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Numero do processo: 16624.000479/2005-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo.
Inadmissível a mera alegação da existência de um direito sem os documentos fiscais comprobatórios de suas alegações.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-002.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Fez sustentação oral: Dr. Carlos Eduardo Marino Orsolon OAB - 222242 - SP.
[assinado digitalmente]
RICARDO PAULO ROSA - Presidente.
[assinado digitalmente]
MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Ausente justificadamente o Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito sem os documentos fiscais comprobatórios de suas alegações. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Fez sustentação oral: Dr. Carlos Eduardo Marino Orsolon OAB 222242 SP. [assinado digitalmente] RICARDO PAULO ROSA Presidente. [assinado digitalmente] MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 62 4. 00 04 79 /2 00 5- 08 Fl. 958DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Ausente justificadamente o Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Tratase de Declaração de Compensação protocolada em 29/11/2005, na qual a contribuinte buscava compensar seus débitos relativos a tributos administrados pela Receita Federal utilizando crédito de Cofins nãocumulativa, relativo ao período de apuração setembro de 2005, no importe de R$ 2.397.869,22. Analisada a pretensão da contribuinte, o Seort da DRF/Guarulhos emitiu o Despacho Decisório nº 535, por meio do qual não homologou a compensação, sob o fundamento de que a documentação apresentada pela contribuinte em resposta às diversas intimações seria insuficiente para reconhecimento do crédito pleiteado, registrando ainda que o contribuinte não atendeu integralmente as intimações nos prazos fixados, deixando de apresentar elementos essenciais ao exame do pleito, notadamente:(grifei). Contratos de Fechamento de Câmbio e telas do siscomex de todas as operações de exportação; Notas fiscais de serviços utilizados como insumos; Comprovantes de despesas de armazenagem e frete; Documentos comprobatórios de créditos a descontar de PIS importação, entre outros. Argumentou a autoridade do Seort que, nos termos da lei n° 9.784/99, caberia à contribuinte provar os fatos que tenha alegado, e que a autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderia condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos que comprovassem o crédito, conforme o disposto na Instrução Normativa RFB n° 900/2008. A autoridade salientou que, embora a contribuinte tenha atendido parcialmente às intimações, a documentação apresentada ainda careceu dos elementos imprescindíveis à análise do direito creditório, tornando inviável a apuração do crédito de Cofins referente ao mês de setembro/2005. Finalizou o Despacho aditando que, uma vez não comprovados os créditos informados na declaração de compensação, tornou se obrigatória a cobrança dos débitos compensados. Cientificada do Despacho Decisório em 15/12/2009, no dia 14/01/2010 a contribuinte apresentou manifestação de Fl. 959DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 16624.000479/200508 Acórdão n.º 3302002.899 S3C3T2 Fl. 845 3 inconformidade acompanhada dos documentos de fls. 270/551, alegando, em síntese, o que segue. Inicialmente, a contribuinte alegou que a declaração de compensação foi protocolada em conformidade com a Instrução Normativa n° 460, de 18 de outubro de 2004, norma vigente à época do feito. Entende a interessada que o crédito em questão possui um tratamento próprio e específico no que diz respeito à sua recuperação, que está previsto no § 2° do artigo 22 da referida instrução normativa. Sustenta que, de acordo com este dispositivo, a liquidez e a certeza do direito ao ressarcimento de créditos dessa natureza é verificada, em princípio, no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON). Segundo afirma a interessada, as informações contidas no DACON seriam completas e detalhadas e a IN SRF n° 460, de 2004, não exigiria da contribuinte a apresentação de qualquer outro documento adicional a fim de demonstrar o seu direito creditório. A contribuinte prossegue alegando que, “de acordo com a disposição contida no artigo 24” da referida norma, “depreendese que a autoridade fiscal competente para analisar o pedido de ressarcimento nestes casos, poderá, se for o caso, exigir do contribuinte a apresentação de outros documentos comprobatórios do respectivo crédito, assim como determinar a realização de diligência fiscal com vistas à comprovação do direito creditório do contribuinte” (o destaque é do original). A contribuinte alegou ainda que o DACON possuiria, por si só, presunção relativa de veracidade, e seria, portanto, o único documento exigido pela IN SRF n° 460, de 2004; assim, apenas em caso de necessidade de verificação da exatidão das informações prestadas no DACON é que esta instrução normativa faculta às autoridades fiscais exigir outros documentos para a apreciação do pedido de ressarcimento; reitera que “em princípio, o DACON conhecido pelas autoridades fiscais já lhes fornece todas as informações necessárias à revisão do direito creditório requerido, não sendo, via de regra, necessária a apresentação de outros documentos”. Na sequência, afirmou: (...) A contribuinte prosseguiu exaustivamente neste tema e concluiu afirmando que: não havia obrigação legal de apresentar qualquer outro documento conjuntamente com o formulário de Declaração de Compensação e respectivos formulários de detalhamento de crédito, uma vez que a IN SRF 460/04 somente exigia, nestes casos, que o DACON fosse conhecido pelas autoridades fiscais; Fl. 960DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 4 em caso de dúvida adicional acerca do direito creditório devidamente informado no DACON, caberia às autoridades fiscais requerer a apresentação de documentos adicionais ou, então, determinar a realização de diligência fiscal à sede da empresa (conforme artigo 24 da IN SRF 460/04); não se dando por satisfeita com os esclarecimentos e documentos adicionais apresentados, as autoridades fiscais deveriam emitir um Despacho Decisório justificado, apontando detalhadamente as inconsistências não comprovadas que levaram a sua conclusão pelo indeferimento do pedido de ressarcimento. Depois, registrando que o fazia “apenas para evitar qualquer alegação no sentido da preclusão de seu direito a apresentar uma documentação que (...) entende não estar obrigada a apresentar”, a contribuinte afirma estar juntando documentos, e discorre sobre os documentos que juntou à manifestação de inconformidade. Ao final, pleiteou que, caso fosse determinada por esta DRJ a conversão do julgamento em diligência, fossem respondidos os seguintes quesitos: (i) Os documentos fiscais e contábeis da Requerente estão em conformidade com os valores de créditos por ela informados no DACON? (ii) O detalhamento do crédito informado nos formulários “Créditos do PIS/COFINS” anexos à DCOMP estão de acordo com a efetiva utilização do crédito feita pela Manifestante no período discutido no Despacho Decisório? (iii) É procedente o crédito de PIS/COFINS utilizado na DCOMP analisada no presente processo? Em face das alegações e, especialmente, dos documentos apresentados pela contribuinte junto com sua manifestação de inconformidade, a 3ª Turma da DRJ/Campinas decidiu converter o julgamento em diligência, por meio da Resolução nº 2.966, de 14/06/2010, da qual destacamos o trecho a seguir transcrito: Como já abordado anteriormente, somados à presente manifestação de inconformidade, a contribuinte juntou outros documentos que não haviam sido apresentados à autoridade da DRF em Guarulhos que analisou inicialmente o processo. Sendo assim, por conta da glosa total dos créditos calculados sobre insumos, e, por terem sido juntados novos documentos pela contribuinte na presente manifestação de inconformidade, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, encaminhando o presente processo à DRF de origem para que a autoridade responsável designada por esta verifique: se as exportações contidas na listagem de fls. 114/121 verso realizadas pela contribuinte estão, em quantidade e valor, confirmam as informações contidas no DACON para o mês analisado; Fl. 961DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 16624.000479/200508 Acórdão n.º 3302002.899 S3C3T2 Fl. 846 5 se foram observadas as normas para o rateio proporcional indicado pela contribuinte, na relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa, auferida no mês, para o cálculo do crédito de PIS do mercado externo; se as importações contidas na listagem de fls. 123/141 verso foram de bens utilizados como insumos nas mercadorias exportadas, e se houve recolhimento pela contribuinte da contribuição nestas importações; se são comprovados os gastos com energia elétrica, com base nos documentos apresentados de fl. 358 verificando a correta correspondência ao mês de janeiro/2005, considerando que a contribuinte pleiteou o direito creditório deste mês específico, e não do trimestre (o crédito de COFINS do mercado externo referente ao mês de abril/2005, por exemplo, foi pleiteado no processo n° 10875.721093/200911);(sic). se são comprovadas, através de documentos hábeis e idôneos, as aquisições de bens utilizados como insumos, da listagem de fls. 247/349; se são comprovadas, através de documentos hábeis e idôneos, as despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica, da listagem de fl. 357; se são comprovados, através de documentos hábeis e idôneos, os serviços utilizados como insumos, da listagem de fls. 351/361; se são comprovadas, através de documentos hábeis e idôneos, as despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, da listagem de fls. 353/356. Ficará a critério da unidade de origem a metodologia a ser aplicada nos exames solicitados. Ao final, manifestese conclusivamente acerca do trabalho fiscal, informando acerca da existência e disponibilidade do crédito aproveitado na DCOMP, cientificando a contribuinte do resultado, bem como dos respectivos demonstrativos das comprovações acima solicitadas, e reabrindo o prazo regulamentar para a interessada, se for de seu interesse, complementar suas razões de manifestação de inconformidade. Os autos retornaram à DRF/Guarulhos, que adotou as medidas que entendeu necessárias ao atendimento do solicitado na Resolução n° 2.966. É oportuno registrar que a autoridade competente procedeu conjuntamente à análise relativa a diversos processos, que tratam de créditos de PIS e de Cofins não cumulativos referentes a vários períodos de apuração. No decorrer da análise, após diversas intimações não integralmente atendidas e dilações de prazo solicitadas e concedidas, no dia 02/07/2013 a autoridade incumbida da diligência emitiu Termo de Constatação Fiscal, no qual reafirmava a impossibilidade da análise que se fazia necessária, Fl. 962DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 6 em face do não atendimento integral às intimações e, consequentemente, decidia por retornar os autos à DRJ/Campinas com sugestão de não reconhecimento do direito creditório. Cientificada em 03/07/2013, no dia 01/08/2013 a contribuinte manifestouse acerca do referido Termo procurando justificarse quanto ao não atendimento integral das intimações e solicitando que os processos permanecessem por mais algumas semanas na DRF/Guarulhos, sob alegação de que, em assim sendo, teria condições de apresentar os documentos faltantes. A autoridade responsável pela diligência não se manifestou expressamente sobre este pedido, o qual, no entanto, foi acolhido, posto que novos documentos foram apresentados pela contribuinte e, no dia 05/05/2014, referida autoridade apresentou suas conclusões em novo Termo de Constatação Fiscal. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. DILIGÊNCIA. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser ressarcido/restituído ou utilizado em compensação. Apresentados novos documentos com a manifestação de inconformidade e, mediante realização de diligência fiscal, comprovado parcialmente o crédito alegado, e no silêncio da contribuinte acerca do resultado da diligência, reconhecese parcialmente o direito creditório. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após ciência em 14/10/2014, conforme Termo de Abertura de Documento, fl. 739, apresenta tempestivamente em 12/11/2014, fls. 742/775 e documentos anexados, fls.743/837, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Inicialmente recompõe os fatos que deram origem à apresentação das Declarações de Compensação apresentadas pela Recorrente no anocalendário de 2005 visto que estava sujeita ao regime nãocumulativo de apuração da Contribuição para o Programa de Integração (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), tendo apurado nos termos das Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, créditos referentes às referidas contribuições no tocante às suas receitas de exportação, os quais foram utilizados em compensações administrativas com tributos federais; destaca que em 2005 a Recorrente auferiu tanto receitas no mercado interno, sujeitas ao PIS e à COFINS de acordo com o regime nãocumulativo, como receitas não sujeitas ao PIS e à COFINS, visto que decorrentes de exportação de mercadorias ao exterior ou Fl. 963DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 16624.000479/200508 Acórdão n.º 3302002.899 S3C3T2 Fl. 847 7 de vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim de exportação ou ainda a empresas situadas na Zona Franca de Manaus; aduz argumentos já colacionados à Manifestação de Inconformidade, notadamente quanto à suposta ausência de fundamentação do Despacho Decisório nº 535; reproduz os quesitos que motivaram a o pedido de diligência pela DRJ; porém a matéria nuclear de sua peça recursal consiste em demonstrar o equívoco da decisão DRJ ao ratificar o segundo Termo de Constatação Fiscal e a elencar segundo seu entendimento os equívocos do referido segundo Termo de Constatação Fiscal, como a seguir se resume, exemplificativamente, o item 52 da peça recursal: a) o aumento do débito de PIS e de COFINS nos meses de 2005, antes do desconto de créditos é indevido, em razão da decadência do direito de se rever em 2014 a base de cálculo do PIS e da COFINS de 2005; b) a glosa de crédito do mercado interno é indevida pelos mesmos motivos, já que serviu apenas para majorar os débitos de PIS e de COFINS de 2005. Nesse sentido, a diligência foi solicitada para se verificar os créditos de PIS e de COFINS apenas vinculados às receitas de exportação; c) o direito das autoridades fiscais de analisarem os créditos vinculados ao mercado interno está decaído, já que nunca houve DCOMP pleiteando tais créditos. Ainda que a análise dos créditos vinculados às receitas de exportação pudesse estar correlacionada com a verificação dos créditos de mercado interno, ainda assim estaria decaído o direito de a fiscalização se utilizar do novo valor apurado (menor) de crédito de mercado interno, na medida em que ele acaba alterando o valor do suposto novo débito de PIS ou COFINS apurado para mais; d) não se mostra preciso o método adotado pela fiscalização para a apuração de diferenças entre as despesas incorridas pela Recorrente informadas em seu DACON e aquelas consideradas no Termo de Constatação Fiscal; e) há erros pontuais cometidos pela fiscalização , como, em relação à COFINS do mês de janeiro, o valor da linha "NF não apresentada" está erroneamente duplicado; f) no tocante aos créditos de PIS e COFINSImportação apropriados pela Recorrente na apuração de seus créditos, verificase que a fiscalização verificou recolhimentos de tais tributos de valores superiores àqueles indicados em DACON, mas não houve apropriação dos valores pagos a maior na reapuração do PIS e da COFINS, o que demonstra uma total parcialidade na condução da diligência por parte da fiscalização; g) os créditos de PIS e COFINS não englobam todos os meses de 2005, assim não houve o protocolo de qualquer DCOMP visando compensar créditos de PIS e COFINS relativos às exportações referentes aos meses de março e agosto/2005, ainda assim a fiscalização efetuou a reapuração do PIS março e agosto em um procedimento sem qualquer base legal, com impacto os meses seguintes; Ainda complementa que : Fl. 964DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 8 Não se alegue como pretenderam as decisões de primeira instância administrativa da DRJRibeirão Preto que não existia controvérsia acerca dos valores creditórios passíveis de recolhimento, pois a Recorrente não teria se manifestado acerca do Termo de Constatação Fiscal; Referido tipo de presunção não encontra guarida no processo administrativo fiscal. O Decreto nº 70.235, de 1972 é muito claro , no sentido de que concluída a diligência, o processo deve retornar à DRJ para análise, independentemente de ter havido não manifestação contra o relatório de conclusão da diligência, uma vez que o processo administrativo é pautado pela legalidade e pela busca da verdade material; Ao receber o segundo Termo de Constatação Fiscal e ter sido informada verbalmente que ainda poderia apresentar a documentação indicada como faltante, entendeu a Recorrente que, semelhantemente ao que havia ocorrido quando recebeu o primeiro Termo de Constatação, os 12 processos não seriam remetidos à DRJ; A recorrente está em vias de concluir a localização da documentação e que apresentará organizada e integralmente a E. CARF, a fim de refutar as alegações do Termo de Constatação Fiscal, em vista disso, em prol do princípio da verdade material, protestase desde já pela posterior juntada da referida documentação. Ao final requer: a) a apensação do presente processo aos processos nºs: 10875.001972/200507, 10875.001032/200518, 10875.001627/200565, 10875.002155/200568, 10875.002303/200544, 160875.721091/200921, 10875.721093/200911, 160098.000064/200955, 16098.000065/200908, 16624.000479/200508, 16624.000858/200590; b) a reforma do acórdão proferido pela DRJ Ribeirão Preto com a consequente anulação do Despacho Decisório, ou caso assim não se entenda, pelo menos a anulação do segundo Termo de Constatação Fiscal e da decisão da DRJ Ribeirão Preto que o ratificou. Quando da sustentação oral, entre os argumentos apresentados da tribuna, notadamente quanto a não apresentação de inconformidade quando da ciência do segundo Termo de Constatação Fiscal, arguiu o Patrono: a Recorrente não apresentou manifestação de inconformidade visto que não houve encerramento da ação fiscal, apenas a emissaõ de um mero Termo de Constatação; em face do grande volume de documentos coletados não foi possível fazer a solicitação de juntada destes antes do julgamento. Em 15/12/2015, através do Termo de Solicitação de Juntada, fl.844 apresenta petição e documentos diversos. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Fl. 965DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 16624.000479/200508 Acórdão n.º 3302002.899 S3C3T2 Fl. 848 9 Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Do ônus probatório Da análise preliminar da peça recursal verificase que o litígio prendese a duas questões principais: a responsabilidade sobre o ônus probatório no caso dos autos e o direito de litigar acerca de matéria não suscitada em sede de primeira instância administrativa. Com o intuito de balizar a discussão inicial é importante trazer à colação as disposições do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003)(grifei). Das disposições legais acima citadas inferese que há dois pilares essenciais na discussão acerca das declarações de compensação que podem ser identificados nas seguintes questões: a) deflagração do pleito pelo sujeito passivo [entrega pelo sujeito passivo de declaração quanto aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados]; b) a extinção do crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Fl. 966DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 10 É digno de realce que os pilares acima destacados como a seguir se verá têm importância tanto no aspecto material quanto no aspecto formal, já que a partir de tal disposição normativa verificase que no tocante ao direito creditório pleiteado, conforme o primeiro pressuposto indicado, a deflagração do ato é do sujeito passivo mediante a entrega da declaração de compensação, sendo esta uma confissão de dívida, atribuição conferida pelo § 6º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. O segundo pressuposto é de que o crédito tributário é extinto sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Com os pressupostos acima estabelecidos, em se tratando de direito creditório pleiteado é importante demonstrar em breve abordagem a questão quanto ao ônus probatório, bem como o regramento processual quanto à via contenciosa na esfera administrativa. Utilizandose subsidiariamente as regras do Código de Processo Civil CPC, verificase: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. Disciplina o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. No presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, incumbindo ao autor a prova quanto ao fato constitutivo do seu direito. No caso em exame, a interessada declarou à Administração Tributária possuir um montante de crédito, utilizado para extinguir os débitos compensados. Nesses termos, cabe à interessada a prova da existência de seu direito, demonstrando a liquidez e certeza dos créditos alegados, utilizados para extinção do crédito tributário sob condição resolutória, através da apresentação ao fisco, quando solicitado, dos livros e documentos estabelecidos pela legislação para a comprovação da exatidão de suas informações. Nesse sentido disciplina a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008, DOU de 31/12/2008: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito Fl. 967DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 16624.000479/200508 Acórdão n.º 3302002.899 S3C3T2 Fl. 849 11 passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas.(grifei). Cabe ainda destacar que o dever de apresentação ao fisco da documentação exigida repousa em base legal como se verá, a título exemplificativo: · Código Tributário Nacional CTN, artigo 195: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram.(grifei). · Lei nº 9.430, de 1996, art. 34: Acesso à Documentação Art.34.São também passíveis de exame os documentos do sujeito passivo, mantidos em arquivos magnéticos ou assemelhados, encontrados no local da verificação, que tenham relação direta ou indireta com a atividade por ele exercida.(grifei). Conforme relatado, a DCOMP apresentada foi submetida a análise pela autoridade competente para decidir acerca do direito pleiteado: · Seort da DRF/Guarulhos emitiu o Despacho Decisório nº 535, por meio do qual não homologou a compensação, sob o fundamento de que a documentação apresentada pela contribuinte em resposta às diversas intimações seria insuficiente para reconhecimento do crédito pleiteado, registrando ainda que o contribuinte não atendeu integralmente as intimações nos prazos fixados, deixando de apresentar elementos essenciais ao exame do pleito, Restando não homologados os créditos pleiteados, demonstrase a seguir de forma sumarizada os desdobramentos e tramitação processual respectivos. Uma vez nãohomologada a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), é facultada ao sujeito passivo a apresentação de manifestação de inconformidade às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ contra a não homologação da compensação pela autoridade competente para decidir o pleito (no prazo de trinta dias da ciência da nãohomologação), assim como a apresentação de recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF contra o acórdão das DRJ que manteve a não Fl. 968DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 12 homologação da compensação (no prazo de trinta dias da ciência do acórdão), conforme previsão dos §§ 7º a 10 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Usando da faculdade que lhe o confere o referenciado dispositivo legal, o contribuinte ingressou com a Manifestação de Inconformidade acompanhada dos documentos de fls. 270/551. Na sequência, a 3ª Turma da DRJ/Campinas decidiu converter o julgamento em diligência, por meio da Resolução nº 2.966, de 14/06/2010. Da diligência solicitada temse os seguintes resultados: 1) Termo de Constatação Fiscal, fls. 618/623, do qual se destaca: Decorrido 7 meses da solicitação da apresentação das notas fiscais (15 de agosto a 26 de março) e maior tempo de outras intimações anteriores, a empresa ainda iria pedir as caixas no arquivo externo, demonstrando a falta de dedicação ao atendimento às solicitações feita pela fiscalização.(grifei). É importante ressaltar excertos da decisão de piso acerca do referido termo: No decorrer da análise, após diversas intimações não integralmente atendidas e dilações de prazo solicitadas e concedidas, no dia 02/07/2013 a autoridade incumbida da diligência emitiu Termo de Constatação Fiscal, no qual reafirmava a impossibilidade da análise que se fazia necessária, em face do não atendimento integral às intimações e, consequentemente, decidia por retornar os autos à DRJ/Campinas com sugestão de não reconhecimento do direito creditório. Cientificada em 03/07/2013, no dia 01/08/2013 a contribuinte manifestouse acerca do referido Termo procurando justificar se quanto ao não atendimento integral das intimações e solicitando que os processos permanecessem por mais algumas semanas na DRF/Guarulhos, sob alegação de que, em assim sendo, teria condições de apresentar os documentos faltantes. A autoridade responsável pela diligência não se manifestou expressamente sobre este pedido, o qual, no entanto, foi acolhido, posto que novos documentos foram apresentados pela contribuinte e, no dia 05/05/2014, referida autoridade apresentou suas conclusões em novo Termo de Constatação Fiscal, a seguir transcrito: 2) Termo de Constatação Fiscal, fls. 713/717. A decisão de piso assim se manifesta: A contribuinte não se manifestou sobre o resultado da diligência solicitada. Todavia, o silêncio da interessada não afasta o dever de examinarmos as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade e a repercussão, sobre o Despacho Decisório, das conclusões a que chegou a AFRFB responsável pela diligência acerca do direito creditório pleiteado. Fl. 969DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 16624.000479/200508 Acórdão n.º 3302002.899 S3C3T2 Fl. 850 13 Ante o exposto constatase que foram feitas várias intimações, antes de ser exarado o Despacho Decisório não homologatório nº 535 e ainda, após instaurado o litígio, a instância julgadora a quo, diante da novel documentação apresentada na Manifestação de Inconformidade converteu o julgamento em diligência, em razão de sua competência regimental, nos termos do 1art.233, inciso IV, da Portaria MF nº 203, de 2012, DOU de 17/05/2012, que aprova o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB para julgamento de litígio instaurando em decorrência de apresentação de inconformidade contra apreciações das autoridades em processos relativos a compensação, para que a autoridade jurisdicionante, competente para decidir o pleito procedesse a análise da documentação apresentada, ensejando em decorrência os dois termos de constatação fiscal acima mencionados, sendo importante ressaltar que ao exarar o primeiro Termo de Constatação, após cientificado, o contribuinte solicitou prazo adicional para apresentação de documentos, sendo acolhido, se não expressamente, de maneira tácita, já que novos documentos foram apreciados, resultando no segundo Termo de Constatação Fiscal, fls. 713/717. Verificase assim que quanto ao aspecto material, visando conferir a liquidez e certeza do crédito alegado, foi procedida a verificação junto ao contribuinte do suporte probatório que lhe competia demonstrar, conforme dispõe a legislação de regência, quantos às operações que ensejariam referido crédito, no entanto como já sobejamente explicitado, o contribuinte ofereceu apenas parte da documentação, que se mostrou insuficiente para homologar totalmente o crédito pleiteado. Digno de nota que embora regularmente cientificado do segundo Termo de Constatação Fiscal, declinou o contribuinte de exercer o seu direito de defesa, já que não houve a contestação na Manifestação de Inconformidade quanto ao referido termo. Inferese portanto que o contribuinte não desincumbiu do ônus probatório que lhe competia para demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito. Inexistindo contestação acerca do segundo termo de contestação a instância a quo procedeu ao julgamento com a apreciação das matérias litigadas na Manifestação de Inconformidade apresentada e o resultado da diligência solicitada, cujo conteúdo decisório se demonstra a seguir, por alguns excertos: Conforme já anteriormente mencionado, a autoridade fiscal responsável pela realização da diligência analisou conjuntamente os créditos de PIS e Cofins alegados pela contribuinte em 12 processos administrativos. Nesta análise conjunta concluiu que os créditos a que a contribuinte tinha direito eram inferiores aos pleiteados, pois a interessada teria 1 Art. 233. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, com jurisdição nacional, compete conhecer e julgar em primeira instância, após instaurado o litígio, especificamente, impugnações e manifestações de inconformidade em processos administrativos fiscais: (...) IV contra apreciações das autoridades competentes em processos relativos a restituição, compensação, ressarcimento, reembolso, imunidade, suspensão, isenção e redução de alíquotas de tributos, Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), indeferimento de opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), e exclusão do Simples e do Simples Nacional. Fl. 970DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 14 substimado as bases de cálculo das contribuições devidas e superstimado as bases de cálculo dos créditos a serem descontados. No Termo de Constatação Fiscal de fls. 713/715, integralmente transcrito no Relatório deste Acórdão, e nos arquivos digitais que o integram e complementam, referida autoridade detalhou as razões das glosas relativas aos créditos, bem como as receitas que a contribuinte teria excluído indevidamente das bases de cálculo das contribuições devidas.(grifei). Nos arquivos digitais denominados “Dem. Apuração Saldo de Créditos –Cofins” e “Dem. Apuração Saldo de Créditos – PIS”, nas planilhas denominadas “Saldo de Céditos pCompens.”, a autoridade fiscal apresentou, para cada um dos meses em exame, os valores dos saldos de créditos disponíveis para utilização em declarações de compensação. No quadro a seguir, reproduzimos as informações constantes das referidas planilhas:(sic) Como vimos, a contribuinte, regularmente cientificada, não se manifestou acerca das conclusões a que chegou a autoridade responsável pela realização da diligência. Assim, não existe controvérsia acerca dos valores dos direitos creditórios passíveis de reconhecimento. Consequentemente, deverão ser reconhecidos os créditos pleiteados, limitados aos valores constantes do quadro acima. No quadro a seguir, relacionamos os doze processos examinados na diligência, os créditos neles pleiteados e os valores dos créditos a serem reconhecidos: Fl. 971DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 16624.000479/200508 Acórdão n.º 3302002.899 S3C3T2 Fl. 851 15 Do ponto de vista formal, com fulcro no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação da Lei nº 9.532, de 1997, [Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997), assim os argumentos de mera presunção quanto ao direito à via recursal, ainda que silente em relação à primeira instância, não podem ser acolhidos, uma vez que as matérias submetidas à primeira instância determinam os limites do litígio na via contenciosa administrativa, de modo que a matéria não contestada em primeira instância administrativa, suscitada pela recorrente somente na peça recursal, tornase preclusa, visto que não instaurado o litígio quanto à essa matéria, condição, segundo a norma que rege o processo administrativo fiscal para submeterse ao duplo grau de jurisdição. Por oportuno, cabe registrar que quando da sustentação oral, entre os argumentos para justificar a não contestação do segundo Termo de Constatação arguiu o Patrono que não houve encerramento da ação fiscal, apenas um mero Termo de Constatação. Compulsandose os autos, verificase que não assiste razão à defesa haja vista está expressamente consignado no segundo Termo de Constatação Fiscal de fls. 713/717, a informação quanto ao encerramento da ação fiscal bem como quanto a abertura de prazo de 30 (trinta) dias para apresentação de manifestação de inconformidade, como a seguir se demonstra através dos seguintes excertos: "Dos exames realizados para atendimento da solicitação, com relação a existência dos créditos aproveitados nas DCOMPs, esta ação fiscal está sendo concluída, com os resultados discriminados abaixo:"(grifei). (...) Acerca dos fatos expostos, dos demonstrativos e dos novos valores dos créditos a serem aproveitados na DCOMP, fica Fl. 972DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 16 facultado à contribuinte o prazo de 30 (trinta) dias para apresentação de manifestação de inconformidade.(grifei). Digno ainda de nota que a solicitação de juntada de documentos em 15/12/2015, conforme relatado foi efetuada após o julgamento do presente processo, corroborando a fundamentação já delineada quanto a não apresentação de manifestação de inconformidade relativa ao segundo Termo de Constatação no prazo legal estabelecido com os motivos de fato e de direito para fundamentar sua contestação, bem como os pontos de discordância, as razões e provas que visassem infirmar o referido termo. Assim os documentos apresentados somente em 15/12/2015 não encontram respaldo nas disposições excepcionais previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações respectivas: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4.º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a)fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b)refirase a fato ou a direito superveniente; c)destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Todo o parágrafo 4.o incluído pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) § 5.º. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) § 6.º. Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997).(grifei). Nesse mister, ante os fundamentos acima expostos deixo de conhecer a contestação somente em sede recursal quanto ao segundo Termo de Constatação Fiscal, fls. 713/717, mantendo in totum a decisão de piso, bem como os documentos cuja solicitação de juntada foi posterior ao julgamento do presente processo. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 973DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 16624.000479/200508 Acórdão n.º 3302002.899 S3C3T2 Fl. 852 17 Fl. 974DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR
score : 1.0
Numero do processo: 10166.721785/2009-65
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Oct 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 18/09/2009
LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. DEIXAR DE PREPARAR FOLHA DE PAGAMENTO CONFORME OS PADRÕES.
Deixar de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos seguras a seu serviço conforme os padrões e normas estabelecidos pela Seguridade Social constitui infração à obrigação instrumental ao artigo 32, Inciso I, da Lei n° 8.212/1991.
Numero da decisão: 2803-004.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 18/09/2009 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. DEIXAR DE PREPARAR FOLHA DE PAGAMENTO CONFORME OS PADRÕES. Deixar de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos seguras a seu serviço conforme os padrões e normas estabelecidos pela Seguridade Social constitui infração à obrigação instrumental ao artigo 32, Inciso I, da Lei n° 8.212/1991.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/09/2009 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. DEIXAR DE PREPARAR FOLHA DE PAGAMENTO CONFORME OS PADRÕES. Deixar de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos seguras a seu serviço conforme os padrões e normas estabelecidos pela Seguridade Social constitui infração à obrigação instrumental ao artigo 32, Inciso I, da Lei n° 8.212/1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 17 85 /2 00 9- 65 Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.721785/200965 Acórdão n.º 2803004.074 S2TE03 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA. Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.721785/200965 Acórdão n.º 2803004.074 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o colegiado antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazê lo. Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. O presente recurso voluntário busca a reforma da decisão que manteve o lançamento do Auto de Infração lavrado contra a empresa em virtude do descumprimento da obrigação acessória de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos seguras a seu serviço conforme os padrões e normas estabelecidos pela Seguridade Social referente ao período de 01/2005 a 12/2007, declarando como optante do Simples, no referente à diferença de base de cálculo, alimentação paga em pecúnia, transporte pago em pecúnia, prolabore, gratificações e hora extra. O recurso voluntário apresentado tempestivamente, alegando não ser cabível a exigência do MANAD de empresas excluídas do Simples/Simples Nacional, bem como o julgamento presente depende do julgamento dos lançamentos (AIOP Nº 37.201.2175; 37.201.2183 e 37.201.2205). É o relatório. Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.721785/200965 Acórdão n.º 2803004.074 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo integralmente as razões de decidir do então conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. I O recurso foi apresentado tempestivamente, conforme supra relatado, atendido os pressupostos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido. II Quanto à questão levantada, quanto aos efeitos da declaração de exclusão do Programa SIMPLES desde 01.01.2002, mas a parte não comprovou que permaneceria inclusa. Mesmo assim, o ato de exclusão e sua possível anulação é apreciado em procedimento próprio e diverso, como observado pela decisão a quo, não podendo ser rediscutido dentro do procedimento de lançamento de contribuições previdenciárias, porque conforme o art. 2º, inciso V, do Regimento Interno do CARF/MF, a competência para processamento e julgamento de recursos que discutam propriamente essa materia é da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho. Tal incompetência para apreciação inclui inclusive quanto aos efeitos da retroatividade das decisões de exclusão, pois são matérias atinentes às próprias causas da mesma. Inclusive, os artigos 13 e 15 da Lei n° 9.317/96 e artigos 28 e 31 da LC n° 123/06. Assim, as alegações da ilegalidade da exclusão da Recorrente do SIMPLES, bem como a extensão temporal de seus efeitos, não devem ser conhecidos por ora, conhecendo se apenas as demais matérias devolvidas à apreciação. Ainda, a discussão administrativa de inconformidade com a exclusão de tal regime não tem efeitos suspensivos, pois não tratase de lançamento tributário, logo não encontrase entre as causas de suspensão dos efeitos do ato administrativo do art. 151, do CTN. O lançamento não pode ser assim sobrestado. Entretanto, é óbvio que decisão de cancelamento da exclusão, é causa primeira de cancelamento e plena nulidade do lançamento. Ou seja, caso venha a ser consolidada a situação de permanência da contribuinte no SIMPLES, ensejará em vício absoluto de origem do lançamento ora discutido. Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.721785/200965 Acórdão n.º 2803004.074 S2TE03 Fl. 6 5 Assim, a alegação de que haveria aplicação do regime normal de tributação, inclusive previdenciária, somente após a notificação do ato de exclusão do regime de tributação SIMPLES, que supostamente não ocorreu, e que seus efeitos não seriam retroativos, carece de razão. Assim, os créditos tributários lançados sobre as verbas remuneratórias apuradas pela fiscalização, são devidos salvo as exceções apresentadas neste voto. III – Quanto aos casos de conexão alegados, os mesmos não afetam o presente julgamento, inclusive, observando que este julgador e turma especial já apreciaram em 11 de maio de 2011, os processos n. 10166.721783/200976 e 10166.721781/200987, os dois tiveram provimento parcial, o que demonstrou haver créditos tributários remanescentes não pagos e que não foram infomados em GFIP, que deveriam estar devidamente demonstrados em folha de pagamento como remunerações. Está correto Auto de Infração, a obrigação de obrigação acessória de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos seguras a seu serviço conforme os padrões e normas estabelecidos pela Seguridade Social está estabelecida art. 32, I, da Lei n. 8.212/1991, sujeita à multa prevista no art. 92 e art. 102 desse diploma, e no art. 283, I, "a", e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.3.049/1999. A sua sanção é única, pois indiferente dos resultados das autuações anterioremente referidas, a infração permaneceria.Obrigação essa que tem natureza instrumental (art. 113, do CTN), como forma de auxiliar o controle e arrecadação tributária, mas é autônoma do cumprimento das demais obrigações. Quanto à suposta inconstitucionalidade de tal aplicação da sanção em face do principio de vedação ao confisco, é vedado aos Conselheiros do CARFMF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob tal argumento, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62A do Regimento Interno do CARFMF. IV A recorrente não trouxe qualquer elemento probatório de que teria apresentado tais documentos eletrônicos no prazo, ou que sofreu causa impeditiva para tanto, como faculta o art. 16, do Dec. 70.235, não havendo questionamento efetivo das presunções de veracidade dos fatos relatados no auto de infração. V Por final, quanto à suposta inconstitucionalidade de tal aplicação da sanção em face do principio da equidade, é vedado aos Conselheiros do CARFMF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob tal argumento, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62A, do Anexo II, do Regimento Interno do CARFMF, com interpretação consolidada pela Súmula 1, do CARF/MF. VI – Isso posto, voto por conhecer o recurso voluntário, mas, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.721785/200965 Acórdão n.º 2803004.074 S2TE03 Fl. 7 6 Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11516.003296/2006-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2005
BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. FATOS GERADORES A PARTIR 1º DE OUTUBRO DE 1999. VALORES DEDUTÍVEIS NÃO COMPROVADOS. EXCLUSÃO DA RECEITA BRUTA MENSAL. IMPOSSIBILIDADE.
A partir de 1º de outubro de 1999, as sociedades cooperativas estão sujeitas à cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep calculada com base no faturamento, que compreende a receita bruta mensal, independente desta ser proveniente de operações com cooperados e/ou com não cooperados. Somente os valores dedutíveis devidamente comprovados podem ser excluídos da receita bruta mensal, para fins de apuração da base de cálculo da referida contribuição.
Embargos acolhidos e providos.
Recurso voluntário negado.
LEI TRIBUTÁRIA VIGENTE. AFASTAMENTO PELO CARF POR INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)
Numero da decisão: 3301-002.879
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, para acolher os embargos opostos pelo conselheiro redator ad hoc do acórdão, no sentido de retificar o dispositivo da correspondente decisão para retratar o entendimento constante dos fundamentos e da conclusão apresentados no voto do conselheiro relator, que, como demonstrado no relatório e no voto que integram o presente julgado, são pelo indeferimento do recurso voluntário do sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: Francisco José Barroso Rios
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2005 BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. FATOS GERADORES A PARTIR 1º DE OUTUBRO DE 1999. VALORES DEDUTÍVEIS NÃO COMPROVADOS. EXCLUSÃO DA RECEITA BRUTA MENSAL. IMPOSSIBILIDADE. A partir de 1º de outubro de 1999, as sociedades cooperativas estão sujeitas à cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep calculada com base no faturamento, que compreende a receita bruta mensal, independente desta ser proveniente de operações com cooperados e/ou com não cooperados. Somente os valores dedutíveis devidamente comprovados podem ser excluídos da receita bruta mensal, para fins de apuração da base de cálculo da referida contribuição. Embargos acolhidos e providos. Recurso voluntário negado. LEI TRIBUTÁRIA VIGENTE. AFASTAMENTO PELO CARF POR INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, para acolher os embargos opostos pelo conselheiro redator ad hoc do acórdão, no sentido de retificar o dispositivo da correspondente decisão para retratar o entendimento constante dos fundamentos e da conclusão apresentados no voto do conselheiro relator, que, como demonstrado no relatório e no voto que integram o presente julgado, são pelo indeferimento do recurso voluntário do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira e Semíramis de Oliveira Duro.
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CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. EFEITOS INFRINGENTES PARA RETIFICAR O DISPOSITIVO DO ACÓRDÃO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma (artigo 65 do anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015). No caso, enquanto a decisão consignada no dispositivo dava provimento ao recurso voluntário, os fundamentos e a conclusão apresentados no voto lido na sessão de julgamento, foram em direção oposta, ou seja, para negar provimento ao recurso em questão, o que revela claro equívoco quando da anotação do resultado na ata da correspondente sessão de julgamento. Necessário, portanto, acolher os embargos formulados pelo conselheiro redator ad hoc para corrigir a contradição e retificar o equívoco retratado no dispositivo do acórdão, de sorte a exteriorizar fielmente a realidade quando da ocasião do julgamento do feito, inerente à negativa do recurso voluntário do sujeito passivo. LEI TRIBUTÁRIA VIGENTE. AFASTAMENTO PELO CARF POR INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2005 BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. FATOS GERADORES A PARTIR 1º DE OUTUBRO DE 1999. VALORES AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 32 96 /2 00 6- 21 Fl. 401DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 11516.003296/200621 Acórdão n.º 3301002.879 S3C3T1 Fl. 0 2 DEDUTÍVEIS NÃO COMPROVADOS. EXCLUSÃO DA RECEITA BRUTA MENSAL. IMPOSSIBILIDADE. A partir de 1º de outubro de 1999, as sociedades cooperativas estão sujeitas à cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep calculada com base no faturamento, que compreende a receita bruta mensal, independente desta ser proveniente de operações com cooperados e/ou com não cooperados. Somente os valores dedutíveis devidamente comprovados podem ser excluídos da receita bruta mensal, para fins de apuração da base de cálculo da referida contribuição. Embargos acolhidos e providos. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, para acolher os embargos opostos pelo conselheiro redator ad hoc do acórdão, no sentido de retificar o dispositivo da correspondente decisão para retratar o entendimento constante dos fundamentos e da conclusão apresentados no voto do conselheiro relator, que, como demonstrado no relatório e no voto que integram o presente julgado, são pelo indeferimento do recurso voluntário do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de embargos de declaração (efls. 398/399) opostos pelo conselheiro José Fernandes do Nascimento em vista de "contradição entre o dispositivo/resultado do julgamento e os fundamentos e à conclusão apresentadas no voto do Conselheiro Relator", consignada no acórdão nº 3102002.033, da 1ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento deste Conselho (efls. 388/396), acórdão o qual foi formalizado pelo i. conselheiro José Fernandes na condição de redator ad. hoc. O acórdão em tela foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2005 Fl. 402DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 11516.003296/200621 Acórdão n.º 3301002.879 S3C3T1 Fl. 0 3 BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. FATOS GERADORES A PARTIR 1º DE OUTUBRO DE 1999. VALORES DEDUTÍVEIS NÃO COMPROVADOS. EXCLUSÃO DA RECEITA BRUTA MENSAL. IMPOSSIBILIDADE. A partir de 1º de outubro de 1999, as sociedades cooperativas estão sujeitas à cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep calculada com base no faturamento, que compreende a receita bruta mensal, independente desta ser proveniente de operações com cooperados e/ou com não cooperados. Somente os valores dedutíveis devidamente comprovados podem ser excluídos da receita bruta mensal, para fins de apuração da base de cálculo da referida contribuição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2005 LEI TRIBUTÁRIA VIGENTE. AFASTAMENTO PELO CARF POR INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2) Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, tomar parcial conhecimento do recurso e, na parte conhecida, darlhe provimento. (grifos nossos) Em seus embargos, aduz o conselheiro responsável pela redação do acórdão o seguinte: [...] No caso, da simples leitura do voto do ConselheiroRelator fica evidenciada a contradição entre o dispositivo/resultado do julgamento e os fundamentos e à conclusão apresentados no voto do ConselheiroRelator. Com efeito, enquanto a decisão consignada no referido dispositivo foi no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, contrariamente, os fundamentos e a conclusão consignados no referido voto foram no sentido de negar provimento ao citado recurso. Compulsando o mencionado voto, constatase que o Relator rejeitou a alegação da autuada de que a Cofins e a Contribuição para o PIS/Pasep não incidiriam sobre os atos cooperativos, baseada no argumento de que apenas os atos praticados com não associados comporiam a base de cálculo das referidas contribuições, o que não havia ocorrido no caso em tela. Diferentemente, o Relator entendeu que, a partir da vigência do art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001, a não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os atos cooperados foi tacitamente revogada, em decorrência, a referida contribuição passou a ser devida pelas sociedades cooperativas, com base nas mesmas regras estabelecidas para as demais pessoas jurídicas de Fl. 403DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 11516.003296/200621 Acórdão n.º 3301002.879 S3C3T1 Fl. 0 4 direito privado, previstas nos arts. 2º e 3º da Lei 9.718/1998, que instituiu o faturamento, definido como receita bruta, como sendo a base de cálculo das referidas contribuições. Em compensação, especificamente para as sociedades cooperativas, foram permitidas as deduções relacionadas no art. 15 da Medida Provisória 2.158 35/2001, que, como no caso em apreço, não foram comprovadas pela autuada, o Relator concluiu que o lançamento era procedente e, por conseguinte, negou provimento ao recurso voluntário. O processo em tela foi sorteado para este relator pelo fato de o relator original do processo não mais exercer mandato de conselheiro junto ao CARF, configurando, pois, a hipótese de que trata o § 6º do artigo 49 do anexo II ao Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. É o relatório. Voto Preliminarmente, acolho os embargos de declaração, eis que evidente a contradição no acórdão embargado, de sorte que a questão se subsume ao disposto no caput do artigo 65 do anexo II do Regimento Interno do CARF1, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, segundo o qual "cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma" (grifei). De fato, como ressaltado pelo i. conselheiro embargante, há evidente contradição entre o dispositivo/resultado do julgamento e os fundamentos e a conclusão apresentados no voto do conselheiro relator. Assim, necessário se faz corrigir a contradição em tela, devendo ser negado provimento ao recurso com base nas razões de decidir constantes do voto proferido e lido na sessão de julgamento pelo conselheirorelator, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, o qual reproduzo abaixo: Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Relator. Conheço do presente recurso por ser tempestivo e por tratar de matéria de competência da terceira sessão. Nulidade do Lançamento. Impossibilidade de apreciação de material por arguição de inconstitucionalidade. O recorrente apesar de arguir textualmente a nulidade do lançamento, apresenta como fundamento a discussão sobre a constitucionalidade da norma ao afirmar que a Medida Provisória nº 1.8586/1999 não tem o condão de revogar o inciso I do art. 6º da Lei Complementar nº 70/1991. Assim, sobre o tema basta frisar que este Conselho está impedido de apreciar a constitucionalidade de lei, em atenção à súmula nº. 2 do 1 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 11516.003296/200621 Acórdão n.º 3301002.879 S3C3T1 Fl. 0 5 CARF. Superada a presente questão, voltase a atenção para apreciação do mérito. Mérito A Recorrente defende que não há tributação de PIS e COFINS sobre o atos cooperados, em atenção ao art. 79 da Lei nº 5.764/71 e o inciso I do art. 6º da Lei Complementar nº 70/90, por o ato cooperado não corresponder operação de mercado, nem haver contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. O art. 79 da lei nº 5.764/71, assim disciplina: Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Já os arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/1998, ao dispor sobre a incidência da Contribuição para o PIS e da COFINS, relativamente a pessoas jurídicas de direito privado, prescrevem: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Acontece que a não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep sobre atos cooperativos, prevista no art. 2º, § 1º, da Lei nº 9.715/1998, foi tacitamente revogado pelo art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, a seguir transcrito: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. Observando a norma acima e as deduções previstas pela legislação complementar, a autoridade autuante constatou que a cooperativa de eletrificação rural deve calcular o PIS/COFINS sobre a totalidade das receitas auferidas, podendo entretanto realizar as exclusões previstas. No âmbito infralegal, as referidas deduções foram regulamentadas no art. 33 da Instrução Normativa SRF nº 47, de 21 de novembro de 2002, com as alterações posteriores, cujos trechos relevantes para o deslinde da controvérsia seguem transcritos: Fl. 405DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 11516.003296/200621 Acórdão n.º 3301002.879 S3C3T1 Fl. 0 6 Art. 33. As sociedades cooperativas, para efeito de apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor: I – repassado ao associado, decorrente da comercialização, no mercado interno, de produtos por eles entregue à cooperativa, observado o disposto no § 1º; II – das receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III – das receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV – das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V – das receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos; e VI – das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...] § 8º As sociedades cooperativas de eletrificação rural poderão excluir da base de cálculo, os valores: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I das sobras e dos fundos de que trata o inciso VI do caput; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) II dos custos dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...] § 10. Os custos dos serviços prestados pela cooperativa de eletrificação rural abrangem os gastos de geração, transmissão, manutenção e distribuição de energia elétrica, quando repassados aos associados. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...] Acontece que a recorrente, apenas requer a exclusão de todos os ingressos de valores da base de cálculo de forma genérica, sem demonstrar nem provar quais seriam os custos com serviços prestados, limitandose a afirmar que todas as receitas se revertem em prol dos cooperados. Assim, observando a impossibilidade de se comprovar o crédito pretendido, apesar de oportunizada ao contribuinte, nego provimento ao recurso voluntário. Vêse, pois, que enquanto a decisão consignada no dispositivo foi no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, os fundamentos e a conclusão apresentados no voto lido na sessão de julgamento foram em direção oposta, ou seja, para negar provimento ao recurso em questão, o que revela claro equívoco quando da anotação do resultado na ata da correspondente sessão de julgamento. Portanto, há que se acolher os embargos formulados pelo i. conselheiro redator ad hoc para corrigir a contradição e retificar o equívoco retratado no dispositivo do acórdão, de sorte a exteriorizar fielmente a realidade quando da ocasião do julgamento do feito, inerente à negativa do recurso voluntário do sujeito passivo. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 11516.003296/200621 Acórdão n.º 3301002.879 S3C3T1 Fl. 0 7 Da conclusão Por todo o exposto, voto para acolher os embargos opostos pelo conselheiro redator ad hoc do acórdão, no sentido de retificar o dispositivo da correspondente decisão para retratar o entendimento constante dos fundamentos e da conclusão apresentados no voto do conselheiro relator, que, como demonstrado, são pelo indeferimento do recurso voluntário do sujeito passivo. Sala de sessões, em 15 de março de 2016. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Fl. 407DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 22/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
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Numero do processo: 10680.721008/2011-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Sep 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
Omissão de Receitas. Depósitos Bancários de Origem não Comprovada
O artigo 42 da lei 9.430/1996 estabeleceu a presunção legal de que os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituição financeira, de que o titular, regularmente intimado não faça prova de sua origem, por documentação hábil e idônea, serão tributados como receita omitida. Somente a apresentação pelo contribuinte de documentação hábil e idônea ilide esta presunção.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, PIS e COFINS.
O decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ é aplicável aos Autos de Infração reflexos em face da relação de causa e efeito entre eles existente.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: 1) por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de sobrestamento do julgamento, vencidas a Conselheira Relatora e a Conselheira Edeli Pererira Bessa; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento, votando pelas conclusões os Conselheiros Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e José Ricardo da Silva; e, 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor da preliminar de sobrestamento, o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro.
Considerando: i) que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão; ii) que a 1ª Turma da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF); e, iii) as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 1ª Câmara/1ª Seção Marcos Aurélio Pereira Valadão que o faz meramente para a formalização do Acórdão.
Da mesma maneira, tendo em vista que: a) na data da formalização da decisão, a relatora, Nara Cristina Takeda Taga, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF; e, b) o redator designado para redigir o voto vencedor, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que também fez declaração de voto, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi nomeado redator ad hoc responsável pela formalização do voto, do voto vencedor, da declaração de voto e do presente Acórdão, o que se deu na data de 15 de setembro de 2015.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO
Presidente para formalização do acórdão
(documento assinado digitalmente)
PAULO MATEUS CICCONE
Redator "ad hoc" designado para formalização do voto, do voto vencedor, da declaração de voto e do acórdão
Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vice-presidente) e Nara Cristina Takeda Taga. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma).
Juros de Mora. Selic.
Sobre o crédito tributário não recolhido no vencimento incidem juros cobrados de acordo com a variação da taxa Selic, na forma do disposto no artigo 953, do RIR/1999. No mês em que o débito for pago, os juros de mora serão de um por cento.
Numero da decisão: 1101-000.808
Decisão:
Nome do relator: NARA CRISTINA TAKEDA TAGA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 Omissão de Receitas. Depósitos Bancários de Origem não Comprovada O artigo 42 da lei 9.430/1996 estabeleceu a presunção legal de que os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituição financeira, de que o titular, regularmente intimado não faça prova de sua origem, por documentação hábil e idônea, serão tributados como receita omitida. Somente a apresentação pelo contribuinte de documentação hábil e idônea ilide esta presunção. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, PIS e COFINS. O decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ é aplicável aos Autos de Infração reflexos em face da relação de causa e efeito entre eles existente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de sobrestamento do julgamento, vencidas a Conselheira Relatora e a Conselheira Edeli Pererira Bessa; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento, votando pelas conclusões os Conselheiros Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e José Ricardo da Silva; e, 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor da preliminar de sobrestamento, o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro. Considerando: i) que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão; ii) que a 1ª Turma da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF); e, iii) as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 1ª Câmara/1ª Seção Marcos Aurélio Pereira Valadão que o faz meramente para a formalização do Acórdão. Da mesma maneira, tendo em vista que: a) na data da formalização da decisão, a relatora, Nara Cristina Takeda Taga, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF; e, b) o redator designado para redigir o voto vencedor, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que também fez declaração de voto, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi nomeado redator ad hoc responsável pela formalização do voto, do voto vencedor, da declaração de voto e do presente Acórdão, o que se deu na data de 15 de setembro de 2015. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente para formalização do acórdão (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE Redator "ad hoc" designado para formalização do voto, do voto vencedor, da declaração de voto e do acórdão Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vice-presidente) e Nara Cristina Takeda Taga. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma). Juros de Mora. Selic. Sobre o crédito tributário não recolhido no vencimento incidem juros cobrados de acordo com a variação da taxa Selic, na forma do disposto no artigo 953, do RIR/1999. No mês em que o débito for pago, os juros de mora serão de um por cento.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2345; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 440 1 439 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.721008/201116 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1101000.808 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de setembro de 2012 Matéria IRPJ e Reflexos Recorrente SAT CONSTRUTORA E EMPREENDIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 Nulidade. Inocorrência. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo. 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. Artigo 62A do RICARF Sobrestamento. Requisitos. O Regimento Interno do CARF só admite o sobrestamento de julgamento quando o STF tenha sobrestado o julgamento de recursos extraordinários da mesma matéria. Não basta que a matéria tenha sido reconhecida como de repercussão geral, pois isso sobresta o julgamento nas cortes inferiores, mas não no STF. O processo administrativo se pauta pelo princípio constitucional da celeridade processual. Só há que se falar em sobrestamento quando o STF assim o determinar em relação à matéria discutida. Preliminar rejeitada Sujeição Passiva Solidária. Correto o procedimento do Fisco em arrolar, como sujeitos passivos solidários e obrigadas em relação ao crédito tributário constituído, as pessoas físicas e jurídicas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, na forma do que dispõem os artigos 121, 124, I e 135, II, do CTN. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Constitucionalidade de Lei. Competência do Órgão Administrativo de Julgamento. O julgamento administrativo está estruturado como uma atividade de controle interno dos atos praticados pela administração tributária, sob o prisma da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 10 08 /2 01 1- 16 Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 441 2 legalidade, não podendo negar os efeitos à lei vigente, pelo que estaria o Tribunal Administrativo indevidamente substituindo o legislador e usurpando a competência privativa atribuída ao Poder Judiciário. Prova. Extratos Bancários. Obtenção. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Multa de Lançamento de Ofício. A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Multa de Lançamento de Ofício.Qualificação A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Estando evidenciada nos autos a intenção dolosa da autuada de evitar a ocorrência do fato gerador ou seu conhecimento pela Autoridade Tributária, a aplicação da multa qualificada tornase imperiosa. Juros de Mora. Selic. Sobre o crédito tributário não recolhido no vencimento incidem juros cobrados de acordo com a variação da taxa Selic, na forma do disposto no artigo 953, do RIR/1999. No mês em que o débito for pago, os juros de mora serão de um por cento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 Omissão de Receitas. Depósitos Bancários de Origem não Comprovada O artigo 42 da lei 9.430/1996 estabeleceu a presunção legal de que os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituição financeira, de que o titular, regularmente intimado não faça prova de sua origem, por documentação hábil e idônea, serão tributados como receita omitida. Somente a apresentação pelo contribuinte de documentação hábil e idônea ilide esta presunção. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, PIS e COFINS. O decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ é aplicável aos Autos de Infração reflexos em face da relação de causa e efeito entre eles existente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 442 3 Acordam os membros do colegiado: 1) por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de sobrestamento do julgamento, vencidas a Conselheira Relatora e a Conselheira Edeli Pererira Bessa; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento, votando pelas conclusões os Conselheiros Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e José Ricardo da Silva; e, 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor da preliminar de sobrestamento, o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro. Considerando: i) que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão; ii) que a 1ª Turma da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF); e, iii) as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 1ª Câmara/1ª Seção Marcos Aurélio Pereira Valadão que o faz meramente para a formalização do Acórdão. Da mesma maneira, tendo em vista que: a) na data da formalização da decisão, a relatora, Nara Cristina Takeda Taga, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF; e, b) o redator designado para redigir o voto vencedor, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que também fez declaração de voto, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi nomeado redator ad hoc responsável pela formalização do voto, do voto vencedor, da declaração de voto e do presente Acórdão, o que se deu na data de 15 de setembro de 2015. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente para formalização do acórdão (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE Redator "ad hoc" designado para formalização do voto, do voto vencedor, da declaração de voto e do acórdão Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vicepresidente) e Nara Cristina Takeda Taga. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma). Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 443 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por responsável solidário face ao Acórdão exarado pela DRJ que manteve o entendimento quanto à exigibilidade dos tributos e multa de ofício qualificada referente a infrações à legislação do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e das Contribuições ao Programa de Integração Social (PIS); para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL). Segundo o Termo de Verificação Fiscal (proc. fls. 52 a 74), o agente fazendário compareceu ao endereço cadastral da empresa fiscalizada e lá apurou que a mesma encerrou suas atividades de outubro de 2008. No entanto, a última declaração apresentada é a DIPJ de 2006, anocalendário 2005. Desta forma, foram enviadas intimações, por via postal, aos sócios constantes nos arquivos da Receita Federal do Brasil. A correspondência dirigida ao Sr. Nilton Cezar da Silva Junior retornou com a indicação de desconhecido no endereço fiscal (proc. fls. 210 e 211). A correspondência dirigida à Sra. Maria Helena Ferreira, foi recebida por outra pessoa que, no entanto, não prestou as informações requeridas (proc. fls. 214 a 216). O contribuinte tributário foi por diversas vezes intimado, por via postal e por afixação de editais, a apresentar seus Livros Comerciais que contivessem os registros contábeis relativos aos anos objetos da fiscalização. Nenhum documento foi apresentado. Foram então expedidas Requisições de Movimentações Financeiras (“RMF”) às instituições financeiras junto as quais a empresa detinha contas bancárias. A conta nº 2180063 do Unibanco teve a sua abertura em 05/06/2006, em nome da empresa Eufonia Ltda., antiga razão social da SAT – Construtora e Empreendimentos (“SAT”). Na ficha cadastral constava como representante da empresa o Sr. Carlos Eduardo Cadogan, e mesmo tendo se retirado da empresa em 26/10/2005, movimentou esta conta até o mês de julho de 2007. No anocalendário de 2007, a conta recebeu diversos aportes provenientes de vendas feitas por meio de cartões de crédito que posteriormente eram repassados para outra conta no Unibanco de titularidade da SAT. Essa segunda conta era a de nº 1139367, também aberta em nome de Eufonia Ltda. em 10/03/1999, sendo encerrada apenas em 2008. A partir de 2005, o procurador da conta passou a ser o Sr. Carlos Eduardo Cadogan, que permaneceu nesta situação até o fechamento da conta em 2008. Analisando estas duas contas em conjunto, a autoridade fiscalizadora constatou que “as saídas de numerários em 2007 e 2008 da conta corrente nº 1139367, Unibanco, beneficiaram direta ou indiretamente os Srs. Edson Cardoso da Costa e Carlos Eduardo Cadogan ou empresas nas quais tinham participações ou interesses”. Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 444 5 A SAT também mantinha a conta nº 0840, junto ao banco Bradesco, aberta em 04/01/2008. Desde sua abertura até seu encerramento em setembro de 2008, os representantes da empresa perante a instituição financeira foram o Sr. Edson Cardoso da Costa e a Sra. Maria Helena Ferreira. O agente fazendário ressaltou que o Sr. Edson retirouse da empresa em 02/01/2008, ou seja, dois dias antes da abertura da conta corrente. Segundo narrou o agente fiscal, esta conta movimentou entradas no total de R$ 20.560.830,25, e saídas que totalizaram R$ 20.539.446,22. Segundo consta, “a conta registra uma movimentação muito fragmentada e diversificada, sendo observados 8.869 lançamentos nos nove meses de sua existência”. Verificouse que a maioria dos lançamentos realizados nesta última conta eram transferências eletrônicas. No entanto, foram emitidos contra a conta corrente 19 cheques todos nominais à própria SAT, assinados e endossados pelo Sr. Edson Cardoso da Costa (fls. 586 a 626). Não sendo possível a localização dos atuais sócios, foram emitidos pedidos de esclarecimentos para os sócios que participaram da sociedade nos anos fiscalizados, bem como para a Sra. Rosangela Gonçalves Sanguinete, contadora da SAT. Em 07/07/2009, o Sr. Edson Cardoso Costa, acompanhado de seu advogado, compareceu à Delegacia da Receita Federal e prestou depoimento (fls. 223). Afirmou que entrou na sociedade a pedido de um amigo, Sr. José Modesto de Oliveira, falecido em 2007, sendo que no período em que figurou como sócio assinou documentos sem interesse pelo seu conteúdo. Por fim, relatou que desconhece o paradeiro do atual sócio, Sr. Nilton Cesar da Silva, e que a sócia, Sra. Maria Helena Ferreira, trabalhava com música e foi sócia juntamente com ele, permanecendo na sociedade após a sua saída. Após a quebra do sigilo bancário da fiscalizada, o Sr. Edson foi novamente intimado a esclarecer as dúvidas suscitadas pelo conhecimento dos dados das contas correntes. Em resposta (proc. fls. 639 a 641), reafirmou que ingressou na sociedade a pedido de um amigo e assinou diversos documentos de boafé e confiança. Informou que, como não possuía os extratos bancários, não pôde verificar as informações relativas às transferências ocorridas para a sua conta corrente. Complementou afirmando que não tinha como esclarecer a origem e o destino dos valores que abasteceram as contas da empresa, nem quem as movimentava. Por fim, requereu prazo de 120 dias para prestar novos esclarecimentos. A autoridade fiscalizadora ressaltou que o Sr. Edson nada manifestou a respeito dos cheques emitidos e assinados por ele contra a conta da SAT junto ao Bradesco. Consta no Termo de Verificação Fiscal que, frente à impossibilidade de localização da contribuinte, foram abertas diligências para diversas pessoas físicas e jurídicas beneficiárias ou provedoras de recursos registrados nas contas correntes da SAT, quais sejam: · Carlos Eduardo Cardogan (proc. fls. 643 a 651); · Fabio Leite Lourenço (proc. fls. 652 a 662); · Juvenilton Maximo da Fonseca (proc. fls. 663 a 672); Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 445 6 · Gildete Costa de Almeida (proc. fls. 673 680); · Nivia Leite Lourenco (proc. fls. 681 692); · Rosangela Gonçalves Sanguinete (proc. fls. 693 a 703); · Gisele Leite Lourenço (proc. fls. 704 a 705); · Aline Leite Lourenço Loures (proc. fls. 706 a 717); · W&R Comercial Ltda (proc. fls 718 a 720), · Intermediar Serviços de Locação de Mão de Obra Ltda (proc. fls. 721 a 724); · JEFE Produtora de Eventos Ltda (proc. fls. 725 a 727); · MIDE Minas Diversões Eletrônicas Ltda. (proc. fls. 728 e 734); e · Construtora Método Comércio e Serviços Ltda. (proc. fls. 735 e 745). Fábio Leite Lourenço, Juvenilton Máximo da Fonseca, Gildete Costa de Almeida, Nívia Leite Lourenço, Rosangela Gonçalves Sanguinete e Aliene Leite Lourenço Loures responderam que não tinham como levantar tais informações por se tratarem de documentos dos anos de 2007 e 2008 e pediram dilação de prazo para apresentação das mesmas. Contudo, tais informações não foram apresentadas, mesmo com a concessão do prazo requerido. Já Gisele Leite Lourenço Loures e as empresas W&R Comercial Ltda, Intermediar Serviços de Locação de Mão de Obra Ltda, JEFE Produtora de Eventos Ltda e MIDE Minas Diversões Eletrônicas Ltda não responderam às intimações. O representante da empresa Construtora Método Comércio e Serviços Ltda, Ricardo Alves dos Santos, informou que nomeou o Sr. Carlos Eduardo Cadogan como seu procurador com poderes para vender um imóvel de sua propriedade e para tanto apresentou procuração (proc. fl. 742), bem como escritura pública passada no 2º Tabelionato de Notas, no qual há o registro da venda ao Sr. Wilton José de Almeida Figueiredo. Alertou o auditor fiscal que, em análise à declaração de ajuste do exercício de 2009, o Sr. Ricardo Alves dos Santos informou a venda do imóvel para o Sr. Carlos Eduardo Cadogan. Considerando os elementos localizados pelo Auditor fiscal por meio da quebra do sigilo bancário, e, frente à ausência de novos elementos trazidos pelos demais intimados, concluiuse pela responsabilidade tributária solidária dos Srs. Edson Cardoso da Costa e Carlos Eduardo Cadogan, em virtude da forma como conduziram os negócios da contribuinte, mesmo após suas retiradas formais da sociedade (proc. fls. 64). Nesse sentido, afirmou que “as alterações contratuais que visaram transferir as participações societárias dos Srs. Edson Cardoso da Costa e Carlos Eduardo Cadogan para terceiros não produziram efeitos na administração dos negócios que, na verdade, Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 446 7 permaneceu com as mesmas pessoas, o que caracteriza a solidariedade e responsabilidade pessoal previsto nos artigos 124 e 135 do CTN”. As afirmações do Sr. Edson Cardoso da Costa não encontraram respaldo nos documentos trazidos ao processo, sendo que, a análise das transferências bancárias e aportes feitos em sua conta pessoal oriundos das contas da contribuinte, apenas vieram a confirmar sua condição de administrador, já que, mesmo após sua retirada formal dos quadros societários da empresa, ainda constou como procurador daquela perante o Banco Bradesco, praticando, pois, atos de gerência. Quanto ao Sr. Carlos Eduardo Cadogan, sabese que respondia pela empresa perante o Unibanco desde 2004 até sua retirada oficial da sociedade, utilizando, inclusive, a conta bancária e numerário da empresa para pagamento de aquisições pessoais, como um imóvel adquirido da Construtora Método Comércio e Serviços Ltda. Concluiu a autoridade fiscalizadora que “a utilização de recursos da fiscalizada em proveito próprio denota o grau de ascendência exercido pelo Sr. Carlos Eduardo Cadogan sobre os demais integrantes da empresa. Somente a condição de dono de fato justificaria a liberdade de que dispunha o Sr. Carlos Eduardo Cadogan na utilização dos ativos da SAT – Construtora e Empreendimentos”. Pela análise dos arquivos da RFB, constatouse que o atual sócio da empresa, Sr. Nilton Cezar da Silva Junior, é sócio interposto, uma vez que não possuiu nem possui renda, bens ou conta bancária, o que confirma sua completa incapacidade financeira para adquirir ou gerir uma empresa, sobretudo com a vultosa movimentação financeira, como é o caso da contribuinte. O auditor fiscal ainda fez menção ao fato de que os Srs. Edson Cardoso da Costa e Carlos Eduardo Cadogan, juntamente com os Srs. Juvenilton Máximo da Fonseca e Sebastião Lourenço (pai de Fábio Lourenço) foram presos em uma operação da Polícia Federal denominada “Operação Safári”, ocorrida no final de 2009. Tal investigação visou coibir crimes de lavagem de dinheiro envolvendo máquinas caçaníqueis (proc. fls. 760 a 770). Analisando o teor da negativa do Habeas Corpus impetrado em prol do Sr. Edson Cardoso da Silva no STF, a autoridade lançadora concluiu que “a criação de diversas empresas representadas por interpostas pessoas, vulgo laranjas, era rotina nas atuações mercantis desses senhores”. Foi relatado ainda, que a empresa SAT deixou de funcionar em seu endereço fiscal, e pelos depoimentos colhidos e Termos lavrados, foi apurado que a empresa paralisou suas atividades no ano de 2008. O auditor fiscal afirmou que, em realidade, ficou comprovado que os Srs. Edson Cardoso da Costa e Carlos Eduardo Cadogan vinham desviando, desde 2007, ativos da empresa já com o propósito da dissolução. Desta feita, concluiu o agente fazendário que “a falta de funcionamento da empresa pura e simplesmente sem as devidas comunicações aos órgãos competentes enseja o direcionamento da responsabilidade societária para os sócios. No nosso caso, conforme acima explanado, a empresa deixou de funcionar por volta de outubro de 2008 e são sócios de fato os Srs. Edson Cardoso da Costa e Carlos Eduardo Cadogan”. Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 447 8 Vale mencionar que a contribuinte era optante do SIMPLES até o ano calendário de 2006, quando por meio do Ato Declaratório Executivo nº 0329/2010 foi excluída, tendo em vista a constatação, por meio de fiscalização, de omissão de receita (proc. fls. 785 a 791). No que versa à constituição do crédito tributário, o agente fazendário afirmou que nos anoscalendário de 2007 e 2008, a empresa SAT não apresentou DIPJs, DCTFs e nem tampouco efetuou quaisquer recolhimentos de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. No entanto, verificouse que a contribuinte manteve uma intensa movimentação bancária e, instada a se manifestar sobre a origem dos valores creditados, não apresentou qualquer justificativa. Dessa maneira, com fundamento no art. 287 do RIR/99, os valores movimentados foram caracterizados como omissão de receitas. Frente à não apresentação da escrituração (Livro Razão, Livro de Apuração do Lucro Real e Livro Diário) e, a despeito das diversas intimações feitas tanto em nome da empresa como de seus representantes de fato, a autoridade lançadora optou pelo arbitramento do lucro (art. 530 do RIR/99). Assim, diante de tais conclusões, foi lavrado o Auto de Infração (proc. fls. 03 a 50) com imposição de multa de ofício na sua forma qualificada; os Termos de Sujeição Passiva Solidária, por meio do qual se responsabilizam os Srs. Edson Cardoso da Costa e Carlos Eduardo Cadogan, solidariamente pelos créditos tributários constituídos (proc. fls. 771 a 772 e 778 a 779); bem como a formalização do Processo de Representação Fiscal para Fins Penais, por incursão nos crimes contra a ordem tributária tipificado nos artigos 1º e 2º da Lei nº 8.137/90. Foram intimados tanto a contribuinte (SAT) como os sujeitos passivos solidários, Srs. Edson Cardoso da Costa e Carlos Eduardo Cadogan, a recolherem ou impugnarem o débito. Em 14/03/2011, o Sr. Edson Cardoso da Costa apresentou Impugnação (proc. fls. 804 a 811). Em sede preliminar, arguiu nulidade da sujeição, por suposta inobservância dos princípios da legalidade e do devido processo legal. Alega que, “da forma como se instalou o procedimento, sem a correta e precisa caracterização do Requerente como contribuinte ou responsável, esta patente o cerceamento de defesa”, razão pela qual, entende que deveria ser excluído do pólo passivo deste processo administrativo. No mérito, o Sr. Edson Cardoso da Costa suscitou a inaplicabilidade dos dispositivos legais em que se embasou o lançamento dos tributos apurados, as multas e sua responsabilização pessoal. Aduziu que “a responsabilidade prevista em lei não decorre do simples inadimplemento do tributo. Para que haja a responsabilização os sócios deve haver a prova inequívoca, nos autos do procedimento, da prática de atos descritos no artigo citado ou até mesmo a dissolução irregular da empresa, o que não é o caso. Por outro lado, cabe à Fazenda o ônus da prova acerca de tais violações, o que não ocorreu no caso presente. Assim, para o Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 448 9 direcionamento da execução contra os sócios, deve restar comprovado o elemento subjetivo, uma vez que a responsabilidade do sócio não é objetiva”. Por sua vez, o responsável solidário, Sr. Carlos Eduardo Cadogan, apresentou Impugnação em 21/03/2011 (proc. fls. 812 a 831), por meio da qual alegou: 1) ilegalidade da prova obtida com a quebra do sigilo bancário, uma vez que, em seu entendimento, teria ocorrido sem autorização; 2) inaplicabilidade da presunção de omissão de receita para arbitramento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Concluiu que o Auto de Infração lavrado “não aponta a realidade factual obtida da analise da materialidade do evento econômico e sua formalização nos registros contábeis da empresa Autuada, razão pela qual viola os preceitos inerentes ao ato administrativo e apresentase inválido”; 3) a ausência responsabilidade pelos tributos da empresa. Afirmou que tal responsabilização pessoal só deveria ocorrer “após a verificação da impossibilidade do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte (...) além disso, o artigo 134 do Código Tributário Nacional, além de atribuir responsabilidade subsidiaria às pessoas nele indicadas, dispõe que a responsabilidade destas só surge dos atos em que intervirem ou pelas omissões de que forem responsáveis”. Concluiu este argumento dizendo que não se estaria diante de nenhuma dessas hipóteses; 4) nulidade do termo de sujeição passiva solidária, por violação aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Em 19/04/2011, o Sr. Edson Cardoso da Costa pretendeu “complementar” a Impugnação por ele interposto por meio da apresentação de nova petição. Alegou, em suas razões, a nulidade do Auto de Infração por quebra do sigilo bancário sem autorização judicial. Afirmou que além da fiscalização ter se baseado em prova ilícita, vez que decorrente da quebra do sigilo bancário, presumiu erroneamente que todos os créditos das contas constituíam receitas tributáveis. Questionou ainda, a não verificação dos livros e documentos da empresa fiscalizada. O Sr. Edson Cardoso da Costa mais uma vez retomou o argumento de que se retirou da sociedade de maneira formal, regular e legal em 02/01/2008, tendo deixado, porém, diversos documentos assinados em branco, razão pela qual não tem conhecimento e desconhece a origem e o destino dos valores depositados e sacados das contas da empresa no Unibanco e no Bradesco. Manifestouse contra o Arrolamento de bens sob o argumento de ilegalidade, pois tal procedimento impõe verdadeira limitação ao direito de dispor do patrimônio, em nítida afronta ao direito de propriedade do contribuinte, mesmo antes do crédito tributário estar definitivamente constituído. A SAT, por sua vez, não apresentou Impugnação. Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 449 10 Em sessão de 07/07/2011, a DRJ em Belo Horizonte exarou Acórdão (proc. fls. 887 a 913) que rejeitou as arguições de nulidade e, no mérito, julgou improcedente a Impugnação, mantendo o crédito tributário em litígio. O órgão julgador não tomou conhecimento da Impugnação complementar apresentada pelo Sr. Edson Cardoso da Costa, pois era intempestiva. Em análise à primeira Impugnação do Sr. Edson, a Turma afirmou que a sujeição passiva não se deu em face ao simples inadimplemento como argumentou o Impugnante. A sujeição se deu tendo em vista a constatação de omissão de receita e deliberada intenção de não cumprir com as obrigações tributárias ao não oferecer à tributação os valores auferidos. Diante da alegação de nulidade da sujeição por inobservância dos princípios da legalidade e do devido processo legal, não assiste razão ao Impugnante, pois não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando prontamente se defendeu apresentando todos os argumentos de seu interesse. Já no que concerne à ofensa ao princípio da legalidade, o próprio contribuinte evidencia “de forma cristalina ter pleno conhecimento de que sua indicação é como responsável solidário, sendo contribuinte a pessoa jurídica”. O colegiado também afastou a alegação de que a pessoa física não pode ser responsabilizada pelos débitos tributários da pessoa jurídica quando se retirou de forma regular. O órgão julgador ressaltou que aceitar este argumento seria convalidar a prática reiterada e abusiva da utilização de terceiros como sócios de fachada, enquanto os verdadeiros donos se aproveitam e usufruem dos resultados empresariais. Alertou que, ainda que tivesse havido dissolução regular, não haveria empecilho à indicação de pessoas como solidariamente responsáveis. Mas este não é o caso em questão. No caso em análise, a empresa encerrou suas atividades, não providenciou qualquer comunicação aos órgãos competentes, não apresentou as declarações por lei exigidas, não recolheu qualquer tributo federal e simplesmente evadiuse do endereço cadastrado. Nem mesmo no endereço constante da lista telefônica funcionou algum dia. Quanto à comprovação de que o Impugnante exercia, ao tempo da constituição do fato gerador, o cargo de gerência ou de administrador da pessoa jurídica, "o Termo de Verificação Fiscal aponta o recebimento por parte do impugnante dos valores de R$414.919,18 em 2007 e R$213.763,38 em 2008, tendo como origem a conta corrente mantida pela pessoa jurídica no Unibanco. No Bradesco, a fiscalização constatou a emissão de 19 cheques, pela pessoa jurídica, tendo ela própria como beneficiária. Todos endossados e assinados pelo impugnante. Destes 19 cheques, 15 foram sacados pelo impugnante diretamente no caixa do banco, perfazendo o total de R$318.904,22. Quatro cheques relacionados no TVF foram utilizados para depósitos diversos não identificados. A fiscalização constatou ainda inúmeras retiradas de valores expressivos tendo como beneficiárias pessoas jurídicas em que o impugnante tinha participação, direta ou indireta. Por fim, o TVF registra que o impugnante era o representante da pessoa jurídica junto ao Bradesco, mesmo depois do registro da sua saída da empresa.". Concluiu o órgão julgador a quo que “por tudo que se encontra fartamente comprovado, não há qualquer dúvida de que o impugnante participou ativamente das Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 450 11 atividades empresariais, com intervenção direta. Se assim não fosse, como explicar assinar cheques pela pessoa jurídica, tendo ela própria como beneficiária, endossálos e sacar os valores em dinheiro em seu benefício. Somente uma pessoa com poderes para decidir teria esta possibilidade. A propósito, o impugnante não apresenta em sua Impugnação qualquer menção a estes fatos. Não explica, como não explicou quando intimado pela fiscalização, o motivo de ser beneficiário destes valores e outros quesitos a ele apresentados. Em sua Impugnação prefere tecer comentários vagos e inconsistentes”. A Turma, à semelhança do explanado no caso do Sr. Edson Cardoso da Costa, asseverou a irrelevância da afirmação do Sr. Carlos Eduardo Cadogan de que não era mais sócio da pessoa jurídica no período da ocorrência do fato gerador. Assim, todos os documentos juntados aos autos comprovam a participação ativa do Sr. Carlos na gestão da empresa, sendo que até mesmo quando não mais integrava os seus quadros societários, usufruía de seus resultados empresariais. Portanto, se fosse de seu interesse, poderia prestar todas as informações que lhe foram solicitadas. O Impugnante alegou que as provas obtidas mediante a quebra de seu sigilo bancário são ilícitas e que todos os atos posteriores e decorrentes devem ser declarados nulos. O colegiado afirmou que a autoridade administrativa, ao solicitar às instituições financeiras os extratos bancários do contribuinte, valese de meios e instrumentos de fiscalização criteriosamente dados pelo ordenamento jurídico para que a ação fiscal possa ter o mínimo de eficácia, e no presente caso, houve criteriosa observância da lei. Assim, não há que se falar em ilicitude das provas obtidas. Segundo entendeu a Turma, não há qualquer fundamento na alegação do Postulante de que não houve ausência de recolhimento de imposto. O órgão julgador ressaltou que, de acordo com os documentos juntados aos autos, restou fartamente comprovado que a pessoa jurídica autuada não recolheu qualquer valor aos cofres públicos federais nos anoscalendários de 2007 e 2008. Na verdade, não apresentou qualquer declaração a que estava obrigada, a despeito de comprovada movimentação bancária em torno de 30 milhões de reais. A Turma ainda rechaçou a afirmação de que a autoridade fiscal não levou em consideração como indicativo de suposta omissão de receita os registros de entrada e saída da empresa. O colegiado asseverou que a fiscalizada foi intimada e reintimada a apresentar livros contábeis, fiscais, bem como informações relativas à sua movimentação financeira junto a instituições das quais era cliente, a fim de justificar a origem dos recursos creditados e depositados em suas contascorrentes, no entanto, quedouse silente. Dessa maneira, não restou outra alternativa à autoridade fiscal senão promover o arbitramento de ofício do lucro. O Impugnante ainda argumentou que o lançamento seria ilegal por estar fundamentado em indícios ou presunções, ou com inversão de ônus de prova não autorizado pela lei. Ocorre que conforme aduziu a DRJ, o art. 42 da Lei nº 9.430/96, os valores de depósitos bancários, cuja origem o contribuinte não comprovou mediante documentação hábil e idônea após ser regularmente intimado, são considerados valores de receitas omitidas. Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 451 12 Ademais, a lei prevê que o ônus da prova é do contribuinte, devendo este apresentar provas irrefutáveis que permitam identificar a origem do efetivo ingresso dos recursos, bem como sua regular escrituração a fim de serem excluídos do montante apurado. O colegiado entendeu, ainda, não ter ocorrido “qualquer desconsideração da personalidade jurídica e, como fartamente comprovado, não se trata de simples inadimplemento. Tratase, conforme demonstrado, de tentativa de fugir às obrigações tributárias mediante retirada fictícia da sociedade, mantendo interpostas pessoas e gerenciando a empresa com totais poderes e usufruindo benefícios”. Não houve, durante a apuração e procedimento administrativo, no entender do colegiado, qualquer ofensa ao princípio da legalidade, da eficiência, muito menos da moralidade da atividade administrativa no processamento da fiscalização e autuações. Teria havido, sim, flagrante ofensa aos ditames legais por parte dos impugnantes e da autuada, cabalmente demonstrada pelas provas que instruíram o processo. O colegiado relatou que, como a Impugnação do Sr. Carlos Eduardo Cadogan apresenta trechos que podem ser entendidos como impugnação ao mérito do feito fiscal, os argumentos foram analisados inclusive como se apresentados pela pessoa jurídica. Por fim, a Turma Julgadora manifestouse expressamente a respeito da qualificação da multa, a despeito da não impugnação direta pelos Postulantes, pois houve questionamento sobre a ausência de prova que caracterizasse a ação dolosa ou mesmo a participação dos exsócios nas atividades da contribuinte. Relatou que restou cabalmente demonstrada a intenção dos impugnantes de ocultar as suas condições de efetivos gestores da sociedade, interpondo terceiros como sócios, quando, na verdade, não apenas participaram ativamente e decisivamente da gestão, como também usufruíam os resultados decorrentes. Por consequência, entendeuse por correta a aplicação da multa qualificada, decidindose pela sua manutenção. Em 17/11/11, foi interposto Recurso Voluntário pelo Sr. Edson Cardoso da Costa (proc. fls. 939 a 957). Em suas razões, o Recorrente se valeu da mesma peça processual apresentada como Impugnação complementar julgada intempestiva pela DRJ, no entanto, sob o título de Recurso Voluntário. O Sr. Carlos Eduardo Cordogan e a empresa SAT – Construtora e Empreendimentos Ltda. não apresentaram Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 452 13 Voto Vencido PAULO MATEUS CICCONE – Redator “Ad Hoc” designado. Considerando que a relatora, Nara Cristina Takeda Taga, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, este Conselheiro, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi designado ad hoc para a formalização do presente Acórdão. Nesta condição de Redator designado, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pela Conselheira durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção daquela relatora na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado, no caso aqui tratado: i) ao relato dos fatos apresentado; ii) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e, iii) a quaisquer das conclusões da decisão, incluindose a parte dispositiva e a ementa, com as quais posso ou não concordar em situações concretas . Passo, a seguir, à transcrição do voto. Nara Cristina Takeda Taga, Conselheira Relatora O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Sr. Edson Cardoso da Costa face ao Acórdão da 4ª Turma da DRJ em Belo Horizonte que, por unanimidade de votos, manteve o crédito tributário exigido. SOBRESTAMENTO RMF Antes de adentrar na análise do caso em concreto, fazemse necessárias algumas observações sobre Requisição de Informação para Movimentação Financeira – RMF. A Lei Complementar nº 105/2001 autoriza que a autoridade fazendária requisite às instituições financeiras, por meio de RMF, as informações pertinentes ao contribuinte sob fiscalização, desde que satisfeitos os requisitos objetivos previstos em lei. A constitucionalidade desta lei tem sido questionada tanto em sede de controle concentrado de constitucionalidade como em Recurso Extraordinário, estando ambos pendentes de julgamento no Supremo Tribunal Federal. De acordo com o previsto no art. 62A, § 1º do Regimento Interno deste Conselho RICARF (Portaria MF nº 256/2009), reconhecida a repercussão geral em sede de Recuso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal, os julgamentos dos recursos devem ser sobrestados. Confirase: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 453 14 Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. (nossos grifos) § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que desde 23/10/2009, o STF reconheceu a existência de repercussão geral sobre o tema no julgamento do RE 601.314 conforme se verifica na ementa a seguir: “Constitucional. Sigilo Bancário. Fornecimento de Informações sobre Movimentação Financeira, diretamente ao Fisco, sem prévia autorização judicial (Lei Complementar nº 105/2001). Possibilidade de aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. Existência de Repercussão Geral”. Destarte, entendo que os processos em trâmite neste Conselho que versem sobre RMF, em conformidade com o previsto no RICARF, deveriam ficar sobrestados aguardando o julgamento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, tendo em vista que cabe a este Tribunal a última palavra sobre inconstitucionalidade no nosso ordenamento jurídico. No entanto, não é este o entendimento desta Turma. Destarte, passo à análise do Recurso interposto. Em sede de preliminar, o Recorrente alega a nulidade do Auto de Infração por quebra do sigilo bancário sem autorização judicial. Entendo não assistir razão ao Postulante. A legislação tributária autoriza que a autoridade administrativa solicite às instituições financeiras os extratos bancários do contribuinte. Entendese que a intimidade e a privacidade estão preservadas, tendo em vista que não se tem acesso à identificação de gastos em relação à sua natureza, mas tãosomente aos valores. Ademais, não há que se falar em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência desse sigilo. É sabido que a Administração tem o dever de sigilo conforme disposto no art. 198 do CTN. O ordenamento jurídico pátrio autoriza que a autoridade fazendária requisite às instituições financeiras bancárias, por meio de RMF, as informações pertinentes ao contribuinte sob fiscalização, desde que satisfeitos os requisitos objetivos previstos em lei e na regulamentação ora vigentes, in verbis: Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 454 15 Lei Complementar nº 105 “Art. 6º. As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária.” Decreto nº 3.724/01 “Art. 2º (...) § 5º. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis.” “Art. 3º. Os exames referidos no § 5º do art. 2º somente serão considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses: (...) X negativa, pelo titular de direito da conta, da titularidade de fato ou da responsabilidade pela movimentação financeira; (...)” No caso em análise, a autoridade fiscalizadora procedeu tomando todas as precauções exigidas e resguardando as garantias do contribuinte, conforme o disposto na legislação e regulamentação tributárias vigentes. No curso da fiscalização, após diversas intimações para apresentação de documentos fiscais e contábeis sem lograr êxito, a autoridade fazendária competente expediu RMF às instituições financeiras junto às quais a empresa fiscalizada mantinha conta corrente. Portanto, agiu de acordo com o previsto na legislação pátria, não se podendo falar em nulidade do Auto de Infração. Este é não só o entendimento deste Conselho, como também do Superior Tribunal de Justiça: “NULIDADE. SIGILO BANCÁRIO. NÃOOCORRÊNCIA. Não houve quebra de sigilo bancário nem, tampouco, o procedimento está inquinado de nulidade, ante à Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 455 16 observância do estabelecido no art. 10 do Decreto n. 70.235/1972. Os agentes do Fisco podem ter acesso as informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes sem que isso se constitua violação do sigilo bancário, eis que se trata de exceção expressamente prevista em lei”. (CARF, 3ª Câmara, 1ª Turma, acórdão nº1301000.486, julgado em 27/01/2011) “Primeiramente, destaco que o artigo 6º da LC 105/2001, ao se referir aos requisitos que antecedem o acesso das autoridades fiscais aos dados financeiros do particular (existência prévia de procedimento fiscal e demonstração da indispensabilidade das informações), aponta os mencionados dados de uma forma genérica, a saber: "[...] documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras [...]". Dessa forma, temse que, além da préexistência de procedimento fiscal, deve a autoridade fiscal demonstrar que é imprescindível para o seu curso o acesso aos dados financeiros do contribuinte como um todo. Não há, segundo determina o artigo em questão, necessidade de que se aponte, de forma individualizada, cada informação que se pretende acessar. Até porque, em se tratando de procedimento fiscal, no qual não há informações suficientes por parte do contribuinte, a autoridade fiscal, antes do acesso a seus dados financeiros, não possui, sequer, elementos para realizar tal especificação.” (REsp nº 1.237.852/PR, 1ª Turma, DJe 07/03/2012) O Postulante alegou ainda que o arrolamento de bens previsto no art. 64 da Lei nº 9.532/97 impõe verdadeira limitação ao direito de dispor do patrimônio, em nítida afronta ao direito de propriedade do contribuinte. Segundo o art. 64 e 64A da Lei nº 9.532/97, a Autoridade Fiscal está autorizada a arrolar os bens e direitos do sujeito passivo sempre que o valor dos créditos tributários for superior a 30% do patrimônio conhecido. Verifiquese: “Art. 64. A Autoridade fiscal competente procederá ao arrolamento de bens e direitos do sujeito passivo sempre que o valor dos créditos tributários de sua responsabilidade for superior a trinta por cento do seu patrimônio conhecido. (...) § 7º O disposto neste artigo só se aplica a soma de créditos de valor superior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) (...) Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 456 17 § 10. Fica o Poder Executivo autorizado a aumentar ou restabelecer o limite de que trata o § 7º deste artigo. Art. 64 A. O arrolamento de que trata o art. 64 recairá sobre bens e direitos suscetíveis de registro público, com prioridade aos imóveis, e em valor suficiente para cobrir o montante do crédito tributário de responsabilidade do sujeito passivo. Parágrafo único. O arrolamento somente poderá alcançar outros bens e direitos para fins de complementar o valor referido no caput.” Entende o Superior Tribunal de Justiça (REsp 686.394/RJ) que o arrolamento fiscal consiste em simples inventário dos bens do devedor, não constituindo qualquer constrição patrimonial. Para o STJ, o objetivo do arrolamento é tãosomente permitir ao Fisco monitorar a evolução e a movimentação do patrimônio do contribuinte. Verificase que o arrolamento de bens e direitos não acarreta a indisponibilidade dos bens do devedor ou sequer influi na expedição de certidões de regularidade fiscal. Novamente, este é o entendimento não só deste Conselho Administrativo, como também do STJ, vide abaixo: ARROLAMENTO DE BENS – LEI 9.532/97. “O arrolamento previsto na Lei 9.532/97 é apenas uma averbação nos registros competentes sobre a existência do arrolamento promovido pelo fisco, ocorre sempre que o valor dos créditos tributários lançados superar 30% do patrimônio conhecido da empresa e não se confunde com o arrolamento como condição de seguimento de recurso.” (CARF, Segunda Seção de Julgamento, 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, acórdão nº 240101.182, julgado em 28/04/2010) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ARROLAMENTO DE BENS. REQUISITO SUFICIENTE PARA A EXPEDIÇÃO DA CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL (POSITIVA COM EFEITOS DE NEGATIVA). IMPOSSIBILIDADE. 1. O arrolamento de bens, instituído pelo art. 64 da Lei 9.532/97, gera cadastro em favor do Fisco, destinado apenas a viabilizar o acompanhamento da evolução patrimonial do sujeito passivo da obrigação tributária. Este último permanece no pleno gozo dos atributos da propriedade, tanto que os bens arrolados, por não se vincularem à satisfação do crédito tributário, podem ser Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 457 18 transferidos, alienados ou onerados, independentemente da concordância da autoridade fazendária. 2. Tratase de procedimento que: a) não versa sobre créditos tributários ainda a vencer; b) não implica qualquer tipo de oneração dos bens do sujeito passivo, em favor do Fisco (penhora), ou medida de antecipação da constrição judicial a ser efetivada na Execução da Dívida Ativa da fazenda Pública (caução); e c) não constitui hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. 3. Nesse contexto, o arrolamento, isoladamente, não se presta a autorizar a emissão da Certidão Positiva com Efeitos de Negativa (art. 206 do CTN). 4. Recurso Especial provido.” (REsp 1.099.026/SC, Rel. Herman Benjamin. Segunda Turma, julgado em 12.5.2009, DJe 20.8.2009) Por fim, vale mais uma vez frisar que o arrolamento não se presta a garantir a execução, não se confundido, portanto, com o instituto da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Caracterizase apenas como uma medida acautelatória que visa impedir a dissipação dos bens do contribuintedevedor. Vale mencionar que, segundo o extrato do processo acostado à fl. 852, o processo de arrolamento de bens é o de nº 15504003.002/201118. E, em consulta ao site da Receita Federal do Brasil, tal processo está em andamento e tem como interessado o Sr. Carlos Eduardo Cadogan. O Recorrente alegou cerceamento no seu direito de defesa, pois lhe foi imputada a sujeição passiva com supedâneo nos artigos 121; 124, inciso I e 135, inciso II, todos do CTN. Entendeu que frente a tais dispositivos não conseguiu definir se a sujeição imputada é como contribuinte ou responsável. Entendo que esta afirmação não procede. Inclusive, vale dizer que é entendimento do Superior Tribunal de Justiça que tal situação não gera nulidade, conforme abaixo: “1. Hipótese em que, ao longo do processo administrativo fiscal, a recorrente foi caracterizada ora como contribuinte solidária, ora como responsável solidária, não tendo sido mencionada expressamente no auto de infração, embora tenha assinado Termo de Sujeição Passiva Solidária. 2. Não obstante a inconsistência na qualificação específica da empresa em momentos distintos (contribuinte/responsável), o auto de infração determinou a Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 458 19 intimação tanto do contribuinte quanto do responsável, o que é suficiente para suprir a exigência de que o sujeito passivo tenha ciência do ato administrativo. 3. A formalidade é característica do processo administrativo fiscal, mas não há nulidade sem que tenha havido prejuízo, o qual, no caso, consistiria na supressão da oportunidade de apresentar impugnação. E o prejuízo foi afastado exatamente pela apresentação da impugnação.” (REsp nº 949.959/PR, 2ª Turma, DJe 19/11/2009) O Postulante afirmou que não se pode imputar à pessoa física, responsabilidade por débitos tributários da pessoa jurídica. Ademais, afirmou que se retirou da sociedade de forma regular. A súmula 435 do STJ prescreve que “presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente”. No caso em tela, o agente fiscal asseverou que, apesar de constar como ativa no sistema da Receita Federal do Brasil, ao comparecer ao endereço cadastral da empresa em julho de 2007, pôde apurar que a mesma já não funcionava no local desde outubro de 2008 (proc. fls. 141 a 144). Além disso, teve como verificar que a última DIPJ entregue pela empresa referese ao anocalendário de 2006, sendo que nenhuma declaração de inatividade foi apresentada. Dessa maneira, configurouse patente a dissolução irregular da sociedade. Oficiando a Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, constatou que a última alteração societária ocorreu em 02/01/2008 com a entrada do Sr. Nilton Cezar da Silva Júnior e a saída do Sr. Edson Cardoso da Costa. O Sr. Carlos Eduardo Cadogan, figurou no quadro societário da empresa entre 18/11/2003 a 20/10/2005 quando foi substituído pelo Sr. Edson Cardoso da Costa. Verificouse que o Sr. Nilton Cezar da Silva Júnior não possui e nunca possuiu quaisquer bem, rendimentos ou sequer conta corrente. Quando ingressou na empresa em questão como sócio tinha somente 22 anos. Verificase que se encontrava desprovido de experiência suficiente para gerir uma empresa com movimentação financeira de aproximadamente 30 milhões. Nítida a sua condição de interposta pessoa, portanto. Da análise dos autos, verificase que mesmo após sua retirada da empresa SAT, os Srs. Carlos Eduardo Cadogan e Edson Cardoso da Costa permaneciam atuando como se sócios fossem, visto que eram responsáveis pela movimentação das contascorrentes da empresa. Em diversas retiradas figuravam como beneficiários, ou de forma direta, ou por meio de outras empresas (de propriedade de ambos ou de um apenas ou ainda de algum parente). Conforme os cheques de folhas 586 a 626, o Sr. Edison assinou diversos cheques nominais à própria empresa, endossandoos. Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 459 20 Vale mencionar que, apesar de frequentemente questionados sobre o motivo de tais retiradas, não houve manifestação concreta por parte de nenhum deles. Assim, mostrase inquestionável a atuação direta dos Srs. Edson Cardoso da Costa e Carlos Eduardo Cadogan na gestão da empresa SAT – Construtora e Empreendimentos, pois apesar de formalmente afastados do quadro societário da mesma, atuavam claramente como gestores. Portanto, correta a atribuição da sujeição passiva solidária a ambos. No que tange ao fundamento do lançamento realizado, é sabido que a legislação tributária não permite o lançamento fundado em indícios ou presunções não autorizadas por lei. No entanto, o art. 42 da Lei nº 9.430/96 prevê o caso de presunção de omissão de receita apurável com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Vale mencionar que se trata de presunção relativa, ou seja, diante da apresentação de documentação hábil e idônea a provar a origem de cada um dos depósitos questionados, afastase a exação. No caso em análise, foram expedidas diversas intimações à sede da empresa, aos sócios de fato e a diversas pessoas físicas e jurídicas beneficiárias dos depósitos em questão, com o fim de obter informações quanto à origem dos recursos apurados nas contas correntes mantidas pela empresa em instituições financeiras. Urge mencionar que nem mesmo os livros fiscais e contábeis, livros estes de escrituração obrigatória, foram apresentados. Desta forma, irretocável o lançamento realizado pela autoridade fazendária, já que estava em conformidade com o previsto em lei, promovendose o arbitramento de ofício do lucro. Segundo o Termo de Verificação Fiscal, a autoridade lançadora ao explicitar a metodologia adotada, afirmou que evitou duplicidades de lançamentos ao excluir as transferências entre contas de mesma titularidade, estornos de lançamentos, resgastes de aplicações financeiras, empréstimos, financiamentos bancários etc. Portanto, infundada a manifestação do Recorrente de que todos os créditos indistintamente foram tidos como omissos. Como já mencionado, os livros contábeis e toda a escrituração da contribuinte jamais foram apresentados ao auditor fiscal a despeito das diversas intimações solicitandoos. Portanto, não cabe agora ao Recorrente alegar que o arbitramento deveria ser afastado sob a justificativa de que não houve análise da escrituração da empresa. Ora, tal escrituração não foi analisada porque nunca foi ofertada à autoridade fazendária. Por fim, vale mencionar que não há qualquer manifestação de inconformidade com relação à multa de ofício, nem mesmo sobre a sua qualificação. Assim, esta deve ser mantida. Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 460 21 Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo os créditos tributários lançados em sua totalidade, bem como a multa na sua forma qualificada. Sala das Sessões, 12 de setembro de 2012. Nara Cristina Takeda Taga Relatora (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE – Redator “Ad Hoc” designado. Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 461 22 Voto Vencedor Tema: Preliminar de Nulidade Sobrestamento CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO – Redator designado. PAULO MATEUS CICCONE – Redator “Ad Hoc” designado. Considerando que o redator designado para redigir o voto vencedor, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, este Conselheiro, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi nomeado ad hoc para a formalização do presente Acórdão e redação do voto vencedor na parte em que restou vencida a I. Relatora. Tendo em vista não constar dos autos quaisquer informações acerca das razões de decidir do Conselheiro originalmente designado e que o levaram a REJEITAR o pedido preliminar de sobrestamento presente no recurso voluntário da contribuinte, este Redator ad hoc adotará a posição estampada na ata da sessão em que foi realizado o julgamento para consecução do voto vencedor, consignando, porém, que o faz meramente para efeito de formalização do Acórdão e que não está vinculado a nenhuma das posições manifestadas pelos conselheiros que participaram e votaram na sessão, com as quais pode ou não concordar em situações concretas. Pois bem, como se vê no extrato da ata, o Conselheiro discordou da Relatora na parte em que esta entendeu que o julgamento deveria ficar sobrestado, “aguardando o julgamento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, tendo em vista que cabe a este Tribunal a última palavra sobre inconstitucionalidade no nosso ordenamento jurídico”. (conforme voto antes estampado). Seguindo linha de pensamento oposta à da relatora, o voto vencedor pugnou por afastar o pedido de sobrestamento, votando, pois, pela continuidade do julgamento. Neste trilho, votou por REJEITAR a preliminar suscitada no recurso voluntário e que requeria o sobrestamento do feito. Brasília (DF), Sala das Sessões, em 12 de setembro de 2012. CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO – Redator designado. (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE – Redator “Ad Hoc” designado. Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 462 23 Declaração de Voto PAULO MATEUS CICCONE – Redator “Ad Hoc” designado. Considerando que Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, este Conselheiro, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi nomeado ad hoc para a formalização da presente declaração de voto. Tendo em vista a existência de minuta que foi apresentada pelo Conselheiro original durante a sessão de julgamento, transcrevoa literalmente, consignando, porém, que o faço meramente para efeito de formalização do Acórdão e que não estou vinculado a nenhuma das posições manifestadas pelos conselheiros que participaram e votaram na sessão, com as quais posso ou não concordar em situações concretas. Passo, a seguir, à transcrição da declaração de voto. Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro. O fato da fiscalização demonstrar que a empresa não está mais no seu domicílio fiscal e que não é encontrada permite presumir que o patrimônio da empresa não mais exista e que ela não tem condições de satisfazer suas dívidas tributárias. Não obstante, apenas isso não é o suficiente para responsabilizar terceiros (sócios, gerentes, administradores, etc.). Porém, no caso em concreto, conforme relatório, ficou demonstrado que os responsabilizados tinham participação ativa na gestão da empresa no período da sonegação. Essa circunstância permite a responsabilização com base no art. 135 do CTN, por ter havido sonegação, e não por ter havido dissolução irregular. Cabe analisar o dispositivo: Art.135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Como se percebe, é preciso uma análise construtiva para dar significado à regra, já que seu texto não permite uma compreensão imediata. Assim, é preciso construir e enunciar com clareza a hipótese legal da regra veiculada pelo artigo. Para tanto, dois pontos de partida são adotados: 1º) a regra visa claramente proteger o Fisco do inadimplemento, por parte da empresa (isso decorre da interpretação sistemática do CTN, em especial dos artigos do capítulo V); 2º) tal proteção deve se dar dentro de limites razoáveis. Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 463 24 Então, se a finalidade da regra é a de garantir o adimplemento, parece razoável que ela incida quando ocorre o inadimplemento absoluto. Afinal, se a regra pretende evitar que o Fisco seja prejudicado, não parece necessário que ela incida enquanto a devedora ainda pode satisfazer o débito com seus bens. Portanto, necessariamente, um dos elementos da hipótese de incidência é a impossibilidade de cobrar da empresa o débito tributário. Isso torna a responsabilidade do agente subsidiária. Outro elemento bastante evidente é a necessidade de alguma conduta ilícita por parte da pessoa que vai ser responsabilizada. Inclusive o art. 135 é expresso em exigir que o responsabilizado tenha agido com infração de lei. Obviamente existem diversas possibilidades das pessoas apontadas nos incisos agirem com infração de lei. Mas, considerando que a finalidade da regra é proteger o Fisco do inadimplemento absoluto de débito tributário, é razoável que a conduta considerada tenha a ver com o prejuízo que o Fisco teria por não poder buscar a satisfação de seus créditos na empresa. Com base nesta interpretação, uma das condutas que estaria alcançada pelo dispositivo seria a atuação do terceiro para que a empresa sonegasse tributos. Assim, a responsabilização ocorreria quando o débito tributário decorresse de sonegação, com participação do agente, e desde que não fosse possível cobrar da empresa. Nesse caso, como o ato do agente se conecta com a sonegação, ele responde pela sonegação com a qual esteve envolvido e no montante da sonegação. Outra conduta alcançada pelo artigo seria a destinação irregular de patrimônio de empresa devedora do Fisco. Nesses termos, a responsabilidade decorre, não de sonegação, mas de dissipação do patrimônio da devedora sem observar as regras legais de privilégio de crédito. Assim, a responsabilidade ocorreria quando houvesse destinação irregular, por ato do agente, sendo a empresa devedora do Fisco (de débitos conhecidos ou não), e desde que não fosse possível cobrar da empresa. Nesse caso, como o ato do agente se conecta com a destinação irregular, ele responde pela destinação e no montante do que destinou irregularmente. Porém, se o Fisco entende que houve uma “destinação irregular dos bens da empresa no encerramento das atividades” ele precisa apresentar as provas da destinação irregular. Caso contrário, ele estará presumindo a destinação irregular apenas porque a empresa encerrou suas atividades e tem dívidas fiscais. Para provar a destinação irregular, o Fisco precisa demonstrar alguns pontos: 1º) que a empresa tinha recursos suficientes para quitar a dívida tributária no momento da extinção; 2º) que a ordem dos credores foi violada; 3º) que os agentes conheciam a dívida tributária. Por estas razões, não há como aplicar a responsabilização prevista no art. 135 sob a alegação de dissolução irregular, mas apenas com a acusação de sonegação. Quanto ao art. 124 do CTN, cabe transcrever e analisar o dispositivo: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 464 25 II as pessoas expressamente designadas por lei. Da leitura do art. 124, percebese seu aspecto didático, adequado ao status de norma geral (lei nacional), bem como à natureza de código. Conforme o inciso I, são solidárias as pessoas que se coloquem na mesma posição (tenham interesse comum), no que tange ao fato gerador. Assim, por exemplo, os co proprietários de imóvel são devedores solidários do IPTU ou os coadquirentes de imóvel são devedores solidários do ITBI. Ou seja, são solidários aquelas pessoas que corealizam o fato gerador. Já o inciso II diz que são solidários aquelas pessoas apontadas na lei (da União, ou Estados, ou Municípios, no que pertine aos seus tributos respectivamente). Assim, por exemplo, se a legislação estadual estabelecer, o vendedor do imóvel será devedor solidário do ITBI com o comprador. Ou seja, mesmo não realizando conjuntamente o fato gerador, a solidariedade pode decorrer da lei Como visto, com a exegese aqui proposta, o art. 124 de tão didático poderia ser tido como desnecessário. O que serviria de argumento para pretender que a expressão “interesse comum na situação que constitua o fato gerador” alcançasse outras pessoas além daquelas que estejam na mesma posição em relação ao fato gerador. Mas, mesmo com a interpretação didática propugnada, o art. 124 tem forte razão para existir, o que sustenta a interpretação defendida e afasta outras. Com a interpretação aqui defendida para o art. 124 do CTN notase que, primeiro, ele divide e distingue os casos de solidariedade que existem em razão dos fatos tributáveis (inciso I) daqueles que existem em razão da lei e de outros fatos (inciso II). Segundo, garante que a solidariedade só decorra da lei, quer pela realização da hipótese de incidência do tributo (inciso I), quer pela realização da previsão legal de solidariedade estabelecida pelo legislador do ente tributante por razões de administração tributária (inciso II). Enfim, ao dizer “interesse comum”, o art. 124 do CTN diz interesse idêntico. Se o interesse é idêntico, significa que as pessoas corealizam o fato gerador. Dito de outra forma: só existe interesse idêntico, se as pessoas corealizam o fato gerador Deste modo, se percebe que é incabível pretender sustentar, como quis o fiscal, que o sócio gerente, o administrador, o procurador e a pessoa jurídica estejam na mesma posição em relação aos fatos geradores de tributos da empresa. Os fatos tributáveis realizado pela empresa são delas e os sócios/administradores/procuradores são terceiros que não têm participação nestes fatos, embora representem a empresa ou a administrem. O sistema jurídico e o direito tributário reconhecem a personalidade jurídica da empresa, que é distinta da dos seus sócios, gerentes, administradores e procuradores. Os atos e fatos da empresa são delas e de mais ninguém. Os atos e fatos dos sócios e dos administradores são deles e não da empresa. Destarte, fica claro que o sóciogerente ou o procurador não podem estar na mesma posição em relação ao fato tributável da empresa. De outra banda, é preciso registrar que não há o menor sentido em se pretender que “interesse comum na situação que constitua o fato gerador” signifique algo diferente que a mesma posição em relação ao fato gerador. Admitir tal possibilidade é admitir que o CTN pretendesse criar uma instabilidade nas relações jurídicas. Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 465 26 Ou seja, não é razoável imaginar que uma norma geral, voltada a regular a produção normativa tributária dos entes da federação ou a estabelecer alguns padrões normativos de âmbito nacional, fosse deixar ao aplicador da lei (da União, dos Estados e dos Municípios) um espaço tão grande para interpretação. Pretender que o aplicador da lei pudesse definir, com toda a sua subjetividade, o que seria “interesse comum na situação que constitua o fato gerador” é o equivalente a pretender que o Código Tributário Nacional visasse a instabilidade das relações jurídicas. As pessoas têm infinitos interesses e podem comungar algum destes interesses em uma situação que seja o fato gerador de algum tributo, sem que estejam na posição do sujeito passivo. Por exemplo, o corretor de imóveis, e talvez até o tabelião que lavra a escritura, pode ter interesse na venda e nisso seu interesse coincide com o interesse do comprador e o interesse do vendedor. Mas, cada um deles é uma pessoa distinta e ocupa uma posição jurídica diferente na compra e venda do imóvel e tem motivações próprias da posição que ocupam. Não é possível confundir vontade parecida, interesse coincidente, desejo semelhante, ou qualquer outra proximidade de intenção, com interesse comum na situação que constitua o fato gerador. Por isso, não é possível atribuir ao inciso I do art. 124 do CTN o condão de estabelecer a solidariedade em razão da semelhança de vontades ou coincidência de interesses. A própria frouxidão que resultaria de tal interpretação é suficiente para refutála. Deste modo, não fosse pelo próprio texto, até por segurança jurídica, é preciso entender que o art. 124 ao mencionar “interesse comum” diz interesse idêntico e isso significa que para serem solidários as pessoas precisam corealizar o fato gerador. Estabelecido o significado do inciso I do art. 124 do CTN, cabe indagar: no caso em concreto, qual seria o interesse comum (idêntico) do sócio e da empresa na realização dos fatos tributados? Ora, não há qualquer interesse em comum. A empresa realiza suas operações para realizar sua finalidade social. Os sóciosgerentes e os administradores representam e administram a empresa. O sistema jurídico, há muito atribui a cada um seus próprios atos. Pretender que o art. 124 torne os sóciosgerentes ou administradores responsáveis solidários com os tributos da empresa é defender um retrocesso de centena de anos na definição da personalidade jurídica das pessoas. Por oportuno, cabe consignar que o Imposto de Renda Pessoa Jurídica, o Imposto de Renda Pessoa Física, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, a Contribuição para o PIS, a COFINS são tributos que só podem ser realizados por uma única pessoa conforme a própria definição legal. Dessarte, para tais tributos jamais se pode pensar em solidariedade decorrente do inciso I do art. 124 do CTN. Tal dispositivo só se presta a criar solidariedade para tributos que admitam mais de uma pessoa realizando o fato gerador, como é o caso dos incidentes sobre a propriedade (IPTU, ITR, ITBI, IPVA). Por tais razões, voto pelas conclusões para rejeitar a nulidade do lançamento. Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.721008/201116 Acórdão n.º 1101000.808 S1C1T1 Fl. 466 27 Salas de Sessões, 12 de setembro de 2012. CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE – Redator “Ad Hoc” designado. Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 18/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 35301.009859/2005-97
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. CONCOMITÂNCIA. MULTA DE MORA.
É cabível a inclusão de multa de mora nos lançamentos para prevenir a decadência, com a ressalva no sentido de que dito acréscimo legal somente será exigível se o pagamento da contribuição ultrapassar o prazo de trinta dias da publicação da decisão judicial que porventura a considere devida.
Recurso Especial do Procurador provido em parte
Numero da decisão: 9202-003.681
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para limitar a aplicação da multa de mora, nos termos o voto da Relatora. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Baccieri, Patricia da Silva e Ana Paula Fernandes, que negaram provimento ao recurso.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 18/12/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1827; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2.320 1 2.319 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 35301.009859/200597 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.681 – 2ª Turma Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria Concomitância de processo administrativo e ação judicial Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado VARIG S/A VIAÇÃO AÉREA RIOGRANDENSE FALIDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. CONCOMITÂNCIA. MULTA DE MORA. É cabível a inclusão de multa de mora nos lançamentos para prevenir a decadência, com a ressalva no sentido de que dito acréscimo legal somente será exigível se o pagamento da contribuição ultrapassar o prazo de trinta dias da publicação da decisão judicial que porventura a considere devida. Recurso Especial do Procurador provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para limitar a aplicação da multa de mora, nos termos o voto da Relatora. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Baccieri, Patricia da Silva e Ana Paula Fernandes, que negaram provimento ao recurso. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. EDITADO EM: 18/12/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 30 1. 00 98 59 /2 00 5- 97 Fl. 2320DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de Contribuição para o Fundo Aeroviário, a cargo da empresa e incidente sobre a remuneração dos segurados empregados, no período de 01/2003 a 12/2004. Conforme o relatório fiscal de fls. 967 a 969, dita contribuição é objeto da Ação Ordinária nº 99.00096517, que tramita na 28º Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro. Aduz que os valores lançados na NFLD estão com sua exigibilidade suspensa, devido à decisão judicial, ficando sobrestada a cobrança até o trânsito em julgado da demanda. Diz também que, além dos valores constantes das folhas de pagamento da empresa, foram considerados como base contributiva o auxílioaluguel, a diferença entre os valores constantes da folha de pagamento para os funcionários lotados no exterior e os efetivamente pagos e gratificação paga a título de participação nos lucros em desacordo com a legislação vigente. Em sessão plenária de 02/12/2008, foi julgado o Recurso Voluntário nº 145.026, prolatandose a decisão consubstanciada no Acórdão nº 20501.391 (fls. 1.228 a 1.245), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2003 a 31/12/2004 AÇÃO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito (artigo 151 do CTN) não impede o Fisco de proceder ao lançamento, eis que esta é atividade vinculada e obrigatória (art. 142 do CTN) e visa impedir a ocorrência da decadência. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme art. 126, § 3", da Lei n" 8.213/91, combinado com o art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. O julgamento administrativo limitarseá à matéria diferenciada, se na impugnação houver matéria distinta da constante do processo judicial. MULTA DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA. Aplicamse às contribuições previdenciárias o disposto no artigo 63, §2º da Lei nº 9.430/96, quanto à interrupção da multa de mora. Fl. 2321DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 35301.009859/200597 Acórdão n.º 9202003.681 CSRFT2 Fl. 2.321 3 SALÁRIO INDIRETO. Incide contribuições previdenciárias sobre toda e qualquer vantagem atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte" A decisão foi assim registrada: "ACORDAM os membros da quinta câmara do segundo conselho de contribuintes. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir a multa de mora durante o período de vigência da antecipação de tutela. Vencido o Conselheiro Marco André Ramos Viera que negava provimento ao recurso. Ausência justificada do Conselheiro Marcelo Oliveira." Cientificada do acórdão em 07/04/2009 (fls. 1.246), a Fazenda Nacional opôs, na mesma data (fls. 1.248), os Embargos de Declaração de fls. 1.249 a 1.152, visando o saneamento das seguintes contradições: embora no dispositivo do acórdão conste que a decisão foi unânime, registrouse que um dos Conselheiros restou vencido; apesar e constar na ementa a interrupção da multa de mora, no voto vencedor constava que dita penalidade deveria ser excluída durante o período da vigência da antecipação de tutela. Os Embargos foram acolhidos parcialmente, apenas para que se alterasse a parte dispositiva, de "por unanimidade de votos" para "por maioria de votos" (despacho de fls. 1.253), mediante a aposição de carimbo de "sem efeito" no exemplar de fls. 1.228 a 1.245 e juntandose um novo exemplar de acórdão às fls. 1.255 a 1.272, com os mesmos número e data do anterior, com o seguinte dispositivo: "ACORDAM os membros da quinta câmara do segundo conselho de contribuintes, Por maioria de votos, foi dado provimento parcial ao recurso,vencido o Conselheiro Marco André Ramos Viera que negava provimento ao recurso. Ausência justificada do Conselheiro Marcelo Oliveira." Cientificada em 12/04/2011 (fls. 1.274), a Fazenda Nacional interpôs, em 15/04/2011, tempestivamente, o Recurso Especial de Divergência de fls. 1.277 a 1.282, visando rever a exclusão da multa de mora. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2300 088/2011, de 22/08/2011 (fls. 1.286/1.287). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: a douta relatora determinou que seja cancelado o lançamento da multa d e mora, nos termos do art. 35, da Lei nº 8.212, de 1991, por violação do art. 63, §2º, da Lei 9.430, de 1996, em razão da vigência de decisão judicial suspensiva da exigibilidade dos Fl. 2322DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 4 créditos tributários, no caso de recurso de apelação recebido no duplo efeito, nos autos d a Ação Ordinária 99.00096517; dispõem o art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, caput e §§, e o art. 151, inc. IV e V d o CTN: Lei nº 9.430, de 1996 "Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada prevenir a decadência, relativo a tributo de competência União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma incisos IV e V do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro 1966, não caberá lançamento de multa de oficio. (dada pela Medida Provisória n° 2.15835, de 2001) § 1° O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2° A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição." CTN "Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; (Incluído pelo Lcp n° 104, de 10.1.2001)" como se vê, a multa de ofício e de mora não serão exigidas, nas hipóteses de suspensão de exigibilidade do crédito tributário, previstas nos incisos IV e V do CTN, desde que referida suspensão tenho ocorrido antes do início de qualquer procedimento fiscal; entretanto, ainda que sob a vigência de decisão liminar para suspender a exigibilidade do crédito, a multa de mora deve ser mantida no lançamento, a existência de ação judicial não impede o lançamento fiscal, aí inclusos os acréscimos legais previstos, com o objetivo de prevenir a decadência do direito de a Fazendo Nacional constituir o crédito tributário; impende considerar que nos casos da existência ações judiciais suspendendo o exigibilidade do crédito, por força de disposição legal, inciso II do art. 151 d o CTN, não há que se falar em cobrança, ao menos enquanto presente a condição de suspensão; no entanto, a lavratura do auto de infração como um todo incluindo a multa de mora visou à prevenção da decadência do direito da Fazenda Pública, sendo o lançamento mero ato de formalização do crédito, não se confundindo com os de cobrança; ainda que conste do auto de infração a intimação para impugnar a exigência, é de se ressaltar que essa medida visa a dar oportunidade à interessada de se manifestar quanto a eventual matéria diversificada; Fl. 2323DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 35301.009859/200597 Acórdão n.º 9202003.681 CSRFT2 Fl. 2.322 5 desta feita verificase que este não é o momento oportuno para exclusão da multa, uma vez que somente após o término do litígio processual é que se pode verificar se a multa será ou não devida, já que se o contribuinte obtiver êxito em sua demanda a multa será eliminada juntamente com o tributo objeto deste processo, porém caso a pretensão do contribuinte não seja atendida pelo Judiciário a multa de mora deve ser exigida juntamente com o principal. desta feita, ante as razões aqui postas, mostrase que a multa de mora deve ser mantida no lançamento. Ao final, a Fazenda Nacional pede o provimento do recurso, reformandose o acórdão recorrido. Cientificada em 31/10/2012 (AR Aviso de Recebimento de fls. 1.290), a Contribuinte ofereceu, por meio de correspondência postada em 16/11/2012, as Contrarrazões de fls. 1.291 a 1.293, reiterando os fundamentos do acórdão recorrido. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de lançamento para prevenir a decadência, tendo em vista que a Contribuinte encontravase acobertada por antecipação de tutela. A matéria em litígio diz respeito à multa de mora aplicada, conforme o seguinte enquadramento legal, constante do relatório FLD Fundamentos Legais do Débito (fls. 948): "Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, I, II, III (com a redação dada pela Lei n. 9.876, de 26.11.99); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06.05.99, art. 239, III. "a", "b" e "c", parágrafos 2. ao 6. e e 11, e art. 242, parágrafos 1. e 2. (com a redação dada pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99). CÁLCULO DA MULTA: PARA PAGAMENTO DE OBRIGAÇÃO VENCIDA, NÃO INCLUÍDA EM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO: 8% dentro do mês do mês de vencimento da obrigação; 14%. no mês seguinte; 20%, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; PARA PAGAMENTO DE CRÉDITOS INCLUÍDOS EM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO (NFLD): 24% em até 15 dias do recebimento da notificação; 30% após o 15. dia do recebimento da notificação; 40% após a apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, ate quinze dias da ciencia da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Fl. 2324DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 6 Social CRPS; 50% após o 15. dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; PARA PAGAMENTO DO CRÉDITO INSCRITO EM DIVIDA ATIVA: 60%, quando não tenha sido objeto de parcelamento; 70%, se houve parcelamento; 80%, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o credito não foi objeto de parcelamento; 100% após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. Assim, constatase que a multa foi lançada genericamente, para aplicação a depender da forma como viesse a ser exigida. Nesse passo, releva notar que a NFLD em tela foi lavrada apenas para prevenir a decadência, o que abrangeria a totalidade do crédito tributário, inclusive a multa de mora, no caso de, revogada a medida judicial, o Contribuinte não honrasse o pagamento dentro do prazo de 30 dias. Por isso mesmo o art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, assim estabelece: Art. 63. Não caberá lançamento de multa de ofício na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributos e contribuições de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso IV do art. 151 da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966. § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de oficio a ele relativo. § 2º A interposição da ação Judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição." (grifei) Assim, o lançamento preventivo da decadência ancorase na probabilidade de o crédito tributário vir a ser exigido após o prazo previsto no Código Tributário Nacional. E tal probabilidade inclui a multa, já que sempre é possível que, passados os 30 dias da revogação da medida judicial, o débito não seja quitado, o que impossibilitaria o Fisco de exercer o seu direito de reparar o prejuízo causado pela mora no recolhimento. Diante do exposto, dou provimento parcial ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para que a multa de mora objeto do lançamento, relativa às contribuições cuja exigência está sendo questionada na via judicial, seja exigível somente no limite de 20%, na hipótese de o crédito tributário não ser recolhido dentro do prazo previsto no art. 63, § 2º, da Lei nº 9.430, de 1996. MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora Fl. 2325DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 35301.009859/200597 Acórdão n.º 9202003.681 CSRFT2 Fl. 2.323 7 Fl. 2326DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 21/1 2/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO
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Numero do processo: 13894.002107/2002-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001
IRRF. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO.
Conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso do IRRF, formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código.
PRAZO PARA EFETUAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF Nº 91.
Aplica-se o prazo de dez anos contados do fato gerador ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação tácita.
INCIDÊNCIA DE JUROS. MARCO INICIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO.
A incidência de juros sobre o imposto a ser restituído deve ser aplicada em conformidade com os arts. 858 e 896, inciso I e II, alíneas 'a' e 'b', do Decreto nº 3.000/1999, uma vez que trata-se de saldo negativo apurado na Declaração de Ajuste Anual.
Recurso Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior - Presidente.
Alice Grecchi Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Junior (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 IRRF. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. Conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso do IRRF, formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. PRAZO PARA EFETUAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF Nº 91. Aplica-se o prazo de dez anos contados do fato gerador ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação tácita. INCIDÊNCIA DE JUROS. MARCO INICIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. A incidência de juros sobre o imposto a ser restituído deve ser aplicada em conformidade com os arts. 858 e 896, inciso I e II, alíneas 'a' e 'b', do Decreto nº 3.000/1999, uma vez que trata-se de saldo negativo apurado na Declaração de Ajuste Anual. Recurso Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2173; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 1.169 1 1.168 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13894.002107/200297 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.487 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de fevereiro de 2016 Matéria IRPF Recorrente ORSA CELULOSE, PAPEL E EMBALAGENS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 IRRF. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. Conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso do IRRF, formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. PRAZO PARA EFETUAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF Nº 91. Aplicase o prazo de dez anos contados do fato gerador ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação tácita. INCIDÊNCIA DE JUROS. MARCO INICIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. A incidência de juros sobre o imposto a ser restituído deve ser aplicada em conformidade com os arts. 858 e 896, inciso I e II, alíneas 'a' e 'b', do Decreto nº 3.000/1999, uma vez que tratase de saldo negativo apurado na Declaração de Ajuste Anual. Recurso Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 4. 00 21 07 /2 00 2- 97 Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior Presidente. Alice Grecchi – Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Junior (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi. Relatório Tratase o presente processo sobre pedido de restituição (fl. 01) de imposto de renda retido na fonte IRRF sobre aplicações financeiras dos anoscalendário 1995 a 2001 no montante de R$ 1.341.119,61. O requerimento de fls. 2/3 discrimina as razões do pedido, alegando que as receitas financeiras foram objeto de tributação na declaração anual de rendimentos e que as retenções ocorreram nos CNPJs 61.082.129/000180 e 57.945.370/0001 19, os quais foram incorporados por Orsa Celulose, Papel e Embalagens S/A em 11/01/1999. Os documentos constantes em fls. 04/219 correspondem às planilhas, por ano, das retenções efetuadas, discriminadas por fonte pagadora, bem como os respectivos comprovantes de retenção emitidos pelas fontes. Através do Despacho Decisório DRF/SEORT/GUA n° 217/2007 (fls.691/695), a unidade de origem não reconheceu o direito creditório com base nos fundamentos que seguem: 1. O direito de pleitear a restituição extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos; 2. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, por ser considerado antecipação do devido no encerramento do período de apuração não pode ser compensado diretamente com outros tributos e contribuições, devendo ser deduzido do imposto apurado no encerramento do período de apuração. Cientificado do Despacho Decisório em 28/06/2007 (fl.699), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 30/07/2007 (fls.705/717). Por meio do Acórdão n° 24.036 da 2ª Turma da DRJ/CPS, de 10/11/2008 (fls.781/785), o Despacho Decisório foi anulado por ter deixado de apreciar integralmente as razões de fato e de direito que fundamentam o crédito pleiteado junto à Fazenda Pública, cabendo nova apreciação concernente ao saldo negativo de IRPJ, períodos de apuração e titularidade dos indébitos indicados no pedido. Concluindo, a DRJ/CPS diz que "Quando houver contradição entre os fundamentos de decidir e o dispositivo deve ser declarada a nulidade do ato administrativo." Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13894.002107/200297 Acórdão n.º 2301004.487 S2C3T1 Fl. 1.170 3 Mediante o despacho de fl. 788, de 18/11/2009, no qual se baseia na incorporação da requerente pela empresa Jarí Celulose, Papel e Embalagens S/A CNPJ 04.815.734/000180 (fls.786/787), situada no município de Almeirim/PA, o processo foi encaminhado ao SEORT da DRF/Santarém, unidade jurisdicionante da empresa incorporadora. Através do Parecer EAT n° 112/2010 e respectivo Despacho Decisório de 20/10/2010 da DRF/Santarém (fls.886/889), a unidade de origem reconheceu direito creditório de saldo negativo IRPJ no valor de R$ 568.788,30 como discriminado abaixo: 1. AnoCalendário 1997: R$ 209.190,09; 2. AnoCalendário 1998: R$ 104.112,46; 3. AnoCalendário 1999: R$ 81.366,35; 4. Anocalendarío 2001: R$ 174.119,40; No que se refere aos anoscalendário 1995 e 1996, o direito creditório não foi reconhecido por ter ocorrido a prescrição do direito de pleitear a restituição. No que concerne ao anocalendário 2000, o direito creditório não foi reconhecido pelo fato do contribuinte haver declarado IRRF de R$ 2.955.799,96 e não haver demonstrado no processo a composição do valor informado na rubrica Imposto de Renda Retido na Fonte. Ainda segundo a DRF/Santarém, a verificação da veracidade da alegação em relação à não inclusão dos valores nas deduções fica prejudicada. Por meio do documento de fl. 890, o contribuinte foi intimado para se manifestar acerca da compensação de origem proposta pela unidade de origem. Os documentos de fls. 891/895 discriminam os débitos que estariam em aberto nos sistemas da Receita Federal do Brasil RFB. O contribuinte respondeu (fl. 897) alegando não concordar com a compensação de ofício do crédito reconhecido com os débitos indicados. Em função da resposta do sujeito passivo, o valor da restituição permaneceu retido nos termos do art.6°, §3° do Decreto 2.138/97. Cientificado do Parecer EAT n° 112/2010 e respectivo Despacho Decisório de 20/10/2010 da DRF/Santarém (fls. 886/889) em 03/11/2010 (fl. 896), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 03/12/2010 (fls. 925/938), alegando em síntese que: 1. Não ocorreu a decadência do direito creditório relativo às retenções do imposto de renda relativas aos anoscalendário 1995 e 1996 pois o prazo é de dez anos; (cita o CTN e jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça) 2. O imposto de renda tem como sistemática de lançamento a homologação a ser realizada pelo Fisco posteriormente ao recolhimento, sendo que em função de tal circunstância o respectivo prazo decadencial somente tem início com a ocorrência desta homologação, mediante a correta exegese dos artigos 150, §4° e 168,1 do CTN; Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 3. O prazo de cinco anos para o contribuinte pleitear a restituição iniciase a partir da data da extinção do crédito tributário, que se dá pelo ato homologatório, o qual pode ser tácito ou expresso; 4. Na situação, o pedido de restituição apresentado pela Impugnante em 27/12/2002 alcança todas as retenções do imposto de renda relativas ao anocalendário de 1995 e definitivamente extintos em 2000 por força da homologação tácita. É este segundo momento que marca o termo inicial do prazo previsto no art.168,1 do CTN; (transcreve os artigos 150, §4° e 168, I do CTN e ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça) 5. Nem se alegue que a alteração legislativa perpetrada pela lei Complementar n° 118/2005 seria aplicável ao presente caso concreto, pois a Primeira Seção do STJ afastou a tentativa de retroatividade da referida norma, sendo válida somente após a sua vacado legis, consoante atesta a ementa do seguinte julgado: (transcreve ementa de acórdão do STJ) 6. O STJ declarou a inconstitucionalidade da parte final do art.4° da LC 118/2005; (transcreve ementa de julgamento a respeito) 7. O Supremo Tribunal Federal, em julgamento ainda não finalizado do Recurso Extraordinário n° 566.621/RS manifestou o entendimento pela inconstitucionalidade da segunda parte do art.4° da LC 118/2005; 8. Sobre os créditos do imposto de renda requeridos no presente processo há que ser aplicada a taxa SELIC desde os recolhimentos efetivamente efetuados pela impugnante, por força das retenções realizadas pelas instituições financeiras, até a data da efetiva restituição ou utilização do direito creditório, conforme previsto no art.39, §4° da Lei 9.250/95; (transcreve a norma) 9. A não aplicação da taxa SELIC a partir do efetivo recolhimento anula o princípio da isonomia previsto no caput do art.5° da Carta Magna; 10. A impugnante manifesta sua discordância do montante do crédito já reconhecido pela Autoridade Fiscal, perfazendo a quantia de R$ 568.788,30; 11. Em relação ao anocalendário 1998 correta a afirmação da autoridade de que a impugnante apresentaria imposto a pagar de R$ 143.774,60, que foi compensado com saldo negativo de períodos anteriores resultando em saldo de imposto a pagar equivalente a R$ 0,00; 12. Ocorre que a autoridade fiscal desconsiderou indevidamente a compensação realizada pela impugnante, vindo a deduzir do crédito a ser restituído pelo presente processo o montante do imposto a pagar; 13. Cumpre esclarecer que procede o valor apresentado na rubrica saldo negativo de períodos anteriores na Ficha 13 da DIPJ/1999 da empresa ora impugnante, devendo tal montante ser somado ao total a ser restituído por saldo negativo no presente processo; 14. Requer seja parcialmente reformada a decisão da unidade de origem para que seja reconhecido integralmente o direito creditório requerido, afastandose o reconhecimento da decadência dos valores do imposto de renda concernentes aos anos calendário 1995 e 1996; requer que sobre os créditos a serem restituídos seja aplicada a taxa Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13894.002107/200297 Acórdão n.º 2301004.487 S2C3T1 Fl. 1.171 5 SELIC nos termos do art.39, §4° da Lei 9.250/95 desde o efetivo recolhimento realizado e não a partir de janeiro do ano seguinte ao período de apuração; requer a retificação da divergência verificada no saldo do crédito a restituir no presente processo, mediante a correta consideração da compensação do saldo negativo de períodos anteriores no montante de R$ 143.744,60. Constam ainda dos autos os seguintes documentos que merecem destaque: cópias das declarações IRPJ dos exercícios 1996 (fls.220/239), 1997 (fls.240/267), 1998 (fls.268/339) e 1999 (fls.340/362), cópia das DIPFs exercícios 2000 (fls.363/434), 2001 (fís.435/469) e 2002 (fls.539/615), documento de cisão parcial da empresa ORSA FÁBRICA DE PAPELÃO ONDULADO S/A (fls.470/493), Laudo de Avaliação da empresa ORSA CELULOSE E PAPEL S/A (fls.494/499), informações de apoio para emissão de certidão (fls.681/689), telas do CNPJ (fls.728/734), relação de declarações entregues (fls.735/738), telas de DIRF (fls.739/780 e 802/885), relação de processos administrativos (fl.1047) e despacho (fl.1048). A Turma de Primeira Instância, julgou procedente em parte a solicitação, conforme ementa abaixo transcrita: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1995,1996,1997,1998,1999,2000,2001 JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. INAPLICABILIDADE. São improfícuas as jurisprudências administrativas trazidas pelo sujeito passivo, porque essas decisões, mesmo que proferidas por órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. O mesmo ocorre com as decisões judiciais citadas, com aplicação restrita às partes envolvidas naqueles litígios. DECISÃO ADMINISTRATIVA. DEFINITIVIDADE. Tendo o contribuinte deixado de apresentar manifestação de inconformidade em relação ao direito creditório dos anos calendário 1997, 1999, 2000 e 2001, o que foi decidido tornou se definitivo na esfera administrativa. RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO IRPJ. PRESCRIÇÃO. O prazo para o contribuinte pleitear a restituição de tributo retido e oferecido à tributação é o mesmo do saldo negativo IRPJ pois as retenções o comporão, isto é, cinco anos a partir do término do período de apuração. Tendo sido o pleito protocolado após o qüinqüênio em relação aos anoscalendário 1995 e 1996, resta prescrita a pretensão. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO COM SALDO DE PERÍODOS ANTERIORES. POSSIBILIDADE. Tendo o contribuinte inicialmente apurado IRPJ a pagar e compensado o tributo com saldo negativo de períodos anteriores, o qual se revelou existente, referida compensação é crédito do contribuinte e deve ser considerada na recomposição do IRPJ sobre o Lucro Real procedida pelo Fisco. Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte" O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 0121.624 da 1ª Turma da DRJ/BEL em 09/06/2011 (fl. 1.124 pdf). Sobreveio Recurso Voluntário em 08/07/2011, no qual, o contribuinte ratificou as razões da manifestação de inconformidade. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Tratamse os presentes autos de pedido de restituição de imposto de renda retido na fonte IRRF (fl. 01) sobre aplicações financeiras nos anoscalendário de 1995 a 2001. Sustenta o recorrente que os anoscalendário 1995 e 1996 não estão atingidos pela decadência, pelos seguintes argumentos: Na situação sub examine, o pedido de restituição apresentado pela Recorrente em 27 de dezembro de 2002 alcança todas as retenções do imposto de renda sofridas no anocalendário de 1995 e definitivamente extintos em 2000 por força da homologação tácita prescrita pelo artigo 150, § 4° do CTN. E este segundo momento o termo inicial do prazo previsto no artigo 168, inciso I do CTN. Este entendimento é baseado na correta exegese do mencionado artigo 168 do Código Tributário Nacional, que estabelece a decadência começa a operar com o decurso do prazo de cinco anos a partir da extinção crédito tributário [...] Nos casos dos tributos sujeitos ao denominado lançamento por homologação, a extinção do respectivo crédito tributário somente ocorre quando da homologação do recolhimento pelo Fisco, conforme dispõe o artigo 150, § 4o , do CTN: [...] O Superior Tribunal de Justiça, ao apreciar os Embargos de Divergência em Recurso Especial n° 43.9955RS (94/0039446 7), uniformizou o seu posicionamento sobre a questão em exame, conforme ementa abaixo transcrita: 'Consoante entendimento fixado pela egrégia Primeira Seção, sendo empréstimo compulsório sobre a aquisição de combustíveis sujeito a lançamento por homologação, à falta deste, o praZo decadencial só começará afluir após o decurso de Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13894.002107/200297 Acórdão n.º 2301004.487 S2C3T1 Fl. 1.172 7 cinco anos da ocorrência do fato gerador, somados de mais cinco anos, contados estes da homologação tácita do lançamento...' [...] Portanto, configura medida de rigor seja reconhecido integralmente o direito creditório à restituição do imposto de renda requerido pela Recorrente, de sorte que a r. decisão recorrida merece reforma no tocante ao reconhecimento da decadência dos valores do imposto de renda concernentes aos anoscalendário 1995 e 1996, tendo em vista o prazo decadencial deste direito iniciarse a partir da homologação do respectivo recolhimento. (Grifei) A questão posta consiste em verificar se no caso em exame o prazo para a apresentação de pedido de restituição dos tributos sujeitos a lançamento por homologação começa a fluir (i) decorridos 05 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um quinquênio computado desde o termo final do prazo atribuído ao Fisco para verificação do quantum devido, ou (ii) decorridos 05 (cinco) anos contados da data da extinção do crédito tributário (do pagamento). No que tange ao objeto do presente recurso, houve pronunciamento do STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como do STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, com efeito repetitivo, ao qual este julgador deve seguir, conforme expressa disposição regimental. O entendimento exarado pelas Cortes Superiores é no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação (como é o caso do IRRF), para os pedidos protocolizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. O acórdão do STF restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO –VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando se as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permite se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” O STJ, por sua vez, ao julgar o RESP nº 1.002.932, segundo a sistemática do artigo 543C, do CPC, consolidou o seguinte entendimento: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13894.002107/200297 Acórdão n.º 2301004.487 S2C3T1 Fl. 1.173 9 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação corespectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I,I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT , para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo " os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inseri da no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração . (...) ... SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System dês heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandose lhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3ª ed., vol. 1º, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storicoteoricopratico di diritto civile francese Ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada, quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa. " Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que:"Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13894.002107/200297 Acórdão n.º 2301004.487 S2C3T1 Fl. 1.174 11 homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada." ). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” Como se verifica do voto condutor do Ministro Luiz Fux, restou consagrada a tese de que o prazo para a repetição ou compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação começa a fluir decorridos 05 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio computado desde o termo final do prazo atribuído ao Fisco para verificação do quantum devido. Disto resultou o que se convencionou chamar de tese dos “cinco mais cinco”, acolhida pelo STJ em decisão sob a sistemática do recurso repetitivo (art. 543C do CPC). Em decorrência da jurisprudência pacificada o assunto foi sumulado por este E. Conselho, conforme se verifica: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. No presente caso, considerando que o pedido de restituição foi apresentado em 27/12/2002 (fl. 01), ou seja, antes de 09/06/2005, início da vigência da Lei Complementar 118/2005, verificase que, o pedido de restituição sob litígio, inclusive relativamente aos anos calendário 1995 e 1996, não restaram atingidos pela decadência. Por fim, entende o recorrente que a incidência de juros pela taxa Selic deve ser calculada a partir da data do recolhimento do imposto. Quanto a este item, entendo que não assiste razão a recorrente, ratifico o entendimento da decisão da DRJ/BEL, no sentido de que a correção deve ocorrer a partir do mês de janeiro do anocalendário subsequente ao pagamento do imposto, pois, resta claro que o crédito reconhecido é de saldo negativo IRPJ. O contribuinte ofereceu a tributação os rendimentos sobre aplicações financeiras, conforme previsão legal, e sendo realizada as respectivas retenções corretamente, por conseguinte feita as devidas compensações, verificouse direito creditório por parte do contribuinte em cada período de apuração, uma vez que acabou por recolher imposto a maior, sendo este crédito considerado saldo negativo de IRPJ. A fim de um melhor entendimento acerca da matéria, transcrevo os arts. 858 e 896 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda): "Art. 858. O imposto devido, apurado na forma do art. 222, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir (Lei n° 9.430, de 1996, art. 6º). § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será (Lei nº 9.430, de 1996, art. 6º § 1º): 1 pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2°; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Art. 896. As restituições do imposto serão (Lei nº 8.383, de 1991, art. 66, §3, Lei n2 8.981, de 1995, art. 19, Lei n2 9.069, de 1995, art. 58, Lei n2 9.250, de 1995, art. 39, § 42 e Lei n29.532, de 1997, art. 73): I atualizadas monetariamente até 31 de dezembro de 1995, quando se referir a créditos anteriores a essa data; II acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente: a) a partir de 1º de janeiro de 1996 a 31 de dezembro de 1997, a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da restituição e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada; Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13894.002107/200297 Acórdão n.º 2301004.487 S2C3T1 Fl. 1.175 13 b) após 31 de dezembro de 1997, a partir do mês subseqüente do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição, e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Da leitura do art. 858, verificase que o contribuinte, ao apurar imposto, se negativo, tem assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Logo, da leitura combinada do artigo supracitado com o art. 896 e incisos, os quais tratam da correção monetária da restituição, verificase que tratandose de saldo negativo apurado no ajuste anual, o valor da restituição deve ser corrigido, conforme determina os incisos I e II, alíneas a e b, ou seja, as restituições serão "atualizadas monetariamente até 31 de dezembro de 1995, quando se referir a créditos anteriores a essa data", ou "acrescidas de juros equivalentes à taxa [...] SELIC, [...] acumulada mensalmente: a) a partir de 1º de janeiro de 1996 a 31 de dezembro de 1997, a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da restituição e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada; b) após 31 de dezembro de 1997, a partir do mês subseqüente do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição, e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada." Logo, sendo apurado no ajuste anual, saldo negativo de IRRF, a correção deve ocorrer em conformidade com os arts. 858 e 896, inciso I e II, alíneas 'a' e 'b', do Decreto nº 3.000/1999. Ante o exposto voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso para, reconhecer a tempestividade do pedido de restituição protocolado pelo contribuinte, afastando a decadência/prescrição; bem como para determinar que a incidência de juros seja aplicada nos termos dos arts. 858 e 896 do Decreto nº 3.000/1999. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13924.000037/2002-38
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 31/01/1997 a 31/03/1997
SEMESTRALIDADE DA BASE DE CÁLCULO.A base de cálculo do PIS/Pasep, prevista no artigo 6° da Lei Complementar nO7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, nos termos da Súmula n° 11.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 203-13.082
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Pasep- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Odasse Guerzoni Filho
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Recorrida DRJ EM CURITIBAlPR ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/1997 a 31/03/1997 SEMESTRALIDADE DA BASE DE CÁLCULO.A base de cálculo do PIS/Pasep, prevista no artigo 6° da Lei Complementar nO7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, nos termos da Súmula n° 11. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, José Adão Vitorino de Morais, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. ---_ .•._- --'--'- _.' .. ~-~._- c: "'Er::ur .•...0 ('C .•' 1 - • I' r(' I./11 -,;,)~6" ...LJ.I • ~ •••••.••• \..H. I::'V CONFER[ \...:, ..•.h. .:. ,,!. 8",,,,--dt~.; f I OP=J lI.1arlldeCv J :no ds c: ':.ira _________ ~!~~~,~j.~p~.B~~..~~_._------ Processo nO 13924.00003712002-38 Acórdão n.o 203.13.082 Relatório CC02/C03 .Fls. 132 Trata~se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão n° 7.807, de 26/01/2006, que atendera parcialmente aos argumentos da interessada quando de sua impugnação ao Auto de Infração no montante de R$ 7.318,87, nele incluídos juros de mora e multa de oficio de 75%. O auto de infração, que lhe fora cientificado em 13/12/2001, refere-se .auditoria eletrônica em DCTF por meio da qual foram apuradas diferenças no recolhimento do PIS/Pasep dos períodos de apuração de janeiro a março de 1997, decorrentes da não confirmação da existência de processo judicial informado para suportar compensações declaradas. No Recurso Voluntário a interessada se insurge apenas contra o fato de a DRJ não ter levado em consideração para fins de apuração do crédito que lhe fora reconhecido por decisão judicial transitada em julgado em face dos recolhimentos a maior de PISlPasep com base nos Decretos-Leis nOs.2.445 e 2.449, de 1988, considerados inconstitucionais, a questão da semestralidade da base de cálculo, ou seja, retirara apenas a multa de oficio. Acórdão proferido pela Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes declinou a competência de julgamento para este Segundo Conselho. É o Relatório. Processo nO 13924.000037/2002-38 Acórdão n.o 203.13.082 Voto Conselheiro ODASSI GUERZONI FILHO, Relator CC02/C03 Fls. 133 A tempestividade se faz presente pois, cientificada da decisão da DRJ em 18/02/2005, uma sexta-feira, a interessada apresentou o Recurso Voluntário em 22/03/2005, quarta-feira de cinzas. Preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. Essa questão da semestralidade restou definitivamente pacificada após a edição da Súmula nO11, aprovada na Sessão Plenária de 18/09/2007 deste Segundo Conselho de Contribuintes, e publicada no DOU de 26/0912007, Seção 1,pág. 28, verbis: "Súmula nO11- A base de cálculo do PIS/Pasep, prevista no artigo 6° da Lei complementar n° 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. " Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso para que a Unidade, ao fazer a apropriação dos créditos de PISlPasep reconhecidos judicialmente, leve em consideração os efeitos da semestralidade da base de .cálculo, e proceda à nova compensação dos débitos. Salad~ 3 d:iulho de 2008~ ODASSI GUERZONI I 3 00000001 00000002 00000003
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Numero do processo: 14766.000298/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem faça a vinculação dos autos ao processo nº 10480.001609/2003-55, retornando para julgamento conjunto na conformidade do que foi determinado na Resolução nº 1202-000.185 anexada às fls. 1923 daquele processo.
Documento assinado digitalmente.
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Relatório
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem faça a vinculação dos autos ao processo nº 10480.001609/2003-55, retornando para julgamento conjunto na conformidade do que foi determinado na Resolução nº 1202-000.185 anexada às fls. 1923 daquele processo. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto - Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Relatório
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Recorrente COMPANHIA INDUSTRIAL DE VIDROS CIV Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem faça a vinculação dos autos ao processo nº 10480.001609/200355, retornando para julgamento conjunto na conformidade do que foi determinado na Resolução nº 1202000.185 anexada às fls. 1923 daquele processo. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por COMPANHIA INDUSTRIAL DE VIDROS CIV contra acórdão proferido pela DRJ/Recife que concluiu pela improcedência da RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 47 66 .0 00 29 8/ 20 10 -9 1 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14766.000298/201091 Resolução nº 1401000.362 S1C4T1 Fl. 165 2 manifestação de inconformidade acerca de pedido de compensação de créditos decorrentes de saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados no anocalendário de 2002. Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso: 2. Através do Despacho Decisório eletrônico de fl. 38, os PER/DCOMPs não foram homologados, ao fundamento de que os créditos pleiteados já foram integralmente aproveitados pela interessada em compensações anteriores, conforme decisão prolatada por esta DRJ nos autos do processo administrativo n.º 10480.001609/200355. 3. No prazo legal, a interessada apresentou manifestação de inconformidade de fls. 42/45, por meio da requer o sobrestamento da cobrança dos débitos, sob a alegação de que o processo administrativo n.º 10480.001609/200355 não está definitivamente concluído ou encerrado, encontrandose, atualmente, no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, pendente de julgamento de recurso voluntário. Afirma que a decisão, por basearse noutra ainda não definitivamente julgada, está equivocada. O processo n.º 10480.001609/2003 55 tem relação direta com o objeto do processo administrativo n.º 19647.003321/200510, também pendente de apreciação pelo CARF. 4. Apensos ao presente processo, encontramse os de n.ºs 10480.721471/201114 e 10480.721472/201169, que trazem cópias dos PER/DCOMPs analisados. Ao apreciar a impugnação apresentada, a 4ª Turma da já mencionada DRJ/Recife proferiu o Acórdão nº 1139.150, de 14 de dezembro de 2012, por meio do qual decidiu pela procedência do feito fiscal. Considerou que a impugnante não contestou o fato de que os créditos reconhecidos no outro processo administrativo já haviam sido integralmente aproveitados em compensações anteriores. Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário no qual sustenta que há mais créditos a compensar por conta do processo nº 10480.001609/200355 e que o reconhecimento desse direito dependeria da decisão final proferida no processo nº 19647.003321/200510. Ambos, na época em que foi interposto o recurso, estariam inclusos em pauta de julgamento na 2ª Turma da 2ª Câmara desta Casa. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator Fl. 165DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14766.000298/201091 Resolução nº 1401000.362 S1C4T1 Fl. 166 3 Com efeito, os processos de nº 10480.001609/200355 e 19647.003321/200510 foram objeto de julgamento na 2ª Turma da 2ª Câmara desta Casa. O primeiro processo, que trata dos créditos de IRPJ e CSLL (anocalendário de 2002) com os quais os débitos do presente processo pretendem ser compensados, teve compensações homologadas até um limite inferior ao que empresa alegou ter direito. Isso se deu por causa do auto de infração consubstanciado no segundo processo que reduziu aqueles créditos em razão de glosa de despesas não comprovadas. Ao analisar a questão, a mencionada Turma reconheceu que a análise da compensação pretendida no primeiro processo dependia diretamente do resultado do julgamento do segundo processo. Tratavase, portanto, de processo decorrente. Como a decisão proferida no segundo processo estaria ainda sujeita a eventual recurso especial, a Turma resolveu converter o julgamento do primeiro processo em diligência para que a unidade de origem aguardasse a decisão definitiva a ser exarada no segundo processo. De fato, o contribuinte interpôs recurso especial nos autos do segundo processo, para o qual foi dado parcial seguimento no exame de admissibilidade (despacho datado de 17/11/2015). Considerando que o presente processo é diretamente decorrente do primeiro processo (e indiretamente do segundo) há que se reconhecêlo (o primeiro) como principal dessa relação. Assim, impõese a aplicação do artigo 6º, § 4º, do Anexo II, do novo Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 343/2015), verbis: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. (...) § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14766.000298/201091 Resolução nº 1401000.362 S1C4T1 Fl. 167 4 Diante do exposto, proponho a conversão deste julgamento em diligência para que a unidade de origem faça a vinculação dos autos ao processo nº 10480.001609/200355, retornando para julgamento conjunto na conformidade do que foi determinado na Resolução nº 1202000.185 anexada às fls. 1923 daquele processo. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 167DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720682/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 07 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes e Antonio Bezerra Neto que negavam provimento.
Documento assinado digitalmente.
Antônio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes e Antonio Bezerra Neto que negavam provimento. Documento assinado digitalmente. Antônio Bezerra Neto - Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto.
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Recorrente PUMA SERVIÇOS ESPECIALIZADOS DE VIGILÂNCIA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes e Antonio Bezerra Neto que negavam provimento. Documento assinado digitalmente. Antônio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por PUMA SERVIÇOS ESPECIALIZADOS DE VIGILÂNCIA contra acórdão proferido pela DRJ/Belém que concluiu pela improcedência da manifestação de inconformidade acerca de pedido de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .7 20 68 2/ 20 08 -9 1 Fl. 380DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10280.720682/200891 Resolução nº 1401000.356 S1C4T1 Fl. 380 2 compensação de crédito decorrente de saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário de 2003. A empresa protocolou seu pedido com base nos valores informados em sua DIPJ/2004, os quais apontavam o seguinte: . CSLL a pagar: R$ 80.088,05 . () CSLL antecipadas por estimativas compensadas: R$ 241.245,05 . Saldo negativo: R$ 161.157,00 A unidade de origem consolidou as estimativas compensadas naquele ano calendário numa tabela, contendo treze itens (fls. 109 e 110 do processo eletrônico), que foi elaborada no Parecer SEORT/DRF/BEL Nº 0124/2009. De acordo com essa tabela, as estimativas consideradas efetivamente compensadas totalizaram um valor de R$ 98.040,11 e correspondem aos seus itens 1, 2, 3, 4, 5 e 7. Por sua vez, as estimativas correspondentes aos itens 8, 10, 11, 12 e 13 não foram incluídas naquela totalização. Segundo o Parecer, todos essas estimativas referemse aos créditos suscitados no processo nº 10280.001636/201384, porém, somente as indicadas no primeiro conjunto de itens foram efetivamente compensadas no processo. Quanto às estimativas correspondentes aos itens 6 e 9 daquela mesma tabela, o Parecer informa que suas compensações não foram homologadas conforme decisões proferidas pela DRJ/Bélem, respectivamente, nos autos dos processos nº 10280.001575/200355 e 10280.001574/200319. Assim, considerando que sua verificação apurou que o valor das estimativas efetivamente compensadas (R$ 98.040,11) superou a CSLL a pagar em apenas R$ 17.952,06, a unidade de origem homologou a compensação pleiteada no presente processo até esse limite. A empresa, então, apresentou manifestação de inconformidade questionando o não reconhecimento da totalidade do crédito apontado. Basicamente, argumentou que: (i) enquanto não proferida uma decisão final, o pedido contido nos autos do processo nº 10280.001636/201384 alcançaria todas as compensações a ele vinculadas, incluindo os itens 1, 2, 3, 4, 5 e 7 (homologadas pela decisão originária) e os itens 8, 10, 11, 12 e 13 (pendentes de análise pela DRJ/Belém); (ii) o mesmo se diga em relação às compensações vinculadas aos processos nº 10280.001575/200355 (item 6) e 10280.001574/200319 (item 9), os quais encontravamse ainda pendentes de análise pela segunda instância de julgamento; e (iii) os débitos referentes às compensações não homologadas serão cobrados no âmbito dos respectivos processos, de modo que permanecerá o direito à compensação da totalidade do saldo negativo pleiteado no presente processo. A 1ª Turma da já mencionada DRJ/Belém proferiu, então, o Acórdão nº 01 27.007, de 29 de agosto de 2013, por meio do qual considerou improcedente a manifestação de inconformidade. Assim figurou a ementa daquele julgado: Fl. 381DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10280.720682/200891 Resolução nº 1401000.356 S1C4T1 Fl. 381 3 CRÉDITO TRIBUTÁRIO.COMPENSAÇÃO. compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO.COMPENSAÇÃO.ULTERIOR HOMOLOGAÇÃO. não havendo ulterior homologação da extinção do crédito tributário através da compensação, a manifestação de inconformidade não tem a natureza jurídica de extinção, mas de recurso administrativo, portanto, de suspensão do crédito tributário exigido. Apesar de não se manifestar acerca das compensações pendentes de julgamento no processo nº 10280.001636/201384, a DRJ foi categórica em afirmar que os recursos dos processos nº 10280.001575/200355 e 10280.001574/200319 foram improvidos tanto na 1ª quanto na 2ª instância administrativa. Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário no qual, essencialmente, repete as razões de defesa da manifestação de inconformidade. Acrescenta, ainda, que as compensações das estimativas vinculadas ao processo nº 10280.001636/201384, que se encontrava pendente de análise (itens 8, 10, 11, 12 e 13), restaram homologadas pelo Acórdão nº 0114.041 proferido pela 1ª Turma da DRJ/Belém. Por sua vez, o débito da estimativa vinculada ao processo nº 10280.001575/200355 (item 6), apesar de ter sua compensação não reconhecida administrativamente, já é objeto de cobrança através da inscrição em dívida ativa de nº 20 6 13 00156971. Quanto ao débito da estimativa vinculada ao processo nº 10280.001574/200319 (item 9), sua cobrança estava suspensa pois ainda estaria em discussão administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator Quanto aos débitos vinculados aos processos nº 10280.001636/201384 (itens 8, 10, 11, 12 e 13) e 10280.001575/200355 (item 6), considero que a recorrente juntou provas suficientes para afastar qualquer insurgência ao seu pleito. Com efeito, as PER/DCOMP listadas nos itens 8, 10, 11, 12 e 13 da tabela (fls. 109 e 110 do processo eletrônico) do Parecer SEORT/DRF/BEL Nº 0124/2009 fazem parte do conjunto de declarações de compensação homologadas pelo Acórdão nº 0114.041 proferido pela 1ª Turma da DRJ/Belém (vide a Tabela 1 fls. 361 e 376 do processo eletrônico a qual foi integralmente contemplada no voto condutor da decisão recorrida fls. 372 do processo eletrônico). Fl. 382DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10280.720682/200891 Resolução nº 1401000.356 S1C4T1 Fl. 382 4 Quanto à estimativa vinculada ao processo nº 10280.001575/200355 (item 6 da mesma tabela daquele Parecer), de fato, o valor originário de R$ 15.008,80 é objeto da cobrança contida na inscrição em dívida ativa de nº 20 6 13 00156971 (fls. 373 e 374 do processo eletrônico). No que se refere ao débito de estimativa vinculado ao processo nº 10280.001574/200319 (item 9), no valor de R$ 11.917,29, verifico que foi negado seguimento ao recurso especial impetrado pela empresa (conforme despacho de admissibilidade datado de 16/09/2015). Portanto, de acordo com as decisões da primeira e segunda instâncias administrativas, a compensação do referido debito não foi homologada. Nada obstante, em 16/11/2015, aquele processo foi encaminhado para a unidade de origem e ainda não há confirmação de que, tal como aconteceu com a estimativa do item 6, seu valor originário está inscrito em dívida ativa. Destarte, por prudência e também porque não vislumbro prejuízo para as partes, entendo que deva se aguardar a confirmação da inscrição em dívida ativa do débito daquele último processo. Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem aguarde a inscrição em dívida ativa do débito contido no processo de nº 10280.001574/200319, retornando o presente processo para a conclusão do seu julgamento após confirmada a mencionada providência. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 383DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/12/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003736/2003-19
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: FASE PRÉ-OPERACIONAL. RECEITAS E DESPESAS FINANCEIRAS.
Na fase pré-operacional havendo saldo negativo entre as receitas e despesas financeiras não há que se falar em tributação. Precedentes.
Numero da decisão: 1103-000.591
Decisão: ACORDAM os membros da lª Camara / 3ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.
Nome do relator: Aloysio José Percínio da Silva
1.0 = *:*
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RECEITAS E DESPESAS FINANCEIRAS.. Na fase pré-operacional havendo saldo negativo entre as receitas e despesas financeiras não há que se falar em tributação. Precedentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da la Camara / 3' turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Sustent 6L0 E ita pela Dra. Eloisa Curi (OAB/SP 117304). DA SILVA - Presidente E SILVA - Relator • Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Mario Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percinio da Silva. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por JOSEFA MARIA DA SILVA 4t) Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o acórdão que julgou procedente auto de infração lavrado para a cobrança de IRPJ no valor de R$ 6.835.714,94 e CSLL no valor de R$ 2.530.876,71 dos anos calendários de 2000 a 2002, sob o fundamento de que o contribuinte deixou de oferecer à tributação receitas com aplicações em fundo de investimento indexado em moeda estrangeira no citado período. Na sua Manifestação de Inconformidade o contribuinte alegou que nos anos- calendários objetos do lançamento se encontrava em fase pré-operacional (período de janeiro de 1999 a julho de 2002). razão pela qual seria indevida a tributação. Sustenta, ainda, que o saldo entre as receitas e despesas financeiras era negativo e que, nesta situação, também não deveria haver tributação. A decisão recorrida não aceitou tal argumento e foi assim ementada: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - 1RP,I Ano-calendário: 2000, 2001, 2002 RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas .financeiras apuradas em fase pré-operacional devem ser oferecidas á tributação segundo o regime de competência. CSLL- O decidido quanto ao lançamento do IRRI deve nortear a decisão do lançamento decorrente tendo em vista que decorrem das mesmas provas. Lançamento Procedente" (fls. 435) Inconformado, veio o contribuinte no seu Recurso Voluntário aduzir que a decisão recorrida deve ser reformada porque, em face das regras legais e contábeis, os ganhos financeiros obtidos na fase pré-operacional não devem ser ofertados a tributação, conforme farta doutrina e •iurisprudência que acostou ao seu Recurso. Reitera, também, que mesmo que se admitisse a tributação, esta só seria possível se a diferença entre os saldos de despesas e receitas financeiras fosse positivo, o que não teria ocorrido segundo demonstrado na tabele posta as fls. 499 do Recuso, lastreada no Balanço Patrimonial encerrado em 31/12/1999 e juntado as fls. 513/515 dos autos como doc. 04 Com tais considerações requer a procedência do Recurso com a improcedência do auto de infração originário. o relatório. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por JOSEFA MARIA DA SILVA S1-C1T3 11. ED 410 •Ce)? Processo n" 19515.003736/2003-19 Acóra611." 1103-00.591 Voto Conselheiro ERIC CASTRO E SILVA, Relator 0 recurso satisfaz os seus requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A questão posta é eminentemente de direito, qual seja, se, quando em fase pré- operacional, os ganhos de rendimentos financeiros obtidos pela Recorrente devem ser levados ou não tributação, particularmente quando o saldo das aplicações é negativo em razão das despesas financeiras serem superiores aos ganhos que o lançamento entendeu constituírem fato gerador do tributo objeto do auto de infração. Para este relator a resposta é negativa, isto 6, não há que se falar de tributação dos ganhos financeiros na fase pré-operacional, particularmente na presente hipótese, quando restaram comprovados que as despesas financeiras (juros dos financiamentos, etc) foram superiores aos ganhos das aplicações, corno se extrai do "Balanço Patrimonial" juntado as fls. 513/515, onde consta corno despesa financeira (juros do passivo") é superior a receita financeira ("rendas sobre aplicações financeiras"). Assim, mesmo que se admitisse a tributação das receitas financeiras em fase pré- operacional, a tributação so seria possível na hipótese das referidas receitas serem superiores as despesas, o que comprovadamente não ocorreu. Isto porque, em respeito ao regime de competência, its receitas devem ser confrontadas às despesas surgidas no mesmo exercício. E o que determina o art. 177 da Lei das SA (lei n° 6.404/76), verbis: "Art. 177. A escrituração da companhia sera mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mula Coes patrimoniais segundo o regime de competência" (original sem destaque). Tal entendimento foi prestigiado pela Solução de Divergência COSIT n° 32 de 05.08.2008, cuja ementa é a seguinte: "As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real devem registrar no ativo erido o saldo liquido negativo entre receitas e despesas financeiras., quando provenientes de recursos classificáveis 170 referido subgrupo. Sendo positiva, tal diferença diminuirá o total das despesas pré-operacionais registradas. O eventual excesso remanescente deverá compor o lucro liquido do exercicio". Assim, na fase pré-operacional, sendo as despesas maiores que as receitas, o saldo negativo é lançado no ativo diferido do contribuinte; sendo positiva a diferença entre receitas e despesas, o saldo deve diminuir as demais despesas pré-operacionais e, eventual saldo positivo, pode ser tributado. 3 Fl. 549DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por JOSEFA MARIA DA SILVA • A Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, cuja precisão e conhecimento técnico sobre o tema é de todos conhecidos, assim se manifestou em processo análogo ao presente (Proc. n° 10580.013161/2002-11): "Segundo essa Solução de Divergência [COSIT n° 32/08], a revogação da IN 54/88, não constitui razão suficiente para se concluir que o resultado .financeiro positivo obtido a partir dos gastos classificáveis no ativo diferido por parte das pessoas jurídicas que apuram o respectivo imposto sobre a renda com base no lucro real deva ser prontamente tributado, post() que a legislação comercial, que consagra o principio da competência, inclusive no que se refere ao ativo diferido e cuja observância determinada pela legislação tributária, estabelece que devem ser registrados no ativo diferido, o saldo negativo entre receitas e despesas financeiras, quando provenientes de recursos classificáveis no referido subgrupo, sendo positiva, tal diferença diminuirá o total das despesas pré-operacionais registradas, devendo haver tributação apenas quando o referido resultado ultrapassar o total das despesas pré- operacionais. No caso dos autos, conforme já demonstrado pela análise do Balanço Patrimonial, o saldo entre receitas e despesas financeiras foi negativo , não havendo, pois que se falar de tributação. A jurisprudência deste Tribunal Administrativo espelha o entendimento aqui defendido, conforme demonstram os arestos abaixo: LUCRO REAL FASE PRE-OPERACIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. VARIAÇÕES MONETÁ RIAS ATIVAS. As receitas financeiras originárias de empreendimentos em fase pré-operacional são classificadas no ativo diferido, sendo deduzidas das despesas financeiras diferidas. Havendo saldo positivo, este é diminuído das demais despesas pré-operacionais diferidas. Permanecendo saldo positivo, o valor é oferecido a tributação. As receitas . financeiras e as variações monetárias ativas são parte da atividade operacional da empresa, podendo ser diferidas se a situação é de pré-operacionalidade. (107-09537, de 12.11.2008,) "FASE PRE-OPERACIONAL -- SALDO CONJUNTO CREDOR — Passível de diferimento, na fbrma de lucro inflacionário, o saldo conjunto da fase préoperacional de despesas e receitas financeiras, variações monetárias ativas e passivas e do resultado liquido da correção monetária do balanço, que exceda as despesas pré- operacionais, a teor do disposto na IN SRF n°54/88. independentemente do resultado apurado em todo o período-base." (Conselho de Contribuintes - Acórdão 101-95093 de 07/07/2005) "FASE PRE-OPERACIONAL. DIFERIMENTO DAS RECEITAS E DAS DESPESAS. INICIO DA ATIVIDADE OPERACIONAL. As receitas e despesas de empreendimentos ern lase pré-operacional são classificadas no ativo diferido, para amortização no prazo mínimo de 5 anos. O inicio da atividade operacional se dá quando o equipamento ou instalação passa a operar em sua plena capacidade. (1° Conselho de Contribuintes – Acórdão 103-21933, data da decisão 14/0412005)." (0--- 4 Fl. 550DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por JOSEFA MARIA DA SILVA Process() n" 19515,003736/2003-19 Ac6RI:ao n." 1103-00.591 S1-C1T3 5(1 "IRPJ. PERÍODO PRÉ-OPER1(70NAL. Os custos, encargos ou despesas, registrados no ativo erido que contribuirão para a forma ção do resultado de mais de um período de apuração devem ser amortizados e partir do inicio das operações, independentemente do resultado positivo ou de lucro. Quando a implantação da empresa se processar por etapas, cada lase da implantação deve ser bem definida, a fim de que as amortizações das despesas pré- operacionais fiquem vinculadas a cada etapa (PN/CST no 110/75). IRPJ. APURAÇÃO DE RESULTA DOS. RECEITAS E DESPESAS. Na apuração de resultados de um período, devem os custos, despesas operacionais e encargos devemz ser computados com as receitas, consoante comando expresso no artigo 187, inciso e g e § I°, letra 'a' e '6', da Lei n° 6.404/76 e artigo 70(10 Decreto-lei n 1598/77." (1° Conselho de Contribuintes - Acórdão 101-94337 de 09/09/2003)" "IRPJ — EMPRESA EM FASE PRÉ-OPERACIONAL — DESPESA DE VARIAÇÃO MONETAL4 PA SS/ VA — Na lase pré-operacional, deve ser apurado o saldo conjunto day despesas e receitas financeiras, das variações monetárias ativas e passivas e do resultado líquido da correção monetária do balanço que, se devedor, será registrado no ativo diferido. Incabível a tributação, isolada e em sua totalidade, do valor registrado a titulo de variação monetária passiva sobre operação de mútuo, Recurso parcialmente provido.(1° Conselho de Contribuintes - Acórdão 108-06007, Data da decisão 22/022000)" "FASE PRÉ-OPERACIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas financeiras originarias de empreendimentos em lase pré-operacional são classificadas no ativo diferido, sendo deduzidas das despesas financeiras diferidas. Havendo saldo positivo, este é diminuído das demais despesas pré-operacionais diferidas. Caso ainda permaneça saldo positivo, o valor é oferecido e tributação. RECOLHIMENTO MENSAL. BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. FASE PRÉ- OPERACIONAL. incabível a exigéncia de recolhimento mensal sobre bases estimadas, se a empresa encontra-se em .fase pré-operacional. (Decisão 5008 da DRI/RJ - r Turma, data da decisão 2g4.2004)" Por todo o exposto, voto por julgar procedente o presente Recurso Voluntário e, consequentemente, improcedente o Auto de Infracal originário, que resta sem efeito. corno voto. Sala de Sessões, 24 de novembro de 2011. atiV(tu ERIC CASTRO E SILVA RELATOR. 5 Fl. 551DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por JOSEFA MARIA DA SILVA
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