Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13819.003019/2004-77
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
Ementa: SIMPLES. ATIVIDADES DE MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTO INDUSTRIAL.
Não comprovada a necessidade de profissional legalmente habilitado (engenheiro) para a execução das atividades de prestação de serviços de manutenção de máquinas e equipamentos industriais, a pessoa jurídica pode optar pelo sistema SIMPLES de recolhimento de impostos e contribuições federais.
Numero da decisão: 1202-000.262
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Carlos Alberto Donassolo
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201004
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 Ementa: SIMPLES. ATIVIDADES DE MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTO INDUSTRIAL. Não comprovada a necessidade de profissional legalmente habilitado (engenheiro) para a execução das atividades de prestação de serviços de manutenção de máquinas e equipamentos industriais, a pessoa jurídica pode optar pelo sistema SIMPLES de recolhimento de impostos e contribuições federais.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 13819.003019/2004-77
conteudo_id_s : 5634633
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1202-000.262
nome_arquivo_s : Decisao_13819003019200477.pdf
nome_relator_s : Carlos Alberto Donassolo
nome_arquivo_pdf_s : 13819003019200477_5634633.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 06 00:00:00 UTC 2010
id : 6497728
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048687707422720
conteudo_txt : Metadados => date: 2012-03-22T11:09:04Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 10; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2012-03-22T11:09:04Z; Last-Modified: 2012-03-22T11:09:04Z; dcterms:modified: 2012-03-22T11:09:04Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:73f66e0e-8dfe-48af-aede-8bcf423a0970; Last-Save-Date: 2012-03-22T11:09:04Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2012-03-22T11:09:04Z; meta:save-date: 2012-03-22T11:09:04Z; pdf:encrypted: false; modified: 2012-03-22T11:09:04Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2012-03-22T11:09:04Z; created: 2012-03-22T11:09:04Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2012-03-22T11:09:04Z; pdf:charsPerPage: 1508; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2012-03-22T11:09:04Z | Conteúdo => CARF MF FL 59 Fl. 1 S1-C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo i 13819.003019/2004-77 Recurso n° 340462 Voluntário Acórdão n° 1202-00262 — 2* Câmara / r Turma Ordinária Sessão de 06 de abril de 2010 Matéria Exclusão SIMPLES Recorrente WJB Serviços Ltda.-ME • Recorrida DRJ/Campinas/SP Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 Ementa: SIMPLES. ATIVIDADES DE MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTO INDUSTRIAL. Não comprovada a necessidade de profissional legalmente habilitado (engenheiro) para a execução das atividades de prestação de serviços de manutenção de máquinas e equipamentos industriais, a pessoa jurídica pode optar pelo sistema SIMPLES de recolhimento de impostos e contribuições federais. O Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relati *o e voto que integram o presente julgado. ORLAN ÇALVES BUENO — Vice-Presidente em exercício CARLOS ALBE DONASSOLO - Relator. EDITADO EM: 11 9 MA 2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando José Gonçalves Bueno(vice-presidente), Valéria Cabral Géo Verçoza, Nereida de Miranda Finamore Horta, Decio Lima Jardim(suplente da Fazenda), Carlos Alberto Donassolo e João Impressu em 2110312012 por ANDREA FERN NDI:=F.-; GARCIA - VERSO EM BRANCO DF CAl:F M1 Fl. 60 . Bellini itinior(suplente da Fazenda). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Nelson L6sso Filho (presidente da Turma). 2 Impresso em 21/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANC;;-) DF CAM' MI: Fl. 61 Processo n° 13819.003019/2004-77 Acórdão n.° 1202-00262 SI-C2T2 Fl. 2 Relatório Trata o presente processo da exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, a partir de 01/01/2002, da empresa WJB Serviços Ltda. - ME, mediante edição do Ato Declaratório Executivo (ADE) n ° 569152, de 02 de agosto de 2004 (fl. 12), emitido pela DREsão Bernardo do Campo/SP, tendo em vista o exercício de atividade econômica vedada - Código CNAE 2969-6/02-- "Instalação, reparação e manutenção de outras máquinas e equipamentos de uso especifico", fundamentado no art. 9°, inciso XIII, da Lei n o 9.317, de 05 de dezembro de 1996. Na sequência, em 10/09/2004, a interessada ingressou com Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples— SRS (fl. 10), informando que a atividade por ele exercida não se encontra dentre aquelas arroladas no inciso XIII, art. 9° da lei n° 9.317, de 1996, nem necessita de profissional legalmente habilitado. 0 pleito foi examinado e indeferido pela DRF/São Bernardo do Campo (fl. 05), tendo em vista que a atividade econômica desenvolvida pela interessada, "prestação de serviços de manutenção de máquinas e equipamentos industriais", encontra-se vedada de opção pela IN SRF n° 355, de 2003, art. 20, inciso XII. Devidamente cientificada, a interessada recorreu à DRJ/Campinas (fl. 01 a 03), repisando os mesmos argumentos apresentados por ocasião da SRS. Por seu turno, a DRJ/Campinas emitiu o Acórdão n° 05-17.455, de 25 de abril de 2007, de fls.27 a 32, mantendo a decisão da DRF São Bernardo do Campo, sob o argumento de que as atividades da empresa caracterizariam prestação de serviço profissional de engenheiro, hipótese que encontra vedação na legislação do SIMPLES, cuja ementa abaixo se transcreve: CIRCUNSTÂNCIAS IMPEDITIVAS DE INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES. O exercício de atividade que pressup5e o domínio de conhecimento técnico-científico próprio de profissional da engenharia é circunstância que impede o ingresso ou a permanência no Simples. INTERPRETAÇÃO ANALÓGICA. Diversa da analogia, a interpretação analógica é técnica de interpretação permitida e autorizada no termo "assemelhados", presente no art. 9 0, inciso MI, da Lei n° 9.317/96. Solicitação Indeferida" 0 voto do Acórdão da DRJ/Campinas fundamenta sua decisão, preliminarmente, discorrendo a respeito da interpretação do termo assemelhados constante do dispositivo legal infringido: (...) "Sobre o termo "assemelhados" constante da Iei n° 9.317/96, impress° orn 211G312012 por ANDREA FERNANDES (3,\1CIA - VERSO EM BRANCO DF CARF Mt Fl. 62 art. 9°, inciso XIII, in fine, o que ai se consagra é a possibilidade de aplicação da interpretação analózica, nada que ver com analozia. A primeira tem lugar sempre que a Lei, após discorrer casuisticamente sobre as hipóteses materiais de sua incidência e/ou de circunstâncias de modo, tempo, ou lugar, pertinentes àquela materialidade, expressamente consigna que o aplicador do direito pode (deve, mesmo) trazer a subsunção outras tantas hipóteses materiais semelhantes; a segunda terá lugar sempre que, para a hipótese material em atenção, não houver dispositivo legal que a colha como antecedente normativo." No mérito, assim se manifesta o voto do relator: (parte):"... No caso presente, consta como atividade económica explorada pelo Contribuinte: "prestação de serviços de manutenção de máquinas e equipamentos industriais".A partir do texto em comento, não é possível dizer, peremptoriamente, que o Contribuinte, ao exercer sua atividade, prescinde de conhecimento técnico-cientffico próprio de profissional de engenharia (Lei n° 9.317/96. art. 9°, inciso XIII), isto para o desempenho do(s) serviço(s) retro mencionado(s), ainda mais na ambiência reférida (industrial). Por outra, sem maiores especificações, diga-se, sem mais elementos tendentes (prova) a colocar a luz a real atividade desempenhada pelo Contribuinte, realmente, não se tem condições de saber se o interessado incide n'algunia vedação para Aefeito de ingresso/permanência no Simples respeitante ao quesito "atividade econômica", Nao se deixe esquecer: o Simples é um beneficio fiscal, logo, se o interessado quer fazer jus a ele "não pode deixar campo aberto a dúvida sobre a satisfação das condições exigidas. Ademais, prossegue o acórdão da DRJ, o exercício das atividades da empresa, seria motivo impeditivo de ingresso no SIMPLES pois dependeria de habilitação profissional legalmente exigida (engenheiro), consoante dispõem os art. 10 80, 90 e 12 da Resolução do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia-CONFEA n° 218, de 29 de junho de 1973. Cientificada, a empresa apresentou recurso voluntário, mediante arrazoado, de fls. 37 a 39. Em síntese, argumenta que as atividades por ele desenvolvidas na "manutenção e reparação de máquinas e aparelhos para a indústria de plástico" não estão dentre aquelas relacionadas como hipóteses de exclusão do inciso XIII, art. 9° da Lei no 9.317, de 1996, e também não dependem da presença de profissional habilitado e nem registro ern órgão profissional competente. A respeito da interpretação analógica levada a cabo pelo acórdão recorrido, entende que a administração tributária não poderia dar uma interpretação contrária ao que dispões a lei. Requer, ao final, sej a reformado o Acórdão recorrido, para que se mantenha a empresa no sistema SIMPLES. E o relatório. Impresso em 21103 12012 por ANDREA FERNANDES GARC:A - VERSO LM BR/NOS 4 CARF MF FL 63 Processo n°13819.003019/2004-77 S1-C2T2 Acórdão n.° 1202-00262 F1.3 Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo 0 recurso voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento. Preliminarmente, cumpre esclarecer que a discussão a respeito da aplicação da "interpretação analógica" para explicar o termo "assemelhados", contido no inciso XIII do art. 9° da Lei no 9.317, de 1996, encontra-se bem fundamentado pelo Acórdão recorrido. Entretanto, entendo que o termo "assemelhados" a que se refere a lei diz respeito Aqueles profissionais que prestam serviços de forma autônoma, conhecidos como profissionais liberais e que dependem de habilitação profissional legalmente exigida, que não é o caso dos autos, como se veil a seguir. No mérito, inicialmente cabe descrever o motivo da exclusão do sistema SIMPLES contido no Ato Declaratório Executivo n° 569152, fls. 12,:"atividade econômica vedada: 2969-6/02"Instalação, reparação e manutenção de outras máquinas e equipamentos de uso especifico". Já o dispositivo legal utilizado no referido Ato Declaratório, foi o inciso XIII do art. 9° da Lei n° 9.317, de1996, que assim dispõe: "Artigo 90 -Ndo poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica: Xlii - que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor. ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (grife i) Por seu turno, consta como atividade econômica explorada pelo contribuinte, no seu contrato social e alterações: "prestação de serviços de manutenção de máquinas e equipamentos industriais". JA o contribuinte argumenta que a atividade por ele exercida não se encontra dentre aquelas arroladas no inciso XIII, art. 9° da lei no 9.317, de 1996, nem necessita de profissional legalmente habilitado para poder exerce-la. Primeiramente, cabe uma análise da Resolução CONFEA N° 218, de 1973, art. 1°, mencionado no Acórdão da DRJ. Da leitura desse dispositivo, pode-se constatar que as Impress° em 2'1/03/20'12 por ANDREA FERNANDES GARC IA - VERSO EM BRANCO DF CARF Fl. 64 - atividades privativas de engenheiro são apenas aquelas listadas nos itens de 01 a 08, pois as demais, de 09 a 18, são concorrentes com os TecnOlogos e os Técnicos de Grau Médio. Vale dizer, são privativas de engenheiro somente as atividades de supervisão, estudo, planejamento, projeto, estudo de viabilidade técnico-econômica, assessoria, consultoria, direção de obra, ensino, pesquisa, vistoria, perícia, dentre outros, conforme ressaltado pelos artigos 23 e 24 dessa Resolução, abaixo transcritos para melhor clareza: Art. 10 - Para efeito de fiscalização do exercício profissional corre.spondente its diferentes modalidades da Engenharia, Arquitetura e Agronomia em nível superior e em nível médio, ficam designadas as seguintes atividades: Atividade 01 - Supervisão, coordenação e orientação técnica; Atividade 02 - Estudo, planejamento, projeto e especificação; Atividade 03 - Estudo de viabilidade técnico-econômica; Atividade 04 - Assistência, assessoria e consultoria; Atividade 05 - Direção de obra e serviço técnico; Atividade 06- Vistoria, perícia, avaliação, arbitrament°, laudo e parecer técnico; Atividade 07- Desempenho de cargo efunção técnica; Atividade 08 - Ensino, pesquisa, análise, experimentação, ensaio e divulgação técnica; extensão; Atividade 09- Elaboração de orçamento; Atividade 10 - Padronização, mensuração e controle de qualidade; Atividade 11 - Execução de obra e serviço técnico; Atividade 12 - Fiscalização de obra e serviço técnico; Atividade 13 - Produção técnica e especializada; Atividade 14 - Condução de trabalho técnico; Atividade 15 - Condução de equipe de instalação, montagem, operação, reparo ou manutenção; Atividade 16- Execução de instalação, montagem e reparo; Atividade 17 - Operação e manutenção de equipamento e instalação; Atividade 18- Execução de desenho técnico. (.) Art. 23 - Compete ao TÉCNICO DE NÍVEL SUPERIOR ou TECNÓLOGO: I - o desempenho das atividades 09 a 18 do artigo I" desta Resolução, circunscritas ao âmbito das respectivas modalidades profissionais; Impress° em 21/03/2012 por ANDREA FERNA ■OES GARC;A -VERSO EM DRANCO DF f2.ARF NV H. 65 Processo n° 13819.003019/2004-77 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00262 FL 4 5-1-. II - as relacionadas nos números 06 a 08 do artigo 10 desta Resolução, desde que enquadradas no desempenho das atividades referidas no item I deste artigo. - Art. 24 - Compete ao TÉCNICO DE GRAU MÉDIO: I - o desempenho das atividades 14 a 18 do artigo 10 desta Resolução, circunscritas ao âmbito das respectivas modalidades profissionais; II - as relacionadas nos números 07 a 12 do artigo 10 desta Resolução, desde que enquadradas no desempenho das atividades referidas no item I deste artigo. Observa-se, ainda, que não há exigência ou pré-requisito legal algum para que sejam executados os serviços que vêm sendo exercidos pela recorrente. As atividades de "prestação de serviços de manutenção de máquinas e equipamentos industriais", estão dentre aquelas descritas nos itens 15 a 17 do art. 10 da Resolução referida e podem ser exercidas por profissional Técnico de Nível Médio, consoante art. 24 da mesma Resolução, sem a necessidade de profissional de Engenharia como defendeu o acórdão recorrido. As atividades de manutenção até podem requerer a supervisão de engenheiro, principalmente quando se trate de um complexas máquinas industriais, porém, pelos elementos que compõem estes autos, não parece ser o caso. t fora de dúvida que um engenheiro está habilitado a atividades de supervisionar certos tipos de manutenção de equipamentos específicos. Mas é fora de dúvida igualmente a existência de pequenas empresas que reparam máquinas e equipamentos usados, sendo serviços que absolutamente dispensam a participação de engenheiro ou arquiteto, requerendo tão somente mão de obra técnica treinada para a execução dessas atividades. Além disso, o quadro societário da recorrente era composto apenas por sócios qualificados como industriais, o que vem reforçar a tese de que se trata de empresa que executa atividades de baixo grau de complexidade, prescindindo de profissional legalmente habilitado. JA o Acórdão da DRJ/Campinas fundamentou sua decisão com base de que o contribuinte exerceria atividades "assemelhadas" a de que executa o profissional de engenharia, que seriam vedadas pela legislação do SIMPLES. 0 que se nota é que a expedição do Ato Declaratário de exclusão do SIMPLES baseou-se unicamente no código da atividade econômica: "2969-6/02 prestação de serviços de manutenção de máquinas e equipamentos industriais.", sem maiores aprofundamentos quanto à verdadeira situação Mica do contribuinte. Seria de se esperar, por prudência, que a repartição de origem, para descaracterizar uma situação jurídica existente, aprofundasse o seu trabalho de análise antes de proceder a exclusão da empresa do SIMPLES, e que, pelo menos, verificasse principalmente no Livro de Prestação de Serviços, nas Notas Fiscais, com diligência ao local da prestação do serviço, qual de fato é a natureza das atividades realizadas para, se for o caso, poder comprovar a prática de serviços de assessoria, consultoria, projetos de equipamentos, algo que pudesse caracterizá-la como empresa que pratique serviço de engenharia, arquitetura ou assemelhado, e não como neste caso no qual parece apenas agir com base em suposições. - t, claro que se houvesse no processo evidências de que a atividade desenvolvida pela empresa representasse atuação na Area de assessoria, consultoria, de projetos Impress° em 21/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EIA BRANCO DF CARF MF Fl. 66 . de peças ou máquinas, que requeressem a participação de engenheiro ou com habilitação legalmente exigida, então estaria caracterizada razão impeditiva ao sistema SIMPLES. A jurisprudência do antigo 3° Conselho de Contribuintes também vinha se posicionando no mesmo sentido defendido neste voto, conforme se pode verificar na consulta aos Acórdãos proferidos nos Recursos ifs 333226, 332735, 332894, 335451, dentre outros, disponível no site do CARP, na internet. Não obstante tudo o que foi dito, observa-se, ainda, que as atividades desenvolvidas pela recorrente à época da edição do ADE de exclusão (2 alteração contratual), não se encontram dentre aquelas vedadas pelo art. 17 da Lei complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, atual SIMPLES Nacional, fazendo jus, portanto, aos beneficios desse regime especial de pagamento. 0 Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp n° 403568, também se alinha com o entendimento acima esposado, conforme ementa que se transcreve: TRIBUTÁRIO. SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES (SIMPLES). ANÁLISE DE MATÉRIA FilTICO-PROBATORIA. INTERPRETAÇÃO DO CONTRATO SOCIAL. RECURSO ESPECIAL INADMISSÍVEL SOMULAS N.°S 5 E 7, DO STJ. - '!As atividades de instalacdo elétrica não estão abrangidas pela vedação prevista no art. 90, ,¢ 4o, da Lei 9.317, podendo a empresa prestadora desses serviços ser optante" (Resp 380761) - Ainda que assim não fosse, as próprias regras da experiência comum indicam que exploram serviços de instalação e manutenção de equipamentos elétrico-mecânicos não se enquadram no art. 90, inciso XII, alínea "f" da Lei 9.317/96. - Equiparar essas empresas implicaria em analogia in malam partem, num sistema tributário que, quando nada, admite em prol do contribuinte, a interpretação mais benéfica (art. 106, I, CTN). - Deveras, a análise do contrato social com o escopo de aferir o objeto da empresa e suas atividades para afastar funções assemelhadas, data venha, incide no mesmo veto da sindicância fritico-probatória (Súmulas 05 e 07 do STJ)." (grifei) Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar o Ato Declaratório Executivo DRF/SBC n° 569152, de 02 de agosto de 2004 de exclusão do SIMPLES. Sala das Sessões, em 06 de abril de 2010 Ca" nassolo - Relator 8 Impresso em 21/03/2012 po , ANDREA FERNANDES GARCA - VERSO EM ENANCO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.735682/2012-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
DECISÃO JUDICIAL. RECONHECIMENTO DO DIREITO A DEDUZIR AS CONTRIBUIÇÕES A PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR CUJO ÔNUS FOI EXCLUSIVAMENTE DO CONTRIBUINTE NO PERÍODO DE 01/01/1989 A 31/12/1995.TRÂNSITO EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE DE CONCOMITÂNCIA DE EXECUÇÃO NAS VIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1.
O contribuinte obteve provimento judicial com trânsito em julgado que lhe concede o direito de deduzir o valor das contribuições com as quais arcou com exclusividade, no período de 01/01/1989 a 31/12/1995, a partir do ano-calendário em que, sob a égide da Lei 9.250, de 1995, houve retenção sobre a complementação de aposentadoria ou resgate de contribuições. Entretanto, a existência de processo de execução no qual se discute valor e forma de execução impede a concomitante execução pela via administrativa na Declaração de Ajuste Anual do ano-calendário 2010, especialmente quando não há prova nos autos da existência de saldo disponível para esse ano-calendário e o recorrente adota critério temporal de redução do imposto não previsto na ação judicial transitada em julgado nem nas decisões proferidas no processo de execução.
Aplica-se entendimento já pacificado no âmbito do CARF sendo inclusive objeto de súmula: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial."
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. PREVIDÊNCIA PRIVADA.
Incide imposto na fonte e na declaração de ajuste sobre os rendimentos auferidos a título de aposentadoria pagos por entidade de previdência privada e devidamente informados como tal na declaração do imposto de renda retido na fonte - Dirf.
Recurso Parcialmente Conhecido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.537
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para, na parte conhecida, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente.
(assinado digitalmente)
Márcio de Lacerda Martins - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MARCIO DE LACERDA MARTINS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201701
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 DECISÃO JUDICIAL. RECONHECIMENTO DO DIREITO A DEDUZIR AS CONTRIBUIÇÕES A PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR CUJO ÔNUS FOI EXCLUSIVAMENTE DO CONTRIBUINTE NO PERÍODO DE 01/01/1989 A 31/12/1995.TRÂNSITO EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE DE CONCOMITÂNCIA DE EXECUÇÃO NAS VIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1. O contribuinte obteve provimento judicial com trânsito em julgado que lhe concede o direito de deduzir o valor das contribuições com as quais arcou com exclusividade, no período de 01/01/1989 a 31/12/1995, a partir do ano-calendário em que, sob a égide da Lei 9.250, de 1995, houve retenção sobre a complementação de aposentadoria ou resgate de contribuições. Entretanto, a existência de processo de execução no qual se discute valor e forma de execução impede a concomitante execução pela via administrativa na Declaração de Ajuste Anual do ano-calendário 2010, especialmente quando não há prova nos autos da existência de saldo disponível para esse ano-calendário e o recorrente adota critério temporal de redução do imposto não previsto na ação judicial transitada em julgado nem nas decisões proferidas no processo de execução. Aplica-se entendimento já pacificado no âmbito do CARF sendo inclusive objeto de súmula: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. PREVIDÊNCIA PRIVADA. Incide imposto na fonte e na declaração de ajuste sobre os rendimentos auferidos a título de aposentadoria pagos por entidade de previdência privada e devidamente informados como tal na declaração do imposto de renda retido na fonte - Dirf. Recurso Parcialmente Conhecido. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11080.735682/2012-91
anomes_publicacao_s : 201701
conteudo_id_s : 5673873
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2401-004.537
nome_arquivo_s : Decisao_11080735682201291.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARCIO DE LACERDA MARTINS
nome_arquivo_pdf_s : 11080735682201291_5673873.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para, na parte conhecida, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente. (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
id : 6623896
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:55:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048687749365760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2205; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 127 1 126 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.735682/201291 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.537 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de janeiro de 2017 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA Recorrente LUIZ AUGUSTO BECK DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DECISÃO JUDICIAL. RECONHECIMENTO DO DIREITO A DEDUZIR AS CONTRIBUIÇÕES A PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR CUJO ÔNUS FOI EXCLUSIVAMENTE DO CONTRIBUINTE NO PERÍODO DE 01/01/1989 A 31/12/1995.TRÂNSITO EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE DE CONCOMITÂNCIA DE EXECUÇÃO NAS VIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1. O contribuinte obteve provimento judicial com trânsito em julgado que lhe concede o direito de deduzir o valor das contribuições com as quais arcou com exclusividade, no período de 01/01/1989 a 31/12/1995, a partir do ano calendário em que, sob a égide da Lei 9.250, de 1995, houve retenção sobre a complementação de aposentadoria ou resgate de contribuições. Entretanto, a existência de processo de execução no qual se discute valor e forma de execução impede a concomitante execução pela via administrativa na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário 2010, especialmente quando não há prova nos autos da existência de saldo disponível para esse ano calendário e o recorrente adota critério temporal de redução do imposto não previsto na ação judicial transitada em julgado nem nas decisões proferidas no processo de execução. Aplicase entendimento já pacificado no âmbito do CARF sendo inclusive objeto de súmula: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. PREVIDÊNCIA PRIVADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 56 82 /2 01 2- 91 Fl. 127DF CARF MF 2 Incide imposto na fonte e na declaração de ajuste sobre os rendimentos auferidos a título de aposentadoria pagos por entidade de previdência privada e devidamente informados como tal na declaração do imposto de renda retido na fonte Dirf. Recurso Parcialmente Conhecido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para, na parte conhecida, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente. (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Da declaração de ajuste exercício 2011: (efls. 42 a 53) O contribuinte declarou rendimentos recebidos de pessoas jurídicas no valor total de R$162.488,94 e imposto retido na fonte de R$45.414,55. Como Rendimentos Isentos e não tributáveis o valor de R$82.707,12; dos quais, R$62.495,75, descrito como "Lei 7.713/88 (PREVI) PROC200271000003816". A Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ) informou em Dirf (Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte) que pagou ao contribuinte a importância de R$224.984,69, durante o anocalendário de 2010 e reteve R$45.414,55 a título de imposto de renda retido na fonte. Da Notificação de Lançamento: (efls. 10 a 14) A autoridade fiscal emitiu Notificação de Lançamento apontando "omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica" no valor de R$62.495,75 que somados aos rendimentos declarados pelo Contribuinte resultou em imposto suplementar de R$6.205,69, com vencimento em 29/04/2011. Este imposto suplementar está sujeito à Multa de Ofício (75%), nos termos do art. 44, inciso I e § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, com alterações introduzidas pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007; e Juros de Mora em percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, conforme estabelece o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 11080.735682/201291 Acórdão n.º 2401004.537 S2C4T1 Fl. 128 3 Da Impugnação: (efls. 2 a 7) O contribuinte apresentou a impugnação, alegando, em síntese: 1. que a Justiça Federal lhe concedeu tutela antecipada determinando "a suspensão, pelo prazo de 64 meses, a contar do pagamento do benefício referente ao mês de janeiro de 2002, dos descontos mensais a título de IRRF, sobre 1/3 do valor de seus proventos complementados..." decisão esta que vigorou por apenas seis (6) meses, recebendo o Autor o valor correspondente, remanescendo, assim, 58 meses para o resgate; 2. que o TRF da 4ª Região negou provimento à remessa oficial, confirmando a sentença que transitou em julgado, conforme mostra a certidão judicial de efl. 37; 3. que não se trata de rendimentos omitidos e sim de rendimento declarado como isento e não tributável na declaração de ajuste do anocalendário 2010; 4. requer o cancelamento do lançamento para lhe restituir o valor remanescente. Da Intimação Fiscal e respectiva resposta do Contribuinte: (efls. 57 a 68) Intimado a apresentar documentos relacionados ao processo judicial nº 2002.71.00.0003816/RS, visando a esclarecer a liquidação da sentença, o Contribuinte apresentou os documentos referentes ao processo nº 2008.71.00.0118257 com os cálculos de liquidação da sentença, emitidos pelo Núcleo de Contadoria da Justiça Federal e as Requisições de pagamento, efls. 67 e 68. Do Despacho Decisório: (efls. 70 a 84 e 86 a 87) Por meio do Termo Circunstanciado e do Despacho Decisório nº 325/2014, efls. 86 e 87, a DRF de Porto Alegre/RS, assim se pronunciou: " Em relação à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, o interessado alega que os rendimentos omitidos não devem ser tributados por tratarse de contribuições efetuadas à entidade de Previdência Privada na época tributadas (01/89 a 12/95); que teve direito de deduzilas da base de cálculo do Imposto de renda reconhecido nos autos da Ação Judicial nº 2002.71.00.0003816. É o que se confirma no exame do Acórdão (fls. 72/76) relatado nos autos da Ação Ordinária referida acima (fls. ), ...”existe é o direito à dedução das contribuições recolhidas no período de vigência da Lei 7.713/88 pelo participante (…) da base de cálculo do IR. (...) Portanto, a restituição deve limitarse à recomposição dos prejuízos decorrentes da dupla incidência do imposto de Renda. (…) Quanto à forma de restituição do indébito, o seu montante deve ser apurado em liquidação de sentença (…).” Assim procedeu o interessado, executando a sentença, cujos embargos à execução foram apreciados sob o nº 2008.71.00.0118257 (Decisões fls. 77/78; 79/84). A consulta Fl. 129DF CARF MF 4 processual (fls. 70/71) demonstra ter nos autos do processo principal duas Requisições de Pagamento emitidas pelo Juízo, de onde deduzse que o interessado já teve seu direito plenamente satisfeito. Mantémse a notificação nos seus termos." Da Manifestação de Inconformidade: (efls. 95 a 101) O contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade para reiterar os argumentos da impugnação de efls. 2 a 7, reforçando que o Egrégio TRF determinou que a restituição do indébito fosse realizada via declarações de ajuste durante 58 meses. Informou que as requisições de pagamento, citadas no Despacho Decisório, se referem aos pagamentos decorrentes da Tutela antecipada e, a outra, aos atrasados a que fez jus. Considera a multa aplicada uma penalidade excessiva que já foi considerada inconstitucional pelo TRF da 4ª Região. Requer a improcedência do lançamento. Do Acórdão de Impugnação: (efls. 105 a 110) A Quarta Turma da DRJ em Belém (PA), por meio do acórdão 0131.779, de 26/03/2015, julgou improcedente a impugnação do Contribuinte. Sobre os documentos juntados pelo Contribuinte, a relatora do acórdão, em seu voto, assim se pronunciou: "Em análise aos documentos judiciais anexados aos autos, concluise, assim como Autoridade Fiscal, que o contribuinte teve seu direito plenamente satisfeito, não existindo, no processo judicial em questão, amparo para declarar como isentos os rendimentos recebidos da PREVI, no ano calendário de 2010." Noutro trecho do seu voto asseverou que: "Nos autos não consta qualquer outro documento que comprove que são isentos os rendimentos recebidos pelo contribuinte da Previ." Sobre a sentença judicial que decidiu pela restituição do indébito, assim se expressou a i. relatora do voto condutor do acórdão: "Na sentença, consta que, quanto à forma de restituição do indébito, o seu montante deve ser apurado em liquidação de sentença, levandose em conta a declaração de ajuste anual do IR do contribuinte, relativo ao anobase em que se deu cada retenção indevida, de forma que seja determinado o resultado final do exercício (imposto pago x imposto devido). [...] Aos autos foram anexados requisições de pagamentos (fls. 67/68), bem como outros documentos, de onde se conclui que o contribuinte recebeu os valores devidos por meio das requisições de pagamento, não estando respaldado pelo citado processo judicial os valores recebidos em 2010." Fl. 130DF CARF MF Processo nº 11080.735682/201291 Acórdão n.º 2401004.537 S2C4T1 Fl. 129 5 Sobre a multa de ofício de 75%, contestada pelo Contribuinte, a i. relatora informou estar expressamente prevista no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 1.488, de 2007, e não no artigo 74, da Lei nº 9.430, de 1996, como indicado pelo Contribuinte. Os juros à taxa Selic estão previstos no art. 957, do Decreto nº 3.000, de 1999, RIR/99. Do Recurso Voluntário: (efls. 116 a 120) Cientificado do Acórdão de impugnação em 08/04/2015, AR efl. 114, o Contribuinte interpôs, em 23/04/2015, recurso voluntário ensejando alterar o lançamento a partir das seguintes considerações, apresentadas aqui em apertada síntese: 1. ratifica e reitera os fundamentos contidos em sua impugnação contrária aos valores exigidos por meio de Notificação de Lançamento de efls. 10 a 14; 2. considerase credor da União de valor correspondente a 64 meses de contribuições à Previ com imposto sobre a renda já recolhidos na vigência da Lei nº 7.713, de 1988, menos o equivalente a 6 meses recebidos em juízo, em função de tutela antecipada que lhe foi concedida; 3. entende que 1/3 dos proventos que recebeu da fonte pagadora (Previ), durante o ano de 2010, são isentos do imposto sobre a renda, isenção esta reconhecida pelo Poder Judiciário em ação cuja sentença já transitou em julgado; 4. que a sentença lhe reconheceu o direito de receber seu crédito por meio de suas declarações de ajuste, dispensandoo de recorrer a precatórios; 5. o informe de rendimentos fornecidos pela fonte pagadora (Previ) classificou a totalidade dos proventos como tributáveis, pois a mesma não fazia parte do processo judicial e, portanto, não pode ser responsabilizada pela Receita Federal; 6. Requer o cancelamento da Notificação de Lançamento e, caso seus argumentos não sejam acolhidos, "ad argumentandum tantum", requer a aplicação da Portaria nº 75, do Ministério da Fazenda (DOU de 26/03/2012). É o Relatório. Fl. 131DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Marcio de Lacerda Martins 1. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. TEMPESTIVIDADE Cientificado em 08/04/2015, AR efl. 114, o Contribuinte interpôs recurso voluntário em 23/04/2015, conforme consta à efl. 116. Portanto, este recurso é tempestivo e dele conheço. 1.2. DELIMITAÇÃO DA LIDE Neste processo administrativo o que se discute é a natureza tributária de parte dos proventos auferidos pelo Contribuinte durante o anobase de 2010, pagos pela Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ). Para o Contribuinte, a terça parte do montante recebido deve ser considerada como rendimentos isentos atendendo a decisão judicial, proferida nos autos do processo nº 2002.71.00.0003816/RS, cuja sentença já transitou em julgado. Assim, do total de R$224.984,69 recebidos da Previ, R$62.495,75, seriam isentos do imposto sobre a renda, exatamente conforme informou em sua declaração de ajuste. A autoridade fiscal entende que a sentença proferida no processo judicial supra citado não confere isenção à terça parte dos proventos pagos pela Previ ao Contribuinte, durante o anobase de 2010 e que, portanto, houve omissão de rendimentos tributáveis no valor de R$62.495,75, exigidos por meio de Notificação de Lançamento. 2. MÉRITO Não assiste razão ao Contribuinte pelos motivos que serão expostos na sequência. Temse que o Contribuinte buscou amparo na decisão judicial proferida no processo nº 2002.71.00.0003816/RS para justificar ter informado, no campo de rendimentos isentos e não tributáveis de sua declaração de ajuste anual do exercício de 2011, o equivalente a 1/3 do valor total recebido da Previ. Entretanto, com bem afirma o i. relator do acórdão da instância de piso, não consta dos autos determinação judicial no sentido de excluir rendimentos tributáveis da declaração de rendimentos do exercício de 2011, na forma como procedeu o contribuinte. Nem mesmo se constata para esses rendimentos uma classificação, equivocada que seja, como rendimentos isentos ou não tributável, na declaração do imposto de renda retido na fonte (Dirf) sob a responsabilidade da fonte pagadora, no caso, a Previ. Ocorre que o Contribuinte obteve sentença judicial, confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que lhe concedeu "o direito à dedução das contribuições recolhidas, no período de vigência da Lei nº 7.713, de 1988, pelo participante (e somente por ele). Este montante não corresponde ao crédito do contribuinte, mas sim à quantia que pode Fl. 132DF CARF MF Processo nº 11080.735682/201291 Acórdão n.º 2401004.537 S2C4T1 Fl. 130 7 ser deduzida da base de cálculo do IR. Além disso, o montante varia para cada segurado, dependendo do valor da contribuições recolhidas no período". (efl. 28) Ainda no desenvolvimento do seu voto no acórdão, referente à Apelação Cível nº 2002.71.00.0003816/RS, o eminente Desembargador Federal João Surreaux Chagas, confirmou a sentença de primeiro grau e determinou que o valor a ser deduzido da base de cálculo do IR seja apurado em liquidação de sentença, conforme excerto do voto transcrito na sequência: (grifos acrescentados) "[...] Portanto, a restituição deve limitarse à recomposição dos prejuízos decorrentes da dupla incidência do imposto de renda. Confirmase, pois , a sentença. Quanto à forma de restituição do indébito, o seu montante deve ser apurado em liquidação de sentença, levandose em conta a declaração de ajuste anual do IR do contribuinte, relativo ao anobase em que se deu cada retenção indevida, de forma que seja determinado o resultado final de exercício (imposto pago x imposto devido." A sentença proferida em abril de 2010, referente aos embargos à execução, nº 2008.71.00011825/RS (fls. 81/85), apresenta fundamentação nos seguintes termos: “ Conforme exposto na decisão que fixou os critérios de cálculo, a forma de cálculo mais adequada para apuração do quantum debeatur aproximase daquela pretendida pela União, que se utiliza das declarações de ajuste do contribuinte relativas ao período em que começou a haver a incidência indevida do tributo sobre os valores relativos à complementação de aposentadoria.(...)” Tudo que foi exposto leva á conclusão de que o recorrente subtraiu dos rendimentos tributáveis em sua Declaração de Ajuste Anual do anocalendário 2010 valor tributável sem que pudesse alegar estar amparado em decisão judicial, pois, não obstante o trânsito em julgado, a forma de executar o quanto decidido judicialmente ainda estava pendente de decisão final no processo de execução. Além disso, a decisão deste recurso voluntário deve levar em conta que: a) a forma definida pelo Poder Judiciário (dedução até esgotar o valor das contribuições vertidas exclusivamente pelo participante) é diversa da que o contribuinte alega em sua defesa (redução do imposto por período fixo expresso em meses); b) no ponto em que se discute a forma de apurar a dedução há concomitância de discussão com o processo de execução, o que implica não conhecer o recurso voluntário nessa parte, a teor da Súmula CARF nº 1; e c) nos despachos no curso do processo de execução, efls. 70 a 84, ao ser definido o critério de apuração, indicase a dedução considerando os dados da Declaração de Ajuste Anual do anocalendário em que começou a haver retenção de imposto sobre a complementação de aposentadoria, sob a égide da Lei 9.250, de 1995 (supostamente teria sido a partir de janeiro de 1996, pois a aposentadoria ocorreu em 1994) e não a partir da ano calendário 2006 como sustenta o recorrente (efl. 5). Fl. 133DF CARF MF 8 O Recorrente solicita a aplicação da Portaria nº 75, do Ministério da Fazenda, entretanto, referida portaria dispõe sobre a inscrição em dívida ativa da União e o ajuizamento de execuções fiscais pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, assunto que extrapola a competência deste Conselho, impossibilitando sua análise e aplicação. 3. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, conheço parcialmente do recurso voluntário, exceto quanto à matéria descrita no item "b" anteriormente referenciado, por vedação expressa da Súmula CARF nº 1, e, na parte conhecida, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcio de Lacerda Martins Fl. 134DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.000307/2005-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2001 AUTO DE INFRAÇÃO. COMPENSAÇÃO DOS LANÇAMENTOS COM CRÉDITOS ORIUNDOS DE OUTRO ANO-BASE. PEDIDO FORMULADO EM SEDE DE IMPUGNAÇÃO. FALTA DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO, EM DESRESPEITO À IN SRF Nº 21/97. A compensação de estimativas mensais recolhidas a maior no ano-base de 1999, de um lado, com débitos de IRPJ e de CSLL apurados no ano- calendário de 2000, de outro, deveria se dar por meio da apresentação do competente Pedido de Compensação, formatado segundo os ditames da então vigente Instrução Normativa SRF nº 21/97. Incabível a postulação do ajuste de contas em sede de impugnação ao auto de infração que constituiu os passivos.
Numero da decisão: 1101-000.512
Decisão: Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e do voto que acompanham o presente acórdão.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Benedicto Celso Benício Júnior
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201108
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2001 AUTO DE INFRAÇÃO. COMPENSAÇÃO DOS LANÇAMENTOS COM CRÉDITOS ORIUNDOS DE OUTRO ANO-BASE. PEDIDO FORMULADO EM SEDE DE IMPUGNAÇÃO. FALTA DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO, EM DESRESPEITO À IN SRF Nº 21/97. A compensação de estimativas mensais recolhidas a maior no ano-base de 1999, de um lado, com débitos de IRPJ e de CSLL apurados no ano- calendário de 2000, de outro, deveria se dar por meio da apresentação do competente Pedido de Compensação, formatado segundo os ditames da então vigente Instrução Normativa SRF nº 21/97. Incabível a postulação do ajuste de contas em sede de impugnação ao auto de infração que constituiu os passivos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10640.000307/2005-41
conteudo_id_s : 5650788
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1101-000.512
nome_arquivo_s : Decisao_10640000307200541.pdf
nome_relator_s : Benedicto Celso Benício Júnior
nome_arquivo_pdf_s : 10640000307200541_5650788.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e do voto que acompanham o presente acórdão.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
id : 6548459
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048687773483008
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1805; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 2 1 1 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.000307/200541 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1101000.512 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de agosto de 2011 Matéria IRPJ Recorrente CENTRO INVEST. DIAGNÓSTICA CARDIOVASCULAR LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001 AUTO DE INFRAÇÃO. COMPENSAÇÃO DOS LANÇAMENTOS COM CRÉDITOS ORIUNDOS DE OUTRO ANOBASE. PEDIDO FORMULADO EM SEDE DE IMPUGNAÇÃO. FALTA DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO, EM DESRESPEITO À IN SRF Nº 21/97. A compensação de estimativas mensais recolhidas a maior no anobase de 1999, de um lado, com débitos de IRPJ e de CSLL apurados no ano calendário de 2000, de outro, deveria se dar por meio da apresentação do competente Pedido de Compensação, formatado segundo os ditames da então vigente Instrução Normativa SRF nº 21/97. Incabível a postulação do ajuste de contas em sede de impugnação ao auto de infração que constituiu os passivos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e do voto que acompanham o presente acórdão. (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 03 07 /2 00 5- 41 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 2 Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Sergio Luiz Bezerra Presta.. Relatório Foi lavrado, em 15/02/2005, pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora/MG, o presente Auto de Infração, para exigir, do contribuinte, o Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ, no montante de R$ 43.327,12 (quarenta e três mil, trezentos e vinte e sete reais e doze centavos), o qual, acrescido de multa de oficio e de juros moratórios, calculados com base na SELIC, totalizou crédito tributário original no valor de R$ 106.216,43 (cento e seis mil, duzentos e dezesseis reais e quarenta e três centavos). Em 21/03/2005, a empresa apresentou impugnação, arguindo, em síntese, que: no período em referência, calculouse e recolheuse o imposto devido, segundo as normas estatuídas no artigo 222 do RIR/99; no anocalendário de 1999, apurou a empresa prejuízo fiscal, tendo recolhido, a título de estimativas do IRPJ e da CSLL, os valores de R$8.931,69 (oito mil, novecentos e trinta e um reais e sessenta e nove centavos) e de R$11.503,32 (onze mil, quinhentos e três reais e trinta e dois centavos), respectivamente; o artigo 890 do RIR/99 assegura a possibilidade de compensação, em caso de pagamento indevido ou a maior. Com base nisso, requerse "agora a compensação do imposto apurado pelo lançamento de oficio, com o indevidamente Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 10640.000307/200541 Acórdão n.º 1101000.512 S1C1T1 Fl. 3 3 recolhido em 1999, com a devida atualização de seu valor calculado pela mesma taxa aplicada no lançamento em tela”. A 2ª TURMA – DRJ EM JUIZ DE FORA – MG, ao analisar a peça impugnatória, houve por bem manter, em parte, os lançamentos realizados, sob os seguintes fundamentos: no sistema SINAL, não consta nenhum recolhimento pertinente ao período sob análise (anocalendário de 1999). Nada trouxe a autuada, outrossim, no sentido de comprovar referidos pagamentos; a compensação pleiteada deveria ter sido requerida por meio de Pedido de Compensação, tanto para tributos da mesma espécie como para o de espécie diferente – no caso, a CSLL. Neste caso específico, independentemente da formalidade, não foi comprovada, de toda forma, a existência do crédito postulado, uma vez que não constam pagamentos das estimativas de IRPJ e CSLL relativas ao anocalendário de 1999; entretanto, na DIPJ anexada às fls.18/21, constam, da ficha 11 – Cálculo do Imposto de Renda por Estimativa, valores de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, no montante anual de R$11.486,66 (onze mil, quatrocentos e oitenta e seis reais e sessenta e seis centavos), que não foram objeto de glosa pelo Fisco, nem considerados no cálculo do Imposto de Renda lançado; diante disso, encaminhouse o voto no sentido de julgar procedente em parte o lançamento, excluindose o valor de R$ 11.486,66 (onze mil, quatrocentos e oitenta e seis reais e sessenta e seis centavos), exigindose o remanescente, na importância de R$ 31.840,46 (trinta e um mil, oitocentos e quarenta reais e quarenta e seis centavos). Assim restou ementado estresido aresto: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 4 Anocalendário: 2000 LUCRO REAL. AJUSTE ANUAL. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Exigese de oficio o imposto de renda não pago ou recolhimento a menor do que o apurado em declaração entregue. COMPENSAÇÃO. Só é possível a compensação quando o crédito for efetivamente comprovado. Lançamento Procedente em Parte” O contribuinte teve ciência desta decisão em 07/04/2008, conforme fl. 92. Inconformado, interpôs Recurso Voluntário (fls. 95/102) a este Conselho, em 07/05/2008, repisando os argumentos suscitados na impugnação denegada e adicionando, ainda, o que segue: procedeu a autuada ao recolhimento de parte do débito cobrado, no importe de R$ 44.943,80 (quarenta e quatro mil, novecentos e quarenta e três reais e oitenta centavos), conforme cópia de DARF colacionada à fl. 111; quanto ao restante – R$ 54.746,64 (cinquenta e quatro mil, setecentos e quarenta e seis reais e sessenta e quatro centavos) –, bate a peticionária, novamente, pela compensação das cifras de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL pertinentes ao anocalendário de 1999, pretensamente recolhidas a maior; como bem declinou o acórdão recorrido, a quitação das quantias reputadas como compensáveis não foi realizada mediante pagamento. Por esse motivo, não constaram como adimplidas, de fato, no sistema SINAL, as estimativas mensais de IRPJ e de CSLL do anobase de 1999. A despeito disso, o direito ao crédito aduzido existe, haja vista que os ativos aventados correspondem a dívidas incluídas no PAES – cujas parcelas estão sendo escorreitamente recolhidas pela autuada, mês a mês; não merece guarida a alegação de que a recorrente não apresentara o necessário Pedido de Compensação. Muito embora a peça de primeira instância tenha sido recepcionada como impugnação, tratou ela, em verdade, do Pedido aduzido, dado que a pretensão do sujeito passivo se limitou a requerer o ajuste de contas ora analisado. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 10640.000307/200541 Acórdão n.º 1101000.512 S1C1T1 Fl. 4 5 Assim, obedecido o procedimento devido, de um lado, e demonstrada a existência do crédito, de outro, inexiste motivo para que não se admita o encontro de contas pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR, Relator: O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. A infração subjacente à lavratura do AII em tela correspondeu a falta ou insuficiência de recolhimento de IRPJ, relativamente ao anocalendário de 2000, na forma apurada em procedimento oficioso de revisão da DIPJ/2001 (fls. 12/36). Na ocasião, notou o auditor competente que o contribuinte analisado, a despeito de relatar a existência de lucro real e de lucro líquido tributáveis, deixou de destacar IRPJ e CSLL a recolher, apresentando Declaração com valores debitórios zerados. A ocorrência do delito não foi, quer em sede de impugnação, quer em âmbito recursal, infirmada pelo contribuinte. Este, em verdade, limitou sua atuação processual a requerer a compensação dos passivos apurados, mediante ajuste de contas com estimativas mensais de IRPJ e de CSLL alegadamente recolhidas a maior, pertinentes ao anobase de 1999. O não provimento da impugnação apresentada, em primeira instância, deuse, então, em virtude de dois espeques. Primeiramente, entendeu o julgador inferior que a compensação pleiteada deveria ter sido requerida mediante Pedido de Compensação, formatado segundo os ditames da Instrução Normativa SRF nº 21/97. Por conta da inobservância desta via, não poderia ser apreciado, pois, o pleito compensatório, eis ser insubsistente a realização do pedido na presente esfera. Segundamente, asseverou o acórdão recorrido não ter sido comprovada a existência do crédito apontado, haja vista inexistir qualquer tipo de prova dos pagamentos das estimativas relacionadas ao anocalendário de 1999. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 6 Em sua peça recursal, asseverou o contribuinte, então, que a Receita Federal agira em claudicação, porquanto acatara como impugnação o Pedido de Compensação apresentado. Outrossim, alegou a empresa ter parcelado, muito antes da autuação, os indébitos apontados, restando comprovados os correspondente adimplementos. Pois bem. Não se sustenta, em minha visão, a alegação de que a impugnação administrativa faria as vezes de Pedido de Compensação. A Instrução Normativa nº 21/97, à época vigorante, era explícita ao afirmar que a compensação entre créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior, de um lado, e débitos derivados de lançamento de ofício, de outro, deveria se aperfeiçoar mediante protocolo do Pedido de Compensação correlato, apresentado à DRF do domicílio fiscal do contribuinte: “Art. 16. A utilização de crédito de qualquer das hipóteses mencionadas nos arts. 2º e 3º, para pagamento de débito decorrente de lançamento de ofício, ainda que de mesma espécie, deverá ser previamente solicitada à DRF ou IRF A, do domicílio fiscal do contribuinte, mediante preenchimento do formulário "Pedido de Compensação", de que trata o Anexo III.” Assim, dizendo o mesmo de forma diversa, o contribuinte, para fazer jus ao pretendido ajuste, deveria ter elaborado o Pedido de Compensação correspondente, atendendo à legislação procedimental de regência – em especial, o formato e a competência determinados pela IN SRF nº 21/97. Não serve, para tal finalidade, petição simples, dirigida à DRJ de origem, protocolada durante prazo de defesa ao AII e corretamente recepcionada como impugnação administrativa. Face à ineligibilidade da presente via, para efeito da realização do postulado encontro de contas, resta prejudicada a análise da legitimidade, da existência e da suficiência do crédito veiculado. No mais, tendose em vista que não apresentou o contribuinte outros fundamentos contrários à mantença das autuações, não resta outra saída que não a ratificação dos valores litigiosos, não abrangidos pelo pagamento parcial demonstrado à fl. 111. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 10640.000307/200541 Acórdão n.º 1101000.512 S1C1T1 Fl. 5 7 Portanto, restando confirmado o adimplemento parcial noticiado, entendo pertinente manter o lançamento da importância de R$ 16.915,91 (dezesseis mil, novecentos e quinze reais e noventa e um centavos), devidamente acrescido dos consectários legais cabíveis. Isto posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões, em 03 de agosto de 2011. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR Relator (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente Fl. 7DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000136/99-28
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 10/03/1999
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543-B DO CPC.
Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE).
Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543-B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados
Numero da decisão: 9303-004.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente em exercício.
Júlio César Alves Ramos - Relator.
EDITADO EM: 19/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Valcir Gassen, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 10/03/1999 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543-B DO CPC. Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE). Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543-B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 23 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10925.000136/99-28
anomes_publicacao_s : 201609
conteudo_id_s : 5637769
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Sep 24 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9303-004.229
nome_arquivo_s : Decisao_109250001369928.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : JULIO CESAR ALVES RAMOS
nome_arquivo_pdf_s : 109250001369928_5637769.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente em exercício. Júlio César Alves Ramos - Relator. EDITADO EM: 19/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Valcir Gassen, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
id : 6502748
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048687776628736
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2185; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 412 1 411 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10925.000136/9928 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303004.229 – 3ª Turma Sessão de 10 de agosto de 2016 Matéria NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PEGORARO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/03/1999 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543B DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE). “Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 01 36 /9 9- 28 Fl. 412DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente em exercício. Júlio César Alves Ramos Relator. EDITADO EM: 19/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Valcir Gassen, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Insurgese a Procuradoria da Fazenda Nacional contra decisão da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que deu provimento ao recurso voluntário ao adotar a tese segundo a qual o prazo prescricional para postular administrativamente a restituição do PIS recolhido indevidamente somente começaria a fluir a partir da publicação da Resolução do Senado Federal nº 49, ocorrida em 10/10/1995. Com isso, reconheceu a instância recorrida que até 10/10/2000 poderiam ser postuladas as parcelas recolhidas a maior ainda que há mais de cinco anos. O pedido do contribuinte foi formalizado em 10 de março de 1999 e alcança competências entre 1988 e 1995. No seu recurso aponta a representação da Fazenda contrariedade à lei, mais especificamente aos artigos 165 e 168 do Código Tributário Nacional, e 3º e 4º da Lei Complementar 118/2005, de modo que o prazo, embora mesmo de cinco anos, teria seu início de contagem na data do recolhimento indevido realizado. É o bastante relatório. Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos O recurso foi bem admitido porquanto satisfeitos os requisitos regimentalmente existentes à época de sua prolação: a decisão recorrida foi proferida por maioria e foram apontados os dispositivos legais que a Fazenda entende terem sido contrariados. Apesar disso, não se lhe pode dar provimento porquanto a matéria já se encontra sedimentada jurisprudencialmente. Com efeito, a contagem do prazo para postularse restituição de quantias indevidamente recolhidas a título de tributo submetido à sistemática do lançamento por homologação, que tantos e tão acalorados debates já suscitou, encontrase inteiramente Fl. 413DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10925.000136/9928 Acórdão n.º 9303004.229 CSRFT3 Fl. 413 3 pacificada com o advento da decisão do colendo Supremo Tribunal Federal no julgamento do recurso extraordinário nº 566.621/RS. Nele discutiuse a constitucionalidade dos arts. 3º e 4º da Lei Complementar 118/2005, que a pretendiam expressamente interpretativa de modo a poder ser aplicada mesmo às restituições requeridas judicialmente antes de sua publicação. Estes são os artigos mencionados pela representação da Fazenda Nacional para corroborar o entendimento de que a correta interpretação dos arts. 165 e 168 do CTN é a que propugnou. No julgamento mencionado, assim se pronunciou a Ministra Ellen Gracie acerca da posição que seria majoritária no STJ: “...Logo, aquela Corte firmou posição no sentido de que, também em tais situações de retenção e de reconhecimento do indébito em razão de inconstitucionalidade da lei instituidora, deverseia aplicar, sem ressalvas, a tese dos dez anos, conforme se vê dos ERESp 329.160/DF e ERESp 435.835/SC julgados pela Primeira Seção daquela Corte...” Assim, entendo eu, merece de fato reforma a decisão proferida, na medida em que aplicou entendimento não mais de acordo com a jurisprudência predominante no “tribunal ao qual cabe dar a interpretação definitiva da legislação federal”, nos dizeres da douta Ministra. Em suma, deve ser afastada a tese que demarca o início do prazo no “reconhecimento de inconstitucionalidade”. Ele é, sem mais discussão, a data de extinção do crédito tributário, consoante norma do art. 168, I do CTN como pretendido pela Procuradoria. O que isso implica, porém, não é, na inteireza, o que deseja a representação da Fazenda Nacional. Deveras, a mesma decisão reitera, como já se disse, que a interpretação que prevalecia no STJ era a dos cinco mais cinco mesmo para esses casos de declaração de inconstitucionalidade do ato legal instituidor ou majorador da exação. E que esse entendimento deve ser respeitado, em louvor ao princípio da segurança jurídica, quando a postulação seja anterior à edição da Lei Complementar. Sendo essa a expressa conclusão do acórdão, prolatado pelo STF já na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, é obrigatória sua adoção pelos Conselheiros Membros do CARF, por força do art. 62 do atual Regimento Interno. No presente caso, indubitável que a petição do contribuinte deu entrada administrativamente em data bem anterior à edição daquela Lei Complementar. É de rigor, pois, reconhecer, que o termo inicial para contagem do prazo de cinco anos previsto no art. 168, I do CTN somente tem início após findo aquele que vem estipulado no art. 150, § 4º do mesmo Código. A aplicação ao caso concreto leva à conclusão de que estava já prescrito o direito do contribuinte à restituição de quantias atinentes aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 10 de março de 1989 dado que sua petição ingressou em 10 de março de 1999. Voto, assim, pelo provimento parcial do apelo fazendário de modo a reconhecer a prescrição com respeito aos recolhimentos referentes aos períodos de apuração ocorridos até fevereiro de 1989, inclusive, ressaltando que o período de março de 1989 poderia ser repetido até 31 de março de 1999, não tendo sido, portanto, afetado pela prescrição. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Observo em respeito ao princípio da eficiência que a decisão recorrida também enfrentou a questão da forma de cálculo da contribuição, reconhecendo, expressamente, a tese da semestralidade: Isto posto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a decadência e reconhecer a semestralidade, resguardado o direito da Fazenda Nacional de averiguar a liquidez e certeza dos créditos compensáveis. Não tendo essa parte do acórdão sido contestada pela Fazenda Nacional, há de ser observada na apuração da existência ou não de direito a ser realizada pela instância preparadora ao executar o acórdão. É como voto. Júlio César Alves Ramos Relator Fl. 415DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/08/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 13642.720172/2015-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO.
Somente são isentos do imposto de renda pessoa física os rendimentos provenientes de aposentadoria, reforma, reserva ou pensão, recebidos a partir da data do diagnóstico de uma das moléstias apontadas na legislação de regência como aptas à concessão do benefício.
DECLARAÇÃO RETIFICADORA. DECLARAÇÃO ORIGINAL. SUBSTITUIÇÃO.
A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente, devendo conter todas as informações anteriormente declaradas com as alterações e exclusões necessárias, bem como as informações adicionadas, se for o caso.
NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NOVA DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE EFEITOS.
Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Logo, a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo Presidente
(assinado digitalmente)
Túlio Teotônio de Melo Pereira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Amílcar Barca Teixeira Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. Somente são isentos do imposto de renda pessoa física os rendimentos provenientes de aposentadoria, reforma, reserva ou pensão, recebidos a partir da data do diagnóstico de uma das moléstias apontadas na legislação de regência como aptas à concessão do benefício. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. DECLARAÇÃO ORIGINAL. SUBSTITUIÇÃO. A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente, devendo conter todas as informações anteriormente declaradas com as alterações e exclusões necessárias, bem como as informações adicionadas, se for o caso. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NOVA DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE EFEITOS. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Logo, a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13642.720172/2015-84
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5645807
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 11 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2402-005.485
nome_arquivo_s : Decisao_13642720172201584.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13642720172201584_5645807.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Amílcar Barca Teixeira Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
id : 6522941
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048687779774464
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1964; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13642.720172/201584 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.485 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de setembro de 2016 Matéria IRPF. DOENÇA GRAVE. ISENÇÃO. Recorrente KLEBER JOSELITO PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. Somente são isentos do imposto de renda pessoa física os rendimentos provenientes de aposentadoria, reforma, reserva ou pensão, recebidos a partir da data do diagnóstico de uma das moléstias apontadas na legislação de regência como aptas à concessão do benefício. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. DECLARAÇÃO ORIGINAL. SUBSTITUIÇÃO. A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, devendo conter todas as informações anteriormente declaradas com as alterações e exclusões necessárias, bem como as informações adicionadas, se for o caso. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NOVA DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE EFEITOS. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Logo, a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 64 2. 72 01 72 /2 01 5- 84 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo – Presidente (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Amílcar Barca Teixeira Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO Processo nº 13642.720172/201584 Acórdão n.º 2402005.485 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Temse em pauta Notificação de Lançamento (fls. 5/11) para a exigência de crédito tributário apurado no valor de R$ 3.994,31, relativo ao anocalendário 2012, tendo sido apurado pela auditoria: · omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas no valor de R$ 56.741,41, pagos pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, CNPJ 05.461.142/000170, indevidamente declarados como isentos por moléstia grave. De acordo com o laudo médico apresentado, a doença foi contraída em 06/04/2015. Assim, somente a partir desta data o declarante teria direito à isenção; · omissão de rendimentos a título de resgate de contribuições a Previdência Privada, no valor de R$ 370,22, recebidos de BRASILPREV Seguros e Previdência S/A, CNPJ 21.655.207/000131. O contribuinte deve oferecer à tributação os rendimentos próprios e os recebidos por seus dependentes. O rendimento foi recebido por Darcley Santos da Silva. Na impugnação (f. 2/3), o sujeito passivo alega, em síntese, que a retificação da Declaração de Ajuste Anual (DAA) foi feita de maneira incorreta pois ele não sabia que as deduções ora lançadas deveriam permanecer na DAA. Diz, ainda, que o rendimento a título de resgate da Previdência Privada não havia sido informado pela fonte pagadora, documento anexo). A impugnação foi julgada improcedente pelo acórdão no 1672.556 17a Turma da DRJ/SPO (fls. 28/31), fundamentado nos seguintes termos: O laudo médico de fls. 12 e 13, emitido pela Diretoria de Perícias Médicas do Hospital da Polícia Civil do Estado de Minas Gerais em 21/05/2015, traz a informação que o contribuinte é portador de neoplasia maligna desde 06/04/2015, posteriormente, portanto, ao anocalendário objeto desta Notificação de Lançamento (Anocalendário 2012). Sendo assim, tendo em vista o acima exposto, concluise que a documentação anexada aos autos não atende aos requisitos legais para a concessão da isenção, e a tributação dos rendimentos e a respectiva glosa do imposto retido na fonte, correspondente ao 13º salário serão mantidas. Pela análise da Declaração de Ajuste anual do interessado, juntada às fls. 18 a 24, percebese que o contribuinte informou como dependente Darclay Santos da Silva, CPF 748.793.24272. Confirme DIRF espelhada à fl. 27, a dependente do interessado auferiu, no anocalendário2012 o valor de R$ 370,22 a título de resgate de contribuições à previdência privada. Na declaração de ajuste anual, devem ser informados tanto os rendimentos próprios como os auferidos por dependente do Fl. 67DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO 4 contribuinte, o que não ocorreu no caso presente. Assim, há que se manter a inclusão de rendimentos efetuada no lançamento. Há que se concluir, finalmente, que a mera alegação do interessado de que errou no preenchimento da Declaração de Ajuste Anual não tem o condão de refutar o lançamento em análise. Diante do exposto, voto por considerar IMPROCEDENTE a impugnação de fl. 02. Cientificado da decisão em 11/05/20116 (f. 36), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário (fls. 37/39), em 08/06/2016, aduzindo, em síntese, as seguintes razões: 1. que jamais omitiu rendimentos ou tentou usar laudos médicos para confundir ou tentar requerer, de forma indevida, a restituição, mas foi orientado, por funcionário da RFB, de maneira equivocada; 2. foram lançadas na declaração as informações que o contribuinte possuía em mãos, nada mais além da verdade, as quais ainda considera despesas dedutíveis do imposto de renda; 3. não há dúvida de que o laudo informa que o contribuinte é portador de neoplasia maligna desde 06/04/2015. O que se solicita não é a validação do laudo pericial, mas a possibilidade de nova entrega de DAA; 4. a solicitação inicial do contribuinte é a de poder ter considerada, pela Receita Federal, a declaração original transmitida em 19/03/2012, onde as receitas foram devidamente lançadas, para que a multa seja considerada indevida. Requer o acolhimento do recurso e cancelamento do débito fiscal. Juntou documentos (fls. 40/63). É o relatório. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO Processo nº 13642.720172/201584 Acórdão n.º 2402005.485 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator O recurso, apresentado no trintídio assinalado pelo art. 33 do Decreto no 70.235/72, é tempestivo. Presentes os demais requisitos, deve ser conhecido. O contribuinte admite, no recurso, que o laudo médico somente diagnosticou sua enfermidade a partir de 06/04/2015. Logo, somente teria direito à isenção a partir desta data. Argumenta, no entanto, que cometeu um erro, e que não pretendia confundir ou requerer restituição de forma indevida. No entanto, a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente, como estabelece o art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei no 5.172/1966: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Ademais, ao contrário do que aduz no recurso, as informações apresentadas na Declaração de Ajuste Anual (DAA, fls. 18/24) retificadora, entregue em 17/07/2015, e que serviu de base para o lançamento, não correspondem à realidade, eis que declara como isentos os rendimentos no valor de R$ 56.741,41, recebidos da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, CNPJ 05.461.142/000170, quando o sujeito passivo não preenchia os requisitos para o exercício do benefício fiscal. Fica, assim, caracterizada a omissão de rendimentos apontada na notificação de lançamento. Quanto aos rendimentos recebidos por Darcley Santos da Silva, declarado como dependente do notificado, o recurso não trouxe qualquer alegação ou documento novo. O recorrente alega, ainda, que foi incorretamente orientado por funcionário da Receita Federal do Brasil (RFB). No entanto, não comprova tal alegação, pelo que resulta impossível de ser acolhida. Quanto à possibilidade de apresentação de nova declaração de ajuste, não teria repercussão sobre a notificação de lançamento sob exame. Acontece que, uma vez iniciado o procedimento fiscal, está excluída a espontaneidade do sujeito passivo, nos termos do §1o, do art. 7o, do Decreto no 70.235/1972: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO 6 I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. (grifouse) Desse modo, a apresentação de nova Declaração de Ajuste Anual não excluiria a responsabilidade pela infração, consoante dispõe o parágrafo único do art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei no 5.172/1966: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Nesse mesmo sentido já foi pacificada a jurisprudência deste Conselho: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Resulta, portanto, rejeitado o pedido para apresentação de nova declaração de ajuste para a finalidade de afastar o lançamento. No tocante à declaração retificadora, assim estabelece a Instrução Normativa RFB nº 1500, de 29 de outubro de 2014 (DOU 30/10/2014): Art. 82. Eventuais erros ou omissão de informações verificados na DAA, depois de sua apresentação, devem ser retificados pelo contribuinte por meio de declaração retificadora, desde que não esteja sob procedimento de ofício, independentemente de autorização administrativa. Parágrafo único. A declaração retificadora referida no caput: I tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, devendo conter todas as informações anteriormente declaradas com as alterações e exclusões necessárias, bem como as informações adicionadas, se for o caso; e II será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. (grifouse) Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO Processo nº 13642.720172/201584 Acórdão n.º 2402005.485 S2C4T2 Fl. 5 7 Desse modo, também é impossível considerar a declaração original, dado que a retificadora substituiua integralmente, conforme parágrafo único, do art. 82, da Instrução Normativa RFB nº 1500/2014. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 16095.720120/2013-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008, 01/06/2008 a 30/06/2008, 01/09/2008 a 30/09/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO.
Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão do colegiado em ponto sobre o qual deveria pronunciar.
DECADÊNCIA. GLOSA DE CRÉDITOS DE IPI. INAPLICABILIDADE DOS ARTIGOS 150, §4º E 173 DO CTN.
Os prazos decadenciais previstos nos artigos 150, §4º e 173 do CTN se referem ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar o crédito de IPI escriturado.
Embargos acolhidos em parte.
Crédito Tributário Mantido em parte.
Numero da decisão: 3302-003.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para rerratificar o Acórdão embargado. Ausentes justificadamente os Conselheiros José Fernandes do Nascimento e Walker Araújo.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008, 01/06/2008 a 30/06/2008, 01/09/2008 a 30/09/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão do colegiado em ponto sobre o qual deveria pronunciar. DECADÊNCIA. GLOSA DE CRÉDITOS DE IPI. INAPLICABILIDADE DOS ARTIGOS 150, §4º E 173 DO CTN. Os prazos decadenciais previstos nos artigos 150, §4º e 173 do CTN se referem ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar o crédito de IPI escriturado. Embargos acolhidos em parte. Crédito Tributário Mantido em parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 16095.720120/2013-88
anomes_publicacao_s : 201609
conteudo_id_s : 5640994
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3302-003.346
nome_arquivo_s : Decisao_16095720120201388.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 16095720120201388_5640994.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para rerratificar o Acórdão embargado. Ausentes justificadamente os Conselheiros José Fernandes do Nascimento e Walker Araújo. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
id : 6506638
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048687782920192
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1841; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2.811 1 2.810 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16095.720120/201388 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3302003.346 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de agosto de 2016 Matéria IPI Embargante VISTEON SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008, 01/06/2008 a 30/06/2008, 01/09/2008 a 30/09/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão do colegiado em ponto sobre o qual deveria pronunciar. DECADÊNCIA. GLOSA DE CRÉDITOS DE IPI. INAPLICABILIDADE DOS ARTIGOS 150, §4º E 173 DO CTN. Os prazos decadenciais previstos nos artigos 150, §4º e 173 do CTN se referem ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar o crédito de IPI escriturado. Embargos acolhidos em parte. Crédito Tributário Mantido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para rerratificar o Acórdão embargado. Ausentes justificadamente os Conselheiros José Fernandes do Nascimento e Walker Araújo. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 01 20 /2 01 3- 88 Fl. 2812DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/08 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16095.720120/201388 Acórdão n.º 3302003.346 S3C3T2 Fl. 2.812 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de Auto de Infração para constituição de crédito tributário de IPI, relativo aos períodos de maio, junho e setembro de 2008, em razão da glosa de créditos presumidos extemporâneos de IPI, por utilização após o prazo prescricional, resultando em saldos devedores de IPI. Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevese o relatório do acórdão ora recorrido: “Contra o estabelecimento em epígrafe foi lavrado o auto de infração de fls. 2409/2421, para exigir R$ 9.332.357,52 referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), juros de mora calculados até 30/06/2013 e multa proporcional, que em função da glosa de créditos, foram apurados saldos devedores de IPI, os quais a contribuinte não havia declarado ou recolhido. Consta no Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais de fls. 2403/2408 em síntese que: 1. A contribuinte apurou créditos presumidos de IPI referentes ao período de apuração 4o trimestre/2002 a 2o trimestre/2004, com base na Lei n° 9.363/1996, tendo sido apresentado as DCP Declarações de Crédito Presumido em 21/12/2007, no valor total de R$ 9.853.106,64. O valor lançado no Livro Registro Apuração de IPI, em maio de 2008, e contabilizado em 30/06/2008, foi de R$ 9.853.111,22, um valor ligeiramente maior do que o apurado nas DCP, com diferença de R$ 4,58. Verificou se ainda que o contribuinte exerceu o direito de Pedido de Ressarcimento de IPI, somente em relação aos créditos apurados nos períodos de apuração 4o trimestre/2003 a 2o trimestre/2004; 2. Nos termos da legislação relativa ao crédito presumido de IPI, os créditos apurados poderiam ser usados primeiramente, pela dedução do valor do IPI devido pelas operações no mercado interno do estabelecimento matriz da pessoa jurídica, e não existindo os débitos de IPI ou remanescendo saldo credor após o aproveitamento pela dedução, seria permitida a utilização, de conformidade com as normas sobre ressarcimento em espécie e compensação previstas em ato específico da SRF, desde que respeitado o prazo quinquenal, contados da data do ato ou fato do qual se originaram, conforme previsto no artigo 1o do Decreto n° 20.910, de 6 de janeiro de 1932; 3. Em relação aos créditos apurados nos períodos 4o trimestre/2002 e 1o trimestre/2003, referidos valores não poderiam ser lançados no Livro de Registro de Apuração de IPI em maio de 2008, visto que já haviam sido alcançados pela Fl. 2813DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/08 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16095.720120/201388 Acórdão n.º 3302003.346 S3C3T2 Fl. 2.813 3 decadência. Desse modo, os referidos créditos foram glosados considerandose a data da escrituração, ou seja, maio de 2008; 4. Em relação aos períodos de apuração 2o trimestre/2003 e 3o trimestre/2003, os valores poderiam ser lançados em maio de 2008, para eventual redução do saldo devedor, ou na impossibilidade deste, ser solicitado o pedido de ressarcimento até 30/06/2008 e 30/09/2008, respectivamente, com o estorno do valor de pedido de ressarcimento; 5. Como não houve aproveitamento dos créditos presumidos de IPI na forma determinada pela legislação no prazo quinquenal, os referidos créditos atingidos pela decadência, foram glosados considerandose a data da prescrição, ou seja, 30/06/2008 e 30/09/2008. Tendo em vista a necessidade de reconstituição da escrita fiscal da contribuinte, decorrente das glosas de créditos do IPI, a fiscalização elaborou o Demonstrativo da Reconstituição da Escrita Fiscal de fls. 2422/2421, no qual foi apurado o imposto que deixou de ser recolhido. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou impugnação de fls. 2432/2484, instruída com os documentos de fls. 2485/2578, alegando, em síntese, o seguinte: 1. Preliminarmente, devese cancelar o Auto de Infração, tendo em vista a decadência do direito da fiscalização autuante constituir o crédito tributário; 2. No mérito, julgar improcedente o Auto de Infração e, conseqüentemente a exigência nele formulada, bem como a intimação nele contida acerca da retificação de saldos da escrita fiscal do estabelecimento autuado em conformidade com a planilha de reconstituição que faz parte integrante da autuação, em vista de os créditos presumidos de IPI terem sido legitimamente apropriados pela impugnante (fato incontroverso) e pela patente ausência de previsão legal para a pretensa glosa desses créditos, sendo que o reconhecimento do direito à sua utilização, pela via de dedução com débitos do próprio imposto, representa a obediência dos termos da legislação do IPI e, notadamente, a consagração da própria disciplina não cumulativa do imposto, sendo descabido cogitarse que referidos créditos foram atingidos pela prescrição; e 3. Caso se entenda cabível a manutenção do crédito tributário lançado com imposição de multa de ofício de 75% no presente caso (o que se admite apenas a título de argumentação), seja cancelada a aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício, pela ausência de previsão legal expressa; 4. Ao final, protesta pela posterior juntada de quaisquer documentos necessários à cabal comprovação da improcedência da acusação e exigências imputadas à impugnante. Fl. 2814DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/08 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16095.720120/201388 Acórdão n.º 3302003.346 S3C3T2 Fl. 2.814 4 A Décima Segunda Turma da DRJ em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 1448.654, nos termos da ementa que abaixo transcrevese: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Data do fato gerador: 31/05/2008, 30/06/2008, 30/09/2008 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. APROVEITAMENTO. O direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, mediante dedução do valor devido do mesmo imposto ou ressarcimento, prescreve em cinco anos, contados da data do encerramento do mês em que foi apurado referido crédito. DECADÊNCIA. GLOSA DE CRÉDITOS DO IPI. É correta a glosa de créditos indevidos há qualquer tempo, pois não ocorre fato gerador do tributo no momento do creditamento. O uso indevido do crédito é que gera conseqüências tributárias, pois ao usálo deixase de pagar o tributo devido, ocorrendo prazo de decadência apenas para o lançamento de débitos decorrente desta glosa. JUROS DE MORA A SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. IMPUGNAÇÃO. PROVAS ADICIONAIS. PRECLUSÃO TEMPORAL. Tendo em vista a superveniência da preclusão temporal, é rejeitado o pedido de apresentação de provas suplementares, pois o momento propício para a defesa cabal é o da oferta da peça impugnatória. O contribuinte foi cientificado em 14/03/2014 e interpôs recurso voluntário em 27/03/2014, alegando, em síntese: 1. Preliminarmente, a decadência do direito de a fiscalização glosar os créditos apropriados pela recorrente em maio de 2008; 2. No mérito, a impossibilidade da glosa pretendida, vez que afronta a natureza do incentivo do crédito presumido de IPI; 3. A ausência de previsão legal para a glosa de crédito pretendida; 4. A inaplicabilidade dos juros Selic sobre a multa de ofício. Ao final, pediu o cancelamento do lançamento e da intimação para retificação da escrita fiscal, ou, eventualmente, a inaplicabilidade dos juros de mora sobre a multa de ofício. Fl. 2815DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/08 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16095.720120/201388 Acórdão n.º 3302003.346 S3C3T2 Fl. 2.815 5 Na sessão de 27/01/2015, a turma proferiu o Acórdão nº 3302002.831, cuja ementa e resultado transcrevemse: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008, 01/06/2008 a 30/06/2008, 01/09/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI REGULARMENTE ESCRITURADO. SALDO CREDOR TRANSFERIDO PARA O PERÍODO SEGUINTE. APROVEITAMENTO. PRAZO. O legítimo saldo credor de IPI apurado em um período, decorrente de crédito presumido ou crédito básico regularmente escriturado, é sempre e irrestritamente utilizável para deduzir o IPI devido pelas saídas de produtos do estabelecimento do contribuinte nos períodos subsequentes, independente de prazo. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: 1)por unanimidade de votos, para reconhecer a prescrição dos créditos presumidos de IPI extemporâneos, escriturados após 5 (cinco) anos; 2)por maioria de votos, para reconhecer o direito de deduzir débitos, independentemente de prazo, de créditos de IPI regularmente escriturados. Vencidos, nesta parte, Paulo Guilherme Déroulède (relator) e Maria da Conceição Arnaldo Jacó; 3)pelo voto de qualidade, para manter a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos, nesta parte, Fabiola Cassiano Keramidas, Antonio Mário de Abreu Pinto e Gileno Gurjão Barreto. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor em relação à matéria do item 2. Desta decisão foi interposto recurso especial pela Procuradoria, ao qual foi dado seguimento e foram opostos embargos de declaração pelo contribuinte, os quais foram admitidos parcialmente, em relação à preliminar de decadência de a fiscalização proceder à glosa dos créditos presumidos de IPI apropriados em maio/2008, com base no artigo 150, §4º do CTN. É o relatório. Voto Fl. 2816DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/08 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16095.720120/201388 Acórdão n.º 3302003.346 S3C3T2 Fl. 2.816 6 Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Tratase, pois, de embargos de declaração para sanar a omissão de pronunciamento da turma sobre a alegação de decadência do direito de a fiscalização proceder à glosa dos créditos presumidos de IPI apropriados em maio/2008, com base no artigo 150, §4º do CTN. Conforme informado pela própria recorrente, a matéria foi analisada por este relator, tendo constada no voto condutor. Porém, o resultado do julgamento não trouxe a decisão quanto a este ponto, sendo, pois, necessário, novo julgamento da matéria. Passase ao voto. A recorrente alegou a decadência do direito de a fiscalização glosar créditos apropriados em maio de 2008. Defendeu que a homologação de que trata o artigo 150, §4º do CTN, se refere à atividade exercida pelo sujeito passivo e independe de pagamento prévio. Pugnou ainda que, de acordo com o artigo 124, parágrafo único, inciso I1 do Decreto nº 4.544, de 2002 (RIPI/2002), a dedução dos débitos escriturados com créditos admitidos, sem resultar saldo credor a recolher, equivale a pagamento homologável. Relativamente ao prazo decadencial para a constituição de crédito tributário, a matéria encontrase pacificada no STJ, com o julgamento do REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543C do CPC (recursos repetitivos), cuja decisão definitiva deve ser reproduzida nos julgamentos deste Conselho, por força da aplicação do artigo 62A do Anexo II do RICARF. Nos termos do julgamento do REsp 973.733/SC, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário dos tributos sujeitos a pagamento antecipado (lançamento por homologação) regese pelo art. 150, §4º do CTN, quando ocorre pagamento antecipado, ainda que inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em dolo, fraude ou simulação. Inexistindo pagamento ou ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo passa a ser regido pelo art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), ou seu parágrafo único, se verificada a existência de medidas preparatórias indispensáveis ao lançamento. Assim, a tese defendida pela recorrente de que a homologação do pagamento se refere à atividade exercida não encontra guarida no Superior Tribunal de Justiça. Entretanto, razão assiste à recorrente quanto à equiparação a pagamento homologável da dedução dos débitos escriturados com créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher, nos termos do artigo 124 do RIPI/2002, vigente à época dos fatos: 1 Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. Fl. 2817DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/08 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16095.720120/201388 Acórdão n.º 3302003.346 S3C3T2 Fl. 2.817 7 Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. Neste sentido, citase Acórdão nº 3403003.172, proferido pela Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento: DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DEDUÇÃO DE CRÉDITOS. SALDO CREDOR A dedução dos débitos, no período de apuração do IPI, dos créditos admitidos, de que resulta saldo credor equivale a pagamento e é hábil para deslocar a contagem do prazo decadencial para a regra do § 4º do art. 150 do CTN. Embora correta, esta tese defendida pela recorrente não se aplica ao caso presente, pois os prazos decadenciais previstos nos artigos 150, §4º e 173 do CTN se referem ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar o crédito escriturado. A glosa repercute na apuração do IPI quando o contribuinte o utiliza para dedução de débitos, gerando saldos devedores de IPI, estes sim sujeitos ao prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. A ciência do Auto de Infração ocorreu em 26/06/2013 e o saldo devedor de IPI mais antigo, objeto deste lançamento, correspondeu ao fato gerador de março de 2009, portanto, dentro do prazo decadencial. Isto posto, acolho os embargos para sanar a omissão e nego provimento ao recurso voluntário quanto à ocorrência de decadência do direito de a fiscalização glosar créditos de IPI. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 2818DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/08 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16095.720120/201388 Acórdão n.º 3302003.346 S3C3T2 Fl. 2.818 8 Fl. 2819DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/08 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726058/2009-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL
Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação.
Numero da decisão: 9202-004.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos à turma a quo, para apreciação das demais questões postas no recurso voluntário, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10580.726058/2009-01
anomes_publicacao_s : 201701
conteudo_id_s : 5674198
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-004.464
nome_arquivo_s : Decisao_10580726058200901.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANA PAULA FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 10580726058200901_5674198.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos à turma a quo, para apreciação das demais questões postas no recurso voluntário, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
id : 6632213
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:55:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048687787114496
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1714; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 9 1 8 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10580.726058/200901 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202004.464 – 2ª Turma Sessão de 28 de setembro de 2016 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado EDUARDO FREITAS PARANHOS FILHO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL Sujeitamse à incidência do Imposto de Renda as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, com retorno dos autos à turma a quo, para apreciação das demais questões postas no recurso voluntário, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 60 58 /2 00 9- 01 Fl. 186DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 210201.746, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 10ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento do CARF. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 159.394,72, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O Contribuinte apresentou impugnação, arguindo, em síntese, que: inexiste conduta hábil à aplicação de multa, em virtude da responsabilidade exclusiva do Estado da Bahia; a consulta administrativa levada a cabo pelo Presidente do TJ/BA possui caráter vinculante; o lançamento é nulo, em virtude da inadequada apuração da base de cálculo; não incide IR sobre os juros moratórios e compensatórios; as verbas recebidas a título de URV têm natureza indenizatória; a União não tem legitimidade para cobrar o referido imposto; e houve violação ao princípio da isonomia. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador (BA), fls. 66/71, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10580.726058/200901 Acórdão n.º 9202004.464 CSRFT2 Fl. 10 3 Houve interposição de recurso voluntário, fl. 88, reiterando os argumentos trazidos em sua impugnação. A 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 168, deu provimento ao recurso, tornando insubsistente o auto de infração, restando assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 IRPF RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA – Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº 12). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). IR – COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL – A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL – NATUREZA INDENIZATÓRIA – MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃOINCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. MULTA DE OFÍCIO – ERRO ESCUSÁVEL – Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. JUROS DE MORA – Não comprovada a tempestividade dos recolhimentos, correta a exigência, via auto de infração, nos termos do art. 43 e 44 da Lei nº. 9.430, de 1996. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial à fl. 140, versando sobre a natureza indenizatória de diferenças recebidas a título de URV. Alegou que o paradigma firmou entendimento diverso do Acórdão recorrido, pois, enquanto a decisão recorrida entendeu que sobre o abono variável pago aos membros do Ministério Público baiano incidiu Fl. 188DF CARF MF 4 Imposto de Renda Pessoa Física, haja vista não haver identidade entre as verbas que tratam os atos normativos federais e a verba da Lei estadual da Bahia, o Acórdão paradigma considerou que sobre o mesmo rendimento não incide o imposto federal, em razão de uma interpretação extensiva da decisão do Supremo Tribunal Federal, que considerou isenta tais verbas pagas aos membros da Magistratura Federal. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 178, a 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento deu seguimento ao recurso da Fazenda Nacional, para que seja rediscutida a questão sobre a não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória, pois, de fato, as interpretações postas nos acórdãos recorrido e paradigmas são divergentes. No primeiro, entendese que as diferenças auferidas pelos membros do Ministério Público Federal, com base no art. 2º da Lei nº 10.477/2002, têm caráter indenizatório, e que igual raciocínio deve ser aplicado às diferenças auferidas aos membros do Ministério Público da Bahia. Portanto, que esses valores não devem sofrer a incidência do imposto de renda. Nos outros, que descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a analogia para verificar a incidência tributária. Sem contrarrazões, os autos vieram conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 159.394,72, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. O Acórdão recorrido deu provimento ao recurso, tornando insubsistente o auto de infração. Já o Recurso Especial da Fazenda Pública, objetiva que seja rediscutida a questão sobre a incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza remuneratória. IMPOSTO SOBRE A RENDA E INDENIZAÇÕES Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10580.726058/200901 Acórdão n.º 9202004.464 CSRFT2 Fl. 11 5 Pois bem, como dito a problemática consiste na questão da natureza atribuída a verba recebida pelo contribuinte, e para melhor deslinde da questão mister se faz analisar o enquadramento das indenizações perante a legislação do imposto sobre a renda. A interpretação dada pela Fazenda Nacional é a de que na medida em que a legislação federal, prevê expressamente a isenção ou nãotributação de certas verbas indenizatórias ( como as contempladas nos incisos IV e V do artigo 6° da Lei federal n. 7.713/88 ), então só estariam excluídas da incidência estas verbas; e por consequência, todas as demais verbas de caráter indenizatório não expressamente contempladas estariam sujeitas à tributação pelo imposto sobre a renda. Para os doutrinadores esta afirmação é incompatível com os dispositivos constitucionais e também as disposições do Código Tributário Nacional. Para Aliomar Baleeiro, " a renda se destaca da fonte sem empobrecêla", e Marco Aurélio Greco complementa: "indenizar é tornar" sem dano" aquele patrimônio; não é acrescêlo, é recompôlo ao que era antes do evento. Portanto, nestes casos, a indenização não é produto do capital e/ou do trabalho, nem acréscimo patrimonial, razão pela. qual está fora do âmbito de incidência do imposto sobre a renda". Isto significa que o fato de não haver na legislação federal regra expressa prevendo a não incidência de determinada indenização (com o perfil acima) não implica na sua tributação. Ao contrário, não há necessidade de regra neste sentido, pela singela razão de esta indenização não estar alcançada pela norma constitucional (art. 153, Ill). Por definição, está fora do âmbito material de incidência; logo, não precisa haver previsão neste sentido e as que existirem terão caráter explicitador, por vezes, resultantes de dúvidas surgidas quanto à natureza jurídica de determinada verba. O jurista citado ainda ensina que, "indenização que implique recomposição de patrimônio passado economicamente identificável (ou seja, sem haver acréscimo patrimonial), não configura hipótese de incidência do imposto sobre a renda. A verba paga é evento do mundo dos fatos que pode receber mais de uma qualificação jurídica a depender das circunstâncias que a cercam". A questão primordial a ser debatida aqui é saber a quem cabe afirmar a natureza jurídica de determinada verba para fins de enquadramento na legislação do imposto sobre a renda. Três situações podem ser identificadas: a) partes privadas (contratualmente ou por outro instrumento) qualificam determinada verba como de caráter indenizatório; b) o Poder Judiciário, no bojo da prestação jurisdicional, qualifica a verba como indenizatória; e c) a Lei qualifica a verba como indenizatória. Na medida em que a natureza jurídica é que determina a incidência ou não do imposto sobre a renda, importante compreender em quais hipóteses o Fisco Federal pode recusar a qualificação oriunda de qualquer das situações acima e afirmar a natureza não indenizatória da verba, de modo a deflagrar a incidência das regras do imposto. Fl. 190DF CARF MF 6 A terceira hipótese é a que nos importa no caso em tela, uma vez que o contribuinte em questão teve a natureza de sua verba declarada como indenizatória por meio de Lei Estadual. É de se destacar o fato de a qualificação indenizatória dada a verba foi editada pelo legislador através de uma lei específica. Toda lei goza de presunção de constitucionalidade. Caso se tratasse de uma lei federal, o Fisco também federal, não teria competência para afastar sua aplicabilidade, pois não lhe é dado substituirse ao legislador, nem tem competência para declarar a inconstitucionalidade de uma norma. Tratandose de lei estadual abrese o debate, pois a qualificação jurídica por ela veiculada tem o efeito de atribuir ao fato subjacente uma qualidade que por decorrência e em função do caráter de Direito de superposição de que se reveste o Direito Tributário repercute na aplicação da lei tributária federal, ao afastáIa no caso de indenizações (que não impliquem acréscimo patrimonial). Daí a pergunta, que responde toda a problemática aqui veiculada,: pode a lei estadual interferir com a interpretação e aplicação da lei tributária federal? Embora pareça questão de fácil resolução, e a resposta pareça ser a simples alegação realizada pelo Fisco, de que não cabe a Lei estadual interferir nas hipóteses de incidência|(fato gerador) de tributo federal, penso que a questão envolve outros institutos jurídicos e concepções tributárias. Para alguns juristas, nos quais novamente cito Marco Aurélio Greco, a pergunta envolve um falso problema. Pois a questão efetiva não é esta, obviamente os Estados não têm competência para legislar sobre imposto sobre a renda. A questão legítima aqui discutida é, se o Fisco Federal pode afastar a qualificação jurídica de determinada verba que tenha sido atribuída por lei estadual válida no ordenamento jurídico. E aqui neste ponto, sem dúvida a resposta é não, por força da presunção de constitucionalidade de que se reveste toda lei. Portanto, enquanto subsistir o preceito normativo, o Fisco federal não possui competência para afastar a qualificação jurídica ali contida. Para afastála é preciso, previamente, buscar a declaração da sua inconstitucionalidade, o que não pode ser realizado pelo Poder Executivo, sem a chancela do Poder Judiciário. Ainda que a alegação do fisco fosse de que o preceito nela contido é manifestamente inconstitucional. por dispor sobre matéria que não cabe ao Estado regular ou se seu conteúdo contiver disciplina inequivocamente conflitante com o ordenamento, a ponto de configurar aquilo que a jurisprudência denomina de "ato teratológico", não é o que ocorre no caso em tela, pois a disposição sobre a verba submetida ao regime estatutário é de plena competência do ente estadual. Assim, não há que se falar que a Lei Complementar n. 20/2003 ou a Lei n. 8.730/2003, possua qualificação jurídica teratológica que possa afastar de plano sua aplicabilidade. Assim, além da presunção de constitucionalidade de que se revestem as leis em referência, elas dispõem sobre matéria que compete aos Estados regular, por dizer respeito ao funcionamento das respectivas Instituições. Portanto, não é estranho que seja a lei a reconhecer a natureza jurídica de determinada verba, à luz do contexto do respectivo regime estatutário, conforme previsão expressa do § 11 do artigo 37, CF, que é explícito ao prever que: Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10580.726058/200901 Acórdão n.º 9202004.464 CSRFT2 Fl. 12 7 “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) XI a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicandose como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos; (...) § 11. Não serão computadas, para efeito dos limites remuneratórios de que trata o inciso XI do caput deste artigo, as parcelas de caráter indenizatório previstas em lei." (grifo nosso) Ou seja, podem existir pagamentos a agentes públicos que tenham caráter indenizatório, desde que as respectivas parcelas estejam previstas em lei. Ora, se tais parcelas podem existir, a própria lei também pode afirmar esse caráter, "especialmente" em relação a verba submetida ao regime estatutário. Ad argumentandum tantum, ainda há que se salientar que, sendo da competência dos Estados definir a natureza de tais verbas, ainda é também de sua competência a responsabilidade pela retenção do imposto na fonte e consequentemente é de sua titularidade o direito de cobrála. Contudo até o presente momento não vemos no Estado da Bahia nenhuma menção neste sentido. Assevera, Marco Aurélio Grecco, que a CF/88, a titularidade não é sobre o resultado material da atividade de reter, mas é sobre todo aquele imposto que de acordo com a legislação pertinente deva ser submetido ao regime de retenção na fonte. Esta titularidade é atribuída em caráter exclusivo ao Estado o que afasta qualquer interesse ou pretensão por parte da União. Vale dizer, se determinada verba, pela sua natureza, deve submeterse à retenção, o simples fato de esta ser a respectiva qualificação, afasta por si só a titularidade da União. Ou seja, a União não tem titularidade sobre a parcela do imposto sobre a renda na fonte que incidir (juridicamente) na fonte. A circunstância de haver ou não no plano fático a retenção não modifica esta qualificação jurídica da titularidade sobre esse montante, posto que a qualificação advém diretamente da CF/88 e a eventual inação do Estado em reter não configura transferência de titularidade à União; nem doação a seu favor de verba que pertence ao Estado, Daí a conclusão de que, em relação ao imposto incidente na fonte, a relação jurídica que se instaura é entre o contribuinte e Estado, diretamente, sem qualquer mediação da União. A União editou a lei que dispõe sobre o tratamento tributário das diversas verbas que o Fl. 192DF CARF MF 8 contribuinte pode auferir. Mas, em relação àquelas que, por sua natureza, devam se submeter à retenção na fonte, o respectivo imposto pertence integral e exclusivamente ao Estado. Por fim o julgamento do caso em tela implica na aplicação de princípio basilar do Direito Administrativo, qual seja o respeito a legalidade. Assim, enquanto a Administração Pública só pode fazer o que está previsto em lei, ao Administrado, no caso em tela Contribuinte, é possível fazer tudo aquilo que não é proibido. Ainda, para Hely Lopes Meirelles: Na Administração Pública não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza” (MIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 30. Ed. São Paulo: Malheiros, 2005). A Legalidade é intrínseca a ideia de Estado de Direito, pensamento este que faz que ele próprio se submeta ao direito, fruto de sua criação, portanto esse é o motivo desse princípio ser tão importante, um dos pilares do ordenamento. É na legalidade que cada indivíduo encontra o fundamento das suas prerrogativas, assim como a fonte de seus deveres. A administração não tem fins próprios, mas busca na lei, assim como, em regra não tem liberdade, escrava que é do ordenamento. O Princípio da Legalidade é uma das maiores garantias para os gestores frente o Poder Público. Ele representa total subordinação do Poder Público à previsão legal, visto que, os agentes da Administração Pública devem atuar sempre conforme a lei. Assim, o administrador público não pode, mediante mero ato administrativo, conceder direitos, estabelecer obrigações ou impor proibições aos cidadãos. A criação de um novo tributo, por exemplo, dependerá de lei. Do mesmo modo, a limitação de direitos não poderá ser feita por via de interpretação mais gravosa que aquela propriamente estabelecida na norma. Na fiscalização, o Princípio da Legalidade possui atividade totalmente vinculada, ou seja, a falta de liberdade para a autoridade administrativa. A lei define as condições da atuação dos Agentes Administrativos, determinando as tarefas e impondo condições excludentes de escolhas pessoais ou subjetivas. Por fim, esse princípio é vital para o bom andamento da Administração Pública, sendo que ele coíbe a possibilidade do gestor público agir por conta própria, tendo sua eficácia através da execução jurídica dos atos de improbidade, evitando a falta de vinculação à norma e, principalmente, a corrupção no sistema. Essa preocupação se faz constante para que seja atingido o objetivo maior para o país, o interesse público, através da ordem e da justiça. No caso em tela, entendo que não houve por parte do Estado da Bahia uma intromissão quanto ao tributo federal de competência da União imposto de renda pessoa física. Mas que houve sim, uma natureza indenizatória dada a verbas oriundas do regime estatutário daquele Estado, as quais são de competência exclusiva do mesmo, responsável por gerir e organizar seu Regime Próprio de Trabalho e Previdência. A existência destas leis legitimou o agir do contribuinte, que exerceu direito que lhe foi conferido por lei. Lei esta emitida por Ente participante da Administração Pública, face ao pacto federativo constitucionalmente imposto. Desse modo, por melhor que seja a construção jurídica utilizada pela Receita Federal, afastar a legalidade ou a constitucionalidade de norma válida no ordenamento jurídico prescinde de um conjunto de medidas dispostas na Constituição Federal, as quais não contemplam a possibilidade do Fisco, ou até mesmo do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, negar validade ou aplicabilidade. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10580.726058/200901 Acórdão n.º 9202004.464 CSRFT2 Fl. 13 9 Observo que o controle de constitucionalidade pode ser realizado de modo preventivo (antes de a lei entrar em vigor) pelo Poder Legislativo ou de modo repressivo (a lei já está em vigência e deve ser expulsa do ordenamento), em regra, no Brasil, é jurisdicional, logo pelo Poder Judiciário na modalidade concentrado ou difuso. Assim resume Zeno Veloso: (...) O controle jurisdicional da constitucionalidade, no Brasil, utiliza o método concentrado, sendo o controle abstrato, em tese, através de ação direta, a ser julgada pelo Supremo Tribunal Federa, tendo por objeto leis e atos normativos federais e estaduais, em confronto com a Constituição Federal, que nos Estadosmembros, compete aos Tribunais de Justiça, tendo por objeto leis e atos normativos estaduais e municipais, em face da Constituição estadual. Servimonos, também, do controle difuso, concreto, incidenter tantum, exercido por qualquer órgão, singular ou coletivo, do Poder Judiciário.(VELOSO, Zeno. p. 35) Assim, resta evidente que no caso em apreço, ainda que fosse caso de não aplicar a natureza jurídica dada a verba por lei, esta seria de exclusiva competência do Poder Judiciário, pois por uma questão de competência constitucional, legal e regimental, este Tribunal Administrativo não pode afastar a constitucionalidade de Lei. Ressaltese aqui, a clara diferenciação entre o poder dever dos julgadores no âmbito judicial e administrativo. Enquanto o juiz é dotado de equidade, o conselheiro do Tribunal Administrativo é dotado de obediência ao princípio da legalidade. Contudo, compreendo que a melhor solução da questão não prescinde de Juízos de constitucionalidade, vez que conforme explanado acima, a natureza das verbas percebidas pelo contribuinte foram legitimamente declaradas indenizatórias por força de lei estadual, sendo que conforme previsão constitucional é da competência do Ente Federado responsável pelo Regime estatutário fazêlo, não usurpando assim competência da União para declarar as hipóteses de incidência do imposto de renda pessoa física, a quem coube determinar que o imposto era devido sobre verbas remuneratórias, excluindo as indenizatórias, sem no entanto, ser responsável por determinar quais verbas são de uma natureza ou de outra. Ainda, e não menos importante, uma segunda questão foi recepcionada no despacho de admissibilidade do Recurso Especial, qual seja a aplicação por analogia da resolução N. 245/2002 emitida pelo STF, assim considerando o aceite da matéria para discussão de divergência jurisprudencial, ressalto brevemente que entendo ser a solução juridicamente mais correta ao caso concreto, nos termos proferidos na decisão trazida como paradigma pelo contribuinte, acórdão nº 210201.687, conforme excerto que segue: RESOLUÇÃO STF N° 245/2002. DIFERENÇAS DE URV PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei complementar baiana n° 20/2003 pagou as diferenças de URV aos Membros do Ministério Público local, as quais, no caso dos membros do ministério público federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis n° 10.477/2002 e n° 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF n° 245/2002, conforme Parecer PGFN n° 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Fl. 194DF CARF MF 10 Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal n° 10.477/2002 nos termos da Resolução STF n° 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual n° 20/2003. A aplicação do paradigma ao caso concreto garante isonomia tributária aos servidores estatutários de um mesmo ente federativo. A Recorrente ainda, por meio do qual defende a não incidência do Imposto de Renda sobre os valores recebidos a título de juros. Segundo o entendimento do Recorrente, invariavelmente, os juros de mora possuem natureza indenizatória, pois sua função é a de recompor dano ao patrimônio do beneficiário que deixou de receber no tempo certo valor que lhe seria devido. Tratase de entendimento compartilhado pelos mais renomados juristas, valendo citar parte do artigo publicado pelo Professor Hugo de Brito Machado, na Revista Dialética de Direito Tributário nº 215 (p. 115/116): Não há dúvida quanto à natureza indenizatória dos juros de mora. A expressão juros moratórios, que é própria do Direito Civil, designa a indenização pelo atraso no pagamento da divida. O Código Civil de 1916 estabelecia que as perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, consistem nos juros de mora e custas, sem prejuízo das pena convencional. E o Código Civil vigente estabelece: "Art. 404. As perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, serão pagas com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, abrangendo juros, custas e honorários de advogados, sem prejuízo da penas convencional. Parágrafo único: Provado que os juros de mora não cobrem o prejuízo, e não havendo pena convencional, pode o juiz concede ao credor indenização complementar." Com se vê, o legislador previu que o não recebimento nas datas correspondentes dos valores me dinheiro aos quais se tem direito implica prejuízo. (...) Não se trata de lucro cessante, nem de dano simplesmente moral, que evidentemente também podem ocorrer. Tratase de perda patrimonial efetiva, decorrente do não recebimento, nas datas correspondentes, dos valores aos quais tinha direito. Perda que o legislador presumiu e tratou como presunção absoluta que não admite prova em contrário, e cuja indenização com juros de mora independe de pedido do interessado. Ora, os valores recebidos a título de juros moratórios não estariam sujeitos ao imposto, afinal o conceito de renda e proventos pressupostos pela Constituição Federal, exigem a ocorrência de um acréscimo patrimonial experimentado ao longo de um determinado período de tempo, o que conforme anteriormente exposto não ocorre no presente caso concreto. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10580.726058/200901 Acórdão n.º 9202004.464 CSRFT2 Fl. 14 11 Conforme já vem sendo aplicado pelo conselheiro Gerson Guerra, no acórdão N. , em relação à incidência do IRPF sobre juros moratórios "é importante destacar, que o acessório segue o principal. Nesse contexto, aplicase o que decidido pelo STJ (NUMÉRO DO RESP), fundamentado no artigo 543C, do antigo Código de Processo Civil", no seguinte sentido: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido. Ressalto aqui que não desconheço a existência de Repercussão Geral sobre o tema, conforme esposado pela conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, no acórdão N. : Destaco que o Supremo Tribunal Federal ainda não firmou sua posição em relação ao assunto, haja vista estar pendente de julgamento o Recurso Extraordinário nº 855.091, recebido sob o rito da Repercussão Geral sob o Tema 808 Incidência de imposto de renda sobre juros de mora recebidos por pessoa física, processo por meio do qual questionase a constitucionalidade dos dispositivos acima descrito. Em que pese concordar com os argumentos acima, entendo que a norma regimental prevista no art. 62 do RICARF me impede de deixar de aplicar o que determina o art. 6 da Lei 4.506/1964: “Art. 16. serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado tôdas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções referidos no artigo 5º do Decretolei número 5.844, de 27 de setembro de 1943, e no art. 16 da Lei número 4.357, de 16 de julho de 1964, tais como: (...) Parágrafo único. Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo.” (Grifamos) Tal dispositivo está reproduzido no art. 43, § 3º do Decreto 3.000/99 (RIR): “Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos Fl. 196DF CARF MF 12 ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.76955, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): (...) § 3º Serão também considerados rendimentos tributáveis a atualização monetária, os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, parágrafo único).” Contudo a meu ver acredito que o encaminhamento a essa questão deva ser dado de modo diverso. Considerando a existência de Repetitivo de controvérsia atinente a questão, e que, este não foi sobrestado ao tema 808 admitido em sede de repercussão geral, por se tratar de julgado anterior a admissão deste é caso de se aplicar o repetitivo até posterior julgamento da repercussão geral. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial do contribuinte para afastar a incidência do imposto de renda sobre as parcelas pagas a Agentes Públicos Estaduais a Título de Diferença de URV, as quais tem natureza claramente indenizatória, e ainda por aplicação analógica da Resolução 245/2000 do STF, conforme previsto em Lei específica do Estado da Bahia. Quanto à aplicação de IRPF sobre juros moratórios, considero não incidentes. É o voto. (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada A matéria não é nova neste Colegiado. Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a reclassificação, como tributáveis, de rendimentos declarados como isentos, recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em trinta e seis parcelas, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08/09/2003, editada em virtude do objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nºs 613 e 614. As verbas ora analisadas constituem diferenças salariais verificadas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real, portanto tais valores referemse a salários (vencimentos) não recebidos ao longo dos anos. Nesse passo, Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10580.726058/200901 Acórdão n.º 9202004.464 CSRFT2 Fl. 15 13 o objetivo da ação judicial e/ou da lei do estado da Bahia foi simplesmente pagar à Contribuinte aquilo que antes deixou de ser pago, que nada mais é que salário, portanto de natureza tributável. Assim, o recebimento da verba ora tratada configura acréscimo patrimonial e, consequentemente, sujeitase à incidência do Imposto de Renda, consoante dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. O dispositivo legal acima não deixa dúvidas acerca da abrangência da tributação do Imposto de Renda, abarcando qualquer evento que se traduza em aumento patrimonial, independentemente da denominação que seja dada ao ganho. Seguindo esta linha, a Lei nº 7.713, de 1988, assim dispõe: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (...) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...)” (grifei) Fl. 198DF CARF MF 14 A questão traz à baila a alegação de violação ao princípio da isonomia, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal, em sessão administrativa, atribuiu natureza indenizatória ao Abono Variável concedido aos membros da Magistratura da União pela Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN nº 529, de 2003, manifestou entendimento no sentido de que a verba em tela não estaria sujeita à tributação. Entretanto, a Resolução nº 245, do STF, bem como o Parecer da PGFN, se referem especificamente ao abono concedido aos Magistrados da União pela Lei nº 10.474, de 2002; e o que se discute no presente processo é se tal entendimento deve ser aplicado à verba recebida pelos membros da Ministério Público do Estado da Bahia. Primeiramente, verificase que a posição do Supremo Tribunal Federal – STF sobre a natureza do Abono Variável atribuído aos Magistrados da União foi definida em sessão administrativa e expedida por meio de Resolução, e não em sessão de julgamento daquela Corte e, assim, não se trata de uma decisão judicial, cujos efeitos são bem distintos dos de uma resolução administrativa. Destarte, obviamente que a Resolução do STF nunca vinculou a Administração Tributária da União. Com o advento do Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, portanto com força vinculante em relação aos Órgãos da Administração Tributária, concluiuse que o Abono Variável de que trata o art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002, teria natureza indenizatória. Entretanto, dito parecer é claro quanto aos limites desse entendimento, conforme será demonstrado na seqüência. O parecer destaca que o Superior Tribunal de Justiça – STJ consolidou entendimento no sentido de que abonos recebidos em substituição a aumentos salariais sofrem a incidência do Imposto de Renda. Após, faz a ressalva de que, segundo entendimento dessa mesma Corte, nos casos de abono concedido como reparação pela supressão ou perda de direito, ele tem natureza indenizatória. Ainda segundo o parecer da PGFN, seria este o entendimento do STF, manifestado por meio da Resolução nº 245, de 2002, relativamente ao abono variável e provisório previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Assim, claro está que o Parecer da PGFN somente reconheceu a natureza indenizatória do Abono Variável, previsto nas Leis nºs 9.655, de 1998, e 10.474, de 2002, acolhendo entendimento do STF, no sentido de que tal verba destinarseia a reparar direito. Destarte, a Resolução nº 245, do STF, não possui efeitos de decisão judicial, e o Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, apenas reconhece a natureza indenizatória do abono concedido aos Magistrados da União, acatando interpretação do STF quanto à natureza reparatória, especificamente para esse abono. Portanto, ambos os atos alcançam apenas o abono previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a Resolução nº 245, do STF, excluiu do abono a verba referente à diferença de URV, o que evidencia que esta não tem natureza indenizatória, mas sim de recomposição salarial. Confirase a manifestação Superior Tribunal de Justiça, por meio de voto da Ministra Eliana Calmon, reconhecendo a falta de identidade entre o abono salarial tratado na Resolução e as diferenças de URV: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10580.726058/200901 Acórdão n.º 9202004.464 CSRFT2 Fl. 16 15 Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E também o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão no Recurso Extraordinário n.º 471.115: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Assim, não há como estenderse o alcance dos atos legais acima referidos para verbas distintas, concedidas para outro grupo de servidores, por meio de ato específico, diverso daqueles referidos na Resolução do STF e no Parecer da PGFN. Com efeito, a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II, do art. 111, do CTN. Ademais, o mesmo código veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação supostamente semelhante, o que implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º, do art. 150, da Constituição Federal, e o art. 176, do CTN. Destarte, a verba em exame deve ser efetivamente tributada. Quanto à suposta inexigibilidade de Imposto de Renda incidente sobre a verba recebida pela contribuinte a título de juros de mora, a decisão do STJ, no julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C, do CPC, é no sentido de que estaria restrita aos casos de pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, por força da norma isentiva prevista no inciso V, do art. 6º, da Lei nº 7.713, de 1988. Confirase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidou se o entendimento no sentido de que 'não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla.' Todavia, após o julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a Fl. 200DF CARF MF 16 prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que 'os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei'. 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Agravo regimental improvido.(AgRg no REsp 1235772 RS – julgado em 26/06/2012) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg nos REsp 1163490 SC – julgado em 14/03/2012) Da análise do julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, verificase que são isentos do imposto de renda os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, conforme a regra do “accessorium sequitur suum principale”. Assim, não sendo as verbas trabalhistas de natureza indenizatória, o imposto de renda deve incidir também sobre os juros de mora. Ressaltese que as verbas ora analisadas já foram objeto de julgamento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, oportunidade em que se deu provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por meio do Acórdão nº 9202003.585, de 03/03/2015, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10580.726058/200901 Acórdão n.º 9202004.464 CSRFT2 Fl. 17 17 Precedentes do STF e do STJ. Recurso especial provido." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou por negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinto Teixeira, OAB/BA nº 23.911, patrono da recorrida. Defendeu a Fazenda Nacional a Procuradora Dra. Patrícia de Amorim Gomes Macedo." Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, com retorno dos autos à turma a quo, para apreciação das demais questões postas no recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 202DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.901384/2014-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2012
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa.
BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.319
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13888.901384/2014-05
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5647588
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-003.319
nome_arquivo_s : Decisao_13888901384201405.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS ATULIM
nome_arquivo_pdf_s : 13888901384201405_5647588.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
id : 6544056
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048687873097728
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1817; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.901384/201405 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402003.319 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de setembro de 2016 Matéria COFINS. Inclusão do ICMS na base de cálculo. Recorrente AÇOVIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ESTRUTURAS METÁLICAS E PRÉMOLDADOS DE CONCRETO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de pedido eletrônico de restituição da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, cumulado com declaração de compensação, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 13 84 /2 01 4- 05 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901384/201405 Acórdão n.º 3402003.319 S3C4T2 Fl. 3 2 denegado em tempo hábil por meio de despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o DARF representativo do pagamento indevido estava inteiramente alocado para a quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte. Em tempo hábil, foi apresentada manifestação de inconformidade na qual a defesa alegou, em síntese, que houve nulidade por cerceamento do direito de defesa e que o crédito do contribuinte decorre de pagamento indevido, em razão de ter sido incluído o ICMS na base de cálculo da contribuição. Afirmou que o ICMS é mero ingresso que não pode ser incluído no conceito de faturamento. Invocou o precedente consubstanciado no RE 240.785 do STF e informou que os artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96 garantem seu direito de compensar o indébito apurado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, decidiu o seguinte: a) o valor do DARF está inteiramente alocado para pagamento de débitos informados pelo próprio contribuinte; b) a lei apenas permite a exclusão da base de cálculo da contribuição do ICMS recolhido na condição de substituto tributário e da receita proveniente da alienação onerosa de créditos do ICMS; e c) o valor dos débitos declarados para compensação é de magnitude superior ao valor do único DARF vinculado a essas compensações. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância, o contribuinte apresentou em tempo hábil recurso voluntário a este Colegiado, alegando, em síntese, o seguinte: a) nulidade por cerceamento de defesa porque o despacho decisório não diz as razões pelas quais o contribuinte não tem o crédito que alega possuir. Essa omissão impediu o contribuinte de exercer a plena demonstração de seu crédito, pois não há como argumentar contra uma decisão que se mostra lacônica; b) a base de cálculo da contribuição sempre foi o faturamento e com o advento da Lei nº 10.833/2003 houve uma ampliação, passando a base de cálculo a abranger a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte. Entretanto, o valor do ICMS não pode ser considerado como receita do contribuinte, sob pena de violação do art. 110 do CTN, pois a lei não pode considerar receita o que não é receita. O ICMS representa para o contribuinte mero ingresso, pois o valor é posteriormente destinado ao fisco estadual. Tal interpretação foi cristalizada em caráter definitivo no RE 240.7852, que deve ser aplicado ao caso concreto. Reafirmou a existência do indébito e seu direito de compensálo com base nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.317): Fl. 54DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901384/201405 Acórdão n.º 3402003.319 S3C4T2 Fl. 4 3 "O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Relativamente à preliminar de nulidade, não assiste razão à defesa. Isso porque, ao contrário do alegado, o despacho decisório declinou com todas as letras o motivo pelo qual a Administração Tributária denegou o pleito do contribuinte e não homologou as compensações declaradas. O Despacho Decisório apresenta a seguinte motivação: "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DECOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DECOMP. (...)" No mesmo despacho encontramse perfeitamente identificados o número do PER/DECOMP, o número do DARF e o valor relativo ao suposto pagamento indevido. O texto acima transcrito revela que a compensação não foi homologada porque o valor do DARF está inteiramente alocado para o pagamento de débitos declarados pelo próprio contribuinte. Em outras palavras: o contribuinte não possui o crédito alegado no PER/DECOMP porque o valor já foi utilizado para extinguir débitos por ele próprio declarados. Portanto, o despacho decisório não foi lacônico, uma vez que declinou expressamente o motivo da não homologação da compensação: o contribuinte não tem o crédito alegado. Essa fundamentação está explícita de forma clara, precisa e congruente com a decisão de não homologar a compensação, o que atende às exigências do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99. Sendo assim, é improcedente a alegação de nulidade, pois o contribuinte não teve seu direito ao contraditório e à ampla defesa cerceados, mesmo porque a apresentação de impugnação e de recurso voluntário, deduzindo argumentos no sentido de demonstrar a existência jurídica do indébito desautorizam a invocação dessa preliminar. No mérito, deflui dos autos que o contribuinte apurou e recolheu a contribuição incluindo o ICMS na sua base de cálculo e agora comparece perante a Administração Tributária alegando que o recolhimento foi efetuado em montante superior ao devido porque a inclusão do ICMS no faturamento ou na receita é inconstitucional. O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978, que a regulamentou. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901384/201405 Acórdão n.º 3402003.319 S3C4T2 Fl. 5 4 O art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, na redação vigente na época do fato gerador relativo ao pagamento tido como indevido, estabelecia o seguinte: "Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. (...)" (Fonte da transcrição: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decretolei/ del1598.htm) Já o item 4 da IN SRF nº 51/78, estabelece o seguinte: 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. (...) 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente (sic) com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra (sic) a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. 4.3.1 Incluemse também neste item: a) taxas que guardam proporcionalidade com o preço de venda; b) a parcela de contribuição para o Programa de integração Social calculada sobre o faturamento; c) a quota de contribuição, ou retenção cambial, devida na exportação. (Fonte da transcrição: http://sijut.fazenda.gov.br/netahtml/ sijut/Pesquisa.htm) Portanto, o recolhimento efetuado pelo contribuinte está em conformidade com a legislação vigente e com entendimento sedimentado há anos na seara tributária, uma vez que o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional. O contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição porque o imposto estadual não se enquadra no conceito de faturamento ou mesmo no de receita estabelecido pela constituição. Ao contrário do alegado pelo contribuinte, tal argumento não pode ser acatado pelos órgãos administrativos de julgamento, pois o art. 26A do Fl. 56DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901384/201405 Acórdão n.º 3402003.319 S3C4T2 Fl. 6 5 Decreto nº 70.235/72 proíbe este colegiado de negar vigência a texto legal com hierarquia superior a Decreto, em razão de arguição de inconstitucionalidade, in verbis: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(...)" O contribuinte invoca a seu favor o acórdão do STF proferido no RE 240.7852. Entretanto, esse recurso extraordinário ainda não foi definitivamente julgado, não se enquadrando no disposto no § 6º, I, acima transcrito, e nem nas disposições do Decreto nº 2.346/97, para que o entendimento possa ser estendido administrativamente a outros casos concretos. Não se olvide que essa questão é objeto do Tema 69 dos recursos submetidos à sistemática da repercussão geral no STF e será decidida no RE nº 574.706. Acrescentese que a Súmula CARF nº 2 estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Considerando que os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, com a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, estão conformes à legislação vigente, voto no sentido de negar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 57DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10880.914170/2011-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Nov 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS. EXECUÇÃO FISCAL. GARANTIA DO DÉBITO.
Constatado que as estimativas compensadas não foram homologadas, mas que o respectivo crédito tributário foi inscrito em dívida ativa, e posteriormente objeto de execução fiscal devidamente garantida, reconhece-se o direito de crédito correspondente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-002.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de nulidade, e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito adicional de R$ 2.602.055,41, homologando as compensações até esse limite de crédito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Demetrius Nichele Macei, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201610
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS. EXECUÇÃO FISCAL. GARANTIA DO DÉBITO. Constatado que as estimativas compensadas não foram homologadas, mas que o respectivo crédito tributário foi inscrito em dívida ativa, e posteriormente objeto de execução fiscal devidamente garantida, reconhece-se o direito de crédito correspondente. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 16 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10880.914170/2011-20
anomes_publicacao_s : 201611
conteudo_id_s : 5657222
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 16 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1402-002.330
nome_arquivo_s : Decisao_10880914170201120.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
nome_arquivo_pdf_s : 10880914170201120_5657222.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de nulidade, e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito adicional de R$ 2.602.055,41, homologando as compensações até esse limite de crédito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Demetrius Nichele Macei, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
id : 6565420
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:54:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048687876243456
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1757; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2.270 1 2.269 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.914170/201120 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.330 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 04 de outubro de 2016 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente SAP BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS. EXECUÇÃO FISCAL. GARANTIA DO DÉBITO. Constatado que as estimativas compensadas não foram homologadas, mas que o respectivo crédito tributário foi inscrito em dívida ativa, e posteriormente objeto de execução fiscal devidamente garantida, reconhecese o direito de crédito correspondente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de nulidade, e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito adicional de R$ 2.602.055,41, homologando as compensações até esse limite de crédito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Demetrius Nichele Macei, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 41 70 /2 01 1- 20 Fl. 2270DF CARF MF Processo nº 10880.914170/201120 Acórdão n.º 1402002.330 S1C4T2 Fl. 2.271 2 Relatório SAP BRASIL LTDA recorre a este Conselho, com fulcro nos §§ 10 e 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 0250.625 da 3ª Turma da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Por bem refletir os fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de primeira instância, complementandoo ao final: Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP), mediante utilização do “Saldo Negativo de CSLL” apurado no AC de 2003 no valor de R$3.283.130,77. DDeessppaacchhoo DDeecciissóórriioo ddaa DDRRFF 2. A análise do documento protocolizado pelo contribuinte foi efetuada pela DRF através do Despacho Decisório nº 916066698 anexado à fl. 08, que apurou: 2.1 Verificadas as antecipações referentes à CSLL AC 2003 no PER/DCOMP, foi confirmada a importância de R$ 1.410.555,87, para uma CSLL devida no valor de R$729.480,49. Neste contexto, a DRF confirmou a legitimidade de parte do Saldo Negativo de CSLL utilizado na DCOMP’s em análise pelo valor de R$ 681.075,38. 2.1.1 O detalhamento da análise do crédito, parte integrante do Despacho Decisório, encontrase anexado ao processo, e indica que parte das antecipações indicadas pelo contribuinte não foi confirmada pela DRF: 2.2. A DRF utilizou o crédito reconhecido na extinção dos débitos declarados pelo contribuinte, concluindo pela HOMOLOGAÇÃO PARCIAL das compensações declaradas, em função da insuficiência do crédito utilizado. MMaanniiffeessttaaççããoo ddee IInnccoonnffoorrmmiiddaaddee 3. O contribuinte foi cientificado do procedimento aos 08/04/2011, conforme documento à fl. 10. Irresignado, o contribuinte apresenta em 06/05/2011 a manifestação de inconformidade anexada às fls. 119 a 121, onde, em síntese, argumenta: 3.1 Os valores constantes da DIPJ 2004 já se encontram alcançados pela homologação tácita, conforme art. 150 do CTN. Desta feita, não poderia a autoridade fiscal discutir ou indeferir os saldos da CSLL apontados pela impugnante. Parcelas não confirmadas – estimativa mensal CSLL AC 2003 PA Nº do Processo Valor compensado Valor não confirmado Justificativa JAN/2003 11831.003413/200331 2.881.119,81 2.602.055,41 DCOMP homologada parcialmente Fl. 2271DF CARF MF Processo nº 10880.914170/201120 Acórdão n.º 1402002.330 S1C4T2 Fl. 2.272 3 3.2 Por fim, pleiteia a desconsideração do decidido pela DRF e o reconhecimento da validade do pedido de ressarcimento apresentado. 4. Diante da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, o processo foi encaminhado a esta DRJ para manifestação acerca da lide . Analisando a manifestação de inconformidade apresentada, a turma julgadora de primeira instância consideroua improcedente. A recorrente foi intimada da decisão em 28 de janeiro de 2014 (fl. 150), tendo apresentado tempestivamente recurso voluntário de fls. 173200 em 26 de fevereiro de 2014. Em resumo, a Recorrente reforça seus argumentos apresentados em manifestação de inconformidade e manifestação de inconformidade complementar, alegando que: o despacho decisório seria nulo por cerceamento do direito de defesa, uma vez que, em suposto descompasso com o disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/2008, a autoridade fiscal teria deixado de realizar diligência junto ao contribuinte, não o intimando a apresentar a documentação pertinente, antes da decisão que homologou parcialmente as declarações de compensação apresentadas; no despacho decisório haveria erro de cálculo, pois com a homologação parcial das compensações, o valor que deveria estar sendo cobrado deveria ser de R$ 2.602.055,41, e não R$ 2.661.122,08, ou seja, estaria sendo cobrado um valor excedente de R$ 59.066,67; na apresentação da manifestação de inconformidade original, não teve tempo hábil de angariar toda a documentação que pudesse comprovar o crédito pleiteado, uma vez que somente foi intimada sobre o despacho decisório quase oito anos após o encerramento do período de apuração a que se refere o saldo negativo pleiteado, o que dificultou sobremaneira a localização dos documentos necessários. Requereu a realização de diligência, bem como a admissão de novos documentos em sede de recurso voluntário. Alega que o indeferimento da diligência e o não conhecimento dos documentos comprobatórios implicaria a nulidade da decisão, pois contrariaria o disposto no art. 38 da Lei 9.784/99, que permitiria a juntada de documentos e pareceres, bem como o requerimento de diligências e perícias, na fase instrutória e antes da tomada de decisão. Em razão disso, em homenagem ao princípio da busca da verdade material e do formalismo moderados, requer ainda que o CARF conheça das alegações e documentos adicionais apresentados em sede de recurso voluntário; argumenta ainda que não seriam exigíveis acréscimos legais nos casos em que o não reconhecimento do crédito decorreu de posterior declaração retificadora pela fonte pagadora; em 03 de maio de 2016 (fl. 247), a Recorrente anexou o expediente de fls. 248251 requerendo a juntada de Laudo elaborado pela PricewaterhouseCoopers, bem como da documentação pertinente; Fl. 2272DF CARF MF Processo nº 10880.914170/201120 Acórdão n.º 1402002.330 S1C4T2 Fl. 2.273 4 discorre que os experts identificaram que na composição do saldo negativo de CSLL de 2003, pleiteado nos presentes autos, havia estimativas objeto de declaração de compensação com saldo negativo de CSLL de 2002, no total de R$ 2.881.119,81, tendo sido confirmada a quitação somente de R$ 279.064,40. Os R$ 2.602.055,41 de estimativas cujas compensações não foram homologadas foram objeto de discussão no processo 11831.003413/200331. Tal processo administrativo culminou com a Execução Fiscal nº 001665761.2009.403.6182 (Anexo III – fl. 800 e ss.) que se encontra em discussão por meio dos Embargos à Execução nº 002891251.2009.403.6182 (Anexo IV). Alega que no bojo de tais embargos, haveria confirmação da improcedência da cobrança por parte da Fazenda Nacional por meio de Laudo Pericial elaborado por perito técnico designado pelo juízo (Anexo I – doc. 08); aduz que o Laudo elaborado pela PricewaterhouseCoopers conclui no mesmo sentido (Anexo I – p. 7); requereu, assim, o reconhecimento do crédito ainda em litígio, bem como a homologação das compensações correspondentes. É o relatório. Fl. 2273DF CARF MF Processo nº 10880.914170/201120 Acórdão n.º 1402002.330 S1C4T2 Fl. 2.274 5 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário é tempestivo e subscrito por procurador com poderes para tanto. Logo, dele tomo conhecimento. 2 ARGUIÇÃO DE NULIDADE Alega a Recorrente que o despacho decisório exarado pela unidade de origem seria nulo por não ter procedido, de antemão, à intimação para que o contribuinte pudesse apresentar a documentação pertinente que poderia justificar a integralidade do crédito pleiteado. Discordo de tal entendimento. Embora exarado de forma eletrônica, o despacho decisório é fundamentado o suficiente para justificar o porquê da decisão. No caso concreto, a única parcela de crédito que não foi conhecida diz respeito a estimativas objeto de declarações de compensação atreladas a outro processo administrativo, não tendo sido homologadas por decisão administrativa irreformável. E, quanto a isso, nem em sede de manifestação, quanto no recurso voluntário, a Recorrente trouxe qualquer elemento que pudesse alterar tal panorama. Somente em expediente protocolado após o prazo para apresentação do recurso voluntário é que a Recorrente efetivamente atacou o mérito da glosa, matéria que será analisada oportunamente neste voto. Desse modo, rejeito a arguição de nulidade. 3 MÉRITO A controvérsia tratada nos autos diz respeito a pedido de saldo negativo de CSLL composto por estimativas compensadas e controladas no processo nº 11831.003413/200331. Em consulta ao andamento do processo nº 11831.003413/200331, constata se que a decisão administrativa irreformável foi desfavorável ao contribuinte, redundando na não homologação, entre outras, das compensações de estimativas de CSLL, no valor de R$ 2.602.055,41, que compõem o saldo negativo de CSLL objeto da presente lide, e justamente a única parcela de crédito pleiteado ainda não reconhecida em favor da Recorrente. Segundo a Recorrente, as não homologações de compensação levaram a Fazenda Nacional a propor a Execução Fiscal nº 001665761.2009.403.6182 (Anexo III – fl. 800 e ss.). A Recorrente, por sua vez, opôs os Embargos à Execução nº 0028912 Fl. 2274DF CARF MF Processo nº 10880.914170/201120 Acórdão n.º 1402002.330 S1C4T2 Fl. 2.275 6 51.2009.403.6182 (Anexo IV – fls. 801 e ss.). Ainda segundo a Recorrente, no bojo de tais embargos, haveria confirmação da improcedência da cobrança por parte da Fazenda Nacional por meio de Laudo Pericial elaborado por perito técnico designado pelo juízo (Anexo I – doc. 08 – fls. 494 e ss.). No mesmo sentido indicaria o Laudo elaborado pela PricewaterhouseCoopers (Anexo I – p. 7). Por essas razões, requer a Recorrente que se reconheça nos presentes autos que a não homologação levada a efeito no processo 11831.003413/200331 não deve subsistir, levando ao reconhecimento do crédito pleiteado ainda em discussão nos presentes autos. Ocorre que, em consulta ao andamento processual dos embargos à execução em questão (diretamente no sítio do TRF da 3ª Região), constatei que os autos se encontram conclusos para sentença. Portanto, até o momento, a decisão definitiva na esfera administrativa não foi superada por qualquer decisão judicial, não cabendo nova rediscussão do tema nos presentes autos, conforme determina o art. 42 do Decreto nº 70.235/72: Art. 42. São definitivas as decisões: [...] II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; [...] Em que pesem as restrições de cobrança das estimativas trazidas pelos Pareceres PGFN/CAT nº 193/2013 e nº 88/2014, talvez justamente por se tratarem de decisões anteriores à edição de tais pareceres, o fato é que houve inscrição em dívida ativa das estimativas de CSLL que compõem o saldo negativo em discussão neste processo. Venho me manifestando no sentido não ser razoável considerar como líquido e certo os créditos de estimativa somente pelo fato da possibilidade de virem a ser cobrados pela Fazenda. Infelizmente, sabese que, na prática, é muito baixa a efetividade das execuções fiscais no Brasil, o que aumentaria sobremaneira a possibilidade de se devolver um tributo a determinado contribuinte sem que, jamais, o crédito tributário tenha sido efetivamente extinto. Contudo, no presente caso, compulsando a cópia dos Embargos à Execução nº 002891251.2009.403.6182, constatei que o débito está garantido por fiança bancária (fls. 20722073). Vejase reprodução de excerto dessa garantia: Fl. 2275DF CARF MF Processo nº 10880.914170/201120 Acórdão n.º 1402002.330 S1C4T2 Fl. 2.276 7 Às fls. 2080 dos presentes autos, consta o despacho do magistrado confirmando a garantia da execução. Vejase: Fl. 2276DF CARF MF Processo nº 10880.914170/201120 Acórdão n.º 1402002.330 S1C4T2 Fl. 2.277 8 Desse modo, podese considerar que as estimativas no valor de R$ 2.602.055,41 ou serão consideradas quitadas, caso o contribuinte obtenha êxito em seus Embargos à Execução, ou será extinta por pagamento, ainda que mediante a fiança bancária que garante a execução fiscal. Logo, entendo que, a despeito do mérito discutido no processo administrativo nº 11831.003413/200331, bem como na Execução Fiscal nº 001665761.2009.403.6182 e Embargos à Execução nº 002891251.2009.403.6182, as estimativas que compõem o saldo negativo ora em análise devem ser reconhecidas. Em relação ao suposto erro no cálculo do débito objeto de cobrança em razão da não homologação parcial, esclareço que Recorrente impugnou os cálculos somente pela ótica do crédito, não levando em consideração as compensações pleiteadas, havendo diferenças na correção do crédito pleiteado (e , da mesma forma, do deferido) e dos débitos compensados, uma vez que cada um deles têm origem em datas distintas. Por essas razões, não são válidos os cálculos apontados pelo Recorrente. De toda forma, tendo sido deferido integralmente o crédito pleiteado, resta superada a tese de qualquer prejuízo por parte da Recorrente. Fl. 2277DF CARF MF Processo nº 10880.914170/201120 Acórdão n.º 1402002.330 S1C4T2 Fl. 2.278 9 4 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por rejeitar a arguição de nulidade, e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito adicional de R$ 2.602.055,41, homologando as compensações até esse limite de crédito. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Fl. 2278DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13149.720249/2015-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Somente são dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, as despesas médicas realizadas com o contribuinte ou com os dependentes relacionados na declaração de ajuste anual, que forem comprovadas mediante documentação hábil e idônea, nos termos da legislação que rege a matéria.
Serão mantidas as glosas de despesas médicas, quando não apresentados comprovantes da efetividade dos pagamentos e prestação de serviços, a dar validade plena aos recibos. Cabe ao contribuinte, mediante apresentação de meios probatórios consistentes, comprovar a efetividade da despesa médica para afastar a glosa.
DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. INDETUBILIDADE.
As importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia podem ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda quando comprovadas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.454
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felicia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Bianca Felicia Rothschild, Mario Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amilcar Barca Teixeira Junior.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Somente são dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, as despesas médicas realizadas com o contribuinte ou com os dependentes relacionados na declaração de ajuste anual, que forem comprovadas mediante documentação hábil e idônea, nos termos da legislação que rege a matéria. Serão mantidas as glosas de despesas médicas, quando não apresentados comprovantes da efetividade dos pagamentos e prestação de serviços, a dar validade plena aos recibos. Cabe ao contribuinte, mediante apresentação de meios probatórios consistentes, comprovar a efetividade da despesa médica para afastar a glosa. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. INDETUBILIDADE. As importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia podem ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda quando comprovadas. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13149.720249/2015-97
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5649962
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2402-005.454
nome_arquivo_s : Decisao_13149720249201597.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
nome_arquivo_pdf_s : 13149720249201597_5649962.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felicia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Bianca Felicia Rothschild, Mario Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amilcar Barca Teixeira Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
id : 6546761
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048687960129536
conteudo_txt : Metadados => date: 2016-10-14T18:36:11Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2016-10-14T18:36:11Z; Last-Modified: 2016-10-14T18:36:11Z; dcterms:modified: 2016-10-14T18:36:11Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:4440639a-2e56-438e-8f60-ae63f3849349; Last-Save-Date: 2016-10-14T18:36:11Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-10-14T18:36:11Z; meta:save-date: 2016-10-14T18:36:11Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-10-14T18:36:11Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2016-10-14T18:36:11Z; created: 2016-10-14T18:36:11Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2016-10-14T18:36:11Z; pdf:charsPerPage: 1847; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-10-14T18:36:11Z | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13149.720249/201597 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.454 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de agosto de 2016 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente ELIA DE MENDONCA RIBEIRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Somente são dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, as despesas médicas realizadas com o contribuinte ou com os dependentes relacionados na declaração de ajuste anual, que forem comprovadas mediante documentação hábil e idônea, nos termos da legislação que rege a matéria. Serão mantidas as glosas de despesas médicas, quando não apresentados comprovantes da efetividade dos pagamentos e prestação de serviços, a dar validade plena aos recibos. Cabe ao contribuinte, mediante apresentação de meios probatórios consistentes, comprovar a efetividade da despesa médica para afastar a glosa. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. INDETUBILIDADE. As importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia podem ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda quando comprovadas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 14 9. 72 02 49 /2 01 5- 97 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 14/10 /2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAU JO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felicia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Bianca Felicia Rothschild, Mario Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amilcar Barca Teixeira Junior. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 14/10 /2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAU JO Processo nº 13149.720249/201597 Acórdão n.º 2402005.454 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Conforme relatório da decisão recorrida, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 4 a 10, na qual é cobrado, relativamente ao anocalendário de 2013, exercício 2014, o Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar no valor de R$ 1.345,87, sujeito à multa de ofício, acrescido ainda de juros de mora (calculados até 31/07/2015), perfazendo um crédito tributário total de R$ 2.543,42. A autoridade tributária expôs na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 6 a 8, os motivos que deram ensejo ao lançamento acima: 1. Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial no valor de R$ 1.506,84, por falta de comprovação; 2. Dedução Indevida de Despesas Médicas no valor de R$ 6.760,00, por falta de comprovação; Cientificado da autuação, o contribuinte apresentou tempestivamente, fl. 43, em 19 de Agosto de 2015, a impugnação para alegar, em síntese, que: Em sessão realizada em 20 de Janeiro de 2016, a DRJ/REC julgou a impugnação improcedente, conforme decisão assim ementada: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. Somente são dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, as despesas médicas realizadas com o contribuinte ou com os dependentes relacionados na declaração de ajuste anual, que forem Fl. 84DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 14/10 /2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAU JO 4 comprovadas mediante documentação hábil e idônea, nos termos da legislação que rege a matéria. Serão mantidas as glosas de despesas médicas, quando não apresentados comprovantes da efetividade dos pagamentos e prestação de serviços, a dar validade plena aos recibos. Cabe ao contribuinte, mediante apresentação de meios probatórios consistentes, comprovar a efetividade da despesa médica para afastar a glosa. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. As importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia podem ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda quando respaldadas em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Impugnação Improcedente A recorrente foi intimada da decisão e interpôs recurso voluntário, aduzindo, em síntese, que: a) O laudo médico anexado comprova a necessidade da recorrente atender a tratamento de fisioterapia desde o ano de 2012. Alega, ainda, que os recibos apresentados foram preenchidos conforme os requisitos exigidos na legislação pátria, com todos os dados necessários para possibilitar a dedução das respectivas despesas no imposto de renda da recorrente. b) A sentença judicial é documento suficiente para comprovar a existência de débito alimentar e, portanto, a dedução legítima do valor da pensão alimentícia. Sem contrarazões. É o relatório. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 14/10 /2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAU JO Processo nº 13149.720249/201597 Acórdão n.º 2402005.454 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Bianca Felicia Rothschild Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade pelo que deve ser conhecido. Da Dedução com Despesas Médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, a título de despesas com médicos, odontologistas, e fisioterapeutas, os pagamentos especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” A Recorrente apresentou cópias dos pagamentos efetuados, totalizando R$ 6.760,00, aos seguintes prestadores: Fl. 86DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 14/10 /2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAU JO 6 1. Hélio Gonçalves: às fls. 26 e 27 constam dois recibos referentes a consulta médica, ambos no valor de R$ 330,00 cada: 1.a) O recibo de fl. 26 identifica o endereço profissional, nome e CPF do prestador (carimbo), no entanto a data de emissão aparece com rasura e indica ser uma segunda via de emissão. 1.b) Quanto ao recibo de fl. 27, este indica o endereço profissional, no entanto estão presentes dois carimbos de profissionais diferentes indicando, portanto, nomes e CPFs diferentes. 2. Renes Goulart de Paula: à fl. 25 foi apresentado um recibo referente à consulta odontológica, emitido em 11 de março de 2013, no valor de R$ 100,00. O referido documento informa o nome e numero do CRO do prestador, mas não informa CPF ou endereço profissional. 3. Usiene Ribeiro Guimarães: foram três recibos apresentados, fls. 24 e 25: 3.a) Um recibo no valor de R$ 1.800 referente à fisioterapia, que indica nome e numero do CREFITO do prestador, mas não indica CPF ou endereço profissional e a data de emissão aparece com rasura. 3.b) Segundo recibo no valor de R$ 3.200 referente à fisioterapia e acupuntura auricular, que indica nome e numero do CREFITO do prestador, mas não indica CPF ou endereço profissional. 3.c) O terceiro recibo no valor de R$ 1.000 referese à fisioterapia e acupuntura, que indica nome e número do CREFITO do prestador, mas não indica CPF ou endereço profissional e a data de emissão aparece com rasura. A DRJ/REC entendeu que o Recorrente não comprovou as despesas médicas acima citadas, nos seguintes termos: 12.1. Assim, se os recibos apresentados atendem os requisitos previstos naquela lei, o contribuinte tem sua dívida quitada com os profissionais da área de saúde. Entretanto, para que tais pagamentos sejam utilizados para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda, os documentos apresentados à fiscalização devem atender os requisitos previstos na legislação tributária. 13. Pelos motivos acima citados e com alicerce no princípio da livre convicção do julgador na apreciação da prova, previsto no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, entendo que deve ser mantida a glosa da dedução com despesas médicas no valor total de R$31.450,00.(grifos) Em relação ao item 1a e 1b, apesar da recorrente sustentar que os recibos apresentados foram preenchidos conforme os requisitos exigidos na legislação pátria, mantenho o entendimento da DRJ/REC de forma a acatar somente um deles para fins de comprovação de despesa médica. Em relação aos demais itens, tendo em vista que tais recibos apresentam falta da indicação do CPF e endereço profissional do prestador, dois requisitos citados no art. 80 do RIR/99 como essenciais a validade do documento comprobatório e, ainda, apresentam rasuras sobre dado substancial do documento (data de emissão), capaz de macular a veracidade da afirmação de ter sido a despesa incorrida no ano calendário em análise, entendo que não devem ser considerados como documentos válidos para fins de comprovação das deduções pretendidas. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 14/10 /2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAU JO Processo nº 13149.720249/201597 Acórdão n.º 2402005.454 S2C4T2 Fl. 5 7 DA DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL Relativamente à dedução de pensão alimentícia, o art. 78 do Regulamento de Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999) esclarece que: Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4o, inciso II). § 1o A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. §2ºO valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subseqüentes. § 3o Caberá ao prestador da pensão fornecer o comprovante do pagamento à fonte pagadora, quando esta não for responsável pelo respectivo desconto. § 4o Não são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). § 5o As despesas referidas no parágrafo anterior poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração anual, a título de despesa médica (art. 80) ou despesa com educação (art. 81) (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). No caso concreto, o contribuinte pleiteou dedução a título de pensão alimentícia judicial no valor de R$ 1.506,84 e teve todo o valor glosado por falta de comprovação. Como documentação comprobatória, a recorrente, em sua impugnação, anexa decisão judicial, datada de 07 de Maio de 2013, fls. 22, na qual o Tribunal de Justiça fixa os alimentos provisórios em 60% (sessenta por cento) do salário mínimo, devidos a partir da citação. Ademais, foi definido o dia 20 de Setembro de 2013 para realização da audiência de tentativa de conciliação. A recorrente anexa, em sede de recurso voluntário, a ata de audiência realizada em 20 de Setembro de 2013 em que consta o acordo realizado: Fl. 88DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 14/10 /2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAU JO 8 Apresenta, por fim, a manifestação favorável do Ministério Público do acordo realizado em âmbito de audiência de conciliação e a sentença judicial de homologação do acordo. Considerando que o salário mínimo vigente no o ano de 2013 era de R$ 678,00, o limite mensal da dedução com pensão alimentícia seria de R$ 301,71. No entanto, não foi anexada aos autos comprovação do pagamento das parcelas a título de pensão alimentícia e, ainda, considerando que, em analise à Dirfs transmitidas pelas fontes pagadoras da recorrente, não há identificação de pagamento de pensão alimentícia entendo que deve ser mantida integralmente a glosa da dedução com pensão alimentícia pleiteada no valor de R$ 1.506,84. Neste sentido, vale citar Súmula CARF nº 98: Fl. 89DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 14/10 /2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAU JO Processo nº 13149.720249/201597 Acórdão n.º 2402005.454 S2C4T2 Fl. 6 9 A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do imposto de renda pessoa física é permitida, em face das normas de Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário, para que seja restabelecida a glosa referente as deduções médicas pagas e a pensão alimentícia por falta de comprovação de pagamento. (assinado digitalmente) Bianca Felicia Rothschild. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 14/10 /2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAU JO
score : 1.0
