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Numero do processo: 10880.660355/2012-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.756
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 55 /2 01 2- 90 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660355/201290 Acórdão n.º 3401004.756 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660355/201290 Acórdão n.º 3401004.756 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660355/201290 Acórdão n.º 3401004.756 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660355/201290 Acórdão n.º 3401004.756 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660355/201290 Acórdão n.º 3401004.756 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660355/201290 Acórdão n.º 3401004.756 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.015711/98-81
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2001
Ementa: IPI — MULTA — NULIDADE — A exigência fiscal, quer do principal quer
do acessório, mormente quanto às penalidades, mesmo que sem o
devido enquadramento legal, deve proporcionar ao contribuinte o
exercício da plena defesa Todavia, se restar demonstrado que a
motivação da penalidade ou a falta de seu enquadramento trouxeram
prejuízo à defesa, fulminada de nulidade estará a exação no item que dificultar aquela
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: CSRF/02-01.021
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado Vencidos os Conselheiros Marcos Vinícius Néder de Lima e Dalton César Cordeiro de Miranda.
Nome do relator: Jorge Freire
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ementa_s : IPI — MULTA — NULIDADE — A exigência fiscal, quer do principal quer do acessório, mormente quanto às penalidades, mesmo que sem o devido enquadramento legal, deve proporcionar ao contribuinte o exercício da plena defesa Todavia, se restar demonstrado que a motivação da penalidade ou a falta de seu enquadramento trouxeram prejuízo à defesa, fulminada de nulidade estará a exação no item que dificultar aquela Recurso a que se nega provimento.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-07T04:48:27Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-07T04:48:27Z; Last-Modified: 2009-07-07T04:48:27Z; dcterms:modified: 2009-07-07T04:48:27Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-07T04:48:27Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-07T04:48:27Z; meta:save-date: 2009-07-07T04:48:27Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-07T04:48:27Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-07T04:48:27Z; created: 2009-07-07T04:48:27Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2009-07-07T04:48:27Z; pdf:charsPerPage: 1213; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-07T04:48:27Z | Conteúdo => na--, MINISTÉRIO DA FAZENDA 2t4-,f- CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA TURMA Processo n° 10680.015711/98-81 Recurso n° RP/202-0 280 Matéria IPI Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida SEGUNDA CÂMARA DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Interessada . DELTATRONIC COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. Sessão de 21 DE MAIO DE 2001 Acórdão n° CSRF/02-01 021 IPI — MULTA — NULIDADE — A exigência fiscal, quer do principal quer do acessório, mormente quanto às penalidades, mesmo que sem o devido enquadramento legal, deve proporcionar ao contribuinte o exercício da plena defesa Todavia, se restar demonstrado que a motivação da penalidade ou a falta de seu enquadramento trouxeram prejuízo à defesa, fulminada de nulidade estará a exação no item que dificultar aquela Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela DELTATRONIC COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado Vencidos os Conselheiros Marcos Vinícius Néder de Lima e Dalton César Cordeiro de Miranda 5' & N PERAL: ODRIGUES PRESIDENTE Processo : 10680.015711/98-81 Acórdão n° CSRF/02-01 ,021 JORGE FREIRE RELATOR FORMALIZADO EM:: 22 JUN 2001 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros:: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, SÉRGIO GOMES VELLOSO, OTACíLIO DANTAS CARTAXO e FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA. 2 Processo : 10680.015711/98-81 Acórdão n° CSRF/02-01.021 Recurso n° RP/202-0.280 Interessada DELTATRONIC COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. RELATÓRIO Examina-se recurso especial, formulado pela Procuradoria da Fazenda Nacional, contra decisão do Segundo Conselho de Contribuintes que, através do Acórdão ng- 202-11.688, de 07 de dezembro de 1999 (fls. 78/91), por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto pela empresa DELTATRONIC COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. Conforme evidenciam os elementos constitutivos do presente processo, a empresa acima identificada foi autuada pela venda de produtos importados diretamente com emissão de notas fiscais de saída sem destaque do Imposto sobre Produtos Industrializados, e sem identificação na nota fiscal se o produto era importado diretamente ou se era adquirido no mercado interno, no período compreendido entre abril de 1996 a maio de 1997. O contribuinte parcelou o auto de infração, exceto quanto à multa sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito (item 4 do auto de infração), cuja base legal foi lastreada no Parecer Normativo CST 39/76. Somente quanto a esta penalidade formou-se a lide. A autoridade de primeira instância administrativa, através da Decisão de fls. 54/59, julgou procedente o lançamento de ofício na parte objeto de litígio, resumindo seu entendimento nos termos da ementa de fl. 54, que se transcreve. "IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS 3 Processo : 10680. 015711/98-81 Acórdão n° CSRF/02-01..021 De acordo com o disposto no art 461, inciso I, do RIPI/1998, aplica-se multa sob o percentual de 75% (setenta e cinco por cento) sobre o imposto que deixou de ser destacado na respectiva nota fiscal " Insurgindo-se contra a decisão prolatada em primeira instância administrativa, a recorrente interpôs recurso voluntário tempestivo ao Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 65/70) repisando os pontos expendidos na peça impugnatória, inovando em relação à alegação de nulidade do lançamento, sobre o qual aduz que . 1) o lançamento não atende aos requisitos do art.. 5' da IN n' 54/97, uma vez que não houve a descrição da norma legal infringida para a aplicação da multa do IPI não lançado com cobertura de crédito, e 2) o titular da Delegacia da Receita Federal de Julgamento da jurisdição do contribuinte deveria ter declarado de ofício a nulidade do lançamento, uma vez que foi emitido em desacordo com o disposto no art, 52, mesmo que esse preliminar não tenha sido suscitada pelo sujeito passivo, em cumprimento à própria IN n' 54/97, Tendo o Colegiado da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, através do Acórdão n' 202-11688, de 07 de dezembro de 1999 (fls 78/91), decidido, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, a Procuradoria da Fazenda Nacional, por não concordar com a decisão proferida em segunda instância administrativa, interpôs Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, com fundamento no inciso I do art. 32 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, Anexo II, aprovado pela Portaria n' 55, de 16 03 98, Através do Despacho n' 202-0 011 (fls.. 94), o Presidente da 2 2. Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, recebeu o recurso interposto pelo Representante da Fazenda Nacional, tendo em vista a presença dos requisitos exigidos no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. decisão não- unânime (artigo 7 2, parágrafo 1 2) e tempestividade (artigo 7 2) ,k ,>Í 4 Processo 10680.015711/98-81 Acórdão n° CSRF/02-01 021 Encaminhando-se os autos à DRF em Belo Horizonte/MG, foi aberto prazo ao contribuinte para apresentação de contra-razões ao Recurso Especial Devidamente cientificado, o contribuinte ofereceu suas contra-razões ao Recurso Especial do Sr Procurador da Fazenda Nacional, alegando, em síntese, que o Decreto n2 70,235/72, no inciso IV, do art. 10, estabelece a obrigatoriedade de se conter no Auto de Infração a disposição legal infringida, bem como na Instrução Normativa SRF n2 54/97 em seu artigo 52 Desta forma, postula que seja mantido o acórdão em questão pelos seus bens lançados fundamentos. É o relatório A\y„.„ 5 Processo 10680.015711/98-81 Acórdão n° CSRF/02-01 021 VOTO Conselheiro JORGE FREIRE, Relator Depreende-se do relatado, que o litígio põe-se nos seguintes termos: o Acórdão recorrido, encampando a tese da autuada, entende que o auto de infração não cumpriu na íntegra o mandamento legal que determina a capitulação da norma infirngida, quer no que tange à obrigação principal, quer no que refere-se à penalidade. Face a tal, concluiu o relator do Acórdão objurgado, acompanhado à maioria pelos seus pares, que o contriubuinte teve seu direito de defesa cerceado, pelo que o lançamento foi anulado no que pertine à guerreada multa. Por sua vez, a douta Procuradoria da Fazenda Nacional fez das razões do voto vencido e com declaração de voto do ilustre Conselheiro Marcus Vinícius Néder de Lima, suas próprias razões, como infere-se da petição de fl. 93 E, nos dizeres da declaração de voto, o citado Conselheiro, em síntese, afirma que o lançamento, por equívoco, deixou de mencionar o artigo 364 do RIPI/82 como base legal da multa, mas que o contribuinte ao tecer comentários sobre tal norma na peça impugnatória veio a sanar a falha, não havendo assim prejuízo a sua defesa Entendo que, em tese, só há falar-se em nulidade quando constatado o prejuízo à defesa. Desta forma, a norma insculpida no artigo 10, inc IV, do Decreto 70,235/72, não é hipótese de nulidade absoluta, quando pela descrição dos fatos ou mesmo pela defesa da recorrente restar demonstrado que, concretamente, não houve efetivo prejuízo à defesa do contribuinte Assim, para macular determinada exigência fiscal de nulidade há que ficar inconteste nos autos o prejuízo à defesa 6 Processo , 10680,015711/98-81 Acórdão n° CSRF/02-01 ,021 Todavia, tenho para mim que, de fato, o auto de infração não é claro tanto em sua motivação quanto na própria capitulação das penalidades A multa objeto do litígio é aquela descrita no item 4 do auto de infração, descrita pela agente fiscal como "multa sobre IR não lana c/cobert cred 3738", e com enquadramento legal ( fl 20 ) no Parecer CST 39/76, Por sua vez, o item 3 da peça fiscal trata da multa proporcional, esta passível de redução, Cotejando os valores da autuação, constato que o percentual da multa passível de redução corresponde a setenta e cinco por cento (75%), e que o precentual da multa vergastada corresponde a 85 % do principal Ora, se assim o é, resta claro que tanto à autoridade julgadora monocrática quanto ao recorrente, houve dificuldade de identificar qual o enquadramento da multa litigada, assim como sua base imponível. Mas a mim ficou claro que o enquadramento legal do artigo 364 do RIPI/82 (artigo 80 da Lei 4 502/64), pugnado pela PFN, refere-se à multa do item 3 do auto de infração, a qual não foi contestada pelo contribuinte, e, segundo ele, objeto de parcelamento Face a tal, entendo que a precariedade da motivação da multa aposta no item 4 do lançamento, bem como a dificuldade em identificar sua fonte legal, conforme prevê o artigo 97, V, do CTN, sem dúvida trouxeram prejuízo a defesa, pelo que fulminada de nulidade sua exigência Face ao exposto, Nego provimento ao recurso. Sala das Sessões-DF, em 21 de maio de 2001 JORGE FREIRE RELATOR 7 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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Numero do processo: 10880.660426/2012-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.827
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 04 26 /2 01 2- 54 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660426/201254 Acórdão n.º 3401004.827 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660426/201254 Acórdão n.º 3401004.827 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660426/201254 Acórdão n.º 3401004.827 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660426/201254 Acórdão n.º 3401004.827 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660426/201254 Acórdão n.º 3401004.827 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660426/201254 Acórdão n.º 3401004.827 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.000435/2007-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 08/04/2002 a 28/10/2003
LANÇAMENTO NÃO DEVIDAMENTE MOTIVADO. NULIDADE
Deve ser declarado como nulo, por vício material, o lançamento de ofício que não tiver sido devidamente motivado.
Numero da decisão: 3301-004.747
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente)
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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NULIDADE Deve ser declarado como nulo, por vício material, o lançamento de ofício que não tiver sido devidamente motivado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente) Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 04 35 /2 00 7- 69 Fl. 2691DF CARF MF Processo nº 10909.000435/200769 Acórdão n.º 3301004.747 S3C3T1 Fl. 2.692 2 "Trata o presente processo dos Autos de Infração de fls. 01 e 03 por meio dos quais são feitas as seguintes exigências: fl. 01 1 R$ 393.425,11 (trezentos e noventa e três mil, quatrocentos e vinte e cinco reais e onze centavos) de Imposto de Importação (II); 2 R$ 590.137,67 (quinhentos e noventa mil, cento e trinta e sete reais e sessenta e sete centavos) de multa de lançamento de oficio agravada do II devido a evidente intuito de fraude, no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento) do imposto devido, nos termos do art. 44, II da L,i if 9.430 de 27/12/1996 — DOU 30/12/1996; 3 R$ 2.017.564,08 (dois milhões, dezessete mil, quinhentos e sessenta e quatro reais e oito centavos) de multa referente a 100% (cem por cento) sobre a diferença entre o preço declarado e o arbitrado, nos termos do art. 88 parágrafo único, da Medida Provisória 2.15835 de 24/08 001 DOU 27/08/2001; 4 R$ 11.421.361,04 (onze milhões, quatrocentos e vinte e um mil, trezentos e sessenta e quatro centavos); 5juros de mora; fl. O3 6 R$ 241.098,93 (duzentos e quarenta e um mil, noventa e oito reais e noventa e três centavos) de Imposto sobre Produtos Industrializados Importação (IPI); 7 R$ 361.648,40 (trezentos e sessenta e um mil, seiscentos e quarenta e oito reais e quarenta ce favos) de multa de lançamento de ofício agravada do IPI devido a evidente intuito de fraude, no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento) do imposto devido, nos termos • o art. 44, II da Lei n° 9.430/1996 8 juros de mora. Conforme consta na Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais o presente auto de infração originouse da revisão aduaneira de 32 (trinta e duas) DI's, discriminadas às fls. 16 e 17. Seguindo o relato da fiscalização, em razão de fraude levada a efeito pelo contribuinte, tanto na fase de nacionalização como de comercialização dos produtos, tornouse imprescindível a determinação do valor aduaneiro das DI's ora revisadas, consoante o art. 88 • da MP 2.15821/2101. A fraude aludida pela Autoridade Autuante, resumidamente, consistia em importar as mercadorias através da Nova Importação, com preços subfaturados, que vendia à Betra Trading (coligada ambas interpostas pessoas) que vendia à PH Arcangeli, esta considerada a real importadora das mercadorias e responsável pelas operações. Fl. 2692DF CARF MF Processo nº 10909.000435/200769 Acórdão n.º 3301004.747 S3C3T1 Fl. 2.693 3 As provas que suportam a exigência do presente processo se encontram nos anexos III e IV e foram obtidas em diligência empreendida à filial da Nova Importação de ItajaíSC, conforme fl 22. Foi apontado como responsável solidário pelo crédito tributário o contribuinte PH Arcangeli Cosméticos Ltda, CNPJ 53.115.911/000120. Lavrados os mencionados autos de infração e tendo sido intimadas as autuadas, estas apresentaram impugnações com as seguintes alegações, em síntese: PH Arcangeli Cosméticos Ltda (fls. 171/207): • A autuação foi baseada exclusivamente em considerações extraídas de dois autos de infração que no passado aplicaram pena de perdimento a mercadorias importadas (das quais a Impugnante nem sequer é parte), concluiu a fiscalização que teria realizado fraude pelas empresas Nova Importação e Exportação Ltda e Betra Trading S/A em beneficio da ora Impugnante que seria "induvidosamente a real compradora das mercadorias e responsável pelas operações, sempre, porém, mantida oculta ao fisco". • Que por esta razão a ora Impugnante foi incluída no pólo passivo da autuação, por força da alínea "c", do parágrafo único do artigo 32 do DecretoLei n°37/66, com redação dada pela MP n°2.15821/2001. • Defende a ilegitimidade passiva, uma vez que o trabalho fiscal está centrado na acusação de subfaturamento na importação. Argumenta que tal prática ilícita somente pode ser atribuída a quem importou as mercadorias e, por conseguinte, qualquer responsabilidade decorrente do alegado subfaturamento na importação deve ser imputada ao importador. • Defende a inexistência de conluio, transcrevendo os artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, concluindo que o conluio supõe duas ou mais pessoas agindo de forma concertada para impedir o conhecimento da autoridade administrativa sobre a existência e a importância de tributo a pagar. Portanto, somente se poderia falar em conluio na importação se houvessem dois ou mais importadores atuando em conjunto. No caso concreto, porém, todas as importações foram promovidas exclusivamente pela empresa autuada (Nova). • Argumenta que a existência de adquirente prédeterminado não descaracteriza a importação por conta própria (importação por encomenda). • Protesta pelo uso de prova emprestada. • Que a acusação fiscal está integralmente calcada em afirmações contidas no documento denominado "Procedimentos para Importação Betra DF", apreendidos pela Fiscalização na filial da empresa importadora. O referido documento não se presta a provar a ocorrência de importação por conta e ordem de terceiros, uma vez que o mesmo foi produzido internamente, não era do conhecimento da ora Impugnante e se destinava a minorar "situações que tendem a atrasar ou provocar erros no faturamento das mercadorias importadas". Fl. 2693DF CARF MF Processo nº 10909.000435/200769 Acórdão n.º 3301004.747 S3C3T1 Fl. 2.694 4 • Que um documento de uso exclusivamente interno de outra pessoa jurídica não pode ser utilizado como prova contra terceiros, sem que a Fiscalização tivesse ao menos procurado demonstrar que as "orientações" ali constantes foram observadas pelos supostos envolvidos. • Que as orientações constantes do "Procedimento para Importação Betra DF" indicam, apenas, que a Impugnante poderia ser considerada encomendante das mercadorias importadas, o que, de acordo com a legislação vigente à época e conforme explicitado pela Lei n° 11.281/2006, não caracterizava importação por conta e ordem. • Que os documentos anexos comprovam que a Impugnante adquiria as mercadorias no mercado interno, vendidas pela empresa Betra Trading S/A, efetuando o pagamento das faturas/boletos bancários nas respectivas datas de vencimento. • Defende que o alcance do art. 32 do DecretoLei n° 37/66 se limita ao Imposto de Importação, assim, mesmo na condição de suposta adquirente de mercadorias importadas por conta e ordem, não procederia a pretensão de exigir dela o pagamento do integral crédito tributário reclamado nos autos de infração lavrados. • Que, caso se entenda pela manutenção da Impugnante no pólo passivo da ação fiscal, o auto de infração ora impugnado contém nulidades que podem e devem ser reconhecidas de plano, sem prejuízo do próprio mérito da autuação, que somente poderá ser discutido pela empresa 111, importadora. • Argumenta que não foram observados os procedimentos especiais de valoração aduaneira e verificação da origem, disponibilidade e transferência de recursos, uma vez que existe legislação específica prevendo requisitos de caráter procedimental para que se apure a ocorrência dessas situações, acarretando, portanto, a nulidade da autuação. • 'Discorre sobre a desproporcionalidade na aplicação das multas e a 'violação ao princípio da proporcionalidade. • Defende a impossibilidade de imposição de multa alternativa à pena de perdimento a mercadorias desembaraçadas no passado. Por fim conclui que: 1. A Impugnante é parte ilegítima para responder à autuação, uma vez que o alegado subfaturamento, se houve, importa responsabilidade pessoal de quem o praticou, inexistindo o alegado conluio, vez que há apenas um importador. 2. A importação não era realizada por conta e ordem da Impugnante, que era mera adquirente de produtos nacionalizados no mercado interno. 3. existência de encomendante prédeterminado não descaracteriza a importação por conta própria, sendo irrelevante a eventual comprovação de contato prévio do encomendante com o exportador estrangeiro. Fl. 2694DF CARF MF Processo nº 10909.000435/200769 Acórdão n.º 3301004.747 S3C3T1 Fl. 2.695 5 4. Os indícios alegados pela Fiscalização não são suficientes para caracterizar a importação por conta e ordem, sendo que a única presunção admitida pela lei diz respeito à utilização de recursos de terceiros. 5. Os indícios apontados pela Fiscalização não são dotados dos requisitos de gravidade, precisão e concordância, sendo baseados integralmente em documento interno da empresa importadora, do qual a Impugnante não tinha sequer conhecimento. Além disso, o Sr. Fiscal autuante, de forma arbitrária e por pura comodidade, nem sequer procurou averiguar o efetivo titular dos recursos utilizados em cada uma das importações realizadas. 6. A responsabilidade solidária restringese ao imposto de importação, não atingindo o IPI e as demais multas. 7. O auto de infração é nulo por falta de observância do procedimento especial de valoração aduaneira, não restando preenchidos os requisitos que permitem o arbitramento do valor aduaneiro (indícios de fraude envolvendo o valor aduaneiro declarado). 8. Há nulidade, ainda, pela falta de observância do procedimento de verificação da origem dos recursos utilizados na importação. 9. As multas aplicadas são desproporcionais. 10. Não é possível a imposição de multa alternativa à pena de perdimento a mercadorias desembaraçadas no passado. Nova Importação e Exportação Ltda (fls. 455 a 532). • Discorre sobre os procedimentos adotados pela Fiscalização na presente autuação. • Que o Fisco agiu incorretamente e sem a observância do permissivo legal para efetuar o arbitramento do preço das mercadorias, tal como feito no auto de infração. • Que o contexto lógico do auto de infração foi o de que, uma vez aplicada a "interposição fraudulenta" e a "ocultação do real comprador", há conseqüente e comprovada "fraude do preço". • Que a fraude, conluio e sonegação que envolve o preço declarado decorre de prática materialmente comprovada de subfaturamento, ou qualquer outro material de fato que importe em desmerecer fé aos documentos e declarações prestadas relativamente ao valor da operação na importação específica do contribuinte. • Que não basta a simples suposição de que há subfaturamento porque outra empresa (sob outras condições) pagou preço maior por produtos idênticos ou similares em outras operações. • Que a fraude quanto ao preço e a fraude quanto à interposição fraudulenta de terceiros com a ocultação de pessoa são tipos e hipóteses Fl. 2695DF CARF MF Processo nº 10909.000435/200769 Acórdão n.º 3301004.747 S3C3T1 Fl. 2.696 6 distintas uma da outra. E uma não significa, nem conduz lógica, necessária ou legalmente à outra. • Que é dito simplesmente pelo fisco que a existência de outras importações com preços diferenciados nas DI's paradigmas ratificava o "vil subfaturamento já constatado" nos dois autos de infração correspondentes aos anexos III e IV. Entretanto, quando se percorre aqueles dois autos de infração, não se vê nenhuma prova, nem constatação material, nem aplicação formal de subfaturamento. Que foi feita diligência fiscal na sede da empresa e que nenhuma prova material foi encontrada, ainda que indiciária, sobre a prática de subfaturamento. Nem ao menos uma insinuação sequer, em toda a documentação e comunicação apreendida. Que a grande diferença entre o preço pago na importação e aquele cobrado na venda final do produto não pode ser tomada, por si só, como indicio e ao mesmo tempo como prova inconteste de subfaturamento, nem causa de desconsideração do valor da transação, como fora feito ' pelo fisco no auto de infração. 4111 • Que não foi imputada a utilização de documentos falsos ou forjados, nem mesmo se cogitou desse fato. • Que a Impugnante não prestou declaração inexata ou incompleta em relação às mercadorias, muito menos ao valor aduaneiro, nem há prova ' em contrário. • Que a Impugnante não deu causa à prática de subfaturamento nem à classificação incorreta das mercadorias. • Que a Impugnante não deu causa à prática de simulação, conluio ou outra definição que se enquadre neste contexto. • Que, por outro lado, a amostra colhida e o paradigma utilizado pelos Agentes autuantes pertence a um universo diferente daquele em que atua a Impugnante, não servindo como parâmetro de comparação. • Que no auto de infração se omite a informação que diz respeito ao tipo de comércio exercido nas importações adotadas como paradigma, uma vez que essas importações foram promovidas por empresas de Duty Free e Free Shops, e de mercadorias destinadas, além disso, para Zona Franca. • Que o preço cobrado pelo fabricante, ou seu exportador credenciado, varia de acordo com o tipo da atividade exercida pelo comprador. Se o comprador assume todas as despesas, custos e encargos referentes à venda, o preço de exportação é reduzido a um nível que comporte a incorporação dessas despesas, custos e encargos, sem ultrapassar o valor mínimo de referência para a região. Como o valor agregado após o desembaraço aduaneiro é elevado, é natural que o preço pago ao vendedor seja bem inferior ao cobrado nas vendas ao público. No entanto, se o comprador é uma loja franca (Duty Free ou Free Shop), ou a loja localizada na Zona Franca de Manaus, o preço de exportação é outro, aproximandose bastante do patamar mínimo para a venda ao público, uma vez que essas lojas não Fl. 2696DF CARF MF Processo nº 10909.000435/200769 Acórdão n.º 3301004.747 S3C3T1 Fl. 2.697 7 pagam tributos, não possuem despesas de marketing, frete e outros custos que sobrecarregam as lojas que trabalham em regime diferente. • Que não é possível compararse preços de bens destinados à Zona Franca, livre de impostos, à venda de bens para o comércio onde a carga tributária é distinta. • Que, a título de exemplo, após verificados os dados (na data de 03.01.2005) para mercadoria com classificação 3303.00.20 junto aos Portos de Itajaí, Vitória e a média nacional, obtevese os valores médios (US$) para frascos de 50 ml os valores de 0,79; 0,56 e 1,25, respectivamente. • Que tais dados concretos demonstram que, ao contrário do que foi afirmado no auto de infração, os preços praticados na importação estão de acordo com os praticados, por regra, no mercado nacional por outras empresas que possuem idêntica condição da recorrente, inclusive tributária. • Que são improcedentes as exigências de diferenças de tributos. • Discorre sobre os processos de valoração aduaneira. • Protesta contra a aplicação da multa qualificada de 150%. Uma vez que não foi comprovada a existência de fraude, sonegação ou conluio quanto ao preço (e também quanto à acusação de interposição fraudulenta), portanto não há a ocorrência fática da hipótese de incidência descrita no antecedente da norma instituidora da multa, de modo que esta não possui respaldo legal para ser aplicada. • Que a multa administrativa, por ser acessório ao arbitramento e à acusação de subfaturamento, em face da insubsistência do arbitramento, a imposição de 100% sobre a diferença do preço declarado e do preço arbitrado não pode prosperar. • Discorre sobre a interposição fraudulenta e sua inteligência após a alteração legislativa das leis 11.281/06 e 11.452/07. • Que o caso em comento corresponde a operações de importação nas quais foi firmada uma parceria comercial que continha, como um de seus elementos, a prévia encomenda dos produtos tanto pela atacadista, quanto pela distribuidora dos produtos. • Que a existência de comunicação clara e explicita entre as empresas (Nova, Betra e PH) e o fato de PH Arcangeli ser a empresa que possuía o registro dos produtos na ANVISA e de ter contato com o exportador somaramse para que o Fisco visse, nessa parceria, uma interposição fraudulenta de pessoas. • Que não ocorreram as hipóteses de dano ao erário aventadas na autuação, porque: 1. A ausência de responsabilidade solidária do adquirente ou comprador dos bens por sua encomenda pelos tributos havidos na importação é irrelevante porque todos os tributos devidos no despacho aduaneiro já foram recolhidos integralmente e, segundo, porque o Fl. 2697DF CARF MF Processo nº 10909.000435/200769 Acórdão n.º 3301004.747 S3C3T1 Fl. 2.698 8 arbitramento do preço foi comprovadamente feito de forma incabida e impertinente, posto que somente com base na acusação de interposição fraudulenta. 2. Além disso, a responsabilidade solidária do encomendante nas importações próprias somente foi prevista com a publicação da lei 11.281/06. Logo, não seria possível a retroação de responsabilidade legal a fatos geradores anteriores à nova lei. 3. O mesmo se dá quanto à alegação de que pretendeu elidirse à elevação da PH Arcangeli à condição de contribuinte do IPI, por equiparação a empresa industrial. É que o compradorencomendante de mercadorias somente foi equiparado a industrial por força do artigo 13 da lei 11.281/06, não possuindo esta norma o condão retroativo. • Que inexistiu a interposição fraudulenta, tanto formal quanto material, discorrendo sobre a legislação de regência. • Que, a respeito da legislação de regência da matéria, somente é possível falarse em interposição fraudulenta caso haja prévia investigação sobre origem de recursos. • Que a Impugnante apenas compra no mercado interno produtos ; estrangeiros por ela encomendados, mas efetivamente importados por Nova Importação. • Que não existe o financiamento da importação pelo adquirente, como • seria numa importação por sua conta e ordem, mas uma efetiva e concreta venda dos produtos importados, inclusive com margem de lucro e prazo de pagamento. • Que, concretamente, não há nenhuma prova lançada nos autos de antecipação de pagamento feito à Impugnante para o desenvolvimento de s importações. • Que a Impugnante possuía em todas as suas importações prazo de pagamento de até 120 dias junto ao exportador, portanto nunca precisou operar com qualquer recurso financeiro de terceiro para promover tais importações. • Que todo o negócio internacional fechado é feito diretamente e exclusivamente por funcionário da Nova Importação e oficialmente. Não houve, dentro desse contexto, negociações paralelas. • Defende a nulidade das provas colhidas, uma vez obtidas como resultado do excesso de fiscalização. Argumenta que o MPF não autorizou a invasão de computadores, eis que não faz menção a documentos eletrônicos e correspondências, as quais, sob princípio constitucional, têm sigilo garantido a exemplo das comunicações telefônicas. Por fim, requer: 1 Que reconheça a ilícita prática de obtenção de provas utilizadas no auto de infração e na sua instrução, nos termos do art. 30 da Lei 9.784/99. Fl. 2698DF CARF MF Processo nº 10909.000435/200769 Acórdão n.º 3301004.747 S3C3T1 Fl. 2.699 9 2. Seja requisitado à Alfândega do Porto de Vitória para informar a comprovação ou se foi identificada qualquer irregularidade quanto à origem dos recursos utilizados pela Impugnante no comércio exterior no âmbito de sua habilitação para o SISCOMEX/RADAR no âmbito do procedimento especial por ela instaurado com fundamento na IN SRF 228/2002, processo esse iniciado com o objetivo de verificar a origem de recursos nas operações comerciais da Impugnante, sua capacidade econômica, financeira e • operacional 3. Seja requisitado aos auditores fiscais que lavraram o auto de infração a identificação pormenorizada de todos os importadores titulares dos registros das declarações de importação adotadas como paradigma. 4. Seja requisitado às respectivas Aduanas que jurisdicionam o estabelecimento exportador que forneçam, para fins de instrução deste processo, cópia dos comprovantes de exportação dos produtos feitos à Impugnante, para fins de comprovação do preço praticado na importação. 5. Seja requisitado ao Banco Central do Brasil que forneça um histórico ou demonstrativo de todos os contratos de câmbio fechados pela Impugnante, vinculados às declarações de importação autuadas, para o fim de comprovar o valor efetivamente pago pelas mercadorias. 6. Seja requisitado ao Ministério do Desenvolvimento que informe, nos autos, a média dos preços para a mercadoria com classificação 3303.00.20 com frascos de 50 ml, até a data de 03.01.2005, média essa praticada específica e individualmente no Porto de Itajaí/SC, no Porto de Vitória/ES e por último, a média nacional, de acordo com os dados constantes no sistema AliceWeb. 7. Requer, por derradeiro, seja julgado e decretada a improcedência e insubsistência in totum do auto de infração, em face de todos os fundamentos de fato e de direito, bem como das provas acostadas nesta defesa, com ordem de arquivamento definitivo do feito. O despacho de fls. 690 encaminha o processo a esta Unidade Julgadora para prosseguimento." A DRJ em Florianópolis (SC) considerou as impugnações improcedentes e manteve a totalidade dos lançamentos. reproduzo a ementa: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/04/2002 a 28/10/2003 IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor Fl. 2699DF CARF MF Processo nº 10909.000435/200769 Acórdão n.º 3301004.747 S3C3T1 Fl. 2.700 10 aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ALCANCE. A função das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, como órgãos de jurisdição administrativa, consiste em examinar a adequação dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, dão lhes sendo facultado pronunciarse a respeito da conformidade da lei, validamente editada, com os demais preceitos emanados pela Constituição Federal. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. A DRJ tem competência para afastar a aplicação de dispositivo legal apenas quando este tenha sido declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. A apreciação da constitucionalidade ou não e da legalidade das normas vigentes é da competência privativa do Poder Judiciário. Ao julgador administrativo cabe, em face do Poder Regrado, somente aplicar a legislação vigente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 08/04/2002 a 28/10/2003 MEIOS DE PROVA. PROVA INDICIARIA. A prova de infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, podendo ser direta ou indireta, conceituada aquela que se apóia em conjunto de indícios capazes de demonstrar a ocorrência da infração e de fundamentar o convencimento do julgador, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador. Lançamento Procedente" Irresignadas, as Recorrentes, Nova Importação e Exportação Ltda. e PH Arcangelli Cosméticos Ltda., a quem foi atribuída responsabilidade solidária, apresentaram Recursos Voluntários, nos quais, basicamente, repetem os argumentos utilizados nas impugnações, sendo que, no caso da PH Arcangelli, houve acréscimo do seguinte: "Cerceamento de defesa Processos em Anexo Incompletos": alega que estavam incompletas as cópias dos processos n° 10909.003521/200481 e 10909.001725/2005 68, dos quais não é parte, porém a Nova Importação, os quais foram também utilizados como Fl. 2700DF CARF MF Processo nº 10909.000435/200769 Acórdão n.º 3301004.747 S3C3T1 Fl. 2.701 11 fundamento para a autuação. Assim, protestam pela conversão em diligência, para que sejam incluídas as cópias faltantes, sob pena de cerceamento do direito de defesa. Por meio da Resolução n° 310200.052A (fl. 1.037), em sessão do dia 17/06/2009, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência. Com relação à Nova Importação, a intimação por via postal da decisão de primeira instância foi enviada para o endereço constante no auto de infração ((fl. 708). Esta, contudo, não se mostrou profícua. Foi, então, intimada por edital (fl. 744), datado de 29/08/2007. O Recurso Voluntário (fl. 934) foi apresentado, intempestivamente, em 26/11/2007. Este colegiado identificou, todavia, que a intimação postal fora enviada para endereço diferente daquele que constava na impugnação (fl. 463). Por este motivo, decidiu baixar o processo em diligência, para que o contribuinte fosse novamente intimado, desta vez no endereço correto, e reaberto o prazo para apresentação de recurso voluntário. A Nova Importação, todavia, não apresentou novo recurso. O recurso voluntário foi incluído em pauta e levado a julgamento na sessão do dia 20/07/16. Houve leitura do relatório e voto. Contudo, na sustenção oral das recorrentes, o patrono alegou que não se encontrava nos autos os seguintes documentos: a) Sentença proferida na Ação Penal de n° 2007.72.08.0004338/SC. b) Acórdão proferido no Julgamento do Recurso de Apelação da Ação Penal de n° 2007.72.08.0004338/SC; c) Extrato do andamento do processo no Tribunal Regional Federal da 4° Região, demonstrando o trânsito em julgado do julgamento do Julgamento do Recurso de Apelação da Ação Penal de n° 2007.72.08.0004338/SC. Diante disto, o então Presidente decidiu retirar o processo de pauta e encaminhar à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para conhecimento e manifestação. De acordo com a petição da recorrente (fls. 2.571 a 2.602), em face das sentenças proferidas em sede da citada Ação Penal, a presente contenda estaria adstrita à acusação de interposição fraudulente. Por outro lado, a PGFN manifestouse no sentido de que "(. . .) não reconheceram a inexistência de subfaturamento, mas apenas disseram que sua existência não foi suficientemente provada naquele processo para fins de uma condenação criminal (art. 386, VII, do Código de Processo Penal)." É o relatório. Voto Fl. 2701DF CARF MF Processo nº 10909.000435/200769 Acórdão n.º 3301004.747 S3C3T1 Fl. 2.702 12 Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira Foi lavrado auto de infração contra a Nova Importação e Exportação Ltda., com atribuição de responsabilidade solidária à PH Arcangelli Cosméticos Ltda.. Ambas compareceram aos autos. Originalmente, a Nova Importação e Exportação Ltda. foi intimada por meio de edital, publicado em 29/08/2003, pois a via postal havia se mostrado improfícua. Apresentou Recurso Voluntário, intempestivamente, em 26/11/2003. Em razão de erro no endereço da intimação postal, por meio da Resolução CARF n° 310200.052, o colegiado determinou que o contribuinte fosse novamente intimado da decisão de primeira instância e reaberto o prazo para apresentação de recurso. A Resolução foi cumprida, porém o contribuinte não apresentou novo recurso. Isto posto, reunidos os requisitos legais de admissibilidade, conheço dos Recursos Voluntários da Nova Importação e Exportação Ltda. e PH Arcangelli Cosméticos Ltda.. Fatos Tratase de Auto de Infração (AI), datado de 13/02/07, lavrado contra a Nova Importação e Exportação Ltda., com atribuição de responsabilidade solidária à PH Arcangelli Cosméticos Ltda., resultante da revisão aduaneira de trinta e duas DI (fls. 16 e 17) registradas no período de 8/4/2002 a 28/10/2003. Foram apontadas as seguintes infrações: "interposição fraudulenta" e "subfaturamento". A Fiscalização identificou que a PH Arcangelli Cosméticos Ltda. teria construído uma estratégia para reduzir os encargos com o Imposto de Importação (II) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), com o emprego de duas interpostas pessoas: a Nova Importação, que figurava como importadora de direito, e a Betra Trading S/A, que adquiria as mercadorias importadas e as revendia para a "real importadora", a PH Arcangelli Cosméticos Ltda.. A ação fiscal teve origem em outros dois autos de infração, em que foram constatadas as mesmas irregularidades. Cópias dos respectivos processos encontramse nos Anexos III (fl. 2.038) e IV (fl. 2.2235), nos quais há descrições detalhadas das operações praticadas. Foram lançados de ofício II e IPI, sobre as diferenças entre o preço declarado e o arbitrado, o qual foi calculado com base nos valores de produtos idênticos ou similares. Aos tributos foram adicionadas as seguintes penalidades: a) DI registradas até 30/08/2002: ao II, foram acrescidas a multa de ofício de 150% (inc. II do art. 44 da Lei nº 9.430/96) e administrativa de 100%, calculada sobre a diferença entre o preço declarado e o arbitrado (inc. II do art. 88 da MP n°. 2.15835/2001). Ao IPI, multa de ofício qualificada de 150% (in.II do art. 80 da Lei nº 4.502/64). b) DI registradas após 30/08/2002: punível com pena de perdimento e apreensão das mercadorias importadas. Como já haviam sido comercializadas, a pena que foi Fl. 2702DF CARF MF Processo nº 10909.000435/200769 Acórdão n.º 3301004.747 S3C3T1 Fl. 2.703 13 convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro dos bens (§ 3º do art. 23 do Decretolei nº 1.455/76). PRELIMINAR DE NULIDADE RECURSO VOLUNTÁRIO DA NOVA IMPORTAÇÃO Embora apresentada no fim da peça recursal, analiso, preliminarmente, as alegações contidas no item “Dos excessos na diligência na sede da Recorrente”, por disporem acerca de procedimentos supostamente adotados pela fiscalização que poderiam decretar a nulidade do auto de infração. Aduz a Recorrente que foram excedidos os limites constitucionais ao exercício da atividade administrativa. Havia um MPF, que autorizava fiscalização, porém não a retenção de documentos e a invasão de computadores, notadamente de correspondências, protegidas pelo sigilo. Deste modo, há que se desconsiderar as provas obtidas ilicitamente (documentos eletrônicos, cartas e correspondências) e considerar como nulo o auto de infração. No estudo do processo, não encontrei elementos que indicassem que o agente fiscal tenha cometido abusos ou ilicitudes para obtenção de provas. Com efeito, do auto de infração, vale transcrever o item 4, "diligência": “4 DILIGÊNCIA Contundentes provas que subsidiaram os procedimentos fiscais dos ANEXOS III e IV, dos quais também se lança mão no presente, foram obtidas em diligência empreendida à filial da NOVA IMPORTAÇÃO de Itajaí/SC, estabelecimento responsável pelo registro das Dls aqui revisadas. A diligência foi efetivada em 04/11/2004, dando cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal n°. 0920600 2004001317 (fl. 75 do ANEXO III e fl. 206 do ANEXO IV). Os documentos de interesse fiscal foram coletados mediante a lavratura de Termo de Retenção, tendo sido todas as folhas rubricadas pelos prepostos da empresa, em especial o gerente DAVI KHOURI AFONSO. Os originais, por constituírem, em tese, prova de ilícito penal, foram juntados às Representações Fiscais para Fins Penais nº 10909.003548/200473 e 10909.001857/200590, encaminhadas ao Ministério Público Federal em 14/04 e 06/12/2005, respectivamente. Iniciada a diligência, as dependências e computadores foram franqueados à fiscalização e, nos termos dos art. 34 e 35 da Lei n°. 9.430/1996, foram extraídos arquivos e retidos documentos. Acerca da legalidade do procedimento, até porque expressamente previsto em LEI, manifestouse recentemente o Tribunal Regional Federal da 43º Região: PENAL. PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. CRIMES DO ART. 299, C/C ARTS. 29 E 71, E DO ART. 288, TODOS DO CP. ALEGAÇÃO DE PROVA ILÍCITA. VIOLAÇÃO DE SIGILO FISCAL. INOCORRÊNCIA. LEI N° 9.430/96 (ARTS. 34 A 38) E PORTARIA SRF 6.087/2005. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. INADMISSIBILIDADE VIA WRIT. 1. Em sede de habeas corpus, somente se impõe o trancamento da ação penal em situações especiais, ou seja, quando a negativa de autoria é evidente ou quando o fato narrado não constituir Fl. 2703DF CARF MF Processo nº 10909.000435/200769 Acórdão n.º 3301004.747 S3C3T1 Fl. 2.704 14 crime, ao menos em tese, ou mesmo em situações que não é necessária a instrução criminal para que se perceba tais fatos ou já estiver extinta a punibilidade por qualquer causa; 2. Para o exame da justa causa deverá ser averiguado se a existência do crime e indícios da autoria estão escudados em um mínimo de provas (in dubio pro societate), como no caso dos autos. Não se exige, nesse momento, certeza da autoria, a qual é reservada apenas para eventual condenação; 3. As informações constantes no Procedimento Administrativo, que serviu de base para a denúncia oferecida, não caracteriza violação de sigilo, porquanto foram obtidos com base na Lei n° 9.430/96 (arts. 34 a 38) e da Portaria SRF 6.087/2005, que dispõe sobre os procedimentos fiscais instaurados mediante mandado de procedimento fiscal. Dessa forma, resta caracterizada a legalidade da apreensão da documentação feita nas de pendências das empresas investigadas. Ademais, não houve qualquer resistência ao fornecimento da documentação requerida pela Fazenda Nacional junto às empresas investigadas, o que poderia dar azo à alegação de contaminação da prova, nem sequer protesto imediato contra a diligência fiscal. Precedente do egrégio STF. (TRF 4° 7a Turma Habeas Corpus n°. 2006.04.00.0317769/SC, Relator Des. Federal Tadaaqui Hirose, unânime, DJU 10/11/2006).” Assim, não vejo razão para decretar a nulidade do auto de infração, em razão dos procedimentos adotados pela fiscalização. Portanto, nego provimento às alegações de nulidade do auto de infração. MÉRITO Foi lavrado auto de infração, contendo duas infrações: "interposição fraudulenta" e "subfaturamento. O agente fiscal constatou fraude, sonegação e conluio, cometidos pelas empresas Nova importação, Betra Trading e PH Arcangelli. Não obstante a apresentação de duas acusações fiscais, da leitura do auto de infração (fls. 1 a 163), verificase que o elemento que determinou a conclusão quanto à ocorrência de ambas foi o subfaturamento, que emergiu da comparação efetuada pela fiscalização entre os preços praticados pela Recorrente e os declarados em outras importações de produtos idênticos ou similares. E a base legal para o arbitramento foi o art. 88 da MP n° 2.15835/2001: 'Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: I preço de exportação para o Pais, de mercadoria idêntica ou similar; Fl. 2704DF CARF MF Processo nº 10909.000435/200769 Acórdão n.º 3301004.747 S3C3T1 Fl. 2.705 15 (. . .)' A autuante efetuou extensa pesquisa no banco de dados do SISCOMEX e apurou preços de produtos idênticos ou similares. Consta nos autos (fl. 36) que, para produtos IDÊNTICOS, o valor total das águas de colônia, em dólares, ficou aumentado em 364%, enquanto que, no caso dos produtos SIMILARES, 284%. As DI paradigmas encontramse no Anexo II (fls. 1.987 e seguintes). No Recurso Voluntário, a Recorrente Nova Importação alega que TODAS as DI paradigmas referemse a importações efetuadas por lojas "Duty Free", "Free Shop" ou localizadas em Zona Franca. Discorre, longamente, acerca da significativa diferença existente entre os preços de vendas para tais empresas e demais, destacando que compram por preços muito superiores, porque não têm gastos com frete nacional, propaganda e, principalmente, tributos aduaneiros. Tanto na impugnação, quanto na peça recursal, apresentou dados extraídos do sítio virtual do Ministério do Desenvolvimento (http://alliceweb.midic.gov.br) sobre mercadorias classificadas na posição 3303.00.20 (na fl. 32 do auto de infração, consta que as águas de colônia, classificadas nesta posição, representaram 67,53% do Valor das Mercadorias no Local de Embarque VLME em dólares), importadas pelos Portos de Itajaí e Vitória e a média nacional, em 3/1/2005, cujos valores eram menores do que os que praticou. Também destaca que o agente fiscal não fez constar no auto de infração que o exportador, em resposta a email enviado pelo próprio Fisco (fls. 591 e 592), afirmou que a Recorrente era a compradora das mercadorias e que o preço de venda encontravase perfeitamente declarado e expresso nas respectivas faturas comerciais. Adicionalmente, as recorrentes carrearam aos autos os seguintes documentos (fls. 2.576 a 2.606 e 2.611 a 2.650): a) Sentença proferida na Ação Penal de n° 2007.72.08.0004338/SC. b) Acórdão proferido no Julgamento do Recurso de Apelação da Ação Penal de n° 2007.72.08.0004338/SC; c) Extrato do andamento do processo no Tribunal Regional Federal da 4a Região demonstrando o trânsito em julgado do julgamento do Julgamento do Recurso de Apelação da Ação Penal de n° 2007.72.08.0004338/SC. Em sede do referido processo, restou decidido que não foram reunidas provas suficientes para comprovar o subfaturamento indicado em três autos de infração lavrados contra a Nova Importação, com responsabilidade solidária atribuída à PH Arcangeli, dentre os quais o objeto do presente feito. Em sua petição, a PH Arcangelli alega que, no que concerne à acusação de subfaturamento, o auto de infração deve ser cancelado, pois, com a citada decisão judicial, tornouse insubsistente. A PGFN, por sua vez, depreendeu que "(. . .) não teriam reconhecido a inexistência de subfaturamento, mas apenas disseram que sua existência não foi Fl. 2705DF CARF MF Processo nº 10909.000435/200769 Acórdão n.º 3301004.747 S3C3T1 Fl. 2.706 16 suficientemente provada naquele processo para fins de uma condenação criminal (art. 386, VII, do Código de Processo Penal)." Assiste razão às recorrentes. Da leitura das DI paradigmas utilizadas pela autuante para arbitramento dos preços, confirmase o aduzido pela Recorrente Nova Importação: TODAS referemse a importações efetuadas por lojas "Duty Free", "Free Shop" ou localizadas em Zona Franca. Da leitura de algumas DI constantes dos autos (Anexo I, fl. 1.062 e seguintes), verificase que os preços das importações de mercadorias classificadas na posição 3303.00.20, regra geral, eram realmente maiores do que as médias das efetuadas pelos Portos de Itajaí e Vitória e nacional, indicadas na impugnação e na peça recursal. E, por fim, nas fls. 591 e 592, também encontrase nos autos o email, contendo a resposta do exportador à pergunta endereçada pelo Fisco, no sentido de que a Nova Importação era a real compradora dos produtos e que os preços declarados e faturados estavam corretos. Assim sendo, a meu ver, a amostra de DI reunidas pela fiscalização não se mostrou suficiente para comprovar ter realmente ocorrido subfaturamento de importações. E a citada sentença absolutória, transitada em julgado, tão somente corrobora com este entendimento. Assim, entendo que o auto de infração não foi devidamente motivado, pelo que deve ser declarado como nulo, por vício material. Em razão da conclusão pela nulidade do lançamento de ofício, deixo de apreciar as demais alegações de defesa das recorrentes. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 2706DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.011923/2007-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2006
Ementa:
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Nos termos do art. 106 do CTN, tem aplicação retroativa a Lei que revoga ou altera penalidade para torná-la menos onerosa.
Numero da decisão: 2202-004.637
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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EM RECUPERACAO JUDICIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2006 Ementa: MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Nos termos do art. 106 do CTN, tem aplicação retroativa a Lei que revoga ou altera penalidade para tornála menos onerosa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 19 23 /2 00 7- 41 Fl. 1270DF CARF MF Processo nº 10580.011923/200741 Acórdão n.º 2202004.637 S2C2T2 Fl. 1.271 2 Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor da Contribuinte para constituir crédito de Contribuições Sociais Previdenciárias. Tendo sido protocolada impugnação, a DRJ deu provimento parcial à defesa. Ainda inconformada, a Contribuinte interpôs recurso voluntário ora levado a julgamento. Feito o resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 19/10/2007 foi formalizado do Auto de Infração DEBCAD nº 37.054.8361 para constituir crédito tributário referente à CFL 69, ou seja, apresentar GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas referente a dados não relacionados a fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias (fls. 2/17). Conforme o relatório fiscal (fls. 50/62 e docs. anexos fls. 63/1.161), "8. A empresa declara na GFIP os mergulhadores sem, contudo, declarar no campo ocorrência o código relacionado A aposentadoria especial de 25 anos de contribuição. Até o ano de 2005, nenhum mergulhador foi declarado como exposto aos agentes nocivos. Em 2006, todavia, apenas uma parte dos mergulhadores foi declarada em GFIP com a informação de exposição aos agentes nocivos ensejadores de aposentadoria especial. Encontramse como anexo (Anexo I) o relatório fiscal e os respectivos anexos do documento de débito lavrado com apuração desse fato. 9. Assim, o contribuinte, de maneira consuetudinária, apresenta a GFIP com informações Inexatas, incompletas ou omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Dessa forma, resta configurada a infração ao disposto no art. 32, inc. IV e § 60, da Lei 8.212/91, acrescido pela Lei n° 9.528, de 10.12.97" fl. 52; (...) "20. Outrossim, observando o disposto no art. 648 da Instrução Normativa SRP 03, de 14/06/2005, nas infrações relacionadas à GFIP entregues contendo informações inexatas ou incompletas ou com omissão de informações, em campos relativos aos dados não relacionados a fatos geradores de contribuições sociais, considerase cada competência em que tenha ocorrido o descumprimento da obrigação como uma ocorrência." fl. 58. Intimada em 23/10/2007 (fl. 2), a Contribuinte protocolou impugnação em 22/11/2007 (fls. 1.166/1.190 e docs. anexos fls. 1.191/1.215). A DRJ proferiu o acórdão nº 15 16.869, de 09/09/2008 (fls. 1.222/1.228), que deu provimento parcial à impugnação e restou assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/05/2003 Fl. 1271DF CARF MF Processo nº 10580.011923/200741 Acórdão n.º 2202004.637 S2C2T2 Fl. 1.272 3 GFIP. INFORMAÇÕES OMISSAS NOS DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS. Apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social GFIP com informações inexatas nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdencidrias constitui infração capitulada no artigo 32, inciso IV, § 6°, da Lei n° 8.212, de 1991, na redação dada pela Lei n.° 9.528, de 1997. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. 0 prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas As contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do Código Tributário Nacional (Nota PGFN/CAT NQ 856/ 2008). Lançamento Procedente em Parte Acordam os membros da 7a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar o lançamento consubstanciado no Auto de Infração n° 37.054.8361, lavrado em 23.10.2007, PROCEDENTE EM PARTE, em decorrência da exclusão da multa nas competências 01/2000 a 12/2001, abrangidas pela decadência, resultando no valor remanescente de R$1.015,92 (um mil e quinze reais e noventa e dois centavos), relativamente às competências 01/2002 a 05/2003. Deixase de remeter de oficio ao Conselho de Contribuintes, em razão do valor exonerado não ultrapassar o limite de alçada de R$1.000.000,00 (um milhão de reais) definido pela Portaria MF n.° 03, de 03 de janeiro de 2008 (DOU de 07.01.2008), bem como por se tratar de cancelamento de débito pela subtração da aplicação de legislação considerada inconstitucional. Intimada em 30/12/2008 (fl. 1.234), a Contribuinte protocolou recurso voluntário em 20/01/2009 (fls. 1.244/1.258), argumentando, em síntese, · Que deve ser aplicada a norma do art. 32A da Lei nº 8.212/1991 de maneira retroativa, nos termos do art. 106, II, 'c', do CTN, vez que beneficia a Contribuinte em relação à multa originalmente imposta; · Que a Lei utiliza como índice de apuração o valor de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas/omitidas. In casu, tendo sido apuradas 17 (dezessete) informações omitidas, então só se formou um grupo, não sendo possível considerar as 7 (sete) informações restantes como um novo grupo a ser considerado na apuração da multa; e · Que, entretanto, a Lei estabelece um valor mínimo de R$ 200,00 (duzentos) reais, valores esse que deve ser utilizado no presente caso. É o relatório. Fl. 1272DF CARF MF Processo nº 10580.011923/200741 Acórdão n.º 2202004.637 S2C2T2 Fl. 1.273 4 Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Da retroatividade do art. 32A da Lei nº 8.212/1991: O Recurso Voluntário tem por objeto requerer a aplicação retroativa do art. 32A da Lei nº 8.212/1991, incluído pela Lei nº 11.941/2009. Constatase que o lançamento foi formalizado em outubro de 2007, quando o art. 32 da Lei nº 8.212/1991 ainda vigia com a redação dada pela Lei nº 9.528/1997. Acontece que em maio de 2009 foi publicada a Lei nº 11.941, que revogou parcialmente o referido art. 32, em especial no tocante às penalidades, que passaram a ser tratadas no art. 32A. Outrossim, art. 106, II, 'c', do CTN, é claro em determinar a aplicação retroativa da Lei mais benéfica em relação às penalidades. De outro lado, com razão a Contribuinte registra que são 17 (dezessete) as informações omissas. Isso porque, em seu Relatório Fiscal (especificamente às fls. 58/62) a autoridade lançadora esclareceu que cada competência seria considerada como uma informação incorreta, identificando um total de 41 (quarenta e uma) ocorrências (competências 01/2000 a 05/2003). Entretanto, a DRJ deu provimento parcial à impugnação, reconhecendo a decadência parcial do lançamento, excluindo as competências anteriores a 12/2001, inclusive. Constatase, dessa forma, que as infrações identificadas não são capazes de formar o valor mínimo de R$ 200,00 (duzentos reais) estabelecido pela Lei, sendo irrelevante analisar se 17 informações configura um ou dois grupos, porquanto para alcançar o valor da multa mínima seriam necessários 10 (dez) grupos. Por esse motivo, tem razão a Contribuinte, sendo necessário reduzir a multa ao limite mínimo estabelecido pelo art. 32A, § 3º, I, da Lei nº 8.212/1991. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 1273DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.010118/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 08/09/2008
CONCOMITÂNCIA. IDENTIDADE DE OBJETO E PARTES. INOCORRÊNCIA
A recorrente impetrou mandado de segurança com o objetivo de obter a liberação da mercadoria, sem o pagamento da multa administrativa.
No presente processo, discute-se a legitimidade da multa administrativa.
Portanto, se não há identidade entre os objetos da ação judicial e do processo administrativo, não há concomitância.
Numero da decisão: 3301-004.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar a realização de julgamento pela DRJ.
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar a realização de julgamento pela DRJ. Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 08/09/2008 CONCOMITÂNCIA. IDENTIDADE DE OBJETO E PARTES. INOCORRÊNCIA A recorrente impetrou mandado de segurança com o objetivo de obter a liberação da mercadoria, sem o pagamento da multa administrativa. No presente processo, discutese a legitimidade da multa administrativa. Portanto, se não há identidade entre os objetos da ação judicial e do processo administrativo, não há concomitância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar a realização de julgamento pela DRJ. Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 01 01 18 /2 00 8- 91 Fl. 235DF CARF MF Processo nº 11128.010118/200891 Acórdão n.º 3301004.685 S3C3T1 Fl. 236 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Os presentes Autos de Infração, fls. 02/14, foram lavrados contra a contribuinte em epígrafe, formalizando o crédito tributário no valor de R$ 31.430,41 (trinta e hum mil, quatrocentos e trinta reais e quarenta e um centavos), com a exigência da multa prevista no artigo 84, da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001 e no artigo 69 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003 (por declaração inexata dos dados da importação). Seguese um breve relatório dos fatos, conforme documentos acostados aos autos. O importador efetuou em 08/09/2008, o registro das Declarações de Importação abaixo submetendo a despacho a mercadoria: “CLORETO DE POTÁSSIO GRANULADO COM TEOR SUPERIOR A 60% DE K20, EM PESO, A GRANEL, MATÉRIAPRIMA PARA FABRICAÇÃO DE FERTILIZANTES DESTINADOS A AGRICULTURA” Fl. 236DF CARF MF Processo nº 11128.010118/200891 Acórdão n.º 3301004.685 S3C3T1 Fl. 237 3 Quando da realização da conferência aduaneira, foi constatado que os dados informados no campo "Fabricante/Produtor", da Declaração de Importação, haviam sido declarados em desacordo com as informações contidas na Fatura Comercial. À vista de tal constatação, foi registrada no SISCOMEX, a seguinte exigência: "ALTERAR, CONFORME A FATURA COMERCIAL, 0 CAMPO FABRICANTE/PRODUTOR(/ENDEREÇO) PARA: POTASH CORPORATION OF SASKATCHEWAN INC., PCS TOWER, SUITE500, 1221ST AVENUE SOUTH _SASKAT0ON, SASKATCHEWAN S7K 7G3 CANADA. RECOLHER A MULTA COMINADA ART. 63 6, I DO REGULAMENTO ADUANEIRO (MP. 215835/01, ART. 84, I ART.69, 1o e 2°, I, DA LEI 10.833/03).” Como o importador não realizou o recolhimento da multa devida, a exigência foi mantida, conforme registros no SISCOMEX (fls. 38 a 44). Em 03/10/2008, o importador solicitou o encaminhamento das Declarações de Importação n" 08/13966102, 08/13966153, 08/13966170, 08/13966226 e 08/13966242, à DICAT/GJUD, para averbação de decisão prolatada nos autos do Mandado de Segurança, processo n° 2008.61.04.0096099 (fls. 45). Inconformado com a exigência de recolhimento da multa, registrada no SISCOMEX pela fiscalização da Equipe de Despacho de Importação de Granel EQGRAN, o importador impetrou Mandado de Segurança, protocolado sob o n° 2008.61.04.0096099. Em 01/10/2008, foi proferida decisão nos autos do Mandado de Segurança, (fls. 51 a 54), nos termos a seguir transcritos: “Por outro lado, levando em conta a característica peculiar do direito aduaneiro, que não se subsume exclusivamente aoBaldomir Sosa, in Comentários à Lei Aduaneira, editora Aduaneiras, 1995, pãg. 52), cabe exclusivamente à autoridade aduaneira verificar se, efetuado o depósito integral da exigência tributária, óbices de outra natureza existem ao prosseguimento do despacho aduaneiro e conseqüente liberação das mercadorias. Assim, a realização do depósito que pretende a impetrante por ser feito, independente de autorização judicial. Se efetivado e for integral e em dinheiro, e que não existam outros óbices, deverá a Impetrada, nos termos do artigo151, inciso II, do Código Tributário Nacional, independentemente de ordem judicial, liberar as mercadorias. " Amparado na decisão judicial, o importador efetuou o depósito de R$ 204.297,68, junto à Caixa Econômica Federal, pelo CNPJ n° 61.156.501/000156 (Matriz), referente ao valor da multa devida pelas Declarações de Importação n° 08/13966102, 08/13966153, 08/13966170, 08/13966226 e 08/13966242 (fls. 51). A Declaração de Importação foi então encaminhada, em 03/10/2008, à Fl. 237DF CARF MF Processo nº 11128.010118/200891 Acórdão n.º 3301004.685 S3C3T1 Fl. 238 4 DICAT/GJUD, onde foi efetuada a averbação de decisão proferida em ação judicial (fls. 46 e 47). Dessa forma, após a averbação e confirmação no Sistema SINAL da quantia recolhida, a Declarações de Importação foi desembaraçada em atendimento à determinação judicial e, em seguida, encaminhadas a esta Equipe de Lavratura de Autos de Infração, Análise de Processos e Vistoria EQLAP, para a formalização do crédito tributário suspenso. O crédito tributário lançado através do presente Auto de Infração está com a exigibilidade suspensa por força de decisão prolatada nos autos do Mandado de Segurança, processo n° 2008.61.04.0096099, da 2° Vara da Justiça Federal em Santos/SP (art. 151, incisos II e IV do CTN). Conforme tabela acima, as 05 (cinco) DI’s foram divididas em 03 (três) PAF’s, sendo que no presente PAF estão sendo discutidos eventos relativos à DI n. 08/13966170. Cientificada dos referidos autos, a contribuinte protocolizou Impugnação,fls. 66/76, em 25/02/09. É o Relatório." A DRJ em São Paulo (SP) não conheceu da impugnação e o Acórdão n° 16 62.682, datado de 30 de outubro de 2014, foi assim ementado: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 08/09/2008 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Liminar concedida em Mandado de Segurança, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula nº 1 Portaria CARF nº 52, de 2010). Não se toma conhecimento da impugnação no tocante à matéria objeto de ação judicial. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que contesta a decretação da concomitância, por entender que os objetos dos processos administrativo e judicial eram diferentes. Ademais, mais uma vez combateu a cobrança da multa, essencialmente, em razão de ter prontamente retificado os registros correspondentes e não ter sido identificado ato doloso fraudulento ou simulado e tampouco havido lesão aos cofres públicos. É o relatório. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 11128.010118/200891 Acórdão n.º 3301004.685 S3C3T1 Fl. 239 5 Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator O recurso voluntário reúne os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Em síntese, foi lavrado auto de infração para cobrança de multa administrativa, por erro no preenchimento do campo "Fabricante/Produtor" da Declaração de Importação", declarado em desacordo com as informações contidas na Fatura Comercial. A multa foi capitulada no art. 84, da Medida Provisória n° 2.15835/01 c/c os artigos. 69, §§ 1° e 2°, inciso I, e 81, inciso IV, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. O contribuinte impetrou o MS n° 2008.61.04.0096099/SP, com o objetivo de obter a liberação da mercadoria, sem o pagamento da multa. Posteriormente, efetuou depósito integral do valor. E impugnou o auto de infração, contestando a aplicação da multa, basicamente, em razão de os registros terem sido prontamente retificados e não identificados atos dolosos, fraudulentos ou simulados e tampouco lesão ao erário. Com efeito, em consulta ao sítio virtual do TRF da 3° Região, tal qual o informado na peça recursal, verificase que o processo já foi extinto, sem julgamento do mérito. A DRJ não conheceu da impugnação, por entender que há concomitância entre o presente processo e o proposto, na esfera judicial, pela recorrente. Com a devida vênia, discordo da conclusão da DRJ, pelos motivos a seguir apresentados. Inicio, reproduzindo a Súmula CARF n° 1: Súmula CARF n° 1 "Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Assim, uma vez identificada identidade entre os objetos dos processos administrativo e judicial, o julgador de esfera administrativa não deve conhecer do recurso. Cumprenos então consignar o que vem a ser "mesmo objeto", para então perscrutarmos as peças judiciais carreadas aos autos. E, para tanto, recorro ao Parecer Normativo COSIT n° 7/14, que, apesar de não vincular esta corte, traz valioso trabalho sobre a questão, com referências a importantes doutrinadores e decisões judiciais, além de fundamentarse em dispositivos legais: Fl. 239DF CARF MF Processo nº 11128.010118/200891 Acórdão n.º 3301004.685 S3C3T1 Fl. 240 6 "(. . .) Da identidade de objetos dos processos administrativo e judicial 9. Poderseia questionar quanto à definição da expressão “mesmo objeto” a que se reportam o ADN Cosit nº 3, de 1996, a Súmula nº 1 do CARF e a Portaria MF nº 341, de 2011. Aqui, fazse mister diferenciar o objeto da relação jurídica substancial ou primária do objeto da relação jurídica processual. Aquele consiste no bem da vida sobre o qual recaem os interesses em conflito, in casu, o patrimônio do contribuinte; este, por sua vez, diz respeito ao serviço que o Estado tem o dever de prestar, e nos procedimentos de que este se utiliza para tanto, resultando no proferimento de decisões administrativas ou judiciais em cada processo, guardando relação de instrumentalidade com a real demanda do autor (JUNIOR, Nelson Nery; NERY, Rosa Maria de Andrade. Constituição Federal Comentada. 2. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2009. p. 179). 9.1. Assim, só produz o efeito de impedir o curso normal do processo administrativo a existência de processo judicial para o julgamento de demanda idêntica, assim caracterizada aquela em que se verificam as mesmas partes, a mesma causa de pedir (fundamentos de fato – ou causa de pedir remota e de direito – ou causa de pedir próxima) e o mesmo pedido (postulação incidente sobre o bem da vida) a chamada teoria dos três eadem, conforme definida no art. 301, § 2º da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), o qual ora se aplica por analogia. 9.2. Levase em consideração o objeto da relação jurídica substancial; se a discussão judicial se refere a questões instrumentais do processo administrativo, contra as quais se insurge o sujeito passivo da obrigação tributária, não há que se falar em desistência da instância administrativa nem em definitividade da decisão recorrida, quando nesta se discute alguma questão de direito material. Se, no entanto, a discussão administrativa gira em torno de alguma questão processual, como a tempestividade da impugnação, por exemplo, questão esta também levada à apreciação judicial, configurase a renúncia à esfera administrativa quanto a este ponto específico. 9.3. Seguindo esse raciocínio, encontrase entendimento na doutrina e na jurisprudência de que só se caracteriza a identidade de ações quando se verificam as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir: 19. Identidade de ações: caracterização. As partes devem ser as mesmas, não importando a ordem delas nos pólos das ações em análise. A causa de pedir, próxima e remota [...], deve ser a mesma nas ações, para que se as tenha como idênticas. O pedido, imediato e mediato, deve ser o mesmo: bem da vida e tipo de sentença judicial. Somente quando os três elementos, com suas seis subdivisões, forem iguais é que as ações serão idênticas. (JUNIOR, Nelson Nery; NERY, Rosa Maria de Andrade. Código de Processo Civil Comentado. 11. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2010. p. 595) Litispendência. Identidade de pedidos. A identidade de pedidos não caracteriza a litispendência. Somente se verifica a litispendência com a identidade de ações: as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir. (TRF5ª, 1ª T., Ap 17299RN, rel. Juiz Ridalvo Costa, v.u., j. 10.12.1992, JSTJ 47/583) 9.4. Vale reproduzir o seguinte excerto do Parecer PGFN/Cocat nº 2/2013: Fl. 240DF CARF MF Processo nº 11128.010118/200891 Acórdão n.º 3301004.685 S3C3T1 Fl. 241 7 49. Dito disso, conferimos ao instituto da concomitância no PAF o mesmo tratamento da litispendência no processo civil, pois a verificação da ausência desses dois pressupostos negativos têm como finalidade precípua evitar o processamento de causas iguais quando houver: (i) identidade das partes, (ii) da causa de pedir e (iii) do pedido (art. 301, §§ 1º e 2º, do CPC; e Súmula nº 1/CARF). 50. Com efeito, na linha do que foi afirmado no item 26, tanto a concomitância quanto a litispendência constituem requisitos de validade objetivos extrínsecos da relação processual. São pressupostos negativos, ou seja, fatos que não podem ocorrer para que o procedimento se instaure validamente. Representam acontecimentos estranhos à relação jurídica processual (daí o adjetivo "extrínseco") que, uma vez existentes, impedem a formação válida do processo (procedimento). (. . .)"(g.n.) Isto posto, passemos ao caso em tela, iniciando pela reprodução do "Pedido" consignado no citado MS (Doc. 07 da impugnação, fls. 103 e 104) e a sentença de 2° instância (fls. 124 e 125): "Pedido" Sentença de 2° instância Fl. 241DF CARF MF Processo nº 11128.010118/200891 Acórdão n.º 3301004.685 S3C3T1 Fl. 242 8 Fl. 242DF CARF MF Processo nº 11128.010118/200891 Acórdão n.º 3301004.685 S3C3T1 Fl. 243 9 Resta claro que os processos administrativo e judicial não têm o mesmo objeto. Enquanto, no primeiro, discutese se a multa aplicada pela autoridade aduaneira é ou não devida, no segundo, foi pleiteada a liberação da mercadoria, sem o pagamento da multa, pois tal condicionamento violaria a orientação jurisprudencial consolidada pela Súmula 323 do STF. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 11128.010118/200891 Acórdão n.º 3301004.685 S3C3T1 Fl. 244 10 E a distinção entre os objetos dos processos fica evidente, quando do exame do seguinte trecho do "Pedido", já acima reproduzido: "(. . .) determine à autoridade coatora a imediata liberação das mercadorias retidas (. . .) sem prejuízo de seu direito de constituir e receber a multa que considerar devida, mediante o ato de lançamento fiscal (auto de infração), (. . .)". De todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para declarar a nulidade da decisão da DRJ e determinar o retorno do processo para aquela instância, para que sejam apreciadas as razões de mérito consignadas pelo contribuinte em sua impugnação. É como voto. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 244DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.916324/2009-70
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006
COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
A compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito, cujo ônus é do contribuinte.
Não será homologada a compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito, cujo ônus é do contribuinte. Não será homologada a compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 63 24 /2 00 9- 70 Fl. 342DF CARF MF Processo nº 11065.916324/200970 Acórdão n.º 3002000.224 S3C0T2 Fl. 343 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 168 dos autos: Tratase de processo de DCOMP Eletrônico por pagamento a maior ou indevido de COFINS, tendo o contribuinte, em 28/01/2008, enviado à Receita Federal a Declaração de Compensação de nº 10665.61415.280108.1.7.047896 (fls. 144 a 148). De acordo com o informado na declaração de compensação, a empresa teria um crédito inicial original de R$ 12.721,79, o qual corrigido chegaria a R$ 14.280,21, referente à COFINS de novembro de 2006. Nessa DCOMP o contribuinte estaria se compensando do valor de R$ 10.916,58 a título de COFINS relativa à competência de dezembro de 2007, como se observa à fl. 148, mas, no entanto, não fez o recolhimento dos juros de mora pelo pagamento em atraso. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório não homologando a DCOMP sob a alegação de que o valor já teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando saldo de crédito disponível. O valor recolhido no DARF seria de R$ 24.386,95 (incluindo a multa, mas não recolheu os juros de mora, tendo em vista que o pagamento foi feito fora do prazo). O valor foi completamente utilizado para quitar o débito de COFINS do período de apuração de novembro de 2006 (fl. 1). A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 20/10/2009 (fl. 151/153). O contribuinte apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade em 16/11/2009, às fls. 2 a 7. Em tal manifestação a empresa em síntese alega que declarou em DCTF um débito de COFINS para a competência de novembro de 2006 no valor de R$ 24.386,95, valor idêntico ao informado em DACON. Posteriormente teria verificado erro no seu cálculo, mas não alterou nem a DCTF, tampouco o DACON. Somente após o recebimento do Despacho Decisório foi que apresentou retificadoras de DCTF e de DACON. Entende que como o órgão administrativo deve buscar a verdade dos fatos, argumenta que deva ser considerado que apresentou informação ao fisco de forma incorreta, defendendo, inclusive, a retificação de ofício por ‘erro de fato”. Por fim, requer que seja recebida a sua manifestação, considerando o despacho decisório insubsistente, a partir dos fatos e fundamentos apresentados, bem como as declarações em anexo. Alternativamente que sejam retificadas de ofício as declarações entregues por ocasião do presente despacho, e ao final considerar os valores cobrados no despacho decisório totalmente indevidos. Ou seja, verificase que a insatisfação do contribuinte diz respeito à negativa de homologação da compensação que realizou através da DCOMP nº 10665.61415.280108.1.7.047896 (fls. 144/148). Fl. 343DF CARF MF Processo nº 11065.916324/200970 Acórdão n.º 3002000.224 S3C0T2 Fl. 344 3 Em sua manifestação de inconformidade (fls. 03/08), o contribuinte pediu o reconhecimento de seu crédito e homologação da compensação, esclarecendo e argumentando que: i) é tributada pelo lucro real e recolhe a COFINS de forma nãocumulativa; ii) apresentou inicialmente, erroneamente e a maior, DCTF e DACON informando a COFINS de novembro/2006 no valor de R$ 24.386,95, conforme informações acerca do DARF (fl. 156); iii) ao refazer os cálculos em sua planilha de controle, percebeu que havia informado de forma incorreta o valor devido de COFINS para o período, embora não tenha demonstrado isto através de DCTF nem de DACON; iv) percebendo o crédito em razão do pagamento a maior, utilizou a diferença para compensar outros tributos através da DCOMP em questão; v) o despacho decisório não deve prevalecer face ao princípio da verdade material, à demonstração de ocorrência de erro de fato pelo contribuinte, e à apresentação de declarações retificadoras; vi) o órgão fiscalizador deve rever de ofício declarações entregues incorretamente, conforme artigo 149 do CTN e precedentes do Conselho de Contribuintes, fazendo prevalecer a verdade material sobre a formal. Pediu, ao final, a consideração dos fundamentos e declarações apresentadas e, alternativamente, a retificação de ofício das declarações entregues, considerandose indevidos os valores cobrados no despacho decisório. Nesta oportunidade, anexou aos autos: (i) documentos de identificação (fls. 09); (ii) atos constitutivos (fls. 10/28); (iii) DCTF retificadora (fls. 29/58); (iv) DACON retificador (fls. 59/153); (v) PER/DCOMP (fls. 154/158); (vi) despacho decisório (fls. 02 e 159/162). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade e não reconhecer o direito creditório em litígio, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006 DCTF, DACON E DARF. CONCORDÂNCIA COM O DESPACHO DECISÓRIO. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova certeza e liquidez, não é suficiente para reformar a decisão de compensação. Ainda mais quando a declaração apresentada DCTF, o demonstrativo enviado DACON, e o recolhimento em DARF, espontâneos, estão de acordo com o valor considerado pela DRF de origem. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ou seja, o acórdão da primeira instância (fls. 167/171) entendeu correto o despacho decisório, em razão de a DCTF e o DACON apresentados, bem como o valor recolhido em DARF, estarem em pleno acordo com o despacho decisório emitido. Observou, ainda, que o pagamento feito com o DARF ocorreu sem o devido recolhimento de juros, já que realizado em atraso. Considerou, também, o fato de o contribuinte, com a manifestação de inconformidade, não ter apresentado documentação contábil hábil a demonstrar o erro cometido naqueles documentos. Salientou o dever de prova por parte de quem alega, e a correção do despacho que se baseou nas declarações do próprio contribuinte. Por fim, entendeu que o crédito pleiteado na DCOMP não possui os requisitos de certeza e liquidez, mantendo o despacho decisório. Fl. 344DF CARF MF Processo nº 11065.916324/200970 Acórdão n.º 3002000.224 S3C0T2 Fl. 345 4 O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 03/01/2013 (vide AR à fl. 174 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 04/02/2013, Recurso Voluntário (fls. 181/188). Em seu recurso (fls. 181/188), o contribuinte alegou que seria possível verificar das planilhas anexas ao recurso o verdadeiro valor devido de COFINS no período discutido, no montante de R$ 11.665,16. Afirmou que realizou o pagamento com o acréscimo de multa, mas sem o acréscimo de juros, que entende não ser devido, uma vez que o vencimento ocorreu em 15/12/06, e o pagamento em 27/12/06, ou seja, ainda no mês de vencimento. Argumentou, ainda, que deveria a DRJ ter diligenciado no sentido de verificar a verdade material, ao invés de optar por denegar o crédito a que tem direito. No intuito de comprovar o seu direito, anexou aos autos: (i) procuração; (ii) documento de identificação e atos constitutivos; (iii) comprovante de arrecadação no valor de R$ 24.386,95 (fl. 200); (iv) livro de registro de apuração do IPI (fl. 201/203); (v) planilhas com a indicação do valor contábil do período, do valor do IPI no período e do valor líquido (fls. 204/205); (v) DACON original (fl. 207/225); (vi) planilhas (fls. 226/227) (vii) livro razão analítico (fl. 228); (viii) DCTF original (fl. 229/233); (ix)planilha com levantamento de créditos extemporâneos de PIS e COFINS (fl. 234/235); (viii) DACON retificador (fl. 236/262); (ix) DCTF retificadora (fls. 263/291); (vii) balancete de verificação (fl. 292/303); (viii) PER/DCOMP (fls. 304/339). Ao final, pediu: i) a suspensão dos efeitos dos débitos discutidos até julgamento em última instância administrativa; ii) o reconhecimento do crédito e homologação da compensação; iii) no mínimo, diligência junto à empresa para verificação do valor devido. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: Considerando que o contribuinte foi intimado acerca da decisão da DRJ em 03/01/2013, uma quintafeira, (vide AR à fl. 174 dos autos), temse que o prazo para interposição do Recurso Voluntário teve início em 04/01/2003 (sextafeira), expirandose em 02/02/2013 (sábado), ficando prorrogado, portanto, para o primeiro dia útil subsequente, qual seja, 04/02/2013 (segundafeira). Assim, tendo em vista que o contribuinte interpôs o recurso ora analisado em 04/02/2013 (fl. 181), há de se reconhecer a sua tempestividade. Ademais, constatandose que o recurso interposto reúne os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Passase, então, à análise dos fundamentos ali apresentados. Consoante acima relatado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 181/188), por meio do qual repisou o fundamento constante da sua manifestação de inconformidade no sentido de que havia apurado e recolhido COFINS a maior quanto ao Fl. 345DF CARF MF Processo nº 11065.916324/200970 Acórdão n.º 3002000.224 S3C0T2 Fl. 346 5 período de novembro de 2006 (vide DARF anexado, no valor de R$ 23.607,89 de principal e R$ 779,06 de multa, totalizando R$ 24.386,95). Defende que o valor devido de COFINS neste período seria de R$ 11.665,16, valor este que, segundo afirma, estaria demonstrado em planilhas anexadas ao seu recurso. Aponta, então, a existência de crédito no importe de R$ 12.721,79, correspondendo à diferença entre o valor da COFINS recolhido (R$ 23.607,89) e o valor devido (R$ 11.665,16). Segue dispondo sobre o princípio da verdade material, para fins de contestar a postura da DRJ, que entendeu por denegar o direito creditório, embora possível a diligência. Defende, então, que teria incorrido em erro de fato, cuja correção deveria ser admitida pela fiscalização. E, no intuito de comprovar o seu direito, anexou aos autos uma série de planilhas e documentos contábeis (fls. 200/339). Ao analisar o caso concreto em testilha, entendo que não assiste razão ao contribuinte em seu pleito. Isso porque, verificase que o contribuinte limitouse a alegar em seu Recurso Voluntário a existência de suposto equívoco na apuração da COFINS originalmente realizada, alegando que o valor correto seria, na verdade, de R$ 11.665,16, e não de R$ 23.607,89. Acontece que não indicou, em nenhum momento, qual a origem deste equívoco, para que se pudesse verificar a consistência das suas alegações. Além disso, apesar de ter afirmado que o valor correto estaria demonstrado através dos documentos anexados ao seu recurso, por meio da leitura do recurso voluntário interposto, constatase que o contribuinte não fez qualquer conciliação entre os documentos anexados aos autos com o valor que entende devido. Ou seja, embora tenha o contribuinte anexado ao seu recurso voluntário uma série de planilhas e documentos contábeis, não trouxe em sua petição qualquer esclarecimento acerca dos valores ali apresentados. Como se não bastasse, observase que o contribuinte, embora tenha anexado ao seu recurso planilhas e registros contábeis, não apresentou os documentos fiscais que consubstanciariam as operações ali registradas. O que se denota, portanto, é que pretendia o contribuinte, com a juntada de tais documentos, que fosse realizada diligência para fins de se confirmar a correção da nova apuração do imposto realizada. Acontece que a providência de comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário é do contribuinte, e não da fiscalização. Sendo assim, entendo que faltou ao contribuinte diligência na demonstração do seu direito creditório, inclusive através da conciliação da documentação anexada aos autos com os valores que pretende ver retificados. Como é cediço, o ônus da prova quanto à existência do crédito no caso de pedido de compensação é do contribuinte. Nos termos do que dispõe o art. 373 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, o ônus da prova incumbe ao autor (no caso ora analisado ao contribuinte que iniciou o processo de compensação), quanto ao fato constitutivo do seu direito (correspondente à comprovação do direito ao crédito tributário que pretende ter reconhecido para fins de homologação da compensação). Sobre o assunto, inclusive, verificase que a DRJ foi categórica em afirmar que os erros apontados deveriam ter sido comprovados por meio de documentação contábil/fiscal hábil, o que não ocorrera neste caso concreto, em que havia sido juntada aos autos na manifestação de inconformidade apenas DACON e DCTF retificadora. É o que se infere da transcrição a seguir: Fl. 346DF CARF MF Processo nº 11065.916324/200970 Acórdão n.º 3002000.224 S3C0T2 Fl. 347 6 Por outro lado, a empresa ao interpor essa manifestação de inconformidade, não apresentou nenhum documento contábil que pudesse comprovar o suposto erro de fato que teria cometido quando do preenchimento da DCTF, do DACON e do recolhimento do DARF. Ora, é da essência da relação processual que as alegações sejam devidamente instruídas com as respectivas provas. Tal princípio encontrase inscrito no art. 36 da Lei n° 9.784/99, que disciplina o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, assim como no art. 16, III, do Decreto n° 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal: Lei n° 9.784/99 “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei.” — O destaque é meu. Decreto n° 70.235/72 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. (gn) De mais a mais, o próprio Código de Processo Civil (Lei n° 5.869/73), que se aplica em caráter subsidiário aos processos administrativos — inclusive aos tributários — não é menos incisivo ao atribuir a quem alega um direito a prova de seu fato constitutivo: Lei n° 5.869/73 “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” — (gn). Portanto, somase ao fato de o despacho decisório estar de acordo com o valor apresentado pelo próprio contribuinte em DCTF, corroborado pelo informado em DACON e recolhido via DARF, a verificação de que o contribuinte não juntou aos autos nenhum documento comprobatório que indicasse o erro de pagamento alegado. Os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca da base de cálculo da COFINS são elementos indispensáveis para a comprovação da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado, ou seja, o crédito informado na declaração de compensação apresentada não contém os atributos necessários de certeza e de liquidez, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de direito creditório junto à Fazenda Pública. E, conforme acima mencionado, entendo que os novos documentos anexados ao Recurso Voluntário, sem que fosse realizada a conciliação dos valores indicados com os correspondentes livros contábeis e documentos fiscais que lhe dariam suporte, não são suficientes à comprovação da certeza e liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Fl. 347DF CARF MF Processo nº 11065.916324/200970 Acórdão n.º 3002000.224 S3C0T2 Fl. 348 7 Nesse contexto, entendo que a decisão recorrida há de ser mantida, visto que o Recorrente, in casu, não se desincumbiu do seu ônus probatório quanto à matéria fática (direito ao crédito). Sobre o argumento apresentado pelo contribuinte de que a DCTF fora retificada tão somente para fins de corrigir erro outrora incorrido, há de se destacar que não há qualquer impedimento na apresentação de DCTF retificadora. Conforme esclarece o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, esta poderá ser apresentada inclusive após o despacho decisório. Contudo, em tais casos, é cediço que a DCTF retificadora, por si só, não possui o condão de comprovar as informações ali inseridas, incumbindo ao contribuinte o ônus de trazer aos autos, através da correspondente documentação contábil e fiscal, a correspondente conciliação que demonstre o seu direito creditório. Por oportuno, transcrevo o conteúdo do Parecer Normativo COSIT nº 02/2015: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. (grifos apostos).(...). 1 Após a transmissão do PER/DCOMP, pode a DCTF ser retificada com o intuito de formalizar o indébito objeto de compensação? Sim. Essa é a diretriz adotada pela RFB na análise eletrônica dos PER/DCOMP. Tal diretriz está ainda mais evidente com a implantação da autorregularização. 2 Em caso positivo, a retificação da DCTF, sozinha, é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior? Se a retificação da DCTF for suficiente, há um limite temporal para que ela produza os efeitos de uma declaração original (antes da ciência do despacho decisório, a qualquer tempo ou antes de 5 anos do fato gerador)? a. Não, a DCTF por si só não é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior. É necessário que os valores informados na DCTF estejam coerentes com outras declarações enviadas à RFB, a exemplo da DIPJ, Dacon, DIRF, em cada caso, ou confirmados por documentos fiscais ou contábeis acostados aos autos. Isso porque a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF em relação a outras declarações não elidida por provas, afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento da compensação. (Grifos apostos). (...). Fl. 348DF CARF MF Processo nº 11065.916324/200970 Acórdão n.º 3002000.224 S3C0T2 Fl. 349 8 13. Ressaltese, por oportuno, que a despeito de a DCTF retificadora, em regra, produzir o mesmo efeito da original, e a DCOMP extinguir o débito desde seu processamento, ambas declarações estão sujeitas à verificação e à homologação da autoridade administrativa, que pode exigir confirmação e comprovação das informações declaradas, seja em auditoria interna da DCTF, seja em procedimento de fiscalização, seja na análise da DCOMP ou da manifestação de inconformidade. Afinal, a apresentação do PER/Dcomp sem a retificação prévia da DCTF gera o ônus ao sujeito passivo de ter de comprovar o crédito pleiteado, conforme julgados do CARF: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3201001.713, Rel. Cons. Daniel Mariz Gudiño, 3/1/2015) PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. (Acórdão nº 3802¬002.345, Rel. Cons. Solon Sehn, Sessão de 29/01/2014) DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3302¬002.124, Rel. Cons. Alexandre Gomes, Sessão de 22/05/2013) 13.1. O sujeito passivo é obrigado a comprovar a veracidade das informações declaradas na DCTF e no PER/DCOMP e a autoridade administrativa tem o poder dever de confirmálas. A autoridade administrativa poderá solicitar a comprovação do alegado crédito informado no PER/DCOMP, e se ele, por exemplo, for um pagamento e estiver perfeitamente disponível nos sistemas da RFB, pode ser considerado apto a ser objeto de restituição ou de compensação, sem prejuízo de ser Fl. 349DF CARF MF Processo nº 11065.916324/200970 Acórdão n.º 3002000.224 S3C0T2 Fl. 350 9 solicitado do declarante comprovação de que se trata de fato de indébito. Vale dizer, a retificação da DCTF é necessária, mas não necessariamente suficiente para deferir o crédito pleiteado, que depende da análise da autoridade fiscal/julgadora do caso concreto. Tanto que tal autoridade poderá discordar das razões apresentadas (a despeito da retificação da DCTF) e, consequentemente, indeferir/não homologar o PER/DCOMP com base em outros elementos de prova de que tal pagamento, ainda que disponível nos sistemas da RFB. Este tema, inclusive, encontrase pacificado neste Conselho Administrativo Fiscal, consoante demonstra a decisão a seguir colacionada: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. (Acórdão nº 3803006.915, de 18/03/2015). (grifos apostos). No caso dos presentes autos, portanto, constatase que o contribuinte não se desincumbiu do seu ônus probatório, pelo que deverá ser mantida a negativa de homologação da compensação ora analisada. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 350DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.722396/2012-80
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS.
Quanto a Omissão de Rendimentos de Alugueis, a recorrente trouxe aos autos Declaração a título de serviços prestados na administração de recebimentos de alugueis. Correta a DAA.
Quanto as Despesas Médicas, a recorrente junta aos autos (fl.82), Declaração e recibo referentes a serviços odontológicos. Face a documentação apresentada a recorrente, faz prova do seu direito.
Numero da decisão: 2002-000.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao recurso, vencida a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. Quanto a Omissão de Rendimentos de Alugueis, a recorrente trouxe aos autos Declaração a título de serviços prestados na administração de recebimentos de alugueis. Correta a DAA. Quanto as Despesas Médicas, a recorrente junta aos autos (fl.82), Declaração e recibo referentes a serviços odontológicos. Face a documentação apresentada a recorrente, faz prova do seu direito.
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DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. Quanto a Omissão de Rendimentos de Alugueis, a recorrente trouxe aos autos Declaração a título de serviços prestados na administração de recebimentos de alugueis. Correta a DAA. Quanto as Despesas Médicas, a recorrente junta aos autos (fl.82), Declaração e recibo referentes a serviços odontológicos. Face a documentação apresentada a recorrente, faz prova do seu direito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao recurso, vencida a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 23 96 /2 01 2- 80 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10805.722396/201280 Acórdão n.º 2002000.242 S2C0T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls.71/77) contra decisão de primeira instância (fls.59/63), que julgou pela improcedência da impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Contra a contribuinte em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 43 a 50), referente ao exercício 2008, ano calendário 2007. Após a revisão da Declaração foram apurados os seguintes valores: Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar 4.034,25 (Sujeito à Multa de Ofício) Multa de Ofício (passível de redução) 3.025,68 Juros de Mora (calculado até 29/06/2012) 1.741,58 Imposto de Renda Pessoa Física (Sujeito à Multa de 0,00 Mora) Multa de Mora (não passível de redução) 0,00 Juros e Mora (calculado até 29/06/2012) 0,00 Total do Crédito Tributário 8.801,51 O lançamento acima foi decorrente da seguinte infração: Omissão de Rendimentos de Aluguéis ou Royalties Recebidos de Pessoas Jurídicas– omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa jurídica, relativos ao exercício 2008, ano calendário 2007. Fonte Pagadora: Missão Evangélica do Brasil (CNPJ: 42.557.454/0001 08).Valor: R$ 5.670,00. Dedução Indevida a Título de Despesas Médicas – glosa de dedução de despesas médicas, pleiteadas indevidamente pela contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2008, anocalendário 2007. Valor: R$ 9.000,00. Motivo da glosa: Recibos apresentados sem atender as formalidades legais exigidas (sem endereço do profissional e sem identificação do paciente). A ciência do lançamento ocorreu em 28/06/2012 (fls. 58) e, em 23/07/2012, a contribuinte apresentou impugnação de fls. 02/09, acompanhada de documentos, descrevendo, inicialmente, os termos da notificação. Afirma que, nos recibos, ao contrário do que consta na notificação, está identificado terem sido os valores recebidos de “Maria Helena da Silva Henriques, constando, ainda o CPF do médico, bem como carimbos, assinatura e numero de inscrição no conselho”. Reconhece que faltou no recibo a identificação do endereço do profissional e que apresenta declaração de próprio punho do profissional comprovando seu endereço Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10805.722396/201280 Acórdão n.º 2002000.242 S2C0T2 Fl. 4 3 comercial, bem como reiterando a prestação dos serviços prestados e os respectivos pagamentos. Entende que os documentos apresentados atendem a todos os requisitos previstos no art. 8º inciso II, aliena “a” e § 2º da Lei 9.250/95. Transcreve artigo. Discorda da omissão lançada, pois afirma que informou em sua declaração o valor do aluguel recebido deduzido do pagamento, no valor de R$ 8.142,43, ao Sr. Saul Coutinho Carvalho, pelos serviços prestados na administração dos imóveis e recebimento dos aluguéis, durante o exercício de 2007, conforme contrato de administração de imóveis e recibo. Transcreve o pergunta e respostas do IRPF 2012 na parte que trata da dedução de despesas pagas para cobrança ou recebimento do rendimento de aluguel. Ressalta que o Sr. Saul Coutinho Carvalho é responsável pela administração de três imóveis de sua propriedade, dentre os quais o que esta localizado a Missão Evangélica do Brasil e que recebeu, no ano calendário de 2007, pela administração dos três contratos, o valor total de R$ 8.142,32, sendo R$ 5.670,00 a despesa referente a cobrança do aluguel da Missão Evangélica do Brasil. Requer o cancelamento da notificação. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Verificado que os rendimentos tributáveis auferidos pelo contribuinte não foram integralmente oferecidos à tributação na Declaração de Imposto de Renda, mantémse o lançamento. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação por documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração do Imposto de Renda importa na manutenção da glosa. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, requerendo o cancelamento do débito fiscal e apresentando novos documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. A contribuinte foi notificada em 21/11/2013 (fl.69); Recurso Voluntário protocolado em 20/12/2013 (fl.71), assinado pela própria contribuinte. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10805.722396/201280 Acórdão n.º 2002000.242 S2C0T2 Fl. 5 4 Em sua peça de resistência a contribuinte faz um breve relato dos fatos, a respeito do ocorrido nestes autos, e entabula sua defesa nos seguintes termos: Quanto a Omissão de Rendimentos de Alugueis ou Royalties, a recorrente trouxe aos autos, Declaração prestada pelo Sr. Saul Coutinho Carvalho, que recebeu a título de serviços prestados, na administração de recebimentos de alugueis, no exato valor em que está sendo cobrado nos autos, ou seja, R$ 5.670,00, que representa 10% do valor recebido no ano (fl.81). Já em relação a Dedução Indevida a Título de Despesas Médicas, a recorrente junta aos autos (fl.82), Declaração da Clínica Trivoli, onde diz ter recebido da paciente a quantia de R$ 9.000,00, no ano de 2007, referentes a serviços odontológicos (implantes) prestados para a própria. Face a documentação apresentada a recorrente, faz prova do seu direito. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento, cancelandose a ação fiscal. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.903181/2011-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI No 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI No 10.276/2001. CABIMENTO. ENTENDIMENTO STJ. VINCULANTE.
Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo (REsp no 993.164/MG), a ser reproduzida no CARF, conforme Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei no 9.363/1996, o mesmo ocorrendo, logicamente, em relação ao regime alternativo instituído pela Lei no 10.276/2001.
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI No 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI No 10.276/2001. NOTAS FISCAIS DE VENDA DO FORNECEDOR. COMANDO LEGAL EXPRESSO.
Conforme art. 3o da Lei no 9.363/1996 (aplicável à Lei no 10.276/2001 por força de seu art. 1o, § 5o), a apuração do crédito tomará em conta o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor.
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL ILEGÍTIMA. OMISSÃO. TERMO INICIAL.
É devida a aplicação de juros de mora à Taxa SELIC no ressarcimento de créditos de IPI quando há oposição estatal ilegítima ao seu aproveitamento, conforme REsp no 1.035.847/RS, de observância obrigatória pelo CARF. A oposição estatal ilegítima, no entanto, pode ser manifestada de duas formas: por omissão (ou mora, ao não apreciar o fisco o pedido em prazo razoável, prazo esse que hoje também está delimitado pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos: 360 dias), ou por ação (apreciando-se e negando-se o crédito dentro do prazo de 360 dias, em despacho da autoridade fazendária competente). No caso de oposição estatal ilegítima por omissão (mora), a aplicação da Taxa SELIC é cabível somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido (REsp no 1.138.206/RS) até a efetiva utilização do crédito.
Numero da decisão: 3401-005.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o crédito em relação a aquisições de carvão vegetal de pessoas físicas, tomando por base o valor da nota fiscal de venda do fornecedor (e de seus eventuais complementos, conforme a legislação de regência), crédito esse a ser atualizado pela Taxa SELIC a partir de 360 dias, a contar de 30/10/2007 (data de transmissão do pedido de ressarcimento) até a data de sua efetiva utilização, se posterior.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI No 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI No 10.276/2001. CABIMENTO. ENTENDIMENTO STJ. VINCULANTE. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo (REsp no 993.164/MG), a ser reproduzida no CARF, conforme Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei no 9.363/1996, o mesmo ocorrendo, logicamente, em relação ao regime alternativo instituído pela Lei no 10.276/2001. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI No 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI No 10.276/2001. NOTAS FISCAIS DE VENDA DO FORNECEDOR. COMANDO LEGAL EXPRESSO. Conforme art. 3o da Lei no 9.363/1996 (aplicável à Lei no 10.276/2001 por força de seu art. 1o, § 5o), a apuração do crédito tomará em conta o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL ILEGÍTIMA. OMISSÃO. TERMO INICIAL. É devida a aplicação de juros de mora à Taxa SELIC no ressarcimento de créditos de IPI quando há oposição estatal ilegítima ao seu aproveitamento, conforme REsp no 1.035.847/RS, de observância obrigatória pelo CARF. A oposição estatal ilegítima, no entanto, pode ser manifestada de duas formas: por omissão (ou mora, ao não apreciar o fisco o pedido em prazo razoável, prazo esse que hoje também está delimitado pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos: 360 dias), ou por ação (apreciando-se e negando-se o crédito dentro do prazo de 360 dias, em despacho da autoridade fazendária competente). No caso de oposição estatal ilegítima por omissão (mora), a aplicação da Taxa SELIC é cabível somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido (REsp no 1.138.206/RS) até a efetiva utilização do crédito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o crédito em relação a aquisições de carvão vegetal de pessoas físicas, tomando por base o valor da nota fiscal de venda do fornecedor (e de seus eventuais complementos, conforme a legislação de regência), crédito esse a ser atualizado pela Taxa SELIC a partir de 360 dias, a contar de 30/10/2007 (data de transmissão do pedido de ressarcimento) até a data de sua efetiva utilização, se posterior. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI No 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI No 10.276/2001. CABIMENTO. ENTENDIMENTO STJ. VINCULANTE. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo (REsp no 993.164/MG), a ser reproduzida no CARF, conforme Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei no 9.363/1996, o mesmo ocorrendo, logicamente, em relação ao regime alternativo instituído pela Lei no 10.276/2001. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI No 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI No 10.276/2001. NOTAS FISCAIS DE VENDA DO FORNECEDOR. COMANDO LEGAL EXPRESSO. Conforme art. 3o da Lei no 9.363/1996 (aplicável à Lei no 10.276/2001 por força de seu art. 1o, § 5o), a apuração do crédito tomará em conta o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL ILEGÍTIMA. OMISSÃO. TERMO INICIAL. É devida a aplicação de juros de mora à Taxa SELIC no ressarcimento de créditos de IPI quando há oposição estatal ilegítima ao seu aproveitamento, conforme REsp no 1.035.847/RS, de observância obrigatória pelo CARF. A oposição estatal ilegítima, no entanto, pode ser manifestada de duas formas: por omissão (ou mora, ao não apreciar o fisco o pedido em prazo razoável, prazo esse que hoje também está delimitado pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos: 360 dias), ou por ação (apreciandose e negandose o crédito dentro do prazo de 360 dias, em despacho da autoridade fazendária AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 31 81 /2 01 1- 29 Fl. 376DF CARF MF 2 competente). No caso de oposição estatal ilegítima por omissão (mora), a aplicação da Taxa SELIC é cabível somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido (REsp no 1.138.206/RS) até a efetiva utilização do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o crédito em relação a aquisições de carvão vegetal de pessoas físicas, tomando por base o valor da nota fiscal de venda do fornecedor (e de seus eventuais complementos, conforme a legislação de regência), crédito esse a ser atualizado pela Taxa SELIC a partir de 360 dias, a contar de 30/10/2007 (data de transmissão do pedido de ressarcimento) até a data de sua efetiva utilização, se posterior. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Despacho Decisório Eletrônico de fl. 21, datado de 03/04/2012, que indefere pedido de restituição/ressarcimento de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) relativo ao terceiro trimestre de 2007 (fls. 104 a 327 – transmissão em 30/10/2007), e não homologa compensação a ele vinculada, gerando a exigência dos débitos indevidamente compensados, em valor original de R$ 794.358,49, a sofrer ainda acréscimos de juros de mora e multa de ofício (75%). Às fls. 3 a 25 consta Manifestação de Inconformidade datada de 15/05/2002, na qual se argumenta, em síntese, que: (a) houve decadência do direito de glosar os créditos lançados em DCP até 17/04/2007; e (b) houve diversos erros cometidos pela fiscalização na apuração do IPI, como (b1) exclusão dos valores relativos a insumos adquiridos de pessoas físicas, matéria já reconhecida pelo STJ (na sistemática dos recursos repetitivos, no bojo do REsp no 993.164/MG), pelo CARF e pela própria Fazenda Nacional (Ato Declaratório no 14/2011); (b2) desconsideração das notas fiscais de entrada de carvão vegetal, considerando apenas as notas de saída dos fornecedores (exemplificando com algumas notas que efetua os pagamentos com base nas notas de entrada, exatamente da forma que escritura); (b3) a base de cálculo eleita pela lei é o valor das aquisições de insumos (e não das vendas, como adotado pelo fisco), e não exclui o IPI; e (b4) deve haver atualização monetária, com fundamento na Lei no 9.250/1996, art. 39, § 4o, e em decisões do STJ e do CARF. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10665.903181/201129 Acórdão n.º 3401005.214 S3C4T1 Fl. 377 3 Enviado o processo à DRJ, a decisão de primeira instância foi proferida em 18/03/2014 (fls. 348 a 352), acordandose unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que tendo as glosas de crédito sido efetivadas em procedimento fiscal e formalizadas em processo administrativo de auto de infração específico, que foi regularmente impugnado, a análise da manifestação de inconformidade acerca do não reconhecimento do direito creditório deve levar em conta o resultado do julgamento da impugnação ao auto de infração, nos aspectos que concernem à apuração do saldo credor passível de ressarcimento, e, concluído que as glosas devem ser mantidas, os cálculos de apuração do direito creditório devem contemplar essas glosas. Ciente da decisão de piso em 15/04/2014 (cf. AR de fl. 354), a empresa apresentou recurso voluntário em 07/05/2014 (fls. 355 a 370, e 373/374), agregando que: (a) em relação à decadência, há precedente do CARF que endossa as razões de defesa (no processo no 10840.003399/200301); (b) o acórdão da DRJ desrespeita o decidido pelo STF na sistemática dos recursos repetitivos, no REsp no 993.164/MG, tendo ambas as leis de regência (no 9.363/1996 e no 10.276/2001) a mesma essência; (c) em relação às aquisições de carvão vegetal, é irrelevante o fato de ter ou não havido incidência das contribuições na etapa anterior, endossando que o pagamento do carvão e a escrituração eram feitos com base nas notas de entrada; (d) não há previsão legal, na legislação de regência, para exclusão do IPI incidente sobre aquisições; (e) também não há previsão legal, na legislação de regência, para que os estoques sejam considerados no cálculo do crédito presumido do IPI; e (f) há precedentes do CARF, inclusive da CSRF, que entendem cabível a atualização, pela Taxa SELIC, dos créditos presumidos de IPI. O processo foi encaminhado ao CARF, pelo despacho de fl. 371, em 15/05/2014, sendo a mim distribuído, por sorteio, em fevereiro de 2018. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O recurso voluntário atende os requisitos de admissibilidade, dele se tomando conhecimento. Restam contenciosas, após o recurso voluntário, as seguintes matérias: (a) (in)existência de decadência; (b) (des)respeito a precedente julgado na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 993.164/MG); (c) cômputo de valores nas aquisições de carvão vegetal a partir de notas de entrada; (d) exclusão do IPI incidente sobre aquisições e de estoques, no cálculo do crédito presumido; e (e) (im)possibilidade de atualização dos créditos à Taxa SELIC. Como esclarece a decisão de piso, logo de início, todas essas matérias foram analisadas no auto de infração lavrado no processo administrativo no 10665.720367/201225: Fl. 378DF CARF MF 4 Assim, a análise das matérias a seguir é simples reprodução (com leves adaptações) da externada no citado processo no 10665.720367/201225, que está sendo julgado por esta turma de julgamento na mesma data. As razões de decidir, aqui e acolá, são necessariamente as mesmas. Da decadência Ainda em sua manifestação de inconformidade, alegou a recorrente que houve decadência de o fisco glosar créditos lançados em DCP ou no RAIPI até 17/04/2007 (cinco anos da data em que tomou ciência do despacho decisório – 17/04/2012), pois o crédito tributário exigido se referiria a glosas de crédito presumido de IPI referente ao período de janeiro de 2002 a dezembro de 2007. Afirma também a recorrente que percebeu, em 2007, que apurou crédito presumido a menor, e retificou, ainda em 2007, os DCP relativos ao mencionado período (2002 a 2007), apurando novo valor de crédito presumido de IPI. A alegação de decadência, no entanto, não encontra guarida na legislação tributária. Endossese que confunde a recorrente lançamento de crédito tributário com glosa de crédito presumido de IPI, e insiste na confusão, em sua peça recursal, ao afirmar que “a glosa é um lançamento”, confundindo o ato de lançar com o efeito de rechaçar um crédito presumido. Assente neste tribunal administrativo o posicionamento neste sentido, sendo minoritário e superado o entendimento contrário externado pela recorrente em precedente de 2005, e pouco relevante o entendimento externado por órgão estadual em relação a tributo distinto. Mencionemse, a título exemplificativo, precedentes desta turma de julgamento: COFINS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. GLOSA DE SALDO CREDOR. DIFERENÇAS. A decadência é instituto relacionado à extinção do crédito tributário (cf. art. 156 do CTN), e tanto o comando do art. 173, I, quanto o contido no art. 150, § 4o da mesma codificação são referentes a lançamento de crédito tributário, e não a glosa de saldo credor indevido ou não comprovado. (Acórdão no 3401003.102, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação ao tema, sessão de 23 fev. 2016) Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10665.903181/201129 Acórdão n.º 3401005.214 S3C4T1 Fl. 378 5 “DECADÊNCIA. GLOSA DE CRÉDITOS DE IPI. INAPLICABILIDADE DOS ARTIGOS 150, §4º E 173 DO CTN. Os prazos decadenciais previstos nos artigos 150, §4º e 173 do CTN se referem ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar o crédito de IPI escriturado.” (Acórdão no 3401 004.009, Rel. Cons. Fenelon Moscoso de Almeida, unânime em relação ao tema, sessão de 28.set.2017) Mas, no caso concreto, a situação é ainda mais clara, no sentido da inexistência de decadência, ainda que se venha a discordar, eventualmente, do posicionamento aqui externado de início. Vejase que a recorrente pretende, em 2007, ampliar seu direito a crédito presumido de IPI (no período de 2002 a 2007), mediante retificação das informações prestadas ao fisco, e entende que a fiscalização já não poderia rever tais informações, contando o prazo das entregas originais. Seria o mesmo que registrar, no ano de 2007, uma retificação gerando restituição dos tributos referentes ao período de 2002 a 2007, e entender que o fisco, v.g., em 2010, ao analisar o pedido de restituição decorrente da retificação, já não poderia rechaçar nenhum crédito anterior a 2005. Assim, por uma e por outra razão, cabe, igualmente, afastar a alegação de decadência. Das aquisições de pessoas físicas (REsp no 993.164) A fiscalização glosou as aquisições de carvão vegetal de pessoas físicas, não computadas originalmente nas declarações da recorrente. E a DRJ endossou a glosa, no processo referente à autuação (no 10665.720367/201225), entendendo que o precedente do STJ na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 993.164/MG) trata da Lei no 9.363/1996, e não do regime alternativo instituído pela Lei no 10.276/2001. Sustentase, na peça recursal, que o acórdão da DRJ desrespeita o decidido pelo STF na sistemática dos recursos repetitivos, no REsp no 993.164/MG, tendo ambas as leis de regência (no 9.363/1996 e no 10.276/2001) a mesma essência. Nesse aspecto, entendemos assistir razão à recorrente. Colacionese, inicialmente, o que entendeu o STJ, no REsp no 993.164/MG, na sistemática dos recursos repetitivos, vinculante para este colegiado administrativo: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97.CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO Fl. 380DF CARF MF 6 NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados , como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: (...). Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10665.903181/201129 Acórdão n.º 3401005.214 S3C4T1 Fl. 379 7 8. Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: (...). (...) 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008” (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, unânime, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010)” (grifos nossos) A leitura da ementa do REsp revela que condena o STJ a limitação imposta pela IN SRF no 23/1997 (e pelas que lhe sucederam, com idêntico teor 313/2003, 419/2004), diante do texto do art. 1o da Lei no 9.363/1996: “Art. 1o A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. E o regime alternativo da Lei no 10.276/2001 trata da mesma matéria (com sensível alteração de texto) em seu art. 1o, § 1o: “Art. 1o Alternativamente ao disposto na Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996 , a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1o A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; (...)” O regime da Lei no 9.363/1996 e o regime alternativo da Lei no 10.276/2001, são evidentemente construções legislativas diversas, e em relação a isso não há discordância. Contudo, é preciso mencionar que em ambas as leis não se encontra a limitação que o STJ condenou na instrução normativa. Ou seja, nenhuma das leis impõe restrição ao creditamento Fl. 382DF CARF MF 8 em relação a aquisições de pessoas físicas. E isso se obtém da simples comparação de ambas, de fácil visualização a partir da tabela a seguir: Observações Lei no 9.363/1996 Lei no 10.276/2001 Ambas as leis tratam de crédito presumido de IPI para empresas (pessoas jurídicas) produtoras e exportadoras de mercadorias “Art. 1o A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, (...). Art. 1o Alternativamente ao disposto na Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996 , a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), (...). Ambas as leis permitem o creditamento como ressarcimento das contribuições incidentes sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. “Art. 1o A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. § 1o A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput. I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo Vejase que a expressão “incidiram as” que motivaria o entendimento de que há vedação legal literal ao creditamento em aquisições de pessoas físicas existe também no regime da Lei no 9.363/1996 (“incidentes sobre”). A argumentação, assim, guarda identidade com a apresentada em grau recursal pela PGFN (e rechaçada pelo STJ no REsp no 993.164/MG, sob a sistemática dos recursos repetitivos), como narrado no voto do Ministro Luiz Fux: “Por seu turno, a Fazenda Nacional, em suas razões de recorrer, alega, (...). De acordo com a recorrente: "... a Lei nº 9.363/96 não conferiu ao produtor/exportador o direito ao crédito presumido quando o fornecedor não é contribuinte de PIS/PASEP e COFINS (por exemplo, pessoa física, cooperativa, etc.), assim, a IN SRF 23/97 não extrapolou os limites da lei. Isto porque se trata de lei que prevê um incentivo fiscal, a qual, de acordo não só com o disposto pelo Código Tributário Nacional (art. 111, do CTN),mas com a doutrina e a jurisprudência, deve ser interpretada restritivamente. Ademais, o modo com que o 'crédito presumido de IPI se encontra delineado pela Lei 9.363, de 1996, não permite ao intérprete concluir de outra forma, senão que o legislador condicionou a fruição do incentivo ao pagamento de PIS/PASEP e da COFINS pelo Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10665.903181/201129 Acórdão n.º 3401005.214 S3C4T1 Fl. 380 9 fornecedor do insumo adquirido pela beneficiário do crédito presumido. (...) Quando o PIS/PASEP e a COFINS oneram de forma indireta o produto final, isto significa que os tributos não 'incidiram' sobre o insumo adquirido pelo beneficiário do crédito presumido (o fornecedor não é contribuinte de PIS/PASEP e da COFINS), mas nos produtos anteriores, que compõem este insumo. Ocorre que o legislador prevê, textualmente, que serão ressarcidas as contribuições 'incidentes' sobre o insumo adquirido pelo produtor/exportador, e não sobre as aquisições de terceiros, que ocorreram em fases anteriores da cadeia produtiva. Ao contrário, para admitir que o legislador teria previsto o crédito presumido como um ressarcimento dos tributos que oneraram toda a cadeia produtiva, seria necessária uma interpretação extensiva da norma legal, inadmitida, nessa específica hipótese, pela Constituição Federal de 1988 e pelo Código Tributário Nacional (art. 111). (...) Assim, a condição legalmente disposta para que o produtor exportador possa adicionar o valor do insumo à base de cálculo do crédito presumido, é a exigência de tributos ao fornecedor do insumo. Sem que tal condição seja cumprida, é inadmissível, ao contribuinte, benefício de crédito presumido.” (grifo nosso) O precedente deu origem ainda à Súmula STJ no 494: “O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP.” Veja que o regime alternativo da Lei no 10.276/2001 não inseriu impedimento ao crédito decorrente de aquisições de pessoas físicas. Pelo contrário, utilizou a mesma terminologia da Lei no 9.363/1996. Assim, embora se tenha um novo regime, não se tem um novo impedimento, sendo igualmente condenáveis as normas infralegais que restrinjam indevidamente o comando legal. Assim tem decidido o STJ: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO ALTERNATIVO DE IPI. RESSARCIMENTO DE PIS/COFINS. ARTS 1º E 6º, DA LEI N. 9.363/96 E LEI N. 10.276/2001. ILEGALIDADE DO ART. 5º, §2º, DA IN/SRF N. 420/2004. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA N. 411/STJ. 1. O art. 2º, § 2º, da Instrução Normativa n. 23/97, impôs limitação ilegal ao art. 1º da Lei n. 9.363/96, quando condicionou gozo do benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições para o Fl. 384DF CARF MF 10 PIS/PASEP e COFINS. Tema já julgado pelo recurso representativo da controvérsia REsp. n.993.164/MG, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 13.12.2010. Lógica que também se aplica ao art. 5º, §2º, da IN/SRF n. 420/2004, especifica para o crédito presumido alternativo previsto na Lei n. 10.276/2001, por possuir idêntica redação. (...)(REsp 1313043/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/10/2012, DJe 08/10/2012); (REsp 1231755/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/03/2011, DJe 31/03/2011)” (grifo nosso) Portanto, embora reconheçamos que os regimes de crédito presumido de IPI instituídos pelas Leis no 9.363/1996 e no 10.276/2001 são diversos, forçoso é, diante do teor dos textos legais, entender que se uma lei não obstaculiza os créditos em relação a pessoas físicas, a outra logicamente também não o faz. Sustentamos o raciocínio aqui externado desde o Acórdão no 3403002.892. Anteriormente, entendíamos que o precedente do STJ (REsp no 993.164/MG), na sistemática dos recursos repetitivos, tinha escopo restrito à Lei no 9.363/1996. E que no regime alternativo da Lei no 10.276/2001, não havendo incidência dessas contribuições, não haveria o que ressarcir, tendo em vista o comando do art. 1o, § 1o da norma legal. E, nesse aspecto, fui voto vencido (ao lado do relator, Antonio Carlos Atulim) nos Acórdãos no 3403001.948 a no 3403 001.953, tendo sido designado para todos os votos vencedores o Cons. Robson José Bayerl (sessão de 19.mar.2013). Aliás, o entendimento sobre a matéria já está consolidado, hoje, no CARF, cabendo mencionar dois precedentes recentes e unânimes da CSRF, na mesma linha adotada neste voto: “CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. REGIME ALTERNATIVO. LEI 10.276/2001. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE. Mantémse a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido do IPI, exercido na forma alternativa da Lei nº 10.276/2001, nas aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas. Aplicação dos mesmos fundamentos utilizados pelo STJ no RESP nº 993.164, que foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos art. 543 C do CPC.” (Acórdão n. 9303004.682, Rel. Cons. Andrada Marcio Canuto Natal, sessão de 14.fev.2017 – unânime em relação à matéria) “CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. REGIME ALTERNATIVO. LEI 10.276/2001. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE. Mantémse a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido do IPI, exercido na forma alternativa da Lei nº 10.276/2001, nas aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas. Aplicação dos mesmos fundamentos utilizados pelo STJ no RESP nº 993.164, que foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos art. 543 C do CPC.” (Acórdão n. 9303005.103, Rel. Cons. Erika Costa Camargos Autran, sessão de 16.mai.2017 – unânime) Ademais, recordese que o § 5o do art. 1o da Lei no 10.276/2001, aqui já transcrito ao início do voto, estabelece claramente: “Aplicamse ao crédito presumido Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10665.903181/201129 Acórdão n.º 3401005.214 S3C4T1 Fl. 381 11 determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996”. Assim, segundo o entendimento do STJ, vinculante para o CARF, aliado ao referido § 5o, é improcedente a alegação fiscal de que as aquisições de pessoas físicas obstariam o direito ao crédito presumido, no regime alternativo instituído pela Lei no 10.276/2001. Nesse sentido decisões unânimes recentes desta turma de julgamento, nos Acórdãos no 3401004.457 a 459, de 22/03/2018, sob minha relatoria: CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI No 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI No 10.276/2001. CABIMENTO. ENTENDIMENTO STJ. VINCULANTE. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo, a ser reproduzida no CARF, conforme Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei nº 9.363/1996, o mesmo ocorrendo, logicamente, em relação ao regime alternativo instituído pela Lei nº 10.276/2001. Assim, deve ser dado provimento ao recurso voluntário no que se refere a aquisições de pessoas físicas. Do cômputo de valores nas aquisições de carvão vegetal a partir de notas de entrada A fiscalização glosou, no valor das aquisições de carvão vegetal, a diferença entre o valor da nota fiscal de entrada da recorrente e o valor da nota fiscal de saída do fornecedor, por não terem incidido as contribuições sobre tais diferenças, conforme prescreve o § 1o do art. 1o da Lei no 10.276/2001 (aqui já transcrito), não havendo notas fiscais de venda complementares pelos fornecedores. A recorrente afirma que não há meios adequados ao fornecedor de carvão vegetal, na saída de seu estabelecimento, para medição precisa da metragem do referido produto (adotando metragem referencial), e que, por isso, toma em conta o valor constante de suas notas de entrada, emitidas com medição precisa, destacando que o valor de tais notas corresponde ao efetivamente pago, como busca comprovar exemplificativamente. Como destacou o julgador de piso, no processo referente à autuação (no 10665.720367/201225), a glosa não se deveu a simples aspecto formal (ausência de nota fiscal complementar por parte do vendedor), mas ao fato de não haver incidência das contribuições, requisito estabelecido na lei que concede o crédito presumido de IPI, como atesta o próprio TVF (item 13): 13) (...) Como não foram emitidas notas fiscais de venda complementares pelos fornecedores, sobre tais diferenças não incidiram as contribuições sociais PIS e COFINS, requisito para que integrassem a base de cálculo do crédito presumido de Fl. 386DF CARF MF 12 IPI, conforme § 1o do artigo 1 o da Lei 10.276/2001. Por isso, essas diferenças devem ser excluídas na apuração dos custos dos insumos com direito ao crédito presumido. Os dados transcritos no referido anexo foram obtidos dos arquivos digitais entregues pelo sujeito passivo e descritos no item 7 deste termo. (grifouse) E endossou o exposto com o art. 3o da Lei no 9.363/1996 (aplicável à Lei no 10.276/2001 por força de seu art. 1o, § 5o): “Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1 o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador.” (grifo nosso) Assim, a afirmação de defesa no sentido de que “o fisco, para decidir qual nota considerar, adotou critério sem qualquer fundamento lógico” é absolutamente equivocada, visto que o fisco usou critério expressamente previsto em lei. Em sua defesa, a empresa afirma ainda apresentar, como “prova cabal” do direito ao crédito, alguns conjuntos de notas fiscais e respectivos comprovantes de depósito/cheques, e que, em nenhum momento questionou o fisco que toda a contabilização da empresa (“custos discriminados nos balancetes, balanços, demonstrações de resultado, etc”) é tomado com base nas notas fiscais de entrada. Fosse a discussão, no processo, direcionada à simples apuração de créditos básicos das contribuições, decorrentes da nãocumulatividade, até entenderíamos passíveis de análise tais alegações, em nome da verdade material, a exemplo do que decidiu este colegiado no Acórdão no 3403003.449, de minha relatoria, no sentido de que incumbiria ao fisco investigar o valor real das aquisições, e se este condiz com o registrado contabilmente. No entanto, como exposto, estamos aqui a tratar de crédito presumido de IPI como ressarcimento das contribuições, regido por legislação própria, que, como exposto, expressamente faz menção às notas de venda do fornecedor. E, nesse cenário, desnecessário ao fisco perscrutar sobre o cotejo entre contabilização e pagamento. Correta, assim, a glosa fiscal, nesse aspecto, ao tomar em conta as notas de venda, e não as notas de entrada. De fato, incumbiria à recorrente, em sua defesa, que busca afastar a aplicação expressa do comando legal, apresentar, de forma minuciosa e organizada (não com documentos de amostragem insignificante, e sem detalhamento que os conecte silogisticamente aos valores autuados), provas de que as notas de saída não corresponderam, individualizadamente, aos valores contabilizados, ou que foram complementadas. Assim como incumbiu ao fisco o detalhamento em planilhas (vide Anexos do TVF, no processo referente à autuação) de todas as glosas, nota fiscal por nota fiscal, exigese da defesa igual labor, não podendo a argumentação genérica, ou exemplificativa desconectada de indicação expressa de quais tópicos se está a contestar operar em desfavor do lançamento regularmente constituído, ou da glosa fiscal devidamente motivada. Ademais, não se noticia aqui tenha o fisco adotado procedimento semelhante ao que se viu no referido Acórdão no 3403003.449 (uso do valor da nota de entrada somente quando este fosse menor do que o constante da nota de venda, operando sempre em prejuízo do crédito). Pelo contrário, o critério aqui adotado pela fiscalização, como visto, além de Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10665.903181/201129 Acórdão n.º 3401005.214 S3C4T1 Fl. 382 13 uniforme, tem expressa guarida legal (art. 3o da Lei no 9.363/1996, aplicável à Lei no 10.276/2001 por força de seu art. 1o, § 5o). Assim, tanto as aquisições de carvão vegetal de pessoas físicas (aqui reconhecidas no tópico anterior) quanto as de pessoas jurídicas (reconhecidas pela própria fiscalização) devem gerar crédito tomando por base o valor da nota de venda do fornecedor (e de seus eventuais complementos, conforme a legislação de regência). Da existência de erros no cômputo do crédito presumido Alega ainda a recorrente que a fiscalização, erroneamente, excluiu do cômputo do crédito o IPI incidente sobre aquisições e que considerou estoques no cálculo sem previsão legal. Como expôs o julgador de piso, no processo referente à autuação (no 10665.720367/201225), incluindo menção subsidiária à legislação do imposto de renda, a expressão “valor total das aquisições” de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, constante na lei (art. 2o da Lei no 9.363/1996, aplicável ao regime alternativo por força do já mencionado art. 1o, § 5o da Lei no 10.276/2001) não inclui, por óbvio, o IPI incidente sobre as aquisições, destacado na nota fiscal. Sobre a tomada em conta os estoques, no cálculo, a própria fiscalização esclarece, no TVF, no processo referente à autuação (no 10665.720367/201225), que decorre do não atendimento de requisitos para cálculo do crédito presumido com base no custo integrado, e que opera em benefício da empresa: 8) Segundo os Demonstrativos do Crédito Presumido – DCP e memórias de cálculo apresentadas, o sujeito passivo optou pela apuração do crédito presumido do IPI com base na contabilidade com Custo Integrado. Porém, verificamos que no período de 2002 a 2007 a escrituração contábil do sujeito passivo não atendia aos requisitos para cálculo do Crédito Presumido com base no custo integrado, pois a atualização dos estoques era efetuada apenas no último dia de cada mês pelo preço médio das compras mensais, mesmo critério adotado para apuração dos custos dos insumos consumidos na industrialização em cada mês. Para utilizar a apuração com base no custo integrado a pessoa jurídica deve manter sistema de controle permanente de estoques, no qual a avaliação dos bens é efetuada pelo método da média ponderada móvel ou pelo método denominado PEPS, em que as saídas das unidades de bens seguem a ordem cronológica crescente de suas entradas em estoque. Além disso, o sistema de custos deve permitir a identificação de Matérias Primas, Produtos Intermediários, Material de Embalagem, energia elétrica, combustíveis e do valor da prestação de serviços na industrialização por encomenda sujeitos à incidência das contribuições sociais PIS e COFINS. (...) Fl. 388DF CARF MF 14 17) No anexo 8, elaborado com base nos balancetes mensais e arquivos digitais da contabilidade, explicitamos os valores dos estoques a serem considerados na apuração dos custos mensais com direito ao crédito presumido do IPI. O valor do carvão vegetal foi excluído do estoque devido à impossibilidade de se determinar se o insumo estocado em cada mês havia sido adquirido de Pessoa Física, Pessoa Jurídica ou recebido em transferência de uma das fazendas do próprio sujeito passivo. Desta forma, considerouse que todo o carvão vegetal adquirido em um mês foi consumido no próprio mês da aquisição, resultando em critério mais benéfico ao sujeito passivo. Como se percebe, diante do não atendimento de requisitos para cálculo do crédito presumido com base no custo integrado, o fisco buscou apurar o crédito com base nos balancetes mensais e arquivos digitais da contabilidade, de modo a não prejudicar a fruição de créditos totalmente pelo fato de não ser possível distinguir o carvão vegetal adquirido daquele, v.g., vindo da própria empresa. Não há argumento da recorrente no sentido de que cumpria os citados requisitos, nem de que o critério adotado pelo fisco não lhe seria mais benéfico. Restringese a defesa a afirmar que foram levados os estoques em consideração ao arrepio das normas que regem a matéria. Olvidase a defesa, neste ponto, que a própria lei (art. 3o) remete à regulamentação pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, que é tratada nas Instruções Normativas no 69/2001, 315/2003 e 420/2004, que fundamentaram o cálculo, como explicitado também no TVF (itens 17 e 18), e que expressamente remetem a estoques. Como se percebe, pela simples leitura do TVF, não houve ofensa à legislação, mas mácompreensão, pela defesa, da metodologia adotada, digase, por não ter a empresa cumprido requisitos para cálculo do crédito presumido com base no custo integrado. Nada há de incorreto no procedimento fiscal. Ao que parece, busca paradoxalmente a defesa que o descumprimento dos referidos requisitos a beneficie. Não procedem, assim, as alegações recursais de erro no cômputo do cálculo do crédito presumido. Da atualização do crédito presumido Por fim, demanda a recorrente que seu crédito seja tomado em conta ao longo do tempo, de forma atualizada pela SELIC, com fundamento na Lei no 9.250/1996, art. 39, § 4o, e em decisões do STJ e do CARF, inclusive da CSRF. No julgamento de piso, no processo referente à autuação (no 10665.720367/201225), decide unanimemente a DRJ que é incabível, por absoluta inexistência de base legal, a atualização monetária de créditos escriturais do imposto ou de seu ressarcimento, pela incidência da Taxa SELIC sobre os montantes escriturados ou pleiteados, visto que a Lei no 9.250/1996, em seu art. 39, trata de indébito de tributos, não se alastrando a crédito presumido (escritural), e que tanto a Instrução Normativa SRF no 210/2002 quanto a Solução de Consulta COSIT no 19/2002 são expressas no sentido de que “não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI”. Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10665.903181/201129 Acórdão n.º 3401005.214 S3C4T1 Fl. 383 15 A argumentação do recurso voluntário, em relação ao tema, é predominantemente jurisprudencial, colacionandose diversos precedentes do CARF no sentido de que é legítima a atualização de crédito presumido de IPI pela Taxa SELIC, e que o ressarcimento é espécie do gênero restituição. Também neste tópico assiste razão à recorrente, cabendo destacar que o tema da atualização monetária pela Taxa SELIC dos créditos é matéria que foi pacificada no âmbito administrativo com o advento do julgamento proferido pelo STJ no REsp nº 1.035.847, sob a sistemática dos recursos repetitivos (igualmente vinculante para o CARF, em função de previsão regimental no tribunal administrativo): “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Fl. 390DF CARF MF 16 Assim, e tendo em conta que houve oposição à fruição do crédito em despachos decisórios específicos, em relação às glosas efetuadas e agora afastadas (referentes a aquisições de pessoas físicas), é de se reconhecer o direito à correção do valor do ressarcimento negado pela autoridade tributária, e posteriormente acolhido no curso deste processo, calculada pela Taxa SELIC. Em precedente de minha relatoria, em agosto de 2014, decidi exatamente nesse sentido, com acolhida unânime do colegiado. Na ocasião, tomei como termo inicial a data do pedido ao qual houve oposição estatal ilegítima: “Assim, e tendo em conta que o despacho decisório representou oposição à fruição do crédito, em relação às glosas efetuadas e agora afastadas, é de se reconhecer o direito à correção do valor do ressarcimento negado pela autoridade tributária, e posteriormente deferido no curso deste processo, calculada pela taxa SELIC, a partir da data do protocolo do pedido, como já vem entendendo unanimemente esta turma, v.g., no Acórdão no 3403002.892”. (Acórdão no 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21 ago. 2014) (grifo nosso) Em sede de embargos, questionou a Fazenda a invocação do REsp nº 1.035.847 para crédito presumido, alegando que o precedente se presta somente a crédito básico, e não a crédito escritural. Os embargos foram unanimemente rejeitados no colegiado. E, na ocasião foram colacionados diversos precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais no mesmo sentido: “CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas de produtores. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE PROVIDO. (CSRF, Acórdão no 9303002.881, Rel. Cons. Rodrigo da Costa Possas, unânime, sessão de 20.fev.2014)” (grifo nosso) “CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS E ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10665.903181/201129 Acórdão n.º 3401005.214 S3C4T1 Fl. 384 17 As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas de produtores. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Recurso Especial do Procurador Negado. (CSRF, Acórdão no 9303002.906, Rel. Cons. Rodrigo da Costa Possas, unânime, sessão de 9.abr.2014)” (grifo nosso) Consultandose aqueles autos, no acompanhamento processual no sítio web do CARF, percebese que houve interposição de recurso especial pela Fazenda, ainda não apreciado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). De qualquer sorte, de lá para cá o posicionamento da CSRF caminhou para o seguinte entendimento, externado recentemente: “CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Não existe previsão legal para incidência da taxa Selic nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da correção monetária com base na taxa Selic só é possível em face das decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que glosaram parcialmente ou integralmente os créditos, cujo entendimento neles consubstanciados foram revertidos nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao aproveitamento de referidos créditos. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. A aplicação da taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, nos casos de oposição ilegítima do Fisco, incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência.” (Acórdão no 9303006.250, Rel. Cons. Rodrigo da Costa Pôssas, sessão de 26 jan 2018, maioria, vencido o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que dava provimento parcial para considerar como termo inicial a data da ciência do despacho decisório)” (grifo nosso) Fl. 392DF CARF MF 18 Realmente, há que se configurar exatamente o momento em que se dá a oposição estatal ilegítima, pois é ela que faz com que o crédito escritural enseje atualização, por força de decisão do STJ na sistemática dos recursos repetitivos. A oposição estatal ilegítima, no entanto, pode ser manifestada de duas formas: por omissão (ou mora, ao não apreciar o fisco o pedido em prazo razoável, prazo esse que hoje também está delimitado pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos: 360 dias), ou por ação (apreciandose e negandose o crédito dentro do prazo de 360 dias, em despacho da autoridade fazendária competente). O voto do relator (Min. Luiz Fux), no citado REsp nº 1.035.847 trata exatamente de um caso de oposição ilegítima por omissão (mora). Isso é notado na leitura do texto do voto condutor do acórdão, unanimemente acatado na parte que se refere à atualização monetária do ressarcimento. Percebese que o julgamento do STJ cuja ementa foi transcrita remete à oposição constante de ato estatal, que poderia ser interpretada tanto na forma de ação (indeferimento do pleito) quanto de omissão (mora na análise do pedido) e que isso exsurge da própria situação fática que enseja o acórdão, relatada pelo Min. Luiz Fux (vejase que não houve indeferimento no caso, mas mora na análise): “Noticiam os autos que MINUANO PNEUS E ADUBOS LTDA., em 29.06.2005, ajuizou ação ordinária em face da FAZENDA NACIONAL, pleiteando a restituição dos valores correspondentes à correção monetária desde a data de apuração do saldo credor de IPI até a data da efetiva compensação. Informou que requerera a restituição dos créditos do IPI do período de agosto de 2000 e outubro de 2001, mas somente no ano 2005 foi comunicada do deferimento do pedido. Destacou que apesar de terem sido reconhecidos os créditos, a autoridade fiscal apurou débitos do PIS e COFINS e por esse motivo, iria proceder à compensação dos valores. Argumentou que os débitos das contribuições seriam atualizadas monetariamente, enquanto os créditos do IPI seriam utilizados no seu valor nominal, causando violação ao princípio da isonomia.”(grifos nossos) Assim, e concordando com o fundamento do posicionamento atual da CSRF, que harmoniza distintos precedentes do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, no que se refere a oposição estatal por omissão (mora) tenho apenas leve apara a tal entendimento, no sentido de que o termo inicial deve ser a data da ciência do indeferimento do crédito, caso isso ocorra antes dos citados 360 dias do pedido (oposição por ação – análise e indeferimento do crédito). Retornando ao caso em análise nestes autos, percebese já de início, que o pedido de ressarcimento foi transmitido em 30/10/2007 (PER de final 4968 – fls. 104 a 327). E, nos itens 1 e 2 do TVF, no processo referente à autuação no 10665.720367/201225, que o pedido se referiu a créditos de 2002 a 2007, decorrentes de retificação efetuada em 2007, e foram analisados apenas em 2012: “1) No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil na execução do Mandado de Procedimento Fiscal MPF no 06107002011001473, vinculado ao sujeito passivo acima identificado, elaboramos o presente TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL para descrever os fatos relativos às irregularidades apuradas nesta ação fiscal que teve como objetivos: Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10665.903181/201129 Acórdão n.º 3401005.214 S3C4T1 Fl. 385 19 1.a) verificar a procedência e o cálculo dos créditos presumidos de IPI vinculados aos pedidos de ressarcimento formalizados em 2007, nos termos da Lei 10.276/2001, dos artigos 179, 181, e 183 a 188 do Regulamento do Imposto Sobre Produtos Industrializados – RIPI, Decreto 4.544/2002, e das Instruções Normativas SRF nº 69/2001, 315/2003 e 420/2004; (...) 2) Inicialmente, cabe informar que os ressarcimentos de IPI pleiteados pelo sujeito passivo em 2007 se referem a créditos presumidos de IPI vinculados a exportações realizadas nos anos de 2002 a 2007. Tal situação ocorreu pelo fato da empresa ter efetuado retificações, em 2007, dos Demonstrativos do Crédito Presumido – DCP apresentados originalmente ao fisco federal desde o ano 2002, incluindo nas bases de cálculo dos créditos as aquisições de carvão vegetal de fornecedores pessoas físicas, insumos esses que não foram computados nos DCP originais. Além disso, o sujeito passivo, ao escriturar no livro Registro de Apuração do IPI os valores das diferenças de créditos presumidos apuradas nos DCP retificadores, corrigiu tais valores pela taxa SELIC acumulada desde os períodos de referência até as datas de escrituração nos livros. Tais procedimentos não encontram qualquer respaldo na legislação tributária federal.” Sendo o pedido efetuado em 2007, retificando dados de 2002 a 2007, jamais poderia ter sido corrigido pela SELIC retroativamente, pois, até a retificação (e, inclusive após ela ter sido efetuada pelo sujeito passivo), não havia oposição estatal ilegítima a seu aproveitamento. A primeira oposição estatal, e que aqui, agora, se considera ilegítima (também por força de precedente vinculante do STJ a referente a aquisições de carvão vegetal de pessoas físicas) ocorreu em 2012, mais de 360 dias após os pedidos de ressarcimento. Tem se, então, um caso de oposição por omissão (mora), e que enseja, adotado o entendimento do STJ, de observância obrigatória pelo CARF, a atualização pela Taxa SELIC, somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do pedido. De qualquer sorte, não cabe atualização alguma dos créditos para os quais não houve oposição estatal (créditos acatados pela fiscalização, sequer discutidos especificamente neste contencioso), ou para os quais a oposição estatal foi legítima (créditos cuja glosa foi mantida). E, ao que parece nos autos, a utilização dos créditos demandados se daria ainda em 2007, e não prospectivamente, o que torna acessória a menção ao prazo de 360 dias. De qualquer modo, cabe a atualização, pela Taxa SELIC, a partir de 360 dias do protocolo do pedido de ressarcimento, até a data de sua utilização, para créditos decorrentes de aquisições de carvão vegetal de pessoas físicas, tomando por base o valor da nota de venda do fornecedor (e de seus eventuais complementos, conforme a legislação de regência). Fl. 394DF CARF MF 20 Cabe à unidade de origem da RFB a verificação das datas efetivas de utilização do crédito, devendo este ser corrigido apenas após 360 dias do pedido, e até a data da efetiva utilização, se posterior ao decurso desses 360 dias. Considerações Finais – parte dispositiva Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o crédito em relação a aquisições de carvão vegetal de pessoas físicas, tomando por base o valor da nota fiscal de venda do fornecedor (e de seus eventuais complementos, conforme a legislação de regência), crédito esse a ser atualizado pela Taxa SELIC a partir de 360 dias, a contar de 30/10/2007 (data de transmissão do pedido de ressarcimento) até a data de sua efetiva utilização, se posterior. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 395DF CARF MF
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Numero do processo: 11040.901055/2011-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005
CRÉDITO POR PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo.
Numero da decisão: 3302-005.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 CRÉDITO POR PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo.
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COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 10 55 /2 01 1- 40 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 11040.901055/201140 Acórdão n.º 3302005.439 S3C3T2 Fl. 55 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela H W FERNANDES E CIA LTDA contra o Acórdão n. 0950.370 da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) – DRJ/JFA, assim ementado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. SALDO DE PAGAMENTO PARA HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA. Deve ser confirmado o despacho decisório de homologação parcial de compensação quando demonstrado que, do pagamento informado, não resulta saldo disponível para confirmar o crédito declarado. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DCOMP. INCOMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO. Falece competência às Delegacias de Julgamento para apreciar pedidos de retificação de Declaração de Compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em síntese, a Turma não reconheceu a pretensão da Recorrente por entender que inexiste crédito a ser compensado. A pretensão central da Recorrente é reverter despacho decisório não homologou a compensação declarada na DCOMP n. 35821.57117.291007.1.3.049705. Em sua manifestação de inconformidade fl. 10 o contribuinte alega que o crédito utilizado na DCOMP nº 35821.57117.291007.1.3.049705, referese à valores indevidamente recolhidos entre os anos de 2005 e 2006, período no qual equivocadamente os débitos da empresa foram apurados e recolhidos sob a forma do lucro presumido, quando na verdade deveriam ter sido incluídos no Simples Nacional. Admite, ainda, a existência de eventual erro de preenchimento do DCOMP, razão pela qual requer prazo para análise e correção. Quando do julgamento do Acórdão recorrido a Turma entendeu que no ano calendário de 2005, a interessada apresentou Declaração pelo Simples, sendo assim, neste período faz jus ao direito creditório sobre os valores recolhidos fora dessa sistemática. Entretanto o DARF informado na DCOMP já foi parcialmente utilizado em compensações anteriores não sendo possível a retificação da Declaração de Compensação em tempo de julgamento administrativo. Declarou ainda a instância a quo não deter competência para apreciar pedidos de retificação de Declaração de Compensação. Em recurso voluntário – fls. 43/44 – o contribuinte alega que recolheu tributos sob o regime do lucro presumido entre 2005 e 2006 por não ter sido informado sobre sua inserção no SIMPLES. Quando teve ciência do fato pagou a multa por declaração em atraso e entregou declaração simplificada, nos termos do Simples Nacional. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 11040.901055/201140 Acórdão n.º 3302005.439 S3C3T2 Fl. 56 3 Ao fim, requer o sujeito passivo “bem como achamos complexa a vossa comunicação de indeferimento, entendemos que para um melhor compreensão da nossa parte, a Receita Federal deveria nos fornecer uma conta corrente ou algo em que constasse, onde forma utilizados os valores que recolhemos indevido, ou pelo menos a informação que estes valores ora cobrado não foram compensado porque naquele tipo de contribuição já não tinha saldo para mais aquele valor, mas que em contra partida em outro imposto recolhido sobre determinado valor, pois como já nos reportamos tratava se de um valor bem superior”. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. Cumpre ressaltar que é patente a boa fé do contribuinte e a presença de elementos indicadores da existência de recolhimentos indevidos, porque pagos sob o regime incorreto de apuração. Contudo, ainda que haja indícios do direito creditório, não detém esta Corte poder para alterar os dados equivocadamente inseridos pelo contribuinte na Declaração de Compensação. Detendo apenas competência para analisar os dados informados pelo contribuinte e decidir pela existência ou não do direito creditório. Tendo em vista que a homologação da compensação de débito tributário, nos termos do §1º, do artigo 74, da Lei 9.430/96, depende exclusivamente da comprovação da existência de certeza e liquidez do crédito a ser compensado, não há como homologar compensação cujo crédito não seja nesses termos confirmado. A compensação de tributos é, basicamente, um encontro de contas onde cabe ao contribuinte provar que detém o crédito que pretende compensar com os valores por ele devidos e que, por essa razão, nos termos do disposto no artigo 74, da Lei 9.430/96, c/c o art. 170 do CTN, faz jus compensação pretendida. Portanto, não tendo sido comprovada nos autos a certeza e liquidez do crédito a ser compensado, não resta a este tribunal outra decisão que não a manutenção do acórdão recorrido. Conforme dispõe o regimento interno deste colegiado em seu artigo 1º1, aos conselheiros cabe analisar os valores e documentos acostados aos autos, e, assim, julgar os 1 Art.1º O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Fl. 56DF CARF MF Processo nº 11040.901055/201140 Acórdão n.º 3302005.439 S3C3T2 Fl. 57 4 recursos que lhes são apresentados. Neste caso, incumbe aos conselheiros desta Turma apenas a decisão acerca da confirmação ou não do direito creditório utilizado na compensação pretendida. Ocorre que o recorrente não trouxe aos autos qualquer documento capaz de demonstrar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, não se podendo reconhecer a existência de tal direito. No caso em estudo, o contribuinte apresentou várias declarações de compensação cuja homologação foi negada, sendo cada uma delas tratada em um processo administrativo distinto, conforme tabela/resumo abaixo. DEMONSTRATIVO DAS COMPENSAÇÕES DECLARADAS Nº DCOMP APRESENTADA DCOMP INICIAL PROCESSO ADMINISTRATIVO ORIGEM DO CRÉDITO (DARF) 2 DÉBITO 29531.44582.291007.1.3.046560 15560.25031.291007.1.3.040430 11040.901048/201148 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 02.2005 62,77 02921.59675.291007.1.3.044312 13703.81870.291007.1.3.040938 11040901049/201192 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 04.2005 237,98 06813.30975.291007.1.3.040397 02782.67723.291007.1.3.048786 11040901050/201117 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 05.2005 54,13 30624.33604.291007.1.3.044584 37260.89442.291007.1.3.046187 11040901051/201161 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 05.2005 286,20 36413.30105.291007.1.3.043678 20569.87623.291007.1.3.045162 11040901053/201151 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 09.2005 270,68 07870.23376.291007.1.3.046716 36413.30105.291007.1.3.043678 11040901054/201103 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 10.2005 308,81 35821.57117.291007.1.3.049705 07870.23376.291007.1.3.046716 11040901055/201140 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 10.2005 57,21 35023.93042.301007.1.3.042367 22218.77856.291007.1.3.043173 11040901062/201141 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 01.2006 849,29 TOTAIS R$ 17,10 R$ 2.127,07 Conforme se percebe pela análise da tabela acima, a recorrente utilizou o mesmo pagamento como origem de todos os pedidos de compensação efetuados. O DARF apontado como origem do crédito foi relativo a um recolhimento de PIS, referente ao mês 02/2005, no valor de R$17,10, sendo este insuficiente para compensar qualquer um dos débitos apontados individualmente, máxime para compensar todos os débitos em conjunto. Resta evidente, portanto, que de fato ouve erro de preenchimento das DCOMP´s não homologadas. Contudo, conforme dito alhures, não cabe a este julgador proceder a retificação de tais declarações. Ademais, o reconhecimento do direito creditório, nos autos de processo administrativo, depende da comprovação documental da existência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. A falta das cópias dos DARF´s e dos respectivos comprovantes, pagos fora do regime simplificado de apuração quando neste já estava inserido o contribuinte, comprometeu totalmente a análise da liquidez do crédito alegado, impossibilitando o reconhecimento do direito creditório em discussão neste PAF. Diante do exposto, tendo em vista a falta de comprovação da certeza e liquidez do crédito alegado, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) 2 As informações sobre o DARF indicado como origem do Crédito, foram retiradas de cada um dos despachos decisórios que não homologaram as respectivas Declarações de Compensação. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 11040.901055/201140 Acórdão n.º 3302005.439 S3C3T2 Fl. 58 5 Diego Weis Junior Relator Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
