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Numero do processo: 10980.902769/2008-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3401-000.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Júlio Ramos, que negava provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente Drª ª Michelle Heloise Akel OAB/PR 27575.
JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator
Julio Cesar Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Raquel Mota Brandão Mintael e Fernando Marques Cleto Duarte
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Júlio Ramos, que negava provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente Drª ª Michelle Heloise Akel OAB/PR 27575. JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator Julio Cesar Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Raquel Mota Brandão Mintael e Fernando Marques Cleto Duarte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1417; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 86 1 85 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.902769/200897 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401000.680 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 20 de março de 2013 Assunto PER/DCOMP Recorrente CCV COMERCIAL CURITIBANA DE VEÍCULOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Júlio Ramos, que negava provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente Drª ª Michelle Heloise Akel OAB/PR 27575. JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator Julio Cesar Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Raquel Mota Brandão Mintael e Fernando Marques Cleto Duarte RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 02 76 9/ 20 08 -9 7 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10980.902769/200897 Resolução nº 3401000.680 S3C4T1 Fl. 87 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de compensação no valor de R$ 2.316,46 de PIS não cumulativo referente ao período de apuração abril/2003. A DRF/Curitiba emitiu Despacho Decisório, no qual consta que foi localizado o pagamento referente ao DARF em questão, mas verificouse que ele foi integralmente utilizado para quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível, razão pela qual não foi homologada a compensação declarada. Cientificada da decisão, a interessada protocolou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que: Para o período de apuração em discussão, teria efetuado mais de um recolhimento a título de contribuição ao PIS , nos valores de R$ 24.042,96 e R$ 1.898,85, relativamente às receitas auferidas por sua matriz e filial, gerando um recolhimento total de R$ 25.941,81; Posteriormente, recalculou a contribuição devida, em face da redução à zero da alíquota de PIS sobre as vendas diretas do fabricante/montadora, prevista no art. 2º, § 2º, da Lei nº 10.485 de 2002, tendo então constatado que o valor efetivamente devido dessa contribuição seria assim composto: (a) código 6912 – R$ 19.507,18 e (b) código 8109 – R$ 2.316,46, conforme informou em DCTF, DIPJ e DACON retificadoras que foram anexadas aos autos; Independentemente da exclusão das referidas receitas decorrentes das comissões sobre as venda diretas, o DARF que indicou na PER/DCOMP contemplaria pagamento a maior ou indevido, que poderia aproveitar; Embora estivesse sujeita ao regime misto de incidência do PIS, recolheu, por engano, o montante que seria devido dessa contribuição em um único DARF, no código de receita 6912, inclusive o valor de R$ 2.316.46, que deveria ter pago sob o código de receita 8109; O referido crédito utilizado para a compensação do PIS8109 devido relativo à competência abril/2003, não se trata da tentativa de reduzir o tributo devido, mas de corrigir erro material no pagamento do DARF, a fim de que o regime misto de incidência do PIS, ao qual se submete a recorrente, seja respeitado. Em 9.2.2011, a 3º Turma da DRJ/CTA julgou a Manifestação de Inconformidade da contribuinte parcialmente procedente, sob os seguintes fundamentos: Quanto à alegação de inclusão indevida na base de cálculo de valores de comissões de vendas diretas, cumpre destacar que a interessada, juntamente com a Manifestação de Inconformidade apresentada, não trouxe provas capazes de corroborar a existência do referido direito creditório, no caso, a demonstração precisa e inequívoca das comissões nas vendas diretas do fabricante/montadora, de que trata o art. 2º, §2º, da Lei nº 10.485, de 2002, nem comprovou que tais comissões teriam sido objeto da incidência de PIS em alíquota diferente de zero por cento. Portanto, não se pode aceitar tal argumentação. Não é correto aceitar a alteração do valor originalmente informado em DIPJ/Dacon do PIS não cumulativo após a emissão do Despacho Decisório, posto que não Fl. 87DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10980.902769/200897 Resolução nº 3401000.680 S3C4T1 Fl. 88 3 restou comprovada nos autos a inclusão indevida na base de cálculo de valores de comissão de vendas diretas. A contribuinte foi cientificada da decisão em 21.2.2011 e protocolou recurso voluntário em 23.3.2011, tempestivamente, reiterando os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade e alegando, em síntese: No presente processo administrativo, a discussão não diz respeito ao direito creditório pela redução à zero da alíquota incidente sobre as comissões auferidas com as venda diretas e sim ao direito creditório havido com pagamento a maior do PIS no código 6912; Por cautela e para que não lhe fosse cobrada a contribuição relativa ao código 8109, a Recorrente imputou à chancela de “crédito” aos R$ 2.316,46, que já haviam sido recolhidos no mesmo DARF do PIS nãocumulativo. Feito isso, utilizou o referido crédito para a compensação do PIS8109 devido na própria competência 4/2003, pelo mesmo valor, mediante o PER/DCOMP ora em discussão; Como a compensação foi utilizada apenas para ajustar a quitação do PIS à sistemática mista a que se sujeita a recorrente, não há que se falar na cobrança dos acréscimos de multa moratória, razão pela qual, uma vez reconhecida a existência do direito creditório pleiteado, a homologação da PER/DCOMP é medida que se impõe; Por fim, a contribuinte requer a homologação da compensação da totalidade dos créditos por ela pleiteados. É o Relatório. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10980.902769/200897 Resolução nº 3401000.680 S3C4T1 Fl. 89 4 Voto Este recurso deve ser conhecido por apresentar os elementos de tempestividade e cumprir os pressupostos de admissibilidade. Em suma, a contribuinte protocolou pedido de compensação de créditos referentes ao PIS. Não logrando êxito em sua demanda, protocolou Recurso Voluntário onde defende a homologação dos créditos glosados referentes aos pagamentos a maior do referido tributo devendo estes ser compensados. Após a negativa de seu pedido, a contribuinte providenciou a DCTF retificadora, isto é, constituiu os créditos, porém não seria possível utilizálos na compensação pleiteada, tendo em vista o inciso IV do parágrafo 3º do art. 26 da Instrução Normativa nº. 600 de 28 de dezembro de 2005, que reproduzo abaixo: (grifamos) Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do formulário Declaração de Compensação (...), ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (...) § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (...) IV – o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; (...) Com isso, para a utilização destes créditos a contribuinte deveria emitir outra Declaração de Compensação, não sendo possível compensálos com os débitos presentes neste processo, os quais corretamente foram exigidos na decisão recorrida, tendo em vista que a DCTF constitui confissão de dívida, conforme o parágrafo 4º do art. 26 da Instrução Normativa 600 de 28 de dezembro de 2005, reproduzido abaixo: Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. (...) Fl. 89DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10980.902769/200897 Resolução nº 3401000.680 S3C4T1 Fl. 90 5 § 4º A Declaração de Compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Porém, tendo em vista o princípio da verdade material que deve reger o processo administrativo fiscal a obrigação da autoridade fiscal é verificar se os montantes pagos correspondem aos efetivamente devidos quando existe pedido de restituição, ressarcimento ou compensação, não obstante a falta de DCTF retificadora, evitando assim enriquecimento indevido por parte da Fazenda, independentemente do cumprimento ou não do aspecto formal. Sendo assim, é necessária diligência para verificar os montantes efetivamente pagos e aqueles que seriam devidos pela contribuinte e, existindo pagamento a maior, deve ser deferida a pretensão da contribuinte. Frente a todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que seja apurado o valor que é devido em cada um dos códigos (6912 e 8109), o valor que fora efetivamente pago e, sendo assim, se a contribuinte possui direito creditório em caso de pagamento a maior. Cientifiquese a contribuinte do resultado para, caso queira, manifestarse no prazo de 30 dias. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002100/2007-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2002, 2005
CRÉDITO-PRÊMIO DE IPI. MULTA ISOLADA POR NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPROCEDÊNCIA (ANO-CALENDÁRIO DE 2002).
Afasta-se a aplicação de multa isolada por não homologação de pedido de compensação por utilização do crédito de crédito-prêmio de IPI, tendo em vista a falta de previsão legal para tal.
COMPENSAÇÃO CRÉDITO PRÊMIO DE IPI. DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. AÇÃO RESCISÓRIA. INAPLICABILIDADE DA MULTA ISOLADA POR AUSÊNCIA DE INFRAÇÃO.
É indevida a aplicação da multa isolada se o contribuinte á época da apresentação das compensações possuía decisão judicial transitada em julgado que lhe autorizava a compensar.
Numero da decisão: 3302-001.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Vencidos, no recurso voluntário, a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó e, no recurso de ofício, o conselheiro Walber José da Silva. O conselheiro José Antonio Francisco apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral:a Dra. Juliana Borges - OAB/SP 181.562.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 28/01/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2002, 2005 CRÉDITO-PRÊMIO DE IPI. MULTA ISOLADA POR NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPROCEDÊNCIA (ANO-CALENDÁRIO DE 2002). Afasta-se a aplicação de multa isolada por não homologação de pedido de compensação por utilização do crédito de crédito-prêmio de IPI, tendo em vista a falta de previsão legal para tal. COMPENSAÇÃO CRÉDITO PRÊMIO DE IPI. DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. AÇÃO RESCISÓRIA. INAPLICABILIDADE DA MULTA ISOLADA POR AUSÊNCIA DE INFRAÇÃO. É indevida a aplicação da multa isolada se o contribuinte á época da apresentação das compensações possuía decisão judicial transitada em julgado que lhe autorizava a compensar.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Vencidos, no recurso voluntário, a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó e, no recurso de ofício, o conselheiro Walber José da Silva. O conselheiro José Antonio Francisco apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral:a Dra. Juliana Borges - OAB/SP 181.562. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 28/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2114; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 670 1 669 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.002100/200774 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3302001.877 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2012 Matéria MULTA ISOLADA Recorrentes SAB TRADING COMERCIAL EXPORTADORA S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002, 2005 CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. MULTA ISOLADA POR NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPROCEDÊNCIA (ANOCALENDÁRIO DE 2002). Afastase a aplicação de multa isolada por não homologação de pedido de compensação por utilização do crédito de créditoprêmio de IPI, tendo em vista a falta de previsão legal para tal. COMPENSAÇÃO CRÉDITO PRÊMIO DE IPI. DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. AÇÃO RESCISÓRIA. INAPLICABILIDADE DA MULTA ISOLADA POR AUSÊNCIA DE INFRAÇÃO. É indevida a aplicação da multa isolada se o contribuinte á época da apresentação das compensações possuía decisão judicial transitada em julgado que lhe autorizava a compensar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Vencidos, no recurso voluntário, a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó e, no recurso de ofício, o conselheiro Walber José da Silva. O conselheiro José Antonio Francisco apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral:a Dra. Juliana Borges OAB/SP 181.562. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 21 00 /2 00 7- 74 Fl. 684DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digit almente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES 2 (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 28/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase do Auto de Infração de multa isolada prevista no art. 18 da Lei n° 10.833/2003, com redação dada pelas Leis n° 11.051/2004 e 11.196/2005, tendo em vista a alegação de compensação indevida efetuada pela Interessada, que foram consideradas não declaradas, por envolverem a utilização de Créditos Prêmio de IPI . A exigibilidade do crédito estava, na data do lançamento, com a exigibilidade suspensa por força da Ação Cautelar Inominada n° 2005.01.0144723 da 21 Vara Federal do estado do Rio de Janeiro (art. 151, incisos II e IV do CTN). O auditor fiscal autuante assim resumiu a matéria em discussão: "Em 22.11.2005, o contribuinte apresentou diversas Declarações de Compensação, amparado em decisão judicial, tendo como crédito o crédito prêmio de IPI". Por força do § 13 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, a DCOMP considerada não declarada não constitui confissão de dívida, motivo pelo qual a autoridade competente deve constituir os créditos tributários que ainda não tenham sido lançados de oficio nem confessados, situação em que a aplicação da multa isolada prevista no § 4° da Lei n°10.833/2003, será lançado concomitantemente com a constituição do crédito tributário, por se tratar da multa especifica prevista quando o fato gerador de sua aplicação for a compensação indevida. A aludida multa será lançada isoladamente quando os débitos tiverem sido declarados em DCTF, abrangendo inclusive aqueles incluídos em DCTF retificadora, a qual substitui integralmente a anteriormente apresentada." 3. Ao Auto de Infração foram juntados os seguintes documentos: Do Processo n° 10768.006930/200148 de 18/09/2006, Informação GAB/DERAT/RJO, a qual verifica a situação dos débitos do processo (fls. 29/41); de 22/09/2006, Despacho DERAT/RJO, o qual aprova a referida Informação e determina uma série de medidas (fl. 42); Do Processo n° 15374.001666/200616 de 22/11/2005, Declaração de Compensação (fl. 60) Fl. 685DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digit almente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 18471.002100/200774 Acórdão n.º 3302001.877 S3C3T2 Fl. 671 3 de 22/12/2006 e 27/12/2006, Informação Disit n° 105/2006 e sua aprovação pelo Superintendente da 7ª Região Fiscal, a qual indefere recurso administrativo contra decisão que considerou Não Declarada Declaração de Compensação (fls. 61/64); Do Processo n° 15374.001667/200652 de 17/07/2006, decisão proferida pela DERAT/RJO, considerando não declarada a Decomp apresentada em 22/11/2005 (fls. 52/57); de 19/09/2006, aprovação pelo Delegado da DERAT/RJO da referida decisão da DERAT/RJO (fls. 58/59); de 28/11/2006 e 04/12/2006, Informação Disit n° 99/06 e sua aprovação pelo Superintendente da 7' Região Fiscal, que manteve a decisão que considerou não declarada a compensação que se pretendeu efetuar através do formulário Declaração de Compensação protocolado em 22/11/2005, com fundamento no art. 74, §§ 12 e 13, da Lei n° 9.430 e alterações posteriores, e que não fosse conhecido o pedido de esclarecimento à autoridade que 11110 promoveu o lançamento tributário (fls. 44150); de 21/12/2006, AR que dá ciência à Interessada da Informação Disit n° 9912006 (fl. 51); Da Medida Cautelar Inominada n°2005.02.01.0144723 de 14/12/2006, decisão do TRF da r Região no sentido de que a União Federal promova, imediatamente, a anotação da suspensão da exigibilidade dos créditos em todos os atos de constituição destes créditos tributários correspondentes à coisa julgada no mandado de segurança de n° 99.00166582, observada a liminar deferida nestes autos (fls.67/72); Do Memorando da DERAT para a DEFIC (fl. 43) de 26/03/2007, Memorando n° 229/2007/Derat/RJO/Gabin, que encaminha ao Delegado da DEFIC decisão da Superintendência Regional da Receita Federal da 7a Região Fiscal, proferida em razão de recurso hierárquico oposto à decisão que considerou não declaradas as compensações dos tributos abaixo relacionados : Código P.A Vencimento Valor Histórico 2484 09/2004 29/10/2004 R$ 5.748.474,14 2484 12/2004 31/01/2005 R$ 212.649,77 5856 09/2004 15/10/2004 R$ 107.736,98 Ata da Assembléia Geral Ordinária e Extraordinária Realizada em 23/05/2003 (fls. 74/81). Fl. 686DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digit almente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES 4 A Recorrente apresentou Impugnação onde discorre a cerca dos seguintes tópicos: a) Inexistência de Concomitância de Processos na Via Administrativa e na Via Judicial; b) Nulidade do Auto de Infração: Da Ausência de Indicação do Dispositivo Legal Infringido e da Penalidade Aplicada, uma vez que consta do Auto de Infração que seu fundamento legal é o artigo 18 da Lei n° 10.833/2003 (com redação dada pelas Leis n° 11.051/2004 e 11.196/2005) sem mencionar exatamente qual dos 5º parágrafos teria infringido. Aduziu que consta do Termo de Verificação Fiscal, anexo ao Auto de Infração, que a hipótese é de aplicação do "§ 4° da Lei 10.833/2003", sem menção explicita do artigo a que este pertencia; c) Do Mérito Ausência do Fato Gerador da Multa Isolada, uma vez que todas as compensações levadas a efeito seguiram os ditames legais e os exatos termos das decisões judiciais proferidas em seu favor no âmbito do Mandado de Segurança n° 99.00166582, impetrado na Justiça do Rio de Janeiro, inclusive com trânsito em julgado. Neste tópico, aduziu também que: 1. não consta da peça fiscal ou de seus anexos nenhuma justificativa para a aplicação da multa isolada, ou da razão pela qual as compensações realizadas foram consideradas indevidas ou não declaradas, bem como não foi apresentado qualquer demonstrativo das bases de cálculo utilizadas pela fiscalização para a aplicação da malsinada multa regulamentar; 2. em uma tentativa de localizar a base de cálculo da referida multa e, via de conseqüência, saber a quais pedidos de compensação ou declarações tais base de cálculo se referem, a Impugnante presumiu que o percentual de multa aplicado foi de 75% (quando na verdade a Lei 10.833/2003 prevê diversas alíquotas de multas isoladas: 150% (art. 18, § 2°); 75% (art. 18, § 4°, inciso I); 150% (art. 18, § 4°, inciso II); 112,5% ou 225% (art. 18, § 5°)); que se presumindo a aplicação de uma multa no percentual de 75%, a Impugnante calculou, então, quais seriam os valores das próprias compensações (100%), para, assim, tentar localizar os respectivos processos administrativos em que teriam sido proferidas decisões contrárias às compensações; 3) partindo deste critério, a Impugnante localizou valores que poderiam ser aqueles tomados pela fiscalização para a lavratura do Auto de Infração e presumiu que os processos que deram origem a multa isolada foram os processos 15374.001666/2006 1615374.001667/200652, cujas compensações foram consideradas não declaradas e até o momento não havia sido efetuado nenhum lançamento decorrente, tendo a autoridade se limitado a determinara a formalização de processo de representação fiscal; 4) qualquer lançamento válido de “multa isolada” requer a necessária prova da ocorrência do fato constitutivo da infração, ou seja, da existência de decisão definitiva declarando a irregularidade das compensações o que, como já visto, nunca ocorreu no caso ora versado; 5) devese ter em conta a disposição legal contida no § 3º do artigo 18 da Lei 10.833/2003 que prevê que "ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere Fl. 687DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digit almente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 18471.002100/200774 Acórdão n.º 3302001.877 S3C3T2 Fl. 672 5 este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente" d) Decadência do Direito de Aplicar Multa Isolada e da Irretroatividade da Lei n° 11.051/2004, relatando, em síntese, que: 1) o fato de as compensações terem sido praticadas (à época) ao abrigo de decisão judicial, proferida em mandado de segurança (Mandado de Segurança n° 99.0016658 2/21' Vara Federal/RJ e MAS n° 2001.02.01.0470300/TRF da 2º Região, transitado em julgado em 03/10/2005), não impediu a União/Fazenda Nacional de efetuar o lançamento para evitar a decadência de seu direito, pois, mesmo em casos com esse, de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, o dever administrativo de constituir os valores que pretenderá exigir subsiste, tal como prescreve o art. 63, da Lei n° 9.430/1996; 2) os processos de ressarcimentos aos quais estas compensações estão vinculadas são os de nos 10768.006930/200148, 10768.101294/200418 e 10768.003496/200497, conforme discriminado abaixo: Tributo Apuração Valor (R$) Processo Data do Ressarcimento 2484 31/12/01 4.284.100,42 10768.006930/200148 23/01/02 2362 31/12/01 6.674.044,37 10768.006930/200148 23/01/02 1708 31/08/02 12.592,34 10768.006930/200148 05/09/02 2484 30/09/04 5.748.474,14 10768.101294/200418 22/11/05 2484 31/12/04 212.649,77 10768.101294/200418 22/11/05 5856 29/02/04 8.495,12 10768.101294/200418 22/11/05 5856 30/09/04 107.736,98 10768.101294/200418 22/11/05 2484 31/12/02 1.982.588,67 10768.003496/200497 22/11/05 2484 31/10/03 880.850,77 10768.003496/200497 22/11/05 2484 30/11/03 352.718,40 10768.003496/200497 22/11/05 2484 31/12/03 4.067.405,11 10768.003496/200497 22/11/05 3) referidos processos de ressarcimento, conforme demonstrado na planilha anexa (Anexo 4, fls. 189/190), contemplam apenas e tãosomente créditos de crédito prêmio de IPI decorrentes de exportações realizadas entre 1985 e 2002, portanto, anteriores à edição das Leis 10.833/2003 e 11.051/2004, pelo quê todas as compensações realizadas até o integral aproveitamento desses créditos, nascidos entre os anos 1985 e 2002 e formalizados entre julho de 2001 e junho de 2004, devem ser admitidas sem as restrições trazidas por normas posteriores, e nesse sentido, já pacificou o entendimento o STJ, conforme acórdão juntado; 4) nos termos do que já pacificou o STJ, as Leis 10.833/2003 e 411 11.051/2004 se pudessem desrespeitar a coisa julgada favorável à Impugnante, o que jamais se aceitará e ora se admite apenas para argumentar, não podem ser aplicadas aos créditos nascidos antes do início de sua vigência; Fl. 688DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digit almente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES 6 e) Inaplicabilidade da Lei 11.051/2004 ao Presente Processo — Existência de Coisa Julgada , alegando que: 1) conforme já visto, a fiscalização, partindo de decisões administrativas que, ilegal e abusivamente, consideraram como não declaradas algumas compensações realizadas pela Impugnante (a teor do inciso II, § 12, da Lei 9.430/1996), aplicou multa isolada por meio do Auto de Infração ora combatido. Ocorre, todavia, que a imposição da multa isolada é improcedente porque o fato jurídico da infração que lhe dá ensejo (compensação não declarada) foi constituído pela DERAT/RJO em total desrespeito à ordem jurídica e às decisões judiciais, vigentes, que asseguram à Impugnante o direito à compensação do créditoprêmio de IPI; 2) por serem as compensações da Impugnante vinculadas ao Mandado de Segurança n° 99.00166582 (tanto é assim que o Auto de Infração em tela foi lavrado tão somente para prevenir a decadência), a proibição de compensar créditoprêmio de IPI, prevista na Lei 11.051/2004, não se aplica de forma alguma, em respeito à coisa julgada; 3) na realidade, desde a concessão da segurança naquele feito, a Impugnada tem se colocado acima das decisões e imposições judiciais, menosprezando e ignorando a coercitividade das normas jurídicas individuais e, de todas as formas, eximindose do seu cumprimento. Como exemplo citou glosa efetuada em processo n10768.006930/200148, em que a Divisão de Fiscalização da Impugnada, ao auditar aquele pedido de ressarcimento, concluiu que a Impugnante "pleiteou ressarcimento de créditos decorrentes de exportações ocorridas há mais de cinco anos”, decisão que foi revista pelo Desembargador Federal Castro Aguiar, então relator da Apelação n° 2001.02.01.0470300 (referente ao MS n° 99.00166582), que determinou ao Fisco o cancelamento da glosa que havia realizado naquele processo administrativo, exatamente porque tal atitude constituía descumprimento de medida judicial (Anexo 07, fls. 255/256); 4) Conforme pode ser visto no despacho juntado (Anexo 08, fl. 259): "Em assim sendo, deixo claro que a decisão proferida em 12.06.03, objeto da comunicação consubstanciada no Oficio n° 542/03SUBJ2T (fl. 584), abrange todos os créditos a que a peticionária fizer jus, no âmbito do mandado de segurança de que se cuida." 5) a Fazenda Nacional promoveu ações cautelar e rescisória perante o TRF 2ª Região (Processos n° 2005.02.01.0144723 e n° 2006.02.01.0004164 —Anexo 09, fls. 262/278) visando a suspender e a desconstituir os efeitos da coisa julgada formada em favor da Impugnante nos autos do referido Writ, e que na medida cautelar, o fisco obteve, inicialmente, liminar para a suspensão dos efeitos dos acórdãos transitados em julgado, estando impedido de desconstituir ou desconsiderar pedidos de ressarcimento e de compensação apresentados antes de 19/12/2005 (data da concessão da medida liminar), como é o caso das compensações sob exame. Posteriormente, em 12/04/2007, referida liminar foi ratificada pelo acórdão proferido pela r Seção Especializada daquele Tribunal, que dispõe que "não tem referida decisão o condão de desconstituir, desde logo, os efeitos da coisa julgada, ou seja, até o trânsito em julgado da decisão que resolver a ação principal, a União Federal deverá continuar, no que se refere aos pedidos de aproveitamento de créditos apresentados pela requerida, a observar o que já foi, por diversas vezes, esclarecido nesse processo"; 6) dessa forma, com base nas decisões supramencionadas, a Impugnante não poderá sofrer nenhum questionamento quanto à regularidade das compensações por ela realizadas para a extinção dos débitos tributários, uma vez que isto representará violação às decisões judiciais e ao artigo 156, inciso II, do CTN; Fl. 689DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digit almente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 18471.002100/200774 Acórdão n.º 3302001.877 S3C3T2 Fl. 673 7 7) assim, cabe dizer que a exigência de multa isolada é insubsistente porque as decisões que consideraram não declaradas as compensações realizadas pela Impugnante, bem como aquelas que indevidamente indeferiram o crédito formalizado, consubstanciam atos de flagrante desrespeito às decisões judiciais proferidas no MS n° 99.00166582 e na Ação Cautelar n° 2005.02.01.0144723, às quais se vincula a presente exigência, bem como violação ao direito adquirido, à moralidade administrativa e à legalidade (artigo 50, caput, da Constituição Federal), dentre outros; 8) nesse sentido, cabe mencionar que a Superintendência da Receita Federal da r Região Fiscal, na Solução de Consulta n° 451/05 (Processo administrativo n° 10768.006350/200584), emitida pela empresa que à época pertencia ao mesmo grupo da Impugrtante, quando ainda não haviam transitado em julgado as decisões judiciais proferidas if no MS n° 99.00166582/RJ, manifestou o seguinte entendimento (Anexo 10, fls. 281/287): "COMPENSAÇÃO — DIREITOS CREDITÓRIOS DE TERCEIROS — DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. As unidades da Secretaria da Receita Federal devem admitir a compensação de crédito reconhecido por decisão judicial vigente, ainda não transitada em julgado, quando referida decisão, além de ter reconhecido o crédito do sujeito passivo para com a União, relativo a tributo ou contribuição administrado pela. Secretaria da Receita Federal, também reconheceu o direito à utilização do referido crédito, antes do trânsito em julgado da decisão, na compensação de débitos relativos aos tributos e contribuições administrados pelo órgão. Caberá às autoridades administrativas das unidades jurisdicionantes dos contribuintes envolvidos (cedente e cessionário), no uso de sua competência, adotar as medidas cautelares destinadas a proteger os interesses da Fazenda Nacional, em face da possibilidade de revisão da decisão judicial, e estabelecer os ritos procedimentais para implementação da medida, suprindo, no que couber, as lacunas existentes na legislação atual, pela integração com a legislação revogada que admitia a compensação envolvendo créditos de terceiros." 9) por essas razões, os procedimentos adotados pela Impugnante, com relação à formalização de seu crédito e às compensações de seus débitos, estão consentâneos com as decisões judiciais que transitaram em julgado a seu favor, sendo incogitável afirmarse o contrário, ou seja, que tais compensações seriam irregulares ou que pudessem ser consideradas não declaradas, sendo de rigor o cancelamento da imposição da multa ora impugnada; f) Do Pedido que, pelo exposto, requer: a) o seguimento do curso normal do processo administrativo, nos termos do artigo 151, III, do CTN; b) seja acolhida a presente Impugnação Administrativa para que seja julgado totalmente improcedente o Auto de Infração no qual se pretende constituir, indevidamente e em descumprimento da legislação que rege a matéria, multa, isolada sobre Fl. 690DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digit almente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES 8 compensações regularmente efetuadas pela Impugnante ao amparo de decisões judiciais transitadas em julgado; c) requer ainda, nos termos do que dispõe o § 3° do artigo 18 da Lei n° 10.833/2003, seja a autoridade fiscalizadora intimada a indicar os processos administrativos de compensação efetivamente relacionados ao presente feito, e que seja, ato continuo, determinada a reunião das peças processuais em um único processo para que os recursos apresentados pela Impugnante nos processos de compensação sejam decididos simultaneamente com a presente Impugnação. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem indeferir a solicitação em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados, ainda mais quando está comprovado ele tem pleno conhecimento dos fatos que quer fazer crer haver dúvidas a respeito. DECISÃO JUDICIAL. AÇÃO RESCINDENDA. AÇÃO RESCISÓRIA. DECISÃO ADMINISTRATIVA. O acórdão que julga procedente a ação rescisória substitui o acórdão rescindendo. A decisão na ação rescisória alcança a decisão rescindida de forma a desconstituir os seus efeitos ab initio. Assim, a decisão administrativa que vai ao encontro da decisão na ação rescisória é perfeitamente válida, ainda mais quando a ação rescindida sequer tratou da matéria abordada na decisão administrativa. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005, 2002 MULTA ISOLADA POR CUMPRIMENTO IRREGULAR DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DE DECLARAR COMPENSAÇÕES (ANOCALENDÁRIO DE 2005). No caso de Declaração de Compensação desconsiderada por se enquadrar em uma ou mais das hipóteses previstas no § 12 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004, exigese, tendo em vista o cumprimento irregular da obrigação acessória de declarar as compensações, multa isolada de 75% (no caso de não ocorrência de fraude) sobre o total do débito (tributos ou contribuições) indevidamente compensado, por força do que dispõe o art. 18, § 40, I, da Lei n° 10.833, de 2003, com a redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004 e pela Lei n° 11.196, de 2005. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digit almente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 18471.002100/200774 Acórdão n.º 3302001.877 S3C3T2 Fl. 674 9 CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. MULTA ISOLADA POR NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DEPREVISÃO LEGAL. IMPROCEDÊNCIA (ANO CALENDÁRIO DE 2002). Afastase a aplicação de multa isolada por não homologação de pedido de compensação por utilização do crédito de crédito prêmio de IPI, tendo em vista a falta de previsão legal para tal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A partir desta decisão forma mantidos e exonerados os créditos abaixo discriminados: Código PA Valor Original Auto de Infração Mantida Exonerada 2484 set04 5.748.474,14 4.311.355,61 4.311.355,61 2484 dez/04 212.649,77 159.487,33 159.487,33 5856 set/04 107.736,98 80.802,74 80.802,74 5856 fev/04 8.495,12 6.371,34 6.371.,34 2484 dez/02 1.982.588,67 1.486.941,50 1.486.941,50 2484 out/03 880.850,77 660.638,08 660.638,08 2484 nov/03 352.718,40 264.538,80 264.538,80 2484 dez/03 4.067.405,11 3.050.553,83 3.050.553,83 2362 dez/01 6.674.044,37 5.005.533,28 5.005.533,28 2484 dez/01 4.284.100,42 3.213.075,32 3.213.075,32 1708 ago/02 12.592,34 9.444,25 9.444,25 Total 18.248.742,08 10.020.689,23 8.228.052,85 Contra esta decisão foi apresentado Recurso Voluntário onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada. Também houve Recurso de Ofício relativo a parte cancelada. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE GOMES Conforme se depreende do relatório acima transcrito, o presente processo versão sobre a aplicação da multa isolada do art. 18 da Lei 10.833/03, por conta de decisões administrativas que consideraram como não declaradas as compensações realizadas pela Recorrente a partir de créditos decorrentes de pedidos de restituição de créditos prêmio de IPI. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digit almente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES 10 Em sua defesa, a Recorrente alega que seus procedimentos estão albergados por decisão transitada em julgado, proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 99.00166582, proposta junto a Justiça Federal do Rio de Janeiro. A DRJ manteve parcialmente o lançamento, tendo cancelado o auto de infração em relação às compensações controlados no processo de ressarcimento nº 10768.006930/200148, tendo em vista a ocorrência da homologação tácita das compensações efetuadas. Contra esta decisão houve recurso de oficio, que passo a analisar. As compensações vinculadas ao processo nº 10768.006930/200148 foram protocoladas em 23/01/02 (duas compensações) e 25/11/02, tendo o despacho decisórios que as reconheceu como não declaradas sido cientificado em 19/12/07, ou seja, já transcorridos mais de 5 anos. Porém, o motivo do cancelamento destas compensações foi outro, qual seja, a inexistência de previsão para a aplicação de multa isolada para compensações indeferidas, ou seja, não homologadas somente passou a existir com o advento do art. 18. da Lei 10.833/03. No momento do protocolo das declarações de compensação, esta em vigor o disposto no art. 90 da MP nº 2.158/2001, que assim prescrevia: Art.90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Somente com o advento da Lei 10.833/03 é que passou a ser aplicável a multa de oficio isolada nos casos de compensação indevida, restringindose, contudo, aos casos de o crédito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou nos casos de fraude, conluio ou sonegação, como vemos: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme o caso. § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão Fl. 693DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digit almente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 18471.002100/200774 Acórdão n.º 3302001.877 S3C3T2 Fl. 675 11 reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. Não podendo a lei tributária retroagir seus efeitos, ainda mais em se tratando de aplicação de multas punitivas, correta a decisão da DRJ que cancelou as multas aplicadas às três compensações protocoladas no ano de 2002. Neste sentido, NEGO PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. Em relação ao Recurso Voluntário tenho que o mesmo é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Inicialmente, fazse necessário, a fim de melhor enquadrar à matéria tratada no presente processo, a ilustração das principais decisões judiciais proferidas no Mandado de Segurança nº 99.00166582, bem como nos processos dele decorrentes. Assim, temos o seguinte quadro. Data Histórico jul/99 fls. 192 Impetrado MS nº 99.00.166582 nov/99 Deferida medida liminar no AI 99.02.294464, que transitou em julgado em 04/10/00 mai/01 fls. 214 Sentença procedente para determinar a autoridade impetrada que enquadre nas hipóteses de restituição, resarcimento ou compensação previstas na IN SRF nº 21, de 10 de março de 1997, alterada pela IN SRF nº 73, de 15 de março de 1997, o crédito prêmio instituído pelo DecretoLei nº 491, de 1969. set/02 fls. 440 Acórdão que nega provimento ao remessa oficial e a apelação da Fazenda. mar/03 fls, 470 Negado provimento aos Embargos de declaração propostos pela Fazenda Nacional jun/03 fls. 580 Decisão relator do processo no TRF que determina: Ora, essas glosas estão afastadas das decisões judiciais proferidas. E, em assim sendo, determino que a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro DERAT/RJ; a) tomá sem efeito as decisões que promoveram glosas nos valores do créditoprêmio de IPI já anteriormente conferidos e reconhecidos pela Receita Federal; b) expeça notas de compensação e dos respectivos DARF's no sistema SIAFI, relativas às compensações já realizadas ou a realizar. jun/03 fls. 592. Nova decisão do Relator em que determina: Parece até brincadeira que eu tenha de esclarecer e determinar o óbvio, num processo que se arrasta e no qual tenho eu de proferir decisões a todo momento, porque a Fazenda Nacional resolve, a todo instante, criar novos embaraços ao cumprimento das decisões judiciais nele já proferidas. Superada uma questão, cria outra. Em assim sendo, deixo claro que a decisão proferida em 12.06.03, objeto da comunicação consubstanciada no Oficio n° 542/03 SUB/2T (fl. 584), abrange todos os créditos a que a peticionária fizer jus, no âmbito do mandado de segurança de que se cuida. E também neste sentido determino. out/05 TRÂNSITO EM JULGADO DO MS 22/11/2005 Protocolo das compensações que originam o presente auto de infração. 19/12/2005 Liminar concedida em Ação cautelar preparatório de Ação Rescisória para suspender os efeitos da coisa julgada até o julgamento definitivo da ação rescisória. 1/1/2006 Ajuizada Ação Rescisória Fl. 694DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digit almente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES 12 14/3/2006 fls. 262 Decsião exarada pelo TRF que esclareçe o alcance da liminar deferida: Desse modo, não há que se falar em desconstituição dos pedidos de ressarcimento e compensações tributárias realizadas pela agravante, em razão da decisão liminar deferida nestes autos, uma vez que essa desconstituição somente é possível com a decisão final da ação rescisória. Ademais, apenas a execução do v. acórdão foi suspensa em sede de liminar. Portanto; concluise que à decisão às fls. 2055/2056, ao indeferir o pedido da agravante, extrapolou o contido a decisão que deferiu a liminar, uma vez que esta apenas determinou a suspensão dos efeitos e a consequente execução do v. Acórdão proferido na Apelação em Mandado de Segurança n° 2001.02.01.0470300, até a decisão definitiva da lide na ação rescisória. Posto isso, na forma do artigo 242 do Regimento Interno deste. Tribunal, reconsidero a decisão às fls. 2055/2058, determinando que seja oficiado à Procuradoria da Fazenda. Nacional e à Delegacia da Receita federal no Rio de Janeiro, para que cumpram a decisão liminar nos termos em que deferida, isto é, sem que seja levado a efeito a desconstituição dos pedidos de ressarcimento e compensações tributárias realizadas pela agravante, uma vez que apenas a execução do v. acórdão foi suspensa em sede de liminar, donde se conclui a possibilidade da realização dos atos tendentes a prevenir a eventualidade do direito e ao aperfeiçoamento dos créditos tributários respectivos ou à sua subsistência, como no caso dos lançamentos. jun/07 Decisão de provimento da cautelar e rescisória, com efeito ex tunc somente a partir do transito em julgado da ação rescisória. Segundo informações colhidas, a Ação Rescisória cujo acórdão foi favorável aos interesses da Fazenda Nacional no tocante ao mérito e se encontra em grau de Recurso Especial proposto pela Recorrente. Muito embora a Fazenda Nacional tenha revertido à decisão inicial sobre os efeitos da decisão proferida na Ação Rescisória, a Recorrente, por meio de Embargos Declaratórios, restabeleceu o efeito extunc a partir do trânsito em julgado da ação revisional. Tal decisão também se encontra no STJ a espera do julgamento do Recurso Especial proposto pela Fazenda Nacional. Feito este breve relato, é possível concluir que: a) a Recorrente interpôs Mandado de Segurança que garantiu a utilização dos créditos premio de IPI em suas compensações; b) referida decisão transitou em julgado em outubro de 2005, tendo as compensações questionadas sido protocoladas em novembro de 2005, já sob o manto da decisão judicial e da coisa julgada; c) que somente em janeiro de 2006 a PGFN obteve liminar para suspender os efeitos da coisa julgada e que tal liminar se limitou a suspender execução da sentença, não podendo afetar as compensações já realizadas; e d) ainda se encontram sob julgamento a decisão proferida na Ação Rescisório, bem como seus efeitos, sendo possível indeferir que hoje está prevalecendo o efeito extunc a partir da decisão transitada em julgado na Ação Rescisório. A partir destas conclusões, tenho, a meu ver, que analisar a possibilidade e pertinência da aplicação da multa de oficio isolada no caso concreto,ou ainda, tendo em vista a pendência de decisão judicial definitiva sobre a rescisão da sentença transitada em julgado e os efeito (extunc ou exnunc) que será dado a esta decisão. Em relação à primeira questão posta, parto do seguinte questionamento: É possível aplicarse multa de oficio isolada a contribuinte que promoveu compensações com base em decisão judicial transitada em julgado? Penso que não! Fl. 695DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digit almente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 18471.002100/200774 Acórdão n.º 3302001.877 S3C3T2 Fl. 676 13 Como já destacado acima, a Recorrente promoveu, em novembro de 2005, compensações de débitos seus com créditos relacionados ao DecretoLei 491, ou seja, com créditos prêmios de IPI. Ocorre que tal atitude, no caso sob análise, se efetivou após o trânsito em julgado da decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança nº, fato que ocorreu em outubro de 2005. Ou seja, é inconteste que quando da apresentação das declarações de compensação que lastrearam o presente lançamento, a Recorrente poderia fazêlo posto que possuía decisão judicial lhe acobertando. A Recorrente, de forma zelosa e de boafé, buscou seu direito junto ao Poder Judiciário e após vêlo reconhecido, utilizou os créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado para quitação de seus débitos. E por conta disso está sendo punida com a aplicação der multa de oficio isolada. Tanto tinha decisão judicial a seu favor que, em outros processos em que a Recorrente teve seus créditos glosados pela Receita Federal, imediatamente obteve respaldo judicial que determinou o cancelamento destas glosas, senão vejamos: “determino que a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro DERAT/RJ; a) tomá sem efeito as decisões que promoveram glosas nos valores do créditoprêmio de IPI já anteriormente conferidos e reconhecidos pela Receita Federal; b) expeça notas de compensação e dos respectivos DARF's no sistema SIAFI, relativas às compensações já realizadas ou a realizar” Sobre a aplicação da multa de oficio isolada assim determina o dispositivo legal da Lei 10.833/03: § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose os percentuais previstos: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) I no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005) II no inciso II do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005) Entendo que, no presente caso não se pode falar em ato deliberado de vontade da Recorrente no sentido de em detrimento de previsão legal, promoverse compensação sabidamente indevida, o que a meu ver é o que se pretende punir com a aplicação da multa de oficio isolada. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digit almente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES 14 Lembro que somente em janeiro de 2006 foi concedida liminar na ação cautelar preparatória da Ação Rescisória, para suspender a execução da sentença transitada em julgado. O despacho judicial, proferido em 16/03/2006, assim expressamente determinou: (...). Posto isso, na forma do artigo 242 do Regimento Interno deste. Tribunal, reconsidero a decisão às fls. 2055/2058, determinando que seja oficiado à Procuradoria da Fazenda. Nacional e à Delegacia da Receita federal no Rio de Janeiro, para que cumpram a decisão liminar nos termos em que deferida, isto é, sem que seja levado a efeito a desconstituição dos pedidos de ressarcimento e compensações tributárias realizadas pela agravante, uma vez que apenas a execução do v. acórdão foi suspensa em sede de liminar, donde se conclui a possibilidade da realização dos atos tendentes a prevenir a eventualidade do direito e ao aperfeiçoamento dos créditos tributários respectivos ou à sua subsistência, como no caso dos lançamentos. Ou seja, a decisão proferida em nenhum momento autorizou a análise e indeferimento dos pedidos de compensação, e muito menos autorizou o lançamento da presente multa de oficio isolada, muito ao contrário, a meu ver vedou sua aplicação. Sobre o tema, Hugo de Brito Machado e Hugo de Brito Machado Segundo1, lecionam com clareza peculiar: “Desde Beccaria entendese que as punições, além de estarem necessáriamente previstas em lei, devem ser razoáveis e guardar relação com a gravidade do ilícito a que visam coibir. As sanções devem ser impostas à luz da prática de atos efetivamente reprováveis, que malfiram ou ponham em risco bens juridicamente tutelados. Não é lícito ao legislador definir infrações de modo caprichoso ou arbitrário, tornando puníveis atos que não ameaçam nem agridem bens tutelados juridicamente. Essa idéia tem sido reforçada nos dias atuais, com o reconhecimento das insuficiências do positivismo jurídico. Tem ganhado difusão teorias que se dizem póspositivistas, e que procuram estabelecer limites metajurídicos à produção normatriva do Estado. Um desses limites é o princípio , ou postulado, da razoabilidade, (...) As sanções,sejam elas administratibas ou penais, pecuniárias ou não, como se sabe, não são um fim em si mesmo. São meios para atingir fins consagrados constitucionalmente. A punição do homicídio, por exemplo, é um meio de atingir o fim que é a proteção à vida. Por isso, como todo meio, as punições devem ser proporcionais para chegar as fins a que se destinam A Lei nº 9.784/00, assim orienta: 1 RDDT 123. pg 109 Fl. 697DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digit almente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 18471.002100/200774 Acórdão n.º 3302001.877 S3C3T2 Fl. 677 15 Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) II atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total ou parcial de poderes ou competências, salvo autorização em lei; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; (...) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. Neste sentido, não é crível a aplicação da multa de ofício isolada no presente caso já que a Recorrente não afrontou, em nenhum momento o disposto no § 122 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, uma vez que o mesmo não se aplicava a ela por expressa determinação judicial transitada em julgado. Destaco que em nenhum momento estou analisando a legalidade no dispositivo legal inserido na Lei 9.430/96 por meio da Lei nº11.051/04, uma vez que tal 2 § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I previstas no § 3º deste artigo; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) II em que o crédito: (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 5 de março de 1969; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) c) refirase a título público; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) f) (Vide Art. 29 da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008) f) tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei, exceto nos casos em que a lei: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) 1. tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) 2. tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) 3. tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) 4. seja objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) Fl. 698DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digit almente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES 16 possibilidade é vedada ao julgador administrativo. O que entendo no presente caso é que ela não se aplica para a Recorrente. Trago a baila, ainda, o que determina o art. 63 da Lei 9.430/96: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Ora, se nos casos em que há suspensão da exigibilidade do tributo é proibida a aplicação de multa de oficio, muito mais quando estamos diante de decisão transitada em julgado. Por todo o exposto, entendo por inaplicável ao presente caso a multa de ofício isolada prevista no art. 18 da Lei 10.833/03 diante da inocorrência da infração nela prevista. É como voto. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Declaração de Voto Conselheiro José Antonio Francisco Apresento a declaração de voto apenas para esclarecer algumas questões adicionais que me fizeram acompanhar o voto do Relator. O que se verifica, no presente caso, é a dúvida quanto à efetiva ocorrência da hipótese de aplicação da multa, o que permite seu afastamento com base no art. 112, II, do Código Tributário Nacional. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digit almente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 18471.002100/200774 Acórdão n.º 3302001.877 S3C3T2 Fl. 678 17 Primeiramente, há dúvida se a Fiscalização teve a intenção de lavrar o auto de infração na forma do art. 63 da Lei n. 9.430, de 1996, com a finalidade de prevenir a decadência. O auto de infração é confuso, pois somente na folha inicial (fl. 26) traz essa informação, mas a matéria não é tratada no termo de verificação fiscal (fls. 24 e 25). Portanto, embora o auto de infração tenha sido lavrado com a exigibilidade suspensa, não houve fundamentação adequada para justificar a suspensão (e, de fato, não há). Ademais, à época da declaração de compensação, não havia liminar, não havia ação rescisória, nem medida cautelar. Tais fatos, ocorridos posteriormente, não poderiam obviamente retroagir para se tornarem condição da prática de infração que justificaria a multa. Vale dizer, não se pode absolutamente afirmar que, se não houvesse a ação rescisória, haveria a lavratura do auto de infração. A própria ação rescisória demonstra que a compensação seria possível, caso contrário ela sequer seria necessária, uma vez que a multa decorre da suposta impossibilidade de compensação. Dessa forma, pela aplicação do art. 112, II, do CTN, não se pode considerar a conduta da Recorrente como infração. À vista do exposto, acompanho o voto do Relator. (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO – Conselheiro. Fl. 700DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digit almente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 10976.000507/2009-36
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. TRIBUTAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. POSSIBILIDADE.
A partir da vigência do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cabe ao contribuinte demonstrar a regular procedência dos valores depositados em suas contas bancárias, mediante a apresentação de documentos que demonstrem o liame lógico entre prévias operações regulares e os depósitos dos recursos em contas de sua titularidade, pena de serem estes reputados como rendimentos omitidos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e José Valdemir da Silva que davam provimento ao recurso para excluir da base de cálculo o valor correspondente aos rendimentos declarados.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Márcio Henrique Sales Parada e Carlos César Quadros Pierre. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luís Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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TRIBUTAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. POSSIBILIDADE. A partir da vigência do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cabe ao contribuinte demonstrar a regular procedência dos valores depositados em suas contas bancárias, mediante a apresentação de documentos que demonstrem o liame lógico entre prévias operações regulares e os depósitos dos recursos em contas de sua titularidade, pena de serem estes reputados como rendimentos omitidos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e José Valdemir da Silva que davam provimento ao recurso para excluir da base de cálculo o valor correspondente aos rendimentos declarados. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 05 07 /2 00 9- 36 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10976.000507/200936 Acórdão n.º 2801003.014 S2TE01 Fl. 222 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Márcio Henrique Sales Parada e Carlos César Quadros Pierre. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luís Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 318.188,08, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido verificado, na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, exercício 2006, omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito mantidas em instituições financeiras em relação às quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados. Consta do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 11/14 deste processo digital, que: No ano de 2005 o contribuinte realizou movimentação financeira no Banco Bradesco S/A no total de R$ 385.666,71 e no Banco Itaú S/A no montante de R$ 436.115,87. Apresentou sua DIRPF em modelo completo em 27.04.2006, onde declarou rendimentos de R$ 7.000,00 recebidos de pessoa jurídica e R$ 15.400,00 de pessoas físicas. Foi intimado, em 2008, a apresentar esclarecimentos e documentos sobre sua movimentação bancária relativa ao ano de 2005. Em 22.07.2008 apresentou justificativas e extratos de sua movimentação bancária. Após análise dos extratos bancários foi enviado nova intimação ao contribuinte, detalhando quais depósitos bancários deveriam ser justificados. Apresentou alegações no sentido de que toda a movimentação financeira em suas contas pessoais era oriunda de sua atividade profissional, compra e venda de mercadorias para o seu supermercado e recebimento de pagamentos realizados, bem como de atividade própria de vendedor autônomo e técnico em manutenção autônomo. No tocante aos valores creditados nas contas correntes dos Bancos Itaú S/A e Bradesco S/A o contribuinte não conseguiu comprovar, de forma inconteste, a origem dos valores depositados. Nenhum do documento apresentado coincide em data e valor com os depósitos efetuados nas contas. Ante a falta de documentação legal que justifique a movimentação financeira, caracterizouse a omissão de rendimentos no período aventado, uma vez não comprovada a origem dos aludidos recursos creditados nas contas mantidas pelo contribuinte, conforme extratos bancários por ele mesmo apresentados. Com base nos extratos e na descrição mês a mês apresentada pelo contribuinte elaborouse o “Demonstrativo Mensal dos Valores de Origem não Comprovada” Fl. 222DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10976.000507/200936 Acórdão n.º 2801003.014 S2TE01 Fl. 223 3 (fl. 13 deste processo digital), mediante análise individual dos créditos depositados nas contas correntes, desconsiderando os créditos decorrentes de estorno e de origem comprovada. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 173/181 deste processo digital, que foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 187/197, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. PRESUNÇÃO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário). Cabe ao Fisco simplesmente provar a ocorrência do fato indiciário; e ao contribuinte cumpre provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. ADEQUAÇÃO DA PRESUNÇÃO LEGAL. VINCULAÇÃO DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. Descabe ao julgador administrativo discutir se a presunção estabelecida em lei é adequada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei nº 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de rendimentos (art. 42, caput, da Lei nº 9.430/1996). DEPÓSITO BANCÁRIO. ARGUMENTAÇÃO DE QUE O DEPÓSITO BANCÁRIO É ORIGINADO DA ATIVIDADE DE EMPRESA INDIVIDUAL. ARGUMENTAÇÃO DE QUE OS RECURSOS PERTENCEM À EMPRESA. No caso de argumentação de que a movimentação financeira na conta corrente é proveniente de empresa individual e de que o recurso é pertencente à empresa, a comprovação da origem dos créditos bancários, para os efeitos do artigo 42 da Lei nº 9.430/96, darseá com apresentação de documentação que demonstre a transferência de recurso do caixa da empresa para Fl. 223DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10976.000507/200936 Acórdão n.º 2801003.014 S2TE01 Fl. 224 4 a conta corrente sob fiscalização, e, também, com apresentação de documentação que demonstre débito na conta corrente destinado a pagamento de obrigação da empresa. Cientificado da decisão de primeira instância em 29/09/2011, o Interessado interpôs, em 27/10/2011, o recurso de fls. 203/215. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Mantinha contas correntes nas quais efetuava os depósitos de toda a sua movimentação financeira (pessoa física e firma individual) e que constituíam o capital de giro de sua microempresa, que girava sob o nome de fantasia “Supermercado Pague Menos”, no pequeno município de Senhora dos Remédios. A decisão recorrida deve ser reformada, pois contraria a Lei nº 9.430/1996, o Regulamento do Imposto de Renda – RIR e, ainda, aos dispositivos que disciplinam o lançamento por arbitramento do IRPF. A interpretação dada pelo Poder Judiciário ao art. 42 da Lei nº 9.430/1996 é diversa daquela apresentada na decisão recorrida. Cita ementas de acórdãos no sentido de que é ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários (Súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos TFR). Os depósitos bancários, por si só, não representam manifestação de riqueza, Consequentemente, não está a Administração Pública dispensada de provar o efetivo auferimento da renda, tampouco o contribuinte de fazer prova exaustiva para afastar a presunção. Não é possível subsistir os fundamentos da decisão recorrida de que há presunção de renda com base em depósitos bancários, ignorando a argumentação de que a movimentação financeira está relacionada à firma individual e não aos seus rendimentos. Parte da movimentação financeira verificada nas contas junto ao Bradesco e ao Itaú se referem a pagamentos feitos por clientes das pessoas representadas comercialmente pelo autuado. Tais valores eram repassados às representadas, retendose apenas as respectivas comissões, que foram declaradas em momento oportuno e tributadas. A diferença entre os valores debitados e creditados na conta do Bradesco, no importe de R$ 21.491,97, não pode ser interpretado como renda. Não é crível considerar que a única documentação hábil e idônea, para comprovar que a origem da movimentação financeira está no capital de giro da firma individual, seriam cópias de cheques, comprovantes de depósitos e livros contábeis da empresa com registro de transferência. Não houve mera alegação do contribuinte, mas prova de que os depósitos bancários, na forma que foram considerados, não poderiam ser classificados como renda líquida, e até mesmo como renda bruta seria um exagero, já que uma mesma quantia pode ter sido depositada várias vezes no decorrer do exercício, porque integrava o capital de giro da pessoa jurídica. Aponta pagamentos de notas fiscais relativas à aquisição de mercadorias pela pessoa jurídica com cheques provenientes das contas bancárias da pessoa física, que se encontram elencados no item 22 da peça recursal, às fls. 213/214. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10976.000507/200936 Acórdão n.º 2801003.014 S2TE01 Fl. 225 5 Os depósitos bancários originados de numerário resultante de vendas efetuadas por empresa comercial, ou de uma pessoa jurídica, não pode ser considerado como renda líquida ou como rendimento tributável da pessoa física que é, quanto ao nome, a própria pessoa jurídica. Admitida pelo Fisco a confusão entre o patrimônio ou receitas de uma pessoa jurídica com os da mesma pessoa física, não se pode presumir que o patrimônio ou receita da pessoa jurídica seja tido como rendimento omitido à tributação pela pessoa física. A Fiscalização não procedeu a qualquer levantamento ou fez qualquer restrição às declarações da pessoa jurídica. Não se pode tributar a pessoa física sem fiscalizar a pessoa jurídica. A conclusão é de que todos os depósitos são disponibilidades pessoais do Interessado e receita do movimento comercial da pessoa jurídica e da atividade de autônomo. Deveria o Fisco, ao menos, glosar dos supostos depósitos sem comprovação de origem, os valores objeto das notas fiscais pagas com cheques das contas bancárias analisadas. Pugna, ao final, pelo provimento do recurso, com a reforma da decisão recorrida e a improcedência do Auto de Infração. Alternativamente, pleiteia a retificação do lançamento para glosar a movimentação financeira comprovadamente realizada pela pessoa jurídica. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Dispõe o artigo 42, § 6°, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A leitura do caput do art. 42 revela que o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos quando o contribuinte, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados em contas de depósitos ou de investimentos. Como se percebe, o legislador oportuniza, ao titular da conta em que encontrados os recursos, a demonstração da sua procedência, mediante documentação hábil e idônea, o que evidencia tratarse de presunção relativa que apenas se desfaz com a justificação, pelo contribuinte, da origem dos recursos depositados nas contas bancárias. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10976.000507/200936 Acórdão n.º 2801003.014 S2TE01 Fl. 226 6 Nesse contexto, uma vez caracterizado o fato jurídico que dá suporte à presunção legal, cumpre ao contribuinte demonstrar a regular procedência dos valores depositados, mediante a apresentação de documentos que demonstrem o liame lógico entre prévias operações regulares e os depósitos dos recursos em contas de sua titularidade, pena de serem estes (os depósitos) reputados como rendimentos omitidos. Na espécie, o Recorrente não explica, de forma satisfatória, a origem dos valores depositados em suas contas bancárias, insistindo em afirmar que os depósitos são receitas oriundas das atividades de sua extinta microempresa e da atividade de autônomo, sem, contudo, apresentar qualquer prova documental que dê sustentação a essa afirmação. Essa alegação genérica, sem documentação que lhe dê suporte, perde qualquer plausibilidade quando se constata que a receita bruta declarada da microempresa “José dos Remédios da Silva”, no anocalendário 2005 (Declaração Anual Simplificada às fls. 64/82), importou no valor de R$ 103.212,00 e os rendimentos tributáveis oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual da pessoa física perfizeram R$ 22.900,00 (fl. 15), sendo que os depósitos de origem não comprovada totalizaram, no mesmo ano, R$ 546.113,77 (fl. 13). Assim, na completa ausência de prova material (materializada em documentos) da origem dos recursos, é razoável presumir que os valores creditados nas contas bancárias configuram renda, na medida em que o fato descrito na norma que contém a presunção (depósito sem origem) é relevante, enquanto hábil a revelar a capacidade contributiva relacionada com o fato previsto na norma que cria a obrigação tributária principal (renda). A indicação de pagamentos de notas fiscais relativas à aquisição de mercadorias pela microempresa com cheques provenientes das contas bancárias da pessoa física não tem o condão, por si só, de infirmar a presunção legal, porquanto destituída de documentação hábil que indique a origem dos recursos utilizados nos pagamentos. Em outras palavras: a indicação dos pagamentos, se realmente realizados na forma mencionada pelo Recorrente (não há prova inequívoca nos autos confirmando os pagamentos), demonstra apenas a aplicação ou consumo da renda, jamais a origem dos depósitos realizados nas contas bancárias. Registro, por oportuno, que no caso em apreciação não se cogita da aplicação da Súmula nº 182 do TFR, porquanto esta foi editada anteriormente às Leis nºs 8.021/1990 e 9.430/1996, que permitiram, respectivamente, o arbitramento de rendimentos com base em depósitos ou aplicações financeiras mediante a utilização de sinais exteriores de riqueza ou com base em presunção iuris tantum, somente elidível mediante prova robusta em contrário por parte do contribuinte. Observo, ainda, que o lançamento, além de encontrar base legal no artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, o que autoriza a sua lavratura com fulcro no art. 149, I, do Código Tributário Nacional CTN, não está amparado unicamente na existência dos depósitos, mas sim na ausência de elucidação, por parte do contribuinte, acerca da origem dos valores depositados, a autorizar a sua caracterização como receitas ou rendimentos omitidos. Assim, o objeto da tributação não são os depósitos bancários em si mesmos considerados, mas a omissão de rendimentos representada e exteriorizada por eles. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10976.000507/200936 Acórdão n.º 2801003.014 S2TE01 Fl. 227 7 Dessa forma, diante da não demonstração da origem dos valores depositados em contas de sua titularidade, bem como da ausência de qualquer início de prova que fundamente a explicação para o significativo volume de recursos que transitaram nas contas correntes do Interessado no período, incompatível com a renda declarada nas pessoas físicas e jurídica, mostrase legítima a tributação dos valores como se rendimentos omitidos fossem, na forma do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Face ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 227DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 10680.008191/2007-84
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou
inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo,
portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário
Nacional.
PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO
DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se
a ato ou fato pretérito, tratando-se
de ato não definitivamente julgado, quando
lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo
da sua prática.
Numero da decisão: 2403-001.197
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares por unanimidade de
voto, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência até a competência
11/2001, com base no art. 150, § 4º do CTN.
No mérito por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso
para afastar do cálculo da multa o Auxílio alimentação e que se recalcule o valor da multa, se
mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32-A
da Lei 8.212/91, na
redação dada pela Lei 11.941/2009.
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Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente CONTRIA CONSTRUÇÃO E CONSULTORIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares por unanimidade de voto, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência até a competência 11/2001, com base no art. 150, § 4º do CTN. No mérito por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso para afastar do cálculo da multa o Auxílio alimentação e que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Relator/Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Cid Marconi Gurgel de Souza, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.008191/200784 Acórdão n.º 2403001.197 S2C4T3 Fl. 366 3 Relatório Tratase de recurso contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, Acórdão n° 02.23.844 proferido pela 8ª Turma, que julgou procedente em parte o lançamento, aplicando a decadência com base no artigo 173 do CTN e retificando a competência de 01/2001. Também houve correção parcial das faltas e relevação de parte da multa. A comparação para determinação da multa mais benéfica ficou para ser realizada por ocasião do pagamento. A multa, cujo valor original era R$ 28.339,79, foi retificada para R$ 17.152,06. O Auto de Infração foi aplicado pela apresentação de Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes a todos fatos geradores das contribuições previdenciárias, o que constitui infração ao disposto na Lei 8.212/91, artigo 32, inciso IV, implicando na cominação da penalidade prevista no §5° do mesmo artigo. A empresa deixou de registrar no campo referente a "remuneração" da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social GFIP os valores pagos a titulo de abono de férias ( 01/1999 , 05/1999, 01/2000, 05/2000, 01/2001 e 04/2001 ), os valores referentes a alimentação concedida pela empresa aos seus empregados ( 01/1999 a 12/2005 ), os valores pagos a trabalhadores autônomos por serviços prestados ( 09/1999, 01/2001, 03/2002, 06/2002, 07/2002 e 10/2002), os valores pagos aos empresários a título de retirada prolabore ( 11/2002, 08/2003 a 12/2003 e 02/2005). A empresa também deixou de registrar no campo referente a "remuneração" o valor das remunerações pagas a alguns de seus empregados, nas competências 11/2002, 08/2003, 02/2004 a 12/2004 e 01/2005 . O período a que se refere a infração é de 01/1999 a 12/2005. Cientificada da decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso argumentando pela decadência com base no artigo 150, §4°, do Código Tributário Nacional e questionando a multa aplicada, citando alterações posteriores na legislação. É o relatório. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões levantadas pela recorrente. DECADÊNCIA O lançamento fundamentouse no artigo 45 da Lei 8.212/91. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade desse artigo, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN), o art. 173 ou o art. 150 (este último diz respeito ao lançamento por homologação). Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.008191/200784 Acórdão n.º 2403001.197 S2C4T3 Fl. 367 5 Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Trata o lançamento de não cumprimento de obrigação acessória constituidora de crédito tributário. Por essa característica e pelo fato de a fiscalização apontar que não foram informados parte dos fatos geradores, entendo que devese aplicar o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN. O período do lançamento é de 01/99 a 12/2005. A ciência do lançamento ocorreu em 07/12/2006. Entendo decadentes as competências até 11/2001, inclusive. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO O relatório fiscal, ao registra que a recorrente deixou de informar em GFIP os valores referentes à alimentação concedida a seus empregados. “A empresa deixou de registrar no campo referente a "remuneração" da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social GFIP os valores pagos a titulo de os valores referentes a ... alimentação concedida pela empresa aos seus empregados” Fl. 382DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 A PGFN, por meio do ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011, com base em jurisprudência de Tribunais Superiores, dispensa seus Procuradores de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Com base no Relatório Fiscal, entendi que tratase de alimentação in natura. Com base no exposto, entendo que devese excluir do cálculo da multa a parcela correspondente ao Auxílio Alimentação. MULTA No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 383DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.008191/200784 Acórdão n.º 2403001.197 S2C4T3 Fl. 368 7 I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, Fl. 384DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto nas preliminares pelo reconhecimento da decadência do período até 11/2001, inclusive, com base na regra do § 4º, do artigo 150, do CTN e no mérito pelo provimento parcial ao recurso, para afastar do cálculo da multa o Auxílio Alimentação e para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 385DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 16151.000088/2006-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUEL. DECLARAÇÃO EM SEPARADO DO CÔNJUGE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
No caso em que cônjuge apresenta declaração em separado, os rendimentos produzidos pelos bens comuns, devem ser tributados na proporção de 50% para cada um, ou, opcionalmente, em sua totalidade por um dos cônjuges. Assim, deve o contribuinte comprovar que sua consorte efetivamente ofereceu à tributação os rendimentos de aluguel.
Numero da decisão: 2201-002.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia, Márcio de Lacerda Martins, Odmir Fernandes e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUEL. DECLARAÇÃO EM SEPARADO DO CÔNJUGE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. No caso em que cônjuge apresenta declaração em separado, os rendimentos produzidos pelos bens comuns, devem ser tributados na proporção de 50% para cada um, ou, opcionalmente, em sua totalidade por um dos cônjuges. Assim, deve o contribuinte comprovar que sua consorte efetivamente ofereceu à tributação os rendimentos de aluguel.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia, Márcio de Lacerda Martins, Odmir Fernandes e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUEL. DECLARAÇÃO EM SEPARADO DO CÔNJUGE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. No caso em que cônjuge apresenta declaração em separado, os rendimentos produzidos pelos bens comuns, devem ser tributados na proporção de 50% para cada um, ou, opcionalmente, em sua totalidade por um dos cônjuges. Assim, deve o contribuinte comprovar que sua consorte efetivamente ofereceu à tributação os rendimentos de aluguel. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia, Márcio de Lacerda Martins, Odmir Fernandes e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 15 1. 00 00 88 /2 00 6- 70 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2001, consubstanciado na Notificação de Lançamento, fls. 35/43, pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 14.402,57, calculados até 09/2005. A fiscalização apurou omissão de rendimentos de aluguéis ou royalties recebidos de pessoa jurídica, cujos valores foram lançados com base em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) apresentada pela fonte pagadora Associação Beneficente do Cambuci, CNPJ nº 02.487.763/000134, no valor de R$ 15.003,00, com imposto retido na fonte de R$ 630,42. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Os aluguéis em questão são decorrentes do imóvel situado na Av. Lacerda Franco, nº 666, CambuciSão PauloCapital, cujo imóvel encontravase em 2000 locado para a Igreja Presbiteriana Independente de Cambuci, CNPJ nº 46.809.752/000107, sendo que os pagamentos foram efetuados junto à Administradora TAIL, no valor bruto de R$ 15.303,00, com imposto retido na fonte de R$ 675,42, de acordo com o Informe de Rendimentos de Aluguéis anexo. A locação do imóvel passou a vigorar em nome da Associação Beneficente do Cambuci, CNPJ nº 02.487.763/000134, a partir de janeiro/2001, razão pela qual a informação que a referida Associação prestou à Receita Federal sobre valores pagos em 2000 é inverídica. Inclusive já endereçou correspondência à Associação solicitando a correção da DIRF, conforme documento anexo. Os valores dos aluguéis recebidos da Igreja Presbiteriana Independente de Cambuci, descontado o valor da comissão da Administradora, figuraram nas declarações do impugnante e de sua esposa Maria Grazia Paula Santochi Richtmann, CPF nº 253.654.46801, na proporção de 50%. Acrescenta que, caso os documentos acostados à defesa, numerados de 2 a 20, não consigam fazer prova de suas alegações, solicita que a Associação seja intimada por meio de diligência a comprovar suas informações. Requer, ao final, seja o lançamento considerado improcedente, cancelandose o auto de infração em causa. A 6ª Turma da DRJ em Brasília/DF julgou procedente em parte o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Ante a constatação de omissão de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, impõese a lavratura de Fl. 108DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16151.000088/200670 Acórdão n.º 2201002.171 S2C2T1 Fl. 3 3 lançamento de ofício, compensandose o Imposto retido na fonte, relativo aos rendimentos tributáveis não declarados. Lançamento Procedente em Parte A conclusão do voto condutor foi no seguinte sentido: No entanto, verificase que o impugnante informou em sua Declaração de Ajuste Anual parte do valor dos aluguéis considerados omitidos, ou seja, R$ 6.962,86, como também já deduziu o valor retido na fonte de R$ 337,71. Desse modo, deve ser excluído da base de cálculo o valor do rendimento já declarado de R$ 6.962,86 e o valor do imposto retido na fonte a ser considerado corresponde a R$ 337,71. Intimado da decisão de primeira instância em 27/04/2010 (fl. 57), Oswaldo Richtmann Junior apresenta Recurso Voluntário em 19/05/2010 (fls. 60/62), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Cuidam os autos de omissão de rendimentos de aluguéis, cujos valores foram lançados com base em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) apresentada pela fonte pagadora Associação Beneficente do Cambuci, CNPJ nº 02.487.763/000134, no valor de R$ 15.003,00, com imposto retido na fonte de R$ 630,42. Em sua peça recursal alega o suplicante que não há qualquer omissão de rendimentos, pois os valores dos aluguéis não foram recebidos da Associação Beneficente do Cambuci, mas da Igreja Presbiteriana Independente de Cambuci, conforme consta na Declaração de Ajuste do próprio recorrente e de sua esposa, Maria Grazia Paula Santochi Richtmann. Por sua vez, entendeu a autoridade recorrida tratase de erro na elaboração da DIRF e que o contribuinte declarou em sua DIRPF/2001, parte dos aluguéis considerados omitidos, ou seja, o valor de R$ 6.962,86, com R$ 337,71 de imposto retido na fonte. Assim, excluiu da exigência o referido valor, entretanto, como a declaração do cônjuge foi apresentada no modelo simplificado, consignou no voto a seguinte advertência: Quanto à alegação de que 50% do valor do aluguel teria sido informado na declaração do cônjuge, tal fato não se comprova nos autos. A Declaração do cônjuge anexada, fls. 30/32, foi apresentada no modelo simplificado, na qual não há especificação de todas as fontes pagadoras, de modo que não é Fl. 109DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 possível identificar se entre o total dos rendimentos informados encontrase inserida a parte do valor do aluguel que o defendente diz ter sido declarada pelo cônjuge. Nestes termos, compulsandose os autos, mais precisamente os documentos juntados ao recurso (fls. 71/96), verifico, pois, que o contribuinte não logrou comprovar que o cônjuge informou em sua Declaração de Ajuste modelo simplificado (fls. 30/32), o rendimento omitido no valor de R$ 8.040,14 (R$ 15.003,00 R$ 6.962,86). Por todo o exposto, percebese, claramente, que com a peça recursal perdeu o contribuinte a oportunidade de comprovar a improcedência da exigência fiscal, razão pela qual não há outra solução senão a manutenção do lançamento. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 110DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10875.906549/2009-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO PRÉVIO DE ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 62-A, § 1º, DO REGIMENTO INTERNO.
O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62-A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boa-fé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis.
PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO.
A declaração do sujeito passivo - denominada PER/Dcomp - veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3802-001.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
EDITADO EM: 10/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Jose´ Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro , Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO PRÉVIO DE ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 62-A, § 1º, DO REGIMENTO INTERNO. O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62-A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boa-fé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis. PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO. A declaração do sujeito passivo - denominada PER/Dcomp - veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. EDITADO EM: 10/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Jose´ Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro , Bruno Maurício Macedo Curi.
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JUÍZO PRÉVIO DE ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 62A, § 1º, DO REGIMENTO INTERNO. O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boafé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis. PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO. A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 65 49 /2 00 9- 11 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. EDITADO EM: 10/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro , Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 60): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CERTEZA. LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO. A compensação de indébito fiscal com créditos tributários vencidos e/ou vincendos, está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido. INTIMAÇÃO VIA POSTAL. É válida a ciência do lançamento de ofício quando entregue, pelos Correios, no domicílio eleito pela contribuinte. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Fl. 109DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.906549/200911 Acórdão n.º 3802001.340 S3TE02 Fl. 109 3 Permanecerá suspensa a exigibilidade dos débitos declarados em DCOMP enquanto estiver presente qualquer das hipóteses previstas no artigo 151 do Código Tributário Nacional – CTN. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Recorrente, nas razões recursais de fls. 7995, alega ter formalizado o pedido de compensação com fundamento na inconstitucionalidade da inclusão do Icms na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Aduz que a certeza do direito à compensação advém do art. 195 da Constituição e que recolheu os Darfs sem subtrair as parcelas do Icms. É o Relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão se deu no dia 23/02/2012 (fls. 72) e o protocolo do recurso, em 09/03/2012 (fls.79). Tratase, portanto, de recurso tempestivo que pode ser conhecido, uma vez que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. Embora o sujeito passivo alegue que o direito creditório seria decorrente da inconstitucionalidade da inclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins – matéria que, como se sabe, teve repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito do Recurso Extraordinário (RE) nº 574.706/PR1 entendese que não cabe o sobrestamento do feito mediante aplicação do art. 62A, § 1º, do Regimento Interno2. O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boafé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis. No caso dos autos, notase que a inconstitucionalidade da inclusão do Icms na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sequer foi ventilada na manifestação de inconformidade. O sujeito passivo, naquela etapa processual, fundamentou a origem do direito creditório apenas na inconstitucionalidade do aumento da alíquota da Cofins de 2% para 3%, sem apresentar qualquer alegação relacionada à matéria sob repercussão geral. 1 “Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785.” (DJe088, de 16/05/2008). 2 ""Art. 62A. [...] Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B." Fl. 110DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 A rigor, portanto, a alegação sequer poderia ser conhecida, consoante reconhece a remansosa jurisprudência do Carf: [...] PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONHECIMENTO NA FASE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. Em conformidade com o princípio da preclusão processual, se o sujeito passivo não contestou a matéria, no todo ou em parte, perante a autoridade julgadora de primeiro grau, não poderá mais fazêlo perante a instância superior, sob pena de inovação do feito e supressão de instância. (Acórdão 3802000.585. 3a S. 2a C. 2a TE. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. de 05/07/2011). “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO TEMPORAL. Questão não provocada a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, e somente demandada em grau de recurso, constitui matéria preclusa. Recurso Voluntário Negado.” (Acórdão 310100.409. 3a. S. 1a C. 1a TO. Rel. Conselheiro Tarásio Campelo Borges. S. de 29/04/2010). [...] NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NÃO ABORDADA NA INSTÂNCIA ANTERIOR. PRECLUSÃO. EXCLUSÕES DE BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. Considerase preclusa matéria que não foi objeto de impugnação e que, por conseguinte, não foi objeto da decisão recorrida.” (Acórdão 340100.169. 3a S. 4a C. 1a TO. Rel. Conselheiro Odassi Guerzoni Filho. S. de 13/08/2009). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO E RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. ART. 17 DO DECRETO 70.235/72. O recurso voluntário é cabível contra a decisão de primeira instância, de modo que o âmbito válido de sua fundamentação naturalmente se circunscreve aos temas tratados no julgamento que pretende reformar. O recurso voluntário não pode inovar, veiculando novos argumentos de defesa que não foram apresentados na impugnação nem debatidos em primeira instância. Exceção feita apenas quanto a temas reconhecidamente de ordem pública, como é o caso da decadência e da prescrição.” (Acórdão 340300.385. 3a S. 4a C. 3a TO. Rel. Conselheiro Ivan Allegretti. S. de 25/05/2010). Assim, se a matéria sob repercussão geral não pode ser conhecida, por não ter sido ventilada na instância a quo, é igualmente descabido o sobrestamento do feito, inclusive porque, a rigor, no presente caso concreto a não homologação ocorreu devido à utilização do Darf para a quitação de outros débitos declarados pelo contribuinte (fls. 68). Fl. 111DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.906549/200911 Acórdão n.º 3802001.340 S3TE02 Fl. 110 5 Tal situação se deu porque o Recorrente, ao apresentar a PER/Dcomp, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), o que fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação (fls. 44). Em circunstâncias dessa natureza, a Turma tem admitido a homologação da compensação, desde que retificada a Dctf e, principalmente, demonstrada a existência do direito creditório. Nesse sentido, cumpre destacar o julgado a seguir, de nossa relatoria: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/05/2005 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.007. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 22/05/2012) O Recorrente, além de não apresentar qualquer prova do direito creditório, sequer retificou a Dctf, razão pela qual não cabe a compensação. O sujeito passivo, na verdade, se limitou a afirmar que não tem como esclarecer a origem do crédito apurado e compensado (fls. 81). O Recurso, destarte, além de inovar indevidamente na suposta origem do direito creditório, mostrase manifestamente improcedente. Afinal, devese ter presente que a Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, promoveu a unificação do regime de compensação, extinguindo as compensações realizadas na Dctf, na escrituração contábil e a condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pela autocompensação, que ressaltadas as contribuições para a seguridade social compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do Fgts e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, como se sabe, a extinção do crédito tributário ocorre por iniciativa do sujeito passivo, mediante entrega de declaração contendo informações relativas aos créditos e débitos compensados, que, por sua vez, fica sujeita à posterior homologação pela autoridade competente no prazo de até cinco anos: Fl. 112DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp revestese de especial importância no mundo jurídico, porquanto representa a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Tratase, consoante destaca Paulo de Barros Carvalho, do veículo introdutor da norma individual e concreta que positiva o fato jurídico extintivo: “O fato extintivo da compensação será positivado por norma individual e concreta que promova o encontro das relações, extinguindoas no quantum em que se equivalerem. Os sujeitos habilitados a expedir a norma individual e concreta da compensação, formalizando o mencionado ‘encontro de contas’, são a autoridade administrativa e a autoridade judiciária. Há hipóteses em que a lei autoriza ao próprio particular a efetivação da compensação tributária. Esta, todavia, somente é utilizada quando o ato do particular for homologado pela Administração, de maneira tácita ou expressa. Dito de outro modo, o aplicarse da norma de compensação gera a extinção do crédito tributário e do débito do Fisco. Mas, para que esta se concretize, necessário o relato em linguagem competente não apenas das relações que se pretende compensar, mas também do fato da compensação. Apenas se descrito no antecedente de norma individual e concreta irradiará os efeitos previstos no consequente normativo, operandose extinção dos vínculos obrigacionais.” (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário, linguagem e método. 2. ed. São Paulo: Noeses, 2008, p. 480481). Em razão disso, para produzir os seus efeitos jurídicos próprios, a PER/Dcomp pressupõe a correta identificação do crédito e dos respectivos débitos compensados. Do contrário, não há como se aperfeiçoar juridicamente o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. No presente feito, diante da não identificação da origem do crédito compensado, não há como se proceder à homologação da compensação, devido ao não aperfeiçoamento jurídico do encontro de contas pretendido pelo Recorrente. Votase, portanto, pelo conhecimento do recurso e pelo desprovimento, com a consequente manutenção do acórdão recorrido. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.906549/200911 Acórdão n.º 3802001.340 S3TE02 Fl. 111 7 (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 114DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 11634.000626/2006-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001, 2002
DECADÊNCIA - IRPJ - LUCRO REAL - TERMO INICIAL
Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, para fins de aplicação do disposto no art. 173, I, do CTN, em não havendo pagamento do tributo, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial, inicia-se no primeiro dia do exercício/período seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido iniciado, ex-vi do disposto no inciso I, art. 713, do CTN.
BASE DE CÁLCULO - EQUÍVOCOS NA APURAÇÃO
Comprovado nos autos que a autoridade fiscal não considerou a dedutibilidade de multas de natureza compensatórias, retifica-se a apuração da exigência.
PIS - RETIFICAÇÃO DO VALOR DA EXIGÊNCIA
Do valor da exigência deve ser deduzido pagamento efetuado e não considerado pela autoridade lançadora.
MULTA QUALIFICADA - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE -
A ausência de explicitação minuciosa, acompanhada de comprovação nos autos, das razões determinantes da imposição da multa qualificada de 150 %, justifica a sua redução ao percentual normal.
Numero da decisão: 1301-001.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(documento assinado digitalmente)
PLINIO RODRIGUES LIMA
Presidente
(documento assinado digitalmente)
VALMIR SANDRI
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada).
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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BASE DE CÁLCULO EQUÍVOCOS NA APURAÇÃO Comprovado nos autos que a autoridade fiscal não considerou a dedutibilidade de multas de natureza compensatórias, retificase a apuração da exigência. PIS RETIFICAÇÃO DO VALOR DA EXIGÊNCIA Do valor da exigência deve ser deduzido pagamento efetuado e não considerado pela autoridade lançadora. MULTA QUALIFICADA JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A ausência de explicitação minuciosa, acompanhada de comprovação nos autos, das razões determinantes da imposição da multa qualificada de 150 %, justifica a sua redução ao percentual normal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 06 26 /2 00 6- 80 Fl. 7899DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI 2 (documento assinado digitalmente) PLINIO RODRIGUES LIMA Presidente (documento assinado digitalmente) VALMIR SANDRI Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada). Relatório O presente processo abriga exigências de créditos tributários relativos a Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofíns) e da Contribuição para o Programa de Integração Social (Pis), referentes a fatos geradores ocorridos no período de 01/01/2001 a 31/12/2002. A ciência dos autos de infração ocorreu em 11/10/2007. Impugnados tempestivamente os autos de infração, a 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba, em decisão unânime (Acórdão 0616.874, sessão de 21 de fevereiro de 2008), (i) não acatou a solicitação de concessão de efeito suspensivo à manifestação de inconformidade; (ii) rejeitou as preliminares arguidas de nulidade da suspensão da imunidade e do lançamento; (iii) acolheu, em parte, a preliminar de decadência do lançamento, tão somente em relação ao primeiro trimestre do anocalendário de 2001, quanto ao IRPJ; (iv) indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada contra a suspensão da imunidade tributária dos anoscalendário de 2001 e de 2002 e (v) considerou procedente, em parte, a ação fiscal, para reduzir as exigências de IRPJ, CSLL e Pis, de R$ 2.118.508,71, R$ 771.303,10 e R$ 498.082,95 para R$ 2.080.238,91, R$ 757.525,96 e R$ 485.186,20, mantendo integralmente a exigência de Cofins, e reduziu o percentual da multa de ofício aplicada, de 150 % (cento e cinquenta por cento) para 75 % (setenta e cinco por cento). O contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, mas em 26/02/2010 protocolizou desistência em virtude de pagamento com as reduções da Lei 11.941/2009, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB n°6, de 2009. O recurso de ofício não fora interposto na decisão, mas a omissão foi suprida em 27/04/2010. O processo foi encaminhado a este CARF para apreciação do recurso de ofício porque a desistência não alcançou a parcela exonerada pela decisão de primeira instância, a qual só se torna definitiva com a confirmação pelo CARF. É o relatório. Fl. 7900DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 11634.000626/200680 Acórdão n.º 1301001.166 S1C3T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O crédito tributário exonerado é superior a R$ 1.000.000,00, ficando sujeito à revisão necessária, razão porque, conheço do recurso de ofício. Conforme visto do relatório, a decisão a quo acolheu a preliminar de decadência apenas em relação ao IRPJ, para o primeiro trimestre de 2001, e quanto ao recurso voluntário o contribuinte protocolizou em 26/02/2010, pedido de desistência em virtude de pagamento com as reduções da Lei 11.941/2009, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB n°6, de 2009. Assim, a matéria posta a apreciação desta E. Câmara é tão somente o recurso de ofício interposto pela decisão recorrida que exonerou parte do crédito tributário lançado nos autos de infração que compõe o presente processo. Em relação ao acolhimento da preliminar de decadência para o primeiro trimestre de 2001, entendo que a decisão recorrida não merece qualquer reparo, eis que de acordo com a recente jurisprudência deste CARF que, em comprimento ao art. 62A do Regimento, acolhe o entendimento expressado no item 1 da ementa da decisão do STJ, na apreciação do REsp nº 973.333SC, na sistemática de recursos repetitivos, no sentido de que “O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Efetivamente, o auto de infração foi cientificado ao contribuinte em 11 de outubro de 2007, cinco anos, 9 meses e 11 dias do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Portanto, inquestionavelmente, o crédito se encontrava extinto pela decadência, devendo ser confirmada a decisão. Com relação a redução das exigências de IRPJ e CSLL (principal) decorreram da confirmação, pela decisão recorrida, de erro na apuração da base de cálculo, por não terem sido consideradas deduções de multas de natureza compensatória. De fato, as multas de natureza compensatória são dedutíveis, e o demonstrativo elaborado pela fiscalização (fls. 5555 e 5556) evidencia o equívoco cometido pela autoridade fiscal. A redução da exigência de PIS, também é de ser confirmada, pois ficou comprovado que na formalização da exigência a autoridade lançadora deixou de considerar um pagamento efetuado em dezembro de 2001, no valor de R$ 12.896,75. Quanto à redução da multa de ofício, também não merece reparo à decisão recorrida, cujos fundamentos transcrevo: Fl. 7901DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI 4 Referentemente à multa qualificada, não consta do Termo de Verificação e Encerramento Parcial de Ação Fiscal (fls. 5.566, item 7), qualquer justificativa para sua aplicação. Sucede que, pela redação original do inciso II do art. 44 da Lei n 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com base no qual a multa foi dimensionada, essa qualificação somente poderia ser aplicada nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n2 4.502, de 30 de novembro de 1964. Deveria a fiscalização, portanto, ter verbalizado o seu convencimento, de forma a permitir aos membros desta Turma compartilhálo. Não o tendo feito, sou pela improcedência da qualificação da multa. Isto posto, pelas razões acima explanadas, nego provimento ao recurso de ofício. É como voto. Sala das Sessões, em 07 de março de 2013. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 7902DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 10325.001878/2010-33
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2009 a 31/05/2010
PREVIDENCIÁRIO. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA.
Não há litígio quando a Impugnação é apresentada fora do trintídio legal.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2403-001.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
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IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. Não há litígio quando a Impugnação é apresentada fora do trintídio legal. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 00 18 78 /2 01 0- 33 Fl. 285DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/03 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 190/212, interposto em face de Decisão de fl. 188, que entendeu por intempestiva a Impugnação apresentada, tendo em vista ter sido apresentada com mais de 30 (trinta) dias após o termo inicial do prazo, conforme se percebe da transcrição de seu texto: “Trata o presente processo de Auto de Infração n. DEBCAD 37.318.1906, lavrado contra o sujeito passivo supra, no valor atualizado de R$ 6.064.123,87 ( seis milhões, sessenta e quatro mil, cento e vinte e três reais e oitenta e sete centavos). Cientificado o sujeito passivo do referido Auto de Infração em 30/12/2010, conforme Aviso de Recebimento (AR), fls. 28, o prazo para apresentação de impugnação se iniciou em 31/12/2010, terminando em 31/01/2011. Entretanto, a impugnação foi apresentada apenas em 10/02/2011, conforme fls. 47, configurandose, portanto, sua intempestividade. O art. 10 da Portaria RFB n. 10.875, de 16 de agosto de 2007, publicada no Diário Oficial da União (DOU) em 24/08/2007, estabelece que, “a petição apresentada fora do prazo não caracteriza a impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário e não comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscita a tempestividade como preliminar. Diante do exposto, encaminhamos a Carta Cobrança.” DO RECURSO Inconformado, o município interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário (fls. 190/212), onde sustenta, acerca da intempestividade, que a Impugnação foi tempestiva, tendo em vista que só teve ciência do AI em 14/01/2011, pois o município estava em recesso de Ano Novo e o AR foi assinado por um motorista do município, servidor sem competência legal para tal ato. DA DECISÃO DO NÚCLEO DE ARRECADAÇÃO E COBRANÇA O Núcleo de Arrecadação e Cobrança – NURAC, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Imperatriz/MA, prolatou decisão de fls. 226/229. Em conclusão propôs o indeferimento do pedido do contribuinte e consequentemente determinou a cobrança do lançamento realizado. DAS DETERMINAÇÕES JUDICIAIS E DEMAIS INFORMAÇÕES Em razão da determinação acima, o município impetrou Mandado de Segurança n. 887123.2011.4.01.3701 para ter garantido seu direito ao recurso e que este fosse encaminhado compulsoriamente à este conselho para apreciar a preliminar de tempestividade suscitada bem como o mérito da questão. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/03 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10325.001878/201033 Acórdão n.º 2403001.808 S2C4T3 Fl. 3 3 Em primeira instância, o pedido de liminar foi apreciado e decidido pela não acolhimento do pleito. Em consequência, o então impetrante interpôs Agravo de Instrumento, tombado sob o n. 006195836.2011.4.01.0000/MA, que deferiu em parte seu pleito, conforme se percebe de trecho do decisum constante na fl. 237: 3) Diante de tal quadro, DEFIRO, em parte, o pedido de antecipação da pretensão recursal para determinar que o recurso interposto pelo ente municipal, em primeira instância, seja encaminhado à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (2ª instância), conforme previsto nos artigos 33 e 35 do Decreto 70.235/1972, bem como suspender a exigibilidade do crédito tributário discutidos nos autos principais (inciso III, art. 151, do CTN), com as suas consequências legais. Estas informações podem ser constatadas nas fls. 230 e seguintes dos autos. Tendo em vista o teor do julgado, a seção judiciária do Maranhão expediu ofício de n. 1450/2011/SECIV para ciência das determinações e consequentemente, adoção das medidas cabíveis à satisfação da ordem judicial, fl. 234. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em ImperatrizMA, fl. 240, com a finalidade de atender a ordem judicial, suspendeu a exigibilidade do crédito e, apesar de não considerar o rito correto, pois não houve decisão na 1a instância administrativa, encaminhou os autos a este Conselho. É o relatório. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/03 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA INTEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO Conforme AR constante na fl. 30 da numeração digital, a Recorrente tomou conhecimento do Auto de Infração – AI 37.318.1906 e AI 37.318.1914 (lavrados em 16/12/2010 e 15/12/2010, respectivamente), no dia 30/12/2010, tendo iniciado o prazo para interposição da impugnação no primeiro dia útil seguinte, nos termos do art. 5o do Decreto n. 70.235/72, in verbis: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. O prazo para a interposição da impugnação é de 30 (trinta) dias contados da data da intimação, nos termos do art. 15 do Decreto n. 70.235/72, in verbis: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (sem destaque no original) Diante disso, o trintídio legal terminou no dia 31/01/2011. Logo, a impugnação foi apresentada fora do prazo, sendo este fato incontroverso nos autos, uma vez que o próprio recorrente assume a data do protocolo, que ocorreu em 10/02/2011 justificando se sob dois aspectos: a existência de feriado de ano novo; a pessoa que recebeu a carta não tinha atribuição para tanto. Quanto à intempestividade, seguem as lições de Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa Martínez López (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3a edição, Dialética, 2010, pág. 255), in verbis: “II.31.2. Intempestividade da impugnação Expirado o prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada à revelia e iniciada a cobrança amigável, sendo que eventual petição apresentada fora do prazo não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade como preliminar.” Com relação à alegação do contribuinte, de que o funcionário, motorista, não teria atribuição para receber notificações, mas apenas o representante legal do destinatário, é matéria pacífica neste conselho que a intimação é válida quando realizada por meio postal e recebido por quem que seja. Este é o teor de uma das súmulas do CARF, in verbis: Fl. 288DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/03 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10325.001878/201033 Acórdão n.º 2403001.808 S2C4T3 Fl. 4 5 Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Com relação ao suposto feriado de ano novo também resta prejudicado, uma vez que a carta foi recebida em dia útil e não há previsão legal para suspensão do prazo em razão de feriados ou férias, aplicandose o art. 5º do Decreto 70.235, adrede exposto. CONCLUSÃO Diante do exposto, manifestome pelo não conhecimento do Recurso Voluntário, face a intempestividade da Impugnação. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 289DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/03 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10830.006894/99-27
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/10/1988 a 30/09/1995
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. Quando do julgamento do RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, momento em que estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN.
Diante das decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores a respeito da matéria, aplica-se ao caso os estritos termos em que foram prolatadas, considerando-se o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão-somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 09 de junho de 2005 em diante.
Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), vale o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º, com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional dar-se-á a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador).
Numero da decisão: 9900-000.704
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Relator
EDITADO EM: 25/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ
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camara_s : Pleno
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/10/1988 a 30/09/1995 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. Quando do julgamento do RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, momento em que estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. Diante das decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores a respeito da matéria, aplica-se ao caso os estritos termos em que foram prolatadas, considerando-se o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão-somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 09 de junho de 2005 em diante. Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), vale o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º, com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional dar-se-á a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Relator EDITADO EM: 25/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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PRESCRIÇÃO. Quando do julgamento do RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, momento em que estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. Diante das decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores a respeito da matéria, aplicase ao caso os estritos termos em que foram prolatadas, considerandose o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 09 de junho de 2005 em diante. Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), vale o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º, com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional darseá a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 68 94 /9 9- 27 Fl. 496DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Relator EDITADO EM: 25/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, versando sobre a contagem do prazo prescricional do direito à repetição de indébitos tributários. A recorrente assevera que referido prazo seria de 5 (cinco) anos a contar da data em que ocorreu o recolhimento indevido ou a maior que o devido, consoante interpretação a ser dada ao inciso I do art. 165 do Código Tributário Nacional – CTN, interpretação essa que teria sido referendada pela Lei Complementar nº 118/2005. A discussão em causa, portanto, reportase exclusivamente ao prazo prescricional para requerer a repetição de indébito tributário, sendo importante ressaltar que o presente pedido foi formalizado anteriormente à vigência da Lei Complementar nº 118/2005, que passou a viger a partir do dia 09/06/2005. No presente caso, a data de protocolo do pedido de restituição/compensação foi formalizado em 31/08/1999, e se refere a fatos geradores ocorridos entre 10/88 e 09/95. É o relatório. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.006894/9927 Acórdão n.º 9900000.704 CSRFPL Fl. 11 3 Voto Conselheiro Francisco Sales Ribeiro de Queiroz Relator O recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, consoante atesta o despacho competente, devendo ser conhecido. Conforme relatado, a questão que se põe à apreciação deste Colegiado diz respeito exclusivamente à preliminar de prescrição do direito à repetição de indébitos fiscais, merecendo ressaltar que o acórdão paradigma considerou irrelevante que o indébito tenha por fundamento a declaração de inconstitucionalidade ou simples erro, aplicando o prazo quinquenal a partir da extinção do crédito tributário, conforme se extrai da leitura da ementa transcrita no recurso extraordinário, a seguir: ACÓRDÃO PARADIGMA "Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ILL O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido." (grifo nosso). (Recurso n° 102147786. Processo n° 10183.003219/200293. Acórdão CSRF/0400.810. Quarta Turma. Relatora Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo). Os dispositivos da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional – CTN, citados na ementa acima transcrita, estão assim redigidos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. ......................................................................................................... Fl. 498DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (vide art. 3º da LC. nº 118, de 2005) II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. ......................................................................................................... A modalidade de extinção do crédito tributário a que se refere o supra transcrito dispositivo do inciso I, do art. 168 é o definido no inciso I, do art. 156, também do CTN, a seguir: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; (...). Assim, contado da data da extinção do crédito tributário, pelo pagamento, teria o contribuinte cinco anos para fazer valer o seu direito à restituição, entendimento que mereceu intermináveis discussões no âmbito do contencioso administrativo tributário e nos Tribunais Superiores do Poder Judiciário pátrio. Dessa forma, em face da interminável batalha judicial estabelecida sobre o tema, e com a pretensão de pacificar e tornar definitivo um entendimento a respeito, sobreveio a Lei Complementar LC nº 118/2005, cujos artigos 3º e 4º alteraram e acrescentaram dispositivos ao Código Tributário Nacional CTN, dispondo ainda sobre a interpretação a ser dada ao inciso I do art. 168 da mesma Lei, nos termos a seguir reproduzidos: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Art. 4º Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Por seu turno, o mencionado inciso I, do art. 106, do CTN, estabelece que: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (...). Fl. 499DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.006894/9927 Acórdão n.º 9900000.704 CSRFPL Fl. 12 5 Assim, a questão já teria sido definitivamente resolvida com a edição dos suso transcritos dispositivos da LC nº 118/2005, segundo o qual a interpretação a ser dada ao inciso I, do art.168, do CTN, é a de que “a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei.” (Lei nº 5.172/1966 – CTN) Entretanto, o Superior Tribunal de Justiça STJ declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4° da LC nº 118/2005, ao entender que não se trata de lei meramente interpretativa, já que inova o ordenamento jurídico no tocante ao momento em que o crédito tornase extinto, e que, portanto, não pode retroagir nos moldes do artigo 106, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN, sob pena de ofender o princípio da segurança jurídica, de respeitável proteção em nosso ordenamento. Referida matéria, até a sessão de 04/08/2011 do Supremo Tribunal Federal – STF, encontravase submetida ao regime de repercussão geral, oportunidade em que foi negado provimento ao RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, declarando a inconstitucionalidade do acima transcrito art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 (cinco) anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 09/06/2005, tendo referida decisão Suprema sido assim ementada: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/2005, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts . 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a Fl. 500DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido Por seu turno, o Superior Tribunal de Justiça STJ, em recentíssima decisão (sessão de 02/08/2012), ao julgar o recurso representativo de controvérsia REsp nº 1.269.570 MG, entre muitas outras mais antigas, seguiu a referida posição jurisprudencial proferida do Tribunal Maior, consoante se extrai da leitura da ementa do REsp 1089356/PR, assim disposta: REsp 1089356 / PR RECURSO ESPECIAL 2008/02103521 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 02/08/2012 Data da Publicação/Fonte DJe 09/08/2012 Ementa TRIBUTÁRIO. RECURSOS ESPECIAIS. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 543B, § 3º, DO CPC. MANDADO DE SEGURANÇA QUE ATACA INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDOS NEGATIVOS DA CSLL REFERENTES AO EXERCÍCIO DE 1996. PEDIDO ADMINISTRATIVO PROTOCOLADO ANTES DE 09/06/2005. INAPLICABILIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº. 118/2005 E DO ART. 16 DA LEI Nº. 9.065/95. 1. Tanto o STF quanto o STJ entendem que, para as ações de repetição de indébito relativas a tributos sujeitos a lançamento por homologação ajuizadas de 09/06/2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento. Já para as ações ajuizadas antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o Fl. 501DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.006894/9927 Acórdão n.º 9900000.704 CSRFPL Fl. 13 7 entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, §4º com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5). Precedente do STJ: recurso representativo da controvérsia REsp n. 1.269.570MG, 1ª Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 23.05.2012. Precedente do STF (repercussão geral): recurso representativo da controvérsia RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011. 2. No caso, embora se trate de mandado de segurança ajuizado no ano de 2007, houve observância do prazo do art. 18 da Lei nº. 1.533/51 e a impetrante impugna o ato administrativo que decretou a prescrição do seu direito de pleitear a restituição dos saldos negativos da CSLL referentes ao anocalendário de 1995, exercício de 1996, cujo pedido de restituição foi protocolado administrativamente em 05.07.2002, antes, portanto, da Lei Complementar n. 118/2005. Diante das peculiaridades dos autos, o Tribunal de origem decidiu que o prazo prescricional deve ser contado da data de protocolo do pedido administrativo de restituição. Em assim decidindo, a Turma Regional não negou vigência ao art. 168, I, do CTN; muito pelo contrário, observou entendimento já endossado pela Primeira Turma do STJ (REsp 963.352/PR, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 13.11.2008). 3. No tocante ao recurso da impetrante, deve ser mantido o acórdão do Tribunal de origem, embora por outro fundamento, pois, ainda que o art. 16 da Lei n. 9.065/95 não se aplique nas hipóteses de restituição, via compensação, de saldos negativos da CSLL, no caso a impetrante formulou administrativamente simples pedido de restituição. Na espécie, ao adotar a data de homologação do lançamento como termo inicial do prazo prescricional quinquenal para se pleitear a restituição do tributo supostamente pago a maior, o Tribunal de origem considerou tempestivo o pedido de restituição, o qual, por conseguinte, deverá ter curso regular na instância administrativa. Mesmo que a decisão emanada do Poder Judiciário não contemple a possibilidade de compensação dos saldos negativos da CSLL com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, nada obsta que a impetrante efetue a compensação sob a regência da legislação tributária posteriormente concebida. 4. Recurso especial da Fazenda Nacional parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido, e recurso especial da impetrante não provido, em juízo de retratação. Nessa mesma linha, transcrevo ementa de outros julgados do STJ, nos quais o prazo prescricional é contado, em se tratando de pagamentos indevidos cuja repetição fora requerida anteriormente à vigência da LC nº 118∕2005 (09/06/2005), da data do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa: “TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL EM CONTROLE CONCENTRADO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REGRA DOS "CINCO MAIS CINCO". PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. A Primeira Seção desta Corte firmou entendimento de que, "mesmo em caso de exação tida por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, seja em controle concentrado, seja em difuso, ainda que tenha sido publicada Resolução do Senado Federal (art. 52, X, da Carta Magna), a prescrição do direito de pleitear a restituição, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa." 2. O entendimento jurisprudencial é a síntese da melhor exegese da legislação no momento da aplicação do direito, por isso é aceitável a sua mudança para o devido aprimoramento da prestação jurisdicional. Agravo regimental improvido.” (AgRg no Ag 1406333 / PE, Relator: Ministro Humberto Martins) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA O SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (ILL). PRESCRIÇÃO. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". RESP 1.002.932/SP (ART.543C DO CPC). COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. DATA DO AJUIZAMENTO DA AÇÃO. RESP 1.137.738/SP (ART. 543C DO CPC). POSSIBILIDADE, IN CASU, DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DA MESMA ESPÉCIE. CORREÇÃO MONETÁRIA. FEV/1991. IPC. 21,87%. 1. Agravos regimentais interpostos pelos contribuintes e pela Fazenda Nacional contra decisão que negou seguimento aos seus recursos especiais. 2. A Primeira Seção adota o entendimento sufragado no julgamento dos REsp 435.835/SC para aplicar a tese dos "cinco mais cinco" à contagem do prazo prescricional, inclusive para a repetição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Precedentes: EREsp 507.466/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Primeira Seção, julgado em 25/3/2009, DJe 6/4/2009; AgRg nos EAg 779581/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 9/5/2007, DJe 1/9/2008; EREsp 653.748/CE, Rel. Ministro José Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 23/11/2005, DJ 27/3/2006. 3. O Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial representativo de controvérsia (REsp 1.002.932/SP), ratificou orientação no sentido de que o princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC n. 118/05 aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, porquanto é norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação respectiva. 4. Em sede de compensação tributária, deve ser aplicada a legislação vigente por ocasião do ajuizamento da demanda. "[A] Fl. 503DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.006894/9927 Acórdão n.º 9900000.704 CSRFPL Fl. 14 9 autorização da Secretaria da Receita Federal constituía pressuposto para a compensação pretendida pelo contribuinte, sob a égide da redação primitiva do artigo 74, da Lei 9.430/96, em se tratando de tributos sob a administração do aludido órgão público, compensáveis entre si". (REsp 1.137.738/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 1º/2/2010, julgado sob o rito do art. 543C do CPC). 5. Na correção de indébito tributário incide o índice de 21,87% em fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário, IPC/IBGE em substituição à INPC do mês). Precedentes: REsp 968.949/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 10/3/2011; EDcl no AgRg nos EDcl no REsp 871.152/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 19/8/2010; AgRg no REsp 945.285/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 7/6/2010; REsp 1.124.456/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/4/2010. 6. Agravo regimental das contribuintes parcialmente provido para assegurar a correção monetária no mês de fevereiro de 1991 pelo índice de 21,87%. 7. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido.” (AgRg no REsp 1131971 / RJ, Relator: Ministro Benedito Gonçalves) Através da Portaria MF nº 586, de 21/12/2010–DOU de 22/12/2010, foram introduzidas alterações no Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256, DOU de 23/06/2009, sobrevindo o art. 62A, que assim dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Sendo assim, diante dessas decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores, outra não poderia ser minha posição a respeito da matéria, senão a de aplicar ao caso os estritos termos das sobreditas decisões do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, considerandose o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 9 de junho de 2005 em diante. Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), valeria o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional darseia a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador). Fl. 504DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 No presente caso, a data de protocolo do pedido de restituição/compensação foi formalizado em 31/08/1999, e se refere a fatos geradores ocorridos entre 10/88 e 09/95. Sendo assim, o direito à repetição não foi alcançado pela prescrição. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, devendo o processo retornar à repartição de origem para que seja analisada a viabilidade do pedido quanto às questões de mérito, sua liquidez, demais matérias não examinadas e adoção das providências que considerar cabíveis, devendo o processo, posteriormente, seguir seu trâmite de acordo com o Decreto nº 70.235/1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal – PAF. É assim que voto. (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Fl. 505DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 17460.000300/2007-59
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 20/12/1992 a 16/01/2001
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO
QUINQUENAL.
Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991
pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula
Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos
previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato
gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do
Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento.
Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito
Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-001.270
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para declarar a decadência e extinção dos créditos tributários fundados com base em fatos geradores ocorridos em datas anteriores a 01.01.2001, conforme a regra do art. 173,I, CTN
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Gustavo Vettorato
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DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para declarar a decadência e extinção dos créditos tributários fundados com base em fatos geradores ocorridos em datas anteriores a 01.01.2001, conforme a regra do art. 173,I, CTN (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Wilson Antônio de Souza Correa, Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 17460.000300/200759 Acórdão n.º 280301.270 S2TE03 Fl. 116 2 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 17460.000300/200759 Acórdão n.º 280301.270 S2TE03 Fl. 117 3 Relatório Tratase de crédito lançado pela fiscalização e mantido decisão recorrida contra o notificado acima identificado (DEBCAD n° 35.924.2391) que, de acordo com o Relatório Fiscal, referese a contribuições destinadas A Seguridade Social e aos Terceiros, correspondente A parte devida pelo empregado (não descontada) e A parte devida pela empresa, inclusive para o financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Constituiu fato gerador das contribuições lançadas a remuneração devida pela mãodeobra utilizada em obra de construção civil (edificação de imóvel residencial com Area a regularizar de 1.537,22 m 2, situado na rua Mário Alves Mendonça, n° 111, Lote 14 e 15, Quadra 05, Jardim Henriqueta — São José do Rio Preto/SP), calculada através do Aviso para Regularização de Obra — ARO de fls. 27, nos termos do art. 30, inciso I, letras "a" e "b" c/c art. 22, inciso I e II, art. 33 § 4° e o art. 94, da Lei 8.212/91. A construção se deu entre 20/12/1992 a 16/01/2001, conforme declaração do Habitese juntado às fls. 61 dos autos digitais. Período esse desconsiderado pela decisão aquo que entendeu como procedente o lançamento, em razão de entender que o prazo decadencial era decenal (art. 45, da Lei n. 8.212/1991), bem como a data de conclusão da obra seria a data de emissão do habitese. A parte recorreu tempestivamente, alegando que a decadência o caso é a disposta no art. 173, I, do CTN, de natureza quinquenal, e que não houve justificativa da decisão em desconsiderar a data declarada pelo Habitese. Os autos foram remetidos ao CARF/MF e a esta Turma Especial para apreciação. É o relatório. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 17460.000300/200759 Acórdão n.º 280301.270 S2TE03 Fl. 118 4 Voto O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. Primeiro ponto a ser apontado, é que realmente a autoridade a quo não fundamentou juridicofáticamente o motivo de desconsideração do conteúdo declaratório do documento público Habitese de fls. 61. Atentese que tal documento tem natureza declaratória ao informar qual é a data da conclusão da obra para todos os fins, não sendo a data de sua emissão a data de conclusão da obra, e, consequente, ocorrência do fato gerador dos tributos em questão. Tanto que o disposto no art. 482, parágrafo terceiro, da INSRP n. 03/2005, vigente à época do lançamento, é claro em informar que o Habitese é prova da conclusão da obra de construção, e não a sua emissão. Assim, em face à análise do Recurso e dos autos do processo, atentase à extinção dos créditos constituídos em razão da ocorrência de decadência. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado e obrigatório à administração pública, emitiu a Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, que pacificou o entendimento da inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. Observese a NFLD é referente às fatos geradores são dos períodos de 20/12/1992 a 16/01/2001. Neste caso, apesar da natureza das contribuições tendentes ao lançamento por homologação (art. 150, do CTN), tratouse lançamento dos créditos é realmente um lançamento de ofício (art. 149, do CTN). Assim, deverseá aplicar a regra decadencial, no art. 173, I, do CTN, em que direito de a Fazenda Pública constituir o crédito Fl. 118DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 17460.000300/200759 Acórdão n.º 280301.270 S2TE03 Fl. 119 5 tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contadosdo primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ainda, em razão do segundo caso de decadência (art. 173, I, do CTN), tal matéria foi submetida ao crivo da 1ª. Seção do Superior Tribunal de Justiça, através de Recurso Especial representativo de controvérsia – RESP 973.733, conforme art. 543C do normativo processual (recurso repetitivo) e, segundo a nova redação do art. 62A do Regimento interno do CARF, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros. Reproduzimos excerto da ementa: 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de. desarrazoado prazo decadencial decenal(...) grifamos Consoante a regra retro citada, forçoso se faz reconhecer a decadência referente a todos os fatos geradores ocorridos anteriormente ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Dessa forma, considerando que a data de ciência e perfectibilização do lançamento deuse em 08.09.2006, resta por decretar a extinção dos créditos tributários (art. 156, do CTN) por ocorrência do lapso decadencial , e estão extintos por decadência, aqueles oriundos de fatos geradores ocorridos em datas anteriores a 01.01.2001, conforme a regra do art. 173,I, CTN; Conclusão, Isto posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, para declarar a decadência e extição dos créditos tributários fundados com base em fatos geradores geradores ocorridos em datas anteriores a 01.01.2001, conforme a regra do art. 173,I, CTN; Sala de Sessões, 19 de janeiro de 2012. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 119DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 17460.000300/200759 Acórdão n.º 280301.270 S2TE03 Fl. 120 6 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/07/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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