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Numero do processo: 10425.720033/2010-12
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito, que convertiam o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei não cabe na esfera administrativa, ressalvadas as exceções à regra. (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 72 00 33 /2 01 0- 12 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito, que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. Relatório Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação (DComp) em que utiliza crédito decorrente de ressarcimento de Cofins apurada no regime não cumulativo, cujo saldo corresponde ao primeiro trimestre de 2005. Despacho Decisório do DRF/Campina Grande/PB indeferiu a DComp, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) a DComp referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos do PIS e da Cofins; b) os arts. 2º e 3º, da Lei nº 9.718/98, e o art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, apenas admitem como base de cálculo de supraditas contribuições a receita ou o faturamento, não autorizando a inclusão do ICMS em citada base de cálculo, pois o valor deste imposto constitui ônus fiscal – e não faturamento; c) o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto1, a qual determina que sua base de cálculo seja composta do próprio tributo, constituindo o destaque mera indicação para fins de controle; d) o faturamento “é decorrente, em essência, de um negócio jurídico, de uma operação, importando, por isso mesmo, o que é recebido por aquele que a realiza, considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviço” e que “a base de cálculo não pode extravasar, desse modo, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar”; Pugnou, ainda, que se atentasse “para o princípio da razoabilidade, pressupondose que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de Expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações” e transcreve o art. 110, do CTN. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10425.720033/201012 Acórdão n.º 3803006.155 S3TE03 Fl. 230 3 Em julgamento da lide a DRJ/Recife fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e de outras disposições legais e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS do faturamento. Buscou reforço em decisões do STJ e de tribunais regionais. Demais, mencionou a falta de anexação de provas da alegado indébito. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO. O valor incidente a título de ICMS, que compõe o preço da mercadoria, integra a base de cálculo da Cofins. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 13 de agosto de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário em 24 de agosto de 2012, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep. Destaco, inicialmente, que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade a que se limitam as decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da Fl. 231DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; Fl. 232DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10425.720033/201012 Acórdão n.º 3803006.155 S3TE03 Fl. 231 5 ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implícitamente que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/686 reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. Exemplificando: · ICMS por dentro Tenhase, por hipótese o valor de: Mercadorias em estoque = R$ 830,00 Alíquota do ICMS = 17% Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 · Se o cálculo do ICMS fosse por fora O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10425.720033/201012 Acórdão n.º 3803006.155 S3TE03 Fl. 232 7 O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal tem como sujeito passivo o vendedor. Ademais, nesta segunda fase recursal, a Recorrente nenhum elemento anexa referente às provas. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 28 de maio de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 235DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11065.001669/2007-65
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/03/2007
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA
PELO CARF, ARTS. 62 e 62-A, DO REGIMENTO INTERNO.
O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de
inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do
Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO EX OFÍCIO. REDUÇÃO DE MULTA
MORATÓRIA.PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E MORALIDADE DA
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ART. 106, II, E 112, DO CTN.
ALTERAÇÃO DO ART. 35, DA LEI N. 8.212/1991, PELA LEI N.
11.941/2009. Em razão dos princípios da legalidade e moralidade da
Administração Pública, e do disposto nos artigos 106, II, e 112, ambos do
CTN, observando que o limite máximo 20% (vinte por cento) a ser aplicado a
título de multas moratórias, conforme o art. 61, §2º, da Lei n. 9.430/1996, é
inferior à multa moratória aplicada aos valores do créditos tributários
lançados na NFLD, com base no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com redação
anterior à Lei n. 11.941/2009, o lançamento do crédito tributário deve se
adequar a multa moratória à aplicação da menor sanção, reduzindo-se a multa
moratória, ex oficio, desde que mais favorável ao contribuinte.
Numero da decisão: 2803-002.078
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), no sentido que a multa sobre os créditos constituídos seja aplicada em conformidade com o disposto no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, combinado com o art. 61, da Lei n 9.430/1996, desde que mais favorável ao sujeito passivo, não devendo ser realizada qualquer comparação conjunta com as sanções dos arts. 32-A e art. 35-A, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela MP n. 449/2008 ou pela Lei n. 11.941/2009.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO EX OFÍCIO. REDUÇÃO DE MULTA MORATÓRIA.PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E MORALIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ART. 106, II, E 112, DO CTN. ALTERAÇÃO DO ART. 35, DA LEI N. 8.212/1991, PELA LEI N. 11.941/2009. Em razão dos princípios da legalidade e moralidade da Administração Pública, e do disposto nos artigos 106, II, e 112, ambos do CTN, observando que o limite máximo 20% (vinte por cento) a ser aplicado a título de multas moratórias, conforme o art. 61, §2º, da Lei n. 9.430/1996, é inferior à multa moratória aplicada aos valores do créditos tributários lançados na NFLD, com base no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Lei n. 11.941/2009, o lançamento do crédito tributário deve se adequar a multa moratória à aplicação da menor sanção, reduzindo-se a multa moratória, ex oficio, desde que mais favorável ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), no sentido que a multa sobre os créditos constituídos seja aplicada em conformidade com o disposto no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, combinado com o art. 61, da Lei n. 9.430/1996, desde que mais favorável ao sujeito passivo, não devendo ser realizada qualquer AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 16 69 /2 00 7- 65 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 11.065.001669200765 Voluntário 11.065.001669200765 Voluntário 3ª Turma Especial 3ª Turma Especial 19 de fevereiro de 2013 19 de fevereiro de 2013 Contribuições Previdenciárias Contribuições Previdenciárias SULFAN VENTILAÇÃO LTDA SULFAN VENTILAÇÃO LTDA FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 285DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/03/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 31/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11065.001669/2007-65 Acórdão n.º 2803-002.078 S2-TE03 Fl. 286 2 comparação conjunta com as sanções dos arts. 32-A e art. 35-A, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela MP n. 449/2008 ou pela Lei n. 11.941/2009. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/03/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 31/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11065.001669/2007-65 Acórdão n.º 2803-002.078 S2-TE03 Fl. 287 3 Relatório O presente Recurso Voluntário (fls.246-272) foi interposto contra decisão da DRJ(fls. 234-240 do processo digital), que manteve o crédito tributário oriundo de contribuições previdenciárias patronais e a terceiras entidades no período entre 04.2004 a 03.2007. A ciência do auto de infração inaugural foi em 03.07.2007 (fls. 01). Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que apresentou apenas digressões sobre a ilegalidade e inconstitucionalidade das contribuições à terceiras entidades (INCRA, SESC, SENAC, SEBRAE, salário-educação), os critérios e alíquotas das contribuições ao SAT na forma disposta na lei, e aplicações da taxa SELIC. Esse é o relatório. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/03/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 31/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11065.001669/2007-65 Acórdão n.º 2803-002.078 S2-TE03 Fl. 288 4 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. Quanto às alegações ilegalidade e inconstitucionalidade das contribuições à terceiras entidades (INCRA, SESC, SENAC, SEBRAE, salário-educação), os critérios e alíquotas das contribuições ao SAT na forma disposta na lei, e aplicações da taxa SELIC, que ofenderiam dispositivos constitucionais, resta prejudicada a alegação. Isso, pois é vedado aos Conselheiros do CARF-MF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob tal argumento, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62-A do Regimento Interno do CARF-MF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II - que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado- Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62-A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {2} § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543-B. {2} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. {2}o que no caso em nada foi apresentado ou se configura nos autos. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/03/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 31/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11065.001669/2007-65 Acórdão n.º 2803-002.078 S2-TE03 Fl. 289 5 Situações essas que não foram apresentadas pela Recurente. III - Entretanto, em razão do princípio da legalidade e moralidade da Administração Pública, observa-se que os créditos tributários foram apurados por meio de inclusão nos registros cabíveis (pois os fatos geradores estavam declarados em GFIP), tanto que essas informações foram utilizadas para obter as diferenças e glosas, deve-se atentar às alterações legislativas recentes no que trata a sanções tributárias (multa moratória) dispostas no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, que foi alterado pela Medida Provisória n. 449/2008, publicada em 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, passando a ter a seguinte redação: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ou seja, há remissão expressa ao art.61, da Lei n. 9.430/2009, in verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Toda multa tributária é uma sanção, ou seja tem natureza primária punitiva, ou de penalização. Contudo, ainda assim podem ser classificadas em multa moratória, decorrente do simples atraso na satisfação da obrigação tributária principal, e multa punitiva em sentido estrito, quando decorrente de infração à obrigação instrumental cumulada ou não com a obrigações principais. Tal classificação é necessária pois, apesar de não terem natureza remuneratória, mas sancionatória, os tribunais brasileiros admitem que as multas tributárias devem ser classificadas em moratórias e punitivas (sentido estrito), em razão da existência de tratamentos diversos para cada espécie pelo próprio Código Tributário Nacional e legislação esparsas. (RESP 201000456864, HUMBERTO MARTINS, STJ - SEGUNDA TURMA, 29/04/2010; PAULSEN, Leandro. Direito tributário, constituição e código tributário à luz da Fl. 289DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/03/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 31/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11065.001669/2007-65 Acórdão n.º 2803-002.078 S2-TE03 Fl. 290 6 doutrina e da jurisprudência. 12ª Ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2010, p.1103- 1109) Assim, coloco como premissa que a diferença entre multa moratória e multa punitiva em sentido estrito. Como supra colocado, a primeira decorre do mero atraso da obrigação tributária principal, podendo sendo constituída pelo próprio contribuinte inadimplente no momento de sua apuração e pagamento. Já, a segunda espécie de multa, a punitiva em sentido estrito, demanda constituição pelos instrumentos de lançamento de ofício por parte dos agentes fiscais (art. 149, do CTN), em que se apura a infração cometida e a penalidade a ser aplicada. Inclusive a estipulação e definição da espécie de multa é dado exclusivamente pela lei, fato ressaltado em face do principio da estrita legalidade a que se regula o Direito Tributário e suas sanções (art. 97, V, do CTN). A mudança de natureza para fins de comparação no tempo, não pode ser realizada sem autorização legal, e por isso não se poderia comparar com multas punitiva em sentido estrito (referente à descumprimento de obrigação exclusivamente instrumental) com multas de natureza moratória a exemplo com a nova redação do art. 35-A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. Devido ao disposto no art. 112, IV, do CTN, a legislação tributária que define as infrações e comina suas penalidades deve ser interpretada de forma mais favorável ao contribuinte em casos de dúvidas quanto à natureza das infrações e suas penalidades. Interpretação que deve ser conjugada com a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, a e c, do CTN, de forma a reduzir ou extinguir penalidades sempre quando lei posterior estabeleça pena menos grave ou não entenda mais como infração tal conduta. Portanto, também deve ser colocado como premissa, que além de retroagir a aplicação de dispositivo legal mais favorável essa retroação também deve sempre buscar uma aplicação mais favorável ao contribuinte. Não se pode tratar a hipótese de incidência da multa moratória disposta no art. 35 como uma possível multa de ofício para comparar com a nova redação do art. 35-A, da Lei n. 8.212/1991, incluso pela Medida Provisória n. 449/2008, convertida em Lei n. 11.941/2009, nem de forma conjunta com o art. 32-A, porque a multa aplicada pela redação anterior do art. 35, somente tratava de multa de natureza moratória, variada em razão das fases (tempo) do processo. Portanto, observando que o limite do art. 61, §2º, da Lei n. 9.430/1998, é inferior à multa moratória aplicada aos valores do créditos tributários lançados na NFLD que foram declarados em GFIP, com base no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Lei n. 11.941/2009, deve a decisão a quo ser reformada no sentido de adequar a multa moratória à nova legislação, desde que mais favorável ao sujeito passivo. IV - Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso, para no mérito DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO, no sentido que a multa sobre os créditos constituídos seja aplicada em conformidade com o disposto no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, combinado com o art. 61, da Lei n. 9.430/1996, desde que mais favorável ao sujeito passivo, não devendo ser realizada qualquer comparação conjunta com as sanções dos arts. 32-A e art. 35-A, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela MP n. 449/2008 ou pela Lei n. 11.941/2009. Sala de Sessões, 19 de fevereiro de 2013. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/03/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 31/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11065.001669/2007-65 Acórdão n.º 2803-002.078 S2-TE03 Fl. 291 7 (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator Fl. 291DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/03/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 31/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10183.002539/2002-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998, 1999.
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Cabível no caso de omissão.
Numero da decisão: 1102-000.138
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para suprir a omissão e ratificar o acórdão 1202-00,028 de 12/05/2009, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Mário Sérgio Fernandes Barroso
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Numero do processo: 15983.000375/2010-19
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO SEM ADESÃO AO PAT. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. CONCESSÃO DE PLR SEM OBSERVAR A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. IMPOSSIBILIDADE.
O valor referente ao fornecimento de auxílio-alimentação aos empregados, sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho - PAT, não integra o salário-de-contribuição, conforme dispõe o Ato Declaratório PGFN nº 03/2011.
Em relação à PLR melhor sorte não socorre o contribuinte. No ponto, informa a fiscalização que a concessão do benefício se deu sem que o contribuinte observasse as disposições contidas na Lei nº 10.101/00, nomeadamente por não existir qualquer instrumento negocial avençado entre os empregados e o empregador, tampouco restou demonstrado que a verba foi paga em decorrência de regras claras e precisas previamente fixadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-002.237
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, para manter a cobrança sobre a PLR e excluir do lançamento a verba auxílio alimentação, nos termos do Ato Declaratório PGFN nº 03/2011.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO SEM ADESÃO AO PAT. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. CONCESSÃO DE PLR SEM OBSERVAR A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. IMPOSSIBILIDADE. O valor referente ao fornecimento de auxílio-alimentação aos empregados, sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho - PAT, não integra o salário-de-contribuição, conforme dispõe o Ato Declaratório PGFN nº 03/2011. Em relação à PLR melhor sorte não socorre o contribuinte. No ponto, informa a fiscalização que a concessão do benefício se deu sem que o contribuinte observasse as disposições contidas na Lei nº 10.101/00, nomeadamente por não existir qualquer instrumento negocial avençado entre os empregados e o empregador, tampouco restou demonstrado que a verba foi paga em decorrência de regras claras e precisas previamente fixadas. Recurso Voluntário Provido em Parte
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO SEM ADESÃO AO PAT. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. CONCESSÃO DE PLR SEM OBSERVAR A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O valor referente ao fornecimento de auxílioalimentação aos empregados, sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho PAT, não integra o saláriodecontribuição, conforme dispõe o Ato Declaratório PGFN nº 03/2011. 2. Em relação à PLR melhor sorte não socorre o contribuinte. No ponto, informa a fiscalização que a concessão do benefício se deu sem que o contribuinte observasse as disposições contidas na Lei nº 10.101/00, nomeadamente por não existir qualquer instrumento negocial avençado entre os empregados e o empregador, tampouco restou demonstrado que a verba foi paga em decorrência de regras claras e precisas previamente fixadas. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, para manter a cobrança sobre a PLR e excluir do lançamento a verba auxílio alimentação, nos termos do Ato Declaratório PGFN nº 03/2011. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 03 75 /2 01 0- 19 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15983.000375/201019 Acórdão n.º 2803002.237 S2TE03 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15983.000375/201019 Acórdão n.º 2803002.237 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições destinadas aos Terceiros (FNDE, INCRA, SEBRAE, SEST e SENAT) incidentes sobre remunerações de segurados empregados que lhe prestaram serviços, incidentes sobre PLR, ante a ausência de prévio acordo na forma exigida pela Lei nº 10.101/00. Não houve previsão em convenção ou acordo coletivo, tampouco em comissão escolhida pelas partes (empresa e empregados) integrada por representante indicado pelo sindicato da categoria. Também compõe o lançamento, a verba decorrente do PAT, em virtude de o contribuinte ter deixado de efetuar sua inscrição no referido programa, em total desrespeito às disposições da Lei nº 6.321/76. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 18 de janeiro de 2011 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2007 PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR (PAT). Incidem contribuições previdenciárias sobre a alimentação fornecida aos segurados empregados quando a empresa não estiver inscrita no PAT. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). Para que não seja tributada a verba paga a título de PLR, deve a empresa cumprir as determinações da Lei nº 10.101, de 2000. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A empresa foi autuada a pagar as contribuições previdenciárias previstas no artigo 22, incisos I e II, da Lei nº 8.212/91, regulamentada pelo Decreto nº 3.048/99, bem assim, as contribuições da empresa destinadas aos terceiros (Salário Educação, INCRA e Fl. 168DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15983.000375/201019 Acórdão n.º 2803002.237 S2TE03 Fl. 5 4 DPC), incidentes sobre a parcela in natura ou salário indireto alimentação e participação nos lucros e resultados. Consta no relatório do Agente Fiscal que a empresa realizou despesas com alimentação de seus empregados, sem, no entanto, estar inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) aprovado pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Assim, uma vez que o fornecimento de alimentação foi feito em desacordo com a legislação, este deve ser compreendido no conceito de remuneração, por força de lei, devendo sofrer a incidência da contribuição previdenciária. O auto de infração é arbitrário e ilegal. O Auditor Fiscal se equivocou ao arbitrar o auto de infração a título de participação em resultados ou lucros, alegando que não existem instrumentos decorrentes da negociação, com regras claras e objetivas. Com o objetivo de conferir ao recorrente a segurança e garantia para o eficaz desenvolvimento de suas atividades, imprescindível que seja procedente o presente recurso com a decretação de nulidade do presente auto de infração, uma vez que: 1. O auxílio alimentação, in natura, fornecido pela empresa aos empregados não é base imponível previdenciária, eis que o desrespeito a norma relacionase apenas a formalidades e não a aspectos materiais; 2. Que as contribuições vertidas em face da PLR, não tem natureza remuneratória o que descaracteriza a presente autuação, pelo contrário, o recorrente cumpriu o que está determinado na carta magna e na legislação pátria. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15983.000375/201019 Acórdão n.º 2803002.237 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Na parte do lançamento que diz respeito às contribuições previdenciárias relativamente aos valores pagos aos segurados empregados sobre a verba auxílioalimentação (falta de inscrição no PAT), não incide contribuições. A falta da referida inscrição no PAT, como assevera a autoridade administrativa, é motivo para transformar o benefício em saláriodecontribuição. Por seu turno, o contribuinte alega que os gastos referentes à alimentação fornecida aos seus empregados não compõem a base de cálculo do saláriodecontribuição. No ponto, está correto o contribuinte. Sobre a matéria discutida (fato gerador), concessão de auxílio alimentação sem inscrição no PAT, os membros do CARF (RICARF, art. 62, III) devem se ater às disposições contidas no Ato Declaratório PGFN nº 03/2011, in verbis: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Fl. 170DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15983.000375/201019 Acórdão n.º 2803002.237 S2TE03 Fl. 7 6 O valor referente ao fornecimento de auxílioalimentação aos empregados, sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho PAT, não integra o saláriodecontribuição, conforme dispõe o Ato Declaratório PGFN nº 03/2011. Ora, se não há incidência de contribuição previdenciária sobre o pagamento in natura de auxílioalimentação, não haverá por consequência, motivos para o contribuinte ser penalizado. De outra parte, em relação à PLR melhor sorte não socorre o contribuinte. No ponto, informa a fiscalização que a concessão do benefício se deu sem que o contribuinte observasse as disposições contidas na Lei nº 10.101/00, nomeadamente por não existir qualquer instrumento negocial avençado entre os empregados e o empregador, tampouco restou demonstrado que a verba foi paga em decorrência de regras claras e precisas previamente fixadas. De sua parte, o contribuinte alega que as contribuições vertidas em face da PLR não tem natureza remuneratória o que descaracteriza a autuação e que cumpriu o que está determinado na carta magna e na legislação pátria. Com efeito, alegar de forma desarrazoada o cumprimento do que está determinada na Carta Magna, não pode ter o alcance pretendido pelo contribuinte. A participação nos lucros ou resultados, desvinculada da remuneração, somente será possível, se paga em conformidade com aquilo que estiver definido em lei, conforme dispõe o inciso XI do art. 7º da Constituição da República. A lei de que trata a parte final do referido inciso, é a Lei nº 10.101/00, que estabelece alguns critérios de observância obrigatória, situação não respeitada pelo contribuinte quando da concessão do benefício aos seus empregados. Agindo como agiu, o contribuinte desperdiçou a oportunidade de cumprir o mandamento constitucional em relação à PLR, transformando a verba em saláriode contribuição, como corretamente lançou a autoridade administrativa incumbida da fiscalização. Portanto, considerando que o lançamento, neste ponto, foi realizado em absoluta conformidade com as regras do art. 142 do CTN c/c o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, deve ser mantido. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO. Mantenho a cobrança sobre a PLR e excluo do lançamento a verba auxílio alimentação, nos termos do Ato Declaratório PGFN nº 03/2011. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15983.000375/201019 Acórdão n.º 2803002.237 S2TE03 Fl. 8 7 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 10830.005641/2001-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000
SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS DE DIAGNÓSTICOS POR IMAGEM-MEDICINA NUCLEAR. LUCRO PRESUMIDO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE DE 8%.
No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399/BA (2009/00064810), na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde).
Numero da decisão: 9101-001.559
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
Plínio Rodrigues Lima - Relator.
EDITADO EM: 24/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonsêca de Menezes, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
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SERVIÇOS DE DIAGNÓSTICOS POR IMAGEMMEDICINA NUCLEAR. LUCRO PRESUMIDO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE DE 8%. No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399/BA (2009/00064810), na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. Plínio Rodrigues Lima Relator. EDITADO EM: 24/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonsêca de Menezes, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 56 41 /2 00 1- 21 Fl. 532DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/04/201 3 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Relatório Em auto de infração de IRPJ no valor total de R$ 738.813,14, lavrado em 27/08/2001, em face da interessada acima qualificada, entendeu o Fisco que no 1° trimestre, 2° trimestre, 3° trimestre e 4° trimestre dos anos calendários 1998, 1999 e 2000, esta aplicou indevidamente o percentual do lucro presumido de 8% em toda receita auferida na prestação de serviços médicohospitalares de diagnóstico e tratamento em medicina nuclear e afins(Fls. 63), em vez de 32%. Segundo o referido auto, a natureza dos serviços prestados pela interessada não se coaduna com a de serviço hospitalar do art. 15, §1°, III, “a”, da Lei n° 9.249/95, no qual a gama de serviços oferecidos envolvem não só atendimento médico, mas hospedagem e alimentação, entre outros, reduzindo o lucro auferido e ensejando uma tributação menor (Fls. 6 a 32). Em impugnação tempestiva(Fls. 386 a 407) argumentou a interessada, em síntese, que a Lei n° 9.249/95 não estabeleceu nenhuma condição ou restrição ao empregar o termo “serviços hospitalares” e que a Portaria n° 30 BSB, do Ministério da Saúde, formulou um conceito de hospital, sem se ater à estrutura física exigida pelo Fisco. Por meio de acórdão, em 22/03/2005, a DRJ/Campinas manteve o lançamento sob o entendimento de que “serviços hospitalares são somente aqueles prestados por estabelecimentos hospitalares, entendidos como aqueles com pelo menos 5(cinco) leitos para internação de pacientes que garantam um atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanentemente prestada por médicos, que possuam serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 hoas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observção e acompanhamento dos casos” (Fls. 412 a 425). Intimada do acórdão da DRJ em 08/07/2005, a interessada interpôs Recurso Voluntário ao Primeiro Conselho de Contribuintes em 03/08/2005, alegando resumidamente que o conceito de serviços hospitalares adotado pelo Fisco não tem suporte legal, pois o art. 15, III, “a” da Lei n° 9.249/95 estabeleceu uma regra geral no que concerne ao conceito de atividades hospitalares que são todas as atividades passíveis de serem praticadas em hospital. São as atividades que têm característica hospitalar, ou a atividade diretamente atrelada à saúde humana. A lei não estabeleceu nenhuma condição ou restrição de qualquer natureza ao empregar o termo “serviços hospitalares”(Fls. 433 a 460). Por meio do acórdão n° 10709476, em 14/08/2008, a Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes deu provimento ao Recurso Voluntário, considerando os serviços de exames de diagnóstico por imagem – Medicina Nuclear inseridos no conceito de serviços hospitalares de que trata o art. 15, III, “a” da Lei n° 9.249/95, com a aplicação do percentual de 8% sobre a receita bruta específica auferida mensalmente na sistemática de apuração do IRPJ pelo lucro presumido (Fls. 464 a 471). Cientificada da r. decisão em 03/11/2008 (Fls. 472), a Recorrente interpôs Recurso Especial em 04/11/2008 (Fls. 473 a 493), argumentando que, ao inserir a prestação de serviços de radiologia da interessada no conceito de serviços hospitalares previstos no art. 15, III, “a” da Lei n° 9.249/95, divergiu frontalmente do entendimento esposado pela 8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes no acórdão paradigma n° 10806417, o qual, ao interpretar sistematicamente o art. 15, III, “a” da Lei n° 9.249/95 e as orientações expedidas pela Fl. 533DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/04/201 3 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.005641/200121 Acórdão n.º 9101001.559 CSRFT1 Fl. 3 3 Administração Pública(Parecer COSIT n° 86/96 e Portaria n° 30 BSB do Ministério da Saúde) entendeu que os serviços de radiologia – tais como os prestados pela interessada – não se confundem com os serviços hospitalares, razão pela qual não se lhes seria aplicável o percentual reduzido de 8%. A recorrente transcreveu as ementas dos acórdãos recorrido e paradigma o inteiro teor deste e, no mérito, pugnou pela reforma do acórdão recorrido sob o fundamento de que o Superior Tribunal de Justiça, ao analisar situação análoga(Resp n° 832.906/SC, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, Primeira Seção, DJ de 27/11/2006), decidiu que os serviços prestados por clínica radiológica não se confundem com serviços hospitalares porque não se admite interpretação extensiva da legislação tributária que concede benefício fiscal, devendose aplicar o percentual de 32% sobre a receita bruta específica auferida mensalmente. O presente recurso foi admitido em 30/09/2009 (Fls. 494). Intimada em 23/06/2010 (Fls. 497), a interessada apresentou suas contra razões ao presente recurso em 08/07/2010 (Fls. 499), argumentando a inexistência de demonstração analítica da divergência fática e jurídica, e, no mérito, pugnando pela manutenção do acórdão recorrido sob o fundamento, em resumo, de que o serviço prestado pela interessada tem característica hospitalar, eis que diretamente atrelado à saúde humana, conform entendimento do STJ (Resp n° 380087/RS, Relator Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Segunda Turma, DJ de 07/06/2004) (Fls. 499 a 519). Os autos foram distribuídos por sorteio a este Conselheiro em 15/10/2012. É o relatório. Voto Conselheiro Plínio Rodrigues Lima. Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra decisão da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes que, por unanimidade, deu provimento ao Recurso Voluntário, por meio do Acórdão n° 10709476, transcrita a seguir sua ementa: “SERVIÇOS HOSPITALARES LUCRO PRESUMIDO Os serviços de exames clínicos de diagnóstico por imagem Medicina Nuclear se inserem no conceito de serviços hospitalares de que trata o art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95, sendo a sua base de cálculo do imposto, em cada mês, determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente.”. O juízo de conhecimento do presente Recurso fundamentase no disposto nos arts. 7° e 15, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, vigente à época da interposição deste Recuso Especial: Fl. 534DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/04/201 3 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Seção II Dos Órgãos Julgadores Art. 7º Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais julgar recurso especial interposto contra: I – decisão não un ânime de Câmara de Conselho de Contribuintes, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; e II – decisão que der à lei tributária interpretaçã o divergente da que lhe tenha dado outra Câmara de Conselho de Contribuintes ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. § 1º No caso do inciso I, o recurso é privativo do Procurador da Fazenda Nacional; no caso do inciso II, sua interposição é facultada também ao sujeito passivo. § 2º Para o efeito da aplicaçã o do inciso II deste artigo, entendese como outra Câmara as que integram a atual estrutura dos Conselhos de Contribuintes ou as que vierem a integrála. (...) Seção Do Recurso Especial Art. 15. O recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional ou do sujeito passivo, deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Câmara que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. § 1º Na hipótese de que trata o inciso I do art. 7º deste Regimento, o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a contrariedade à lei ou à evidência da prova e, havendo matérias autônomas, o recurso especial alcançará apenas a parte da decisão não unânime contrária à Fazenda Nacional. § 2º Na hipótese de que trata o inciso II do art. 7º deste Regimento, o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a divergência argüida, indicando a decisão divergente e comprovandoa mediante a apresentação de cópia de seu inteiro teor ou de cópia da publicação em que tenha sido divulgada, ou mediante cópia de publicação de até duas ementas, cujos acórdãos serão examinados pelo Presidente da Câmara recorrida. § 3º A cópia de publicação de ementa referida no § 2º, quando extraída da internet, deverá ser impressa diretamente da página dos Conselhos de Contribuintes ou da Imprensa Nacional. § 4º O recurso especial deverá ser protocolizado na unidade da administração tributária de jurisdição do sujeito passivo, quando por este interposto, e na secretaria da Câmara quando interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional credenciado. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/04/201 3 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.005641/200121 Acórdão n.º 9101001.559 CSRFT1 Fl. 4 5 (...) O presente recurso é tempestivo como se pode observar nos autos às fls. 472 e 473. Quanto à divergência, fazse necessária a sua demonstração fundamentada e comprovada, ou seja, a recorrente deve demonstrar que em situações fáticas semelhantes, o acórdão recorrido e o paradigma chegam a conclusões distintas. A Recorrente comprovou a divergência entre o acórdão rcorrido, com a transcrição do acórdão paradigma (Fls. ) e da ementa a seguir transcrita : (Fls.476) IRPJ/ LUCRO PRESUMIDO/ PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE RADIOLOGIA — As unidades de radiologia são prestadoras de serviços médicos especializados, que não se enquadram no conceito de prestadoras de serviços hospitalares, mesmo quando os serviços são executados dentro do ambiente físico de hospitàl, casa de saúde, prontosocorro. Para efeito de apuração do lucro presumido deve ser aplicado o coeficiente de presunção destinado às atividades cuja receita remunere essencialmente o exercício pessoal dos sócios de profissões que dependam de habilitação profissional legalmente exigida. Recurso negado. (d. n.) Para demonstrar a divergência, a Recorrente cita trechos do referido acórdão que refutam os argumentos do acórdão recorrido(Fls. 477): A radiologia é um ramo da medicina especializada, regulamentada pelo Ministério da Saúde Secretaria da Vigilância Sanitária, através da Portaria 453,de 01 de junho de 1998, que dispõe no seu capítulo 3, itens 3.32 a 3.34, que para administrar radiações ionizadas em seres humanos é necessário que o indivíduo seja médico ou um técnico do griupo profissional de saúde treinado, com certificação de qualific. ação para a prática, e esteja sob a supervisão de um médico. Somente pode responder pela função de responsável técnico, o médico com certificado de qualificação para a prática, emitido por órgão de reconhecida competência ou colegiados profissionais, cujo sistema de certificação avalie também o conhecimento necessário em física de radiodiagnóstico, incluindo proteção radiológica, e esteja homologado no Ministério da Saúde para tal fim. Verificase que por se encaixar no conceito de empresa prestadora de serviços de profissões legalmente regulamentada, não poderia a recorrente se utilizar dos percentuais aplicáveis às empresa prestadora de serviços gerais. A orientação contida no Parecer CST n°08/96, combinada co ,o textotranscrito da Portaria n°30 BSB do Ministério da Saúde, de 11/02/77, nos leva a concluir que a recorrente se enquadra no conceito de empresa prestadora de serviços de profissões que dependam de habilitação profissional legalmente exigida, que não se confunde com I as prestadoras de serviços em geral dou serviços hospitalares. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/04/201 3 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 De notar que a partir de 1996, com o advento da Lei n° 9.249/95 o percentual de presunção aplicável às prestadoras de serviços em geral e de serviços médicos passou a ser único 32% (trinta e dois por cento). (d. n.) Tenho por cumpridos os requisitos regimentais para admissibilidade do presente recurso, eis que para situações fáticas semelhantes, interpretação do conceito de serviços hospitalares para fins tributários, chegase a conclusões distintas paraa aplicação do coeficiente sobre a receita bruta auferida, 8% segundo o acórdão recorrido e 32% segundo o paradigma. Portanto conheço do Recurso Especial. Quanto ao mérito, a discussão gravita em torno do percentual aplicado na apuração do lucro presumido às sociedades prestadoras de serviços médicos na área de medicina nuclear nos anos calendários de 1998, 1999 e 2000, dependendo do conceito de serviços hospitalares. Sobre a legislação aplicável ao assunto, diz a Lei n° 9.249/95, em sua redação original: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Com o advento da Lei n° 7.277/2008, não restam dúvidas, que, a partir de janeiro de 2009, os serviços prestados pela interessada enquadramse no conceito de serviços hospitalares, desde que cumpridos os requisitos a seguir dispostos: Art. 29. A alínea a do inciso III do § 1o do art. 15 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 15. ... § 1o ... III – ... a)prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa;” (...) Fl. 537DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/04/201 3 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.005641/200121 Acórdão n.º 9101001.559 CSRFT1 Fl. 5 7 Art. 41. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos em relação: VI – aos arts. 22, 23, 29 e 31, a partir do primeiro dia do ano seguinte ao da publicação desta Lei. Antes da vigência da Lei n° 7.727/2008, em caso semelhante, a 1ª Turma da CSRF, entendera que serviços médicos e ambulatoriais enquadramse na categoria de serviços gerais em acórdão assim ementado: “IRPJ – LUCRO PRESUMIDO PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS – Comprovado nos autos que a atividade exercida pelo sujeito passivo é de serviços médicos e ambulatoriais e não como serviços hospitalares, fica sujeito ao coeficiente de 32% para apuração da base de cálculo do imposto de renda, estabelecido no título " prestação serviços em geral". Dado provimento ao Recurso de ofício” (Acórdão n° 0106.087, de 11/11/2008) Porém, em 28/10/2009, o Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial n° 1.116.399 – BA, relator Ministro Benedito Gonçalves, proferiu decisão na mesma linha de racicocínio da decisão do acórdão ora recorrido: ”DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poder se restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei Fl. 538DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/04/201 3 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação deserviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido.” Referido julgado enquadrouse na sistemática dos recursos especiais repetitivos a que se refere o art. 543 – C do Código de Processo Civil(CPC). Devese, em decorrência, aplicar a Portaria MF n° 586, de 22 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com a seguinte redação: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Portanto, devemse considerar os serviços específicos prestados pela interessada como enquadrados no conceito de serviços hospitalares, cuja receita bruta auferida recebe o percentual de 8% na apuração do IRPJ pelo lucro presumido. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/04/201 3 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.005641/200121 Acórdão n.º 9101001.559 CSRFT1 Fl. 6 9 Com essas razões VOTO pelo não provimento do recurso. Plínio Rodrigues Lima Relator Fl. 540DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/04/201 3 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10880.976929/2009-43
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/10/2004
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO.
Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, e, não havendo análise, pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado e compensação objeto do PER/DCOMP, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado.
Numero da decisão: 1802-001.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, e, não havendo análise, pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado e compensação objeto do PER/DCOMP, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 69 29 /2 00 9- 43 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.976929/200943 Acórdão n.º 1802001.624 S1TE02 Fl. 37 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte. Inicialmente a interessada transmitiu o PER/DCOMP eletrônico n° 06127.59293.291105.1.3.044569, visando utilizar direito creditório fundado em indébito de IRPJ, código 2362, recolhido em em 31/10/2004, no valor de R$ 1.542.528,47. A DERAT/DIORT/EQPIR/SPO emitiu Despacho Decisório (fl. 4), onde não homologou a compensação, argumentando que: “Limite do crédito apagamento discriminado como indébito foi integralmente utilizado para quitação denalisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 74.875,00. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.” Irresignada, a contribuinte apresentou sua Manifestação de Inconformidade onde alegou que: apura e recolhe o IRPJ e a CSLL com base no lucro real. No anocalendário de 2005, apurou crédito tributário de IRPJ e CSLL, a titulo de estimativa mensal, em virtude do pagamento a maior; efetuou, no próprio anocalendário de 2005, a compensação deste montante com débitos de outros tributos/contribuições administrados pela então Secretaria da Receita Federal; a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São PauloSP, por sua vez, não homologou tal compensação, sob o fundamento, basicamente, da impossibilidade de compensações de pagamentos indevidos ou a maior de IRPJ e CSLL a titulo de estimativa mensal, durante o próprio anocalendário, com fundamento no artigo 10, da IN SRF nº 600/05; Fl. 184DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.976929/200943 Acórdão n.º 1802001.624 S1TE02 Fl. 38 3 em decorrência da compensação não homologada, os tributos não pagos estão sendo objeto de cobrança, baseado no citado despacho decisório que merece ser reformado, a compensação homologada e a cobrança cancelada; requer como preliminar a conexão do presente processo e competente Manifestação com os Processos Administrativos nº 10880.978724/200901, 10880.976930/200978 e 10880.976931/200912, por tratarem exatamente da mesma matéria; no mérito pugna pela ofensa ao Princípio da Legalidade e ao CTN art. 170, e Lei nº 9.430/96 art. 74; retroatividade da legislação mais benéfica (CTN, art. 106). A DRJ de São Paulo (SP) julgou improcedente a manifetação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/10/2004 Ementa: ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO INDEVIDO. UTILIZAÇÃO. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuar pagamento indevido ou a maior a titulo de estimativa mensal somente poderá utilizar o valor pago na dedução do tributo devido ao final do período de apuração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 04/01/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 02/02/2011 onde traz suas argumentações e ao fim requer que o acórdão seja reformado de tal forma a ser homologada a totalidade dos pedidos de restituição/compensação efetuados pela recorrente. Este é o Relatório. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.976929/200943 Acórdão n.º 1802001.624 S1TE02 Fl. 39 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O presente recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. De início esclareço que os Processos Administrativos nºs 10880.976931/200912 e 10880.976930/200978 foram distribuídos conjuntamente e encontramse sob julgamento nesta mesma sessão de 09/04/2013. O presente processo tem origem no PER/DCOMP n.° 06127.59293.291105.1.3.04 4569, com objetivo de ver reconhecida a compensação de crédito decorrente de pagamento indevido e/ou a maior de IRPJ (código 2362), no valor original de no valor de R$ 1.542.528,47, com débito de estimativa de mesma natureza, referente ao periodo de outubro/2004. Sobre a análise do PER/DCOMP pela autoridade administrativa originária da Derat/São Paulo/SP, consta que: “Limite do crédito apagamento discriminado como indébito foi integralmente utilizado para quitação denalisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 74.875,00. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. (...) Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. O referido decisório está arrimado no artigo 10 da Instrução Normativa SRFn° 460, de 2004, abaixo transcrito: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa Fl. 186DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.976929/200943 Acórdão n.º 1802001.624 S1TE02 Fl. 40 5 jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Pelos mesmos fundamentos expendidos no Despacho Decisório acima mencionado, é a decisão de primeira instância proferida no Acórdão nº 1627.806, de 17 de novembro de 2010, ou seja, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade da pessoa jurídica com escora também no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005. Desse modo concluiu que, somente o saldo negativo do IRPJ apurado no encerramento do anocalendário constitui valor passível de restituição/compensação, não sendo cabível, portanto, a solicitação decorrente de eventuais valores relativos a recolhimentos efetuados por estimativa no decorrer do anocalendário. Sobre os mencionados atos normativos a Recorrente alega que nos termos do artigo 106 do Código Tributário Nacional, deve ser admitida a retroatividade benéfica da revogação da Instrução Normativa SRF n° 600/05, pelo artigo 100 da Instrução Normativa RFB n° 900/08 que, inclusive, não mais veda a compensação de créditos relativos a pagamentos de IRPJ e CSLL por estimativa, conforme previsto em seu artigo 11. De fato a restrição contida no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005 não mais se repete na IN SRF nº 900/2008 e alterações posteriores. Com efeito, ressalvadas as situações do parágrafo 3º (créditos não compensáveis) do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que disciplina a matéria relativa à compensação no âmbito federal, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos vencidos ou vincendos próprios do contribuinte, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração do mencionado órgão administrativo, vejamos: “Artigo 74 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. (...) § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 187DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.976929/200943 Acórdão n.º 1802001.624 S1TE02 Fl. 41 6 II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV os créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) VIIos débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) VIIIos débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 1988; e (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) IXos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL apurados na forma do art. 2o. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Como visto os fundamentos para o indeferimento do PER/DCOMP, tanto pela DRF quanto pela DRJ, por si só, não encontram amparo na norma legal que rege a matéria. A questão é saber se de fato resta caracterizado o indébito do pagamento de estimativa, comprovado mediante escrituração contábil e fiscal, para que se possa aferir a Fl. 188DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.976929/200943 Acórdão n.º 1802001.624 S1TE02 Fl. 42 7 certeza e liquidez do crédito tributário como dispõe o artigo 170 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário NacionalCTN). Não constando dos autos a DIPJ/2005 e DCTF(s), tampouco os Balancetes de Suspensão/Redução do anocalendário de 2004 para se verificar se o pagamento efetuado de CSLL à titulo de estimativa mensal, relativo ao período de apuração de 30/09/2004 é maior que o devido e acumulado até 30/09/2004, e ainda se, o requerente não compôs o alegado pagamento indevido de estimativa no ajuste anual da IRPJ/2004 e não compensado com outros débitos, tornase inviável, nessa fase processual, a análise quanto ao crédito alegado e conseqüente compensação pleiteada. Porém, a motivação para o indeferimento do pleito tanto pela autoridade administrativa da Derat/São Paulo/SP quanto pela Delegacia de Julgamento restringese ao teor da IN SRF no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004, e como visto extrapolam o conteúdo da Lei nº 9.430/96. Assim, não havendo análise quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado objeto do PER/DCOMP e, afastado o óbice escorado apenas no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005, que serviu de fundamento para a não homologação da compensação pleiteada, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar ou não o direito creditório alegado. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para que sejam devolvidos os autos à DRF de origem (Derat/São Paulo/SP) para análise do PERDCOMP em comento e proferido outro despacho decisório que deverá ser cientificado ao interessado para sua manifestação se for o caso. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 189DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 15540.000575/2009-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 30/12/2004 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA RECONHECIDA. PARTE DO DÉBITO. CONTRATO ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. AUSÊNCIA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DA RELAÇÃO DE EMPREGO. POSSIBILIDADE LEGAL DE DESCONSIDERAÇÃO DO VÍNCULO PACTUADO. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso aplica-se a regra do artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente. Não se pode olvidar que a legislação autoriza a desconsideração de negócios jurídicos, o que pode levar a caracterização de relações empregatícias. O lançamento fiscal decorrente de caracterização de prestador de serviço como empregado da tomadora não pode prescindir, todavia, da comprovação cabal da ocorrência dos elementos fático-jurídicos caracterizadores da relação de emprego. Da análise do relatório fiscal fica claro que, de fato, a autoridade que lavrou o lançamento deixou fazer a caracterização e a prova da condição de segurados empregados da recorrente, o que acarreta na insustentabilidade da exação. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-002.403
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator designado. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao Recurso. Redator designado: Damião Cordeiro de Moraes Marcelo Oliveira - Presidente.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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DECADÊNCIA RECONHECIDA. PARTE DO DÉBITO. CONTRATO ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. AUSÊNCIA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DA RELAÇÃO DE EMPREGO. POSSIBILIDADE LEGAL DE DESCONSIDERAÇÃO DO VÍNCULO PACTUADO. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso aplicase a regra do artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente. Não se pode olvidar que a legislação autoriza a desconsideração de negócios jurídicos, o que pode levar a caracterização de relações empregatícias. O lançamento fiscal decorrente de caracterização de prestador de serviço como empregado da tomadora não pode prescindir, todavia, da comprovação cabal da ocorrência dos elementos fáticojurídicos caracterizadores da relação de emprego. Da análise do relatório fiscal fica claro que, de fato, a autoridade que lavrou o lançamento deixou fazer a caracterização e a prova da condição de segurados empregados da recorrente, o que acarreta na insustentabilidade da exação. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator designado. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao Recurso. Redator designado: Damião Cordeiro de Moraes Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Damião Cordeiro De Moraes Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 15540.000575/200939 Acórdão n.º 230102.403 S2C3T1 Fl. 189 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos empregados. Conforme o Relatório Fiscal (fls.16), o fato gerador das contribuições apuradas ocorreu com a prestação de serviços, à notificada, de sócios de empresas prestadoras, considerados segurados empregados da K2 pela fiscalização por ter sido constatada a presença dos requisitos caracterizadores da relação de emprego. O agente notificante informa que a K2, que durante o ano fiscalizado não possuía empregados, tem como objeto a prestação de serviços de informática, consultoria, assessoria,planejamento, representação e desenvolvimento de softwares e celebra, com empresas do mesmo ramo, contratos de prestação de serviços cujas cláusulas são as mesmas. Em seguida, expõe os motivos pelos quais entende que os sócios administradores das empresas listadas atendem aos pressupostos necessários à caracterização de segurados empregados da recorrente. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1231.883, da 14a Turma da DRJ/RJ1, (fls. 101), julgou o lançamento procedente em parte, aplicando, por maioria, a regra decadencial prevista no art. 150, § 4o, do CTN, excluindo, do débito, os valores lançados até a competência 09/2004, inclusive. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 132 ), alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, defende a aplicação da regra decadencial contida no art. 173, I, do CTN e observa que andou bem a administração fazendária quando exonerou a Recorrente do pagamento das contribuições previdenciárias, no período de janeiro a setembro de 2004. Reitera que a autuação impugnada apresentou uma série de números, nomes e valores que se tornam absolutamente incompreensíveis e, em conseqüência, indefensáveis, sem um esclarecimento pormenorizado sobre sua origem, ou, mais precisamente, seu fato gerador que deveria constar, por óbvio, do Relatório Fiscal. Sustenta que, da maneira como foi lavrada a autuação, a recorrente ficou impedida de produzir sua contestação, o que, por óbvias razões, implica no cerceamento do seu direito constitucional de defesa. Defende que não podia o apressado auditorfiscal ter deslanchado a autuação, incabível sob todos os aspectos, sem fazer uma completa e pormenorizada descrição da suposta infração cometida, individualizando as obrigações legais que não teriam sido cumpridas pela Recorrente, para esclarecer, inclusive, como pôde comprovar que as pessoas indicadas em Fl. 202DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 relatório apresentado poderiam ser considerados "sócios administradores" do rol de empresas também listadas, em outro documento por ele elaborado. Discorre sobre a atividade desenvolvida por empresas da área de computação, informando que, em determinadas ocasiões, a recorrente se vê na contingência de utilizar serviços de empresas especializadas no segmento da informática para elaboração e adaptação de programas especiais, ampliação de sistemas, instalação de programas e controles de segurança, integração de hardware e software, além de consultoria nessa área, para se tornar competitiva no mercado. Entende que restou assentado na jurisprudência, tanto do TRF quanto do antigo CRPS, que os órgãos de fiscalização previdenciária não têm competência para decidir quais as hipóteses em que se materializa ou não a relação de emprego e que, enquanto o Judiciário Trabalhista não decidir que existe relação de emprego entre a Recorrente e os supostos "sócios administradores" das empresas que esporadicamente lhe prestam serviços, que não se sabe quais e quem são, não pode a fiscalização previdenciária pretender exigir o pagamento de qualquer contribuição com base nessa eventual prestação de serviços. Assevera que, obviamente, não pode ser considerado empregado aquele que, a qualquer tempo e a livre exclusivo critério da Recorrente, pode ser substituído por outros especialistas da empresa contratada, como ocorreu inúmeras e reiteradas vezes, sendo que , a maior prova da impessoalidade da relação contratual estabelecida fica patente com a possibilidade da substituição do empregado da empresa contratada pela Recorrente, inexistindo, pois, qualquer ligação pessoal no vinculo contratual estabelecido. Argumenta que também não há como se vislumbrar a existência da alegada relação de emprego quando a própria autuação sequer consegue indicar ou mesmo dar o nome de quem seria o suposto empregado da Recorrente. Traz posições do STJ e do TRF a respeito do tema e conclui que, para exercitar e satisfazer sua sanha arrecadadora, precisava o Recorrido e a própria autoridade revisora, antes de tudo, por razões de bom senso, pelo menos informar quem são sócios administradores de empresas por ela contratadas, cujos nomes não são conhecidos nem tampouco enumerados pela própria malsinada ação fiscal. É o relatório. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 15540.000575/200939 Acórdão n.º 230102.403 S2C3T1 Fl. 190 5 Voto Vencido Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora Preliminarmente, a autuada defende a aplicação da regra decadencial contida no art. 173, I, do CTN e observa que andou bem a administração fazendária quando exonerou a Recorrente do pagamento das contribuições previdenciárias, no período de janeiro a setembro de 2004. Cumpre observar, porém, que pela regra prevista no dispositivo legal citado pela autuada em seu recurso, o débito não estaria decadente. Porém, em que pese esta Conselheira concordar com o relator do voto vencido e com a recorrente, de que caberia, ao caso, a aplicação do 173, I, a primeira instância administrativa decidiu, por maioria, aplicar a regra decadencial prevista no art. 150, § 4o, do CTN, excluindo, do débito, os valores lançados até a competência 09/2004, inclusive. Como não houve recurso de ofício, entendo que prevalece a decisão de primeira instância que, apesar de não ter sido coincidente com o pedido feito pela autuada em sua defesa, foi mais favorável ao contribuinte, que acatou o acórdão em relação à decadência, concluindo que “andou bem a administração fazendária quando exonerou a Recorrente do pagamento das contribuições previdenciárias, no período de janeiro a setembro de 2004”. Nesse sentido, mantémse a decisão recorrida, em relação à decadência. Ainda em preliminar, a recorrente alega que o AI apresentou números, nomes e valores incompreensíveis e, em conseqüência, indefensáveis, sem um esclarecimento pormenorizado sobre sua origem ou seu fato gerador, que deveria constar do Relatório Fiscal e que, da maneira como foi lavrada a autuação, a recorrente ficou impedida de produzir sua contestação, o que, por óbvias razões, implica no cerceamento do seu direito constitucional de defesa. Contudo, verificase que a autoridade autuante deixou muito claro, no Relatório Fiscal, que o crédito lançado se refere à contribuição devida pelos segurados que prestaram serviços à recorrente por intermédio de outras empresas, mas que, na realidade, eram empregados da empresa autuada. A fiscalização expôs, com muita clareza, os motivos pelos quais entendeu que não houve uma mera prestação de serviços entre pessoas jurídicas, mas sim um verdadeiro vínculo empregatício, uma relação entre empregador e empregado, além de apontar os elementos caracterizadores da relação de emprego presentes nos serviços prestados, à recorrente, pelas pessoas físicas sócias das diversas empresas prestadoras. Portanto, constatase que a autoridade lançadora identificou, de forma clara e precisa, as bases de cálculo da contribuição previdenciária, apontando os dispositivos legais e normativos que disciplinam o lançamento. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 E como não é facultado ao agente fiscal deixar de cumprir a lei, ao constatar a ocorrência do fato gerador, lançou corretamente o presente débito, discriminando clara e precisamente os dispositivos legais aplicáveis ao caso, já que o relatório FLD Fundamentos Legais do Débito, relaciona a legislação que fundamenta as contribuições que constituem o presente lançamento, além do dispositivo legal que confere a competência para fiscalizar e atuar. Observase, ainda, que a NFLD atendeu o estabelecido pelo Decreto 70.235/72. Dessa forma, o auditor autuante constituiu o crédito tributário por intermédio do presente AI, em observância ao disposto no art. 37, da Lei 8.212/91: Art.37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Nesse sentido, reiterase, ao contrário do que afirma a recorrente, o AI foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem o Auto, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura do AI e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Assim, não procede o entendimento de que o auditor fiscal não podia ter lavrado a autuação sem fazer uma completa e pormenorizada descrição da suposta infração cometida, pois, ao contrário do que afirma a recorrente, houve, sim, a individualizando das obrigações legais que não foram cumpridas. Portanto, não há que se falar em nulidade do AI, motivo pelo qual rejeito a preliminar suscitada. A recorrente entende que a competência para declarar vínculo empregatício é da Justiça do Trabalho Contudo, restou comprovada, nos autos, a ocorrência de todos os requisitos necessários para a caracterização da relação de emprego , exigidos pelo art. 12, I, "a" da Lei n. º 8.212/91 c/c art. 9. º, I, "a", do RPS, aprovado pelo Decreto n. º 3.048/99, quais sejam, a não eventualidade (habitualidade), a remuneração e a subordinação. Aplicase portanto, ao caso, o artigo 9º, da Consolidação das Leis do Trabalho, que considera nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos nela contidos E como o parágrafo 2. º do art. 229 do Decreto 3.048/99, permite ao Auditor Fiscal desconsiderar o vínculo pactuado, a Auditoria, ao verificar a ocorrência dos requisitos da Fl. 205DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 15540.000575/200939 Acórdão n.º 230102.403 S2C3T1 Fl. 191 7 relação de emprego, agiu em conformidade com ditames legais e enquadrou corretamente os trabalhadores como empregados da autuada para efeitos da legislação previdenciária. Esse enquadramento será automático sempre que estiverem presentes, na prestação do serviço, os pressupostos da relação de emprego, quais sejam, a remuneração, a habitualidade e a subordinação, porque a lei assim determina, mesmo que no contrato formalizado entre as partes esteja definido de forma diversa, pois a relação de emprego não é aferida pelos elementos formais do ajuste, mas do conteúdo emergente de sua execução. Dessa forma, ao contrário do que entende a recorrente, desde que presentes os requisitos do art. 12, I, "a", da Lei n. º 8.212/91, pode sim o Auditor Fiscal desconsiderar a contratação do segurado por meio de empresas terceirizadas para considerálo como empregado da contratante, exclusivamente para fins de recolhimento da contribuição previdenciária, pois houve a ocorrência do fato gerador. Nesse sentido e por tudo que foi exposto no Relatório Fiscal, entendo que restou comprovada, nos autos, a relação de emprego entre a K2 CONSULTORIA EM INFORMÁTICA LTDA e as pessoas físicas que lhes prestaram serviços por intermédio das empresas contratadas. Os julgados trazidos pela recorrente apenas reforçam a competência da auditoria fiscal de, constatada a presença dos elementos caracterizadores da relação de emprego, desconsiderar o vínculo pactuado. Ademais, conforme esclarecido pelo agente lançador, as atividades desenvolvidas pelas empresas terceirizadas, por meio de seus sócios caracterizados como segurados empregados da autuada, estão relacionadas à área de informática, que também é a matéria de competência da empresa recorrente, conforme suas finalidades estatutárias. E diante da existência de uma posição jurisprudencial de que é vedada a terceirização da atividade fim da empresa, não há como vislumbrar que as atividades de informática, consultoria, assessoria, planejamento, representação e desenvolvimento de softwares sejam exercidas por terceiros sem vínculo com a K2 Informática. Vale ressaltar que a matéria aqui tratada já foi objeto do Parecer da Consultoria Jurídica da Previdência Social, nº 1.544/98, cujos trechos transcrevo a seguir: 16. No tocante às NFLD referentes à incidência de contribuição social cujos fatos geradores são o pagamento aos autônomos, qualificados como empregados, colacionase o entendimento já exposado nos precedentes supramencionados desta Consultoria. 17. A Diretoria de Arrecadação e Fiscalização DAF, por intermédio de relatórios fiscais anexos às NFLD em epígrafe afirmara: (...) verificase que na prestação desses serviços há pessoalidade, subordinação, cumprimento de horário de trabalho e remuneração, caracterizando, assim, de forma inconteste, o vínculo empregatício e a conseqüente condição de segurados empregados, conforme Art. 3º da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), Art. 12, inciso I, alíneas a e b, da Lei nº 8.212, de 24.07.91 e Art. 10, inciso I, alínea a, do Decreto nº Fl. 206DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 612, de 21.07.92, conforme, já dissemos anteriormente, análise das folhas de pagamento e que não houve desconto da parte de segurados; (...) 20. ...Verificase no Relatório Fiscal a existência dos requisitos caracterizadores do vínculo empregatício. Tratase, pois, de embuste para burlar a legislação trabalhista e para o não recolhimento das contribuições devidas. Aplicase portanto, o artigo 9º, da Consolidação das Leis do Trabalho, que considera nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos nela contidos. (...) 26. De tal princípio decorre que mesmo sendo nulo o ato de contratação de autônomos, houve a ocorrência do fato gerador da contribuição social para a seguridade social a cargo das empresas incidentes sobre a folha de salários, bem como a cargo dos trabalhadores. 27. Para o direito Tributário, havendo a ocorrência do fato gerador, temse nascida a obrigação tributária. Destarte, ocorrido o recebimento da remuneração, o contribuinte deve recolher o referido encargo previdenciário. 28.... Todavia, é possível que a fiscalização não reconheça como válido o ato de contratação de autônomos. Assim, como houve remuneração paga ao trabalhador contratado, ocorrera o fato gerador da contribuição social para a seguridade social incidente sobre a folha de salários, nos termos do artigo 195, inciso I, da Constituição da República. (...) 32. As contribuições sociais são uma das cinco espécies tributárias e estão delineadas no artigo 149 da Constituição da República. Dentre outras subespécies dessa exação existe a Contribuição Social para financiamento da Seguridade Social prevista também no artigo 195 do Permissivo Constitucional. Essas contribuições por seu turno, subdividemse em cinco previstas constitucionalmente, dentre as quais estão aquela a cargo dos empregadores incidente sobre a folha de salários. (...) 35. Fazse necessário primeiro a demonstração do vínculo laboral para que se possa considerar a remuneração da mãode obra como fato gerador do tributo ora em comenta. Assim, caracterizado o vínculo empregatício é consequência pura a identificação do fato gerador. O relatório fiscal anexo à NFLD é na verdade um silogismo em que a descaracterização dos ditos cooperados representa a premissa menor. O silogismo pode ser apresentado da seguinte maneira: (...) Fl. 207DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 15540.000575/200939 Acórdão n.º 230102.403 S2C3T1 Fl. 192 9 39. Portanto, não é a caracterização do dito cooperado como segurado especial que autoriza a constituição do crédito tributário, mas sim a constatação por parte do INSS de tais pessoas que desempenham o trabalho de forma subordinada. Diante dessa realidade, como já dito, com base no princípio da primazia da realidade que norteia as relações trabalhistas é que se identifica a hipótese constitucional da incidência da norma ao fato para fins de nascimento da obrigação tributária principal. Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa em caráter nãoeventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; (grifos editados). A fiscalização constatou que a empresa autuada não possuía empregados à época da ocorrência do fato gerador, o que não foi negado pela recorrente em sua peça recursal, e que a prestação de serviços era feita de forma continuada, não esporádica, com subordinação e pagamento mensal de remuneração, sendo que as atividades realizadas por tais profissionais constituemse em necessidade permanente da recorrente. No Acórdão combatido, a autoridade julgadora informou que as notas fiscais emitidas pelas prestadoras eram seqüenciais, o que demonstra exclusividade na prestação de serviços. Com relação ao argumento de que inexistiu a pessoalidade, já que havia a possibilidade de substituição do funcionário, cumpre esclarecer que, conforme muito bem observado pelo Relator do Acórdão guerreado, os funcionários não poderiam ser substituídos, já que os serviços eram prestados pelos próprios sócios das empresas prestadoras e não havia outros profissionais que pudessem substituílos. Algumas cláusulas do contrato de prestação de serviços juntado aos autos pela própria recorrente reforçam a convicção de que as pessoas físicas que lhe prestaram serviços por meio de empresa interposta eram, na realidade, empregadas da empresa autuada. A cláusula 3.1 (fls. 101) estabelece que a K2 seria a responsável pelas despesas de deslocamento aéreo ou terrestre, alimentação e hospedagem dos profissionais indicados pela contratada, e a cláusula 6.1 (fls. 102), deixa claro que os profissionais contratados prestariam serviços de acordo com as especificações e prazos que lhes fossem entregues pela K2 ou à sua direção. A cláusula 9.4 (fls. 103), traz o compromisso de a contratada não disponibilizar, durante a vigência do contrato, os profissionais envolvidos nos projetos da K2 para prestar serviços de igual natureza para quaisquer competidores no mercado brasileiro. Por todo o exposto, entendo que restou clara a existência dos elementos caracterizadores da relação de emprego entre a K2 e as pessoas físicas que lhe prestaram serviços por intermédio de empresas contratadas, e das quais eram as sócias administradoras. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 E, de acordo com o art. 118, inciso I do CTN, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Assim, em respeito ao Princípio da Verdade Material e pelo poderdever de buscar o ato efetivamente praticado pelas partes, a Administração, ao verificar a ocorrência de simulação, pode superar o negócio jurídico simulado para aplicar a lei tributária aos verdadeiros participantes do negócio. Vale ressaltar, ainda, que a desconsideração da personalidade jurídica não é ato privativo do Poder Judiciário. Esse é o entendimento fixado na jurisprudência deste Conselho de Contribuintes e de nossos tribunais, conforme julgados cujos trechos transcrevo abaixo: TRF 1ª Região Apelação Cível 94.01.136211/MG DJ 12/04/2002 “Salientase ainda que é desnecessária qualquer declaração judicial prévia para anular os atos jurídicos entre as partes, já que seus reflexos tributários existem independentemente da validade jurídica dos atos praticados pelos contribuintes, nos termos do artigo 118, I, do Código Tributário Nacional. Ademais, a questão central dos autos cingese à repercussão para os efeitos tributários do ato simulado, ou seja, de sua ineficácia para fins de dedução de tais prejuízos. Uma vez comprovada que o sujeito passivo agiu com dolo, fraude ou simulação, como de fato o foi no caso em tela, a autoridade administrativa tem plenos poderes para efetuar a glosa da dedução de imposto ilegitimamente realizada pela Autora, nos termos do art. 149, inciso VII, do CTN...” TRF 4ª Região Apelação Em Mandado De Segurança nº 2003.04.01.0581274 – Data da Decisão: 31/08/2005 PROCESSUAL CIVIL. JULGAMENTO ULTRA PETITA. TRIBUTÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. IMPOSTO DE RENDA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. (...) 3. A proposição de invalidade do procedimento fiscal não merece guarida, pois os elementos coligidos aos autos dão conta de que o Fisco procedeu à investigação e à fiscalização dentro dos limites da lei, não ocorrendo qualquer excesso violador de direito individual, garantindose à impetrante a ampla defesa e o contraditório, tanto na via administrativa, quanto na judicial. 4. Restando provados, à saciedade, os fatos que embasaram o lançamento tributário, bem como o dolo, a fraude e a simulação, é desnecessária a utilização da teoria da desconsideração da personalidade jurídica da empresa, aplicandose o art. 149, VII, do CTN. Acórdão 10708247– Sétima Câmara – 12/09/2005 Fl. 209DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 15540.000575/200939 Acórdão n.º 230102.403 S2C3T1 Fl. 193 11 IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA – OMISSÃO DE RECEITA – INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS – SIMULAÇÃO. Comprovado pela Fiscalização que a Recorrente utilizouse de terceiro para omitir receita, fato este que não foi descaracterizado em qualquer momento por aquela, é de ser mantido o Lançamento de Ofício. IRPJ – SIMULAÇÃO – MULTA AGRAVADA. Mantémse a multa agravada se caracterizada a omissão de receita através de simulação. A recorrente argumenta, ainda, que não há como se vislumbrar a existência da alegada relação de emprego quando a própria autuação sequer consegue indicar ou mesmo dar o nome de quem seria o suposto empregado da Recorrente e conclui que, para exercitar e satisfazer sua sanha arrecadadora, precisava o Recorrido e a própria autoridade revisora informar quem são sócios administradores de empresas por ela contratadas, cujos nomes não são conhecidos nem tampouco enumerados pela própria ação fiscal. Todavia, a autoridade julgadora esclarece que, no processo que discute o AI 37.212.2108 (15540.000574/200994), encontramse planilhas discriminando todas as empresas prestadoras, por competência, e os respectivos valores pagos, bem como a correlação com as pessoas físicas que prestavam serviços como pessoa jurídica, e os descontos não efetuados dos segurados, e informa que a própria impugnação feita no aludido processo traz cópia desses demonstrativos, deixando claro que a autuada os tinha em mãos. Segundo despacho de fls. 49, o processo que discute o lançamento 37.212.2108, foi apensado ao presente, e a recorrente, portanto, teve acesso a todas as informações nele contidas. Nesse sentido, não vislumbro a nulidade do AI pela ausência dos elementos acima citados, já que, tanto em sua peça impugnatória quanto em seu recurso, a recorrente demonstra ter pleno conhecimento do que está lhe sendo imputado. E o art. 59, do Decreto 70.235/72, dispõe que Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não restou demonstrado, nos autos, que houve cerceamento de defesa do autuado, que demonstrou pleno conhecimento do que lhe esta sendo imputado. Portanto, não há que se falar em cerceamento de defesa. É oportuno registrar que, em que pese a sugestão de que o processo do AI 37.212.2108 seja apensado ao presente, verificase que tal fato não ocorreu, e esta Conselheira Relatora colegiado não teve acesso aos autos que discute aquele referido instrumento de crédito, com todas as suas planilhas e relatórios. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 Contudo, entendo desnecessária a conversão do julgamento em diligência, uma vez que a ausência dos referidos documentos não prejudicou a análise do presente processo, que reúne todos os elementos necessários para a tomada da decisão por este Colegiado. Nesse sentido e CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos consta; VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros – Relatora. Voto Vencedor Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes 1. Conforme relatado na Sessão desta Turma do CARF, o recorrente se insurge contra o lançamento efetuado em razão da caracterização de sócios de empresas prestadoras, considerados segurados empregados, uma vez que a fiscalização teria verificado a presença dos requisitos caracterizadores da relação de emprego. 2. A Conselheira relatora analisou a demanda e adotou posicionamento no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. 3. Assim, passo a análise do recurso. DA DECADÊNCIA 4. Nos termos do relatório fiscal, tratase de crédito tributário de natureza previdenciária constituído em 06/11/2009 relativo às competências de 01/01/2004 a 31/12/2004. 5. E sobre a decadência registro que fica alcançado pela decadência quinquenal todo o período anterior a 10/2004, inclusive, de acordo com a regra do artigo 150, § 4º, do CTN, a qual adoto, de acordo com a Súmula Vinculante n. 8 do Supremo Tribunal Federal. DESCONSIDERAÇÃO DOS ATOS DE CONTRATAÇÃO PELO FISCO. POSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DA RELAÇÃO DE EMPREGO. 6. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem firmado jurisprudência no sentido de permitir a desconsideração dos atos privados, tais como os de contratação de pessoa jurídica, pela autoridade tributária, com a consequente caracterização da Fl. 211DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 15540.000575/200939 Acórdão n.º 230102.403 S2C3T1 Fl. 194 13 relação de emprego. Tanto a legislação quanto a jurisprudência admitem a desconsideração contratual para fins fiscais, quando essa é pressuposto da exação autuada (cf. CTN, 123, 116 p. ún. c/c arts. 12, I, 32 e 37 da Lei n. 8.212/91 c/c arts. 9º, 229, § 2º, 243 e 245 do Dec. 3048/99; STJ, REsp 515821/RJ, Min. Franciulli, DJ 25.4.05; CARF, 2ª S. 6ª TE, ac. 280600159, proc. 35582002542200782, rel. Cons. Kleber Araújo, d. 2.6.2009). 7. Diante da existência de contratos de prestação de serviços firmados diretamente pelo contribuinte com terceiros, transferese para a fiscalização o ônus de provar que, a despeito da existência de tal contrato, na realidade, a relação estabelecida tem natureza jurídica de vínculo de emprego. 8. Como se extrai do relatório da notificação fiscal de lançamento do débito, não foram especificados os objetos desenvolvidos nos contratos desconsiderados pela fiscalização (ff. 16 a 23). 9. Com efeito, a desconstituição dos atos empresariais para se configurar a relação de emprego – pressuposto de incidência da contribuição – depende da verificação dos elementos ensejadores da relação de emprego. 10. Pela legislação previdenciária empregado é aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração (art. 12, I, ‘a’ da Lei 8.212/91). 11. A Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, que aplico ao caso por ser tratar de norma de regência das relações trabalhistas que não pode ser descartada, assevera em seu art. 3º que “considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário”. Pela legislação previdenciária, empregado é aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração. Presentes estes elementos, o Fisco está autorizado a desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. 12. Via de regra, não se presume a subordinação. Segundo Maurício Godinho Delgado: "A subordinação, como se sabe, é aferida a partir de um critério objetivo, avaliandose sua presença na atividade exercida, no modo de concretização do trabalho pactuado. Ela ocorre quando o poder de direção empresarial exercese com respeito à atividade desempenhada pelo trabalhador, no modus faciendi da prestação de trabalho. A intensidade de ordens no tocante à prestação de serviços é que tenderá a determinar, no caso concreto, qual sujeito da relação jurídica detém a direção da prestação dos serviços: sendo o próprio profissional, desponta como autônomo o vínculo concretizado; sendo o tomador de serviços, surge como subordinado o referido vínculo" (in Curso de Direito do Trabalho", 3ª ed. LTr, 2004. p. 334). 13. Diante da verificação do período ainda em apuração –, em razão da decadência já reconhecida – pode ser constatado que a fiscalização deixou de formalizar a descrição individual de cada “empregado”, com o detalhamento da caracterização empregatícia, ou seja, a demonstração da existência dos elementos básicos da relação de emprego: alteridade, nãoeventualidade, pessoalidade, subordinação e onerosidade (ff. 16 a Fl. 212DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 14 23). Tal requisito é essencial, visto que a imposição de tributo somente ocorre na forma em que a norma assim o determinar. Urge ressaltar: o lançamento fiscal decorrente de caracterização de prestador de serviço como empregado deve ser comprovado por intermédio da ocorrência dos elementos fáticojurídicos caracterizadores da relação de emprego. 14. O CARF tem entendimento sedimentado neste sentido: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2004 a 31/10/2005 PREVIDENCIÁRIO. NFLD. CONTRATO ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. PRESENÇA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DA RELAÇÃO DE EMPREGO. POSSIBILIDADE LEGAL DE DESCONSIDERAÇÃO DO VÍNCULO PACTUADO. A legislação previdenciária permite que o Auditor Fiscal, ao constatar a existência de vínculo empregatício, desconsidere contrato firmado entre pessoas jurídicas para encobrir a prestação de serviço por segurado empregado. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DA RELAÇÃO EMPREGATÍCIA. O lançamento fiscal decorrente de caracterização de prestador de serviço como empregado da tomadora não pode prescindir da comprovação cabal da ocorrência dos elementos fáticojurídicos caracterizadores da relação de emprego. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.ACORDAM os membros da 6ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso”. (CARF. 2ª Seção. 6ª Turma Especial. Acórdão nº 280600159. Processo 35582002542200782. Data02/06/2009) 15. O Relator do aresto supracitado, Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, no bojo do voto condutor, foi categórico: “O que interessa nessa lide é verificar se efetivamente estão presentes no caso sob julgamento as condições que possam levar a caracterização da citada pessoa física como segurado empregado da recorrente. Em se confirmando essa hipótese, é, sem dúvida, cabível o procedimento adotado pelo fisco [...] Não se pode olvidar que a legislação autoriza a desconsideração de negócios jurídicos, o que pode levar a caracterização de relações empregatícias, todavia, para que a fiscalização adote essa medida, que considero extrema, necessário se faz que a constatação da existência de simulação seja amplamente demonstrada no processo, com a comprovação inquestionável nos autos de que ao invés de ajuste entre empresas, havia escondido uma contratação de trabalhador na condição de empregado”. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 15540.000575/200939 Acórdão n.º 230102.403 S2C3T1 Fl. 195 15 16. E da análise do relatório fiscal fica claro que, de fato, a autoridade que lavrou o lançamento deixou de fazer a caracterização e a prova da condição de segurados empregados da recorrente, o que acarreta na insustentabilidade da exação (ff. 16 a 23). 17. Levando em consideração que, em nenhum momento, nem a autuação fiscal, nem a decisão recorrida, lograram êxito em provar a condição de segurados empregados do contribuinte, devese reconhecer a improcedência do lançamento. 18. Ante a inexistência de provas e a demonstração pormenorizada do vínculo empregatício por parte do auditorfiscal temse por insubsistente a desconstituição da relação jurídica existente entre recorrente e prestadores de serviços. 19. Desta forma, é imperioso o provimento do recurso para reformar a decisão recorrida e desconstituir o débito lançado. CONCLUSÃO 20. Dado o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, nos termos alinhavados acima. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Conselheiro Fl. 214DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.905699/2008-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 13/02/2004 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, deve-se apreciar as provas trazidas pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.687
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas trazidas pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 29/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório No dia 01/10/2004 a empresa CELULAR CRT S/A (hoje, VIVO S/A) apresentou PER/DCOMP pleiteando a restituição de PIS pago a maior no dia 13/02/2004 por erro de apuração do valor a recolher. A RFB indeferiu o pleito da recorrente, e não homologou as compensações declaradas, sob a alegação de que o pagamento indicado no PER/DCOMP fora integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte declarado em DCTF, não restando saldo credor disponível para compensação dos débitos informados na PER/DCOMP. Ciente, a empresa interessada apresenta manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que o valor apurado contabilmente de PIS não cumulativo para o mês de janeiro de 2004 é R$ 442.888,11, e que, após descontados os créditos no valor de R$ 414.072,80, resultou em valor a pagar de R$ 28.035,63. Pago R$ 218.035,63, restaria crédito de R$ 189.220,32. Argumenta que informou por equívoco valores iguais ao pagamento na DCTF e DIPJ, tratandose de mero erro formal. Não efetuou a retificação da DCTF. A DRJ em Porto Alegre RS indeferiu a manifestação de inconformidade sob a alegação de que a retificação da DCTF só poderia ser adotado pela empresa em uma situação de espontaneidade, nunca após o despacho decisório. Entende que a manifestação de inconformidade não é o instrumento adequado para corrigir eventual erro de fato em suas declarações, em especial a DCTF (Acórdão nº 1029.127). A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 16/05/2011 e, não se conformando, apresentou o recurso voluntário no dia 13/06/2011, no qual reitera as razões da manifestação de inconformidade, especialmente quanto à existência de fato de pagamento indevido que, pelo princípio da verdade material, deve ser restituído à recorrente e apresenta contestação nova sobre a incidência de juros de mora sobre multa de mora. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e dele conheço. Como relatado, a empresa recorrente apurou a existência de pagamento indevido de PIS e o utilizou para compensação de débitos seus, apresentando a competente PER/DCOMP sem, contudo, efetuar a retificação da DCTF anteriormente apresentada. Corretamente, a DRF verificou que o valor do pagamento (Darf) informado pela recorrente fora integralmente aproveitado no débito de mesmo valor informado na DCTF e, por esta razão, não reconheceu a existência de crédito e não homologou a compensação declarada. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.905699/200835 Acórdão n.º 330201.687 S3C3T2 Fl. 2 3 Ciente da decisão, a empresa apresenta manifestação de inconformidade alegando que, de fato, o valor devido do PIS de janeiro de 2004 é menor que o declarado em DCTF e cuja diferença está devidamente escriturada na sua contabilidade. Com razão a recorrente. Tenho reiteradamente defendido neste Colegiado que, em matéria tributária, a verdade material deve ser sempre perseguida, isto sem afastar as normas procedimentais da RFB. No caso em tela, não existe norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico. Não existe, também, normativa da RFB condicionando o deferimento do pedido de restituição à retificação, pelo contribuinte, da DCTF antes da data do despacho decisório. Tanto é assim que no despacho decisório, e na decisão recorrida, não há remissão à instrução normativa da RFB determinando a retificação da DCTF, como condição para deferimento de pedido de restituição, antes da transmissão da PER/DCOMP ou antes da lavratura do despacho decisório pela autoridade da RFB. Portanto, não há impedimento legal algum para a retificação da DCTF em qualquer fase do pedido de restituição. Se o processamento administrativo da restituição somente pode ser realizado após a retificação da DCTF, isto em nada afeta o direito material à repetição do indébito. Como a recorrente não foi intimada previamente a provar a existência do crédito pleiteado, a decisão da autoridade da RFB fundouse unicamente nas informações constantes da DCTF apresentada pela Recorrente e, por elas, concluiu que não há indébito. Por outro lado, se a recorrente tivesse apresentado a DCTF retificadora antes da transmissão do pedido de restituição não tornaria líquido e certo o crédito pleiteado. Portanto, não serve a DCTF (original ou retificadora) para conferir, ou não, liquidez e certeza ao crédito pleiteado. Particularmente, entendo que o fato de a RFB vir a conhecer do erro material em fase posterior à apresentação regular da PER/DCOMP, inclusive por meio de DCTF retificadora, não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito, desde que obedecido as normas de retificação de pedido de restituição. O indébito pode existir e, existindo, tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN e na forma prescrita na IN RFB nº 600/2005. Não resta nenhuma dúvida que nos processos envolvendo compensação o ônus da prova do direito é do contribuinte, já que lhe cabe a iniciativa e o interesse em ver reconhecido seu direito ao crédito e compensação. Pela sistemática atual, ao transmitir o pedido de restituição não está o contribuinte obrigado a apresentar nenhuma prova da existência do crédito pleiteado, inclusive mediante a apresentação ou retificação de DCTF. Como acima se disse, não pode a falta de apresentação de DCTF (original ou retificadora), por si só, ser motivo de indeferimento de pedido de restituição. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Ademais, se a DCTF for prova da existência do crédito pleiteado, ela é prova indiciária, necessitando de verificações complementares para constatarse a existência concreta do crédito pleiteado. Se essas verificações complementares não foram realizadas pela autoridade fazendária, ou se outras provas não forem oferecidas pelo sujeito passivo, não há como falarse em existência ou inexistência de liquidez e certeza do crédito pleiteado. Quanto ao momento em que o sujeito passivo deve apresentar a prova da existência do crédito pleiteado em PER/DCOMP, também não há norma legal específica. Entendo que o contribuinte deve apresentálas quando for solicitado e no prazo determinado pela autoridade fazendária. Na hipótese de a autoridade fazendária indeferir o pedido de restituição sem solicitar prova do direito pleiteado, como é o caso destes autos, entendo que essa prova deve ser apresentada junto com a manifestação de inconformidade e no prazo fixado no art. 15 do Decreto nº 70.235/72, isto sem prejuízo da autoridade fazendária solicitar outras informações ou documentos que entender necessários à formação de sua convicção sobre a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Concluindo: à mingua de previsão legal, a falta de apresentação de DCTF retificadora, ou a sua apresentação após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não se constitui em motivo para o indeferimento do pedido de restituição e, consequentemente, para a não homologação das compensações declaradas, estando o PER/DCOMP preenchido corretamente. Deve, portanto, a autoridade administrativa da RFB apurar a liquidez e a certeza do crédito aqui pleiteado, considerando todas as provas trazidas aos autos e outras que julgar imprescindível para apurar a verdade material e formar sua convicção. Reconhecido a liquidez e certeza do crédito pleiteado, deve a autoridade da RFB homologar as compensações declaradas até o limite do crédito apurado. Caso contrário, ou seja, não apurando crédito líquido e certo a favor da recorrente, ou apurando em valor inferior ao pleiteado, deve a autoridade da RFB dar ciência de sua decisão à recorrente, abrindolhe prazo para apresentação de manifestação de inconformidade. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a necessidade de prévia retificação da DCTF como condição para reconhecer o direito à restituição pleiteada e determinar que a autoridade da RFB apure o valor a restituir, considerando as provas trazidas aos autos e outras que julgar conveniente e, se for o caso, homologue a compensação declarada pela recorrente. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 116DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11052.000871/2010-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2006, 2007
LANÇAMENTO DO TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR DEPÓSITO JUDICIAL OU EXTRAJUDICIAL DO TRIBUTO. NULIDADE INEXISTENTE.
O lançamento, por ter o condão de constituir o crédito tributário, efetuado em consonância com o art. 142, do CTN, e art. 10 do Decreto n° 70.235/72, não está inquinado de nulidade quando vise prevenir a decadência.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2006, 2007
AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS.
A existência de ação judicial, em nome da interessada, importa em renúncia
às instâncias administrativas quanto à matéria posta ao Judiciário.
Numero da decisão: 1103-000.634
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e não conhecer das razões de mérito em razão da opção da contribuinte pela via judicial.
Nome do relator: JOSE SERGIO GOMES
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2006, 2007 LANÇAMENTO DO TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR DEPÓSITO JUDICIAL OU EXTRAJUDICIAL DO TRIBUTO. NULIDADE INEXISTENTE. O lançamento, por ter o condão de constituir o crédito tributário, efetuado em consonância com o art. 142, do CTN, e art. 10 do Decreto n° 70.235/72, não está inquinado de nulidade quando vise prevenir a decadência. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006, 2007 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. A existência de ação judicial, em nome da interessada, importa em renúncia às instâncias administrativas quanto à matéria posta ao Judiciário.
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(SUCESSORA DE FICAP S/A) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 LANÇAMENTO DO TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR DEPÓSITO JUDICIAL OU EXTRAJUDICIAL DO TRIBUTO. NULIDADE INEXISTENTE. O lançamento, por ter o condão de constituir o crédito tributário, efetuado em consonância com o art. 142, do CTN, e art. 10 do Decreto n° 70.235/72, não está inquinado de nulidade quando vise prevenir a decadência. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. A existência de ação judicial, em nome da interessada, importa em renúncia às instâncias administrativas quanto à matéria posta ao Judiciário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e não conhecer das razões de mérito em razão da opção da contribuinte pela via judicial. documento assinado digitalmente ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. documento assinado digitalmente JOSÉ SÉRGIO GOMES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 03/04/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11052.000871/201014 Acórdão n.º 110300.634 S1C1T3 Fl. 1.155 2 Relatório Em foco recurso voluntário visando a reforma da decisão da 6ª Turma de Julgamento da DRJI no Rio de JaneiroRJ que deixou de conhecer em parte a impugnação e, quanto à parcela conhecida, julgou parcialmente procedentes os lançamentos efetuados em 25/10/2010 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de JaneiroRJ com vistas a exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), acrescidos de juros moratórios calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC). As exigências do IRPJ e CSLL, operadas pelo regime do lucro real anual, afetas aos anoscalendário de 2006 e 2007, decorrem da adição de valores ao lucro líquido correspondentes a amortizações de ágio na aquisição de ações. Transcrevo o relatório do r. Acórdão recorrido, por bem delinear a questão: “Os fatos que motivaram e envolveram a autuação foram assim descritos, às fls 243: 1. conforme art 385 do RIR/199, o contribuinte que avalia investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor do patrimônio líquido, deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em duas parcelas: "valor de patrimônio líquido" e "ágio ou deságio" 2. regra geral, conforme arts. 391 e 426 do RIR/1999, a amortização do ágio acima mencionado só poderá ser deduzida na apuração do lucro real por ocasião da alienação do investimento; 3. excepcionalmente, quando a motivação do registro do ágio tenha fundamento em expectativa de rentabilidade futura (art 385, § 2o, inciso II), ocorrendo a incorporação da investida (ou viceversa) a legislação tributária permite a amortização do ágio, conforme art 386 do RIR/1999; 4. no caso concreto, a pessoa jurídica FCP do Brasil S/A foi constituída em 18/05/2001 com capital inicial de R$ 261.838.861,35, totalmente integralizado com ações da FICAP S/A, hoje incorporada pela autuada ( Nexans do Brasil SA); 5. o capital inicial acima referenciado foi registrado, no ativo da investida, de forma que R$ 172.192.683,63 correspondeu a "ágio no investimento" e o restante a título de "valor de patrimônio líquido"; 6. em 27/06/2001, sem ter efetivamente iniciado suas atividades, a FCP do Brasil foi extinta por incorporação pela sua controlada, a FICAP S/A, que a partir de então, entendendose acobertada pelo art. 386 do RIR/1999, passou a beneficiarse da amortização do ágio de suas próprias ações, reduzindo, de Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 03/04/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11052.000871/201014 Acórdão n.º 110300.634 S1C1T3 Fl. 1.156 3 forma considerada indevida, o lucro real e a base de cálculo da CSLL do período. Com base nos fatos expostos, a partir da premissa de que, no caso concreto, o art 386 do RIR/1999 não albergava a interessada, foram formalizados os lançamentos de IRPJ e CSLL, referentes à glosa das despesas das quais a FICAP S/A se beneficiou nos anos posteriores à incorporação da FCP do Brasil, referentes a amortização de ágio. Acerca dos referidos fatos e sobre os lançamentos formalizados a autoridade autuante teceu ainda as seguinte observações: • sobre o conjunto da operação, assim dispôs parecer de auditores independentes, juntado aos autos: "Devido à incorporação, a empresa recebeu em substituição das ações da FCP do Brasil, ações da FICAP, da mesma quantidade e espécie das ações originais, subrogandose nos mesmos direitos e obrigações. Não houve alteração do capital da FICAP... "; • não houve qualquer outro propósito na operação realizada além da economia tributária. Se consideradas individualizadamente, as etapas do conjunto não possuíam objeto negocial e, economicamente, ao fim do processo, os efeitos foram inócuos, exceção feita aos reflexos fiscais; • o PN CST 46, de 17/08/1987, corrobora a indedutibilidade da amortização do ágio na hipótese de incorporação às avessas; • a interessada é parte na ação ajuizada sob o n° 2006.51.01.4903155, na qual discute a dedutibilidade do ágio que é objeto da autuação; • para 2006 e 2007, foram realizados depósitos nos valores integrais do IRPJ e da CSLL que deixaram de ser recolhidos em função da despesa ora glosada e, relativamente a 2008, os valores depositados em juízo foram insuficientes. Por este motivo, apenas para aqueles dois primeiros anos o crédito tributário foi lançado com exigibilidade suspensa. Os valores referentes a 2008 estão sendo exigidos por meio do auto de infração que é objeto do processo 11052.000872/201069.” Impugnando os lançamentos a contribuinte suscitou preliminar de nulidade do procedimento em vista de erro na capitulação legal e inadequada menção ao PN CST nº 46/87, afora o fato de que antes da lavratura do auto de infração fez, preventivamente, os depósitos judiciais correspondentes aos tributos pagos a menor em função do ágio amortizado. Quanto ao mérito, aduziu que o conjunto de operações societárias encontram se acobertadas pelos artigos 385 e 386 do RIR/1999 e seguiu todas as formalidades cabíveis, sendo que o Fisco não questionou o fundamento econômico do ágio e inexiste ato simulado, bem assim, que para garantir o direito em prosseguir com as amortizações, nos anos de 2006 e seguintes, ajuizou o mandado de segurança distribuído sob nº 2006.51.01.4903155 e realizou o depósito integral do IRPJ e CSLL que deixaram de ser recolhidos em função da dedução desse ágio. Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 03/04/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11052.000871/201014 Acórdão n.º 110300.634 S1C1T3 Fl. 1.157 4 Aquela 6ª Turma de Julgamento admitiu a impugnação, refutou a preliminar de nulidade e consignou que a constituição do crédito tributário pelos autos de infração visaram resguardar o interesse da Fazenda Pública com objetivo de evitar a decadência, ressalvandose, contudo, a não aplicação de multa de ofício, nos moldes do artigo 63 da Lei nº 9.430, de 1996. Quanto ao mérito consignou que no processo judicial noticiado a contribuinte discute a mesma matéria, daí restar prejudicada a apreciação da peça impugnatória em face do disposto no § 2º do artigo 1º do Decretolei nº 1.737, de 1979, combinado com o parágrafo único do artigo 38 da Lei nº 6.830, de 1980, e ainda do Ato Declaratório (Normativo) COSIT nº 03, de 1996. No que condiz aos juros de mora afastouos, em vista dos depósitos nos montantes integrais, fundamentando a decisão na Súmula nº 5 desta Corte Administrativa. Ao final, determinou a intimação do interessado para recolhimento do crédito tributário mantido, ressalvadas as hipóteses de interposição de recurso voluntário ou de a exigibilidade ainda estar suspensa. O Acórdão nº 1235.715, tomado por unanimidade de votos, assim se expressou: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura de ação judicial implica renúncia à instância administrativa relativamente à matéria que foi levada a juízo. Se o impugnante aduz outras questões além daquelas que aguardam apreciação judicial, a impugnação há de ser conhecida apenas com relação à matéria não coincidente. JUROS DE MORA. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. ( Súmula CARF n° 05). LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. Na ausência de fatos novos a ensejarem conclusões diversas, o decidido no lançamento principal se estende aos reflexos.” Ciente do decisório em 22 de março de 2011, fl. 1.095v, a interessada aviou em 14 do mês seguinte o recurso de fls. 1.096/1.141 no qual suscita que não obstante a medida judicial entende como certa a possibilidade de se defender na instância administrativa, mesmo porque o direito de ampla defesa no processo administrativo é garantido ao contribuinte pela Constituição Federal em seu artigo 5º, LV. Passo seguinte, reprisa suas razões de impugnação, inclusive as preliminares de nulidade por erro na capitulação da legislação, erro na capitulação dos fatos e incabimento de lavratura de auto de infração em vista dos depósitos nos montantes integrais. Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 03/04/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11052.000871/201014 Acórdão n.º 110300.634 S1C1T3 Fl. 1.158 5 É o relatório, em apertada síntese. Voto Conselheiro José Sérgio Gomes, Relator Observo a legitimidade processual e o aviamento do recurso no trintídio legal. Pelo recurso voluntário conclui que inexiste controvérsia quanto ao fato da matéria estar sendo discutida no Judiciário, conduzido a tanto pela leitura dos itens 68 a 72 da peça recursal (fls. 1.114/1.115), nos quais a contribuinte defende a possibilidade de se defender em instância administrativa mesmo que haja medida judicial em andamento perante os Tribunais Pátrios, sob o entendimento de guarida constitucional, colacionando, inclusive, julgado do Conselho de Contribuintes com essa orientação (sem identificação, contudo, de qual dos três extintos Conselhos teria proferido o decisório nem tampouco qual seria o número do Acórdão). Posteriormente, iniciado o julgamento, a Recorrente trouxe em sua sustentação oral e também nos memoriais apresentados que a causa de pedir e o objeto do Mandado de Segurança nº 2006.51.01.4903155 não se confundem com os postulados no processo administrativo. Aqueles seriam o reconhecimento de direito líquido e certo à amortização do ágio enquanto estes a desconstituição de crédito tributário lançado com base na prática de simulação. Em se tratando de matéria de direito não vejo qualquer obstáculo na análise dessas novas razões. Enfrentandoas, e rogando venia, concluo inexistir a diferenciação pretendida na medida em que a postulação no Judiciário abarca os quesitos processuais (causa de pedir e objeto) trazidos à Administração, é dizer, coincidência integral. Em sendo assim, há que se ter em mente o princípio constitucional da unidade de jurisdição, consagrado no art. 5º, XXXV da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988, segundo o qual a decisão judicial sempre prevalece sobre a administrativa. Desse modo, a ação judicial tratando de determinada matéria infirma a competência administrativa para decidir de modo diverso, uma vez que, se todas as questões podem ser levadas ao Poder Judiciário, a ele é conferida a capacidade de examinálas de forma definitiva e com o efeito de coisa julgada. A propositura de ação judicial pela contribuinte, em razão disso, nos pontos em que haja idêntico questionamento, torna ineficaz o processo administrativo. De fato, havendo o deslocamento da lide para o Poder Judiciário perde o sentido a apreciação da mesma matéria na via administrativa, pois, do contrário, terseia a absurda hipótese de modificação de decisão judicial transitada em julgado e, portanto, definitiva, pela autoridade administrativa. Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 03/04/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11052.000871/201014 Acórdão n.º 110300.634 S1C1T3 Fl. 1.159 6 Ademais, observo que a matéria já se encontra sumulada por esta Corte, de sorte que não mais comporta discussões. Vejase: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Oriento meu voto, pois, pelo não conhecimento do recurso, neste particular. No que toca à legitimidade do auto de infração, mesmo existindo depósitos judiciais nos montantes integrais dos tributos exigidos, entendo que este remédio suspensivo da exigibilidade, assim previsto no artigo 151, II, do Código Tributário Nacional CTN, não impede a fluência de prazo decadencial, sendo, pois, necessária a constituição do crédito tributário a fim de garantir os interesses da Fazenda Nacional. E a formalização do crédito tributário pelo lançamento de ofício, conforme o artigo 142 do CTN e instrumento previsto no artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, decorre do caráter vinculado e obrigatório do ato administrativo, não podendo a fiscalização, sob pena de responsabilidade funcional, eximirse de efetuálo. Portanto, o procedimento de lavratura do auto de infração, obedecida a abstenção de exigência do pagamento do débito apurado, circunstância formalmente enunciada no ato administrativo de fls. 246 e seguintes, em nada ofende ou contraria as garantias do administrado. Finalmente, as imputações de erro na capitulação da legislação e dos fatos não se sustentam, seja porque a imputação do Fisco (transcrita linhas atrás) encontrase completa e possibilitou o amplo conhecimento, pela autuada, dos fatos que motivaram a ação fiscal, seja porque a exuberância das peças impugnatória e recursal, as quais buscam elidir inequívoca e criteriosamente todos os pontos da autuação fiscal, afasta de vez a possibilidade de prejuízo ao direito de defesa. Referidas razões, em verdade, espelham o próprio mérito da questão, confundindose com o próprio, e como tal seriam enfrentadas acaso não existisse o impedimento já alinhavado. Com tais razões, VOTO por não tomar conhecimento do recurso no que afeta ao mérito da exigência, em face da concomitância e, em relação às preliminares de nulidade do auto de infração, admitir o recurso e rejeitálas. documento assinado digitalmente José Sérgio Gomes Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 03/04/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11052.000871/201014 Acórdão n.º 110300.634 S1C1T3 Fl. 1.160 7 Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 03/04/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 11831.005205/2002-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO.
A compensação administrativa entre contribuições de espécies diferentes está sujeita a apresentação do Pedido de Compensação disciplinado 12, § 3º da IN SRF nº 21, de 10/03/1997
Numero da decisão: 3401-002.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
RELATOR FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator.
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Redator designado.
EDITADO EM: 14/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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COMPENSAÇÃO Recorrente LABORGRAF Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. A compensação administrativa entre contribuições de espécies diferentes está sujeita a apresentação do Pedido de Compensação disciplinado 12, § 3º da IN SRF nº 21, de 10/03/1997 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. RELATOR FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Redator designado. EDITADO EM: 14/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 52 05 /2 00 2- 95 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 2 Relatório O presente processo, originado do Auto de Infração de fls. 36/37, tem como escopo a exigência do crédito tributário de COFINS no montante de R$ 278.905,43, relativamente ao período de apuração do quarto trimestre do anocalendário de 1997, com o seguinte enquadramento legal: art. 1º a 4º da LC 70/91; art. 1º da Lei 9249/95; art. 57 da Lei 9069/95; arts. 56 e parágrafo único, 60 e 66 da Lei 9430/96, discriminados da seguinte forma: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social...........................................................................................R$ 106.095,04 Juros de Mora (calculados até 31.5.2002)..................................R$ 93.239,11 Multa Proporcional (Passível de Redução)................................R$ 79.571,28 Irresignada com a Autuação, da qual foi devidamente cientificada, a contribuinte protocolou, em 11.7.2002, a impugnação de fls. 2/17, acompanhada dos documentos de fls. 18/55, sustentando, em síntese, que: a) Preliminarmente, aduz ser equivocado o lançamento fiscal em seu desfavor, pois tal cobrança irá abalar, seriamente, a empresa ou tornar inviável a continuidade dos empreendimentos administrados pela Laborgraf; b) É ilegítimo o lançamento fiscal ante a compensação dos créditos em favor da contribuinte, já que a empresa compensou os valores tidos como devidos, com valores remanescentes de seus créditos vinculados, ou seja, por meio de um prévio levantamento voluntário efetivado pela contribuinte, esta verificou que detinha créditos oriundos de pagamentos feitos por estimativa e relacionados aos tributos IRPJ e CSLL; c) A imposição da multa aplicada é inadequada, pois a obrigação do pagamento de multa equivalente a 75% do valor principal da contribuição demonstra uma grande ofensa ao Princípio da Razoabilidade; d) São indevidas a cobrança e a aplicação dos juros moratórios, isto porque os juros moratórios consignados no Auto de Infração são, absolutamente, abusivos, vez que a D. Autoridade Administrativa valeuse, para fins de seu cálculo, da inconstitucional taxa mensal de captação do Tesouro Nacional, posteriormente substituída pela taxa “SELIC”; Desta forma, a autuada pediu que fosse dado provimento à Impugnação, com o cancelamento do auto de infração e seu conseqüente arquivamento. Tendo em vista o inconformismo, a 9ª Turma da DRJ/SP1, em 19.1.2012, acolheu parcialmente os anseios da contribuinte, fundamentando, em apertado resumo: a) Em relação à preliminar suscitada pela autuada, o auto de infração apresenta todos os requisitos legais previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72; o procedimento fiscal foi realizado conforme as normas pertinentes mesmo Fl. 122DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 11831.005205/200295 Acórdão n.º 3401002.224 S3C4T1 Fl. 122 3 com ausência do Termo de Início de Fiscalização, não tendo ocorrido qualquer das situações previstas no art. 59 do Decreto 70.235/72 e, conforme o art. 60 do mesmo Decreto, não há que se falar em nulidade; b) Além disso, respondendo, também, à preliminar levantada pela contribuinte, a DRJ expõe que o referido Auto de Infração foi lavrado em conseqüência da verdade material contida na DCTF apresentada pela própria impugnante, portanto, não se trata de autuação por presunção, restando, então, plenamente atendido o disposto no art. 142 do CTN; c) Quanto à ilegitimidade do lançamento fiscal ante a compensação dos créditos em favor da contribuinte, a DRJ justifica que, de acordo com o art. 66 da Lei nº 8.383/91, a compensação administrativa dos eventuais créditos do IRPJ e da CSLL com o débito da COFINS que são tributos de espécies diferentes, resta totalmente inadmissível; d) A DRJ, com intuito de esgotar o tema referente à ilegitimidade do lançamento fiscal, demonstra que para a compensação administrativa entre contribuições de espécies diferentes exigese a apresentação do Pedido de Compensação, com base no art. 74 da Lei 9.430/96 disciplinado pela IN nº 21/97, de 10.3.1997. Nos autos, não consta qualquer prova de que tenha sido apresentado, pelo contribuinte, o Pedido de Compensação exigido pela já mencionada Lei, restando, então, procedente o lançamento do Auto de Infração; e) Com relação à multa de ofício, seu lançamento ocorreu porque o contribuinte deixou de efetuar o pagamento de obrigação tributária já vencida sem apontar alguma causa válida que justificasse a mora (a imposição da multa se funda no art. 44, inc. I, da Lei nº 9430/96 e no art. 90 da MP nº 2.15835, de 24.8.2001). Contudo, posteriormente ao Auto de Infração em comento, a regra para lançamento foi alterada (art. 18 da MP 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, com redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.051/2004). Assim, não cabe mais imposição de multa de ofício fora dos casos mencionados, sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP nº 135/2003 em face do princípio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106, inc. II, “c”, do CTN, havendo que se exonerar a multa de ofício aplicada. f) Por fim, no que concerne à indevida cobrança e aplicação dos juros moratórios, a DRJ pontua que são devidos sempre que o principal for recolhido fora do tempo e não dependem de formalização por meio do lançamento. Nesse caso é indiferente o motivo determinante da falta de pagamento. Então, na forma da legislação em vigor, os juros de mora são devidos mesmo durante o período em que a respectiva cobrança estiver suspensa por decisão administrativa ou judicial (Decreto Lei nº 1.736/79, art. 5º), não podendo prosperar o entendimento de que a suspensão da exigibilidade do crédito implica também suspensão dos juros moratórios; g) No tocante à taxa SELIC, a DRJ afirma que também não prosperam as afirmações feitas pela contribuinte, porquanto haver fundamentação legal para sua utilização. Cabe, pois, advertir que não são os órgãos julgadores Fl. 123DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 4 administrativos competentes para apreciar tais questões (o contribuinte insurgese contra algo instituído por Lei), sendo tal competência do Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos da inconstitucionalidade ou invalidade das normas jurídicas, inclusive quanto à alegação de que contraria o princípio constitucional da isonomia e da moralidade da administração, deve ser submetido ao crivo desse poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois não se pode, sob pena de responsabilidade funcional, desrespeitar as normas motivadoras do lançamento, cuja validade está sendo questionada, em observância ao art. 142, parágrafo único, do CTN. Destarte, a DRJ votou pela procedência em parte da Impugnação e manutenção em parte do Crédito Tributário, sendo a contribuinte exonerada da multa proporcional no valor de R$ 79.571,28 e sendo mantida a cobrança referente ao COFINS no valor de R$ 106.095,04. Considerando que parte do teor não foi julgada procedente, a contribuinte insatisfeita protocola, em 28.2.2012, o presente recurso, no qual são apresentadas suas razões de inconformidade, como segue: a) Ressalta ser manifestamente improcedente o Auto de Infração (no qual consta que a recorrente deixou de efetuar o recolhimento ou o pagamento do valor tido como principal com a apresentação de declaração inexata, restando saldo imposto a pagar, acrescido de juros e multa no valor de R$ 278.905,43), pois, conforme vasta documentação comprobatória anexada, a empresa autuada, dentro dos padrões disciplinadores que regem o sistema tributário, compensou os valores tidos como devidos, com valores remanescentes de seus créditos vinculados. Por meio de um prévio levantamento voluntário efetivado pela contribuinte, esta verificou que detinha créditos em decorrência dos pagamentos feitos por estimativa e relacionados aos tributos: IRPJ e CSLL, uma vez apurado o prejuízo contábil da impugnante nos exercícios de 1995 e 1996. Com a simples verificação junto ao cadastro de contribuintes, restará demonstrada a veracidade dos fatos acima narrados; b) Ao demonstrar sua regular situação fiscal, a empresa recorrente juntou aos autos do Processo Administrativo, inaugurado em sede de Auto de Infração em epígrafe, as cópias das guias de recolhimento DARF’s, bem como demonstrativo dos créditos compensados, onde claramente vislumbrase que os informes declarados pelo sujeito passivo da obrigação tributária coadunamse com a veracidade das alegações aqui alicerçadas, sobretudo, que a recorrente, ao contrário das alegações apresentadas pela d. autoridade fiscal atuante, deixou de informar, tampouco informou inadequadamente os valores lançados nas DCTF’s, conforme se constata da documentação apontada. c) Requer, em caso de entendimento pela não compensação da totalidade do crédito tributário apontado no presente recurso, que seja compensado o valor não alocado de R$ 1.167,93. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 11831.005205/200295 Acórdão n.º 3401002.224 S3C4T1 Fl. 123 5 Assim, com arrimo na argumentação exposta, a recorrente requer que seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido , cancelandose o débito fiscal reclamado. É o Relatório. Voto Conselheiro Relator FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Este recurso apresenta os requisitos de tempestividade e cumpre os pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Em suma a contribuinte foi autuada para exigência do crédito tributário de COFINS referente ao período do quarto semestre do anocalendário de 1997. Logrando apenas êxito parcial em sua Impugnação, protocolou Recurso Voluntário onde defende que é ilegítimo o lançamento fiscal ante a compensação dos créditos em seu favor, já que ela compensou os valores tidos como devidos, com valores remanescentes de seus créditos vinculados, ou seja, por meio de um prévio levantamento voluntário por ela efetivado, verificouse que detinha créditos oriundos de pagamentos feitos por estimativas e relacionados aos tributos de IRPJ e CSLL. Ocorre que, conforme previsto no art. 74, §1º, da Lei 9.430/96, abaixo transcrito, é necessária a apresentação de PER/DCOMP para a compensação ser efetivada, o que não foi verificado “in casu”: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. [...] Frente a todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso, visto não ter a contribuinte apresentado pedido de compensação. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 6 Conselheiro Relator FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Fl. 126DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
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