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Numero do processo: 10670.721147/2014-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. REQUISITOS OBJETIVOS. TRASLADO DO DEVER DE SIGILO DA ESFERA BANCÁRIA PARA A FISCAL. STF. REPERCUSSÃO GERAL. RICARF. DEVER DE REPRODUÇÃO.
1. O Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário com repercussão geral, decidiu que o art. 6º da Lei Complementar 105/01 estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal, não sendo inconstitucional.
2. O § 2º do art. 62 do RICARF determina que as decisões de mérito proferidas pelo Supremo, com repercussão geral, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
ACESSO AOS EXTRATOS ANTES DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. INEXISTÊNCIA.
1. Diante da negativa da empresa em apresentar os extratos bancários solicitados no Termo de Intimação Fiscal, a autoridade administrativa, amparada no art. 6º da LC 105/2001, procedeu ao exame da sua movimentação bancária.
2. Esse exame foi realizado no transcorrer do procedimento fiscal, não tendo havido qualquer ilegalidade.
DECADÊNCIA. EXISTÊNCIA DE DOLO. REGRA DO ART. 173, INC. I, DO CTN.
1. Em havendo dolo, o prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 173, inc. I, do CTN.
2. No caso concreto, a autoridade administrativa aplicou a multa de ofício qualificada, argumentado que a recorrente, ao deixar de registrar em contabilidade e em folhas de pagamento as remunerações pagas a segurados da Previdência Social, teria agido dolosamente e praticado sonegação.
3. Nesse tocante, a recorrente sequer tentou demonstrar que não agiu dolosamente. A contrario sensu, tentou desconstituir o lançamento e a própria qualificação da multa mediante argumentos tangenciais, sem se insurgir, especificamente, quanto à alegação de dolo e sonegação.
FALTA DE PROVA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INEXISTÊNCIA.
Regularmente intimada, a recorrente poderia ter demonstrado ter havido equívoco nos pagamentos cujos históricos receberam o nome de "FOLHA DE PAGAMENTO". Não o tendo feito, é evidente tratar-se de remuneração paga.
MULTA QUALIFICADA. FALTA DE INFORMAÇÃO EM FOLHAS DE PAGAMENTO E EM CONTABILIDADE. MANUTENÇÃO.
A omissão da recorrente, consistente em deixar de registrar em contabilidade e sobretudo em folhas de pagamento os totais das remunerações, tem como resultado retardar e dificultar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador, justificando, assim, a qualificação da multa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.596
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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LEI COMPLEMENTAR 105/2001. REQUISITOS OBJETIVOS. TRASLADO DO DEVER DE SIGILO DA ESFERA BANCÁRIA PARA A FISCAL. STF. REPERCUSSÃO GERAL. RICARF. DEVER DE REPRODUÇÃO. 1. O Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário com repercussão geral, decidiu que o art. 6º da Lei Complementar 105/01 estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal, não sendo inconstitucional. 2. O § 2º do art. 62 do RICARF determina que as decisões de mérito proferidas pelo Supremo, com repercussão geral, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. ACESSO AOS EXTRATOS ANTES DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. INEXISTÊNCIA. 1. Diante da negativa da empresa em apresentar os extratos bancários solicitados no Termo de Intimação Fiscal, a autoridade administrativa, amparada no art. 6º da LC 105/2001, procedeu ao exame da sua movimentação bancária. 2. Esse exame foi realizado no transcorrer do procedimento fiscal, não tendo havido qualquer ilegalidade. DECADÊNCIA. EXISTÊNCIA DE DOLO. REGRA DO ART. 173, INC. I, DO CTN. 1. Em havendo dolo, o prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 173, inc. I, do CTN. 2. No caso concreto, a autoridade administrativa aplicou a multa de ofício qualificada, argumentado que a recorrente, ao deixar de registrar em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 11 47 /2 01 4- 10 Fl. 610DF CARF MF 2 contabilidade e em folhas de pagamento as remunerações pagas a segurados da Previdência Social, teria agido dolosamente e praticado sonegação. 3. Nesse tocante, a recorrente sequer tentou demonstrar que não agiu dolosamente. A contrario sensu, tentou desconstituir o lançamento e a própria qualificação da multa mediante argumentos tangenciais, sem se insurgir, especificamente, quanto à alegação de dolo e sonegação. FALTA DE PROVA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INEXISTÊNCIA. Regularmente intimada, a recorrente poderia ter demonstrado ter havido equívoco nos pagamentos cujos históricos receberam o nome de "FOLHA DE PAGAMENTO". Não o tendo feito, é evidente tratarse de remuneração paga. MULTA QUALIFICADA. FALTA DE INFORMAÇÃO EM FOLHAS DE PAGAMENTO E EM CONTABILIDADE. MANUTENÇÃO. A omissão da recorrente, consistente em deixar de registrar em contabilidade e sobretudo em folhas de pagamento os totais das remunerações, tem como resultado retardar e dificultar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador, justificando, assim, a qualificação da multa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 611DF CARF MF Processo nº 10670.721147/201410 Acórdão n.º 2402005.596 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da decisão recorrida, o qual retrata bem os fatos e os fundamentos do lançamento, da impugnação e dos incidentes ocorridos até então: Compõem o processo 10670.721147/201410 os seguintes autos de infração lavrados por descumprimento de obrigações principais e acessórias, em 4/8/2014, referentes ao período de 01/2009 a 12/2011: AI 51.064.3266, no valor de R$ 3.733.678,25, relativo à contribuição da empresa destinada à Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho incidente sobre valores pagos a segurados empregados. AI 51.064.3272, no valor de R$ 1.039.519,66, referese à contribuição da empresa destinada a outras entidades (Salário Educação, Incra, Sesc, Senac e Sebrae) incidente sobre a remuneração de segurados empregados. De acordo com o relatório fiscal, fls. 25 a 32, o contribuinte, intimado através do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, fls. 34/35, recebido em 29/1/2014 (fls. 36/37) e dos Termos de Intimação Fiscal 01 (fls. 38/40), 02 (fls. 42/44), 03 (fls. 45/46),deixou de apresentar os extratos bancários e as folhas de pagamento que deram origem aos pagamentos realizados por meio de operações bancárias, informando que não os apresentaria por serem documentos de ordem pessoal e privada. Relata a fiscalização que no procedimento fiscal, realizado para fiscalização do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e tributos reflexos, concluído em 2013, foi constatada, por meio de extratos bancários e contabilidade (anos 2009 e 2010), a omissão de pagamento feito a pessoas físicas. Os pagamentos realizados por meio da conta 19445 do Banco do Brasil com os históricos FOLHA DE PAGAMENTO superaram os registrados nos livros Diário e Razão. Os valores registrados contabilmente no período somaram R$2.030.868,38 e os valores pagos através das movimentações financeiras totalizaram R$4.800.671,63. Ficou constatado também, conforme item 16 do relatório fiscal (fl. 27), que todos os pagamentos feitos aos trabalhadores inclusos em folha de pagamento tiveram a origem de recursos no caixa da sociedade empresária. Os pagamentos foram registrados no diário debitandose as contas de salário, retirada, honorário e serviços prestados e creditando a conta caixa 110101010010012. Fl. 612DF CARF MF 4 Relativamente ao ano de 2011, em razão da não apresentação dos extratos bancários e das folhas de pagamento que originaram os pagamentos realizados por meio de operações bancárias, foram solicitados às instituições bancárias (onde o contribuinte mantinha movimentação), através de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira, os extratos do período. Os pagamentos realizados por meio da conta bancária da empresa fiscalizada (sob o título FOLHA DE PAGAMENTO) foram considerados remuneração, devida a segurados do RGPS, não incluída em folha de pagamento nem declarada em GFIP, e, portanto, base de cálculo das contribuições lançadas, com suporte na Lei 8.212/1991, artigo 33, §§ 1º, 2º e 3º. Foram consideradas competências dos fatos geradores os meses imediatamente anteriores aos em que as movimentações bancárias ocorreram, sendo que as remunerações foram creditadas aos trabalhadores, de acordo com os extratos bancários, quase sempre no início de cada mês. Os valores pagos próximos ao dia 20 de dezembro foram considerados 13º salário. Considerando a fiscalização que o contribuinte, tendo agido de forma deliberada e intencional não registrando nos livros contábeis e não informando em folha de pagamento parte considerável das remunerações pagas a pessoas físicas, visou dificultar o conhecimento da fiscalização da ocorrência de fato gerador de contribuição previdenciária. Assim, a multa de ofício foi majorada em 100%, com base na Lei 9.430/1996, artigo 44, § 1º. Conforme item 26 do relatório fiscal, considerando que o contribuinte agiu de máfé, não registrando contabilmente, não incluindo em folha de pagamento, não declarando em GFIP fato gerador de contribuição previdenciária e com isso subtraindo valor de contribuição a pagar, em vários meses, foi considerada como data de início do período decadencial 1/1/2010, com base no CTN, artigos 150, § 4º, e 173, inciso I. Foi emitida Representação Fiscal para Fins Penais (item 27 do relatório fiscal) pela ocorrência, em tese, do ilícito penal previsto no Decreto 2.848/1940, artigo 337A, acrescentado pela Lei 9.983/2000, em face da não declaração de contribuições previdenciárias em GFIP, com a respectiva falta de recolhimento, bem como a omissão de segurados e remunerações em contabilidade e folha de pagamento. De igual forma, foi emitida Representação Fiscal para o Ministério Público Federal pela prática, em tese, do crime previsto na Lei 8.137/1990, artigo 1º, em razão da omissão das contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos. Informa a fiscalização que as contribuições incidentes sobre as remunerações apuradas através da escrita contábil e das folhas de pagamento foram constituídas nos autos de infração 51.064.3230, 51.064.3248 e 51.064.3256 (PAF 10670.721146/201467). Fl. 613DF CARF MF Processo nº 10670.721147/201410 Acórdão n.º 2402005.596 S2C4T2 Fl. 4 5 O contribuinte teve ciência das autuações em 14/8/2014, fl. 537, e apresentou impugnação, fls. 543 a 555, em 9/9/2014 (extrato correio – fl. 570), onde alega: INCONSTITUCIONALIDADE DA QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO Entende que a forma de apuração das supostas irregularidades a ele atribuídas, através de extratos bancários, ofende o direito individual do cidadão e invade a sua intimidade. Alega que o artigo 6º da Lei Complementar 105/2001 fere o texto constitucional ao permitir que a quebra do sigilo bancário seja feita pelo fisco, sem ordem judicial. Diz que mesmo para a quebra do sigilo das comunicações telefônicas há necessidade de ordem judicial. Aduz que tradicionalmente, através das normas tributárias, da jurisprudência e da doutrina, sempre foi rejeitada a ideia de se cobrar tributos com base exclusivamente em dados bancários. ACESSO AOS EXTRATOS ANTES DA INSTAURAÇÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO Alega que o feito fiscal está viciado, uma vez que a autoridade fiscal, antes de instaurado o processo fiscal, teve acesso aos extratos bancários emitidos em outro procedimento fiscal – o do IRPJ. Argumenta que o artigo 6º da Lei Complementar determina que os agentes fiscais somente podem examinar documentos bancários quando houver procedimento fiscal instaurado ou em curso e no presente caso ocorreu o contrário. Argui que a lei não permite que documentos bancários que embasaram a autuação do imposto de renda sejam usados em outra autuação como uma espécie de prova emprestada, de ordem sigilosa e repassada a agente fiscal não autorizado. Argui ainda que a Constituição Federal (art. 5º, inc. LVI) determina que são inadmissíveis em processo provas obtidas por meios ilícitos. Diz que o auto de infração não merece prosperar, devendo ser declarada sua nulidade. DECADÊNCIA Alega que o período de janeiro a julho de 2009 encontrase decaído, uma vez que a ciência da intimação aconteceu em 15/8/2014. Cita o § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional e Súmula CARF 99. FALTA DE PROVA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Aduz que não restou provado nos autos a ocorrência do fato gerador, pois a fiscalização simplesmente ao deparar com a Fl. 614DF CARF MF 6 rubrica “folha de pagamento” no extrato da conta bancária, deu a ela interpretação de hipótese de incidência de contribuição previdenciária patronal. Acrescenta que para acontecer o fato gerador é necessário que o fato típico se enquadre em todos os elementos contidos na norma e que nos autos não há prova da realização deste fato gerador. Cita os artigo 22 da Lei 8.212/1991 e 142 do CTN. Assevera que não se pode afirmar que um lançamento a débito da conta corrente só por conter a expressão “folha de pagamento” possa ser considerado remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, pois: (1) não existe prova do pagamento ou crédito desse valor; (2) não consta a quem foi destinado o suposto pagamento e se quem os recebeu é empregado ou trabalhador avulso; e (3) não foi provada se a natureza do pagamento está vinculada a retribuir o trabalho. Alega que a regra tributária somente incide se o pagamento for destinado a retribuir o trabalho, não podendo incidir sobre verbas indenizatórias, participação nos lucros, dentre outras, o que não foi provado nos autos. Sustenta, fazendo referência a Lei 9.430/1996, art. 42, que, ao contrário da presunção legal de incidência de imposto de renda sobre depósitos em conta corrente, quando não comprovada a origem dos recurso, inexiste legislação que autorize a presunção de incidência de contribuição previdenciária com base em extratos bancários e, assim, por inexistir tal presunção legal, a autuação fiscal deve ser considerada nula. MULTA AGRAVADA Defendese que a jurisprudência administrativa é firme no sentido de não ser admitida a aplicação de multa qualificada quando se tratar de simples omissão de valores que compõem a base de cálculo do tributo. Cita súmulas do Carf a respeito de omissão de receita não registrada nos livros contábeis para fins do imposto de renda e diz que no caso da contribuição previdenciária, analogicamente, a situação é a mesma, enquadrandose no pensamento jurisprudencial, por se tratar de omissão de informação, via presunção não prevista em lei. Requer a improcedência dos autos de infração, declarando a nulidade dos mesmos. Em sessão realizada em 26 de fevereiro de 2015, a DRJ julgou a impugnação improcedente, conforme decisão assim ementada: SIGILO BANCÁRIO. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES A INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. É lícita a análise de informações relativas a contribuinte, inclusive as referentes a contas de depósitos, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem indispensáveis à realização do procedimento fiscal. A requisição de informações junto a instituições financeiras, feita em sede de procedimento fiscal, após reiterada e injustificada negativa de apresentação de documentos, livros e Fl. 615DF CARF MF Processo nº 10670.721147/201410 Acórdão n.º 2402005.596 S2C4T2 Fl. 5 7 declarações tributárias e dentro dos parâmetros legais e regulamentares vigentes, não caracteriza violação de sigilo bancário, prescindindo de autorização judicial. DECADÊNCIA. O direito da fazenda pública constituir o crédito tributário da contribuição previdenciária extinguese com o decurso do prazo decadencial previsto no CTN. MULTA AGRAVADA. A ocorrência de fraude impõe o agravamento da multa. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. É vedado ao Fisco afastar a aplicação de lei, decreto ou ato normativo por inconstitucionalidade ou ilegalidade. O sujeito passivo foi intimado da decisão em 11/03/2015 (fl. 587) e interpôs recurso voluntário em 01/04/2015 (fl. 588 e seguintes, no qual, em conformidade com sua impugnação, suscitou as seguintes teses de defesa: 1. da inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário; 2. do acesso aos extratos antes da instauração do processo administrativo; 3. da decadência; 4. da falta de prova da ocorrência do fato gerador; 5. da multa agravada. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 616DF CARF MF 8 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário A primeira tese recursal é a alegada inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário, inclusive do art. 6º da LC 105/2001. O § 2º do art. 62 do RICARF determina que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Até pelo uso do verbo (deverão), vêse que se trata de norma cogente, de aplicação obrigatória por parte deste Conselho. Essa matéria, reiteradamente debatida no Judiciário e neste Conselho, foi solucionada definitivamente pelo STF por ocasião do julgamento do RE 601.314, com repercussão geral, Rel. Min. Edson Fachin, tema 225, redigido nos seguintes termos: Tema 225 a) Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Como se vê, o citado tema trata exatamente da matéria suscitada pela recorrente. Naquele recurso extraordinário, a Suprema Corte decidiu que "o art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal". Segue a ementa do julgado: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o Fl. 617DF CARF MF Processo nº 10670.721147/201410 Acórdão n.º 2402005.596 S2C4T2 Fl. 6 9 dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento.(RE 601314, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 24/02/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe198 DIVULG 15 092016 PUBLIC 16092016) Eis, ainda, o conteúdo da decisão prolatada: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 225 da repercussão geral, conheceu do recurso e a este negou provimento, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Por maioria, o Tribunal fixou, quanto ao item “a” do tema em questão, a seguinte tese: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo Fl. 618DF CARF MF 10 da esfera bancária para a fiscal”; e, quanto ao item “b”, a tese: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Ausente, justificadamente, a Ministra Cármen Lúcia. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 24.02.2016. A análise do tema, da ementa e do acórdão do recurso extraordinário demonstram que o caso julgado sob o regime da repercussão geral é idêntico ao dos autos. Em sendo assim, deve ser aplicado o art. 62, §2o, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, segundo o qual as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC, devem ser reproduzidas pelas suas Turmas. Noutro giro verbal, negase provimento ao recurso voluntário nesse particular. 3 Do acesso aos extratos bancários antes da instauração do processo administrativo A recorrente argumenta que o feito fiscal está maculado, vez que a autoridade administrativa teve acesso aos extratos antes de instaurar o processo fiscal. Afirma, ainda, que a autorização anterior era para fiscalizar IRPJ, e não a contribuição previdenciária. Nesse ponto, entendese que a DRJ analisou a matéria com grande percuciência, integrandose ao presente voto as seguintes razões de decidir (fls. 579 e seguintes): As provas contestadas pelo contribuinte dizem respeito aos extratos bancários relativos aos anos de 2009, 2010 e 2011. Os extratos relativos a 2009 e 2010 foram extraídos do processo de fiscalização IRPJ, concluído em 2013. Os extratos de 2011 foram obtidos junto às instituições financeiras onde o contribuinte mantinha movimentação. De acordo com o Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF (fls.34/35), o período de apuração objeto da ação fiscal compreendia 01/2011 a 12/2011. Nesse termo o contribuinte foi intimado para, no prazo máximo de 20 dias, apresentar diversos documentos, dentre eles os extratos bancários mensais de todas as contas correntes, aplicações financeiras, cadernetas de poupança, ou quaisquer contas mantidas por ele junto a instituições financeiras, referentes ao período fiscalizado. Através do Termo de Intimação Fiscal – TIF 01, fls. 38/40, o contribuinte foi cientificado da inclusão no procedimento de fiscalização do período de 01/2009 a 12/2010 e intimado a apresentar os mesmos documentos constantes do TIPF para esse período, inclusive os extratos bancários. Foi intimado também a apresentar as informações em meio digital das folhas de pagamento relativas a 2011, uma vez que as anteriormente apresentadas não atendiam o disposto no Manual de Arquivos Digitais. No TIF 03, fls. 45/46, o sujeito passivo foi intimado a esclarecer a razão da diferença verificada entre as remunerações de Fl. 619DF CARF MF Processo nº 10670.721147/201410 Acórdão n.º 2402005.596 S2C4T2 Fl. 7 11 pessoas físicas constantes das folhas de pagamento apresentadas à fiscalização e as constantes das movimentações bancárias, estas em valor superior. Foi também intimado a apresentar as folhas de pagamento relativas aos valores creditados aos trabalhadores através da conta 1944/B. Brasil, quando, então, respondeu (fl. 55) que as folhas de pagamento que possui já haviam sido entregues ao auditor fiscal. Em resposta às solicitações do TIPF, a empresa informou em 17/2/2014 (fl. 51, item 6), relativamente aos extratos bancários, que não os apresentaria por serem documentos de ordem pessoal e privativa dos cidadãos e que sua decisão está amparada na Constituição Federal. Ante tal negativa, referida documentação (extratos bancários), conforme item 15 do relatório fiscal, foi solicitada dos bancos onde o contribuinte manteve movimentação financeira em 2011, através de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira. Citada solicitação não incluiu os documentos de 2009 e 2010, uma vez que esses já haviam sido apresentados a Receita Federal em procedimento fiscal, concluído em 2013, relativo a IRPJ. Deve, de início, salientar que os extratos bancários são documentos que embasam a contabilidade e são usados na conciliação da conta Bancos – Movimento ou similares nos livros Razão e Diário. Outrossim, a fiscalização pode solicitar ao contribuinte a apresentação de documentos, dentre eles, os livros contábeis e demais documentos que dão suporte aos lançamentos contábeis. Nesse sentido, a Lei 8.212/1991, dispõe sobre a obrigatoriedade de apresentação de documentos pela empresa, sob pena de aplicação de penalidades, como abaixo transcrito: [...] Portanto, o contribuinte tem o dever de apresentar documentos à fiscalização e, não o fazendo, o auditor fiscal pode dispor da aferição indireta das bases de cálculo ou do faturamento da empresa. Ainda que o contribuinte apresente, havendo necessidade de complementação, é cabível a solicitação de novos documentos ou reiteração de intimações anteriores no decorrer do procedimento fiscal, sendo emitidos outros termos específicos para tal fim e tantos outros quantos forem necessários, como se verificou no caso dos autos. Assim, não pode ser acolhida a alegação de que a autoridade lançadora teve acesso a dados protegidos pelo sigilo fiscal de maneira ilícita, uma vez que procedeu a intimação para apresentálos para só depois lançar mão das outras alternativas de que dispunha. Como se vê, diante da negativa da empresa em apresentar os extratos bancários solicitados no Termo de Intimação Fiscal, negativa esta constante da petição de fl. Fl. 620DF CARF MF 12 51, item 6, a autoridade administrativa, amparada no art. 6º da LC 105/2001, procedeu ao exame da movimentação bancária da recorrente. Esse exame foi realizado no transcorrer deste procedimento fiscal, não tendo havido qualquer ilegalidade. O fato, aliás, de terem sido extraídos documentos do processo administrativo alusivo ao IRPJ também não macula este procedimento. Explicase: como não foram apresentados os extratos dos anos 2009, 2010 e 2011, e como os extratos dos anos de 2009 e 2010 já constavam do processo de apuração do imposto de renda, é evidente que a autoridade administrativa poderia ter se utilizado, como de fato se utilizou, da documentação já obtida, sendo desnecessária, senão contraproducente, buscarse tal documentação junto às instituições financeiras. Como se observa no art. 6º abaixo transcrito, não deve ser dado provimento ao recurso neste ponto: Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.(Regulamento) Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. 4 Da decadência A recorrente assevera que o período de janeiro a julho de 2009 está decaído, visto que a ciência da autuação ocorreu em 15 de agosto de 2014. O critério de determinação da regra decadencial (art. 150, § 4º ou art. 173, inc. I) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização; e a inexistência de dolo, fraude ou simulação. Se o sujeito passivo antecipa o montante do tributo, mas em valor inferior ao efetivamente devido, o prazo para a autoridade administrativa manifestar se concorda ou não com o recolhimento tem início; em não havendo concordância, deve haver lançamento de ofício no prazo determinado pelo art. 150, § 4º, salvo a existência de dolo, fraude ou simulação, casos em que se aplica o art. 173, inc. I. No caso concreto, a autoridade administrativa aplicou a multa de ofício qualificada, argumentado que a recorrente, ao deixar de registrar em contabilidade e em folhas de pagamento as remunerações pagas a segurados da Previdência Social, teria agido dolosamente e praticado sonegação. Nesse tocante, a recorrente sequer tentou demonstrar que não agiu dolosamente. A contrario sensu, tentou desconstituir o lançamento e a própria qualificação da multa mediante argumentos tangenciais, sem se insurgir, especificamente, quanto à alegação de dolo e sonegação. Fl. 621DF CARF MF Processo nº 10670.721147/201410 Acórdão n.º 2402005.596 S2C4T2 Fl. 8 13 Em sendo assim, é aplicável o prazo decadencial do art. 173, inc. I, do Código. Destarte, o direito de constituição do crédito em referência somente se iniciou a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, a partir de 2010 para o período de apuração do ano de 2009. Como o prazo decadencial mais antigo somente se iniciou em 2010 e como a recorrente foi autuada em 15 de agosto de 2014, não transcorreu o prazo decadencial, negando se provimento ao recurso. 5 Da falta de prova da ocorrência do fato gerador A recorrente suscita violação ao art. 142 do CTN, pois, no seu entender, (a) não se pode afirmar que um lançamento a débito na conta corrente por conter a expressão folha de pagamento seja remuneração; (b) não consta dos autos a quem foi destinado o suposto pagamento; (c) não está provado que o pagamento foi destinado a retribuir trabalho. Equivocouse a recorrente. Isso porque, regularmente intimada, a recorrente poderia ter demonstrado ter havido equívoco nos pagamentos cujos históricos receberam o nome de "FOLHA DE PAGAMENTO". Não o tendo feito, é evidente, pelos próprios históricos, tratarse de remuneração paga, sendo irrelevante, para efeito de lançamento das contribuições patronais devidas à seguridade social e a outra entidades ou fundos, a identificação dos beneficiários dos valores, mormente porque, no tocante a esse último aspecto, a recorrente poderia se beneficiar de sua omissão. O § 3º do art. 33 da Lei 8212/1991 é claro ao prever que, havendo recusa ou sonegação de documento ou informação, a autoridade pode lançar de ofício a importância devida. Vejase: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Acrescentese, ainda, as seguintes razões de decidir de fls. 583/584: Improcede a alegação do impugnante de que a fiscalização simplesmente por deparar com a rubrica “folha de pagamento” nos extratos de sua conta bancária deduziu tratarse de salário, passando a exigir contribuição previdenciária, não se preocupando em provar a ocorrência de fato gerador, se o Fl. 622DF CARF MF 14 pagamento foi destinado a retribuir o trabalho ou ainda, se trata de verba indenizatória, situação em que não há incidência tributária. A fiscalização, diante da constatação (não infirmada pelo impugnante) de que haviam sido efetuados pagamentos, com origem nas contas bancárias do contribuinte, cujo histórico se referia à folha de pagamento, em datas nas quais normalmente se remuneram os segurados da empresa, inclusive em data próxima a pagamento de 13º salário (verba devida apenas a segurado empregado), concluiu corretamente pela ocorrência dos fatos geradores das contribuições lançadas. Como já visto, ao contribuinte foi dada, tanto no ato da fiscalização como na defesa, a oportunidade de provar que os pagamentos denominados “folha de pagamento” nos extratos bancários não se referem a fato gerador. Os documentos probatórios dos lançamentos foram solicitados no Termo de Início do Procedimento Fiscal e no Termo de Intimação Fiscal 01, bem como foram solicitados ao contribuinte, através do Termo de Intimação Fiscal 03, esclarecimentos a respeito da diferença encontrada entre o somatório dos pagamentos realizados por meio da conta 19445 – Banco do Brasil com os históricos “folha de pagamento” e os registrados a esse título nos livros Diário e Razão. A empresa não apresentou toda documentação nem os esclarecimentos solicitados. Diante desses fatos, não apresentando o sujeito passivo informações e documentos que possibilitariam a apuração da base imponível do tributo, procedeu corretamente a fiscalização ao arbitrar as bases de cálculo, o que foi feito com amparo na legislação previdenciária (Lei 8.212/1991, artigo 33, § 3º). Nessa situação, invertese o ônus da prova, cabendo ao contribuinte provar que os valores extraídos de seus extratos como referindose a “folha de pagamento” não são fato gerador de contribuição relacionada a segurado empregado. Não se desincumbindo o contribuinte da missão de especificar pontualmente os valores que estão incorretos no lançamento, deslocase a decisão para o sentido de que o lançamento arbitrado não pode ser condicional. O contrário seria concordar com a atitude de que, contrariando a legislação tributária, omitese do fisco a escrituração, quando obrigado a apresentá la, objetivando ulterior anulação do lançamento que se submeteu à sistemática do arbitramento. Registrese, ainda, que em sede de defesa o contribuinte tenta apenas desconstituir a aferição indireta, sem, no entanto apresentar os documentos que deram suporte a saída de valores com o título “folha de pagamento”, já que esses não condizem com as folhas de pagamento apresentadas nem com os declarados em GFIP, como apurado pela autoridade lançadora. E, ainda, o autuado não comprovou (no procedimento de fiscalização nem na impugnação), que os pagamentos considerados “remuneração” poderiam ser, na verdade, por exemplo, referentes a outras despesas que não aquela descrita nos extratos “folha de pagamento”, não havendo, portanto, Fl. 623DF CARF MF Processo nº 10670.721147/201410 Acórdão n.º 2402005.596 S2C4T2 Fl. 9 15 como afastar o procedimento de aferição indireta adotado para a lavratura dos autos de infração, que observou as disposições, frisese, da Lei 8.212/1991, artigo 33, § 3º, já transcrito nesta decisão. Não merece prosperar também a alegação de inexistência de liquidez e certeza do procedimento adotado, pois foram dadas todas as oportunidades ao autuado de demonstrar através de justificativa e documentos (folha de pagamento, contabilidade, etc), que os fatos geradores considerados como remuneração não são passiveis de incidência das contribuições previdenciárias lançadas. Logo, a exigência fiscal consubstanciada nos autos de infração 51.064.3266 e 51.064.3272, encontra amparo na Lei 8.212/1991, artigos 22, incisos I e II, e 28, inciso I, e incide sobre as remunerações pagas ou creditadas a qualquer título aos segurados que prestam serviço ao sujeito passivo. Destarte, também se nega provimento ao recurso neste ponto. 6 Da multa "agravada" Por fim, a recorrente se insurgiu contra a qualificação da multa, que, por equívoco, denominou de multa agravada. Conforme se verifica à fl. 30 do RELATÓRIO FISCAL, a autoridade lançadora argumentou que a conduta da empresa, ao deixar de registrar em contabilidade e em folhas de pagamento, remunerações pagas a segurados da Previdência Social, configura o disposto no art. 71 da Lei 4.502/1964, de modo que aplicou a multa qualificada de que trata o art. 44, inc. I e § 1º, da Lei 9.430/1996, combinado com o art. 35A da Lei 8.212/1991. Veja se: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 624DF CARF MF 16 Como se vê, a multa foi qualificada, e não agravada, pois o agravamento está previsto no § 2º do art. 44 supra mencionado e implica aumentar os percentuais de multa em metade. Vejase: § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1odeste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) No caso, a autoridade lançou a multa de 150%. A omissão da recorrente, consistente em deixar de registrar em contabilidade e sobretudo em folhas de pagamento os totais das remunerações, tem como resultado retardar e dificultar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador, o que se amolda à previsão do art. 71, inc. I, da Lei 4.502/1964. Isto é, a qualificação da multa não decorre apenas do lançamento de ofício, mas do modo de proceder da recorrente, que demonstrou a intenção de sonegar informações ao Fisco, com o intuito de dificultar a constatação da ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas. Logo, negase provimento ao recurso a esse respeito. 7 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos da fundamentação. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 625DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.911457/2008-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO.
É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte quando ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à diligência.
Recurso provido.
Numero da decisão: 3402-003.845
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
assinado digitalmente
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. assinado digitalmente Antônio Carlos Atulim - Presidente. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO. É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte quando ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à diligência. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. assinado digitalmente Antônio Carlos Atulim Presidente. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 14 57 /2 00 8- 36 Fl. 329DF CARF MF Processo nº 15374.911457/200836 Acórdão n.º 3402003.845 S3C4T2 Fl. 330 2 Relatório A empresa em epígrafe enviou PER/DCOMP, em 15/06/2004, com base em crédito oriundo de suposto "pagamento indevido ou a maior" de PIS, com valor original de R$ 4.290,09 (fl. 08), compensando tal quantia com a mesma contribuição referente ao período de apuração 05/2004. Em 12/08/2008 (fl. 10) foi exarado o despacho decisório eletrônico que não homologou a compensação sob o fundamento de que só foram encontrados pagamentos, "mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". O contribuinte manifestou sua inconformidade contra esse despacho (fls. 12/14), alegando, em suma, que o crédito pleiteado teve sua origem no levantamento de gastos de prestação de serviços de manutenção apurados no período de fevereiro de 2003 a março de 2004 com base na legislação do PIS nãocumulativo sobre os valores despendidos pela empresa para o pagamento daqueles serviços, citando legislação a esse respeito. Acresce que calculou os valores com base nessa legislação, conforme planilha que anexa (fl. 31). A DRJ/RJ2 (fls. 204/209) julgou improcedente a manifestação de inconformidade em 17/06/2010. Contra essa decisão a empresa manejou recurso voluntário (fls. 219/223), no qual esclarece que na DCTF original referente ao 3T/2003, por equívoco, foi informado um débito de PIS (6192), relativamente a julho/2003, de R$ 102.464,68 e não de R$ 98.174,58, o que impediria a RFB de identificar o crédito de R$ 4.290,09. Porém, aduz que retificou a mesma com o valor correto a pagar, qual seja R$ 98.174,58, e, assim, "liberando o crédito" postulado. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 3ª Seção, em 24/05/2012, por meio da Resolução 340200.406 (fls. 245/248), converteu o julgamento em diligência nos seguintes termos: ... para deslinde do litígio instaurado com a manifestação de inconformidade tempestivamente apresentada, remeter este processo à unidade de origem para que a contribuinte seja intimada a apresentar os livros contábeis e documentos fiscais para apuração da base de cálculo da contribuição para o PIS do período em que houve o alegado crédito. Por fim, solicitase que, na unidade de origem, seja elaborado relatório conclusivo sobre a existência do crédito alegado, considerando, inclusive, a fundamentação legal do pedido quanto ao direito ao crédito decorrente de gastos com serviços de manutenção, e, desse relatório dêse ciência à contribuinte para que possa se manifestar no prazo regulamentar. De fls. 311/321, Relatório de Diligência Fiscal, a DRF/RJ1conclui, após ótima fundamentação com base em documentos que a empresa apresentou uma vez intimada, o seguinte: Em análise ao presente PER/Dcomp (nº 30543.39348.150604.1.3.041466), o crédito apontado, com os valores devidamente corrigidos pela Selic, é suficiente para fazer Fl. 330DF CARF MF Processo nº 15374.911457/200836 Acórdão n.º 3402003.845 S3C4T2 Fl. 331 3 frente aos débitos a serem extinguidos, conforme demonstrativo analítico da compensação à fls.291/292. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator. Emerge do relatado que a própria RFB entende que o contribuinte tem direito ao crédito utilizado na compensação declarada. Assim, diante do resultado da diligência fiscal, é de ser reconhecido o crédito utilizado na compensação declarada, cujo montante é suficiente para sua homologação. Diante do exposto, dou provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 331DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.674791/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS.
Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência.
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP
No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.385
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2006 DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado.
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DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 47 91 /2 00 9- 41 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10880.674791/200941 Acórdão n.º 3301003.385 S3C3T1 Fl. 3 2 d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela SRF, com créditos de PIS (código de receita 8109), decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio do Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada foi homologada parcialmente, sob o fundamento de que constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido. Entretanto, o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, tempestivamente, alegando, em síntese, que: a) O valor original utilizado para a compensação, foi recolhido no mesmo prazo de vencimento dos créditos tributários compensados; b) Assim, não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados no PER/DCOMP, e não imputou multa e juros sobre os créditos tributários compensados, pois são do mesmo período de apuração; c) Faz planilha para comparação dos períodos de apuração e datas de vencimento. d) Tratase de evidente cobrança equivocada, e apresenta como provas as cópia dos documentos relativos aos lançamentos contestados e a procuração de nomeação do representante legal que assina a manifestação de inconformidade; e) Demonstrada a insubsistência e improcedência do processo, requer seja cancelado o processo reclamado. A DRJ/SP1 indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 16038.210. O fundamento adotado foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos são acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. A recorrente repetiu os argumentos da impugnação no recurso voluntário. É o relatório. Voto Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10880.674791/200941 Acórdão n.º 3301003.385 S3C3T1 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.231, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.667966/200963, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.231): "O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Constatase que a controvérsia do processo permanece a mesma desde a 1ª instância, com a contribuinte alegando que o DARF utilizado como pagamento a maior para a compensação foi pago dentro do prazo de vencimento do tributo e por isso, não se conformando com a cobrança de acréscimos legais no momento da efetiva compensação. Entretanto, como veremos adiante, o valor do crédito foi insuficiente para quitar o débito, em função dos acréscimos legais ao débito compensado, atualizados até a data da apresentação do PER/DCOMP, em virtude do atraso entre seu vencimento e a formalização da compensação. A DCOMP em tela, foi formalizada pela interessada para compensar débito de COFINS – não cumulativa (código de receita 5856), vencido em 15/06/2004, com créditos de COFINS (código de receita 2172), cuja data de arrecadação foi 15/06/2004. De acordo com o Despacho Decisório emitido pela DERAT/SP, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP. No entanto, o mesmo foi insuficiente para quitar os débitos informados em consequência da data de apresentação da DCOMP, e por este motivo a compensação foi homologada parcialmente. A recorrente alega que o valor original utilizado para a compensação foi recolhido no mesmo prazo de vencimento dos créditos tributários compensados, e sendo assim, não poderia haver multa e juros sobre os referidos créditos, pois são do mesmo período de apuração. Como bem dito no acórdão recorrido, a contribuinte equivocouse em relação à forma de valoração do crédito e do débito que informou em sua declaração de compensação, ao não efetuar os cálculos relativos aos acréscimos legais, o que gerou um saldo devedor, e consequentemente, a homologação parcial da compensação. Constatase que a data do envio do PER/DCOMP é quando se formaliza a extinção do débito por compensação, de acordo com o que dispõe a Lei nº 9.430/1996, abaixo transcrita: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10880.674791/200941 Acórdão n.º 3301003.385 S3C3T1 Fl. 5 4 administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Portanto, a extinção do débito por compensação ocorre na data de envio do PER/DCOMP. No caso concreto, a interessada enviou a PER/DCOMP em 21/01/2007 para compensar débito cujo vencimento se deu em 15/06/2004, portanto, é fato que o débito já estava vencido quando foi extinto pela compensação. Assim, partir da data do vencimento passaram a incidir sobre o débito os acréscimos legais, quais sejam, multa de mora e juros, nos termos do artigo 61 da Lei 9.430/1996, abaixo transcrito: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º. O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. No recurso voluntário, a recorrente repete o argumento de que o pagamento utilizado para a compensação foi realizado no mesmo prazo de vencimento do débito compensado, mas tal fato não a socorre, pois a utilização do crédito tributário ocorre apenas com a apresentação do PER/DCOMP, que ocorreu após o vencimento do débito compensado. Assim, cumpre transcrever o artigo 28 da IN SRF nº 600/2005, em vigor à época da transmissão do PER/DCOMP: Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10880.674791/200941 Acórdão n.º 3301003.385 S3C3T1 Fl. 6 5 Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 52 e 53 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. (...) Logo, os débitos vencidos, vinculados a PER/DCOMP, serão acrescidos de multa de mora, calculada a partir do primeiro dia subsequente à data de vencimento até a data da entrega do PER/DCOMP, quando se formaliza a compensação; bem como sofrerão a incidência de juros referentes à taxa SELIC, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em relação aos créditos utilizados na compensação, as regras para valoração vigentes à época da transmissão do PER/DCOMP estão contidas no artigo 52 da IN SRF nº 600/2005, também transcrita: Art. 52. O crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição, será restituído ou compensado com o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: (...) II – houver a entrega da Declaração de Compensação; (...) § 1º No cálculo dos juros Selic de que trata o caput, observarseá, como termo inicial de incidência: (...) III – na hipótese de pagamento indevido ou a maior: a) o mês de janeiro de 1996, se o pagamento tiver sido efetuado antes de 1º de janeiro de 1996; b) a data da efetivação do pagamento, se este tiver sido efetuado entre 1º de janeiro de 1996 e 31 de dezembro de 1997; ou c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; Por isso, foi apurado o saldo devedor indicado no Despacho Decisório e a compensação foi parcialmente homologada. Portanto, não se está desprezando o princípio da verdade material e nem está havendo enriquecimento sem causa do Fisco, como alega a recorrente. Simplesmente, está sendo cobrado o atraso entre a Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10880.674791/200941 Acórdão n.º 3301003.385 S3C3T1 Fl. 7 6 data do vencimento do tributo e o seu necessário pagamento, que, no caso em tela, deuse no momento da apresentação da DCOMP. Assim, tendo em vista tudo o acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a DCOMP foi transmitida em data posterior à do vencimento do(s) débito(s) compensado(s). Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 97DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.000779/2007-77
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário: 2006
PEREMPÇÃO.
Não se conhece do recurso interposto além do prazo fixado no artigo 33 do Decreto 70.235, de 1972, por perempto, mormente quando a recorrente não ataca a intempestividade.
Numero da decisão: 1803-000.838
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário: 2006 PEREMPÇÃO. Não se conhece do recurso interposto além do prazo fixado no artigo 33 do Decreto 70.235, de 1972, por perempto, mormente quando a recorrente não ataca a intempestividade.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1404; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 2.905 1 2.904 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.000779/200777 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180300.838 – 3ª Turma Especial Sessão de 23 de fevereiro de 2011 Matéria SIMPLES Recorrente COLÉGIO ASSUNÇÃO DE OLIVEIRA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 PEREMPÇÃO. Não se conhece do recurso interposto além do prazo fixado no artigo 33 do Decreto 70.235, de 1972, por perempto, mormente quando a recorrente não ataca a intempestividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Marcelo Fonseca Vicentini, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Benedicto Celso Benício Júnior, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 15374.000779/200777 Acórdão n.º 180300.838 S1TE03 Fl. 2.906 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase (fls. 175 – volume I): “Tratase de exclusão do Simples conforme Ato Declaratório Executivo DERAT/RJO n° 450.428/2003, tendo em vista o exercício pela interessada de atividade econômica vedada pela Lei n° 9.317/1996 (educação média de formação técnica e profissional— código 80225/00). A interessada como se observa às fls. 88 havia ingressado com SRS em 25/09/2003 (dentro do prazo, já que foi intimada da exclusão em 26/08/2003). Portanto, em face de ter extraviado o respectivo documento a Administração Tributária aceitou a SRS apresentada fora do prazo regular, ou seja, em 31/07/2007 (fls. 10), conforme se verifica às fls.84. Sobre a exclusão, a mesma afirmou que nunca exerceu a atividade objeto da exclusão, tendo em vista possuir apenas autorização para funcionar como Educação Infantil e Ensino Fundamental até a 4' série (fls. 12/20), sendo que o contrato social onde constava a atividade objeto da exclusão já estava em vias de ter sua alteração concretizada. Contudo o resultado da SRS confirmou o constante no Ato Declaratório de fls. 02, onde a Administração Tributária julgou improcedente o pedido também em razão da mesma atividade econômica descrita no contrato social vigente à época, então vedada ao regime simplificado (fls. 89). Devidamente cientificada (fls. 93 verso), em 07/12/2007, apresentou a interessada manifestação de inconformidade em 07/01/2008 (fls. 34/38), alegando, em síntese que: a) Sua atividade sempre foi a de creche, préescola e ensino fundamental, conforme o disposto pela Lei de Diretrizes e Bases; b) Seu Regimento Interno é suficientemente claro ao restringir o seu objeto ao ensino de Educação Infantil, Classe de Alfabetização, Ensino Fundamental e Horário Integral; c) Após inúmeras vistorias no estabelecimento realizadas pela Secretaria Municipal de Educação, entre os anos de 2001 a 2007, atestouse que o mesmo exerce tãosomente as atividades de creche, préescola e ensino fundamental;” A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação, com base nos seguintes fundamentos (fls. 176/177): a) Na verdade, o motivo excludente encontravase descrito no contrato social vigente à época (fls. 21/23), cuja alteração para que nele constasse apenas as atividades permitidas ao Simples só ocorrera em 27/07/2007 (fls. 29/32). Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 15374.000779/200777 Acórdão n.º 180300.838 S1TE03 Fl. 2.907 3 b) Os documentos trazidos à colação, para a comprovação de que a interessada apenas exercia atividades permitidas ao regime simplificado, deixam a desejar. c) Adendo ao Regimento Escolar (fls. 12/17) — Foi apresentado apenas as regras básicas escolares, não provando efetivamente que a escola prestava também outros tipos de atividades. d) Autorização de Funcionamento (fls. 18/20) — Da mesma forma, autoriza o funcionamento da escola. Entretanto, como no seu contrato social da época, espelho para a sociedade das atividades que desempenha, existiam outras atividades econômicas vedadas, entendo também que tal documento não teria o condão de servir como prova efetiva de que a interessada apenas exercia os objetivos sociais permitidos. e) Termos de Visita (fls. 24/28) — Em que pese a verificação das condições do estabelecimento para o exercício das funções escolares, tais fatos não provam que a interessada apenas exercia tais atividades, pois tais documentos, segundo entendo não possuem força suficiente para afastar as previsões constantes no contrato social, cuja alteração só foi feita 110 posteriormente à exclusão (fls. 105/108). f) Para afastar a premissa excludente, seria necessária, por exemplo, a apresentação de notas fiscais seqüenciais dos anos atingidos pelo Ato Declaratório, com a descrição das mensalidades escolares, ou também, por outro lado, dos Livros Contábeis acompanhados de documentação hábil e idônea de que a interessada efetivamente exercia as atividades permitidas à permanência no Simples. Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, tece as seguintes considerações: a) A Lei 10.034, de 24/10/2000, excluiu da vedação prevista no artigo 9°, XIII, da Lei 9.317, de 5/12/1996 (Simples Federal), as pessoas jurídicas que se dediquem às atividades de creche, préescola e ensino fundamental. b) O Regimento Interno do Recorrente é suficientemente claro ao restringir o seu objeto ao ensino de Educação Infantil, Classe de Alfabetização, Ensino Fundamental e Horário Integral (vide artigos 1°, 3°, 5° e 28 do Regimento — doc. 03 anexo à impugnação). c) Tal documento, que disciplina a vida e a existência do Recorrente, foi devidamente aprovado pelas autoridades competentes e, por si só, é suficiente para comprovar o seu enquadramento no SIMPLES. d) A fiscalização pública competente, após inúmeras vistorias no estabelecimento do Recorrente, realizadas entre os anos de 2001 a 2007, atesta que o mesmo exerce tão somente as atividades de creche, préescola e ensino fundamental. e) A fiscalização desconsiderou o contexto real e concreto das atividades efetivamente exercidas pelo Recorrente e utilizou apenas o disposto no Contrato Social do Recorrente como razão para decidir. f) A Recorrente requer a juntada de (i) todas as notas fiscais emitidas no período de 2002 a 2008; e (ii) os respectivos contratos firmados com os alunos, por meio dos seus Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 15374.000779/200777 Acórdão n.º 180300.838 S1TE03 Fl. 2.908 4 representantes, que comprovam que os mesmos somente cursavam a educação infantil e o ensino fundamental. g) Para facilitar a análise dos documentos ora anexados, o Recorrente elaborou o anexo quadro no qual enumera todas as notas fiscais e faz a correspondência com o respectivo contrato celebrado com os alunos. h) Demonstrado de forma cabal que o Recorrente somente oferecia os cursos referentes à educação infantil e ao ensino fundamental e jamais exerceu atividade impeditiva à opção pelo SIMPLES. i) A possibilidade da juntada dos documentos acostados ao presente recurso voluntário encontra fundamento na alínea "c" do parágrafo quarto do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, tendo em que vista que a fundamentação do acórdão ora recorrido constitui novas razões trazidas aos autos posteriormente à apresentação da impugnação. j) Requer o cancelamento do Ato Declaratório Executivo DERAT/RJO n° 450.428, de 07 de agosto de 2003, que excluiu o Recorrente do SIMPLES, restaurando a legalidade do enquadramento do Recorrente e de todos os recolhimentos efetuados com base no Regime SIMPLES. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes Em 18/06/2008, uma quartafeira, a recorrente foi intimada, por via postal, da decisão de primeira instância (AR de fls. 178 verso, relativo ao Comunicado n° 170/2008). O prazo fatal para apresentação do recurso era a data de 18 de julho de 2008, uma sextafeira. Porém, a Contribuinte só postou seu recurso voluntário em 22/07/2008 (fls. 180), depois de transcorridos mais de 30 (trinta) dias da ciência da decisão, implicando, portanto, na sua perempção, exvi do artigo 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972. No seu recurso, a contribuinte não ataca a intempestividade ocorrida. Ante todo o exposto, não conheço do recurso, por perempto. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 15374.000779/200777 Acórdão n.º 180300.838 S1TE03 Fl. 2.909 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 13884.003058/2004-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2201-000.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora se pronuncie, comprovadamente, sobre a intimação dos co-titulares.
Assinado digitalmente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 07/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora se pronuncie, comprovadamente, sobre a intimação dos cotitulares. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 07/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 84 .0 03 05 8/ 20 04 -9 1 Fl. 15426DF CARF MF Processo nº 13884.003058/200491 Resolução nº 2201000.257 S2C2T1 Fl. 3 2 Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado auto de infração de fls. 517 a 529. Os demonstrativos estão nas fls. 530 a 532, relativo ao imposto sobre a renda das pessoas físicas ano calendário de 1.999 e 2.000, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 3.851.065,02, dos quais, R$ 1.575.638,85 são referentes a imposto, R$ 1.181.729,13 são cobrados a título de multa proporcional e R$ 1.093.697,04 correspondem a juros calculados até 31/08/2004 Conforme descrição dos fatos no Auto de infração, a exigência decorreu da seguinte infração: Omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários, para o ano calendário de 1.999 e 2000,. com o seguinte enquadramento legal: Art. 42 da Lei n° 9430/96; art. 40 da Lei n° 9481/97, art. 21 da Lei n° 9532/97 e Art. 849 do RIR199. Cientificado, do Auto de Infração, em 19/10/2004, (AR na fl. 535) por via Postal (AR), o contribuinte apresentou, através de procurador (procuração na ft 560), a impugnação de fls. 538 a 558, em 18/11/2004. Posteriormente em 20/12/2005, o impugnante apresentou novos documentos acostados nas fls. de n° 569 a 7619, na qual, após breve relato dos fatos, alega, em síntese, que: DA INVIABILIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Alega que até o ano de 2001, o dispositivo legal que dispunha sobre o uso das informações prestadas, com base na CPMF, nos § 2° e 3° do art. 11 da lei n° 9311/96, vedava a sua utilização para constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos, sendo que somente foram efetuadas alterações quando da promulgação da lei n° 10.174/01. Tratandose de operações bancárias realizadas no período de 1999 a 2001, não podem tais informações, que foram repassadas pelas instituições financeiras tendo como fonte o pagamento da CPMF, serem utilizadas para viabilizar o lançamento de qualquer tributo, sob pena de ofender um dos princípios básicos do Estado de Direito, que garante estabilidade e segurança nas relações jurídicas. Cita o art. 5 0, inciso XXXV, da CF, e legislação infraconstitucional, assim como a Lei de introdução ao Código Civil e CTN, para ressaltar que há proibição expressa para a retroatividade da lei atingir fatos pretéritos. Cita jurisprudência do CC sobre a não admissão do lançamento consubstanciado na redação atual da lei 9311/96. DA QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. Restou, por outro lado, patente a quebra do sigilo bancário, sem qualquer autorização legal, isto porque, a lei permite apenas que sejam utilizadas as informações de que trata a lei 9311/96 (mesmo assim após 2001), para instaurar procedimento administrativo para veca da existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições, não havendo qualquer permissão para que sejam os bancos notificados para prestarem informações sobre depósitos efetuados na conta corrente do contribuinte. Fl. 15427DF CARF MF Processo nº 13884.003058/200491 Resolução nº 2201000.257 S2C2T1 Fl. 4 3 Desta forma, a determinação para que os bancos informem cada depósito efetuado enviando extrato da conta corrente, como fez a Receita Federal, viola a lei complementar 105/01, que determina às instituições financeiras a conservarem o sigilo das operações referentes aos serviços prestados. Por isso, é consistente e ilegal o ato, por utilizar de informações na qual a lei não autoriza, sendo a prova utilizada para lavrar o auto de infração obtida de forma ilegal, por isso, sendo ele nulo. DA INEXISTÊNCIA DE OBRIGAÇÃO DE SE TER DESCRIÇÃO DETALHADA DE TODA A MOVIMENTAÇÃO. A pessoa física, diferentemente da jurídica, não têm a obrigação de manter escrituração detalhada de todos os fatores que envolvem sua vida, não é obrigada a ter livro fiscal ou contábil para apresentar ao fisco quando exigido. O inciso II, do art. 5 0, da CF, deixa claro que ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude da lei. Destarte, se não há exigência legal para que o contribuinte tenha detalhada a escrituração de sua movimentação financeira, como pode ser dele exigida a sua apresentação,. DA AUSÊNCIA DE ELEMENTO PROBATÓRIO PARA A IMPOSIÇÃO DO LANÇAMENTO. Ora, parece óbvio que o recorrente, com seu padrão de vida convencional, não tenha o lucro na ordem dos valores depositados em sua conta corrente. O fisco se ateve ao que entrou em sua conta, mas ignorou oportunamente o que saiu. Historicamente, nunca se admitiu o depósito bancário como apto a impor exigência tributária. Basta para isto, simples leitura da Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos — TRF. A publicação da Súmula, deu azo à edição do Decretolei n° 2471/88, que, em seu art. 90, cancelou os débitos originados exclusivamente em valores retirados de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários. Por outro lado, a lei 8021/90, autorizava apenas o uso dos depósitos como início de uma investigação mais profunda, não podendo ele ser utilizado como único documento hábil para impor a obrigação tributária. Cita acórdãos do CC sobre lançamento com base em depósito bancário. DA CONDUTA DO CONTRIBUINTE. A lei deve ser respeitada, sobretudo quando não se verifica qualquer indicio de ilicitude praticada pelo contribuinte quanto aos depósitos mantidos em sua conta corrente. Como se sabe, o recorrente é empresário que se ativa tanto no comércio quanto no ramo da construção civil. Fl. 15428DF CARF MF Processo nº 13884.003058/200491 Resolução nº 2201000.257 S2C2T1 Fl. 5 4 O recorrente é pessoa idônea e, na condição de empresário, movimenta valores tanto em sua conta pessoa física como também na pessoa jurídica, sendo certo que, no início de cada ano, procede a declaração do imposto de renda, atribuindo o que pertence à empresa e á pessoa física, pagando corretamente os impostos, tudo em obediência à legislação aplicável. DA SEGURANÇA JURÍDICA. O contribuinte agiu em conformidade com as regras existentes à época dos fatos, pois não podia imaginar que, cinco anos depois, tivesse que comprovar cada depósito efetuado em sua conta corrente, sob o risco de ter que pagar imposto de renda do que não ganhou. Ora, no presente caso, o recorrente é um empreendedor que leva a sério suas atividades, operando licitamente, declarando corretamente seu imposto de renda tanto da pessoa jurídica quanto da física, tudo sob a égide das regras existentes, não podendo imaginar que cinco anos depois, seria exigido comprovante de cada centavo que circulou em sua conta corrente. DO FATO GERADOR E DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA. Cita o art. 153 da CF, o art. 43 do CTN e decisões do STJ, para concluir que o imposto de renda somente pode incidir sobre o acréscimo patrimonial, não se admitindo que a movimentação financeira oriunda de depósitos bancários, seja considerada acréscimo patrimonial. O Decreto 3000/99 define, mesmo com algumas inconsistências legais, o que é considerado tributável a título de IR, e nele não se verifica e nem foi citado no AI, qual a subsunção legal pelo qual restou considerada a movimentação financeira como FG apto incidir o imposto ora exigido. Mas não é só isso! Duas questões ainda saltam aos olhos: a primeira diz respeito à impossibilidade de incidirem, sobre o mesmo FG, dois tributos distintos; já a segunda, trata da ausência de elementos probatórios para caracterização de omissão de receita. DA INCIDÊNCIA DE DUPLA TRIBUTAÇÃO SOBRE O MESMO FG E BASE DE CÁLCULO. A movimentação financeira é FG apto a configurar a exigibilidade da CPMF. Assim, do resultado do que se deposita ou do que é sacado da conta corrente do contribuinte, surge a obrigação tributária. Este é o único tributo que se pode exigir desta operação, não podendo o fisco utilizar o mesmo FG e a mesma base de cálculo para arbitrar o IR primeiro porque, como acima já se esgotou, tal tributo somente incide sobre a alteração patrimonial, e segundo, porque sobre a movimentação, incide a CPMF. Fl. 15429DF CARF MF Processo nº 13884.003058/200491 Resolução nº 2201000.257 S2C2T1 Fl. 6 5 DA INCONSISTÊNCIA DOS ELEMENTOS UTILIZADOS PARA APURAÇÃO. A ausência de elementos que pudessem formar o convencimento para a imposição da exação fiscal e a utilização de uma única fonte — depósitos bancários para a caracterização 'omissão, com certeza torna frágil o Auto de Infração. Isto porque, ao observar os elementos constantes nos autos, especialmente as contas correntes, verificase que nem todas são do recorrente. Veja que a conta corrente 2473, do Banco Bradesco, em 1999, pertencia apenas a Oscar Constantino, não sendo ela, nesta época, conjunta com o recorrente, o que leva a crer que o agente fiscal não se ateve a uma apuração consistente, apta a gerar o arbitramento levado a efeito. E mais, como se tratam de depósitos, o agente fiscal utilizou corno critério para apurar a base de cálculo os resgates da conta poupança e não os depósitos efetuados, sendo certo ainda que desconsiderou o que fora informado na declaração do imposto de renda. DO EFEITO CONFISCATÓRIO DA EXAÇÃO FISCAL. A considerar o depósito bancário como único elemento a ensejar a exigência do tributo, se chegará a injustiça tão absurda, que obrigará o contribuinte a dispor de todo seu patrimônio para pagar o Estado o que este entende que lhe é devido, caracterizando com isto, não só o confisco, mas uma injustiça que não encontra liame no ordenamento jurídico, ofendendo o direito de propriedade, a capacidade contributiva e até mesmo a livre iniciativa. DA PRESCRIÇÃO. O contribuinte somente foi notificado do Auto de Infração em 10/2004, exigindo o pagamento de imposto de renda, a partir de jan/99, o que implica dizer que, retroagindo aos últimos cinco anos, encontramse prescritas as exigências tributárias de janeiro até outubro deste mesmo ano. DA JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS EM 20/12/2005. Com fundamento no inciso VIII, do art. 149, do CTN, vêm complementar a IMPUGNAÇÃO, pelos motivos de fato e de direito a seguir expostos, descrevendo que o Impugnante, na condição de gerente administrativo e financeiro, movimentava em contascorrentes especialmente abertas em seu nome, os recursos financeiros para pagamentos das obrigações das seguintes empresas: Oscar Calçados Ltda, Fernandes, Constantino & Cia. Ltda, Oscar Calçados Jacareí Ltda, PRNeves Fernandes & Cia Ltda ME, R. Constantino Calçados Ltda, RACSO Calçados Ltda, RCPR Comercial de Calçados Ltda. (...). Cita o art. 59 do PAF, para alegar que não foi atendido o amplo direito de defesa do impugnante, pois o AuditorFiscal, entendeu que a documentação não estava individualizada tanto em relação a valores, como em relação a datas, resolveu considerar os depósitos como de Fl. 15430DF CARF MF Processo nº 13884.003058/200491 Resolução nº 2201000.257 S2C2T1 Fl. 7 6 origem não comprovadas, não dando oportunidade para que o contribuinte fizesse tal detalhamento tempestivamente. Cita o inciso VIII, do art. 149 do CTN, como base legal para ser efetuada a revisão de ofício, do lançamento consubstanciado no presente Auto de Infração, e, acórdãos do CC no mesmo sentido. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo II julgou procedente em parte a impugnação, restando mantida parcialmente a notificação de lançamento, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1999, 2000 PRELIMINAR. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. PRELIMINAR. SIGILO BANCÁRIO. É lícito ao Fisco examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem indispensáveis, independentemente de autorização judicial. PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Comprovado, nos autos, que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72, afastamse as alegações de nulidade processual ou nulidade do lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei n° 9.430/1.996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EXTENSÃO. As decisões administrativas, inclusive as proferidas pelo Conselho de Contribuintes, e as judiciais, a exceção daquelas proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normas legais, não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela objeto da decisão. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. Os extratos da movimentação bancária, estavam em nome do fiscalizado, e, somente com provas de que ocorreu a "Interposição de Fl. 15431DF CARF MF Processo nº 13884.003058/200491 Resolução nº 2201000.257 S2C2T1 Fl. 8 7 Pessoa", é que poderia haver a transferência dessa responsabilidade tributária para outra pessoa. Lançamento Procedente em Parte Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte sustentou, em síntese, fls. 15.294 e seguintes: a) a ilegitimidade do sujeito passivo, em razão de o recorrente não ser titular de fato das referidas contas; b) a aplicação retroativa da Lei n.º 10.147/01 para fins de constituição de crédito tributário referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário 1999 e 2000 viola o direito adquirido do contribuinte, viciando o auto de infração; c) a quebra de sigilo bancário; d) a impossibilidade de constituição do crédito tributário consubstanciado somente em extratos de depósitos bancários das contas correntes, sem ter o auditor fiscal comprovado o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente a referida omissão, não servindo de material probatório que justifique o auto de infração; e) a comprovação da supramencionada interposição de pessoa, enseja o cancelamento da exigência referente a algumas contas bancárias; f) a existência de multa confiscatória; g) a inconstitucionalidade da taxa selic. Em 20/09/2012, foi realizado protocolo de Aditamento ao Recurso Voluntário, no qual o contribuinte aduziu a aplicação do Enunciado de Súmula CARF n.º 29, tendo em vista que alguns depósitos identificados pelo nobre auditor fiscal restaram desacobertados por documentação de suporte, sendo que tal fato somente ocorreu devido a falta de regular intimação dos demais titulares das contas correntes por meio de Mandado de Procedimento Fiscal Extensivo, conforme preceitua a legislação que rege a matéria. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e com condições de admissibilidade. Tratase de autuação bom base em depósitos bancários sem identificação de origem, conforme o art. 42 da Lei 9.430, de 1996. Sustenta o recorrente que foi intimado isoladamente a apresentar os extratos bancários, bem como comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados nas contas bancárias abaixo relacionadas: a) Banco real (conta corrente n.º 37139998, agência 1733, titularidade conjunta com Rosemere Constantino Fernandes; Fl. 15432DF CARF MF Processo nº 13884.003058/200491 Resolução nº 2201000.257 S2C2T1 Fl. 9 8 b) Banco Itaú (conta corrente 18017, agência 0250; e 223618, agência 3790, titularidade conjunta com Rosemere Constantino Fernandes; c) Banco do Brasil (conta corrente n.º 10138, agência 3060, titularidade conjunta com Rosemere Constantino Fernandes; d) Banco Bradesco (conta corrente n.º 24732, agência 1960, titularidade conjunta com José Oscar Constantino; conta 10006, agência 2858, titularidade conjunta com José Oscar Constantino, Paulo Pinto Cunha e Glaucinei Câmara); e) Banco Bandeirantes (conta corrente n.º 0010317423, agência 0195, titularidade conjunta com Sônia Maria Constantino). Conforme destaca o contribuinte, as contas acima discriminadas são de titularidade conjunta e passíveis de movimentação por qualquer um de seus cotitulares indistintamente. Segundo as alegações do contribuinte, alguns dos cotitulares foram intimados um dia antes da lavratura do auto de infração, outros foram intimados para prestar esclarecimentos a respeito apenas de um anocalendário e outros sequer foram intimados. De fato, pelos extratos anexos aos autos, fls. 407 e seguintes, e fls. 15.418 e seguintes, há cotitularidade das contas bancárias em análise, contudo não foi possível identificar a existência de intimação de todos os cotitulares, sendo possível que tenham sido intimados, mas a intimação não esteja juntada aos autos. Considerando a aplicação vinculante do Enunciado de Súmula CARF n.º 29, bem como o entendimento adotado pela Câmara Superior, a ausência de intimação dos co titulares, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, enseja a nulidade do lançamento (exclusão da base de cálculo dos depósitos bancários da totalidade dos valores depositados nas contascorrentes conjuntas), como se extrai da ementa abaixo transcrita (Acórdão n.º 9202003.742): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM IDENTIFICAÇÃO DE ORIGEM. CONTA CONJUNTA. FALTA DE INTIMAÇÃO DE COTITULAR. Todos os cotitulares da conta bancária, que não apresentem declaração em conjunto, devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos, na fase que precede à lavratura do Auto de Infração com base na presunção legal de omissão de rendimentos, sob pena de exclusão dos respectivos valores da base de cálculo da exigência (Súmula CARF Vinculante nº 29, de 2009). Recurso Especial do Procurador negado Nesse contexto, como a questão envolve inclusive matéria a ser conhecida de ofício, por atingir a base de cálculo do tributo, conheço dos argumentos expendidos no Aditamento ao Recurso Voluntário interposto fora do prazo legal para apresentação de defesa. Fl. 15433DF CARF MF Processo nº 13884.003058/200491 Resolução nº 2201000.257 S2C2T1 Fl. 10 9 Assim, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a autoridade lançadora se pronuncie sobre existência ou não de intimação dos cotitulares das contas bancárias objeto da autuação; e, caso tenham sido realizadas as intimações, que elas sejam juntadas aos autos para a observância das suas datas. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 15434DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.912702/2012-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
CRÉDITO DE IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO VI, alínea d da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO.
A aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso VI, alínea d da Constituição Federal (livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão) não gera crédito de IPI, em face de a previsão para manutenção de créditos prevista no artigo 11 da Lei no 9.779/99 alcançar apenas insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorra de exportação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.332
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO VI, alínea “d” da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. A aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso VI, alínea “d” da Constituição Federal (livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão) não gera crédito de IPI, em face de a previsão para manutenção de créditos prevista no artigo 11 da Lei no 9.779/99 alcançar apenas insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorra de exportação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 27 02 /2 01 2- 41 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 11065.912702/201241 Acórdão n.º 3401003.332 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Ressarcimento com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), invocando crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), relativo ao período de apuração acima identificado. Por meio do Despacho Decisório exarado pelo Seort/DRF/ Novo Hamburgo, o pedido de restituição foi indeferido e a compensação não homologada, sob o fundamento de que o valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado, por ter havido glosa em procedimento fiscal. Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: (a) não houve mandado de procedimento fiscal para o procedimento de análise do crédito, sendo inválido o ato administrativo; (b) a fundamentação para a negativa de crédito é improcedente e está centrada no fato de a empresa ser abrangida por imunidade objetiva; (c) para aplicação da não cumulatividade constitucionalmente assegurada, pouco importa se a última operação foi ou não onerada pelo IPI; e (d) não houve constituição do crédito tributário, e embora o documento da glosa seja intitulado de auto de infração, não se concretizou o lançamento, ensejando a impossibilidade de ser o crédito glosado. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto por intermédio do Acórdão 14 045.682, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO N/T. Inexiste direito de crédito pela entrada de insumos para fabricação de produtos que estão fora do campo de incidência do imposto, pois neste caso o IPI deve ser contabilizado como custo Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada do acórdão da DRJ, a empresa apresenta Recurso Voluntário, sustentando que: (a) a juntada posterior de Mandado de Procedimento Fiscal não tem o condão de validar o ato praticado ao seu desabrigo; (b) o crédito não pode ser exigido por absoluta ausência de lançamento; e (c) a imunidade se constitui em cláusula pétrea inserida nas limitações constitucionais ao poder de tributar. Pede, ao fim, exame para fins de pré questionamento, mormente no que se refere aos artigos 142 e 149 do Código Tributário Nacional (CTN). É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 11065.912702/201241 Acórdão n.º 3401003.332 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.313, de 25 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 11065.900523/201423, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.313): "O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. No Despacho Decisório, a razão para o indeferimento do direito de crédito, e a consequente não homologação da compensação, é a seguinte (fl. 22): O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivos(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página Internet da Receita Federal, e integram este despacho. No próprio despacho decisório há orientações (aqui seguidas, em nome da verdade material) sobre como encontrar tais "informações complementares da análise de crédito", no sítio eletrônico da RFB (menu principal, opção "onde encontro" / "PERDCOMP" / "consulta despacho decisório", indicando o CNPJ da empresa e o número do PER/DCOMP. Nas informações complementares, percebo que há link para o relatório fiscal (Clique aqui para Download do arquivo: RELATORIO FISCAL GRUPO SINOS.PDF). Evidencio, então, que o Relatório Fiscal se presta a este e a outros nove processos administrativos de ressarcimento, e que ali realmente se encontram as razões detalhadas para as glosas: (a) a empresa tem como principal atividade a edição integrada à impressão de jornais, sendo detentora de registro especial de papel imune, e os produtos resultantes de seu processo de industrialização têm a classificação "NT" (não tributáveis) relativamente à incidência do IPI, em razão de benefício de imunidade constitucional; e (b) os créditos pleiteados se referem à aquisição de insumos utilizados para produção de jornais e revistas imunes, no período considerado, e, portanto, não encontram guarida normativa para fruição. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 11065.912702/201241 Acórdão n.º 3401003.332 S3C4T1 Fl. 5 4 Verificadas as motivações específicas para as glosas, cabe avaliar se as razões de defesa são aptas a afastálas, e a confirmar a regularidade do crédito. A primeira alegação de defesa se referia à ausência de Mandado de Procedimento Fiscal. No entanto, o Mandado de Procedimento Fiscal, como bem destacou o julgador de piso, foi emitido, havendo no próprio relatório da ação fiscal a informação de seu número (10.1.07.00 2014.002302) e a aposição de mensagem de que estava disponível para consulta no endereço <http://receita.fazenda.gov.br/aplicacoes/atpae/mpf/default.asp>, com a utilização do código de acesso 29365075. Também em nome da verdade material acessei o referido sítio, com a senha de acesso concedida na ação fiscal, verificando a existência do MPF, que sempre esteve disponível para consulta por parte da empresa. Improcedentes, assim, tanto a alegação de ausência de MPF, suscitada na manifestação de inconformidade, quanto a de que tal MPF teria sido juntado apenas posteriormente, presente no recurso voluntário. A segunda alegação da empresa, de que deveria ter havido lançamento para exigência do crédito, é absolutamente desconectada da realidade fática destes autos. Vejase que o presente processo não trata de lançamento para exigência de crédito, mas de reconhecimento de direito de crédito pleiteado pela empresa. As glosas efetuadas impedem a fruição do crédito, devendo a postulante do ressarcimento (e da compensação) carrear aos autos documentação que comprovem a liquidez e a certeza do crédito. Descabe, assim, a demandada análise (ainda que para fins de prequestionamento) dos artigos 142 e 149 do CTN, afetos ao lançamento. Cabe retomar, então, a análise no sentido de ter ou não havido prova apresentada pela empresa apta a afastar as razões de glosa (ausência de fundamento normativo para tomada de crédito em relação a insumos destinados a industrialização de jornais e revistas imunes). Sobre o tema, a empresa, em seu recurso voluntário, endossa que industrializa produtos imunes com os insumos adquiridos, mas entende que, por ser a imunidade cláusula pétrea, faz jus ao crédito. Tais alegações seriam relevantes se o fisco estivesse a exigir o IPI em relação aos produtos imunes, mas esse não é o caso em análise nestes autos, limitado a demanda de crédito, por parte da empresa, em relação à aquisição de insumos para fabricação de produtos imunes. Não se está, repitase, a analisar tributação de operação imune, mas a avaliar se a empresa faz jus a crédito sobre operação não tributada em função de imunidade. E, nesse sentido, cabível verificar o teor do artigo 11 da Lei no 9.779/1999: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado Fl. 93DF CARF MF Processo nº 11065.912702/201241 Acórdão n.º 3401003.332 S3C4T1 Fl. 6 5 à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. (grifo nosso) Vejase que o dispositivo legal expressamente assume a possibilidade de crédito em relação a insumos aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero (silenciando em relação aos imunes e não tributados). E vejase também que a fruição fica condicionada à observância das normas expedidas pela RFB. A RFB expediu, em relação ao tema, a Instrução Normativa no 33/1999, que, em seu artigo 4o, já não silenciou em relação a produtos imunes: Art. 4o O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei No 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1o de janeiro de 1999. (grifo nosso) Mas a própria RFB, no Ato Declaratório Interpretativo no 6/2008, esclareceu que: Art. 1o Os produtos a que se refere o art. 4o da Instrução Normativa SRF no 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais ao legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos.http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action ?idArquivoBinario=0 Art. 2o O disposto no art. 11 da Lei no 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5o do Decretolei no 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4o da Instrução Normativa SRF no 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5o do Decreto no 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na TIPI que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior." (grifo nosso) Assim, a empresa poderia utilizar o saldo credor, na forma do artigo 11 da Lei no 9.779/1999, apenas se as aquisições de insumos fossem efetivamente para um processo industrial de fabricação de produto imune, destinado à exportação. No entanto, no presente processo, sequer se esforça a recorrente para demonstrálo, pecando em seu dever de Fl. 94DF CARF MF Processo nº 11065.912702/201241 Acórdão n.º 3401003.332 S3C4T1 Fl. 7 6 carrear ao processo elementos que atestem a liquidez e a certeza do direito de crédito. Ainda que se afaste a imperfeição, às vezes presente na Tabela de Incidência do IPI, de considerar como "NT" (não tributados) produtos que, em verdade, são efetivamente resultantes de um processo de industrialização, mas imunes, permanece sem amparo o direito de crédito, visto não se verificar, nos autos, ser o produto destinado à exportação. Nesse sentido tem decidido este CARF: CRÉDITO DE IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO III, alínea “d” da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. Não gera crédito de IPI a aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso III, alínea “d” da Constituição Federal. A previsão para manutenção dos créditos previsto no art. 11, da Lei no 9.779/99, alcança exclusivamente aqueles insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorrer da exportação. (Acórdão no 3201002.096, Rel. Cons. Charles Mayer de Castro Souza, unânime, sessão de 15 mar. 2016) (a menção deveria ser ao inciso VI e não ao inciso III do art. 150 da CF) (No mesmo sentido, e também unânime, o Acórdão no 3301 002.280, de 27 mar. 2014) Por derradeiro, destaquese que também o Superior Tribunal de Justiça tem leitura não alargada do artigo 11 da Lei no 9.779/1999 (REsp no 1.015.855/SP). Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 95DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.002586/2008-88
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IN
Período de apuração: 01/10/2004 a 30/06/2005
SERVIÇO GRÁFICO POR ENCOMENDA E PERSONALIZADO.
A prestação de serviço gráfico, personalizado e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita unicamente ao ISS, não estando sujeito à incidência do IPI.
Numero da decisão: 3201-000.699
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar
provimento ao recurso voluntário.
Vencidos os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Daniel Mariz Gudifio.
Nome do relator: Luís Eduardo G. Barbieri
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A prestação de serviço gráfico, personalizado e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita unicamente ao ISS, não estando sujeito à incidência do IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do eolegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Daniel Mariz Gudifio. N Qr-e-Atort MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA - Reaator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith Amaral Marcondes Armando (presidente da turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vice- presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorinl, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Daniel Mariz Fl. 878DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. rI.Tpl t-rIlrin LI iii*iiti\ititi • • Fl. 879DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4,Q. V561 I if- Relatório 0 presente processo trata de Lançamento de Oficio, veiculado através de Auto de Infração, lavrado em 07/08/2008, para a cobrança do IP1 e devidos acréscimos legais, em decorrência da falta de recolhimento do imposto e por erro de classificação fiscal, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 621/628). Por bem descrever os fatos transcrevo o Relatório que integra a decisão de primeira instância administrativa, verbis: Trata-se de auto de infração Ns. 629/643) lavrado em 07/08/2008 para exigir o crédito tributário de R$ 1.831.016,38, correspondente ao IPI, inclusos multa de oficio e juros de mora, e multa sobre IPI não lançado com cobertura de crédito, por ter o estabelecimento industrial promovido a saída de produtos tributados, com folio de lançamento de imposto e por erro de classificação fiscal, em relação aos produtos relacionados no Termo de Verificação Fiscal de fls. 621/628. Regularmente notificada do auto de infração, a contribuinte tempestivamente apresentou a impugnação de fls. 647/656, instruída com os documentos de fls. 657/813, alegando, em síntese, que: 1. Em preliminar, aponta que nos moldes do art. 168, inciso I c/c art. 150, §4° do CTIV, ocorreu a decadência no tocante aos meses de janeiro a julho de 2003; 2. A empresa é do ramo de prestação de serviços gráficos e realiza preponderantemente, atividade de impressão de bobinas de papel personalizadas, produzidas sob encomenda, o que excluiria tais produtos do conceito de industrialização, pois os serviços de composição gráfica seriam tributados exclusivamente pelo 1SS, não se sujeitando ao IPI; 3. Disse que seus produtos personalizados e produzidos sob encomenda dos clientes, se não viessem a ser faturados àqueles encomendantes originais, tornar-se-iam absolutamente inúteis; 4. Não é estabelecimento industrial, mas sim prestador de serviços gráficos, não se sujeitando ao IPI, conforme remansosa jurisprudência sumulada e doutrina atinente espécie; 5. No tocante ao equivoco quanto a classificação fiscal, fato é que o Decreto n° 4.070/01, que revogou o dispositivo anterior, manteve não só a classificação fiscal pretendida pelo agente fiscalizador, como também aquelas utilizadas pelo sujeito passivo; 6. Ainda que houvesse uma classificação especifica para o caso sob exame, o que há de ser observado diz respeito, tão somente, à absoluta isenção ou aplicação de aliquota zero sobre as operações de impressão de bobinas sob encomenda, que deverão prevalecer sempre, independentemente do código de classificação utilizado; 7. Ao final, invoca jurisprudência do STJ, em especial a Sumula 156, e julgados administrativos do Conselho de Contribuinte. A Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal em Ribeirão Preto — SP, julgou o lançamento procedente, nos termos do Acórdão no. 14-28.680 (fls. 818/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI 2 Fl. 880DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Lthi iu;iii:I.AtAi • • Fl. 881DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. S3-C2T1 FL/ YGO Processo n° 10882.002586/2008-88 Acórdão n.° 3201-000.699 Período de apuração: 01/10/2004 a 30/06/2005 IPI. FATO GERADOR. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA PERSONALIZADOS. SÚMULAS 143 DO TFR E 156 DO ST.I. INAPLICABILIDADE. Os serviços de composição e impressão gráficas, personalizados, previstos no 8°, § 1°, do DL n° 406, de 1968, estão sujeitos a incidência do IPI e do IS S. LANÇAMENTO. ERRO CLASSIFICAÇÃO FISCAL. A folio de pagamento do imposto, por erro de classificação fiscal/alíquota inferior a devida, justifica o lançamento de oficio do IPI, com os acréscimos legais cabíveis. A recorrente foi cientificada do Acórdão, por via postal, em 14/06/2010 (ft. 825). Inconformada com a decisão da autoridade julgadora administrativa, interpôs Recurso Voluntário, em 23/06/2010 (fls. 827/ss), ), onde repisa os mesmos argumentos apresentados na impugnação, além de pleitear a reunido dos vários processos resultantes de autos de infração lavrados para períodos diversos, por entender que há conexão entre eles e dependência do processo originário de habilitação. 0 processo digitalizado foi sorteado e, posteriormente, distribuído a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório Voto Vencido Conselheiro Luis Eduardo G. Barbieri, Relator 0 recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Preliminares Antes de adentrarmos ao mérito, devemos analisar a solicitação da Recorrente para que fossem reunidos os vários processos resultantes de autos de infração lavrados para períodos diversos, assim como a questão relativa à decadência parcial alegada. No tocante A. primeira questão, não há previsão legal para esta autoridade julgadora atender ao pleito da Recorrente. Uma vez efetuado o lançamento de oficio, através da lavratura de auto de infração (artigo 10 do PAF) e apresentada a regular impugnação instaura- se a fase litigiosa (artigo 14 / PAF), cabendo, então, às autoridades julgadoras administrativas proceder ao julgamento dos mesmos (artigo 25/PAF). 0 preparo do processo compete autoridade local da unidade encarregada da administração do tributo (artigo 24), sendo que esta, a seu critério, poderá formalizar processos distintos ou não, nos termos do que dispõe o artigo 9° - caput e parágrafo primeiro do PAF. Quanto a alegação de decadência, para os meses de janeiro a julho de 2003, não assiste razão à Recorrente. 3 Fl. 882DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. • • Fl. 883DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. No caso do IPI, a lei obriga o sujeito passivo a antecipar o recolhimento sem prévio exame da autoridade administrativa (RIP1/98 — artigos HI, 125 e 127). Como regra geral, essa característica insere o imposto na modalidade denominada "lançamento por homologação", que se materializa, nos termos do art. 150 do CTN, quando a autoridade, tomando conhecimento do recolhimento antecipado pelo contribuinte, expressamente o homologa (homologação expressa) ou, após decorridos cinco anos do fato gerador sem que a Fazenda se tenha pronunciado, opera-se a homologação tácita. Para que se configure o lançamento por homologação, é requisito indispensável o recolhimento do tributo, caso em que o sujeito passivo antecipa-se ã. atuação da autoridade administrativa. Dessa forma, somente se sujeitam as normas aplicáveis ao lançamento por homologação os créditos tributários satisfeitos por via do pagamento. Em outras palavras, o CTN condiciona a contagem do prazo, tal como de finida no art. 150, ao efetivo pagamento do tributo. Essa ilação é confirmada pelo § 1° do referido art. 150, segundo o qual o pagamento antecipado pelo contribuinte extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação. Como conseqüência, não havendo pagamento, não há o que se homologar e, nesse caso, a extinção do crédito tributário não ocorre após o decurso do prazo definido no § 4° do citado artigo. No caso sob exame, não houve recolhimento dos impostos por ocasião do fato gerador, não cabendo, então, falar em homologação de pagamento que não foi realizado e, por conseguinte, inexiste lançamento por homologação. 0 que houve, na verdade, foi lançamento de oficio do IPI, consubstanciados no auto de infração do presente processo, em decorrência da omissão do contribuinte em recolher os impostos devidos. Assim, não havendo pagamento dos tributos, a situação não se enquadra na regra especial de contagem do prazo decadencial, estabelecida pelo § 4° do art. 150 do CTN, sujeitando-se, então, à regra geral prevista no art. 173, inciso I, do mesmo diploma legal. Neste diapasão, o termo inicial para contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que lançamento poderia ter sido efetuado. 0 prazo decadencial iniciou-se em 01/01/2005 e terminou em 31/12/2009. Tendo em vista que a litigante foi cientificada dos lançamentos em 08/08/2008, conclui-se que os lançamentos foram efetivados dentro do prazo decadencial, não cabendo, portanto, o acatamento da preliminar de decadência suscitada no recurso. Mérito A primeira questão a ser analisada refere-se à incidência ou não do IPI sobre os produtos originados da prestação de serviços de artes gráficas. 0 art. 153 da CF/88 outorgou competência à União para instituir o imposto sobre produtos industrializados — IPI, donde se extrai o critério material da norma de incidência tributária do tributo: executar uma operação de industrialização. Como muito bem argumentou o julgador da DRJ-Ribeirão Preto "para que ocorra a incidência do IPI é necessária a existência de um produto resultante de uma operação de industrialização e que este produto, em determinado momento, saia, a qualquer titulo, do estabelecimento que o produziu". No caso em litígio, a Recorrente alega que é empresa do ramo de prestação de serviços gráficos e realiza, preponderantemente, atividade de impressão de bobinas de papel produzidas sob encomenda, personalizadas, para uso exclusivo de seus clientes. 4 Fl. 884DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Vit( pfl kyrri, tflifi 1.¡;:tarlli'vki' . • • Fl. 885DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 10882.002586/2008-88 Acórdão n.° 3201-000.699 S3-C2T1 FL/ Y6m2./ Assim, quando os clientes encomendarem as bobinas, encomendam uma prestação de serviço, nos termos do art. 8° do DL n° 406/68. Entretanto, para que estes pedidos possam ser atendidos, a Recorrente adquire insumos no mercado interno e os transforma em um novo produto industrializado que, posteriormente, dará saída do estabelecimento do contribuinte. Portanto, resta plenamente configurada a industrialização, pois transformação é uma das modalidades da industrialização. Veja que há perfeita subsunção dos fatos (narrados acima) com a norma de incidência seguida a seguir. 0 artigo 3° do RIPI/2002 (Decreto 4.544/2002) prescreve que produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida como industrialização. 0 artigo 4°, por sua vez, afirma que se caracteriza como industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeçoe para o consumo, tais como a que, exercida sobre matérias-primas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova — transformação (inciso I, art. 4°.): Entendo, então, que a prestação de serviço gráficos (obrigação de fazer algo) não pode existir sem a execução de uma operação de industrialização, seguida da entrega de uma mercadoria (obrigação de dar). Na realidade, ao prestar os serviços, a Recorrente incorre na prática de fatos geradores de dois impostos distintos, todos com competência prevista na Constituição Federal: IPI (Unido) e ISS (Município), todos incidentes sobre o mesmo evento. A questão do conflito de incidência entre o ISS e ICMS não interessa na solução deste litígio, porisso, deixamos de abordá-la. Ressalte-se, apenas que a Súmula 156 do STJ refere-se ao conflito de competência no âmbito do ISS e ICMS, como brilhantemente demonstrou a autoridade julgadora de primeira instancia em seu voto. Para ilustrar melhor esta situação de dois impostos incidirem sobre o mesmo evento (fato social), transcrevo abaixo a lição do ilustre professor Paulo de Barros Carvalho (in Direito Tributário, Linguagem e Método. Noeses, 2008. la edição, pg. 153): "Como verificado, a mesma norma pode incidir sobre acontecimentos diferentes, produzindo, com isso, fatos jurídicos distintos. Paralelamente, normas diferentes podem incidir sobre o mesmo suporte fáctico, engendrando também fatos juridicamente diversos. Um único fato social comparece aos olhos do jurista como dois fatos jurídicos distintos porque objeto da incidência de normas jurídicas diversas. Eis ai, desde logo, uma observação que me parece preciosa." Quanto à alegação de que tais produtos tenham sido produzidos sob encomenda, registre-se que não entendo que restou comprovado que houve "industrialização por encomenda" (que permitiria operações com suspensão do IPI), uma vez que as encomendandes (os bancos, por exemplo) não terem enviado qualquer tipo de insumo ao estabelecimento da Recorrente. Por fim, passo á. análise da questão relativa ao erro de classificação fiscal dos produtos. 5 Fl. 886DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. • • Fl. 887DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Nesta matéria, a Recorrente não trouxe nenhum elemento probante para refutar a classificação fiscal indicada pela autoridade fiscal. Ern momento algum, houve a contestação especifica em relação as novas classificações fiscais, conforme pode ser constatado nos trechos abaixo transcritos: .para os fins colimados na presente impugnação, o que há de ser observado diz respeito, tão somente, a absoluta isenção ou aplicação de aliquota zero sobre as operações de impressão de bobinas sob encomenda realizadas, que deverão prevalecer sempre, independentemente do código de classificação utilizado ou que venha a ser arbitrado. Em outras palavras, ainda que houvesse uma classificação fiscal de IPI especifica para o caso sob exame, sem a devida isenção ou, ainda, com tributação baseada em aliquota diferente de zero, a mesma seria absolutamente ilegal e inconstitucional, não podendo ser aplicada a espécie, sobretudo, diante da forma pacifica com que a matéria é tratada tanto na doutrina, quanto na jurisprudência.... , o agente atribuiu classificações fiscais sem qualquer paridade com a atividade efetivamente realizada pela recorrente e, pior: com aliquota extremamente gravosa para a contribuinte, em verdadeiro decreto de morte para a empresa em questão, e todas as demais do setor que viessem a softer tamanho esbulho (o total do principal cobrado é de RS1.313.754,63, os quais, acrescidos da multa de controle administrativo e demais aviltantes com inações, já passavam, na data da autuação de absurdos R$5. 028.000,00 — cinco milhões e vinte e oito mil reais!). Frise-se que as classificações fiscais pretendidas pela fiscalização (4816.20.00, 4811.9090, 4802.57.10 etc) embora, em um primeiro momento, guardem aparente correlação com os materiais empregados (papel autocopiativo, papéis termo sensíveis etc) não contemplam o essencial, isto é, a prestação de serviço de impressão sob encomenda, atividade-fim da recorrente que não poderia ter sido ignorada, como de fato fbi pela fiscalização em seu relatório, consubstanciando flagrante violação a Constituição Federal e aos mais comezinhos princípios gerais de Direito!". Verifica-se, assim, que a Recorrente não trouxe elementos capazes de combater as classificações fiscais adotadas pela fiscalização, limitando-se apenas a repetir os argumentos relativos a alegação isenção ou aplicação de aliquota zero sobre as operações de impressão de bobinas sob encomenda, como bem destacou o voto condutor da decisão • recorrida. Não houve, destarte, contestação específica em relação as novas classificações fiscais dos produtos por ela industriali dos. Destarte, diante 9qf 'oiv to por negar provimento ao recurso voluntário. Luis Edu rd arrossino Barbieri Voto Vencedor Redator Designado Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira 6 Fl. 888DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Eu'" Di wiil.,Iti. • • Fl. 889DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. S3-C2T1 11.4/ 84- Processo n° 10g82.002586/2008-88 Acárdao n.° 3201-000.699 Ousei discordar do ilustre relator e fui seguido por meus colegas, tendo prevalecido nosso entendimento por voto de qualidade, nos seguintes termos: A matéria de inserção dos serviços de composição gráfica nas esferas tributárias do ISS e do IPI já objeto da Súmula 156 do STJ, que assim dispõe: A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS. Não me parece que o presente caso se afaste desta conclusão, pois resta comprovado que a atividade da recorrente foi a prestação de serviços de composição e impressão gráficas personalizadas e sob encomenda de seus clientes, que estão evidentemente na esfera de incidência tributária do imposto sobre serviços. Precioso e preciso é o ensinamento de Amílcar de Araújo Falcão sobre o tema da competência tributária privativa e os efeitos decorrentes desta opção para o sistema tributário e a legislação brasileira: Em primeiro lugar, a atribuição de competência privativa tem um sentido positivo ou afirmativo: importa em reconhecer a uma determinada unidade federada a competência para decretar certo e determinado imposto. Em segundo lugar, da atribuição de competência privativa decorre um efeito negativo ou inibitório, pois importa em recusar competência idêntica às unidades outras não indicadas no dispositivo constitucional de habilitação: tanto equivale a dizer, se pudermos usar tais expressões, que a competência privativa é oponível erga omnes, no sentido de que o é por seu titular ou por terceiros contra quaisquer outras unidades federadas não contempladas na outorga. (in Sistema Tributário Brasileiro Discriminação de Rendas, Ed. Financeiras, 1965, pág. 38) (grifos acrescidos ao original). Também a Suprema Corte nacional, há muito vem assentando sua jurisprudência no sentido de reconhecer que as atividades de composição gráfica, fotocomposição, clicheria, zincografia, litografia e fotolitografia se inserem na competência tributária privativa dos Municípios, na forma do art. 156, inc. III, da Constituição Federal, sendo "taxativa, ou limitativa, e não simplesmente exemplificativa, (...), embora comportem interpretação ampla os seus tópicos". (Min. CARLOS VELLOSO, RE n° 361.829RJ, 2a Turma do STF, sessão de 13/12/05, DJU de 24/02/06, pág. 51, e in LEXSTF v. 28, n. 327, 2006, p. 240257). Podemos ainda citar como exemplos da jurisprudência pátria, os seguintes julgados: ISS. SERVIÇO GRÁFICO POR ENCOMENDA E PERSONALIZADO. Utilização em produtos vendidos a terceiros, a feitura de rótulos, fitas, etiquetas adesivas e de 7 Fl. 890DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. akr pv;i Atï poi • • Fl. 891DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. identificação de produtos mercadorias, sob encomenda e personalizadamente, e atividade de empresa gráfica sujeita ao ISS, o que não se desfigura por utilizá-los o cliente e encomendante na embalagem de produtos por ele fabricados e vendidos a terceiro. Recurso extraordinário conhecido e provido. (Rel. MM. RAFAEL MAYER, RE 111566SP, 1' Turma do STF, sessão de 25/11/86, DJU de 12/12/86, pág. 24667) TRABALHOS GRÁFICOS PERSONALIZADOS E REALIZADOS MEDIANTE ENCOMENDA. A circunstancia de serem utilizados, pelo cliente, na embalagem de produtos de sua fabricação, vendidos a terceiros, não desfigura a sujeição da atividade da empresa gráfica ao imposto sobre serviços. precedente do Supremo Tribunal: RE106.069, (RTJ115/1.419). Recurso Extraordinário provido para restaurar a sentença que acolheu os embargos a execução fiscaL" (Rel. Min. OCTAVIO GALLOTTI, RE n° 110.944SP, 1" Turma do STF, sessão de 30/09/86, DJU de 24/10/86, pág 20326) AGRA VO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ARTIGO 544 DO CPC. RECURSO ESPECIAL. ICMS. NA -0 INCIDÊNCIA. SERVIÇO GRÁFICO PERSONALIZADO E POR ENCOMENDA. INCIDÊNCIA DO ISS. SÚMULA 156/STJ. I. 0 ICMS não incide sobre serviços de composição gráfica, a teor da Súmula 156 do Superior Tribunal de Justiça, que preceitua: "A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS." 2. Outrossim, é cediço no STJ que a incidência do ISS ocorre ainda que os serviços de composição gráfica não sejam personalizados ou não sejam exclusivamente para uso de encomendas (REsp 788.235/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 15.12.2005, DJ 20.02.2006; AgRg no REsp 621.191/MG, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 04.11.2004, DJ 06.12.2004; e REsp 327.504/SP, Rei. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 06.11.2001, DJ 25.02.2002). 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 1.092.206/SP, sujeito ao regime dos "recursos repetitivos", reafirmou o entendimento de que não incide ICMS sobre os serviços de composição gráfica. Isto porque: "As operações de composição gráfica, como no caso de impressos personalizados e sob encomenda, são de natureza mista, sendo que os serviços a elas agregados estão incluidos na Lista Anexa ao Decreto-Lei 406/68 (item 77) e a LC 116/03 (item 13.05). Consequentemente, tais operações estão sujeitas à incidência de ISSQN (e não de ICMS), Confirma-se o entendimento da Súmula 156/STJ: "A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, 8 Fl. 892DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. S3-C2T1 11.)3/ P66. Processo n° 10882.002586/2008-88 Acórdão n.° 3201-000.699 está sujeita, apenas, ao ISS." Precedentes de ambas as Turmas da 1" Seção." 4. Agravo regimental desprovido. (Rel. Min. LUIZ FUX, AgRg no Ag n° 1071523SP Reg. n°2008/01441541, la Turma do STI, sessão de 18/08/09, DJU de 14/09/09) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO E IMPRESSÃO GRÁFICAS. CONFECÇÃO DE CARTÕES MAGNÉTICOS E DE CRÉDITO INCIDÊNCIA EXCLUSIVA DO ISS. NÃO INCIDÊNCIA DO IPL CONCEITO DE PRODUTO INDUSTRIALIZADO. MATÉRIA DE ÍNDOLE EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL VIOLAÇÃO DOS ARTS. 96 E 100 DO CTN. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SUMULAS 282 E 356 DO STF. 1. 0 conceito de produto industrializado é pressuposto pela Constituição Federal que, como de sabença, utiliza os conceitos de direito no seu sentido próprio, pelo que implícita a norma do art. 110 do CTN, que interdita a alteração da categorLação dos institutos. 2. Consectariamente, qualificar como produto industrializado aquele que não ostenta essa categoria jurídica implica em violação bifronte ao preceito constitucional, porquanto o texto maior a utiliza não só no sentido próprio, como também o faz para o fim de repartição tributária constitucional. 3. Sob esse enfoque, é impositiva a regra do artigo 153, inciso IV, da Constituição Federal de 1988, verbis: "Art. 153. Compete União instituir impostos sobre: I Importação de produtos estrangeiros; II exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados; III renda e proventos de qualquer natureza; IV produtos industrializados;" 4. Deveras, a conceituaçao de produto industrializado encarta- se na mesma competência que restou exercida pela Corte Suprema na análise prejudicial dos conceitos de faturam ento e administradores e autônomos para os fins de aferir hipóteses de incidência, mercê de a discussão travar-se em torno da legislação infraconstitucional que contemplava essas categorizações, reproduzindo as que constavam do texto maior. 5. Sobressai, desta sorte, imprescindível a manifestação da Corte Suprema sobre o thema iudicandum, suscitado de forma explicita ou implícita em todas as causas que versam sobre a competência tributária da Unido, essência manifesta das decisões que tem acudido ao E. ST.I. 6. Ademais, a circunstância de o fato gerador vir estabelecido em legislação tributária que não Lei Formal e concluir-se pela inaplicabilidade da mesma, não significa violar os arts. 96 e 110 do CTN, tanto mais que aos mesmos não se referiu o aresto recorrido e por isso ausente o prequestionamento. 9 Fl. 893DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 7. Recurso especial não conhecido. (Rel. MM. LUIZ FUX, REsp n° 817182RJ, 1" Turma do STI sessão de 28/11/06, RIU de 08/03/07 p. 170) Por todo o exposto, VOTO por conhecer do recurso para dar-lhe integral provimento. ''(ANU- k-ivo 4/VO Ma) celo Ribeiro Nogueira - redator designalo • • l o Fl. 894DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. -uv DD rp in • • Fl. 895DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 1))' CAF 1' Y6S7 MINISTÉRIO DA FAZENDA CC NSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO SEGUNDA CÂMARA :'roct-7so n°: 10882002586200888 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n'. 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto ao CARP, a tomar ciência do Acórdão: 3201-000.699. Brasilia, 07 de agosto de 2013. Nail da Costa Rodrigues Apoio de Secretaria da Segunda Camara da Terceira Seção Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência IN- Corn Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: CC / C609'°13 Procurador (a) da Fazenda Nacional iaticia :MAU. tie Oliveira Pmcurocilom 004 Nacional Doc.,, m:rlassmaci;) AiiIenticado . imp, esscr em 07/.03/20 13 ror NA1 ( 2 - Fl. 896DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Illg ta ity ri' bDi iiitri, ti ty • • Fl. 897DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 869 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Secretaria-Executiva Serviço de Controle ao Julgamento - SECOJ scs- QUADRA 01 BLOCO "3" ED. ALVORADA 60 ANDAR — CEP: 70396 — 900 — Brasilia - DF Processo n.°: 10882.002586/2008-88 Recurso : Voluntário Interessado: DISKPAR LOGÍSTICA E AUTOMAÇÃO LTDA. DESPACHO Encaminhe-se o presente processo à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, conforme Termo de Intimação (fl. 868). Brasilia, 12 de agosto de 2013. Andrezzee Souza Nascimento Serviço de Controle ao Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e Fl. 898DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. MINISTERIO DA FAZENDA SISTEMA COMUNICACAO E PROTOCOLO - COMPROT RELACAO DE MOVIMENTACAO - RM RELACAO: 24355 DATA 12/08/2013 MOV.: Page 1 or 1 c3 70 6é7-Z7- ( I Malote ( ) R. Postal: ORGA0 ORIGEM : 01.15169-0 CARF-MF-DF ()ROAD DEST1NO : 01.37491-5 PGFN- COCAI -DP RESPONSÁVEL. PELA EMISSAO MATRICULA/CPI: ASSINATURA CARLOS AI,BERTO 151.448.361-00 N"PROCESSO SEQ. VOLUME PROC. • JUN IADO 10882.002209/2008-49 0007 0006 10882.002586/2008-88 0007 0005 RECEBOO Mar 0‘, Mottelt 0 VT, ptsj i-;\ RESPONSAVNI. PELA RECEPCAO MATRICULA/CPI: ASSINATURA DATA RECEI3IMENTO: / CARIMBO: DOCUMENTO EMITIDO PE1.0 COMPROT EM 12/08/2013 AS 11:03 IMPRESSO F.M 12/08/2013 Imps://e -processo.receita.fazenda/ControleImprimirRM.agn9m A • n Fl. 899DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 0 ; • o • MINISTÉRIO DA FAZENDA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL COORDENAÇÃO DE ASSUNTOS TRIBUTÁRIOS SENHOR CONSELHEIRO PRESIDENTE DA SEGUNDA CÂMARA DA TERCEIRA SEÇÃO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PROCESSO N2 10882.002586/2008-88 RECORRENTE: UNIÃO (Fazenda Nacional) RECORRIDO: DISKPAR LOGÍSTICA E AUTOMAÇÃO LTDA ACÓRDÃO N2: 3201-000.699 A UNIÃO (Fazenda Nacional), pela procuradora abaixo firmada, com apoio no art. 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, vem, tempestivamente, interpor RECURSO ESPECIAL em face do r. acórdão proferido no processo administrativo em epígrafe, requerendo seu regular processamento e posterior remessa à egrégia Camara Superior de Recursos Fiscais. Pede deferimento. Brasilia, DF, 6 de setembro de 2013. PATRICIA MAIA1j1osA DE OLIVEIRA ProcuraClora, da Fazenda Nacional • 1 Fl. 900DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. I MINISTÉRIO DA FAZENDA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL COORDENAÇÃO DE ASSUNTOS TRIBUTÁRIOS COLENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS RAZOES DO RECURSO ESPECIAL E. Conselheiros I — DA SÍNTESE DOS FATOS Trata-se de auto de infração (fls. 629/643) lavrado em 07/08/2008 para exigir o crédito tributário de R$ 1.831.016,38, correspondente ao IPI, inclusos multa de oficio e juros de mora, e multa sobre IPI não lançado com cobertura de crédito, por ter o estabelecimento industrial promovido a saída de produtos tributados, com falta de lançamento de imposto e por erro de classificação fiscal, em relação aos produtos relacionados no Termo de Verificação Fiscal de fls. 621/628. Insurge-se a Fazenda Nacional contra o acórdão n9 3201-000.699, proferido pela Primeira Turma da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, no qual decidiu, pelo voto de qualidade, decidiu dar provimento ao recurso voluntário. Não obstante a argumentação do r. voto condutor, o aresto merece reforma, pois contrariou precedentes proferidos por outros órgãos julgadores deste Eg. Conselho. II— DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL • De acordo com o art. 67 do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais caberá recurso especial de decisão que der ã lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Camara, turma de câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Nos termos § 99 do art. 67, do RI-CARF, as ementas dos paradigmas serão reproduzidas no corpo do recurso, em sua integralidade. 0 Colegiado a quo deu provimento ao recurso voluntário, cancelando o Auto de infração lavrado para formalizar lançamento de IPI, por entender que "resta comprovado que a atividade da recorrente foi a prestação de serviços de composição e impressão gráficas personalizadas e sob encomenda de seus clientes, que estão evidentemente na esfera de incidência tributaria do imposto sobre serviços". 2 Fl. 901DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. • • MINISTÉRIO DA FAZENDA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL COORDENAÇÃO DE ASSUNTOS TRIBUTÁRIOS A ementa da decisão recorrida evidencia esse entendimento: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 30/06/2005 ISS. SERVIÇO GRÁFICO POR ENCOMENDA E PERSONALIZADO. A prestação de serviço gráfico, personalizado e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita unicamente ao ISS, não estando sujeito à incidência do IPI.". Em contraponto, em caso em tudo semelhante ao ventilado neste feito, a 24 Turma Ordinária da 34 Camara da 3 Seção e a 24 Câmara do 29 Conselho de Contribuintes adotaram tese jurídica diversa do acórdão recorrido. A fim de demonstrar a divergência ora arguida passa-se a transcrever as ementas dos acórdãos paradigmas: "Processo n9 11080.012977/200817 Recurso ri9 509.623 Voluntário Acórdão n2 3302001.767 — 3 Câmara / 2 4 Turma Ordinária Sessão de 22 de agosto de 2012 Matéria IPI Auto de Infração Recorrente IGEL S.A. EMBALAGENS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 30/04/2008 PERÍCIA HIPÓTESES DE REALIZAÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Indeferem-se os pedidos de perícia quando presentes nos autos elementos capazes de formar a convicção do julgador. SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI E INSUMOS DE ALÍQUOTA ZERO. MATÉRIA SUMULADA. INDEFERIMENTO SUMARIO. Indefere-se sumariamente a matéria objeto do recurso que tenha sido sumulada pelo Carf. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. APRECIAÇÃO ORIGINAL NO AMBIT() ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Falece atribuição ao Carf para apreciar originalmente o mérito de matéria constitucional, cabendo-lhe somente a aplicação de decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 30/04/2008 Fl. 902DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. MINISTÉRIO DA FAZENDA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL COORDENAÇÃO DE ASSUNTOS TRIBUTÁRIOS GLOSA DE CRÉDITOS. INSUMOS DESONERADOS. Somente são passíveis de aproveitamento na escrita fiscal do sujeito passivo os créditos concernentes a insumos onerados pelo imposto e admitidos segundo o entendimento albergado na legislação tributária. CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. INCENTIVO SETORIAL. REVOGAÇÃO. Como incentivo destinado ao setor exportador, o Crédito-Premio de IPI deixou de vigorar em 5 de outubro de 1990, conforme decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral. IPI. SERVIÇOS DE composIÇÃo GRÁFICA. INCIDÊNCIA. Os serviços de composição e impressão gráficas personalizadas estão sujeitos ao IPI, por representarem industrialização; Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas que entendiam incidir o ISS e não o IPI. Os conselheiros Walber José da Silva, Gileno Gurjcio Barreto e Maria da Conceição Arnaldo Jacó acompanharam o relator pelas conclusões. Naquilo que acompanharam o relator, os conselheiros Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas o fizeram pelas conclusões. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas fará declaração de voto." "Processo nQ : 11516.002130/2004-25 Recurso ng : 129.344 Acórdão n9: 202-17.046 Recorrente : PLASC — PLÁSTICOS SANTA CATARINA LTDA. Recorrida : DRJ em Porto Alegre — RS IPI. COAÇÃO. SOLUÇÃO DE CONSULTAS E DECISÕES DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Os atos baixados pela Administração Tributária bem como as decisões de primeira instancia são insuscetíveis de coagir os contribuintes a se declararem contribuintes do IPI. ERRO NAS DECLARAÇÕES. MINISTÉRIO DA FAZENDA Empresa que registrou contrato social declarando ter por objeto social a industria de embalagens e materiais plásticos em geral; • • 4 Fl. 903DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. MINISTÉRIO DA FAZENDA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL COORDENAÇÃO DE ASSUNTOS TRIBUTÁRIOS • que ajuizou quatro mandados de segurança que têm por objeto o WI e que aproveitou antecipadamente o crédito presumido, não incidiu em erro ao se declarar contribuinte do IPI perante o Fisco. FATO GERADOR. CARACTERIZAÇÃO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. EMBALAGENS PLÁSTICAS. A fabricação, sob encomenda, de embalagens plásticas por meio do processo industrial de extrus5o, ainda que eventualmente possam conter caracteres impressos, caracteriza o estabelecimento como executor de industrialização por encomenda e não como mero prestador de serviços de artes gráficas. GLOSA DE CRÉDITOS. FALTA DE RECOLHIMENTO. 0 saldo devedor apurado em decorrência de reconstituição de escrita fiscal após a glosa de créditos indevidos, rende ensejo ao lançamento de oficio. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por PLASC — PLÁSTICOS SANTA CATARINA LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Sidney Saraiva Apocalypse, OAB/SP n 2 42.293, advogado da recorrente." Para evidenciar o dissídio, transcrevem-se abaixo algumas passagens dos paradigmas: 4111 Acórdão n9: 202-17.046 "Por fim, cabe ressaltar que, conquanto no laudo técnico o parecerista tenha empregado um esforço hercúleo para demonstrar que os produtos são fabricados sob encomenda e que seguem rigorosas especificações dos encomendantes, tal fato não desnatura o critério material da regra-matriz de incidência do IPI e nem transforma num passe de mágica a empresa em contribuinte do ISS, pois se trata de estabelecimento industrial executor de industrialização por encomenda, na modalidade transformação (art. 42, inciso I, do RIPI/98), como deixam claro os desenhos e as especificações técnicas fornecidas pelos encomendantes (fls. 402 e seguintes)." Acórdão n9 3302001.767 Fl. 904DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. MINISTÉRIO DA FAZENDA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL COORDENAÇÃO DE ASSUNTOS TRIBUTÁRIOS "Inicia-se a análise pela Súmula STJ n. 156: A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, esta sujeita, apenas, no ISS. A aplicação da referida súmula, como comprovam os acórdãos que a embasaram (REsp n. 44.892, 61.914, 37.967, 33.414, 18.992, 37.548, 5.808 e 1.235), limita-se ao conflito entre ISS e ICMS, A vista de disposição expressa na lei que instituiu o ISS, muito embora o STJ a tenha aplicado ao suposto conflito entre ISS e IPI. Nessa visão, no caso de composição gráfica personalizada e sob encomenda, caracterizar-se-ia a natureza de prestação de serviço da operação e não a de venda de produto, ainda que houvesse fornecimento de mercadoria. Ao caso dos autos, seria o caso de saber se se aplicaria mais apropriadamente a Súmula n. 143 do extinto TFR Tribunal Federal de Recursos: Serviços de Composição e Impressão Gráficas ISS e IPI Os serviços de composição e impressão gráficas, personalizados, previstos no artigo 8 0, par. I°, do Decreto-Lei n°406, de 1968, com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n°834, de 1969, estão sujeitos apenas ao ISS, não incidindo o IPI. Entretanto, tal conclusão foi efetuada sob o regime constitucional anterior, o que não garante sua aplicação atual, conforme se verá mais adiante. No caso dos autos, no há dúvida de que todos os cartões foram confeccionados por encomenda, haja vista a inserção de dados que somente poderiam ser aproveitados ao encomendante. (...) Hi que se destacar, entretanto, que o entendimento do antigo TFR não se coaduna com o ordenamento jurídico atual, uma vez que, sob o regime constitucional anterior, o Decreto-lei n. 406, de 1968, determinava a incidência somente do ISS aos serviços constantes da lista de serviços, enquanto que a Lei Complementar n. 116, de 2003, passou a tratar apenas do conflito entre ISS e ICMS: Art. 1 2 L..] .. • • 6 Fl. 905DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. MINISTÉRIO DA FAZENDA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL COORDENAÇÃO DE ASSUNTOS TRIBUTÁRIOS 2° Ressalvadas as exceções expressas na lista anexa, os serviços nela mencionados não ficam sujeitos ao Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação — ICMS, ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadorias. I...1 Dessa forma, a própria jurisprudência do STJ que trata da exclusividade da incidência do ISS sobre serviços, relativamente ao IPI, torna-se duvidosa, pois a premissa de que a lei complementar determina a exclusividade é equivocada. Como se verá a seguir, toda a discussão jurisprudencial baseia-seno conflito ISS/ICMS, que é o estabelecido pela lei complementar. (...) Assim, para efeito do conflito entre ISS e ICMS, claramente a destinação do produto objeto do serviço é decisivo para determinar qual imposto incide. Se se tratar de serviço que conste da lista, mas aplicado a produto destinado a produção ou comercialização, incide o ICMS e não o ISS. Portanto, parece consolidada a definição dos critérios para resolver os conflitos de competência para instituição do ISS e do ICMS. Isto posto, passa-se a analisar a questão especifica do IPI, em relação ao qual, embora a Constituição tenha definido o imposto como incidente sobre produtos industrializados, não esclareceu a natureza especifica de seu fato gerador, matéria reservada ao CTN com base no art. 146 da Constituição. Nesse contexto, determina seu art. 46 que incide sobre a saída do produto industrializado, o que faz concluir que, industrializado o produto pelo estabelecimento, o fato gerador do imposto ocorre na sua saída. 0 capitulo em que se insere a regulação da hipótese de incidência é o de "Impostos sobre a Produção e a Circulação", que abrangia originalmente o IPI, o antigo ICM, o extinto imposto municipal sobre circulação de mercadorias, o 'OF, o extinto imposto sobre comunicação e transportes e o ISS. :71 Fl. 906DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. • MINISTÉRIO DA FAZENDA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL COORDENAÇÃO DE ASSUNTOS TRIBUTÁRIOS Não é difícil concluir que o IPI é um imposto sobre a produção, enquanto que o ICM e o ISS incidem sobre a circulação (o primeiro sobre a circulação de mercadorias e o segundo sobre a de serviços). Dai ser natural concluir que seria possível incidir o IPI conjuntamente com o ISS, por ser possível a incidência concomitante com o ICMS em ambos os casos, ocorreriam a incidência de um imposto sobre a produção e de outro sobre a circulação. JA o art. 22, II e § 29, da Lei n. 4.502, de 1964, dispõe o seguinte, corn o devido • destaque: Art. 2° - Constitui fato gerador do imposto: H — quanto aos de produção nacional, a saída do respectivo estabelecimento produtor. § 2 2 0 imposto é devido sejam quais forem as finalidades a que se destine o produto ou o titulo jurídico a que se faça a importação ou de que decorra a saída do estabelecimento produtor. Portanto, está claro que a hipótese de incidência do imposto, na descrição efetuada no CTN e na lei, tem dois componentes: a produção e a saída a qualquer titulo do produto do estabelecimento. Por sua vez, o art. 3, parágrafo único, esclarece que, "Para os efeitos deste artigo, considera-se industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto [...]". Nesse ponto, diferencia-se o ICMS (no caso de mercadorias) do ISS e do IN, pois enquanto que, em relação àquele, não há atividade adicional alguma do contribuinte de que dependa a ocorrência do fato gerador (basta a venda ou a revenda de mercadoria), no tocante ao IPI, a ocorrência do fato gerador depende de previa industrialização (ou produção) e, no caso do ISS, a incidência depende de uma prestação de serviço. No âmbito das diferenças entre obrigações definidas no direito civil critério repelido pelo STF como único aplicável à solução da questão na ADI citada, a hipótese de incidência do ISS depende de uma obrigação de fazer. Já o IPI 8 Fl. 907DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 1 , • • MINISTÉRIO DA FAZENDA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL COORDENAÇÃO DE ASSUNTOS TRIBUTÁRIOS depende de uma atividade de produção previa, enquanto que o ICMS depende apenas da circulação da mercadoria. A conjugação das hipóteses de incidência do IPI e do ISS ocorreria quando a obrigação de fazer comportasse uma atividade de industrialização. No entanto, aplicando o mesmo critério adotado pelo STF na ADI mencionada, conclui-se que a produção para o mercado, ainda que comporte um serviço contido na lista de serviços, descaracteriza a hipótese de incidência do ISS. Essa conclusão não se aplica unicamente ao caso do conflito ISS/ICMS, pois diz respeito à definição da hipótese de incidência do ISS: se o produto objeto da prestação de serviço destina-se ao mercado e não ao consumo do encomend ante, não ocorre o fato gerador do ISS. Portanto, sempre que não há serviço ou que a prestação de serviço não seja para consumo do encomendante, incidem ICMS e IPI. Mas dai e de toda a discussão anteriormente apresentada não decorre que, se incidir o ISS, não deva incidir o IPI. Se se admitir ser possível a prestação de serviço com industrialização, então tal industrialização faz parte da prestação de serviço. Portanto, o fato gerador do IPI estaria contido no fato gerador do ISS, caracterizando uma situação em que ao menos parte do fato gerador de um imposto seria fato gerador de outro, o que resultaria numa dupla tributação. Entretanto, não hi lei complementar modalidade legal eleita pela Constituição para tratar de conflitos de competência que afaste a incidência de um ou de outro tributo e, para afastar a legislação do IPI que não restringe o conceito de produção ou de industrialização nos termos anteriormente expostos, seria preciso aplicar o principio constitucional da capacidade contributiva para concluir que não poderiam incidir, no contexto exposto no parágrafo anterior, os dois impostos. Nesse contexto, não é possível ao Carf afastar a aplicação de lei no caso, as disposições do Regulamento do IPI anteriormente citadas por suposta inconstitucionalidade, conforme seu Regimento Interno (Anexo II A Portaria )t Fl. 908DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. MINISTÉRIO DA FAZENDA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL COORDENAÇÃO DE ASSUNTOS TRIBUTARIOS MF n. 256, de 2009), art. 62, e Súmula Carf n. 2 (Portaria Carf n. 106, de 21 de dezembro de 2009). Ademais, não haveria critério legal para decidir qual dos dois impostos incidiria na hipótese. (...) A vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Cabe notar que em todos os casos confrontados, os contribuintes alegavam que • se dedicavam à prestação de serviços de composição gráfica personalizada e sob encomenda, Contudo, tal circunstância não teve o condão de afastar o entendimento de que haveria incidência do IPI, seja porque não se aplicariam as Súmulas do STJ e do TRF por tratarem de situações diversas, consolidadas em momento jurídico distinto; seja porque não haveria como afastar, sem lei expressa nesse sentido, a incidência do IPI. Assim, resta patente a divergência jurisprudencial, já que enquanto o acórdão recorrido entendeu por afastar da incidência do IPI as saídas de serviços de composição gráfica, os acórdãos paradigmas entenderam pela incidência IPI sobre as saídas de serviços de composição gráfica, por representarem industrialização. Uma vez evidenciada a divergência jurisprudencial apontada, afiguram-se presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Especial por divergência nos termos do art. 67 do RICARF. Assim, passa-se a demonstrar doravante as razões pelas quais merece ser adotado o entendimento exarado no paradigma, reformando-se o julgado hostilizado. IV - DOS FUNDAMENTOS PARA REFORMA DO ACÓRDÃO RECORRIDO Inicialmente, observa-se que o contribuinte autuado alegou que se dedica â prestação de serviços de composição gráfica personalizada e sob encomenda. Nesse passo, importante frisar o que decidiu a respeito o voto vencido do acórdão ora impugnado proferido pelo Conselheiro Relator: "Quanto a alegação de que tais produtos tenham sido produzidos sob encomenda, registre-se que não entendo que restou comprovado que houve "industrialização por encomenda" (que permitiria operações com suspensão • 10 Fl. 909DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. MINISTÉRIO DA FAZENDA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL COORDENAÇÃO DE ASSUNTOS TRIBUTARIOS do IPI), uma vez que as encomendandes (os bancos, por exemplo) não terem enviado qualquer tipo de insumo ao estabelecimento da Recorrente". Ora, essa definição é primordial para analisar e concluir sobre o objeto deste recurso: se haveria a incidência ou não de IPI no caso. Contudo, ainda que considerada essa premissa irrelevante para o deslinde da presente controvérsia ou, mesmo se ultrapassada, na esteira do entendimento do que ficou consagrado no voto vencedor proferido pelo Redator designado, no sentido de que "resta comprovado que a atividade da recorrente foi a prestação de serviços de composição e impressão gráficas personalizadas e sob encomenda de seus clientes", ainda assim mereceria reforma a decisão recorrida. Para análise da questão cumpre verificar, em primeiro lugar, se existe alguma incompatibilidade entre a incidência do ISS e do IPI numa operação econômica em que para se prestar urn serviço é necessário industrializar urn produto e entregar uma mercadoria, tal como se dá no caso do serviço de artes gráficas. O ISS tem como fato gerador a prestação de serviços constantes da lista anexa LC 116/03, não estando tais serviços sujeitos ao ICMS, ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadorias (art. 1 9 e § 29). Dai já se pode concluir que existem serviços que trazem em seu bojo o fornecimento de mercadorias. Estas mercadorias não podem ser tributadas pelo ICMS, mas a legislação é silente quanto à incidência do IPI sobre as mercadorias que saem do estabelecimento em decorrência da prestação de um serviço. Já o IPI tem como fato gerador a industrialização e saída, do estabelecimento produtor, de produtos industrializados, conforme relacionados na Tabela de Incidência do IPI — TIPI (artigos 19, 29, II, e 39, da Lei 4.502/64). Portanto, para que uma operação esteja sujeita à incidência do IPI, basta que o estabelecimento industrialize um produto e a ele de saída, não importando a que titulo jurídico decorra a saída do estabelecimento produtor (art. 22, §29, da Lei 4.502/64). Por industrialização se compreende qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo as exceções legalmente previstas (art. 39, parágrafo único da Lei 4.502/64). Fl. 910DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. MINISTÉRIO DA FAZENDA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL COORDENAÇÃO DE ASSUNTOS TRIBUTÁRIOS Como se ye, das normas que determinam os campos de incidência do ISS e do IPI, não se deduz nenhum empecilho à eventual incidência de ambos sobre um mesmo fato econômico (o que não implica identidade de fato gerador, assevere-se). Com efeito, viu-se que existem serviços cuja prestação envolve o fornecimento de mercadorias e sobre esta saída de mercadorias não pode incidir o ICMS. Viu-se também que o fato gerador do IN é a saída, do estabelecimento, de produto por ele industrializado, não importando a que titulo se dê esta saída. A Lei não exige que seja uma venda. Assim, caso o serviço envolva o fornecimento de produto industrializado pelo • prestador de serviço, e que esteja relacionado na TIPI, ter-se-á consumado o fato gerador do IPI, mesmo em se tratando da prestação de um serviço, como no caso dos autos. Veja-se que, para o IPI, não existe a vedação expressa que existe para o ICMS na LC 116/03. Assim, verificada a ocorrência do fato gerador, tem plena incidência o tributo federal. Esta conclusão sobressai ainda mais cristalina quando se compara o artigo 8(2 do Decreto-Lei 406/68 com seu equivalente da Lei Complementar 116/03, o artigo 1 2 : Decreto-Lei n(2 406/68 Art 89 0 impOsto, de competência dos Municípios, sôbre serviços de qualquer natureza, tem como fato gerador a prestação, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo, de serviço constante da lista anexa. § 19- Os serviços incluidos na lista ficam sujeitos apenas ao impiisto previsto neste artigo, ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadoria. § 22 Os serviços não especificados na lista e cuja prestação envolva o fornecimento de mercadorias ficam sujeitos ao impôsto de circulação de mercadorias. § 29 0 fornecimento de mercadoria com prestação de serviços não especificados na lista fica sujeito ao impOsto sôbre circulação de mercadorias. (Redação dada pelo decreto Lei ni) 834, de 8.9.1969) (Revogado pela Lei Complementar ri9 116, de 31.7.2003) • LC n(2 116/03 Art. 1(2 0 Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, de competência dos Municípios e do Distrito Federal, tem como fato gerador a prestação de serviços 12 Fl. 911DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. • • MINISTÉRIO DA FAZENDA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL COORDENAÇÁO DE ASSUNTOS TRIBUTÁRIOS constantes da lista anexa, ainda que esses não se constituam como atividade preponderante do prestador. § 1 9 0 imposto incide também sobre o serviço proveniente do exterior do Pais ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior do Pais. § 29 Ressalvadas as exceções expressas na lista anexa, os serviços nela mencionados não ficam sujeitos ao Imposto Sobre Operações Relativas Circulação de Mercadorias e Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação — ICMS, ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadorias. Se sob a égide do Decreto de 1968 ainda se podia interpretar que os serviços incluídos na lista estariam sujeitos exclusivamente ao ISS, em função da palavra "apenas" no parágrafo primeiro do art. 89, hoje esta interpretação não mais é possível. A nova lei não di margem a dúvidas de que o fornecimento de mercadorias decorrente da prestação de serviços exclui unicamente a incidência do ICMS. Neste particular, é de se registrar que as súmulas 156 do STJ' e 143 do extinto TFR 2, que tratam do assunto, foram editadas i luz do Decreto-Lei 406/68, antes da Lei Complementar 116/03, não se aplicando, portanto, ao caso em apreço. Corno já dito, após a Lei Complementar 116/03, não hi dúvidas de que tão somente o ICMS guarda incompatibilidade com o ISS. Alem disso, evidencia-se a inaplicabilidade daqueles enunciados por tratarem de questões diversas da que estão sendo discutidas neste feito. Tratam os enunciados do conflito entre ISS e ICMS e não da compatibilidade desses tributos (sobretudo do ISS) com o IPI. Outra não foi a conclusão da DRJ de origem a respeito: "Na vida diária é comum a celebração de negócios jurídicos entre particulares que envolvem venda de mercadoria corn a concomitante prestação de serviços. Nestas operações, a possibilidade de conflito é grande e o critério jurídico para definir o âmbito de incidência do ISS e do ICMS consiste em Súmula STJ n.9 156. A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, esta sujeita, apenas, ao iss. (DJ 15/0411996) 2 Súmula TFR n.9 143. Os serviços de composição e impressão gráficas, personalizados, previstos no artigo 8 9, par. 1 9, do Decreto-Lei n 9 406, de 1968, com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n 9 834, de 1969, estão sujeitos apenas ao ISS, não incidindo o IPI. (DJ 22/11/1983) Fl. 912DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. MINISTÉRIO DA FAZENDA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL COORDENAÇÃO DE ASSUNTOS TRIBUTÁRIOS verificar se o negócio jurídico encerra obrigações de dar ou de fazer. Se do núcleo do vinculo jurídico entre os particulares resultar uma obrigação de dar alguma coisa que já exista (mercadoria), estaremos no âmbito de incidência do ICMS. Caso contrário, se o dar for mera conseqüência da obrigação de fazer algo que até então não existia, estaremos diante de uma prestação de serviço e, portanto, sob o âmbito da incidência do ISS. Visto que no dia-a-dia surgiriam inúmeros casos em que esta distinção não seria tão óbvia, o constituinte, para impedir uma verdadeira guerra entre Estados e Municípios, optou por remeter à lei complementar a definição casuística das hipóteses em que estaria excluída a incidência do imposto estadual, a teor do art. 156, III, da CF/88. Dai a razão de ser da publicação da lista de serviços sujeitos apenas ao ISS, anexa ao DL n9 406/68, o qual foi recepcionado pela CF/88 como lei complementar em razão da matéria nele veiculada. Assim dispõe o DL n9 406/68: Art. 8QO imposto, de competência dos Municípios, sobre serviços de qualquer natureza, tem como fato gerador a prestação, por empresa ou profissional autônomo, coin ou sem estabelecimento fixo, de serviço constante da lista anexa. § l Os serviços incluídos na lista ficam sujeitos apenas ao imposto previsto neste artigo, ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadorias. § 2-Q 0 fornecimento de mercadorias com prestação de serviços não especificados na lista fica sujeito ao Imposto Sobre Circulação de Mercadorias. 0 dispositivo acima visou tão-somente excluir a incidência do ICMS das operações constantes da lista de serviços. Como o DL nQ 406/68 foi editado por determinação constitucional para dirimir os conflitos de competência entre Estados e Municípios no âmbito do ICMS e ISS, o "apenas" que consta daquele dispositivo legal, visou a exclusão do ICMS sobre aquelas operações, sem atingir a incidência do imposto federal (IPI). Reforça esta interpretação, o § 211 supra, ao estabelecer a hipótese contrária, ou sej a, a incidência exclusiva do ICMS sobre a prestação de serviços não incluídos na lista, quando acompanhado do fornecimento de mercadorias. Esta interpretação foi chancelada pelo STJ na Súmula 156, verbis: Súmula 156 do STJ: A PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE composiçÃo GRAFICA, PERSONALIZADA E SOB ENCOMENDA, AINDA QUE ENVOLVA FORNECIMENTO DE MERCADORIAS, ESTA SUJEITA, APENAS, AO ISS. Na página do STJ na internet onde aparece a Súmula 156, constam como precedentes da Súmula os acórdãos proferidos nos Recursos Especiais n9 14 Fl. 913DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. • MINISTÉRIO DA FAZENDA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL COORDENAÇÃO DE ASSUNTOS TRIBUTÁRIOS 61.914-9/RS; 5.808-0/SP; 18.992-0/SP e 1.235/SP, cujas ementas vão a seguir transcritas, respectivamente: TRIBUTÁRIO. SERVIÇOS DE IMPRESSÃO GRÁFICA. INCIDÊNCIA. A prestação de serviços de impressão gráfica, personalizados e sob encomenda, está sujeita ao ISS, a teor do disposto no § 1 2 do art. 82 do Decreto-lei n 2 406/68. TRIBUTÁRIO — ISS — ICM — ETIQUETAS ADESIVAS FEITAS SOB ENCOMENDA — ADJUNÇÃO A PRODUTOS DESTINADOS A VENDA — DL 406/68 — C. CIVIL ART. 615, § 1 2• A composição de etiquetas adesivas, feitas sob encomenda de determinado cliente que as ajuntará a produtos finais como elemento de identificação, garantia, orientação ou embelezamento, é atividade descrita na lista anexa ao DL n2 406/68, como hipótese de incidência do ISS — não de ICM. A circunstância de tais etiquetas serem juntadas a produtos vendidos pelo encomendante, é irrelevante, pois a etiqueta terá perdido identidade, pelo fenômeno da adjunção (C. Civil, art. 615, § TRIBUTÁRIO — ICM — SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA — FOTOLITOGRAFIA — EMBALAGENS — NÃO INCIDÊNCIA — DL N 2 406/68, ART 8 2, § 1 2 - PRECEDENTES STJ. A legislação não faz distinção entre os serviços de composição gráfica, em geral, dos serviços personalizados feitos por encomenda. Os serviços dc composição gráfica realizados sob encomenda, na elaboração de embalagens, estão sujeitos ao ISS e não ao ICM. Recurso provido. TRIBUTÁRIO. SERVIÇO GRÁFICO POR ENCOMENDA E PERSONALIZADO. INCIDÊNCIA, APENAS, DE ISS. A feitura de rótulos, fitas, etiquetas adesivas e de identificação de produtos e mercadorias sob encomenda e personalizadamente, é atividade de empresa gráfica sujeita ao ISS, o que não se desfigura por utilizá-los o cliente e encomendante na embalagem de produtos por ele fabricados e vendidos a terceiros. Precedentes do STF c do STJ. Recurso provido. Conforme se pode constatar, é óbvio que o enunciado da Súmula 156 do STJ não pode ser aplicado ao caso concreto para afastar a incidência do IPI porque os precedentes que embasam a interpretação veiculada na Súmula referem-se apenas ao conflito de competências no âmbito do ISS e ICMS. Também é inaplicável ao caso concreto a Súmula 143 do extinto TFR, vazada nos seguintes termos: Súmula 143 do TFR: OS SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO E IMPRESSÃO GRÁFICAS, PERSONALIZADOS, PREVISTOS NO ARTIGO 8 2, § 1Q, DO DECRETO-LEI 1\1 2 406, DE 1968, COM AS ALTERAÇÕES INTRODUZIDAS PELO DECRETO-LEI N 2 834, DE 1969, ESTÃO SUJEITOS APENAS AO ISS, NÃO INCIDINDO 0 IPI. Fl. 914DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. • S MINISTÉRIO DA FAZENDA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL COORDENAÇÃO DE ASSUNTOS TRIBUTARIOS Conquanto o enunciado acima faça referência expressa ao IPI, a consulta A página de jurisprudência do TFR no endereço eletrônico do STJ na internet revela que a Súmula 143 foi publicada em 1984, sob a égide da CF/69, onde existiam problemas de conflito de competência entre a Unido e os Municípios, nos âmbitos de incidência do IPI, do IOF e do ISS, conforme a transcrição feita do excerto do artigo do Prof. Margal Justen Filho. Logo, corn o advento da nova ordem constitucional, o enunciado da Súmula 143 do TRF perdeu sua validade jurídica, mesmo porque aquela interpretação foi reformulada pela Súmula 156 do STJ. (--.) Portanto, não se pode aplicar o entendimento sumular mecanicamente aos casos concretos, sem antes analisar a similaridade do caso sub judice com os precedentes que originaram a sumula. E no caso dos autos, como já ficou assaz demonstrado, não existe nenhuma similaridade entre o caso concreto e os precedentes da Súmula 156 do STJ." Portanto, verificado o fato gerador do IPI, qual seja, a industrialização e saída, a qualquer titulo, de produtos listados na TIPI, é de direito que seja constituído o crédito tributário em face do estabelecimento produtor. Nesse sentido, vale a pena transcrever novamente trecho do acórdão ri9 3302- 001.767: "Dessa forma, a confecção de cartões magnéticos personalizados representa prestação de serviços, pois caracteriza uma operação de composição gráfica. (..) Hi que se destacar, entretanto, que o entendimento do antigo TFR não se coaduna com o ordenamento jurídico atual, uma vez que, sob o regime constitucional anterior, o Decreto-lei n. 406, de 1968, determinava a incidência somente do ISS aos serviços constantes da lista de serviços, enquanto que a Lei Complementar n. 116, de 2003, passou a tratar apenas do conflito entre ISS e ICMS: Art. 1L' [...] § 2° Ressalvadas as exceções expressas na lista anexa, os serviços nela mencionados mio ficam sujeitos ao Imposto Sobre Operações Relativas a Circulação de Mercadorias e Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação — ICMS, ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadorias. 16 Fl. 915DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. rpt•1 8,T4 nt! •Z:` • N.," -t-) rd.; • MINISTÉRIO DA FAZENDA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL COORDENAÇÃO DE ASSUNTOS TRIBUTÁRIOS [...] Dessa forma, a própria jurisprudência do STJ que trata da exclusividade da incidência do ISS sobre serviços, relativamente ao IPI, torna-se duvidosa, pois a premissa de que a lei complementar determina a exclusividade é equivocada. Como se verá a seguir, toda a discussão jurisprudencial baseia-se no conflito ISS/ICMS, que é o estabelecido pela lei complementar. A Primeira Instância analisou a questão de maneira brilhante, uma vez que o seu cerne diz respeito a distinção entre os fatos geradores. De fato, se da saída dos produtos do estabelecimento decorre a realização de dois fatos geradores distintos (prestação de serviço e saída de produto industrializado), em tese incidem os dois impostos. (...) Não é difícil concluir que o IPI é um imposto sobre a produção, enquanto que o ICM e o ISS incidem sobre a circulação (o primeiro sobre a circulação de mercadorias e o segundo sobre a de serviços). Dai ser natural concluir que seria possível incidir o IPI conjuntamente com o ISS, por ser possível a incidência concomitante com o ICMS em ambos os casos, ocorreriam a incidência de um imposto sobre a produção e de outro sobre a circulação. JA o art. 2°, II e § 29, da Lei n. 4.502, de 1964, dispõe o seguinte, com o devido destaque: (...) Portanto, está claro que a hipótese de incidência do imposto, na descrição efetuada no CTN e na lei, tem dois componentes: a produção e a saída a qualquer titulo do produto do estabelecimento. Por sua vez, o art. 3Q, parágrafo único, esclarece que, "Para os efeitos deste artigo, considera-se industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto [...]". Nesse ponto, diferencia-se o ICMS (no caso de mercadorias) do ISS e do IPI, pois enquanto que, em relação Aquele, não hi atividade adicional alguma do contribuinte de que dependa a ocorrência do fato gerador (basta a venda ou a revenda de mercadoria), no tocante ao IPI, a ocorrência do fato gerador depende de previa industrialização (ou produção) e, no caso do ISS, a incidência depende de uma prestação de serviço. No âmbito das diferenças entre obrigações definidas no direito civil critério repelido pelo STF como único aplicável ã solução da questão na ADI citada, a hipótese de incidência do ISS depende de uma obrigação de fazer. JA o rP Fl. 916DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. MINISTÉRIO DA FAZENDA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL COORDENAÇÃO DE ASSUNTOS TRIBUTÁRIOS IPI depende de uma atividade de produção previa, enquanto que o ICMS depende apenas da circulação da mercadoria. A conjugação das hipóteses de incidência do IPI e do ISS ocorreria quando a obrigação de fazer comportasse uma atividade de industrialização. No entanto, aplicando o mesmo critério adotado pelo STF na ADI mencionada, conclui-se que a produção para o mercado, ainda que comporte um serviço contido na lista de serviços, descaracteriza a hipótese de incidência do ISS. Essa conclusão não se aplica unicamente ao caso do conflito ISS/ICMS, pois diz respeito h definição da hipótese de incidência do ISS: se o produto • objeto da prestação de serviço destina-se ao mercado e não ao consumo do encomend ante, não ocorre o fato gerador do ISS. Portanto, sempre que não há serviço ou que a prestação de serviço não seja para consumo do encomendante, incidem ICMS e IPI. Mas dai e de toda a discussão anteriormente apresentada não decorre que, se incidir o ISS, não deva incidir o IPI. Se se admitir ser possível a prestação de serviço com industrialização, então. Portanto, o fato gerador do IPI estaria contido no fato gerador do ISS, caracterizando uma situação em que ao menos parte do fato gerador de um imposto seria fato gerador de outro, o que resultaria numa dupla tributação. Entretanto, não há lei complementar modalidade legal eleita pela Constituição para tratar de conflitos de competência que afaste a incidência de um ou de outro tributo e, para afastar a legislação do IPI que não restringe o conceito de produção ou de industrialização nos termos anteriormente expostos, seria preciso aplicar o principio constitucional da capacidade • contributiva para concluir que não poderiam incidir, no contexto exposto no parágrafo anterior, os dois impostos. Nesse contexto, não é possível ao Carf afastar a aplicação de lei no caso, as disposições do Regulamento do IPI anteriormente citadas por suposta inconstitucionalidade, conforme seu Regimento Interno (Anexo II á. Portaria MF n. 256, de 2009), art. 62, e Súmula Carf n. 2 (Portaria Carf n. 106, de 21 de dezembro de 2009). Ademais, não haveria critério legal para decidir qual dos dois impostos incidiria na hipótese." Em acréscimo a essas conclusões, cumpre enfatizar o entendimento da DRJ de origem no mesmo sentido: 18 Fl. 917DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. • • • MINISTÉRIO DA FAZENDA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL COORDENAÇÃO DE ASSUNTOS TRIBUTÁRIOS "SO seria jurídico excluir a incidência do IPI se houvesse previsão expressa em lei excluindo do conceito de industrialização a atividade de artes gráficas, a exemplo do que ocorre com os casos elencados no art. 5°, do RIPI/2002 (exclusões ao conceito de industrialização), sendo que a existência de alguns julgados neste sentido não autoriza a aplicação do mesmo entendimento ao caso presente, porque o Tribunal não está impedido de rever este equivocado entendimento. Considerando que à luz da CF/88 o IPI tem vida autônoma; não interfere e nem sofre interferência por parte dos impostos municipal e estadual; a conclusão só pode ser no sentido de que a impugnante, ao prestar serviços de artes gráficas e exercer uma operação de industrialização prevista no art. 4°, I, da Lei n° 5.402/64, está sujeita à incidência do imposto federal sobre o resultado daquela operação; e ao imposto municipal, sobre o serviço prestado." Ainda, vale ressaltar que a jurisprudência tern adotado urn conceito bastante amplo para o termo industrialização. E, de fato, não poderia ser de outra forma, diante do que dispõe a Lei 4.502/64 (art. 39, parágrafo único) e o próprio CTN (art. 46, parágrafo único), sobre o que se considera industrialização. Assim, já decidiu o TRF da 24 Região que ate mesmo o bacalhau, seco e salgado, tem a natureza de produto industrializado, diante das alterações promovidas no produto. TRIBUTÁRIO. IPI. BACALHAU (PEIXE SECO E SALGADO). PROCESSO DE ALTERAÇÃO DE SUA APRESENTAÇÃO NATURAL. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. 1. 0 bacalhau seco e salgado não se apresenta como retirado da natureza. 0 peixe passou por operações de evisceração, retirada de cabeça, limpeza, secagem e, finalmente, a salga. A sua aparência foi indiscutivelmente modificada. 2. 0 Poder Executivo incluiu o peixe seco e salgado na Tabela de Incidência do Imposto Sobre Produtos Industrializados, através de decreto; a Lei n9 4.502/1964 considerou industrialização qualquer operação que altere a apresentação da mercadoria. 3. Assim, o bacalhau seco e eviscerado, sem cabeça e salgado é produto industrializado, pois tais operações alteraram a apresentação que o peixe tinha quando pescado. Fl. 918DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Nestes termos, pede deferimento. Brasilia, DF, 6 de setem 3. MINISTÉRIO DA FAZENDA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL COORDENAÇÃO DE ASSUNTOS TRIBUTÁRIOS 4. A apelada submete-se ao recolhimento do IPI quando do desembaraço aduaneiro do produto (peixe seco e salgado) de procedência estrangeira, nos termos do artigo r da Lei n2 4.502/1964 e artigo 34 do Decreto n2 4.544/2002. 5. Apelo e remessa necessária a que se di provimento. (AMS 2002.51.10.009884-3, Relator Des.Fed.Luiz Antonio Soares - 4a.Turma Especializada, Julgado em 27/03/2007) Por todo o exposto, impõe-se a reforma do acórdão recorrido, restabelecendo-se o lançamento em sua inteireza. V — PEDIDO Ante o exposto, requer a Fazenda Nacional que: (a) seja conhecido o presente recurso, face i observância aos requisitos de admissibilidade previstos art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF n2 256, de 22 de junho de 2009; (b) seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido restabelecendo-se o lançamento em sua integralidade. PATRÍCIA M IrTOSA DE OLIVEIRA Procuzyl ta a Fazenda Nacional • • 20 Fl. 919DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO-SEGUNDA CÂMARA Recurso = TERMO DE JUNTADA Nesta data, juntei ao presente processo o documento de folhas871a881 que passam a fazer parte do mesmo .Encaminha=se ao.PRESIDENTE DA CAMARA EM,11.de..SETEMBRO.de 2.013 il RUY DE A • • II k ■ t ASTOS w‘16 • Funcioná io da Camara Fl. 920DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. em brariC0 Fl. 921DF CARF MF Documento de 44 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0217.14001.DQGH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento autenticado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Corresponde à fé pública do servidor, referente à igualdade entre as imagens digitalizadas e os respectivos documentos ORIGINAIS. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por RUY DE AZEVEDO BASTOS em 11/09/2013 08:16:13. Documento autenticado digitalmente por RUY DE AZEVEDO BASTOS em 11/09/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA DE FATIMA ALVES DE ALBUQUERQUE em 24/02/2017. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP24.0217.14001.DQGH Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10882.002586/2008-88. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10120.004782/2003-02
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário:
1998
DECLARAÇÕES. ERRO DE FATO. RETIFICAÇÃO.
Comprovado o erro de fato nas declarações prestadas à SRFB deve ser
revisto o valor confessado em DCTF fazendo surgir o indébito tributário utilizado para extinção do crédito tributário em período subsequente, tornando improcedente o lançamento realizado mediante auditoria eletrônica.
Numero da decisão: 1803-001.169
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: DCTF_CSL - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (CSL)
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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ERRO DE FATO. RETIFICAÇÃO. Comprovado o erro de fato nas declarações prestadas à SRFB deve ser revisto o valor confessado em DCTF fazendo surgir o indébito tributário utilizado para extinção do crédito tributário em período subsequente, tornando improcedente o lançamento realizado mediante auditoria eletrônica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, João Carlos Figueiredo Neto e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Relatório Fl. 127DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 13/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 CENTAURO GRÁFICA E EDITORA LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ BRASÍLIA (DF), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Versa o presente processo sobre Auto de Infração — CSLL/1998 Declaração de Contribuições e Tributos Federais, ano calendário de 1998, folha 26, no qual é exigido da interessada supra identificada o crédito tributário no valor de R$ 40.144,86, pelas razões constantes As folhas 27/31. Cientificada, a contribuinte apresentou impugnação (folha 01), alegando cm síntese, que: o DARF foi recolhido no respectivo vencimento, no código 6012, cm 30/10/1998, com compensação de R$ 1.274,41, referente A retenção por órgãos públicos; compensação de R$ 4.360,12 referentes a R$ 4.167,80 e R$ 192,32 pagos a maior nos 1º e 2º trimestres, nos meses de fevereiro e maio de 1998, respectivamente, conforme cópia do DARF e demonstrativos das compensações em anexo; com referência ao pagamento não encontrado no valor de R$ 11.187,13, foi pago através de DARF no respectivo vencimento do trimestre, conforme cópia do DARF cm anexo. Por fim, provado pelos comprovantes de recolhimento, em anexo, não pode o Auto de Infração prosperar. Antes do envio da impugnação à DRJ Brasília, o lançamento foi objeto de revisão de ofício por parte da unidade de origem, culminando com a exclusão do lançamento relativo ao DARF de R$ 11.187,13 que foi localizado no sistema da Receita Federal do Brasil. A DRJ BRASÍLIA (DF), através do acórdão nº 0330.067, de 26 de março de 2009 (fls. 81/83), julgou procedente em parte o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO CSLL Anocalendário: 1998 PROVAS/DCTF Se na fase impugnatória a contribuinte comprovar a improcedência do lançamento referente a tributos informados em DCTF, seja por recolhimentos já efetuados ou por outra razão qualquer, há que se cancelar a importância da exigência fiscal correspondente. Por outro lado será mantido o valor do crédito tributário cujo recolhimento não for comprovado. Ciente da decisão em 20/04/2009, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 95), apresentou o recurso voluntário em 18/05/2009 fls. , onde reitera os argumentos de que efetuou compensação com valores recolhidos a maior no 1º e 2º Trimestres de 1998, aduzindo a alegação de prescrição intercorrente. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 13/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10120.004782/200302 Acórdão n.º 1803001.169 S1TE03 Fl. 121 3 É o relatório. Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de lançamento de ofício decorrente de auditoria de DCTF por não terem sido localizados pagamentos vinculados ao débito de CSLL relativo ao 3º Trimestre de 1998. Alega a recorrente em síntese: a) Ter havido prescrição intercorrente pela demora na apreciação da impugnação e ter sido intimada do acórdão da DRJ após decorrido mais de 05 (cinco) anos da constituição definitiva do crédito tributário; b) A improcedência do lançamento de ofício em virtude de ter efetuado a compensação do débito apontado com créditos decorrentes de pagamentos a maior de CSLL relativos ao 1º e 2º Trimestre de 1998; c) Afirma outrossim, que efetuou pedido de retificação das DCTFs e que embora o pedido tenha sido indeferido, tal decisão não mais teria o efeito de alterar as retificações efetuadas, pela mudança legislativa que permitiu a retificação de declarações sem prévia oitiva da Administração Tributária. Com relação a preliminar de prescrição de intercorrente é de se rejeitar de pronto a alegação. Com efeito, conforme entendimento sedimentado na Súmula CARF nº 11, verbis: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Considerando a vinculação regimental de reprodução obrigatória das Súmulas deste colegiado administrativo conforme artigo 72 do RICARF rejeito a preliminar de prescrição intercorrente. Quanto ao mérito assiste razão à interessada. Com efeito, conforme se depreende dos elementos contidos nos autos, tanto a a DIPJ original e retificadora (fls. 11/12), já apresentavam o montante reconhecido como devido pela recorrente à título de CSLL nos 1º e 2º Trimestre de 1998. O quadro abaixo demonstra a situação das DIPJ’s original e retificadora apresentadas: Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 13/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Trimestre CSLL apurada Fonte CSLL a pagar 1º Trimestre 1998 20.225,67 149,83 20.075,84 2º Trimestre 1998 28.955,03 238,95 28.716,13 Considerando os recolhimentos efetuados no período e confirmados no sistema SINAL da RFB (fl. 35), temos: Trimestre CSLL a pagar CSLL recolhida Saldo 1º Trimestre 1998 20.075,84 24.243,64 (4.167,80) 2º Trimestre 1998 28.716,13 28.908,46 (192,33) Os recolhimentos a maior de R$ 4.167,80 no 1º Trimestre de 1998 e R$ 192,33 no 2º Trimestre de 1998, constam detalhados no espelho da DIPJ retificadora (fls. 39/40) apresentada em 25/10/2002. No tocante as DCTF’s apresentadas somente constam dos autos as originais (fls. 13/14), já que as retificadoras foram indeferidas por despacho decisório de 08 e 09/08/2001 (fls. 50/52 e 53/55). Assim revelase totalmente descabida a afirmação de que não existe pagamento a maior conforme aventado no despacho de revisão de ofício do lançamento e reiterado na decisão de primeira instância. Assiste razão à recorrente também ao afirmar que o despacho decisório que indeferiu as DCTFs retificadoras foi prolatado já na vigência da novel legislação que dispensa a prévia oitiva da Administração Tributária. Com efeito, conforme com muita propriedade apontou a recorrente os efeitos do art. 19 da MP 1990/99, foram estendidos a todos os pedidos de retificação ainda não apreciados até a edição da mencionada norma, conforme entendimento da própria Administração Tributária, contida no AD nº 10/2000: Ato Declaratório SRF nº 010, de 23 de fevereiro de 2000 DOU de 25/02/2000, pág. 9 Dispõe sobre a retificação de declaração de impostos e de contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, a que se referem as Instruções Normativas SRF nº 165, e nº 166, de 23 de dezembro de 1999. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto no art. 19 da Medida Provisória nº 1.990, de 14 de dezembro de 1999, e no art. 18 da Medida Provisória nº 1.99029, de 10 de março de 2000, declara que as disposições constantes das Instruções Normativas SRF nº 165 e nº 166, de 23 de dezembro de 1999, alcançam, inclusive, as solicitações de retificação de declarações apresentadas até 14 de dezembro de 1999 e ainda não apreciadas pelas Delegacias e Fl. 130DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 13/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10120.004782/200302 Acórdão n.º 1803001.169 S1TE03 Fl. 122 5 Inspetorias da Receita Federal quando da edição dos referidos atos. EVERARDO MACIEL Ocorre que mencionados atos editados até aquele momento pela Secretaria da Receita Federal do Brasil somente atingiram a DIPJ e DITR apresentados por pessoa jurídica. No tocante à DCTF permaneceu a obrigatoriedade de análise por parte da Administração Tributária até a edição da Instrução Normativa 255/2002. No entanto, conforme se verifica dos despachos decisórios de indeferimento das DCTF’s retificadoras(fls. 50/52 e 53/55), a singela análise não apreciou as DIPJ’s apresentadas bem como limitouse a afirmar que não era possível determinar o imposto e contribuições devidos trimestralmente através da escrituração apresentada. Destarte, verificado e confirmado o erro de fato nas DCTFs apresentadas, não há impedimento em acolher a sua retificação fazendo surgir o indébito tributário que foi compensado pela recorrente no 3º trimestre de 1998. Ante o exposto, voto por dar provimento integral ao recurso. (assinatura digital) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 131DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 13/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 19515.002341/2007-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004, 2007
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DOLO E/OU FALSIDADE. INAPLICABILIDADE. PAGAMENTO REALIZADA EM DATA ANTERIOR A TRANSMISSÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO.
Inaplicável a imposição de multa isolada previsto no artigo 18, da Lei nº 10.833/2003, quando não restar comprovado pela autoridade fiscal a falsidade da compensação efetuada pelo contribuinte.
O fato do contribuinte utilizar crédito derivado de Reclamação Trabalhista de Terceiros (JCBV-054/90) de natureza não tributária, por si só, não é elemento suficiente para concluir pela falsidade nas compensações efetuadas.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA. APLICABILIDADE. PAGAMENTO REALIZADO APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL.
O débito indevidamente compensado enseja a aplicação da multa isolada nos termos do artigo 18 da Lei 10.833/2003.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3302-003.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para manter a multa de 75% em relação aos fatos geradores para os quais não houve recolhimento ou houve recolhimento após o início da fiscalização.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 13/03/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente substituto da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Hélcio Lafetá Reis, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2004, 2007 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DOLO E/OU FALSIDADE. INAPLICABILIDADE. PAGAMENTO REALIZADA EM DATA ANTERIOR A TRANSMISSÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. Inaplicável a imposição de multa isolada previsto no artigo 18, da Lei nº 10.833/2003, quando não restar comprovado pela autoridade fiscal a falsidade da compensação efetuada pelo contribuinte. O fato do contribuinte utilizar crédito derivado de Reclamação Trabalhista de Terceiros (JCBV-054/90) de natureza não tributária, por si só, não é elemento suficiente para concluir pela falsidade nas compensações efetuadas. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA. APLICABILIDADE. PAGAMENTO REALIZADO APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. O débito indevidamente compensado enseja a aplicação da multa isolada nos termos do artigo 18 da Lei 10.833/2003. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004, 2007 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DOLO E/OU FALSIDADE. INAPLICABILIDADE. PAGAMENTO REALIZADA EM DATA ANTERIOR A TRANSMISSÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. Inaplicável a imposição de multa isolada previsto no artigo 18, da Lei nº 10.833/2003, quando não restar comprovado pela autoridade fiscal a falsidade da compensação efetuada pelo contribuinte. O fato do contribuinte utilizar crédito derivado de Reclamação Trabalhista de Terceiros (JCBV054/90) de natureza não tributária, por si só, não é elemento suficiente para concluir pela falsidade nas compensações efetuadas. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA. APLICABILIDADE. PAGAMENTO REALIZADO APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. O débito indevidamente compensado enseja a aplicação da multa isolada nos termos do artigo 18 da Lei 10.833/2003. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para manter a multa de 75% em relação aos fatos geradores para os quais não houve recolhimento ou houve recolhimento após o início da fiscalização. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 23 41 /2 00 7- 22 Fl. 467DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. EDITADO EM: 13/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente substituto da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Hélcio Lafetá Reis, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Tratase de Auto de Infração objetivando a cobrança de R$ 4.193.869,73, cujo crédito tributário versa sobre falta/insuficiência de recolhimento da COFINS, fato gerador 31/08/2004 e da Multa Regulamentar, decorrente da compensação indevida de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com títulos da Dívida Pública. O demonstrativo abaixo apresenta a composição do débito: Contribuição p/Financiamento S. Social Contribuição R$ 596.824,16 Juros de Mora R$ 253.530,90 Multa R$ 447.618,12 Multa/Juros Diversos Independentes Multa R$ 2.895.896,55 Juros Isolados R$ 0,00 Total Crédito Tributário do Processo R$ 4.193.869,73 O crédito tributário é originário dos pedidos de compensação apresentados pela Recorrente sob os nºs 14980.92991.061104.1357.7241 e 03107.24356.061004.1357.3726, controladas pelo processo nº 10880.720778/200628, os quais foram indeferidos através do despacho decisório carreados às fls. 4244, cuja ementa restou assim sintetizada: COMPENSAÇÃO DE DÉBITO. SUPOSTO CRÉDITO OFERECIDO ORIUNDO DE RECLAMAÇÃO TRABALHISTA. CONSIDERADA INEFICAZ A COMPENSAÇÃO. Fl. 468DF CARF MF Processo nº 19515.002341/200722 Acórdão n.º 3302003.621 S3C3T2 Fl. 3 3 É considerada ineficaz desde a origem a compensação em que o crédito oferecido seja de terceiros ou não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal . Intimada do Auto do Infração, a Recorrente apresentou impugnação (fls.114 139, requerendo, em síntese: (i) Quanto ao débito de Cofins; (i.1) seja corrigido o recálculo feito pela d. fiscalização com relação ao valor da COFINS relativa ao mês de agosto de 2007, de maneira a nele incluir tanto o Crédito de Estoque de Abertura no valor de R$ 44.041,13, quanto o pagamento realizado em 31/05/2007 no valor de R$ 552.479,72; (i.2) apurado o correto valor da COFINS devido, seja reconhecido o pagamento de R$ 303,31 realizado pela Impugnante em 27/09/2007 e, com isso, seja considerado integralmente quitado este item da autuação fiscal; e (i.3) seja reconhecido o pagamento integral, com o benefício de redução de 50% previsto na Lei nº 8.218/91, da multa de ofício lançada sobre o valor correto da COFINS apurado. (ii) Quanto a multa de 75%; (ii.1) seja cancelada integralmente a multa isolada lançada, tendo em vista que nas DCOMPs transmitidas não houve indicação de qualquer débito, uma vez que os valores informados a esse título em verdade correspondiam a tributos já devidamente pagos pela Impugnante; e (ii.2) se acolhido o pedido anterior mas reconhecida a possibilidade de cobrança da multa isolada sobre o débito da COFINS autuado, seja cancelada tal cobrança em razão de consistir em "bis in idem", o que é vedado pela atual legislação tributária vigente. Em 21de junho de 2011, a 6ª Turma da DRJ/SP1, por unanimidade votos, deu parcial provimento a impugnação da Recorrente, para reduzir o valor da COFINS de R$ 596.824,16 para R$ 552.783,03, com a cobrança da multa de ofício e juros regulamentares, imputando os pagamentos realizados pela contribuinte ao longo do procedimento fiscal e, para manter o lançamento da Multa Isolada de R$ 2.895.896,55, pela compensação indevida efetuada pelo sujeito passivo (fls.177202). A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 12.11.2011 (fls. 210) e interpôs recurso voluntário em 09.12.11 (fls. 211237) somente relação a manutenção da multa isolada, deixando de recorrer em relação ao débito da COFINS no valor de R$ 552.783,03. Remetido o processo à este Tribunal, a antiga Turma decidiu por meio da resolução 3302000.345 (fls.271276), converter o julgamento em diligência nos seguintes termos: Pedi vista destes autos para melhor analisar a matéria fática nele discutida. Em síntese, tratase de duas Declarações de Compensação, sendo que a discussão referese à multa incidente sobre a compensação indevida e a base utilizada para o cálculo desta multa foi todo o valor compensado. Ocorre que o contribuinte alega que pagou todo o tributo que devia, a saber: "3726" débito de R$ 193.845,00 neste caso a Recorrente diz que o valor já estaria pago via DARF, mas mesmo assim teria sido compensado depois, como se estivesse em aberto. "7241" R$ 3.667.350,40 (destes R$ 3.114.567,37 a Recorrente também alega que já teriam sido pagos) sobrando R$ 552.783,03 + 75% de multa. A meu sentir a alegação de pagamento altera o deslinde da questão, uma vez que o pagamento consiste em uma das formas de extinção do crédito tributário. Fl. 469DF CARF MF 4 Registra o contribuinte que esta informação (pagamento) não está neste processo, mas consta de processo específico que controla a compensação, o qual não está sob nossa análise. Em virtude deste fato, voto por converter o presente julgamento em diligência para requerer à autoridade administrativa competente que traga aos autos as principais peças do mencionado processo administrativo (10880.720778/200628). Requerse, ainda, que o contribuinte seja intimado a trazer aos autos a comprovação dos pagamentos alegados (ou as informações suficientes acerca destes pagamentos), no prazo de 30 dias Anexados os documentos deverá a autoridade administrativa avaliar os mesmos e concluir se houve o pagamento alegado, bem como se estes foram realizados antes do auto de infração. Após, o contribuinte deverá ser cientificado do resultado da diligência, sendolhe concedido prazo de 30 dias para manifestação. A fiscalização, por sua vez, deu cumprimento as determinações contidas na referida resolução e apresentou cópia do processo administrativo nº 10880.720778/200628 (fls.278364 e 365451) e relatório de diligência fiscal (fls. 452455) com as seguintes considerações: Permanece em litígio pelo presente processo o lançamento da multa isolada por compensação indevida decorrente da utilização de créditos de natureza não tributária nos termos do artigo 18 da Lei 10.833/2003, cuja base de cálculo correspondeu ao montante dos débitos declarados pelas PER/DCOMP 03107.24356.061004.1.3.573726 e 14980.92991.061004.1.3.577241. Considerando a alegação do contribuinte de que houve o pagamento dos débitos indevidamente compensados, cuja certificação se mostra relevante para o "deslinde da questão, a Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais converteu o julgamento em diligência para, em síntese, solicitar que a unidade preparadora traga aos autos as principais peças dos processo que controla a compensação (PAF 10880.720778/200628) bem como avalie se houve o alegado pagamento e se estes foram realizados antes do auto de infração. Dessa forma, em atendimento a presente solicitação, foi juntado aos autos cópia integral do processo 10880.720778/200628, refere a análise dos pedidos de compensação, e elaborado demonstrativo, separado por PER/DCOMP, identificando os débitos indevidamente compensados, bem como os respectivos pagamentos por data e valor do débito liquidado. Assim dá análise do demonstrativo elaborado com base nos documentos que instruem o processo concluise: A) Em relação a PER/DCOMP 3726, com exceção dos acréscimos legais relativos ao IRRF sobre aluguéis da 3º semana de dezembro de 2003, no montante de R$ 20.33, os demais débitos foram recolhidos antes do início do procedimento fiscal (considerando como termo inicial 26/04/2007, data da ciência do Termo de Intimação que iniciou o procedimento resultante na lavratura do auto de infração, fls.50/51). B) Já em relação a PER/DCOMP 7241, dos débitos declarados passíveis de exigência no montante de R$ 756.379,13, débitos apurados conforme decidido de acórdão de primeira instância administrativa (COFINS de agosto de 2004 no valor de R$ 552.783,03) e Termo de Verificação Fiscal (IPI 3º Dec. de junho de 2003 no valor de 4.615,93), R$ 557.398,96 foram recolhidos após o início do procedimento fiscal e R$ 198.980,17 em datas anteriores ao seu início. Fl. 470DF CARF MF Processo nº 19515.002341/200722 Acórdão n.º 3302003.621 S3C3T2 Fl. 4 5 Portanto, do total dos débitos indevidamente compensados, não houve o recolhimento de R$ 20,33 e R$ 557.398,96 foram recolhidos após o início do procedimento fiscal. Intimada do resultado da diligência em 09.04.2015 (fls.458), a Recorrente não apresentou manifestação sobre as conclusões apresentados no relatório de diligência fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 12.11.2011 e protocolou Recurso Voluntário em 09.12.2011, dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Questões preliminares A Recorrente em sede recursal não arguiu questões preliminares, restringindo seu inconformismo apenas em relação a aplicação da Multa Isolada de R$ 2.895.896,55 tipificada no artigo 18, da Lei nº 10.833/2003. Neste ponto, destacase que a Recorrente alega (i) que o fato dos débitos terem sido pagos em data anterior ao início do procedimento fiscal é causa de excludente de ílicitude; (ii) que há ofensa ao princípio da tipicidade cerrada, considerando que a fiscalização alterou o conceito previsto na referida legislação para aplicação da multa isolada; (iii) há "Bis in idem" na autuação, na medida em que o contribuinte já sofreu aplicação da multa de ofício de 75%, calculada sobre o débito da COFINS, no valor de R$ 552.783,03; e (iv) é inaplicável os juros SELIC sobre a multa. Deste modo, passase a análise dos argumentos suscitados pela Recorrente. III Questões de Mérito Inicialmente é importante registrar que a fiscalização certificou que do total dos débitos indevidamente compensados, objeto nas PER/DCOMP que deram origem ao crédito tributário, não houve o recolhimento de R$ 20,33 e R$ 557.398,96 (COFINS de agosto de 2004 no valor de R$ 552.783,03 e IPI 3º Dec. de junho de 2003 no valor de 4.615,93), os quais foram recolhidos após o início do procedimento fiscal. Acrescente à isso, que a maioria dos débitos declarados nas PER/DCOMP´s nºs 14980.92991.061104.1357.7241 e 03107.24356.061004.1357.3726 já estavam extintos pelo pagamento em data anterior a transmissão das referidas declarações. Ou seja, boa parte 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 471DF CARF MF 6 dos débitos já haviam sido pagos em data anterior transmissão das declarações e consequentemente de qualquer procedimento fiscal. Tal fato, a priori, no entender deste Relator é deverás importante para comprovar, ainda que parcialmente, as alegações apresentadas pela Recorrente no sentido que os débitos informados na DCOMP não eram devidos e que o procedimento por ela adotado ocorreu de forma equivocada, sem a intenção de burlar o sistema e causar dano ao erário. Com efeito, a conduta motivadora da aplicação da penalidade foi praticada pela transmissão das Declarações de Compensação (DComp) n°s 14980.92991.061104.1357.7241 e 03107.24356.061004.1357.3726, que no entender da autoridade fiscal, a Recorrente utilizou indevidamente créditos de natureza não tributária para compensar os débitos declarados (fls.98), senão vejamos: "...Tratandose de crédito derivado de Reclamação Trabalhista de Terceiros (JCBV054/90), constatase que o crédito pleiteado pelo contribuinte é de natureza não tributária, conforme tipificado no art. 18, caput e §2º, da Lei nº 10.833/2003 (texto original) para as DCOMP´s entregues até 29/12/2004, sendo aplicável multa isolada à alíquota de 75% sobre o montante indevidamente compensado. Ainda hoje, com o texto legal da Lei 10.833/2003 alterado pela Lei 11.196/2005 e pela Lei 11.488/2007, permanece o cabimento da aplicação da multa isolada para o caso sob análise, tendo em vista tratarse de compensação através da utilização de créditos que não se referem a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, bem como de créditos de terceiros (art. 18, §4º, da Lei 10.833/2003, com redação dada pela Lei 11.051./2004 e Lei 11.488/2007). A base de cálculo para a multa isolada ora lançada é o valor correspondente às diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida, entendido como o valore total do débito indevidamente compensado, nos termos do art. 18 da Lei 10.833/2003, com entendimento expressamente esclarecido pelo art. 30, parágrafo 1º, da IN SRF 460/2003 e pelo §2º do art.18 da Lei 10.833/2003 (com redação dada pelas Leis 11.051./2004 e 11.196/2005." É de se ver, que a discussão de mérito sobre a possibilidade de a autoridade fiscal aplicar a multa isolada prevista no art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, com redação dada pelas Leis n°s 11.051, de 2004 e 11.196, de 2005 e pelo art. 18 da Lei n° 11.488, de 2007, tem como fato motivador a argumentação da existência de declaração falsa por meio de utilização indevida de créditos de natureza não tributária para compensar os débitos declarados Em relação ao ponto primordial aqui discutido, convém destacar de pronto o comando legal empregado para aplicação da multa, que em sua redação original foi assim redigido: Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. §1° Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6° a 11 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 472DF CARF MF Processo nº 19515.002341/200722 Acórdão n.º 3302003.621 S3C3T2 Fl. 5 7 § 2°A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. Posteriormente foi veiculada a Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, que promoveu alterações no artigo 18, da Lei nº 10.833/2003: Art. 25. Os arts. 10, 18, 51 e 58 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a pratica das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 2°A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. [...] Por fim, a Lei nº 11.488/2007, trouxe nova redação ao citado artigo 18: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3o Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 5o Aplicase o disposto no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2o e 4o deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 473DF CARF MF 8 Como se vê, a legislação de regência limitou a imposição de multa isolada qualificada aos casos em que se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo e nas hipóteses de compensação considerada não declarada. Ou seja, as alterações introduzidas no artigo 18 da Lei 10.833/2003 restringiram substancialmente as hipóteses de aplicação da multa isolada, a qual era anteriormente aplicada de forma abrangente para compensações indevidas, passando a mesma a ser aplicada apenas para hipótese em que restar comprovada a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Assim, considerando a nova redação do caput do art. 18 da lei 10.833, de 2003, quanto às situações em que se comprova a "falsidade''" da declaração, independente se no crédito ou no débito, admitese a aplicação de multa isolada (art. 18, §2°, Lei 10.833/03). De fato, a multa em apreço está condicionada a comprovação de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o que me leva a conclusão de que essa penalidade exige a comprovação do elemento subjetivo dolo, ainda que dispensável a presença especial intuito de agir, visto que a leitura do preceptivo releva que o legislador não elegeu qualquer elemento específico como requisito para imposição da multa. Neste eito, exigese que a fiscalização aponte a existência do dolo praticado pelo contribuinte que conduza à falsidade da declaração, sendo um dever da autoridade fiscal aplicar a penalidade com descrição e suporte em provas da ocorrência da falsidade das PER/DCOMP´s. Conduto, no presente caso, entendo que a fiscalização não comprovou, de forma integral, ter havido falsidade nas declarações apresentada pelo contribuinte. Ora, o fato do contribuinte utilizar crédito derivado de Reclamação Trabalhista de Terceiros (JCBV054/90) de natureza não tributária, por si só, não é elemento suficiente para concluir pela falsidade nas compensações efetuadas. Somase à isso, que a maioria dos débitos apontados nas PER/DCOMP´s já haviam sido pagos em data anterior a transmissão das declarações e consequentemente do início de procedimento fiscal, demonstrando, assim, que ao invés de pratica doloso, houve apenas um equivoco por parte do contribuinte. Inclusive, as informações sobre os equivocos cometidos pela Recorrente, foram devida e antecipadamente informados à fiscalização, que inicialmente ignorou esses fatos e preferiu realizar a lavratura do Auto de Infração, sendo que posteriormente (vide relatório de diligência fiscal), atestou que de fato, a maioria dos débitos declarados já haviam sido recolhidos. Deste modo, entendo que a multa isolada aplicada em relação aos pagamentos realizados em data anterior a transmissão das declarações deve ser afastada, posto que não restou comprovada pela fiscalização, a pratica por parte da Recorrente de qualquer conduta dolosa quanto à falsidade nas compensações, tal com o exige o artigo 18, da Lei nº 10.833/2003. Por outro lado, entendo que a multa isolada deve ser mantida em relação aos pagamentos realizados após o início do procedimento fiscal (vide valores devidamente apontados no relatório de diligência), posto que nesta parte houve débito indevidamente compensado, incidindo, assim, a aplicação da famigerada multa. Fl. 474DF CARF MF Processo nº 19515.002341/200722 Acórdão n.º 3302003.621 S3C3T2 Fl. 6 9 Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para manter a aplicação da multa isolada somente em relação aos pagamentos realizados após o início do procedimento fiscal. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Fl. 475DF CARF MF
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Numero do processo: 11610.008104/2001-90
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:1998
ÔNUS DA PROVA.COMPENSAÇÃO.CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
O artigo 333 do Código de Processo Civil estabelece que o ônus da prova cabe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito ou ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor, cabendo, portanto, ao peticionante a comprovação da certeza e liquidez do direito creditório.
DIREITO CREDITÓRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
Na ausência de comprovação da liquidez e certeza do direito creditório não deve ser homologada a compensação.
Numero da decisão: 1803-000.910
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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O artigo 333 do Código de Processo Civil estabelece que o ônus da prova cabe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito ou ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor, cabendo, portanto, ao peticionante a comprovação da certeza e liquidez do direito creditório. DIREITO CREDITÓRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Na ausência de comprovação da liquidez e certeza do direito creditório não deve ser homologada a compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 16/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11610.008104/200190 Acórdão n.º 180300.910 S1TE03 Fl. 274 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Tratase da Manifestação de Inconformidade, de fls. 135/142, apresentada por Transamerica Expo Center Ltda. (antiga CRM Comercial c Refinadora de Metais Ltda.) contra o Despacho Decisório de fls. 135/142, da DIORT/DERAT/SPO, que indeferiu o pedido de restituição de fls. 01, datado de 17/12/2001, do saldo credor de IRPJ, apurado na DIPJ/1999 e não homologou as Dcomps listadas em fls. 124, que foram baixadas para tratamento manual. Segundo o despacho decisório de fls. 135/142: Analisandose a DIPJ/1999 (cópia às fls. 20/82 e extrato sistema IRPJ/cons às fls. 96/97), verificase que o interessado optou pela apuração anual do lucro real, tendo apurado prejuízo fiscal. Conseqüentemente, não há valor algum apontado a titulo de IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL na FICHA 13. Na ficha 13 — CÁLCULO DO IR SOBRE O LUCRO REAL o interessado apresenta uma única dedução, sendo esta dedução a título de IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE, no valor de R$ 312.721,76 O extrato do sistema IRF/CONS juntado à fls. 98, confirma a retenção de IRRF apenas no valor de R$ 40.651,41, ou seja, insuficiente para suportar a totalidade da dedução efetuada. O documento juntado pelo interessado à fl. 86 não pode ser considerado, por não estar de acordo com a IN SRF n° 151, de 15 de dezembro de 1998. Sendo assim, há que se considerar somente o valor de R$ 40.651,41 constantes no sistema IRF/Cons, uma vez que os rendimentos ali constantes encontramse declarados nas linhas 08 e 23 da FICHA 07 (fl. 96) Deste modo, o saldo credor de 1RPJ apurado no ano de 1998 fica assim constituído, para efeito de restituição de tributo: (...) Não obstante, a consulta ao sistema DCTF (extrato fls. 104/119) demonstrou que foram efetuadas conipensaçães sem processo de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 16/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11610.008104/200190 Acórdão n.º 180300.910 S1TE03 Fl. 275 3 IRRF no ano de 1999 com a utilização do saldo negativo período anterior (fi.103). Deste modo, para se calcular o valor restante de saldo credor, foi utilizado o SISTEMA DE APOIO OPERACIONAL — NEO SAPO, cujos demonstrativos foram juntados As fls. 120/12). Efetuada a compensação destes débitos, verificouse que não restou saldo algum. ISTO POSTO, proponho o INDEFERIMENTO do pedido de restituição e a conseqüente não homologação das Dcomps relacionadas a seguir, que foram baixadas para tratamento manual. O contribuinte foi cientificado em 12/0812008, por via postal fls. 126, e apresentou a impugnação de fls. 138/142, com as alegações abaixo sintetizadas. A recorrente teria apresentado Pedido de Restituição, com base no saldo credor do IRPJ apurado na DIPJ/1999, no valor de R$ 312.721,76, que teria resultado do IRRF sobre aplicações financeiras e recolhimento sobre serviço prestado a PJ, conforme apresentado no quadro de fls. 140, abaixo reproduzido, totalizando o montante de R$ 313.797,25, valor que seria superior ao apresentado na DIPJ/1999: (...) Estaria correto o montante de R$ 10.916,12, declarado a título de IRRF sobre receitas de prestação de serviços, não justificando o reconhecimento pelo despacho decisório de apenas R$ 4.709,71. Não procederia a observação da autoridade fiscal de que a não consideração do informe de rendimento do IRRF no valor de R$ 266.954,82 (fl. 86) decorreu de não estar de acordo com a IN SRF n° 151 de 15/12/1998, pois o art. 8° da referida instrução normativa é especifico para beneficiário pessoa jurídica e o parágrafo único do artigo 9°, facultaria à fonte pagadora que utilizasse sistema de processamento de dados a adotar leiaute diferente do estabelecido, desde que contivesse todas as informações nele previstas, assim o comprovante apresentado pela recorrente comprovaria o seu direito de considerar na sua apuração o valor do imposto de renda retido. Colacionou uma T via (doc. 06) do referido informe de rendimento obtida junto ao administrador do fundo à época, ressaltando que a fonte pagadora informou o CNPJ 53.013736/000160, empresa que foi incorporada pela recorrente em 20/09/1994. A autoridade fiscal teria entendido que a recorrente teria efetuado compensações sem processo de IRRF no ano de 1999, utilizando saldo negativo de IRPJ do período 1998, o que não se funda, pois na DCTF relativa aos períodos mencionados não possuiria nenhuma indicação a qual saldo negativo se referiria a compensação sem processo. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 16/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11610.008104/200190 Acórdão n.º 180300.910 S1TE03 Fl. 276 4 A planilha anexa (doc. 07) onde teria sido controlado o Saldo Negativo de 1998 demonstraria que o referido saldo negativo teria sido começado a ser utilizado apenas em 31/07/2003. As compensações efetuadas até 12/08/2003 já deveriam ser homologadas por decurso de prazo nos termos do art. 74, da Lei n° 9.430/1996. Dois dos cinco PER/DCOMP relacionados e indeferidos, os de n° 24952.29977.090903.1.7.023211 e 16822.17722.090903.1.7.027823 seriam retificações de outros PER/DCOMP entregues anteriormente em 31/07/2003 e 04/08/2003 de número 18022.45140.310703.310703.1.3.021536 e 40812.52914.040803.1.3020509, respectivamente. Como a recorrente tomou ciência do despacho decisório em 12/08/2008, as compensações efetuadas antes de 12/08/2003 deveriam ser homologadas tacitamente. Nos PER/DCOMP retificadores não teria havido qualquer alteração no valor do débito, tendo em vista não ser admitido tal conforme se depreende da IN n° 360/2003. Por fim, requereu o recebimento da manifestação de inconformidade e a reforma do despacho recorrido para os fins de reconhecimento do direito de restituição e conseqüentemente da homologação das compensações declaradas no presente processo.” A Delegacia de Julgamento julgou parcilamente procedente a manifestação, com base nos seguintes fundamentos (fls. 190/193): a) Como o próprio contribuinte alega ter retificado em 09/09/2003 as declarações entregues em 31/07/2003 e 04/08/2003, passase a contar o prazo a partir de 09/09/2003, conforme legislação tributária de regência, verificandose assim não ter ocorrido a homologação tácita de nenhuma das declarações de compensação apresentadas. b) Incorreto o procedimento do contribuinte com respeito à informação consignada nas DCTF`s, quando da compensação sem processo. Deveria constar ali a que ano calendário se referiria o saldo negativo que estava sendo utilizado para extinguir o crédito tributário declarado. Não só não o fez, como ainda, na manifestação de inconformidade afirma ter apresentado planilha onde teria sido controlado o Saldo Negativo de 1998 demonstrando que o referido saldo negativo teria sido começado a ser utilizado apenas em 31/07/2003, no entanto, tal planilha não foi colacionada aos autos. c) De se acrescentar também que, na presente data esta turma de julgamento apreciou o processo n° 10880.004672/200179, da mesma pessoa jurídica, deferindo parcialmente a solicitação do reclamante. Naquele processo a manifestante solicitou o reconhecimento do saldo negativo do IRPJ dos anoscalendário de 1995, 1996, 1997 e 1999, no presente o reconhecimento do saldo negativo de 1998, portanto, tais solicitações são complementares e interligadas, uma vez que o contribuinte efetuou Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 16/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11610.008104/200190 Acórdão n.º 180300.910 S1TE03 Fl. 277 5 várias compensações sem processo sem indicar em DCTF a procedência exata do direito creditório pleiteado e utilizado para extinção dos débitos declarados em DCTF. d) Assim, pelo fato de o contribuinte não ter declarado em nenhuma DCTF, em compensações sem processo a qual anocalendário se referiria o saldo negativo do IRPJ utilizado e tampouco apresentado documentos hábeis e idôneos do controle da utilização desses saldos, resta absolutamente prejudicado qualquer eventual acréscimo de reconhecimento de direito creditório. e) Alega, ainda, o impugnante ter efetuado recolhimentos do imposto de renda no código de receita 8045 valor de R$ 10.916,12, composto pelo DARF no valor de R$ 9.591,73 conforme faria prova cópia dos DARF's extraído do sítio da SRF (doc. 05) e compensações sem processo da DCTF do 4° trimestre/1998 no valor total de R$ 1.324,39. Pesquisa no sistema SIEF/Pagamentos, confirma o recolhimento dos referidos DARFs, ocorre, entretanto, que não foi colacionado nenhum outro elemento de prova (contratos de trabalho, recibos de pagamentos), que permita concluir que de fato tais recolhimentos se referem a receitas cujo imposto de renda retido na fonte, pode ser descontado do devido na apuração do imposto a pagar. f) Quanto à compensação sem processo no 4° trimestre/1998, pelo fato de não ter o contribuinte indicado com exatidão a qual crédito estaria se referindo a aludida compensação, por não gozar de liquidez e certeza, não será admitida. g) Por outro lado, com respeito ao informe de rendimentos colacionados pelo manifestante em fls. 165, emitido pelo Banco Alfa, nos montantes de R$ 266.954,82, constando como beneficiária a Companhia Real de Metais CNPJ 53.013.736/000160, que como alega o manifestante foi por ele incorporada. Pesquisa no sistema IRPJCONS confirma ter sido a referida empresa extinta por incorporação em 1994, ou seja, antes do informe de rendimentos, portanto, é de se reconhecer o alegado. Tendo sido verificado que a receita oferecida à tributação (fls. 24) é compatível com o alegado, é de se conhecer o alegado. h) Reconhecimento de direito creditório adicional no montante de R$ 266.954,82. Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, tece as seguintes considerações: a) Inicialmente cumpre destacar que à Recorrente, à época da compensação do saldo negativo de IRPJ com débito apurado em antecipação de IRPJ do ano de 1999, tinha direito de compensar os saldos negativos de IRPJ sem a formalização em processo administrativo. b) Por se tratarem de tributos de mesma espécie, IRPJ crédito com IRPJ/débito, à época dos fatos, 1999, a legislação não impunha a obrigação aos contribuintes de formalizarem os pedidos de compensação em formulários ou PERDCOMPs, bastando informar em DCTF que havia compensação sem processo. c) Assim, como a IN SRF 21/97 não previa a necessidade de formalização de pedido de compensação quando se tratava de tributos de mesma espécie, a Recorrente utilizou o seu crédito de saldo negativo de IRPJ, relativo ao ano de 1995 e não 1998 como constou na r. decisão, compensandoo com as antecipações devidas no ano de 1999. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 16/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11610.008104/200190 Acórdão n.º 180300.910 S1TE03 Fl. 278 6 d) Com efeito, a Recorrente encerrou o ano fiscal de 1995 com saldo negativo no valor de R$ 145.777,71 (FICHA 8, LINHA 17 — doc.01). Assim, em 2001, a Recorrente entrou com pedido de restituição de parte do crédito de 1995, e integralidade dos créditos de saldos negativos dos anos de 1996, 1997 e 1999, sendo que referido processo recebeu o número 10880.004672/200179, cópia anexa. e) Para o ano de 2001, a Recorrente solicitou o crédito do saldo remanescente do ano de 1995, já que uma parte foi compensada — sem processo nos termos da IN SRF 21/97 com as antecipações do ano de 1999 —, e a integralidade dos saldos negativos de 1996, 1997 e 1999. f) Para comprovar o alegado, além da DIPJ 1995/1996 a Recorrente junta planilha de controle das compensações do saldo negativo de 1995. g) Por fim, em relação a afirmação de que deveria a Recorrente ter informado o ano do saldo negativo em sua DCTF, essa não prospera. Com efeito, não há como inserir essa informação na DCTF, pois o programa só permite colocar se a compensação é com ou sem processo e, em caso de processo, o número do mesmo. Assim, diante da impossibilidade de inserir a informação relativa ao ano do crédito do IRPJ, não prospera a exigência contida no v. acórdão. h) Dessa maneira, não procede qualquer tipo de glosa relativo ao saldo negativo do ano de 1998, uma vez que as compensações efetuadas no ano de 1999, utilizaram o saldo negativo do ano de 1995. i) Nesse caso, a Recorrente provou, através do livro diário (fls. 156), a contabilização de receita no montante de R$ 727.740,57, diante da não retenção pela fonte pagadora, a própria Recorrente efetuou o pagamento relativo ao Imposto de Renda na Fonte. j) Em relação ao contrato de prestação de serviços, o Código Civil de 1916 não impunha a formalidade de que o mesmo fosse escrito; melhor explicando, o contrato de prestação de serviços não é um contrato previsto no Código Civil e, portanto, não tem forma especifica, podendo ser feito de maneira verbal, escrita ou como melhor convier às partes. k) A Recorrente demonstrou a contabilização da receita em seu livro diário e isso já é suficiente para justificar o recolhimento do imposto. l) Requer: i) reconhecimento da integralidade do crédito do ano de 1998, sem a sua utilização para as antecipações do IRPJ do ano de 1999, e que totalizam o montante de R$ 312.721,76; ii) reconhecimento do crédito no valor de R$ 10.916,12 relativo ao IRRF sobre a receita de R$ 727.740,57 de prestação de serviços, sendo desnecessário qualquer tipo de formalidade do contrato, já que o Código Civil assim dispõe. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 16/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11610.008104/200190 Acórdão n.º 180300.910 S1TE03 Fl. 279 7 Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A decisão de primeira instância reconheceu direito creditório adicional no montante de R$ 266.954,82, sendo que a diferença entre o montante do saldo negativo pleiteado e daquele reconhecido é demonstrado na tabela abaixo: Saldo negativo (DIPJ 250) Saldo negativo reconhecido ( Delegacia) Saldo negativo reconhecido (DRJ) Diferença IRPJ apurado 0,00 0,00 0,00 5.115,53 () IRRF 312.721,76 40.651,41 40.651,41 266.954,82 Saldo de IR a pagar 312.721,76 40.651,41 307.606,23 I. Diferença no montante do saldo negativo apurado A recorrente pleiteia o reconhecimento do crédito no valor de R$ 10.916,12 relativo ao IRRF sobre a receita de prestação de serviços, no valor de R$ 727.740,57. Como demonstrado na tabela acima, a diferença entre o valor do saldo negativo indicado na DIPJ e aquele reconhecido na decisão de 1ª instância corresponde a R$ 5.115,53. Ao analisarmos os extratos de fls. 98 e 101, percebemos que parte dos valores retidos e recolhidos no código 8045 – IRRF outros rendimentos, está incluída no valor reconhecido pela autoridade de primeira instância. O extrato de fls. 101 – Resumo da empresa no código – demonstra o valor do imposto retido pela recorrente – CNPJ 55.257.059 – e indica que há duas pessoas jurídicas beneficiárias dos rendimentos. Uma delas é a própria recorrente, conforme extrato de fls. 98 – Resumo Beneficiário PJ: Beneficiário – CNPJ 55.257.059 Rel. declarantes Rend. IRF Cod.Trib. 55.257.059/000151 313.980,41 4.709,71 8045 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 16/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11610.008104/200190 Acórdão n.º 180300.910 S1TE03 Fl. 280 8 Não consta nos autos informações sobre a outra pessoa jurídica beneficiária de parte do rendimento bruto total de R$ 727.740,57. No balancete mensal em 31/12/98 consta a seguinte informação (fls. 156): Contas de resultado credoras Saldo anterior Saldo atual *1.1.09.01.9 – 7150.1 Receitas Prestação de Serviços 727.740,57 727.740,57 001223 – Interm.de negs. PJ 727.740,57 727.740,57 *A cópia anexada aos autos não permite identificar completamente o número da conta contábil. A contabilização de receita em montante coincidente com o rendimento bruto informado às fls. 101, pela responsável tributária, não é suficiente para permitir o reconhecimento do direito creditório, mormente quando, segundo informações prestadas pela fonte pagadora, as quais alimentam os sistemas da Receita Federal, houve mais de uma pessoa jurídica beneficiária destes rendimentos. A decisão de primeira instância foi bastante acertada quando salientou a insuficiência das provas para concluirse que “de fato tais recolhimentos se referem a receitas cujo imposto de renda retido na fonte, pode ser descontado do devido na apuração do imposto a pagar”. Qual a outra pessoa jurídica beneficiária dos rendimentos? Ela deduziu o imposto retido em sua declaração? Em caso afirmativo, como permitir a dedução do mesmo imposto retido por duas pessoas jurídicas distintas? Por fim, há notícia nos autos de incorporação ocorrida em 1994. A receita de prestação de serviços foi apropriada pela recorrente em 1998. O que ocorreu? Houve apropriação indevida? Ou erro na DIRF? Os elementos constantes dos autos são insuficientes para chegarmos à uma resposta. O Código de Processo Civil estabelece em seu art. 333, incisos I e II, a quem incumbe o ônus da prova: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Nos termos deste dispositivo legal é da recorrente o ônus de demonstrar a existência do direito creditório. Arruda Alvim, em sua obra “Manual de Direito Processual Civil”, assim se manifesta sobre as conseqüências do descumprimento do ônus da prova: “De um modo geral, podemos dizer que, recaindo sobre uma das partes o ônus da prova relativamente a tais e quais fatos, não cumprindo esse ônus e inexistindo nos autos quaisquer outros elementos, pressuporseá um estado de fato contrário a essa Fl. 8DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 16/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11610.008104/200190 Acórdão n.º 180300.910 S1TE03 Fl. 281 9 parte. Assim, quem devia provar e não o fez perderá a demanda.” (ALVIM, Arruda. Manual de direito processual civil, volume 2: processo de conhecimento, 11. ed.rev., ampl. e atual. – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2007). No presente caso, a recorrente não logrou demonstrar que o valor integral do IRRF sobre os rendimentos de R$ 727.740,57 poderia ser deduzido do imposto devido, apurado na DIPJ/1999, devendo ser mantido o valor do saldo negativo apurado na decisão de 1ª instância. II. Da insuficiência do direito creditório Há litígio também em torno da utilização do saldo negativo de 1998 para compensar os débitos informados em DCTF (fls. 104/119). A Delegacia de Julgamento indeferiu o pleito por entender que a recorrente não indicou na DCTF o ano do saldo negativo em sua DCTF, e por não ter apresentado a planilha, mencionada na impugnação, que demonstraria que o saldo negativo de 1998 teria sido utilizado apenas a partir de 31/07/2003. Na peça recursal, novamente a contribuinte menciona a juntada de planilha de controle das compensações do saldo negativo de 1995. No entanto, tal planilha não foi colacionada aos autos, tal como já apontado na decisão de primeira instância. Ora, a possibilidade de compensação dos tributos da mesma espécie sem a necessidade de formalização de processo não isenta o contribuinte de manter os registros contábeis das compensações efetuadas. Bastaria anexar aos autos os lançamentos contábeis relativos às compensações efetuadas com o saldo negativo de 1995 para demonstrar o equívoco da autoridade administrativa. Os empresários têm o dever de manter a escrituração dos negócios de que participam, nos termos do art. 1.179 do Código Civil (lei n° 10.406/2002), e do art. 10 do Código Comercial (lei n° 556/1850, revogado pela Lei n° 10.406/2002): “Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. Art. 10 Todos os comerciantes são obrigados: 1 a seguir uma ordem uniforme de contabilidade e escrituração, e a ter os livros para esse fim necessários; 2 a fazer registrar no Registro do Comércio todos os documentos, cujo registro for expressamente exigido por este Código, dentro de 15 (quinze) dias úteis da data dos mesmos documentos (artigo nº. 31), se maior ou menor prazo se não achar marcado neste Código; 3 a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondências e mais papéis pertencentes ao giro do seu Fl. 9DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 16/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11610.008104/200190 Acórdão n.º 180300.910 S1TE03 Fl. 282 10 comércio, enquanto não prescreverem as ações que lhes possam ser relativas (Título. XVII); 4 a formar anualmente um balanço geral do seu ativo e passivo, o qual deverá compreender todos os bens de raiz móveis e semoventes, mercadorias, dinheiro, papéis de crédito, e outra qualquer espécie de valores, e bem assim todas as dívidas e obrigações passivas; e será datado e assinado pelo comerciante a quem pertencer.” É oportuno citarmos um trecho da exposição de motivos do Código de Comércio Napoleônico, lembrado por Fábio Ulhoa Coelho, em sua obra “Curso de Direito Comercial”: “A consciência do comerciante está escrita nos seus livros; neles é que o comerciante registra todas as suas ações; são, para ele, uma espécie de garantia (...). Quando surgem contestações, é preciso que a consciência do juiz fique esclarecida; e é então que os livros são necessários, pois que eles são os confidentes das ações do comerciante”. A decisão acostada aos autos, e mencionada pela recorrente, apenas reconheceu a decadência do direito de pedir a restituição do saldo negativo de 1995 em 17/05/2001, in verbis: “ com relação ao anocalendário de 1995, a solicitação foi prejudicada pois decaiu o direito de pedir a restituição do indébito referente ao saldo negativo do IRPJ apurado cm 31/12/1995 a partir de 01/01/2001 (a solicitação foi protocolizada em 17/05/2001) nos termos do art. 165,I e 168, I, do CTN.” Esta decisão nada acrescenta aos presentes autos, sendo qua a alegação da recorrente de que teria utilizado o saldo negativo de 1995 para compensar as antecipações de 1999, permanecem desacompanhadas de qualquer elemento hábil a comprovar sua veracidade. Mais uma vez, a recorrente não se desemcumbiu de seu ônus probatório, devendo ser integralmente mantida a decisão recorrida. Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 10DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 16/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11610.008104/200190 Acórdão n.º 180300.910 S1TE03 Fl. 283 11 Fl. 11DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 16/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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