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Numero do processo: 10680.905925/2012-32
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2007
PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL.
A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual quando não comprovadas as hipóteses excepcionais previstas no artigo 16, § 4º, do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 9101-004.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura e Viviane Vidal Wagner, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Livia De Carli Germano e Edeli Pereira Bessa.
(documento assinado digitalmente)
Andréa Duek Simantob - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Livia De Carli Germano, Edeli Pereira Bessa, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Viviane Vidal Wagner, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella, Andréa Duek Simantob (Presidente em Exercício)
Nome do relator: ANDREA DUEK SIMANTOB
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2007 PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual quando não comprovadas as hipóteses excepcionais previstas no artigo 16, § 4º, do Decreto 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura e Viviane Vidal Wagner, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Livia De Carli Germano e Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) Andréa Duek Simantob - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Livia De Carli Germano, Edeli Pereira Bessa, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Viviane Vidal Wagner, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella, Andréa Duek Simantob (Presidente em Exercício) Relatório Trata-se de recurso especial do contribuinte Arcelor Mittal (fls. 565 e seguintes) interposto em face da decisão proferida no Acórdão nº 1202-001.108 (fls. 522 e seguintes), pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara que, na sessão de 11 de março de 2014, negou provimento ao recurso voluntário. O processo cuida de Declaração de Compensação apresentada pelo contribuinte (PER/DCOMP n.º 05104.10977.160807.1.3.027829) e apenas parcialmente homologada, por AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 59 25 /2 01 2- 32 Fl. 707DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-004.840 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10680.905925/2012-32 insuficiência do crédito utilizado em relação aos débitos informados. Tal crédito decorreria da apuração de saldo negativo de IRPJ referente ao exercício de 2007, ano-calendário de 2006. Conforme o PER/DCOMP e a DIPJ do período, o valor do saldo negativo seria de R$ 63.924.297,98. As parcelas que comporiam o crédito, informadas no PER/DCOMP, referem- se a imposto pago no exterior, retenções na fonte e pagamentos e compensações de estimativas mensais. O despacho decisório que analisou o pedido não confirmou o montante relativo ao imposto pago no exterior, de modo que os débitos indevidamente compensados foram de R$ 2.821.466,87 (principal). Com a ciência do despacho, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 2), alegando, em síntese, que: - o imposto pago no exterior deverá compor o saldo negativo de IRPJ; - não cabe a aplicação de algumas das multas de mora autuadas; - o despacho decisório deve ser anulado, porque a multa de mora contestada não poderia ser exigida pela via indireta e insidiosa da não homologação: - não houve lavratura de nenhum auto de infração para a constituição e cobrança dos referidos encargos moratórios, de modo que jamais poderiam ser exigidos pelo fisco; - o direito de o fisco reapurar o saldo negativo de 2006 decaiu em 31/12/2011 e os valores informados em DIPJ devem ser mantidos: - se não é mais permitido lançar tributo devido, tampouco poderá ser revista a declaração apresentada pelo contribuinte; - os valores foram recolhidos no exterior por controlada e podem ser compensados com o IRPJ devido no Brasil, conforme art. 395 do RIR de 1999. Em 05 de junho de 2012, a DRJ de Belo Horizonte (fls. 192), por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, para: a) indeferir o pedido de posterior juntada de documentos; b) rejeitar a preliminar de nulidade; c) confirmar o valor do saldo negativo de IRPJ do exercício de 2007, ano-calendário de 2006, já reconhecido no despacho decisório; d) excluir a multa de mora incidente sobre os débitos compensados nos PER/DCOMP n.º 07959.41618.110707.1.7.024484 e n.º 26941.54649.160807.1.7.020709; e) homologar parte da compensação em litígio efetuada no PER/DCOMP n.º 05104.10977.160807.1.3.027829. O contribuinte, com a ciência da decisão, apresentou recurso voluntário (fls. 211), no qual requereu a reforma parcial da decisão de primeira instância, a fim de que fosse reconhecida a insubsistência do Despacho Decisório n° 020766391, com a consequente homologação da compensação declarada e a extinção do débito fiscal nela compensado. Fl. 708DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-004.840 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10680.905925/2012-32 Posteriormente, o contribuinte protocolou, mediante petição incidental, tradução juramentada de documentos apresentados com o recurso voluntário (fls. 480 a 520). Em 11 de março de 2014, a 2ª Turma da 2ª Câmara, por meio do acórdão nº 1202- 001.108, decidiu: - por maioria de votos, não conhecer dos documentos apresentados nesta fase recursal, vencidos os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta e Geraldo Valentim Neto; - por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do despacho decisório; - pelo voto de qualidade, afastar a preliminar de preclusão da análise do valor do direito creditório, vencidos os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno; - e, no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Com a ciência da decisão, o contribuinte apresentou recurso especial (fls. 565), com o objetivo de demonstrar divergência interpretativa em relação a duas matérias: a) juntada de documentos por ocasião do recurso voluntário; b) preclusão do direito do Fisco em reapurar saldos negativos. O recurso especial aviado foi objeto do despacho de admissibilidade de fls. 684, que lhe deu seguimento parcial, por reconhecer a suscitada divergência apenas quanto à matéria “juntada de documentos por ocasião do recurso voluntário”. O contribuinte teve ciência do seguimento parcial de seu recurso em 22 de agosto de 2016, conforme termo eletrônico de fls. 694, e não apresentou agravo. A Fazenda Nacional teve ciência do recurso especial e apresentou contrarrazões (fls. 698), pugnando pelo seu desprovimento, por força da impossibilidade de juntada de documentos em sede de recurso voluntário, no caso dos autos, conforme vedação prevista no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Duek Simantob, Relatora. 1. Conhecimento Fl. 709DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-004.840 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10680.905925/2012-32 O conhecimento do recurso especial do contribuinte, ao qual foi dado seguimento parcial pelo despacho de fls. 684 e seguintes, não foi questionado pela Fazenda Nacional. Como se sabe, o conhecimento da matéria depende do preenchimento dos requisitos exigidos pelo artigo 67 do anexo II do RICARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º Para efeito da aplicação do caput, entende-se que todas as Turmas e Câmaras dos Conselhos de Contribuintes ou do CARF são distintas das Turmas e Câmaras instituídas a partir do presente Regimento Interno. § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. § 4º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de 1ª (primeira) instância por vício na própria decisão, nos termos da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. § 5º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 6º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até 2 (duas) decisões divergentes por matéria. § 7º Na hipótese de apresentação de mais de 2 (dois) paradigmas, serão considerados apenas os 2 (dois) primeiros indicados, descartando-se os demais. § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 9º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 10. Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União. § 11. As ementas referidas no § 9º poderão, alternativamente, ser reproduzidas, na sua integralidade, no corpo do recurso, admitindo-se ainda a reprodução parcial da ementa desde que o trecho omitido não altere a interpretação ou o alcance do trecho reproduzido. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017). § 12. Não servirá como paradigma acórdão proferido pelas turmas extraordinárias de julgamento de que trata o art. 23-A, ou que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Fl. 710DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-004.840 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10680.905925/2012-32 I - Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103-A da Constituição Federal; II - decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543- C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil; e (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016); III - Súmula ou Resolução do Pleno do CARF, e IV - decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal que declare inconstitucional tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) § 13. As alegações e documentos apresentados depois do prazo fixado no caput do art. 68 com vistas a complementar o recurso especial de divergência não serão considerados para fins de verificação de sua admissibilidade. § 14. É cabível recurso especial de divergência, previsto no caput, contra decisão que der ou negar provimento a recurso de ofício. § 15. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da interposição do recurso, tenha sido reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente. (Incluído pela Portaria MF nº 39, de 2016) No caso dos autos, o despacho de admissibilidade deu seguimento apenas à matéria “juntada de documentos por ocasião do recurso voluntário”. Entendo que os paradigmas indicados são suficientes para demonstrar a divergência interpretativa da matéria suscitada, de sorte que voto por ratificar o teor do despacho de admissibilidade, posto que preenchidos os requisitos recursais. 2. Mérito Quanto ao mérito, cabe-nos, neste voto, apreciar a possibilidade de juntada de documentos apenas quando da apresentação do recurso voluntário. A matéria é bastante conhecida e debatida no âmbito deste Conselho. O contribuinte alega que em homenagem ao princípio da verdade material os documentos que foram apresentados apenas com o recurso voluntário devem ser conhecidos e analisados. Tais documentos são a tradução pública juramentada de um "contrato de assistência técnica e licença de conhecimento know-how" e "faturas comerciais", que serviriam para comprovar o vínculo da empresa como beneficiária de valores pagos no exterior, que sofreram a retenção do Imposto de Renda e comporiam o saldo negativo utilizado para a compensação. O acórdão recorrido, depois de reproduzir os argumentos do contribuinte, reconheceu, a título de conclusão, a preclusão da possibilidade de apresentação de novos documentos na fase recursal, com base em extensa reprodução doutrinária (fls. 530 a 534), nos seguintes termos: A Recorrente incorreu em preclusão por não ter justificado com base em, pelo menos, uma das alíneas do § 4° do referido artigo a falta de apresentação Fl. 711DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-004.840 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10680.905925/2012-32 intempestiva dos documentos "contrato de assistência técnica e licença de conhecimento know-how" (doc. 01), e "faturas comerciais" (doc. 02), acompanhados das correspondentes traduções juramentadas, sem as quais os documentos originais não produzem efeitos, segundo informa a própria petição incidental. Como fundamento para o indeferimento do pleito e em contraponto às alegações do contribuinte, o voto condutor asseverou (destacaremos): No Sistema Tributário Nacional, não há que se falar em antinomia na interpretação da legislação tributária. Segundo o art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1976: Art. 16 (...) § 4 o A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5 o A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. A norma oriunda do referido artigo não se contrapõe ao Princípio da Verdade Material, como quer fazer crer a Recorrente. Ao elencar as situações em que se admite a apresentação de prova documental em momento posterior à impugnação inicial, a lei compatibiliza a preclusão, de observância obrigatória pela autoridade julgadora administrativa, com a busca das provas que possibilitem a elucidação dos fatos, em conformidade com a verdade a que se refere à Recorrente e com os princípios dispostos no caput do art. 2° da Lei n° 9.784, de 1999: legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. A obediência aos prazos processuais, incluindo-se os de apresentação tempestiva de documentos, constitui garantia ao próprio administrado de que não haverá supressão de instância e de que a nova decisão tenha suporte nos mesmos fatos. No caso, nem a justificativa do requerimento, no momento da apresentação da manifestação de inconformidade, para a juntada posterior da tradução juramentada (Fls. ) nem a justificativa apresentada por ocasião da impugnação inicial (Fls. ) e do presente recurso (Fls. ) enquadram-se nas situações previstas na referida Lei do Processo Administrativo Fiscal. Ao contrário do afirmado pela Recorrente, não houve contradição nos fundamentos do Acórdão recorrido ao justificar o indeferimento do pedido para posterior juntada da tradução juramentada da declaração de retenção na fonte do IR pago no exterior - Declaración jurada de retenciones em la fuente. Fl. 712DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-004.840 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10680.905925/2012-32 O acórdão recorrido demonstrou que, além da ausência da referida tradução, a Recorrente não cumpriu outros requisitos exigidos por lei, como descrito a seguir (Fls.): (...) Em face do exposto, indefiro o pedido de juntada intempestiva da tradução juramentada da declaração de retenção na fonte do IR pago no exterior. Contudo, aqui, entendo que o caso mereça algumas ponderações. De início, verifica-se que, realmente, o contribuinte, em sede de impugnação falhou nas provas apresentadas, e que a decisão de piso tratou de indicar, como por exemplo a falta de tradução para a língua portuguesa; a não apresentação de documento reconhecido pelo órgão arrecadador na origem e pelo consulado brasileiro no país em que devido o imposto; além da constatação de que tais documentos seriam, na visão da DRJ, “aparentemente declarações de retenção na fonte preenchidas por terceiros”. Por todos esses fatores, que não atendiam aos requisitos legais, a DRJ não reconheceu a comprovação do crédito pleiteado, relativo à rubrica “imposto pago no exterior”, posição que foi ratificada pelo acórdão recorrido. E aqui temos uma questão central para o deslinde do debate: conquanto o princípio da verdade material seja premissa do processo administrativo, poderia o contribuinte, no momento da apresentação do Recurso Voluntário complementar as provas, cujo requisitos deveriam se fazer presentes para que fosse aceita a respectiva compensação? Com todas as vênias aos que pensam em contrário, entendo que sim. Se os documentos, apesar de apresentados incorretamente com a manifestação de inconformidade, são complementados e trazidos à colação em sede de recurso voluntário, acredito que, minimamente, deveria a turma “a quo” ter convertido o julgamento em diligência para a respectiva verificação. Aqui não há margem para dúvidas: caso o contribuinte queira aproveitar supostos créditos oriundos de pagamentos de tributos no exterior, deverá efetivamente ter em mãos e ser capaz de comprovar, no momento de transmissão do pedido, a origem, a natureza e a pertinência dos valores pleiteados, ante a necessária obediência aos requisitos de liquidez e certeza. No caso dos autos não se cuida, por exemplo, de auto de infração contra o qual o sujeito passivo precisou se defender ou, ainda, de documentos decorrentes de novos argumentos trazidos ao processo, mas de comprovação inequívoca a cargo do próprio interessado, que deveria estar presente desde o pedido de compensação. Em que pese ter sido o contribuinte expressamente intimado pela DRF de Belo Horizonte acerca da insuficiência do crédito pleiteado em 26 de novembro de 2008 (documento de fls. 142) é na impugnação/manifestação de inconformidade que a lide se instaura e as provas deveriam vir aos autos. Vou mais longe. Em caso de compensação, após a decisão da DRJ, a meu ver é que se instaura o verdadeiro contraditório, pois muitas vezes, há necessidade de a própria DRJ determinar o retorno do processo à unidade de origem para a complementação ou esclarecimento de elementos de prova que deixaram de ser abarcados pela DRF e que muitas vezes no âmbito da DRJ não se tem acesso, o que leva, sim, a discussão, tratando-se de compensação tributária para a sede de Recurso Voluntário no CARF. Fl. 713DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 9101-004.840 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10680.905925/2012-32 Assim, entendo que deva o processo retornar à turma “a quo” para que sejam verificados os documentos apresentados pela interessada e se a mesma fazia jus ao crédito ora pleiteado, podendo, para tanto, até converter o julgamento em diligência à unidade de origem, caso assim entendam pertinente. Ante o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso especial do contribuinte. (documento assinado digitalmente) Andréa Duek Simantob Fl. 714DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 11060.720973/2018-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Exercício: 2014, 2015, 2016
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Constatado nos autos que a impugnação remetida pelos correios atendia aos requisitos da legislação para sua regular aceitação (ADN COSIT Nº 19, de 26/05/1997) e não se podendo atribuir ao sujeito passivo responsabilidade pela alteração do endereço da Agência da Receita Federal do Brasil indicada no Auto de Infração dentro do prazo de que dispunha para impugnar o lançamento, deve a remessa do sujeito passivo ser reconhecida como tempestiva para fins de instauração do contencioso administrativo fiscal nos moldes do artigo 14 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 2202-006.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para, reconhecendo a tempestividade da impugnação, determinar o retorno dos autos à DRJ de origem para apreciar a impugnação.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Caio Eduardo Zerbeto Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mario Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: CAIO EDUARDO ZERBETO ROCHA
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PRECLUSÃO PROCESSUAL. Constatado nos autos que a impugnação remetida pelos correios atendia aos requisitos da legislação para sua regular aceitação (ADN COSIT Nº 19, de 26/05/1997) e não se podendo atribuir ao sujeito passivo responsabilidade pela alteração do endereço da Agência da Receita Federal do Brasil indicada no Auto de Infração dentro do prazo de que dispunha para impugnar o lançamento, deve a remessa do sujeito passivo ser reconhecida como tempestiva para fins de instauração do contencioso administrativo fiscal nos moldes do artigo 14 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para, reconhecendo a tempestividade da impugnação, determinar o retorno dos autos à DRJ de origem para apreciar a impugnação. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Caio Eduardo Zerbeto Rocha - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mario Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário em que o contribuinte se insurge contra o Acórdão nº 11-61-510, de 21/12/2018, proferido pela 1ª Turma da DRJ/RCE que julgou a impugnação intempestiva e cuja ementa é a seguinte: AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 09 73 /2 01 8- 16 Fl. 285DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-006.131 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11060.720973/2018-16 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Por intempestiva, não se conhece a impugnação interposta após o prazo de trinta dias, a contar da ciência do lançamento. IMPUGNAÇÃO REMETIDA PELOS CORREIOS. Será considerada como data da entrega, no exame da tempestividade do pedido, a data da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, devendo ser igualmente indicados neste último, nessa hipótese, o destinatário da remessa e o número de protocolo referente ao processo, caso existente (ADN COSIT Nº 19, de 26/05/1997). O lançamento impugnado diz respeito a Auto de Infração para exigência de imposto de renda da pessoa física incidente sobre ganhos de capital nos exercícios de 2014, 2015 e 2016, tudo no montante de R$ 355.804,75, sendo R$ 164.438,66 de IRPF, R$ 68.037,10 de juros de mora e R$ 123.328,99 a título de Multa proporcional. Regularmente notificado do lançamento em 07/05/2018 por meio do Aviso de Recebimento – AR de dls. 204, o contribuinte deixou passar o prazo em branco o prazo de que dispunha para impugnar o lançamento, tendo sido lavrado termo de revelia (fls. 210) e emitida Carta de Cobrança (fls. 211 a 213). Somente então, já em 18/06/2018 (fls. 216 a 230), foi juntada aos autos a impugnação ao lançamento, de onde se extrai: JAIRO EDUARDO DOS SANTOS MACHADO (...)neste ato representado por seu procurador, vem em anexo apresentar: IMPUGNAÇÃO AO AUTO DE INFRAÇÃO – Processo Administrativo nº 11060-720.973/2018-16 / Procedimento Fiscal 1010300.2017.00156. (...) O impugnante fora notificado do Auto de Infração no dia 07 de maio de 2018, tendo trinta dias para apresentação da presente, tal prazo se findaria no dia 06 de junho de 2018. Na referida data, a Impugnação ao Auto de Infração foi protocolada no Correio por Carta Registrada, conforme preceitua o Ato Declaratório (Normativo) nº 19, de 26 de maio de 1997, tendo sido enviado para o endereço da Rua Julio de Castilhos, número 137 (anexos). No entanto, mesmo retornou do Correio cumprido negativo, tendo em vista que a Agência da Receita Federal mudou de endereço (anexo) Ao imprimir a íntegra do processo fiscal, no item Orientações ao sujeito passivo, mais precisamente no item 3.2, restou determinado que o protocolo da Impugnação de pessoa física, ocorresse PREFERENCIALMENTE na unidade abaixo descrita, cujo endereço constante é: Rua Julio de Castilhos, número 137. Assim sendo, o sujeito passivo foi induzido a erro, devendo ser considerada tempestiva a presente impugnação, por ser de fato e de direito. Na anexos à impugnação acima constam o envelope (fls. 218) com indicação da devolução ao remetente, o AR com a indicação do motivo da devolução (fls. 219), a folha de rosto da impugnação que teria sido enviada pela via posta (fls.220), as folhas das Instruções ao Contribuinte onde conta a indicação do endereço da ARF-Cachoeira do Sul (fls. 221 e 222) e, por fim, a peça impugnatória que teria sido enviada pela via postam no dia 06/06/2018 (fls. 223 a 227). Fl. 286DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-006.131 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11060.720973/2018-16 De posse de toda essa documentação, a DRJ/RCE julgou intempestiva a impugnação pois (fls. 259): 9. No presente caso, o número do protocolo do processo consta do Relatório Fiscal, à fl. 26, sendo o mesmo de conhecimento do contribuinte. No entanto, o referido número não consta do envelope (fl. 218) nem da cópia do A.R. apresentada (fl. 219), não atendendo à exigência do ADN nº 19, de 26/05/1997. Portanto, não é possível saber o conteúdo da correspondência enviada pelo patrono do contribuinte. Cientificado desta decisão em 25/01/2019 por meio do Aviso de Recebimento – AR de fls. 271, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 21/02/2018 (fls. 275 a 277) alegando, em síntese, que, ao contrário do que alega o Acordão recorrido, constam do AR relativo à impugnação, postado à ARF-Cachoeira do Sul em 06/06/2018, tanto a indicação de tratar-se de Impugnação, quanto também o número do protocolo ao qual referida impugnação se referiria, tudo conforme determina o ADN COSIT nº 19/1997. Argumenta, assim, que estaria sofrendo cerceamento do seu direito de defesa por ter sido induzido a erro, “...devendo ser considerada tempestiva a presente impugnação, por ser de fato e de direito.”(fls. 277). É o Relatório. Voto Conselheiro Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Relator. Conforme se extraí do relatório acima, o presente Recurso Voluntário trata exclusivamente da tempestividade da impugnação apresentada uma vez que o Acórdão recorrido, ao decidir pela intempestividade da impugnação, definiu que a fase litigiosa do procedimento sequer teve início. Assim, não há que se cogitar, aqui, de eventualmente se vir a conhecer do mérito do Auto de Infração guerreado pois, ainda que se acate a preliminar de tempestividade da impugnação, é certo que o mérito não foi analisado pela DRJ/RCE de maneira que, caso seja analisado por este Conselho, se estará suprimindo uma instância de julgamento em flagrante prejuízo ao direito de defesa do contribuinte. Dito isso, passo a analisar os argumentos trazidos no Recurso Voluntário relativos à tempestividade da impugnação. E da análise dos autos o que se extrai é que a irresignação do recorrente diz respeito à não aceitação, pela autoridade julgadora de primeira instância administrativa, de que a remessa postal feita pelo recorrente ao antigo endereço da ARF de Cachoeira do Sul, seja acolhida como impugnação ao lançamento e, por conseguinte, reconhecida a sua tempestividade. Argumenta a Autoridade julgadora de primeira instância que (fls. 258-259): 8. Em conformidade com o Ato Declaratório Normativo Cosit nº 19, de 26/05/1997, para efeitos de tempestividade, considera-se como data da entrega a da postagem da petição, devidamente comprovada, sendo necessária a indicação do destinatário da remessa e do número de protocolo referente ao processo. (...) Fl. 287DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-006.131 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11060.720973/2018-16 9. No presente caso, o número do protocolo do processo consta do Relatório Fiscal, à fl. 26, sendo o mesmo de conhecimento do contribuinte. No entanto, o referido número não consta do envelope (fl. 218) nem da cópia do A.R. apresentada (fl. 219), não atendendo à exigência do ADN nº 19, de 26/05/1997. Portanto, não é possível saber o conteúdo da correspondência enviada pelo patrono do contribuinte. 10. A impugnação que consta dos autos somente foi apresentada em 18/06/2018, após o prazo legal de trinta dias, pois a ciência do Auto de Infração ocorreu em 07/05/2018, por via postal (A.R. de fl. 204). Contrapondo-se a essa afirmação, o Recurso Voluntário argumenta que (fls. 276- 277): Ademais, insta mencionar que, contrariando as afirmativas do Recorrido (sic), no AR que retornou com a justificativa de “mudou-se”, consta sim, o ato praticado pelo Contribuinte, qual seja, Impugnação ao Auto de Infração, bem como, o número do processo ao qual o protocolo se referia: Em seguida, no Recurso Voluntário, constam duas imagens (fls. 276 e 277), frente e verso de um AR que, em que pese a imagem da folha 276 estar um pouco distorcida da digitalização mal feita, pode-se verificar que consta a indicação do assunto - Impugnação Auto de Infração – e do número do processo – 1010300.2017.00156, este o mesmo número indicado no Auto de Infração de que tratam estes autos. Já na imagem de fls. 277, que esta ainda pior digitalizada do que a imagem da folha 276, é possível verificar que o CEP indicado bem na parte de baixo do AR digitalizado é o mesmo do AR indicado às fls. 219, nos anexos da impugnação. Em que pese não se poder manipular os documentos originais a fim de se estabelecer uma aferição mais segura quanto à sua veracidade, não vejo motivo algum para, de outro lado, atestar aqui que referidas imagens não sejam fidedignas ou mesmo que tenham eventualmente sido adulteradas. Também não me parece haver nos autos nada que possa indicar que esteja havendo má-fé por parte do contribuinte ou de seu patrono a ponto de desqualificar as imagens trazidas no Recurso Voluntário como prova da tempestiva e regular remessa da impugnação ao antigo endereço da ARF-Cachoeira do Sul o qual, não é demais lembrar, foi indicado no Auto de Infração como local para onde preferencialmente referida impugnação deveria ser encaminha pelo contribuinte. Por fim, em que pese o Processo Administrativo Fiscal-PAF ter como fundamento normativo básico o Decreto nº 70.235/72, tem-se que sempre que não haja conflito entre suas disposições, os preceitos da Lei. nº 9.784/99 se aplicam também ao PAF, de onde se extrai que: Art. 2 o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: ... IV - atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa-fé; Trago à luz esta disposição pois me parece que a solução para o caso dos autos passa pelo que a Lei. nº 9.784/99 indica no inciso IV, acima transcrito quando se refere à Boa fé. De fato, no caso dos autos houve inequívoca indicação ao contribuinte para que, Fl. 288DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-006.131 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11060.720973/2018-16 preferencialmente, remetesse sua eventual impugnação para o endereço da Agência da Receita Federal do Brasil indicado no Auto de Infração. E foi justamente como procedeu o contribuinte. É certo que se poderia afirmar que o patrono do recorrente poderia ter diligenciado dentro do prazo de que dispunha para impugnar o lançamento a fim de confirmar aquele endereço e, mais ainda, que referida Agência ainda ali funcionaria. Entretanto, com extrema sinceridade e boa fé podemos também nos perguntar: quem faria isso dispondo de 30 dias para impugnar o lançamento e havendo indicação inequívoca da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB do endereço para onde, preferencialmente, a impugnação deveria ser remetida? Entendo que a boa fé aqui deve prevalecer e que, desta forma, há razão na irresignação do contribuinte quanto à tempestividade de sua impugnação, devendo, pois, esta ser aceita como regular e apta a instaurar o contencioso administrativo no presente caso. E em razão disso, conheço integralmente do recurso voluntário para dar-lhe provimento e, reconhecendo a tempestividade da impugnação, determinar o retorno dos autos à DRJ de origem para apreciar a impugnação. (documento assinado digitalmente) Caio Eduardo Zerbeto Rocha Fl. 289DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10410.720020/2005-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002
NULIDADE. PROCEDÊNCIA. DISTINÇÕES.
As hipóteses de nulidade estão estabelecidas no art. 59 do Decreto no 70.235/1972 (incompetência e preterição do direito de defesa) e, uma vez constatadas na decisão recorrida, implicam a necessidade de prolação de novo acórdão por parte do julgador de primeira instância administrativa.
Numero da decisão: 3401-007.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular o acórdão da DRJ.
(documento assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Fernanda Vieira Kotzias, João Paulo Mendes Neto e Mara Cristina Sifuentes (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 NULIDADE. PROCEDÊNCIA. DISTINÇÕES. As hipóteses de nulidade estão estabelecidas no art. 59 do Decreto no 70.235/1972 (incompetência e preterição do direito de defesa) e, uma vez constatadas na decisão recorrida, implicam a necessidade de prolação de novo acórdão por parte do julgador de primeira instância administrativa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular o acórdão da DRJ. (documento assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Fernanda Vieira Kotzias, João Paulo Mendes Neto e Mara Cristina Sifuentes (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Rosaldo Trevisan.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 NULIDADE. PROCEDÊNCIA. DISTINÇÕES. As hipóteses de nulidade estão estabelecidas no art. 59 do Decreto no 70.235/1972 (incompetência e preterição do direito de defesa) e, uma vez constatadas na decisão recorrida, implicam a necessidade de prolação de novo acórdão por parte do julgador de primeira instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular o acórdão da DRJ. (documento assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Fernanda Vieira Kotzias, João Paulo Mendes Neto e Mara Cristina Sifuentes (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Rosaldo Trevisan. Relatório Adoto o relatório do acórdão de Resolução nº 3401-001.520, de fls. 1931- 1939, complementando-o ao final com o necessário. Adota-se o relatório do Acórdão 11-35.135 – 6 Turma da DRJ/REC (efls. 1635 e seguintes) por bem retratar a situação dos autos: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos presumidos do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, relativo ao ano-calendário de 2002, no valor de R$ 3.386.063,89, formulado por meio do PER/DCOMP n° AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 00 20 /2 00 5- 45 Fl. 3046DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-007.195 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.720020/2005-45 27569.39085.051203.1.1.014787 (fls. 01/55), com fundamento na Lei n° 10.276/2001. Indicando como origem do crédito o PER/DCOMP acima referido, o contribuinte apresentou também declarações de compensação eletrônicas que se encontram anexadas às fls. 56 a 496 e 500 a 775. Às fls. 950/985, foi juntada aos autos documentação relativa à Ação Judicial n° 2006.80.00.0051532, impetrada pelo interessado junto à Justiça Federal em Alagoas, onde houve decisão com concessão parcial de liminar. Consta da referida decisão que a empresa requerente objetivou o reconhecimento do direito ao crédito presumido do lPI e pleiteou junto à Autoridade Judicial que fosse(m): i) consideradas as aquisições de produtos oriundos da atividade rural realizadas junto a pessoas físicas; ii) adotado o entendimento de que seu processo produtivo abrange tanto os insumos utilizados ou consumidos na área agrícola, como na Área industrial; iii) incluídas as vendas de produtos manufaturados para o mercado externo, via trading companies, no período de 04/95 a 11/96; iv) considerado que o produto intermediário engloba todos os insumos utilizados no processo produtivo e não apenas aqueles que tenham ação direta sobre o produto manufaturado; v) considerado que os custos dos combustíveis, lubrificantes e energia elétrica integram o conceito de produto intermediário para fins de apuração do crédito presumido e vi) atualizado monetariamente o crédito presumido pela UFIR, até 31/12/95 e, após essa data, pela Taxa SELIC. A referida decisão proferida em caráter liminar afastou ainda expressamente a suspensão da exigibilidade dos débitos relativos às compensações vinculadas ao pedido de ressarcimento em apreço e determinou o regular trâmite administrativo do requerimento de forma a se proceder a aferição da regularidade na apuração realizada pelo sujeito passivo. Encontra-se anexado, as fls. 1008/1023, Relatório Fiscal onde a autoridade responsável pela análise do pleito, após expor detalhadamente as circunstancias atinentes ao presente processo e aos exames efetuados, propôs o seu deferimento parcial, com o reconhecimento do direito creditório no montante de R$55.979,42. Eis as principais razões para o desfecho proposto: a) impossibilidade de creditamento de 1PI com base nas aquisições de cana-de- açúcar junto a pessoas físicas, uma vez que não há incidência de PIS/COFINS em tais operações; b) inexistência de direito ao crédito de lPI em relação à entrada de insumos utilizados na agricultura, posto que esta não se configura como atividade industrial; c) impossibilidade de creditamento do imposto relativo ao consumo de energia elétrica utilizada na irrigação, nas fazendas e na vila operária; d) impossibilidade de creditamento oriundo dos valores relativos a serviços que não são atinentes à industrialização por encomenda, tais como: assinaturas de revistas, consultoria jurídica, assessoria empresarial, etc; e) inexistência de direito ao crédito de IPI em relação à entrada de insumos que não se enquadram no conceito de matéria-prima (MP), produto intermediário (PI) ou material de embalagem (ME); e Fl. 3047DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-007.195 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.720020/2005-45 f) aproveitamento em duplicidade no mês de dezembro de 2002 dos benefícios provenientes da não-cumulatividade do PIS/PASEP (Lei n° 10.637/2002) e do regime alternativo da Lei n° 10.276/2001. Tal posicionamento é ratificado através do Parecer de fls. 1132/1134 (PARECER SAORT/DRF MAC N° 131/2008). Por meio do Despacho Decisório de fls. 1135/1136, o Delegado da DRF/Maceió, acatando os fundamentos do Relatório Fiscal e do Parecer supra referidos, deferiu em parte o pleito requerido, considerando homologado apenas o valor do débito equivalente ao quantum reconhecido e não homologando as demais compensações formuladas, tendo determinado ainda a cobrança dos débitos que remanesceram em aberto. Inconformado com a decisão administrativa, de cujo teor teve ciência em 12/06/2008 (AR de fls. 1225), o contribuinte apresentou, tempestivamente, em 11/07/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 1408/1427, arguindo, em síntese, que: i) Ajuizou ação ordinária, objetivando assegurar o direito ao crédito de acordo com os critérios estabelecidos em lei e não nos atos normativos editados pelo Fisco. ii) A decisão combatida deixou de observar a sentença judicial proferida, bem como a Lei n° 10.276/2001. iii) As aquisições junto a pessoas físicas devem ser consideradas para cálculo do crédito presumido. iv) As aquisições junto a pessoas físicas devem ser consideradas para cálculo do crédito presumido. v) Deve ser deferido o crédito relativo à energia elétrica consumida na irrigação da cana-de-açúcar. vi) Os gastos com combustíveis foram indevidamente excluídos da base de cálculo do crédito presumido pela fiscalização. vii) Deve ser reconhecido de modo irrestrito o direito ao creditamento de todos os insumos utilizados no processo produtivo da agroindústria, inclusive energia elétrica, combustíveis e lubrificantes, nos termos das Leis n os 9.363/96 e 10.276/01. viii) A teor do Parecer Normativo CST n° 65/79 e da regulamentação do IPI, independentemente do consumo imediato dos insumos ou da sua integração ao produto final, deve se admitir o creditamento quando estes se desgastem, desbastem ou percam as suas propriedades físicas ou químicas. Cita doutrina e decisões judiciais. Por fim, requer a realização de diligência para apuração do crédito vindicado de acordo com o entendimento defendido, a homologação da compensação declarada e a suspensão da exigibilidade dos débitos não homologados, conforme previsto no art. 151, III do CTN. (Negrito do Relator). A 6ª Turma da DRJ/REC por meio do Acórdão nº 11-35.135 não conheceu do recurso em razão da concomitância, de acordo com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 Fl. 3048DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-007.195 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.720020/2005-45 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto da solicitação administrativa, importa em renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente. CRÉDITOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO. Somente poderão ser objeto de compensação os créditos do contribuinte reconhecidos por decisão judicial com trânsito em julgado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se não-impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Inconformada a recorrente interpôs recurso voluntário, efl. 1.713, no dia 08/03/2012, após ser intimada no dia 08/02/2012, no qual argumenta, preliminarmente, a inexistência de concomitância de instâncias, e no mais, basicamente repisa os argumentos da manifestação de inconformidade. Há ainda apensação nestes autos, o processo 10410.006207/201008, o qual se refere a processo de débito (efl. 39), sendo uma migração do PROFISC (efl. 44). O julgamento foi então convertido em diligência para que a unidade preparadora da RFB junte aos autos a íntegra do processo judicial que entendeu a DRJ revelar concomitância de objeto com o presente processo administrativo, com a devida certidão de objeto e pé.” A cópia integral do processo judicial foi juntada aos autos que retornaram para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator. 1. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 2. Na sessão de julgamento realizada em 25 de outubro de 2018, decidiu essa turma por converter o julgamento em diligência para que se juntasse cópia integral do processo judicial nº 2006.80.00.005153-2 a fim de que se afastasse o risco de eventual concomitância. Fl. 3049DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-007.195 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.720020/2005-45 3. Ao analisar a inicial apresentada naquele processo verifiquei que o o objeto daquela demanda é o limite normativo do credito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363/96, vejamos o teor do pedido daquela demanda: Fl. 3050DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-007.195 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.720020/2005-45 4. Além disso, o próprio r. juízo deixa claro que os efeitos daquela demanda não se sobrepõem aos do presente processo administrativo, vejamos o disposto na liminar de e.fls. 2383-2388: 5. Veja-se ainda que no presente processo administrativo, conforme reconhece a própria r. DRJ, trata-se o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos presumidos do Imposto sobre Produtos Industrializados — ]PI, relativo ao ano-calendário de Fl. 3051DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-007.195 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.720020/2005-45 2002, no valor de R$ 3.386.063,89, formulado por meio do PER/DCOMP n° 27569.39085.051203.1.1.01-4787 (fls. 01/55), com fundamento na Lei n° 10.276/2001. 6. Isto posto, ainda que se reconhecesse o direito na referida ação judicial, seus efeitos não se estenderiam ao presente processo administrativo, por ausência de coincidência entre as matérias tratadas. Conclusão diversa ofenderia o disposto no art. 62 do RICARF. 7. Assim sendo, entendo que afastada a concomitância, devam os autos retornarem a instância de piso para que seu direito creditório seja devidamente analisado, sob o risco de supressão de instância. Em sentido semelhante o quanto decidido por esta e. Turma nos autos do Processo Administrativo nº 12689.720545/2014-37, acórdão n. 3401-006.144, de minha relatoria: Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 14/04/2009 a 02/09/2013 AUSÊNCIA DE EXAME DE IMPUGNAÇÃO COM TEMPESTIVIDADE CONFIRMADA PELA UNIDADE EM DILIGÊNCIA. NULIDADE DE DESPACHO QUE RECONHECEU INTEMPESTIVIDADE. REMESSA PARA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. NULIDADE. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. A ausência de exame de impugnação enseja a declaração de nulidade do despacho que reconheceu a intempestividade de recurso administrativo quando o contribuinte faz prova de sua tempestividade, atestada em diligência, devendo o processo retornar à Delegacia de Julgamento para que seja proferida decisão de primeira instância administrativa sobre a impugnação apresentada, sob pena de supressão de instância e cerceamento de defesa nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. 8. Voto, pois, para conhecer e, no mérito, dar provimento ao Recurso Voluntário para anular a decisão recorrida, determinando o retorno dos autos à instância de piso para julgamento da impugnação no mérito. 9. É como voto (documento assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Fl. 3052DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10166.903489/2015-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/1980 a 31/01/1980
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO.
A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.
Não ocorre a nulidade por cerceamento de defesa quando a decisão contém todos os requisitos legais exigidos pela legislação e quando a contribuinte se pronunciou sobre o assunto em litígio, abrangendo as questões de mérito, de forma a demonstrar o conhecimento dos fatos apontados.
Numero da decisão: 3201-006.379
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10166.903486/2015-95, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1980 a 31/01/1980 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade por cerceamento de defesa quando a decisão contém todos os requisitos legais exigidos pela legislação e quando a contribuinte se pronunciou sobre o assunto em litígio, abrangendo as questões de mérito, de forma a demonstrar o conhecimento dos fatos apontados.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10166.903486/2015-95, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
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ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade por cerceamento de defesa quando a decisão contém todos os requisitos legais exigidos pela legislação e quando a contribuinte se pronunciou sobre o assunto em litígio, abrangendo as questões de mérito, de forma a demonstrar o conhecimento dos fatos apontados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10166.903486/2015-95, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 34 89 /2 01 5- 29 Fl. 60DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-006.379 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.903489/2015-29 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto neste relatório excertos do relatado no Acórdão nº 3201-006.218, de 16 de dezembro de 2019, que lhe serve de paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário apresentado em face da decisão de primeira instância administrativa fiscal proferida no âmbito da DRJ/RS, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada contra o despacho decisório eletrônico que não homologou compensação constante de PER/DCOMP. Para melhor descrever os fatos, matérias e trâmite do processo, remete-se ao relatório constante na decisão de primeira instância constante dos autos, aqui sintetizado: A decisão de primeira instância administrativa fiscal encontra-se assim ementada: [......] DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - IMPROCEDÊNCIA . Não ocorre a nulidade por Cerceamento de defesa quando a Decisão contém todos os requisitos legais exigidos pela legislação e quando a contribuinte se pronunciou sobre o assunto em litígio, abrangendo as questões de mérito, de forma a demonstrar o conhecimento dos fatos apontados. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.” Os autos digitais foram distribuídos e pautados nos moldes do regimento interno deste Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 3201-006.218, de 16 de dezembro de 2019, paradigma desta decisão. Fl. 61DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-006.379 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.903489/2015-29 Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresenta-se este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e preencher os requisitos de admissibilidade, o Recurso deve ser conhecido. Conforme Art. 16 do Decreto 70.235/72 e Art. 69 do CTN, o ônus da prova do direito creditório é do contribuinte. Não comprovado o direito ao crédito, assim como sua certeza e liquidez, este deve não deve ser reconhecido. No caso em concreto, o contribuinte sequer descreve de onde seus créditos surgiram. Assim, com base nos artigos 165 e 170 do CTN e Art. 74 da Lei n° 9.430/96, os créditos não devem ser reconhecidos. Diante de todo o exposto, vota-se para que seja NEGADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 62DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10980.011200/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2020
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
MULTA DE OFÍCIO
Caracterizada, em procedimento de ofício, a falta de recolhimento de IRRF, é cabível a imposição da multa de ofício.
Numero da decisão: 1402-004.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Murillo Lo Visco, Paula Santos de Abreu, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Ausente o Conselheiro Caio César Nader Quintella.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 MULTA DE OFÍCIO Caracterizada, em procedimento de ofício, a falta de recolhimento de IRRF, é cabível a imposição da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Murillo Lo Visco, Paula Santos de Abreu, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Ausente o Conselheiro Caio César Nader Quintella. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 12 00 /2 00 8- 11 Fl. 51DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10980.011200/200811 Acórdão n.º 1402004.379 S1C4T2 Fl. 52 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil que decidiu manter o Auto de Infração que exige IRRF sobre salários, o qual segundo as DIRFs foi retido mas não foi recolhido aos cofres públicos segundo a DCTF. Para evitar repetições adoto o relatório do v. acórdão recorrido. Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada foi lavrado o auto de infração de fls. 16/23, que exige o montante de R$ 48.162,87 de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, R$ 36.122,11 de multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei n.° 9.430/1996, com a redação data pelo art. 14 da Medida Provisória n° 351/2007, convertida na Lei n° 11.488/2007.além dos encargos legais. O lançamento decorreu do fato de a interessada não'ha'\'/er declarado em DCTF nem recolhido o IRRF sobre rendimentos do trabalho assalariado do período de apuração de janeiro a dezembro de 2007, enquadrandose nos arts. 620, 621, 624 a 626, 636 a 638 e 641 a 646 do RIR/1999 e 1° da Lei n° 9.887, de 1999. Cientificada por via postal em 15/08/2008 (AR fl. 27), a interessada apresentou a tempestiva impugnação de fls. 33/37, alegando ser equivocada a aplicação da multa de 75% calculada sobre a diferença de tributo apurado neste auto de infração. Que o artigo 841 do RIIUI999 não determina o lançamento de oficio e a aplicação desta penalidade de 75% sobre o valor declarado (DIRF) quando apuradas diferenças entre o confronto de declarações DIRF e DCTF. Finalizando requer a exclusão da multa de oficio, e que seja declarada a exigibilidade da multa de mora, limitada a 20% sobre o valor dos créditos da União não recolhidos. O v. acórdão recorrido negou provimento a impugnação da Recorrente nos seguintes termos: Insurgese a interessada contra a exigência da multa do art. 44, I da Lei n° 9.430/1996, alegando ser inaplicável ao caso, postulando a multa de 20% por se tratar de débito declarado, além de não ser cabível o lançamento de ofício a teor do artigo 841 do RIR/ 1999. Dispõe o artigo 841 do RIR/1999, com grifos acrescidos: Fl. 52DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10980.011200/200811 Acórdão n.º 1402004.379 S1C4T2 Fl. 53 3 Art. 841.0 lançamento será efetuado de ofício quando o sujeito Qassivo (DecretoLei n 5.844, de 1943, art. 77, Lei nf 2.862, de 1956, art. 28, Lei n 5.172, de 1966, art. 149, Lei nf 8.541, de 1992, art. 40, Lei n 9.249, de 1995, art. 24, Lei ni' 9.317, de 1996, art. 18, e Lei n 9.430, de 1996, art. 42): Inão apresentar declaração de rendimentos; II deixar de atender ao pedido de esclarecimentos que lhe for dirigido, recusarse a prestálos ou não os prestar satisfatoriamente; III ƒizer declaração ínexata, considerandose como tal a que contiver ou omitir, inclusive em relação a incentivos fiscais, qualquer elemento que implique redução do imposto a pagar ou restituição indevida; IV não efetuar ou efetuar com inexatidão o pagamento ou recolhimento do imposto devido, inclusive na fonte; V estiver sujeito, por ação ou omissão, a aplicação de penalidade pecuniária; V1omitir receitas ou rendimentos. Parágrafo único.Aplicarseá o lançamento de oficio, além dos casos enumerados neste artigo, àqueles em que o sujeito passivo, beneficiado com isenções ou reduções do imposto, deixar de cumprir os requisitos a que se subordinar o favor fiscal. Logo, como a empresa não efetuou ou efetuou com inexatidão o recolhimento do imposto de renda retido na fonte, de acordo com o dispositivo anteriormente transcrito, principalmente o inciso IV, correto o lançamento de ofício. Quanto ao cabimento ou não da multa de oflcio, vejamse as disposições do art. 44, I da Lei n° 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n” 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) É inegável que a interessada não recolheu o imposto que reteve de terceiros, tanto é assim que sequer impugnou a exigência correspondente, limitando a alegar que não seria cabível o lançamento de ofício. É também inegável que o imposto foi exigido mediante lançamento de ofício, conforme consta do auto de infração de fl. 20, onde cobra de principal o montante de R$ 48.162,87 e a multa de R$ 36.122,11. Fl. 53DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10980.011200/200811 Acórdão n.º 1402004.379 S1C4T2 Fl. 54 4 Ante o exposto, voto no sentido de julgar procedente__o lançamento efetuado, com a exigência da multa de ofício com base no art. 44, I, da Lei n° 9.430/1996. Inconformada com o v. acórdão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repisando os mesmos argumentos da impugnação. Ato contínuo, os autos retornaram para o E. CARF/MF e foram distribuídos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 54DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10980.011200/200811 Acórdão n.º 1402004.379 S1C4T2 Fl. 55 5 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, possui os requisitos previstos na legislação, devendo portanto ser admitido e conhecido. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, foi constatada a falta de recolhimento dos valores retidos a título de IRRF sobre rendimentos do trabalho assalariado, nos períodos constantes do AI, os quais constaram na Dirf apresentada pela autuada, mas não foram declarados em DCTF nem recolhidos, parcial ou integralmente. Pois bem. Inicialmente, cabe observar que a Recorrente apresentou Dirf declarando ter efetuado a retenção dos valores relativos aos meses do anocalendário de 2007 e não efetuou recolhimentos do imposto. Sendo assim, resta indiscutível o fato de terem sido retidos os valores do imposto, devendo a empresa retentora dos valores ser responsabilizada pelo não recolhimento do imposto. Conforma apontado no v. acórdão recorrido, o Parecer Normativo 1 de 24 de setembro de 2002 esclarece tal situação. IRRF RETIDO E NÃO RECOLHIDO. RESPONSABILIDADE E PENALIDADE. Ocorrendo a retenção e o não recolhimento do imposto, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, devendo o contribuinte oferecer o rendimento à tributação e compensar o imposto retido. [...] IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. PENALIDADE. Constatada a falta de retenção do imposto, que tiver a natureza de antecipação, antes da data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, e, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado Fl. 55DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10980.011200/200811 Acórdão n.º 1402004.379 S1C4T2 Fl. 56 6 ou anual, no caso de pessoa jurídica, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora. Verificada a falta de retenção após as datas referidas acima serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora isolados, calculados desde a data prevista para recolhimento do imposto que deveria ter sido retido até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, até a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica; exigindose do contribuinte o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, caso este não tenha submetido os rendimentos à tributação. Sendo assim, tratandose de IRRF retido mas não recolhido pela fonte pagadora tornase indiscutível a responsabilidade da Recorrente pelo seu recolhimento acrescido de multa de ofício e juros de mora. Ademais, como muito bem apontado pelo v. acórdão recorrido, também entendo que a alegação da Recorrente de que a falta de pagamento do imposto não enseja a aplicação da multa de ofício, eis que existe previsão específica para a falta de recolhimento de tributos declarados mas não pagos, qual seja, 20% sobre o valor devido, nos termos do artigo 61 da Lei 9.430/96. Ou seja, a Recorrente insurgese contra a exigência da multa do art. 44, I da Lei n° 9.430/1996, alegando ser inaplicável ao caso, postulando a multa de 20% por se tratar de débito declarado e não pago. Tal alegação da Recorrente não deve ser provida, eis que o artigo 44, inciso I da Lei 9.430/96 determina o seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n” 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) Assim, conforme muito bem apontado no v. acórdão recorrido, é inegável que a Recorrente não recolheu o imposto que reteve de terceiros, tanto é assim que sequer impugnou e recorreu da exigência correspondente, limitandose a alegar que não seria cabível a aplicação da multa de 75% nos termos do artigo 44 I da Lei n° 9.430/1996. Desta forma, entendo que a autuação é procedente devendo o v. acórdão recorrido ser mantido em seus termos. Fl. 56DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10980.011200/200811 Acórdão n.º 1402004.379 S1C4T2 Fl. 57 7 Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, voto por conhecer do Recurso Voluntário e a ele negar provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 57DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10183.720156/2006-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 2201-006.077
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10183.720154/2006-78, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2020-03-25T09:24:16Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-03-25T09:24:16Z; Last-Modified: 2020-03-25T09:24:16Z; dcterms:modified: 2020-03-25T09:24:16Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-03-25T09:24:16Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-03-25T09:24:16Z; meta:save-date: 2020-03-25T09:24:16Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-03-25T09:24:16Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-03-25T09:24:16Z; created: 2020-03-25T09:24:16Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2020-03-25T09:24:16Z; pdf:charsPerPage: 2413; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-03-25T09:24:16Z | Conteúdo => S2-C 2T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10183.720156/2006-67 Recurso Voluntário Acórdão nº 2201-006.077 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 5 de fevereiro de 2020 Recorrente AGROPECUARIA TAMARINEIRO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2004 DAS ÁREAS DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. SÚMULA CARF Nº 122. Para a área de reserva legal deve haver a averbação tempestiva da área de utilização limitada/reserva legal à margem da matrícula do imóvel, nos termos do que dispõe a súmula Carf nº 122. Área averbada já reconhecida. VALOR DA TERRA NUA - VTN / LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal - SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação somente se, na contestação, forem oferecidos elementos de convicção, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, que apresente valor de mercado diferente relativo ao ano base questionado. Laudo Técnico de Avaliação deveria estar acompanhado de comprovantes de pesquisas de preços contemporâneos ao do ano base do lançamento, em quantidade mínima exigível e, comprovadamente, com as mesmas características do imóvel em pauta e da mesma região de sua localização, que justificariam o reconhecimento de valor menor, não constitui elemento de prova suficiente para rever o lançamento. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10183.720154/2006-78, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 01 56 /2 00 6- 67 Fl. 214DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-006.077 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720156/2006-67 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto neste relatório excertos do relatado no Acórdão nº 2201-006.076, de 5 de fevereiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, a qual julgou procedente o lançamento de Imposto Territorial Rural - ITR, acrescido de multa lançada e juros de mora. Exige-se da interessada crédito tributário lançado em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, relativamente ao ITR, aos juros de mora e à multa por informação inexata na Declaração do ITR -DIAC/DIAT, referente ao imóvel rural - NIRF 1.595.495-1, com área total de 16.473,0 ha, denominado: Fazenda São Judas Tadeu, localizado no município de Santo Antônio de Leverger - MT, conforme Notificação de Lançamento – NL, em razão da glosa parcial da APP, ajustando à dimensão atestada no laudo, aumentada a AUL de acordo com a dimensão de ARL averbada nas matrículas, e modificado o VTN com base nos valores constantes da tabela do SIPT, bem como demais alterações consequentes. O contribuinte foi intimado e impugnou o auto de infração, e fazendo, em síntese, através das alegações a seguir descritas. 7. Foi apresentada impugnação, na qual a interessada tratou Dos Fatos, subdividindo-os em: a) Relatado pela Autoridade Lançadora e b) Demonstrado pela Impugnante, alegando, em resumo, o seguinte: 7.1. No item a) Relatado pela Autoridade Lançadora reproduziu parte da descrição efetuada pelo fiscal, inclusive com o quadro de Distribuição da Área, e chamou a atenção especial de que está satisfeita com relação à apuração da APP. 7.2. No item b) Demonstrada pela Impugnante disse que depois de demonstrado de forma cristalina e isenta as razões determinantes da exigência fiscal, listadas pela Autoridade, passaria a demonstrar a improcedência da exigência fiscal de forma pontual. 7.3. Sob o titulo Área Total do Imóvel reclamou a não constatação pela Autoridade Autuante que nos exercícios 2003 e 2002, através das matrículas e mapa de localização apresentados que os dois imóveis NIRF 5.732.980-0 e 1.932.539-8, são contíguos, devendo ser declarados em uma única declaração para efeito do ITR e, na seqüência, mencionou a legislação pertinente. 7.4. Após a observação referente a imóveis contíguos, tratou da Distribuição das Áreas; mencionou o ADA tempestivo e da AUL tratou do reconhecimento de parte da ARL averbada na dimensão de, somente, 6.990,9ha, mas, que, conforme laudo, ART e demais documentos, se comprova a totalidade de 10.251,05ha, distribuída da seguinte forma: 6.990,9ha, averbados na matrícula e 3.263,1ha, retificados conforme protocolo n° 118989/2006. 7.5. Explicou que deveria ter sido feita a reserva legal no total de 10.254,0ha conforme mapa e ADA e que, a diferença, 3.263,1ha está sendo retificada junto ao órgão cabível. 7.6. Mencionou o Laudo de Avaliação da Terra Nua do Imóvel Rural assinado pelo profissional habilitado, conforme estabelecido na Norma Técnica - NBR 14.653, da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, com ART contendo os elementos de pesquisas identificados retificados. 7.7. Finalizou sua impugnação pedindo: a) Seja reconhecida a ARL de 3.263,1ha, devidamente comprovada com laudo técnico elaborado por profissional habilitado, e conforme reconhecido pela fiscalização em face da entrega do ADA em 31/10/2000, excluindo-se da base de cálculo do ITR. Fl. 215DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-006.077 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720156/2006-67 b) Seja reconhecido o VTN indicado no laudo de avaliação apresentado, seja porque cumpre os requisitos mínimos estabelecidos pela NBR 14.653-3 da ABNT, excluindo-a da base cálculo do ITR retificado. c) Assim sendo requer, por fim, seja dado provimento integral à impugnação, extinguindo 0 crédito tributário exigido. 8. Acompanharam a impugnação a documentação, composta por: cópia da NL impugnada; de um requerimento à Secretaria do Meio Ambiente para juntada de documento complementar a processo naquele órgão e renovação de projeto básico; Laudo Técnico de Avaliação, entre outros. Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente a autuação, conforme fundamentos que se extrai da ementa do acórdão prolatado: a) Para que a Área de Preservação Permanente – APP seja isenta, além de constar de laudo técnico especificando em quais artigos da legislação se enquadram, é necessário seu reconhecimento mediante o Ato Declaratório Ambiental - ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA, em até seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR. Da mesma forma as Áreas de Utilização Limitada - AUL, como a Área de Reserva Legal - ARL, necessitam do ADA no prazo legal para sua isenção, além de estarem averbadas na matrícula do imóvel até a data da ocorrência do fato gerador. b) O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal - SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação somente se, na contestação, forem oferecidos elementos de convicção, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, que apresente valor de mercado diferente relativo ao ano base questionado. c) Laudo Técnico elaborado em desacordo com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, desacompanhado de comprovantes de pesquisas de preços contemporâneos ao do ano base do lançamento, em quantidade mínima exigível e, comprovadamente, com as mesmas características do imóvel em pauta e da mesma região de sua localização, que justificariam o reconhecimento de valor menor, não constitui elemento de prova suficiente para rever o lançamento. d) Por determinação legal, a legislação tributária para concessão de benefício fiscal interpreta-se literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a mesma não deve ser concedida. A Recorrente, devidamente intimada da decisão da DRJ, apresentou o recurso voluntário, alegando: a) necessidade de se reconhecer a área de reserva legal e a de preservação permanente; b) insubsistência dos valores (VTN) atribuídos pela receita federal em seu sistema de preços de terra. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Relator Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o Fl. 216DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-006.077 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720156/2006-67 voto consignado no Acórdão nº 2201-006.076, de 5 de fevereiro de 2020, paradigma desta decisão. Do Recurso Voluntário O presente Recurso Voluntário foi apresentado no prazo a que se refere o artigo 33 do Decreto n. 70.235/72 e por isso, dele conheço e passo a apreciá-lo. Da Área de Reserva Legal Antes de entrarmos no mérito da discussão, entendemos por bem citar a legislação de regência: Lei nº 9.393/96 Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando- se a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: (...) II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) (Revogada pela Lei nº 12.651, de 2012) Lei nº 6.338/81 Art. 17-O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1º-A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. (Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) Fl. 217DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-006.077 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720156/2006-67 § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (...) § 5º Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Decreto nº 4.382/2002 (Regulamento do ITR) Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II): I - de preservação permanente (Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 - Código Florestal, arts. 2º e 3º, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, art. 1º); II - de reserva legal (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 24 de agosto de 2001, art. 1º); III - de reserva particular do patrimônio natural (Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, art. 21; Decreto nº 1.922, de 5 de junho de 1996); IV - de servidão florestal (Lei nº 4.771, de 1965, art. 44-A, acrescentado pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001); V - de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nos incisos I e II do caput deste artigo (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II, alínea "b"); VI - comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II, alínea "c"). (...) § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I - ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17-O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); IN SRF 256/2002 Art. 14. São áreas de interesse ecológico aquelas assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, que: I - se destinem à proteção dos ecossistemas e ampliem as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal; ou II - sejam comprovadamente imprestáveis para a atividade rural. Parágrafo único. Para fins do disposto no inciso II, as áreas comprovadamente imprestáveis para a atividade rural são, exclusivamente, as áreas do imóvel rural declaradas de interesse ecológico mediante ato específico do órgão competente, federal ou estadual. Fl. 218DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-006.077 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720156/2006-67 Nos termos da legislação acima mencionada, verifica-se a necessidade da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, mais especificamente: o Decreto nº 4.382/2002, assim como a IN 256/2002, exigem a informação das áreas excluídas de tributação através do ADA. A apresentação deste documento tornou-se obrigatória, para efeito de redução de valor a pagar de ITR, com o §1º do art. 17-O da Lei nº 6.938/81. Este Egrégio CARF já se pronunciou sobre este assunto diversas vezes, sendo que culminou com a edição da Súmula CARF nº 41: Súmula CARF nº 41 A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Sendo assim, após o exercício de 2000 e estamos diante do exercício de 2003, era obrigatória a apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Por outro lado, a exigência de ADA para reconhecimento de isenção para áreas de preservação permanente, de reserva legal e sujeitas ao regime de servidão ambiental, para fatos geradores anteriores à vigência da Lei 12.651/2012, foi tema de manifestação da Procuradoria da Fazenda Nacional, em que estão dispensados de contestação e recorrer, bem como recomendada a desistência dos já interpostos, nos termos do Art. 2º, V, VII e §§ 3º a 8º, da Portaria PGFN nº 502/2016, nos termos abaixo: 1.25 - ITR a) Área de reserva legal e área de preservação permanente Precedentes: AgRg no Ag 1360788/MG, REsp 1027051/SC, REsp 1060886/PR, REsp 1125632/PR, REsp 969091/SC, REsp 665123/PR, AgRg no REsp 753469/SP e REsp nº 587.429/AL. Resumo: O STJ entendeu que, por se tratar de imposto sujeito a lançamento que se dá por homologação, dispensa-se a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis e a apresentação do Ato Declaratório Ambiental pelo Ibama para o reconhecimento das áreas de preservação permanente, de reserva legal e sujeitas ao regime de servidão ambiental, com vistas à concessão de isenção do ITR. Dispensa-se também, para a área de reserva legal, a prova da sua averbação (mas não a averbação em si) no registro de imóveis, no momento da declaração tributária. Em qualquer desses casos, se comprovada a irregularidade da declaração do contribuinte, ficará este responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa. OBSERVAÇÃO 1: Caso a matéria discutida nos autos envolva a prescindibilidade de averbação da reserva legal no registro do imóvel para fins de gozo da isenção fiscal, de maneira que este registro seria ou não constitutivo do direito à isenção do ITR, deve-se continuar a contestar e recorrer. Com feito, o STJ, no EREsp 1.027.051/SC, reconheceu que, para fins tributários, a averbação deve ser condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. Tal hipótese não se confunde com a necessidade ou não de comprovação do registro, visto que a prova da averbação é dispensada, mas não a existência da averbação em si. OBSERVAÇÃO 2: A dispensa contida neste item não se aplica para as demandas relativas a fatos geradores posteriores à vigência da Lei nº 12.651, de 2012 (novo Código Florestal). Fl. 219DF CARF MF Documento nato-digital http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-006.077 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720156/2006-67 OBSERVAÇÃO 3: Antes do exercício de 2000, dispensa-se a exigência do ADA para fins de concessão de isenção de ITR para as seguintes áreas: Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN, Áreas de Declarado Interesse Ecológico – AIE, Áreas de Servidão Ambiental – ASA, Áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas e Floresta Nativa, com fulcro na Súmula nº 41 do CARF. Resta a irresignação da recorrente com relação à área de reserva legal. Com relação às Áreas de Reserva Legal, o CARF já se manifestou uniforme e reiteradamente tendo, inclusive, emitido Súmula de observância obrigatória, nos termos do art. 72 de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, cujo conteúdo transcrevo abaixo: Súmula CARF nº 122 A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA). (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Por outro lado, verificamos que a averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel de 6.660,9 ha anteriormente à ocorrência do fato gerador objeto de discussão nos presentes autos e que já não é mais objeto de litígio. Entretanto a averbação na matrícula do imóvel da área de reserva legal para 10.254,0ha ocorreu apenas em 2005, de modo que não pode ser aproveitada para os presentes autos, de modo que deve ser mantida a área de reserva legal de 6.660,9 ha. Não há litígio instaurado, pois foi reconhecido nos presentes autos exatamente a área de reserva legal averbado na matrícula do imóvel de 6.660,9ha. Do VTN Apesar de haver laudo comparando preços de imóveis da região, concordamos com a decisão recorrida que analisou de forma que não resta dúvidas sobre a inaplicabilidade dos preços lá constantes: 28. Na questão do VTN, o procedimento da fiscalização é que, quando da análise das DITR, a autoridade fiscal verificar que o valor atribuído ao imóvel está aquém dos valores médios informados nas declarações da região, bem como dos valores constantes da tabela SIPT, deve intimar o declarante a comprovar a origem dos valores declarados e a forma de cálculo utilizada, entre outros. Para tal, o documento eficaz que possibilita essa comprovação é o laudo técnico, elaborado em atenção às normas constantes da ABNT, órgão orientador e controlador dos trabalhos de profissionais da área, acompanhado dos documentos que comprovam as fontes idôneas de pesquisa. 29. Na ocasião do atendimento à intimação foi apresentado esse documento, porém, foi rejeitado por haver sido elaborado em discordância com as normas técnicas. Além dos vícios apontados pela autoridade fiscal, outra falha do laudo é que apurou um valor para os três exercícios e não específico para cada. 30. Com a impugnação foi carreado novo laudo, que apresenta o VTN de R$ 1.289.000,00, confirmando o incorreto valor declarado de R$ 645.245,52 e a ineficácia do laudo anteriormente apresentado que apurou o VTN de R$ Fl. 220DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-006.077 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.720156/2006-67 610.000,00, para os três exercícios, como já dito (fl. 56 do processo relativo ao exercício 2005). 31. Apesar do acréscimo do valor, bem como da especificidade com relação ao exercício, o laudo trazido com a impugnação se apresenta, novamente, ineficaz. Entre as irregularidades consta a afirmação de que a coleta de dados foi embasa em pesquisa de jornais de grande circulação e corretores, porém, não mostrou nenhum documento dessa pesquisa, nem mesmo o nome do jornal, muito menos o ano de sua publicação. Aliás, os supostos elementos de pesquisas são, praticamente, os mesmos constantes do laudo anterior com resultado diverso, fato que demonstra a fragilidade das premissas de sua conclusão. Além disso, parte dos mesmos diz respeito a imóveis de outros municípios e o número de dados relativo ao município de interesse é inferior a cinco, que é o mínimo exigível pela ABNT. 32. Para ser aceito, o laudo deve ser elaborado eficazmente, atendendo às normas técnicas, com pesquisas idôneas, informando suas origens, tais como negociações efetivadas e registradas oficialmente, com demonstração de que o imóvel contém peculiaridades que divergem às consideradas pela Receita. Os valores trazidos no laudo, além de apenas serem catalogados, estão desacompanhados de comprovantes. 33. Assim, na ausência de laudo eficaz, não há como alterar o VTN do lançamento. Mesmo o laudo trazido com o recurso voluntário padece dos mesmos vícios apontados, de modo que também não se prestam ao fim de alterar o VTN arbitrado. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso voluntário e nego-lhe provimento. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 221DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10886.721254/2015-95
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2010
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. MULTA POR ATRASO.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. SÚMULA CARF Nº 46.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49.
A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2002-002.703
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13811.726461/2015-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. MULTA POR ATRASO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. SÚMULA CARF Nº 46. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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GFIP. MULTA POR ATRASO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. SÚMULA CARF Nº 46. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13811.726461/2015-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 6. 72 12 54 /2 01 5- 95 Fl. 64DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-002.703 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10886.721254/2015-95 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 2002-002.426, de 29 de janeiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de Auto de Infração lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, onde se apurou a Multa por Atraso na Entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. O contribuinte apresentou Impugnação, a qual foi julgada improcedente pelo Colegiado a quo. Cientificado do acórdão de primeira instância, o interessado ingressou com Recurso Voluntário com os argumentos a seguir sintetizados. - Alega a ocorrência de denúncia espontânea, conforme entendimento da Receita Federal constante da IN 971/09 e do Manual da GFIP/SEFIP. - Aduz que a multa em exame deveria observar os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. - Sustenta que não houve intimação do contribuinte omisso, como determina expressamente o art. 32-A da Lei 8.212/91, nem tampouco a imposição da multa no momento do recebimento da GFIP em atraso ou nos anos seguintes, tendo o fisco efetuado o lançamento nos estertores da decadência tributária. - Entende que a suposta infração de natureza acessória alcançou seu objetivo de forma plena e eficaz ante o pagamento integral do tributo consignado na GFIP antes de qualquer iniciativa fiscal. - Expõe que, ainda que tenha obedecido à regra da competência legislativa e tenha respeitado o processo legislativo, a lei será inconstitucional se atentar contra o princípio da razoabilidade. - Suscita o caráter confiscatório da multa aplicada. - Afirma que houve violação ao art. 146 do CTN. - Ressalta que não houve prejuízo ao erário, considerando que os encargos foram devidamente recolhidos. - Assevera que as multas aplicadas contrariam a jurisprudência administrativa e judicial. Fl. 65DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-002.703 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10886.721254/2015-95 Voto Conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Relatora Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2002-002.426, de 29 de janeiro de 2020, paradigma desta decisão. O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. No que concerne à ausência de intimação prévia ao lançamento, aplica-se o disposto na Súmula CARF nº 46, com efeito vinculante em relação à Administração Tributária Federal: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). O previsto no art. 32-A da Lei nº 8.212/91 não contraria este entendimento. A intimação prévia somente será realizada quando for necessária, ou seja, quando a autoridade fiscal não dispuser de elementos suficientes para efetuar o lançamento, o que não se verifica no caso em tela, uma vez que se trata de multa pelo atraso na entrega de GFIP sem apuração de incorreções em seu conteúdo. Relativamente à alegação de denúncia espontânea, deixo de tecer maiores considerações haja vista o entendimento consolidado na Súmula CARF n° 49, também vinculante em relação à Administração Tributária Federal: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Quanto à infração apurada, equivoca-se o recorrente ao entender que a mesma poderia ser afastada em razão do pagamento integral do tributo consignado na GFIP. De acordo com o art. 32-A, II, da Lei 8.212/91, a multa incide sobre o montante das contribuições previdenciárias informadas no documento ainda que tenham sido integralmente pagas pelo contribuinte. A exigência da penalidade independe de sua capacidade financeira ou da existência de danos causados à Fazenda Pública. Também não há que se falar em alteração nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa e violação do art. 146 do Código Tributário Nacional - CTN. A alteração na sistemática de aplicação de multas vinculadas à GFIP ocorreu com a inclusão do art.32-A da Lei Fl. 66DF CARF MF Documento nato-digital https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-002.703 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10886.721254/2015-95 8.212/91 pela Lei 11.941/09, ou seja, anteriormente ao ano calendário que aqui se examina. Vale lembrar que, segundo o art. 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, não cabendo discussão sobre a aplicação das determinações legais vigentes por parte das autoridades fiscais. Quanto aos questionamentos acerca da violação aos princípios constitucionais e do caráter confiscatório da multa, importa reproduzir o disposto na Súmula CARF n° 2, de observância obrigatória por seus Conselheiros no julgamento dos Recursos: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cabe mencionar, por fim, que as decisões trazidas pelo recorrente somente vinculam as partes envolvidas naqueles litígios, não podendo ser estendidas genericamente a outros casos. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 67DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10845.720178/2008-58
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005
CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA FORNECIDO PELA SECRETARIA ESTADUAL DE AGRICULTURA. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE NULIDADE. Não está inquinada de nulidade a constituição de crédito tributário baseado no arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN), utilizando o Sistema de Preços de Terras (SIPT) baseado no VTN médio por aptidão agrícola fornecido pela Secretaria Estadual de Agricultura, lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. NULIDADE DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO POR VÍCIO FORMAL. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. MALHA FISCAL. INDICAÇÃO DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA RESPONSÁVEL. FALTA DE ASSINATURA. Nos casos em que ficar caracterizado infração à legislação tributária exclusivamente por meio de informações constantes das bases de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), será expedida notificação de lançamento eletrônica, da qual será dada ciência ao contribuinte, sendo que a falta de assinatura da autoridade administrativa fiscal, indicada na respectiva notificação de lançamento, não caracteriza vício formal e, muito menos, material. Assim, a notificação de lançamento, com origem na seleção eletrônica de declaração para verificação efetuada pela Malha da Receita Federal, prescinde de assinatura
(parágrafo único, do artigo 11, do Decreto n° 70.235, de 1972). ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. LAUDO TÉCNICO. DIVERGÊNCIA ENTRE ÁREA APURADA E ÁREA DECLARADA. PREVALÊNCIA DO LAUDO. Se o contribuinte apresentar documentos hábeis, revestidos das formalidades legais, que comprovam que as áreas questionadas estão inseridas no Parque Estadual da Serra do Mar e apresenta, de forma tempestiva, o Ato Declaratório Ambiental ADA, corroborando a informação prestada pelo recorrente, é de se reformar o lançamento. Assim, comprovada a existência de áreas de Preservação Permanente por meio de apresentação de
Laudo Técnico elaborado por empresa especializada, tais áreas devem ser excluídas da incidência do ITR. Existindo divergência entre a área de Preservação Permanente declarada e a área efetivamente apurada pelo Laudo Técnico, há de prevalecer a área comprovada.ÁREAS ALAGADAS. RESERVATÓRIO DE USINAS HIDROELÉTRICAS. ISENÇÃO DE ITR.
O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas (Súmula CARF nº 45).
ITR ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL EXCLUSÃO DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. O recorrente foi autuado pelo fato de ter excluído da base de cálculo do ITR área de preservação permanente e reserva legal sem prévio ato declaratório ambiental. A Medida Provisória 2.166, de 24 de agosto de 2001, ao inserir o parágrafo 7, ao artigo 10 da Lei 9.393, de 1996, dispensa a apresentação do contribuinte, de ato declaratório do IBAMA, com a finalidade de excluir da base de cálculo do ITR as áreas de preservação permanente e de reserva legal, ressalvada a possibilidade da Administração Tributária demonstrar a falta de veracidade da declaração do contribuinte. Quando o contribuinte for intimado e conseguir demonstrar através de provas inequívocas, como por exemplo averbação no registro de imóveis ou laudo de avaliação assinado por profissional competente o que deve prevalecer é a verdade material IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. VALOR DA TERRA NUA MÍNIMO. REVISÃO. LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. FORMA DE APRESENTAÇÃO. NORMAS DA ABNT. O Laudo Técnico de Avaliação, que contém elementos de prova suficientes o bastante para demonstrar características do imóvel em discussão que o diferenciam em relação a outros imóveisdo mesmo município de localização, ensejando um valor tributável pelo valor da terra nua inferior ao VTNm fixado pela Secretaria da Receita Federal, tendo por base a aptidão agrícola, deve ser acolhido para revisão dos cálculos e apuração do valor tributável correspondente. MULTA DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio sobre os valores recolhidos a menor na DITR. MULTA DE OFICIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. O parágrafo 3°, do artigo 63, da Lei n° 9.430, de 1996, não prevê a incidência dos juros sobre a multa de ofício. Se existe previsão somente sobre a multa moratória. Que também entendo não haver incidência, por se tratar de obrigação acessória, e juros devem incidir somente sobre a obrigação principal ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Preliminares rejeitadas.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2202-001.756
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a Área de Preservação Permanente conforme declarada pela Recorrente; reduzir o Valor da Terra Nua – VTN para R$ 5.332.390,27, conforme o estabelecido no Laudo Técnico de Avaliação apresentado e determinar a exclusão da incidência dos juros moratórios, calculados com base na taxa Selic, sobre a multa de ofício, nos termos dos votos do Relator e do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Nelson Mallmann (Relator), que provia parcialmente o recurso para excluir da base de cálculo da exigência a Área de Preservação Permanente indicadas no Laudo Técnico equivalente a 8.585,24 ha, bem como reduzia o Valor da Terra Nua – VTN para R$ 5.332.390,27, conforme o estabelecido no Laudo Técnico de Avaliação apresentado e a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que, além disso, provia, ainda, a exclusão da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor (restabelecimento da área de preservação permanente e exclusão da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício) o Conselheiro Pedro Anan Junior. Fez sustentação oral, seu representante legal, Dr. Antonio Carlos de Almeida Amendola, inscrito na OAB/SP sob o nº. 154.182.
Nome do relator: Pedro Anan Junior
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a Área de Preservação Permanente conforme declarada pela Recorrente; reduzir o Valor da Terra Nua – VTN para R$ 5.332.390,27, conforme o estabelecido no Laudo Técnico de Avaliação apresentado e determinar a exclusão da incidência dos juros moratórios, calculados com base na taxa Selic, sobre a multa de ofício, nos termos dos votos do Relator e do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Nelson Mallmann (Relator), que provia parcialmente o recurso para excluir da base de cálculo da exigência a Área de Preservação Permanente indicadas no Laudo Técnico equivalente a 8.585,24 ha, bem como reduzia o Valor da Terra Nua – VTN para R$ 5.332.390,27, conforme o estabelecido no Laudo Técnico de Avaliação apresentado e a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que, além disso, provia, ainda, a exclusão da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor (restabelecimento da área de preservação permanente e exclusão da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício) o Conselheiro Pedro Anan Junior. Fez sustentação oral, seu representante legal, Dr. Antonio Carlos de Almeida Amendola, inscrito na OAB/SP sob o nº. 154.182.
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA FORNECIDO PELA SECRETARIA ESTADUAL DE AGRICULTURA. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE NULIDADE. Não está inquinada de nulidade a constituição de crédito tributário baseado no arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN), utilizando o Sistema de Preços de Terras (SIPT) baseado no VTN médio por aptidão agrícola fornecido pela Secretaria Estadual de Agricultura, lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. NULIDADE DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO POR VÍCIO FORMAL. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. MALHA FISCAL. INDICAÇÃO DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA RESPONSÁVEL. FALTA DE ASSINATURA. Nos casos em que ficar caracterizado infração à legislação tributária exclusivamente por meio de informações constantes das bases de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), será expedida notificação de lançamento eletrônica, da qual será dada ciência ao contribuinte, sendo que a falta de assinatura da autoridade administrativa fiscal, indicada na respectiva notificação de lançamento, não caracteriza vício formal e, muito menos, material. Assim, a notificação de lançamento, com origem na seleção eletrônica de declaração para verificação efetuada pela Malha da Receita Federal, prescinde de assinatura (parágrafo único, do artigo 11, do Decreto n° 70.235, de 1972). ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. LAUDO TÉCNICO. DIVERGÊNCIA ENTRE ÁREA APURADA E ÁREA DECLARADA. PREVALÊNCIA DO LAUDO. Se o contribuinte apresentar documentos hábeis, revestidos das formalidades legais, que comprovam que as áreas questionadas estão inseridas no Parque Estadual da Serra do Mar e apresenta, de forma tempestiva, o Ato Declaratório Ambiental ADA, corroborando a informação prestada pelo recorrente, é de se reformar o lançamento. Assim, comprovada a existência de áreas de Preservação Permanente por meio de apresentação de Laudo Técnico elaborado por empresa especializada, tais áreas devem ser excluídas da incidência do ITR. Existindo divergência entre a área de Preservação Permanente declarada e a área efetivamente apurada pelo Laudo Técnico, há de prevalecer a área comprovada.ÁREAS ALAGADAS. RESERVATÓRIO DE USINAS HIDROELÉTRICAS. ISENÇÃO DE ITR. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas (Súmula CARF nº 45). ITR ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL EXCLUSÃO DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. O recorrente foi autuado pelo fato de ter excluído da base de cálculo do ITR área de preservação permanente e reserva legal sem prévio ato declaratório ambiental. A Medida Provisória 2.166, de 24 de agosto de 2001, ao inserir o parágrafo 7, ao artigo 10 da Lei 9.393, de 1996, dispensa a apresentação do contribuinte, de ato declaratório do IBAMA, com a finalidade de excluir da base de cálculo do ITR as áreas de preservação permanente e de reserva legal, ressalvada a possibilidade da Administração Tributária demonstrar a falta de veracidade da declaração do contribuinte. Quando o contribuinte for intimado e conseguir demonstrar através de provas inequívocas, como por exemplo averbação no registro de imóveis ou laudo de avaliação assinado por profissional competente o que deve prevalecer é a verdade material IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. VALOR DA TERRA NUA MÍNIMO. REVISÃO. LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. FORMA DE APRESENTAÇÃO. NORMAS DA ABNT. O Laudo Técnico de Avaliação, que contém elementos de prova suficientes o bastante para demonstrar características do imóvel em discussão que o diferenciam em relação a outros imóveisdo mesmo município de localização, ensejando um valor tributável pelo valor da terra nua inferior ao VTNm fixado pela Secretaria da Receita Federal, tendo por base a aptidão agrícola, deve ser acolhido para revisão dos cálculos e apuração do valor tributável correspondente. MULTA DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio sobre os valores recolhidos a menor na DITR. MULTA DE OFICIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. O parágrafo 3°, do artigo 63, da Lei n° 9.430, de 1996, não prevê a incidência dos juros sobre a multa de ofício. Se existe previsão somente sobre a multa moratória. Que também entendo não haver incidência, por se tratar de obrigação acessória, e juros devem incidir somente sobre a obrigação principal ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido.
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NULIDADE DO LANÇAMENTO. ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA FORNECIDO PELA SECRETARIA ESTADUAL DE AGRICULTURA. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE NULIDADE. Não está inquinada de nulidade a constituição de crédito tributário baseado no arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN), utilizando o Sistema de Preços de Terras (SIPT) baseado no VTN médio por aptidão agrícola fornecido pela Secretaria Estadual de Agricultura, lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. NULIDADE DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO POR VÍCIO FORMAL. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. MALHA FISCAL. INDICAÇÃO DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA RESPONSÁVEL. FALTA DE ASSINATURA. Nos casos em que ficar caracterizado infração à legislação tributária exclusivamente por meio de informações constantes das bases de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), será expedida notificação de lançamento eletrônica, da qual será dada ciência ao contribuinte, sendo que a falta de assinatura da autoridade administrativa fiscal, indicada na respectiva notificação de lançamento, não caracteriza vício formal e, muito menos, material. Assim, a notificação de lançamento, com origem na seleção eletrônica de declaração para verificação efetuada pela Malha da Receita Fl. 482DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 2 Federal, prescinde de assinatura (parágrafo único, do artigo 11, do Decreto n° 70.235, de 1972). ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. LAUDO TÉCNICO. DIVERGÊNCIA ENTRE ÁREA APURADA E ÁREA DECLARADA. PREVALÊNCIA DO LAUDO. Se o contribuinte apresentar documentos hábeis, revestidos das formalidades legais, que comprovam que as áreas questionadas estão inseridas no Parque Estadual da Serra do Mar e apresenta, de forma tempestiva, o Ato Declaratório Ambiental ADA, corroborando a informação prestada pelo recorrente, é de se reformar o lançamento. Assim, comprovada a existência de áreas de Preservação Permanente por meio de apresentação de Laudo Técnico elaborado por empresa especializada, tais áreas devem ser excluídas da incidência do ITR. Existindo divergência entre a área de Preservação Permanente declarada e a área efetivamente apurada pelo Laudo Técnico, há de prevalecer a área comprovada. ÁREAS ALAGADAS. RESERVATÓRIO DE USINAS HIDROELÉTRICAS. ISENÇÃO DE ITR. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas (Súmula CARF nº 45). ITR ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL EXCLUSÃO DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. O recorrente foi autuado pelo fato de ter excluído da base de cálculo do ITR área de preservação permanente e reserva legal sem prévio ato declaratório ambiental. A Medida Provisória 2.166, de 24 de agosto de 2001, ao inserir o parágrafo 7, ao artigo 10 da Lei 9.393, de 1996, dispensa a apresentação do contribuinte, de ato declaratório do IBAMA, com a finalidade de excluir da base de cálculo do ITR as áreas de preservação permanente e de reserva legal, ressalvada a possibilidade da Administração Tributária demonstrar a falta de veracidade da declaração do contribuinte. Quando o contribuinte for intimado e conseguir demonstrar através de provas inequívocas, como por exemplo averbação no registro de imóveis ou laudo de avaliação assinado por profissional competente o que deve prevalecer é a verdade material IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. VALOR DA TERRA NUA MÍNIMO. REVISÃO. LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. FORMA DE APRESENTAÇÃO. NORMAS DA ABNT. O Laudo Técnico de Avaliação, que contém elementos de prova suficientes o bastante para demonstrar características do imóvel em discussão que o diferenciam em relação a outros imóveis do mesmo município de localização, ensejando um valor tributável pelo valor da terra nua inferior ao VTNm fixado pela Secretaria da Receita Federal, tendo por base a aptidão agrícola, deve ser acolhido para revisão dos cálculos e apuração do valor tributável correspondente. MULTA DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10845.720178/200858 Acórdão n.º 220201.757 S2C2T2 Fl. 3 3 A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio sobre os valores recolhidos a menor na DITR. MULTA DE OFICIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. O parágrafo 3°, do artigo 63, da Lei n° 9.430, de 1996, não prevê a incidência dos juros sobre a multa de ofício. Se existe previsão somente sobre a multa moratória. Que também entendo não haver incidência, por se tratar de obrigação acessória, e juros devem incidir somente sobre a obrigação principal ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a Área de Preservação Permanente conforme declarada pela Recorrente; reduzir o Valor da Terra Nua – VTN para R$ 5.332.390,27, conforme o estabelecido no Laudo Técnico de Avaliação apresentado e determinar a exclusão da incidência dos juros moratórios, calculados com base na taxa Selic, sobre a multa de ofício, nos termos dos votos do Relator e do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Nelson Mallmann (Relator), que provia parcialmente o recurso para excluir da base de cálculo da exigência a Área de Preservação Permanente indicadas no Laudo Técnico equivalente a 8.585,24 ha, bem como reduzia o Valor da Terra Nua – VTN para R$ 5.332.390,27, conforme o estabelecido no Laudo Técnico de Avaliação apresentado e a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que, além disso, provia, ainda, a exclusão da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor (restabelecimento da área de preservação permanente e exclusão da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício) o Conselheiro Pedro Anan Junior. Fez sustentação oral, seu representante legal, Dr. Antonio Carlos de Almeida Amendola, inscrito na OAB/SP sob o nº. 154.182. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Relator Fl. 484DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 4 (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes justificadamente, os Conselheiros Antonio Lopo Martinez e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10845.720178/200858 Acórdão n.º 220201.757 S2C2T2 Fl. 4 5 Relatório COMPANHIA BRASILEIRA DE ALUMÍNIO, contribuinte inscrita no CNPJ/MF sob o nº 61.409.892/000173, com domicílio fiscal na cidade de São Paulo Estado de São Paulo, na Rua Ramos de Azevedo nº 254, Bairro Centro, jurisdicionada, para fins de ITR (NIRF 3.196.7914 – Juquiá Travessão Cachoeira Comprida, situada no município de Miracatu SP), a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santos SP, inconformada com a decisão de Primeira Instância de fls. 303/316, prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande MS, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 326/382. Contra a contribuinte acima mencionada foi lavrado, em 15/12/2009, a Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (fls. 01/08), com ciência, em 05/01/2009, através de AR (fls. 171) exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 4.956.452,55 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de imposto, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda relativo ao período base de 2004, fato gerador 01/01/2005, exercício 2005. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização, onde a autoridade lançadora entendeu haver as seguintes irregularidades: 1 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE NÃO COMPROVADA: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a titulo de preservação permanente no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Infração capitulada no artigo 10, § 1º, inciso II, alínea “a” e 14, da Lei nº 9.393, de 1996. 2 VALOR DA TERRA NUA DECLARADO NÃO COMPROVADO: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo por base as informações do Sistema de Preços de Terra – SIPT da Receita Federal. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. A autoridade autuante, responsável pela constituição do crédito tributário, esclarece, ainda, através da própria Notificação de Lançamento (fls. 01/08), entre outros, os seguintes aspectos: que a Declaração de ITR do sujeito passivo incidiu em Malha Fiscal, nos parâmetros Áreas Não Tributáveis e Cálculo do Valor da Terra Nua VTN; Fl. 486DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 6 que regularmente intimado e transcorrido o prazo fixado, o interessado apresentou documentação visando comprovar os valores informados em sua declaração, objeto de análise pela Malha Fiscal do ITR; que em relação às Áreas não Tributáveis o sujeito passivo informou na Declaração de Informação e Apuração do ITR DIAT 2005, no quadro Distribuição da Área do Imóvel, 19.790,3 ha como Área de Preservação Permanente, visando a exclusão dessa área da incidência do ITR; que o sujeito passivo apresentou o Ato Declaratório Ambiental ADA tempestivo indicando 19.802,4 ha como Área Total do Imóvel e 19.790,3 ha como Área de Preservação Permanente; que a legislação do ITR prevê que para se beneficiar da isenção do imposto sobre as áreas ambientais, fazse necessária a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA, no prazo e condições fixados em ato normativo. O artigo 9o, § 3º, inciso I da Instrução Normativa SRF n° 256/2002 dispõe que as áreas não tributáveis do imóvel rural deverão ser obrigatoriamente informadas em ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), no prazo de até seis meses, contado a partir da data final fixada para a entrega da DITR; que em relação à apresentação da Certidão do órgão público competente que comprovasse a existência da Área de Preservação Permanente, nos termos do artigo 3º da Lei Federal n° 4.771/1965(Código Florestal), o sujeito passivo entregou uma Informação Técnica (SMA/CPLEA/DPAE n° 002/08) da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Governo do Estado de São Paulo, emitida pela Coordenadoria de Planejamento Ambiental Estratégico e Educação Ambiental, responsável pelas informações a respeito das Unidades de Conservação de Uso Sustentável; que desta Informação Técnica cabe ressaltar o seguinte: (1) que o imóvel encontrase totalmente inserido na Área de Proteção Ambiental APA Serra do Mar, criada pelo Decreto Estadual n° 22.717 de 21/09/1984; (2) que a maior parte do imóvel encontrase na Zona de Vida Silvestre (conforme anexo III do referido Decreto); que após a promulgação da Lei Federal n° 9.985 de 18 de julho de 2000 (Sistema Nacional de Unidades de Conservação SNUC) a APA Serra do Mar deveria dispor de um Plano de Manejo, conforme determina o artigo 27 do SNUC; que até a presente data da Informação Técnica o Plano de Manejo não foi elaborado, não havendo portanto normas específicas para o uso do solo na área; que no ofício de encaminhamento (SMA/CPLEA n° 05/08) a conclusão é que o imóvel encontrase inserido na Área de Proteção Ambiental APA Serra do Mar e, em sua maior parte, em sua Zona de Vida Silvestre. Esclarece ainda que a informação verse sobre a inserção do imóvel na Área de Proteção Ambiental APA Serra do Mar; que de acordo com a legislação tributária vigente, o sujeito passivo tem direito apenas às exclusões de áreas não tributáveis previstas no Código Florestal (Lei Federal n° 4.771/65) e na Lei Federal n° 9.985/2000 (Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza SNUC), consubstanciadas na Lei Federal n° 9.393, de 19 de dezembro de 1996 (artigo 10, § Io, inciso II Lei do ITR) e através da sua regulamentação no Decreto Federal n° 4.3 82, de 19 de setembro de 2002 (artigos 11 ao 15 Regulamentação do ITR); Fl. 487DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10845.720178/200858 Acórdão n.º 220201.757 S2C2T2 Fl. 5 7 que essas áreas são: (1) As Áreas de Preservação Permanente (artigos 2° e 3° do Código Florestal); (2) As Áreas de Reserva Legal (artigo 16 do Código Florestal); (3) As Áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural (artigo 21 do SNUC); (4) As Áreas de Interesse Ecológico (artigo 10 da Lei Federal nº 9.393/1996); (5) As Áreas de Servidão Florestal ou Ambiental (artigo 44A do Código Florestal e artigo 9A da Lei Federal n° 6.938/1981); (6) As Áreas Cobertas por Florestas Nativas (artigo 10 da Lei Federal n° 9.393/1996). que no ofício enviado pelo sujeito passivo, em resposta ao Termo de Intimação n° 08106/00001/2007, informa que os Laudos emitidos pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente atestam que o imóvel está totalmente inserido na Área de Proteção Ambiental APA Serra do Mar e em Zona de Vida Silvestre sendo portanto equiparados ao artigo 3º do Código Florestal em Área de Preservação Permanente; que, em primeiro lugar, conforme já informado anteriormente, as APA não estão previstas como Áreas sujeitas à exclusão da Área Total do Imóvel, para fins de apuração do ITR. Desta forma não há o direito a isenção do ITR da Área declarada como APA conforme descrita no artigo 15 do SNUC; que em relação à informação de que o imóvel encontrase em sua maior parte em Zona de Vida Silvestre (descrita no anexo III do Decreto Estadual n° 22.717 de 21/09/1984) a Resolução Conama n°10/1988 em seu artigo 4º dispõe que toda APA deverá ter Zona de Vida Silvestre nas quais será proibido ou regulado o uso dos sistemas naturais. Dispõe ainda que nas Zonas de Preservação de Vida Silvestre serão proibidas as atividades que importem na alteração antrópica da biota. A Lei Federal n° 9.985 de 18 de julho de 2000 (Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza SNUC) consolidou como um tipo de Unidade de Conservação de Proteção Integral o Refúgio de Vida Silvestre que pode ser constituído por áreas particulares; que, entretanto, o artigo 27 da mesma Lei, dispõe que as Unidades de Conservação devem ter um Plano de Manejo no prazo de cinco anos a partir da data de sua criação. O artigo 2 9 da mesma Lei também dispõe que as Unidades de Conservação do Grupo de Proteção Integral, deverão dispor de um Conselho Consultivo com representantes de órgãos públicos, de organizações da sociedade civil e pelos proprietários de terra localizadas em Refúgio de VidaSilvestre; que conforme ressaltado na Informação Técnica (SMA/CPLEA/DPAE n° 002/08) da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Governo do Estado de São Paulo tanto a APA como a Zona de Vida Silvestre não dispõe de Plano de Manejo, não havendo portanto normas específicas para o uso do solo nessa área; que portanto para que a área de 19.790,3 ha pudesse ser excluída da base de cálculo do ITR ela deveria ser equiparada a uma Área de Preservação Permanente de acordo com o disposto no artigo 3° do Código Florestal. Conforme exposto, as Áreas de Proteção Ambiental não se equiparam e para que a Zona de Vida Silvestre estivesse de acordo com o disposto na Lei do SNUC e equiparada a Refúgio de Vida Silvestre, deveria dispor de um Plano de Manejo e um Conselho Consultivo para estabelecer as normas específicas para o uso do solo e a preservação integral dos recursos naturais daquela área; que convém ressaltar que no estágio administrativo em que essas Unidades de Conservação (APA e Zona de Vida Silvestre) estão, não existem garantias de que o uso dos Fl. 488DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 8 sistemas naturais serão proibidos sem alteração antrópica da biota, equiparandose assim à uma Área de Preservação Permanente (artigo 3o Código Florestal). Essas áreas encontramse ainda em um estágio de uso moderado e autosustentado da biota, não se caracterizando portanto como de Preservação Permanente; que quanto ao Valor da Terra Nua declarado pelo sujeito passivo foi entregue um Laudo Técnico de Avaliação com 14 amostras de imóveis para comparação; que os 14 imóveis amostrados têm os seguintes atributos (valores médios de toda a amostra): Área Total 260,42 ha Valor Total do Imóvel (VTI) R$ 361.400,00 VTI com fator de elasticidade da venda R$ 325.280,00 Benfeitorias R$ 276.000,00 Percentagem Benfeitorias/VTI 75,1% Percentagem Benfeitorias/ VTI com fator de elasticidade da venda 83,4% VTN 190,25 ha; que esses dados foram contestados pela análise na Malha Fiscal ITR pelas seguintes razões: (1) Os imóveis amostrados tem uma Área Total sensivelmente menor que o imóvel avaliando, contrariando a Norma ABNT 14.653, a qual dispõe que as amostras devem ter semelhança com o imóvel objeto da avaliação, no que diz respeito à sua localização, ã destinação e à capacidade de uso da terra; (2) O percentual médio da razão, valor das benfeitorias em relação ao Valor Total dos Imóveis, é de 75,1%. Os VTN de cada imóvel da amostra foram calculados com o VTN com fator de elasticidade da venda, o que elevou o percentual médio dessa razão para 83,4%, fato que reduz sobremaneira o VTI dos imóveis avaliados. O Setor de Avaliação de Imóveis para a desapropriação com da Superintendência do INCRA no Estado de São Paulo estimou que o percentual da relação valores de benfeitorias/VTI situase em média ao redor de 35.%; que desta forma o Valor da Terra Nua declarado pelo sujeito passivo este foi contestado à vista do artigo 14 da Lei n° 9.393, de 19/12/1996; considerando o disposto no artigo 14 da Lei n° 9.393/96, o Sistema de Preços de Terras SIPT foi instituído pela Portaria SRF n°. 447, de 28/03/02, com dados publicados pelas Secretarias Estaduais de Agricultura ou entidades correlatas; que para o imóvel objeto desta Notificação de Lançamento, localizado no município de Miracatu, o valor constante do SIPT, para o exercício de2005, está descrito na consulta a este sistema juntada aos autos; que com base nesses dados, foi então utilizado o Valor da Terra Nua VTN para o exercício 2005 , em R$ 578,51 /ha, perfazendo um total de R$ 11.455.886,42 (onze milhões, quatrocentos e cinqüenta e cinco mil, oitocentos e oitenta e seis reais e quarenta e dois centavos) conforme demonstrado abaixo: Área Total do Imóvel declarada 19.802,4 há VTN/ha = R$ 578,51 VTN do Imóvel = VTN/ha x Área do Imóvel VTN do Imóvel = 578,51 x 19.802,4 = R$ 11.455.886,42. que, desta forma, considerando o não atendimento às exigências contidas no Termo de Intimação Fiscal n° 08106/00001/2007, a seguir discriminadas: (1) a não comprovação de que o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de Preservação Permanente, nos termos do artigo 3º da Lei n° 4.771/1965 (Código Florestal); (2) a apresentação do Laudo de avaliação do imóvel, não conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com Anotação de Responsabilidade Técnica – ART registrada no CREA, contendo todos os elementos identificados que comprovassem o Valor de Terra Nua VTN informado na Declaração do ITR DITR, lavrouse o presente lançamento de ofício, exercício 2005, alterou Fl. 489DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10845.720178/200858 Acórdão n.º 220201.757 S2C2T2 Fl. 6 9 se o valor da terra nua declarado pelo sujeito passivo glosouse a área de 19.790,3 há relativa à Área de Preservação Permanente, em cumprimento ao art. 14 da Lei n° 9.393, de 19/12/1996. Em sua peça impugnatória de fls. 177/230, instruída pelos documentos de fls. 231/300, apresentada, tempestivamente, em 03/02/2009, a contribuinte se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que muito embora o Imóvel tenha severíssimas restrições de uso, a Impugnante regularmente apura, no dia 1º de janeiro de cada ano, o montante devido a título de ITR, oportunidade na qual é excluído da base de cálculo de tal imposto o valor da área do Imóvel localizada na APA da Serra do Mar qualificada como de preservação permanente (de 19.790,30 ha), em consonância com a legislação que regula o ITR; que em novembro do mesmo ano, a Impugnante apresentou à fiscalização os documentos solicitados, comprobatórios da existência e regular caracterização da área de preservação permanente em virtude de o Imóvel se encontrar na APA da Serra do Mar e de a maior parte do referido Imóvel dentro também da Zona de Vida Silvestre, ambas estabelecidas pelo Decreto Estadual n° 22.717/84 (fls. 25 e seguintes); que dentre os documentos apresentados, destacase o Ofício n° 05 expedido pela Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo (fls. 45 e seguintes), que confirma a existência da área de preservação permanente no Imóvel; que, além disso, a Impugnante apresentou à fiscalização laudo produzido por empresa idônea e notoriamente especializada que confirmou, às fls. 57, 58, 67 e 97, que o Imóvel (de 19.790,30 ha) encontrase na APA da Serra do Mar, coberto pela Mata Atlântica, qualificandose a maior parte desse como uma área de preservação permanente; que tendo em vista que o laudo de avaliação apresentado pela Impugnante à fiscalização indicou que o ITR devido com relação a 2005 (fls. 98) era superior ao ITR recolhido no passado (fls. 13), a Impugnante fez o recolhimento da diferença do tributo, acrescida de juros e multa (doc. 06); que como se pode extrair do dispositivo acima, a notificação de lançamento deve conter, dentre outros requisitos formais, a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado. Sem a satisfação de tal requisito formal, a notificação de lançamento (e o auto de infração subjacente ou embutido, quando há a exigência de multa) é nula; que ao se observar a notificação de lançamento acostada às fls. 01/08 (e a recebida pela Impugnante), verificase que tal notificação/auto de infração não contém a assinatura do limo. Sr. Delegado da Receita Federal nem mesmo um campo específico para que a assinatura seja aposta. Disso decorre que o auto de infração lavrado é nulo por vício formal, não produzindo qualquer efeito jurídico; que é de clareza solar que a ausência de assinatura de fiscal, em atenção ao artigo 10 e 11 do Decreto n° 70.235/72, implica a nulidade de notificação de lançamento e de auto de infração. Logo, a presente defesa deve ser acolhida para o fim de que seja decretada a nulidade da notificação de lançamento/auto de infração lavrado diante da Impugnante, eis que tal notificação/auto não contém a assinatura exigida pelo referido decreto; Fl. 490DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 10 que o auto de infração ora impugnado, da maneira como foi lavrado, impede o contraditório, cerceando a defesa da Impugnante, devendo a peça punitiva ora combatida ser decretada nula, na medida em que utiliza o SIPT na atribuição do valor por hectare (R$578,51/ha) para fins de apuração da base de cálculo do ITR exigido da Impugnante, sem explicar a forma de cálculo de tal valor, o universo de imóveis pesquisados, as particularidades desses imóveis, etc.; que, no caso sob análise, como se demonstra abaixo, o Fisco claramente desrespeitou tais princípios, uma vez que utilizou o SIPT na atribuição do valor por hectare (R$578,51/ha) para fins de apuração da base de cálculo do ITR exigido da Impugnante, sem explicar a forma de cálculo de tal valor, o universo de imóveis pesquisados, as particularidades desses imóveis, etc.; que o valor apurado de R$578,51 por hectare e aplicado pelo Fisco ao Imóvel da Impugnante por meio da autuação ora atacada constitui a aplicação de uma presunção absoluta e irresistível, que não pode prevalecer, tendo em vista a impossibilidade de a Impugnante questionar o método técnico utilizado para apuração de tal valor; que na autuação ora impugnada, o Fisco alega que a APA da Serra do Mar não se caracterizaria como área de preservação permanente para o fim de permitir a exclusão da área do Imóvel na referida APA da base de cálculo do ITR. Para tanto, a fiscalização alega que: (i) a APA da Serra do Mar não está prevista na legislação do ITR como área passível de exclusão da base de cálculo do ITR; e (ii) o fato de a maior parte do Imóvel estar localizada na Zona de Vida Silvestre da APA da Serra do Mar seria irrelevante, tendo em vista que essa unidade de conservação não disporia de um Plano de Manejo e nem de um Conselho Consultivo; que é correto afirmar que, muito embora a Impugnante tenha a propriedade do Imóvel em seu nome, o direito a tal propriedade não é pleno, tendo em vista as limitações de uso existentes em razão de o Imóvel se localizar na Serra do Mar e ser coberto pela Mata Atlântica, os quais constituem patrimônio nacional. Tal fato, entretanto, não foi levado em conta pela fiscalização. Ao contrário, pois o agente fiscal simplesmente ignorou tais fatos no curso da fiscalização empreendida contra a Impugnante; que como salientado acima, o próprio §4° do artigo 225 da Constituição Federal estabelece que a Serra do Mar e a Mata Atlântica compõem o patrimônio nacional e constituem uma área de preservação permanente (e de interesse ecológico), na qual a utilização deve ser realizada nos termos da lei. Ou seja, o próprio texto constitucional por si só já determina a natureza jurídica da Serra do Mar e da Mata Atlântica como áreas de preservação permanente (e de interesse ecológico), independentemente de qualquer lei ordinária, federal, estadual ou municipal. A lei ordinária apenas deve regular o uso dessas áreas, mas a existência ou não dessa lei, ou mesmo o seu cumprimento ou não, não afeta o caráter de área de preservação; que a esse respeito, cumpre à Impugnante salientar que há relevante precedente emanado do Conselho de Contribuintes no sentido de que deve ser excluída do cálculo do ITR área localizada no Parque Estadual da Serra do Mar em virtude do referido artigo 225, §4° da Carta Federal, eis que tal parque é notoriamente uma área de preservação permanente, independente da legislação ordinária sobre o tema. Em virtude do referido raciocínio ser aplicável ao presente caso, transcrevemse, abaixo, trechos do acórdão em questão; Fl. 491DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10845.720178/200858 Acórdão n.º 220201.757 S2C2T2 Fl. 7 11 que seguindo o raciocínio, ao contrário do afirmado pela fiscalização, não se trata de equiparação da APA da Serra do Mar e do conceito de área de preservação permanente, mas sim da aplicação de raciocínio de subsunção. Ou seja, independente da constituição da APA da Serra do Mar pela legislação estadual, com base na competência constitucional concorrente sobre a matéria (artigo 23, VI), as características do Imóvel, localizado na Serra do Mar e coberto por Mata Atlântica, autorizam o seu enquadramento como uma área de preservação permanente; que a autuação prossegue e tenta levar adiante a alegação de que a ausência de um Plano de Manejo e de um Conselho Consultivo impediria a classificação do Imóvel e da APA da Serra do Mar (sobretudo da Zona de Vida Silvestre) como uma Unidade de Conservação, sob a luz do artigo 27 da lei n° 9.985/2000; que a avaliação do Imóvel apresentada pela Impugnante e juntada nestes autos às fls. 49 e seguintes deve prevalecer, pelas razões expostas abaixo, abandonandose os critérios secretos utilizados no SIPT. A fiscalização alega que o laudo de avaliação apresentado pela Impugnante não atenderia à NBR 14.6533, em virtude das pretensas diferenças entre o Imóvel e as amostras colhidas; que tal alegação, entretanto, é infundada. Isto porque o Fisco não envidou esforço algum na identificação do mercado no qual se encontra o Imóvel ou de outras amostras, nem se preocupou com as peculiaridades singulares do Imóvel, limitandose a criticar as amostras colhidas no laudo apresentado pela Impugnante; que na eleição das amostras colhidas no laudo de avaliação apresentado pela Impugnante, foram levados em conta os fatos de o Imóvel estar no território de mais de um Município, de estar na APA da Serra do Mar, coberto com Mata Atlântica, cortado pelo rio Juquiá Guaçu, com reservatórios e usinas hidrelétricas, etc.; que não pode a Impugnante deixar de salientar que, após a lavratura do auto de infração ora guerreado, o Fisco não pode exigir juros de mora sobre a multa de ofício lançada, eis que não há base legal para tanto; que muito embora o CTN tenha autorizado a cobrança de juros de mora sobre o crédito tributário (que, como salientado acima, inclui tributos e multas), o legislador ordinário federal decidiu exigir juros de mora apenas e tão somente sobre os tributos e contribuições apurados, ou seja, sobre o montante principal. Tal decisão faz todo sentido, uma vez que uma multa de, por exemplo, 75% por si só já é penalidade suficientemente onerosa para o contribuinte, que não precisa ser apenado ainda mais com a cobrança de juros sobre tal multa, o que geraria inclusive o enriquecimento injustificado do Estado; que, desse modo, a partir de 1997, não há base legal para se exigir juros de mora sobre as multas de ofício, de tal modo que, caso alguma parcela do auto de infração venha a ser mantida, o que se admite apenas por hipótese, não poderão ser exigidos os juros de mora sobre a multa de ofício aplicada. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande MS decide julgar procedente o lançamento, mantendose o crédito tributário lançado, com base, em síntese, nas seguintes considerações: Fl. 492DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 12 que a alegação de cerceamento de defesa não procede, pois, antes do lançamento, a interessada foi regularmente intimada para comprovar sua declaração. Foi deferido pedido de prorrogação de prazo e vista ao processo; que quanto ao questionamento da forma de cálculo do SIPT, motivo da alegação de cerceamento de defesa, será abordado na ocasião da análise do VTN; que, na verdade, a questão da intimação em nada afeta o lançamento em pauta. Tratase de um procedimento que antecede o lançamento na maioria dos casos dispensável, tais como nos lançamentos efetuados quando da constatação de flagrante erro de preenchimento da declaração ou quando a autoridade fiscal procede à modificação da DITR com a utilização de informações constantes da base de dados da Receita Federal, efetuando o lançamento sem a referida intimação inicial; que, além do mais, definitivamente não cabe a remota possibilidade de ocorrência de cerceamento do direito de defesa já que, se fosse o caso, a presente análise de impugnação estaria saneando essa hipótese, pois, este é o momento em que se instaura a fase litigiosa e não quando da elaboração do Auto de Infração, o qual não tinha sido, ainda, anexado em processo. No artigo 5º, LV, da Constituição Federal consta que é assegurado o contraditório e a ampla defesa no processo judicial ou administrativo e não no momento em que se efetua o lançamento, que será, ainda, enviado ao contribuinte para pagar ou impugnar; que quanto ao vício formal na Notificação de Lançamento não procede tal alegação. Como consta dos dispositivos legais reproduzidos pela própria impugnante, parágrafo único, do artigo 11, do Decreto n° 70.235/1972, prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico, que é o caso da seleção eletrônica de declaração para verificação efetuada pela Malha da Receita; que as nulidades de NL eletrônicas dizem respeito à NL que não consta do nome, cargo e matrícula da autoridade lançadora, que não é o caso em foco; que em razão disso é importante esclarecer que, na realidade, não se está questionando, apenas, se as áreas de florestas estão ou não preservadas, pois, sua preservação, pelo menos em uma dimensão mínima, Reserva Legal, ou a Preservação Permanente para evitar a degradação de rios, desmoronamentos de morros etc., ou seja, garantir o ambiente natural, é de obrigação legal. Se não cumprida, há previsão de penalidade e a sua fiscalização cabe ao IBAMA. Com os argumentos apresentados se pretende demonstrar que as mesmas existem, independentemente das formalidades exigidas. Entretanto, para obter a isenção tributária, como mais à frente será melhor explicado, é necessário o cumprimento de requisitos legais. Não basta, somente, reservar e/ou preservar e declarar, pois, essas áreas, além de existirem, atendendo à legislação ambiental, têm que estar documentadas, regularizadas e atualizadas, toda vez que assim a lei tributária exigir para serem contempladas com a isenção; que com relação à APP existem dois tipos: a áreas que em virtude da topografia das florestas e tipo de acidentes geográficos específicos são definidas por lei como APP e b áreas que pela destinação são declaradas como APP por Ato do Poder Público; que para comprovar estes tipos de preservação permanente basta a apresentação de laudo técnico eficazmente elaborado por profissional habilitado, acompanhado de ART, atestando a existência de florestas, detalhando as dimensões e locais listados no referido artigo de lei. No presente caso não foi apresentado esse documento, não há a demonstração da dimensão APP prevista neste dispositivo legal; Fl. 493DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10845.720178/200858 Acórdão n.º 220201.757 S2C2T2 Fl. 8 13 que como se vê nesse dispositivo legal (art. 3º do Código Florestal), para que tais áreas possam ser consideradas APP necessitam de Ato do Poder Público que assim a declare; que, neste aspecto, como já visto, a interessada pretende sustentar seus argumentos nas legislações relativas à APA da Serra do Mar, por entender que pelo fato de seu imóvel estar localizado no perímetro dessa área seria de interesse ecológico com direito à isenção. Este argumento, por si só, não é suficiente para comprovar a isenção, pois, se assim fosse, praticamente todos os imóveis situados nessa região seriam isentos, situação esta que não ocorre; que fica entendido que as áreas contidas dentro dos limites da citada APA, não podem ser, de maneira geral e automaticamente consideradas de interesse ecológico para efeito de exclusão do ITR. Dependendo, para tal fim, do cumprimento das exigências legais previstas para cada tipo de área ambiental, sendo improcedente a alegação de que a ausência do Plano de Manejo ou Conselho Consultivo, informado à interessada pelo Órgão Ambiental ao qual foi solicitado tais informações, não impediria a caracterização da APP; que com relação às áreas alagadas de reservatórios de usinas hidrelétricas, além de, da mesma forma que a APP, não haver sido apresentado laudo contendo especificações quanto à dimensão, sua exclusão da tributação, cumpridos os demais requisitos legais, como a própria interessada observou, foi prevista pela Lei n° 11.727/2008, que adicionou a alínea f, ao inciso II, do § I o , do artigo 10, da Lei n° 9.393/1996. Assim, este argumento, também, não há como prosperar, pois, deve se observar que de acordo com o artigo 144, do Código Tributário Nacional CTN, o lançamento se rege pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador; que além do até aqui tratado, para se ter direito à isenção, além da comprovação de existência da APP, seja através de laudo técnico, seja através de Ato específico do Poder Público, da existência e averbação da ARL, é necessário comprovar, também, a regularização dessas áreas junto ao IBAMA, com a apresentação do ADA, protocolado dentro do prazo legal para o exercício fiscalizado. Tendo em vista que a interessada apresentou esse Ato, entendemos que, também, não há necessidade da explanação a respeito da base legal de sua exigência; que se passando à situação concreta, a interessada não comprovou a existência de APP conforme enquadramento do Código Florestal. Embasou sua declaração apenas no fato de seu imóvel estar localizado em APA, porém, como demonstrado, essa situação, por si só, não é justificativa para concessão da isenção. É necessário que se demonstre as áreas caracterizadas como APP ou a apresentação de Ato do Poder Público declarando o imóvel como tal área; que relativamente ao VTN, quando da análise das DITR o fiscal verificar que o valor atribuído ao imóvel está aquém dos valores médios informados nas declarações da região, bem como dos valores constantes da tabela SIPT, o procedimento da fiscalização deve ser a intimação do declarante para comprovar a origem dos valores declarados e a forma de cálculo utilizada, entre outros. Para tal, o documento eficaz que possibilita essa comprovação é o laudo técnico, elaborado em atenção às normas constantes da ABNT, órgão orientador e controlador dos trabalhos de profissionais da área, acompanhado dos documentos que comprovam a caracterização do imóvel, as fontes idôneas de pesquisa, a similitude da propriedade em relação às amostras levantadas, entre outros; Fl. 494DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 14 que o laudo apresentado havia sido rejeitado pela fiscalização por não haver sido elaborado de acordo com a norma da ABNT, como solicitado na intimação, razão pela qual o VTN foi alterado com base na tabela do SIPT; que além das deficiências apontadas pelo Fisco, se constata que a amostra do laudo não contém o número suficiente de dados pesquisados relativos a imóveis localizados nos municípios da propriedade em foco; que apesar de a alegação não ser pertinente, haja vista que não há obrigatoriedade de publicidade dos parâmetros de malha fiscal para constatar informação incorreta na DITR, há de ser esclarecido que os métodos de apuração de valores são de competência das secretarias de agricultura dos estados e municípios, que fornecem os valores para a Receita Federal. Ou seja, a Receita, por determinação legal, apenas utiliza as informações desses órgãos para alimentar o SIPT; que, por outro lado, o que importa à contribuinte não é conhecer os valores constantes do SIPT ou da média de valores declarados, mas, apresentar provas da origem da avaliação de seu imóvel, de forma que justifique o valor declarado, que poderá ser aceito mesmo sendo aquém dos valores do SIPT, desde que embasados em documentos idôneos e convincentes; que quanto aos juros sobre a multa de ofício parece que houve equívoco no questionamento da interessada, pois, não foi objeto do lançamento. Como consta dos demonstrativos de apuração do crédito tributário, fls. 01 e 02, não houve tal incidência. Os valores estão bem especificados: valor do principal, a multa sobre esse valor e o juro de mora também sobre o principal. Qualquer acréscimo aplicável no procedimento de cobrança é matéria a ser discutida na Unidade Local. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 Inconstitucionalidade. No âmbito do processo administrativo fiscal é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Área de Proteção Ambiental APA Legalmente, a Área de Proteção Ambiental APA é uma área em geral extensa, com certo grau de ocupação humana, dotada de atributos abióticos, bióticos, estéticos ou culturais, especialmente importantes para a qualidade de vida e o bem estar das populações humanas, e tem como objetivos básicos proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais. Por isso, a sua exploração tem especial controle pelos órgãos ambientais. Porém, o fato de um imóvel estar localizado em uma APA, por si só, não o torna, automaticamente, isento de ITR; somente para as Áreas de Preservação Permanente APP nela contidas, sejam as definidas pelo só efeito do Código Fl. 495DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10845.720178/200858 Acórdão n.º 220201.757 S2C2T2 Fl. 9 15 Florestal ou assim declaradas por Ato do Poder Público em caráter especifico para determinada área da propriedade, e desde que cumpridas as demais exigências legais, se concederá a exclusão tributária. Isenção Hermenêutica A legislação tributária para concessão de benefício fiscal deve ser interpretada literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a mesma não deve ser concedida. Valor da Terra Nua VTN O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal S1PT, nos termos da legislação, é passível de modificação somente se, na contestação, forem oferecidos elementos de convicção, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, que apresente valor de mercado diferente relativo ao ano base questionado. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 13/04/2011, conforme Termo constante às fls. 318/320, a recorrente interpôs, tempestivamente (09/12/2011), o recurso voluntário de fls. 326/382132, instruído com as cópias de documentos adicionais de fls. 383/446, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nos mesmos argumentos apresentados na fase impugnatória, reforçado, em síntese, pelas seguintes considerações: que a esse respeito, mencionese que, no ano de 2006, a Recorrente também sofreu fiscalização pela RFB com o mesmo objeto (isto é, a apuração do ITR sobre o Imóvel Juquiá Travessão Cachoeira Comprida), oportunidade na qual foi apresentado o anexo laudo de avaliação elaborado pela empresa Geoambiente Sensoriamento Remoto Ltda. para aquele ano específico, que comprova a existência de uma área de preservação permanente de 8.585,24 ha, decorrente da existência de APPs de hidrografia, declividade e de topo de morro, conforme tabela abaixo (doc. 04 cópia autenticada); que embora a ora Recorrente tenha também sido autuada em relação ao ano de 2006 (objeto do processo administrativo n° 10845.720370/201069), é importante notar que em tal ano, o fiscal autuante (mesmo fiscal responsável pela notificação de lançamento objeto do presente processo administrativo) aceitou integralmente o laudo de avaliação apresentado naquela oportunidade, tendo excluído a área de 8.585,24 ha da base de cálculo do ITR quando do cálculo do imposto devido no ano de 2006. E o que se nota do seguinte excerto do campo "Complemento da Descrição dos Fatos" da referida notificação de lançamento (doc. 05): "Em relação ao Laudo Técnico que comprovasse as Áreas de Preservação Permanente (APP), nos termos do artigo 2. da Lei 4.771 de 15 de setembro de 1965 o sujeito passivo entregou esse Laudo comprovado a existência de 4.647,34 ha de APP de hidrografia, 112,24 ha de Fl. 496DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 16 declividade e 3.825,66 ha de APP de topo de morro, totalizando 8.585,24 ha de APP aceitas para a exclusão dessa área da incidência do ITR."; que, assim como tratado acima, caso não haja tempo hábil para apresentação do laudo de 2005 antes do julgamento do presente recurso, requerse que a área de 454,59 ha, indicada no laudo preparado para o ano de 2006 (vide novamente doe. 04 primeira linha da tabela constante da pg. 20 do laudo) seja também excluída da base de cálculo do ITR 2005; que foi publicada na edição de 22/12/2009 do Diário Oficial da União DOU a Portaria CARF n° 106/2009, que divulgou o enunciado de diversas súmulas aprovadas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em sessão de 08/12/2009, dentre elas a súmula n° 45, cujo enunciado é o seguinte: "O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas."; que a Recorrente, empresa de grande renome nacional e internacional na exploração e comercialização de jazidas minerais, sempre buscando pautar seus atos pela boa fé e pela legalidade, solicitou à empresa Arantes & Associados laudo técnico de avaliação de seu Imóvel, visando a embasar o cálculo do ITR devido em 2005 sobre o referido Imóvel. Assim é que lhe foi apresentado o extenso laudo acostado a estes autos às fls. 49/169, que concluiu que o VTN do Imóvel, para o ano de 2005, era de R$269,28/ha (fls. 96 dos autos). É o relatório. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10845.720178/200858 Acórdão n.º 220201.757 S2C2T2 Fl. 10 17 Voto Vencido Conselheiro Nelson Mallmann, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Como visto no relatório e nos autos, a discussão do presente processo gira em torno de preliminares de nulidade do lançamento e no mérito a discussão tem início na glosa de uma área de preservação permanente (19.790,3 ha) e o nó da questão restringese a exigência relativa ao ADA — Ato Declaratório Ambiental, que deve conter as informações de tais áreas e ter sido protocolado tempestivamente junto ao IBAMA/órgão conveniado, para fins de exclusão dessas áreas da tributação. Discutese, ainda, o Valor da Terra Nua arbitrado como base nas informações SIPT (arbitrado com base no VTNm por aptidão agrícola). Observase nos autos, que a autoridade fiscal lançadora esclareceu que o Ato Declaratório Ambiental – ADA, foi apresentado para o exercício e de forma tempestiva informando que a área de preservação permanente seria de 19.790,3 ha. Diante desse fato a autoridade fiscal lançadora intimou a contribuinte para que se apresenta os Laudos Técnicos, instruídos com a documentação comprobatória, para fazer a comprovação da área de preservação permanente e do Valor da Terra Nua – VTN declarado para fins de ITR. É de se registrar, inicialmente, que a recorrente apresentou Laudo de Avaliação do Imóvel, apurando o Valor da Terra Nua – VTN num total de R$ 5.332.390,27 (fls. 49/170), valor este não aceito pela decisão recorrida, bem como apresentou Laudo Técnico das Áreas de Preservação Permanente (fls. 400/424), atestando a existência de uma Área de Preservação Permanente equivalente a 8.585,24 ha e de uma Área de Matas Nativas equivalente a 11.217,16 ha. Além disso, é de se registrar, ainda, que a decisão recorrida não acolheu o pedido do contribuinte no que diz respeito ao Valor da Terra Nua – VTN, sob o argumento de que após a apresentação das fontes de pesquisas, não é possível se chegar ao valor da terra nua de R$ 5.332.390,27 (R$ 269,28 o ha), valor este que é muito inferior ao valor SIPT por aptidão agrícola que indica o valor de R$ 578,51 o há, mantendo a hipótese de subavaliação. Quanto à preliminar de nulidade do lançamento argüida, sob o entendimento de que de que houve, em síntese, ofensa ao princípio constitucional do contraditório e ampla defesa, assegurado no art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal de 1988, por discordar, em síntese, dos procedimentos adotados pela fiscalização para lavratura da presente Notificação de Lançamento no que diz respeito ao arbitramento do Valor da Terra Nua – VTN utilizando o sistema SIPT por aptidão agrícola, é de se dizer que a decisão recorrida já se manifestou, que o trabalho de auditoria fiscal iniciouse na forma prevista nos arts. 7º e 23 do Decreto n° 70.235, de 1972, observada especificamente, a Instrução Normativa SRF n° 094, de 1997, que dispõe sobre os procedimentos adotados para a revisão sistemática das declarações apresentadas pelos Fl. 498DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 18 contribuintes em geral, relativas a tributos ou contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, feita mediante a utilização de malhas. Observou, ainda, a decisão recorrida, que o trabalho de revisão então realizado pela autoridade fiscal é eminentemente documental e a falta de comprovação, em qualquer situação, de dados cadastrais informados na correspondente declaração (DIAC/DIAT), incluindo a subavaliação do VTN, autoriza o lançamento de oficio, regularmente formalizado através de auto de infração, nos termos do art. 14 da Lei n° 9.393, de 1996, combinado com o disposto no art. 149, inciso V, da Lei n° 5.172, de 1966 — CTN, e art. 4° da citada IN/SRF n° 094/1997, observada, no que diz respeito aos documentos de prova, a Norma de Execução (NE) correlata, no caso, a NE SRF Cofis n° 002, de 07 de outubro de 2003 não havendo necessidade de verificar "in loco" a ocorrência de possíveis irregularidades. Ora, não está inquinado de nulidade a constituição de crédito tributário baseado no arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN), utilizando o Sistema de Preços de Terras (SIPT) baseado no VTN médio por aptidão agrícola fornecido pela Secretaria Estadual de Agricultura, lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional. De fato, a utilização da tabela SIPT, para verificação do valor de imóveis rurais tem amparo no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Como da mesma forma, o valor do SIPT só é utilizado quando, depois de intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que tal valor fica sujeito à revisão quando o contribuinte comprova que seu imóvel possui características que o distingam dos demais imóveis do mesmo município. Analisando o conteúdo das normas reguladoras para a fixação dos preços médios de terras por hectare só posso concluir, que o levantamento do VTN, levando conta a aptidão agrícola, condiz com o proposto pelo art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, verbis: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios Assim se manifesta o art. 12 da Lei nº 8.629, de 1993: Artigo 12 Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: Fl. 499DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10845.720178/200858 Acórdão n.º 220201.757 S2C2T2 Fl. 11 19 I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado. (o grifo não é do original) Não tenho dúvidas de que as tabelas de valores indicados no SIPT, quando elaboradas de acordo com a legislação de regência, servem como referencial para amparar o trabalho de malha das declarações de ITR e, somente, deverão ser utilizados pela autoridade fiscal se o contribuinte não lograr comprovar que o valor declarado de seu imóvel corresponde ao valor efetivo na data do fato gerador. Para tanto, a fiscalização deve enviar uma intimação ao contribuinte solicitando a comprovação dos dados declarados antes de proceder à formalização do lançamento. Resta claro, que com a publicação da Lei nº 9.393, de 1996, em seu art. 14 dispõe que as informações sobre preços de terras observarão os critérios estabelecidos no artigo 12, § 1°, inciso II, da Lei n 8.629, de 25 de fevereiro de 1.993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos municípios. Tenho para mim, que as atividades do Estado, mesmo quando no exercício de seu poder discricionário, estão vinculados a ordem Jurídica. Dai o significado do principio da legalidade para o Estado. Este só pode fazer aquilo que a lei o autoriza. Em assim sendo, entendo, que o procedimento fiscal realizado pelo agente do fisco foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. O princípio da verdade material tem por escopo, como a própria expressão indica, a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a liberdade da prova, no sentido de que a Administração possa valerse de qualquer meio de prova que a autoridade processante ou julgadora tome conhecimento, levandoas aos autos, naturalmente, e desde que, obviamente dela dê conhecimento às partes; ao mesmo tempo em que deva reconhecer ao contribuinte o direito de juntar provas ao processo até a fase de interposição do recurso voluntário. O Decreto n.º 70.235, de 1972, em seu artigo 9º, define o auto de infração e a notificação de lançamento como instrumentos de formalização da exigência do crédito tributário, quando afirma: Fl. 500DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 20 A exigência do crédito tributário será formalizado em auto de infração ou notificação de lançamento distinto para cada tributo Com nova redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748/93: A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. O auto de infração, bem como a notificação de lançamento por constituírem peças básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a sua lavratura e expedição, sendo que a sua lavratura tem por fim deixar consignado a ocorrência de uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um crédito fiscal, seja com o objetivo de neutralizar, no todo ou em parte, os efeitos da compensação de prejuízos a que o contribuinte tenha direito, e a falta do cumprimento de forma estabelecida em lei torna inexistente o ato, sejam os atos formais ou solenes. Se houver vício na forma, o ato pode invalidarse. Ora, não procede à nulidade do lançamento argüida sob o argumento de que o lançamento não foi lavrado dentro dos parâmetros exigidos pelos arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, ou seja, que a sua lavratura foi efetuada de forma a prejudicar a ampla defesa. Com a devida vênia, a Notificação de Lançamento foi lavrado tendo por base os valores constantes em documentos oficiais, onde consta de forma clara a existência das áreas glosadas, que são partes integrantes da Notificação de Lançamento, sendo que o mesmo, identifica por nome e CPF a autuada, esclarece que foi lavrado na Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição da contribuinte, cuja ciência foi por AR e descreve as irregularidades praticadas e o seu enquadramento legal indicando a autoridade administrativa responsável (AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil), cumprindo o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, ou seja, o ato é próprio do agente administrativo investido no cargo de AuditorFiscal. Não tenho dúvidas, que o excesso de formalismo, a vedação à atuação de ofício do julgador na produção de provas e a declaração de nulidades puramente formais são exemplos possíveis de serem extraídos da prática forense e estranhos ao ambiente do processo administrativo fiscal. A etapa contenciosa caracterizase pelo aparecimento formalizado no conflito de interesses, isto é, transmudase a atividade administrativa de procedimento para processo no momento em que o contribuinte registra seu inconformismo com o ato praticado pela administração, seja ato de lançamento de tributo ou qualquer outro ato que, no seu entender, causalhe gravame com a aplicação de multa por suposto nãocumprimento de dever instrumental. Assim, a etapa anterior à lavratura do Auto de Infração ou da Notificação de Lançamento, no processo administrativo fiscal, constitui efetivamente uma fase inquisitória, que apesar de estar regrada em leis e regulamentos, faculta à Administração a mais completa liberdade no escopo de flagrar a ocorrência do fato gerador. Nessa fase não há contraditório, porque o fisco está apenas coletando dados para se convencer ou não da ocorrência do fato imponível ensejador da tributação. Não há, ainda, exigência de crédito tributário formalizada, inexistindo, conseqüentemente, resistência a ser oposta pelo sujeito fiscalizado. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10845.720178/200858 Acórdão n.º 220201.757 S2C2T2 Fl. 12 21 O lançamento, como ato administrativo vinculado, celebrase com estrita observância dos pressupostos estabelecidos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização de um juízo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve estar consubstanciado por instrumentos capazes de demonstrar, com segurança e certeza, os legítimos fundamentos reveladores da ocorrência do fato jurídico tributário. Isso tudo foi observado quando da determinação do tributo devido, através do Auto de Infração lavrado. Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas pelo recorrente, neste processo, já que o mesmo preenche todos os requisitos legais necessários. Nunca é demais lembrar, que até a interposição da peça impugnatória pelo contribuinte, o conflito de interesses ainda não está configurado. Os atos anteriores ao lançamento referemse à investigação fiscal propriamente dita, constituindose medidas preparatórias tendentes a definir a pretensão da Fazenda. Ou seja, são simples procedimentos que tãosomente poderão conduzir a constituição do crédito tributário. Na fase procedimental não há que se falar em contraditório ou ampla defesa, pois não há ainda, qualquer espécie de pretensão fiscal sendo exigida pela Fazenda Pública, mas tãosomente o exercício da faculdade da administração tributária em verificar o fiel cumprimento da legislação tributária por parte do sujeito passivo. O litígio só vem a ser instaurado a partir da impugnação tempestiva da exigência, na chamada fase contenciosa, não se podendo cogitar de preterição do direito de defesa antes de materializada a própria exigência fiscal por intermédio de auto de infração ou notificação do lançamento. Assim, após a impugnação, oportunizase ao contribuinte a contestação da exigência fiscal. A partir daí, instaurase o processo, ou seja, configurase o litígio. Ademais, no caso em questão, o ônus da prova documental é da contribuinte autuada, a qual cumpre guardar ou produzir, conforme o caso, até a data de homologação do autolançamento, prevista no § 4° do art. 150, do Código Tributário Nacional, os documentos necessários à comprovação dos dados cadastrais informados na declaração (DIAC/DIAT) para efeito de apuração do ITR devido naquele exercido, e apresentálos à autoridade fiscal, quando exigido. Da mesma forma, não há como negar que a irregularidade apontada pela autoridade autuante foi devidamente caracterizada e compreendida pela interessada, tanto é verdade que a mesmo contestou o referido lançamento de forma a não deixar dúvidas quanto ao perfeito conhecimento dos fatos, através da Impugnação acompanhada de documentação. Portanto, o fundamental é que a contribuinte tenha tomado ciência do presente auto de infração, e tenha exercido de forma plena, dentro do prazo legal, o seu direito de defesa. Enfim, no caso dos autos, a autoridade administrativa lançadora cumpriu todos os preceitos estabelecidos na legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre a suplicante, conforme se constata nos autos, com perfeito embasamento legal e tipificação da infração cometida. Como se vê, não procede à situação conflitante alegada pela recorrente, ou seja, não se verificam, por isso, os pressupostos exigidos que permitam a declaração de nulidade da Notificação de Lançamento por cerceamento do direito de defesa. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 22 Quanto a preliminar de nulidade do lançamento argüida pela suplicante, sob o entendimento de que a ausência de assinatura de fiscal na Notificação de Lançamento, em atenção ao artigo 10 e 11 do Decreto n° 70.235/72, implica na sua nulidade, por vício formal, entendendo que a autoridade administrativa feriu princípios fundamentais, não devem ser acolhidas pelos motivos abaixo. Além do que já foi dito na análise da preliminar anterior, é de se reforçar que restou claro nos autos do processo de que a Declaração de ITR da recorrente incidiu em Malha Fiscal, nos parâmetros Áreas Não Tributáveis e Cálculo do Valor da Terra Nua VTN e que foi regularmente intimada e transcorrido o prazo fixado, a interessada apresentou documentação visando comprovar os valores informados em sua declaração, objeto de análise pela Malha Fiscal do ITR. O Decreto n.º 70.235, de 1972, em seu artigo 11, define as regras a serem seguidas quando o crédito tributário é formalizado através de notificação de lançamento: Art.11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A IN/SRF nº 579, de 2005, estabelece procedimentos para revisão das Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas (DIRPF) e do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). Alterada pela Instrução Normativa RFB nº 958, de 15 de julho de 2009. Art. 1º A revisão da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas (DIRPF) e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR) farseá mediante procedimentos internos decorrentes de parâmetros nacionais estabelecidos pelas CoordenaçõesGerais de Fiscalização, de Administração Tributária e de Tecnologia e Segurança da Informação, de acordo com suas competências regimentais.(Revogado pela Instrução Normativa RFB nº 958, de 15 de julho de 2009) Parágrafo único. As Superintendências Regionais da Receita Federal (SRRF) poderão, em relação às DIRPF, autorizar a dispensa de realização dos procedimentos a que se refere o caput, no âmbito das unidades de sua jurisdição, devendo, no prazo de quinze dias após a dispensa, encaminhar à CoordenaçãoGeral responsável pelo estabelecimento do respectivo parâmetro, as razões que fundamentam e justificam tal autorização.(Revogado pela Instrução Normativa RFB nº 958, de 15 de julho de 2009) Fl. 503DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10845.720178/200858 Acórdão n.º 220201.757 S2C2T2 Fl. 13 23 Art. 2º Da revisão da declaração poderá resultar notificação de lançamento quando se constatarem inexatidões materiais devidas a lapso manifesto ou erros de cálculos cometidos pelo sujeito passivo ou infração à legislação tributária. (o grifo não do original). Parágrafo único. O extrato da declaração cuja revisão não resultar alteração no cálculo do imposto devido, do imposto pago e do saldo do imposto a pagar ou a restituir, será disponibilizado, para simples conferência, na página da Secretaria Receita Federal (SRF) na Internet, no endereço www.receita.fazenda.gov.br. (...). Art. 6º Na hipótese de lançamento efetuado sem prévia intimação, o sujeito passivo poderá solicitar sua retificação, no prazo de trinta dias contados de sua ciência, nos termos dos arts. 145 e 149 da Lei nº 5.172, de 1966 CTN. § 1º A solicitação de retificação do lançamento deverá ser dirigida ao chefe da unidade da SRF da jurisdição do contribuinte, cuja indicação constará na notificação de lançamento. § 2º Na hipótese de indeferimento total ou parcial da solicitação de retificação do lançamento, o sujeito passivo poderá apresentar impugnação, no prazo de trinta dias contados da ciência do indeferimento, nos termos do art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972. § 3º O disposto neste artigo não se aplica aos lançamentos de multa por falta ou atraso na entrega da declaração. Art. 7º As intimações e notificações de que tratam os arts. 2o e 3o prescindirão de assinatura sempre que emitidas eletronicamente.(Revogado pela Instrução Normativa RFB nº 958, de 15 de julho de 2009). (o grifo não do original). Instrução Normativa RFB nº 958, de 15 de julho de 2009 Art. 1º A revisão da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas (DIRPF) e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR) farseá mediante procedimentos internos decorrentes de parâmetros nacionais estabelecidos pelas CoordenaçãoGeral de Fiscalização (Cofis), CoordenaçãoGeral de Arrecadação e Cobrança (Codac) e CoordenaçãoGeral de Tecnologia da Informação (Cotec), de acordo com suas competências regimentais. Art. 2º Da revisão da declaração poderá resultar notificação de lançamento ou auto de infração. § 1º Quando for constatada infração à legislação tributária exclusivamente por meio de informações constantes das bases de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), Fl. 504DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 24 será expedida notificação de lançamento, da qual será dada ciência ao contribuinte.(o grifo não do original) § 2º Quando as infrações à legislação tributária forem constatadas após análise das informações apresentadas pelo sujeito passivo, nos termos previstos no art. 3º desta Instrução Normativa, será lavrado auto de infração pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) que presidir e executar o procedimento. § 3º O extrato da declaração cuja revisão não resultar alteração no cálculo do imposto devido, do imposto pago e do saldo do imposto a pagar ou a restituir, será disponibilizado, para simples conferência, no sítio da RFB na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>. Art. 3º O sujeito passivo será intimado a apresentar, no prazo fixado na intimação, esclarecimentos ou documentos sobre inconsistências ou indícios de irregularidade fiscal detectadas nas revisões das declarações de que trata o art. 1º, salvo se houver infração claramente demonstrada, com os elementos probatórios necessários ao lançamento. (...). Art. 7º As intimações e notificações de que tratam os arts. 2º e 3º prescindirão de assinatura sempre que emitidas eletronicamente (o grifo não do original). Art. 8º Até que sejam desenvolvidos os sistemas de informática necessários à implementação do disposto nesta Instrução Normativa, continuam válidos os procedimentos realizados na forma da Instrução Normativa SRF nº 579, de 8 de dezembro de 2005. Assim, de acordo com a legislação de regência acima transcrita, entendo, que nos casos em que ficar caracterizado infração à legislação tributária exclusivamente por meio de informações constantes das bases de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), será expedida notificação de lançamento eletrônica, da qual será dada ciência ao contribuinte, sendo que a falta de assinatura da autoridade administrativa fiscal indicada na respectiva notificação de lançamento, não caracteriza vício formal. Não restam dúvidas de que o lançamento se deu em razão da revisão de malha fiscal caracterizada pela distorção de informações fornecidas pela contribuinte ao apresentar a sua DITR/2005 e a autoridade administrativa lançadora glosou estas informações por falta, no seu entender, de apresentação de documentação hábil e idônea que justificasse as diferenças apontas na intimação fiscal emitida de forma eletrônica. O enquadramento legal e a narrativa dos fatos envolvidos permitem a perfeita compreensão do procedimento adotado, da base tributável apurada e do cálculo do imposto resultante, permitindo ao interessado o pleno exercício do seu direito de defesa. Ora, o lançamento, como ato administrativo vinculado, celebrase com estrita observância dos pressupostos estabelecidos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização de um juízo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve estar consubstanciado por instrumentos capazes de demonstrar, com segurança e certeza, os Fl. 505DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10845.720178/200858 Acórdão n.º 220201.757 S2C2T2 Fl. 14 25 legítimos fundamentos reveladores da ocorrência do fato jurídico tributário. Isso tudo foi observado quando da determinação do tributo devido, através da Notificação de Lançamento. Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas pela recorrente, neste processo, já que o mesmo preenche todos os requisitos legais necessários. Da análise dos autos, constatase que a autuação é plenamente válida. Ademais, o Processo Administrativo Fiscal Decreto n.º 70.235, de 1972 manifestase da seguinte forma: Art. 59 São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Como se verifica do dispositivo legal, não ocorreu, no caso do presente processo, a nulidade. A notificação de lançamento foi lavrado e a decisão foi proferida por funcionários ocupantes de cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (Ministério da Fazenda), que são as pessoas, legalmente, instituídas para lavrar e para decidir sobre o lançamento. Igualmente, todos os atos e termos foram lavrados por funcionários com competência para tal. Ora, a autoridade administrativa lançadora cumpriu todos os preceitos estabelecidos na legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre a suplicante, conforme se constata nos autos, com perfeito embasamento legal e tipificação da infração cometida. Como se vê, não procede à situação conflitante alegada pelo recorrente, ou seja, não se verificam, por isso, os pressupostos exigidos que permitam a declaração de nulidade do Auto de Infração. Haveria possibilidade de se admitir a nulidade por falta de conteúdo ou objeto, quando o lançamento que, embora tenha sido efetuado com atenção aos requisitos de forma e às formalidades requeridas para a sua feitura, ainda assim, quer pela insuficiência na descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, efetivamente não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, ou seja, não restou provada a materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. Entretanto, não é o caso em questão, pois a discussão se prende a interpretação de normas legais de regência sobre o assunto. É de se esclarecer, que os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. Por outro lado, quando a descrição defeituosa dos fatos impede a compreensão dos mesmos, e, por conseqüência, das infrações correspondentes, temse o vício material. No presente caso, houve o perfeito conhecimento dos fatos descritos e das infrações imputadas. Além disso, o Art. 60 do Decreto n.º 70.235, de 1972, prevê que as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 59 do mesmo Decreto Fl. 506DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 26 não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Por fim, fazse necessário esclarecer, que a Secretaria da Receita Federal é um órgão apolítico, destinada a prestar serviços ao Estado, na condição de Instituição e não a um Governo específico dando conta de seus trabalhos à população em geral na forma prescrita na legislação. Neste diapasão, deve agir com imparcialidade e justiça, mas, também, com absoluto rigor, buscando e exigindo o cumprimento das normas por parte daqueles que faltam com seu dever de participação. Quanto a isenção das áreas pleiteadas, quais sejam: Área do imóvel contida na APA Serra do Mar = 19.802,40 ha; Área do imóvel coberta por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração = 11.205,06 ha; Áreas de Preservação Permanente do Imóvel + áreas alagadas do reservatório de usina hidrelétrica = 8.585,24 ha; Área de benfeitorias do Imóvel = 12,10 há, é de se dizer que quanto a área de preservação permanente e áreas alagadas, num total equivalente a 8.585,24 ha, nos autos restou, devidamente, comprovado através da apresentação do Laudo Técnico apresentado (fls. 400/424) e Ato Declaratório Ambiental – ADA, apresentado para o exercício e de forma tempestiva. Quanto a esta área, equivalente a 8.585,24, nada mais se faz necessário acrescentar. Entretanto, não posso acompanhar o raciocínio do recorrente quanto ao mérito em discussão, já que discordo frontalmente no que diz respeito ao Ato Declaratório Ambiental – ADA, exigência legal para a exclusão das áreas de interesse ambiental da base de cálculo do Imposto Territorial Rural, aí incluídas as áreas cobertas por florestas naturais, pelos motivos a seguir alinhavados. Não restam duvidas de que se confirmou o não cumprimento de uma exigência aplicada às áreas de interesse ambiental não tributáveis consideradas para fins de isenção do ITR, qual seja, que as áreas coberta por florestas nativas sejam devidamente reconhecidas como de interesse ambiental, por intermédio de Ato Declaratório Ambiental ADA, emitido pelo IBAMA/órgão conveniado ou, pelo menos, que seja comprovado a protocolização tempestiva do seu requerimento (do ADA). Para fins de um melhor entendimento da presente matéria (isenção das áreas cobertas por florestas nativas), se faz necessário a transcrição da Instrução Normativa nº 5, de 25 de março de 2009, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, verbis: Art. 1o O Ato Declaratório AmbientalADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial RuralITR, sobre estas últimas. Parágrafo único. O ADA deve ser preenchido e apresentado pelos declarantes de imóveis rurais obrigados à apresentação do ITR. Art. 2o São áreas de interesse ambiental não tributáveis consideradas para fins de isenção do ITR: I Área de Preservação Permanente APP: a) aquelas ocupadas por florestas e demais formas de vegetação natural, sem destinação comercial, descritas nos arts. 2o e 3o da Fl. 507DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10845.720178/200858 Acórdão n.º 220201.757 S2C2T2 Fl. 15 27 Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965, e não incluídas nas áreas de reserva legal, com as exceções previstas na legislação em vigor, bem como não incluídas nas áreas cobertas por floresta nativa; II Área de Reserva Legal: a) deve estar averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente, ou mediante Termo de Compromisso de Averbação de Reserva Legal, com firma reconhecida do detentor da posse, para propriedade com documento de posse reconhecido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA; III Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural, prevista na Lei no 9.985, de 18 de julho de 2000; IV Área Declarada de Interesse Ecológico: a) para proteção dos ecossistemas, declarada mediante ato do Poder Público competente, que contemple as Unidades de Conservação Federal, Estadual ou Municipal, de proteção integral ou de uso sustentável, comprovadamente contidas nos limites da unidade de conservação, caracterizadas sua limitação ao exercício do direito de propriedade; b) localizada em propriedade particular e que foi nominada e delimitada em ato do Poder Público Federal e Estadual, que contenha restrição de uso no mínimo igual à área de reserva legal; e c) comprovadamente imprestável para a atividade rural, declarada mediante ato do órgão competente federal ou estadual; V Área de Servidão Florestal ou Ambiental, prevista nas Leis nos 4.771, de 1965, e 11.284, de 2 de março de 2006, averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente; VI Área Coberta por Florestas Nativas, aquela onde o proprietário protege as florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, conforme Lei no. 11.428, de 22 de dezembro de 2006; VII Área Alagada para Fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas, autorizada pelo poder público, conforme Lei no 11.727, de 23 de junho de 2008. Parágrafo único. As áreas enumeradas nos incisos I, II, V e VI deste artigo devem estar com vegetação natural não degradada ou as frações em estágio médio ou avançado de regeneração. Art. 3o O IBAMA, a qualquer tempo, poderá solicitar que sejam informadas as áreas tributáveis constantes do Relatório de Atividades do Cadastro Técnico Federal, quais sejam: Fl. 508DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 28 I construções, instalações e benfeitorias; II culturas permanentes e temporárias; III pastagens cultivadas e melhoradas; e IV florestas plantadas, área de reflorestamento com essências exóticas ou nativas. Parágrafo único. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, o ADA substituirá o Relatório de Atividades e poderá conter informações sobre as atividades desenvolvidas nas áreas descritas nos incisos I à IV deste artigo. Art. 4o Os imóveis rurais que possuem áreas de reserva legal, de servidão florestal ou ambiental e área coberta por florestas nativas como compensação de outros imóveis rurais, de acordo com as normas estabelecidas na legislação, farão jus à isenção do ITR sobre essas áreas. Parágrafo único. É vedada a utilização de isenção pelos adquirentes de áreas de compensação. Art. 5o O proprietário rural que se beneficiar da isenção prevista no art. 2o desta Instrução Normativa deverá recolher junto ao IBAMA, anualmente, a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 28 de janeiro de 2000, a título de vistoria. Parágrafo único. A taxa de vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a 10% (dez por cento) do valor da redução do imposto, proporcionada pelo ADA, e terá como base de cálculo a área total da propriedade. Art. 6o O declarante deverá apresentar o ADA por meio eletrônico formulário ADAWeb, e as respectivas orientações de preenchimento estarão à disposição no site do IBAMA na rede internacional de computadores www.ibama.gov.br ("Serviços online"). § 1o Para a apresentação do ADA não existem limites de tamanho de área do imóvel rural. § 2o O declarante da pequena propriedade rural ou posse rural familiar definidas na Lei no 4771, de 1965, poderá dirigirse a um dos órgãos descentralizados do IBAMA, onde poderá solicitar seja efetuada a transmissão das informações prestadas no ADAWeb. § 3o O ADA deverá ser entregue de 1o de janeiro a 30 de setembro de cada exercício, podendo ser retificado até 31 de dezembro do exercício referenciado. Art. 7o. As pessoas físicas e jurídicas cadastradas no Cadastro Técnico Federal, obrigadas à apresentação do ADA, deverão fazêla anualmente. Art. 8o. O ADA será devidamente preenchido conforme informações constantes do Documento de Informação e Atualização CadastralDIAC do ITR, Documento de Informação Fl. 509DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10845.720178/200858 Acórdão n.º 220201.757 S2C2T2 Fl. 16 29 e ApuraçãoDIAT do ITR e da Declaração para Cadastramento de Imóvel RuralDP do INCRA. Parágrafo único. Será necessário um ADA para cada número do imóvel na Receita Federal N I R F. Art. 9o. Não será exigida apresentação de quaisquer documentos comprobatórios à declaração, sendo que a comprovação dos dados declarados poderá ser exigida posteriormente, por meio de mapas vetoriais digitais, documentos de registro de propriedade e respectivas averbações e laudo técnico de vistoria de campo, conforme Anexo desta Instrução Normativa, permitida a inclusão, no ADAWeb, das informações obtidas em campo, quando couber. Art. 10. Deverão constar no ADA os imóveis rurais daqueles declarantes que pleiteiam autorizações ou licenças junto ao IBAMA. Não há dúvidas que, a princípio, por se tratarem de áreas não tributáveis pelo Imposto Territorial Rural, cabe destacar que as áreas assim declaradas estão sujeitas à comprovação para serem aceitas, de acordo com a situação em que se enquadrem: 1 Reserva Legal — Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário que o contribuinte protocolize o Ato Declaratório Ambiental (ADA) no prazo legal e a cada exercício e que as áreas estejam averbadas no Registro de Imóveis competente até a data da ocorrência do fato gerador (Lei n° 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela MP n° 2.166, de 2001, art. 1°). Definição: São áreas de reserva legal aquelas cuja vegetação não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos, devendo estar averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001, art. 1º; RITR/2002, art. 12; IN SRF nº 256, de 2002, art. 11). 2 Reserva Legal do Patrimônio Natural — RPPN — Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário o protocolo do ADA no prazo legal e a cada exercício; que as áreas sejam reconhecidas pelo IBAMA ou por órgão estadual de meio ambiente, mediante requerimento do proprietário (Decreto n° 1.922, de 1996 e Lei nº 9.985, de 2000, art. . 21); que as áreas estejam averbadas no Registro de Imóveis competente na data da ocorrência do fato gerador (Lei n° 9.985, de 2000, art. 21; Decreto n° 4.382, de 2002, art. 13, parágrafo único). Definição: São áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) as áreas privadas gravadas com perpetuidade, averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, destinadas à conservação da diversidade biológica, nas quais somente poderão ser permitidas a pesquisa científica e a visitação com objetivos turísticos, recreativos e educacionais, reconhecidas pelo Ibama. (Lei nº 9.985, de 2000, art. 21; RITR/2002, art. 13; IN SRF nº 256, de 2002, art. 12). 3 Interesse Ecológico – Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário o protocolo do ADA no prazo legal e a cada exercício; reconhecimento, em caráter Fl. 510DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 30 especifico, para determinada área, de órgão competente federal ou estadual (Lei n° 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, II, "b" e "c"). Definição: São áreas de interesse ecológico, desde que atendam ao disposto na legislação pertinente, as áreas assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, que sejam: I destinadas à proteção dos ecossistemas, e que ampliem as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal; e II comprovadamente imprestáveis para a atividade rural. Para efeito de exclusão do ITR, apenas será aceita como área de interesse ecológico a área declarada em caráter específico para determinada área da propriedade particular. Não será aceita a área declarada em caráter geral. Portanto, se o imóvel rural estiver dentro de área declarada em caráter geral como de interesse ecológico, é necessário também o reconhecimento específico de órgão competente federal ou estadual para a área da propriedade particular. (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º , II, “b” e “c”; RITR/2002, art. 15; IN SRF nº 256, de 2002, art. 14) 4 Servidão Florestal — Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário o protocolo do ADA no prazo legal e a cada exercício; que as áreas estejam averbadas no Registro de Imóveis competente na data da ocorrência do fato gerador (Lei n° 4.771, de 1965, art. 44A, acrescentado pela MP n° 2.16667, de 2001, art. 2°). Definição: São áreas de servidão florestal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais o proprietário voluntariamente renuncia, em caráter permanente ou temporário, a direitos de supressão ou exploração da vegetação nativa, localizadas fora das áreas de reserva legal e de preservação permanente. (Lei nº 4.771, de 1965, art. 44A, acrescentado pela Medida Provisória nº 2.166 67, de 2001, art. 2º; RITR/2002, art. 14; IN SRF nº 256, de 2002, art. 13). 5 Para as áreas de Preservação Permanente – Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário que o contribuinte protocolize o Ato Declaratório Ambiental (ADA) no prazo legal e a cada exercício ou reconhecimento da área através de Laudo Técnico, firmado por Engenheiro Agrônomo ou Florestal acompanhado da ART (Anotação da Responsabilidade Técnica) e de acordo com as normas da ABNT. As áreas de Preservação Permanente são as descritas na Lei n° 4.771, de 1965, artigos 2° e 3°, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989, artigo 1°. Definição: São áreas de preservação permanente, desde que atendam ao disposto na legislação pertinente: I As florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d’água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: de trinta metros para os cursos d’água de menos de dez metros de largura; de cinquenta metros para os cursos d’água que tenham de dez a cinquenta metros de largura; de cem metros para os cursos d’água que tenham de cinquenta a duzentos metros de largura; de duzentos metros para os cursos d’água que tenham de duzentos a seiscentos metros de largura; de quinhentos metros para os cursos d’água que tenham largura superior a seiscentos metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d’água naturais ou artificiais; Fl. 511DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10845.720178/200858 Acórdão n.º 220201.757 S2C2T2 Fl. 17 31 c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados “olhos d’água”, qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de cinquenta metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a quarenta e cinco graus, equivalente a cem por cento na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a cem metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a mil e oitocentos metros, qualquer que seja a vegetação. II As florestas e demais formas de vegetação natural, declaradas de preservação permanente por ato do poder público, quando destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) afixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. 6 As Áreas Cobertas por Florestas Nativas (artigo 10 da Lei Federal n° 9.393, de 1996). Para exclusão das áreas cobertas por florestas nativas da incidência do ITR é necessário que o contribuinte apresente o ADA ao IBAMA, no prazo lega e a cada exercício, e que atendam ao disposto na legislação pertinente. (Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 1º, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, art. 1º). Definição: São áreas cobertas por florestas nativas aquelas nas quais o proprietário protege as florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, onde o proprietário conserva a vegetação primária – de máxima expressão local, com grande diversidade biológica, e mínimos efeitos de ações humanas, bem como a vegetação secundária – resultante dos processos naturais de sucessão, após supressão total ou parcial da vegetação primária por ações humanas ou causas naturais. Assim, verificase que uma das exigências prevista para justificar a exclusão das áreas cobertas por florestas nativas da incidência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR/2005, qualquer que sejam as suas reais dimensões, não foi providenciada de forma tempestiva, qual seja, não cumprimento de uma exigência genérica, aplicada às áreas de interesse ambiental, para fins de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, sejam devidamente reconhecidas como de interesse ambiental, por intermédio de Ato Declaratório Ambiental ADA, emitido pelo IBAMA/órgão conveniado ou, pelo menos, que seja comprovado a protocolização tempestiva do seu requerimento. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 32 No tocante à apuração do imposto, de acordo com as instruções de preenchimento da DITR, podem ser excluídas, da área total do imóvel, para determinar a área tributável, as áreas de interesse ambiental. Como é de notório conhecimento, o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR incide sobre: (i) o direito de propriedade do imóvel rural; (ii) o domínio útil; (iii) a posse por usufruto; (iv) a posse a qualquer título, tudo conforme ditado pela Lei nº 9.393, de 1996. Conquanto, este tributo será devido sempre que no plano fático se configurar a hipótese de incidência ditada pela norma (Lei 9393/96): (i) a norma dita que a obrigação tributária nasce sempre em primeiro de janeiro de cada ano uma vez que a periodicidade deste tributo é anual; (ii) o imóvel deve estar localizado em zona rural; (iii) os demais requisitos já constam acima posse, propriedade ou domínio útil. Tenho para mim que para excluir as áreas de interesse ambiental cobertas por florestas nativas e anular a sua influência na determinação do Grau de Utilização, é necessário que seja atendida uma condição essencial que a informação no Ato Declaratório Ambiental – ADA. É de se ressaltar, que em nenhum momento estou questionando a existência e o estado das áreas cobertas por florestas nativas, relatórios técnicos que atestam a sua existência não atingem o âmago da questão. Mesmo aquelas possíveis áreas consideradas inaproveitáveis, para integrarem as reservas da propriedade, para fins de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, devem, no meu ponto de vista, obrigatoriamente, atender as exigências legais. Um dos objetivos precípuos da legislação ambiental e tributária é, indubitavelmente, estimular a preservação do meio ambiente, via beneficio fiscal. No entanto, o beneficio da exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, inclusive em áreas de proteção e/ou interesse ambiental como os Parques Estaduais, não se estende genérica e automaticamente a todas as áreas do imóvel por ele abrangidas. Somente se aplica a áreas especificas da propriedade, vale dizer, somente para as áreas de interesse ambiental situadas no imóvel como: área de preservação permanente, área de reserva legal, área de reserva particular do patrimônio natural e área de proteção de ecossistema, áreas cobertas por florestas nativas, bem como área imprestável para a atividade rural, desde que reconhecidas de interesse ambiental e desde que haja o reconhecimento dessas áreas por ato especifico, por imóvel, expedido pelo IBAMA, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) apresentado para o exercício e de forma tempestiva. Não tenho dúvidas, de que a obrigatoriedade da apresentação do ADA para fins de exclusão das áreas de interesse ambiental da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, surgiu no ordenamento jurídico pátrio com o art. 1º da Lei nº 10.165, de 2000 que incluiu o art. 17, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001, verbis: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10845.720178/200858 Acórdão n.º 220201.757 S2C2T2 Fl. 18 33 § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. § 2o O pagamento de que trata o caput deste artigo poderá ser efetivado em cota única ou em parcelas, nos mesmos moldes escolhidos pelo contribuinte para o pagamento do ITR, em documento próprio de arrecadação do Ibama. § 3o Para efeito de pagamento parcelado, nenhuma parcela poderá ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais). § 4o O inadimplemento de qualquer parcela ensejará a cobrança de juros e multa nos termos dos incisos I e II do caput e §§ 1oA e 1o, todos do art. 17H desta Lei. § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do Ibama, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. Tal dispositivo teve vigência a partir do exercício de 2001, anteriormente a este, a imposição da apresentação do ADA para tal fim era definido por ato infralegal, que contrariava o disposto no § 1º do inciso II do art. 97, do Código Tributário Nacional. Os presentes autos tratam do lançamento de ITR do exercício de 2005, portanto, a exigência do ADA para fins de exclusão da base de cálculo daquele tributo encontra respaldo legal, pelo quê, deve ser mantido quanto a este ponto, já o recorrente não comprovou nos autos a protocolização, de forma tempestiva, do requerimento/ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado para as áreas cobertas por florestas nativas. Não é do desconhecimento deste Relator, que as áreas cobertas por florestas nativas, foram introduzidas especificamente nas áreas de interesse ambiental pelo art. 48 da Lei Federal nº 11.428, de 2006, verbis: Art. 48. O art. 10 da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 10. .............................................................. § 1o ..................................................................... ........................................................................... II .................................................................... d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; Assim se manifesta o art. 10 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1993: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos Fl. 514DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 34 pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) d) sob regime de servidão florestal ou ambiental;(Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração;(Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) É oportuno salientar, que Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem entendido em suas decisões de que a dispensa de comprovação relativa às áreas de interesse ambiental, conforme redação do parágrafo 7°, do art. 10, da Lei n° 9.363, de 1996, introduzido originariamente pelo art. 3º da MP n° 1.95650, de 2000, e mantido na MP n° 2.16667, de 2001, ocorre quando da entrega da declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, o que não dispensa o contribuinte de, uma vez sob procedimento administrativo de fiscalização, comprovar as informações contidas em sua declaração por meio dos documentos hábeis previstos na legislação de regência da matéria. Não obstante a pretensão da requerente de querer comprovar nos autos a efetiva existência das áreas cobertas por florestas nativas (materialidade) por meio do documento “Laudo das Áreas de Preservação Permanente”, cabe ressaltar que essa comprovação, no meu entendimento, não é suficiente para que a lide seja decidida a seu favor, pois o que se busca nos autos é a comprovação do reconhecimento das referidas áreas mediante Fl. 515DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10845.720178/200858 Acórdão n.º 220201.757 S2C2T2 Fl. 19 35 ato do IBAMA ou órgão delegado por convênio ou, no mínimo, a comprovação da protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Enfim, a solicitação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) constituiuse um ônus para o contribuinte. Assim, caso não desejasse a incidência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR sobre as áreas cobertas por florestas nativas, a proprietária do imóvel deveria ter providenciado, dentro do prazo legal, o requerimento do ADA. Portanto, não há outro tratamento a ser dada às áreas cobertas por florestas nativas, glosada pela fiscalização lançada pela contribuinte como se fosse parte da área de preservação permanente, por falta de comprovação da exigência tratada anteriormente, que devem realmente passar a compor as áreas tributável e aproveitável do imóvel, respectivamente, para fins de apuração do VTN tributado e do seu Grau de Utilização (do imóvel). Mesmo que se entenda pela impossibilidade da autuada conseguir o Ato Declaratório Ambiental para o exercício questionado (2005), a recorrente não atendeu os demais requisitos para que a área em conflito fosse declarada como sendo áreas cobertas por florestas nativas. Senão vejamos: Restou claro na acusação de que a recorrente não atendeu os requisitos previstos na legislação de regência, verificase, em síntese, que: em relação à apresentação da Certidão do órgão público competente que comprovasse a existência da Área de Preservação Permanente, nos termos do artigo 3º da Lei Federal n° 4.771/1965(Código Florestal), o sujeito passivo entregou uma Informação Técnica (SMA/CPLEA/DPAE n° 002/08) da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Governo do Estado de São Paulo, emitida pela Coordenadoria de Planejamento Ambiental Estratégico e Educação Ambiental, responsável pelas informações a respeito das Unidades de Conservação de Uso Sustentável; desta Informação Técnica cabe ressaltar o seguinte: (1) que o imóvel encontrase totalmente inserido na Área de Proteção Ambiental APA Serra do Mar, criada pelo Decreto Estadual n° 22.717 de 21/09/1984; (2) que a maior parte do imóvel encontrase na Zona de Vida Silvestre (conforme anexo III do referido Decreto); após a promulgação da Lei Federal n° 9.985 de 18 de julho de 2000 (Sistema Nacional de Unidades de Conservação SNUC) a APA Serra do Mar deveria dispor de um Plano de Manejo, conforme determina o artigo 27 do SNUC; até a presente data da Informação Técnica o Plano de Manejo não foi elaborado, não havendo portanto normas específicas para o uso do solo na área; no ofício de encaminhamento (SMA/CPLEA n° 05/08) a conclusão é que o imóvel encontrase inserido na Área de Proteção Ambiental APA Serra do Mar e, em sua maior parte, em sua Zona de Vida Silvestre. Esclarece ainda que a informação versa sobre a inserção do imóvel na Área de Proteção Ambiental APA Serra do Mar; no ofício enviado pelo sujeito passivo, em resposta ao Termo de Intimação n° 08106/00001/2007, informa que os Laudos emitidos pela Secretaria de Estado do Meio Fl. 516DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 36 Ambiente atestam que o imóvel está totalmente inserido na Área de Proteção Ambiental APA Serra do Mar e em Zona de Vida Silvestre sendo portanto equiparados ao artigo 3º do Código Florestal em Área de Preservação Permanente; as APA não estão previstas como Áreas sujeitas à exclusão da Área Total do Imóvel, para fins de apuração do ITR. Desta forma não há o direito a isenção do ITR da Área declarada como APA conforme descrita no artigo 15 do SNUC; em relação à informação de que o imóvel encontrase em sua maior parte em Zona de Vida Silvestre (descrita no anexo III do Decreto Estadual n° 22.717 de 21/09/1984) a Resolução Conama n°10/1988 em seu artigo 4º dispõe que toda APA deverá ter Zona de Vida Silvestre nas quais será proibido ou regulado o uso dos sistemas naturais. Dispõe ainda que nas Zonas de Preservação de Vida Silvestre serão proibidas as atividades que importem na alteração antrópica da biota. A Lei Federal n° 9.985 de 18 de julho de 2000 (Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza SNUC) consolidou como um tipo de Unidade de Conservação de Proteção Integral o Refúgio de Vida Silvestre que pode ser constituído por áreas particulares; entretanto, o artigo 27 da mesma Lei, dispõe que as Unidades de Conservação devem ter um Plano de Manejo no prazo de cinco anos a partir da data de sua criação. O artigo 2 9 da mesma Lei também dispõe que as Unidades de Conservação do Grupo de Proteção Integral, deverão dispor de um Conselho Consultivo com representantes de órgãos públicos, de organizações da sociedade civil e pelos proprietários de terra localizadas em Refúgio de VidaSilvestre; conforme ressaltado na Informação Técnica (SMA/CPLEA/DPAE n° 002/08) da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Governo do Estado de São Paulo tanto a APA como a Zona de Vida Silvestre não dispõe de Plano de Manejo, não havendo portanto normas específicas para o uso do solo nessa área; que portanto para que a área de 19.790,3 ha pudesse ser excluída da base de cálculo do ITR ela deveria ser equiparada a uma Área de Preservação Permanente de acordo com o disposto no artigo 3° do Código Florestal. Conforme exposto, as Áreas de Proteção Ambiental não se equiparam e para que a Zona de Vida Silvestre estivesse de acordo com o disposto na Lei do SNUC e equiparada a Refúgio de Vida Silvestre, deveria dispor de um Plano de Manejo e um Conselho Consultivo para estabelecer as normas específicas para o uso do solo e a preservação integral dos recursos naturais daquela área; que convém ressaltar que no estágio administrativo em que essas Unidades de Conservação (APA e Zona de Vida Silvestre) estão, não existem garantias de que o uso dos sistemas naturais serão proibidos sem alteração antrópica da biota, equiparandose assim à uma Área de Preservação Permanente (artigo 3o Código Florestal). Essas áreas encontramse ainda em um estágio de uso moderado e autosustentado da biota, não se caracterizando portanto como de Preservação Permanente. Já se manifestou a decisão recorrida que não se está questionando, apenas, se as áreas de florestas estão ou não preservadas, pois, sua preservação, pelo menos em uma dimensão mínima, Reserva Legal, ou a Preservação Permanente para evitar a degradação de rios, desmoronamentos de morros etc., ou seja, garantir o ambiente natural, é de obrigação legal. Se não cumprida, há previsão de penalidade e a sua fiscalização cabe ao IBAMA. Para se obter a isenção tributária, não basta, somente, reservar e/ou preservar e declarar, pois, essas áreas, além de existirem, atendendo à legislação ambiental, têm que estar Fl. 517DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10845.720178/200858 Acórdão n.º 220201.757 S2C2T2 Fl. 20 37 documentadas, regularizadas e atualizadas, toda vez que assim a lei tributária exigir para serem contempladas com a isenção. A recorrente pretende sustentar seus argumentos nas legislações relativas à APA da Serra do Mar, por entender que pelo fato de seu imóvel estar localizado no perímetro dessa área seria de interesse ecológico com direito à isenção. Este argumento, por si só, não é suficiente para comprovar a isenção, pois, se assim fosse, praticamente todos os imóveis situados nessa região seriam isentos, situação esta que não ocorre. As áreas contidas dentro dos limites da citada APA, não podem ser, de maneira geral e automaticamente consideradas de interesse ecológico para efeito de exclusão do ITR. Dependendo, para tal fim, do cumprimento das exigências legais previstas para cada tipo de área ambiental, sendo improcedente a alegação de que a ausência do Plano de Manejo ou Conselho Consultivo, informado à interessada pelo Órgão Ambiental ao qual foi solicitado tais informações, não impediria a caracterização das áreas cobertas por florestas nativas. Na parte atinente ao cálculo do Valor da Terra Nua VTN, entendeu a autoridade lançadora que houve subavaliação, tendo em vista o valor constante do Sistema de Preço de Terras (SIPT), por aptidão agrícola, instituído pela Secretaria da Receita Federal em consonância ao art. 14, caput, da Lei n° 9.393, de 1996, razão pela qual o VTN declarado para o imóvel na DITR/2005, de R$ 1.080.000,00 (R$ 54,53 por hectare), foi aumentado para R$ 11.455.886,42 (representando um VTN por hectare, de R$ 578,519, cujo valor foi o VTN arbitrado pelo SIPT usando a aptidão agrícola – campos, no município para aquele exercício). Sobre este assunto parto sempre do entendimento inicial de que caso o contribuinte não apresente laudo técnico com o valor da terra nua VTN, pode a autoridade fiscal se valer do valor constante do SIPT, com base na aptidão agrícola, como meio hábil para arbitrar o VTN que servirá para apurar o ITR devido. Entretanto, apresentado laudo técnico, assinado por profissional competente e secundado por Anotação de Responsabilidade Técnica ART, esse é meio hábil para contraditar o valor arbitrado a partir do SIPT. Para desconsiderar o laudo apresentado, a autoridade fiscal tem que apontar alguma nulidade formal, contraditálo com outro laudo ou mesmo demonstrar a inviabilidade dos parâmetros utilizados (erros ou equívocos nos VTNs dos imóveis que serviram de paradigmas para a avaliação, quantidade de paradigmas, alienações de imóveis próximos que confrontem os preços utilizados etc.). Abaixo explico as razões do meu entendimento, senão sejamos. Em síntese, podemos dizer que o VTNm/ha representa a média ponderada dos preços mínimos dos diversos tipos de terras de cada microrregião, observandose nessa oportunidade o conceito legal de terra nua previsto na legislação de regência sobre o assunto, utilizandose como data de referência o último dia do ano anterior ao do lançamento, no caso 31 de dezembro de 2004. A utilização da tabela SIPT, para verificação do valor de imóveis rurais, a princípio, tem amparo no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Como da mesma forma, o valor do SIPT só é utilizado quando, depois de intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que tal valor fica sujeito à revisão quando o contribuinte comprova que seu imóvel possui características que o distingam dos demais imóveis do mesmo município. Não tenho dúvidas de que as tabelas de valores indicados no SIPT, quando elaboradas de acordo com a legislação de regência, servem como referencial para amparar o Fl. 518DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 38 trabalho de malha das declarações de ITR e somente deverão ser utilizados pela autoridade fiscal se o contribuinte não lograr comprovar que o valor declarado de seu imóvel corresponde ao valor efetivo na data do fato gerador. Para tanto, a fiscalização deve enviar uma intimação ao contribuinte solicitando a comprovação dos dados declarados antes de proceder à formalização do lançamento. Vivemos em um Estado de Direito, onde deve imperar a lei, de tal sorte que o indivíduo só se sentirá forçado a fazer ou não fazer alguma coisa compelido pela lei. Daí porque o lançamento ser previsto no art. 142 do Código Tributário Nacional como atividade plenamente vinculada, isto é, sem possibilidade de a cobrança se firmar em ato discricionário, e, por outro lado, obrigatória, isto é o órgão da administração não pode deixar de cobrar o tributo previsto em lei. Assim, sendo se faz necessário uma análise preliminar sobre a possibilidade da utilização dos valores constantes da tabela SIPT, quando elaborada tendo por base as DITR do município onde se localiza o imóvel. Ou seja, se faz necessário enfrentar a questão da legalidade da forma de cálculo que é utilizado, nestes casos, para se encontrar os valores determinados na referida tabela. Razão pela qual, na opinião deste Relator, se faz necessário verificar qual foi metodologia utilizada para se chegar aos valores constantes da tabela SIPT, principalmente, nos casos em que restar comprovado, nos autos do processo, que a mesma foi elaborada tendo por base a média dos VTN das DITR entregues no município da localização do imóvel. Esta forma de valoração do VTN atenderia as normas legais para se proceder ao arbitramento do VTN a ser utilizado, pela autoridade fiscal, na revisão da DITR? Sem dúvidas, que tal ponto não deixa de ser importante, posto que, em se entendendo que as normas de cálculo utilizadas para a confecção da Tabela SIPT, tomada como base para o arbitramento do VTN pela autoridade fiscal, não se demonstram adequadas à lei, tal situação faria prevalecer o VTN indicado pelo contribuinte em laudo técnico ou de sua Declaração. Evidentemente, que este não é o caso questão, já que o VTN extraído do SIPT referese à média do valor dos campos avaliado pela aptidão agrícola do município (valor mais baixo das estimativas apresentadas para o município) no ano de 2004, onde se avalia os preços médios por hectare de terras do município onde está localizado o imóvel, apurado através da avaliação pela Secretaria Estadual de Agricultura os preços de terras levando em conta de existência de lavouras, campos, pastagens, matas. Analisando o conteúdo das normas reguladoras para a fixação dos preços médios de terras por hectare só posso concluir, que o levantamento do VTN, levando conta a média dos VTN constantes da DITRs, não condiz com o proposto pelo art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, verbis: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10845.720178/200858 Acórdão n.º 220201.757 S2C2T2 Fl. 21 39 § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios Assim se manifesta o art. 12 da Lei nº 8.629, de 1993: Artigo 12 Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado. (o grifo não é do original) Resta claro, que com a publicação da Lei nº 9.393, de 1996, em seu art. 14 dispõe que as informações sobre preços de terras observarão os critérios estabelecidos no artigo 12, § 1°, inciso II, da Lei n 8.629, de 25 de fevereiro de 1.993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos municípios. Tenho para mim, que as atividades do Estado, mesmo quando no exercício de seu poder discricionário, estão vinculados a ordem Jurídica. Dai o significado do principio da legalidade para o Estado. Este só pode fazer aquilo que a lei o autoriza. Ora, os casos em que a fixação do VTNm não teve por o levantamento por aptidão agrícola, ou seja, restar comprovado nos autos, que a autoridade fiscal lançadora se utilizou do VTN médio das DITRs entregues no município, é de se dizer que não se cumpriu o comando legal e o VTNm adotado para proceder ao arbitramento pela autoridade lançadora não é legítimo, sendo inservível para o fim da recusa do valor declarado ou pretendido pelo contribuinte. Entretanto, se ao contrário o VTN utilizado pela autoridade lançadora for o VTN tendo por base a aptidão agrícola o arbitramento, a princípio, estaria correto e com amparo na legislação de regência. Por outro lado, mesmo estando correto o arbitramento (VTN tendo por base a aptidão agrícola) devese levar em conta que é facultado ao contribuinte solicitar a revisão do respectivo VTNm com base em Laudo Técnico de Avaliação emitido por profissional Fl. 520DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 40 habilitado ou empresa de reconhecida capacitação técnica, que deverá estar acompanhado de ART, devidamente registrada no CREA, além de atender aos requisitos das normas da ABNT, principalmente no que diz respeito às fontes consultadas e a metodologia então utilizada. Ora, a princípio, a legislação possibilita à autoridade administrativa rever o VTNm Valor da Terra Nua Mínimo impugnado pela Recorrente. Como o valor em comento é fixado com base no menor dos preços praticados para os imóveis rurais do município, em situações muito especiais, pode ocorrer que determinado imóvel rural situado naquele município, em decorrência de fatores naturais ou da ação humana que resulte na degradação do solo ou por condições inóspitas de acesso que dificulte a utilização econômica do imóvel, apresente um valor de terra nua inferior ao mínimo fixado pela SRF Secretaria da Receita Federal. Como essa hipótese pode efetivamente ocorrer, sabiamente, o legislador criou a possibilidade da autoridade administrativa, mediante prova robusta e inquestionável apresentada pelo contribuinte, rever o VTNm e acatar um valor inferior a este. Estou ciente que a presente matéria sempre gerou polêmica neste Conselho de Contribuintes e ainda vai permanecer ao longo do tempo, pois existem colegas que defendem a tese de que o contribuinte poderia questionar o Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela autoridade fiscal lançadora, mas para tanto seria necessário a apresentação de "Laudo Técnico de Avaliação" emitido por profissional habilitado, acompanhado de ART, devidamente anotada no CREA, que atendesse, ainda, aos requisitos das Normas da ABNT (atual NBR 14.6533), principalmente no que diz respeito à metodologia utilizada e às fontes eventualmente consultadas, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preços da data do fator gerador do imposto, além da existência de características particulares desfavoráveis, que justificassem um VTN/ha abaixo do arbitrado pela fiscalização com base no SIPT. Ou seja, entendem, que de acordo com a legislação de regência, estes critérios seriam rígidos. Entretanto, particularmente, rejeito esta tese e compartilho com a opinião dos colegas, externada em diversos julgados, que a legislação do ITR não estabeleceu, em lugar algum, a exigência de confecção de laudos técnicos de avaliação de conformidade com a norma da ABNT mencionada, ou em qualquer outra, para fins de pedido de revisão do VTN mínimo sobre determinado imóveis. A lei determinou, isto sim, que o laudo técnico deve ser emitido por entidade de reconhecida capacitação técnica ou por profissional devidamente habilitado. É evidente, que a autoridade administrativa competente poderá rever, com base em laudo técnico emitido por entidade de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado, o Valor da Terra Nua mínimo — VTNm, que vier a ser questionado pelo contribuinte. Entretanto, é fundamental que o laudo técnico de avaliação indique, pelo menos, de forma específica, os dados relativos ao imóvel avaliado, devendo, ser efetuado por perito (Engenheiro Civil, Engenheiro Agrônomo ou Engenheiro Florestal), devidamente habilitado, ou pelas Fazendas Públicas Estaduais ou Municipais ou, ainda, pela EMATER, em conformidade com as normas da ABNT — Associação Brasileira de Normas Técnicas (NBR 8799); e acompanhado de cópia da Anotação de Responsabilidade Técnica — ART, devidamente registrada no CREA. Observar, que a avaliação deve reportarse a 31 de dezembro do exercício anterior ao lançamento, com a demonstração do cálculo do valor da terra nua, nas condições estabelecidas no "Quadro de Cálculo do Valor da Terra Nua da DITR", demonstrando os métodos avaliatórios e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel (NORMA DE EXECUÇÃO S /COSAR/COSIT N°01 de 19 de maio de 1.995). Fl. 521DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10845.720178/200858 Acórdão n.º 220201.757 S2C2T2 Fl. 22 41 Basta, portanto, na opinião dos colegas que compartilham esta tese, que o laudo emitido de conformidade com tal determinação demonstre, de forma inequívoca, as características que diferenciam o imóvel questionado, das demais terras do município envolvido, indicando um valor de terra nua inferior ao mínimo estabelecido para tal município. Ora, a recorrente demonstrou de forma inquestionável, através do Laudo Técnico de Avaliação de fls. 49/170, que o Valor da Terra Nua médio por hectare de sua propriedade naquele município não poderia ser superior a R$ 269,28 por hectare. Assim sendo, é de se aceitar como sendo razoável o VTN proposto pelo recorrente no valor total de R$ 5.332.390,27. No que diz respeito da não incidência dos juros de mora, à taxa SELIC, sobre a multa de oficio proporcional aplicada, tenho a seguinte posição. O art. 139 do Código Tributário Nacional determina que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. O art. 113 do mesmo Código Tributário Nacional, por sua vez, determina, em seu parágrafo primeiro, que a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como da penalidade pecuniária dela decorrente. Entendo, assim, que a obrigação tributária principal compreende tanto os próprios tributos e contribuições, como, em razão de seu descumprimento, e por isso igualmente dela decorrente, a multa de oficio proporcional, que é exigível juntamente com o tributo ou contribuição não paga. Observese que tanto o tributo quanto a multa de oficio proporcional serão devidos com a consumação do fato gerador. A multa de oficio proporcional, embora seja um acréscimo ao tributo, não se trata de obrigação acessória, que se caracteriza pelo objeto não pecuniário, classificandose como uma obrigação de fazer. A obrigação tributária principal consiste, assim, em todo e qualquer pagamento devido, incluindose o tributo, a multa ou penalidade pecuniária. Em decorrência, o crédito tributário, a que se reporta o art. 161 do Código Tributário Nacional, corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo seus acréscimos legais, notadamente a multa de oficio proporcional. O art. 61, § 3º, da Lei n. 9.430, de 1996, fundamento legal da multa aplicada no caso concreto, prevê a aplicação de juros de mora sobre os débitos decorrentes de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorreram a partir de 01 de janeiro de 1997. Dentre os débitos decorrentes dos tributos e contribuições, entendo, pelas razões indicadas acima, incluemse as multas de oficio proporcionais, aplicadas em função do descumprimento da obrigação principal, e não apenas os débitos correspondentes aos tributos e contribuições em si. Frisese, por oportuno, que dito parágrafo terceiro determina a aplicação dos juros sobre o valor dos débitos indicados no caput do artigo, e não sobre seu valor acrescido da multa de mora prevista no mesmo caput. Por outro lado, se o caput do art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996 admite a aplicação da multa de mora sobre valor que, a depender das circunstancia do lançamento, pode (considerando, por exemplo, a espontaneidade ou não do pagamento e o beneficio da denuncia espontânea), estar acrescido da multa de oficio proporcional, cabe ao aplicador da norma afastar a respectiva concomitância, cuja eventual aplicação, contudo, não Fl. 522DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 42 tem o condão de modificar a legislação sobre a matéria, afastando a inclusão da multa de oficio proporcional na obrigação principal. Não é correta a afirmação de que toda penalidade pecuniária que se converte em obrigação principal é decorrente da observância de obrigação acessória. Não pagar tributo é o descumprimento de uma obrigação principal, constituindo parte desta. O fato de o dispositivo legal atribuir, à penalidade por descumprimento de obrigação acessória, a natureza de obrigação principal, não significa que toda e qualquer penalidade pecuniária é, em sua origem, uma obrigação acessória. Ou seja: a multa de oficio proporcional não é resultante do descumprimento de obrigação acessória, mas de obrigação principal. É obrigação principal em sua natureza, independentemente de conversão. Ressaltese, com relação aos juros de mora, que o art. 161 do Código Tributário Nacional determina que o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora à taxa de 1% ao mês, caso a lei não disponha de modo diverso, e a Lei n. 9.439, de 1996 determina a aplicação da taxa Selic aos casos em questão. Como dito crédito, deve ser entender, pelas razões expostas, a obrigação tributária principal como um todo, incluindo a multa de oficio proporcional. Adicionalmente, especificamente quanto ao art. 43 da Lei n° 9.430, de 1996, invocado pela recorrente em sua defesa, destaquese que esse dispõe sobre a hipótese de "Auto de Infração Sem Tributo", razão pela qual não disciplina a aplicação da juros sobre a multa de oficio proporcional, que somente é exigida com o tributo. Para finalizar a redação do presente voto vencedor, cabe, ainda, tecer alguns comentários sobre a aplicação da penalidade e dos juros de mora lançados com base na taxa SELIC. Quanto à multa de lançamento de ofício mantida é de se dizer, que se entende como procedimento fiscal à ação fiscal para apuração de infrações e que se concretize com a lavratura do ato cabível, assim considerado o termo de início de fiscalização, termo de apreensão, auto de infração, notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de suas funções inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles tomar conhecimento pela intimação. Os atos que formalizam o início do procedimento fiscal encontramse elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235/72. Em sintonia com o disposto no artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional CTN, esses atos têm o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas. Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades próprias dos procedimentos de ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. Ressaltese, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional CTN, denota que não apenas a medida de fiscalização tem o condão de constituirse em marco inicial da ação fiscal, mas, também, consoante reza o mencionado dispositivo legal, “qualquer procedimento Fl. 523DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10845.720178/200858 Acórdão n.º 220201.757 S2C2T2 Fl. 23 43 administrativo” relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972. O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220: O processo contencioso administrativo terá início por uma das seguintes formas: 1. pedido de esclarecimentos sobre situação jurídicotributária do sujeito passivo, através de intimação a esse; 2. representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias; 3 autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; 4. inconformismo expressamente manifestado pelo sujeito passivo, insurgindose ele contra lançamento efetuado. (...). A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estender até a solução final, através de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A. CONTREIRAS DE CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos processuais os que se realizam conforme as regras do processo, visando dar existência à relação jurídicoprocessual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, do qual depende. No processo administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a notificação (...). Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada, privativamente, por agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às faltas apuradas em serviço interno da Repartição fiscal, a peça que as documenta é a representação. Notese que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal. Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou Fl. 524DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 44 insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levandose em conta a ausência de máfé, de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte. Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendêlo. Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da Constituição Federal, não conflitando com o estatuído no art. 5°, XXII da mesma constituição, que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Da mesma forma, não vejo como se poderia acolher o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal da multa de ofício aplicada e dos juros moratórios com base na taxa SELIC. É meu entendimento, acompanhado pelos pares desta Turma de Julgamento, que quanto à discussão sobre a inconstitucionalidade de normas legais, os órgãos administrativos judicantes estão impedidos de declarar a inconstitucionalidade de lei ou regulamento, face à inexistência de previsão constitucional. No sistema jurídico brasileiro, somente o Poder Judiciário pode declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade. No caso de lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle seria mesmo incabível, por ilógico, pois se o Chefe Supremo da Administração Federal já fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência, para poder promulgar a lei, não seria razoável que subordinados, na escala hierárquica administrativa, considerasse inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional. Exercendo a jurisdição no limite de sua competência, o julgador administrativo não pode nunca ferir o princípio de ampla defesa, já que esta só pode ser apreciada no foro próprio. Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que entenda inconstitucional, maior insegurança teriam os cidadãos, por ficarem à mercê do alvedrio do Executivo. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10845.720178/200858 Acórdão n.º 220201.757 S2C2T2 Fl. 24 45 O poder Executivo haverá de cumprir o que emana da lei, ainda que materialmente possa ela ser inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo afasta sob o ponto de vista formal a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetálaia, nos termos do artigo 66, § 1º da Constituição. Rejeitado o veto, ao teor do § 4º do mesmo artigo constitucional, promulguea ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza, não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Facultaselhe, tãosomente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a decisão, continuará o Poder Executivo a lhe dar execução. Imaginese se assim não fosse, facultandose ao Poder Executivo, através de seus diversos departamentos, desconhecer a norma legislativa ou simplesmente negarlhe executoriedade por entendêla, unilateralmente, inconstitucional. A evolução do direito, como quer o suplicante, não deve pôr em risco toda uma construção sistêmica baseada na independência e na harmonia dos Poderes, e em cujos princípios repousa o estado democrático. Assim, não se deve a pretexto de negar validade a uma lei pretensamente inconstitucional, praticarse inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder. Ademais, estas matérias (inconstitucionalidade de leis e juros moratórios com base na taxa SELIC) já estão pacificadas no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, razão pela qual o Presidente do então Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a condensação da jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas a partir de 28 de julho de 2006. Atualmente estas súmulas foram convertidas para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, pela Portaria CARF nº 106, de 2009 (publicada no DOU de 22/12/2009), assim redigidas: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)” e “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4)”. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do imposto a Área de Preservação Permanente indicadas no Laudo Técnico equivalente a 8.585,24 há e reduzir o Valor da Terra Nua – VTN para R$ 5.332.390,27, conforme o estabelecido no Laudo Técnico de Avaliação apresentado. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 526DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 46 Voto Vencedor Conselheiro Pedro Anan Junior, Redator Designado O voto do nobre relator o conselheiro Nelson Mallmann, está muito bem fundamentado. Apesar das razões e fundamentos que o levaram a chegar a tal conclusão no que diz respeito a necessidade ou não da apresentação do ADA, tenho entendimento diverso do dele em alguns pontos, daí a razão de abrir a divergência que culminou prevalecendo no julgamento pela turma. Tratase de lançamento fiscal de ITR, de glosa de área de preservação permanente, no caso Área de Matas Nativas equivalente a 11.217,16 ha. por não ter o sujeito passivo não ter apresentado o Ato Declaratório Ambiental – ADA junto ao IBAMA, apesar de ter apresentado Laudo Técnico. A decisão recorrida, que confirmou o lançamento, apóiase na premissa de que a exclusão da área de matas nativas da apuração da base de cálculo do ITR, , há necessidade do protocolo do ADA junto ao IBAMA. Gostaria de ressaltar que na época que a Recorrente apresentou o ADA, não havia campo próprio para prestar tal informação, por isso tudo foi declarado como área de preservação permanente. A Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, assim determina em seu artigo 10: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou Fl. 527DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10845.720178/200858 Acórdão n.º 220201.757 S2C2T2 Fl. 25 47 estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c)comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) (...) Nos termos de referida norma legal, o contribuinte poderá excluir da base de cálculo do ITR, a área cobertas por florestas nativa, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração. Devo ressaltar que a possibilidade dessa exclusão de maneira expressa adveio com a edição da Lei n° 11.428, de 2006. Portanto a Recorrente não tinha como declarar que especificamente junto ao IBAMA, através do preenchimento do ADA que parte da área declarada como área de preservação permanente era floresta nativa, portanto declarou tudo como área de preservação permanente. Desta forma, não poderia a Recorrente ser penalizada por falha no formulário apresentado a autoridade fiscalizadora. De qualquer forma isso não tira o direito da Recorrente de excluir tal área da base de cálculo do ITR, tendo em vista que conseguiu comprovar através de laudo de avaliação a existência de tal área, e a norma legal conforme anteriormente transcrita não exige condição para que tal valor seja excluído. Além do mais a área em questão esta situada em área de preservação ambiental conforme evidenciado nos autos: o sujeito passivo entregou uma Informação Técnica (SMA/CPLEA/DPAE n° 002/08) da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Governo do Estado de São Paulo, emitida pela Coordenadoria de Planejamento Ambiental Estratégico e Educação Ambiental, responsável pelas informações a respeito das Unidades de Conservação de Uso Sustentável; que desta Informação Técnica cabe ressaltar o seguinte: (1) que o imóvel encontrase totalmente inserido na Área de Proteção Ambiental APA Serra do Mar, criada pelo Decreto Estadual n° 22.717 de 21/09/1984; (2) que a maior parte do imóvel encontrase na Zona de Vida Silvestre; Fl. 528DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 48 que após a promulgação da Lei Federal n° 9.985 de 18 de julho de 2000 (Sistema Nacional de Unidades de Conservação SNUC) a APA Serra do Mar deveria dispor de um Plano de Manejo, conforme determina o artigo 27 do SNUC; que até a presente data da Informação Técnica o Plano de Manejo não foi elaborado, não havendo portanto normas específicas para o uso do solo na área; que no ofício de encaminhamento (SMA/CPLEA n° 05/08) a conclusão é que o imóvel encontrase inserido na Área de Proteção Ambiental APA Serra do Mar e, em sua maior parte, em sua Zona de Vida Silvestre. Esclarece ainda que a informação verse sobre a inserção do imóvel na Área de Proteção Ambiental APA Serra do Mar; que de acordo com a legislação tributária vigente, o sujeito passivo tem direito apenas às exclusões de áreas não tributáveis previstas no Código Florestal (Lei Federal n° 4.771/65) e na Lei Federal n° 9.985/2000 (Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza SNUC), consubstanciadas na Lei Federal n° 9.393, de 19 de dezembro de 1996 (artigo 10, § Io, inciso II Lei do ITR) e através da sua regulamentação no Decreto Federal n° 4.3 82, de 19 de setembro de 2002 (artigos 11 ao 15 Regulamentação do ITR); Desta forma, entendo que a área de 19.790,3 há, que foi declarada pelo Recorrente como de preservação permanente, é passível de exclusão da base de cálculo do ITR, nos termos do que dispõe o artigo 10, da Lei 9.393 de 1996. No que diz respeito a incidência dos juros SELIC sobre a multa de ofício, também tenho entendimento diverso ao do relator, uma vez que na minha opinião o parágrafo 3°, do artigo 63, da Lei n° 9.430, de 1996, não permite a incidência dos juros sobre a multa de ofício, que é o caso em questão. Aliás a referida norma legal se permite a aplicação de juros, sobre a multa só se refere a multa de mora. Que aliás também entendo que não é passível de incidência de juros também, tendo em vista de se tratar de obrigação acessória, por atraso no recolhimento do tributo, pela mora. De qualquer forma, entendo que não o parágrafo 3°, do artigo 63, da Lei n° 9.430, de 1996, não permite a incidência dos juros sobre as multas tanto a de ofício, quanto a moratória, pois tais valores só devem incidir sobre a obrigação principal, e não sobre a obrigação acessória. Desta forma, entendo que assiste razão a recorrente, e dou provimento ao recurso apresentado reconhecendo a exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR, bem como da não incidência dos juros SELIC sobre a multa de ofício. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Jr. Redator Designado Fl. 529DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10845.720178/200858 Acórdão n.º 220201.757 S2C2T2 Fl. 26 49 Fl. 530DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR
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Numero do processo: 10860.721573/2015-99
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2010
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. MULTA POR ATRASO.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. SÚMULA CARF Nº 46.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49.
A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2002-002.642
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13811.726461/2015-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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GFIP. MULTA POR ATRASO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. SÚMULA CARF Nº 46. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13811.726461/2015-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 15 73 /2 01 5- 99 Fl. 119DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-002.642 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10860.721573/2015-99 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 2002-002.426, de 29 de janeiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de Auto de Infração lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, onde se apurou a Multa por Atraso na Entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. O contribuinte apresentou Impugnação, a qual foi julgada improcedente pelo Colegiado a quo. Cientificado do acórdão de primeira instância, o interessado ingressou com Recurso Voluntário com os argumentos a seguir sintetizados. - Alega a ocorrência de denúncia espontânea, conforme entendimento da Receita Federal constante da IN 971/09 e do Manual da GFIP/SEFIP. - Aduz que a multa em exame deveria observar os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. - Sustenta que não houve intimação do contribuinte omisso, como determina expressamente o art. 32-A da Lei 8.212/91, nem tampouco a imposição da multa no momento do recebimento da GFIP em atraso ou nos anos seguintes, tendo o fisco efetuado o lançamento nos estertores da decadência tributária. - Entende que a suposta infração de natureza acessória alcançou seu objetivo de forma plena e eficaz ante o pagamento integral do tributo consignado na GFIP antes de qualquer iniciativa fiscal. - Expõe que, ainda que tenha obedecido à regra da competência legislativa e tenha respeitado o processo legislativo, a lei será inconstitucional se atentar contra o princípio da razoabilidade. - Suscita o caráter confiscatório da multa aplicada. - Afirma que houve violação ao art. 146 do CTN. - Ressalta que não houve prejuízo ao erário, considerando que os encargos foram devidamente recolhidos. - Assevera que as multas aplicadas contrariam a jurisprudência administrativa e judicial. Fl. 120DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-002.642 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10860.721573/2015-99 Voto Conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Relatora Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2002-002.426, de 29 de janeiro de 2020, paradigma desta decisão. O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. No que concerne à ausência de intimação prévia ao lançamento, aplica-se o disposto na Súmula CARF nº 46, com efeito vinculante em relação à Administração Tributária Federal: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). O previsto no art. 32-A da Lei nº 8.212/91 não contraria este entendimento. A intimação prévia somente será realizada quando for necessária, ou seja, quando a autoridade fiscal não dispuser de elementos suficientes para efetuar o lançamento, o que não se verifica no caso em tela, uma vez que se trata de multa pelo atraso na entrega de GFIP sem apuração de incorreções em seu conteúdo. Relativamente à alegação de denúncia espontânea, deixo de tecer maiores considerações haja vista o entendimento consolidado na Súmula CARF n° 49, também vinculante em relação à Administração Tributária Federal: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Quanto à infração apurada, equivoca-se o recorrente ao entender que a mesma poderia ser afastada em razão do pagamento integral do tributo consignado na GFIP. De acordo com o art. 32-A, II, da Lei 8.212/91, a multa incide sobre o montante das contribuições previdenciárias informadas no documento ainda que tenham sido integralmente pagas pelo contribuinte. A exigência da penalidade independe de sua capacidade financeira ou da existência de danos causados à Fazenda Pública. Também não há que se falar em alteração nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa e violação do art. 146 do Código Tributário Nacional - CTN. A alteração na sistemática de aplicação de multas vinculadas à GFIP ocorreu com a inclusão do art.32-A da Lei Fl. 121DF CARF MF Documento nato-digital https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-002.642 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10860.721573/2015-99 8.212/91 pela Lei 11.941/09, ou seja, anteriormente ao ano calendário que aqui se examina. Vale lembrar que, segundo o art. 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, não cabendo discussão sobre a aplicação das determinações legais vigentes por parte das autoridades fiscais. Quanto aos questionamentos acerca da violação aos princípios constitucionais e do caráter confiscatório da multa, importa reproduzir o disposto na Súmula CARF n° 2, de observância obrigatória por seus Conselheiros no julgamento dos Recursos: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cabe mencionar, por fim, que as decisões trazidas pelo recorrente somente vinculam as partes envolvidas naqueles litígios, não podendo ser estendidas genericamente a outros casos. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 122DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10940.001384/2001-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 3302-001.319
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Denise Madalena Green - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimarães, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: DENISE MADALENA GREEN
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Denise Madalena Green - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimarães, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Relatório Tratam os autos de Pedido de Ressarcimento de saldo credor do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) de créditos originados na aquisição de MP (matéria-prima), Pl (produto intermediário) e ME (material de embalagem); processo produtivo, referente ao período de apuração do 3º Trimestre de 2001, no montante de R$ 2.428.443,65 (fl. 2) culminando com Declaração de Compensação de débito da matriz, relativo a Cofins (Contribuição Para Financiamento da Seguridade Social), vencida em 15/10/2001 (fl. 4). Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: A interessada protocolizou, em 15/10/2001, o pedido de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) referentes a insumos utilizados na fabricação de produtos vendidos no 3° trimestre-calendário de 2001, com esteio na Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 11, e no montante de R$ 2.428.453,65, concomitantemente com pedido de compensação (Í1. 2). No Despacho Decisório de 24/02/2006, de fls. 472/478, a DRF em Ponta Grossa, PR, deferiu apenas parcialmente a solicitação de créditos de IPI, no valor de R$ 1.901.945,53 (saldo credor passível de ressarcimento), sem direito a juros compensatórios, e homologou a compensação declarada até o limite do direito creditório reconhecido: houve, em relação ao total de créditos relativos a insumos aplicados na industrialização (R$ 2.473.813,10), a redução no montante de R$ 571.867,57 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 40 .0 01 38 4/ 20 01 -1 9 Fl. 588DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3302-001.319 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10940.001384/2001-19 correspondente aos débitos do imposto no trimestre-calendário, conforme demonstrativo de fl. 477. As aquisições com CFOP 1.99, 2.32, 2.99 e 3.12 foram objeto de compensação na escrita fiscal, mas os respectivos créditos não fazem jus a ressarcimento. Insubmissa à decisão administrativa da qual teve ciência em 06/03/2006, conforme o AR nos autos, a interessada apresentou, em 05/04/2006, a manifestação de inconformidade, de fls. 481/488, subscrita pelo patrono da pessoa jurídica, qualificado no instrumento de fls. 508/509, em que, resumidamente, afirma que a decisão recorrida é nula por preterição do direito de defesa (PAF, art. 59, II) e violação do princípio da motivação (Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 2°), uma vez que a requerente não tem condições de conhecer as verdadeiras razões do deferimento apenas parcial do pleito; como a requerente não incluiu na apuração do ressarcimento os créditos relativos as aquisições com CFOP 1.99, 2.32, 2.99 e 3.12, não poderia haver a dedução dos débitos referentes às saídas com CFOP 5.12 e 6.12, e, portanto, a diminuição dos créditos da interessada é decorrente da duplicidade de débitos considerados na apuração do saldo credor; por fim, requer o conhecimento e provimento da manifestação de inconformidade, sendo julgado procedente o pedido de restituição formulado e anulada a decisão proferida. Em 07/03/2007, conforme o despacho de fl. 512, por força da Portaria SRF n° 179, de 13 de fevereiro de 2007, este processo foi encaminhado a esta DRJ. A requerente juntou ao processo (fls. 516/521), em 17/04/2007, cópia da Resolução n° 204-00.313 de 07/11/2006 da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em que fora determinada, em diligência, a exclusão, do saldo credor do trimestre, dos débitos referentes às saídas com CFOP 5.12 e 6.12. Nova juntada pela contribuinte em 12/01/2009 (fls. 524/536): Acórdão n 204-03.146, de 08/04/2008, da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em que é dado provimento ao recurso da interessada em virtude de sucessiva mudança de critério jurídico para indeferir o direito creditório em questão, prejudicial ao direito de defesa da requerente. Ao analisar a Manifestação de Inconformidade, a 2ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto (RPO) exarou o Acórdão 14-27.336 de 27 de janeiro de 2010 (fls. 559/562), que, por unanimidade de votos, não reconheceu o direito creditório controvertido, nos termos da emenda colacionada abaixo: Assumo: IMPOSTO SOBRE PROTUDOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 30/09/2001 RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR ESCRITURAL. Ao cabo do trimestre-calendário, somente o saldo credor resultante do confronto entre créditos (relativos a insumos utilizados na industrialização) e débitos em cada período de apuração é passível de ressarcimento/compensação. Assumo: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 30/09/2001 DESPACHO DECISÓRIO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Ainda que haja deficiência na motivação de um despacho decisório, outros elementos presentes nos autos são aptos a evitar o cerceamento de defesa e elidir a respectiva nulidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 589DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3302-001.319 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10940.001384/2001-19 Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls.567/583, por meio do qual repete, basicamente, os mesmo argumentos já declinados em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Denise Madalena Green , Relator. I – Da admissibilidade: A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 25/05/2010 (fl. 564) e protocolou Recurso Voluntário em 23/06/2010 (fl.567) dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/72 1 . Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como relatado acima, trata-se o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) referentes a insumos utilizados na fabricação de produtos vendidos no 3° trimestre-calendário de 2001, com esteio na Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 11, e no montante de R$ 2.428.453,65, concomitantemente com declaração de compensação de débito da matriz, relativo a Cofins. O pedido de ressarcimento de saldos credores do IPI se deu em decorrência de saídas amparadas por suspensão, com direito à manutenção do imposto referente às operações anteriores. Esse direito ao ressarcimento, em tese, não é objeto de controvérsia. A autoridade revisora, o despacho decisório e o Acórdão recorrido são unânimes quanto ao direito em si. A controvérsia reside nos valores e no critério de apuração. Conforme se constata nos autos, desde o início, a verificação feita pela fiscalização careceu de maiores esclarecimentos, razão pela qual a autoridade julgadora de primeira instância converteu o julgamento em diligência para que fossem identificados os produtos cujos créditos foram glosados, quantificado seus valores e a motivação da glosa. Contudo, a própria DRF na diligência proposta, atesta que efetivamente não foram oferecidos todos os esclarecimento solicitado, limitando-se a indicar os itens glosados e ou excluídos, correspondente aos créditos de insumos adquiridos destinados à para comercialização, ao ativo permanente e a qualquer outra não integrante do processo produtivo, sem, entretanto, discriminar quais seriam estes produtos. É preciso admitir depois da análise do presente processo que se trata de um caso com erros, enganos e contradições. Assim, tentar em grau de recurso ordinário resta impossível corrigir ou saná-los, portanto, a decisão aqui cabível é de converter o julgamento em diligência, o que no meu entendimento, é o mesmo que foi dado em outro processo da mesma Recorrente em caso idêntico, a saber: Processo nº 10.940.000557/00-49, da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, relatora Nayra Bastos Manatta, senão vejamos: A questão basilar tratada neste recurso diz respeito à inclusão no cálculo do saldo credor do IPI de débitos relativos à saída de insumos para comercialização (CFOP 5.12 e 6.12). Realmente se verifica que a fiscalização excluiu do cálculo do saldo credor do IPI a ser ressarcido a aquisição de insumos adquiridos para simples revenda sob o argumento de 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 590DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 3302-001.319 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10940.001384/2001-19 que estas revendas não são consideradas industrialização e por consequência, nestas operações, não pode haver creditamento do IPI. Por outro lado considerou como tributáveis as saídas destes insumos tendo incluído no cálculo do saldo credor do período as saídas para simples revenda. Este ao meu ver parece ser um procedimento ambíguo. Se de um lado a entrada destes insumos destinados a simples comercialização não gera direito ao creditamento do imposto pois que nas operações de revenda o estabelecimento da empresa não é considerado industrial e portanto não tom direito ao creditamento do IPI, por outro lado, como seria de se concluir, por ser exatamente o reverso da moeda, as saídas destes insumos para revenda por não ser operação de industrialização, mas apenas comercialização, também não gera débitos do IPI. Ocorre que a fiscalização não considerou os créditos dos insumos mas considerou os débitos do IPI na saída para comercialização destes mesmos insumos. Nas operações de simples comercialização o estabelecimento da empresa não é considerado industrial e por consequência, nestas operações, não há débito ou crédito do IPI. Assim sendo, proponho a conversão do julgamento em diligência para que sejam excluídos do cálculo do saldo credor do IPI, no período em questão, os débitos relativos à saída de insumos para simples revenda, da mesma forma que foram excluídos os créditos advindos das aquisições destes insumos, devendo ser refeito o cálculo do saldo credor do IPI a ser ressarcido, com base nestes critérios. Deve ser elaborado demonstrativo de cálculo e relatório conclusivo. Do resultado da diligência seja dada ciência à contribuinte para que, em querendo, se manifeste no prazo de 30 dias. Após a conclusão retornem os autos a esta Câmara para julgamento. É como voto. Diante de todo o acima exposto e considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, proponho a conversão em diligência à Unidade de Origem para que sejam excluídos do cálculo do saldo credor do IPI, do período em questão, os débitos relativos à saída de insumos para simples revenda, da mesma forma que foram excluídos os créditos advindos das aquisições destes insumos, devendo ser refeito o cálculo do saldo credor do IPI a ser ressarcido, com base nestes critérios. Deve ser elaborado demonstrativo de cálculo e relatório conclusivo. Do resultado da diligência seja dada ciência à contribuinte para que, em querendo, se manifeste no prazo de 30 dias. Após a conclusão retornem os autos a esta Câmara para julgamento. (documento assinado digitalmente) Denise Madalena Green Fl. 591DF CARF MF Documento nato-digital
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