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Numero do processo: 16327.720098/2016-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2011 a 31/12/2011
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade.
MULTA DE OFÍCIO CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE.
Não cabe lançamento de multa de ofício quando a exigibilidade do crédito esteja suspensa por decisão judicial quando do início da ação fiscal.
Numero da decisão: 3301-004.833
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário e, na parte conhecida, dar provimento para excluir a multa de ofício,vencida a conselheira Semirames de Oliveira Duro quanto ao conhecimento parcial do recurso. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Semiramis de Oliveira Duro. Entretanto, findo o prazo regimental, a Conselheira não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada nos termos do § 7o, art. 63, do anexo II, da Portaria MF 343/2015 (RICARF).
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracterizase a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. MULTA DE OFÍCIO CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. Não cabe lançamento de multa de ofício quando a exigibilidade do crédito esteja suspensa por decisão judicial quando do início da ação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário e, na parte conhecida, dar provimento para excluir a multa de ofício,vencida a conselheira Semirames de Oliveira Duro quanto ao conhecimento parcial do recurso. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Semiramis de Oliveira Duro. Entretanto, findo o prazo regimental, a Conselheira não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada nos termos do § 7o, art. 63, do anexo II, da Portaria MF 343/2015 (RICARF). (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 00 98 /2 01 6- 48 Fl. 526DF CARF MF Processo nº 16327.720098/201648 Acórdão n.º 3301004.833 S3C3T1 Fl. 518 2 (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 7ª Turma da DRJ/POA (Acórdão nº 1057.799 7ª Turma da DRJ/POA), que julgou procedente o lançamento de COFINS e PIS das instituições financeiras e equiparadas, tendo como base de cálculo das contribuições a totalidade das atividades desenvolvidas em torno de seu objeto social. Insurgese a Recorrente contra a pretensão fiscal, por entender que a questão já fora dirimida nos autos do Mandado de Segurança n. 2006.61.00.0214374, impetrado em 29/09/2006, em face do Delegado da DEINF, por meio do qual foi concedida a liminar e a segurança para: “determinar a suspensão do recolhimento das contribuições do PIS e da COFINS nos termos do §1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998”. A controvérsia está na seguinte questão: se as receitas provenientes da atividade estatutária sofrem incidência das contribuições destinadas para a COFINS e o PIS. A fiscalização afirmou que no período fiscalizado a contribuinte recolheu o PIS e a COFINS somente sobre as receitas de prestação de serviços escrituradas na conta Cosif n. 7.1.7.00.00.9, motivo pelo qual se impõe lançar de ofício os créditos tributários relativos às demais receitas operacionais excluídas da base de cálculo. Sustentando entendimento contrário ao do Fisco, garante a empresa recorrente que as receitas provenientes da atividade financeira não se classificam como receitas a fazer incidir as contribuições sociais, PIS e COFINS, haja vista a declaração de inconstitucionalidade da expansão da base de cálculo prevista pelo parágrafo 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998. Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (fls. 364/379): Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados contra o sujeito passivo em epígrafe para constituição de créditos tributários de Cofins e PIS do período fevereiro de 2011 a dezembro de 2011. A empresa atua na área financeira, tendo como objeto a prática de variadas operações de crédito, financiamentos e investimentos. A autuação decorre da análise da apreciação dos documentos apresentados após intimação e dos Fl. 527DF CARF MF Processo nº 16327.720098/201648 Acórdão n.º 3301004.833 S3C3T1 Fl. 519 3 constantes dos sistemas da Receita Federal. A omissão de receita constatada já havia sido objeto de autuações anteriores. Os lançamentos somaram R$ 23.487.646,52 de Cofins e R$ 3.816.742,52 de PIS, totalizando, com a multa de ofício de 75% (passível de redução para parcelamento ou pagamento no prazo) e juros moratórios no momento do lançamento, os valores de R$ 51.593.644,66 e R$ 8.383.976,08, respectivamente (fls. 124 a 137). O Termo de Verificação Fiscal (TVF), devidamente lavrado por auditorfiscal da Receita Federal do Brasil, consta das fls. 114 a 121. É considerado o Mandado de Segurança de nº 2006.61.00.0214374, no qual foi concedida a segurança para suspensão dos recolhimentos nos termos do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998 e assegurar direito à compensação de valores recolhidos indevidamente. Constatouse que o contribuinte considerou na base de cálculo das referidas contribuições apenas a receita de prestação de serviços, classificada na conta 7.17.00.009 – Cosif. O auditorfiscal explica e justifica que a declaração de inconstitucionalidade do conceito de faturamento ampliado da Lei 9.718/1998 não significa que as rendas de operações de crédito com empréstimos, financiamentos e aplicações de depósitos interfinanceiros não devam ser incluídas na base de cálculo. Estas receitas, via de regra, foram apresentadas pela empresa em planilha denominada Demonstrativo de Provisão. Estes valores, que compõem o resultado operacional da empresa, foram objeto de lançamento de ofício. A empresa foi cientificada à fl. 140. Em 24/03/2016, o lançamento foi impugnado (fls. 145 a 356). De início, sustentase a tempestividade da peça impugnatória, ressaltando o entendimento de que a matéria foi submetida à apreciação do judiciário. A seguir, apresenta descrição das fases e decisões da ação judicial. Frisa que a autoridade impetrada se manifestou nos autos, inclusive sobre entendimento de ser o faturamento equivalente a receita operacional. Sustenta que a sentença concessiva, ao afastar o parágrafo já citado e não acolher o entendimento da autoridade impetrada, determinando adotar o conceito legal como a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, não autorizou a incidência sobre a ‘receita operacional’. Discorre sobre o sistema jurídico brasileiro e conclui que o Judiciário acolheu, integralmente, na motivação, a causa de pedir (causa petendi) articulada pelo autor, afastando o “contradireito” (causa excipiendi) arguido pelo réu. A questão do conceito específico, não agasalhada pelo Magistrado, está sepultada na ação. Se insurge contra o posicionamento da Fazenda, do qual se poderia defluir que a ausência de um pronunciamento expresso estaria militando contra a impugnante, que então deveria recorrer da sentença de procedência do seu pleito, posicionamento que não poderia ser admitido. Deveria a União, isto sim, ter manobrado os recursos competentes. Alega também que o fundamento do pedido está arrimado em Fl. 528DF CARF MF Processo nº 16327.720098/201648 Acórdão n.º 3301004.833 S3C3T1 Fl. 520 4 precedentes específicos do STF, que declararam a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998. Cita também decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Subsidiariamente, caso se entenda pelo não cancelamento integral do auto de infração, impõese a aplicação do art. 63 da Lei 9.430/1996, segundo o qual não cabe a aplicação de multa em lançamento para prevenir a decadência. A exigibilidade do crédito tributário encontravase suspensa no momento de sua constituição. Ainda alternativamente, caso se entenda que as receitas decorrentes das atividades das instituições financeiras possam ser classificadas como prestação de serviços para fins tributários, é necessário examinar o alcance dessa expressão fixado em atos normativos da própria RFB. A IN 247/2002, em seu art. 95, determina que as instituições financeiras devem apurar o PIS e a Cofins de acordo com planilha constante em seu anexo I, no qual o grupo de contas 7.1.7 referese a “rendas de prestação de serviços”, abrangendo as sub contas: E OUTROS SERVIÇOS 7.1.7.99.00 3 Conclui a impugnante que a própria RFB sempre definiu, como prestação de serviços, as receitas acima indicadas. Se a pretensão da União é modificar esse conceito, para nele incluir todas as demais atividades que constituam o objeto social da pessoa jurídica (receita operacional total), como prestação de serviços, não é possível que se exija os juros moratórios e multa de ofício, nos termos do que estatui o parágrafo único do art.100 do CTN. Protesta, ainda, pelo reconhecimento de erros nos cálculos que consubstanciaram o auto de infração. Teriam sido incluídos equivocadamente na base de cálculo das contribuições sociais valores correspondentes às “Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez”, alocados na subconta “Rendas de Aplicações em Depósitos Interfinanceiros. Seguindo a impugnação, sob tal rubrica, estão incluídas aplicações com Fl. 529DF CARF MF Processo nº 16327.720098/201648 Acórdão n.º 3301004.833 S3C3T1 Fl. 521 5 recursos pertencentes à própria impugnante, e não de terceiros, com objetivo de manter o capital de giro. Também foram incluídos indevidamente os valores de “recuperação de encargos e despesas”, bem como relativos às “Outras Receitas Operacionais”, na qual estão incluídos “juros sobre depósitos judiciais”, “juros incidentes sobre Finsocial a recuperar”, “juros sobre títulos da dívida agrária”, entre outras. Todos estes valores, não denotam receitas operacionais da impugnante. Por fim, requer o cancelamento do auto de infração e, subsidiariamente, o cancelamento da multa de ofício ou da multa e dos juros ou, ainda alternativamente, sejam abatidas as receitas que não correspondem ao objeto social. A unidade de origem atesta a tempestividade da peça impugnatória e encaminha para apreciação de Delegacia de Julgamento. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgoua improcedente procedente, com a seguinte ementa (fl. 364/365): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2011 a 31/12/2011 INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS OPERACIONAIS DECORRENTES DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. VALOR TRIBUTÁVEL. As receitas operacionais, definidas no Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional COSIF do Banco Central do Brasil como aquelas que representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais, são tributáveis, ainda que no regime de apuração cumulativa da contribuição e mesmo se referiremse a recursos próprios. A inclusão das receitas de intermediação financeira, operacionais, não são afetadas pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo promovido pelo já revogado § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2011 a 31/12/2011 INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS OPERACIONAIS DECORRENTES DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. VALOR TRIBUTÁVEL. As receitas operacionais, definidas no Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional COSIF do Banco Central do Brasil como aquelas que representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, Fl. 530DF CARF MF Processo nº 16327.720098/201648 Acórdão n.º 3301004.833 S3C3T1 Fl. 522 6 regulares e habituais, são tributáveis, ainda que no regime de apuração cumulativa da contribuição e mesmo se referiremse a recursos próprios. A inclusão das receitas de intermediação financeira, operacionais, não são afetadas pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo promovido pelo já revogado § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2011 a 31/12/2011 TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES NÃO DECLARADOS. MULTA APLICÁVEL. Tributo não declarado e não pago é constituído de ofício, com o acréscimo da multa de 75%. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2011 a 31/12/2011 INCORREÇÃO DE BASE DE CÁLCULO. ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. Nos termos do Decreto 70.235/1972, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. Cabe, portanto, à impugnante, trazer, juntamente com suas alegações impugnatórias, todos os documentos que dêem a elas força probante. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Foi apresentado Recurso Voluntário (fls. 388/406), no qual a Recorrente apresentou as seguintes questões: 3.1 Delimitação do objeto do Mandado de Segurança: necessidade de cancelamento do crédito tributário; 3.2. Exclusão da multa de ofício (art. 63 da Lei n. 9.430/96); 3.3. Instrução Normativa n. 247/02: a composição do faturamento das instituições financeiras e equiparadas; e 3.4. Erros nos cálculos da fiscalização. A Recorrente então solicitou a juntada de recentes manifestações do Tribunal Regional Federal da 3a Região (fls. 451/516). bem como e a retirada do presente processo da pauta de julgamento do mês de abril, para que tal decisão pudesse ser devidamente apreciada. É o relatório. Fl. 531DF CARF MF Processo nº 16327.720098/201648 Acórdão n.º 3301004.833 S3C3T1 Fl. 523 7 Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Cumpre esclarecer inicialmente que o processo no 16327720236/201346, referente a períodos de apuração anteriores, que tratou de lançamento envolvendo a mesma matéria, já foi apreciado por esta turma deste Carf, sob a relatoria da Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, e com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. AUSÊNCIA DE INCLUSÃO NA DISCUSSÃO SOBRE A CONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. A base de cálculo do PIS e da COFINS em relação às instituições financeiras, em virtude de sua atividade, é obtida pela aplicação do disposto nos arts. 2º e 3º, caput, da Lei nº 9.718/1998, consideradas as exclusões e deduções gerais e específicas previstas nos §§ 5º e 6º do referido art. 3º. A discussão sobre a inclusão das receitas auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento, para fins de incidência de PIS e COFINS, não se confunde com o debate envolvendo a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, como já reconheceu o STF. PIS E COFINS. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entendese por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social. Recurso voluntário negado. Apesar da extrema acuidade do voto constante do Processo no 16327 720236/201346 ( Acordão no 3301002.884 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária), há realmente um fato novo que altera a situação, tratase da decisão do TRF da 3a Região, publicada em 10 de abril de 2018, com o seguinte acórdão (fl. 452): ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por unanimidade, negar provimento ao apelo dos impetrantes, bem como dar parcial provimento ao Fl. 532DF CARF MF Processo nº 16327.720098/201648 Acórdão n.º 3301004.833 S3C3T1 Fl. 524 8 reexame necessário e à apelação da União, para reformar em parte a sentença a fim de tão somente explicitar a respeito da incidência das contribuições sociais em debate sobre os valores decorrentes do exercício de atividades operacionais pelo contribuinte (da venda de mercadorias, da prestação de serviços e de mercadorias e serviços), incluídas as receitas financeiras, nos termos do relatório e voto que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. (grifouse). Diante de tal decisão, cabe a este CARF reconhecer a concomitância, reconhecer a suspensão da exigibilidade da sentença conferida pelo Poder Judiciário, de acordo com ao 151 do CTN. Cabe também exonerar a multa de ofício, nos termos do art. 63 da Lei no 9.430, de 1996. Diante do exposto, voto por não conhecer da matéria levada ao crivo do Poder Judiciário e, na parte conhecida, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a aplicação da multa de ofício. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 533DF CARF MF
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Numero do processo: 16349.000352/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
A não-cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços.
INSUMO. CONCEITO.
Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividade-fim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo não-circulante, hipótese em que já previsão específica de apropriação.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO
PROPORCIONAL.
Na determinação dos créditos da não-cumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS.
Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS
O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País.
Numero da decisão: 3401-004.900
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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A nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. INSUMO. CONCEITO. Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividadefim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo nãocirculante, hipótese em que já previsão específica de apropriação. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas. REGIME NÃOCUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 03 52 /2 00 9- 19 Fl. 314DF CARF MF Processo nº 16349.000352/200919 Acórdão n.º 3401004.900 S3C4T1 Fl. 0 2 o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Fl. 315DF CARF MF Processo nº 16349.000352/200919 Acórdão n.º 3401004.900 S3C4T1 Fl. 0 3 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, de créditos de contribuição não cumulativa, vinculadas à receita do mercado externo, com débitos administrados pela RFB. Foi emitido Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado e homologou as compensações até o limite reconhecido. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, a contribuinte encaminhou sua Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, o seguinte: 1) Créditos a descontar na importação: a empresa apurou créditos decorrentes de suas operações de importação de insumos e produtos para revenda, norteandose pelo art. 15 da Lei n° 10.865/2004. O Fisco questionou tais créditos com base nas seguintes premissas: (a) importação de bens classificados na NCM 38.08 assim como das matériasprimas utilizadas para sua produção que supostamente deveriam ser tributados à alíquota zero da contribuição; e (b) crédito tomado sobre produtos que não se caracterizam no conceito de insumos. Ocorre que o NCM 38.08 não diz respeito apenas a defensivos agrícolas, bem como a empresa não fabrica somente o tipo de produto classificado em tal NCM. Estão inseridos no rol de produtos abarcados pela NCM 38.08 diversas outras mercadorias e não só defensivos agrícolas abarcados pela alíquota zero da contribuição. A empresa é produtora de inseticidas, raticidas, produtos de jardinagem amadora e repelentes, os quais se inserem, como os defensivos agrícolas, no rol 38.08 da NCM, mas que são tributados pela alíquota regular. Não foram confrontados os NCMs indicados pela empresa em suas DIs, se pautando o despacho decisório apenas em premissa de que todos os produtos comercializados estariam classificados no NCM 38.08 como defensivos agrícolas e que, por isso, não dariam direito ao crédito pleiteado. Acosta planilha e folders. 2) Créditos decorrentes da aquisição de insumos: a Fiscalização glosou créditos da empresa relativos à aquisição de insumos utilizados em seu processo produtivo. Estas glosas são refutadas porque: a) conceito de insumos: tomandose como referência os intentos do Legislador, constantes de Exposição de Motivos da norma instituidora da sistemática nãocumulativa da COFINS (delimitou o regime de apuração de créditos totalmente diferente daquela adotada pela legislação do IPI), reputase claramente ilegal o conceito utilizado pela Fiscalização na definição de insumos. A definição sugerida pela Fiscalização se pautou, além da impossível utilização por analogia das normas do IPI, também na IN n°247/2002, que trata quase que de forma idêntica da conceituação de insumos para creditamento da COFINS da conceituação elaborada para fins de IPI. Isso fica latente quando se contempla como um dos prérequisitos para o enquadramento de determinada mercadoria como insumo seu contato direto com o produto final que está sendo elaborado. A intenção do legislador era a desoneração do faturamento e não do produto final, razão pela qual difícil conceber como necessários, para a conceituação de insumos, a restrição contida no referido Fl. 316DF CARF MF Processo nº 16349.000352/200919 Acórdão n.º 3401004.900 S3C4T1 Fl. 0 4 dispositivo infralegal, que obriga a ocorrência do contato direto da mercadoria com o produto final que se está a elaborar. A norma infralegal agiu ao total arrepio de suas competências ao regular preceito em total desacordo com os intentos da legislação que lhe dá fulcro, sofrendo, por conseguinte, de uma ilegalidade contida em sua gênese. Deve ser afastada a aplicabilidade da possível interpretação restritiva do crédito aqui discutido, pautada pela definição contida na IN, que obrigue o contato direto do insumo com o produto final que se está a produzir. È de todo evidente que o crédito de insumos apropriados pela empresa não pode ser contestado pelos argumentos levantados pela Fiscalização, vez que este se baseou em norma ilegal emitida pela RFB em desacordo com a legislação que lhe dá sustento, devendo este ser reconhecido em sua totalidade; b) contato direto dos insumos glosados ao produto final: após análise exaustiva dos diversos produtos enumerados pela Fiscalização em sua planilha de exclusões, a empresa houve por bem elaborar demonstrativo (anexado), no qual justifica o enquadramento dos produtos desconsiderados do conceito de insumos sugerido, refutando os argumentos de que estes não poderiam gerar direito ao crédito de COFINS apropriado. Assim: 1) materiais de embalagem: em sua totalidade, os materiais de embalagem considerados pelo despacho decisório como de mero acondicionamento para transporte, compõem na verdade o produto final e servem não para o transporte, mas sim para a proteção dos produtos comercializados desde o término de sua produção até o consumo final. Os produtos elaborados pela empresa, por serem de cunho tóxico, se sujeitam a diversas normas regulatórias emanadas por Agências Governamentais, as quais lhe obrigam a acondicionar suas mercadorias em embalagens padronizadas e resistentes. As caixas (que compõem grande parte dos produtos glosados pelo despacho em questão) são reforçadas por divisórias e colunas de proteção, além de se utilizarem de gramatura superior as caixas comuns contidas no mercado, evitando que o produto químico produzido sofra alterações em decorrência do contato excessivo com, por exemplo, a luz solar. Tal proteção não visa o transporte da mercadoria, a qual seria inutilizada por seu consumidor final após o recebimento destas, mas sim o acondicionamento de produtos tóxicos que devem ser sempre guardados por estas na sequência ao seu manejo, evitando assim prejuízos ao meio ambiente decorrentes de possíveis contaminações. Também se pode ver que na embalagem do produto final comercializado existem rótulos que são colocados em cada uma delas contendo informações importantes acerca das recomendações para a utilização dos produtos, assim como dos perigos que este pode causar caso sejam manejados de forma imprópria. Se estas caixas servissem apenas para o mero transporte não se fariam necessárias explicações atinentes aos procedimentos que devem ser adotados pelo consumidor final para utilização dos produtos. Os materiais de embalagem servem ao propósito de acondicionamento da mercadoria em si e não para o mero transporte destas. Não há que se falar em ilegalidade do crédito, devendo as caixas e todos os outros produtos que a compõem (rótulos, tinta, etiquetas e etc.) ser reconhecidos como insumos dos produtos comercializados, com geração de créditos; 2) materiais de limpeza: podem ser separados naqueles que são utilizados para a limpeza do pátio industrial e nos que são utilizados como produtos intermediários que visam a higienização das tubulações por onde passam os produtos químicos elaborados pela empresa ou o tratamento da água utilizada para aquecer em "banho maria" as matérias primas colocadas na caldeira de produção. Quanto a estes últimos, por serem de aplicação necessária ao processo produtivo, não há que se Fl. 317DF CARF MF Processo nº 16349.000352/200919 Acórdão n.º 3401004.900 S3C4T1 Fl. 0 5 questionar que geram direito ao crédito de COFINS. Os produtos glosados pela fiscalização, como se comprova pela planilha anexa, dizem respeito ao segundo tipo de materiais de limpeza, ou seja, aqueles que estão inseridos no processo produtivo e não são simplesmente utilizados para desinfetar o pátio fabril, mas sim para impedir que bactérias contaminem os produtos químicos que estão sendo produzidos; 3) créditos sobre matéria prima alíquota zero: esse beneficio é aplicado apenas nas aquisições destinadas à produção de defensivos agrícolas, sendo que nas aquisições regulares destas mercadorias no mercado interno ou externo ocorre a incidência normal de COFINS. Como dito, é empresa que, dentre outros, produz mercadorias saneantes também classificadas no NCM 38.08 (engloba os defensivos agrícolas), as quais se sujeitam à alíquota regular da contribuição aqui tratada (inseticidas, raticidas, fungicidas e etc.). Assim, equivocada está a Fiscalização ao glosar, sem uma análise aprofunda, todas as matérias primas adquiridas após a data de vigência da alíquota zero atribuída para a produção de defensivos agrícolas. 3) Despesas com aluguéis: a Fiscalização glosou parcela dos créditos aferidos na rubrica "Despesas de Alugueis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas" sob o argumento de estarem contidos em sua composição valores que não se prestam a este tipo creditório. A maioria das glosas diz respeito a despesas tidas com energia elétrica, as quais foram incorretamente inseridas na rubrica em questão. Os créditos decorrentes de despesas de energia elétrica não vislumbram qualquer restrição pela legislação vigente da contribuição, devendo ser considerados em sua íntegra. A situação em tela se caracteriza como sendo mero equivoco formal cometido pela empresa no preenchimento de seu DACON. Não se presta como argumento suficiente para a glosa de créditos pleiteados, eis que nos processos referentes a ressarcimento/restituição, o principio da verdade material deve ser aplicado, tanto quanto nos casos relativos à constituição de créditos tributários. 4) Rateio Proporcional: a Fiscalização recalculou as porcentagens adotadas pela empresa para fins de apuração dos tipos creditórios aferidos no período em questão, sob o argumento de que não poderiam ter sido incluídos no cômputo das "Receitas de Vendas Não Tributadas no Mercado Interno", receitas tidas com operações financeiras e com vendas de ativos imobilizados. Fundamentou no art. 17 da Lei n° 11.033/2004. Mas este artigo prevê apenas a possibilidade de manutenção dos créditos de COFINS dos contribuintes quando estes possuam receitas abrangidas por normas isentivas ou de não incidência. Não faz ele qualquer distinção entre as receitas que deverão ser incluídas ou não no computo da sistemática de cálculo intitulada "rateio proporcional". Além disso, caso estivesse correto o entendimento da Fiscalização, a exclusão destas receitas do cálculo do rateio proporcional não poderia ocasionar a anulação do direito creditório aferido, porquanto o crédito permaneceria válido, passando de um crédito decorrente de receitas não tributadas para um crédito de receitas tributadas e/ou de exportações. 5) Diligências e perícias: pelo volume de documentos juntados aos autos, não resta outra alternativa para a análise efetiva de todo material apresentado, assim como para desvendar a verdade material dos fatos, que se: a) baixe o processo em diligência para análise dos documentos apresentados, como também outros que os sejam entendidos necessários para a validação do crédito pleiteado; b) realize trabalhos periciais, visando a validação dos argumentos apresentados pela empresa em relação ao correto enquadramento de seus insumos, a fim de que se reconheça seu direito creditório; Fl. 318DF CARF MF Processo nº 16349.000352/200919 Acórdão n.º 3401004.900 S3C4T1 Fl. 0 6 c) sejam analisados os quesitos que apresenta (art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972). Sobreveio Acórdão nº 10046.579, exarado pela DRJ/POA, que considerou improcedente a impugnação, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário tempestivo, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.871, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 16349.000309/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.871): "Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, e reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo seu conhecimento. Do Mérito A maior parte dos créditos glosados pela Fiscalização devemse ao fato de que essa autoridade descaracterizou como insumos as aquisições de mercadorias que ensejaram o respectivo crédito de COFINS nãocumulativa. Nessa linha, foram glosados créditos referentes à aquisição de produtos de limpeza industrial e material de embalagens. Diante disso, convém discorrer brevemente sobre a não cumulatividade da Contribuição Social ao PIS e da COFINS A modalidade nãocumulativa das contribuições sociais surgiu em decorrência da edição das Medidas Provisórias 66/2002 e 135/2003, posteriormente convertidas nas Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 319DF CARF MF Processo nº 16349.000352/200919 Acórdão n.º 3401004.900 S3C4T1 Fl. 0 7 Anteriormente, a nãocumulatividade tributária no Brasil foi inaugurada com o ICMS e o IPI, sob influência da sistemática de tributação sobre o valor agregado, em voga em muitos países europeus a partir da segunda metade do século XIX, e pouco se desenvolveu de doutrina – e jurisprudência – a respeito da definição dos itens que poderiam ser admitidos como crédito; primeiro, porque houve uma taxatividade mais explícita dos itens creditáveis; segundo, até o advento da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os debates jurídicos eram monopolizados pelos conflitos de ordem eminentemente formal, especialmente nos casos em que o contribuinte leis ordinárias est de forma conflituosa com os dispositivos constitucionais sobre tais tributos nos últimos cinquenta. Contudo, diferentemente de outros tributos nãocumulativos, como o ICMS e o IPI, a regulamentação constitucional limitou se a delegar à lei ordinária para que essa estabelecesse quais setores de atividade econômica o regime nãocumulativo seria aplicável, conforme se denota da inclusão do parágrafo doze ao artigo 195, da Constituição Federal: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. Vejam que, em relação ao ICMS e ao IPI, a Constituição Federal foi um pouco menos econômica, buscando definir limites mínimos para a aplicação do conceito da não cumulatividade tributária: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: IV produtos industrializados; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...) Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: I será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas Fl. 320DF CARF MF Processo nº 16349.000352/200919 Acórdão n.º 3401004.900 S3C4T1 Fl. 0 8 anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; De tal forma, ainda que o princípio da nãocumulatividade guarde um significado próprio – qual seja a de viabilizar a tributação sobre o valor agregado –, é certo que a modalidade nãocumulativa das contribuições sociais deve ser encarada mormente pelos mandamentos previstos nas respectivas leis de sua criação, não cabendo a esse Tribunal ultrapassar os limites objetivos previstos por essa legislação infraconstitucional. Esse é o comentário de Ricardo Mariz de Oliveira, na obra coletiva “Não Cumulatividade Tributária: Todavia, pelo que consta desse artigo, já se pode constatar que se trata de um regime de nãocumulatividade parcial, pois ele não assegura plena dedução de créditos, mas apenas dos valores listados “numerus clausulus” e segundo regras de cálculo prescritas expressamente. (Editora Dialética, 2009. Página 427) Assim, devese ter em vista que a nãocumulatividade não comporta um conceito absoluto e independente da legislação que regra os tributos com essa particularidade. Isso não será diferente com as contribuições sociais. Na miríade de atos normativos que regem a contribuições sociais nãocumulativas, é muito claro que nos detemos no artigo 3º, das Leis Federais de regência, muito embora as modalidades de direito ao crédito estejam espalhadas na legislação ordinária que regulam as contribuições sociais para setores específicos e operações específicas, as quais algumas serão objeto de análise mais adiante. Nesse primeiro momente, vejamos o citado artigo 3º: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o; e (Redação dada pela Medida Provisória nº 413, de 2008) Produção de efeitos a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) Fl. 321DF CARF MF Processo nº 16349.000352/200919 Acórdão n.º 3401004.900 S3C4T1 Fl. 0 9 b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); V – despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para Fl. 322DF CARF MF Processo nº 16349.000352/200919 Acórdão n.º 3401004.900 S3C4T1 Fl. 0 10 locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. E fica bem claro que o item de maior questionamento desde o início da vigência do regime nãocumulativo é aquele que se refere a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.” Vejam que a expressão “insumo”, na legislação de referência, não foi adicionada de uma definição própria para aplicação, de modo que, nos termos do artigo 11, da Lei Complementar 95/1998, que trata da elaboração e redação das leis, as palavras devem ser utilizadas no texto legal em seu sentido comum, de modo que a interpretação da legislação deve seguir tal comando como premissa. Diante disso, cabe mencionar que, segundo o Dicionário Aurélio1, insumo pode ser definido como o “elemento que entra no processo de produção de mercadorias ou serviços; máquinas e equipamentos, trabalho humano, etc.; fator de produção”. No que se refere ao conceito de insumo em âmbito jurídico, o eminente tributarista Aliomar Baleeiro2, há muito já definira: 1 Novo Aurélio Século XXI – O Dicionário da Língua Portuguesa, 3ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 2 In Direito Tributário Brasileiro, 9ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1980, pág. 214. Fl. 323DF CARF MF Processo nº 16349.000352/200919 Acórdão n.º 3401004.900 S3C4T1 Fl. 0 11 (...) é uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa 'input', isto é, o conjunto dos fatores produtivos, como matériasprimas, energia, trabalho, amortização do capital, etc., empregados pelo empresário para produzir o 'output' ou o produto final. (...) De fato, do ponto de vista puramente econômico, o conceito acima nos parece apropriado. Para a ciência econômica, tal definição inclui todos os elementos necessários à produção de um bem, mercadoria ou serviço, tais como matériasprimas, bens intermediários, equipamentos, capital, horas de trabalho, etc. Todavia, para fins fiscais, o termo insumo é utilizado de maneira mais restrita, haja vista a pouca disposição existente até hoje para se desenvolver esse conceito no Direito Brasileiro. Nas raras remissões legislativas encontradas, usualmente tratase do ICMS e do IPI, tributos onde há uma forte vinculação física entre o produto final e o bem que irá gerar crédito fiscal, mesmo porque constituem impostos sobre a “produção e circulação de bens e serviços”, tal como disposto em nosso Código Tributário Nacional (Capítulo IV da Lei nº 5.172/1966 CTN). No caso do ICMS, o que se observa é uma evolução gradual do conceito de insumo, que acaba ampliando o conceito básico e evidente da tríade matériaprima/produto intermediário/material de embalagem, principalmente no que se refere ao que se chama produto intermediário. Nas raras oportunidades em que a legislação estadual enfrentou o tema, podemos citar um ato normativo que pode ser considerado como pioneiro na definição de insumo: a Decisão Normativa CAT 01/2001, do Estado de São Paulo, que, ao exemplificar mercadorias que poderiam ser consideradas insumos, deu especial destaque àqueles produtos que são utilizados no processo ainda que não componham o produto final: Entre outros, têmse ainda, a título de exemplo, os seguintes insumos que se desintegram totalmente no processo produtivo de uma mercadoria ou são utilizados nesse mesmo processo produtivo para limpeza, identificação, desbaste, solda etc.: lixas; discos de corte; discos de lixa; eletrodos; oxigênio e acetileno; escovas de aço; estopa; materiais para uso em embalagens em geral tais como etiquetas, fitas adesivas, fitas crepe, papéis de embrulho, sacolas, materiais de amarrar ou colar (barbantes, fitas, fitilhos, cordões e congêneres), lacres, isopor utilizado no isolamento e proteção dos produtos no interior das embalagens, e tinta, giz, pincel atômico e lápis para marcação de embalagens; óleos de corte; rebolos; modelos/matrizes de isopor utilizados pela indústria; produtos químicos utilizados no tratamento de água Fl. 324DF CARF MF Processo nº 16349.000352/200919 Acórdão n.º 3401004.900 S3C4T1 Fl. 0 12 afluente e efluente e no controle de qualidade e de teste de insumos e de produtos. Porém, como podemos verificar, o conceito amplificado de insumo para o ICMS (e também do IPI) é derivado da conclusão de que são os elementos que participam efetivamente do processo produtivo, haja vista que, conforme dito anteriormente, o ICMS demanda uma intrínseca relação entre a entrada da mercadoria utilizada no processo econômico que ensejará a saída do produto final. Ademais, verificase que enquanto o ICMS e o IPI possuem profunda relação com a movimentação física de bens e mercadorias, o que se reflete na maneira como a não cumulatividade se manifesta – como regra, apropriase créditos na entrada de bens e mercadorias que venham a serem movimentados posteriormente com débito do imposto , o PIS e a COFINS possuem relação com um aspecto absolutamente econômico, representado e controlado graficamente pela contabilidade, a geração de receitas tributáveis. Nessa linha, a nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, expressivamente mais complexa e mais alheia aos operadores do Direito e aos legisladores, que durante cinquenta anos acostumaram com a “nãocumulatividade física” em detrimento de uma “nãocumulatividade econômica” De certo, é possível entender essa falha conceitual ao se analisar com cuidado o artigo 3º acima mencionado, quando se observa que os incisos e parágrafos insistem na ideia de permitir o crédito, por exemplo, desde a entrada dos bens para estoque (quando menciona “aquisição”) enquanto o conceito intrínseco da nãocumulatividade econômica está sobre a noção de custo e despesa, que não são registrados no momento da aquisição do estoque, mas sim quando da sua realização pela venda, e consequente registro contábil da receita. Desse modo, acredito que o conceito de insumo para a legislação do PIS/PASEP e da COFINS parece ser mais abrangente que o utilizado para créditos do IPI e do ICMS – como faz crer das conclusões da decisão ora recorrida –, de maneira que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. Nesse caso, entendo que a legislação possibilitou o desconto de créditos das contribuições além dos elementos que compõem os custos diretos e indiretos de produção através alocação por atividade (i.e. “Sistema de Custeio ABC”), e incluiu componentes que, em uma análise puramente contábil, seriam classificados como despesas variáveis, estritamente atreladas com a geração de receitas. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 16349.000352/200919 Acórdão n.º 3401004.900 S3C4T1 Fl. 0 13 Porém, como premissa básica para a apuração de créditos de PIS/PASEP e COFINS, temos que os custos diretos e indiretos constituem base de cálculo de forma inquestionável; já as despesas deverão ser analisadas caso a caso, na medida em que cada uma contribua de forma cabal para a venda do produto ou serviço. Por outro lado, a Instrução Normativa SRF nº 247/2002, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358/2003, ao regulamentar a cobrança do PIS/PASEP e da COFINS, definiu insumo de uma maneira mais restrita, contrariando, em última análise, o espírito das Leis Federais nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que visavam mitigar o efeito cascata das contribuições e “estimular a eficiência econômica”3: Art. 66. (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.(...) Partindo esse entendimento, a Receita Federal amenizou algumas restrições, criando um entendimento, que vigora até hoje em diversas Soluções de Consulta, de que deve haver um vínculo de imprescindibilidade e à essencialidade do respectivo bem ou serviço para que seja possível a apropriação de créditos. Assim, destacou a Solução de Consulta que inaugurou esse raciocínio: “Solução de Consulta nº 400/2008 (8ª Região Fiscal) PIS/PASEP. CRÉDITO. INSUMOS. 3 Exposição de Motivos da Lei Federal nº 10.833/2003. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 16349.000352/200919 Acórdão n.º 3401004.900 S3C4T1 Fl. 0 14 Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/PASEP devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.637, de 2002, art. 3o, inciso II; IN SRF no 247, de 2002, art.66, § 5o. COFINS. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da COFINS devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados Fl. 327DF CARF MF Processo nº 16349.000352/200919 Acórdão n.º 3401004.900 S3C4T1 Fl. 0 15 como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.833, de 2003, art. 3o, inciso II; IN SRF no 404, de 2004, art.8o, § 4o.(DOU de 08/12/2008)” Já a Instrução Normativa SRF nº 404/2004 manteve a definição anterior, em seu artigo 8º, §4º, que assim dispôs: Artigo 8º. (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...) Consideradas, pois, as manifestações acima, podemos afirmar que o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS deve ser tido de forma mais abrangente, desde que tais itens estejam intimamente ligados à atividadefim da empresa e que principalmente venham a ser utilizados efetivamente e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo para geração de receitas, devendo ser inquestionável o crédito decorrente dos elementos que compõem o custo de produção, seja direto ou indireto. Passo a analisar item a item que fora glosado pela fiscalização e mantido pela decisão de primeiro grau: (A) MATERIAL DE EMBALAGEM Tal como ficou demonstrado pelas declarações e documentação fornecida pela Recorrente, os materiais de embalagem e transporte que foram objeto de glosa de créditos Fl. 328DF CARF MF Processo nº 16349.000352/200919 Acórdão n.º 3401004.900 S3C4T1 Fl. 0 16 são absolutamente necessários para o atendimento da legislação vigente que regula a produção e comercialização dos produtos ofertados pela Recorrente, de modo que não há como não considerálos como custo operacional. Diante da exposição anterior, sobre a nãocumulatividade das contribuições sociais, não vejo razão para manter a glosa. (B) MATERIAL DE LIMPEZA Da mesma forma, a atividade da Recorrente requer a obediência de diversas regras exigidas pelas autoridades sanitárias. Tal fato por si só já justifica a apropriação de créditos pela Recorrente, eis que, tais dispêndios são verdadeiros custos indiretos que deve ensejar o direito ao desconto de crédito. Por conta disso, merece reforma a decisão recorrida. (C) DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA REGISTRADAS COMO ALUGUÉIS Tendo sido comprovado que houve apenas erro material na demonstração dos créditos na DACON, não há como não reconhecer o direito ao crédito de energia elétrica eis que tal despesa está expressamente prevista no rol das possibilidades de apropriação de crédito não cumulativo. Ainda, como a fiscalização não analisou a documentação suporte das despesas de energia elétrica, não cabe somente em sede de recurso avaliar a procedência e sua regularidade documental, razão pela qual não entendo ser nem mesmo caso de diligência. (D) AQUISIÇÃO DE PRODUTOS IMPORTADOS E VENDIDOS COM ALÍQUOTA ZERO Em obediência ao artigo 15, inciso II, da Lei Federal 10865/2004, nos casos de insumos importados, classificados na posição 38.08, em que houver pagamento da COFINS, não há qualquer óbice para a manutenção do crédito, nessa hipótese. Ainda, nos termos do artigo 17, da Lei 11.033/2004, não há menor dúvida de que são garantidos os créditos sobre insumos que implicam em vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da COFINS . (E) RATEIO PROPORCIONAL Por fim, não vejo razão da manutenção da decisão no que tange ao rateio dos créditos da nãocumulatividade segundo a proporção entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno, haja vista que somente há previsão para o rateio entre receitas cumulativas e não cumulativas, nos termos do artigo 3º, da Lei Federal 10.833/2003, mesmo porque não houve qualquer menção no despacho decisório de que a Recorrente teria parte de suas receitas tributadas no regime cumulativo. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 16349.000352/200919 Acórdão n.º 3401004.900 S3C4T1 Fl. 0 17 Por todo o exposto, conheço do Recurso e doulhe parcial provimento, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 330DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.001342/2001-89
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/1991 a 31/01/1994
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA SUMULA CARF N.º 91. No caso de pedido administrativo de restituição formulado antes de 09 de junho de 2005, aplica-se o prazo decadencial de 10 (dez) conforme inteligência da Súmula CARF n.º 91.
PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ANTERIOR VIGÊNCIA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005. PRESCRIÇÃO. PRAZO DECENAL. TESE DOS 5 + 5. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA STJ E STF. De conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratando-se de pedido de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, in casu, Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS exigido com base na Medida Provisória n.º 1.212/95 e reedições, convertida na Lei n.º 9.715/1998, cujo artigo 18 fora declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal nos autos da ADIn n.º 1.4170/DF, formulado anteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, o prazo a ser observado é de 10 (Dez) anos (tese dos 5 + 5), contados da data da ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 9303-007.281
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/1991 a 31/01/1994 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA SUMULA CARF N.º 91. No caso de pedido administrativo de restituição formulado antes de 09 de junho de 2005, aplica-se o prazo decadencial de 10 (dez) conforme inteligência da Súmula CARF n.º 91. PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ANTERIOR VIGÊNCIA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005. PRESCRIÇÃO. PRAZO DECENAL. TESE DOS 5 + 5. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA STJ E STF. De conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratando-se de pedido de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, in casu, Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS exigido com base na Medida Provisória n.º 1.212/95 e reedições, convertida na Lei n.º 9.715/1998, cujo artigo 18 fora declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal nos autos da ADIn n.º 1.4170/DF, formulado anteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, o prazo a ser observado é de 10 (Dez) anos (tese dos 5 + 5), contados da data da ocorrência do fato gerador.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
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DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA SUMULA CARF N.º 91. No caso de pedido administrativo de restituição formulado antes de 09 de junho de 2005, aplica se o prazo decadencial de 10 (dez) conforme inteligência da Súmula CARF n.º 91. PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ANTERIOR VIGÊNCIA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005. PRESCRIÇÃO. PRAZO DECENAL. TESE DOS 5 + 5. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA STJ E STF. De conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratandose de pedido de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, in casu, Contribuição para o Programa de Integração Social PIS exigido com base na Medida Provisória n.º 1.212/95 e reedições, convertida na Lei n.º 9.715/1998, cujo artigo 18 fora declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal nos autos da ADIn n.º 1.4170/DF, formulado anteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, o prazo a ser observado é de 10 (Dez) anos (tese dos 5 + 5), contados da data da ocorrência do fato gerador. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 13 42 /2 00 1- 89 Fl. 617DF CARF MF Processo nº 10850.001342/200189 Acórdão n.º 9303007.281 CSRFT3 Fl. 618 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 210100.217, de 04 de junho de 2009 (fls. 525 a 547 do processo eletrônico), proferido Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por maioria de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para declarar a perda do direito de pedir relativamente aos fatos geradores até setembro de 1995, inclusive. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido restituição/compensação protocolado pelo Contribuinte em 31/07/2001 relativamente aos recolhimentos de PIS referentes aos períodos compreendidos entre 01/05/1991 a 31/12/1995 que, segundo seu entendimento, teriam sido a maior em função da inconstitucionalidade dos DecretosLeis números 2.445/88 e 2.449/88. Fl. 618DF CARF MF Processo nº 10850.001342/200189 Acórdão n.º 9303007.281 CSRFT3 Fl. 619 3 Nos termos do Despacho Decisório proferido em 30/08/2004, foi indeferido o pedido de restituição e considerada não homologada as compensações dos débitos do Simples, primeiro, em virtude do decurso de prazo de 5 anos para pleitear a restituição/compensação do indébito e, segundo, pelo uso indevido do prazo semestral para o cálculo do crédito a seu favor. Inconformado, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, pleiteando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, conforme art. 151, III, do CTN, e alegando não ser possível o encaminhamento dos débitos para inscrição em dívida ativa antes do término do processo administrativo. Ainda, pugnou pelo direito a compensação, arguindo em relação à decadência que o prazo para pleitear a restituição de indébito tributário seria de dez (10) anos, contados da ocorrência do fato gerador, conforme entendimento manifestado pelo STJ. Afirma que também é entendimento dos Tribunais Regionais Federais que a base de cálculo, com base no faturamento do sexto mês anterior, permaneceu em pleno vigor até a edição da MP 1.212, de 1995. A DRJ em Ribeirão Preto/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a perda do direito de pedir relativamente aos fatos geradores até setembro de 1995, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/1991 a 31/12/1995 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS EFETUADOS SOB A ÉGIDE DOS DECRETOSLEIS NQS 2.445 E 2.449, DE 1988. PRAZO DECADENCIAL. Fl. 619DF CARF MF Processo nº 10850.001342/200189 Acórdão n.º 9303007.281 CSRFT3 Fl. 620 4 0 prazo para requerer a restituição/compensação dos pagamentos efetuados com base nos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88 é de 5 (cinco) anos, iniciandose no momento em que eles se tornaram indevidos com efeitos erga omnes, ou seja, na data da publicação da Resolução nº 49, do Senado Federal, em 10/10/1995. PAGAMENTOS EFETUADOS SOB A ÉGIDE DA MEDIDA PROVIS6RIA Nº 1.212/1995. PRAZO DECADENCIAL. Pedido de restituição de indébitos referentes à contribuição para o PIS, no período de 1°/10/1995 a 29/02/1996, pagos com base na MP n° 1.212/95, formulado antes do prazo de cinco anos da data da publicação do Acórdão do STF na ADIn n° 1.4170/DF, há de se manter afastada a decadência. SEMESTRALIDADE. Súmula 2CC n° 11 Na apuração do crédito deve ser a semestralidade da base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário parcialmente provido A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 555 a 571) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao recurso do Contribuinte, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito ao prazo do direito de petição de restituição de tributos pagos indevidamente. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigma o acórdão de número 20400.933. A comprovação do julgado firmouse pela juntada de cópia de inteiro teor do acórdão paradigma – documento de fls. 573 a 579. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 581 a 583 sob o argumento que há duas matérias a serem discutidas, quais sejam: 1 Prazo para requerer restituição dos pagamentos efetuados com base nos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88. O acórdão recorrido expressa a tese que o prazo se inicia na data da publicação da Resolução n.º 49, do Senado Federal, em 10/10/95. Fl. 620DF CARF MF Processo nº 10850.001342/200189 Acórdão n.º 9303007.281 CSRFT3 Fl. 621 5 2 – Prazo para requerer restituição de indébitos referentes à contribuição para o PIS, no período de 1º/10/1995 a 29/02/1996, pagos com base na MP nº 1.212/95. O acórdão recorrido esposa a tese de que o prazo se conta a partir da publicação do Acórdão do STF na ADIn nº 1.4170/DF, em 16/08/99. O acórdão paradigma defende que tal prazo, em qualquer caso, seja de cinco anos contados a partir do pagamento, conforme expressa peremptoriamente a ementa. Com essas considerações, concluiuse que a divergência jurisprudencial foi comprovada. O Contribuinte foi cientificado também por edital para apresentar contrarrazões, conforme se verifica às fls. 615 e não se manifestou. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Da Admissibilidade O Recurso Especial da Fazenda é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso conforme despacho de fls. fls. 581 a 583. Do Mérito Como relatado, a matéria posta em debate pelo Recurso Especial da Fazenda Nacional diz respeito: 1 – Prazo para requerer restituição dos pagamentos efetuados com base nos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88. O acórdão recorrido expressa a tese Fl. 621DF CARF MF Processo nº 10850.001342/200189 Acórdão n.º 9303007.281 CSRFT3 Fl. 622 6 que o prazo se inicia na data da publicação da Resolução n.º 49, do Senado Federal, em 10/10/95. 2 – Prazo para requerer restituição de indébitos referentes à contribuição para o PIS, no período de 1º/10/1995 a 29/02/1996, pagos com base na Medida Provisória nº 1.212/95. O acórdão recorrido esposa a tese de que o prazo se conta a partir da publicação do Acórdão do STF na ADIn n.º 1.4170/DF, em 16/08/99. A Fazenda Nacional diz que o direito à restituição de tributos pagos a maior ou indevidamente, SEJA QUAL FOR O MOTIVO, extinguese no prazo de cinco anos contados da extinção do crédito tributário pelo pagamento, a teor do artigo 168, inciso I, do CTN, combinado com o artigo 165 do mesmo código. Quanto tema, a discussão está em torno da definição do termo inicial para contagem do prazo prescricional de 5 (cinco) anos para a Contribuinte postular a restituição/compensação de tributo, sujeito ao lançamento por homologação, que foi pago indevidamente. No acórdão recorrido, a Turma julgadora aplicou a tese de que o prazo para repetição de indébito deve ser contado a partir da data da Resolução do Senado Federal que suspendeu, com eficácia erga omnes, a execução de dispositivo legal declarado inconstitucional pelo STF. Com efeito, a contagem do prazo para postularse restituição de quantias indevidamente recolhidas a título de tributo submetido à sistemática do lançamento por homologação, que tantos e tão acalorados debates já suscitou, encontrase inteiramente pacificada com o advento da decisão do colendo Supremo Tribunal Federal no julgamento do recurso extraordinário n.º 566.621/RS, que reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar n.º 118/05, consignando entendimento no sentido de que: (a) para os processos ajuizados após a entrada em vigor da Lei Complementar n.º 118/2005, em 09 de junho de 2005, o prazo para compensação/restituição Fl. 622DF CARF MF Processo nº 10850.001342/200189 Acórdão n.º 9303007.281 CSRFT3 Fl. 623 7 do crédito tributário recolhido indevidamente ou a maior é de 05 (cinco) anos contados do pagamento indevido; (b) de outro lado, para as ações de restituição ajuizadas até a entrada em vigor da Lei Complementar n.º 118/2005, deve ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos contados do fato gerador, tese do 5 mais 5 (cinco anos para homologar o lançamento e mais 5 para repetir). A ementa do acórdão do RE n.º 566.621/RS foi redigida nos seguintes termos: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra Fl. 623DF CARF MF Processo nº 10850.001342/200189 Acórdão n.º 9303007.281 CSRFT3 Fl. 624 8 de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Ou seja, para os pedidos de repetição de indébito apresentados anteriormente a 9 de junho de 2005, poderseia considerar o prazo prescricional/decadencial de 10 anos. Nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009, disposição reproduzida no art. 62, §2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343/2015, as decisões proferidas em sede de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal são de observância obrigatória por este Conselho, razão pela qual uniformizada a jurisprudência administrativa quanto ao prazo para repetição do indébito tributário nos termos definidos no RE n.º 566.621. No entanto, o referido entendimento encontrase ainda consolidado por meio da Súmula CARF n.º 91, de observância obrigatória conforme art. 72, Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 09 de junho de 2015, in verbis: Fl. 624DF CARF MF Processo nº 10850.001342/200189 Acórdão n.º 9303007.281 CSRFT3 Fl. 625 9 Súmula CARF n.º 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Assim sendo, considerando que o pedido de restituição data de 31/07/2001, e abrange recolhimentos supostamente indevidos de maio/1991 a dezembro de 1995, tenho que operouse a decadência somente para os recolhimentos efetuados antes de 31/07/1991. Há de se observar ainda, a forma de contagem do prazo do período compreendido entre 0ut/95 a Dez/06, pagos com base na Medida Provisória n.° 1.212/95. No acórdão recorrido entendeu que a incidência da contribuição para o PIS, no período de 1° de outubro de 1995 a 29 de fevereiro de 1996, com base na Medida Provisória n.° 1.212/95, só veio a ser afastada com o julgamento da ADIn n.° 1.4170/DF, publicada em 16/08/1999, deve ser este o dies a quo a ser tomado para a contagem do prazo decadencial dos pedidos de restituição dos valores pagos a maior com base no dispositivo declarado inconstitucional. Consequentemente, afastase a decadência do pedido de restituição do tributo em foco, de vez que formulado quando ainda não tinha transcorrido o prazo de cinco anos da data da publicação do Acórdão do STF na ADIn n.° 1.4170/DF. Afora as várias discussões doutrinárias a propósito do tema, o certo é que o PIS cobrado com arrimo no artigo 15 da Medida Provisória n.° 1.212/1995 e reedições, convertida na Lei n.° 9.715/1998 (artigo 18) só passou a ser indevido quando da definitiva exclusão de tais diplomas legais do ordenamento jurídico, ou seja, a partir da publicação do Acórdão do STF exarado nos autos da ADIn n.° 1.4170/DF, em 19/04/2001, a qual extirpou do ordenamento jurídico os ditames daquelas normas, com efeito erga omnes. Em outras palavras, antes de aludido Acórdão do STF, o tributo em debate era devido e deveria ser recolhido em época própria, ou melhor, os pagamentos foram efetuados com fulcro na legislação de regência vigente. Fl. 625DF CARF MF Processo nº 10850.001342/200189 Acórdão n.º 9303007.281 CSRFT3 Fl. 626 10 Entrando, como dito no item anterior, a contagem do prazo para postular restituição de quantias indevidamente recolhidas a título de tributo submetido à sistemática do lançamento por homologação, que tantos e tão acalorados debates já suscitou, encontrase inteiramente pacificada com o advento da decisão do colendo Supremo Tribunal Federal no julgamento do recurso extraordinário n.º 566.621/RS, que reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar n.º 118/05, consignando entendimento no sentido de que: (a) para os processos ajuizados após a entrada em vigor da Lei Complementar n.º 118/2005, em 09 de junho de 2005, o prazo para compensação/restituição do crédito tributário recolhido indevidamente ou a maior é de 05 (cinco) anos contados do pagamento indevido; (b) de outro lado, para as ações de restituição ajuizadas até a entrada em vigor da Lei Complementar n.º 118/2005, deve ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos contados do fato gerador, tese do 5 mais 5 (cinco anos para homologar o lançamento e mais 5 para repetir). No entanto, o referido entendimento, também encontrase consolidado por meio da Súmula CARF n.º 91, de observância obrigatória conforme art. 72, Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 09 de junho de 2015, in verbis: Súmula CARF n.º 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Sendo assim, em relação a esse período – 10/95 a 02/96, considerando se tratar de tributo não exigível, conforme ADIN n.º 1.417, em respeito ao decidido pelo STF, vê se que não se encontram tais períodos prescritos, pois aplicável o prazo de 10 anos, vez que o pedido de restituição foi feito em 31 de julho de 2001, anteriormente a 09.06.2005. Considerando que o pedido de restituição data de 31/07/2001, e abrange recolhimentos supostamente indevidos de 10/95 a 02/96, tenho que operouse a decadência somente para os recolhimentos efetuados antes de 31/07/1991. Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10850.001342/200189 Acórdão n.º 9303007.281 CSRFT3 Fl. 627 11 Isto posto, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 627DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15540.720006/2012-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2006, 2007
ALTERAÇÃO DA COMPETÊNCIA. NOVO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
O art. 87 do CPC/73 determina que, havendo alteração da competência em relação à matéria, haverá alteração do juízo competente. O artigo 2º, IV, do Anexo II do novo RICARF excluiu da competência da Primeira Seção o julgamento do IPI, ainda que reflexo ao IRPJ, razão pela qual essa matéria passou a ser da competência exclusiva da Terceira Seção.
Numero da decisão: 1201-001.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, declinando a competência para a Terceira Seção, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MARCELO CUBA NETTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO - Relator.
EDITADO EM: 23/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Opperman Thomé, Luiz Fabiano Alves Pentado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa, Ronaldo Apelbaum e Marcelo Cuba Netto.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2006, 2007 ALTERAÇÃO DA COMPETÊNCIA. NOVO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O art. 87 do CPC/73 determina que, havendo alteração da competência em relação à matéria, haverá alteração do juízo competente. O artigo 2º, IV, do Anexo II do novo RICARF excluiu da competência da Primeira Seção o julgamento do IPI, ainda que reflexo ao IRPJ, razão pela qual essa matéria passou a ser da competência exclusiva da Terceira Seção.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, declinando a competência para a Terceira Seção, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO - Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO - Relator. EDITADO EM: 23/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Opperman Thomé, Luiz Fabiano Alves Pentado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa, Ronaldo Apelbaum e Marcelo Cuba Netto.
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IPI Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado IPCE FIOS E CABOS ELÉTRICOS LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2006, 2007 ALTERAÇÃO DA COMPETÊNCIA. NOVO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O art. 87 do CPC/73 determina que, havendo alteração da competência em relação à matéria, haverá alteração do juízo competente. O artigo 2º, IV, do Anexo II do novo RICARF excluiu da competência da Primeira Seção o julgamento do IPI, ainda que reflexo ao IRPJ, razão pela qual essa matéria passou a ser da competência exclusiva da Terceira Seção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, declinando a competência para a Terceira Seção, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Relator. EDITADO EM: 23/02/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 00 06 /2 01 2- 17 Fl. 5366DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Opperman Thomé, Luiz Fabiano Alves Pentado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa, Ronaldo Apelbaum e Marcelo Cuba Netto. Relatório Por meio de um sucinto resumo, podese dizer que, tendo sido considerada inexistente a empresa METALAN, fornecedora da autuada, e declarados inidôneos os documentos por ela emitidos, com efeitos retroativos, e não tendo a Contribuinte comprovado a efetividade das operações refletidas nas Notas Fiscais consideradas inidôneas, a Fiscalização entendeu necessário glosar os créditos básicos de IPI, o que está sendo tratado nos presentes autos, e autuar por IRPJ, CSL e IRRF, o que está sendo tratado no processo nº 15540.720002/2012211. Após a explanação do quanto ocorrido acima no Relatório Fiscal (fls. 2632/2645), em 20/12/2011, a Representação Fazendária lavrou auto de infração (fls. 2627/2631, com demonstrativo de apuração do tributo às fls. 2646/2650 e demonstrativo de apuração da multa e juros às fls. 2651/2654), para a exigência de IPI, no valor de R$ 941.487,50, relativo aos meses de outubro de 2006 a outubro de 2007, acrescido de multa de ofício, devidamente qualificada, no valor de R$ 1.412.231,22. Cientificada da lavratura do Auto de Infração em 26/12/2011 (fls. 5205/5218), a Contribuinte, em 23/01/2012, protocolou Impugnação (fls. 5236/5259 e anexo fls. 5260/5281), requerendo o cancelamento da autuação. Em 30/07/2013, a 3ª Turma da DRJ/JFA, por meio do acórdão nº 09045.291 (fls. 5325/5340), decidiu, por unanimidade de votos, cancelar o lançamento, em decorrência da existência de créditos básicos de IPI suficientes para fazer frente aos débitos. Diante disso, foi formalizado Recurso de Ofício (fls. 5325/5326). Intimada em 21/08/2013 (fls. 5341/5342), a Contribuinte não apresentou Recurso Voluntário. Enviados os autos ao CARF, eles foram distribuídos inicialmente para a Terceira Seção. A 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, na sessão de 27 de março de 2014, proferiu o acórdão CARF nº 3403002.881 (fls. 5347/5352), no qual, observando que foram lançados, além do IPI, IRPJ, CSL e IRRF, entendeu que a competência para julgar a lide era da 1ª Seção, declinando em favor desta a sua competência. 1 Em 12/02/2014, foi proferido o acórdão nº 1101001.041, pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, com relatoria da e. Cons. Edeli Pereira Bessa, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao Fl. 5367DF CARF MF Processo nº 15540.720006/201217 Acórdão n.º 1201001.306 S1C2T1 Fl. 7 3 Em 29/04/2014, foi protocolada petição pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, informando que estava ciente do acórdão nº 3403002.881 (fl. 5354). Enfim, os autos foram redistribuídos para a 1ª Seção (fls. 5355/5358). É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Recurso Voluntário, votando pelas conclusões o Cons. Benedicto Celso Benício Júnior, com referência às exigências de IRRF. Atualmente, aguardase julgamento do Recurso Especial interposto. Voto Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto I. DO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE Um dos pressupostos e requisitos de admissibilidade determinados pelo Decreto n° 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF não se faz presente, qual seja, a competência, razão pela qual o recurso de ofício não deve ser conhecido. Conforme exposto no relatório, em 27/03/2014, a C. 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF proferiu o acórdão nº 3403002.881 (fls. 5347/5352), que, por unanimidade de votos, declinou a competência para a Primeira Seção, vez que “O recurso de ofício apresentado versa sobre autuação referente a IPI da filial (CNPJ no 03.763.623/000295), mas efetuada diante de procedimento fiscal no qual foram ainda lançados IRPJ, CSLL, IRRF e IPI em relação à matriz (CNPJ no 03.763.623/000104)” – fl. 5351. Realmente, o art. 2º, IV, do Anexo II do antigo RICARF dispunha que: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; Fl. 5368DF CARF MF 4 Contudo, o artigo 2º, IV, do Anexo II do atual RICARF (Portaria nº 343, de 09/06/2015) dispõe que: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova em um mesmo Processo Administrativo Fiscal; Observase que a redação foi alterada em relação à anterior. Conforme o novo artigo 2º, IV, do Anexo II do RICARF, a Primeira Seção deixou de ser competente para julgar todos os outros tributos, ainda que reflexos, que não sejam a CSL, o IRRF, o PIS e a COFINS, como por exemplo, o IPI e as contribuições previdenciárias. Diante da modificação da competência desta Primeira Seção, devese aplicar o disposto no artigo 87 do CPC, o qual, excepcionando a regra da perpetuatio jurisdictionis, determina que, independentemente do estado do julgamento, deve ser observada a nova competência quando a alteração ocorrer em razão da matéria, in verbis: Art. 87. Determinase a competência no momento em que a ação é proposta. São irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas posteriormente, salvo quando suprimirem o órgão judiciário ou alterarem a competência em razão da matéria ou da hierarquia. Nesse sentido, o C. Superior Tribunal de Justiça deixou consignado, nos autos do Agravo Regimental no Agravo nº 1.385.555/BA2, que a criação de Vara Especializada faz com que o processo em andamento seja remetido para esta, a fim de que seja julgado por ela, com base nos seguintes argumentos: “Vejase que o Estado da Bahia, diante de sua competência para determinar a criação de órgãos judiciários e definir seu conteúdo, de acordo com as necessidades locais, criou a Vara Especializada em Direito do Consumidor. Ressaltese, por oportuno, que "a competência de juízo em razão da matéria e, pois, a competência das varas especializadas é de 2 AgRg no Ag 1385555/BA, Rel. Ministro MASSAMI UYEDA, TERCEIRA TURMA, julgado em 14/06/2011, DJe 29/06/2011. Fl. 5369DF CARF MF Processo nº 15540.720006/201217 Acórdão n.º 1201001.306 S1C2T1 Fl. 8 5 caráter absoluto " (CARNEIRO, Athos Gusmão. Jurisdição e Competência. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 81). Dessa forma, restou configurada a alteração da competência do juízo em razão da matéria, de modo que, nos termos do artigo 87, 2ª parte, do Código de Processo Civil, os autos foram remetidos a uma das Varas especializadas, in verbis: "Art. 87. Determinase a competência no momento em que a ação é proposta. São irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas posteriormente, salvo quando suprimirem o órgão judiciário ou alterarem a competência em razão da matéria ou da hierarquia". Alterada a competência absoluta, afastase a regra da perpetuatio jurisdictionis, que visa conferir estabilidade ao processo. Nesse sentido, impende colacionar, mais uma vez, a lição de Athos Gusmão Carneiro: "Por exceção, não se aplica a 'perpetuatio jurisdictionis' se o órgão judiciário for suprimido, ou quando alterada sua competência em razão da matéria ou da hierarquia." (idem, p. 84). Nesse sentido também, a jurisprudência, desta e. Corte superior: CC 57.838/MS, Relatora Ministra Laurita Vaz, DJ 15/05/2006.” O presente caso enquadrase exatamente na situação acima descrita. Isso porque, o auto de infração, ora tratado nos presentes autos, versa sobre IPI e é reflexo ao IRPJ, CSL e IRRF, os quais estão sendo tratados nos autos do Processo nº 15540.720002/201221. Como consequência, em virtude da modificação da competência promovida pela alteração do disposto no artigo 2º, IV, do Anexo II do RICARF, concluise que, a despeito do fato de que a Primeira Seção era competente para o julgamento do presente caso (IPI reflexo ao IRPJ) quando de sua distribuição, ela deixou de sêlo. Nem se alegue que o fato de o presente processo ser reflexo aos autos do Processo nº 15540.720002/201221 modificaria, por força do artigo 6º3 do Anexo II do RICARF, a competência, vez que o § 2º4 do mencionado artigo expressamente destaca que deve ser observada a competência das Seções para haver a reunião entre os processos. 3 Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. 4 Art. 6º. (...) § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. Fl. 5370DF CARF MF 6 Assim, tendo em vista que a alteração promovida no artigo 2º, IV, do Anexo II do RICARF mudou a competência de julgamento do IPI, incabível esta Primeira Seção apreciar o presente caso, devendo declinar sua competência para a Terceira Seção, conforme artigo 4º, III, do Anexo II do novo RICARF5. Portanto, não conheço do recurso de ofício, declinando a competência para a Terceira Seção, nos termos dos artigos 2º, IV e 4º, III, do Anexo II do novo RICARF. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Relator 5 Art. 4º À 3ª (terceira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação referente a: (...) III Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); Fl. 5371DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10670.000800/2008-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2002, 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003, 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004, 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005 IRPJ. Taxa Selic. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Multa qualificada. Fraude. Provada a fraude, correta a aplicação da multa qualificada de 150%
Numero da decisão: 1302-000.606
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Taxa Selic. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Multa qualificada. Fraude. Provada a fraude, correta a aplicação da multa qualificada de 150% Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. e relator Fl. 5DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10670.000800/200857 Acórdão n.º 130200.606 S1C3T2 Fl. 2.240 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Wilson Fernandes Guimarães e Irineu Bianchi Relatório Foram lavrados pela Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Montes Claros/MG, em 10/03/2008, os Autos de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$ 61.159,62 (fls. 08/23), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido no valor de R$ 45.869,70 (fls.24/39); da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins no valor de R$127.416,02 (fls. 40/56) e da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS no valor de R$27.606,50 (fls. 57/73), que acrescidos de multa qualificada e juros de mora com base na SELIC totalizaram crédito tributário no montante de R$ 624.952,53. A Fiscalização lavrou o Termo de Verificação Fiscal de fls. 74/111 relatando os procedimentos adotados e as irregularidades encontradas no contribuinte supra identificado e nas empresas ligadas Cesal Produtos Cerâmicos Ltda e Cerâmica Telha Fort Ltda. A fiscalizada através da quinta alteração contratual, lavrada em 30/01/2001, efetuou a cisão parcial da empresa, criando a Cerâmica Telha Fort Ltda. O período fiscalizado que inicialmente era de 2001 a 2003, foi ampliado até 2005. Em janeiro de 2008, o contribuinte foi cientificado de sua exclusão do SIMPLES, a partir de 01/12/2002, processo 10670.000018/200838 “por ter optado indevidamente pelo SIMPLES, nos anoscalendário de 2003 a 2005, tendo em vista que a receita bruta foi superior a R$ 1.200.000,00, nos anoscalendário imediatamente anteriores, situação que se enquadra no art. 9º, inciso II, da Lei 9317/96, alterado pelo art. 6º da Lei nº 9779 de 19 de janeiro de 1999 e que a empresa incidiu em prática reiterada de infração à legislação tributária a partir de dezembro de 2002, conforme disposto no art. 14, inciso V, da Lei 9317/96.” Descreve a seguir a relação de parentesco entre os sócios da três empresas supra citadas e relativamente à Cesal concluiu pela sua inexistência de fato, haja vista, que não foram comprovados nenhum gasto com manutenção, empregados, veículos, imobilizado, inclusive não logrou comprovar os pagamentos à Salinas pelo serviço de industrialização, dito efetuado, bem como não comprovam a integralização do seu capital social. A Cesal, segundo o Fisco, teria um contrato de comodato com a fiscalizada pelo qual remeteria argila para que esta industrializasse os produtos cerâmicos. A autuada emitia na saída dos produtos industrializados notas fiscais de prestação de serviços de industrialização e outra de retorno de mercadorias recebidas para industrialização. Por tudo isso o Fisco concluiu que tais operações não existiram efetivamente seria uma simulação para que a receita da autuada não ultrapassasse o limite máximo permitido para empresas de pequeno porte, dentro da legislação do SIMPLES, mesmo após a cisão ocorrida em janeiro de 2001. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10670.000800/200857 Acórdão n.º 130200.606 S1C3T2 Fl. 2.241 3 “É notório que a Cerâmica Salinas Ltda e a Cerâmica Telha Fort Ltda se beneficiaram de documentos fiscais fraudulentos e de operações simuladas de prestação de serviços com intuito de reduzir suas receitas, mediante a contabilização de receitas de serviços e a transferências de receitas de vendas para a Cesal, que não existe de fato.” Demonstra o faturamento da Cesal nos anos de 2002 a 2005 e afirma : “é inverossímil e desprovido de qualquer razoabilidade que uma empresa que faturou valor superior a R$ 600.000,00, em 2005, não tenha a mínima estrutura operacional.” Após relacionar os motivos pelos quais concluíram pela inexistência, de fato, da Cesal Produtos Cerâmicos Ltda, ela foi declarada INAPTA, por meio de Ato Declaratório Executivo nº 26 de 03 de dezembro de 2007. Em razão disso, ou seja, “considerada inapta por inexistência de fato, seus documentos fiscais se tornaram inidôneos, as suas receitas de vendas escrituradas foram distribuídas para as empresas Cerâmica Salinas Ltda (autuada) e Cerâmica Telha Fort Ltda, que se utilizaram esquema fraudulento de transferência de receitas para a Cesal.” Em razão disso ratearam proporcionalmente a receita tida como da Cesal Produtos Cerâmicos para a Cerâmica Salinas e Cerâmica Telha Fort, e com isso a fiscalizada ultrapassa o limite máximo do Simples, uma das razões de seu desenquadramento. Verificouse também a existência de saldos credores na conta Caixa, os quais não foram comprovados, pelo contribuinte, caracterizando presunção de omissão de receitas. Excluída do Simples a empresa estava sujeira as regras do lucro Real, sendo intimado a apresentar balancetes de verificação e demonstrações de resultado trimestrais, Lalur e registro de Inventário. “Considerando que a apuração do imposto de renda é trimestral, para apuração do resultado é fundamental que seja conhecidos os estoques de insumos (matérias primas e produtos intermediários), de produtos em elaboração e de produtos acabados existentes no final de cada trimestrecalendário.Esses dados são indispensáveis para apuração do custo dos produtos vendidos.” “A falta dos estoques iniciais e finais em cada trimestre impossibilita a apuração dos custos dos produtos vendidos, que por sua vez impossibilita a apuração do resultado do período de apuração e conseqüentemente do lucro real.” “Como a empresa adotou o inventário periódico os estoques existentes ao final de cada trimestre deveriam ter sido apurados por meio de contagem física. Os estoques escriturados em 2008, ou seja, vários anos após encerramento do período de apuração, seguramente não refletem a situação efetivamente existente ao final de cada trimestre. Assim sendo é nítido que os valores dos estoques escriturados são fictícios, ainda mais se considerarmos que a fiscalizada é contumaz infratora à legislação tributária...” Assim com base no art, 530, inciso II, do Rir/99, foi arbitrado o lucro da empresa. Foi aplicada multa do art. 44, inciso II, da Lei 9.430/96, por ter o fiscalizado recorrido a esquema de simulação de prestação de serviços de industrialização para a Cesal, transferindo parcela de seu faturamento, nos anos de 2003 a 2005. Essa mesma multa foi Fl. 7DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10670.000800/200857 Acórdão n.º 130200.606 S1C3T2 Fl. 2.242 4 aplicada sobre a parcela da omissão de rendimentos por constatação de saldo credor de Caixa, por ter a empresa simulado ingressos na conta com o nítido intuito de mascarar o saldo de Caixa. “Conforme já relatado a Solução de Consulta Interna COSIT nº 17/2004, conceituou prática reiterada de infração `a legislação tributária como sendo aquela prática habitual e repetida de tal forma que fique caracterizado o seu uso freqüente, consubstanciandose em um costume. Houve simulação pela Cerâmica Salinas de recebimento de argila para industrialização, de prestação de serviços de fabricação de produtos cerâmicos para a Cesal e de remessa desses produtos para a Cesal a partir de dezembro de 2002. Esses procedimentos fraudulentos, com seus efeitos contábeis e fiscais foram utilizados de forma habitual e repetida, nos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005. Assim sendo, ficou caracterizado de forma cabal que o contribuinte incidiu em prática reiterada de infrações à legislação tributária a partir de dezembro de 2002, que foi o mês a partir do qual transferiu parte de suas receitas para a Cesal.” O contribuinte às fls. 2127/2151, impugna o lançamento alegando em síntese : Ilegalidade da exclusão do Simples – Receita Bruta inferior a R$ 1.200.000,00. No decorrer de suas atividade a empresa manteve relação contratual com a Cesal Produtos Cerâmicos Ltda , que fornecialhe matériaprima (argila). “Ocorre, todavia, que em virtude de um procedimento de fiscalização a empresa Cesal Produtos Cerâmicos Ltda foi considerada como inexistente em virtude de não ter sido encontrado em sua sede maquinários e peças para comprovação do exercício de sua atividade.” “Com efeito a referida empresa não possui maquinário em sua sede, isso em virtude de que realiza a intermediação de mercadorias, comprando o barro de terceiros e revendendo para a empresa Cerâmicas Salinas Ltda. Sendo assim, possui apenas alguns bens suficientes ao exercício dessa atividade de intermediação.” “A Receita Federal, todavia, desconsiderou a personalidade jurídica da empresa Cesal Produtos Cerâmicos e atribuiu seu lucro à empresa Cerâmica Salinas..”. razão de ter extrapolado o limite máximo do SIMPLES. “No entanto, essa atribuição não corresponde à realidade. A Cesal Produtos Cerâmicos Ltda possui sede própria, contabilidade própria e sempre que necessário poderá apresentar os livros obrigatórios, demonstrando a regularidade de sua atividade.” A Receita teria desconsiderado a personalidade jurídica “sem ao menos realizar a fiscalização de seus livros e documentos fiscais.” “Na notificação fiscal, indicou genericamente que a exclusão da empresa recorrente do Simples de acordo com o disposto nos artigos 14 ao 16 da Lei 9.317/96, não indicando o real motivo”, afirmando não ter se enquadrado em nenhuma hipótese do art. 14 da citada lei. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10670.000800/200857 Acórdão n.º 130200.606 S1C3T2 Fl. 2.243 5 Relativamente à Cesal afirma que o cancelamento de sua inscrição trouxe prejuízos economicamente exorbitantes para a empresa além de prejuízos para os empregados, “tendo em vista que o cessar das atividades da empresa Cesal Produtos Cerâmicos Ltda, não terá como mantêlos, ocasionando desemprego.” Ilegalidade da exclusão do Simples – Exclusão não retroativa nos termos da inciso II , artigo 9º da Lei 9317/96. Afirma que caso seja efetivada a exclusão deverá ser observado o artigo 15, IV da Lei 9.317/96. “Não há como a União Federal pretender então que a contribuinte impugnante seja excluída do SIMPLES e impelida a sofrer os efeitos desta mesma exclusão a partir da suposta irregularidade apontada, e sim do anocalendário subseqüente àquele que for ultrapassado o limite, APÓS A EMPRESA SER NOTIFICADA, conforme construção jurisprudencial dominante, para que se preserve o Principio do Contraditório e da Ampla Defesa” Resta claro, então, que ao caso em tela a exclusão da impugnante do SIMPLES é indevida e mesmo que o seja , por observância ao Principio da eventualidade processual, não pode produzir efeitos retroativos, mas deve sim obedecer à redação da Lei 9317/96 (art. 15, inciso IV), para produzir efeitos apenas após a notificação da impugnante. Indevida atualização do débito pela Selic A Selic, para o impugnante não é índice juridicamente válido para ser aplicado a título de juros moratórios, uma vez que possui indisfarçável natureza financeira. Descabimento da multa de ofício “No tocante à multa, entretanto, convém destacar sua absoluta impertinência ao caso, tendo em vista que não houve o descumprimento de obrigação acessória. É necessário ressaltar que fora fixado a multa de ofício qualificada em virtude da imputação de fraude pela receita operacional omitida.” No entanto, a fixação da multa em questão possui por fundamento a retroação dos efeitos da exclusão da empresa do SIMPLES. Sendo tal ato ilegal, conforme demonstrado acima, não se justifica a exigibilidade da multa fixada Ademais a multa pelo inadimplemento tributário deve ser dosada de modo a punir a quem deixa de pagar, mas não pode perder seu liame com a função original que é basicamente, desestimular o inadimplemento.” “... não só os tributos de efeito confiscatório são eivados do vício da inconstitucionalidade. Também as multas penalizantes sofrem do mesmo mal.” Requer a produção de todos os meios de prova e que o lançamento seja considerado totalmente improcedente, ou se parcialmente procedente, “seja eliminada a Taxa Selic como fator de correção do crédito tributário reclamado, bem como a multa regulamentar inaplicável à espécie, seja em face de seu raio de incidência, que não recai sobre a hipótese Fl. 9DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10670.000800/200857 Acórdão n.º 130200.606 S1C3T2 Fl. 2.244 6 dos autos, seja também em função de seu caráter confiscatório, efeito abominado pela Constituição Federal de 1988.” A DRJ decidiu: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2002, 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003, 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004, 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005 ARBITRAMENTO DO LUCRO. RECEITA BRUTA CONHECIDA. BASE DE CÁLCULO. O lucro arbitrado das Pessoas Jurídicas, quando conhecida a receita bruta, é determinado mediante a aplicação dos percentuais do lucro presumido, acrescidos de 20%. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Nos termos da legislação em vigor, os juros serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. IRPJ. Consolidase administrativamente a exigência fiscal decorrente de matéria não expressamente impugnada, operandose em relação a ela a preclusão processual TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes. A recorrente tomou ciência do acórdão DRJ em 08/10/2008 e apresentou recurso em 06/11/2008. Em seu recurso alega: que a exclusão do simples ocorreu com efeitos ex tunc, retroagindo até 2002; que a fiscalização desconsiderou a personalidade jurídica da empresa Cersal e atribuiu seu “lucro” ‘a recorrente, mas essa atribuição não corresponde ‘a realidade, pois a Cersal possui sede própria, contabilidade própria e poderá apresentar os livros obrigatórios, demonstrando a regularidade de sua atividade; que a exclusão do simples foi genérica, não tendo sido trazido aos autos provas de que a recorrente violou a legislação; que a atualização do débito pela Selic é indevida; que não cabe a aplicação da multa de ofício qualificada (150 %) requer a produção de provas admitidas em direito Voto Fl. 10DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10670.000800/200857 Acórdão n.º 130200.606 S1C3T2 Fl. 2.245 7 Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Quanto ao pedido de produção de provas pela recorrente, não as tendo especificado e não sendo necessárias novas provas por estar o processo suficientemente instruído, indefiro o pedido, nos termos do disposto no art. 16, IV do Decreto 70235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal. A recorrente traz diversas alegações referentes a sua exclusão do sistema simples, que já forma objeto de análise no processo 10670.000018/200838, onde foi negado provimento ao recurso voluntário e mantida a exclusão da recorrente do sistema simples a partir de 01/12/2002. Quanto a alegação de não aplicação da taxa Selic, adoto o disposto na súmula nº 4 do 1º Conselho de Contribuintes, abaixo transcrita: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.. A recorrente também se manifesta contra aplicação da multa de ofício qualificada. A autoridade fiscal justificou a aplicação da multa qualificada, conforme abaixo transcrito: (fls. 110 e seg): “Mesmo com a constituição da TELHA FORT, em dezembro/2002 a CERÂMICA SALINAS recorreu ao esquema de simulação de prestação de serviços de industrialização para a CESAL, já descrito minuciosamente neste termo, com a conseqüente transferência de parcela de seu faturamento para CESAL, de modo a não ultrapassar o limite do SIMPLES. Esse procedimento permitiu a empresa recolher os tributos/contribuições federais de forma simplificada e favorecida. Esse procedimento também foi adotado pela empresa nos anoscalendário 2003 a 2005. Conforme já relatado, a Solução de Consulta Interna COSIT n° 1712004 conceituou pratica reiterada de infração à legislação tributária como sendo aquela prática habitual e repetida, de tal forma que fique caracterizado o seu uso freqüente, consubstanciandose em um costume. Houve simulação pela CERÂMICA SALINAS de recebimento de argila para industrialização, de prestação de serviços de fabricação de produtos cerâmicos para a CESAL e de remessa desses produtos para a CESAL a partir de dez/20002. Esses procedimentos fraudulentos, com seus efeitos contábeis e fiscais, foram utilizados de forma habitual e repetida nos anoscalendário 2003, 2004 e 2005. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10670.000800/200857 Acórdão n.º 130200.606 S1C3T2 Fl. 2.246 8 Assim sendo, ficou caracterizado de forma cabal que o contribuinte incidiu em prática reitera de infrações à legislação tributária a partir de dez/2002, que foi o mês a partir do qual transferiu parte de suas receitas para a CESAL. • No caso dos saldos credores de caixa, o contribuinte simulou ingressos de recursos no caixa com nitido intuito de mascarar os saldos da conta. A escrituração de operações fictícias, descritas no item "OMISSÃO DE RENDIMENTOS — SALDO CREDOR DE CAIXA" também caracterizam o intuito de fraude. Tendo em vista os fatos relatados, ficou caracterizado de forma cabal que os procedimentos adotados pela CERAMICA SALINAS e pela CESAL se enquadram em hipótese prevista na legislação tributária que dispõe sobre aplicação de multa qualificada, especificamente no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, combinado com os artigos 71.72 e 73 da Lei n°4.502164. Ante o exposto sobre os tributos/contribuições incidentes sobre as receitas de vendas provenientes da CESAL, apuradas de oficio por distribuição proporcional, discriminas nos demonstrativos "RECEITAS DE VENDAS APURADAS DE OFÍCIO", e sobre os saldos credores de caixa foi aplicada multa qualificada, no percentual de 150%.” Conforme transcrito acima, ficou demonstrada a ação dolosa da recorrente para, transferindo parte de sua receita para empresa que não existia de fato, permanecer indevidamente no simples e reduzir os valores dos tributos a serem recolhidos à União. Quanto à alegação de inconstitucionalidade da legislação que institui a multa de 150%, deixo de analisála em função da súmula nº 2 do 1º Conselho de Contribuintes, abaixo transcrita: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante de todo o exposto, nego o pedido de produção de novas provas e no mérito nego provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Relator Fl. 12DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10670.000800/200857 Acórdão n.º 130200.606 S1C3T2 Fl. 2.247 9 Fl. 13DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 10880.662122/2012-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa.
Numero da decisão: 1201-002.517
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 21 22 /2 01 2- 21 Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10880.662122/201221 Acórdão n.º 1201002.517 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Pedido de Restituição eletrônico PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte a fim de compensar pretenso saldo credor de IRPJ referente ao 3º trimestre/2007. Por meio do despacho decisório de fls., o pedido foi indeferido, sob a alegação de que o DARF informado como origem do crédito já teria sido integralmente utilizado para quitar outro débito declarado. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. Alega, em síntese: (i) que o crédito é legítimo, uma vez que, por exercer atividade consistente na prestação de serviço hospitalar, faria jus ao direito de aplicação do percentual de presunção do lucro de 8% para IRPJ, e não de 32%, como equivocadamente considerou nas suas apurações; e (ii) que retificou as declarações (DIPJ e DCTF), ainda que em momento posterior ao despacho decisório. A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que o contribuinte não faria jus ao enquadramento do percentual de presunção de 8%. Cientificada da decisão de piso, a empresa interpôs recurso voluntário por meio do qual reitera as razões de defesa, bem como alega que possui decisão judicial que reconheceu o direito de aplicar o percentual de 8%, e não 32%. É o relatório. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10880.662122/201221 Acórdão n.º 1201002.517 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.511, de 21/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.662116/2012 74, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.511): Conforme visto no tópico do relatório, o presente litígio diz respeito ao enquadramento ou não do objeto social da Recorrente no conceito de serviços hospitalares. Assim, caso seja verificado que a empresa presta serviço hospitalar, cabível o reconhecimento do direito creditório. Caso contrário, ou seja, uma vez verificado que a atividade desenvolvida é outra, correto o indeferimento do pedido de restituição. Nesse contexto, e por mais esforços que a autoridade fiscal responsável pelo lançamento e a decisão da DRJ tenham empreendido no sentido de afastar o enquadramento da atividade da empresa enquanto serviço hospitalar, o fato é que a Recorrente ajuizou ação judicial que tem por objeto justamente o reconhecimento do direito de se valer do referido percentual de 8% às suas atividades. De fato, o contribuinte possui sentença que deu provimento à ação judicial por ele ajuizada e, inclusive, já transitou em julgado o reconhecimento do direito de se valer do percentual de 8% para fins de lucro presumido. Abaixo copio o quadro do movimento do processo disponibilizado eletronicamente e transcrevo o resumo da demanda, respectivamente: PROCESSO 002259987.2013.4.03.6100 MOVIMENTAÇÃO PROCESSUAL Todas as Movimentações Seq Data Descrição 40 23/01/2015 ARQUIVAMENTO DOS AUTOS Receb.Guia: 542/2014 (7a. Vara) Pac.: 610007000412 39 05/12/2014 BAIXA DEFINITIVA ARQUIVO conf. Guia n.542/2014 (7a. Vara) Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10880.662122/201221 Acórdão n.º 1201002.517 S1C2T1 Fl. 5 4 38 28/11/2014 DECURSO DE PRAZO Nome da Parte: AUTORA Complemento Livre: DESPACHO DE FLS. 91 37 30/10/2014 DISPONIBILIZACAO D. ELETRONICO DE DESPACHO/DECISAO ,PAG. 39/41 36 08/10/2014 REMESSA PARA PUBLICACAO DE DESPACHO/DECISAO 35 08/10/2014 RECEBIMENTO DO JUIZ C/ DESPACHO/DECISAO 34 06/10/2014 AUTOS COM (CONCLUSAO) JUIZ PARA DESPACHO/DECISAO 33 06/10/2014 TRANSITO EM JULGADO Data do Último Prazo: 23/09/2014 Complemento Livre: PARA PARTES 32 27/08/2014 RECEBIMENTO DA FAZENDA NACIONAL 31 27/08/2014 RECEBIMENTO NA SECRETARIA 30 18/08/2014 REMESSA EXTERNA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL VISTA 29 12/08/2014 DECURSO DE PRAZO Nome da Parte: AUTORA Complemento Livre: 28 16/07/2014 DISPONIBILIZACAO D. ELETRONICO DE SENTENCA ,PAG. 35/55 27 02/07/2014 REMESSA PARA PUBLICACAO DE SENTENCA Tratase de ação ordinária, com pedido de tutela antecipada, em que postula a autora a inexigibilidade do percentual de presunção de 32% na aplicação do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido pelo regime de apuração do lucro presumido às atividades hospitalares, reconhecendose como corretos os percentuais de 8% e 12%, respectivamente.Alega que, por se tratar de pessoa jurídica prestadora de serviços médicos de pronto socorro junto ao Hospital São Luiz Unidade Itaim, atendendo em média 7.600 pacientes por mês, tem direito ao recolhimento dos tributos pelas alíquotas menores asseguradas aos prestadores de serviços hospitalares.Sustenta que a Receita Federal vinha reconhecendo às clínicas médicas o enquadramento tributário na qualidade de prestadores de serviços hospitalares, entendimento que foi alterado após a edição do Ato Declaratório Interpretativo 19/2007 e da Instrução Normativa RFB n 791/2007, com as alterações da IN n 1234/2012, que restringiram a possibilidade de enquadramento da grande maioria das clínicas na tributação presumida da renda sob os percentuais minorados.Entende que a Receita Federal não poderia criar um novo conceito de serviços hospitalares dissociado do Direito Privado, o que determina sejam afastados os atos impugnados. Como se nota, a discussão que foi travada no processo judicial direito à aplicação do percentual de 8% para fins de IRPJ no lucro presumido tem o mesmo objeto do que se postula no recurso voluntário ora interposto. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10880.662122/201221 Acórdão n.º 1201002.517 S1C2T1 Fl. 6 5 Nesses casos, cabível a aplicação da Súmula CARF nº 1, que assim dispõe: importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em razão, então, da concomitância apontada, NÃO CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 217DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.905821/2009-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendo-se, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste-se no prazo de 30 dias.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendo-se, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste-se no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendose, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/FOR, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .9 05 82 1/ 20 09 -4 2 Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10840.905821/200942 Resolução nº 3401001.473 S3C4T1 Fl. 3 2 A Contribuinte buscou via PER/DCOMP nº 10903.39678.150805.1.3.047040 a compensação de débito de COFINS (cód.5856) do período de apuração 07/2005 no valor de R$ 5.454,31 com crédito de COFINS (cód.5856) por recolhimento a maior que o devido, através de DARF no valor de R$ 16.948,54 do período de apuração 06/2005, arrecadado na data de 15/07/2005. Foi utilizado na presente PER/DCOMP o valor original de R$ 5.400,31. Do Despacho Decisório A DRF de Campinas/SP em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório com data de emissão 25/05/2009, rastreamento nº 835811448 (efls.7), pela não homologação da compensação declarada, em face de inexistência de crédito. O crédito relacionado ao DARF discriminado na PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débito da PIS/PASEP do Período de Apuração 30/06/2005. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta do fisco, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.11), solicitando que seja revisado seu pedido uma vez que os valores corretos dos débitos estão informados no DACON e foi apresentado DCTF Retificadora corrigindo o valor originalmente declarado, ficando demonstrado o crédito pelo pagamento a maior que o devido. Foi juntado aos autos o DACON e a DCTF Retificadora (efls.14 a 126). Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 3ª Turma da DRJ/FOR, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. A homologação da compensação declarada pelo contribuinte está condicionada ao reconhecimento do direito creditório pela autoridade administrativa, o que somente é possível mediante apresentação dos elementos que comprovem a liquidez e certeza do direito alegado. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO DE NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Para que se atribua eficácia às informações contidas em DCTF retificadora, apresentada após a ciência do despacho decisório que não homologou a compensação, é necessário que a manifestação de inconformidade se faça acompanhar de documentos hábeis e idôneos à comprovação do equívoco cometido pela manifestante. A simples retificação da DCTF, em tal condição, não gera os mesmos efeitos inerentes à apresentação espontânea da declaração. Do Recurso Voluntário Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10840.905821/200942 Resolução nº 3401001.473 S3C4T1 Fl. 4 3 O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls.142) contra a decisão de primeiro grau, pedindo sua reforma e homologação da compensação procedida, com base nos seguintes argumentos: (a) que apurou os valores devidos de PIS/PASEP através da contabilização dos créditos oriundos de Bens para Revenda e débitos decorrentes da Venda de Mercadorias e Serviços Prestados e demais receitas tributadas, conforme consta do DACON apresentado e documentos anexos; (b) por ser o débito apurado de PIS/PASEP menor do que o valor recolhido, apresentou PER/DCOMP e equivocadamente deixou de apresentar em tempo hábil a nova DCTF Retificadora, de forma a corrigir o débito anteriormente declarado, o que veio a ocorrer após a emissão do Despacho Decisório; (c) quanto a comprovação dos fatos que acarretaram na redução do débito de PIS/PASEP do mês de junho/2005, faz a juntada de documentos (efls. 157 a 249), correspondentes ao Razão Contábil, Balancete de Verificação e relatório analítico de apuração do PIS não cumulativo). Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O direito a compensação como forma de extinção de crédito tributário tem amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da RFB, estabelece em seu art. 34 que: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. A contribuinte demonstrou via DACON e registros contábeis que incorreu em erro ao declarar o valor do débito de PIS/PASEP não cumulativo do mês 06/2005 em DCTF. Providenciou a correção de valor através da DCTF Retificadora, só que após a não homologação do pedido de compensação de crédito, quando tomou conhecimento do Despacho Decisório. O entendimento passado pela DRJ/FOR através do acórdão recorrido está centrado na seguinte premissa: Portanto, para que se atribua eficácia às informações contidas em declaração retificadora, especificamente em relação àquelas que implicam na caracterização de pagamento indevido ou a maior, é mister que tal procedimento ocorra antes da emissão do despacho Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10840.905821/200942 Resolução nº 3401001.473 S3C4T1 Fl. 5 4 decisório, momento em que é ônus do fisco a glosa de qualquer valor informado pelo sujeito passivo. Sendo a DCTF apresentada após a perda da espontaneidade, demarcada pela ciência do despacho decisório da não homologação da compensação, para que a declaração produza efeitos jurídicos que lhe são inerentes deverá vir acompanhada de documentos hábeis e idôneos, com aptidão suficiente para a comprovação do equívoco cometido pelo contribuinte. A recorrente apresentou nos autos, além do DACON, documentos contábeis que dão suporte a prática de retificação de valores informados em DCTF, o que vem ao encontro da observação feita pela autoridade julgadora, da necessária comprovação do equívoco cometido pela contribuinte. Não sendo o CARF órgão indicado a suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, como se observa pelo texto dos artigos 10 e 11 da IN RFB nº 903/2008: Art. 10. Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. ... Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Cabe as autoridades administrativas analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF (Decreto nº 70.325/1972). O fato relacionado a apresentação de DCTF retificadora em data posterior a emissão de Despacho Decisório, já tem entendimento assentado na jurisprudência deste Conselho. Citase, por exemplo, o julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante manteve decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. De onde se extrai: “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Por outro lado “O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior”. A administração tributária nos dá orientação sobre o tema, através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10840.905821/200942 Resolução nº 3401001.473 S3C4T1 Fl. 6 5 CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) A essência dos fatos superam, nesse caso, eventuais erros de conduta formal do contribuinte, devendo prevalecer o princípio da verdade material no processo administrativo, a busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal. Ante o exposto, resolvem os membros do Colegiado em converter o julgamento em diligência para a repartição de origem de modo que seja informado e providenciado o seguinte: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendose, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10840.905821/200942 Resolução nº 3401001.473 S3C4T1 Fl. 7 6 (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 258DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.914857/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003, 2007
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE
Entende-se por denúncia espontânea aquela que é feita antes de a autoridade administrativa tomar conhecimento da infração, ou antes, do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração denunciada, desde que os débitos extintos tenham sido declarados em DCTF, após a extinção. Do contrário, a multa de mora deve ser exigida (Resp nº 1.149.022/SP).
Numero da decisão: 3302-005.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Vinicius Guimarães (Suplente convocado), Jorge Lima Abud e Fenelon Moscoso de Almeida votaram pelas conclusões, por entender que apenas os pagamentos podem resultar em denuncia espontânea. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida encaminhará as razões das conclusões ao relator para inserção no voto como razão de decidir.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003, 2007 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE Entende-se por denúncia espontânea aquela que é feita antes de a autoridade administrativa tomar conhecimento da infração, ou antes, do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração denunciada, desde que os débitos extintos tenham sido declarados em DCTF, após a extinção. Do contrário, a multa de mora deve ser exigida (Resp nº 1.149.022/SP).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Vinicius Guimarães (Suplente convocado), Jorge Lima Abud e Fenelon Moscoso de Almeida votaram pelas conclusões, por entender que apenas os pagamentos podem resultar em denuncia espontânea. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida encaminhará as razões das conclusões ao relator para inserção no voto como razão de decidir. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente Substituto (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1805; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 126 1 125 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.914857/200981 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.777 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de agosto de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente M DIAS BRANCO S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2007 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE Entendese por denúncia espontânea aquela que é feita antes de a autoridade administrativa tomar conhecimento da infração, ou antes, do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração denunciada, desde que os débitos extintos tenham sido declarados em DCTF, após a extinção. Do contrário, a multa de mora deve ser exigida (Resp nº 1.149.022/SP). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Vinicius Guimarães (Suplente convocado), Jorge Lima Abud e Fenelon Moscoso de Almeida votaram pelas conclusões, por entender que apenas os pagamentos podem resultar em denuncia espontânea. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida encaminhará as razões das conclusões ao relator para inserção no voto como razão de decidir. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Presidente Substituto (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 91 48 57 /2 00 9- 81 Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10380.914857/200981 Acórdão n.º 3302005.777 S3C3T2 Fl. 127 2 Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2007 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial, salvo na hipótese de decisões objetivas do Supremo Tribunal Federal (STF), com efeito erga ~es (súmula vinculante ou julgados em sede de ADI e ADC). ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO. A autoridade julgadora administrativa não se encontra atrelada ao entendimento dos Tribunais Superiores pois não faz parte da legislação tributária de que fala o artigo 96 do Código Tributário Nacional, salvo na hipótese de decisões do STF vinculantes para a administração pública federal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2007 MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. ESPONTANEIDADE. INAPLICABILIDADE. Declarada a compensação após o vencimento do tributo, fica descaracterizado o instituto da denúncia espontânea de que trata o artigo 138 do CTN, incidindo os correspondentes débitos tributários em multa de mora. Em seu arrazoado recursal, a Recorrente reproduz, em síntese, os argumentos apresentados em sua defesa, qual seja: (i) o contribuinte denunciou espontaneamente seus débitos tributários e, por isso, só deveria ter sido cobrado dele o principal e os juros de mora; (ii) no presente processo, o Fisco exigiu multa de mora, em discordância com o artigo 138 do CTN. Em 22 de julho de 2014, foi proferido o despacho resolutório nº 3803 000.511, convertendo o julgamento em diligência para que a repartição de origem certifique se os débitos compensados foram declarados em DCTF antes da compensação. A fiscalização, cumprindo o que fora determinado, apresentou relatório de diligência (fls.116120), onde apresentou os seguintes esclarecimentos e conclusões: Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10380.914857/200981 Acórdão n.º 3302005.777 S3C3T2 Fl. 128 3 4.2 A DCOMP original nº 34458.59695.160108.1.3.044062 fora enviada em 16/01/2008. Vejamos os débitos compensados: 5. Devido à pluralidade de débitos compensados, analisarseá cada um individualmente nos moldes como se verá a seguir: a) DÉBITO R$ 27.468,16, CÓD.REC. 2484, P.A. 08/2003 A DCTF nº 100.2006.61951456, entregue em 11/08/2006, representa a última emissão anterior à data de envio da DCOMP nº 34458.59695.160108.1.3.044062 de 16/01/2008. Nessa DCTF há declaração do débito da CSLL (2484) relativo ao mês de 08/2003 no montante de R$ 790.684,02. Vejamos: (...) Na DCTF nº 100.2006.61951456, entregue antes da DCOMP nº 34458.59695.160108.1.3.044062, há declaração do débito da CSLL (2484) no montante de R$ 790.684,02, ao passo que na DCTF nº 100.208.32152195, posterior ao envio da referida DCOMP, o montante declarado foi idêntico, R$ 790.684,02. Portanto, sem aumento do débito confessado. Vejamos: (...) Concluise, portanto, que a compensação do débito de R$ 17.468,16, CÓD.REC. 2484, P.A. 08/2003 ocorreu depois de sua declaração em DCTF. O débito já estava confessado em DCTF antes da data da compensação. b) DEBITO DE R$ 52.457,92, CÓD.REC. 2362, P.A. 12/2003 A DCTF nº 100.2007.12336864, entregue em 03/03/2007, representa a última emissão anterior à data de envio da DCOMP nº 34458.59695.160108.1.3.044062 de 16/01/2008. Nessa DCTF há declaração do débito de IRPJ (2362) relativo ao mês de 12/2003 no montante de R$ 8.849.975,39. Vejamos: (...) Na DCTF nº 100.2007.12336864, entregue antes da DCOMP nº 34458.59695.160108.1.3.044062, há declaração do débito de IRPJ (2362) no montante de R$ 8.849.975,39, ao passo que na DCTF nº 100.2008.52018754, posterior ao envio da referida DCOMP, o montante declarado foi quase idêntico, R$ 8.849.975,41. Portanto, uma diferença de R$ 0,02. Vejamos: (...) Concluise, portanto, que a compensação do débito DE R$ 52.457,92, CÓD.REC. 2362, P.A. 12/2003 ocorreu depois de sua declaração em DCTF. O débito já estava confessado em DCTF antes da data da compensação. c) DEBITO DE R$ 108.445,27, CÓD.REC. 5856, P.A. 12/2007 Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10380.914857/200981 Acórdão n.º 3302005.777 S3C3T2 Fl. 129 4 A primeira DCTF entregue (original), 100.2007.2008.1880149911, ocorreu em 08/02/2008, ao passo que a entrega da DCOMP nº 34458.59695.160108.1.3.04 4062 realizouse no mês anterior, em 16/01/2008. Vejamos: (...) Concluise, portanto, que a compensação do débito de R$ 108.445,27, CÓD.REC. 5856, P.A. 12/2007 ocorreu antes de sua declaração em DCTF. O débito foi confessado em DCTF depois da data da compensação. Ademais, nenhuma multa de mora ou juros seriam devidos, eis que a compensação ocorreu em 16/01/2008, antes da data de vencimento do débito compensado, 18/01/2008. A diferença devedora ora em foco não contém nenhuma multa de mora acerca do referido débito, cód.rec.5856, P.A. 12/2007. 6. Em suma, exceto o débito compensado do período de apuração 12/2007, os demais débitos foram declarados em DCTF antes da compensação. Intimada em 11.07.2017 (fls.121) acerca do referido relatório, a Recorrente permaneceu inerte. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 27.07.2010 (fls.65) e protocolou Recurso Voluntário em 12.08.2010 (fls.6677), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche o requisito de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Mérito II.1 Denúncia Espontânea Em síntese apartada, a Recorrente argumenta que houve denúncia espontânea da infração nos termos do art. 138 do CTN, de modo que multa de mora exigida deve ser totalmente afastada e, a compensação deve ser integralmente homologada. Pois bem. O art. 161 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional – CTN, estatui que o “crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10380.914857/200981 Acórdão n.º 3302005.777 S3C3T2 Fl. 130 5 penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta lei ou em lei tributária.” Por sua vez, o art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, determina que os “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso”. Em se tratando de compensação, dispõe o art. 28 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 e o art. 36 da Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008 que “os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação”. Neste cenário, evidenciase que a exigência de multa de mora quando de recolhimento em atraso consiste na regra geral a ser observada, em obediência aos dispositivos legais citados, sem prejuízo de outros que também a prevêem. Por outro lado, há causa excludente de penalidade prevista no artigo 138, do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Em relação a matéria concernente a aplicação denúncia espontânea, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial no nº 1.149.022/SP, realizado sob o regime do recurso repetitivo, disciplinado no art. 543C do Código de Processo Civil (do antigo CPC), já pacificou seu entendimento nos seguintes termos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10380.914857/200981 Acórdão n.º 3302005.777 S3C3T2 Fl. 131 6 artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008) 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ; Resp 1.149.022; Relator: Ministro Luiz Fux; Data do julgamento: 09.06.2010) Do que se infere da decisão supra citada, é que o benefício da denúncia espontânea será aplicado aos casos em que não houver declaração do débito e, quando o contribuinte realizar o pagamento antes de qualquer procedimento fiscal. A respeito disso, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional lavrou os Pareceres PGFN/CRJ nºs 2.113 e 2.124, de 10 de novembro de 2011, aprovados pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda consoante despachos publicados em 15 de dezembro de 2011, os quais, amparados em pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça sobre o tema, admitem, respectivamente, inexistir diferença entre multa moratória e multa punitiva, vez que ambas são excluídas em caso de configuração da denúncia espontânea e que a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento fiscal), notificando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. Em conseqüência, tais pareceres recomendam sejam autorizadas a não apresentação de contestação, a não interposição Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10380.914857/200981 Acórdão n.º 3302005.777 S3C3T2 Fl. 132 7 de recursos e a desistência dos já interpostos nas ações judiciais correspondentes, desde que inexista outro fundamento relevante. Assim sendo, em 20 de dezembro de 2011 foram lavrados os Atos Declaratórios PGFN nºs 4 e 8, que declaram que ficam autorizadas a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante “com relação às ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da exclusão da multa moratória quando da configuração da denúncia espontânea, ao entendimento de que inexiste diferença entre multa moratória e multa punitiva, nos moldes do art. 138 do Código Tributário Nacional” e “nas ações judiciais que discutam a caracterização da denúncia espontânea na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), notificando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente”, nessa ordem. Nesse contexto, quanto à exclusão da multa pela denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, inferese que essa somente se aplica, data venia, em circunstâncias bastante específicas, cumprindo verificar ou não a sua ocorrência em cada caso concreto. Compulsando os autos, especificadamente o Relatório de Diligência, verifica se que a compensação dos débitos acerca da DCOMP nº 34458.59695.160108.1.3.044062 , com exceção do mês 12/2007, ocorreu depois de sua declaração em DCTF. Ou seja, os débitos já estavam confessados em DCTF antes da data da compensação, fato este que afasta o benefício da denúncia espontânea, tornando, assim, correta a exigência da multa de mora. Em relação ao mês 12/2007, insta tecer que a fiscalização informou que não houve incidência de multa de mora acerca do débito, fato este confirmado no documento carreado às fls.31, a saber: Ou seja, a questão sobre a incidência da multa de mora para o mês de 12/2007 é estranha aos autos. Como o Recorrente não segregou suas alegações, tendo apresentado de uma forma geral, desconhece, por assim se dizer da matéria concernente a incidência da multa de mora em relação do débito apurado no período de 12/2007. Fora isso, por entender que apenas os pagamentos podem resultar em denuncia espontânea, os conselheiros Orlando Rutigliani Berri, Vinicius Guimarães, Jorge Lima Abud e Fenelon Moscoso de Almeida votaram pelas conclusões. Isto porque, para os referidos conselheiros, prevaleceu o entendimento, inclusive, no mesmo sentido de precedentes desta e de outras Turmas, ao final reproduzidos, que o art. 138, da Lei n° 5.172/66, exclui a responsabilidade pela denúncia espontânea, mas, Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10380.914857/200981 Acórdão n.º 3302005.777 S3C3T2 Fl. 133 8 quando acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora. Pagamento. Não compensação como é o caso. Para eles, aplicase ao caso, o teor do julgamento do REsp 1.149.022/SP, submetido ao rito dos recursos repetitivos, do art. 543C, do CPC/1973, determinandose que a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente; decisão judicial de reprodução obrigatória pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do §2º, do art. 62, do RICARF/2015 (Portaria MF nº 343, de 09/06/15). PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10380.914857/200981 Acórdão n.º 3302005.777 S3C3T2 Fl. 134 9 parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. SÚMULA STJ nº. 360 O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Aplicando o instituto da denuncia espontânea, à caso concreto semelhante, sob o aspecto da existência de compensação, ao invés de pagamento, o voto vencedor da Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, no Acórdão nº 3302002.772, de 13/11/2014, abaixo transcrito, adotadas suas razões de decidir para o presente processo: "Denúncia Espontânea O CTN somente excluiu, em seu art. 138, a responsabilidade tributária em razão de denúncia espontânea quando esta for acompanhada do pagamento do tributo devido com os respectivos juros moratórios. O comando do art. 138, do CTN, visa incentivar a regularização fiscal e o incremento da arrecadação, por meio da concessão de incentivo (qual seja, a exclusão da responsabilidade por infração) pelo pagamento de tributos em atraso espontaneamente denunciados. E como a compensação seja aos moldes pretéritos (em que era objeto de pedido e era passível de eventual posterior indeferimento), seja aos moldes atuais (em que é declarada e está sujeita, dentro do prazo de 5 anos, a ser fortuitamente não homologada na forma do art. 74, §1º, da Lei nº 9.430/96) –, trata de forma precária (não Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10380.914857/200981 Acórdão n.º 3302005.777 S3C3T2 Fl. 135 10 definitiva) da extinção do crédito tributário, não goza do benefício conferido por sobredito art. 138. O entendimento acima se afina com a jurisprudência do STJ a respeito desta questão peculiar, conforme patenteia a ementa do acórdão, recentemente publicado no DJE de 26/08/2010, proferido AgRg no Agravo de Instrumento nº 1.303.103/RS, no qual foi Relatora a Exma. Sra. Ministra Eliana Calmon: “TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL DENÚNCIA ESPONTÂNEA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DO PRINCIPAL E DOS JUROS DE MORA DEVIDOS NÃO CONFIGURAÇÃO. 1. A configuração da denúncia espontânea pressupõe o pagamento do principal da dívida acompanhado dos juros de mora devidos antes de qualquer procedimento fiscal, o que não ocorreu na espécie, na qual houve mero pedido de compensação. 2. Agravo regimental não provido.” (g.n.) De se ver que a jurisprudência colacionada pela contribuinte em suas peças de defesa atestam como requisitos para a não incidência de multa moratória em face da denúncia espontânea o atendimento de dois requisitos: a existência de pagamento do tributo com os respectivos juros de mora e a inexistência de procedimento fiscal anterior ao pagamento. A contribuinte não atendeu ao primeiro dos requisitos mencionados. (grifei/sublinhei) No mesmo sentido, o voto condutor do Conselheiro Luiz Roberto Domingo, no Acórdão nº 3101001.631, de 27/03/2014, abaixo transcrito, por unanimidade, entendo não ser cabível a exclusão da penalidade, nos termos do art. 138 do CTN, no casos de mera compensação: "É pacífica a jurisprudência, inclusive com diversos precedentes do E. STJ, no sentido de que é possível ao contribuinte sanar o inadimplemento de crédito tributário, ainda que a destempo, sem que haja aplicação da sanção legal, desde que mediante PAGAMENTO. Está assim pacificada a jurisprudência no âmbito do STJ: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. PRETENSÃO QUE ENCONTRA ÓBICE NA SÚMULA N. 7 DO STJ. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. 1. A revisão da conclusão do acórdão recorrido, no sentido da ausência de direito líquido e certo a ser amparado pelo mandamus, importaria em novo exame do conjunto fáticoprobatório dos autos. Precedentes: AgRg no AREsp 144.012/MA, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 15/05/2012; AgRg no AREsp 98.066/MG, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 23/04/2012; REsp 1206178/DF, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/11/2011; AgRg no Ag 1378589/DF, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 13/09/2011. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10380.914857/200981 Acórdão n.º 3302005.777 S3C3T2 Fl. 136 11 2. A extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de conseqüência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 174.514, Rel. Min. Benedito Gonçalves, 1A T, julg. 04/09/2012) Como no presente caso, diferentemente dos demais que foram por mim analisado, a Recorrente realizou a compensação dos débitos liquidados em atraso, conforme se verifica da planilha transcrita no relatório acima, entendo não ser cabível a exclusão da penalidade nos termos do art. 138 do CTN." (grifei) Portanto e, para eles, no presente caso, inaplicável o instituto da denuncia espontânea, nos termos do art. 138, do CTN, e indevida a exclusão da penalidade da multa de mora; seja porque os débitos já estavam confessados em DCTF antes da data das suas extinções; seja porque não foram extintos por pagamentos, fatos estes que afastam o benefício da denúncia espontânea, motivo pelo qual os demais Conselheiros acompanharam o i. ilustre Relator pelas conclusões. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 136DF CARF MF
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Numero do processo: 18088.000356/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. CUSTO DE AQUISIÇÃO. DOAÇÃO. ESCRITURA DE RE-RATIFICAÇÃO.
Na apuração do ganho de capital quando da alienação de bem recebido por doação, o custo de aquisição tem por base o valor constante na declaração de ajuste do doador, devendo ser considerado a escritura re-ratificação, quando realizada antes do procedimento de fiscalização.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-004.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias e Waltir de Carvalho, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Ronnie Soares Anderson, que manifestou interesse de apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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CUSTO DE AQUISIÇÃO. DOAÇÃO. ESCRITURA DE RERATIFICAÇÃO. Na apuração do ganho de capital quando da alienação de bem recebido por doação, o custo de aquisição tem por base o valor constante na declaração de ajuste do doador, devendo ser considerado a escritura reratificação, quando realizada antes do procedimento de fiscalização. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias e Waltir de Carvalho, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Ronnie Soares Anderson, que manifestou interesse de apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 03 56 /2 00 8- 51 Fl. 455DF CARF MF Processo nº 18088.000356/200851 Acórdão n.º 2202004.586 S2C2T2 Fl. 456 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 18088.000356/200851, em face do acórdão nº 1649.062, julgado pela 18ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1), em sessão realizada em 01 de agosto de 2013, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: " Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 04/06, acompanhado dos demonstrativos de apuração de fls. 07/08, que lhe exige crédito tributário no montante de R$ 2.747.803,50, sendo que R$ 1.147.500,00 a título de imposto, R$ 739.678,50 a título de juros de mora calculados até 31/07/2008 e R$ 860.625,00 a título de multa proporcional. Foi apurado ganho de capital na alienação dos seguintes imóveis: a) Fazenda União, com 204 alqueires (492,68 hectares), com matrícula de imóvel nº 15.022 junto ao 2º Oficial de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos e Civil de Pessoa Jurídica da Comarca de Araraquara; b) Fazenda Cambuhy, com 75 alqueires (181,50 hectares), com matrícula de imóvel nº 1.707 junto ao Oficial de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos e Civil de Pessoa Jurídica da Comarca de Matão; c) Fazenda Nossa Senhora Aparecida, com aproximadamente 750 alqueires (aproximadamente 1.815 hectares), com matrícula de imóvel nº 272 junto ao Oficial de Registro de Imóveis e Anexos da Comarca de Agudos. Conforme no Relatório de Atividade Fiscal (fls. 11/21), em 07/07/2003, 50% da Fazenda Cambuhy e 50% da Fazenda União ingressaram no patrimônio do contribuinte pelo custo total de R$ 1.000.000,00, por doação em adiantamento de legítima realizada pela sua mãe, Srª Maria da Glória de Moraes Urquiza, conforme Escritura de Doação de fls. 26/31. Na mesma data, os 50% restantes da Fazenda Cambuhy e 50% da Fazenda União foram doados à sua irmã, Srª Ângela de Moraes Urquiza. No que tange à Fazenda Nossa Senhora Aparecida, em 07/07/2003, 37,50% da Fazenda ingressaram no patrimônio do impugnante pelo custo de R$ 1.100.000,00, por doação em adiantamento de legítima realizada pela sua mãe, Srª Maria da Glória de Moraes Urquiza, conforme consta na Escritura de Doação de fls. 38/40, na qual consta ainda que 37,50% foram doados à sua irmã, Srª Ângela de Moraes Urquiza. Fl. 456DF CARF MF Processo nº 18088.000356/200851 Acórdão n.º 2202004.586 S2C2T2 Fl. 457 3 Em 14/11/2003, o contribuinte, Sr.Eduardo de Moraes Urquiza, efetuou a doação de 50% da Fazenda Cambuhy e 50% da Fazenda União, conforme Escritura de Doação de fls. 32/36, 58/60 e 55/57, tendo como única donatária a Srª Ângela Maria de Moraes Urquiza, pelo valor total das doações de R$ 6.000.000,00, conforme fl. 34 – Cláusula QUINTA. Na mesma data, o contribuinte efetuou a doação de 37,50% da Fazenda Nossa Senhora Aparecida, tendo como única donatária sua irmã, Srª Ângela Maria de Moraes Urquiza, pelo valor de R$ 3.750.000,00, conforme Escritura de fls. 44/47. Consta ainda nessa Escritura que 25% pertencente à sua mãe, Srª Maria da Glória de Moraes Urquiza, foram doados à sua irmã, Srª Ângela Maria de Moraes Urquiza. Em 21/11/2003, a Srª Maria da Glória de Moraes Urquiza lavrou escrituras de ReRatificação das doações realizadas em 07/07/2003, alterando os valores de doação das Fazendas Cambuhy e União de R$ 2.000.000,00 para R$ 12.000.000,00 e da Fazenda Nossa Senhora Aparecida de R$ 2.200.000,00 para R$ 7.500.000,00, conforme Escrituras de fls. 49/51 e 52/54. Entretanto, foram considerados como custo de aquisição da Fazenda União, mais a Fazenda Cambuhy, o valor de R$ 1.000.000,00 e da Fazenda Nossa Senhora Aparecida o valor total de R$ 1.100.000,00, considerando a data da ocorrência do fato gerador e seus efeitos conforme escrituras lavradas em 07/07/2003, com base no art. 116 do CTN. Assim, foram apurados os seguintes valores de imposto de renda sobre ganho de capital na alienação das Fazenda Cambuhy e União na alienação da Fazenda Nossa Senhora Aparecida: Todos os procedimentos fiscais adotados, bem como as verificações/análises/conclusões, encontramse detalhadamente relatadas no Relatório de Atividade Fiscal (fls. 11/21). Cientificado do lançamento em foco, em 25/08/2008 (fl. 94), o interessado, representado por seus advogados, apresentou, em 22/09/2008, a impugnação de fls. 99/134, aduzindo o que se segue: Fl. 457DF CARF MF Processo nº 18088.000356/200851 Acórdão n.º 2202004.586 S2C2T2 Fl. 458 4 1) Os valores apurados na Declaração de Ajuste Anual do ano calendário 2003, relativamente a Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direitos, omissos quando da alienação de imóveis na modalidade de doação, efetivamente não ocorreram. 2) As escrituras (tanto a inicial como a de reratificação) de doação recebidas pelo Impugnante se deram dentro do mesmo exercício, logo dentro do mesmo período de apuração do imposto de renda , antes da consumação do fato gerador do imposto. 3) O Impugnante adquiriu as propriedades rurais denominadas Fazenda União, Fazenda Cambuhy e Fazenda Nossa Senhora Aparecida em julho de 2003, antes da entrega da DIAT, vindo a alienálas em novembro do mesmo ano, posteriormente à data de entrega do DIAT, que ocorreu em setembro de 2003. 4) Assim, aplicase ao presente caso a condição expressada no inciso II do parágrafo 1º do artigo 10 da IN n 84/2001. 5) PRELIMINARMENTE. PROVA INSUFICIENTE. O auto de infração carece de elementos suficientes para determinar com segurança a natureza da infração, o que acarreta a sua nulidade plena. O Fiscal autuante sequer submeteu a presente situação à legislação aplicável, limitandose às escrituras públicas lavradas, como se algo ilegal tivesse sido praticado pelo Impugnante. 6) A prova a ser utilizada no trabalho fiscal deveria ser o DIAT entregue em 2003, haja vista que a legislação aplicável contempla que os valores a serem considerados para efeito de ganho de capital para imóveis rurais é aquele constante como Valor da Terra Nua – VTN. 7) AUTO DE INFRAÇÃO E IMPOSIÇÃO DE MULTA SEM MOTIVAÇÃO IDÔNEA E PERTINENTE. Não há o que alegar sem provar, pois deve ser identificada, quantificada, qualificada, em todas as suas circunstâncias, para permitir ampla defesa e provada a ocorrência materialmente com documento idôneo e contemporâneo. O auto de infração sem motivação adequada e pertinente, é ato administrativo nulo, ineficaz, porque sendo sempre vinculado e regrado, deve ficar sempre de acordo com as previsões legais pertinentes. Nesse sentido têmse entendimentos de Hely Lopes Meirelles e Weida Zancaner. 8) “Desta forma, não há embasamento fático para o lançamento do imposto, bem como, conseqüentemente, para a constituição do crédito tributário, no caso presente, já que o lançamento feito pelo AIIM não guarda conformidade com as expressas previsões legais dos artigos 114, 141, 142 e seu parágrafo único e 144 do CTN.” 9) MÉRITO. DA AUSÊNCIA DE GANHO DE CAPITAL. No cálculo de ganho de capital de imóvel rural, o contribuinte deve confrontar o Valor da Terra Nua (VTN) do ano da compra com o Fl. 458DF CARF MF Processo nº 18088.000356/200851 Acórdão n.º 2202004.586 S2C2T2 Fl. 459 5 Valor da Terra Nua (VTN) do ano da venda, como se fossem respectivamente, o custo de aquisição e o valor de alienação do imóvel, nos termos do art. 19 da Lei nº 9.393/1996. 10) “A determinação do valor do custo de aquisição e revenda, de acordo com o art. 136 do Regulamento do Imposto de Renda e a Instrução Normativa 84/2001, no caso presente caso, considerando que o imóvel rural foi adquirido a partir de 1º de janeiro de 1997 (no caso em 2003), a base para o cálculo do imposto de renda sobre ganho de capital são os valores da terra nua na aquisição e na venda que constam da DIAT.” 11) O valor de aquisição e alienação dos imóveis rurais tratados no auto de infração são aqueles constantes no DIAT como valor da Terra Nua – VTN, que, tendo ocorrido no mesmo ano (2003), serão idênticos, portanto sem ganho de capital. Nesse sentido, tem a Solução Consulta da Superintendência Regional da Receita Federal 8ª RF nº 106, de 17/04//2001. 12) A autoridade fiscal não justifica sua recusa em aceitar as alterações dos custos das propriedades doadas através de escritura de ReRatificação lavradas em 21.11.2003, em Cartório habilitado para tanto. 13) O procedimento adotado pela Doadora está em perfeita concordância com os ditames da legislação, sendo que eventual diferença de Imposto Sobre Ganhos de Capital foram ou deviam ser recolhidos a partir de 21.11.2003, tendo como base na incidência a data de 07.07.2003, com os acréscimos exigidos a partir da data que o imposto deveria ser recolhimento, ou seja, 30.08.2003. 14) “Quando o auditor fiscal faz referência a aplicação do artigo 119 do RIR/99, somente poderá estar se reportando a pessoa física da Sra Maria da Glória de Moraes Urquiza que promoveu em 07.07.2003, doações de Imóveis Rurais, como sendo adiantamento da legítima, a favor dos Donatários Eduardo de Moraes Urquiza e Ângela Maria de Moraes Urquiza, dando margem a discussão sobre o valor atribuído aos bens doados.” 15) No que tange a operação de alienação (doação) realizada pelo impugnante à sua irmã em 14.11.2003, qualquer que fosse o valor atribuído na operação não haveria Ganhos de Capital, sujeito a tributação do imposto de renda, visto que considerando que o Impugnante recebeu em doação de sua mãe as propriedades rurais em 07.07.2003 e as alienou (doação) para sua irmã em 14.11.2003. 16) “Diante de todo exposto, fica demonstrado que a re ratificação realizadas pelas partes Doadora e Donatários foi um ato praticado única e exclusivamente para atender situação sócio econômica face as diversas hipóteses de exploração das propriedades rurais, onde seus valores defasados poderia representar entraves a futuras associação ou mesmo na busca de divisas para implementar projetos ou mesmo em provável Fl. 459DF CARF MF Processo nº 18088.000356/200851 Acórdão n.º 2202004.586 S2C2T2 Fl. 460 6 alienação, como forma de amenizar a carga tributária, que com a tributação diferenciada para os imóveis rurais nada ou pouco representaria para as operações realizada pelo Impugnante.” 17) DO ATO JURÍDICO PERFEITO. Ato jurídico perfeito é aquele que nascera e se formara sob a égide de uma determinada lei, contemplando todos os requisitos necessários exigidos pela norma então vigente e que seja passível de retificação. 18) “Concluise que quanto ao ato jurídico perfeito o constituinte ao insculpir essa garantia no art. 5o , inciso XXXVI, da C.F. alberga, diante da própria função do instituto, somente os planos da existência e da validade, não exigindo a eficácia jurídica do ato.” 19) O ato jurídico existiu, mas não que impedisse que fosse sobreposto por ato jurídico complementar. 20) MULTAS CONFISCATÓRIAS. Tratamse de elevadas multas de natureza confiscatória, violando o art. 150, IV, da Constituição Federal, atrelado ao princípio da capacidade contributiva, positivandose sempre que o gravame tributário absorva parcela expressiva da propriedade dos contribuintes. 21) “A exacerbada multa não condiz com a realidade jurídica vigente, como é o caso das multas previstas para o inadimplemento de obrigações, que, a seu turno, não podem ser superiores a 2% (dois por cento) do valor da dívida (Lei federal n.8.087, de 11.9.90, que dispõe sobre a proteção do consumidor); como ainda no caso do condômino em débito Código civil (art. 1.336, § 1º).” 22) Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal já afirmou sua postura. 23) Caso concreto e similar, com penalidade tributária igual a 200 %, foi declarada inconstitucional pelo STF ADIN nº 5511/ 600RJ, que remetido ao ProcuradorGeral da República Geraldo Brindeiro proferiu parecer favorável. Em 2002, decisão do STF julgou procedente a ADIN e atualmente reflete o pensamento dominante do STF. 24) Decisões judiciais repelem a taxa Selic, conforme aresto do Superior Tribunal de Justiça. 25) Na remota hipótese de ser mantida a cobrança do tributo, devem ser excluídas as exigências de juros moratórios calculados pela Taxa Selic. Por fim, requer provar por todos os meios em direito admitidos, inclusive documentais, além daqueles que estão sendo juntados, venham surgir. .” A DRJ de origem entendeu por julgar improcedente a impugnação apresentada, mantendo na integralidade o crédito tributário. Fl. 460DF CARF MF Processo nº 18088.000356/200851 Acórdão n.º 2202004.586 S2C2T2 Fl. 461 7 Inconformado com o resultado do julgamento, o contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 380/416, reiterando as alegações expostas em impugnação, além de juntar declarações de ITR, a fim de comprovar seu direito. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Primeiramente, quanto aos documentos juntados em anexo ao recurso voluntário, entendo que devem ser recebidos como prova do alegado, por força do princípio da verdade material e formalismo moderado. Consoante relatado, foi apurado ganho de capital na alienação dos seguintes imóveis: a) Fazenda União, com 204 alqueires (492,68 hectares), com matrícula de imóvel nº 15.022 junto ao 2º Oficial de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos e Civil de Pessoa Jurídica da Comarca de Araraquara; b) Fazenda Cambuhy, com 75 alqueires (181,50 hectares), com matrícula de imóvel nº 1.707 junto ao Oficial de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos e Civil de Pessoa Jurídica da Comarca de Matão; c) Fazenda Nossa Senhora Aparecida, com aproximadamente 750 alqueires (aproximadamente 1.815 hectares), com matrícula de imóvel nº 272 junto ao Oficial de Registro de Imóveis e Anexos da Comarca de Agudos. Conforme no Relatório de Atividade Fiscal (fls. 11/21), em 07/07/2003, 50% da Fazenda Cambuhy e 50% da Fazenda União ingressaram no patrimônio do contribuinte pelo custo total de R$ 1.000.000,00, por doação em adiantamento de legítima realizada pela sua mãe, Srª Maria da Glória de Moraes Urquiza, conforme Escritura de Doação de fls. 26/31. Na mesma data, os 50% restantes da Fazenda Cambuhy e 50% da Fazenda União foram doados à sua irmã, Srª Ângela de Moraes Urquiza. No que tange à Fazenda Nossa Senhora Aparecida, em 07/07/2003, 37,50% da Fazenda ingressaram no patrimônio do impugnante pelo custo de R$ 1.100.000,00, por doação em adiantamento de legítima realizada pela sua mãe, Srª Maria da Glória de Moraes Urquiza, conforme consta na Escritura de Doação de fls. 38/40, na qual consta ainda que 37,50% foram doados à sua irmã, Srª Ângela de Moraes Urquiza. Em 14/11/2003, o contribuinte, Sr.Eduardo de Moraes Urquiza, efetuou a doação de 50% da Fazenda Cambuhy e 50% da Fazenda União, conforme Escritura de Doação de fls. 32/36, 58/60 e 55/57, tendo como única donatária a Srª Ângela Maria de Moraes Urquiza, pelo valor total das doações de R$ 6.000.000,00, conforme fl. 34 – Cláusula QUINTA. Fl. 461DF CARF MF Processo nº 18088.000356/200851 Acórdão n.º 2202004.586 S2C2T2 Fl. 462 8 Na mesma data, o contribuinte efetuou a doação de 37,50% da Fazenda Nossa Senhora Aparecida, tendo como única donatária sua irmã, Srª Ângela Maria de Moraes Urquiza, pelo valor de R$ 3.750.000,00, conforme Escritura de fls. 44/47. Consta ainda nessa Escritura que 25% pertencente à sua mãe, Srª Maria da Glória de Moraes Urquiza, foram doados à sua irmã, Srª Ângela Maria de Moraes Urquiza. Em 21/11/2003, a Srª Maria da Glória de Moraes Urquiza lavrou escrituras de ReRatificação das doações realizadas em 07/07/2003, alterando os valores de doação das Fazendas Cambuhy e União de R$ 2.000.000,00 para R$ 12.000.000,00 e da Fazenda Nossa Senhora Aparecida de R$ 2.200.000,00 para R$ 7.500.000,00, conforme Escrituras de fls. 49/51 e 52/54. A empresa Fischer S.A., CNPJ 52.311.529/000120, adquiriu a Fazenda União, que engloba a Fazenda Cambuhy, em 19/03/2004, e a empresa Agropecuária A C L Ltda., CNPJ 06.192.444/000152, adquiriu a Fazenda Nossa Senhora Aparecida em 16/03/2004. Foram considerados como custo de aquisição da Fazenda União, mais a Fazenda Cambuhy, o valor de R$ 1.000.000,00 e da Fazenda Nossa Senhora Aparecida o valor total de R$ 1.100.000,00, considerando a data da ocorrência do fato gerador e seus efeitos conforme escrituras lavradas em 07/07/2003, com base no art. 116 do CTN. Deste modo, foram apurados os seguintes valores a título de ganho de capital: Conforme Relatório de Atividade Fiscal (fls. 11/21), não foram considerados os valores constantes nas Escrituras de ReRatificação de fls. 49/51 e 52/54, haja vista que os fatos gerados das doações efetuadas pela Srª Maria da Glória de Moraes Urquiza ocorreram em 07/07/2003 (Escrituras de fls. 25/28 e 36/48), conforme dispõe o art. 116 do CTN. Com efeito, depois de realizadas as reratificações das escrituras de doação por iniciativa da própria doadora (Sra. Maria da Glória de Moraes Urquiza), genitora do Recorrente, foi declarado e recolhido pela respectiva doadora o ganho de capital correspondente. conforme Demonstrativos de Apuração de Ganho de Capital da doadora, do processo nº 18088.000355/200815 (da irmã do contribuinte Sra. Ângela Maria de Moraes Urquiza, fazendo a doadora assim constar em sua DIRPF referente ao Ano Calendário de 2003, conforme se extrai da Resolução nº 2202000804, que: Fl. 462DF CARF MF Processo nº 18088.000356/200851 Acórdão n.º 2202004.586 S2C2T2 Fl. 463 9 (a) as Fazendas União e Cambuhy foram doadas em 07/07/2003 a valor de mercado pela quantia total de R$ 12 milhões ao Recorrente e à sua irmão (Ângela Urquiza), sendo 50% (cinquenta inteiros por cento) para cada um deles; e (b) a doação de 75% (setenta e cinco inteiros por cento) da Fazenda Nossa Senhora da Glória, também a valor de mercado, pela quantia total de R$ 7.500.000,00 (sete milhões e quinhentos mil reais), ao Recorrente e à sua irmã (Ângela Urquiza), sendo 37,5% (trinta e sete inteiros e cinquenta centésimos por cento) para cada um deles. Tratouse, assim, de ato de vontade da própria doadora, mãe de Recorrente, que, conforme aduza contribuinte, teria pretendido fazer constar expressamente que a doação dos bens em questão a seus filhos estava sendo ultimada pelo valor de mercado, conforme permitido pelo art. 23 da Lei n.º 9.532/97, fazendo questão de reratificar as escrituras de doação de forma inquestionavelmente legítima, por sua conveniência, para evitar questionamentos dos seus herdeiros em futuro processo de inventário e partilha de bens e perante o Fisco Estadual (quanto ao recolhimento do ITCMD). Ocorre, contudo, que o §2º do art. 20 da Instrução Normativa SRF n.º 84/01 é taxativo ao prescrever que “o valor relativo à opção por qualquer dos critérios de avaliação a que se refere este artigo, que independe da avaliação adotada para efeito da partilha ou do pagamento do imposto de transmissão, deve ser informado na declaração: [...] do doador e donatário, correspondente ao anocalendário do recebimento da doação”, vejamos: Art. 20. Na transferência de propriedade de bens e direitos, por sucessão causa mortis, a herdeiros e legatários; por doação, inclusive em adiantamento da legítima, ao donatário; bem assim na atribuição de bens e direitos a cada excônjuge ou ex convivente, na hipótese de dissolução da sociedade conjugal ou união estável, os bens e direitos são avaliados a valor de mercado ou considerados pelo valor constante na Declaração de Ajuste Anual do de cujus, doador, excônjuge ou exconvivente declarante, antes da dissolução da sociedade conjugal ou união estável. (...) § 2º O valor relativo à opção por qualquer dos critérios de avaliação a que se refere este artigo, que independe da avaliação adotada para efeito da partilha ou do pagamento do imposto de transmissão, deve ser informado na declaração: I final de espólio e na declaração do herdeiro ou legatário, correspondente ao anocalendário da transmissão; II do doador e donatário, correspondente ao anocalendário do recebimento da doação; III do excônjuge ou exconvivente a quem foi atribuído o bem, correspondente ao anocalendário da dissolução da sociedade conjugal ou união estável. § 3º Se a transferência for efetuada por valor superior ao constante na Declaração de Ajuste Anual referida no caput, ou Fl. 463DF CARF MF Processo nº 18088.000356/200851 Acórdão n.º 2202004.586 S2C2T2 Fl. 464 10 do custo de aquisição referido no § 1o, a diferença a maior constitui ganho de capital tributável. § 4 Na hipótese do § 3o, o inventariante, no caso de espólio, o doador ou o excônjuge ou exconvivente a quem for atribuído o bem ou direito deve preencher o Demonstrativo de Apuração do Ganho de Capital e anexálo à Declaração Final de Espólio ou à Declaração de Ajuste Anual do anocalendário da doação ou da dissolução da sociedade conjugal ou união estável, conforme o caso. § 5º Na apuração de ganho de capital em virtude de posterior alienação dos bens e direitos de que trata este artigo, é considerado como custo de aquisição o valor a que se refere o § 2º § 6º Para efeito do disposto no § 5º, a comprovação do custo, constante na Declaração de Ajuste Anual, é efetuada por meio de: I Declaração Final de Espólio, no caso de transmissão causa mortis; II Declaração de Ajuste Anual do doador, na doação, ou do ex cônjuge ou exconvivente declarante, na dissolução da sociedade conjugal ou da união estável, ou do documento comprobatório da aquisição, se o doador, excônjuge ou exconvivente estiver desobrigado da apresentação da declaração; III Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) relativo ao pagamento do imposto de que trata o § 3o, quando a avaliação houver sido efetuada por valor superior ao constante na última Declaração de Ajuste Anual do de cujus, do doador ou excônjuge declarante, ou do § 1o, conforme o caso. (grifouse) Aliás, o §5º do art. 20 da Instrução Normativa SRF n.º 84/01, transcrito acima, vai além e dispõe mais claramente que “na apuração de ganho de capital em virtude de posterior alienação dos bens e direitos de que trata este artigo é considerado como custo de aquisição o valor a que se refere o §2º”, sendo que a comprovação do custo de aquisição é efetuada por meio da Declaração de Ajuste Anual do doador ou pelos comprovantes de recolhimento do respectivo ganho de capital pelo doador, o que foi seguido à risca pela Recorrente e por sua mãe (doadora) nas operações em questão (§6º do art. 20 da IN SRF 84/01). Neste sentido, inclusive, há jurisprudência deste Conselho, conforme ementa extraída do acórdão n.º 2402005.385, julgado por unanimidade pela 2ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Sessão, em sessão de 12 de julho de 2016, tendo como Relator o ilustre Conselheiro Ronnie Soares Anderson: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008, 2009, 2010, 2011 Fl. 464DF CARF MF Processo nº 18088.000356/200851 Acórdão n.º 2202004.586 S2C2T2 Fl. 465 11 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. Não havendo o responsável solidário impugnado a exigência perante o Colegiado de primeira instância, precluso restou o seu direito de contestála. RECURSO DE OFÍCIO. CUSTO DE AQUISIÇÃO. DOAÇÃO Na apuração do ganho de capital quando da alienação de bem recebido por doação, o custo de aquisição tem por base o valor constante na declaração de ajuste do doador, conforme entendimento da administração tributária. (Processo n.º 13896.721452/201285, acórdão 2402005.385 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Deste modo, entendo que a Fiscalização deveria ter considerado, para fins de cálculo do custo de aquisição, as escrituras de ReRatificação das doações realizadas em 07/07/2003, que a genitora do contribuinte Maria da Glória de Moraes Urquiza fez pouco tempo depois, em 21/11/2003 (inclusive no próprio anocalendário e antes de qualquer procedimento da fiscalização) que alterou os valores de doação das Fazendas Cambuhy e União de R$ 2.000.000,00 para R$ 12.000.000,00 e da Fazenda Nossa Senhora Aparecida de R$ 2.200.000,00 para R$ 7.500.000,00, conforme documentos de fls. 49/51 e 52/54. Na apuração do ganho de capital quando da alienação de bem recebido por doação, o custo de aquisição tem por base o valor constante na declaração de ajuste do doador, logo, deveria ter sido consideradas as escrituras reratificação realizadas, quando feitas antes do procedimento de fiscalização, para fins de apuração da base de cálculo do tributo. Ainda, frisa se, que as escrituras foram realizadas menos de cinco meses após a doação, dentro do mesmo anocalendário. Deste modo, sendo incorreta a base de cálculo adotada pela fiscalização, não há como manter o auto de infração lavrado, não sendo possível retificar o lançamento para alterar, por completo, a base de cálculo utilizado, pois haveria alteração do critério jurídico. Portanto, não deve ser mantido o lançamento realizado. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Declaração de Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson Fl. 465DF CARF MF Processo nº 18088.000356/200851 Acórdão n.º 2202004.586 S2C2T2 Fl. 466 12 Acompanho as conclusões do D. Relator no sentido de cancelamento da exigência fiscal, mas tenho entendimento um tanto diverso quanto aos fundamentos. Deixo expressa e salientada minha ressalva, de início, no sentido de comungar com o posicionamento fiscal acerca da reratificação da doação efetuada pela genitora do recorrente. A alienação do imóvel via doação pela referida já havia se consumado em 07/07/2003, e inclusive, quando da citada reratificação em 21/11/2003, o imóvel sequer mais pertencia ao recorrente, havendo sido alienado, novamente por doação, à sua irmã, em 14/11/2003. E, nos termos da legislação tributária, o instrumento público ou particular de doação configura a existência de alienação naquela data, salvo a existência de condição, considerandose ocorrido o fato gerador do imposto de renda, com todos os efeitos daí decorrentes. Ademais, conforme bem esclarece o diretor adjunto de Assuntos Agrários do IRIB (Instituto de Registro Imobiliário do Brasil), versando sobre caso de escritura pública de doação (disponível em www.irib.org.br/boletins/detalhes/1109): Retificar é corrigir, nunca substituir, modificar a essência. As retificações não podem alterar pontos essenciais do negócio. Realizado o registro da escritura no Cartório de Imóveis, não é possível retificação para substituir as partes, o preço, a natureza jurídica do ato, bem como para modificar o objeto do contrato. (..) Também não é possível admitir nova escritura que modifique os dados acima explicados, pois uma vez registrada a escritura anterior, só seria possível uma nova escritura para corrigir informações não essenciais, como, por exemplo, um erro de digitação na indicação da data de pagamento de uma das parcelas. Fora destes casos, qualquer modificação importará em novo negócio, pois poderia encobrir uma forma indireta de transmissão de propriedade. (grifei) Nessa toada, a despeito de considerações sobre a fé pública que reveste a atividade notarial, mesmo nesse âmbito entendese que a retificação de escritura pública cinge se a reparos que se consubstanciam, na prática, em correção de erros materiais, sob pena de poder vir a prejudicar terceiros, como por exemplo, a Fazenda Pública. Oportuno, aliás, transcrever o seguinte trecho do relatório fiscal que bem assim o denota: E não poderia ser diferente. Caso fosse possível retificar, posteriormente, os valores de alienação de bens móveis e imóveis, estarseia abrindo margem para a sonegação do imposto de renda sobre o ganho de capital. Para tanto, lavrarseia uma escritura pública de valor menor e, quando se estivesse próximo de atingir a decadência, bastaria lavrar uma escritura pública de reratificação AUMENTANDO o valor pelo qual o bem foi alienado. Assim, o contribuinte conseguiria aumentar o custo do bem adquirido sem que houvesse, contudo, o pagamento do imposto de renda sobre o ganho de capital correspondente (não haveria tempo hábil para que o Fisco procedesse ao lançamento do crédito tributário). Com efeito, não se deve admitir seja reaberta a opção fiscal inicialmente exercida, de doar um bem seja pelo valor de mercado, pagando o ganho de capital correspondente, seja pelo valor declarado, por intermédio da via transversa da reratificação Fl. 466DF CARF MF Processo nº 18088.000356/200851 Acórdão n.º 2202004.586 S2C2T2 Fl. 467 13 dos instrumentos de transmissão, salvo quando constatadas, de maneira inequívoca, a presença de erro material no registro imobiliário. Destacadas tais observações, e apesar delas, voto, no caso concreto, por cancelar o lançamento, acompanhando o relator, face à marcada ausência de observância à legislação que rege a apuração do ganho de capital na alienação de imóveis rurais. Vejase, inicialmente, que a doação é forma de alienação em sentido largo, expressamente prevista no § 3º do art. 3º da Lei nº 7.713/88, e que atrai a incidência do imposto de renda sobre ganho de capital. Por seu turno, a forma padrão de cálculo desse gravame consta do § 2º desse mesmo dispositivo legal, ou seja, considerase o ganho de capital a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem e o respectivo custo de aquisição. Deve ser reconhecido, por outro lado, que, a partir de 1º de janeiro de 1997, em respeito aos princípios da especialidade e da temporalidade, preponderam, para fins de alienação de imóvel rural, ainda que via doação, os termos do caput do art. 19 da Lei nº 9.363/96, segue: Art. 19. A partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Parágrafo único. Na apuração de ganho de capital correspondente a imóvel rural adquirido anteriormente à data a que se refere este artigo, será considerado custo de aquisição o valor constante da escritura pública, observado o disposto no art. 17 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. (...) (grifei) Tendo ocorrido a aquisição do imóvel em comento em 07/07/2003, por doação da genitora do recorrente, inaplicáveis as disposições do parágrafo único acima transcrito, prevalecendo a apuração do ganho de capital com base no VTN informado na DIAT, nos termos do caput do artigo 19 da Lei nº9.393/96. No mesmo sentido regram os arts. 136 e 523 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), cabendo registrar que a própria Receita Federal, através de seus atos normativos regulamentadores, em especial a IN SRF nº 84/01, vem admitindo que os critérios estipulados para o caso específico de venda de imóveis rurais sejam aplicados a todos os tipos de alienação de imóvel rural, conforme se afere da leitura de parte do art. 19 dessa instrução: Art. 19. Considerase valor de alienação: (...) VI no caso de imóvel rural com benfeitorias, o valor correspondente: a) exclusivamente à terra nua, quando o valor das benfeitorias houver sido deduzido como custo ou despesa da atividade rural; Fl. 467DF CARF MF Processo nº 18088.000356/200851 Acórdão n.º 2202004.586 S2C2T2 Fl. 468 14 b) a todo o imóvel alienado, quando as benfeitorias não houverem sido deduzidas como custo ou despesa da atividade rural. § 1o Tratandose de imóvel rural adquirido a partir de 1997, considerase valor de alienação da terra nua: I o valor declarado no Diat do ano da alienação, quando houverem sido entregues os Diat relativos aos anos de aquisição e alienação; II o valor efetivamente recebido, nos demais casos. § 2o Na alienação dos imóveis rurais, a parcela do preço correspondente às benfeitorias é computada: I como receita da atividade rural, quando o seu valor de aquisição houver sido deduzido como custo ou despesa da atividade rural; II como valor da alienação, nos demais casos. Compulsando os autos, porém, verificase que em nenhum momento a autoridade fiscal atentou para a existência das normas em apreço, o que se confirma tanto da leitura do "enquadramento legal" constante do lançamento fiscal (fl. 215), quanto do Relatório Fiscal às fls. 220 e ss. Entendo que poderia, mediante interpretação sistemática da legislação aí compreendidos CTN, Leis nos 7.713/88 e 8.023/90, c/c os arts. 14 e 19 da Lei nº 9.393/96 ser justificado no particular o afastamento do uso da DIAT no apuração do ganho de capital, mas nada foi realizado nesse rumo. Não vejo daí como prosperar a autuação, a qual não se pautou de acordo com as normas de regências aplicáveis à situação espelhada no processo, sendo de rigor, portanto, cancelar o lançamento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 468DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.721428/2011-16
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004,2005
MULTA ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS.
O não recolhimento ou o recolhimento a menor de estimativas mensais sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual à multa de ofício isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, b, da Lei nº 9.430/1996, ainda que encerrado o ano-calendário.
Numero da decisão: 9101-003.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no me´rito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto (relator) e Cristiane Silva Costa, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Demetrius Nichele Macei.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Arau´jo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto - Relator.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Fla´vio Franco Corre^a, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Fla´vio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Arau´jo (Presidente em Exerci´cio). Ausente, justificadamente, o conselheiro Andre´ Mendes Moura, substitui´do pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. O não recolhimento ou o recolhimento a menor de estimativas mensais sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual à multa de ofício isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, “b”, da Lei nº 9.430/1996, ainda que encerrado o anocalendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator) e Cristiane Silva Costa, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Demetrius Nichele Macei. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 14 28 /2 01 1- 16 Fl. 1094DF CARF MF Processo nº 16327.721428/201116 Acórdão n.º 9101003.643 CSRFT1 Fl. 1.094 2 Demetrius Nichele Macei Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 16327.721428/201116 Acórdão n.º 9101003.643 CSRFT1 Fl. 1.095 3 Relatório Tratase de recurso especial interposto por BANCO ITAU BBA S/A (doravante “contribuinte” ou “recorrente”), em face do acórdão nº 1301001.112 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela 1a Turma Ordinária, 3a Câmara desta 1a Seção (doravante “Turma a quo”). O recurso especial versa sobre a aplicação da multa isolada decorrente de suposta insuficiência de recolhimento da estimativa mensal, em que a autuação fiscal ocorreu após o encerramento do respectivo anocalendário. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 INSTITUIÇÃO ISENTA. TÍTULOS PATRIMONIAIS. RESERVA DE ATUALIZAÇÃO AINDA NÃO TRIBUTADA. REALIZAÇÃO. ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO. Em face da entrega dos títulos patrimoniais da BM&F à contribuinte, em devolução de capital, deve ser adicionado ao lucro líquido, para fins de apuração do lucro real, o valor da reserva de atualização desses títulos que não sofreram tributacã̧o do imposto. AUTO DE INFRAÇÃO. DESMUTUALIZAÇÃO DE BOLSAS DE VALORES E DE MERCADORIAS. ASSOCIAÇOẼS ISENTAS. DEVOLUÇAÕ DE TÍTULO PATRIMONIAL E SUBSCRIÇÃO DE AÇOẼS DAS NOVAS EMPRESAS. SUJEIÇAÕ À TRIBUTAÇÃO. Sujeitase à inciden̂cia do imposto de renda, computandose na determinaçaõ do lucro real do exercício, a diferença entre o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa jurídica, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver sido entregue para a formação do referido patrimônio. JUROS SOBRE MULTA. INAPLICABILIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. NÃO OCORRÊNCIA. A obrigação tributária principal dáse com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional, de sorte que o crédito tributário corresponde à obrigação tributária principal, incluindo a multa de ofício proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo, sendo assim, a obrigatoriedade do recolhimento das estimativas não fica afastada pela apuração de prejuízo ou base de cálculo negativa. Ao contrário disso, tal obrigatoriedade subsiste, e a sua não observan̂cia enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 44, § 1o., IV, da Lei 9.430/96. Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 16327.721428/201116 Acórdão n.º 9101003.643 CSRFT1 Fl. 1.096 4 O contribuinte opos embargos de declaração (efls. 905 e seg.), os quais foram rejeitados por despacho (efls. 1048 e seg.). O contribuinte interpôs recurso especial, arguindo divergência de interpretação, requerendo o afastamento da multa isolada (efls. 970 e seg.), o qual foi admitido por despacho (efls. 1065 e seg.). A PFN apresentou contrarrazões ao recurso especial, em que, embora não se oponha ao conhecimento do recurso especial, requer lhe seja negado provimento (efls. 1070 e seg.). Concluise, com isso, o relatório. Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 16327.721428/201116 Acórdão n.º 9101003.643 CSRFT1 Fl. 1.097 5 Voto Vencido Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator. Compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou o cumprimento dos requisitos para a interposição do recurso especial de divergência interposto, razão pela qual não merece reparo, adotandose neste voto os seus fundamentos. O presente caso exige que se compreenda a hipótese de incidência da multa isolada por ausência de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSL. É importante observar o quanto disposto pela Súmula CARF n. 82: “Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas.” Ocorre que a multa (acessório) segue por esse mesmo caminho do tributo (principal). Após o fim do exercício fiscal sem o recolhimento da referida estimativa mensal, nem esta e nem a corresponde penalidade seriam cabíveis, devendo a fiscalização exigir o recolhimento do efetivo tributo (IRPJ e CSL) por ventura devido e não recolhido a seu tempo, com a multa cabível em razão desse atraso (qualificada, se for o caso). Após esse marco temporal, o bem jurídico em questão (estimativas mensais) deixa de ser exigível, bem como a corresponde penalidade que busca garantir a seu cumprimento espontâneo pelo contribuinte também não é mais exigida pelo legislador. Assim como os respectivos tributos, as regras que impõem sanções pelo não recolhimento destes apresentam em suas hipóteses de incidência critérios materiais, espaciais e temporais. No caso da multa isolada ora em exame, o seu critério temporal está adstrito ao exercício fiscal em que uma determinada estimativa deveria ser apurada e recolhida pelo contribuinte e não o tenha sido. Apenas na hipótese da fiscalização exigir estimativas não apuradas e recolhidas no curso do exercício fiscal (até o dia 31.12) é que seria cabível a imposição da correspondente multa isolada. Merecem destaque algumas decisões proferidas por esta CSRF, que igualmente compreenderam inaplicável aludida multa isolada após o encerramento do ano calendário: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo nãorecolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 16327.721428/201116 Acórdão n.º 9101003.643 CSRFT1 Fl. 1.098 6 APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (Acórdão n. 0105.875, de 25.06.2008) Recurso especial negado. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Período de apuração: 2001 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei IV 9.430/96 preceitua que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo nãorecolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor e estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. (Acórdão n. 9101000.575, de 18.05.2010) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004, 2005 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 preceitua que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sobre base estimada ao longo do ano. A jurisprudência da CSRF consolidouse no sentido de que não cabe a aplicação da multa isolada após o encerramento do período. Ante esse entendimento, não se sustenta a decisão que mantém a exigência da multa sobre o valor total das estimativas não recolhidas. (Acórdão n. 9101001.547, de 22.01.2013) Por todo o exposto, voto por conhecer e DAR PROVIMENTO ao recurso especial. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 16327.721428/201116 Acórdão n.º 9101003.643 CSRFT1 Fl. 1.099 7 Voto Vencedor Conselheiro Demetrius Nichele Macei Redator designado Com a devida vênia, ouso discordar do i. Conselheiro Relator somente no tocante à exigência de multa isolada em razão da falta de recolhimento de estimativas. O i. Conselheiro Relator consignou em seu voto que a cobrança das estimativas, bem como a imposição da multa isolada pelo não recolhimento de estimativas deve respeitar o critério temporal do exercício fiscal em que as estimativas não foram apuradas e recolhidas, ou seja, até o dia 31 de dezembro seria possível autuar o contribuinte pela ausência de recolhimento das estimativas mensais; ultrapassado tal marco temporal, a cobrança tornarseia inválida, tanto do principal (tributo devido), quanto do acessório (penalidade). Deixo consignado que, em meu ver, seja antes ou após o ano de 2007, o entendimento da Súmula CARF 105 deve prevalecer, ou seja: mesmo com a alteração legislativa perpetrada por meio da lei 11.488/2007 (abaixo detalhada) Ocorre que na discussão do julgamento deste caso concreto, surgiu o tema da aplicação da Súmula 82, que não entendo ser aplicável, no presente caso, que se refere a proibição do lançamento de ofício de IRPJ e CSLL para exigir estimativas não recolhidas após o encerramento do anocalendário, posto que tal súmula se destina a tolher o lançamento de ofício da estimativa em si, e não a penalidade pelo descumprimento desta obrigação, qual seja, deixar de efetuar o recolhimento mensal das estimativas. Portanto, em virtude dessa discussão, e apenas por isso, entendi por bem me curvar ao entendimento desta Turma Superior para acolher os argumentos da PGFN. A obrigação tributária inserese na teoria geral das obrigações e contém seus principais elementos: Credor (Sujeito Ativo), Devedor (Sujeito Passivo), Objeto (prestação de dar pagar tributo, fazer..., não fazer...) etc. Ocorre que o nascimento da obrigação tributária se dá de forma distinta. Enquanto a civil nasce pela vontade das partes, a tributária é ex lege, nasce do fenômeno da subsunção. Também a formalização da obrigação é diferente daquela do direito civil: enquanto uma decorre, substancialmente, do contrato a tributária decorre do lançamento. Por fim, aproximando agora do caso concreto, também não me parece acertado comparar a obrigação acessória do direito civil à "acessória" do direito tributário. A expressão legislativa não foi a mais feliz neste caso, pois enquanto a obrigação acessória do direito privado extinguese juntamente com a principal, o mesmo não ocorre com a tributária. Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 16327.721428/201116 Acórdão n.º 9101003.643 CSRFT1 Fl. 1.100 8 A locução do Código Tributário Nacional aclara que as obrigações principal e acessória têm fatos geradores diversos. Enquanto a primeira é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência, a segunda é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Não é a toa, aliás, que a melhor doutrina ao tratar das "obrigações acessórias" prefere referirse à "obrigações instrumentais" visto que estas tem como objetivo o controle da fiscalização quanto aos cumprimento da principal. É bem verdade que, ao definir o sujeito passivo como contribuinte ou responsável o legislador não previu, por exemplo, as situações de mera retenção, o que causa certa confusão no aplicador da lei ao definir a sujeição passiva nos casos de ausência de retenção na fonte em nome de terceiro. A mesma confusão se dá, no meu entendimento, na multa pela falta de recolhimento da estimativa mensal, quanto ao aspecto da mera antecipação do tributo IRPJ/CSSL, que neste particular tem natureza acessória na sua acepção mais estrita, ou seja: o fato de não antecipar é que está sob discussão, posto que a obrigação de pagar será objeto de lançamento de ofício (quando o mesmo ocorra após o final do exercício) com base no ajuste anual do imposto, e não com base no valor da estimativa. Em outras palavras: mesmo que não haja imposto a pagar relativamente ao ano calendário, o contribuinte submetese ao regime de estimativas, que prevê sua antecipação independentemente de, no futuro, haver tributo ou saldo negativo do imposto. Nesta medida, entendo devida a multa isolada pelo descumprimento desta obrigação de antecipação, não se confundindo com a exigência da estimativa em si que, no caso concreto, não faria sentido, posto que já encerrado o ano calendário respectivo. Ademais, quando o sujeito passivo escolhe aderir ao regime das estimativas acaba indiretamente se comprometendo a auxiliar a União quanto às suas despesas incorridas no curso do exercício fiscal correspondente ao pagamento das estimativas, como apontou a PGFN, nas suas contrarrazões. Ressalvo aqui, mais uma vez, meu entendimento pela não cobrança concomitante da multa isolada por estimativas com a multa de oficio pelo imposto. Mas esta matéria não é objeto de controvérsia neste Recurso Especial. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do Contribuinte. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 16327.721428/201116 Acórdão n.º 9101003.643 CSRFT1 Fl. 1.101 9 Fl. 1102DF CARF MF
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