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Numero do processo: 16004.000633/2009-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/05/2006
Ementa:
RECURSO INTEMPESTIVO
Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n°8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.°3048/99.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2302-001.258
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso voluntário pela intempestividade.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
1.0 = *:*
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2004 a 31/05/2006 Ementa: RECURSO INTEMPESTIVO Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n°8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.°3048/99. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2004 a 31/05/2006 Ementa: RECURSO INTEMPESTIVO Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n°8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.°3048/99. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário pela intempestividade. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 15/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Manoel Coelho Arruda Júnior, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu, Wilson Antonio de Souza Correa. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Ausência Momentânea: Vera Kempers de Moraes Abreu Fl. 156DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 16004.000633/200964 Acórdão n.º 230201.258 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente de auto de infração de obrigação acessória, lavrado em 12/08/2009, pela falta de confecção de folha de pagamento de todas as remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados que prestaram serviço à empresa, nos moldes e padrões estabelecidos pela Secretaria da Receita Previdenciária, nas competências de 07/2004 a 05/2006. Após a impugnação, Acórdão de fls. 128/134, pugnou pela procedência da autuação. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso alegando a insubsistência do auto de infração, por falta de respaldo legal, já que o MPF era inválido e o afastamento da SELIC frente a sua manifesta inconstitucionalidade e da multa por ser confiscatória. É o relatório. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Da Admissibilidade O recurso é INTEMPESTIVO, razão pela qual dele não se deve tomar conhecimento. Cientificado o sujeito passivo do Acórdão de fls. 128/134, em 17/09/2010, fls.136, o prazo para interposição de recurso, que é de 30 (trinta) dias, conforme o art. 126, caput, da Lei n.º 8.213/91, combinado com o art. 305, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, iniciou em 20/09/2010, fruindo até 19/10/2010. Entretanto, o recurso foi interposto apenas em 20/10/2010, conforme protocolo de fls. 137 configurandose, portanto, sua intempestividade. Lei n° 8213/91 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Art.305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 de 1º/2/2007 DOU DE 2/2/2007) § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) Pelo exposto, considerando que a recorrente não argúi a tempestividade, na peça recursal e considerando o artigo 35, do Decreto n°70.235/72, que dispõe: “Art. 35. O recurso , mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” Voto por não conhecer o recurso, por falta de requisito para sua admissibilidade, mantendo a decisão de primeira instância proferida. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 158DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 16004.000633/200964 Acórdão n.º 230201.258 S2C3T2 Fl. 3 5 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 15374.904577/2008-87
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: DCOMP ELETRÔNICA. COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO.
PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO.
Período de Apuração: 01.09.2001 a 30.09.2001
Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis,
da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda
Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade
administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária,
conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 3403-001.328
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Rodrigo Leporace Farret. OAB/DF nº
13.841.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: DCOMP ELETRÔNICA. COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. Período de Apuração: 01.09.2001 a 30.09.2001 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Negado.
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RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. Período de Apuração: 01.09.2001 a 30.09.2001 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Rodrigo Leporace Farret. OAB/DF nº 13.841. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Liduina Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Inconformada com a r. decisão que deixou de homologar compensação, a empresa Telemar Norte Leste S/A, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, visando modificar o julgado que lhe teria sido desfavorável. Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada em PER/DCOMP de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente, a título de Contribuição para PIS/PASEP, atinente ao período de apuração de 01.09.2001 a 30.09.200101 com débito da Contribuição para a COFINS. Por meio do Despacho Decisório, emitido eletronicamente, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. Sustenta, em síntese, a recorrente, que merece reforma a r. decisão que indeferiu o direito de compensação pelas razões: 1) que a questão discutida neste processo está retratada em DCTF retificadora, recepcionada pela RFB; 2) na DCTF, o contribuinte deve fazer constar informações relativas a seus débitos apurados, bem como aos créditos a eles vinculados. Com sua entrega, o FISCO deverá verificar: (i) se todos os débitos estão vinculados a pagamentos; (ii) se o valor do débito é maior do que o valor do crédito tributo em aberto; (iii) se existem mais créditos vinculados do que débitos apuradoscrédito disponível; 3) que no presente caso, a simples análise da DCTF retificadora não é capaz de demonstrar de forma clara a existência de crédito disponível à compensação; 4) entendem não ser suficiente apenas o confronto da DCTF retificadora (transmitida e recebida pelo FISCO) com a declaração de compensação apresentada, para que se confirme a existência de crédito, sendo regular a compensação; 5) o crédito efetivo decorre da apuração contábil, não podendo obstar o direito à compensação, meros erros formais no preenchimento da PER/DCOMP; 6) ao preencher suas obrigações acessórias, a Requerente cometeu impropriedades que, de fato, impossibilitam a identificação do crédito em análise parametrizada, mas que não fazem decair seu direito material ao crédito; 7) um erro material no preenchimento de uma DCTF não pode prevalecer sobre o direito ao crédito, decorrente de pagamento indevidamente efetuado, muito mais porque os próprios lançamentos contábeis da empresa registram a compensação no limite do que efetivamente ocorreu. A Interessada prostetou por perícia, indicando o assistente técnico, o que foi rechaçado. Na fase recursal manteve as mesmas razões demonstradas em sua peça de inconformidade. É o relatório. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 15374.904577/200887 Acórdão n.º 3403001.328 S3C4T3 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho Relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de conhecimento. Cuidase de Recurso Voluntário com o objetivo de modificar a decisão que manteve o indeferimento de aproveitamento de crédito tributário decorrente de pagamento a maior ou indevido com débito de COFINS. No caso sub examine tratase de matéria de fato, razão pela qual precisa identificar a origem do crédito que se pretende ver restituído ou compensado. O relato da peça de Inconformidade, bem como, as razões recursais são de uma clareza impar, informa que o direito é oriundo de pagamento a maior, se assim é, o motivo encontra diretamente vinculado à base de cálculo do contribuinte, que é o valor do faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica independentemente da sua denominação ou classificação contábil, excluindose deste contexto as receitas permitidas pela legislação vigente. A simples demonstração do faturamento é o bastante a possibilitar a Autoridade Administrativa aferir se os valores lançados em DCTF, DARF, compensação e parcelamento ultrapassam o valor do crédito declarado a favor da Fazenda. Precisase, ter certeza que o pagamento a maior ou indevido ocorreu, para tanto, impõe a comprovação, no caso a informação da base de cálculo se revela indispensável. No entanto, compulsando os autos não se vislumbra qualquer documento nesse sentido. De modo que, se há uma afirmativa do contribuinte de que possui o direito a restituição/compensação de um determinado crédito e, do outro lado a negativa da Administração de que não teve êxito em saber a origem do crédito que se pretende compensar, impõe, no caso concreto, aquele que deseja proceder à compensação ou ser restituído o ônus da prova. Assevera a recorrente que não basta o confronto entre a DCTF retificadora com a declaração de compensação, motivo pelo qual cabia a Interessada demonstrar a origem do crédito. “Entretanto, conforme demonstrado, não bastará apenas o confronto da DCTF retificadora (transmitida e recebida pelo FISCO em 17.03.2006), com a declaração de compensação apresentada, para que se confirme a existência de crédito, sendo regular a compensação realizada. O crédito efetivo decorre da apuração contábil, não podendo obstar o direito à compensação, meros erros formais no preenchimento da PER/DCOMP”. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 Portanto, andou bem o julgador de piso quando afirma a inexistência demonstração da base de cálculo que poderia ter levado o contribuinte a recolher valor superior ao devido, para o sucesso do pedido fazse necessário que esse venha devidamente instruído com os documentos capazes por si só de comprovar o direito que se pretende, em sendo assim, a sustentação de que trata de empresa de grande porte daí a dificuldade de reunir documentos em decorrência do prazo ser exíguo não pode servir de argumento capaz de convencer o julgador do direito pleiteado. No caso deste caderno, a demonstração da base de cálculo se revela requisito indispensável. É de toda sabença que o fato deve ser provado, e, a regra do ônus de provar é do interessado. Cabe ao julgador valorizar e apreciar as provas dos autos no sentido de formar seu convencimento. Assim, a meu sentir, bastava a demonstração da base de cálculo onde pudesse extrair a certeza em relação ao argumento aduzido pela recorrente, sem o qual, tenho como mera presunção da existência do direito do crédito tributário. O direito consagrado pelo dispositivo do art. 170 do Código Tributário Nacional exigese que apure previamente, por via administrativa ou judicial, a liquidez e certeza do crédito tributário, a Fazenda Nacional não pode dispensar esse exame. Segundo a doutrina, o crédito das pessoas físicas e jurídicas se revela um direito oponível contra a Fazenda Pública, é como ensina Plínio Gustavo Prado Garcia: “A imputação de crédito de pessoa física ou de pessoa jurídica diante do fisco, para fins de compensação tributária, é um direito de seu titular oponível contra a Fazenda Pública, no contexto do exercício de um direito potestativo. Não tem o Poder Público o direito de reter parcelas do patrimônio alheio, sem justa causa. Inexiste justa causa nas hipóteses de recebimento de crédito indevido ou maior do que o devido, ou de tributo ilegal ou inconstitucional”. (Compensação e Imputação de Crédito, em Revista Dialética de Direito Tributário nº 41, 1999, p.64). Entretanto, inexistindo prova cabal da existência do crédito, não pode o fisco realizar o encontro do crédito do contribuinte e o débito que se pretende extinguir. Em sendo assim, não vislumbro a possibilidade de acudir o pleito. Diante do exposto, conheço do recurso e nego provimento. É como voto Domingos de Sá Filho Fl. 115DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 15374.904577/200887 Acórdão n.º 3403001.328 S3C4T3 Fl. 3 5 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 35588.003826/2007-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2002 a 30/09/2003
SALÁRIO INDIRETO. GRATIFICAÇÃO/PRÊMIO. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 457, § 1º, da CLT, integra o salário de
contribuição, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho, inclusive àqueles recebidos a título de prêmio, na forma de gratificação ajustada, independente da denominação dada pelo contribuinte.
De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF,
c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel
cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.121
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
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GRATIFICAÇÃO/PRÊMIO. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 457, § 1º, da CLT, integra o salário de contribuição, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho, inclusive àqueles recebidos a título de prêmio, na forma de gratificação ajustada, independente da denominação dada pelo contribuinte. De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 519DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/10/20 11 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Cleusa Vieira de Souza Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, , Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 520DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/10/20 11 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35588.003826/200736 Acórdão n.º 240102.121 S2C4T1 Fl. 487 3 Relatório Tratase de crédito tributário lançado pela Fiscalização contra a empresa acima identificada, que, de acordo com o relatório fiscal de fls.. 264/268, teve como fato e denominado "Flexcard" da Incentive House S/A, abrangendo o período de 11/2002 a 09/2003, totalizando um valor de R$ 214.603,25 ( duzentos e quatorze mil e seiscentos e três reais e vinte e cinco centavos), consolidado em 27/10/2006. Ainda de acordo com o relatório fiscal o valor tributável, base de cálculo, foi apurado com base nas relações de beneficiários das notas fiscais de serviços emitidas pela empresa Incentive House S/A CNPJ: 00.416.126/000141. Tendo em vista que não foram fornecidas pelo contribuinte as folhas de pagamento analíticas contendo a remuneração paga a cada segurado individualmente, e as GFIPs (Guia de Recolhimento do FGTS e Informação â Previdência Social), dentre outros documentos que possibilitassem o cálculo de acordo com o salário de contribuição de cada segurado, foi aplicada a alíquota minima de 8%, conforme estabelece o art. 599 da Instrução Normativa SRP nº. 03, de 14 de Julho de 2005. Informa também que a empresa não informou este fato gerador em GFIP, originando o Auto de Infração n. 37.008.1706. Este fato configura, em tese, crime de sonegação de contribuição previdenciária, previsto no art. 337A do Código Penal, com redação dada pela Lei 9.983/2000, sendo este fato objeto de Representação Fiscal para Fins Penais, com comunicação ã autoridade competente para providências cabíveis. Inconformada com a exigência fiscal, a notificada apresentou defesa tempestiva, fls. 272/313 (vols. I e II) Preliminarmente Requer a produção de prova pericial como meio de assegurar o seu direito a ampla defesa, baseando suas argumentações em vasta doutrina jurídica. No mérito Alega que o valor pertinente ao principal foi atingido mediante o entendimento errôneo da incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais por meio do cartão de premiação denominado Flexcard da Incentive House S/A em função do atendimento de metas estabelecidas em vendas de produtos comercializados pela impugnante. Assevera que ao contrario do sustentado pelo auditor, o pagamento do prêmio não era realizado de forma habitual e permanente, sendo mero incentivo, não podendo ser caracterizado como salário. Que a presente NFLD consigna procedimentos eivados de nulidade por parte da autoridade fiscal, bem corno não encarta preceito legal correspondente a sanção aplicável, Fl. 521DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/10/20 11 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 não havendo tipicidade no comportamento da defendente que justifique a lavratura da presente NFLD, baseando suas argumentações no art. 142 do CTN e doutrina a respeito. Que certas formalidades foram deixadas de lado, eivando a NFLD em tela de nulidade insanável, baseandose no decretoLei 05/75, alegando faltar elementos comprobatórios daquilo que se encontra materializado na peça impositiva, invocando os Princípios da Legalidade, da Restritividade e da Razoabilidade. Alega também que a exigência fiscal não pode prosperar vez que a mesma está requerendo o pagamento da multa sem o devido respaldo legal, apresentandose a NFLD em descompasso com a realidade factual e jurídica. Alega que a exigência contributiva se apresenta falha e insubsistente, seja por orientarse em interpretação equivoca das normas e dos fatos, seja por apurar gravames sobre valores que não representam verdadeira base de cálculo contributiva, e, seja ainda por não representar uma hipótese de incidência previdenciária, do que resulta contrariedade a uma série de comandos legais constitucionais e infraconstitucionais. Alega também que no presente caso, a habitualidade é o elemento mais importante que não foi caracterizada para fundamentar integralmente as razões da autuação. O pagamento eventual de premiação não consiste numa parcela salarial propriamente dita, não devendo ser integrada à remuneração paga aos beneficiários. Não pode subsistir a NFLD no sentido de que os pagamentos apontados não se incluiriam dentre as exclusões previstas na lei 8212/91. Cita doutrina. Faz breve histórico acerca da legislação referente ao SAT, concluindo que os decretos que o legitimaram extrapolaram a competência legal que lhes foi outorgada, sendo que não pode retroagir a lei 9528/97 para convalidar decretos ilegais. Apresenta parecer do Ministério Público Federal opinando acerca da Inconstitucionalidade do SAT, assim corno apresenta jurisprudência sobre a inconstitucionalidade da contribuição previdenciaria de acidente de trabalho, na qual o SAT se incluiria, argumentando também sobre o caráter complementar do SAT. Alega que há necessidade de lei complementar para a instituição do SAT, • argumentando acerca da inconstitucionalidade da base de cálculo do SAT devido à diferença de abrangência nos termos "folha de salário" (art. 195 CF) e "remuneração" ( art. 22 da lei 8212). Traz argumentações e jurisprudência a respeito do grau de enquadramento do SAT das empresas pelo INSS. Ao final requer a insubsistência do presente lançamento em decorrência de inexistir a base de cálculo apontada, protestando também pela produção de provas inclusive perícia e juntada de novos documentos. A Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da DecisãoNotofocação nº 17.402.4/038/2007, julgou procedente o lançamento, trazendo a referida decisão a seguinte ementa: Fl. 522DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/10/20 11 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35588.003826/200736 Acórdão n.º 240102.121 S2C4T1 Fl. 488 5 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. PRÊMIO VINCULADO À PRODUTIVIDADE. NATUREZA SALARIAL. Cabe a autoridade julgadora determinar a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias. Entende se por salário de contribuição para o empregado a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, inclusive sob a forma de utilidades, artigo 28, inciso 1, e parágrafos da Lei 8212/91, e alterações posteriores. Tem natureza salarial, sendo base de cálculo • de contribuição previdenciária, o pagamento de verba vinculada á produtividade dos segurados e, portanto, com característica de prêmio. Em relação às contribuições previdenciárias, somente as exclusões arroladas exaustivamente no parágrafo 9° do artigo 28 da Lei n° 8212/91, e alterações posteriores, não integram o salário de contribuição. LANÇAMENTO PROCEDENTE Irresignado, o contribuinte interpôs recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social, fls, 348, em que reproduz as razões trazidas em sua impugnação, sustentando a tese de que a hipótese vertente integra o rol de exclusões previsto no art. 28, § 9º, da Lei N 2 8212/91 Aduz que pagamento de salário pressupõe um acréscimo no patrimônio do empregado, correspondente às parcelas que efetivamente integram tal salário; salário configura uma remuneração retributiva e comutativa por excelência, não admitindo, portanto, qualquer conotação funcional, à medida em que o seu pagamento, pelo empregador, decorre direta e proporcionalmente do trabalho realizado pelo empregado. Por essas razões, concluise, com absoluta segurança, que o pagamento eventual de premiação não consiste numa parcela salarial propriamente dita, não devendo ser integrada, para quaisquer fins de direito (como por exemplo, para o cálculo de contribuições previdenciárias, de verbas indenizatórias e etc.), à remuneração paga aos beneficiados. A recorrente também manifesta inconformismo em relação à contribuição para o SAT, alegando que a referida contribuição é apenas aparentemente complementar, eis que em verdade, o SAT possui OUTRA FONTE DE CUSTEIO, visando cobrir acidentes de trabalho, FONTE essa não referida no artigo 195, inciso I da CF. De fato, o texto constitucional faz menção apenas a "folha de salários, o faturamento e o lucro", enquanto a Lei ordinária nº 8212/91, indica como FONTE DE CUSTEIO o "TOTAL DAS REMUNERAÇÕES PAGAS OU CREDITADAS”. Na verdade, o SAT instituído pela Lei 8212/91 é outra contribuição com especificidade de destinação previamente expressa na legislação infraconstitucional, nada tendo de complementar, possui outra fonte de receitas, diversa, inteiramente da contida no Fl. 523DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/10/20 11 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 artigo 195, inciso I da CF. Nessa linha de raciocínio, a contribuição previdenciaria de acidente de trabalho seria complementar se a base de cálculo fosse constitucional, o que data venha, não o é. Enfim, não pode subsistir Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ora impugnada, no sentido de que os pagamentos apontados na NFLD não se incluiriam dentre as exclusões previstas na Lei n. 2 8.212/91. Ao final, a Recorrente ratifica o pedido de realização de perícia, esperando e confiando que V. Exa, após o exame da matéria focada, ante à certeza do direito apresentado pela empresa notificada, julgue como nulo o AI presentemente guerreado, e se digne determinar a extinção do feito e o consequente arquivamento do respectivo processo administrativo, como ato da mais lídima justiça. Fl. 524DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/10/20 11 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35588.003826/200736 Acórdão n.º 240102.121 S2C4T1 Fl. 489 7 Voto Conselheiroa Cleusa Vieria de Souza Relatora Presentes os pressupostos de admissibilidade, o recurso merece ser conhecido. Antes de proceder à análise de mérito das razões do presente recurso, cumpre apreciar, como preliminar, o pedido de perícia apresentado. Com relação à qual, vale esclarecer que, nos termos da PT/MPS/520, a autoridade julgadora determinará de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva DecisãoNotificação, aquelas que considerar prescindíveis, protelatáries ou impraticáveis. Nos termos do § 1°, da referida Portaria, considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do Art. 9°, ou seja, as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas expostos os motivos que as justifiquem com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como no caso de perícia o nome o endereço e a qualificaçto profissional de seu perito. Vêse, assim, que não basta o interessado simplesmente protestar por perícia, sendo necessário demonstrar por que se pede tal verificação. A solicitação de perícia deverá conter os motivos que a justificam e os quesitos referentes aos exames desejados, bem assim, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. O pedido de perícia formulado sem esses requisitos considerarseá não formulado. Por essa razão rejeito a preliminar de pedido de perícia ofertado. Superada a preliminar, passo à análise das questões de mérito. Conforme relatado, tratase de crédito tributário lançado pela Fiscalização contra a empresa acima identificada, que, de acordo com o relatório fiscal de fls.. 264/268, teve como fato e denominado "Flexcard" da Incentive House S/A, abrangendo o período de 11/2002 a 09/2003, totalizando um valor de R$ 214.603,25 ( duzentos e quatorze mil e seiscentos e três reais e vinte e cinco centavos), consolidado em 27/10/2006. De acordo com o relatório fiscal o valor tributável, base de cálculo, foi apurado com base nas relações de beneficiários das notas fiscais de serviços emitidas pela empresa Incentive House S/A CNPJ: 00.416.126/000141. Tendo em vista que não foram fornecidas pelo contribuinte as folhas de pagamento analíticas contendo a remuneração paga a cada segurado individualmente, e as GFIPs (Guia de Recolhimento do FGTS e Informação â Previdência Social), dentre outros documentos que possibilitassem o cálculo de acordo com o salário de contribuição de cada segurado, foi aplicada a alíquota minima de 8%, conforme estabelece o art. 599 da Instrução Normativa SRP nº. 03, de 14 de Julho de 2005. Fl. 525DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/10/20 11 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Em suas razões de recurso, bem como em sua impugnação, a recorrente sustentando a tese de que a hipótese vertente integra o rol de exclusões previsto no art. 28, § 9º, da Lei Nº 8212/91 Aduz que pagamento de salário pressupõe um acréscimo no patrimônio do empregado, correspondente às parcelas que efetivamente integram tal salário; salário configura uma remuneração retributiva e comutativa por excelência, não admitindo, portanto, qualquer conotação funcional, à medida em que o seu pagamento, pelo empregador, decorre direta e proporcionalmente do trabalho realizado pelo empregado. Nesse sentido vale recordar que o conceito de salário de contribuição para o empregado e sobre o qual vai haver incidência de contribuição previdenciária, está contido no inciso I, do artigo 28 da Lei n° 8.212/91. Vejamos o que diz: “Art 28 Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado (...): a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;” Assim, não é incorreto afirmar que tudo aquilo que é pago em caráter retributivo ao empregado pelo empregador, constitui a base cálculo sobre a qual vai incidir a contribuição previdenciária. Tal dispositivo foi mais além, prevendo que não somente os valores diretamente recebidos ou creditados compõem o saláriodecontribuição, mas igualmente os ganhos decorrentes de utilidades, desde que também habituais e em caráter oneroso. Não obstante a amplitude do conceito de saláriodecontribuição, o próprio artigo 28, mais adiante, prevê inúmeras situações especiais, onde, mesmo havendo pagamento direto ao empregado, não haverá a incidência da contribuição previdenciária. Tais hipóteses, vale dizer, que são várias e exclusivas, na realidade e por óbvio, se consubstanciam em isenções concedidas àqueles que têm o dever de contribuir com a Previdência Social, desonerandoos da exação. Consoante se infere do dispositivo legal acima exposto, não resta dúvida que os valores recebidos pelos empregados a título de “Prêmios” devem integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, uma vez que, o pagamento único não tiraria a natureza salarial da verba, uma vez que o prêmio faz parte da remuneração do trabalhador, enquadrandose perfeitamente no conceito de salário de contribuição, inscrito no artigo 28 inciso I acima transcrito, bem como no artigo 22, inciso I, da Lei nº 8.212/91, que assim prescreve: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, Fl. 526DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/10/20 11 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35588.003826/200736 Acórdão n.º 240102.121 S2C4T1 Fl. 490 9 destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa Por outro lado, além dessas disposições, e não obstante a amplitude do conceito de salário de contribuição trazido pelo próprio art. 28, a respeito da incidência ou não da contribuição previdenciária sobre determinada verba paga, a lei veio definir expressamente quais os pagamentos não integrariam o salário de contribuição, conforme disposto no § 9º do citado art. 28 da Lei nº 8212/91, que relaciona as verbas que não integram o salário de contribuição, sendo que “prêmios” não se encontram dentre as referidas exclusões. Por sua vez, a interpretação da norma isentiva não permite incluir nela situações ou pessoas que não estejam expressamente previstas no texto legal instituidor, em face da literalidade em que deve ser interpretada (nos termos do art. 111, II da Lei nº 5,172/66 CTN), do contrário estaria imprimindolhe um alcance que a norma não tem nem poderia ter, eis que as regras de isenção não comportam interpretações ampliativas. No caso do pagamento de verbas a título de prêmio, não há que se falar em habitualidade, considerada como repetição ou quantidade de pagamentos. Essencial para a caracterização da referida verba como remuneratória ê a existência de um acordo prévio que estabeleça uma condição a ser cumprida pelo empregado, ou por um grupo destes. A expectativa do empregado em receber tal pagamento configura o acordo expresso em relação à verba. Assim sendo, havendo, como no caso sob análise, um acordo expresso, e uma expectativa permanente do empregado em receber a verba, caracterizada está a sua natureza remuneratória. Além disso, não se pode negar que se a empresa não colocasse tais benefícios à disposição do trabalhador, haveria um desembolso com tais despesas, confirmando, assim, sem sombra de dúvida, que tais verbas, pagas pela empresa, representam uma vantagem econômica acrescida ao patrimônio do trabalhador. A recorrente também manifesta inconformismo em relação à contribuição para o SAT, alegando que a referida contribuição é apenas aparentemente complementar, eis que em verdade, o SAT possui OUTRA FONTE DE CUSTEIO, visando cobrir acidentes de trabalho, FONTE essa não referida no artigo 195, inciso I da CF. De fato, o texto constitucional faz menção apenas a "folha de salários, o faturamento e o lucro", enquanto a Lei ordinária nº 8212/91, indica como FONTE DE CUSTEIO o "TOTAL DAS REMUNERAÇÕES PAGAS OU CREDITADAS”. Na verdade, o SAT instituído pela Lei 8212/91 é outra contribuição com especificidade de destinação previamente expressa na legislação infraconstitucional, nada tendo de complementar, possui outra fonte de receitas, diversa, inteiramente da contida no artigo 195, inciso I da CF. Nessa linha de raciocínio, a contribuição previdenciaria de acidente de trabalho seria complementar se a base de cálculo fosse constitucional, o que data venha, não o é. Em que pese a alegação de inconstitucionalidade da Lei nº 8212/91, elativamente à contribuição para o SAT, vale dizer que tal questionamento acerca de lei Fl. 527DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/10/20 11 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 vigente não é admitido na esfera administrativa, pois dispositivo legal, cuja ilegalidade ou inconstitucionalidade não tenha sido declarada, surtirá efeitos enquanto estiver vigente e será obrigatoriamente cumprido pela autoridade administrativa por força do ato administrativo vinculado (CTN, art.142, parágrafo único). Cumpre destacar, outrossim, que nos termos dos artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Cabe, ainda ressaltar, que com relação ao enquadramento, cuja forma encontrase delimitada na lei, é de responsabilidade da empresa, observada sua atividade econômica preponderante e será feita mensalmente, cabendo à fiscalização rever o auto enquadramento em qualquer tempo. Verificado erro no autoenquadramento serão adotadas as medidas necessárias a sua correção. Por fim o lançamento obedeceu aos critérios estabelecidos pela legislação previdenciária, especialmente aqueles do art. 37, da Lei n. º 8.212/91, e a despeito da argumentação apresentada pelo recorrente, não vejo nela qualquer fundamento que possa levar à desconstituição do crédito previdenciário ora atacado, uma vez que se encontra revestido das formalidades legais exigidas para a sua constituição. Pelo exposto; VOTO no sentido de conhecer do recurso, e, no mérito, negarlhe provimento. Cleusa Vieira de Souza. Fl. 528DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/10/20 11 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10680.016739/2003-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 1999
Ementa: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. NECESSIDADE DE FLUXO DE CAIXA MENSAL A CONFRONTAR AS ORIGENS COM OS DISPÊNDIOS DE RECURSOS. INEXISTÊNCIA. CRÉDITOS EM CONTA BANCÁRIA ORIUNDOS DE RESGATES DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS E LIQUIDAÇÃO DE OPERAÇÕES DE
SWAP E OPÇÕES. RENDIMENTOS OMITIDOS. INVIABILIDADE. Para
utilizar a presunção de que, quaisquer acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, são rendimentos omitidos, como prevista no art. 3º, § 1º (parte final), da Lei nº 7.713/88, necessário confrontar as origens (receitas declaradas) com os dispêndios de recursos, em bases mensais, para aí identificar os estouros de caixa. Meros resgates de aplicações financeiras e liquidações de operações de swap e opções não
podem ser considerados rendimentos omitidos.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-001.703
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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NECESSIDADE DE FLUXO DE CAIXA MENSAL A CONFRONTAR AS ORIGENS COM OS DISPÊNDIOS DE RECURSOS. INEXISTÊNCIA. CRÉDITOS EM CONTA BANCÁRIA ORIUNDOS DE RESGATES DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS E LIQUIDAÇÃO DE OPERAÇÕES DE SWAP E OPÇÕES. RENDIMENTOS OMITIDOS. INVIABILIDADE. Para utilizar a presunção de que, quaisquer acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, são rendimentos omitidos, como prevista no art. 3º, § 1º (parte final), da Lei nº 7.713/88, necessário confrontar as origens (receitas declaradas) com os dispêndios de recursos, em bases mensais, para aí identificar os estouros de caixa. Meros resgates de aplicações financeiras e liquidações de operações de swap e opções não podem ser considerados rendimentos omitidos. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 02/01/2012 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Acácia Sayuri Wakasugi, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Eivanice Canário da Silva e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte GILBERTO MOREIRA, CPF/MF nº 001.022.886 15, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 19/11/2003, auto de infração (fls. 02 a 07), com ciência postal em 1º/12/2003 (fl. 184), a partir de ação fiscal iniciada em 10/09/2003 (fl. 1). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 247.208,85 MULTA DE OFÍCIO R$ 278.109,95 Ao contribuinte foi imputado um acréscimo patrimonial não suportado por rendimentos declarados no anocalendário 1998, conduta essa apenada com multa de ofício de 112,50%, em decorrência de operação em mercado de capitais (opções e swap) e aplicações financeiras, de acordo com registros na contacorrente nº 44.8801.02, da agência Belo Horizonte do BankBoston Banco Múltiplo S/A, que é titularizada pelos cotistas da empresa Emoreira Comercial Ltda., tendo o fiscalizado 67% do capital social da empresa, o Sr. Márcio Mourão Moreira 20% do capital e Gilberto Mourão Moreira 13%. Para melhor compreender o procedimento da autoridade autuante, compulsando os demonstrativos de fls. 09 a 11, nos quais foi registrada a materialidade tributária, apreendese: § agosto de 1998 – As aplicações financeiras (R$ 145.500,00, R$ 1.000,00 e R$ 2.242,05) e as operações de liquidação de opções (R$ 714,37, R$ 15.781,97, R$ 388.825,06), creditadas na conta acima, foram consideradas como não tendo origem a partir de rendimentos declarados, e, como tal, tomadas como rendimentos omitidos; § setembro de 1998 – As operações de liquidação de opções (R$ 358.113,62, R$ 34.127,68), de swap (R$ 7.806,96) e os resgate de títulos públicos (R$ 55.887,99 e R$ 78.692,74), creditadas na conta bancária acima, abatidos de uma aplicação em títulos públicos (R$ 134.291,40), debitada na conta referida, foram considerados como não tendo origem a partir de rendimentos declarados, e, como tal, tomados (o saldo da operação descrita) como rendimentos omitidos; § outubro de 1998 As operações de liquidação de opções (R$ 175.479,90, R$ 17.588,21) e de swap (R$ 5.545,51), creditadas na conta acima, foram consideradas como não tendo origem a partir de rendimentos declarados, e, como tal, tomadas como rendimentos omitidos; § novembro de 1998 – Uma operação de swap (R$ 3.280,33) e duas operações de liquidação de opções (R$ 193.782,27 e R$ 6.117,31), Fl. 2DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10680.016739/200336 Acórdão n.º 2102001.703 S2C1T2 Fl. 2 3 creditadas na conta acima, foram consideradas como não tendo origem a partir de rendimentos declarados, e, como tal, tomadas como rendimentos omitidos. Considerando que a conta bancária era titularizada pelos sócios da empresa Emoreira Comercial Ltda., a fiscalização imputou as omissões acima em proporção ao capital, em desfavor de cada cotista. No dizer da autoridade autuante, “Foi considerada esta participação percentual para arbitrar o valor dos recursos que cabia ao contribuinte sob fiscalização, pois seria excessivo tributar integralmente os valores sem origem comprovada unicamente na sua pessoa física” (fl. 8). Compulsando os autos, extraemse os seguintes dados e informações adicionais: § juntada cópia da DIRPF – exercício 1999 do fiscalizado (fls. 22 a 26), na qual se vê rendimentos declarados de R$ 352.781,00 (tributáveis e isentos/não tributáveis), bem como uma evolução patrimonial de R$ 867.209,16 para R$ 1.128.702,33, essencialmente em decorrência do aumento na participação no capital social da empresa Emoreira Comercial Ltda (de R$ 650.000,00 para R$ 920.000,00); § esclarecimento do fiscalizado no tocante a um DOC de R$ 550.000,00, a débito da conta auditada, utilizado como sinal de negócio para aquisição de direito de uso de loja, incluindo instalações e estoques de produtos de perfumaria e cosméticos, localizada no BH Shopping Center de Belo Horizonte, transação que foi posteriormente distratada, com devolução do valor (fls. 29, 30 e 166). Esta operação foi identificada por equipe especial de fiscalização da COFIS (fl. 160) e parece que foi a desencadeadora da ação fiscal no fiscalizado; § extratos bancários da conta nº 44.8801.02, da agência Belo Horizonte do BankBoston Banco Múltiplo S/A, comprovando as operações financeiras antes descritas (fls. 32 a 35); § justificativas do contribuinte a respeito da movimentação bancária na conta auditada, informando que os valores movimentados tinham origem em poupanças dos sócios, distribuição e antecipação de lucros da empresa Emoreira Comercial Ltda., alienações patrimoniais, empréstimos proveniente de espólio de exsócio etc., juntando documentação para comprovar o alegado (fls. 63 a 156). Devese anotar que a autoridade fiscal considerou insuficientes as explicações do contribuinte para justificar a movimentação na conta bancária com as operações auditadas, pelos motivos abaixo transcritos (fls. 176 a 179): O contribuinte trouxe como origem para R$ 184.000,00 movimentados na conta corrente do BankBoston, adiantamentos por conta de lucros futuros feitos pela empresa Emoreira Comercial Ltda. no mês de julho de 1998 e que foram devolvidos à mesma em 08/09/1998 e 09/09/1998 por meio de cheques, respectivamente, no valor de R$ 55.000,00 e R$ 79.000,00 e em Fl. 3DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 3/11/1998 e 4/11/1998 por cheques no valor de R$ 25.000,00 cada. Tal alegação veio desacompanhada de qualquer elemento de prova e entra em contradição com o declarado pelo Sr. Gilberto Moreira ao justificar a ausência dos dados entre a abertura da conta corrente e o dia 31/07/1998, "Esclarece que a conta corrente do BankBoston foi aberta em 16 de julho de 1998, sendo que não possuo extrato detalhado do período entre 16/07 e 31/07/1998, uma vez que o movimento foi insignificante com (sic) comprovado pelo saldo inicial do extrato em 31/07/1998, no valor de R$ 68,63 (Sessenta e oito reais e sessenta três (sic) centavos), conforme extrato anexo." (Grifouse). Não se pode considerar insignificante a movimentação em torno de 29% dos R$ 630.000,00 . Além disso, embora tenha sido intimado a apresentar os documentos hábeis e idôneos que comprovassem a origem dos recursos, o contribuinte não trouxe qualquer elemento probatório que sustentasse suas alegações. Não apresentou o extrato da conta corrente no período de 16/07/1998 a 31/07/1998, não trouxe cópia dos livros contábeis da empresa Emoreira Comercial Ltda que registrassem tais operações, nem cópias dos cheques ou comprovantes de depósitos que demonstrassem os adiantamentos e a devolução à empresa dos valores adiantados de modo a confirmar a exatidão das informações prestadas. Sem estes elementos não é possível acatar o esclarecimento dado pelo contribuinte em relação a estes valores. O Sr. Gilberto Moreira alega ainda que R$ 100.000,00 seriam provenientes da poupança anterior ao exercício de 1998 do espólio de Edson Moreira, sem indicar como tal valor foi transferido para a conta corrente do BankBoston nem apresentar qualquer comprovante de depósito ou documento equivalente. Não ficou registrado no extrato fornecido qualquer depósito neste valor. Se tal depósito foi feito entre a abertura da conta, 16/07/1998 e 31/07/1998, a movimentação neste período estaria em torno de 45% do total apresentado como origem dos recursos, o que estaria em contradição com o argumento apresentado de que a movimentação no período teria sido insignificante. Sem o extrato do citado período e sem a apresentação de documentos que comprovem a efetiva transferência do espólio de Edson Moreira para a conta corrente em questão, não pode ser aceita a origem proposta pelo contribuinte para estes R$ 100.000,00. Não há registro no extrato fornecido de qualquer depósito no valor de R$ 31.000,00 referentes a venda de imóvel do Sr. Gilberto Moreira, nem o mesmo apresentou a forma como este valor foi trazido para a conta corrente do BankBoston. Sem os documentos que provem a entrada deste valor na conta corrente, não é possível aceitálos como fonte de recursos que amparem a movimentação financeira desta conta. Os alegados empréstimos do espólio de Edson Moreira no valor de R$ 20.000,00 e R$ 70.000,00 também não foram registrados no extrato fornecido, nem vieram acompanhados de documentos hábeis e idôneos que os amparassem. Portanto, não há como aceitálos como origem de recursos a devolução dos mesmos não foi provada com cópia dos cheques emitidos ou cópia do documento que transferiu tais valores para o espólio de Edson Fl. 4DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10680.016739/200336 Acórdão n.º 2102001.703 S2C1T2 Fl. 3 5 Moreira. A ausência destes documentos impede que sejam aceitos como origem de recursos. Devese acrescentar que o ônus da prova cabe ao contribuinte, posto que o mesmo atribui ao período anterior ao do extrato fornecido para explicar 59% da movimentação financeira da conta corrente do BankBoston (R$ 134.000,00, R$ 100.000,00, R$ 50.000,00 e R$ 20.000,00), período que declarou como de movimentação insignificante. O valor R$ 161.595,60 dos lucros recebidos pelos sócios em 1998 conforme registrado no livrorazão não encontrou correspondência com os valores depositados na conta corrente do BankBoston. Parte destes lucros foi distribuída de forma antecipada ao longo do ano, a cada sócio com valores variando de R$ 1.250,00 a R$ 1.750,00 para cada sócio por mês. A conta foi aberta somente em 16/07/1998 e os registros indicam que parte dos lucros teria sido distribuída a partir de janeiro de 1998. O restante teria sido entregue ao final do ano, entretanto não há qualquer depósito que seja compatível com o valor restante necessário para complementar a distribuição de lucros alegada. Sequer a retirada pro labore Pode ser considerada como fonte de recursos para esta conta, pois não foram registrados depósitos no valor de R$ 500,00 por sócio ou R$ 1.500,00 para o conjunto dos sócios. Quanto à alegação de que R$ 65.000,00 seriam provenientes de poupanças pessoais mantidas em espécie pelos sócios, não foram trazidas provas neste sentido, no mínimo, o contribuinte deveria ter trazido comprovantes de depósito em dinheiro que justificassem à entrada destes recursos na conta corrente, só há um registro de depósito em dinheiro no valor de R$ 400,00. Portanto, tal alegação não se sustenta e esta possível origem não pode ser aceita. Se tais depósitos forem imputados ao período anterior ao do extrato fornecido, então 70% das origens alegadas teriam sido feitas na época considerada pelo contribuinte como de movimentação insignificante. A resposta dada pelo contribuinte à Equipe de fiscalização da DEFIC/SPO e reiterada quando da apresentação do extrato simplificado da conta corrente 44.8801.02 do BankBoston Banco Múltiplo S/A. não encontra amparo neste documento. O extrato simplificado indica que só houve um depósito de R$ 400,00 em dinheiro na conta corrente no período de 31/08/1998 a 31/12/1998 e que não foram recebidos DOC's. As entradas de recursos na conta corrente originaramse da liquidação de operações em opções ou do resgate de aplicações financeiras vinculadas à conta corrente. Portanto não procede a afirmação de que teria havi'do uma devolução por parte da empresa Compugraphics Ind. Com . Ltda.. Cabe esclarecer que os recursos movimentados na conta corrente tiveram como origem aplicações financeiras e que o contribuinte, embora intimado por três vezes a apresentar saldos mensais ou extratos de aplicações financeiras, não forneceu quaisquer informações sobre as aplicações feitas no BankBoston, além das registradas no extraio simplificado da Fl. 5DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 6 conta corrente 44.8801.02 da agência Belo Horizonte do BankBoston. Foram sacados das aplicações financeiras R$ 1.688.599,59 e depositados apenas R$ 134.291,40 com recursos da conta corrente. Não havendo qualquer registro nesta conta corrente que amparasse as alegações feitas pelo contribuinte nas repostas enviadas às intimações. Portanto, foram considerados como sem origem comprovada os resgates de aplicações e liquidação de operações de opções registradas no extrato simplificado da conta corrente 44.8801.02 da agência Belo Horizonte do BankBoston Banco Múltiplo S/A, sendo que foi imputado ao Sr. Gilberto Moreira o percentual de 67% dos valores movimentados, posto ser esta a sua participação na empresa Emoreira Comercial Ltda.. O Sr. Moreira possuía, à época, 920.000 cotas (67% do Capital Social) das 1.380.000 cotas que compõem o Capital Social da empresa e os demais titulares da conta, Sr. Márcio Mourão Moreira e Sr. Gilberto Mourão Moreira possuíam, respectivamente, 276.000 (20% do Capital Social) e 184.000 cotas (13% do Capital Social), conforme consta da 33ª alteração contratual de 06/04/1998, e registrada na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais em 14/04/1998. Seria excessivo tributar integralmente os recursos sem origem comprovada unicamente na pessoa física do Sr. Gilberto Moreira, pois a conta é conjunta e abrange a totalidade dos cotistas da empresa Emoreira Comercial Ltda . Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 5ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0215.704, de 14 de setembro de 2007 (fls. 315 e seguintes). A decisão acima desagravou a multa de ofício aplicada, reduzindoa do percentual de 112,50% para 75% sobre o imposto lançado. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 02/10/2007 (fl. 326). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 31/10/2007 (fl. 329). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: I. houve cerceamento do direito de defesa do autuado, pois não se registrou a fundamentação legal do auto de infração. Ademais, os pretensos rendimentos omitidos a partir da conta bancária foram imputados em proporção ao capital social detido pelos titulares da conta bancária auditada na empresa Emoreira Comecial Ltda., sem qualquer autorização legislativa para tanto, sendo mais um motivo para cancelamento do lançamento; II. a movimentação bancária na conta auditada teve origem em poupanças dos sócios, distribuição e antecipação de lucros da empresa Emoreira Comercial Ltda., alienações patrimoniais, empréstimos proveniente de espólio de exsócio etc., como já demonstrado na fase que antecedeu a autuação, bem como na impugnação. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10680.016739/200336 Acórdão n.º 2102001.703 S2C1T2 Fl. 4 7 É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 02/10/2007 (fl. 326), terçafeira, e interpôs o recurso voluntário em 31/10/2007 (fl. 329), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 1º/11/2007, quartafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. O presente lançamento não pode prosperar por múltiplos motivos, com se explicará a seguir. Primeiramente, vêse que a autoridade fiscal imputou ao fiscalizado uma variação patrimonial a descoberto, com esteio nos arts. 1°, 2°, 3°, e §§, da Lei n° 7.713/88 (fl. 4). Ora, para imputar qualquer variação patrimonial a descoberto a um contribuinte, imperioso estruturar um fluxo de caixa, confrontando as origens (rendimentos declarados) e dispêndios, mês a mês (no caso de rendimentos urbanos), daí apontando os eventuais estouros de caixa, os quais serão presumidos como rendimentos omitidos, com fulcro na legislação antes citada. Ocorre que nestes autos não há qualquer fluxo de caixa, ou seja, não se sabe se o contribuinte não teria suporte financeiro para fazer frente aos dispêndios que a autoridade fiscal considerou não justificados por rendimentos declarados. E aqui se observe, como se viu no relatório, o contribuinte teve uma movimentação de rendimentos e patrimonial expressiva no ano calendário, não se podendo afastar a necessidade de um fluxo de caixa que demonstrasse a insuficiência dos recursos declarados em face dos dispêndios. Em segundo lugar, mesmo que se supere o ponto acima, observase que a autoridade autuante considerou os créditos em contas bancárias, oriundos de liquidações de operações de swap, de opções e de aplicações financeiras, como rendimentos omitidos. Ora, os rendimentos omitidos não podem ser os créditos bancários, exceto se fosse utilizada a presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, o que não se viu nestes autos. Ainda, mesmo utilizando esta última presunção citada, ela jamais alcançaria às transferências entre contas de mesma titularidade ou mesmo meros resgates de aplicações financeiras ou liquidações de operações de opções ou swap, como se vê pelo art. 42, § 3º, I, da Lei nº 9.430/96, ou seja, somente poderiam ser rendimentos omitidos os créditos de origem não comprovada que geraram os futuros resgates e liquidações. Em terceiro lugar, acaso se utilizando a técnica de variação patrimonial como fez a autoridade autuante, quando se comparam as fontes de recursos em face dos dispêndios, jamais os créditos de aplicações financeiras poderiam ser dispêndios, a relevar os estouros de caixa, mas, ao revés, são receitas, que poderiam justificar dispêndios patrimoniais nos meses em que ocorridos. Em quarto lugar, foi completamente arbitrária a opção de imputar ao contribuinte 67% das liquidações das operações de swap, de opções e de aplicações financeiras como rendimentos omitidos, ao argumento de que essa seria a participação do contribuinte na empresa Emoreira Comercial Ltda. e que a conta auditada seria cotitularizada pelos sócios da Fl. 7DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 8 pessoa jurídica. Ora, não há qualquer autorização legislativa para tanto e, caso a autoridade autuante efetivamente quisesse desnudar a origem dos créditos bancários, necessariamente deveria ter intimado todos os cotitulares e, se não esclarecida a origem, mister imputar a omissão em proporção (1/3 para cada), como se apreende pela inteligência do art. 42, caput e § 6º, da Lei nº 9.430/96. Em quinto lugar, não sendo utilizada a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, mas a regra de tributação ordinária da Lei nº 7.713/88, vêse que o lançamento estribouse somente em informações de extratos bancários, e, assim, esses jamais seriam suficientes para demonstrar a materialidade e autoria do fato tributável, encontrando óbice de validade na vetusta Súmula nº 182 do Tribunal Federal de Recursos (É ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários) e mesmo na inteligência do art. 9º, VII, do DecretoLei nº 2.417/88 (Ficam cancelados, arquivandose, conforme o caso, os respectivos processos administrativos, os débitos para com a Fazenda Nacional, inscritos ou não como Dívida Ativa da União, ajuizados ou não, que tenham tido origem na cobrança: VII do imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários). Com todas as considerações acima, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 8DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 02/01/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 10140.003546/2002-41
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO — CSLL — ATIVIDADE RURAL — COMPENSAÇÃO DO SALDO DE BASE DE CALCULO NEGATIVA — LIMITAÇÃO DE 30%. 0 limite máximo de redução do lucro liquido ajustado, previsto no artigo 16 da Lei n° 9.065, de 20.06.95, não se aplica ao resultado decorrente de atividade rural, relativamente à compensação da base de cálculo negativa de CSLL, mesmo que se tratar de período anterior à vigência dó artigo 42 da Medida Provisória n° 1991-15, de 10 de marco de 2000.
Numero da decisão: 9101-000.746
Decisão: ACORDAM os membros da lª turma do câmara SUPERIOR DE RECURSOS
FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Karem Jureidini Dias
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CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO — CSLL — ATIVIDADE RURAL — COMPENSAÇÃO DO SALDO DE BASE DE CALCULO NEGATIVA — LIMITAÇÃO DE 30%. 0 limite máximo de redução do lucro liquido ajustado, previsto no artigo 16 da Lei n° 9.065, de 20.06.95, não se aplica ao resultado decorrente de atividade rural, relativamente à compensação da base de cálculo negativa de CSLL, mesmo que se tratar de período anterior à vigência dó artigo 42 da Medida Provisória n° 1991-15, de 10 de marco de 2000. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da l turma do câmara SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karem Jureidini Dias, Clauderriir Rodrigues IVIalaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri, I "i 4;1:0 CARL.C;F:, ALBE7%70 FRE,TAS BARRETO. r.Kli2F/:'.3IC r. KAREM JUREIOs K.L.F3Et:i FL17.:Enct>. 127 G O omes Hoffmann, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Carlos Alberto Freitas tá rio rata-se de Recurso Especial da Fazenda Nacional, com fundamento no 070, incisos I e H, do antigo Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais nte, contra Acórdão n° 103-23.405, proferido pela então Terceira Camara do Primeiro elho de Contribuintes. 0 Auto de Infração exige Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, nte ao ano-calendário de 2002, decorrente da compensação de bases de cálculo negativas, observância da trava de 30%. Impugnado o lançamento, o contribuinte alega que não está sujeito ao rido limite por possuir atividade rural. Sobreveio acórdão da Delegacia da Receita Federal trigarnento, que entendeu por bem considerar o lançamento procedente. Sobrevieram Recurso Voluntário e o Acórdão n°103-23.405, da Terceira ara do Primeiro Conselho de Contribuintes, o qual deu provimento ao recurso, nos termos eguinte ementa: Assunto Contribuição Social sobre o Lucro Liquido – CSLL Exercício: 1998 Ementa. CSLL COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS — ATIVIDADE RURAL — atividack rural não se aplica a limitação da compensação das bases negativas da CSLL pois o disposto no art. 42 da MP 1991-15/2000 tem caráter meramente interpretativo, sendo a seu conceito, por conseguinte, aplicável a instituição da pópria limitação Recurso provido A Fazenda Nacional apresentou, então, Recurso Especial, no qual alega, em a, que (i) a Lei n° 8.023/90 não prevê incentivos fiscais de apuração, pelas pessoas dicas que exploram atividade rural da CSLL devida; (ii) o limite de compensação de 30% 'se de calculo negativa para IRPJ e CSLL foi previsto pela Lei n° 8.981/95; (iii) para os tribuintes que exploram atividade rural, o limite de 30% foi excetuado apenas no caso do J;I lconforme previsão da Lei n° 8.023; (iv) somente com a edição da MP n° 1,991-15/2000 ficou autorizado que as pessoas jurídicas que exploram atividade rural pudessem pensar integralmente da base de cálculo negativa da CSLL, não podendo tal norma Pagir ao presente caso. Junta, ainda, como paradigma, o acórdão n° 105-13.625 O exame de admissibilidade foi realizado as fls. 114/115, determinando-se o UiMENTO do Recurso Especial. Devidamente intimado (fl 117) o contribuinte não sentou Contra-Razões. E o relatório. to !merle Ern 1 1 : 1212':: : 13 poi CARLOS ALBERTO rRE:Ti,S EIARRET ,) r);3/12/2010 p,r 1:1%REL: 'ailments em 0F../. I 2i20 K‘kriEkiJOREM11 , 110(A5:. 2 1/2011 pea PrOCCSSO a° 10140 00354612002-41 Acórchlo n.° 9101-00,746 Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora 0 Recurso é tempestivo e foi determinado seu seguimento em juizo de admissibilidade, pelo que dele conheço. A matéria sob enfoque diz respeito à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, especificamente à "COMPENSAçÃo INDEVIDA DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERIODOS ANTERIORES", em percentual superior a 30%, sendo o resultado decorrente de atividade rural. Importa esclarecer que em nenhum momento nos autos foi levantada a possibilidade de não se tratar de atividade rural. A DIPJ acostada aos autos aponta que a contribuinte exerce atividade rural —"criação de bovinos" (fls. 04). Neste ponto, valho-me do voto proferido no acórdão CSRF/01-05.375 (Processo n° 104120.003771/2001-35), ao tratar da mesma matéria: "Ocorre que a empresa se dedica exclusivamente a atividade rural, e está regida quanta à apuração do lucro liquido pela lei n° 8.023/90 lei n° 8.023, de 12 de abril de 1990 Art 4° - Considera-se resultado da atividade rural a diferença entre os valores das receitas recebidas e das despesas pagas no ano-base § • 1° - É indedutivel o valor da correção monetária dos empréstimos contraídos para financiamento da atividade rural. § 2° - Os investimentos são considerados despesa no més do efetivo pagamento.. Para efeito do Imposto de renda, a própria administração, através da IN SRF 51 de 31,10.95, reconheceu que a limitação de compensação de prejufros estabelecida pelo artigo 42 da Lei n° 8,981/95, não se aplica às pessoas jurídicas que tenham por objeto a exploração da atividade rural. O SRF ancorou tal dispensa na Lei n°8 023/90, que rege a atividade rural IN SRF n° 11/96 Art. 35. Para fins de determinação do lucro real, o lucro liquido, depois de ajustado pelas adições e exclusões previstas au autorLadas pela legislação do imposto de renda, poderá ser redzcido pela compensação de prejufros fiscais em até, no máximo trinta por cento. § - O limite de redução de que trata este artigo não se aplica aos prejuLos fiscais apurados pelas pessoas jurídicas que tenham por objeto a exploração de atividade ruraL bem como aos apurados pelas empresas industriais titulares de Programas Especiais de Exportação aprovados até 3 de junho de 1993, pela Comissão para Concessão de Beneficios Fiscais a programas Especiais de Exportação — BEF1EX, nos termos, respectivamente, da Lei no 8.023, de 12 de abril de 1990 e do ioro ;11 .212C10 ç:ur C.AY:Tf_i ALBERT!) FREITAS BARRETC 572.i12/201 1) per KAREN1JUNEIDi nj: r;r4ittit; ;;;;; t:;;112i2Z1 i 1 ;RE4)11, 11 DIAS r-HH'Hif] 5.1 tv rD1-t.,Lip artigo 95 da Lei no 8.981 com redação dada pela Lei n°9.065, ambas de 1995 " Com efeito, as empresas que tenham por objeto social a atividade rural, assim d da aquela discriminada pet() artigo 2 ° da Lei no 8.023/1990, não estão submetidas ção na compensação do lucro auferido no período, podendo compensá-lo integralmente a ,base de calculo negativa acumulada de períodos anteriores, consoante o disposto no 14 da aludida norma, abaixo transcrita: "Art 14 0 prejuízo apurado pela pessoa fisica e pela pessoa jurídica poderá ser compensado corn o resultado positivo obtido 4ire, nos anos-base posteriores Parágrafo único. 0 disposto neste artigo aplica-se, inclusive, ao saldo de prejuLos anteriores, constante da declaração de rendimentos relativa ao ano-base de 1989 " assim, que a limitação imposta originariamente pela Lei n ° 1/1995, não alcançou os contribuintes que tenham por objeto a atividade rural, cuja 00 do lucro é regulamentada por norma especifica Alias, tal situação foi reconhecida ssamente pela Secretaria da Receita Federal, conforme se verifica da Instrução Normativa 11995, verbis: "Art 27 — A partir do ano-calendário de 1995, para fins de determinação do lucro real, o lucro liquido, depois de ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do imposto de renda, poderá ser deduzido pela compensação dc prejulzos fiscais em até, no maxima, trinta por cento §3° O limite de redução de que trata este at tigo não se aplica aos prejuizos fiscais apurados pelas pessoas jurídicas que tenham por objeto a exploração de atividade rural, bem coma pelas empresas industriais titulares de Programas Especiais de Exportação aprovados até 3 de junho de 1993. pela Comissão para Concessão de Beneficios Fiscais a Programas Especiais de Exportação — BEFIEY; nos termos, respectivamente, da Lei re 8023, de 12 de abril de 1990 e do art. 95 da Lei n" 8981 corn a redação dada pela Lei n°9065, ambas de 1995 11 O governo, inclusive, confirmou a não aplicação da referida limitação por da legislação abaixo transcrita: MP 1991-15 de 10 de março de 2 000 Art 42 — O limite máximo de redução do lucro liquido ajustado, previsto no artigo 16 da Lei n°9.065, de 20 de junho de 1995, não se aplica ao resultado decorrente da exploração de atividade rural, relativamente à compensação de base negativa da CSLL Ademais, esta questão já foi pacificada pela jurisprudência deste Conselho inistrativo, o qual firmou entendimento no sentido de que a limitação de 30% na pensação do lucro liquido ajustado não se aplica as empresas voltadas à atividade rural, de ,h I er, ern 1 i 12I2C pOr FO FREITAS BAP RETO, .0;!12:20 cr EAREr.il SUREIDI Dirn5nt5 ern212C. If] ' 4 12311 Fl F30 Processo n° 10140 003546/2002-41 csr(F-r AcOrd5o n ° 9101-0IL746 Fl 3 acordo com o que indica a ementa de decisão proferida pela P Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Conselho de Contribuintes: TONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO — ATIVIDADE RURAL — COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS ACUMULADAS DE PERÍODOS ANTERIORES — LIMITAÇÃO A 30 DO LUCRO LIQUIDO AJUSTADO (TRAV4)— A limitação a 30% do lucro liquido ajustado para compensação de prejukos fiscais e de bases negativas acumuladas da CSLL não e aplicável atividade rural" (Recurso n° 105-123691, Sessão de 11,082003) Portanto, tratando-se de matéria cujo entendimento já está pacificado neste Conselho Administrativo, a conclusão não pode ser outra sendo a de que tal limitação de 30% na compensação da base de cálculo negativa da CSLL não pode ser aplicada para as empresas, como a ora Recorrente, que exercem atividade rural, mesmo se se tratar de período anterior vigância do artigo 42, da Medida Provisória n° 1991-15, de 10 de março de 2000. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso interposto pela Fazenda Nacional e negar-lhe provimento. Sala das Sessões, 10 de novembro de 2010. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias. 10 de novembro de 2010 ertz-, 1 . 1./12/2ci rC, RLC)S AL3Eill -r) FIREiTr.S B1RETO. Dr:412,201 rj JUREIDI d am Z..r.te per 1::
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Numero do processo: 13748.000284/2005-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 1991
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DESISTÊNCIA DE
RECURSO. PARCELAMENTO ESPECIAL. Formalizada, expressamente, a
desistência do recurso pela recorrente, em virtude de pedido de parcelamento especial, não se conhece do apelo voluntário.
Numero da decisão: 3201-000.786
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nota de Correção: Conforme a ata de julgamento do dia 09/2011, o acórdão formalizado como 3201-000.736, e na verdade é o 3201-000.786.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Nota de Correção: Conforme a ata de julgamento do dia 09/2011, o acórdão formalizado como 3201-000.736, e na verdade é o 3201-000.786.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1991 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DESISTÊNCIA DE RECURSO. PARCELAMENTO ESPECIAL. Formalizada, expressamente, a desistência do recurso pela recorrente, em virtude de pedido de parcelamento especial, não se conhece do apelo voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM Presidente. DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. DANIEL MARIZ GUDIÑO Redator designado. EDITADO EM: 01/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim (presidente da turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vice presidente), Robson José Bayerl, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luis Eduardo Garrosino Barbieri e Daniel Mariz Gudiño. Ausente justificadamente a Conselheira Judith do Amaral Armando Marcondes. Fl. 146DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões de recurso voluntário apresentado pela Recorrente: Em 17.06.2005, a Petro Ita Transportes Coletivos de Passageiros Ltda apresentou a Declaração de Compensação de fl. 01, com o objetivo de ver reconhecido seu direito creditório de R$ 3.084,39 e de compensálo com o débito de PIS relativo a maio de 2005, no valor de R$ 7.804,01. De acordo com o demonstrativo de fl. 02, o crédito pleiteado tem origem no pagamento de CSLL (código 2372), efetuado em 30.04.1991, que, segundo o interessado, seria indevido por constar da "relação de pagamentos não alocados"a ele fornecida pela DRF Nova Iguaçu. Às fls. 14/17, o interessado juntou cópia de decisão de 2004, em ação de habeas data por ele impetrada em 2003, deferindo medida liminar para determinar que o Delegado da Receita Federal em Nova Iguaçu lhe fornecesse todos os registros, em poder daquela autoridade, relativos aos seus pagamentos de tributos federais de 1983 a 1998. Em 23.06.2009, foi emitido Despacho Decisório pela DRF Nova Iguaçu RJ, indeferindo o pleito, com base no Parecer Seort n° 359/2009 (fls. 30/32). Segundo consta do Parecer Seort, o indeferimento teve os seguintes motivos: • O fato de um pagamento constar nos registros da Receita Federal como "disponível" ou como "não alocado", por si só, não lhe confere o caráter de pagamento indevido ou a maior, e indica apenas que o sistema informatizado não localizou o débito correspondente, o que pode, inclusive, decorrer de falha ou omissão nas informações prestadas pelo próprio contribuinte; e • Ainda que se houvesse comprovado tratarse de pagamento indevido ou a maior, o pedido achase fulminado pela decadência pois os darf foram recolhidos mais de cinco anos antes da data da formalização do pedido (17.06.2005), de acordo com os artigos 156 e 168 do Código Tributário Nacional — CTN e com o Ato Declaratório SRF n° 96/99. Cientificado do Despacho Decisório por meio da intimação datada de 09.07.2009 (fl. 35), o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 37/44, em 06.08.2009, alegando, em síntese, que: a) Somente após o recebimento das informações da DRF Nova Iguaçu, em cumprimento ao habeas data, quando teve conhecimento da existência dos créditos, é que se iniciou o Fl. 147DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13748.000284/200565 Acórdão n.º 320100.736 S3C2T1 Fl. 2 3 prazo prescricional, já que não há incidência de prescrição sobre fato desconhecido; b) O direito de postulação só se inicia quando se conhece o fato que agride seu direito, conforme jurisprudência reproduzida e juntada; e c) Somente com a negativa do direito, passaria a fluir o prazo prescricional; Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 23/02/2010, a 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ1) julgou improcedente a manifestação de inconformidade da ora Recorrente, conforme Acórdão n° 1228.548 (fls. 101/104): ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1991 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. A restituição só pode ser requerida até cinco anos após o pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente foi cientificada do teor da INTIMAÇÃO n°171/2010, em 31/05/2010 (f1. 96), tendo protocolado seu recurso voluntário em 16/06/2010 (fl. 97/100), que, em síntese, ataca a violação do princípio da transparência por parte da Administração Tributária, não fazendo qualquer oposição quanto à alegação de escoamento do prazo decadencial. Adicionalmente, antes mesmo de formalizar o recurso voluntário, a própria Recorrente apresentou requerimento endereçado ao Delegado da Receita Federal de Julgamento e ao Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais com vistas a desistir dos recursos administrativos atrelados ao processo em questão, e, assim, aderir ao parcelamento especial previsto na Lei nº 11.941 de 2009 (fl. 106). Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 01/03/2011. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Fl. 148DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Embora o recurso voluntário atenda aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972 e alterações posteriores, dele não tomo conhecimento em razão do requerimento de desistência de recursos administrativos atrelados ao processo em questão (fl. 106). Isso porque, a teor do art. 78 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores, o pedido de parcelamento importa em desistência do recurso e renúncia ao direito sobre o qual se funda. É como voto. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 149DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 11080.011547/2006-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
MPF. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. DESCABIMENTO.
Os documentos dos autos demonstram ter havido emissão de Mandado de Procedimento Fiscal Extensivo para que a fiscalização fizesse a intimação às empresas prestadoras de serviço para a autuada, o que torna regular o procedimento fiscal.
MPF. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Mesmo que houvesse irregularidade na emissão e trâmite do mandado de procedimento fiscal, esta não implica nulidade do lançamento, pois o MPF consiste em mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização.
NULIDADE.
Se o auto de infração possui todos os requisitos necessários a sua formalização, estabelecidos pelo art. 10 do Decreto 70235/1972. e se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 daquele diploma legal, não se justifica a decretação da nulidade do lançamento.
INCONSTITUCIONALIDADES.
Quando o contribuinte entende-se
prejudicado por lei vigente que increpa de inconstitucional, só lhe resta a via do Poder Judiciário para reclamar seu pretenso direito, pois falece competência à autoridade administrativa para
apreciação de inconstitucionalidade de lei, cabendo-lhe apenas acatar e fazer cumprir seus ditames.
CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL.
A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial - por qualquer modalidade processual - antes
ou posteriormente 'à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
DESPESAS COM SERVIÇOS E COMISSÕES.
São indedutíveis as despesas com comissões e serviços lastreadas em documentação cujo exame pelo Fisco comprovou sua inidoneidade pela utilização de empresas notoriamente incapazes para sua realização, agravada pelo fato de que os pagamentos foram realizados em moeda corrente, na sede da empresa tomadora dos referidos serviços.
MULTA AGRAVADA.
Constatado evidente intuito de fraude, e procedente o agravamento da multa de oficio para 150%.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Data do fato gerador: 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 31/10/2002, 30/11/2002, 31/12/2002, 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003,
30/11/2003, 31/12/2003, 31/01/2004, 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004
PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. PAGAMENTO A
TERCEIRO SEM PROVA DA CAUSA OU OPERAÇÃO.
Os pagamentos efetuados a beneficiários não identificados ou entregues a terceiros ou sécios sem comprovação da operação ou a sua causa, sujeitam-se tributação exclusivamente na fonte à alíquota de 35%.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
LANÇAMENTO DECORRENTE.
Solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, estende-se aos demais lançamentos decorrentes quando tiver por fundamento o mesmo suporte fático.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003,
30/11/2003, 31/12/2003, 31/01/2004, 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004
LANÇAMENTO DECORRENTE.
Solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, estende-se aos demais lançamentos decorrentes quando tiver por fundamento o mesmo suporte fático.
CRÉDITOS DO PIS/PASEP. DESPESAS COM COMISSÃO. AGENDAMENTO
DE CLIENTES. IMPOSSIBILIDADE.
São descontados da base de cálculo da contribuição somente os créditos decorrentes dos serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. No caso concreto, a atividade de agenda de clientes para assessoria tributária não é insumo, pois antecede cronologicamente a execução desses serviços. Embora a
remuneração das comissões, por disposição contratual entre as partes, incida sobre as receitas auferidas com a prestação dos serviços de assessoria tributária, com ela não se confunde nem a integra, sendo despesa de caráter nitidamente comercial.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004
LANÇAMENTO DECORRENTE
Solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e PIS, estende-se aos demais lançamentos decorrentes quando tiver por fundamento o mesmo suporte fático.
Numero da decisão: 1402-000.701
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar provimento ao recurso. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
1.0 = *:*
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 MPF. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. DESCABIMENTO. Os documentos dos autos demonstram ter havido emissão de Mandado de Procedimento Fiscal Extensivo para que a fiscalização fizesse a intimação às empresas prestadoras de serviço para a autuada, o que torna regular o procedimento fiscal. MPF. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Mesmo que houvesse irregularidade na emissão e trâmite do mandado de procedimento fiscal, esta não implica nulidade do lançamento, pois o MPF consiste em mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização. NULIDADE. Se o auto de infração possui todos os requisitos necessários a sua formalização, estabelecidos pelo art. 10 do Decreto 70235/1972. e se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 daquele diploma legal, não se justifica a decretação da nulidade do lançamento. INCONSTITUCIONALIDADES. Quando o contribuinte entende-se prejudicado por lei vigente que increpa de inconstitucional, só lhe resta a via do Poder Judiciário para reclamar seu pretenso direito, pois falece competência à autoridade administrativa para apreciação de inconstitucionalidade de lei, cabendo-lhe apenas acatar e fazer cumprir seus ditames. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial - por qualquer modalidade processual - antes ou posteriormente 'à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 DESPESAS COM SERVIÇOS E COMISSÕES. São indedutíveis as despesas com comissões e serviços lastreadas em documentação cujo exame pelo Fisco comprovou sua inidoneidade pela utilização de empresas notoriamente incapazes para sua realização, agravada pelo fato de que os pagamentos foram realizados em moeda corrente, na sede da empresa tomadora dos referidos serviços. MULTA AGRAVADA. Constatado evidente intuito de fraude, e procedente o agravamento da multa de oficio para 150%. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Data do fato gerador: 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 31/10/2002, 30/11/2002, 31/12/2002, 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003, 31/01/2004, 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. PAGAMENTO A TERCEIRO SEM PROVA DA CAUSA OU OPERAÇÃO. Os pagamentos efetuados a beneficiários não identificados ou entregues a terceiros ou sécios sem comprovação da operação ou a sua causa, sujeitam-se tributação exclusivamente na fonte à alíquota de 35%. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 LANÇAMENTO DECORRENTE. Solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, estende-se aos demais lançamentos decorrentes quando tiver por fundamento o mesmo suporte fático. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003, 31/01/2004, 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 LANÇAMENTO DECORRENTE. Solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, estende-se aos demais lançamentos decorrentes quando tiver por fundamento o mesmo suporte fático. CRÉDITOS DO PIS/PASEP. DESPESAS COM COMISSÃO. AGENDAMENTO DE CLIENTES. IMPOSSIBILIDADE. São descontados da base de cálculo da contribuição somente os créditos decorrentes dos serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. No caso concreto, a atividade de agenda de clientes para assessoria tributária não é insumo, pois antecede cronologicamente a execução desses serviços. Embora a remuneração das comissões, por disposição contratual entre as partes, incida sobre as receitas auferidas com a prestação dos serviços de assessoria tributária, com ela não se confunde nem a integra, sendo despesa de caráter nitidamente comercial. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 LANÇAMENTO DECORRENTE Solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e PIS, estende-se aos demais lançamentos decorrentes quando tiver por fundamento o mesmo suporte fático.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2335; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 8.897 1 8.896 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.011547/200616 Recurso nº 166.627 Voluntário Acórdão nº 140200.701 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 5 de agosto de 2011 Matéria IRPJ Recorrente IAB ASSESSORIA TRIBUTARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003, 2004 MPF. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. DESCABIMENTO. Os documentos dos autos demonstram ter havido emissão de Mandado de Procedimento Fiscal Extensivo para que a fiscalização fizesse a intimação às empresas prestadoras de serviço para a autuada, o que torna regular o procedimento fiscal. MPF. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Mesmo que houvesse irregularidade na emissão e trâmite do mandado de procedimento fiscal, esta não implica nulidade do lançamento, pois o MPF consiste em mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização. NULIDADE. Se o auto de infração possui todos os requisitos necessários a sua formalização, estabelecidos pelo art. 10 do Decreto 70235/1972. e se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 daquele diploma legal, não se justifica a decretação da nulidade do lançamento. INCONSTITUCIONALIDADES. Quando o contribuinte entendese prejudicado por lei vigente que increpa de inconstitucional, só lhe resta a via do Poder Judiciário para reclamar seu pretenso direito, pois falece competência à autoridade administrativa para apreciação de inconstitucionalidade de lei, cabendolhe apenas acatar e fazer cumprir seus ditames. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente 'à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 140200.701 S1C4T2 Fl. 8.898 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 DESPESAS COM SERVIÇOS E COMISSÕES. São indedutíveis as despesas com comissões e serviços lastreadas em documentação cujo exame pelo Fisco comprovou sua inidoneidade pela utilização de empresas notoriamente incapazes para sua realização, agravada pelo fato de que os pagamentos foram realizados em moeda corrente, na sede da empresa tomadora dos referidos serviços. MULTA AGRAVADA. Constatado evidente intuito de fraude, e procedente o agravamento da multa de oficio para 150%. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 31/10/2002, 30/11/2002, 31/12/2002, 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003, 31/01/2004, 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. PAGAMENTO A TERCEIRO SEM PROVA DA CAUSA OU OPERAÇÃO. Os pagamentos efetuados a beneficiários não identificados ou entregues a terceiros ou sécios sem comprovação da operação ou a sua causa, sujeitamse tributação exclusivamente na fonte à alíquota de 35%. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002, 2003, 2004 LANÇAMENTO DECORRENTE. Solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, estendese aos demais lançamentos decorrentes quando tiver por fundamento o mesmo suporte fático. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003, 31/01/2004, 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 LANÇAMENTO DECORRENTE. Solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, estendese aos demais lançamentos decorrentes quando tiver por fundamento o mesmo suporte fático. CRÉDITOS DO PIS/PASEP. DESPESAS COM COMISSÃO. AGENDAMENTO DE CLIENTES. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 140200.701 S1C4T2 Fl. 8.899 3 São descontados da base de cálculo da contribuição somente os créditos decorrentes dos serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. No caso concreto, a atividade de agenda de clientes para assessoria tributária não é insumo, pois antecede cronologicamente a execução desses serviços. Embora a remuneração das comissões, por disposição contratual entre as partes, incida sobre as receitas auferidas com a prestação dos serviços de assessoria tributária, com ela não se confunde nem a integra, sendo despesa de caráter nitidamente comercial. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 LANÇAMENTO DECORRENTE Solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e PIS, estendese aos demais lançamentos decorrentes quando tiver por fundamento o mesmo suporte fático. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar provimento ao recurso. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 140200.701 S1C4T2 Fl. 8.900 4 Relatório IAB Assessoria Tributária Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 5ª Turma da DRJ Porto Alegre/RS, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Contra a empresa acima qualificada foram lavrados os autos de infração de Imposto de Renda Retido na Fonte, fls. 2.516, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, fls. 2.526 e Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, fls. 2.534. O crédito tributário do presente processo atinge o montante de R$ 40.352.698,34 (quarenta milhões, trezentos e cinqüenta e dois mil, seiscentos e noventa e oito reais e trinta e quatro centavos), atualizado até 30/11/2006. Os processos de números 11080.011548/200652 e 11080.011549/200605 foram apensados ao presente processo por anexação, tendo em vista determinação da Portaria SRF n°. 6.129, de 02 de dezembro de 2005, artigo 1°, inciso I, alíneas "a" e "b". Desse modo, também integram o crédito tributário do presente processo as exigências consubstanciadas nos autos de infração de fls. 5.571 e 8.604, referentes à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), no valor de R$ RS 869.321,79 e Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no valor de R$ 393.187,00. Em resumo, foram glosadas despesas de comissões decorrentes de agendamento de clientes e de serviços prestados na área de assessoria tributária, ambos realizados pelas empresas JOR Assessoria Empresarial Ltda. (JOR) e J & S Agenciamentos, Publicidade e Representações Ltda. (J & S), bem como exigido o imposto de renda na fonte sobre os pagamentos realizados a beneficiário não identificado por conta de tais operações. Também foram glosados os créditos de PIS/Cofins referentes àqueles operações. O crédito tributário foi lançado com multa qualificada de 150% pela comprovação, no entender da fiscalização, de evidente intuito de fraude naquelas operações. Também foram glosados os créditos de PIS/Cofins decorrentes das comissões auferidas por outras empresas além de JOR e J & S, por se tratarem de despesas comerciais e não insumos. As razões da autuação estão contidas no relatório de ação fiscal de fls. 2.496(2.515, a seguir sinteticamente relatadas. A empresa autuada optou pela tributação pelo lucro real no período abrangido pelo auto de infração, apurações anuais, conforme consta das DIPJ de fls. 58/292. Foram identificados, no curso da ação fiscal, pagamentos de valores expressivos a JOR, referentes a serviços que teriam sido prestados nos anos de 2002, 2003 e 2004, bem como à empresa J & S em 2004. A fiscalizada informou que os valores referemse a comissões por indicação de clientes e realização de serviços técnicos de levantamento de documentos para apuração de créditos fiscais decorrentes de teses desenvolvidas pela IAB na área Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 140200.701 S1C4T2 Fl. 8.901 5 tributária, digitação e conferência de relatórios decorrentes dos levantamentos realizados. A fiscalização, ao examinar a documentação entregue — contrato de fls. 1.706/1.711 e notas fiscais e outros documentos, fls. 1.712/1.842 — chegou as seguintes considerações: a) os pagamentos foram efetuados em espécie, mediante autorização de entrega do numerário pelo Banco Itaú na sede de empresa, por débito autorizado de contacorrente mantida pela empresa naquele banco, sem apresentação de nenhum recibo de JOR relativamente às importâncias consignadas; b) o comportamento da empresa não é usual, tendo em vista que valores vultosos, cerca de R$ 11,000.000,00 para JOR e R$ 4.000.000,00 para J & S, são pagos em moeda corrente, sem nenhum recibo ou quitação do recebedor; c) JOR indica como endereço a rua Voluntários da Pátria, 311, sala 3, em Porto Alegre, onde está em atividade centro de culto AfroBrasileiro 116 dos Orixás; d) o sócio Jose Oscar Rodrigues vendeu sua participação em JOR para Eli Rodrigues e Raimundo Nonato da Silva em março de 2003, pelo valor de R$ 50.000,00, que residem, respectivamente, na rua E, 171, Vila Nova Americana — Alvorada e Acesso G 2, 2317 — 2 Unidade — Restinga Nova — Porto alegre, não constando que possuam patrimônio; e) José Oscar Rodrigues também é sócio de J & S, que prestou serviços no montante de cerca de quatro milhões de reais e que possui sede na rua Otávio Rocha no 22 conjunto 203, que mantém até hoje no seu cadastro perante a Receita Federal, embora funcione no local uma pequena loja de conserto de relógios de nome "Martelo"; f) o patrimônio de José Oscar Rodrigues e de seu cônjuge é insignificante frente às importâncias supostamente recebidas de IAB; g) ambas as empresas faturaram mais de quinze milhões de reais em 2002, 2003 e 2004, com sedes em pequenos locais e sem nenhuma estrutura para a prestação dos serviços indicados; h) o sr. José Oscar Rodrigues afirmou que recebia um percentual de 4% do valor indicado, que foi reduzido para 1% ao longo do tempo; i) relativamente à JOR, José Oscar esclarece que foi sócio até março de 2003, sendo os serviços prestados os mesmos daqueles prestados pela J & S e que, após a sua saída da JOR, ficou com procuração dos novos sócios (fls. 2205/2206), e que as notas fiscais emitidas foram preenchidas pessoalmente por ele; j) que a JOR foi vendida sem o recebimento de nenhum numerário e que os novos sócios não tiveram nenhum conhecimento das operações com a JAB, fato confirmado pelo adquirente Eli Rodrigues da Luz, que é vendedor autônomo e confirmou que não teria recebido dinheiro da JAB e a empresa nunca teria chegado a operar desde o seu ingresso, confirmando ter nomeado José Oscar como seu procurador; Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 140200.701 S1C4T2 Fl. 8.902 6 k) intimada, JAB informou que as comissões da JOR são referentes à indicação das empresas Grupo Pão de açúcar, Construtora Sultepa, Lojas Fischer Ltda, Laboratório Wesp Ltda e outras empresas; e que JAB sub contratou JOR para realizar serviços técnicos tais como levantamento de documentos, digitação c conferência de relatórios decorrentes dos levantamentos realizados; l) IAB informou também que as comissões da J & S são devidas pela indicação do Grupo Sonae e Grupo Pão de Açúcar, também havendo serviços prestados de levantamento de documentos para apuração de créditos fiscais, digitação e conferência de relatórios decorrentes dos levantamentos realizados; m) IAB solicitou que fossem entregues apenas os documentos comprobatórios referentes aos pagamentos mais expressivos, tendo em vista dificuldade no seu levantamento, o que foi aceito pela fiscalização; n) A fiscalização deduziu, com base no exame dos documentos apresentados, que os procedimentos adotados pela IAB são os mesmos, quer se refiram a JOR — anoscalendários 2002, 2003 e 2004 ou a J & S anocalendário 2004; o) Conclui a fiscalização que não foi apresentada nenhuma comprovação dos serviços executados, a não ser uma cópia da listagem "Demonstrativo p/Comissionado", onde constam controles de comissões das empresas acima mencionadas; p) Os contratos apresentados entre IAB e JOR e IAB e J & S têm como objeto a indicação, abordagem e contratação de clientes interessados na realização de planejamento tributário; q) Para a execução de tais serviços (comissões) foram pagos para JOR R$ 9.538.686,95 nos anoscalendários de 2002 a 2004, e R$ 3.875.297,48 para J & S em 2004; r) Evidenciase o pagamento de serviços idênticos para ambas empresas, cuja execução teria sido implementada pela mesma pessoa, Sr. Jose Oscar Rodrigues; s) Foram pagos R$ 1.464.472,74 para JOR e R$ 1.790.472,14 para J & S pelos serviços profissionais nos anoscalendários de 2002,2003 e 2004; t) O próprio José Oscar declara (Os. 2197/2202) que prestava serviços preliminares, como revisão de declarações de imposto de renda, livros fiscais e agenda de visitas dos advogados da IAB, tendo recebido 4% do valor das notas, percentual que foi reduzido para 1% com o transcorrer do tempo, para a realização de tais serviços. u) Outra infração apontada foi a glosa dos créditos de PIS e de Cofins referentes a "serviços utilizados como insumos", contabilizados corno comissões; v) Nos ternos do inciso II do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, os créditos passíveis de utilização são aqueles relacionados aos bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços, que são a matéria prima, materiais secundários e horas trabalhadas que concorrem na obtenção de um produto ou serviço, integrando o referido produto ou Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 140200.701 S1C4T2 Fl. 8.903 7 serviço, o que não ocorre com as despesas de comissões com agendamento de clientes, que se trata de despesa de natureza comercial que não está incluída na previsão legal. w) Também foram objeto de glosa os créditos (PIS/COFINS) e as despesas referidas na primeira parte do relatório referentes às operações contratadas com JOR e J & S, tendo em vista que tais operações não existiram; x) Nas operações com as empresas JOR e J & S foi aplicada multa qualificada de 150%, tendo em vista que as operações foram fraudulentas, com simulação de pagamento de importâncias em espécie a empresas sem capacidade ou estrutura para realizar os referidos serviços; y) Por último, houve o lançamento para prevenir a decadência relativo aos valores decorrentes da isenção da Cofins às sociedades civis, tendo em vista a existência de mandado de segurança impetrado pela empresa, processo 2001.71.00.0245248, com recurso especial provido para a parte e recurso extraordinário por parte da Fazenda Nacional em processamento; z) No lançamento da Cofins foram contemplados créditos indevidos decorrentes das operações tipificadas como fraudulentas bem como daqueles créditos glosados por serem incabíveis (despesas comerciais indevidamente consignadas como insumos). Em ambos os casos não foi aplicada multa de oficio tendo em vista a circunstância de que o lançamento foi lançado com suspensão de exigibilidade em virtude da ação judicial interposta pela interessada se encontrar com recurso especial provido no STJ em seu favor por ocasião do lançamento; aa) Foi lançado PIS também sobre valores decorrentes de créditos obtidos de operações reputadas fraudulentas, bem como daqueles créditos glosados por serem incabíveis (despesas comerciais), os primeiros com imposição de multa qualificada de 150% e os segundos com multa de 75%. A interessada apresentou, tempestivamente, impugnações de fls. 2.547/2.572, fls. 5.589/5.620 e 8.617/8.620 com as alegações sintetizadas abaixo. Das Questões Prejudiciais à Apreciação do mérito Em primeiro lugar, pede a nulidade do lançamento, tendo em vista transgressão à indicação do MPF, que deveria facultar a fiscalização externa no domicilio do contribuinte, vedada a tomada de depoimentos de terceiros sem aditamento no MPF, com intimação escrita às empresas citadas no procedimento fiscal (nulidade). Continuando, alega que o sócio José Oscar teria sido ameaçado de prisão caso as respostas não se apresentassem na linha em prejuízo da impugnante, tendo sido descaracterizados os depoimentos por coação do auditorfiscal, sendo de valor probatório nenhum para o presente processo, o que redunda em subtração do principal elemento probatório, o que acarreta a nulidade do lançamento coma um todo (nulidade); Alega também a suspeição da parcialidade do autuante, visto que fatos idênticos relacionados à empresa Simfer não foram lançados, tendo em vista que seu emitente, Vicente Lobo Simões Junior, possui a condição de auditor aposentado, Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 140200.701 S1C4T2 Fl. 8.904 8 com patrimônio, prova a ser trazida aos autos mediante diligencia que requer (nulidade e pedido de diligência). Outro fato capaz de inquinar de nulidade o procedimento fiscal é o critério de verificação dos fatos por amostragem, o que redunda em omissão, pois de 85 notas fiscais emitidas pelas empresas JOR e J & S , apenas duas foram utilizadas para comprovar a suposta fraude, num percentual de 2,35% (nulidade). Aduz que a prova da efetiva transferência dos valores ficou obstada porque o exame dos documentos bancários depende do aval de José Oscar Rodrigues, não disponibilizado pela instituição financeira à impugnante, pelo que requer diligência (diligência). Não há lógica na conclusão a que chegou a fiscalização, já que a presunção do pagamento sem causa ou a beneficiários não identificados é relativa, podendo ser realizada no curso do processo administrativo fiscal. Se a presunção foi baseada em meras conjecturas, por amostragem, tratase de presunção comum, incapaz de sustentar a lavratura de um auto de infração. Traz jurisprudência do Conselho de Contribuintes no sentido que defende (nulidade). Pede também diligência no sentido de que se juntem os documentos contábeis e fiscais das empresas JOR e J & S, para que se conheça se escrituraram regularmente os valores recebidos, pois se não escriturou ela é que deve ser penalizada e se escriturou, valeuse de expediente regular (diligência). Do Mérito Quanto ao mérito, são expostas as seguintes razões. IRRF Para o lançamento do imposto de renda relido na fonte, é necessário afastar as causas do pagamento e demonstrar que inexiste contraprestação que o justifique. Se o beneficiário não existe, como foram identificados JOR e J & S, pergunta a impugnante. As empresas existem e foram identificadas e ouvidas e houve o efetivo pagamento a ambas, inclusive com retenção de imposto na forma legal. O serviço tem causa na indicação de clientes e intermediação de contratos de planejamento tributário e apuração de créditos tributários, dentre outros. As notas fiscais mencionavam relatórios com os respectivos clientes, o que demonstra a efetividade das operações. Não compreende a insistência da fiscalização em exigir recibos de pagamento, já que tais documentos podem ser feitos a qualquer momenta. As notas fiscais "constituem ato comercial", estando devidamente escrituradas em seus livros fiscais e contábeis. O ônus da prova da qualquer irregularidade é da fiscalização e não do contribuinte. IRPJ e CSLL A opção da interessada é pelo lucro real anual, com alíquota de 15% e adicional sobre a parcela excedente a R$ 20.000,00, tendo o adicional (demonstrativos de fls. 2538/2540) incidido sobre a mesma base tributável do IR, afrontando o comando legal. De outra parte, utiliza os mesmos argumentos expendidos quando da impugnação ao IRRF para refutar o lançamento do IRPJ c CSLL. Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 140200.701 S1C4T2 Fl. 8.905 9 Da Multa Em primeiro lugar, a multa é flagrantemente confiscatória, por afronta ao artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. A que se respeitar os principias da razoabilidade em face do total do crédito adimplido e ao princípio da proporcionalidade da sanção à infração cometida, tendo em vista a elevada carga tributária e o "excesso de inadimplementos", que levam à impossibilidade do pagamento, finalidade principal da lei tributária. Transcreve doutrinadores que referem o princípio da razoabilidade e da proibição do excesso, bem como na aplicação subsidiária da Lei 9.784/1999, bem como nos princípios da lealdade, boafé e igualdade no processo administrativo. Junta precedentes jurisprudenciais que confirmariam sua linha de entendimento. No caso em questão, não houve descrição especifica dos fatos, não havendo como conhecer da motivação, ainda mais que sempre colaborou com a fiscalização, entregando todos os documentos solicitados. Diligências esclarecimento se Vicente Lobo Simões Júnior é auditorfiscal aposentado; esclarecimento se JOR e J & S contabilizaram os valores pagos por IAB, inclusive com entrega de DCTF, DIPJ e Dacon; esclarecimento da questão do pagamento, inclusive com pedido de entrega, pelo Banco Itaú dos "controles de transações em espécie" em nome de JOR, J & S e na pessoa física de José Oscar, Do Pedido Requer o provimento das preliminares de nulidade suscitadas, e, no mérito, declaração da insubsistência do auto de infração, ou sucessivamente, da condenação apenas em relação às duas notas fiscais inidôneas, refazimento do adicional do IR e desqualificação da multa. Cofins No que diz respeito à Cofins, alega, tempestivamente, o que segue. Pede a insubsistência do auto de infração, tendo em vista ser isenta da Cofins nos termos da Lei Complementar nº 70, de 1991, no seu artigo 6º, nos termos de decisão judicial proferida pelo STJ. Pis Quanto ao Pis, alega os mesmos fatos narrados na impugnação ao auto de infração do IRRF, no que pertine aos créditos oriundos das operações realizadas com JOR e J & S. Quanta à glosa dos créditos utilizados como insumos, argumenta que as despesas com captação de clientes são indispensáveis ao exercício de suas atividades. O próprio STF (RE 79.601) posicionouse no sentido de confirmar o direito ao crédito pela entrada de mercadorias que "ainda que não integrem o produto final Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 140200.701 S1C4T2 Fl. 8.906 10 concorrem direta e necessariamente para este porque utilizados no processo de fabricação nele se consumindo". No caso em tela, sendo a empresa uma prestadora de serviços, seu produto final só pode ser a prestação de serviços, e que decisão contrária afronta o inciso II do artigo 3º da Lei 10.637, de 2002 e da Lei 10.835, de 2003. Além do mais, se o auto de infração diz que insumos são compostos de horas trabalhadas, ai deveriam ser enquadrados os serviços advocatícios e de consultoria. Cita doutrina sobre o tema, que afirma que nas prestadoras de serviço os insumos dependem da atividade exercida, mas que a quase totalidade dos dispêndios não deixa de ser insumo, citando exemplos, como gastos com viagens, computadores, etc. Colaciona a Solução de Consulta nº 206, de 30 de junho de 2004, que afirma que os pagamentos à titulo de gastos com telefone e assinatura de boletim especializado podem compor a base de cálculo dos créditos a serem descontados do PIS e da Cofins. Raciocinar de modo diverso implicaria ofender o principio da não cumulatividade, vez que a empresa que prestou o serviço recolheu o PIS. Cita outros pareceres da Receita Federal no sentido da possibilidade do utilização de tais insumos. Ataca a expressão natureza comercial, alegando que a empresa impugnante tem esta natureza e utilizase da prestação de serviços de outras pessoas jurídicas com mesmo intuito. Contesta a multa de oficio aplicada, pelas mesmas razões já externadas quando da impugnação ao IRRF. Anexa ao processo os documentos de fls. 2.575/3.043.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 10 14.893 (fls. 8.6758.701) de 11/01/2008, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003, 2004 MPF. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. DESCABIMENTO.Os documentos dos autos demonstram ter havido emissão de Mandado de Procedimento Fiscal Extensivo para que a fiscalização fizesse a intimação às empresas prestadoras de serviço para a autuada, o que torna regular o procedimento fiscal. MPF. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Mesmo que houvesse irregularidade na emissão e trâmite do mandado de procedimento fiscal, esta não implica nulidade do lançamento, pois o MPF consiste em mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização. Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 140200.701 S1C4T2 Fl. 8.907 11 NULIDADE. Se o auto de infração possui todos os requisitos necessários a sua formalização, estabelecidos pelo art. 10 do Decreto 70235/1972. e se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 daquele diploma legal, não se justifica a decretação da nulidade do lançamento. INCONSTITUCIONALIDADES. Quando o contribuinte entende se prejudicado por lei vigente que increpa de inconstitucional, só lhe resta a via do Poder Judiciário para reclamar seu pretenso direito, pois falece competência à autoridade administrativa para apreciação de inconstitucionalidade de lei, cabendolhe apenas acatar e fazer cumprir seus ditames. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente 'à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 DESPESAS COM SERVIÇOS E COMISSÕES. São indedutíveis as despesas com comissões e serviços lastreadas em documentação cujo exame pelo Fisco comprovou sua inidoneidade pela utilização de empresas notoriamente incapazes para sua realização, agravada pelo fato de que os pagamentos foram realizados em moeda corrente, na sede da empresa tomadora dos referidos serviços. MULTA AGRAVADA. Constatado evidente intuito de fraude, e procedente o agravamento da multa de oficio para 150%. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31107/2002, 31108/2002, 3010912002, 31/10/2002, 30/11/2002, 31/12/2002, 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003, 31/01/2004, 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. PAGAMENTO A TERCEIRO SEM PROVA DA CAUSA OU OPERAÇÃO. Os pagamentos efetuados a beneficiários não identificados ou entregues a terceiros ou sócios sem comprovação da operação ou a sua causa, sujeitamse tributação exclusivamente na fonte à alíquota de 35%. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO CSLL Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 140200.701 S1C4T2 Fl. 8.908 12 Anocalendário: 2002, 2003, 2004 LANÇAMENTO DECORRENTE. Solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, estendese aos demais lançamentos decorrentes quando tiver por fundamento o mesmo suporte fálico. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003, 31/01/2004, 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/1012004, 30/11/2004, 31/12/2004 LANÇAMENTO DECORRENTE. Solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, estendese aos demais lançamentos decorrentes quando tiver por fundamento o mesmo suporte fático. CRÉDITOS DO PIS/PASEP. DESPESAS COM COMISSÃO. AGENDAMENTO DE CLIENTES. IMPOSSIBILIDADE. São descontados da base de cálculo da contribuição somente os créditos decorrentes dos serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. No caso concreto, a atividade de agenda de clientes para assessoria tributária não é insumo, pois antecede cronologicamente a execução desses serviços. Embora a remuneração das comissões, por disposição contratual entre as partes, incida sobre as receitas auferidas com a prestação dos serviços de assessoria tributária, com ela não se confunde nem a integra, sendo despesa de caráter nitidamente comercial. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 LANÇAMENTO DECORRENTE. Solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e PIS, estendese aos demais lançamentos decorrentes quando tiver por fundamento o mesmo suporte fático.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 21/02/2008 (A.R. de fl. 8.718), a interessada interpôs recurso voluntário em 24/03/2008 (fls. 8.7198.751) onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 140200.701 S1C4T2 Fl. 8.909 13 O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Por entender que a decisão recorrida está bem abalizada, peço vênia ao i. Relator daquele Aresto para adotar seus fundamentos como razões de decidir neste Voto, na forma a seguir apresentada. Questões Prejudiciais ao Mérito MPF Resta claro, de plano, que não houve transgressão ou utilização indevida do Mandado de Procedimento Fiscal na tomada dos depoimentos dos sócios das empresas que prestavam serviços à impugnante. Os documentos de fls. 2.196 e 2.207 comprovam que foi aberto Mandado de Procedimento Fiscal Extensivo em nome, respectivamente, de J & S Agenciamentos Publicidade e Representações Ltda., e JOR Assessoria Empresarial Ltda., nos termos do artigo 80 da Portaria SRF 6.087, de 21 de novembro de 2005, que diz: Art. 8º A diligência para coletar informações e documentos destinados a subsidiar procedimento de fiscalização relativo a outro sujeito passivo será realizada mediante a apresentação de Mandado de Procedimento Fiscal Extensivo (MPFEx), do qual será fornecida cópia ao sujeito passivo diligenciado. §1º O MPFEx conterá as informações de que tratam os incisos I, II, IV, V, VI e VIII do MPF originário, observados os modelos aprovados por esta Portaria. § 2º A critério da autoridade outorgante, o procedimento de que trata o caput poderá ser realizado mediante a apresentação de MPFD. Ainda que não o fosse, há que se ponderar que eventual irregularidade no MPF não é causa de nulidade do lançamento, sendo esse instituto mero instrumento de planejamento e controle da ação fiscal, como indica jurisprudência do Conselho de Contribuintes a seguir transcrita: NORMAS PROCESSUAIS – MPF – É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário (Acórdão CSRF/0202187 — Sessão de 23/01/2006 — Por maioria de votos — Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres). MPF — FALTA DE RENOVAÇÃO NO PRAZO REGULAMENTAR — NULIDADE INOCORRENCIA O desrespeito à renovação do MPF no prazo previsto na Portaria SRF nº 1265/99 não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores (Acórdão CSRF/0105189 — Sessão de 14/03/2005 Por unanimidade de votos Rel. Cons. Jose. Henrique Longo). Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 140200.701 S1C4T2 Fl. 8.910 14 MPF — O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não implicando nulidade dos procedimentos fiscais as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. (Acórdão nº 10708028 — Sessão de 13/04/2005 — Por unanimidade de votos Rel. Cons. Nikon Péss — D.O. U. de 20/03/2006, Seção 1, p. 37). Declaração do Sr. José Oscar Em fase de impugnação, foi trazida aos autos declaração do Sr. José Oscar, fls. 2.595, desdizendo suas declarações de fls. 2.197/2.202. Em resumo, alega que suas afirmações anteriores foram falsas, inverídicas, sendo fruto do arbítrio, coação ou imaginação do auditorfiscal responsável pela tomada do seu depoimento. Claro está que se comprovado o uso de coação a prova é ilícita, cuja utilização no processo é vedada nos termos do artigo 5º, inciso a seguir transcrito. Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e, aos estrangeiros residentes no Pais a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade,à segurança e à propriedade, nos termos seguinte LVI são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos Porém, não há qualquer indício ou prova de que houve tal coação. Houve, isso sim, o comparecimento do referido depoente a sede da Delegacia da Receita Federal, para que prestasse normalmente esclarecimentos, que foram reduzidos a termo devidamente assinado. É uma acusação muito grave para que fique apenas inserida no contexto de uma impugnação. Contraditoriamente, no entanto, não se tem notícia de que alguma ocorrência ou denúncia fosse registrada nos órgãos competentes para sua averiguação, havendo tãosomente a juntada da retificação do depoimento prestado anexado à impugnação. É relevante notar que, e isso se verá mais adiante neste voto, sua declaração posterior não vem acompanhada de nenhuma nova prova de que efetivamente tenha prestado os referidos serviços e recebido aqueles valores, nem mesmo de uma declaração direta nesse sentido. Tratase apenas de uma negativa geral, evasiva e incongruente com os fatos e documentos trazidos pela fiscalização. Operações com a Empresa Simfer A questão relativa às operações da impugnante com a empresa Simfer não tem relação direta com as operações descaracterizadas pela fiscalização e constantes do lançamento. Embora se tratem também de serviços prestados para a impugnante, é empresa completamente distinta de JOR e J & S e os documentos comprobatórios das operações também são distintos, os montantes envolvidos também etc. A fiscalização entendeu por bem em não descaracterizar tais operações após examinálas, sendo que os documentos constantes dos autos, por si sós, não permitem que se faça um juízo diferente disso. Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 140200.701 S1C4T2 Fl. 8.911 15 Além do mais, o encaminhamento do processo para aprofundamento daquele exame em nada altera o lançamento ora efetuado nem beneficia a impugnante. Serve apenas para que se procrastine a solução do presente litígio, pois são fatos e operações independentes. Aliás, verificase que outras empresas que constaram da relação investigatória inicial também não tiveram suas operações descaracterizadas, como, por exemplo, GRA Empreendimentos e Participações Ltda., PJ Consultores e Auditores Ltda. e Jofemar Comércio Representações e Participações Ltda. (vide relação de fls. 1.656). De toda a sorte, nada impede que a Delegacia de origem, instada pela própria contribuinte ou por representação ou denúncia, promova a reabertura da fiscalização nesse ponto, examinando mais detidamente aquelas operações. Quanto ao pedido de suspeição do fiscal autuante, não há qualquer indicio de que este tenha agido de forma suspeita no procedimento fiscal, além do que a suspeição é figura processual dirigida ao juiz administrativo ou judicial. Verificação por Amostragem Reclama que foram verificadas duas notas para descaracterizar 85 notas fiscais semelhantes. Na verdade, tratase de equivoco na leitura do próprio relatório de fiscalização. Ali, a fiscalização, a titulo meramente exemplificativo, relata a falta de comprovação do pagamento de duas notas fiscais, de números 862 e 881, consoante afirmação constante nas fls. 2.501, que, por sua vez, referese aos documentos do processo, fls. 1.731/1.735 c 1.761/1.767. Ocorre que foram juntados ao processo, fls.1.713/1.842, 2.299/2.325, 54 notas fiscais, incluindo os comprovantes de autorização de entrega de numerário na sede da empresa a elas concernente (por exemplo, fls. 1.714, 1.718, 1.720, 1.726, 1.730 etc.), bem como os documentos trazidos ao processo pela própria impugnante em atendimento ao quesito de comprovação dos pagamentos, de número 4, os documentos de fls. 2.355 a 2.468 (incluindo cheques nominais à própria IAB, como por exemplo os de fls. 2.355, 2.339, 2,342, 2.348 etc), referentes a empresa JOR, bem como as notas fiscais de fls. 2.471/2.477, 2.480, 2.483 e 2.486, todas emitidas por J & S, acompanhadas dos documentos que IAB entendia como comprobatórios dos pagamentos efetuados, fls. 2.478/2.479, 2.481/2.482, 2.484/2.485 e 2.487/2.488. Foram todos estes os documentos examinados pela fiscalização, referentes àquelas notas fiscais trazidas ao processo pela própria empresa, em número de mais de 60 notas fiscais, examinados em seu conjunto e não numa amostragem de 2,35% como quer fazer crer a interessada. Nos casos em que não havia comprovação da entrega de numerário em espécie havia cheques emitidos contra o caixa de valores representativos (vide doc. fls. 2.403, 2.405, 2.412., 2.418 etc.) que permitem perceber que a operação repetiase para as outras notas fiscais apresentadas. A verificação fiscal foi realizada em percentual significativo da documentação e as conclusões estão consistentes com as demais provas constantes nos autos, demonstrando a inocorrência das operações da forma como foram justificadas pela impugnante. Prova da Efetividade da Transferência Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 140200.701 S1C4T2 Fl. 8.912 16 Requer seja o processo baixado em diligência para que se obtenha, junto às contas do Sr. José Oscar Rodrigues, a prova da efetividade dos pagamentos realizados. É de se indeferir tal pleito. A uma, porque a prova da operação é encargo do pagador, podendo ser realizada por recibo (aqueles constantes do processo estão em branco) e por cópia do depósito do dinheiro/cheque na conta corrente da prestadora do serviço. A duas, porque o próprio negou ter recebido os valores, afirmação que não desfez nem mesmo em sua retratação posteriormente juntada com a impugnação. A grande maioria dos cheques que aparecem são nominais à própria IAB e não foi trazido ao processo nenhum comprovante de depósito, diferentemente de outras operações com outras empresas prestadoras de serviço constantes do rol objeto do exame pela fiscalização. Prova da efetiva escrituração dos Valores O ponto básico não é a escrituração ou não dos valores por parte das empresas tomadoras de serviço, mas a efetividade ou não da operação. O próprio sócio e operador daquelas empresas afirmou que os serviços que prestava não eram aqueles constantes dos contratos e que recebia um percentual irrisório daqueles valores. Mesmo com sua tentativa de retratação, não juntou aos autos documentos que lograssem comprovar a realização dos serviços constantes das notas fiscais. Porém, escriturados ou não, dúvida que se admite apenas para argumentação, as conseqüências para a tomadora dos serviços são as mesmas se a efetividade daqueles serviços não for comprovada, pois: 1) a despesa continua indedutível e 2) continua sem a comprovação da causa do pagamento para efeito de incidência do artigo 61 da Lei 8.981/1995. De modo que indefiro o pedido de diligência apresentado. Utilização de Presunção Comum Sua argumentação confundese, mais uma vez, com o enfrentamento do mérito propriamente dito. Na verdade, a imposição do comando constante do artigo 61 da Lei 8.981/1995 determina não uma presunção legal, mas uma verdadeira regra de incidência do imposto de renda retido na fonte quando houver pagamento a (1) beneficiário não identificado ou (2) recurso entregue a terceiro ou sócio se não for comprovada a operação ou a sua causa. Desse modo, há que se ter prova do pagamento nas circunstâncias indicadas no comando legal, situação que se verá mais adiante, na apreciação do mérito. Nesse aspecto, a existência dos pagamentos foi aferida com base nas Dirfs de fls. 384/391, preenchidas pela própria interessada, bem como pelas autorizações de saque de sua conta bancária para envio para sua sede, sem que os referidos valores retornassem às contas da empresa. Conclusão acerca da Nulidade do Lançamento De todo o exposto, concluo que não procedem as argüições de nulidade do lançamento, pois os autos de infração revestemse de todos os requisitos previstos no artigo 10 do Decreto 70.235/72 (I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; e VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula), Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 140200.701 S1C4T2 Fl. 8.913 17 e não foram configuradas as hipóteses de nulidade previstas no artigo 59 daquele diploma legal, quais sejam, a incompetência do agente ou despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Do Exame do mérito IRRF No mérito, a impugnante tece as seguintes argumentações para atacar o lançamento do imposto de renda retido na fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa da operação: a) os beneficiários existem, são as empresas nominadas pela própria fiscalização; b) declara que houve o efetivo pagamento, inclusive com a conseqüente retenção do imposto de renda; c) as notas fiscais com menção a relatórios demonstram a efetividade das operações, estando regularmente escrituradas, o que inverteria o ônus da prova para a fiscalização. Em primeiro lugar, cumpre referir que a fiscalização afirma que os pagamentos foram efetuados e tiveram destino diverso do escriturado pela empresa tomadora dos serviços, sem que a causa da operação fosse comprovada. Ora, basta que se verifique a ocorrência de pagamento a beneficiário não identificado para que ocorra a incidência da fonte sobre tal pagamento, nos termos do caput do artigo 61 da Lei 8.981/1995, nos seguintes termos: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1o A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2°, do art. 74 da Lei n° 8.383, de 1991. § 2° Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. A existência dos pagamentos é incontroversa no processo. A própria interessada afirma isso e não nega que existiram. Alega, contudo, que estes foram efetuados para o destinatário constante das notas fiscais. Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 140200.701 S1C4T2 Fl. 8.914 18 A documentação constante dos autos, contudo, demonstra que valores expressivos saíram da conta corrente da autuada e não tiveram sua entrega comprovada ao destinatário aparentemente indicado na escrituração da empresa. São valores que são retirados diretamente daquela conta bancária, em espécie, cuja ordem é que sejam enviados mediante empresas de transporte especializadas para serem entregues diretamente em sua sede ou por via de cheques nominais à própria IAB. Não há qualquer recibo do prestador de serviço, nem, tampouco, indicativo de deposito daqueles valores em sua conta corrente, prova fácil de fazer ou manter por parte da autuada. Ou seja, a autuada quer que se creia em algo bastante duvidoso, quase inverossímil, isto é: 1) os valores são retirados e transportados para pagamento na sede da empresa, enquanto o normal seria esperar uma simples transferência entre contas, muito mais prática e segura; 2) mesmo que transformados em espécie, custa crer que o beneficiário do pagamento aceitasse receber tão elevadas quantias em outro lugar que a sua própria sede, tendo que transportálas, posteriormente, por sua própria conta e risco; 3) os valores teriam sido transferidos da autuada para o beneficiário sem qualquer documento que comprovasse a operação entre as partes. Isso tudo reforça a convicção que tais pagamentos, na verdade, tiveram outro destino, como afirma a fiscalização. Agora, mesmo que houvesse, por hipótese, prova de que tivesse havido comprovação do pagamento da empresa autuada para as empresas beneficiárias, há que se comprovar a causa da operação, sob pena de incidirse na hipótese do parágrafo primeiro do artigo 61, qual seja, a entrega de recurso a terceiro sem comprovação da operação ou sua causa. Nessa hipótese, a fiscalização recolheu as seguintes provas. Para a JOR: a) intimada, IAB não apresentou nenhuma comprovação dos serviços executados (comissões pela indicação de clientes, levantamento de documentos, digitação e conferência de relatórios), a não ser uma copia da listagem "Demonstrativo p/Comissionado”, onde constam controles de comissões da referida empresa; b) endereço da empresa na Rua Voluntários da Pátria, onde está em atividade centro de culto AfroBrasileiro Ilé dos Orixás; c) venda da empresa para Eli Rodrigues e Raimundo Nonato da Silva, ambos residindo em vilas ou bairros populares da capital, sem que tenham patrimônio compatível com a referida aquisição, sendo que estes nunca tiveram ciência das operações com a IAB; d) José Oscar Rodrigues saiu da empresa, mas ficou com procuração com amplos poderes para gerência; e) o patrimônio do próprio José Oscar Rodrigues é insignificante frente às importâncias recebidas, da ordem de cerca de R$ 11.000.000,00, pagos em moeda corrente na sede da empresa pretensamente tomadora dos serviços; Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 140200.701 S1C4T2 Fl. 8.915 19 f) esclarecimentos prestados e não refutados expressamente pelo Sr. José Oscar Rodrigues de que receberia apenas 4% do valor indicado (posteriormente baixou para 1%), para revisão de declarações e agendamento de visitas dos advogados da IAB; g) pagamento por serviços prestados por ambas as empresa, (JOR e J & S) simultaneamente, cuja implementação teria sido efetivada pela mesma pessoa, Sr. José Oscar Rodrigues. h) Não há qualquer comprovação da existência de estrutura da empresa para prestar os referidos serviços, equipe de funcionários, sede adequada, equipamentos etc., tendo em vista a magnitude dos valores que lhe foram alcançados. Quanto à J & S: a) sob intimação, IAB não conseguiu comprovar os serviços prestados pela empresa (comissões pela indicação de clientes, levantamento de documentos, digitação e conferência de relatórios), a não ser uma cópia da listagem "Demonstrativo p/Comissionado”, onde constam controles de comissões da referida empresa; b) pagamento de serviços prestados em valores vultosos (cerca de R$ 5.665.000,00) pagos em moeda corrente na sede da empresa pretensamente tomadora dos serviços, sem recibo ou quitação; c) apesar de constar no cadastro da Receita Federal como endereço da empresa a Rua Otávio Rocha n° 22, conjunto 203, no local funciona uma pequena loja de conserto de relógios e venda de jóias denominada "Martelo"; d) não há qualquer comprovação da existência de estrutura da empresa para prestar os referidos serviços, tais como equipe de funcionários, sede adequada„ equipamentos, etc. Em suma, verificase que para ambas as empresas era atribuída a prática dos mesmos serviços, sem que tivessem qualquer condição para tal, sendo que J & S representava, na prática, a continuidade do modo de operação engendrado para JOR, inclusive com utilização de sócios de fachada. Os pagamentos de valores vultosos eram realizados de modo pouco usual, em moeda corrente na sede da IAB, sem apresentação de qualquer recibo ou quitação. Exemplificativamente, para JOR, vejamse os seguintes documentos: autorização para entrega de numerário de conta corrente banco Itaú na sede da IAB, fls. 2.462, no valor de R$ 210.000,00; controle do transporte e entrega de valores, fls. 2.463 e nota fiscal nº 735 de JOR, datada da mesma data da transferência (12/09/2002), no valor de R$ 209.409,54 (IRRF de 1,5% no valor de R$ 3.141,14). Exemplificativamente, para J & S, vejamse os seguintes documentos: autorização para entrega de numerário de conta corrente banco Itaú na sede da IAB, fls. 2.481, no valor de R$ 300.000,00; controle do transporte e entrega de valores e cheque, fls. 2.482 e nota fiscal n° 017 de J & S, datada da mesma data da transferência (17/09/2004), no valor de R$ 307.692,31 (IRRF de 1,5% no valor de R$ 4.615,38). Em resposta a todos esses fatos trazidos pela fiscalização, a interessada aduz que as notas fiscais são regulares e hábeis para comprovar a prestação dos serviços, pois há Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 140200.701 S1C4T2 Fl. 8.916 20 remissão a relatórios de clientes e a escrituração das notas e pagamentos foi regularmente implementada, fazendo prova a seu favor. Ora, a autuada se esquece de que o comando legal do caput do artigo 251, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 1999 (RIR/99), abaixo transcrito, prevê: Art 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei nº 1,598 de 1977, art. 7º). Para tanto, a fiscalização, no permissivo constante do artigo 276 do RIR/99, a autoridade tributária poderá verificar os s livros e documentos de sua escrituração, como segue: Art. 276. A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita à verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos de sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova, observado o disposto no art. 922 (DecretoLei n°1.598, de 1977, art. 9º) Nesse sentido também prescrevem os artigos 923 e 924 do RIR/99: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9°, §1º). Art 924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 9°, §2°). Ora, para tanto, a documentação que dá suporte aos lançamentos escriturados deve comprovar efetivamente as operações realizadas, Materialmente, por todos os motivos expostos, as notas fiscais com meras remissões a relatórios, de empresas comprovadamente sem condições para realizar os serviços nela indicados, não bastam para comprovar a efetividade das prestações daqueles serviços. Os documentos anexados â impugnação, além da declaração de José Oscar Rodrigues e da lista de beneficiários de pagamentos — DIRF da empresa, são notas promissórias, contratos e avais que representam dividas da empresa para com terceiros, não sendo relevantes para o exame do presente litígio. Do Lançamento do IRPJ e da CSLL As questões referentes à indedutibilidade das referidas despesas e custos foram já foram abordadas anteriormente quando do exame do IRRF. Resta verificar a afirmação de dupla incidência do adicional do IR no valor lançado. Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 140200.701 S1C4T2 Fl. 8.917 21 Esclareçase que o percentual de 10% já incidiu sobre a parcela do valor composta no limite estabelecido pela legislação e regulamente declarado pela empresa, consoante DIPJ apresentada por esta, mais especificamente, fls. 69, 129 e 192, respectivamente, anoscalendário de 2002, 2003 e 2004. Dessa forma, sobre o valor lançado deve incidir o percentual de 25% (10% + 15%). Dos Créditos de Cofins e Pis Necessário, de início, quanto a esse tópico, delimitar a matéria autuada pela fiscalização. Embora tenha examinado as contas 412000006.00000 — serviços profissionais, e 41300002.00060 Comissões de Agentes, houve a glosa e lançamento dos créditos concernentes (1) às importâncias referentes às Comissões de Agentes, consoante informação fiscal, fls. 2.509 e 2.510, bem como (2) dos valores constantes da glosa dos créditos referentes aos serviços e comissões computados como pagos para JOR e J & S. A primeira infração glosa das comissões de outros agentes que não JOR e J & S será examinada separadamente, pois se refere à glosa de créditos de rubricas não decorrentes de fatos lançados no auto de infração do imposto de renda sobre a pessoa jurídica. Já a segunda infração – glosa das comissões e serviços de JOR e J &S – é parcialmente decorrente do próprio exame do IRPJ, tendo uma relação de causa e efeito com aquele processo, desdobrandose em duas outras (itens A e B). No item A da segunda infração, as rubricas que constam das receitas de comissões de JOR e J & S, ainda que sejam decorrentes do lançamento de IRPJ, também seguem a mesma linha de raciocínio da indedutibilidade do crédito, pois, ainda que o lançamento do IRPJ venha a ser cancelado, remanesce a glosa do crédito das comissões em geral, mas, ai, com incidência de 75%. No item B da segunda infração, na prestação dos serviços de JOR e J & S, a decorrência é total do IRPJ, já que não há no lançamento qualquer menção à descaracterização, mesmo que parcial, de tais serviços, pela sua própria natureza, como insumos no presente processo. Examinemos a primeira infração inicialmente. Quanto às comissões recebidas de agentes, vejamos os esclarecimentos prestados pela própria interessada. Intimada a esclarecer a natureza daqueles serviços, item 1 da intimação fiscal de fls. 1.236, a interessada respondeu, fls. 1.238, o que segue: 1)Resposta Quesito nº 1: A natureza dos serviços prestados que estão escriturados na conta contábil 41300002 — comissões de Agentes, referemse à indicação, abordagem e contratação de clientes interessados na realização de planejamento tributário, dentro do elenco de teses apresentadas pela IAB Assessoria Tributária Ltda. Os honorários são proporcionais aos valores líquidos efetivamente recebidos pela IAB. Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 140200.701 S1C4T2 Fl. 8.918 22 Ora, com razão a fiscalização ao entender que tal rubrica representa despesa de caráter nitidamente comercial, despesa com a venda do produto ofertado pela IAB, sobre o qual irá recair um percentual a ser pago ao comissionado. A hipótese legal de utilização de crédito para o PIS nãocumulativo está prevista no artigo 3º, inciso II, da Lei 10.637, de 30 de setembro de 2002, abaixo transcrito: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87,03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)(Grifei). A Instrução Normativa SRF n° 247, ao disciplinar a matéria, dispôs da seguinte forma, em seu artigo 66: Cálculo do Crédito Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: (...) b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados corno insumos: (Redação dada pela IN SRF nº 358, de 09/09/2003) (...) b.2) na prestação de serviços; (incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) II utilizados na prestação de serviços: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 140200.701 S1C4T2 Fl. 8.919 23 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliado no Pais, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003). (Grifos meus). Da leitura de ambos os dispositivos, ressaltase a necessidade da utilização ou consumo dos serviços prestados na efetiva prestação dos serviços. A atividade de agenda de clientes para assessoria tributária antecede cronologicamente a execução desses serviços, que serão posteriormente executados. No caso da impugnante, apenas a base de remuneração das comissões, por disposição contratual, incide sobre as receitas auferidas com a prestação dos serviços de assessoria tributária, mas com ela não se confunde nem a integra, sendo despesa comercial de venda. Portanto, concluo ser incabível sua utilização como credito para o PIS. Vale o mesmo raciocínio para a Cofins. A norma legal, embora constando de lei diversa, possui o mesmo conteúdo daquela referente ao PIS. No caso da Cofins, temos é o artigo 3º, inciso II, da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com disciplina também na Instrução Normativa SRF nº 247/2002 e suas alterações. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda,inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei n°10.865, de 2004) (Grifei) Portanto, pelas mesmas razões expostas na questão dos créditos do PIS, concluo também ser incabível a utilização do crédito decorrente de pagamentos de comissões para dedução da base de cálculo da Cofins. Quanto ao item A da segunda infração (receitas de comissões), guarda uma dupla relação de decorrência, primeiramente com o lançamento do IRPJ, adotandose aqui as razões de decidir naquele lançamento e supletivamente com as razões de decidir da primeira infração (receitas de comissões) constante do autos de infração do PIS. Quanto ao item B da segunda infração (receitas de prestação de serviços), guarda relação de decorrência com as razões de decidir no lançamento do IRPJ, sendo aqui adotadas. Tributação da Cofins com Suspensão de Exigibilidade A par do exame das questões atinentes ao mérito do lançamento, preciso ressaltese que o lançamento da Cofins foi realizado com suspensão de sua exigibilidade, para prevenir a decadência do direito de lançar a exigência, tendo em vista que a impugnante interpôs mandado de segurança de número 2001.71.00.0245248, para não recolher esta contribuição, nos termos do permitido pela isenção constante do artigo 6°, inciso II, da Lei Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 140200.701 S1C4T2 Fl. 8.920 24 Complementar 70, de 1991, não obstante a previsão de incidência da referida contribuição constante do artigo 56 da Lei 9.430, de 1996. A condição de implementação do lançamento com exigibilidade suspensa ocorreu porque, por ocasião do lançamento, havia recurso especial com provimento para a contribuinte, consoante informação de fls. 2.514 — página 19 do Relatório da Ação Fiscal. Isso importa em renuncia à esfera administrativa sobre a matéria submetida ao Poder Judiciário, nos termos do parágrafo único do artigo 38 da lei 6.830/1980. Transcrevo, abaixo, o referido diploma legal e súmula n° 01 do Primeiro Conselho de Contribuintes sobre a matéria nessa linha de entendimento: art. 38 (..) omissis (...) Parágrafo único. A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Súmula 1º CC n° 1: Importa renúncia as instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Portanto, a exigência constante do lançamento da Cofins, após examinados os outros aspectos não compostos na ação judicial , subordinase ao entendimento final que tiver o Poder Judiciário naquela ação. Observese que os documentos juntados aos autos, fls. 8.644/8.673, mostram que o acórdão do STJ que dava provimento ao recurso especial foi tornado sem efeito pelo Supremo Tribunal Federal e que o STJ acabou devolvendo o processo sem conhecer do recurso especial interposto anteriormente, fazendo com que o acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, favorável a Fazenda Nacional, tivesse seu trânsito em julgado confirmado em dezembro de 2007. Para o presente processo, é importante delimitar o que foi objeto de renúncia e o que permanece em litígio, nos termos do Ato Declaratório Normativo SRF nº 03, de 1996, que transcrevo: a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial — por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente autuação, com o mesmo objeto, importa em renúncia as instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto; b) conseqüententente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p. ex., aspectos formais do lançamento, base de cálculo, etc.); Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 140200.701 S1C4T2 Fl. 8.921 25 c) no caso da letra "a", a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória de definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito ressalvada a eventual aplicação do disposto no art 149 do CTN; d) Na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva ali contida, procederseá a inscrição em divida ativa, deixando se de fazêlo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente quando demonstrada a ocorrência do disposto nos incisos II (depósito do montante integral do debito) ou IV (concessão de medida liminar em mandado de segurança), do artigo 151, do CTN; e) é irrelevante, na espécie, que o processo tenha sido extinto, no judiciário, sem julgamento do mérito (art. 267 do CPC). Ora, o lançamento da Cofins envolve matéria decorrente de infrações decorrentes dos mesmos fatos apurados no lançamento de IRPJ (comissões e serviços de JOR e J & S) e decorrentes dos mesmos fatos apurados no lançamento do PIS (créditos de comissões). Em assim sendo, não houve renúncia sobre tais aspectos, já que a ação judicial envolve o problema da revogação ou não do inciso II do artigo 60 da Lei Complementar 70, de 1991, pelo artigo 56 da Lei 9.430, de 1996. A planilha constante das fls. 15 do Relatório de Ação Fiscal, fls. 2.510 é elucidativa nesse sentido. Nas duas últimas colunas estão apontadas as infrações a 150% e 75% que são, respectivamente, levadas para a planilha da apuração da Cofins das págs. 17 e 18 do RAF, fls. 2.512 e 2.513, apuradas exatamente de acordo com as Dacon apresentas pela contribuinte, chegandose, ao final, aos valores constantes do auto de infração — Cofins de fls. 8.604. Uma última observação reside no fato de que, embora na impugnação apresentada pela interessada com respeito à Cofins tenha sido apresentado apenas o argumento referente à ação judicial, não há como não considerar os argumentos expendidos nas demais impugnações que digam respeito aos lançamentos (IRPJ e PIS) dos quais o de Cofins é decorrência, tendo em vista que o relatório da fiscalização foi único para todos os lançamentos e que tais aspectos (nulidades e existência ou não das infrações que foram imputadas) nela repercutem diretamente, sem contar que, ao menos quando da impugnação apresentada para o PIS, a impugnante apresentou várias referências à própria Cofins, e o comando legal do lançamento, embora constante de diplomas legais distintos, possui conteúdo idêntico para ambas as exações, conforme se vê das leis 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Portanto, adoto as razão de decidir daquelas exações (IRPJ e PIS) para o julgamento da Cofins Da multa aplicada. Há três argumentos a serem enfrentados quanto à imposição da multa de oficio, quais sejam, de que possui natureza confiscatória, de que não houve descrição especifica dos fatos, prejudicando o conhecimento da sua motivação e de que sempre teria colaborado com a fiscalização, entregando todos os documentos solicitados. Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 140200.701 S1C4T2 Fl. 8.922 26 A questão da natureza confiscatória da multa de oficio aborda aspecto atinente à constitucionalidade da exação, questão não passível de exame pela autoridade administrativa, mas sim pelo Poder Judiciário, tendo em vista a presunção de constitucionalidade das leis regularmente aprovadas e promulgadas pelo Poder Legislativo. Nesse sentido, a Súmula nº 2 do Conselho de Administração de Recursos Fiscais CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A questão da falta de descrição especifica da penalidade envolve o exame do relatório fiscal elaborado pela fiscalização, fls. 2.497/2.515. Naquela peça processual, verifica se que foi abordado o tema do agravamento às fls. 2.509 — página 14 , como segue: Em razão do evidente intuito de fraude, onde a IAB Assessoria Tributária Ltda. estruturou a operação fraudulenta em comento, simulando pagamentos de importâncias vultosas em espécie — para não deixar rastro dos valores às empresas JOR Assessoria Empresarial Ltda. e J & S Agenciamentos, Publicidade e Representações Ltda. empresas essas, notadamente sem capacidade ou estrutura para a prestação dos serviços que teriam dado origem aos pagamentos mencionados, será aplicada a multa qualificada de 150% sobre as apurações dos créditos com base nos pagamentos sem causa comprovada por configurar crime contra a ordem tributária. Com relação aos créditos apurados com base nas comissões de agentes será aplicada a multa de oficio de 75%. Embora não esteja sistematizada em item especifico, a descrição dos fatos ocorridos e sua relação para com a qualificação da multa de ofício é inequívoca. Importa notar que há menção aos pagamentos e serviços pretensamente prestados por JOR e J & S e a respectiva qualificação de tais operações como fraudulentas, bem como a justificativa para tal, ou seja, o pagamento de altos valores em espécie "para não deixar rastro" e a notória falta de capacidade para a prestação dos referidos serviços. Essas foram as infrações que ocasionaram os lançamentos de IRRF, IRPJ e CSLL, das quais, na parte referente à multa qualificada, são decorrentes os lançamentos de PIS e de Cofins. Das infrações a interessada mostrou conhecer a defendeuse, demonstrando não ter havido prejuízo nesse aspecto. De modo que entendo como cumprido esse item pela fiscalização e afasto o pleito da interessada nesse aspecto. Por fim, o terceiro item diz respeito à atitude da fiscalizada para com a fiscalização, ao responder e colaborar com a investigação, como fator de cancelamento da qualificação da multa. Na verdade, a fiscalizada cumpriu seu dever de colaboração para com o fisco na busca de correta verificação da repercussão tributária das suas operações, previsto no artigos 195 e 197 do Código Tributário Nacional. Raciocinar do modo como quer o contribuinte conduziria a seguinte situação: todo o fiscalizado que colaborasse com a fiscalização no procedimento fiscalizatório e denunciasse seus atos à Receita Federal não sofreria multa Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 140200.701 S1C4T2 Fl. 8.923 27 qualificada, o que redundaria em acarretar a quase completa inutilidade da aplicação da multa qualificada prevista aos casos de evidente intuito de fraude estabelecida no artigo 44, inciso II, da Lei 9.430/1996, nas circunstâncias previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. A colaboração do fiscalizado, no entanto, evitou o agravamento da multa por outras circunstância, naqueles casos de falta de atendimento à intimação previstos no parágrafo segundo do artigo 44 antes mencionado, o que poderia redundar na majoração do percentual de 150% para 225%. Por todo o exposto, encaminho meu Voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Sala das Sessões, em 5 de agosto de 2011. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 04/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 16000.000118/2007-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
CONSTRUÇÃO CIVIL PESSOA JURÍDICA — AFERIÇÃO INDIRETA GRUPO
ECONOMICO.
Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante aferição indireta nos termos do § 4°, do artigo 33 da Lei N ° 8.212/91.
EMPRESAS, INTEGRANTES DE GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. .
As empresas que integram grupo econômico respondem entre si, solidariamente e sem benefício de ordem, pelas obrigações decorrentes da legislação previdenciária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.068
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de desconsideração de grupo econômico; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 CONSTRUÇÃO CIVIL PESSOA JURÍDICA — AFERIÇÃO INDIRETA GRUPO ECONOMICO. Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante aferição indireta nos termos do § 4°, do artigo 33 da Lei N ° 8.212/91. EMPRESAS, INTEGRANTES DE GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. . As empresas que integram grupo econômico respondem entre si, solidariamente e sem benefício de ordem, pelas obrigações decorrentes da legislação previdenciária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 572DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de desconsideração de grupo econômico; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Cleusa Vieira de Souza Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araujo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa, Rycardo Henryque Magalhães de Oliveira. Fl. 573DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16000.000118/200752 Acórdão n.º 240102.068 S2C4T1 Fl. 519 3 Relatório Tratase de Crédito Previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, e conforme seu relatório fiscal referese à contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, correspondentes a parte da empresa, empregados, financiamentos dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas aos Terceiros ( Salário Educação, INCRA, SESI, SENAI E SEBRAE). Informa o referido fiscal, fls. 21/26, que os fatos geradores foram apurados sobre a mão de obra empregada em construção de imóvel, cujos salários de contribuição foi apurado por arbitramento, em conformidade com o art. 33, §§ 3°, 4° e 6° da Lei n°8.212/91, na redação dada pela Lei n°10.256, de 09 de Julho de 2001, extraídos do" Aviso de Regularização de obra" Aro emitido em 30/09/2003 (fls.27), que fora emitido com base no Alvará de licença n° 022/2002, expedido em 18/03/2002 (área comercial: 2.810,22m2) pela Prefeitura Municipal de Guapiacu, no montante de R$ 248.297,81 (Duzentos e Quarenta e Oito Mil, Duzentos e Noventa e Sete Reais e Oitenta e Um Centavos), considerando: Que a empresa autuada sofreu auditoria fiscal em setembro de 2003, e na ocasião foi lavrado contra a mesma a NFLD DEBCAD n 35.622.9513 nulificado por erro formal quanto ao FPAS. Diante do ocorrido foi emitida a notificação em comento para substituiIa. A Auditoria, no anexo especial de fls. 30 a 61, caracteriza a expressão grupo econômico como "... a prática de esforços conjuntos praticados entre pessoas visando um fim de interesse comum." Assim, pela análise dos documentos apresentados durante o ato fiscalizatório, ficou configurado grupo econômico de fato, pelo tipo de movimentação financeira realizado entre os estabelecimentos, o envolvimento das mesmas pessoas físicas no quadro societário ou na condição de gerentes ou, ainda, na qualidade de procuradores das empresas, além do que, o grupo se autodenomina "GRUPO CAMPBOI". No mesmo anexo estão descritos fatos que evidenciam a interrelação empresarial e também informam que a detentora da marca "CAMPBOI" é a empresa ora fiscalizada, conforme consulta a o INPI Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Processo 819537667). A auditoria relaciona as empresas participantes do Grupo CAMPBOI, que se transcreve a seguir: I FRIGORIFICO CAROMAR LTDA; CNPJ: 52.471.729/0001 40. II FRIGORIFICO SANTA ESMERALDA LTDA; CNPJ: 02.170.737/000188. Fl. 574DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 III VITÓRIA AGROINDUSTRIAL LTDA; CNPJ: 03.201.870/000117. IV TRANSPORTADORA PEREIRA & DIAS LTDA; CNPJ: 69.285.054/000147. V RPMC. COM . DE CARNES E DERIVADOS LTDA; CNPJ: 62.067.1291000506. VI ML COMÉRCIO DE CARNES LTDA; CNPJ: 56.066.020/000110. VII MEAT CENTER COMÉRCIO DE CARNES LTDA: CNPJ: 01.222.671/000160. VIII SANTA ESMERALDA ALIMENTOS LTDA; CNPJ: 02.172.5521000102. IX SANTA ESMERALDA ALIMENTOS II LTDA; CNPJ: 55.596.5481000138. X CASA DE CARNES AMOREIRAS LTDA; CNPJ: 53.121.349/000148. XI SANTANA AGROINDUSTRIAL LTDA; CNPJ: 05.148.5501000176 XII DISTRIB, DE CHARQUE CAMPINAS LTDA; CNPJ: 01.767.548/000124 XIII TRANSPORTADORA DIRCEU LTDA; CNPJ: 74.624.248/000160 XIV DISTRIBUIDORA DE CARNES VALE DO MOGI;CNPJ: 57.622.4661000146 XV LEME DISTRIBUIDORA DE CARNES LTDA; CNPJ: 05.038.439/000127 XVI CORTE SCHEFER AGROPECUÁRIA S/A; CNPJ: 62.617.782/000160 XVII VITÓRIA GUAPIAÇU PARTICIPAÇÕES LTDA; CNPJ: 02.274.340/000124 XVIIIMÁXIMA CENTRAL DE RASTREABILIDADE LTDA; CNPJ: 05.430.029/000127 Tempestivamente, apresentaram impugnações, conforme despacho de fls. 325, as seguintes empresas componentes do grupo: • RPMC COMERCIO DE CARNES E DERIVADOS LTDA ; • SANTANA AGROINDUSTRIAL LTDA • FRIGORIFICO CAROMAR LTDA • VITORIA AGROINDUSTRIAL LTDA • TRANSPORTADORA PEREIRA E DIAS LTDA Fl. 575DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16000.000118/200752 Acórdão n.º 240102.068 S2C4T1 Fl. 520 5 • MEAT CENTER COMERCIO DE CARNES LTDA • SANTA ESMERALDA ALIMENTOS II LTDA • CASA DE CARNES AMOREIRAS LTDA • TRANSPORTADORA DIRCEU LTDA • DISTRIBUIDORA DE CARNES VALE DO MOGI LTDA • CORTE SCHEFFE AGROPECUARIA S A. Diante das impugnações apresentadas, os autos foram baixados em diligencia (tis 330 a 332) em virtude da empresa componente do grupo econômico "Vitória Agroindustrial Ltda" ter juntado aos autos documentos referente a obra em questão. Em cumprimento a autoridade fiscal emitiu novo ARO fls 336 e relatório de fls 337 a 339 retificando a obra. A Secretaria da Receita Previdenciária em São José do Rio Preto, por meio da DecisãoNotificação nº 21.436.4/0036/2006, julgou procedente em parte o lançamento, trazendo a referida decisão, a seguinte ementa: CONSTRUÇÃO CIVIL PESSOA JURÍDICA — AFERIÇÃO INDIRETA GRUPO ECONOMICO. Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante aferição indireta nos termos do § 4°, do artigo 33 da Lei N ° 8.212/91. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem solidariamente entre si, na forma da lei. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE DA NOTIFICAÇÃO. Apresentaram Recursos, conforme despacho de fls. 431, as seguintes empresas componentes do grupo: Vitória Agroindustrial Ltda. Santa Esmeralda Alimentos II Ltda. Casa de Carnes Amoreiras Ltda. Santana Agcoindustrial Ltda. Distribuidora de Carnes Vale do Mogi Ltda. Transportadora Pereira e Dias Ltda. Transportadora Dirceu Ltda. Frigorifico Cairornar Ltda. Fl. 576DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 RPMC Comércio de Carnes e Derivados Ltda. Meat Center Comércio de Carnes Ltda. Corte Schefer Agropecuária S/A. Em suas razões de recurso, a empresa "VITORIA AGROINDUSTRIAL LTDA", fls. 396/408, alega em síntese que: A decisão acatou em parte as alegações da impugnação, reconheceu os recolhimentos já efetuados e reduziu o valor do lançamento para R$ 30.146,08. No entanto, manteve a Vitória na condição de responsável solidária pelo remanescente das contribuições e reconheceu a participação dela no tal grupo econômico. Aduz que nos termos dos art. 12, I, c/c art. 20, e art. 22,1 e II, todos da Lei n. 8.212/91, a contribuição social a cargo das empresas de modo geral é de 8%, devidos pelos empregados, mas descontados deles e recolhidos pela empresa; 20% devidos pela própria empresa; 1, 2 ou 3%, conforme o risco de acidentes do trabalho na atividade preponderante dos trabalhadores; e 5,8% devidos ao chamados terceiros (salário educação, Mera, Senai, Sesi e Sebrae), tudo a incidir sobre a folha de salários. No caso das empresas contratadas para prestar os serviços de construção para a recorrente, esta parcela devida pelo risco de acidentes é de 3%. Assim, do total das remunerações pagas, a empresa contratada devia recolher para a Seguridade Social o equivalente a 36,8% daquele valor. Alega, que o INSS simplesmente cobra da recorrente as contribuições sociais devidas pelas empresas contratadas por ela, sem nem sequer verificar se houve recolhimentos por parte delas ou não, sem verificar a real base de cálculo e o que é pior, sem compensar aqueles 11% já recolhidos pela recorrente. Diz que, conforme § 1° do art. 31 da Lei nº 8.212/91, já referido acima, o valor retido de que trata o caput (aqueles 11% já recolhidos pela contratante), que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. Que diante disto, se as empresas cedentes já recolheram as contribuições utilizandose da compensação prevista naquele § 1° do art. 31, elas terão direito de se compensar novamente, caso a recorrente seja compelida ao "novo" recolhimento? Vejase o imbróglio criado pelo INSS, fruto de sua afoita e inconseqüente fiscalização mal feita! Esta atitude do INSS, além de implicar em evidente cerceamento de defesa, pois a contratante não dispõe dos livros e documentos exigidos para verificar se as contratadas cumpriram suas obrigações, se apresenta em absoluto descompasso com toda sistemática do Direito Tributário, pois a responsabilidade da contratante é de natureza subsidiária e não solidária, repitase. Alega, mais, que a recorrente nunca participou de nenhum grupo econômico de empresas. Ela não tem relação de capital, não é controlada nem controladora, nem filiada e nem participante de nenhuma outra empresa, requisitos objetivos imprescindíveis para a caracterização de grupo econômico, nos termos do art. 1.098, do CC. Fl. 577DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16000.000118/200752 Acórdão n.º 240102.068 S2C4T1 Fl. 521 7 Especialmente, não se agrupou a nenhuma das empresas descritas no ANEXO "ESPECIAL" do lançamento em questão. Por isto, a alegação de que a recorrente faz parte do GRUPO CAMPBOI fica expressamente impugnada. Ao final requer a recorrente seja reformada a decisão de 1ª instância, com a conseqüente improcedência do lançamento em questão. As empresas Santa Esmeralda Alimentos II Ltda; Casa de Carnes Amoreiras Ltda; Santana Agroindustrial Ltda; Distribuidora de Carnes Vale do Mogi Ltda; Transportadora Pereira e Dias Ltda; Transportadora Dirceu Ltda; Frigorifico Caromar Ltda; RPMC Comércio de Carnes e Derivados Ltda; Meat Center Comércio de Carnes Ltda. Corte Schefer Agropecuária S/A,Também apresentam seu recurso, fls. 410, insurgindose contra a caracterização do grupo econômico, alegando, em síntese, que a autodenominação pelas empresas... como GRUPO CAMPBO, que Campboi é um logotipo, emblema que identifica determinada marca e não tem o condão de ligar uma empresa à outra. Desde que autorizado pela detentora da marca, o logotipo respectivo pode ser utilizado por quem quer que seja, até mediante pagamento da detentora aos usuários, como meio de difusão da marca. Isto é coisa mais do que comum no mercado nos dias de hoje. Diz que insofismável solidariedade das empresas do grupo quanto ás reinvinclicações nas reclamatórias trabalhistas. Tratase de equivoco do fisco. O Frigorifico Santa Esmeralda era tomador de serviços do Frigorífico Caromar e os tais pagamentos de débitos trabalhistas foram feitos aos empregados pelo próprio Caromar, mediante endosso de cheques que recebia do Frigorifico Santa Esmeralda em pagamento daqueles serviços prestados. Só isto. Aduz que não são todas as empresas recorrentes que tem sócios comuns. Claro que algumas pessoas são sócias em mais de uma delas, mas isto não impõe às respectivas empresas necessária comunhão de interesses. Assevera que o nome Campboi teve origem com a empresa Campboi Comércio de Carnes e Derivados. Posteriormente, o nome Campboi" foi destacado daquela empresa, que passou a se chamar RPMC Comércio de Carnes e Derivados, e o direito ao uso daquele nome cedido à Meat Center Comércio de Carnes. Passado algum tempo, em 27/05/2002, a Meat Center Comércio de Carnes Ltda., então detentora da marca Campboi, cedeu os direitos de uso dela à Vitória Agroindustrial. Que de lá para cá, a Vitória usou a marca como e quando quis, inserindoa em panfletos promocionais e até em talonário de notas fiscais de outras empresas, clientes e fornecedoras, inclusive nos da RPMC, utilizando aqueles documentos fiscais como veiculo de divulgação da marca. É o relatório Fl. 578DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Voto Conselheira Cleusa Vieira de Souza, Relatora Presentes os pressupostos de admissibilidade, o recurso merece ser conhecido. De início, importa esclarecer que, apreciando os elementos contidos nos autos é possível averiguar que o presente lançamento fiscal tratase de aferição, e referese a obra de responsabilidade de pessoa jurídica, em consonância com as determinações contidas nos §§ 3º, 4° e 6° da Lei n°8.212191, se utilizando da tabela CUB, em virtude da não apresentação dos documentos solicitados no TIAD Termo de Intimação para Apresentação de Documentos de fls 19, motivo pelo qual foi emitido o auto de infração DEBCAD n° 35.622.9602. Ademais, a empresa nem matrícula possuía, razão pela qual foi emitido o auto de infração DEBCAD n°35.622.9599. Registrese que o lançamento substitutivo em epigrafe foi agora corretamente lavrado no 5073 (pessoa jurídica), e com os tipos de débitos (56 e 61) adequados para a fundamentar o grupo econômico e a aferição pela Tabela CUB que é o custo unitário básico por metro quadrado da construção do projeto padrão calculado pelos Sindicatos da Industria da Construção Civil. Em decorrência dos documentos anexados pela defendente "Vitória Agroindustrial Ltda" de fls 190 a 227, o presente processo foi baixado em diligencia, inclusive com emissão de "Mandado de Procedimento Fiscal" de fls 333 a 335. Neste sentido o auditor fiscal esclarece que compareceu no endereço da empresa constante de fls 01 (capa NFLD), no entanto o mesmo Senhor de nome Elias que na ação fiscal anterior o atendeu, agora neste momento do procedimento fiscal veio a lhe informar que a empresa havia mudado para a Rua da Liberdade, 553 — Centro — Guapiaçu. Ocorre que pelo fato de no endereço dado, não funcionar nada, deixou os MPF' no local anterior. Resultando, mais uma vez, na não apresentação de documentos específicos para a obra. Não restando outra alternativa ao auditor, senão retificar o valor do lançamento apenas com as copias das notas fiscais apresentadas (item "7") na defesa, utilizandose deles para a emissão do novo ARO — Aviso para Regularização da Obra, conforme discriminativo da retificação abaixo: Competência Valor Apurado Excluído Mantido 09/2003 156.674,54 137.652,53 19.022,01 Em suas razões de recurso a contribuinte alega que o INSS simplesmente cobra da recorrente as contribuições sociais devidas pelas empresas contratadas por ela, sem nem sequer verificar se houve recolhimentos por parte delas ou não, sem verificar a real base de cálculo e o que é pior, sem compensar aqueles 11% já recolhidos pela recorrente. Diz que, conforme § 1° do art. 31 da Lei nº 8.212/91, já referido acima, o valor retido de que trata o caput (aqueles 11% já recolhidos pela contratante), que deverá ser Fl. 579DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16000.000118/200752 Acórdão n.º 240102.068 S2C4T1 Fl. 522 9 destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. Contudo, esta não é a hipótese dos autos, porquanto não foram apresentados os documentos solicitados, que pudessem corroborar a situação alegada pela contribuinte, nos termos do artigo 31 da Lei nº 8212; assim sendo, com base no Alvará de Construção expedido no nome da Recorrente, foi emitido Aviso para Regularização de Obra Aro "exoficio", onde constou a apuração do valor da mãodeobra obtida, tido como Salário de Contribuição para fins de regularização da obra, a importância de RS 425.746,04, que com as aplicações das aliquotas gerou um valor a recolher original de R$ 156.674,54 referente a competência 09/2003; posteriormente retificado. Assim, como já dito, na falta de apresentação dos documentos solicitados, não restou outra alternativa ao fiscal autuante senão promover o lançamento por aferição indireta, agindo da melhor forma, com estrita observância da legislação de regência, mormente com relação ao artigo 33, §§ 3º e 4º, da Lei nº 8.212/91, que assim estabelecem: “Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", ‘b" e "c" do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação alterada pela Lei nº 10.256/01) [...] § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social INSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. § 4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário.” Com relação aos argumentos expendidos pelos impugnantes em seus arrazoados, de que não integram o grupo econômico CAMPBOI', invocando o Código tributário Nacional, como sobejamente explcitidao na decisão de primeira instância, não são suficientes para elidir o procedimento fiscal, haja vista o que dispõe o referido Código e outras normas vigentes quanto à identificação e a relação de solidariedade de um Grupo Econômico. Fl. 580DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Os artigos 121, 124 e 128 do CTN, citados pelos defendentes, tratam em verdade, das obrigações do sujeito passivo, da solidariedade e da responsabilidade de terceiros. A Lei n° 6.404/76, que dispõe sobre as Sociedades Anõnimas, de aplicação subsidiária "in casu", em seu artigo 265, ao conceituar o Grupo de Sociedades, o fez com a seguinte redação: "Art. 265. A sociedade controladora e suas controladas podem constituir, nos termos deste Capitulo, grupo de sociedades, mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. § 1°.A sociedade controladora, ou de comando do grupo, deve ser brasileira, e exercer, direta ou indiretamente, e de modo permanente, o controle das sociedades filiadas, como titular de direitos de sócio ou acionista, ou mediante acordo com outros sócios ou acionistas". Ainda, a mesma Lei, no artigo 267, preceitua: "Art. 267. O grupo de sociedades terá designação de que constarão as palavras grupo de sociedades ou grupo Parágrafo único. Somente os grupos organizados de acordo com este Capitulo poderão usar designação com as palavras grupo ou grupo de sociedade". O § 2° do artigo 2° da Consolidação das Leis do Trabalho, aprovada pelo DecretoLei 5.452 de 01/05/1943, dispõe: Art.2° Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. (...) §2° Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade económica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das, subordinadas. É de se ver, então, que o grupo de sociedade caracterizase pela reunião de várias empresas, cada uma com personalidade jurídica e patrimônio próprios, que se obrigam a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetivos ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. Dessa forma, nada obstante os esforços em negar a formação deste grupo econômico (esforços conjuntos, digase, conforme impugnações e recursos que se assemelham nas alegações e assinados pelo mesmo procurador), se interligam na formação de um grupo conforme exaustivamente, e de forma conclusiva, demonstram o anexo especial às fls. 30 à 67. Também os documentos que trazem o citado Anexo Especial demonstram, de forma cabal e definitiva, a existência de combinação de recursos com forte elo entre aquelas empresas, e que se transcreve parte a seguir: Fl. 581DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16000.000118/200752 Acórdão n.º 240102.068 S2C4T1 Fl. 523 11 A autodenominação pelas empresas relacionadas na NFLD como "GRUPO CAMPBOI" (documentos complementares fls. 68 a 96). A prestação de serviços de transporte sem o efetivo pagamento pela tomadora (item 4.1 do Anexo Especial). A insofismável solidariedade das empresas do grupo quanto às reivindicações nas reclamatórias trabalhistas, transitadas em julgado (item 4.10 do Anexo Especial e documentos complementares n°s 11 a 19). Dentre outros. Ademais, com os elementos trazidos aos autos pelo Anexo Especial restou inconteste a solidariedade entre as empresas deste grupo econômico, tanto que estas provas fulminaram os argumentos. Destarte diante de todos os fatos descritos, com provas documentais anexadas, a fiscalização demonstrou, de forma inequívoca, que as pessoas jurídicas relacionadas mantêm mais do que relações comerciais, estas desenvolvem suas atividades como se uma fosse, estabelecendo relações que demonstram a unicidade de interesses, a prática de esforços conjuntos entre pessoas que visam um fim de interesse comum, ou seja, atuam de maneira inequívoca como um grupo econômico de fato, além da documentação acostada pela fiscalização, por amostragem e por cópia. Cumpre destacar que o credito previdenciário em comento teve como fato gerador a mão de obra utilizada na construção civil, e encontrase fundamentado nos artigos 20, 22 inciso I e II e 30, inciso I, alíneas “a” e “h” e Inciso VI, e art 94 da Lei 8.212191(na nova redação dada pela Lei 9.876199 e no Regulamento da Organização e do Custeio da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3.048/99 em seu art 234, que determina a competência para se estabelecer critérios para regularização de obra de construção civil, na falta de prova regular e formalizada. Por fim o lançamento obedeceu aos critérios estabelecidos pela legislação previdenciária, especialmente aqueles do art. 37, da Lei n. º 8.212/91, e a despeito da argumentação apresentada pelos recorrentes, não vejo nela qualquer fundamento que possa levar à desconstituição do crédito previdenciário ora atacado, uma vez que se encontra revestido das formalidades legais exigidas para a sua constituição. Por todo exposto; VOTO no sentido de conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de desconsideração do grupo econômico, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Cleusa Vieira de Souza . Fl. 582DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Fl. 583DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10865.001373/00-09
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício:1998, 1999
LIVRO CAIXA DEDUÇÃO.
O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado pode deduzir, da receita decorrente da respectiva atividade, as despesas de custeio necessárias à percepção dos rendimentos e manutenção da fonte produtora, desde que lastreadas em documentos hábeis e idôneos, devidamente escrituradas no respectivo livro caixa. O simples lançamento na escrituração e/ou Declaração de Ajuste Anual pode ser contestado pela autoridade lançadora.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.817
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- processos que não versem s/exigência cred.tribut.(NT)
Nome do relator: Manoel Coelho Arruda Junior
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O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado pode deduzir, da receita decorrente da respectiva atividade, as despesas de custeio necessárias à percepção dos rendimentos e manutenção da fonte produtora, desde que lastreadas em documentos hábeis e idôneos, devidamente escrituradas no respectivo livro caixa. O simples lançamento na escrituração e/ou Declaração de Ajuste Anual pode ser contestado pela autoridade lançadora. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres – Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator EDITADO EM: 31/10/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, por suposta contrariedade à lei ou evidência de prova, em face do acórdão n. 10423.265: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício. 1998, 1999 LIVRO CAIXA DEDUÇÃO O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado pode deduzir, da receita decorrente da respectiva atividade, as despesas de custeio necessárias à percepção dos rendimentos e manutenção da fonte produtora, desde que lastreadas em documentos hábeis e idôneos, devidamente escrituradas no respectivo livro caixa. O simples lançamento na escrituração e/ou Declaração de Ajuste Anual pode ser contestado pela autoridade lançadora. DESPESAS CARTORÁRIAS CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS São dedutíveis as despesas de prestação de serviços contratados com pessoas jurídicas, lançadas no Livro Caixa do titular da Serventia, cuja documentação que as atesta é hábil e idônea. Recurso parcialmente provido. O referido acórdão foi julgado na sessão plenária de 24/06/2008, e teve o seguinte resultado: Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para restabelecer as despesas de livrocaixa relativas ao contrato com a empresa Marajó, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Gustavo Lian Haddad, Rayana Alves de Oliveira França e Pedro Anan Júnior que, além disso, restabeleciam a despesa referente a locação de salão de festas, e os Conselheiros Antonio Lopo Martinez (Relator) e Pedro Paulo Pereira Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10865.001373/0009 Acórdão n.º 920201.817 CSRFT2 Fl. 2 3 Barbosa, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao restabelecimento das despesas de livrocaixa relativas ao contrato com a empresa Marajó o Conselheiro Nelson Mallmann. A recorrente indica que o acórdão recorrido teria sido prolatado contrariedade à evidenciação da prova constante dos autos. Referese especificamente à dedução de despesa de livro caixa de valores declaradamente pagos à empresa Marajó. Segundo recorrente o contribuinte não comprovou a efetividade da prestação dos serviços nem o pagamento, embora tenha sido reiteradamente intimada a fazêlo. Argumenta que a exigência dessa comprovação de fazia necessária pela relação de parentesco entre o contratante e contratada e pela evidência de que haveria a dedução em duplicidade da mesma despesa. Em exame de admissibilidade, o i. Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção proferiu despacho fl. 561, em 15/10/2009, que deu seguimento ao Especial interposto por entender demonstrada a contrariedade à evidência de prova: [...] O recurso traz elementos que justificam um reexame da matéria. Numa análise preliminar, sem ferir o mérito das questões suscitadas no recurso, há evidências que dão razão à recorrente, mormente quando o acórdão recorrido sustenta que caberia ao Fisco comprovar as despesas cuja dedução pleiteia e que, nas circunstâncias do caso,havia justificavas para cautela do Fisco em pedir elementos adicionais de prova os quais o contribuinte não forneceu. Estão presentes, pois, elementos que justifica o seguimento do presente recurso para posterior apreciação pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Intimado, o Contribuinte apresentou contrarrazões [fls. 567 e ss] tendo apresentado, tempestivamente, contrarrazões [fls. 324/328]. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Não obstante os argumentos apresentados pela PFN, entendo que os referidos não têm o condão de reformar o decisum recorrido. Como razões de decidir, peço vênia ao Colegiado para transcrever o voto prolatado pelo Conselheiro Nelson Mallmann : [...] Da análise do conteúdo dos autos verificase que o contribuinte formalizou um Contrato com a empresa Marajó Assessoria Administração S/C Ltda. Neste contrato, ficou previsto, após algumas alterações, que a remuneração pelos serviços prestados seria de 30% sobre o faturamento bruto do Cartório, comprovado através de Livro Diário, assegurado o valor mínimo R$ 4.000,00 (alteração de 30/04/1997 às fls. 119 22). Da mesma forma, verificase que fiscalização concluiu que esta empresa prestava serviços de forma exclusiva ao Cartório, tendo em vista a numeração seqüencial das notas fiscais de serviços emitidas (fls. 129176), bem como, identificou que os mesmos serviços previstos no Contrato formalizado eram também contratados com outras empresas, o que denominou de "despesas em duplicidade" aquelas despesas com a empresa Marajó, efetuando assim a glosa destas últimas, devido também, por considerar, que a forma adotada de apuração, com um percentual fixo sobre o faturamento bruto, estaria contrariando o disposto no art. 299 do Regulamento do Imposto de Renda/1999, artigo este que define o conceito de despesas operacionais. Por outro lado, o Contribuinte se defende alegando que a afirmação sem indicação do lançamento, datas e valores pagos a título de "faxina", por si só inviabilizam a tese de pagamento em duplicidade, pois caso a D. Autoridade Fiscal tivesse solicitado informações o suplicante teria apresentado as justificativas para os referidos pagamentos e, caso as mesmas não fossem esclarecedoras, poderiam ser glosadas, pois estas, caso estivessem incluídas nas responsabilidades da contratada, poderiam caracterizar o pagamento em duplicidade e, portanto, poderiam sofrer a glosa por parte da fiscalização. Observa, ainda, o contribuinte que deve ser destacado que os valores pagos a empresa, Marajó, a titulo de prestação de serviços e alugueis foram declarados como receita pela contratada, fato este reconhecido pela D. Autoridade Fiscal no "Termo de Constatação". Como visto, o tópico em discussão versa, tãosomente, sobre a aceitação de provas. Inicialmente se faz necessário observar, que no sentido amplo o contribuinte que receber rendimentos do Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10865.001373/0009 Acórdão n.º 920201.817 CSRFT2 Fl. 3 5 trabalho nãoassalariado, o titular de serviços notariais e de registro e o leiloeiro podem deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as despesas escrituradas em livro Caixa. Portanto, pela lógica quem percebe rendimento de trabalho assalariado não poderá deduzir da respectiva base, as despesas relacionadas ao livro Caixa. O livro Caixa é livro no qual são relacionadas, mensalmente, as receitas e despesas relativas à prestação de serviços sem vínculo empregatício. Está dispensado o seu registro na Secretaria da Receita Federal ou em cartórios. As despesas relacionadas em livro Caixa podem ser deduzidas dos rendimentos de: trabalho nãoassalariado; titular de serviços notariais e de registro; leiloeiro. A utilização do livro Caixa por titular de serviços notariais e de registros em geral, exercidos em caráter privado, por delegação do Poder Público, não se estende às pessoas que para eles trabalham, assalariados ou autônomos. Podem ser deduzidos os pagamentos escriturados em livro Caixa relativos: a) remuneração de terceiros com vinculo empregatício e os respectivos encargos trabalhistas e previdenciários; b) emolumentos; c) despesas de custeio necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. A dedução das despesas relacionadas no livro Caixa está limitada ao valor do rendimento recebido, no mês, de pessoa fisica, de pessoa jurídica e do exterior decorrentes da prestação de serviços sem vínculo empregaticio. Na existência de excesso de despesas em dezembro, este valor não pode ser utilizado no ano seguinte. Somente são admissíveis, como dedutíveis, despesas que, além de preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade, apresentaremse com a devida comprovação, com documentos hábeis e idôneos e que sejam necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora devidamente escriturados no livro Caixa. Temse, da mesma forma, que o contribuinte, pessoa fisica, que receber rendimentos do trabalho não assalariado, incluindo os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o artigo 236 da Constituição Federal, não poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade, as quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como as despesas de arrendamento. É sabido, que se considera despesa de custeio aquela indispensável à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, como aluguel, água, luz, telefone, material de expediente ou de consumo. Por outro lado, os gastos com reforma de prédio, aquisição de móveis e utensílios e equipamentos eletrônicos, referemse a aplicação de capital e, portanto, não são dedutíveis da receita por expressa disposição legal. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 O profissional autônomo deverá escriturar o livro Caixa para deduzir as despesas de custeio, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Receita e despesa deve manter correlação com a atividade, independentemente se a prestação de serviços foi feita para pessoas físicas ou jurídicas. Por tudo que foi visto, a inscrição da despesa utilizada no Livro Caixa é condição primordial para a admissibilidade de sua dedução dos rendimentos tributáveis, na declaração de ajuste anual, sem contar que não basta a sua comprovação por meio de documentação idônea, devendo ainda ficar comprovado, que as despesas de custeio pagas são necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte pagadora. Tais despesas devem estar devidamente discriminadas e identificadas em documentos hábeis e idôneos e em nome do contribuinte que efetuar os pagamentos. Ora, no caso dos autos, o principal argumento utilizado pelo relator para manter a glosa das despesas oriundas do contrato firmando com a empresa Marajó foi a de não aceitar a comprovação das despesas baseada num valor arbitrário, lastreado em acordo particular entre partes relacionadas e que não houve a individualização dos valores que correspondem às despesas, locação de bens, transporte, assessoria de informática e outros. Com a devida vênia do relator, a nossa jurisprudência é remansosa no sentido de que toda matéria útil pode ser acostada ou levantada na defesa, como também é direito do contribuinte ver apreciada essa matéria, sob pena de restringir o alcance do julgamento. Como a obrigação tributária é uma obrigação ex lege, e como não há lugar para atividade discricionária ou arbitrária da administração que está vinculada à lei, devese sempre procurar a verdade real à cerca da imputação. Não basta a probabilidade da existência de um fato para dizerse haver ou não haver obrigação tributária. Neste sentido caberia a fiscalização trazer aos autos elementos seguros de prova de que o contrato apresentado fora realizado a titulo gracioso e que não houve a prestação dos serviços apontados, bem como a empresa não tinha condições de prestar os serviços apontados, ou seja, a fiscalização deveria aprofundar a sua investigação para trazer aos autos elementos sólidos que desqualificassem o contrato realizado. Entretanto, não o fez, ficou só na alegação de que o contribuinte formalizou um contrato com a empresa Marajó, empresa esta que é do pai do contribuinte, o Sr. Clóvis Giareta Camargo, tendo ainda como sócios, a mãe, Sra. Vicentina C. A Lapastina, sua irmã, Sra. Rita de Cássia Lapastina Camargo Cusinato e seu avô, Sr. Vicente Lapastina e que neste contrato, ficou previsto que a remuneração pelos serviços prestados seria de 30% sobre o faturarnento bruto do Cartório, comprovado através de Livro Diário, assegurado o valor mínimo R$ 4.000,00, por fim a fiscalização concluiu que esta empresa prestava serviços de forma exclusiva ao Cartório, tendo em vista a numeração seqüencial das notas fiscais de serviços emitidas. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10865.001373/0009 Acórdão n.º 920201.817 CSRFT2 Fl. 4 7 Ora, com todas as vênias, não posso compartilhar com a idéia de desqualificar o contrato de prestação de serviços só com base nos argumentos apresentados pela fiscalização, quais sejam: de que os proprietários são parentes; que os valores a pagar foram fixados em termos percentuais e que a prestação de serviços foi de forma exclusiva. Assim, tendo em vista a mais renomada doutrina, assim como, a iterativa jurisprudência, administrativa e judicial, a respeito da questão vêse que o processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu à hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de recurso do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independentemente até mesmo do que foi alegado. Em face do exposto conheço do recurso especial para, no mérito, NEGAR PROVIMENTO. É o voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 7DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 10166.007336/95-26
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 1990,1991
ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO.
O pressuposto é de que as alterações efetivadas unilateralmente pela RFB nos dados declarados pelo sujeito passivo devem ser formalizadas com observância do devido processo legal, contraditório e ampla defesa para que tenham existência, validade e eficácia no mundo jurídico e todos os atos administrativos que afetem direitos ou interesses devem estar necessariamente motivados de forma explícita, clara e congruente.
PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS
FISCAIS (PERC).
A RFB encaminhará, para cada ano calendário, aos órgãos administradores dos fundos os registros de processamento eletrônico de dados que constituirão ordens de emissão de certificados de investimentos, em favor da pessoas jurídica optante cujos valores serão calculados, exclusivamente, com
base nas parcelas do imposto recolhidas dentro do exercício financeiro e os certificados emitidos corresponderão a quotas dos fundos de investimento.
Numero da decisão: 1801-000.754
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado que votou pela conversão do julgamento em realização de diligência e apresentou a Declaração de Voto.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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MOTIVAÇÃO. O pressuposto é de que as alterações efetivadas unilateralmente pela RFB nos dados declarados pelo sujeito passivo devem ser formalizadas com observância do devido processo legal, contraditório e ampla defesa para que tenham existência, validade e eficácia no mundo jurídico e todos os atos administrativos que afetem direitos ou interesses devem estar necessariamente motivados de forma explícita, clara e congruente. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS (PERC). A RFB encaminhará, para cada anocalendário, aos órgãos administradores dos fundos os registros de processamento eletrônico de dados que constituirão ordens de emissão de certificados de investimentos, em favor da pessoas jurídica optante cujos valores serão calculados, exclusivamente, com base nas parcelas do imposto recolhidas dentro do exercício financeiro e os certificados emitidos corresponderão a quotas dos fundos de investimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado que votou pela conversão do julgamento em realização de diligência e apresentou a Declaração de Voto. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Substituta Processo nº 10166.007336/9526 Acórdão n.º 180100.754 S1TE01 Fl. 191 2 (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente acima identificada formalizou em 18.07.1995, fls. 0104, o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC). Constam nas Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIRPJ) a aplicação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) apurado com base no lucro real: no anocalendário de 1989 no valor de 9.089.353,83 BTN Fiscal destinado ao Fundo de Investimento do Nordeste (FINOR) no percentual de 20% (vinte por cento) e no valor de 1.817.870,77 BTN Fiscal destinado ao Fundo de Investimento da Amazônia (FINAM) no percentual de 4% (quatro por cento), fls. 0710 e DARF com código de receita 1599 de IRPJ, fls. 1117; no anocalendário de 1990 no valor de 22.081.828,39 BTN Fiscal destinado ao Fundo de Investimento do Nordeste (FINOR) no percentual de 20% (vinte por cento) e no valor de 4.416.365,68 BTN Fiscal destinado ao Fundo de Investimento da Amazônia (FINAM) no percentual de 4% (quatro por cento), fls. 1821 e DARF com código de receita 1599 de IRPJ, fls. 2227. A Recorrente afirma que o número de cotas emitidas está incorreto, conforme demonstrado na Tabela 1. Tabela 1 – Demonstrativo de cotas do FINOR e do FINAM dos anos calendário de 1989 e 1990. AnoCalendário 1989 1990 Incentivo Fiscal Descrição (A) FINOR (B) FINAM (C) FINOR (D) FINAM (E) Número de Cotas Calculadas DIRPJ 311.135.050 29.901.964 243.352.731 122.240.000 Número de Cotas Emitidas 40.996.616 3.940.019 Número de Cotas Não Emitidas 270.138.434 25.961.945 243.352.731 122.240.000 Requer que sejam verificados os motivos das divergências. Processo nº 10166.007336/9526 Acórdão n.º 180100.754 S1TE01 Fl. 192 3 Em conformidade com o Despacho Decisório, fls. 2728, os prazos para formalização dos pedidos encerramse em 30.09.1992 e 30.09.1993 para os anoscalendário de 1989 e 1990, respectivamente. Por esta razão a solicitação formalizada em 18.07.1995, fls. 01 03, foi considerada intempestiva. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 2930, com as alegações abaixo sintetizadas. Suscita que não lhe são aplicáveis as determinações previstas no art. 1º do DecretoLei nº 1.752, de 31 de dezembro do 1979, na Norma de Execução DpRF/CIEF/Csar/CST nº 23, de 6 de setembro de 1991 e a Norma de Execução SRF/COSAR/COSIT/COTEC nº 7, de 25 de março de 1991, que tratam de prazo para que as pessoas jurídicas optantes procurem os título emitidos. Acrescenta que suas diligência para solução das mencionadas divergências foram iniciadas há muito tempo. Conclui Ante o exposto, pugnamos pelo acolhimento de nossas alegações e reabertura do processo para integral atendimento do pleito, regularizandose as pendências originalmente reclamadas. Com fundamento na Norma de Execução SRF/COSAR/COSIT nº 1, de 31 de março de 1999, houve julgamento da matéria em sede de primeira instância de julgamento. Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/BSA/DF nº 464, de 04.12.2001, fls. 5457: “Solicitação Indeferida”. Restou ementado ASSUNTO: Outros Tributos e Contribuições Exercício: 1991,1992 Ementa: PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS (PERC). INTEMPESTIVIDADE. As divergências existentes entre os valores apresentados na declaração de rendimentos e aqueles constantes no Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais deverão ser contestadas até dia 30 de setembro do segundo ano subseqüente ao exercício financeiro a que corresponder a opção, consoante DL 1752/79. Notificada em 28.03.2002, fl. 60, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 25.04.2002, fls. 6162, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Conclui Como o referido recurso tratou de matéria idêntica à do presente pleito (intempestividade na apresentação do PERC), o Banco do Brasil S/A recorre a esse Conselho de Contribuintes com o mesmo objetivo de reaver os incentivos que lhe são de direito. Termos em que pede deferimento. Processo nº 10166.007336/9526 Acórdão n.º 180100.754 S1TE01 Fl. 193 4 Consta no Acórdão da 5ª CÂMARA/1º CONSELHO DE CONTRIBUINTES nº 10513.937, de 16.10.2002, fls. 8493: “ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, devendo o processo retornar à repartição de origem, para se prossiga no julgamento do feito, de modo que o mérito do litígio seja devidamente examinado, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” Cientificada em 16.09.2004, fl. 97, da Intimação nº 446, de 08.09.2004, fls. 9596, para apresentação de documentos, a Recorrente permaneceu inerte. De acordo com o Despacho Decisório de 17.12.2004, fls. 99101, o pedido foi indeferido pela falta de apresentação dos documentos solicitados. Notificada em 06.01.2005, fl. 103, apresentou a manifestação de inconformidade em 04.02.2005, fls. 104105, com os argumentos abaixo resumidos. Alega que o PERC foi formalizado mediante expediente COGER nº 153, de 18.07.1995, fls. 0103, bem como correspondência do Banco do Nordeste S/A informando da não identificação da emissão cotas do FINOR. Conclui Não sendo possuidor dos certificados no pedido, o recorrente vem manifestar inconformidade [...] com o objetivo de buscar [...] o restabelecimento do direito aos certificados de investimento relativos às opções dos anoscalendário de 1989 e 1990. O Despacho da 4ª TURMA/DRJ/BSA/DF de 07.02.2005, fls. 114, determina a realização de diligência para que sejam vericados nos registros internos da RFB “os motivos da não autorização para os fundos emitirem os certificados de investimento”. Na Informação Fiscal, fls. 149157, de 30.07.2009, consta que de fato a Recorrente tem em seu favor efetivamente comprovadas pelos documentos às fls. 3132 o quantitativo de cotas exposto na Tabela 2. Tabela 2 – Demonstrativo do quantitativo de cotas do FINOR e do FINAM dos anoscalendário de 1989 e 1990. AnoCalendário 1989 1990 Incentivo Fiscal Descrição (A) FINOR (B) FINAM (C) FINOR (D) FINAM (E) Número de Cotas Calculadas DIRPJ 311.135.050 29.901.964 243.352.731 122.240.000 Número de Cotas Emitidas 49.612.000 3.940.019 Número de Cotas Não Emitidas 261.523.050 25.961.945 243.352.731 122.240.000 Nos registros internos da RFB foram reconhecidos como corretos os exercícios das opções nos valores evidenciados na Tabela 3, fls. 124 e 130, os quais foram repassados Processo nº 10166.007336/9526 Acórdão n.º 180100.754 S1TE01 Fl. 194 5 Tabela 3 – Demonstrativo dos valores recolhidos em BTF Fiscal do FINOR e do FINAM dos anoscalendário de 1989 e 1990 AnoCalendário 1989 1990 Incentivo Fiscal Descrição (A) FINOR BTNF Fiscal (B) FINAM BTNF Fiscal (C) FINOR BTNF Fiscal (D) FINAM BTNF Fiscal (E) Valor da Opção DIRPJ 9.089.953,83 1.817.870,77 22.081.828,39 4.416.365,68 Valor nos Registros da RFB 9.089.953,83 1.817.870,77 22.081.828,39 4.416.365,68 Valor nos Registros da RFB Após Procedimento Interno de Malha Fazenda 8.553.081,95 1.170.616,39 22.081.828,39 4.416.365,68 Valor da Diferença 536.271,88 107.243,38 0,00 0,00 Os motivos das divergências de valores no anocalendário de 1989 constam no Extrato de Aplicações, documento este que não foi anexado ao processo e tampouco está disponível nos registros internos da RFB. Restou esclarecido que as diligências realizadas junto aos órgãos administradores dos fundos não geraram quaisquer informações supervenientes. Destaquese que intimada em 16.03.2010, fl. 158v, a que Recorrente ficou silente sobre as informações constantes no Informação Fiscal, fls. 149157. Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/BSA/DF nº 0342.434, de 31.03.2011, fls. 165173: “Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1990,1991 PERC Provas Na impugnação ou na manifestação de inconformidade, para exame dos argumentos de defesa, a contribuinte deverá mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Alegar e não provar é o mesmo que não alegar. Cientificada em 27.06.2011, fl. 175, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 27.07.2011, fls. 176188, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados nas manifestações de inconformidade. Ressalta que não foi cientificada do Extrato de Aplicações, bem como que os órgãos de administração dos fundos negam o recebimento das informações relativas aos registros de processamento eletrônico de dados, que tampouco constam na RFB. Diz que no presente caso o ônus da prova cabe à Administração Pública. Além disto, entende que como a decisão de primeira instância não está regularmente fundamentada, houve cerceamento do seu direito de defesa. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Processo nº 10166.007336/9526 Acórdão n.º 180100.754 S1TE01 Fl. 195 6 Conclui Diante do exposto, restando suficientemente demonstrado que a manifestação de inconformidade objeto do presente recurso é absolutamente procedente e que, ao contrário do decidido, cumpria ao Recorrente tãosomente exercer a sua opção pelo incentivo fiscal, enquanto, de outro lado, cabia à Recorrida, no exercício de suas atribuições, além de expedir os documentos competentes, apurar os fatos e apreciar a manifestação de inconformidade, decidindo sobre ela, de forma devidamente fundamentada, a apreciação e exame do pedido de restabelecimento do direito aos certificados de investimentos relativos às opções do anocalendário de 1989 e 1990 se impões e é medida de garantia aos direitos do contribuinte. Termos em que, Pede deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente discorda das divergências entre os valores das opções constantes nas DIPJ dos anoscalendário de 1989 e 1990 e aqueles constantes nos controles dos órgãos administradores dos fundos, em conformidade com a parcela litigiosa destacada na Tabela 4. Tabela 4 – Demonstrativo do quantitativo de cotas do FINOR e do FINAM dos anoscalendário de 1989 e 1990. AnoCalendário 1989 1990 Incentivo Fiscal Descrição (A) FINOR (B) FINAM (C) FINOR (D) FINAM (E) Número de Cotas Calculadas DIRPJ 311.135.050 29.901.964 243.352.731 122.240.000 Parcela Não Litigiosa Número de Cotas Emitidas 49.612.000 3.940.019 Parcela Litigiosa Número de Cotas Não Emitidas 261.523.050 25.961.945 243.352.731 122.240.000 O FINOR e o FINAM foram instituídos pelo DecretoLei nº 1.376, de 12 de dezembro de 1974, cujos recursos são provenientes, dentre outras fontes, por parcelas dedutíveis de IRPJ das pessoas jurídicas optantes, que manifestam suas opções irretratáveis na DIPJ por meio de documentos de arrecadação com códigos de receita específicos. A RFB Processo nº 10166.007336/9526 Acórdão n.º 180100.754 S1TE01 Fl. 196 7 expedirá, em cada anocalendário, à pessoa jurídica optante, extrato de conta corrente contendo os valores efetivamente considerados como imposto e como aplicação nos fundos de investimento. Restou assegurado expressamente à pessoa jurídica optante o direito ao contraditório e à ampla defesa, com base no extrato de conta corrente contendo a caracterização inequívoca do fato que o motivou a alteração de ofício, em conformidade com a legislação de regência do processo administrativo. Ainda, com base nas opções exercidas pelas pessoas jurídicas e no controle dos recolhimentos, a RFB encaminhará, para cada anocalendário, aos órgãos administradores dos fundos os registros de processamento eletrônico de dados que constituirão ordens de emissão de certificados de investimentos, em favor da pessoas jurídica optante cujos valores serão calculados, exclusivamente, com base nas parcelas do imposto recolhidas dentro do exercício financeiro e os certificados emitidos corresponderão a quotas dos fundos de investimento. Cabe ao Departamento do Tesouro Nacional autorizar a transferência dos recursos devidamente corrigidos pela variação do BTN Fiscal ao banco operador no prazo de quinze dias de seu recolhimento, para crédito ao fundo correspondente, à ordem da respectiva Superintendência de Desenvolvimento Regional. As administrações destes fundos são distintas e autônomas e exercidas pelo Conselho Deliberativo da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste, Conselho Deliberativo da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia, pelo Ministério da Integração Nacional, pelo Banco do Nordeste do Brasil S/A, pelo Banco da Amazônia S/A e pelo Banco do Brasil S/A. Os recursos são aplicados em programas e projetos de empresas instaladas no Nordeste e na Amazônia considerados prioritários sob a forma de subscrição de ações e de participação societária. A legislação determina que os saldos diários destes recursos, enquanto não desembolsados pelos bancos administradores e operadores, são remunerados com base na taxa extramercado divulgada pelo Banco Central do Brasil, havendo aplicação da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP sobre empréstimos concedidos os referidos recursos1. Tem cabimento a análise fática. 1) Diferenças entre os valores das aplicações no FINOR e no FINAM constantes na DIPJ e aqueles que a RFB considera como corretos no anocalendário de 1989 Na Informação Fiscal está assinalado, fls. 149157: Do processamento dessa declaração resultaram alterações em ambas as aplicações [...] motivadas, supostamente, por insuficiência nos recolhimentos do imposto de renda da pessoa jurídica, vez que a base utilizada para o cálculo dos incentivos [...] não sofreu qualquer crítica ou alteração nos vários sistemas da RFB [...] (grifos acrescentados) Por seu turno, no julgamento em sede de primeira instância, fls. 165173, restou esclarecido: Esclarecese que consoante informações contidas no extrato de Fichas da DIRPJ/1990, anexadas aos autos, houve as alterações nos valores relativos às aplicações em incentivos fiscais nos procedimentos de revisão interna da Malha Fazenda 1990, em princípio, esse foi o motivo da redução dos valores pleiteados 1 Fundamentação legal: DecretoLei nº 1.376, de 12 de dezembro de 1974, art. 4º da Lei nº 9.126, de 10 de novembro de 1995, art. 13 da Lei nº 7.827, de 27 de setembro de 1989, Lei nº 8.167, de 16 de janeiro de 1991 e art. 4º da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Processo nº 10166.007336/9526 Acórdão n.º 180100.754 S1TE01 Fl. 197 8 naquela declaração, que certamente, à época, a contribuinte foi notificada de tais alterações e dado oportunidade para se manifestar a respeito, donde se conclui que ela teve oportunidade para reclamar às alterações dos valores pleiteados. (grifos acrescentados) A ocorrência do fato gerador somente pode ser considerada a partir da realidade de uma situação de fato com circunstâncias materiais ou uma situação jurídica definitivamente constituída2. A utilização de juízo de discricionariedade não é aceitável para a identificação do fato imponível, que é aquele acontecido em um determinado tempo e lugar. Ainda cabe esclarecer que, via de regra, as alterações efetivadas unilateralmente pela RFB nos dados declarados pelo sujeito passivo devem ser formalizadas com observância do devido processo legal, contraditório e ampla defesa para que tenham existência, validade e eficácia no mundo jurídico3. Vale lembrar inclusive que todos os atos administrativos que afetem direitos ou interesses devem estar necessariamente motivados de forma explícita, clara e congruente4. Verificase que na Informação Fiscal e no Acórdão da DRJ/BSA/DF constam motivos diversos e ainda baseados em suposições para justificar a diferença constatada, fl. 124, uma vez que a insuficiência de recolhimento e a notificação de lançamento não estão corroboradas por documentos hábeis. Assim, estes argumentos não podem ser acolhidos. Ademais, os autos não estão instruídos com os Extratos das Aplicações nos fundos como prova inequívoca que, ante aos fatos expostos, fosse suficiente para a formação de juízo de liquidez e certeza dos motivos que validem as disparidades entre estas quantias, fl. 124. Se por um lado a Recorrente alega que não os recebeu, por outro lado não constam nos registros internos da própria RFB quaisquer informações sobre a emissão. Assim, as diferenças entre os valores das opções na DIPJ e aqueles constantes nos registros da RFB devem ser afastadas, uma vez que não restou evidenciado o fato que deu causa ao procedimento fiscal de fl. 124. 2) Diferenças entre os valores das aplicações no FINOR e no FINAM constantes nas DIPJ e aqueles controlados pelos órgãos administrados dos fundos nos anos calendário de 1989 e 1990 Reproduzido o exceto no Acórdão da DRJ/BSA/DF, a Informação Fiscal destaca, fls. 149157: Devidamente autorizados, procedemos então à procura das informações junto aos gestores dos fundos [...] por meios das correspondências data de 01.08.20087 para o FINAM e 05.08.2008 para o FINOR relatando [...] todas as ocorrências sobre o assunto [...]. Até o momento [...] nenhuma resposta havia sido encaminhada pelos gestores dos fundos FINOR e FINAM. No processo não foram anexados os documento dados reveladores de que a RFB encaminhou aos órgãos administradores dos fundos a integralidade dos registros de processamento eletrônico de dados que constituiriam ordens de emissão de certificados de investimentos, em favor da Recorrente. Por esta razão, tem cabimento que esta remessa seja providenciada por impulso oficial. 2 Fundamentação legal: art. 116 do Código Tributário Nacional. 3 Fundamentação legal: incisos LIV e LV do art. 5º da Constituição Federal e Decreto nº 70.235 de 6 de março de 1972. 4 Fundamentação legal art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Processo nº 10166.007336/9526 Acórdão n.º 180100.754 S1TE01 Fl. 198 9 Assim, a autoridade preparadora deve encaminhar aos órgãos administradores do FINOR e do FINAM os registros dos dados referentes aos valores das opções constantes nas DIPJ dos anoscalendário de 1989 e 1990, excluídas as quantias pertinentes a ordens de emissão de certificados de investimentos correspondentes às cotas dos fundos de investimento comprovadamente já emitidas. Em face do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Declaração de Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Redator Entendo que, em que pese a consistente fundamentação trazida no voto condutor do presente acórdão pela D. Conselheira Relatora, no meu entender este processo apresenta lacunas que impedem a melhor aferição da verdade material relativamente ao montante de incentivo que aparentemente deixou de ser emitido. Não obstante tenha sido determinada a realização de diligências pela autoridade julgadora de 1ª instância, esta foi devolvida com a apresentação de relatório que contém omissões muito bem apontadas no voto proferido pela D. Relatora. Senão vejamos. O relatório de diligência apontou divergências entre os valores declarados pela interessada e aqueles constantes nos sistemas de controle da Receita Federal, não tendo porém anexado os elementos que pudessem justificar e demonstrar tais alterações. Além disso, como bem destacou a relatora em seu voto; “..., os autos não estão instruídos com os Extratos das Aplicações nos fundos como prova inequívoca que, ante aos fatos expostos, fosse suficiente para a formação de juízo de liquidez e certeza dos motivos que validem as disparidades entre estas quantias, fl. 124.” A autoridade preparadora também informa ter buscado informações junto aos gestores dos fundos, mas concluiu as diligências sem que as respostas houvessem sido devidamente recebidas. Assim, com o devido respeito à decisão proferida pelos meus pares no presente julgamento, entendo que, ainda que à custa de nova dilação na solução da lide, seria necessário a realização de novas diligências pela autoridade preparadora com vistas a sanear as lacunas apontadas. Processo nº 10166.007336/9526 Acórdão n.º 180100.754 S1TE01 Fl. 199 10 É como voto. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado
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