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Numero do processo: 10835.000049/96-91
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 1999
Numero da decisão: 203-00.773
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: SEBASTIÃO BORGES TAQUARY
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score : 1.0
Numero do processo: 10680.912253/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011
CONCEITO DE INSUMOS. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA.
Nos termos do julgamento do REsp 1.221.170/PR, sob o rito dos repetitivos, o conceito de insumos previsto no art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância de determinado bem ou serviço para o processo produtivo do contribuinte, sem abranger atividades administrativas ou de logística.
CRÉDITO. LOCAÇÃO VEÍCULO. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 190, para fins do disposto no art. 3º, IV, da Lei nº 10.637/2002 e no art. 3º, IV, da Lei nº 10.833/2003, os dispêndios com locação de veículos de transporte de carga ou de passageiros não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
Tratando-se de direito creditório é dever do contribuinte comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
GLOSAS DE CRÉDITOS. ITENS NÃO UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. ATIVIDADES ADMINISTRATIVAS OU DE LOGÍSTICA.
Materiais destinados ao transporte, tais como madeira serrada (pranchões/roletes) e peças de madeira (ripa, sarrafo e viga de eucalipto); serviços de treinamento; e despesas portuárias (inclusive com carregamento do produto no navio), são bens e serviços úteis para as atividades empresariais, mas não podem ser caracterizados como “insumos do processo produtivo”, segundo os critérios estabelecidos pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR.
Numero da decisão: 3302-015.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, para reverter as glosas com despesas de (i.1) manutenção elétrica, (i.2) frete na operação de venda (transporte até o porto), (i.3) frete nacional na aquisição de insumos importados e (i.4) para corrigir o erro material referente ao valor revertido quanto a item 7.2 – serviço de transporte, pesagem de matéria-prima – quadro 16 do Relatório Fiscal; (ii) por maioria de votos, para reverter as glosas com (ii.1) materiais de embalagem e as embalagens destinadas ao transporte, tais como arame fio-máquina, filme stretch para embalagem, etiquetas, fitas de aço e fitas diversas e (ii.2) materiais de identificação, acondicionamento e movimentação interna, vencido o conselheiro Ramon Silva Cunha; e, (iii) por voto de qualidade, para manter as glosas referentes as despesas com (iii.1) materiais de embalagem e as embalagens destinadas ao transporte tais como madeira serrada (pranchões/roletes) e peças de madeira (ripa, sarrafo e viga de eucalipto), (iii.2) serviços de treinamento e (iii.3) despesas portuárias, inclusive com carregamento do produto no navio, vencidas as conselheiras Francisca das Chagas Lemos, Louise Lerina Fialho e Marina Righi Rodrigues Lara (relatora). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares.
Assinado Digitalmente
Marina Righi Rodrigues Lara – Relatora
Assinado Digitalmente
Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente e redator do voto vencedor
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Mário Sérgio Martinez Piccini, Francisca das Chagas Lemos, Ramon Silva Cunha (substituto integral), Louise Lerina Fialho, Marina Righi Rodrigues Lara e Lazaro Antônio Souza Soares (Presidente).
Nome do relator: MARINA RIGHI RODRIGUES LARA
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ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. Nos termos do julgamento do REsp 1.221.170/PR, sob o rito dos repetitivos, o conceito de insumos previsto no art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância de determinado bem ou serviço para o processo produtivo do contribuinte, sem abranger atividades administrativas ou de logística. CRÉDITO. LOCAÇÃO VEÍCULO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 190, para fins do disposto no art. 3º, IV, da Lei nº 10.637/2002 e no art. 3º, IV, da Lei nº 10.833/2003, os dispêndios com locação de veículos de transporte de carga ou de passageiros não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Tratando-se de direito creditório é dever do contribuinte comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. GLOSAS DE CRÉDITOS. ITENS NÃO UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. ATIVIDADES ADMINISTRATIVAS OU DE LOGÍSTICA. Materiais destinados ao transporte, tais como madeira serrada (pranchões/roletes) e peças de madeira (ripa, sarrafo e viga de eucalipto); serviços de treinamento; e despesas portuárias (inclusive com carregamento do produto no navio), são bens e serviços úteis para as atividades empresariais, mas não podem ser caracterizados como “insumos do processo produtivo”, segundo os critérios estabelecidos pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR. Fl. 710DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.503 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.912253/2012-11 2 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, para reverter as glosas com despesas de (i.1) manutenção elétrica, (i.2) frete na operação de venda (transporte até o porto), (i.3) frete nacional na aquisição de insumos importados e (i.4) para corrigir o erro material referente ao valor revertido quanto a item 7.2 – serviço de transporte, pesagem de matéria-prima – quadro 16 do Relatório Fiscal; (ii) por maioria de votos, para reverter as glosas com (ii.1) materiais de embalagem e as embalagens destinadas ao transporte, tais como arame fio-máquina, filme stretch para embalagem, etiquetas, fitas de aço e fitas diversas e (ii.2) materiais de identificação, acondicionamento e movimentação interna, vencido o conselheiro Ramon Silva Cunha; e, (iii) por voto de qualidade, para manter as glosas referentes as despesas com (iii.1) materiais de embalagem e as embalagens destinadas ao transporte tais como madeira serrada (pranchões/roletes) e peças de madeira (ripa, sarrafo e viga de eucalipto), (iii.2) serviços de treinamento e (iii.3) despesas portuárias, inclusive com carregamento do produto no navio, vencidas as conselheiras Francisca das Chagas Lemos, Louise Lerina Fialho e Marina Righi Rodrigues Lara (relatora). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares. Assinado Digitalmente Marina Righi Rodrigues Lara – Relatora Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente e redator do voto vencedor Participaram da sessão de julgamento os julgadores Mário Sérgio Martinez Piccini, Francisca das Chagas Lemos, Ramon Silva Cunha (substituto integral), Louise Lerina Fialho, Marina Righi Rodrigues Lara e Lazaro Antônio Souza Soares (Presidente). RELATÓRIO Trata-se, na origem, de Manifestação de Inconformidade apresentada contra despacho decisório que reconheceu parcialmente créditos de PIS referentes ao 1º trimestre de 2011, homologando compensações apenas até o montante admitido. Consta do Termo de Verificação Fiscal, as seguintes glosas: Fl. 711DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.503 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.912253/2012-11 3 créditos apropriados nas linhas 2, 3 e 4 das fichas 6A e 16A do DACON, sob o fundamento de que determinados bens e serviços não se enquadrariam no conceito legal de insumo, à luz das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004; créditos relativos à aquisição de sucatas metálicas classificadas na posição 7204 da TIPI, bem como dos fretes a elas vinculados, em razão da vedação expressa prevista nos arts. 47 e 48 da Lei nº 11.196/2005; créditos referentes a materiais de embalagem e materiais de embalagem destinados ao transporte, por entender a fiscalização que tais itens não se incorporam ao produto final nem integram o processo de fabricação, tratando-se de despesas posteriores à industrialização; créditos relativos a materiais empregados na manutenção de instalações industriais, bem como a materiais utilizados para identificação, acondicionamento e movimentação interna de produtos, ao argumento de que tais bens não atuariam diretamente sobre o produto em fabricação; créditos referentes a fretes nacionais relacionados ao transporte de insumos importados, sob o fundamento de que a base de cálculo do crédito, nos termos da Lei nº 10.865/2004, limita-se ao valor aduaneiro, não havendo previsão legal para o creditamento de fretes incorridos após o desembaraço aduaneiro; créditos relativos a serviços de transporte de matérias-primas realizados entre estabelecimentos da própria pessoa jurídica, por se tratar de serviços anteriores à fabricação dos produtos; créditos referentes a serviços de obras civis, manutenção predial e pinturas industriais em edificações da área produtiva, por não serem considerados aplicados ou consumidos diretamente na produção; créditos relativos a serviços de transporte, pesagem, estiva, movimentação, carregamento, estocagem e remoção de matérias-primas vinculadas à atividade de mineração, por se tratar de serviços que precedem ou sucedem a fabricação; créditos referentes a serviços de peação, escoramento, carregamento e transporte de produtos destinados à venda, por se tratar de despesas posteriores à fabricação e não enquadráveis como frete na operação de venda; créditos relativos a serviços de limpeza industrial de máquinas e equipamentos, bem como a serviços de tratamento e transporte de resíduos Fl. 712DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.503 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.912253/2012-11 4 industriais, sob o fundamento de que tais serviços não se consomem no processo produtivo; créditos referentes a serviços de sondagem de matéria-prima e a treinamentos técnicos relacionados à operação de equipamentos industriais, por serem considerados dispêndios indiretos ou preparatórios à produção; créditos calculados sobre valores relativos à demanda contratada de energia elétrica, admitindo-se apenas o creditamento sobre a energia efetivamente consumida, por ausência de previsão legal para a demanda contratada; Inconformada, a contribuinte apresentou sua Manifestação de Inconformidade, alegando, em apertada síntese: (i) a necessidade de reversão das glosas de créditos relativos à: a. Demanda contratada de energia elétrica (tarifa binômia/obrigatoriedade regulatória); b. Fretes nacionais de insumos importados (serviço interno tributado, necessário ao recebimento); c. Industrialização por encomenda de “sucatas” (seriam serviços para reprocessar resíduos e reinserir como matéria-prima); d. Embalagens/embalagens de transporte (alguns itens agregariam valor; pede recomposição e revisões); e. Manutenção/conservação/obras/pintura/limpeza industrial (essenciais ao funcionamento e continuidade produtiva); f. Materiais de identificação/acondicionamento/movimentação interna (necessários à qualidade e logística interna); g. Serviços de transporte/pesagem/movimentação/lavra/sondagem ligados à mineração e abastecimento; h. Tratamento/transporte de resíduos (obrigação ambiental); i. Aluguel de caminhões (ligado ao processo produtivo); j. Treinamentos industriais (necessários à operação segura de equipamentos); k. Peação/escoreamento/carregamento/transporte para venda/exportação (etapa final de disponibilização do produto). (ii) erros materiais: enquadramentos equivocados em itens de transporte/pesagem/movimentação e pede revisão/recomposição (inclusive devolução à fiscalização); Fl. 713DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.503 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.912253/2012-11 5 (iii) a necessidade de realização de diligência. A 6ª Turma da DRJ/BHE, por meio do Acórdão de nº 02-94.606, julgou procedente em parte a referida Manifestação de Inconformidade, revertendo as glosas relativas aos gastos relacionados a seguir: Devidamente intimada da referida decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, requerendo a reforma da decisão recorrida, reiterando, em linhas gerais, os mesmos argumentos deduzidos na Manifestação de Inconformidade. Para além disso, alegou também a existência de erro material na decisão recorrida, consistente na quantificação incorreta de glosa já reconhecida como indevida, com a permanência residual de valores no crédito tributário. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheira Marina Righi Rodrigues Lara, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. 1. Do mérito Como relatado anteriormente, a controvérsia de mérito nos presentes autos restringe-se à apuração de créditos da Contribuição para o PIS no regime não cumulativo, permanecendo em discussão os seguintes pontos: Fl. 714DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.503 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.912253/2012-11 6 (i) alegação de erro material; (ii) demanda contratada de energia elétrica; (iii) fretes nacionais vinculados à aquisição de insumos importados; (iv) materiais de embalagem e embalagens destinadas ao transporte; (v) gastos com edificações e benfeitorias industriais; (vi) materiais de identificação, acondicionamento e movimentação interna; (vii) aluguéis de caminhões; (viii) despesas com treinamentos; (ix) serviços de peação, escoramento, transporte e carregamento de produtos destinados à venda. 1.1. Do erro material na quantificação da glosa revertida (Quadro 16) A Recorrente sustenta a ocorrência de erro material no acórdão recorrido, ao argumento de que, embora a DRJ tenha afastado integralmente a glosa relativa ao item 7.2 do Relatório Fiscal (Quadro 16), reconhecendo tanto o equívoco material quanto o direito ao crédito sobre o saldo remanescente, deixou de refletir corretamente tal conclusão na quantificação final da glosa revertida. Segundo demonstrado, a glosa originalmente lançada no Quadro 16 totalizava R$ 31.998,42, correspondente aos valores de R$ 14.456,70 (jan/11), R$ 5.453,70 (fev/11) e R$ 12.088,02 (mar/11). Na manifestação de inconformidade, a contribuinte impugnou integralmente tal glosa, apontando erro material no valor de R$ 24.177,30 e defendendo o direito ao creditamento quanto ao saldo de R$ 7.821,12. O acórdão da DRJ acolheu ambos os fundamentos, afastando a glosa do Quadro 16. Contudo, ao concluir o voto e proceder à quantificação das glosas revertidas, mencionou apenas a exclusão do valor de R$ 24.177,30, deixando de considerar o saldo remanescente de R$ 7.821,12, o que resultou em incongruência entre a fundamentação adotada e o dispositivo do julgado: g) Serviços de transporte de matérias primas entre estabelecimentos; Serviços de transporte e/ou pesagem de matéria prima; Serviços de movimentação de insumos e Serviços de lavra, escavação ou carregamento de matéria prima; Serviços de sondagem de matéria prima para a fabricação ou produção de bens destinados a vendas. Tais serviços foram tratados nos itens 6.6 e 7.2 do Relatório Fiscal e as glosas fundamentadas na argumentação de que tais serviços “precedem a fabricação dos produtos, ou seja, não são aplicados ou consumidos na produção propriamente dita”. A manifestante argumenta que além do equívoco quanto à interpretação restritiva do conceito de insumos a Autoridade Fiscal cometeu três erros de natureza material. (...) Fl. 715DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.503 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.912253/2012-11 7 No segundo caso, Item 7.2 - Serviço Transporte Pesagem Matéria Prima – Quadro 16 do Relatório Fiscal, alega que houve um equívoco de enquadramento por parte da própria Manifestante como se pode verificar pela descrição dos serviços (planilha de notas fiscais) trata-se de serviço de transporte de laminados e serviço de transporte de perfis estruturais, ou seja, produtos destinados à veda, ao contrário do que foi informado no DACON. Nesse ponto requer que sejam revisadas as respectivas glosas para que sejam excluídos da composição do crédito os valores relativos a tais itens, os quais somam R$ 135.539,38 (R$ 24.177,30/PIS e R$ 111.362,08/Cofins). Assiste razão à interessada. Documentos juntados confirmam se tratar de fretes nas operações de vendas, devendo ser revertidas as glosas que correspondem a R$ 24.177,30/PIS e R$ 111.362,08/Cofins, constantes do Quadro nº 16, fls. 314/316 do Relatório Fiscal. Assiste razão à Recorrente. Evidencia-se tratar de erro material, uma vez que a própria decisão reconheceu a improcedência integral da glosa relativa ao Quadro 16, sendo indevida a manutenção parcial do valor na apuração final do crédito tributário. Dessa forma, impõe-se a correção do erro material, para que a reversão da glosa relativa ao Quadro 16 seja ajustada ao seu valor integral de R$ 31.998,42, excluindo-se também o montante de R$ 7.821,12 indevidamente mantido. Pelo exposto, deve ser corrigido o erro material na quantificação da glosa revertida. 1.2. Das despesas com bens e serviços enquadrados no conceito de insumos Antes de se adentrar especificamente em cada um dos itens mencionados, revelam- se necessárias algumas considerações iniciais sobre o tema. Recentemente, em sede de repercussão geral, na ocasião do julgamento do RE nº 841.979/PE, o STF reconheceu a autonomia do legislador ordinário para disciplinar a não- cumulatividade das contribuições sociais estabelecido no art. 195, §12, da Constituição Federal (CF/88). Paralelamente, restou decidido que o conceito de insumo para fins da não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS não deriva de maneira estanque do texto constitucional. Nesse sentido, o Ministro Relator Dias Toffoli reconheceu que o legislador ordinário teria competência tanto para negar créditos em determinadas hipóteses, quanto para concedê-los em outras, de forma genérica ou restritiva. Diante desse contexto, concluiu pela validade das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, à luz da não cumulatividade. Ou melhor, concluiu-se que as restrições positivamente expressas nas leis não seriam por si só inconstitucionais e deveriam ser analisadas em cada caso concreto. Especificamente sobre o conceito de insumo, previsto no art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, destaca-se que o Ministro Relator não invalidou o julgamento do REsp nº Fl. 716DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.503 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.912253/2012-11 8 1.221.170/PR, sob o rito dos repetitivos, de relatoria do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho. Pelo contrário, entendeu que, por se tratar de matéria infraconstitucional, permaneceria o conceito de insumo, objeto de julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça. O acórdão proferido na ocasião daquele julgamento foi publicado no dia 24/04/2018, com a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3º., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (REsp n. 1.221.170/PR, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Seção, julgado em 22/2/2018, DJe de 24/4/2018.) Fl. 717DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.503 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.912253/2012-11 9 Em síntese, restou pacificado que o conceito de insumo deve ser analisado à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Como se sabe, o Relator do citado caso acompanhou as razões sustentadas pela Ministra Regina Helena Costa, para quem os referidos critérios devem ser entendidos nos seguintes termos: “Demarcadas tais premissas, tem-se que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual - EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revela-se mais abrangente do que o da pertinência.” Fazendo referência aos entendimentos que vinham sendo adotados por este próprio Carf, sustentou a Ministra Regina Helena Costa, a necessidade de se analisar, casuisticamente, a essencialidade ou a relevância de determinado bem ou serviço para o processo produtivo ou à atividade desenvolvida pela empresa. Nos termos do art. 62, §2º, da Portaria MF nº 343/15, Regimento Interno do Carf (Ricarf), o referido julgado é de observância obrigatória e deve ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito deste conselho. Sobre o referido julgamento, foi publicada a NOTA SEI PGFN/MF nº 63/2018, por meio da qual a Procuradoria Geral de Fazenda Nacional (PGFN) reconheceu o conceito de insumos para crédito de PIS e Cofins fixado naquela sede. Entendo por oportuno destacar os seguintes trechos: 14. Consoante se depreende do Acórdão publicado, os Ministros do STJ adotaram a interpretação intermediária, considerando que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Dessa forma, tal aferição deve se dar considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade produtiva, consistente na produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. 15. Deve-se, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o Fl. 718DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.503 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.912253/2012-11 10 raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poder-se-ia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente - cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observa-se que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividade-fim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques.” (sem grifos no original) (...) 37. Há bens essenciais ou relevantes ao processo produtivo que nem sempre são nele diretamente empregados. O conceito de insumo não se atrela necessariamente ao produto, mas ao próprio processo produtivo. 38. Não devem ser consideradas insumos as despesas com as quais a empresa precisa arcar para o exercício das suas atividades que não estejam intrinsicamente relacionadas ao exercício de sua atividade-fim e que seriam mero custo operacional. Isso porque há bens e serviços que possuem papel importante para as atividades da empresa, inclusive para obtenção de vantagem concorrencial, mas cujo nexo de causalidade não está atrelado à sua atividade precípua, ou seja, ao processo produtivo relacionado ao produto ou serviço. 39. Vale dizer que embora a decisão do STJ não tenha discutido especificamente sobre as atividades realizadas pela empresa que ensejariam a existência de insumos para fins de creditamento, na medida em que a tese firmada refere-se apenas à atividade econômica do contribuinte, é certo, a partir dos fundamentos constantes no Acórdão, que somente haveria insumos nas atividades de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. Desse modo, é inegável que inexistem insumos em atividades administrativas, jurídicas, contábeis, comerciais, ainda que realizadas pelo contribuinte, se tais atividades não configurarem a sua atividade-fim. (...) 41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. Fl. 719DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.503 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.912253/2012-11 11 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Busca-se uma eliminação hipotética, suprimindo-se mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. 44. Decerto, sob a ótica do produtor, não haveria sentido em fazer despesa desnecessária (que não fosse relevante ou essencial do ponto de vista subjetivo, como se houvesse uma menor eficiência no seu processo produtivo), mas adotar o conceito de insumo sob tal prisma implicaria elastecer demasiadamente seu conceito, o que foi, evidentemente, rechaçado no julgado. Esse tipo de despesa – importante para o produtor – configura custo da empresa, mas não se qualifica como insumo dentro da sistemática de creditamento de PIS/COFINS. Ainda que se possa defender uma importância global desse tipo de custo para a empresa, não há importância dentro do processo produtivo da atividade-fim desempenhada pela empresa.” Ademais, com o intuito de expor as principais repercussões decorrentes da definição do conceito de insumos no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR no âmbito da Receita Federal do Brasil, foi emitido o Parecer Normativo Cosit nº 5/2018, que consignou a seguinte ementa: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: Fl. 720DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.503 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.912253/2012-11 12 a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº10.833, de 2003, art. 3º, inciso II.” Assim, à luz de tais considerações, passa-se a analisar as glosas ainda objeto de discussão nos presentes autos. 1.2.1. Da demanda contratada de energia elétrica Quanto a este ponto, a DRJ manteve a glosa por entender que a demanda contratada não corresponde à energia efetivamente consumida, inexistindo previsão legal para o creditamento. A Recorrente, por sua vez, sustenta que a demanda contratada integra o custo do fornecimento de energia elétrica e é essencial à atividade industrial, devendo ser reconhecida como insumo. A matéria, contudo, encontra-se pacificada pela Súmula CARF nº 224, nos seguintes termos: SÚMULA 224 Para efeito de apuração de crédito no âmbito do regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, somente será considerada a energia elétrica efetivamente consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, não se enquadrando nesse conceito outras despesas como a Contribuição para o Custeio da Iluminação Pública (COSIP) ou a demanda contratada. Acórdãos Precedentes: 9303-014.155, 9303-015.234, 9303-015.264, 9303- 006.627, 9303-014.981, 9303-015.151. Dessa forma, deve ser mantida a referida glosa. 1.2.2. Dos fretes nacionais vinculados à aquisição de insumos importados No que tange aos fretes nacionais vinculados à aquisição de insumos importados, a DRJ manteve a glosa ao fundamento de que os créditos vinculados à importação estariam limitados ao valor aduaneiro, nos termos da Lei nº 10.865/2004. A Recorrente, por sua vez, sustenta que os fretes foram contratados de pessoas jurídicas domiciliadas no País e submetidos à incidência do PIS e da Cofins no regime da não cumulatividade, tratando-se de dispêndios necessários à aquisição das matérias-primas, razão pela qual deveriam gerar direito ao crédito. Com razão a Recorrente. Fl. 721DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.503 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.912253/2012-11 13 A incidência das contribuições instituídas pela Lei nº 10.865/2004 restringe-se à importação de mercadorias e de serviços, não alcançando, por si só, serviços contratados e executados no território nacional. Assim, quando os fretes internos são contratados de forma autônoma junto a pessoas jurídicas domiciliadas no País e efetivamente tributados pelo PIS e pela Cofins, não há óbice legal ao reconhecimento do crédito, por se tratar de mera manifestação da não cumulatividade. Esse entendimento encontra respaldo na jurisprudência deste Conselho, a exemplo do Acórdão nº 9303-015.493, Rel. Conselheiro Rosaldo Trevisan: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2012, 2013 CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. IMPORTAÇÃO DE INSUMOS. DISPÊNDIOS LOGÍSTICOS COM O TRATAMENTO ADUANEIRO DA CARGA NA IMPORTAÇÃO. SERVIÇOS PRESTADOS NO PAÍS. CONDIÇÕES. CONTRATADOS DE PESSOA JURÍDICA NACIONAL, DE FORMA AUTÔNOMA À IMPORTAÇÃO. TRIBUTADOS PELAS CONTRIBUIÇÕES. POSSIBILIDADE. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da COFINS, na não cumulatividade poderão descontar crédito somente em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços. Os dispêndios logísticos com o tratamento aduaneiro da carga na importação (no presente caso descritos como despesas aduaneiras na importação e despesas com fretes internos), vinculados à operação de importação de insumos, e contratados de forma autônoma a tal importação junto a pessoas jurídicas brasileiras, e que tenham sido efetivamente tributados, asseguram apropriação de créditos da referida contribuição, na sistemática da não cumulatividade. Tal entendimento foi, inclusive, expressamente reconhecido e positivado pela Instrução Normativa RFB nº 2.121/2022, nos seguintes termos: Art. 176. Para efeito do disposto nesta Subseção, consideram-se insumos, os bens ou serviços considerados essenciais ou relevantes para o processo de produção ou fabricação de bens destinados à venda ou de prestação de serviços (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, caput, inciso II, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, art. 37; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, caput, inciso II, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, art. 21). § 1º Consideram-se insumos, inclusive: (...) XVI - frete e seguro no território nacional quando da importação de bens para serem utilizados como insumos na produção de bem destinado à venda ou na prestação de serviço a terceiros; Fl. 722DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.503 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.912253/2012-11 14 Pelo exposto, devem ser revertidas as glosas relativas ao creditamento dos fretes nacionais vinculados à aquisição de insumos importados, contratados de pessoa jurídica domiciliada no País e efetivamente tributados pelas contribuições. 1.2.3. Dos materiais de embalagem e embalagens destinadas ao transporte A DRJ manteve a glosa ao fundamento de que os materiais de embalagem e as embalagens destinadas ao transporte, tais como arame fio-máquina, filme stretch para embalagem, etiquetas, fitas de aço e fitas diversas, madeira serrada (pranchões/roletes) e peças de madeira (ripa, sarrafo e viga de eucalipto), são utilizados após a finalização do processo produtivo, não se enquadrando no conceito de insumo para fins de creditamento no regime não cumulativo do PIS. A Recorrente, por sua vez, sustenta que tais materiais são necessários à integridade, acondicionamento e comercialização dos produtos, devendo ser reconhecidos como insumos à luz dos critérios de essencialidade e relevância. Com razão a Recorrente. Adotando-se o entendimento empregado no já citado REsp nº 1.221.170/PR, entendo que o art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, ao se referir a bens e serviços utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, reporta-se à atividade econômica de produção ou fabricação por inteiro e não apenas a um de seus estágios específicos. É que, como mencionado no voto do Ministro Relator Napoleão Nunes Maia Filho, não há que se falar em interpretação literal do direito ao creditamento. O crédito de PIS e Cofins não consiste em benefício fiscal, tampouco é causa de suspensão ou exclusão do crédito tributário, e menos ainda representa dispensa do cumprimento de obrigações acessórias. Este decorre da própria dinâmica da não-cumulatividade de tais contribuições. Nesse sentido, a possibilidade de restrição do direito creditório por parte do legislador ordinário nada tem a ver com a interpretação restritiva, nos termos do art. 111 do CTN. Em outras palavras, pode-se dizer que o processo produtivo visto de forma ampla, não corresponde a atos de produção em sentido estrito, iniciando-se em momento anterior e se consumando na iminência da venda propriamente dita. Tal entendimento dialoga com o próprio fato gerador das contribuições para o PIS e a Cofins, que não incidem sobre a produção de bens ou prestação de serviços, mas sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica. A questão foi inclusive abordada no voto do Ministro Relator Dias Toffoli, no julgamento do RE nº 841.979/PE, nos seguintes trechos: “Como se viu, o texto constitucional não estipulou qual seria a técnica da não cumulatividade a ser observada no tratamento da contribuição ao PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Também se consignou, nas passagens anteriores, que Fl. 723DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.503 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.912253/2012-11 15 o fato gerador dessas contribuições é deveras distinto dos fatos geradores do ICMS e do IPI. Com efeito, o ICMS pressupõe a circulação de mercadorias ou a prestação de certos serviços (isso é, serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação); e o IPI, a existência de produtos industrializados. Por seu turno, a contribuição ao PIS e a COFINS pressupõem a existência de faturamento ou de receita. Cabe ainda destacar, como já o fez Marco Aurélio Greco, que o processo formativo de um produto ou de uma mercadoria muito se diferencia do processo formativo da receita, a qual, aliás, por estar vinculada a determinado contribuinte, não se submete, propriamente, a um ciclo econômico. O mesmo se aplica quanto ao faturamento. Nesse contexto, anote-se, por exemplo, que, para a formação de receita ou de faturamento, o contribuinte poderá incorrer não só em gastos relacionados com aquele processo formativo de produtos, mas também em outros quanto a bens ou serviços imprescindíveis ou importantes para o exercício de sua atividade econômica.” Partindo de tal concepção, entendo que, quando demonstrado pelo contribuinte que tais materiais são essenciais e relevantes para a sua atividade econômica de produção em sentido amplo, estes devem ser reconhecidos como insumos, nos termos do inciso II retro mencionado. No presente caso, destaco alguns trechos que a Recorrente demonstra a referida relação: Fl. 724DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.503 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.912253/2012-11 16 Pelo exposto, tendo sido devidamente comprovado pela Recorrente a utilização das embalagens para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade e segurança e, sendo incontroversa a existência dos créditos glosados, entendo que devem ser revertidas as referidas glosas. 1.2.4. Dos gastos com edificações e benfeitorias industriais A Recorrente sustenta que os gastos com edificações e benfeitorias industriais são essenciais à atividade produtiva, por estarem diretamente relacionados ao funcionamento das instalações industriais, devendo ser reconhecidos como insumos à luz dos critérios de essencialidade e relevância. A DRJ, por sua vez, manteve a glosa ao fundamento de que tais dispêndios se referem a bens do ativo imobilizado, não se enquadrando no conceito de insumo, sendo o eventual direito ao crédito admitido exclusivamente por meio da apuração de encargos de depreciação, nos termos da legislação aplicável. De fato, tratando-se de benfeitorias realizadas na planta industrial, o direito ao crédito encontra-se expressamente previsto no art. 3º, VII, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, o qual abrange benfeitorias realizadas em imóveis utilizados nas atividades da Fl. 725DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.503 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.912253/2012-11 17 empresa, não se restringindo às etapas produtivas, mas condicionando o aproveitamento do crédito à apuração com base nos encargos de depreciação. No caso concreto, pela própria natureza dos dispêndios e pela forma como a Recorrente descreve sua utilização no processo produtivo — notadamente serviços de obra civil e troca de telhado —, é possível presumir que tais intervenções acarretam aumento da vida útil dos bens ou das edificações industriais, caracterizando-se, portanto, como benfeitorias. Vejamos: Fl. 726DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.503 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.912253/2012-11 18 Tratando-se de direito creditório, compete ao contribuinte o ônus de demonstrar que os dispêndios realizados não tiveram por finalidade aumentar a vida útil dos bens, nem foram registrados no ativo imobilizado. Todavia, tal comprovação não foi apresentada nos autos, inexistindo elementos capazes de afastar a presunção de que os gastos com obras civis e troca de telhado configuram benfeitorias passíveis de ativação. Por outro lado, no que tange às despesas com manutenção elétrica, cumpre destacar o disposto no item 12 do Pronunciamento Técnico CPC 27, cujo objetivo é justamente disciplinar o tratamento contábil aplicável aos ativos imobilizados. Vejamos: Custos subsequentes 12. Segundo o princípio de reconhecimento do item 7, a entidade não reconhece no valor contábil de um item do ativo imobilizado os custos da manutenção periódica do item. Pelo contrário, esses custos são reconhecidos no resultado quando incorridos. Os custos da manutenção periódica são principalmente os custos de mão-de-obra e de produtos consumíveis, e podem incluir o custo de pequenas peças. A finalidade desses gastos é muitas vezes descrita como sendo para “reparo e manutenção” de item do ativo imobilizado. Nesse contexto, as despesas com manutenção elétrica, por sua própria natureza, presumem-se como custos reconhecidos no resultado quando incorridos. Nessas condições, tais dispêndios não se qualificam como insumos, mas como gastos vinculados ao ativo imobilizado, cujo aproveitamento, deve ocorrer exclusivamente por meio da depreciação, nos termos do art. 3º, VII, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. 1.2.5. Dos materiais de identificação, acondicionamento e movimentação interna Fl. 727DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.503 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.912253/2012-11 19 A DRJ manteve a glosa ao fundamento de que os materiais destinados à identificação, acondicionamento e movimentação interna não são aplicados ou consumidos no processo produtivo propriamente dito, por serem utilizados após a finalização da fabricação, com finalidade predominantemente logística, não se enquadrando, assim, no conceito de insumo para fins de creditamento do PIS não cumulativo. A Recorrente sustenta que os materiais glosados são indispensáveis à preservação da integridade e da qualidade dos produtos, bem como à organização, segurança e viabilização do fluxo produtivo, constituindo elementos essenciais ao regular desenvolvimento da atividade industrial, razão pela qual devem ser reconhecidos como insumos, à luz dos critérios de essencialidade e relevância. Como já mencionado anteriormente, adotando-se o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.221.170/PR, o conceito de insumo previsto no art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 deve ser analisado à luz da atividade econômica como um todo, e não de forma restrita a um estágio específico do processo produtivo. No caso concreto, restou devidamente demonstrado nos autos que tais materiais têm a função de acondicionar e viabilizar a movimentação dos produtos fabricados, assegurando sua integridade física, qualidade e adequada apresentação até a destinação final. Tratam-se, especificamente, de madeira serrada, dormente de madeira, estropos de cabo de aço, lingas correntes, trilhos, grampos de fixação e cintas de nylon, insumos imprescindíveis à movimentação interna de produtos de grande porte e elevado peso, empregados ao longo das diversas etapas do processo produtivo, sem os quais a própria conclusão da produção restaria inviabilizada. Vejamos: Fl. 728DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.503 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.912253/2012-11 20 Diante do exposto, comprovado que os materiais destinados à identificação, acondicionamento e movimentação interna são essenciais e relevantes ao desenvolvimento da atividade industrial da Recorrente, por viabilizarem a movimentação de produtos de grande porte ao longo das diversas etapas do processo produtivo, devem ser reconhecidos como insumos. 1.2.6. Dos gastos com aluguéis de caminhões A DRJ manteve a glosa ao fundamento de que os gastos com aluguéis de caminhões não se enquadram nas hipóteses legais de creditamento no regime não cumulativo do PIS, uma vez que o art. 3º, IV, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 restringe o direito ao crédito aos aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, não abrangendo veículos automotores. A Recorrente sustenta que os caminhões alugados são utilizados na movimentação de matérias-primas e produtos, desempenhando papel essencial na logística de sua atividade industrial, motivo pelo qual deveriam ser reconhecidos como insumos, à luz dos critérios de essencialidade e relevância. Contudo, tal entendimento já foi definitivamente superado por este Conselho, mediante a edição da Súmula CARF nº 190, aprovada pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em sessão realizada em 20/06/2024, com vigência a partir de 27/06/2024: Súmula CARF nº 190 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 20/06/2024 – vigência em 27/06/2024 Para fins do disposto no art. 3º, IV, da Lei nº 10.637/2002 e no art. 3º, IV, da Lei nº 10.833/2003, os dispêndios com locação de veículos de transporte de carga ou de passageiros não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. Acórdãos Precedentes: 9303-014.415; 9303-014.369; 9303-013.956 Trata-se de entendimento vinculante aos Conselheiros deste CARF, o que afasta qualquer controvérsia sobre a matéria e impõe a manutenção da glosa questionada, razão pela qual o recurso não merece provimento neste ponto. 1.2.7. Das despesas com treinamentos A DRJ manteve a glosa ao fundamento de que as despesas com treinamentos não se enquadram no conceito de insumo para fins de creditamento do PIS não cumulativo, por não se tratar de bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente no processo produtivo, tampouco por haver previsão legal específica que autorize o seu creditamento. Fl. 729DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.503 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.912253/2012-11 21 A Recorrente sustenta a improcedência desse entendimento, esclarecendo que o Quadro nº 21 do Relatório Fiscal é composto por uma única nota fiscal (NF nº 958), cuja descrição evidencia tratar-se de Curso Técnico em Mecânica, ministrado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI, diretamente relacionado à sua atividade industrial. Com razão a Recorrente. À luz desse precedente vinculante, as despesas com capacitação e formação técnica de empregados qualificam-se como insumos, na medida em que sua supressão comprometeria substancialmente a eficiência do processo produtivo e a qualidade do produto final. Trata-se de dispêndio diretamente relacionado à qualificação da mão de obra, elemento indissociável da atividade industrial da Recorrente, especialmente em setor que exige conhecimento técnico específico para a correta operação de máquinas, equipamentos e processos produtivos. Pelo exposto, voto por reverter tal glosa. 1.2.8. Dos serviços de peação, escoramento, transporte e carregamento de produtos destinados à venda. A DRJ manteve a glosa ao fundamento de que os serviços de peação, escoramento, transporte e carregamento seriam prestados após a finalização da fabricação, estando vinculados às etapas de logística e comercialização, não se enquadrando, assim, no conceito de insumo para fins de creditamento do PIS não cumulativo. A Recorrente sustenta, contudo, que sua atividade econômica não se encerra com a fabricação do produto destinado à venda, conforme demonstrado no item “Atividades da Empresa”. De acordo com seu contrato social, a Recorrente exerce, de forma integrada e verticalizada, não apenas a atividade siderúrgica, mas também a atividade de operador portuário, sendo responsável pelo embarque e desembarque de mercadorias por diferentes modais (rodoviário, ferroviário e marítimo), inclusive em terminal portuário próprio, utilizado para a exportação de parcela relevante de sua produção. Embora não se olvide do teor da Súmula nº 232, segundo a qual as despesas portuárias na exportação de produtos acabados não se qualificam como insumos do processo produtivo do exportador para efeito de créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de COFINS não cumulativas, no presente caso verifica-se situação fática e jurídica distinta daquela examinada nos precedentes que deram origem ao referido enunciado. Nos casos paradigmáticos que fundamentaram a Súmula, as pessoas jurídicas analisadas exerciam exclusivamente atividade industrial, não possuindo, em seus contratos sociais, a exploração direta de atividade portuária, como ocorre no presente caso. Nessas hipóteses, as despesas portuárias estavam vinculadas apenas à etapa de escoamento comercial da produção, caracterizando-se como custos posteriores, acessórios e desvinculados da atividade econômica principal desenvolvida pelas empresas. Fl. 730DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.503 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.912253/2012-11 22 Diversamente, no caso ora examinado, a Recorrente possui, expressamente prevista em seu contrato social, a exploração da atividade de operador portuário, exercida de forma integrada, verticalizada e complementar à atividade siderúrgica. Assim, as operações de embarque, desembarque, movimentação, acondicionamento e estabilização de cargas não configuram mera etapa logística acessória ou serviço contratado de terceiros para viabilizar a comercialização do produto, mas sim atividade econômica própria, essencial e geradora de receita. Nesse cenário, os serviços de peação e escoramento — consistentes na fixação e estabilização da carga nos porões das embarcações — revelam-se indispensáveis para a execução da atividade portuária explorada pela Recorrente, garantindo a integridade das mercadorias, a segurança das operações e a viabilidade do transporte marítimo. À luz dos critérios de essencialidade e relevância, firmados pelo Superior Tribunal de Justiça, o conceito de insumo deve ser analisado à luz da atividade econômica efetivamente desempenhada pela pessoa jurídica em sua integralidade, e não de forma restrita à etapa fabril isoladamente considerada. No caso concreto, resta evidenciado que, sem os serviços de peação, escoramento, transporte e carregamento, a Recorrente não conseguiria exercer a atividade portuária, tampouco realizar a exportação de seus produtos por meio de sua própria estrutura operacional, inviabilizando, consequentemente, a obtenção da receita correspondente. Dessa forma, tais dispêndios qualificam-se como insumos nos termos do art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, impondo-se a reversão das glosas relativas aos serviços de peação, escoramento, transporte e carregamento de produtos destinados à venda, com o consequente provimento do recurso quanto a este ponto. 2. Dispositivo Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para (i) corrigir o erro material referente ao valor revertido quanto a item 7.2 – serviço de transporte, pesagem de matéria-prima – quadro 16 do Relatório Fiscal; (ii) reverter as glosas relativas aos gastos com (ii.i) arame fio-máquina, filme stretch, etiquetas, fitas de aço e fitas diversas, madeira serrada (pranchões/roletes) e peças de madeira (ripa/sarrafo/viga de eucalipto); (ii.ii) dormente de madeira, estropo de cabo de aço, linga corrente, trilhos, grampos de fixação, e cintas de nylon; (ii.iii) manutenção de energia elétrica; (ii.iv) serviços de obra civil e troca de telhado, cujo aproveitamento creditório se dá apenas por meio da depreciação; (ii.v) despesas portuárias, inclusive com carregamento do produto no navio; (ii.vi) serviços de treinamento; e (ii.vii) frete na operação de venda (transporte até o porto) e (ii.viii) frete nacional na aquisição de insumos importados. Fl. 731DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.503 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.912253/2012-11 23 Assinado Digitalmente Marina Righi Rodrigues Lara VOTO VENCEDOR Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, redator designado. Com as vênias de estilo, em que pese o voto muito bem fundamentado da Conselheira Relatora Marina Righi Rodrigues Lara, ouso dela discordar quanto à sua decisão de reverter as glosas referentes as despesas com (1) materiais de embalagem e as embalagens destinadas ao transporte tais como madeira serrada (pranchões/roletes) e peças de madeira (ripa, sarrafo e viga de eucalipto), (2) serviços de treinamento e (3) despesas portuárias, inclusive com carregamento do produto no navio. Explico. 1. Materiais de embalagem e as embalagens destinadas ao transporte tais como madeira serrada (pranchões/roletes) e peças de madeira (ripa, sarrafo e viga de eucalipto) O Recurso Voluntário contesta essa glosa nos seguintes termos: 3.Materiais de embalagem e materiais de embalagem para transporte a) Localização e natureza das aquisições glosadas: Arame fio máquina, embalagem filme strech, etiquetas, fitas de aço, fitas diversas, madeira serrada pranchão/roletes, ripa/sarrafo/viga eucalipto. (...) b) Essencialidade/relevância: O aço produzido pela Recorrente é vendido de diversas formas: tarugos, placas, blocos, perfis estruturais laminados de abas paralelas, fio máquina, além de produtos carboquímicos. Cada um desses tem sua função e local de aplicação descritos na planilha anexa (Doc_Comprobatorios06, págs. 5-6). A título de exemplo, aborda-se os itens FITA de AÇO e RIPA: Fl. 732DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.503 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.912253/2012-11 24 Os mesmos materiais são também utilizados no pátio da siderúrgica, para acomodar os produtos, ainda armazenados à espera do transporte. As fotos abaixo ilustram alguns desses itens: Sem esses materiais, não seria possível reunir os produtos, manter as bobinas travadas permitindo o manuseio e transporte, acomodar a carga na caçamba de caminhões, porões de navio, etc. c) Razões do acórdão para manutenção da exigência: Somente são considerados insumos bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica durante o processo de produção de bens ou de prestação de serviços, excluindo- se de tal conceito os itens utilizados após a finalização do produto para venda ou da prestação do serviço. d) Improcedência dessas razões: O PN 5/18 invocado pelo acórdão recorrido, como já esclarecido anteriormente (item “Conceito de Insumo”), cria critérios não estabelecidos pelo STJ e acaba por repetir as mesmas ilegalidades incorridas pelas INs 247 e 404. Fl. 733DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.503 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.912253/2012-11 25 Ou seja, o acórdão baseou-se em conceito de insumo já superado e reconhecidamente ilegal ao exigir que as despesas atendam unicamente a linha de produção. O importante é que o insumo seja essencial e relevante para o desenvolvimento da atividade econômica da Contribuinte, não havendo necessidade que integre exclusivamente o ambiente de produção. Não cabe, como já demonstrado acima, fracionar o processo produtivo siderúrgico determinando o seu fim quando do término da laminação. Efetivamente a etapa econômica só se encerra com a venda e respectiva entrega da mercadoria ao cliente. Além disso, se a embalagem é condição para o transporte, reduz o risco de dano ou garante a integridade do produto é ela essencial ao processo produtivo, como já afirmou esse Colegiado: (...) Como são materiais de embalagem necessários a quase toda atividade industrial, o Conselho já reconhece expressamente o direito ao creditamento quanto a essas despesas. É o que se vê, por exemplo, no Acórdão 3402-002.826, proferido em janeiro de 2016, que reconheceu créditos de despesas com pallets, filme strech e papelão: (...) Esses itens são tão essenciais à atividade produtiva que eram previstos nas Instruções Normativas da Receita Federal 247 (art. 66, § 5º, I, “a”) e 404 (art. 8º, I, “a”), afastadas porque ilegalmente restritivas. Assim, necessária a reversão da glosa indevidamente realizada. Os excertos acima transcritos provam exatamente o contrário do que o recorrente tentar afirmar: os produtos glosados neste tópico se prestam para a movimentação de mercadorias após o encerramento do processo produtivo, para viabilizar o seu transporte, e não se caracterizam como “embalagem”. Não se nega a sua utilidade para o recorrente, contudo o STJ, ao definir o conceito e os critérios para que um produto seja considerado insumo, deixou bastante evidente que sua utilidade deve estar comprovada dentro do processo produtivo, e não nas demais áreas administrativas. No presente caso, tais bens são utilizados na área de logística, para viabilizar o transporte e a venda, e não dentro do processo produtivo, mas sim após o seu encerramento. O STJ deixou claro em sua decisão que estava adotando uma posição intermediária: não seria o entendimento da Receita Federal, expresso nas IN 247 e 404, que adotavam uma interpretação restritiva, mas também não seria o critério utilizado pelo contribuinte, de que qualquer bem que fosse útil para a atividade empresarial, como um todo, seria insumo. A posição do STJ se situou de forma intermediária, adotando o critério de essencialidade e relevância dentro do processo produtivo (independente do contato físico com o bem em produção), excluindo os bens e serviços que, embora necessários para o contribuinte, são utilizados em etapas anteriores e/ou posteriores à produção em si. Fl. 734DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.503 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.912253/2012-11 26 Deve-se ressalvar que diversas despesas dos contribuintes efetivadas fora do seu processo produtivo geram o direito a creditamento, mas não como “insumos”, despesa prevista no inciso II do art. 3º das leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Tais leis possuem relação exaustiva (numerus clausus) dos bens e serviços com direito a creditamento nos diversos outros incisos do citado art. 3º: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) b) nos §§ 1º e 1º-A do art. 2º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III - (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V - valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII - edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mão-de-obra, tenha sido suportado pela locatária; VIII - bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX - energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) Fl. 735DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.503 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.912253/2012-11 27 IX - energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X - vale-transporte, vale-refeição ou vale-alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI - bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) Os bens analisados neste tópico, além de não se caracterizarem como insumos, não se enquadram em nenhuma das outras possibilidades de creditamento. Nesse contexto, essas glosas devem ser mantidas. 2. Serviços de treinamento O Recurso Voluntário contesta essa glosa nos seguintes termos: 7. Treinamento industrial a) Localização e natureza das aquisições glosadas: Gasto com serviços de treinamento industrial. (...) b) Essencialidade/relevância: O domínio da técnica necessária para a atividade industrial é essencial para (i)viabilizar a produção propriamente dita, (ii) agregar qualidade e eficiência, bem como (iii) manter padrões de segurança e evitar acidentes, além de se tratar de imposição legal. Não por outra razão o CARF já reconheceu créditos de PIS e COFINS sobre cursos e treinamentos à empresa Itautec S/A: Acórdão 3302-002-959 (data da sessão: 25/01/2016; Relatora: Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza -“... CONCEITO DE INSUMO. PROPORCIONALIDADE. RAZOABILIDADE. (...) APROVEITAMENTO: cursos e treinamentos, pesquisa e desenvolvimento...”). Se a Recorrente não oferecesse treinamentos, não poderia contar com funcionários capacitados. Mesmo que pudesse, incorreria em acidentes de trabalho, não produziria com a mesma qualidade e produtividade, perderia competitividade em relação a outras empresas. Além disso, por oferecer risco grave aos trabalhadores, poderia sofrer interdição, conforme a NR/MTE. Por fim, poderia ser responsabilizada nos âmbitos administrativo, trabalhista, previdenciário, civil e criminal, pela omissão no oferecimento da capacitação. Fl. 736DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.503 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.912253/2012-11 28 A situação é a mesma do tópico anterior. É evidente que treinamentos podem colaborar para a melhoria do serviço da empresa, mas não são essenciais e relevantes para o processo produtivo em si. Utilizando o “teste da subtração”, critério apresentado pelo STJ no julgamento do REsp 1.221.170/PR, observo que, mesmo sem o treinamento, ainda assim os bens seriam produzidos. Treinar os funcionários para, por exemplo, manusearem novos equipamentos, é realmente importante para a empresa, mas esse custo é de natureza evidentemente administrativa, e não industrial. Esse é entendimento majoritário dentro deste Conselho. Admitir que tais gastos sejam “insumos do processo produtivo”, aptos a serem deduzidos nos débitos das contribuições, iria tornar sua apuração vinculada ao lucro da empresa, tal qual ocorre com o IRPJ, e não com o faturamento. É justamente essa a corrente ampliativa, que o STJ afastou ao adotar a corrente intermediária, já referida alhures. Nesse contexto, essas glosas devem ser mantidas. 3. Despesas portuárias, inclusive com carregamento do produto no navio O Recurso Voluntário contesta essa glosa nos seguintes termos: 8. Peação e escoreamentos a) Localização e natureza das aquisições glosadas: Gastos com peação, escoreamento. (...) b) Essencialidade/relevância: A atividade econômica desempenhada pela Recorrente não se encerra com a fabricação do produto destinado à venda. Como exposto no item “ATIVIDADES DA EMPRESA”, a própria Recorrente exerce a atividade de operador portuário. Isso significa que a própria Empresa é responsável pelo embarque e desembarque de produtos em seus diversos modais (ferrovia, rodovia, marítimo). Peação e escoramento são serviços de fixação da carga nos porões de um navio, a fim de que a mesma não se mova, o que poderia provocar (i)danificação da mercadoria ou (ii) movimento indesejado da carga, provocando instabilidade e até acidentes. Esses serviços são insumos da atividade portuária. Manter um terminal portuário significa justamente embarcar cargas de forma eficiente e segura. Se a peação ocorre posteriormente à finalização da produção do aço, constitui fase central na operação portuária, objeto social também praticado pela Recorrente. A título ilustrativo da contratação de serviço de peação e escoreamento, junta-se a NF 820 (Doc_Comprobatorios07, pág. 10) da fornecedora SMT SERVIÇOS MARÍTIMOS E TERRESTRES LTDA.: Fl. 737DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.503 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.912253/2012-11 29 (...) Nesse sentido se pode afirmar que são insumos à atividade portuária da Recorrente os serviços com peação e escoreamentos. Não haveria atividade portuária, tampouco exportação (venda), sem os serviços que fazem com que a carga chegue ao porto e seja embarcada. Ou seja, a atividade portuária da Empresa não seria possível, nem a venda e o auferimento da receita correspondente. c) Razões do acórdão para manutenção da exigência: Bens e serviços empregados posteriormente à finalização da fabricação não são considerados insumos. d) Improcedência dessas razões: O acórdão adota como premissa o conceito de insumo delimitado pelo PN 5/18. Entretanto, como já ressaltado no item “CONCEITO DE INSUMO” acima exposto, o Parecer parte de uma visão restritiva de processo produtivo, que o aproxima da transformação industrial e o afasta do objeto social da pessoa jurídica. Isto é, limita o crédito às hipóteses estritamente relacionadas com a linha de produção, incorrendo, assim, nas mesmas ilegalidades das INs 247 e 404. Tal limitação não pode ser admitida, sob pena de se esvaziar o sentido do importante precedente do STJ (REsp 1.221.170). Veja-se que o STJ firmou o entendimento de que “conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item, bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Como se verifica da leitura do acórdão do STJ, não há nenhuma limitação dos créditos aos bens e serviços empregados na linha de produção. Dessa forma, não se sustenta o fundamento utilizado pelo acórdão recorrido para manter a exigência fiscal. Mais uma vez, a situação é a mesma dos tópicos anteriores. É evidente que a atividade portuária é importante para a empresa, mas não é essencial e relevante para o processo produtivo em si. Utilizando o “teste da subtração”, critério apresentado pelo STJ no julgamento do REsp 1.221.170/SP, observo que, mesmo sem a atividade portuária na exportação, ainda assim os bens seriam produzidos. A ausência desses serviços acarretaria a inviabilidade da atividade logística da empresa, e não o seu setor de produção. Esse foi o critério definido pelo STJ, avaliar a essencialidade e relevância do bem “dentro do processo produtivo”. Ressalto que essa matéria já se encontra pacificada na jurisprudência deste Conselho por meio da Súmula CARF nº 232: Fl. 738DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.503 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.912253/2012-11 30 As despesas portuárias na exportação de produtos acabados não se qualificam como insumos do processo produtivo do exportador para efeito de créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de COFINS não cumulativas. Pelo exposto, voto por negar provimento a estes três itens. Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares Fl. 739DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor
score : 1.0
Numero do processo: 13808.000477/00-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 203-00.759
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento dos recursos em diligencia, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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Processo n2 : 13808.000477/00-33 Recurso n2 : 129.050 Recorrentes : GRACE BRASIL LTDA. (ATUAL DENOMINAÇÃO DE INTERNACIONAL HOLDINGS LTDA.) E DRJ EM SÃO PAULO - SP Recorrida : DRJ em São Paulo - SP RESOLUÇÃO N° 203-00.759 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recursos interpostos por: GRACE BRASIL LTDA. (ATUAL DENOMINAÇ -ÃO DE INTERNACIONAL HOLDINGS LTDA.) E DRJ EM SÃO PAULO — SP. RESOLVEM os Membros da Terceira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento dos recursos em diligencia, nos termos do voto do Relator. Sala das Sessões, em 19 de setembro de 2006. Antonio zerra Ieto Presidente Emanuel Car Relator Participaram, ainda, do preseDte julg mento os Conselheiros Cesar Piantavigna, Silvia de Brito Oliveira, Valdemar Ludvig, Odassi uerzoni Filho, Eric Moraes de Castro e Silva e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. Eaal/inp sFAXEN ,fiA - 2." et.: CONFERE COM O ORIGINAL BRASILIA • U.(2454-q. VI TO 1 MIN. DA FAZtNDA - 2.° CC CONFERE COM O ORICINAI BRA SiLIA 1 s 16T O Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 2° CC-MF FL Processo n2 : 13808.000477/00-33 Recurso n2 : 129.050 Recorrentes : GRACE BRASIL LTDA. (ATUAL DENOMINAÇÃO DE INTERNACIONAL HOLDINGS LTDA.) E DRJ EM SÃO PAULO - SP RELATÓRIO Trata-se do Auto de Infração de fls. 48/52, relativo ao Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), período de apuração 31/12/96, no valor total de R$ 861.068,90, incluindo juros de mora e multa de 75%. 0 lançamento decorre de omissão de receita no valor de R$ 2.903.562,64, apurada conforme os Termos de Verificação n's 2 e 3 (fls. 04/47), sobre a qual foi calculado o JIPI ã aliquota de 12%. 0 processo principal, referente ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), PIS e COFINS, é o de n° 13808.000456/00- 63. Apreciando a impugnação de fls. 55/75, a qual foi juntado posteriormente o laudo pericial contábil (fls. 247/288) e o aditamento de fls. 304/317, este sobre a representação penal relacionada com a autuação, a 10' Turma da DRJ julgou o lançamento procedente em parte, nos termos do Acórdão n° 5.845, de 08/09/2004 (fls. 352/363). A DRJ levou em conta o Acórdão n° 5.844, relativo à exigência principal do IRPJ e demais reflexos (fls. 319/350), aplicando no processo em tela os efeitos daquele. No tocante ã aliquota do ITT aplicada sobre a omissão de receita apurada, entendeu correto percentual de 12% adotada pela fiscalização, a teor do art. 343 do Regulamento do IPI de 1982 (R1PI182). 0 Recurso Voluntário de fls. 369/381, tempestivo (fls. 368/369), pretende seja cancelada a parte remanescente do lançamento. Nele se requer, também, a realização de diligencias julgadas necessárias, o sobrestamento do julgamento deste enquanto tramita o processo principal n° 13808.000456/00-63 e a "consideração, se for o caso, da proporcionalização das diversas aliquotas de IPI a que estão sujeitos os produtos e operações da recorrente." Informação à fl. 407 dá conta do arrolamento de bens regular. Da decisão de primeira insancia também coube remessa de oficio, nos termos dos arts. 25, § 1°, e 34, do Decreto n° 70.235/72, e da Portaria MF n° 375/2001. E o relatório. EMANU, ASSIS NIIN UA FAZEN!..?,et - 2. CC CONFERE COM 0 eRIGNAL BRASILIA A lf 6 ISTO Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes CC-MF Fl. Processo n-Q : 13808.000477/00-33 Recurso n9- : 129.050 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Este processo não se encontra em condições de ser julgado, em virtude da sua dependência em relação ao processo principal relativo ao IRPJ e demais reflexos, sob n° 13808.000456/00-63, atualmente em sede de Recurso Voluntário e Recurso de Oficio n° 145257, distribuído para a Sétima Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, onde ainda tramita. que o lançamento em tela decorre da omissão de receita que deu origem ao lançamento de 1RPJ e reflexos, objetos daquele processo ainda não julgado em definitivo. 0 Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes não determina que nos casos de processos relativos A legislação do IPI, quando decorrentes de lançamentos de IRPJ, a competência seja declinada para o Primeiro Conselho. Há previsão de declinação ao Primeiro Conselho somente quando o processo reflexo do IRPJ diz respeito a matéria atinente ao IRPF, IRF, COFINS, PIS e FINSOCIAL (arts. art. 7 0, I, "h" e "d", combinados com os arts. 7°, II, 8°, III, e 9°, XVII do referido Regimento Interno). 0 art. 8°, I, que trata dos julgamentos do IPI, não contém disposição semelhante As dos arts. 8°, III, e 9°, XVII. Assim, este processo de IPI, mesmo sendo decorrente de IRPJ, continua de competência deste Segundo Conselho de Contribuintes, pelo que deve ser apreciado por esta Terceira Camara, após o julgamento definitivo do lançamento referente ao IRPJ. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligencia para que sejam anexados ao presente processo cópias da decisão definitiva no processo principal n° 13808.000456/00-63, Recurso Voluntário n° 145.257, distribuído para a Sétima Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, onde nesta data ainda tramita, bem como do Auto de Infração de IRPJ e demais reflexos, com os seus anexos e demais documentos que houver, a exemplo de Termos de Constatação, de Verificação, etc. Sala das Sessões, em 19 de setembro de 2006. 3
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Numero do processo: 15586.720254/2018-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013, 2014
RECLASSIFICAÇÃO DOS RENDIMENTOS AUFERIDOS NA PESSOA FÍSICA. NATUREZA JURÍDICA DOS RENDIMENTOS PAGOS AOS SÓCIOS. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
Uma vez constatado que as atividades e os negócios jurídicos praticados pelo(a) contribuinte não correspondem à realidade formal, e restando evidente que o sócio da empresa é o real prestador do serviço e o lucro apurado na pessoa jurídica é, de fato, remuneração pelos serviços prestados pela pessoa física, os valores recebidos e tributados na pessoa jurídica devem ser reclassificados, segundo a sua real natureza jurídica, ou seja, como rendimentos tributáveis na pessoa física, em decorrência da prestação de serviços, e não como lucros isentos do Imposto de Renda.
MULTA QUALIFICADA DE 150%. MULTA REDUZIDA AO PATAMAR DE 100%. LEI Nº 14.689, DE 2023. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTÁRIA. ART. 106, II, c, CTN. APLICAÇÃO.
Cabe reduzir a multa de ofício qualificada ao percentual de 100%, na forma da legislação superveniente, ante o anterior patamar de 150% vigente à época dos fatos, na hipótese de penalidade não definitivamente julgada, quando inexistente a reincidência do sujeito passivo.
Numero da decisão: 2101-003.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reduzir a multa qualificada ao patamar de 100%.
Assinado Digitalmente
Roberto Junqueira de Alvarenga Neto – Relator
Assinado Digitalmente
Mário Hermes Soares Campos – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Ana Carolina da Silva Barbosa, Debora Fofano dos Santos, Heitor de Souza Lima Junior, Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Silvio Lucio de Oliveira Junior, Mario Hermes Soares Campos (Presidente).
Nome do relator: ROBERTO JUNQUEIRA DE ALVARENGA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013, 2014 RECLASSIFICAÇÃO DOS RENDIMENTOS AUFERIDOS NA PESSOA FÍSICA. NATUREZA JURÍDICA DOS RENDIMENTOS PAGOS AOS SÓCIOS. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Uma vez constatado que as atividades e os negócios jurídicos praticados pelo(a) contribuinte não correspondem à realidade formal, e restando evidente que o sócio da empresa é o real prestador do serviço e o lucro apurado na pessoa jurídica é, de fato, remuneração pelos serviços prestados pela pessoa física, os valores recebidos e tributados na pessoa jurídica devem ser reclassificados, segundo a sua real natureza jurídica, ou seja, como rendimentos tributáveis na pessoa física, em decorrência da prestação de serviços, e não como lucros isentos do Imposto de Renda. MULTA QUALIFICADA DE 150%. MULTA REDUZIDA AO PATAMAR DE 100%. LEI Nº 14.689, DE 2023. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTÁRIA. ART. 106, II, c, CTN. APLICAÇÃO. Cabe reduzir a multa de ofício qualificada ao percentual de 100%, na forma da legislação superveniente, ante o anterior patamar de 150% vigente à época dos fatos, na hipótese de penalidade não definitivamente julgada, quando inexistente a reincidência do sujeito passivo.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2026-04-03T06:00:45Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-04-03T06:00:45Z; Last-Modified: 2026-04-03T06:00:45Z; dcterms:modified: 2026-04-03T06:00:45Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-04-03T06:00:45Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-04-03T06:00:45Z; meta:save-date: 2026-04-03T06:00:45Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-04-03T06:00:45Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-04-03T06:00:45Z; created: 2026-04-03T06:00:45Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2026-04-03T06:00:45Z; pdf:charsPerPage: 1621; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-04-03T06:00:45Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 15586.720254/2018-19 ACÓRDÃO 2101-003.666 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 4 de março de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE GEDEALVARES FRANCISCO DE SOUZA JUNIOR INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013, 2014 RECLASSIFICAÇÃO DOS RENDIMENTOS AUFERIDOS NA PESSOA FÍSICA. NATUREZA JURÍDICA DOS RENDIMENTOS PAGOS AOS SÓCIOS. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Uma vez constatado que as atividades e os negócios jurídicos praticados pelo(a) contribuinte não correspondem à realidade formal, e restando evidente que o sócio da empresa é o real prestador do serviço e o lucro apurado na pessoa jurídica é, de fato, remuneração pelos serviços prestados pela pessoa física, os valores recebidos e tributados na pessoa jurídica devem ser reclassificados, segundo a sua real natureza jurídica, ou seja, como rendimentos tributáveis na pessoa física, em decorrência da prestação de serviços, e não como lucros isentos do Imposto de Renda. MULTA QUALIFICADA DE 150%. MULTA REDUZIDA AO PATAMAR DE 100%. LEI Nº 14.689, DE 2023. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTÁRIA. ART. 106, II, c, CTN. APLICAÇÃO. Cabe reduzir a multa de ofício qualificada ao percentual de 100%, na forma da legislação superveniente, ante o anterior patamar de 150% vigente à época dos fatos, na hipótese de penalidade não definitivamente julgada, quando inexistente a reincidência do sujeito passivo. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 2355DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.666 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15586.720254/2018-19 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reduzir a multa qualificada ao patamar de 100%. Assinado Digitalmente Roberto Junqueira de Alvarenga Neto – Relator Assinado Digitalmente Mário Hermes Soares Campos – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Ana Carolina da Silva Barbosa, Debora Fofano dos Santos, Heitor de Souza Lima Junior, Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Silvio Lucio de Oliveira Junior, Mario Hermes Soares Campos (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto por Gedealvares Francisco de Souza Junior contra o Acórdão nº 12-107.234, proferido pela 19ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro em sessão realizada no dia 15 de maio de 2019, que julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo integralmente o crédito tributário lançado no valor de R$ 125.361,04, acrescido de multa de ofício qualificada em 150% e juros de mora. O presente lançamento teve origem em extensa ação fiscal desenvolvida pela Receita Federal do Brasil na empresa INTENSIVIX MEDICINA INTENSIVA LTDA, da qual o ora recorrente figurava como sócio durante os anos-calendário fiscalizados. A ação fiscal na pessoa jurídica integrou ampla operação denominada "Esculápios de Ouro", deflagrada no Estado do Espírito Santo, destinada a investigar esquemas de terceirização ilegal de serviços médicos em hospitais da região por meio de empresas interpostas. A fiscalização iniciou-se com a emissão do Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal nº 0720100.2015.00490 em 30 de junho de 2015, tendo a INTENSIVIX MEDICINA INTENSIVA LTDA sido intimada por meio de Termo de Início de Procedimento Fiscal. No decorrer da ação fiscal, foram expedidos 8 Termos de Intimação Fiscal à pessoa jurídica, tendo a empresa respondido dentro dos prazos estabelecidos, com atendimento parcial ao Termo de Intimação Fiscal nº 6, para o qual foi concedida dilação de prazo posteriormente atendida. Durante o desenvolvimento dos trabalhos fiscais junto à pessoa jurídica, a autoridade fiscal constatou que a INTENSIVIX prestava serviços médicos para duas entidades hospitalares, quais sejam, a Associação Evangélica Beneficente Espírito Santense e o Hospital Fl. 2356DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.666 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15586.720254/2018-19 3 Santa Mônica Ltda. Diante dessa constatação, procedimentos fiscais na modalidade de diligência foram também instaurados junto aos contratantes, recebendo os números 0720100.2015.00477 e 0720100.2015.00483, este último posteriormente complementado pelo procedimento nº 0720100.2016.00941. Os elementos colhidos junto aos hospitais contratantes revelaram-se essenciais para a formação da convicção fiscal quanto às irregularidades apuradas. A investigação fiscal revelou que a INTENSIVIX realizava pagamentos mensais aos sócios médicos sob a denominação formal de "distribuição de lucros isentos", valores estes que, segundo apurou a fiscalização, constituíam na verdade remuneração pela prestação pessoal de serviços médicos realizados diretamente nas dependências dos hospitais contratantes. A conclusão fiscal fundamentou-se em diversas constatações, entre as quais se destacaram a existência de pagamentos a pessoas que não integravam o quadro societário à época dos recebimentos, vícios múltiplos na escrituração contábil da empresa, recusa da INTENSIVIX em apresentar as escalas de plantão dos médicos apesar de regularmente intimada, e o estabelecimento de valores proporcionais às horas efetivamente trabalhadas em cada período, demonstrando assim o caráter remuneratório e não distributivo dos pagamentos. A análise da escrituração contábil da INTENSIVIX revelou irregularidades graves que levaram a fiscalização a considerá-la imprestável como meio de prova. Verificou-se que a empresa realizava apuração mensal de resultado do exercício, procedimento vedado pelo art. 1º da Lei nº 9.430/96, que determina a apuração trimestral para fins fiscais. Constatou-se ainda a deliberada falta de individualização dos beneficiários dos pagamentos nos lançamentos contábeis, descompasso entre os valores e datas constantes nos recibos de distribuição de lucros apresentados e a real movimentação financeira verificada nos extratos bancários, além de inconsistências quanto ao endereço de funcionamento da sociedade. A autoridade fiscal ainda constatou que a INTENSIVIX havia distribuído valores formalmente rotulados como lucros a pessoas que jamais integraram seu quadro social ou que somente passaram a figurar como sócias em data posterior aos recebimentos. A eficácia jurídica das alterações contratuais que promoveram o ingresso de novos sócios somente se produzia a partir do registro na Junta Comercial do Estado do Espírito Santo, conforme determina a legislação civil e comercial aplicável. Ocorre que diversos pagamentos ocorreram antes que as alterações contratuais fossem registradas no órgão competente, período durante o qual os beneficiários não ostentavam a condição formal de sócios, o que inviabiliza juridicamente a caracterização dos valores recebidos como distribuição de lucros. O Hospital Santa Mônica Ltda, quando instado a se manifestar no procedimento fiscal, declarou expressamente que a INTENSIVIX MEDICINA INTENSIVA LTDA nunca funcionou em suas dependências e que não cedeu área física em forma de comodato ou aluguel para a referida empresa. Tal declaração corroborou a conclusão fiscal de que a INTENSIVIX atuava como mera empresa interposta, sem estrutura operacional própria, constituída formalmente apenas para viabilizar a intermediação entre os hospitais contratantes e os médicos prestadores de serviço, Fl. 2357DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.666 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15586.720254/2018-19 4 permitindo assim que todos os envolvidos se beneficiassem da elisão dos encargos trabalhistas e tributários incidentes sobre as relações laborais. Encerrada a ação fiscal na pessoa jurídica em 25 de janeiro de 2017, com a lavratura de autos de infração para exigência de imposto de renda retido na fonte não recolhido e multas correlatas, a Receita Federal do Brasil passou a investigar a situação fiscal individual dos sócios que receberam os valores indevidamente classificados como lucros isentos. O recorrente Gedealvares Francisco de Souza Junior foi inicialmente objeto de diligência fiscal, tendo sido intimado por meio do Termo de Diligência Fiscal nº 1-395, de cuja ciência tomou conhecimento em 18 de setembro de 2017. Na referida intimação, solicitou-se que o então diligenciado apresentasse documentos e informações referentes aos valores por ele recebidos da INTENSIVIX MEDICINA INTENSIVA LTDA durante os anos-calendário 2012 e 2013. Em resposta, o contribuinte apresentou os comprovantes de transferências bancárias realizadas pela pessoa jurídica em seu favor, documentos esses que demonstravam o recebimento de R$ 394.701,39 no ano-calendário 2012 e de R$ 90.399,34 no ano-calendário 2013. Apresentou também os comprovantes de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte emitidos pela INTENSIVIX para os mesmos períodos, nos quais constavam valores significativamente inferiores aos efetivamente recebidos, especificamente R$ 267.429,25 para 2012 e apenas R$ 12.531,75 para 2013. Em suas Declarações de Ajuste Anual dos exercícios 2013 e 2014, referentes respectivamente aos anos-calendário 2012 e 2013, o recorrente havia declarado os valores constantes dos comprovantes de rendimentos emitidos pela INTENSIVIX como "rendimentos isentos e não tributáveis", sob o fundamento de que se tratava de distribuição de lucros da pessoa jurídica da qual era sócio. Concomitantemente, declarou como "rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica" apenas valores diminutos recebidos de outra empresa, a Solutti Solução em Terapia Intensiva e Infecção Ltda, totalizando R$ 5.598,00 em 2012 e R$ 8.136,00 em 2013. Posteriormente à conclusão da diligência preliminar, foi emitido o Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal nº 07.2.01.00-2018-00063-0 em 8 de março de 2018, do qual o contribuinte tomou ciência na mesma data, formalizando-se assim o início do procedimento fiscal propriamente dito para apuração do imposto de renda da pessoa física relativo aos exercícios 2013 e 2014, correspondentes aos anos-calendário 2012 e 2013. A fiscalização apurou duas infrações principais. A primeira consistiu na reclassificação dos valores que o contribuinte havia declarado indevidamente como "rendimentos isentos e não tributáveis", os quais deveriam ter sido oferecidos à tributação como "rendimentos tributáveis do trabalho sem vínculo empregatício". Esta infração derivou diretamente das conclusões alcançadas no procedimento fiscal da pessoa jurídica, que demonstraram de forma inequívoca que os pagamentos rotulados como distribuição de lucros constituíam na verdade remuneração por serviços médicos efetivamente prestados. A segunda infração consistiu na omissão de rendimentos tributáveis, caracterizada pela diferença entre os valores Fl. 2358DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.666 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15586.720254/2018-19 5 comprovadamente recebidos pelo contribuinte e aqueles efetivamente declarados em suas declarações de ajuste anual. Para o ano-calendário 2012, constatou-se omissão de rendimentos no montante de R$ 127.272,14, resultante da diferença entre os R$ 394.701,39 comprovadamente recebidos e os R$ 267.429,25 declarados. Para o ano-calendário 2013, a omissão alcançou R$ 77.867,59, diferença entre os R$ 90.399,34 recebidos e os meros R$ 12.531,75 declarados. Diante da gravidade das irregularidades constatadas, especialmente considerando as evidências de simulação na constituição e operação da pessoa jurídica, a ocultação deliberada de informações mediante recusa em apresentar documentos essenciais regularmente solicitados, a falta intencional de individualização dos beneficiários nos registros contábeis, e o descompasso proposital entre a forma jurídica adotada e a realidade econômica subjacente, a autoridade fiscal concluiu pela caracterização de sonegação fiscal, aplicando a multa de ofício qualificada no percentual de 150% sobre o valor do imposto devido, nos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Em consequência, foi lavrado o auto de infração de fls. 2181 a 2192, exigindo imposto de renda da pessoa física código 2904 no valor de R$ 125.361,04, acrescido da multa qualificada e juros de mora calculados até a data do lançamento. Em 14 de dezembro de 2018, o contribuinte apresentou impugnação, distribuída às fls. 2262 a 2278 dos autos, suscitando preliminarmente a nulidade do lançamento, argumentando que o fisco teria desconsiderado a escrita fiscal em sua totalidade sem prévia intimação para regularização, o que caracterizaria arbitramento vedado pelo art. 148 do Código Tributário Nacional. Sustentou que a ausência de intimação prévia constituiria cerceamento de defesa e violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa, invocando precedentes administrativos em abono de sua tese. Alegou ainda que eventuais irregularidades pontuais encontradas em determinados períodos não autorizariam a desclassificação global da escrituração fiscal. No mérito, defendeu a existência efetiva de lucros na pessoa jurídica, fato que considerou incontroverso e documentalmente demonstrado, argumentando que tal existência por si só afastaria a incidência do imposto de renda na fonte sobre os valores distribuídos. Sustentou que os lucros foram regularmente apurados e distribuídos conforme o contrato social, tendo sido corretamente declarados como rendimentos isentos em sua declaração de ajuste anual. Contestou a aplicação da multa qualificada, argumentando pela inexistência de dolo ou má-fé de sua parte, atribuindo as falhas apontadas pela fiscalização a questões meramente formais da escrituração da pessoa jurídica, pelas quais não poderia ser responsabilizado na condição de sócio. Invocou precedentes judiciais e administrativos que entendeu aplicáveis ao caso concreto. O processo foi distribuído à 19ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro e em sessão realizada no dia 15 de maio de 2019, a turma julgadora, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade e julgou improcedente a impugnação no mérito, mantendo integralmente o crédito tributário constituído. Fl. 2359DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.666 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15586.720254/2018-19 6 Em sua fundamentação, o acórdão recorrido consignou que as hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 limitam-se aos atos e termos lavrados por pessoa incompetente e aos despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Verificou que o auto de infração foi lavrado por servidor competente, contendo a correta descrição das infrações apuradas e o adequado enquadramento legal, inexistindo qualquer vício formal capaz de invalidá-lo. O acórdão registrou que o contribuinte foi devidamente cientificado do lançamento, dispôs do prazo de 30 dias para apresentar contestação e assim o fez, podendo juntar aos autos todos os documentos e provas que julgou convenientes em contrapeso aos argumentos e evidências constantes do termo de verificação fiscal. Concluiu não ter havido cerceamento ao direito de defesa nem se configurado qualquer das hipóteses de nulidade previstas na legislação processual administrativa. Quanto ao mérito, o julgado destacou que a realidade demonstrou ter a empresa adotado a roupagem de lucros distribuídos para esconder a real natureza dos rendimentos pagos a sócios e não sócios. Aplicou o princípio da primazia da realidade sobre a forma jurídica, consagrado no art. 118, I, do Código Tributário Nacional, que determina a interpretação da definição legal do fato gerador abstraindo-se da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes. Consignou que restou evidente que o sócio da empresa era o real prestador do serviço e que o lucro apurado na pessoa jurídica constituía de fato remuneração pelos serviços prestados pela pessoa física, devendo os valores recebidos ser reclassificados segundo sua real natureza jurídica como rendimentos tributáveis decorrentes da prestação de serviços. O acórdão fundamentou extensamente a manutenção da multa qualificada, registrando que a exigência no percentual de 150% mostrava-se cabível diante da comprovação das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Destacou as evidências objetivas de fraude e simulação, especialmente a deliberada obscuridade na escrituração contábil mediante falta de individualização dos beneficiários, a recusa injustificada em apresentar as escalas de plantão quando regularmente intimada, o registro de endereço fictício da empresa, e o descompasso intencional entre a forma jurídica adotada e a realidade econômica dos fatos, concluindo pela presença do elemento subjetivo doloso necessário à qualificação da penalidade. Destaca-se a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2013, 2014 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. INEXISTÊNCIA. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. RECLASSIFICAÇÃO DOS RENDIMENTOS AUFERIDOS NA PESSOA FÍSICA. NATUREZA JURÍDICA DOS RENDIMENTOS PAGOS AOS SÓCIOS. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Uma vez constatado que as atividades e os negócios jurídicos praticados pelo(a) contribuinte não correspondem à realidade formal, e restando evidente que o sócio da empresa é o real prestador do serviço e o lucro apurado Fl. 2360DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.666 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15586.720254/2018-19 7 na pessoa jurídica é, de fato, remuneração pelos serviços prestados pela pessoa física, os valores recebidos e tributados na pessoa jurídica devem ser reclassificados, segundo a sua real natureza jurídica, ou seja, como rendimentos tributáveis na pessoa física, em decorrência da prestação de serviços, e não como lucros isentos do Imposto de Renda. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Restando evidente o recebimento de rendimentos tributáveis e sua não declaração no ajuste anual do ano em que foram recebidos, é dever de ofício da autoridade administrativa competente efetuar o lançamento do imposto correspondente, acrescido de juros e da penalidade aplicável. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A exigência da multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, é cabível quando resta comprovada alguma das hipóteses previstas nos artigos 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Cientificado do acórdão de primeira instância, o contribuinte interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, insurgindo-se contra os fundamentos da decisão recorrida e reiterando os argumentos expendidos em sua impugnação original. É o relatório. VOTO Conselheiro Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Relator 1. Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende integralmente aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Assim, o recurso voluntário deve ser conhecido. 2. Preliminar O recorrente renova, em sede recursal, a alegação de nulidade do lançamento, sustentando que a desconsideração integral da escrituração contábil da INTENSIVIX MEDICINA INTENSIVA LTDA pela autoridade fiscal, sem prévia intimação para regularização, configuraria arbitramento implícito sujeito aos requisitos do art. 148 do Código Tributário Nacional. Afirma que erros pontuais não autorizariam a desclassificação global da escrita e que precedentes do CARF condicionam o arbitramento de lucros à intimação prévia do contribuinte para sanar as irregularidades verificadas. Porém, não é o que ocorreu nos presentes autos. A autoridade fiscal não arbitrou base de cálculo nem estimou valores na ausência de documentação. A escrituração contábil da INTENSIVIX foi amplamente analisada e utilizada como elemento de prova — justamente para Fl. 2361DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.666 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15586.720254/2018-19 8 demonstrar que os valores contabilizados como distribuição de lucros não tinham lastro real na atividade empresarial da pessoa jurídica. O lançamento foi constituído com base em evidências concretas e individualizadas: a proporcionalidade dos pagamentos às horas trabalhadas por cada médico, os extratos bancários, os documentos obtidos junto aos hospitais contratantes, e a declaração expressa do Diretor do Hospital Santa Mônica de que a INTENSIVIX jamais funcionou em suas dependências. Trata-se, portanto, de reclassificação da natureza jurídica dos rendimentos com fundamento no art. 118, I, do Código Tributário Nacional — que manda abstrair a validade jurídica dos atos praticados pelo contribuinte ao interpretar o fato gerador —, e não de arbitramento por insuficiência documental. A distinção é essencial: no arbitramento, o fisco supre a ausência de prova mediante estimativa; na reclassificação, o fisco confronta a forma jurídica adotada com a realidade econômica subjacente, demonstrada pelas provas coligidas. A segunda hipótese não exige qualquer intimação prévia para regularização de escrita, pois não é a irregularidade formal da escrituração que funda o lançamento, mas sim a divergência entre o negócio jurídico real e a roupagem formal que lhe foi atribuída. Acrescente-se que o contribuinte exerceu plenamente seu direito de defesa. Foi regularmente cientificado do lançamento, apresentou impugnação tempestiva com ampla produção de argumentos e documentos, e teve seus fundamentos apreciados pelo julgador de primeira instância. Não se configura, portanto, qualquer das hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, que se limitam aos atos lavrados por autoridade incompetente e às decisões proferidas com preterição do direito de defesa. Rejeita-se a preliminar. 3. Mérito O recorrente sustenta que os valores por ele recebidos da INTENSIVIX MEDICINA INTENSIVA LTDA constituíam efetivamente distribuição de lucros apurados pela pessoa jurídica, fazendo jus ao tratamento de rendimentos isentos e não tributáveis previsto no art. 10 da Lei nº 9.249/95. Argumenta que a empresa desenvolvia atividade operacional regular, auferindo receitas e suportando despesas, tendo apurado lucros reais que foram regularmente distribuídos aos sócios conforme previsão contratual. Defende que a mera existência de irregularidades formais na escrituração contábil não seria suficiente para descaracterizar a natureza jurídica dos lucros efetivamente apurados e distribuídos. O art. 10 da Lei nº 9.249/95 estabelece que os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. A norma concede isenção tributária à distribuição de lucros, mas condiciona tal benefício ao cumprimento de requisitos Fl. 2362DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.666 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15586.720254/2018-19 9 legais específicos, notadamente que os lucros sejam "calculados com base nos resultados apurados" segundo as normas da legislação fiscal e que a distribuição ocorra "na forma da lei". A expressão "na forma da lei" não constitui cláusula retórica ou mero adorno legislativo, mas sim requisito material que exige observância das normas contábeis, fiscais, comerciais e societárias aplicáveis à apuração e distribuição de lucros. Tais normas encontram-se dispersas no Código Civil, na Lei das Sociedades Anônimas, nas resoluções do Conselho Federal de Contabilidade, na legislação tributária e nos contratos sociais das próprias empresas. Não basta, portanto, que a pessoa jurídica tenha auferido receitas superiores às despesas para que se configure distribuição legítima de lucros. É indispensável que os lucros sejam apurados segundo a periodicidade legal, contabilizados de forma regular e individualizada, distribuídos em conformidade com o contrato social e, principalmente, destinados exclusivamente aos sócios da sociedade. Como amplamente demonstrado no relatório, nenhum desses requisitos foi observado pela INTENSIVIX. A apuração mensal de resultados, o descompasso entre recibos e extratos bancários, a ausência de individualização dos beneficiários e os pagamentos realizados a pessoas que não integravam o quadro societário à época dos recebimentos revelam desestruturação sistemática, não falhas pontuais. Quanto aos pagamentos a não-sócios, o argumento do recorrente de que se trataria de mero erro formal não o socorre: a alteração contratual que promove o ingresso de novo sócio somente produz efeitos perante terceiros, incluindo a administração tributária, a partir do registro no órgão competente. Pagamentos realizados antes desse registro não podem, sob nenhuma perspectiva jurídica, ser caracterizados como distribuição de lucros — tampouco a posterior formalização da entrada dos beneficiários no quadro societário tem o condão de convalidar retroativamente o que era juridicamente impossível ao tempo do pagamento. A própria INTENSIVIX, em manifestação apresentada no curso da fiscalização, declarou que o cálculo dos valores pagos aos médicos era "determinado pela soma de plantões e horas trabalhadas no mês". Tal declaração, constante dos autos e não impugnada especificamente pelo recorrente, constitui confissão inequívoca de que os pagamentos não tinham natureza de distribuição de lucros, mas sim de remuneração proporcional aos serviços efetivamente prestados. Lucros societários não são calculados por horas trabalhadas, não variam mensalmente em função de plantões realizados e não guardam relação de proporcionalidade com a dedicação individual de cada sócio à atividade empresarial. Tais características são próprias da remuneração do trabalho, seja ele subordinado ou autônomo, jamais da participação nos resultados da sociedade. O conjunto probatório dos autos revela, de forma incontestável, que a INTENSIVIX MEDICINA INTENSIVA LTDA atuava como empresa interposta em típica triangulação de serviços médicos. Os hospitais contratantes necessitavam de profissionais para atender seus pacientes nas unidades de terapia intensiva, mas optaram por não estabelecer vínculos diretos com os médicos, evitando assim os encargos trabalhistas e previdenciários decorrentes das relações de emprego. A INTENSIVIX interpunha-se formalmente entre os hospitais e os médicos, faturando os serviços Fl. 2363DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.666 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15586.720254/2018-19 10 prestados aos primeiros e remunerando os segundos sob a roupagem artificial de distribuição de lucros isentos. Os médicos prestavam pessoalmente os serviços nas dependências dos hospitais, seguindo escalas de plantão, mas recebiam seus pagamentos formalmente classificados como lucros, evitando assim a incidência do imposto de renda e das contribuições previdenciárias que incidiriam sobre rendimentos do trabalho. Tal estruturação configura típica simulação no sentido técnico-jurídico do termo, caracterizada pela divergência intencional entre a vontade declarada e a vontade real, com o propósito de produzir efeito jurídico diverso daquele que corresponderia à real natureza do negócio realizado. O art. 167 do Código Civil dispõe expressamente que é nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. Aplicando tal dispositivo ao caso concreto, conclui-se que o negócio jurídico aparente, consistente na distribuição de lucros societários, é nulo por simulação, subsistindo o negócio dissimulado, qual seja, a remuneração de serviços médicos prestados sob a forma de trabalho autônomo. O art. 118, I, do Código Tributário Nacional consagra o princípio da primazia da substância sobre a forma ao determinar que a definição legal do fato gerador deve ser interpretada abstraindo-se da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes. Tal dispositivo expressa a diretriz fundamental do direito tributário brasileiro de que a tributação deve recair sobre a realidade econômica subjacente aos negócios jurídicos, independentemente da roupagem formal que lhes seja atribuída. A incidência tributária não se determina pela forma jurídica escolhida pelos particulares, mas sim pela efetiva natureza econômica da operação realizada. Pouco importa, portanto, que os pagamentos tenham sido formalmente classificados como distribuição de lucros se sua natureza econômica real corresponde à remuneração de serviços prestados. Nesse contexto, a reclassificação dos rendimentos promovida pela fiscalização não constitui desconsideração arbitrária da forma jurídica escolhida pelo contribuinte, mas sim adequação da tributação à realidade dos fatos comprovadamente verificados. Os valores recebidos pelo recorrente não eram lucros porque não foram apurados segundo a periodicidade legal, não foram contabilizados de forma regular, não correspondem a resultado societário efetivamente apurado segundo as normas contábeis e fiscais aplicáveis, foram calculados em função de horas trabalhadas e incluíram pagamentos realizados quando o beneficiário sequer ostentava a condição de sócio. Constituíam, isso sim, típica remuneração por serviços médicos prestados pessoalmente pelo profissional nas dependências dos hospitais contratantes, subsumindo-se perfeitamente à hipótese de incidência do imposto de renda da pessoa física prevista no art. 43 do Código Tributário Nacional. O recorrente não logrou demonstrar, nem em sua impugnação nem no recurso voluntário, a existência de efetiva estrutura operacional da INTENSIVIX que justificasse sua caracterização como empresa prestadora de serviços médicos. Não comprovou que a sociedade possuía instalações próprias, equipamentos médicos, corpo administrativo, gestão empresarial autônoma ou qualquer outro elemento que a diferenciasse de mera entidade formal constituída Fl. 2364DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.666 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15586.720254/2018-19 11 para intermediar a relação entre hospitais e médicos. Limitou-se a argumentar genericamente sobre a existência de receitas e despesas, sem demonstrar que tais movimentações correspondiam a atividade empresarial genuína e não apenas ao fluxo financeiro decorrente da intermediação de serviços prestados pessoalmente pelos sócios. A existência de receitas auferidas pela pessoa jurídica não implica necessariamente a caracterização de lucros distribuíveis aos sócios. As receitas constituem mero ingresso patrimonial que pode ter as mais diversas naturezas e destinações. Para que configure lucro societário passível de distribuição com o benefício da isenção tributária, é indispensável que o ingresso decorra de atividade empresarial efetivamente desenvolvida pela sociedade, seja adequadamente contabilizado segundo as normas aplicáveis, resulte em acréscimo patrimonial líquido após dedução de todas as despesas e custos operacionais, e seja formalmente distribuído aos sócios mediante deliberação societária regular. Nenhum desses requisitos foi adequadamente comprovado nos autos. Quanto à omissão de rendimentos, a infração resta configurada de forma ainda mais evidente. O recorrente declarou em sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2013, referente ao ano-calendário 2012, o recebimento de R$ 267.429,25 a título de rendimentos isentos e não tributáveis. Todavia, os comprovantes de transferências bancárias por ele próprio apresentados em atendimento à intimação fiscal demonstram o recebimento de R$ 394.701,39 no mesmo período. A diferença de R$ 127.272,14 constitui omissão de rendimentos, ainda que se admitisse, apenas para argumentar, que os valores recebidos pudessem ser caracterizados como distribuição de lucros isentos, o que não é o caso. O contribuinte não ofereceu qualquer explicação razoável para tal discrepância, limitando-se a alegar genericamente que declarou os valores constantes dos comprovantes de rendimentos emitidos pela fonte pagadora. Para o ano-calendário 2013, a situação é ainda mais grave. O recorrente declarou o recebimento de meros R$ 12.531,75 a título de rendimentos isentos, quando os comprovantes bancários demonstram o recebimento de R$ 90.399,34, configurando omissão de R$ 77.867,59. A magnitude da discrepância e a ausência de justificativa plausível reforçam a conclusão de que houve deliberada omissão de rendimentos tributáveis, com o propósito de reduzir artificialmente a base de cálculo do imposto de renda devido. Relativamente à multa qualificada, o recorrente sustenta que não restou comprovado o elemento subjetivo doloso necessário à sua aplicação, argumentando que as irregularidades apontadas pela fiscalização decorreriam de equívocos formais na escrituração contábil da pessoa jurídica, pelos quais não poderia ser responsabilizado na condição de mero sócio. Alega ainda que a divergência interpretativa sobre a natureza jurídica dos valores recebidos não configuraria fraude ou sonegação, mas apenas entendimento diverso sobre questão complexa e controvertida. Os arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 definem as hipóteses de sonegação, fraude e conluio que autorizam a aplicação da multa qualificada, exigindo a comprovação de atos Fl. 2365DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.666 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15586.720254/2018-19 12 comissivos ou omissivos dolosos praticados com o objetivo de suprimir ou reduzir tributo. O dolo pode ser comprovado mediante indícios objetivos que revelem a inequívoca intenção fraudulenta, não sendo necessária a demonstração do elemento psicológico interno do agente. Basta que as circunstâncias objetivas do caso concreto sejam tais que a única explicação razoável para a conduta seja a intenção de fraudar o fisco. No caso dos autos, os elementos probatórios coligidos demonstram de forma inequívoca a presença do elemento subjetivo doloso. A constituição de empresa formalmente destinada a prestar serviços médicos mas que na realidade atuava como mera intermediária entre hospitais e médicos, permitindo a todos os envolvidos evitar os encargos trabalhistas e tributários decorrentes das relações laborais, caracteriza típica simulação fraudulenta. A realização de pagamentos a pessoas que não integravam o quadro societário sob o rótulo de distribuição de lucros constitui artifício grosseiro destinado a ocultar a natureza tributável dos rendimentos. A deliberada falta de individualização dos beneficiários nos lançamentos contábeis impedia a fiscalização de identificar precisamente quem recebeu cada pagamento, dificultando a apuração das infrações. A recusa injustificada em apresentar as escalas de plantão dos médicos quando regularmente intimada pela fiscalização configura obstrução deliberada ao trabalho fiscal, destinada a ocultar a prova de que os valores pagos guardavam correlação direta com os serviços prestados. A apuração mensal de resultado em desconformidade com a legislação fiscal e a manutenção de escrituração contábil estruturalmente viciada não constituem meros erros formais, mas sim sistemática desvirtuação das normas contábeis e fiscais com o propósito de legitimar aparentemente uma distribuição irregular de lucros. A declaração de endereço fictício da empresa, posteriormente desmentida pelo próprio hospital que supostamente lhe cederia espaço, evidencia a intenção de criar aparência formal de empresa operacional quando na realidade se tratava de mera entidade de papel. O recorrente não era simples sócio de empresa regularmente constituída que incorreu em equívocos formais na escrituração contábil, era médico que prestava pessoalmente serviços nas dependências de hospitais, recebia remuneração mensal proporcional às horas trabalhadas, mas ocultava a natureza tributável de tais rendimentos mediante a interposta de empresa simulada que formalmente distribuía lucros isentos. Tinha pleno conhecimento de que os valores recebidos correspondiam a remuneração por serviços prestados e não a participação nos resultados de atividade empresarial genuína. A sofisticação da estrutura montada, longe de afastar a configuração de dolo, reforça a conclusão de que houve planejamento deliberado destinado a fraudar o fisco mediante a criação de aparência formal divorciada da realidade econômica subjacente. A circunstância de que o recorrente declarou os valores recebidos em sua declaração de ajuste anual não elide a configuração de dolo. No caso concreto, considerando todo o lastro probatório apresentado pela fiscalização, a declaração dos valores sob rubrica incorreta não constitui simples erro de preenchimento, mas deliberada classificação equivocada destinada a Fl. 2366DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.666 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15586.720254/2018-19 13 evitar a tributação devida. Ademais, conforme já demonstrado, o recorrente nem sequer declarou a integralidade dos valores recebidos, omitindo expressiva parcela de seus rendimentos, o que não se compatibiliza com a alegada boa-fé. Assim, a multa qualificada deve ser mantida. Contudo, deve ser aplicada de ofício a regra mais benéfica introduzida pela Lei nº 14.689/2023, que alterou o § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/96. A nova redação estabelece que o percentual da multa será majorado nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 para 100% (cem por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto, reservando o percentual de 150% apenas para casos de reincidência do sujeito passivo. Tendo em vista o princípio da retroatividade da legislação mais benéfica, previsto no artigo 106, II, c, do CTN, deve ser aplicada a nova redação, reduzindo-se a multa qualificada ao percentual de 100%. Por fim e para que não restem dúvidas, vale notar que a Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção analisou dois processos envolvendo a INTENSIVIX MEDICINA INTENSIVA LTDA e, por unanimidade negou provimento ao recurso voluntário do contribuinte. A ementa adotada nos julgados é esclarecedora: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ESCRITA CONTÁBIL. IRREGULARIDADES. DESCONSIDERAÇÃO Cabe desconsideração da escrita contábil uma vez apuradas várias irregularidades extrínsecas e intrínsecas, ficando comprovadas discrepâncias relevantes de data e valor entre a contabilidade, os recibos, os comprovantes de transferência bancária e as faturas de prestação de serviço ATOS CONSTITUTIVOS. ALTERAÇÃO CONTRATUAL. EFEITOS. REGISTRO. Os documentos relativos à constituição, alteração, dissolução e extinção das sociedades devem ser apresentados para registro no prazo de trinta dias contados da sua assinatura, a cuja data retroagirão os seus efeitos. Se forem apresentados fora desse prazo, o registro somente produzirá efeito a partir da data da sua concessão. LUCROS DISTRIBUÍDOS. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA. Incide contribuição previdenciárias sobre os valores totais pagos ou creditados aos sócios e não sócios, com afronta ao Contrato Social e quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social. SIMULAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. MULTA QUALIFICADA. REDUÇÃO Fl. 2367DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.666 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15586.720254/2018-19 14 Aplica-se aos atos não definitivamente julgados a regra que comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática se aplica de forma retroativa. RESPONSABILIDADE SÓCIO ADMINISTRADOR. EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS. APLICABILIDADE. O sócio administrador da pessoa jurídica está sujeito a responder pessoalmente com o seu patrimônio pela totalidade dos créditos tributários decorrentes dos atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. (PAF nº 15586.720024/2017-79, Acórdão nº 2102-004.013, Sessão de 05/11/2025, Conselheiro Relator Carlos Marne Dias Alves) 4. Conclusão Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar e dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa qualificada ao patamar de 100%, nos termos da Lei nº 14.689/2023. Assinado Digitalmente Roberto Junqueira de Alvarenga Neto Fl. 2368DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10183.726764/2015-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. SÚMULA CARF Nº. 180.
Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes.
Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos.
Numero da decisão: 2101-003.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Assinado Digitalmente
Ana Carolina da Silva Barbosa – Relatora
Assinado Digitalmente
Mário Hermes Soares Campos – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Heitor de Souza Lima Junior, Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Débora Fófano dos Santos, Silvio Lucio de Oliveira Junior, Ana Carolina da Silva Barbosa, Mario Hermes Soares Campos (Presidente).
Nome do relator: ANA CAROLINA DA SILVA BARBOSA
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APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. SÚMULA CARF Nº. 180. Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Ana Carolina da Silva Barbosa – Relatora Fl. 70DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.627 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.726764/2015-76 2 Assinado Digitalmente Mário Hermes Soares Campos – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Heitor de Souza Lima Junior, Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Débora Fófano dos Santos, Silvio Lucio de Oliveira Junior, Ana Carolina da Silva Barbosa, Mario Hermes Soares Campos (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 52/65) interposto por CARLOS DE OLIVEIRA CESAR em face do Acórdão nº. 09-65.341 (e-fls. 40/45), que julgou a Impugnação improcedente. O presente processo, trata de Notificação de Lançamento de e-fls. 29/34, para cobrança do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), exercício 2013, ano-calendário 2012, que resultou em imposto suplementar, no valor de R$ 8.409,50, acrescido dos juros de mora e multa de ofício. O lançamento de ofício decorreu de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte, tendo sido constatadas: dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 30.580,00, informada como paga à Filomena Cristina Ribeiro Alves, fisioterapeuta, pelas seguintes razões: Não foram consideradas seguintes despesas médicas: - FILOMENA CRISTINA RIBEIRO ALVES BARROS DA COSTA, Fisioterapeuta, valor total R$ 30.580,00 - motivos: Consta no recibo que a pessoa física beneficiada pelos serviços prestados é a emitente, não consta a indicação do paciente e descrição genérica dos serviços prestados. Tais exigências decorrem de lei e se justificam, também, por se tratar de despesas de valor expressivo, as quais ensejam, necessariamente, maior comprovação da despesa incorrida, inclusive com a apresentação de elementos complementares ao recibo de pagamento, tais como exames, prescrição médica indicando o tratamento e comprovantes do efetivo desembolso (cheques, extrato bancário, fatura do cartão de crédito, etc). Conforme artigo 73 do regulamento do Imposto de renda todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora e se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a anuência do contribuinte (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Fl. 71DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.627 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.726764/2015-76 3 Cientificado do lançamento em 20/10/2015 (AR às e-fls. 35), o contribuinte apresentou impugnação em 09/11/2015, acompanhada de documentos que comprovariam as deduções glosadas. Sobreveio o julgamento e foi proferido o 09-65.341 (e-fls. 40/45), não ementado, mantendo as glosas de despesas, tendo em vista que a mera apresentação de recibos sem os requisitos mínimos e ausência de comprovação dos pagamentos. A intimação do resultado do julgamento foi encaminhada ao sujeito passivo pela via postal, e recebida em seu endereço em 24/04/2019, conforme AR (e-fls. 67). Em 16/05/2019, foi juntado aos autos Recurso Voluntário (e-fls. 52/65), reiterando as alegações de reconsideração das glosas realizadas. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não foram apresentadas contrarrazões. É o relatório. VOTO Conselheira Ana Carolina da Silva Barbosa, Relatora 1. Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, deve ser conhecido. 2. Mérito O recorrente reitera os pedidos de cancelamento da glosa sem trazer quaisquer outros documentos comprobatórios além do recibo emitido pela profissional fisioterapeuta. Como visto, a autoridade lançadora solicitou a apresentação de comprovantes complementares, tendo em vista que os recibos não continham informações básicas sobre beneficiário do tratamento, tipo do tratamento, ou comprovação do efetivo desembolso. Contudo, em suas defesas apresentadas posteriormente, o sujeito passivo não apresentou os comprovantes de efetivo pagamento (desembolso) para as despesas médicas, nem complementou os recibos com a confirmação de que teria sido ele mesmo o paciente. A decisão de piso manteve as glosas pelas mesmas razões, em decisão fundamentada, com a qual concordo e adoto como minhas razões de decidir: Das Despesas Médicas: Fl. 72DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.627 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.726764/2015-76 4 Sobre a glosa das despesas médicas, necessário se faz transcrever a legislação que trata do assunto, na espécie, o art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) vigente, cuja matriz legal é o art. 8º, inciso II, alínea “a”, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, que dispõe: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a").(g.n.)§ 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza;(g.n.)II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes;(g.n.)III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (g.n.) Conforme se depreende do dispositivo legal transcrito, cabe ao beneficiário das deduções apresentar documentos de que realmente efetuou o pagamento no valor pleiteado como despesa, bem assim provar a época em que o gasto ocorreu, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, no período assinalado. Tais documentos devem ser fornecidos por estabelecimentos de saúde ou profissionais elencados no caput do art. 80 do RIR/1999, legalmente habilitados, e, mais, devem neles constar todos os requisitos estabelecidos também pelo citado art. 80, §1º - incisos II e III, anteriormente transcrito. Da análise dos autos, vê-se que nos recibos apresentados à fiscalização eram faltosos alguns dos requisitos legalmente exigidos. Tais falhas ainda que tenham sido sanadas parcialmente, não tornam os recibos suficientes para a comprovação da despesa médica declarada. Percebe-se que a autoridade lançadora motivou o lançamento pela falta de comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas. Esta relatora, em outro processo do contribuinte, relativo ao exercício 2010, teve o entendimento de que a correção das falhas nos recibos seria suficiente para que a despesas médicas fossem acatadas. No entanto, tendo em vista a dedução, reiterada, de valores elevados a título de despesa médica e, ainda, como o mesmo profissional, entendo que deve ser retificado o entendimento ali exposto, devendo haver a comprovação adicional que foi requerida pela autoridade lançadora, conforme consta na Notificação de Lançamento anexa aos autos. Fl. 73DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.627 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.726764/2015-76 5 É certo que os interessados em aproveitar despesas médicas como dedução da base de cálculo do IRPF devem ter o cuidado em exigir dos prestadores de serviços o documento hábil e seu perfeito preenchimento, ou seja, com todos os requisitos anteriormente elencados; caso contrário, se apresentarem para análise fiscal documentos sem as exigências da lei tributária ficam sujeitos às suas desconsiderações. Em princípio, admite-se como prova de pagamento os recibos fornecidos por profissionais competentes, legalmente habilitados, desde que neles constem os requisitos estabelecidos no art. 80, § 1º, incisos II e III, do RIR/1999, anteriormente transcrito. Contudo, o mesmo Regulamento, em seu art. 73, § 1º, estabelece: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º).(g.n.)§ 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Assim, existindo dúvida quanto à efetividade dos gastos declarados, especialmente quando há irregularidades nos documentos comprobatórios oferecidos ou se suspeita serem exagerados, a legislação tributária permite que a autoridade tributária não acate simples recibos como provas suficientes para evidenciar as efetivas realizações de tais gastos, podendo, a seu juízo, visando formar sua convicção, solicitar elementos adicionais que demonstrem de modo absoluto a veracidade do pleito declarado. Exige-se nesses casos, então, a comprovação da prestação dos serviços e, principalmente, da efetiva realização dos pagamentos correspondentes, pois é o que realmente importa. Para a comprovação da efetividade dos pagamentos sugere-se: cópias de cheques fornecidas pela instituição bancária, comprovantes de depósitos na conta do prestador dos serviços, comprovantes de transferências eletrônicas de fundos, transferências interbancárias, comprovantes de transmissão de ordens de pagamentos, e, no caso de pagamentos efetuados em dinheiro, extratos bancários que demonstrem a realização de saques em datas e valores coincidentes ou aproximados aos pagamentos em questão, podendo também o interessado apresentar outros que julgar conveniente, desde que surtam os devidos efeitos legais. No que concerne ao ônus da prova, é regra geral no direito que cabe a quem alega. Entretanto, a lei também pode determinar a quem caiba a incumbência de provar determinado fato. É o que ocorre no caso das deduções. A legislação tributária estabeleceu expressamente que o contribuinte pode ser instado a comprová-las ou justificá-las, deslocando para ele o ônus probatório. Fl. 74DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.627 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.726764/2015-76 6 Nesse sentido destaque-se os ensinamentos do mestre Antônio da Silva Cabral, em Processo Administrativo Fiscal, Ed. Saraiva, p. 298: Uma das regras que regem as provas consiste no seguinte: toda afirmação de determinado fato deve ser provada. Diz-se frequentemente: “a quem alega alguma coisa, compete prová-la”. [...] Em processo fiscal predomina o princípio de que as afirmações sobre omissão de rendimentos devem ser provadas pelo fisco, enquanto as afirmações que importem redução, exclusão, suspensão ou extinção do crédito tributário competem ao contribuinte.(g.n.) A inversão legal do ônus da prova, do Fisco para o contribuinte, transfere para este a obrigação de comprovar e justificar as deduções e, não o fazendo, sofre as consequências legais, ou seja, o não cabimento dessas deduções, por falta de comprovação e justificação. Também importa dizer que o ônus de provar significa trazer elementos que não deixem qualquer dúvida quanto ao fato questionado. Por conseguinte, o ônus da prova das deduções é do contribuinte, pois foram por ele pleiteadas. Se a prova da dedução incumbe a quem interessa e este não a faz na forma legal exigida, se sujeita a sua desconsideração, e foi o que ocorreu nos autos como se verá adiante. À luz do exposto anteriormente, com destaque especial para o citado art. 73, tem- se que a autoridade administrativa, nos termos que lhe reserva e determina o art. 142 do CTN, age de forma vinculada, revestida da legalidade que norteia a sua atividade. Por certo, a legislação, em regra, estabelece a apresentação de recibos/nota fiscal, como forma de comprovação das despesas médicas, a teor do que dispõe o art. 80, § 1º, III, do RIR/1999, mas não restringe a ação fiscal apenas a esse exame, numa visão sistêmica da legislação tributária. Portanto, sempre que a autoridade lançadora assim entender, a exigência de outros elementos comprobatórios, além dos recibos, é perfeitamente legal, especialmente com o fito de deixar evidenciada a efetividade das transferências dos recursos entre paciente e profissional da área de saúde. Repise-se a prova definitiva e incontestável das despesas médicas, de acordo com a motivação do lançamento, deve ser feita com a apresentação de documentos que comprovem a efetividade do pagamento, cabendo salientar que, ao se fazer pagamentos de despesas onde se pleiteará, a posteriori, a dedução para fins de cálculo do imposto de renda a pagar ou a restituir, o contribuinte tem que se cercar de precauções para a eventualidade de comprovação. Sobre a matéria, destaque-se a jurisprudência do Conselho de Contribuintes nos acórdãos cujas ementas abaixo se transcrevem: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS - COMPROVAÇÃO - A validade da dedução de despesas médicas, quando impugnadas pelo Fisco, depende da comprovação do efetivo pagamento e/ou da prestação dos serviços.(Ac.104-22781, 4ª Câmara, 1º Fl. 75DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.627 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.726764/2015-76 7 C.C., Data da Sessão 18/10/2007). No mesmo sentido: Ac. 104-22755, Data da Sessão 18/10/2007; Ac. 104-23092, Data da Sessão 06/03/2008, Ac. 104-23.035, Data da Sessão 05/03/08. DEDUÇÃO - DESPESAS MÉDICAS - Recibos ou notas fiscais, mesmo que emitidos nos termos exigidos pela legislação, não comprovam, por si só, sem outros elementos de prova complementares, pagamentos realizados por serviços médicos ou odontológicos, quando há dúvidas sobre a efetividade da sua prestação. Nessa hipótese, justifica-se a exigência, por parte do Fisco, de elementos adicionais para a comprovação da efetividade da prestação dos serviços e/ou do pagamento. (Ac. 1º CC 104-23311/2008)IRPF - GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS - À luz do artigo 29 do Decreto 70.235 de 1972, na apreciação de provas a autoridade julgadora tem a prerrogativa de formar livremente sua convicção. Correta a glosa de valores deduzidos a título de despesas odontológicas, com cirurgião plástico e com psicóloga, cuja efetividade dos serviços e o pagamento não foram comprovados. (Ac. 102-48510/2007). Concluindo, deve ser mantida a glosa da despesa médica, no valor total de R$ 30.580,00. Vale ressaltar o teor da Súmula CARF 180: “para fins de comprovação de despesas médicas, a apresentação de recibos não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais”. Portanto, ao contrário do que alega o Recorrente, a autoridade fiscal tem legitimidade e permissão para exigir do sujeito passivo a apresentação de provas complementares para acolhimento das alegadas despesas médicas efetuadas, de modo a tornar a singela apresentação de recibos insuficiente, ainda que eles atendam aos requisitos formais previstos na legislação. Sem prejuízo da estrita observância à orientação sedimentada no enunciado da Súmula CARF 180, a permissão para a exigência de comprovação complementar é ato plenamente vinculado, isto é, cuja prática não pode ser discricionária. Como qualquer ato administrativo, a rejeição das alegadas despesas médicas deve ser fundamentada e motivada, razão pela qual, volta-se ao lançamento e ao Acórdão e vê-se que os atos apresentaram as razões que motivaram a necessidade de apresentação de outras provas para comprovar as despesas médicas. Portanto, o Recorrente poderia ter apresentado provas complementares ao recibos emitidos, comprovando os dispêndios com as consultas, como defendido em suas petições. Como não foram trazidos outros elementos probatórios, não há como se reconhecer as deduções com despesas médicas declaradas. 3. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 76DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.627 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.726764/2015-76 8 Assinado Digitalmente Ana Carolina da Silva Barbosa Fl. 77DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10640.722938/2015-97
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 09 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
A não comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem de recursos creditados em contas bancárias ou de investimentos, remete a presunção legal de omissão de rendimentos e autoriza o lançamento do imposto correspondente, conforme dispõe a Lei n° 9.430 / 1996.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF N° 26.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
CESSÃO DOS DIREITOS CREDITÓRIOS.
No caso de cessão dos direitos creditórios discutidos em juízo, do titular (cedente) para terceiro (cessionário), a diferença positiva entre o custo de aquisição dos direitos cedidos, ou seja, o montante pago pelo cessionário ao titular das ações, e o valor recebido em resultado da ação judicial, constitui ganho de capital sujeito à incidência do imposto sobre a renda. Para o cedente, constitui ganho de capital a diferença positiva entre o custo de aquisição dos direitos cedidos e o valor a ele pago pelo cessionário por ocasião da cessão. Nos dois casos, o ganho de capital deve ser apurado no mês em que for auferido, e tributado em separado, à alíquota de quinze por cento, não integrando a base de cálculo do imposto na Declaração de Ajuste Anual e não podendo o imposto pago ser deduzido do devido na declaração.
MULTA. CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF N° 02.
A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n° 2.
JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. SÚMULAS CARF Nº 04 E Nº 05.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2002-010.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário
Assinado Digitalmente
Marcelo Freitas de Souza Costa – Relator
Assinado Digitalmente
Marcelo de Sousa Sateles – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre Barros de Moura, Fernando Gomes Favacho, Luciana Costa Loureiro Solar, Marcelo Freitas de Souza Costa, Rafael de Aguiar Hirano, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente)
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A não comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem de recursos creditados em contas bancárias ou de investimentos, remete a presunção legal de omissão de rendimentos e autoriza o lançamento do imposto correspondente, conforme dispõe a Lei n° 9.430 / 1996. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF N° 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. CESSÃO DOS DIREITOS CREDITÓRIOS. No caso de cessão dos direitos creditórios discutidos em juízo, do titular (cedente) para terceiro (cessionário), a diferença positiva entre o custo de aquisição dos direitos cedidos, ou seja, o montante pago pelo cessionário ao titular das ações, e o valor recebido em resultado da ação judicial, constitui ganho de capital sujeito à incidência do imposto sobre a renda. Para o cedente, constitui ganho de capital a diferença positiva entre o custo de aquisição dos direitos cedidos e o valor a ele pago pelo Fl. 513DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.085 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10640.722938/2015-97 2 cessionário por ocasião da cessão. Nos dois casos, o ganho de capital deve ser apurado no mês em que for auferido, e tributado em separado, à alíquota de quinze por cento, não integrando a base de cálculo do imposto na Declaração de Ajuste Anual e não podendo o imposto pago ser deduzido do devido na declaração. MULTA. CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF N° 02. A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n° 2. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. SÚMULAS CARF Nº 04 E Nº 05. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário Assinado Digitalmente Marcelo Freitas de Souza Costa – Relator Assinado Digitalmente Marcelo de Sousa Sateles – Presidente Fl. 514DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.085 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10640.722938/2015-97 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre Barros de Moura, Fernando Gomes Favacho, Luciana Costa Loureiro Solar, Marcelo Freitas de Souza Costa, Rafael de Aguiar Hirano, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente) RELATÓRIO Trata-se de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Física, decorrente da constatação da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, referente ao exercício 2013. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (e-fls. 8/12), extrai-se que os valores creditados na conta de depósito mantida pelo sujeito passivo no ano de 2012, em conjunto com PAULO ANANIAS CAMPOS, excluindo-se os cheques devolvidos, os estornos e as transferências entre contas dos titulares, foram tratados como omissão de rendimentos. Considerando que a conta é conjunta e que não foi indicado o quinhão pertencente a cada um, os créditos/depósitos foram atribuídos à razão de 50% para cada cotitular. Após apresentação de impugnação por parte do contribuinte, foi proferido Acórdão n° 12-101-450 - 18ª TURMA da DRJ no Rio de Janeiro/RJ de e-fls. 135/145, a qual julgou procedente o lançamento. Inconformado com referida decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário (e-fls. 151/170), repisando às alegações da impugnação, motivo pelo qual adoto o relatório da DRJ: 1. O Auto de Infração ora impugnado decorre, única e exclusivamente, do ilícito acesso à conta corrente bancária do impugnante, independentemente da necessária e indispensável autorização judicial, fato incontroverso estampado na correspondente descrição dos fatos e enquadramento legal; 2. Cita diversas decisões judiciais e administrativas no intuito de corroborar os seus argumentos de defesa 3. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Foras se contenta com a hipótese aventada na lei, esquecendo-se de que toda e qualquer atuação administrativa deve ter esteio na legalidade motivada, ou seja, não basta apenas ter fundamento formal em lei, deve necessariamente estar acompanhada da efetiva demonstração da ocorrência dos fatos previstos em lei como indispensáveis a sua materialização; 4. O Lançamento foi elaborado independentemente da efetiva com provação da obtenção de renda tributável na medida em que depósitos bancários não revelam, por si sós, rendimentos tributáveis ante o incontroverso de que renda e proventos de qualquer natureza só abrangem os fatos que possam ser considerados como acréscimo patrimonial; Fl. 515DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.085 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10640.722938/2015-97 4 5. O Lançamento foi baseado exclusivamente em presunção independentemente da efetiva comprovação da obtenção de renda tributável, sendo certo que a detenção de dados bancários do contribuinte, sem autorização judicial prévia, constitui insuperável violação de direito fundamental, violação essa que macula originariamente o Auto de Infração, o tornando nulo; 6. Menciona a Súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos; 7. Fica registrado que o impugnante não autorizou a Delegacia da Receita Federal do Brasil a acessar os seus registros bancários do ano2012. Assim, denuncía a ilegalidade que constitui insuperável violação de direito fundamental previsto na Constituição Federal, violação essa que macúla o procedimento administrativo e o Auto de Infração; Ao fim requer que seja julgado totalmente improcedente o presente Auto de Infração, com o cancelamento da integralidade do crédito tributário. É o relatório. VOTO Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto dele conheço. PRELIMINAR Nulidade – Cerceamento Direito de Defesa O recorrente alegou, em sede preliminar, que ocorreu erro na capitulação legal da infração, devendo ser declarada nulo o lançamento. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pelo contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, conclui-se que o lançamento, corroborado pela decisão recorrida, apresenta-se formalmente incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. Resta evidenciada a legitimidade da ação fiscal que deu ensejo ao presente lançamento, cabendo ressaltar que se trata de procedimento de natureza indeclinável para o Agente Fiscalizador, dado o caráter de que se reveste a atividade administrativa do lançamento, que é vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, Fl. 516DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.085 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10640.722938/2015-97 5 determinar a matéria tributável, calcular o montante devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação de penalidade cabível. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com o presente lançamento. A simples leitura do Auto de Infração, “Termo de Verificação Fiscal”, “enquadramento legal” e demais informações fiscais, não deixa margem de dúvida recomendando a manutenção do lançamento. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover o lançamento demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhes suportaram, ou melhor, os fatos geradores do crédito tributário, não se cogitando na nulidade dos procedimentos. Mais a mais, a exemplo da defesa inaugural, o contribuinte não trouxe qualquer elemento de prova capaz de comprovar que os lançamentos se encontram maculados por vício em sua formalidade, escorando seu pleito em simples arrazoado desprovido de demonstração do sustentado. Destarte, é direito do contribuinte discordar com a imputação fiscal que lhe está sendo atribuída, sobretudo em seu mérito, mas não podemos concluir, por conta desse fato, isoladamente, que o lançamento não fora devidamente fundamentado na legislação de regência. O argumento de eventual erro do fato gerador, na eleição da base de cálculo e demais, se confundem com o mérito que iremos tratar posteriormente, como já dito, não ensejando em nulidade. Concebe-se que o auto de infração foi lavrado de acordo com as normas reguladoras do processo administrativo fiscal, dispostas nos artigos 9° e 10° do Decreto n° 70.235/72 (com redação dada pelo artigo 1° da Lei n° 8.748/93), não se vislumbrando nenhum vício de forma que pudesse ensejar nulidade do lançamento. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as hipóteses de nulidade são as previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, nos seguintes termos: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões preferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Logo, em face do exposto, rejeito a preliminar suscitada. MÉRITO Antes de adentrarmos a análise das infrações propriamente ditas, cabe esclarecer que o recorrente repisa todas as alegações da impugnação, inclusive renovando em seu recurso Fl. 517DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.085 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10640.722938/2015-97 6 voluntário seu inconformismo acerca da infração 001 relativa a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, a qual, foi considerada improcedente pela decisão de piso, senão vejamos: CONCLUSÃO 10. Ante o exposto e considerando tudo mais que consta nos autos, VOTO no sentido de: a) considerar procedente a impugnação em relação à infração 001 consignada no auto de infração (omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas), exonerando o crédito tributário correspondente, como acima demonstrado; Sendo assim, por perda de objeto, deixo de analisar as razões trazidas no recurso voluntário que já foram objeto de procedência por parte da DRJ. Dos Depósitos Bancários O contribuinte requer seja declarada a insubsistência da autuação, no que diz respeito a suposta omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada e, principalmente, por não estar evidenciado nos autos que ditos depósitos provocaram expressivos reflexos em sua situação patrimonial e financeira. Primeiramente é importante salientar que o contribuinte não discute, especificamente, nenhum valor ou depósito considerado pela autoridade fiscal, apenas questionando legislação, não sendo o bastante para reformular a decisão de piso, como passaremos a demonstrar. Em que pesem as razões ofertadas pelo contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, conclui-se que o lançamento, corroborado pela decisão recorrida, apresenta-se formalmente incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, senão vejamos: A tributação com base em depósitos bancários, a partir de 01/01/97, é regida pelo art. 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, publicada no DOU de 30/12/1996, que instituiu a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprovasse mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Confira-se: Art. 42, Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição . financeira, em relação aos quais o titular, pessoa _física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem Fl. 518DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.085 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10640.722938/2015-97 7 sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados. I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II - no caso de pessoa .física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 Oitenta mil reais) (Alterado pela Lei n" 9.481, de 13.897). § 4° Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será *tirada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(incluído pela Lei n°10.637, de 30.12.2002). § 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares' tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. ('Incluído pela Lei n°10637, de 30,12,2002). O fato gerador do imposto de renda é sempre a renda auferida. Os depósitos bancários (entrada de recursos), por si só, não se constituem em rendimentos. Daí por que não se confunde com a tributação da CPMF, que incide sobre a mera movimentação financeira, pela saída de recursos da conta bancária do titular. Por força do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, o depósito bancário foi apontado corno fato presuntivo da omissão de rendimentos, desde que a pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados na operação. Conforme destacado anteriormente, na presunção o legislador apanha um fato conhecido, no caso o depósito bancário e, deste dado, mediante raciocínio lógico, chega a um fato desconhecido que é a obtenção de rendimentos. A obtenção de renda presumida a partir de depósito bancário é um fato que pode ser verdadeiro ou falso, mas o legislador o tem corno verdadeiro, cabendo à parte que tem contra si presunção legal fazer prova em contrário. Neste sentido, não se pode ignorar que a lei, estabelecendo uma presunção legal de omissão de rendimentos, autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante Fl. 519DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.085 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10640.722938/2015-97 8 documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Em síntese, a lei considera que os depósitos bancários, de origem não comprovada, analisados individualizadamente, caracterizam omissão de rendimentos. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. A partir da vigência do artigo 42 da Lei n° 9,430, de 1996, os depósitos bancários deixaram de ser "modalidade de arbitramento" - que exigia da fiscalização a demonstração de gastos incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio a descoberto e sinais exteriores de riqueza), conforme interpretação consagrada pelo poder judiciário e por este Tribunal. A fim de consolidar o entendimento deste CARF sobre a matéria foi editada a Súmula de n° 26, com a seguinte redação: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. A contribuinte, durante o procedimento fiscal e no contencioso administrativo, não carreou prova que pudesse correlacionar os depósitos bancários com as alegações trazidas. Mais uma vez, repiso, a contribuinte nada se esforça ou argumenta sobre a comprovação dos numerários, ou seja, em relação aos depósitos efetuados na conta bancária não foram apresentados esclarecimentos convincentes e muito menos documentos hábeis e idôneos a demonstrar a origem de cada depósito bancário. A mera alegação de ausência de acréscimo patrimonial não é capaz de comprovar a origem dos depósitos, ou seja, o auditor solicita a comprovação específica de cada depósito, cabendo ao contribuinte contrapor da mesma forma. Destarte, não tendo sido apresentados argumentos e comprovantes capazes de ilidi-la, é de se manter a omissão de rendimentos tributáveis, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Do Ganho de Capital Neste ponto, tendo em vista que o recorrente transcreve, em seu recurso, ipsis litteris, a sua impugnação, enxertando apenas alguns comentários sobre a decisão recorrida, opto por reproduzir no presente voto, as razões de decidir da decisão de primeira instância, com as quais concordo e mantenho em sua integralidade. É de se ver: 6. Conforme já relatado no TVF, a Instituição Financeira (cedente) e o fiscalizado Jorge Ivan Cassaro (cessionário) assinaram termo de acordo judicial de sub- rogação convencional da integralidade do crédito no valor de R$ 5.813.537,67 em 08 de agosto de 2012, pelo qual o credor sub-rogado ao Itaú Unibanco S/A o valor de R$ 988.301,40 pela integralidade do crédito com valor de face de R$ 5.813.537,67, tendo recebido do cedido (Claudina Indústria de Calçados Ltda e Fl. 520DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.085 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10640.722938/2015-97 9 Pedro Bianco Filho) o bem imóvel localizado na av. Isaltino no Amaral Carvalho, 1035, Jaú, adjudicado pelo valor de R$ 1.657.377,00 em 08 de novembro de 2012. Verifica-se nos autos que o Banco Itaú Unibanco S/A era o titular da Execução de Titulo Extrajudicial (processo 302.01.2011.007579-0), no valor de R$ 4.763.506,08, movida contra a pessoa jurídica Claudina Indústria de Calçados Ltda, o qual era decorrente de celebração de uma Cédula de Crédito Bancário/Empréstimo para Capital de Giro que não foi adimplida (fls. 137/139). Parte desse crédito estava garantida por hipoteca cedular de primeiro grau, relativa ao imóvel em questão (fls. 176/177), o qual foi objeto de penhora em 13/10/2011 (fls. 196), tendo sido posteriormente avaliado em R$ 1.657.377,00 (fls. ). Após a celebração de um acordo homologado em fls. 258, foi requerida, e deferida, a adjudicação do imóvel (fls. 251/257 e 274) ao cessionário, ora impugnante, que o declarou em sua DIRPF 2013, pelo valor de avaliação de R$ 1.657.377,00. Trata-se, portanto, de apuração de ganho de capital em decorrência de cessão de direitos, que teria sido omitida, cingindo-se a controvérsia sobre se se tratou de um alienação a prazo, como pretende a autoridade autuante, ou se ocorreu o recebimento de apenas parte do crédito, consubstanciado numa adjudicação imobiliária, como pretende o impugnante. O negócio jurídico cessão de crédito, como ensina o professor Silvio Rodrigues, em sua obra Direito Civil, “... encontra justificativa no fato de o crédito se apresentar como um bem de caráter patrimonial e capaz, portanto, de ser negociado. Da mesma maneira que os bens materiais, móveis ou imóveis, têm valor de mercado onde alcançam um preço, assim também os créditos, que representam promessa de pagamento futuro, podem ser objeto de negócio, pois sempre haverá quem por eles ofereça certo valor. A cessão desempenha, quanto aos créditos, papel idêntico ao da compra e venda, quanto aos bens corpóreos.” (Ed. Saraiva, vol. 4, 9ª edição, 1995, pág. 297). Ademais, conforme o entendimento doutrinário, pode-se afirmar que a cessão de crédito onerosa é um negócio jurídico abstrato distinto da obrigação cedida, o qual tem a função, em regra, especulativa. Há especulação econômica porquanto o cessionário (credor substituto do crédito – novo pólo ativo da relação obrigacional) paga ao cedente valor menor do que o nominal do título (deságio em relação ao valor de face), no intuito de obter ganho financeiro em relação ao valor pago por ele ao cedente, quando do adimplemento da obrigação pelo devedor (cedido). Por sua vez, o cedente do crédito, em vez de aguardar o fim da execução, recebe antecipadamente do cessionário valor inferior ao valor nominal do título (ou seja, com deságio), satisfazendo-se por tal antecipação financeira. Com isso, o cedente pretende ter um ganho pelo recebimento antecipado, ainda que com deságio, em função do tempo de aguardo para o recebimento do título (precatório). Portanto, há um negócio jurídico oneroso distinto da obrigação objeto da relação processual. Fl. 521DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.085 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10640.722938/2015-97 10 O imposto de renda tem como fato gerador a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda. Incluem-se aí os ganhos de capital. Veja-se, a propósito que o art. 1º da Lei nº 7.713, de 1988, estatui que: (...) Assim, o cessionário, que se sub-roga no crédito do cedente, que para ele transfere todos os direitos, inclusive os acessórios do crédito (Código Civil - Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, arts. 286, 287, 347 e 348), no momento do recebimento dos valores correspondentes ao direito de crédito cedido, auferirá ganho de capital sujeito à incidência do imposto sobre a renda. O ganho de capital em questão corresponde, na inteligência do art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 84, de 11 de outubro de 2001, à diferença positiva entre o custo de aquisição dos direitos cedidos, ou seja, o montante pago pelo cessionário ao titular da execução pela cessão dos direitos dela decorrente, objeto da ação judicial promovida em face da cedida, e o valor recebido resultante da execução decorrente da ação judicial em questão. Tal ganho, na dicção do art. 21 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, será apurado no mês em que for auferido, e tributado em separado, à alíquota de quinze por cento, não integrando a base de cálculo do imposto na Declaração de Ajuste Anual e não podendo o imposto pago ser deduzido do devido na declaração. Na mesma direção é o entendimento da Divisão de Tributação da Superintendência da 8a Região desta RFB: (...) Portanto, por ocasião do recebimento do crédito, o cessionário apurará o ganho de capital considerando como valor de alienação o valor líquido recebido do devedor, isto é, após excluídas as deduções legais (no caso, a despesa com advogado do cedente não tem previsão legal, conforme § 5º, do art. 123 do RIR/99). Considera-se como custo de aquisição o valor pago ao cedente, quando da aquisição da cessão de direitos da execução, proporcionalmente ao valor das parcelas a que se refere a cessão (No caso, a 28,5% de R$ 988.301,40). Entendo que as razões adotadas pela decisão de piso são suficientemente claras e sólidas, não tendo a parte se desincumbindo do ônus de demonstrar a fragilidade da acusação fiscal. Correta, pois, a exigência tributária decorrente da apuração do ganho de capital obtido no negócio jurídico de cessão de crédito referido. Da Multa Confiscatória No que se refere a multa aplicada, entendo que a decisão de piso não merece reparo, tendo sido observado os dispositivos legais e no percentual estabelecido por Lei. Fl. 522DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.085 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10640.722938/2015-97 11 Quanto ao alegado caráter confiscatório, aplica-se o disposto na Súmula CARF n° 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Da Taxa Selic Sobre esse tema, há que se observar o entendimento consolidado nas Súmulas CARF nº 4 e nº 5, com efeito vinculante em relação à Administração Tributária Federal: Súmula CARF n° 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Súmula CARF nº 5 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário para rejeitar a preliminar e, no mérito, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 523DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 13227.900987/2009-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONFLITO DE INTERESSES. DILIGÊNCIA FISCAL. RECONHECIMENTO ADMINISTRATIVO SUPERVENIENTE. HOMOLOGAÇÃO.
A compensação tributária, como modalidade de extinção do crédito tributário, pressupõe a existência de crédito líquido e certo, oponível à Fazenda Pública, cuja legitimidade se submete ao controle da Administração Tributária.
Enquanto subsiste divergência entre a afirmação creditória da contribuinte e a resistência fiscal, justifica-se a instauração e o prosseguimento do contencioso administrativo. Reconhecida administrativamente a existência do crédito, seja na forma de pagamento indevido, seja como saldo negativo, resta superado o conflito que fundamenta a lide.
À luz do princípio da verdade material e da restituição integral do indébito, impõe-se o reconhecimento do direito creditório, com a consequente homologação da compensação transmitida, observado o limite do crédito reconhecido na diligência fiscal.
Numero da decisão: 1201-007.453
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-007.445, de 27 de fevereiro de 2026, prolatado no julgamento do processo 13227.900976/2009-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
Nilton Costa Simões – Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Isabelle Resende Alves Rocha, Lucas Issa Halah, Marcelo Antonio Biancardi, Raimundo Pires de Santana Filho, Renato Rodrigues Gomes, Nilton Costa Simões (Presidente).
Nome do relator: NILTON COSTA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONFLITO DE INTERESSES. DILIGÊNCIA FISCAL. RECONHECIMENTO ADMINISTRATIVO SUPERVENIENTE. HOMOLOGAÇÃO. A compensação tributária, como modalidade de extinção do crédito tributário, pressupõe a existência de crédito líquido e certo, oponível à Fazenda Pública, cuja legitimidade se submete ao controle da Administração Tributária. Enquanto subsiste divergência entre a afirmação creditória da contribuinte e a resistência fiscal, justifica-se a instauração e o prosseguimento do contencioso administrativo. Reconhecida administrativamente a existência do crédito, seja na forma de pagamento indevido, seja como saldo negativo, resta superado o conflito que fundamenta a lide. À luz do princípio da verdade material e da restituição integral do indébito, impõe-se o reconhecimento do direito creditório, com a consequente homologação da compensação transmitida, observado o limite do crédito reconhecido na diligência fiscal.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2026-04-06T12:26:31Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-04-06T12:26:31Z; Last-Modified: 2026-04-06T12:26:31Z; dcterms:modified: 2026-04-06T12:26:31Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-04-06T12:26:31Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-04-06T12:26:31Z; meta:save-date: 2026-04-06T12:26:31Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-04-06T12:26:31Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-04-06T12:26:31Z; created: 2026-04-06T12:26:31Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2026-04-06T12:26:31Z; pdf:charsPerPage: 1764; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-04-06T12:26:31Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 13227.900987/2009-06 ACÓRDÃO 1201-007.453 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 27 de fevereiro de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE DONADONI & HARTAMANN LTDA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONFLITO DE INTERESSES. DILIGÊNCIA FISCAL. RECONHECIMENTO ADMINISTRATIVO SUPERVENIENTE. HOMOLOGAÇÃO. A compensação tributária, como modalidade de extinção do crédito tributário, pressupõe a existência de crédito líquido e certo, oponível à Fazenda Pública, cuja legitimidade se submete ao controle da Administração Tributária. Enquanto subsiste divergência entre a afirmação creditória da contribuinte e a resistência fiscal, justifica-se a instauração e o prosseguimento do contencioso administrativo. Reconhecida administrativamente a existência do crédito, seja na forma de pagamento indevido, seja como saldo negativo, resta superado o conflito que fundamenta a lide. À luz do princípio da verdade material e da restituição integral do indébito, impõe-se o reconhecimento do direito creditório, com a consequente homologação da compensação transmitida, observado o limite do crédito reconhecido na diligência fiscal. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-007.445, de 27 de fevereiro de 2026, prolatado no julgamento do processo 13227.900976/2009-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Fl. 106DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.453 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13227.900987/2009-06 2 Nilton Costa Simões – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Isabelle Resende Alves Rocha, Lucas Issa Halah, Marcelo Antonio Biancardi, Raimundo Pires de Santana Filho, Renato Rodrigues Gomes, Nilton Costa Simões (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que julgou o Pedido de Compensação apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao suposto crédito de CSLL. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, em síntese abaixo, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005 DECLARAÇAO DE COMPENSAÇAO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ONUS DA PROVA. Considera-se não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Frente a decisão desfavorável, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual renovou os argumentos apresentados na impugnação. Naquela oportunidade, juntou aos autos cópia dos registros contábeis da conta de ativo referente ao tributo a recuperar, Livro Diário, LALUR, bem como cópia do respectivo DARF. Ao ingressar neste Conselho, inicialmente, o processo foi convertido em diligência, promovendo a devolução dos autos à unidade de origem. A diligência fiscal teve por finalidade a elaboração de relatório acerca das informações e dos documentos anexados ao Recurso Voluntário, com manifestação conclusiva sobre a existência de crédito de CSLL. Em atenção ao princípio do contraditório, foi assegurado à Contribuinte prazo para se manifestar sobre o relatório de diligência fiscal. Ao fazê-lo, anuiu ao entendimento da unidade Fl. 107DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.453 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13227.900987/2009-06 3 de origem, admitindo que o crédito fosse apurado na forma de saldo negativo, e não mais como pagamento indevido ou a maior. Em síntese, este é o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade do recurso: O recurso voluntário foi interposto tempestivamente e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Por isso, passo ao seu conhecimento. Análise do direito creditório: A matéria devolvida a este Conselho insere-se no padrão recorrente dos litígios envolvendo compensação tributária, notadamente quanto à existência e à extensão do crédito invocado pela contribuinte. Até a realização da diligência fiscal, tal crédito não era reconhecido pela Administração Tributária, que, a partir desse marco, passou a admiti-lo na forma de saldo negativo. Enquanto modalidade de extinção do crédito tributário, expressamente prevista no art. 156, II, do CTN, a compensação pressupõe a existência de crédito líquido e certo em favor do contribuinte, passível de oposição à Fazenda Pública. A ausência de tais requisitos inviabiliza o encontro de contas pretendido pela contribuinte e legitima a atuação fiscal de controle. É justamente dessa exigência que emerge o conflito de interesses, elemento estruturante do processo administrativo fiscal. De um lado, o contribuinte afirma a titularidade de determinado crédito; de outro, a Administração exerce seu poder-dever de fiscalização, avaliando a legitimidade, a liquidez e a certeza dessa pretensão. Na medida em que subsiste essa divergência, justifica-se a instauração e o prosseguimento do contencioso. Todavia, uma vez reconhecido administrativamente o crédito, seja na forma de pagamento indevido, seja como saldo negativo, desaparece o antagonismo que dá causa ao processo, esvaziando- se sua própria razão de existir. No caso concreto, a controvérsia foi definitivamente solucionada a partir da produção de prova técnica, realizada após a conversão do julgamento em diligência. À luz do princípio da verdade material, que rege o contencioso administrativo, a autoridade fiscal revisitou os elementos fáticos e concluiu pela existência de saldo negativo em favor do contribuinte passível de quitação do débito transmitido na DCOMP nº 22984.58418.130804.1.3.04-0901. Fl. 108DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.453 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13227.900987/2009-06 4 O saldo negativo de IRPJ apurado no ano-calendário de 1999 totaliza R$ 464,49. Comprovado, assim, o direito líquido e certo em favor da Contribuinte, impõe-se o reconhecimento do crédito e a homologação da compensação, nos limites do valor apurado: Acórdão nº 1201001.983. Relator Luis Henrique Marotti Toselli COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO EMDILIGÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO Em face da confirmação do direito creditório por meio de diligência fiscal específica, a DCOMP deve ser homologada. Acórdão nº 1402-005.708. Relator Paulo Mateus Ciccone COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. LÍQUIDO E CERTO. HOMOLOGAÇÃO. Havendo comprovação de direito líquido e certo em favor do contribuinte, deve o mesmo ser reconhecido e a respectiva homologação da compensação efetuada. Uma vez reconhecido administrativamente o direito creditório, exaure-se a controvérsia submetida a este Colegiado. Não subsiste conflito a ser dirimido, restando apenas a verificação da regularidade das compensações efetuadas. Tese Fixada: A presente demanda foi selecionada por este Conselho como representativa da controvérsia, com fundamento no art. 87 do RICARF, diante da multiplicidade de recursos que versam sobre idêntica questão de fato e de direito que envolvem a mesma contribuinte: Art. 87. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando- se a competência e a tramitação prevista no art. 86. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, será formado lote de recursos repetitivos e, dentre esses, definido como paradigma o recurso mais representativo da controvérsia. Esse modelo decisório atende aos princípios da segurança jurídica e da isonomia, ao assegurar que situações equivalentes recebam tratamento uniforme. Além disso, promove eficiência administrativa e estabilidade interpretativa, reduzindo a litigiosidade e prevenindo soluções contraditórias no âmbito do próprio Colegiado. À vista das razões fáticas e jurídicas expostas neste voto, proponho a fixação da seguinte tese para resolução dos processos afetados: I. Reconhecer ao contribuinte o crédito pleiteado na modalidade de saldo negativo de IRPJ, referente ao ano-calendário de 1999, no montante total de R$ 464,49 (quatrocentos e sessenta e quatro reais e quarenta e nove centavos), conforme apurado nos autos. II. Determinar que o crédito reconhecido seja inicialmente imputado ao débito vinculado ao processo paradigma. Eventual saldo remanescente deverá Fl. 109DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.453 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13227.900987/2009-06 5 observar, para fins de compensação, a ordem cronológica de transmissão das declarações vinculadas, até o limite do crédito reconhecido. No caso concreto, à luz da verdade material e da regra da restituição integral do indébito, deve ser homologado o encontro de contas efetuado, dentro do montante reconhecido. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento, para reconhecer o direito creditório pleiteado pela Recorrente e, por conseguinte, homologar a compensação transmitida até o limite do crédito disponível. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Nilton Costa Simões – Presidente Redator Fl. 110DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10820.002453/96-78
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Aug 11 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Wed Aug 11 00:00:00 UTC 2004
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR/95
NULIDADE DA NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO.
Não importam nulidade as irregularidades, incorreções e omissões que não acarretam o cerceamento do direito de defesa (art. 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72)
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA
Não configura delegação de competência a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento Substituta, na ausência regulamentar da autoridade titular.
MÉRITO ITR. LANÇAMENTO. VTN
Não sendo trazidos aos Autos Laudos Técnicos hábeis, na forma da legislação, a alterar o VTN usado no cálculo do tributo, é de se manter o lançamento.
NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE.
Numero da decisão: 302-36.307
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do processo a partir da decisão, por autoridade incompetente, argüida pelo Conselheiro relator e pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade da Notificação do
Lançamento, argüida pelo relator, vencidos, também, os Conselheiros Luis Antonio Flora, Simone Cristina Bissoto e Paulo Roberto Cucco Antunes. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Designada para redigir o voto quanto às preliminares a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JUNIOR
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NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Não configura delegação de competência a 'decisão proferida pela Delegada da Receita Federal de Julgamento Substituta, na ausência regulamentar da autoridade titular. mÉRrro rrR. LANÇAMENTO. VTN Não sendo trazidos aos Autos Laudos Técnicos hábeis, na forma da legislação, a alterar o VTN usado no cálculo do tributo, é de se manter o lançamento. NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do processo a partir da decisão, por autoridade incompetente, argüida pelo Conselheiro relator e pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade da Notificação do Lançamento, argüida pelo relator, vencidos, também, os Conselheiros Luis Antonio Flora, Simone Cristina Bissoto e Paulo Roberto Cucco Antunes. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Designada para redigir o voto quanto às • preliminares a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. Brasília-DF, em 11 de agosto de 2004 HENRIQUEkADO MEGDA Presidente PAULO AFFONSECA DE B •4100S FARIA JÚNIOR Relator 0 3 0E1 2004 Participaram, ainda,. do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: WALBER JOSÉ DA SILVA e LUIZ MAIDANA RICARDI (Suplente). Ausente a Conselheira ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES CHIEREGATTO. Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional PEDRO VALTER LEAL. tmc3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 122.143 ACÓRDÃO N° : 302-36.307 RECORRENTE : PAULO PENTEADO LUNARDELLI RECORRIDA : DRJ/RIBEIRÃO PRETO/SP RELATOR(A) : PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR RELATÓRIO Retorna o presente processo de diligência determinada pela Resolução 302-1126, de 18/03/2004, (fls. 89/92) desta C. Câmara, cujos Relatório e Voto leio em Sessão e considero neste transcritos, que determinou ... "ser demonstrado, através de documentação oficial da época em que foi prolatada a decisão recorrida, que a Sra. Delegada Substituta estava no efetivo exercício do cargo de Delegado Titular da DRJ/RIBERÃO PRETO, prolatora do decisum. São juntados cópia do DOU exibindo Portarias do Sr. Secretário da SRF de 13/05/1996, entre elas a que designou a Dra. Marisete Marques Pavan para exercer o encargo de Substituto Eventual do Delegado da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, SP. Também é anexado um extrato de computador sobre consulta ordem bancária ao Banco do Brasil (fls. 97) Agência 0028, mostrando a existência de contas correntes da DRJ e de Luciana Mesquita de Freitas Cuss, nele sendo mostrado, entre outros, observação: Brasília 05 a 15/07/98, mencionando um desconto de auxílio alimentação no valor de R$ 32,00 e, após vários códigos o valor de R$1.668,22 e mais códigos. À fls. 98 há um despacho da Sra. Chefe Substituta da SECOJ, juntando às fls. 96/97, referentes à nomeação da Sra. Marisete Marques Pavan como Substituta Eventual do Sr. Delegado da DRUPOR e a Consulta de Ordem Bancária do Siafi98, que demonstra a ausência da Delegada Titular no período de 05 a 15/07/1998, enviando o processo a este E. Terceiro Conselho. A título informativo, existem nos Autos outras manifestações, mas nenhuma com caráter de decisão, da Sra. Dra. Marisete Marques Pavan em 01/09/98 (fls. 75), em 22/11/99 (fls. 83) e em 14/12/99 (fls. 85) como Delegada Substituta. Este processo é enviado a este Relator por despacho de fls. 98 em 02/07/2004, nada mais havendo nos utos a respeito desse litígio. É o relatório. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 122.143 ACÓRDÃO N° : 302-36.307 VOTO Já havendo conhecido do Recurso anteriormente, e analisando as informações prestadas através da diligência, leio em Sessão e considero como neste Voto transcritas as fundamentações constantes de meu Voto na Resolução 302-1126. As informações trazidas não atenderam ao que foi determinado na referida Resolução, ou seja, ser demonstrado através de documentação oficial da época em que foi prolatada a decisão recorrida que a Sra. Delegada Substituta estava • no efetivo exercício do cargo de Delegado Titular da DRJ prolatora do decisum. Como não está previsto na legislação que criou as DRJ que o titular delas possa delegar competência para proferir decisões, mas somente quem esteja no efetivo exercício do cargo de seu Delegado Titular, e a documentação acostada aos Autos, além de não ser oficial, também entendo como não hábil a provar que a Sra. Delegada Substituta estivesse no efetivo exercício do cargo de Titular da DRJ. Face ao exposto, voto no sentido de se anular o processo a partir da decisão de P Instância (fls. 36/38) inclusive, devendo nova decisão ser proferida em boa e devida forma. Vencido nessa preliminar, argúo outra, de nulidade da Notificação de Lançamento, por não conter a indicação de quem a emitiu, conforme vários votos por mim antes proferidos. • Também vencido nessa segunda preliminar, passo ao mérito do litígio. Endosso a fundamentação da decisão de 1' Instância, que não acolheu o laudo juntado pelo Recorrente por não ser hábil a alterar o VTN, o mesmo ocorrendo com o laudo anexado ao Recurso Voluntário, devendo, portanto, ser mantido o lançamento em sua íntegra. Face ao exposto, nego provimento ao Recurso. Sala das Sessões, em 11 de agosto de 2004 PAULO AFFONSECA DE BARRO Ë/IRIA JUNIOR — Relator 3 • MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 122.143 ACÓRDÃO N° : 302-36.307 VOTO VENCEDOR QUANTO ÀS PRELIMINARES Trata o presente processo, de impugnação de lançamento do IIR e contribuições acessórias do exercício de 1995. Preliminarmente, o Ilustre Conselheiro Relator argüiu a nulidade do feito, tendo em vista a ausência, na respectiva Notificação de Lançamento, da identificação da autoridade responsável pela sua emissão. 111 O art. 11, do Decreto n° 70.235/72, determina, verbis: "Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do notificado; II - o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III- a disposição legal infringida, se for o caso; IV - a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. • Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processamento eletrônico." A exigência contida no inciso I, acima, não pode ser afastada, sob pena de estabelecer-se dúvida sobre o pólo passivo da relação tributária, dada a multiplicidade de contribuintes do ITR. A ausência da informação prescrita no inciso II, por sua vez, impediria o próprio recolhimento do tributo, já que a sistemática de lançamento da Lei n°8.847/94 prevê a apuração do montante pela própria autoridade administrativa, sem a intervenção do contribuinte, a não ser pelo fornecimento dos dados cadastrais. No que tange ao requisito do inciso III, este possibilita o estabelecimento do contraditório e a ampla defesa, razão pela qual não pode ser olvidado. )),,k 4 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 122.143 ACÓRDÃO N° : 302-36.307 Quanto às informações exigidas no inciso IV, elas são imprescindíveis naqueles lançamentos individualizados, efetuados pessoalmente pelo chefe da repartição ou por outro servidor por ele autorizado. O cumprimento deste requisito, por certo, evita que o lançamento seja efetuado por pessoa incompetente. Já o lançamento do ITR é massificado, processado eletronicamente, tendo em vista o grande universo de contribuintes. Assim, torna-se dificil a personalização do procedimento, a ponto de individualizar-se nominalmente o pólo ativo da relação tributária. A Notificação de Lançamento do ITR deve ser entendida como um documento institucional, cujas características - o tipo de papel e de impressão, o • símbolo das Armas Nacionais e a expressão "Ministério da Fazenda - Secretaria da Receita Federal" - não deixam dúvidas sobre a autoria do lançamento. Aliás, muitas vezes estas características identificam com mais eficiência a repartição lançadora, perante o contribuinte, que o nome do administrador local, seu cargo ou matrícula. O que se quer mostrar é que, embora tais informações estejam legalmente previstas, a sua ausência não chega a abalar a credibilidade ou autenticidade do documento, em face de seu destinatário. Conclui-se, portanto, que em termos práticos, em nada prejudica o contribuinte, o fato de não constar da Notificação de Lançamento do ITR a personalização da autoridade expedidora. Vejamos, agora, as demais implicações, à luz do Decreto n° 70.235/72, com as alterações da Lei n° 8.748/93. O art. 59 do citado diploma legal estabelece, verbis: "Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importam em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." Por tudo o que foi exposto, conclui-se que o vício formal que aqui se analisa não caracterizou ato lavrado por pessoa incompetente, nem tampouco MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 122.143 ACÓRDÃO N° : 302-36.307 ocasionou o cerceamento do direito de defesa do contribuinte. A maior prova disso consiste no fato notório de que milhares de impugnações de ITR foram apresentadas aos órgãos pieparadores. Tanto assim que os respectivos processos chegaram a este Conselho, em grau de recurso. Assim, o vício em questão não importa em nulidade, e poderia ter sido sanado, caso houvesse resultado em prejuízo para o sujeito passivo. Aliás, a pretensão de que seja declarada a nulidade da presente Notificação de Lançamento, simplesmente pela ausência do nome, cargo e matrícula do chefe do órgão expedidor, contraria o princípio da instrumentalidade das formas, segundo o qual o ato deve ser validado, desde que cumpra o seu objetivo. Tal 111 princípio integra a mais moderna técnica processual, e vem sendo amplamente aplicado pelo Tribunal Regional Federal, como se depreende dos julgados cujas ementas a seguir se transcreve: "EMBARGOS INFRINGENTES. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. ART. 11 DO DECRETO 70.235/72. FALTA DO NOME, CARGO E MATRÍCULA DO EXPEDIDOR. AUSÊNCIA DE NULIDADE. 1. A falta de indicação, no auto de notificação de lançamento fiscal expedido por meio eletrônico, do nome, cargo e matrícula do servidor público que o emitiu, somente acarreta nulidade do documento quando evidente o prejuízo causado ao contribuinte. 2. No caso dos autos, a notificação deve ser tida como válida, uma vez que cumpriu suas finalidades, cientificando o recorrente da 0110 existência do lançamento e oportunizando-lhe prazo para defesa. 3. Embargos infringentes improvidos." (Embargos Infringentes em AC n° 2000.04.01.025261-7/SC) "NOTIFICAÇÃO FISCAL. NULIDADE. FALTA CARGO E MATRÍCULA DE SERVIDOR. PROCESSO ELETRÔNICO. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. 1. A inexistência de indicação do cargo e da matrícula do servidor que emitiu a notificação fiscal de imposto lançado, por meio eletrônico, não autoriza a declaração de nulidade da notificação. 2. Aplicação do princípio da instrumentalidade das formas, segundo o qual o que importa é a finalidade do ato e não ele em si mesmo considerado." (Apelação Cível n° 2000.04.01.133209-8/SC) vi\ 6 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 122.143 ACÓRDÃO N° : 302-36.307 "AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE DE NOTIFICAÇÃO FISCAL. IRPF. AUSÊNCIA. REQUISITOS. ASSINATURA. CARGO, FUNÇÃO E NÚMERO DE MATRÍCULA DO CHEFE DO ÓRGÃO EXPEDIDOR. DEC.70235/72. Não nulifica a notificação de lançamento de débito fiscal, emitida por processo eletrônico, a falta de assinatura, nos termos do parágrafo único do Dec.n° 70.235/72. Da mesma forma, a falta de indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula, uma vez que tais omissões em nada afetaram a defesa do contribuinte, o qual interpôs, tempestivamente, a presente • ação declaratória." (Apelação Cível n° 1999.04.01.129525-5/SC) "NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DA ASSINATURA. NOME, CARGO E MATRÍCULA DA AUTORIDADE RESPONSÁVEL PELA NOTIFICAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO AO CONTRIBUINTE. 1. Nos termos do parágrafo único do art. 11 do Decreto n° 70.235/72, prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. 2. Se a notificação atingiu o seu objetivo e não houve prejuízo ao contribuinte, descabe decretar a sua nulidade por preciosismo de forma. 3. Apelo improvido." (Apelação Cível n° 1999.04.01.103131-8/SC 4111 Assim sendo, ESTA PRELIMINAR DEVE SER REJEITADA. Ainda em sede de preliminar, o Ilustre Conselheiro Relator argüiu a preliminar de nulidade da decisão singular, sob a alegação de que esta fora proferida por autoridade incompetente, qual seja, a Sra. Delegada Substituta. Não obstante, em atendimento a diligência solicitada por este Conselho de Contribuintes (Resolução n° 302-1.126 — fls. 88 a 92), a DRJ em Ribeirão Preto/SP esclareceu que a decisão questionada fora exarada pela Sra. Delegada Substituta durante ausência da titular, portanto no efetivo exercício do cargo (fls. 96 a 98). Diante do exposto, REJEITA-SE TAMBÉM ESTA PRELIMINAR. Sala de Sessões, em 11 de agosto de 2004 ,MARIA HELENA COTTAZ-0 - Relatora Designada 7 Page 1 _0009300.PDF Page 1 _0009400.PDF Page 1 _0009500.PDF Page 1 _0009600.PDF Page 1 _0009700.PDF Page 1 _0009800.PDF Page 1
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Numero do processo: 10218.900370/2016-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO.
Há de ser declarada a nulidade da decisão recorrida, com o retorno dos autos à DRJ de origem, por preterição do direito de defesa ocasionada pela falta de enfrentamento de matéria de defesa apresentada em sede de manifestação de inconformidade (art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972).
Numero da decisão: 3402-013.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar a nulidade do Acórdão recorrido, por cerceamento do direito de defesa, determinando o retorno dos autos ao julgador a quo para que sejam enfrentadas todas as matérias suscitadas na Manifestação de Inconformidade e para que seja proferida nova decisão.
Assinado Digitalmente
Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Alessandra Lessa dos Santos, Anselmo Messias Ferraz Alves, Cynthia Elena de Campos, José de Assis Ferraz Neto, Mariel Orsi Gameiro, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente).
Nome do relator: ARNALDO DIEFENTHAELER DORNELLES
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PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO. Há de ser declarada a nulidade da decisão recorrida, com o retorno dos autos à DRJ de origem, por preterição do direito de defesa ocasionada pela falta de enfrentamento de matéria de defesa apresentada em sede de manifestação de inconformidade (art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972). ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar a nulidade do Acórdão recorrido, por cerceamento do direito de defesa, determinando o retorno dos autos ao julgador a quo para que sejam enfrentadas todas as matérias suscitadas na Manifestação de Inconformidade e para que seja proferida nova decisão. Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os julgadores Alessandra Lessa dos Santos, Anselmo Messias Ferraz Alves, Cynthia Elena de Campos, José de Assis Ferraz Neto, Mariel Orsi Gameiro, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente). RELATÓRIO Fl. 357DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.074 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10218.900370/2016-22 2 Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 296 a 301) interposto em 31/01/2020 contra decisão proferida no Acórdão 01-37.530 - 3ª Turma da DRJ/BEL, de 17 de janeiro de 2020 (e-fls. 261 a 269), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Os fatos iniciais constam do relatório do referido Acórdão, que reproduzo a seguir: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito de PIS/PASEP Não-Cumulativo - Exportação, no valor de R$ 142.645,83, referente ao 1º trimestre de 2010. Após procedimento fiscal que visou à aferição dos valores pleiteados pela contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Marabá - PA, reconheceu parcialmente o direito crédito no valor de R$ 18.022,93, conforme Despacho Decisório Eletrônico, fl. 227. Através do Parecer n° 6/DRF/MBA/EQUIORT, fls. 228/240, a autoridade fiscal demonstra as providências adotadas. Inicialmente indica pequena divergência entre os valores da receita de exportação dos meses de janeiro e fevereiro informadas no Dacon (janeiro R$ 5.453.203,47 e fevereiro 6.237.635,04) e as registradas no Siscomex (janeiro R$ 5.445.243,00 e fevereiro R$ 6.146.677,00). Considerou os valores do Dacon. Aponta divergências entre os valores informados em Dacon e Planilha, e entre estes e os valores de insumos apresentados nas Notas Fiscais "em papel" no mês de janeiro. Nos meses de fevereiro e março a divergência apontada é entre os valores informados no Dacon e os valores de insumos apresentados nas Notas Fiscais "em papel. Admitiu valores referentes a insumos conforme as Notas Fiscais "em papel" apresentadas pelo contribuinte com os descritos no processo produtivo (Fluxograma do Processo Produtivo), limitando-se ao valor informado em Dacon. Foram glosados valores relativos a: a) Insumos listados em Planilha cujas Notas Fiscais "em papel" não foram apresentadas; b) Energia elétrica, consumida no mês de março, por haver divergência entre o valor informado no Dacon e os apresentados na Planilha. Aceitou o valor informado no Dacon que coincide com o valor comprovado por notas fiscais. Por ter a interessada realizado exportação de produtos para o exterior somente nos meses de janeiro e fevereiro, foi apurado direito creditório passível de ressarcimento apenas em relação a tais meses. Cientificado o contribuinte (fls. 245/246) e inconformado apresenta manifestação de inconformidade (fls. 4/13), onde, em síntese, requer sejam afastadas as glosas contestadas e, recomposto o direito creditório pleiteado, homologadas as Fl. 358DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.074 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10218.900370/2016-22 3 compensações vinculadas ao presente, bem assim a suspensão da exigibilidade até decisão definitiva. Defende que, em nenhum momento poderia a fiscalização abandonar o principio da verdade real, justificando a glosa de créditos em função de demonstrativos contábeis. Alega que toda vez que a fiscalização encontra divergências, opta por glosar os créditos pleiteados, ao invés de aplicar o princípio da verdade real, o que lhe obrigaria a proceder o levantamento próprio para poder, analisando o mérito, proceder as glosas fundamentadas. Argumenta: "A forma do rateio da receita de exportação em um mês deve servir para o rateio nos meses anteriores ou seguintes do trimestre, uma vez que o fato de não haver exportação em um mês não significa que os insumos consumidos naquele mês não foram exportados, uma vez que podem ter sido utilizados para a produção de bens que somente foram exportados no mês seguinte.” Aduz que seria equivocada a premissa de que não havendo exportação, não há direito ao crédito dos insumos. Acrescenta: “Assim, deverão ser considerados os insumos, mês a mês e aplicado o rateio do mês do trimestre em que houve exportação.” Quanto às glosas, alega, que: Haveria discrepância nos meses de janeiro e fevereiro, sem justificativas, entre o valor de energia elétrica considerado para deferimento do crédito (R$ 413.590,35) e o valor apontado no parecer (R$ 478.856,68). As discrepâncias seriam nos valores seguintes: a) R$ 2.729,36, no mês de janeiro; b) R$ 429,15, no mês de fevereiro. No mês de março haveria uma discrepância no valor de R$ 50.599,42, referente a duas notas fiscais, sem haver menção da falta das mesmas no parecer. Todos as demais entradas de mercadorias e serviços teriam sido glosadas, sem a fiscalização especificar quais bens glosou, teria dito apenas que os mesmos não sofrem desgaste direito no processo produtivo, considerando apenas o Calcário, Carvão, Minério e quartzo como insumos do processo produtivo. Os insumos listados nas planilhas seriam essenciais ao processo produtivo, que tirando um deles a produção do ferro gusa não aconteceria. Cita como exemplos: tijolo refratário, que manteria o forno na temperatura para que haja a combustão ideal; a lingonteira; massa de tamponamento; areia; e serviços de carregamento e frete. Em relação a glosa do frete na operação de compra, seria equivocado o entendimento da RFB no sentido de que o contribuinte deveria reconhecer o imposto deste serviço como custo do insumo respectivo. Combustíveis e lubrificantes dariam direito ao crédito pleiteado, seriam essenciais ao funcionamento da indústria; propiciariam o funcionamento de geradores e Fl. 359DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.074 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10218.900370/2016-22 4 alimentação do autoforno; e seriam utilizados no maquinário que movimentavam os insumos e o produto saindo do forno. O julgamento em primeira instância, formalizado no Acórdão 01-37.530 - 3ª Turma da DRJ/BEL, resultou em uma decisão de improcedência da Manifestação de Inconformidade, tendo se escorado nos seguintes fundamentos: (a) que, de acordo com o disposto no art. 5º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 6º, c/c o inciso III do art. 15, ambos da Lei nº 10.833, de 2003, o contribuinte somente terá direito à apuração de crédito ressarcível da Contribuição para o PIS e da Cofins, concernente aos insumos vinculados à exportação, se efetivamente tiver ocorrido exportação no mês; (b) que não analisou as questões relativas ao mês de março, uma vez que, por não ter havido exportação nesse mês, ainda que restassem procedentes as alegações apresentadas, não seria possível a apuração de crédito ressarcível das Contribuições nesse mês; (c) que não tem razão a interessada quando alega que entradas de mercadorias e serviços teriam sido glosados sem que a fiscalização tivesse especificado essas glosas; (d) que a totalidade das glosas tem como fundamento a falta de apresentação das notas fiscais de entrada, em que pese a fiscalização ter citado, em algum momento, a legislação que exige ação direta sobre o produto em fabricação; (e) que recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida e que o pedido administrativo deve ser instruído com todos os elementos hábeis a demonstrar o direito invocado; (f) que os autos demonstram que a interessada apresentou apenas parte dos documentos que permitiriam à autoridade decisória concluir pela certeza e liquidez do suposto direito creditório; (g) que o Despacho Decisório proferido pelo órgão competente não é insubsistente e nem improcedente, mas sim imposição legal decorrente da preclusão ocorrida; (h) que os documentos fiscais em questão são impossíveis de serem supridos de ofício pela administração, e são aqueles cuja boa guarda e ordem é da responsabilidade do sujeito passivo, conforme determina a legislação; (i) que os documentos não foram apresentados mesmo quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade; (j) que ainda que os insumos glosados possam ser essenciais ao funcionamento da indústria, conforme alegado, é impossível aplicar a orientação constante na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACETVPGFN-MF sobre o cumprimento da jurisprudência do Fl. 360DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.074 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10218.900370/2016-22 5 STJ, haja vista que as glosas decorreram totalmente por falta de apresentação das notas fiscais de aquisição; (k) que os valores dos bens utilizados como insumo, descritos na planilha apresentada pelo contribuinte, para os quais houve comprovação por meio de documentos hábeis, foram considerados na apuração do crédito; e (l) que não há incorreção em relação ao valor de energia elétrica, uma vez que foi feito, para os meses de janeiro e fevereiro, o rateio de forma proporcional às receitas de exportação e as receitas no mercado interno. Cientificada da decisão da DRJ em 22/01/2020 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem na e-fl. 273), a empresa interpôs Recurso Voluntário em 31/01/2020 (Termo de Solicitação de Juntada na e-fl. 294), argumentando, em síntese, que: (a) o Acórdão recorrido não se manifestou sobre as diferenças de insumos apontadas nas planilhas juntadas, mas apenas se limitou a dizer que não houve comprovação via papel dos insumos adquiridos (notas fiscais); (b) o Acórdão recorrido não se manifestou acerca da glosa dos fretes de entrada de insumos, em que pese tenha citado no relatório; (c) a forma do rateio da receita de exportação mensal não deve prosperar, uma vez que o fato de não haver exportação em um mês não significa que os insumos consumidos naquele mês não foram exportados, tendo em vista que podem ter sido utilizados para a produção de bens que somente foram exportados no mês seguinte; (d) a legislação invocada no Acórdão recorrido não cita apuração mensal dos créditos, mas sim trimestral; (e) a proporcionalidade deve ser tomada pelas vendas totais do trimestre no mercado interno e externo e aplicada a todos os meses do trimestre; (f) o frete de aquisição é um serviço e encontra previsão para creditamento no inciso II do art. 3º das Leis nos 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, pouco importando se o insumo a que se refere esse frete está ou não sujeito ao pagamento das contribuições; e (g) não está correta a glosa efetuada sobre os fretes de transferência entre estabelecimentos de insumos e produtos acabados, posto que essenciais à atividade da empresa. Vindo os autos para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o processo foi distribuído para minha relatoria e, uma vez pautado para julgamento, o Colegiado (1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção) resolveu, em sessão realizada no dia 23/11/2021, converter o feito em diligência para que a unidade de origem esclarecesse se houve ou não as glosas Fl. 361DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.074 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10218.900370/2016-22 6 reclamadas pela Recorrente, bem como juntasse ao processo a planilha de insumos apresentada (pela ora Recorrente) no curso da fiscalização. Além disso, a Resolução proferida por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais determinou que, uma vez confirmada a existência das glosas reclamadas pela Recorrente, a Fiscalização deveria “reavaliá-las a fim de, considerando o critério da essencialidade e relevância trazido pela decisão do STJ proferida no REsp nº 1.221.170-PR, bem como a orientação veiculada na Nota SEI n° 63/2018/CRJ/PGACETVPGFN-MF e o Parecer Normativo Cosit nº 5, de 2018, concluir se os bens e serviços glosados se enquadram ou não no conceito de insumo, nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, elaborando, ao final, relatório conclusivo”. Em cumprimento a essa Diligência, a Fiscalização proferiu o Despacho Decisório nº 1966/2025-EQAUD/DRF-MANAUS/AM (e-fls. 321 a 329), onde informou que: (a) a análise seria feita “somente para os meses de janeiro e fevereiro, meses da ocorrência de exportações, conforme já posto no PARECER Nº 6 /DRF/MBA/EQUIORT como também no Acórdão 01-37.530 - 3ª Turma da DRJ/BEL”; (b) a planilha BASE CRÉDITO PIS COFINS - JANEIRO DE 2010, apresentada pela ora Recorrente, pôde ser encontrada nas páginas 41 a 50 do PDF juntado às e-fls. 3 a 239 do Dossiê 10010.016694/0316-98, e revela um valor de R$ 1.811.094,07 (essa planilha é idêntica àquela encontrada nas e-fls. 110 a 119 do presente processo); (c) nas páginas 84 a 106 do PDF juntado às e-fls. 14 a 219 do presente processo podem ser vistas as planilhas intituladas: BASE CRÉDITO PIS COFINS - JANEIRO DE 2010 – DEMAIS ENTRADAS (R$ 990.603,50 – e-fl. 97), BASE CRÉDITO PIS COFINS - JANEIRO DE 2010 – INSUMOS (R$ 618.315,49 – e-fls. 101 a 109) e BASE CRÉDITO PIS COFINS - JANEIRO DE 2010 – TOTAL (R$ 1.811.094,07 – e-fls. 110 a 119); (d) a planilha BASE CRÉDITO PIS COFINS - JANEIRO DE 2010 – TOTAL consolida as planilhas BASE CRÉDITO PIS COFINS - JANEIRO DE 2010 – DEMAIS ENTRADAS e BASE CRÉDITO PIS COFINS - JANEIRO DE 2010 – INSUMOS; (e) a base de cálculo relativa à aquisição de bens utilizados como insumos no mês de janeiro de 2010, baseada no modelo do processo produtivo apresentado e nos atuais conceitos de insumos, foi obtida a partir da planilha BASE CRÉDITO PIS COFINS - JANEIRO DE 2010, com a exclusão do valor da energia elétrica (R$ 202.175,08) e dos valores relacionados com Frete Gusa, Locação de máquinas, Embarque de ferro-gusa e Emissão de TR (R$ 843.839,76); (f) a base de cálculo dos créditos relativos aos insumos a ser considerada para o mês de janeiro de 2010 é de R$ 765.079,23; (g) a planilha BASE CRÉDITO PIS COFINS - FEVEREIRO DE 2010, apresentada pela ora Recorrente, pôde ser encontrada nas páginas 51 a 55 do PDF juntado às e-fls. 3 a Fl. 362DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.074 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10218.900370/2016-22 7 239 do Dossiê 10010.016694/0316-98, e revela um valor de R$ 3.171.466,83 (essa planilha é idêntica àquela encontrada nas e-fls. 21 a 25 do presente processo); (h) nas páginas 1 a 12 do PDF juntado às e-fls. 14 a 219 do presente processo podem ser vistas as planilhas intituladas: BASE CRÉDITO PIS COFINS - FEVEREIRO DE 2010 – DEMAIS ELÉTRICA (R$ 2.795.083,36 – e-fls. 14 a 16), BASE CRÉDITO PIS COFINS - FEVEREIRO DE 2010 – INSUMOS (R$ 161.809,69 – e-fls. 18 a 20) e BASE CRÉDITO PIS COFINS - FEVEREIRO DE 2010 – TOTAL (R$ 3.171.466,83 – e-fls. 21 a 25); (i) a planilha BASE CRÉDITO PIS COFINS - FEVEREIRO DE 2010 – TOTAL consolida as planilhas BASE CRÉDITO PIS COFINS - FEVEREIRO DE 2010 – DEMAIS ELÉTRICA e BASE CRÉDITO PIS COFINS - FEVEREIRO DE 2010 – INSUMOS; (j) a base de cálculo relativa à aquisição de bens utilizados como insumos no mês de fevereiro de 2010, baseada no modelo do processo produtivo apresentado e nos atuais conceitos de insumos, foi obtida a partir da planilha BASE CRÉDITO PIS COFINS - FEVEREIRO DE 2010, com a exclusão do valor da energia elétrica (R$ 214.573,78) e dos valores relacionados com Locação Máquina, Embarque Ferro Gusa, Frete Gusa e Emissão de TR (R$ 742.838,94); (k) a base de cálculo dos créditos relativos aos insumos a ser considerada para o mês de fevereiro de 2010 é de R$ 2.214.054,11; (l) a partir da aplicação da alíquota do 1,65% e do percentual de rateio de exportação (98,65% para o mês de janeiro e 99,80% para o mês de fevereiro) sobre a base de cálculo (R$ 765.079,23 para o mês de janeiro e R$ 2.214.054,11 para o mês de fevereiro), deveria ser reconhecido um crédito adicional de PIS no valor de R$ 36.244,32 em relação ao 1º trimestre de 2010. Cientificada do resultado da diligência em 22/05/2025 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem DTE Intimação na e-fl. 345), a Recorrente juntou aos autos, em 17/06/2025 (Termo de Solicitação de Juntada na e-fl. 347), a manifestação de e-fls. 349 a 353, onde: (a) reitera as razões do Recurso Voluntário, na parte em que não revista pela Fiscalização em sede de diligência; (b) reitera o argumento de que é equivocada a premissa de que não havendo exportação não há direito ao crédito dos insumos, “devendo ser revista a glosa por este entendimento aplicada, tendo em vista que o faturamento da Recorrente é inegavelmente de exportação, como se observa, e, a interpretação lançada contradiz a norma constitucional de imunidade das exportações”; (c) defende ter direito ao crédito sobre as despesas sobre aluguel de equipamentos; e Fl. 363DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.074 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10218.900370/2016-22 8 (d) defende ter direito ao crédito sobre os serviços de frete na venda e embarque de ferro gusa. Após, os autos foram distribuídos novamente para minha relatoria. É o relatório. VOTO Conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos formais de admissibilidade, razão pela qual dele se toma conhecimento. Das preliminares de nulidade do Acórdão recorrido Preliminarmente, pede a Recorrente que seja anulado o Acórdão recorrido, por ter sido omisso em relação a matérias de defesa apresentadas em sede de Manifestação de Inconformidade, a saber: 1. O Acórdão recorrido não teria se manifestado sobre as diferenças de insumos apontadas nas planilhas juntadas ao processo, tendo se limitado a dizer que não houve comprovação, via apresentação de notas fiscais, dos insumos adquiridos; e 2. O Acórdão recorrido não teria se manifestado acerca da glosa dos fretes de entrada de insumos, em que pese tivesse sido citado no relatório. Quanto ao segundo ponto destacado pela Recorrente que, na sua visão, ensejaria a nulidade do Acórdão recorrido, parece ter havido um equívoco de sua parte, uma vez que não é possível identificar no relatório produzido pela Fiscalização qualquer referência a glosa realizada sobre fretes de entrada de insumos. Não tendo a Recorrente trazido maiores informações sobre contra o que efetivamente se insurgiu, não merecem prosperar seus argumentos. No que diz respeito ao primeiro ponto, onde a Recorrente acusa que o Acórdão recorrido não teria se manifestado “sobre as diferenças de insumos apontados nas planilhas juntadas, apenas se limitou a dizer que não houve comprovação via papel dos insumos adquiridos (notas fiscais)”, entendo que tem razão a Recorrente. Quando o processo veio inicialmente para minha relatoria, no ano de 2021, havia dúvidas sobre o alcance das glosas promovidas pela Fiscalização (enquanto a DRJ afirmava que as glosas sobre os insumos haviam sido motivadas única e exclusivamente em razão da não apresentação de notas fiscais, a Recorrente reclamava a existência de outras glosas não analisadas pelo Acórdão recorrido), razão pela qual encaminhei o meu voto, à época, no sentido de converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem esclarecesse a existência das glosas reclamadas, bem como juntasse ao processo a planilha de insumos apresentada pela Recorrente no curso da fiscalização. Fl. 364DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.074 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10218.900370/2016-22 9 Eis as razões expressas no voto condutor da Resolução 3201-003.249: Quanto ao primeiro ponto, para que possamos entender se efetivamente faltou manifestação da DRJ em relação a matéria de defesa apresentada em sede de Manifestação de Inconformidade, é preciso que tornemos claro o que efetivamente foi glosado pela fiscalização, o que foi contra-arrazoado pela ora recorrente e o que foi julgado pela DRJ. Para isso precisaremos nos socorrer do que consta no Parecer nº 6/DRF/MBA/EQUIORT das e-fls. 228 a 240, na Manifestação de Inconformidade das e-fls. 4 a 13 (e nas planilhas de e-fls. 14 a 25 e 97 a 206 que a acompanharam) e no Acórdão 01-37.530 – 3ª Turma da DRJ/BEL das e-fls. 261 a 269. Quando o Parecer nº 6/DRF/MBA/EQUIORT trata dos créditos decorrentes das aquisições de bens utilizados como insumos (e-fls. 233 a 237), ele informa que a análise se ateve, principalmente, à planilha fornecida pela interessada (cotejada com as Notas Fiscais em papel entregues e com o DACON), e que os insumos informados na planilha “foram analisados com os descritos no processo produtivo (Fluxograma do Processo Produtivo)”. Logo em seguida, faz uma breve consideração a respeito dos critérios norteadores das possibilidades de utilização do crédito na modalidade não cumulativa, citando o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e a IN SRF nº 247, de 2002, para concluir que, “para serem considerados insumos, os bens devem ser alterados, aplicados ou consumidos em função da ação direta, exercida sobre o produto em fabricação, além de serem adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País”. Na sequência, mostra um “quadro com o confronto entre os dados fornecidos pelo contribuinte em DACON e os dados fornecidos em planilha e Notas Fiscais “em papel””, o qual reproduzo a seguir: É fácil compreender a divergência encontrada na tabela acima entre a linha B (bens utilizados como insumo – conforme planilha) e a linha C (bens utilizados como insumo – conforme notas fiscais), que, conforme explicado pela fiscalização, é fruto da ausência de apresentação de notas fiscais (em papel) que comprovassem a aquisição dos insumos listados na planilha apresentada, o que acabou ensejando algumas glosas. Mas não é fácil compreender a divergência entre a linha A (bens utilizados como insumo – conforme DACON) e a linha B (bens utilizados como insumo – conforme planilha). O que justificaria o fato de que a ora recorrente tivesse informado em DACON os insumos que lhe dariam direito a crédito e, quando intimada pela fiscalização, tivesse apresentado uma planilha com valores significativamente inferiores? Fl. 365DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.074 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10218.900370/2016-22 10 Apenas para tentar estruturar as ideias, poderíamos pensar em pelo menos duas explicações para essa divergência: 1. ou a ora recorrente efetivamente se equivocou e informou no DACON mais insumos que lhe dariam direito ao crédito das Contribuições do que realmente havia adquirido; 2. ou a fiscalização realizou algumas glosas na planilha apresentada pela ora recorrente, que, em tese, refletiria as informações do DACON, reproduzindo na linha B do quadro acima apenas as aquisições passíveis de serem consideradas insumos. Já adianto que a partir do Parecer elaborado pela fiscalização não é possível responder com segurança a essa questão. A fiscalização, ao mesmo tempo em que, declaradamente baseada no conceito restritivo de insumos presente na IN SRF nº 247, de 2002, estabeleceu “critérios norteadores das possibilidades de utilização do crédito na modalidade não-cumulativa”, não explicitou qualquer glosa feita com base nesses critérios. Se olharmos o Parecer com atenção, veremos que as glosas ali reveladas foram realizadas única e exclusivamente em razão da não apresentação de notas fiscais. É importante também destacar que não foi juntada ao processo a planilha apresentada para a fiscalização pela ora recorrente (provavelmente possa ser encontrada no Dossiê nº 10010.016694/0316-98, mencionado no Parecer da fiscalização), para que fosse possível se determinar se ela estava restrita ao que consta na tabela acima reproduzida ou se ela trazia outros bens que, por não se enquadrarem no conceito de insumo estabelecido, foram glosados pela fiscalização. Quando a ora recorrente analisa as glosas da fiscalização no início de sua Manifestação de Inconformidade, ela fala da glosa sobre o valor da energia elétrica, de uma discrepância referentes a duas notas fiscais no mês de março e da glosa de todas as demais entradas de mercadorias e serviços. Sobre esse último ponto, a ora recorrente acusa “que a fiscalização não especifica quais bens glosou, apenas diz que os mesmos não sofrem desgaste direito (sic!) no processo produtivo e elenca considerar apenas o Calcário, Carvão, Minério e quartzo como insumos do processo produtivo”, e acrescenta “que todos os insumos listados na planilha são essenciais ao processo produtivo, tirando um deles a produção de ferro guza não acontece”. Como se percebe, apesar de o Parecer da fiscalização não identificar quaisquer outras glosas realizadas, a Manifestação de Inconformidade afirma que elas existiram, e pede que seja “revista a glosa dos bens utilizados como insumos constantes nas planilhas”. Acompanhando a Manifestação de Inconformidade, a ora recorrente juntou aos autos, para cada mês relativo ao primeiro trimestre do ano de 2010, três planilhas contendo a relação de bens e serviços que entende comporem a base de crédito das Contribuições a que tem direito, uma referente à energia elétrica, outra referente aos insumos e a terceira referente às demais entradas. Fl. 366DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.074 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10218.900370/2016-22 11 Os valores totais das planilhas referentes à energia elétrica (e-fls. 17, 99 e 122) coincidem, para os meses de janeiro e fevereiro de 2010, aos valores apresentados pela fiscalização na linha B do quadro 13 (e-fl. 237) do Parecer, havendo uma diferença de R$ 50.000,00 em relação ao mês de março de 2010. Os valores totais das planilhas dos insumos (e-fls. 20, 109 e 163), por sua vez, coincidem, para os meses fevereiro e março de 2010, aos valores apresentados pela fiscalização na linha B do quadro 4 (e-fl. 234) do Parecer, havendo uma diferença de R$ 3.442,08 em relação ao mês de janeiro de 2010. Já os valores totais das planilhas das demais entradas (e-fls. 16, 97 e 121) não foram incluídos no Parecer da fiscalização, mas quando somados aos totais de insumos se aproximam dos valores informados em DACON. Quando a autoridade julgadora de piso julgou o pedido da ora recorrente para que fosse “revista a glosa dos bens utilizados como insumos constantes nas planilhas”, ela parece ter olhado apenas para o Parecer da fiscalização e, não tendo identificado qualquer outra glosa além daquelas que também identificamos e já referimos, não acatou o pedido: Não merece guarida a alegação de que entradas de mercadorias e serviços teriam sido glosadas sem a fiscalização especificar quais bens glosou. A totalidade das glosas tem como fundamento a falta de apresentação das notas fiscais de entradas, em que pese tenha a fiscalização citado, em algum momento, a legislação que exige ação direta sobre o produto em fabricação. Não obstante, entendo haver no processo elementos suficientes que, no mínimo, levantam dúvidas sobre o alcance das glosas promovidas pela fiscalização, razão pela qual encaminho meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência à DRF de origem para que esclareça se houve ou não as glosas reclamadas, juntando ao processo a planilha de insumos apresentada pela ora recorrente no curso da fiscalização. Em se confirmando a existência das glosas reclamadas, a DRF de origem deverá reavaliá-las a fim de, considerando o critério da essencialidade e relevância trazido pela decisão do STJ proferida no REsp nº 1.221.170-PR, bem como a orientação veiculada na Nota SEI n° 63/2018/CRJ/PGACETVPGFN-MF e o Parecer Normativo Cosit nº 5, de 2018, concluir se os bens e serviços glosados se enquadram ou não no conceito de insumo, nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, elaborando, ao final, relatório conclusivo. A recorrente deverá ser cientificada do resultado da diligência, sendo-lhe oportunizado o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, após o qual o processo deverá retornar a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento do julgamento. Em cumprimento à diligência determinada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a Fiscalização elaborou o Despacho Decisório nº 1966/2025-EQAUD/DRF- Fl. 367DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.074 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10218.900370/2016-22 12 MANAUS/AM (e-fls. 321 a 329), onde restou confirmada a existência de glosas no presente processo que não foram motivadas pela falta de apresentação das respectivas notas fiscais, mas sim por não se enquadrarem, em uma primeira análise, no conceito de insumo estabelecido pela IN SRF nº 247, de 2002. Embora o resultado da diligência não tenha sido objetivo em afirmar a existência dessas glosas motivadas por questões outras que a não apresentação das respectivas notas fiscais, o relatório elaborado pela Fiscalização refere: a) uma tabela presente no Dossiê 10010.016694/0316-98 (páginas 41 a 50 do PDF juntado às e-fls. 3 a 239), intitulada como BASE CRÉDITO PIS COFINS - JANEIRO DE 2010, que seria a base do pedido de ressarcimento para o mês de janeiro de 2010, e que alcançaria o valor total de R$ 1.811.094,07; b) três tabelas do presente processo, relativas aos créditos pleiteados para o mês de janeiro de 2010 (na verdade, são quatro tabelas), que foram juntadas pela Recorrente entre as e-fls. 97 a 119 quando da apresentação de sua Manifestação de Inconformidade. Essas são as quatro tabelas apresentadas pela Recorrente: BASE CRÉDITO PIS COFINS - JANEIRO DE 2010 - DEMAIS ENTRADAS (e-fl. 97) Valor R$ 990.603,50 BASE CRÉDITO PIS COFINS - JANEIRO DE 2010 - ENERGIA ELÉTRICA (e-fl. 99) Valor R$ 202.175,08 BASE CRÉDITO PIS COFINS - JANEIRO DE 2010 - INSUMOS (e-fls. 101/109) Valor R$ 618.315,49 BASE CRÉDITO PIS COFINS - JANEIRO DE 2010 - TOTAL (e-fls. 110/119) Valor R$ 1.811.094,07 c) uma tabela presente no Dossiê 10010.016694/0316-98 (páginas 51 a 55 do PDF juntado às e-fls. 3 a 239), intitulada como BASE CRÉDITO PIS COFINS - FEVEREIRO DE 2010, que seria a base do pedido de ressarcimento para o mês de fevereiro de 2010, e que alcançaria o valor total de R$ 3.171.466,83; d) três tabelas do presente processo, relativas aos créditos pleiteados para o mês de fevereiro de 2010 (na verdade, são quatro tabelas), que foram juntadas pela Recorrente entre as e-fls. 14 a 25 quando da apresentação de sua Manifestação de Inconformidade. Essas são as quatro tabelas apresentadas pela Recorrente: BASE CRÉDITO PIS COFINS - FEVEREIRO 2010 - DEMAIS ELÉTRICA (e-fls. 14/16) Valor R$ 2.795.083,36 Fl. 368DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.074 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10218.900370/2016-22 13 BASE CRÉDITO PIS COFINS - FEVEREIRO DE 2010 - ENERGIA ELÉTRICA (e-fl. 17) Valor R$ 214.573,78 BASE CRÉDITO PIS COFINS - FEVEREIRO DE 2010 - INSUMOS (e-fls. 18/20) Valor R$ 161.809,69 BASE CRÉDITO PIS COFINS - FEVEREIRO DE 2010 - TOTAL (e-fls. 21/25) Valor R$ 3.171.466,83 Outras informações relevantes que constam do relatório elaborado pela Fiscalização em razão da diligência determinada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais dizem respeito aos fatos de que as planilhas apresentadas às e-fls. 110 a 119 (janeiro de 2010) e às e-fls. 21 a 25 (fevereiro de 2010) do presente processo correspondem às planilhas de insumos apresentadas pela ora Recorrente no curso da fiscalização (e que se encontram anexadas ao Dossiê 10010.016694/0316-98): 11. As tabelas, constantes neste processo e no Dossiê 10010.016694/0316-98, intituladas “BASE CRÉDITO PIS COFINS - JANEIRO DE 2010 – TOTAL” são idênticas e formadas pelos totais de créditos. ... 18. As tabelas, constantes neste processo e no Dossiê 10010.016694/0316-98, intituladas “BASE CRÉDITO PIS COFINS - FEVEREIRO DE 2010 – TOTAL” são idênticas e formadas pelos totais de créditos. Diante dessas informações, podemos concluir que a totalidade dos créditos pleiteados pela ora Recorrente no presente processo, relativos aos meses de janeiro e fevereiro de 2010, estão retratadas, respectivamente, nas planilhas de e-fls. 110 a 119 e e-fls. 21 a 25, cujas notas fiscais somam, respectivamente, R$ 1.811.094,07 e R$ 3.171.466,83. Foi dessas planilhas que partiu a Fiscalização para fins de análise dos créditos pleiteados pela Recorrente, tendo dali retirado, inicialmente, os gastos com energia elétrica, os quais foram integralmente considerados para fins de creditamento (R$ 202.175,08, em janeiro, e R$ 214.573,78, em fevereiro). Do que restou, a Fiscalização entendeu que: a) em relação às aquisições feitas pela Recorrente no mês de janeiro de 2010, apenas o carvão, o seixo, o minério e o calcário poderiam ser considerados insumos da produção e, por isso, elegeu como passível de creditamento apenas as notas fiscais listadas na planilha intitulada BASE CRÉDITO PIS COFINS - JANEIRO DE 2010 – INSUMOS (e-fls. 101 a 109), que somam R$ 618.315,49; e b) em relação às aquisições feitas pela Recorrente no mês de fevereiro de 2010, apenas o carvão e o minério poderiam ser considerados insumos da produção e, por isso, elegeu como passível de creditamento apenas as notas fiscais listadas Fl. 369DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.074 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10218.900370/2016-22 14 na planilha intitulada BASE CRÉDITO PIS COFINS - FEVEREIRO DE 2010 – INSUMOS (e-fls. 18 a 20), que somam R$ 161.809,69. Não obstante a possibilidade de creditamento sobre as notas fiscais listadas nessas planilhas de e-fls. 101 a 109 e e-fls. 21 a 25, a Fiscalização ainda glosou a Nota Fiscal nº 166, emitida pela SERRARIA AGROPAL em 18/01/2010, tendo em vista a sua não apresentação para fins de comprovação. Por isso a base de cálculo do crédito considerada pela Fiscalização, relativa aos insumos adquiridos pela Recorrente no mês de janeiro de 2010, alcançou o valor de R$ 614.548,41 (R$ 614.873,41 – R$ 325,00). Reproduzo o Quadro 4, apresentado no PARECER Nº 6 /DRF/MBA/EQUIORT e que pode ser visualizado na e-fl. 234: As demais aquisições feitas pela Recorrente nos meses de janeiro e fevereiro de 2010 foram glosadas pela Fiscalização sob o argumento de não se enquadrarem no conceito de insumo estabelecido pela IN SRF nº 247, de 2002. As notas fiscais relativas a essas aquisições estão referidas nas planilhas elaboradas pela Recorrente e intituladas BASE CRÉDITO PIS COFINS - JANEIRO DE 2010 - DEMAIS ENTRADAS (e-fl. 97) e BASE CRÉDITO PIS COFINS - FEVEREIRO DE 2010 - DEMAIS ELÉTRICA (sic!) (e-fls. 14 a 16), e alcançam o montante, respectivamente, de R$ 990.603,50 e R$ 2.795.083,36. E sobre essas glosas a DRJ não se pronunciou. Observe-se que, no Acórdão recorrido, a DRJ deixou de analisar essas glosas por ter entendido, de forma equivocada, que todas as glosas teriam sido motivadas pela falta de apresentação das respectivas notas fiscais: Compulsando os autos constata-se que a fiscalização registra divergências entre os valores dos bens utilizados como insumo nos meses de janeiro e fevereiro. No Dacon consta, para janeiro R$ 1.636.054,99 e para fevereiro R$ 2.952.950,97; na planilha apresentada pelo contribuinte consta, para janeiro R$ 614.873,41 e para fevereiro R$ 161.809,69; e as notas apresentadas totalizam R$ 614.548,41, referente janeiro e R$ 161.809,69, referente a fevereiro. Não merece guarida a alegação de que entradas de mercadorias e serviços teriam sido glosadas sem a fiscalização especificar quais bens glosou. A totalidade das glosas tem como fundamento a falta de apresentação das notas fiscais de entradas, em que pese tenha a fiscalização citado, em algum momento, a legislação que exige ação direta sobre o produto em fabricação. Vejamos o que diz a fiscalização. Fl. 370DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.074 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10218.900370/2016-22 15 31. Como pode-se observar no quadro acima há divergência entre os valores informados em DACON e Planilha, e os insumos apresentados nas Notas Fiscais “em papel”, nos meses de outubro, novembro e dezembro. Admitiremos os valores referentes a insumos conforme as Notas Fiscais “em papel” apresentadas pelo contribuinte, limitando-se ao valor informado em DACON, para prosseguimento da análise. 32. Percebe-se, após confrontar as informações da Planilha com a conferência física por amostragem das Notas Fiscais, que o contribuinte não apresentou algumas Notas Fiscais “em papel” que comprovassem alguns insumos listados na Planilha, ensejando glosa. 33. Determina o art. 76 da IN SRF nº 1.300, de 2012, que “a autoridade competente para decidir sobre o pedido de ressarcimento, restituição ou compensação de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos da pessoa jurídica a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas”. Ao não enfrentar essa questão, o Acórdão recorrido negou à ora Recorrente uma instância de julgamento sobre a matéria, o que claramente caracteriza cerceamento do direito de defesa e, nos termos do inciso II do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, enseja a nulidade do Acórdão 01-37.530 – 3ª Turma da DRJ/BEL. Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não obstante, antes de declararmos a nulidade do Acórdão recorrido, é preciso que verifiquemos a possibilidade de decidirmos o mérito a favor da Recorrente, o que ensejaria a aplicação do disposto no § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. Considerando essa possibilidade, e antevendo a existência de glosas promovidas pela Fiscalização que não teriam sido analisadas pela DRJ, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, quando converteu o julgamento em diligência por meio da Resolução 3201- 003.249, determinou que a unidade de origem reavaliasse se esses bens e serviços poderiam ser enquadrados no conceito de insumo estabelecido a partir da decisão do STJ proferida no REsp nº 1.221.170-PR: Fl. 371DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.074 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10218.900370/2016-22 16 Em se confirmando a existência das glosas reclamadas, a DRF de origem deverá reavaliá-las a fim de, considerando o critério da essencialidade e relevância trazido pela decisão do STJ proferida no REsp nº 1.221.170-PR, bem como a orientação veiculada na Nota SEI n° 63/2018/CRJ/PGACETVPGFN-MF e o Parecer Normativo Cosit nº 5, de 2018, concluir se os bens e serviços glosados se enquadram ou não no conceito de insumo, nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, elaborando, ao final, relatório conclusivo. Em cumprimento a essa determinação específica, a Fiscalização analisou as planilhas apresentadas pela ora Recorrente (presentes nas e-fls. 110 a 119 – janeiro de 2010 – e e- fls. 21 a 25 – fevereiro de 2010) e entendeu que, das notas fiscais ali relacionadas, aquelas relativas a Frete Gusa, Locação de máquinas, Embarque de ferro-gusa e Emissão de TR não gerariam direito a crédito das Contribuições não cumulativas: ... Em outras palavras, a Fiscalização, após a realização da diligência determinada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, reconheceu a possibilidade de aproveitamento de crédito relativo aos meses de janeiro e fevereiro de 2010 sobre a energia elétrica (R$ 202.175,08, em janeiro, e R$ 214.573,78, em fevereiro) e sobre os insumos listados nas tabelas Fl. 372DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.074 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10218.900370/2016-22 17 apresentadas nas e-fls. 330 a 338 (R$ 765.079,23 – janeiro de 2010) e e-fls. 339 a 342 (R$ 2.214.054,11 – fevereiro de 2010), tendo mantido a glosa sobre Frete Gusa, Locação de máquinas, Embarque de ferro-gusa e Emissão de TR (R$ 843.839,76 – janeiro de 2010 – e R$ 742.838,94 – fevereiro de 2010). Olhando para as glosas mantidas pela Fiscalização após a realização da diligência determinada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, entendo não ser possível revertê-las em sua integralidade, razão pela qual deixo de aplicar o disposto no § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e voto por declarar a nulidade do Acórdão 01-37.530 – 3ª Turma da DRJ/BEL, por cerceamento do direito de defesa. Conclusão Diante do exposto, voto por declarar a nulidade do Acórdão recorrido, determinando o retorno dos autos ao julgador a quo para que sejam enfrentadas todas as matérias suscitadas na Manifestação de Inconformidade e para que seja proferida nova decisão. Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles Fl. 373DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 10880.917385/2015-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
DIREITO CREDITÓRIO SALDO NEGATIVO DO IRPJ OU CSLL. CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DA PROVA DA RECORRENTE
O reconhecimento de direito creditório, relativo a saldo negativo apurado no final do período, condiciona-se à demonstração de sua existência, certeza e liquidez. A restituição de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito nos termos do artigo 170 do CTN. Incumbe ao contribuinte a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito pleiteado e, não desincumbindo deste ônus, não há como reconhecer o direito creditório.
Numero da decisão: 1402-007.637
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento, sendo rejeitada a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário no sentido de não reconhecer o direito creditório alegado tal como decidido pelo acórdão da DRJ, nos termos do voto do relator.
Assinado Digitalmente
Ricardo Piza Di Giovanni – Relator
Assinado Digitalmente
Sandro de Vargas Serpa – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros, Alexandre Iabrudi Catunda, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonca, Rafael Zedral, Ricardo Piza Di Giovanni, Gustavo Machado e Sandro de Vargas Serpa (Presidente).
Nome do relator: RICARDO PIZA DI GIOVANNI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 DIREITO CREDITÓRIO SALDO NEGATIVO DO IRPJ OU CSLL. CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DA PROVA DA RECORRENTE O reconhecimento de direito creditório, relativo a saldo negativo apurado no final do período, condiciona-se à demonstração de sua existência, certeza e liquidez. A restituição de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito nos termos do artigo 170 do CTN. Incumbe ao contribuinte a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito pleiteado e, não desincumbindo deste ônus, não há como reconhecer o direito creditório.
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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 DIREITO CREDITÓRIO SALDO NEGATIVO DO IRPJ OU CSLL. CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DA PROVA DA RECORRENTE O reconhecimento de direito creditório, relativo a saldo negativo apurado no final do período, condiciona-se à demonstração de sua existência, certeza e liquidez. A restituição de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito nos termos do artigo 170 do CTN. Incumbe ao contribuinte a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito pleiteado e, não desincumbindo deste ônus, não há como reconhecer o direito creditório. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento, sendo rejeitada a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário no sentido de não reconhecer o direito creditório alegado tal como decidido pelo acórdão da DRJ, nos termos do voto do relator. Assinado Digitalmente Ricardo Piza Di Giovanni – Relator Assinado Digitalmente Sandro de Vargas Serpa – Presidente Fl. 899DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.637 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.917385/2015-26 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros, Alexandre Iabrudi Catunda, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonca, Rafael Zedral, Ricardo Piza Di Giovanni, Gustavo Machado e Sandro de Vargas Serpa (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de pedido de restituição reclamado por meio do PER de nº 38980.73304.220714.1.2.02-7239, transmitido à RFB em 22/07/2014, no valor R$ 407.815,84, cuja origem do crédito seria Saldo Negativo. O indeferimento deveu-se ao fato de que “não houve apuração de crédito na Declaração de Informações Econômico-fiscais da pessoa jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP”, conforme abaixo colacionado: A manifestação de inconformidade defende a efetiva existência do direito creditório reclamado de R$ 407.815,84, afirmando que não foi levado em consideração pela autoridade fazendária a transmissão, em 20/03/2009, de DIPJ retificadora, por meio da qual o imposto originalmente declarado teria sido reduzido, revelando o indébito ora reclamado. Segue abaixo trechos da manifestação de inconformidade referente a esse tópico: A Manifestante descreveu que a ausência de validação da declaração retificadora teria ocorrido por conta do entendimento fazendário de que não seria possível alterar o sistema de tributação do lucro presumido para o lucro real, tal qual alega ter sido levado a efeito por meio da retificadora em tela. Na esteira desse pressuposto, apresenta argumentos em favor da tese de que a mudança de opção (do lucro presumido para o lucro real) encontra respaldo na legislação de regência. Reclama, inclusive, que o entendimento supostamente adotado pela autoridade fazendária teria descumprido “decisão" anterior do próprio órgão exarada em relação ao caso concreto, o que, por si só, deveria repercutir na nulidade do despacho decisório. Fl. 900DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.637 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.917385/2015-26 3 Reporta, ainda, ter ingressado com ação revisional na 22ª Vara Federal do Distrito Federal, “para que passem a ser consideradas as retificações da Opção pelo Regime do Lucro Presumido quanto aos exercícios de 2007 e 2008, para considerar o retorno ao Regime Geral de Arrecadação pelo Lucro real”. Requer, pois, o reconhecimento da nulidade do despacho decisório, bem como a reforma da decisão anteriormente adotada, de maneira que seja autorizada a restituição do crédito tributário reclamado. Registra, ao final, que o pedido de restituição fora formalizado antes de transcorrido o lapso prescricional. A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, para manter integralmente o despacho decisório. O Recurso Voluntário manteve os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. VOTO Conselheiro Ricardo Piza Di Giovanni, Relator O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo conhecido. Trata-se de pedido de restituição reclamado por meio do PER transmitido à RFB em 22/07/2014, no valor de R$ 407.815,84, cuja origem do crédito seria Saldo Negativo. O Despacho Decisório apontou que “não houve apuração de crédito na Declaração de Informações Econômico-fiscais da pessoa jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP”, conforme abaixo colacionado: A Recorrente defende a efetiva existência do direito creditório reclamado de R$ 407.815,84, afirmando que não foi levado em consideração pela autoridade fazendária a transmissão, em 20/03/2009, de DIPJ retificadora, por meio da qual o imposto originalmente declarado teria sido reduzido, revelando o indébito ora reclamado. O formulário eletrônico de fls. 758/760, transmitido em 22/07/2014 demonstra que o objeto do presente litígio se refere a crédito de saldo negativo de IRPJ do ano de 2009, exercício de 2010, como se vê na imagem a seguir: Fl. 901DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.637 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.917385/2015-26 4 Portanto, de fato, não há crédito a ser utilizado visto que a transcrição a seguir da ficha 12A da última DIPJ2010 retificadora constante dos registros da RFB, que foi transmitida pela contribuinte em 23/07/2014 evidenciam essa afirmação: Por outro lado, a Recorrente transmitiu a DIPJ2010 original em 30/06/2010 e a primeira retificadora em 15/07/2010, sendo que em ambas a opção adotada foi pelo lucro real e em nenhuma delas consta a apuração de saldo negativo de IRPJ, como se vê nas transcrições a seguir: Ficha 12 da DIPJ2010 original, transmitida em 30/06/2010 Fl. 902DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.637 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.917385/2015-26 5 Ficha 12 da DIPJ2010 retificadora, transmitida em 15/07/2010 A Recorrente deixou de apresentar as provas adequadas e nos momentos adequados sem justificativa para tal, tentando valer-se de uma presunção de validade de seus documentos, presunção essa que, apesar da existência do princípio da formalidade moderada, não é aplicada no processo administrativo tributário. Fl. 903DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.637 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.917385/2015-26 6 Caberia a Recorrente ter organizado as provas de maneira coerente, apresenta-as no momento correto e com as formalizadas condizentes com as épocas dos fatos, não podendo atribuir ao julgador o dever dar sentido aos documentos juntados. De acordo com os artigos 341 e 373, II, do CPC, aplicáveis subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal, não é aceito no ordenamento jurídico pátrio contestação genérica, cabendo ao réu alegar toda a matéria de defesa, expondo as razões de fato e de direito, com que impugna o pedido do autor. Por princípio básico do direito, alegações devem vir acompanhadas de força probatória por quem as aduzem, sob pena de serem meras alegações, desprovidas de prova. Diante o exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Voluntário e a ele negar provimento. Assinado Digitalmente Ricardo Piza Di Giovanni Fl. 904DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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