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Numero do processo: 13975.000183/2005-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 2005
PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO.
Nos pedidos de ressarcimento é do contribuinte o ônus de provar o direito creditório pleiteado.
PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. DIREITO DE CRÉDITO. DESPESAS COM FRETES.
As eventuais despesas com fretes devem ser demonstradas através de documentação hábil e idônea. As irregularidades apontadas pela fiscalização na emissão do CTRC (Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas) e falta da devida escrituração das notas fiscais no Livro de Registro de Entrada levam à glosa dos créditos pleiteados.
PIS/PASEP. REGIME NÃO CUMULATIVO. DIREITO DE CRÉDITO. SERVIÇOS NÃO ESPECIFICADOS.
Não há como conceder o direito à crédito em relação às despesas com serviços não devidamente comprovados pelo interessado.
PIS/PASEP. REGIME NÃO CUMULATIVO. DIREITO DE CRÉDITO. DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA.
Não há como conceder o direito à crédito em relação às despesas com não devidamente comprovados pelo interessado. Faz-se necessária a demonstração, pela Recorrente, da correlação entre os conhecimentos de transportes apresentados e as notas fiscais de venda das mercadorias. Esta prova é fundamental para que dê ensejo aos créditos da contribuição no regime da não cumulatividade, prevista no artigo 3º, inciso IX, da Lei 10.833/2003.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.448
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2005 PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO. Nos pedidos de ressarcimento é do contribuinte o ônus de provar o direito creditório pleiteado. PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. DIREITO DE CRÉDITO. DESPESAS COM FRETES. As eventuais despesas com fretes devem ser demonstradas através de documentação hábil e idônea. As irregularidades apontadas pela fiscalização na emissão do CTRC (Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas) e falta da devida escrituração das notas fiscais no Livro de Registro de Entrada levam à glosa dos créditos pleiteados. PIS/PASEP. REGIME NÃO CUMULATIVO. DIREITO DE CRÉDITO. SERVIÇOS NÃO ESPECIFICADOS. Não há como conceder o direito à crédito em relação às despesas com serviços não devidamente comprovados pelo interessado. PIS/PASEP. REGIME NÃO CUMULATIVO. DIREITO DE CRÉDITO. DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA. Não há como conceder o direito à crédito em relação às despesas com não devidamente comprovados pelo interessado. Faz-se necessária a demonstração, pela Recorrente, da correlação entre os conhecimentos de transportes apresentados e as notas fiscais de venda das mercadorias. Esta prova é fundamental para que dê ensejo aos créditos da contribuição no regime da não cumulatividade, prevista no artigo 3º, inciso IX, da Lei 10.833/2003. Recurso Voluntário negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO. Nos pedidos de ressarcimento é do contribuinte o ônus de provar o direito creditório pleiteado. PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. DIREITO DE CRÉDITO. DESPESAS COM FRETES. As eventuais despesas com fretes devem ser demonstradas através de documentação hábil e idônea. As irregularidades apontadas pela fiscalização na emissão do CTRC (Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas) e falta da devida escrituração das notas fiscais no Livro de Registro de Entrada levam à glosa dos créditos pleiteados. PIS/PASEP. REGIME NÃO CUMULATIVO. DIREITO DE CRÉDITO. SERVIÇOS NÃO ESPECIFICADOS. Não há como conceder o direito à crédito em relação às despesas com serviços não devidamente comprovados pelo interessado. PIS/PASEP. REGIME NÃO CUMULATIVO. DIREITO DE CRÉDITO. DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA. Não há como conceder o direito à crédito em relação às despesas com não devidamente comprovados pelo interessado. Fazse necessária a demonstração, pela Recorrente, da correlação entre os conhecimentos de transportes apresentados e as notas fiscais de venda das mercadorias. Esta prova é fundamental para que dê ensejo aos créditos da contribuição no regime da não cumulatividade, prevista no artigo 3º, inciso IX, da Lei 10.833/2003. Fl. 849DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 2 Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. José Luiz Novo Rossari – Presidente. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Adriene Maria de Miranda Veras e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório O presente litígio decorre de Pedido de Ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP vinculada a operações de exportações (fl. 01/ss), referente ao segundo trimestre de 2005, no valor de R$ 39.089,54, com fundamento no artigo 5º da Lei 10.637/2002. A DRF – Blumenau (SC), por meio do DESPACHO DECISÓRIO SAORT/DRF/BLU n° 184/2008 (fls. 597/626) reconheceu parcialmente o direito creditório em favor da Requerente no valor de R$ no valor de R$ 8.050,93. A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 644/ss) contra a decisão proferida nos autos do processo administrativo em epígrafe que reconheceu parcialmente o direito creditório. Por bem retratar os fatos ocorridos, transcrevese o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: “Trata o presente processo de "Pedido de Ressarcimento" de créditos da contribuição para o PIS/Pasep, relativo ao segundo trimestre de 2005, no valor de R$ 39.089,54, correspondente ao saldo declarado de créditos de mercado externo após as deduções e antes das compensações. A partir da análise feita nos documentos da empresa em diligência fiscal, foi emitido o Despacho Decisório DRF/Blumenau (fls. 597/626) o qual reconheceu parcialmente o direito creditório no valor de R$ 8.050,93, a titulo de mercado externo, correspondente ao saldo Fl. 850DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13975.000183/200519 Acórdão n.º 3202000.448 S3C2T2 Fl. 2 3 remanescente após as deduções da contribuição apurada em cada mês do trimestre e antes das compensações. A análise teve como base as informações prestadas nos documentos apresentados pela interessada e acostados ao processo, bem como as informações obtidas por meio de consultas aos sistemas informatizados da RFB. Consta, ainda, que foram feitos ajustes nos valores das receitas de exportação, com base na análise do Demonstrativo dos Despachos de Exportação, de consultas ao sistema Siscomex e de amostragem de notas fiscais, apresentado novos percentuais de exportação deferidos para efeito de cálculo de créditos de mercado interno e de mercado externo. O Despacho decisório relaciona as glosas efetuadas, pelos motivos que se apresentam abaixo, em breve síntese: 1 — Glosas de valores de "Bens utilizados como insumos": Neste item são descritas as irregularidades encontradas quanto aos bens utilizados como insumos, as quais deram ensejo as glosas: a) discrepâncias entre os valores totais obtidos do arquivo digital no cotejo com as folhas do Livro de Registros de Entradas (LRE), pelo que foram feitos ajustes (planilha de fl. 615); b) divergências entre o arquivo digital contendo o LRE e o valor informado na memória de cálculo quanto ao CFOP 6.201 (Devolução de compra para industrialização) mês de maio/2005 — de modo que foi feito o ajuste em consonância com o arquivo digital (item 1.1.2 da planilha do Anexo I). c) valores pagos à pessoa física na aquisição de insumos, conforme detalhado nos itens 1.2.1 a 1.2.15 da planilha do Anexo I — notas fiscais as fls. 205 a 219; d) créditos apurados em relação a bens que não são aplicados no processo produtivo da empresa (aquisição de cabeçotes ranhurados — fl. 272) e) inclusão de valores de mercadorias que saíram do estabelecimento do fornecedor (Vidroforte — notas as fls. 385/416) com o fim específico de exportação — CFOP 6.501, operação para a qual inexiste possibilidade de crédito, à luz do inciso II do § 2°. do art. 3°. da Lei 10.833/03; Fl. 851DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 4 f) nota fiscal inexistente, conforme observação firmada pela interessada fl. 196; 2. Glosas a titulo de "Serviços Utilizados como Insumos", em vista de: a) inclusão indevida do CFOP 1.949 e 2.949 (outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada) na rubrica Serviços Utilizados como Insumos, visto que esses códigos não correspondem a bens e serviços passíveis de apuração de crédito da Cofins (itens 2.1.1. e 2.1.2 da planilha do Anexo I); b) preenchimento dos Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas (CTRC) em inconformidade com o exigido pela legislação do ICMS, em razão de vícios formais nas notas fiscais, conforme tabela constante do Anexo II. Destaca que, quanto ao CFOP 1.352, algumas notas fiscais foram deferidas; 3. Glosa a titulo de "Despesas de Energia Elétrica", visto que foram incluídos na base de cálculo dos créditos, a esse titulo, valores de despesas de doação; e que alguns dos valores referemse a despesas extemporâneas — faturamento dos meses de junho e agosto de 2002; 4. Glosa de Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas, em razão da falta da apresentação dos respectivos comprovantes, conforme item 4.1.1. da planilha constante do Anexo I; 5. Glosa de Despesas de Armazenagem de Mercadoria e Frete na Operação de Venda devido a: a) irregularidades no preenchimento de parcela relevante dos CTRC, em inconformidade com o exigido pela legislação do ICMS, tais como: emissão posterior prestação do serviço e a falta de indicação do número da nota fiscal do produto transportado; b) serviços não relacionados na legislação tributária como passíveis de apurar créditos, tais como: serviços de remoção (fl. 493), handling (fls. 516, 525), frete a pagar (fls. 473/474), dentre outros; 6. Glosa de Base de Cálculo do Crédito a Descontar Referente Ativo Imobilizado — Lei n°. 10.833/2003, art. 3°., §§ 14 e 16 e Lei n°. 11.051/2004, art. 2°., visto a inclusão indevida de diversos tipos de bens do Ativo Imobilizado para os quais não se aplicam os dispositivos legais relacionados aos créditos da nãocumulatividade (ajuste das diferenças e os valores deferidos conforme demonstrado no item 6.1.1 da planilha do Anexo I); Fl. 852DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13975.000183/200519 Acórdão n.º 3202000.448 S3C2T2 Fl. 3 5 Sob o titulo "Cálculo Final", explica o despacho decisório, em síntese, que foram efetuadas as divisões dos custos, despesas e encargos vinculados ao mercado interno e as operações de exportação; que houve a necessidade de reescrita dos créditos do trimestre em análise, especialmente quanto à desconsideração do saldo inicial de crédito de mercado externo, a luz da IN SRF no. 600/05; que o quadroresumo à fl. 625 apresenta os saldos de créditos de mercado interno e de mercado externo após as deduções da contribuição apurada em cada mês do trimestre e antes das compensações com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administradas pela SRFB, observada a legislação aplicável à matéria. Constam, às fls. 627/633, a planilha do histórico das glosas realizadas, dos itens deferidos e o Demonstrativo de Apuração das Contribuições. A contribuinte apresenta a manifestação de inconformidade (fls. 643/651), onde pede a reforma da decisão, alegando os motivos que abaixo se expõe, sucintamente, conforme os tópicos abordados pela defesa: 1) Dos Bens Utilizados Como Insumos Aquisições da Vidroforte (Notas Fiscais emitidas com o CFOP 6.501 — Fim especifico de exportação): Neste tópico, em síntese, alega que essas aquisições foram escrituradas com o CFOP 2.101 (Compras para Industrialização) e não no CFOP 2.501 (Entrada de mercadoria recebida com o fim especifico de exportação), foram enviadas para o seu estabelecimento comercial, e foram utilizadas como matériaprima em seu processo de industrialização e incorporadas ao produto final (vidro). Sustenta que houve um equívoco por parte do fornecedor, sem qualquer responsabilidade da parte da recorrente; que a empresa Vidroforte destacou o ICMS nas operações, sendo que, quando a venda é com fim especifico de exportação, não existe esse destaque; que efetuou o pagamento do ICMS, do PIS e da Cofins A empresa fornecedora, sendo que estes dois últimos, ainda que não destacados nas notas fiscais, também estavam embutidos no preço final do produto; que não pode ser prejudicado pelo fato do contribuinte de direito não ter repassado os valores aos cofres públicos. 2) Dos Serviços Utilizados Como Insumos: a) CFOP 1.352 (fretes sobre a aquisição de insumos): alega que o referido transporte é utilizado para levar a Fl. 853DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 6 madeira bruta das florestas até o estabelecimento da recorrente e que a falha no sistema de emissão das notas fiscais (conhecimento de frete) não prejudicou o fisco federal, pois não houve omissão quanto aos valores referentes aos fretes; que à direito ao crédito relativo ao transporte de insumos, pois o fato de ter havido irregularidades não impediu que a empresa transportadora recolhesse o Pis e a Cofins sobre esses valores; b) CFOP 1.949 (outra entrada não especificada): alega que as operações lançadas nesse código se referem a serviços de pessoa jurídica utilizados na extração de madeira e manutenção de máquinas, cujo direito ao crédito está previsto no art. 3°., II da Lei n°. 10.637/02; que, no mesmo CFOP existem entradas com e sem direito ao crédito, mas que a autoridade administrativa não poderia ter glosado sumariamente todos os valores pleiteados, deixando de intimar a contribuinte para prestar esclarecimentos quanto aos lançamentos; e que junta as notas fiscais que comprovam o direito pleiteado; 3) Das Despesas de Armazenagem de Mercadoria e Frete Na Operação de Venda: Alega que, da mesma forma que na aquisição de insumos, não existem vícios formais a ensejar a glosa dos valores referentes ao frete nas operações de venda; que ocorreram, quando muito, meras irregularidades que não prejudicaram o Fisco, porquanto não houve omissão dos valores referente aos fretes; que os transportadores, ao invés de emitirem uma nota fiscal (conhecimento de frete) para cada operação de transporte, emitiam uma nota conjunta, onde mencionavam a totalidade dos serviços prestados em um determinado período; que, mesmo que tenha havido, essas irregularidades não impediram que a transportadora recolhesse as contribuições; que, caso se entenda que não se tem como auferir os valores a serem ressarcidos, que se determine o retorno dos autos A DRFB em Blumenau, para análise. Requer, por fim, o reconhecimento do direito ao ressarcimento de créditos de Cofins, especificados na presente manifestação. É o relatório”. A 4ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis, julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade, proferindo o Acórdão nº 0720.495 (fls. 766/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 Fl. 854DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13975.000183/200519 Acórdão n.º 3202000.448 S3C2T2 Fl. 4 7 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. Para efeito da nãocumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelandoo a necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto fabricado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTENCIA DO DIREITO CREDITORIO. ONUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Impugnação Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte A Recorrente foi cientificada do Acórdão em 18/08/2010 (fl. 774). Inconformada com a decisão da autoridade julgadora de primeira instância administrativa, interpôs Recurso Voluntário em 17/09/2010 (fls. 782/ss) onde repisa os argumentos já trazidos na Manifestação de Inconformidade. Por fim, requer o recebimento e a apreciação do Recurso, para o efeito de reconhecer o direito de ressarcirse dos créditos da contribuição para o PIS/PASEP, relativos ao 2° trimestre do ano de 2006, no que toca as despesas realizadas com (i) frete na aquisição, (ii) exploração de florestas e manutenção de máquinas, e (iii) frete e armazenagem na venda. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Com a apresentação do Recurso Voluntário, os seguintes pontos permanecem em discussão no presente litígio, em síntese: Fl. 855DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 8 i. Glosa de créditos decorrentes de “Despesas com fretes” (Frete na aquisição CFOP 1352); ii. Glosa de créditos decorrentes de “Serviços não especificados CFOP 1949 e 2949” “Serviço de extração de madeira” e “Despesas com manutenção de equipamentos”; iii. Glosa de créditos decorrentes de “Despesas de Armazenagem de Mercadoria e Frete na Operação de Venda”; Passemos à análise, em separado, de cada um destes pontos. (i) Glosa sobre créditos decorrentes de “Despesas com fretes” (Frete na aquisição CFOP 1352). A discussão que se faz neste ponto é se está correta a glosa de créditos, efetuada pela fiscalização, em relação às despesas com fretes. A Recorrente alega que o frete enquadrase no conceito de insumo, haja vista que o mesmo é necessário à chegada da matéria prima ao estabelecimento fabril, ou seja, este item configura um serviço aplicado na fabricação do bem destinado a venda. A autoridade fiscal glosou créditos com a argumentação de que a pleiteante não comprovou a efetiva realização destas despesas. Correta a glosa da fiscalização. Vejamos. Como muito bem destacado no voto condutor da decisão recorrida, a Recorrente não comprovou a efetividade e regularidade das alegadas despesas com frete, uma vez que a grande maioria dos CTRC – Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas está eivada de vícios por não atender aos requisitos formais exigidos pelo regulamento do ICMS, além do fato de que muitos produtos terem sido adquiridos de pessoa física. Por muito bem demonstrar estes fatos, transcrevo trechos desse voto: “Em que pesem os argumentos da interessada, fato é que os CTRC devem possibilitar a leitura das operações a que dizem respeito , assim como a contabilidade da empresa deve espelhar as respectivas operações, sem o que a análise do pedido de ressarcimento pode restar comprometida. Não obstante essa premissa, o CTRC é um documento emitido pela transportadora, sendo de sua responsabilidade a emissão dessas notas, portanto, as formalidades em desacordo com os requisitos formais exigidos pelo Regulamento do ICMS/SC são de responsabilidade desta empresa perante o fisco estadual; ou seja, não implicam necessariamente na desconsideração dos valores para fins de creditamento da Cofins e do Pis/Pasep no regime da nãocumulatividade em relação ao valor do frete na aquisição dos insumos, a não ser, como já dito, quando os elementos intrínsecos a estes conhecimentos de transportes deixam de espelhar a operação e/ou não estejam de acordo com os registros contábeis da empresa. Ou seja, deve a contribuinte Fl. 856DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13975.000183/200519 Acórdão n.º 3202000.448 S3C2T2 Fl. 5 9 demonstrar minudentemente as operações, se os documentos, por si só, não refletem o direito aos créditos. Compulsandose os autos (fls. 309/328), verificase que os CTRC (na aquisição) se referem a transporte de insumo Toros os quais são transportados, ora da Fazenda São Jacó Passo Manso, remetidos por pessoa física (Lino Rohden), ora da Fazenda Campina ou Piava, por conta da própria interessada. Consta que o frete foi "a pagar", ou seja, por conta do destinatário. De fato, em algumas dessas notas, faltam os números fiscais das mercadorias transportadas, constando como "diversos", porém, consta o montante dos valores pagos. Não obstante estas notas pudessem ser identificadas eventualmente por outros controles contábeis/fiscais disponibilizados pela interessada, juntamente com o registro na sua contabilidade, a interessada não providenciou nada mais do que já constava nos autos, embora soubesse detalhadamente dos problemas formais levantados no despacho decisório, como já dito anteriormente. Por outro lado, observase que parte das mercadorias foram remetidas por pessoa física e parte, pela própria empresa interessada. Salientese, portanto, que a teor do — §3º, I do art. 3°. Da Lei n° 10.833/2003, o direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no Pais, ou seja, produtos adquiridos de pessoa física não geram créditos no regime do PIS/Pasep/Cofins nãocumulativo, o que já descaracteriza a operação de compra de um produtor rural pessoa física. Quanto ao transporte dos toros, cuja própria interessada é a remetente, a principio, um insumo de sua própria lavra, não há que apropriar créditos. Isso porque o processo produtivo da empresa (fabricação de móveis), conforme documentado pela interessada (fl. 84), começa na serraria, e não há previsão para desconto de créditos relativos despesa com transporte do insumo (toras) de um estabelecimento para outro, uma vez que faz parte de uma etapa anterior ao processo produtivo, lembrandose que geram créditos apenas os valores dos serviços utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos (IN SRF n°.404/2004).” (grifamos) As irregularidades constatadas pela fiscalização estão detalhadamente descritas no Despacho Decisório, no item “Glosa de Serviços Utilizados como Insumos” (folhas 617/618), nos seguintes termos: “O preenchimento de parcela relevante dos Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas (CTRC), enviados em Fl. 857DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 10 atendimento ao item 1 da Intimação Fiscal N° 513/06, não fora efetuado em conformidade com o exigido pela legislação do ICMS (RICMSSC/2001, Anexo V, art. 63 a 71), especialmente quanto aos fornecedores localizados nas proximidades do domicilio fiscal da interessada, como se é possível verificar pela análise das notas fiscais de fls. 309 a 330. É importante frisar que, durante a instrução de processos de ressarcimentos anteriores, relativos ao 2 ° trimestre de 2004, solicitouse a totalidade dos CTRC, o que permitiu uma análise geral dos fornecedores de serviços de transporte da requerente. Principais irregularidades detectadas: não indicação do número da nota fiscal transportada e emissão do CTRC posteriormente à prestação do serviço. Neste contexto, para o 2° trimestre de 2005, os valores das notas fiscais enviadas que apresentaram vícios formais foram glosados; a tabela constante do Anexo II deste Despacho detalha as notas fiscais cujos valores foram deferidos” Registrese, que a Recorrente limitouse a tecer vários argumentos sobre os fatos acima relatados, sem, entretanto, trazer elementos probantes capazes de refutar os fatos apurados pela Fiscalização. Ademais, reconhece que as irregularidades existiram, buscando apenas minimizar a gravidade de seus efeitos, ao afirmar (fl. 788) que “E não se venha falar que as falhas no sistema de emissão de notas fiscais (conhecimento de frete) impossibilitam com que este crédito seja reconhecido...” E, mais adiante, aduz “Ora, se não houve qualquer omissão quanto aos valores e o fisco não restou prejudicado, não há que se falar que os documentos não se prestam ao reconhecimento do crédito. Ou seja: Se o fato de ter havido irregularidades não impediu que a empresa transportadora recolhesse o PIS e a COFINS sobre esses valores, não há como tais irregularidades impedirem o aproveitamento do crédito incidente.” Não há como concordar com a alegação da Recorrente. As irregularidades apontadas pela fiscalização são fatores impeditivos para o aproveitamento do crédito pleiteado. O interessado deveria comprovar o alegado direito creditório. Esta prova é necessária para a apropriação dos créditos pretendidos pela Recorrente, previstos no artigo 3°, da Lei n° 10.637/2002. Não a fez! Assim, entendo, o interessado não se desincumbiu a contento de provar suas alegações. Claro está que as supostas irregularidades apontadas pela fiscalização, em seu Despacho Decisório, deveriam ser rebatidas pelo contribuinte, e acompanhadas das respectivas provas, no momento próprio previsto na norma (artigo 15 – Decreto 70.235/72). Correta, portanto, a glosa efetuada pela fiscalização em relação à apuração dos créditos não cumulativos do PIS, no que se refere a não comprovação das “Despesas com fretes”. (ii) Da glosa de créditos do PIS não cumulativo sobre despesas com “Serviços não especificados – extração de madeira” e “Despesas com manutenção de equipamentos”. Fl. 858DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13975.000183/200519 Acórdão n.º 3202000.448 S3C2T2 Fl. 6 11 Em relação a este ponto a Fiscalização afirma (fls. 615/616) que “O cotejo realizado entre os valores totais obtidos do arquivo digital referente aos lançamentos efetuados no LRE e os valores totais presentes nas cópias das folhas do LRE (fls. 144 a 166) revelou discrepâncias entre os mesmos. Intimada a justificar as divergências apuradas, por meio do quesito n° 1 da Intimação Fiscal n° 459/07 (fls. 353 a 358), a requerente informou, conforme observação à fl. 361, que ‘no Livro Registro de Entradas não estão contidos os CFOPS de entrada 1.949 que tratamse de serviços que geram direito a credito presentes no arquivo digital. (...) estes CFOPS estão contidos no arquivo digitais montados de acordo com o solicitado, mas não fecham com o impresso pois o Sintegra arquivo digital ao qual deve ser passado mensalmente ao Estado não tem aceite se enviado com estas CFOPS’. A contribuinte, todavia, não procedeu à devida quantificação das disparidades citadas acima. No intuito de se aferir a precisão da explanação da interessada, efetuouse a comparação mensal dos valores das divergências apuradas com as somas dos valores das notas fiscais com CFOP 1.949 com crédito diferente de zero.” Assim, conclui a Fiscalização que “Tendo em vista a falta de plausível justificativa as discrepâncias em tela, realizaramse ajustes nas divergências apuradas entre os valores totais obtidos do arquivo digital referente aos lançamentos efetuados no LRE e os valores totais presentes nas cópias das folhas do LRE, conforme discriminado no item 1.1.1 da planilha constante do Anexo I deste Despacho”. A Recorrente afirma que os valores incluídos no CFOP 1.949 não apresentam qualquer incorreção, vez que se trata de importâncias relativas a serviços de pessoa jurídica utilizados na extração de madeira e manutenção de máquinas. Aduz que deverá ser mantido o crédito referente à extração de madeira, manutenção de maquinas e serviços de fumigação, haja vista que tais produtos são considerados como insumo, sendo, igualmente, integrado ou consumido no processo de produção de mercadorias industrializadas destinadas ao exterior. Entretanto, em relação à inconsistência e discrepância apontada pela fiscalização em seu Despacho Decisório (folha 615/616), (entre os valores totais obtidos do arquivo digital referente aos lançamentos efetuados no LRE – Livro do Registro de Entradas e os valores totais constantes das cópias das folhas do LRE) a empresa nada esclareceu. Não apresentou nenhuma justificativa capaz de explicar a irregularidade acima apontada. Resignouse, apenas, em tecer diversos comentários sobre o conceito de insumo e defender o aproveitamento das alegadas despesas com serviços de extração da madeira, manutenção de máquinas e serviços de fumigação. Pelo exposto, não vejo reparos a fazer na decisão recorrida. Entendo, assim, que a Recorrente não se desincumbiu a contento de provar suas alegações, no momento próprio previsto na norma (artigo 15 – Decreto 70.235/72). Cabe ao interessado apresentar os elementos de prova para comprovar o alegado direito creditório, nos termos do que prescreve o artigo 333 do CPC – Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo tributário. Correta, portanto, a glosa efetuada pela fiscalização em relação à apuração dos créditos não cumulativos do PIS em relação aos “Outros serviços não especificados”. Fl. 859DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 12 iii. Da glosa de créditos do PIS não cumulativo decorrentes de “Despesas de Armazenagem de Mercadoria e Frete na Operação de Venda”; A questão em discussão referese à glosa de créditos referente às despesas de armazenagem de mercadorias e fretes nas operações de comercialização (venda) das mercadorias da Recorrente, prevista no artigo 3º, inciso IX, c/c artigo 15 da Lei 10.833/2003. Neste item, a fiscalização apontou além das irregularidades em relação à emissão dos CTRC relativos aos fretes, já descritas no item i (não indicação do número da nota fiscal transportada e emissão do CTRC posteriormente à prestação do serviço), ficou constatado que alguns dos serviços prestados não eram passíveis de créditos, dentre os quais citase: serviços de remoção (fl. 493), handling e rolagem de container cheio (fls. 516/525) e fretes a pagar (fls. 473/474), dentre outros. Neste ponto, também a Recorrente alega que o frete enquadrase no conceito de insumo, que não existem vícios formas que podem levar a glosa dos créditos e que os transportadores emitiam nota conjunta onde mencionavam a totalidade dos serviços prestados em determinado período, que as irregularidades não prejudicaram o fisco. Alega, ainda, que “... contratou fretes de terceiras pessoas, as quais emitem uma única nota fiscal (CTRC) para um determinado tempo de serviço. Ora, não pode a empresa recorrente ser prejudicada pelas irregularidades praticadas pela prestadora do serviço. Até porque, sequer há prejuízo ao fisco com os ditos vícios, na medida em que eles não impediram com que a empresa transportadora recolhesse PIS e COFINS sobre tais valores”. É fato, entretanto, que há irregularidades na emissão dos CTRC. Conforme destacou a decisão recorrida “compulsandose as notas fiscais anexas ao despacho decisório, vislumbrase, de fato, algumas irregularidades formais relativas os CTRC, além de, sem alguns casos, serviços para os quais não há previsão para creditamento, tais como movimentação de contêineres”. O mais relevante, contudo, é o fato que não restou demonstrada a correlação entre os conhecimentos de transportes apresentados e as notas fiscais de venda das mercadorias. Esta prova é fundamental para que dê ensejo aos créditos da contribuição no regime da não cumulatividade, prevista no artigo 3º, inciso IX, c/c artigo 15 da Lei 10.833/2003. A interessada alega apenas, de forma genérica, os conhecimentos de transporte se referem a várias notas, entretanto, não faz a correlação entre as notas fiscais, para cada operação de venda efetuada, com os respectivos conhecimentos de transporte apresentados. Destarte, como já comentado nos itens anteriores, pareceme que também neste caso, a Recorrente não se desincumbiu a contento de provar suas alegações. No entender deste julgador, as irregularidades apontadas pela fiscalização, em seu Despacho Decisório, deveriam ser rebatidas pelo contribuinte, e acompanhadas das respectivas provas, no momento próprio previsto na norma (artigo 15 – Decreto 70.235/72). Fl. 860DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13975.000183/200519 Acórdão n.º 3202000.448 S3C2T2 Fl. 7 13 Não há, portanto, como acolher os argumentos apresentados pela Recorrente neste ponto. Conclusão Destarte, diante de tudo o que foi exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 861DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
score : 1.0
Numero do processo: 13899.001057/2005-23
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 17 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Aug 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Exercício: 2000
LANÇAMENTO DE OFÍCIO - MULTA QUALIFICADA SIMPLES OMISSÃO DE RENDIMENTOS INAPLICABILIDADE.
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula n° 14, 1°CC e Sumula CARE n. 14- Portaria n. 106, de 21-12-2009).
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.944
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRF- ação fiscal- ñ retenção/recolhim. (rend.trib.exclusiva)
Nome do relator: Manoel Coelho Arruda Junior
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Exercício: 2000 LANÇAMENTO DE OFÍCIO - MULTA QUALIFICADA SIMPLES OMISSÃO DE RENDIMENTOS INAPLICABILIDADE. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula n° 14, 1°CC e Sumula CARE n. 14- Portaria n. 106, de 21-12-2009). Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Participaram, do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva. Relatório Em 24 de maio de 2007, a então Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes proferiu acórdão de n° 104-21450 [fls.163 - 172] que, por maioria de votos, acolheu a preliminar de decadência relativamente aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e outubro de 2000 (artigo 150, § 4', do CTN). No mérito, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de oficio, reduzindo-a ao percentual de 75%, por não ter sido imputado ao Contribuinte nenhum dos comportamentos que caracterizam o verdadeiro intuito de fraude (falsidade material, falsidade ideológica e embaraço a Ação Fiscal), restando apenas uma simples falta de recolhimento e/ou declaração inexata: DECADÊNCIA - O direito de a Fazenda Páblica constituir o crédito extingue-se após 05 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária (art 150, § 4", do CTN). IRFONTE - MULTA QUALIFICADA - FRAUDE - A simples . falta de recolhimento e/ott declaração inexata não representa, por si só, fato relevante para a caracto ização cio dolo e, coma fraude não se presume,. descabe a qualificagão da penalidade de oficio. Preliminar acolhida Recurso parcialmente provido. Inconformada com a decisão proferida, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial [fis.175 — 180], corn filler° no art. 7°, I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais à época.. A r. PGFN argumenta que ao proferir a decisão, a Quarta Camara alem de malferir o art, 44, II, § 1° da Lei 9.430/96 que fundamenta a multa qualificada, contrariou também o art, 173, I, do CTN, por ter ficado caracterizado o intuito de fraude do Contribuinte nos autos: [Lei 9.430/96] Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, setae , aplicadas as seguintes multas.. II - de 50% (cinqiienta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal,' § 1 2 0 percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71 72 e 73 da Lei it' 4 502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas on criminais cabíveis. [CT,N] 2 PIOCCSSO rt 13899 001057/2005-23 CSRF-T2 Acbrao n 9202-00.944 Fl 2 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados. I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento podei ia ter sido efetuado; Requer a Fazenda Nacional o provimento do presente recurso, para reformar a decisão ora hostilizada, a fim de que seja: 1. mantida a nutha de oficio, em sua modalidade qualificada, tendo em vista a conduta fraudulenta do contribuinte comprovada nos autos, e 2 em consequência, sejam mantidos os lançamentos do exercício de 2000, uma vez que não estão decaidos. Em 12 de fevereiro de 2008, o então Presidente da Quarta Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes em análise de admissibilidade, proferiu Despacho de n°104-063/2008 [fis.182 — 184], que deu seguimento ao recurso da Fazenda Nacional. Devidamente intimado do acórdão e do Recurso Especial, o Contribuinte protocolizou, tempestivamente, contra-razões ao recurso especial [fls.480 — 484] que pugna pela manutenção da decisão ora recorrida, para ratificar o cancelamento do auto de infração, nos limites em que já decidido pela Quarta Camara, mantendo-se apenas a autuação em relação aos fatos geradores ocorridos em 31 de dezembro de 2000 e desqualificando-se a multa de oficio para 75% da obrigação quanto a este fato gerador subsistente. o relatório, Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Relator 0 Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido . Não obstante os fundamentos colacionados pela d. Procuradoria da Fazenda Nacional, entendo que o acórdão proferido pela Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, não merece ressalvas, conforme se testifica do voto vencedor: Como se collie do relatório, não há discussão quanto ao mérito da exigência, de modo que a matéria submetida à apreciação deste Conselho se resume ci decadência e à qualifica cão da multa Inicio a análise pela questão da qualificação da imam por ocorrência defraude, pois, como se sabe, o fato de haver fi aude pode deslocar o prazo decadencial da data do fato gerador; conforme o artigo 150, § 4 0, do CTN, para o primeiro dia do exercício seguinte a que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme artigo 173, I, do mesmo diploma legal. 3 Pois bent, no que se refer e a exasperação da penalidade de 75% paia 150%, é teiterada a jurispudencia de.ste Colegiado no sentido de que somente podeld ocorrer quanto restar efetivamente comprovado o evidente intuito de fiaude. No caso dos autos, o que se verifica é que os fimdamentos adotados pela autoridade lançadora não atestam a existência de .fiande A qualificagão da penalidade teve como justificativa a fidta de lecolhimento. Não bastasse, as bases de cálculo e o tributo finam obtidas nos documentos ofertados pela empresa e na DIRE', além de não ter sido imputado a recorrente nenhtent dos seguintes comportamentos. • Falsidade material • Falsidade ideológica, nem • Embaraço a Ação Fiscal Estamos, portanto, diante de simples ,falta de recolhimento e/ou declaração inexata, sent qualquer prova de dolo e, como fraude não se presume, não há como prosperar a exasperação da penalidade, devendo a multa de oficio agravada de 150%, ser reduzida para a inn/ta de oficio 1101171al de 75%. Assim, com as presentes considerações e provas que dos autos consta, encaminho meu voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário para deck', ar a decadência dos fatos gerar/ames ocorridos entre jculebo e outubro de 2000, mantendo a cobrança relativa ao fato gerador de 31/12/2000, desqualificando a multa de 150%, reduzindo-a para 75%. O posicionamento adotado pela então Quarta Câmara do 1° Conselho decorreu de aplicação do enunciado da Súmula n„ 14, do l'CC, que após a publicação da Portaria CARP n. 106, de 21 de dezembro de 2009, consolidou-se no enunciado n. 14, das Súmulas CARF: Sánuda CARP - N2 14 A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da muha de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. DISPOSITIVO Voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso da Fazenda Nacional. 4
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Numero do processo: 10840.907149/2009-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PIS/PASEP
Período de apuração: Março/2004
COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO.
O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido, através da linguagem competente das provas.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação, nos termos do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional.
PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL.
A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal.
Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto n° 70235/72 (PAF).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3202-000.432
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar
provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior e Octávio Carneiro Silva Corrêa, que votaram pela conversão do julgamento em diligência.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PIS/PASEP Período de apuração: Março/2004 COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido, através da linguagem competente das provas. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação, nos termos do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto n° 70235/72 (PAF). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior e Octávio Carneiro Silva Corrêa, que votaram pela conversão do julgamento em diligência. José Luiz Novo Rossari Presidente. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10840.907149/200920 Acórdão n.º 3202000.432 S3C2T2 Fl. 160 2 Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Luiz Novo Rossari, Rodrigo Cardozo Miranda, Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório O presente processo trata de Declaração de Compensação – DCOMP Eletrônico – de crédito do PIS/PASEP, supostamente pagos indevidamente ou a maior (fls. 1/ss), período de 03/2004, onde o contribuinte pretende compensar com débitos do PIS/PASEP (período de apuração 09/2006) no valor de R$ 13,57 (valor original). Por bem descrever os fatos, transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS. Por intermédio do despacho decisório de fls. 9, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, a contribuinte interpôs a manifestação de inconformidade de fl.8 contestando a não homologação da compensação. A recorrente alega que a DIPJ 2005, ano calendário 2004, comprova que o valor de PIS referente ao fato gerador de 31/03/2004, foi pago a maior, restando crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP. Anexou DIPJ e DCTF referentes ao período. É o relatório. A 4ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto – SP julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, proferindo o Acórdão nº 1431.081 (fls. 122/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 31/03/2004 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10840.907149/200920 Acórdão n.º 3202000.432 S3C2T2 Fl. 161 3 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou a maior que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme art. 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente foi cientificada do Acórdão em 19/10/2010 (fl. 127/128). Inconformada com a decisão da autoridade julgadora de primeira instância administrativa, interpôs Recurso Voluntário em 16/11/2010 (fls. 128/ss) onde aduz os seguintes argumentos, em síntese: em março de 2004 obteve um faturamento de R$ 68.299,01, através das notas que relaciona em planilha, onde constam os valores apurados em relação “PIS retido” e “PIS devido após retenção”; do total do PIS devido abateuse os créditos relacionados em planilha, no total de R$ 740,02, restando assim, um saldo credor de PIS de R$ R$ 56,83; foi pago um DARF com período de apuração 31/03/2004, código da receita 6912 no valor de R$ 656,70, no Banco Bradesco S/A. Entende, assim, que diante do exposto acima, fica evidente o pagamento a maior do DARF restando assim um saldo a compensar no valor de R$ 656,70. para comprovar tal entendimento anexou cópias do Livro de Prestação de Serviços, notas fiscais de prestação de serviços, livros Razão e Diário e o DARF de recolhimento. por fim, diante da omissão ocorrida da não apresentação da DCTF retificadora, requer a apreciação dos documentos ora apresentados para reverter a decisão do processo, uma vez que não houve dolo e o erro foi cometido por inexperiência. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Voto Fl. 168DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10840.907149/200920 Acórdão n.º 3202000.432 S3C2T2 Fl. 162 4 Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. É certo que a compensação de valores pagos a maior que o devido com créditos tributários é modalidade de extinção (artigo 156, II/CTN) de tais créditos tributários, prescrita no artigo 170 do Código Tributário Nacional, a ser regulada nos termos de lei ordinária. A norma legal que trata desse instituto está inscrita na Lei n° 9.430/96, em seus artigos 73 e 74. A regulamentação de tais normas está inscrita em diversas normas complementares editadas pela Secretaria da Receita Federal. Pelos dispositivos acima citados, não há dúvidas que, comprovada a existência de pagamento indevido ou a maior que o devido, o contribuinte tem direito à compensação de tal valor com créditos tributários de que seja sujeito passivo. Portanto, a extinção do crédito tributário por esta modalidade, condicionase à necessidade de comprovação da existência do crédito, ou seja, da sua certeza e liquidez, exigência determinada pela regra matriz do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Muito bem. No caso em tela, a própria Recorrente reconhece que houve erro na informação dos dados quando da apresentação da DCTF (ano 2004) e que não fez a devida retificação destes dados. Assim, teve o seu pedido de compensação de tributos indeferido, conforme despacho anexado aos autos (fl. 4). Quando da apresentação da Impugnação (fl. 8) para contestar o indeferimento de seu pedido de compensação, resignouse apenas a afirmar o que segue abaixo: “...NÃO CONCORDA o despacho decisório numero rastreamento 842045614 de 09 de Junho de 2009 referente a PER/DCOMP numero 18266.24787.111006.1.3.046256 transmitida em 11/10/2006, numero do processo de crédito 10840907.149/200920, pelo motivo que expõe: O Supra mencionado Despacho alega que o crédito originário no DARF Período de Apuração 31/03/2004, código da receita 6912 no valor de R$ 656,70 arrecadado em 15/04/2004, foi utilizado para pagamento total do Débito com código 6912 do PA 31/03/2004, mas conforme comprova a DIPJ ano Base 2005/ano Calendário 2004 numero de recibo 29.19.30.30.0889, não houve débito do PIS do PA 31/03/2004, restando assim um saldo de R$ 656,70, sendo parte (R$10,64) utilizado através da PER/DCOMP N° 25463.75448.150405.1.3.040408, e R$44,03 utilizado na PER/DCOMP N° 40272.41692.130505.1.3.043878, e R$25,40 utilizado na PER/DCOMP N° 26944.17107.130605.1.3.042689, e R$30,89 utilizado na PER/DCOMP N° 30234.53676.130705.1.3.046325, e R$23,19 utilizado na PER/DCOMP N° 35375.39706.110805.1.3.042669, e R$13,95 utilizado na PER/DCOMP N° 19954.29919.150905.1.3.042098, e R$15,76 utilizado na PER/DCOMP N° 26004.50337.141005.1.3.040197, e R$26,75 utilizado na PER/DCOMP N° 40884.09947.111105.1.3.043795, e R$26,78 utilizado na PER/DCOMP N° Fl. 169DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10840.907149/200920 Acórdão n.º 3202000.432 S3C2T2 Fl. 163 5 27705.95364.151205.1.3.047034, e R$15,54 utilizado na PER/DCOMP N° 08464.63606.150206.1.3.045540, e R$57,66 utilizado na PER/DCOMP N° 04713.67529.150306.1.3.045656, e R$40,29 utilizado na PER/DCOMP N° 16457.08486.150506.1.3.040308, e R$24,34 utilizado na PER/DCOMP N° 35760.87220.140606.1.3.044008, e R$25,49 utilizado na PER/DCOMP N° 22908.03324.140706.1.3.040432, Restando assim um saldo de R$275,99, para tanto enviamos anexo a cópia da DIPJ e da DCTF do período do crédito”. O Acórdão da DRF – Ribeirão Preto, no meu entender, corretamente julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, uma vez que não restou comprovado nos autos o alegado recolhimento indevido, através da competente linguagem das provas. Ocorre que não foi feita a devida prova do direito pleiteado, nos termos do que prescreve o artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo tributário. Ao autor, no caso o sujeito passivo, incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito, deste modo, a declaração de compensação deveria estar, necessariamente, instruída com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamenta, sob pena do seu indeferimento. Ademais, prescreve o artigo 15 do Decreto 70.235/72 (PAF) que a Impugnação (Manifestação de Inconformidade) deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar, havendo a preclusão do direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual. Este é o momento previsto para que sejam apresentadas as provas, comportando exceções apenas nos casos previstos no parágrafo 4º do artigo 16 do mesmo Decreto. Assim, as provas trazidas ao processo pelo contribuinte, após a apresentação da Impugnação (Manifestação de Inconformidade), estão atingidas pela preclusão. Destaque se, que apenas quando a apresentação do Recurso Voluntário é que foram juntados documentos na tentativa de comprovar o direito à compensação de tributos. Em respeito ao devido processo legal, do qual são corolários os princípios da ampla defesa e do contraditório, todas as provas necessárias à comprovação do direito reclamado devem ser de logo apresentadas para que à outra parte delas seja dado conhecimento, e, assim, sobre elas possa se manifestar. E mais, a apreciação de elementos não trazidos pelo contribuinte quando da Impugnação fere também o princípio do duplo grau de jurisdição, uma vez que não puderam ser apreciados pelos julgadores de primeira instância, que sobre eles não se manifestaram. Neste sentido, interessante citar abalizada lição de Maria Teresa Martinez López e Marcela Cheffer Bianchini (artigo “Aspectos Polêmicos sobre o Momento de Apresentação da Prova no Processo Administrativo Fiscal Federal”, do livro “A Prova no Processo Tributário”, Dialética: São Paulo, 2010, p. 51): “(...) O devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade material. O processo requer andamento, desenvolvimento, marcha e conclusão. A segurança e a observância das regras previamente estabelecidas para a solução das lides constituem valores igualmente relevantes no processo. E, neste contexto, o instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal, e de modo algum Fl. 170DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10840.907149/200920 Acórdão n.º 3202000.432 S3C2T2 Fl. 164 6 se revela incompatível com o Estado de Direito ou com o direito de ampla defesa ou com a busca pela verdade material. O artigo 16 do PAF, em seu parágrafo 4°, estabelece limitações à atividade probatória do administrado ao determinar que a prova documental deve ser apresentada com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que restar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior ou referirse a fato ou direito superveniente.” (grifamos) Destarte, em face da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, nos termos do artigo 170/CTN e, ainda, considerando que houve a preclusão do direito do sujeito passivo em apresentar provas na fase recursal, conforme prescreve o artigo 15 do Decreto 70.235/72, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 171DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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Numero do processo: 13002.000061/2005-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
RESULTADO DE DILIGÊNCIA. ERRO MATERIAL. APURAÇÃO DE CRÉDITO. NÃO CONTESTAÇÃO.
Realizado diligência para apurar fatos alegados pelo contribuinte e apurado erros no trabalho fiscal realizado anteriormente, há que se reconhecer o direito creditório apurado pela autoridade fiscal quando da realização da diligência e não contestado pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-001.441
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ERRO MATERIAL. APURAÇÃO DE CRÉDITO. NÃO CONTESTAÇÃO. Realizado diligência para apurar fatos alegados pelo contribuinte e apurado erros no trabalho fiscal realizado anteriormente, há que se reconhecer o direito creditório apurado pela autoridade fiscal quando da realização da diligência e não contestado pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/02/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório No dia 25/10/2004 a empresa MADEF S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO, já qualificada nos autos, ingressou com pedido de ressarcimento de créditos de Cofins não cumulativa, previsto no § 1o do art. 6o da Lei no 10.833/2003, relativo ao quarto trimestre de 2004. A DRF em Novo Hamburgo RS deferiu parcialmente o pedido da interessada pelas razões consignadas no Relatório Fiscal de fls. 108/127. Inconformada com esta decisão, a empresa ingressou com a manifestação de inconformidade, cujo resumo das alegações constam do relatório da decisão recorrida, que leio em sessão. A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre RS indeferiu a solicitação da interessada, nos termos do Acórdão nº 1014.921, de 17/01/2008, ratificando o entendimento da DRF em Novo Hamburgo RS fls.173/174. Ciente desta decisão em 15/02/2008, a interessada ingressou, no dia 14/03/2008, com o recurso voluntário de fls. 179/199, no qual alega que: 1 na cessão onerosa de crédito de ICMS a terceiros não há ingresso de receita e, portanto, não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins; 2 há divergências nos valores das receitas de vendas no mercado interno, tanto em relação à DACON como em relação ao apurada pela Fiscalização. Faz um demonstrativo do que considera receita de vendas no mercado interno; 3 todas as receita operacionais foram consideradas na apuração da base de cálculo do PIS e da Cofins; 4 as despesas com encargos de parcelamento de dívidas fiscais são despesas financeiras e geram direito a crédito porque a lei não faz distinção entre empréstimos concedidos por particulares e os públicos; 5 inexiste a diferença apontada pela Fiscalização entre os valores descontados a título de bens utilizados como insumos para a composição da base de cálculo do PIS e da Cofins. Devem ser considerados os valores constantes nos seguintes CFOP: 1.101, 1.118, 1.124, 1.132, 2.101, 2.118, 2.124, 2.352,5.201 e 6.201; 6 não houve uso indevido de encargos de depreciação e de outros valores com direito a crédito. Solicita perícia para atestar o alegado; 7 inexiste os créditos do mês anterior apontado pela Fiscalização. Faz demonstrativo; 8 nos períodos de apuração deste processo não há divergência nos valores apurados pela Fiscalização relativos a devolução de vendas. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13002.000061/200511 Acórdão n.º 330201.441 S3C3T2 Fl. 312 3 Na sessão do dia 18/09/2009 o julgamento foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 330200.012, para a repartição de origem adotar as seguintes providências: 1 com relação às vendas no mercado interno, há divergência entre os valores informados na planilha de fls. 125 e os valores do Relatório Fiscal e do Recurso Voluntário, a exemplo dos PA de 01/04, 06/04 e 10/04. Qual é o valor correto das vendas realizadas no mercado interno? Juntar cópia do livro apuração (do IPI ou do ICMS). Manter as vendas para entrega futura na forma apurada pela Fiscalização. 2 identificar as receitas operacionais não incluídas pela recorrente na base de cálculo do PIS e da Cofins, relacionadas no item 2.1.3 do Relatório Fiscal. 3 identificar a origem das diferenças apuradas e relativas aos bens utilizados como insumos (subitem 2.2.2 do Relatório Fiscal) e manifestarse acerca dos argumentos apresentados pela interessada no recurso voluntário. 4 intimar a recorrente a demonstrar e juntar prova do alegado sobre os encargos de depreciação, ou seja, que os créditos relativos a encargos de depreciação são exclusivamente em relação aos bens utilizados na produção. Manifestarse sobre a resposta da recorrente; 5 intimar a recorrente a detalhar, e juntar prova do alegado, os créditos relativos a “outros valores com direito a crédito” informados na DACON. Manifestarse sobre a resposta da recorrente; 6 havendo alteração nos valores apurados pela Fiscalização no Relatório Fiscal, refazer os demonstrativos “2.2.5 – Créditos do Mês Anterior” e o elaborado na Conclusão do Relatório (fl. 157). 7 dar ciência prévia desta Resolução à recorrente e, após concluída a diligência, dar ciência do seu resultado, abrindolhe prazo para, querendo, manifestarse. Realizado a diligência, consubstanciada no excelente Relatório de Diligência Fiscal de fls. 308/324, resultou que a Fiscalização apurou um crédito total a ressarcir, passível de compensação, no valor de R$ 208.221,13. Ciente do resultado da diligência, a recorrente não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 O recurso voluntário foi conhecido na sessão do dia 18/09/2009 quando o Colegiado resolveu converter o julgamento em diligência para esclarecer e apurar diversos fatos alegados pela Recorrente e não considerados na decisão recorrida. No curso da diligência, o AuditorFiscal constatou erros no trabalho fiscal realizado anteriormente e nas informações prestadas pela Recorrente. Efetuado as retificações, a Recorrente foi intimada a se manifestar sobre as mesmas. A Recorrente respondeu a Intimação Fiscal nº 02 dizendo que não identificou “ressalvas para manifestar contrariedade”. Ciente do Relatório de Diligência Fiscal, do qual foi instada a se manifestar, nada disse a Recorrente. O AuditorFiscal foi além do solicitado na Resolução deste CARF e refez todo o trabalho fiscal de apuração do crédito da Recorrente, à luz da documentação apresentada, e concluiu que, de fato, tem razão em parte a Recorrente ao apurar um crédito no valor de R$ 208.221,13, ante os R$ 249.820,64, solicitados originalmente, e o valor reconhecido e ressarcido anteriormente R$ 73.635,23. No trabalho fiscal todos os documentos e esclarecimentos apresentados pela Recorrente foram devidamente analisados e consignados no Relatório Fiscal para que ela Recorrente pudesse contestar. Como esta concordou tacitamente com o resultado da diligência, adotoo para reconhecer o direito creditório a favor da Recorrente, no valor total de R$ 208.221,13 (duzentos e oito mil, duzentos e vinte e um reais e treze centavos), incluindo os R$ 73.635,23 (setenta e três mil, seiscentos e trinta e cinco reais e vinte e três centavos) cujo ressarcimento já fora efetuado. Com relação à homologação das compensações declaradas, cabe à autoridade da RFB a sua realização, dentro do limite do crédito aqui reconhecido. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no valor acima referido. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 314DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.732492/2010-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
LEIS 9.311/1996 E 10.174/2001 E LEI COMPLEMENTAR 105/2001.
INCONSTITUCIONALIDADE.
“O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” (Súmula CARF n. 2).
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituí-la.
Hipótese em que o contribuinte não desconstituiu a presunção.
IRPF. DECADÊNCIA.
O imposto sobre a renda de pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados da data do fato gerador, que, como regra, ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário, nos termos da Súmula n.º 38 deste CARF.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2101-001.563
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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INCONSTITUCIONALIDADE. “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” (Súmula CARF n. 2). IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituíla. Hipótese em que o contribuinte não desconstituiu a presunção. IRPF. DECADÊNCIA. O imposto sobre a renda de pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados da data do fato gerador, que, como regra, ocorre em 31 de dezembro de cada ano calendário, nos termos da Súmula n.º 38 deste CARF. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente Fl. 194DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.732492/201056 Acórdão n.º 2101001.563 S2C1T1 Fl. 195 2 (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Eivanice Canário da Silva, Celia Maria de Souza Murphy e Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 164/191) interposto em 15 de julho de 2011 contra o acórdão de fls. 157/160, do qual a Recorrente teve ciência em 20 de junho de 2011, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 07/11, lavrado em 06 de dezembro de 2010, em decorrência de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, verificada no anocalendário de 2005. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Presumemse rendimentos omitidos os depósitos bancários de origem não comprovada. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido” (fl. 157). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso de voluntário de fls. 164/191, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Inicialmente, necessário se faz esclarecer que os cotitulares das contas correntes nas quais os depósitos bancários foram efetuados foram devidamente intimados, conforme informação contida no Termo de Verificação Fiscal (fls. 03/04). Fl. 195DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.732492/201056 Acórdão n.º 2101001.563 S2C1T1 Fl. 196 3 No mérito, aduz o Recorrente que viola a Constituição da República, seja no tocante ao devido processo legal (art. 5º, LIV, da CF), seja, ainda, no que atine à garantia fundamental de sigilo dos dados bancários (art. 5º, X e XII, da CF), a obtenção de dados de movimentação financeira, na forma do art. 11, §2º, da Lei n.º 9.311/96, e, bem assim, nos termos da Lei Complementar n.º 105/2001, regulamentada pelo Decreto n.º 3.724/2001, consoante recente decisão proferida pelo STF. Nada obstante, aduz o Recorrente, igualmente, que seria incabível a tributação com fundamento no art. 42 da Lei n.º 9.430/96, na medida em que a mera movimentação financeira ocorrida em contas bancárias de titularidade do Recorrente não poderia ser considerada renda, para fins de tributação, na forma preconizada pelo art. 43 do CTN. No que atine à primeira assertiva do contribuinte, segundo a qual seria inconstitucional a prova obtida pela Receita Federal do Brasil diretamente junto às instituições financeiras, seja mediante a obtenção de dados da CPMF, seja, ainda, em relação à RMF expedida para detalhamento das contas correntes de titularidade do Recorrente, entendo que não merece prosperar. Inicialmente, fazse mister asseverar, por oportuno, que tanto o Decreto 70.235/72, em seu artigo 26A, quanto a própria jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), representada pela Súmula n.º 02 do CARF, consolidada pela Portaria MF n.º 49/2010, são claros ao impedirem a análise de inconstitucionalidade de normas, reconhecendo a presunção de legalidade dos dispositivos aprovados na forma do processo legislativo pátrio, em ambas as casas do Congresso Nacional. Por esta razão basilar, portanto, no que atine às alegações de inconstitucionalidade da utilização de dados bancários do contribuinte para formalização do auto de infração, por implicarem na análise da constitucionalidade dos dispositivos infraconstitucionais aplicados, não podem ser acatadas, em razão da vedação expressa referida pelo art. 26A do Decreto 70.235/72. A este respeito, aliás, cumpre destacar que, muito embora tenha o Supremo Tribunal Federal, em controle difuso de constitucionalidade, no julgamento do RE n.º 389.808/PR, da lavra do Ministro Marco Aurélio, entendido que “conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal parte na relação jurídicotributária o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte”, referida interpretação foi feita por maioria simples de votos, razão pela qual não foi declarada a inconstitucionalidade de quaisquer dispositivos legais, matéria esta sujeita à maioria absoluta dos pares, na forma do art. 101 da Constituição. Em outras palavras, referido julgado, não apreciado pelo regime de repercussão geral, restringese à aplicação ao caso específico lá discutido, pois não foi declarada a inconstitucionalidade do normativo, ainda que em controle difuso, o que inibe este CARF, sob pena de ofensa ao disposto pelo art. 26A do Decreto n.º 70.235/72, o afastamento de dispositivos de lei vigentes e aplicáveis ao caso concreto. Feitas as precedentes ressalvas, cumpre demonstrar que não houve, no caso vertente, qualquer ofensa ao texto expresso da Lei n.º 9.311/96, e, bem assim, à LC n.º 105/2001, regulamentada pelo decreto ventilado anteriormente. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.732492/201056 Acórdão n.º 2101001.563 S2C1T1 Fl. 197 4 Com efeito, compulsandose os autos do presente processo administrativo, verificase que a fiscalização obteve, por meio de requisição própria e fundamentada, os dados da contribuinte em epígrafe, a partir do Processo Administrativo n.º 10580.732487/201043. Nesse sentido, independentemente da análise da constitucionalidade, cuja competência não cabe a este órgão judicante, verificase que a Lei Complementar n.º 105/2001, mais especificamente em seu art. 1º, §3º, estabelece, expressamente, que a outorga dos dados de CPMF, relativos, apenas, à movimentação global do contribuinte, à Receita Federal do Brasil, não constitui quebra de sigilo. Sendo assim, observase que, de posse dos referidos documentos, absolutamente incompatíveis com os recursos declarados pelo contribuinte, e, igualmente, não se desincumbindo o particular de apresentar os documentos, não se olvida a possibilidade de requisição, diretamente às instituições financeiras e na forma do art. 6º da LC n.º 105/2001, dos dados relativos às informações específicas das contas correntes do contribuinte. De fato, havendo movimentação incompatível com os recursos declarados, não restam dúvidas de que seria indispensável, para aferição específica da existência de omissão de rendimentos, e na forma do art. 42 da Lei n.º 9.430/96, a obtenção dos dados relativos às transações do contribuinte, a fim de que se pudesse aferir, in casu, a existência de depósitos de origem não comprovada. Referida interpretação, aliás, além de encontrar respaldo no próprio art. 6º da Lei n.º 9.430/96, também se infere do texto do art. 3º, incisos V e X, do Decreto n.º 3.724/2001, ambos combinados com o texto do próprio art. 42 da Lei n.º 9.430/96. Assim, sob o prisma da legalidade, portanto, de competência deste CARF, não se afigura qualquer irregularidade no procedimento de obtenção dos extratos das contas correntes do contribuinte, de maneira que a discussão remanesceria, apenas, em relação à constitucionalidade dos citados dispositivos, matéria esta com repercussão geral reconhecida pelo STF. No que tange à segunda alegação, de acordo com a qual não seria legítimo presumirse a renda com base em extratos que demonstram movimentação bancária, entendo que é igualmente desprovida de fundamento. Nesse sentido, cumpre trazer à colação o estatuído pelo artigo 42 da Lei 9.430/96, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º. O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” Fl. 197DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.732492/201056 Acórdão n.º 2101001.563 S2C1T1 Fl. 198 5 Na realidade, instituiu o referido dispositivo autêntica presunção legal relativa, cujo condão é justamente o de inverter o ônus da prova, atribuindoo ao contribuinte, que passa a ter o dever de refutála. Como é cediço, a presunção, seja ela hominis ou legal, é meio de prova que prescreve o reconhecimento jurídico de um fato provado de forma indireta. Ou seja, provando se diretamente o fato indiciário, temse, por conseguinte, a formação de um juízo de probabilidade com relação ao fato presumido que, a partir de então, necessita ser afastado pelo contribuinte. No caso dos autos, provase especificamente a ocorrência de movimentações bancárias injustificadas, decorrendo desta comprovação o reconhecimento da omissão de rendimentos na apuração da base de cálculo do IRPF. Nesse sentido, a presunção relativa referida pelo artigo 42 da Lei n. 9.430/96 é legítima, não ferindo, em nenhum ponto, a legislação tributária em vigor. Notese, ainda, que a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR), segundo a qual seria insuficiente para comprovação da omissão de rendimentos a simples verificação de movimentação bancária, consubstancia jurisprudência firmada anteriormente à edição da Lei n.º 9.430/96, motivo pelo qual não deve ser aplicada. A este respeito, já a anterior 2ª. Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por sua vez, consolidou entendimento de acordo com o qual, a partir da edição da Lei n. 9.430/96, é válida a presunção em referência, sendo ônus do Recorrente desconstituí la com a apresentação de provas suficientes para tanto. É o que se depreende das seguintes ementas, destacadas dentre as inúmeras existentes sobre o tema: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 158.817, Relatora Conselheira Núbia Matos Moura, sessão de 24/04/2008) “LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. TRIBUTAÇÃO PRESUMIDA DO IMPOSTO SOBRE A RENDA O procedimento da autoridade fiscal encontrase em conformidade com o que preceitua o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, em que se presume como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas Fl. 198DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.732492/201056 Acórdão n.º 2101001.563 S2C1T1 Fl. 199 6 operações, em relação aos quais o titular pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 141.207, Relator Conselheiro Romeu Bueno de Camargo, sessão de 22/02/2006) Em idêntico sentido, este CARF editou a Súmula n.º 26, segundo a qual “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada”, razão pela qual, também sob este prisma, não merecem prosperar as alegações do Recorrente. Por derradeiro, tampouco no que tange à alegada decadência assiste razão ao Recorrente. Como já venho me manifestando, entendo que é aplicável o prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º., do CTN, pois, à regra geral do artigo 173, I, o Código estabeleceu justamente a exceção contida no artigo 149, V. Todavia, o fato gerador do imposto de renda é complexivo e se aperfeiçoa em 31 de dezembro de cada anocalendário, tal como enunciado constante da Súmula 38 deste CARF, in verbis: “O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário.” Sendo assim, tratandose de lançamento que abrangeu o fato gerador correspondente ao anocalendário de 2005, e que, portanto, se aperfeiçoou em 31/12/2005, poderia a fiscalização efetuar o lançamento até 31/12/2010. Tendo sido o auto de infração lavrado em 06/12/2010, não há que se falar em decadência. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 199DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.732492/201056 Acórdão n.º 2101001.563 S2C1T1 Fl. 200 7 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10660.900044/2008-87
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 1998
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO
PRESCRICIONAL.
Decidiu o Supremo Tribunal Federal que o prazo prescricional para as ações de repetição do indébito tributário é de dez anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para os pedidos realizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/05 junho de 2005 (RE nº 566.621/RS).
DECISÕES DEFINITIVAS DO STF/STJ. RECURSOS REPETITIVOS.
REPERCUSSÃO GERAL. VINCULAÇÃO AO CARF.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B
e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de
Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 1801-000.875
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
preliminar, em dar provimento parcial ao recurso, afastando a prescrição das Per/Dcomp protocolizadas, e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição para a apreciação do mérito e apreciação dos créditos pleiteados, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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PRAZO PRESCRICIONAL. Decidiu o Supremo Tribunal Federal que o prazo prescricional para as ações de repetição do indébito tributário é de dez anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para os pedidos realizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/05 junho de 2005 (RE nº 566.621/RS). DECISÕES DEFINITIVAS DO STF/STJ. RECURSOS REPETITIVOS. REPERCUSSÃO GERAL. VINCULAÇÃO AO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, em dar provimento parcial ao recurso, afastando a prescrição das Per/Dcomp protocolizadas, e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição para a apreciação do mérito e apreciação dos créditos pleiteados, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Fl. 534DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa transmitiu Per/Dcomp em 06/10/2004 pleiteando restituição de saldo negativo de CSLL apurado em 31/12/1998, no valor de R$ 21.855,65, e conseqüente compensação com débitos tributários. A autoridade a quo indeferiu, de plano, o pedido por prescrito, visto que pleiteado em prazo superior a cinco anos, consoante despacho eletrônico de fls. 06. Observo que a restituição foi pleiteada na Per/Dcomp nº 28984.65749.28104.1.2.030831. As compensações, vinculadas a este crédito, e não homologadas foram formalizadas nas seguintes Per/Dcomps: 04717.34675.071004.1.3.034767; 20658.47822.061004.1.3.031202; 24053.89577.061004.1.3.032265; 41497.38097.061004.1.3.030060; 37060.68268.081004.1.3.033575; 14871.47389.281004.1.3.035880; 19285.51078.261004.1.3.039633. A empresa apresentou manifestação de inconformidade argumentando que o despacho decisório foi emitido em sentido contrário à jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), no que concerne ao prazo prescricional, admitido em 10 anos. Às fls. 503 e seguintes, a Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora/MG exarou o Acórdão nº 0933.828/11, mantendo a impossibilidade do processamento das Dcomps, por prescrito o direito da recorrente em ter o crédito reconhecido. Assim restou ementado o aresto: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA PEDIR. O direito de pleitear a restituição/compensação extinguese com o decurso do prazo de cinco anos. contado da data de extinção do crédito tributário. SALDO NEGATIVO DE CSLL Os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, devendo sua utilização ser controlada de forma individualizada. As considerações da turma julgadora sobre o mérito do crédito pleiteado pela recorrente não pode ser objeto de apreciação neste processo visto que o despacho denegatório do direito da contribuinte restringiuse a não processar as Per/Dcomp emitidas, por prescritas, sem analisar os demonstrativos apresentados pela empresa quanto à origem do crédito pleiteado, o que compete à autoridade a quo, em análise de mérito, se não houvesse declarado a prescrição. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.900044/200887 Acórdão n.º 180100.875 S1TE01 Fl. 534 3 Tempestivamente, a empresa interpôs o Recurso de fls. 524 e seguintes reprisando os termos da defesa inicial, requerendo o prazo prescricional de dez anos, consoante decidido pelo STJ (tese dos cinco mais cinco anos). É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. O cerne do litígio está na apreciação da preliminar de prescrição das Per/Dcomp emitidas pela recorrente, haja vista o prazo superior a cinco anos, cuja tese é adotada pela Fazenda Nacional, em contraposição com a tese dos dez anos, cinco mais cinco, defendida pelo Superior tribunal de Justiça, para os pedidos realizados até a edição da Lei Complementar nº 118/05, ou seja, anteriormente a junho de 2005. Em recente decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Recurso Extraordinário (RE) nº 566.621/RS (em 04/08/11, publicada em 11/10/11), e processada sob o rito do artigo 543B do Código de Processo Civil (CPC), a Corte Superior deliberou sobre o prazo prescricional das ações de repetição de indébitos tributários, em face da Lei Complementar nº 118/05 e a constitucionalidade do artigo 4º e seus efeitos retroativos: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Fl. 536DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Destarte, a decisão de que a prescrição qüinqüenal não alcança a situação dos contribuintes que protocolizaram os pedidos de restituição dos indébitos tributários antes da edição da Lei Complementar nº 118/05, restando decidido o cabimento dos pedidos no prazo de dez anos a contar do fato gerador, encontrase definitivamente julgada, visto o trânsito ocorrido denunciado pela ausência de recursos possíveis opostos pela Fazenda Pública e já transcorrido o prazo processual para qualquer alteração. Observo que há interposição de embargos pelos administrados que pretendem a dilação do prazo a quem fixado após a vacatio legis da lei Complementar nº 118/05, situação que não atinge o presente caso ora sob apreciação. Este órgão julgador, por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF – Ricarf, está vinculado às decisões proferidas pelo STF, processadas sobre o rito do art. 543B e C do CPC: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A recorrente emitiu as Per/Dcomp eletrônicas em prazo inferior aos dez anos, consoante relatado, razão pela qual não podem ser declaradas prescritas, conforme julgado da Corte Suprema ora transcrita. Os efeitos do afastamento da preliminar de prescrição impõe o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em face da sua contabilidade, registros no Sapli, outros pedidos de restituição/compensação com origem no mesmo crédito, vinculação a outros processos administrativos fiscais etc. Voto, pelo exposto, em dar provimento parcial ao recurso, afastando a prescrição declarada, e determino o retorno dos autos à unidade de jurisdição para a análise do mérito das Per/Dcomp objetos deste litígio. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 537DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.900044/200887 Acórdão n.º 180100.875 S1TE01 Fl. 535 5 Fl. 538DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/02/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13819.003644/2003-38
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2002
EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SISTEMA. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS.
É vedada a opção ou permanência no regime do SIMPLES às pessoas
jurídicas que se dediquem à atividade de administração.
Numero da decisão: 1103-000.599
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso. O Conselheiro Marcos Shigueo Takata acompanhou o relator pelas conclusões.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: JOSE SERGIO GOMES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SISTEMA. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS. É vedada a opção ou permanência no regime do SIMPLES às pessoas jurídicas que se dediquem à atividade de administração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. O Conselheiro Marcos Shigueo Takata acompanhou o relator pelas conclusões. ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. documento assinado digitalmente JOSÉ SÉRGIO GOMES Relator. documento assinado digitalmente Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, Hugo Correia Sotero, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva, Mário Sérgio Fernandes Barroso e Marcos Shigueo Takata. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 08/02/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13819.003644/200338 Acórdão n.º 110300.599 S1C1T3 Fl. 175 2 Relatório Em foco recurso voluntário visando a reforma da decisão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ em CampinasSP, a qual indeferiu a solicitação da contribuinte de revisão do ato de exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) efetuado em 07 de agosto de 2003 pelo Delegado da Receita Federal em São Bernardo do CampoSP. O ato excludente calcouse na premissa de que a contribuinte exerce atividade econômica não permitida para o gozo do regime simplificado, especificamente, organização do transporte de cargas. Em 23/09/2003 a contribuinte solicitou a revisão da exclusão argumentando que não exerce nenhuma atividade impeditiva de opção pelo SIMPLES e que houve erro na classificação do CNAE, bem assim, que executa atividades de apoio operacional a empresas de terceiros sendo que seu faturamento é inferior a R$ 4.500,00 mensais e estaria retificando o código cadastral. Ao final, requereu a manutenção no regime do SIMPLES a partir de 14/10/2002. A autoridade administrativa que procedeu ao ato de exclusão consignou que analisou o contrato social da contribuinte e nele consta que o objetivo da sociedade é a prestação de serviços na área de logística e transporte, como também, que em pesquisa no Concla – Comissão Nacional de Classificação apurouse que a classe CNAE utilizada pela contribuinte (63401 Atividades Relacionadas à Organização do Transporte de Cargas) compreende a atividade de organização logística do transporte de cargas, motivo pelo qual manteve a decisão excludente. A contribuinte então endereçou impugnação à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em CampinasSP na qual afirmou que por ocasião da redação do contrato social imaginou o entendimento de prestação de serviços na área de logística e transporte, sendo que (na área seria prestar serviços na área de escritórios digitações, arquivamentos a terceiros com apoio operacional a empresas) e nada ligado a TRANSPORTE DE CARGAS. Também, que providenciou a reratificação do contrato social e a retificação no CNAE. O inconformismo foi analisado pela douta 1ª Turma de Julgamento daquela projeção que entendeu, por unanimidade de votos, que a alteração do contrato social somente foi efetuada em 13/11/2003 e que a afirmação da impugnante de que não exerceu a atividade descrita no estatuto social original não se fez acompanhada de qualquer prova, motivo pelo qual aquela deve ser tomada como caracterizadora da empresa, como ensinado pelo Enunciado nº 54 da I Jornada de Direito Civil do Conselho da Justiça Federal. Ainda, que a atividade de logística é assemelhada à prestação de serviços profissionais de administrador, o que veda a opção pelo SIMPLES, consoante artigo 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317, de 1996. Ciente do decisório em 13 de março de 2007 a contribuinte apresentou em 09 do mês seguinte o recurso e documentos de fls. 47/51 reafirmando suas razões anteriores, acrescendo, ainda, que a empresa localizase na residência dos sócios e que inexiste código Fl. 175DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 08/02/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13819.003644/200338 Acórdão n.º 110300.599 S1C1T3 Fl. 176 3 CNAE específico para as atividades que desenvolve, mas que estaria solicitando retificação para um mais próximo. O processo subiu ao então Terceiro Conselho de Contribuintes e o recurso voluntário foi apreciado pela douta Primeira Turma Especial daquela Corte que, por unanimidade de votos, converteu o julgamento em diligência a fim de que a repartição de origem diligenciasse junto à contribuintes e perante a empresa tomadora dos serviços (LSI Logística Ltda.) para esclarecer qual a espécie de serviço teria sido prestado e documentado nas notas fiscais anexadas às fls. 27 a 32, anexando aos autos cópia dos contratos, orçamentos, recibos e demais documentos que permitissem apurar esse fato. Em data de 26 de agosto de 2009 a autoridade fiscalizadora cumpriu a ordem mediante entrega do Termo de Intimação Fiscal, fls. 60/62, reiterado às fls. 63/65. Com a petição protocolada em 17 de setembro de 2009 a contribuinte juntou cópia do comprovante de inscrição e de situação cadastral expressando novo CNAEfiscal (82.19.9.99); cópia da alteração contratual registrada em 13/11/2003; cópia das notas fiscais nºs. 001, 003/012, 019/023, 025, 027/052, 054/056, 058/062 e contrato de prestação de serviços com Transportes Diamante Ltda. Em data de 15/10/2009 a fiscalização entregou o Termo de fls. 129/131 à empresa LSI Logística Ltda. exigindolhe comprovação da natureza dos serviços tomados, bem assim, apresentação de comprovantes, vindo em resposta cópia de contrato de prestação de serviços, rescisão contratual, notas fiscais e esclarecimentos de fls. 132 e seguintes. Finalmente, a fiscalização exarou o parecer de fls. 169/173 no qual conclui que a contribuinte prestou “serviços na área de logística” não comprovando efetivamente “a prestação de serviços na área de escritórios, digitações, arquivamento a terceiros com apoio operacional a empresas comerciais e de transporte” O processo foime sorteado em data de 22/02/2011, porém, disponibilizado (entregue) pela Secretaria da 1ª Câmara, em meio digital, somente em novembro desse ano. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro José Sérgio Gomes, Relator Observo a legitimidade processual e o aviamento do recurso no trintídio legal. Assim sendo, dele tomo conhecimento. Inicialmente, registro a plena competência deste Colegiado para apreciação da matéria ventilada nos autos, eis que delineada no artigo 2º do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, órgão resultante da unificação dos antigos Conselhos de Contribuintes feita pelo artigo 48 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Vejase: Fl. 176DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 08/02/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13819.003644/200338 Acórdão n.º 110300.599 S1C1T3 Fl. 177 4 “Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...........................................................................................) V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); A Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, dispôs sobre o regime tributário das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte e instituiu o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. Em seu artigo 9º previu o legislador as atividades econômicas que não poderiam usufruir o regime de tributação incentivada, enquanto os artigos 12 a 14 cuidam dos procedimentos de exclusão, seja de ofício ou por iniciativa da própria contribuinte, verbis: “Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: .................................................................................................. XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; ......................................................................................................” “Art. 12. A exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de ofício. Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: I por opção; II obrigatoriamente, quando: incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art.9°; Fl. 177DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 08/02/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13819.003644/200338 Acórdão n.º 110300.599 S1C1T3 Fl. 178 5 ......................................................................................................” “Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; ...................................................................................................” O ato administrativo de exclusão teve por motivador a classificação econômica inserida pela contribuinte no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), qual seja, outras atividades relacionadas a organização do transporte de cargas, identificado pelo código 64301/99 (Código Nacional de Atividade Econômica CNAE) instituído pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Referido código ligase (assemelhase, na dicção da lei) ao conceito de administração, pontuado pela lei como atividade impeditiva, em suas palavras, o administrador. Admitindose que a Recorrente teria se equivocado na aposição do CNAE no momento da inscrição no cadastro fazendário, resta perquirir a atividade econômica por ela feita constar em seu contrato social. Mostram os autos que o estatuto social da pessoa jurídica, levada a registro no 1º Oficial de Registro Civil de Pessoa Jurídica de São Bernardo do Compo, elegeuse como objeto social, leiase atividade econômica, a prestação de serviços na área de logística e transporte. A expressão logística leva o intérprete à conclusão de se tratar de administração. É certo que a contribuinte cuidou de reformar seu objeto social mediante devida alteração contratual, porém, só o fez em 13/11/2003, após o ato de exclusão. Analisando detidamente todas as provas carreadas aos autos, notadamente os contratos e as declarações prestadas pelos tomadores dos serviços, já que as notas fiscais primaramse pela utilização da resumida expressão “prestação de serviços”, creio que elas não militam a favor da Recorrente. Com efeito, os termos utilizados nesses pactos conduzem à conclusão de se tratar de efetiva tomada de serviços de administração como, por exemplo, o próprio título empregado no instrumento de fl. 126: CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS. Além disso, e ainda que não se tenha em mente a questão impeditiva até aqui analisada, uma outra observação reforça minha convicção de que a Recorrente não faz jus à fruição do regime incentivado: é o fato desses contratos indicarem efetiva locação de mãode obra, o que igualmente encontra óbice da lei de regência ( art. 9º, XII, “f”). A propósito, o seguinte excerto à fl. 133 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 08/02/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13819.003644/200338 Acórdão n.º 110300.599 S1C1T3 Fl. 179 6 Com tais razões, VOTO pelo improvimento do recurso. José Sérgio Gomes documento assinado digitalmente Fl. 179DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 08/02/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 36514.001572/2006-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/08/1996
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos
previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n°8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Sumula Vinculante n°08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4º ou 173, do CTN).
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.007
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª a Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/08/1996 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n°8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Sumula Vinculante n°08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4º ou 173, do CTN). RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
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DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n°8.212/91, pelo Supremo TribunaL Federal, nos autos dos RE's n"s 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Stimula Vinculante n°08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4" ou 173, do CTN). RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4 Câmara / I a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente , Ag '------i 4,-- q a, 4 É , ,C 2_14 - -' szn,,---- RYCARDO H O . IQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA — Relator i Participaram, do presente jul me , to, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, IQeber Ferreira de Araújo, deusa Vieira de Souz , Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo e 36514.001572/2006-67 82-C4/11 Acórdão n.° 2401-01.007 9. 178 Relatório LEÃO JÚNIOR S/A, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da então Secretaria da Receita Previdenciária em Curitiba/PR - Centro, DN n° 14- 401.4/0605/2006, que julgou procedente o lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas pela notificada ao INSS, com fundamento na Responsabilidade Solidária do artigo 30, inciso VI, da Lei n° 8.212/91, correspondentes à parte dos empregados, da empresa e as destinadas ao financiamento da complementação das prestações por acidente do trabalho - SAT (antes de 06/1997), incidentes sobre a remuneração de mão-de-obra empregada em obra de construção civil executada pela empresa Leomar Vitor Panizzi, em relação ao período de 01/1996 a 08/1996, conforme Relatório Fiscal, às fls. 43/46. Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, lavrada em 30/03/2006, contra a contribuinte acima identificada, constituindo-se crédito no valor de R$ 87.040,97 (Oitenta e sete mil e quarenta reais e noventa e sete centavos). De acordo com Relatório Fiscal, o crédito foi constituído por responsabilidade solidária, em razão da recorrente não ter apresentado à fiscalização os documentos necessários à elisão de sua responsabilidade solidária, mais precisamente quanto a comprovação do recolhimento das contribuições previdenciárias relativas aos serviços de construção civil prestados pela empresa Leomar Vitor Panizzi. Tendo em vista a não apresentação da documentação solicitada pela fiscalização, o presente crédito previdenciário fora constituído por aferição indireta, com arrimo no artigo 33, § 3 0, da Lei 8.212/91, utilizando-se os percentuais inscritos no titulo V, capítulo III, seção I, da Instrução Normativa SRP n° 03/2005, sobre o valor total do serviço prestado contido nas Notas Fiscais. Cumpre observar que a empresa prestadora de serviços fora devidamente intimada da lavratura da presente notificação fiscal, conforme se depreende do Aviso de Recebimento-AR, às fls. 84. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 117/125, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pretende seja reconhecida a decadência pleiteada em sua impugnação, sob o argumento que a Lei n° 8.212/91 não poderia definir prazo decadencial diverso do estipulado no Código Tributário Nacional, de cinco anos, sob pena de incorrer em vício insanável de ilegalidade e inconstitucionalidade, ao conflitar com normatização de hierarquia superior, violando o artigo 146, III, "b", da Constituição Federal, restando decaído o crédito previdenciário lançado fira do prazo decadeneial de 05 (cinco) anos, nos moldes do artigo 173, do CTN. Em defesa de sua pretensão, traz à colação jurisprudência a propósito da matéria. cky 3 Requer a nulidade do lançamento, alegando que a fiscalização deixou de verificar primeiramente, junto à prestadora dos serviços, a existência dos créditos previdenciários ora lançados, sendo, dessa forma, irregular sua constituição Aduz que o crédito previdenciário deveria ter sido lançado contra a empresa prestadora de serviços, contribuinte originário e responsável pelo cumprimento da obrigação tributária acessória, respondendo a recorrente tão somente pela dívida tributária já constituída. Após tecer comentários a respeito do responsável solidário e do devedor, entendendo por distintos os dois, conclui que a responsabilidade da recorrente é subsidiária. Assim, somente poderia responsabilizar o contratante dos serviços se e quando o pagamento da contribuição previdenciária não houver sido efetuado pelo prestador, sujeito passivo direto do tributo em comento, impondo seja declarada a nulidade do feito. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos, tornando-a sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. A então Secretaria da Receita Previdenciária apresentou contra-razões, às fls. 131/140, em defesa da decisão recorrida, propondo a sua manutenção. Incluído na pauta do dia 14/02/2007, a então Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, entendeu por bem converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fazendária informasse, relativamente ao período objeto da notificação, se a empresa prestadora de serviços fora submetida à ação fiscal total (com contabilidade) ou parcial; se detém CND de baixa emitida; se encontra-se incluída em algum Parcelamento; ou mesmo se existem recolhimentos de contribuições previdenciárias relacionadas com os fatos geradores em comento, conforme Resolução n°206-00.063, às fls. 141/146. Em atendimento à diligência suso mencionada, a fiscalização elaborou Informação Fiscal, às fls. 152/153, elucidando as questões suscitadas por esta Egrégia Câmara, ratificando a exigência fiscal em razão de ausência de qualquer fato novo. Instada a se manifestar a propósito da diligência supracitada, a contribuinte apresentou suas novas razões, às fls. 166/169, reiterando as alegações inseridas no recurso voluntário, pugnando pelo acolhimento da decadência do crédito previdenciário, em observância à Sumula Vinculante n°08. É o relatório. Processo n° 365 / 4.001572/2006-67 S2 C411 Acórdão ri.° 2401-01.007 H. 179 V01/0 Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário da contribuinte e passo a analisar as alegações recursais. Em que pesem os esclarecimentos da fiscalização a propósito da diligência determinada por esta Colenda Câmara, há nos autos questão prejudicial/preliminar decorrente de fato superveniente ao primeiro julgamento, capaz de ensejar a improcedência total do lançamento, prejudicando, dessa forma, a análise do mérito da questão, como passaremos a demonstrar. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Preliminarmente, vindica a contribuinte seja acolhida a decadência de 05 (cinco) anos do artigo 150, § 4', do Código Tributário Nacional, em detrimento do prazo decenal insculpido no art. 45 da Lei n° 8.212/91, por considerá-lo inconstitucional, restando mutilada a exigência cujo fato gerador tenha ocorrido fora do prazo encimado, hipótese que se amolda ao presente caso. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações. O artigo 45, inciso 1, da Lei n" 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, senão vejamos: "Art. 45 — O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados: 1 — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, capei, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, in verbis: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: ti" Com mais especificidade, o artigo 150, § 4", do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: "Art.150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. 5 § 4" - Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou ~dação." O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, posteriormente à interposição do recurso voluntário e, bem assim, da diligência determinada por esta Câmara, após muitas discussões a propósito da matéria, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE's n's 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante n° 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco. "Súmula n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5' do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário." Registre-se, ainda, que na mesma sessão plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos Sou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Não bastasse isso, é de bom alvitre esclarecer que o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de julgamento realizada no dia 15/12/2008, por maioria de votos (21 x 13), , firmou o entendimento de que o prazo decadencial a ser aplicado para as contribuições previdenciárias é o insculpido no artigo 150, § 4 0, do CTN, independentemente de ter havido ou não pagamento parcial do tributo devido, o que veio a ser ratificado, também por maioria de votos, pelo Pleno da CSRF em sessão ocorrida em 08/12/2009, com a ressalva da existência de qualquer atividade do contribuinte tendente a apurar a base de cálculo do tributo devido. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante n° 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4 0, ou 173, inciso 1, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destaca-se o lançamento de oficio ou direto, previsto no artigo 149, do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150, do CTN, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades tributárias. Processo n° 36514.001572/2006-67 S2-C4TI Acórdão n.° 2401-01.007 Fl. 180 Dessa forma, sendo as contribuições previdenciárias tributos sujeitos ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4°, do CTN, levando-se em consideração a natureza do tributo, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4°, do Códex Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicar-se-ia o artigo 150, § 4 0, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de oficio, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressalta-se, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 40, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em "homologação". Esta, aliás, é a tese que prevaleceu na última reunião do Conselho Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Na hipótese dos autos, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito do tema, uma vez que os fatos geradores das contribuições previdenciárias encontram-se alcançados pela decadência, sob qualquer fundamento legal que se pretende aplicar, artigos 150, 4° ou 173 inciso I do CTN. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 30/03/2006 com a devida ciência da contribuinte constante da folha de rosto da notificação, a exigência fiscal resta totalmente fulminada pela decadência, uma vez que os fatos geradores ocorreram durante o período de 01/1996 a 0811996 fora portanto, do prazo decadencial de 05 (cinco) anos do Códex Tributário, impondo seja decretada a improcedência do feito. Por todo o exposto, estando a NFLD sub examine em desacordo com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DAR-LHE PROVIMENTO, acolhendo a preliminar de decadência total do crédito previdenciário, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Sala das Sesso\ s, em 24 de fevereiro de 2010 , tikl! RYCARDJHfNUQ E MAGALHÃES DE OLIVEIRA - Relator 7 , A , MINISTÉRIO DA FAZENDA .E*?z CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 36514.001572/2006-67 Recurso n°: 143.351 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.007 1 I Brasília .te março de 2010 4.43- ELIAS S • • . 10 FRE RE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ 1 Com Embargos de Declaraeào Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional \
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Numero do processo: 10380.100018/2006-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 30 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Sep 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Crédito Prêmio: IPI
CREDITO PREMIO IPI - PERÍODO POSTERIOR AO ANO DE 1990 -
IMPOSSIBILIDADE
O credito prêmio de IPI extinguiu-se em 1990, dois anos após a promulgação
da Constituição Federal de 1988, em vista do artigo 41 do Ato das
Disposições Constitucionais Transitórias - ADCT e do comando norrnativo
da Resolução n°71/05 do Senado Federal.
Numero da decisão: 3302-000.614
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Os Conselheiros José
Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra e Walber Jose da Silva acompanharam a relatora pelas
conclusões.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10380.100018/2006-31 Recurso no 154.742 Voluntário Acórdão no 3302 -00.614 — 3' Camara / r Turma Ordinária Sessão de 30 de setembro de 2010 Matéria Credito Premio IPI Recorrente BRACOL INDUSTRIA DE COUROS LTDA Recorrida DRJ-BELÉM/PA Crédito Prêmio: IPI CREDITO PREMIO IPI - PERÍODO POSTERIOR AO ANO DE 1990 - IMPOSSIBILIDADE O credito prêmio de IPI extinguiu-se em 1990, dois anos após a promulgação da Constituição Federal de 1988, em vista do artigo 41 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias - ADCT e do comando norrnativo da Resolução n°71/05 do Senado Federal. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Os Conselheiros José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra e Walber Jose da Silva acompanharam a relatora pelas conclusões. Walber • é da Silva - Pesidente F. Cassia o ermidas — Itlatora EDITADO EM: 11/04/2011 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas (Relatora), Alan Fialho Gandra e Gileno Gurjdo Barreto. Relatório Trata-se de pedido de ressarcimento de IPI, a titulo de crédito prêmio, protocolado em 31/01/06, que seria devido nos termos do Decreto-lei n° 491/69, referente ao primeiro trimestre de 2004 — fls. 01 Não consta do processo administrativo quaisquer documentos comprobatórios do crédito pleiteado. Por retratar a veracidade dos fatos, reporto-me ao relatório proferido na decisão de primeira instância administrativa, verbis: "2. 0 pedido foi analisado na Delegacia de Origem de acordo corn a Informação Fiscal datada de 16 de fevereiro de 2006, .11s 06 a 09, que indeferiu o pedido e fundamentou com base nas legislações seguintes, da qual foi dada ciência através dos Correios, conforme `AR",1110, na data de 15.05.2006: Que o Decreto-lei n°491, de 05.03.1969, em seu art. 1' instituiu estímulos financeiros que premiavam o fabricante-exportador de produtos manufaturados corn um crédito igual ao valor do IP1, como se devido fosse nas operações de venda para o exterior," que esse crédito era compenscivel corn o próprio IPI devido nas operações internas e, havendo sobras, com outros tributos federais; Que o Decreto-lei n" 1.658, de 24.01.1979, determinou a redução gradual do beneficio até sua total extinção em 30.06.83, e transcreveu o caput do art. 1° e seu parágrafo 2", onde claramente dispõe que seria extinto gradualmente até 30 de junho de 1983; Que por outro lado, enz vista da competência que lhe foi conferida, o Ministro da Fazenda, através da Portaria ME n" 89, de 08.04.1981, mudou radicalmente a forma de utilização do "crédito-premio", vedando a sua escrituração nos livros de IPI e determinando que .fosse creditado em conta bancária do beneficiário, que dessa forma, o valor do "crédito-prêmio" passou a ser creditado, em favor do beneficiário, em estabelecimento bancário, na forma do Comunicado CACEX n° 81/14, de 13.05.1981, sendo o documento básico denominado de "Declaração de Crédito de Exportação — DCE", revelando-se, assim, sua real natureza de crédito financeiro, e não tributário, submetendo-se, destarte, ás disposições das normas de Direito Financeiro; Que apesar de sob o ângulo da receita pública, a concessão do crédito continuou a representar redução na arrecadação global do IP1 em termos operacionais, a partir de I" de abril de 1981, o beneficio passou a ser administrado pela Carteira do Comércio Exterior-CACEX do Banco do Brasil S/A, não cabendo mais a Secretaria da Receita Federal fazer qualquer ressarcimento, restituição, ou compensação desses créditos com qualquer tributo; 2 Processo n° 10380.100018/2006-31 S3-C3T2 Acórdilo n.° 3302-00.614 Fl. 2 Que como conseqüência da desvinculação do "crédito-prêmio" da escrita fiscal do WI, a partir de I" de abril de 1981, pois o seu valor passou a ser creditado em estabelecimento bancário em favor do beneficiário, é que o Ato Declaratório SRF n°31/99, deixou claro que os créditos relativos a esse incentivo não se enquadram eni qualquer das hipóteses de restituição, ressarcimento ou compensação na forma ali disciplinada; Que a Lei n" 9.430/96, alterada pela Lei n° 11.051/2004, estabeleceu em seu art. 74, § 12, que será considerada não declarada a compensação nas hipóteses que se refira a "crédito- prêmio" instituído pelo art. 1° do Decreto-lei n° 491, de 05 de março de 1969, conforme descrição do texto legal ali apresentada; Que a vigente IN SRF n" 600, de 28 de dezembro de 2005, que revogou a IN SRF no 460/2004, estabeleceu o seguinte em seu art 16, § 4": "§ 4" Somente são passíveis de ressarcimento: I — os créditos presumidos do IPI a que se refere o inciso I do § 1" escriturados no trimestre-calendário, excluídos os valores recebidos por transferência da matriz; II — os créditos relativos a entradas de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem para industrialização, escriturados no trimestre-calendário; e III — os créditos presumidos do IPI de que trata o art. 2' da Lei n" 6.542, de 28 de junho de 1978, escriturados no trimestre-calendário "; Que como se vê, o citado Ato Normativo da SRF não relaciona o "crédito-prêmio" instituído pelo art. 1" do Decreto-lei 17 0 491, de 5 de março de 1969, como passível de ressarcimento, o que corrobora a conclusão da letra "e" acima; Que com relação ã Resolução do Senado n" 71, de 26 de dezembro de 2005, anexada ao processo, fl 2, sem que o contribuinte explicite •seu objetivo, não cuida do mandamento legal que extinguiu o "crédito-prêmio ", que a mesma estatui em seu art. 1" que: (E suspensa a execução, no art. 1" do Decreto- lei n" 1.724, de 7 de dezembro de 1979, da expressão "ou reduzir, temporariamente ou definitivamente, ou extinguir", e no inciso Ido art. 3" do Decreto lei n°1.894, de 16 de dezembro de 1981, das expressães "reduzi-los" e "suspendê-los ou extingui- los", preservada a vigência do que remanesce do art. 1" do Decreto-lei n°491, de 05 de março de 1969); Que o Decreto-lei n° 1.658/79, conforme citado acima fixou o termo final do beneficio instituído pelo art. 1" do DL n" 491/69, que a Resolução 71/05 do Senado Federal suspende a execução do art. 1" do DL n" 1.724/79 e do art. 3", inciso I do DL n° 1.894/81, que portanto a Resolução n" 71/05 não trata da norma legal que extinguiu o beneficio concedido pelo art. 1 0 do DL n" 491/69 em 30.06.1983, ou seja, o DL Tr 1.658/79, que também não trata da decisão do REsp 541.239-DF do STJ, a qual deixou assentado que o "crédito-prêmio" de IPI se encontra definitivamente extinto desde 1983; Que é de relevo destacar que o contribuinte é patrono do processo judicial n° 2003.81.00.0351567-6, o qual cuida da mesma demanda deste processo, cuja decisão definitiva pode alterar a conclusão que fosse tomada no âmbito desta SRF; Que como se sabe, mesmo que se tratasse de processo próprio de ressarcimento, do art. 20 da IN SRF n° 600, de 2005, que revogou a IN SRF n" 460, de 2004, é vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito de JPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido; Que também é de se observar que a propositura de ação judicial por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do processo administrativo, importa renúncia as instâncias administrativas, conforme disciplinado no Ato Declaratorio Normativo n" 03, de 14 de fevereiro de 1996, que tem respaldo legal no art. 1°, yç' 2 0, do Decreto-lei n°1.737, de 20 de dezembro de 1979, e art. 38, parágrafo único, da Lei n" 6.830, de 22 de setembro de 1980; Que até aquela data (16.02.2006) ndo constava em nossos sistemas nenhunsa Declaração de Compensação com pleito amparado no presente processo. 3. 0 interessado apresentou manifestação de inconformidade protocolada na data de 01.06.2006, e aduziu em seu favor, em resumo, o seguinte, .f1s 11 a 27: Que na data em que protocolou o pedido de ressarcimento do crédito-prêmio do IPI, instituído pelo art. 1" do DL n" 491/69, juntou documentos comprobató rios do referido direito, entre os quais, o Parecer da Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal e Resolução do Senado Federal n° 71, de 26 de dezembro de 2005, os quais possuem razões pela manutenção da vigência do incentivo até os dias atuais e motivos para o deferimento do pleito; Que não obstante estarem presentes as condições necessárias para o deferimento do pedido de ressarcimento, a Autoridade Administrativa houve por bem indeferir o pedido e considerar não declarada quaisquer eventuais compensações a ele vinculadas; Que a empresa tem direito ao ressarcimento para as exportações abrangidas no presente processo, que este direito passou a ser reconhecido, com efeito erga omnes para todos os contribuintes e para a administração, por força da Resolução do Senado Federal n" 71/2005, não podendo deixar de ser admitido pela Delegacia da Receita Federal sob pena de ser feita tabula rasa da mencionada Resolução, que o despacho decisório se posicionou no sentido de não se aplicar a Resolução do Senado Federal le 71/2005; Processo n° 10380.100018/2006-31 S3-C3T2 Ac6ralo n.° 3302-00.614 Fl. 3 Que este posicionamento não merece ser acatado por ser flagrantemente improcedente uma vez que a Resolução do Senado se refere especificadamente ao mencionado incentivo, alas, como pode ser apurado no texto do anexo Parecer que lhe deu origem da Comissão de Constituição e Justiça, e transcreveu parte do Parecer, fls 13 a 20; Que a presente manifestageio de inconformidade também merece ser provida porque o Decreto-lei n" 1.658/79 não tem qualquer eficácia para determinar a extinção do incentivo fiscal em 30 de junho de 1983, que este Decreto-lei perdeu a sua eficácia com a declaração de inconstitucionalidade dos dispositivos dos Decretos-leis n" 1.724/79 e 1.894/81 realizada pelo Supremo Tribunal Federal — STF nos autos do Recurso Extraordinário n" 186.623-3 e transcreveu a ementa do processo citado, fl 20; Que conseqüentemente, por terem sido consideradas inconstitucionais as delegações de competência implementadas pelos decretos acima citados restaram anuladas todas as Portarias MF expedidas com os propósitos de extinguir ou reduzir o incentivo fiscal, entre eles a Portaria MF n°176/84 que determinara a extinção do crédito-prêmio a partir de 1' de maio de 1985, que também restaram sem efeitos os Decretos-leis n° 1.685, de 24 de janeiro de 1979 e 1.722, de 03 de dezembro de 1979, que determinavam a extinção do incentivo em 30 de junho de 1983, antes de sua revogação pelos referidos Decretos-leis analisados pelo Colendo STF, bem como as demais Portarias ministeriais expedidas com base nesses dois outros Decretos- leis, que tal efeito encontra-se pacificado na jurisprudência do Colendo Superior Tribunal de Justiça, e transcreveu a ementa do REsp le 440.036, datado de 17.12.2002, publicado no DJ de 24.02.2003, bem como a do Agravo de Instrumento no Processo n°472.816, de 03.12.2002, publicado no DJ de 16.12.2002); Que esse posicionamento também compartilhado pelo Ministério Público Federal (MPF) e transcreveu trechos do Parecer MPF no MS n" 2003.71.00.000272-5, datado de 05.02.2003; que as citadas manifestações demonstram que o incentivo fiscal poderia ter sido utilizado no período pretendido pela recorrente não apenas pela inexistência de efeitos jurídicos dos referidos decretos-lei, mas também por ter sido restaurado pelo Decreto- lei n" 1.894, de 16 de dezembro de 1981, que mesmo se o Decreto-lei n" 1.658/79 não tivesse perdido a efeito em razão da declaração de inconstitucionalidade do Decreto n°1.724/79, não poderia ser implementado o prazo de extinção nele estipulado, pois teria sido revogado pelo Decreto-lei n° 1.894/81 em razão de sua manifesta incompatibilidade, com os dispositivos posteriores desse último restaurador do crédito-prêmio, sem definição de prazo nos termos da jurisprudência do Colendo STJ, com efeito revogatório garantido pelo art. 2°, ,ss' 1' da LICC; Questionou também a forma de utilização do incentivo — Portaria MF 89/1981 - Competência do Delegado da Receita Federal, que a desvinculação do crédito-prêmio da escrita fiscal do IPI pela Portaria MF 89/91, e posteriormente pela 5 Portaria n" 292/81, citado no Despacho decisório não merecem ser acatadas, COMO suposto motivo do indeferimento do pedido de ressarcimento, que esta determinação foi realizada além dos poderes outorgados ao Ministro da Fazenda pelo Decreto-lei n° 461/69 e sua regulamentação, implicando ineficácia jurídica e a manutenção das modalidades de aproveitamento previsto na legislação de origem do incentivo fiscal como é o ressarcimento do incentivo da forma pleiteada nestes autos, que tal irregularidade foi afirmada pelo Colendo STJ nos autos do REsp n° 440.305, por estar garantido na legislação instituidora do Crédito-Prêmio do IPI o direito ao ressarcimento dos valores dele decorrentes; Alegou ainda, que o fato de serem os Delegados da Receita Federal competentes para figurarem nas presentes causas podem ser apurados nos processos que ali relacionou, pelo Conselho de Contribuintes que não obstante negar em alguns casos por considerar extinto o incentivo, conheceu e apreciou o mérito em todos os Pedidos de Ressarcimento do IPlformulacios administrativamente pelas empresas; Que no Despacho Decisório a ilustre Delegada também buscou defender a legitimidade do indeferimento do pedido de . ressarcimento apresentando os dispositivos que consideram não declarada a compensa cão realizada entre débitos do contribuinte e créditos provenientes do crédito-prêmio do IPI, que este posicionamento, data máxima vênia, em nada atinge o direito ao ressarcimento do crédito-prêmio cio IPI, porque de fato apenas vem a confirmar que o incentivo está válido até os dias atuais, e que se o incentivo tivesse sido extinto em 1983, Como esta defendido no retro despacho decisório, não seria necessário ser incluído um parágrafo no artigo 74 da Lei n° 9.430/96; Sobre a ação judicial alegou que a ilustre Delegada também defendeu a aplicação no presente feito do art. 20 da IN SRF n" 600/2005, que veda o ressarcimento a estabelecimento pertencente a Pessoa Jurídica com processo judicial ou coin processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido, que se ckpreende da analise deste dispositivo ele se aplica aos eventuais processos nos quais a administração exige o crédito do IPI, algo totalmente distinto ao que esta sendo discutido pela recorrente nos autos do Mandado de Segurança n° 2003.81.00.031567-6, que neste Mandado de Segurança não está sendo exigido crédito tributário cio IPI, implicando a impossibilidade de ser aplicado no caso o referido art. 20, porque o mesmo se aplica apenas nas situações de débito. do contribuinte para com o Erário Público, como demonstram as cópias anexadas da folha de rosto e pedido desta ação mandamental; Que a propositura do Mandado de Segurança não implicou renúncia ei esfera administrativa pela recorrente, porque o mesmo foi impetrado numa época anterior a Resolução do Senado Federal n" 71/2005, a qual é o fundamento para o deferimento do presente pedido de ressarcimento em razão dos 6 Processo n° 10380.100018/2006-31 S3 -C3T2 Acórdão n.° 3302-00.614 Fl. 4 seus efeitos ergo omnes que . jamais poderiam estar sendo desrespeitados pela Delegacia da Receita Federal de Fortaleza; Finalmente o acolhimento da manifestação de inconformidade apresentada e o deferimento integral do seu pedido de Ressarcimento do Crédito-Prêmio do IPI, com base no art. 1" do Decreto-lei n" 491, de 05 de março de 1969 e Resolução do Senado Federal n" 71/2005, bem como a incidência da taxa SELIG sobre os valores a serem ressarcidos. 4.Pesquisou-se sobre o processo judicial n° 2003.81.00.031567- 6, e verificou-se que se encontra tramitando no TRF da 5" Região, conforme tela fl 80. Após analisar os argumentos trazidos à colação, a Terceira Turma da Delegacia de Julgamento de Belém proferiu o acórdão n° 01-8936, fls. 81/87, por meio do qual conclui-se não conhecer o pedido de ressarcimento e considerar o pedido como "não formulado", com base na alínea 'b', inciso II do parágrafo 1° do artigo 31 da IN SRF n° 600/2005. Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário ás fls. 89/105, por meio do qual informou que a razão social da empresa foi alterada, de BERMAS INDUSTRIA DE COUROS LTDA para BRACOL INDÚSTRIA DE COUROS LTDA. Ademais, a Recorrente reiterou os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade, incluindo a solicitação de que o crédito tributário fosse corrigido monetariamente corn os indices oficiais e com os indices expurgados reconhecidos pelo Superior Tribunal de Justiça. E o relatório. Voto Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora 0 recurso contem os requisitos necessários para sua admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Apes analisar detidamente os autos constatei que a principal questão a ser analisada refere-se a perpetuação do chamado crédito-premio de IPI instituído originariamente pelo Decreto-Lei n° 491/69. Antes, porém, de adentrar ao mérito discutido nos presentes autos, entendo ser necessário analisar duas questões preliminares, a saber: a) a questão relativa ao mandado de segurança impetrado pela Recorrente (processo n° 2003.81.00.031567-6/ Tribunal Regional Federal da 5' Regido) e b) a aplieação do artigo 31 da IN SRF no 600/2005, que justificou o entendimento da primeira instância administrativa no sentido de que o pedido da Recorrente teria sido "não formulado". Em relação ao processo judicial, de fato, pelo exposto, nele discute-se a existência ou não do crédito premio. Todavia, foi impetrado anteriormente à Resolução do Senado n° 71 de 26.12.05 o que, por impeditivo lógico, é suficiente para a constatação de que o referido mandamus não trata daquele dispositivo normativo. Desta fon-na e, uma vez que o pedido de ressarcimento está pautado unicamente na Resolução do Senado, entendo por bem que o presente recurso deve ser conhecido, inexistindo, neste caso, a concomitância de matéria. No tocante â. aplicação do artigo 31 da IN SRF 600/05, discordo do entendimento da autoridade administrativa de primeira instância de julgamento. Não é possível impedir o contribuinte de solicitar o ressarcimento/restituição de valores que considera indevido por intermédio de atos administrativos. A Instrução Normativa não tern o condão de cercear o direito do contribuinte, é ato que vincula as autoridades administrativas, não os administrados. In casu, a Recorrente interpretou norma vigente e concluiu que tem direito a credito tributário, por não ser permitido utilizar o sistema eletrônico da Secretaria da Receita Federal, procedeu A. solicitação do ressarcimento em papel, apresentando as informações que entendia necessárias de forma correta, isto 6 . , não forneceu informações erradas apenas para burlar o sistema e se aproveitar do crédito. Neste particular, imperioso ainda analisar o dispositivo normativo utilizado para fundamentar a decisão de primeira instância administrativa: "Art. 31. A autoridade competente da SRF considerara não formulado o pedido de restituição ou de ressarcimento e não declarada a compensação quando o sujeito passivo, .em inobservância ao disposto nos 22 a 42 do art. 77, não tenha utilizado o Programa PER/DCOMP para formular pedido de restituição ou de ressarcimento ou para declarar compensação. 5s 1 1! Também sera considerada não declarada a compensação nas hipóteses: • I— (omissis) li - em que o crédito: a) b) refira-se a "crédito-prêmio" instituído pelo art. 1 2 do Decreto- Lei n 2 491, de 5 de março de 1969; (.)" - destaquei Logo, o simples fato de ter utilizado formulário em papel foi suficiente para a conclusão de inexistência do direito da Recorrente. Todavia, não vejo como o dispositivo citado se aplica ao caso em comento. Em primeiro lugar porque o artigo 77 citado no caput, como sendo causador da "infração" da Recorrente nada diz, in verbis: "Art. 77. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação." Processo n° 10380.100018/2006-31 S3 -C3T2 Acórdão n.° 3302-00.614 Fl. 5 Em segundo lugar, pois não houve qualquer compensação, apenas o pleito de ressarcimento de valores, razão pela qual a Recorrente não está suscetível à aplicação da restrição legal trazida pela alínea 'b', § 12, do artigo 74. Desta forma, a Recorrente não pode ser privada do devido processo legal, do acesso à segunda instância administrativa, bem como de seu direito constitucional de petição, seja porque a suposta limitação está exposta no texto de uma Instrução Normativa, seja porque a situação fatica não se subsume A. mencionada IN. Verifico, ainda, que a própria IN permite aos contribuintes utilizar o "formulário de papel" para casos corno os ora analisados, a saber: "Art. 76. Ficam aprovados os formulários Pedido de Restituição, Pedido de Cancelamento ou de Retificação de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito de Crédito, Pedido de Ressarcimento de IPI — Missões Diplomáticas e Repartições Consulares, Declaração de Compensação e Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado constantes, respectivamente, dos Anexos 1, II, III, 1V e V. ,sç' 12 A SRF disponibilizará, no endereço <httpl/www.receita.fazendagov.br>, os formulários a que se refere o caput. § 22 Os formuldrios a que se refere o cupid somente poderão ser utilizados pelo sujeito passivo nas hipóteses em au. e a restituição, o ressarcimento ou a compensação de seu crédito para com a Fazenda Nacional não possa ser requerida ou declarada eletronicamente õ SRF mediante utilização do Programa PER/DCOMP. § 32 A SRF caracterizará como impossibilidade de utilização do Programa PER/DCOMP, para fins do disposto no § 2-Ç no § P do art. 32, no § 32 do art. 16, no § 12 do art. 22 e no § 12 do art. 26, a ausência de previsão da hipótese de restituição, de ressarcimento ou de compensação no aludido Programa, bem como a existência de falha no Programa que impeça a geração do Pedido Eletrônico de Restituição, do Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou da Declaração de Compensação. (.)" - destaquei Neste sentido, inexistindo previsão no programa da Receita Federal para o procedimento da Recorrente, correta a utilização de formulário em papel. Vale ressaltar que a obrigatoriedade de utilizar o procedimento eletrônico de compensação — PERDCOMP — não pode ser imputado para o contribuinte que não pretende compensar, como é o caso dos autos. Ao assim proceder, é de sumária nitidez que a Recorrente não incorreu em qualquer impeditivo legal ao pleito de ressarcimento, razão pela qual entendo ser possível a apresentação do pedido em análise. cqik 9 Transposta estas questões preliminares, passo ao mérito do pedido de ressarcimento. Ab initio, registro que a inexistência de qualquer documento comprobatório da realização da exportação dos produtos da Recorrente, por si só, já seria suficiente para o indeferimento do presente pedido de ressarcimento. Sem aferição de valores e a comprovação do cumprimento dos requisitos legais exigidos para a obtenção do beneficio fiscal, não possível decidir pela existência de saldo a ressarcir. Mas, se ainda assim não fosse, particularmente tenho entendimento no sentido de que a Resolução do Senado não trouxe inovação ao ordenamento jurídico e também não revalidou o beneficio fiscal, o qual, no entender desta relatora, permaneceu válido apenas até 1990. Explico. 0 assunto em testilha merece consentâneo trato, não somente sobre os aspectos jurídicos do chamado crédito-prêmio de IPI, já sobejamente discutidos no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas principalmente sobre o alcance, significado e efeitos gerados pela Resolução do Senado Federal n° 71/05, que 6, aliás, o ponto fulcral do recurso ora analisado. Realmente, em um primeiro momento, admito que tive para mim que a Resolução Senatorial n° 71, de 26 de dezembro de 2005, havia inserido no ordenamento jurídico pátrio para todos — administradores dos três poderes e administrados — em efeito ergo °nines e ex tunc a existência., até os dias atuais, do credito-prêmio de IPI nos moldes do instituído pelo art. 10 do Decreto-Lei n° 491/69. Todavia, ao analisar detidamente as recentes decisões do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, bem c6mo aquelas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal que fundamentaram a citada Resolução do Senado, evolui meu pensamento sobre este assunto, alcançando a conclusão de impossibilidade de manutenção do beneficio. Desde o inicio das polêmicas discussões jurídicas travadas em virtude das incontáveis alterações normativas, bem como das conseqüências geradas em relação manutenção do direito ao crédito-prêmio de IPI, os julgadores se confrontam corn as seguintes questões: (i) as normas que determinaram o fim do beneficio ao credito-prêmio de IPI são válidas ? o beneficio continua existindo ? (ii) este beneficio enquadra-se no artigo 41, parágrafo 1 0 do ADCT — Atos das Disposições Constitucionais Transitórias ? Isto 6, trata-se de beneficio fiscal voltado a um setor da economia As questões acima trazidas eram decididas favoravelmente ao pleito dos contribuintes (de manutenção do beneficio até os dias atuais) pelos inclitos Ministros do Superior Tribunal de Justiça. Da mesma forma, o Supremo Tribunal Federal, quando analisou a matéria, concluiu pela inconstitucionalidade das disposições que vieram a revogar o beneficio, entendendo-o a despeito de existirem normas pleiteando a sua extinção. A celeuma foi criada em virtude da recente alteração de entendimento do Superior Tribunal de Justiça que, por maioria de seus membros, passou a entender que o credito-prêmio de IPI não subsistia até os dias atuais. Concomitantemente a esta mudança de posicionamento, o Senado Federal expediu a Resolução n° 71/05, por meio da qual, no que seria sentido diametralmente oposto, reconheceu a inconstitucionalidade dos dispositivos que teriam revogado o beneficio, retirando -os do ordenamento jurídico. A partir deste momento tornou-se necessário reavaliar a questão da existência ou não do crédito-premio de IPI, bem como o alcance da Resolução Senatorial, inclusive para fim de solucionar a aparente contradição de entendimento dos tribunais superiores. Em virtude desta reavaliação que desenvolvi o raciocínio a seguir apresentado. Processo n° 10380.100018/2006-31 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.614 Fl. 6 Inicialmente registro que parto da premissa de que o beneficio ao crédito- premio de IPI não se extinguiu em 1983, confonne predizia o artigo 1° do Decreto-lei n° 1.658/79, posteriormente modificado pelo Decreto-lei n° 1.724/79. E as razões para tal entendimento são simples. A uma, em razão de o Supremo Tribunal Federal já ter encerrado a questão quando da análise dos Recursos Extraordinários n° 180.828, 186.623, 186.623, 250.288 e 186.359. A duas, em virtude da própria legislação interna do Ministério da Fazenda prever a possibilidade de utilização do beneficio pelos contribuintes, regulando quando supostamente os mesmos não poderiam ser utilizados. Neste sentido cito trecho do voto vogal proferido pela Eminente Ministra do Superior Tribunal de Justiça Eliana Calmon quando do julgamento do leading case que analisou a manutenção do beneficio ao credito-prêmio de IPI após a Resolução 71/05 (Recurso Especial n° 652.379), in verbis: "Entendo, coin a devida vênia do relator, que não mais se deu a extinção na data aprazada, por força do DL 1.894/81, o que se comprova pela legislação interna do próprio Ministro da Fazenda, haja vista a Instrução Normativa SRF 21, de 13 de março de 1985, disciplinadora da saída de produtos contendo insumos importados sob o regime "drawback" ao estabelecer no item 6.. As remessas de produtos realizadas nos termos desta Instrução Normativa não propiciam aos fabricantes intermediários afirmação do crédito financeiro as exportações que trata o art.1" do Decreto-lei n° 491, de 5 demarco de 1969. Ora, se houve a extinção em 30/06/83, como explicar a existência de uma norma interna da Fazenda, em março de 1985, reportando-se ao incentivo ?"(destaquei) Parece-me evidente que o crédito em estudo não se extinguiu em 1983, tanto é assim que era regulannente considerado pela Secretaria da Receita Federal como ativo e válido. Desta forma e, sendo aos julgadores administrativos defeso se posicionar contra entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal, admito a continuidade do beneficio ao crédito-prêmio a despeito das intenções normativas em sentido oposto. Ademais, entendo que foi exatamente em razão deste posicionamento do Supremo Tribunal, que o Senado Federal entendeu por bem expedir a Resolução n° 71/05. Conforme tenho julgado em outros casos, entendo que a Resolução do Senado reconheceu, sim, a inconstitucionalidade dos dispositivos normativos que pretendiam a revogação do beneficio ao crédito-premio de IPI. Neste aspecto, muito além de mero ato homologatório das decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em controle difuso de constitucionalidade, as resoluções senatoriais expressam, a meu ver, a real intenção de um dos órgãos detentores de competência legislativa que, no caso, significa extirpar, do ordenamento jurídico, nonna inconstitucional. Determina a citada Resolução em seu artigo 1°: "é suspensa a execução, no art. 1" do Decreto-Lei n" 1.724, de 7 de dezembro de 1979, da expressão 'ou reduzir, temporária ou definitivamente, ou extinguir', e, no inciso Ido art. 3" do Decreto-Lei n" 1.894, de 16 de dezembro de 1981, das expressões 'reduzi-los' e `suspendê-los ou extingui-los', preservada a vigência do que remanesce do art. 1° do Decreto-Lei n° 491, de 5 de marco de 1969". 11 A simples análise do disposto no texto da Resolução é suficiente para constatar que não é mais possível, ao texto normativo, reduzir, suspender ou extinguir o beneficio relativo ao crédito prêmio de IPI (beneficio referido nos Decretos-lei n° 1.724/79 e 1.894/81), estando mantido este beneficio nos termos do Decreto-Lei n°491/69. Imperioso analisar a vertente de adeptos da posição de que o texto senatorial extrapolou os limites de sua competência, dentre eles, inclusive, alguns julgadores deste tribunal administrativo e de tribunais judiciais. Pelo raciocínio por eles apresentado, houve excesso por parte do Senado Federal em razão de as decisões do STF não fazerem menção textual e expressa aos dispositivos normativos citados na Resolução, razão pela qual ela deveria ser desconsiderada por ineficaz. Não creio, porém. Primeiramente em razão de, como julgadora administrativa, não estar apta a deixai de aplicar Resolução do Senado Federal. Sem nos distanciarmos do epicentro, e mais especificamente em relação As resoluções senatoriais, nos ensina o culto mestre Ives Gandra da Silva Martins que as Resoluções "seio, portanto, veículos legislativos concernentes et sua área privativa de ação, não devendo ser levados 27 apreciação do Executivo, mas apenas a sua execução." Ademais, adotando os dizeres do Ilustre Professor José Souto Maior Borges, entendo que o Senado por expressa outorga constitucional detém de competência bastante para aferir a conveniência e oportunidade (estes, pressupostos politicos) da extensão dos efeitos da decisão do STF para além das partes litigantes da demanda editando ou não a resolução. Aproveito a oportunidade para relembrá-lo: "Se a conveniência e oportunidade da suspensão não se manifestam, a juizo exclusivo do Senado, a resolução não deve ser editada e nenhuma ilicitude contamina sua abstenção, pois a permissão constitucional, na sua bilateralidade, é para praticar ou não o ato." ' Tal conclusão se justifica porquanto não há qualquer determinação, expressa ou implícita, da obrigatoriedade do Senado suspender a execução de lei proclamada em definitivo inconstitucional pelo STF. Também não há permissão para que seja coagido a tanto. O órgão supremo pode editar ou não resolução "em face dos reflexos que o ato legislativo a ser produzido provocará, a luz de uma visão político-jurídica própria do legislador positivo, que transcende, de muito, a visão apenas técnica do Judiciário": (Ives Gandra) Menciono, para melhor compreensão, ocasião em que o Senado, num ato discricionário, se negou a editar resolução proveniente do STF. Albergado pelo legislador originário e ciente do impacto econômico que viria a repercutir no cenário nacional, deixou de ser editada resolução no caso da declaração de inconstitucionalidade do STF sobre legislação do j A. extinto FINSOCIAL (proferida por maioria absoluta de seus membros no RE 150.764-1). Assim, há de se concluir — neste cerne — que a competência do Senado é vinculada quanto ao conteúdo da resolução e discricionária quanto à sua edição. E como conseqüência lógica, a edição de resolução é vinculativa a todos, ou seja, estendem-se erga omnes os efeitos inter parts da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF. Neste diapasão, se lhe é outorgada (ao Senado) a competência para declarar a suspensão da eficácia de normas de determinada lei considerada em parte inconstitucional, com mais razão pode explicitar o que dela remanesceu. Ainda que sequer necessitasse tal procedimento, pois o texto restante existiria implicitamente, mas se o fez, por que razão teria extrapolado seus limites, como pensam alguns? Ora, se a resolução do Senado decreta, nos 12 Processo n° 10380.100018/2006-31 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.614 Fl. 7 termos do art. 52, X da CF, a suspensão dos efeitos da parte da lei declarada inconstitucional, por consectdrio lógico que vigem os dispositivos não atingidos pela declaração. Como Ives Gandra, tenho claro para mim que "isso significa que mantida está toda a parte não declarada maculadora da Lei Maior. Toda a Resolução que atinge parte da lei, implicitamente, esta declarando que a outra parte continua ern vigor, com eficácia, vigência e validade." Em segundo lugar, a simples análise do disposto na Resolução mencionada é suficiente para constatar que o texto reflete, exatamente, o que foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal, ou seja, a inconstitucionalidade dos dispositivos que pretendiam a extinção do crédito-prêmio de IPI. Neste sentido, é também o entendimento da Ministra Diana Calmon (Recurso Especial n° 652.379), a saber: "A Resolução do Senado nada mais fez do que repetir em seu texto o que fora dito pelo Supremo, retirando as expressões grifadas e mantendo o dispositivo tal qual publicado. (.) Ora, nada foi alterado, afinal já sabíamos, nós julgadores, desde o julgamento do Supremo, em 2001, qual a inconstitucionalidade por ele encampada, diante da antecedente declaração pelas instancias ordinárias, em todos os tribunais regionais federais com exceção do TRF da 4"Regiião. Com a inconstitucionalidade da delegação por ato normativo menor, permaneceu integralmente composta a norma que deu vida ao beneficio questionado, revalidando-o, o Decreto - lei 1.894/81." A interpretação de validade do Decreto-lei 491 não significa que o beneficio esteja vigente até os dias atuais, e é exatamente neste ponto que passo a divergir de meu posicionamento em julgamentos anteriores. Até o presente momento, minha interpretação do texto Senatorial era no sentido de que o beneficio ao crédito-prêmio de IPI mantinha-se até os dias de hoje simplesmente por ter sido reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal e, conseqüentemente, pela Resolução do Senado. Ocorre que ao analisar mais detidamente o próprio texto normativo da Resolução, concluo que não é este o alcance pretendido pelo Senado. Parece-me claro que o beneficio foi mantido nos termos de seu decreto instituidor, estando assim disposto o mencionado texto: "uma vez que preservada a vigência do que remanesce do art. 1° do Decreto-Lei n°491, de 5 de março de 1969". Ocorre que, alem da questão da revogação do beneficio por normas posteriores, não se pode olvidar que se deve analisar se o crédito permaneceu após a promulgação da Constituição Federal de 1988 — CF/88, isto e, se a manutenção do Decreto-Lei n° 491/69 pelo Supremo é suficiente para a continuidade do beneficio até os dias atuais. Neste particular, para saber se o Decreto-Lei permanece válido após a CF/88, é preciso avaliar as especificidades do artigo 41 do ADCT, ou seja, se (i) o beneficio do crédito-prêmio de IPI é fiscal ou financeiro e (ii) se pode ser considerado setorial. Tal definição é imprescindível porque, se o beneficio for financeiro ou não setorial, não se aplicará a restrição prevista no artigo 41 do ADCT. 13 A despeito de saber que muitos doutrinadores diferem incentivos entre fiscais e financeiros, não vejo como tal diferença pode ser aplicada ao presente caso. E tal conclusão decorre do fato de o cálculo do beneficio estar vinculado ao IPI. Entendo como evidente que todo o crédito tributário é financeiro, apesar de nem todo crédito financeiro ser tributário e que, se houver relação com fatos e conceitos tributários, não é possível conceituar o beneficio somente como financeiro. Outro ponto que deve ser analisado refere-se ao crédito-prêmio de IPI ser ou não considerado como beneficio setorial. Em relação a este aspecto, pedindo vênia aos que concluem de forma diversa, entendo como indissociável à natureza do beneficio seu critério setorial. Não tenho dúvidas de que o "setor exportador" pode e deve ser considerado como urn setor da economia, ainda que não se utilize para tanto as definições sócio-econômicas de setor primário, secundário e tercidrio ou outras definidas neste sentido. 0 interesse do Governo Federal na intervenção da economia com a concessão de incentivos para os exportadores é indubitável e por si só justifica a classificação. Neste sentido cito trecho do voto vogal já mencionado proferido pela Eminente Ministra Eliana Calmon quando da análise do leading case (Recurso Especial n° 652.379), in verbis: "0 primeiro diz respeito a classificação do crédito-premio do IPL Não tenho dúvida em qualified-10 como incentivo ao setor de exportação. Afinal, pretendeu o governo fortalecer as empresas exportadoras para, dessa forma, equilibrar a balança comercial. Não vejo como afastar a classificação do incentivo, anotando que, a mingua de lei posterior revalidando o beneficio não mais se pode falar em manutenção do crédito-prêmio do lEI, após a data prevista pelo artigo 41, parágrafo I°, do ADCT, ou seja, outubro de 1990." Portanto, em que pesem as respeitáveis manifestações em sentido contrário, concluo que os contribuintes tiveram direito ao beneficio do crédito -prêmio de IPI até o ano de 1990, ou seja, dois anos após a promulgação da Constituição Federal de 1988, em vista de lhe ser aplicado o parágrafo 1°, do artigo 41 dos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias. Mesmo após a publicação da Resolução n° 71/05 do Senado Federal. Neste sentido, o beneficio ao crédito-premio do IPI somente estaria válido se houvesse, após a Constituição Federal de 1988, nova lei revalidando-o. Todavia inexiste tal pressuposto normativo. E cediço que a Lei rr) 8.402/92 restabeleceu alguns beneficios fiscais anteriormente previstos no Decreto-lei n° 491/69, mas os beneficios mantidos não contemplavam as exportadoras, sendo direcionados apenas ao produtor-vendedor, verbis: "Lei n°8.402/92 Artigo 1" - Sao restabelecidos os seguintes incentivos fiscais: (.) II — manutenção e utilização do crédito de Imposto sobre Produtos Industrializados relativo aos insumos empregados na industrialização de produtos exportados, de que trata o art. 5° do Decreto-lei n°491, de 5 de março de 1969; (.) §1° É igualmente restabelecida a garantia de concessão dos incentivos fiscais a exportação de que trata o a. rt. 3° do Decreto- lei n" 1.248, de 29 de novembro de 1972, ao Produtor-vendedor 14 Processo n° 10380.100018/2006-31 S3-C3T2 Acórdao n.° 3 01-00.614 Fl. 8 que efetue vendas de mercadorias a empresa comercial exportadora, para o fim especifico de exportação, na forma prevista pelo art. I° do mesmo diploma legal." (destaquei) Registra-se, ainda, que o Decreto-lei n° 1.248/72 citado acima, exclui do produtor-vendedor o credito prêmio previsto no artigo 1° do Decreto-lei n°491/69, a saber: "Art. 3" - São assegurados ao produtor-vendedor, nas operações de que trata o art. l" deste Decreto-Lei, os beneficios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação, a exceção do previsto no artigo 1° do Decreto-Lei n° 491, de 5 de mare() de 1969, ao qual fará jus apenas a empresa comercial exportadora." Está claro que não houve prorrogação legal do beneficio fiscal ao crédito- premio de IPI, assim, ao entender que o Decreto-lei n° 491 não manteve, por si só, o direito ao crédito e que inexiste lei posterior à Constituição Federal restabelecendo o beneficio, admito a sua vigência apenas até o ano de 1990. Em face do exposto, conheço do presente recurso e o JULGO TOTALMENTE IMPROCEDENTE NO MÉRITO, uma vez que o pleito da Recorrente refere- se a período posterior ao ano de 1990. É corno voto. Fa iola Cassiano Keramidas 15
score : 1.0
Numero do processo: 10865.001843/2003-68
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1999
IRPF PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA TITULAR
DAS CONTAS BANCÁRIAS FALECIDO ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL LANÇAMENTO LVRADO CONTRA O ESPAÓLIO IMPOSSIBILIDADE.
O artigo 42 da Lei n° 9.430/96 encerra uma presunção de omissão de rendimentos que se aplica quando o contribuinte, devidamente intimado, não comprova mediante documentação hábil e idônea a origem dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento de que seja titular. Contudo, para a formação desta presunção de omissão de rendimentos, devem estar presentes todos os elementos previstos no caput do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, inclusive a intimação do titular ou dos titulares (e não do espólio ou do responsável) das contas bancárias, a quem cabe, com exclusividade, o ônus probandi.
No caso, em razão do falecimento do titular das contas bancárias em momento anterior ao início da ação fiscal, não pode prosperar o lançamento efetuado contra o espólio com fundamento no artigo 42 da Lei n° 9.430/96.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.046
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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O artigo 42 da Lei n° 9.430/96 encerra uma presunção de omissão de rendimentos que se aplica quando o contribuinte, devidamente intimado, não comprova mediante documentação hábil e idônea a origem dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento de que seja titular. Contudo, para a formação desta presunção de omissão de rendimentos, devem estar presentes todos os elementos previstos no caput do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, inclusive a intimação do titular ou dos titulares (e não do espólio ou do responsável) das contas bancárias, a quem cabe, com exclusividade, o ônus probandi. No caso, em razão do falecimento do titular das contas bancárias em momento anterior ao início da ação fiscal, não pode prosperar o lançamento efetuado contra o espólio com fundamento no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10865.001843/200368 Acórdão n.º 920202.046 CSRFT2 Fl. 718 2 Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 02/04/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Horácio Giacon – Espólio foi lavrado o auto de infração de fls. 0308, para a exigência de imposto de renda pessoa física, exercício 1999, em razão da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, com multa de 10%. O titular das contas bancárias, Sr. Horácio Giacon, faleceu em 20/04/2002 (Certidão de Óbito às fls. 295), sendo que o Mandado de Procedimento Fiscal mais remoto data de 03/02/2003 (fls. 01), com início da ação fiscal em 06/03/2003 (fls. 11). A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG) considerou o lançamento procedente em parte, reduzindo a base de cálculo do lançamento para R$ 197.963,69 (fls. 492508, Volume III). Por sua vez, a Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, apreciando o recurso voluntário interposto pelo autuado, proferiu o acórdão n° 220200.325, que se encontra às fls. 667670 (Volume IV), cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 IRPF DEPÓSITO BANCÁRIO RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA ESPÓLIO A obrigação de comprovar a origem dos depósitos bancários, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei n° 9.430, de 1996, é do(s) titular(es) da contacorrente e tem natureza personalíssima. Portanto, não como há imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos feitos à época em que o contribuinte era vivo. Nessas condições, não subsiste a ação fiscal levada a efeito, desde o seu início, contra o espólio. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10865.001843/200368 Acórdão n.º 920202.046 CSRFT2 Fl. 719 3 Recurso provido. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso. Intimada da acórdão em 04/03/2010 (fls. 671), a Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 674688, acompanhado dos documentos de fls. 689702 (Volume IV), cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) O v. acórdão ora recorrido, proferido pela Colenda Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF, acolheu o entendimento de que a obrigação de comprovar a origem dos depósitos bancários, nos termos consignados no art. 42 da Lei 9.430/96, é personalíssima, não tendo como se imputar ao espólio tal responsabilidade; b) Diversamente, o acórdão n° 10247.643 perfilha orientação totalmente diversa da seguida pelo julgado hostilizado. Nesse julgado, acertadamente, a Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes firmou que, para efeitos tributários, se aplicam ao espólio as mesmas normas a que se sujeitam as pessoas físicas e que cumpre ao inventariante comprovar a origem dos depósitos bancários efetuados na conta do de cujus; c) Há clara divergência jurisprudencial acerca da interpretação do art. 42 da Lei 9.430/96, eis que, diante da mesma situação, qual seja, a tentativa de responsabilização do espólio pela omissão de receitas do de cujus em decorrência de depósitos bancários, cujo inventariante, devidamente intimado, não logrou comprovar a origem, as Câmaras decidiram de forma contrária. A e. Câmara a quo, argüindo que tal obrigação é personalíssima e que não pode ser imputada ao espólio ou ao inventariante, enquanto que a e. Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes acolhendo a tese de que tal responsabilização não só é possível, como decorre da lei, não cabendo ao administrador afastála; d) Desse modo, uma vez evidenciada a divergência jurisprudencial apontada, passase a demonstrar doravante as razões pelas quais merece ser adotado o entendimento exarado no paradigma, reformandose, assim, o acórdão ora recorrido; e) Inicialmente, cabe aqui suscitar preliminar de nulidade do julgado, haja vista que a matéria apreciada pelo i. Colegiado não foi, quer na impugnação, quer no recurso voluntário, objeto de insurgência pelo contribuinte, sendo, portanto, alcançada pela preclusão; f) Quanto ao mérito, nos termos do artigo 121 do CTN, o sujeito passivo da obrigação tributária é a pessoa física ou jurídica obrigada por lei ao cumprimento da prestação tributária principal, esteja ou não em relação direta e pessoal com a situação que constitua o fato gerador; g) A responsabilidade tributária é o fenômeno segundo o qual um terceiro que não tenha relação direta e pessoal com o fato imponível gerador da Fl. 3DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10865.001843/200368 Acórdão n.º 920202.046 CSRFT2 Fl. 720 4 obrigação principal, está obrigado, em caráter supletivo ou não, em sua totalidade ou parcialmente, ao pagamento ou cumprimento da obrigação; h) Notese, que apesar de não ter relação íntima com a conduta descrita na norma tributária impositiva da obrigação principal, para ser responsável é necessária a existência de algum liame entre o sujeito responsável e o fato imponível. Ou seja, a lei não pode eleger qualquer pessoa como responsável tributário, mas somente pessoa que, não tendo relação direta e pessoal, possua algum tipo de vínculo com a pessoa do contribuinte ou a situação descrita como fato gerador da obrigação; i) A lei determina que é responsável tributário o sucessor pelos tributos devidos pelo contribuinte até a data do respectivo ato que importe em sucessão. Vale salientar que o art. 129 do CTN, inobstante a confusa redação, esclarece ser relevante para a sucessão a data da ocorrência do fato imponível que, ainda que haja lançamento posterior, deverá ter ocorrido antes do ato de sucessão; j) No caso em tela, sabese que a contacorrente, na qual foram realizados os depósitos de origem não comprovada, pertencia a Horácio Giacon. Com a abertura da sucessão, a responsabilidade passou para o espólio. Portanto, a este pertence, a contacorrente motivadora do auto de infração; k) Quando o artigo 42 da Lei n° 9.430/96 menciona "titular, pessoa física ou jurídica", quer contemplar todos aqueles que podem ocupar o pólo passivo da relação jurídicotributária. O espólio, como já evidenciado, pode ocupar essa posição passiva de titularidade, pois assim a lei determinou. Portanto, sendo o inventariante o representante legal do espólio, cabelhe o ônus da comprovação da origem de depósitos efetuados pelo de cujus, antes de seu falecimento; l) Da análise dos autos, verificase que o inventariante foi intimado a comprovar a origem dos depósitos na contacorrente de titularidade do espólio. No entanto, como não conseguiu comproválos, a presunção legal de omissão de rendimentos corretamente se concretizou; m) Sendo a titularidade da contacorrente do espólio, representado nos autos pelo seu inventariante, a argüição de desconhecimento dos atos praticados pelo de cujus, não tem o condão de desvincular o espólio como sujeito passivo da obrigação principal do fato gerador, uma vez que as condições e os limites da norma instituidora da obrigação tributária foram observados; n) Como muito bem salientado pelo acórdão paradigma, conforme transcrição supra, de fato, é difícil para o espólio fazer certas provas quanto às operações do "de cujus", mas a legislação tributária não excetuou a comprovação por parte do espólio, razão pela qual não cabe a este colegiado fazêlo; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10865.001843/200368 Acórdão n.º 920202.046 CSRFT2 Fl. 721 5 o) Desse modo, demonstrada a responsabilidade tributária do espólio no que tange à obrigação de efetuar a comprovação da origem dos valores depositados, nos termos consignados no art. 42 da Lei n° 9.430/96, deve ser mantida a autuação, merecendo reforma o presente julgado; p) Requer seja conhecido e provido o presente recurso, para declarar a nulidade do presente julgado e no mérito seja reformado o r. acórdão recorrido e, conseqüentemente, seja mantida a decisão de primeira instância. Admitido o recurso através do despacho n° 220200.028 (fls. 703705), especificamente no que se refere à “... discussão sobre a obrigatoriedade ou não do inventariante ou dos herdeiros em comprovar a origem de depósitos bancários ocorridos a época em que o de cujus era vivo e as contas bancárias foram movimentadas pelo mesmo.” (fls. 705), o inventariante foi intimado e, devidamente representado, apresentou contrarrazões às fls. 709715 (Volume IV), onde defendeu, preliminarmente, a impossibilidade de conhecimento do recurso em razão da ausência de decisões divergentes para situações idênticas. Quanto ao mérito, pugnou, em síntese, pela manutenção do acórdão recorrido. É o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário apresentado pelo autuado. A recorrente suscitou, preliminarmente, a nulidade do julgado, tendo em vista a preclusão da matéria apreciada e, no mérito, defendeu a reforma da decisão sob o fundamento de que para efeitos tributários se aplicam ao espólio as mesmas normas a que se sujeitam as pessoas físicas e que cumpre ao inventariante comprovar a origem dos depósitos bancários efetuados na conta do de cujus, invocando como paradigma o acórdão n° 10247.643. Inicialmente, é preciso destacar que a questão da preclusão não foi sequer enfrentada pelo acórdão recorrido e a Fazenda Nacional deixou de opor embargos de declaração com o objetivo de suprir eventual omissão. Ademais, para que este Colegiado pudesse apreciar a matéria relativa à preclusão, caberia à recorrente comprovar o dissídio jurisprudencial, o que não ocorreu. Portanto, a matéria que chega para análise da Turma diz respeito à possibilidade ou não de autuação de espólio, com fundamento na presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, quando o titular da conta fiscalizada já está falecido desde momento anterior ao início da ação fiscal. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10865.001843/200368 Acórdão n.º 920202.046 CSRFT2 Fl. 722 6 No caso, o titular das contas bancárias, Sr. Horácio Giacon, faleceu em 20/04/2002 (Certidão de Óbito às fls. 295), sendo que o Mandado de Procedimento Fiscal mais remoto data de 03/02/2003 (fls. 01), com início da ação fiscal em 06/03/2003 (fls. 11). Eis a matéria em litígio. Pois bem, o artigo 42 da Lei n° 9.430/96 estabelece o seguinte: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tal dispositivo encerra uma presunção de omissão de rendimentos que se aplica quando o contribuinte, devidamente intimado, não comprova mediante documentação hábil e idônea a origem dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento de que seja titular. Subsumidos os fatos à regra do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, surge a presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, cabendo ao titular da conta bancária a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações. Portanto, por força desta presunção, que é relativa e admite prova em contrário, o ônus de demonstrar que os depósitos bancários não representam rendimento tributável cabe ao contribuinte. Contudo, para a formação desta presunção de omissão de rendimentos, devem estar presentes todos os elementos previstos no caput do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, inclusive a intimação do titular ou dos titulares (e não do espólio ou do responsável) das contas bancárias. A devida intimação do titular da conta bancária é elemento essencial da regra em apreço. Isso porque, para que se presuma a omissão de rendimentos baseada em créditos bancários não comprovados, é imprescindível que os titulares sejam intimados a comprovar a origem dos depósitos. A regra do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996 tem em seu núcleo uma obrigação dirigida aos titulares da conta bancária, não podendo, por falta de previsão legal, ser transferida ao responsável tributário. Não se pode olvidar, em razão do disposto no § único, do artigo 142, do Código Tributário Nacional, que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, impondo à autoridade lançadora a obediência às determinações legais com vistas à constituição do crédito tributário. No caso, pelo falecimento do titular das contas bancárias, sua intimação é impossível, de modo que não pode prosperar o lançamento que tem fundamento no artigo 42 da Lei n° 9.430/1996. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10865.001843/200368 Acórdão n.º 920202.046 CSRFT2 Fl. 723 7 Como bem observou o Relator do acórdão recorrido, Conselheiro Pedro Anan Júnior (fls. 669): No caso concreto, a hipótese normativa é de materialização impossível, haja vista que o titular das contas bancárias autuadas já era falecido antes mesmo do início da fiscalização. Para essa obrigação, não se transfere o inventariante ou o espólio, uma vez que com o "de cujos" não se confundem. Deixe se de fora desse raciocínio a conta conjunta, na qual, havia, pelo menos teoricamente, um outro titular. Ora, se é faticamente impossível intimar o titular da conta bancária para comprovar a origem dos depósitos bancários, porque falecido, não há como materializar a hipótese de incidência tributária prevista no artigo 42, supratranscrito, tendo em vista o princípio da legalidade tributária. Caso contrário, estarseá transformando uma presunção relativa em presunção absoluta, ao se tomar a totalidade dos depósitos como não comprovados. Sob outra ótica, estarseá violando o princípio da legalidade ao se dirigir a intimação — elemento essencial da norma jurídicotributária do artigo 42 — para a inventariante, já que ela não se confunde com o "de cujus". A responsabilidade tributária por sucessão somente estaria presente, mesmo considerando que os fatos motivadores da autuação são anteriores ao falecimento do contribuinte, se fosse material e autonomamente possível a aplicação da regra legal embasadora do lançamento, o que não acontece, em função das características essenciais do artigo 42, já destacadas. Isto é, se a obrigação tributária decorrente do comando do artigo 42 é de nascimento impossível — pela impossibilidade de intimação do titular da conta bancária — nem mesmo há de se cogitar na hipótese de responsabilidade tributária uma vez que ela é dependente de uma obrigação tributária préconstituída, inexistente no caso concreto. Com isto querse dizer que o instituto da responsabilidade tributária não é autônomo, mas pressupõe a existência de uma obrigação tributária pré constituída (independentemente da sua formalização ou declaração pelo lançamento) e cujo cumprimento não foi honrado pelo contribuinte, por qualquer uma das situações previstas no Código Tributário Nacional. (...) Logo, a partir do momento em que o titular das contas bancárias autuadas não foi intimado para comprovar a origem dos respectivos depósitos, não se materializou o comando normativo da obrigação tributária básica ou matriz (delineada no artigo 42, da Lei n° 9.430/96), o que, conseqüentemente, não deu ensejo ao surgimento da norma secundária, relativa à responsabilidade tributária por sucessão. Assim, resta evidente que o procedimento adotado pela Fiscalização, desde o seu primeiro ato, acabou por transformar Fl. 7DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10865.001843/200368 Acórdão n.º 920202.046 CSRFT2 Fl. 724 8 o responsável tributário — espólio e seu inventariante — em verdadeiro contribuinte do IRPF, objeto dessa autuação. Concordo inteiramente com tais colocações e adotoas como razões de decidir. Analisando a matéria, a própria CoordenaçãoGeral de Tributação, no âmbito da Solução de Consulta Interna n° 06/2010, concluiu que: Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ESPÓLIO. Ementa: Não cabe o lançamento nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 2006, sobre depósitos bancários de origem não comprovada em nome do espólio ou dos sucessores quando o procedimento fiscal tenha se iniciado em data posterior ao óbito do único titular ou de todos os titulares da conta bancária ou quando, iniciado o procedimento fiscal, o único titular ou todos os titulares faleceram antes do término do prazo da intimação para a comprovação da origem dos recursos. O ônus probandi instituído pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, é tão somente do titular da conta bancária. Dispositivo legal: art. 42 da Lei nº 9430, de 27 de dezembro de 1996. Por fim, não se pode deixar de destacar que para situação semelhante a esta, na qual um dos titulares da conta bancária não é intimado (no caso em apreço, o único titular deixou de ser intimado em razão do seu falecimento), a jurisprudência administrativa está consolidada através do Enunciado de Súmula CARF n° 29, segundo o qual: “Todos os co titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento”. No caso, o lançamento fundamentado no artigo 42 da Lei n° 9.430/96 não pode prosperar. Com tais considerações, entendo que a decisão recorrida deve ser confirmada. Voto, portanto, no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 8DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10865.001843/200368 Acórdão n.º 920202.046 CSRFT2 Fl. 725 9 Fl. 9DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por GONCALO BONET ALLAGE
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