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Numero do processo: 19515.002091/2009-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2005, 2006
MULTA DE OFICIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a penalidade quando existir concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual (mesma base).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-001.079
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar a exigência da multa isolada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Leonardo de Andrade
Couto.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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(Contribuinte e Recorrente); Geraldo Natividade Tarallo e Sonia Therezinha de Souza Ramos Vettorazzo (responsabilizados) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 MULTA DE OFICIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a penalidade quando existir concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual (mesma base). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar a exigência da multa isolada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 2962DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.002091/200992 Acórdão n.º 140201.079 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório EQUIPAV S.A. AÇÚCAR E ÁLCOOL, ATUAL RENUKA DO BRASIL S.A. (Contribuinte e Recorrente) Geraldo Natividade Tarallo e Sonia Therezinha de Souza Ramos Vettorazzo (responsabilizados) recorrem a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente em parte a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: 1. AUTUAÇÕES 1.1. Infrações apuradas Trata o presente processo de três autos de infração, lavrados em procedimento de fiscalização, para a constituição de créditos tributários de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, relativos aos anoscalendário de 2005 e 2006 (fls. 317 a 345). No Termo de Constatação Fiscal – IRPJ e Reflexos (“TCF”, fls. 295/306), relata a fiscalização que a contribuinte adotou os procedimentos descritos a seguir, que resultaram na apuração dos créditos tributários lançados de ofício. Agentes envolvidos: Equipav S/A Açúcar e Álcool, CNPJ 43.932.102/000158 (“A&A”, autuada) Equipav SA Pavimentação, Engenharia e Comércio, CNPJ 46.083.754/000153 (“PAVIMENTAÇÃO”) Eurocom Participações e Investimentos Ltda, CNPJ 07.735.312/000192 (“EUROCOM”) Relata a fiscalização que a PAVIMENTAÇÃO detinha participação societária de 98,91% na A&A (autuada), registrada no seu ativo permanente pelo valor de R$290.926.168,95, apurado pelo método da equivalência patrimonial. Em 11/11/2005, foi criada a empresa EUROCOM, com capital social subscrito, mas não integralizado, de R$1.000,00, tendo como sócias duas pessoas físicas. Em 14/11/2005, a PAVIMENTAÇÃO subscreveu e integralizou o capital de R$611.947.871,00 na EUROCOM, mediante a conferência da totalidade de sua participação na A&A. Ressalta a fiscalização que se trata de valor superior ao registrado no ativo (R$290.926.168,95), tendo sido apurado ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura no valor de R$321.021.702,05. Em 18/11/2005, a A&A incorporou sua controladora EUROCOM, realizando a chamada “incorporação às avessas”, passando a amortizar o ágio em 60 meses, com base no art. 386, III, do RIR/99. Alega a fiscalização que a EUROCOM teve seu capital integralizado com ações da A&A, sendo que o ágio teve por fundamento a rentabilidade futura da própria A&A. Fl. 2963DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.002091/200992 Acórdão n.º 140201.079 S1C4T2 Fl. 0 3 Com a incorporação da EUROCOM pela A&A, esta passou a amortizar o “ágio de si mesma”. Acrescenta a fiscalização que não se verifica qualquer propósito negocial ou societário na incorporação realizada, restando caracterizada a utilização da EUROCOM como mera “empresa veículo ou de passagem” para a transferência do ágio para a incorporadora. Conclui, assim, que a incorporação não pode produzir os efeitos tributários almejados pela autuada (amortização do ágio). A fiscalização também alega que, de acordo com o laudo técnico apresentado pela empresa Bretas & Associados (fls. 217/234 e 235/249), a ata da reunião de diretoria realizada em 14/11/2005 pela PAVIMENTAÇÃO e a 1ª alteração contratual da EUROCOM, cláusulas 11 e 12 (fls. 272/282), o pressuposto econômico do ágio na integralização de capital pela PAVIMENTAÇÃO na EUROCOM, mediante a conferência da totalidade das quotas detidas na A&A, foi o valor de mercado dos bens do ativo desta (art. 385, §2º, inciso I, do RIR/99), não podendo o ágio ser amortizado nos termos do art. 386, III, do RIR/99. Alega a fiscalização que foram utilizados diversos expedientes no conjunto do planejamento tributário efetuado, a saber: incorporação às avessas com economia de tributos na controlada, utilização de empresa veículo para transferência de ágio, manutenção da mesma estrutura do grupo econômico após as operações, prática de atos seqüenciais encadeados. Acrescenta a fiscalização que a reorganização societária, para ser legítima, deveria decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificial e formalmente revelados na documentação ou na escrituração. Assim, conclui que os atos praticados caracterizamse, em tese, como atos simulados, o que autoriza a glosa da amortização do ágio contabilizado, bem como a aplicação da multa qualificada. Foram apurados os seguintes valores relativos a despesas com amortização de ágio: Anocalendário 2005: Mês Realização 1/60 avos do ágio Dez/2005 5.350.361,70 Total 5.350.361,70 Anocalendário 2006: Mês Realização 1/60 avos do ágio Jan/2006 5.350.361,70 Fev/2006 5.350.361,70 Mar/2006 5.350.361,70 Abr/2006 5.350.361,70 Mai/2006 5.350.361,70 Jun/2006 5.350.361,70 Jul/2006 5.350.361,70 Fl. 2964DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.002091/200992 Acórdão n.º 140201.079 S1C4T2 Fl. 0 4 Ago/2006 5.350.361,70 Set/2006 5.350.361,70 Out/2006 5.350.361,70 Nov/2006 5.350.361,70 Dez/2006 5.350.361,70 Total 64.204.340,40 Os montantes de R$5.350.361,70 e R$64.204.340,40 foram adicionados de ofício às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário de 2005 e 2006, respectivamente, conforme demonstrativos de fls. 336 a 339. Acrescenta a fiscalização que os valores discriminados nas tabelas acima não foram considerados para fins de recolhimento das estimativas mensais, estando sujeitos também à exigência da multa isolada prevista no art. 44, II, ‘b’, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007. Diante dos fatos acima expostos, foram lavrados três autos de infração para a exigência de IRPJ, CSLL, juros de mora, multa vinculada e multa isolada, conforme discriminado abaixo (fls. 317/345): (...) 1.2. Sujeição passiva solidária Em 19/06/2009, a fiscalização lavrou Termos de Sujeição Passiva Solidária e Responsabilidade Fiscal contra os diretores administrativos da empresa autuada Carlos de Moraes Toledo (fls. 364/365), Geraldo Natividade Tarallo (fls. 366/367) e Sonia Therezinha de Souza Ramos Vettorazzo (fls. 368/369). Alega a fiscalização que essas pessoas físicas assinaram e assim referendaram os atos societários abaixo discriminados, peças essenciais ao planejamento tributário descrito no Termo de Constatação Fiscal – IRPJ e Reflexos de fls. 295 a 306. Sustenta a fiscalização que restou caracterizada a sujeição passiva solidária e a responsabilidade tributária,nos termos dos artigos 124, I, e 135, IIII, ambos do CTN. Em 04/08/2009, a fiscalização tomou conhecimento do falecimento do Sr. Carlos de Moraes Toledo (fls. 2375/2376). Em 30/09/2009, a Sra. Dalila Cleopath Camargo Botelho de Moraes Toledo apresentou, em atendimento à intimação de fls. 2377, documentos comprobatórios de sua condição de inventariante (fls. 2379/2384). E, em 05/10/2009, foi encaminhado a ela o Termo de Sujeição Passiva Solidária e Responsabilidade Fiscal lavrado contra o espólio de Carlos de Moraes Toledo (fls. 2385/2386). 1.3. Ciência dos sujeitos passivos A empresa autuada e os responsáveis solidários foram cientificados do Termo de Constatação Fiscal – IRPJ e Reflexos e dos autos de infração em 24/06/2009, por via postal (fls. 370/373). Em 06/10/2009, a Sra. Dalila Cleopath C. B. de Moraes Toledo foi cientificada do Termo de Sujeição Passiva Solidária e Responsabilidade Fiscal lavrado contra o espólio do Sr. Carlos de Moraes Toledo (fls. 2387). Fl. 2965DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.002091/200992 Acórdão n.º 140201.079 S1C4T2 Fl. 0 5 1.4. Representação fiscal para fins penais Face às constatações verificadas pela fiscalização, foi efetuada representação fiscal para fins penais, formalizada nos autos do processo administrativo nº 19515.002096/200915, que se encontra na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo – Derat/SPO, conforme previsto na Portaria RFB nº 665, de 24 de abril de 2008. 2. IMPUGNAÇÃO DA CONTRIBUINTE Em 24/07/2009, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 380 a 553, acompanhada dos documentos de fls. 554 a 2218 (docs. 01 a 46), discriminados no Anexo deste voto. Sintetizamos, a seguir, os argumentos trazidos na impugnação. 2.1. Conexão entre processos administrativos Preliminarmente, a contribuinte requer o julgamento conjunto deste processo administrativo com os processos formalizados contra outras empresas do mesmo grupo, a saber: Equipav S.A. Pavimentação, Engenharia e Comércio (19515.002090/200948), EBC Participações e Investimentos Ltda (19515.002092/200937), Controlpav Participação e Administração Ltda (19515.002093/200981) e Empate Engenharia e Comércio Ltda (19515.002094/200926). Argumenta que os processos são conexos, pois se referem à mesma reestruturação societária, com características, fundamentos e objetivos semelhantes, devendo ser apreciados em conjunto por medida de economia e eficiência processual. 2.2. Critério de avaliação do valor de mercado da impugnante A contribuinte se insurge contra a alegação da fiscalização de que o critério adotado pela empresa Bretas & Associados para avaliação do valor justo de mercado tenha sido o valor dos bens do seu ativo (art. 385, §2º, I, do RIR/99). Sustenta que, de acordo com o laudo de avaliação (doc. 37 – fls. 1832/1913), a aferição do valor de mercado da A&A foi efetuada com base em projeções futuras de seus resultados, os quais abrangem os resultados futuros de suas controladas. Argumenta que o critério adotado pela empresa Bretas & Associados foi atestado em parecer elaborado pela empresa de consultoria econômica LCA Consultores (doc. 09 – fls. 781/831) e que os laudos atendem plenamente os requisitos previstos no art 8º da Lei nº 6.404/76. Conclui, assim, que o ágio tem por fundamento econômico a previsão de rentabilidade futura, previsto no art. 385, §2º, II, do RIR/99, podendo ser amortizado de acordo com os critérios estabelecidos no art. 386, III, do RIR/99. Ad argumentandum, caso se considere que o ágio teria por fundamento o valor de mercado de seus ativos, a impugnante sustenta que não poderia ser glosada a totalidade dos valores amortizados, mas deveria recalculada a despesa a que ela faria jus com base no art. 386, I c/c §1º, do RIR/99. Fl. 2966DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.002091/200992 Acórdão n.º 140201.079 S1C4T2 Fl. 0 6 2.3. Legalidade das operações realizadas e do registro do ágio Alega a impugnante que todos os atos foram praticados ao amparo da lei civil, fiscal e societária. Especificamente quanto ao fato de ter incorporado a EUROCOM, sua controladora direta (“incorporação reversa”), ressalta que há previsão expressa no art. 264, §4º, da Lei nº 6.404/76, nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 e no art. 9º da Instrução CVM nº 319/99. Acrescenta que o Parecer MICT/Conjur nº 113/96 (doc. 44 –fls. 2051/2053) reconhece que essa operação é permitida e também que existem razões de cunho operacional e pragmático que a justificam. Quanto à breve existência da EUROCOM, alega que não há qualquer previsão legal no sentido de se fixar um tempo mínimo de existência da pessoa jurídica. Acrescenta que a EUROCOM tinha um objetivo específico, que era viabilizar o modelo de reestruturação do Grupo Equipav, sendo que jamais se afirmou que essa empresa teria objetivo diverso. A impugnante alega que é legítimo o ágio registrado pela EUROCOM quando da conferência, ao seu capital social, da participação que a PAVIMENTAÇÃO detinha na impugnante pelo valor justo de mercado. Sustenta que o art. 385 do RIR/99 determina que o contribuinte, ao adquirir um investimento, deve desdobrar o custo de aquisição entre o valor do patrimônio líquido a eles correspondente e o ágio (ou deságio) na aquisição do investimento. Argumenta que o ágio não decorre, necessariamente, de pagamento em dinheiro. Acrescenta que a PAVIMENTAÇÃO alienou (mediante a conferência de bens ao capital de outra pessoa jurídica) sua participação na impugnante pelo valor de mercado. De seu turno, a EUROCOM pagou por esse bem (com quotas de sua emissão) valor correspondente à participação em seu quadro societário. A impugnante sustenta que, em 2005, não havia nenhuma norma que vedasse o registro do ágio em operações realizadas entre empresas do mesmo grupo econômico. Argumenta que o OfícioCircular CVM/SNC/SEP nº 01/2007, que se manifestou contra o ágio intragrupo, é inaplicável às empresas do Grupo Equipav, pois nenhuma delas é companhia aberta. Além disso, essa norma foi emanada em 14/02/2007 e não poderia ser aplicada retroativamente. A impugnante também alega que o fato de ter havido o registro da receita relativa ao ganho de capital por parte da PAVIMENTAÇÃO (objeto de lançamento no processo nº 19515.002090/200948) na mesma operação que gerou o ágio registrado pela EUROCOM, dá lastro e fundamento econômico ao aludido ágio. Acrescenta que seria contraditório exigir a tributação do ganho de capital de um lado e, de outro lado, negar a existência do ágio amortizado pela impugnante. Conclui, assim, que todas as operações realizadas atenderam aos requisitos legais, restando comprovada a regularidade do registro do ágio na EUROCOM. 2.4. Ausência de simulação A impugnante alega que a reestruturação realizada não se caracteriza como simulação, pois os atos: (i) conferiram e/ou transmitiram direitos às pessoas a quem se realmente pretendia conferir ou transmitir; (ii) não consignaram declaração, confissão, condição ou cláusula que pudesse ser considerada não verdadeira; (iii) foram devidamente registrados nos órgãos competentes; (iv) não foram antedatados Fl. 2967DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.002091/200992 Acórdão n.º 140201.079 S1C4T2 Fl. 0 7 ou pósdatados e (v) foi reconhecido, pela investidora, o ganho de capital decorrente da operação, com o diferimento da tributação permitido pela legislação. Sustenta a impugnante que os atos praticados tiveram propósito negocial. Reconhece que a economia fiscal foi almejada, mas que essa não foi a principal motivação dos atos societários. Argumenta que o objetivo da reestruturação do Grupo Equipav foi o de reaparelhar as empresas do grupo para a realização de novos negócios, adequando sua estrutura de capital e índices financeiros, além de adquirir participação em duas empresas cimenteiras, tendo como contrapartida o ingresso de pessoas jurídicas estrangeiras no quadro de acionistas da PAVIMENTAÇÃO. Acrescenta que esses objetivos foram informados à fiscalização, como se verifica às fls. 287/293 e 308/314. A impugnante também argumenta que a fiscalização se refere à simulação “em tese”, o que justifica a interpretação dos fatos de forma mais favorável ao contribuinte, à luz do art. 112, I e II, do CTN. Sustenta a impugnante que a fiscalização afirma que os atos praticados não tiveram propósitos econômicos e negociais, embora tais objetivos tivessem sido informados desde o princípio. Argumenta que a fiscalização foi totalmente silente no que tange ao mérito dos propósitos negociais informados pela impugnante, deixando de refutar o que lhe foi informado. Acrescenta que a alegação de que teria havido simulação está totalmente desprovida de provas, que seriam essenciais para a subsistência da acusação. Assim, conclui a impugnante que as exigências fiscais devem ser totalmente canceladas, face à inocorrência de simulação. 2.5. Impossibilidade de concomitância entre a glosa do ágio e a tributação do ganho de capital A impugnante alega que a autuação de que trata o presente processo (glosa do ágio) é incompatível com a exigência formalizada contra a PAVIMENTAÇÃO no processo administrativo nº 19515.002090/200948 (tributação do ganho de capital). Argumenta que a prova maior de que o ágio gerado em operações societárias realizadas entre a impugnante e a PAVIMENTAÇÃO é regular é o fato de que, se de um lado ocorreu o registro do ágio na EUROCOM, é certo que de outro lado ocorreu o registro do ganho de capital na PAVIMENTAÇÃO. Assim, sustenta que ao menos uma das exigências deve se cancelada, pois não há racionalidade em se admitir a coexistência de uma exigência fiscal relativa ao ganho de capital, mas negarse o fundamento econômico de um ágio que surgiu justamente como contrapartida desse ganho. 2.6. Multa isolada A impugnante se insurge contra a exigência da multa isolada, sob o argumento de que sua conduta já fora apenada com a aplicação da multa de ofício. Sustenta que a aplicação de duas penalidades sobre o mesmo fato (bis in idem) é vedada pelo ordenamento jurídico, impondose o cancelamento da exigência relativa à multa isolada. Ad argumentandum, a impugnante alega erro no cálculo dessa multa. Informa que, de acordo com o auto de infração, o valor do IRPJ supostamente devido em 2006 seria de R$16.015.161,44. Assim, a multa de 50% corresponderia a R$8.007.580,72. Fl. 2968DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.002091/200992 Acórdão n.º 140201.079 S1C4T2 Fl. 0 8 Todavia, foram exigidos R$8.011.580,72 a título de multa isolada, ou seja, houve uma cobrança indevida no valor de R$4.000,00. 2.7. Multa qualificada A impugnante se insurge contra a exigência da multa qualificada, alegando que o art. 44, II, da Lei nº 9.430/96 (redação original, vigente à época dos fatos) autorizava a aplicação da multa qualificada somente quando o contribuinte fosse acusado de prática de sonegação, fraude ou conluio, definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Argumenta que a simulação se refere a mero ilícito civil (art 167 do Código Civil) e as condutas mencionadas no art. 44, II, da Lei nº 9.430/96 se consubstanciam em ilícitos penais. Acrescenta que, nos termos do art. 167 do Código Civil, a eventual prática de atos simulados acarreta, tão somente, a nulidade do negócio simulado, com a devida preservação do ato que se pretendeu dissimular. A impugnante alega que a fiscalização não comprovou como, e em que medida, a conduta adotada poderia se consubstanciar em sonegação, fraude ou conluio. Acrescenta que a mera transcrição do art. 72 da Lei nº 4.502/64, como fez a fiscalização, não é suficiente para a aplicação da multa qualificada. Seria necessário demonstrar, com precisão, a adequação dos fatos ao tipo previsto no referido dispositivo legal. Conclui, assim, que a multa qualificada não pode prevalecer, pois a suposta prática de atos simulados não enseja a aplicação da multa de 150% ante a inexistência de previsão legal nesse sentido. A impugnante alega também que, como demonstrado, não houve simulação nas operações realizadas, face à inexistência de divergência entre a vontade real e a declarada. Ressalta que a própria fiscalização afirma que teria ocorrido simulação “em tese”, o que demonstra que não estaria suficientemente convencida ou segura quanto à ocorrência da simulação. Acrescenta que, se a simulação está configurada apenas em tese, é certo que não houve a comprovação do dolo, requisito essencial para a tipificação das condutas previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Sustenta que não houve dolo em sua conduta, na medida em que atuou sem ocultação de qualquer elemento ou informação relevante e sem indução de terceiros a erro, salientando que todos os documentos foram produzidos de maneira legítima, com observância dos requisitos legais, e foram devidamente fornecidos à fiscalização quando solicitados. A impugnante também alega que as autuações decorreram de meras divergências quanto à qualificação jurídica das operações realizadas, e não de condutas ludibriosas tendentes a causar prejuízo ao Fisco. Assim, não seria aplicável a penalidade agravada em relação a fatos cuja própria qualificação jurídica comporta (de forma legítima e razoável) a existência de divergências. Assim, argumenta que deve ser afastada a qualificação da multa por força do art. 112 do CTN. A impugnante sustenta que a fiscalização não comprovou o evidente intuito de fraude, requisito essencial para a aplicação da multa qualificada. Conclui, assim, que deve ser afastada a qualificação da multa de ofício. 2.8. Não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício Fl. 2969DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.002091/200992 Acórdão n.º 140201.079 S1C4T2 Fl. 0 9 A impugnante também se insurge contra a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício lançada em conjunto com o tributo. Alega que não há dispositivo legal que ampare tal cobrança, visto que o art. 161 do CTN autoriza a cobrança de juros moratórios somente sobre os valores decorrentes de obrigação tributária principal não pagos no vencimento, ou seja, tributos ou penalidades pecuniárias consubstanciadas em obrigação principal (ex: multa isolada). 2.9. Pedido Por todo o exposto, a impugnante requer: (a) o reconhecimento da conexão do presente processo administrativo com os processos 19515.002090/200948, 19515.002092/200937, 19515.002093/200981 e 19515.002094/200926, bem como da necessidade de realização de julgamento conjunto desses processos; (b) o julgamento da total improcedência dos lançamentos fiscais, com seu integral cancelamento. Protesta pela produção das provas em direito admitidas, notadamente: (i) a realização de diligência abrangendo, mas não se restringindo, à oitiva de profissionais das ciências econômicas acerca das considerações constantes do Parecer Econômico elaborado por LCA Consultores e de missivas apresentadas pela impugnante durante a fase de fiscalização, diligência essa que se justifica em face de negativa, por parte da fiscalização, quanto à existência de propósitos econômicos e negociais além dos meramente tributários; (ii) apresentação de novos pareceres jurídicos, contábeis e/ou econômicos; (iii) juntada de novos documentos. Por fim, requer que todas as notificações sejam feitas em nome dos advogados que subscrevem a impugnação, no endereço indicado às fls. 553. 3. IMPUGNAÇÕES DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS Em 24/07/2009, os responsáveis solidários Sonia Therezinha de Souza Ramos Vettorazzo e Geraldo Natividade Tarallo apresentaram as impugnações de fls. 2219 a 2254 e 2266 a 2300, respectivamente, acompanhadas de cópias autenticadas dos documentos de identidade dos procuradores que subscrevem as impugnações, das procurações e dos substabelecimentos, bem como cópias simples dos Termos de Sujeição Passiva Solidária e Responsabilidade Fiscal (fls. 2255 a 2265 e 2301 a 2308). Em 04/11/2009, a inventariante do espólio do responsável solidário Carlos de Moraes Toledo apresentou a impugnação de fls. 2389 a 2436, acompanhada dos documentos de fls. 2437 a 2514, que correspondem a cópia autenticada dos documentos de identidade dos procuradores que subscrevem a impugnação, procuração e substabelecimento, cópia autenticada da Ata Notarial referente à devolução de correspondências, cópia do formal de partilha e da alteração do contrato social da empresa Carlos de Moraes Toledo Participações Ltda. 3.1. Argumentos comuns às três impugnações As três impugnações trazem argumentos comuns, sintetizados a seguir. Fl. 2970DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.002091/200992 Acórdão n.º 140201.079 S1C4T2 Fl. 0 10 3.1.1. Inaplicabilidade do art. 124, I, do CTN Alegam os impugnantes que a aplicação do art. 124, I, do CTN é indevida, pois não está de acordo com a natureza do instituto da responsabilidade tributária e, principalmente, com a situação verificada no caso concreto. Argumentam que o art. 121 do CTN estabelece uma clara distinção entre contribuinte e responsável, sendo contribuinte o sujeito passivo que tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o fato gerador e, responsável, o sujeito passivo que, sem revestir a condição de contribuinte, tenha obrigação tributária decorrente de expressa disposição legal, estando as hipóteses de responsabilidade previstas nos artigos 128 a 138 do CTN. Concluem, assim, que o art. 124, I, do CTN não se refere ao responsável, mas ao próprio contribuinte do tributo, não podendo ser atribuída a sujeição passiva direta dos tributos objeto do presente lançamento a pessoas físicas. Os impugnantes também alegam que a fiscalização não demonstrou qual seria o interesse comum dos impugnantes na situação que ensejou o lançamento tributário, condição necessária para a aplicação do art. 124, I, do CTN. Argumentam que agiram como órgão da pessoa jurídica, exprimindo a vontade da pessoa jurídica. Acrescentam que a mera prática de atos na qualidade de administrador da pessoa jurídica não implica a existência de interesse da pessoa física que corporificou o órgão da pessoa jurídica. Sustentam os impugnantes que somente o interesse comum qualificado pela identidade de propósitos em determinado negócio jurídico justifica a solidariedade com base no art. 124, I, do CTN, o que não se vislumbra na relação entre o sócio e a respectiva sociedade. Acrescentam que, do contrário, seriam inócuos os artigos 134, VII, e 135, III, ambos do CTN. Concluem, assim, pela inaplicabilidade do art. 124, I, do CTN ao caso. 3.1.2. Inaplicabilidade do art. 135, III, do CTN Os impugnantes alegam que há inconsistência lógica na aplicação concomitante dos artigos 124, I, e 135, III, do CTN. Argumentam que a responsabilidade solidária entre codevedores encontrase prevista apenas nos artigos 124 e 134 do CTN, tratando o art. 135 do CTN de responsabilidade por substituição. Sustentam que os Termos de Sujeição Passiva não indicam qualquer conduta específica como sendo ato ilegal ou abusivo cometido pelos impugnantes. Acrescentam que esses Termos contêm descrições amplas e lacônicas da participação dos acusados, sem a apresentação de qualquer prova, sendo nula a responsabilização dos impugnantes, visto que o ônus da prova cabe a quem acusa. Os impugnantes alegam que apenas subscreveram os atos necessários à consecução das operações societárias, sendo tais atos lícitos e consonantes com os poderes conferidos pelo estatuto social. Quanto às infrações imputadas à pessoa jurídica referentes à amortização do ágio, alegam os impugnantes que tais condutas constituem mero inadimplemento de tributo, o que não constitui infração à lei ou violação do estatuto social, conforme opinião de vasta doutrina e jurisprudência. Os impugnantes também sustentam que a presença de dolo é condição indispensável para a caracterização da responsabilidade tributária de que trata o art. 135, III, do CTN. Argumentam que não há dolo em sua conduta e que tal intenção sequer foi Fl. 2971DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.002091/200992 Acórdão n.º 140201.079 S1C4T2 Fl. 0 11 cogitada ou provada pela fiscalização, que se limitou a aduzir ter havido simulação “em tese”. A reforçar sua defesa, os impugnantes reportamse aos argumentos trazidos pela autuada no item relativo à inexistência de comprovação do elemento subjetivo a justificar a exigência de multa qualificada. 3.1.3. Mérito das autuações e pedido Quanto ao mérito, os impugnantes ratificam todas as alegações constantes da impugnação apresentada pela pessoa jurídica autuada. Ante o exposto, os impugnantes requerem (i) seja reconhecida a ausência de responsabilidade tributária ou, (ii) caso seja mantida a responsabilidade tributária dos impugnantes, requerem o cancelamento dos autos de infração pelas razões de fato e de direito alegadas na impugnação da pessoa jurídica autuada. Por fim, protestam pela juntada de documentos que eventualmente não puderam ser obtidos até o protocolo das impugnações. 3.2. Argumentos específicos relativos à impugnação da inventariante Além dos argumentos apontados no item 3.1 deste relatório, a impugnante Dalila Cleopath Camargo Botelho de Moraes Toledo, inventariante do espólio de Carlos de Moraes Toledo, traz alegações específicas, a seguir discriminadas. 3.2.1. Erro na identificação do sujeito passivo Alega a impugnante que o Termo de Sujeição Passiva deve ser anulado por erro na identificação do sujeito passivo. Sustenta que, nos termos do art. 131, II e III, do CTN, o falecimento do sujeito passivo leva a duas hipóteses de responsabilidade por sucessão: (a) caso tenha havido a abertura da sucessão, mas não a partilha, a responsabilidade deve ser atribuída ao espólio; (b) se já houver sido feita a partilha, a responsabilidade deve ser atribuída aos sucessores e ao cônjuge meeiro. Argumenta que, no presente caso, os bens deixados pelo Sr. Carlos de Moraes Toledo foram distribuídos entre os sucessores e a cônjuge meeira antes mesmo da lavratura dos Autos de Infração e dos Termos de Sujeição Passiva. Assim, conclui ser indevida a atribuição de responsabilidade tributária ao espólio, representado pela inventariante, visto que este foi extinto no momento da partilha dos bens. 3.2.2. Limitação da responsabilidade tributária ao quinhão hereditário e impossibilidade de imposição de multas – art. 131, II, do CTN Caso se entenda pela validade do Termo de Sujeição Passiva, alega a impugnante que a responsabilidade tributária deve ser limitada ao quinhão hereditário, conforme prevê o art. 131, II, do CTN. Alega também que não lhe pode ser atribuída responsabilidade pelas multas de ofício, visto que o citado dispositivo estabelece a responsabilidade dos sucessores somente em relação aos tributos devidos pelo de cujus. Acrescenta que as multas de ofício não integravam o passivo do de cujus no momento da sucessão, visto que os autos de infração foram lavrados em data posterior. 3.2.3. Pedidos adicionais Fl. 2972DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.002091/200992 Acórdão n.º 140201.079 S1C4T2 Fl. 0 12 Além dos pedidos elencados no item 3.1.3, a impugnante requer: (i) seja cancelado o Termo de Sujeição Passiva em razão do erro na identificação do sujeito passivo e (ii) caso seja mantida a responsabilidade tributária, esta seja limitada aos débitos devidos a título de principal e juros e também limitada ao legado e à meação adquiridos em razão do falecimento do de cujus. 4. PETIÇÃO APRESENTADA EM 20/10/2009 Em 20/10/2009, a autuada apresentou a petição de fls. 2316 a 2322, acompanhada dos documentos de fls. 2323 a 2370, na qual requer que as considerações apresentadas, bem como o Parecer Jurídico juntado às fls. 2325 a 2370 sejam considerados como aditamentos à impugnação. A decisão recorrida está assim ementada: ÁGIO DE SI MESMO. AMORTIZAÇÃO. Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária, especialmente quando a incorporada teve o seu capital integralizado com o investimento originário de aquisição de participação societária da incorporadora (com criação de ágio) e, ato contínuo, ocorreu o evento da incorporação. Nesse caso, resta caracterizada a utilização da incorporada como mera “empresa veículo” para transferência do LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ aplicase à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONEXÃO. JULGAMENTO CONJUNTO. As normas que regem o processo administrativo fiscal não trazem a previsão de julgamento conjunto de processos distintos. Todavia, tratandose de processos relativos aos mesmos fatos, eles devem ser distribuídos preferencialmente para a mesma Turma de Julgamento, em atendimento ao princípio da eficiência no serviço público e evitandose a prolação de decisões conflitantes sobre os mesmos fatos. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA ISOLADA. ERRO NA APURAÇÃO DO VALOR TRIBUTÁVEL. Cabe a correção da base de cálculo informada pela autoridade fiscal, quando verificada a ocorrência de erro na sua apuração, com a conseqüente exoneração do crédito tributário lançado indevidamente. PRODUÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. PROVA DOCUMENTAL. DILIGÊNCIA. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a ocorrência de algumas das hipóteses previstas no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Em relação às diligências, devem ser expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, podendo a autoridade julgadora indeferir as diligências que julgar prescindíveis à solução da lide. SIMULAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. O fato de os atos societários terem sido formalmente praticados, com registro nos órgãos competentes, escrituração Fl. 2973DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.002091/200992 Acórdão n.º 140201.079 S1C4T2 Fl. 0 13 contábil, etc. não retira a possibilidade de que a operação em causa se enquadre como simulação, visto que faz parte da natureza da simulação o envolvimento de atos jurídicos lícitos. Afinal, simulação é a desconformidade, consciente e pactuada, entre as partes que realizam determinado negócio jurídico, entre o negócio efetivamente praticado e os atos formais (lícitos) de declaração de vontade. SIMULAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. A prática da simulação com o propósito de dissimular, no todo ou em parte, a ocorrência do fato gerador do imposto caracteriza a hipótese de qualificação da multa de ofício, nos termos da legislação de regência. CONCOMITÂNCIA ENTRE MULTA ISOLADA E MULTA ACOMPANHADA DE TRIBUTO. A multa de ofício aplicada isoladamente sobre o valor do imposto apurado por estimativa que deixou de ser recolhido no curso do anocalendário é aplicável concomitantemente com a multa de ofício calculada sobre o imposto devido com base no lucro real anual igualmente não recolhido, em face de se tratar de infrações distintas. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. São pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUCESSÃO CAUSA MORTIS. Após a homologação da partilha, é incabível a atribuição de responsabilidade tributária ao espólio, devendo a responsabilidade ser atribuída aos sucessores e ao cônjuge meeiro. Impugnação procedente em parte Cientificada da aludida decisão, os contribuinte apresentaram recursos voluntários, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisando, em parte as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento para cancelar a multa de oficio isolada, bem como os termos de responsabilidade solidaria. Destacase no recurso voluntário da contribuinte a desistência parcial do recurso, nos seguintes termos (fls. 2625): “4. Após a apresentação da impugnação administrativa, por questões de ordem gerencial e administrativa, a Recorrente optou por liquidar o principal (IRPJ e CSLL) e a multa de oficio de 150% mediante adesão ao parcelamento de que trata a Lei n° 11.941/2009, antes mesmo de ser intimada quanto aos termos da r. decisão recorrida.” Ato continuo, o processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento. A douta PFN apresentou contrarrazões em 2/3/2011. É o relatório. Fl. 2974DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.002091/200992 Acórdão n.º 140201.079 S1C4T2 Fl. 0 14 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. Os recursos voluntários preenchem os requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, deles conheço. Consoante relatado, a Fiscalização da Receita Federal realizou auditoria nas empresas do Grupo Equipav com vistas a verificar a regularidade das amortizações de ágio e tributação do ganho de capital percebido em operações de reorganização societárias realizadas exclusivamente entre as empresas do Grupo. Em síntese, a Fiscalização concluiu que nessas operações foram gerados ágios artificialmente, cujos valores foram amortizados pelas empresas do Grupo, todavia, em contrapartida, os respectivos ganhos de capital foram diferidos indevidamente. A Fiscalização promoveu então a glosa da amortização do ágio, entendendo se tratar de ágio de si mesmo (gerando dentro do próprio grupo empresarial), bem com tributou o ganho de capital dessas mesmas operações considerando inaplicável ao caso o art. 36 da Lei nº 10.637/2002. Todas as irregularidade foram tributadas com multa de 150%, tendo sido caracterizado o evidente intuito de fraude em razão do uso de empresas veículo para viabilizar a amortização do ágio. Também foi aplicada a multa por falta de recolhimento de estimativa, em razão das glosas mensais. Além disso, as pessoas físicas controladoras do Grupo foram responsabilizadas pessoal e solidariamente pelos tributos devidos. Esquematicamente, temos: Fl. 2975DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.002091/200992 Acórdão n.º 140201.079 S1C4T2 Fl. 0 15 Foram formalizados os seguintes processos relativos as auditorias e autos de infração lavrados contra as empresas do Grupo: Processo Empresa Autuada 19515.002090/200948 EQUIPAV S/A PAVIMENTAÇÃO ENGENHARIA E COMERCIO 19515.002091/200992 EQUIPAV S.A. AÇÚCAR E ÁLCOOL (RENUKA DO BRASIL S/A. ) 19515.002092/200937 EBC PARTICIPAÇÕES E INVESTIMENTOS LTDA. 19515.002093/200981 CONTROLPAV PARTICIPAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO LTDA. 19515.002094/200926 EMPATE ENGENHARIA E COMÉRCIO LTDA. Em face dos benefícios para parcelamento de débitos tributários estabelecidos na Lei 11.941/2009, as empresas cuja amortizações de ágios foram glosadas, apresentaram desistência parcial dos respectivos recursos, quanto as exigências relativas a essas glosas, restando em litigo, basicamente, a tributação do ganho de capital e a exigência da multa de oficio isolada por falta de recolhimento da estimativa, exigida em concomitância com a multa proporcional de oficio. No presente processo, a desistência foi registrada no próprio recurso voluntário nos seguintes termos (fls. 2625): “4. Após a apresentação da impugnação administrativa, por questões de ordem gerencial e administrativa, a Recorrente optou por liquidar o principal (IRPJ e CSLL) e a multa de oficio de 150% mediante adesão ao parcelamento de que trata a Lei n° 11.941/2009, antes mesmo de ser intimada quanto aos termos da r. decisão recorrida.” Após a desistência parcial, restou em litígio neste processo a seguinte matéria tributável: 1) Multa de oficio isolada em razão da insuficiência de recolhimento de estimadas, aflorada com a glosa da amortização do ágio na incorporação da empresa EUROCOM, que foi considerado. Feitas essas considerações iniciais, passo a apreciar os recursos voluntários quanto a matéria em litígio. Da multa de oficio Isolada por falta de recolhimento das estimativas mensais. A penalidade referese aos meses de dezembro/2005 a dezembro/2006 e foi apurada sobre a mesma base de cálculo dos valores objeto do lançamento de oficio com multa proporcional de 150% (vide fl. 533). Fl. 2976DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.002091/200992 Acórdão n.º 140201.079 S1C4T2 Fl. 0 16 Sobre a matéria possuo entendimento sedimentado que já manifestei em diversas decisões no CARF, a exemplo do acórdão CSRF 910100.450, de 4/11/2009, cuja ementa transcrevo: MULTA ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual, ou apuração inexistência de tributo a recolher no ajuste anual. Transcrevo agora excertos do voto condutor daquele julgado: No que tange a exigência da multa de oficio isolada, por falta de recolhimento do IRPJ ou CSLL sobre estimativas, após o encerramento do anocalendário, verificase que a penalidade foi aplicada com fulcro no art. 44, inciso I, e § 1o, inciso IV, da Lei 9.430/96, do seguinte teor: .Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;”(...) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente;” (Grifei) Por sua vez, o art. 2o, referido no inciso IV do § 1o do art. 44, dispõe: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995 Os artigos 29, 30, 31, 32 e 34 da Lei 8.981/95 tratam da apuração da base estimada. O art. 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, consubstancia hipótese em a falta de pagamento ou o pagamento em valor inferior é permitida (exclusão de ilicitude). Diz o dispositivo: “Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; Fl. 2977DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.002091/200992 Acórdão n.º 140201.079 S1C4T2 Fl. 0 17 b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do ano calendário. (...)” Do exame desses dispositivos podese concluir que o art. 44, inciso I, c.c o inciso IV do seu § 1º, da Lei 9.430/96 é norma sancionatória que se destina a punir infração substancial, ou seja, falta de pagamento ou pagamento a menor da estimativa mensal. Para que incida a sanção é condição que ocorram dois pressupostos: (a) falta de pagamento ou pagamento a menor do valor do imposto apurado sobre uma base estimada em função da receita bruta; e (b) o sujeito passivo não comprove, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Destaco trecho do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, no julgamento do Recurso nº 105139.794, Processo n° 10680.005834/2003 12, Acórdão CSRF/0105.552, verbis: “Assim, o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano devem guardar estreita correlação, de modo que a provisão para o pagamento do tributo há de coincidir com valor pago de estimativa ao final do exercício. Eventuais diferenças, a maior ou menor, na confrontação de valores geram pagamento ou devolução do tributo, respectivamente. Assim, por força da própria base de cálculo eleita pelo legislador – totalidade ou diferença de tributo – só há falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido”. (...)” Em que pese os veementes argumentos dos que defendem que a multa isolada por falta de recolhimento das estimativas pode ser exigida conjuntamente com a multa de oficio proporcional, sobre as bases de cálculo, mantenho o entendimento dos fundamentos acima que, repito, já manifestei em dezenas de julgados dessa natureza. Uma vez afastada a multa isolada, única matéria tributável em litígio, as demais questões recursais perdem o objeto, pelo que deixo de apreciálas. Conclusão Diante do exposto, voto do sentido de dar provimento ao recurso voluntário, tão somente para excluir a multa de oficio isolada. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 2978DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/ 07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 10835.000556/2009-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2006
DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Podem ser deduzidos como despesas com instrução os montantes
efetivamente pagos para custear a educação pré escolar, de primeiro, segundo ou terceiro grau do próprio contribuinte e de seus dependentes.
Não ficou comprovado nos autos que a beneficiária das despesas era dependente da contribuinte.
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo
contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos.
Na hipótese, a contribuinte não logrou comprovar as despesas médicas deduzidas.
Numero da decisão: 2101-001.753
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas com instrução os montantes efetivamente pagos para custear a educação préescolar, de primeiro, segundo ou terceiro grau do próprio contribuinte e de seus dependentes. Não ficou comprovado nos autos que a beneficiária das despesas era dependente da contribuinte. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos. Na hipótese, a contribuinte não logrou comprovar as despesas médicas deduzidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ________________________________________________ Fl. 101DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento contra a contribuinte em epígrafe, na qual foi apurado imposto sobre a renda de pessoa física suplementar, correspondente ao anocalendário de 2005, exercício 2006, no montante de R$ 3.934,15 (fls. 3 a 6). Segundo relato da Fiscalização (fls. 5 e 6), foram glosados, por dedução indevida ou por falta de comprovação ou de previsão legal para sua dedução, o montante de R$ 12.140,00, com despesas médicas e de R$ 2.166,00, a título de despesas com instrução. Em 1.4.2009, a contribuinte impugnou o lançamento (fls. 1 e 2), argumentando, em síntese, que a despesa com instrução corresponde a pagamentos feitos em benefício de sua neta, Beatriz Mura da Silva, que, na época dos fatos, residia com a recorrente, sendo sua dependente. Esclarece que os pagamentos de todas as despesas médicas foram feitos “em espécie” e que não possui qualquer tipo de comprovante. A 10.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) julgou a impugnação improcedente, por meio do Acórdão n.º 1747.642, de 19 de janeiro de 2011, mediante a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. São passíveis de dedução as despesas com instrução relativas ao próprio contribuinte e/ou a seus dependentes, quando comprovado o dispêndio por documentação hábil e respeitados os limites legais, conforme legislação de regência. A não comprovação, por meio de documentação hábil, da relação de dependência entre o beneficiário da despesa e o contribuinte, obsta a dedução. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. O direito à dedução de despesas é condicionado à comprovação da relação de dependência do beneficiário dos serviços e o declarante, da efetividade dos serviços prestados, bem como dos correspondentes pagamentos. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10835.000556/200983 Acórdão n.º 2101001.753 S2C1T1 Fl. 2 3 Cabe ao contribuinte, mediante apresentação de meios probatórios consistentes, comprovar a efetividade da despesa médica para afastar a glosa. A não comprovação por meio de documentação hábil, obsta a dedução. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 88 e 89, no qual reitera as razões de impugnação e pede seja reformado o Acórdão e determinado o cancelamento do débito. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. O lançamento constante deste processo originouse de procedimento de revisão de declaração, previsto no artigo 835 do Decreto n.° 3.000, de 1999. Tal dispositivo assim prevê, verbis: Art. 835. As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74). § 1° A revisão poderá ser feita em caráter preliminar, mediante a conferência sumária do respectivo cálculo correspondente à declaração de rendimentos, ou em caráter definitivo, com observância das disposições dos parágrafos seguintes. § 2° A revisão será feita com elementos de que dispuser a repartição, esclarecimentos verbais ou escritos solicitados aos contribuintes, ou por outros meios facultados neste Decreto (DecretoLei n°5.844, de 1943, art. 74, § 1°). § 3° Os pedidos de esclarecimentos deverão ser respondidos, dentro do prazo de vinte dias, contados da data em que tiverem sido recebidos (Lei n° 3.470, de 1958, art. 19). § 4° O contribuinte que deixar de atender ao pedido de esclarecimentos ficará sujeito ao lançamento de oficio de que trata o art. 841 (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74, §3°, e Lei n° 5.172, de 1966, art. 149, inciso III)." Fl. 103DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 A Lei n.º 9.250, de 1995, em seu artigo 8.º, admite que o sujeito passivo faça deduções da base de cálculo do imposto sobre a renda a título de despesas médicas e com instrução, desde que se refiram a despesas próprias ou com seus dependentes relacionados na declaração anual de ajuste de pessoa física. No anocalendário objeto da ação fiscal que originou o presente processo, referida lei assim prescrevia, verbis: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; b) a pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino, até o limite anual individual de R$ 2.198,00 (dois mil, cento e noventa e oito reais), relativamente: (Redação dada pela Lei nº 11.119, de 2005) 1. à educação infantil, compreendendo as creches e as pré escolas; 2. ao ensino fundamental; 3. ao ensino médio; 4. à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pósgraduação (mestrado, doutorado e especialização); 5. à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico; [...] § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Fl. 104DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10835.000556/200983 Acórdão n.º 2101001.753 S2C1T1 Fl. 3 5 [...]. § 3º As despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração, observado, no caso de despesas de educação, o limite previsto na alínea b do inciso II deste artigo. (g.n.) O artigo 73 do Decreto n.º 3.000, de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda, cuja matriz legal é o artigo 11 do DecretoLei n.º 5.844, de 1943, estipula que todas as deduções feitas pelo contribuinte sujeitamse a comprovação. Vejamos: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). [...]. 1. Despesas com instrução No anocalendário 2005, exercício 2006, podiam ser deduzidos da base de cálculo do imposto sobre a renda de pessoa física as despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino, até o limite anual individual de R$ 2.198,00. As despesas com instrução são dedutíveis desde que correspondam à educação infantil (creches e préescolas), ao ensino fundamental, ao ensino médio, à educação superior (cursos de graduação e de pósgraduação – mestrado, doutorado e especialização) e educação profissional (ensino técnico e o tecnológico). A recorrente informou, em sua declaração de ajuste, ter efetuado despesas com instrução no montante de R$ 2.198,00. Intimada a comprovar as despesas, apresentou cópias de documentos comprobatórios de pagamentos a “Associação Educacional Prudentina – Anglo Sistemas de Ensino”, Educação Infantil, Pré III, da aluna Beatriz Mura da Silva (fls. 36 a 40), emitidos em seu próprio nome e em nome de Carla Alessandra Marques Mura, e ainda consolidação dos pagamentos feitos a essa instituição de ensino no ano de 2005 às fls. 41, no qual consta que o total pago foi de R$ 2.638,00. Tanto em sua impugnação quanto em seu recurso voluntário, a contribuinte afirma que Beatriz é sua dependente, por ser sua neta, sem arrimo dos pais, e que a mãe de Beatriz, filha da contribuinte, também é sua dependente. A relação de dependência dos filhos e netos pode existir até que eles completem 21 anos (ou 24, se estiverem cursando ensino superior), e também em situações nas quais fique comprovada sua incapacidade física ou mental para o trabalho. A relação de dependência dos netos, nessas circunstâncias, fica configurada somente quando os avós detêm a sua guarda judicial. É o que preceitua a Lei n.º 9.250, de 1995: Fl. 105DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: [...] III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; [...] V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; [...] § 1º Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. [...].(g.n.) Na presente hipótese, a contribuinte não comprovou deter a guarda judicial de Beatriz Mura da Silva, razão pela qual as despesas feitas com sua instrução são indedutíveis. Ainda para o fim de comprovar despesas com instrução, a recorrente fez anexar aos autos documentos comprobatórios de pagamentos a Editora Abril S/A, correspondentes a uma assinatura da revista “Veja”, no valor total de R$ 204,78 (fls. 42 a 46) e recibo emitido por Oeste Notícias Gráfica e Editora Ltda., no valor de R$ 80,00. Juntou ainda recibo emitido por Unoeste – Universidade do Oeste Paulista, no valor de R$ 32,00 (fls. 60), referente a despesa com instrução não glosada pela autoridade fiscal (fls. 10 e 11). Ressaltase que, como visto, despesas feitas com publicações de qualquer espécie não podem ser deduzidas a título de despesa com instrução. É que a Lei n.º 9.250, de 1995, em seu artigo 8.º, caput, alínea ‘b’, limita as deduções às despesas efetuadas junto a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação préescolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes. Sendo assim, as deduções glosadas pela Fiscalização a título de despesas com instrução não podem ser restabelecidas. 2. Despesas médicas Os comprovantes de despesas médicas, para fins de dedução do imposto sobre a renda, devem referirse a despesas com tratamento do próprio contribuinte e de seus dependentes, e devem demonstrar tanto o recebimento do valor correspondente ao serviço prestado, pelo profissional da área de saúde, quanto o pagamento, feito pelo contribuinte, pela referida prestação. A comprovação das despesas médicas pode ser feita por meio de quaisquer documentos hábeis e idôneos, desde que, em seu conjunto, demonstrem, de forma inequívoca, que a despesa foi feita, nas condições admitidas na lei. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10835.000556/200983 Acórdão n.º 2101001.753 S2C1T1 Fl. 4 7 Na sua impugnação, a contribuinte alega que a despesa com os serviços da dentista Luciane Regina Gava Simioni, no valor de R$ 140,00 referemse a serviços prestados a Beatriz Mura da Silva, e que os serviços prestados por Daniela Gomes Figueiredo (R$ 6.000,00), Alessandra Dourado Marques (R$ 3.000,00) e Débora Gomes Figueiredo (R$ 3.000,00) foram pagos à vista e “em espécie”; além disso, não possui qualquer comprovante porque contratou os serviços de forma verbal. Às fls. 48, anexou recibo emitido por Luciane Regina Gava Simioni, no valor de R$ 140,00, correspondente a tratamento odontológico de Beatriz Mura da Silva. Conforme anteriormente ressaltado, as deduções de despesas médicas só podem ser feitas quando corresponderem a tratamentos de saúde do próprio contribuinte ou de seu dependente. A despesa com tratamento odontológico de Beatriz Mura da Silva é, portanto, indedutível na declaração de ajuste da recorrente, haja vista que a pessoa destinatária do serviço não é nem a própria contribuinte nem sua dependente, conforme já analisado acima. Às fls. 49 a 54, constam recibos emitidos por Daniela Gomes Figueiredo; às fls. 55 a 57, recibos emitidos por Débora Gomes Figueiredo e às fls. 58 e 59, recibos cuja emitente é Alessandra Dourado Marques, a título de “tratamento dentário”, “fisioterapia domiciliar” e “fisioterapia em domicílio”, respectivamente. A propósito, devese repisar que as despesas com tratamento de saúde do contribuinte e de seus dependentes podem ser comprovadas por meio de quaisquer documentos hábeis e idôneos. O ônus da prova do fato declarado compete ao contribuinte, interessado na prova da sua veracidade. Intimada, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Presidente Prudente (SP), a comprovar a utilização dos serviços profissionais (por meio de orçamentos, pedidos de exames, pedidos médicos para a realização de fisioterapia), assim como os efetivos pagamentos correspondentes aos recibos apresentados (por meio de cópias de cheques, ordens de pagamento, transferências e extratos bancários coincidentes em datas e valores que registrassem as referidas operações, ou quaisquer outros documentos aptos a tal finalidade) (fls. 34 e 35), a contribuinte nada apresentou, limitandose a informar que não possuía comprovantes, que as sessões de fisioterapia não foram recomendadas por médico algum e que os pagamentos pelos serviços de saúde foram todos feitos em dinheiro (fls. 33). Examinando os autos, constatei que os recibos anexados às fls. 49 a 59, correspondentes a despesas com “tratamento dentário”, “fisioterapia domiciliar” e “fisioterapia em domicílio” não cumprem nem mesmo os requisitos mínimos exigidos no § 2.º, inciso III do artigo 8.º da Lei n.º 9.250, de 1995, anteriormente transcrito. Em sede de recurso voluntário, não foram juntados quaisquer outros documentos que viessem a complementar o conjunto probatório. Dessa análise, concluise que a recorrente não se desincumbiu, de forma satisfatória, do ônus de comprovar a veracidade de suas alegações. Tendo em vista que os documentos apresentados não cumpriram os requisitos legais necessários e nenhum outro documento foi trazido aos autos, nem por ocasião da impugnação, nem no momento da intimação feita pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Presidente Prudente (SP), nem quando da interposição do presente recurso, entendo que as referidas deduções não podem ser restabelecidas. Não há, portanto, qualquer reparo a ser feito na decisão a quo. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 Conclusão Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 108DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10768.001964/2007-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004, 01/05/2004 a 31/05/2004, 01/06/2004 a 30/06/2004.
MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Apresentada DCTF retificadora acompanhada do pagamento do tributo devido, antes de qualquer providência do Fisco, faz jus o contribuinte ao benefício da denúncia espontânea.
Numero da decisão: 3201-000.917
Decisão: ACORDAM os membros da 2ªCâmara/1ªTurma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Apresentada DCTF retificadora acompanhada do pagamento do tributo devido, antes de qualquer providência do Fisco, faz jus o contribuinte ao benefício da denúncia espontânea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Presidente. MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA Relator. EDITADO EM: 22/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani (Suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente) e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, relativo à multa de mora paga a menor no valor de R$ 16.107,81, e Juros pagos a menor de R$ 971,91, no total de R$ 17.079,78, referente ao pagamento em atraso da COFINS, pertinente aos períodos de apuração 03/2004, 05/2004 e 06/2004 (fls. 92/105), em decorrência de auditoria interna efetuada pela DEFIS/RJO. Na Descrição dos Fatos (fls. 93), consta que a presente exigência originouse de auditoria interna nas DCTF apresentadas pelo sujeito passivo, tendo sido verificada a falta de pagamento da multa moratória calculada pertinente a COFINS relativa aos períodos a março, maio e junho de 2004 recolhidas após o prazo de vencimento. 0 enquadramento legal da presente autuação encontrase especificado as fls. 93. Após tomar ciência da autuação em 04/04/2007 (fls. 107), a empresa autuada, apresentou a impugnação anexada As fls. 01/7 em 02/05/2007, alegando em síntese: 1. No mês de março de 2004 houve um erro formal em sua contabilidade,gerando o recolhimento a menor relativo a COFINS no valor de R$ 78.275,32 (período de apuração — março de 2004) cujo vencimento ocorreu em 15/04/2004; 2. Após ter detectado tal erro, antes do inicio de qualquer procedimento fiscal relativo a matéria em tela, efetuou a denúncia espontânea através de petição protocolada em 27/05/2004, juntando comprovante do referido pagamento, atualizado com juros da SELIC; 3. 0 pagamento efetuado foi acrescido de juros de mora calculados com base na taxa SELIC, não tendo efetuado o pagamento da multa de mora, nem da multa de oficio em função do disposto no art.138 do CTN; 4. Ainda com relação aos fatos, nos meses de maio e junho de 2004 ocorreram erros formais em sua contabilidade, gerando o recolhimento a menor relativa a COFINS nos valores de R$ 41.661,07 e outros — período de apuração 05/2004, cujo vencimento ocorreu em 25/05/2004, R$ 1.513,10 e outros e R$ 6.947,95 , ambos do período de apuração junho de 2004; 5. 0 erro foi detectado e recolhidos com denúncia espontânea igualmente aos períodos anteriores, sem o pagamento da multa de mora, nem multa de oficio em função do disposto no art.138 do CTN; Fl. 173DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10768.001964/200731 Acórdão n.º 320100.917 S3C2T1 Fl. 143 3 6. Os erros constantes nas DCTF 's foram corrigidos através de DCTF's retificadoras, sendo que os valores pagos de multa e juros foram calculados pelo SICALC e estão corretos; 7. Ressaltese que não foi possível efetuar os REDARF 's pois os DARF 's estão vinculados aos respectivos débitos, e portanto, extintos no sistema da SRF, sendo anexados a presente impugnação os REDARF's respectivos; 8. A Delegacia da Receita Federal de Fiscalização do Rio de Janeiro, através do auto de infração em epígrafe autuou a impugnante cobrando o valor referente a multa moratória de 0,33% ao dia, com limite de 20%; 9. Oportuno salientar diversas decisões do Conselho de Contribuintes para comprovar que a multa moratória não é devida no caso de denúncia espontânea, sendo este também o entendimento do Superior Tribunal de Justiça; 10. Estando caracterizado o direito da impugnante em ter feito a denúncia espontânea sem o pagamento da multa moratória no valor de 0,33% ao dia com limite de 20% improcede o auto de infração; 11. Face ao exposto, demonstrada a insubsistência do auto de infração merece ser a presente impugnação acolhida e anulado o auto, por ser de merecia Justiça. Junto com a petição impugnatória, o contribuinte carreou aos autos cópia da petição apresentada na Denúncia Espontânea protocolada no processo n° 10768.101124/200425, cópia de DARF, cópia de Pedido de Retificação de DARF, Procuração, documentos de identidade e Estatuto Social. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004, 01/05/2004 a 31/05/2004, 01/06/2004 a 30/06/2004 MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Cabível multa de mora sobre valores pagos em atraso, visto que a denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN, aplicase apenas As multas de lançamento de oficio, de caráter punitivo, não afetando aquelas derivadas do adimplemento da obrigação tributária fora do prazo legal. DCTF/LANÇAMENTO DE OFÍCIO Somente o crédito tributário regularmente constituído ou o débito confessado em DCTF entregue antes do inicio do procedimento fiscal, tem garantido a efetividade de sua cobrança. DCTF retificadora entregue após o Termo de Inicio de Fiscalização não possui os atributos da espontaneidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 174DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 4 O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados a este Conselho e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental, tendo requisitado a sua inclusão em pauta para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira Entendo que o recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais, portanto, dele tomo conhecimento. Não se trata neste recurso de aplicação da Súmula STJ nº 360, pois o valor pago pelo contribuinte, ora recorrente, não constava de sua DCTF original, portanto, não havia declaração prévia. O texto da referida súmula é o seguinte: O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, neste particular, acolhe a possibilidade de denúncia espontânea, conforme os exemplos abaixo: TRIBUTÁRIO – DENÚNCIA ESPONTÂNEA – ART. 138 DO CTN. PAGAMENTO INTEGRAL DO DÉBITO EM DCTF RETIFICADORA – MULTA – EXCLUSÃO. 1. Apresentada DCTF retificadora acompanhada do pagamento do tributo devido, antes de qualquer providência do Fisco, faz jus o contribuinte ao benefício da denúncia espontânea. Precedentes. 2. Recurso especial provido. (Resp nº 1167028/RS, 2ª Turma, relatora Ministra Eliana Calmon, DJe 28/06/2010) Fl. 175DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10768.001964/200731 Acórdão n.º 320100.917 S3C2T1 Fl. 144 5 TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CTN, ART. 138. PAGAMENTO INTEGRAL DO DÉBITO DECLARADO EM DCTF. RETIFICADORA. MULTA. EXCLUSÃO. 1. Não se caracteriza a denúncia espontânea, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento. 2. Por outro lado, configurase a denúncia espontânea com o ato do contribuinte de efetuar o pagamento integral ao Fisco do débito principal, corrigido monetariamente e acompanhado de juros moratórios, antes de iniciado qualquer procedimento fiscal com o intuito de apurar, lançar ou cobrar o referido montante, tanto mais quando esse débito resulta de diferença de IRRF e CSLL, tributos sujeitos a lançamento por homologação, que não fizeram parte de sua correspondente Declaração de Contribuições e Tributos FederaisDCTF. 3. In casu, o contribuinte reconheceu a existência de erro em sua DCTF e recolheu a diferença devida, acompanhada de correção monetária e juros, antes de qualquer providência do Fisco, que, em verdade, só tomou ciência da existência do crédito quando da realização do pagamento pelo devedor. 4. A regra do artigo 138 do CTN não estabelece distinção entre multa moratória e punitiva com o fito de excluir apenas esta última em caso de denúncia espontânea. Precedentes. 5. Recurso especial não provido. (Resp nº 908086/RS, 2ª Turma, relator Ministro Castro Meira, DJe 16/06/2008) Aponto que há decisão do Superior Tribunal de Justiça, na sistemática do artigo 543C do CPC, de observância obrigatória para este Colegiado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 6 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (Resp 1149022/SP, 1ª Seção, relator Ministro Luiz Fux, DJe 24/06/2010) Fl. 177DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10768.001964/200731 Acórdão n.º 320100.917 S3C2T1 Fl. 145 7 Pelo exposto, VOTO por conhecer do recurso voluntário para darlhe integral provimento. MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA relator Fl. 178DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO
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Numero do processo: 10925.002097/2007-00
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA - RESULTADOS NÃO OPERACIONAIS - LIMITE LEGAL A regra que afasta o limite para a compensação de bases negativas somente é aplicável aos resultados efetivamente decorrentes da exploração da atividade rural. O fato de constar no contrato social que a empresa se dedica à atividade rural não afasta o referido limite para toda e qualquer operação que ela venha praticar. Quanto à compensação de bases negativas de períodos anteriores, os resultados não operacionais também estão submetidos ao limite legal de 30%.
Numero da decisão: 1802-001.306
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA RESULTADOS NÃO OPERACIONAIS LIMITE LEGAL A regra que afasta o limite para a compensação de bases negativas somente é aplicável aos resultados efetivamente decorrentes da exploração da atividade rural. O fato de constar no contrato social que a empresa se dedica à atividade rural não afasta o referido limite para toda e qualquer operação que ela venha praticar. Quanto à compensação de bases negativas de períodos anteriores, os resultados não operacionais também estão submetidos ao limite legal de 30%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.002097/200700 Acórdão n.º 180201.306 S1TE02 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, que considerou procedente o lançamento para a constituição de crédito tributário relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor de R$ 8.218,41, incluindose nesse montante a multa de ofício de 75% e os juros moratórios. O relatório constante da decisão recorrida, Acórdão nº 0726.247, às fls. 156 a 159, descreve os fatos que antecederam o recurso sob exame: Em procedimento de revisão interna, a autoridade fiscal constatou a falta de observância do limite de trinta por cento na utilização de base de cálculo negativa oriunda de exercícios anteriores, na apuração da CSLL relativa ao anocalendário de 2003, fato gerador em 31/12/2003, como descrito no Auto de Infração à f. 3: 001 BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES Base de cálculo da CSLL no Anocalendário de 2003................... .........................................................................................56.915,88 Redução de BC Negativas utilizadas na Linha 34 da Ficha 17....... ............................................................................................. 56.915,88 Base de Cálculo da CSLL declarada pelo contribuinte.......... 0,00 Redução de BC Negativas de Per. Anteriores correta..... 17.074,76 Base de Cálculo da CSLL correta ..................................39.841,12 Enquadramento Legal Art. 2° e §§, da Lei n° 7.689/88; Art. 58 da Lei n° 8.981/95, art. 16 da Lei n° 9.065/95; Art. 37 da Lei n° 10.637/02. 0 Auto de Infração, à f. 2, exibe os valores demonstrados a seguir, tendo sido os juros de mora legais calculados até 28/9/2007 e a multa de oficio proporcional (passível de redução) estabelecida em 75 %: (...) Fl. 181DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.002097/200700 Acórdão n.º 180201.306 S1TE02 Fl. 3 3 Pelo documento de f. 64 do processo administrativo fiscal n° 10925.002071/200753 (IRPJ, julgado nesta mesma oportunidade), foi o sujeito passivo intimado por via postal com Aviso de Recebimento (AR), juntado à f. 65 daqueles autos, a “[...] prestar os esclarecimentos necessários quanto as ocorrências constatadas, apresentando ou remetendo a devida documentação comprobatória (escrituração contábil, cópia do LALUR e outros documentos que entender necessários) [...]”. Junto à resposta (f. 66 do referido processo), a contribuinte apenas encaminha cópias do LALUR e dos balancetes mensais de 2003. O sujeito passivo foi intimado do lançamento por via postal com Aviso de Recebimento (AR), juntado à. f. 69, em 6 de novembro de 2007 e, inconformado com o lançamento, impugnouo pela petição de f. 71 a 74 (e anexos), em que alega: f. 71: A Impugnante, conforme sua própria denominação social dá a entender, dedicase à exploração de atividade eminentemente rural, estando expresso em seu contrato social, art. 4°: [...]. f. 72: [...] II DO MÉRITO BASES NEGATIVAS ADVINDAS DE EXPLORAÇÃO DE ATIVIDADE RURAL INAPLICABILIDADE DAS LIMITAÇÕES À COMPENSAÇÃO A autoridade fiscal, na descrição dos fatos e fundamentos legais consigna que a autuação se deu “pela utilização de base de cálculo negativa oriunda de exercícios anteriores sem a observância do limite de 30%.” No entanto, há aspecto legal importantíssimo a ser considerado. A impugnante, por se tratar de empresa que explora a atividade rural, tem as suas bases negativas integralmente compensáveis para fins de apuração da CSSL, não se aplicando a limitação de 30%, sendo vejamos os seguintes dispositivos do RIR/9 [sic]: Art. 41. 0 limite máximo de redução do lucro liquido ajustado, previsto no art. 16 da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, não se aplica ao resultado decorrente da exploração de atividade rural, relativamente à compensação de base de cálculo negativa da CSLL. Portanto, a impugnante não procedeu à apuração da CSSL com infração à legislação tributária, eis que efetivamente possuía base negativa apurada em 2002 (R$ 62.208,93), que foi integralmente compensado com a base apurada em 2003 (R$ 56.915,88). Fl. 182DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.002097/200700 Acórdão n.º 180201.306 S1TE02 Fl. 4 4 Sendo assim, ao proceder a apuração da Contribuição a Recolher, a autoridade fiscal utilizou o limitador de 30%, sem atentar para a exceção prevista no artigo 41 da MP acima citada [sic], pelo qual as empresas rurais estão autorizadas a proceder à compensação dos prejuízos na sua integralidade. (...) Ocorre que por um erro de preenchimento da DIPJ, a impugnante preencheu a informação da base de cálculo negativa da contribuição na linha 34 da Ficha 17, quando deveria ter informado na linha 35, reservada a informação da base negativa decorrente da atividade rural. Porém, a leitura do contrato social da Impugnante não deixa margens a dúvida: desenvolve atividade exclusivamente rural e faz jus à compensação integral das bases negativas apuradas nos exercícios. Apurada a base de calculo do imposto [sic] sem a indigitada limitação, não há imposto [sic] a recolher no período, razão pela qual merece ser anulado o auto de infração. III DO PEDIDO Ante o exposto, requerse seja recebida a presente impugnação, processada e, ao final, julgada procedente, diante dos fundamentos de ordem constitucional e legal apresentados, para anular o auto de [sic], pela ausência de limitador de compensação das bases negativas de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido em relação às empresas rurais. Como mencionado, a DRJ Florianópolis/SC considerou procedente o lançamento, conforme os fundamentos abaixo: Em procedimento de revisão interna da DIPJ constatou a autoridade fiscal falta de observância do limite de trinta por cento na utilização de base de cálculo negativa oriunda de exercícios anteriores, na apuração da CSLL relativa ao ano calendário de 2003, fato gerador em 31/12/2003, como descrito no Auto de Infração à f. 3. De fato, ao contrário do que alega, a impugnante declarou na Ficha 01 da DIPJ relativa ao anocalendário de 2003, “Atividade Rural: NÃO” (f. 4) e mais, o total de suas receitas brutas declaradas constitui “43. OUTRAS RECEITAS NÃO OPERACIONAIS ... 92.000,00” (f. 8). Assim, além de declarar não desenvolver atividade rural no período, as únicas receitas, no valor de R$ 92.000,00, foram nãooperacionais. Além disso, em sede de impugnação, não trouxe a pessoa jurídica quaisquer elementos de prova (como seriam, p. ex., notas fiscais de saídas de produtos rurais de produção própria) em apoio de sua alegação de atividade rural. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.002097/200700 Acórdão n.º 180201.306 S1TE02 Fl. 5 5 Ressaltese que as bases de cálculo negativas decorrentes da atividade rural poderão ser utilizadas para compensar, sem limite, as bases de cálculo da CSLL da mesma atividade. Por outro lado, no mesmo período de apuração, as bases de cálculo negativas da CSLL da atividade rural podem ser utilizadas para compensação, sem limite, das bases de cálculo da CSLL das demais atividades. É o que dispõe a Instrução Normativa SRF n.° 257, de 11 de dezembro de 2002, em seu art. 17, adiante transcritos com destaque: (...) Especificamente sobre a compensação de bases de cálculo negativas com as bases de cálculo da CSLL, convém considerar a síntese disponível na página da RFB na Internet (http://www.receita.fazenda.gov.br/alíquotas/ContribCsll/Cons GeraisCompBCalcNegativa.htm): CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA a) Introdução A pessoa jurídica pode compensar a base de cálculo negativa, desde que mantenha os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante dessa base utilizado para a compensação. As bases de cálculo negativas podem ser compensadas com os resultados dos períodos de apuração subsequentes, ajustados pelas, adições e exclusões previstas na legislação da CSLL, observado o limite máximo de redução de trinta por cento do resultado ajustado. A base de cálculo negativa das atividades em geral pode ser compensada com base positiva da atividade rural apurada no próprio período de apuração, ou viceversa. A pessoa jurídica não pode compensar sua própria base de cálculo negativa se entre a data da apuração e a da compensação houver ocorrido, cumulativamente, modificação de seu controle societário e do ramo de atividade. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não pode compensar base de cálculo negativa da sucedida (DecretoLei n°2.341, de 29 de junho de 1987, arts. 32 e 33; MP nº 1.8586, de 1999, art. 20, e reedições). No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida pode compensar sua própria base de cálculo negativa, Fl. 184DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.002097/200700 Acórdão n.º 180201.306 S1TE02 Fl. 6 6 proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio liquido. b) Atividade Rural Compensação de Base de Cálculo Negativa A base de cálculo da CSLL da atividade rural, quando negativa, pode ser compensada com o resultado dessa mesma atividade, apurado em períodos subsequentes, ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação, sem limite máximo de redução de trinta por cento (MP n° 1.99115, de 2000, art. 42, e reedições). A base de cálculo da CSLL da atividade rural, quando negativa, pode ser compensada com o resultado das atividades em geral, apurado no mesmo período, sem o limite máximo de redução de trinta por cento. A base de cálculo da CSLL da atividade rural, quando negativa, pode ser compensada com o resultado das atividades em geral, apurado em períodos de apuração subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento. (destaques apostos) Além da inconsistência das informações declaradas em DIPJ, como não tendo atividade rural (f. 4), visavis o objeto da pessoa jurídica descrito em seu Contrato Social (f. 79), constata se que às f. 15 a 18, Ficha 16 da DIPJ, a impugnante preencheu com valores negativos a linha 01 de cada mês, providência apenas prevista para o caso de apuração de base de cálculo negativa da CSLL no balanço/balancete de suspensão/redução do período, mas não para compensação de base de cálculo apurada. Destarte, há que ser julgada improcedente a impugnação e mantida a exigência da CSLL e dos consectários legais de multa de oficio de 75% e dos juros de mora com base na taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic, em razão da não observância, pela pessoa jurídica, no anocalendário de 2003, do limite de trinta por cento na compensação de base de cálculo da CSLL com bases de cálculo negativas da mesma contribuição de período(s) de apuração pretérito(s). Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 23/11/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 13/12/2011, reiterando os mesmos argumentos de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Este é o Relatório. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.002097/200700 Acórdão n.º 180201.306 S1TE02 Fl. 7 7 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, o presente processo tem por objeto lançamento a título de de CSLL, realizado em decorrência de trabalho de revisão interna sobre a declaração DIPJ do anocalendário de 2003. A Autoridade Fiscal constatou a falta de observância do limite de trinta por cento na compensação de base de cálculo negativa oriunda de exercícios anteriores. A Contribuinte alega que por explorar atividade rural, as bases negativas de períodos anteriores seriam integralmente compensáveis, não se aplicando o referido limite de 30%, conforme o art. 41 da Medida Provisória n° 2.15835/2001 (ainda vigente por força da EC 32/2001). A controvérsia, portanto, envolve as regras sobre compensação de bases negativas de CSLL de exercícios anteriores. Em sua decisão, a Delegacia de Julgamento demonstrou não desconhecer as regras sobre a compensação de bases negativas na exploração de atividade rural, reconhecendo que “as bases de cálculo negativas decorrentes da atividade rural poderão ser utilizadas para compensar, sem limite, as bases de cálculo da CSLL da mesma atividade”, mas manteve o lançamento pelos seguintes motivos: a Contribuinte fez constar na Ficha 01 da DIPJ relativa ao anocalendário de 2003 a seguinte informação: “Atividade Rural: NÃO”; o total das receitas brutas declaradas constitui “43. OUTRAS RECEITAS NÃO OPERACIONAIS ... 92.000,00”; além de a Contribuinte declarar que não desenvolveu atividade rural no período, as únicas receitas, no valor de R$ 92.000,00, foram nãooperacionais; a Contribuinte não apresentou quaisquer elementos de prova (como seriam, p. ex., notas fiscais de saídas de produtos rurais de produção própria) em apoio de sua alegação de atividade rural. A DRJ também registrou que a Contribuinte preencheu as Fichas 16 da DIPJ, relativas às estimativas mensais, nos campos referentes à base de cálculo da CSLL com base em balanço e balancete de suspensão ou redução, com valores negativos, o que seria cabível no caso de apuração de base negativa nos balanços/balancetes de suspensão/redução do período, mas não para compensação das bases de cálculo positivas apuradas ao longo do ano com bases negativas de anos anteriores (o que só é feito no ajuste anual). Fl. 186DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.002097/200700 Acórdão n.º 180201.306 S1TE02 Fl. 8 8 Em sede de recurso, a Contribuinte reiterou os mesmos argumentos de sua impugnação, alegando mais uma vez que sua atividade, conforme descrito no contrato social, é totalmente voltada à atividade rural, sem exploração de qualquer outro ramo negocial, o que lhe asseguraria o direito à compensação integral das bases negativas de períodos anteriores. Não procedem os argumentos da Recorrente. A regra que afasta o limite para a compensação de bases negativas somente é aplicável aos resultados efetivamente decorrentes da exploração da atividade rural. O fato de constar no contrato social que a empresa se dedica à atividade rural não afasta o referido limite para toda e qualquer operação que ela venha praticar. Não só os campos já mencionados pela decisão recorrida, como também as Fichas da DIPJ relativas aos custos e despesas indicam que o resultado apurado em 2003 não foi decorrente da exploração da atividade rural. Aliás, a própria Contribuinte informa em sua DIPJ que o resultado apurado decorreu de “outras receitas não operacionais”, no valor de R$ 92.000,00. As regras que estabelecem os limites para a compensação de bases negativas de CSLL constam das leis 8.981/1995 e 9.065/1995: Lei 8.981/1995: Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento. Lei 9.065/1995: Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Quanto à compensação de prejuízos fiscais ou bases negativas de CSLL, os resultados não operacionais também sofrem essas restrições, conforme o art. 31 da Lei 9.249/1995: Art. 31. Os prejuízos não operacionais, apurados pelas pessoas jurídicas, a partir de 1º de janeiro de 1996, somente poderão ser compensados com lucros de mesma natureza, observado o limite previsto no art. 15 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.002097/200700 Acórdão n.º 180201.306 S1TE02 Fl. 9 9 A exceção a esse limite para a compensação de bases negativas de CSLL foi dada pela MP nº 2.15835/2001, e alcança somente os resultados decorrentes da exploração de atividade rural: Art.41. O limite máximo de redução do lucro líquido ajustado, previsto no art. 16 da Lei no 9.065, de 20 de junho de 1995, não se aplica ao resultado decorrente da exploração de atividade rural, relativamente à compensação de base de cálculo negativa da CSLL. Não posso deixar de registrar que a atividade rural possui contornos particulares atinentes à delimitação dos resultados operacionais e não operacionais, conforme evidencia a IN SRF nº 257/2002: Resultado da atividade rural Art. 11. Considerase resultado da atividade rural a diferença entre os valores das receitas auferidas e das despesas incorridas no período de apuração, correspondentes a todas as unidades rurais exploradas pela pessoa jurídica rural. § 1º O resultado na alienação de bens utilizados exclusivamente na produção, com exceção da terra nua e observado o disposto no § 5º do art. 14 e nos arts. 20 e 22, compõe o resultado da atividade rural. (...) Prejuízos não operacionais Art. 18. Os prejuízos não operacionais, apurados pelas pessoas jurídicas que exploram atividade rural, somente poderão ser compensados, nos períodos subseqüentes ao de sua apuração, com lucros de mesma natureza, observado o limite de redução do lucro de, no máximo, trinta por cento previsto no art. 15 da Lei nº 9.065, de 1995. Parágrafo único. Para fins do disposto no caput, consideramse não operacionais os resultados decorrentes da alienação de bens e direitos do ativo permanente não utilizados exclusivamente na produção rural, incluída a terra nua, exceto as perdas decorrentes de baixa de bens ou direitos do ativo permanente, em virtude de teremse tornado imprestáveis, obsoletos ou caído em desuso, ainda que posteriormente venham a ser alienados como sucata. Mas a Contribuinte não trouxe qualquer elemento ou esclarecimento que pudesse ensejar o reconhecimento da receita auferida como sendo resultante de atividade rural. Aliás, se a receita em 2003 fosse decorrente de atividade rural, considerando essa ótica mais abrangente de receita operacional (que inclui a venda de bens do ativo permanente), a própria Contribuinte não a teria declarado como “outras receitas não operacionais”. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.002097/200700 Acórdão n.º 180201.306 S1TE02 Fl. 10 10 Viuse, pelos balancetes juntados ao processo nº 10925.002071/200753 (relativo ao IRPJ, e julgado nesta mesma sessão do CARF), que os R$ 92.000,00 a título de “outras receitas não operacionais” foram formados por sucessivos lançamentos no decorrer do ano, na conta intitulada “Venda do Imobilizados”: jan fev 4.000,00 mar 24.000,00 abr 4.000,00 mai 4.000,00 jun 4.000,00 jul 4.000,00 ago 4.000,00 set 4.000,00 out 4.000,00 nov 4.000,00 dez 32.000,00 Total 92.000,00 Contudo, embora estes lançamentos tenham se sucedido uniformemente ao longo de todo o ano, os mesmos balancetes indicam um único registro de baixa na conta Permanente/Imobilizado realizado no mês de junho/2003, no valor de R$ 1.678,57. Tais registros, portanto, não militam a favor da Contribuinte, porque não há sequer uma correlação temporal mínima entre as receitas auferidas e a baixa do permanente. As informações contidas nos autos realmente não apresentam qualquer evidência de que o resultado tributável em 2003, formado a partir das mencionadas “outras receitas não operacionais”, seja decorrente da exploração de atividade rural. Deste modo, é cabível a aplicação do limite de 30% para a compensação de bases negativas de CSLL de períodos anteriores. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 189DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.002097/200700 Acórdão n.º 180201.306 S1TE02 Fl. 11 11 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 11020.002310/2009-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 12/2006, 04/2007, 07/2007 e 12/2007 RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Reputa-se não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.
O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Revogado o dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, deve ser comparada à penalidade nesta prevista (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), para que retroaja, caso seja mais benéfica
ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN).
Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991
combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP
449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma
natureza.
ANÁLISE DO CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE.
PROIBIÇÃO EXPRESSA AO CARF
O reconhecimento da existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência, o que é vedado a este Conselho.
Inocorrência das hipóteses normativas que possibilitam ao CARF reconhecer a inconstitucionalidade de dispositivos legais.
Numero da decisão: 2301-002.501
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou em excluir a multa presente no lançamento; b) em dar
provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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INDÚSTRIA E COMÉRCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 12/2006, 04/2007, 07/2007 e 12/2007 RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, deve ser comparada à penalidade nesta prevista (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), para que retroaja, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. ANÁLISE DO CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. PROIBIÇÃO EXPRESSA AO CARF O reconhecimento da existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência, o que é vedado a este Conselho. Inocorrência das hipóteses normativas que possibilitam ao CARF reconhecer a inconstitucionalidade de dispositivos legais. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11020.002310/200993 Acórdão n.º 2301002.501 S2C3T1 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou em excluir a multa presente no lançamento; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em face MADARCO S.A. INDUSTRIA E COMERCIO, do qual foi notificado em 10/07/2009, em virtude do recolhimento parcial e da não declaração nas respectivas Guias de Recolhimento da Previdência Social GFIP das contribuições destinadas à seguridade social, inclusive daquelas destinadas ao financiamento do benefício previsto nos artigos 57 e 58 da Lei nº 8.213/91 e das decorrentes em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho em virtude dos riscos ambientais da atividade, incidentes sobre a comercialização da produção no mercado interno, devida pela agroindústria. Tal conduta, conforme afirma o Relatório Fiscal (fls. 10 e seguintes), foi tipificada como infração à legislação previdenciária, tendo sido efetuado lançamento no valor de R$ 4.868,03 (quatro mil, oitocentos e sessenta e oito reais e três centavos). Esclarece ainda o Relato do Fisco que as Guias da Previdência Social GPS, recolhidas com código "2607", relativo ao período fiscalizado, foram deduzidas das contribuições previdenciárias que foram declaradas em GFIP, abrangendo as guias de recolhimento apresentadas antes e após o início do procedimento fiscal, nas quais somente foi declarada e recolhida parte das contribuições incidentes sobre a comercialização no mercado interno. Afirma ainda que o fato de o contribuinte não declarar em GFIP todas as basesdecálculo da comercialização da produção com os adquirentes do mercado interno e, também, ter declarado em GFIP após o início do procedimento fiscal, parcialmente, os valores da comercialização da produção, para os quais já haviam sido feitos os recolhimentos em GPS com o código "2607", originaram a emissão dos Autos de Infração DEBCAD n° 37.211.9840 e 37.211.9832. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11020.002310/200993 Acórdão n.º 2301002.501 S2C3T1 Fl. 3 3 Consta ainda nos autos despacho da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre – RS (fls 58) determinando, em virtude das determinações expressas de dispositivos legais acerca da competência territorial e por matéria das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), o encaminhamento do presente processo à DRJ/STM/RS para que fosse devidamente julgado. Irresignada, a Recorrente apresentou impugnação ao referido Auto de Infração, insurgindose contra a referida exigência fiscal, tendo obtido, em primeira instância, procedência parcial do seu pedido, pois o crédito tributário referente ao Auto de Infração foi mantido em parte, conforme de se depreende da ementa a seguir transcrita: LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. ERRO NO CRITÉRIO DEVERIFICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. Na aplicação da legislação tributária, a lei retroage quando comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. As multas a serem comparadas devem ser apuradas pela metodologia de cada legislação e cotejadas entre si em relação à mesma infração, salvo em relação às infrações penalizadas em conjunto. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A decisão recorrida esclarece, ainda, que a multa pelo descumprimento de obrigação principal a ser aplicada é aquela mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir a legislação atual caso lhe seja mais favorável. Neste diapasão, comparando a nova multa de ofício de 75% prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 com as multas de mora (art. 35 da Lei nº 8.212/1991) e por omissão em GFIP (art. 32, §5º da Lei nº 8.212/1991), ambas com base na legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador, deveria ser aplicada a primeira. Não satisfeita com a decisão proferida, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando em suma: a) A falta de caracterização de conduta ilícita, não estando constituído, portanto, o suporte fático para ensejar a aplicação da multa; b) A ausência de indicação clara da base de cálculo, dos dispositivos legais infringidos e da forma de calcular os juros; c) O caráter confiscatório da multa aplicada. Assim, vieram os autos a este Conselho de Contribuintes por meio de Recurso Voluntário. Sem Contrarrazões. É o relatório. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11020.002310/200993 Acórdão n.º 2301002.501 S2C3T1 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade do presente recurso, passo ao seu exame. Do mérito Preclusão sobre matérias não impugnadas Os lançamentos do presente Auto de Infração referemse ao recolhimento parcial e à não declaração nas, respectivas Guias de Recolhimento da Previdência Social – GFIP, das contribuições destinadas à seguridade social, inclusive daquelas destinadas ao financiamento do benefício previsto nos artigos 57 e 58 da Lei nº 8.213/91 e das decorrentes em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho em virtude dos riscos ambientais da atividade, incidentes sobre a comercialização da produção no mercado interno, devida pela agroindústria. Nas razões recursais ora em apreço, a Recorrente sequer se defendeu quanto ao mérito da questão acima exposto, já que em nenhum momento afirma que os valores apontados pela fiscalização não correspondem a fatos geradores de contribuições previdenciárias, ou seja, apresentou uma defesa genérica, não se desincumbindo do ônus da prova em contrário do afirmado pela fiscalização. Pois bem. A despeito de tal discussão, imperioso trazer a baila o que preconiza o art. 9º, §6º da Portaria nº 520, de 19 de maio de 2004, in verbis: Art. 9º A impugnação mencionará: (...) § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Desta feita, concluise, do acima exposto, que reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. Notase, portanto, que houve a preclusão processual, uma vez que não houve insurgência da Recorrente quanto à pretensão externada no lançamento. Ademais, a despeito de tal instituto, importante citar os ensinamentos de Fredie Didier Júnior, in verbis: “Entendese que a preclusão está intimamente relacionada com o ônus, que, como se sabe, é situação jurídica consistente em um encargo do direito. A parte detentora de ônus deverá praticar ato processual em seu próprio benefício, no prazo legal, e Fl. 96DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11020.002310/200993 Acórdão n.º 2301002.501 S2C3T1 Fl. 5 5 de forma correta: se não o fizer, possivelmente este comportamento poderá acarretar conseqüências danosas para ela. (...) a preclusão decorre do não atendimento de um ônus, com a prática de atofato caducificante ou ato jurídico impeditivo, ambos lícitos, conformes com o direito. Com isso, entendo que, no caso em apreço, ocorreu a preclusão consumativa, que é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, ficando, portanto, o julgador impossibilitado de analisar a questão de mérito, posto que não contestada pela Recorrente. Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 97DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11020.002310/200993 Acórdão n.º 2301002.501 S2C3T1 Fl. 6 6 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 98DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11020.002310/200993 Acórdão n.º 2301002.501 S2C3T1 Fl. 7 7 II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11020.002310/200993 Acórdão n.º 2301002.501 S2C3T1 Fl. 8 8 Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Da impossibilidade de análise de alegação do caráter confiscatório da multa A tentativa do contribuinte de afastar a aplicação da multa no caso em comento encontra seu fundamento no caráter confiscatório da multa, o que seria vedado pela Constituição Federal. Em outras palavras, reconhecer a existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência, o que é vedado a este Conselho, que Fl. 100DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11020.002310/200993 Acórdão n.º 2301002.501 S2C3T1 Fl. 9 9 somente pode reconhecer a inconstitucionalidade de dispositivo legal quando estiver diante de uma das hipóteses previstas no art, 62, parágrafo único seu Regimento Interno, quais sejam: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993 No caso dos autos, contudo, não ocorreu qualquer dessas hipóteses. Cumpre esclarecer que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, notadamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, os Conselhos de Contribuintes se autoimpuseram com regra proibitiva nesse sentido: Fl. 101DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11020.002310/200993 Acórdão n.º 2301002.501 S2C3T1 Fl. 10 10 Portaria MF n° 147, de 25/06/2007 (que aprovou o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes): Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula 02 do Segundo Conselho de Contribuintes, publicada no DOU de 26/09/2007: “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária” Assim, afasto a alegação de confisco da multa de mora aplicada ao presente caso. Da Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário e DOULHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para que seja aplicada a multa prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a nova redação prevista pela Lei nº 11.941/2009, caso seja mais favorável ao contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, em 18 de janeiro de 2012. Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 102DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 10480.722400/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
BEBIDAS. CLASSES DE VALORES. ENQUADRAMENTO OU REENQUADRAMENTO DE OFÍCIO. COBRANÇA DA DIFERENÇA DE IMPOSTO E DE ACRÉSCIMOS LEGAIS.
Apenas com a edição da IN SRF nº 796, de 20 de dezembro de 2007, o contribuinte passou a ser obrigado a solicitar o reenquadramento das bebidas que comercializava ou industrializava.
Recurso Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-001.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martinez e Antônio Lisboa Cardoso que davam provimento total. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Mário Luiz Oliveira da Costa, OAB/SP 117.622.
[assinado digitalmente]
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Paulo Guilherme Déroulède e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 BEBIDAS. CLASSES DE VALORES. ENQUADRAMENTO OU REENQUADRAMENTO DE OFÍCIO. COBRANÇA DA DIFERENÇA DE IMPOSTO E DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. Apenas com a edição da IN SRF nº 796, de 20 de dezembro de 2007, o contribuinte passou a ser obrigado a solicitar o reenquadramento das bebidas que comercializava ou industrializava. Recurso Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martinez e Antônio Lisboa Cardoso que davam provimento total. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Mário Luiz Oliveira da Costa, OAB/SP 117.622. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Paulo Guilherme Déroulède e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 24 00 /2 00 9- 14 Fl. 2217DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ no Recife que julgou improcedente a impugnação apresentada, por entender, dentre outras razões, que não prestadas as informações para o enquadramento inicial de bebidas tributadas pelo sistema de classes de valores, ou prestadas de maneira incompleta ou incorreta, haverá enquadramento ou reenquadramento de ofício das bebidas, com a exigência da diferença de imposto e dos acréscimos legais. A ora Recorrente foi intimada da lavratura de Auto de Infração para exigir Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acrescido de juros, multa de mora e multa sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito, relativo ao período de janeiro de 2005 a dezembro de 2008. De acordo fiscalização, o lançamento foi realizado diante da constatação de que contribuinte deu saída a produtos tributados (bebidas) sem lançamento ou com insuficiência de lançamento do imposto, no período de janeiro de 2005 a dezembro de 2008. Isso teria decorrido do fato de o contribuinte, supostamente, ter deixado de solicitar o enquadramento/reenquadramento de produtos de sua fabricação e de ter adotado, nas saídas desses produtos, classes de valor de IPI menores que as calculadas em conformidade com as regras previstas no art. 150 do RIPI/2002 (Lei nº 7.798/89, arts. 2º e 3º). Alegou, ainda, a autoridade fiscal que em razão de o contribuinte não ter prestado as informações necessárias ao enquadramento dos produtos fabricados, ou têlas prestado de forma incompleta ou com incorreções, a Representação Fiscal procedeu ao enquadramento de ofício, previsto no § 4º do art. 150 do RIPI/2002, o qual resultou no Ato Declaratório Executivo ADE nº 112, de 10 de novembro de 2009 (DOU 12/11/2009), expedido pelo Delegado da Receita Federal do Brasil no Recife/PE, divulgando o enquadramento dos produtos do contribuinte, segundo o regime de tributação do IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 7.798, de 1989. Segundo a fiscalização, a diferença de IPI cobrada no presente lançamento decorre justamente da comparação entre o enquadramento de ofício e o enquadramento praticado pelo contribuinte. Inconformada com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação alegando, preliminarmente, a nulidade do Auto de Infração por erro na sujeição passiva. Afirma o ora Recorrente que foi erroneamente indicado como emitente de notas fiscais de venda de mercadorias o contribuinte Pernod Ricard Brasil Indústria e Comércio Ltda., empresa com a qual não teria qualquer vinculação. Quanto ao mérito, sustenta, em síntese, que: a) à exceção do produto “Dreher 900 ml”, todos os demais produtos foram fabricados pelo estabelecimento matriz em São Paulo, transferidos com suspensão do imposto e, posteriormente, quando efetuada a venda, submetidos à incidência do IPI com base nas classes regularmente divulgadas e válidas para cada um dos produtos; b) o IPI incide sobre o produto e assim não seria ilegítimo aplicar as classes indicadas em resposta a pedidos formulados pelo estabelecimento matriz. Na sua ótica, uma vez definido o enquadramento para a bebida passa a ser irrelevante o contribuinte que venha a comercializála, pois o ato de enquadramento atinge o produto e não o sujeito passivo. c) a mera comercialização, ainda mais quando precedida de transferência de produtos, não impõe ao revendedor possuir enquadramento específico. Fl. 2218DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10480.722400/200914 Acórdão n.º 1301001.763 S1C3T1 Fl. 11 3 d) não houve transgressão ao art. 518, IV, do RIPI/2002, que estabelece a autonomia dos estabelecimentos, posto que tal dispositivo apenas imporia o cumprimento de obrigações tributárias, principais e acessórias, as quais nunca teria deixado de observar. e) relativamente produto “Dreher 900 ml”, alega que quando da sua comercialização foi observada a classe “K”, a qual foi divulgada para o produto quando este ainda era fabricado pela empresa United Distillers & Vintners Brasil Ltda. Por essa razão, em vista dos argumentos já expostos, não haveria necessidade de se proceder a um novo enquadramento. f) apenas com a edição da IN nº 796/2007 é que o Fisco Federal passou a determinar que a mudança do estabelecimento fabricante do produto implicaria no dever de se solicitar um novo enquadramento. g) houve omissão da legislação, até meados de 2008, em relação à necessidade de reenquadramentos sucessivos em casos de eventuais alterações de preços dos produtos e, por isso, argumenta que não poderia a autoridade administrativa, sob pena de violar os princípios da legalidade e da tipicidade, impor obrigação não prevista em lei. h) somente com a edição do Decreto nº 6.501, de 2008, é que passou a ser obrigatório o pleito de reenquadramento do produto em função de reajuste de preços. i) a majoração de preços ocorrida entre 2004 e 2008 foi irrelevante e seria insuficiente para justificar a imposição de novas classes aos produtos comercializados. j) contesta a aplicação da multa relativa ao IPI não lançado com cobertura de crédito. Quanto ao tema, argumenta que o art. 488, I, do RIPI/2002 revela a existência de três tipos de multa, mas demonstra ser possível a aplicação apenas de uma delas. Aduz que no caso dos autos já houve a aplicação da multa “padrão” de 75% sobre o IPI não recolhido pelo contribuinte e a imposição também da multa isolada caracterizaria dupla penalidade. A DRJ no Recife julgou improcedente a impugnação apresentada, nos seguintes termos: FALTA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A falta ou insuficiência de recolhimento de tributos apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. BEBIDAS. CLASSES DE VALORES. ENQUADRAMENTO OU REENQUADRAMENTO DE OFÍCIO. COBRANÇA DA DIFERENÇA DE IMPOSTO E DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. Não prestadas as informações para o enquadramento inicial de bebidas tributadas pelo sistema de classes de valores, ou prestadas de maneira incompleta ou incorreta, haverá enquadramento ou reenquadramento de ofício das bebidas, com a exigência da diferença de imposto e dos acréscimos legais. MULTA DE OFÍCIO SOBRE IPI NÃO LANÇADO COM COBERTURA DE CRÉDITO. Fl. 2219DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE 4 A simples falta de lançamento do imposto na nota fiscal, independentemente de o imposto não lançado estar ou não coberto por eventuais créditos, é circunstância fática suficiente para a aplicação da multa de ofício prevista na legislação de regência. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não se cogita da nulidade do auto de infração quando, além de formalmente perfeito, em nada malferido tenha sido o direito de defesa do contribuinte. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho, repetindo as razões apresentadas na impugnação, à exceção dos fundamentos para afastar a multa. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, o desfecho da presente controvérsia requer, num primeiro momento, verificar a existência ou não de norma obrigando a ora Recorrente a proceder ao enquadramento/reenquadramento dos produtos que comercializa ou industrializa nas situações contempladas pela autuação. Afinal, somente assim terse segurança para saber se efetivamente existia permissivo legal para o Fisco proceder ao enquadramento de ofício no caso concreto. Com efeito, a Recorrente, na qualidade de produtora de bebidas alcoólicas, está sujeita ao regime de incidência única do IPI, instituído pela Lei nº 7.798/89, nos seguintes termos: Art. 2º. O enquadramento do produto na classe será feito pelo Ministro da Fazenda, com base no que resultaria da aplicação da alíquota a que o produto estiver sujeito na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, sobre o valor tributável. § 1º. Para efeito deste artigo, o valor tributável é o preço normal da operação de venda, sem descontos ou abatimentos, para terceiros não interdependentes ou para coligadas, controladas ou controladoras (Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, art. 243,§§ 1º e 2º) ou interligadas (DecretoLei nº 1.950, de 14 de julho de 1982, art. 10, § 2º). § 2º. O contribuinte informará ao Ministro da Fazenda as características de fabricação e os preços de venda, por espécie e marca do produto e por capacidade do recipiente. § 3º. O contribuinte que não prestar as informações, ou que prestálas de forma incompleta ou com incorreções, terá o seu produto enquadrado ou reenquadrado de ofício, sendo devida a diferença de imposto, acrescida dos encargos legais. Fl. 2220DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10480.722400/200914 Acórdão n.º 1301001.763 S1C3T1 Fl. 12 5 § 4º Feito o enquadramento inicial, este poderá ser alterado, observados os limites constantes do Anexo I. Art. 3º O Poder Executivo poderá, em relação a outros produtos dos capítulos 21 e 22 da TIPI, aprovada pelo Decreto nº 97.410, de 23 de dezembro de 1988, estabelecer classes de valores correspondentes ao IPI a ser pago. § 1º. Os valores de cada classe deverão corresponder ao que resultaria da aplicação da alíquota a que o produto estiver sujeito na TIPI, sobre o valor tributável numa operação normal de venda. § 2º. As classes serão estabelecidas tendo em vista a espécie do produto, capacidade e natureza do recipiente. § 3º. Para efeitos de classificação dos produtos nos termos de que trata este artigo, não haverá distinção entre os da mesma espécie, com a mesma capacidade e natureza do recipiente. § 4º. Os valores estabelecidos para cada classe serão reajustados automaticamente nos mesmos índices do BTN ou, tratandose de produtos de preço de venda controlado por órgão do Poder Executivo, nos mesmos índices e na mesma data de vigência do reajuste. § 5° O Poder Executivo, sempre que, em face do comportamento do mercado na comercialização do produto, julgar necessário, poderá: a) aumentar, até sessenta por cento, os valores de cada classe, reajustados na forma do parágrafo anterior; b) manter, temporariamente, o valor do imposto, ainda que alterado o do BTN. Art. 4º Os produtos sujeitos aos regimes de que trata esta Lei pagarão o imposto uma única vez, ressalvado o disposto no § 1 a) os nacionais, na saída do estabelecimento industrial ou do estabelecimento equiparado a industrial; (...) Art. 7º. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos atacadistas que adquirirem os produtos relacionados no Anexo III, de estabelecimentos industriais ou dos seguintes estabelecimentos equiparados a industrial: (...) II filiais e demais estabelecimentos que exerçam o comércio de produtos importados ou industrializados por outro estabelecimento da mesma firma; III estabelecimentos comerciais de produtos cuja industrialização haja sido realizada por outro estabelecimento da mesma firma ou de terceiros, mediante a remessa, por eles efetuadas, de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou modelos; e Fl. 2221DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE 6 § 1º. O disposto neste artigo aplicase nas hipóteses em que adquirente e remetente sejam empresas interdependentes, controladoras, controladas ou coligadas (Lei nº 6.404, art. 243, §§ 1º e 2º) ou interligadas (DecretoLei nº. 1.950, art. 10, § 2º). Analisando os enunciados normativos acima transcritos, constatase que a tributação em análise pressupõe o enquadramento dos produtos em classes de valores, realizado pelo Ministro da Fazenda, mediante instrumento próprio (ato declaratório), tendo por base o que resultaria da aplicação das alíquotas previstas na TIPI sobre os valores tributáveis, os quais correspondem, justamente, ao preço normal da operação de venda, sem descontos ou abatimentos, para terceiros não interdependentes ou para coligadas, controladas ou controladoras ( § 1º). Por conta disso, o contribuinte está obrigado a informar ao Ministério da Fazenda as características de fabricação e os preços de venda, por espécie e marca do produto e por capacidade do recipiente (§ 2º), munindoo, assim, das informações necessárias para a referida classificação. Em outras palavras, o presente regime especial de tributação única toma como base a classe de valores fixada, mediante enquadramento, pelo Ministério da Fazenda, a qual, por sua vez, é estabelecida tendo em conta exclusivamente caraterísticas genéricas do produto: (i) preço que usualmente teria numa operação de venda a terceiros não vinculado; (ii) espécie; (iii) marca; e (iv) capacidade do recipiente que o acondicionará. Numa síntese, não se leva em conta para a tributação características especificas do produto (preço efetivo da operação), tampouco particularidades do contribuinte, industrial ou a ele equiparado (atacadista). O que é relevante para o presente regime é o enquadramento de determinado produto nas classes fixadas pelo Ministério da Fazenda. Aliás, neste ponto, merece destaque o § 3º do art. 3º da Lei nº 7.789/98, o qual determina expressamente que “para efeitos de classificação dos produtos nos termos de que trata este artigo, não haverá distinção entre os da mesma espécie, com a mesma capacidade e natureza do recipiente”. Com efeito, referido dispositivo normativo deixa evidente que não se admite, para um mesmo produto, classificações distintas. Ou seja, se as características do produto relacionadas pela lei são idênticas, quais sejam, espécie, marca, capacidade e natureza do recipiente, impõese seja outorgado mesmo enquadramento na classe de valores. É justamente por conta disso que o Ministro da Fazenda edita Atos Declaratórios de enquadramento do produto em classes de valores, sem fazer qualquer referência ao contribuinte que o solicitou. Para que não reste dúvida a respeito disso, tomemos como exemplo o ADE SRF nº 127/98, editado por solicitação da matriz da Recorrente: ATO DECLARATÓRIO SRF Nº 127, 29 DE SETEMBRO DE 1998 (D.O.U.1º/10/98) ENQUADRA PRODUTO DO CÓDIGO 2208.90.00 (AGUARDENTE COMPOSTA DE ALCATRÃO, DE GENGIBRE E OUTRAS), NOS TERMOS DA LEI Nº 7.798/89. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da competência prevista no artigo 127 do Regulamento do Imposto Fl. 2222DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10480.722400/200914 Acórdão n.º 1301001.763 S1C3T1 Fl. 13 7 sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto nº 2.637, de 25 de junho de 1998, declara: 1 As bebidas classificadas no código TIPI/NCM 2208.90.00 Ex 03, 04 e 08 (Aguardente Composta de Alcatrão, de Gengibre e Outras), para efeito de cálculo e pagamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, de que tratam os artigos 1º da Lei nº 7.798, de 10 de julho de 1989, e 2º da Lei nº 8.133, de 27 de dezembro de 1990, passam a ser classificados conforme o enquadramento ora estabelecido, observado, no que for aplicável, o disposto na Portaria MF nº 139, de 19 de junho de 1989: a) de acordo com a capacidade dos recipientes em que são comercializados, ressalvado o disposto na alínea subsequente: Capacidade do Recipiente Letra I até 180 ml B II de 181 ml a 375 ml D III de 376 ml a 670 ml F IV de 671 ml a 1000 ml I b) de acordo com a marca comercial do produto: CGC Marca Comercial Capacidade do Recipiente* Letra 54.844.568/000118 87.547.428/000137 Domus Presidente IV IV J 62.261.391/000155 33.856.394/000133 Dreher Macieira 3 IV IV K 62.261.391/000155 Branfort Black IV M * cfc. quadro alínea anterior 2 O disposto neste Ato Declaratório não dispensa a solicitação de enquadramento em relação a produtos lançados a partir desta data, inclusive se em novos recipientes. 3 Este Ato Declaratório entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 11 de outubro de 1998. Referido Ato Declaratório afasta qualquer dúvida sobre o objeto do enquadramento: o produto. Por outro lado, ao afirmar expressamente que suas disposições não dispensam a solicitação de enquadramento em relação a produtos lançados a partir desta data, inclusive se em novos recipientes, permite concluir, a contrario sensu, ser dispensável a solicitação de enquadramento de outros contribuintes para os produtos por ele classificados. Neste contexto e tendo em vista o total silêncio da lei sobre o tema, inferese que não se sustenta a alegação da fiscalização no sentido de que a autonomia dos estabelecimentos impediria a utilização pela filial de enquadramento do produto em classe de valor de IPI publicado pelo Ministério da Fazenda por requerimento da matriz. Fl. 2223DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE 8 Com efeito, alegou o Fisco que: “segundo o art. 518, IV, do RIPI, para efeito de cumprimento da obrigação tributária, os estabelecimentos, ainda que pertencentes a uma mesma pessoa jurídica são considerados autônomos. Assim, nenhum estabelecimento poderá adotar nas suas saídas o enquadramento em classe de valor de IPI concedido a outro estabelecimento, mesmo que este estabelecimento pertença à mesma pessoa jurídica”. Ora, tal afirmação não reflete a realidade do regime de tributação única existente à época, por três razões fundamentais: (i) o enquadramento não era concedido para uma específica pessoa jurídica, mas para o produto; (ii) a própria lei vedava a outorga de classificações distintas para o mesmo produto, assim entendido como aquele que possui a mesma espécie, marca, capacidade e natureza do recipiente e (iii) não existia qualquer determinação legal obrigando cada estabelecimento que industrializasse/comercializasse produto já enquadrado em classe de valores a solicitar igualmente o seu enquadramento ou reenquadramento. Assim, restando incontroverso nos autos que o produto comercializado pela Recorrente era o mesmo industrializado pela sua matriz e que teve seu enquadrado na classe de valores determinado pelo ADE SRF nº 127/98, não vislumbro qualquer irregularidade da atitude da Recorrente. Com efeito, existindo, à época, enquadramento em classe de valores válido para seus produtos, independentemente de quem foi o solicitante, não se pode considerar ilegal o comportamento da Recorrente de realizar a tributação sob essa base, ante a ausência de determinação legal nesse sentido. Dito isso, concluise que eventual irregularidade no pagamento de IPI realizado pela ora Recorrente jamais poderia se fundamentar em ausência de enquadramento por ela especificamente solicitado para os produtos, transferidos da sua matriz, que vende para terceiros. Afinal, reafirmese, o enquadramento de classes feito pelo Ministro da Fazenda dirigiase a todo e qualquer produto que preencha determinadas características indicadas pela lei, não a um contribuinte individualmente considerado, que procedeu à solicitação. E este raciocínio se estende ao produto “Dreher 900 ml”, industrializado diretamente pela Recorrente, em face da incorporação da empresa United Distillers & Vintners Brasil Ltda., sua fabricante original. Conforme comprovado nos autos, a pedido da incorporada, foi divulgada a classe “K” para este produto. Por essa razão e em vista dos argumentos já expostos, não havia necessidade de a Recorrente, apenas em face da mudança do fabricante do produto, solicitar um novo enquadramento ou mesmo um reenquadramento do produto. O que a fiscalização poderia questionar no caso concreto é a existência ou não da necessidade de a ora Recorrente ter solicitado, á época, o enquadramento/reenquadramento desses produtos, diante da eventual ocorrência de fato efetivamente eleito pela lei como hipótese de obrigatoriedade de adoção deste procedimento. É o que passamos a examinar, deixando, num primeiro momento, suspensa a análise a respeito do fato de essa constatação resvalar, de alguma forma, em mudança de critério jurídico do presente Auto de Infração. Pois bem. Nos termos da Lei nº 7.798/89 e do Decreto nº 4.544/02 (RIPI vigente à época) o enquadramento inicial do produto poderia ser alterado em face em face do comportamento do mercado na comercialização do produto, nos seguintes termos: Lei nº 7.798/89 Art. 2º (...) Fl. 2224DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10480.722400/200914 Acórdão n.º 1301001.763 S1C3T1 Fl. 14 9 § 4º Feito o enquadramento inicial, este poderá ser alterado, observados os limites constantes do Anexo I. (...) Art. 3º (...) § 4º. Os valores estabelecidos para cada classe serão reajustados automaticamente nos mesmos índices do BTN ou, tratandose de produtos de preço de venda controlado por órgão do Poder Executivo, nos mesmos índices e na mesma data de vigência do reajuste. § 5° O Poder Executivo, sempre que, em face do comportamento do mercado na comercialização do produto, julgar necessário, poderá: a) aumentar, até sessenta por cento, os valores de cada classe, reajustados na forma do parágrafo anterior; b) manter, temporariamente, o valor do imposto, ainda que alterado o do BTN. RIPI/02 Art. 140. Os valores do imposto poderão ser alterados, pelo Ministro da Fazenda, tendo em vista o comportamento do mercado na comercialização dos produtos (Lei nº 8.218, de 1991, art. 1º). Art. 141. A alteração de que trata o art. 140 poderá ser feita até o limite que corresponder ao que resultaria da aplicação da alíquota a que o produto estiver sujeito na TIPI sobre o valor tributável (Lei nº 8.218, de 1991, art. 1º, § 1º). (...) Art. 150. Art. 150. O enquadramento dos produtos nacionais nas classes de valores de imposto será feito por ato do Ministro da Fazenda, segundo (Lei nº 7.798, de 1989, arts. 2º e 3º, e Nota do seu Anexo I): (...) § 5º Feito o enquadramento inicial, este poderá ser alterado, de ofício ou a pedido do próprio contribuinte, observados os limites constantes do art. 141. Ao assim dispor, o legislador deixou claro que, à época, a oscilação de preço ou qualquer outra alteração no comportamento do mercado na comercialização do produto não impunha a obrigatoriedade de solicitação de seu reenquadramento pelo contribuinte. Pelo contrário, tal medida deveria ser adotada de ofício pelo Ministro da Fazenda, nos limites da lei. Descendo à legislação infralegal, verificase que o procedimento de solicitação de enquadramento e reenquadramento de bebidas classificadas nos códigos 22.04, 22.05, 22.06 e 22.08 da TIPI era regulamentado pela IN SRF nº 451/04, que assim dispunha: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL , no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF no Fl. 2225DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE 10 259, de 24 de agosto de 2001 , e tendo em vista o disposto na Lei nº 7.798, de 10 de julho de 1989, e nos arts. 149 e 150 do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 , Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi), resolve: Art. 1º A partir de 1º de outubro de 2004, para a solicitação de enquadramento e reenquadramento de bebidas classificadas nos códigos 22.04, 22.05, 22.06 e 22.08 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), em classes de valores do imposto, nos termos da Lei nº 7.798, de 10 de julho de 1989, deverão ser utilizados os Formulários de Solicitação de Enquadramento e de Reenquadramento de Bebidas. Art. 2º Os Formulários de Solicitação de Enquadramento e de Reenquadramento de Bebidas, bem assim as instruções para o preenchimento, estarão disponíveis na página da Secretaria da Receita Federal (SRF) na Internet, no endereço eletrônico <http://www.receita.fazenda.gov.br>, no link "Outros Serviços". Parágrafo único. Os Formulários de que trata o caput deverão ser enviados, exclusivamente, por intermédio da Internet. Art. 3º Na hipótese de imprecisão no preenchimento dos Formulários, que inviabilize a análise da solicitação, não haverá enquadramento do produto e o requerente será comunicado, por intermédio da unidade da SRF de sua jurisdição, para, se desejar, renovar o pedido. Art. 4º No caso de produtos a serem lançados no mercado, esses poderão ser comercializados a partir da data do envio da solicitação, nos termos do art. 2º, desde que haja cumprimento das normas relativas à comercialização e à fiscalização dos mesmos, especialmente quanto ao: I registro especial e ao selo de controle de que trata a Instrução Normativa SRF nº 73, de 24 de agosto de 2001, se for o caso; II enquadramento provisório de que trata o § 6º do art. 150 do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Ripi/2002, com as alterações introduzidas pelo Decreto nº 4.859, de 14 de outubro de 2003 ; III registro do produto no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Art. 5º Na hipótese de diferentes estabelecimentos industriais da mesma pessoa jurídica fabricarem produto de mesma marca, com a mesma classificação fiscal na Tipi e o mesmo tipo de recipiente, deverá ser observado o preço médio ponderado praticado pelos estabelecimentos para efeito de preenchimento dos formulários de que trata o art. 1º. Art. 6º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. Analisando o texto IN SRF nº 451/04, acima transcrito na íntegra, verificase que a Secretaria da Receita Federal do Brasil não regulou a presente matéria de forma pormenorizada. Pelo contrário, limitouse a estabelecer que na hipótese de mais de um Fl. 2226DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10480.722400/200914 Acórdão n.º 1301001.763 S1C3T1 Fl. 15 11 estabelecimento industrial da mesma pessoa jurídica fabricar produto de mesma marca, com a mesma classificação fiscal na Tipi e o mesmo tipo de recipiente, deverá ser observado o preço médio ponderado praticado pelos estabelecimentos para efeito de preenchimento dos formulários de solicitação de enquadramento ou reenquadramento da bebida. Ao assim prescrever, deixou claro que a única consequência jurídica estipulada para o fato de mais estabelecimento industrial da mesma pessoa jurídica fabricar idêntico produto é a necessidade de o formulário de solicitação de enquadramento ou reenquadramento da bebida ser preenchido com o preço médio ponderado praticado pelos estabelecimentos, e não com o preço normal da operação de venda do solicitante. Esta disposição permite concluir, ainda que a contrario sensu, que sequer nas normas inferiores existia regra obrigando cada estabelecimento a solicitar o enquadramento de bebida na classe de valores. Pelo contrário, defender a necessidade de enquadramento fiscal específico editado para cada estabelecimento esvazia de sentindo a regra do art. 5º, que configurava verdadeiro instrumento para que a classificação pudesse refletir o preço do produto de todos os estabelecimentos industriais (propriamente ditos ou por equiparação, como é o caso da Recorrente). Isso fica ainda mais evidente nas Orientações para Solicitação de Enquadramento e Reenquadramento de que trata a IN SRF nº 451/04 quando determina que deve ser realizada Solicitação de Reenquadramento nas hipóteses em que uma determinada marca de produto deixe de ser comercializada por certo estabelecimento industrial ou equiparado a industrial e passe a ser comercializado por outro, ainda que pertencente à mesma pessoa jurídica. Com efeito, como o enquadramento nas hipóteses de fabricação/comercialização por mais de um estabelecimento da pessoa jurídica era feito levandose em conta o preço médio ponderado praticado pelos estabelecimentos, era muito provável que quando um deles deixasse de fabricar/comercializar o produto, a classe de valores estipulada não mais refletiria a realidade. Daí a necessidade de reenquadramento. O caso concreto, todavia, não se enquadra nesta situação, uma vez que, no período fiscalizado, filial e matriz comercializavam/industrializavam os produtos em questão. Vêse, portanto, que nenhuma dessas disposições servia de fundamento para exigir da Recorrente o enquadramento ou reenquadramento dos produtos que industrializava/comercializava. Referida Instrução Normativa apenas foi revogada pela IN SRF nº 796, de 20 de dezembro de 2007, que passou a assim dispor: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 224 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil aprovado pela Portaria MF nº 95, de 30 de abril de 2007 , e tendo em vista o disposto na Lei nº 7.798, de 10 de julho de 1989, e nos arts. 149 e 150 do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi) , alterados pelo Decreto nº 4.859, de 14 de outubro de 2003 e pelo Decreto nº 6.158, de 16 de julho de 2007,resolve: Fl. 2227DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE 12 Art. 1 º Fica aprovado o Sistema IPI Solicitação de Enquadramento de Bebidas (IPIEnquad) e suas respectivas instruções de preenchimento, constantes do Anexo Único desta Instrução Normativa, para as solicitações de enquadramento e reenquadramento de bebidas de produção nacional classificadas nos códigos 22.04, 22.05, 22.06 e 22.08 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), em classes de valores do imposto, nos termos da Lei n º 7.798, de 10 de julho de 1989. Parágrafo único. Aplicase o disposto no caput aos produtos do código 2208.30 da Tipi, originários de países integrantes do Mercado Comum do Sul (Mercosul). Art. 2 º Os formulários de solicitação de enquadramento e de reenquadramento de bebidas, bem como as instruções para o preenchimento, estarão disponíveis no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>, no link "Outros Serviços". Parágrafo único. Os formulários de que trata o caput deverão ser enviados, exclusivamente, por intermédio da Internet. Art. 3 º Na hipótese de imprecisão no preenchimento dos formulários que inviabilize a análise da solicitação, a mesma será indeferida e o requerente será comunicado, por intermédio da unidade da RFB de sua jurisdição, para, se desejar, renovar o pedido. Art. 4 º Os produtos a serem lançados no mercado poderão ser comercializados a partir da data do envio da solicitação, nos termos do art. 2º, desde que haja cumprimento das normas relativas à comercialização e à fiscalização dos mesmos, especialmente quanto ao: I registro especial e ao selo de controle de que trata a Instrução Normativa SRF n º 504, de 3 de fevereiro de 2005, se for o caso; II enquadramento provisório de que trata o § 6 º do art. 150 do Decreto n º 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi); e III registro do produto no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Art. 5 º Deverá ser utilizada a solicitação de reenquadramento de bebidas para marcas de produtos já comercializadas que tenham as condições de comercialização modificadas, de forma que resulte em alteração na classe de valores do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em que se enquadra o produto. Art. 6 º Na hipótese de diferentes estabelecimentos industriais da mesma pessoa jurídica fabricarem produto de mesma marca comercial, com a mesma classificação fiscal na Tipi, o mesmo tipo de recipiente e a mesma faixa de capacidade, deverá ser informado o preço médio ponderado praticado pelos estabelecimentos para efeito de preenchimento dos formulários de que trata o art. 2º. Fl. 2228DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10480.722400/200914 Acórdão n.º 1301001.763 S1C3T1 Fl. 16 13 Parágrafo único. Na hipótese do caput: I o estabelecimento que passe a comercializar produto já comercializado por outro estabelecimento da mesma pessoa jurídica deve utilizar o formulário de solicitação de enquadramento de bebidas; e II o estabelecimento que já comercializa o produto deve utilizar o formulário de solicitação de reenquadramento de bebidas. Art. 7 º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. Como é possível perceber, a presente Instrução Normativa trouxe três alterações substanciais no que diz respeito à solicitação de enquadramento/reenquadramento. A primeira delas diz respeito à obrigação, até então inexistente, de o contribuinte solicitar o reenquadramento de bebidas para marcas de produtos já comercializadas que tenham as condições de comercialização modificadas, de forma que resulte em alteração na classe de valores do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em que se enquadra o produto. Como já visto, esse procedimento até então era feito de ofício pelo Ministro da Fazenda, nos termos do art. 2º, §4º, e 3º, §§ 4º e 5º, da Lei nº 7.789/98 c/c arts. 140, 141 e 150, § 5º do RIPI/02. A segunda delas, também inaugural, é a determinação para que o estabelecimento que passe a comercializar produto já comercializado por outro estabelecimento da mesma pessoa jurídica realize solicitação de enquadramento autônomo. A terceira, por sua vez, é a imposição para que o estabelecimento que já comercializa o produto, na hipótese de diferentes estabelecimentos industriais da mesma pessoa jurídica fabricarem o mesmo produto, solicite o reenquadramento de bebidas. Não é preciso maior esforço para perceber que a referida Instrução Normativa inovou no sistema, estabelecendo três normas até então inexistentes. A despeito de entender não se tratar aqui de matéria sob reserva de lei, certo é que referidos comandos, por serem nitidamente inaugurais, não podem se voltar para o passado, devendo projetar efeitos exclusivamente para o futuro, para os fatos ocorridos após o início de sua vigência (20.12.07). Dito isso, e tendo em vista que o caso concreto referese basicamente a duas situações: (i) estabelecimento que incorpora outro e, a partir dai, passa a industrializar determinada bebida (Dreher 900 ml) e (ii) estabelecimento que comercializa produto já comercializado por outro estabelecimento da mesma pessoa jurídica, em relação às quais a Instrução Normativa passou a impor o dever de realizar solicitação de reenquadramento (art.5º e 6º, II, respectivamente), concluise que, apenas a partir de 20.12.07 a Recorrente não mais poderia recolher o IPI com base nos atos declaratórios até então existentes. Esclareçase que a situação (i), por si só, se enquadra como modificação de condições de comercialização, razão pela qual se lhe aplica o art. 5º, independentemente, da efetiva alteração do preço. Fl. 2229DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE 14 Em face do exposto, verificase que o Recorrente estava obrigado apenas a partir de 20.12.07 a solicitar o reenquadramento dos produtos que comercializava. Neste ponto, vale ressaltar que não procede a alegação da Recorrente no sentido de que apenas com a edição do Decreto nº 6.501/08, que alterou o RIPI/2002, é que teria sido estabelecida tal obrigação. Com efeito, referido decreto, no que se refere à presente matéria assim estabeleceu: § 9º Deverá ser solicitado, até o dia 1o de julho de cada ano, o reenquadramento das marcas de produtos já comercializadas que tenham seus preços alterados, de forma que esta alteração resulte em modificação na classe de valores do IPI em que se enquadra o produto. (Incluído pelo Decreto nº 6.501, de 2008) § 10. O reenquadramento de que trata o § 9º será efetuado com base na média ponderada dos preços praticados nos últimos doze meses pelas suas respectivas quantidades, excluindose o mês de junho do ano da solicitação e incluindose o mês de junho do ano anterior. (Incluído pelo Decreto nº 6.501, de 2008) Notese que houve aqui mais uma alteração no procedimento de solicitação de enquadramento e reenquadramento de bebidas. Determinouse o reenquadramento anual obrigatório para todas as empresas, até então inexistente. Assim, diversamente do que sugere a Recorrente, não se trata de mera complementação das disposições estabelecidas pela IN SRF nº 796/07, mas a fixação de nova hipótese de obrigatoriedade de solicitação de reenquadramento, relativa exclusivamente a modificação do preço (e não a qualquer outra modificação das condições de comercialização), sujeita a tratamento específico, feito com base na média ponderada dos preços praticados nos últimos doze meses pelas suas respectivas quantidades, excluindose o mês de junho do ano da solicitação e incluindose o mês de junho do ano anterior. Por fim, vale ressaltar que a presente interpretação não implica mudança de critério jurídico, haja vista que o Auto de Infração, para este período, fundamentouse na IN SRF nº 796/07. Pelo exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para afastar as exigências relativas aos fatos ocorridos anteriormente a 20.12.07. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 2230DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE
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Numero do processo: 13888.001648/99-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 01/05/1990 a 30/09/1995 COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição de pagamentos indevidos para compensação com créditos vincendos decai no prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A restituição de indébito fiscal relativo ao Programa de Integração Social (PIS), cumulada com a compensação de créditos tributários vencidos e/ ou vincendos, está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. VIGÊNCIA Declarada a inconstitucionalidade dos Decretos-lei que modificaram a exigência do PIS, e publicada a Resolução do Senado Federal, excluindo-os do mundo jurídico, aplica-se a essa contribuição a legislação então vigente, LC n.º 7, de 1970, e legislação posterior. PIS. FATO GERADOR. O fato gerador da contribuição para o PIS é o faturamento do próprio período de apuração e não o do sexto mês a ele anterior. PRAZO DE RECOLHIMENTO. ALTERAÇÕES. Normas legais supervenientes alteraram o prazo de recolhimento da contribuição para o PIS, previsto originariamente em seis meses. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE CONTRA PEDIDO DE COMPENSAÇÃO INDEFERIDO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE.
A majoração da base de cálculo da contribuição, promovida pela Lei no
9.718, de 1998, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal
Federal, cabendo a incidência da contribuição somente sobre o faturamento
da pessoa jurídica.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003
BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718, DE 1998.
INCONSTITUCIONALIDADE.
A majoração da base de cálculo da contribuição, promovida pela Lei no
9.718, de 1998, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal
Federal, cabendo a incidência da contribuição somente sobre o faturamento
da pessoa jurídica.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.512
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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Recorrida DRJRIBEIRÃO PRETO/SP Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 01/05/1990 a 30/09/1995 COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição de pagamentos indevidos para compensação com créditos vincendos decai no prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A restituição de indébito fiscal relativo ao Programa de Integração Social (PIS), cumulada com a compensação de créditos tributários vencidos e/ ou vincendos, está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. VIGÊNCIA Declarada a inconstitucionalidade dos Decretoslei que modificaram a exigência do PIS, e publicada a Resolução do Senado Federal, excluindoos do mundo jurídico, aplicase a essa contribuição a legislação então vigente, LC n.º 7, de 1970, e legislação posterior. PIS. FATO GERADOR. O fato gerador da contribuição para o PIS é o faturamento do próprio período de apuração e não o do sexto mês a ele anterior. PRAZO DE RECOLHIMENTO. ALTERAÇÕES. Normas legais supervenientes alteraram o prazo de recolhimento da contribuição para o PIS, previsto originariamente em seis meses. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE CONTRA PEDIDO DE COMPENSAÇÃO INDEFERIDO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/06/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13888.001648/9957 Acórdão n.º 330201.512 S3C3T2 Fl. 2 2 A manifestação de inconformidade contra pedido de compensação indeferido não suspende a exigibilidade dos débitos objeto do pedido, por inadequação às hipóteses descritas no art. 151, do CTN. INTIMAÇÃO AO PROCURADOR. INDEFERIMENTO. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator (Assinado Digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (Assinado Digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros ___________. Relatório Por bem reproduzir a íntegra da contenda, reproduzo na íntegra o Relatório do Acórdão recorrido: Trata o presente processo de pedido de restituição de indébitos da contribuição ao Programa de Integração Social PIS (fl. 01), referente ao período de maio de 1990 a setembro de 1995, no valor de R$ 18.377,06, e R$10.988,00 (fls. 114/117) relativo a sua filial, cumulado com pedido de compensação de débitos de Simples (fls. 02, 184, 186, 190, 193, 198, 201, 204, 207, 210 e 214) Os indébitos teriam sido gerados pela inconstitucionalidade dos Decretoslei n.os 2.445/88 e 2.449/88, declarada por decisão definitiva proferida pelo Supremo Tribunal Federal e a conseqüente aplicação da Lei Complementar n.º 7 de 1970, cujo art. 6º, § único, que, na acepção do contribuinte, estabelece a base de cálculo do PIS como o faturamento do 6º mês anterior, sem previsão de atualização monetária da base de cálculo. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/06/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13888.001648/9957 Acórdão n.º 330201.512 S3C3T2 Fl. 3 3 Instruem o processo as planilhas de apuração de créditos de PIS de fls. 03/05 e os Darfs comprobatórios de pagamentos do PIS recolhidos no período entre 06/1990 e 10/1995 relativos à matriz (fls. 14/75) e relativos à filial (fls. 118/180).. A DRF de Piracicaba, SP, no despacho decisório de fls. 227/246, indeferiu a solicitação da contribuinte pela inexistência de direito creditório: parte pela decadência do direito de restituição e parte por não existir pagamentos a maior ou indevidos, uma vez que o pedido do contribuinte baseiase em uma tese, refutada pela DRF, de que a base de cálculo do PIS é o valor do faturamento do sexto mês anterior. Cientificada do despacho e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou a impugnação às fls. 254/281, requerendo a esta DRJ a reforma da decisão proferida pela DRF. Alegou, em sua defesa, o seguinte: Decadência no caso de lançamento por homologação normalmente o prazo decadencial começa a contar após a extinção do crédito pelo pagamento. Isso porém não se dá em se tratando de tributo cujo lançamento é feito por homologação. O art. 150, §4º do CTN estabelece o prazo de 05 (cinco) anos para a Fazenda efetuar a homologação do lançamento ou homologação tácita. Só então o crédito é considerado extinto. Confirma tal entendimento o art. 156 do Código Tributário Nacional: extinguem o crédito tributário o pagamento antecipado e a homologação do lançamento. Não havendo homologação expressa, somente após o decurso de 5 anos contados do pagamento antecipado começa a contar o prazo de decadência do direito à restituição do indébito. Semestralidade Discorreu sobre a hipótese de incidência, o critério temporal e a base de cálculo na LC n.º 7, de 1970, concluindo que o a norma legal instituidora do PIS elegeu nitidamente como hipótese de incidência o faturamento e como base imponível o valor deste no sexto mês anterior. Esta base de cálculo não pode ser modificada por interpretação, somente por lei complementar. Não existe qualquer legislação posterior que tenha modificado a base de cálculo do tributo escolhida pelo legislador complementar. Além disso, os Decretosleis 2.445 e 2.449/88 foram declarados inconstitucionais pelo STF e perderam a eficácia quando da resolução 49/95 do Senado Federal. Logo, todos os contribuintes deverão recalcular as contribuições que pagaram de outubro de 1988 a setembro de 1995 com base na sistemática da LC 07/70, ou seja, alíquota de 0,75% aplicada sobre o faturamento do sexto mês anterior. Princípio da Moralidade Administrativa O Despacho Decisório tentou modificar um entendimento que já vinha sendo adotado pacificamente pela Delegacia de Julgamento de Campinas de que o prazo decadencial é de cinco anos contados da data do ato que conceda ao contribuinte o efetivo direito de pleitear a restituição. Com isso foi desrespeitado o princípio da segurança jurídica e o princípio da moralidade Fl. 397DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/06/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13888.001648/9957 Acórdão n.º 330201.512 S3C3T2 Fl. 4 4 A legitimidade do crédito ressaltou que o crédito é legítimo pois a impetrante encontravase sujeita à cobrança de PIS pelos decretoslei considerados inconstitucionais e recolheu os tributos a maior conforme comprovado nos autos pelos Darf's e laudo técnico. Pedidos requereu a reforma total do Despacho Decisório, que sejam aceitos os cálculos apresentados, a suspensão da exigibilidade dos débitos constantes neste processo nos termos do art. 151, III do CTN e que as notificações sejam enviadas para o endereço do procurador.” A DRJ RIBEIRÃO PRETO/SP julgou improcedente o pedido de restituição. A recorrente reiterou seu pedido em sede de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele o conheço. A controvérsia cingese à existência dos créditos pleiteados em razão da aplicação dos critérios de da Lei nº 7/70 e se tais créditos estariam prescritos quando pleiteados pelo contribuinte. Entendo, quanto ao prazo da recorrente para pleitear o indébito dos pagamentos realizados sob a égide dos Decretos nº 2.445 e 2.449/88, que este decorre da Resolução nº 49/95, que previu a possibilidade de requererse a restituição ou compensação desses referidos indébitos até outubro de 2000. Tendo sido tal pedido formulado em 18 de outubro de 1999 não estariam prescritos tais créditos. O contribuinte apresentou DARF´s originais, de fls. 14 a 75, de 90 a 113 e de 118 a 180, compreendendo os períodos de apuração de outubro de 1991 a setembro de 1995. Quanto à questão da semestralidade, com a declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88, a base de cálculo do PIS e da COFINS voltou a ser o faturamento do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador, por ser esta a disposição contida na Lei Complementar 07/70, em seu artigo 6º, novamente vigente após a retirada do mundo jurídico dos malsinados DecretosLeis. Tal procedimento permaneceu incólume e em pleno vigor até a edição da Medida Provisória no 1.212/95, quando só então a partir dos efeitos desta é que a base de cálculo do PIS passou a ser considerada como a do faturamento do mês anterior. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/06/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13888.001648/9957 Acórdão n.º 330201.512 S3C3T2 Fl. 5 5 A partir da edição da Medida Provisória nº 1.212/95, convertida na Lei nº 9.718 de 1998, a apuração da contribuição de PIS passou a ser mensal, com base no faturamento do próprio mês, conforme o disposto no art. 2º, inciso I, da mencionada Lei: “Art. 2° A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: I pelas pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda, inclusive as empresas públicas e as sociedades de economia mista e suas subsidiárias, com base no faturamento do mês;” A partir de fevereiro de 1999, a base para os tributos em questão passou a ser regida pela Lei 9.718/98. Esse é entendimento pacífico no Conselho de Contribuintes, que, após vários julgados nesse sentido, manifestouse por meio da Súmula nº 15, do 1º CC, à respeito: “Súmula 1ºCC nº 15: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior.” Finalmente, entendo perfeitamente possível a posterior compensação com os débitos do Simples, inexistindo vedação legal nesse sentido, e desde que cumpridos os ritos processuais exarados pela RFB. Em face de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao presente Recurso Voluntário para que seja concedido o crédito da recorrente tomando por base seus cálculos considerando a semestralidade, e sejam estes compensados até o limite dos valores dos créditos apurados. Sala das Sessões, em 22 de março de 2012 (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Fl. 399DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/06/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 10675.003334/2005-79
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2001
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS.
A averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965. Reconhece-se o direito à subtração do limite mínimo de 20% da área do imóvel, estabelecido pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965, relativo à área de reserva legal, porquanto, mesmo antes da respectiva averbação, que não é fato
constitutivo, mas meramente declaratório, já havia a proteção legal sobre tal área.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.146
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Marcelo Oliveira.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. A averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965. Reconhece se o direito à subtração do limite mínimo de 20% da área do imóvel, estabelecido pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965, relativo à área de reserva legal, porquanto, mesmo antes da respectiva averbação, que não é fato constitutivo, mas meramente declaratório, já havia a proteção legal sobre tal área. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Marcelo Oliveira. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator FORMALIZADO EM: 18/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório O contribuinte, inconformado com o decidido no Acórdão nº 220200.567, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção em 16/06/2010 (fls. 279/285), interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 293/354). A decisão recorrida, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso. Segue abaixo sua ementa: “ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. A comprovação da área de Preservação Permanente ou da Área de Reserva Legal, para efeito de sua exclusão na base de cálculo do ITR, não depende, exclusivamente, da apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Entretanto, inexistindo este, se faz necessário que seja comprovado mediante prova conclusiva, tal como laudo técnico. ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO;À MARGEM DE REGISTRO PÚBLICO DO IMÓVEL RURAL. Por se tratar de condição essencial estabelecida em lei para a constituição de reserva legal, é imprescindível a averbação de tal área à margem da inscrição de matricula do imóvel, no Registro de Imóveis competente. Assim sendo, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a citada averbação ser anterior ao fato gerador da obrigação tributária. Recurso negado.” Inicialmente, afirma que recentes decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, embasadas no disposto no art. 10, § 1°, II, "a", da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, que prescreve que a área de reserva legal é isenta do ITR, consideram ser ilegítimo posicionamento semelhante ao do aresto atacado sobre o tema, que condicionou o reconhecimento do referido beneficio à prévia averbação dessa área no Registro de Imóveis. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10675.003334/200579 Acórdão n.º 920202.146 CSRFT2 Fl. 384 3 Entende que a r. decisão recorrida, a prevalecer, estará violando o disposto no r. dispositivo legal. Quanto a esse ponto, afirma que a decisão atacada diverge também dos paradigmas que apresenta. Aduz que precedentes jurisprudenciais proferidos pelos Conselhos de Contribuintes e pelo STJ concluem pela possibilidade de adoção de laudos técnicos para a comprovação da situação da área declarada isenta de tributação. Nesse contexto, assinala que o recurso voluntário foi instruído com mapa técnico do imóvel, elaborado por profissional credenciado junto ao CREA, que destaca com clareza as áreas de reserva legal, o que prova a sua existência, devendo prevalecer, in casu, a situação fática. Ao final, requer o provimento do recurso. Nos termos do Despacho n.º 220000.263 (fls. 357/362), foi dado seguimento ao pedido em análise. A PGFN apresentou, tempestivamente, contrarazões às fls. 365/382. Entende que, para efeito da exclusão das áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal da incidência do ITR, é necessário que o contribuinte comprove o reconhecimento formal específica e individualmente da área como tal, protocolizando o ADA no IBAMA ou em órgãos ambientais delegados por meio de convênio, a teor do que dispõe a instrução normativa nº 60/01. Observa que, ao estabelecer a necessidade de reconhecimento pelo Poder Público, a Administração Tributária, por meio de ato normativo, fixou condição para a não incidência tributária sobre as áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, elencadas e definidas no Código Florestal e na legislação do ITR. Destaca que a ausência do ADA não enseja multa regulamentar o que ocorreria caso se tratasse de obrigação acessória , mas sim incidência do imposto. Considera equivocado o entendimento de que não existe mais a exigência de prazo para apresentação do requerimento para emissão do ADA, em virtude do disposto no § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/1996, incluído pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.16667, de 24/08/2001. Explica que não se exige do declarante a prévia comprovação das informações prestadas. Assim, o contribuinte preenche os dados relativos às áreas de preservação permanente e de utilização limitada, apura e recolhe o imposto devido, e apresenta a sua DITR, sem que lhe seja exigida qualquer comprovação naquele momento. No entanto, caso solicitado pela Secretaria da Receita Federal, o contribuinte deverá apresentar as provas das situações utilizadas para dispensar pagamento do tributo. Assinala que o prazo para apresentação do requerimento para emissão do ADA jamais deixou de existir. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Observa que a obrigatoriedade do ADA não desborda da regulamentação dos dispositivos legais, porquanto não viola direitos do contribuinte, além de lhe ser claramente favorável. Ressalta que, da análise das alegações e da documentação apresentadas pelo contribuinte, com a finalidade de justificar as áreas de reserva legal, confirmase o não cumprimento da exigência da averbação tempestiva das respectivas áreas junto ao registro de imóveis. Pondera que a finalidade da averbação da reserva legal na matricula do imóvel é a de lhe dar publicidade, para que futuros adquirentes saibam identificar onde está localizada, seus limites e confrontações. Mais ainda, visa a imputar aos proprietários a responsabilidade de preservar tais áreas, já que o interesse na manutenção das mesmas e público. Argumenta que a mera declaração de existência fática da área de reserva legal não tem, de fato, o condão de atender aos requisitos da legislação pátria vigente para excluíla quando da apuração do ITR. Para que se possa valer do beneficio, a área deve estar devidamente averbada à margem da matricula do imóvel à época do fato gerador do tributo. Ao final, requer que o recurso especial seja improvido, mantendose o inteiro teor do acórdão recorrido. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O Recurso é tempestivo, estando também demonstrado o dissídio jurisprudencial, pressupostos regimentais indispensáveis à admissibilidade do Recurso Especial. Assim, conheço do Recurso Especial do contribuinte. A questão controvertida disse respeito à exigência da averbação da área de reserva legal – a época dos fatos geradores para fins de isenção do ITR. Para se dirimir a controvérsia, é importante destacar, do Imposto Territorial Rural ITR, tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, a sistemática relativa à sua apuração e pagamento. Para tanto, ressalto do art. 10 da Lei nº 9.393/96 os trechos que interessam: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10675.003334/200579 Acórdão n.º 920202.146 CSRFT2 Fl. 385 5 c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluída pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Da transcrição acima, destacase que, quando da apuração do imposto devido, excluise da área tributável as áreas de preservação permanente e de reserva legal, além daquelas de interesse ecológico, das imprestáveis para qualquer exploração agrícola, das submetidas a regime de servidão florestal ou ambiental, das cobertas por florestas e as alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas. Como se percebe da leitura do citado artigo, a área de reserva legal é isenta de ITR, e como este é um imposto sujeito a lançamento por homologação o contribuinte deverá declarar a área isenta sem a necessidade de comprovação, sujeito a sanções caso comprovado posteriormente a falsidade das declarações. Por seu turno, a Lei nº Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989 (Código Florestal Brasileiro, prevê a Fl. 5DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 obrigatoriedade de averbação da área de reserva legal no registro de imóveis competente, nos seguintes termos: Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: .................... § 2º A reserva legal, assim entendida a área de , no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989). .............. Art. 44. Na região Norte e na parte Norte da região Centro Oeste enquanto não for estabelecido o decreto de que trata o artigo 15, a exploração a corte razo só é permissível desde que permaneça com cobertura arbórea, pelo menos 50% da área de cada propriedade. Parágrafo único. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 50% (cinquenta por cento), de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei nº 7.803, de 18.7.1989) Conforme apontado anteriormente, cingese a controvérsia acerca da necessidade de prévia averbação da reserva legal para fins de nãoincidência do Imposto Territorial Rural ITR. No caso dos autos, tratase de lançamento no qual o contribuinte foi tomou ciência do Termo de Intimação Fiscal em 16/05/2005, referente a fato gerador ocorrido em 01/01/2001. Importante repisar o que foi destacado pela decisão de primeira instância acerca da averbação da área de reserva legal no registro de imóveis (fls. 268): “De acordo com a matricula do imóvel junto ao Serviço Registral Imobiliário, da Comarca, de Santa Vitória — MG (Matricula n° 7033), doc./cópia de fls. 10/11, foi providenciada a averbação de uma área gravada como de utilização limitada/reserva legal, de 484,7 ha — portanto, superior a área originariamente declarada como tal margem dessa matricula, em 01 de novembro de 2002 (AV047033), portanto, tal providencia foi intempestiva para justificar a exclusão dessa área do 1TR/2001.” A área de reserva legal é isenta do ITR, consoante o disposto no art. 10, § 1º, II, "a", da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, por isso que ilegítimo o condicionamento do reconhecimento do referido benefício à prévia averbação dessa área no Registro de Imóveis, Fl. 6DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10675.003334/200579 Acórdão n.º 920202.146 CSRFT2 Fl. 386 7 posto que a averbação na matrícula do imóvel não é ato constitutivo do direito de isenção, mas meramente declaratório ante a proteção legal que tal área recebe. A averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965. Reconhecese o direito à subtração do limite mínimo de 20% da área do imóvel, estabelecido pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965, relativo à área de reserva legal, porquanto, mesmo antes da respectiva averbação, que não é fato constitutivo, mas meramente declaratório, já havia a proteção legal sobre tal área. Assim entendo deva ser reformado o acórdão recorrido, por entender que a averbação da área de reserva legal feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo à concessão de isenção de ITR. Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial e darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 7DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10120.005664/2003-11
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
IMPUGNAÇÃO. TEMPESTIVIDADE. GREVE DE AUDITORES FISCAIS. Greve de auditores fiscais que não afetou o funcionamento normal do setor de protocolo da repartição não justifica apresentação intempestiva de impugnação. Ademais, o sujeito passivo dispõe de opção de encaminhamento por via postal.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 101-97.001
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: DCTF_IRPJ - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRPJ)
Nome do relator: Aloysio José Percínio da Silva
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PRIMEIRA CÂMARA Processo n° 10120.005664/2003-11 Recurso n° 156.744 Voluntário • Matéria IRPJ - Acórdão n° 101-97.001 - Sessão de 17 de outubro de 2008 Recorrente Cerbel Distribuidora de Bebidas Ltda Recorrida 4 Turma/DRJ/Brasilia-DF Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998 Ementa: IMPUGNAÇÃO. TEMPESTIVIDADE. GREVE DE AUDITORES FISCAIS. Greve de auditores fiscais que não afetou o funcionamento normal do setor de protocolo da repartição não justifica apresentação intempestiva de impugnação. Ademais, o sujeito passivo dispõe de opção de encaminhamento por via postal. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que pa am a integrar o presente julgado. A ONI• I» • PRESIDEN 1%1 ALOYSIO E • C • 1 s • SILVA RELATORA FORMALIZADO EM: 39 NOV 2008 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Sérgio Gomes (Suplente Convocado), e Sandra Maria Faroni. Ausente justificadamente o Conselheiro Caio Marcos Cândido e ausentes momentânea e justificadamente os Conselheiros Valmir • Processo n° 11005664/203-li cco lifli Acórdão n." 101-97.001 Eis. 2 Sandri, João Carlos de Lima Júnior e Alexandre Andrade Lima Da Fonte Filho (Vice Presidente da Câmara). Relatório Trata-se de exigência de crédito tributário de imposto de renda pessoa jurídica (IRPJ) relativo ao terceiro trimestre de 1998, constituído por intermédio do auto de infração às - fis.12, com aplicação da multa de oficio de 75% prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96. Conforme a "descrição dos fatos e enquadramento legal" anexa ao auto de infração (fls. 13), a irregularidade definida como "falta de recolhimento ou pagamento do - principal, declaração inexata" foi identificada por intermédio de procedimento de auditoria interna em DCTF. A impugnação da exigência se encontra à fls. 01/11. O órgão de primeiro grau não conheceu da impugnação, em face de intempestividade, nos termos do Acórdão n°03-18.061/2006 (fls. 61), assim resumido: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 Ementa: Impugnação intempestiva - Considera-se intempestiva a impugnação apresentada após o prazo de trinta dias, contado da data da ciência do lançamento, não tendo o condão, portanto, de instaurar a fase litigiosa do procedimento fiscal." Cientificada da decisão em 15/12/2006 (fls. 75), a autuada interpôs recurso voluntário no dia 15 do mês seguinte (fls. 77), acompanhada de relação de bens e direitos para - arrolamento (fls. 91). Em síntese, alegou que a greve dos auditores fiscais, iniciada no dia 08/07/2003, conforme reconhecido no Decreto 4.816/2003, impediu seu representante de adentrar as dependências da DRF/Goiânia e entregar a impugnação, especialmente o setor de protocolo, inexistindo expediente normal naqueles dias. Em face da paralisação, defendeu a reforma da — decisão contestada para que seja reconhecida a tempestividade da impugnação e, conseqüentemente, determine-se o retomo dos autos à DRJ de origem para exame do mérito. Juntou declaração do Sr. Divino Júlio Veloso, empregado seu, segundo afirmou, noticiando impedimento de acesso à Receita Federal durante a greve, o que o teria - impossibilitado de protocolizar a impugnação (fls. 89). No caso de rejeição dos argumentos acerca da tempestividade, sustentou a necessidade de revisão de oficio do lançamento, com suporte nos art. 145, III, e 149 do CTN. I‘) 2 Processo n° 10120.005664/2003-11 CCO I/C01 Acórdão n.° 101-97.001 Fls. 3 No mérito, o lançamento, além de parcialmente "decaído", ocorreu em razão de equivocada apuração de irregularidades apuradas em DCTF, uma vez que "os débitos - declarados foram integralmente pagos, mediante compensações sem DARF conjugadas com pagamentos via DARF". É o relatório. Voto Conselheiro ALOYSIO JOSÉ PERC1NIO DA SILVA, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade. A alegação baseada na greve dos auditores fiscais foi apresentada já na - impugnação e repetida no recurso. A turma a quo assim enfrentou o argumento de defesa: "Quanto ao argumento de que a impugnação deve ser considerada tempestiva, em face da greve dos AFRF e demais servidores da DRF/Goiânia, que teve inicio em 08/07/2003, fato reconhecido no Decreto n° 4.816, de 21/08/2003, ficando assim prejudicado o curso normal dos prazos para prática de atos junto à SRF, por não manter expediente normal, não merece prosperar, pois segundo o Memo SAPOL/DRF/Goiânia (fl. 56), o Protocolo daquela repartição funcionou normalmente das 8:00 hs às 18:00 hs no período de greve compreendido entre julho e inicio de setembro de 2003; portanto, - não houve qualquer prejuízo à reclamante para apresentar a impugnação no tempo hábil, haja vista o atendimento no Protocolo, estando os funcionários da Receita em greve ou não, sempre está a disposição dos contribuintes, no horário acima citado. Portanto, como a competência da Delegacia da Receita Federal de Julgamento para examinar impugnação somente surge após a instauração da fase litigiosa, a presente impugnação não deve ser conhecida." Considero correto o entendimento do colegiado de primeira instância. - Acrescente-se que a autuada também dispunha da opção de encaminhar a sua contestação por via postal, conforme prevê o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 19, de "- 26/05/1997, nos seguintes termos: "O COORDENADOR-GERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto nos arts. 15 e 21 do Decreto n.° 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação do art. I.° da Lei n.° 8.748, de 09 de dezembro de 1993, no Decreto de 15 de abril de 1991 e na Portaria n.° 12, de 12 de abril de 1982, do Ministério Extraordinário para a Desburocratização, DECLARA, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, quando o contribuinte efetivar a remessa da impugnação através dos Correios: a) será considerada como data da entrega, no exame da tempestividade do - pedido, a data da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, devendo ser 3 - •• Processo n° 11005664/203-li CCO /C01 Acórdão n.° 101.97.001 Fls. 4 igualmente indicados neste último, nessa hipótese, o destinatário da remessa e o número de protocolo referente ao processo, caso existente; b) o órgão destinatário da impugnação anexará cópia do referido aviso de recebimento ao competente processo; c) na impossibilidade de se obter cópia do aviso de recebimento, será considerada , como data da entrega a data constante do carimbo aposto pelos Correios no envelope, quando da postagem da correspondência, cuidando o órgão destinatário de anexar este último ao processo nesse caso." Quanto à revisão de oficio, os Conselhos de contribuintes não detêm competência para realizá-la, cabendo ao delegado da Receita Federal examinar tal - possibilidade. Conclusão Pelo exposto, nego provimento ao recurso. Sala das Ses ;es - 7 de outubro de 2008 , ALOYSIO 4 PE'" 4- 19 DA SILVA 4 Page 1 _0026500.PDF Page 1 _0026600.PDF Page 1 _0026700.PDF Page 1
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Numero do processo: 10183.001053/93-09
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2003
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Declarado nulo o Acórdão 203-01.872, de 08/11/1994, da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que, equivocadamente, com cerceamento do direito de defesa, declarara intempestiva a impugnação que se demonstra ter sido apresentada dentro do prazo legal.
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL –ITR/1992.
Imposto, contribuições e taxa de cadastro foram cobrados na conformidade da legislação aplicável à espécie. O contribuinte não comprovou suas alegações.
RECURSO VOLUNTÁRIO DESPROVIDO.
Numero da decisão: 303-30.763
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declarar a nulidade do Acórdão 203-01.872 do Segundo Conselho de Contribuintes; e acolher o pedido de correção de lapso manifesto (art. 28 do RI) e no mérito, negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: JOÃO HOLANDA COSTA
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CERCEAMENTO DE DEFESA. Declarado nulo o Acórdão 203-01.872, de 08/11/1994, da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que, equivocadamente, com cerceamento do direito de defesa, declarara intempestiva a impugnação que se demonstra ter sido • apresentada dentro do prazo legal. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL —ITR/1992. Imposto, contribuições e taxa de cadastro foram cobrados na conformidade da legislação aplicável à espécie. O contribuinte não comprovou suas alegações. RECURSO VOLUNTÁRIO DESPROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declarar a nulidade do Acórdão 203- 01.872 do Segundo Conselho de Contribuintes; e acolher o pedido de correção de lapso manifesto (art. 28 do RI) e no mérito, negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasilia-DF, em 11 de junho de 2003 • / 2 ' JO G i ' *LANDA COSTA Pre dente e Relator 118 tu_ 2003 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ANELISE DAUDT PRIETO, ZENALDO LOIBMAN, IRINEU BIANCHI, NILTON LUIZ BARTOLI, PAULO DE ASSIS e FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE. Ausente o Conselheiro CARLOS FERNANDO FIGUEIREDO BARROS. mie MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.979 ACÓRDÃO N° : 303-30.763 RECORRENTE : INDECO S.A. — INTEGRAÇÃO, DESENVOLVIMENTO E COLONIZAÇÃO RECORRIDA : DRF/CUIABA/MT RELATOR(A) : JOÃO HOLANDA COSTA RELATÓRIO Com o Acórdão 203-01.872, houve por bem a Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes não conhecer do recurso voluntário de INDECO S.A. INTEGRAÇÃO, DESENVOLVIMENTO E COLONIZAÇÃO, entendendo que • a impugnação, na Primeira Instância, fora apresentada fora de prazo e que, portanto, não se instaurara o litígio. Cientificada da decisão, a empresa se insurgiu contra a acusação de haver apresentado fora do prazo a sua defesa e procura então demonstrar que o recebimento do ER ocorreu em 16/11/1992, esgotando-se o prazo em 15/12/1992, ao passo que o recurso foi protocolizado em 10/12/1992 e, portanto, tempestivamente. Inicialmente, o andamento dado ao pleito da empresa foi o de recurso de divergência e após exame na CSRF, foi o processo encaminhado a este Terceiro Conselho por ser o órgão que, atualmente, detém a competência para julgar a matéria de ITR. Consta ademais, dos autos manifestação da digna Procuradoria da Fazenda Nacional chamando atenção para o fato de a impugnação não ter sido intempestiva. O processo versa sobre a cobrança do ITR/1992, tendo sido emitidas diversas Notificações de Lançamento correspondentes aos vários imóveis rurais da empresa (fls. 11/343). Em vista da manifestação da empresa contra o VTN arbitrado, por achá-lo excessivo e sem correspondência com a realidade, e, além disso, em se tratando de empresa dedicada à colonização e não sujeita à cobrança das contribuições CNA e CONTAG — contribuições parafiscais — nem à taxa de cadastro, houve por bem a autoridade de Primeira Instância julgar procedente o lançamento em decisão com a seguinte ementa: "ITR - IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORL4L RURAL. EXERCICIO FINANCEIRO 1992. fit7- 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.979 ACÓRDÃO N° : 303-30.763 Base de cálculo do imposto/contribuições/taxa de serviços cadastrais. Lançamento efetuado com base em Valor da Terra Nua — V71V atualizado, consoante legislação aplicável, devendo ser mantido. É legal a cobrança da CNA e da CONTAG, consoante dispõe o parágrafo 2° do art. 1° do ato das Disposições Constitucionais Transitórias: "até ulterior disposição legal, a cobrança das contribuições para custeio das atividades dos sindicatos rurais será feita juntamente com a do Imposto Territorial Rural, pelo mesmo órgão arrecadador". Outrossim, compete ao Ministério do Trabalho dirimir as dúvidas referentes ao lançamento, recolhimento e distribuição de contribuições sindicais (CNA — CONTAG — • contribuições parafiscais), consoante dispõe o art. 8° do Decreto-lei n°1.166/71. A taxa de serviços cadastrais é cobrada pela emissão do Certificado de Cadastro, incidindo sobre todos os imóveis rurais". No recurso, a empresa diz que os valores do VTN não atenderam os requisitos exigidos em atos administrativos de hierarquia superior, razão da sua ilegitimidade e protesta pela anexação de comprovantes relativos ao VTN real de Alta Floresta. Insurge-se ainda contra a cobrança das contribuições e bem assim, da taxa cadastral, transcrevendo o texto do art. 4° da Lei 5.868/72 e do art. 5° § 2° da Lei 57, de 8/11/66, no sentido de que a taxa de cadastro é cobrada uma única vez, por ocasião da realização do cadastro. É o relatório. G 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.979 ACÓRDÃO N° : 303-30.763 VOTO Antes de tudo, cabe dizer que a impugnação da exigência feita na Primeira Instância foi plenamente tempestiva como demonstrado com os Avisos de Recebimento de fls. 26, 31, 36 e 41, com data de 16/11/1992, indo o prazo para defesa até 15/12/1992, ao passo que o contribuinte deu entrada no recurso em data de 10/12/1992. O Acórdão n° 203-01.872, de 08/12/1994, da Terceira Câmara do • Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes, data venia incidiu em erro material caracterizado como cerceamento de defesa e por tal razão deve ser declarado nulo, na forma do art. 59, inciso II, e do Decreto n°70.235/72. Quanto ao mérito, deve-se reconhecer que o contribuinte deixou de carrear aos autos prova das suas alegações, ao passo que a autoridade de Primeira Instância proferiu decisão bem fundamentada na legislação aplicável. Diz, com efeito: "a) os valores da terra nua — V77‘r, informado pelo contribuinte à Receita Federal, por serem inferiores ao mínimo por hectare fixado para o município de situação dos referidos imóveis rurais, em cumprimento ao disposto nos parágrafos 2° e 3 0 do art. 7° do Decreto 84.685/80 e art. 2° da Instrução Normativa SRF 119/92; b) o ITR, objeto das Notificações/comprovante de lançamento, foi lançado com base no Valor da Terra Nua — V -17Vm, por hectare, • aprovado para o exercício de 1992 pela IN-SRF 119/92, procedimento este correto, tendo em vista a observância às normas legais, conforme se depreende do exposto no subitem anterior. Relativamente ao beneficio da redução, em virtude de que não existe acesso ao lote, saúde e escolas, mister se faz esclarecer a interessada que a abertura de estradas de acesso e penetração à área a ser colonizada, prestação de assistência médica e técnica aos adquirentes de lotes e membros de suas famílias constituem obrigações mínimas da interessada para que o projeto de colonização seja aprovado, conforme disposto no parágrafo 4° do art. 61 da Lei n°44.504/64; A taxa de serviços cadastrais é cobrada pela emissão do Certificado de Cadastro, incidindo sobre todos os imóveis rurais, consoante 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.979 ACÓRDÃO N° : 303-30.763 dispõe o art. 5° do Decreto-lei 57/66. Convém ressaltar que esta taxa não se confunde com a cobrança da remuneração pelo regime de preços públicos pelo Certificado de Cadastro que resultar de alteração requerida pelo contribuinte, para emissão da 2° via do Certificado, conforme reza o ar. 4° da Lei n°5.868/72. No que concerne à cobrança das contribuições sindicais, esta é legal em virtude de que o parágrafo 2° do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias reza que: "até ulterior disposição legal, a cobrança das contribuições para o custeio das atividades dos sindicatos rurais será feita juntamente com a do Imposto Territorial Rural, pelo mesmo órgão arrecadador". • Outrossim, compete ao ministério do Trabalho dirimir dúvidas referentes ao lançamento, recolhimento e distribuição de contribuições sindicais (CNA — CONTAG — contribuições parafiscais), consoante o art. 8° do Decreto-lei n° 1.166/72". Com estes fundamentos e considerando tudo o que do processo consta, tomo conhecimento do recurso voluntário, uma vez atendidos os requisitos de admissibilidade. A ausência de prova do depósito recursal justifica-se porque à data da interposição do recurso inexistia tal condição de admissibilidade, criada só posteriormente, a partir da edição da Medida Provisória n° 1.621-30, de 12/12/1997, art. 32. Voto, por conseguinte, no sentido de declarar nulo o Acórdão 203- 01.872 e, no mérito, negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 11 de junho de 2003 • -JO ' a OLANDA COSTA - Relator MINISTÉRIO DA FAZENDA s4.;:ifik TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • .;041k5 TERCEIRA CÂMARA Processo n°: 10183.001053/93-09 Recurso n.°:.124.979 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 2° do artigo 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador • Representante da Fazenda Nacional junto à Terceira Câmara, intimado a tomar ciência do Acórdão n° 303.30.763 Brasília- DF 01 de julho de 2003 JoIntofanda Costa Presi9ente da Terceira Câmara iente em: _ 2 v 5 tt çellpf 431(' b `,1 DOI b I Page 1 _0010900.PDF Page 1 _0011000.PDF Page 1 _0011100.PDF Page 1 _0011200.PDF Page 1 _0011300.PDF Page 1
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