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Numero do processo: 10980.725228/2010-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Nov 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006, 2007
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ISENÇÃO.
Para fins da exclusão da tributação do ITR de área de preservação permanente é necessário a entrega do ADA - Ato Declaratório Ambiental tempestivamente junto ao IBAMA.
ÁREA DE FLORESTAS NATIVAS. ISENÇÃO.
Para fins da exclusão da tributação do ITR de área de florestas nativas é necessário a entrega do ADA - Ato Declaratório Ambiental tempestivamente junto ao IBAMA.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR.
Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996.
MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA.
Sendo a multa aplicada no percentual mínimo de 75%, não cabe ao julgador administrativo afastá-la ou reduzi-la quando presentes os elementos fáticos necessários para a sua aplicação.
Ademais, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
CONVERSÃO EM DILIGENCIA. DESNECESSIDADE.
A conversão dos autos em diligencia exige demonstração da necessidade e desacerto da autuação e da decisão recorrida.
Numero da decisão: 2301-004.856
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, (a) por unanimidade de votos, denegar o pedido de diligência; (b) por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para restabelecer o VTN declarado pelo contribuinte nos exercícios de 2006 e 2007; (c) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário quanto às demais questões. Vencida a relatora e os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves, que davam provimento parcial para 1) considerar 286,5500 ha como APP - Área de Preservação Permanente para 2006 e 2007; e 2) cancelar a glosa referente a Área de Florestas Nativas de 1.854,9 ha em 2007. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andrea Brose Adolfo.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio César Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi, Fabio Piovesan Bozza.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ISENÇÃO. Para fins da exclusão da tributação do ITR de área de preservação permanente é necessário a entrega do ADA Ato Declaratório Ambiental tempestivamente junto ao IBAMA. ÁREA DE FLORESTAS NATIVAS. ISENÇÃO. Para fins da exclusão da tributação do ITR de área de florestas nativas é necessário a entrega do ADA Ato Declaratório Ambiental tempestivamente junto ao IBAMA. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. Sendo a multa aplicada no percentual mínimo de 75%, não cabe ao julgador administrativo afastála ou reduzila quando presentes os elementos fáticos necessários para a sua aplicação. Ademais, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) CONVERSÃO EM DILIGENCIA. DESNECESSIDADE. A conversão dos autos em diligencia exige demonstração da necessidade e desacerto da autuação e da decisão recorrida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 52 28 /2 01 0- 53 Fl. 170DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (a) por unanimidade de votos, denegar o pedido de diligência; (b) por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para restabelecer o VTN declarado pelo contribuinte nos exercícios de 2006 e 2007; (c) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário quanto às demais questões. Vencida a relatora e os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves, que davam provimento parcial para 1) considerar 286,5500 ha como APP Área de Preservação Permanente para 2006 e 2007; e 2) cancelar a glosa referente a Área de Florestas Nativas de 1.854,9 ha em 2007. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andrea Brose Adolfo. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. (Assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio César Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi, Fabio Piovesan Bozza. Relatório Contra o contribuinte acima referido, foi lavrado Auto de Infração (f. 44/49), mediante o qual se exige a diferença de Imposto Territorial Rural – ITR, Exercícios 2006 e 2007, no valor total de R$ 1.621.024,16, do imóvel rural inscrito na Receita Federal sob o nº 6.599.6496, localizado no município de Guaratuba PR. Na descrição dos fatos (fls. 46/48), o fiscal autuante relata que foi apurada a falta de recolhimento do ITR, decorrente da glosa das áreas declaradas como de preservação permanente (2006 e 2007) e de florestas nativas (2007). Foi alterado o valor da terra nua (VTN), considerando os valores constantes da Tabela SIPT. Em conseqüência, houve aumento da base de cálculo e do valor devido do tributo. O Demonstrativo de Apuração do ITR, consta às fls. 39/43, conforme resumo abaixo: Exercício 2006 Distribuição da Área do Imóvel (ha) Declarado Apurado 01. Área Total do Imóvel 3.267,7 3.267,7 Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10980.725228/201053 Acórdão n.º 2301004.856 S2C3T1 Fl. 171 3 02. Área de Preservação Permanente 1.412,8 0,0 03. Área de Reserva Legal 0, 0 0, 0 04. Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural 0, 0 0,0 05. Área do Interesse Ecológico 0, 0 0, 0 06. Área de Servidão Florestal 0, 0 0, 0 07. Área Tributável (01 02 03 04 05 06) 1.854,9 3.267,7 08. Área Ocupada com Benfeitorias 0, 0 0, 0 09. Área Aproveitável (07 08) 1.854,9 3.267,7 Distribuição da Área Utilizada (ha) Declarado Apurado 10. Produtos Vegetais 1.854,9 1.854,9 11. Área de Descanso 0,0 0,0 12. Área com Reflorestamento 0,0 0, 0 13. Pastagens 0,0 0,0 14. Exploração Extrativa 0,0 0,0 15. Atividade Granjeira/Aquícola 0,0 0,0 16. Frustração de Safra ou Destruição de Pastagens 0,0 0,0 17. Área Utilizada (10 + 11 + 12 + 13 + 14+ 15 + 16) 1.854,9 1.854,9 18. Grau de Utilização (17 /09) *100 100,0 56,8 Cálculo do Valor da Terra Nua (R$) Declarado Apurado 19. Valor Total do Imóvel 196.662,31 6.208.630,00 20. Valor das benfeitorias 0,00 0,00 21. Valor das Culturas / Pastagens /Florestas 0,00 0,00 22. Valor da Terra Nua (19 20 21) 196.662,31 6.208.630,00 Fl. 172DF CARF MF 4 Exercício 2007 Distribuição da Área do Imóvel (ha) Declarado Apurado 01. Área Total do Imóvel 3.267,7 3.267,7 02. Área de Preservação Permanente 1.412,8 0,0 03. Área de Reserva Legal 0, 0 0, 0 04. Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural 0, 0 0,0 05. Área do Interesse Ecológico 0, 0 0, 0 06. Área de Servidão Florestal ou Ambiental 0, 0 0, 0 07. Área Coberta com Florestas Nativas 1.854,9 0,0 08. Área Tributável (01 02 03 04 05 06 07) 0,0 3.267,7 08. Área Ocupada com Benfeitorias 0, 0 0, 0 09. Área Aproveitável (08 09) 0,0 3.267,7 Distribuição da Área Utilizada (ha) Declarado Apurado 11. Produtos Vegetais 0,0 0,0 12. Área de Descanso 0,0 0,0 13. Área com Reflorestamento 0,0 0, 0 14. Pastagens 0,0 0,0 15. Exploração Extrativa 0,0 0,0 16. Atividade Granjeira/Aquícola 0,0 0,0 17. Frustração de Safra ou Destruição de Pastagens 0,0 0,0 18. Área Utilizada (11 + 12 + 13 + 14 + 15+ 16 + 17) 0,0 0,0 19. Grau de Utilização (17 /09) *100 0,0 0,0 Cálculo do Valor da Terra Nua (R$) Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10980.725228/201053 Acórdão n.º 2301004.856 S2C3T1 Fl. 172 5 Declarado Apurado 20. Valor Total do Imóvel 196.662,31 6.535.400,00 21. Valor das benfeitorias 0,00 0,00 22. Valor das Culturas / Pastagens /Florestas 0,00 0,00 23. Valor da Terra Nua (20 21 22) 196.662,31 6.535.400,00 O contribuinte foi notificado do lançamento, em 02/12/2010, conforme Aviso de Recebimento AR (fl. 52). Foi apresentada a impugnação, tempestivamente em 21/12/2010 (fl. 54/57). Em sua defesa, aduz que o lançamento está "permeado de nulidade, uma vez que seu procedimento deve ocorrer nos termos e condições dispostas em Lei." Alega que a área está inserida no perímetro preservado do Bioma da Mata Atlântica, e teve sua exploração regulada, na época, pelo Decreto 750/93 e atualmente pela Lei nº 11.428/2006; Sustenta que o imóvel se localiza na porção preservada da Serra do Mar do Estado do Paraná, tendo com isso uma topografia incompatível para o exercício de qualquer atividade produtiva, possuindo legislação que impede a exploração e alteração desta área; Aduz que a totalidade do imóvel está circunscrito em áreas consideradas de preservação permanente, nos moldes do art. 2º e 3º do Código Florestal Brasileiro; Entende que a não apresentação do ADA não enseja à Receita Federal a possibilidade de fazer o lançamento; Afirma que o lançamento deve ser anulado por não ter havido procedimento de fiscalização que permitiria a apuração dos reais dados dos imóveis; Ao fim, requer o reconhecimento das áreas de preservação permanente e cobertas por florestas nativas. A Turma Julgadora de Primeira Instância, julgou improcedente a impugnação apresentada, restando a decisão ementada conforme segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006, 2007 ÁREA DE RESERVA LEGAL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA. AVERBAÇÃO. Por exigência de Lei, para ser considerada isenta, a área de reserva legal deve estar averbada na Matrícula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis e ser Fl. 174DF CARF MF 6 reconhecida mediante Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado dentro do prazo estipulado. O ADA é igualmente exigido para a comprovação das áreas de preservação permanente. VALOR DA TERRA NUA. O valor da terra nua, apurado pela fiscalização, em procedimento de ofício nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração, quando o contribuinte não apresentar elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi cientificado do Acórdão 0426.835 1ª Turma da DRJ/CGE, em 31/08/2012, conforme Aviso de Recebimento AR (fl. 81). Sobreveio recurso voluntário em 01/10/2012 (fls. 83/112). Em suas razões alega: que o imóvel em questão está inserido no perímetro preservado do Bioma da Mata Atlântica, com parte de sua extensão situada na área de preservação Serra do Mar do Estado do Paraná, assim como está incorporado à Área de Preservação Ambiental de Guaratuba/PR; que apresentou no exercício de 2009, DIRT informando a existência de áreas de preservação permanente e áreas cobertas com Florestas Nativas, alegando que as terras são, em sua totalidade, inexploráveis; endossando seu argumento de que o imóvel é inexplorável, anexa memorial descritivo do imóvel (fl. 117), contendo as coordenadas georreferenciadas no Sistema Geodésico Brasileiro, junto de Laudo Fisionômico (fl. 124); discorre que a jurisprudência é pacífica no sentido de que “o simples fato de o ADA não ser apresentado no prazo estipulado, ou não ter sido efetuada a averbação não é suficiente para glosar as áreas declaradas como isentas, quando existem outros meios que façam prova nesse sentido. ”; alega que não pode prosperar o argumento da DRJ no sentido de que as áreas cobertas por florestas nativas, ocupadas por vegetação da Mata Atlântica e não averbadas como reserva legal, somente foram afastadas da tributação de ITR com o advento da Lei n° 11.428/2006; cita jurisprudência do Tribunal Regional Federal da 4ᵃ Região, sobre a isenção do ITR em decorrência das áreas de preservação permanente e de reserva legal, assim como a desnecessidade da averbação do ADA para a garantia do benefício; que a isenção pretendida está prevista na Lei 5.868/72 em seu art. 5°, inciso I e II, onde são relatados quais áreas são isentas do Imposto sobre Propriedade Territorial Rural; Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10980.725228/201053 Acórdão n.º 2301004.856 S2C3T1 Fl. 173 7 sobre o Valor da Terra Nua (VTN), alega que “o imóvel objeto do lançamento fiscal sequer possui valor de mercado” por estar inserido em área de preservação ambiental e ser composto por Mata Atlântica preservada, ademais a disposição do imóvel é considerada de caráter inaproveitável, pois não pode ser explorado; contesta o VTN de R$ 6.208.630,00 para exercício de 2006 e R$ 6.535.400,00 para 2007, além disso pede que seja convertido em diligência para ser averiguado o real valor de mercado para o imóvel em questão; aduz que a multa de 75% tem caráter confiscatório, o que seria contrário ao disposto no art. 150, IV, da Constituição Federal. Ressalva que o valor da multa é extremamente alto, sendo inviável a manutenção da propriedade do bem, exaltando que “poucos são os proprietários dispostos a adquirir um bem do qual não conseguirão obter lucro. ”; Ao fim, requer o acolhimento da área de preservação permanente e reserva legal ou a conversação em diligência para confirmação in loco acerca da existência dessas áreas. Também postula redução da multa de 75% e combate o arbitramento do VTN por ser "incondizente com a realizada fática". Juntou documentos, fls. 117/154. É o relatório. Passo a decidir. Voto Vencido Conselheira Relatora Alice Grecchi O presente recurso possui os requisitos de admissibilidade do Decreto 70.235/72, merecendo ser conhecido. De início cumpre registrar que a lavratura do Auto de Infração foi decorrente da glosa das áreas declaradas como de preservação permanente (2006 e 2007) e de florestas nativas (2007) e do valor da terra nua (VTN), que foi alterado considerando os valores constantes da Tabela SIPT, conforme dados fornecidos pela Secretaria Estadual de Agricultura. Na impugnação, o autuado restringiu sua defesa no fato de que o imóvel está localizado no perímetro Serra do Mar do Estado do Paraná, sendo coberta por floresta nativa do Bioma da Mata Atlântica, sendo área de preservação permanente. Assim, entende que é isento de ITR e que é dispensável a apresentação do ADA. A decisão da DRJ, por sua vez, contemplou matérias não impugnadas, tais como o arbitramento do VTN, multa e área de reserva legal (esta sequer lançada). Assim, tendo em vista que em sede recursal o contribuinte combateu a decisão de primeira instância, não pode esta relatora deixar de apreciar as matérias Fl. 176DF CARF MF 8 referidas no recurso voluntário, ainda que não tenham sido objeto de impugnação, sob pena de incorrer em ofensa ao princípio "tantum devolutum quantum apelatum1". Feitas essas considerações inicias, passo a análise do recurso. Antes de adentrar no mérito propriamente dito, cumpre frisar que serão objeto de apreciação as matérias constantes do Auto de Infração, ou seja APP (2006 e 2007), florestas nativas (2007) e VTN 2006 e 2007. Em que pese tenha a DRJ tratado de Área de Reserva Legal, tal área não foi glosada pela fiscalização, uma vez que sequer constou da DITR do contribuinte. Neste contexto, importante referir que após o início da ação fiscal o contribuinte perdeu a espontaneidade para efetuar qualquer alteração nos dados por ele informados, nos termos do art. 138 do CTN c/c o disposto no art. 7º do Decreto nº 70.235/72, e, da mesma forma, no art. 33 do Decreto 7.574/2011, prevalecendo, portanto, o que foi declarado nos exercícios de 2006 e 2007. Área de Preservação Permanente e Florestas Nativas A partir da alteração promovida pela Lei nº 10.165/00, a entrega da ADA tem sido exigida como requisito à redução de imposto a pagar. Para que se compreenda adequadamente a alteração normativa e seu reflexo sistemático dentro do ordenamento, é preciso que se observe que o ADA é um ato unilateral elaborado pelo contribuinte, que não tem o condão de constituir juridicamente as situações nele descritas. Em outros termos, a mera inserção de área de preservação permanente no respectivo campo possui evidente eficácia declaratória da sua existência. Coadunamse com o entendimento desta relatora, os julgados abaixo transcritos: RECURSO ESPECIAL Nº 1.112.283 PB (2009/00474797) RELATOR : MINISTRO BENEDITO GONÇALVES RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL E OUTRO(S) RECORRIDO : LUIZ GONZAGA PRIMO ADVOGADO : FREDERICO MATOS BRITO SANTOS E OUTRO(S) EMENTA TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ITR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. 1. A orientação das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte firmouse no sentido de que "o Imposto Territorial Rural ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação que, nos termos da Lei 9.393/1996, permite da exclusão da sua base de cálculo a área de preservação permanente, sem necessidade de Ato 1 Princípio que rege os recursos, evidenciado no art.1.013 do Código de Processo Civil, Lei nº 13.105/15. Art. 1.013. A apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10980.725228/201053 Acórdão n.º 2301004.856 S2C3T1 Fl. 174 9 Declaratório Ambiental do IBAMA" (REsp 665.123/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 5.2.2007). No mesmo sentido: REsp 812.104/AL, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 10/12/2007; REsp 587.429/AL, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 2/8/2004. 2. Recurso especial não provido.(grifei) ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Luiz Fux, Teori Albino Zavascki e Denise Arruda (Presidenta) votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília (DF), 19 de maio de 2009(Data do Julgamento) MINISTRO BENEDITO GONÇALVES Relator ____________________________________________________ RECURSO ESPECIAL Nº 1.589.687 MG (2016/00598642) RELATOR : MINISTRO SÉRGIO KUKINA RECORRENTE FAZENDA NACIONAL RECORRIDO : V & M FLORESTAL LTDA ADVOGADOS : HUDSON FERNANDO COUTO DENISE BRUM MONTEIRO DE CASTRO VIEIRA E OUTRO(S) GUILHERME ANDRADE MARTINS SIBELE FERNANDA PRADO DA SILVA Tratase de recurso especial fundado no CPC/73, manejado pela FAZENDA NACIONAL, com base no art. 105, III, a, da CF, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, assim ementado (fl. 246): TRIBUTÁRIO PROCESSUAL CIVIL AÇÃO ORDINÁRIA ITR DECOTADA, DA BASE DE CÁLCULO, A ÁREA DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL REGISTRO CARTORÁRIO E ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA: DISPENSÁVEIS PRECEDENTES. 1 STJ: para fins de isenção do ITR (AgRg REsp n° 1.315.220/MG) quanto às áreas de preservação ambiental permanente e reserva legal, dispensase averbação no CRI e ato declaratório do IBAMA. 2 Remessa oficial não provida. (grifei) Ante o exposto, dou provimento parcial ao recurso especial para determinar a incidência do ITR, em relação à área de reserva legal, nos termos da fundamentação. Publiquese. Brasília (DF), 05 de abril de 2016. MINISTRO SÉRGIO KUKINA Relator ____________________________________________________ AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.395.393 MG (2013/02424844) RELATOR: MINISTRO BENEDITO GONÇALVES Fl. 178DF CARF MF 10 AGRAVANTE: FAZENDA NACIONAL ADVOGADO: PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL AGRAVADO: V E M FLORESTAL LTDA ADVOGADO: GUILHERME ANDRADE MARTINS E OUTRO(S) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ITR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE AVERBAÇÃO OU DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. INCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL ANTE A AUSÊNCIA DE AVERBAÇÃO. 1. A orientação das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte firmouse no sentido de que "o Imposto Territorial Rural ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação que, nos termos da Lei 9.393/1996, permite a exclusão da sua base de cálculo de área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Declaratório Ambiental do IBAMA" (REsp 665.123/PR,Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 5.2.2007). No mesmo sentido: REsp 1.112.283/PB, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 1/6/2009; REsp 812.104/AL, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 10/12/2007 e REsp 587.429/AL, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 2/8/2004. 2. Agravo regimental não provido ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Sérgio Kukina, Regina Helena Costa, Marga Tessler (Juíza Federal convocada do TRF 4ª Região) e Napoleão Nunes Maia Filho (Presidente) votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília (DF), 19 de março de 2015 (Data do Julgamento Destaco, por fim, o Informativo de Jurisprudência do STJ nº 0375 de 2008, que reitera entendimento acerca da dispensabilidade do ADA. Frisese que o Informativo é posterior às alterações procedidas pelo art. 9º, da Instrução Normativa nº 96, de 30 de março de 2006. Informativo nº 0375 Período: 3 a 7 de novembro de 2008. Segunda Turma ITR. ÁREA. PRESERVAÇÃO PERMANENTE. IBAMA Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10980.725228/201053 Acórdão n.º 2301004.856 S2C3T1 Fl. 175 11 A Turma reiterou o entendimento de que o imposto territorial rural (ITR) é tributo sujeito a lançamento por homologação e que o art. 10, § 7º, da Lei n. 9.393/1996 permite a exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do referido imposto, sem necessidade de ato declaratório ambiental do Ibama. Precedentes citados: REsp 812.104AL, DJ 10/12/2007, e REsp 587.429AL, DJ 2/8/2004. REsp 898.537GO, Rel. Eliana Calmon, julgado em 6/11/2008. Ainda, recentemente o Tribunal Regional Federal da 4ª Região TRF4ª, sedimentou entendimento ao editar Súmula que dispõe sobre a dispensabilidade do ADA, in bis: Súmula 86: É desnecessária a apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA para o reconhecimento do direito à isenção do Imposto Territorial Rural ITR. Todavia, para o gozo da isenção do ITR no caso de área de "reserva legal", é imprescindível a averbação da referida área na matrícula do imóvel."(g.n) Merece guarida, portanto, o entendimento de que não se faz imprescindível a apresentação da ADA Ato Declaratório Ambiental para exclusão da incidência do ITR das áreas de preservação permanente, quando comprovada a existência da referida área mediante outros meios de prova. O recorrente alega que o imóvel "está localizado dentro do perímetro preservado do Bioma da Mata Atlântica, além de se encontrar situado na porção preservada da Serra do Mar do Estado do Paraná". No entanto, essas informações não se prestam para inclusão automática das áreas de sua propriedade como não tributáveis ou isentas. Para a exclusão das áreas de preservação permanente, ainda que fosse a área total da propriedade, seria necessária sua comprovação. Compulsando os documentos acostados ao feito, verifico que o recorrente juntou às fls. 117/119, Memorial Descritivo do Imóvel, elaborado pelo Engenheiro Agrônomo Paulo Roberto da Silveira Pinto, CREA: 12.852/D PR, onde consta a informação de 286,5500 ha de Área de Preservação Permanente APP e 2.325,2697 ha de florestas nativas. O Requerimento e Cadastro de Imóvel com Reserva Legal e Preservação Permanente (fls. 121), corrobora as informações do Memorial Descritivo. Assim, entendo que deve ser considerada 286,5500 ha como APP Área de Preservação Permanente para 2006 e 2007 e deve ser restabelecida a glosa referente a Área de Florestas Nativas de 1.854,9 ha em 2007. Do Valor da Terra Nua VTN A autoridade fiscal entendeu que houve subavaliação do VTN declarado, tendo em vista o valor médio constante do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, em consonância ao art. 14, caput, da Lei nº 9.393/96, razão pela qual foi Fl. 180DF CARF MF 12 rejeitado o VTN declarado para o imóvel na DITR/2006 e DITR/2007, sendo arbitrado o valor de R$ 1.900,00/ha para o exercício de 2006 e de R$ 2.000,00/ha para o exercício de 2007. A Turma de Primeira Instância entendeu que por não ter sido apresentado Laudo Técnico de Avaliação, revestido de rigor científico suficiente a firmar a convicção da autoridade, com os requisitos mínimos exigidos pela norma NBR 146533 da Associação Brasileira de Normas Técnicas, deve ser mantido o VTN arbitrado pela autoridade fiscal. O parágrafo 2° do artigo 8° da Lei n° 9.393, de 1996, dispõe que o VTN deve refletir o preço de mercado de terras, apurado em 1° de janeiro do ano a que se referir a declaração do ITR. A auto avaliação do valor da terra nua a preço de mercado efetuada pelo contribuinte em sua DITR está sujeita à fiscalização pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e, caso verificada a subavaliação, com base na tabela SIPT, será procedida a correção do valor declarado, conforme disposto no art. 14, abaixo transcrito: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Como se vê, por força do estabelecido no § 1º do art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, as informações sobre preços de terras observarão os critérios estabelecidos no artigo 12, § 1°, inciso II, da Lei n 8.629, de 25 de fevereiro de 1.993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos municípios. Confirase a transcrição do referido artigo, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.18356, de 2001: Art.12. Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e cessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel; II aptidão agrícola III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. § 1º Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10980.725228/201053 Acórdão n.º 2301004.856 S2C3T1 Fl. 176 13 indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. § 2º Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. § 3º O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela superavaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Analisandose o conteúdo das normas reguladoras para a fixação dos preços médios de terras por hectare só posso concluir que o levantamento do VTN, levando em conta a média dos VTNs constantes nas DITRs, não tem suporte legal, pois o arbitramento do valor da terra nua com base nos dados do SIPT deve levar em conta, necessariamente, as informações sobre aptidão agrícola, da respectiva área. Ainda que conste às fls. 23 e 24 (Tela SIPT CONSULTA) não há como saber se foram atendidos todos os parâmetros legais para o cálculo do VTN, de modo que não pode ser utilizado para proceder o arbitramento do valor da terra nua. Ainda que o VTN do imóvel tenha sido atribuído com base nas informações da Secretaria Estadual da Agricultura, verificase que o preço médio por aptidão agrícola não corresponde à realidade da propriedade em questão, uma vez que foi utilizado o VTN Médio/Ha de "terras mistas não mecanizáveis", indo de encontro às informações contidas no Memorial Descritivo do Imóvel. No Estado de Direito deve sempre imperar a lei, de tal sorte que o indivíduo só se sentirá forçado a fazer ou não fazer alguma coisa conforme estabelecido pela lei. Daí porque o lançamento ser previsto no art. 142 do Código Tributário Nacional como atividade plenamente vinculada, isto é, sem possibilidade de a cobrança se firmar em ato discricionário. A utilização da tabela SIPT poderia ser válida e utilizada pelo Fisco, desde que ficasse comprovado que efetivamente as características de aptidão agrícola estão sendo levadas em conta para a área que está sendo fiscalizada, estando de acordo com o que a lei determina (existência de lavouras, campos, pastagens, matas etc). O preço médio por aptidão agrícola, ainda que fornecidos pela Secretaria da Agricultura é só um parâmetro inicial, de modo que, de regra, não reflete a realidade do imóvel. No entanto, no caso em tela, verificase que o VTN por aptidão agrícola atribuído ao imóvel, não coincide com as características da propriedade, constante do Memorial Descritivo juntado, sobretudo por possuir área de preservação permanente (área classificada como inaproveitável para atividades agropecuárias). Sendo assim, de pronto verificase a inconsistência entre o arbitramento do Valor da Terra Nua e a realidade do imóvel. Fl. 182DF CARF MF 14 Nesse sentido, cabe transcrever o julgado abaixo, acórdão nº 2102003.137, da 1ª Câmara da 2ª Turma da 2ª Seção deste Egrégio Conselho, o qual ratifica o entendimento desta relatora. Vejamos: "Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2003 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Recurso Voluntário Provido" Na mesma esteira trilha o Acórdão 220201.269, Processo 10.183.005183/200525, Relatora Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, do qual subtraio apenas excerto da ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 [...] VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). INCABÍVEL AUTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO NA DITR. O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria. [...] Não é outro entendimento da E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF ao proferir o Acórdão nº 9202003.749 abaixo ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO SEM APTIDÃO AGRÍCOLA. IMPOSSIBILIDADE. Resta impróprio o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da não observância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel. ____________________________________________________ Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10980.725228/201053 Acórdão n.º 2301004.856 S2C3T1 Fl. 177 15 Processo nº 10218.721049/200792 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.993 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de março de 2016 Matéria ITR Recorrente COMPANHIA AGRO PASTORIL DO RIO TIRAXIMIM Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. LEGALIDADE. O VTN médio extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados nas DITR de outros contribuintes, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. Assim, diante do fato de que o VTN médio utilizado pela autoridade fiscal lançadora não cumpre as exigências determinadas pela legislação de regência, entendo que deve ser restabelecido o Valor da Terra Nua declarado para os exercícios de 2006 e 2007. Da Multa de Ofício Irresignado, o recorrente insurgese alegando que "a multa aplicada no patamar de 75% sobre o total do imposto supostamente denotase confiscatória, em afronta ao disposto no art. 150, IV, da Constituição Federal. No que tange a insurgência do recorrente quanto à multa aplicada, não há quaisquer reparos a serem feitos no lançamento, uma vez que a multa está em consonância com o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. In verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: Fl. 184DF CARF MF 16 a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5º Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e II – (VETADO). No caso presente, conforme se verifica, tendo sido aplicada a penalidade de sua forma simples (75%), o que se tem, no caso, nada mais é que a exclusiva observância da expressa disposição legal. Assim, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96, cabe a aplicação da multa de ofício nos percentuais ali definidos. A arguição quanto à eventual natureza confiscatória da multa envolve matéria constitucional, cuja apreciação foge à alçada deste Colegiado, nos termos da Súmula CARF nº 2, de Enunciado: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10980.725228/201053 Acórdão n.º 2301004.856 S2C3T1 Fl. 178 17 Da Conversão em Diligência Não há qualquer necessidade da conversão dos autos em diligencia. Não basta pedir a diligencia, é necessário demonstrar o motivo e o que pretende comprovar e a impossibilidade da produção da prova para pedir a realização da diligencia. No presente caso, não se verifica a necessidade de diligência ou produção de provas para o deslinde da controvérsia. DIANTE DO EXPOSTO, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO recurso para que: a) seja considerada 286,5500 ha como APP Área de Preservação Permanente para 2006 e 2007; b) seja cancelada a glosa referente a Área de Florestas Nativas de 1.854,9 ha em 2007; c) seja restabelecido o VTN declarado pelo contribuinte nos exercícios de 2006 e 2007. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Voto Vencedor Conselheira Andrea Brose Adolfo Redatora Área de Preservação Permanente e de Florestas Nativas Com relação à Área de preservação permanente APP de 1.412,80 ha declarada pelo recorrente em suas DITR/2006 e 2007 e da área de Florestas Nativas de 1.854,90 ha na DITR/2007, discordo da posição adotada pela relatora acerca da disponibilidade de apresentação do ADA Ato Declaratório Ambiental ao IBAMA para fins de isenção do ITR. Isto porque, em qualquer dos casos de isenção do ITR, por existências de áreas de interesse ambiental, o contribuinte tem o ônus de apresentar ao IBAMA o ADA. Tal obrigação é prevista no art. 17O, §1º, da Lei nº 6.938, de 1981, com redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, verbis: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) ... Fl. 186DF CARF MF 18 § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Assim, como o recorrente não apresentou o ADA tempestivamente ao IBAMA, entendo que deve ser mantida a glosa da área de preservação permanente (APP) de 1.412,80 ha para os exercícios de 2006 e 2007 e da área de 1.854,90 ha de florestas nativas para o exercício de 2007. Conclusão Pelo exposto, voto por manter a glosa da área de preservação permanente (APP) de 1.412,8ha para os exercícios 2006 e 2007 e da área de florestas nativas de 1.854,9ha para o exercício de 2007. É como voto. (Assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Conselheira Redatora Fl. 187DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10845.001840/2004-43
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. 1NTEMPESTIVIDADE. Por
intempestivo, não se conhece do recurso voluntário protocolizado após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto n° 70.235/72.
Numero da decisão: 1802-000.308
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Ester Marques Lins de Sousa
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. 1NTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do recurso voluntário protocolizado após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto n° 70.235/72.
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PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO ' Processo n° 10845.001840/2004-43 Recurso n° 166.839 Voluntário • Acórdão n° 1802-00.308 — 2" Turma Especial Sessão de 8 de dezembro de 2009 Matéria IRPJ e Outro Recorrente IMAIPESCA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PESCADOS LTDA Recorrida 4a.Turma/DRJ/São Paulo/SP Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. 1NTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do recurso voluntário protocolizado após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto n° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestivo, nos termos do lat&io e voto que integram o presente julgado. R M Q1,1 ' INS DE 5&---;.--Ari Presi:ente e Relatora. EDITADO EM: 26 if\N aVn Participaram da sessão de/julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente da Turma), José De Oliveira Ferraz Corrêa, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (Conselheiro Convocado), Nelso Kichel (Suplente Convocado), Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e João Francisco Bianco (Vice Presidente da Turma). - Relatório IMAIPESCA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PESCADOS LTDA, já qualificada nos autos, recorre a este colegiado da decisão de primeira instância, que julgou totalmente procedente os lançamentos relativos ao crédito tributário consolidado à f1.05, consubstanciado nos seguintes autos de infração, cientificados ao contribuinte em 02/07/2004, referentes ao ano calendário de 1999: - Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, fls.06/09, no valor de R$ • 24.325,84, acrescido de multa de oficio no percentual de 75% e juros de mora; - Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido —CSLL, fls.10/13, no valor de R$ 13.507,83, acrescido de multa de oficio no percentual de 75% e juros de mora; A exigência relativa ao IRPJ, apurado em 31/12/1999, confotme o Termo de Constatação Fiscal (f114), a descrição dos fatos e enquadramento legal, à fl.07, decorre da GLOSA DE DESPESAS, por falta de comprovação de sua materialidade, tendo em vista que foram apresentados somente "recibos, sem deles constarem os requisitos legais da causa que justificaram os pagamentos, natureza do serviço ou do fornecimento, identificação dos emitentes dos mesmos contendo CPF ou CNPJ, nome completo, endereços etc". O contribuinte foi cientificado da decisão proferida mediante o Acórdão n° 16-15.632, de 28/11/2007, da 4 a.Turma da DRJ/São Paulo/SPOI, fls.125/135, conforme Aviso de Recebimento (AR), fl.138, em 16/01/2008,quarta feira, e, interpôs recurso ao Conselho de Contribuintes, em 19/02/2008, (terça feira) fls .139/144. Na peça recursal a Recorrente com supedâneo no art.151, inciso III do CTN, contesta a decisão de primeira instância, aduzindo, em síntese, as seguintes razões: - que, as notas fiscais e recibos apresentados, no ato fiscalizatório, são emitidos pelos fornecedores da impugnante, eximindo a mesma de qualquer responsabilidade pela escrituração; - que, a recorrente não só pagou o tributo devido, na época das respectivas hipóteses de incidência, bem como colocou toda a documentação fiscal à disposição do auditor fiscal, cumprindo dessa fauna com seu dever instrumental, que é somente obrigação acessória, excluindo assim a responsabilidade pela emissão dos referidos recibos; Quanto à decisão recorrida, discorda dessa pelos fundamentos de que às instâncias administrativas não cabe decidir sobre inconstitucionalidade de leis. Entende que havendo a convicção de que a non-na é inconstitucional, é obrigação da autoridade administrativa fazer prevalecer a norma constitucional. Ao final requer o reconhecimento dos recibos como documentos para efeito de dedutibilidade de IRPJ e seja o recurso julgado procedente. É o relatório. 2 Processo n° 10845.001840/2004-43 S1-TE02 Acórdão n.° 1802-00308 Fl. 2 Voto Conselheira Relatora ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Conforme relatado acima, a interessada foi cientificada da decisão proferida mediante o Acórdão n° 16-15.632, de 28 de novembro de 2007, da 4? Turma da DRJ/São Paulo/SPOI (fls.125/135) conforme Aviso de Recebimento (AR), f1.138, em 16/01/2008, quarta feira, e, interpôs Recurso ao Conselho de Contribuintes, (fl.139), somente em 19/02/2008, terça feira, portanto, após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art.33 do Decreto n O 70.235/72, que teria como prazo fatal o dia 15/02/2008 para a apresentação da referida peça recursal. Diante do exposto, concluo que o presente recurso, é intempestivo, não preenche as condições de admissibilidade, nos termos do art.33 do Decreto n° 70.235/72, razão pela qual voto por não conhecê-lo. Re ató a ESTER S • 3
score : 1.0
Numero do processo: 10480.720046/2013-70
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009
PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. EXCEÇÃO À REGRA.
Tratando-se de contraposição a fatos e/ou razões aduzidos nos autos somente após a impugnação, não se tem por configurada a preclusão.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
O crédito tributário, quer se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009
BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. DESCONTOS OBTIDOS.
Os descontos obtidos sobre os preços praticados pelo fornecedor estão contidos na receita bruta, sendo irrelevante, para o comprador, se eles foram concedidos de forma condicional ou não.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009
BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. DESCONTOS OBTIDOS.
Os descontos obtidos sobre os preços praticados pelo fornecedor estão contidos na receita bruta, sendo irrelevante, para o comprador, se eles foram concedidos de forma condicional ou não.
RECURSO ESPECIAL DA PGFN PROVIDO
RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO
Numero da decisão: 9303-003.547
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e negar provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo. Vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento ao recurso da Fazenda Nacional e davam provimento ao recurso do Sujeito Passivo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Rodrigo da Costa Pôssas - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. EXCEÇÃO À REGRA. Tratando-se de contraposição a fatos e/ou razões aduzidos nos autos somente após a impugnação, não se tem por configurada a preclusão. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. DESCONTOS OBTIDOS. Os descontos obtidos sobre os preços praticados pelo fornecedor estão contidos na receita bruta, sendo irrelevante, para o comprador, se eles foram concedidos de forma condicional ou não. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. DESCONTOS OBTIDOS. Os descontos obtidos sobre os preços praticados pelo fornecedor estão contidos na receita bruta, sendo irrelevante, para o comprador, se eles foram concedidos de forma condicional ou não. RECURSO ESPECIAL DA PGFN PROVIDO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e negar provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo. Vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento ao recurso da Fazenda Nacional e davam provimento ao recurso do Sujeito Passivo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Vanessa Marini Cecconello - Relatora Rodrigo da Costa Pôssas - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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INOCORRÊNCIA. EXCEÇÃO À REGRA. Tratandose de contraposição a fatos e/ou razões aduzidos nos autos somente após a impugnação, não se tem por configurada a preclusão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. DESCONTOS OBTIDOS. Os descontos obtidos sobre os preços praticados pelo fornecedor estão contidos na receita bruta, sendo irrelevante, para o comprador, se eles foram concedidos de forma condicional ou não. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. DESCONTOS OBTIDOS. Os descontos obtidos sobre os preços praticados pelo fornecedor estão contidos na receita bruta, sendo irrelevante, para o comprador, se eles foram concedidos de forma condicional ou não. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 00 46 /2 01 3- 70 Fl. 2305DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.306 2 RECURSO ESPECIAL DA PGFN PROVIDO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e negar provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo. Vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento ao recurso da Fazenda Nacional e davam provimento ao recurso do Sujeito Passivo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Vanessa Marini Cecconello Relatora Rodrigo da Costa Pôssas Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratamse de recursos especiais de divergência opostos pela Fazenda Nacional e pela Contribuinte em face do acórdão nº 3403002.585 proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento (efls. 1.712 a 1.745), em sessão realizada no dia 26/11/2013, tendo restado assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 2306DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.307 3 Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. DESCONTOS DE CARÁTER CONTRAPRESTACIONAL. Os descontos de caráter contraprestacional não são considerados descontos incondicionais, e compõem a base de cálculo da Contribuição. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETE. TRANSPORTE DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. A tomada de créditos sobre despesas com fretes limitase às operações de venda. No contexto das atividades de venda a varejo de mercadorias em supermercados, os serviços de transporte de mercadorias entre estabelecimentos não guarda relação de pertinência, não se caracterizando como insumo. CRÉDITOS MERCADORIAS ADQUIRIDAS PARA REVENDA ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA IMPOSSIBILIDADE O ICMSST não integra o valor das aquisições de mercadorias para revenda, para fins de cálculo do crédito a ser descontado da contribuição devida, por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído na saída das mercadorias. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO DE DESCONTOS DE CARÁTER CONTRAPRESTACIONAL. Os descontos de caráter contraprestacional não são considerados descontos incondicionais, e compõem a base de cálculo da Contribuição. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETE. TRANSPORTE DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. A tomada de créditos sobre despesas com frete limitase às operações de venda. No contexto das atividades de venda a varejo de mercadorias em supermercados, os serviços de transporte de mercadorias entre estabelecimentos não guarda relação de pertinência, não se caracterizando como insumo. CRÉDITOS MERCADORIAS ADQUIRIDAS PARA REVENDA ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA IMPOSSIBILIDADE Fl. 2307DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.308 4 O ICMSST não integra o valor das aquisições de mercadorias para revenda, para fins de cálculo do crédito a ser descontado da contribuição devida, por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído, na saída das mercadorias. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONFISCATORIEDADE. AFASTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Estando cominada em lei a multa de lançamento de ofício no percentual de 75%, descabe deixar de aplicála por considerações a respeito de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade, arguições que desbordam a competência do julgamento administrativo. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Carece de base legal a incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte [...] ACORDAM os membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: a) pelo voto de qualidade, negar provimento quanto à exclusão das bonificações da base de cálculo das contribuições, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. b) por maioria de votos, dar provimento para excluir a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencido o Conselheiro Alexandre Kern, e negar provimento quanto à exclusão do rateio das despesas de propaganda da base de cálculo das contribuições, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Ivan Allegretti. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Rosaldo Trevisan. [...] Originouse a controvérsia em auto de infração lavrado pela Delegacia da Receita Federal de Recife PE, decorrente do encerramento parcial de ação fiscal (efls. 028 a 036) realizada na sede do Contribuinte na qual foi constatada a insuficiência de recolhimentos das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, pois, no entender da Fiscalização, deixaram de ser incluídas nas respectivas bases de cálculo receitas tributáveis, bem como por ter havido o aproveitamento de créditos indevidamente apurados. Na fiscalização, foram abrangidos os períodos de apuração de janeiro de 2008 a dezembro de 2009. Fl. 2308DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.309 5 Durante a realização do procedimento fiscal, a empresa Contribuinte foi intimada a apresentar acordos comerciais, celebrados com seus fornecedores de mercadoria e/ou serviços, além de documentos fiscais e contábeis relativos aos descontos pactuados e créditos de PIS/COFINS, registrados em determinadas contas. Na análise da documentação, a Fiscalização concentrouse em dois pontos: (a) na contabilização dos descontos concedidos à empresa por seus fornecedores, tendo concluído que os mesmos deveriam compor sua receita operacional e sujeitaremse à tributação pelo PIS/COFINS; e (b) nos créditos escriturados de PIS/COFINS relativos ao frete entre estabelecimentos e ao ICMS ST incidente na compra de mercadorias, entendendo ao final que referidos créditos escriturados não são admitidos pela legislação de regência dos tributos, sendo, portanto, indevidos. Foi constituído, assim, o auto de infração para cobrança dos valores excluídos da tributação pelo PIS e pela COFINS e glosa dos créditos ditos indevidos pela Autoridade Fiscal, abrangendo o período de janeiro de 2008 a dezembro de 2009. Aplicados juros calculados com base na taxa SELIC e multa correspondente a 75% (setenta e cinco por cento) do valor do débito, que somados ao principal alcançavam até 12/2012 o montante de R$157.394.174,99 (cento e cinquenta e sete milhões, trezentos e noventa e quatro mil, cento e setenta e quatro reais e noventa e nove centavos). Intimada da lavratura do auto de infração, a Contribuinte apresentou Impugnação (efls. 1.350 a 1.415) alegando, quanto ao primeiro ponto, em síntese, que os descontos incondicionais, concedidos por seus fornecedores nos contratos de compra e venda, e ainda a entrega de mercadorias em bonificação, não constituem receita bruta operacional tributável pelo PIS/COFINS, caracterizandose tão somente em redutores de custo das mercadorias adquiridas. Aduziu, ainda, que há excesso de cobrança no auto de infração, tendo em vista que as bonificações recebidas dos fornecedores em dinheiro já foram devidamente tributadas pelo PIS/COFINS, requerendo, por conseguinte, a exclusão dos valores da autuação. No que concerne à glosa dos créditos apurados a título de despesas com frete de mercadorias do centro de distribuição para as suas lojas e de ICMSST nas compras de mercadorias, iniciou sua defesa, ressaltando a necessidade de observância ao princípio da nãocumulatividade previsto no art. 195, §§ 12º e 13º da Constituição Federal, pois aplicável ao seu setor econômico nos termos da legislação ordinária. Tratando dos créditos específicos de frete, alegou em sua impugnação que as Soluções de Divergência nº 11/2007, 12/2008, 26/2008 e 2/2011, utilizadas como fundamento legal do Auto de Infração para glosa dos créditos, não produzem efeitos quanto às suas operações. Trouxe, ainda, o argumento de que o entendimento adotado pela Fiscalização não está alinhado às recentes decisões administrativas e judiciais quanto à matéria, lastreando sua argumentação no acórdão nº 340300.485 proferido pelo CARF e no recurso especial nº 1.215.773RS, julgado pelo Superior Tribunal de Justiça em 22/08/2012, que tratam de casos análogos ao dos presentes autos. Por fim, asseverou que as despesas com frete das mercadorias, destinadas à revenda podem ser classificadas como insumos para a realização de suas atividades, conforme inciso II do artigo 3º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, possibilitando o seu integral creditamento. Fl. 2309DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.310 6 De outro lado, abordou a glosa dos créditos relativos ao valor do ICMSST incidente nas aquisições de mercadorias, na hipótese em que a Contribuinte assume a condição de substituída tributária, sustentando que a autuação não merece prosperar uma vez que a base de cálculo dos créditos de PIS e COFINS na aquisição de mercadorias destinadas à revenda é "o valor dos bens adquiridos para revenda", consoante art. 3º, inciso I e art. 3º, §1º, inciso I da Lei nº 10.833/03, estando nele compreendido o ICMSST. Embasou seus argumentos em posicionamentos do CARF e da Receita Federal, bem como citou a Instrução Normativa nº 404, de 12/03/2004, que trata do alcance da expressão "valor do bem adquirido para revenda". A Contribuinte também consignou em sua defesa a diferenciação entre a recuperação jurídica e a recuperação econômica de tributos, referindo tratarse o crédito de ICMSST de recuperação econômica. Pontuou, ainda, que o ICMSST é devido integralmente na operação de venda realizada pelo substituto ao substituído, sendo recolhido em caráter definitivo pelo fornecedor e repassado na forma de preço ao varejista, e não como um crédito compensável na escrita fiscal. A Contribuinte, na sua impugnação, atacou ainda a aplicação da multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do art. 44, inciso II da Lei nº 9.430/96, por considerála confiscatória e desproporcional à situação fática, postulando o seu afastamento. Na sequência, ventilou argumentos quanto à impossibilidade de incidência de juros pela taxa SELIC sobre a multa de ofício na cobrança do crédito tributário, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Ao final, requereu a Contribuinte em sua impugnação: (a) o cancelamento da parcela do auto de infração referente aos valores de bonificações recebidos em dinheiro que já teriam sofrido a tributação pelo PIS e pela COFINS; (b) a exclusão da cobrança de PIS e COFINS sobre as mercadorias recebidas a título de bonificação; (c) cumulativamente, o julgamento de total improcedência do auto de infração e, por conseguinte, o cancelamento integral do crédito tributário por ele constituído; e (d) por eventualidade, no mínimo o afastamento da multa e dos juros sobre a multa, além da aplicação do art. 100 do Código Tributário Nacional para exclusão das penalidades e dos consectários legais. Na análise da impugnação apresentada pela Contribuinte, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamentos em Recife (PE), por meio do acórdão nº 1140.912 (efls. 1.430 a 1.462), manteve o lançamento do crédito tributário, restando assim ementado o julgado: [...] ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 BASE DE CÁLCULO. TOTAL DAS RECEITAS. Para fins de apuração do valor tributável, computase o total das receitas, que compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Fl. 2310DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.311 7 DESCONTOS CONCEDIDOS PARA FINANCIAMENTO DAS ATIVIDADES DO ADQUIRENTE, AINDA QUE IMPLIQUEM CONTRAPRESTAÇÕES. RECEITAS TRIBUTÁVEIS. Compõem a base de cálculo da contribuição, por representarem receitas do adquirente, os descontos obtidos em negociações com fornecedores para financiamento da sua atividade operacional, ainda que haja alguma contrapartida, como prestações de serviços (de transporte, de propaganda, de venda), aluguel de espaços privilegiados nas lojas ou promoção de eventos. RECEITA FINANCEIRA. CONCEITO. Receita financeira é aquela decorrente de uma aplicação (lato sensu) financeira, que pode também ser na forma de empréstimo (mútuo) ou de pagamento antecipado. Não se enquadram nesta categoria os descontos comerciais. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. NOTA FISCAL DESVINCULADA. DOAÇÃO. INCIDÊNCIA. As bonificações em mercadorias que não sejam dadas em forma de desconto incondicional, reduzindo o valor da Nota Fiscal de venda, mas em separado, constituemse em doação, que é receita para quem a recebe, sujeita, portanto, à incidência da contribuição. CONTRAPARTIDA INCERTA. REEMBOLSO DE DESPESAS. DESCARACTERIZAÇÃO. As bonificações, na forma de descontos ou em mercadorias, concedidas para financiamento de despesas havidas por quem as recebe, não se configuram como reembolso destas mesmas despesas quando o aporte dos recursos se dá sem uma contrapartida previamente definida e quantificada. ACORDO DE NÃODEVOLUÇÃO. CONTRATO DE SEGURO. PRÊMIO. RECEITA. Os descontos concedidos em troca do compromisso de nãodevolução de mercadorias são tributáveis, pois têm natureza de prêmio de seguro. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 BASE DE CÁLCULO. TOTAL DAS RECEITAS. Para fins de apuração do valor tributável, computase o total das receitas, que compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. DESCONTOS CONCEDIDOS PARA FINANCIAMENTO DAS ATIVIDADES DO ADQUIRENTE, AINDA QUE IMPLIQUEM CONTRAPRESTAÇÕES. RECEITAS TRIBUTÁVEIS. Fl. 2311DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.312 8 Compõem a base de cálculo da contribuição, por representarem receitas do adquirente, os descontos obtidos em negociações com fornecedores para financiamento da sua atividade operacional, ainda que haja alguma contrapartida, como prestações de serviços (de transporte, de propaganda, de venda), aluguel de espaços privilegiados nas lojas ou promoção de eventos. RECEITA FINANCEIRA. CONCEITO. Receita financeira é aquela decorrente de uma aplicação (lato sensu) financeira, que pode também ser na forma de empréstimo (mútuo) ou de pagamento antecipado. Não se enquadram nesta categoria os descontos comerciais. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. NOTA FISCAL DESVINCULADA. DOAÇÃO. INCIDÊNCIA. As bonificações em mercadorias que não sejam dadas em forma de desconto incondicional, reduzindo o valor da Nota Fiscal de venda, mas em separado, constituemse em doação, que é receita para quem a recebe, sujeita, portanto, à incidência da contribuição. CONTRAPARTIDA INCERTA. REEMBOLSO DE DESPESAS. DESCARACTERIZAÇÃO. As bonificações, na forma de descontos ou em mercadorias, concedidas para financiamento de despesas havidas por quem as recebe, não se configuram como reembolso destas mesmas despesas quando o aporte dos recursos se dá sem uma contrapartida previamente definida e quantificada. ACORDO DE NÃODEVOLUÇÃO. CONTRATO DE SEGURO. PRÊMIO. RECEITA. Os descontos concedidos em troca do compromisso de nãodevolução de mercadorias são tributáveis, pois têm natureza de prêmio de seguro. Impugnação improcedente Crédito Tributário Mantido [...] Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Impugnação, mantendo, em sua íntegra, o crédito tributário exigido, nos termos do Voto do Relator. [...] Inconformada com o acórdão que manteve o lançamento do crédito tributário, a Contribuinte apresentou recurso voluntário (efls. 1.470 a 1.539) no qual aduziu as mesmas razões de defesa constantes na impugnação. Sobrevieram contrarrazões apresentadas pela Procuradoria da Fazenda Nacional (efls. 1.615 a 1.642) pugnando pelo não provimento do recurso voluntário e pela consequente manutenção da autuação em todos os seus termos. Fl. 2312DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.313 9 Conforme já referido no início deste relatório, ao apreciar o recurso voluntário da Contribuinte, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF proferiu julgamento de parcial procedência do recurso, mantendo o crédito tributário apenas em parte, para afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício (efls. 1.712 a 1.745). A Fazenda Nacional apresentou recurso especial (efls 1.747 a 1.756), admitido pelo despacho nº 3400159 4ª Câmara, de 16 de setembro de 2014 (efls. 1.764 e 1.765), insurgindose contra a decisão que deu parcial provimento ao recurso voluntário da Contribuinte para excluir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Embasou a divergência nos acórdãos paradigma nºs 910100.539 e 9202 01.991 proferidos, respectivamente, pela Primeira e Segunda Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que são devidos juros de mora, pela taxa Selic, sobre todo o crédito tributário, incluída a multa de ofício. Também lastreou a sua pretensão de reforma do acórdão nas disposições contidas no §1º, do art. 113, no art. 139 e no §1º, do art. 161, todos do Código Tributário Nacional. Contrarrazões foram apresentadas às efls 1.770 a 1.781. A Contribuinte interpôs recurso especial (efls. 1.819 a 1.860), que foi admitido pelo despacho s/nº, de 05 de junho de 2015 (efls. 2.262 a 2.265), apontando divergências quanto (a) à natureza dos descontos comerciais, decorrentes de contratos formalizados com fornecedores, para fins de composição ou não da base de cálculo do PIS e da COFINS, com fulcro nos paradigmas nº 3402002.210 e 3402002.092; (b) à legitimidade do crédito de PIS e COFINS, apurado sobre as despesas de frete de transporte de mercadorias entre os seus estabelecimentos (centro de distribuição para as lojas), consoante paradigmas nº 3201000.845, 3401002.075; e (c) o direito ao aproveitamento do crédito sobre o valor do ICMSST das aquisições de mercadorias para revenda, lastreado no acórdão trazido como paradigma de nº 3801003.237. Contrarrazões vieram às efls. 2.267 a 2.294 dos autos. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado em 11/12/2015, com numeração eletrônica até a folha 2304 (dois mil trezentos e quatro), estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello Relatora Admissibilidade Fl. 2313DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.314 10 Os recursos especiais de divergência interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional e pela Contribuinte preenchem os requisitos de admissibilidade constantes do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, devendo, portanto, ser admitidos e conhecidos. Em atenção à preliminar de inadmissibilidade suscitada pela Contribuinte em sede de contrarrazões ao recurso especial da Fazenda Nacional, consignese que até o momento a tese quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício não se encontra superada no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais, razão pela qual incabível a aplicação do §10, do art. 67 do RICARF para reforma do exame de admissibilidade do apelo fazendário. Mérito A controvérsia posta nos presentes autos, para exame em sede de recursos especiais interpostos por ambas as partes, cingese, em síntese: (i) à definição da natureza dos descontos pactuados entre a Contribuinte e seus fornecedores e das bonificações recebidas em mercadorias, para fins de composição da base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS dos períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 2008 a dezembro de 2009; (ii) à possibilidade de tomada de créditos sobre despesas com fretes decorrentes do serviço de transporte de mercadorias entre os estabelecimentos do Sujeito Passivo (do centro de distribuição para as lojas); (iii) à possibilidade de tomada de créditos das contribuições nãocumulativas sobre os valores de ICMSST das aquisições de mercadorias para revenda. (iv) à incidência ou não de juros de mora sobre a multa de ofício cominada em lei no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição não pago, não declarado ou que tenha sido objeto de declaração inexata; Conforme relatado, o acórdão nº 3403002.585 proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento (efls. 1.712 a 1.745), deu parcial provimento ao recurso voluntário interposto pela Contribuinte, restando consignado na fundamentação o seguinte entendimento sobre os temas centrais antes apontados: (i) Descontos os descontos de caráter contraprestacional não são descontos incondicionais, integrando a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS; (ii) Créditos de despesas com fretes nas atividades de venda a varejo de mercadorias em supermercados, os serviços de transporte de mercadorias entre os estabelecimentos (centro de distribuição para lojas) não se caracterizam como insumos, pois não guarda relação de pertinência com o processo; Fl. 2314DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.315 11 (iii) Créditos de ICMSST o ICMSST não compõe o valor das aquisições de mercadorias para revenda, para fins de cálculo do crédito a ser descontado da contribuição devida, por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído, na saída das mercadorias; (iv) Juros sobre multa de ofício indevida a incidência de juros sobre a multa de ofício em razão de não existir base legal que a ampare. A Fazenda Nacional insurgese parcialmente contra o acórdão, sustentando ser devida a incidência de juros sobre a multa de ofício. A Contribuinte, por sua vez, postula a reforma da decisão quanto às demais matérias. Devidamente contextualizada a lide, passase à análise pontual dos temas que são objeto dos recursos especiais. 1) Descontos comerciais ou bonificações Alega a Contribuinte em suas razões recursais que os descontos concedidos pelos fornecedores não compõem a receita da pessoa jurídica, constituindose em redutores de custo na aquisição das mercadorias, não havendo, portanto, receita tributável pelo PIS e pela COFINS. O ponto principal a ser verificado é se os descontos obtidos pela Contribuinte junto aos seus fornecedores, e que culminaram com a obtenção de redução do valor do preço das faturas/duplicatas a pagar, integram ou não a base de cálculo do PIS e da COFINS. No termo de encerramento parcial da ação fiscal (efls. 28 a 36), restou consignado pela Fiscalização que a Contribuinte excluiu da base de cálculo do PIS e da COFINS "receitas registradas em contas que por sua natureza compõem a sua receita bruta [...]", a saber: receitas de promoções, receita de promoção de publicidade, receita enxoval novas lojas, receitas de acordos de não devolução, receitas de eventos promocionais, receitas não diferidas EITF. Houve o lançamento pela Autoridade Fiscal dos valores entendidos como devidos sobre as receitas não incluídas nas bases de cálculo, por considerar que: "7 À luz da legislação de regência, temos que as receitas auferidas pela empresa e contabilizadas nas contas acima especificadas, por sua natureza, é parte efetiva do seu faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, conforme está previsto no artigo 1º da lei 10.637/2002 (para o PIS/Faturamento) e da lei 10.833/2003 (para a COFINS). [...] 12 Ocorre que, as contas aqui relacionadas se referem a valores recebidos pelo Bompreço, de entidades "parceiras", em virtude de entendimentos contratuais (ou não); logo, independente da forma em que esses particulares formalizem tais entradas de recursos ("receitas de promoção", "eventos promocionais", "publicidade", "enxoval nova loja", "acordo de não devolução", "EITF", "descontos obtidos programa pagamento, etc), esses Fl. 2315DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.316 12 recursos constituem efetivas receitas para o seu negócio (faturamento) da fiscalizada. 13 Particularmente, em relação à conta 421302 DESC. OBTIDOS PROG P temos os seguintes esclarecimentos a serem feitos: 14 Solicitada sobre a sua natureza jurídica e fundamentação, a empresa veio explicar que se tratavam de "descontos financeiros obtidos através de negociações comerciais com os fornecedores, conforme acordo comercial (desconto padrão)". 15 Em contraponto com o que nos foi arrazoado, sabemos que os descontos financeiros (ou condicionais) constituem vantagens financeiras que são concedidas ao adquirente, que dependem do implemento de condições futuras e incertas, relacionadas ao pagamento da obrigação. Ou seja, tratase de estímulo à liquidação antecipada da obrigação assumida, sem relação direta com a transação mercantil em si, pois está relacionado somente com as suas condições de pagamento. 16 Não é o que vemos registrado na conta 421302 DESC. OBTIDOS PROG P. Aqui, se trata de ganhos com a natureza dos chamados descontos comerciais, i.é, receitas (de bonificação) obtidas por meio de acordos comerciais feitos previamente à operação de compra/venda; que, no entanto, não eram destacados no documento fiscal (a fiscalizada registrava a nota fiscal de compra pelo seu valor integral, compondo base de cálculo dos créditos para o PIS/COFINS). [...] 18 Os Descontos Comerciais (também chamados de Descontos Incondicionais na denominação adotada pela Lei das S.A.) são descontos que independem das condições de pagamento da operação de compra / venda; sendo concedidos no momento em que se contrata a operação em função de outros fatores como: interesse promocional; cliente preferencial, política da empresa, etc. 19 Assim é que, igualmente às demais contas listadas acima, o resultado dessas operações representam faturamento nos termos do que determinam as leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003." (grifouse) O entendimento da Fiscalização foi referendado pelas decisões de 1ª e 2ª instâncias no presente processo administrativo, sendo objeto agora de análise por meio de recurso especial. Feitas essas ponderações, necessário se faz estabelecer conceitos e premissas que nortearão o julgamento do tema. Tendo em vista que as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 estabeleceram como base de cálculo para as contribuições do PIS e da COFINS, respectivamente, o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, pertinente elucidar o conceito do termo "receita". O Supremo Tribunal Federal, ao analisar o tema sob o prisma do disposto no art. 195, I, b, da Constituição Federal, Fl. 2316DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.317 13 no julgamento do recurso extraordinário nº 606.107/RS, de relatoria da Ministra Rosa Weber, definiu que receita é "o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições". Acrescentou, ainda, a Relatora que a contabilidade constituise em ferramenta empregada para fins tributários, mas moldada por princípios e regras próprios do Direito Tributário. Segue abaixo transcrita a ementa do referido julgado no que interessa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. [...] V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. [...] VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. Fl. 2317DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.318 14 IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. (grifouse) Na definição consagrada pelo STF, portanto, receita é o ingresso no patrimônio sem que haja reservas ou condições a serem implementadas, nitidamente não se enquadrando no caso dos descontos pactuados pela Contribuinte e seus fornecedores. De outro lado, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) aprovou o Pronunciamento Técnico CPC 30 (R1) Receitas, em 19/10/2012, definindo receita como o "aumento nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento de ativos ou diminuição de passivos que resultam em aumentos do patrimônio líquido da entidade e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade". O pronunciamento foi referendado pela CVM por meio da Deliberação nº 692/12. Conforme consta no item 10 do CPC nº 30, as bonificações ou os descontos deverão ser deduzidos da receita pela sociedade no momento do registro contábil: Mensuração da receita 9. A receita deve ser mensurada pelo valor justo da contraprestação recebida ou a receber. 10. O montante da receita proveniente de uma transação é geralmente acordado entre a entidade e o comprador ou usuário do ativo e é mensurado pelo valor justo da contraprestação recebida, deduzida de quaisquer descontos comerciais e/ou bonificações concedidos pela entidade ao comprador. (grifouse) Ainda no âmbito das normas contábeis, o Pronunciamento Técnico CPC 16 Estoques, aprovado pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) em 08/05/2009, e referendado pela CVM Deliberação nº 575/09 alt. 624/10, ao tratar dos custos de aquisição do estoque, estabelece que os "descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição", conforme se depreende da leitura dos seus itens 9, 10 e 11: Mensuração de estoque 9. Os estoques objeto deste Pronunciamento devem ser mensurados pelo valor de custo ou pelo valor realizável líquido, dos dois o menor. Custos do estoque 10. O valor de custo do estoque deve incluir todos os custos de aquisição e de transformação, bem como outros custos incorridos para trazer os estoques à sua condição e localização atuais. Custos de aquisição Fl. 2318DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.319 15 11. O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição. (grifouse) Portanto, em consonância com as definições jurídica e contábil de receita e a regulação de estoques, os descontos comerciais, por estarem vinculados às operações de aquisições, constituemse em redutores de custos do estoque para o adquirente, sendo incabível o seu enquadramento como receitas. Nessa esteira, uma vez que também se deve identificar a natureza jurídica das vantagens obtidas pela Recorrente nas concessões feitas pelos seus fornecedores no cumprimento dos acordos comerciais, importa estabelecer o conceito de "bonificações", as quais possuem rigorosamente o mesmo regime jurídico dos descontos comerciais. A matéria foi tratada com propriedade pelo ilustre Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, ao proferir o acórdão nº 3402002.210, em sessão de julgamento realizada no dia 26/09/2013, o qual peço vênia para reproduzir em parte, que passa a integrar as razões deste voto: [...] as bonificações, sejam elas veiculadas mediante abatimento de preço, em moeda com objetivo de “rebache de preço” ou em mercadoria, serão sempre descontos condicionais ou incondicionais. Ou seja, têm sempre natureza jurídica de desconto, e como tal deve ser tratadas pelo Direito, seja Privado seja Tributário, cabendo, então, aprofundar a investigação do conceito, conteúdo e alcance do que venha a ser bonificação ou desconto, e os correspondentes tratamentos determinados pelo ordenamento pátrio, para se aquilatar os efeitos tributários que deles devam emanar. [...] Conhecidas as regras contábeis vigentes no Brasil segundo os CPC nºs 16 e 30, de 2009 e Deliberações CVM nºs 575 e 597, de 05 de junho e 15 de Setembro de 2009, respectivamente, assim como as regras internacionais contábeis, às quais o Brasil está em convergência especialmente após a edição da Lei nº 11.638/07 (que promoveu significativas alterações na Lei nº 6.404/76 – LSA´s.), resta claro que as bonificações e descontos comerciais obtidos têm tratamento contábil de redução de custos, sendo que devem ser reconhecidos à conta de resultado ao final do período, se o desconto corresponder a produtos já efetivamente comercializados, ou à conta redutora de estoques, se o desconto referirse a mercadorias ainda não comercializadas pela entidade. Não podem ser reconhecidas como receita pelo vendedor assim como não são custos pelo comprador. A pretensão de reconhecer as bonificações ou descontos como receita pelo comprador, contrariaria inteiramente os princípios contábeis geralmente aceitos, pois ao mesmo tempo seria receita do vendedor (que não a pôde deduzir por proibição fiscal – já que não tratase de “desconto incondicional) e do comprador. Fl. 2319DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.320 16 Essas são, portanto, as regras que devem ser observadas no tocante aos efeitos contábeis, e, consequentemente, a nível de Direito Societário e na relação da sociedade com seus sócios e com terceiros, para fins de análise das demonstrações financeiras das entidades, decorrendo daí uma gama imensa de efeitos que permeiam todo o mercado. Ou seja, segundo as melhores práticas contábeis, os registros das bonificações e descontos comerciais devem ser tratados com redutores de custos, excluídos que estão das receitas. [...](grifouse) O entendimento da Ciência Contábil de que a bonificação ou desconto comercial devem ser classificados como redução de custo, exerce influência no Direito Tributário, em especial no tema quanto à incidência das contribuições para o PIS e a COFINS. Essa interpretação decorre das normas contidas nos artigos 109 e 110 do Código Tributário Nacional (CTN), in verbis: Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Portanto, o conteúdo dos institutos custo e receita, grandezas de natureza econômica, devem ser interpretados pelas regras que lhes são próprias, não podendo ser alteradas para o único fim da incidência tributária. Nessa senda, é do Direito Privado, por meio da Legislação Societária, a competência para dar a definição de custo e receita, para isso sendo ainda relevante o disposto no DecretoLei nº. 1598/77, in verbis: Art 6º Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. § 1º O lucro líquido do exercício é a soma algébrica de lucro operacional (art. 11), dos resultados não operacionais, do saldo da conta de correção monetária (art. 51) e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial.” (grifouse) Por sua vez, a legislação comercial ou societária, para a definição, conteúdo e alcance de seus institutos, conceitos e formas dos elementos componentes das demonstrações Fl. 2320DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.321 17 financeiras, amparase nos Princípios e Normas Contábeis, nos termos do art. 177 da Lei nº 6.404/76 Lei das Sociedades Anônimas: Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. § 1º As demonstrações financeiras do exercício em que houver modificação de métodos ou critérios contábeis, de efeitos relevantes, deverão indicála em nota e ressaltar esses efeitos. § 2o A companhia observará exclusivamente em livros ou registros auxiliares, sem qualquer modificação da escrituração mercantil e das demonstrações reguladas nesta Lei, as disposições da lei tributária, ou de legislação especial sobre a atividade que constitui seu objeto, que prescrevam, conduzam ou incentivem a utilização de métodos ou critérios contábeis diferentes ou determinem registros, lançamentos ou ajustes ou a elaboração de outras demonstrações financeiras. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I – (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) II – (revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o As demonstrações financeiras das companhias abertas observarão, ainda, as normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários e serão obrigatoriamente submetidas a auditoria por auditores independentes nela registrados. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4º As demonstrações financeiras serão assinadas pelos administradores e por contabilistas legalmente habilitados. § 5o As normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários a que se refere o § 3o deste artigo deverão ser elaboradas em consonância com os padrões internacionais de contabilidade adotados nos principais mercados de valores mobiliários. (Incluído pela Lei nº 11.638,de 2007) § 6o As companhias fechadas poderão optar por observar as normas sobre demonstrações financeiras expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários para as companhias abertas. (Incluído pela Lei nº 11.638,de 2007) § 7o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Ainda, no exercício da competência que lhe foi outorgada pela legislação societária, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) editou as Deliberações CVM nºs 575 e 597/2009, que aprovaram os CPC´s nºs 16 e 30, respectivamente, estabelecendo normas sobre a definição, o conteúdo e o alcance dos institutos de direito societário de sua competência, dentre eles o custo e a receita, e determinando que as bonificações e/ou descontos comerciais não integram a receita da entidade societária, pois se trata de redução de custos dos estoques. Fl. 2321DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.322 18 Portanto, as bonificações e/ou descontos comerciais obtidos pela entidade não compõem a receita da pessoa jurídica, devendo, inclusive, ser deduzidas da mesma para fins de composição das demonstrações financeiras. Nessa linha relacional, importa consignar que os artigos 1ºs das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, ao regularem as bases de cálculo do PIS e da COFINS, elegeram na como a totalidade das receitas de pessoa jurídica, independentemente de sua classificação contábil. Isso significa dizer que a tributação recairá sobre o que efetivamente se constitui como receita, e não sobre outra grandeza que a ela não se amolde em termos de definição, conteúdo e forma, interpretação esta que se faz em consonância com as diretrizes estabelecidas nos artigos 195, inciso I, alínea "a" e 239, ambos da Constituição Federal. Se, de um lado, a determinação contida nos arts. 1ºs das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 de que a incidência das contribuições para o PIS e a COFINS darseá sobre a receita, independente da classificação contábil, visa inibir fraudes eventualmente praticadas pelos Contribuintes para mascarar valores tributáveis, de outro também se presta a impedir que haja a tributação de valores que não sejam efetivamente receita nos termos da Legislação Comercial. Na análise jurídica de cada lançamento da sociedade deverá prevalecer a essência sobre a forma, que, em outras palavras, significa averiguarse se aquela grandeza é ou não receita. A matéria vem sendo enfrentada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, fazendose pertinente trazer a ementa e alguns trechos de decisão proferida em caso análogo ao dos presentes autos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/1999 a 30/06/2004 COFINS. MERCADORIAS RECEBIDAS EM BONIFICAÇÃO. NÃOINCIDÊNCIA. O recebimento de mercadorias em bonificação implica mera redução do respectivo custo unitário de aquisição. Redução de custo não equivale a receita e, portanto, não pode ser fato gerador da COFINS, nem mesmo após a vigência da EC n" 20/98. Recurso Provido. Trechos do acórdão de relatoria do nobre Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, que embora trate de bonificações recebidas em mercadorias, deixa claro que o tratamento jurídico equiparase ao fenômeno dos descontos obtidos pelo comprador do fornecedor, como é o caso destes autos: [...] Fl. 2322DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.323 19 A questão reside em saber se mercadorias recebidas como bonificação consideramse receitas para os fins das Leis n as 9318/98 e 10,833/03. A bonificação consiste em uma política de relacionamento comercial pela qual o fornecedor entrega ao adquirente uma quantidade de itens do produto vendido maior do que a quantidade contratada, sem acréscimo do preço total. Tal se dá como forma de estimular a fidelização entre as partes, de reconhecer a relevância da compra realizada pelo adquirente, enfim, de cultivar e fomentar a relação com um parceiro comercial qualquer. Tratase, a meu ver, de fenômeno de idêntica natureza jurídica a do desconto obtido. Neste, o fornecedor mantém a quantidade vendida, mas reduz o preço total (portanto, ajustase o fator "preço"). Nas bonificações, o fornecedor mantém o preço, mas aumenta a quantidade vendida (portanto, ajustase o fator "quantidade"). Numa e noutra hipóteses, a ocorrência relevante é a mesma: a redução do valor unitário do produto adquirido no âmbito de um mesmo negócio jurídico. E — eis o fundamental — redução de custo não equivale a geração de receita. A confusão conceitual entre redução de custo e receita não trazia maiores distorções quando apenas o resultado da pessoa jurídica era tributado. Nesse ambiente, era mesmo indiferente considerar um desconto obtido como receita ou como estorno de custo, pois qualquer desses lançamentos — receita e estorno — repercutiria igualmente na apuração do resultado tributável. Contudo, no momento em que, com a edição da EC n° 20/98, a receita passa a ser uma grandeza econômica elegível como base imponível autônoma, então a distinção rigorosa entre esses dois fenômenos tornase imperiosa. Nesse sentido, o alerta de Hugo de Brito Machado: "Agora, porém, como existem contribuições que incidem sobre a receita bruta, tornouse da maior relevância a adequada identificação dos descontos obtidos dos fornecedores de bens ou serviços, posto que se escriturar esses descontos como redução de custos evita que os valores respectivos integrem a base de cálculo daquelas contribuições" (Os descontos obtidos e a base de cálculo das contribuições Pis/Cofins, in RDDT n" 134, p.45). Marco Aurélio Greco também enfatiza a necessidade de distinção teórica entre redução de custo e receita, considerando que apenas a segunda materialidade constitui base possível das contribuições securitárias: "Ou seja, não está abrangido pela competência constitucional o conjunto .formado por aquelas figuras que digam respeito a despesas da pessoa jurídica (.) O conceito constitucional também não alcança aquelas eventualidades que interfiram com as despesas para diminuíIas" (Cofias na Lei 9.718/98 — Variações cambiais e regime de alíquota acrescida, in RDDT nº 50, p. 130) Ainda se disputa na doutrina o alcance semântico do termo receita, por exemplo, se o ganho deve ou não decorrer da atividade produtiva do sujeito. Mas não parece haver dúvida quanto à necessidade de que o sujeito perceba um ingresso de recursos, financeiros em sua esfera patrimonial. Nesse Fl. 2323DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.324 20 sentido, as definições concebidas, respectivamente, por Geraldo Ataliba, José Souto Maior Borges e José Antonio Minatel: "O conceito de receita referese a uma entrada. Entrada é todo dinheiro que ingressa nos cofres de determinada entidade. Nem toda entrada é receita. Receita é a entrada que passa a pertencer à entidade" (in ISS — Base Imponível. Estudos e pareceres de direito tributário, 1' vol. São Paulo: RT, 1978, p.. 85)" "Para a receita total vigora, então, um critério material e substancial infraconstitucional — é o ingresso efetivo de dinheiro ou 'variações positivas' no patrimônio das empresas, é dizer: decorrentes ou não dos seus resultados operacionais" (As contribuições sociais (Pis/Cofins) e a jurisprudência do STF, in RDDT n" 118, p. 80). "Anunciamos ser receita [_] o ingresso de recursos financeiros no patrimônio da pessoa jurídica, em caráter definitivo proveniente dos negócios jurídicos que envolvam o exercício da atividade empresarial, que corresponda à contraprestação pela venda de mercadorias. " (in Conteúdo do conceito jurídico de receita. São Paulo MP Editora, 200,5, p, 124). Pois os eventos redutores de custos se afastam do conceito de receita já por lhes faltarem esse requisito essencial à figura. [...] Enfim, as mercadorias recebidas em bonificação não repercutem na base imponível da contribuição ao PIS e da COFINS no momento em que são recebidas, mas sim quando, posteriormente, são vendidas, proporcionando o ingresso de recursos financeiros representado pelo preço da venda. [...] Por tudo isso, entendo que as mercadorias recebidas como bonificações não integram a base de cálculo de PIS e de COFINS. [...] O precedente acima corrobora os argumentos expendidos nesse voto. Embora trate de bonificação em mercadorias, o regime jurídico aplicável é o mesmo dos descontos comerciais, pois ambos são tratados nos CPC´s nºs 16 e 30, referendados pelas Deliberações CVM nºs 575 e 597/2009, respectivamente, além de conterem na sua essência o fato do vendedor oferecer vantagem ao comprador para incrementar as vendas, preenchendo o conceito de bonificação. Tal conceito foi reconhecido pela própria Administração Tributária no Parecer CST/SIPR nº 1.386/1982 e na IN SRF nº 51/78, nos quais está consignado que as bonificações e os descontos comerciais são vantagens ofertadas pelo vendedor ao comprador. Independente da forma como se der a vantagem (bonificação ou desconto comercial) entrega de mercadoria, em moeda para rebaixe de preço ou em desconto na duplicata a vencer estáse diante de redução de custos de aquisição de produtos, não havendo de se falar em ingresso de recursos novos no caixa da pessoa jurídica. Assim, nos termos da legislação comercial, não se constituem em receita, mas apenas reduzem o custo de aquisição do estoque naquela relação comercial que o varejista mantém com o fornecedor, possibilitando Fl. 2324DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.325 21 ao adquirente adotar medidas que fomentem a venda daqueles bem, sendo atrativo também ao fornecedor que terá maior volume de vendas. Nesse diapasão, os contratos celebrados entre a ora Recorrente e os seus fornecedores, que prevêem regras para aumento das vendas, atendem a objetivos mútuos das partes. São nítidos acordos comerciais que estabelecem regaras para o preenchimento de condições (ou não) para a obtenção de descontos e/ou bonificações (ou não) em operações comerciais, não havendo prestação de serviços de uma parte a outra, ou mesmo previsão de penalidade do Sujeito Passivo a ser aplicada ao fornecedor se cometer alguma infração. São instrumentos jurídicos que tratam de redução de custos, não se enquadrando no conceito de receitas. Aqui importa consignar que a hipótese de se constituírem os contratos em prestação de serviço da Contribuinte para com os fornecedores já foi afastada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande ao analisar caso envolvendo o mesmo Sujeito Passivo, conforme destacado em voto proferido pela nobre Conselheira Tatiana Midori Migiyama nos autos do processo nº 10480720722201062, em que também figura como parte o BOMPREÇO e do qual pedese vênia para transcrever em parte: [...] é de se considerar que a própria DRJ de Campo Grande já havia se pronunciado sobre essa questão posta pela Fiscalização nos autos do processo de nº 10580.730133/201315 envolvendo o mesmo sujeito passivo. Aquela DRJ havia afastado tal alegação feita pela fiscalização, concluindo que não se afigura correto considerar que os valores contabilizados pela impugnante como descontos possam ser classificados para receitas de prestação de serviços. Para melhor elucidar seu entendimento, trago parte do voto constante do acórdão daquela DRJ (Grifos Meus): “[...] Considerando os documentos constantes dos autos, a atividade econômica da impugnante e o objeto principal dos contratos firmados entre ela e seus fornecedores, enfim, considerando todos esses aspectos, não se pode concluir ter havido efetiva prestação de serviços que fosse, ou pudesse ser, a causa daquelas receitas (ou daqueles descontos). Isso se evidencia pela comparação do modelo do contrato de prestação de serviço com os dados da situação fática em exame. O contrato de prestação de serviços se caracteriza pela bilateralidade, tendo necessariamente duas partes: de um lado o que se obriga a prestar uma atividade e do outro aquele em favor de quem a atividade é prestada, o qual, por sua vez, deve remunerar o primeiro, o prestador. O acordo de vontades recai sobre uma determinada atividade, o objeto da prestação. Do conceito se extrai que ninguém pode prestar serviço para si mesmo e que toda prestação de serviço é onerosa, envolvendo prestações recíprocas de cunho econômico (atividade x remuneração). Fl. 2325DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.326 22 No caso em tela, o contrato teria por objeto serviços de logística a serem prestados pela impugnante a seus fornecedores, especificamente, entregas centralizadas, transportes, manuseio, armazenagem de mercadorias e ferramentas de controle. Esse tipo de serviço, entretanto, não poderia ter sido desenvolvido na situação específica que se examina. Isso porque, de acordo com o Direito Civil, a propriedade de bem móvel se transfere pela tradição, ou seja, pela entrega da coisa. Antes da tradição não há transferência de propriedade, diz o art. 1.267 do Código Civil. No caso de compra e venda de mercadoria, bem móvel por definição, a entrega física da coisa aperfeiçoa a transmissão da propriedade, que pode ocorrer no estabelecimento do comprador, se o vendedor assumir a responsabilidade pela entrega; ou no estabelecimento do vendedor, se couber ao comprador fazer a retirada dos bens. Porém, em qualquer caso, no momento em que o comprador receba fisicamente as mercadorias, estas ingressam em seu patrimônio, pela aquisição da propriedade que se consuma com tradição. Daí em diante, o manuseio, o transporte, a remoção e a armazenagem se fazem por conta e risco do comprador, já então o proprietário dos bens. Tais atividades, quando realizadas pelo proprietário das mercadorias, não assumem a natureza de prestação de serviço, porque ninguém pode prestar serviço a si mesmo, mercê da bilateralidade que caracteriza esse tipo de contrato. Por outro lado, tais atividades não podem ser tidas como serviço prestado ao vendedor, porquanto a este não proporcionam nenhuma vantagem ou benefício. No contrato de prestação de serviço, o tomador é aquele em favor de quem a atividade é prestada e para quem ela proporciona uma vantagem. Logo, se o vendedor já não é o proprietário das mercadorias e se para ele o transporte, a remoção, o manuseio e a armazenagem não representam nenhum benefício, então ele não pode ser parte em um suposto contrato de prestação de serviço, que tenha por objeto aquelas atividades. Essas são, em resumo, as razões pelas quais não se afigura correto considerar que os valores contabilizados pela impugnante como descontos possam ser reclassificados para receitas de prestação de serviço. É verdade que foi a própria impugnante quem denominou, em cláusula do acordo comercial, a situação como prestação de serviços. Mas é igualmente verdade que a natureza jurídica de um contrato não depende da denominação que se lhe dê, mas sim dos elementos essenciais afetos à sua dinâmica e estrutura. [...]” Vêse, portanto, que não há como se considerar também essa possiblidade de desconsiderar a natureza dos descontos sob a alegação de que se trata de receita pela prestação de serviço – pois se assim fosse – o que não é, pois não há que se falar em prestação de serviço para si próprio (confusão jurídica) – o sujeito passivo poderia até mesmo se creditar das despesas incorridas com tal “prestação de serviço. Fl. 2326DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.327 23 [...] Prosseguindose, dos termos contratuais, notase haver a concessão dos descontos comerciais e/ou bonificações se atendidos os requisitos ali estabelecidos. A sistemática adotada nos contratos enquadrase no conceito de bonificações ou descontos comerciais, os quais não estão abrangidos pelo conceito de receitas, mas delas devem ser deduzidos por serem redutores de estoque, tudo conforme disposto no art. 177 da Lei nº. 6.404/76, nos CPC´s nºs 16 e 30 e nas Deliberações CVM nºs 575 e 597/2009. De outro lado, é sabido que somente os descontos incondicionais são excluídos por lei das bases de cálculo do PIS e da COFINS, e não há pretensão de que ali também sejam incluídas as bonificações e/ou descontos comerciais. Pretendese, outrossim, afastar da tributação pelo PIS e COFINS grandezas que não são definidas como receitas pela própria legislação comercial, estando, inclusive, excluídas do seu âmbito de incidência pelo próprio caput dos arts. 1ºs das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, pela sua natureza de redução de custos do estoque. Sob o ponto de vista econômico, o registro contábil das bonificações e/ou descontos comerciais como redutores de custo não acarreta prejuízos à arrecadação tributária, importando apenas na postergação da tributação sobre a vantagem comercial que o comerciante obteve junto ao fornecedor, isso porque quando se der a venda das mercadorias, pelo preço final, a diferença entre a compra por um preço mais baixo e o preço de venda, aumentará o valor agregado, sobre o qual se dará a tributação. Concluise que: (i) os contratos entabulados pela Recorrente com os seus fornecedores, por serem lícitos e livremente pactuados pelas partes, devem ter seus efeitos preservados pelo ordenamento jurídico; (ii) o conteúdo econômico dos referidos pactos consiste na redução de custos dos produtos adquiridos pelo Sujeito Passivo e decorrência dos acordos, não podendo subsistir a autuação para incidência de PIS e COFINS sobre montantes que não são receitas da pessoa jurídica e (iii) as bonificações e os descontos comerciais não possuem natureza jurídica de receita e, por isso, não devem ser tributados pelo PIS e pela COFINS na sistemática nãocumulativa. Na eventualidade de não se admitir os descontos e/ou bonificações pactuados pelo Sujeito Passivo com seus fornecedores como simples redutores de custo de estoque, a autuação não subsiste pois os mesmos caracterizarseiam como descontos incondicionais. Nesse ponto, pertinente transcreverse parte do bem lançado voto da Ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama no antes citado processo envolvendo o mesmo Sujeito Passivo, que passa a integrar as presentes razões de decidir: [...] Eis que, no que tange aos descontos incondicionais, temse em síntese que, se assim forem considerados, devem ser registrados como parcelas redutoras do preço de vendas: ∙ Não compondo, portanto, a receita bruta da pessoa jurídica vendedora; Fl. 2327DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.328 24 ∙ Constituindo redutor do custo de aquisição para a pessoa jurídica adquirente dos bens. Dessa forma, a correta conceituação dos descontos como condicionais ou incondicionais tornase crucial para o direcionamento tributário. Nessa seara, notase que, para que seja definido o desconto como desconto incondicional, devese observar se a sua concessão é dependente de evento posterior, sendo concedido independentemente de qualquer condição ou situação. Ou seja, se para a sua concessão, não houve obrigatoriedade de o adquirente praticar qualquer ato subsequente ao da compra dos bens. Ademais, é de se insurgir também, independentemente de os descontos incondicionais não comporem a receita bruta da pessoa jurídica, de que os descontos incondicionais não integram a base de cálculo das contribuições, nos termos do art. 1º, § 3º, inciso V, alínea “a”, da Lei 10.637/02 e art. 1º, § 3º, inciso V, alínea “a”, da Lei 10.833/03, da pessoa jurídica vendedora. E, por conseguinte, para a pessoa jurídica adquirente dos bens ou serviços, constituiriam parcela redutora do custo de aquisição, não configurando em sua natureza como receita. Nesse sentido, cabe destacar o entendimento da Solução de Consulta nº 130, de 3 de maio de 2012, da SRRF 8ª Região Fiscal/SP (D.O.U. de 26.06.2012): “Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS VINCULADAS A OPERAÇÃO DE VENDA. As bonificações em mercadorias, quando vinculadas à operação de venda, concedidas na própria Nota Fiscal que ampara a venda, e não estiverem vinculadas à operação futura, por se caracterizarem como redutoras do valor da operação, constituemse em descontos incondicionais, previstos na legislação de regência do tributo como valores que não integram a sua base de cálculo e, portanto, para sua apuração, podem ser excluídos da base cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS A TÍTULO GRATUITO, DESVINCULADAS DE OPERAÇÃO DE VENDA. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e definida legalmente como o valor do faturamento, entendido este como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Nos casos em que a bonificação em mercadoria é concedida por liberalidade da empresa vendedora, sem vinculação a operação de venda e tampouco vinculada a operação futura, não há como caracterizála como desconto incondicional, pois não existe valor de operação de venda a ser reduzido. Por não haver atribuição de valor, pois que a Nota Fiscal que acompanha a operação tem natureza de gratuidade, natureza jurídica de doação, não há Fl. 2328DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.329 25 receita e, portanto, não há que se falar em fato gerador do tributo, pois a receita bruta não será auferida. Dessa forma, a bonificação em mercadorias, de forma gratuita, não integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. Dispositivos Legais: Artigo 195 da CF/88; Artigo 1º Lei nº 10.637, de 2002 e Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982.” Não obstante aos critérios jurídicos a serem observados para o enquadramento do desconto como incondicional, proveitoso trazer que a Receita Federal do Brasil condiciona o referido enquadramento, à descrição desse desconto na nota fiscal de venda dos bens ou fatura de serviços independentemente de serem concedidos sem a dependência de evento posterior à emissão de nota fiscal. Tal condicionamento ao enquadramento como desconto incondicional está refletido na IN SRF 51/78 que traz expressamente que “são considerados descontos ou abatimentos incondicionais as parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem, para sua concessão, de evento posterior à emissão desses documentos.” Porém, independentemente do condicionamento dado pela Receita Federal do Brasil de que, para serem enquadrados como incondicionais deverão descrever os descontos em notas fiscais, é de se constatar que o evento jurídico puro, sem contaminação, outorga a caracterização do desconto como condicional ou não – sem a remissão da vinculação e descrição do desconto em nota fiscal do bem adquirido, apenas refletindo a não dependência a evento posterior à emissão desses documentos. Tanto é assim, que a própria legislação – Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02 também são omissas quanto à observância dessa condição ao disporem que o desconto incondicional está excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins. É de se lembrar ainda que a LC 87/96 – que dispõe sobre o ICMS, traz somente que não seria base de cálculo desse imposto os descontos concedidos sob condição – não fazendo nenhuma vinculação à descrição da nota fiscal. Tanto é assim que em 2010, a 1ª turma do STJ havia aprovado súmula determinando que os descontos incondicionais concedidos nas atividades comerciais não se incluem na base de cálculo do ICMS – não trazendo também qualquer condição à descrição na nota fiscal para exclusão da base de cálculo desse tributo. Sabese que os dizeres da Súmula 57 contempla expressamente que “Os descontos incondicionais nas operações mercantis não se incluem na base de cálculo do ICMS”. E que tal Súmula teve como motivação o decidido, sob o rito de recurso repetitivo, em REsp 1.111.156SP de relatoria do Ministro Humberto Martins assim ementado (Grifos Meus): “TRIBUTÁRIO – ICMS – MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO – ESPÉCIE DE DESCONTO INCONDICIONAL – INEXISTÊNCIA DE OPERAÇÃO MERCANTIL – ART. 13 DA LC 87/96 – NÃOINCLUSÃO NA Fl. 2329DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.330 26 BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. 1. A matéria controvertida, examinada sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, restringese tãosomente à incidência do ICMS nas operações que envolvem mercadorias dadas em bonificação ou com descontos incondicionais; não envolve incidência de IPI ou operação realizada pela sistemática da substituição tributária. 2. A bonificação é uma modalidade de desconto que consiste na entrega de uma maior quantidade de produto vendido em vez de conceder uma redução do valor da venda. Dessa forma, o provador das mercadorias é beneficiado com a redução do preço médio de cada produto, mas sem que isso implique redução do preço do negócio. 3. A literalidade do art. 13 da Lei Complementar n. 87/96 é suficiente para concluir que a base de cálculo do ICMS nas operações mercantis é aquela efetivamente realizada, não se incluindo os "descontos concedidos incondicionais". 4. A jurisprudência desta Corte Superior é pacífica no sentido de que o valor das mercadorias dadas a título de bonificação não integra a base de cálculo do ICMS. 5. Precedentes: AgRg no REsp 1.073.076/RS, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 25.11.2008, DJe 17.12.2008; AgRg no AgRg nos EDcl no REsp 935.462/MG, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, DJe 8.5.2008; REsp 975.373/MG, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 15.5.2008, DJe 16.6.2008; EDcl no REsp 1.085.542/SP, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 24.3.2009, DJe 29.4.2009. Recurso especial provido para reconhecer a nãoincidência do ICMS sobre as vendas realizadas em bonificação. Acórdão sujeito ao regime do art. 543 C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/2008 do Superior Tribunal de Justiça.” Frisese ainda o resultado da discussão acerca da natureza dos descontos envolvendo PIS e Cofins no STJ, dado em Agravo em Recurso Especial 556050 RS 2014/01878520 sob a relatoria do Ministro Herman Benjamin (Grifos meus): “DECISÃO Tratase de Agravo contra inadmissão de Recurso Especial (art. 105, III, "a", da CF) interposto contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região assim ementado: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. DESCONTOS INCONDICIONAIS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. PERÍCIA CONTÁBIL. O desconto incondicional é aquele concedido independente de qualquer condição futura, ou seja, não é necessário que o adquirente pratique ato subsequente ao de compra para a fruição do benefício. A exclusão dos descontos incondicionais concedidos a seus clientes da base de cálculo do PIS e da COFINS tem previsão legal tanto no regime comum de Fl. 2330DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.331 27 apuração do PIS e da COFINS, quanto na sistemática da nãocumulatividade (art. 3º, § 2º, inc. I, da Lei nº 9.718/98 e art. 1º, § 3º, inc. V, a, das Leis nº 10.637/03 e 10.833/03). No caso, restou demonstrado, por intermédio de perícia contábil, que as vendas realizadas pela parte autora foram abrangidas pela concessão de descontos, bem como a inexistência de imposição de condição para concessão da bonificação ora discutida aos seus clientes. Logo, os valores relativos aos descontos incondicionais concedidos aos seus clientes merecem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. Os Embargos de Declaração foram acolhidos em parte, somente para fins de prequestionamento (fl. 1834). A recorrente, nas razões do Recurso Especial, sustenta que ocorreu violação do art. 535, II, do CPC, do art. 123 do CTN, do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/98, do art. 1º, § 3º, V, alínea "a", das Leis 10.637/2003 e 10.833/2003. Alega, em síntese: Todavia, entende a Fazenda Nacional, com base na IN SRF 51/78, que se faz necessário o preenchimento de dois requisitos para a configuração de “descontos incondicionais”, a saber: a) que o desconto conste na nota fiscal e b) que não dependa de evento posterior à emissão desta. (...) Ora, relativamente ao requisito de constar o desconto concedido pela autora. Nesse sentido, vale, inclusive, destacar trecho do que consta da petição inicial: (...) Os fatos no caso em apreço são claros: a autora não destacou os referidos descontos incondicionais nas notas fiscais; celebrou contratos com os seus clientes para a concessão de tais descontos, ficando estes, obviamente, vinculados à pontualidade dos pagamentos das duplicatas emitidas na negociação, caso contrário não incidiriam. Bem observadas as respostas do perito judicial, é exatamente essa a conclusão que se extrai. (fls. 18431850, eSTJ) Contraminuta apresentada às fls. 18971906, eSTJ. É o relatório. Decido. Constato que não se configura a ofensa ao art. 535 do Código de Processo Civil, uma vez que o Tribunal de origem julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia, tal como lhe foi apresentada. Não é o órgão julgador obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos trazidos pelas partes em defesa da tese que apresentaram. Deve apenas Fl. 2331DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.332 28 enfrentar a demanda, observando as questões relevantes e imprescindíveis à sua resolução. Nesse sentido: REsp 927.216/RS, Segunda Turma, Relatora Ministra Eliana Calmon, DJ de 13/8/2007; e REsp 855.073/SC, Primeira Turma, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, DJ de 28/6/2007. O acórdão recorrido consignou: A parte autora sustenta que, inobstante conceda desconto incondicional no preço dos produtos, emite as notas fiscais de venda das mercadorias com seu valor integral, constando tais descontos nos documentos de cobrança por ela emitidos (duplicatas de compra e venda mercantil, boletos bancários, etc.). Defende que os valores constantes nesses últimos documentos de cobrança são os que correspondem aos ingressos de receitas ao seu patrimônio e, consequentemente, base de cálculo para cobrança do PIS e da Cofins. O desconto incondicional é aquele concedido independente de qualquer condição futura, ou seja, não é necessário que o adquirente pratique ato subsequente ao de compra para a fruição do benefício. A exclusão dos descontos incondicionais concedidos a seus clientes da base de cálculo do PIS e da COFINS tem previsão legal tanto no regime comum de apuração do PIS e da COFINS, quanto na sistemática da nãocumulatividade (art. 3º, § 2º, inc. I, da Lei nº 9.718/98 e art. 1º, §3º, inc. V, a, das Leis nº 10.637/03 e 10.833/03). Frisase que, como bem observado pela magistrada a quo, inexiste controvérsia acerca do direito material, qual seja, a possibilidade de exclusão da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS dos valores relativos aos descontos incondicionais. O Fisco, valendose da legislação aplicável ao imposto de renda (IN n.º 51/78), entende necessário o preenchimento de dois requisitos: que o desconto conste na nota fiscal e que não dependa de evento posterior à emissão desta. Importante ressaltar que não há qualquer óbice a que se utilize, subsidiariamente, a referida legislação, uma vez que compatível com as contribuições ora discutidas. Relativamente ao requisito de constar o desconto concedido expressamente na nota fiscal, tenho que a questão restou superada quando do julgamento da apelação anterior, na qual se anulou a sentença para possibilitar a apresentação de outras provas para demonstrar a concessão dos descontos incondicionais, tais como duplicatas, boletos bancários, etc., nas quais se pudesse aferir os valores efetivamente cobrado nas operações de compra e venda. Com efeito, o preenchimento incorreto ou lacunoso das notas fiscais não obsta o reconhecimento dos descontos em questão, bastando a comprovação de que estão vinculados a uma operação onerosa. Nesse sentido leciona Roque Antônio Carraza (CARRAZA, Roque Antônio. ICMS. 8ª. ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p.110) em caso análogo: Fl. 2332DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.333 29 Podem, portanto, as empresas recuperar os créditos de ICMS correspondentes ao valor das mercadorias bonificadas ainda que a vantagem dada aos adquirentes tenha sido documentada em notas fiscais em separado. Basta, apenas, que tenham como comprovar que as bonificações estão vinculadas a operações de vendas mercantis efetivamente realizadas. [..] Logo, impõese a reforma da sentença para reconhecer o direito da parte autora de excluir da base de cálculo do PIS e da COFINS os valores relativos aos descontos incondicionais concedidos aos seus clientes, bem como para reconhecer o seu direito à restituição dos valores recolhidos indevidamente nos 5 (cinco) anos que precederam o ajuizamento da ação. (Fls. 1807 1.809, eSTJ) [...]” Com efeito, essa decisão clarificou que a caracterização do desconto como incondicional, inclusive para fins de PIS e Cofins, não deve estar condicionada, tal como entende a autoridade fazendária, a descrição do referido desconto na nota fiscal de aquisição dos bens, vez que considerou ilegal a IN 51/78. Sendo assim, se os descontos incondicionais juridicamente se enquadrarem como tais, independentemente da descrição na nota fiscal, é de se permitir a exclusão da base de cálculo das contribuições para a pessoa jurídica vendedora e, por conseguinte, considerar como parcela redutora do custo de aquisição para a adquirente. Para o adquirente devese considerar o desconto incondicional como parcela redutora do custo de aquisição, em respeito também ao item 11 da Resolução CFC nº 1170/2009: “O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis perante o fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição”. Em linha eventual, para a hipótese de ser interpretar que os descontos obtidos ou as bonificações recebidas como crédito em conta seriam receitas, o que destoa da legislação comercial e tributária, devese abordar se podem ser considerados como receitas financeiras e, como tal, sujeitos à alíquota zero das contribuições do PIS e da COFINS. Nesse raciocínio, são compreendidos somente os descontos comerciais veiculados sob a forma de "descontos obtidos", não sendo possível a aplicação para as mercadorias bonificadas. Se os descontos obtidos fossem receitas, deveriam ser enquadrados como receitas financeiras, sujeitas à alíquota zero das contribuições ao PIS e à COFINS. Para serem caracterizados os descontos como receitas financeiras basta que seja concedido um abatimento Fl. 2333DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.334 30 no preço a pagar de uma obrigação futura, independentemente do motivo, não sendo necessário que decorra de uma obtenção de desconto pelo cálculo de um "juro negativo". A legislação do imposto de renda pessoa jurídica, por meio do art. 373 do RIR/99, conceitua receita financeira nos seguintes termos: Receita Art. 373. Os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, ganhos pelo contribuinte, serão incluídos no lucro operacional e, quando derivados de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do período de apuração, poderão ser rateados pelos períodos a que competirem. Nos termos do dispositivo legal citado, não só os juros, mas também os descontos são considerados como receitas financeiras, e assim para aqueles que entenderem se constituírem os descontos obtidos em receitas, no caso devese qualificar os abatimentos recebidos como receitas financeiras, e, como tal, sujeitos à alíquota zero das contribuições conforme Decreto nº 5.146/2004, vigente no período de 30.7.04 até 9.5.05 e no Decreto 5.442/05 (que revogou o Decreto 5.164/04) – vigente no período de 9.5.05, produzindo efeitos até 1º.7. 15. Ora, tendo em vista que o presente caso envolve o período de apuração de 01/01/2008 a 31/12/2009, devese considerar as disposições dos Decretos acima referidos. Segue abaixo transcrição dos termos do Decreto 5.164/04, publicado no DOU de 30.7.04: “Art. 1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica às receitas financeiras oriundas de juros sobre capital próprio e as decorrentes de operações de hedge. Art. 2o O disposto no art. 1o aplicase, também, às pessoas jurídicas que tenham apenas parte de suas receitas submetidas ao regime de incidência nãocumulativa. Art. 3o Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 2 de agosto de 2004. Brasília, 30 de julho de 2004; 183º da Independência e 116º da República. Este texto não substitui o publicado no DOU de 30.7.2004 Edição Extra” Fl. 2334DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.335 31 Transcrevese, ainda, o teor do Decreto 5.442/05, que revogou o Decreto 5.164/04: “Art. 1º Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras, inclusive decorrentes de operações realizadas para fins de hedge, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições. Parágrafo único. O disposto no caput: I não se aplica aos juros sobre o capital próprio; II aplicase às pessoas jurídicas que tenham apenas parte de suas receitas submetidas ao regime de incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Art. 2º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1o de abril de 2005. Art. 3º Fica revogado o Decreto no 5.164, de 30 de julho de 2004, a partir de 1o de abril de 2005. Brasília, 9 de maio de 2005; 184o da Independência e 117o da República. LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA Antonio Palocci Filho Este texto não substitui o publicado no DOU de 9.5.2005 Edição extra.” Com tais dispositivos, tornase claro também que se não fossem enquadrados como desconto incondicional – deveriam ser tratados, a rigor, como receita financeira. O que, em respeito à sistemática do PIS e Cofins observada pelo sujeito passivo, no presente caso, considerando o período em discussão, devese aplicar a alíquota zero dessas contribuições às referidas receitas financeiras. No entanto, entendo deva superar este aspecto, pois que, como já explicitado, no caso em concreto, as vantagens obtidas pela Recorrente caracterizamse como “redução de custos”, devendo assim ser tratadas pelo Direito Tributário. 2) Créditos sobre despesas com frete Em suas razões recursais, postula ainda a Recorrente a reforma do acórdão no que tange à glosa dos créditos de PIS e COFINS dos valores referentes às despesas com frete. Sustenta que: (i) a expressão "operação de venda" não pode se restringir ao frete de saída da Fl. 2335DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.336 32 mercadoria do estabelecimento do vendedor para o local do adquirente; e (ii) a transferência das mercadorias do centro de distribuição para as suas lojas dáse em função da presunção de que haverá uma operação de venda daquelas mercadorias, a serem expostas nos seus estabelecimentos comerciais. A análise do presente tópico perpassa pela definição do conceito de insumos para o PIS e a COFINS. Nos termos dos recentes julgados proferidos por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e pelo Superior Tribunal de Justiça, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". Fl. 2336DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.337 33 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Considerandose que a Recorrente é varejista de grande porte, possuindo diversas lojas em locais diferentes, o que torna imprescindível a existência de um centro de distribuição, concluise que o frete realizado entre o centro de distribuição e as suas lojas é um custo essencial, devendo ser caracterizado como insumo e descontado da base de cálculo do PIS e da COFINS. Por essas considerações, há de se reconhecer que as despesas com frete de mercadorias para revenda são insumos ensejando o direito ao crédito de PIS e COFINS. Fl. 2337DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.338 34 3) Créditos de ICMSST Na sistemática da substituição tributária (ICMSST), é o Contribuinte Substituto que assume a responsabilidade pelo cálculo e recolhimento do ICMS referente a operações futuras, a serem realizadas presumidamente até o produto chegar ao consumidor final. Assim, o Contribuinte Substituto reteve e pagou em caráter definitivo o tributo, não havendo mais de se falar em restituições ou pagamentos. Dessa forma, o tributo em regime de substituição tributária não pode ser complementado ou substituído. A exclusão do ICMS e do ICMSST da base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS e de que o ICMSST deve compor o custo de aquisição da mercadoria na forma do §3º do art. 289 do RIR/99: “Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matériasprimas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). [...] § 3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal.” Concluise que o custo da aquisição da mercadoria deve ser composto também pelo ICMSST, considerandose que o contribuinte substituto é o sujeito passivo nas operações em regime de substituição tributária de ICMS e que essa exação se dá de forma definitiva, na qual já está embutido no valor total do fornecimento das etapas posteriores e, portanto, irrecuperável, pois não lhe proporciona crédito fiscal. 4) Juros de mora sobre a multa de ofício Insurgese a Fazenda Nacional contra o acórdão recorrido na parte em que afastou a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Nesse item, entendese que não merece reparos a decisão recorrida, conforme fundamento do voto vencedor neste ponto proferido pelo Conselheiro Rosaldo Trevisan, passando a integrar as razões de decidir dos presentes autos: Fl. 2338DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.339 35 [...] é cediço que as autoridades administrativas responsáveis pela execução dos acórdãos têm aplicado juros de mora sobre a multa de ofício, o que tem inclusive ensejado questionamentos em processos autônomos dirigidos a este tribunal. O assunto seria aparentemente resolvido pela Súmula no 4 do CARF: “Súmula CARF no 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (grifo nosso) Contudo, resta a dúvida se a expressão “débitos tributários” abarca as penalidades, ou apenas os tributos. Verificando os acórdãos que serviram de fundamento à edição da Súmula, não se responde a questão, pois tais julgados se concentram na possibilidade de utilização da Taxa SELIC. Seguese então, para o art. 161 do Código Tributário Nacional, que dispõe: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1o Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2o O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(grifo nosso) As multas são inequivocamente penalidades. Assim, restaria ilógica a leitura de que a expressão créditos ao início do caput abarca as penalidades. Tal exegese equivaleria a sustentar que: “os tributos e multas cabíveis não integralmente pagos no vencimento serão acrescidos de juros, sem prejuízos da aplicação das multas cabíveis”. A Lei no 9.430/1996, por sua vez, dispõe, em seu art. 61, que: "Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 2339DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.340 36 § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Novamente ilógico interpretar que a expressão “débitos” ao início do caput abarca as multas de ofício. Se abarcasse, sobre elas deveria incidir a multa de mora, conforme o final do comando do caput. Mais recentemente tratouse do tema nos arts. 29 e 30 da Lei no 10.522/2002: “Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. § 1o A partir de 1o de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2o Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3o Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – Ufir, instituída pelo art. 1o da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento.” (grifo nosso) Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento.” (grifo nosso) Vejase que ainda não se aclara a questão, pois se trata da aplicação de juros sobre os “débitos” referidos no art. 29, e a expressão designada para a apuração posterior a 1997 é “créditos”. Bem parece que o legislador confundiu os termos, e quis empregar débito por crédito (e viceversa), mas tal raciocínio, ancorado em uma entre duas leituras possíveis do dispositivo, revelase insuficiente para impor o ônus ao contribuinte. Não se tem dúvidas que o valor das multas também deveria ser atualizado, sob pena de a penalidade tornarse pouco efetiva ou até inócua ao fim do processo. Mas o legislador não estabeleceu expressamente isso, e o exegeta não pode alargar o comando da lei para impor ônus ao sujeito passivo da obrigação. Pela carência de base legal, então, entendese pelo não cabimento da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, na linha que já vem sendo reiteradamente adotada por esta Turma. Fl. 2340DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.341 37 Pela fundamentação exarada, incabível a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. 5) Dispositivo Diante do exposto, votase por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e dar provimento ao recurso especial da Contribuinte em sua integralidade. É o Voto. Vanessa Marini Cecconello Relatora Fl. 2341DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.342 38 Voto Vencedor Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas Relator designado Os recursos atendem aos pressupostos de admissibilidade e devem ser conhecidos. Conforme acima relatado, controvertese nesta instância sobre as seguintes matérias: a) ocorrência de preclusão e de supressão de instância quanto ao cancelamento dos juros de mora sobre a multa de ofício, por se tratar de matéria contestada pelo contribuinte somente em grau de recurso voluntário (Recurso Especial da Fazenda Nacional); b) incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre a multa de ofício (Recurso Especial da Fazenda Nacional); c) incidência das contribuições sobre descontos negociados com os fornecedores após a efetivação das vendas (Recurso Especial do Contribuinte). I. Preclusão e supressão de instância. A Fazenda Nacional alega a ocorrência de preclusão e de supressão de instância no que tange ao cancelamento dos juros de mora sobre a multa de ofício promovido pela turma julgadora recorrida, por se tratar, segundo ela, de matéria contestada pelo contribuinte somente em grau de recurso voluntário. Contudo, compulsando os autos, verificase à fl. 2 que, originalmente, como ocorre em todos os lançamentos de ofício da espécie, o lançamento da multa de ofício se dera a partir da aplicação do percentual de 75% sobre o valor do principal, em valor nominal, sem o acréscimo dos juros de mora. Após a decisão da DRJ Salvador/BA, enviouse ao contribuinte o Demonstrativo de Débitos de fls. 16.266 a 16.267, em que constam os valores do principal e da multa, sendo reproduzidos na coluna da multa os mesmos valores do principal, o que pode, a meu ver, ter levado o contribuinte a considerar que os valores originais da multa lançada, no percentual de 75% sobre o principal, encontravamse corrigidos monetariamente. A partir de então, no recurso voluntário, passou ele a contestar a aplicação dos juros Selic sobre a multa de ofício, tendo obtido decisão favorável na segunda instância, com a exclusão dessa incidência. Por se tratar de questão que exsurgiu apenas após a decisão de primeira instância, ela se encontra, para fins de aferição de eventual ocorrência de preclusão ou de suspensão de instância, albergada, indiretamente, pela regra contida na alínea "c" do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, verbis: Fl. 2342DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.343 39 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Destaquese que, não obstante não se tratar o presente caso de apresentação extemporânea de provas documentais, mas de apresentação posterior de argumentos de defesa, o referido dispositivo, a meu ver, aqui também se aplica, pois que abarca a contraposição a fatos ou razões trazidas aos autos a posteriori. Nesse sentido, por se tratar de controvérsia que surgiu nos autos apenas depois da decisão de primeira instância, afastase a preliminar de preclusão ou de supressão de instância. II Incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre a multa de ofício. No mérito, argui a Fazenda Pública que, diferentemente do que restou decidido no acórdão recorrido, sobre a multa de ofício incidem os juros de mora, calculados com base na taxa Selic. Essa matéria já foi objeto de análise nesta CSRF em 15 de agosto de 2013, no acórdão nº 9303002.400, da relatoria do conselheiro Joel Miyazaki, tendo este relator acompanhado o respectivo voto condutor, quando se decidiu nos seguintes termos: A matéria trazida à apreciação deste colegiado restringese à incidência de juros de mora sobre multa de ofício não paga na data de seu vencimento. A decisão recorrida afastou os juros sobre a multa de oficio sob o argumento de que haveria necessidade de lei específica que previsse tal hipótese. A meu sentir esse entendimento não merece prosperar, vez que a legislação tributária prevê, expressamente, a incidência de juros moratórios sobre os créditos tributários não pagos no vencimento, aí incluídos aqueles decorrentes de penalidades, senão vejamos. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento do tributo ou de penalidade pecuniária, e extinguese com o crédito dela decorrente, conforme o § 1º do art. 113 do CTN. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Fl. 2343DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.344 40 § 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Paralelamente, o art. 139 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Do cotejo desses dispositivos legais, concluise, indubitavelmente, que o crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária, visto que ambos constituem a obrigação tributária, a qual tem a mesma natureza do crédito a ela correspondente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Conforme palavras do ilustre conselheiro Henrique Pinheiro Torres: “Um é a imagem, absolutamente, simétrica do outro, apenas invertida, como ocorre no reflexo do espelho. Olhandose do ponto de vista do credor (pólo ativo da relação jurídica tributária, verseá o crédito tributário; se se transmutar para o pólo oposto, o que se verá será, justamente, o inverso, uma obrigação. Daí o art. 139 do CTN declarar expressamente que um tem a mesma natureza do outro. “ Assim, como o crédito tributário correspondente à obrigação tributária e esta é constituída de tributo e de penalidade pecuniária, a conclusão lógica é que a penalidade é crédito tributário. Passamos agora a verificar o tratamento dispensado pela Legislação às hipóteses em que o crédito não é liquidado na data de vencimento. A norma geral, estabelecida no art. 161 do Código Tributário Nacional, dispõe que, o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. A par dessa norma geral, para não deixar margem à dúvida, o legislador ordinário, estabeleceu que os créditos decorrentes de penalidades que não forem pagos nos respectivos vencimentos estarão sujeitos à incidência de juros de mora. Essa previsão Fl. 2344DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.345 41 consta, expressamente, do art. 43 da Lei 9.430/1996, que transcrevo abaixo. Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em suma, temse que o crédito tributário, independentemente de se referir a tributo ou a penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Nesse sentido, acolhese a contestação da Fazenda Nacional, no sentido de restabelecer a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício não paga na data do respectivo vencimento. III Receita/Faturamento. Descontos negociados com fornecedores após a efetivação das vendas. O contribuinte alega que os descontos negociados com os seus fornecedores, não sujeitos a condições, não representam receita ou acréscimo de patrimônio, tratandose, em verdade, de redutores de custos de aquisição de mercadorias, não compondo, por conseguinte, as bases de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. A Fazenda Nacional, por seu turno, sustenta que os descontos obtidos pelo contribuinte se referem, em verdade, a “pedágios” por ele cobrados de seus fornecedores e operacionalizados por meio de descontos nos pagamentos a esses mesmos fornecedores, configurando receitas de prestação de serviços. Referida matéria já foi objeto de análise nesta CSRF em 14 de junho de 2012, no acórdão nº 9303002.017, tendo como redator designado do voto vencedor o conselheiro Júlio César Alves Ramos, tendo este relator acompanhado o respectivo voto condutor, quando se decidiu nos seguintes termos: É que se trata aqui de valores que a empresa registrara em sua contabilidade como uma obrigação a saldar junto a fornecedores, mas que efetivamente saldou por um valor menor do que estava contabilmente registrado. Para essa hipótese, a ciência contábil também não diverge: dado que o valor desembolsado não corresponderá à obrigação – ficará registrado ainda um saldo devedor, incorreto, pois a dívida foi mesmo integralmente quitada – determinam os princípios contábeis seja feito um lançamento a débito daquela Fl. 2345DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.346 42 conta de Passivo cuja contrapartida será a crédito de uma segunda conta, normalmente intitulada de “descontos obtidos”. Por representar um aumento do Patrimônio Líquido (redução do Passivo sem correspondente redução do Ativo) esse lançamento tem a natureza de uma receita (receita financeira), ainda que seja forçoso reconhecer que nenhum ingresso novo ocorreu. Exatamente este último aspecto – ausência de ingresso de direito novo – fez o dr. Jorge votar pela sua não inclusão na base de cálculo. Ocorre que diante do comando legal taxativo do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, repetido, ipsis literis, na Lei 10.637/2002 e na Lei 10.833/2003, não vejo como possa essa receita deixar de compor a base de cálculo da contribuição senão considerando ditos comandos inconstitucionais. Desnecessário dizer que, como regra, não o podemos fazer, além do que, no caso concreto, há decisão judicial afirmando que até mesmo o primeiro deles é constitucional, embora já haja inúmeras decisões que afirmam exatamente o contrário. Para finalizar, vale repetir aqui o que já disse alhures: em se tratando de desconto obtido, é totalmente irrelevante a investigação de se ele foi concedido incondicionalmente ou não. É que a Lei 9.718, ao tratar dos descontos incondicionais, estava a beneficiar o concedente do desconto, isto é, aquele que está vendendo o produto ou prestando o serviço. Para maior clareza, reproduzo o artigo destacando o que interessa: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; No caso de que nos ocupamos, a tributação está sendo discutida no comprador. Não há que se aplicar ao caso, pois, a figura tratada no artigo acima. Notese que no caso de desconto incondicional, isto é, aquele que já é concedido no momento da celebração do contrato de venda ou prestação de serviço, nada obriga ou recomenda que o Fl. 2346DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.347 43 adquirente registre a sua obrigação por um valor maior do que, já sabe, irá desembolsar em seu vencimento. Tudo ao contrário, deve fazêlo pelo valor efetivo, o que leva a que não surja a figura aqui discutida. Ela, ao contrário, surge quando o vendedor somente concede o desconto em razão de o comprador quitar, antes do prazo, a dívida. Nesse caso, ela estará corretamente registrada em sua contabilidade pelo valor inicialmente pactuado. E por isso de incondicional nada tem: ele é um desconto condicionado à antecipação do pagamento. Esse é, aliás, o motivo para que sua contrapartida tenha a natureza de receita financeira. Nesse sentido, concluise que não assiste razão ao contribuinte, pois os descontos por ele obtidos junto a seus fornecedores compõem a base de cálculo das contribuições, precipuamente as calculadas sob a sistemática da não cumulatividade, que vem a ser o caso dos presentes autos. Destaquese que, à ocasião da implementação da não cumulatividade das contribuições, não mais existia a controvérsia acerca da inconstitucionalidade do alargamento de sua base de cálculo, pois que, diferentemente da Lei nº 9.718, de 1998, as Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, já se sustentavam na nova redação constitucional dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998, que passou a prever a incidência das contribuições sociais sobre as receitas, genericamente consideradas, e não mais apenas sobre o faturamento. Pelas mesmas razões expostas acima, não há que se falar em créditos de PIS e COFINS sobre o valor do ICMSST nas aquisições de mercadorias para revendas. Também créditos de PIS e COFINS de despesas com frete de transporte de mercadorias entre os estabelecimentos do Bompreço não estar previsto, especificamente em lei. As Leis 10637/2002 e 10833/2003, trazem a previsão para o aproveitamento dos créditos sobre as operações de venda, o que não é o caso. Para haver a operação de venda e o respectivo aproveitamento do crédito tem que haver a efetiva venda, o que não ocorreu in casu. IV Conclusão. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial do Contribuinte e DOU PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 2347DF CARF MF Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 9303003.547 CSRFT3 Fl. 2.348 44 Fl. 2348DF CARF MF
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Numero do processo: 36624.002699/2007-37
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO PARCIAL. COMPROVAÇÃO.INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 99 DO CARF.
Considera-se homologado o lançamento quando existe prova suficiente da existência de pagamento das contribuições devidas, ainda que parcial, e há transcurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador sem que o fisco se manifeste; nessa situação, incide a Súmula nº 99 do CARF.
Recurso especial conhecido e provido.
Numero da decisão: 9202-004.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2061; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2.834 1 2.833 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 36624.002699/200737 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202004.422 – 2ª Turma Sessão de 27 de setembro de 2016 Matéria 67.618.4189 CS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO PAGAMENTO APTO A ATRAIR O ART. 150, § 4º, DO CTN SÚMULA CARF Nº 99. Recorrente COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO PARCIAL. COMPROVAÇÃO.INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 99 DO CARF. Considerase homologado o lançamento quando existe prova suficiente da existência de pagamento das contribuições devidas, ainda que parcial, e há transcurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador sem que o fisco se manifeste; nessa situação, incide a Súmula nº 99 do CARF. Recurso especial conhecido e provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 62 4. 00 26 99 /2 00 7- 37 Fl. 2834DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 36624.002699/200737 Acórdão n.º 9202004.422 CSRFT2 Fl. 2.835 2 Relatório Trata o presente processo de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, DEBCAD nº 35.842.6596, no qual foi constituído crédito de contribuições previdenciárias não recolhidas, da parte da empresa, Sat/Rat e Terceiros: Sesc, Senac e Incra. As exigências tiveram por fato gerador o fornecimento pela empresa a funcionário(a) sempre quando do nascimento de filho, um kit de enxoval para bebê, devendo tais despesas da empresa serem consideradas como saláriodecontribuição, uma vez que as utilidades fornecidas têm origem no contrato de trabalho e surgem em decorrência da prestação de serviços, representando um acréscimo no patrimônio do trabalhador, já que lhe proporciona um ganho econômico. O crédito foi consolidado em 16/12/2005, no valor de R$ 153.953,41, com ciência à contribuinte em 27/12/2005 (efl. 13), e o correspondente relatório fiscal está posto às efls. 45 a 50 dos autos. A empresa apresentou impugnação em 11/01/2006, efls. 108 a 128. Em 16/10/2006, a Delegacia da Receita Previdenciária São Paulo Oeste, em Decisãonotificação nº 21.003.0/0352/2006, às efls. 145 a 161, rejeitou as alegações da contribuinte, considerando procedente o lançamento. Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário (efls. 169 a 187), em 02/01/2007. Nele, repisa argumentação trazida na impugnação que, em resumo, abaixo se arrola: (i) a verba em questão não possui natureza salarial; (ii) a verba em questão não é paga com habitualidade; (iii) a verba em questão se enquadra em expressa hipótese de exclusão da base de cálculo das contribuições previdenciárias; (iv) o crédito tributário encontrase integralmente extinto pela decadência; (v) é ilegal a inclusão de seus diretores no pólo passivo da autuação fiscal. O recurso voluntário foi apreciado pela 6ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em 05/02/2009, no acórdão 20601.872, às efls. 280 a 285, que tem a seguinte ementa: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO SALÁRIO INDIRETO DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI N° 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Fl. 2835DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 36624.002699/200737 Acórdão n.º 9202004.422 CSRFT2 Fl. 2.836 3 Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculante aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Recurso Voluntário Provido. O acórdão, por sua vez, tinha a seguinte redação: ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas. Fez sustentação oral o(a) advogado(a) da recorrente Dr(a) Caio Alexandre Taniguchi Marques, OAB/SP nº 242.279. Embargos de Declaração da Procuradoria da Fazenda e da DRFB A Fazenda Nacional, em 22/06/2009, interpôs embargos de declaração ao acórdão (efls. 288 a 290), entendendo que este teria omissão relativamente a regra adotada para contagem do prazo decadencial: se a do art. 173, inc. I, ou artigo 150, § 4º, ambos do CTN. Considerandose que não houve antecipação de pagamento, ainda que parcial, a adoção primeira regra implicaria inexistência de decadência para o período de apuração de dezembro de 1999, pois a ciência da NFLD se dera em 27/12/2005 e o prazo seria contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte: 1º/01/2001, findando em 1º/01/2006. Os embargos foram acolhidos, por meio do acórdão nº 230100.750, da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento (efl. 298 a 301), em 30/11/2009, tendo este a seguinte ementa: Período de apuração: 01/01/2002 a 30/05/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. SALÁRIO INDIRETO. ENXOVAL DE BEBE. NATUREZA SALARIAL PARA FINS PREVIDENCIÁRIOS O Enxoval de bebê, oferecido por mera liberalidade pelo empregador aos seus empregados, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial. DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 c 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em Fl. 2836DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 36624.002699/200737 Acórdão n.º 9202004.422 CSRFT2 Fl. 2.837 4 relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. LANÇAMENTO DE OFÍCIO No caso em que o lançamento é de ofício, para o qual não houve pagamento antecipado do tributo, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173. do CTN. Considerase lançamento de ofício a contribuição incidente sobre o pagamento de verbas que a empresa não considera base de cálculo da contribuição. Cientificada desse acórdão em 12/03/2012 (efl. 302) a Fazenda Nacional não interpôs recurso. Todavia tal acórdão continha também inexatidão material apontada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo, com erro no resultado declarado no decisório da votação do colegiado. Por essa razão, foi exarado novo acórdão, de nº 2301003.272, pelo colegiado da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento (efl. 310 a 314), em 23/01/2013, assim ementado: Período de apuração: 01/01/2002 a 30/05/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. LANÇAMENTO DE OFÍCIO No caso em que o lançamento é de ofício, para o qual não houve pagamento antecipado do tributo, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN. Considerase lançamento de ofício a contribuição incidente sobre o pagamento de verbas que a empresa não considera base de cálculo da contribuição. Embargos Acolhidos Fl. 2837DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 36624.002699/200737 Acórdão n.º 9202004.422 CSRFT2 Fl. 2.838 5 Já o acórdão teve a seguinte dicção: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher o pedido da unidade da administração tributária, nos termos do voto da Relatora; b) acolhidos os embargos, em retificar o acórdão, a fim de deixar claro que se deve dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assim, remanesceu apenas o crédito lançado relativamente ao período de apuração de dezembro de 1999. Embargos de Declaração da contribuinte A contribuinte recebeu intimação de nº 369/2013 (efls. 317), para ciência do acórdão do recurso voluntário, dos embargos da Fazenda de dos acórdãos deles resultantes, em 30/09/2015 (efl. 319). Em face dos acórdãos nº 2301003.272 e nº 230100.750, apresentou ela própria embargos de declaração, às efls. 2079 a 2086, em 04/10/2013. Nesses embargos dos embargos, em síntese, se alega que, contraditoriamente, foi indicado, na ementa do acórdão embargado, o período de apuração 01/01/2002 a 30/05/2003, quando o lançamento ora em análise se refere, na verdade, ao período de 01/1999 a 12/1999. Além disso, quanto ao período decadencial, frisa que agente fiscal constatou sim recolhimentos a título de contribuição previdenciária sobre a folha de salários da embargante, não havendo como prevalecer o entendimento da Relatora no sentido de ser aplicável a regra do art. 173, I, do CTN, mas a norma prevista no § 4º do art. 150 da mesma Lei Complementar. Em sede de fiscalização, foram analisados: folhas de pagamentos de funcionários, guias de recolhimento de contribuições previdenciárias e livros diários do período de janeiro de 1999 a agosto de 2005. Dessa análise decorreu a conclusão de que as despesas com enxoval de bebê não compuseram o salário de contribuição; logo, a fiscalização homologou expressamente as outras parcelas pagas, sendo ilógico admitir que a empresa, com 51 mil funcionários registrados em folha, não tivesse realizado qualquer recolhimento de contribuição previdenciária. Busca comprovar a existência dos referidos pagamentos, anexando 2.000 cópias de guias de recolhimento referentes aos meses autuados. Por isso contesta a conclusão dos acórdãos e vê como correta a incidência do § 4º do art. 150 do CTN para contagem do prazo decadencial. O Despacho de nº 2301108 (efl. 2715 e 716) do Presidente da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento acatou em parte os embargos, que foram apreciados pela Turma no acórdão de nº 2301004.059 (efls. 2717 a 2719) em 15/05/2014. No voto condutor desse acórdão, a relatora só reconheceu a contradição quanto ao período de apuração informado nos acórdãos embargados, mas, relativamente a análise de todo o procedimento fiscal originário da NFLD, não vê obscuridade na decisão embargada quando naquele acórdão se afirma a aplicação do art. 173 do CTN, pois a empresa Fl. 2838DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 36624.002699/200737 Acórdão n.º 9202004.422 CSRFT2 Fl. 2.839 6 entendia com não integrantes da base de cálculo da contribuição previdenciária verbas que foram apuradas apenas quando do lançamento de ofício. Com isso, o acórdão 2301004.059 foi assim ementado: Período de apuração: 01/01/1999 a 12/12/1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. O acórdão, por sua vez, tem o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto da Relatora; b) acolhidos os embargos, corrigir as datas citadas, nos termos do voto da Relatora. RE da contribuinte Cientificada do Despacho nº 2301108 de 21/02/2014 e do Acórdão nº 2301 004.059 de 15/05/2014, ambos da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, por meio da Intimação nº 2991/2014 (efl. 2722), em 12/12/2014 (efl. 2725), a contribuinte interpôs recurso especial de divergência RE em 26/12/2014, às efls. 2728 a 2735. Em resumo, a divergência se estabelece relativamente à apreciação da caracterização da existência de antecipação de pagamento que levaria à incidência do art. 150, § 4º, do CTN em vez do art. 173 do mesmo Códex, adotado pelo acórdão recorrido. O paradigma indicado pela contribuinte é o Acórdão nº 9202003.196, proferido em 07/05/2014, pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. Nele se entendeu que, para incidência do art. 150, basta o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração; no recorrido se entendeu que não há pagamento antecipado em relação à verba que sequer foi considerada pelo contribuinte como base de cálculo da contribuição. O Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF através do Despacho s/n, às efls. 2814 a 2824, deu seguimento ao RE por entender preenchidos os requisitos legais para sua admissibilidade em 03/05/2016, já com fundamento nos artigos 67 e 68, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Contrarrazões da Fazenda Cientificada em 05/05/2016, a Procuradoria da Fazenda apresentou contrarrazões em 13/05/2016, às efls. 2826 a 2832. Naquela peça, a Procuradora afirma que a incidência da norma posta no § 4º do art. 150 do CTN depende da existência antecipação de Fl. 2839DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 36624.002699/200737 Acórdão n.º 9202004.422 CSRFT2 Fl. 2.840 7 pagamento do tributo que se pretende ver homologado, mas no caso dos autos não haveria qualquer antecipação de pagamento no período lançado. Daí aduz (efl. 2830): Ora, se não restou demonstrada a existência da antecipação do pagamento com relação às contribuições apuradas no período do lançamento, independentemente da aferição sobre a quem cabia o ônus da prova no caso, é cediço que a regra deve ser aplicada. Mesmo tratandose de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se não há qualquer prova de que ocorreu a antecipação do pagamento, estáse diante, na verdade, de lançamento de ofício. Assim, a regra a ser aplicada na espécie é a preconizada pelo inciso I do art. 173, do CTN. (Sublinhado no original.) Além disso, afirma que a recorrente defende tese de presunção do pagamento antecipado, contudo, como ré da ação fiscal, a ela incumbiria o ônus probatório da existência de fato impeditivo ou extintivo do direito do fisco; caberia à autuada comprovar a existência dos pagamentos. Por essas razões solicita que seja negado provimento ao RE da contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Concordo com o entendimento da Procuradora quando afirma que o ônus probatório é do contribuinte quanto aos fatos que extinguissem o direito de o fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento. Todavia, a afirmação da contribuinte de que existiriam pagamentos não pretende apenas a presunção simples de estes tenham ocorrido. Se prende também ao próprio relatório fiscal no qual se afirma, no item 7, à efl. 46: 7. Os documentos examinados foram os seguintes: Folhas de Pagamento a funcionário; Guias de recolhimento de contribuições previdenciárias; (Grifei.) (...) Em remate, no mesmo relatório, em seu item 9, in fine (efl. 47), a agente fiscal assevera: A empresa recolheu as contribuições retidas referentes a 11% sobre a prestação de serviços.(Grifei) Fl. 2840DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 36624.002699/200737 Acórdão n.º 9202004.422 CSRFT2 Fl. 2.841 8 Ou seja, a autoridade autuante afirma que existiam guias de recolhimento por ela examinadas; recolhimentos houve. Restaria a dúvida sobre quais períodos de competência teriam havido tais recolhimentos, haja vista que a afirmação no relatório fiscal é genérica. Contudo, se a afirmação é genérica penso que se inverta o ônus probatório agora para o fisco, pois no item 2, à efl. 45, do mesmo relatório, está disposto: 2. PERÍODO DO LANÇAMENTO DO CRÉDITO Janeiro de 1999 a Dezembro de 1999. Por fim, a autuada junto com seus embargos trouxe cópias de farta documentação (efls. 2123 a 2545) comprobatória da existência de pagamentos (GRPS formulários entre janeiro e abril de 1999; e GPS gerado em sistema eletrônico a partir de maio até dezembro de 1999) realizados dentro do período do lançamento do crédito. Tais documentos não podem simplesmente ser ignorados, uma vez que a situação presente atende ao disposto na alínea 'c)' do § 4º do art. 161 do Decreto nº 70.235 de 06/03/1972 PAF, que admite a juntada de prova documental posteriormente à impugnação, quando esta contrapõe razões trazidas aos autos em momento posterior ao da apresentação da impugnação. Dessarte, é aplicável ao caso concreto o disposto na Súmula CARF 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Assim, quando da ciência da NFLD (27/12/2005), a existência de pagamentos parciais relativamente às contribuições sociais do período exigido no DEBCAD nº 35.842.6596 (janeiro a dezembro de 1999) importam em incidência da regra decadencial do art. 150, § 4º do CTN. 1 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Fl. 2841DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 36624.002699/200737 Acórdão n.º 9202004.422 CSRFT2 Fl. 2.842 9 Conclusão Pelas razões acima expostas, voto por dar provimento ao recurso especial de divergência da contribuinte, para reconhecer a decadência até do crédito tributário referente à competência de 12/1999. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 2842DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 36624.002699/200737 Acórdão n.º 9202004.422 CSRFT2 Fl. 2.843 10 Fl. 2843DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10073.720145/2007-13
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2003
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ATO
DECLARATORIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA
BASE DE CÁLCULO.
A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei n°6.938, de 1981, por força da Lei IV 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de calculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR).
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / INTERESSE ECOLÓGICO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ATO DECLARATÓRIO
AMBIENTAL (ADA).
A área de utilização limitada / interesse ecológico, para fins de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental — ADA, até a data do fato gerador do imposto.
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO.
O VTN médio extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. 0 arbitramento deve
ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2202-000.671
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o valor da terra nua declarado pelo recorrente. Vencido o Conselheiro Antonio Lopo Martinez. Quanto As demais matérias, pelo voto de qualidade, negar
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gustavo Lian Haddad (Relator), Pedro Anan Júnior e João Carlos Cassuli Júnior, que proviam o recurso nesta parte. Designado para redigir
o voto vencedor o Conselheiro Nelson Mallmann.
Nome do relator: Gustavo Lian Haddad
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2003 AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATORIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, corn a introdução do art. 17 na Lei n°6.938, de 1981, por força da Lei IV 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de calculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). AREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / INTERESSE ECOLÓGICO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ATO DECLARATóRIO AMBIENTAL (ADA). A área de utilização limitada / interesse ecológico, para fins de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental — ADA, até a data do fato gerador do imposto. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. O VTN médio extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na D1TR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. 0 arbitramento deve ser efetuado corn base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar pr iovimento parcial ao recurso para restabelecer o valor da terra nua declarado pelo recorrente. Vencido o Conselheiro Antonio Lopo Martinez. Quanto As demais matérias, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gustavo Lian Haddad (Relator), Pedro Anan Júnior e João Carlos Cassuli Júnior, que proviam o recurso nesta parte. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Nelson Mallmann. — Presidente e Redator Designado GUSVO LIAN HADDAD - Relator EDITADO EM: 29 JUL 2011' Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Júnior, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, João Carlos Cassulli Júnior (Suplente convocado), Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. 2 Processo II' 10073.720145/2007-13 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.671 Fl. 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrada, em 03/12/2007, a Notificação de Lançamento de fls. 01/02, relativa ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, exercício 2003, por intermédio do qual lhe é exigido crédito tributário no montante de R$16.549.861,27, dos quais R$6.990.437,71 correspondem a imposto, R$5.242.828,28 a multa de oficio, e R$4.316.595,28, a juros de mora calculados até 30/11/2007. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais (fls. 02), a autoridade fiscal apurou a seguinte infração: "A'rea de preservação permanente não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da area declarada a titulo de preservação permanente no imóvel rural. 0 Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontram-se no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. A'rea de Utilização :imitada não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a titulo de utilização limitada no imóvel rural. 0 Documento de Informação e Apuração do ITR. (DIAT) foi alterado e os seus valores encontram-se no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as Informações do Sistema de Preps de Terra — SIPT da RFB. Os valores do DIAT encontram-se no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa." Cientificada do Auto de Infração em 19/12/2007 (AR de fls. 175/176), a contribuinte apresentou, em 18/01/2008, a impugnação de fls. 68/174, cujas alegações foram assim sintetizadas pela autoridade julgadora de primeira instância: SIt4 3 "I - A autoridade lançadora ao executar o ato de lançamento deve procurar cumprir a vontade e o que determina a lei, apurando se houve ou não a ocorrência e, em que medida se deu o jato jurídico tributário, eis que tem o poder-dever de buscar a verdade real,. II - a investigação a ser feita pelo Fisco tem de se submeter ao principio inquisitório na busca da verdade material, iii - é preciso avaliar se os métodos probatórios indiciarias são torizados em lei e se são, em si mesmo, compatíveis com o principio da verdade material; IV - analisando os dispositivos legais citados no Auto ora impugnado conio violados pela impugnante, conclui-se, sem qualquer margem de tergiversação, que OS FATOS NARRADOS NO AUTO NÃO SE ENQUADRAM NAS NORMAS POR ELE INVOCADAS COMO SUPOSTAMENTE VIOLADAS, Vale dizer: INEXISTE SUBSUNCÃO DOS FATOS AS NORMAS- INEXISTIU, POIS, QUALQUER VIOLAÇÃO AQUELAS MESMAS NORMAS JURÍDICAS; V - A área de preservação permanente nos termos da lei n° 4.77)/65, pode ser facilmente demonstrada através da perícia agronômica realizada no imóvel, nos autos da Ação Ordinária n 000609149-0. em tramite Perante a 17" Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro (Doc. n" 09) do ADA emitido pelo IBAMA (Doc. 04), dos Laudos Técnicos expedidos (Doe. n" 05) e da Certidão expedida pelo IBAMA (Doc. n°06), bem como atravé de nova perícia a ser realizada, que desde já se requer; VI - Ademais, insta ressaltar que a empresa jamais poderia ser considerada como latifúndio por exploração, com a aplicação de alíquotas punitivas de 20% sobre a área de imóvel nua!, com enorme agravamento da tributação, posto que teve quase a totalidade de sua área desapropriada pelo Parque Nacional da Serra do Bocaina, consoante demonstra o Ato Expropriatório anexo, não incidindo nesta área, o ITR; VII - E nem se diga que a averbação da área de reserva legal na inscrição c/c matricula do imóvel rural é requisito legalmente estabelecido, deter mincinte de seu reconhecimento como tal para efeito de autorizar a isençãO do ITR, como alegado pela Fazenda Nacional; VIII - CONFORME ENTENDIMENTO JÁ PACIFICADO PELA EGRÉGIA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, A PROVA DA EXISTÊNCIA DA ÁREA DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE PODE SER REALIZADA POR QUAISQUER DOCUMENTOS, SENDO PLENAMENTE VÁLIDA A DOCUME INTAÇÃO ACOSTADA À PRESENTE DEFESA, AINDA SEGUNDO ENTENDIMENTO DA CSRF A AVERBAÇÃO DA AEA DE RESERVA LEGAL À MARGEM DA INSCRIÇÃO DO IMÓVEL TEM FINALIDADE DISTINTA DA TRIBUTARIA, SERVINDO APENAS RESGUARDAR A SEGURANÇA AMBIENTAL; IX - transcreve ementas da CSRF; Pt 4 Processo n° 10073.720145/2007-13 S2-C2T2 Acórdao n.° 2202-00.671 Fl. 3 X - transcreve ementas do Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais); XI - Outro ponto que foi equivocadamente arbitrado pela fiscalização da Receita Federal diz respeito ao valor do imóvel objeto da autuação fiscal. Segundo a fiscalização autuante., teria sido apurado como valor do imóvel o montante de R$13.374.380,21, o que definitivamente não condiz com a realidade fática. XII - Consoante demonstram os Laudos Técnicos de avaliação em anexo, elaborados de acordo com as normas NBR 14.653, da ABNT, a avaliação média atual do imóvel é de R$5.834,88 (cinco mil, oitocentos e trinta e quatro reais e oitenta e oito centavos) por ha. Ora, se em 2008 o valor médio do imóvel é de R$ 36.141.830,00, obviamente em 2003 o valor do imóvel jamais poderia ser de R$64.755.494,62 conforme pretende a fiscalização autuante, sendo arbitrária a lavratura do AI baseado enz absurda avaliação da propriedade rural, sob pena de ofensa ao principia da verdade material; XIII - os fatos narrados pela fiscalização quando da lavratura do auto de infração não se enquadram nas normas por ele invocadas como supostamente violadas pelo contribuinte. No presente caso ao aplicar a lei a fatos que não correspondem àqueles nela previstos, o Fisco acabou por violá-la. A presente autuação é pois nula porque ilegal; XIV - SE AS HIPÓTESES DE INCIDÊNCIA DAS NORMAS LEGAIS E REGULAMENTARES INVOCADAS NO AUTO DE INFRA CÃO NÃO COMPORTAM A SUBSUNCA -0 DOS FATOS NELE NARRADOS (VALE DIZER SE INEXISTE SUBSUNC:4 -0 DOS FATOS AUELAS NORMAS), EVIDENTE SE TORNA QUE, NO PRESENTE CASO, INEXISTIU FATO GERADOR DA OBRIGA CÁ -0 TRIBUTÁRIA: NÃO OCORRENDO 0 FATO GERADOR, NA -0 INCIDE 0 COMANDO DA NORMA E, POR CONSEGUINTE, NA -0 NASCE A OBRIGA CÁO TRIBUTÁ RIA, DONDE SER ABSOLUIAMENTE NULO 0 LANÇAMENTO ORA ATACADO; XV - a progressividade das aliquotas de acordo com a área do imóvel objeto da tributação, estabelecida pelo anexo único da Lei 9.393/96, choca-se frontalmente com a delineação do imposto feita pela Constituição Federal, bem como ao entendimento pacifico da Corte Suprema; XVI - cumpre salientar que a aliquota de 20% (vinte por cento) aplicada pela d. fiscalização para a obtenção do valor do tributo devido é claramente confiscatória, ferindo de morte o principio constitucional do não confisco,insculpido no artigo 150, inciso IV, da Carla Magna; XVII - as multas aplicadas têm natureza nitidamente confiscatória, violando o Principio do Não-Confisco, eis que gravam sobremaneira o patrimônio da Autora. devendo ser anuladas; XVIII - Da fala dos ilustres Auditores, ou juntada de novos documentos demonstrativos ou relaçães complementares, desde já, requer vista à çl 5 Impugnante com devolução do prazo para aditamento esz l impugnação; presente XIX - Do deferimento ou indeferimento da produção de prova pericial seja intimada a autuada-impugnante, antes de ser proferida a r. decisão de V.Exa. sobre a impugnação propriamente dita, para fins de direito' XX Protesta desde já, pela oportuna juntada de documentos e aditamento presente impugnação; XXI - Requer provar o alegado pelos meios em direito admitidos, especialmente documentos e perícia já realizada (Laudo Anexo), ben' como a que ora se requer." A la Turma da DRJ em Recife, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento, em decisão assim ementada: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2003 AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO. A exclusão de áreas declaradas como de preservação permane nte e de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao protocolo do Ato Declaratório Ambiental - ADA, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DE DECLARADO INTERESSE ECOLÓGICO. COMPROVAÇÃO. A área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, para ser dedutivel da área tributável pelo ITR, deve ser assim declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e ampliar as restriçõeS de uso previstas nas áreas de preservação permanente e de reserva legal. VALOR DA TERRA NUA. 0 Valor da Terra Nua - VT7V é o prep de mercado da terra nua apurado em I" de janeiro do ano a que se referir a DITR. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. A legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. Lançamento Procedente." 6 Processo n° I 0073.720145/2007-13 S2-C2T2 Acórclao n.° 2202-00.671 Fl. 4 Cientificada da decisão de primeira instância em 29/06/2009, conforme AR de fls. 214, e com ela não se conformando, a recorrente interpôs, em 23/07/2009, o recurso voluntário de fls. 215/243, por meio do qual reitera suas razões apresentadas na impugnação. o relatório. • • 7 Voto Vencido Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. O lançamento ora impugnado decorre (i) da glosa da área declarada como APP (1.028,4ha), (ii) da glosa de área declarada como de utilização limitada (4.391,1ha) e (iii) do arbitramento do VTN (de R$4.758.074,00 para R$34.965.570,62). A glosa da S áreas de APP e de utilização limitada decorre da não apresentação pela Recorrente de ADA protocolado tempestivamente junto ao lhama enquanto que o arbitramento do v-rN decorre da utilização dos dados do SIAT, não contestados em laudo de avaliação comprobatório da regularidade do valor originalmente declarado. Glosa das áreas de APP e de utilização limitada 0 Recorrente, para justificar os valores declarados, trouxe aos autos o laudo de fls. 31/36 confirmando a existência de APP no montante de 1.028,4ha e Area Declarada de Interesse Ecológico de 4.391,1ha, juntamente com os ADAs de fls. 30 e 109 (sendo eSte ultimo retificador). Verifico, ainda, que foi juntada aos autos urna certidão do lhama (fls. 39) comprovando que a propriedade está em área de interesse ecológico. Nesse sentido, ao examinar a documentação trazida aos autos, entendo que assiste razão ao Recorrente no tocante aos valores declarados a titulo de APP e área de interesse ecológico. Corno se verifica dos referidos documentos foi efetivamente declarado ao Ibama por meio de ADA, ainda que intempestivo, a existência de APP no mOntante de 1.028,4ha e Area de Declarado Interesse Ecológico de 4.391,1. Esses valores são confirmados pelo laudo de fls. 31/36. Por essa razão, entendo que a glosa efetuada pela autoridai de fiscal, considerando como área tributável a área total do imóvel, não merece prosperar. De fato, ern que pese a ausência de apresentação tempestiva do AA, tenho para mim que a comprovação das áreas de APP e utilização limitada, para efeito de sua exclusão na base de cálculo de ITR, não depende, exclusivamente, da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA), no prazo estabelecido. Referido entendimento decorre do disposto no artigo 10°, parágrafo 7 0, da Lei n° 9.393/96, modificado pela Medida Provisória n° 2.166-67/2001, segundo o qu1 basta a simples declaração do contribuinte quanto à existência de APP e área de utilização limitada, para fins de isenção do 1TR, respondendo o mesmo pelo pagamento do imposto e coi nsectdrios legais em caso de não comprovação. No presente caso, tendo havido a contestação da existência das referidas áreas pela autoridade fiscal, o laudo de avaliação (fls. 31/36), o ADA (fls. 30) e a manifestação do lhama (fls. 39) fazem prova suficiente de sua existência. 8 Processo n° 10073.720145/2007-13 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.671 Fl. 5 Dessa forma, entendo que a Recorrente comprovou a existência das áreas declaradas a titulo de APP e de utilização limitada, devendo-se cancelar a glosa efetuada pela autoridade fiscal. Arbitramento do VTN A contribuinte ,lega que o valor da terra nua arbitrado pela fiscalização está em desacordo corn a realidade e l não guarda proporcionalidade com os valores médios dos imóveis da regido onde se localiza o imóvel. Apresentou em sua defesa, também, o laudo de avaliação de parte da propriedade defis. 158/172. 0 art. 14, capu autoriza, no caso de subavaliação, e §1", da Lei n" 9.393, de 19 de dezembro de 1996, que o arbitramento do VTN, assim estabelece: "Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem Milo de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou .fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de oficio do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser poii ela instituído, e os dados de area total, area tributável e gran de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de' fiscalização. §10 As informações sobre pregos de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1", inciso II da Lei n" 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias le Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios." Referido dispositivo faz expressa menção aos critérios do art. 12, §1°, inciso II , da Lei n' 8.629/93, cuja redação vigente à época da edição da Lei n" 9.393/96 dispunha: "Art. 12. Considera-se justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu património, do valor do bem 11111 que perdeu por interesse social. §10 A identificaçao do valor cio hem a ser indenizado sera feita preferencialmente, coin base nos seguintes referenciais técnicos e niercadológicos, entre outros usualmente empregados: I - valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II - valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: localização do imóvel; 122 capacidade potencial da terra; c2 dimensão do imóvel. ,sç' 2" Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a ..erein indenizados serão levantados junto as Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de 9 avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado." 0 arbitramento do valor da terra nua, expediente legitimo, nos termos art. 148 do CTN, para as situações em que não mereçam fé as infonnações prestadas pelo sujeito passivo, deve observar os parâmetros previstos pelo legislador e acima referidos, inclusive capacidade potencial da terra, informados pelas Secretarias de Agricultura dos Estados e Municípios. No caso em exame, entretanto, o arbitramento se baseou única e exclusivamente na media de VTN declarados por outros contribuintes, cuja utilização não atende as exigências legais. A esse respeito transcrevo abaixo trecho do voto proferido pela Ilustre Conselheira Maria Lucia Moniz de Aragao Calomino Astorga, no acórdão 2202-00.722, que adoto como fundamento no presente voto para situação em tudo assemelhada h. presente, in verbis: "Conjugando os dispositivos acima transcritos, infere-se que o sistema a ser criado pela Receita Federal para fins de arbitramento do valor da terra nua deveria observar os critérios estabelecidos no art. 12, lo, inciso IL da Lei no 8.629, de 1993, quais sejam, a localização, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel, assim como considerar os levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Nesse contexto, foi aprovado o Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal — SIFT, pela Portaria SRF no 447, de 28 de mat-go de 2002, alimentado com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores da terra nua da base de declarações do ITR (art. 3o da Portaria SIZE no 447, de 2002). Para se contrapor ao valor arbitrado com base no SIPT, deve o contribuinte apresentar Laudo Técnico, com suficientes elementos de convicção, elaborado por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado de ART, e que atenda ás prescrições contidas na NBR 14653-3, que disciplina a atividade de avaliação de imóveis rurais. (...) Entretanto, embora presentes os elementos que autorizam o arbitramento, o valor do VTN atribuído pela fiscalização deve ser revisto, pois houve um erro na sua apuração. A .fiscalização utilizou para arbitrar o VTN do imóvel da recorrente o valor do VTN médio/ha declarado pelos contribuintes do mesmo município (R$495,76/ha), extraído das informações contidas no SIFT (fl. 79), multiplicado pela área total do imóvel (9.846,7ha), obtendo o valor .final de R$ 4.881.599,99. Ressalte-se, entretanto, que o VTN médio declarado por município, obtido com base nos valores informados na DITR, constitui uni parâmetro inicial, mas não pode ser utilizado para 1 0 Processo n" 10073.720145/2007-13 S2-C2T2 Acórdão n." 2202-00.671 Fl. 6 fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. Isso porque esta informação não é contemplada na declaração, que contém apenas o valor global atribuído a propriedade, sem levar em conta as características intrínsecas e extrínsecas da terra que determinam o seu potencial de uso. Assim, o valor arbitrado deve ser obtido com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel." No presente caso, verifico que o arbitramento se deu sem o atendimento dos requisitos legais. De fato, a tela do SIAT da Receita Federal do Brasil de fls. 64, parâmetro utilizado para o arbitramento, demonstra que não existe, para o exercício e município em questão, informações fornecidas pelas Secretarias Estaduais ou Municipais, razão pela qual o referido valor teve como base exclusivamente as informações prestadas por outros contribuintes em suas DITRs. Logo, resta claro que não foram atendidos os requisitos previstos na lei, razão pela qual deve ser desconsiderado o VTN arbitrado, devendo ser restabelecido o VTN declarado pelo Recorrente. Ante o exposto, conheço do recurso para, no mérito, DAR lhe PROVIMENTO para cancelar o lançamento. A5GUST 0 LIAN HADDAD • 11 Voto Vencedor Conselheiro Nelson Mallmann, Redator Designado Corn a devida vênia do nobre relator da matéria, Conselheiro Gurstavo Lian Haddad, permito-me divergir quanto à exclusão da tributação a integralidade da Area de preservação permanente e Area de utilização limitada (interesse ecológico), acompanhando o relator quanto ao provimento parcial ao recurso para restabelecer o valor da terra nua declarado pelo recorrente. Entende o nobre relator, que no caso em concreto, no que diz respeito às Areas de preservação permanente e de utilização limitada (interesse ecológico), a recorrente preencheu os requisitos previstos na legislação de regência. Contudo, não posso acompanhar o raciocínio do nobre relator, já que discordo frontalmente no que diz respeito ao Ato Declaratório Ambiental – ADA, exigência mútua para as áreas de preservação permanente e de utilização limitada (interesse ecológico), pelos motivos abaixo expostos. Não resta duvidas de que se confirmou o não cumprimento de urna exigência genérica, aplicada tanto as areas de utilização limitada (Reserva Legal, Reserva Particular do Patrimônio Natural ou Imprestável para a atividade produtiva/interesse Ecológico), quanto às Areas de preservação permanente, de que as Areas ambientais do imóvel, para fi ns de exclusão do ITR, sejam devidamente reconhecidas como de interesse ambiental, por intermédio de Ato Declaratório Ambiental - ADA, emitido pelo IBAMA/órgdo conveniado ou, pelo Menos, que seja comprovado a protocolização tempestiva do seu requerimento (do ADA). Corno visto nos autos, a discussão principal de mérito diz respeito à Area de preservação permanente e Area de utilização limitada (interesse ecológico), e o nó l da questão restringe-se a exigência relativa ao ADA — Ato Declaratório Ambiental, que deve conter as informações de tais áreas e ter sido protocolado tempestivamente junto ao IBAMA/órgdo conveniado, para fins de exclusão dessas Areas da tributação. Não há dúvidas que, a principio, por tratarem-se de Areas não iributáveis, cabe destacar que as áreas assim declaradas estão sujeitas b. comprovação para serem aceitas, de acordo com a situação em que se enquadrem: 1 — Reserva Legal — é necessário que o contribuinte protocolize o Ato Declaratório Ambiental (ADA) no prazo legal e que as áreas estejam averbadas no Registro de Imóveis competente até a data da ocorrência do fato gerador ( Lei no 4.771, de 19 5, art. 16, com a redação dada pela MP n° 2.166, de 2001, art. 1 0); 2— Reserva Legal do Patrimônio Natural — RPPN — protocolo do ADA no prazo legal; que as Areas sejam reconhecidas pelo IBAMA ou por órgão estadual de meio ambiente, mediante requerimento do proprietário (Decreto n° 1.922, de 1996 e Lei 9.985, de 2000, art. 21); que as areas estejam averbadas no Registro de Imóveis competentdj na data da ocorrência do fato gerador ( Lei n° 9.985, de 2000, art. 21; Decreto n° 4.382, de 2002, art. 13, parágrafo único); 12 Processo 10073.720145/2007-13 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.671 Fl. 7 3 — Interesse Ecológico - protocolo do ADA no prazo legal; reconhecimento, em caráter especifico, para determinada area, de órgão competente federal ou estadual (Lei n° 9.393, de 1996, art. 10, § 1°, II, "b" e "c"); 4 — Servidão Florestal — protocolo do ADA no prazo legal; que as areas estejam averbadas no Registro de Imóveis competente na data da ocorrência do fato gerador ( Lei n°4.771, de 1965, art. 44-A, acrescentado pela MP n° 2.166-67, de 2001, art. 2°); 5 - Para as Areas de Preservação Permanente, há a necessidade que o contribuinte protocolize o Ato Declaratório Ambiental (ADA) no prazo legal ou reconhecimento da area através de Laudo Técnico, firmado por Engenheiro Agrônomo ou Florestal acompanhado da ART (Anotação da Responsabilidade Técnica) e de acordo com as normas da ABNT. As areas de Preservação Permanente são as descritas na Lei n° 4.771, de 1965, artigos 2° e 3°, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989, artigo 1°. Assim, verifica-se que as duas exigências previstas para justificar a exclusão de tais areas da incidência do ITR12003, qualquer que sejam as suas reais dimensões, não foram providenciadas de forma tempestiva. Confirmou-se o não cumprimento de uma exigência genérica, aplicada tanto as areas de utilização limitada (Reserva Legal, Reserva Particular do Patrimônio Natural ou Imprestável para a atividade produtiva/Interesse Ecológico), quanto as areas de preservação permanente, de que as areas ambientais do imóvel, para fins de exclusão do ITR, sejam devidamente reconhecidas como de interesse ambiental, por intermédio de Ato Declaratório Ambiental - ADA, emitido pelo IBAMA/órgdo conveniado ou, pelo menos, que seja comprovado a protocolização tempestiva do seu requerimento. No tocante à apuração do imposto, de acordo com as instruções de preenchimento da DITR, podem ser excluídas, da area total do imóvel, para determinar a area tributável, as areas de preservação permanente e de utilização limitada, sendo essas últimas compostas pela área de reserva legal, pelas áreas de reserva particular do patrimônio natural, e pelas areas imprestáveis para a atividade produtiva, se declaradas de interesse ecológico, mediante ato do órgão competente federal ou estadual; Como é de notório conhecimento, o ITR incide sobre: (i) o direito de propriedade do imóvel rural; (ii) o domínio útil; (iii) a posse por usufruto; (iv) a posse a qualquer titulo, tudo conforme ditado pela Lei n° 9.393, de 1996. Conquanto, este tributo sera devido sempre que - no plano fatico - se configurar a hipótese de incidência ditada pela norma (Lei 9393/96): (i) a norma dita que a obrigação tributária nasce sempre em primeiro de janeiro de cada ano uma vez que a periodicidade deste tributo é anual; (ii) o imóvel deve estar localizado em zona rural; (iii) os demais requisitos já constam acima - posse, propriedade ou domínio Tenho para mim que para excluir as áreas de Interesse Ambiental de Preservação Permanente e as de Utilização Limitada da base de cálculo do ITR e anular a sua influência na determinação do Grau de Utilização, duas condições têm de ser atendidas. Uma é a sua averbação a margem da escritura no Cartório de Registro de Imóveis outra é a sua informação no Ato Declaratório Ambiental — ADA. Destaque-se que ambas devem ser atendidas à época a que se refere a Declaração do ITR. 13 de se ressaltar, que em nenhum momento estou questionando a existência e o estado das Reservas Preservacionistas, relatórios técnicos que atestam a sua existência não atingem o âmago da questão. Mesmo aquelas possíveis areas consideradas inaproVeitaveis, para integrarem as reservas da propriedade, para fins de cálculo do ITR, devem, no meu ponto de vista, obrigatoriamente, atender as exigências legais. Urn dos objetivos precipuos da legislação ambiental e tributária 6, indubitavelmente, estimular a preservação do meio ambiente, via beneficio fiscal. No entanto, o beneficio da exclusão do ITR, inclusive em areas de proteção e/ou interesse ambiental como os Parques Estaduais, não se estende genérica e automaticamente a todas as areas Ido imóvel por ele abrangidas. Somente se aplica a áreas especificas da propriedade, vale dizei-, somente para as áreas de interesse ambiental situadas no imóvel como: area de preservação permanente, area de reserva legal, area de reserva particular do patrimônio natural e area de proteção de ecossistema bem como area imprestável para a atividade rural, desde que reconhecidas de interesse ambiental e desde que haja o reconhecimento dessas areas por ato espeeifico, por imóvel, expedido pelo IBAMA, o Ato Declaratório Ambiental (ADA). Não tenho dúvidas, de que a obrigatoriedade da apresentação do ADA para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal) da base de cálculo do ITR, surgiu no ordenamento jurídico pátrio corn o art. 1 0 da Lei n° 10.165, de 2000 que incluiu o art. 17, § 1° na Lei n°6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001, verbis: Art. 1 7 - O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao Ibama a importáncia prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei n' 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a titulo dc Taxa de Vistoria." (NR) § 1' A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Tal dispositivo teve vigência a partir do exercício de 2001, anteriormente a este, a imposição da apresentação do ADA para tal fim era definido por ato infra-legal, que contrariava o disposto no § 1 0 do inciso II do art. 97, do Código Tributário Nacional. I Os presentes autos tratam do lançamento de ITR do exercício de 2003, portanto, a exigência do ADA para fins de exclusão da base de cálculo daquele tributo encontra respaldo legal, pelo quê, deve ser mantido quanto a este ponto, já o recorrente não comprovou nos autos a protocolização, de forma tempestiva, do requerimento/ADA, Ijunto ao IBAMA/órgão conveniado. oportuno salientar, que Conselho Administrativo de Recursos Ficais tem entendido em suas decisões de que a dispensa de comprovação relativa as areas de interesse ambiental (preservação permanente/utilização limitada), conforme redação do parágrafo 7°, do art. 10, da Lei n° 9.363, de 1996, introduzido originariamente pelo art. 3 0 da MP n° 1.956-50, de 2000, e mantido na MP n° 2.166-67, de 2001, ocorre quando da entrega da declaração do ITR, o que não dispensa o contribuinte de, uma vez sob procedimento administrativo de fiscalização, comprovar as informações contidas em sua declaração por meio dos documentos hábeis previstos na legislação de regência da matéria. 14 • Processo n° 10073.720145 12007-13 S2-C2T2 Acórcido n.° 2202-00.671 Fl. 8 Não obstante a pretensão da requerente de comprovar nos autos a efetiva existência da area de utilização limitada/interesse ecológico (materialidade) por meio do documento "Laudo de Avaliação do Imóvel", cabe ressaltar que essa comprovação, no meu entendimento, não é suficiente para que a lide seja decidida a seu favor, pois o que se busca nos autos é a comprovação do reconhecimento das referidas areas mediante ato do IBAMA ou órgão delegado por convênio ou, no mínimo, a comprovação da protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Enfim, a solicitação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) constituiu-se um ônus para o contribuinte. Assim, caso não desejasse a incidência do ITR sobre as áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, o proprietário do imóvel deveria ter providenciado, dentro do prazo legal, o requerimento do ADA. Portanto, não há outro tratamento a ser dada As áreas de preservação permanente e de utilização limitada/interesse ecológico glosadas pela fiscalização, por falta de comprovação da exigência tratada anteriormente, que devem realmente passar a compor as áreas tributável e aproveitável do imóvel, respectivamente, para fins de apuração do VTN tributado e do seu Grau de Utilização (do imóvel). Desta forma, não tendo sido comprovada a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental — ADA, junto ao IBAMA/órgdo conveniado, cabe manter as glosas efetuadas pela fiscalização em relação As Areas de preservação permanente e de utilização limitada/interesse ecológico. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de negar provimento nesta matéria, acompanhando o relator quanto ao provimento parcial ao recurso para restabelecer o valor da terra nua declarado pelo recorrente. 15 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2 CAMARA/2a SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n°: 1o0 1 2.044-5 I 20 0 1- 1 3 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3 0 do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2 2, 0 2 - 00. 67 4 Brasilia/DF, 29 JUL 20 1 1 'P 1 EVELINE COELHO DE MELO HOMAR Chefe da Secretaria da Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas corn Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10711.721498/2012-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/03/2009
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO.
É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto-Lei nº 37/66.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-003.442
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/03/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitarse à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37/66. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo, no que for relevante, o relatório da decisão de piso proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 14 98 /2 01 2- 27 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.721498/201227 Acórdão n.º 3302003.442 S3C3T2 Fl. 3 2 O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que totalizou R$ 5.000,00 à época de sua formalização, foi contestado pela empresa autuada. Da Autuação Antes de adentrar na descrição dos fatos que ensejaram a autuação, a autoridade lançadora fez longa explanação acerca do comércio marítimo internacional, na qual esclarece quem são os intervenientes nessa atividade, a documentação utilizada, as informações a serem prestadas e seus respectivos prazos e a sistemática de utilização delas. Foram apresentados tópicos específicos sobre a obrigatoriedade de prestar informação pelo transportador e sobre a importância, para o controle aduaneiro, de os dados exigidos serem prestados correta e tempestivamente. A fiscalização expôs detalhadamente quais as informações que devem ser prestadas e os respectivos prazos estabelecidos na legislação regente. Em seguida apresentou dispositivo legal que trata da denúncia espontânea esclarecendo que, depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior, esse instituto não é mais aplicável para infrações imputadas ao transportador, por força de expressa disposição do Regulamento Aduaneiro (art. 683, § 3°). Foi também comentado sobre os danos causados ao controle aduaneiro pelo descumprimento das normas referentes à prestação de informações pelos intervenientes no transporte internacional de cargas. Na sequência, a fiscalização discorreu sobre o tipo de infração verificada, inclusive no tocante a sua penalização. Depois, passou a demonstrar a irregularidade apurada que, de acordo com o relatado no tópico Dos Fatos, consistiu na prestação de informação intempestiva referente ao conhecimento eletrônico (CE) ali identificado. De acordo com a autoridade fiscal, a autuada deixou de atender ao prazo estabelecido no parágrafo único, inciso II, do art. 50 da Instrução Normativa RFB n° 800, de 27/12/2007. Assim, a fiscalização considerou caracterizada a infração tipificada no art. 107, IV, "e", do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, e aplicou a multa ali prescrita, que entende ser cabível para cada CE incluído ou retificado após o prazo para prestar informações. Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação e, apresentou impugnação na qual aduz os seguintes argumentos. Inobservância do art. 50 da IN RFB 800/2007. Conforme disposto no caput do art. 50 da IN RFB n° 800/2007, os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal entraram em vigor apenas em 1° de abril de 2009, estando a impugnante dispensada de tal obrigação por ocasião do fato que deu ensejo ao Auto de Infração. Tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional. Duplicidade de multa para o mesmo navio/viagem. O Auto de Infração tem objeto idêntico ao dos processos indicados, em que também é exigida multa pelo atraso na entrega de informação referente a carga transportada na mesma Fl. 116DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.721498/201227 Acórdão n.º 3302003.442 S3C3T2 Fl. 4 3 embarcação a que se refere este processo, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) n° 8, de 14/2/2008. Ao final a impugnante requer que seja cancelado o lançamento. A Turma Julgadora "a quo", por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela Recorrente, mantendo integralmente o crédito constituído. Inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reproduzindo os mesmos argumentos apresentados em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.395, de 28 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10711.006561/201030, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.395): 1. Tempestividade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. 2. Preliminar 2.1 Duplicidade: Cobrança de múltiplas multas decorrente do mesmo fato gerador Em síntese apartada, alega a Recorrente que" O Auto de Infração tem objeto idêntico ao dos processos indicados em seu recurso voluntário, em que também é exigida multa pelo atraso na entrega de informação referente a carga transportada na mesma embarcação a que se refere este processo, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) n° 8, de 14/2/20081." 1 Trecho destacada no voto: Ora, o transportador que deixou de informar os dados de embarque de uma declaração de exportação e o que deixou de informar os dados de embarque sobre todas as declarações de exportação cometeram a mesma infração, ou seja, deixaram de cumpri a obrigação acessória de informar os dados de embarque. Nestes termos, a multa deve ser aplicada uma única vez por veículo transportador, pela omissão de não prestar as informações exigidas na forma e no prazo estipulados. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.721498/201227 Acórdão n.º 3302003.442 S3C3T2 Fl. 5 4 Em relação ao primeiro ponto suscitado pela Recorrente, na parte em que ela afirma ser impossível existir mais de uma penalidade para o mesmo fato, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento decidiu da seguinte forma: "No caso sob análise não houve uma infração. Examinandose as ocorrências citadas pela fiscalização, verificase que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos. Sendo assim, não se pode afirmar sequer que as infrações são idênticas, uma vez que são diferente seus objetos materiais." Já em relação ao segundo ponto (aplicação da solução de consulta interna Cosit nº 8/2008), a fiscalização justificou seu afastamento com base nos seguintes argumentos. "Todavia, esse entendimento não é aplicável ao caso sob exame. As informações cujos atrasos na prestação deram ensejo ao lançamento são referentes a importação de mercadorias, enquanto a citada decisão soluciona consulta relativa à exportação. Cada um desses tipos de operações envolve peculiaridades próprias, especialmente no tocante ao controle administrativo, as quais se refletem na legislação regente e não podem ser desprezadas. O caso ora apreciado diz respeito à importação de cargas consolidadas, as quais são acobertadas por documentação própria, cujos dados devem ser informados de forma individualizada para a geração dos correspondentes conhecimentos eletrônicos (CE). Esses registros devem representar fielmente as correspondentes mercadorias, a fim de possibilitar à Aduana definir previamente o tratamento a ser adotado a cada caso, de forma a racionalizar procedimentos e agilizar o despacho aduaneiro. Nesses casos, não é viável estender a conclusão trazida na citada SCI, conforme se passa a demonstrar. Pois bem. Em que pese os argumentos explicitados pela Recorrente, fato é que não houve comprovação da existência de duplicidade de cobrança por parte da fiscalização, tampouco argumentos capazes de infirmar o lançamento fiscal ou contradizer os argumentos utilizados pela turma de origem que afirmou " que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos". Sequer um demonstrativo analítico, com os registros relativos as operações tratadas em cada processo apontado no recurso foram produzidas pela Recorrente, em total desrespeito ao artigo 16, inciso III e §4º, do inciso V , do Decreto nº 70.235/72, bem como do artigo 373, inciso II, do Código de Processo Civil. Nestes termos, considerando que a Recorrente deixou inexplicavelmente de comprovar suas alegações, não há como acolher o pedido de nulidade do lançamento suscitado pela contribuinte, restando, assim, prejudicado a análise dos demais argumentos por ela suscitado. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.721498/201227 Acórdão n.º 3302003.442 S3C3T2 Fl. 6 5 3. Mérito 3.1. Ilegalidade do Auto de Infração O presente processo administrativo diz respeito a exigência de multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, pelo fato da Recorrente ter prestado informações sobre a desconsolidação da carga fora do preceitos e prazos previstos nos artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007. Em sede Recursal a Recorrente alegou que "Conforme disposto no caput do art. 50 da IN RFB n° 800/2007, os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal entraram em vigor apenas em 1° de abril de 2009, estando a impugnante dispensada de tal obrigação por ocasião do fato que deu ensejo ao Auto de Infração. Tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional". Como se vê, a multa sob análise foi aplicada com fundamento no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, que assim disciplina: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga; Do que se extrai do artigo 77 alhures, é que sua finalidade visa penalizar os contribuintes que descumprirem as obrigações acessórias, na forma e nos prazos instituídos pelo legislador e/ou pela Receita Federal, com aplicação de multa. Além disso, a obrigação do agente de carga de prestar as informações à Receita Federal do Brasil está prevista no artigo 37, §1º, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003, a saber: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Fl. 119DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.721498/201227 Acórdão n.º 3302003.442 S3C3T2 Fl. 7 6 § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Já no que tange ao prazo e forma para prestar informações à fiscalização, os artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007, assim dispõem: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, exceto quando se tratar de granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) b) cinco horas antes da saída da embarcação, para manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, quando toda a carga for granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) c) cinco (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1621, de 24 de fevereiro de 2016) d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1o Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no Siscomex Carga pela Coordenação Geral de Administração Aduaneira (Coana), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.721498/201227 Acórdão n.º 3302003.442 S3C3T2 Fl. 8 7 (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 3o Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. § 4º O prazo previsto no inciso I do caput reduzse a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto ou arribada. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 5º Os CE de serviço informados até a atracação ou registro do passe de saída serão dispensados dos prazos de antecedência previstos nesta Instrução Normativa. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 6º Para os manifestos de cargas nacionais, as informações a que se refere o inciso II do caput devem ser prestadas antes da solicitação do passe de saída. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1621, de 24 de fevereiro de 2016) *** Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Com todo respeito aos argumentos tecidos pela Recorrente, entendo que razão não lhe assiste. Com efeito, os prazos mínimos de prestação de informações à Receita Federal do Brasil (vide artigo 22, da IN 800/2007 e IN 899/2008), passaram a ser obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009, exceção feita as hipóteses dos incisos do artigo 50, a saber: (i) sobre a escala; e (ii) sobre as cargas transportadas, que permaneceram válidas e vigentes, produzindo seus efeitos legais e jurídicos. Ou seja, embora o prazo previsto no artigo 22 não se aplique a fatos ocorridos em data anterior a 1º de abril de 2009, a Recorrente deveria ter observado as demais obrigações previstas no parágrafo único do artigo 50, sob pena de ensejar a aplicação da multa em comento. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.721498/201227 Acórdão n.º 3302003.442 S3C3T2 Fl. 9 8 Assim, considerando que a obrigação do agente de cargas de apresentar as informações antes da atracação da embarcação era obrigatória, entendo legítima a penalidade imposto à Recorrente. No mais, destacase que o artigo 37, §1º, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003 define, igualmente ao previsto no artigo 2º, da IN 800/20072, o agente de carga como sendo " qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos". Ou seja, referido dispositivo equipara o agente de carga ao transportar para efeitos de aplicação da multa em comento. Este destaque se faz necessário na medida em que a Recorrente suscitou a aplicação do artigo 110, do Código Tributário Nacional, arguindo que a fiscalização ao equiparar o agente de cargas ao transportador, para efeito da obrigação tributária acessória em apreço que no seu texto normativo prevê a obrigação somente ao transportar distorce conceitos de direito privado, o que é expressamente vedado pelo referido artigo. Cita a definição de "transportar" e "agente de cargas" do Dicionário Aurélio como fonte de direito privado. O artigo 110 do CTN prevê: A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e forma de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou do Municípios, para definir ou limitar competências tributária. Ao contrário do que explicitou a Recorrente, suas razões não merecem respaldo. A uma porque a definição de "transportar" e "agente de cargas" extraída do Dicionário Aurélio não é fonte de direito privado e, a duas porque a definição de "transportar" e "agente de cargas" não estão previstas na Constituição Federal, nas Constituições dos Estados, ou nas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou do Municípios. Portanto, considerando que o Decreto 37/66 e a IN 800/2007 não alteraram definição prevista nos diplomas legais citados no artigo 110, do CTN, fica afastada a alegação da Recorrente neste ponto. Por fim, não vejo que o artigo 150, inciso III, da Constituição Federal tenha aplicabilidade ao presente caso, posto que referido dispositivo impede a cobrança de tributo antes da vigência da lei que os instituiu, ao que passo que no presente a discussão corresponde a aplicação de multa administrativa por descumprimento de obrigação acessória, institutos estes totalmente distintos e que não se confundem. O artigo 3º, do Código Tributário Nacional é claro ao definir tributo como sendo "toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituído em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada." 2 Art. 2o Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: § 1o Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: IV o transportador classificase em: e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; Fl. 122DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.721498/201227 Acórdão n.º 3302003.442 S3C3T2 Fl. 10 9 Como se vê, o legislador ao estabelecer que tributo não constitui sanção de ato ilícito, faz a diferenciação fundamental entre tributo e multa, deixando cristalino que um não se confunde com o outro. Isso porque, tributo somente pode ter, por fato gerador, situação lícita, fato lícito, ao contrário da sanção, que por excelência tem o fato gerador proveniente de ato ilícito. Por todo exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, rejeitase a preliminar de nulidade e, no mérito, negase provimento ao recurso voluntário. Ricardo Paulo Rosa Fl. 123DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 19515.722068/2011-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não há que se cogitar de nulidade do auto de infração lavrado por autoridade competente, com a observância dos requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo tributário.
PIS. COFINS. AQUISIÇÃO E VENDA DE BENS. RECONHECIMENTO DA RECEITA. MOMENTO DA OCORRÊNCIA. NOTA FISCAL. TRADIÇÃO.
Não há necessariamente vinculação entre a data da emissão da nota fiscal e do reconhecimento de receitas, seja na legislação das Contribuições sociais, seja nas regras contábeis. A adoção do critério para o reconhecimento da receita como aquele em que a mercadoria é entregue ao seu destinatário (efetivando-se a tradição), cumpre os requisitos para o reconhecimento da receita, conforme a Lei das S/A (artigo 177 e 187, §1º) e as regras contábeis aplicáveis às empresas de capital aberto (item 19 da Norma e Procedimentos Contábeis NPC IBRACON nº 14/2001).
PIS. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PELA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO. VINCULAÇÃO A PRODUÇÃO DE BENS E SERVIÇOS.
O artigo 3º, inciso VI das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 restringiu os créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS relativos ao ativo imobilizado, vinculando o creditamento em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado a seu uso na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços.
CRÉDITO. INSUMOS. PIS. COFINS. ÔNUS DA PROVA. DEFESA. FATOS IMPEDITIVOS, MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS.
Com relação às glosas de créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS, cabe à defesa a prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária, sem a qual fica impedido o julgador de apreciar a o enquadramento dos insumos como "custos de produção" para fins de garantia ao crédito das Contribuições.
Numero da decisão: 3402-003.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para cancelar o lançamento no que tange: i) ao item 01, relativo à "falta de reconhecimento de receitas" (linha 1 e 2 das Fichas 07A, 09A, 17ª e 19ª do DACON) em razão de divergências entre o DACON e o Livro de Registro de Saídas; ii) ao lançamento de ofício descrito no TVF como apropriação indevida de créditos lançados sob as rubricas créditos de aquisições para a revenda ou utilizados como insumos (linhas 1 e 2 das Fichas 06A, 06B, 16A e 16B do DACON) em razão de divergências entre o DACON e o Livro de Registro de Entradas. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Esteve presente ao julgamento o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, OAB/SP 83.755.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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INEXISTÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade do auto de infração lavrado por autoridade competente, com a observância dos requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo tributário. PIS. COFINS. AQUISIÇÃO E VENDA DE BENS. RECONHECIMENTO DA RECEITA. MOMENTO DA OCORRÊNCIA. NOTA FISCAL. TRADIÇÃO. Não há necessariamente vinculação entre a data da emissão da nota fiscal e do reconhecimento de receitas, seja na legislação das Contribuições sociais, seja nas regras contábeis. A adoção do critério para o reconhecimento da receita como aquele em que a mercadoria é entregue ao seu destinatário (efetivandose a tradição), cumpre os requisitos para o reconhecimento da receita, conforme a Lei das S/A (artigo 177 e 187, §1º) e as regras contábeis aplicáveis às empresas de capital aberto (item 19 da Norma e Procedimentos Contábeis NPC IBRACON nº 14/2001). PIS. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PELA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO. VINCULAÇÃO A PRODUÇÃO DE BENS E SERVIÇOS. O artigo 3º, inciso VI das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 restringiu os créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS relativos ao ativo imobilizado, vinculando o creditamento em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado a seu uso na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. CRÉDITO. INSUMOS. PIS. COFINS. ÔNUS DA PROVA. DEFESA. FATOS IMPEDITIVOS, MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 20 68 /2 01 1- 32 Fl. 1664DF CARF MF 2 Com relação às glosas de créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS, cabe à defesa a prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária, sem a qual fica impedido o julgador de apreciar a o enquadramento dos insumos como "custos de produção" para fins de garantia ao crédito das Contribuições. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para cancelar o lançamento no que tange: i) ao item 01, relativo à "falta de reconhecimento de receitas" (linha 1 e 2 das Fichas 07A, 09A, 17ª e 19ª do DACON) em razão de divergências entre o DACON e o Livro de Registro de Saídas; ii) ao lançamento de ofício descrito no TVF como apropriação indevida de créditos lançados sob as rubricas créditos de aquisições para a revenda ou utilizados como insumos (linhas 1 e 2 das Fichas 06A, 06B, 16A e 16B do DACON) em razão de divergências entre o DACON e o Livro de Registro de Entradas. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Esteve presente ao julgamento o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, OAB/SP 83.755. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Belo Horizonte/MG, que declarou parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo contribuinte sobre a cobrança de Contribuição ao PIS e de COFINS não cumulativas, consubstanciada nos autos de infração em questão (fls 309 336), pelo qual cobrase valores a título das contribuições, bem como juros de mora e multa de ofício no percentual de 75%. Por bem consolidar os mais importantes fatos que deram ensejo ao lançamento tributário em questão, bem como os argumentos trazidos pelo contribuinte em sede de impugnação, com riqueza de detalhes, colaciono os trechos mais importantes do relatório do Acórdão da DRJ: Fl. 1665DF CARF MF Processo nº 19515.722068/201132 Acórdão n.º 3402003.303 S3C4T2 Fl. 112 3 No Termo de Verificação Fiscal – TVF (fls. 250/255), a fiscalização esclarece que o objeto da fiscalização, determinada pelo Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 08.1.90.00 2010027245, foram os créditos decorrentes da não cumulatividade do PIS e da Cofins, relativamente ao ano calendário 2007/Exercício 2008. De acordo com o TVF, verificouse que a contribuinte utilizou créditos indevidos de PIS e Cofins, relativos a “Outras Operações com Direito a Crédito”, “Sobre Bens do Ativo Imobilizado (Com base no Valor de Aquisição), além de créditos sobre os serviços de industrialização realizado entre os estabelecimentos da mesma empresa, sendo tudo glosado pela fiscalização. Ainda segundo o TVF, foram glosados créditos relativos a bens adquiridos para revenda e serviços, utilizados como insumos, que divergiam dos valores constantes nos arquivos digitais apresentados, e, com relação às receitas, foi verificado que os valores informados como receitas tributáveis em alguns meses também divergiam dos valores constantes nos arquivos digitais, motivo pelo qual foram incluídas no auto as diferenças encontradas. Em 13/12/2011, a contribuinte tomou ciência do TVF e dos autos de infração (ciência pessoal à fl. 255) e, em 11/01/2012, foi protocolizada a impugnação às fls. 347/388, contendo, em síntese, os elementos que se seguem, na forma como foram apresentados. Prejuízo ao Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa – Da Falta de Clareza do Auto de Infração e Imposição de Multa (AIIM) Inicialmente, a impugnante alega prejuízo ao princípio do contraditório e da ampla defesa, por falta de clareza do auto de infração e imposição de multa. Aduz que houve falta de clareza e precisão quanto aos fatos tidos como irregulares, bem como à forma pelos quais foram quantificados. Cita o exemplo da glosa dos créditos classificados como “Outras Operações com Direito a Crédito”, que a fiscalização justifica com a frase “onde verificamos que os mesmos referemse a despesas e custos incorridos e que não geram créditos de PIS e da Cofins”. A reclamante argumenta que os lançamentos relacionados a essa glosa somam 48 diferentes contas contábeis, todas vinculadas diretamente ao processo produtivo e ao reconhecimento de seu custo de absorção, como é o caso dos serviços de manutenção corretiva e preventiva, cujo crédito é inclusive reconhecido pela RFB, segundo Solução de Divergência nº 14/2007. Afirma que, com exceção das glosas relativas às operações efetuadas entre estabelecimentos da autuada, todos os pontos de questionamentos levantados pela fiscalização foram baseados Fl. 1666DF CARF MF 4 em expressões vagas e imprecisas, sem descrever os eventos fáticos de forma clara e precisa, prejudicando, assim, a acusada em seu direito ao contraditório e à ampla defesa. Segue explanando sobre esse direito, previsto no inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, citando, ainda, doutrina e jurisprudência sobre o assunto, e requer a extinção dos lançamentos, Inversão do Ônus da Prova Em segundo plano, a contribuinte defende que a fiscalização incorreu na inversão do ônus da prova, já que fundamenta o lançamento na pretensa falta de apresentação das informações que lhe foram exigidas. Cita como exemplo o caso da omissão de receita tributável, que a fiscalização teria motivado pela falta de explicação da autuada. Aduz que, não obstante as prerrogativas do agente fiscal, no exercício de sua função, este deve, no momento da lavratura do auto, constituir a prova dos elementos que deram origem ao lançamento, nos termos do art. 9º do DecretoLei nº 70.235/72. Segue discorrendo sobre o tema, defendendo o entendimento de que, sendo o Fisco o autor no processo administrativo fiscal, a ele incumbe o ônus da prova, e, por fim, cita doutrina e jurisprudência nesse sentido e requer a extinção dos lançamentos. Análise do Controle de Créditos de Ativo Imobilizado Sobre os créditos de ativo imobilizado glosados pela fiscalização, a reclamante argumenta que, em função das inúmeras informações que foi intimada a prestar no prazo de 10 dias, durante o período do procedimento fiscal, deixou de apresentar unicamente o controle dos bens do ativo imobilizado com base no valor de aquisições, o que evidencia a sua boa fé em atender as demandas da fiscalização. Alega que apresentou as informações em 06/12/2011, ou seja, antes do encerramento da fiscalização, que só ocorreu em 13/12/2011, mas que, em detrimento da verdade material, a entrega dos documentos foi considerada intempestiva pelo fisco Também contesta a glosa dos créditos relativos ao ativo imobilizado importado, uma vez que sequer tiveram seus documentos requeridos pela fiscalização, conforme se verifica pelo Termo de Intimação apresentado, o que contraria o art. 197 do CTN. A título de exemplo, apresenta um quadro com os valores lançados no Dacon, no sentido de demonstrar que observa os limites impostos pela legislação, na apropriação dos créditos relacionados à depreciação. Requer que, em obediência ao princípio da verdade material, se transforme em diligência a defesa em questão, a fim de que se analise os documentos que foram considerados intempestivos pela fiscalização, ora acostados aos autos. Fl. 1667DF CARF MF Processo nº 19515.722068/201132 Acórdão n.º 3402003.303 S3C4T2 Fl. 113 5 Do Direito A reclamante inicia falando das dificuldades impostas pela descrição superficial dos fatos na lavratura do auto de infração, o que a leva a apresentar sua defesa também com descrições generalistas de seus procedimentos, nos tópicos que se seguem. Glosa dos Outros Créditos do Dacon Sobre as glosas dos valores lançados como “Outros Créditos” no Dacon, a reclamante alega que se referem a custos de absorção de produção, nos moldes do descrito para fins da apuração do imposto de renda, pelo Parecer Normativo CST nº 06/79, os quais são considerados insumos pela legislação do IPI. Aduz que a fiscalização adotou visão restritiva da Instrução Normativa nº 404/2004, enquanto a própria RFB já flexibilizou essas restrições, em diversos processos de Consulta e de Solução de Divergência, citando o exemplo, embora entenda que, ainda assim, o conceito de insumo adotado pela RFB não se alinhe às disposições das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, que em momento algum determinam que os conceitos de IPI sejam aplicados à determinação dos créditos de PIS e Cofins. Segue defendendo a impossibilidade de se aplicar o mesmo conceito de insumo do IPI para as contribuições, citando, nesse sentido, Acórdão do CARF e julgado do TRF da 4ª Região. Sobre esses, destaca que adotam posicionamento até mais abrangente que o seu, que apenas considera créditos de despesas vinculadas à produção e/ou comercialização de mercadorias. Conclui esse tópico requerendo o cancelamento do lançamento, no que diz respeito à glosa dos referidos créditos. Falta de Reconhecimento de Receita Sobre o lançamento sobre receitas não tributadas pela contribuinte, inicia abordando o conceito do termo “receita”, mediante o art. 110 do CTN e, ainda, o item 19 da Norma e Procedimentos Contáveis (NPC) IBRACON nº 14/2001. Defende que o reconhecimento de receita deve se dar quando “a empresa tenha transferido ao comprador os riscos e benefícios significativos decorrentes da propriedade dos produtos”, entre outras condições, e não quando da emissão da nota fiscal, que pode ocorrer em momento distinto. Nesse sentido, entende que o livro Registro de Saídas não é indicado para a determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, e apresenta quadro demonstrativo da diferença temporal entre o momento que a mercadoria é entregue ao seu destinatário e o momento de sua saída física do estoque, cuja diferença foi o valor autuado. Acrescenta que, conforme o quadro apresentado, houve meses em que a receita tributada foi maior que o valor constantes do livro Registro de Saídas, fato que foi ignorado pelo auditor fiscal, e que, na soma do ano, a diferença existente entre os Fl. 1668DF CARF MF 6 valores das notas e o do Dacon é mínima e decorre das mercadorias cujas notas foram emitidas em 2006, mas foram entregues em 2007. Assim, requer a anulação do lançamento, no que diz respeito às receitas relacionadas a este tópico. Glosa dos Créditos de Aquisição do Dacon Sobre as glosas dos valores dos bens adquiridos para revenda e serviços utilizados como insumos, cujos valores do Dacon apresentaram divergência em relação aos arquivos digitais apresentados, a reclamante argumenta, inicialmente, que a fiscalização não considerou o aspecto operacional das atividades da empresa. Cita como exemplo o processo de importação de insumo, em que a apuração do PIS e da Cofins se dá, muitas vezes, em momento posterior ao da emissão da nota fiscal. Isso porque, segundo defende, o aproveitamento de crédito das contribuições deve ser efetuado no mês do seu pagamento, conforme disposições dos artigos 15 e seguintes da Lei nº 10.865/2004, enquanto a nota fiscal é emitida na finalização do desembaraço aduaneiro. Assim, em função do processo burocrático da importação e, ainda, da distância física entre o local do desembaraço e o estabelecimento do importador, bem como da possibilidade de se manter o bem desembaraçado em estabelecimento alfandegado, é preciso considerar o aspecto temporal dos procedimentos, conforme apresenta em quadro demonstrativo, cujas diferenças apuradas correspondem aos valores autuados. Assim como no tópico anterior, aduz que o auditor não considerou os períodos nos quais os créditos apropriados foram inferiores aos valores das notas fiscais e que, na consolidação do ano, a diferença existente entre os valores das notas e o do Dacon é mínima, de forma que, ainda que se admitisse o Livro Registro de Entradas como a fonte adequada para a determinação dos créditos de importação, a apuração efetuada pela fiscalização estaria incorreta, de forma que requer a anulação do lançamento, em relação às glosas de que trata este tópico. Aquisições da Própria Hypermarcas Em relação às glosas de créditos relacionados a serviços considerados de industrialização entre estabelecimentos da mesma empresa, a contribuinte reconhece o aproveitamento indevido dos créditos, informando que procedeu aos respectivos recolhimentos, valendose da redução da multa prevista para pagamento no prazo de 30 (trinta) dias da ciência do auto de infração. Diante das alegações apresentadas, o presente processo foi enviado em diligência à Unidade de origem, em 26/08/2013, por esta 1ª Turma da DRJ/BHE, para que fossem analisados os documentos apresentados, confrontandoos com os livros e Fl. 1669DF CARF MF Processo nº 19515.722068/201132 Acórdão n.º 3402003.303 S3C4T2 Fl. 114 7 arquivos digitais da empresa, a fim de se apurar o valor mensal do crédito relativo aos bens do ativo imobilizado. Em 19/12/2013, foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal Diligência nº 08.1.90.002013055037, para coleta de informações requeridas pelo Órgão de Julgamento, e, em 13/02/2004, foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal Diligência nº 08.1.65.002014003704, para dar continuidade aos trabalhos. No procedimento de diligência efetuado pela fiscalização da Delegacia Especial de Fiscalização de Comércio Exterior e Indústria DELEX, a contribuinte foi intimada a apresentar documentos diversos e arquivos fiscais e contábeis. Após a análise da documentação e arquivos apresentados, a fiscalização emitiu a Informação Fiscal às fls. 1.441 a 1.444, com as conclusões da diligência efetuada. A contribuinte foi cientificada em 18/11/2014, com prazo de trinta dias para apresentar as suas contrarazões, em caso de discordância. Em 11/12/2014, a contribuinte apresentou as suas contrarazões (fls. 1.451 a 1.455), o que levou a fiscalização a emitir, em 23/12/2014, a Informação Fiscal Complementar, à fl. 1.448, devolvendose os autos a esta DRJ, em 08/01/2015, para prosseguimento do julgamento. Em julgamento datado de 25 de março de 2015, a DRJ Belo Horizonte/MG negou provimento à impugnação do Contribuinte (Acórdão 0264.670), nos termos da ementa a seguir colacionada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. São passíveis de gerar créditos os encargos de depreciação ou amortização de bens e direitos do ativo imobilizado, desde que seja comprovada a sua utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, e atendidas as demais determinações da legislação vigente. EMPRESA INCORPORADA. CRÉDITO NÃO UTILIZADO. APROVEITAMENTO. Para fins do desconto do crédito do PIS/Pasep e da Cofins, considerase aquisição a versão de bens e direitos neles referidos, em decorrência de fusão, incorporação e cisão de pessoa jurídica domiciliada no País. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, o termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa Fl. 1670DF CARF MF 8 necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. AQUISIÇÃO E VENDA DE BENS. MOMENTO DA OCORRÊNCIA. NOTA FISCAL Para fins tributários, é por meio das notas fiscais documentos de emissão obrigatória por todas as pessoas jurídicas, civis e mercantis, no ato da comercialização de bens, produtos, mercadorias e serviços , que é possível à fiscalização fazendária proceder ao levantamento do tributo. Por via das notas fiscais é que são aferidas, em regra, as datas de aquisição ou venda de bens, datas estas que se mostram como as relevantes para a apuração das aquisições e vendas efetuadas em cada mês. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. São passíveis de gerar créditos os encargos de depreciação ou amortização de bens e direitos do ativo imobilizado, desde que seja comprovada a sua utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, e atendidas as demais determinações da legislação vigente. EMPRESA INCORPORADA. CRÉDITO NÃO UTILIZADO. APROVEITAMENTO. Para fins do desconto do crédito do PIS/Pasep e da Cofins, considerase aquisição a versão de bens e direitos neles referidos, em decorrência de fusão, incorporação e cisão de pessoa jurídica domiciliada no País. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, o termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. AQUISIÇÃO E VENDA DE BENS. MOMENTO DA OCORRÊNCIA. NOTA FISCAL Para fins tributários, é por meio das notas fiscais documentos de emissão obrigatória por todas as pessoas jurídicas, civis e mercantis, no ato da comercialização de bens, produtos, mercadorias e serviços , que é possível à fiscalização fazendária proceder ao levantamento do tributo. Por via das notas fiscais é que são aferidas, em regra, as datas de aquisição ou venda de bens, datas estas que se mostram como as relevantes para a apuração das aquisições e vendas efetuadas em cada mês. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Fl. 1671DF CARF MF Processo nº 19515.722068/201132 Acórdão n.º 3402003.303 S3C4T2 Fl. 115 9 Tendo em vista que o procedimento fiscal foi instaurado conforme a legislação vigente, e o lançamento fiscal foi efetuado por autoridade competente e encontrase devidamente motivado, com descrição dos fatos precisa e detalhada, trazendo todas as informações necessárias para a sua devida compreensão, não se concretiza a hipótese de nulidade do Auto de Infração, e nem tampouco de cerceamento do direito de defesa do contribuinte. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Comprovado o direito de lançar, cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e, além de alegálos, comproválos de forma cabal e cristalina. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 ILEGALIDADE. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. REGRA. AUSÊNCIA DE EFEITO VINCULANTE. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão, a não ser nos casos especialíssimos em que o Ministro da Fazenda atribua a Súmula do CARF efeito vinculante em relação à Administração Tributária Federal. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, mesmo que proferidas por tribunais superiores, só produzem efeitos para as partes envolvidas no processo, salvo nas situações previstas pelo art.26A do Decreto nº 70.235, de 1972. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A DRJ de Belo Horizonte/MG deu parcial provimento ao apelo do Contribuinte ao reconhecer diferença do valor glosado dos créditos da empresa DM Indústria Farmacêutica (incorporada pela Recorrente, tendo seu patrimônio sido vertido em favor de sua sucessora). Ademais, sobre as aquisições da própria Hypermarcas, o Contribuinte aquiesceu com a cobrança, efetuando o pagamento, o qual foi reconhecido pela decisão a quo. No mais, irresignado, o Contribuinte recorre a este Conselho (fls. 1514 1567), repisando os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. Fl. 1672DF CARF MF 10 Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz A Recorrente tomou ciência do Acórdão da DRJ em 16/07/2015, conforme informação de fls 1512, apresentando Recurso Voluntário em 13/08/2015. Assim, o recurso voluntário é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como atende as demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Em seu recurso voluntário a Recorrente traz ao julgamento do CARF pontos preliminares, seguidos da questão central de mérito, como relatado acima. Dessarte, passo à análise desses argumentos, na mesma ordem e forma que apresentados pela Recorrente. 1. PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO POR FALTA DE PRECISA DESCRIÇÃO DO MOTIVO DA GLOSA DOS CRÉDITOS E INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA A Recorrente brada pela decretação de nulidade do lançamento tributário, uma vez que teriam ocorrido, no presente caso, os seguintes vícios: i) ofensa ao direito de defesa, pois a fiscalização efetuou descrição insuficiente dos fatos no momento do lançamento tributário, sem demonstrar o porquê de não serem aproveitáveis os créditos relativos à insumo para fins da Contribuição ao PIS e da COFINS; e ii) inversão do ônus da prova promovidos pela fiscalização no que tange ao ponto da omissão de receitas tributáveis, pois fundamenta o lançamento apenas na falta de informações exigidas no ínterim do procedimento, fato que afrontaria o artigo 9º do Decreto 70.235/74 e o artigo 142 do CTN. Com relação ao item i, analisando o TVF, verifico que a fiscalização se baseou nos documentos fiscais e informações apresentados pelo próprio contribuinte, deixando claro seu o entendimento do porquê considerou indevidos os créditos tributários escriturados e declarados pela Recorrente. Nesse sentido, destaco o seguinte trecho, de fls 251 do TVF: Fl. 1673DF CARF MF Processo nº 19515.722068/201132 Acórdão n.º 3402003.303 S3C4T2 Fl. 116 11 A citada planilha denominada “Composição de valores – outros créditos – DACON 2007, encontrase em fls 259, anexa ao Termo de Verificação Fiscal. Pela descrição das contas ali postas, fica corroborado o entendimento da fiscalização: A questão fulcral é o conceito de insumo para fins de apropriação de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, o qual é restrito na visão da fiscalização, uma vez que adota como critério para a interpretação do artigo 3º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 o conceito de IPI estampado nas Instruções Normativas n. 247/2002 e n. 404/2004. É discutível tal conceituação, como restará demonstrado na parte dedicada ao mérito deste voto. Contudo, sendo esse o critério adotado pela Fiscalização, como é claro pela leitura do TVF e pela planilha de fls. 259, não há que se falar em falta de descrição dos motivos do lançamento hábil a decretação de nulidade do ato administrativo. Com relação à alegada inversão do ônus da prova promovidos pela fiscalização no que tange ao ponto da omissão de receitas tributáveis, há notícia da fiscalização no sentido de que o contribuinte foi intimado para esclarecer as inconsistências detectadas pela fiscalização, porém não o fez (fls 253): Fl. 1674DF CARF MF 12 Tendo isto em vista, entendo que ficou a cargo da Recorrente demonstrar fato impeditivo, extintivo ou modificativo de seu direito, ao teor do artigo 273 do Código de Processo Civil. Nesse sentido, a questão passa ao mérito do caso, uma vez que o processo administrativo deve ser utilizado para o contribuinte fazer prova de suas alegações, exatamente como vem ocorrendo in casu. Assim, entendo que os fundamentos da Fiscalização, apesar de sucintos, são claros e objetivos, bem como os fatos que ensejaram a autuação estão corretamente descritos. Não existem, portanto, as alegadas ofensas artigo 9º do Decreto 70.235/72, tampouco o artigo 142 do CTN, razão pela qual tampouco caracterizouse ofensa ao direito da ampla defesa e do contraditório do contribuinte, a ensejar a nulidade do lançamento tributário (artigo 59, inciso II do Decreto 70.235/72) Assim, afasto as preliminares de nulidade apresentadas pela Recorrente. 2. MÉRITO 2.1. Falta de reconhecimento de receita Conforme se depreende do auto de infração, a Fiscalização entendeu haver omissão de receitas por parte da Recorrente, por ter detectado divergências entre os valores declarados no DACON a título de receitas com os valores constantes nos Livros de Registro de Saída (arquivos digitais), referentes ao CFOP 5101, 5102, 5106, 5401, 5501, 6101, 6102, 6107, 6108, 6109, 6124, 6401, 6402, 6403, 6501 e 7101. A discussão travada entre o Fisco e a Recorrente cingese ao critério a ser considerado como determinante para a ocorrência do fato gerador das contribuições, qual seja, auferir receita. Aquele entende que é a data da emissão da nota fiscal de saída que importa para fins tributários (momento da saída física da mercadoria do estoque), enquanto esta assevera ser o reconhecimento da receita (entrega da mercadoria comercializada ao destinatário, efetivando Fl. 1675DF CARF MF Processo nº 19515.722068/201132 Acórdão n.º 3402003.303 S3C4T2 Fl. 117 13 se a tradição), conforme as regras contábeis aplicáveis às empresas de capital aberto (item 19 da Norma e Procedimentos Contábeis (NPC) IBRACON nº 14/2001), in verbis: Com razão a Recorrente. Muito embora seja cediço que para as empresas que recolhem a Contribuição ao PIS e a COFINS pela sistemática da nãocumulatividade, como é o caso da Recorrente, as receitas devam ser consideradas de acordo com o regime de competência, entendo que necessária uma análise mais aprofundada da questão que se apresenta para a sua justa solução. Vejamos. O conceito pressuposto de receita (artigo 195, inciso III da Constituição) materialidade sobre as quais incidem a Contribuição ao PIS e a COFINS exige, invariavelmente, o ingresso de recursos financeiros para que se confirme a incidência das contribuições sociais. A simples potencialidade/probabilidade da receita não é suficiente para que se entenda pela sua realização. Foi esse conceito o adotado pelos artigos 1º caput tanto da Lei n. 10.637/2002, quanto da Lei n. 10.833/2003. Pois bem. Tratandose a Recorrente de empresa tributada com base no lucro real, a legislação tributária determina, na apuração do lucro líquido, a observância da legislação comercial e das disposições da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, independentemente da forma societária adotada pela pessoa jurídica. 1 Nesse sentido, o artigo 177 da Lei nº 6.404, de 1976 (Lei das S.A), prescreve que a escrituração será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e da própria Lei, além dos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. É o que dispõe o §1º do art. 187 da Lei das S.A., ao colocar que na determinação do resultado do exercício serão computadas as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda. 2 1 Arts. 247, § 1º , 248, 251 e 274, § 1º , do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (arts. 7º e 67, inciso XI, do DecretoLei nº 1.598, de 1977) 2 Art. 187 . (...) § 1º . Na determinação do resultado do exercício serão computados: Fl. 1676DF CARF MF 14 Daí aparece o ponto da determinação do momento em que a receita é considerada auferida. Nos termos dos já citados direcionamentos contábeis vigentes à época do período fiscalizado (item 19 da Norma e Procedimentos Contábeis (NPC) IBRACON nº 14/2001) a receita deve ser reconhecida quando "tenha sido transferido ao comprador os riscos e benefícios significativos decorrentes da propriedade dos produtos”. Destaco abaixo o objetivo do citado Procedimento Contábil: IBRACON NPC nº 14 RECEITAS E DESPESAS RESULTADOS Objetivo 1. As transações e eventos decorrentes das atividades normais de uma empresa são, de acordo com determinados parâmetros e circunstâncias, classificados como receitas ou despesas. Este Pronunciamento fornece critérios para identificar essas condições e determina as regras de classificação e contabilização dessas receitas e despesas. Sobre o tema específico do reconhecimento de receitas para fins da Contribuição ao PIS e da COFINS, destaco a lição de José Antonio Minatel em seu trabalho intitulado “PIS/COFINS: conceito de receita e faturamento e regimes contábeis de caixa e competência”: 3 Como se tem em mira quantificar desempenho da entidade pela avaliação do seu resultado, estabelece a lei comercial [artigo 187, §1º da Lei das S.A.] um corte metodológico para o necessário confronto entre as receitas e custos/despesas. A entrega (tradição) ou colocação à disposição do adquirente, representando saída de utilidades patrimoniais que deve ter como contrapartida o direito ao correspondente preço, é o momento em que a receita considerase realizada, e como tal, registrada na escrituração para efeito de permitir a apuração do resultado, mediante subtração dos custos/despesas incorridos até aquele momento da tradição (entrega). Este também é o pensamento do estudioso Marcos Shigueo Tanaka (2010, p. 300 301): ‘Não é por outra razão que, pelo regime de competência, a receita de venda a prazo de uma determinada mercadoria é conhecida no momento em que a mercadoria é transferida (a bem ver, a transferência é da propriedade da mercadoria) ao comprador, porquanto é nesse momento que o direito adquirido sobre o crédito (preço) se estabelece sobre os valores desse crédito (preço). (...) a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda ; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos , correspondentes a essas receitas e rendimentos. 3 In Tributação do Setor Industrial – Série GV Law – Direito Tributário. SANTI, Eurico Marcos Diniz de e CANADO, Vanessa Rahal (coords). São Paulo: Saraiva, 2013, que p .220 e 221. Fl. 1677DF CARF MF Processo nº 19515.722068/201132 Acórdão n.º 3402003.303 S3C4T2 Fl. 118 15 Continuamos firmes na nossa premissa fincada no início deste ensaio, no sentido de que a base de cálculo das contribuições do PIS/COFINS dever ser constituída necessariamente de ingresso financeiro proveniente de “receita ou faturamento”. Portanto, sua apuração não pode ficar atrelada exclusivamente ao conteúdo extraído dos registros da escrituração mercantil. De fato, é com a transmissão da mercadoria (saída do estabelecimento), vale dizer, a traditio, que se opera o auferimento da receita. Não é por outra razão que as notas fiscais possuem além do campo "data de emissão", também campo específico para ser colocada a "data de saída", sendo esta última a que importa para fins de competência para a tributação da Contribuição ao PIS e da COFINS. Percebese que não há necessária vinculação entre a data da emissão da nota fiscal (com base no livro de registro de saídas, cujo conteúdo se presta preponderantemente a registrar a movimentação física das mercadorias) e do reconhecimento de receitas, seja na legislação das contribuições em apreço, seja nas regras contábeis, mesmo quando estamos falando de regime de competência. De sorte que a adoção do critério para o reconhecimento da receita como aquele em que é entregue ao seu destinatário (tradição) cumpre os requisitos legais e contábeis para tanto. Não é de outra forma que vem se manifestação a própria Receita Federal, como se depreende da Solução COSIT n. 114/2014, da qual destaco o seguinte trecho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. REGIME DE COMPETÊNCIA. CANCELAMENTO DE NOTAS FISCAIS. NÃO REALIZAÇÃO DE RECEITAS. NÃO AUFERIMENTO DE RECEITA. VENDAS CANCELADAS. O fato gerador da Contribuição para o PIS/Pasep no regime de apuração não cumulativa é o auferimento de receitas pelas pessoas jurídicas, o que ocorre quando as receitas são consideradas realizadas. A receita é considerada realizada e, portanto, passível de registro pela Contabilidade, quando produtos ou serviços produzidos ou prestados pela entidade são transferidos para outra entidade ou pessoa física com a anuência destas e mediante pagamento ou compromisso de pagamento especificado perante a entidade produtora. No que diz respeito à prestação de serviços, no regime de competência, a receita é considerada realizada e, portanto, auferida quando um serviço é prestado com a anuência do tomador e com o compromsso contratual deste de pagar o preço acertado, sendo irrelevante, nesse caso, a ocorrência de sua efetiva quitação Tendo isso em vista, vêse que a problemática do caso diz respeito, de fato, tão somente ao tempo da aferição das receitas, e não dos valores em si. Não por outra razão que a diferença apurada pela fiscalização corresponde a menos de um milésimo por cento do total das receitas auferidas no ano pela Recorrente e que no período a base de cálculo é superior ou inferior, a depender do critério adotado, como se constata do seguinte quadro apresentado pela Recorrente: Fl. 1678DF CARF MF 16 Nesse sentido, saliento que em nenhum momento da Fiscalização alegou qualquer motivo para entender imprestável a contabilidade da Recorrente. Simplesmente adotou como critério temporal a data da emissão das notas fiscais, diferentemente do que fez a Recorrente, que adotou a data de saída das mercadorias. Caso pretendesse desqualificar a contabilidade da Recorrente, por perceber que as receitas estavam sendo contabilizadas indevidamente (inexistência de transferência ao comprador dos riscos e benefícios significativos decorrente da propriedade dos produtos e demais requisitos do item 19 da Norma de Procedimentos Contábeis IBRACON n. 14/01), deveria ter demonstrado pormenorizadamente o porquê do entendimento nesse sentido, pois efetivamente o momento da “transferência de riscos e benefícios da propriedade” pode sofrer alterações, diante das condições negociais e das atividades da empresa. É o que dispõe o item 20 IBRACON NPC nº 14 RECEITAS E DESPESAS – RESULTADOS. 4 Por essas razões, deve ser cancelado o lançamento no que tange ao item 01, relativo à “falta de reconhecimento de receitas” (linha 1 e 2 das Fichas 07A, 09A, 17ª e 19ª do DACON) em razão de divergências entre o DACON e o Livro de Registro de Saídas”. 2.2. Análise do Controle de Créditos de Ativo Imobilizado No que tange à controvérsia sobre o legítimo aproveitamento créditos relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para utilização na produção de bens destinados à venda ou à prestação de serviços (inciso VI do art. 3º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003), documentos e informações (faltantes quando do procedimento de fiscalização, por falta de apresentação da própria Recorrente, devidamente intimada) foram apresentados pela Recorrente em sede de impugnação, o que acarretou na diligência para que a fiscalização procedesse à análise dos documentos apresentados, confrontandoos com os livros e registros contábeis da empresa, a fim de se apurar o efetivo crédito a que faz jus. 4 20. Para determinar se a empresa transferiu os riscos significativos e os benefícios derivados da propriedade ao comprador, é necessário examinar as circunstâncias da transação. Na maioria dos casos, a transferência dos riscos e benefícios da propriedade coincide com a transferência do título legal ou da passagem da posse para o comprador. Este é o caso da maioria das vendas a varejo. Em outros casos, a transferência dos riscos e benefícios da propriedade do ativo ocorre numa data diferente da transferência do título legal ou da transmissão de posse. Fl. 1679DF CARF MF Processo nº 19515.722068/201132 Acórdão n.º 3402003.303 S3C4T2 Fl. 119 17 Em fls 1443 encontramse resumidos os resultados do trabalho da repartição fiscal, nos seguintes dizeres: Foi reconhecido, então, que a Recorrente detém o crédito relativo às despesas de depreciação do Ativo Imobilizado, no valor total de R$ 2.540.902,83 (planilha à fl. 1.444), sendo que, para se chegar a esse valor, a fiscalização considerou inclusive os créditos das empresas incorporadas pela contribuinte. A Recorrente, contudo, aponta três problemas sobre o resultado desta diligência, quais sejam: i) erro material cometido na planilha elaborada pelo agente fiscal, que deixou de mencionar a linha 7 das fichas 6B e 16B; ii) é restritiva a visão de que as máquinas e equipamentos utilizados na produção de bens incorporados ao ativo imobilizado somente geram crédito quando utilizados na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; iii) desconhecimento de quais ativos foram objeto de glosa e prazo decadencial de cinco anos (artigo 173 do CTN) para a apresentação de documentos. Com relação ao item (i), tratase de alegação que constou igualmente das contrarrazões à diligência, que acabou culminando na apresentação de “Informação Fiscal Complementar” (fls 1448) justamente para esclarecer o ponto. A meu ver, tais informações, Fl. 1680DF CARF MF 18 conjuntamente com as planilhas apresentadas nos autos, não deixam margem de dúvida sobre a falta de menção à linha 7 das fichas 6B e 16B da DACON constituir, de fato, simples erro de digitação, senão vejamos: A fim de complementar, atender e esclarecer as alegações do contribuinte em seus argumentos apresentados a esta Delegacia em 11/12/2014 , informamos que: 1 – Os valores considerados para a elaboração do quadro “CREDITOS CONSIDERADOS – Créditos Informados no DACON ” nesta diligencia fiscal, foram extraídos dos levantamentos realizados na fiscalização, anexados ao presente processo e denominado “ MODELO ANALITICO DINÂMICO DA APURAÇÃO DOS CRÉDITOS NO DACON – Créditos de Cofins “ consolidados no Anexo I – “Demonstrativo dos créditos a serem glosados na Apuração PIS/COFINS – 2007, Item B no montante total de R$ 13.029.487,98 e que correspondem a somatória das Linhas 10 das Fichas 06 A e 16 A e das Linhas 07 das Fichas 06 B e 16 B, entregues ao contribuinte quando da informação fiscal. 2 – O contribuinte argumenta que foram aceitos os valores das Linhas 07 das Fichas 06 B e 16 B. Porém a planilha é muito clara em demonstrar e informar que os créditos considerados perfazem um montante de R$ 2.540.902,83. 3 – Ao informar ao contribuinte a origem dos valores considerados através da Informação Fiscal, por um erro de digitação, não constou a informação relativa as Fichas 06 B e 16 B, mas que não prejudicou a análise das informações nem o cerceamento de defesa, visto que na planilha “MODELO ANALITICO DINÂMICO DA APURAÇÃO DOS CRÉDITOS NO DACON – Créditos de Cofins “, consta a informação e os valores considerados na Diligência Fiscal. Além disso, o próprio contribuinte verificou e mencionou que existem valores nas linhas 07 das Fichas 06 B e 16 B e não apresentou a documentação suporte e as contrarazões para validação dos créditos pleiteados. Já no que tange ao item (ii) destaco que o ativo imobilizado (artigo 179, inciso IV da Lei n. 6.404/76) 5 compreende os bens de natureza duradoura, destinados ao funcionamento normal da sociedade e do seu empreendimento, assim como os direitos exercidos com essa finalidade. 6 Em outras palavras, os bens e direitos necessários ao exercício contínuo das atividades da pessoa jurídica (vide artigo 301 do RIR/99 e CPC n. 27), aí incluídos aqueles que tem finalidade unicamente administrativa, ou seja, que não são empregados diretamente na produção ou na comercialização de mercadorias e de serviços, ou ainda, na locação, integram o ativo permanente. 5 Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: (...) IV – no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens; 6 In: FIPECAFI. Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações. São Paulo. Atlas, p. 198. Fl. 1681DF CARF MF Processo nº 19515.722068/201132 Acórdão n.º 3402003.303 S3C4T2 Fl. 120 19 Pois bem. A legislação de regência da Contribuição ao PIS e da COFINS permite a apuração de créditos em relação a “máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços” (artigo 3º, inciso VI da Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003). Pela leitura do texto legal, percebese que o legislador restringiu o direito a tomada de crédito, no que se refere aos bens do ativo imobilizado. Com efeito. Os dispositivos legais são claros ao estabelecer que as situações que permitem a apuração de créditos em relação ao ativo imobilizado estão adstritas aos bens adquiridos ou fabricados para: a) locação a terceiros; b) utilização da produção de bens destinados à venda; ou c) utilização na prestação de serviços. Ou seja, não é todo e qualquer bem destinado ao ativo imobilizado que dará direito ao crédito das Contribuições, mas tão somente aqueles destinados a uma das três citadas finalidades estabelecidas pela lei. A jurisprudência deste Conselho é tranquila a respeito do tema, conforme é possível depreender das ementas abaixo colacionadas: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2008 a 28/02/2008 PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO PELA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inciso VI do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 vincula o creditamento em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado além de seu emprego para locação a terceiros a seu uso na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Portanto, o legislador restringiu o creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do cômputo de créditos a aquisição irrestrita de bens necessários ao exercício das atividades da empresa como um todo. (...) (Processo 13603.724612/201113, Acórdão 3301002.806) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 (...) ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Não é admissível o direito à apropriação de créditos da Cofins não cumulativa sobre os encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado se não foi comprovado pelo contribuinte que os bens depreciados foram utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, ou utilizados nas atividades da empresa, no caso de edificações e Fl. 1682DF CARF MF 20 benfeitorias, e que foram adquiridos a partir de 1/4/2004. (Processo n. 11080.931975/201116. Acórdão 3102002.166). Portanto, não vejo razão para a indignação da Recorrente nesse ponto. Já sobre o item (iii), não concordo com as alegações do contribuinte de falta de identificação dos créditos aceitos e não aceitos. Os motivos estão claros em fls. 1443, que conjuntamente com as planilhas apresentadas (fls 684 e seguintes), nas quais consta a data da aquisição dos bens, o número da nota fiscal, a descrição do bem, o valor de aquisição, base, critério para a tomada do crédito, as linhas correspondentes no DACON. A Recorrente reclama que todos os bens são utilizados no seu processo produtivo, mas não traz uma única prova nesse sentido aos autos. Efetivamente, não há nenhum evidencia sobre como a empresa funciona, suas atividades ou para que são utilizados os bens em questão. A justificativa da glosa de bens é justamente a literal disposição do inciso VI do artigo 3º das Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002, que permitem a tomada de crédito de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. É o que consta na explanação fiscal de fls 1443. Registrese que as notas fiscais dos bens foram acostadas às conclusões da diligência. Dessarte, não há que se falar em falta de identificação dos bens glosado e o motivo para tanto. E no que tange à guarda dos documentos, a Recorrente olvida que devido às particularidades dos créditos previstos no artigo 3º, inciso VI das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, foi editada a Instrução Normativa SRF n. 457, de 18/10/2004,7 que expressamente dispõe em seu artigo 9º que “ as pessoas jurídicas devem manter, durante o prazo de 10 (dez) anos, em boa guarda, à disposição da SRF, os registros contábeis ou planilhas que permitam a comprovação da utilização dos créditos de que trata esta Instrução Normativa.” Complementa em seu parágrafo único que “na hipótese de o contribuinte não adotar o mesmo critério de apuração de créditos das contribuições para todos os bens do seu ativo imobilizado, deverá manter registros contábeis ou planilhas em separado para cada critério.” Por tais razões, tampouco neste item entendo que merece ser acolhida a defesa da Recorrente. 2.3. Glosa de outros créditos do DACON A questão de mérito discutida neste ponto é já amplamente conhecida pelos julgadores do CARF. Tratase do conceito de insumo para fins de apropriação de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS na sistemática da não cumulatividade (artigo 3º, inciso II das Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002). De qualquer sorte, vale repisar e evolução jurisprudencial administrativa sobre a matéria, que culminou no conceito aqui adotado para a solução da lide. 7 Disciplina a utilização de créditos calculados em relação aos encargos de depreciação de máquinas, equipamentos, vasilhames de vidro retornáveis e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, para fins de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Fl. 1683DF CARF MF Processo nº 19515.722068/201132 Acórdão n.º 3402003.303 S3C4T2 Fl. 121 21 Quando primeiramente instado a se manifestar sobre o tema, este Conselho convalidou o restritivo entendimento esposado pela Receita Federal, materializado nas Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04. Ou seja, transportouse o conceito de insumo do IPI para sistemática de PIS e COFINS não cumulativos. Assim, o CARF entendia que ao contribuinte somente seria legítimo descontar créditos referentes às aquisições de matériaprima, material de embalagem e produtos intermediários, os quais deveriam ser incorporados ou desgastados pelo contato físico com o produto final, para serem considerados insumos ensejadores de crédito de PIS e COFINS (e.g. Acórdão n. 20312.469). Num segundo momento, já assumindo a impropriedade de se aplicar como critério para aferir o crédito PIS e COFINS não cumulativos aquele do IPI uma vez que materialidades destas espécies de tributos são completamente distintas, sendo a do IPI, circunscrita ao âmbito da industrialização, enquanto a das Contribuições, é mais abrangente, por ser a receita como um todo) , o CARF passou a utilizar as regras de dedutibilidade de despesa constante na legislação do pelo imposto sobre a renda (“IR”) para a definição de insumos (e.g. Acórdão n. 320200.226). Nesse sentido, a jurisprudência do CARF acabou conferindo uma amplitude maior ao conceito de insumo para o direito de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, entendido como qualquer despesa, desde que necessária à consecução do objeto social da pessoa jurídica. Finalmente, a jurisprudência deste Conselho chegou então a um terceiro momento, no qual se consolidou que o direito a tomada de crédito da Constituição ao PIS e da COFINS “denota uma maior abrangência do que o conceito aplicável ao IPI, embora não seja tão extensivo quanto aquele aplicável ao IRPJ”8. Essa é a atual, e, a meu ver, correta orientação do CARF a respeito do tema. Com isso, constatase que este Tribunal passou a defender uma abrangência específica para o conceito de insumo com relação à Contribuição ao PIS e à COFINS, levando em conta a materialidade das contribuições (receita), pelo que se impõe conceder o crédito relativo a custos indispensáveis à produção e, portanto, à geração de receita (e.g. Acórdão n. 3302002.674). Exatamente neste sentido, este Colegiado tem adotado como parâmetro o conceito de “custo de produção”, nos termos dos artigos 289 a 291 do Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/99 (Acórdão 3402002.881),11 para a solução dos casos controversos entre contribuintes e Fisco. Pois bem. Adotando o citado conceito para a aferição da legitimidade ou não da tomada de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, fazse necessário analisar in casu a essencialidade dos insumos no processo formativo da receita. Para essa análise, contudo, cumpre salientar que o presente processo é originário de auto de infração, e não de pedido de reconhecimento de crédito para compensação pelo contribuinte. Tal fato é importantíssimo para o deslinde da controvérsia, à medida que é justamente a iniciativa do processo administrativo que determina o ônus da prova (artigo 373 da Lei n. 13.105/2015, o “Novo Código de Processo Civil”). Com efeito, este Colegiado, no próprio Acórdão 3402002.881 citado linhas atrás, adotou este parâmetro para a solução de caso onde também se julgava auto de infração Fl. 1684DF CARF MF 22 em que a Fiscalização glosou créditos tomados pelo contribuinte, por utilizar como fundamento as Instruções Normativas n. n. 247/2002 e 404/2004, vale dizer, o conceito de insumo de IPI. Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao sub judice: É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. (...) É com isso que lidaremos no julgamento deste processo: afastado o significado de "insumo" adotado pelo fisco, o trabalho deste colegiado ao analisar as planilhas de glosa em espécie se resumirá em confrontar o item glosado com os dados técnicos trazidos pela defesa para determinarmos se o item está apto ou não a gerar o crédito. A autuação só será mantida em relação aos itens que comprovadamente não atendam aos requisitos legais para gerarem o crédito. Vejase que, muito embora seja da Fiscalização o ônus da prova no momento da lavratura do auto de infração, cabe ao Contribuinte apresentar fatos impeditivos, extintivos ou modificativos de seu direito, a teor do artigo 373, inciso II do Novo Código de Processo Civil. Pois bem. No presente caso, diferentemente do acima citado, não foi perpetrado pela Recorrente o mínimo esforço probatório no que tange ao direito ao crédito pela aquisição de insumos. Tanto em sua impugnação como em seu recurso voluntário a Recorrente resume suas alegações à tese acima exposta sobre o conceito de insumo para fins de apropriação de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, sem trazer em nenhuma linha qualquer evidência sobre a forma de utilização dos bens e serviços que foram objeto de glosa, dentro de seu contexto negocial e atividades praticadas. Tampouco quaisquer contratos, relação de clientes, documentos que comprovem a efetividade de seus objetos sociais, etc, foram trazidos aos autos. Em resumo, por falta de provas nos autos, essa Relatora desconhece totalmente as atividades da Recorrente, de modo que se torna impossível averiguar se é possível enquadrálos ou não ao conceito de custo de produção, de modo a reverter as glosas efetuadas pela Fiscalização. Por conseguinte, não resta alternativa senão manter o auto de infração nesse aspecto. 2.4. Glosa de créditos de aquisição do DACON Fl. 1685DF CARF MF Processo nº 19515.722068/201132 Acórdão n.º 3402003.303 S3C4T2 Fl. 122 23 Como bem salientou a DRJ, “assim como no item anterior deste voto, a questão aqui discutida diz respeito ao momento de apropriação, desta vez dos créditos relativos às aquisições da contribuinte de bens para revenda e utilizados como insumos. Defende a impugnante que a apropriação do crédito não se dá necessariamente no momento da emissão da nota fiscal, mas pode ocorrer em momento anterior, como, por exemplo, no desembaraço aduaneiro, no caso de importação. Isso explicaria as diferenças encontradas pela fiscalização, as quais deixariam de existir, caso a verificação englobasse todo o ano de 2007.” Efetivamente, a discussão aqui travada é a mesma daquela abordada no item 2.1. do presente voto, de modo que mantenho as conclusões ali alcançadas, no sentido de que não há necessariamente vinculação entre a data da emissão da nota fiscal e do reconhecimento de receitas, seja na legislação das Contribuições em apreço, seja nas regras contábeis. Desse modo, a adoção do critério para o reconhecimento da receita como aquele em que a mercadoria é entregue ao seu destinatário, como efetuado pela Recorrente, cumpre os requisitos legais e contábeis. Assim, deve ser cancelado o lançamento no que tange ao lançamento de ofício descrito no TVF como “apropriação indevida de créditos lançados sob as rubricas créditos de aquisições para a revenda ou utilizados como insumos (linhas 1 e 2 das Fichas 06A, 06B, 16A e 16B do DACON) em razão de divergências entre o DACON e o Livro de Registro de Entradas”. 2.5. Aquisições da Própria Hypermarcas Não foi objeto de contestação tal parte da autuação fiscal, sendo que a Recorrente concordo com as razões da Fiscalização e informou o pagamento relativo a este preciso ponto do lançamento tributário. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao presente recurso voluntário, para cancelar o lançamento no que tange: i) ao item 01, relativo à “falta de reconhecimento de receitas” (linha 1 e 2 das Fichas 07A, 09A, 17ª e 19ª do DACON) em razão de divergências entre o DACON e o Livro de Registro de Saídas”; ii) ao lançamento de ofício descrito no TVF como “apropriação indevida de créditos lançados sob as rubricas créditos de aquisições para a revenda ou utilizados como insumos (linhas 1 e 2 das Fichas 06A, 06B, 16A e 16B do DACON) em razão de divergências entre o DACON e o Livro de Registro de Entradas. Por fim, para fins e liquidação do julgado, ressalto a necessidade de que a repartição fiscal de origem tenha em conta os valores confessados e pagos pela Recorrente, relativos às “aquisições da Própria Hypermarcas”, conforme item 2.5. do presente voto. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 1686DF CARF MF 24 Fl. 1687DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.011547/2006-16
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA. Não se conhece do recurso especial de divergência nos casos em que não fica demonstrada a similitude fática entre os acórdão confrontados, especialmente quando a questão probatória é determinante para a elucidação da lide.
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
Numero da decisão: 9101-002.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte.
(Assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO
Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAÚJO (Suplente convocado em substituição à conselheira Maria Teresa Martinez Lopez), ANDRÉ MENDES DE MOURA, ADRIANA GOMES REGO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO (Presidente em exercício), LUIS FLAVIO NETO e NATHALIA CORREIA POMPEU. Ausente, justificadamente, o conselheiro CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA. Não se conhece do recurso especial de divergência nos casos em que não fica demonstrada a similitude fática entre os acórdão confrontados, especialmente quando a questão probatória é determinante para a elucidação da lide. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAÚJO (Suplente convocado em substituição à conselheira Maria Teresa Martinez Lopez), ANDRÉ MENDES DE MOURA, ADRIANA GOMES REGO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO (Presidente em exercício), LUIS FLAVIO NETO e NATHALIA CORREIA POMPEU. Ausente, justificadamente, o conselheiro CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002, 2003, 2004 CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA. Não se conhece do recurso especial de divergência nos casos em que não fica demonstrada a similitude fática entre os acórdão confrontados, especialmente quando a questão probatória é determinante para a elucidação da lide. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAÚJO (Suplente convocado em substituição à conselheira Maria Teresa Martinez Lopez), ANDRÉ MENDES DE MOURA, ADRIANA GOMES REGO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO (Presidente em exercício), LUIS FLAVIO NETO e NATHALIA CORREIA POMPEU. Ausente, justificadamente, o conselheiro CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 15 47 /2 00 6- 16 Fl. 15625DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 11/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 9101002.367 CSRFT1 Fl. 15.626 2 Relatório Em sessão de 05 de agosto de 2011, os membros da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF acordaram, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário da ora recorrente, nos termos do relatório e voto que integram o julgado no Acórdão nº 140200.701. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Por bem descrever os fatos, adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, o Relatório do acórdão recorrido (fls. 15.339 e ss. do eprocesso) o qual, por sua vez, transcreveu o relatório da decisão de primeira instância: "Contra a empresa acima qualificada foram lavrados os autos de infração de Imposto de Renda Retido na Fonte, fls. 2.516, [fls. 5.628 e ss. do eprocesso] Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, fls. 2.526 [fls. 5.645 e ss. do eprocesso] e Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, fls. 2.534 [fls. 5.658 e ss. do e processo]. 0 crédito tributário do presente processo atinge o montante de R$ 40.352.698,34 (quarenta milhões, trezentos e cinqüenta e dois mil, seiscentos e noventa e oito reais e trinta e quatro centavos), atualizado até 30/11/2006. Os processos de números 11080.011548/200652 e 11080.011549/200605 foram apensados ao presente processo por anexação, tendo em vista determinação da Portaria SRF n°. 6.129, de 02 de dezembro de 2005, artigo 1º, inciso I, alíneas "a" e "b". Desse modo, também integram o crédito tributário do presente processo as exigências consubstanciadas nos autos de infração de fls. 5.571 [fls. 10.447 e ss. do eprocesso] e 8.604 [fls. 14936 e ss. do eprocesso], referentes à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), no valor de R$ RS 869.321,79 e Contribuição Social Para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no valor de R$ 393.187,00. Em resumo, foram glosadas despesas de. comissões decorrentes de agendamento de clientes e de serviços prestados na área de assessoria tributária, ambos realizados pelas empresas JOR Assessoria Empresarial Ltda. (JOR) e J & S Agenciamentos, Publicidade e Representações Ltda. (J & S), bem como exigido o imposto de renda na fonte sobre os pagamentos realizados a beneficiário não identificado por conta de tais operações. Também foram glosados os créditos de PIS/Cofins referentes àqueles operações. O crédito tributário foi lançado com multa qualificada de 150% pela comprovação, no entender da fiscalização, de evidente intuito de fraude naquelas operações. Fl. 15626DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 11/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 9101002.367 CSRFT1 Fl. 15.627 3 Também foram glosados os créditos de PIS/Cofins decorrentes das comissões auferidas por outras empresas além de JOR e J & S, por se tratarem de despesas comerciais e não insumos. As razões da autuação estão contidas no relatório de ação fiscal de fls. 2.496/2.515 [fls. 5593/5626 do eprocesso], a seguir sinteticamente relatadas. A empresa autuada optou pela tributação pelo lucro real no período abrangido pelo auto de infração, apurações anuais, conforme consta das DIPJ de fls. 58/292 [fls. 323/983 do e processo]. Foram identificados, no curso da ação fiscal, pagamentos de valores expressivos a JOR, referentes a serviços que teriam sido prestados nos anos de 2002, 2003 e 2004, bem como à empresa J & S em 2004. A fiscalizada informou que os valores referemse a comissões por indicação de clientes e realização de serviços técnicos de levantamento de documentos para apuração de créditos fiscais decorrentes de teses desenvolvidas pela IAB na área tributária, digitação e conferência de relatórios decorrentes dos levantamentos realizados. A fiscalização, ao examinar a documentação entregue — contrato de fls. 1.706/1.711 [fls. 4186/4196 do eprocesso]e notas fiscais e outros documentos, fls. 1.712/1.842 [fls. 4198/4403 do eprocesso]— chegou as seguintes considerações: a) os pagamentos foram efetuados em espécie, mediante autorização de entrega do numerário pelo Banco Itaú na sede de empresa, por débito autorizado de contacorrente mantida pela empresa naquele banco, sem apresentação de nenhum recibo de JOR relativamente às importâncias consignadas; b) o comportamento da empresa não é usual, tendo em vista que valores vultosos, cerca de R$ 11,000.000,00 para JOR e R$ 4.000.000,00 para J & S, são pagos em moeda corrente, sem nenhum recibo ou quitação do recebedor; c) JOR indica como endereço a rua Voluntários da Pátria, 311, sala 3, em Porto Alegre, onde está em atividade centro de culto AfroBrasileiro 116 dos Orixás; d) o sócio Jose Oscar Rodrigues vendeu sua participação em JOR para Eli Rodrigues e Raimundo Nonato da Silva em março de 2003, pelo valor de R$ 50.000,00, que residem, respectivamente, na rua E, 171, Vila Nova Americana — Alvorada e Acesso G 2, 2317 — 2 Unidade — Restinga Nova — Porto alegre, não constando que possuam patrimônio; e) José Oscar Rodrigues também é sócio de J & S, que prestou serviços no montante de cerca de quatro milhões de reais e que possui sede na rua Otávio Rocha no 22 conjunto 203, que mantém até hoje no seu cadastro perante a Receita Federal, embora funcione no local uma pequena loja de conserto de relógios de nome "Martelo"; Fl. 15627DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 11/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 9101002.367 CSRFT1 Fl. 15.628 4 f) o patrimônio de José Oscar Rodrigues e de seu cônjuge é insignificante frente às importâncias supostamente recebidas de IAB; g) ambas as empresas faturaram mais de quinze milhões de reais em 2002, 2003 e 2004, com sedes em pequenos locais e sem nenhuma estrutura para a prestação dos serviços indicados; h) o sr. José Oscar Rodrigues afirmou que recebia um percentual de 4% do valor indicado, que foi reduzido para 1% ao longo do tempo; i) relativamente A JOR, José Oscar esclarece que foi sócio até março de 2003, sendo os serviços prestados os mesmos daqueles prestados pela J & S e que, após a sua saída da JOR, ficou com procuração dos novos sócios (fls. 2205/2206) [fls. 5016/5019 do eprocesso], e que as notas fiscais emitidas foram preenchidas pessoalmente por ele; j) que a JOR foi vendida sem o recebimento de nenhum numerário e que os novos sócios não tiveram nenhum conhecimento das operações com a IAB, fato confirmado pelo adquirente Eli Rodrigues da Luz, que vendedor autônomo e confirmou que não teria recebido dinheiro da IAB e a empresa nunca teria chegado a operar desde o seu ingresso, confirmando ter nomeado José Oscar como seu procurador; k) intimada, IAB informou que as comissões da JOR são referentes a indicação das empresas Grupo Pão de açúcar, Construtora Sultepa, Lojas Fischer Ltda, Laboratório Wesp Ltda e outras empresas; e que IAB subcontratou JOR para realizar serviços técnicos tais como levantamento de documentos, digitação e conferência de relatórios decorrentes dos levantamentos realizados; l) IAB informou também que as comissões da J & S são devidas pela indicação do Grupo Sonae e Grupo Pão de Açúcar, também havendo serviços prestados de levantamento de documentos para apuração de créditos fiscais, digitação e conferência de relatórios decorrentes dos levantamentos realizados; m) IAB solicitou que fossem entregues apenas os documentos comprobatórios referentes aos pagamentos mais expressivos, tendo em vista dificuldade no seu levantamento, o que foi aceito pela fiscalização; n) A fiscalização deduziu, com base no exame dos documentos apresentados, que os procedimentos adotados pela IAB são os mesmos, quer se refiram a JOR — anoscalendários 2002, 2003 e 2004 ou a J & S anocalendário 2004; o) Conclui a fiscalização que não foi apresentada nenhuma comprovação dos serviços executados, a não ser uma cópia da listagem "Demonstrativo p/Comissionado", onde constam controles de comissões das empresas acima mencionadas; p) Os contratos apresentados entre IAB e JOR e IAB e J & S têm como objeto a indicação, abordagem e contratação de clientes interessados na realização de planejamento tributário; Fl. 15628DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 11/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 9101002.367 CSRFT1 Fl. 15.629 5 q) Para a execução de tais serviços (comissões) foram pagos para JOR R$ 9.538.686,95 nos anoscalendários de 2002 a 2004, e R$ 3.875.297,48 para J & S em 2004; r) Evidenciase o pagamento de serviços idênticos para ambas empresas, cuja execução teria sido implementada pela mesma pessoa, Sr. Jose Oscar Rodrigues; s) Foram pagos R$ 1.464.472,74 para JOR e R$ 1.790.472,14 para J & S pelos serviços profissionais nos anoscalendários de 2002,2003 e 2004; t) O próprio José Oscar declara (Os. 2197/2202) [fls. 5.000/5.010 do eprocesso] que prestava serviços preliminares, como revisão de declarações de imposto de renda, livros fiscais e agenda de visitas dos advogados da IAB, tendo recebido 4% do valor das notas, percentual que foi reduzido para 1% com o transcorrer do tempo, para a realização de tais serviços. u) Outra infração apontada foi a glosa dos créditos de PIS e de Cofins referentes a "serviços utilizados como insumos", contabilizados como comissões; v) Nos temos do inciso II do artigo 3° das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, os créditos passíveis de utilização são aqueles relacionados aos bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços, que são a matéria prima, materiais secundários e horas trabalhadas que concorrem na obtenção de um produto ou serviço, integrando o referido produto ou serviço, o que não ocorre com as despesas de comissões com agendamento de clientes, que se trata de despesa de natureza comercial que não está incluída na previsão legal. w) Também foram objeto de glosa os créditos (PIS/COFINS) e as despesas referidas na primeira parte do relatório referentes As operações contratadas com JOR e J & S, tendo em vista que tais operações não existiram; x) Nas operações com as empresas JOR e J & S foi aplicada multa qualificada de 150%, tendo em vista que as operações foram fraudulentas, com simulação de pagamento de importâncias em espécie a empresas sem capacidade ou estrutura para realizar os referidos serviços; y) Por último, houve o lançamento para prevenir a decadência relativo aos valores decorrentes da isenção da Cofins às sociedades civis, tendo em vista a existência de mandado de segurança impetrado pela empresa, processo 2001.71.00.0245248, com recurso especial provido para a parte e recurso extraordinário por parte da Fazenda Nacional em processamento; z) No lançamento da Cofins foram contemplados créditos indevidos decorrentes das operações tipificadas como fraudulentas bem como daqueles créditos glosados por serem incabíveis (despesas comerciais indevidamente consignadas como insumos). Em ambos os casos não foi aplicada multa de oficio tendo em vista a circunstância de que o lançamento foi lançado com suspensão de exigibilidade em virtude da ação judicial interposta pela interessada se encontrar com recurso Fl. 15629DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 11/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 9101002.367 CSRFT1 Fl. 15.630 6 especial provido no STJ em seu favor por ocasião do lançamento; aa) Foi lançado PIS também sobre valores decorrentes de créditos obtidos de operações reputadas fraudulentas, bem como daqueles créditos glosados por serem incabíveis (despesas comerciais), os primeiros com imposição de multa qualificada de 150% e os segundos com multa de 75%. A interessada apresentou, tempestivamente, impugnações de fls. 2.547/2.572 [fls. 5679/5704 do eprocesso], fls. 5.589/5.620 [fls. 10479/10518 do eprocesso] e 8.617/8.620 [fls. 14950/14953 do eprocesso] com as alegações sintetizadas abaixo. Das Questões Prejudiciais à Apreciação do mérito Em primeiro lugar, pede a nulidade do lançamento, tendo em vista transgressão à indicação do MPF, que deveria facultar a fiscalização externa no domicilio do contribuinte, vedada a tomada de depoimentos de terceiros sem aditamento no MPF, com intimação escrita às empresas citadas no procedimento fiscal (nulidade). Continuando, alega que o sócio José Oscar teria sido ameaçado de prisão caso as respostas não se apresentassem na linha em prejuízo da impugnante, tendo sido descaracterizados os depoimentos por coação do auditorfiscal, sendo de valor probatório nenhum para o presente processo, o que redunda em subtração do principal elemento probatório, o que acarreta a nulidade do lançamento coma um todo (nulidade); Alega também a suspeição da parcialidade do autuante, visto que fatos idênticos relacionados à empresa Simfer não foram lançados, tendo em vista que seu emitente, Vicente Lobo Simões Junior, possui a condição de auditor aposentado, com patrimônio, prova a ser trazida aos autos mediante diligencia que requer (nulidade e pedido de diligência). Outro fato capaz de inquinar de nulidade o procedimento fiscal é o critério de verificação dos fatos por amostragem, o que redunda em omissão, pois de 85 notas fiscais emitidas pelas empresas JOR e J & S , apenas duas foram utilizadas para comprovar a suposta fraude, num percentual de 2,35% (nulidade). Aduz que a prova da efetiva transferência dos valores ficou obstada porque o exame dos documentos bancários depende do aval de José Oscar Rodrigues, não disponibilizado pela instituição financeira à impugnante, pelo que requer diligência (diligencia). Não há lógica na conclusão a que chegou a fiscalização, já que a presunção do pagamento sem causa ou a beneficiários não identificados é relativa, podendo ser realizada no curso do processo administrativo fiscal. Se a presunção foi baseada em meras conjecturas, por amostragem, tratase de presunção comum, incapaz de sustentar a lavratura de um auto de infração. Traz jurisprudência do Conselho de Contribuintes no sentido que defende (nulidade). Fl. 15630DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 11/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 9101002.367 CSRFT1 Fl. 15.631 7 Pede também diligência no sentido de que se juntem os documentos contábeis e fiscais das empresas JOR e J & S. para que se conheça se escrituraram regularmente os valores recebidos, pois se não escriturou ela é que deve ser penalizada e se escriturou, valeuse de expediente regular (diligência). Do Mérito Quanto ao mérito, são expostas as seguintes razões. IRRF Para o lançamento do imposto de renda retido na fonte, é necessário afastar as causas do pagamento e demonstrar que inexiste contraprestação que o justifique. Se o beneficiário não existe, como foram identificados JOR e J & S, pergunta a impugnante. As empresas existem e foram identificadas e ouvidas e houve o efetivo pagamento a ambas, inclusive com retenção de imposto na forma legal. O serviço tem causa na indicação de clientes e intermediação de contratos de planejamento tributário e apuração de créditos tributários, dentre outros. As notas fiscais mencionavam relatórios com os respectivos clientes, o que demonstra a efetividade das operações. Não compreende a insistência da fiscalização em exigir recibos de pagamento, já que tais documentos podem ser feitos a qualquer momento. As notas fiscais "constituem ato comercial", estando devidamente escrituradas em seus livros fiscais e contábeis. O ônus da prova da qualquer irregularidade é da fiscalização e não do contribuinte. IRPJ e CSLL A opção da interessada é pelo lucro real anual, com alíquota de 15% e adicional sobre a parcela excedente a R$ 20.000,00, tendo o adicional (demonstrativos de fls. 2538/2540) incidido sobre a mesma base tributável do IR, afrontando o comando legal. De outra parte utiliza os mesmos argumentos expendidos quando da impugnação ao IRRF para refutar o lançamento do IRPJ e CSLL. Da Multa Em primeiro lugar, a multa é flagrantemente confiscatória, por afronta ao artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. A que se respeitar os princípios da razoabilidade em face do total do crédito adimplido e ao princípio da proporcionalidade da sanção à infração cometida, tendo em vista a elevada carga tributária e o "excesso de inadimplementos", que levam à impossibilidade do pagamento, finalidade principal da lei tributária. Transcreve doutrinadores que referem o principio da razoabilidade e da proibição do excesso, bem como na aplicação subsidiária da Lei 9.784/1999, bem como nos princípios da lealdade, boafé e igualdade no processo administrativo. Fl. 15631DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 11/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 9101002.367 CSRFT1 Fl. 15.632 8 Junta precedentes jurisprudenciais que confirmariam sua linha de entendimento. No caso em questão, não houve descrição especifica dos fatos, não havendo como conhecer da motivação, ainda mais que sempre colaborou com a fiscalização, entregando todos os documentos solicitados. Diligências esclarecimento se Vicente Lobo Simões Júnior é auditorfiscal aposentado; esclarecimento se JOR e J & S contabilizaram os valores pagos por IAB, inclusive com entrega de DCTF, DIPJ e Dacon; esclarecimento da questão do pagamento, inclusive com pedido de entrega, pelo Banco Itaú dos "controles de transações em espécie" em nome de JOR, J & S e na pessoa física de José Oscar, Do Pedido Requer o provimento das preliminares de nulidade suscitadas, e, no mérito, declaração da insubsistência do auto de infração, ou sucessivamente, da condenação apenas em relação às duas notas fiscais inidôneas, refazimento do adicional do IR e desqualificação da multa. Cofins No que diz respeito à Cofins, alega, tempestivamente, o que segue. Pede a insubsistência do auto de infração, tendo em vista ser isenta da Cofins nos termos da Lei Complementar n° 70, de 1991, no seu artigo 6°, nos termos de decisão judicial proferida pelo STJ. Pis Quanto ao Pis, alega os mesmos fatos narrados na impugnação ao auto de infração do IRRF, no que pertine aos créditos oriundos das operações realizadas com JOR e J & S. Quanta à glosa dos créditos utilizados como insumos, argumenta que as despesas com captação de clientes são indispensáveis ao exercício de suas atividades. O próprio STF (RE 79.601) posicionouse no sentido de confirmar o direito ao crédito pela entrada de mercadorias que "ainda que não integrem o produto final concorrem direta e necessariamente para este porque utilizados no processo de fabricação nele se consumindo". No caso em tela, sendo a empresa uma prestadora de serviços, seu produto final só pode ser a prestação de serviços, e que decisão contrária afronta o inciso II do artigo 30 da Lei 10.637, de 2002 e da Lei 10.835, de 2003. Além do mais, se o Auto de infração diz que insumos são compostos de horas trabalhadas, ai deveriam ser enquadrados os serviços advocatícios e de consultoria. Fl. 15632DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 11/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 9101002.367 CSRFT1 Fl. 15.633 9 Cita doutrina sobre o tema, que afirma que nas prestadoras de serviço os insumos dependem da atividade exercida, mas que a quase totalidade dos dispêndios não deixa de ser insumo, citando exemplos, como gastos com viagens, computadores, etc. Colaciona a Solução de Consulta n° 206, de 30 de junho de 2004, que afirma que os pagamentos à titulo de gastos com telefone e assinatura de boletim especializado podem compor a base de calculo dos créditos a serem descontados do PIS e da Cofins. Raciocinar de modo diverso implicaria ofender o principio da não cumulatividade, vez que a empresa que prestou o serviço recolheu o PIS. Cita outros pareceres da Receita Federal no sentido da possibilidade do utilização de tais insumos. Ataca a expressão natureza comercial, alegando que a empresa impugnante tem esta natureza e utilizase da prestação de serviços de outras pessoas jurídicas com mesmo intuito. Contesta a multa de oficio aplicada, pelas mesmas razões já externadas quando da impugnação ao IRRF. Anexa ao processo os documentos de fls. 2.575/3.043." A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ n° 10 14.893 (fls. 8.6758.701) de 11/01/2008, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003, 2004 MPF. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. DESCABIMENTO.Os documentos dos autos demonstram ter havido emissão de Mandado de Procedimento Fiscal Extensivo para que a fiscalização fizesse a intimação ás empresas prestadoras de serviço para a autuada, o que torna regular o procedimento fiscal. MPF NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Mesmo que houvesse irregularidade na emissão e trâmite do mandado de procedimento fiscal, esta não implica nulidade do lançamento, pois o MPF consiste em mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização. NULIDADE. Se o auto de infração possui todos os requisitos necessários a sua formalização, estabelecidos pelo art. 10 do Decreto 70235/1972. e se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 daquele diploma legal, não se justifica a decretação da nulidade do lançamento. INCONSTITUCIONALIDADES. Quando o contribuinte entendese prejudicado por lei vigente que increpa de inconstitucional, só lhe resta a via do Poder Judiciário para reclamar seu pretenso direito, pois falece competência à autoridade administrativa para apreciação de Fl. 15633DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 11/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 9101002.367 CSRFT1 Fl. 15.634 10 inconstitucionalidade de lei, cabendolhe apenas acatar e fazer cumprir seus ditames. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 DESPESAS COM SERVIÇOS E COMISSÕES. São indedutíveis as despesas com comissções serviços lastreadas em documentação cujo exame pelo Fisco comprovou sua inidoneidade pela utilização de empresas notoriamente incapazes para sua realização, agravada pelo fato de que os pagamentos foram realizados em moeda corrente, na sede da empresa tomadora dos referidos serviços. MULTA AGRAVADA. Constatado evidente intuito de fraude, e procedente o agravamento da multa de oficio para 150%. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31107/2002, 31108/2002, 3010912002, 31/10/2002, 30/11/2002, 31/12/2002, 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003, 31/01/2004, 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. PAGAMENTO A TERCEIRO SEM PROVA DA CAUSA OU OPERAÇÃO. Os pagamentos efetuados a beneficiários não identificados ou entregues a terceiros ou sócios sem comprovação da operação ou a sua causa, sujeitamse tributação exclusivamente na fonte à alíquota de 35%. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002, 2003, 2004 LANÇAMENTO DECORRENTE. Solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, estendese aos demais lançamentos decorrentes quando tiver por fundamento o mesmo suporte fálico. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003, 31/01/2004, 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/1012004, 30/11/2004, 31/12/2004 Fl. 15634DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 11/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 9101002.367 CSRFT1 Fl. 15.635 11 LANÇAMENTO DECORRENTE. Solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, estendese aos demais lançamentos decorrentes quando tiver por fundamento o mesmo suporte fático. CRÉDITOS DO PIS/PASEP. DESPESAS COM COMISSÃO. AGENDAMENTO DE CLIENTES. IMPOSSIBILIDADE. São descontados da base de cálculo da contribuição somente os créditos decorrentes dos serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. No caso concreto, a atividade de agenda de clientes para assessoria tributária não é insumo, pois antecede cronologicamente a execução desses serviços. Embora a remuneração das comissões, por disposição contratual entre as partes, incida sobre as receitas auferidas com a prestação dos serviços de assessoria tributária, com ela não se confunde nem a integra, sendo despesa de caráter nitidamente comercial. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 LANÇAMENTO DECORRENTE. Solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e PIS, estendese aos demais lançamentos decorrentes quando tiver por fundamento o mesmo suporte fático." Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 21/02/2008 (A.R. de fl. 8.718), a interessada interpôs recurso voluntário em 24/03/2008 (fls. 8.7198.751) onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. O Colegiado a quo, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares e, no mérito, negou provimento ao recurso voluntário, cuja decisão recorrida foi consubstanciada nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003, 2004 MPF. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. DESCABIMENTO. Os documentos dos autos demonstram ter havido emissão de Mandado de Procedimento Fiscal Extensivo para que a fiscalização fizesse a intimação às empresas prestadoras de serviço para a autuada, o que torna regular o procedimento fiscal. MPF. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Mesmo que houvesse irregularidade na emissão e trâmite do mandado de procedimento fiscal, esta não implica nulidade do lançamento, pois o MPF consiste em mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização. Fl. 15635DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 11/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 9101002.367 CSRFT1 Fl. 15.636 12 NULIDADE. Se o auto de infração possui todos os requisitos necessários a sua formalização, estabelecidos pelo art. 10 do Decreto 70235/1972. e se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 daquele diploma legal, não se justifica a decretação da nulidade do lançamento. INCONSTITUCIONALIDADES. Quando o contribuinte entendese prejudicado por lei vigente que increpa de inconstitucional, só lhe resta a via do Poder Judiciário para reclamar seu pretenso direito, pois falece competência à autoridade administrativa para apreciação de inconstitucionalidade de lei, cabendolhe apenas acatar e fazer cumprir seus ditames. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 DESPESAS COM SERVIÇOS E COMISSÕES. São indedutíveis as despesas com comissões e serviços lastreadas em documentação cujo exame pelo Fisco comprovou sua inidoneidade pela utilização de empresas notoriamente incapazes para sua realização, agravada pelo fato de que os pagamentos foram realizados em moeda corrente, na sede da empresa tomadora dos referidos serviços. MULTA AGRAVADA. Constatado evidente intuito de fraude, e procedente o agravamento da multa de oficio para 150%. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 31/10/2002, 30/11/2002, 31/12/2002, 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003; 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003, 31/01/2004, 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. PAGAMENTO A TERCEIRO SEM PROVA DA CAUSA OU OPERAÇÃO. Os pagamentos efetuados a beneficiários não identificados ou entregues a terceiros ou sócios sem comprovação da operação Fl. 15636DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 11/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 9101002.367 CSRFT1 Fl. 15.637 13 ou a sua causa, sujeitamse tributação exclusivamente na fonte à aliquota de 35%. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002, 2003, 2004 LANÇAMENTO DECORRENTE. Solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, estendese aos demais lançamentos decorrentes quando tiver por fundamento o mesmo suporte fático. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003, 31/01/2004, 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 LANÇAMENTO DECORRENTE. Solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, estendese aos demais lançamentos decorrentes quando tiver por fundamento o mesmo suporte fático. CRÉDITOS DO PIS/PASEP. DESPESAS COM COMISSÃO. AGENDAMENTO DE CLIENTES. IMPOSSIBILIDADE. São descontados da base de calculo da contribuição somente os créditos decorrentes dos serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. No caso concreto, a atividade de agenda de clientes para assessoria tributária não é insumo, pois, antecede cronologicamente a execução desses serviços. Embora a,remuneração das comissões, por disposição contratual entre as partes, incida sobre as receitas auferidas com a prestação dos serviços de assessoria tributária, com ela não se confunde nem a integra, sendo despesa de caráter nitidamente comercial. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 LANÇAMENTO DECORRENTE Solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e PIS, estendese aos demais lançamentos decorrentes quando tiver por fundamento o mesmo suporte fático. O voto do relator do acórdão recorrido por entender que a decisão da DRJ está bem abalizada, adotou seus fundamentos como razões de decidir. Fl. 15637DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 11/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 9101002.367 CSRFT1 Fl. 15.638 14 A contribuinte apresentou recurso especial de divergência (fls. 15419 e ss. do eprocesso), no qual insurgese quanto à interpretação divergente dada pelo Colegiado a quo em comparação a que deu outras Câmaras em relação ao art. 61 da Lei nº 8.981/95 e ao art. 44, II, da Lei nº 9.430/96. Requer a recorrente que, no mérito, seja dado provimento ao recurso, para reformar o v. acórdão recorrido e declarar insubsistente o Auto de Infração em virtude da comprovação (i) da realização do serviço pelas empresas JOR e J&S, conforme provas documental (farta documentação colacionada aos autos) e testemunhal (depoimentos nos autos do processo judicial n. 2007.71.00.0267416/RS) e, por conseguinte, (ii) da inexistência de elementos comprobatórios de pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados; ou alternativamente, a desqualificação da multa imposta, por ausência de intuito fraudulento, para minorála a 75%. O recurso especial foi admitido pelo presidente da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF com fundamento nas razões expendidas no despacho de admissibilidade constante às folhas 15593/15601 do eprocesso, em relação as seguintes matérias: 1) Pagamentos Sem Causa a Beneficiários Não Identificados; e 2) Multa de Ofício Proporcional Qualificada. Devidamente cientificada, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN apresentou contrarrazões (fls. 15603/15620). É o Relatório. Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, Relator A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior, referese, pois, em relação as seguintes matérias, que, no entanto ensejam questões de conhecimento distintas: 1) Pagamentos Sem Causa a Beneficiários Não Identificados; e 2) Multa de Ofício Proporcional Qualificada. Matéria 1: Pagamentos Sem Causa a Beneficiários Não Identificados Cabe, neste caso, verificar a admissibilidade do recuso especial. A recorrente, em seu recurso especial, apresenta 4 (quatro) acórdãos como paradigmas, sendo a seguir as ementas apenas dos dois primeiros. "IRF — PAGAMENTO SEM CAUSA —COMPROVAÇÃO — A exigência do imposto de renda na fonte com fundamento no artigo 61, §1°, da Lei n° 8.981, de 1995, somente se sustenta quando houver indiscutível comprovação de que o sujeito passivo efetuou pagamento sem causa justificada. Tendo sido comprovada a causa dos pagamentos através de documentação hábil e idônea, não há como subsistir a exigência do imposto. Recurso provido." Fl. 15638DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 11/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 9101002.367 CSRFT1 Fl. 15.639 15 (Acórdão 10615.617, 6a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Rec. 137.372, Relator Luiz Antonio de Paula, Julgamento em 21/06/2006 — doc. 01) "IRPJDESPESASGLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS Uma vez reconhecido que os serviços contratados são de natureza imaterial, cuja prova há de ser feita indiretamente, e tendo a empresa apresentado as únicas provas possíveis (cópias dos contratos, notas fiscais, documentos correspondentes aos pagamentos, correspondências, reconhecimento do prestador do serviço, etc..) documentos esses não contestados, a escrituração faz prova em favor do contribuinte, cabendo ao fisco demonstrar sua inveracidade. CSLL DECORRÊNCIA. INFRAÇÕES APURADAS NA PESSOA JURIDICA. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos litígios decorrentes, quanto à mesma matéria fática." (Acórdão 10194476, 1ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Rec. 132.646, Rela. Sandra Maria Faroni, Julgamento em 28/01/2004 — doc. 02) Para convencimento do julgador, a recorrente apresenta argumentos extraídos dos acórdãos paradigmas, conforme a seguir: De acordo com a decisão da 6ª Câmara (proc. n. 10283.007309/200144 — doc. 01) "em relação à classificação das notas fiscais como inconsistentes não consta do presente auto de infração qualquer justificativa para esta constatação, ou, certificação de inidoneidade dos documentos fiscais". Diversamente, o v. acórdão não aceitou as notas fiscais de prestação de serviços apresentadas pela Recorrente como documentos hábeis, abolindoas do tráfego negocial, substituindoas por recibos: "Não há qualquer recibo do prestador de serviços" (fl. 8914). 0 art. 61 da Lei n. 8.981/95 não trata de presunção, mas de pagamento sem comprovação da operação, e notas fiscais tem justamente esse fim. A emissão das notas fiscais demonstram os serviços e têm força probatória muito mais consistente que simples recibos. Foram emitidas com fundamento em lei, "constituem ato comercial" e estão devidamente registradas na contabilidade da Recorrente, por meio eletrônico, em livros mercantis próprios e na época em que realizados os trabalhos. (...) Nessa linha o v. acórdão paradigma da 1ª Câmara (proc. n. 10830.002767/9453 doc. 02): "tendo a empresa apresentado as únicas provas possíveis (cópias dos contratos, notas fiscais, documentos correspondentes aos pagamentos, correspondências, reconhecimento do prestador do serviço, etc..) documentos esses não contestados, a escrituração faz prova em favor do contribuinte, cabendo ao fisco demonstrar sua inveracidade". (...) Fl. 15639DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 11/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 9101002.367 CSRFT1 Fl. 15.640 16 Do voto da Relatora do v. acórdão paradigma, Conselheira Sandra Maria Faroni, extraise que: "No caso, foram apresentados cópias dos contratos, notas fiscais, e documentos correspondentes aos pagamentos, correspondências, etc.. Também esta reconhecido, no voto condutor do Acórdão, que os documentos indicam a existência de pagamentos e de contratos entre as empresas. Assim, trouxe a Recorrente todas as provas possíveis. Não se pode exigir a prova impossível. Os fatos escriturados estão apoiados nos únicos documentos hábeis possíveis". Em complemento, a recorrente apresenta trechos extraídos de depoimentos de testemunhas (José Oscar; Isaias Sucasas Junior, responsável pela área comercial; Luciano Winterscheidt e Alberto Wiebbelling) feitos à Justiça Federal, posteriormente à lavratura do auto de infração, nos quais alega a comprovação da existência das prestações dos serviços. Segundo a recorrente, a "conclusão do Fisco, destituída de qualquer lógica, não pode, de forma alguma, ser encarada como presunção legal (juris et de jure), de forma a considerar certo fato como verdadeiro, como é o desiderato do AFRF. Pelo contrário, há presunção relativa de veracidade no que tange a existências de pagamentos sem causa ou a beneficários não identificados". Alega, ainda, que "o autuar, sem prova sólida ou irrefutável, obtida por amostragem, não pode ser aceito em um modelo de uma sociedade organizada. Logo, o AI com meros indícios por amostragem representa apenas presunções isoladas de quaisquer outros elementos de valor certo, eliminadas pelos fatos concretos". Por fim, segundo a Recorrente, ela comprovou a causa do serviço e o efetivo pagamento (contraprestação). Ainda afirma que reteve e recolheu o imposto na forma legal, redundando, inclusive, no valor líquido apontado pela fiscalização como pago a JOR e que serviu de base de cálculo à apuração do rendimento reajustado sobre o qual incidiu a alíquota de 35% (fl. 2513). Não obstante, a Fiscalização considerou ausente a comprovação efetiva da prestação de serviços. A unanimidade do colegiado do acórdão recorrido concordou, pelo exposto na ementa, que são indedutíveis as despesas com comissões e serviços lastreadas em documentação cujo exame pelo Fisco comprovou sua inidoneidade pela utilização de empresas notoriamente incapazes para sua realização, agravada pelo fato de que os pagamentos foram realizados em moeda corrente, na sede da empresa tomadora dos referidos serviços. Da mesma forma, o colegiado entendeu que os pagamentos efetuados a beneficiários não identificados ou entregues a terceiros ou sócios sem comprovação da operação ou a sua causa, sujeitamse tributação exclusivamente na fonte à alíquota de 35%. Preliminarmente, do cotejo entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas n. 10615.617 e n. 10194476 (os dois primeiros julgados indicados como paradigmas), podemos verificar que no acórdão recorrido e conforme alegado pela Fazenda Nacional em suas contrarrazões: "...para efeito de caracterização da infração prevista no art. 61 da Lei nº 8.981/95, o julgamento se firmou em diversos fatores, dentre os quais, citase: i) ausência de prova do efetivo pagamento às empresas constantes das notas fiscais; ii) falta de capacidade e estrutura para a prestação dos serviços pelos beneficiários; iii) não localização das supostas prestadoras nos endereços constantes do cadastro da Receita Federal". Fl. 15640DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 11/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 9101002.367 CSRFT1 Fl. 15.641 17 O colegiado a quo considerou correta a autuação por não ter sido identificado o beneficiário nem comprovada causa dos pagamentos efetuados pelo recorrente, diante da inexistência da prestação de serviços. Concordando com as alegações a PFN, em suas contrarrazões às folhas 15603 e ss. é outro o contexto em que proferido acórdão nº 10615.617, conforme se confere no seguinte trecho dele extraído: "Em relação à classificação das notas fiscais como inconsistentes não consta do presente auto de infração qualquer justificativa para esta constatação, ou, certificação de inidoneidade dos documentos fiscais. Nesse aspecto, cabe ressaltar importante ponto para o deslinde da questão, ou seja, no início a autoridade fiscalizadora, considerou que a operação não restou comprovada, daí originouse os pagamentos sem causa. De outro lado a mesma fiscalização reconheceu que as obras foram efetivamente executadas no terreno destinado ao empreendimento, conforme descrição contida no item 3.2 do Auto de Infração — fls. 1617 1 ou afirmar que: (...) Assim, é de se concluir que os próprios auditores autuantes atestam a existência da execução de obras no local, o que é prova inconteste e incontroversa da existência de prestação de serviços. A respeito da comprovação da operação ou causa no caso em contenda, cabe destacar que a empresa autuada já no decorrer da ação fiscal vinha argumentando sobre a efetividade da realização da prestação dos serviços. (...) A empresa autuada apresentou na fase impugnatória o Laudo Técnico emitido pelo Engenheiro Civil Avelino Pereira Júnior (Doc. 24) elaborado por perito no qual são atestados os serviços prestados. Acrescentase, conforme consta nos relatórios físicofinanceiro (Doc. 24A) que os valores pagos à empresa Servplaza foram aprovados previamente pela Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM), e, aceitos por aquela autarquia (Doc. 29). (...) Desta forma, e, diante da farta documentação trazida aos autos pela empresa autuada, tais como: projetos, plantas, notas fiscais, relatórios, correspondências, contratos, dentre outros, impede a autuação a título de pagamento sem causa, tendo como beneficiário a Servplaza. (...) E, diante da farta documentação trazida aos autos pela empresa autuada, impede a autuação a titulo de pagamento sem causa, tendo como beneficiárias as empresas Prestimus, Scala e Bovis.” Fl. 15641DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 11/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 9101002.367 CSRFT1 Fl. 15.642 18 Como se vê, há que se reconhecer que tem razão a PGFN quando sustenta que neste paradigma a 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes considerou comprovada a efetividade da prestação de serviços relacionados aos pagamentos fiscalizados, diante da farta documentação trazida pelo contribuinte, aliada ao fato de que a própria fiscalização teria reconhecido a execução de obras no local destinado ao empreendimento contratado – daí que este paradigma não se presta a sustentar a divergência recursal. No outro paradigma indicado, acórdão nº 10194476, temos o mesmo problema em relação à questão probatória, no qual se discute a comprovação da prestação de serviços, nos seguintes termos, conforme destaca, outra vez a PFN em suas contrarrazões: "Portanto, reconhece o relator que o cerne dos serviços contratados corresponde a "gestões junto à CESP", ou seja, são serviços imateriais, que não se provam por relatórios, projetos ou estudos. Sua prova, portanto, há de ser feita indiretamente. No caso, foram apresentadas cópias dos contratos, notas fiscais, e documentos correspondentes aos pagamentos, correspondências, etc.. Também está reconhecido, no voto condutor do Acórdão, que os documentos indicam a existência de pagamentos e de contratos entre as empresas. Assim, trouxe a Recorrente todas as provas possíveis. Não se pode exigir a prova impossível. Os fatos escriturados estão apoiados nos únicos documentos hábeis possíveis (contratos, notas fiscais, pagamentos), que não foram contestados. Nesse sentido, a escrituração faz prova em favor do contribuinte, cabendo ao fisco demonstrar sua inveracidade. Quanto à alegação de desnecessidade dos serviços, não consta ela do auto de infração, constituindo inovação da decisão recorrida. Tal fato representa aperfeiçoamento do lançamento que, além de efetuado quando decorridos quase dez anos do fato gerador, não poder ser praticado pelo órgão julgador." Notese que neste caso, a 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes decidiu sobre a glosa de despesas relacionadas com a prestação de serviços imateriais (que não resultam em possível verificação material superveniente), sendo que os documentos apresentados, tais como contratos, notas fiscais, pagamentos e relatórios não foram contestados pela Fiscalização, além do que a decisão tomada como paradigma teria inovado na alegação de desnecessidade dos serviços prestados, que não constaria do Auto de Infração. São outros contextos em relação ao que foi proferido o acórdão recorrido. Ou seja, a falta de similitude fática dos lançamentos torna imprestável o paradigma a ensejar a divergência, Isto posto, voto por não conhecer do recurso especial nesta parte. Matéria 02: Multa de Ofício Qualificada Nesta matéria há, também, que se rever o conhecimento. O Acórdão Recorrido enfrentou três argumentos esposados pela recorrente em seu Recurso Voluntário quanto à imposição da multa de oficio, quais sejam: 1) de que possui natureza confiscatória; 2) de que não houve descrição da sua motivação; e 3) de que sempre teria colaborado com a Fiscalização, entregando todos os documentos solicitados. Quanto ao primeiro item, a recorrente em seu recurso especial, repisa o assunto em dois parágrafos, conforme a seguir (fls. 15436 eproc.): Fl. 15642DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 11/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 9101002.367 CSRFT1 Fl. 15.643 19 "Cumpre observar, inicialmente, para a flagrante inconstitucionalidade da multa aplicada 150% que se revela nitidamente confiscatária (art. 150, IV, CF). Assim, deve ser questionado o efeito patrimonial da imposição da penalidade pecuniária para se revelar a limitação à atividade empreendida pelo princípio do nãoconfisco". Há que se concordar com o Acórdão Recorrido quando afirma que: "A questão da natureza confiscatória da multa de oficio aborda aspecto atinente à constitucionalidade da exação, questão não passível de exame pela autoridade administrativa, mas sim pelo Poder Judiciário, tendo em vista a presunção de constitucionalidade das leis regularmente aprovadas e promulgadas pelo Poder Legislativo. Nesse sentido, a Súmula n° 2 do Conselho de Administração de Recursos Fiscais CARF: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária"". Além disso, dispõe o artigo 67, caput, c/c seu § 2º, do Regimento Interno do CARF, vigente à época da interposição do recurso e da análise de admissibilidade (Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – Anexo II) o seguinte: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. ... § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. Assim, como o Recurso Especial tem por escopo a uniformização de entendimento no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em relação a matéria relacionada à Súmula n° 2 do CARF, acima transcrita, não cabe recurso especial e, portanto, não conheço o recurso especial nesta matéria. A questão 02, da falta de descrição específica da penalidade, esta matéria visa a facilitar o entendimento e a defesa da recorrente, expondo os motivos e as provas para a referida qualificação da multa. Na peça recursal, a ora recorrente volta a questionar esta matéria nos seguintes termos: "É certo que a cominação da multa qualificada, frente do artigo 44, II, da Lei n. 9.430/96 e os arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64, depende de apreciação subjetiva da conduta do sujeito passivo, para a apuração da presença do dolo e da máfé. Mas essa apreciação subjetiva, não significa que não deva ser criteriosa, avaliada com a exatidão exigida pela lei e descrita expressamente em item especifico.(grifei) Fl. 15643DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 11/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 9101002.367 CSRFT1 Fl. 15.644 20 (...) O agravamento da penalidade, de 75% para 150%, é faculdade legal de que dispõe o fisco para punir de forma mais gravosa o contribuinte, quando flagrado em ilícito penaltributário. Todavia, a conduta deve estar devidamente descrita e especificada no Al. Se o v. acórdão atesta que não há sistematizacão para a multa imposta como aplicála de maneira tão severa? (grifos do original) Apresenta como paradigma, na linha da necessidade de fundamentação e sistematização, Acórdão n. 10419.931 da Colenda 4ª Câmara (proc. n. 10166.017971/2002 20) com a seguinte ementa: "SANÇÃO TRIBUTÁRIA MULTA QUALIFICADA JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE CONTA BANCARIA NÃO CONTABILIZADA Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de oficio de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. A falta de registro na contabilidade de valores constantes nos extratos bancários (créditos/débitos) oriundos de conta bancária pertencente à empresa fiscalizada e movimentada por esta, caracteriza falta simples de presunção de omissão de rendimentos e/ou pagamentos a beneficiários não identificados/ pagamentos sem causa, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do inciso ll do art. 992, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n 1.041, de 1994." (grifos do original) Outro paradigma apresentado foi o acórdão nº 10613.859, da colenda 6ª Câmara do 1º CC, sessão de 17/03/04, cuja ementa é a seguinte: "IRRF — PAGAMENTO SEM CAUSA — Comprovada a efetivação dos pagamentos considerados "sem causa", é de se cancelar os lançamentos do imposto de renda retido na fonte correspondente, pertinente ao fato gerador de 28.01.97. MULTA DE OFICIO INFRAÇÃO QUALIFICADA Improcede o qualificação da multa de ofício quando não restar devidamente comprovado nos autos o evidente intuito de fraude, definido nos arts.71,72 e 73 da Lei n°4.502, de 30 de novembro de 1964, hipóteses que justificaria a aplicação da multa qualificada de 150%. Recurso de oficio negado." (grifei) Como podemos ver, em relação aos paradigmas apresentados acima (acórdãos n. 10419.931 e n. 10613.859), há que se concordar com as alegações da PFN em suas contrarrazões, de que foram outras as motivações da fiscalização para aplicação da multa qualificada no recorrido, em relação aos paradigmas, conforme se confere a seguir: Fl. 15644DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 11/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 9101002.367 CSRFT1 Fl. 15.645 21 Acórdão nº 10419.931 “No caso concreto em análise, a multa qualificada baseouse no fato de ter a autoridade lançadora verificado à falta de contabilização dos valores que transitaram nesta conta corrente (créditos/débitos ou depósitos/saídas) fundamentando a aplicação da multa de 150% sob a consideração de que ficou evidenciado o intuito de fraude, na medida em que o contribuinte não declarou a totalidade de seus rendimentos omitindo total ou parcialmente, informação que deva ser produzida a agentes da pessoa jurídica de direito privado interno, com a intenção de eximirse, total ou parcialmente, do pagamento de tributos devidos por lei. (...) Assim, no caso em questão, o fato de o contribuinte não ter contabilizado os valores creditados e debitados em conta de depósito ou de investimentos em instituição financeira, por si só, não caracteriza o evidente intuito de fraude a que se refere o inciso II do art. 44 da Lei n°9.430, de 1996. Para concluir é de se reforçar, mais uma vez, que a simples omissão de rendimentos ou pagamentos a beneficiários não identificados ou pagamento sem causa não dá causa para a qualificação da multa. A infração a dispositivo de lei, mesmo que resulte diminuição de pagamento de tributo, não autoriza presumir intuito de fraude. A inobservância da legislação tributária tem que estar acompanhada de prova que o sujeito empenhouse em induzir a autoridade administrativa em erro, quer por forjar documentos quer por ter feito parte em conluio, para que fique caracterizada a conduta fraudulenta.” Acórdão nº 10613.859 “No presente caso, conforme consta na descrição do Auto de Infração à fl. 14, 18 e 21, a fiscalização aplicou a multa de ofício de 150%, sob o fundamento de que: 'MULTA QUALIFICADA: Em face de todo o exposto e à vista da constatação de serviços de prestação efetiva NÃO COMPROVADA(objeto da nota fiscal inconsistente n. 201, de 10/10/1997); (fl. 14) ... ... n. 183, de 29/12/1998, e 0.001, de 16/04/99; (fl. 18) ...acima discriminadas, (fl.21) PROPOMOS A APLICAÇÃO da multa qualificada de 150% prevista no artigo 44 (inc. II) da Lei n. 9.430, de 27/12/1996.' O intuito do contribuinte de fraudar, sonegar ou simular não pode ser presumido, compete ao fisco exibir os fundamentos concretos que revelem a presença da conduta dolosa, para então lhe atribuir a multa agravada de 150%, entretanto, tal fato não ficou caracterizado nos autos.” Fl. 15645DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 11/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11080.011547/200616 Acórdão n.º 9101002.367 CSRFT1 Fl. 15.646 22 No acórdão nº 10419.931 a qualificação da multa foi aplicada pela fiscalização sob a justificativa de falta de contabilização dos valores que transitaram na conta corrente (créditos/débitos ou depósitos/saídas) do contribuinte. Já no acórdão nº 10613.859 a multa qualificada imposta pela fiscalização se fundamentou simplesmente na falta de comprovação da prestação de serviços. No que tange ao argumento de que sempre teria colaborado com a Fiscalização, entregando todos os documentos solicitados, não foram trazidos paradigmas específicos a ponto de constituir matéria autônoma, sendo alegação a ser analisada no mérito. Assim, à míngua de comprovação da divergência, não conheço do recurso também nesta parte referente à qualificação da multa. Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso curso especial de divergência do contribuinte em ambas as matérias, mantendo a decisão adotada pelo acórdão recorrido tanto para efeito de incidência do artigo 61 e seu § 1º da Lei 8.981/1995 quanto pela manutenção da qualificação da multa. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 15646DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 11/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 19515.722492/2013-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Caracteriza-se omissão de receita os valores creditados em contas bancários cuja origem não seja comprovada. Os valores com origem em contas da própria pessoa jurídica devem ser excluídos da tributação.
RESPONSÁVEL SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. RECURSO NÃO CONHECIDO.
Considerando que a responsável solidária, apesar de regularmente cientificada por edital eletrônico, deixou de apresentar impugnação aos autos de infração, seu direito de insurgir-se contra a exigência está precluso e o recurso não será conhecido.
ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. PESSOA JURÍDICA EXTINTA. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO ADMINISTRADOR.
No caso de pessoa jurídica extinta por distrato social registrado na Junta Comercial, por lhe faltar personalidade jurídica, correta a atribuição de sujeição passiva ao sócio administrador responsável pela guarda da documentação, nos termos dos arts. 121, II, e 135, III do CTN..
SIGILO BANCÁRIO. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA PELO FISCO. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. LICITUDE.
A recusa injustificada para apresentação de extratos bancários caracteriza-se embaraço à fiscalização, hipótese legal de indispensabilidade do exame das informações bancárias prevista no art. 3º, inciso VII do Decreto nº 3.724/2001, ensejando a emissão da Requisição de Movimentação Financeira.
MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. PROCEDÊNCIA
A prática reiterada, durante todo o ano-calendário de 2008, de omitir valores relevantes de receitas auferidas, apuradas conforme movimentações financeiras em contas bancárias mantidas à margem da escrituração contábil, caracteriza a conduta dolosa e justifica a imputação da multa qualificada.
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
A contagem do prazo decadencial desloca-se para a regra estabelecida pelo art. 173, inciso I, do CTN, nos casos de conduta dolosa, conforme a Súmula CARF nº 72.
MULTA AGRAVADA. IMPROCEDÊNCIA.
O agravamento previsto no § 2º, do art. 44, da Lei nº 9.430/96 somente deve ser aplicado nos casos em que o contribuinte efetivamente deixar de atender às intimações da fiscalização. Nos casos em que a resposta é incompleta ou insatisfatória improcede o agravamento.
TRIBUTAÇÃO DECORRENTE
Aplica-se à CSLL, COFINS e PIS a solução dada ao litígio principal, IRPJ, em razão de todos lançamentos estarem apoiados nos mesmos elementos de prova.
ARROLAMENTO DE BENS. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA ANÁLISE
Em virtude da inexistência de previsão legal específica para defesa do sujeito passivo quanto ao arrolamento de bens, aplica-se a regra geral do recurso administrativo estabelecida pelos arts. 56 a 65 da Lei nº 9.784/99.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 28
O CARF não tem competência para se pronunciar sobre controvérsias relativas a processos de representação fiscal para fins penais, nos termos da Súmula CARF nº 28.
Numero da decisão: 1301-002.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, (i) por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício; (ii) por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto pela Sra. Neusa Marly Puglieri; (iii) por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário interposto pelo Sr. Victor Manuel Pacheco Arenas para excluir da base tributável créditos nos valores de R$ 73.143,00, R$ 369.230,00 e R$ 114.757,00, nos termos do voto da Relatora; vencidos os Conselheiros Roberto Silva Júnior e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro que davam provimento em maior extensão para também afastar a qualificação da multa e reconhecer parcialmente a decadência.
(Assinado Digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(Assinado Digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: MILENE DE ARAUJO MACEDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza-se omissão de receita os valores creditados em contas bancários cuja origem não seja comprovada. Os valores com origem em contas da própria pessoa jurídica devem ser excluídos da tributação. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. RECURSO NÃO CONHECIDO. Considerando que a responsável solidária, apesar de regularmente cientificada por edital eletrônico, deixou de apresentar impugnação aos autos de infração, seu direito de insurgir-se contra a exigência está precluso e o recurso não será conhecido. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. PESSOA JURÍDICA EXTINTA. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO ADMINISTRADOR. No caso de pessoa jurídica extinta por distrato social registrado na Junta Comercial, por lhe faltar personalidade jurídica, correta a atribuição de sujeição passiva ao sócio administrador responsável pela guarda da documentação, nos termos dos arts. 121, II, e 135, III do CTN.. SIGILO BANCÁRIO. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA PELO FISCO. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. LICITUDE. A recusa injustificada para apresentação de extratos bancários caracteriza-se embaraço à fiscalização, hipótese legal de indispensabilidade do exame das informações bancárias prevista no art. 3º, inciso VII do Decreto nº 3.724/2001, ensejando a emissão da Requisição de Movimentação Financeira. MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. PROCEDÊNCIA A prática reiterada, durante todo o ano-calendário de 2008, de omitir valores relevantes de receitas auferidas, apuradas conforme movimentações financeiras em contas bancárias mantidas à margem da escrituração contábil, caracteriza a conduta dolosa e justifica a imputação da multa qualificada. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. A contagem do prazo decadencial desloca-se para a regra estabelecida pelo art. 173, inciso I, do CTN, nos casos de conduta dolosa, conforme a Súmula CARF nº 72. MULTA AGRAVADA. IMPROCEDÊNCIA. O agravamento previsto no § 2º, do art. 44, da Lei nº 9.430/96 somente deve ser aplicado nos casos em que o contribuinte efetivamente deixar de atender às intimações da fiscalização. Nos casos em que a resposta é incompleta ou insatisfatória improcede o agravamento. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE Aplica-se à CSLL, COFINS e PIS a solução dada ao litígio principal, IRPJ, em razão de todos lançamentos estarem apoiados nos mesmos elementos de prova. ARROLAMENTO DE BENS. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA ANÁLISE Em virtude da inexistência de previsão legal específica para defesa do sujeito passivo quanto ao arrolamento de bens, aplica-se a regra geral do recurso administrativo estabelecida pelos arts. 56 a 65 da Lei nº 9.784/99. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 28 O CARF não tem competência para se pronunciar sobre controvérsias relativas a processos de representação fiscal para fins penais, nos termos da Súmula CARF nº 28.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (i) por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício; (ii) por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto pela Sra. Neusa Marly Puglieri; (iii) por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário interposto pelo Sr. Victor Manuel Pacheco Arenas para excluir da base tributável créditos nos valores de R$ 73.143,00, R$ 369.230,00 e R$ 114.757,00, nos termos do voto da Relatora; vencidos os Conselheiros Roberto Silva Júnior e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro que davam provimento em maior extensão para também afastar a qualificação da multa e reconhecer parcialmente a decadência. (Assinado Digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente (Assinado Digitalmente) Milene de Araújo Macedo - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior e Waldir Veiga Rocha.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2034; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 3.397 1 3.396 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.722492/201349 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1301002.145 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de outubro de 2016 Matéria IRPJ Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada Recorrentes VICTOR MANUEL PACHECO ARENAS FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizase omissão de receita os valores creditados em contas bancários cuja origem não seja comprovada. Os valores com origem em contas da própria pessoa jurídica devem ser excluídos da tributação. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. RECURSO NÃO CONHECIDO. Considerando que a responsável solidária, apesar de regularmente cientificada por edital eletrônico, deixou de apresentar impugnação aos autos de infração, seu direito de insurgirse contra a exigência está precluso e o recurso não será conhecido. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. PESSOA JURÍDICA EXTINTA. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO ADMINISTRADOR. No caso de pessoa jurídica extinta por distrato social registrado na Junta Comercial, por lhe faltar personalidade jurídica, correta a atribuição de sujeição passiva ao sócio administrador responsável pela guarda da documentação, nos termos dos arts. 121, II, e 135, III do CTN.. SIGILO BANCÁRIO. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA PELO FISCO. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. LICITUDE. A recusa injustificada para apresentação de extratos bancários caracterizase embaraço à fiscalização, hipótese legal de indispensabilidade do exame das informações bancárias prevista no art. 3º, inciso VII do Decreto nº 3.724/2001, ensejando a emissão da Requisição de Movimentação Financeira. MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. PROCEDÊNCIA AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 24 92 /2 01 3- 49 Fl. 3397DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 1301002.145 S1C3T1 Fl. 3.398 2 A prática reiterada, durante todo o anocalendário de 2008, de omitir valores relevantes de receitas auferidas, apuradas conforme movimentações financeiras em contas bancárias mantidas à margem da escrituração contábil, caracteriza a conduta dolosa e justifica a imputação da multa qualificada. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. A contagem do prazo decadencial deslocase para a regra estabelecida pelo art. 173, inciso I, do CTN, nos casos de conduta dolosa, conforme a Súmula CARF nº 72. MULTA AGRAVADA. IMPROCEDÊNCIA. O agravamento previsto no § 2º, do art. 44, da Lei nº 9.430/96 somente deve ser aplicado nos casos em que o contribuinte efetivamente deixar de atender às intimações da fiscalização. Nos casos em que a resposta é incompleta ou insatisfatória improcede o agravamento. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE Aplicase à CSLL, COFINS e PIS a solução dada ao litígio principal, IRPJ, em razão de todos lançamentos estarem apoiados nos mesmos elementos de prova. ARROLAMENTO DE BENS. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA ANÁLISE Em virtude da inexistência de previsão legal específica para defesa do sujeito passivo quanto ao arrolamento de bens, aplicase a regra geral do recurso administrativo estabelecida pelos arts. 56 a 65 da Lei nº 9.784/99. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 28 O CARF não tem competência para se pronunciar sobre controvérsias relativas a processos de representação fiscal para fins penais, nos termos da Súmula CARF nº 28. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (i) por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício; (ii) por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto pela Sra. Neusa Marly Puglieri; (iii) por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário interposto pelo Sr. Victor Manuel Pacheco Arenas para excluir da base tributável créditos nos valores de R$ 73.143,00, R$ 369.230,00 e R$ 114.757,00, nos termos do voto da Relatora; vencidos os Conselheiros Roberto Silva Júnior e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro que davam provimento em maior extensão para também afastar a qualificação da multa e reconhecer parcialmente a decadência. (Assinado Digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (Assinado Digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora Fl. 3398DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 1301002.145 S1C3T1 Fl. 3.399 3 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior e Waldir Veiga Rocha. Relatório Tratase o presente processo de autos de infração para cobrança de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS (fls. 3.113 a 3.161), relativos ao anocalendário de 2008, que deixaram de ser recolhidos pela pessoa jurídica Informat Technology Eletrônica Ltda CNPJ: 05.800.195/000178, em razão do arbitramento do lucro conforme receita bruta apurada com base em depósitos bancários de origem não comprovada e com aplicação da multa de ofício no percentual de 225%. Considerando que, em julho/2010, foi registrada a baixa da pessoa jurídica na Junta Comercial do Estado de São Paulo Jucesp (fls. 50 a 52), a fiscalização efetuou a lavratura dos autos de infração em nome do sócioadministrador responsável pela guarda da documentação, o Sr. Victor Manuel Pacheco Arenas CPF: 114.051.31845. Por bem descrever o ocorrido, valhome do Relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo, que assim resumiu os fatos constantes do Termo de Verificação Fiscal (fls. 3.096 a 3.112), anexo aos autos de infração: " A empresa fiscalizada apresentou Declaração do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica DIPJ, referente ao anocalendário de 2008, na forma de tributação sobre o Lucro Real, declarando receita com revenda de mercadorias e prestação de serviços no valor total anual de R$ 38.434.607,29. Apresentou DCTF contendo valores devidos a título de IRPJ e CSLL no segundo e terceiro trimestre de 2008. Na DIPJ do referido anocalendário foram declarados valores devidos a título de IRPJ e CSLL em todos os trimestres fiscais. Os valores declarados em DIPJ desses dois períodos estão compatíveis com os declarados nas respectivas DCTF(s) do segundo e terceiro trimestre. Todos os valores declarados pela contribuinte em DCTF ou em DIPJ a título de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins foram recolhidos, conforme consta do sistema informatizado da RFB. No referido ano calendário, divergência entre os valores da receita bruta informada em DIPJ e as informações contidas na Declaração de Informações sobre a Movimentação Financeira DIMOF. Foi identificada "movimentação financeira líquida creditada em suas contas bancárias no valor total anual de R$ 91.732.892,65 o que demonstrou a falta de registro de valores, no mínimo na ordem de R$ 53.000.000,00. Por essa razão, a contribuinte foi intimada a apresentar documentos para análise e comprovação. O Termo de Início de Fiscalização lavrado em 09/05/2012, foi encaminhado pelo correio com Aviso de Recebimento para o endereço do sócio administrador responsável pela empresa, conforme consta no cadastro da Fl. 3399DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 1301002.145 S1C3T1 Fl. 3.400 4 JUCESP. A ciência de tal Termo também ocorreu por meio do Edital n° 100/2012, afixado em 13/06/2012 e retirado em 03/07/2012, em área franqueada ao público dessa Delegacia da Receita Federal do Brasil. Intimada, foram apresentados mediante protocolo, digitalizado e anexado a esse processo, o Contrato Social com suas alterações, o Distrato Social, uma Procuração, seus Livros de Entrada e Saída, de Apuração de ICMS e IPI, o Livro Diário n° 05 e o Razão n° 05, relativos ao ano calendário de 2008. Foi apresentado um CD com arquivos digitais de sua contabilidade, com o respectivo formulário de autenticação pelo sistema SVA, recebidos sem conferência, para verificação posterior. Não foi possível utilizar tais arquivos pois apresentaram erros quando da tentativa de leitura pelo sistema de Auditoria Fiscal. Conforme solicitado no Termo de Início o contribuinte apresentou o extrato bancário de sua conta no Banco ITAÚ S/A, impresso em papel, e um protocolo de solicitação do extrato de sua conta no Banco BRADESCO S/A, ambos digitalizados e anexados a esse processo. Após o exame da documentação inicialmente apresentada pela empresa, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal n° 01, cuja ciência ocorreu por meio do EDITAL n° 103/2012. Da mesma forma que antes, encaminhamos pelo correio com Aviso de Recebimento esse Termo de Intimação para o endereço cadastral do sócio administrador da empresa, responsável pela guarda de sua documentação. Nesse Termo de Intimação Fiscal n° 01, foi esclarecido que após exame, foi verificado que os arquivos digitais apresentados não estavam no formato correto e não puderam ser lidos pelo sistema de Auditoria, solicitando os mesmos novamente e, ainda. esclarecendo quais os formatos deveriam ser adotados. Nesse mesmo Termo foram solicitados outros documentos necessários à verificação da contabilidade e apuração do LUCRO REAL, inclusive uma amostragem de suas Notas Fiscais, juntamente com o arquivo digital de Notas Fiscais de todo o ano calendário de 2008. Também foi solicitada a apresentação de extratos bancários que ainda não haviam sido entregues, do Bradesco S/A e Unibanco S/A, onde ocorreram movimentações financeiras da empresa conforme informação contida na DIMOF. Em atenção à intimação foi apresentada resposta digitalizada, em que é esclarecido, resumidamente, que não fora possível apresentar novos arquivos magnéticos de sua contabilidade, nem seu arquivo digital de notas fiscais ou suas notas fiscais, nem qualquer outro documento ou planilha solicitada no termo de intimação, esclarecendo que todos os documentos da empresa estavam armazenados em determinado endereço, objeto de invasão e destruídos por motivo fortuito e que os extratos bancários já haviam sido entregues impressos. Foi lavrado o Termo de intimação n° 2, por meio do Edital n° 131/2012 e encaminhado ao sócio administrador, com ciência em 25/07/2012, conforme "AR". Nesse termo, ficou claro para a empresa que somente havia sido entregue, Fl. 3400DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 1301002.145 S1C3T1 Fl. 3.401 5 anteriormente, um extrato impresso relativo ao Banco Itaú S/A. Foram novamente solicitados os extratos de todas as suas contas bancárias movimentadas no ano calendário de 2008 nos bancos Bradesco S/A e Unibanco S/A., além de outros documentos. Em atenção a essa intimação, a empresa apresentou justificatva semelhante a anterior, digitalizada e anexa a este processo, e apenas o extrato impresso do Banco Bradesco S/A, não se manifestando sobre os extratos do Unibanco S/A. Tendo em vista a recusa injustificada na exibição dos elementos solicitados, considerouse configurado o embaraço à fiscalização, nos termos do disposto no inciso I, do art. 33 da Lei n° 9.430, de 1996 e, inciso VII do art. 3° do Decreto n° 3.724, de 2001. Conseqüentemente, foram solicitados os extratos bancários de toda a movimentação financeira da contribuinte mediante Requisição de Movimentação Financeira RMF. Além dos extratos e outros documentos das contas bancárias movimentadas no Banco Unibanco, foram solicitadas informações no Banco Itaú S/A e Banco Bradesco, consideradas indispensáveis para o cotejo com as informações impressas fornecidas pela fiscalizada. Examinando os extratos bancários do contribuinte foram eliminados quaisquer lançamentos a crédito que não pudessem ser configurados claramente como sendo receita da empresa, tais como: empréstimos, mútuos e operações de crédito, transferência de saldo devedor, estorno, devolução de cheques, devolução de TEDs / DOCs, cobranças de taxas, estornos de taxas e outras, conforme citadas nas planilhas de cada banco elaboradas pela fiscalização e denominadas de ANEXO I, parte integrante do Auto de Infração. Foram também afastadas as transferências entre as contas de mesma titularidade que puderam ser confirmadas pelo confronto efetuado entre os extratos de contas apresentados. Considerouse apenas a primeira entrada do recurso nas contas como sendo receita da empresa e foram excluídas as demais transferências realizadas entre as contas, conforme pode ser verificado nas planilhas do ANEXO I. Sendo assim, considerando as informações anteriores e as contidas nas planilhas do ANEXO I, foi elaborada planilha digital totalizadora denominada de ANEXO II, parte integrante do Termo de Verificação Fiscal lavrado, em que foram totalizados todos os créditos recebidos pela empresa em todos os bancos, mensalmente, para o ano de 2008, considerando essa movimentação como sendo o Faturamento da empresa em cada mês. Foi lavrado o Termo de Intimação n° 3, intimando a empresa a comprovar a origem dos recursos depositados nos citados bancos, conforme planilha do ANEXO I, totalizadas no ANEXO II. Em resposta a essa intimação, a empresa fala genericamente sobre empréstimos concedidos e transferências entre contas da empresa. Portanto, tais valores foram considerados omissão de receita, consoante o que dispõe o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 3401DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 1301002.145 S1C3T1 Fl. 3.402 6 Tendo em vista a falta de documentação contábil suficiente para a apuração do Lucro Real, ainda, imprestável em virtude dos erros e falhas, pois a Receita Bruta anual contabilizada e declarada na DIPJ do ano calendário de 2008, foi R$ 38.642.496,32 e a Receita Bruta apurada com base na movimentação financeira da empresa para o mesmo ano de 2008 de RS 91.732.892,65 (depósitos bancários de origem não comprovada), ainda, que a empresa deixou de contabilizar contas bancárias do Banco Unibanco S/A, conforme amplamente explicitado no TVF, com base no art. 530 II, do Decreto n° 3.000, de 1999 (RIR de 1999), o Fisco arbitrou o lucro a ser tributado. Os valores do IRPJ e CSLL declarados pela contribuinte em DIPJ e DCTF devidamente recolhidos, foram integralmente abatidos dos valores devidos apurados na ação fiscal, conforme anexos dos autos de infração lavrados. Foi aplicada multa de ofício com base no art. 44, I e §§ 1° e 2° com a redação dada pelo art. 14 da lei n° 11.488, de 2007, considerando a ocorrência de hipótese prevista nos arts 71, 72 e 73 da lei n° 4.502, de 1964 e ocorrência de embaraço à fiscalização. Foram lavrados os autos de infração de fls. 3113/3162 que exigiram crédito tributário no montante de R$ 18.904.672,41, conforme abaixo discriminado: Tributo Valor do Tributo Juros de Mora (calculo valido até novembro de 2013) Multa de ofício (225%) Subtotal IRPJ 1.778.174,84 870.209,56 4.000.893,40 6.649.277,80 CSLL 838.285,99 410.392,23 1.886.143,49 3.164.821,71 COFINS 1.999.546,25 1.003.533,16 4.498.979,08 7.502.058,49 PIS 431.386,26 216.509,05 970.619,10 1.618.514,41 Os Autos de Infração foram lavrados em nome do seu sócio administrador responsável pela guarda de sua documentação, Sr. VICTOR MANOEL PACHECO ARENAS, em razão de a empresa se encontrar baixada na Junta Comercial do Estado de são Paulo Jucesp, desde julho de 2010 e ainda constar como "Suspensa" no cadastro da RFB (CNPJ) em razão de "Baixa Indeferida". Foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária em nome do Procurador da empresa, dos sócios e de terceiros beneficiários dos recursos, sendo estes últimos pessoas beneficiárias de recursos e empresas integrantes do mesmo grupo econômico, em razão de possuírem os mesmos sócios do contribuinte fiscalizado ou seu procurador junto com familiares desses sócios, ou somente estes familiares, e funcionarem no mesmo o endereço, atuarem na mesma atividade ou em atividade complementar, e ainda, terem sido identificadas transferências de recursos entre a empresa fiscalizada e algumas dessas pessoas, conforme detalhadamente relatado nos citados termos, todos digitalizados e anexados ao processo. (vide fls. 2980/3051)." Fl. 3402DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 1301002.145 S1C3T1 Fl. 3.403 7 Os responsáveis solidários e o sujeito passivo foram cientificados do autos de infração, entretanto, apenas o Sr. Victor Manuel Pacheco Arenas apresentou impugnação, tempestivamente, em 30/12/2013, alegando em suma: erro na identificação do sujeito passivo, inocorrência de embaraço à fiscalização, quebra ilegal de sigilo bancário, decadência, inclusão indevida de créditos na base de cálculo e aplicação indevida das multas agravada e qualificada. Ao final, requereu o cancelamento dos autos de infração, o arquivamento definitivo do processo administrativo fiscal, do arrolamento de bens e da representação fiscal para fins penais. Solicitou ainda a ciência da data do julgamento, bem como a possibilidade de participação no julgamento com a entrega de memoriais e sustentação oral da impugnação. Em julgamento realizado em 22/05/2014, a 3ª Turma da DRJ/RPO prolatou o acórdão 1450.388, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Os depósitos em contacorrente da empresa, cujas operações que lhes deram origem não foram comprovadas, presumemse advindos de receitas omitidas, obtidas à margem da escrituração. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à tributação decorrente idêntica solução dada ao lançamento principal relativo à omissão de receita, em face da estreita relação de causa e efeito. SUSTENTAÇÃO ORAL DE REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. Indeferese, por falta de previsão legal, o pedido para sustentação oral por parte de representante da contribuinte no âmbito da 1a instância do contencioso administrativo fiscal. SIGILO BANCÁRIO. A obtenção de informações pelo fisco junto a instituições bancárias não constitui quebra de sigilo, nem meio ilícito de obtenção de provas, porquanto é um procedimento fiscal amparado legalmente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. PESSOA JURÍDICA EXTINTA. É inadmissível a lavratura de auto de infração em nome de pessoa jurídica extinta, devendo ser cientificado do auto de infração o sócio administrador Fl. 3403DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 1301002.145 S1C3T1 Fl. 3.404 8 responsável pela guarda dos livros obrigatórios da escrituração comercial e fiscal da empresa dissolvida. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, nos casos de fraude, extinguese depois de decorrido o prazo de cinco anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA QUALIFICADA. Presentes nos autos fatos que caracterizam o intuito de fraudar o Fisco, aplicase multa qualificada. MULTA AGRAVADA. A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica o agravamento da multa de oficio quando essa omissão não trouxe prejuízo para a quantificação da matéria tributável e motivou o arbitramento dos lucros. O julgamento considerou a impugnação apresentada parcialmente procedente e reduziu o percentual da multa aplicada de 225% para 150%. Considerando que essa redução de multa exonerou o sujeito passivo de crédito tributário superior ao limite de alçada estabelecido pela Portaria MF nº 3/2008, foi interposto recurso de ofício. O sujeito passivo e os responsáveis solidários foram cientificados da decisão de primeira instância. O sujeito passivo, cientificado em 27/06/2014 (fls. 3.302), apresentou recurso voluntário m 18/07/2014 (fls. 3.310 a 3.337), e a responsável solidária, Sra. Neusa Marly Plugieri CPF: 084.991.68876, cientificada em 31/07/2014 (fls. 3.338), apresentou recurso voluntário em 21/08/2014. Em seu recurso voluntário, o sujeito passivo Victor Manuel Pacheco Arenas fez, em suma, as seguintes alegações: A Erro na Identificação do Sujeito Passivo Os autos de infração decorrentes da ação fiscal na empresa Informat Technology Eletrônica Ltda foram lavrados em nome do sócioadministrador responsável pela guarda dos documentos em razão da empresa estar baixada na Jucesp desde julho/2010 e ainda constar como Suspensa no cadastro CNPJ, motivada por baixa indeferida. Entretanto, como a empresa ainda está inscrita no CNPJ, a eleição do responsável pela guarda da documentação como sujeito passivo não pode estar fundamentada unicamente em ato da autoridade administrativa, no caso, Mandado de Procedimento Fiscal Regional, ou pela condição de suspensa no cadastro CNPJ. Defende que o sujeito passivo da obrigação tributária principal é o contribuinte definido no art. 121 do CTN, e eventual responsabilidade sem que revista essa condição, somente decorreria de disposição expressa de lei, nos termos do inciso II, parágrafo único, art. 121 do CTN. Afirma que o sócio pessoa física e os terceiros responsáveis não se confundem com o sujeito passivo da obrigação principal, no caso a empresa Informat Technology Eletrônica Ltda. A imputação de responsabilidade aos sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas está regulamentada no art. 134 do CTN, o qual a limita e a condiciona aos atos que eles intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis. Inexiste em todo o procedimento fiscal quaisquer Fl. 3404DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 1301002.145 S1C3T1 Fl. 3.405 9 provas de irregularidades resultantes de omissões ou intervenções praticadas pelo sócio, nem mesmo a exigência fiscal objeto do processo, por estar fundamentada em presunção legal. Repisa que o sujeito passivo é a empresa Informat Technology Eletrônica Ltda, sociedade constituída por quotas de responsabilidade limitada e, de acordo com o art. 1.502 do Código Civil, a responsabilidade de cada sócio se restringiria ao valor de suas quotas. B Sujeição Passiva no Processo Aduz que o auto de infração não trouxe qualquer outra infração além da presunção de omissão de receitas, bem assim, não existe prova de quaisquer outras infrações fiscais, legais ou excesso de poderes ao contrato social ou estatuto, conforme afirma o Auditor Fiscal. Os tributos foram exigidos com base em presunção legal e com aplicação de multa qualificada, sem provas da ocorrência do evidente intuito de fraude (art. 957, inciso II, RIR/99). Alega que a fiscalização procura apontar como infração à lei, além do próprio auto, diversos efeitos decorrentes de um mesmo fato: comparação dos créditos bancários com os dados da DIPJ e com os registros contábeis efetuados na escrituração, esta desclassificada quando da aplicação do lucro arbitrado. A apresentação desses efeitos objetivava a caracterização da ocorrência de crime fiscal, assim como a responsabilização de terceiros prevista no art. 135 do CTN. Reporta que o AuditorFiscal indicou como responsáveis solidários as pessoas físicas e jurídicas que realizaram operações com a empresa fiscalizada buscando o suposto fundamento legal no art, 124 do CTN. Todavia, as operações reportadas pelo AuditorFiscal são normais, usuais, estão registradas na escrita contábil e devidamente informadas na DIPJ, referemse à compra e venda de mercadorias e operações de mútuo, fatos comprovados pelas DIPJ das empresas e DIRPF das pessoas físicas. Com base no art. 37 da lei n° 9.784/99 solicita que sejam confirmadas essas informações, fatos que foram provavelmente constatados e omitidos pelo AuditorFiscal. Contesta o acórdão recorrido que não acolheu a impugnação da sujeição passiva por falta de representação dos interessados. Porém, o recorrente, o maior dos interessados também foi incluído no polo passivo da obrigação tributária como responsável solidário, visto que não poderia sêlo como sujeito passivo. Afirma que a sujeição passiva solidária apresenta erro de fato e de direito,visto que as hipóteses previstas no CTN em seus art. 124, inciso I e art. 135, inciso III, não ocorreram e foram trazidas ao processo por mera suposição do auditor sem comprovação. Relativamente à responsabilidade dos sócios das sociedades limitadas e a solidariedade entre as partes, alega que o Código Civil em seu art. 1.052, restringe a responsabilidade dos sócios nas sociedades limitadas ao valor de suas quotas e no art. 265, dispõe que a solidariedade não se presume. Por fim, afirma que a banalização e generalização da aplicação da sujeição passiva sem provas caracteriza erro notório passível de retificação de ofício pela autoridade que dele tomar conhecimento. C Embaraço à Fiscalização Fl. 3405DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 1301002.145 S1C3T1 Fl. 3.406 10 O recorrente relacionou toda documentação entregue à fiscalização em atendimento ao Termo de Início de Fiscalização e justificou a impossibilidade de apresentação de parte da documentação informando que as notas fiscais de entrada e saída, assim como o Livro de Registro de Inventário encontravamse guardados em prédio de propriedade das filhas do proprietário na Cracolândia, o qual havia sido invadido por usuários de drogas que destruíram todos documentos que lá estavam. Assevera que os procedimentos da empresa afastam a possibilidade de embaraço da ação fiscal como previsto no art. 919 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 e que a falta de apresentação da totalidade dos extratos bancários, especificamente os do Unibanco, poderia até dificultar a continuidade da ação fiscal mas por si só não caracterizariam embaraço como entendeu o AuditorFiscal. Conclui que a emissão de termo de embaraço sem base fática e suporte legal maculou o pretenso fundamento utilizado para a quebra administrativa do sigilo bancário, assim como para o agravamento da multa de ofício. Apesar da decisão recorrida não ter apreciado as razões e a base legal que fundamentaram a quebra administrativa do sigilo bancário, reconheceu o excesso praticado pelo autor do feito ao determinar a redução da multa de ofício de 225% para 150% por não ter ocorrido o embaraço à ação fiscal. D Quebra Ilegal do Sigilo Bancário Sustenta que a quebra de sigilo bancário pela administração fiscal somente pode ocorrer nos casos em que o acesso a tais dados for, comprovadamente, indispensável à execução da ação fiscal. Relata ter ocorrido manipulação do Fisco para aplicação da quebra de sigilo bancário administrativamente, via emissão de Requisição de Movimentação Financeira RMF, sem que o pedido fosse analisado pelo poder judiciário. Para a fiscalização, a falta de apresentação dos extratos bancários do Banco Unibanco S.A. ensejou a emissão do Termo de Embaraço, que por sua vez fundamentou a quebra de sigilo bancário. O recorrente alega que o Termo de Embaraço deveria ser lavrado apenas quando os exames fossem considerados indispensáveis e, no caso, foi lavrado face às dificuldades na continuidade da ação fiscal. Afirma que a inocorrência de razões que tentaram fundamentar a quebra de sigilo implica em obtenção ilegal dos dados financeiros do Banco Unibanco S.A, e portanto, tais dados não poderiam ser admitidos no processo administrativo, nos termos do art. 30 da Lei nº 9.784/99 e art. 5º, inciso LVI da Constituição Federal. Protesta contra a decisão administrativa de primeira instância que concluiu que a obtenção de informações pelo Fisco junto às instituições financeiras não constitui quebra de sigilo, nem meio ilícito de obtenção de provas, por se tratar de procedimento fiscal legalmente amparado. Defende que a transferência de sigilo bancário para a Secretaria da Receita Federal depende do cumprimento das exigências legais, notadamente, a condição de que os exames sejam considerados indispensáveis, conforme § 5º, do art. 2º, do Decreto nº 3.724/2001. No caso, o AuditorFiscal tentou justificar a requisição pelo embaraço à fiscalização, nos termos do art. 33, inciso I, da Lei nº 9.430/96. Reafirmou que a falta de apresentação dos extratos bancários do Unibanco, por si só não justificaria a manutenção do embaraço pretendido pelo AuditorFiscal visto Fl. 3406DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 1301002.145 S1C3T1 Fl. 3.407 11 que a ausência de livros e outros documentos não teria prejudicado o Fisco para a quantificação da matéria tributável, como também teria entendido a Delegacia de Julgamento. E Decadência O recorrente alega que os créditos tributários referentes aos fatos geradores ocorridos no período de 31/01/2008 a 30/11/2008 encontramse atingidos pela decadência, pois tanto o Imposto sobre a Renda para Pessoa Jurídica como a Contribuição Social para o Lucro Líquido, são tributos apurados em bases correntes, com fatos geradores mensais ou trimestrais e, portanto, sujeitos ao lançamento por homologação de acordo com os arts. 899, 218, 220 e 856 do RIR/99. Relativamente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e à Contribuição para o PIS afirma que o prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no art. 150 do CTN foi confirmado pela decisão do STF em sessão plenária de 12/06/2008, objeto da Súmula Vinculante nº 8. Sustenta que os créditos tributários do processo estão decaídos por força do art. 150 do CTN, não cabendo a aplicação da regra geral prevista no art. 173, inciso I. Afirma que a aplicação da multa de ofício qualificada em lançamento fundamentado em presunção legal, sem provas da ocorrência do evidente intuito de fraude, é improcedente, descabida e não exclui a aplicação do prazo decadencial previsto no §º 4º do art 150 do CTN. A qualificação da multa de ofício foi realizada sem provas e o procedimento fiscal não atende o que determina o art. 112 do CTN. Ao final conclui que, à exceção dos tributos com fatos geradores em dezembro/2008, os lançamentos já se encontravam tacitamente homologados. F Base de Cálculo Inclusão Indevida de Créditos O recorrente alega que todos os créditos realizados nas contas bancárias da empresa e relacionados no Termo de Verificação Fiscal de 26/04/2013 foram integralmente considerados na base de cálculo, contrariando a afirmação do AuditorFiscal de que foram eliminados quaisquer lançamentos a crédito que não pudessem ser configurados claramente como sendo receita da empresa e as transferências entre contas de mesma titularidade. A título de exemplo relacionou créditos recebidos por transferência de contas da própria empresa e por operações de crédito factoring, conforme histórico do lançamento registrado no extrato bancário: Banco Unibanco Data Comp Valor Histórico 29/01/2008 39448 73.143,00 Ted recebida Itau Informat Techn Elétron 29/01/2008 39418 369.230,00 Ted recebida Itau Informat Techn Elétron 27/05/2008 39569 230.000,00 Transf 0087/2229034 Informat Technology 15/072008 39630 266.980,00 Ted Recebida Bradesco RDC FOCCAR FACTORI 29/07/2008 39630 189.430,57 Ted Recebida Bradesco RDC FOCCAR FACTORI 21/10/2008 39722 378.480,44 Ted Recebida Bradesco RDC FOCCAR FACTORI 24/11/2008 39753 265.539,70 Ted Recebida Bradesco RDC FOCCAR FACTORI Fl. 3407DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 1301002.145 S1C3T1 Fl. 3.408 12 Banco Bradesco Data Comp Valor Histórico 09/05/2008 39569 114.757,00 Ted Transf. Eletr. Disp * recebida Itau Informat Techn Eletron G Multa Qualificada O recorrente afirma que a tributação decorreu de presunção legal e não de prova direta, o que exclui liminarmente a qualificação da multa de ofício prevista para os casos de evidente intuito de fraude definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Cita a Súmula CARF nº 14 que assim dispõe: "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo". Transcreve em seguida diversos acórdãos deste Colegiado a respeito da qualificação da multa. Insurgese contra o acórdão recorrido que concluiu pela manutenção da multa qualificada de 150% por entender que houve a constatação de omissão de receitas e que a movimentação financeira líquida demonstra a falta de registro de valores relativos a receitas omitidas, do montante de aproximadamente R$ 53.000.000,00. Afirma que não houve constatação de omissão de receitas, menos ainda a demonstração da falta de registro de valores relativos a receitas omitidas, pois o objeto da tributação decorreu de presunção legal. Questiona os procedimentos da fiscalização pelo fato de não terem sido realizadas diligências nem a investigação sobre uma possível omissão de receita ou uma suposta fraude. Decidiuse pela desclassificação da escrita contábil e o arbitramento do lucro com base nos créditos bancários de R$ 91.732.892,65, por presunção legal, sem quaisquer provas diretas de omissão de receitas. Alegou ainda que a decisão recorrida entendeu como ocorridas a constatação de omissão de receitas e a demonstração da falta de registro, baseandose apenas nos indícios que resultaram da simples comparação entre os créditos bancários e a DIPJ, sem maiores aprofundamentos e diligências fiscais e provas diretas. Ao final, requereu o arquivamento definitivo do processo administrativo fiscal, do arrolamento de bens e do processo de representação fiscal para fins penais por ter sido formalizado sem base legal e contra as normas da Coordenação Geral de Fiscalização da Receita Federal. Em seu recurso voluntário a responsável solidária, Neusa Marly Puglieri CPF: 084.991.68876, alega erro de fato na imputação da sujeição passiva solidária porque nunca participou da sociedade Informat, nem na administração daquela empresa. Informa que os valores recebidos referemse a pagamentos realizados por conta e ordem de seu irmão, o Sr. Paulo Geraldo Puglieri, que é sócio da Informat Technology Eletrônica Ltda, para a liquidação de empréstimos pessoais. Afirma que a responsabilidade de terceiros deve estar devidamente comprovada e no caso, foi a ela imputada por suposição do auditorfiscal. Em seguida repete as alegações constantes do recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo. É o relatório. Fl. 3408DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 1301002.145 S1C3T1 Fl. 3.409 13 Voto Conselheira Milene de Araújo Macedo, Relatora RECURSO DE OFÍCIO O recurso de ofício atende aos pressupostos legais e regimentais, na medida em que o crédito tributário exonerado extrapola o limite mínimo fixado pela Portaria MF nº 3, de 03/01/08, e dele conheço. A Turma Julgadora a quo ao apreciar a impugnação do contribuinte reduziu o valor o valor da multa de ofício de 225% para 150%, por considerar que a ausência de apresentação dos livros e documentos não trouxe prejuízo ao Fisco. Notase que, em todas as intimações encaminhadas, a fiscalização cientificou o contribuinte de que o não atendimento, no prazo marcado para prestar as informações solicitadas, sujeitariao, no caso de lançamento de ofício, ao agravamento em 50% das multas a que ser referem os incisos I e II do caput do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Consta do Termo de Verificação Fiscal, no item "2. DOS PROCEDIMENTOS ADOTADOS PELA FISCALIZAÇÃO", que a recorrente atendeu a todas as intimações da fiscalização nos prazos estabelecidos, ou no dia seguinte à data limite: Termo de Início de Fiscalização emitido em 09/05/2012, com ciência do recorrente em 15/05/2012 e resposta apresentada em 05/06/2012; Termo de Intimação Fiscal nº 1 emitido em 14/06/2012, com ciência do recorrente em 20/06/2012 e reposta apresentada em 11/07/2012; Termo de Intimação Fiscal nº 2 emitido em 19/07/2012, com ciência do recorrente em 25/07/2012 e resposta apresentada em 13/08/2012; Termo de Intimação Fiscal nº 3 emitido em 26/04/2013, com ciência do recorrente em 06/05/2013 e resposta apresentada em 17/05/2013; Termo de Intimação Fiscal nº 4, emitido em 18/06/2013, com ciência do procurador da empresa em 25/06/2013 e resposta apresentada em 12/07/2013. Verificase portanto, que o contribuinte respondeu a todas intimações, todavia, a fiscalização as considerou insatisfatórias, motivo pelo qual foi emitido o Termo de Embaraço à Ação Fiscal e efetuado o agravamento da multa. Consta do item 2.44 do Termo de Verificação Fiscal a seguinte motivação para agravamento da multa de ofício: "2.44. Como já citado anteriormente, devido a não apresentação de toda a documentação por parte da empresa, foi lavrado em 03/09/2012 um Termo de Embaraço à Ação Fiscal, cuja ciência ocorreu em 19/09/2012, conforme EDITAL No. 169/2012, tendo então, por esse motivo, esta fiscalização procedido ao Fl. 3409DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 1301002.145 S1C3T1 Fl. 3.410 14 agravamento da multa, nos termos do quanto autorizado pelo parágrafo 2º., do Art. 44, da Lei 9.430/96." O art. 44 da Lei nº 9.430/96, ao tratar das multas aplicáveis nos lançamento de ofício, assim dispôs: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) O agravamento previsto no §º 2º somente deve ser aplicado nos casos em que o contribuinte efetivamente deixar de atender à intimação do Fiscal para prestar esclarecimentos, o que pressupõe descaso da fiscalizada às intimações da autoridade fiscal. No caso em que o contribuinte apresenta resposta, incompleta ou diferente da esperada pela fiscalização, entendo inaplicável o agravamento. Correto, portanto, o acórdão da DRJ/RPO que ao apreciar a impugnação do contribuinte reduziu o valor o valor da multa de ofício de 225% para 150%. Nesse sentido a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. O agravamento da penalidade em 50%, previsto no inciso I do § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, deve ser aplicado apenas nos casos em que o contribuinte deixa de atender à intimação do Fisco para prestar esclarecimentos, mas não quando o sujeito passivo tão somente apresenta resposta incompleta ou diferente daquela desejada pela autoridade fiscal. Fl. 3410DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 1301002.145 S1C3T1 Fl. 3.411 15 (Acórdão 1201001.291, Sessão de 21/01/2016) MULTA AGRAVADA DE 225%. IMPROCEDÊNCIA. Ainda que o contribuinte não tenha apresentado todos os dados solicitados pela fiscalização, devese afastar a multa agravada quando constatado que tal circunstância não obstaculizou nem prejudicou, de forma incisiva, a definição da base de cálculo dos tributos lançados. (Acórdão 1201001.113, Sessão de 22/10/2014) Diante do exposto, nego provimento ao recurso de ofício da Fazenda Nacional, para manter a decisão do acórdão a quo que reduziu a multa de 225% para 150%. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso interposto pelo sujeito passivo é tempestivo e dele também conheço. A responsável solidária Neusa Marly Puglieri CPF: 084.991.68876, cientificada da decisão de primeira instância em 31/07/2014, também interpôs recurso voluntário em 21/08/2014 (fls. 3.347 a 3.3.83). De início, o recurso não merece ser conhecido pois não houve a apresentação de impugnação e sua falta importa em preclusão do direito de se insurgir contra a autuação. Todavia, considerando que no referido recurso a recorrente alega que só tomou conhecimento dos termos expedidos pela fiscalização, do auto e da decisão de primeira instância em 31/07/2014, passo a enfrentar a questão. Consta do processo o envio dos seguintes termos à Sra. Neusa Marly Puglieri: Termo de Intimação Fiscal emitido em 01/10/2013 (fls. 2.998 a 3.000), enviado para o endereço constante do cadastro CPF (fls. 3.074), na Rua Maria Rosa de Assis, 250, Jardim Santa Helena Fernandópolis, SP, CEP:15.600000. A correspondência retornou ao remetente (fls.3.001 a 3.002), motivo pelo qual foi emitido o Edital Eletrônico nº 000597723 da DRF/São José do Rio Preto, do qual a contribuinte considerouse intimada em 08/11/2013 (fls. 3.003); Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 6 emitido em 29/11/2013 (fls. 3.014 a 3.019), com os autos de infração anexos. Consta do referido termo que a correspondência enviada anteriormente retornou com informação de "endereço insuficiente ou inexistente". Assim, em razão da contribuinte não ter sido localizada anteriormente em seu endereço cadastral, a ciência foi dada por meio do Edital Eletrônico nº 000617117 da DRF/São José do Rio Preto, tendo a contribuinte considerada intimada em 17/12/2013 (fls. 3.020). O art. 23 do Decreto nº 70.235/72, ao tratar das intimações, estabeleceu que a intimação pode ser feita por edital publicado no endereço da administração tributária na internet, nos casos em que a intimação por via postal for improfícua: Art. 23. Farseá a intimação: [...] Fl. 3411DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 1301002.145 S1C3T1 Fl. 3.412 16 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado:( Redação da pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. Considerando que a recorrente Neusa Marly Puglieri, apesar de regularmente intimada através do Edital Eletrônico nº 000597723 da DRF/São José do Rio Preto, deixou de apresentar impugnação aos autos de infração, seu direito de insurgirse contra a exigência está precluso, motivo pelo qual não conheço do recurso voluntário por ela apresentado. Este tem sido o entendimento jurisprudencial do CARF: SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. Não havendo o responsável solidário impugnado a exigência perante o Colegiado de primeira instância, precluso restou o seu direito de contestála. (Acórdão 2402005.385, Sessão de 12/07/2016) SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO E/OU IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. REVELIA. EFEITOS. Responde pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, por intermédio de pessoa jurídica importadora. A ausência de impugnação ou sua intempestividade, por parte de sujeitos passivos solidários acarreta, contra os revéis, a preclusão temporal do direito de praticar os atos impugnatórios, prosseguindo, o litígio administrativo, no tocante aos demais. Todavia, havendo pluralidade de sujeitos passivos, a impugnação tempestiva apresentada por qualquer um deles, não versando exclusivamente sobre o vínculo de responsabilidade, suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação a todos os autuados. (Acórdão 3402003.094, Sessão de 21/06/2016) ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO O sujeito passivo, Victor Manuel Pacheco Arenas CPF: 114.051.31845, sustenta em sua peça recursal que houve erro na identificação do sujeito passivo e aponta a pessoa jurídica Informat Technology Eletrônica Ltda CNPJ: 05.800.195/000178 como sujeito passivo da obrigação tributária principal, nos termos do art. 121 do CTN. Afirma que a empresa ainda está Fl. 3412DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 1301002.145 S1C3T1 Fl. 3.413 17 inscrita no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ e que a eleição do responsável para guarda da documentação como sujeito passivo não pode estar fundamentada em Mandado de Procedimento Fiscal ou pela condição da suspensa no CNPJ. No Distrato Social (fls. 50 a 52) consta que a pessoa jurídica encerrou todas suas atividades em 10/05/2010. Na Ficha Cadastral Completa (fls. 53 a 55), emitida pela Junta Comercial do Estado de São Paulo Jucesp, consta registro em 06/07/2010 do referido distrato social. Verificase portanto que, apesar de ainda constar como suspensa no CNPJ, em razão do indeferimento da baixa, a sociedade empresária limitada encontravase extinta em 29/11/2013, data da lavratura dos autos de infração (fls. 3.113 a 3.161) . Assim, por lhe faltar personalidade jurídica, não poderia figurar no polo passivo da relação jurídicotributária. Este tem sido o entendimento da jurisprudência majoritária neste Colegiado, com a qual concordo: SUJEIÇÃO PASSIVA. PESSOA JURÍDICA EXTINTA. LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Comprovada a extinção da pessoa jurídica, eis que carreado aos autos documento relativo à dissolução e ao arquivamento do correspondente distrato social, revelase incabível a formalização de exigência tributária em seu nome, dado que a pessoa jurídica extinta, sendo inexistente no mundo jurídico, não pode compor o pólo passivo da referida obrigação. (Acórdão 1301001.062, Sessão de 02/10/2012) LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PESSOA JURÍDICA EXTINTA. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. A pessoa jurídica formal e regularmente extinta não tem existência no mundo jurídico, e deve ser excluída do pólo passivo de lançamento efetuado após sua liquidação. Sendo a pessoa jurídica extinta o único sujeito passivo apontado pelo Fisco no lançamento, não pode este subsistir. (Acórdão 1301000.753, Sessão de 23/11/2011) LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PESSOA JURÍDICA INEXISTENTE. IMPOSSIBILIDADE DE ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE A PESSOA JURÍDICA JÁ LIQUIDADA A liquidação definitiva da pessoa jurídica importa em sua retirada do mundo jurídico, daí decorrendo a impossibilidade de serlhe imputada responsabilidade. Extinta a pessoa jurídica, a exigência de créditos tributários não satisfeitos no procedimento de liquidação dever ser dirigida aos sócios, nos termos do que dispõe o art. 134, VII, do Código Tributário Nacional. É nulo o lançamento dirigido a pessoa jurídica extinta, por erro na identificação do sujeito passivo. Recurso a que se nega provimento. (Acórdão 9101002.042, Sessão de 09/10/2014) Defende o recorrente que o sujeito passivo da obrigação tributária principal é o contribuinte definido no art. 121 do CTN, e eventual responsabilidade sem que revista essa Fl. 3413DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 1301002.145 S1C3T1 Fl. 3.414 18 condição, somente decorreria de disposição expressa de lei, nos termos do inciso II, parágrafo único, art. 121 do CTN. A imputação de responsabilidade no caso de liquidação de sociedade de pessoas está regulamentada no art. 134 do CTN, o qual a limita e a condiciona aos atos que eles intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis. Afirmou também inexistir em todo o procedimento fiscal quaisquer provas de irregularidades resultantes de omissões ou intervenções praticadas pelo sócio, nem mesmo a exigência fiscal objeto do processo, por estar fundamentada em presunção legal. Não assiste razão ao recorrente. Para a solução da lide, fazse necessária a transcrição de alguns artigos do Código Tributário Nacional, os quais entendo, estão devidamente ligados a questão que ora se analisa: "Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. ... Art.135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. " A imputação de responsabilidade atribuída pela fiscalização, consta do Termo de Verificação Fiscal: 2.66. Em se tratando de atos praticados com infração de Lei ou Estatuto, impõese a responsabilidade tributária de seus administradores, autorizandose o redirecionamento, conforme o artigo 135, inciso III, da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), cabendo aos sócios provarem não ter agido com dolo, culpa, fraude ou excesso de poder. Verificase portanto, que a sujeição passiva foi atribuída ao sócioadministrador, Sr. Victor Manuel Pacheco Arenas, na condição de responsável prevista no art. 121, inciso II, e com fundamento no art. 135, inciso III do CTN. Fl. 3414DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 1301002.145 S1C3T1 Fl. 3.415 19 A fiscalização relatou, no Termo de Verificação Fiscal, as infrações à legislação tributária praticadas pelo sócioadministrador que ensejaram, inclusive, representação fiscal para fins penais, face à configuração, em tese, de crime contra a ordem tributária: "2.53. Durante o procedimento fiscal, verificamos também que o Livro Diário N0. 05 do ano calendário de 2008, ora examinado, registrado em 24/06/2009 no Cartório Oficial de Registro Civil do 1º. Subdistrito da Sede sob o número 11326, apresentado pela empresa, NÃO reflete a totalidade dos atos e operações relativos a sua atividade, não tendo sido localizada a contabilização das contas bancárias movimentadas pela empresa no BANCO UNIBANCO S/A, agência 0087, contas 2051040 e 2229034, descumprindo o prescrito pelos Artigos 1.184 e 1.194 do Código Civil (Lei.10.406/2002). Identificamos tais contas bancárias pela Declaração de Movimentação Financeira, conforme já citado. 2.54. A empresa deixou de contabilizar as seguintes contas bancárias: conta 2051040 da agência 0087 do Banco UNIBANCO S/A e conta 2229034 da agência 0087 do Banco UNIBANCO S/A. Os extratos de tais contas bancárias encaminhados pela própria instituição financeira, após formalmente solicitados por meio de RMF, foram anexados digitalmente a esse processo. 2.55. Além disso, os valores lançados nas contas bancárias contabilizadas relativas ao Banco Itaú S/A não estavam de acordo com os respectivos extratos bancários recebidos dessa instituição financeira. A empresa contabiliza na conta No. 1.1.1.02.0001 – BANCO ITAÚ o valor anual total de R$ 26.873.008,17, a débito, representando o ingresso de recursos nessa conta bancária no ano de 2008, excluindo o seu saldo inicial e incluindo o saldo final. Ocorre que, conforme extratos recebidos da própria instituição financeira, após formalmente solicitados por meio de RMF, a empresa recebeu nessa conta o valor total anual líquido de R$ 47.908.222,79, já excluído desse valor, os estornos, transferências entre contas da própria empresa, devoluções de cheques e outras anteriormente citadas. 2.56. Aparentemente a empresa contabiliza apenas uma das duas contas bancárias no Banco Itaú S/A. Como já citado anteriormente a empresa apresentou impresso apenas o extrato de uma de suas contas bancárias nesse banco, que foi também digitalizado e anexado ao processo. 2.57. Além dessas inconsistências e omissões identificadas em sua contabilidade, a empresa apresenta uma Demonstração de Resultado do Exercício – DRE do ano calendário de 2008, com uma Receita Operacional Bruta de R$ 38.642.496,32, sendo que identificamos em suas contas bancárias uma movimentação financeira LÍQUIDA a crédito no valor total anual líquido de R$ 91.732.892,65, o que acarretou uma falta de registro de valores, no mínimo, na ordem de R$ 53.000.000,00 (cinqüenta e três milhões de reais)." Diante do exposto, correta a atribuição da sujeição passiva ao recorrente. DA SUJEIÇÃO PASSIVA NO PROCESSO Fl. 3415DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 1301002.145 S1C3T1 Fl. 3.416 20 Neste item do recurso voluntário o recorrente repete as alegações efetuadas em sede de impugnação, acerca da imputação de responsabilidade solidária efetuada pelo Auditor Fiscal a terceiros com fundamento no art. 135, inciso III do CTN, bem assim, às pessoas físicas e jurídicas que realizaram operações com a empresa fiscalizada, com fundamento no art. 124 do CTN. De acordo como o acórdão recorrido, o sujeito passivo questionou os termos de sujeição passiva solidária sem possuir representação por parte dos interessados, motivo pelo qual não foram acolhidas estas manifestações. O recorrente contestou também o acórdão recorrido por não ter acolhido sua impugnação de sujeição passiva, haja vista ser ele o maior dos interessados, porque foi também incluído no polo passivo da obrigação tributária como responsável solidário, visto que não poderia sêlo como sujeito passivo. Afirmou que a sujeição passiva solidária apresentava erro de fato e de direito,visto que as hipóteses previstas no CTN em seus art. 124, inciso I e art. 135, inciso III, não ocorreram e foram trazidas ao processo por mera suposição do auditor sem comprovação. Conforme já decidido no item "Erro na Identificação do Sujeito Passivo", correta a imputação de sujeição passiva ao recorrente, fundamentada no art. 135, III, do CTN. Relativamente à responsabilidade dos sócios de sociedades limitadas, o recorrente alega que o Código Civil em seu art. 1.052, restringe a responsabilidade dos sócios nas sociedades limitadas ao valor de suas quotas. Todavia, tal disposição encontrase excepcionada pela responsabilidade estabelecida no art. 135, inciso III, do CTN, nos casos em que as obrigações tributárias resultem de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. No caso concreto, em que houve a responsabilização com fundamento no art. 135, inciso III, do CTN, não se trata de simples inadimplência de tributos, mas sim de sonegação ou infração à lei. Diante do exposto, sem reparos ao acórdão recorrido. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO A recorrente insurgese contra a lavratura do Termo de Embaraço à Ação Fiscal (fls. 120 a 123), afirmando que os procedimentos da empresa afastariam a possibilidade de embaraço prevista no art. 919 do RIR/99, pois a falta de apresentação da totalidade dos extratos bancários, especificamente os do Unibanco, poderia até dificultar a continuidade da ação fiscal mas por si só não caracterizariam embaraço como entendeu o auditorfiscal. No Termo de Embaraço à Ação Fiscal, o AuditorFiscal responsável pelo procedimento assim fundamentou sua lavratura: "A falta de apresentação da totalidade dos extratos bancários solicitados dificulta a continuidade da ação fiscal. Em TODOS os Termos citados anteriormente foi o sujeito passivo advertido de que a recusa injustificada na exibição dos elementos solicitados, permitiria configurar embaraço à fiscalização, nos termos do quanto disposto no inciso I, do Art. 33, da Lei 9.430/96 e, conseqüentemente, o acesso as informações relacionadas com operações e serviços das instituições financeiras, nos exatos termos do quanto previsto no inciso VII, do Art. 3º., do Decreto 3.724/2001, combinado com o Decreto 6104/2007. Fl. 3416DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 1301002.145 S1C3T1 Fl. 3.417 21 Foi também advertido o sujeito passivo, de que ocorrendo o embaraço à ação fiscal, em caso de lançamento de ofício, esta fiscalização poderia proceder ao agravamento da multa, nos termos do quanto autorizado pelo parágrafo 2o., do Art. 44, da Lei 9.430/96. Assim sendo, constatado que até a presente data, embora exaustivamente solicitado por esta Auditoria, por meio dos já citados TERMOS e EDITAIS, não foram apresentados pela empresa a totalidade dos documentos solicitados, principalmente os extratos bancários de suas contas relativas à movimentação financeira do ano calendário de 2008, do banco UNIBANCO S.A, não havendo qualquer justificativa, por escrito, para este procedimento por parte do contribuinte, é o presente para caracterizar o embaraço à fiscalização, nos termos da legislação aqui já referenciada." Consta do referido termo que os extratos bancários de todas as contas bancárias do ano de 2008 foram solicitados no Termo de Início de Fiscalização emitido em 09/05/2012, no Termo de Intimação Fiscal nº 1 de 14/06/2012 e, por último, no Termo de Intimação Fiscal nº 2 de 19/07/2012, e, apesar de regularmente cientificado de todos eles, não foi apresentada justificativa para falta de apresentação dos extratos bancários relativos às contas do Banco Unibanco S.A. O art. 33, inciso I, da Lei nº 9.430/96 assim dispõe: Art. 33. A Secretaria da Receita Federal pode determinar regime especial para cumprimento de obrigações, pelo sujeito passivo, nas seguintes hipóteses: I embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição do auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966; Verificase portanto, que diversamente do alegado pelo recorrente, restaram demonstrados a base fática e o suporte legal necessários à emissão do Termo de Embaraço à Ação Fiscal. Relativamente à alegação de que a decisão recorrida teria reconhecido o excesso praticado pelo autor do feito ao determinar a redução da multa de ofício de 225% para 150% por não ter ocorrido o embaraço à ação fiscal, não assiste razão à recorrente. A redução da multa agravada foi assim fundamentada pelo acórdão a quo: "Assim, considerando que a ausência da apresentação dos livros e documentos não trouxe prejuízo ao Fisco para a quantificação da matéria tributável, reputase que deva ser reduzido o valor da multa de ofício de 225% para 150%. Esse é o entendimento exarado nos seguintes acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf." A decisão recorrida em momento algum reconheceu a inocorrência do embaraço à ação fiscal e reduziu a multa por entender que a falta de apresentação dos extratos bancários havia sido suprida com a solicitação via RMF aos bancos, a qual fundamentouse, principalmente, no Termo de Embaraço à Ação Fiscal. Fl. 3417DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 1301002.145 S1C3T1 Fl. 3.418 22 Por todo o exposto, procedente a emissão do Termo de Embaraço à Ação Fiscal. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO O fornecimento de informações sobre a movimentação bancária pelas instituições financeiras à autoridade fiscalizadora não constitui quebra de sigilo, conforme dispõe o art. 6ª da Lei Complementar nº 105/01: Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Assiste razão à recorrente ao afirmar que a transferência de dados para a Secretaria da Receita Federal do Brasil depende do cumprimento de exigências legais. O Decreto nº 3.274/2001, ao regulamentar o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, estabeleceu nos art. 2º, § 5ª e art. 3º, as hipóteses em que a fiscalização pode ter acesso às informações bancárias dos contribuintes: Art. 2o Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 5o A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. (Redação dada pelo Decreto nº 6.104 de 2007) ... Art. 3o Os exames referidos no § 5o do art. 2o somente serão considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses: (Redação dada pelo Decreto nº 6.104 de 2007) I subavaliação de valores de operação, inclusive de comércio exterior, de aquisição ou alienação de bens ou direitos, tendo por base os correspondentes valores de mercado; II obtenção de empréstimos de pessoas jurídicas não financeiras ou de pessoas físicas, quando o sujeito passivo deixar de comprovar o efetivo recebimento dos recursos; Fl. 3418DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 1301002.145 S1C3T1 Fl. 3.419 23 III prática de qualquer operação com pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada em país enquadrado nas condições estabelecidas no art. 24 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; IV omissão de rendimentos ou ganhos líquidos, decorrentes de aplicações financeiras de renda fixa ou variável; V realização de gastos ou investimentos em valor superior à renda disponível; VI remessa, a qualquer título, para o exterior, por intermédio de conta de não residente, de valores incompatíveis com as disponibilidades declaradas; VII previstas no art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996; VIII pessoa jurídica enquadrada, no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), nas seguintes situações cadastrais: a) cancelada; b) inapta, nos casos previstos no art. 81 da Lei nº 9.430, de 1996; IX pessoa física sem inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou com inscrição cancelada; X negativa, pelo titular de direito da conta, da titularidade de fato ou da responsabilidade pela movimentação financeira; XI presença de indício de que o titular de direito é interposta pessoa do titular de fato. Consta do Termo de Verificação Fiscal que a fundamentação para emissão das Requisições de Movimentação Financeira RMF encaminhadas às instituições financeiras teria sido "a recusa injustificada na exibição dos elementos solicitados, permite configurar embaraço à fiscalização, no termo do disposto no inciso I, do Artigo 33, da Lei 9.430/96, e, conseqüentemente, o acesso às informações relacionadas com operações e serviços das instituições financeiras, nos exatos termos do previsto no inciso VII do artigo 3º do Decreto 3.724/2001." Considerando que foram corretamente identificados pela fiscalização a base fática, ou seja, a recusa injustificada para apresentação dos extratos bancários, e a base legal para emissão do Termo de Embaraço à Ação Fiscal, bem assim, que foram informados nas Requisições de Movimentações Financeiras RMF a hipótese legal de indispensabilidade do exame das informações bancárias, a obtenção dos extratos bancários encontrase amparada pelo requisito da legalidade. Importante ressaltar também que a discussão acerca da possibilidade de requisição direta de informações bancárias pela autoridade administrativa encontrase superada por decisão do E. Supremo Tribunal Federal que, no julgamento das Ações Diretas de Inconstitucionalidade nº 2859, 2390, 2386 e 2397, em 24/02/2016, decidiu pela constitucionalidade das normas que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial. Fl. 3419DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 1301002.145 S1C3T1 Fl. 3.420 24 DA MULTA QUALIFICADA O recorrente afirma que a tributação decorreu de presunção legal e não de prova direta, o que exclui liminarmente a qualificação da multa de ofício prevista para os casos de evidente intuito de fraude definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Não assiste razão à recorrente. A Súmula CARF nº 25 assim dispôs: "A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64." Verificase, portanto, que ao estabelecer a necessidade de comprovação de sonegação, fraude ou conluio para qualificação da multa de ofício, a própria súmula admite a coexistência da presunção legal e da multa qualificada. O acórdão recorrido concluiu pela ocorrência das hipóteses previstas na Lei nº 4.502/64, e manteve a multa qualificada de 150%, tendo assim fundamento sua decisão: "Ficou clara no processo, a constatação de omissão de receita e os fatos caracterizadores da sonegação e fraude, pois a contribuinte, reiteradamente, durante todo o ano de 2008, auferiu receita não registrada em sua contabilidade, ou seja, omitiu receita tributável, deixandoa à margem da escrituração e, conseqüentemente, da tributação. Conforme se constata dos autos, a empresa apresentou uma Demonstração de Resultado do Exercício – DRE do referido anocalendário, que guarda compatibilidade com o valor declarado pela empresa em sua DIPJ relativa a esse anocalendário, todavia, foi identificado em suas contas bancárias, uma movimentação financeira líquida (créditos na conta corrente) no valor total anual líquido de R$ 91.732.892,65, (vide Anexo II – fls. 2968) o que demonstra a falta de registro de valores relativas a receitas omitidas, do montante de aproximadamente 53.000.000,00 ( cinqüenta e três milhões de reais), pois não logrou comprovar a origem dos créditos efetuados nas contas bancárias." Alega a recorrente também que, diversamente do constatado no acórdão recorrido, não houve a omissão de receitas, menos ainda a demonstração da falta de registro de valores relativos a receitas omitidas, pois o objeto da tributação decorreu de presunção legal. Igual sorte não assiste razão à recorrente. O fato da infração ter sido apurada em decorrência da presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 não afasta seu caráter de omissão de receitas. Como bem demonstrado no Termo de Verificação Fiscal restou comprovada a falta de registro na escrituração contábil da totalidade da movimentação bancária efetuada nas contas nº 2051040 (R$ 28.165.256,83) e nº 2229034 (R$ 48.515,98), ambas mantidas na agência nº 0087 do Banco Unibanco, bem assim, de parte da movimentação relativa às contas mantidas na agência 0411 do Banco Itaú, visto que a fiscalização apurou nessas contas créditos líquidos no total de R$ 47.908.222,79, porém na escrituração contábil constavam registros de R$ 26.873.008,17. Face à falta de registro dessas movimentações financeiras, restou caracterizada a omissão de receitas da ordem de aproximadamente R$ 53.000.000,00 no anocalendário de 2008, decorrentes da diferença entre a receita bruta informada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ no valor de R$ 38.642.496,32 e a movimentação financeira líquida apurada pela fiscalização com base nos extratos bancários no total de R$ 91.732.892,64. Fl. 3420DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 1301002.145 S1C3T1 Fl. 3.421 25 A recorrente questiona também a falta de realização de diligências e provas diretas, todavia, nos casos de presunção de receitas, o ônus da prova invertese cabendo ao contribuinte a comprovação da inexistência da omissão de receitas. Diante de todo exposto, acertada a aplicação da multa qualificada de 150%, uma vez que a prática reiterada, durante todo o anocalendário de 2008, de omitir valores relevantes de receitas auferidas, apuradas conforme movimentações financeiras em contas bancárias mantidas à margem da escrituração contábil, caracteriza a conduta dolosa. Nesse sentido a jurisprudência deste Colegiado: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. Caracterizase omissão de receitas ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. QUALIFICADORA. A declaração ao Fisco de valor de receita substancialmente inferior ao efetivamente auferido caracteriza infração à legislação tributária praticada com evidente intuito de fraude, impondose a aplicação de multa de oficio qualificada. (Acórdão 1301000.356, Sessão de 09/07/2010) PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal juris tantum os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificando se sua tributação a esse título. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A conduta do sujeito passivo em praticar vultosas operações financeiras, apresentar Declaração Anual do Simples Nacional por três anos consecutivos (2008, 2009 e 2010) com receitas omitidas em montante que representa em torno de três a seis vezes menos que sua receita declarada e não atender às intimações para apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais, evidencia vontade inequívoca dolosamente dirigida à sonegação tributária, ensejando assim a imposição da multa de ofício qualificada de 150%. (Acórdão 1201001.431, Sessão de 04/05/2016) Fl. 3421DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 1301002.145 S1C3T1 Fl. 3.422 26 DECADÊNCIA O recorrente pleiteia a aplicação da regra decadencial estabelecida no art. 150 do CTN para todos os tributos objeto dos autos de infração por estarem sujeitos ao lançamento por homologação. Para a solução da lide transcrevo o art. 150 do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Observese que o direito do Fisco constituir lançamentos de ofício nos tributos sujeitos aos lançamentos por homologação é de cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador, entretanto, o § 4º acima transcrito excepciona dessa regra os lançamentos de ofício em que forem constatadas a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Caso sejam constatados a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial deslocase para a regra estabelecida pelo art. 173, inciso I, a seguir citado: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; No presente processo restou comprovada a ocorrência da conduta dolosa do contribuinte, conforme acima demonstrado no item do recurso que analisou a qualificação da multa, devendo portanto ser aplicada a regra do art. 173, inciso I. Assim, considerando que os fatos geradores de janeiro/2008 a novembro/2008 somente poderiam ser lançados no exercício seguinte, ou seja, a partir de 01/01/2009, o prazo Fl. 3422DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 1301002.145 S1C3T1 Fl. 3.423 27 decadencial final para os lançamentos encerrouse em 31/12/2013. Tendo em vista que o sujeito passivo foi cientificado dos autos de infração em 24/12/2013, constatase que os lançamentos não foram alcançados pelo instituto da decadência. Neste sentido a Súmula CARF nº 72: "Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN." BASE DE CÁLCULO INCLUSÃO INDEVIDA DE CRÉDITOS O recorrente insurgese contra a base de cálculo apurada pela fiscalização alegando que a totalidade dos créditos realizados nas contas bancárias da contribuinte teriam sido tributadas, contrariando a afirmação do auditor de que foram eliminados quaisquer lançamentos a crédito que não pudessem ser configurados claramente como sendo receita da empresa e as transferências entre as contas de mesma titularidade. Consta dos itens 2.24 e 2.25 do Termo de Verificação (fls. 3.096 a 3.112), anexo ao auto de infração, as seguintes informações: 2.24. Examinando os extratos bancários do contribuinte eliminamos quaisquer lançamentos a crédito que não pudessem ser configurados claramente como sendo receita da empresa, tais como: empréstimos, mútuos e operações de crédito, transferência de saldo devedor, estorno, devolução de cheques, devolução de TEDs / DOCs, cobranças de taxas, estornos de taxas e outras, conforme citadas nas planilhas de cada banco elaboradas pela fiscalização e denominadas de ANEXO I, parte integrante desse Auto de Infração. 2.25. Eliminamos também todas as transferências entre as contas de mesma titularidade que puderam ser confirmadas pelo confronto efetuado entre os extratos de contas apresentados. Consideramos apenas a primeira entrada de recursos nas contas como sendo receita da empresa e excluímos as demais transferências realizadas entre as contas, conforme pode ser verificado nas planilhas do ANEXO I já citado. As planilhas denominadas Anexo I (fls. 2.845 a 2.966), com a relação individualizada dos créditos efetuados nas contas bancárias que poderiam ser considerados receita da empresa, foram totalizadas na planilha denominada Anexo II (fls. 2.967 e 2.968) e encaminhadas ao sujeito passivo através do Termo de Intimação Fiscal nº 3 (fls. 135 a 137) para que a empresa comprovasse a origem de tais recursos. Consta do Termo de Verificação que em atendimento à intimação, a fiscalizada apresentou em 17/05/2013, resposta escrita genérica desacompanhada de qualquer documento, sem a citação específica de qualquer lançamento constante das planilhas. Em sua resposta a empresa falou genericamente sobre empréstimos concedidos e transferências entre contas da empresa. Por se tratar de presunção legal de omissão de receitas estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96, invertese o ônus da prova, cabendo ao contribuinte a comprovação da origem dos recursos creditados em suas contascorrentes: Fl. 3423DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 1301002.145 S1C3T1 Fl. 3.424 28 "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica;" Assim, face à falta de comprovação da origem dos valores creditados em suas contascorrentes a fiscalização efetuou a lavratura dos autos de infração. Na impugnação apresentada ao lançamento e novamente agora no recurso voluntário, a recorrente relaciona, a título de exemplo, alguns créditos que alega terem origem em transferências de contas próprias da empresa e em operações de crédito factoring, os quais teriam sido indevidamente incluídos na base de cálculo do lançamento: Banco Unibanco CC 2051040 Data Comp Valor Histórico 29/01/2008 39448 73.143,00 Ted recebida Itau Informat Techn Eletron 29/01/2008 39418 369.230,00 Ted recebida Itau Informat Techn Eletron 27/05/2008 39569 230.000,00 Transf 0087/2229034 Informat Technology 15/072008 39630 266.980,00 Ted Recebida Bradesco RDC FOCCAR FACTORI 29/07/2008 39630 189.430,57 Ted Recebida Bradesco RDC FOCCAR FACTORI 21/10/2008 39722 378.480,44 Ted Recebida Bradesco RDC FOCCAR FACTORI 24/11/2008 39753 265.539,70 Ted Recebida Bradesco RDC FOCCAR FACTORI Banco Bradesco CC 116914 Data Comp Valor Histórico 09/05/2008 39569 114.757,00 Ted Transf. Eletr. Disp * recebida Itau Informat Techn Eletron A Créditos no Banco Unibanco CC 2051040: Consta no extrato bancário relativo à conta nº 42.9533 do Banco Itaú (fls. 1.887) a emissão de TED no valor de R$ 442.373,00. Foi também enviado à fiscalização pelo Banco Itaú, em atendimento à RMF, o comprovante da emissão do referido TED (fls. 2.057). Nesse documento consta que o valor de R$ 442.373,00, referese à emissão de dois TEDs nos valores R$ 73.143,00 e Fl. 3424DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 1301002.145 S1C3T1 Fl. 3.425 29 R$ 369.230,00, em 29/01/2008, cujo beneficiário é o próprio emitente, ou seja, TED entre mesmos titulares, com destino à conta 2051040, da agência 087 do Unibanco. Assim, relativamente aos créditos efetuados na conta 2051040 do Banco Unibanco, em 29/01/2008, nos valores de R$ 73.143,00 e R$ 369.230,00 (fls. 2.943), assiste razão à recorrente, pois comprovada a transferência entre contas da própria pessoa jurídica, devendo os mesmos serem excluídos da tributação. Já o crédito de R$ 230.000,00, com o histórico "Transf 0087/2229034 Informat Technology" consta a seguinte informação no Anexo I (fls. 2.965): "OBS: Mantivemos o lançamento de 27/05, no valor de R$ 230.000,00 com o histórico de TRANSF. 0087/2229034 INFORMAT TECHNOLOGY, pois não localizamos a correspondente saída (débito) na conta citada." Por este motivo, não tendo sido comprovado que a transferência é oriunda de conta de mesma titularidade, deve ser mantida a tributação. Com relação aos valores com histórico "Ted Recebida Bradesco RDC FOCCAR FACTORI", a simples alegação de que os créditos tem origem em operações de factoring, desacompanhadas de qualquer documentação comprobatória, não afastam a tributação. B Crédito no Banco Bradesco CC 116914 Consta no extrato bancário relativo à conta nº 39.1295 do Banco Itaú (fls. 1.184) a emissão de TED no valor de R$ 114.757,97. Foi também enviado à fiscalização pelo Banco Itaú, em atendimento à RMF, o comprovante da emissão do referido TED (fls. 1.484). Nesse documento consta que o valor de R$ 114.757,97, referese à emissão de TED em 09/05/2008, cujo beneficiário é o próprio emitente, ou seja, TED entre mesmos titulares, com destino à conta 1169149, da agência 292 do Banco Bradesco. Desta forma, restou comprovada a transferência entre contas de titularidade da própria pessoa jurídica, devendo o mesmo ser excluído da tributação. CSLL, COFINS e PIS Aplicase à CSLL, COFINS e PIS a solução dada ao litígio principal, IRPJ, em razão de todos lançamentos estarem apoiados nos mesmos elementos de prova. ARROLAMENTO DE BENS E REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Com relação ao pedido de arquivamento do processo de arrolamento de bens, este Colegiado não possui competência para analisar questão do arrolamento de bens. O Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015, não elenca o arrolamento de bens dentre as matérias passíveis de apreciação pelo órgão. Face à inexistência de previsão legal específica para a defesa do sujeito passivo quanto ao arrolamento de bens, aplicase a regra geral do recurso administrativo, estabelecida pelos Fl. 3425DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 1301002.145 S1C3T1 Fl. 3.426 30 arts. 56 a da 65 da Lei nº 9.784/99. Neste sentido a a Instrução Normativa RFB n.º 1.565/2015, assim dispôs: "Art. 17. É facultado ao sujeito passivo apresentar recurso administrativo no processo de arrolamento de bens e direitos, no prazo de 10 (dez) dias contado da ciência da decisão recorrida, nos termos dos arts. 56 a 65 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. § 1º O recurso será apreciado pelo chefe da divisão, do serviço, da seção ou do núcleo competente para realizar as atividades de controle e cobrança do crédito tributário da unidade da RFB do domicílio tributário do sujeito passivo que, se não o acatar, o encaminhará ao titular da unidade da RFB do domicílio tributário do sujeito passivo. § 2º A decisão proferida pelo titular da unidade da RFB do domicílio tributário do sujeito passivo será definitiva na esfera administrativa." Esta conclusão é igualmente depreendida do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria n.º 343/2015, que não traz o arrolamento de bens dentre as matérias por ele apreciáveis. Assim, existindo procedimento administrativo próprio a ser seguido pelo sujeito passivo para a discussão quanto ao arrolamento de bens, tratandose de matéria que foge à competência deste CARF, não conheço da alegação quanto ao arrolamento de bens. Sobre alegações relativas à Representação Fiscal para Fins Penais, invoco a Súmula CARF nº 28, nos termos do art. 72 da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF): O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Em face de todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir os créditos abaixo relacionados e por negar provimento ao recurso de ofício: Data Banco Conta Valor Histórico 29/01/2008 Unibanco 2051040 73.143,00 Ted recebida Itau Informat Techn Eletron 29/01/2008 Unibanco 2051040 369.230,00 Ted recebida Itau Informat Techn Eletron 09/05/2008 Bradesco 116914 114.757,00 Ted Transf. Eletr. Disp * recebida Itau Informat Techn Eletron (Assinado Digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora Fl. 3426DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 1301002.145 S1C3T1 Fl. 3.427 31 Fl. 3427DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.725458/2011-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Data do fato gerador: 30/06/2008
PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS SECURITÁRIAS E DE
CAPITALIZAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL.
Pela decisão judicial transitada em julgado, que considerou inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, trazida pela Lei n. 9.718/98, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, ficaram afastadas da base de cálculo o valor das demais receitas não decorrentes da atividade
principal da empresa, não restando estabelecido, na decisão judicial, que as receitas securitárias e de capitalização, e correlatas, atinentes à atividade operacional da companhia, tenham sido afastadas da incidência das referidas
contribuições.
Numero da decisão: 3302-003.334
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho, que dava provimento. Fez sustentação oral: Dra. Ana Paula Schincariol Lui Barreto - OAB 183797.
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 30/06/2008 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS SECURITÁRIAS E DE CAPITALIZAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. Pela decisão judicial transitada em julgado, que considerou inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, trazida pela Lei n. 9.718/98, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, ficaram afastadas da base de cálculo o valor das demais receitas não decorrentes da atividade principal da empresa, não restando estabelecido, na decisão judicial, que as receitas securitárias e de capitalização, e correlatas, atinentes à atividade operacional da companhia, tenham sido afastadas da incidência das referidas contribuições. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho, que dava provimento. Fez sustentação oral: Dra. Ana Paula Schincariol Lui Barreto - OAB 183797 RICARDO PAULO ROSA - Presidente LENISA PRADO - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Paulo Guilherme Dérouledé, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo e Lenisa Prado. A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 09 80 .7 25 45 8/ 20 11 -0 1 Fl. 1.384 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária agosto de 2016 agosto de 2016 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins HSBC EMPRESA BRASILEIRA DE CAPITALIZAÇÃO (BRASIL) S.A. HSBC EMPRESA BRASILEIRA DE CAPITALIZAÇÃO (BRASIL) S.A. FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/10/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório A questão tem início em pedidos formulados em DCOMPs eletrônicas pela ora recorrente, objetivando compensar débitos de IRPJ e de CSLL, relativos ao ano-base de 2008, com crédito decorrente de pagamentos indevidos da COFINS realizados durante os anos calendários de 2001 a 2008. A contribuinte informa que tais créditos têm origem no Mandado de Segurança n. 2006.70.00.004031-2, impetrado pela ora recorrente, e que tem por escopo a: "concessão de ordem para o fim de afastar o art. 3º, caput, e §1º, da Lei n. 9.718/1998, reconhecendo-se o seu direito à incidência da contribuição ao PIS e da Cofins sobre o seu faturamento, assim entendido o produto da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos (conforme definido pela Lei Complementar n. 70/91), em razão de vícios de inconstitucionalidade contidos na Lei n. 9.718/1998, a partir da competência de janeiro de 2001". A sentença prolatada nos autos do mandado de segurança concedeu parcialmente a segurança, reconhecendo a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/98. O TRF da 4ª Região negou provimento ao recurso de apelação interposto pela União contra essa sentença, ao passo em que deu parcial provimento à remessa oficial para reconhecer a prescrição dos valores recolhidos antes de 13/02/2001. O trânsito em julgado da ação foi cientificado em 04/04/2008 e a impetrante renunciou à execução do julgado no que tange à repetição judicial dos valores indevidamente recolhidos. Após o pedido de habilitação de crédito, houve deferimento da RFB, em 05/06/2008, para que fossem viabilizados e permitidos os meios eletrônicos hábeis a promover a compensação de seus créditos, porém o Fisco não verificou o valor habilitado. Em 14/10/2011 iniciou-se a auditoria dos créditos objeto do Processo Administrativo Fiscal n. 10980.005902/2008-65, que culminou com a emissão de Despacho Decisório pela DRF de Curitiba. Nesse procedimento contatou-se que a recorrente: "interpretou equivocadamente a decisão judicial obtida no âmbito do Mandado de Segurança n. 2006.70.00.004031-2, extrapolando frontalmente o comando jurisdicional, o qual reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/98 e declarou o direito das impetrantes de recolher a contribuição ao PIS calculada sobre a base de cálculo prevista na Lei Complementar n. 07/70 e na Lei n. 9.718/98, e a Cofins calculada sobre a base de cálculo prevista na Lei Complementar n. 70/91, enquanto não promovida alteração específica na legislação regulamentadora das contribuições. O juízo destacou no dispositivo a inexistência de declaração na ação acerca da interpretação das referidas leis, ou seja, sobre quais receitas das impetrantes estão efetivamente inseridas nas bases de cálculo referidas, uma vez que não foi a questão objeto de pedido nos autos": Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/10/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10980.725458/2011-01 Acórdão n.º 3302-003.334 S3-C3T2 Fl. 1.385 3 Contra o despacho decisório acima mencionado, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente nos seguintes termos: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/2008. PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS SECURITÁRIAS E DE CAPITALIZAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. Pela decisão judicial transitada em julgado, que considerou inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, trazida pela Lei n. 9.718/98, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, ficaram afastadas da base de cálculo o valor das demais receitas não decorrentes da atividade principal da empresa, não restando estabelecido, na decisão judicial, que as receitas securitárias e de capitalização, e correlatas, atinentes à atividade operacional da companhia, tenham sido afastadas da incidência das referidas contribuições. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 1272 a 1307), motivo pelo qual os autos do processo ascenderam a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheira Lenisa Prado A contribuinte foi cientificada sobre o teor do acórdão recorrido em 24/10/2013 (Aviso de Recebimento acostado à folha 1270) e interpôs tempestivamente o recurso voluntário sob julgamento em 21/11/2013 (fl. 1272), motivo pelo qual dele tomo conhecimento. A recorrente se insurge contra o acórdão proferido no julgamento da manifestação de inconformidade porque, apesar de reconhecer o teor do que foi decidido no mandado de segurança por ela impetrado, limita o seu alcance. A recorrente afirma que ao indeferir o seu pleito compensatório a instância de origem deu interpretação equivocada ao pronunciamento da Suprema Corte no julgamento do Recurso Extraordinário n. 390. 840. 1. SOBRE A DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS N. 390.840, 346.084, 357.950, 390.840 E 358.273. A contribuinte alega que a DRJ deu interpretação equivocada ao acórdão proferido no Recurso Extraordinário n. 390.840, ao assumir que o "faturamento deve compreender os produtos derivados da 'atividade-fim' da empresa, na medida em que o signo 'prestação Fl. 1386DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/10/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 de serviços' denotaria 'as vendas realizadas pela empresa relacionada à sua 'atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços" (fl.1278). E esclarece que: "Isso porque, se, de um lado, o Ministro Cezar Peluso expressou o entendimento de que a incidência do PIS e da COFINS deveria se projetar sobre as receitas oriundas das atividades-fim das empresas, de outro, o Presidente da sessão, Ministro Nelson Jobim, bem como o próprio Ministro Carlos Britto, manifestaram conclusão diametralmente oposta, no sentido de que o conceito de faturamento não alcança as receitas financeiras. (...) Assim, ao empregar o trecho do voto-vista do Ministro Cezar Peluso, que aponta pela incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas financeiras, como se tal conclusão fosse a adotada no mencionado leading case, a DRJ manipulou o real alcance do debate travado na ocasião daquele julgamento, tendo deturpado as conclusões lá firmadas da maneira que lhe foi conveniente, o que não se pode admitir. Logo, ao contrário do que afirmou o acórdão recorrido, as receitas financeiras relacionadas à venda de Seguros e Capitalização não estão enquadradas no conceito de faturamento para a Recorrente, até porque para que se determine a base de cálculo do PIS e da COFINS é irrelevante saber se as receitas são ou não operacionais: deve -se verificar se elas incluem ou não o conceito de faturamento. Frise-se que esse conceito é o mesmo para todas as empresas, independentemente da atividade por elas desenvolvida, nele não se incluindo outras receitas que não aquelas decorrentes da venda de mercadorias e/ou serviços. (...) Deveras, ao contrário do que afirmou o acórdão recorrido, nos julgamentos já suscitados (leading cases RE n. 346.084-6/PR, 357.950, 390.840 e 358.273), a posição consolidada pelo E. Supremo Tribunal Federal foi no sentido de que a base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS é o faturamento, assim entendido como a receita bruta proveniente da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou de ambas, tal como dispõe o art. 2º da Lei Complementar n. 70/91.,sendo certo a impossibilidade de inclusão das receitas financeiras nesse conceito"(fl. 1279/1280 - grifos nossos). Por sua vez a autoridade fiscal fundamenta sua conclusão no fato que a contribuinte exerce as atividades próprias de seguro, cosseguros, resseguros, dos ramos elementares, vida e previdência privada aberta; de seguro-saúde e de cobertura de custos assistenciais de saúde, e de capitalização, exercidas pelas instituições financeiras, que as têm Fl. 1387DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/10/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10980.725458/2011-01 Acórdão n.º 3302-003.334 S3-C3T2 Fl. 1.386 5 expressamente previstas como objetos sociais, de efetiva prestação de serviços, ou seja, parte do faturamento e, por conseqüência, parte da base de cálculo do PIS e da COFINS. E aponta como fundamentos para a sua razão de decidir três fatores: 1º O § 2º do art. 3º do Código de Defesa do Consumidor (Lei n. 8.078/1990) considera serviço como "qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista"; 2º A definição ampla do vernáculo serviço adotada pelo Acordo Geral sobre Comércio de Serviços "inclui qualquer serviço em qualquer setor exceto aqueles prestados no exercício da autoridade governamental". Nesse mesmo documento 1 consta a definição de serviços financeiros que também inclui os serviços de seguros e os relacionados com seguros e todos os serviços bancários e demais serviços financeiros, discriminando as atividades relacionadas com cada elemento do grupo, definindo como atividades de prestação de serviços de seguros: seguros de vida, outros seguros, resseguros e retrocessão, intermediação de seguros e serviços auxiliares a prestação dos serviços de seguros; 3º A jurisprudência do STF em casos análogos aos dos autos. No que concerne a definição de faturamento, o que é primordial para a compreensão sobre o pronunciamento da Suprema Corte, a recorrente refuta a adoção das definições trazidas no Anexo sobre Serviços Financeiros do Acordo Geral sobre Comércio de Serviços (GATS). Apesar de reconhecer que o acordo internacional foi internalizado na legislação pátria com a edição do Decreto n. 1.355/1994 a contribuinte sustenta que essa norma só se aplica às querelas referentes ao comércio internacional entre o Brasil e os demais países signatários do acordo (fl.1299). Aduz que: "Com efeito, não tem o GATS- mesmo que sob a forma de lei ordinária - o condão de fazer nascer qualquer obrigação tributária, porquanto não se perfaz no instrumento normativo hábil à alteração de conceitos tributários, não trazendo quaisquer dos aspectos formadores da regra matriz da incidência tributária, não tendo ainda força suficiente à revogação de disposições trazidas por leis complementares ou pela própria Constituição Federal" (fl. 1303). A instância de origem, como já dito, trouxe a definição da expressão prestação de serviços de três fontes distintas: (i) o Código do Consumidor; (ii) aquela elencada no GATT e (iii) a definição prestigiada pela jurisprudência do STF. Percebe-se, pois, que nenhuma das definições foi adotada como premissa indiscutível, mas o conhecimento de todas levaram ao conceito médio adotado pela autoridade autuante. 1 Definição ampla está na alínea b do item 3. Já a definição específica está no Anexo sobre Serviços Financeiros Fl. 1388DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/10/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA 6 Ademais, como bem colocado no voto condutor do acórdão recorrido, o alcance do Tratado Internacional é amplo, e a sua força resulta de sua própria estatura jurídica no ordenamento pátrio (art. 98 do CTN). O GAT foi internalizado no Brasil após o seu devido processamento, sendo devidamente incorporado ao ordenamento jurídico com a edição do Decreto n. 1.355, em 30/12/1994. Deste modo, o tratado internacional - esse assinado e ratificado pelo Brasil - prevalece sobre lei anterior, no que for contrário. Vale lembrar que as disposições do acordo internacional e a definição elencada no § 2º do art. 3º do Código de Defesa do Consumidor são harmônicas e contrariam a pretensão da recorrente. 2. SOBRE O MANDADO DE SEGURANÇA N. 2006.70.00.004031-2. EXTENSÃO DOS BENEFÍCIOS DA DECISÃO JUDICIAL. A contribuinte afirma que o teor da sentença favorável que transitou em julgado "reproduz entendimento absolutamente pacificado no e. STF, que, pelo Plenário, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei n. 9.718/98" (fl. 1285). Por esse motivo a recorrente não concorda com a incidência de PIS e COFINS sobre as receitas financeiras (e equiparadas). Esclarece que a amplitude do provimento jurisdicional deve ser interpretado em conformidade com os limites trazidos na petição inicial pela autora o que, na hipótese dos autos, foram os seguintes: "Enquanto faturamento (equiparado pelo Supremo Tribunal Federal à receita bruta) é o produto de todas as vendas, e não apenas as vendas acompanhadas de fatura (definição trazida pelo Ministro Ilmar Galvão, nos autos do RE n. 150.764-1), a Lei n. 9.718/98 falava na totalidade das receitas, considerando, entre outras, inclusive as receitas financeiras, os aluguéis, as indenizações, etc., o que distingue, técnica e economicamente, os conceitos. A simples inclusão das receitas financeiras na base de cálculo introduzia pela Lei n. 9.718/98 é por si só suficiente para tornar inconciliáveis os conceitos, de um lado faturamento/receita bruta e, de outro lado, a totalidade das receitas".(fls. 1285/1286) E conclui que: "Se assim é, no caso vertente não há dúvidas de que as receitas financeiras (e aquelas a elas equiparadas, como as securitárias e de capitalização) não integram e nunca poderiam integrar o conceito de prestação de serviços, já que (i) além de não constituírem serviços (conforme será abordado adiante), (ii) na ação proposta pela Recorrente tal aspecto fez parte da causa de pedir e foi acolhido pelo Poder Judiciário e, por isso, encontra-se englobado pela coisa julgada em análise" (fl. 1288). Consta no voto condutor do acórdão recorrido que a decisão judicial que transitou em julgado foi assim redigida: "Fica concedida parcialmente a segurança para, reconhecendo a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/98: a) Fl. 1389DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/10/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10980.725458/2011-01 Acórdão n.º 3302-003.334 S3-C3T2 Fl. 1.387 7 declarar o direito das impetrantes de recolher a contribuição ao PIS calculada sobre a base de cálculo prevista na Lei Complementar n. 07/70 e na Lei n. 9.715/98, e a COFINS calculada sobre a base de cálculo prevista na Lei Complementar n. 70/91, enquanto não promovida alteração específica na legislação regulamentadora das contribuições, destacando, apenas, a inexistência de declaração na presente ação acerca da interpretação das referidas leis, ou seja, sobre quais receitas das impetrantes estão efetivamente inseridas nas bases de cálculo referidas, uma vez que não foi a questão objeto de pedido nos autos; b) declarar o direito das impetrantes de, após o trânsito em julgado (art. 170-A do CTN), compensar os valores recolhidos a maior desde janeiro de 2001, em face do direito ora reconhecido, com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos do art. 74 da Lei n. 9.430/96, com a redação da Lei n. 10.637/02. Referidos valores deverão ser corrigidos monetariamente a contar da data do recolhimento, apenas pela Taxa SELIC (art. 39, § 4º, da Lei n. 9.250/95)"(fl. 1120 - grifos no original). Depreende-se da leitura da decisão judicial definitiva que o julgador reconheceu o direito da contribuinte em apurar a base de cálculo das Contribuições nos moldes previstos pela Lei Complementar n. 07/70 e Lei n. 9.715/98, não havendo qualquer menção expressa a exclusão das receitas financeiras, como acredita a recorrente. Na verdade, o magistrado é cuidadoso e deixa claro que não propõe interpretações sobre as indigitadas leis e, por conseqüência, não identifica especificamente sobre quais receitas das impetrantes estão efetivamente inseridas nas bases de cálculo referidas, uma vez que não foi a questão objeto de pedido nos autos. Assim, considerando que o pronunciamento judicial favorável a contribuinte não confere a extensão pretendida, resta analisar a extensão do pronunciamento do Supremo Tribunal Federal sobre a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3 da Lei n. 9.718/1998. 3. SOBRE O OBJETO SOCIAL DA RECORRENTE. RECEITAS SECURITÁRIAS E DE CAPITALIZAÇÃO A recorrente afirma que as atividades por ela realizadas não podem ser classificadas como prestação de serviços, ainda que estejam enumeradas no item 18.01 da Lista de Serviços anexa à Lei Complementar n. 116 2 . Isso porque o STF, ao julgar o Recurso Extraordinário n. 116.121/SP (leading case sobre a incidência de ISS na locação de guindastes), definiu que "somente há uma prestação de serviço quando se verificar uma obrigação de fazer relacionada a um esforço humano, que gere uma utilidade material ou imaterial a terceiro". Essa definição, na opinião da contribuinte, não retrata as atividades que desempenha, já que não se prestam a remunerar qualquer espécie de esforço humano. 2 A recorrente informa que nesse item estão elencados os Serviços de regulação de sinistros vinculados a contratos de seguros; inspeção e avaliação de riscos para cobertura de contratos de seguros; prevenção e gerência de riscos seguráveis e congêneres. Fl. 1390DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/10/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA 8 Argumenta, ainda, que a autoridade fiscal não poderia "equiparar as receitas tipicamente financeiras (às quais juridicamente se equiparam as receitas securitárias e de capitalização) à uma contraprestação de serviço (preço de serviço)" (fl. 1294). Essa diferença reside, dentre outros pontos, na eventualidade própria do contrato, na sua característica de incerteza da ocorrência de evento futuro e imprevisível. Assim, estar-se-ia diante de uma obrigação futura e incerta, e não em face de uma prestação de serviços. Constam no voto condutor do acórdão recorrido informações sobre os documentos acostados aos autos e que tratam sobre o Estatuto Social da contribuinte 3 , a alteração de objeto social e de sua denominação. Sobre tais documentos a instância de origem chega a seguinte conclusão: "38. O sujeito passivo, conforme planilhas de memórias de cálculo da COFINS (fls. 295 a 307), no que se refere a todo o período em que a fiscalizada, diretamente ou por meio de empresa incorporada, teve por objeto social a prestação de serviços de capitalização, excluiu do conceito 'faturamento' suas receitas de operações de capitalização e receitas correlatas, bem como outras receitas operacionais, e por conseqüência as excluiu da base de cálculo da COFINS, produzindo créditos indevidos, em desconformidade com a legislação tributária que rege o tributo, bem como em desacordo com o alcance do dispositivo judicial obtido no Mandado de Segurança em tela. Igualmente, no que tange a todo o período em que a fiscalizada teve por objeto social a prestação de serviços de seguros, cosseguros e resseguros dos ramos: Elementares, Vida e Previdência Privada Aberta, seguro-saúde e de cobertura de custos assistenciais de saúde, o sujeito passivo excluiu do conceito de 'faturamento' suas receitas de prêmios de seguros, rendas de contribuições relativas a previdência privada e receitas correlatas, bem como outras receitas operacionais, e por conseqüência as excluiu da base de cálculo da COFINS, produzindo créditos indevidos, em desconformidade com a legislação tributária que rege o tributo, bem como em desacordo com o alcance do dispositivo judicial obtido no Mandado de Segurança em tela. Conforme se observa, o contribuinte calcula créditos de COFINS, ao desconsiderá-los como integrantes de seu faturamento, sobre receitas ligadas aos objetos sociais principais de suas atividades, ou seja, ligadas ao próprio objetivo de existência da companhia, segundo seus Estatutos vigentes ao longo do período fiscalizado. (...) 40. A questão reside, portanto, em tratar as atividades de Seguros, Cosseguros, Resseguros, dos Ramos Elementares, Vida e Previdência Privada Aberta; de Seguro-Saúde e de Cobertura de Custos Assistenciais de Saúde, e de Capitalização, exercidas pelas instituições financeiras que apresentam tais atividades expressamente previstas como objetos sociais de seus Estatutos, como efetiva prestação de serviços, ou seja, parte do faturamento, e por conseqüência, parte da base de cálculo do PIS e da COFINS" (fl.1133 - grifos no original e nossos). 3 Vide itens 35 e 36, às folhas 1131/1132 Fl. 1391DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/10/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10980.725458/2011-01 Acórdão n.º 3302-003.334 S3-C3T2 Fl. 1.388 9 A discussão nos autos inclui, ao que tudo indica, a definição do termo serviços, já que a recorrente alega que as receitas por ela adquiridas não podem ser tributadas, já que não configuram resultado de serviços. Seriam, de acordo com a contribuinte, receitas financeiras e não receitas brutas. Deve ser levado em consideração que o objeto social da empresa a define como instituição financeira que também presta serviços de seguros, cosseguros e resseguros dos ramos: Elementares, Vida e Previdência Privada Aberta, seguro-saúde e de cobertura de custos assistenciais de saúde 4 . Entendo que nas instituições financeiras, as receitas financeiras podem ter natureza de receitas de serviços, por não se tratarem de simples ganhos financeiros como ocorrem nas empresas comerciais e industriais. As instituições financeiras têm toda uma organização para prestação de serviços inseparáveis dos ganhos financeiros 5 . Por esse motivo entendo que as instituições financeiras não podem invocar o julgado do Supremo para se ver desobrigadas do recolhimento das contribuições. Isso porque estão submetidas a regramento próprio, diferente do dispositivo declarado inconstitucional 6 . Ademais, o § 5º do artigo 3º da Lei n. 9.718/98 - norma que rege a relação jurídico-tributária entre a recorrente e o Fisco - não foi declarada inconstitucional, mantendo-se válida e pertinente até a presente data. Com efeito, as receitas financeiras objeto desse processo são faturamento para a recorrente, mesmo sob o regime do conceito de faturamento declarado pelo STF, como as entradas havidas na sociedade em razão da venda de bens, de seus serviços ou a combinação de ambos. As receitas financeiras, nesse contexto e considerando a natureza da empresa da contribuinte, são produtos da venda de seus serviços, já que o preço que exigem para praticar as suas atividades - venda - é exatamente a receita financeira. O fato é que o STF exclui do conceito de faturamento somente as receitas não operacionais, ou seja, aquelas receitas que não decorrem da atividade regular explorada pela contribuinte, o que implica, por exemplo, na inclusão na base de cálculo das contribuições, de receitas financeiras para quem é instituição financeira. Nesse mesmo sentido é a decisão proferida pelo Ministro Herman Benjamin nos julgamento do Recurso Especial n. 1.268.127/ PR. Não menos importante - e ainda mais específica- é a conclusão a que chegou a 2ª Turma do STF no julgamento do Agravo Regimental no Recurso Extraordinário n. 400.479, de onde transcrevo o raciocínio adotado pelo Ministro Cezar Peluso (relator do acórdão): "Seja qual for a classificação que se dê às receitas oriundas dos contratos de seguro, denominadas prêmios, o certo é que tal não 4 A própria recorrente defende a classificação aqui adotada às fl.1288 5 In, IR Publicações Ltda, Boletim 12/94, pg. 151. 6 Motivo pelo qual o Recurso Extraordinário n. 609.096 foi afetado como paradigma de controvérsia, uma vez que a questão submetida naqueles autos trata sobre a incidência de PIS e COFINS sobre as receitas financeiras das instituições financeiras. De acordo com o Ministro Ricardo Lewandowski, a questão que é essencial é definir o conceito de faturamento para essas contribuintes. Fl. 1392DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/10/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA 10 implica na sua exclusão da base de incidência das contribuições para o PIS e COFINS, mormente após a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei n. 9.718/98 dada pelo Plenário do STF. É que, conforme expressamente fundamentado na decisão agravada, o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária em comento envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais". (grifos nossos). Por fim, a recorrente requer o sobrestamento do processo sob análise já que aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal o paradigma da controvérsia dos autos - Recurso Extraordinário n. 609.096/RS. No entanto, tal proposta não encontra amparo no Regimento Interno deste Conselho vigente. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Lenisa Prado - Relatora Fl. 1393DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 06/10/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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