidos aos autos. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004 AQUISIÇÃO E VENDA DE BENS. MOMENTO DA OCORRÊNCIA. NOTA FISCAL Para fins tributários, é por meio das notas fiscais documentos de emissão obrigatória por todas as pessoas jurídicas, civis e mercantis, no ato da comercialização de bens, produtos, mercadorias e serviços , que é possível à fiscalização fazendária proceder ao levantamento do tributo. Por via das notas fiscais é que são aferidas, em regra, as datas de aquisição ou venda de bens, datas estas que se mostram como as relevantes para a apuração das aquisições e vendas efetuadas em cada mês. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais Fl. 1220DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13986.000060/200541 Acórdão n.º 310100.796 S3C1T1 Fl. 1.556 11 como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade, as aquisições de serviços de frete que: estejam relacionados à aquisição de bens para revenda; sejam tidos como um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem; estejam associadas à operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade, as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas os bens do ativo permanente que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da não cumulatividade. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL PARA ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS. O percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para aplicação do rateio proporcional previsto para a apuração de créditos da contribuição, referente a custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele resultante do somatório somente das receitas que, efetivamente, foram incluídas nas bases de cálculo de incidências e recolhimentos nos regimes da nãocumulatividade e da cumulatividade. Fl. 1221DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 12 Solicitação Indeferida. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 1.509 e seguintes, onde não aponta preliminares, e no mérito, diz que: i) não transferiu para o julgador o ônus da prova, pois as provas já faziam parte do processo administrativo. Na manifestação de inconformidade não foi apresentada a composição dos créditos porque a contribuinte já havia apresentado todos os elementos necessários para a auditoriafiscal, tanto é que parte do pedido foi deferida e outra, indeferida, mencionando inclusive o quantum deferido; ii) a glosa dos créditos relativos às operações de vendas efetuadas com suspensão, alíquota zero ou nãoincidência é ilegítima, pois a auditoriafiscal errou ao considerar, na aferição da data prevista na lei como marco inicial para a apuração de saldos credores, a data constante das notas fiscais de aquisição de insumos; a data a ser considerada é a da efetiva entrada dos bens adquiridos em seus estabelecimentos, como consta de sua escrituração, e consideradas as datas das entradas efetivas, nenhuma das aquisições teria sido efetuada antes de 09/08/2004; iii) as embalagens utilizadas pela recorrente, além de proteger o produto, tem efeitos promocionais, elevam as despesas, motivam a compra do produto em vista da marca apresentada, e servem de embalagem de apresentação, valorizando a marca e produto da recorrente, entre outros efeitos. Ademais, a legislação da COFINS não faz as restrições apontadas; iv) pela análise fiscal, apenas os fretes relativos a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda autorizam o crédito do imposto, ignorandose os fretes pagos quando da aquisição de insumos e prestação de serviços aplicados nos produtos das vendas e também de transferência de insumos entre um e outro estabelecimento; v) sendo a atividade da recorrente, o cultivo de maçã, é necessária a preparação do solo, a drenagem, entre outras atividades, para garantir a formação do produto, e para tanto utilizase máquinas e outros equipamentos movidos a combustíveis e lubrificantes; vi) sobre o direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens existentes em 31/01/2004 (item 2.2.2. do Despacho Decisório 579/2007), diz que este item não foi contestado no Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, motivo pelo qual devem ser deferido os créditos pleiteados em sua totalidade; vii) foram desconsiderados, erroneamente, encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, ao argumento de que não fazem parte de máquinas do processo produtivo, segue alguns exemplos: carretão c/ rolete (transporte maçãs), registrador eletrônico de temperatura (câmaras frigoríficas), entre outros, indispensáveis para a formação do produto da venda.; e viii) houve alteração, por parte do Fisco, da forma de cálculo do Rateio Proporcional, sem base legal, pois o cálculo do contribuinte foi feito de acordo com as instruções de preenchimento da DACON. Por fim, requer a reforma do acórdão recorrido e a subsistência total da compensação efetivada. Fl. 1222DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13986.000060/200541 Acórdão n.º 310100.796 S3C1T1 Fl. 1.557 13 Após alguma tramitação, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação deste órgão julgador de segunda instância. É o relatório. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. CONSIDERAÇÕES INICIAIS Embora não haja preliminares neste contencioso, tanto a decisão recorrida como o recurso voluntário apresentam algumas considerações iniciais que têm repercussão direta na solução dos demais pontos controversos. A decisão a quo tece comentários acerca do ônus da prova e do conceito de insumos; o recurso voluntário, por seu turno, comenta somente o ônus da prova. Em síntese apertada, a decisão recorrida disse: Ônus da prova (...) No caso específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, o contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem Fl. 1223DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 14 abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. Em regra, portanto, cumpre ao contribuinte vincular registros contábeis a documentos fiscais, estabelecendo com clareza a natureza das operações por eles instrumentadas, não lhe sendo lícito simplesmente juntar uma massa de documentos ao processo, sem indicação individualizada de a quais registros se referem. A atividade de "provar" não se limita, no mais das vezes, a simplesmente juntar documentos aos autos; nos casos em que se tem inúmeros registros associados a inúmeros documentos, provar significa associar registros e documentos de forma individualizada, do mesmo modo que, no caso das provas indiciárias, exigese a contextualização dos fatos por via do cruzamento dos indícios. Não é tarefa do julgador contextualizar os elementos de prova trazidos pelo contribuinte no caso de um pedido de restituição, compensação ou ressarcimento, tanto quanto não é contextualizar os elementos de prova trazidos pela autoridade fiscal no âmbito de um lançamento de ofício. Quem acusa deve provar, contextualizando os elementos de prova que evidenciam a infração; da mesma forma, quem pleiteia repetição deve provar a existência do direito creditório, contextualizando os elementos de prova que evidenciam o indébito. (...) A razão pela qual estas considerações são feitas neste item preambular do voto é a de que, como se verá em relação a grande parte dos créditos pleiteados no presente processo (ver itens a seguir), a contribuinte se limita a apresentar listagens, registros contábeis e documentos nos quais a falta de vinculação entre eles e a imprecisa identificação dos serviços e/ou bens adquiridos como pretensos insumos, impossibilita a perfeita e minudente cognição do conteúdo das operações negociais instrumentadas por aqueles registros, listagens e documentos. O que se quer aqui firmar, portanto, é que quando tal imprecisão na identificação da origem e natureza do crédito atinge de modo generalizado o pedido formulado pelo contribuinte, não há como, em sede de julgamento administrativo, suprir esta omissão do contribuinte (em termos de cumprimento de seus onus probandi) por via, por exemplo, de diligências ou perícias, já que, como acima já foi exposto, tais institutos não se destinam a tanto. Conceito de insumos (...) Como se percebe, as transcritas Instruções Normativas SRF ( nº 247/2002 e nº 404/2004) estabeleceram, de forma explícita, que se deve ter por insumos aqueles bens "que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado". Ou seja, estáse aqui diante de um conceito jurídico de insumo que, apesar de não necessariamente coincidir com o conceito econômico, está formalizado em atos legais que compõem a legislação tributária e que, como já dito, têm efeito vinculante para os agentes públicos que compõem a Administração Tributária Federal. Fl. 1224DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13986.000060/200541 Acórdão n.º 310100.796 S3C1T1 Fl. 1.558 15 É importante ressaltar que a acima posta delimitação do conceito de insumos não fere a Constituição Federal, como afirma parte da doutrina, em razão de que o regime da não cumulatividade do PIS e da Cofins não tem assento constitucional como o têm o IPI e o ICMS. Em verdade, a não cumulatividade destas contribuições está, toda ela, prevista em legislação ordinária, tendo, inclusive, uma sistemática de apuração diversa, por exemplo, do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. No caso do IPI, a nãocumulatividade do imposto é efetivada pelo sistema de crédito, atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período; já no caso do PIS e da Cofins, a legislação vigente permite atribuir créditos não apenas sobre os valores das aquisições efetuadas no mês, mas também sobre despesas e custos incorridos no mês. De outro lado, os créditos, no âmbito do PIS e da Cofins, são apenas aqueles expressamente previstos na legislação, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização da essencialidade ou obrigatoriedade da despesa ou do custo. Assim, como se vê, não há impeditivos constitucionais que impeçam a adoção de contornos delimitados para o conceito de insumo. Por conta destas considerações é que não pode prosperar o argumento de que é da natureza da nãocumulatividade que qualquer custo ou despesa que concorra para a formação da receita deva gerar direito ao crédito. Em verdade, o conceito e o alcance da nãocumulatividade do PIS e da Cofins encontramse definidos em lei, e a terse por correto o argumento posto, terse ia de rejeitar, no mesmo diapasão, qualquer exclusão da base de cálculo das contribuições, já que estas, em princípio, incidem sobre o total das receitas. De outro lado, não se pode dizer, igualmente, que as Instruções Normativas SRF nº 247/2002 e nº 404/2004 tenham extrapolado seus limites legais, criando ou definindo limitações ao uso e gozo de créditos da contribuição. Com efeito, a leitura do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, acima transcritos, já faz perceber que tais dispositivos definem os limites dos créditos a serem aproveitados, deixando claro o escopo dos mesmos, ou seja, os bens e serviços "utilizados no processo produtivo". Portanto, não são as Instruções Normativas que impõem um limite injustificado ao exercício pleno da não cumulatividade que seria o de permitir o creditamento sobre toda e qualquer despesa , mas, ao contrário, essa é uma limitação decorrente de lei, conforme acima visto. Assim, o legislador adotou o critério de enumerar os bens e serviços capazes de gerar crédito, vinculandoos a determinadas atividades e usos, assim como fez ao enumerar de forma minudente as exclusões a serem efetuadas nas bases de cálculo das contribuições. Portanto, as Instruções Normativas apenas esclareceram aquilo que as Leis já previam; em relação, especificamente, ao conceito de insumo, somente elucidam que este deve ser entendido como Fl. 1225DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 16 os bens e serviços utilizados especificamente na fabricação ou produção de bens, não podendo ser considerados como tais, bens ou serviços prestados por pessoas jurídicas que não foram aplicados diretamente na produção. (...) De tal sorte, nos itens seguintes deste voto adotarseá o conceito de insumo resultante do cruzamento dos artigos 3ºs das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 com o artigo 66 da Instrução Normativa SRF nº 247/2002 e com o artigo 8º da Instrução Normativa SRF nº 404/2004. Em outras palavras, não serão considerados como insumos passíveis de geração de créditos, aqueles que não estejam intrinsecamente associados ao processo produtivo da empresa produtora. Da mesma forma, por coerência lógica, não serão admitidos com bens passíveis de gerarem créditos a título de depreciação, aqueles que, apesar de constantes do ativo imobilizado da pessoa jurídica, não estejam intrinsecamente associados ao processo produtivo do empreendimento. O recurso voluntário diz o seguinte sobre ônus da prova: Ônus da Prova: O contribuinte não transferiu para o julgador o ônus da prova. Ref. o ônus da prova: provas já faziam parte do processo administrativo (Doc. 1). O pedido de ressarcimento efetuado pelo contribuinte, conforme instruções da Receita Federal do Brasil, funciona da seguinte maneira: 1º o contribuinte faz o pedido conforme normas da Receita Federal, declarando os valores dos créditos. 2º o auditor fiscal intima o contribuinte para fornecer informações e composições que lhe auxiliem na análise do pedido. 3º O contribuinte apresenta as composições e provas de acordo com pedido do auditor fiscal. 4º o auditor fiscal defere / indefere os créditos apurados e apresentados. Vejase que o pedido do contribuinte é de ressarcimento, e não de restituição. Mesmo se fosse de restituição, a Instrução Normativa nº 600 assim estipula: Art. 3º A restituição a que se refere o art. 2º poderá ser efetuada: (...) § 3º Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do Programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 2º serão apresentados à SRF após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. Grifo Nosso. Fl. 1226DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13986.000060/200541 Acórdão n.º 310100.796 S3C1T1 Fl. 1.559 17 Regularmente intimado, a contribuinte apresentou composição de todos os créditos apurados, nota a nota, tanto é que o auditor fiscal em sua análise, pode quantificar o que iria deferir e o que não seria deferido. Salientase que intimação enviada pela Delegacia da Receita Federal em Joaçaba ao contribuinte foi totalmente cumprida pelo contribuinte (Doc. 1), tanto é que no Despacho Decisório o auditor fiscal não se decidiu pelo indeferimento parcial por falta de documentos ou provas, muito pelo contrário, com os documentos e provas apresentados o auditor fiscal quantificou conforme o entendimento do mesmo, do que seria ou não de direito de crédito ao contribuinte. Portanto, a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, não se tratava em discutir primariamente o montante do crédito em si, mas sim o direito ao crédito, pois em algumas situações apresentadas pela contribuinte, apesar de ter a composição de todos os créditos, o auditor entendeu que ela não teria direito. Na manifestação de inconformidade não foram apresentados composição dos créditos (sic), em vista que, quando do início do processo administrativo, com a intimação pelo auditor fiscal, tudo constante nos autos, a contribuinte apresentou todos os elementos necessários para análise fiscal, tanto é que o auditor fiscal, com base nas informações da contribuinte, deferiu parte do pedido, e indeferiu outra parte, mencionando inclusive o quantum deferido. Os créditos desconsiderados pelo auditor fiscal (totalmente apurados e demonstrados), não foram desconsiderados por falta de demonstração da origem, porém, por interpretação do auditor que tais créditos não seriam de direito do contribuinte. No despacho decisório constante nos autos, o auditor não mencionou falta de provas, porém o indeferimento foi pelo entendimento do mesmo, de que em algumas situações, mesmo com provas do valor, o contribuinte não teria o direito ao crédito. Nesse Norte, o nobre julgador equivocouse quando diz que a contribuinte não demonstrou seu crédito. Pelo contrário a mesma demonstrou, inclusive demonstrando conforme intimação do auditor fiscal. (...) O que se percebe no Acórdão em questão, é que o Julgador menciona folhas do processo administrativo sempre de um determinado número para frente. Ora, para se analisar e decidir, certamente antes dessas folhas existem elementos de prova que auxiliam na decisão que não foram utilizados. A partir desse raciocínio, a recorrente tratou de rebater em cada ponto controverso a seguir, passível de comprovação, (embalagens, serviços de transporte, combustíveis e lubrificantes, depreciação do ativo imobilizado) a carência de comprovação de Fl. 1227DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 18 seus créditos, porquanto ao trazer a documentação para a auditoriafiscal, seus créditos ficaram provados, tanto que o Fisco pôde quantificálos em corretos e incorretos. Pois bem, declinadas as premissas das partes, cabe dizer que as considerações expendidas pelo i. julgador a quo, ao meu sentir, estão bastante razoáveis, tanto no que tange ao ônus da prova como no que diz com o conceito de insumos para fins das contribuições do PIS e da COFINS nãocumulativas, e nesse último aspecto, acorde com a jurisprudência dos tribunais. 1 O raciocínio formulado pela recorrente apresenta equívoco evidente ao dizer que demonstrou seus créditos conforme intimação da auditoriafiscal, e bem por isso não apresentou a comprovação de seus créditos na manifestação de inconformidade. Ora, a manifestação de inconformidade é o recurso manejável contra o despacho decisório que apontou a ilegitimidade da comprovação apresentada pela recorrente com pertinência aos créditos pleiteados. Cumpria à manifestante apontar nos autos os documentos que eventualmente comprovariam seus créditos, ou trazer cópia deles, de forma organizada, para que os julgadores, e não a auditoriafiscal, pudessem analisar tais comprovantes. Também poderia têlo feito agora, em sede recursal, porém optou por dizer que tudo está nos autos e basta os integrantes deste Colegiado acreditarem que esse trabalho já foi feito pela auditoriafiscal, que glosou os créditos por interpretação errônea do direito, e não porque não estavam devidamente provadas as origens dos créditos. Esse erro da defesa, que já teve repercussão negativa para a manifestante, ao meu ver, nesta instância certamente terá, novamente, péssimas conseqüências para a recorrente. DAS VENDAS EFETUADAS COM SUSPENSÃO, ALÍQUOTA ZERO OU NÃO INCIDÊNCIA A irresignação contra a glosa dos créditos relativos às operações de vendas efetuadas com suspensão, alíquota zero ou nãoincidência levada a efeito pela auditoriafiscal ocorre porque a recorrente diz haver erro ao considerar, na aferição da data prevista na lei como marco inicial para a apuração de saldos credores, a data constante das notas fiscais de aquisição de insumos; e não a data da efetiva entrada dos bens adquiridos em seus estabelecimentos, como consta de sua escrituração, e consideradas as datas das entradas 1 (...) o legislador estabeleceu a possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e de COFINS calculados em relação aos "insumos" adquiridos pela pessoa jurídica, assim considerados os bens e serviços utilizados na prestação de serviços e na fabricação de mercadorias destinadas à venda, nos termos do art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. 3. Podese entender como insumo, portanto, todo bem que agrupado a outros componentes, qualifica, completa e valoriza o produto industrializado a que se destina. (...) TRF4 APELREEX 200772010002444; JOEL ILAN PACIORNIK; D.E. 25/11/2008 (...) II Estando as regras da nãocumulatividade das contribuições sociais afetas à definição infraconstitucional, concluise que: 1º) o conceito de "insumo" para definição dos bens e serviços que dão direito a creditamento na apuração do PIS e COFINS deve ser extraído do inciso II do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, sem vício das regras insertas nas Instruções Normativas SRF nº 247/02 (artigo 66, § 5º, I e II, inserido pela IN nº 358/03) e nº 404/04 (artigo 8º, § 4º, I e II), não havendo direito de creditamento sem qualquer limitação para abranger qualquer outro bem ou serviço que não seja diretamente utilizado na fabricação dos produtos destinados à venda ou na prestação dos serviços; (...) TRF3 AMS 200561000285868; JUIZ CONVOCADO SOUZA RIBEIRO; DJF3 CJ2 DATA:07/04/2009 PÁGINA: 442 Fl. 1228DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13986.000060/200541 Acórdão n.º 310100.796 S3C1T1 Fl. 1.560 19 efetivas, nenhuma das aquisições teria sido efetuada antes de 09/08/2004 (marco inicial para a apuração de saldos credores), consoante parágrafo único do art. 16 da Lei nº 11.116/2005. 2 Ao meu sentir, não tem razão a recorrente em sua resistência à imputação, pois para fins de caracterização de creditamento de imposto, a data que vale é a data da nota fiscal representativa do negócio jurídico, e não a data da efetiva entrada dos bens adquiridos em seus estabelecimentos. Essa data vale para fins de registro de estoques, vale para uma eventual auditoria de produção, vale para auferição do verdadeiro custo da mercadoria vendida, porém não tem o condão de demonstrar quando ocorreu a aquisição do insumo que dá direito a crédito do tributo. Os arts. 3º das Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003 quando tratam de créditos a serem descontados da base de cálculo das contribuições em tela, usam as expressões bens adquiridos para revenda e bens e serviços utilizados como insumo, ficando clara a necessidade da aquisição jurídica no primeiro caso e da aquisição jurídica e entrada física, no segundo (para os insumos). Demais disso, os §§ 8º e 9º do precitado artigo das Leis manda serem observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. A esse passo, vale lembrar que a decisão recorrida traz a legislação afeta às contribuições para o PIS e COFINS não cumulativos que têm previsão nesse sentido: A legislação que rege o PIS e a Cofins corrobora o dito. Como se pode inferir dos termos das Instruções Normativas SRF n.o 247/2002 e n.o 404/2004, o que importa para, por exemplo, a definição dos créditos a que tem direito o contribuinte, são as "aquisições efetuadas no mês". Os textos legais trazem tal determinação de forma expressa: Instrução Normativa SRF n.o 247/2002: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do art. 19; 2 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação especifica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestre calendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Fl. 1229DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 20 b) ) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; II – das despesas e custos incorridos no mês, relativos: a) à energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; b) a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos à pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; [...] Instrução Normativa SRF n.o 404/2004: Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 1º do art. 4º; b) ) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; II das despesas e custos incorridos no mês, relativos: a) a energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; b) a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos à pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; [...] Assim, como se vê, independentemente das discussões que se queira promover acerca das formas de transmissão de propriedade de bens móveis no direito brasileiro, verdade é que, para fins fiscais, o que importa é a data da efetivação da operação negocial (aquisição), data esta passível de ser comprovada pela respectiva nota fiscal. DAS EMBALAGENS Fl. 1230DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13986.000060/200541 Acórdão n.º 310100.796 S3C1T1 Fl. 1.561 21 A recorrente diz que suas embalagens, mesmo servindo para transporte das maçãs que produz, não se caracterizam como tal, pois além de proteger o produto, tem efeitos promocionais, elevam as despesas, motivam a compra do produto em vista da marca apresentada, e servem de embalagem de apresentação, valorizando a marca e produto da recorrente, entre outros efeitos. Ademais, a legislação do PIS não faz as restrições apontadas. Relativamente à diferenciação entre embalagem de apresentação e embalagem de transporte, já cristalizada pela legislação do IPI, penso que tais conceitos são aplicáveis também às contribuições do PIS e COFINS não cumulativas, pois as leis instituidoras dos tributos quando tratam dos créditos passíveis de desconto das contribuições apuradas, no que tange aos insumos dos bens ou produtos destinados à venda, utiliza os verbos PRODUÇÃO e FABRICAÇÃO desses bens ou produtos, o que não autoriza pensar em insumos para diante dessas etapas comercialização e entrega (transporte). Essa matéria já foi tratada inclusive em nível de Tribunal Regional Federal da 4ª Região, e a lição passada é a que segue: TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. LEIS NºS 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DE INSUMOS. 1. A orientação da nãocumulatividade do PIS e da COFINS foi dada pelas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, por meio de concessão de créditos taxativamente previstos em seus preceitos para que sejam aproveitados por meio de dedução da contribuição incidente sobre o faturamento apurado na etapa posterior. 2. Nessa ordem, o legislador estabeleceu a possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e de COFINS calculados em relação aos "insumos" adquiridos pela pessoa jurídica, assim considerados os bens e serviços utilizados na prestação de serviços e na fabricação de mercadorias destinadas à venda, nos termos do art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. 3. Podese entender como insumo, portanto, todo bem que agrupado a outros componentes, qualifica, completa e valoriza o produto industrializado a que se destina. Logo, as embalagens utilizadas especificamente para acondicionar mercadorias para transporte não estão abrangidas pela definição de insumos, porquanto não foram utilizadas no processo de industrialização e transformação do produto final. 4. A aplicação do princípio da nãocumulatividade do PIS e da COFINS em relação aos insumos utilizados na fabricação de bens e serviços não implica estender sua interpretação, de modo a permitir que sejam deduzidos, sem restrição, todos e quaisquer custos da empresa despendidos no processo de industrialização e comercialização do produto fabricado. 5. Apelação e remessa oficial providas. TRF4 APELREEX 200772010002444; JOEL ILAN PACIORNIK; D.E. 25/11/2008 (Grifouse). Fl. 1231DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 22 Quanto às glosas a título de embalagens utilizadas pela recorrente, notase, à evidência, o creditamento de elementos de transporte, tais como pallets de madeira bruta, bandejas plásticas, traypacks, grampos, colas, fundos de papelão, tampas de papelão, lâminas de plástico e fitas adesivas, e outros bens sequer caracterizáveis como embalagens (como tinta para carimbo) que não podem ser classificados como material de embalagem de apresentação do produto. De outra banda, a recorrente, mais uma vez, não se esforçou para provar quais itens glosados seriam passíveis de serem classificados como embalagens dos bens produzidos por ela, cingindose a reforçar que o contribuinte provou todos os valores de seus créditos, tanto é que o auditor fiscal quando de sua análise, separou todos os créditos, ou seja, aqueles que ele entendia de direito ao contribuinte, e aqueles que o mesmo entendia que não davam direito ao crédito, valorando os mesmos. Se o contribuinte não tivesse provado todos os créditos que estava requerendo, não haveria possibilidade dessa valoração pelo auditor fiscal. Para evidenciar a impossibilidade de reconhecimento do direito pleiteado pela recorrente, no particular, vale a pena reproduzir excerto da decisão recorrida afeta ao assunto: É certo que a contribuinte anexa à sua manifestação de inconformidade algumas fotos e amostras de embalagens que estariam incluídas dentre aquelas constantes da planilha às folhas 1425 a 1427. Entretanto, tais elementos não ajudam muito. Primeiro, apesar de as fotos de caixas de papelão, à folha 1481, evidenciarem que se tratam, aparentemente, de embalagens que poderiam ser classificadas como embalagens de apresentação, não tratou a contribuinte de indicar quais são as operações de aquisição constantes da lista de notas fiscais que se referem especificamente às aquisições destes bens, comprovando documentalmente tal vinculação. Segundo, as amostras dos guardanapos para enrolar maçãs e dos rótulos de maçã (folhas 1477 e 1479) são irrelevantes para o presente processo, uma vez que, dentre as aquisições objeto de glosa, não consta qualquer aquisição de guardanapos de papel e rótulos ou bens assemelhados. Terceiro, a amostra de selos a serem colados nas maçãs, à folha 1475, também não está acompanhada de qualquer indicação de a quais notas fiscais de aquisição se refeririam; apesar de na listagem aparecem aquisições de etiquetas plásticas, não há como afirmar que estas sejam os mesmos selos juntados ao processo (é que independentemente da circunstância de que as expressões "selos" e "etiquetas" poderem estar sendo usadas como sinônimos pela contribuinte, certo é que os selos juntados ao processo são de papel, enquanto que as etiquetas adquiridas constam como sendo de plástico). DOS SERVIÇOS DE TRANSPORTES Fl. 1232DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13986.000060/200541 Acórdão n.º 310100.796 S3C1T1 Fl. 1.562 23 A decisão recorrida deixou claro que não concordava totalmente com as assertivas da auditoriafiscal, no sentido de que todos os fretes apontados: fretes na aquisição de produtos, fretes de transporte de funcionários, fretes de documentos, fretes de produtos entre matriz e filial, entre outros, não seriam passíveis de serem insumo. Nada obstante, manteve as glosas porque as informações fornecidas acerca da natureza das operações de frete que adquiriu são inconclusivas (dada a descrição genérica) ou evidenciadoras da aquisição de fretes não aptos à geração de créditos nos termos da lei. Às fls. 1.499 e 1.500 constam os detalhes das operações glosadas, trazidos pela autoridade julgadora de primeiro grau: Como da listagem das despesas com fretes glosadas se pode inferir (folhas 1428 a 1429), a contribuinte usava escriturar, sob dois CFOP (Código Fiscal de Operações e Prestações) 1352 (Aquisição de serviço de transporte por estabelecimento industrial Entradas ou aquisições de serviços do Estado) e 2352 (Aquisição de serviço de transporte por estabelecimento industrial Entradas ou aquisições de serviços de outros Estados) operações com fretes de variada ordem, muitas delas descritas genericamente como "transportes diversos" e outras tantas como transporte de funcionários, fretes de documentos, frete transporte mercadoria informatica, transporte impressora, transporte vigilantes, transporte de equipamentos, etc. Como se percebe, para além das descrições genéricas ("transportes diversos"), os registros da contribuinte que permitem a identificação da natureza dos transportes realizados evidenciam a inclusão, dentre as operações que a contribuinte quer ver como geradoras do direito ao crédito, de despesas com fretes que não estão incluídas entre aquelas, já anteriormente indicadas no presente item deste voto, que efetivamente dão ensejo a tal direito. Com efeito, transporte de documentos e de funcionários, de impressoras e equipamentos, de malote e de mercadoria de informática, bem como de outros bens não intrinsecamente ligados à produção dos produtos, não geram créditos a título de fretes pagos. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte reclama do critério restritivo adotado pela autoridade fiscal, defendendo uma acepção ampla para o creditamento relacionado com as despesas com fretes. Entretanto, é preciso dizer que, como já acima exposto, não é qualquer despesa com frete que dá direito a crédito. Mesmo que, como se expôs neste voto, os critérios não sejam tão restritos quanto o adotado pela autoridade fiscal, verdade é que, mesmo diante do critério mais largo aqui adotado, as operações em relação às quais há identificação da natureza da operação na planilha às folhas 1428 a 1429, não se mostram como aptas à gerarem créditos (repetindose: despesas com transporte de documentos, de funcionários, de impressoras, de equipamentos, de malote, de mercadoria de informática, de outros bens não intrinsecamente ligados à produção dos produtos). Fl. 1233DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 24 Como a contribuinte defende o direito ao crédito em relação aos fretes vinculados às operações de aquisição de insumos e de transporte de produtos entre seus estabelecimentos, é de se deduzir, na falta de indicação, na planilha às folhas 1428 a 1429, que as operações descritas como "transportes diversos" (que são a maioria dos registros lá postos) representem estas operações. Ocorre, porém, que como as hipóteses de creditamento relativas a fretes estão especificamente previstas na legislação, não se estendendo a todo e qualquer frete, torna se imprescindível, para a definição quanto à existência ou não do direito, da minudente identificação da natureza dos fretes em relação aos quais é pleiteado o crédito. Ora, na medida em que a operação é descrita genericamente como "transportes diversos", inviabilizado resta o reconhecimento do direito; e isto mesmo que, em tese, se concorde que algumas despesas com fretes de aquisição de produtos e com fretes entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica dêem direito a crédito. No recurso voluntário, a recorrente discorre acerca do direito de crédito de fretes, trazendo a letra da lei, Soluções de consulta da RFB, Instruções Normativas, instruções de preenchimento do DACON Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, e diz que entre seus créditos estão fretes pagos com o transporte dos funcionários que fazem a colheita da maçã. fretes pagos de produtos (insumos) entre matriz e filiais, entretanto, quando se trata de apontar seus créditos, de fato, no processo, repete o desnecessário que está tudo provado perante a auditoriafiscal, etc. Ao meu sentir, despiciendo alongar nesta questão, pois conforme já explicitado no item CONSIDERAÇÕES INICIAIS, supra, a prova até pode estar no processo, porém deve ser apontada pela defesa, inclusive com sua localização, sob pena de inviabilizar sua apreciação e consequente demonstração, porquanto não cabe ao julgador/conselheiro compulsar todas as folhas do processo em busca de alguma prova que se encaixe no modelo alegado pela parte. DOS COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES A ratificação da glosa a título de combustíveis e/ou lubrificantes, pela decisão recorrida, teve o seguinte teor, no que diz respeito aos elementos de fato: Como da listagem das aquisições de combustíveis e lubrificantes objeto de glosas se pode inferir (folhas 1431 a 1433), a contribuinte escriturou, sob dois CFOP (Código Fiscal de Operações e Prestações) 1407 (Compra de mercadoria para uso ou consumo cuja mercadoria está sujeita ao regime de substituição tributária Entradas ou aquisições de serviços do Estado) e 2407 (Compra de mercadoria para uso ou consumo cuja mercadoria está sujeita ao regime de substituição tributária Entradas ou aquisições de serviços de outros Estados) Fl. 1234DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13986.000060/200541 Acórdão n.º 310100.796 S3C1T1 Fl. 1.563 25 aquisições de bens de variada ordem que evidenciam, por seus conteúdos, duas conclusões: (a) primeiro, dentre as aquisições aparecem muitos produtos e serviços que sequer se caracterizam como combustíveis e lubrificantes, como é o caso de pneus, câmaras de ar, medicamentos, lustra móveis, recapagem de pneus, tintas, tinner, materiais diversos; (b) segundo, observandose as aquisições de combustíveis listadas, percebese que a quase totalidade delas referese a aquisições de gasolina comum efetuadas em postos de abastecimento da cidade, em quantidades pequenas, destinadas ao abastecimento, por exemplo, de automóveis. Nada há que permita inferir o uso destes combustíveis no processo produtivo da contribuinte. Ora, as aquisições relativas ao primeiro grupo não podem ser objeto de creditamento, pelo simples fato de que não se referem a aquisições de combustíveis e lubrificantes. As do segundo também não podem gerar créditos, em razão de que não há evidência de que os combustíveis adquiridos tenham sido utilizados como insumo pela pessoa jurídica; como o creditamento relativo a combustíveis e lubrificantes não se estende a toda e qualquer aquisição efetuada a este título, torna se imprescindível, para a definição quanto à existência ou não do direito, a minudente identificação da natureza das aquisições em relação às quais é pleiteado o crédito. E o ônus de comprovar a natureza destas aquisições é do contribuinte/pleiteante do crédito, nos termos em que já se expôs detalhadamente no item 1.1 deste voto. Como lá se viu, não cumpre seu ônus o contribuinte que se limita a listar operações de aquisição de forma genérica, sem que a natureza destas operações e a sua identificação sejam definidas/produzidas. Deste modo, evidenciada a imprecisa definição das operações, inviabilizado resta o reconhecimento do direito. Em sua peça recursal, a recorrente não trouxe nada de concreto para apreciação, apenas o discurso de que as provas estão todas nos autos, e a lei, a legislação infralegal e os atos normativos do Fisco (individuais, como soluções de consulta, e genéricos, como soluções de divergência) prevêem os combustíveis e lubrificantes como modalidade de insumo. DOS CRÉDITOS REFERENTES AO ESTOQUE DE ABERTURA Afirma a recorrente que o item sobre o direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens existentes em 31/01/2004 (item 2.2.2. do Despacho Decisório Fl. 1235DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 26 608/2007) não foi contestado no Acórdão da DRJ, e portanto devem ser deferidos os créditos pleiteados em sua totalidade, entretanto equivocase no particular a argumentante, porquanto a decisão recorrida tratou sim do aludido item, à fl. 1.497v 3, e como o estoque de abertura, neste caso, está ligado diretamente ao item das embalagens (foram subtraídos da base de crédito dos estoques de abertura em 31.01.2004, o valor de R$ 551.083,05, estoque de embalagens, pois essas foram utilizadas exclusivamente no transporte dos produtos), o quanto dito lá naquele item pregresso reflete aqui, com conseqüências negativas para a recorrente. DA DEPRECIAÇÃO DE MÁQUINAS, EQUIPAMENTOS E OUTROS BENS DO ATIVO IMOBILIZADO As glosas de créditos sob a rubrica encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado efetuadas pela auditoriafiscal tem duas razões distintas, segundo o período de apuração: i) as de julho de 2004, o foram porque estariam associados a "máquinas e equipamentos que não são utilizados na produção de bens destinados à venda, no caso específico a produção de maçã"; ii) as dos meses de agosto e setembro de 2004, porque apenas os bens incorporados ao ativo imobilizado por meio de aquisições efetuadas a partir de 01/05/2004 é que dão direito a crédito em face de depreciação, sendo glosados os créditos relativos a bens do ativo imobilizado adquiridos antes desta data. O decisum guerreado, após comentar as restrições temporais a essa possibilidade de creditamento advindas com o art. 31 da Lei nº 10.865/2004, 4 elenca as condições para o direito ao crédito relativo aos encargos de depreciação: a) os bens incorporados ao ativo imobilizado devem ser aqueles envolvidos diretamente com o processo produtivo; b) para períodos de apuração até julho de 2004, os bens do ativo imobilizado geram créditos, independentemente das datas de suas aquisições; c) para períodos de apuração a partir de agosto de 2004, os bens do ativo imobilizado geram créditos, desde que adquiridos a partir 3 Assim demonstrada a impossibilidade de acatamento das razões da contribuinte em relação ao creditamento associado às despesas com embalagens objeto do presente litígio, desnecessárias tornamse, aqui, considerações acerca das alegações postas pela contribuinte no item 3.1.5 de sua manifestação de inconformidade (folhas 463 e 464). Como lá se vê, a contribuinte faz menção à glosa efetuada em relação ao crédito associado ao estoque de abertura existente em 31/01/2004; como a autoridade fiscal glosou créditos relativos a despesas com embalagens e, em face disto, acabou recalculando o valor dos créditos referentes ao estoque de abertura (pela exclusão dos créditos vinculados às embalagens objeto de glosa), contesta a contribuinte o recálculo por via da reafirmação de sua discordância quanto às mencionadas glosas dos créditos de embalagens. Ora, na medida em que as glosas foram consideradas procedentes, ou seja, na medida em que a única alegação contra o recálculo não foi acolhida, mantido resta o recálculo contestado. 4 Art. 31. É vedado, a partir do último dia do terceiro mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004. § 1º Poderão ser aproveitados os créditos referidos no inciso III do § 1º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, apurados sobre a depreciação ou amortização de bens e direitos de ativo imobilizado adquiridos a partir de 1º de maio. (...) Fl. 1236DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13986.000060/200541 Acórdão n.º 310100.796 S3C1T1 Fl. 1.564 27 de 01/05/2004. Em seguida há a ponderação de que apesar de a manifestação de inconformidade contestar genericamente todas as glosas de depreciação; em realidade, há silêncio quanto à glosa com base na data de aquisição dos equipamentos e máquinas, e portanto essas glosas seriam definitivas, por preclusão, uma vez que a parte não se manifestou expressamente. Com relação a esse ponto específico, o recurso voluntário também centra sua irresignação na glosa dos equipamentos não utilizados na produção de maçãs, entretanto, menciona, inclusive com grifo, dentre a legislação que usou para escorar seus procedimentos, o ADI SRF nº 02/2003, que no seu art. 4º mencionava: a apuração dos créditos decorrentes dos encargos de depreciação e de amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, alcança os encargos incorridos em cada mês, independentemente da data de aquisição desses bens. Penso que processualmente a preclusão parcial das glosas verdadeiramente ocorreu, porém não custa dizer que o prefalado ADI SRF nº 02/2003 é anterior aos fatos geradores do ressarcimento de créditos aqui pleiteado, e portanto não se aplica, uma vez que atos interpretativos explicitam aquilo que já ocorreu. E mais, a modificação no sistema de creditamento de que se cuida, oportunizada pela Lei nº 10.865/2004 (que trouxe ao mundo jurídico as restrições comentadas há pouco) também veio à tona posteriormente ao ADI SRF nº 02/2003. Agora, focando o recurso voluntário como um todo, notase que a recorrente defende, mais uma vez, sua visão de ônus da prova (seus créditos foram provados perante a auditoriafiscal) e reprisa sua insurgência, tal qual apresentada na manifestação de inconformidade, contra a glosa dos equipamentos e máquinas não utilizados na produção de maçã, razão pela qual me sinto a vontade para adotar as razões de fato apontadas pela decisão recorrida, uma vez que as razões de direito, relativas ao ônus da prova, foram em itens anteriores sobejamente declinadas: Neste sentido, compulsandose a planilha onde constam os bens que geraram os créditos relacionados à depreciação (listados às folhas 864 a 876 do processo n.o 13986.000212/200424), percebese que, à luz das informações ofertadas pela contribuinte acerca da natureza e forma de aplicação dos bens do ativo imobilizado que estariam a dar direito ao crédito relativo à depreciação, não há como acatar a contestação posta na manifestação de inconformidade. É que, como a seguir se verá, da planilha de bens confeccionada com base nas informações trazidas pela contribuinte, inferese que os bens listados se conformam como: (a) máquinas e equipamentos que não guardam qualquer relação com o processo produtivo; (b) bens que sequer se mostram como componentes do ativo imobilizado; e (c) bens descritos de forma genérica e/ou sem identificação dos locais e/ou sistemas onde estão locados/aplicados. Ou seja, o conjunto de dados fornecidos pela Fl. 1237DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 28 contribuinte demonstra um alto grau de incorreções técnicas (caracterizadas pelo expressivo volume de bens claramente impassíveis de gerarem créditos) e de imprecisões relativas a questões de fato (descrição genérica dos bens e de sua utilização), que impedem a consideração de tal conjunto de dados como elemento apto a justificar o reconhecimento do direito ao crédito pretendido pela contribuinte. A clarificação do que consta dos dados fornecidos pela contribuinte serve à consubstanciação do que se afirma. Como se disse no parágrafo anterior, os bens listados pela contribuinte podem ser classificados em três grupos, tendose em conta o conteúdo da descrição de cada bem. O primeiro grupo mostra que a expressiva maioria das máquinas e equipamentos listados não guardam, inequivocamente, qualquer relação com o processo produtivo, por mais larga que fosse a acepção de processo produtivo que se pudesse adotar. Com efeito, lá constam: aparelhos de ar condicionado, aparelhos de solda, aparelhos para teste de baterias, aparelhos para teste de manômetro, aparelhos de telefone, aquecedor a gás, aquecedores Climaterm (destinados a vários setores da empresa, como depto. pessoal, sala telex, superintendência), cortadores de grama, arquivos de aço, aspiradores de pó, balanças de vários tipos, carregadores de bateria, coletores de dados, compressores, desempenadeiras, materiais elétricos diversos, equipamentos de rádio, equipamentos de combate a incêndio, escadas de vários tipos, esmerilhadeiras, estabilizadores de voltagem, estábulos de madeira e alvenaria, estantes de vários tipos, estufas para secagem de eletrodos, evaporadores de teto, exaustores de parede, lavadoras de carpetes, impressoras, lixeiras de vários tipos, macacos hidráulicos, máquinas de solda, máquina de costura, máquinas lavajato de vários tipos, mesas para centrais telefônicas, mesas para computadores, mesas para impressoras, microcomputadores diversos, motoserras diversas, nobreaks, painéis de proteção para solda, pistolas de solda, pluviômetros diversos, rádios transceptores diversos, quadra de esportes, renovadores de ar, retroprojetor, scaners de mão, tábua de passar, televisores diversos, transformadores diversos, ventiladores de ar diversos, vulcanizadoras de pneus, monitores de computador diversos, churrasqueiras, cadeiras de escritório diversas, gaveteiros diversos, renovação de marcas diversas, aparelhos de gps diversos, bebedouros, caminhões e automóveis diversos, celulares diversos, cabines para tratores, extintores de vários tipos, máquinas de lavar roupas, máscaras de proteção individual, copiadoras Xerox, materiais de instalação de diversos equipamentos, notebooks, batedeira Arno, ônibus diversos, videocassete, equipamentos e veículos, etc. Como se vê, tais itens se conformam como bens que, apesar de poderem estar regularmente incluídos do ativo imobilizado de qualquer empresa, não podem ser considerados como diretamente associados ao processo produtivo da contribuinte, ou seja, como estritamente vinculados à produção dos produtos que a empresa posteriormente destina a venda, nos termos do exigido pelo inciso VI do artigo 3.o, tanto da Lei n.o 10.637/2002 quanto da Lei n.o 10.833/2003 ("máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados Fl. 1238DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13986.000060/200541 Acórdão n.º 310100.796 S3C1T1 Fl. 1.565 29 para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços"). O segundo grupo de bens são aqueles que sequer se conformam como bens do ativo imobilizado, como tais: mãodeobra para reforma de edificações, reformas diversas em instalações, consertos diversos, inspeção em equipamentos, instalação de equipamentos diversos, valor do ICMS na compra de etiquetadora, etc. À evidência, também tais itens não podem gerar o direito de crédito pretendido pela contribuinte. Por fim, o terceiro grupo é o que inclui itens que, em face de sua descrição genérica e da absoluta falta de identificação dos locais e/ou sistemas onde estão locados/aplicados, não podem igualmente ser acatados como aptos a gerarem o direito ao creditamento. Exemplos deste tipo de bens são: micromotores, nebulizadores, módulos térmicos, rede elétrica, bancada, lavanderia, beliches, escritório expedição, rede reversora, caixas Hot Box, canis diversos, etc. A ausência de maiores informações acerca da forma e do local de uso destes bens, inviabiliza a aferição inequívoca de suas naturezas e de suas conexões com a atividade produtiva da contribuinte stricto sensu e, por extensão, o reconhecimento do direito ao crédito relativo a suas depreciações. Como se percebe, o direito pretendido pela contribuinte não pode ser acatado porque, primeiro, ela classifica incorretamente grande parte dos bens do ativo imobilizado que gerariam créditos (inclui bens que não estão associados ao processo produtivo ou que sequer se mostram como bens do ativo imobilizado) e, segundo, porque descreve de forma excessivamente sumária outra boa parte dos bens (deixa de definir a função do bem dentro da empresa). Em outras palavras, o pleito não pode ser provido, parcialmente em face de impossibilidade legal e parcialmente em face de falta de comprovação da forma de utilização dos bens. DO RATEIO PROPORCIONAL A imputação, quando se refere à Inclusão de Receitas não Consideradas pelo Contribuinte no Rateio Proporcional, diz o seguinte: A administração tributária ao regulamentar a matéria determina que a pessoa jurídica que efetuar, concomitantemente, operações de vendas de produtos ou prestação de serviços no mercado interno e exportação de produtos para o exterior, ou prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente no exterior, com pagamento em moeda conversível, ou de vendas a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação, deve segregar os custos vinculados às receitas de exportação, Fl. 1239DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 30 utilizandose em sua determinação, a critério da pessoa jurídica, os métodos de: a) apropriação direta, aplicandose ao valor dos bens utilizados como insumos, aos custos, às despesas e aos encargos comuns, adquiridos no mês, a relação percentual entre os custos vinculados à receita de exportação e os custos totais incorridos no mês, apurados por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou b) rateio proporcional, aplicandose ao valor dos bens utilizados como insumos, aos custos, às despesas e aos encargos comuns, adquiridos no mês, a relação percentual existente entre a receita bruta de exportação e a receita bruta total, auferidas no mês. Os valores "Outras Receitas" informados nos campos 07 e 09, Ficha 07 da DACON, não foram considerados no cálculo de rateio e tais valores modificam a participação proporcional das receitas decorrentes de operações com o mercado externo e o total global das receitas auferidas pela empresa, e deveriam ter sido considerados pela requerente quando do preenchimento da DACON. O contribuinte repete, em sede recursal, o quanto dito na manifestação de inconformidade: Na análise dos créditos pleiteados pelo contribuinte, a autoridade administrativa alterou a forma de distribuição das receitas pelo Rateio Proporcional, porém, não apresentou base legal para tal alteração. Tendo em vista que o contribuinte efetuou o cálculo de acordo com preenchimento da DACON, através da versão 2.0, disponibilizada pela Receita Federal, requer o contribuinte que seja mantido o cálculo original, elaborado pelo contribuinte, de acordo com orientações de preenchimento da DACON. A decisão recorrida, após breve digressão acerca das normas legais que regulam a questão, pontifica: Como se percebe, pelo critério legal posto só poderia haver exclusão de receitas do montante da receita bruta total no cálculo do rateio proporcional, caso tais receitas não tivessem sido objeto de recolhimento das contribuições, o que não é o caso das "outras receitas" registradas pela contribuinte, pelo menos a partir do que da DACON e dos autos consta. Correta mostrase, portanto, a medida adotada pela DRF/Joaçaba/SC. Com isso, fica mantido o recálculo efetuado no âmbito do despacho decisório contestado. Fl. 1240DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13986.000060/200541 Acórdão n.º 310100.796 S3C1T1 Fl. 1.566 31 Em princípio, tem razão a recorrente quando afirma que o seu cálculo foi de acordo com as instruções de preenchimento do DACON, porquanto na ajuda da Ficha 04 da versão 1.3, quando são tratadas as receitas de exportação e os custos vinculados às receitas de exportação, o critério de rateio apontado é o percentual existente entre a receita de exportação sujeita à incidência nãocumulativa e a receita total sujeita à incidência não cumulativa, auferidas no mês. Pois bem, ao meu ver, Outras receitas integram o total das receitas (sujeitas às incidências cumulativa e nãocumulativa), mas não necessariamente a receita total sujeita à incidência nãocumulativa. Para que ficasse evidenciada a impropriedade do cálculo apresentado pela recorrente, devia a auditoriafiscal provar que as Outras receitas eram decorrentes de operações que, por suas naturezas, fossem sujeitas à incidência nãocumulativa. Em outras palavras, aqui o ônus de provar o erro do cálculo apresentado pela recorrente é da auditoriafiscal, pois Outras receitas é rubrica residual, que engloba todas as demais receitas não incluídas nas linhas anteriores, inclusive as decorrentes de venda de bens do ativo permanente, sendo irrelevante a classificação contábil adotada para essas receitas (nos dizeres da ajuda da Ficha 05 do DACON versão 1.3), e assim não devem entrar automaticamente na parcela do denominador para que se encontre o percentual de rateio referente às receitas de exportação. Ante o exposto, voto por PROVER PARCIALMENTE o recurso voluntário, tão somente no que diz respeito ao cálculo do rateio proporcional para chegar aos custos vinculados às receitas de exportação. Sala das Sessões, em 02 de junho de 2011. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 1241DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 21/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 17/06/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 10880.945044/2013-89
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011
CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA ASSENTADA E PACÍFICA DO STJ, SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO REsp Nº 1.221.170/PR.
Conforme jurisprudência assentada, pacífica e unânime do STJ, e textos das leis de regência das contribuições não cumulativas (Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003), não há amparo normativo para a tomada de créditos em relação a fretes de transferência de produtos acabados entre estabelecimentos.
Numero da decisão: 9303-014.953
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar-lhe provimento. As Conselheiras Tatiana Josefovicz Belisário e Cynthia Elena de Campos acompanharam pelas conclusões, diante das circunstâncias do caso, em que não restou claramente caracterizado o enquadramento da operação nos incisos do art. 3º das leis de regência.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Vinícius Guimarães, Tatiana Josefovicz Belisário, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Alexandre Freitas Costa, Cynthia Elena de Campos (suplente convocada), e Liziane Angelotti Meira (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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conteudo_txt : Metadados => date: 2024-04-04T10:52:21Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-04-04T10:52:21Z; Last-Modified: 2024-04-04T10:52:21Z; dcterms:modified: 2024-04-04T10:52:21Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-04-04T10:52:21Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-04-04T10:52:21Z; meta:save-date: 2024-04-04T10:52:21Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-04-04T10:52:21Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-04-04T10:52:21Z; created: 2024-04-04T10:52:21Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2024-04-04T10:52:21Z; pdf:charsPerPage: 1804; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-04-04T10:52:21Z | Conteúdo => CSRF-T3 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10880.945044/2013-89 Recurso Especial do Procurador Acórdão nº 9303-014.953 – CSRF / 3ª Turma Sessão de 15 de março de 2024 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MOSAIC FERTILIZANTES DO BRASIL LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA ASSENTADA E PACÍFICA DO STJ, SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO REsp Nº 1.221.170/PR. Conforme jurisprudência assentada, pacífica e unânime do STJ, e textos das leis de regência das contribuições não cumulativas (Leis n o 10.637/2002 e n o 10.833/2003), não há amparo normativo para a tomada de créditos em relação a fretes de transferência de produtos acabados entre estabelecimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar-lhe provimento. As Conselheiras Tatiana Josefovicz Belisário e Cynthia Elena de Campos acompanharam pelas conclusões, diante das circunstâncias do caso, em que não restou claramente caracterizado o enquadramento da operação nos incisos do art. 3º das leis de regência. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Vinícius Guimarães, Tatiana Josefovicz Belisário, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 50 44 /2 01 3- 89 Fl. 1414DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-014.953 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.945044/2013-89 Rosenburg Filho, Alexandre Freitas Costa, Cynthia Elena de Campos (suplente convocada), e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional, contra a decisão consubstanciada no Acórdão n o 3301-010.229, de 25/05/2021, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, que deu provimento ao Recurso Voluntário apresentado. Breve síntese do processo O processo versa sobre análise do direito creditório requerido por meio de Pedido de Ressarcimento (PER), relativo a créditos apurados na sistemática não-cumulativa, de acordo com o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. A DERAT/SP prolatou o Despacho Decisório, amparado em Informação Fiscal, assentando que houve o parcial reconhecimento de direito creditório pleiteado (até o limite do crédito deferido), mantendo as glosas fiscais referentes às seguintes rubricas de Serviços Utilizados como Insumos: (a) serviços de industrialização por terceiros; (b) serviços de movimentação interna (locação de pá carregadeira); (c) serviços de carga e descarga (serviço de movimentação portuária de carga e descarga); (d) fretes sobre ingressos de produtos (fretes de aquisições de insumos tributados à alíquota zero); (e) “fretes sobre transferências de mercadorias entre estabelecimentos (remessas de/para depósitos ou de/para armazenagens); e (f) serviços de descarregamento do navio (importações, desembaraço e desestiva - movimentação portuária). Cientificado do Despacho Decisório, o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: (a) é nulo o Despacho Decisório, por preterição do direito de defesa; (b) deve ser observado o conceito de insumos para efeito de desconto de créditos do PIS e da COFINS, citando vários dispositivos legais no sentido de serem tomados em conta os custos e despesas essenciais ao processo produtivo, vinculados à formação da receita; (c) tem direito de apurar créditos sobre os custos/despesas incorridos com os seguintes serviços: fretes diversos; fretes relativos às transferências de mercadorias entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica; remessas de/para depósitos ou de/para armazenagem; armazenagem de insumos; serviços de movimentação (carga, descarga e desestiva - descarregamento de navio); aluguéis de máquinas e equipamentos; e (d) os fretes incorridos com aquisições insumos (matéria prima), mesmo tributados à alíquota zero, dão direito ao desconto dos créditos, tendo em vista que foram tributados pelo PIS e pela COFINS. O recurso foi apresentado à DRJ no Rio de Janeiro/RJ que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não vislumbrando a nulidade propagada e mantendo o Despacho Decisório, sob os seguintes fundamentos: (a) o conceito de insumo na legislação referente ao PIS/ e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado); (b) somente dão origem a crédito na apuração não cumulativa do PIS e da COFINS os bens e serviços aplicados ou consumidos no processo produtivo; (c) serviços, em que pese poderem ser convenientes ou Fl. 1415DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-014.953 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.945044/2013-89 necessários para o desempenho da atividade do contribuinte, não podem ser considerados como aplicados ou consumidos diretamente na fabricação de produto quando realizados anterior, posterior ou paralelamente à fabricação de produtos em si mesma, não dando azo a creditamento; e (d) na sistemática de apuração não cumulativa do PIS e da COFINS, não há possibilidade de creditamento em relação aos dispêndios com serviços de fretes suportados na aquisição de matéria-prima, pois tais dispêndios, em regra, devem ser apropriados ao custo de aquisição dos bens, e a possibilidade de creditamento deve ser analisada em relação aos bens adquiridos, e não em relação ao serviço de transporte isoladamente considerado. Cientificado do Acórdão da DRJ/RJO, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade, e reforçando que: (a) faz jus ao desconto dos créditos das contribuições sobre os custos/despesas com: (a1) serviços contratados para movimentação interna, incorridos com pás carregadeiras, inclusive, suas locações; (a2) serviços de movimentação portuária de carga, descarga e desestiva; (a3) fretes sobre o transporte de insumos tributados à alíquota zero; e (a4) fretes para a movimentação de insumos e produtos em elaboração e acabados; (b) descreveu seu processo produtivo, aclarando as atividades econômicas desenvolvidas; a sistemática da não cumulatividade das contribuições e o conceito de insumos; dos serviços utilizados, movimentação interna com pás carregadeiras, inclusive, suas locações; os serviços de movimentação portuária, carga, descarga e desestiva; fretes sobre insumos tributados à alíquota zero; e, sobre os fretes relativos à movimentação de mercadoria entre os estabelecimentos. Os autos, então, vieram para julgamento do Recurso Voluntário, sendo submetidos à apreciação da Turma julgadora, que deu provimento ao Recurso Voluntário. Nessa decisão o colegiado assentou que: (a) deve ser rejeitada a preliminar de nulidade do despacho decisório; e (b) deve ser reconhecido o direito de o contribuinte descontar créditos sobre os custos/despesas com: (b1) serviços contratados para movimentação interna, incorridos com pás carregadeiras, inclusive, suas locações; (b2) serviços de movimentação portuária de carga descarga e desestiva de insumos; (b3) fretes para o transporte de insumos (matérias- primas) ainda que estes tenham sido tributados à alíquota zero; e (b4) despesas com frete para a movimentação de insumos e produtos em elaboração e acabados, cabendo à autoridade administrativa apurar os créditos e homologar as DCOMP até o limite apurado. Da matéria submetida à CSRF Cientificada do Acórdão de Recurso Voluntário, a Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial suscitando divergência jurisprudencial de interpretação da legislação tributária quanto “à possibilidade de tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre o custo dos fretes pagos para transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma firma”, indicando como paradigmas os Acórdãos n o 3302-005.812 e n o 3402-002.361. No recurso especial, argumentou que o Acórdão recorrido reverteu as glosas processadas pela Fiscalização neste ponto, porque considerou que o serviço de frete interno de produtos acabados entre estabelecimentos subsumia-se no conceito de insumo derivado da jurisprudência do Resp nº 1.221.170/PR do STJ. Aduziu que tais fretes compõem o custo de industrialização dos produtos vendidos. De outro lado, no voto vencedor do Acórdão paradigma n o 3302-005.812, o Colegiado levou em consideração a atividade produtiva desenvolvida pelo Contribuinte. Que os Fl. 1416DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-014.953 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.945044/2013-89 dispêndios com os fretes decorrem da necessidade de transportar produtos acabados entre suas unidades para garantir a necessária agilidade no atendimento de seus clientes e afins, concluindo pela impossibilidade do pretendido creditamento, haja vista que, embora sejam dispêndios necessários à atividade empresarial do contribuinte, não se enquadram no conceito de insumo, uma vez que não tem pertinência direta com o processo produtivo. No mesmo sentido, o Acórdão paradigma n o 3402-002.361 entendeu que o valor das despesas com serviços de transporte (fretes e carretos) dos produtos acabados entre estabelecimentos do mesmo contribuinte não gera direito a crédito, por não se enquadrar no conceito de insumo e, também, não estar relacionada, expressa e taxativamente, nos incisos III a X da Lei nº 10.833, de 2003, pois se trata de custo ou despesa realizada após a conclusão do processo de fabricação. Assim, no Exame de Admissibilidade entendeu-se que restou demonstrada a divergência, uma vez que, enquanto a decisão recorrida reconheceu a condição de insumo para a despesa em questão, os acórdãos apresentados como paradigmas entendem não ser possível o considerar como “insumo” despesas com o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. Posto isto, com as considerações tecidas no Despacho de Admissibilidade de Recurso Especial da 3ª Câmara / 3ª Seção do CARF, exarado pelo Presidente da 3ª Câmara, foi dado seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Cientificado do Despacho de Admissibilidade, o Contribuinte apresentou suas Contrarrazões, requerendo, em preliminar, o não conhecimento do apelo fazendário, alegando que não foi feito o devido cotejo analítico entre os paragonados e o recorrido. Alega que os fretes em questão se referem a fretes realizados no âmbito de venda em consignação entre estabelecimentos, e que a Fazenda Nacional ao interpor o Recurso Especial deixou de analisar o caso concreto, trazendo alegações completamente genéricas, com base em uma leitura simplista do Acórdão recorrido, o que impede o seu conhecimento. No mérito, pede a manutenção da decisão. O processo, então, foi distribuído, por sorteio, a este Conselheiro, em 16/03/2023, para dar seguimento à análise do Recurso Especial. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. Do Conhecimento O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, conforme consta do Despacho de Admissibilidade da 3ª Câmara / 3ª Seção do CARF, exarado pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento/CARF. Contudo, em face dos argumento apresentados em sede de contrarrazões pelo Contribuinte, entendo ser necessária a análise dos demais requisitos de admissibilidade do recurso. Isto porque o Contribuinte pede, em suas contrarrazões, demanda que o Recurso Especial não seja conhecido, por ausência de similitude fática entre o recorrido e os paradigmas Fl. 1417DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-014.953 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.945044/2013-89 n o 3302-005.812, de 24.09/2018 e n o 3402-002.361, de 25/03/2014. Com efeito, passamos, então, a analisar os questionamentos por ela apresentados. A Fazenda Nacional alega no especial que os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos do mesmo Contribuinte, independentemente de sua natureza, são fretes realizados após findo o processo produtivo, e que, por tal, não se amoldam ao conceito de insumo vazado pelo decidido pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR. No Acórdão recorrido a Turma julgadora afastou a glosa dos valores relativos as despesas com a movimentação de produtos acabados entre estabelecimento da mesma empresa, acatando a tese, defendida pelo Contribuinte, de que os gastos com fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa devem ser considerados como “insumo”. De outro lado, em ambos os Acórdãos paradigmas (Acórdão nº 3302-005.812 e 3402-002.361), as Turmas julgadoras concluiu por excluir o “frete relativo ao transporte de produtos acabados entre estabelecimento” do conceito de insumos na legislação do PIS e da COFINS, não-cumulativo. Ou seja, nos paradigmas entendem não ser possível considerar como “insumo” despesas com o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. Ambos paragonados tratam de “frete de produtos acabados ente estabelecimentos da empresa”. Confira-se as ementas (parte que interessa): Acórdão nº 3402-002.361: “PIS E COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETES DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO MESMO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. O valor das despesas com serviços de transporte (fretes e carretos) dos produtos acabados entre estabelecimentos do mesmo contribuinte não gera direito a crédito, por não se enquadrar no conceito de insumo previsto no inciso II, do art. 3o, das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 e, também, não estar relacionada, expressa e taxativamente (numerus clausus), nos incisos III a X da Lei n° 10.833/2003, pois trata-se de custo ou despesa realizada após a conclusão do processo de fabricação”. Acórdão nº 3302-005.812: “CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. DESCABIMENTO. A sistemática de tributação não-cumulativa do PIS e da Cofins, prevista na legislação de regência Lei 10.637, de 2002 e Lei 10.833, de 2003, não contempla os dispêndios com frete decorrentes da transferência de produtos acabados entre estabelecimentos ou centros de distribuição da mesma pessoa jurídica, posto que o ciclo de produção já se encerrou e a operação de venda ainda não se concretizou, não obstante o fato de tais movimentações de mercadorias atenderem a necessidades logísticas ou comerciais. Logo, inadmissível a tomada de tais créditos”. Como se vê, cotejando-se os arestos, percebe-se que há, efetivamente, divergência comprovada de entendimento quando da interpretação das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, quanto à possibilidade de aproveitamento de créditos sobre os “fretes pagos para transporte de produtos acabados, entre os estabelecimentos da mesma empresa”, o que conduz ao conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, nos termos em que admitido. Fl. 1418DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-014.953 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.945044/2013-89 Do Mérito A controvérsia tratada no presente Recurso Especial diz respeito à seguinte matéria: “possibilidade de tomada de créditos das contribuições sociais (PIS e COFINS), regime não cumulativo, sobre o custo dos fretes pagos para transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa”. A Fazenda Nacional aduz, no recurso especial, que não geram créditos os gastos com fretes de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte. De outro lado, a Contribuinte em seu recurso alega que, “(...) o transporte de produtos acabados entre os estabelecimentos da empresa se torna também essencial para o desenvolvimento da sua atividade econômica em que se inserem” e que “os gastos incorridos com frete entre seus estabelecimentos gerar crédito de PIS e COFINS como insumo, o inciso IX do artigo 3º c/c artigo 15 da Lei nº 10.833/2003 autorizam o cálculo de créditos sobre fretes na operação de venda de produtos adquiridos para revenda ou produzidos pelos contribuintes”. Entende-se relevante analisar, no caso, o precedente vinculante do STJ sobre os créditos da não cumulatividade das contribuições, Recurso Especial n o 1.221.170/PR (Tema 779). Tal precedente, bem conhecido deste colegiado, aclarou a aplicação do inciso II do art. 3 o das leis de regência das contribuições, à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. E o REsp n o 1.221.170/PR adotou esses critérios, que passaram a ser vinculantes, no próprio corpo do processo ali julgado. Em simples busca no inteiro teor do acórdão proferido em tal REsp (disponível no sítio web do STJ), são encontradas 14 ocorrências para a palavra “frete”. Uma das alegações da empresa, no caso julgado pelo STJ, é a de que atua no ramo de alimentos e possui despesas com “fretes”. Ao se manifestar sobre esse tema, dispôs o voto-vogal do Min. Mauro Campbell Marques: (...) Segundo o conceito de insumo aqui adotado não estão incluídos os seguintes “custos” e “despesas” da recorrente: gastos com veículos, materiais de proteção de EPI, ferramentas, seguros, viagens, conduções, comissão de vendas a representantes, fretes (salvo na hipótese do inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/03), prestações de serviços de pessoa jurídica, promoções e propagandas, telefone e comissões. É que tais “custos” e “despesas” não são essenciais ao processo produtivo da empresa que atua no ramo de alimentos, de forma que a exclusão desses itens do processo produtivo não importa a impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção e nem, ainda, a perda substancial da qualidade do serviço ou produto. (grifo nosso) Em aditamento a seu voto, após acolher as observações da Min. Regina Helena Costa, esclarece o Min. Mauro Campbell Marques: (...) Registro que o provimento do recurso deve ser parcial porque, tanto em meu voto, quanto no voto da Min. Regina Helena, o provimento foi dado somente em relação aos “custos” e “despesas” com água, combustível, materiais de exames laboratoriais, materiais de limpeza e, agora, os equipamentos de proteção individual - EPI. Ficaram de fora gastos com veículos, ferramentas, seguros, viagens, conduções, comissão de vendas a representantes, fretes (salvo na hipótese do inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/03), prestações de serviços de pessoa jurídica, promoções e propagandas, telefone e comissões. (grifo nosso) Essa leitura do STJ sobre o conceito de insumo (inciso II do art. 3o das leis de regência das contribuições não cumulativas) foi bem compreendida no Parecer Normativo Fl. 1419DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-014.953 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.945044/2013-89 Cosit/RFB n o 5/2018, que trata da decisão vinculante do STJ no REsp n o 1.221.170/PR, no que se refere a gastos com frete posteriores ao processo produtivo: “(...) 5. GASTOS POSTERIORES À FINALIZAÇÃO DO PROCESSO DE PRODUÇÃO OU DE PRESTAÇÃO 55. Conforme salientado acima, em consonância com a literalidade do inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, e nos termos decididos pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, em regra somente podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica no processo de produção de bens e de prestação de serviços, excluindo-se do conceito os dispêndios realizados após a finalização do aludido processo, salvo exceções justificadas. 56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras. (...)” (grifo nosso) É desafiante, em termos de raciocínio lógico, enquadrar na categoria de “bens e serviços utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos” (na dicção do texto do referido inciso II) os gastos que ocorrem quando o produto já se encontra “pronto e acabado”. Desafiador ainda efetuar o chamado “teste de subtração” proposto pelo precedente do STJ: como a (in)existência de remoção de um estabelecimento para outro de um produto acabado afetaria a obtenção deste produto? Afinal de contas, se o produto acabado foi transportado, já estava ele obtido, e culminado o processo produtivo. Em adição, parece fazer pouco sentido, ainda em termos lógicos, que o legislador tenha assegurado duplamente o direito de crédito para uma mesma situação (à escolha do postulante) com base em dois incisos do art. 3 o das referidas leis, sob pena de se estar concluindo implicitamente pela desnecessidade de um ou outro inciso ou pela redundância do texto legal. Portanto, na linha do que figura expressamente no precedente vinculante do STJ, os fretes até poderiam gerar crédito na hipótese descrita no inciso IX do art. 3 o Lei n o 10.833/2003 - também aplicável à Contribuição para o PIS/Pasep, conforme art. 15, II: (“frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”), se atendidas as condições de tal inciso. Ocorre que a simples remoção de produtos entre estabelecimentos inequivocamente não constitui uma venda. Para efeitos de incidência de ICMS, a questão já foi decidida de forma vinculante pelo STJ (REsp 1125133/SP - Tema 259). E, a exemplo do tratamento recente da matéria dado por esta CSRF, o STJ tem, hoje, posição sedimentada, pacífica e unânime em relação ao tema aqui em análise (fretes de produtos acabados entre estabelecimentos), como se registra em recente REsp. de relatoria da Min. Regina Helena Costa: “TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC/1973. INOCORRÊNCIA. DESPESAS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA INTERNA DE MERCADORIAS. CREDITAMENTO. ILEGITIMIDADE. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. NÃO DEMONSTRADO. AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO Fl. 1420DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 9303-014.953 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.945044/2013-89 ENTRE OS JULGADOS CONFRONTADOS. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. I - Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015 para o presente Agravo Interno, embora o Recurso Especial estivesse sujeito ao Código de Processo Civil de 1973. II - A Corte de origem apreciou todas as questões relevantes apresentadas com fundamentos suficientes, mediante apreciação da disciplina normativa e cotejo ao posicionamento jurisprudencial aplicável à hipótese. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade. III - É pacífico o entendimento no Superior Tribunal de Justiça segundo o qual as despesas de frete somente geram crédito quando suportadas pelo vendedor nas hipóteses de venda ou revenda, revelando-se incabível reconhecer o direito de creditamento de despesas de frete relacionadas às transferências internas das mercadorias para estabelecimentos da mesma empresa. IV - Para a comprovação da divergência jurisprudencial, a parte deve proceder ao cotejo analítico entre os julgados confrontados, transcrevendo os trechos dos acórdãos os quais configurem o dissídio jurisprudencial, sendo insuficiente, para tanto, a mera transcrição de ementas. V - Em regra, descabe a imposição da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015 em razão do mero desprovimento do Agravo Interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação, o que não ocorreu no caso. VI - Agravo Interno improvido.” (AgInt no REsp n. 1.978.258/RJ, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 23/5/2022, DJe de 25/5/2022) (grifo nosso) Exatamente no mesmo sentido os precedentes recentes do STJ, em total consonância com o que foi decidido no Tema 779: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. DESPESAS COM FRETE. DIREITO A CRÉDITOS. INEXISTÊNCIA. 1. Com relação à contribuição ao PIS e à COFINS, não originam crédito as despesas realizadas com frete para a transferência das mercadorias entre estabelecimentos da sociedade empresária.Precedentes. 2. No caso dos autos, está em conformidade com esse entendimento o acórdão proferido pelo TRF da 3ª Região, segundo o qual “apenas os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente a terceiros - atacadista, varejista ou consumidor -, e desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que geram direito a créditos a serem descontados da COFINS devida”. 3. Agravo interno não provido.” (AgInt no REsp n. 1.890.463/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 24/5/2021, DJe de 26/5/2021) (grifo nosso) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC/1973. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS/COFINS. DESPESAS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA INTERNA DE MERCADORIAS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO ENQUADRAMENTO NO CONCEITO DE INSUMO. AGRAVO INTERNO DA EMPRESA A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. A decisão agravada foi acertada ao entender pela ausência de violação do art. 535 do CPC/1973, uma vez que o Tribunal de origem apreciou integralmente a lide de forma suficiente e fundamentada. O que ocorreu, na verdade, foi julgamento contrário aos interesses da parte. Logo, inexistindo omissão, contradição ou obscuridade no acórdão, não há que se falar em nulidade do acórdão. Fl. 1421DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 9303-014.953 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.945044/2013-89 2. A 1a. Seção do STJ, no REsp. 1.221.170/PR (DJe 24.4.2018), sob o rito dos recursos repetitivos, fixou entendimento de que, para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Assim, cabe às instâncias ordinárias, de acordo com as provas dos autos, analisar se determinado bem ou serviço se enquadra ou não no conceito de insumo. 3. Na espécie, o entendimento adotado pela Corte de origem se amolda à jurisprudência desta Corte de que as despesas de frete somente geram crédito quando suportadas pelo vendedor nas hipóteses de venda ou revenda. Não se reconhece o direito de creditamento de despesas de frete relacionadas às transferências internas das mercadorias para estabelecimentos da mesma empresa, por não estarem intrinsecamente ligadas às operações de venda ou revenda (AgInt no AgInt no REsp. 1.763.878/RS, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 1o.3.2019). 4. Agravo Interno da Empresa a que se nega provimento.” (AgInt no AREsp n. 848.573/SP, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 14/9/2020, DJe de 18/9/2020) (grifo nosso) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 3 DO STJ. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. AFERIÇÃO DAS ATIVIDADES DA EMPRESA PARA FINS DE INCLUSÃO NA ESSENCIALIDADE. CONCEITO DE INSUMO. CRÉDITO DE PIS E COFINS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 7 DO STJ. DESPESAS COM FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. DESPESAS COM TAXA DE ADMINISTRAÇÃO DE CARTÃO DE CRÉDITO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. (...) 4. As despesas de frete somente geram crédito quando suportadas pelo vendedor nas hipóteses de venda ou revenda. Não se reconhece o direito de creditamento de despesas de frete relacionadas às transferências internas das mercadorias para estabelecimentos da mesma empresa ou grupo, por não estarem intrinsecamente ligadas às operações de venda ou revenda. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.386.141/AL, Rel. Ministro Olindo Menezes (desembargador Convocado do TRF 1ª Região), Primeira Turma, DJe 14/12/2015; AgRg no REsp 1.515.478/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 30/06/2015. (...) 6. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.421.287/MA, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 22/4/2020, DJe de 27/4/2020) (grifo nosso) Esse era também o entendimento recente deste tribunal administrativo, em sua Câmara Superior, embora não unânime (v.g., nos acórdãos 9303-012.457, de 18/11/2021; e 9303-012.972, de 17/03/2022). E sempre foi o entendimento que revelei nas turmas ordinárias em processos de minha relatoria, que eram decididos, em regra, por maioria, com um (v.g., Acórdãos 3401-005.237 a 249, de 27/08/2018) ou dois conselheiros vencidos (v.g., Acórdãos 3401-006.906 a 922, de 25/09/2019). Pelo exposto, ao examinar atentamente os textos legais e os precedentes do STJ aqui colacionados, que refletem o entendimento vinculante daquela corte superior em relação ao inciso II do art. 3 o das leis de regência das contribuições não cumulativas, que não incluem os fretes de transferência de produtos acabados entre estabelecimentos, e o entendimento pacifico, assentado e fundamentado, em relação ao inciso IX do art. 3 o da Lei n o 10.833/2003 (também aplicável à Contribuição para o PIS/Pasep, conforme art. 15, II), é de se concluir que não há amparo legal para a tomada de créditos em relação a fretes de transferência de produtos acabados entre estabelecimentos de uma mesma empresa, por nenhum desses incisos, o que implica o não reconhecimento do crédito, no caso em análise. Fl. 1422DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 9303-014.953 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.945044/2013-89 Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para, no mérito, dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 1423DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 23034.022652/2002-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/1999 a 31/05/2000
SALÁRIO-EDUCAÇÃO. PAGAMENTO. INFORMAÇÃO EM GFIP DO CÓDIGO DE TERCEIROS.
A fim de ficar concretizado o pagamento do Salário-Educação, é necessário que o contribuinte, além de recolher o valor correspondente em GPS, ainda identifique, ao preencher a GFIP, o código de terceiros que abranja o código relativo ao tributo mencionado.
ENDEREÇAMENTO DE INTIMAÇÕES DE ATOS PROCESSUAIS NA PESSOA DO PROCURADOR.
Não encontra respaldo legal nas normas do Processo Administrativo Fiscal a solicitação para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do procurador (advogado) constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Neste sentido dispõe a Súmula CARF nº110.
Numero da decisão: 2401-011.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento as competências do período de março a maio de 2000.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ana Carolina da Silva Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, José Márcio Bittes, Ana Carolina da Silva Barbosa, Guilherme Paes de Barros Geraldi e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: ANA CAROLINA DA SILVA BARBOSA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1999 a 31/05/2000 SALÁRIO-EDUCAÇÃO. PAGAMENTO. INFORMAÇÃO EM GFIP DO CÓDIGO DE TERCEIROS. A fim de ficar concretizado o pagamento do Salário-Educação, é necessário que o contribuinte, além de recolher o valor correspondente em GPS, ainda identifique, ao preencher a GFIP, o código de terceiros que abranja o código relativo ao tributo mencionado. ENDEREÇAMENTO DE INTIMAÇÕES DE ATOS PROCESSUAIS NA PESSOA DO PROCURADOR. Não encontra respaldo legal nas normas do Processo Administrativo Fiscal a solicitação para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do procurador (advogado) constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Neste sentido dispõe a Súmula CARF nº110. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento as competências do período de março a maio de 2000. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Ana Carolina da Silva Barbosa - Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 02 26 52 /2 00 2- 83 Fl. 192DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-011.711 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 23034.022652/2002-83 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, José Márcio Bittes, Ana Carolina da Silva Barbosa, Guilherme Paes de Barros Geraldi e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Administrativo (e-fls. 95/100) interposto por NACIONAL GÁS BUTANO DISTRIBUIDORA LTDA. (CNPJ 06.980.064/0092-10) contra a decisão do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - FNDE, contida na Informação nº 2442/2004 – CGEARC (e-fls. 83/85) que julgou parcialmente procedente o lançamento fiscal, referente às contribuições sociais destinadas ao FNDE, em relação às competências 12/1999, 01 a 05/2000, formalizado em 11/2002. A notificação para recolhimento do débito – NRD nº 729/2002 (e-fl. 34) foi lavrada com amparo na Informação nº 760/2002 – SUARC (e-fls. 32/33), que descreveu da seguinte forma o procedimento e as análise da autoridade lançadora: A empresa acima foi visitada em abril/2002, pelo técnico desta Autarquia, para verificação da regularidade de sua situação quanto às contribuições em favor do Salário- Educação, bem como das aplicações para o Sistema de Manutenção do Ensino Fundamental SME, relativas ao período de Janeiro de 1995 a março de 2002. 2. Apuramos em inspeção que a empresa utilizou na GFIP o Código 114para Outras Entidades, quanto o correto seria o 115 para os recolhimentos feitos através da GPS nas competências 12/99, 01 a 05/2000, dessa forma o Salário- Educação não está incluído no rateio dos valores repassados aos Terceiros pelo INSS. 3. Verificamos que a empresa depositou em juízo, com base no processo n. 97.0018382- 3, os recolhimentos referentes às contribuições do Salário-Educação do período de 12/99, 01 a 05/2000, dessa forma o Salário- Educação não está incluído no rateio dos valores repassados aos Terceiros pelo INSS. 4. Esclarecemos ainda, que a empresa comprovou a dedução realizada na competência 05/1998, assim sendo, o valor apurado será incluída com os demais débitos objeto desta cobrança. 6. Após consulta em nosso sistema, apuramos o que segue: a) a empresa é optante pelo SME em 1987 a 1997 e afastada em 1998, conforme "Histórico de Exercícios da Empresa", às fls. 04; b) não constam em nossos registros, outros processos de levantamento de débito do PROINSPE ou Notificação para Recolhimento de Débito com base em Informação Fiscal do INSS para o período desta inspeção; c) não há parcelamento registrado em nosso sistema, d) consta registrado no SCPJ, o processo n.° 97.0018382-3, referente a Ação Cautelar, com Ocorrência de "Depósito Judicial" ,às fls. 27 e 28; 7. Informamos que os responsáveis pela empresa encontram-se relacionados nos documentos às fls. 14 a 23, cujos dados constam no Espelho da Empresa, fls. 03. Fl. 193DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-011.711 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 23034.022652/2002-83 8. Diante do exposto, sugerimos a emissão de Notificação de Débito para darmos início ao processo de cobrança, conforme item "2" e "4" da presente Informação. Tendo sido cientificada do lançamento em 15/10/2002 (e-fl. 37), a recorrente apresentou Defesa (e-fls. 38/40) alegando, em síntese: Que os valores cobrados tinham sido pagos (e-fls. 57 e ss); Que ocorreu um erro no preenchimento das GFIPs, que se deu sob o código 114, enquanto deveria ter sido feito no código 115; Informa que tal erro, quando foi verificado, resultou na retificação dos documentos (e-fls. 70 e ss); Defende que o erro de código não deveria justificar a cobrança da contribuição em duplicidade. A decisão FNDE (e-fls. 84) foi tomada com base na Informação nº. 2442/2004 – CGEARC (e-fls. 83/84), que destacou: Diante da cobrança, a empresa apresentou defesa tempestiva acostada, às fls. 35 à 71, alegando que por um erro material, pretende esta Autarquia que a defendente recolha a quantia de uma determinada contribuição em duplicidade e que foi providenciada a retificação dos códigos das GFLP's por meio das RDEs-Retificação de Dados do Empregador-FGTS/INSS, cópias anexas. Após análise dos autos verificamos que, de fato a empresa providenciou a retificação das RDEs, fls. 65 à 70, as quais foram requeridas as alterações do Código de Terceiros de 114 para o Código 115, referente às competências 12/99 e 01 a 05/2000, porém esta Coordenação Geral consultou o INSS, por intermédio do Ofício n.° 628/2003/GEARC/DIROF/FNDE, fl. 72, indagando se havia erro no preenchimento das citadas RDEs do CNPJ da matriz. Em resposta, o ESISS informa mediante OFÍCIO INSS/DmAR/CGARREC n.°. 09/2003, fl. 73, que as guias retificadoras apresentadas pela empresa não foram processadas pela Caixa Econômica Federal, em razão de preenchimento incorreto, além dos formulários utilizados estarem em desuso. Por analogia, sugerimos que esta Coordenação adote o mesmo procedimento para a filial em questão, já que as RDEs foram preenchidas da mesma forma da matriz. Em Consulta ao Sistema AGUIA/INSS, às fls. 74 à 76, constatamos que houve alteração do código de 114 para 115 para a competência 05/00, dessa forma, a mesma foi excluída da cobrança, permanecendo inalterados os débitos das demais competências. Isto posto, sugerimos o DEFERIMENTO PARCIAL DA DEFESA, informando que o montante do débito atualizado é de RS 41.883,17 ( quarenta e um mil, oitocentos e oitenta e três reais e dezessete centavos), conforme Quadro de Atualização de Débito, à fl. 82. A recorrente foi oficiada do resultado de julgamento pela via postal em 28/10/2004, conforme Aviso de Recebimento (e-fl. 94) e apresentou Recurso (e-fls. 95/100) em 22/11/2004, reiterando suas alegações apresentadas anteriormente em sede de Impugnação. Foi apresentado Parecer nº. 113/2007 (e-fls 112 e ss) recomendando o encaminhamento dos autos para a Secretaria da Receita Federal. Fl. 194DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-011.711 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 23034.022652/2002-83 Em 12/05/2010, os autos foram transferidos para a Receita Federal do Brasil (e-fl. 121). Os autos foram encaminhados para o CARF, sem que houvesse apresentação de contrarrazões. Em 28/03/2023, a 1ª Turma da 4ª Câmara houve por bem converter o julgamento em diligência, na Resolução nº. 2401-000.962 (e-fls. 137/139), nos termos do voto do Conselheiro Eduardo Newman de Mattera Gomes, para que a unidade de origem esclarecesse: As GFIP retificadoras objeto de análise foram efetivamente aceitas e processadas; As parcelas dos valores destinados ao FNDE indicadas nas GFIP retificadoras correspondem aos valores originais lançados de ofício; Os créditos constituídos nos presentes autos foram quitados por recolhimentos efetuados em data anterior ao lançamento em análise, após a consideração de eventuais retificações de GFIP (na hipótese de quitação parcial, deve ser indicado o valor do tributo não extinto). A Unidade de Origem apresentou Informação Fiscal (e-fls. 145/147) e anexou documentos (e-fls. 148/173). Além de responder às perguntas formuladas, a fiscalização apresentou quadros detalhando os recolhimentos e declarações promovidos pela recorrente e apresentou as seguintes conclusões: Caso os ilustres julgadores entendam que apenas as contribuições declaradas em GFIP e recolhidas em GPS devam ser consideradas no presente lançamento, o crédito remanescente é o indicado na coluna DR (Declarado e Recolhido). Caso entendam que mesmo as contribuições não declaradas, mas recolhidas se prestem a deduzir o presente processo, então o valor remanescente é o da coluna R (Recolhido). A recorrente foi intimada a se manifestar sobre a Diligência Fiscal, conforme Termo de Ciência por abertura de mensagem (e-fl. 176), em 22/05/2023, e apresentou Manifestação (e-fls. 180/186), alegando: mesmo que as retificações não tenham sido processadas, não pode a Recorrente ser responsabilizada por erro da própria Autoridade Pública que não processou as retificações apresentadas e ser forçada a recolher uma determinada contribuição em duplicidade; que as retificações foram apresentadas em agosto de 2000, antes da notificação pela Autoridade Fiscal, em abril de 2002; por meio do Ofício nº 28/05.401.2/INSS, datado de 05 de fevereiro de 2004, a Peticionante entrou em contato com o Chefe de Serviço de Fiscalização do INSS, onde foi declarado que a empresa retificou corretamente suas informações junto à Previdência Social, incluindo o código correto (0115). Foi confirmado ainda, que durante o período de dez/1999 a mai/2000, a empresa efetuou o pagamento do Salário- Educação por meio das Guias de Previdência Social (GPS); Fl. 195DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-011.711 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 23034.022652/2002-83 nas competências de mar/00 a mai/00, os valores a título de FNDE foram devidamente informados pelo contribuinte, inclusive em quantia maior, resultando em uma diferença de R$ 371,88 (trezentos e setenta e sete reais e oitenta e oito centavos) em relação aos meses mencionados, o que deve ser deduzido do valor total objeto da presente cobrança, c0aso mantido qualquer valor, o que não se acredita. Os autos foram encaminhados para julgamento e, em razão de o Conselheiro Relator não mais compor os quadros do CARF, foram redistribuídos, ficando sob a minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheira Ana Carolina da Silva Barbosa, Relatora. 1. Juízo de Admissibilidade O Recurso Administrativo interposto tem natureza de Voluntário, é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. Mérito Em razão da diligência realizada viu-se que a recorrente tentou retificar as GFIPs e efetuou recolhimentos, que foram identificados pela fiscalização no quadro constante às e-fls. 147. Apesar da tentativa de promover a retificação, conforme atestou o Ofício INSS/DIRAR/CGARREC nº. 09/2003, as guias retificadoras (RDE FGTS/INSS) apresentadas pela NACIONAL GÁS BUTANO DISTRIBUIDORA LTDA, relativas às competências 12/1999 a 05/2000, não foram processadas pela Caixa Econômica Federal em razão de preenchimento incorreto e incompleto, além de os formulários utilizados estarem em desuso (e-fl. 78). Foram identificados valores residuais de declaração e pagamento na coluna “DR” da Planilha da e-fl. 147, para as competências de 05/1998 e para o período de 12/1999 a 02/2000. Contudo, o lançamento referente à competência de maio de 1998 parece não ter ocorrido. A Informação menciona uma diferença no valor de R$200,01, que até consta na Relação dos débitos – Lançamentos analíticos, mas o Quadro de atualização de débito constante da e-fl. 30 e 36, que acompanhou a NRD nº 729/2002, apenas apresenta lançamentos de 12/1999 e 01 a 05/2000. Tanto assim o é que a recorrente replicou os valores lançados em sua defesa, e a Informação nº. 2442/2004 sequer menciona tal competência, apresentando o Quadro de Fl. 196DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-011.711 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 23034.022652/2002-83 Atualização do débito retificado após defesa, às e-fls. 87, com a exclusão da competência de 05/2000. Portanto, vê-se que há pendências de declaração e pagamento para o período remanescente, de 12/1999 a 02/2000. A falta de informação em GFIP do código correto e não processamento das GFIPs retificadoras comprometeram a quitação das contribuições devidas ao FNDE. Ou seja, que apesar de terem sido identificados os recolhimentos pela Autoridade Fiscal, tais valores não foram destinados ao FNDE, e sim rateados entre as demais entidades. Por esta razão, a quitação das contribuições ao FNDE não pode ser considerado como efetivada. O Conselheiro Matheus Soares Leite destacou a importância de ser verificada a correta declaração (códigos de recolhimento) e recolhimento das contribuições para Terceiros, no voto proferido no Acórdão nº. 2401-010.740, o qual reproduzo abaixo e adoto como razões de decidir: Ademais, cumpre pontuar que o pagamento das contribuições para outras entidades e fundos passa por dois momentos distintos, quais sejam, a quitação e declaração formal com a destinação do valor pago, ambos necessários à concretização da operação e à viabilização dos recursos às entidades favorecidas. Sem a efetivação cumulativa desses dois procedimentos não há como reconhecer como quitada a contribuição que o sujeito passivo tinha em mente quitar. Isto porque deixaria de existir uma declaração formal do contribuinte no sentido de demonstrar qual o débito que ele estaria adimplindo. Existem vários códigos a serem informados: 001 – Salário-Educação, 002 – INCRA, 004 – SENAI, 008 - SESI, 016 – SENAC, 032 – SESC, 064 – SEBRAE, e assim por diante, dependendo da natureza da atividade da empresa, dos convênios firmados diretamente com as entidades, das ações judiciais impetradas pelo sujeito passivo, bem como em virtude de outras situações que porventura venham a ocorrer. Sendo assim, quando a contribuinte informa na GFIP, por exemplo, o código “114”, está, na verdade, indicando que o pagamento realizado na GPS, no campo “Valor de Outras Entidades”, se refere ao pagamento das contribuições devidas ao INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE, pois correspondem, respectivamente, às contribuições identificadas com os códigos “002”, “016”, “032”, e “064”, e, por conseguinte, o órgão administrador dos tributos irá repassar a importância recolhida tão somente para aquelas entidades informadas, e, por óbvio, não considerará como pagos os tributos vinculados às entidades não indicadas. E foi exatamente isso que ocorreu no caso em questão, a empresa não informou um código que abrangia o Salário-Educação, não se materializando, por esse motivo, o respectivo pagamento. (grifos acrescidos) Diante do exposto, considerando o erro do Código e a falta de processamento das GFIPs retificadoras, apesar da identificação dos pagamentos em GPS, entendo que deve ser mantido o lançamento para as competências: 12/1999, 01/2000 e 02/2000, em razão da falta de correta declaração dos valores em GFIP. 3. Pedido de intimação em nome do procurador Não encontra respaldo legal nas normas do Processo Administrativo Fiscal a solicitação para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais Fl. 197DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-011.711 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 23034.022652/2002-83 administrativos na pessoa e no domicílio profissional do procurador (advogado) constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Neste sentido dispõe a Súmula CARF nº 110, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 110 No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. 4. Conclusão Ante do exposto, voto por CONHECER o Recurso Voluntário, e no mérito, DAR- LHE PARCIAL PROVIMENTO, para excluir do lançamento as competências de março a maio de 2000, em razão da correta declaração. É como voto. (documento assinado digitalmente) Ana Carolina da Silva Barbosa Fl. 198DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 12219.000075/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/05/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal, inclusive na forma da Súmula Vinculante nº 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme a modalidade de lançamento.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNA FEDERAL.
O art. 22, IV, da Lei n.º 8.212/91, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, foi julgado inconstitucional pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal (RE 595.838/SP), com repercussão geral reconhecida.
Numero da decisão: 2201-011.710
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fófano dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Francisco Nogueira Guarita, Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Thiago Alvares Feital e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente).
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/05/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal, inclusive na forma da Súmula Vinculante nº 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme a modalidade de lançamento. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNA FEDERAL. O art. 22, IV, da Lei n.º 8.212/91, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, foi julgado inconstitucional pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal (RE 595.838/SP), com repercussão geral reconhecida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fófano dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Francisco Nogueira Guarita, Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Thiago Alvares Feital e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 21 9. 00 00 75 /2 00 9- 61 Fl. 361DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-011.710 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12219.000075/2009-61 Trata-se de Recurso Voluntário em face da Decisão-Notificação da Delegacia da Receita Federal do Brasil – Previdenciária – em Campinas/SP (fls. 261/269), a qual, julgou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Foi lançado contra o contribuinte acima identificado crédito tributário correspondente à contribuição incidente sobre os valores pagos por serviços prestados por cooperativa, importando em R$ 11.731,32, incluídos multa e juros de mora até a data do lançamento. Conforme Relatório Fiscal de fls. 43/44, nas competências 02/1999 a 12/1999 e 02/2000, foram efetuados lançamentos referentes à retenção de 11% pela tomadora de serviços mediante cessão de mão-de-obra, com base no art. 31, §§ 1º e 2º, da Lei nº 8.212/91 e, nas competências 03/2000 a 05/2005, os fatos geradores são referentes aos valores pagos pelos serviços prestados por cooperados, com fundamento no art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/1999; tendo servido de base para o lançamento os livros diário e razão. Dentro do prazo regulamentar, a Contribuinte contestou o lançamento, com as seguintes alegações, em breve síntese: 1. O relatório fiscal é omisso e lacunoso, tolhendo o direito de ampla defesa. 2. Não efetuou pagamentos de benefícios assistência à saúde aos seus empregados, pois é apenas intermediária. 3. O art. 2º da Lei nº 10.243/2001 exclui as remunerações relativas a assistência médica, hospitalar e odontológica. 4. A multa possui caráter confiscatório e fere o princípio da capacidade contributiva. 5. O auto de infração foi lavrado com base na documentação da própria empresa, não havendo razão para imposição de multa tão exacerbada. 6. É inconstitucional a exigência de juros moratórios, calculados pela taxa Selic. A Delegacia da Receita Federal do Brasil – Previdenciária – em Campinas/SP julgou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo, cuja decisão foi assim ementada (fls. 261/269): PREVIDÊNCIA SOCIAL. CUSTEIO. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Sobre o valor da nota fiscal ou fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativa de trabalho, incidem contribuições previdenciárias. Cientificada dessa decisão em 27/12/2005, por via postal (A.R. de fl. 271), a Contribuinte apresentou, em 23/01/2006, o Recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social (CPRS) de fls. 272/295, alegando, de início, prescrição do período de fevereiro de 1999 a junho de 2000, e repisando as alegações da Impugnação. Fl. 362DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-011.710 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12219.000075/2009-61 Consoante despacho de fls. 300/301, os autos foram encaminhados à Procuradoria Geral Federal, para inscrição dos créditos na dívida ativa, tendo em vista a ausência do depósito recursal. Em virtude de decisão judicial favorável à Contribuinte, ocorreu baixa na inscrição da dívida ativa e os autos retornaram à Receita Federal do Brasil para dar prosseguimento ao julgamento do recurso administrativo (despacho de fl. 353). Posteriormente, o processo foi encaminhado ao CARF e foi sorteado a este Relator, para inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. DECADÊNCIA - RETENÇÃO DE 11% - CESSÃO DE MÃO DE OBRA Nas competências 02/1999 a 12/1999 e 02/2000, foram efetuados lançamentos referentes à retenção de 11% pela tomadora de serviços mediante cessão de mão-de-obra, com base no art. 31, §§ 1º e 2º, da Lei nº 8.212/91. Inicialmente, cabe analisar a questão da decadência, pois o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada no D.O.U. de 20/06/2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do art. 5° do Decreto-Lei n° 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. De acordo com a Lei 11.417/2006, após o Supremo Tribunal Federal editar enunciado de súmula, esta terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, a partir de sua publicação na imprensa oficial. Assim, a nova súmula alcança todos os créditos pendentes de pagamento e constituídos após o lapso temporal de cinco anos previsto no CTN. O Superior Tribunal de Justiça, nos autos do REsp 973.733/SC, submetido à sistemática dos recursos especiais repetitivos representativos de controvérsia (art. 543-C, do CPC/73), fixou o entendimento no sentido de que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se: a) do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando a lei prevê o pagamento antecipado, mas ele inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte; b) A partir da ocorrência do fato gerador, nos casos em que ocorre o pagamento antecipado previsto em lei. Fl. 363DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-011.710 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12219.000075/2009-61 Dessa forma, a regra contida no artigo 150, § 4°, do CTN, é regra especial, aplicável apenas nos casos em que se trata de lançamento por homologação, com antecipação de pagamento, de modo que, nos demais casos, estando ausente a antecipação de pagamento ou mesmo havendo a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, a regra aplicável é a prevista no artigo 173, I, do CTN. Quanto ao pagamento antecipado, deve ser adotado o entendimento da Súmula CARF nº 99, que dispõe: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No caso presente, como houve pagamento antecipado, conforme se depreende dos outros processos decorrentes da mesma ação fiscal, por exemplo, os processos nºs 12219.008977/2010-89 (diferenças de contribuições) e 12219.000824/2009-50 (diferença de RAT), é de se aplicar o disposto no artigo 150, § 4º, iniciando a contagem do prazo decadencial a partir do fato gerador. Como a ciência do lançamento fiscal se deu em 20/07/2005 (fl. 3), restam decaídos os lançamentos relativos aos fatos geradores até a competência 06/2000. COOPERATIVAS DE TRABALHO A partir da competência 03/2000, até 05/2005, foram efetuados lançamentos relativos a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, com base no art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 8.976/99. Observa-se que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade da cobrança da contribuição previdenciária incidente sobre pagamentos efetuados a cooperativas de trabalho na decisão proferida nos autos do RE nº 595.838/SP (repercussão geral – Tema 166), cuja ementa segue abaixo reproduzida. Destaque-se, inclusive, que a execução do artigo 22, IV, da Lei nº 8.212, de 1991, estava suspensa pela Resolução do Senado nº 10 de 2016: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ARTIGO 22, INCISO IV, DA LEI Nº 8.212/91, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 9.876/99. SUJEIÇÃO PASSIVA. EMPRESAS TOMADORAS DE SERVIÇOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE COOPERADOS POR MEIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. BASE DE CÁLCULO. VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA. TRIBUTAÇÃO DO FATURAMENTO. BIS IN I IDEM. NOVA FONTE DE CUSTEIO. ARTIGO 195, § 4º, CF. 1. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. Fl. 364DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-011.710 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12219.000075/2009-61 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Por ter sido proferido com a repercussão geral reconhecida, a decisão acima deve ser observada por este CARF, nos termos do artigo 99 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Portanto, deve-se concluir pelo afastamento das referidas contribuições, ante a inconstitucionalidade do fundamento legal do presente auto de infração (artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212, de 1991). CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 365DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13312.720031/2007-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. ÔNUS DE PROVAR.
Nos pedidos de ressarcimento de crédito presumido de IPI, o ônus de provar o direito pleiteado é de quem pleiteia o crédito. A inexistência de qualquer prova nos autos em prol da solicitação da recorrente tem por resultado a denegação do recurso. Nesse contexto, prejudicadas as discussões sobre a atividade exercida pela recorrente, bem como sobre a taxa de juros.
Numero da decisão: 3101-000.810
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. ÔNUS DE PROVAR. Nos pedidos de ressarcimento de crédito presumido de IPI, o ônus de provar o direito pleiteado é de quem pleiteia o crédito. A inexistência de qualquer prova nos autos em prol da solicitação da recorrente tem por resultado a denegação do recurso. Nesse contexto, prejudicadas as discussões sobre a atividade exercida pela recorrente, bem como sobre a taxa de juros.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1414; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 304 1 303 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13312.720031/200793 Recurso nº 506.116 Voluntário Acórdão nº 310100.810 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de julho de 2011 Matéria IPI CRÉDITO PRESUMIDO Recorrente BIOTEK MARINE COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. ÔNUS DE PROVAR. Nos pedidos de ressarcimento de crédito presumido de IPI, o ônus de provar o direito pleiteado é de quem pleiteia o crédito. A inexistência de qualquer prova nos autos em prol da solicitação da recorrente tem por resultado a denegação do recurso. Nesse contexto, prejudicadas as discussões sobre a atividade exercida pela recorrente, bem como sobre a taxa de juros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Corintho Oliveira Machado Relator. EDITADO EM: 23/07/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/07/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, 26/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro. Vanessa Albuquerque Valente e Corintho Oliveira Machado. Ausente o conselheiro Luiz Roberto Domingo. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: Tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI referente ao terceiro trimestre de 2003, no valor de R$ 46.516,83, transmitido em 22.10.2004 pela contribuinte acima identificada, juntamente com declarações de compensação, conforme fls. 01/29. 2. A DRF Sobral/CE indeferiu o pedido e considerou não homologadas as compensações, por considerar que a atividade de criação de camarões em viveiros não se enquadra no conceito de industrialização. Referida decisão baseouse também em diligência executada pela Fiscalização da Unidade (fls. 190/191), onde foi constatado que a criação e engorda do camarão constitui atividade primária, prévia a que poderá ser considerada industrialização (lavagem, classificação, embalagem e congelamento), essa última realizada por outra empresa, acrescentando ainda que a interessada não apresentou o Livro de Registro de IPI do período, além do Diário e Razão, após várias intimações, impossibilitando a análise do crédito. 3. Cientificada em 23.04.2008 (AR fl. 209) a interessada apresentou, tempestivamente, em 19.05.2008, manifestação de inconformidade (fls. 214/233) na qual: a) Alega que camarão não é um animal que pode ser admitido em seu sentido amplo, havendo de se reconhecêlo como um crustáceo, sendo esta diferenciação necessária para a correta interpretação e percepção de sua classificação na TIPI, para fins de perfeito enquadramento e fundamentação; b) Discorre sobre o conceito de industrialização, concluindo que suas atividades encontramse inseridas nesse rol, já que o processamento do camarão que realiza o aperfeiçoa para consumo final, numa cadeia de processo industrializado; c) “Dentre os procedimentos que adota, a Requerente executa o processo de criação e engorda do camarão, assim como sua limpeza e acondicionamento, modificando a aparência e seu acabamento, traduzindose em hipótese de aperfeiçoamento do produto”; d) “Este processo de aperfeiçoamento do camarão enquadrase na hipótese de incidência do Imposto Sobre Produtos Industrializado (IPI). A Tabela do Imposto Sobre Produtos Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/07/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, 26/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13312.720031/200793 Acórdão n.º 310100.810 S3C1T1 Fl. 305 3 Industrializados (TIPI) (Decreto n.° 6.006/2006) inclui os camarões, nas classificações 0306.13, 0306.23.00 e 1605.20.00, como produtos que sofrem um processo de industrialização”; e) “Evidenciado está que o camarão para consumo final no exterior, fruto do processo de industrialização da Requerente, não se apresenta da mesma forma tal como retirado da natureza: o crustáceo passou por operações de evisceração, retirada de cabeça, limpeza, secagem e acondicionamento. A sua aparência foi indiscutivelmente modificada”; f) “A verdade material dos atos e fatos realizados e incorridos pela empresa caracterizase na produção de um bem (camarão) cujo consumo está direcionado ao mercado externo, ratificado pela emissão das Notas Fiscais que atesta a verdade formal de que se trata de venda para exportação, sendo, portanto, conclusivo os fundamentos acima narrados de que o processo realizado pela empresa contribuinte é o da produção do camarão in natura, considerado industrialização pela legislação tributária” 4. Defende ainda a possibilidade de correção do valor a ser ressarcido pela taxa Selic, requerendo ao final a reforma da decisão da Unidade. A DRJ em BELÉM/PA indeferiu a solicitação e não homologou a compensação, ementando assim o acórdão: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRIAÇÃO DE CAMARÃO. A criação de camarão não pode ser considerada como atividade de industrialização. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. ESCRITURAÇÃO. Remanescendo saldo credor, é permitida a utilização de conformidade com as normas sobre ressarcimento em espécie e compensação previstas pelo Fisco, a partir do primeiro dia subseqüente ao trimestrecalendário em que o crédito presumido tenha sido escriturado no Livro Registro de Apuração do IPI. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003 JUROS SELIC. Descabe a incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI. Solicitação Indeferida. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/07/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, 26/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 275 e seguintes, onde não aponta preliminares, e no mérito, basicamente reproduz o alegado em primeira instância, e aduz que a ausência de documentos não justifica o indeferimento do pedido, pois no processo administrativo fiscal vale o princípio da verdade material, segundo o qual os fatos devem ser apurados mediante investigação, que demonstrará o direito da recorrente. Por fim, requer a reforma do acórdão recorrido e a subsistência total da compensação efetivada. Após alguma tramitação, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação deste órgão julgador de segunda instância. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/07/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, 26/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13312.720031/200793 Acórdão n.º 310100.810 S3C1T1 Fl. 306 5 Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Preambularmente, insta observar que o princípio da verdade material foi observado neste contencioso, uma vez que a diligência levada a efeito no estabelecimento da recorrente executada pela Fiscalização da Unidade preparadora (fls. 190/191), constatou que a atividade da recorrente é a criação e engorda do camarão, essa atividade primária, prévia a que pode ser considerada industrialização (lavagem, classificação, embalagem e congelamento), essa última realizada por outra empresa, acrescentando ainda que a interessada não apresentou o Livro de Registro de IPI do período, além do Diário e Razão, após várias intimações, impossibilitando a análise do crédito. Em segundo plano, cumpre dizer que nos pedidos de ressarcimento de crédito presumido de IPI, como o caso vertente, o ônus de provar o direito pleiteado é de quem pleiteia o crédito, e não o contrário, ou seja, não cabe ao fisco comprovar que a recorrente não faz jus ao crédito. Assim é que cumpria à recorrente apresentar a documentação que supostamente ampararia os créditos pretendidos, sob pena de não vêlos reconhecidos. Dessarte, não há que se falar em princípio da verdade material, pois o aludido princípio não se presta a socorrer aqueles que permanecem inertes e silentes quando instados a cooperar no processo. Ao meu ver, essa conjuntura já é o bastante para solucionar a lide em desfavor da recorrente, que não trouxe qualquer prova aos autos em prol de sua solicitação, somente alegações que caíram no vazio, porque desprovidas de substrato probatório. Nesse contexto, prejudicadas as discussões sobre a atividade exercida pela recorrente, bem como sobre a taxa de juros SELIC. Ex positis, voto pelo DESPROVIMENTO do recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Sala das Sessões, em 07 de julho de 2011. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/07/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, 26/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/07/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, 26/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10954.000011/2003-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE.
INOBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
O princípio da motivação é postulado pelo princípio da legalidade e a sua inobservância, por si só, pode ser suficiente para caracterizar cerceamento do direito de defesa. Nula é a decisão maculada com vício dessa natureza.
Processo que se declara nulo a partir do acórdão recorrido, inclusive.
Numero da decisão: 3101-000.700
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria, em declarar nulo o
processo a partir do acórdão recorrido, inclusive. Vencido o conselheiro Renato Guilherme Machado Nunes, que dava provimento.
Nome do relator: TARASIO CAMPELO BORGES
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[nova denominação social de CAMARGO CORREA METAIS S.A.] Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O princípio da motivação é postulado pelo princípio da legalidade e a sua inobservância, por si só, pode ser suficiente para caracterizar cerceamento do direito de defesa. Nula é a decisão maculada com vício dessa natureza. Processo que se declara nulo a partir do acórdão recorrido, inclusive. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria, em declarar nulo o processo a partir do acórdão recorrido, inclusive. Vencido o conselheiro Renato Guilherme Machado Nunes, que dava provimento. Henrique Pinheiro Torres Presidente Tarásio Campelo Borges Relator Formalizado em: 06/05/2011 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Renato Guilherme Machado Nunes, Tarásio Campelo Borges e Valdete Aparecida Marinheiro. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 06/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES Processo nº 10954.000011/200325 Acórdão nº 310100.700 S3C1T1 Fl. 256 _________ Relatório Cuidase de recurso voluntário contra acórdão unânime da Terceira Turma da DRJ Belém (PA) [1] que rejeitou manifestação de inconformidade [2] contra parcial indeferimento de pedido de ressarcimento de créditos do imposto sobre produtos industrializados (IPI) relativos a alegados insumos utilizados na fabricação de produtos exportados, estímulo fiscal à exportação de manufaturados originalmente instituído pelo Decretolei 491, de 1969, artigo 5º [3], e restabelecido pela Lei 8.402, de 1992, artigo 1°, inciso II [4]. Os ressarcimentos ora discutidos, apurados no 4º trimestre de 2002, estão atrelados a declarações de compensação com débitos de natureza tributária administrados pela RFB. Indeferido parcialmente o pedido pela Delegacia da Receita Federal competente [5], a interessada tempestivamente manifestou sua inconformidade com as razões de folhas 175 a 184 (volume I), assim sintetizadas no relatório do acórdão recorrido: 3. [...]. Alega a empresa que todos os materiais glosados geram direito ao crédito, especificando conforme abaixo: a) O revestimento de carbono serve para revestir as calhas por onde passa e as panelas onde é derramado o silício metálico, de modo que entra em contato com o produto; b) O concreto refratário, ele serve para assentar os tijolos refratários, os quais, por sua vez, são consumidos no processo de produção; c) O coque verde de petróleo é uma fonte de carbono utilizada em substituição ao carvão, ou seja, é matériaprima indispensável para o processo de produção, pois promove a reações de redução do silício metálico, produto final; d) O tijolo refratário e o arco fazem parte do revestimento das panelas e têm como função manter o calor interno. Ou seja, são produtos consumidos no processo de produção, devendo ser, portanto, classificados como produtos intermediários que geram direito a crédito; 1 Inteiro teor do acórdão recorrido às folhas 198 a 205 (volume I). 2 Manifestação de inconformidade acostada às folhas 175 a 184 (volume I). 3 DL 491, de 1969, artigo 5º: É assegurada a manutenção e utilização do crédito do IPI relativo às matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem efetivamente utilizados na industrialização dos produtos exportados. (Vide Decretolei 1.722, de 1979) (Vide Decretolei 1.724, de 1979) (Vide Lei 8.402, de 1992). 4 Lei 8.402, de 1992, artigo 1º: São restabelecidos os seguintes incentivos fiscais: [...] (II) manutenção e utilização do crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados relativo aos insumos empregados na industrialização de produtos exportados, de que trata o art. 5° do DecretoLei n° 491, de 5 de março de 1969; [...]. 5 Indeferimento parcial do ressarcimento às folhas 156 a 167 (volume I), com glosa de créditos relativos a aquisições não consideradas matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 06/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES Processo nº 10954.000011/200325 Acórdão nº 310100.700 S3C1T1 Fl. 257 _________ e) A argamassa aluminosa, ela serve para assentar os tijolos refratários, configurandose, pois, parte indissociável desses objetos; f) O tubo de aço carbono (tubo de fluxação) consiste em material intermediário, uma vez que para o refinamento do silício líquido, os referidos tubos são inseridos nas panelas refratárias, mantendo contato direto com silício líquido e introduzem oxigênio necessário para que ocorram as reações químicas, das quais resultam a separação das impurezas, formação da escória e produto final. Cumpre ainda esclarecer que esses tubos de fluxação são feitos de materiais refratários para que suportem as altas temperaturas a que são submetidos. Entretanto, desgastamse após sua introdução por aproximadamente seis vezes nas panelas, tornandose inúteis para o processo de refinameno do silício líquido. 4. Prossegue, manifestando entendimento de que, segundo o Parecer Normativo CST n° 65, de 1979, “são considerados intermediários e, portanto, dão direito ao crédito do IPI, todos os produtos que se desgastem em uma das fases do processo produtivo, contribuindo para a sua realização”, citando ementa de Solução de Consulta expedida pela Superintendência da 8ª RF, que entende convalidar seu juízo, além de ementas de decisões do Conselho de Contribuintes. 5. Em seguida, requereu a realização de diligência a fim de constatar que os insumos utilizados podem ser caracterizados como matérias primas e/ou produtos intermediários, gerando, pois, o direito creditório; e que fosse reformado o despacho decisório, reconhecendose integralmente o direito creditório, homologandose as compensações e cancelandose eventuais lançamentos fiscais. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido estão consubstanciados na ementa que transcrevo: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO . INSUMOS. Somente geram direito ao crédito do imposto os materiais que se enquadrem no conceito jurídico de insumo, ou seja, aqueles que se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direto com o produto em fabricação. Solicitação Indeferida Ciente do inteiro teor desse acórdão, recurso voluntário foi interposto às folhas 212 a 227 (volume II). Nessa petição, preliminarmente, aponta cerceamento do seu direito de defesa bem como ofensa aos princípios constitucionais da busca da verdade material, do contraditório e da ampla defesa em face do indeferimento da diligência então pretendida. No mérito, defende: (1) ineficácia dos Pareceres Normativos (CST) 181, de 1974, e 65, de 1979, perante a ausência de dúvidas capazes de provocar interpretações ambíguas na redação do inciso I do artigo 66 do RIPI 1979 [6] [7]; (2) indevida restrição ao aproveitamento 6 Correspondente ao inciso I do artigo 164 do RIPI 2002. 7 RIPI 2002, artigo 164: Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25) (I) do imposto relativo a MP, PI e ME, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 06/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES Processo nº 10954.000011/200325 Acórdão nº 310100.700 S3C1T1 Fl. 258 _________ dos créditos imposta pelos pareceres normativos, sem amparo no ordenamento jurídico, quando exige, para tanto, contato físico direto entre os insumos e os produtos industrializados com os quais não se integrem; e (3) incorreta glosa dos créditos inerentes aos insumos (produtos intermediários) consumidos no seu processo produtivo, no qual ocorre, em todos os casos, contato físico direto dos insumos com o silício metálico produzido. Por fim, reitera pedido de diligência para aferir os detalhes do seu processo produtivo e identificar os insumos que entram em contato físico direto com o produto final. A autoridade competente deu por encerrado o preparo do processo e encaminhou para a segunda instância administrativa [8] os autos posteriormente distribuídos a este conselheiro e submetidos a julgamento em dois volumes, ora processados com 254 folhas. É o relatório. Voto Conselheiro Tarásio Campelo Borges (Relator) Conheço do recurso voluntário interposto às folhas 212 a 227 (volume II), porque tempestivo e atendidos os demais requisitos para sua admissibilidade. Versa o litígio, conforme relatado, acerca de manifestação de inconformidade contra parcial indeferimento de pedido de ressarcimento de créditos do imposto sobre produtos industrializados (IPI) relativos a alegados insumos utilizados na fabricação de produtos exportados, amparado em estímulo fiscal à exportação de manufaturados. Nas questões de mérito, no voto condutor do acórdão recorrido, os fatos do caso concreto estão referidos em quatro parágrafos [9], sem o necessário cotejamento deles com as normas jurídicas sobre as quais discorre em trechos intercalados, senão vejamos: 10. O contribuinte se insurgiu contra a glosa dos seguintes itens: revestimento de carbono, concreto refratário, coque verde de petróleo, tijolo refratário e arco, argamassa aluminosa e tubo de aço carbono. 11. A legislação que rege a matéria, para efeito de direito ao crédito do imposto, não se refere a insumos genericamente utilizados na produção, mas especificamente à matériaprima, ao produto intermediário e ao material de embalagem. Logo, para se considerar que tais gastos ensejam o direito ao crédito, eles terão que se enquadrar em algum daqueles insumos citados. aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; [...]. 8 Despacho acostado à folha 254 determina o encaminhamento dos autos para o outrora denominado Segundo Conselho de Contribuintes. 9 Parágrafo 10, parágrafo 16, parágrafo 18 e parágrafo 19. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 06/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES Processo nº 10954.000011/200325 Acórdão nº 310100.700 S3C1T1 Fl. 259 _________ 12. Sendo assim, para efeito de crédito do imposto, o Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do IPI (Ripi/2002), esclarece que se incluem no conceito de matériaprima e produto intermediário os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos no ativo permanente: “Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; ........” 13. O Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, citado pela interessada, interpretando, na época, o disposto no art. 66 do Ripi/79, de igual teor do art. 164 do Ripi/2002 acima transcrito, estabelece que: “Em estudo o inciso I do artigo 66 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto nº 83.263, de 9 de março de 1979 (RIPI/79). 2 O artigo 25 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação que lhe foi dada pela alteração 8ª do artigo 2º do Decretolei nº 34, de 18 de novembro de 1966, repetida “ipsis verbis” pelo artigo 1º do Decretolei nº 1.136, de 7 de setembro de 1970, dispõe: ‘Art. 25 A importância a recolher será o montante do imposto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuindo do montante do imposto relativo aos produtos nele entrados no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer’. Como se vê, tratase de norma não autoaplicável, de vez que ficou atribuído ao regulamento especificar os produtos entrados que geram o direito à subtração do montante de IPI a recolher. 3 Diante disto, ressaltese serem ‘ex nunc’ os efeitos decorrentes da entrada em vigência do inciso I do artigo 66 do RIPI/79, ou seja, usando da atribuição que lhe foi conferida em lei, o novo Regulamento estabeleceu as normas e especificações que a partir daquela data passaram a reger a matéria, não se tratando, como há quem entenda, de disposição interpretativa e, por via de conseqüência, retroativa, somente sendo, portanto, aplicável a norma em análise, a seguir transcrita, aos fatos ocorridos a partir da vigência do RIPI/79: ‘Art. 66 Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502/64 arts. 25 a 30 e Decretolei nº 3.466, art. 2º, alt. 8ª): Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 06/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES Processo nº 10954.000011/200325 Acórdão nº 310100.700 S3C1T1 Fl. 260 _________ I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente.’ 4 Notese que o dispositivo está subdividido em duas partes, a primeira referindose às matériasprimas, aos produtos intermediários e ao material de embalagem; a segunda relacionada às matériasprimas e aos produtos intermediários que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização. 4.1 Observese, ainda, que enquanto na primeira parte da norma ‘matériasprimas’ e ‘produtos intermediários’ são empregados ‘stricto sensu’, a segunda usa tais expressões em seu sentido lato: quaisquer bens que, embora não se integrando ao produto em fabricação se consumam na operação de industrialização. 4.2 Assim, somente geram direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação, ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. 5 No que diz respeito à primeira parte da norma, que se refere a matériasprimas e produtos intermediários ‘stricto sensu’, ou seja, bem dos quais, através de quaisquer das operações de industrialização enumeradas no Regulamento, resulta diretamente um novo produto, tais como, exemplificadamente, a madeira com relação a um móvel ou o papel com referência a um livro, nada há que se comentar de vez que o direito ao crédito, diferentemente do que ocorre com os referidos na segunda parte, além de não se vincular a qualquer requisito, não sofreu alteração com relação aos dispositivos constantes dos regulamentos anteriores. 6 Todavia, relativamente aos produtos referidos na segunda parte, matériasprimas e produtos intermediários entendidos em sentido amplo, ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas operações são nelas utilizados, se consumindo em virtude do contato físico com o produto em fabricação, tais como lixas, lâminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exigese uma série de considerações. 6.1 Há quem entenda, tendo em vista tal ressalva (não gerarem direito ao crédito os produtos compreendidos entre os bens do ativo permanente), que automaticamente gerariam o direito ao crédito os produtos não inseridos naquele grupo de contas, ou seja, que a norma em questão teria adotado como critério Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 06/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES Processo nº 10954.000011/200325 Acórdão nº 310100.700 S3C1T1 Fl. 261 _________ distintivo, para efeito de admitir ou não o crédito, o tratamento contábil emprestado ao bem. 6.2 Entretanto, uma simples exegese lógica do dispositivo já demonstra a improcedência do argumento, uma vez que, consoante regra fundamental de lógica formal, de uma premissa negativa (os produtos ativados permanentemente não geram o direito) somente concluise por uma negativa, não podendo, portanto, em função de tal premissa, ser afirmativa a conclusão, ou seja, no caso, a de que os bens não ativados permanentemente geram o direito de crédito. 7 Outrossim, aceita, em que pese a contradição lógicoformal, a tese de que para os produtos que não sejam matérias nem produtos intermediários ‘stricto sensu’, vigente o RIPI/79, o direito ou não ao crédito deve ser deduzido exclusivamente em função do critério contábil ali estatuído, estarseia considerando inócuas diversas palavras constantes do texto legal, de vez que bastaria que o referido comando, em sua segunda parte, rezasse “...e os demais produtos que forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens ao ativo permanente”, para o mesmo resultado. 7.1 Tal opção, todavia, eqüivaleria a pôr de lado o princípio geral de direito consoante o qual ‘a lei não deve conter palavras inúteis’, o que só é lícito fazer na hipótese de não se encontrar explicação para as expressões inúteis. 8 No caso, entretanto, a própria exegese histórica da norma desmente esta acepção, de vez que a expressão ‘incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando no novo produto forem consumidos no processo de industrialização’ é justamente a única que consta de todos os dispositivos anteriores (inciso I do artigo 27 de Decreto 56.791/65, inciso I do artigo 30 do Decreto nº 61.514/67 e inciso I do artigo 32 do Decreto nº 70.162/72), o que equivale a dizer que foi sempre em função dela que se fez a distinção entre os bens que, não sendo matériasprimas nem produtos intermediários ‘stricto sensu’, geram ou não direito ao crédito, isto é, segundo todos estes dispositivos, geravam o direito os produtos que embora não se integrando no novo produto, fossem consumidos no processo de industrialização. 8.1 A norma constante do direito anterior (inciso I do artigo 32 do Decreto nº 70.162/72), todavia restringia o alcance do dispositivo, dispondo que o consumo do produto, para que se aperfeiçoasse o direito do crédito, deveria se dar imediata e integralmente. 8.2 O dispositivo vigente inciso I do artigo 66 do RIPI/79 por sua vez, deixou de registrar tal restrição, acrescentando, a título de inovação, a parte final referente à contabilização no ativo permanente. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 06/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES Processo nº 10954.000011/200325 Acórdão nº 310100.700 S3C1T1 Fl. 262 _________ 9 Como se vê, o que mudou não foi o critério, que continua sendo o do consumo do bem no processo industrial, mas a restrição a este. 10 Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deve entender como produtos ‘que embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização’, para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1 Como o texto fala em ‘incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários’, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários ‘stricto sensu’, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2 A expressão ‘consumidos’ sobretudo levandose em conta que as restrições ‘imediata e integralmente’, constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. 11 Em resumo, geram o direito ao crédito, alem dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, “stricto senso”, material de embalagens), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; ou viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face dos princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente.” (negritos acrescidos) 14. A leitura do Parecer acima reproduzido contradita a equivocada interpretação no sentido de que, desde que não façam parte do ativo permanente, todos os itens consumidos na industrialização poderiam ser considerados matériasprimas e produtos intermediários com fins de gerar o respectivo direito ao crédito. Não é essa a melhor exegese do Parecer, pois, de forma oposta, dos itens consumidos ou utilizados na produção, nem todos são matériasprimas ou produtos intermediários, de acordo com a legislação do IPI. 15. No mesmo sentido, já se tinha o Parecer Normativo nº 181/1974, que dispunha no seu item 13: “13 Por outro lado, ressalvados os casos de incentivos expressamente previstos em lei, não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações Fl. 8DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 06/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES Processo nº 10954.000011/200325 Acórdão nº 310100.700 S3C1T1 Fl. 263 _________ industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Entre outros, são produtos dessa natureza: limas, rebolos, lâmina de serra, mandris, brocas, tijolos refratários usados em fornos de fusão de metais, tintas e lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos etc.” (grifouse) 16. O sujeito passivo, a fim de sustentar a afirmação de que a empresa tem direito ao crédito de IPI referente aos insumos, transcreveu à peça impugnatória o item 11 do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979. Entretanto, quando da transcrição, suprimiu as partes que demonstram que não assiste razão à sua afirmação, senão vejamos: a palavra “diretamente” foi suprimida da frase “em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação”, suprimiu, também, a seguinte parte “ou viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização”. 17. Assim sendo, nos termos do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, e do Parecer Normativo nº 181, de 1974, e em consonância com o art. 164 do RIPI/2002, geram direito ao crédito, além das matériasprimas, produtos intermediários “strictosensu” e material de embalagem que se integram ao produto final, quaisquer outros bens – desde que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente – que se consumam por decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, ficando excluídos os produtos: a) que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização; b) incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização; c) empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. 18. Assim, não se admite o crédito dos produtos excluídos pela fiscalização, pois não se enquadram no conceito de MP, PI, ou ME. Ou seja, o termo “insumo” para fins de IPI possui conceito jurídico, e não contábil ou econômico. Como foi seguido estritamente o direito a crédito relativo a MP, PI e ME adquiridos para emprego na industrialização, portanto, não há que se falar em violação ao art. 25, inciso I, da Lei n° 4.502, de 1964. 19. Concluise, portanto, que não existe amparo legal que dê direito ao crédito do imposto referente a: revestimento de carbono, concreto refratário, coque verde de petróleo, tijolo refratário e arco, argamassa aluminosa e tubo de aço carbono, motivo pelo qual votase pelo indeferimento da presente manifestação de inconformidade. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 06/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES Processo nº 10954.000011/200325 Acórdão nº 310100.700 S3C1T1 Fl. 264 _________ Portanto, preliminarmente, entendo aviltados dois princípios norteadores do direito administrativo: o princípio da motivação e o princípio da verdade material. Nesse sentido, vale lembrar a determinação exarada no caput do artigo 2o da Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, verbis: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Sobre a verdade material, mutatis mutandis, transcrevo, por oportunas, lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martínez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado. [...] Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte.10 Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. [11] Igualmente essencial, o princípio da motivação é postulado pelo princípio da legalidade e a sua inobservância, por si só, pode ser suficiente para caracterizar a nulidade do ato administrativo por cerceamento do direito de defesa, consoante lição de Celso Antônio Bandeira de Melo: 29. Devese considerar, também, como postulado pelo princípio da legalidade o princípio da motivação, isto é, o que impõe à Administração Pública o dever de expor as razões de direito e de fato pelas quais tomou a providência adotada. Cumprelhe fundamentar o ato que haja praticado, justificando as razões que lhe serviram de apoio para expedilo. 39. Dito princípio implica para a Administração o dever de justificar seus atos, apontadolhes os fundamentos de direito e de fato, assim como a correlação lógica entre os eventos e situações que deu por existentes e a providência tomada, nos casos em que este último aclaramento seja necessário para aferirse a consonância da conduta administrativa com a lei que lhe serviu de arrimo. 10 XAVIER, Alberto. Do lançamento: teoria geral do ato do procedimento e do processo tributário. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1997, p. 124. 11 NEDER, Marcos Vinicius; LÓPEZ, Maria Tereza Martínez. Processo administrativo fiscal federal comentado. 2. ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 06/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES Processo nº 10954.000011/200325 Acórdão nº 310100.700 S3C1T1 Fl. 265 _________ A motivação deve ser prévia ou contemporânea à expedição do ato. Em algumas hipóteses de atos vinculados, isto é, naqueles em que há aplicação quase automática da lei, por não existir campo para interferência de juízos subjetivos do administrador, a simples menção do fato e da regra de Direito aplicanda pode ser suficiente, por estar implícita a motivação. Naqueloutros, todavia, em que existe discricionariedade administrativa ou em que a prática do ato vinculado depende de aturada apreciação e sopesamento dos fatos e das regras jurídicas em causa, é imprescindível motivação detalhada. É o que sucede, por exemplo, na tomada de decisões em procedimentos nos quais exista uma situação contenciosa, [...]. 40. O fundamento constitucional da obrigação de motivar está – como se esclarece de [sic] seguida – implícito tanto no art. 1o, II, que indica a cidadania como um dos fundamentos da República, quanto no parágrafo único deste preceptivo, segundo o qual todo o poder emana do povo, como ainda no art. 5o, XXXV, que assegura o direito à apreciação judicial nos casos de ameaça ou lesão de direito. É que o princípio da motivação é reclamado quer como afirmação do direito político dos cidadãos ao esclarecimento do “porquê” das ações de quem gere negócios que lhes dizem respeito por serem titulares últimos do poder, quer como direito individual a não se assujeitarem a decisões arbitrárias, pois só têm que se conformar às que forem ajustadas às leis. Por isso Ramón Real disse que o dever de motivar é exigência de uma administração democrática12 – e outra não se concebe em um Estado que se declara “Estado Democrático de Direito” (art. 1o, caput) –, pois o mínimo que os cidadãos podem pretender é saber as razões pelas quais são tomadas as decisões expedidas por quem tem de servilos. De outra parte, não haveria como assegurar confiavelmente o contraste judicial eficaz das condutas administrativas com os princípios da legalidade, da finalidade, da razoabilidade e da proporcionalidade se não fossem contemporaneamente a elas conhecidos e explicados os motivos que permitiriam reconhecer seu afinamento ou desafinamento com aqueles mesmos princípios. Assim, o administrado, para insurgirse ou para ter elementos de insurgência contra atos que o afetem pessoalmente, necessita conhecer as razões de tais atos na ocasião em que são expedidos. Igualmente, o Judiciário não poderia conferirlhes a real justeza se a Administração se omitisse em enunciálas quando da prática do ato. É que, se fosse dado ao Poder Público aduzilos apenas serodiamente, depois de impugnada a conduta em juízo, poderia fabricar razões ad hoc, “construir” motivos que jamais ou dificilmente se saberia se eram realmente existentes e/ou se foram deveras sopesados à época em que se expediu o ato questionado. Assim, atos administrativos praticados sem a tempestiva e suficiente motivação são ilegítimos e invalidáveis pelo Poder Judiciário toda vez que sua fundamentação tardia, apresentada apenas depois de impugnados em juízo, não possa oferecer segurança e certeza de que os motivos aduzidos efetivamente existiam ou foram aqueles que embasaram a providência contestada. [13] 12 Alberto Ramón Real, La fundamentación del acto administrativo, RDP, 6/17. 13 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 12. ed. rev. atual. e amp. São Paulo: Malheiros, 2000, p. 40 e 82 a 84. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 06/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES Processo nº 10954.000011/200325 Acórdão nº 310100.700 S3C1T1 Fl. 266 _________ In casu, o julgamento pronunciado pelo órgão a quo é omisso quanto à indicação dos motivos pelo quais afasta dos conceitos de matériasprimas e de produtos intermediários as aquisições de revestimento de carbono, concreto refratário, coque verde de petróleo, tijolo refratário e arco, argamassa aluminosa e tubo de aço carbono (tubo de fluxação). Não se sabe, por exemplo, se aquele órgão judicante administrativo considera todos esses bens próprios do ativo permanente; se não os considera próprios do ativo permanente, mas não reconhece o consumo deles no processo de industrialização da ora recorrente; ou se não os considera próprios do ativo permanente, reconhece o consumo deles no processo de industrialização da ora recorrente, mas afasta a possibilidade desse consumo ser decorrente de contato físico com o produto em fabricação. Com essas considerações, em sede de preliminar, entendo a inobservância dos princípios da verdade material e da motivação fato caracterizador de cerceamento do direito de defesa e voto pela declaração de nulidade do processo a partir do acórdão recorrido, inclusive, para que outro seja proferido em boa e devida forma, com a persecução da verdade e a necessária motivação, vale dizer, com o explícito sopesamento dos fatos mediante uso das normas jurídicas incidentes no caso concreto. Tarásio Campelo Borges Fl. 12DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 06/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.729690/2018-93
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
EXERCÍCIO: 2019
MULTA ISOLADA
É inconstitucional a aplicação da multa isolada, prevista no art. 74, §17, da Lei 9.430/2006, aplicada em caso de não homologação de compensação, consoante decisão do Supremo Tribunal Federal - STF.
Numero da decisão: 1001-003.277
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Zedral - Presidente
(documento assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rafael Zedral, José Roberto Adelino da Silva, Roney Sandro Freire Correa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: Não informado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Rafael Zedral - Presidente (documento assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rafael Zedral, José Roberto Adelino da Silva, Roney Sandro Freire Correa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Rafael Zedral - Presidente (documento assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rafael Zedral, José Roberto Adelino da Silva, Roney Sandro Freire Correa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o acórdão n° 114-103.859 - 3ª turma da DRJ/RPOque julgou improcedente a Impugnação, apresentada pela ora recorrente, contra a Notificação de Lançamento, consoante descrito a seguir: Versa o presente processo sobre notificação de lançamento n£' 00000000090626691 de multa por compensação não homologada, tratada no processo administrativo n£' 10880.927967/2014- 30. A multa foi lavrada com base no § 17 do art. 74 da Lei n£' 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com alterações posteriores. A AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 96 90 /2 01 8- 93 Fl. 1123DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1001-003.277 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.729690/2018-93 multa foi exigida mediante a aplicação do percentual de 50% sobre a base de cálculo (valor não homologado), resultando no crédito tributário no valor de R$66.316,13. Notificada do lançamento, a interessada apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: duplicidade. A DRJ, em síntese, assim decidiu: A impugnante entende que estaria ocorrendo duplicidade de autuações, havendo cobrança de multa de mora sobre os débitos cujas compensações não foram homologadas e aplicação de multa isolada sobre os mesmos débitos no presente processo. Diz que ambas as multas não podem ser exigidas concomitantemente, pois implicam em dupla penalidade, e que a presente multa deve ser cancelada. A cobrança de multa de mora sobre os débitos não pagos no vencimentos está prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 61 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Ou seja, a multa de mora prescinde de lançamento de ofício, sendo um mero acréscimo legal decorrente de falta de pagamento do tributo no prazo de vencimento. Por outro lado, a multa isolada sobre compensação não homologada está prevista no §17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e alterações posteriores. Resta evidente, portanto, que há expressa previsão legal para a exigência da multa na forma da autuação. Isto porque a multa isolada decorrente de compensações não homologadas e a multa de mora têm hipóteses de incidência diversas. Trata-se, portanto, de duas situações distintas: uma, decorrente de compensações não homologadas e exigindo o lançamento de ofício por parte da Autoridade Fiscal, e a outra que é mero acréscimo legal decorrente do não pagamento do tributo no prazo de vencimento. Portanto, há previsão legal para exigência de ambas as multas. Dessa forma voto por julgar IMPROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO, mantendo o crédito tributário exigido e determinando a suspensão da sua exigibilidade, nos termos da Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 18, até o julgamento definitivo do processo nº 10880.927967/2014-30, quando seu valor deverá ser reapurado de acordo com o decidido naquele processo. Consoante nota ao processo, a ciência do Acórdão deu-se em 23/04/20, entretanto o contribuinte já o havia consultado e juntou o RV em 31/01/20, portanto, em data anterior à da ciência. A recorrente afirma ter tomado ciência em 02/01/2020. A recorrente, em seu RV, alega: necessidade da suspensão do feito diante da repercussão geral pendente de julgamento no STF; ofensa aos princípios do contraditório, ampla-defesa, razoabilidade e proporcionalidade; Fl. 1124DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1001-003.277 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.729690/2018-93 não-aplicabilidade da multa devido à ausência de má-fé da Recorrente bem como ausência de decisão definitiva pela Recorrida; e vedação no ordenamento jurídico pátrio do "bis in idem". Requer: À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a Recorrente; a) seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelando-se o débito fiscal reclamado e autorizando-se a compensação pleiteada; b) apreciação por completo das provas documentais juntadas nesse recurso eis que se encontram no contexto da discussão de matéria em litígio; c) requer, outrossim, na hipótese de entendimento diverso, o que não se espera, seja suspenso o feito até decisão pelo STF referente ao Recurso Extraordinário 796.939/RS, que determinou o sobrestamento dos feitos que discutem o tema quanto à inconstitucionalidade da imposição da multa, objeto de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos, determinados pelo Decreto 70.235/72, portanto, dele eu conheço. Este PAF trata apenas da aplicação da multa isolada, prevista nos parágrafos 17 e 18 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pela sujeito passivo. §18. No caso de apresentação de manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, fica suspensa a exigibilidade da multa de ofício de que trata o § 17, ainda que não impugnada essa exigência, enquadrando-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional. A homologação da compensação é objeto do PAF de nº 10880.927967/2014-30, ainda não julgado. Este assunto foi objeto da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4905, de relatoria do Min. Gilmar Mendes e do Recurso Extraordinário nº 796.939/RS (Tema de Repercussão Geral nº 736). O Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu, em (17/03/2023), o julgamento de ambos os casos, nos quais foi reconhecida a inconstitucionalidade da norma acima (que previam Fl. 1125DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1001-003.277 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.729690/2018-93 a aplicação da chamada multa isolada de 50% sobre o valor do débito objeto de pedido de compensação não homologado). No primeiro caso, por maioria de votos, a ADI foi parcialmente conhecida, e, nessa extensão, julgada procedente para declarar a inconstitucionalidade do §17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, incluído pela Lei nº 12.249/2010 e alterado pela Lei nº 13.097/2015, e, por arrastamento, a inconstitucionalidade do inciso I do §1º do art. 74 da Instrução Normativa RFB nº 2.055/2021, que previam a aplicação da aludida multa nos casos de compensação não homologada. No recurso extraordinário foi seguida a mesma linha sendo afastada a aplicação da referida multa e, assim, foi fixada a seguinte tese, vinculante para a Administração e o Poder Judiciário, visto ter sido: É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária. Portanto, em sendo de repercussão geral (erga omnes), aplica-se o art. 62, do, Anexo II, do RICARF - Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016). Consequentemente, dou provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 1126DF CARF MF Original
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Numero do processo: 11075.002723/2008-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/02/2005 a 30/06/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Preliminar de nulidade do auto de infração estribada na assertiva de não haver infração, e sim mera presunção da auditoria-fiscal,
configura-se matéria de mérito, sendo necessário adentrar os fatos que formam a conjuntura da lide para bem decidi-la,
e nesse ponto a preliminar confunde-se com o mérito, daí
a rejeição da preliminar.
Quanto à afirmativa de haver base de cálculo incorreta, por erro no mês de fevereiro de 2005, melhor sorte não assiste à recorrente, porquanto a diferença entre o valor declarado originariamente e o informado posteriormente não foi estornada e continuou reduzindo indevidamente a base de cálculo da COFINS e do PIS no referido mês, uma vez que o contribuinte não havia retificado tal erro no respectivo Demonstrativo. Assim, no cômputo final dos valores devedores de PIS e COFINS, agiu corretamente a Fiscalização, que considerou o total das receitas apuradas para o mês de fevereiro de 2005 e apurou o valor devido daquelas contribuições.
NÃO-CUMULATIVIDADE. VENDAS PARA EXPORTAÇÃO. ENERGIA
ELÉTRICA.
As operações praticadas pela recorrente consubstanciaram vendas de energia elétrica no mercado interno a agentes de exportação, e não vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação. O regime jurídico a que estão subordinadas as empresas comerciais exportadoras é muito diverso do regime jurídico a que estão submetidos os agentes de
exportação de energia elétrica. Interpretação restritiva da lei que institui isenção tributária não permite analogia entre o tratamento legal dado a empresas comerciais exportadoras e agentes de exportação de energia elétrica.
MULTA DE OFICIO E JUROS SELIC.
A irresignação contra a multa de ofício e os juros calculados pela taxa SELIC não encontram guarida em instância administrativa, porquanto aplicados de acordo com a respectiva legislação. As súmulas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária; e nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais; aplicam-se ao caso vertente.
JUROS SOBRE MULTA.
Inexistindo nos autos qualquer exigência de juros sobre a multa punitiva, aspecto refutado pela recorrente, o argumento cai no vazio.
Numero da decisão: 3101-000.704
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Renato Guilherme Machado Nunes e Luiz Roberto Domingo.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2005 a 30/06/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Preliminar de nulidade do auto de infração estribada na assertiva de não haver infração, e sim mera presunção da auditoriafiscal, configurase matéria de mérito, sendo necessário adentrar os fatos que formam a conjuntura da lide para bem decidila, e nesse ponto a preliminar confundese com o mérito, daí a rejeição da preliminar. Quanto à afirmativa de haver base de cálculo incorreta, por erro no mês de fevereiro de 2005, melhor sorte não assiste à recorrente, porquanto a diferença entre o valor declarado originariamente e o informado posteriormente não foi estornada e continuou reduzindo indevidamente a base de cálculo da COFINS e do PIS no referido mês, uma vez que o contribuinte não havia retificado tal erro no respectivo Demonstrativo. Assim, no cômputo final dos valores devedores de PIS e COFINS, agiu corretamente a Fiscalização, que considerou o total das receitas apuradas para o mês de fevereiro de 2005 e apurou o valor devido daquelas contribuições. NÃOCUMULATIVIDADE. VENDAS PARA EXPORTAÇÃO. ENERGIA ELÉTRICA. As operações praticadas pela recorrente consubstanciaram vendas de energia elétrica no mercado interno a agentes de exportação, e não vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação. O regime jurídico a que estão subordinadas as empresas comerciais exportadoras é muito diverso do regime jurídico a que estão submetidos os agentes de exportação de energia elétrica. Interpretação restritiva da lei que institui isenção tributária não permite analogia entre o tratamento legal dado a empresas comerciais exportadoras e agentes de exportação de energia elétrica. Fl. 1613DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 MULTA DE OFICIO E JUROS SELIC. A irresignação contra a multa de ofício e os juros calculados pela taxa SELIC não encontram guarida em instância administrativa, porquanto aplicados de acordo com a respectiva legislação. As súmulas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária; e nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais; aplicamse ao caso vertente. JUROS SOBRE MULTA. Inexistindo nos autos qualquer exigência de juros sobre a multa punitiva, aspecto refutado pela recorrente, o argumento cai no vazio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Renato Guilherme Machado Nunes e Luiz Roberto Domingo. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Corintho Oliveira Machado Relator. EDITADO EM: 16/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro e Renato Guilherme Machado Nunes e Corintho Oliveira Machado. Fl. 1614DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11075.002723/200851 Acórdão n.º 310100.704 S3C1T1 Fl. 701 3 Relatório Adoto o relato do decisum de primeira instância, até aquela fase: Contra a empresa antes qualificada foram lavrados dois Autos de Infração, a saber: a) o de fls. 02/05, com os demonstrativos de fls. 06/09 e o Relatório de Ação Fiscal Tributária de fls. 18/35, formalizando a exigência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade SocialCOFINS (incidência nãocumulativa), com intimação para recolhimento do valor de R$ 4.869.186,35, referente a fatos geradores entre 28/02/2005 e 30/06/2008, sendo o valor principal acrescido da multa de ofício de 75% e juros de mora regulamentares, resultante da observação de falta ou insuficiência de recolhimento da exação, tendo como base legal os arts. 1º, 2º e 5º da Lei nº 10.833, de 2003. Houve ciência em 26/11/2008 – fl. 03; b) o de fls. 10/13, com os demonstrativos de fls. 14/17 e o Relatório de Ação Fiscal Tributária de fls. 18/35, formalizando a exigência da contribuição para o Programa de Integração SocialPIS (incidência nãocumulativa), com intimação para recolhimento do valor de R$ 1.057.125,95, referente a fatos geradores entre 28/02/2005 e 30/06/2008, sendo o valor principal acrescido da multa de ofício de 75% e juros de mora regulamentares, resultante da observação da falta ou insuficiência de recolhimento da exação, tendo como base legal os arts. 1º, 2º e 4º da Lei nº 10.637, de 2002. Houve ciência em 26/11/2008 – fl. 11. No Relatório de Ação Fiscal Tributária produzido (fls. 18/35), assentou o autuante, em especial: 2. O objetivo deste documento é evidenciar infração tributária decorrente de Diminuições Indevidas das Bases de Cálculo da COFINS e PIS, derivadas de exclusão não permitida de Receitas de Vendas de Energia Elétrica. 4. A atividade do contribuinte é de Geração de Energia Elétrica, (...). 6. As vendas demonstradas no quadro acima foram classificadas no Código Fiscal de Operações e Prestações – CFOP 6.253 Venda de energia elétrica para estabelecimento comercial e escrituradas como “Fornecimento de Energia Elétrica com Fins Específicos de Exportação”, (...). 7. Tal fato dá margem a entendimento de que o contribuinte tratou tais operações como vendas para empresas classificadas na qualidade de Comercial Exportadora, o que não se vislumbra, (...). Fl. 1615DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 12. (...), fica comprovada a utilização por parte do contribuinte dos benefícios à exportação previstos nos artigos 6º da Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003 e 5º da Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002 (tais leis tratam da nãocumulatividade da COFINS e do PIS). COMERCIAL EXPORTADORA 30. Conforme já havíamos comentado inicialmente neste relatório, as operações de venda formalizadas pelo contribuinte foram escrituradas como vendas efetuadas para empresas classificadas na qualidade de Comercial Exportadora. 31. As empresas comerciais exportadoras são aquelas definidas no DL 1.248, de 1972 e as regidas pelos artigos 966 a 1.195 da Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002, observadas disposições específicas contidas na Portaria SECEX nº 36, de 22 de novembro de 2007, Parecer Normativo CST nº 42, artigo 8º do Decreto 64.833/69, de 17 de julho de 1969, Medida Provisória nº 2.158/35, de 24 de agosto de 2001, Instrução Normativa SRF nº 649, de 28 de abril de 2006, Resolução Normativa ANEEL nº 225, de 18 de julho de 2006, além de outras. 32. Não se vislumbra que as empresas consignadas nas notas fiscais (demonstradas no parágrafo 5) de vendas de que trata este relatório se revistam da qualificação de Empresa Comercial Exportadora de energia elétrica. Pois, buscando subsidiar ainda mais o entendimento de que a empresa AES não poderia se beneficiar da exclusão das contribuições aqui tratada, o fisco federal intimou três das quatro empresas compradoras da energia contidas nas referidas notas fiscais. Em resposta, as empresas confirmaram o seguinte, com base em diversos documentos (vide intimações e respostas nas fls 340 a 386): • São as reais exportadoras na operação; • Não se enquadram na categoria de empresa comercial exportadora; e • E se beneficiaram da isenção das contribuições aqui tratadas. 33. Considerando tais informações, ressaltamos novamente, conforme se extrai do artigo 12, III, “a” da Convenção de Comercialização de Energia Elétrica instituída pela Resolução Normativa nº 109, de 26 de outubro de 2004, da ANEEL, somente pode ser Agente Exportador o Agente da CCEE que pertença à Categoria de Comercialização, o qual não pode pertencer a qualquer outra categoria (art. 12, parágrafo único). 34. Dessa forma, a empresa AES Empreendimentos, por pertencer a Categoria de Geração de energia, não pode, sem autorização, exportála. Com isso, a responsabilidade por todo o processo de exportação cabe as empresas compradoras de energia da AES, já citadas neste processo. 35. Portanto, no caso em análise, não se pode cogitar a hipótese de “Fornecimento de Energia Elétrica com Fins Específicos de Exportação” a empresa Comercial Exportadora, como fez o contribuinte em suas notas fiscais de vendas. Fl. 1616DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11075.002723/200851 Acórdão n.º 310100.704 S3C1T1 Fl. 702 5 CONCLUSÃO 36. Após exposição detalhada da legislação, concluise, por fim, que o benefício da não incidência da COFINS e do PIS sobre as vendas de energia elétrica aqui tratadas, de fato, não pertence à empresa AES Empreendimentos Uruguaiana S.A. (Agente de Geração), mas sim, aos Agentes de Exportação (efetivos exportadores), compradores da energia objeto nas notas fiscais já elencadas. 37. Com isso, o tratamento dado pela empresa a tais vendas, como se fossem destinadas a empresas comerciais exportadoras com fim específico de exportação, é inapropriado e indevido, pois, tais empresas não participam do processo como finalizadoras das exportações, mas, como verdadeiras responsáveis por todo o processo de exportação, desde o início até o fim. 38. Assim, derradeiramente, as receitas aqui apresentadas decorrem, na verdade, de vendas de Energia Elétrica para o mercado interno brasileiro, especificamente para os Agentes de Exportação. Em 22/12/2008 a contribuinte apresentou, através de procuradores, a impugnação de fls. 403/441 (COFINS e PIS), argumentando, em síntese, o que segue: OS FATOS • o presente processo tem por objetivo evidenciar infração decorrente de supostas diminuições indevidas das bases de cálculo da COFINS e PIS, derivadas de exclusão não permitida de receitas de vendas de energia elétrica apuradas nos anos de 2005, 2006 e 2008; • as vendas em questão foram classificadas pela empresa no CFOP 6.253, que corresponde à venda de energia elétrica para estabelecimento comercial e escrituradas como fornecimento de energia elétrica com fins específicos de exportação; • o Fisco entendeu que a empresa não teria direito aos benefícios de que tratam os arts. 5º, inciso III, da Lei nº 10.637, de 2002, e 6º, inciso III, da Lei nº 10.833, de 2003, lavrando Auto de Infração referente ao PIS e COFINS supostamente incidentes sobre receitas auferidas com a exportação de energia elétrica; • a empresa não pode se conformar com tal entendimento, pretendendo demonstrar que não cometeu infração alguma e que o presente lançamento não deve prosperar, devendo, por conseqüência, ser julgado improcedente. DA NULIDADE DA AUTUAÇÃO FISCAL A NECESSIDADE DE EFETIVA PRÁTICA DE INFRAÇÃO PARA O LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Fl. 1617DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 • discorre acerca de auto de infração e sua validade, citando entendimentos de doutrinadores e assentando que a Fiscalização tem competência para lavrar aquela peça quando verificar infração, o que não ocorreu eis que a empresa agiu em estrito cumprimento à legislação tributária em vigor, bem como amparada por autorização emanada pela agência reguladora do setor elétrico (ANEEL); • entende restar claro que o Auto de Infração em questão é nulo, pois como ato administrativo deve ser utilizado conforme a estrita legalidade, tendo como condição de existência a infração e a penalidade, o que não ocorreu no caso; • ao lavrar o Auto de Infração e apreço, o Fisco nada mais fez do que conflitar com diversos princípios que norteiam os atos administrativos, dentre eles, o da legalidade. A IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DE MERA PRESUNÇÃO PARA A CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO • o auto de infração deve conter todos os elementos necessários para que o autuado tenha meios de apresentar a defesa cabível. No entanto, como a presente peça de lançamento foi lavrada sem a observância do fato de que a empresa estava devidamente autorizada pela ANEEL a efetuar a venda de energia elétrica a outras empresas para o fim específico de exportação, não resta dúvida que o Auto de Infração em referência foi lavrado com base em mera presunção de que a empresa tivesse reduzido indevidamente o total de suas receitas tributáveis pelo PIS e pela COFINS; • em momento algum o Fisco comprovou que a empresa efetivamente excluiu indevidamente valores tributáveis da base de cálculo das contribuições de que ora se trata; • ao contrário disso, a empresa comprovará, documentalmente, que agiu em estrita observância à legislação tributária de regência, sem falar que agiu devidamente amparada por atos emanados da ANEEL, que autorizam a venda de energia elétrica a outras empresas com finalidade específica de exportação, donde há direito à isenção de PIS e COFINS nessa operação; • traça arrazoado sobre presunção, citando entendimento de doutrinadores e do Poder Judiciário, concluindo que o Fisco lavrou Auto de Infração acometido de pressa e ansiedade, baseandose, tão somente, em mera presunção, o que por si só já enseja a nulidade da peça de lançamento e, por conseqüência, a total improcedência da autuação fiscal. O ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS/COFINS E A NECESSIDADE DE CORREÇÃO DO VALOR DO AIIM • o Auto de Infração em comento também é nulo, eis que não contém a correta determinação das supostas exigências fiscais, conforme determina o inciso V do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, que transcreve; Fl. 1618DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11075.002723/200851 Acórdão n.º 310100.704 S3C1T1 Fl. 703 7 • a peça de lançamento não indicou corretamente o valor das supostas exigências fiscais de PIS e COFINS. Isso porque no próprio relatório de ação fiscal tributária, a Fiscalização menciona que analisando informação do contribuinte em resposta (folha 62) a nossa intimação, concluise que o valor de R$ 10.932.768,17 foi indevidamente informado na DACON do mês de 2005. O correto, segundo o contribuinte, seria o valor R$ 9.508.009,12; • a Fiscalização reconhece expressa e textualmente que o valor autuado não é o correto, pois o valor do mês de fevereiro de 2005, relativo às notas fiscais 2397 e 2398 era de R$ 9.508.009,12, e não de R$ 10.932.768,17, como constou do Auto de Infração; • mesmo tomando conhecimento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS do mês de fevereiro de 2005 estava incorreta, a Fiscalização, de forma injustificada e inadequada, houve por bem mantêla. Isso demonstra a precariedade do Auto de Infração lavrado, bem como a necessidade de que seja o mesmo integralmente cancelado em face de sua demonstrada nulidade; • caso assim não seja entendido, requer, ao menos, seja efetuado o devido e imprescindível ajuste no valor do Auto de Infração, a fim de que o mesmo retrate, de forma fidedigna, a realidade dos fatos ocorridos e o valor das operações praticadas. DA IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO FISCAL • conforme o Auto de Infração, o Fisco entendeu que a empresa deveria ter incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas relacionadas à venda de energia elétrica aos chamados Agentes de Exportação, empresas que compraram a energia da empresa, e que, de acordo com a Fiscalização, funcionam como intermediários da venda de energia ao exterior; • o Auto de Infração é improcedente e deverá ser integralmente cancelado, porquanto uma vez compreendida a operação realizada, não restará dúvida de que se trata de operações de exportação de energia elétrica, donde as receitas dela decorrentes não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS; • passa a esclarecer, de forma breve, como funciona o mercado de energia elétrica no qual as referidas operações foram realizadas (O mercado energético no Brasil e as operações de exportação realizadas pela impugnante), donde se destaca: ⇒ a impugnante é empresa que atua no segmento de geração (CNAE FISCAL 3511500), que engloba as empresas públicas e privadas dedicadas à produção de energia elétrica a partir de diferentes fontes (hidráulica, térmica, nuclear ou eólica), os produtores independentes e a importação de energia elétrica produzida em países vizinhos, entre os quais existem interconexões de linhas de transmissão; Fl. 1619DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 8 ⇒ o Ministério de Estado de Minas e Energia concedeu autorização para a empresa funcionar como Produtor Independente de Energia Elétrica; ⇒ não há na legislação em vigor qualquer disposição que proíba a exportação de energia elétrica diretamente pelo agente gerador (que é o caso da empresa); ⇒ a exportação de energia elétrica para países vizinhos, por ser uma questão estratégica para o País, é amplamente regulada pela ANEEL; ⇒ em 2005 o Brasil e o Uruguai celebraram acordo para a exportação de energia elétrica através do sistema de transmissão da República Argentina. Tal exportação de energia elétrica foi devidamente autorizada por meio do Ofício nº 002/2005/SEF e por meio de autorizações específicas da ANEEL; ⇒ em virtude das peculiaridades da situação que se colocava, a ANEEL houve por bem estabelecer que a exportação deveria ser realizada por meio de agentes específicos, donde, por determinação do Órgão regulador, a empresa teve que se valer de empresas intermediárias, autorizadas pela ANEEL, a realizar a exportação de energia elétrica para o Uruguai; ⇒ uma das Usinas designadas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS – Lei nº 9.648, de 1998), para produzir a energia elétrica que seria exportada foi a empresa ora autuada. Foram, também, designados agentes específicos para intermediar a exportação da energia, não apenas para o Uruguai, mas para a Argentina também; ⇒ os Agentes de Exportação utilizados pela empresa nas operações em questão foram as empresas Enertrade, Tractebel, Tradener e CIEN. Tais agentes deveriam informar à ANEEL, mensalmente, todas as transações de exportações realizadas, indicando os montantes, a origem da energia vendida e a identificação dos compradores. Constrói gráfico sobre o fluxo de energia elétrica para exportação; ⇒ as empresas Enertrade, Tractebel, Tradener e CIEN atuaram como meros intermediários nas operações de exportação, apenas instrumentalizando as exportações da energia elétrica produzida pela empresa especificamente para essa finalidade. A NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NAS RECEITAS DECORRENTES DA VENDA DE ENERGIA ELÉTRICA DESTINADA À EXPORTAÇÃO • nas operações que praticou, a empresa se valeu do disposto nos arts. 5º da Lei nº 10.637, de 2002, e 6º da Lei nº 10.833, de 2003, não tendo oferecido à tributação do PIS e da COFINS as receitas relacionadas às vendas de energia elétrica destinadas especificamente à exportação. Registra legislação, entendendo que, consoante ela, as contribuições em questão não incidem sobre toda e qualquer receita decorrente de vendas a empresas comerciais exportadoras para o fim específico de exportação; Fl. 1620DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11075.002723/200851 Acórdão n.º 310100.704 S3C1T1 Fl. 704 9 • a Fiscalização adotou o entendimento no sentido de que apenas as receitas decorrentes das vendas a empresas comerciais exportadoras, conforme definido pelo Decretolei nº 1.248, de 1972, não estariam sujeitas à incidência do PIS e da COFINS; • as Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, não fazem qualquer referência ao Decretolei nº 1.248, de 1972. Assim, para que uma empresa seja considerada comercial exportadora para fins da nãoincidência do PIS e da COFINS, basta que seja ela uma empresa comercial e que realize exportações. Registra entendimento administrativo; • não se diga, como alega a Fiscalização, que as empresas Enertrade, Tractebel, Tradener e CIEN não são empresas comerciais exportadoras. A narração dos fatos feitos pelo Fisco no relatório de ação fiscal tributária está incompleta, tendenciosa e omite uma série de dados importantes para o deslinde da questão debatida; • ressalta que, em face de solicitação feita pela própria Fiscalização, aquelas empresas apresentaram respostas com esclarecimentos acerca das atividades desenvolvidas e todas elas, sem exceção, demonstraram ser empresas comerciais que realizam exportação; • a interpretação das previsões contidas nos arts. 5º da Lei nº 10.637, de 2002, e 6º da Lei nº 10.833, de 2003, deve ser feita à luz de outros dispositivos legais que os fundamentam. A CORRETA INTERPRETAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 6º DA LEI Nº 10.833/03 E 5º DA LEI Nº 10.637/02 • as normas devem ser interpretadas de forma que toda a legislação tributária constitua um sistema único e harmônico e que cada norma atinja os objetivos para os quais foi instituída, sempre respeitando a letra dos dispositivos. Cita entendimentos de doutrinadores e faz verificação do contexto em que se inserem as previsões dos arts. 5º da Lei nº 10.637, de 2002, e 6º da Lei nº 10.833, de 2003, referindo especialmente que: ⇒ pela interpretação do art. 149 da CF (com as alterações da EC nº 33, de 2001), o legislador constituinte derivado desonerou os resultados financeiros provenientes das exportações da incidência das contribuições sociais, nas quais se inclui o PIS e a COFINS; ⇒ a norma de imunidade é uma norma de finalidade, ou seja, busca atender um objetivo, para que seja dada efetividade aos princípios e valores da CF; ⇒ o objetivo do legislador constituinte derivado ao acrescentar a imunidade sobre receitas decorrentes de exportação foi o de desonerar as exportações, evitando qualquer forma de agregação de contribuições sociais aos bens e serviços Fl. 1621DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 10 exportados, com o objetivo de diminuir a carga tributária dos bens e serviços exportados; ⇒ as receitas de exportação não devem integrar a base de cálculo das contribuições sociais, o que inclui o PIS e a COFINS, sob pena de não ser atendida a finalidade da norma. • discorre acerca de hermenêutica, interpretação, compreensão e aplicação de normas e sistema tributário, apontando entendimentos de doutrinadores e Tribunais e concluindo que a imunidade sobre receitas decorrentes de exportação aplicase a todas as receitas, sem restrições, na medida em que, se as receitas decorrentes de exportação forem incluídas na base de cálculo de tais exações, a finalidade da imunidade não estará sendo atendida, já que as receitas de exportação continuarão no campo de incidência das contribuições sociais do art. 149 da CF, desvirtuando a intenção do legislador; • a utilização de empresas intermediárias para a realização das exportações de energia foi medida imposta pelo órgão regulador. Tal imposição, entretanto, não tem o condão de alterar o tratamento dado pela CF às receitas decorrentes das exportações, motivo pelo qual não deve incidir o PIS e a COFINS sobre as receitas decorrentes das exportações. A IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO DECRETOLEI Nº 1.248/72 ÀS OPERAÇÕES EM ANÁLISE • além das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, não fazerem qualquer referência aos conceitos previstos no Decreto lei nº 1.248, de 1972, para determinar o que seriam empresas comerciais exportadoras, ainda que se admita a utilização do referido Decreto para se buscar o conceito de empresa comercial exportadora, sua aplicação no presente caso fica prejudicada em razão de mais uma especificidade do setor de energia elétrica; • nos termos do Decretolei nº 1.248, de 1972, são consideradas empresas comerciais exportadoras, para fins do benefício ali previsto (fruição dos mesmos benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação), as empresas comerciais exportadoras que satisfizessem requisitos mínimos, tais como (art. 2º): I Registro especial na Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil S/A. (CACEX) e na Secretaria da Receita Federal, de acordo com as normas aprovadas pelo Ministro da Fazenda; II Constituição sob forma de sociedade por ações, devendo ser nominativas as ações com direito a voto; III Capital mínimo fixado pelo Conselho Monetário Nacional. • no setor de energia, à época da realização de grande parte das exportações em questão, não era possível a obtenção do registro especial como empresa comercial exportadora perante a SRF. Até o ano de 2006, por uma questão de formalidade, não era possível que as empresas desse setor obtivessem registro perante a SECEX, em razão da absoluta falta de previsão para tanto. Fl. 1622DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11075.002723/200851 Acórdão n.º 310100.704 S3C1T1 Fl. 705 11 Somente com a edição da IN 649, de 2006, e do Decreto nº 5.668, de 2006, houve a regulamentação das exportações de energia e a possibilidade de registro para exportadores. Transcreve parte da Nota Técnica nº 174/2006 SEM/SFF/ANEEL; • as quatro empresas em questão desenvolveram adequadamente o seu papel e atuaram como verdadeiras empresas comerciais exportadoras, sendo isso evidenciado, inclusive, pela Resoluções Autorizativas da ANEEL, que autorizaram expressamente as empresas Enertrade, Tractebel, Tradener e CIEN a realizar tais operações; • por determinação da ANEEL, a exportação de energia para o Uruguai e para a Argentina foi realizada por meio de determinados Agentes de Exportação, que atuaram como empresas comerciais exportadoras; • é inadmissível que se restrinja a utilização de um benefício previsto em lei quando, no caso concreto, a operação realizada foi idêntica à prevista na legislação para a fruição do incentivo. DA ILEGALIDADE DA APLICAÇÃO DE MULTA DE 75% • a empresa considera que há excesso cometido na exigência de uma multa de ofício de 75% sobre o pretenso débito em questão, a qual deve ser reduzida a um percentual razoável; • não é justo que a empresa seja apenada com tão excessiva multa de 75% do principal, cujo valor praticamente se equipara ao valor do tributo considerado devido pela Fiscalização; • na forma aplicada, a multa configura uma situação abusiva, extorsiva, expropriatória, além de confiscatória e em total confronto com o art. 150, IV, da CF, na medida em que, além de não ter havido fraude ou sonegação, acompanhadas ou máfé, o valor exigido a título de multa é extremamente elevado, ultrapassando os limites da razoabilidade e proporcionalidade, devendo ser reduzida. DA ILEGALIDADE DOS JUROS DE MORA SELIC DOS JUROS SELIC • no que se refere aos juros de mora, cabe lembrar que a jurisprudência tem reconhecido a inaplicabilidade da taxa SELIC aos créditos tributários, uma vez que aquela taxa não foi criada por lei para fins tributários. Transcreve parte de decisão emitida pelo Poder Judiciário; • não obstante a posição sumulada pelo Primeiro Conselho de Contribuintes e tendo em vista a real possibilidade de vir a taxa SELIC a ser considerada inconstitucional para fins tributários, a empresa contesta sua aplicação e requer sua desconsideração no cômputo do crédito tributário principal. JUROS SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Fl. 1623DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 12 • ainda que seja admitida a exigência de juros pela taxa SELIC, sua aplicação deve ser limitada única e exclusivamente ao crédito tributário principal, sendo flagrante a impossibilidade de sua incidência sobre a multa de ofício. • a multa de ofício configura sanção,penalidade e não tem natureza tributária. Assim sendo, não há razão para ser aplicada a taxa de juros SELIC sobre o seu valor. É evidente que a multa de ofício não pode ser aumentada pela aplicação de taxa de juros, sob pena de ser caracterizado o agravamento da sanção, o que é inaceitável; • a Lei nº 9.250, de 1995, que instituiu a SELIC como parâmetro para correção de débitos tributários, somente é aplicável ao valor principal, isto é, tributos e contribuições. A multa de ofício não é débito decorrente de tributos e contribuições a possibilitar a aplicação da norma legal. Multa é penalidade e, como tal, não há lei que autorize sua correção pela taxa SELIC; • e não se sustente a previsão do art. 43 da Lei nº 9.430, de 1996, pois tal norma apenas autoriza a aplicação dos juros SELIC quando a multa é lançada isoladamente, sem tributo principal devido. Entretanto, essa não é a hipótese destes autos, onde existe o lançamento de um débito principal. Registra entendimentos do Conselho de Contribuintes; • resta evidente a impossibilidade de cobrança de juros à taxa SELIC sobre a multa de ofício no presente caso. DA CONCLUSÃO E DO PEDIDO 1. a impugnação é tempestiva e deve ser regularmente processada e julgada; 2. o presente Auto de Infração é nulo conforme demonstrado, eis que a empresa agiu em estrita observância à legislação tributária de regência e devidamente amparada por atos emanados pela ANEEL, que autorizam a venda de energia elétrica a outras empresas com finalidade específica de exportação e, conseqüentemente, demonstram o direito da empresa à isenção do PIS e da COFINS nessa operação. Além disso, o Auto de Infração foi lavrado com base em mera presunção, o que não pode ser admitido; 3. o Auto de Infração é nulo pois não apurou adequadamente o valor das supostas exigências fiscais, em flagrante ofensa ao art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser integralmente cancelado ou, ao menos, devidamente ajustado para a realidade dos fatos e valor das operações realizadas; 4. nos termos dos arts. 5º da Lei nº 10.637, de 2002, e 6º da Lei nº 10.833, de 2003, as receitas relacionadas às vendas de energia elétrica destinadas especificamente à exportação realizadas pela empresa não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS; 5. a imunidade sobre receitas decorrentes de exportação aplica se a todas as receitas, sem restrições, na medida em que, se as receitas decorrentes de exportação não forem incluídas na base Fl. 1624DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11075.002723/200851 Acórdão n.º 310100.704 S3C1T1 Fl. 706 13 de cálculo de tais exações, a finalidade da imunidade não estará sendo atendida, já que as receitas de exportação continuarão no campo de incidência das contribuições sociais do art. 149 da CF, desvirtuando a intenção do legislador; 6. a utilização de empresas intermediárias para a realização das exportações de energia foi medida imposta pelo órgão regulador e não pode tal imposição alterar o tratamento dado pela CF às receitas decorrentes das exportações, motivo pelo qual não deve incidir o PIS e a COFINS sobre as receitas decorrentes das operações aqui tratadas; 7. as disposições do Decretolei nº 1.248, de 1972, para que uma empresa seja considerada comercial exportadora para fins da nãoincidência do PIS e da COFINS, não se aplicam ao caso em análise. Ainda que se aplicassem, as empresas intermediárias devem ser consideradas empresas comerciais exportadoras; 8. apenas para argumentar, caso alguma parte do crédito tributário seja mantida, certamente, pelo menos a multa e os juros devem ser cancelados. A multa deverá ser cancelada, pois o percentual de 75% foge à razoabilidade. Os juros devem ser cancelados em razão da ilegalidade da cobrança de juros à taxa SELIC. Além disso, ao menos os juros sobre a multa devem ser cancelados, por ser uma cobrança indevida e em desacordo com a atual jurisprudência do Conselho de Contribuintes. • a empresa tem por comprovada a exatidão dos procedimentos que adotou e a total improcedência do Auto de Infração, bem como o equívoco cometido pelo Fisco ao interpretar os fatos e o direito aplicáveis ao caso; • diante tudo o que foi exposto e com base na jurisprudência antes mencionada, a empresa requer seja acolhida e provida a presente impugnação, para o fim de que seja reconhecida, em preliminar, a nulidade do Auto de Infração lavrado e, no mérito, julgado improcedente o Auto de Infração, cancelandose integralmente as exigências fiscais (principal, multa e juros de mora) nele contidas, arquivandose, ainda, o processo administrativo correlato; • requer, ainda, a posterior juntada de documento e a produção de todas as provas necessárias à comprovação do alegado; • pede deferimento. Junto à impugnação a contribuinte apresentou os documentos de fls. 442/602 e 605/639. A DRF de origem anexou Extrato de Processo (fls. 640/641) e despachou na fl. 642. A DRJ em SANTA MARIA/RS declarou procedente o lançamento, ementando o acórdão assim: Fl. 1625DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 14 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2005 a 30/06/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2005 a 30/06/2008 MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA. A falta de recolhimento ou de pagamento da contribuição apurada em procedimento de ofício sujeita o contribuinte à aplicação da multa de 75% e dos juros de mora com base na taxa SELIC, por força de expressa previsão legal. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/2005 a 30/06/2008 NÃOCUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. VENDAS PARA EXPORTAÇÃO. ENERGIA ELÉTRICA. É vedado aos Agentes da CCEE enquadrados na Categoria de Geração, conforme definição do art. 12, inciso I, da Convenção de Comercialização de Energia Elétrica instituída pela Resolução Normativa nº 109, de 2004, da ANEEL, efetuarem venda de energia elétrica para o exterior, haja vista tal prerrogativa ser exclusiva dos Agentes Exportadores aludidos no art. 12, inciso III, a, da mesma Convenção. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2005 a 30/06/2008 NÃOCUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. VENDAS PARA EXPORTAÇÃO. ENERGIA ELÉTRICA. É vedado aos Agentes da CCEE enquadrados na Categoria de Geração, conforme definição do art. 12, inciso I, da Convenção de Comercialização de Energia Elétrica instituída pela Resolução Normativa nº 109, de 2004, da ANEEL, efetuarem venda de energia elétrica para o exterior, haja vista tal prerrogativa ser exclusiva dos Agentes Exportadores aludidos no art. 12, inciso III, a, da mesma Convenção. Lançamento Procedente. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 665 e seguintes, onde repisa os argumentos esgrimidos em primeira Fl. 1626DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11075.002723/200851 Acórdão n.º 310100.704 S3C1T1 Fl. 707 15 instância. Por fim, requer a reforma do acórdão recorrido e a insubsistência do lançamento, sucessivamente, requer cancelamento da multa, dos juros e dos juros sobre a multa. Após alguma tramitação, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação deste órgão julgador de segunda instância. É o relatório. Fl. 1627DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 16 Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Há uma preliminar de nulidade do auto de infração, por não haver infração, e sim mera presunção da auditoriafiscal, ainda há alegação de que a base de cálculo estaria incorreta, por erro no mês de fevereiro de 2005; no mérito, basicamente, remete à exposição lançada em primeiro grau: de que a recorrente vendeu energia elétrica para empresas comerciais exportadoras (agentes exportadores), de que aplicase a imunidade do art. 149, § 2º, I, da Carta Magna, de inaplicação do Decretolei nº 1.248/72 às operações da recorrente. Por fim, há irresignação contra a multa de ofício, juros pela taxa SELIC e juros sobre a multa. DO AUTO DE INFRAÇÃO A preliminar de nulidade do auto de infração, estribada na assertiva de não haver infração, e sim mera presunção da auditoriafiscal, não merece guarida neste momento, haja vista que se há, ou não, infração praticada pela recorrente, ao deixar de recolher as exigências lançadas, configurase matéria de mérito do contencioso, e nesse ponto a preliminar confundese com o mérito, sendo pois necessário adentrar os fatos que formam a conjuntura da lide para bem decidila. Quanto à afirmativa de haver base de cálculo incorreta, por erro no mês de fevereiro de 2005, melhor sorte não assiste à recorrente, e a decisão guerreada foi bastante didática ao refutar o argumento apresentado em primeira instância, daí porque reproduzo o quanto dito naquela oportunidade: Do Eventual Erro na Apuração do Crédito Tributário. Mês de Fevereiro de 2005. Da análise das peças processuais inferese não ter havido qualquer erro na apuração final dos créditos tributários (PIS e COFINS), eis que o autuante claramente assentou nas fls. 19/20: (*) Analisando informação do contribuinte em resposta (folha 62) a nossa intimação, concluise que o valor de R$ Fl. 1628DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11075.002723/200851 Acórdão n.º 310100.704 S3C1T1 Fl. 708 17 10.932.768,17 foi indevidamente informado na DACON do mês de fevereiro de 2005. O correto, segundo o contribuinte, seria o valor de R$ 9.508.009,12. Porém, a diferença entre tais valores, de R$ 1.424.759,05, não foi estornada e continuou reduzindo indevidamente a base de cálculo da COFINS e do PIS no referido mês. Até o início desta fiscalização o contribuinte não havia retificado tal erro no respectivo Demonstrativo, por isso, tal diferença está sendo considerada na planilha demonstrada e compõe os autos de infração a que se refere este relatório. Observese, então, que, se fosse excluído da apuração o valor pretendido pela contribuinte, sem que ela retificasse o DACON e apurasse, dessa forma, valor maior de PIS e COFINS que aquele declarado em DCTF, restaria valor devedor daquelas contribuições que não seriam passíveis de cobrança. Assim, no cômputo final dos valores devedores de PIS e COFINS, agiu corretamente a Fiscalização, que considerou o total das receitas apuradas para o mês de fevereiro de 2005 e apurou o valor devido daquelas contribuições. Dito isso, estou por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração. DAS OPERAÇÕES PRATICADAS PELA RECORRENTE Em que pese o alentado e brilhante arrazoado da recorrente, no sentido de convencer os julgadores deste Conselho de que as operações praticadas pela recorrente teriam sido vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação; e não vendas de energia elétrica no mercado interno a agentes de exportação, não consigo vislumbrar tal conjuntura. E não consigo fazêlo porque o regime jurídico a que estão subordinadas as empresas comerciais exportadoras é muito diverso do regime jurídico a que estão submetidos os agentes de exportação de energia elétrica. É cediço que o Direito Tributário é considerado um direito de sobreposição (assim como o Direito Penal) porquanto trabalha suas realidades a partir do substrato de outras áreas do Direito, mais imediatas à realidade social e mais minudentemente tratadas no nosso sistema jurídico, tais como o Direito Civil, Comercial, Administrativo, etc., e faz valer seus efeitos específicos tributários utilizando institutos, conceitos e formas consagradas naquelas outras áreas jurídicas. O artigo 109 do Código Tributário Nacional inclusive demonstra a positivação do que se afirma supra em nosso sistema jurídico. 1 1 Art. 109 Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Fl. 1629DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 18 Pois bem, as empresas comerciais exportadoras, referidas pelas leis tributárias de incidência do PIS e da COFINS não cumulativos são aquelas pessoas jurídicas delineadas pelo Direito Civil e Comercial (Lei nº 10.406/2002, arts. 966 a 1.195, e DL nº 1.248, de 1972); ao passo que os agentes de exportação de energia elétrica são os titulares de autorização para fins de exportação de energia elétrica, consoante legislação administrativa (Lei nº 9.427/96 e Resoluções da ANEEL), porquanto todo o setor em que opera a recorrente é regulado no âmbito do Direito Administrativo, e não pelo Direito Civil ou Comercial. Nessa esteira, temse que as empresas comerciais exportadoras, de acordo com o § 4º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003, não podem aproveitar os créditos vinculados à receita de exportação em que atuam na qualidade de intermediárias o direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação justamente porque as empresas fornecedoras das mercadorias para o fim específico de exportação gozam de isenção da Cofins não cumulativa. Aliás, tal vedação está plasmada na Solução do Processo de Consulta n° 573/07, trazida à colação pela própria recorrente: Empresas comerciais exportadoras se encontram legalmente impedidas de apurar créditos de Cofins vinculados à aquisição de mercadorias com o fim especifico de exportação, cuja conceituação se encontra no art.45, parágrafo 1º do Decreto 4.524, de 17/12/2002, tampouco referentes a quaisquer encargos e despesas atinentes a tal exportação. Podem apurálos unicamente em relação às receitas relativas a suas vendas no mercado interno e a suas exportações de mercadorias que não tenham sido adquiridas com o fim especifico de exportação. Na determinação do valor de tais créditos, devem ser adotados os métodos estabelecidos pelo art.30, parágrafos 7° e 8°, da Lei n°10.833, de 2003. Da mesma forma, o § 2º do art. 7º da Lei nº 10.637/2002, que dispõe sobre a nãocumulatividade na cobrança da contribuição para os Programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep) contém a mesma vedação de aproveitamento de créditos: Art. 7º A empresa comercial exportadora que houver adquirido mercadorias de outra pessoa jurídica, com o fim específico de exportação para o exterior, que, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contado da data da emissão da nota fiscal pela vendedora, não comprovar o seu embarque para o exterior, ficará sujeita ao pagamento de todos os impostos e contribuições que deixaram de ser pagos pela empresa vendedora, acrescidos de juros de mora e multa, de mora ou de ofício, calculados na forma da legislação que rege a cobrança do tributo não pago. (...) § 2º No pagamento dos referidos tributos, a empresa comercial exportadora não poderá deduzir, do montante devido, qualquer valor a título de crédito de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) ou de contribuição para o PIS/Pasep, Fl. 1630DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11075.002723/200851 Acórdão n.º 310100.704 S3C1T1 Fl. 709 19 decorrente da aquisição das mercadorias e serviços objeto da incidência. De outra banda, os agentes de exportação de energia elétrica não podem ser caracterizados como empresas comerciais exportadoras, porquanto suas atividades são regulamentadas totalmente pela Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL, que instituída pela Lei nº 9.427/96, disciplinadora do regime das concessões de serviços públicos de energia elétrica, tem por finalidade regular e fiscalizar a produção, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica, em conformidade com as políticas e diretrizes do governo federal. O art. 26, III, da Lei nº 9.427/96 diz que cabe ao Poder Concedente, diretamente, ou mediante delegação à ANEEL, autorizar: (...) a importação e exportação de energia elétrica, bem como a implantação dos respectivos sistemas de transmissão associados; (...) Assim é que a definição de Agente de Exportação está contida na Convenção de Comercialização de Energia Elétrica instituída pela Resolução Normativa nº 109, de 2004, da ANEEL, que assim estabelece: Art. 1º Para os fins e efeitos do disposto nesta Convenção são adotados os seguintes termos, expressões, conceitos e definições, no plural ou no singular: Agente da CCEE – concessionário, permissionário, autorizado de serviços e instalações de energia elétrica e Consumidores Livres integrantes da CCEE. Agente de Comercialização – titular de autorização, concessão ou permissão para fins de realização de operações de compra e venda de energia elétrica na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE. Agente de Distribuição – titular de concessão, permissão ou autorização de serviços e instalações de distribuição para fornecer energia elétrica a consumidor final exclusivamente de forma regulada. Agente de Exportação – titular de autorização para fins de exportação de energia elétrica. Agente de Geração – titular de concessão, permissão ou autorização para fins de geração de energia elétrica. Agente de Importação – titular de autorização para fins de importação de energia elétrica. Agente Vendedor – Agente de Geração, Agente de Comercialização ou Agente de Importação, que seja habilitado em documento específico para tal fim. (...) Fl. 1631DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 20 Art. 12. Os Agentes da CCEE serão divididos nas Categorias de Geração, de Distribuição e de Comercialização, conforme disposto no art. 5º do Decreto nº 5.177, de 2004, sendo: I – Categoria de Geração, subdividida em: a) classe dos agentes geradores concessionários de serviço público; b) classe dos agentes produtores independentes, e c) classe dos agentes autoprodutores; II – Categoria de Distribuição, composta pela classe dos Agentes de Distribuição; e III – Categoria de Comercialização, subdividida em: a) classe dos Agentes Importadores e Exportadores; b) classe dos Agentes Comercializadores; c) classe dos Agentes Consumidores Livres. Parágrafo único. Cada Agente da CCEE só poderá pertencer a uma Categoria, cabendo a ele optar, caso se enquadre em mais de uma, respeitado o disposto no art. 5º do Decreto nº 5.177, de 2004. Notase, pelo trabalho empreendido pela auditoriafiscal, que de fato, os agentes de exportação se beneficiaram da isenção das contribuições para o PIS e COFINS, aqui tratadas, por terem comprado a energia elétrica da recorrente no mercado interno e a exportado, mediante contratos distintos, um celebrado internamente, com o gerador de energia elétrica (recorrente) e outro, com o agente externo comprador, tudo sob a tutela da ANEEL. Demais disso, a interpretação restritiva da lei que institui isenção tributária não permite analogia entre o tratamento legal dado a empresas comerciais exportadoras e agentes de exportação de energia elétrica. DA MULTA DE OFICIO E DOS JUROS A irresignação contra a multa de ofício e os juros calculados pela taxa SELIC não devem encontrar eco nesta instância administrativa, porquanto ambos foram aplicados de acordo com a respectiva legislação. As súmulas Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nºs 2 e 4 aplicamse ao caso vertente: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 1632DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11075.002723/200851 Acórdão n.º 310100.704 S3C1T1 Fl. 710 21 Demais disso, como bem observado pela decisão recorrida Ainda a respeito dos juros, não se observa nos autos qualquer exigência de juros sobre a multa punitiva, aspecto refutado pela impugnante. Assim é que inexistindo nos autos qualquer exigência de juros sobre a multa punitiva, aspecto novamente refutado pela recorrente, o argumento mais uma vez cai no vazio. Ante o exposto, voto por REJEITAR a preliminar e DESPROVER o recurso voluntário. Sala das Sessões, em 02 de maio de 2011. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 1633DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10855.906763/2012-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 29 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/07/2010 a 31/07/2010
REAJUSTE BASE DE CÁLCULO. NÃO PREQUESTIONADO. PRECLUSÃO
Consideram-se não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente opostas â autoridade julgadora de primeira instância, precluindo-se o direito de a recorrente suscitá-las em segunda instância, exceto quando devam ser reconhecidas de oficio.
Numero da decisão: 3402-011.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Marina Righi Rodrigues Lara, Jorge Luis Cabral, Anna Dolores Barros de Oliveira Sa Malta, Cynthia Elena de Campos e Pedro Sousa Bispo (Presidente).
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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NÃO PREQUESTIONADO. PRECLUSÃO Consideram-se não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente opostas â autoridade julgadora de primeira instância, precluindo-se o direito de a recorrente suscitá-las em segunda instância, exceto quando devam ser reconhecidas de oficio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Marina Righi Rodrigues Lara, Jorge Luis Cabral, Anna Dolores Barros de Oliveira Sa Malta, Cynthia Elena de Campos e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido com os devidos acréscimos: Contra o contribuinte acima identificado foi emitido o Despacho Decisório de fl. 7, através do qual a DRF Sorocaba não homologou a compensação realizada através do Per/Dcomp nº 36987.87872.300712.1.7.04-8127. Referido Per/Dcomp teve como suporte um crédito declarado a título de pagamento a maior de Cofins, código 5856, do período de apuração – PA 07/2007, no valor de R$ 25.223,38, tendo como origem um DARF no valor total de R$ 271.697,53, pago em 20/08/2007. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 67 63 /2 01 2- 19 Fl. 336DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-011.575 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10855.906763/2012-19 O Despacho Decisório fundamentou a não homologação sob a justificativa de que o pagamento referente ao DARF indicado no Per/Dcomp como originário do pagamento a maior foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação. Ciente do Despacho Decisório em 17/12/2012, o contribuinte apresentou em 16/01/2013 a manifestação de inconformidade de fls. 11 a 21, na qual alega, em síntese, que: Dos fatos. • dedica-se, entre outras atividades, à fabricação e comercialização de baterias, utilizadas, usualmente, em veículos e motocicletas; • em regra, essas baterias sujeitam-se, de acordo com o art. 3 inciso II, da Lei n° 10.485/2002, às alíquotas de 2,3% a título de Pis e 10,8% a título de Cofins (regime monofásico); • em razão disso, durante um longo período, aplicou as alíquotas acima referidas, indistintamente em todas as suas saídas, sem se dar conta de que nas saídas para fabricantes de veículos, máquinas e autopeças, as alíquotas aplicáveis são as convencionais do regime não cumulativo, quais sejam, 1,65% para o Pis e 7,6% para a Cofins, tal como preceitua o art. 3o, inciso I, alíneas "a" e "b" da Lei n° 10.485/2002, com redação dada pela Lei n° 10.865/2004; • ou seja, a requerente quando vendia os produtos para empresas fabricantes a que se refere o art. 1o da Lei n° 10.485/2002 ou para a integração em processos produtivos de outros produtos da indústria automotiva, não deveria ter aplicado as alíquotas do regime monofásico, mas a do regime convencional; • a falha foi percebida quando um grande cliente da requerente, a Robert Bosch Ltda, reclamou da forma como as contribuições vinham sendo calculadas pela requerente, obrigando-a ressarci-la das diferenças, tendo a Bosch autorizado expressamente a requerente, nos termos do art. 166 do CTN, a reaver tais valores perante o Fisco; • em razão da revisão desse erro, a requerente apurou que pagou Pis e Cofins a maior, em diversos períodos de apuração, os quais foram objeto de diversos Per/Dcomp, inclusive o de que trata o presente processo; Do Direito. • preliminarmente, o Despacho Decisório é nulo porque exarado sem a prévia análise da natureza das saídas e dos valores que geraram os pagamentos a maior reivindicados pelo requerente, violando com isso o dever de motivação a que estão submetidos os atos administrativos; • no mérito, se a DCTF original contemplava valores maiores que os legalmente devidos, não há como impedir a retificação dessas informações prestadas ao Fisco, e, por conseguinte, a repetição dos valores pagos a maior; • para que não pairem dúvidas acerca dos fatos relatados, anexa demonstrativo (anexo 04), identificando todas as notas fiscais, cujos valores do Pis e Cofins foram calculados equivocadamente; • segundo jurisprudência do CARF, o direito à compensação não está condicionado à prévia retificação da DCTF, nesse sentido, a retificação tardia das informações prestadas na referida declaração, devem ser atenuadas ante as evidências dos fatos, em face do princípio da verdade material; Fl. 337DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-011.575 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10855.906763/2012-19 Ato contínuo, a Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Fortaleza-CE julgou a Manifestação de Inconformidade do Contribuinte dando provimento parcial ao recurso para reconhecer parte do direito ao crédito. Em seguida, devidamente notificada, a empresa interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. No recurso voluntário, a Empresa suscitou as mesmas questões de mérito, arguindo que teria direito a um valor adicional de crédito, além daquele já reconhecido, conforme abordou em seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, mas não atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele não se deve conhecer, conforme será explicitado. A lide trata de direito creditório da Recorrente, decorrente de suposto pagamento indevido de Darf de COFINS. Visando utilizar o suposto crédito, a Recorrente apresentou Declaração de Compensação que foi indeferida parcialmente pela Autoridade Tributária sob o argumento de que inexistia crédito disponível relativo ao referido DARF, o que impediu a homologação integral da compensação. Posteriormente ao recebimento do despacho decisório, a DCTF do período enviada pela Recorrente à Receita Federal foi retificada efetuando o acerto necessário ao reconhecimento do crédito. Como se observa nos autos, a DRJ de Fortaleza converteu o julgamento em diligência para fins de confirmação dos elementos que impactaram na reapuração do tributo do período em discussão. Como o resultado dessa diligência, a Autoridade Fiscal confirmou a regularidade da reapuração da contribuição pleiteada pela Recorrente, conforme atesta o seguinte trecho do Relatório de Diligência Fiscal: Analisamos toda a documentação e verificamos que as Bases de Cálculos do Pis/Cofins constante nos Demonstrativos de fls 63/4 e 243/5 estão em conformidade com os dados constantes dos registros nos livros contábeis de saída. O interessado juntou todas as notas fiscais elencadas em tais demonstrativos e tais notas constam da Declaração da Robert Bosch Ltda que autorizou expressamente a requerente a reaver os valores perante o Fisco (fls 57 a 59). Com a apresentação da planilha “07_07_Livro Fiscal_COFINS_Bosch” verificamos que os lançamentos contábeis de Cofins das Notas Fiscais objeto de análise foram efetivamente tributados às alíquotas monofásicas. Sendo assim, concluímos que o interessado faz jus ao crédito oriundo de pagamento a maior de COFINS. Para fins de cálculo do montante recolhido a maior do pagamento de Cofins efetuado em 20/08/2007 elaboramos planilha com a apuração da contribuição relativa a julho/2007 utilizando a alíquota original de 10,8% (R$ 509.007,02) e a alíquota do regime não-cumulativo de 7,6% (R$ 358.190,12)(fls 296 a 298). O pagamento a maior corresponde à diferença entra as duas apurações e totaliza R$ 150.816,90. Fl. 338DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-011.575 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10855.906763/2012-19 Do pagamento a maior calculado o valor de R$ 144.604,26 foi utilizado através da DCOMP 16771.66308.250412.1.3.04-7618 (processo 10855.906761/2012-11). O Saldo restante do pagamento a maior é de R$ 6.212,64. Sendo assim, concluímos que houve reconhecimento parcial do crédito pleiteado na DCOMP 36987.87872.300712.1.7.04-8127 relativo ao pagamento de Cofins efetuado em 20/08/2007 no valor de R$ 6.212,64 e homologação parcial do débito de CSLL , PA 06/2007, vencimento 31/07/2010 . Bem como, elaborou-se uma planilha resumindo os valores apurados pela Fiscalização (e-fls.296 a 298). Com fundamentação no resultado da diligência, a DRJ de Fortaleza homologou a compensação até o limite da quantia reconhecida na diligência julgando procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente. Em seu Recurso, a Recorrente explica, em síntese, que aplicava indistintamente em todas as saídas de produtos as alíquotas do regime monofásico, nos termos do art 3º, inciso II da Lei nº 10.485/2002, quais sejam, 2,3% a título de PIS e 10,8% de COFINS. Ocorre que na venda dos produtos para fabricantes de veículos, máquinas e autopeças deveria ter aplicado as alíquotas convencionais do regime não-cumulativo nos termos do art 3º, inciso I, alíneas “a” e “b” da Lei nº 10.485/2002, com redação dada pela Lei nº 10.865/2004, que são 1,65% a título de PIS e 7,6% de COFINS. A Empresa aduz que a Autoridade Fiscal, na realização da diligência, desconsiderou o reajustamento da base de cálculo sobre a qual a COFINS deve incidir pelo regime não cumulativo. Isso porque, ao permitir que a Recorrente pleiteasse a devolução do indébito na forma do artigo 166 do CTN, a Bosch assume que o ônus financeiro do pagamento indevido da COFINS não recaiu sobre ela, mas, sim, sobre a própria Recorrente. Consequentemente, houve um ajuste no preço praticado entre as partes de modo a espelhar essa realidade, com repercussão direta na apuração dos tributos apurados sobre a respectiva venda, mediante a supressão da parcela relativa ao indébito tributário. Em linhas gerais, a parcela do indébito tributário deixa de compor o preço de venda, uma vez que será objeto de repetição pela Recorrente. Assim, a Recorrente entende que o seu crédito nominal a ser apurado é de R$ 169.722,66 (cento e sessenta e nove mil, setecentos e vinte e dois reais e sessenta e seis centavos) e não R$ 150.816,90 (cento e cinquenta mil, oitocentos e dezesseis reais e noventa centavos) como apurou a Autoridade Fiscal. Expostos os fatos envolvidos para melhor entendimento da matéria em debate, passa-se a análise do direito creditório pleiteado pela Recorrente. Em que pese as argumentações da Recorrente, entendo que tal temática não deve ser conhecida. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente promove uma inovação no seu pedido, para ver reconhecida parcela de crédito excedente referente a reajustamento da base de cálculo que não foi prequestionada na sua manifestação de inconformidade ou manifestação da diligência efetuada. Como se sabe, consideram-se não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente opostas â autoridade julgadora de primeira instância, precluindo-se o direito da Recorrente suscitá-las em segunda instância, exceto quando devam ser reconhecidas de oficio. Fl. 339DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-011.575 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10855.906763/2012-19 Tem-se, no caso concreto, que o reajustamento da base de cálculo para apuração da contribuição sobre as notas fiscais para Bosch não foi suscitada em sede de manifestação de inconformidade ou manifestação da diligência fiscal, não podendo mais ser analisada nesta instância administrativa por não se constituir em matéria de ordem pública e por ocorrência de preclusão, nos termos do art.17 do Decreto nº70.235/72. Além disso, como se constata em trecho da informação fiscal da diligência, a Fiscalização atestou a conformidade da base de cálculo utilizada pela própria recorrente para apurar os valores de contribuição paga a maior, conforme a seguir reproduzido: Analisamos toda a documentação e verificamos que as Bases de Cálculos do Pis/Cofins constante nos Demonstrativos de fls 63/4 e 243/5 estão em conformidade com os dados constantes dos registros nos livros contábeis de saída. O interessado juntou todas as notas fiscais elencadas em tais demonstrativos e tais notas constam da Declaração da Robert Bosch Ltda que autorizou expressamente a requerente a reaver os valores perante o Fisco (fls 57 a 59). Com a apresentação da planilha “07_07_Livro Fiscal_COFINS_Bosch” verificamos que os lançamentos contábeis de Cofins das Notas Fiscais objeto de análise foram efetivamente tributados às alíquotas monofásicas. Sendo assim, concluímos que o interessado faz jus ao crédito oriundo de pagamento a maior de COFINS. Para fins de cálculo do montante recolhido a maior do pagamento de Cofins efetuado em 20/08/2007 elaboramos planilha com a apuração da contribuição relativa a julho/2007 utilizando a alíquota original de 10,8% (R$ 509.007,02) e a alíquota do regime não-cumulativo de 7,6% (R$ 358.190,12)(fls 296 a 298). O pagamento a maior corresponde à diferença entra as duas apurações e totaliza R$ 150.816,90. (negrito nosso) Vale ressaltar, por fim, que quanto ao resultado da diligência, apesar de intimada, a Recorrente não se manifestou, o que implicitamente nos leva a concluir que concordou com os seus termos. Desse modo, não se conhece do recurso voluntário por ocorrência de preclusão do tema suscitado. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Fl. 340DF CARF MF Original
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Numero do processo: 18470.726972/2015-41
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2014
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. PSICANÁLISE.
São passíveis de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda apenas as despesas médicas declaradas e devidamente comprovadas por documentação hábil e idônea, que atenda aos requisitos estabelecidos em lei. Os pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais pela administração de terapia de psicanálise podem ser deduzidos da base de cálculo do Imposto de Renda de Pessoa Física.
Numero da decisão: 2002-008.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade voto, dar provimento ao recurso voluntário. Por voto de qualidade adotar a tese de que são dedutíveis apenas as despesas de saúde com os profissionais listados na alínea a do inciso II do art. 8º da lei 9.250/95, vencido os conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa e André Barros de Moura, que adotaram a tese de que qualquer terapia seria dedutível. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Maurício Vital.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo de Sousa Sáteles - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa- Relator
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, André Barros de Moura e Marcelo de Sousa Sáteles (presidente).
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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DESPESAS MÉDICAS. PSICANÁLISE. São passíveis de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda apenas as despesas médicas declaradas e devidamente comprovadas por documentação hábil e idônea, que atenda aos requisitos estabelecidos em lei. Os pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais pela administração de terapia de psicanálise podem ser deduzidos da base de cálculo do Imposto de Renda de Pessoa Física. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade voto, dar provimento ao recurso voluntário. Por voto de qualidade adotar a tese de que são dedutíveis apenas as despesas de saúde com os profissionais listados na alínea “a” do inciso II do art. 8º da lei 9.250/95, vencido os conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa e André Barros de Moura, que adotaram a tese de que qualquer terapia seria dedutível. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Maurício Vital. (documento assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa- Relator (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, André Barros de Moura e Marcelo de Sousa Sáteles (presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 69 72 /2 01 5- 41 Fl. 103DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-008.331 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18470.726972/2015-41 Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Contra o(a) contribuinte, acima identificado(a), foi lavrada Notificação de Lançamento – Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, fls. 15/18, relativo ao ano-calendário de 2013, para formalização de exigência e cobrança de imposto suplementar no valor total de R$ 14.498,30, incluindo multa de ofício e juros de mora. A(s) infração(ões) apurada(s) pela Fiscalização, relatada(s) na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicável encontram-se detalhados às fls. 16. - Dedução Indevida de Despesas Médicas: Glosa das despesas médicas ora relacionadas, por falta de comprovação, apesar de intimado a comprovar a efetividade destes dispêndios. Inconformado(a) com a exigência, cuja ciência ocorreu em 06/07/2015, fls. 33, o(a) interessado(a) apresentou impugnação total em 03/08/2015, fls. 02/07, alegando a improcedência da autuação. Tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº 453, de 11 de abril de 2013 (DOU 17/04/2013), e no art. 2º da Portaria RFB nº 1.006, de 24 de julho de 2013 (DOU 25/07/2013), e conforme definição da Coordenação-Geral de Contencioso Administrativo e Judicial da RFB, encaminhou-se o presente e-processo para apreciação pela DRJB/Fortaleza. É o relatório. Cientificado da decisão de primeira instância em 12/03/2018, o sujeito passivo interpôs, em 10/04/2018, Recurso Voluntário, alegando a improcedência parcial da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: a) o recurso voluntário é tempestivo, conforme documentos juntados aos autos b) as despesas declaradas com profissional possuem natureza de serviço médico e são dedutíveis É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço O litígio recai sobre os recibos apresentados relativos à consultas com Psicanalista. Fl. 104DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-008.331 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18470.726972/2015-41 Tendo em vista que a recorrente trouxe em sua peça recursal basicamente os mesmos argumentos deduzidos na impugnação, nos termos do art. 57, § 3º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 329, de 04/06/2017, reproduzo no presente voto a decisão de 1ª instância no que diz respeito as despesas efetuadas com psicanalista já que as demais lançadas já foram excluídas pela referida Decisão guerreada: A impugnação é tempestiva e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 06/03/1972 e suas alterações posteriores. Portanto, dela se toma conhecimento. ....(omissis) Motivou seu decisium nas seguintes conclusões: "5. Consideramos como despesas médicas dedutíveis o valor de R$ 1.800,00 conforme recibos médicos de fls 29/30. O pagamento do plano de saúde Sul América totalizou R$ 14.015,43 – comprovante de fls 32 confirmado pelo sistema DMED(Declaração de Serviços Médicos). Relativamente ao valor pleiteado como tratamento psicanalítico, salientamos que não há na legislação tributária autorização expressa para a dedução como despesa médica de dispêndios com tratamento com psicanalista. Não é permitida exclusão da base de cálculo do IRPF de dedução que não esteja expressamente prevista em lei. Assim pelos recibos anexados as fls. 24/27 não ficou comprovado ser a profissional prestadora da área de saúde(médica/psicóloga), assim sendo essa glosa foi mantida." O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fls. 46/48. Tratamento Psicanalítico: A Declaração às fls. 24 informa o seguinte: Cabe observar que a legislação tributária somente permite a dedução a título de despesas médicas de pagamentos efetuados a médicos de qualquer especialidade, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos. Um psiquiatra ou psicólogo pode se tornar psicanalista por meio de uma especialização, já que não existe no Brasil faculdade de psicanálise. Para fins de dedução do imposto de renda, o profissional que se apresente como psicanalista deve se identificar como médico ou psicólogo. Mesmo que seja possível a outros profissionais buscar tal especialização, como pedagogos, impõe-se observar que a legislação tributária não permite dedução a título de despesas médicas de pagamentos efetuados a profissionais diversos dos acima citados. Fl. 105DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-008.331 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18470.726972/2015-41 Para ilustrar, transcrevo a seguir a questão 350 do Manual de Perguntas e Respostas do IRPF/2016, repetido em publicações de outros exercícios, que apresenta orientação sobre o que é considerado despesas médicas: "350 — Quais são as despesas médicas dedutíveis na Declaração de Ajuste Anual? As despesas médicas ou de hospitalização dedutíveis restringem-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte para o seu próprio tratamento ou o de seus dependentes relacionados na Declaração de Ajuste Anual, incluindo-se os alimentandos, em razão de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, ou por escritura pública. Consideram-se despesas médicas ou de hospitalização os pagamentos efetuados a médicos de qualquer especialidade, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, hospitais, e as despesas provenientes de exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. {...}" Portanto, entendo que não foi apresentada comprovação efetiva que permita o restabelecimento da dedução de despesa médica. À vista do exposto, na falta de outros argumentos em contrário, ratifica-se o entendimento exarado no TERMO CIRCUNSTANCIADO/DESPACHO DECISÓRIO (fls. 35/37). Valor Aceito: R$ 15.815,43. Valor IR apurado: R$ 3.366,32. À vista do exposto, VOTO por julgar PROCEDENTE EM PARTE a impugnação que ora se analisa, alterando o crédito tributário exigido na Notificação de Lançamento acostada às fls. 15/18, que passou de imposto original a pagar de R$ 7.715,56 para imposto original a pagar de R$ 3.366,32 e acréscimos legais pertinentes. (Assinado digitalmente) José Deusdedite Mendes Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil Matrícula: 4.377 Entendo caber razão ao recorrente com relação a este levantamento. Em regra geral, o psicanalista é quem se forma em psicanálise, método de terapia criado por Sigmund Freud. Nele, o profissional se torna apto a realizar interpretações de ações do inconsciente de ações, palavras e imaginação do indivíduo. Em se tratando de uma forma de terapia, se enquadra dentro da questão 350 do Manual de Perguntas e Respostas do IRPF/2016, mencionada na Decisão de primeira instância, sendo assim, correta as deduções efetuadas pela contribuinte. Também verificamos o que seria uma psicanálise dentro do dicionário português: 1.1.1.1Psicanálise Psicanálise é um campo clínico e de investigação teórica da psique humana independente da Psicologia, que tem origem na Medicina , desenvolvido por Sigmund Fl. 106DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-008.331 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18470.726972/2015-41 Freud, médico que formou-se em 1882, trabalhou no Hospital Geral de Viena e teve contato com o neurologista francês Jean Martin Charcot, que lhe mostrou o uso da hipnose. Freud, médico neurologista austríaco, propôs este método para a compreensão e análise do homem, compreendido enquanto sujeito do inconsciente, abrangendo três áreas: ▪ um método de investigação da mente e seu funcionamento; ▪ um sistema teórico sobre a vivência e o comportamento humano; ▪ um método de tratamento psicoterapêutico. Essencialmente é uma teoria da personalidade e um procedimento de psicoterapia; a psicanálise influenciou muitas outras correntes de pensamento e disciplinas das ciências humanas, gerando uma base teórica para uma forma de compreensão da ética, da moralidade e da cultura humana. Em linguagem comum, o termo "psicanálise" é muitas vezes usado como sinônimo de "psicoterapia" ou mesmo de "psicologia". (https://educalingo.com/pt/dic-pt/psicanalista) Também: Significado de Psicanálise Teoria da alma ou da psique. Metodologia terapêutica, elaborada por Freud, que examina o teor inconsciente das palavras, atos e/ou concepções imaginativas de um ser, baseando-se nas relações livres e na transferência. Logo, engloba-se na situação de terapeuta abrangido pela legislação, assim a glosa destes valores deve ser excluída da autuação. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, Dar- lhe Provimento. (documento assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Voto Vencedor Conselheiro João Maurício Vital, Redator designado. Embora eu concorde com a conclusão do relator, divirjo da tese por ele adotada. O relator sustentou que a dedução da despesa com psicanálise é permitida porque essa atividade se enquadra no conceito de terapia e essa seria uma condição suficiente. Entendo de modo diverso. A alínea a do inc. II do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, autoriza a dedução, da base de cálculo do Imposto de Renda, dos pagamentos efetuados nos seguintes termos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: (...) Fl. 107DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2002-008.331 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18470.726972/2015-41 II - das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Observa-se que o fato de ser uma terapia, como tantas outras existentes, não é suficiente para se autorizar a dedução. Aliás, a única ocasião em que a lei se refere a terapia é quando trata dos terapeutas ocupacionais, que não é o caso dos autos. Portanto, o fato de a psicanálise ser uma terapia, o que me parece incontestável, não é suficiente para que as despesas com essa atividade sejam dedutíveis somente por esse motivo. A psicanálise é uma ocupação (Código CBO 2515-50), mas não é uma profissão regulamentada, ou seja, qualquer pessoa pode exercer essa atividade, pois não está sujeita a normas estatais e nem vinculada a uma formação profissional reconhecida pela autoridade de educação. Isso significa que um advogado, por exemplo, pode exercer essa atividade sem qualquer espécie de validação dos requisitos acadêmicos ou técnicos. Ora, o dispositivo legal que concede a isenção não a autoriza para pagamentos efetuados a advogados, para permanecer no mesmo exemplo. Por outro lado, se a psicanálise for realizada por qualquer dos profissionais descritos na legislação (médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais), estará cumprido o requisito legal para a dedução da despesa. Portanto, não basta que o contribuinte tenha se submetido a uma terapia, qualquer que seja, mas é fundamental que essa terapia tenha sido aplicada por algum dos profissionais determinados na legislação, isto porque o inc. II do art. 111 do Código Tributário Nacional – CTN estabelece que a legislação tributária que trata de isenção deve ser, inexoravelmente, interpretada de forma literal. No presente caso, consta dos autos que a terapeuta é fonoaudióloga; portanto, apenas por essa razão, o recurso deve ser provido. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, Dar- lhe Provimento (assinado digitalmente) João Maurício Vital Fl. 108DF CARF MF Original
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