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Numero do processo: 11041.001221/2008-09
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 CRÉDITO-PRÊMIO À EXPORTAÇÃO. EXTINÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. RESOLUÇÃO N o 71/2005 DO SENADO DA REPÚBLICA. Nos termos do art. 62-A do Regimento Interno do CARF aplica-se ao caso concreto a interpretação fixada pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 577.302, com caráter de repercussão geral, no sentido de que o crédito-prêmio à exportação vigorou até 05/10/1990 e que a Resolução do Senado n o 71, de 27/12/2005, ao preservar a vigência do que remanesce do art. 1 o do Decreto-lei n o 491, de 05/03/1969, se referiu à vigência que remanesceu até 05/10/1990, pois o STF não emitiu nenhum juízo acerca da subsistência ou não do crédito-prêmio à exportação ao declarar a inconstitucionalidade do artigo 1 o do Decreto-lei n o 1.724, de 07/12/1979 e do inciso I do artigo 3 o do Decreto-lei n o 1.894, de 16/12/1981. Recurso negado.
Numero da decisão: 3403-001.656
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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EXTINÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. RESOLUÇÃO No 71/2005 DO SENADO DA REPÚBLICA. Nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF aplicase ao caso concreto a interpretação fixada pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 577.302, com caráter de repercussão geral, no sentido de que o créditoprêmio à exportação vigorou até 05/10/1990 e que a Resolução do Senado no 71, de 27/12/2005, ao preservar a vigência do que remanesce do art. 1o do Decretolei no 491, de 05/03/1969, se referiu à vigência que remanesceu até 05/10/1990, pois o STF não emitiu nenhum juízo acerca da subsistência ou não do créditoprêmio à exportação ao declarar a inconstitucionalidade do artigo 1o do Decretolei no 1.724, de 07/12/1979 e do inciso I do artigo 3o do Decretolei no 1.894, de 16/12/1981. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Raquel Motta Brandão Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Fl. 130DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/06/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Em 30/12/2008 foi protocolado pedido de restituição do créditoprêmio à exportação gerado por exportações que teriam sido efetuadas entre janeiro de 2003 e setembro de 2008 (fls. 01 e 02). Por meio do despacho nº 91, de 16/03/2009, a DRFPelotas indeferiu o pedido do contribuinte, sob o argumento de que o benefício encontrase revogado desde 30/06/1983. Regularmente notificado do indeferimento de seu pleito, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que o Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucional a extinção do créditoprêmio do IPI por portaria ministerial, motivo pelo qual o benefício ficou expressamente restabelecido. Disse que a Portaria MF nº 176/84 é ilegal e inconstitucional. Alegou que o créditoprêmio à exportação foi recepcionado pela Constituição de 1988 e que a ele não se aplica a extinção prevista no § 1º do art. 41 do ADCT, por não ser um incentivo de natureza setorial. Por meio do Acórdão nº 21.002, de 18 de setembro de 2009, a 3ª Turma da DRJ – Porto Alegre indeferiu a manifestação de inconformidade. O julgado recebeu a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 30/09/2008 CRÉDITOPRÊMIO DO IPI. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Exportações realizadas de janeiro de 2003 a setembro de 2008 não dão direito ao créditoprêmio do IPI, dada a anterior extinção do referido benefício. ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE. O julgador administrativo não é competente para examinar alegações de ilegalidade e de inconstitucionalidade de atos normativos baixados pelas autoridades do Poder Executivo, circunstância que o impede de conhecer alegações dessa natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente.” Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância em 16/10/2009 (fl. 87), o contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 89/100 em 04/11/2009. Alegou, em síntese, que a Portaria MF nº 176/84 é inconstitucional e que a extinção do créditoprêmio pelo art. 1o, § 2o do Decretolei no 1.658, de 24/01/1979, não chegou a ocorrer porque além dos Decretosleis no 1.722, de 03/12/1979, e no 1.724, de 07/12/1979, terem sido declarados inconstitucionais, o Decretolei no 1.894, de 16/12/1981, restabeleceu a vigência do Decretolei no 491, de 05/03/1969, sem definição de prazo. Alegou que o créditoprêmio não foi revogado pelo art. 41, § 1o do ADCT da CF/1988, porque não se trata de incentivo setorial. Prosseguindo com sua argumentação, discorreu sobre o direito de apurar o créditoprêmio à exportação com alíquota de 15%. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/06/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11041.001221/200809 Acórdão n.º 340301.656 S3C4T3 Fl. 2 3 O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, tratase de pedido relativo ao créditoprêmio gerado por exportações que teriam sido efetuadas no período compreendido entre janeiro de 2003 e setembro de 2008. A questão relativa à vigência do créditoprêmio à exportação está pacificada nesta instância em face do art. 62A RICARF, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010. Em pesquisa efetuada na página de jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, verificase que a questão da vigência do art. 1º do Decretolei nº 491/67 é objeto do tema 63 em relação ao qual o tribunal decidiu que há repercussão geral, in verbis: Tema 63 Termo final de vigência do créditoprêmio do IPI instituído pelo Decretolei nº 491/69. Relator: MIN. RICARDO LEWANDOWSKI Leading Case: RE 577302 Há Repercussão? Sim Ver descrição [+] Recurso extraordinário em que se discute, à luz do art. 41, §1º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, o termo final de vigência do créditoprêmio do IPI, instituído pelo art. 1º do Decretolei nº 491/69. [] Desse modo, à luz do que determina o art. 62A do RICARF, reproduzo a ementa da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, sob a sistemática do art. 543B do CPC, Recurso Extraordinário nº 577.302, in verbis: “TRIBUTÁRIO. IPI. CRÉDITO – PRÊMIO. DECRETOLEI 491/1969 (ART. 1º). ADCT, ART 41, § 1º . INCENTIVO FISCAL DE NATUREZA SETORIAL. NECESSIDADE DE CONFIRMAÇÃO POR LEI SUPERVENIENTE À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. PRAZO DE DOIS ANOS. EXTINÇÃO DO BENEFÍCIO. PRESCRIÇÃO. RE NÃO CONHECIDO. I A jurisprudência da Corte é no sentido de que a apreciação das questões relativas à prescrição de pretensão à compensação de crédito decorrente de incentivo fiscal dependa da análise de normas infraconstitucionais. II Precedentes. III Recurso não conhecido.” Diante desta decisão do STF, extraída da página de jurisprudência do Tribunal e do disposto no art. 62A do RICARF, os Conselheiros estão vinculados à interpretação fixada pela Suprema Corte no sentido de que a vigência do créditoprêmio à exportação expirou em 05/10/1990, por força do disposto no art. 41, § 1º do ADCT da CF/88 e que a Resolução do Senado nº 71, de 2005, preservou a vigência do que remanesceu do art. 1º do Decretolei nº 491/67 até seu termo final de vigência, condicionado pelo art. 41, § 1º do ADCT da CF/88. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Fl. 132DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/06/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/06/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10166.912464/2009-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de Apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o fato modificativo, extintivo ou impeditivo do direito.
Não tendo o contribuinte apresentado qualquer elemento probatório do seu direito, deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou o pedido de ressarcimento.
Numero da decisão: 3301-001.368
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Período de Apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o fato modificativo, extintivo ou impeditivo do direito. Não tendo o contribuinte apresentado qualquer elemento probatório do seu direito, deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou o pedido de ressarcimento.
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COFINS Recorrente FUNDAÇÃO DOS ECONOMIÁRIOS FEDERAIS FUNCEF Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de Apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o fato modificativo, extintivo ou impeditivo do direito. Não tendo o contribuinte apresentado qualquer elemento probatório do seu direito, deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou o pedido de ressarcimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Alan Fialho Gandra e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos contra a decisão da DRJ em Brasília que julgou improcedente a manifestação de inconformidade formulada. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 A ora Recorrente apresentou Declaração de Compensação – DCOMP – de débitos de IRRF – maio/2007, com crédito de pagamento a maior de COFINS, referente a julho/2002. Irresignada com a não homologação da compensação, a ora Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em apertada síntese, que: (i) o Fisco supôs a inexistência do crédito pelo simples cruzamento automatizado, matemático e linear, entre o valor do crédito declarado na DCOMP e o valor do débito declarado na DCTF; (ii) o contribuinte deveria ser previamente intimado para a regularização da incongruência identificada pelo sistema, e apenas na ausência de explicação, promover a recusa da homologação, sob pena de configurar violação ao princípio do devido processo legal e da ampla defesa; (iii) a decisão que negou a homologação observou os dados corrigidos por meio de DCTF Retificadora, validamente transmitida, não esbarrando em nenhum dos impedimentos legais, em especial por ter sido apresentada anteriormente à notificação (ciência do Despacho Decisório); (iv) de fato, houve recolhimento a maior que o devido, porque foi indevidamente ampliada a base de cálculo da contribuição, conforme o documento anexado (doc. 6). A DRJ em Brasilia julgou improcedente a manifestação de inconformidade formulada, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2007 Cerceamento do Direito de Defesa – Nulidade – Argüição Rejeitada. Se é facultado ao sujeito passivo apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e recurso da decisão que julgar improcedente a inconformidade, obedecendose ao rito processual administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. Compensação Pagamento a Maior Impossibilidade Necessidade de Liquidez e Certeza do Crédito do Sujeito Passivo Crédito Inexistente. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Irresignado, o contribuinte apresentou Embargos de Declaração para que fosse reformada a decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. No seu entender, o correto seria concluir pela sua procedência e pela homologação da compensação pleiteada, uma vez a apresentação de DCTF retificadora e da planilha com o demonstrativo da apuração do tributo no período em que se originou o crédito seria suficiente para demonstrar o recolhimento maior que o devido. A autoridade preparadora determinou a remessa dos autos a este Conselho Administrativo para a análise do pedido. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10166.912464/200978 Acórdão n.º 3301001.368 S3C3T1 Fl. 93 3 Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. Conforme é possível perceber do relato acima, a recorrente opôs Embargos de Declaração para que fosse reformada a decisão da DRJ que julgou improcedente a manifestação de inconformidade e como conseqüência fosse homologada compensação pleiteada, por entender que a apresentação de DCTF retificadora e de planilha com o demonstrativo da apuração do tributo no período em que se originou o crédito seria suficiente para demonstrar o recolhimento maior que o devido. Diante da inexistência de previsão legal específica de cabimento de Embargos de Declaração contra os acórdãos da DRJ a autoridade preparadora encaminhou o processo para este Conselho para sua análise. Ocorre que, como o pedido dos Embargos de Declaração foi, em verdade, de reforma da decisão recorrida e não de saneamento de omissão, contradição ou obscuridade e tendo em vista que o processo administrativo fiscal é regido pelo princípio do informalismo moderado (art. 2º, da Lei nº 9.784/99), o recebo como Recurso Voluntário, e por conta disso, dele tomo conhecimento. Pois bem. No caso concreto a Recorrente restringiuse a afirmar, sem provar, que teria realizado pagamento a maior de COFINS Alegou que não se sustentaria o fundamento apresentado na decisão recorrida no sentido de que seria necessária a apresentação aos autos da sua escrita contábil e fiscal para a demonstração do indébito. Isso porque, no seu entender os documentos apresentados (DCTF retificadora e demonstrativo de apuração do tributo) dão suporte necessário para confirmar os fatos narrados pelo contribuinte, não parecendo haver qualquer outro tipo de prova possível para tal demonstração. É importante que se esclareça, ainda, que, diferentemente do que alega, os demonstrativos apresentados não estão amparados em balancetes ou qualquer outro documento contábil ou fiscal. Em momento algum apresentou elementos que efetivamente atestassem a existência de pagamento a maior. Com efeito, ao disciplinar o processo administrativo fiscal federal, o legislador prescreve expressamente no artigo 9°, do Decreto n° 70.235/72, a necessidade de que o lançamento seja instruído com prova concludente de que o evento tributário ocorreu em estrita conformidade com a descrição da hipótese normativa. Logo adiante, determina, ainda que de forma implícita, que, caso o sujeito passivo apresente defesa contra o ato lavrado pelo Fisco, devidamente acompanhada de provas de suas alegações, o ônus passa a ser novamente da Fazenda, a quem incumbirá comprovar o descabimento da impugnação. Ao assim prescrever, deixou claro o legislador que a linguagem jurídica dos atos de gestão tributária, quando o sujeito competente para expedila seja o Estado Administração, deve estar devidamente respaldada em provas. Ausentes estas, ilegítima aquela. Por outro lado, quando o fato seja alegado pelo próprio particular, a ele compete demonstrar a veracidade de suas afirmações, igualmente por meio de provas. Afinal, também aqui se aplica a máxima processual de que a prova compete a quem alega, prevista expressamente no art. 333, do Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária ao processo administrativo. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 No caso concreto, a Recorrente alega a existência de direito creditório, competindo, por esta razão, exclusivamente a ela a prova do alegado. Assim, deveria ter apresentados todos os documentos necessários à demonstração da efetiva existência de pagamento a maior da COFINS, o que não foi feito. Não fora isso e a própria prescrição do art. 170 do Código Tributário Nacional seria suficiente para fundamentar o entendimento de que, nos pedidos de compensação, os contribuintes devem apresentar provas contundentes da existência do indébito tributário. Afinal, segundo este dispositivo legal, a compensação de crédito tributário somente será autorizada com crédito líquido e certo, de titularidade do sujeito passivo. E se crédito certo é aquele em relação ao qual não há dúvida relativa à sua existência e líquido é o que é conhecido o seu exato valor, por óbvio, exigese prova do pagamento e de quanto foi pago a maior. Assim, como bem concluiu a decisão recorrida, para comprovar a liquidez e certeza do crédito compensado na DCOMP, a Recorrente deveria ter trazido aos autos a sua escrituração contábil e fiscal mantida com observância às disposições legais, acompanhada por documentos hábeis. Como não o fez, não há como reconhecer o crédito reclamado e, como consequência, homologar a declaração de compensação. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 78DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10680.930872/2009-92
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
PERDCOMP. Cancelamento. Desistência
A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento. O CARF não é competente para apreciar pedidos de cancelamento de PERDCOMP ou de cancelamento de débitos declarados em PERDCOMP.
Numero da decisão: 1801-001.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PERDCOMP. CANCELAMENTO. DESISTÊNCIA A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento. O CARF não é competente para apreciar pedidos de cancelamento de PERDCOMP ou de cancelamento de débitos declarados em PERDCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 08 72 /2 00 9- 92 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 3.ª Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte/MG que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que homologou em parte as compensações pleiteadas em PERDCOMP. Por bem descrever os fatos adoto o relatório da DRJ em Belo Horizonte: Contra o interessado acima identificado foi emitido o despacho decisório de fl. 03, por meio do qual foram parcialmente homologadas as compensações efetuadas no PER/DCOMP n.° 04024.78250.051104.1.3.031166. A homologação parcial foi motivada pela insuficiência do crédito utilizado para compensar os débitos informados. Tal crédito decorreria da apuração de saldo negativo de CSLL referente ao exercício de 2002, anocalendário de 2001. O valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP e confirmado no despacho decisório é igual a R$ 27.009,89. O valor do crédito utilizado em compensações anteriores à transmissão do PER/DCOMP é igual a R$ 25.081,47. Assim sendo, foi reconhecido saldo negativo disponível no valor de R$ 1.928,42. Os débitos indevidamente compensados somam R$ 7.882,75 (principal). Como enquadramento legal são citados os seguintes dispositivos: § 1o. do art. 6o. , art. 28 e art. 74 da Lei n.° 9.430, 27 de dezembro de 1996; art. 5o. da IN SRF n.° 600, de 2005. A ciência do despacho se deu em 19/08/2009 (fl. 17). Em 16/09/2009, foi apresentada a manifestação de inconformidade de fls. 01 e 02. Nela constam os seguintes argumentos: • o valor correto do crédito usado nas compensações anteriores à transmissão do PER/DCOMP é R$ 19.522,06, e não R$ 25.081,47; • nos R$ 25.081,47 considerados no despacho decisório, estão incluídos créditos usados nas compensações dos débitos de CSLL de outubro e dezembro de 2002, nos valores de R$ 3.615,80 e R$2.878,21; • os débitos de outubro e dezembro de 2002 não poderiam ter sido compensados sem processo, na contabilidade; • a compensação permitida pelo art. 66 da Lei n º 8.383, de 1991, de incitativa do sujeito passivo, mediante registro na contabilidade, só podia ter sido feita até 30/09/2002; • os débitos compensados sem processo na contabilidade são os abaixo discriminados: Período de Apuração Código de Receita Valor Original do Débito Compensado Valor Utilizado do Saldo Negativo Jan/02 2484 2.436,62 2.376,49 Fev/02 2484 2.405,99 2.318,36 Mar/02 2484 3.151,97 2.997,59 Abr/02 2484 3.372,12 3.162,45 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.930872/200992 Acórdão n.º 1801001.449 S1TE01 Fl. 3 3 Mai/02 2484 3.114,18 2.882,43 Jun/02 2484 2.910,90 2.661,52 Jul/02 2484 3.462,96 3.123,22 TOTAIS 20.874,54 19.522,06 • o valor do crédito utilizado nas compensações efetuadas no PER/DCOMP em questão é igual a R$ 7.487,83; • a parte do débito do processo de cobrança n.° 10680.931197/200919 referente à CSLL de novembro de 2002 não existe, conforme DIPJ do exercício de 2003; • a base de cálculo da CSLL de novembro de 2002 foi apurada com base em balancete de suspensão e resultou negativa, no valor de R$ 8.172,68; • os débitos a serem compensados são os de CSLL de código 2484 referentes a outubro e dezembro de 2002, nos valores de R$ 3.615,80 e R$ 2.878,21, respectivamente; • seguem em anexo DIPJ do exercício 2003 e DCTF retificadora do 4 o trimestre de 2002; • diante do exposto, pedese a revisão do despacho decisório. Na apreciação da manifestação de inconformidade a Turma Julgadora de 1a. deu razão à interessada no tocante ao valor do direito creditório disponível para compensação nos presentes autos. Observou que no cálculo efetuado pela DRF de origem, na discriminação dos débitos compensados sem processo, na contabilidade, foram considerados débitos de estimativa de outubro e dezembro de 2002 que, nos termos da legislação, somente poderiam ser compensados com DCOMP. Registrou ainda: Excluindose a parte do saldo negativo que se considerou consumida por essas duas compensações, concluise que o crédito já utilizado tem valor igual a R$ 19.522,06 (25.081,47 2.425,59 3.133,82). O valor do saldo negativo de CSLL confirmado no despacho decisório é igual a R$ 27.009,89. Portanto, o valor do crédito disponível na data da transmissão do PER/DCOMP é igual a R$ 7.487,83 (27.009,89 19.522,06). Já se tendo admitido o crédito de R$ 1.928,42, resta a reconhecer neste acórdão o saldo de R$ 5.559,41 (7.487,83 1.928,42). Assinalou a impossibilidade de se acatar a argüição de defesa, no sentido de que o débito de estimativa de CSLL de novembro/2002, indicado no PERDCOMP para compensação , no valor de R$ 3.266,82 não existiria, já que, nos termos do § 6o do art. 74 da Lei n.° 9.430, de 1996, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência de débitos indevidamente compensados. Observou que o rito processual prevê a apreciação de manifestação de inconformidade contra atos de não homologação e que não seria de sua competência deliberar sobre compensação já homologada ou sobre confissão de dívida. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Ao final reconheceu o crédito remanescente, no valor de R$ 5.559,41, relativo ao saldo negativo de CSLL do anocalendário 2001, além do já reconhecido no despacho decisório e homologou parte das compensações, até o limite do crédito reconhecido. Notificada da decisão, em 08/09/2011 (AR fl. 84 processo digital), apresentou a interessada, em 03/10/2011, recurso voluntário. Nas razões de defesa afirma que o débito indevidamente compensado não existiria em face das retificações promovidas tempestivamente nas respectivas DIPJ e DCTF, o que tornaria o débito anteriormente constituído, inexistente. Afirma que as retificações teriam sido promovidas antes do julgamento proferido pela DRJ em Belo Horizonte/MG e que a manutenção do indeferimento acarretaria enriquecimento ilícito do Fisco. Aduz que teria havido erro de preenchimento de PERDCOMP, não reconhecido de ofício, nem mesmo após a apresentação da manifestação de inconformidade. A fim de reforçar seu posicionamento transcreve jurisprudência administrativa. Ao final pugnou pelo provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Como se verifica dos autos a interessada pleiteou, por meio de PERDCOMPs, o reconhecimento de direito creditório relativo a saldo negativo de CSLL do anocalendário 2001, no valor de R$ 27.009,89. Nesse ponto o seu pedido foi totalmente atendido, já que a DRF de origem reconheceu o crédito no valor total ao seu favor. Entretanto, afirmou que de parte desse crédito, no valor de R$ 25.081,47, já se teria aproveitado a recorrente em outros PERDCOMP apresentados anteriormente. A parcela restante, de R$ 1.928,42, foi deferida, nestes autos, pela DRF de origem. A Turma Julgadora de 1a. instância identificou um equívoco cometido pela DRF no cálculo do direito creditório que já teria sido utilizado em compensações anteriores. Refez os cálculos e deferiu, nestes autos, o valor de R$ 5.559,41, relativo ao saldo negativo de CSLL do anocalendário 2001, além do já reconhecido no despacho decisório e homologou parte das compensações, até o limite do crédito reconhecido. Verificase, assim, que com relação ao direito creditório, não há litígio a ser apreciado, o que foi reconhecido pela defesa. Entretanto, o crédito pleiteado, ainda que totalmente reconhecido, não foi suficiente para compensar todos os débitos declarados no PERDCOMP dos autos. A Fl. 104DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.930872/200992 Acórdão n.º 1801001.449 S1TE01 Fl. 4 5 interessada se defendeu contra a não homologação de todas as compensações declaradas alegando que parte dos débitos seria inexistente, em face da retificação da DIPJ e da DCTF e do preenchimento equivocado do PERDCOMP. Pleiteia, assim, que um dos débitos indicados para compensação seja cancelado. Esta esfera de julgamento, entretanto, não tem competência regimental para apreciar pedidos de cancelamento, de retificação de PERDCOMP e/ou de cancelamento de débitos declarados em PERDCOMP. Nos termos do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil a competência para analisar tais solicitações é da DRF de jurisdição da recorrente, razão pela qual não se pode tomar conhecimento de tal pleito. Saliento, entretanto, que a legislação de regência determina que somente podem ser objeto de cancelamento, os PERDCOMP que ainda se encontrem pendentes de análise e não tenham sido objeto de decisão, o que não é o caso dos autos. A respeito, transcrevo os artigos pertinentes da IN SRF n º 1.300, de 2012: Art. 93.A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O cancelamento do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso e da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado depois da intimação para apresentação de documentos comprobatórios. Art. 107.Considerase pendente de decisão administrativa, para fins do disposto nos arts. 88, 93 e 97, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso, em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF, Derat, Demac/RJ, Deinf, IRF ou ALF competente para decidir sobre a compensação, a restituição, o ressarcimento ou o reembolso. Da mesma forma, não se pode apreciar, nestes autos, o pedido de cancelamento do débito declarado em PERDCOMP. A Declaração de Compensação – DCOMP ou PERDCOMP– revestese das características de confissão irretratável de dívida. O contribuinte, ao declarar um débito em Declaração de Compensação, assume ser devedor daquela quantia, obrigandose a quitála, mediante compensação ou, caso não haja a homologação, mediante o pagamento do débito não compensado. Observo, ainda, que diferentemente da afirmação da defesa, as retificações de DIPJ e de DCTF foram feitas APÓS a ciência do despacho decisório que apreciou o PERDCOMP e homologou apenas em parte as compensações. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Em face do exposto, voto por não conhecer do pedido de cancelamento dos débitos declarados no PERDCOMP e por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 106DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10120.912168/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/07/2008 COFINS. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.626
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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AGROINDUSTRIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/07/2008 COFINS. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) Fl. 299DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10120.912168/200901 Acórdão n.º 330201.626 S3C3T2 Fl. 300 2 José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 214 a 224) apresentado em 04 de julho de 2011 contra o Acórdão no 0342.906, de 29 de abril de 2011, da 2ª Turma da DRJ/BSB (fls. 206 a 209), cientificado em 06 de junho de 2011, que, relativamente a declaração de compensação de Cofins relativa ao período de julho de 2008, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/07/2008 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Diante de manifestação de inconformidade que alega erro no preenchimento da DCTF, sem trazer prova documental que dê suporte à alegação, resta manter o despacho decisório que não homologou a compensação. Manifestação De Inconformidade Improcedente A declaração de compensação foi transmitida em 09 de setembro de 2008 e inicialmente apreciada pelo despacho decisório eletrônico de fl. 124, de 7 de outubro de 2009, segundo o qual o limite de crédito decorrente do Darf teria sido superado. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Consoante Despacho Decisório reproduzido à fl. 71, emitido eletronicamente em 07/10/2009, a autoridade competente não homologou a compensação efetuada pela contribuinte acima identificada por meio do PER/DCOMP nº. 05176.48386.090908.1.3.040202, transmitido em 09/09/2008, tendo em vista que não foi confirmado o crédito utilizado, proveniente de pagamento indevido ou a maior no valor original de R$ 225.753,65, relativo a Cofins do período de apuração de 31/07/2008, efetuado através DARF pago em 20/08/2008, no importe de R$ 508.503,79, o qual foi totalmente utilizado para extinguir débito de igual valor informado em DCTF. Cientificada do despacho denegatório, postado em 20/10/2009 (fl. 149), a interessada apresentou em 19/11/2009 a manifestação de inconformidade acostada às fls. 01/10, discordando da não homologação, com a argumentação de que cometeu erro no preenchimento da DCTF, na qual o débito relativo ao período teria sido informado incorretamente, e, para Fl. 300DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10120.912168/200901 Acórdão n.º 330201.626 S3C3T2 Fl. 301 3 corrigir a falha, providenciou a transmissão de uma retificadora em 16/11/2009. Insistindo no fato de que o crédito existe, tendo em vista que o débito correto da Cofins relativa ao período de 07/2008 é de R$ 282.750,14, conforme apurado em sua escrita fiscal e informado no DACON, requer a reforma do despacho impugnado, com a conseqüente homologação da compensação rejeitada. No recurso, a Interessada alegou que parte do valor declaração em DCTF e recolhimento não era devido e que cometeu erro no preenchimento da declaração, sanado com a transmissão da retificadora. Os fatos poderiam ser verificados a partir da Dacon e dos novos documentos apresentados no recurso (planilhas, balancete e razão). Acrescentou que seria desnecessária tal comprovação, pelo fato de a declaração retificadora ter a mesma natureza constitutiva atribuída à declaração inicial. Por fim, alegou que os valores do PIS não foram contestados e requereu a aplicação do princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. A Interessada retificou a DCTF alguns dias antes de apresentar a manifestação de inconformidade e, no recurso, apresentou documentação adicional. De fato, a retificação de DCTF tem efeitos desconsiderados pelo acórdão de primeira instância. É certo que, anteriormente à atual sistemática, a DCTF retificadora somente se prestava a reduzir o montante do tributo declarado, sujeitandose a um processo tributário de análise de mérito por parte da autoridade fiscal, de forma que o valor inicialmente declarado somente seria alterado para o menor se houvesse prova antecipada do erro. Atualmente, entretanto, desde as alterações introduzidas pela Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001, art. 18, a DCTF retificadora, quando admitida, tem os mesmos efeitos da original (art. 9º, I, da IN RFB no 1.110, de 2010). De acordo com a IN citada acima, que é a mais recente, somente não seriam admitidas para reduzir o tributo declarado as DCTF retificadoras relativas a tributos cuja cobrança tenha sido enviada à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ou que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10120.912168/200901 Acórdão n.º 330201.626 S3C3T2 Fl. 302 4 Obviamente, não foi o que ocorreu nos presentes autos, uma vez que o procedimento eletrônico referiuse à declaração de compensação e não à DCTF. Portanto, o despacho que não homologou a compensação não impedia a DCTF retificadora, que, por sua vez, substituiu completamente a original. Para que não houvesse tal situação, a Receita Federal teria que prever que o despacho de não homologação da declaração de compensação, baseado na inexistência de saldo de crédito pela sua alocação a débito declarado em DCTF, fosse causa de não admissão da DCTF. Como não é, a DCTF retificadora apresentada alterou a situação jurídica anteriormente constatada pelo despacho decisório, de que inexistiria indébito pela ausência de saldo de crédito. Diante do quadro acima exposto, concluise que, primeiramente, as compensações foram não homologadas corretamente, de acordo com os fatos existentes à época do despacho decisório. O acórdão de primeira instância considerou não demonstrado o direito de crédito, no que tem razão, mas, com a retificadora, o ônus de prova não era mais do sujeito passivo. Dessa forma, tal indébito tem que ser devidamente apurado pela autoridade fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a compensação. Assim, os autos devem retornar à delegacia de origem, para que o fisco apure os indébitos, mediante procedimento de diligência, para, então, o parecer ser submetido ao exame da seção competente da delegacia de origem, que deve novamente apreciar a compensação. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para determinar a apuração da liquidez e certeza do crédito da Interessada pela autoridade fiscal, submetendose a homologação das compensações a novo despacho decisório. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 302DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10120.912168/200901 Acórdão n.º 330201.626 S3C3T2 Fl. 303 5 Fl. 303DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.684353/2009-91
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
AUSÊNCIA DE LITÍGIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA.
A fase litigiosa do procedimento relativo à compensação de tributos somente se instaura com a apresentação válida e tempestiva da manifestação de inconformidade.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
Numero da decisão: 3803-003.753
Decisão: (assinado digitalmente)
ALEXANDRE KERN - Presidente.
(assinado digitalmente)
JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator.
EDITADO EM: 25/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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decisao_txt : (assinado digitalmente) ALEXANDRE KERN - Presidente. (assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator. EDITADO EM: 25/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues
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MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. A fase litigiosa do procedimento relativo à compensação de tributos somente se instaura com a apresentação válida e tempestiva da manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) ALEXANDRE KERN Presidente. (assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. EDITADO EM: 25/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 43 53 /2 00 9- 91 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório Peço vênia aos pares para adotar o relatório da decisão recorrida, por dispor de forma didática dos elementos necessários à compreensão dos fatos submetidos à apreciação desta Corte. A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação nº 26491.684353/200991, em 19/12/08, (fls. 07/08), pleiteando a compensação de débitos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS de 07/2008, que totalizaram R$ 52.170,67 (cinqüenta e dois mil e cento e setenta reais e sessenta e sete centavos), com créditos da COFINS, decorridos de suposto pagamento a maior ou indevido ocorrido em 19/11/2007. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico de fl. 02, emitido em 23/10/209, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que a partir das características do DARF, por meio do qual teria ocorrido o pagamento a maior ou indevido, o pagamento foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Este Despacho Decisório foi enviado ao contribuinte por via postal, porém a correspondência retornou com a informação de mudança de endereço do destinatário (fl. 04/05). Afixouse, em 02/12/09, o Edital PER/DCOMP 2530/2009 (fls. 38/40), o qual permaneceu afixado até 16/12/09, para dar ciência à interessada da referida decisão. Em 18/02/2010, a empresa apresentou manifestação de inconformidade (fls. 11/26) alegando em síntese: Sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada pela empresa. Que tomou ciência do Despacho Decisório somente ao fazer diligência junto ao órgão administrativo, quando obteve informação de que a intimação se deu por Edital, haja vista não ter sido localizada em seu endereço sede. Em preliminares, alega que a empresa está sediada na Rua Dias Leme, nº 130, Mooca, São Paulo/SP, desde 03/11/2005, e recebe suas correspondências enviadas pela própria Receita Federal neste endereço. Desta forma, não se pode acatar que as tentativas de intimação restaram improfícuas. Não obstante a intimação do Despacho Decisório ter sido realizada via edital, há que se observar o direito da requerente em ter prosseguimento o recurso. O Despacho Decisório está totalmente eivado de nulidades. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.684353/200991 Acórdão n.º 3803003.753 S3TE03 Fl. 9 3 A alegação de que não restou crédito disponível não é fundamento para a referida decisão. A autoridade administrativa não motivou esta indisponibilidade. A autoridade administrativa deve ter total obediência à legalidade, e motivar as decisões proferidas nos processos sob sua jurisdição. Tratase de um despacho decisório eletrônico, que sequer passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade. O crédito sequer foi apreciado. A ausência de motivação, como é o caso, importa em nulidade do ato praticado. As garantias constitucionais do contraditório e ampla defesa foram usurpadas, pois a autoridade administrativa não analisou o mérito do pedido, nem intimou a empresa a esclarecer os motivos do pleito. Quanto ao mérito, alega que usou de base de cálculo ampliada para cálculo da COFINS, incluindo não só a receita decorrente do faturamento, mas também demais receitas que não devem compôla, e postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. O pedido tem como base a declaração de inconstitucionalidade, em consonância com o disposto pela Lei º 9.430/96, e observa que a inconstitucionalidade desta ampliação já foi declarada, e cuja ação já transitou em julgado. Como não sabe o motivo do indeferimento, não há como promover uma defesa com a apresentação de documentos comprobatórios. Pede posterior produção de provas. Requer o recebimento da manifestação de inconformidade, em seus efeitos devolutivo e suspensivo; que sejam acatadas as preliminares argüidas, a fim de declarar nulo o referido Despacho Decisório; que sejam promovidas as diligências necessárias à comprovação do crédito. Caso não reconhecida a nulidade, requer seja reformada a referida decisão, e homologada a compensação. É o relatório. Conclusos foram os autos remetidos para julgamento pela 6a turma da DRJ/SP1, em sessão realizada em 02/12/2010, cujo resumo de decisão encontrase assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 INTIMAÇÃO POR EDITAL. CABIMENTO. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN 4 É válida a intimação por e4dital quando resultarem improfícuas as intimações feitas pessoalmente ou por via postal. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo estabelecido na legislação não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal, não podendo ser conhecida. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida. Direito Creditório não Reconhecido. Em suas razões de decidir o relator constatou que, uma vez não homologada a compensação, a autoridade administrativa cientificou o sujeito passivo dessa decisão intimandoo, por via postal, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, dos arts. 15 e 23 do Dec. nº 70.235/72, entretanto a correspondência foi devolvida pelo correio com a indicação de mudança de endereço (fl. 04/05), bem assim que após consulta ao sistema CNPJ (fl. 09), verificouse que o domicílio tributário cadastrado pelo contribuinte na Secretaria da Receita Federal do Brasil correspondia ao mesmo que informado pelo contribuinte, e para o qual foi enviada a intimação emitida pela autoridade administrativa (fl. 05). Com a devolução da intimação envidada por via postal no endereço retromencionado é de ser considerada regular a notificação por edital (art. 23, § 1o), o qual foi fixado em 02/12/2009 (fls. 38/40), situação em que se considera que a intimação ocorreu quinze dias após a publicação do edital, ou seja, em 17/12/209. Efetuada a contagem do prazo para a apresentação da impugnação, que é de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação, concluise que a manifestação de inconformidade apresentada pela defesa em 18/02/2010 é intempestiva. Ressaltou o voto condutor que a tempestividade da manifestação de inconformidade constitui requisito para o exame das questões de mérito pelo julgador administrativo, à luz do que preceitua o art. 14 do Dec. 70.235/72 e do ADN Cosit nº 15/96, restando prejudicada esta análise. A conclusão é que sendo a manifestação de inconformidade intempestiva, não se instaura a fase litigiosa do procedimento, salvo quanto à própria discussão de tempestividade, portanto não sendo conhecida a referida manifestação. Ao tomar ciência da decisão de primeira instância em 26/01/11 (fls. 58/59), irresignada contra a mesma a contribuinte interpôs recurso voluntário em 22/02/11 (), conforme estampado no carimbo do protocolo. A Recorrente reiterou os argumentos expendidos na exordial, minudentemente, persistindo na tese de a intimação por via de edital, consubstanciada em informação prestada pelo Correio de que a empresa “mudouse”, não pode ser admitida, porque a informação não é verídica, protestou pela falta de esclarecimentos acerca do não reconhecimento do crédito declarado, dando azo ao cerceamento de defesa e, portanto, à nulidade do feito, mormente porque a decisão a quo não foi adequadamente motivada. Repisou a defesa acerca da legitimidade do crédito noticiado com base na IN RFB nº 900/08, que regula a restituição/compensação por via eletrônica, defendendo a legitimidade de sua pretensão de ressarcimento em face da realização de pagamento a maior/indevido, a partir de diversas teses jurídicas cuja sistemática de recursos repetitivos e de Fl. 100DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.684353/200991 Acórdão n.º 3803003.753 S3TE03 Fl. 10 5 repercussão geral foram reconhecidas, bem assim considerando o trânsito em julgado dessas decisões, onde os demais contribuintes estão aptos a requerer a restituição dos tributos pagos nos moldes da legislação considerada ilegal/inconstitucional. Argüiu que todas as situações que dão legitimidade ao crédito da Recorrente há de ser comprovado em sede de diligências, o que se requer desde já. Aduziu, finalmente, que ante a inércia da autoridade administrativa em expor os motivos pelos quais não reconheceu o direito creditório, por conseguinte obstaculando a defesa da Recorrente, pugna pela apresentação de documentos probantes de suas alegações, embora tardiamente, com fulcro no art. 16, § 4o, ‘a’, do Dec. nº 70.235/72. Os requerimentos formulados apontaram para a suspensão dos efeitos da exigibilidade do crédito tributário constituído, bem assim para a reforma da decisão a quo, reconhecendose a nulidade da intimação por via de edital, além do direito creditório em sua integralidade e a homologação da compensação realizada. Postulou, finalmente, pela produção de provas documentais mesmo que tardias. Ademais disso, consta às fls. 72/73 o Despacho Decisório DIORT nº 67/2011, que atestou a intempestividade da manifestação de inconformidade, para concluir pela não instauração da fase litigiosa do processo administrativo, implicando a definitividade da decisão proferida pela autoridade administrativa, ao negar prosseguimento ao pleito devido à falta de objeto. Consta, ainda, dos autos, o ofício de notificação nº 00142012.00011, expedido pela Secretaria da 14a Vara Federal Cível da 1a Subseção Judiciária em São Paulo, em face do Mandado de Segurança nº 002237438.2010.4.03.6100, que noticia acerca do deferimento parcial de liminar para determinar a remessa do recurso voluntário da impetrante ao CARF, bem assim para determinar que a autoridade administrativa responsável pelo CARF seja notificada sobre o interesse na causa, a fim de manifestarse sobre a questão dos autos, nos termos do artigo 7o, II, da Lei nº 12.016/09. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, porém a Manifestação de Inconformidade não foi conhecida pela DRJ São Paulo I/SP, em razão da intempestividade de sua apresentação. Adoto pelos mesmos motivos expendidos no relatório as razões de fundamentação e de decidir do I. Conselheiro Relator Hélcio Lafetá Reis, proferidas nos autos do processo administrativo fiscal de nº , em julgamento realizado recentemente, às quais me filio. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN 6 Conforme já apontou a autoridade julgadora de primeira instância, o interessado havia sido intimado por via postal da decisão da repartição de origem que indeferira a compensação pleiteada, tendo sido a correspondência devolvida pelos Correios com a indicação de mudança de endereço, este coincidente com o domicílio tributário cadastrado pelo contribuinte na Secretaria da Receita Federal do Brasil, em razão do que procedeuse à intimação por edital, tudo em conformidade com o art. 23, §§ 1º e 2º, do PAF. Tendo sido o edital afixado na repartição de origem em 02/12/2009, o prazo de 15 dias referente à ciência do procedimento previsto no § 2º, IV, do art. 23 do PAF iniciouse no dia seguinte, 03/12/2009, com término em 17/12/2009, sendo esta a data em que se considerou feita a intimação. Cientificado em 17/12/2009 da decisão, o contribuinte teria o prazo de 30 dias para apresentar a sua manifestação de inconformidade, nos termos do art. 74, §§ 9º e 11, da Lei nº 9.430/1996 e art. 15 do PAF, prazo esse iniciado em 18/12/2009 e finalizado em 17/01/2010. Contudo, somente em 18/02/2010, o contribuinte protocolizou a Manifestação de Inconformidade na repartição de origem (fls. 10/25), configurandose, insofismavelmente, a intempestividade já amplamente atestada nos autos. Verificase que, no procedimento de intimação, a autoridade administrativa observou as regras do art. 23, §§ 1º e 2º, do PAF, tendo procedido à intimação por edital somente após a demonstrada improficuidade da citação por via postal, não tendo havido qualquer vício a reclamar por declaração de nulidade. Não se sustenta o argumento do contribuinte de que a administração tributária deveria ter diligenciado junto ao estabelecimento do sujeito passivo para confirmar a informação relativa à mudança de endereço atestada pelos Correios, seja em razão da inexistência de previsão normativa nesse sentido, seja por colidir com os princípios da celeridade processual e da eficiência previstos, respectivamente, no art. 5º, LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal. Nesse contexto, considerando o teor do art. 14 do PAF, temse que a fase litigiosa do procedimento somente se instaura com a apresentação válida da manifestação de inconformidade/impugnação, sendo que, uma vez intempestiva tal peça recursal, não se tem por inaugurada a lide, não se vislumbrando qualquer possibilidade de se dar prosseguimento ao processo, dada a total ausência de objeto. Assim como se registrou na instância anterior, aqui também se ressalta que uma vez configurada a perempção por intempestividade, a controvérsia se restringe à própria discussão da tempestividade, em razão do que não se devem examinar as demais preliminares e as razões de mérito apresentadas pelo contribuinte. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.684353/200991 Acórdão n.º 3803003.753 S3TE03 Fl. 11 7 É como voto. [assinado digitalmente] Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 103DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 11020.720025/2009-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
DESPESA DE FRETE. OPERAÇÃO DE VENDA. CRÉDITO.
As despesas de frete na operação de venda, incluídas as de transferência de produtos entre filiadas, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte rodoviário de carga e/ ou notas fiscais dos serviços prestados, desde a competência de fevereiro de 2004, geram créditos de PIS não-cumulativa, passiveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/ compensação.
FRETE INTERNACIONAL CRÉDITO.
As despesas pagas a armadores estrangeiros por meio de empresas localizadas em território nacional, sob o argumento de que se trata de frete internacional, sem comprovação, mediante conhecimento de transporte rodoviário de carga e/ ou nota fiscal de prestação dos serviços, não geram créditos de PIS não cumulativa.
DESPESA DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITO. APROVEITAMENTO. PERÍODO.
As despesas com depreciação de bens do ativo imobilizado, adquiridos até 30 de abril de 2004, a partir de 31 de julho de 2004, não geram créditos de PIS não cumulativa por expressa disposição legal.
DEPRECIAÇÕES. ATIVIDADE/PRODUÇÃO. BENS PRESCINDÍVEIS. CRÉDITO.
As despesas de depreciação de bens prescindíveis à atividade industrial e à produção de mercadorias da empresa não geram créditos de PIS.
MATRIZES. CUSTOS DE FORMAÇÃO. DEPRECIAÇÕES. CRÉDITOS.
O crédito presumido da agroindústria, correspondente ao PIS, apurado sobre aquisições de pessoas físicas e/ ou de pessoa jurídica, não sujeitas a esta contribuição, somente pode ser utilizado para dedução da contribuição apurada mensalmente, inexistindo amparo legal para o seu ressarcimento e/ ou compensação com outros tributos.
RECEITA DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOS. FABRICAÇÃO PRÓPRIA/ AQUIRIDOS DE TERCEIROS. RATEIO.
As receitas de exportação de produtos adquiridos de terceiros, com este fim, devem ser excluídas do total das receitas de exportação de produtos de fabricação própria, para o rateio e cálculo dos créditos decorrentes de vendas para o mercado externo.
CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. VEDAÇÃO.
O crédito presumido da agroindústria, correspondente à Cofins, apurado sobre aquisições de pessoas físicas e/ ou de pessoa jurídica, não sujeitas a esta contribuição, somente pode ser utilizado para dedução da contribuição apurada mensalmente, inexistindo amparo legal para o seu ressarcimento e/ ou compensação com outros tributos.
RESSARCIMENTO. JUROS COMPENSATÓRIOS.
Nos termos do art. 62-A do RICARF c/c a decisão do STJ no Resp 993.164, sob o regime do art. 543-C da Lei nº 8.869, de 11/01/1973 (CPC), reconhece-se a incidência de juros compensatórios sobre o valor do ressarcimento suplementar, calculados à taxa Selic, a partir da data de transmissão do respectivo Pedido de Ressarcimento (PER).
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-001.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Vitor Hugo Rivas Bohn OAB-RS 58005.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 DESPESA DE FRETE. OPERAÇÃO DE VENDA. CRÉDITO. As despesas de frete na operação de venda, incluídas as de transferência de produtos entre filiadas, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte rodoviário de carga e/ ou notas fiscais dos serviços prestados, desde a competência de fevereiro de 2004, geram créditos de PIS nãocumulativa, passiveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/ compensação. FRETE INTERNACIONAL CRÉDITO. As despesas pagas a armadores estrangeiros por meio de empresas localizadas em território nacional, sob o argumento de que se trata de frete internacional, sem comprovação, mediante conhecimento de transporte rodoviário de carga e/ ou nota fiscal de prestação dos serviços, não geram créditos de PIS não cumulativa. DESPESA DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITO. APROVEITAMENTO. PERÍODO. As despesas com depreciação de bens do ativo imobilizado, adquiridos até 30 de abril de 2004, a partir de 31 de julho de 2004, não geram créditos de PIS não cumulativa por expressa disposição legal. DEPRECIAÇÕES. ATIVIDADE/PRODUÇÃO. BENS PRESCINDÍVEIS. CRÉDITO. As despesas de depreciação de bens prescindíveis à atividade industrial e à produção de mercadorias da empresa não geram créditos de PIS. MATRIZES. CUSTOS DE FORMAÇÃO. DEPRECIAÇÕES. CRÉDITOS. O crédito presumido da agroindústria, correspondente ao PIS, apurado sobre aquisições de pessoas físicas e/ ou de pessoa jurídica, não sujeitas a esta AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 00 25 /2 00 9- 58 Fl. 511DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /05/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 contribuição, somente pode ser utilizado para dedução da contribuição apurada mensalmente, inexistindo amparo legal para o seu ressarcimento e/ ou compensação com outros tributos. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOS. FABRICAÇÃO PRÓPRIA/ AQUIRIDOS DE TERCEIROS. RATEIO. As receitas de exportação de produtos adquiridos de terceiros, com este fim, devem ser excluídas do total das receitas de exportação de produtos de fabricação própria, para o rateio e cálculo dos créditos decorrentes de vendas para o mercado externo. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. VEDAÇÃO. O crédito presumido da agroindústria, correspondente à Cofins, apurado sobre aquisições de pessoas físicas e/ ou de pessoa jurídica, não sujeitas a esta contribuição, somente pode ser utilizado para dedução da contribuição apurada mensalmente, inexistindo amparo legal para o seu ressarcimento e/ ou compensação com outros tributos. RESSARCIMENTO. JUROS COMPENSATÓRIOS. Nos termos do art. 62A do RICARF c/c a decisão do STJ no Resp 993.164, sob o regime do art. 543C da Lei nº 8.869, de 11/01/1973 (CPC), reconhece se a incidência de juros compensatórios sobre o valor do ressarcimento suplementar, calculados à taxa Selic, a partir da data de transmissão do respectivo Pedido de Ressarcimento (PER). Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Vitor Hugo Rivas Bohn OABRS 58005. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real e Fábia Regina Freitas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Belém que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que reconheceu parcialmente o direito da recorrente ao ressarcimento do saldo credor do PIS nãocumulativo, apurado para o 1º trimestre de 2008, e deferiu o valor reconhecido. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /05/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.720025/200958 Acórdão n.º 3301001.812 S3C3T1 Fl. 512 3 Cientificada do despacho decisório, inconformada com o deferimento parcial do seu pedido, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 348/371), requerendo a sua reforma a fim de que fosse reconhecido, na íntegra, o seu direito ao ressarcimento pleiteado, acrescido de juros compensatórios à taxa Selic, alegando, em síntese, que tem direito aos créditos apurados sobre os custos incorridos com: (i) insumos utilizados na produção de mercadorias exportadas, inclusive, via comercial exportadora; (ii) fretes rodoviários; (iii) fretes internacionais; (iv) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado antes de 01/05/2004; (v) depreciações de edificações, benfeitorias, máquinas, equipamentos e outros bens; (v) depreciação de matrizes; e, ainda, alegou (vi) equívoco no rateio proporcional para calcular o crédito decorrente de exportações; e, (vi) exclusão de bens utilizados como insumos na atividade da empresa. Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 0121.619, datado de 09/05/2011, às fls. 414/429, sob as seguintes ementas: “PIS/PASEP. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITO. DESPESAS DE FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA. O frete decorrente da mera transferência de produtos acabados entre matriz e filiais, ou entre estas, não gera direito a créditos. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. FRETE INTERNACIONAL Poderá ser descontado crédito relativo à Contribuição para o PIS/Pasep calculado sobre a despesa com frete internacional, desde que atendidos os demais requisitos normativos e legais pertinentes, não sendo aplicável, no caso, a vedação ao direito de crédito prevista no inciso II, § 2º, do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, por não se constituir o frete em insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda. PIS/PASEP. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. A Lei nº 10.865, de 2004, em seu art. 31, limitou a apuração de créditos sobre encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado aos adquiridos a partir de 01/05/2004. CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. PIS/PASEP. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. A Lei nº 10.865, de 2004, que incluiu o inciso II ao § 2º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, vedou o desconto de créditos relativos à PIS/PASEP, decorrentes de aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /05/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 PIS/PASEP NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. EXPORTAÇÃO. Os créditos a serem apurados pelas pessoas jurídicas que auferem receita da exportação, estão restritos aos custos, despesas e encargos vinculados às operações de exportação, aos quais, se realizadas no mercado interno, estariam sujeitas à apuração não cumulativa. PIS/PASEP NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. EXPORTAÇÃO. O direito de utilização de crédito não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim específico de exportação. Nesta hipótese, é vedada a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. PIS/PASEP. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. No cálculo do PIS/PASEP NãoCumulativo somente podem ser computados créditos calculados sobre os valores correspondentes a insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, assim entendidos a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedade físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre os produtos em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (436/470) requerendo a sua reforma a fim que se reconheça, na íntegra, seu direito ao ressarcimento pleiteado e defira seu pedido, alegando, em síntese, as mesmas razões expendidas na manifestação de inconformidade, ou seja, que tem direito de apurar créditos de PIS não cumulativo sobre os custos incorridos com: (i) fretes rodoviários para transporte de produtos acabados entre filiais; (ii) fretes internacionais; (iii) encargos de depreciações de bens do ativo imobilizado, adquiridos antes de 01/05/2004; (iv) encargos de depreciações de edificações, benfeitorias, máquinas, equipamentos e outros bens; (v) depreciação de matrizes; (vi) compras de bens não utilizados como insumos; e, ainda, alegou (vii) erro no cálculo do rateio da receita de exportação; e, (viii) direito a juros compensatórios à taxa Selic. Para fundamentar seu recurso voluntário, expendeu extenso arrazoado sobre: I – Do Conceito de Insumo para o PIS e a Cofins, não cumulativos; II – Dos Fretes rodoviários; III – Do Frete Internacional; IV – Dos Valores Referentes aos Encargos de Depreciação de Bens Adquiridos antes de 01/05/2004; V – Dos Créditos de Depreciação de Bens Adquiridos para Venda (Edificações, Benfeitorias, Máquinas, Equipamentos e Outros Bens); VI – Depreciação de Aves Matrizes; VII – Do Cálculo de Rateio Proporcional; VIII – Compras de Bens Supostamente não Utilizados como Insumos; e, IX – Da Correção Monetária pela Taxa Selic, concluindo, ao final, que faz jus ao ressarcimento integral do valor pleiteado, acrescido de juros compensatórios à taxa Selic. É o relatório. Voto Fl. 514DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /05/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.720025/200958 Acórdão n.º 3301001.812 S3C3T1 Fl. 513 5 Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. Nesta fase recursal, a recorrente reclama créditos de PIS não cumulativo, apurados sobre os custos com: (i) fretes rodoviários para transporte de produtos acabados entre filiais; (ii) fretes internacionais; (iii) encargos de depreciações de bens do ativo imobilizado, adquiridos antes de 01/05/2004; (iv) encargos de depreciações de edificações, benfeitorias, máquinas, equipamentos e outros bens; (v) depreciação de matrizes; (vi) compras de bens não utilizados como insumos; e, ainda, alegou (vii) erro no cálculo do rateio da receita de exportação; e, (viii) direito a juros compensatórios à taxa Selic. A Lei nº 10.637, de 30/12/2002 que instituiu a contribuição para o PIS com incidência não cumulativa assim dispõe quantos aos créditos passiveis de descontos do valor da contribuição apurado no mês e/ ou de ressarcimento do saldo credor trimestral: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). [...]; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005). VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; [...]. § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito). I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...]; Fl. 515DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /05/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; [...]. § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004). II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004). § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; [...]. § 13. Não integram o valor das máquinas, equipamentos e outros bens fabricados para incorporação ao ativo imobilizado na forma do inciso VI do caput deste artigo os custos de que tratam os incisos do § 2º deste artigo. (Incluído dada pela Lei nº 11.196, de 2005). [...].” Posteriormente, a Lei nº 10.833, de 29/12/2003, ampliou o direito de se apurar créditos do PIS nãocumulativo, estendendoo sobre as despesas com fretes na operação de venda, assim dispondo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...). IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...). Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). (...); II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º, incisos II e III, 6º, inciso I, e 10 a 15 do art. 3º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004). (...). Fl. 516DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /05/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.720025/200958 Acórdão n.º 3301001.812 S3C3T1 Fl. 514 7 Art. 93. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeito, em relação: I aos arts. 1º a 15 e 25, a partir de 1º de fevereiro de 2004; (...).” Assim, com fundamento neste diploma legal, passemos ao julgamento de cada item contestado pela recorrente. (i) fretes rodoviários para transporte de produtos acabados entre filiais As despesas incorridas com fretes nas operações de vendas, inclusive com transportes de produtos acabados entre matriz e filiais e entre estas, pagas a terceiros, mediante documentação fiscal hábil (Notas Fiscais de Prestação de Serviços e Conhecimentos de Transportes Rodoviários de Cargas (CTRC), emitida pela pessoa jurídica prestadora dos serviços de transporte, se enquadram como insumos, nos termos do inciso II do art. 3º, citados e transcritos acima e, portanto, geram créditos de PIS, passíveis de dedução do valor da contribuição devidamente mensalmente e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. (ii) fretes internacionais Já em relação aos alegados fretes internacionais pagos a pessoas jurídicas no território nacional, além de a recorrente não ter comprovado seus pagamentos, mediante a apresentação de Notas Fiscais de Prestação de Serviços e/ ou Conhecimentos de Transportes Rodoviários de Cargas (CTRC), emitidos pelas empresas transportadoras que prestaram os serviços, não contestou o fundamento em que a Fiscalização se amparou para glosas dos créditos apurados sobre tais despesas, ou seja, de que as despesas foram pagas para agentes armadores estrangeiros e não para empresas de transportes de cargas. De acordo com o diploma legal citado e transcrito anteriormente, somente as despesas com fretes incorridas nas operações de vendas e pagas a pessoas jurídicas domiciliadas no território nacional, devidamente comprovadas, mediante documental fiscal hábil, geram créditos de PIS não cumulativo. (iii) encargos de depreciações de bens do ativo imobilizado, adquiridos antes de 01/05/2004 O aproveitamento de créditos sobre despesas com depreciações de bens do ativo imobilizado, adquiridos até 30/04/2004, está expressamente vedado, a partir de 31/07/2004, pela Lei nº 10.865, de 2004, publicada naquela mesma data, que assim dispõe: “Art. 31. É vedado, a partir do último dia do terceiro mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004. [...].” Fl. 517DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /05/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 (iv) encargos de depreciações de edificações, benfeitorias, máquinas, equipamentos e outros bens Embora, no recurso voluntário, a recorrente tenha transcrito esse título, na realidade, as glosas efetuadas pela Fiscalização foram sobre os custos incorridos com depreciação de: condicionado de ar, encadernadora, triturador de resíduos, lavadora horizontal, aparelho de navegação, cinto de segurança, lavadora de botas, bebedouro, equipamento de refrigeração, catraca informatizada, ar condicionado split, material para cerca elétrica, material de reforma de banheiro, mão de obra de reforma de banheiro, cerca e pavimentação de pátio e reforma de refeitório, mão de obra restaurante, interface celular, ar condicionado springer, acionamento de relógio de ponto, relógio card II e catraca informatizada. Ora, tais bens, em nosso entendimento, não se enquadram nos incisos VI e VII do art. 3º da Lei nº 10.833, citados e transcritos anteriormente, por não serem imprescindíveis à produção e às atividades da recorrente, abate de animais e produção de cortes de cortes e produtos derivados (industrialização). (v) depreciação de matrizes Segundo, o inciso III do § 1º, c/c o inciso VI do art 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, citados e transcritos anteriormente, os encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para utilização na produção de bens destinados à venda, dão direito ao crédito do PIS. Assim, os custos de formação do plantel de matrizes, onerados pela Cofins e não aproveitados no mês e que foram ativados, ou seja, contabilizados no ativo imobilizado, à medida que forem depreciados, geram créditos dessa contribuição. No entanto, somente o total dos custos imobilizados e onerados por essa contribuição e cujos valores não foram aproveitados por ocasião das aquisições geram créditos. No presente caso, a recorrente apurou e pleiteou créditos sobre a totalidade dos custos de formação do plantel, inclusive sobre os custos com aquisições dos pintos matrizes, de um dia, com mão de obra e administrativos. O disposto no disposto no § 13 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, citado e transcrito acima, veda expressamente o aproveitamento de créditos do PIS sobre os custos para formação do ativo imobilizado de que tratam os incisos do § 2º daquele artigo. Dessa forma, para se apurar o total da depreciação e do valor dos encargos de depreciação que gerarão créditos de PIS, deverão ser excluídos do total apurado pela recorrente, os valores do custo de formação do plantel correspondentes às aquisições dos pintos matrizes, aos custos/despesas mão de obra e respectivos encargos fiscais e trabalhistas e aos custos/despesas com administração e respectivos encargos. Os custos com aquisições de pintos matrizes não geram créditos do PIS porque suas aquisições não são oneradas por esta contribuição, nos termos do inciso X do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, que reduziu a zero a alíquota dessa contribuição sobre a comercialização de pintos de um dia, assim dispondo: “Art. 1º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de: Fl. 518DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /05/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.720025/200958 Acórdão n.º 3301001.812 S3C3T1 Fl. 515 9 [...]; X pintos de 1 (um) dia classificados no código 0105.11 da TIPI; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004). [...].” (vi) compras de bens não utilizados como insumos Neste item, a recorrente alega que a Fiscalização considerou que os custos com aquisições de milho e soja não correspondem a insumos utilizados na fábrica das rações consumidas pelas aves matrizes e, portanto, glosou os créditos do PIS aproveitados por ela. Conforme decidido no item anterior, (v) encargos de depreciação, os custos com formação do plantel das matrizes, neles incluídos os insumos, geram créditos daquela contribuição. Assim, os custos com milho e soja utilizados na formação do plantel de aves matrizes geram créditos básicos do PIS, passíveis de dedução do valor contribuição devida mensalmente e/ ou de ressarcimento do saldo credor trimestral, se foram adquiridos de pessoas jurídicas sujeitas ao pagamento dessa contribuição. Caso contrário se adquiridos de pessoas físicas e/ ou de cooperativas de produção agropecuária, geram crédito presumido da agroindústria que somente são passíveis de dedução do valor da contribuição apurada mensalmente, sendo vedada seu ressarcimento e/ ou compensação com outros débitos fiscais, por falta de amparo legal. A Lei nº 10.925, de 23/07/2004, arts. 8º e 15º, que reinstituiu o crédito presumido da agroindústria estabelece expressamente que seu aproveitamento somente para dedução do valor da contribuição apurada e devida mensalmente sobre o faturamento. No presente caso, a própria recorrente informou, em seu recurso voluntários, que se trata de crédito presumido da agroindústria. Assim, não há que se falar em ressarcimento. (vii) erro no cálculo do rateio da receita de exportação Em relação às exportações, a Lei nº 10.637, de 2002, assim dispõe: “Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; [...]; III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; Fl. 519DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /05/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.” Assim, correto o procedimento da Fiscalização que excluiu do total das receitas de exportações, para efeito de cálculo dos créditos do PIS, os valores das receitas decorrentes da exportação de produtos adquiridos de terceiros. (vi) juros compensatórios à taxa Selic Em face do disposto no art. 62A do Ricarf e na decisão do RESP 993.164 e, ainda, considerando que houve vedação do Fisco ao ressarcimento tempestivo da parte do saldo credor do PIS não cumulativo, apurado para o 1º trimestre de 2008, sobre o valor suplementar reconhecido incidirão juros compensatórios, à taxa Selic, a partir da data de protocolo/transmissão do pedido de ressarcimento (PER) em discussão. Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito de a recorrente apurar créditos do PIS não cumulativa sobre: a) as despesas de frete com transportes de produtos acabados entre matriz e filiais e entre estas, pagas a terceiros, mediante documentação fiscal hábil (Notas Fiscais de Prestação de Serviços e Conhecimentos de Transportes Rodoviários de Cargas (CTRC)) emitida pela pessoa jurídica prestadora dos serviços de transporte; b) sobre os encargos de depreciação do custo de formação do plantel de matrizes, excluídos do total imobilizado, os custos com aquisições de pintos matrizes, os custos de mão de obra e respectivos encargos fiscais e trabalhistas, os custos com administração e respectivos encargos e os custos com soja e milho não onerados pela contribuição, ou seja, adquiridos de pessoas físicas e cooperativas de produção agropecuárias; e, c) deferir o pagamento de juros compensatórios sobre o ressarcimento suplementar, ora reconhecido, calculados, à taxa Selic, a partir da data de protocolo/ transmissão do pedido de ressarcimento (PER), cabendo à autoridade administrativa apurar valor do ressarcimento suplementar, nos termos deste acórdão, itens “a” e “b” acima, e ressarcir o montante apurado, observada as normas vigentes quanto ao ressarcimento. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 520DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /05/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.720025/200958 Acórdão n.º 3301001.812 S3C3T1 Fl. 516 11 Fl. 521DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08 /05/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 12268.000387/2009-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2402-000.238
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Igor Araújo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Ewan Teles Aguiar. Fl. 3143DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, relativas às contribuições da parte patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), para as competências 01/2006 a 12/2007. O Relatório Fiscal (fls. 187/195 – Volume I) informa que o fato gerador decorre da remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais (trabalhadores autônomos). Os valores foram apurados por meio dos seguintes levantamentos: 1. CI CONTRIBUINTE INDIVIDUAL à diz respeito ao lançamento de remunerações pagas ou creditadas a segurados contribuintes individuais (pintor, eletricista, psicólogo, advogado, dentre outros), conforme planilha de fls. 108/174 (Anexo I). Tais remunerações não foram incluídas em folhas de pagamento e nem declaradas em GFIP. As bases de cálculo foram apuradas em documentos de suporte dos lançamentos contábeis, registrados nas seguintes contas: Serviços Profissionais Contratados – código conta contábil 3.21.02.00030; Publicidade/Propaganda – código 3.21.02.00026; Curso e Treinamento – código 3.21.02.00043; Outras Despesas – código 3.31.05.00003 e Copa/Cozinha/Limpeza – código 3.21.02.00031; 2. PRE PRÊMIO DE PRODUTIVIDADE à trata de pagamentos de valores apurados nos lançamentos contábeis, conta Curso e Treinamentocódigo 3.2.1.02.00043, referentes às remunerações pagas aos segurados empregados, a título de prêmio, por meio de crédito nas contas de cartões eletrônicos, cartões esses intermediados pela empresa Incentive House S/A, CNPJ 00.416.126/000222. Os segurados e os valores encontramse identificados na planilha de fls. 96/100 (Anexo II); 3. VR VALE REFEIÇÃO à trata do pagamento de salário "in natura" a empregados, na forma de alimentação, em desacordo com o disposto na Lei 6.321/1976, regulamentada pelo Decreto 5/1991, e sem guardar correspondência com o disposto no art. 28, § 9o, "c", da Lei 8.212/1991, tendo em vista o pagamento em pecúnia. As bases de cálculo foram obtidas por meio da conta Alimentação – código 3.2.1.02.00009, e os segurados e os valores estão relacionados na planilha de fls. 250/263 (Anexo IV); 4. VT VALE TRANSPORTE à referese a valores pagos aos segurados empregados em pecúnia a título de vale transporte, conforme conta contábil Vale Transporte – código 3.21.02.00008. Os segurados e os respectivos valores constam da planilha de fls. 224/236 (Anexo III); Fl. 3144DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12268.000387/200999 Resolução n.º 2402000.238 S2C4T2 Fl. 2 3 5. UED UTILIDADE EDUCAÇÃO à tratase de valores pagos a segurados empregados a título de plano educacional (participação nos custos das mensalidades/faculdade) em desacordo com o disposto art. 28, § 9o, "t", da Lei 8.212/1991, tendo em vista que tal benefício não era estendido a todos os empregados. Os valores foram lançados na conta contábeis Curso e Treinamento – código 3.2.1.02.00043, e os pagamentos deramse por meio de transferências bancárias (rubrica "ajuda de custofaculdade"). Os segurados e respectivos valores integram a planilha de fls. 265, e às fls. 266/272, constam documentos que atestam a transferência bancária (Anexo V); 6. GSF GLOSA SALÁRIO FAMÍLIA à referese à glosa das cotas de salário família pago, acima do limite estabelecido, aos empregados, conforme atesta a planilha de fls. 273/276 (Anexo VI); 7. DS DESCONTO DO SEGURADO à trata de diferenças constatadas nas folhas de pagamento dos estabelecimentos matriz e filial, em face da empresa proceder ao desconto dos empregados sem obedecer às faixas de salários e respectivas alíquotas. Tais diferenças integram a planilha de fls. 277/280 (Anexo VII); 8. RUB RUBRICAS NÃO INCLUÍDAS NA BASE à diz respeito a parcelas integrantes do salário de contribuição intituladas “Pagamento de Outros Benefícios – código 285” e “Ajuda de Custo – código 66”, incluídas em folhas de pagamento e não recolhidas. Os beneficiários desses pagamentos com os respectivos valores integram a planilha de fls. 282/283 (Anexo VIII); 9. PPR PROGRAMA PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS à tratam de valores pagos aos empregados, integrantes das folhas de pagamento – rubricas Participação no Lucro/Resultado, código 005, PPR – código 295, e PLR – código 296, em desacordo com a legislação específica (Lei 10.101/2000). Os beneficiários desses pagamentos com os respectivos valores integram a planilha de fls. 286/290 (Anexo IX); 10. SAL SALÁRIO COMPLEMENTAR à tratam de valores pagos ou creditados a segurados empregados, de natureza complementar, não recolhido pela empresa, integrantes da planilha de fls. 313/314 (Anexo X): 11. FPA FOLHA PGTO AMBIENTAL à diz respeito às folhas de pagamento inseridas nos arquivos digitais no formato MANAD referentes à empresa tomadora de serviços Ambiental, cujos valores não foram recolhidos e nem declarados em GFIP; 12. TER DÉCIMO TERCEIRO AMBIENTAL à trata de valores (13° salário) pagos aos segurados empregados alocados na empresa tomadora de serviços, não recolhidos e nem declarados em GFIP; Fl. 3145DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 13. FPE FLS. PAGAMENTO EFETIVO à referese às diferenças apuradas oriundas do confronto das folhas de pagamento dos trabalhadores efetivos com as guias de recolhimento (GPS); 14. FPT FLS. PAGAMENTO TEMPORÁRIO à referese às diferenças apuradas oriundas do confronto das folhas de pagamento dos trabalhadores temporários com as guias de recolhimento (GPS). Os valores das guias recolhidas (GPS única para trabalhadores efetivos e temporários) foram rateados para os levantamentos (FPE e FPT), conforme planilha de fls. 331/333 (Anexo XII); 15. NF1 AFERIÇÃO NF TIM TEMPORÁRIO à nesse levantamento encontramse consignadas às remunerações devidas, pagas ou creditadas aos segurados trabalhadores temporários que prestaram serviços à empresa tomadora de serviços TIM SUL S/A, não incluídas em folha de pagamento. O lançamento foi arbitrado de acordo com o disposto no art. 33, § 6°, da Lei 8.212/1991, e nos arts. 231 e 235, do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, e os valores foram apurados por aferição indireta com aplicação do percentual de 50% sobre as notas fiscais de prestação de serviços (art. 600, inciso II, combinado com o artigo 597, incisos I, II e IV da IN SRP n°03, de 14/07/2005), conforme planilha de fl. 317 (Anexo XI); 16. NF2 AFERIÇÃO NF TIM CLT à nesse levantamento encontramse consignadas às remunerações devidas, pagas ou creditadas aos segurados empregados que prestaram serviços à empresa tomadora de serviços TIM SUL S/A, não incluídas em folha de pagamento. O lançamento foi arbitrado de acordo com o disposto no art. 33, § 6°, da Lei 8.212/1991, e nos arts. 231 e 235, do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, e os valores foram apurados por aferição indireta com aplicação do percentual de 40% sobre as notas fiscais de prestação de serviços (art. 600. inciso I, combinado com o artigo 597, incisos I, II e IV da IN SRP n°03, de 14/07/2005), conforme planilha de II. 318/319 (Anexo XI). A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 07/10/2009 (fl. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 346/371 – Volume II) – acompanhada de anexos de fls. 382/2316 (Volumes II a XII) –, alegando, em síntese, que: 1. Preliminarmente. Da concordância parcial do débito. A empresa requereu o parcelamento dos valores referentes aos levantamentos: CI CONTRIBUINTE INDIVIDUAL; PRE PRÊMIO DE PRODUTIVIDADE; VT VALE TRANSPORTE; VR VALE REFEIÇÃO; GSF GLOSA SALÁRIO FAMÍLIA; DS DESCONTO DO SEGURADO e RUB RUBRICAS NÃO INCLUÍDAS NA BASE; 2. Levantamento UED UTILIDADE EDUCAÇÃO. Diz que pagou a verba intitulada “ajuda de custofaculdade” para alguns empregados que preencheram os requisitos previstos no documento interno denominado Orientação de Trabalho (OT) Programa Bolsa Estudo, ora anexado, e que o fato dessa verba ter sido concedida a Fl. 3146DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12268.000387/200999 Resolução n.º 2402000.238 S2C4T2 Fl. 3 5 coordenadores, gerentes e assistentes financeiros (funções dos empregados arrolados no Anexo V), só vem fortalecer a questão de que todos os empregados tinham acesso ao benefício. Alega que mesmo que a alínea "t" do parágrafo 9o do artigo 28 da Lei 8.212/1991 não mencione a comprovação da despesa efetuada, junta ao presente, os comprovantes dos pagamentos efetuados para a faculdade do empregado Luiz Carlos Mendes. Pede a exclusão do levantamento da base de cálculo do débito; 3. Levantamento PPR PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS. Alega que não desobedeceu ao Acordo de Participação dos Funcionários e Estagiários da NOSSA Serviço Temporário e Gestão de Pessoas: empregados efetivos (código de lotação 0000.1 – Anexo IX), que pagou a verba de participação nos lucros ou resultados aos empregados em 01/2006, 07/2006, 01/2007 c 07/2007, e que alguns desses empregados passaram a ter direito à complementação da verba paga pelas metas alcançadas, sendo 04 empregados em 02/2006 e 08 empregados em 08/2006, portanto, tal fato não configurou nova distribuição nos lucros ou resultados da empresa; trabalhadores temporários (código de lotação 00378, 00173, 00075, 03237Anexo IX), que a referida verba não é extensiva aos trabalhadores temporários, por isso, as empresas tomadoras de serviços (clientes) decidiram, por liberalidade, estender aos trabalhadores temporários a seu serviço, o acordo de participação nos lucros ou resultados que firmaram com seus empregados. Dessa forma, foram efetuados pagamentos a título de PPR aos trabalhadores temporários nos meses de 01/2006, 02/2006, 10/2006, 02/2007, 03/2007, 06/2007, 11/2007 e 12/2007. Diz que esses pagamentos foram efetuados pelo valor total pago pelas empresas tomadoras de serviços sem incidência de contribuição previdenciária, e que tal verba se assemelha a uma gratificação não ajustada (§ 1° do art. 457 da CLT). Pede a exclusão do levantamento da base de cálculo do débito; 4. Levantamento SAL SALÁRIO COMPLEMENTAR. Alega que pagou os referidos valores em decorrência de complementação salarial a título de rescisão contratual, horas extras, adicionais noturno e periculosidade e de férias, e que, alguns desses valores, não sofreram incidência de contribuição porque se referiam à devolução de desconto de vale transporte e ao pagamento de ajuda de custo. Diz que vem comprovar os pagamentos por meio de recibos de pagamento (holerite), rescisões contratuais e recibos de ferias (documentos anexos) e que procedeu ao recolhimento das contribuições previdenciárias. Em seguida, vem apresentar planilha alusiva ao período lavrado, onde discrimina a competência, o nome do empregado, o valor e o motivo, fls. 354/361. Pede a exclusão do levantamento da base de calculo do débito; 5. Levantamento FPA FOLHA PGTO AMBIENTAL. Argúi que os empregados que prestaram serviços à empresa Ambiental foram Fl. 3147DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 colocados, por equívoco, nas folhas de pagamento da empresa, CNPJ n° 86.915.691/000179, e isso ocorreu por ocasião da apresentação dos arquivos digitais no formato MANAD. Alega que nas competências 01/2006 a 07/2007, tais empregados pertenciam à outra empresa do grupo econômico Nossa Gestão de Pessoas e Serviços Ltda, CNPJ n° 73.277.675/000156, conforme CAGED do Ministério do Trabalho c Emprego e GFIP, e que só, em 08/2007, esses empregados foram transferidos dessa empresa para a impugnante. Diz que os valores foram recolhidos e declarados em GFIP pela empresa Nossa Gestão de Pessoas e Serviços Ltda, conforme documentos anexos. Pede a exclusão do levantamento da base de cálculo do débito; 6. Levantamento TER DÉCIMO TERCEIRO AMBIENTAL. Traz as mesmas razões já expostas anteriormente. Pede a exclusão do levantamento da base de cálculo do débito; 7. Levantamentos FPE FLS. PAGAMENTO EFETIVO e FPT FLS. PAGAMENTO TEMPORÁRIO. Diz que elabora folhas de pagamento distintas para os trabalhadores temporários e empregados efetivos, bem como declara GFIP por tomador de serviços, contudo recolhe a contribuição previdenciária em GPS única. E que tal procedimento não desrespeita a legislação, já que pode recolher em única GPS por competência e por estabelecimento, as contribuições incidentes sobre as remunerações pagas a todos os segurados cedidos e alocadas no setor administrativo. Pede a exclusão dos levantamentos das bases de cálculo do débito; 8. Levantamento NF1 AFERIÇÃO NF TIM TEMPORÁRIO. Alega que mantinha mais de um contrato de prestação de serviços de intermediação de mãodeobra temporária com a empresa contratante Tim Sul S/A, e que apesar da correta contabilização dos contratos e dos valores recebidos via notas fiscais, a fiscalização entendeu, com base em indícios, que o livro Diário não registrava o movimento real da remuneração dos trabalhadores cedidos, vindo desconsiderar todas as informações contábeis para apurar as contribuições por meio da aferição indireta (Anexo XI). Ao contrário, a contabilidade da empresa retratava o movimento real da remuneração paga ou creditada aos segurados, uma vez que todos os lançamentos relativos às notas fiscais emitidas foram efetuados no livro Diário, vide competências 10/2006 e 03/2007. Afirma que o procedimento fiscal foi excessivamente rigoroso, pois alem de proceder corretamente em relação à contabilidade, também elaborou folhas de pagamento para os trabalhadores temporários (documentos anexos); 9. Levantamento NF2 AFERIÇÃO NF TIM CLT. Com relação aos trabalhadores efetivos colocados à disposição da empresa Tim Sul S/A, traz as mesmas razões já expostas anteriormente. Pede a exclusão do levantamento da base de cálculo do debito. 10. Por fim, pede que seja julgado improcedente o AI em epígrafe na parte contestada. Fl. 3148DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12268.000387/200999 Resolução n.º 2402000.238 S2C4T2 Fl. 4 7 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Curitiba/PR – por meio do Acórdão no 0629.968 da 5a Turma da DRJ/CTA (fls. 2342/2352 – Volume XII) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele se coaduna com os preceitos legais que disciplinam a sua lavratura, posto que traz em seu conteúdo todos os requisitos necessários a sua validade. A Notificada apresentou recurso (fls. 2356/2370 – Volume XII), acompanhado de Anexos de fls. 2371/3033 – Volumes XII a XVI, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Curitiba/PR informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processo e julgamento (fls. 3034/3035 – Volume XVI). É o relatório. Fl. 3149DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. Analisandose as peças que compõem os autos, verifiquei a existência de óbice ao julgamento do recurso apresentado. A presente autuação referese à constituição do crédito tributário decorrente das contribuições sociais previdenciárias, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais. No que tange à matéria submetida à controvérsia instaurada, o Fisco informa que objeto do lançamento fiscal seria o seguinte (Relatório Fiscal, fls. 187/195 – Volume I): “[...] Levantamento UED UTILIDADE EDUCAÇÃO: Levantamento da contribuição incidente sobre salários utilidades creditado a segurados empregados na forma de participação no custo da mensalidade da1 faculdade. Na análise dos documentos contábeis, conforme cópias do anexo V verificamos a existência de pagamentos efetuados, através de transferências bancárias, a título de "ajuda de custo faculdade". Não há comprovação da despesa e o beneficio foi concedido aos segurados descrito na relação constante do anexo V, extraído da conta denominada Curso e Treinamento código 3.21.02.00043. O fato de que nem todos os empregados tenham acesso a tal benefício, por si só, enseja o [lançamento de tais parcelas como integrantes do salário ide contribuição, conforme disposto na Lei no 8.212/91, artigo 28, parágrafo 9°., alínea "t". Levantamento PPR PROGR DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS: (...) De acordo com os acordos apresentados, fica estipulado o pagamento do referido benefício nos meses de janeiro/06, julho/06, janeiro/07 e julho/07 Todos os pagamentos efetuados fora deste prazo foram levantados por estar em desacordo com o instrumento da negociação pactuado com os empregados, com intermediação do sindicato. | A Lei 10.101/00 veda o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. De acordo com as folhas de pagamentos da empresa verificamos que alguns segurados foram creditados ou pagos com mais de duas parcelas anuais. Portanto, tais pagamentos estão em desconformidade com a legislação e descaracterizamos tais pagamentos como PLR e levamos a tributação pelo valor total das parcelas. Levantamento SAL SALÁRIO COMPLEMENTAR: Fl. 3150DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12268.000387/200999 Resolução n.º 2402000.238 S2C4T2 Fl. 5 9 Neste lançamento, apuramos as contribuições sobre parcelas pagas ou creditadas aos empregados, apuradas nos documentos de suporte dos registros contábeis da empresa. Os segurados que receberam essas verbas encontram se, discriminadas, por competência e com os respectivos valores percebidos na relação do anexo X; Levantamento FPA FOLHA PGTO AMBIENTAL: (...) O contribuinte foi intimado a fornecer, em meio do arquivo digital, no formato do manad, a conforme disposto na Portaria INSS/DIREP no. 42, de 24/6/03, tendo sido os arquivos solicitados disponibilizados pela empresa e utilizado no presente levantamento de débito. No arquivo digital apresentado, apuramos as folhas de pagamento confeccionadas para a empresa tomadora de serviços terceirizados denominada Ambiental, para a qual não há recolhimentos das contribuições previdenciárias e nem declaração da GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informação a Previdência Social. Intimada a apresentar a GFIP para os trabalhadores constantes das folhas para o período de janeiro/2006 a julho/07, o contribuinte alegou que tais trabalhadores não pertencem ao quadro de funcionário da empresa fiscalizada, mas de outra empresa do grupo. Apresentou o formulário do CAGED, enviado pela INTERNET para o MTE — Ministério do Trabalho e Emprego. Face ao exame dos formulários do CAGED apresentados, entendemos que as informações constantes do. arquivo digital são legitimas e foram apuradas contribuições sobre os pagamentos constantes das mencionadas folhas de pagamentos. Levantamento TER DÉCIMO TERCEIRO AMBIENTAL: Levantamento da contribuição incidente na remuneração paga ou creditada aos segurados empregados, a título de décimo terceiro salário. Levantamento FPE FLS PAGAMENTO EFETIVO: Contribuição apuradas sobre as diferenças apuradas no confronto das folhas de pagamentos dos empregados efetivos com os recolhimentos efetuados nas GPS Guias da Previdência Social. Esclarecemos que a empresa confecciona folhas de pagamentos sem apresentar a totalização geral do mês. O contribuinte mantém várias folhas mensais de vários tomadores de serviços, onde cada folha tem sua totalização, mas a soma geral da empresa não é apresentada. Também na análise dos lançamentos contábeis verificamos que a empresa lança todas as folhas de pagamentos, tanto dos segurados efetivos como os temporários, sem distinção de categoria, sem destaque da retenção do segurado e sem identificação do tomador dos serviços. Em face de esta constatação efetuamos a soma das folhas através de planilhas e verificamos que os recolhimentos efetuados estão a menor Fl. 3151DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 dos realmente devidos, motivando o lançamento das diferenças apontadas. Como a empresa efetua o recolhimento dos trabalhadores temporários e efetivos numa única GPS Guia dá Previdência Social, as guias apropriadas para o lançamento foram rateadas.para os respectivos lançamentos. Também no anexo XII,.disponibilizamos planilha com demonstrativo das deduções efetuadas tanto do levantamento das folhas dos segurados temporários como dos efetivos. Levantamento FPT FLS PAGAMENTO TEMPORÁRIO: Também constatamos o mesmo fato relatado acima sobre as folhas dos trabalhadores temporários, originando o presente levantamento. Levantamento NF1 AFERIÇÃO NF TIM TEMPORÁRIO: (...) No anexo XI, juntamos cópias de documentos apurados na empresa, onde constatase que o contribuinte efetua pagamentos não incluídos nas folhas de pagamentos. A empresa foi intimada a esclarecer tais pagamentos, que justificou como devolução de valores ao cliente. Tal justificativa não condiz com os fatos contábeis, uma vez que não houve alteração na receita aferida. Também verificamos que os mesmos lançamentos foram efetuados, mês a mês, quase sempre nas mesmas datas, por época dos pagamentos das folhas dos funcionários, com o mesmo histórico, ou seja, suprimento de caixa. Em razão do acima exposto, esta auditoria desconsiderou os registros da contabilidade em relação aos pagamentos efetuados aos empregados que prestaram serviços especificamente para esta empresa tomadora, tendo em vista que não registrou o movimento real da remuneração dos segurados cedentes. Também juntamos no anexo XI, cópia da Ata do Processo de Reclamatória Trabalhista da segurada Jully Maffioletti, onde consta depoimento de que havia pagamento de comissões por envelope em dinheiro. O próprio contribuinte reconheceu que efetuou pagamento através de envelopes quando intimado sobre os documentos do anexo XI. (...) Levantamento NF2 AFERIÇÃO NF TIM CLT: O presente levantamento refere a remuneração pagas ou creditadas a segurados empregados efetivos, contidas em notas fiscais emitidas para a empresa tomadora Tim S.A, pelos mesmos fatos relatados no levantamento anterior. (...) O crédito constituído foi apurado sobre as Notas Fiscais de Prestação de Serviços, emitidas pela empresa Tim Celular S.A, apurado por aferição indireta. Sobre essas notas foi aplicado o percentual de 40% (quarenta por cento), conforme determina o artigo 600, inciso I, combinado com o artigo 597, incisos I, II e IV da IN 03, de 14/07/05. [...]” Fl. 3152DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12268.000387/200999 Resolução n.º 2402000.238 S2C4T2 Fl. 6 11 A DRJ em Curitiba/PR – por meio do Acórdão no 0629.968 da 5a Turma da DRJ/CTA (fls. 2342/2352 – Volume XII) – assentou em seu bojo o seguinte teor: “[...] Levantamento UEDUTILIDADE EDUCAÇÃO (...) Assim, embora previsto que o valor, relativo ao plano educacional que vise a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, não integra o saláriode contribuição, unia vez não permitido o acesso ao mesmo a todos os seus empregados e dirigentes, comporá a base de cálculo da contribuição previdenciária para lodos os fins c efeitos. É o que acontece nos autos. O documento interno denominado Orientação de Trabalho (OT) Programa Bolsa Estudo juntado pela defesa, fl. 382, demonstra que o benefício não foi extensivo à totalidade dos empregados e dirigentes, pois menciona no subitem 6.1 que apenas tem direito a Bolsa: "todo funcionário que tiver completado 02 anos de contrato com a NOSSA". (...) Levantamento PPRPROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS (...) Destarte, a própria norma coletiva expressamente estabelece que o pagamento do PLR dáse nos meses de 0.1/2006, 07/2006, 01/2007 e 07/2007, e como o pagamento do PLR ocorreu mais de duas vezes nos anoscalendário 2006 e 2007 (vide Anexo IXfl. 286 a 290), desrespeitando as condições estabelecidas nos Acordos Coletivos e na Lei n°l0.101, de 2000, complementa o salário dos empregados e sofre incidência dos encargos sociais devidos. (...) Compulsando os autos, constatase que os Acordos Coletivos de Participação nos Resultados juntados, às fl.492 a 514, (Volume 111) trazem exatamente o contrário do alegado pela impugnante. No Acordo Coletivo firmado pela empresa Landis+Gyr Equipamentos de Medição Ltda., CNPJ n° 58.900.754/000188, com o SELETROAR (sindicato da categoria) consta na cláusula quartaParticipantes, que terão direito ao PLR os colaboradores (empregados) que tiverem trabalhado durante todo o período base de apuração. Os admitidos e os afastados durante o período receberão o PLR proporcionalmente. Nenhuma cláusula trata dos trabalhadores temporários da empresa prestadora de serviços. No Acordo Coletivo firmado pela empresa Alusur do Brasil Fundição em Alumínio Ltda., CNPJ n° 04.398.289/000108, com o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, consta claramente no item 4 Abrangênciasubitem 4.7: Fl. 3153DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 4.7 Ficam expressamente excluídos da participação nos lucros e/ou resultados: a)...h)...c)...d) prestadores de serviços (empregados de terceiros). (...) Levantamento SALSALÁRIO COMPLEMENTAR Admite a Impugnante a ocorrência do pagamento de salário complementar aos empregados da empresa. Tanto que junta diversos documentos (recibos de pagamento, rescisões contratuais, recibos de férias), fl. 244 a 335 (Volume II), que comprovam as remunerações pagas e sujeitas à incidência de contribuição previdenciária. Além disso, elabora planilhas com as competências 06/2006, 07/2006, 09/2006, 11/2006, 12/2006, 02/2007, 05/2007, 06/2007, 07/2007, 08/2007, 09/2007, 11/2007 c 12/2007, arrolando os mesmos segurados e valores apurados pela fiscalização. No que se refere à alegação de que alguns valores se referiam à devolução de desconto de vale transporte e pagamento de ajuda de custo, cabe ressaltar que tal afirmação não foi comprovada pela defesa. Quanto aos recolhimentos dos valores devidos, nenhuma GPS foi anexada aos autos. Sendo assim, mantêmse os valores lavrados. Levantamento FPAFOLHA PGTO AMBIENTAL (...) Segundo a legislação vigente, as empresas que utilizam sistema de processamento eletrônico de dados para registrar seus negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária que forem intimadas, devem apresentar os arquivos digitais contendo dados relativos aos seus negócios e atividades econômicas, seguindo as especificações e orientações do MANAD (Manual Normativo de Arquivos Digitais) e de acordo com a Secretaria da Receita Federal do Brasil, bem como a documentação técnica completa e atualização de seus sistemas. Os arquivos digitais gerados no padrão MANAD devem ser entregues livres de quaisquer erros. Portanto, a entrega de arquivos digitais é responsabilidade exclusiva da empresa, sendo o Recibo de Entrega de Arquivos Digitais assinado pelo contribuinte/responsável ou preposto da empresa, pelo responsável técnico da geração dos arquivos e pelo Auditor Fiscal requisitante. Às fl. 181 a 183, consta o Recibo de Entrega dos Arquivos Digitais, onde se encontra gerado o código de identificação, confirmado pelo representante da empresa e pelo responsável técnico. Por outro lado constato que procedimentos alusivos à retificação dos arquivos digitais no padrão MANAD não foram adotados pelo contribuinte. Destarte, a justificativa apresentada (equívoco na apresentação dos arquivos digitais), dispensa maiores comentários, porque, como já foi dito, erros/equívocos cometidos nos arquivos digitais no padrão MANAD são facilmente solucionadas por meio de retificações. (...) Fl. 3154DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12268.000387/200999 Resolução n.º 2402000.238 S2C4T2 Fl. 7 13 Ademais, os documentos acostados aos autos nada comprovam em relação ao recolhimento das contribuições previdenciárias sobre os valores pagos aos empregados alocados na empresa tomadora de serviços Ambiental. Em face dessas assertivas e sendo induvidoso que os arquivos digitais validados c autenticados pelo Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais (SVA) possuem legitimidade, mantenho os valores apurados. Levantamento TER DÉCIMO TERCEIRO AMBIENTAL Pelas mesmas razões expostas no tópico anterior, mantenho os valores apurados a título de décimo terceiro salário pago aos empregados alocados na empresa tomadora de serviços Ambiental. Levantamentos FPEFLS PAGAMENTO EFETIVO e FPTFLS PAGAMENTO TEMPORÁRIO (...) Notase, a partir dos autos que a Impugnante elaborou folhas de pagamento e GFIP distintas para cada contratante, porém não cumpriu com a obrigatoriedade imposta – a elaboração do resumo geral das folhas de pagamento. (...) Assim, de acordo com tais disposições legais, a empresa possui a obrigação de lançar, mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores de contribuições providenciarias, as importâncias descontadas dos segurados, as contribuições patronais e os totais recolhidos. Significa dizer que as contas são em títulos próprios, onde devem ser registrados todas as operações de igual natureza ou espécie e expressar o verdadeiro significado das transações, estas entendidas como operações comerciais. (...) Além da ausência do valor total consolidado das folhas de pagamento que veio dificultar a conferencia dos valores devidos, existem também lançamentos efetuados de forma a confundir a Auditoria Fiscal. E isto afeta em muito a confiabilidade da escrita contábil, porquanto pode induzir o auditor fiscal a erros na aferição do exato montante das contribuições devidas. (...) Por outro lado, a defesa cm momento algum leve a preocupação de justificar ou repelir uma sequer das irregularidades narradas no relatório fiscal explicativo da autuação. Sendo assim, mantêmse os valores apurados. Levantamento NF1 AFERIÇÃO NF TIM TEMPORÁRIO (...) Fl. 3155DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 Portanto, não foram indícios que levaram a fiscalização desconsiderar os fatos contábeis do Livro Diário em relação aos empregados cedidos à empresa tomadora de serviços T1M SUL, e sim a comprovação de pagamentos de valores a trabalhadores temporários, que prestaram serviços à empresa contratante T1M SUL, não inseridos nas folhas de pagamento e na contabilidade da empresa. Vêse ainda que, a título de amostragem, a Auditora Fiscal trouxe à colação as sonegações verificadas no período lavrado, às fl. 320, consta memorando interno da unidade Projeto Especiais para o setor financeiro, com pedido de pagamento no valor de R$68.242,00 (em dinheiro) para os funcionários TIM, período 11/04 a 10/05/2006, com o “aprovo” da Diretoria, às fl. 321, consta solicitação de pagamento para funcionários T&T e Atendimento, no valor de R$264,00 (em dinheiro08 envelopes contendo R$33,00 cada) com aprovação da Diretoria, às fl. 322, consta outra solicitação com a mesma forma de pagamento, às fl. 328 a 330, constam outros documentos (extrato de conta corrente e cheque) que demonstram o pagamento do valor de R$13.320,14 aos empregados da empresa (projeto NOSSA/TIM). Em nenhum momento a Impugnante demonstrou, com provas contundentes, o contrário. Diante de documentos que não mereciam fé e que não correspondiam à realidade tributável, outra alternativa não restou a fiscalização senão apurar as contribuições devidas pelo método da aferição indireta. (...) Levantamento NF2 AFERIÇÃO NF TIM CLT (...) Assim, pelas mesmas razões expostas no tópico anterior, mantenho os valores apurados sobre a remuneração da mãodeobra indiretamente aferida. [...]” Em sentido contrário, a Recorrente afirma na peça recursal que: “[...] 1. DA UTILIDADE EDUCAÇÃO (...) Finalmente, a r. decisão recorrida ainda faz referencia ao documento interno da Recorrente – Orientação de Trabalho (OT) Programa Bolsa Estudo – e afirma que por o mesmo estipular um prazo de carência (2 anos) "demonstra que o beneficio não foi extensivo à totalidade dos empregados e dirigentes". Com todo respeito, a Recorrente não pode anuir com tal conclusão. O E. STJ já externou entendimento que a estipulação de prazo de carência não ofende a generalidade legalmente exigida. Veja: (...) Como visto, não há qualquer restrição dos funcionários da Recorrente ao acesso ao Programa em questão. O que há é um prazo de carência plenamente admitido e o programa é inteiramente disponível a todos os empregados que tenham interesse. (...) Fl. 3156DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12268.000387/200999 Resolução n.º 2402000.238 S2C4T2 Fl. 8 15 2. DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS 2.1 QUANTO AOS EMPREGADOS EFETIVOS (CÓDIGO DE LOTAÇÃO 0001, CONFORME O ANEXO IX DO AUTO DE INFRAÇÃO) (...) Como já explanado, a Recorrente não realizou nenhum pagamento em desacordo com o documento pactuado com seus colaboradores. O que ocorreu foi que, após uma revisão de suas performances individuais, alguns empregados passaram a ter direito a complementação de valores a título de participação nos lucros ou resultados pelas metas alcançadas. As complementações foram efetuadas justamente para resguardar o direito desses trabalhadores que alcançaram as metas determinadas pelo Acordo de Participação dos Funcionários e Estagiários da NOSSA Serviço Temporário e Gestão de Pessoas Ltda., não se configurando uma nova distribuição de participação nos lucros ou resultados da empresa. (...) 2.2 QUANTO AOS TRABALHADORES TEMPORÁRIOS (CÓDIGO DE LOTAÇÃO 00378, 00173,00075/03237, CONFORME O ANEXO IX DO AUTO DE INFRAÇÃO). Como elucidado na impugnação, o Acordo de Participação dos Funcionários e Estagiários da NOSSA Serviço Temporário e Gestão de Pessoas Ltda. não é extensivo aos trabalhadores temporários da Impugnante. A verba a título de participação nos lucros ou resultados foi paga a estes trabalhadores por deliberação dás empresas tomadoras dos serviços temporários (clientes), que decidiram aplicar o acordo de participação nos lucros e resultados que firmaram com os seus próprios empregados aos trabalhadores temporários a seu serviço. (...) 3. DO SALÁRIO COMPLEMENTAR (...) Com relação ao recolhimento das contribuições, a Recorrente vem em sede de Recurso Voluntário apresentar GPS (documentos Anexo 01) que corroboram a adimplência do recolhimento das contribuições previdenciárias, devendo assim ser reparada a r. decisão que entendeu devidas tais contribuições. Vale lembrar que, como a Recorrente é autorizada legalmente a emitir uma única GPS por competência, as GPS's ora juntadas aos autos não individualizam os trabalhadores e as deduções de seus rendimentos, para tanto seria necessária uma análise ampla de todos os documentos da empresa e todo seu universo de diferentes prestadores. Assim, a Recorrente coloca sua contabilidade à inteira disposição dos i. Fl. 3157DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 Julgadores desse E. Conselho para nova verificação através de diligência. 4. DA TRANSFERÊNCIA DOS EMPREGADOS, DO ERRO NO ARQUIVO DIGITAL E DO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES (INCLUSIVE DÉCIMO TERCEIRO) (...) Porém, os documentos da empresa Nossa Gestão de Pessoas e Serviços Ltda, anexados na impugnação folha de pagamento, GPS e GFIP's – comprovam o recolhimento das contribuições previdenciárias sobre os valores pagos aos empregados alocados na empresa Ambiental no período de janeiro/06 a julho/07. Desta forma, não é de conhecimento da ora Recorrente quais documentos mais seriam capazes de comprovar a duplicidade de inclusão dos empregados alocados na empresa Ambiental em folha de pagamento da Nossa Gestão e da Nossa Serviços Temporários no período em questão (jan/06 a jul/07). Notese que os valores dos salários desses empregados numa folha e noutra são exatamente os mesmos, para as mesmas competências. Notese, ainda, que o mesmo empregado não tinha como trabalhar duas vezes no mesmo período a justificar uma folha pela Nossa Gestão e outra pela Nossa Serviços Temporários. O erro na geração do arquivo MANAD é tão crasso que nada mais há a ser dito, senão requerer, acaso Vossas Senhorias entendam necessário, uma diligência na empresa ora Recorrente para que se afaste o equívoco de interpretação perpetrado pela agente responsável pela lavratura do auto de infração. Tais argumentos acima também são válidos no que se refere ao recolhimento das contribuições previdenciárias sobre o valor do décimo terceiro salário pago ou creditado aos segurados empregados alocados na empresa tomadora de serviços denominada Ambiental, com reflexos na GFIP respectiva. (...) 5. DAS DIFERENÇAS DAS FOLHAS DE PAGAMENTO DOS EMPREGADOS EFETIVOS E TEMPORÁRIOS A I. Auditoria Fiscal apurou supostas diferenças no cotejo das folhas de pagamento dos empregados efetivos e das folhas de pagamento dos trabalhadores temporários com os recolhimentos efetuados na GPS Guia de Recolhimento da Previdência Social. (...) Desta forma, conforme comprovado através de documentos e cálculos constantes no corpo da impugnação, as diferenças apuradas nas folhas de pagamento dos trabalhadores efetivos e nas folhas de pagamento dos trabalhadores temporários só ocorreu em razão da I. Auditora Fiscal ter feito o cálculo da retenção de maneira separada, não se justificando, por conseguinte, a constituição de qualquer crédito previdenciário relacionado a esse ponto. Porém o I. Julgador não considerou as provas de recolhimento juntadas aos autos e entendeu que a Recorrente não cumpriu a obrigatoriedade de elaboração do resumo geral das folhas de Fl. 3158DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12268.000387/200999 Resolução n.º 2402000.238 S2C4T2 Fl. 9 17 pagamento, além de não ter organizado sua contabilidade, dificultando assim o trabalho da auditoria fiscal. Com base nestes pontos, manteve a cobrança. Contudo, tal entendimento não deve prevalecer, pois a empresa comprovou através de documentos e amostragem na defesa apresentada que deduziu os valores corretamente. (...) 6. DA AFERIÇÃO INDIRETA SOBRE AS NOTAS FISCAIS EMITIDAS PARA A EMPRESA TIM SUL – TRABALHADORES EFETIVOS E TEMPORÁRIOS (...) A título de amostragem, para comprovar a regularidade de sua contabilidade, a Recorrente apresenta aos autos os documentos contábeis referente ao mês de Julho/2006, (documentos Anexo 03), especificamente a empresa TIM S/A, para demonstrar que a Recorrente observa estritamente a legislação previdenciária. Desta forma é possível verificar nas Folhas Analíticas em anexo (Anexo 03.1) que a Recorrente lança de forma discriminada em sua contabilidade os fatos geradores das contribuições devidas, contrariando assim o afirmado da r. decisão recorrida. Além disso, é possível verificar nos documentos referente ao projeto TIM SUL S/A PR (PROJETO CRC) (Anexo 03.2) que os valores lançados na folha analítica correspondem exatamente aos valores lançados na Relação dos Trabalhadores Constantes no Arquivo SEFIP, que correspondem aos valores lançados na Relação de Tomado/Obra RET. A mesma regularidade é verificada nos documentos referente ao projeto TIM SUL S/A (BOC NAV RH) (Anexo 03.3) e nos demais demonstrativos de regularidade contábil trazidos aos autos através dos documentos referentes aos meses de Novembro/2006 (Anexo 03.4), Fevereiro/2007 (Anexo 03.5), Julho/2007 (Anexo 03.6) e Novembro/2007 (Anexo 03.7). Desta forma, não é possível admitir que toda a contabilidade da Recorrente seja desconsiderada com base em meros indícios de irregularidades isoladas. (...) Por outro lado, o valor de R$ 68.242,00, citado na r. decisão recorrida, decorre, como já esclarecido anteriormente, de devolução "a clientes em função de fatura emitida a maior referente a treinamentos realizados no início do ano para os funcionários da NOSSA e TIM". Por fim, referente ao valor de R$ 13.320,00 (treze mil, trezentos e vinte reais), como é possível verificar na Folha de Pagamento Analítica referente ao mês de setembro/2007 (documento Anexo 05), tal pagamento referese ao pagamento de salário complementar de funcionários do projeto NOSSA/TIM, no qual houve o devido recolhimento das contribuições previdenciárias. Tal complementação ocorreu devido a um erro no sistema de informática que não gerou os Fl. 3159DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 relatórios e pagamentos referentes a tais funcionários no mês de agosto/07, sendo corrigido no mês de setembro/07. [...]” Os elementos probatórios juntados aos autos pela Recorrente – que noticiam o recolhimento, em parte, das contribuições sociais apuradas, por meio de Guias de Recolhimento à Previdência Social (GPS’s), juntadas nos Anexos 01 e 05 (fls. 2371/2507, Volumes XII/XIII, e fls. 3028/3033, Volume XVI) e na peça de impugnação de fls. 382/2316 (Volumes II a XII), assim como as supostas folhas de pagamento dos segurados empregados, acompanhada das GFIP’s e GPS’s (Anexo 03, fls. 2522/3024 – Volumes XII a XVI), e também os contratos (Anexo II, fls. 2508/2521, Volume XII) e documentos do Anexo 04 – são cópias de documentos que deverão ser analisados pela AuditoriaFiscal (Fisco). Assim, necessitamos que a AuditoriaFiscal examine e emita Parecer Fiscal sobre os argumentos trazidos na peça recursal que foram acompanhados de várias cópias de documentos, juntados aos autos nas peças de impugnação e recursal. Isso decorre do fato de que o trabalho de auditoria fiscal, em caso de verificação de descumprimento de obrigações tributárias, poderá acarretar o lançamento tributário, ato administrativo impositivo, de império, gravoso para os administrados. Por isso, o trabalho da fiscalização deve sempre demonstrar, com clareza e precisão, como determina a legislação, os motivos fáticos e jurídicos da lavratura da exigência. Lei 8.212/1991: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Decreto 70.235/1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF): Art. 9°. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Tal entendimento também está em consonância com o art. 50, § 1o, da Lei 9.784/1999, que estabelece a exigência de motivação clara, explícita e congruente. Lei 9.784/1999 – diploma que estabelece as regras no âmbito do processo administrativo federal: Fl. 3160DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12268.000387/200999 Resolução n.º 2402000.238 S2C4T2 Fl. 10 19 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) §1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou garantia dos interessados. Com isso, decido converter o presente julgamento em diligência, a fim de que o Fisco emita Parecer Fiscal sobre os argumentos trazidos na peça recursal – inclusive deverá verificar se efetivamente foram realizados os recolhimentos das contribuições sociais noticiados pela Recorrente, por meio de cópias de GPS acostadas aos autos, acompanhados de cópias de folhas de pagamento e GFIP’s –, para os levantamentos submetidos à controvérsia instaurada no presente processo (levantamentos: UED Utilidade Educação; PPR Programa Participação nos Resultados; SAL Salário Complementar; FPA Folha Pgto Ambiental; TER Décimo Terceiro Ambiental; FPE Fls. Pagamento Efetivo; FPT Fls. Pagamento Temporário; NF1 Aferição NF Tim Temporário e NF2 Aferição NF Tim CLT). Segundo a Recorrente, esses documentos foram devidamente acostados ao processo no prazo estabelecido pela legislação de regência. Após essa providência, o Fisco deve elaborar Parecer Fiscal conclusivo sobre a necessidade, ou não, de retificação de valores contidos em cada competência, com os motivos que justificam sua posição. Por fim, após a emissão do Parecer, o Fisco deverá dar ciência à Recorrente desta decisão e do Parecer, com os demonstrativos e cópias que se fizerem necessários, e concederá prazo de 30 (trinta) dias, da ciência, para que a Recorrente, caso deseje, apresente recurso complementar. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para as providências solicitadas. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 3161DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/06/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 16327.001359/2006-55
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
MULTA QUALIFICADA. Para qualificação da multa de ofício é condição que o Termo de Verificação Fiscal tenha identificado e detalhado a conduta do contribuinte específica a identificar a conduta dolosa prevista nos artigos 71 a 72 da Lei 4.502/76.
DECADÊNCIA. De acordo com o entendimento do STJ em sede de Recurso Repetitivo a que os julgamentos do CARF estão obrigados a seguir de acordo com o artigo 62 A do RICARF, entendo que houve a decadência pelo fato do contribuinte ter apresentado declarações do período e Darfs.
CRITÉRIO DE ARBITRAMENTO. Alegação de receitas de factoring. Ante a impossibilidade de provar a natureza das receitas omitidas, deve o contribuinte ficar sujeito ao arbitramento do lucro fundamentado no critério legalmente estabelecido para tanto. Após a determinação do critério de arbitramento, não cabe se tratar de eventual margem de lucro, pois se não foi provada a natureza das receits, não cabe a prova sobre eventual margem de lucro do mercado de factoring.
Numero da decisão: 9101-001.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos prover em parte o presente recurso, para afastar os índices de lucratividade da atividade de factoring como base de cálculo.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo
Presidente
(assinado digitalmente)
Susy Gomes Hoffmann
Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonsêca de Menezes, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima e Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 MULTA QUALIFICADA. Para qualificação da multa de ofício é condição que o Termo de Verificação Fiscal tenha identificado e detalhado a conduta do contribuinte específica a identificar a conduta dolosa prevista nos artigos 71 a 72 da Lei 4.502/76. DECADÊNCIA. De acordo com o entendimento do STJ em sede de Recurso Repetitivo a que os julgamentos do CARF estão obrigados a seguir de acordo com o artigo 62 A do RICARF, entendo que houve a decadência pelo fato do contribuinte ter apresentado declarações do período e Darfs. CRITÉRIO DE ARBITRAMENTO. Alegação de receitas de factoring. Ante a impossibilidade de provar a natureza das receitas omitidas, deve o contribuinte ficar sujeito ao arbitramento do lucro fundamentado no critério legalmente estabelecido para tanto. Após a determinação do critério de arbitramento, não cabe se tratar de eventual margem de lucro, pois se não foi provada a natureza das receits, não cabe a prova sobre eventual margem de lucro do mercado de factoring.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos prover em parte o presente recurso, para afastar os índices de lucratividade da atividade de factoring como base de cálculo. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonsêca de Menezes, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima e Susy Gomes Hoffmann.
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Para qualificação da multa de ofício é condição que o Termo de Verificação Fiscal tenha identificado e detalhado a conduta do contribuinte específica a identificar a conduta dolosa prevista nos artigos 71 a 72 da Lei 4.502/76. DECADÊNCIA. De acordo com o entendimento do STJ em sede de Recurso Repetitivo a que os julgamentos do CARF estão obrigados a seguir de acordo com o artigo 62 A do RICARF, entendo que houve a decadência pelo fato do contribuinte ter apresentado declarações do período e Darfs. CRITÉRIO DE ARBITRAMENTO. Alegação de receitas de factoring. Ante a impossibilidade de provar a natureza das receitas omitidas, deve o contribuinte ficar sujeito ao arbitramento do lucro fundamentado no critério legalmente estabelecido para tanto. Após a determinação do critério de arbitramento, não cabe se tratar de eventual margem de lucro, pois se não foi provada a natureza das receits, não cabe a prova sobre eventual margem de lucro do mercado de factoring. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos prover em parte o presente recurso, para afastar os índices de lucratividade da atividade de factoring como base de cálculo. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 59 /2 00 6- 55 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.001359/200655 Acórdão n.º 9101001.563 CSRFT1 Fl. 1.626 2 Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonsêca de Menezes, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 837 e seguintes) lavrouse o auto de infração contra o contribuinte, para a exigência de IRPJ (e reflexos), em face de omissão de receitas, constatada por meio de depósitos bancários de origem não comprovadas, referente aos fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2000, 2001, 2002 e 2003. Conforme o Termo de Verificação Fiscal,considerouse imprestáveis os livros contábeis apresentados pelo contribuinte, tendo em vista, por exemplo, que no Livro Diário constava registro de operação do seu objeto social. Constou a conta “prestação de serviços” e um único valor em relação a todo mês, o mesmo ocorrendo no Livro Razão. Um dos sócios da empresa autuada, em resposta à intimação para apresentação de planilhas das receitas dos serviços de factoring, narrou que a empresa encerrou suas atividades em 31/12/2003, de modo que os documentos de registros de pagamento, descontos de duplicatas e cheques prédatados foram jogados no lixo, por desconhecerem, os sócios, a necessidade de sua guarda. O contribuinte apresentou à Fiscalização, por outro lado, 51 planilhas, com operações realizadas com a empresa DAKHIA, nos anoscalendário 2001 a 2003, constando spread com variação de 1,5% a 3,5% . Apresentou, ainda, planilhas concernentes a operações realizadas com as empresas GRAO TÉCNICO, MPN, KAMAL e COAMPLA, com spread variando entre 1,5% e 3,5%. E forneceu planilhas relativas à empresa BWA, com taxas variando entre 1,5% e 2%. Com base nas informações constantes dessas planilhas, a Fiscalização intimou as empresas mencionadas, as quais, contudo, não foram localizadas nos endereços cadastrados na Receita Federal. O sócio da BWA, que acabou sendo encontrado, intimado a comprovar os pagamento efetivados pela autuada, informou que, na verdade, não realizava pagamentos, pois as operações consistiam em descontos de cheques, e duplicatas, com o recebimento dos valores Fl. 2DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.001359/200655 Acórdão n.º 9101001.563 CSRFT1 Fl. 1.627 3 descontados. O contribuinte não respondeu à intimação para apresentar as provas dessas operações. Diante desses fatos, a Autoridade Fiscal concluiu que os valores das operações registrados são ínfimos, em relação à movimentação financeira do período. Constatouse, também, que os spreads cobrados, conforme as planilhas apresentadas, não correspondem aos valores correntes no mercado, divulgados pela ANFAC; que a planilha apresentada não possui correspondência com os extratos bancários; não restou comprovado que as operações de factoring ocorreram efetivamente nos momentos e valores indicados e que os registros no Livro Diário e Razão não eram diários, mas sim mensais. Desta forma, em face da imprestabilidade da escrituração comercial, o Fisco procedeu ao lançamento de ofício, por intermédio do arbitramento da receita omitida com base nos depósitos bancários. O contribuinte apresentou Impugnação às fls. 1009/1027 dos autos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 1118/1135) julgou o lançamento procedente, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINARES. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O prazo decadencial para a constituição de créditos tributários sujeitos ao regime de lançamento por homologação, na hipótese de constatação de fraude fiscal, é de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante estipulado no artigo 150, parágrafo 4°, c/c com o artigo 173, inciso I, ambos do CTN. Já o prazo decadencial para o lançamento das contribuições sociais é de 10 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, a teor do disposto no artigo 150, parágrafo 4°, do CTN, c/c o artigo 45, da Lei 8.212/91. MÉRITO. IMPRESTABILIDADE DA ESCRITURAÇÃO . ARBITRAMENTO DE OFICIO. CABIMENTO. Constatado que o contribuinte obrigado á. tributação com base no lucro real, não mantém escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, apresentando def ciências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, OU determinar o lucro real, impõese a apuração, de oficio, dos créditos tributários sonegados, pelo regime de arbitramento, em bases trimestrais. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. ARBITRAMENTO DO LUCRO COM BASE EM RECEITA BRUTA CONHECIDA. LEGITIMIDADE. Caracterizamse omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados cm conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular não comprove, mediante documentação hábil c idônea, a origem dos recursos. Nessa Fl. 3DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.001359/200655 Acórdão n.º 9101001.563 CSRFT1 Fl. 1.628 4 hipótese, a autoridade tributária deve determinar o valor do imposto c do adicional de acordo com o regime de tributação a que está submetida a pessoa jurídica, in casu, o regime de arbitramento, considerandose a receita omitida como receita bruta conhecida. MULTA AGRAVADA. CABIMENTO. INTUITO DE FRAUDE FISCAL. Significativo volume de operações realizadas por anos seguidos, sem o devido registro contábil e sem oferecimento A tributação, das respectivas receitas e resultados, revela evidente intuito de fraude fiscal por parte do contribuinte, justificando a aplicação da multa agravada, de 150%. Não minimiza a ilicitude dessa conduta de sonegação fiscal o fato de o contribuinte noticiar ter descartado no lixo toda a documentação contábil relativa As suas operações, por julgar que a guarda não seria necessária para fins fiscais, vez que a ordem jurídica vigente não admite a alegação de ignorância da lei, como escusa para o seu descumprimento. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. ENCAMINHAMENTO APÓS TRANSITO EM JULGADO DA DECISÃO ADMINISTRATIVA. A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária deve ser encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre exigência fiscal do crédito tributário correspondente. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CS LL. PIS. COFINS. 0 decidido quanto ao IRPJ repercute seus efeitos nos lançamentos decorrentes, em função de estarem estes sendo realizados em razão de mesmo fato que ensejou o crédito do imposto. Lançamento Procedente O contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 1150/1175). A antiga Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls 1442/1463) desqualificou a multa de ofício aplicada, acolheu a preliminar de decadência em relação ao IRPJ e CSLL (fatos geradores ocorridos até o 2º semestre de 2001), PIS e Cofins (fatos geradores ocorridos até agosto de 2001). No mérito, deu parcial provimento ao recurso, para limitar a base de cálculo dos tributos à aplicação dos índices da ANFAC, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 ARBITRAMENTO FACTORING O arbitramento deve ser mantido quando se verifica omissão de receita sem comprovação de origem e o contribuinte não tem escrituração regular, mas em se verificando a operação de factoring a base de cálculo deve ser reduzida de acordo com os índices de lucratividade da atividade de factoring. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.001359/200655 Acórdão n.º 9101001.563 CSRFT1 Fl. 1.629 5 MULTA QUALIFICADA FRAUDE DESCABIMENTO A multa agravada, aplicável em casos em que haja evidente intuito de fraude somente é admissível quando factualmente constatada as hipóteses de fraude, dolo ou simulação. A aplicação não pode ser feita por presunção ou alicerçada em indícios. DECADÊNCIA IRPJ, CSLL, COFINS E PIS Afastada a hipótese de intuito de fraude ou dolo pelo contribuinte, aplicase a regra contida no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional que determina que em se tratando de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário é de cinco anos, contado da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido em Parte. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial, com base em divergência jurisprudencial, no que toca à multa qualificada, à decadência e à aplicação de índices ANFAC para fins de arbitramento do lucro. Sustentou, no que tange à qualificação da multa, que os elementos constantes dos autos são suficientes para a configuração do evidente intuito de fraude, sobretudo em vista da caracterização de omissão de rendas reiteradas, em diversos períodos. No que se refere à decadência, sustentou a aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN, com base na ausência de pagamento antecipado do tributo. Alegou que, no que tange aos anoscalendário de 2000 e 2001, reputamse ocorridos os respectivos fatos geradores em 31 de dezembro de cada ano, de modo que os respectivos lançamentos somente poderiam ter ocorrido, respectivamente, em 2001 e 2002, iniciandose, o prazo decadencial relativo ao fato gerador ocorrido em 31/12/2000 em 01/01/2002. De forma que a decadência não teria se configurado. Por outro lado, em relação ao arbitramento, a Fazenda Nacional baseou o seu recurso especial em violação à legislação tributária (artigo 27 da Lei nº 9.430/96 c.c artigos 15, inciso III, “d”, e 16, da Lei nº 9.249/95). Sustentou a legitimidade, no caso, de aplicação da presunção legal de que o lucro das empresas de factoring, quando arbitrado, é integrado pelo percentual de 38,4% das receitas declaradas e das receitas omitidas e não declaradas, correspondentes a depósitos bancários. Argumentou tratarse de presunção legal, não cabendo falarse em aplicação das taxas da ANFAC para aferição de tais receitas. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão Recorrido e do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional (cf. certidão de fls. 1.624). Entretanto, não houve apresentação de contrarrazões. Por fim, conforme fls. 1.622, o processo agora controla apenas o crédito tributário objeto do recurso especial, em virtude do Contribuinte ter aderido ao programa de parcelamento de parte dos débitos. Voto Fl. 5DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.001359/200655 Acórdão n.º 9101001.563 CSRFT1 Fl. 1.630 6 Conselheira Susy Gomes Hoffmann O recurso é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou comprovar as divergências jurisprudenciais suscitadas. O Recurso Especial como aventado no relatório trata dos seguintes temas: 1. qualificação da multa de ofício; 2. decadência; e 3. critério utilizado para arbitramento do lucro. Passo a analisar os itens acima. Na qualificação da multa de ofício, a autoridade fiscal deveria ter detalhadamente delineado a tipicidade da conduta do contribuinte no que tange aos pressupostos fáticos imprescindíveis à qualificação da multa, propriamente aqueles previstos nos artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502/76. Isto, contudo, não ocorreu. Com efeito, verificando o Termo de Verificação Fiscal e o auto de infração, em momento algum consta qualquer menção expressa à ocorrência de fraude, conforme se depreende das passagens abaixo relacionadas. Termo de Verificação Fiscal (fls. 849), item 54, tópico D – DA PENALIDADE APLICÁVEL: “Em caso de lançamento de ofício incide a penalidade proporcional ao valor devido de imposto ou contribuição, na forma prevista no inciso II do art. 44, da Lei no 9.430/96” Ademais, como se verifica na fl. 947, o auto de infração se limitou a dar o “enquadramento legal da multa” – com esteio no Art. 44, inciso II, da Lei 9.430/96. Assim, podese concluir que, no Termo de Verificação Fiscal e no auto de infração, a aplicação da multa qualificada não foi objeto de argumentação e apontamento fático específico pela autoridade fiscal, apto a demonstrar os atos descritos nos arts. 71 e 72 da Lei 4.502/76. Entretanto, fazse mister, para fins de aplicação da penalidade qualificada, que a autoridade fiscal demonstre, especificamente, os atos do contribuinte que dariam causa à qualificação da multa. Essa demonstração, que se exigiria, não foi de modo algum desenvolvida pelo Fisco, como se verificou pela análise do Termo de Verificação Fiscal e do auto de infração. O que restou demonstrado, apenas, foi a omissão de receitas. A qualificação da multa, conforme pacífico entendimento jurisprudencial, demanda a constatação de evidente intuito de fraude, na conduta do contribuinte, não se sustentando, simplesmente, pela verificação de omissão de receitas ou rendimentos. É o que dispõe o enunciado n° 14 da Súmula jurisprudencial do CARF: Súmula CARF n° 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Conforme se depreende dos julgados que levaram à edição da súmula, temse que o evidente intuito de fraude não se presume, devendo encontrarse patentemente Fl. 6DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.001359/200655 Acórdão n.º 9101001.563 CSRFT1 Fl. 1.631 7 comprovado nos autos. Citemos trechos destes julgados, que explicitam bem a linha de entendimento do CARF acerca do tema: a) no acórdão n° 10419.384, de relatoria do Conselheiro Nelson Mallmann, expôsse que: “O fato de alguém pessoa jurídica não registrar as vendas, no total das notas fiscais na escrituração, pode ser considerado de plano com evidente intuito de fraudar ou sonegar o imposto de renda? Obviamente que não. O fato de uma pessoa física receber um rendimento e simplesmente não declarálo é considerado com evidente intuito de fraudar ou sonegar? Claro que não.” E prossegue: “Se a premissa do fisco fosse verdadeira, ou seja, que a falta de declaração de algum rendimento recebido, através de crédito em conta bancada, pelo contribuinte, daria por si só, margem para a aplicação da multa qualificada, não haveria a hipótese de aplicação da multa de oficio normal, ou seja, deveria ser aplicada a multa qualificada em todas as infrações tributárias (...)” b) no Acórdão n° 10419.806, de relatoria do mesmo Conselheiro, fixouse os requisitos necessários à caracterização do dolo: “O dolo implica conteúdo criminoso, ou seja, a intenção criminosa de fazer o mal, de prejudicar, de obter o fim por meios escusos. Para caracterizar dolo, o ato deve conter quatro requisitos essenciais: (a) o ânimo de prejudicar ou fraudar; (b) que a manobra ou artifício tenha sido a causa da feitura do ato ou do consentimento da parte prejudicada (c) uma relação de causa e efeito entre o artifício empregado e o benefício por ele conseguido; e (d) a participação intencional de uma das partes no dolo.” Deste modo, importa verificar se os fatos apurados nos autos efetivamente configuram o evidente intuito de fraude por parte do contribuinte. As provas coligidas aos autos não permitem que se afirme, de forma despida de qualquer dúvida, que o contribuinte agiu com intuito de fraude, isto é, com a finalidade de sonegar, impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou evitar o seu pagamento (nos termos do que dispõem os artigos 71 e 72 da Lei n° 4502/64). A DRJ sustentou o agravamento da multa com base nos argumentos infra: MULTA AGRAVADA. CABIMENTO. INTUITO DE FRAUDE FISCAL. Significativo volume de operações realizadas por anos seguidos, sem o devido registro contábil e sem oferecimento a tributação, das respectivas receitas e resultados, revela evidente intuito de fraude fiscal por parte do contribuinte, justificando a aplicação da multa agravada, de 150%. Não minimiza a ilicitude dessa conduta de sonegação fiscal o fato de o contribuinte noticiar ter descartado no lixo toda a documentação contábil relativa As suas operações, por julgar que a guarda não seria necessária Fl. 7DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.001359/200655 Acórdão n.º 9101001.563 CSRFT1 Fl. 1.632 8 para fins fiscais, vez que a ordem jurídica vigente não admite a alegação de ignorância da lei, como escusa para o seu descumprimento. A falta de registros contábeis, mesmo que reiteradamente, não qualifica fraude. Tal fator pode ensejar o lançamento, mas não a imposição da multa qualificada. Desta forma, não havendo segurança no sentido de se afirmar a ocorrência do evidente intuito de fraude, a multa a ser aplicada deve ser a prevista no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96 (75%), por ser mais benigna em relação à prevista no artigo 4° da Lei n° 8218/91. Portanto, mantenho a decisão recorrida no que afastou a qualificação da multa, negando provimento, nessa matéria, ao recurso da Fazenda. Passo a analisar a questão da decadência. O cerne da questão é a aplicação do art. 150, parágrafo 4º, do CTN ou do artigo 173, I, do mesmo Codex. O entendimento desta relatora sempre foi no sentido de que, nos termos do artigo 150, parágrafo 4o., do CTN o que se homologa é a atividade do contribuinte e não o pagamento, de tal forma que, para o julgamento, não interessava a ocorrência ou não do pagamento. Temse que o STJ já enfrentou o tema objeto do presente recurso especial, julgandoo sob o rito dos recursos repetitivos, no seguinte sentido: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos Fl. 8DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.001359/200655 Acórdão n.º 9101001.563 CSRFT1 Fl. 1.633 9 ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. A imperiosidade de aplicação dessa decisão do STJ, no âmbito do CARF, é inequívoca, conforme o disposto no artigo 62A do seu Regimento Interno. Discussões surgiram, no entanto, em relação a como se deveria dar tal aplicação, tendo em vista que, na determinação de incidência do artigo 173, inciso I, do CTN, estabeleceuse, em discrepância com a previsão literal desse dispositivo legal, que o prazo decadencial começaria a correr do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato imponível. Neste aspecto, após muitas idas e vindas, e profunda reflexão, consolidei o meu posicionamento no sentido de que a aplicação da decisão do Superior Tribunal de Justiça tramitada no rito dos recursos repetitivos deve darse, analisandoa (o acórdão) em face da lei que trata do tema nele versado. Neste passo, é de se ter que o artigo 173, inciso I, do CTN, por diversas vezes citado no acórdão do STJ, dispõe expressa e inequivocamente que o prazo decadencial deve ser computado a partir do primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.001359/200655 Acórdão n.º 9101001.563 CSRFT1 Fl. 1.634 10 Pois bem, superadas tais questões, uma outra acabou por assomar. Analisandose a decisão do STJ, temse que, em princípio, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, inexistindo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, nada haveria que ser homologado, de sorte que dispositivo legal regente da decadência, em tal hipótese, é o artigo 173, inciso I, do CTN. Contudo, perquirindose mais detidamente o teor da decisão, podese extrair, expressamente, que: “Assim é que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” O que se depreende da passagem transcrita? Que o prazo decadencial contar seá do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado: a) quando a lei não prevê o pagamento antecipado da exação; b) quando a lei prevê o pagamento antecipado, mas este não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação (porque havendo tais posturas por parte do contribuinte, mesmo a existência do pagamento antecipado não elide a incidência do artigo 173, inciso I, do CTN); c) quando não existe declaração prévia do débito. Este detalhe do acórdão do STJ leva à conclusão de que ao pagamento antecipado do tributo equiparouse, cuidandose de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a declaração prévia do débito prestada pelo contribuinte. A inexistência de ambos leva à aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN. Isto é, mesmo não tendo ocorrido o pagamento antecipado do tributo, se houve declaração prévia do débito, incide o artigo 150, §4°, do CTN. Deveras, analisandose ainda mais a fundo a decisão do STJ, verificase que, em seu bojo, citouse acórdãos do próprio Tribunal que respaldam o entendimento fixado. Ilustrativamente, citese o quanto decidido nos Embargos de Divergência no Resp. n° 276.142 SP, de relatoria do próprio Ministro Luiz Fux: “Impende salientar que a homologação a que se refere o art. 150 do Código Tributário é da atividade do sujeito passivo, não necessariamente do pagamento do tributo. O que se homologa, quer expressamente, quer tacitamente, é o proceder do contribuinte, que pode ser o pagamento suficiente do tributo, o pagamento a menor ou a maior ou, também, o nãopagamento. Seja qual for, dentre todas as possíveis condutas do contribuinte, ocorre uma ficção do Direito Tributário, sendo irrelevante que tenha havido ou não o pagamento, uma vez que relevante é apenas o transcurso do prazo legal sem pronunciamento da autoridade fazendária, dilo o Codex Tributário.” Fl. 10DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.001359/200655 Acórdão n.º 9101001.563 CSRFT1 Fl. 1.635 11 Desta forma, não se pode desconsiderar aqui tais questões, pois que integram claramente o acórdão cuja aplicação se impõe no âmbito do CARF. Do modo que, tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, devese aferir, no caso concreto, se o contribuinte efetuou o recolhimento antecipado ou se perpetrou declaração prévia do débito. Havendo um ou outro, o prazo decadencial terá início nos termos do artigo 150, §4°, do CTN, ou seja, a partir da ocorrência do fato gerador. Caso contrário, o prazo regerseá pelo artigo 173, inciso I, do CTN, tendo como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No presente caso, a ciência do Auto de Infração ocorreu em 29/09/2006 (fls. 849, 926, 948, 961, 974) e os fatos geradores referemse aos anoscalendário de 2000, 2001, 2002 e 2003. Importante notar, igualmente, que o contribuinte apresentou as respectivas DIPJ´s e DCTF´s dos períodos (fls. 011, 045, 79, 125) e entregou à fiscalização os respectivos DARF´s (cf. informação de fls. 182). Portanto, do mesmo modo que a multa qualificada não pode ser aplicada ante a falta de prova inequívoca de fraude, dolo ou simulação, entendemos, considerando que houve declaração e prova de pagamento dos tributos, que o cálculo da decadência deve ser realizado conforme o disposto no art. 150, §4°, do CTN. Com base nisso, mantenho o entendimento do acórdão recorrido: “Se considerarmos que os fatos geradores em análise correspondem ao período de 2000 a 2003, e que o contribuinte foi cientificado do auto de infração em 29/09/2006, então haverá ocorrido a decadência, relativamente ao IRPJ, para o ano de 2000 e primeiro e segundo trimestres de 2001. O mesmo raciocínio deve ser utilizado para a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Quanto ao PIS e a Cofins, a situação é diferente. Tais contribuições são lançadas em bases mensais. Conforme recentemente decidido pelo STF, o prazo decadencial para tais contribuições é o estabelecido pelo CTN, sendo inconstitucional a contagem feita com base nos dispositivos da Lei n° 8.212/91. Assim, para as contribuições relativas aos meses de janeiro de 2000 a agosto de 2001 já haveria ocorrido a decadência. Nesse ponto, dou provimento ao recurso para reconhecer a decadência relativa ao IRPJ e CSLL, para o ano de 2000 e primeiro e segundo trimestres de 2001 e do PIS e da Cofins para os meses de janeiro de 2000 a agosto de 2001. Contudo, tendo em vista a ausência de pagamento antecipado ou de prévia declaração do débito, incide o artigo 173, I, do CTN. O início do prazo decadencial, desta forma, deuse em 01/01/2002, de sorte que não restou caracterizada a decadência.” Por fim, passo a decidir sobre a questão dos critérios para arbitramento do lucro. Por oportuno, vale identificar, resumidamente, o modus operandi da atividade de factoring. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.001359/200655 Acórdão n.º 9101001.563 CSRFT1 Fl. 1.636 12 Uma empresa que atua como factoring, em essência, efetua o pagamento antecipado de recebíveis mercantis futuros. Isto é, a empresa de factoring adianta valores aos seus clientes, que, por sua vez, cedem direitos creditórios à factoring. Em função do adiantamento do fluxo de caixa futuro, a factoring é remunerada via deságio entre o preço que paga pelo crédito e o valor de face do título ou direito. Desta forma, o lucro tributável de uma factoring, quando apurado regularmente pelo contribuinte, deveria corresponder ao deságio das compras de recebíveis (eventualmente poderia haver, também, receita por prestação de serviços). A fiscalização, constatada a omissão de rendimentos do contribuinte, procedeu ao arbitramento do lucro, tomando como base a receita bruta conhecida (fls.933, 936, 939 e 942). Pois bem, com esteio nos artigos 15 e 16, da Lei 9.249/95 e no artigo 27, inciso I, da Lei 9.430/96, a Fiscalização considerou o coeficiente de 38,40% para chegar ao lucro, arbitrado. Vejamos a redação desses dispositivos legais: Lei 9.249/95 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: III trinta e dois por cento, para as atividades de: d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). Art. 16. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta, quando conhecida, dos percentuais fixados no art. 15, acrescidos de vinte por cento. Lei 9.430/96 Art. 27. O lucro arbitrado será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: I o valor resultante da aplicação dos percentuais de que trata o art. 16 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pelo art. 31 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, auferida no período de apuração de que trata o art. 1º desta Lei; De fato, a estipulação legal contida no art. 16 da Lei 9.249/95 é clara ao afirmar que “o lucro arbitrado das pessoas jurídicas será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta, quando conhecida, dos percentuais fixados no art. 15, acrescidos de vinte por cento.”, portanto, nos, a lei determina forma específica para o cálculo do lucro arbitrado, a saber, a utilização do percentual de presunção aplicável à atividade do contribuinte, caso apurasse o imposto de renda com base no lucro presumido, acrescido de 20%. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.001359/200655 Acórdão n.º 9101001.563 CSRFT1 Fl. 1.637 13 Para as atividades de compra de direitos creditórios (factoring) tal percentual de presunção é de 32% (cf. art. 15, § 1º, III, d), in fine, da Lei 9.249/95). Quando acrescido de 20% (20% x 32% = 6,40%), conforme determina o art. 16 da Lei 9.249/95, o percentual de presunção para fins de arbitramento do lucro em caso de omissão de rendimentos de factoring é 38,40% (= 32% + 6,40%). A norma para arbitramento de lucro goza de presunção absoluta, ex lege, não admitindo, portanto, prova em contrário do contribuinte e vinculando a ação do Fisco. Notese que essa interpretação (i.e presunção absoluta) é, em última análise, uma norma de proteção para o próprio contribuinte. Isso, pois, considerandoa norma de presunção absoluta, todos os contribuintes já conhecem seguramente, de antemão, qual o critério que será utilizado pelo Fisco, em eventual arbitramento do lucro tributável. Afastase, portanto, as possibilidades de utilização de diversos critérios diferentes que, sob a ótica econômica, financeira e contábil, poderiam ser utilizadas no arbitramento do lucro e delimitase, no plano jurídico, um único critério possível para tanto. Poderseia entender, como foi feito no acórdão recorrido, que o arbitramento do lucro, no caso de omissão de receitas de factoring, deveria encontrar fundamento e baliza em critérios de mercado, com base nos índices divulgados pela ANFAC. Contudo, não acredito que essa seja a correta interpretação para o caso sob análise, em que pese ser uma interpretação possível que não deve ser descartada a priori. Nos casos em que a receita é conhecida de forma indireta (omissão de receita) – por valores de depósitos bancários não declarados pelo contribuinte – não há a identificação da natureza dessas receitas. Ante esse fato, caberia ao contribuinte provar a natureza delas (o que não ocorreu no presente caso), sob pena de ter o lucro tributável arbitrado, de acordo com as regras antes comentadas. Notese que a prova a que me refiro acima é prova da natureza das receitas, que poderia conferir direito ao contribuinte a que o arbitramento do lucro ocorresse com base no regime de apuração a que estivesse submetido no período base que corresponder à omissão, conforme os ditames do art. 24 da Lei 9.249/95, abaixo reproduzido: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. Logicamente, nos casos em que não há prova da natureza das receitas omitidas, a mensuração da base de cálculo arbitrada deve ocorrer em consonância com o critério legalmente estabelecido para tanto (i.e artigos 15 e 16, da Lei 9.249/95 e no artigo 27, inciso I, da Lei 9.430/96). Não entendo, todavia, que o fato das factorings serem obrigadas à apuração do imposto de renda pelo método do Lucro Real (tal obrigatoriedade existia à época dos fatos geradores em discussão, por força do art. 14, VI, da Lei 9.718/98) deva influenciar na conclusão supra. Explico. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.001359/200655 Acórdão n.º 9101001.563 CSRFT1 Fl. 1.638 14 Na medida em que a fiscalização constatar a omissão de receitas, não demonstradas na escrituração do contribuinte, por empresas de factoring, duas situações poderiam ocorrer: (i) o contribuinte poderia provar que as receitas eram oriundas das atividades de factoring, quando, então, a apuração do Lucro Real deveria ser o método para quantificar o lucro arbitrado e, nesse caso, haveria espaço para a utilização dos índices da ANFAC (ex vi art. 24 da Lei 9.249/95 c.c art. 14,VI, da Lei 9.718/98); ou (ii) o contribuinte, ante a impossibilidade de provar a natureza das receitas omitidas, ficaria sujeito ao arbitramento do lucro fundamentado no critério legalmente estabelecido para tanto, não mais possível a produção de prova em contrário, já que, não provando o antecedente (natureza das receitas), não caberia a prova do consequente (Lucro Real), de forma que não caberia perquirir qual o valor de mercado do deságio que deveria ser utilizado para o arbitramento do lucro, pois, de qualquer maneira, as receitas não seriam caracterizadas como receitas da compra de créditos. No presente caso, entendo que o raciocínio descrito no item (ii) acima seja o mais adequado. Desta forma, concedo, nessa parte, provimento ao recurso da Fazenda Nacional, reformando o acórdão recorrido, para que seja mantida a autuação do contribuinte com base no arbitramento do lucro estipulado pela Lei (artigos 15 e 16, da Lei 9.249/95 e no artigo 27, inciso I, da Lei 9.430/96) e nego provimento quanto aos temas da multa qualificada e da decadência. Sala das Sessões, em 23 de janeiro de 2013. (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 14DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10380.903427/2009-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Ano-calendário: 1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Embargos de declaração acolhidos com efeitos infringentes para alterar a fundamentação, ementa e decisório do Acórdão nº 3301-00.136, de 09/08/2011, passando a ter a seguinte ementa: Em se tratando de pagamento indevido ou maior que o devido, nos termos do art. 165, I, c/c art. 168, I, do CTN, cujos pedidos de restituição ou compensação tenha sido efetuado após a entrada em vigor da Lei Complementar nº LC 118/05 (09.06.2005), relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, aplica-se o respectivo prazo qüinqüenal, contado da data do pagamento, em conformidade com o art. 3º da novel Lei Complementar.
Embargos Acolhidos e Providos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-001.339
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em acolher e prover os Embargos de Declaração da Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, alterando-se a fundamentação, ementa e decisório do Acórdão nº 3301-00.136, de 09/08/2011, passando a constar como recurso voluntário negado, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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EFEITOS INFRINGENTES. Embargos de declaração acolhidos com efeitos infringentes para alterar a fundamentação, ementa e decisório do Acórdão nº 330100.136, de 09/08/2011, passando a ter a seguinte ementa: Em se tratando de pagamento indevido ou maior que o devido, nos termos do art. 165, I, c/c art. 168, I, do CTN, cujos pedidos de restituição ou compensação tenha sido efetuado após a entrada em vigor da Lei Complementar nº LC 118/05 (09.06.2005), relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, aplicase o respectivo prazo qüinqüenal, contado da data do pagamento, em conformidade com o art. 3º da novel Lei Complementar. Embargos Acolhidos e Providos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em acolher e prover os Embargos de Declaração da Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, alterandose a fundamentação, ementa e decisório do Acórdão nº 330100.136, de 09/08/2011, passando a constar como recurso voluntário negado, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Fl. 105DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Andréa Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Cuidase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 330100.136, prolatado por este Colegiado na sessão de 09/08/2011, sintetizado na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário:1999 Em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, contados da data do fato gerador, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada.” . Recurso Parcialmente Provido De acordo com a embargante, o acórdão embargado padece do vício da contradição, vez que aplicou a decisão proferida no RE nº 566.621, do E. STF, sobre a irretroatividade da Lei Complementar nº 118, de 2005, todavia, decidiu pelo deferimento da compensação de indébito pagos em 10/03/1999, objeto da PER/DCOMP nº 16153.27709.1507.05.1.3.041325, transmitida em 15/07/2005. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator Os embargos são tempestivos e atendem aos requisitos do art. 65, e incisos do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, com a redação dada Portaria MF nº 586, de 2010, tendo em vista a contradição apontada nos v. embargos. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10380.903427/200934 Acórdão n.º 330101.339 S3C3T1 Fl. 95 3 De fato, o acórdão embargado está fundamentado na decisão do E. STF, nos autos do RE nº 566.621, no qual foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar nº 118, de 2005, que determinava a aplicação retroativa do seu artigo 3º – norma que, ao interpretar o artigo 168, I, do Código Tributário Nacional (CTN), fixou em cinco anos, desde o pagamento indevido, o prazo para o contribuinte buscar a repetição de indébitos tributários (restituição) relativamente a tributos sujeitos a lançamento por homologação. A decisão do E. STF, é assim ementada: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) De acordo com a embargante, o acórdão embargado padece do vício da contradição, vez que aplicou a decisão proferida no RE nº 566.621, do E. STF, sobre a Fl. 107DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 irretroatividade da Lei Complementar nº 118, de 2005, todavia, decidiu pelo deferimento da compensação de indébito pagos em 10/03/1999, objeto da PER/DCOMP nº 16153.27709.1507.05.1.3.041325, transmitida em 15/07/2005, quando já era aplicável o art. 3º da referida LC, limitando o prazo para a restituição na hipótese do inciso I, do art. 168, do CTN, qual seja, “cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou a maior que o devido”, em cinco anos contados da data do pagamento. Portanto, como o referido dispositivo entrou em vigor em 09/06/2005, por força do art. 4º acima transcrito, quando a PER/DCOMP nº 16153.22709.1507.05.1.3.041325, foi transmitida, em 15/07/2005, o prazo para a restituição/compensação, na hipótese de pagamento espontâneo indevido, isto é, hipótese previsto no art. 168, I, do CTN, já era aquele previsto na LC nº 118, de 2005, razão pela qual não caberia a restituição/compensação de indébito pago em 10/03/1999 Em face do exposto, voto no sentido de acolher e prover os Embargos de Declaração, para em seguida negar provimento ao recurso, em razão da extinção do direito da contribuinte à época do pleito da restituição/compensação. Sala das Sessões, em 16 de fevereiro de 2012 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 108DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11516.002873/99-77
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 21 00:00:00 UTC 1012
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS. Período de apuração: 01.03.1995 a 31.12.1999. Ementa: APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSISTÊNCIA. INEXISTÊNCIA. A fiscalização informou em relatório fiscal que os dados incluídos à base de cálculo foram extraídos da contabilidade e dos livros fiscais, informação necessária a permitir o contribuinte comparar os dados, e, impugnar, inexistindo demonstração da inconsistência alegada, não há que se falar em cancelamento do lançamento. Ementa: Ementa: BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DISTINTAS DO FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO PARÁGRAFO 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A base cálculo para apuração do PIS e a COFINS se restringe tão-só ao faturamento da empresa, conforme decisão do Egrégio Supremo Tribunal Federal – STF, que declarou inconstitucional o art. 3 o da Lei 9.718/99, que promoveu o alargamento da base de cálculo destas contribuições.
Numero da decisão: 3403-001.496
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo as receitas financeiras.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS. Período de apuração: 01.03.1995 a 31.12.1999. Ementa: APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSISTÊNCIA. INEXISTÊNCIA. A fiscalização informou em relatório fiscal que os dados incluídos à base de cálculo foram extraídos da contabilidade e dos livros fiscais, informação necessária a permitir o contribuinte comparar os dados, e, impugnar, inexistindo demonstração da inconsistência alegada, não há que se falar em cancelamento do lançamento. Ementa: Ementa: BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DISTINTAS DO FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO PARÁGRAFO 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A base cálculo para apuração do PIS e a COFINS se restringe tãosó ao faturamento da empresa, conforme decisão do Egrégio Supremo Tribunal Federal – STF, que declarou inconstitucional o art. 3o da Lei 9.718/99, que promoveu o alargamento da base de cálculo destas contribuições. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo as receitas financeiras. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Liduina Maria Alves Macambira, Marcos Tranchesi Ortiz e Raquel Motta Brandão Minatel. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra a decisão que manteve parcialmente o lançamento constituído por meio de Auto de Infração para a COFINS relativo ao período de apuração de01. 03.1995 a 31.12.1999: Adoto o relatório da decisão recorrida por espelhar a realidade dos autos: “Contra a interessada foi lavrado o Auto de Infração as fls. 124 a 130, que lhe exige o recolhimento do crédito tributário no valor de R$ 444.702,33, sendo: R$ 199.864,47 de Cofins; R$ 94.939,58 de juros de mora, calculados até 29/10/99; R$ 149.898,28 de multa proporcional (passível de redução). Segundo a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, o lançamento decorreu de falta de recolhimento da contribuição, assim justificada no Termo de Verificação Fiscal e Encerramento de Ação Fiscal (fls. 131 a 133): "No período de setembro/89 a dezembro/92 efetuamos o levantamento da base de calculo do F1NSOCIAL e da COFINS, considerando os valores das vendas e de serviços escrituradas nos balancetes mensais emitidos pela empresa (lis. 68 a 74). No período de 01/93 a junho/99 as bases de calculo correspondem às vendas e serviços constantes das planilhas elaboradas pela empresa, cuja consistência foi verificada por amostragem e consideradas corretas (fls. 60 a 67). Após efetivado os cálculos dos débitos do FINSOCIAL, com a base na Receita Bruta apurada pela Fiscalização, através do aplicativo CAD —Cobrança Administrativa Domiciliar «Is. (83 a 88) foram efetuadas as imputações dos pagamentos efetuados nos códigos 6120 nos débitos do FINSOCIAL, relativo ao Fl. 423DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 11516.002873/9977 Acórdão n.º 3403001.496 S3C4T3 Fl. 2 3 período de 09/89 a 02/92. Os saldos de pagamento do código 6120 (FINSOCIAL), a partir dos pagamentos feitos em 16/04/90 a 06/12/91, foram considerados como pagamentos da COF1NS de 04/92 a 08/98 (11. 116/120). Os depósitos judiciais convertidos em renda da União foram considerados como pagamentos. No entanto, mesmo após serem considerados válidos os parcelamentos existentes (lis. 38 a 53) e as compensações autorizadas pelas medidas judiciais dos valores pagos excedentes a 0,5% do FINSOCIAL, inclusive, considerando os índices de correção monetária constantes das decisões judiciais, concluise que não existiram todos os créditos pleiteados pela empresa. Ao contrário, apuramos valores de "débitos não declarados" e não pagos da COFINS, objeto deste lançamento de oficio, conforme consta no Demonstrativo de Débitos Remanescentes (fls. 110 a 111). Todos os demonstrativos de cálculo ficam fazendo parte integrante do Auto de Infração.”“. A autuada apresentou impugnação pedindo o arquivamento do presente processo, em resumo, sob os seguintes argumentos: 1 — considera ilegal a cobrança de juros com base na Selic; 2 — "Com referência aos cálculos até 31 de julho de 1998 existem diferenças entre os valores notificados e os valores corretos, razão pela qual há necessidade de uma revisão daquela tributação."; 3 — "Quanto ao período de marco a 30 de junho de 1999 a autuada toma a liberdade de informar que não existem aqueles débitos, porquanto os mesmos foram compensados com a diferença do Finsocial requerida em juízo”; 4 — “... não existem débitos em atraso, capazes de merecerem a imputação pretendida pela fiscalização, por estarem todos os valores recolhidos dentro dos respectivos prazos”. Com esse sistema o Sr. Fiscal acaba tributando valores a partir de 1989 o que não está acobertado pela legislação, uma vez que os prováveis débitos de outubro de 1989 a outubro de 1994 estão protegidos pelo instituto da DECADÊNCIA “; 5 — no cálculo da fiscalização não foram considerados todos os valores parcelados e os parcelados a maior”; 6 — “Para a competência de 12/91 a Secretaria da Receita federal considerou como valor parcelado Crs 1.520,64 (equivalentes a 2,25 UFIRS). 0 valor pago pela empresa referente à competência 12/91 (é de 1.520,64 UFIRS)”; 7 não foram considerados, em relação aos pagamentos a maior ou indevidamente, os reais efeitos inflacionários e os juros devidos. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 Por força do disposto na Portaria SRF n. ° 442, de 12 de abril de 2006 (DOU de 18.04.2006), a competência de julgamento do presente processo foi transferida para esta DRJ. Vindo os autos a esta Turma de Julgamento, nos termos do Despacho da Presidência n. ° 1039/2007 (fls. 173/174), foi determinada a realização de diligência para esclarecimentos e providências acerca da imputação de pagamentos efetuada quando do lançamento. 0 resultado da diligência realizada encontrase consubstanciado na Informação Fiscal às fls. 284/286. Reaberto o prazo regulamentar de defesa, a contribuinte voltou a se manifestar as fls. 295/307, pedindo, consoante os argumentos ali aduzidos, o seguinte: a) o recebimento e processamento da presente manifestação junto ao processo n°11516.002873/9977; b) a anulação do auto de infração em t face da impossibilidade de verificação do objeto das planilhas levantadas, o que cerceia o direito de defesa do contribuinte; c) a anulação do auto de infração frente à ausência de provas dos fatos constantes da planilha de folhas 68 a 74 (item “a’)”; c.1) alternativamente, devese utilizar os valores apurados pelo contribuinte que possuem presunção de veracidade; d) a anulação do auto de infração em virtude dos vícios existentes que não podem ser sanados pelo contencioso administrativo (item "b"); e) a anulação do auto de infração visto que a autoridade diligenciante não observou as diretrizes determinadas por esta DIU (item "c'); .1) a anulação do auto de infração em razão do lançamento ter distorcido as compensações realizadas pelo contribuinte (item” d'); g) a extinção do crédito tributário exigido frente à decadência prevista 77 § 4° do art. 150 do CTN (item “e’)”; h) a anulação do auto de infração em virtude do desrespeito da decisão judicial que determinava a inclusão dos juros SELIC (item “‘7”); e e) alternativamente, a anulação do lançamento, pois não ê possível verificar os cálculos da SELIC nos créditos apurados. Para instrução dos autos anexei, às fls. 325/333, extrato de DCTFs entregue pela contribuinte. O relatório ““. A decisão hostilizada reconheceu a decadência do direito de constituir o crédito tributário até fevereiro de 1995. Apesar do reconhecimento do período decaído a recorrente mantémse forte em sua argumentação de que não existiu, e, além disso, teria sido constituído crédito de FINSOCIAL também já alcançados pela decadência, vez que, a fiscalização compensou créditos existentes em 17 de novembro de 1999 com débitos referentes diferenças não recolhidas, cujos fatos geradores ocorreram antes de julho de 1994. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 11516.002873/9977 Acórdão n.º 3403001.496 S3C4T3 Fl. 3 5 Sustentou ainda suas razões recursais: a) ausência de prova dos fatos mencionados pela fiscalização; b) impossibilidade de saneamento do auto de infração pela decisão da DRJ; c) necessidade da demonstração do consumo de todos os créditos; d) exclusão das Receitas Financeiras da Base de Cálculo da Cofins alteração promovida pelo art. 3º, §1°, da Lei 9.718/98 nas bases de cálculo do PIS e da COFINS; e) juntada de documentos novos pela DRJ; f) Da ilegalidade de inserção dos juros previstos na Lei n° 8.981/95 e da Taxa SELIC. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho Relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, assim sendo, tomo conhecimento. Inicialmente examino argüição em relação ao cancelamento do auto de infração frente à ausência de prova dos fatos constantes da planilha de folhas 68 a 74, por entender ser prejudicial ao exame do mérito. Em que pese alcançar período cuja perda do direito de constituir crédito tributário já restou reconhecido pelo julgador de piso, há implicação quanto apuração do débito a ser compensado com o crédito oriundo da decisão judicial. A planilha de fls. 68/74 elaborada pela fiscalização encontra consubstanciada nos balancetes extraídos da contabilidade e dos livros fiscais. De outro lado a Interessada deixou de demonstrar a divergência em relação aos dados utilizados pela fiscalização. Deixando de apontar à divergência, tenho como certo que o procedimento fiscal não causou prejuízo a defesa. Fortes nestes argumentos em razão da inexistência de demonstração da divergência por parte da Recorrente em relação à base de cálculo, deixo de acolher os argumentos tecidos para cancelar o lançamento. Da impossibilidade de saneamento do auto de infração pela decisão da DRJ. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 Neste caso não assiste razão a recorrente. A diligência determinada restou esclarecedora e norteou o julgamento de piso. O fato de a Autoridade Administrativa constatar equívocos cometidos pela fiscalização não importa em vicio. Assim, deixo de acolher a sustentação, pois a diligência e o seu resultado não implica em inovação do fundamento do lançamento e tampouco em usurpação do poder outorgado a fiscalização. Da juntada de documentos novos pela DRJ. Incabível os argumentos articulados pela recorrente, tratase de documentos juntados pela própria interessada, mesmo que não fosse o fato da juntada de informações fiscais, planilhas de cálculos, etc., a meu sentir não se revela prejudicial à impugnação já apresentada, cuja oportunidade fica franqueada no momento do recurso. Deixando de demonstrar o prejuízo causado pela juntada dos documentos, impõe em rejeitar. Da ilegalidade de inserção dos juros previstos na Lei n° 8.981/95 e da Taxa SELIC. A aplicação dos juros de mora e a Taxa Selic encontram amparadas pela legislação. Nesse caso a decisão deu contorno jurídico acertado. Assim, inexiste razão capaz de dar suporte a irresignação trazidas no bojo do recurso voluntário, matéria essa que encontra pacificada nesta Corte por meio da Súmula CARF. Súmula CARF nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, á taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. Diante de vedação expressa da Súmula nº 04 do CARF, rejeito os argumentos e mantenho o que restou decido. Da exclusão das Receitas Financeiras da Base de Cálculo da Cofins alteração promovida pelo art. 3º, §1°, da Lei 9.718/98 nas bases de cálculo do PIS e da COFINS. Neste ponto assiste razão a recorrente. Compulsando os autos verifica que às fls. 60 e 64 incluiuse item a título de outras receitas sem declinar de que se trata. No documento de fls. 61, 63 e 67 encontra informação de que se trata de receitas financeiras. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 11516.002873/9977 Acórdão n.º 3403001.496 S3C4T3 Fl. 4 7 Observase que a referida Lei nº 9.718/98 ampliou o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita. Logo, a exação passou a incidir sobre todas as receitas da empresa, independentemente do tipo de atividade exercida e da classificação contábil adotada. De outra parte as reiteradas decisões, o excelso Supremo Tribunal Federal afastou a arguíção de que a publicação da Emenda Constitucional nº 20/98, em data anterior ao início da produção dos efeitos da Lei nº 9.718/98 poderia conferirlhe fundamento de validade. Nessa esteira, firmouse o entendimento ode que o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, ao ampliar o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita, violou a noção de faturamento constante da redação original do artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, que equivaleria ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Essa matéria resta pacificada neste Conselho. O Supremo Tribunal Federal tem posição firmada a respeito da Lei nº 9.718/98, construída em plenário por ocasião do julgamento dos Recursos Extraordinários nos 346.084 e 390.840. E este entendimento é o de que, ao positivar a exigência de apuração do PIS e da COFINS sobre receitas que não as estritamente obtidas com a venda de mercadorias ou a prestação de serviços, o diploma teria ultrapassado os lindes da competência para a criação de contribuições destinadas à Seguridade Social. Daí porque, na oportunidade, proclamou a inconstitucionalidade do dispositivo. Com advento da Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002, a base de cálculo para apuração das contribuições para o PIS e a COFINS passou a incidir sobre o total das receitas operacionais, essas receitas compreendem a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Portanto, são contribuintes da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, nesta modalidade, as pessoas jurídicas que auferirem receitas, independemente de sua denominação ou classificação contábil. Essas receitas compreendem a receita bruta de venda de bens e serviços nas operações em conta alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Estão sujeitas à COFINS e o PIS na modalidade não acumulativa as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real. Basicamente, estão sujeitas a Cofins e à contribuição para o PISPasep na modalidade não cumulativa as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, com algumas exceções, como as instituições financeiras e as receitas decorrentes da prestação de serviços com transporte coletivo, hospitalares e educação, independentemente da forma de tributação adotada. Deste modo as pessoas jurídicas não enquadradas no regime não cumulativo permanecem sujeitas às normas da legislação vigente anteriormente às Leis números 10.833/2003 e 10.637/2002, alteradas pelas Leis números 10.865 e 10.925/2004. A legislação em vigor prevê três modalidades de exigência de Cofins/PIS Pasep, além das outras hipóteses previstas exclusivamente para o PIS. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 8 Assim sendo, à incidência sob a égide da Lei n. 9.718/98 em relação ao PIS alcança o período de dezembro de 2000 a novembro de 2002 e a COFINS a partir de dezembro de 2000 a janeiro de 2004. Em primeiro lugar cabe demarcar à incidência sob a égide da Lei n. 9.718/98, portanto, aplicase a legislação anterior aos fatos geradores ocorridos, sendo que, referente ao PIS até novembro de 2002 e a COFINS até janeiro de 2004. No caso concreto, percebese, que trata da inclusão à base de cálculo de receitas referente receitas financeiras. É de conhecimento geral com o evento da edição da Lei 9.718/98, a base de cálculo foi alargada para alcançar a totalidade das receitas, porém, o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional o disposto PARÁGRAFO PRIMEIRO do art. 3º da mencionada lei, que promoveu o alargamento da base de cálculo das contribuições, embora haja entendimento que a extensão erga omnes só alcança a parte diretamente vinculada no processo judicial em quanto não for editada Resolução pelo Senado Federal. Entendo tratarse de receitas que não guarda qualquer vinculo com o conceito de faturamento. Como se vê, não há como ir à contramão do entendimento da mais alta Corte do País, que vem reiteradamente confirmando e consolidando o entendimento no sentido da inconstitucionalidade declarada em relação ao parágrafo 1o do artigo 3o da Lei 9.718/98, que ampliou a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo que a receita bruta é o faturamento, compreendido como sendo a comercialização dos produtos e a prestação de serviços. Portanto, só compõe a base de cálculo para a determinação da contribuição às receitas provenientes da venda de produtos e da prestação de serviços, por essa razão devese ser afastada da base de cálculo outras receitas distintas do faturamento. Assim sendo, deve ser afastada da base de cálculo os valores das receitas distintas do conceito de faturamento incluídas na base de cálculo com arrimo no art. 3o, parágrafo 1o, da Lei n. 9.718/98. Portanto, de acordo com o posicionamento do Supremo Tribunal Federal a prevalecer de que o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 é inconstitucional. Ante o exposto, conheço do recurso e dou provimento parcial para reconhecer o direito de excluir da base de cálculo as receitas financeiras. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 429DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 11516.002873/9977 Acórdão n.º 3403001.496 S3C4T3 Fl. 5 9 Fl. 430DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO
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