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Numero do processo: 10820.720321/2013-57
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2013
SIMPLES NACIONAL TERMO DE INDEFERIMENTO DÉBITOS
Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débitos com a Fazenda Pública Federal.
Numero da decisão: 1001-000.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2013 SIMPLES NACIONAL TERMO DE INDEFERIMENTO DÉBITOS Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débitos com a Fazenda Pública Federal.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (efls. 21/22) para o ano calendário 2013, tendose em vista a existência de débitos com a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, de natureza previdenciária (Débito: 392041243) e não previdenciária (Débito Código da Receita :5338, Multa Atraso DIPJ 2011 / R$ 500,00 e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 72 03 21 /2 01 3- 57 Fl. 65DF CARF MF 2 SIMPLES Código da Receita :6106 períodos 01/2007 a 06/2007), cuja exigibilidade não estava suspensa, nos termos da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. Após tomar ciência do contido do Termo de Indeferimento a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade. A decisão de primeira instância (efls. 40/42) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que a multa por atraso DIPJ 2011 / R$ 500,00 e o débito de natureza não foram pagos no prazo: 9. Conforme consulta aos sistemas informatizados, fls. 29/32 dos autos,verificase que somente os débitos relativos ao Simples foram regularizados, continuando a pendência relativa ao débito previdenciário e à multa por atraso na entrega da DIPJ, conforme consta do Termo de Indeferimento. 10. Sendo assim, indefiro a solicitação de inclusão no Simples Nacional para o ano de 2013, pelo fato de não terem sido sanadas todas as pendências impeditivas dentro do prazo legal. Cientificada da decisão de primeira instância através de intimação em 30/04/2014 (efl. 45) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 27/05/2014 (e fl. 49), em que aduz, em resumo, que efetuou todos os pagamentos necessários e dentro do prazo legal: Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso é tempestivo, portanto dele conheço. Tratase, nestes autos, exclusivamente do Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (efl. 21/22) para o ano calendário 2013. Cabe verificar o que dispõe o artigo 17 da Lei nº 123/2006, inciso V e XI, e o art. 7o, § 1ºA, da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007: “Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10820.720321/201357 Acórdão n.º 1001000.229 S1C0T1 Fl. 66 3 ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa”;(destaquei). (...)" A opção pelo Simples Nacional está regulamentada pela Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007: "Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (...) § 1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009)" Está comprovado e confirmado que o contribuinte recolheu os débitos relativos ao Simples (efls. 29/30). Mas não recolheu por completo os débitos previdenciários (que compreendia competências de 11/2010 a 03/2012) e a multa por atraso na entrega da DIPJ 2011. Observo que o recolhimento efetuado não seria suficiente à quitação desta última (efl. 32), tendose em vista que veio desacompanhada de qualquer acréscimo legal. Desta forma, concluo que havia impedimento para a adesão. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.005383/2003-44
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jan 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2001
DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS DESNECESSÁRIAS. PREVISÃO LEGAL ESPECÍFICA.
A partir de 1º de janeiro de 96, devem ser adicionadas ao lucro líquido do período, para fins de determinação da base de cálculo da contribuição social, as despesas incorridas pela pessoa jurídica que não possuam os atributos de necessidade, normalidade e usualidade, em virtude da previsão legal contida no art. 13 da Lei nº 9.249/1995.
Numero da decisão: 9101-002.944
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luis Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em retornar os autos ao colegiado de origem, vencidos os conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura e Luis Flávio Neto, que entenderam não ser necessário o retorno. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao mérito, o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2001 DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS DESNECESSÁRIAS. PREVISÃO LEGAL ESPECÍFICA. A partir de 1º de janeiro de 96, devem ser adicionadas ao lucro líquido do período, para fins de determinação da base de cálculo da contribuição social, as despesas incorridas pela pessoa jurídica que não possuam os atributos de necessidade, normalidade e usualidade, em virtude da previsão legal contida no art. 13 da Lei nº 9.249/1995.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001 DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS DESNECESSÁRIAS. PREVISÃO LEGAL ESPECÍFICA. A partir de 1º de janeiro de 96, devem ser adicionadas ao lucro líquido do período, para fins de determinação da base de cálculo da contribuição social, as despesas incorridas pela pessoa jurídica que não possuam os atributos de necessidade, normalidade e usualidade, em virtude da previsão legal contida no art. 13 da Lei nº 9.249/1995. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luis Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em retornar os autos ao colegiado de origem, vencidos os conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura e Luis Flávio Neto, que entenderam não ser necessário o retorno. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao mérito, o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 53 83 /2 00 3- 44 Fl. 6660DF CARF MF Processo nº 10830.005383/200344 Acórdão n.º 9101002.944 CSRFT1 Fl. 559 2 (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n. 1201001.011, proferido pela 1a. Turma Ordinária da 2a. Câmara da Primeira Seção de Julgamento, que considerou, em relação aos anos calendários de 1998 a 2002, (i) desnecessárias ao desenvolvimento das atividades do sujeito passivo e, portanto, indedutíveis na apuração do lucro real, as despesas financeiras relativas a empréstimos tomados pela Recorrida e, após, repassados a terceiros, embora (ii) inexistente previsão normativa que vedasse a possibilidade de dedução da base de cálculo da CSLL. De acordo com o despacho de admissibilidade, verificouse a divergência necessária ao conhecimento do Recurso Especial, devolvendose ao julgamento deste colegiado o segundo ponto do acórdão recorrido quanto a não haver previsão legal que impedisse a dedução de despesas da base da CSLL. É o relatório. Fl. 6661DF CARF MF Processo nº 10830.005383/200344 Acórdão n.º 9101002.944 CSRFT1 Fl. 560 3 Voto Vencido Conselheira DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO Relatora. Conhecimento do Recurso Especial O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, (1) na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (i) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (ii) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; (iii) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF; ou (2) de sua interposição, tenha sido reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente. Preenchidos tais requisitos, em conformidade com o despacho de admissibilidade, VOTASE POR CONHECER o Recurso Especial da Fazenda Nacional. Mérito Conforme relatado, não obstante o acórdão recorrido tenha entendido desnecessárias ao desenvolvimento das atividades do sujeito passivo as despesas financeiras relativas a empréstimos tomados pela Recorrida e repassadas a terceiros e, por isso, indedutíveis na apuração do lucro real, não adotou o mesmo posicionamento com Fl. 6662DF CARF MF Processo nº 10830.005383/200344 Acórdão n.º 9101002.944 CSRFT1 Fl. 561 4 relação à possibilidade de dedução da base de cálculo da CSLL, por inexistência de previsão normativa que veiculasse tal vedação. Com efeito, assim como o acórdão recorrido, compreendese inexistir previsão para que seja adicionada à base de cálculo da CSLL as despesas consideradas desnecessárias e indedutíveis do lucro real, conforme a legislação do IRPJ, o que se verifica ocorrer com o artigo 47 da Lei n. 4506/64. Já o art. 57 da Lei n 8.981/95 ressalva a manutenção da base de cálculo da CSLL nos modos em que prevista na legislação específica, afastandose, portanto, a identidade entre essas bases de cálculo. Por essa razão, votase por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, determinandose o retorno do autos ao colegiado de origem. (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Fl. 6663DF CARF MF Processo nº 10830.005383/200344 Acórdão n.º 9101002.944 CSRFT1 Fl. 562 5 Voto Vencedor Conselheiro Rafael Vidal de Araujo Em que pesem as razões de decidir da eminente relatora, peço vênia para dela divergir quanto ao mérito. Não discordo da recorrida quando esta afirma que a regra do art. 57 da Lei nº 8.981/1995 manteve separadas as bases de cálculo e as alíquotas previstas para o IRPJ e a CSLL. Embora estipule que as normas de apuração e de pagamento do IRPJ se aplicam à CSLL, o próprio dispositivo declara em seguida que serão "mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor": Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) (grifouse) Não há dúvidas de que a legislação prevê ajustes específicos (adições e exclusões) que não abrangem os dois tributos. Tampouco se discute que nem todos os ajustes de um tributo serve ao outro. Se o art. 57 da Lei nº 8.981/1995 houvesse produzido uma coincidência plena entre as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, seria inteiramente dispensável que normas posteriores a ele viessem estabelecer pontualmente, em determinadas situações, a equiparação. Por exemplo, o art. 60 do DecretoLei nº 1.598/1977 (base legal do art. 464 do RIR/1999) estabelece que, na determinação do lucro real, devem ser adicionados os valores caracterizados como distribuição disfarçada de lucros. Se o art. 57 da Lei nº 8.981/1995 houvesse equiparado as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, a partir de então a distribuição disfarçadas de lucros também deveria ser adicionada à base de cálculo da CSLL. Concluise que não era este o caso a partir do momento em que o art. 60 da Lei nº 9.532/1997, abaixo transcrito, veio estabelecer expressamente esta adição à base de cálculo da CSLL. Qual seria o sentido dessa nova norma legal promulgada em 1997 se já houvesse, desde 1995, equiparação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL determinada pelo art. 57? Art. 60. O valor dos lucros distribuídos disfarçadamente, de que tratam os arts. 60 a 62 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, com as alterações do art. 20 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, serão, também, adicionados ao lucro líquido para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido. Assim, se existem normas posteriores ao art. 57 da Lei nº 8.981/1995 que vêm pontualmente determinar a adição de certos valores à base de cálculo da CSLL, valores estes que antes só eram adicionados ao lucro real, é de se concluir inexoravelmente que o referido art. 57 não equiparou as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Fl. 6664DF CARF MF Processo nº 10830.005383/200344 Acórdão n.º 9101002.944 CSRFT1 Fl. 563 6 Ocorre que tal constatação não é suficiente para sustentar o pleito da recorrida de que as despesas desnecessárias não sejam adicionadas à base de cálculo da CSLL. Isto porque o art. 13 da Lei nº 9.249/1995 determina a adição, à base de cálculo da contribuição, das despesas consideradas desnecessárias: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: (...) Observese que o art. 47 da Lei nº 4.506/1964, a que se refere o dispositivo reproduzido, é o fundamento legal do art. 299 do RIR/1999, que dispõe exatamente sobre os requisitos da necessidade, usualidade e normalidade para a dedutibilidade das despesas. Assim, o texto legal acima transcrito evidencia claramente o vínculo entre a apuração da base cálculo da CSLL e os referidos requisitos para a dedutibilidade de despesas. Do contrário não faria nenhum sentido a ressalva contida no texto. Com efeito, se o texto diz que para uma determinada situação deve se aplicar "A" independentemente de "B", é porque "B" também é aplicável àquela mesma situação. Concluo, desse modo, que as despesas financeiras relativas a empréstimos tomados pela recorrida e repassadas a terceiros, por serem desnecessárias, inusuais e anormais, também não são dedutíveis da base de cálculo da CSLL apurada no anocalendário de 2001. Assim, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 6665DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.909113/2011-86
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-006.199
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
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PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Recorrente GREEN STAR PEÇAS E VEÍCULOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 91 13 /2 01 1- 86 Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10850.909113/201186 Acórdão n.º 9303006.199 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II, 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra ao acórdão nº 3803006.734, que decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário por ausência de prova efetiva da existência do direito creditório pleiteado. A decisão recorrida restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea. Não conformada com tal decisão a Contribuinte interpôs o presente recurso. Visando comprovar o dissenso jurisprudencial apontou como paradigmas os Acórdãos nºs 3801004.317 e 3801004.318. Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF foi dado seguimento ao recurso. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões nas quais requer o nãoconhecimento do recurso especial interposto pela Contribuinte. Alternativamente, requer, no mérito, que seja negado provimento ao recurso, mantendose o acórdão proferido pela eg. Turma a quo por seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.174, de 13/12/2017, proferido no julgamento do processo 10850.900064/201205, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.174): Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10850.909113/201186 Acórdão n.º 9303006.199 CSRFT3 Fl. 4 3 "O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame de admissibilidade do Recurso Especial. A divergência suscitada pela Contribuinte diz respeito à comprovação de seu direito creditório, e trouxe os seguintes acórdãos paradigmas, 3801004317 e 3801004318, que tratam em tese da mesma matéria, diferindo a solução. Pelas ementas não se pode reconhecer a divergência, todavia, se examinar os votos dos paradigmas verseá a que não há identidade de (conjunto probatório) e diversidade das soluções. Verificase que o voto condutor da decisão recorrida, o recurso voluntário não mereceu provimento sob o fundamento de que: "Conforme se verifica do relatório supra, a DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório por ausência de provas hábeis a demonstrar e comprovar o suposto recolhimento a maior, considerando que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. O Recorrente alega que, junto às Manifestações de Inconformidade, havia trazido aos autos planilhas de cálculo, cópias do balancete e do livro Razão, documentos esses que, segundo ele, seriam bastantes para a comprovação do direito pleiteado. A par das decisões da DRJ Ribeirão Preto/SP, em que a questão da prova do indébito foi posta como condicionante ao reconhecimento do direito creditório, tendo sido ressaltada pelo julgador de piso a necessidade de se comprovar o faturamento do período para fins de apuração da contribuição efetivamente devida no período, o contribuinte nada acrescenta aos autos em grau de recurso para fins de demonstrar inequivocamente a base de cálculo da contribuição. Não se pode olvidar que, de acordo com o art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de indeferimento do direito pleiteado, prova essa que deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade. Conforme já dito, os elementos trazidos aos autos por cópias pelo contribuinte na primeira instância não eram aptos, por si sós, a comprovar o direito reclamado, dado que restritos às informações relativas às receitas financeiras e a outras receitas, situação em que não se tem por comprovada a base de cálculo da contribuição devida (faturamento), o que impede o confronto entre os valores recolhidos aos cofres públicos e aqueles efetivamente devidos. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10850.909113/201186 Acórdão n.º 9303006.199 CSRFT3 Fl. 5 4 Abrir a possibilidade de produção de novas provas, a meu ver, ainda que em consonância com o princípio da verdade material, configura afronta à obrigatoriedade de atuação da Administração em conformidade com a lei e o Direito e à adequação entre meios e fins (art. 2º, parágrafo único, da Lei nº 9.784, de 1999), assim como ao dever do administrado de apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado antes das decisões administrativas e de prestar todas as informações necessárias ao esclarecimento dos fatos (art. 3º, III, e 4º, IV, da Lei nº 9.784, de 1999). Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios da base de cálculo da contribuição (faturamento), com vistas a se apurar o alegado crédito pleiteado, o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância de forma efetiva, dado que nenhum documento contábilfiscal foi acrescentado aos autos". Como se observa, a decisão recorrida, acompanhou o fundamento esposado pela DRJ de origem, no sentido de que: “A planilha contendo as receitas financeiras e a cópia de parte do balancete contendo tais receitas não permitiriam apurar a base de cálculo com as exclusões pretendidas, para se chegar ao valor devido e comparálo com o valor recolhido, pois tais documentos permitem vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante”. Por outro lado, o acórdão paradigma nº 3801004.317, analisou tão somente a questão de mérito, dando provimento ao Recurso por entender que a Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Sem embargo, o Colegiado decidiu o direito creditório da contribuinte com fundamento no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral. Como se vê, o acórdão paradigma não trouxe outro fundamento com relação as provas, e não se verifica demonstrada semelhança fática e divergência jurisprudencial. Vejamos: "No mérito, entendo que assiste razão à recorrente, senão vejamos: A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Neste sentido, entendo estarmos diante da hipótese prevista no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, conforme colacionado acima. Desta forma, deve ser reconhecido o direito creditório do Recorrente caso exista, em seu favor, crédito oriundo de recolhimentos efetuados a título de COFINS na forma da Lei nº 9.718/98, excluindose da sua base de cálculo as receitas não compreendidas no conceito de Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10850.909113/201186 Acórdão n.º 9303006.199 CSRFT3 Fl. 6 5 faturamento nos moldes da Lei Complementar nº 70/91, nos termos dos conceitos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal". No mesmo sentido, o acórdão paradigma nº 3801004.316, mesmo relator do acórdão, nº 3801004.317, deu provimento ao Recurso Voluntário,para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. Como se observa, o acórdão paradigma nada tratou sobre provas, e não se comprova semelhança fática e divergência jurisprudencial. Vejamos: "É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998". Como visto, contexto fático e jurisprudencial exposto nas decisões paradigmas e no acórdão recorrido, patente pela leitura das passagens acima transcritas, demanda do mesmo modo, que o recurso especial não seja conhecido em face da ausência de demonstração de que, discutindo casos similares, foi dada interpretação jurídica diversa. Neste sentido, O Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial (versão atualizada, pg.30) estabelece que: O RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, assim estabeleceu, em seu art. 67, § 1º, do Anexo II: "§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente." Em 15 de fevereiro de 2016, foi publicada a Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, com a seguinte redação: “§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente.” Neste sentido, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Contribuinte, em razão de não ter sido comprovada divergência, e similitude fática, nos termos do § 1º da Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte não foi conhecido. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 291DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000534/2010-44
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
SÚMULA CARF N. 105. IMPOSSILIDADE DE CONCOMITÂNCIA ENTRE MULTAS DE OFÍCIO E ISOLADA NA AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CSLL CALCULADA POR ESTIMATIVAS MENSAIS.
Embora decorram de fatos jurídicos considerados em momentos distintos, a multa isolada pela não observância do regime de estimativa e a multa de ofício pelo não recolhimento do tributo devido ao final do exercício não podem ser aplicadas conjuntamente, em função da natureza de antecipação do tributo que possui a obrigação objeto da sistemática de apuração mensal.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
MULTA QUALIFICADA. VENDA DE ATIVOS. ATOS SOCIETÁRIOS SIMULADOS. DISSIMULAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL.
A contribuinte que engendra arranjo societário com a finalidade de dissimular a venda de ativos, ocultando fatos geradores de IRPJ e CSLL, fica sujeita à qualificação da multa. O registro dos atos societários simulados não afasta a qualificadora, ao contrário, porque o registro desses atos servia justamente para encobrir a venda de ativos para a empresa Nova América, dissimulando o ganho de capital auferido com essa transação. Com o artifício societário, a contribuinte, a um só tempo, procurou impedir que a autoridade fazendária tomasse conhecimento do fato gerador, e também procurou excluir/modificar as características essenciais do fato gerador, no caso, do ganho de capital pela venda de ativos, restando plenamente caracterizada as hipóteses dos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 9101-003.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, (i) em negar-lhe provimento quanto à qualificação da multa, por maioria de votos, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento; (ii) em negar-lhe provimento quanto aos juros sobre a multa, por voto de qualidade, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio, Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento; e (iii) em dar-lhe provimento quanto à concomitância, por unanimidade de votos. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 SÚMULA CARF N. 105. IMPOSSILIDADE DE CONCOMITÂNCIA ENTRE MULTAS DE OFÍCIO E ISOLADA NA AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CSLL CALCULADA POR ESTIMATIVAS MENSAIS. Embora decorram de fatos jurídicos considerados em momentos distintos, a multa isolada pela não observância do regime de estimativa e a multa de ofício pelo não recolhimento do tributo devido ao final do exercício não podem ser aplicadas conjuntamente, em função da natureza de antecipação do tributo que possui a obrigação objeto da sistemática de apuração mensal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 MULTA QUALIFICADA. VENDA DE ATIVOS. ATOS SOCIETÁRIOS SIMULADOS. DISSIMULAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL. A contribuinte que engendra arranjo societário com a finalidade de dissimular a venda de ativos, ocultando fatos geradores de IRPJ e CSLL, fica sujeita à qualificação da multa. O registro dos atos societários simulados não afasta a qualificadora, ao contrário, porque o registro desses atos servia justamente para encobrir a venda de ativos para a empresa Nova América, dissimulando o ganho de capital auferido com essa transação. Com o artifício societário, a contribuinte, a um só tempo, procurou impedir que a autoridade fazendária tomasse conhecimento do fato gerador, e também procurou excluir/modificar as características essenciais do fato gerador, no caso, do ganho de capital pela venda de ativos, restando plenamente caracterizada as hipóteses dos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
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IMPOSSILIDADE DE CONCOMITÂNCIA ENTRE MULTAS DE OFÍCIO E ISOLADA NA AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CSLL CALCULADA POR ESTIMATIVAS MENSAIS. Embora decorram de fatos jurídicos considerados em momentos distintos, a multa isolada pela não observância do regime de estimativa e a multa de ofício pelo não recolhimento do tributo devido ao final do exercício não podem ser aplicadas conjuntamente, em função da natureza de antecipação do tributo que possui a obrigação objeto da sistemática de apuração mensal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 MULTA QUALIFICADA. VENDA DE ATIVOS. ATOS SOCIETÁRIOS SIMULADOS. DISSIMULAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL. A contribuinte que engendra arranjo societário com a finalidade de dissimular a venda de ativos, ocultando fatos geradores de IRPJ e CSLL, fica sujeita à qualificação da multa. O registro dos atos societários simulados não afasta a qualificadora, ao contrário, porque o registro desses atos servia justamente para encobrir a venda de ativos para a empresa Nova América, dissimulando o ganho de capital auferido com essa transação. Com o artifício societário, a contribuinte, a um só tempo, procurou impedir que a autoridade fazendária tomasse conhecimento do fato gerador, e também procurou excluir/modificar as características essenciais do fato gerador, no caso, do ganho de capital pela venda de ativos, restando plenamente caracterizada as hipóteses dos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 05 34 /2 01 0- 44 Fl. 1877DF CARF MF Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 9101003.000 CSRFT1 Fl. 3 2 A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, (i) em negarlhe provimento quanto à qualificação da multa, por maioria de votos, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento; (ii) em negarlhe provimento quanto aos juros sobre a multa, por voto de qualidade, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio, Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento; e (iii) em darlhe provimento quanto à concomitância, por unanimidade de votos. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de autuação fiscal (Efls. 316 ss.) para a exigência de IRPJ e CSLL relativamente ao ano calendário 2005, juntamente com juros, multa isolada e multa qualificada de 150%, considerados devidos em operação de que teria resultado ganho de capital, assim descrita no relatório produzido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento e utilizado pelo acórdão ocorrido, como também se fará nesta oportunidade: “Em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 08.1.90.002007023641 e prorrogações (fls.03 a 06) a Fiscalização da Delegacia de Fiscalização DEFIS, apurou, no Fl. 1878DF CARF MF Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 9101003.000 CSRFT1 Fl. 4 3 domicílio fiscal da contribuinte acima identificada, os seguintes fatos, conforme o Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 311a 372): 2 A Companhia União dos Refinadores Açúcar e Café (Cia União), antiga denominação da Arrepar Participações, vendeu "Ativos e Direitos", inclusive as marcas União, Neve, Doçula, Cristalçucar, dentre outras de seu ativo permanente, à empresa Nova América, S. A. Alimentos CNPJ 62.092.739/000128 (Nova América), atual Nova América Agronegócios, sem apuração e o recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre o ganho de capital auferido na venda. 3 O auditor fiscal detalha os valores tributados e passa a relatar a ocorrência cronológica da serie de operações que culminaram com a passagem do controle de ativos e marcas comerciais de propriedade da Cia União para a empresa Nova América, com ágio de R$ 74.832.153,21, que se traduz no ganho de capital tributado no presente procedimento fiscal. 3.1 Em 14/12/2004, a empresa Copersucar Cooperativa, (holding) faz reunião onde é autorizado o planejamento tributário a ser efetuado, sendo a Cia União a responsável pela execução geral. 3.2 Em 06/01/2005, é constituída a empresa Açúcar União S.A (AUSA) tendo como controladoras as empresas Cia União e a Adapse Participações S. A., CNPJ 07.054.698/000177, empresa criada em 2004 e controlada pela empresa Cia União e Refinaria Piedade S.A., CNPJ 33.067.034/000152. 3.3 Em 28/01/2005 a Cia União realiza reunião de diretoria, onde são transferidos para a empresa AUSA para aumento de capital social, bens e equipamentos e marcas da Cia União, da Refinaria Piedade S.A. e da Copersucar, totalizando em valor R$ 7.746.438,00. (Anexo I fls. 29 e 30). 3.4 Nessa mesma data é assinado Instrumento Particular de Compromisso de Subscrição de Ações e outras Avencas entre a Cia União e a Nova América (Anexo I, fls. 31a 80) onde e detalhada a operação a ser feita para a passagem das marcas e bens da Cia União para a empresa Nova América, através da utilização das empresas AUSA e Adapse. 3.5 Em 15/02/2005, aumento de capital na empresa Adapse, por conferência de 7.846.337 ações da AUSA, pelo valor contábil de R$ 7.846.337,00. 3.6 Em 15/02//2005 laudo de avaliação da AUSA feito pelo banco Itaú S.A., com fundamento na expectativa de rentabilidade futura. 3.7 Em 01/02/2005 em reunião da Cia União, são tomadas as seguintes deliberações: a) aumento do capital da Adapse em R$ 82.200.000,00, subscrito integralmente pela Nova América S.A., em moeda nacional; b) cisão parcial da Adapse com conseqüente trans de parcela de patrimônio para a empresa Nova América onde, de um lado a Adapse fica o capital integralizado pela Nova América e, de outro, a Nova América passa a controle acionário da AUSA, de valor de R$ 7.367.846,73. 3.8 Em 02/03/2005, a Nova América toma as mesmas medidas efetuadas pela Cia União. 3.9 Em 02/03/2005, a empresa Adapse resultante da cisão detém o patrimônio de R$ 82.878.490,21 e a Nova América, com o controle da AUSA, passa a ser dona das marcas e bens controlados pela AUSA. 4 O auditor fiscal faz então um apanhado geral da elisão fiscal e dos atos simulados, expondo a teoria e a opinião de juristas. 5 Em seguida discorre sobre o ilícito fiscal cometido pela fiscalizada e detalha as operações que envolveram a criação de empresas efêmeras cujo único propósito de ocultar a aquisição de marcas e bens pela empresa Nova América, que gerou ganho de capital à fiscalizada, através da sua controlada e que não foi oferecido à tributação nem pela empresa Adapse, nem pela sua controladora CIA União, atual Arrepar. 6 O auditor fiscal detalha toda a operação novamente para demonstrar a dissimulação da venda de bens e marcas para companhia Nova América, escondida por uma serie de atos praticados em seqüência pela fiscalizada com fito único de evadirse da tributação de IRPJ e CSLL incidentes sobre o ganho de capital resultante da venda de bens e marcas. 7 O auditor fiscal cita a base legal, empregada para descaracterizar os atos praticados pela contribuinte com o fito de dissimular a ocorrência do fato gerador de IRPJ e CSLL, no caso, o ganho de capital decorrente de venda de ativos. 8 Desse modo, em 14/05/2010, foram efetuados os seguintes lançamentos: Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 376 a 379): Total do crédito tributário, R$ 65.101.178,35, incluídos o tributo, multa de oficio, multa isolada e juros de mora, calculados até 30/04/2010. Fundamento legal: Embasamento legal:, arts. 3o , §2°, inciso IV, da Lei n° Fl. 1879DF CARF MF Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 9101003.000 CSRFT1 Fl. 5 4 9.718/1998, arts. 105, 116 e 149 do CTN, art. 51 da Lei n° 7.450/1985, arts. 247, 248, 251 e parágrafo único, 418 e 421 do RIR/99 e Parecer Normativo CST n°46/1987. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 382 a 384): Total do crédito tributário, R$ 20.066.614,01, incluídos o tributo, multa de ofício e juros de mora, calculados até 30/04/2010. Fundamento legal: artigo 2o , e §§, da Lei n° 7.689/88, artigo I o da Lei n° 9.316/96; artigo 28 da Lei n° 9.430/96; e artigo 37 da Lei no. 10.637/2002. Multa exigida isoladamente por falta de recolhimento de estimativa de CSLL (fls 387 a 389). Total do crédito : R$ 3.367.446,56. Fundamento Legal: Artigos. 222 e 843 do RIR/99, c/c com artigo. 44, § Io , inciso IV, da Lei n° 9.430/1996 alterado pelo artigo 14 da Lei n° 11.488/2007c/c artigo 106, inciso II, alínea "c" da Lei no. 5.172/1966. 9 Inconformada com o lançamento do qual foi cientificada em 14/05/: próprio auto de infração (fls. 377 e 383), a contribuinte protocolizou em impugnação (fls. 399 a 451), relativa ao lançamento fiscal,apresentando suas razões apertada síntese, a seguir: 9.1 Faz breve relato dos fatos e da seqüência de operações, justificando os motivos que levaram a fiscalizada a praticar os atos descritos. 9.2 Alega que o agente fiscal relatou as operações sem questionar os motivos que levaram a impugnante a realizar tais operações o que, em sua opinião, demonstraria o propósito negocial no presente caso. 9.3 Descreve o planejamento estratégico utilizado que culminou com negociação ocorrida em 2004 e alienação ocorrida em 2005 do segmento de açúcar no varejo, com a alienação de diversos ativos e marcas que se encontravam sob a titularidade da empresa Açúcar UniãoS/A. Ilegitimidade das Partes 9.4 Alega ilegitimidade passiva da fiscalizada, argumentando que quem teria praticado os atos, objeto do lançamento fiscal, teria sido a empresa Adapse, controladora da empresa AUSA, e não a fiscalizada. 9.5 Alega que, desse modo, a contribuinte de fato e de direito seria a empresa Adapse Participações e cita o art. 418 do RIR/99 para embasar o que alega. 9.6 Alega que ilegitimidade passiva constituiria nulidade absoluta do lançamento, citando os arts. 245 e 267, inciso VI e § 3 o do Código de Processo Civil e acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes para reforçar seus argumentos e requerendo o cancelamento do lançamento efetuado. Iliquidez e incerteza das Autuações Fiscais 9.7 Alega erro de apuração por parte do auditor fiscal que teria tributado o ganho de capital no valor de R$ 74.353.562,00 na fiscalizada, quando essa já havia declarado esse mesmo valor como resultado de equivalência patrimonial em 31/12/2005, decorrente do aumento de investimento referente à participação na empresa Adapse. 9.8 Alega que assim verificase a inconsistência na apuração de valores para a base de cálculo e da própria ocorrência do fato gerador que acabariam por macular o lançamento com vícios que comprometem sua liquidez e certeza. 9.9 Alega que ainda que se pudesse tributar o ganho de capital na figura da fiscalizada, o procedimento fiscal estaria incorreto pois deveriam ter sido recompostas as bases de cálculo desses tributos e não simplesmente calcular o IRPJ e a CSLL, diretamente sobre o resultado da equivalência patrimonial. 9.10 Discorre sobre o que entende ser a liquidez e certeza do lançamento fiscal, citando autores tributaristas e acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes, para concluir que o lançamento deve ser cancelado também por esse motivo. Legalidade da Reestruturação Societária e efeitos tributários pretendidos 9.11 Alega ser importante ressaltar o contexto histórico e as motivações econômicas levaram, o Grupo Copersucar a realizar a operação de reestruturação societária objeto do questionamento. 9.12 Alega que, por decisão estratégica dos administradores do Grupo Copersucar, deliberouse pela alienação das participações societárias detidas pela empresa Adapse Participações na empresa AUSA. 9.13 Alega que a estrutura implementada e seus reflexos contábeis e tributários foram analisadas e comprovadas sob seu aspecto de segurança jurídica e licitude, e que foi evitada a adoção de quaisquer práticas negociais em descompasso com a legislação e jurisprudência administrativa e judicial vigentes à época em que a operação foi realizada. Para tanto, consultou uma das principais bancas de advogados da capital paulista, que lhe sugeriu a implementação de uma operação lícita com vistas a atingir o objetivo econômico pretendido, Fl. 1880DF CARF MF Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 9101003.000 CSRFT1 Fl. 6 5 realizando a melhor eficiência tributária. 9.14 Esclarece que a alienação das participações societárias foi feita por meio da conhecida e bastante utilizada operação que consiste na aceitação de um novo acionista ao capital de uma sociedade holding, o qual, após integralizar sua participação societária com ágio, retirase da sociedade, remanescendo com as participações societárias objeto de alienação. 9.15 Afirma que os atos societários que o Fisco reputa simulados foram efetivamente praticados e as declarações neles contidas refletem as deliberações de vontade emanadas por cada parte, tanto que tais documentos foram registrados na Junta Comercial, que verificou o conteúdo e as formalidades aplicáveis, conferindoos verdadeiros e passíveis de oposição a terceiros. 9.16 Alega que não há qualquer indício ou comprovação de que os atos foram realizados de modo a encobrir, enganar ou impedir o conhecimento do Fisco, de credores ou de terceiros de qualquer operação e tampouco a operação que teve como conseqüência a transferência de sua participação societária no capital social da empresa em comento. 9.17 Conclui que, por todo exposto, a fiscalizada teria agido de acordo com todos os dispositivos legais sob o aspecto formal e que existia à época decisões favoráveis proferidas pelo Órgão de Julgamento do Ministério da Fazenda a planejamentos tributários semelhantes ao analisado nos presentes autos. Inexistência de simulação 9.18 Alega que sua intenção ao realizar as operações sempre foi a de reestruturar adequadamente a companhia e que os atos societários realizados pela impugnante condisseram com a vontade de cada uma das partes envolvidas, e estariam à luz do ordenamento jurídico vigente à época das operações. 9.19 Alega demonstrar a inexistência de simulação, argumentando que, além de as operações pactuadas entre as partes não aparentarem direito diverso daquele que foi realmente contratado, também não contêm declarações ou cláusulas não verdadeiras, e que, tampouco, foi realizada qualquer operação com o intuito de prejudicar terceiros e muito menos o Fisco, não se subsumindo, portanto, às disposições do art. 167 do Código Civil. 9.20 Afirma que simulação ocorreria sempre que um ato apresentar vontade diferente daquela manifestada, o que não teria ocorrido na situação presente e que simulação não se presumiria e não se provaria por meio de indícios. 9.21 Alega que o que ocorreu foi um negócio jurídico indireto. No propósito de ressaltar a nítida segregação entre a realização de negócio jurídico indireto e a ocorrência de simulação, cita vários acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes, para tentar demonstrar a tese da elisão fiscal, para alegar que as operações efetuadas foram todas lícitas e permitidas legalmente. Negócio jurídico indireto 9.22 Alega que praticou um negócio jurídico indireto, e não ato simulado. No propósito de ressaltar a nítida segregação entre a realização de negócio jurídico indireto e a ocorrência de simulação, transcreve ensinamento de Marco Aurélio Greco para demonstrar que, na reestruturação societária realizada, se encontram os três elementos caracterizadores do negócio jurídico indireto: (i) ocorrência de apenas um negócio jurídico; (ii) tratarse de negócio jurídico típico; e (iii) ausência de fraude à lei. Ocorrência de apenas um negocio jurídico 9.23 Alega que praticou apenas um negócio jurídico, qual seja a alienação da participação societária em comento por meio da referida reorganização da empresa. 9.24 Argumenta que a Administração Tributária não comprovou de forma cabal que a reestruturação societária realizada pelo grupo Copersucar não poderia ter sido realizada. 9.25 Alega que, no ordenamento jurídico vigente à época da operação não havia qualquer norma individual e concreta ou geral e abstrata que obstasse a realização do planejamento tributário levado a efeito. Negócio jurídico típico 9.26 Alega que cumpriu os requisitos para a realização de atos societários que geraram efeitos no mundo jurídico e estavam em conformidade com o conteúdo exigido pela Lei, caracterizando negócio jurídico típico. Ausência de fraude a lei 9.27 Alega mais uma vez a existência de qualquer norma que impedisse a fiscalizada de realizar as operações ora em análise e portanto não haveria o que se falar em ilegalidade e muito mesmo simulação de quaisquer atos societários realizados pela impugnante. Evolução da Interpretação de planejamentos tributários Fl. 1881DF CARF MF Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 9101003.000 CSRFT1 Fl. 7 6 9.28 Alega que tanto a doutrina como a jurisprudência, em especial a administrativa, evoluíram no sentido de que os planejamentos tributários devem sempre guarder determinado conteúdo econômico, e que a existência de substrato econômico na realização das operações passou a ser verdadeiro requisito de validade à realização dos atos e negócios jurídicos praticados pelos contribuintes com vistas a economizer tributos. 9.29 Adiciona que a verificação da brevidade não usual na prática de atos ou/negócios jurídicos passou a ser encarado pela doutrina e jurisprudência como verdadeira patologia planejamentos tributários. Diante desse panorama, conclui que o entendimento do que se tem por planejamento tributário ou elisão fiscal vem se modificando gradualmente, conforme se comprova pela análise das decisões que envolveram os últimos casos de planejamento tributário levados à verificação no Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. 9.30 Alega que, no ano calendário de 2004, quando se iniciaram os trabalhos para a realização da reestruturação societária aqui referida, o que se entendia como lícito em planejamentos tributários no âmbito do Conselho de Contribuintes era totalmente diverso do que se tem hoje, e que naquela época se consideravam lícitos os planejamentos em que os contribuintes conferiam a devida formalidade aos atos praticados; que as decisões estavam calcadas frente à observância do princípio da legalidade, sem a análise da simulação da vontade. Ressalta que foi nesse contexto que, juntamente com seus advogados, auditores e jurídico interno, entendeu por lícitas e plenamente em conformidade com o ordenamento jurídico vigente, as operações praticadas; 9.31 Alega que, diante do exposto, não haveria como se manter o entendimento de que os atos praticados pela impugnante teriam sido simulados, motivo pelo qual requer o cancelamento dos autos de infração lavrados. Multa agravada 9.32 Investe contra a imposição da multa de ofício qualificada, alegando que esta somente poderia ser lançada se demonstrada, por provas diretas, o evidente intuit doloso, conforme definido no art. 44, § I o da Lei n° 9.430/1996. 9.33 Alega que o dolo não pode ser presumido, precisa ser provado, e que, para que tivesse sido caracterizada a fraude, em que o dolo é elemento essencial, sua conduta deveria ter sido caracterizada pela manifesta intenção do agente de omitir dados, informações ou fatos que resultariam na diminuição ou retardamento do dever tributário. 9.34 Cita ainda doutrinadores e acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes para reforçar o que alega. 9.35 Alega que quem age com fraude realiza sempre operações proibidas pela lei, adultera documentos, falsifica, se utiliza de pessoas inexistentes ou "laranjas", para então argumentar que todas as operações praticadas atenderam todos os requisites legais e fiscais e portanto a multa agravada não pode ser mantida. 9.36 Em seguida, em dois tópicos distintos, discorre longamente sobre a inexistência de fraude em seus atos, alegando ao final tartarse de no máximo erro de interpretação acerca da ilicitude das operações societárias por ela praticados, o que afastaria por conseqüência, o dolo e a máfé que seriam requisitos necessários à configuração de simulação. Multa isolada 9.37 Alega, em dois tópicos distintos, que a exigência da multa de ofício lançada isoladamente não pode ser aplicada. 9.38 Alega ser ilegal sua exigência cumulada com a multa de ofício relativa a tribute lançado. Exterioriza o entendimento de que a multa isolada só pode ser exigida caso se verifique a falta ou insuficiência de recolhimentos de estimativas antes do término do anobase. Após o encerramento deste, somente seria cabível a multa de ofício proporcional aos tributos não recolhidos. Juros sobre a multa 9.39 — Investe contra a cobrança dos juros moratórios sobre o valor da multa aplicada e discorre longamente a respeito para requerer o cancelamento da exigência de juros de mora, calculados com base na taxa Selic, sobre a multa de ofício lançada no presente auto de infração. Pedido 9.40 Por fim requer a improcedência total do auto de infração, protestando pela apresentação de todos os meios de prova em direito admitidas para provar o alegado. Acrescenta ainda que caso não seja esse o entendimento, requer a exoneração da multa agravada, da multa isolada e a exclusão dos juros moratórios incidentes sobre a multa de Fl. 1882DF CARF MF Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 9101003.000 CSRFT1 Fl. 8 7 oficio. A partir da análise dos elementos contidos nos autos, a douta autoridade de primeira instância, analisando os argumentos apresentados, conclui pela improcedência da impugnação, em acórdão assim então ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A R E N D A DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2005 VENDA DE AÇÕES GANHO DE CAPITAL É devido o tributo por ganho de capital em operações de vendas efetuadas através de sociedade que existe apenas para servir de veiculo entre a entrega de ações por parte da empresa vendedora e o pagamento efetuado pela empresa compradora. Operação descaracterizada gera apuração de ganho de capital com tributação de Imposto de renda. VALIDADE DOS ATOS PRATICADOS Não são válidos por si mesmos os negócios formalizados a título de "planejamento fiscal" ou "negócio jurídico indireto", devendo sua validade ser verificada à luz da teoria dos fatos jurídicos; devem ser desconsiderados se constatada, à luz dessa teoria, a presença de simulação, configurada pela divergência entre a vontade manifestada e a vontade real. MULTA QUALIFICADA. DOLO. SIMULAÇÃO. O dolo é intrínseco à conduta das partes que contratam a alienação de determinada coisa por inteiro (controle acionário da sociedade X) com a finalidade de evitar o recolhimento de tributo devido, se obrigam a formalizar um conjunto de operações destinadas a simular que o preço foi pago por uma pequena participação no capital de outra empresa veiculo para a qual a coisa alienada foi transferida. Tal conduta evidencia intenção inequívoca de fraudar o credor (Fisco) e enseja a imposição da multa de ofício qualificada. DECORRÊNCIA. Versando ambos sobre a mesma ocorrência fática, aplicase ao lançamento reflex (CSLL), no que couber, o que restar decidido para o lançamento matriz (IRPJ). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente intimada a contribuinte do inteiro teor da decisão apontada em 25/05/2011, é então interposto, em 20/06/2011, o competente recurso voluntário, destacando, em suas razões, os seguintes argumentos: A impossibilidade de interpretação isolada dos atos praticados, devendo ser interpretados todo o conjunto de operações societárias praticadas, na história da atividade desenvolvida pelo Grupo Copersucar. A ilegitimidade passiva da recorrente, tendo em vista que os lançamentos foram efetivados tomando por base a operação de alienação das participações acionárias mantidas pela empresa ADAPSE e não aquelas a ela diretamente relacionados. Iliquidez e incerteza das autuações efetivadas, tendo em vista que os montantes apontados como sendo de suposto ganho de capital não tributado, na verdade, corresponderiam ao resultado da operação de equivalência patrimonial e não ao suposto ganho de capital experimentado pela empresa ADEPSE. A ocorrência de decadência sobre os fatos tributários apontados. A impossibilidade de sucessão da multa de ofício. No mérito, a existência de propósito negocial para as operações apontadas; a inexistência de simulação nas operações aventadas; a existência de negócio jurídico indireto; A ausência de fraude à lei. Em seguida, apresenta estudo a respeito da evolução do estudo do planejamento tributário no Brasil; A inaplicabilidade da multa agravada; O regular registro de todos os atos praticados nas respectivas repartições de controle; A título argumentativo, destaca ainda a recorrente que, mantendose o entendimento da corte de primeira instância, cumpre ressaltar a completa impossibilidade de caracterização de dolo nas operações apontadas, havendo, quando muito, apenas e tão somente um suposto erro na interpretação da legislação aplicável, o que, acredita, afastaria a possibilidade de aplicação da penalidade agravada. Além dessas considerações, destaca ainda a recorrente a impossibilidade de cobrança de multa isolada em decorrência da falta de recolhimento de IRPJ e CSLL por estimativa, em Fl. 1883DF CARF MF Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 9101003.000 CSRFT1 Fl. 9 8 razão i) do encerramento do anobase quando da lavratura do auto de infração; ii) a impossibilidade de cumulação entre a multa isolada e a multa de ofício; iii) a ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa. Em contrarazões, aponta a FAZENDA NACIONAL, por sua procuradoria, a impossibilidade de admissão do recurso interposto, destacando a caracterização de efetiva operação Casa/Separa – Empresa Veículo – Ausência de propósito negocial nas alterações societárias apontadas, destacando, inclusive, a esse respeito, o entendimento do CARF em relação a operações análogas à presente, onde a pretensão das partes é, única e exclusivamente, elidir a incidência da tributação sobre o inequívoco ganho de capital experimentado.” O recurso voluntário da contribuinte foi julgado pela 1a Turma Ordinária da 3a Câmara da 1a Seção de Julgamento, que decidiu no Acórdão n. 1301001.113 (Efl. 1368 ss.) pela (i) legitimidade da empresa incorporadora como responsável pelos tributos devidos pela incorporda até a data da incorporação; (ii) inaplicabilidade do artigo 150, parágrafo 4o. do Código Tributário Nacional à situação concreta, compreendida como simulatória; (iii) configuração de simulação pelo fato de a alteração societária em questão não possuir propósito negocial, mas visar à economia fiscal, pelo que também (iv) se imporia a multa qualificada, além de afastar o argumento de concomitância entre multas de ofício e isolada pela ausência de recolhimento de estimativas, uma vez que decorreriam de obrigações distintas, como se depreende da ementa a seguir: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2005 ILEGITIMIDADE PASSIVA. INCORPORAÇÃO. Em face da aplicação das disposições do art. 132 do CTN, a empresa incorporadora é sim, de fato e de direito, responsável pelos tributos devidos pela empresa incorporada até a data da incorporação, o que atrai, por conseqüência, a legitimidade plena da contribuinte sobre os créditos discutidos nestes autos. DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO. As disposições do Art. 150, parágrafo 4o não são aplicáveis quando apontadaa possibilidade de configuração de dolo, fraude ou simulação. Havendo, nos fundamentos da autuação apresentada, a indicação de hipótese de simulação, aplicamse as disposições do Art. 173, afastandose, assim ao menos a princípio, a preliminar de mérito de decadência apontada. EMPRESA VEÍCULO. ALTERAÇÃO SOCIETÁRIA REALIZADA SEM NENHUM OBJETIVO NEGOCIAL. Verificandose na especifica situação apresentada nos autos que a constituição da apontada empresa veículo não tivera qualquer outro fundamento, senão apenas garantir a efetivação da economia tributária, inválida se apresenta a operação, sendo legítima, portanto, a glosa efetivada. MULTA QUALIFICADA. Restando, pois, caracterizada a utilização de artifícios societários com o único fim de gerar economia tributária, verificandose, no caso, indicada a invalidade das operações praticadas, entendo devida a aplicação da multa qualificada, nos termos em que efetivados. MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. MULTA PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. Não há de se falar em aplicação concomitante sobre a mesma base de incidência quando resta evidente que as penalidades, não obstante derivarem do mesmo preceptivo legal, decorrem de obrigações de naturezas distintas. Inexiste na norma de sanção qualquer limitação temporal para aplicação da Fl. 1884DF CARF MF Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 9101003.000 CSRFT1 Fl. 10 9 penalidade, motivo pelo qual ela subsiste ainda que lançada após o término do período de apuração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, quanto à ilegitimidade passiva da recorrente, iliquidez e incerteza do crédito constituído, decadência e quanto à validade das operações decorrentes das alterações societárias, nos termos do voto do Relator; por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, quanto à não incidência, pela SELIC, e juros de mora sobre a multa de oficio. Vencido nesse ponto o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, que entendeu incidir juros de mora sobre a multa de oficio à taxa de 1%; por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, quanto a não incidência da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto de Andrade Jenier, Edwal Casoni de Paula Fernades Junior e Valmir Sandri. Designado para \\redigir o voto vencedor desse ponto o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.” Em face do referido acórdão, a Recorrente opôs Embargos de Declaração (Efls. 1387 ss.) apontando contradição quanto à definição do fato jurídico tributável e omissão com relação a erro na determinação da base de cálculo, que foram acolhidos por decisão (Efls. 1424) no sentido de que, apesar do reconhecimento de efetivo erro material nos cálculos promovidos pela fiscalização fazendária, tal fato, por si só, não importaria nulidade do auto de infração e tampouco do presente processo administrativo fiscal, restando perfeitamente legítimos os ajustes determinados. A contribuinte interpôs Recurso Especial (Efl. 1447) salientando (a) nulidade da autuação pelo reconhecimento de erro Na determinação da base de cálculo pelo próprio acórdão que julgou os embargos declaratórios, (b) iliquidez e ausência de certeza da autuação, impossibilidade de tributação do resultado da equivalência patrimonial no lugar do ganho de capital, (c) ilegitimidade passiva da recorrente, que foi autuada, ao invés de responsabilizada por sucessão como incorporadora, (d) impossibilidade de alteração de critério jurídico, (e) inaplicabilidade da multa qualificada, (f) inaplicabilidade da multa isolada por estimativas (f.1) tanto em função de anteceder o encerramento do ano calendário, quanto em razão da concomitância com a multa de ofício, com necessidade de aplicação da Súmula CARF n. 105, (g) não incidência de juros sobre multa. O Recurso Especial foi parcialmente recepcionado por Despacho de Admissibilidade (Efl. 1756) que somente lhe deu seguimento no que tange aos seguintes pontos: (1) inaplicabilidade da multa qualificada, (2) inaplicabilidade da multa isolada por estimativas, (2.1) tanto em função de anteceder o encerramento do ano calendário, (2.2) quanto em razão da concomitância com a multa de ofício, e (3) não incidência de juros sobre multa, o que foi mantido pelo Reexame de Admissibilidade (Efl. 1769 ss.), tendo a Fazenda Nacional oferecido contrarrazões (Efls. 1774 ss.). Na sequência, a Recorrente opôs novos Embargos de Declaração (Efls. 1791ss.) pretendendo fosse proferido novo exame de admissibilidade, com a correção de Fl. 1885DF CARF MF Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 9101003.000 CSRFT1 Fl. 11 10 supostas inexatidões materiais, compreendidas pela decisão de efls. 1832 como mero inconformismo da contribuinte quanto ao despacho atacado. Passase, então, à apreciação do recurso. Voto Vencido Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora O recurso é tempestivo e dele conheço, observandose a limitação procedida pelo despacho de admissibilidade. 1. Inaplicabilidade da multa qualificada Colocase à apreciação deste colegiado, pelo natural efeito devolutivo do recurso especial, a aplicação da multa qualificada decorrente da acusação de simulação, o que demanda a demonstração efetiva do evidente intuito fraudulento da contribuinte na operação, entendendose necessária a efetiva prova do dolo do agente na identificação da espécie. Compulsandose todo o relatório produzido pela fiscalização para instruir o auto de infração, encontrouse o trabalho do agente fiscal na tentativa de demonstrar uma suposta intenção da contribuinte em reduzir a sua carga tributária, a partir da qualificação da operação como simulatória. Ocorre que se entende que a descrição fiscal no presente caso somente alcançou – certamente que na linha interpretativa defendida pelo agente fazendário – desqualificar a operação para fins de impedir esse abatimento da base do IRPJ e da CSLL. E isso foi feito, e por isso foi aplicada multa pelo não recolhimento dos tributos e das estimativas, com os respectivos juros. Porque, na opinião que se adota, não foi suficiente a demonstrar – direta e objetivamente, como há de ser – o dolo do agente na prática do tipo de “impedir ou retardar o conhecimento” pela autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, sobretudo porque, pelo que consta, as operações foram registradas e demonstradas ao fisco, sem ocultações ou falsidades documentais, reiterase, com o intuito de impedir ou retardar o seu conhecimento. Ao que parece, o que foi realizado foi declarado e o que declarado foi, de fato, realizado. Fl. 1886DF CARF MF Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 9101003.000 CSRFT1 Fl. 12 11 Muito embora se defenda que nos casos em que se visa à evasão fiscal a prova não possa ser direta, discordase. Entendese precisar de várias provas diretas que possam levar a uma conclusão deduzida, o que é diferente de se admitir que também essas demonstrações primeiras possam ser ilações da acusação, especialmente porque se está falando de crime e de legalidade estrita, sob pena também de a linguagem normativa criada pela autoridade administrativa não conseguir se suportar, por ausência do fato prova. Ainda que o agente fiscal não concorde com o caminho escolhido pelo sujeito passivo, por exemplo, numa operação que leve a companhia à uma redução de sua carga tributária, sobretudo se consequência de uma decisão negocial, para efeitos de entendêla inoponível ao Estado, não significa que a prova realizada para esses fins seja suficiente a imputar e, principalmente, comprovar, a existência de crime e do dolo específico do agente em praticálo, o que é essencial. Portanto, voltandose ao caso concreto, constatase que o relato fiscal que acompanhou o auto de infração foi realizado no intuito de imaginar a intenção do agente e sugerir como ele deveria ter organizado a sua operação, deixando uma suspeição sobre a conduta, para desqualificar a operação, mas sem colacionar provas efetivas que atestam o evidente intuito de fraude requerido para a configuração do crime de sonegação. A aplicação de multa qualificada no lançamento, sabese, decorre do fato de a autoridade lançadora ver e demonstrar nos atos praticados pelo contribuinte a figura do dolo intencional como vontade de agir, ou a prática de atos em caráter de fraude, omissão ou sonegação, propriamente ditos. No caso em questão, inferese que os atos praticados pela recorrente foram relizados com clareza, contratos foram arquivados em Registro do Comércio, tornando públicas, pois, as operações ocorridas, bem como declarações foram entregues à Receita Federal do Brasil, de modo que não se pode falar em atos omissivos, fraudulentos ou praticados com o intuito de sonegação. É verdade que, nos dias atuais, operações da espécie vêm sendo condenadas neste Colegiado, mantendose a glosa da amortização de ágio verificada. Diz se hoje, porque, em passado não tão remoto, essa espécie de operação era qualificada pela doutrina e jurisprudência como típico negócio jurídico indireto, perfeitamente legítimo. No entanto, observase uma mudança de perspectiva, mais recentemente, para se partir da causa real do negócio, como se um filme fosse, no lugar de apenas se voltar para o retrato de cada uma das operações desempenhadas na sua concretização (foto). Daí se constantar, pois, que a análise da matéria é conflituosa. Por essas razões, somandose a publicidade conferida às operações pela contribuinte no caso concreto, que afasta a presença do dolo específico como vontade de agir, à possibilidade de interpretação da hipótese como realizada no campo da lícita Fl. 1887DF CARF MF Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 9101003.000 CSRFT1 Fl. 13 12 atividade de planejamento tributário, não se vê a possibIlidade de aplicação da multa qualificada. Nesse sentido, observase que mesmo Marco Aurélio Greco, a quem muito se deve pela mudança do eixo de interpretação da figura do planejamento tributário neste Tribunal, em razão da publicação de sua já clássica obra Planejamento Tributário1, é extremamente restritivo quanto à aplicação de multa qualificada em operações da espécie, como se lê nos seguintes excertos sobre a questão: “A primeira observação é no sentido de que os casos da duplicação da multa correspondem à ‘exceção da exceção’. (...) Condutas infracionais, que agridem disposições legais, são exceção e não regra. Por isso, afirmase que o Direito Sancionador – por decorrência o Direito Tributário e o Direito Penal – é um conjunto de normas excepcionais cuja incidência deve ficar restrita única e exclusivamente às hipóteses clara e inequivocamente previstas. Sustentase, inclusive, que o Direito Sancionador (em especial o Direito Penal) deveria ser um “direito mínimo” no sentido de só se aplicar em situações excepcionais posto que a banalização da pena atua no sentido de retirar seu potencial de intimidação do agente. Ou seja, no conjunto do ordenamento positivo, as disposições sancionadoras (civis, administrativas e penais) têm caráter excepcional em relação às demais disposições. Esta excepcionalidade provoca algumas consequências, dentre as quais ressalto a diretriz no sentido de que a interpretação das normas sancionadoras deve ser estrita, vale dizer, circunscrita àquelas situações e condutas que, inequivocamente, se enquadram na hipótese legal, reduzindose ao máximo as avaliações subjetivas que possam cercar a hipótese material da conduta. Este perfil – que é tranquilamente reconhecido pelos que se debruçam sobre os dispositivos sancionadores para analisálos – traz uma relevante consequência. Tratase da circunstância de que, em matéria penal, cumpre analisar os fatos e diretamente enquadrálos no dispositivo pertinente. Vale dizer, a incidência se dá a partir de um juízo de adequação entre norma e fato concreto ocorrido. Ou seja, o fenômeno jurídico está reduzido apenas a dois elementos (fato e norma) Esta observação é essencial, pois a generalidade dos casos que envolvem fraude à lei abarca um terceiro elemento que é a qualificação jurídica dos fatos ocorridos (por exemplo, tipo de operação negocial realizada), sobre a qual versa a divergência, que se apoia em argumentos respeitáveis, levantados tanto pelo Fisco como pelo contribuinte. Ou seja, as hipóteses de fraude à lei reúnem três elementos: fatos, sua qualificação jurídica e norma aplicável. Portanto, não são casos de clara e inequívoca incidência da norma penal.” A partir dessas considerações, o autor2 assim conclui: “À vista disso, pelo caráter absolutamente excepcional da previsão, os pressupostos de incidência da norma de duplicação da multa devem ser fatos cuja qualificação jurídica deve ser incontroversa. Em suma, havendo divergência relevante (dúvida razoável) quanto à cognição da qualificação jurídica dos fatos realizados, não cabe a aplicação do § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/96. (...) Vale dizer, não é toda e qualquer hipótese de falta de pagamento etc. prevista no inciso I que vai levar à duplicação da multa. Se não houve intuito de enganar, esconder, iludir, mas se, pelo contrário, o contribuinte agiu de forma clara, deixando explícitos seus atos e negócios, de modo a permitir a ampla 1 Planejamento Tributário. Dialética Editora, 3ª edição, pp. 260/261. 2 Ob. cit., pp. 263/264. Fl. 1888DF CARF MF Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 9101003.000 CSRFT1 Fl. 14 13 fiscalização pela autoridade fazendária, se agiu na convicção e certeza de que seus atos tinham determinado perfil legalmente protegido – que levava ao enquadramento em regime ou previsão tributariamente mais favorável , não se trata de caso regulado pelo § 1º do artigo 44, mas de divergência na qualificação jurídica dos fatos; hipótese completamente distinta da fraude e da sonegação a que se referem os dispositivos para os quais o § 1º remete. A multa agravada só tem cabimento se o elemento subjetivo do tipo for o dolo pois é elemento essencial para definir os três tipos contemplados nos artigos 71, 72 e 73 mencionados. Assim, hipóteses de razoável e justificável divergência de qualificação jurídica não configuram a ‘fraude’ ou a ‘sonegação’ a que se referem estes preceitos indicados no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/96. Poderão em tese configurar a fraude civil ou fraude à lei, mas esta não está alcançada pelo § 1º aqui examinado.” Por tudo isso, ainda que vencida quanto ao tema glosa de ágio, entendo que se deve desconstituir a multa qualificada imposta. 2. Inaplicabilidade da multa isolada: encerramento do ano calendário e concomitância de multas de ofício e isolada Coerentemente com a análise de divergência procedida para o conhecimento do recurso, a matéria de mérito posta a julgamento restringese à definição da possibilidade de cominação da multa isolada por não pagamento da CSLL calculada com base no regime de estimativas mensais, ao final do ano calendário e concomitantemente com a multa de ofício aplicada pelo não recolhimento do tributo ao final do ano calendário 2005, fundamentadas nos artigos 44, inciso I e parágrafo 1o., IV, da Lei n. 9430/96., cuja redação original assim versava: “Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; §1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente. (…)” Tratase de matéria objeto da Súmula n. 105 deste Conselho Administrativo, redigida com os seguintes termos: Fl. 1889DF CARF MF Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 9101003.000 CSRFT1 Fl. 15 14 Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. (grifouse) Sua aplicação, acreditase, não leva a maiores discussões por se tratar de penalidades aplicadas no ano calendário de 2005 e, portanto, anteriores à edição da própria súmula e, principalmente, das alterações promovidas no referido artigo 44 da Lei n. 9.430/96 pela Medida Provisória n. 351/2007, convertida na Lei n. 11.488, do mesmo ano, deixandolhe como nova redação. Portanto, nesta ocasião se aplica a Súmula CARF n. 105 para afastar a imputação da multa isolada fundamentada no artigos 44, parágrafo 1o., IV, da Lei n. 9430/96., em função de sua concomitância com a multa de ofício pevista no inciso I do mesmo dispositivo. 3. A não incidência de juros sobre a multa Alcançando o último tópico do presente voto, na hipótese de manutenção da multa qualificada, passase à manifestação sobre a incidência de juros sobre a multa. Inicialmente, se compreende que o artigo 161, parágrafo primeiro, do Código Tributário Nacional concede autorização para que lei ordinária imponha juros sob taxa com percentual diverso da regra geral de 1% ao mês, como se observa de seu texto: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1o Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Registrase, primeiramente, que se compreende que a expressão crédito tributário se refira ao objeto da relação jurídica o qual concede um direito de recebimento por parte do Estado, englobando tanto aqueles valores correspondentes aos tributos, como decorrentes da aplicação de penalidades pelo seu não pagamento, em conformidade com a forma que se lê o artigo 113 do Código Tributário Nacional. Ocorre que, no mencionado artigo 161, não se consegue dar essa alcance ao termo “crédito” como utilizado pelo legislador para alcançar as multas, porque a redação, após mencionar que este pode ser acrescido de juros se não integralmente pago no vencimento, faz a ressalva: sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis. Fl. 1890DF CARF MF Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 9101003.000 CSRFT1 Fl. 16 15 Neste caso, seria ilógico se compreender, portanto, que as multas então estariam compreendidas na expressão crédito, de modo que a interpretação possível que se consegue alcançar a partir deste enunciado é a de que, muito embora ele autorize a imposição de juros, e num patamar diverso de 1% caso haja previsão legal específica, não alcança as penalidades aplicadas em função do não pagamento integral no vencimento. A partir dessa norma geral, compreendese que se deve entender legítima a fixação de seus índices próprios pela legislação federal e que a leitura das demais regras que envolvem o tema deve ser feita dentro dessa moldura que estabeleceu, como sói ocorrer com artigo 61 da Lei n. 9.430/96: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” O que, num momento inicial, poderia indicar duas interpretações possíveis, no sentido de a expressão “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições” abarcar tão somentes estes ou também as multas a eles relacionadas, parece restar reduzida apenas à primeira leitura, justamente em face do alcance permitido pela regra geral do artigo 161 do Código Tributário Nacional que não engloba as penalidades. Portanto, por falta de autorização legal do artigo 161 do Código Tributário Nacional, muito embora a legislação federal possa impor suas penalidades pelo não recolhimento de tributos (leiase, impostos e contribuições) e possa fixar seus próprios íncides de correção dos valores, como a Taxa Selic, não há autorização para determinar a incidência de juros sobre a multa de ofício, quando exigida juntamente àquele pagamento. Assim sendo, VOTASE POR DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do contribuinte, no que se refere aos três pontos conhecidos. (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Fl. 1891DF CARF MF Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 9101003.000 CSRFT1 Fl. 17 16 Voto Vencedor Conselheiro Rafael Vidal de Araujo Redator Designado. Em que pesem as razões de decidir da eminente relatora, peço vênia para dela divergir quanto à qualificação da multa e também quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. QUALIFICAÇÃO DA MULTA Em relação à qualificação da multa, considero importante reproduzir novamente as razões pelas pelas quais a autoridade fiscal exigiu o IRPJ e a CSLL com a multa no percentual de 150%: Em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 08.1.90.002007023641 e prorrogações (fls.03 a 06) a Fiscalização da Delegacia de Fiscalização DEFIS, apurou, no domicílio fiscal da contribuinte acima identificada, os seguintes fatos, conforme o Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 311a 372): 2 A Companhia União dos Refinadores Açúcar e Café (Cia União), antiga denominação da Arrepar Participações, vendeu "Ativos e Direitos", inclusive as marcas União, Neve, Doçula, Cristalçucar, dentre outras de seu ativo permanente, à empresa Nova América, S. A. Alimentos CNPJ 62.092.739/000128 (Nova América), atual Nova América Agronegócios, sem apuração e o recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre o ganho de capital auferido na venda. 3 O auditor fiscal detalha os valores tributados e passa a relatar a ocorrência cronológica da serie de operações que culminaram com a passagem do controle de ativos e marcas comerciais de propriedade da Cia União para a empresa Nova América, com ágio de R$ 74.832.153,21, que se traduz no ganho de capital tributado no presente procedimento fiscal. 3.1 Em 14/12/2004, a empresa Copersucar Cooperativa, (holding) faz reunião onde é autorizado o planejamento tributário a ser efetuado, sendo a Cia União a responsável pela execução geral. 3.2 Em 06/01/2005, é constituída a empresa Açúcar União S.A (AUSA) tendo como controladoras as empresas Cia União e a Adapse Participações S. A., CNPJ 07.054.698/000177, empresa criada em 2004 e controlada pela empresa Cia União e Refinaria Piedade S.A., CNPJ 33.067.034/000152. 3.3 Em 28/01/2005 a Cia União realiza reunião de diretoria, onde são transferidos para a empresa AUSA para aumento de capital social, bens e equipamentos e marcas da Cia União, da Refinaria Piedade S.A. e da Copersucar, totalizando em valor R$ 7.746.438,00. (Anexo I fls. 29 e 30). 3.4 Nessa mesma data é assinado Instrumento Particular de Compromisso de Subscrição de Ações e outras Avencas entre a Cia União e a Nova América (Anexo I, fls. 31a 80) onde e detalhada a operação a ser feita para a passagem das marcas e bens da Cia União para a empresa Nova América, através da utilização das empresas AUSA e Adapse. 3.5 Em 15/02/2005, aumento de capital na empresa Adapse, por conferência de 7.846.337 ações da AUSA, pelo valor contábil de R$ 7.846.337,00. Fl. 1892DF CARF MF Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 9101003.000 CSRFT1 Fl. 18 17 3.6 Em 15/02//2005 laudo de avaliação da AUSA feito pelo banco Itaú S.A., com fundamento na expectativa de rentabilidade futura. 3.7 Em 01/02/2005 em reunião da Cia União, são tomadas as seguintes deliberações: a) aumento do capital da Adapse em R$ 82.200.000,00, subscrito integralmente pela Nova América S.A., em moeda nacional; b) cisão parcial da Adapse com conseqüente trans de parcela de patrimônio para a empresa Nova América onde, de um lado a Adapse fica o capital integralizado pela Nova América e, de outro, a Nova América passa a controle acionário da AUSA, de valor de R$ 7.367.846,73. 3.8 Em 02/03/2005, a Nova América toma as mesmas medidas efetuadas pela Cia União. 3.9 Em 02/03/2005, a empresa Adapse resultante da cisão detém o patrimônio de R$ 82.878.490,21 e a Nova América, com o controle da AUSA, passa a ser dona das marcas e bens controlados pela AUSA. 4 O auditor fiscal faz então um apanhado geral da elisão fiscal e dos atos simulados , expondo a teoria e a opinião de juristas. 5 Em seguida discorre sobre o ilícito fiscal cometido pela fiscalizada e detalha as operações que envolveram a criação de empresas efêmeras cujo único propósito de ocultar a aquisição de marcas e bens pela empresa Nova América, que gerou ganho de capital à fiscalizada, através da sua controlada e que não foi oferecido à tributação nem pela empresa Adapse, nem pela sua controladora CIA União, atual Arrepar. 6 O auditor fiscal detalha toda a operação novamente para demonstrar a dissimulação da venda de bens e marcas para companhia Nova América, escondida por uma serie de atos praticados em seqüência pela fiscalizada com fito único de evadirse da tributação de IRPJ e CSLL incidentes sobre o ganho de capital resultante da venda de bens e marcas. 7 O auditor fiscal cita a base legal, empregada para descaracterizar os atos praticados pela contribuinte com o fito de dissimular a ocorrência do fato gerador de IRPJ e CSLL, no caso, o ganho de capital decorrente de venda de ativos. 8 Desse modo, em 14/05/2010, foram efetuados os seguintes lançamentos: [...] Também é importante reproduzir os fundamentos pelos quais o acórdão recorrido manteve a qualificadora: Da análise a respeito das alterações societárias apontadas A par de tudo o que dos autos consta, insta destacar que, tratando a matéria aqui apresentada relativa à discussão em torno da validade das alienações societárias destacadas, é importante salientar que, em que pese todo o esforço argumentativo apresentado pela recorrente, a adequada análise dos fatos apontados não subsume às conclusões pretendidas no recurso analisado. No mérito do recurso interposto, essencial se verifica a análise a respeito da validade das alterações societárias apontadas, sendo certo e inequívoco nos autos de que a participação da empresa ADAPSE PARTICIPAÇÕES teria como objetivo único e exclusivo, a atuação como efetiva empresa veículo, possibilitando, assim, a economia tributária aventada. Nesses termos, irretocáveis, entendo, são as razões trazidas pela decisão de origem, que, sobre o assunto, assim, inclusive, especificamente destaca: Fl. 1893DF CARF MF Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 9101003.000 CSRFT1 Fl. 19 18 150 Em tópicos específicos (fls. 429 a 432), a autuada sustenta que ocorreu apenas um negócio jurídico, que se trata de negócio jurídico típico e argúi a ausência de fraude à lei. 151 A abordagem é extremamente oportuna. Ressaltese, aliás, que tanto a contribuinte quanto o Fisco concordam quanto a esse aspecto: ocorreu apenas um negócio jurídico, posto que apenas uma vez as partes, dispondo da mais ampla liberdade para negociar ou deixar de fazêlo, deliberaram e ajustaram o negócio jurídico pelo qual mutuamente se transferiram direitos. 152 Ao enfatizar a ocorrência de apenas um negócio jurídico, a impugnante está reconhecendo que um ato apenas alterou a realidade fenomênica, surtiu efeitos jurídicos entre as partes e, por conseqüência, deve prevalecer também em face do Fisco. A impugnante está, de forma indireta, repudiando a idéia de que, em um mesmo negócio jurídico, uma versão possa prevalecer entre as partes, de forma a obrigálos de forma irretratável e irreversível, e uma outra versão, fantasiosa, possa prevalecer para fins fiscais. Repitase, a impugnante está diretamente afirmando que ocorreu "um único" negócio jurídico que lhe propiciou o ganho de capital, e, implicitamente, reconhecendo que somente esse negócio jurídico deve prevalecer para todos os fins, inclusive os fiscais. 153 Voltando o foco para o lançamento aqui apreciado, constatase que os membros do Grupo Copersucar, considerados em sua totalidade, até um determinado momento eram proprietários de um conjunto de marcas comerciais e bens que figuravam em seu patrimônio pelo montante de R$ 7.846.337,00. Em um momento subseqüente, aquele conjunto de bens deixou de lhes pertencer. Em compensação, tornaramse proprietários de R$ 74.832.145,73. 154 Ocorreu, portanto, um incremento em seu patrimônio no exato importe de R$ 74.832.145,73. A existência do ganho e de apenas um ganho é, portanto, um fato incontroverso. O único ponto suscetível de controvérsia reside na qualificação que, de um o Fisco, e de outro lado os impugnantes, atribuem a esse ganho. Essa qualificação é porque o Fisco entende que esse ganho é resultado de uma espécie de negócio jurídico enquanto os impugnantes afirmam que é resultado de espécie distinta. 155 Para o Fisco, tratase de simples ganho de capital na alienação do lote de ações da AUSA, sujeito a tributação. Para os impugnantes, entretanto, o ganho ocorreu no momento em que o patrimônio líquido da empresa controlada Adapse foi majorado pela subscrição e integralização de ações com ágio, de sorte que, ao avaliar seu investimento pelo método da equivalência patrimonial, auferiu o ganho que, à luz da legislação, não é tributável. 156 Existem, portanto, duas versões para o mesmo negócio. A primeira versão consiste no contrato de compromisso de fls 31 a 81. A segunda versão consiste nos instrumentos de alterações promovidas na empresa Adapse. Por conseqüência, o deslinde da questão posta nestes autos tramita, necessariamente, pelo identificação de qual dessas versões tem o condão de refletir, de forma idônea, o verdadeiro e único negócio que propiciou o auferimento de ganho de capital para o Grupo Copersucar, através da Arrepar. 157 Tendo em vista que a regra geral é a incidência tributária sobre os ganhos de capital, tese defendida pelo Fisco, o que deve ser questionado é se ocorreu ou não a hipótese excepcional que livraria o ganho da incidência tributária, tese defendida pelos impugnantes. Essa tese está fulcrada na assertiva de que ocorreu emissão de ações com ágio. Fl. 1894DF CARF MF Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 9101003.000 CSRFT1 Fl. 20 19 158 Na versão que o Grupo Copersucar atribui aos fatos, seu ganho provém de valorização do patrimônio líquido de empresa controlada. Em um momento, ele era proprietário de 100% das ações de uma empresa, Adapse, cujo único bem era o lote de ações que asseguravam o controle acionário da empresa AUSA (detentora das marcas comerciais e bens relativos a produção de açúcar em varejo), que para ela havia sido transferido recentemente. Em outras palavras, a Adapse e a AUSA eram a mesma coisa. 159 No momento seguinte, teria ocorrido o fato que lhe propiciou o ganho. Tratase da emissão, pela Adapse, de ações com ágio que foram subscritas por Nova América. 160 Como se vê, o ganho do Grupo Copersucar, através da Arrepar, teria ocorrido porque a nova sócia Nova América teria consentido em entregar a vultosa importância de R$ 82.200.000,00, em troca de uma participação de menos de 10% do capital da Adapse. Esse, portanto, é o ágio que teria sido pago pela Nova América. 161 Em números, temse que, no momento anterior, o Grupo Copersucar era proprietário de 100% (cem por cento) do patrimônio líquido da Adapse (AUSA). Como esse patrimônio líquido correspondia a R$ 7.846.337,00, esse era o valor de sua riqueza, para os fins aqui considerados. No momento seguinte, com a subscrição de ações pela Nova América, e o ingresso de novos recursos na Adapse, teriam ocorrido dois fenômenos distintos: 1) o patrimônio líquido da Adapse teria sido aumentado de R$ 7.846.337,00 para R$ 90.046.337,00; e 2) agora a participação do Grupo OESP fora reduzida, em termos percentuais, para pouco mais de 90% mas fora majorada, em sua expressão monetária, para aproximadamente 82.800,000,00. 162 O instrumento particular de compromisso (fls 31 a 81 do Anexo I) é inequívoco: as partes negociaram a transferência do controle acionário da AUSA para qual haviam sido transferidos os bens e as marcas que a Nova América tinha interesse e, na pretensão de regular a transferência do controle acionário da AUSA pelo Grupo Copersucar, acordaram celebrar um compromisso cujo objeto era a aquisição, pela Nova América, do controle acionar Ad AUSA. Esse, portanto, é o único negócio jurídico verdadeiro, resultante do concerto de vontades de Nova América e do Grupo Copersucar, através das empresas Arrepar e Adapse, e pelo qual foi pago o preço de 82.878.490,21. 163 Tendo as partes destacado literalmente que o instrumento de compromisso é o único documento que constitui o acordo integral entre elas, e que reflete fielmente todas as negociações anteriormente feitas e as suas intenções quanto às referidas negociações, e que somente o compromisso regeria o seu relacionamento, é de se entender que nenhum outro documento, nenhuma outra versão pode refletir, de forma idônea, o verdadeiro negócio jurídico pactuado. 164 Sendo assim, houve realmente a ocorrência de um negocio jurídico: a venda do controle acionário da AUSA para a empresa Nova América, pelo grupo Copersucar. 165 Quanto à alegação de que ocorreu um negócio jurídico típico, desmerece maiores comentários. Com efeito, está plenamente documentado que o negócio jurídico efetivamente realizado entre as partes, ou seja, a alienação que ensejou o pagamento do preço de mais de 82 milhões de reais, teve por objeto o lote de Fl. 1895DF CARF MF Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 9101003.000 CSRFT1 Fl. 21 20 ações que asseguram o controle acionário da AUSA. Nenhuma dúvida existe a esse respeito. 166 E já que um negocio jurídico típico, segundo a fiscalizada, deve representar a vontade das partes, qual teria sido a vontade da empresa Nova América em integralizar o capital de uma empresa (Adapse) para no mesmo dia sair dessa mesma empresa? Que outro propósito poderia ter a não ser participar de uma venda dissimulada, cuidadosamente orquestrada pelos advogados do grupo Copersucar? E que propósito seria esse: A resposta é óbvia, evadir o recolhimento de tributos devidos pela alienação com ágio de ativos. 167 Dessa forma desconsiderase a alegação de negócio típico, lembrando ainda à douta impugnante que o fato de todos os atos estarem registrados na Junta Comercial, não os elide de serem passíveis de desconsideração pelo Fisco Federal sempre que, como ocorre no presente caso, demonstrase que toda a seqüência de atos societários praticados pela contribuinte visou unicamente encobrir a venda do controle acionário da empresa AUSA para a empresa Nova América e, nesse caso não se pode falar em negócio jurídico típico que, além disso, não teve qualquer propósito negociai, pois nenhuma empresa entraria de sócia em uma empresa para no mesmo dia sair, ato que a fiscalizada tem a candura de achar perfeitamente normal e típico. Com esses fundamentos, portanto, forçosa se faz, na espécie, a verificação de invalidade do negócio empreendido, tendo em vista que, inequivocamente, a utilização da empresa ADAPSE teria sido efetivamente materializada com o único e exclusivo intento de garantir a “economia” do tributo devido, o que, há tempos, é já apontado como elemento suficiente para a invalidação dos acertos apontados, importando, assim, na caracterização de simulação e, por conseqüência, na impossibilidade de admissão dos argumentos apresentados. Diante dessas razões, entendo como devidamente apontada e comprovada a invalidade das operações realizadas, sendo, assim, inafastável o argumento sobre a invalidade das operações, devendo, destarte, ser mantida a decisão em relação aos fundamentos apontados e às conclusões atingidas. Das multas qualificada e isolada No que tange ao agravamento da multa, tomandose como base os elementos utilizados para a descaracterização das operações efetivadas com supedâneo na inafastável verificação de simulação nas operações adotadas pelas empresas apontadas, forçosa se faz a conclusão pela regularidade da aplicação da multa qualificada, nos termos ali, inclusive, especificamente apontados. Quanto ao apontamento da exigência da multa isolada, [...] A multa qualificada não foi aplicada por ter a contribuinte optado pela alternativa com menor carga tributária, por ter apenas contornado a norma de incidência, mediante prática de negócio indireto, ou algo semelhante. Não se tratou aqui de punir a simples economia de imposto. O voto que orientou o acórdão recorrido demonstra com precisão que toda a seqüência de atos societários praticados pela contribuinte visou encobrir a venda de ativos para a empresa Nova América. Conforme aponta o acórdão recorrido, nenhuma empresa ingressaria em uma sociedade para sair dela no mesmo dia. Está bem claro que o arranjo societário teve a única finalidade de dissimular a venda de ativos, ocultando os fatos geradores do IRPJ e da CSLL. Fl. 1896DF CARF MF Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 9101003.000 CSRFT1 Fl. 22 21 O fato de todos os atos estarem registrados na Junta Comercial, terem sido escriturados, etc., não justifica o afastamento da multa qualificada. Pelo contrário, eis que o registro desses atos simulados visou justamente encobrir a venda de ativos para a empresa Nova América, dissimulando o ganho de capital auferido com essa transação. Com todo o artifício societário, a contribuinte, a um só tempo, procurou impedir que a autoridade fazendária tomasse conhecimento do fato gerador, e também procurou excluir/modificar as características essenciais do fato gerador, no caso, do ganho de capital pela venda de ativos, restando plenamente caracterizada as hipóteses dos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964. Diante disso, e encampando todos os fundamentos do acórdão recorrido, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da contribuinte, mantendo a multa qualificada. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Sobre o tema, adoto as razões de decidir do Acórdão nº 910100.539, proferido em 11/03/2010 por esta 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, com a relatoria da Conselheira Viviane Vidal Wagner: De fato, como bem destacado pelo relator, o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Em razão dessa constatação, ao meu ver, outra deve ser a conclusão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. E a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago Fl. 1897DF CARF MF Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 9101003.000 CSRFT1 Fl. 23 22 integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de ofício a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue se juntamente com o crédito tributário dela decorrente. A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§1°). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta Fl. 1898DF CARF MF Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 9101003.000 CSRFT1 Fl. 24 23 e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, §1º). § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 2º). § 3º A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: “São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei n° 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, como se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. Fl. 1899DF CARF MF Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 9101003.000 CSRFT1 Fl. 25 24 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(g.n.) No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Registro ainda uma outra decisão da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, reiterando o entendimento de que é “legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário” (AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/12), conforme a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.” (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min.Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. O voto que conduziu a referida decisão consignou: “[...] Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: ‘... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento.’ ” Na esteira dessas bem lançadas razões de decidir, concluo que sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Desse modo, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da contribuinte, relativamente às duas matérias acima mencionadas. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 1900DF CARF MF Processo nº 19515.000534/201044 Acórdão n.º 9101003.000 CSRFT1 Fl. 26 25 Fl. 1901DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.001912/91-29
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2000
Ementa: ADUANEIRO — DRAWBACK SUSPENSÃO.
Não descaracterizada a comprovação do cumprimento do compromisso de exportar, perante a CACEX.
RECURSO IMPROVIDO
Numero da decisão: CSRF/03-03.077
Decisão: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado Declarou-se impedido de votar o Conselheiro Edison Pereira Rodrigues.
Nome do relator: Henrique Prado Megda
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA TURMA °cesso if 11080.001912/91-29 Recurso n° RP 301-0.506 Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida P CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE ONIRIBUINTES Interessada LUNKO METALURGICA LTDA Sessão : 10 DE ABRIL DE 2000 Acórdão if CSRF/03-03 077 ADUANEIRO — DRAWBACK SUSPENSÃO. Não descaracterizada a comprovação do cumprimento do compromisso de exportar, perante a CACEX RECURSO IMPROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado Declarou-se impedido de votar o Conselheiro Edison Pereira Rodrigues e N. PERE !Vá D r UES PRESIDENTE HENRIQ ''RADO MEGDA RELATOR Formalizado em- 'ã1 j'_, 2500 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MOACYR ELOY DE MEDEIROS, MARCIA REGINA MACHADO MELARE, PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES, JOÃO HOLANDA COSTA e NILTON LUIZ BARTOLI. - tine Processo n° 11080001912/91-9 Acórdão n° : CSRF/03-03 077 Recorrente . FAZENDA NACIONAL Interessada • LUNKO METALURGICA LIDA RELATÓRIO O presente processo teve origem no Auto de Infração (tis 01 a 20) lavrado contra a empresa em epígrafe por ter sido constatado, após o exame da documentação fiscal correspondente a diversos Atos Concessórios de "drawback" na modalidade suspensão, que não houve total cumprimento dos mesmos, por terem sido desconsideradas algumas exportações efetuadas antes da chegada dos insumos importados com suspensão de impostos e que deveriam estar "embutidas" naquelas mercadorias exportadas. Em impugnação tempestiva, legalmente representada, a autuada alegou que os compromissos de exportação assumidos foram inteiramente cumpridos, e, até mesmo, ultrapassados, tendo sido comprovados perante a CACEX, órgão competente para exercer a administração e controle do regime, que encerrou devidamente os respectivos Atos Concessórios Prossegue em sua defesa, argumentado que o fisco não detectou inadimplemento dos Atos Concessórios, por descumprimento do compromisso de exportação, mas sim, apontou discrepâncias formais de que o ingresso na empresa da matéria-prima importada teria ocorrido após, ou concomitantemente com a exportação compromissada e que, no seu entendimento, a condição essencial à obtenção do beneficio é o cumprimento da obrigação de exportar, que foi, inclusive, ultrapassada, tendo a CACEX aceitado as Guias de Exportação apresentadas como hábeis para comprovar o adimplemento do compromisso assumido, nos prazos estipulados pelos , respectivos Atos Concessórios , / i, / i ; i 2 i L /y/ Processo ri' : 11080001912/91-9 Acórdão n° : C SRF/03 -03 077 Disse, ainda, a impugnante que a autuação baseou-se no peso quando o parâmetro "correto seria o valor" (sic); que a CACEX, por delegação da CPA, considera os Atos Concessórios devidamente comprovados; que "se a CACEX houvesse desconsiderado as Guias de Exportação apresentadas, adotando o critério fiscal, estas seriam, tempestivamente, substituídas por outras" (sic); que, em lugar de o fisco pretender penalizar a autuada por inadimplemento, cabe a ela o direito de beneficio a maior de "drawback"; que a autuação não considerou as diversas importações dos insumos utilizados pela autuada na fabricação dos produtos exportados, "pagando todos os tributos incidentes" (sic), e que tais insumos foram utilizados eventualmente em substituição na fabricação dos exportados; que a fiscalização se equivoca no fato de ser "condição essencial à utilização do regime "drawback" no produto exportado do mesmo insumo importado "(sic), que "não existe na legislação específica nenhuma determinação de que se contabilize e se individualize os estoques relativos e cada Ato Concessório, sendo praxe cantábil a conta-corrente dos estoques por espécie de produto" (sic); que a jurisprudência administrativa é farta no sentido de de que a multa de mora só é devida se o débito não for pago até trinta (30) dias após a constituição efetiva do crédito tributário, ocorrendo esta "quando esgotado na esfera administrativa direito recursal" (sic); que "não cabe a imposição da multa do artigo 526, inciso IX, do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 91 030/85, já que tal dispositivo visa punir a descumprimento de requisitos de controle administrativo das Importações não compreendidas nos incisos IV a VII do referido artigo" (sie). Antes de encerrar, requerendo a insubsistência do Auto de Infração, a autuada afirmou que seguiu todos os trâmites burocráticos de controle administrativo das importações, tendo concluído o ciclo sem nenhuma infração, ressaltando que a CACEX oficiou á Secretaria da Receita Federal a conclusão do compromisso assumido devendo, assim, as dúvidas porventura persistentes, a ela serem submetidas„ 3 Processo n° 11080.001912/91-9 Acórdão n° CSRF/03-03.077 O julgador monocrático determinou improcedente a impugnação tendo o sujeito passivo ratificado, em seu recurso ao E„ TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, todos os argumentos da peça impugnatória, enfatizando que, urna vez desprezadas as Guias de Exportação utilizadas na comprovação junto à CACEX, por discrepâncias formais, existem outras Guias de Exportação, do mesmo período, que poderiam ter sido utilizadas e não o foram uma vez que o compromisso de exportação assumido já tinha sido dado como cumprido, pelo órgão competente. Após observar que os quadros anexados ao recurso demonstram, à saciedade, que, no período sob exame, houve exportações em quantidade, peso e valor bem superiores aos compromissos assumidos, a empresa mencionou a existência de inúmeras exportações, no mesmo período, não utilizadas na comprovação dos Atos Concessorios ora sob exame, bem como diversas importações de insumos com pagamento integral de todos os tributos incidentes, abdicando do direito ao beneficio fiscal, e que estes insumos foram, eventualmente, utilizados na fabricação dos produtos exportados. A Colenda Primeira Câmara do E. '1ERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, deu provimento ao Recurso, por entender que o compromisso de exportação foi comprovado perante a CACEX e que, pequenas diferenças quanto ao peso e ao valor das mercadorias não são de molde a descaracterizar o regime especial que é, antes de tudo, um incentivo à exportação, não se confundindo com favor fiscal estando, portanto, desvinculado da obrigatoriedade da interpretação literal da lei, estipulada pelo art.. 111 do Código Tributário Nacional. A d Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs, em tempo hábil, recurso especial a esta CSRF, com fundamento no art., 3° do Regimento Interno, pedindo a reforma da decisão atacada, centralizada na caracterização do "drawback" como "estimulo à exportação" e não como "favor fiscal", alegando, basicamente 4 )//1 I 4 Processo n° 11080.001912/91-9 Acórdão n° CSRF/03-03 077 "Ora, excluir crédito tributário em tese, ou melhor, determinar os critérios interpretativos de observância da lei para efeitos fiscais (letra da decisão indigitada) é uma realidade que não negamos a tal ou qual órgão da Administração Pública. O que não aceitamos, em razão da sabida tensão no binômio fisco-contribuinte, é a inexistência de atos fiscal izatórios do cumprimento ou não da prestação tributária, principal ou acessória. Neste ponto, o decisum, mais uma vez, labora no equívoco ao não enxergar, em fundamento que lhe serviu de esteio - refiro-me à Portaria n° 36 -, que é a SR_F que fiscaliza os tributos, o lançamento do crédito tributário e sua exclusão (art. 3°). Note-se que só não o faz, como acima transcrito, se presente a indevida e ilegal interferência de órgão que não se contente com o nobilíssimo cometimento de dirimir controvérsias suscitadas nas repartições aduaneiras relativas aos atos concessivos dos benefícios (art. 329 do RA, Decreto n°91.030/95). O que se quis dizer, com sobejante e repetitiva legislação, é que há um campo, com linha divisória definida em lei, no qual são exercidas as competências dos órgãos de fiscalização da SRF e as dos órgãos responsáveis pelos atos concessórios. Algo como a CPA, ou órgão qualquer que lhe suceda, estuda a concessão do "Drawback" a determinada empresa, em bases definidas. Os órgãos de fiscalização, por sua vez, no dia-a-dia da aduana, observam o seu cumprimento Por último, reiteramos que, a par da compreensão sistemática no campo da competência, a exigência de interpretação literal, no que concerne ao descumprimento da ordem de 31,50%, 21, 7% e 6,2%, no peso, quantidade de anéis e valor, respectivamente, é a única que se nos afigura possível, em face do comando normativo do C.IN, assim expresso" interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário ou outorga de isenção (art. 111, I e II)." O sujeito passivo cientificado, não apresentou contra-razões, É o relatório. Processo if . 11080.001912/91-9 Acórdão n° CSRF/03-03 077 VOTO CONSELHEIRO RELATOR HENRIQUE PRADO MEGDA Conforme consta dos autos, não obstante todos os Atos Concessórios, objetos da lide, terem sido encerrados pela CACEX, que deu por cumprido o compromisso de exportação assumido, a fiscalização, após exame documental, verificou que não se observou o total cumprimento do acordado pois ocorreram exportações em que as mercadorias exportadas saíram da empresa antes da entrada na fábrica das matérias-primas importadas com suspensão de impostos e que deveriam estar englobadas naquelas mercadorias exportadas. Por outro lado, na peça impugnatória, o autuado alegou que não houve inadimplemento, mas sim, discrepâncias formais na comprovação do cumprimento dos compromissos assumidos e que, contrariamente ao entendimento do fisco, ultrapassou o comprometido, fazendo prova com os documentos anexados e quadros demonstrativos, como segue, O quadro ri° 1 relaciona os compromissos de exportação assumidos, por Ato Concessório, iniciando-se em 19/06/86 com validade até 29/01/91, incluindo-se os aditivos, totalizando 237.300 kg, 12.815 000 peças e US$ 2.944.150,00. O quadro IV 2 demonstra as exportações efetuadas no período, utilizadas e, também, não utilizadas na comprovação dos Atos Concessórios, totalizando 351,685 kg, 19.466.950 peças e US$ 5 277.513,34. O quadro rf 3 mostra que as exportações realizadas no período suplantaram os compromissos assumidos nos Atos Concessórios em 48,20% (peso), 51,90% (quantidade de peças) e 79,25% (valor). fi 6 , , Processo tf : 11080.001912/91-9 Acórdão n° CSRF/03-03 077 Os quadros de n° 4 a 11 exibem as exportações efetuadas na vigência de cada Ato Concessório, utilizadas ou não na comprovação do referido Ato O quadro if 12 compara o compromisso de exportação assumido e o efetivamente exportado, no período de cada Ato Concessório, podendo se observar que, em todos eles, os compromissos assumidos, em peso, quantidade de peças e valor, foram suplantados pelas exportações efetivadas. Do exame destes quadros deriva a conclusão de que a autuada superou os compromissos de exportação por ela assumidos, em que pese as discrepâncias constatadas pela fiscalização, que levaram à lavratura do Auto de Infração inaugural do presente processo No entanto, tais discrepâncias, possivelmente decorrentes da fragilidade dos controles administrativos e da falta de segregação física dos estoques de matéria-prima, em processamento e de produtos acabados, para cada Ato Concessório, não são suficientes para fazer prova cabal da não aplicação dos insumos importados nas mercadorias efetivamente exportadas, tomando-se em consideração os demonstrativos trazidos aos autos pelo contribuinte, juntamente com os respectivos documentos de suporte, e a aceitação, pela CACEX, das comprovações ofertadas, o que, no mínimo, induziu o contribuinte a persistir nas imperfeições administrativas e documentais detectadas pela fiscalização„ Tivesse sido diferente o comportamento da CACEX, restaria ao contribuinte fazer os investimentos necessários para adaptar o seu parque fabril, objetivando a precisa identificação, no tempo e no espaço, das matérias-primas, produtos intermediários e produtos acabados pertencentes a cada Ato Concessório, bem como a perfeita segregação fisica de todos os estoques e dos processos produtivos, utilizando controles administrativos sofisticados, obviamente, arcando com os custos que tudo isto acarretaria, ou, simplesmente, desistir da utilização do Regime Especial para incrementar as suas exportações 7 Processo n° . 11080.001912/91-9 Acórdão n° C SRF/03-03 .077 É oportuno registra que, apesar de esposar a tese sustentada no r Acórdão ora recorrido, que caracteriza o Regime Especial de "drawback", modalidade suspensão, como estímulo ou incentivo à exportação, não devendo, destarte, ser confundido com favor fiscal, entendo, também, que esta característica não afasta a competência da Secretaria da Receita Federal para fiscalizar os tributos referentes à mercadoria importada, com a verificação, a qualquer tempo, do regular cumprimento dos requisitos e condições fixados na legislação pertinente. No presente caso, no entanto, releva anotar que a fiscalização cumpriu o seu dever e apontou as incoerências existentes nos documentos de comprovação, que não foram negados pela autuada, em sua defesa, onde alegou que tais discrepâncias, todavia, não poderiam acarretar a desqualificação das exportações por ela efetuadas que, de fato, superaram os compromissos assumidos, como fez prova nos autos, tendo a CACEX, órgão competente para exercer a administração e o controle do Regime Especial, aceito os relatórios de comprovação, na forma como foram apresentados, dando por cumpridos os compromissos assumidos e, desta forma, encerrando os referidos Atos Concessórios Do exposto e por tudo o mais que dos autos consta, entendo que, não há que se falar em falta de implemento de condição essencial à utilização do regime, não merecendo qualquer reparo o r. Acórdão recorrido e, em consequência, na esteira dos julgados mais recentes deste colegiado sobre a matéria, nego provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Sala das Sessões DF, EM 10 de abril de 2000 _ HENRIQUE PRADO MEGDA Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1
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Numero do processo: 36266.000348/2007-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 01/05/2005
MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO
Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
Numero da decisão: 9202-006.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 01/05/2005 MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
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RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, devese cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelecese como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 26 6. 00 03 48 /2 00 7- 16 Fl. 603DF CARF MF Processo nº 36266.000348/200716 Acórdão n.º 9202006.142 CSRFT2 Fl. 604 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 280300.901, prolatado pela 3a Turma Especial da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 28 de julho de 2011 (efls. 455 a 462). Ali, por unanimidade de votos, deu se parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 01/05/2005 AUTO DE INFRAÇÃO CONFISSÃO DA CONDUTA NO PAGAMENTO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR. AUSÊNCIA DE ATENDIMENTO AS EXIGÊNCIAS LEGAIS. PLANO DE SAÚDE LIMITADO A PARTE DOS FUNCIONÁRIOS. AUSÊNCIA DE EXTENSÃO A TOTALIDADE DOS TRABALHADORES. RUBRICAS QUE ASSUMEM CARÁTER SALARIAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. MULTA APLICADA NOS TERMOS DA LEI. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. NOVOS PATAMARES DE MULTA. APLICAÇÃO RETROATIVA. LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para NÃO CONHECER DO RECURSO, no que se refere ao pedido de devolução do depósito recursal, por ser matéria alheia a competência deste colegiado. Porém, CONHECENDO as demais teses suscitadas pelo contribuinte para nesta parte DARLHE PROVIMENTO PARCIAL a fim de determinar a aplicação da multa mais benéfica como acima explicitado, nos termos do artigo 32A, inciso I, da Lei 8.212/91, introduzido pela Lei 11.941/2009. Enviados os autos à Fazenda Nacional para fins de ciência da decisão, ciência esta ocorrida em 30/09/11 (efl. 463), insurgindose contra esta, sua Procuradoria apresenta, em 03/10/2011 (efl. 477), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 465 a 476). Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido em 04/02/2009, no Acórdão 20601.782, de lavra da 6a. Câmara do então 2o. Conselho de Contribuintes, e, ainda, Fl. 604DF CARF MF Processo nº 36266.000348/200716 Acórdão n.º 9202006.142 CSRFT2 Fl. 605 3 em relação ao decidido, em 06/05/2009, no Acórdão 240100.127, de lavra da 1a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste CARF , de ementas e decisões a seguir transcritas: Acórdão 20601.782 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 27/10/2006 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI Nº 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO Nº 3.048/99 OMISSÃO EM GFIP CORESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS MULTA RETROATIVIDADE A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999: “informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela empresa Incentive House é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. A fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, pelo contrário, apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Se assim não o fosse, estaríamos falando de uma empresa pessoa jurídica, com capacidade de pensar e agir. MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: por unanimidade de votos, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para adequar o valor da multa ao disciplinado pela MP n° 449/2008. Acórdão 240100.127 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 Fl. 605DF CARF MF Processo nº 36266.000348/200716 Acórdão n.º 9202006.142 CSRFT2 Fl. 606 4 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, tratase de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória decorrente de Notificação Fiscal, onde fora reconhecida a decadência do artigo 150, § 4º, do CTN, impondo seja levada a efeito a mesma decisão nestes autos em face da relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação acessória, a empresa apresentar a GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS FAVORÁVEL PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA APLICAÇÃO Na superveniência de legislação que se revele mais favorável ao contribuinte no caso da aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, aplicase o princípio da retroatividade benigna da lei aos casos não definitivamente julgados, conforme estabelece o CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Decisão: I) Por unanimidade de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas ate a competência 11/2000; II) Por maioria de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2001. Vencidas as Conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira (relatora), que votaram por declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2000; e III) Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para recalcular o valor da multa de acordo com o disciplinado 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a titulo de multa nas NFLD Fl. 606DF CARF MF Processo nº 36266.000348/200716 Acórdão n.º 9202006.142 CSRFT2 Fl. 607 5 correlatas. Designado para redigir o voto vencedor, na parte referente à decadência o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Após defender a existência de divergência interpretativa, caracterizada pela similitude de situações fáticas e soluções diametralmente opostas, em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que: a) O ordenamento jurídico pátrio rechaça a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias. Isso significa dizer, em suma, que não é legítima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária, sendo certo que o contribuinte não pode ser apenado duas vezes pelo cometimento de um mesmo ilícito. O que a proibição do bis in idem pretende evitar é a dupla penalização por um mesmo ato ilícito, e não, propriamente, a utilização de uma mesma medida de quantificação para penalidades diferentes, decorrentes do cometimento de atos ilícitos também diferentes; b) Nessa linha, constatase que antes das inovações da MP 449/2008, atualmente convertida na Lei 11.941/2009, o lançamento do principal era realizado separadamente, em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II da Lei 8.212/91, além da lavratura do auto de infração, com base no artigo 32 da Lei 8.212/91 (multa isolada). Com o advento da MP 449/2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei 8.212/91. b.1) O art. 32A citado trata de preceito normativo destinado unicamente a penalizar o contribuinte que deixa de informar em GFIP dados relacionado a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV, da Lei 8.212/91. O atual regramento não criou maiores inovações aos preceitos do antigo art. 32 da Lei 8.212/91, exceto no que tange ao percentual máximo da multa que, agora, passou a ser de 20% (vinte por cento). Assim, a infração antes penalizada por meio do art. 32, passou a ser enquadrada no art. 32A, com a multa reduzida. b.2) Contudo, a MP 449/2008 também inseriu no ordenamento jurídico o art. 35A, que corrobora a tese suscitada no acórdão paradigma e ora defendida, no sentido de que a o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96 abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata). Por certo, devese privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, temse que, a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91 ocorrerá quando houver tão somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas. Por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91; c) houve lançamento de contribuições sociais em decorrência da atividade de fiscalização que deu origem ao presente feito. Logo, de acordo com a nova sistemática, o dispositivo legal a ser aplicado seria o artigo 35A da Lei 8.212/91, com a multa prevista no lançamento de ofício (artigo 44 da Lei 9.430/96). Nessa linha de raciocínio, a NFLD e o Auto de Infração devem ser mantidos, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a Fl. 607DF CARF MF Processo nº 36266.000348/200716 Acórdão n.º 9202006.142 CSRFT2 Fl. 608 6 autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A da MP no. 449. Requer, assim, quanto à matéria, que seja conhecido e dado total provimento ao presente recurso, quanto à matéria, para reformar o acórdão recorrido, para que seja adotada a tese esposada do acórdão paradigma, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP 449/2008. O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 478/479. Cientificada a autuada em 02/07/12 (efl. 483), esta apresenta, em 10/07/12 (efl. 485), contrarrazões de efls. 485 a 498 e anexos, onde: a) Cita Acórdãos desta CSRF e de Turmas deste Conselho, que amparados na retroatividade benigna prevista no artigo 106, inciso II, alínea "c", do Código Tributário Nacional, examinaram a questão e entenderam que a penalidade lançada contra o contribuinte prevista no artigo 32, §5°, da Lei n.° 8.212/91 restou substituída pela multa do artigo 32A, da Lei 8.212/91, que deverá ser aplicada inclusive nos casos de descumprimento de obrigação acessória anteriores à vigência da Lei 11.941/2009. Assim, entende ser este (o mencionado art. 32A) o dispositivo aplicável ao caso em questão; b) Entende que o a Fazenda Nacional equivocase, ao requerer a aplicação da multa estabelecida no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, isto porque, a legislação anterior a Medida Provisória no 449/2008, convertida na Lei no. 11.941/2009, determinava a lavratura de duas peças punitivas, a primeira objetivando a constituição do crédito previdenciária (principal, multa e juros) nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 e a segunda objetivando a aplicação de uma multa por descumprimento de obrigação acessória, nos termos do artigo 32, inciso IV, §5°, do mesmo diploma legal. No caso em tela, para sabermos qual redução deverá ser aplicada com base nas alterações introduzidas pela Lei n° 11.941/2009, resultante da MP n° 449/2008, devemos observar a natureza da penalidade aplicada e o momento da lavratura das peças punitivas, devendose observar se a lavratura da peça punitiva se deu antes da edição da Medida Provisória n.° 449/08, o que, no presente caso, ocorreu em 2005. c) Conclui aqui pela clara a impossibilidade de aplicação da regra do artigo 44, aos processos já instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP, pois a norma especial (art. 32A da Lei n° 8.212/91) prevalecer sobre a geral (art. 44 da Lei n° 9.430/96); c) Acrescenta que a norma que deverá retroagir para benefício da Recorrida é a estabelecida no inciso I, do artigo 32A, da Lei n° 8.212/91, uma vez que a norma estabelecida no inciso II do mesmo dispositivo legal, trata das hipóteses em que o contribuinte deixou ou entregou a declaração após o prazo, o que não é o caso dos presentes autos. Assim, requer seja negado provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Fl. 608DF CARF MF Processo nº 36266.000348/200716 Acórdão n.º 9202006.142 CSRFT2 Fl. 609 7 Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Assim, conheço do recurso da Fazenda Nacional. Assim, passo à análise de mérito. Faço notar que embora se esteja, no presente feito, a se tratar de auto de obrigação acessória, não há que se falar em dependência do presente julgamento à análise dos processos onde se encontram formalizadas as obrigações principais vinculadas, uma vez que: a) Após a atenuação/relevação parcial da multa levada a cabo pela autoridade julgadora de 1a. instância (Acórdão de efls. 348 a 367), passa o contribuinte, em termos de obrigações principais vinculadas, a discutir exclusivamente aquelas objeto de lançamento nas NFLDs 35.839.8711, 35.839.8720 e 35.839.8738, que discutem, notese, valores pagos pela autuada a título de AuxílioAlimentação e Plano de Saúde (vide Impugnação à efl. 63 e ss. e Recurso Voluntário de efls. 376 a 395, mais especificamente as efls. 378, 382 a 388). b) Todavia, a propósito, se nota que: b.1) os feitos onde se encontram formalizados os lançamentos relacionados a valores pagos a título de auxílioalimentação (Processos 14479.000652/200717 e 14479.000653/200761 referentes, respectivamente, às NFLDs 35.839.8720 e 35.839.8711) já foram objeto de trânsito em julgado administrativo desfavorável ao contribuinte, estando os débitos atualmente com exigibilidade suspensa por força de depósito judicial do montante integral; b.2) Já quanto aos valores pagos a título de plano de saúde (NFLD 35.839.8738) é incontroverso, conforme se depreende do relato do próprio contribuinte de efl. 222, que o referido lançamento foi objeto de ação anulatória de débito, caracterizada, assim, a partir da opção judicial feita pelo contribuinte, sua desistência da via administrativa; Assim, de se considerar como mantidos incólumes, administrativamente, os lançamentos de obrigação principal que deram azo ao montante de obrigação acessória que permanece a esta altura em litígio. Destarte, passo à análise de mérito quanto à retroatividade benigna. Sob análise, a Lei no. 8.212, de 1991, cujos dispositivos de interesse aplicáveis à análise do recurso, são abaixo reproduzidos, abrangendose as redações anterior e posterior à edição da Medida Provisória no. 449, de 2008: Lei 8.212, de 1991 (Antes da edição da MP 449/08) Lei 8.212, de 1991 (Após a edição da MP 449/08) Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados Fl. 609DF CARF MF Processo nº 36266.000348/200716 Acórdão n.º 9202006.142 CSRFT2 Fl. 610 8 fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela MP nº 449, de 2008). (...) § 1o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §4o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §5o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §6o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §7o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §8o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicando se, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº Fl. 610DF CARF MF Processo nº 36266.000348/200716 Acórdão n.º 9202006.142 CSRFT2 Fl. 611 9 mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 7º A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do auto de infração. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição previdenciária, sob pena da multa prevista no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV é condição impeditiva para expedição da prova de inexistência de débito para com o Instituto Nacional do 449, de 2008). Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008.: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). (...) Fl. 611DF CARF MF Processo nº 36266.000348/200716 Acórdão n.º 9202006.142 CSRFT2 Fl. 612 10 Seguro SocialINSS. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). III – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 4o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído Fl. 612DF CARF MF Processo nº 36266.000348/200716 Acórdão n.º 9202006.142 CSRFT2 Fl. 613 11 Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 613DF CARF MF Processo nº 36266.000348/200716 Acórdão n.º 9202006.142 CSRFT2 Fl. 614 12 a que se refere o § 1º deste artigo. § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese permanecer em litígio, no caso sob análise, somente o recálculo mais benéfico de multa perpretado pela autoridade julgadora recorrida, que optou por aplicar a multa de mora nos termos do artigo 32A da Lei 8.212, de 1991. Com a devida vênia ao entendimento esposado no recorrido, entendo, a propósito, que, em verdade, o art. 35, da Lei no. 8.212, de 1991, regrava, anteriormente à sua alteração promovida pela MP no. 449, de 2008, duas multas de natureza diferenciada, a saber: a) em seu inciso I, o dispositivo regulamentava a aplicação de multa de natureza moratória, decorrente do recolhimento espontâneo efetuado pelo contribuinte a destempo, sem qualquer procedimento de ofício da autoridade tributária e mantida aqui a espontaneidade do contribuinte; b) em seu inciso II, o referido art. 35 estabelecia a aplicação de multa para o caso de lavratura de Notificação de Lançamento pela autoridade fiscalizadora, neste caso se tratando, aqui, de multa de ofício. Ainda, de se notar a possibilidade de aplicação, já anteriormente à edição da MP no. 449, de outras espécies de multa (também de ofício), quando da constatação, também em sede de ação fiscal, de descumprimento das obrigações acessórias, na forma preconizada pelos §§4o. e 5o. do art. 32 da Lei no. 8.212, de 1991, convertendose, nesta hipótese, a obrigação acessória em principal. Cediço em meu entendimento que, o que se passou a ter agora, a partir do advento da MP no. 449, de 2008, foi a existência de um dispositivo único a regrar a aplicação das multas aplicáveis em sede de ação fiscal, abrangendo a constatação, através de procedimento de ofício, tanto de falta de pagamento como a de falta de declaração (ou de declaração a menor) em GFIP de fatos geradores ocorridos/contribuições devidas, a saber, o art. 35A daquela mesma Lei no. 8.212, de 1991, acrescentado pela referida MP. Este também é o entendimento majoritário esposado por esta Câmara Superior, conforme excertos dos seguintes votos constantes dos Acórdãos CSRF 9.202 003.070 e 9.202003.386, os quais se adotam, aqui, como razões de decidir. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira “ (...) Fl. 614DF CARF MF Processo nº 36266.000348/200716 Acórdão n.º 9202006.142 CSRFT2 Fl. 615 13 Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as Fl. 615DF CARF MF Processo nº 36266.000348/200716 Acórdão n.º 9202006.142 CSRFT2 Fl. 616 14 prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original)), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Acórdão 9.202003.386 – Voto do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos "(...) Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora e b) as multas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de Fl. 616DF CARF MF Processo nº 36266.000348/200716 Acórdão n.º 9202006.142 CSRFT2 Fl. 617 15 infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da antiga “multa de mora” estabelecida pela anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, com a do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, agora referida pela nova redação dada ao mesmo art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 11.941, de 2009 e que, notese, pressupõe a espontaneidade, inaplicável à situação fática em tela. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 (repetindose, indevidamente denominada como “multa de mora”, nos casos de lançamento por força de ação fiscal), quando somada à multa aplicada no âmbito dos AIs conexos, lavrados de ofício por descumprimento de obrigação acessória (na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício,consoante disposto no art. 35 A, da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, aplicandose o entendimento aqui adotado agora ao caso sob análise, entendo que se deva manter a cobrança das penalidades lançadas no presente auto de obrigação acessória, bem como aquelas aplicadas no âmbito dos autos de obrigação principais vinculados, limitado o somatório de ambas ao patamar estabelecido pelo art. 44 da Lei no. 9.430, de 1996 (75%), na forma propugnada pela Fazenda Nacional. O percentual de 75% (quando da inexistência de agravamento ou qualificação de multa) é o limite atual para sanções pecuniárias, decorrente de lançamento de ofício, quando de falta de declaração ou de declaração inexata, conforme previsto no art. 44, I da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, aplicável aqui a retroatividade da norma, caso benéfica, em plena consonância, inclusive, com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, de forma a que se aplique a retroatividade benéfica em Fl. 617DF CARF MF Processo nº 36266.000348/200716 Acórdão n.º 9202006.142 CSRFT2 Fl. 618 16 consonância com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 618DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.900707/2008-44
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. ADMISSIBILIDADE. Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente comprovado do saldo negativo de IRPJ decorrente do ajuste anual. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente.
Numero da decisão: 1801-000.901
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para se pronunciar sobre o valor do direito creditório pleiteado e a respeito dos pedidos de compensação dos débitos, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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SALDO NEGATIVO. ADMISSIBILIDADE. Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente comprovado do saldo negativo de IRPJ decorrente do ajuste anual. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para se pronunciar sobre o valor do direito creditório pleiteado e a respeito dos pedidos de compensação dos débitos, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Fl. 90DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900707/200844 Acórdão n.º 180100.901 S1TE01 Fl. 89 2 Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em 05.01.2004, fls. 0813, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior no valor total de R$63.434,64 de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), determinado sobre a base de cálculo estimada, código nº 2362, efetuado em 30.09.2002. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 56, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação. Cientificada em 05.05.2008, fl. 56, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 04.06.2008, fls. 0104, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Suscita que apurou a IRPJ a pagar no valor de R$234.275,32 no final do ano calendário 2002. Argúi que houve erro no preenchimento da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) por não ter informado na Ficha 12A a título de IRPJ mensal paga por estimativa o valor de R$561.814,56 para fins de cálculo do saldo negativo no valor de R$327.539,24, a despeito do fato de ter confessado os referidos débitos em Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) indicando que foram integralmente extintos mediante pagamentos com DARF. Esclarece que nos presentes autos, para fins de compensação tributária, tem direito ao reconhecimento do crédito indicado na Per/DComp, que está contido no saldo negativo de IRPJ a que tem direito. Solicita a produção de todos os meios de prova em direito admitidas. Por conseguinte, requer que seu direito creditório seja reconhecido e a compensação homologada, porque se originam de valores regularmente escriturados, recolhidos e declarados. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BSA/DF nº 0341.438, de 28.01.2011, fls. 5864:“Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado Assunto: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2002 ESTIMATIVA. SALDO DE IMPOSTO A PAGAR OU A COMPENSAR. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900707/200844 Acórdão n.º 180100.901 S1TE01 Fl. 90 3 A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. CIÊNCIA DA DECISÃO ADMINISTRATIVA. ESTABILIDADE DA LIDE. ALTERAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Uma vez apreciado o pedido de compensação pela autoridade administrativa, não há previsão para alteração no direito creditório, o que torna inadmissível a retificação da DCOMP. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Uma vez que o crédito apontado não é passível de restituição, não há que se falar em sua utilização para compensação de débitos, devendo, por conseguinte, não ser homologada a compensação. Notificada em 19.04.2011, fl. 65verso, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 17.05.2011, fls. 6772, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta que apresentou a Declaração Integrada de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) retificadora indicando o saldo negativo correto. Reitera que o erro escusável nos dados declarados não tem o condão de extinguir seu direito, de modo que a realização de diligência é imprescindível. Assim novamente requer que seu direito creditório seja reconhecido e a compensação homologada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente suscita que a Per/DComp deve ser deferida. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900707/200844 Acórdão n.º 180100.901 S1TE01 Fl. 91 4 O regime de tributação com base no lucro real anual, prevê que a pessoa jurídica que efetuar pagamento de tributo a título de estimativa mensal pode utilizálo ao final do período de apuração na dedução do devido ou para compor o saldo negativo, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza. A partir de 30.11.2009, foi expressamente afastada a vedação de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL, para fins de compensação com débitos tributários, cuja matéria é tratada em sede de norma complementar. Sobre a retroatividade de seus efeitos, vale ressaltar que a legislação tributária abrange as normas complementares que incluem os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas superiores, necessários à perfeita execução das leis. Como têm caráter meramente elucidativo e explicitador, apresentam nítida feição interpretativa, podendo operar efeitos retroativos para atingir fatos anteriores ao seu advento. Assim, em relação à compensação tributária, temse que o permissivo regulamentar de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL alcança o Per/DComp formalizado antes da sua vigência.1 Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido 2. A presente 1ª Turma Especial da 1º Seção do CARF examinando esta mesma questão de direito, pacificou o entendimento, de acordo com o Acórdão nº 180100.597 proferido pela Conselheira Relatora Maria de Lourdes Ramirez na sessão de julgamento de 28.06.2011 no processo nº 19647.010657/200610, no seguinte sentido: A questão que se coloca para análise nestes autos se refere à possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais no curso do ano calendário e, havendo tal possibilidade, se isto geraria um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional, Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009, Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. 2 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal, art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 26A e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900707/200844 Acórdão n.º 180100.901 S1TE01 Fl. 92 5 Nesse sentido registro que a questão é tormentosa e não se encontra pacificada neste Órgão Colegiado. Muito longe disso, há divergências inúmeras acerca da questão. Há aqueles que comungam do entendimento esposado pelas autoridades administrativas da DRF e DRJ, consignado nas decisões proferidas nestes autos, no sentido de que para as pessoas jurídicas tributadas com base nas regras do lucro real, o crédito ou o débito decorrente do confronto do pagamento das estimativas, de que trata o artigo 2° da Lei n° 9.430, de 1996, com o valor devido a título de IRPJ e CSLL, só seria apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. Antes do encerramento do anocalendário não haveria, pois, que se falar em tributo a restituir, já que até o último momento poderiam ocorrer eventos que viriam a alterar o quantum devido a título de IRPJ e CSLL. Assim, partindo da premissa de que o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real somente se concretizaria no final de cada anocalendário, seria a partir deste evento que se encontraria o saldo do imposto a pagar ou a recuperar, nos termos do artigo 6º, § 1°, I e II, da Lei nº. 9.430, de 1996: Art. 6° .... § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Por conta dessa interpretação não haveria que se falar em fluência de juros a partir do recolhimento indevido da estimativa, mas, somente a partir do mês subseqüente do ano calendário seguinte, dado que a geração do indébito somente ocorreria em 31/12 de cada ano, com o surgimento do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL. A interpretação é válida e encontra robustos fundamentos. Ao afastar entendimentos contrários no sentido de que o artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, que regula a compensação, ao se referir as vedações, não dispôs expressamente acerca de qualquer restrição à compensação de estimativas pagas a maior ou indevidamente, essa corrente teoriza o entendimento de que não haveria necessidade de se inserir dispositivo específico nessa sentido, pois se estaria a registrar o óbvio já previsto na própria legislação que regulamenta a apuração e o pagamento de estimativas mensais. Nesse contexto, em relação às críticas quanto às restrições contidas em atos normativos infralegais, como por exemplo, o discutido artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005 (também previsto na IN SRF n° 460, de 2004), destacam que tais normas administrativas não se prestariam a criar, modificar ou extinguir Fl. 94DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900707/200844 Acórdão n.º 180100.901 S1TE01 Fl. 93 6 direitos, mas sim disciplinar ou regulamentar o exercício de prerrogativas previstas em Lei, esta em sentido formal. Seria possível, assim, fazer referência a um ato administrativo subseqüente em relação à situação pretérita, desde que a situação fosse prevista em lei. Esta relatora por muito tempo comungou desse entendimento. Entretanto, surgem interpretações em outros sentidos, também apoiadas em fortes e sólidos argumentos. Depois de refletir sobre o assunto e sobre os posicionamentos doutrinários estudados, passo a fazer minhas considerações. Nesse sentido peço permissão para reproduzir as palavras da Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, proferidas em recentes julgados nesta 1a. Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que há muito tempo vem estudando o tema com profundidade. Cumpre ressaltar, assim, que é certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (art. 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5o incluído no art. 74 da Lei nº. 9.430/96, pela Medida Provisória nº. 66/2002, atualmente transportado para o § 14 desde a edição da Lei nº. 11.051/2004: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº. 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais. Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, temse a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que se verifica ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não há como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF nº. 460/2004 como procedimental. Não se vislumbra espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900707/200844 Acórdão n.º 180100.901 S1TE01 Fl. 94 7 Poderia se cogitar de tal possibilidade em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição. Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900707/200844 Acórdão n.º 180100.901 S1TE01 Fl. 95 8 O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei Nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2009, como se verifica a seguir: Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900707/200844 Acórdão n.º 180100.901 S1TE01 Fl. 96 9 III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. [...] É verdade que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº. 9.430/96, observase que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB nº. 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. De outro giro é possível interpretar, também, que a Lei nº. 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900707/200844 Acórdão n.º 180100.901 S1TE01 Fl. 97 10 dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacou se) Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual da CSLL/IRPJ – já que o recolhimento efetuado a maior não observou o regramento acima, posto que feito a maior que o devido e o crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluise que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900707/200844 Acórdão n.º 180100.901 S1TE01 Fl. 98 11 data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº. 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº. 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº. 51, de 31 de outubro de 1995, especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do Fl. 100DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900707/200844 Acórdão n.º 180100.901 S1TE01 Fl. 99 12 período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: [...] § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. § 2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. § 3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". § 4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900707/200844 Acórdão n.º 180100.901 S1TE01 Fl. 100 13 § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano calendário. [...] Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Destaquese, ainda, que não há indébitos quando, após efetuar recolhimentos estimados com base na receita bruta, o contribuinte passa a suspendêlos ou reduzilos por meio dos balancetes, demonstrando que o valor do imposto/contribuição já pago, ou o somatório dele com a estimativa do mês, supera o devido com base no lucro real (balancetes suspensão/redução). As únicas alternativas no curso do ano calendário são: pagar com base na receita bruta, reduzir esse valor com base no balancete ou suspender o pagamento com base também em balancete. Ou seja, se o valor pago no decorrer do período superar o devido com base em balancete de suspensão/redução, o máximo efeito que o contribuinte pode extrair dos referidos balancetes é deixar de pagar o tributo, até que ele se torne novamente devido, seja pela mera apuração da estimativa com base na receita bruta, seja com base no lucro acumulado em balancetes de redução. Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Neste sentido, aliás, já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Divisão de Tributação da 9a Região Fiscal, ao publicar a Solução de Consulta no 285/2009, em resposta ao questionamento formulado nos autos do processo administrativo no 10909.000244/200969: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 102DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900707/200844 Acórdão n.º 180100.901 S1TE01 Fl. 101 14 SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com devido a contribuição devida a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Aproveito, ainda, o desfecho do retro mencionado Acórdão, adotandoo neste voto, mutatis mutandis, em virtude de ser outro o valor da estimativa ora discutido nos autos: Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito [...] e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação da CSLL devida no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade Fl. 103DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900707/200844 Acórdão n.º 180100.901 S1TE01 Fl. 102 15 administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Tem cabimento, portanto, o exame da situação fática. A Recorrente apresentou a DIPJ original em que nenhuma dedução foi informada a título de IRPJ mensal paga por estimativa, a despeito do fato de, como alega, ter confessado os referidos débitos indicando que foram integralmente extintos mediante pagamentos com DARF, em conformidade com os valores constantes na Tabela 1. Tabela 1 Cálculo na IRPJ informado na DIPJ original do anocalendário de 2002 Descrição R$ Ficha 11 – Cálculo da IRPJ por Estimativa Janeiro 23.872,46 Fevereiro 34.613,13 Março 35.989,97 Abril 35.989,97 Maio 52.219,33 Junho 58.570,75 Julho 57.221,12 Agosto 63.434,64 Setembro 64.707,74 Outubro 68.125,55 Novembro 67.069,90 Dezembro 0,00 Total 561.814,56 Ficha 12A – Cálculo da IRPJ Cálculo da IRPJ 234.275,32 IRPJ Mensal Paga por Estimativa 0,00 IRPJ a Pagar 234.275,32 Tendo em vista a verificação do erro no preenchimento, a Recorrente diz apresentar a DIPJ retificadora apurando saldo negativo de IRPJ, que considera correto. Em relação à matéria, vale esclarecer que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos de restituição, em função da data de sua entrega3. Deste modo, os dados constantes no documento retificador (DIPJ) devem ser considerados para análise da Per/DComp. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ. Superada esta questão, necessário 3 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.900707/200844 Acórdão n.º 180100.901 S1TE01 Fl. 103 16 se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, nos termos do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento da Per/DComp, cujo pretenso direito creditório se refere ao pagamento de estimativa em valor indevido, impõe, pois, o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Também devem ser examinados conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso4. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2002, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em Per/DComp, inclusive no que diz respeito à juntada por anexação dos processos administrativos, cujas declarações tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentado sem datas distintas, se for o caso. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 4 Fundamentação legal: art. 9º do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11080.002041/91-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Sat Jan 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 01/01/1989, 15/10/1990
FRASCOS PLÁSTICOS PARA A EMBALAGEM DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS.
Os frascos plásticos, mesmo os destinados ao acondicionamento de produtos farmacêuticos, classificam-se no código 3923.30.00 da TIPI/88, por força do disposto nas RGI-SH nºs 1 e 6, combinadas com a RGC nº 1, pois a destinação desse tipo de embalagem é irrelevante para a definição de seu código tarifário.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9303-005.505
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 01/01/1989, 15/10/1990 FRASCOS PLÁSTICOS PARA A EMBALAGEM DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS. Os frascos plásticos, mesmo os destinados ao acondicionamento de produtos farmacêuticos, classificamse no código 3923.30.00 da TIPI/88, por força do disposto nas RGISH nºs 1 e 6, combinadas com a RGC nº 1, pois a destinação desse tipo de embalagem é irrelevante para a definição de seu código tarifário. Recurso Especial do Procurador Provido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 20 41 /9 1- 51 Fl. 796DF CARF MF Processo nº 11080.002041/9151 Acórdão n.º 9303005.505 CSRFT3 Fl. 797 2 Relatório Cuidase de Recurso Especial (fls. 777 a 7841) interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 30238.658, de 22 de maio de 2007 (fls. 756 a 772), com fulcro no inc. I do art. 7º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007 RICSRF. O acórdão recorrido está assim ementado: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 01/01/1989, 15/10/1990 Ementa: DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. INDEFERIMENTO DE DILIGÊNCIA. MOTIVAÇÃO. Tendo a decisão recorrida apontado os motivos do indeferimento da diligência requerida, não há como acatar o argumento de cerceamento do direito de defesa da recorrente. Também não se afigura plausível o argumento de inexistência de motivação ou fundamentação legal no acórdão recorrido, uma vez que tanto o relatório reclamado como os fundamentos de fato e de direito estão plasmados no corpo do decisum. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS — FRASCOS PLÁSTICOS PARA A EMBALAGEM DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS. Os frascos plásticos destinados à embalagem de produtos farmacêuticos se classificam no código 3923.90.99.02 da TIPI/88, por força do disposto na Regra 3"a" das Regras Gerais Para Interpretação do Sistema Harmonizado. Incabível a aplicação da penalidade capitulada no art. 364, inciso II, do RIPI aprovado pelo Decreto n° 87.981/82, sobre os frascos plásticos com a destinação de que se trata. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Consta do texto da decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar arguida pela recorrente, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da relatora designada. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, relator que negava provimento e por maioria de votos, negar provimento quanto à multa. Vencido o conselheiro Paulo Affonseca de Barros Faria Júnior. Designada para redigir o acórdão a Conselheira Elizabeth Emílio de Moraes Chieregatto. 1 A numeração das folhas reportase à atribuída nos autos digitais. Fl. 797DF CARF MF Processo nº 11080.002041/9151 Acórdão n.º 9303005.505 CSRFT3 Fl. 798 3 Em síntese, a decisão extirpou do lançamento de ofício de IPI os valores relativos à classificação fiscal das embalagens de plástico destinadas ao acondicionamento de produtos farmacêuticos, tendo como correta a classificação fiscal realizada pelo contribuinte sob o código 3923.90.99.02 da TIPI/88, ao entendimento de que a mesma estava em consonância com a Regra 3"a" das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado – RGISH. A Fazenda Nacional acusou a violação do violação ao art. 1° do Decreto nº 97.409, de 23 de dezembro de 1988, que promulgou a Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias. No mérito, defende que a classificação correta do produto em questão, de acordo com as RGIs 1ª e 6ª (textos da posição 3923 e da subposição 3923.30), da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, aprovada pelo Decreto nº 97.410, de 23 de dezembro de 1988 – TIPI/88, dáse na subposição 3923.30. Por meio do Despacho nº 30200.209, de 11/09/2008, fls. 785 a 787, a Presidente da extinta 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes admitiu o apelo. O interessado foi intimado do Acórdão nº 30238.658, do Recurso Especial fazendário e do despacho que o admitiu, sem nada opor (cfe. despacho de fl. 795). É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Admissibilidade A Fazenda Nacional foi intimada da decisão recorrida em 16/04/2008 (cfe. Termo de Intimação pessoal do Procurador, fl. 774). Assim, o recurso formulado na mesma data (cfe. RM nº 10657, fl. 776) é tempestivo. Ademais, a PFN afirma que o acórdão recorrido malferiu o Sistema Harmonizado, introduzido no ordenamento jurídico pelo Decreto nº 97.409, de 1988, em decisão não unânime. Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 777 a 784 merece ser conhecida como recurso especial contra o Acórdão nº 30238.658, de 22 de maio de 2007. Mérito Conforme relatado, a questão de fundo cingese em verificar qual a classificação fiscal dos frascos de plástico destinadas ao acondicionamento de produtos farmacêuticos de acordo com as RGISH. Não há controvérsia quanto à posição: o capítulo (1º e 2º dígitos) é o 39 (Plástico e suas obras) e a posição (3º e 4º dígitos), 3923. A divergência está na subposição (5º dígito, que define a subposição de 1º nível, e 6º, ou subposição de 2º nível): 3923.30 ou 3923.90. A decisão recorrida invocou a RGISH 3“a”, para classificar o produto na subposição 3923.90, conforme indicado pelo autuado, em especial consideração do fato de Fl. 798DF CARF MF Processo nº 11080.002041/9151 Acórdão n.º 9303005.505 CSRFT3 Fl. 799 4 existir um Ex que faz referência a embalagens de produtos farmacêuticos. A Fazenda Nacional, a seu turno, pugna pela adoção da subposição 3923.30, adotada pela Fiscalização, na esteira das soluções de consulta que refere (e.g. Decisão SRRF /8ª RF/DIANA nº 45, de 31 de maio de 1999). A controvérsia, além de antiga (como atesta o ano de protocolo do presente processo), é corriqueira, e o seu deslinde passa necessariamente pela análise do disposto nas subposições de mesmo nível da TIPI, tendo em vista o disposto na RGI/SH nº 6, a seguir transcrita: 6 A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Suposição respectivas, assim como, "mutatis mutandis", pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. Atentese também para as Regras Gerais Complementares da TIPI RGC/TIPI: RGC/TIPI RGC/TIPI1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar, no âmbito de cada código, quando for o caso, o "Ex" aplicável, entendendose que apenas são comparáveis "Ex" de um mesmo código. Regra 1 das RGC RGC1 As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, mutatis mutandis, para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. Ressalto ainda que, para fins de determinação da classificação fiscal de um produto na TIPI, a comparação deve ser feita na seguinte ordem: em primeiro lugar entre os textos das posições de um mesmo capítulo, em seguida, entre os textos das subposições de mesmo nível da mesma posição, depois entre os textos dos itens da mesma subposição e, por último, entre os textos dos subitens do mesmo item. À época da autuação, a Posição 3923 apresentava os seguintes desdobramentos em subposições, itens e subitens, com as respectivas incidências: CÓDIGO NBM DESCRIÇÃO ALÍQUOTA (%) 3923 ARTIGOS DE TRANSPORTE OU DE EMBALAGEM, DE PLÁSTICOS; ROLHAS, TAMPAS, CÁPSULAS E OUTROS DISPOSITIVOS PARA FECHAR RECIPIENTES, DE PLÁSTICOS 3923.10.0000 ‐Caixas, caixotes, engradados e artigos semelhantes 12 Fl. 799DF CARF MF Processo nº 11080.002041/9151 Acórdão n.º 9303005.505 CSRFT3 Fl. 800 5 3923.2 ‐Sacos de quaisquer dimensões, bolsas e cartuchos 3923.21 ‐‐De polímeros de etileno 3923.21.0100 ‐‐‐‐Sacos, exceto postais 8 3923.21.0200 ‐‐‐Sacos e Malotes postais 16 3923.21.0300 ‐‐‐Container flexível, tipo saco, com alças para entrada dos garfos das máquinas de elevação ou empilhamento 8 3923.21.9900 ‐‐‐ Outros 16 3923.29 ‐‐De outros plásticos 3923.29.0100 ‐‐‐‐Sacos, exceto postais 8 3923.29.0200 ‐‐‐Sacos e Malotes postais 16 3923.29.0300 ‐‐‐Container flexível, tipo saco, com alças para entrada dos garfos das máquinas de elevação ou empilhamento 8 3923.29.9900 Outros 8 3923.30.0000 ‐Garrafões, garrafas, frascos e artigos semelhantes 10 3923.40 ‐Bobinas, carretéis e suportes semelhantes 3923.40.0100 ‐‐‐‐Para a indústria têxtil 0 3923.40.0200 ‐‐‐‐Para filmes ou películas fotográficas ou cinematográficas e para fitas de registro de som 16 3923.40.9900 ‐‐‐‐ Outros 8 3923.50.0000 ‐Rolhas, tampas, cápsulas e outros dispositivos para fechar recipientes 8 3923.90 ‐Outros 3923.90.0100 ‐‐‐Vasilhame para transporte de leite, de capacidade de até 300 litros ISENTO 3923.90.0200 ‐‐‐Canudos ou minitubos para acondicionamento de sêmen animal em doses e de aplicação direta em inseminação artificial 16 3923.90.99 ‐‐‐Outros 3923.90.9901 ‐‐‐‐‐Embalagens para produtos alimentícios 0 3923.90.9902 ‐‐‐‐‐Embalagens para produtos farmacêuticos 0 3923.90.9903 ‐‐‐‐Embalagens para produtos de perfumaria, toucador e cosméticos 8 3923.90.9999 ‐‐‐‐Qualquer outro 8 De pronto, pela combinação da RGISH 6 e da Regra 1 das RGC verificase que o texto da subposição 3923.30 contempla os frascos de plásticos de quaisquer dimensões, sem que se faça qualquer referência à sua utilização. Dito de outra forma, a utilização dada ao frasco é irrelevante para a classificação do produto nessa subposição. Por outro lado, a classificação do produto na subposição 3923 90, sob a descrição de "outros", é inadmissível, posto que essa descrição somente alcança os produtos não nomeados nas outras subposições da posição 3923 (e.g., copos, potes, baldes, bisnagas etc.), o que não é o caso dos frascos plásticos, expressamente referidos na subposição 3923.30. Portanto, andou mal a decisão recorrida no exercício de classificação que procedeu, ao classificar o produto em comento na subposição 3923.90.00, adotando como critério exclusivo a destinação da embalagem, em total desconsideração das regras de classificação acima explicitadas. Em se tratando de classificação fiscal, estabelecer comparação do texto do Ex da subposição 99 outros com o texto do item e subitem 0000 dentro da posição 3923.30 garrafões, garrafas, frascos e artigos semelhantes, é uma heresia. Devese primeiro definir a subposição, e somente depois são considerados os Ex (na posição previamente definida). Assim, mesmo que o produto em questão destinese ao acondicionamento de produtos farmacêuticos, por serem frascos (espécie do gênero embalagem), são classificadas necessariamente na subposição 3923.30 em face da maior especificidade. Fl. 800DF CARF MF Processo nº 11080.002041/9151 Acórdão n.º 9303005.505 CSRFT3 Fl. 801 6 Como se não bastasse, a RGISH nº 3, alínea "a", aplicada pela decisão recorrida, somente deve ser empregada quando pareça que o produto pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, do que, absolutamente, não se cogita, haja vista a demonstração cabal de que aplicação combinada das RGISH n° 1, nº 6 e RGC nº 1 é suficiente para a perfeita identificação do seu código tarifário. Conclusão Com essas considerações, dou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para restabelecer a exigência dos valores do lançamento (principal e consectários legais) excluídos pela decisão recorrida. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 801DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.001681/2003-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/1997
TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. TERMO INICIAL
1- Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorre o pagamento antecipado da exação e inexiste declaração prévia do débito. Entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previstos no artigo 543-C do CPC e da Resolução STJ nº 08/2008. Interpretação que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015.
2- Se não houve nenhum pagamento e nem declaração/confissão de parte do tributo em questão, a regra de decadência a ser aplicada é a prevista no art. 173, I, do CTN. Afastada a decadência, os autos devem retornar à Turma Ordinária para apreciação das matérias cujo exame ficou prejudicado na fase anterior, em razão do que lá foi decidido.
Numero da decisão: 9101-003.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo (relator), Cristiane Silva Costa e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento com retorno dos autos ao colegiado de origem, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, a conselheira Adriana Gomes Rego.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente em exercício e Redatora designada
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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PRAZO DECADENCIAL. TERMO INICIAL 1 Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorre o pagamento antecipado da exação e inexiste declaração prévia do débito. Entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previstos no artigo 543C do CPC e da Resolução STJ nº 08/2008. Interpretação que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. 2 Se não houve nenhum pagamento e nem declaração/confissão de parte do tributo em questão, a regra de decadência a ser aplicada é a prevista no art. 173, I, do CTN. Afastada a decadência, os autos devem retornar à Turma Ordinária para apreciação das matérias cujo exame ficou prejudicado na fase anterior, em razão do que lá foi decidido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo (relator), Cristiane Silva Costa e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que não conheceram do recurso. No mérito, por AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 16 81 /2 00 3- 11 Fl. 567DF CARF MF Processo nº 19515.001681/200311 Acórdão n.º 9101003.233 CSRFT1 Fl. 568 2 maioria de votos, acordam em darlhe provimento com retorno dos autos ao colegiado de origem, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, a conselheira Adriana Gomes Rego. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente em exercício e Redatora designada (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial relativamente à contagem de prazo decadencial para constituição de crédito tributário. A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 110100.221, de 06/11/2009, por meio do qual a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, acolheu a arguição de decadência e cancelou a exigência fiscal contida nestes autos. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: DECADÊNCIA IRPJ Tratandose de tributo em que é de iniciativa do contribuinte a sua apuração e recolhimento, o respectivo lançamento é por homologação, conforme o artigo 150, parágrafo quarto, do CTN, quando o contribuinte realiza a atividade de apuração e não apura imposto a pagar em sua DIPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1” Câmara / 1° Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, ACOLHER a decadência, suscitada pelo relator, e cancelar integralmente o lançamento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente à matéria acima mencionada. Fl. 568DF CARF MF Processo nº 19515.001681/200311 Acórdão n.º 9101003.233 CSRFT1 Fl. 569 3 Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS a e. Câmara a quo declarou, por unanimidade de votos, a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário de IRPJ referente ao anocalendário de 1997, com notificação em 30/04/2003, por aplicação do art. 150, §4°, do CTN, considerando indiferente a ausência de recolhimento antecipado do tributo; ora, compulsando os autos, verificase que inexistiu pagamento antecipado. Conforme Termo de Verificação fiscal, fls. 95/98, apurouse omissão de rendimentos, vez que o contribuinte compensou, indevidamente, o prejuízo de seu lucro liquido além do percentual de 30%; conforme demonstraremos a seguir, o acórdão supra merece reforma, para que se coadune com os entendimentos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e do Superior Tribunal de Justiça, eis que, diante da ausência de recolhimento do tributo, aplicase o art. 173, inc. I, do CTN; DO CABIMENTO DO RECURSO a respeito do prazo para o lançamento do tributo em comento, o entendimento jurisprudencial que fundamenta o presente recurso diverge do adotado pela e. Câmara a quo, e está representado em acórdão da e. CSRF cuja ementa está abaixo transcrita: Acórdão CSRF/0103.103: ”IRPJ LANÇAMENTO EX OFFICIO PRAZO DECADENCIAL Tratandose de lançamento de ofício, o prazo decadencial é contado pela regra do artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional”. consoante essa linha de interpretação, o lançamento de ofício de tributo que deveria ter sido recolhido mediante o sistema de "lançamento por homologação”, observa o prazo decadencial disposto no art. 173, I, do CTN, e não o prazo do art. 150, §4º. Válido transcrever trecho do voto condutor do acórdão CSRF/0103.103, proferido pelo r. conselheiro Cândido Rodrigues Neuber: [...]; o acórdão ora recorrido afastou a exigência, sustentando que por força do prazo disciplinado no art. 150, §4°, do CTN, o lançamento referente anocalendário de 1997 estaria alcançado pela decadência, tendo em vista que a notificação se deu em 30/04/2003; diversamente, a Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais entende que não havendo recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do respectivo crédito tributário regerse á pelo contido no art. 173, I, do CTN; no caso em tela, como o contribuinte não efetuou nenhum pagamento de tributo, ocorreu o lançamento de ofício. Portanto, para fins de contagem de prazo decadencial, não deve ser aplicado o art. 150, §4°, e sim o art 173, I, do CTN; Fl. 569DF CARF MF Processo nº 19515.001681/200311 Acórdão n.º 9101003.233 CSRFT1 Fl. 570 4 DOS FUNDAMENTOS PARA A REFORMA DO ACÓRDÃO DO PRAZO DECADENCIAL PARA OS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO FALTA DE RECOLHIMENTO reza o art. 150, §4º, do CTN: [...]; com base nesse dispositivo, poderseia chegar, de modo precipitado, à conclusão de que a decadência teria alcançado do fato gerador referente ao anocalendário de 1997 (31/12/1997), pois decorridos 05 anos do fato gerador, nos termos do art. 150, §4°, do CTN, considerando que o contribuinte foi notificado em 30/04/2003. Contudo, adotandose o cuidado necessário ao perfeito entendimento da legislação tributária, tornase imprescindível atentar para o que dispõe o art. 149, V, CTN: [...]; no caso em tela, está claro que o art. 150 do CTN foi contrariado, já que não houve recolhimento do tributo devido. Portanto, cabível é a aplicação do art. 149, V do CTN, motivo pelo qual foi efetuado o lançamento de ofício pela autoridade administrativa; ora, se inexato o pagamento antecipado, negase a homologação e operase o lançamento de ofício (CTN 149, V); se omisso na antecipação do pagamento, nada há passível de homologação e a exigência se formalizará por ato de ofício da administração (CTN 149, V); sendo lançamento de ofício, para fins de contagem de prazo decadencial não se aplica o art. 150, § 4º, do CTN e sim o art. 173, I, que assim dispõe: [...]; o Col. Superior Tribunal de Justiça, pela Primeira Seção, ao interpretar a combinação entre os dispositivos do art. 150, §4º e 173, I, do CTN, pacificou o entendimento, no julgamento de matéria objeto de recursos repetitivos, entendendo que, não se verificando recolhimento de exação e montante a homologar, o prazo decadencial para o lançamento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação segue a disciplina normativa do art. 173 do CTN; no acórdão proferido em sede de Recurso Especial nº 973.733SC, o STJ entendeu que: [...]; logo, a matéria abordada já fora decidida pelo STJ em sede de recurso especial, tendo a mens legis o fim de pacificar a tese, de maneira que, realizado o julgamento pelo STF ou STJ, os demais recursos devem ter o mesmo destino daquele que foi destacado para julgamento. É norma que há de ser observada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do art. 543C do CPC; citese, ainda, outros julgados no mesmo sentido: [...]; transcrevo entendimento da jurisprudência administrativa, senão vejamos: [...]; acrescentese, ainda, as ponderações e conclusões jurídicas constantes do parecer PGFN/CAT nº 1617/2008, aprovado pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional e pelo Ministro da Fazenda, que trata, inclusive, da forma de contagem dos prazos de decadência e prescrição tributários (art. 150, §4° e art. 173, I, ambos do CTN): [...]; Fl. 570DF CARF MF Processo nº 19515.001681/200311 Acórdão n.º 9101003.233 CSRFT1 Fl. 571 5 logo, ocorrido o fato gerador em 31 de dezembro de 1997, o lançamento poderia ter sido efetuado somente no ano de 1998. Dessa forma, o dies a quo do prazo decadencial para lançamento, previsto no art. 173, I, será o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, o que corresponde, no presente caso, ao primeiro dia do ano de 1998, findandose o prazo em 31/12/2003. Como a notificação do sujeito passivo acerca do auto de infração deuse em 30/04/2003, não há que se cogitar de decadência. Quando do exame de admissibilidade do recurso especial da PGFN, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho n° 1100 000.263, exarado em 14/07/2014, admitiu o recurso com base na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] O acórdão recorrido recebeu a ementa abaixo: [...] Neste julgamento, considerandose a ciência do auto de infração em 30/4/03, reconheceuse a extinção do crédito tributário (IRPJ, fato gerador 31/12/97) por decadência com base no art.150, §4º, do Código Tributário Nacional (CTN), mesmo diante da inexistência de recolhimento de tributo, conforme se constata do seguinte excerto: [...] A Recorrente, por sua vez, aduz haver no âmbito do CARF interpretação divergente sobre a matéria, tendo sustentado a tese de que “...não havendo recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do respectivo crédito tributário regerseá pelo contido no art.173, I, do CTN”. Para tanto, apontou o seguinte julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais: [...] Em tal decisão, assentouse que “...o prazo decadencial é regido pela regra contida no art.173 do CTN”, tendo ainda, alicerçado em outro acórdão (CSRF/011.563), fixado: [...] Pelo exposto, concluise que a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional comprovou o dissídio jurisprudencial, tendo em vista que a tese contemplada no paradigma, ao contrário da estabelecida no acórdão recorrido, é no sentido de incidência do art.173, I, do CTN quando inexiste antecipação de pagamento do tributo. Presentes os requisitos de admissibilidade, PROPONHO seja ADMITIDO o recurso especial interposto. Em 23/10/2014, a contribuinte foi cientificada do despacho que admitiu o recurso especial da PGFN. Tempestivamente, em 07/11/2014, ela apresentou as contrarrazões ao recurso, com os argumentos descritos a seguir: Fl. 571DF CARF MF Processo nº 19515.001681/200311 Acórdão n.º 9101003.233 CSRFT1 Fl. 572 6 A IMPROCEDÊNCIA DO RECURSO ESPECIAL a Constituição Federal (CF/88), em seu art. 146, III, b, dispõe que cabe à lei complementar estabelecer normas gerais sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; o CTN, que tem força de lei complementar, estabelece as normas gerais relativas às matérias tributárias referidas no art. 146, III, b, da CF/88, as quais são aplicáveis a todo e qualquer tributo; nesse cenário, dispõe o art. 150, §4º, do CTN: [...]; o STJ, em julgamento sujeito ao rito dos recursos repetitivos (art. 543C do Código de Processo Civil), decidiu que o art. 150, §4º, do CTN, não seria aplicável aos casos em que (i) a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo; ou (ii) a despeito de previsão legal, o mesmo não ocorre, não havendo declaração do débito pelo contribuinte. Nesses casos, conclui o STJ, aplicarseia o prazo previsto pelo art. 173, I, do CTN; transcrevese abaixo a ementa do Acórdão proferido no julgamento do Recurso Especial (REsp) n° 973.733/SC: [...]; em 21.12.2010, foi inserido no Regimento Interno do CARF, por meio da Portaria n° 586, o art. 62A, que impõe aos Conselheiros do CARF que sigam o entendimento adotado em julgamento definitivo de mérito pelo STJ, na sistemática do art. 543C do CPC: [...]; diante disso, o CARF deve aplicar aos julgamentos que envolvam a discussão acerca da decadência necessariamente o entendimento adotado pelo STJ no julgamento do REsp n° 973.733/SC; como a recorrida demonstrará a seguir, na linha do entendimento consolidado pelo STJ, a decisão é acertada e não merece reparos, uma vez que: (i) a recorrida antecipou o pagamento do IRPJ no anocalendário de 1997, ao compensar prejuízos fiscais apurados no anocalendário de 1994; e (ii) mesmo que se considere, equivocadamente, que não teria havido antecipação do pagamento, a jurisprudência do CARF é clara no sentido de que o que se homologa é a atividade da recorrida voltada a apurar os tributos devidos; no caso em análise, a recorrida apurou lucro real no ano anocalendário de 1997, informado por meio de sua Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) no exercício de 1998, no valor de R$ 4.172.572,13; diante da existência de prejuízos fiscais apurados no anocalendário de 1994, e com base em autorização judicial válida à época, concedida nos autos do Mandado de Segurança (MS) n° 98.00258760, a recorrida efetuou o pagamento integral do IRPJ incidente sobre o lucro real apurado no anocalendário de 1997. por meio de compensação, utilizandose do prejuízo fiscal por ela apurado no anocalendário de 1994; Fl. 572DF CARF MF Processo nº 19515.001681/200311 Acórdão n.º 9101003.233 CSRFT1 Fl. 573 7 dessa forma, não há que se falar em falta de antecipação de pagamento, como alega a recorrente, uma vez que o IRPJ ora discutido foi extinto por compensação pela recorrida; de fato, os dispositivos legais que tratam da apuração e utilização do prejuízo fiscal se referem sempre à possibilidade de compensação do lucro tributável: [...]; o art. 156 do CTN define tanto o pagamento quanto a compensação como hipóteses de extinção do crédito tributário: [...]; com isso, não restam dúvidas de que a recorrida extinguiu o crédito tributário relativo ao IRPJ apurado no anocalendário de 1997, por meio da compensação de prejuízo fiscal apurado no anocalendário de 1994, sujeitandose a referida extinção à homologação da autoridade fiscal, no prazo de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, §4º, do CTN. Considerando que o AI foi lançado apenas em 30.04.2003, mais de 5 anos, portanto, contados da ocorrência do fato gerador (31.12.1997), verificouse a decadência dos créditos tributários ora discutidos; a recorrente invoca precedentes judiciais e administrativos que concluem por aplicar o art. 173, I, do CTN, analisando casos em que não houve o pagamento antecipado pelo contribuinte, como se verifica do seguinte trecho de seu Recurso Especial: [...]; tais precedentes, no entanto, não se aplicam ao presente caso, tendo em vista que aqui se discute o pagamento, ainda que parcial, do IRPJ por meio de compensação de prejuízos fiscais; é importante ressaltar que, ainda que venha a ser proferida decisão final desfavorável no MS n° 98.00258760, negando o direito à compensação integral do lucro auferido pela recorrida no anocalendário de 1997 com prejuízo fiscal de 1994, não se discute que houve pagamento parcial do IRPJ no período autuado, uma vez que a própria fiscalização, na lavratura do AI, reconheceu a procedência da compensação de 30% do lucro apurado em 1997 com a utilização desse prejuízo fiscal; na realidade, o AI não discute a validade e legitimidade do prejuízo fiscal apurado pela recorrida no anocalendário de 1994, limitandose a questionar a possibilidade de sua utilização para compensação de percentual superior a 30% do lucro tributável dos períodos subsequentes; basta consultar o TVF para se verificar que o crédito tributário exigido pelo AI decorre da aplicação da alíquota do IRPJ não sobre o total (100%) do lucro real apurado pela recorrida em 1997, no valor de R$ 4.172.572,13, mas sobre 70% desse lucro, correspondente a R$ 2.920.800,50; ora, se não tivesse havido pagamento antecipado pela recorrida, a que título o valor de R$ 1.251.771,63, correspondente a 30% do lucro auferido pela recorrida no ano calendário de 1997, teria sido excluído da autuação? o que se discute na presente autuação é a discordância das autoridades fiscais justamente em relação a quanto foi antecipado, e não se houve antecipação de pagamento pela recorrida. Não se discute que ao menos 30% do IRPJ devido pela recorrida no anocalendário de 1997 foi devidamente extinto, tanto que esse valor não compõe o AI; Fl. 573DF CARF MF Processo nº 19515.001681/200311 Acórdão n.º 9101003.233 CSRFT1 Fl. 574 8 nesse ponto, vale transcrever o seguinte trecho, extraído do TVF, que deixa claro que a discordância da autoridade fiscal quanto à apuração do IRPJ pela recorrida se limita apenas a parte do valor apurado: [...]; não procede, assim, a alegação da recorrente, no sentido de que não teria ocorrido o pagamento antecipado; o trecho acima deixa claro que ao menos 30% do valor do lucro líquido apurado pela recorrida foi considerado efetivamente extinto pela autoridade fiscal autuante. Comprovada, assim, a antecipação de pagamento na apuração do IRPJ do anocalendário de 1997 pela recorrida; em caso muito similar ao da recorrida, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais analisou a ocorrência de decadência no caso do lançamento de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) após decorridos 5 anos do fato gerador (1º trimestre de 1997) na hipótese em que o contribuinte também havia compensado 100% da base de cálculo da CSLL com bases de cálculo negativas de CSLL de períodos anteriores: [...]; no mesmo sentido o Acórdão n° 130100.086, de 14.05.2009: [...]; não é outro o entendimento do STJ, como se verifica da decisão abaixo, em que se concluiu que, nos casos em que o contribuinte compensou integralmente o seu resultado tributável do período com prejuízos fiscais acumulados, aplicase a contagem do prazo decadencial de acordo com o previsto no art. 150, §4º, do CTN: [...]; concluise, assim, que o art. 173, I, do CTN, não se aplica ao presente caso, tendo em vista que, como restou comprovado, verificouse a antecipação, ainda que parcial, do pagamento do IRPJ devido no anocalendário de 1997, por meio da compensação de prejuízo fiscal apurado em período anterior; não obstante, ainda que se considere que não houve pagamento antecipado no período, o fato de que a recorrida cumpriu com todas as suas obrigações acessórias e, ao final do período de apuração, chegou à conclusão de que não haveria resultado tributável, não é capaz de a afastar do prazo decadencial disciplinado pelo art. 150, §4º, do CTN; de fato, em diversas decisões recentes, o CARF, ao interpretar o entendimento do STJ consubstanciado no julgamento do REsp n° 973.733/SC, concluiu que não é apenas o pagamento que se homologa, e sim a atividade do contribuinte para a apuração do tributo, que pode, inclusive, chegar em resultado nulo ou negativo. Nesse sentido, transcrevese abaixo, a título de exemplo, trecho do Acórdão n° 1101000.935, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF: [...]; concluise, portanto, que, ainda que, por absurdo, se considere que a compensação de prejuízo fiscal não configura antecipação de pagamento para fins da aplicação do art. 150, §4º, do CTN, a recorrida cumpriu com todas as suas obrigações acessórias inerentes à apuração do lucro real, chegando a resultado tributável disponibilizado ao fisco, devendo, necessariamente, aplicarse o prazo de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador; O PEDIDO Fl. 574DF CARF MF Processo nº 19515.001681/200311 Acórdão n.º 9101003.233 CSRFT1 Fl. 575 9 por todo o exposto, pede e espera a recorrida seja negado provimento ao recurso especial da PGFN, mantendose a decisão nos seus exatos termos; entretanto, caso, por absurdo, seja dado provimento ao recurso especial da PGFN, devem os autos serem remetidos à 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF para que sejam analisados os argumentos de mérito trazidos pela recorrida em seu recurso voluntário, enumerados nos itens 2.4 e 2.6 do relatório contido nas contrarrazões. É o relatório. Fl. 575DF CARF MF Processo nº 19515.001681/200311 Acórdão n.º 9101003.233 CSRFT1 Fl. 576 10 Voto Vencido Voto vencido no conhecimento Voto vencedor no mérito Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Embora o sujeito passivo não tenha trazido nas contrarrazões preliminar de não conhecimento do recurso especial, da tribuna foi suscitado o não conhecimento e acabei por acolhêlo pela seguinte razão: no recorrido se discutia se a compensação de prejuízo fiscal configura antecipação de pagamento, enquanto no paradigma sequer poderia haver essa discussão, já que lá não havia a situação de compensação de prejuízo fiscal; assim, na minha ótica, no contexto do tema decadência, por ser um fato relevante que impede o estabelecimento da divergência jurisprudencial, voto por não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. Ficando vencido no conhecimento, dado que a maioria do colegiado entendeu ser o caso de se conhecer do recurso, passo ao mérito. O presente processo tem por objeto lançamento a título de IRPJ com fato gerador ocorrido em 31/12/1997 (lucro real anual). O motivo da autuação é que a contribuinte compensou todo o lucro real apurado no período com prejuízo fiscal de período anterior, sem observar o limite de 30% para essa compensação. O lançamento foi cientificado à contribuinte em 30/04/2003. A controvérsia que chega a essa fase de recurso especial diz respeito à divergência jurisprudencial sobre a contagem do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. O acórdão recorrido reconheceu a decadência com base no art, 150, §4º, do CTN, registrando que a contribuinte não tinha apurado saldo de imposto a pagar em sua DIPJ, que não havia imposto a ser antecipado e, portanto, pagamento a ser realizado. Destacou ainda que o que se homologa é a própria atividade da contribuinte, independentemente de qualquer ato, informação ou pagamento realizado por esta. Em seu recurso especial, a PGFN defende o entendimento de que, por não ter havido pagamento, a decadência deveria ser contada pelo art. 173, I, do CTN, e não pelo art. 150, §4º, do mesmo código. A contribuinte, por meio de contrarrazões, desenvolve argumentação em dois sentidos. Primeiro, ela alega que antecipou sim pagamento de IRPJ no anocalendário de 1997, ao compensar prejuízos fiscais apurados no anocalendário de 1994. Na sequência, ela alega que mesmo que se considere, equivocadamente, que não teria havido antecipação de Fl. 576DF CARF MF Processo nº 19515.001681/200311 Acórdão n.º 9101003.233 CSRFT1 Fl. 577 11 pagamento, a jurisprudência do CARF é clara no sentido de que o que se homologa é a atividade da recorrida voltada a apurar os tributos devidos. Quanto a essa questão sobre decadência, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por ocasião do julgamento do Recurso Especial repetitivo 973.733/SC, firmou o seguinte entendimento (decisão que foi citada tanto no recurso especial, quanto nas contrarrazões): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008). Essa interpretação deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme determina o § 2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. De acordo com o STJ, devese aplicar o artigo 173, I, do CTN, quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre e inexiste declaração prévia do débito. No sentido inverso, há duas condições para a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN: 1) haver pagamento ou 2) haver declaração prévia do débito. Não se pode, portanto, deixar de reconhecer a relevância da existência ou não de pagamento ou de declaração/confissão do débito (ainda que parciais) para fins de definição do critério para a contagem de prazo decadencial. Aliás, vale frisar que todo esse debate em torno da relevância do pagamento ou da declaração/confissão de débito para análise de decadência de lançamento posteriormente realizado pelo Fisco pressupõem pagamento e/ou declaração/confissão parciais mesmo. Até Fl. 577DF CARF MF Processo nº 19515.001681/200311 Acórdão n.º 9101003.233 CSRFT1 Fl. 578 12 porque o Fisco não realizaria nenhum lançamento de ofício para constituir crédito tributário que já foi em momento anterior integralmente pago ou declarado/confessado pelo contribuinte. No caso em análise, o acórdão recorrido, aplicando o prazo do art. 150, §4º, do CTN, reconheceu a decadência para o fato gerador de IRPJ ocorrido em 31/12/1997. O lançamento foi formalizado em 30/04/2003. Compulsando os autos, extraio do Termo de Verificação Fiscal (vol. 1, efls. 99) a informação de que a contribuinte não comprovou recolhimento do IRPJ em questão, e que também não há registro de pagamentos nos sistemas da SRF referente a esse tributo. A Declaração de Rendimentos DIRPJ apresentada pela contribuinte (vol. 1, efls. 55/70) não apresenta "Imposto de Renda a Pagar" no ajuste anual, e também não apresenta nenhuma apuração de estimativa a pagar (todas as bases mensais para recolhimento de estimativa são negativas). Além disso, o próprio contexto do acórdão recorrido e dos argumentos da contribuinte evidencia que não houve pagamento, nem declaração de débito. Assim, de acordo com o que foi decidido pelo STJ, não havendo pagamento e nem declaração prévia do débito, a regra de decadência a ser aplicada é a prevista no art. 173, I, do CTN. Não procede a alegação da contribuinte no sentido de que a compensação de prejuízo fiscal (no limite permitido de 30% do lucro real) configura pagamento antecipado de uma parte do IRPJ do anocalendário de 1997. A compensação realizada pela contribuinte é compensação de base de cálculo, procedimento que é preparatório para a apuração do tributo. Não se trata aqui da compensação tributária prevista no art. 156, II, e art. 170 do CTN, ou seja da "compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". A compensação de prejuízo fiscal não é forma de repetição de indébito, de devolução de pagamento indevido ou a maior feito pelo contribuinte, de encontro de contas em que uma parte é ao mesmo tempo credora e devedora da outra, ou algo semelhante. Vale registrar que o Supremo Tribunal Federal, quando examinou a constitucionalidade da chamada trava de 30% para a compensação de prejuízo fiscal, no julgamento dos RE 344.944 e 545.308, entendeu que prejuízos havidos em exercícios anteriores à vigência da Lei 8.981/1995 configuravam meras deduções, cuja projeção para exercícios futuros era autorizada nos termos da lei, a qual poderia, contudo, ampliar ou reduzir a proporção de seu aproveitamento. Nos referidos julgados, o STF concluiu que o abatimento de prejuízos, mais além do exercício social em que constatados, configura benesse da política fiscal. Tratase, portanto, de um procedimento de apuração de base de cálculo, de dimensionamento do lucro a ser tributado em determinado período, que não pode significar de modo algum pagamento de IRPJ. Fl. 578DF CARF MF Processo nº 19515.001681/200311 Acórdão n.º 9101003.233 CSRFT1 Fl. 579 13 Basta ver que a referida DIRPJ não indica nenhum valor a título de "Imposto de Renda a Pagar", justamente porque a base de cálculo (lucro real) foi totalmente zerada pela contribuinte. A dedução feita na base de cálculo, no limite legal permitido, é uma benesse de política fiscal segundo o STF, e, especialmente por isso, não pode ser equiparada a pagamento de tributo (o que seria um duplo benefício). Essa dedução não configura a compensação tributária prevista no CTN, e não pode ser entendida como uma forma de repetição de indébito, de restituição de pagamento indevido ou a maior feito pelo contribuinte em momento anterior. Realmente, não houve nenhum pagamento a título de IRPJ referente ao ano calendário de 1997, nem mesmo por meio de compensação de indébito tributário. Na sua segunda linha de argumentação, a contribuinte procura retomar a superada tese (a meu ver) de que o que se homologa é a atividade e não (apenas) o pagamento. Para tanto, ela busca amparo em decisões que vislumbram maiores possibilidades de interpretação para a decisão do STJ no REsp repetitivo nº 973.733/SC, especialmente porque essa decisão também prevê o encurtamento do prazo decadencial quando houver "declaração prévia do débito", o que permitiria, segundo essa interpretação ampliada, a inclusão de outros tipos de "conduta objetiva" (atividade) do contribuinte, distintas do pagamento. Aliás, o próprio acórdão recorrido seguiu essa linha de interpretação, quando entendeu que "a decisão em referência (do STJ) não se aplica aos casos em que o contribuinte não tenha apurado saldo de imposto a pagar em sua DIPJ, pois, neste caso, não haveria imposto a ser antecipado e, portanto, pagamento a ser realizado. Nesta hipótese, aplicarseia o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4°, do CTN, que dispõe: [...]". Não compartilho do entendimento de que a "declaração prévia do débito" pode significar vários tipos de "conduta objetiva" do contribuinte, inclusive conduta da qual não resulta débito a ser declarado. Realmente, como afirmado na decisão citada pela contribuinte, que embasa a sua linha de defesa (Acórdão nº 1101000.935, de 10/09/2013), o STJ não fez maior aprofundamento que pudesse esclarecer essa questão sobre a "declaração prévia do débito", o que permitiria interpretação em relação a isso. Contudo, pelo teor do voto que orientou a referida decisão do STJ, o que se percebe a todo momento é a ideia de vincular a homologação ao "pagamento antecipado" (mesmo que ele seja inferior ao efetivamente devido), e não a outro tipo de conduta ou ato do contribuinte. O critério de vincular o fenômeno da "homologação" à realização de algum "pagamento" (e não a outra atividade/conduta do contribuinte), na linha de interpretação adotada pelo STJ, decorre do próprio texto do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a Fl. 579DF CARF MF Processo nº 19515.001681/200311 Acórdão n.º 9101003.233 CSRFT1 Fl. 580 14 referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (grifos acrescidos) Nessa perspectiva, a menção pelo STJ de que a "declaração prévia do débito" permitiria o enquadramento no referido art. 150 do CTN (lançamento por homologação) só pode ser tomada em sentido restrito, ou seja, de "declaração" que constitua confissão de dívida, que sirva de instrumento hábil à execução fiscal, sob pena de completo desvirtuamento da linha adotada pelo STJ, que, relativamente ao fenômeno da homologação, claramente prioriza o "pagamento" e não a "atividade de apuração". Com efeito, é somente esse tipo de "declaração" que pode se encaixar na sistemática do art. 150 do CTN, na lógica traçada pelo STJ, no sentido de se entender que houve o atendimento (ainda que parcial) do que é exigido pelo art. 150 do CTN, que houve o "auto lançamento", que houve constituição de alguma parte do crédito tributário, e que, por equiparação, há algum "pagamento" a homologar. O que aproxima o pagamento da declaração/confissão do débito é o fato de que, tanto num caso quanto noutro, o lançamento de ofício abrangerá sempre uma parte do crédito tributário, porque a parte paga ou declarada/confessada já foi "auto lançada" pelo contribuinte (lançamento por homologação), já está constituída, não havendo necessidade de lançamento de ofício para ela. Se a constituição do crédito tributário pela fiscalização é parcial (porque uma parte já está paga ou declarada/confessada), obviamente não havendo dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o prazo de decadência é regido pelo art. 150, §4º, do CTN. A meu ver, é esse o sentido da decisão do STJ quando fez menção à "declaração prévia do débito" como fator de definição do prazo decadencial, juntamente com o pagamento. Entretanto, no caso sob exame, já ficou bem esclarecido que não só inexistiu pagamento, como também não houve nenhuma declaração/confissão do débito de IRPJ em questão, até porque a contribuinte zerou (esvaziou) totalmente a base de cálculo do tributo, e nem imposto devido ela apurou. Portanto, a regra de decadência a ser aplicada é a prevista no art. 173, I, do CTN, conforme entendeu o STJ em sede de julgamento de recursos repetitivos. Ao final de suas contrarrazões, a contribuinte solicita, para o caso de ser dado provimento ao recurso especial da PGFN, que os autos sejam devolvidos à Turma Ordinária para apreciação de matérias cujo exame ficou prejudicado na fase anterior, em razão do que lá foi decidido. Realmente, na fase de recurso voluntário, a contribuinte suscitou questões sobre o mandado de segurança por ela impetrado e seus reflexos no lançamento objeto deste processo administrativo, questões sobre a multa de ofício e também sobre os juros de mora, mas o exame dessas matérias ficou prejudicado, porque o lançamento foi cancelado em razão da decadência, que ora está sendo afastada. Fl. 580DF CARF MF Processo nº 19515.001681/200311 Acórdão n.º 9101003.233 CSRFT1 Fl. 581 15 Desse modo, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da PGFN, para afastar a decadência do crédito tributário, determinando que os autos sejam devolvidos à Turma Ordinária para o exame das matérias suscitadas no recurso voluntário e não apreciadas naquela fase processual em razão do que lá foi decidido. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Voto Vencedor Voto vencedor no conhecimento Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Redatora designada Em que pesem os argumentos do eminente relator, esse colegiado, por maioria de votos, divergiu de seu entendimento quanto ao conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional. O relator manifestouse no sentido de que não estaria caracterizada a divergência suscitada pela Procuradoria da Fazenda Nacional entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma, porque, diferentemente do primeiro, o segundo não trataria de compensação de prejuízo fiscal. Entendeu, assim, que como no acórdão recorrido a análise da decadência levou em conta se tratar o caso concreto de compensação de prejuízo fiscal, não seria possível estabelecer divergência jurisprudencial. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial em face do Acórdão nº 110100.221, de 6/11/2009, cuja ementa possui o seguinte teor: DECADÊNCIA – IRPJ – Tratandose de tributo em que é de iniciativa do contribuinte a sua apuração e recolhimento, o respectivo lançamento é por homologação, conforme o artigo 150, parágrafo quarto, do CTN, quando o contribuinte realiza a atividade de apuração e não apura imposto a pagar em sua DIPJ. Em seu recurso especial, a Procuradoria indicou como paradigma o Acórdão CSRF/0103.103, de 12/09/2000, a fim de demonstrar a existência de divergência entre os colegiados desse Conselho quanto à contagem do prazo decadencial na hipótese de tributos sujeitos a lançamento por homologação, em que não houve antecipação de pagamento. Transcrevese a ementa do acórdão paradigma: IRPJ – LANÇAMENTO EX OFFICIO – PRAZO DECADENCIAL – Tratandose de lançamento de ofício, o prazo decadencial é contado pela regra do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Fl. 581DF CARF MF Processo nº 19515.001681/200311 Acórdão n.º 9101003.233 CSRFT1 Fl. 582 16 A partir do cotejo das ementas e dos votos condutores dos acórdãos em tela, verificase que está caracterizada a divergência jurisprudencial necessária ao conhecimento do recurso especial, não havendo reparos a serem feitos no despacho que deu seguimento ao recurso (efls. 406 a 408). Isso porque, o acórdão paradigma entendeu, que em se tratando de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando não houver antecipação de pagamento, o prazo decadencial é regido pela regra contida no artigo 173, do CTN, e não pela regra contida no art. 150, § 4º. Em seu voto condutor, restou consignado que ainda que se esteja diante de tributo em regra sujeito a lançamento por homologação, se o lançamento ocorreu de ofício, "por constatação de omissão ou inexatidão na declaração efetuada pela contribuinte", aplica se o disposto no art. 173, I, do CTN. Nesse sentido, cumpre transcrever trechos do acórdão paradigma que demonstram as razões para o afastamento da decadência naquele caso: A forma de lançamento do imposto de renda, se por declaração ou homologação, tem sido objeto de amplo debate nesta Câmara. Porém, abstraindose dessa discussão, o certo é que, no caso presente, estamos diante do lançamento de ofício, portanto efetuado pela autoridade tributária, por constatação de omissão ou inexatidão na declaração efetuada pela contribuinte. Neste caso, o entendimento reiterado desse colegiado é no sentido de que o prazo decadencial é regido pela regra contida no art 173 do CTN No Acórdão n° CSRF/011 563, do qual fui relator, expressei esse entendimento e, por pertinente, transcrevo trecho do voto: "(...) Há tributos, como o imposto de renda na fonte (IRF), cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de efetuar o pagamento antes que a autoridade o lance. O pagamento se diz, então, antecipado e a autoridade o homologará expressamente(CTN art 150, caput) ou tacitamente, pelo decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador (art 150 § 4º CTN). A homologação, quer expressa, quer tácita, na modalidade de lançamento de que se ocupa o artigo 150, não implica decadência do direito de lançar, mas, ao contrário, traduz o exercício mesmo desse direito. A homologação, sob qualquer de suas duas formas (expressa ou tácita), representa a afirmação administrativa de que o pagamento antecipado condiz com o tributo devido. E que nada mais há para ser exigido. Vêse, pois, que a homologação é o exercício do direito de lançar e não sua preclusão. Mas a homologação, expressa ou tácita, para que se dê, pressupõe uma atividade do contribuinte o pagamento prévio determinado em lei. Sem ele não há fato homologável. Dai estabelecer o art 149, V, do CTN que 'quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte' o lançamento é efetivado de ofício. Nada mais lógico. Se inexato o pagamento antecipado, negase a homologação e operase o lançamento de ofício (CTN 149, V), Fl. 582DF CARF MF Processo nº 19515.001681/200311 Acórdão n.º 9101003.233 CSRFT1 Fl. 583 17 se omisso na antecipação do pagamento, nada há passível de homologação e a exigência se formalizará por ato de ofício da administração (CTN 149, V). Como se vê, não tendo havido pagamento antecipado, não há que se falar em homologação do artigo 150 do CTN prolatável no prazo de 5 anos contados do fato gerador. Ao contrário, sob o amparo do artigo 149, V, a Administração poderá exercer o direito de lançar de ofício, enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública na forma do artigo 173 do CTN. (...)" (...) Embora o Acórdão nº CSRF/011.563 trate de imposto de renda na fonte e o Acórdão do T.R.F. trate de contribuições previdenciárias, o entendimento exposto aplicase, em sua plenitude, ao caso dos autos, relativo ao imposto de renda pessoa jurídica e decorrentes, pois a tese levantada considera que a falta de pagamento antecipado, ou o recolhimento em desacordo com a legislação aplicada, autoriza o lançamento ex officio, sendo o direito de lançar regido pelo artigo 173 do CTN, já que, neste caso, não há fato passível de homologação. Por outro lado, o acórdão recorrido acolheu a decadência por entender que aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, em que "não haveria imposto a ser antecipado e, portanto, pagamento a ser realizado" aplicarseia o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN. Ou seja, entendeu aquele colegiado que ainda que não tenha havido antecipação de pagamento e o lançamento tenha se dado de ofício, não se aplica o art. 173, I, do CTN. Transcrevese trechos do voto condutor do acórdão recorrido: O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n° 973733, entendeu que, nos casos em que não há pagamento antecipado, aplicarseia o prazo decadencial previsto no art. 173 do CTN, decisão esta que está submetida ao regime do artigo 543C, do CPC, que dispõe sobre os recursos repetitivos. Entendo, contudo, que a decisão em referência não se aplica aos casos em que o contribuinte não tenha apurado saldo de imposto a pagar em sua DIPJ, pois, neste caso, não haveria imposto a ser antecipado e, portanto, pagamento a ser realizado. Nesta hipótese, aplicarseia o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN, que dispõe: Conforme disposto no § 4º do art.150 do CTN, ocorre o lançamento por homologação quando a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa, a qual, tornando conhecimento da atividade assim exercida, expressamente a homologa. Inexistindo essa homologação expressa, ocorrerá ela no prazo de 05 (cinco) anos, a contar do fato gerador do tributo. (...) Ressaltese que, nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, ocorrido o fato gerador, já nasce para o sujeito passivo a obrigação de apurar e pagar o mesmo, sem qualquer participação do sujeito ativo, que;de outra parte, já tem o direito Fl. 583DF CARF MF Processo nº 19515.001681/200311 Acórdão n.º 9101003.233 CSRFT1 Fl. 584 18 de investigar a regularidade dos procedimentos adotados pelo sujeito passivo, independentemente de qualquer informação ser lhe prestada, e independentemente do pagamento realizado pelo contribuinte. O contribuinte não deve aguardar o pronunciamento da administração para saber da existência, ou não, da obrigação tributária, pois esta já está delimitada e prefixada na lei, que impõe ao sujeito passivo o dever do recolhimento do imposto em questão. A obrigação tributária decorre diretamente da lei. Conforme indicado no caput do art. 150 do CTN, o que se homologa é a própria atividade do contribuinte, independentemente de qualquer ato, informação ou pagamento realizado por este. Pelo exposto, vêse que no acórdão paradigma entendeuse que no caso de tributos sujeitos, em regra, a lançamento por homologação, em que não houve antecipação de pagamento e o crédito tributário foi constituído a partir de lançamento de ofício, em face da constatação de infração à norma tributária, aplicase, para a contagem do prazo decadencial, o previsto no art. 173, I, do CTN. O acórdão recorrido, por sua vez, entendeu que, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, ainda que a constituição do crédito tributário se dê por lançamento de ofício, aplicase o art. 150, § 4º, se o contribuinte não apurou saldo de imposto a pagar em sua DIPJ. Ou seja, em ambos os casos, estamos diante de tributos que, em regra, são sujeitos a lançamento por homologação, mas em relação aos quais o contribuinte não antecipou o pagamento e que foram lançados de ofício, diante da constatação, pela Fiscalização, de infrações à norma tributária. Assim, verificase que a infração apurada é irrelevante para o entendimento adotado por cada um dos colegiados. Na verdade, o acórdão paradigma afirma expressamente que "a falta de pagamento antecipado, ou o recolhimento em desacordo com legislação aplicada, autoriza o lançamento ex officio, sendo o direito de lançar regido pelo artigo 173 do CTN, já que neste caso, não há fato passível de homologação", de forma que podese concluir que se porventura o colegiado estivesse diante do caso ora em análise aplicaria à decadência o art. 173, e não o art. 150, § 4º, do CTN. Da mesma forma, caso o colegiado recorrido estivesse diante do caso tratado no acórdão paradigma, aplicaria o art. 150, § 4º, o que evidencia a divergência jurisprudencial. Ante ao exposto, votase por CONHECER do recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 584DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.001732/2002-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2001
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. INCORREÇÃO DOS CÓDIGOS ADOTADOS. CONTRIBUINTE E FISCALIZAÇÃO. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA.
Demonstrada que as classificações fiscais adotadas, tanto pelo contribuinte, como aquela imputada pela fiscalização, não se mostram adequadas ao produto, deve ser reconhecida a improcedência do lançamento.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3401-003.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, da seguinte forma: (1) por unanimidade, para entender erradas, tanto a classificação fiscal adotada pelo contribuinte, quanto à imputada pela Fiscalização; (2) por maioria, para entender prejudicadas as multas aplicadas, vencidos os Conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Cleber Magalhães e Fenelon Moscoso de Almeida, que votaram pela manutenção das multas isoladas.
Fenelon Moscoso de Almeida Presidente substituto.
André Henrique Lemos Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente substituto), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Participou do julgamento, em substituição ao Conselheiro Rosaldo Trevisan, o Conselheiro suplente Cleber Magalhães; e em substituição ao Conselheiro Tiago Guerra Machado, que declarou-se impedido, o Conselheiro suplente Cássio Schappo.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2001 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. INCORREÇÃO DOS CÓDIGOS ADOTADOS. CONTRIBUINTE E FISCALIZAÇÃO. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrada que as classificações fiscais adotadas, tanto pelo contribuinte, como aquela imputada pela fiscalização, não se mostram adequadas ao produto, deve ser reconhecida a improcedência do lançamento. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, da seguinte forma: (1) por unanimidade, para entender erradas, tanto a classificação fiscal adotada pelo contribuinte, quanto à imputada pela Fiscalização; (2) por maioria, para entender prejudicadas as multas aplicadas, vencidos os Conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Cleber Magalhães e Fenelon Moscoso de Almeida, que votaram pela manutenção das multas isoladas. Fenelon Moscoso de Almeida – Presidente substituto. André Henrique Lemos – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente substituto), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Participou do julgamento, em substituição ao Conselheiro Rosaldo Trevisan, o Conselheiro suplente Cleber Magalhães; e em substituição ao Conselheiro Tiago Guerra Machado, que declarouse impedido, o Conselheiro suplente Cássio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 17 32 /2 00 2- 77 Fl. 768DF CARF MF Processo nº 11128.001732/200277 Acórdão n.º 3401003.958 S3C4T1 Fl. 769 2 Relatório Versam os autos sobre recurso voluntário, cujo nascedouro se deu por meio de Auto de Infração (fls. 01 a 23), pelo qual o contribuinte foi intimado a recolher ou impugnar a diferença de tributos (II e IPI) que deixou de ser pago, juros de mora e multas. A autuação baseouse na Declaração de Importação 02/01018742, de 04/02/2002 (fls. 13), tendo como produto: "LUPRANAT M 20 S 4,4 — DIFENIL METILDIISOCIANATO QUALIDADE INDUSTRIAL ESTADO FISICO LÍQUIDO UTILIZADO NA INDÚSTRIA AUTOMOTIVA, CONSTRUÇÃO CIVIL, ETC.", classificandoo no código 2929.10.90, como OUTROS ISOCIANATOS, com alíquota de 3,5% para o II e de 0% (zero) para o IPI. O laudo técnico n° 0370.01 do LABANA (fls. 45) concluiu tratarse de uma mistura de reação constituída de Isocianatos Aromáticos, contendo 4,4' Diisocianato de Difenilmetano, na forma liquida, enfatizando não se tratar de composto de constituição química definida, mas sim de uma preparação. Em aditamento ao laudo técnico (fls. 55 a 68), o LABANA manifestouse dizendo que o produto não se trata de preparação, ratificando tratarse de outro produto a base de compostos orgânicos, não especificado nem compreendido em outras posições e sem constituição química definida. Acrescentou ainda que o LUPRANAT M 20 S é constituído de uma mistura de reação, também denominada de Polimetileno Polifenil Poliisocianato ou Isocianatos Poliméricos ou PMDI, a qual tem como constituinte principal 4060% de 4,4 Diisocianato de Difenilmetano e o restante são siômeros, trímeros e oligômeros de alto peso molecular. Diante disso, a Fiscalização rejeitou enquadramento tarifário pleiteado pela importadora (código 2929.10.90, II de 3,5% e IPI de 0%), reclassificando a mercadoria no código NCM 3824.90.89, como um Produto das Indústrias Químicas não compreendido, nem especificado em posição diferente da 3824, com alíquotas de 15,5% para o II e 10% para o IPI. A Recorrente apresentou impugnação (fls. 8194), dizendo, em síntese: 1. solicitou parecer técnico ao IPT Instituto de Pesquisas Tecnológicas, a .fim de que determinasse qual a posição tarifária; 2. de acordo com o parecer técnico n ° 7071/97 passou a utilizar o código 2929.10.90 para a classificação da mercadoria; 3. o fato de o LABANA ter definido o produto como uma mistura não descaracteriza a posição adotada pelo impugnante, pois a Nota I "b" do Capitulo 29 assegura o enquadramento da mercadoria no referido Capitulo, por se tratar de uma mistura de isômeros de um mesmo composto orgânico (mesmo contendo impurezas); 4. a posição pretendia pelo Fisco é residual e subsidiária, não se aplicando ao presente caso, posto que a classificação mais especifica deve prevalecer sobre a mais genérica; 5. à multa do imposto de importação aplicase o ADN COSIT 10/97; Fl. 769DF CARF MF Processo nº 11128.001732/200277 Acórdão n.º 3401003.958 S3C4T1 Fl. 770 3 6. à multa do art. 526, II do Decreto 91030/95 aplicase o ADN COSIT 12/97, sendo que o LABANA não negou a presença de 4,4 — DIFENILMETIL DIISOCIANATO; 7. não cabe a multa por classificação incorreta por haver classificação corretamente e por ela ter sido instituída por medida provisória; 8. não cabe multa do IPI em razão de não se encaixar a situação do art. 80 da Lei 4.502/64, com alterações da Lei 9.430/96; 9. os juros não podem ser cobrados durante o procedimento administrativo, posto que o débito ainda está sendo discutido; 10. a taxa SELIC é inconstitucional; 11. anexou laudo do IPT que diz não se tratar de mistura de reação, mas sim de mistura de isômeros; 12. requer seja declarado insubsistente o Auto de Infração; 13. requer nova perícia ao INT. Sobreveio acórdão da DRJ de SP, o qual, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento (fls. 168176), cuja ementa se transcreve: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 04/02/2002 LUPRANAT M 20 S. O produto identificado por análise laboratorial como, sendo uma mistura de reação constituída de Isocianatos Aromáticos, contendo 4,4DIIsocianato de Difenilmetano se classifica no código 3824.90.89, pretendido pela fiscalização. Lançamento Procedente Irresignado com a r. decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 215248), ratificando seus argumentos. Juntou entendimento jurisprudencial específico, em caso do mesmo produto importado, no qual a mesma DRJ de SP, por unanimidade de votos, julgou improcedente o lançamento (fls. 274279, PAF 11128.005544/200137), sendo interessante mencionar sua ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 31/07/2001 Fl. 770DF CARF MF Processo nº 11128.001732/200277 Acórdão n.º 3401003.958 S3C4T1 Fl. 771 4 O produto LUPRANATE M 20 S, foi importado e classificado na posição NCM 2929.10.90, tida como incorreta pela fiscalização. O código utilizado pela Fiscalização, ou seja, o 3824.90.32 também não encontra respaldo nos elementos de prova constantes dos autos. A preparação é urna mistura intencional com o propósito de se obter um produto diferente para uma finalidade especifica. Em razão dessa diferença, uma mistura de reação não pode ser classificada como urna Preparação. Lançamento Improcedente Às fls. 315319 decidiu este Conselho, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, para que a Delegacia de origem, obtivesse laudo técnico oficial, respondendo os seguintes quesitos: 1) O produto sob exame é LUPRANAT MM 103 CARBODIIMIDA MODIFICADA DO 4,4 DIFENILMETANO DIISOCIANATO TEOR NCO: 29,0 30,0 QUALIDADE: INDUSTRIAL USO FINAL: UTILIZADO NA FABRICAÇÃO DE SISTEMAS DE POLIURETANOS COM USO FINAL NAS INDUSTRIAS DE CALÇADOS, AUTOMOTIVA, REFRIGERAÇÃO, CONSTRUÇÃO CIVIL, MOVELEIRA E ELÉTRICA? Em caso negativo, favor fornecer os dados corretos. 2) O produto sob exame é uma mistura ou uma preparação ou um composto orgânico de constituição química definida apresentado isoladamente, mesmo contendo impurezas? Qual o processo utilizado para sua obtenção? Favor informar qual a função ou propriedade conferida ao produto por cada componente e o processo de fabricação do mesmo. 3) Qual a aplicação principal ou predominante do produto? Se . houver outras aplicações, favor informar. 4) O produto é uma mistura de isômeros de um mesmo composto orgânico (mesmo contendo impurezas)? O produto é uma mistura de isômeros (exceto estereoisômeros) dos hidrocarbonetos acíclicos, saturados ou não? 5) Na confecção do produto foi adicionado ao (ou deixado no) mesmo algum componente por motivo de segurança, por necessidade de estabilização para transporte ou indispensável à sua conservação? Ou foi adicionado de uma substância antipoeira, de um corante ou de uma substância aromática, com a finalidade de facilitar a sua identificação ou por • razões de segurança? Em caso de resposta afirmativa a qualquer das Fl. 771DF CARF MF Processo nº 11128.001732/200277 Acórdão n.º 3401003.958 S3C4T1 Fl. 772 5 perguntas deste item, favor informar se esta substância atribuiu alguma característica especial ou o tomou especialmente apto a algum uso específico? Favor especificar. 6) Favor acrescentar os comentários e informações que no entender do técnico responsável são importantes para a correta classificação fiscal do produto ou sua identificação não abrangidas nos quesitos anteriores. Às fls. 323325, a EQREV do SEFIA da Alf/Santos solicitou que o Laboratório de Análises Falcão Bauer, respondesse os quesitos formulados. Sobreveio o Parecer Técnico 056/2009 do L.A. Falcão Bauer, o qual, em resumo concluiu: Considerando as regras gerais para interpretação do Sistema Harmonizado (SH) onde a posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas, entendemos que a mercadoria com a denominação comercial "LUPRANAT M 20 S", tratase de Poli(lsocianato de Fenil Metano) (MDI polimérico), sem carga inorgânica, na forma líquida, Outra Resina Amínica, em forma primária. Às fls. 369372, a Recorrente se manifestou acerca do aludido Parecer Técnico, defendendo que o Parecer Técnico do IPT, apresentado à época da Impugnação, foi taxativo ao afirmar que o produto é uma mistura de isocianatos cíclicos, e como tal, deveria ser classificado na posição 2929.10.90, tendo o texto da NESH capítulo específico sobre o produto, deve esta posição específica prevalecer sobre a genérica (adotada pelo fisco, posição 3824.90.89). Demais disso, disse que o Parecer Técnico do L.A. Falcão Bauer, concluiu que o produto se trata de outra resina amínica, em forma primária, encontrado na posição NESH 3909, e com isso, de forma alguma pode prevalecer o entendimento fiscal, devendo ser aplicado o benefício da dúvida, julgandose o feito em favor da Recorrente. Às fls. 484485, citou precedente específico sobre o mesmo produto, sendo o lançamento julgado improcedente, nos autos do PAF 11128.004010/200355, sem recurso de ofício devido ao valor de alçada, possuindo a ementa o seguinte teor (fl. 512): ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 15/02/2000 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. LUPRANAT M2OS Tendo sido retificado o laudo técnico e idemt.9.cado o produto em questão como uma resina aminica ;Poll (!socianato de Fenil Metano), é incabivel sua classificação no capitulo 38. impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Fl. 772DF CARF MF Processo nº 11128.001732/200277 Acórdão n.º 3401003.958 S3C4T1 Fl. 773 6 Arguiu, ainda que, em virtude de sua composição química possuir a resina anímica, torna sua classificação fiscal específica na posição 2929.10, jamais podendo ser classificada na posição genérica 3824.90.32. Informou à fl. 558 que obteve nos do processo 2001.61.00.0075870, da 1a Vara Federal da Seção de SP, laudo pericial favorável sobre a mesma matéria, da lavra do sr. perito Miguel Tadeu Campos Morata, em março de 2012, do IPT (fls. 566596). À fl. 721 a União deu ciência do resultado da diligência, apenas pedindo o prosseguimento do feito. É o relatório. Voto Conselheiro André Henrique Lemos Oportunamente o recurso voluntário foi admitido, razão bastante para haver sua ratificação quanto à este ponto. Como se viu a celeuma diz respeito a classificação do produto importado LUPRANAT M 20 S 4,4 — DIFENILMETILDIISOCIANATO QUALIDADE INDUSTRIAL ESTADO FISICO LÍQUIDO UTILIZADO NA INDÚSTRIA AUTOMOTIVA, CONSTRUÇÃO CIVIL, ETC.". De um lado a Recorrente o classificou no código 2929.10.90, como OUTROS ISOCIANATOS, com alíquota de 3,5% para o II e de 0% (zero) para o IPI, entendendo que tal classificação é específica. Por outro, entendeu a Administração Pública Federal que a mercadoria deve ser classificada no código NCM 3824.90.89, como um Produto das Indústrias Químicas não compreendido, nem especificado em posição diferente da 3824, com alíquotas de 15,5% para o II e 10% para o IPI, exigindo da Recorrente, a diferença dos referidos tributos e seus consectários legais. Cumpre a este Colegiado, depois da diligência feita e analisando as provas contidas nos autos decidir qual a correta classificação fiscal. Como se viu dos autos, em outros 2 (dois) processos administrativos fiscais, referente ao mesmo produto, a DRJ de SP, por unanimidade de votos, julgou improcedentes lançamentos lavrados em face da Recorrente. Fl. 773DF CARF MF Processo nº 11128.001732/200277 Acórdão n.º 3401003.958 S3C4T1 Fl. 774 7 Demais disso, em um laudo pericial feito em juízo, também onde litigaram as mesmas partes sobre o mesmo produto a ser classificado, a conclusão do perito judicial foi de que a classificação feita pelo Contribuinte fora a correta. No caso dos autos, o primeiro laudo técnico (fl. 45) concluiu que se tratava de uma mistura de reação constituída de Isocianatos Aromáticos, contendo 4,4' Diisocianato de Difenilmetano, na forma liquida, enfatizando não se tratar de composto de constituição química definida, mas sim de uma preparação. Depois tal laudo foi aditado (fls. 55 a 68), e ao sentir deste relator, se desdisse, mencionando que o produto não se trata de preparação, mas ratificando que se referia a outro produto a base de compostos orgânicos, não especificado nem compreendido em outras posições e sem constituição química definida. Acrescentou ainda que o LUPRANAT M 20 S é constituído de uma mistura de reação, também denominada de Polimetileno Polifenil Poliisocianato ou Isocianatos Poliméricos ou PMDI, a qual tem como constituinte principal 4060% de 4,4 Diisocianato de Difenilmetano e o restante são siômeros, trímeros e oligômeros de alto peso molecular. Devido as incertezas estabelecidas, este Conselho decidiu pela baixa em diligência, determinandose novo laudo técnico, o qual concluiu que o produto se trata de outra resina amínica, em forma primária, encontrado na posição NESH 3909. Penso que a solução do problema passa pela correta identificação do produto químico e, na seqüência, à luz das regras específicas, a sua classificação fiscal adequada. Nesse sentido, temse que o laudo do LABANA nº 0370.01 (efls. 46/47) concluiu tratarse de uma “Mistura de Isocianatos Aromáticos 4,4Diisocianato de Difenilmetano”, informando ainda que se trataria de um “ISOCIANATO POLIMÉRICO OU PMDI”. Posteriormente, em laudo complementar, houve, mais uma vez, a ratificação que o produto em questão LUPRANAT seria constituído de uma mistura denominada POLIETILENO POLIFENIL POLIISOCIANATA OU ISOCINATOS POLIMÉRICOS (PMDI) (efls. 57/70). Em impugnação o contribuinte afirmou que o Parecer Técnico nº 7071 do IPT ampararia a classificação adotada, todavia aludida transcrição revela que a definição do IPT se assemelha àquela externada pelo LABANA, ao asseverar que se trataria de um produto “sem constituição química definida pois, provavelmente, é constituída de uma mistura de isômeros de diisocianatos de difenilmetano, (...)” (efls. 86 e 113/115). Às efls. 125/127 há uma tradução juramentada de um documento onde se identifica, pela BASF, o produto LUPRANAT M20S, como um POLIMETILENO POFENILISOCIANATO, tendo como sinônimo a descrição MDI POLIMÉRICO. O Parecer Técnico nº 056/2009, do Instituto Falcão Bauer, emitido em atendimento a diligência determinada pelo CARF, concluiu que o LUPRANAT M20S é um Poli(isocianato de Fenil Metano) (MDI Polimérico), sem carga inorgânica, na forma líquida, outra resina amínica, em forma primária. Fl. 774DF CARF MF Processo nº 11128.001732/200277 Acórdão n.º 3401003.958 S3C4T1 Fl. 775 8 Mesmo o Parecer Técnico nº 127 319205, do IPT, que embasou o laudo emitido pelo perito judicial a que alude o relatório, concluiu que seria “nítida a presença majoritária nas análises de espectrometria de massa de PMDI (...)” (efl. 596). De todos os destaques supra verificase que o produto LUPRANAT M 20 S é um “MDI POLIMÉRICO”, de maneira que, aplicandose as orientações das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH, aprovada pela IN RFB 807/2008 e posteriores alterações, com respaldo no art. 3º do DL 1.154/71, esse produto não pode ser classificado no código 2929.10.90, por força da seguinte ressalva: “29.29 Compostos de outras funções nitrogenadas (azotadas). 2929.10 Isocianatos 2929.90 Outros (Texto oficial de acordo com a IN RFB nº 1.260, de 20 de março de 2012) Entre os compostos compreendidos nesta posição, citamse especialmente: 1) Os isocianatos Este grupo de produtos químicos compreende os isocianatos mono e polifuncionais. Os isocianatos di ou polifuncionais, tais como o isocianato de difenil metileno (MDI), o diisocianato de hexametileno (HDI), o diisocianato de tolueno (TDI) e o dímero de diisocianato de tolueno, são bastante utilizados na fabricação dos poliuretanos. Esta posição não compreende o poli(isocianato de fenil metileno), o MDI em bruto ou o MDI polimérico (posição 39.09). 2) Os isocianetos (carbilaminas). 3) As azidas de ácidos carboxílicos. 4) Os derivados orgânicos de substituição amidados dos ácidos inorgânicos (com exclusão do ácido carbônico) e os derivados orgânicos de substituição imidados dos ácidos inorgânicos. 5) O ciclamato de cálcio (cicloexilsulfamato de cálcio). 6) O octametilpirofosforamida (OMPA). 7) A dimetilnitrosamina. 8) A tetranitrometilamilina (tétryl), etc. utilizado como explosivo. 9) A nitroguanidina. Explosivo.”(destacado) Por outro lado, a classificação NCM 3824.90.89, adotada pela fiscalização, também não se mostra adequada, por força da RGI/SH 3.a), primeira parte, consoante a qual a Fl. 775DF CARF MF Processo nº 11128.001732/200277 Acórdão n.º 3401003.958 S3C4T1 Fl. 776 9 posição mais específica prevalece sobre a mais genérica, que, de acordo com a já citada NESH, deve ocorrer na posição 3909, verbis: “39.09 Resinas amínicas, resinas fenólicas e poliuretanos, em formas primárias. 3909.10 Resinas ureicas; resinas de tioureia 3909.20 Resinas melamínicas 3909.30 Outras resinas amínicas 3909.40 Resinas fenólicas 3909.50 Poliuretanos (Texto oficial de acordo com a IN RFB nº 1.260, de 20 de março de 2012) Esta posição abrange: 1) As resinas amínicas Resultam da condensação de aminas ou amidas com aldeídos (formaldeído, furfurol ou outros). Os mais importantes são os produtos de condensação do formaldeído com uréia ou com tiouréia (resinas uréicas e resinas de tiouréia), com a melamina (resinas melamínicas) ou com anilina (resinas de anilina). Estas resinas utilizamse na fabricação de artefatos de plástico transparente, translúcido ou colorido e com brilho notável; são muito empregadas para moldação, utensílios de mesa, artigos de fantasia ou objetos para usos eletrotécnicos. Em soluções e dispersões (emulsões e suspensões) (modificadas ou não por óleos vegetais, ácidos graxos (gordos*), álcoois ou outros polímeros sintéticos), utilizamse como colas, aprestos para têxteis, etc. (ver as Considerações Gerais deste Capítulo, exclusão b), para a classificação das colas). O poli(isocianato de fenil metileno) (que é freqüentemente denominado “MDI em bruto” ou “MDI polimérico”) apresenta se na forma líquida, de aparência opaca, de uma cor que vai do castanho escuro ao castanho claro e sintetizase por reação de anilina e de formaldeído para constituir o poli(metileno fenilamina) que, reagindo em seguida com fosgênio e calor, dá as funções isocianato livres. É um polímero modificado quimicamente de anilina e de formaldeído (uma resina amínica modificada quimicamente). O polímero daí resultante totaliza uma quantidade média de unidades monoméricas compreendida entre 4 e 5 e é um importante prépolímero utilizado na fabricação de poliuretanos. As resinas poliaminas, tais como as poli(etilenoaminas) não são resinas amínicas e classificamse na posição 39.11 quando satisfaçam as disposições da Nota 3 do presente Capítulo.” Fl. 776DF CARF MF Processo nº 11128.001732/200277 Acórdão n.º 3401003.958 S3C4T1 Fl. 777 10 Assim, tratandose de uma resina amínica sem especificação própria nos códigos 3909.10 e 3909.20, sem carga inorgânica, sua classificação fiscal, a meu sentir, deveria se dar no código NCM 3909.30.20 – Outras Resinas Amínicas, sem carga. A CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira, por meio da Divisão de Nomenclatura, Classificação Fiscal e Origem de Mercadorias, expediu a Informação COANA/COTAC/DINOM Nº XX, de 2007, onde, revendo a posição adotada na Informação COANA/COTAC/DINOM nº 329/2005, de 20/06/2005, que indicava a NCM 3824.90.90 para o produto denominado ‘LUPRANAT M 20 S”, definiu que a posição fiscal adequada se dava no código NCM 3909.30.20: “Tendo em conta as características dos produtos, dadas na Informação Técnica n.º 004/2004 do Laboratório de Nacional de Análises Luiz Angerami (Labana), às fls. 117 a 177, verificase que as mercadorias “RUBINATE 1680”, “LUPRANATE MS 103”, “LUPRANATE MM 103”, “SUPRASEC 2020”e “RUBINATE 9497” são compostos denominados “MDI modificados”, similares ao “ISONATE 143L”, e que as mercadorias “ELASTOFLEX R 23000 T”, , “LUPRANAT M 70 R”, “LUPRANAT M 20 S”, “MILLIONATE MR100” e “RUBINATE 7065” são compostos denominados “MDI poliméricos”, similares “RUBINATE 5005”. Analisando a fundamentação legal apresentada pela SRRF08/Diana, nas Soluções de Consulta nº 5 e nº 55, de 2005, esta Dinom concorda que o produto “difenilmetano diisocianato polimérico (MDI polimérico)”, por tratarse de prépolímero de resina amínica quimicamente modificada, em forma primária, classificase no código 3909.30.20 da NCM e que o produto “difenilmetano diisocianato modificado (MDI modificado)”, por tratarse de prépolímeros com grupos isocianatos e um grupo uretonimina, classificase no código 3911.90.29 da NCM. A posição 38.24 do Sistema Harmonizado (SH) produtos químicos e preparações das indústrias químicas ou das indústrias conexas (incluídos os constituídos por misturas de produtos naturais), não especificados nem compreendidos em outras posições – somente compreende, conforme seu próprio texto, produtos não compreendidos por outras posições da nomenclatura. Uma vez que os referidos produtos são abrangidos, respectivamente, pelas posições 39.03 e 39.11 do SH, classificamse nestas posições e não na posição 38.24. Diante do exposto, esta Dinom retifica a Informação Coana/Cota/Dinom nº 2005/00329, às fls. 180 e 181, concluindo que as mercadorias “RUBINATE 1680”, “LUPRANATE MS 103”, “LUPRANATE MM 103”, “SUPRASEC 2020”, “RUBINATE 9497” e “ISONATE 143L” classificamse adequadamente no código 3911.90.29 da NCM e que as mercadorias “ELASTOFLEX R 23000 T”, , “LUPRANAT M 70 R”, “LUPRANAT M 20 S”, “MILLIONATE MR100”, “RUBINATE 7065” e “RUBINATE 5005” classificamse adequadamente no código 3909.30.20 da NCM.” Fl. 777DF CARF MF Processo nº 11128.001732/200277 Acórdão n.º 3401003.958 S3C4T1 Fl. 778 11 Com essas considerações, tenho que, tanto a classificação adotada pelo sujeito passivo, quanto pela fiscalização aduaneira, não são condizentes com o produto importado, de maneira que, na linha jurisprudencial desse CARF, em hipótese como a dos autos, quando ambas as classificações propostas não são adequadas, deve ser dado provimento ao recurso para tornar o lançamento insubsistente. Não acatada a classificação proposta pelos autuantes, restam prejudicadas as multas aplicadas, que, por arrastamento, devem ser consideradas insubsistentes. Dispositivo Com estas considerações, conheço do recurso voluntário e lhe dou provimento. André Henrique Lemos Relator Fl. 778DF CARF MF
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